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TRATA-SE
DE UM MATERIAL GRATUITO, CRIADO POR UMA
CONCURSEIRA A PARTIR DAS AULAS DO PONTO DOS
CONCURSOS.

CONTEÚDO DA APOSTILA ESTA DE ACORDO COM O EDITAL PASSADO


PARA O CARGO DE TECNICO ADMINISTRATIVO DO MPU

NOÇÕES DE DIREITO PENAL


Aplicação da lei penal.
Crime e Contravenção.
 

NOÇOES INTRODUTÓRIAS
• NESTA AULA VEREMOS CONCEITOS IMPORTANTES PARA A
CORRETA COMPREENSÃO DOS TÓPICOS QUE VIRÃO EM
SEGUIDA.
AULA 00 ASSIM COMO EM MATEMÁTICA NÃO É POSSÍVEL RESOLVER
UMA EQUAÇÃO DO SEGUNDO GRAU SEM APRENDER A
SOMAR, DIMINUIR, MULTIPLICAR E DIVIDIR, AQUI NÃO SERÁ
POSSÍVEL COMPREENDER TEMAS ESPECÍFICOS SEM O
CONHECIMENTO DE CONCEITOS BÁSICOS.

APLICAÇÃO DA LEI PENAL


• INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
• LEI PENAL NO TEMPO
AULA 01 • CONFLITO APARENTE DE LEIS PENAIS
• TEMPO DO CRIME
• LEI PENAL NO ESPAÇO
• LUGAR DO CRIME
• EXTRATERRITORIALIDADE

DO CRIME

CRIME – NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

• CONCEITO
AULA 02 • CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES
• FATO TÍPICO
• TEORIA DO TIPO

CRIME – ESPÉCIES

• CRIME DOLOSO
• CRIME CULPOSO
• CRIME PRETERDOLOSO
• ERRO DE TIPO

AULA 03 CRIME – ITER CRIMINIS

• TENTATIVA
• DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA
• ARREPENDIMENTO EFICAZ

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• ARREPENDIMENTO POSTERIOR
• CRIME IMPOSSÍVEL

CRIME – ILICITUDE
AULA 04
• ESTADO DE NECESSIDADE
• LEGÍTIMA DEFESA
• ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL
• EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

Cada aula será composta de 30 a 40 páginas, com exceção da demonstrativa. Ao término


de cada encontro apresentarei exercícios comentados a fim de fixar a matéria. Serão
cerca de 10 a 20 questões por aula, totalizando aproximadamente 150 exercícios no
decorrer do curso.

Dito isto, vamos começar a subir mais um importante degrau rumo à aprovação?

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AULA 0 – NOCÕES INTRODUTÓRIAS

1.1 DIREITO PENAL

1.1.1 CONCEITO

De acordo com o autor José Frederico Marques, “é o conjunto de normas que ligam ao
crime, como fato, a pena como conseqüência, e disciplinam também as relações
jurídicas daí derivadas, para estabelecer a aplicabilidade de medidas de segurança e a
tutela do direito de liberdade em face do poder de punir do Estado”.
Resumindo, o Direito Penal é o ramo do direito público que se destina a combater os
crimes e as contravenções penais, através da imposição de uma sanção penal. Aqui
surge um primeiro conceito importantíssimo, caro aluno, qual a diferença entre crime e
contravenção?

CRIME X CONTRAVENÇÃO

Para encontrar a diferenciação entre estes dois


termos tão utilizados, devemos recorrer à Lei de
Introdução ao Código Penal, que dispõe em seu
artigo 1º:

Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena


de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa
ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a
infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão
simples ou de multa, ou ambas. alternativa ou cumulativamente.

Logo, do exposto, podemos resumir:

CRIMEÎ PENA DE RECLUSÃO OU DETENÇÃO


(isoladamente, alternativa ou cumulativamente com
multa)

CONTRAVENÇÃOÎ ISOLADAMENTE PRISÃO


SIMPLES OU MULTA

Dizemos que o direito penal é um ramo do direito público por ser composto de regras
aplicáveis a todas as pessoas e por ter o ESTADO como titular exclusivo do direito de
punir.

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1.1.2 CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL
Caro aluno, podemos afirmar que por cominar penalidades o Direito Penal é
predominantemente repressivo? É claro que não.

Na verdade, o Direito Penal tem como principal característica a finalidade preventiva,


ou seja, antes de punir o infrator, estabelece normas proibitivas e comina penas
visando evitar a prática do crime.

Havendo lesão ao bem protegido, a sanção abstrata, através do processo legal,


transforma-se em efetiva, atuando sobre o infrator.

Continuando com a caracterização do nosso objeto de estudo, conforme os


ensinamentos do renomado autor Magalhão e Noronha, “é o Direito Penal ciência
cultural normativa, valorativa e finalista”.

• NORMATIVOÎ PORQUE O DIREITO POSITIVO TEM COMO OBJETO A NORMA.

• VALORATIVOÎ PORQUE ESTABELECE A SUA PRÓPRIA ESCALA DE VALORES.


DEFINE QUAL DELITO É MAIS “PESADO” E COMINA SANÇÕES MAIS RÍGIDAS.

• FINALISTAÎ PORQUE VISA A PROTEÇÃO DOS BENS JURÍDICOS


FUNDAMENTAIS COMO GARANTIA DE SOBREVIVÊNCIA DA ORDEM JURÍDICA.

Além das já citadas características, podemos ainda dizer que o Direito Penal é
sancionador, pois não cria bens jurídicos, mas estabelece sanções que tutelam
preceitos definidos para outros ramos jurídicos. Exemplo: A constituição garante o
direito à vida, mas ela fala o que deve acontecer se um indivíduo matar alguém? É ai
que surge o Direito Penal, sancionando a conduta.
Finalizando, o Direito Penal tem caráter fragmentário, pois não tutela TODAS as
condutas. A proteção dada pelo Direito Penal é eminentemente subsidiária, pois
resguarda apenas as situações em que a proteção oferecida por outros ramos do
Direito não seja suficiente para inibir sua violação, ou em que a exposição a perigo do
bem jurídico tutelado apresente certa gravidade.
Nesse sentido, posiciona-se o Professor Julio Fabbrini Mirabete: “Muitas vezes as
sanções civis se mostram insuficientes para coibir a prática de ilícitos jurídicos graves,
que atingem não apenas interesses individuais, mas também bens jurídicos
relevantes, em condutas profundamente lesivas à vida social. Arma-se o Estado,
então, contra os respectivos autores desses fatos, cominando e aplicando sanções
severas por meio de um conjunto de normas jurídicas que constituem o Direito Penal.
Justificam-se as disposições penais quando meios menos incisivos, como os de

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Direito Civil ou Direito Público, não bastam ao interesse de eficiente proteção aos bens
jurídicos.”
O autor Heleno Cláudio Fragoso complementa: “as lesões de bens jurídicos só podem
ser submetidas a pena quando isso seja indispensável para a ordenada vida em
comum. Uma nova política criminal requer o exame rigoroso dos casos em que
convém impor pena (criminalização), e dos casos em que convém excluir, em
princípio, a sanção penal (descriminalização), suprimindo a infração, ou modificar ou
atenuar a sanção existente (despenalização). Desde logo deve excluir-se do sistema
penal a chamada criminalidade de bagatela e os fatos puníveis que se situam
puramente na ordem moral. A intervenção punitiva só se legitima para assegurar a
ordem externa. A incriminação só se justifica quando está em causa um bem ou valor
socialmente importante.”
Agora, elencando as principais características, temos:

1.1.3 DIVISÕES DO DIREITO PENAL


Concurseiro, a doutrina apresenta diversas divisões do Direito Penal, mas com FOCO
NO EDITAL e na ESAF, nem todas são importantes para você. Desta forma,
apresentarei somente as que você precisa saber. Vamos lá:

1. Direito penal comum Î O direito penal comum abrange as regras penais


aplicáveis a todas as pessoas, e não só a uma determinada “classe”, como a
dos funcionários públicos ou dos militares. A título de exemplo podemos citar a
lei nº. 11.343/2006 (Lei de drogas).

2. Direito penal especial Î Aplica-se somente a pessoas que se enquadram em


certas condições legalmente exigidas. Podemos citar como exemplos o Código

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Penal Militar e o Decreto-lei 201/67, que trata da responsabilidade dos
vereadores e prefeitos.

3. Direito penal objetivo Î É o conjunto de normas em vigor impostas pelo


Estado, a cuja observância os indivíduos podem ser compelidos mediante
coerção. É o conjunto de normas que a todos vincula, constituindo um padrão
de comportamento em razão do qual se dirá se uma conduta é correta ou
incorreta no plano jurídico.

4. Direito penal subjetivo Î É o direito que detêm o ESTADO de punir o


indivíduo que afrontar o Direito penal objetivo. O poder de punir do Estado é
também chamado de “jus puniendi”.

5. Direito penal material (também chamado de substantivo) Î É o Direito


Penal propriamente dito.

6. Direito penal formal (também chamado de adjetivo) Î É o Direito


Processual Penal propriamente dito.

1.1.4 FONTES DO DIREITO PENAL


Neste tópico não iremos nos aprofundar, mas ao menos um conceito básico é
necessário.
Fonte, em sentido usual, é o lugar de onde provém algo. Desta forma, podemos
conceituar fontes do direito penal como o ponto de partida das normas, princípios e
preceitos que norteiam este ramo jurídico. Dentre os diversos doutrinadores, a
classificação que você, concurseiro, precisa ter conhecimento é a subdivisão das
fontes em formais e materiais:
1 - Fontes materiais Î Aqui estamos tratando de quem será responsável pela
edição de normas específicas sobre o Direito Penal no nosso País. Encontramos
esta resposta na Constituição Federal que, em seu Art. 22, I, dispõe:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho; (grifo nosso)
Desta forma, caro aluno, podemos afirmar que a única fonte material do Direito
Penal é a UNIÃO, correto??? ERRADO!!! Excepcionalmente, lei estadual (ou
distrital) poderá tratar sobre questões específicas de Direito Penal, desde que
permitido pela União por meio de lei complementar, nos termos do Art. 22,
parágrafo único, da Carta Magna. Observe:

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Art. 22
[...]
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar
sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.

2 - Fontes formais Î Aqui, diferentemente, estamos tratando da forma como as


normas jurídicas são exteriorizadas. No Direito Penal brasileiro temos como fonte
formal a lei, que recebe a denominação de fonte imediata.
Além da fonte IMEDIATA, também existem fontes MEDIATAS que, embora não
vinculem a atuação do Estado, servem de embasamento na atuação Estatal. São elas:
Os costumes, os princípios gerais do direito, os atos administrativos, a doutrina e a
jurisprudência.
Alguns doutrinadores tratam de outras fontes, mas para você, caro aluno, que fará
uma prova da ESAF, são essas as fontes que são de conhecimento necessário.
Podemos resumir o exposto da seguinte forma:

REGRA: UNIÃO
MATERIAIS
EXCEÇÃO

ESTADOS (DELEGAÇAO POR LC)

FONTES

IMEDIATAS LEI

FORMAIS

1 – COSTUMES
MEDIATAS
2 – PCP. GERAIS DO DIREITO

3 – ATOS ADMINISTRATIVOS

4 – DOUTRINA

5 - JURISPRUDÊNCIA

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1.1.5 PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL
O Direito Penal brasileiro é regido por uma série de princípios, cujo estudo
aprofundado e exata compreensão é de suma importância para um bom
aprendizado dos assuntos que estão por vir.

Segundo o doutrinador Celso Antônio Bandeira de Mello:


“Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro
alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas,
compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão
e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema
normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o
conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes
componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo". (grifo
nosso)

Dito isto, vamos conhecer aqueles que serão importantes para a sua prova:

• PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL Î Uma das características de vital


importância do direito penal brasileiro é o chamado princípio da reserva
legal, o qual encontra previsão não só no Código Penal, mas também na
Constituição Federal. Observe:

Art. 5º (CF)

[...]

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal;

O princípio da reserva legal não é sinônimo do princípio da legalidade,


senão espécie. A doutrina não raro confunde ou não distingue
suficientemente o princípio da legalidade e o da reserva de lei. O primeiro
significa a submissão e o respeito à lei, ou a atuação dentro da esfera
estabelecida pelo legislador. O segundo consiste em estatuir que a
regulamentação de determinadas matérias há de se fazer
necessariamente por lei formal”

Segundo o Professor DAMÁSIO E. DE JESUS:

"(...) O princípio da ou de reserva legal tem significado político, no sentido


de ser uma garantia constitucional dos direitos do homem. Constitui a
garantia fundamental da liberdade civil, que não consiste em fazer tudo o
que se quer, mas somente aquilo que a lei permite. À lei e somente a ela
compete fixar as limitações que destacam a atividade criminosa da
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atividade legítima. Esta é a condição de segurança e liberdade individual.
(...) Assim, não há crime sem que, antes de sua prática, haja uma lei
descrevendo-o como fato punível. É lícita, pois, qualquer conduta que não
se encontre definida em lei penal incriminadora.”

• PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Î Este princípio tem base no já citado


art. 5º, XXXIX, da Carta Magna e estabelece a necessidade de que o
CRIME e a PENA estejam PREVIAMENTE definidos em LEI.
Mas e durante o chamado “vacatio legis”, período entre a publicação da lei e
a sua entrada em vigor, já pode um indivíduo ser punido? A resposta é
negativa, e para o nosso curso lembre-se sempre de que:

A LEI PENAL PRODUZ EFEITOS A PARTIR


DE SUA ENTRADA EM VIGOR. NÃO PODE
RETROAGIR, SALVO SE BENEFICIAR O RÉU.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU CRIMINALIDADE DE BAGATELA


Î Este princípio surgiu com a idéia de afastar da esfera do direito penal
situações com pouca significância para a sociedade. Observe o que o STF
diz sobre o tema no HC 92.961/SP – 2007:

STF - HABEAS CORPUS: HC 92961 SP

HABEAS CORPUS. PENAL MILITAR. USO DE SUBSTÂNCIA


ENTORPECENTE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO NO
ÂMBITO DA JUSTIÇA MILITAR. ART. 1º, III DA CONSTITUIÇÃO DO
BRASIL. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

[...]

A mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade


social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
e a inexpressividade da lesão jurídica constituem os requisitos de
ordem objetiva autorizadores da aplicação do princípio da
insignificância.

[...]

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Mas e se Tício furta um grão de arroz de Mévio, podemos afirmar que o
princípio será aplicado e, portanto, a tipicidade afastada?
A resposta é negativa, pois o simples fato de um objeto ter um reduzido
valor patrimonial não quer dizer que ele não é importante para quem o
detém. E se o supracitado grão de arroz tiver sido dado a Mévio por um
parente próximo, poucos instantes antes de morrer, não será valioso para
ele?
Ok, caro concurseiro, grão de arroz no leito de morte... Realmente peguei
pesado, mas acho que agora você não esquece mais!!! Vamos ver o que diz
o STJ sobre o tema:

STJ - HABEAS CORPUS: HC 60949 PE 2006/0127321-1

HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. FURTO DE PULSOS


TELEFÔNICOS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
POSSIBILIDADE. ORDEM CONCEDIDA.

1. O pequeno valor da res furtiva (objeto do furto) não se traduz,


automaticamente, na aplicação do princípio da insignificância. Há
que se conjugar a importância do objeto material para a vítima,
levando-se em consideração a sua condição econômica, o valor
sentimental do bem, como também as circunstâncias e o resultado
do crime, tudo de modo a determinar, subjetivamente, se houve
relevante lesão. Precedente desta Corte.

2. Consoante se constata dos termos da peça acusatória, a paciente


foi flagrada fazendo uma única ligação clandestina em telefone
público. Assim, o valor da res furtiva pode ser considerado ínfimo, a
ponto de justificar a aplicação do Princípio da Insignificância ou da
Bagatela, ante a falta de justa causa para a ação penal.

Para finalizar este importante princípio, é importante ressaltar que,


obviamente, ele não se aplica só aos delitos contra o patrimônio, mas A
QUALQUER CRIME. Durante o curso voltaremos a tratar deste tema.

• PRINCÍPIO DA ALTERIDADE Î Este princípio é interessante e de fácil


entendimento. Imagine que Tício, assim como o seu professor de penal, é
torcedor do Fluminense, e a cada jogo que vê na televisão Tício,
desesperado, começa a bater em si e fica todo machucado.

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Ele poderá ser condenado criminalmente por algo? NÃO, pois segundo o
princípio da alteridade ninguém pode ser punido por causar mal APENAS A
SI PRÓPRIO.

• PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA Î Segundo este princípio, o


Direito Penal deve ser utilizado com muito critério, devendo o legislador
fazer uso dele SOMENTE nas situações realmente NECESSÁRIAS de
serem rigidamente tuteladas. Veja como o STF trata o assunto:

STF - HABEAS CORPUS: HC 92463 RS

[...]

  O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de


  que a privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo
somente se justificam quando estritamente necessárias à própria
  proteção das pessoas, da sociedade e de outros bens jurídicos que
lhes sejam essenciais, notadamente naqueles casos em que os
 
valores penalmente tutelados se exponham a dano, efetivo ou
  potencial, impregnado de significativa lesividade. O direito penal não
se deve ocupar de condutas que produzam resultado, cujo desvalor -
 
por não importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes -
  não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja ao titular
do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social.
 
[...]
 

• PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA Î Ninguém pode ser responsabili-


zado por um fato que foi cometido por um terceiro. Tal princípio tem base
constitucional. Veja: 

Art. 5º

[...]

XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a


obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens

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ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

Segundo o STF, “O postulado da intranscendência impede que sanções e


restrições de ordem jurídica superem a dimensão estritamente pessoal do
infrator”. 

• PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM Î Não é admitido em nosso ordenamento


jurídico a DUPLA PUNIÇÃO.  

Com base neste princípio, temos a súmula 241 do STF que dispõe: “A
reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e,
simultaneamente, como circunstância judicial”. 

É importante citar que não há que se falar em afronta a este princípio quando
um indivíduo sofre ações penais diversas, por fatos distintos.

*************************************************************************************************

RESUMO DOS PRINCIPAIS PONTOS TRATADOS

-PREVENTIVO

-NORMATIVO

-CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL -VALORATIVO

-FINALISTA

-FRAGMENTÁRIO

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-COMUM

-ESPECIAL

DIVISÕES DO DIREITO PENAL -OBJETIVO

-SUBJETIVO

-MATERIAL

-FORMAL

-RESERVA LEGAL

-ANTERIORIDADE

-INSIGNIFICÂNCIA

PRINCIPAIS PRINCÍPIOS -ALTERIDADE

-INTERVENÇÃO MÍNIMA

-INTRANSCENDÊNCIA

-“NE BIS IN IDEM”

*******************************************************************************************************

Por enquanto é só! Espero encontrá-lo(a) em breve na nossa próxima aula.

Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo

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AULA 01 – APLICABILIDADE DA LEI PENAL

Concurseiros de todo Brasil, sejam bem vindos!

Hoje trataremos de um tema importantíssimo, presente em praticamente todas as provas


de direito penal. Estudaremos, com foco na ESAF, como a lei penal é aplicada e
verificaremos como a banca costuma exigir o assunto em prova.
Dito isto, vamos começar!
Bons estudos!!!
************************************************************************

1.1 LEI PENAL

1.1.1 CONCEITO

A lei penal é a fonte formal imediata do Direito Penal e é classificada pela doutrina
majoritária em incriminadora e não incriminadora.
Dizemos ser incriminadoras aquelas que criam crimes e cominam penas como, por
exemplo:

Art. 121. Matar alguém:


Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Sua estrutura apresenta dois preceitos, um primário (que expõe a conduta) e um


secundário (que determina a pena):

Diferentemente, as leis penais não incriminadoras são as que não criam delitos e
nem cominam penas, e subdividem-se em (citarei só o que importa para sua PROVA):
• PERMISSIVAS Î Autorizam a prática de condutas típicas. Exemplo: Art. 23 do
CP.

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

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I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.

• EXCULPANTES Î Estabelecem a não culpabilidade do agente ou caracteriza


a impunidade de algum crime. Observe:

Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer


outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do
cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
[...]
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à
sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de
metade a pena imposta.

• INTERPRETATIVAS Î Explicam determinado conceito, tornando clara a sua


aplicabilidade. É o caso do artigo 327 do CP, que explica o conceito de
funcionário público para fins penais:

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem,


embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou
função pública.

PRECEITO
Resumindo:
PRIMÁRIO
+
INCRIMINADORA
PRECEITO
SECUNDÁRIO

LEI PENAL

PERMISSIVA

NÃO EXCULPANTE
INCRIMINADORA
INTERPRETATIVA

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1.1.2 INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

A palavra interpretação não pertence exclusivamente aos estudiosos do direito. Ao


contrário, é empregada com freqüência nos múltiplos ramos do conhecimento e na
própria vida comum.
Há sempre alguém que traduz o pensamento de seus pares, de seus companheiros. E
os homens parecem gostar da interpretação, porque mexe com o raciocínio, quebra a
monotonia, empolga.
É fácil, pois, compreender que o significado trivial do termo não sofreria radicais
transformações no campo do direito. Interpretar é explicar, é precisar, é revelar o
sentido. E outra coisa não se faz ao se interpretar um preceito legal como medida
indiscutivelmente útil e necessária.
Quando pegamos um livro de Direito Penal, verificamos que existem diversas formas
de interpretação das leis penais, tais como: Autêntica, judicial, doutrinária, gramatical,
etc.
Para a sua PROVA, não é necessário o conhecimento das formas interpretativas, mas
será imprescindível que você saiba o conceito e as características da ANALOGIA que,
embora não seja uma forma interpretativa, funciona integrando a lei penal. Sendo
assim, vamos estudá-la:

1.1.2.1 ANALOGIA

A analogia jurídica consiste em aplicar a um caso não previsto pelo legislador a


norma que rege caso análogo, semelhante. Por exemplo, a aplicação de
dispositivo referente à empresa jornalística a uma firma dedicada à edição de livros
e revistas.
A analogia não diz respeito à interpretação jurídica propriamente dita, mas à
integração da lei, pois sua finalidade é justamente suprir lacunas desta.
A analogia se apresenta nas seguintes espécies:
• Analogia in malam partem Î É aquela em que se supre a lacuna legal com
algum dispositivo prejudicial ao réu. Isto não é possível no nosso ordenamento
jurídico e desta forma já se pronunciou o STJ e o STF. Observe:

STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 956876 RS 2007/0124539-5

Não cabe ao Julgador aplicar uma norma, por assemelhação, em


substituição a outra validamente existente, simplesmente por entender
que o legislador deveria ter regulado a situação de forma diversa da
que adotou; não se pode, por analogia, criar sanção que o sistema
legal não haja determinado, sob pena de violação do princípio da
reserva legal. 

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STF - INQUÉRITO: Inq 1145 PB – 19.12.2006

Não é possível abranger como criminosas condutas que não tenham


pertinência em relação à conformação estrita do enunciado penal.
Não se pode pretender a aplicação da analogia para abarcar hipótese
não mencionada no dispositivo legal (analogia in malam partem).
Deve-se adotar o fundamento constitucional do princípio da legalidade
na esfera penal. Por mais reprovável que seja a lamentável prática da
"cola eletrônica", a persecução penal não pode ser legitimamente
instaurada sem o atendimento mínimo dos direitos e garantias
constitucionais vigentes em nosso Estado Democrático de Direito. 

• Analogia in bonam partem Î Neste caso, aplica-se ao caso omisso uma norma
favorável ao réu. Este tipo de analogia é aceito em nosso ordenamento jurídico
e desta forma já se pronunciou o STF em diversos julgados:

HC/97676 - HABEAS CORPUS – 03/08/2009

Assim, é perfeitamente aplicável a analogia in bonam partem, a fim de


extinguir a punibilidade do réu, garantindo-se a aplicação do princípio
da isonomia, pois é defeso ao julgador conferir tratamento diverso a
situações equivalentes.

1.2 LEI PENAL NO TEMPO

A lei penal, assim como qualquer outro dispositivo legal, passa por um processo
legislativo, ingressa no nosso ordenamento jurídico e vigora até a sua revogação, que
nada mais é do que a retirada da vigência de uma lei.
Entretanto, mais propriamente na esfera do Direito Penal, temos diversas situações em
que a revogação de uma lei instaura uma situação de claro conflito que, obviamente,
precisa ser sanado.
Antes de verificarmos estes conflitos, caro aluno, é importante, mas MUITO
IMPORTANTE MESMO, que tenhamos em mente que a regra geral no Direito Penal é a
da prevalência da lei que se encontrava em vigor quando da prática do fato, ou seja,
aplica-se a LEI VIGENTE quando da prática da conduta – Princípio do “TEMPUS REGIT
ACTUM”
Sendo assim, devemos sempre lembrar que:

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REGRA GERAL: A LEI PENAL INCIDE SOBRE


FATOS OCORRIDOS DURANTE A SUA
VIGÊNCIA (TEMPUS REGIT ACTUM).
TEMPUS REGIT ACTUM: É O NOME DO PRINCÍPIO QUE
REGE A APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO.
ENUNCIADO: A LEI PENAL INCIDE SOBRE FATOS
OCORRIDOS DURANTE A SUA VIGÊNCIA.

“Mas professooor.... Eu escuto falar tanto em retroagir para beneficiar o réu...Não é


esta a regra geral??? “
A resposta é negativa e na pergunta acima temos uma das várias exceções que, a
partir de agora, vamos tratar:

1.2.1 NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA

Novatio legis incriminadora ocorre quando um indiferente penal (conduta


considerada lícita frente à legislação penal) passa a ser considerado crime pela lei
posterior. A lei que incrimina novos fatos é irretroativa, uma vez que prejudica o
sujeito.
Para exemplificar, imaginemos que é criada uma lei para criminalizar o fato de
concurseiros “ficarem vendo televisão ao invés de estudar para a prova da
RECEITA FEDERAL”. Essa lei vai poder atingir a minha época de estudos? Claro
que não, pois, com base na Constituição Federal, não retroagirá.
Art. 5º
[...]
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

1.2.2 LEI PENAL MAIS GRAVE – LEX GRAVIOR

Aqui não temos a tipificação de uma conduta antes descriminalizada, mas sim a
aplicação de tratamento mais rigoroso a um fato já constante como delito. Para
esta situação também não há que se falar em retroatividade, pois, conforme já
tratamos:

SE MAIS GRAVE A LEI, TERÁ APLICAÇÃO APENAS A FATOS


POSTERIORES À SUA ENTRADA EM VIGOR. JAMAIS
RETROAGIRÁ, CONFORME DETERMINAÇÃO CONSTITUCIONAL.

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1.2.3 ABOLITIO CRIMINIS

O instituto da abolitio criminis ocorre quando uma lei nova trata como lícito fato
anteriormente tido como criminoso, ou melhor, quando a lei nova descriminaliza
fato que era considerado infração penal.
Encontra embasamento no artigo 2º do Código Penal, que dispõe da seguinte
forma:

Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais
da sentença condenatória.

Não se confunde a descriminalização com a despenalização, haja vista a primeira


delas retirar o caráter ilícito do fato, enquanto que a outra é o conjunto de medidas
que visam eliminar ou suavizar a pena de prisão. Assim, na despenalização o
crime ainda é considerado um delito.
Segundo os princípios que regem a lei penal no tempo, a lei abolicionista é norma
penal retroativa, atingindo fatos pretéritos, ainda que acobertados pelo manto da
coisa julgada. Isto porque o respeito à coisa julgada é uma garantia do cidadão em
face do Estado. Logo, a lei posterior só não pode retroagir se for prejudicial ao réu.

Coisa julgada é a qualidade conferida à


sentença judicial contra a qual não cabem
mais recursos, tornando-a imutável e
indiscutível.

Entende a maioria da doutrina, inclusive o Supremo Tribunal Federal, que é


perfeitamente possível abolitio criminis por meio de medida provisória. Cite-se
como exemplo o Recurso Extraordinário nº. 254.818, cujo Relator foi o Ministro
Sepúlveda Pertence.

STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 254818 PR

Medida provisória: sua inadmissibilidade em matéria penal - extraída


pela doutrina consensual - da interpretação sistemática da
Constituição -, não compreende a de normas penais benéficas,
assim, as que abolem crimes ou lhes restringem o alcance,
extingam ou abrandem penas ou ampliam os casos de isenção de
pena ou de extinção de punibilidade. 

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Para finalizar, exemplo claro de abolitio criminis em nosso ordenamento jurídico foi o
que aconteceu com o adultério, que desde 2005 não é mais considerado crime.

1.2.4 LEI PENAL MAIS BENÉFICA

Imaginemos que Tício cometeu um delito. Meses depois, após sua condenação
transitada em julgado, a lei penal é modificada, tornando-se mais benéfica. Para este
caso, ela retroagirá?
Para obter a resposta, caro aluno, você deve verificar o parágrafo único do artigo 2º do
Código Penal, que dispõe:

Art. 2º
[...]
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o
agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença
condenatória transitada em julgado.

Para ficar bem claro, vamos aplicar o regramento legal em um caso prático:
Em 2006 tivemos o advento da lei nº. 11.343, conhecida como lei de Drogas. Até
então, caso determinado indivíduo fosse encontrado com drogas, mesmo para
consumo próprio, estaria cometendo um crime e poderia, inclusive, ser preso.
A nova lei veio despenalizar a conduta, ou seja, hoje, se um indivíduo estiver com
drogas para consumo pessoal, não pode ser preso.
O que fazer então com aqueles que haviam sido presos?
Exatamente isso, ou seja...Abrir as portas para todos eles!!!

A RETROATIVIDADE É AUTOMÁTICA,
DISPENSA CLÁUSULA EXPRESSA E
ALCANÇA INCLUSIVE OS FATOS
DEFINITIVAMENTE JULGADOS!

Atenção agora, caro aluno, para um importante detalhe. Tratamos que a lei mais
favorável é RETROATIVA. Sendo assim, somente podemos falar em
RETROATIVIDADE quando lei posterior for mais benéfica ao agente, em comparação
àquela que estava em vigor quando o crime foi praticado.

Observe:

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Mas agora imaginemos que Mévio comete um delito sob a égide de uma LEI “A”.
Meses depois uma LEI “B” revoga a LEI “A”, trazendo regras mais gravosas ao crime
cometido por Mévio. O que fazer neste caso?
Para esta situação, em que um delito é praticado durante a vigência de uma lei que
posteriormente é revogada por outra prejudicial ao agente, ocorrerá a
ULTRATIVIDADE da lei.
Quando se diz que uma lei penal é dotada de ultratividade, quer-se afirmar que ela,
apesar de não mais vigente, continua a vincular os fatos anteriores à sua saída do
sistema.

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1.2.5 COMBINAÇÃO DE LEIS PENAIS

Situação curiosa ocorre quando o agente comete o delito sob os efeitos de


determinada lei penal que posteriormente vem a ser revogada por outra que lhe é mais
benéfica em alguns aspectos e mais gravosa em outros.
Para ficar bem claro, imaginemos que Caio cometeu um ilícito punível com pena de 2
a 4 anos de reclusão e multa. Posteriormente é editada uma lei, revogando a anterior,
prevendo pena de 5 a 8 anos, mas não trazendo previsão de multa.
Neste caso, seria possível retroagir apenas “parte” da lei a fim de favorecer o réu?
A doutrina é bem divergente quanto ao tema e isto fica claro nas lições de Fernando
Galvão que, com a maestria que lhe é peculiar, assim conceitua a combinação de leis
penais:
“Ocorre combinação de leis quando, diante da sucessão de leis no
tempo, o julgador utiliza dispositivos de duas ou mais leis para
definir situação mais benéfica ao acusado. O Código Penal não
menciona a possibilidade de combinação das leis, o que equivaleria
a construir uma lei distinta das demais. Não cabe ao julgado a tarefa
de criar leis, e sempre houve discordância na doutrina sobre a
possibilidade da combinação. Entre os clássicos, Hungria e Aníbal
Bruno repudiaram a possibilidade da combinação das leis. Já
Frederico Marques e Basileu Garcia defendiam a possibilidade da
combinação com base no princípio da equidade.” (in Direito Penal,
parte geral, 2ª edição, Editora Del Rey, 2007, p.95)

Não se pode desconsiderar do supra texto o destaque do fato de, efetivamente, não
haver previsão legal da combinação de leis. Entretanto, e principalmente na seara do
Direito Penal, é imperioso reconhecer que a interpretação dos institutos previstos no
Código Penal deve ser permeada, mais do que em qualquer outro ramo do direito,
pelos ditames da justiça, da igualdade e da intervenção mínima.

PELO PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA, O DIREITO PENAL


DEVE SE ABSTER DE INTERVIR EM CONDUTAS IRRELEVANTES
E SÓ ATUAR QUANDO ESTRITAMENTE NECESSÁRIO.

Ora, se nem mesmo o constituinte originário, quando concebeu a redação do art.5º,


XL, da Constituição Federal, fez qualquer ressalva à combinação de leis penais mais
benéficas, por que não conferir uma máxima efetividade à referida norma
constitucional e, assim, numa interpretação extensiva, admitir a combinação das leis?
Não foi outro o entendimento mais recente do Supremo Tribunal Federal acerca do
tema, em julgado publicado no informativo de jurisprudência n°525, no qual a segunda
Turma daquela corte assim se manifestou:

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“A Turma, em conclusão de julgamento, deferiu, por maioria, habeas corpus


impetrado em favor de condenado por tráfico ilícito de entorpecentes (Lei 6.368/76,
art. 12, c/c art. 29 do CP) para que se aplique, em seu benefício, a causa de
diminuição trazida pela Lei 11.343/2006 - v. Informativo 523.

Centrava-se a questão em apurar o alcance do princípio da retroatividade da lei


penal mais benéfica, em face da nova Lei de Tóxicos, que introduziu causa de
diminuição da pena para o delito de tráfico de entorpecentes, mas aumentou-
lhe a pena mínima.

Inicialmente, salientou-se a necessidade de se perquirir se seria lícita a incidência


isolada da causa de diminuição de pena aos delitos cometidos sob a égide da lei
anterior, tendo por base as penas então cominadas.

Entendeu-se que aplicar a causa de diminuição não significa baralhar e confundir


normas, uma vez que o juiz, ao assim proceder, não cria lei nova, mas apenas se
movimenta dentro dos quadros legais para uma tarefa de integração perfeitamente
possível.

Ademais, aduziu-se que se deveria observar a finalidade e a ratio do princípio, para


dar correta resposta à questão, não havendo como se repudiar a aplicação da causa
de diminuição também a situações anteriores.

Nesse diapasão, enfatizou-se, também, que a vedação de junção de


dispositivos de leis diversas é apenas produto de interpretação da doutrina e
da jurisprudência, sem apoio direto em texto constitucional.

Vencida a Min. Ellen Gracie, relatora, que indeferia o writ por considerar que extrair
alguns dispositivos, de forma isolada, de um diploma legal, e outro preceito de
diverso diploma, implicaria alterar por completo o seu espírito normativo, gerando um
conteúdo distinto do previamente estabelecido pelo legislador, e instituindo uma
terceira regra relativamente à situação individual do paciente. Precedente citado: HC
68416/DF (DJU de 30.10.92).HC 95435/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, rel. p/ o
acórdão Min. Cezar Peluso, 21.10.2008. (HC-95435)” (sem grifos no original)

Entendeu o STF que a tarefa de combinação legislativa nada mais é do que um


exercício de integração, perfeitamente possível em se tratando de tratamento mais
benéfico ao acusado, principalmente por compreender que a vedação não encontra
apoio no texto constitucional.
Ainda nas palavras de Fernando Galvão: “Ao contrário, pode-se entender que a
possibilidade da combinação das leis é extraída do próprio sistema normativo. Se a
finalidade da garantia constitucional que impõe retroatividade in mellius é beneficiar o
autor do fato, impedir a retroatividade da parte benéfica da lei nova é impedir a
aplicação do benefício pretendido pela carta constitucional. Portanto, a combinação das

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leis é solução acolhida pelo ordenamento jurídico, quando resultar em benefício para o
autor do fato” (in obra citada p.96).
Desta forma, independentemente de qualquer divergência doutrinária, a posição que
você deve adotar na sua PROVA é a do STF, ou seja:

É POSSÍVEL A COMBINAÇÃO DE
LEIS PENAIS A FIM DE
BENEFICIAR O RÉU.

1.2.6 LEI PENAL TEMPORÁRIA E LEI PENAL EXCEPCIONAL

Caro aluno, vimos até agora que a lei penal retroage para beneficiar o réu. Mas
imagine a seguinte situação. Uma lei é editada atribuindo penalização de reclusão de
5 a 8 anos para os indivíduos que gastem uma quantidade de água superior a 300
litros por mês durante certo período de racionamento. Esta lei entra em vigor em 01 de
janeiro de 2010 e termina em 31 de dezembro do mesmo ano.
Tício, no mês de outubro do supracitado ano, durante a vigência da lei, gasta 500 litros
de água e tal fato só é descoberto no dia 29 de dezembro. Para este caso, dará tempo
de ele ser condenado? E se for, no dia 1º de janeiro teremos a abolitio criminis?
Para responder a estas perguntas e evitar situações absurdas que tirariam o sentido
de determinadas leis, dispõe o Código Penal:

Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de


sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se
ao fato praticado durante sua vigência.

LEIS TEMPORÁRIAS Î SÃO AQUELAS QUE TRAZEM EM SEU TEXTO O


TEMPO DETERMINADO DE SUA VALIDADE. POR EXEMPLO, A LEI
TERÁ VALIDADE ATÉ 15 DE NOVEMBRO DE 2012 - UM PERÍODO
CERTO.

LEIS EXCEPCIONAIS Î SÃO AS QUE TÊM SUA EFICÁCIA VINCULADA


A UM ACONTECIMENTO DO MUNDO FÁTICO, COMO POR EXEMPLO
UMA GUERRA. NELSON HUNGRIA CITA A LEI QUE ORDENAVA QUE,
EM TEMPO DE GUERRA, TODAS AS PORTAS DEVERIAM SER
PINTADAS DE PRETO, OU SEJA, A GUERRA É UM PERÍODO
INDETERMINADO, MAS, DURANTE O SEU TEMPO, CONSTITUÍA CRIME
DEIXAR DE PINTAR A PORTA. AO TÉRMINO DA GUERRA, A LEI
PERDERIA EFICÁCIA.

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As leis excepcionais e temporárias são auto-revogáveis, ou seja, não há necessidade
da edição de uma outra lei para retirá-las do ordenamento jurídico. É suficiente para tal
o decurso do prazo ou mesmo o término de determinada situação.
Para que sua aplicabilidade seja plena, o legislador percebeu ser necessária a
manutenção de seus efeitos punitivos, pós sua vigência, aos que afrontaram a norma
quando vigorava.
Desta forma, podemos afirmar que as LEIS EXCEPCIONAIS E TEMPORÁRIAS
POSSUEM ULTRATIVIDADE, pois, conforme exposto, aplicam-se sempre ao fato
praticado durante sua vigência. O fundamento da ultratividade é claro e a explicação
está prevista na exposição de motivos do Código Penal, nos seguintes termos:

“É especialmente decidida a hipótese da lei excepcional ou temporária, reconhecendo-


se a sua ultra-atividade. Esta ressalva visa impedir que, tratando-se de leis
previamente limitadas no tempo, possam ser frustradas as suas sanções por
expedientes astuciosos no sentido do retardamento dos processos penais. “

Esquematizando:

INÍCIO DA ATO
TÉRMINO DA
VIGÊNCIA CONTRÁRIO VIGÊNCIA
À LEI

LEI TEMPORÁRIA Î PERÍODO DE VIGÊNCIA DEFINIDO


LEI EXCEPCIONAL Î SITUAÇÃO DE ANORMALIDADE

1.3 CONFLITO APARENTE DE LEIS

Segundo o autor Cássio Juvenal Faria em seu estudo:

"Ocorre o conflito aparente de normas penais quando o mesmo fato se amolda a duas ou
mais normas incriminadoras. A conduta, única, parece subsumir-se em diversas normas
penais. Ou seja, há uma unidade de fato e uma pluralidade de normas contemporâneas
identificando aquele fato como criminoso".
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Resumindo, o conflito aparente de leis penais ocorre quando a um só fato,


aparentemente, duas ou mais leis são aplicáveis, ou seja, o fato é único, no entanto,
existe uma pluralidade de normas a ele aplicáveis.
Como diz a própria expressão, o conflito é aparente, pois se resolve com a correta
interpretação da lei.
A doutrina, regra geral, indica 04 princípios a serem aplicados a fim de solucionar o
conflito aparente de leis penais, são eles:

1. SUBSIDIARIEDADE;
2. ESPECIALIDADE;
3. CONSUNÇÃO;
4. ALTERNATIVIDADE

O conhecimento destes 04 princípios é importante para a sua prova e, para lembrá-los,


observe que juntos formam a palavra SECA!!!

Vamos conhecê-los:

1.3.1 PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE

Estabelece que a lei especial prevalece sobre a geral. Considera-se lei especial
aquela que contém todos os requisitos da lei geral e mais alguns chamados
especializantes.
Exemplo: O crime de infanticídio, previsto no artigo 123 do Código Penal, tem um
núcleo idêntico ao do crime de homicídio, tipificado pelo artigo 121, qual seja, “matar
alguém”. Torna-se figura especial, ao exigir elementos diferenciadores: A autora deve

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ser a mãe e a vítima deve ser o próprio filho, nascente ou neonato, cometendo-se o
delito durante o parto ou logo após, sob influência do estado puerperal.

ELEMENTOS COMUNS 

1.3.2 PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE

Subdivide-se em expresso e tácito.


Ocorre a subsidiariedade expressa, quando a própria norma reconhecer seu caráter
subsidiário, admitindo incidir somente se não ficar caracterizado o fato de maior
gravidade.

Como exemplo, compete citar o crime de perigo para a vida ou saúde de outrem (art.
132, CP):

"Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:

Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, se o fato não constituir crime


mais grave". (grifei)

Como se retira do preceito secundário do artigo transcrito, somente "se o fato não
constituir crime mais grave" é que a pena relativa ao delito descrito no art. 132 será
aplicada ao agente.
No caso da subsidiariedade tácita, a norma nada diz, mas, diante do caso concreto,
verifica-se seu caráter secundário.
Exemplo claro é o do crime de roubo, em que a vítima, mediante emprego de
violência, é constrangida a entregar a sua bolsa ao agente.
Aparentemente, incidem o tipo definidor do roubo (norma primária) e o do
constrangimento ilegal (norma subsidiária), sendo que o constrangimento ilegal, no
caso, foi apenas uma fase do roubo, além do fato de este ser mais grave.

1.3.3 PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO

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Conhecido também como Princípio da Absorção, é um princípio aplicável nos casos


em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência.
De acordo com tal princípio, o crime mais grave absorve o crime menos grave.
Ao contrário do que ocorre no princípio da especialidade, aqui não se reclama a
comparação abstrata entre as leis penais. Comparam-se os fatos, inferindo-se que o
mais grave consome os demais, sobrando apenas a lei penal que o disciplina. Mas,
como assim?
Se tomo, por exemplo, o crime de furto qualificado (art. 155, § 4º, do Código Penal),
não posso, de antemão, dizer que ele sofre consunção, pois que dele, em si, nada se
pode aferir quanto até mesmo a sua correspondência íntima com outro crime.
Abstratamente, enfim, é impossível saber se ele é, ou não, consuntivo.
No entanto, se digo que o agente Tício, com o intuito de furtar bens de uma residência,
escala o muro que a cerca e, utilizando-se de chave falsa, abre-lhe a porta e penetra
em seu interior, subtraindo-lhe os bens e fugindo logo em seguida, posso, com toda a
certeza, afirmar que o princípio da consunção se faz presente.
Neste caso, o furto qualificado pela escalada e pelo emprego de chave falsa (art. 155,
§ 4º, II, 3ª figura, e III, do Código Penal) absorve a violação de domicílio qualificada
(art. 150, § 1º, 1ª figura, do Código Penal), que lhe serviu de meio necessário.

1.3.4 PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE

Ocorre quando uma norma jurídica prevê diversas condutas, alternativamente, como
modalidades de uma mesma infração. Para estes casos, mesmo que o infrator cometa
mais de uma dessas ‘condutas alternativas’, isto é, se, acaso, violar mais de um dever
jurídico, será apenado somente uma vez.
É comum no Direito Ambiental a norma jurídica determinar várias modalidades de
conduta para a mesma infração. Por exemplo, o artigo 11 do Decreto 3.179, de
21.9.1999, que regulamenta a Lei 9.605/1998, estabelece:

“Art. 11. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna


silvestre , nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença
ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
multa de (...).”

O infrator será apenado apenas uma vez, ainda que realize diversos comportamentos
estabelecidos na norma. Por exemplo, se a pessoa caça e depois mata determinado
animal silvestre, sofrerá uma reprimenda, a que for cominada à infração.
Para ficar bem claro, um outro exemplo: Assim dispõe o artigo 193 da Lei 9.503, de
23.9.1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro:

“Art. 193. Transitar com o veículo em calçada, passeios, passarelas,


ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e

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divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização,
gramados e jardins públicos: Penalidade: multa (...)”.

Ao menos em linhas gerais, se a pessoa transita com o veículo na calçada, na ciclovia


e depois no acostamento, não cometerá tantas infrações quantos forem os deveres
violados. Trata-se de ilícito administrativo de “condutas múltiplas” e ele sofrerá única
sanção em face do princípio da alternatividade.

Finalizando este tópico, cabe pela importância ressaltar:

O CONFLITO DE NORMAS É APARENTE, OU


SEJA, SEMPRE PODE SER SOLUCIONADO
ATRAVÉS DE UMA CORRETA INTERPRETAÇÃO

1.4 TEMPO DO CRIME

Caro aluno, imagine que Tício atira em Mévio no dia 15 de março de 2009, quando
possuía 17 anos, 28 dias e 6 horas. Mévio é socorrido, levado ao hospital e vem a falecer
no dia 03 de abril de 2009, em virtude dos disparos.
Neste caso, Tício poderá ser condenado?
Perceba que temos a ação ocorrendo em uma data (disparos) e o resultado em outra.
Como encontrar a solução para este questionamento?
Para determinar o tempo do crime, a doutrina criminal tem apresentado três teorias, quais
sejam, a teoria da atividade, do resultado e da ubiqüidade (mista).

Teoria da Atividade Î O crime ocorre no lugar em que foi praticada a ação ou omissão,
ou seja, a conduta criminosa. Ex.: o crime de homicídio é praticado no lugar em que o
agente dispara a arma de fogo com a intenção de matar a vítima;

Teoria do Resultado Î O crime ocorre no lugar em que ocorreu o resultado. Ex.: o crime
de homicídio é praticado no lugar em que a vítima morreu, ainda que outro tenha sido o
lugar da ação;

Teoria da Ubiqüidade Î Também conhecida por teoria mista, já que para esta teoria o
crime ocorre tanto no lugar em que foi praticada a ação ou omissão (atividade) como onde
se produziu, ou deveria se produzir o resultado (resultado).
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O Código Penal adota claramente, em seu artigo 4º, a TEORIA DA ATIVIDADE para
determinar o tempo do crime. Observe:

Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão,


ainda que outro seja o momento do resultado

Desta forma, fica claro que em nosso exemplo inicial, Tício não poderá ser condenado
com base no Código Penal, pois era menor quando da ação do delito. Será cabível para o
caso as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente.

1.4.1 EFEITOS DA TEORIA DA ATIVIDADE PARA O TEMPO DO CRIME

A adoção da teoria da atividade para a determinação do tempo do crime apresenta


algumas conseqüências, dentre as quais as seguintes são importantes para a sua
PROVA:
1. Aplica-se a lei em vigor ao tempo da conduta, exceto se a do tempo do
resultado for mais benéfica.
2. Apura-se a imputabilidade NO MOMENTO DA CONDUTA.

Antes de prosseguirmos, é necessário o conhecimento básico de alguns conceitos:

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

CRIME PERMANENTE Î É O CRIME CUJO MOMENTO CONSUMATIVO SE


PROLONGA NO TEMPO. EXEMPLO: CP, ART. 148 - SEQUESTRO E CÁRCERE
PRIVADO.

CRIME CONTINUADO Î O INSTITUTO DO CRIME CONTINUADO É UMA FICÇÃO


JURÍDICA QUE, EXIGINDO O CUMPRIMENTO DE REQUISITOS OBJETIVOS
(MESMA ESPÉCIE, CONDIÇÕES DE TEMPO, LUGAR, MANEIRA DE EXECUÇÃO E
OUTRAS SEMELHANTES), EQUIPARA A REALIZAÇÃO DE VÁRIOS CRIMES A UM
SÓ. EXEMPLO: CAIXA DE SUPERMERCADO QUE, DIA APÓS DIA, E NA
ESPERANÇA DE QUE O SEU SUPERIOR EXERÇA AS SUAS FUNÇÕES
NEGLIGENTEMENTE, TIRA PEQUENO VALOR DIÁRIO DO CAIXA, QUE PODE
TORNAR-SE CONSIDERÁVEL COM O PASSAR DO TEMPO.

CRIME HABITUAL Î CONSOANTE CAPEZ, "É O COMPOSTO PELA REITERAÇÃO


DE ATOS QUE REVELAM UM ESTILO DE VIDA DO AGENTE, POR EXEMPLO,
RUFIANISMO (CP, ART. 230), EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA; SÓ SE
CONSUMA COM A HABITUALIDADE NA CONDUTA.

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Prosseguindo:

3. Nos crimes permanentes, enquanto perdura a ofensa ao bem jurídico (Exemplo:


extorsão mediante seqüestro), o tempo do crime se dilatará pelo período de
permanência. Assim, se o autor, menor, durante a fase de execução do crime
vier a atingir a maioridade, responderá segundo o Código Penal e não segundo
o Estatuto da Criança e do Adolescente — ECA (Lei n. 8.069/90).

4. Nos crimes continuados em que os fatos anteriores eram punidos por uma lei,
operando-se o aumento da pena por lei nova, aplica-se esta última a toda
unidade delitiva, desde que sob a sua vigência continue a ser praticado.

CAIXA  CAIXA  CAIXA 


ROUBOU  ROUBOU  ROUBOU 
R$100,00  R$100,00  R$100,00 

A súmula 711 do STF resume os itens 03 e 04. Observe:

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SÚMULA 711 DO STF

A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO


OU AO CRIME PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À
CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.

5. No Crime Habitual em que haja sucessão de leis, deve ser aplicada a nova,
ainda que mais severa, se o agente insistir em reiterar a conduta criminosa.

1.5 LEI PENAL NO ESPAÇO

O Código Penal trata de maneira detalhada da aplicação da Lei Penal no espaço e,


assim, torna claro para a sociedade onde as normas definidas pelo Legislador Brasileiro
serão aplicadas.
A REGRA para dirimir conflitos e dúvidas é a utilização do princípio da
TERRITORIALIDADE, ou seja, aplica-se a lei penal aos crimes cometidos em território
nacional. Tal preceito encontra-se no Código Penal, observe:

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e


regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

Há exceções que ocorrem quando o brasileiro pratica crime no exterior ou um estrangeiro


comete delito no Brasil. Fala-se, assim, que o Código Penal adotou o princípio da
TERRITORIALIDADE TEMPERADA OU MITIGADA.
Dito isto, vamos esmiuçar a regra e as exceções:

1.5.1 PRINCÍPIO DE TERRITORIALIDADE

Em termos jurídicos, território é o espaço em que o Estado exerce sua soberania


política. Para a sua PROVA, caro aluno, você não precisa saber exatamente o que
compreende o território brasileiro, bastando apenas o conhecimento do disposto nos
parágrafos 1º e 2º do artigo 5º, que dispõe:

Art. 5º

[...]

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§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território
nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou
a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente
ou em alto-mar.

§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de


aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada,
achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço
aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.

Com base nos supracitados parágrafos, imagine que Ticio, brasileiro, está na
Argentina e confere lesões corporais graves em um “Hermano”. Diante de tal fato,
Ticio, perseguido por policiais, corre para um navio da marinha de guerra do Brasil e o
adentra. Neste caso, Tício poderá ser preso pelos policiais Argentinos?
A resposta é negativa, pois o navio será considerado extensão do território Brasileiro e
não poderá ser penetrado peles policiais Argentinos.
Agora outra situação... Mévio, Americano, está em um cruzeiro que passará pelas
belas praias do Rio de Janeiro. Nas proximidades de Copacabana, Mévio atira em
Caio. Diante desta situação, o que fazer? Mévio pode ser preso segundo as leis
brasileiras?
A resposta é positiva, pois, com base no parágrafo 2º do artigo 5º, para crimes
praticados a bordo de embarcações privadas estrangeiras, achando-se estas em porto
ou mar territorial do Brasil, aplica-se a lei brasileira.
Como percebe, as regras são de fácil aplicação, mas o correto entendimento é
fundamental para sua PROVA.

1.5.2 PRINCÍPIOS QUE MITIGAM A TERRITORIALIDADE

Vimos que o Código Penal adota o princípio da territorialidade temperada ou mitigada


por haverem exceções ao princípio da territorialidade. Vamos conhecê-las:

1.5.2.1 PRINCÍPIO DA NACIONALIDADE OU DA PERSONALIDADE

Autoriza a submissão à lei brasileira dos crimes praticados no estrangeiro por autor
brasileiro ou contra vítima brasileira.
Este princípio se subdivide em outros dois:
1 – Princípio da Personalidade Ativa Î Só se considera a nacionalidade do autor
do delito, ou seja, independentemente da nacionalidade do sujeito passivo e do
bem jurídico ofendido, o agente é punido de acordo com a lei brasileira.
Encontra-se disposto no art. 7.º, I, alínea “d” e II, “b” do Código Penal:

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Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
I - os crimes:
[...]
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro [...]
II - os crimes:
[...]
b) praticados por brasileiro;

2 - Princípio da Personalidade Passiva Î Considera-se somente a nacionalidade


da vítima do delito. Encontra previsão no art. 7.º, § 3.º do Código Penal:

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro


contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no
parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

1.5.2.2 PRINCÍPIO DA DEFESA REAL OU DA PROTEÇÃO

A lei penal é aplicada independente da nacionalidade do bem jurídico atingido pela


ação delituosa, onde quer que ela tenha sido praticada e independente da
nacionalidade do agente. O Estado protege os seus interesses além fronteiras.
Observe o preceituado no Código Penal:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:


I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de
Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de
economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;

1.5.2.3 PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL

As leis penais devem ser aplicadas a todo e qualquer fato punível, seja qual for a
nacionalidade do agente, do bem jurídico lesado ou posto em perigo e em qualquer
local onde o fato foi praticado.

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A lei penal deve ser aplicada a todos os homens, independentemente do local onde
se encontrem.
É um princípio baseado na cooperação penal internacional e permite a punição, por
todos os Estados, da totalidade dos crimes que forem objeto de tratados e de
convenções internacionais. Fundamenta-se no dever de solidariedade na
repressão de certos delitos cuja punição interessa a todos os povos. Exemplos:
Tráfico de drogas, comércio de seres humanos, genocídio, etc.
Encontra previsão no art. 7º, II, “a”, do Código Penal:
II - os crimes
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;

1.5.2.4 PRINCÍPIO DA REPRESENTAÇÃO

Segundo este princípio, deve ser aplicada a lei penal brasileira aos crimes
cometidos em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada quando estiverem em território estrangeiro e aí não sejam
julgados. Está previsto no artigo 7º, II, “c”, do Código Penal:

II - os crimes
[...]
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam
julgados.

1.5.3 LUGAR DO CRIME

Até agora falamos bastante da territorialidade, mas para sabermos se um delito


operou-se no território Nacional precisamos aprender como determinar o lugar do
crime.
Quando falamos sobre o tempo do crime, ou seja, o momento em que o crime é
cometido, tratamos de três teorias: ATIVIDADE, RESULTADO e MISTA ou da
UBIQUIDADE. Está lembrado?
Naquela oportunidade, afirmamos que para definir o momento do crime adotou-se a
teoria da atividade. Portanto, tem-se como praticado o crime NO MOMENTO da
ATIVIDADE.
Aqui, a questão é saber ONDE se tem como cometido o delito. O problema é o lugar
(espaço) e não o tempo. Devemos, mais uma vez, para solucionar qualquer conflito,
recorrer às três teorias:
• TEORIA DA ATIVIDADE Î O CRIME É COMETIDO NO LUGAR ONDE FOI
PRATICADA A ATIVIDADE (CONDUTA= AÇÃO OU OMISSÃO).

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• TEORIA DO RESULTADO Î O LUGAR DO CRIME É ONDE OCORREU O
RESULTADO, INDEPENDENTEMENTE DE ONDE FOI PRATICADA A CONDUTA.

• TEORIA MISTA (OU DA UBIQÜIDADE) Î CONSIDERA, POR SUA VEZ, QUE O


CRIME É COMETIDO TANTO NO LUGAR DA ATIVIDADE QUANTO NO LUGAR
DO RESULTADO.

O Código Penal, ao tratar do tema, dispõe:

Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou


omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado.
O Código Penal adotou a teoria da ubiqüidade, valendo ressaltar que na própria
previsão do art. 6° do Código Penal esta incluída o lugar da tentativa, ou seja, "...onde
se produziu ou deveria produzir-se o resultado".
Busca-se, com a teoria mista do lugar do delito, solucionar o problema dos conflitos
negativos de competência (Dentro do Território Nacional) e o problema dos crimes à
distância (Brasil - Exterior), em que ação e o resultado se desenvolvem em lugares
diversos.
Como exemplo, podemos citar o seguinte caso:
Imagine que Tício, residente no Brasil, envia uma carta bomba para um cidadão
residente na Grécia (vou parar com esse negócio de citar só argentinos), cujo nome é
Maradona. Maradona, grego, vem a falecer em virtude da carta. Neste caso, segundo
a norma penal, o lugar do crime tanto pode ser o Brasil quanto a Grécia.
Ou seja, para que o Brasil seja competente na apuração e julgamento de determinada
infração penal, basta que porção dessa conduta delituosa tenha ocorrido no território
nacional.

EXISTEM ALGUMAS SITUAÇÕES PARA AS QUAIS NÃO SE


APLICA A TEORIA DA UBIQÜIDADE, A ÚNICA QUE IMPORTA
PARA A SUA PROVA DIZ RESPEITO AOS CRIMES DOLOSOS
CONTRA A VIDA, OCORRIDOS NO TERRITÓRIO NACIONAL QUE,
SEGUNDO PACÍFICA JURISPRUDÊNCIA, A FIM DE FACILITAR A
INSTRUÇÃO CRIMINAL E A DESCOBERTA DA VERDADE REAL,
SEGUE A TEORIA DA ATIVIDADE.

Sendo assim, imagine que Mévio atira em Caio em São Paulo.


Este é socorrido e levado para um hospital no Rio de Janeiro,
onde vem a falecer. Temos, para este caso, a atividade em São
Paulo e o resultado no Rio de Janeiro. Pela regra geral, seriam
competentes tanto o Juízo do Rio quanto o de São Paulo,
MAAAAAS, como neste caso estamos tratando de crime doloso
contra a vida, aplica-se a teoria da ATIVIDADE e não da
UBIQUIDADE, sendo competente, portanto, o Juízo de São Paulo.
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1.5.4 EXTRATERRITORIALIDADE

Extraterritorialidade é a aplicação da legislação penal brasileira aos crimes cometidos


no exterior.
Conforme já tratamos, justifica-se pelo fato de o Brasil ter adotado, relativamente à lei
penal no espaço, o princípio da territorialidade mitigada, o que autoriza,
excepcionalmente, a incidência da lei penal brasileira a crimes praticados fora do
território nacional.
A extraterritorialidade pode ser incondicionada ou condicionada e são estas duas
espécies que veremos a partir de agora. Apresentarei primeiramente as regras gerais
e depois colocarei o que é importante em um esquema, a fim de facilitar a assimilação.
Observação:

NÃO SE ADMITE A APLICAÇÃO DA LEI PENAL BRASILEIRA ÀS CONTRAVENÇÕES


PENAIS OCORRIDAS FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL.

OBSERVE O DISPOSTO NA LEI DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS:

Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território


nacional.

1.5.4.1 EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA

Como o próprio nome diz, são hipóteses em que a lei brasileira é aplicada,
independentemente de qualquer CONDIÇÂO. Encontra previsão do art. 7º, I do
Código Penal, que dispõe:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:


I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de
Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de
economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;

1.5.4.2 EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA

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Relaciona-se aos crimes indicados no art. 7.°, II, e § 3.°, do Código Penal.

Art. 7º
[...]

II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam
julgados.

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro


contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no
parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

A aplicação da lei penal brasileira aos crimes cometidos no exterior se sujeita às


condições descritas no art. 7.°, § 2.°, alíneas “a”, “b”, “c” e “d”, e § 3.°, do Código
Penal.

§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do


concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a
extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a
pena;

Tratando-se de extraterritorialidade condicionada, a lei penal brasileira é subsidiária


em relação aos crimes praticados fora do território nacional, aqui já descritos.

Dito tudo isto sobre a extraterritorialidade, vamos esquematizar:

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HIPÓTESES:

*CRIME CONTRA A VIDA OU A LIBERDADE DO


PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

*CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO OU A FÉ


PÚBLICA DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA OU
INDIRETA.
INCONDICIONADA
*CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA,
POR QUEM ESTÁ A SEU SERVIÇO.

*CRIME DE GENOCÍDIO, QUANDO O AGENTE FOR


BRASILEIRO OU DOMICILIADO NO BRASIL.

CONDIÇÕES:

*NÃO EXISTEM – O AGENTE É PUNIDO PELA LEI


BRASILEIRA, AINDA QUE ABSOLVIDO OU
CONDENADO NO ESTRANGEIRO.

HIPÓTESES:
EXTRATERRITORIALIDADE
*CRIMES QUE, POR TRATADO OU CONVENÇÃO, O
BRASIL SE OBRIGOU A REPRIMIR.

*CRIMES PRATICADOS POR BRASILEIRO.

*CRIMES PRATICADOS EM AERONAVES OU


EMBARCAÇÕES BRASILEIRAS, MERCANTES OU DE
PROPRIEDADE PRIVADA, QUANDO EM
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO NÃO FOREM
JULGADOS.

*CRIMES PRATICADOS POR ESTRANGEIROS


CONTRA BRASILEIROS FORA DO BRASIL, SE,
REUNIDAS AS CONDIÇÕES: 1-NÃO FOI PEDIDA OU
NEGADA A EXTRADIÇÃO; 2-HOUVE REQUISIÇÃO
DO MINISTRO DA JUSTIÇA.

CONDICIONADA

CONDIÇÕES:
*ENTRAR O AGENTE NO TERRITÓRIO NACIONAL

*SER O FATO PUNÍVEL ONDE FOI PRATICADO

*ESTAR O CRIME INCLUÍDO ENTRE AQUELES


PELOS QUAIS A LEI BRASILEIRA AUTORIZA A
EXTRADIÇÃO

* NÃO TER SIDO ABSOLVIDO NO ESTRANGEIRO


OU NÃO TER AÍ CUMPRIDO PENA (CUMPRIMENTO
PARCIAL – ART. 8º DO CP)

*NÃO TER SIDO PERDOADO NO ESTRANGEIRO OU


EXTINTA A PUNIBILIDADE PELA LEI + FAVORÁVEL

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1.6 CONSIDERAÇÕES FINAS

1.6.1 PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO

Imaginemos que Tício cometeu um crime contra a vida do presidente Lula em solo
argentino e lá foi condenado à pena de seis anos de reclusão, dos quais já cumpriu
três anos. Durante uma rebelião, Tício foge e consegue chegar ao Brasil.
Conforme já vimos, e quanto a isso não deve haver dúvidas, a sentença estrangeira
não faz coisa julgada no Brasil. Logo, o autor da infração deverá ser novamente
julgado.
Pensemos que Tício foi condenado aqui no Brasil a 15 anos de reclusão. O que
ocorrerá com aqueles três anos já cumpridos? Não valerão de nada?
Claro que valerão. E a resposta para este questionamento está no artigo 8º do Código
Penal, que, com base no já conhecido princípio do “ne bis in idem”, dispõe:

Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil


pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando
idênticas.

SENDO ASSIM, CONCLUÍMOS QUE A PENA CUMPRIDA NO


ESTRANGEIRO ATENUA A PENA IMPOSTA NO BRASIL PELO MESMO
CRIME, QUANDO DIVERSAS, OU NELA É COMPUTADA QUANDO
IDÊNTICAS.

1.6.2 EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA

A sentença judicial é proferida pelo ESTADO com base na sua soberania e confere
efeitos no local em que foi decidida. Assim, via de regra, uma sentença judicial
Brasileira vale para o Brasil, uma sentença judicial Paraguaia vale no Paraguai, e
assim por diante.
Contudo, existem determinadas situações em que decisões judiciais de outras nações
são recepcionadas pelo estado Brasileiro através de sua homologação, mediante o
procedimento constitucionalmente previsto, a fim de constituí-la em título executivo
com validade em território nacional.
Encontramos as hipóteses de possibilidade de utilização da sentença estrangeira no
art. 9º do Código Penal, que leciona:

Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira


produz na espécie as mesmas conseqüências, pode ser homologada no
Brasil para:

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I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros
efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança.
Parágrafo único - A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país
de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado,
de requisição do Ministro da Justiça.

Diante do que vimos até agora, responda-me...Imagine que Tício foi condenado a
determinada pena do estrangeiro. Esta sentença pode ser homologada e utilizada pelo
Brasil, nos termos do art. 9º? É claro que........NÂO!!!!!
Observe que o artigo 9º só traz duas possibilidades de homologação, que são:

1. OBRIGAR O CONDENADO À REPARAÇÃO DO


DANO, A RESTITUIÇÕES E A OUTROS
EFEITOS CIVIS.
2. SUJEITÁ-LO A MEDIDA DE SEGURANÇA.

A homologação de sentença estrangeira hoje é de competência do STJ (artigo 105, I,


i, da CF). Antes da Emenda Constitucional de número 45/04, a competência era do
STF.
Mas para produzir qualquer efeito sempre precisará de homologação?
Não, pois há alguns efeitos da sentença estrangeira que independem de
homologação. É o caso dos requisitos para a extraterritorialidade condicionada (artigo
7º, inciso II, “c” e parágrafo 2º, “d”, do CP) e do reconhecimento da reincidência (artigo
63 do CP).

Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime,


depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro,
o tenha condenado por crime anterior.

Em ambos os casos, a sentença proferida no exterior produzirá efeito “intramuros”


(dentro do nosso querido país), independentemente de homologação pelo STJ.

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1.6.1 CONTAGEM DE PRAZO

O artigo 10 do Código Penal trata da contagem do PRAZO PENAL nos seguintes


termos:
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os
dias, os meses e os anos pelo calendário comum.

Vamos analisá-lo por partes:

1. O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo Î Imaginemos que


determinado indivíduo é preso no dia 15 de janeiro, às 23:59h, após sua
condenação a UM dia de prisão. Pergunto...Quando ele será liberado?

Ele estará livre às 00:00h do dia 16, ou seja, ficará UM MINUTO preso e isto
será considerado UM DIA.
“Mas, como assim, professor? Só um minuto???”
É exatamente isso, caro aluno. Como o dia do começo inclui-se no cômputo do
prazo e, segundo o artigo 11 do Código Penal, não há que se falar em frações
de dia, teremos 1 minuto valendo 24 horas. Observe o disposto no ainda não
apresentado artigo 11:

Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas


de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de
cruzeiro. (leia-se real). (grifo nosso)

PARA CÁLCULOS EM PROVA, É IMPORTANTE OBSERVAR A SEGUINTE REGRA:


SEMPRE DEVE SER CONSIDERADA NA OPERAÇÃO A DIMINUIÇÃO DE UM DIA EM
RAZÃO DE SER COMPUTADO O DIA DO COMEÇO. DESTA FORMA, SE A PENA É DE
UM ANO E TEVE INÍCIO EM 20 DE SETEMBRO DE 2009, ESTARÁ INTEGRALMENTE
CUMPRIDA EM 19 DE SETEMBRO DE 2010.

2. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum Î No


prazo penal, os dias, os meses e os anos são contados de acordo com o
calendário comum, também chamado de gregoriano.
Os meses são calculados com o número de dias característicos de cada um
deles, e não como um período de 30 dias. Assim, se um indivíduo é preso por
um mês em 10 fevereiro, quando será solto? Em 9 de março. E se for preso em
10 de março? Será liberado em 9 de abril. Bem fácil, concorda?!

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Para finalizar este tópico, faz-se necessário tecer um importante comentário. O prazo
sempre terá natureza penal quando guardar pertinência com o jus puniendi, ou seja, a
pretensão punitiva do Estado. É o caso, por exemplo, da prescrição e da decadência.
Como a sua ocorrência importa na extinção da punibilidade, está relacionada com a
contagem de prazo penal que difere do prazo processual, definido no Código de
Processo Penal e que, obviamente, não importa para a sua PROVA.

1.6.2 LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Segundo o Código Penal:

Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados


por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.

As regras gerais do Código Penal devem ser aplicadas às leis especiais quando estas
não tratarem de modo diverso. Assim, as regras gerais do CP têm caráter subsidiário.
Serão elas aplicadas quando a legislação especial não dispuser de forma diversa.

***************************************************************************************************

Companheiros de estudos,

Chegamos ao final de nossa primeira aula e agora é hora de consolidar os conceitos


aqui aprendidos. Este tema é questão quase certa em sua prova e, portanto, não deixe
pontos pendentes.

Releia o Código Penal do artigo 1º ao 12º e pratique com os exercícios.

Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo

“O êxito na vida não se mede pelo que você conquistou,


mas sim pelas dificuldades que superou no caminho.”

Abraham Lincoln

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA

DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL

Lei penal no tempo


Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se
aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em
julgado.
Lei excepcional ou temporária
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração
ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante
sua vigência.
Tempo do crime
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que
outro seja o momento do resultado.
Territorialidade
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no
espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves
ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no
território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil.
Lugar do crime
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão,
no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Extraterritorialidade
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de
Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público;

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c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que
absolvido ou condenado no estrangeiro.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das
seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a
extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar
extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra
brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
Pena cumprida no estrangeiro
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo
mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
Contagem de prazo
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum.

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EXERCÍCIOS

1. (SERPRO / 2001) Um paciente, vítima de um atropelamento, está internado em um


hospital de Buenos Aires, recebendo tratamento médico de emergência. Seu estado
é grave. Deve, pois, tomar determinado medicamento de três em três horas, com o
que deverá se curar. O controle de sua evolução clínica é feito por computador. Um
brasileiro, radicado em São Paulo, invade o computador daquele hospital e altera
aquela periodicidade para 6 horas. O paciente morre. Pergunta-se: onde foi
cometido o crime?

A) no Brasil e na Argentina
B) só na Argentina
C) só no Brasil
D) o fato é atípico
E) em nenhum dos países

GABARITO: “A”
COMENTÁRIOS: O Código Penal adotou a teoria da ubiqüidade. Observe:

Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou


omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado.

Segundo esta teoria, CONSIDERA-SE, POR SUA VEZ, QUE O CRIME É COMETIDO
TANTO NO LUGAR DA ATIVIDADE QUANTO NO LUGAR DO RESULTADO.

2. (AFRF / 2002 ) Em matéria de Direito Penal, assinale a opção correta.

A) Aplica-se a lei brasileira, com prejuízo de convenções, tratados e regras de direito


internacional, ao crime cometido no território nacional.
B) Para efeitos penais, não se consideram como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras.
C) Não se aplica a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando- se aquelas em pouso no
território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil.
D) Considera-se praticado o crime no lugar onde ocorreu a ação ou omissão, ainda que
outro seja o momento do resultado.

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E) A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, não se aplica aos fatos
anteriores à ela.

GABARITO: “D”
COMENTÁRIOS:
Alternativa “A” Î Incorreta Î Como vimos, o Brasil adota a o princípio da territorialidade
mitigada ou temperada. A alternativa contraria o disposto no Código Penal quando trata
do tema:

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e


regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

Alternativa “B” Î Incorreta Î A alternativa generaliza e, assim, contraria o parágrafo 1º


do artigo 5º.

Art. 5º [...]
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território
nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a
serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente
ou em alto-mar.

Alternativa “C” Î Claramente incorreta. A banca repetiu o parágrafo 2º do artigo 5º


colocando a palavra “Não” na frente. Observe:

§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de


aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-
se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo
correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.

Alternativa “D” Î Correta Î Reprodução do artigo 4º, que trata do tempo do crime:

Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão,


ainda que outro seja o momento do resultado

Alternativa “E” Î Incorreta Î A lei penal retroage para beneficiar o réu.

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3. (CGU – ANALISTA / 2006) A pratica o crime às 23 horas e 32 minutos do dia 27 de
novembro. O prazo prescricional começa a fluir:

A) no dia 27 de novembro.
B) no dia 28 de novembro.
C) no dia da instauração do inquérito policial.
D) no dia do oferecimento da denúncia.
E) no dia do recebimento da denúncia.

GABARITO: “A”
COMENTÁRIOS: Como vimos em nossa aula, o prazo prescricional segue a regra do
prazo penal. Logo, inclui-se o dia de início, conforme regra presente no artigo 10 do
Código Penal:

Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os


dias, os meses e os anos pelo calendário comum.

4. (CGU – ANALISTA / 2006) A lei penal aplica-se retroativamente quando:

A) a contravenção penal torna-se crime.


B) o crime torna-se contravenção penal.
C) a pena de detenção torna-se de reclusão.
D) a pena de multa torna-se de detenção.
E) ocorrer a prescrição da pretensão punitiva.

GABARITO: “B”
COMENTÁRIOS: Vimos que a lei penal só retroage para beneficiar o réu. Sendo assim,
dentre as alternativas apresentadas, a única em que temos uma penalização mais grave
passando a um menor é a prevista na letra “B”.

5. (AUDITOR DO TRABALHO / 2003) A entrada em vigor de uma lei posterior que


deixa de considerar determinado fato como criminoso exclui:

A) somente a punibilidade.
B) a ilicitude.

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C) a imputabilidade penal.
D) somente a culpabilidade.
E) a ilicitude, a imputabilidade penal e a culpabilidade, conforme o caso

GABARITO: “A”
COMENTÁRIOS: Esta questão ficará mais clara com os conhecimentos que ainda virão,
mas desde já é importante saber que a aplicação do artigo 2º do CP é com relação à
extinção da punibilidade da conduta, ou seja, a ocorrência de abolitio criminis exclui
somente a punibilidade.

6. (PROCURADOR DO BACEN / 2001) Indique, nas opções abaixo, dois princípios


contidos no art. 1º do Código Penal:

A) da legalidade e da anterioridade
B) da reserva legal e da culpabilidade
C) da proporcionalidade e da legalidade
D) do duplo grau de jurisdição e da reserva legal
E) da culpabilidade e do devido processo legal

GABARITO: “A”
COMENTÁRIOS: Vimos os aspectos pertinentes a esta questão, predominantemente, na
aula demonstrativa. O artigo 1º do Código Penal preceitua:

Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem
prévia cominação legal.

Logo, fica claro e fácil concluirmos que abrange o princípio da LEGALIDADE E


ANTERIORIDADE.

7. (AUDITOR-FISCAL / 2007) Na contagem dos prazos penais,

A) Inclui-se o dia do começo.


B) Considera-se como termo inicial a data da intimação.
C) Considera-se como termo inicial a data da juntada do mandado aos autos.
D) Considera-se como termo inicial o dia seguinte ao da intimação.
E) Descontam-se os feriados.
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GABARITO: “A”
COMENTÁRIOS: Esta questão não apresenta muita dificuldade, pois exige apenas o
conhecimento do disposto no artigo 10 do Código Penal, que dispõe que o prazo penal
inclui no cômputo do prazo o dia do começo.

Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os


dias, os meses e os anos pelo calendário comum.

8. (TCM - RJ / 2008) A organização não-governamental holandesa Expanding minds,


dirigida pelo psicólogo holandês Johan Cruiff, possui um barco de bandeira
holandesa que navega ao redor do mundo recebendo pessoas que desejam
consumir substâncias entorpecentes que alteram a percepção da realidade. O
prefeito de um município decide embarcar para fazer uso recreativo da substância
Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha. Na ocasião em que ele
fez uso dessa substância, o barco estava em alto-mar, além do limite territorial
brasileiro ou de qualquer outro país. Sabendo que a lei brasileira pune
criminalmente o consumo de substância entorpecente e que a maconha é
considerada pela legislação brasileira uma substância entorpecente, ao passo que
a Holanda admite esse consumo para fins recreativos, assinale a alternativa correta
a respeito do crime praticado pelo prefeito.

A) nenhum crime
B) crime de consumo de substância entorpecente
C) crime de responsabilidade
D) improbidade administrativa
E) crime contra a fé pública

GABARITO: “A”
COMENTÁRIOS: A regra, segundo o Código Penal, é a aplicação do princípio da
territorialidade. Logo, no caso apresentado, se o navio, com bandeira holandesa, está em
alto mar, além do limite territorial brasileiro ou de qualquer outro país, não há que se falar
em aplicabilidade da Lei Penal Brasileira.

9. (SEFAZ – RO / 2004) Na definição do local onde a ação criminosa é desenvolvida,


o ordenamento penal brasileiro abraçou a seguinte teoria:

A) Da intenção

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B) Da interação
C) Da atividade
D) Do resultado
E) Da ubiqüidade

GABARITO: “E”
COMENTÁRIOS: O Código Penal adota a teoria da ubiqüidade quando, ao tratar do
tema, dispõe:

Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou


omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado.

10. (MPDF / 2003) Com relação à aplicação da lei penal, é correto afirmar-se que:

A) a lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se a fatos anteriores
ainda não decididos por sentença.
B) ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução, preservando-se, no entanto, os efeitos penais da
sentença condenatória.
C) a lei excepcional ou temporária, decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, perde a sua eficácia, mesmo com relação aos fatos
praticados durante a sua vigência.
D) considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja
o momento do resultado.
E) ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes contra a vida
ou a liberdade de governador de Estado brasileiro.

GABARITO: “D”
COMENTÁRIOS:
Alternativa “A” Î Incorreta Î A lei posterior que de qualquer modo favorece o agente
será aplicada ainda que os fatos já tenham sido decididos por sentença penal transitada
em julgado. É o que prevê o artigo 2º, parágrafo único, do CP.

Alternativa “B” Î Incorreta Î Trata da abolitio criminis prevista no artigo 2º, caput, do CP.
Sabemos que a abolitio criminis faz cessar a execução da pena bem como os efeitos
penais da sentença penal condenatória.

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Alternativa “C” Î Incorreta ÎA lei excepcional ou temporária continua a reger os fatos
ocorridos sob sua vigência, mesmo depois de auto-revogadas (artigo 3º, do CP).

Alternativa D Î Correta Î De acordo com o artigo 4º, do CP, considera-se praticado o


crime no momento da conduta (atividade), independentemente de quando vem a ocorrer o
resultado.

Alternativa E Î Incorreta ÎAplica-se a lei penal brasileira, de forma incondicionada,


quando praticado o fato no exterior em detrimento da VIDA ou LIBERDADE do Presidente
da República e não do Governador de Estado.

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1. (SERPRO / 2001) Um paciente, vítima de um atropelamento, está internado em um


hospital de Buenos Aires, recebendo tratamento médico de emergência. Seu estado
é grave. Deve, pois, tomar determinado medicamento de três em três horas, com o
que deverá se curar. O controle de sua evolução clínica é feito por computador. Um
brasileiro, radicado em São Paulo, invade o computador daquele hospital e altera
aquela periodicidade para 6 horas. O paciente morre. Pergunta-se: onde foi
cometido o crime?

A) no Brasil e na Argentina
B) só na Argentina
C) só no Brasil
D) o fato é atípico
E) em nenhum dos países

2. (AFRF / 2002) Em matéria de Direito Penal, assinale a opção correta.

A) Aplica-se a lei brasileira, com prejuízo de convenções, tratados e regras de direito


internacional, ao crime cometido no território nacional.
B) Para efeitos penais, não se consideram como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras.
C) Não se aplica a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando- se aquelas em pouso no
território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil.
D) Considera-se praticado o crime no lugar onde ocorreu a ação ou omissão, ainda que
outro seja o momento do resultado.
E) A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, não se aplica aos fatos
anteriores à ela.

3. (CGU – ANALISTA / 2006) A pratica o crime às 23 horas e 32 minutos do dia 27 de


novembro. O prazo prescricional começa a fluir:

A) no dia 27 de novembro.
B) no dia 28 de novembro.
C) no dia da instauração do inquérito policial.
D) no dia do oferecimento da denúncia.
E) no dia do recebimento da denúncia.

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4. (CGU – ANALISTA / 2006) A lei penal aplica-se retroativamente quando:

A) a contravenção penal torna-se crime.


B) o crime torna-se contravenção penal.
C) a pena de detenção torna-se de reclusão.
D) a pena de multa torna-se de detenção.
E) ocorrer a prescrição da pretensão punitiva.

5. (AUDITOR DO TRABALHO / 2003) A entrada em vigor de uma lei posterior que


deixa de considerar determinado fato como criminoso exclui:

A) somente a punibilidade.
B) a ilicitude.
C) a imputabilidade penal.
D) somente a culpabilidade.
E) a ilicitude, a imputabilidade penal e a culpabilidade, conforme o caso

6. (PROCURADOR DO BACEN / 2001) Indique, nas opções abaixo, dois princípios


contidos no art. 1º do Código Penal:

A) da legalidade e da anterioridade
B) da reserva legal e da culpabilidade
C) da proporcionalidade e da legalidade
D) do duplo grau de jurisdição e da reserva legal
E) da culpabilidade e do devido processo legal

7.(AUDITOR-FISCAL / 2007) Na contagem dos prazos penais,

A)Inclui-se o dia do começo.


B)Considera-se como termo inicial a data da intimação.
C) Considera-se como termo inicial a data da juntada do mandado aos autos.
D)Considera-se como termo inicial o dia seguinte ao da intimação.
E) Descontam-se os feriados.

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8. (TCM - RJ / 2008) A organização não-governamental holandesa Expanding minds,
dirigida pelo psicólogo holandês Johan Cruiff, possui um barco de bandeira
holandesa que navega ao redor do mundo recebendo pessoas que desejam
consumir substâncias entorpecentes que alteram a percepção da realidade. O
prefeito de um município decide embarcar para fazer uso recreativo da substância
Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha. Na ocasião em que ele
fez uso dessa substância, o barco estava em alto-mar, além do limite territorial
brasileiro ou de qualquer outro país. Sabendo que a lei brasileira pune
criminalmente o consumo de substância entorpecente e que a maconha é
considerada pela legislação brasileira uma substância entorpecente, ao passo que
a Holanda admite esse consumo para fins recreativos, assinale a alternativa correta
a respeito do crime praticado pelo prefeito.

A) nenhum crime
B) crime de consumo de substância entorpecente
C) crime de responsabilidade
D) improbidade administrativa
E) crime contra a fé pública

9. (SEFAZ – RO / 2004) Na definição do local onde a ação criminosa é desenvolvida,


o ordenamento penal brasileiro abraçou a seguinte teoria:

A) Da intenção
B) Da interação
C) Da atividade
D) Do resultado
E) Da ubiqüidade

10. (MPDF / 2003) Com relação à aplicação da lei penal, é correto afirmar-se que:

A) a lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se a fatos anteriores
ainda não decididos por sentença.
B) ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução, preservando-se, no entanto, os efeitos penais da
sentença condenatória.
C) a lei excepcional ou temporária, decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, perde a sua eficácia, mesmo com relação aos fatos
praticados durante a sua vigência.
D) considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja
o momento do resultado.

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E) ficam sujeito à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes contra a vida
ou a liberdade de governador de Estado brasileiro.

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AULA 02 – DO CRIME – PARTE 01

Caros alunos,

A cada dia que passa a humanidade descobre novas necessidades e alcança novos
objetivos. Estas transformações ocorrem em todas as áreas do conhecimento humano
e, entre elas, na ciência jurídica.
O Direito é dinâmico. Acompanha a evolução da sociedade, adaptando-se aos seus
clamores.
Dentro dos ramos do Direito, encontramos no Direito Penal o exemplo fiel e legítimo
de adaptação social. De forma brilhante o Prof. MAGALHÃES NORONHA presenteou
o Direito Penal brasileiro com uma frase memorável que merece ser relembrada:
"A história do direito penal é a história da humanidade. Ele surge com o homem e o
acompanha através dos tempos, isso porque o crime, qual sombra sinistra, nunca
dele se afastou."
Mas, o que vem a ser o "crime"?
Além de um fenômeno social, o crime é, na realidade, um episódio na vida de um
indivíduo, não podendo, portanto, ser dele destacado e isolado, nem mesmo ser
estudado em laboratório ou reproduzido.
Não se apresenta no mundo do dia-a-dia como apenas um conceito, único, imutável,
estático no tempo e no espaço. Ou seja, cada crime tem a sua história, a sua
individualidade. Não há dois que possam ser reputados perfeitamente iguais.
Desta forma, começaremos agora a tratar, juridicamente, do crime, um dos principais
temas do Direito Penal e questão certa na sua prova.
Sendo assim, ative o cérebro e vamos dar mais um passo rumo à aprovação.

Bons estudos!!!
************************************************************************

2.1 CRIME: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

2.1.1 CONCEITO

O conceito de crime é o ponto inicial para a compreensão dos principais institutos do


Direito Penal. Embora aparentemente simples, a sua definição completa apresenta
questões complexas que acarretam várias consequências ao estudos dos principais
pontos para sua PROVA.
O crime pode ser conceituado levando em conta três aspectos. Vamos conhecê-los.

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2.1.1.1 CRITÉRIO MATERIAL (SUBSTANCIAL)

Crime segundo o critério material é toda ação ou omissão humana que lesa ou
expõe a perigo bens jurídicos tutelados pelo direito. Segundo este conceito, não
basta a lei dispor sobre uma conduta ilícita, mas também há que ser verificado a
relevância do mal produzido pelo ato.
Quando Tício mata Mévio, há relevância quanto ao mal causado? Claro que sim,
logo, segundo o critério material é crime.
Em um primeiro momento, parece uma definição simples, mas agora pergunto,
caríssimo aluno: “ Imaginemos uma lei criada que comina penalização de 3 a 8
anos de reclusão aos indivíduos que rasparem a cabeça no estilo Ronaldo na copa
de 2002.” Segundo o critério material, a simples lei bastará para caracterizar a
ilicitude da conduta?
A resposta é negativa, pois segundo a análise do delito pelo critério material não
basta, e nem é necessária, uma lei para que qualquer conduta seja considerada
penalmente ilícita. É preciso, simplesmente, que o ato criminalizado apresente
relevância jurídico-penal, mediante a provocação de dano ou ao menos exposição
à situação de perigo em relação a bens jurídicos penalmente relevantes.
Seus defeitos são definidos por Machado: "É evidente que, pela sua amplitude
conceitual, a definição material de crime tem sabor pré-legislativo, de orientação e
parâmetro à liberdade legislativa de criação de delitos... Não presta à formulação
dogmática pela sua volatilidade e insegurança conceituais".

2.1.1.2 CRITÉRIO LEGAL

Segue exatamente a definição apresentada pelo legislador no art. 1º da Lei de


Introdução ao Código Penal. Observe:

Art. 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de


reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou
cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração
penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de
multa, ou ambas. alternativa ou cumulativamente.

Sendo assim, pelo critério legal, como você vai diferenciar, na sua prova, se é
crime ou não? BASTA LER A PENA!!! Se lá estiver escrito: RECLUSÃO OU
DETENÇÃO...Pronto! É CRIME SEGUNDO O CRITÉRIO LEGAL.
Mas e se viesse uma nova lei e inserisse na Lei de Contravenções Penais uma
conduta punível com Detenção...Seria Crime ou Contravenção?
CRIME!!! Como eu falei anteriormente, PARA SUA PROVA, considere:

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SE NA PENALIZAÇÃO HOUVER A PALAVRA


DETENÇÃO OU RECLUSÃO Î É CRIME SEGUNDO O
CRITÉRIO LEGAL

CONHECER PARA ENTENDER!!!


O LEGISLADOR ACHOU POR BEM CRIAR DOIS DISPOSITIVOS
DIFERENCIADOS PARA TRATAR DOS CRIMES E DAS CONTRAVENÇÕES.
OS CRIMES ESTÃO DEFINIDOS NO CÓDIGO PENAL, ENQUANTO AS
CONTRAVENÇÕES, NA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS. EM TERMOS
PRÁTICOS, A DIFERENÇA ENTRE CRIMES E CONTRAVENÇÕES É A
GRAVIDADE QUE O LEGISLADOR ATRIBUI À CONDUTA E,
CONSEQUENTEMENTE, À PENALIZAÇÃO.

O QUE VOCÊ ACHA QUE É MAIS GRAVE: COMEÇAR A GRITAR ÀS 23:00 E


ACORDAR OS VIZINHOS OU PASSEAR NÚ NA AVENIDA PAULISTA ÀS
17:00?

CREIO QUE VOCÊ RESPONDEU PASSEAR NÚ, CORRETO? EXATAMENTE


POR ISSO O LEGISLADOR CLASSIFICOU TAL CONDUTA COMO CRIME E
ENQUADROU A SEGUNDA COMO CONTRAVENÇÃO.

“MAS PROFESSOR...ENTÃO A ÚNICA DIFERENÇA É ESSA? AS


PENALIZAÇÕES?”

SIM, PARA A SUA PROVA, ESTA É A ÚNICA DIFERENÇA!!!

2.1.1.3 CRITÉRIO ANALÍTICO (TAMBÉM CHAMADO FORMAL/DOGMÁTICO)

Esse critério de conceituação do crime tem o foco principal nos elementos


(caracteres) que vão compor a estrutura do delito e aqui surge uma grande
divergência doutrinária, talvez a maior da teoria geral do crime.
De forma bem objetiva, o que acontece é o seguinte: Os autores definiram alguns
elementos que podem compor o conceito de crime segundo o critério analítico e, a
partir da combinação de dois ou mais destes caracteres, criaram suas teorias.

Os seguintes elementos compõem as teorias que em seguida veremos:

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1. TIPICIDADE;
2. ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE);
3. CULPABILIDADE; E
4. PUNIBILIDADE

No decorrer do nosso curso trataremos minuciosamente de cada um destes


caracteres, mas, antes de seguir, pelo menos um conhecimento básico do
significado destas palavras você tem que ter. Sendo assim, vamos abrir o
dicionário de concurseiro:

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

TIPICIDADE Î ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A CONDUTA DEFINIDA


EM LEI.

EXEMPLO: QUANDO TÍCIO MATA MÉVIO ADEQUA-SE PERFEITAMENTE


AO FATO TIPIFICADO NO ART. 121 DO CP – MATAR ALGUÉM.

ILICITUDE Î CONDUTA DEFINIDA EM LEI COMO ILÍCITA.

EXEMPLO: SE TÍCIO MATA CAIO, PODEMOS DIZER QUE A CONDUTA É


TÍPICA. MAS É ILÍCITA SEMPRE? A RESPOSTA É NEGATIVA, POIS SE
ELE MATOU EM LEGÍTIMA DEFESA, POR EXEMPLO, ELA PASSA A SER
LÍCITA.

CULPABILIDADE Î JUÍZO DE REPROVAÇÃO SOBRE DETERMINADA


CONDUTA QUE CONTRARIA A NORMA PENAL.

EXEMPLO: MÉVIO DIZ PARA CAIO: “OU VOCÊ BATE EM TÍCIO OU EU


ESTUPRO SUA MULHER”. DIANTE DA SITUAÇÃO, CAIO GERA LESÕES
CORPORAIS EM TÍCIO. NESTE CASO, CAIO TEVE “CULPA”? CLARO QUE
NÃO, POIS ESTAVA MEDIANTE COAÇÃO. LOGO, A CONDUTA NÃO É
CULPÁVEL.

PUNIBILIDADE Î POSSIBILIDADE DO ESTADO PUNIR O INFRATOR.

EXEMPLO: CAIO MATA MÉVIO E DEPOIS SE MATA. PARA ESTA


SITUAÇÃO, HÁ COMO PUNIR CAIO? CLARO QUE NÃO, POIS ELE JÁ
ESTÁ MORTO.

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Agora que você já tem ao menos uma noção dos conceitos, vamos tratar das
teorias:

1. TEORIA QUADRIPARTIDA Î Considera que o crime é composto pelo


FATO TÍPICO + ILICITUDE + CULPABILIDADE + PUNIBILIDADE. Sem
entrar em explicações desnecessárias para sua PROVA, esta teoria é
adotada pela doutrina minoritária e, hoje, não encontra aplicabilidade
prática.

TEORIA QUADRIPARTIDA

FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL + PUNÍVEL

2. TEORIA CLÁSSICA DA AÇÃO Î Para esta teoria, que era adotada pelo
Código Penal em sua redação original, o crime é um FATO TÍPICO +
ILÍCITO E CULPÁVEL, não sendo necessário que seja punível.
A lógica é clara. Imaginemos que Tício mata Mévio e depois se mata.
Podemos dizer que pela ausência da punibilidade não existe crime? Claro
que não!!!

TEORIA CLÁSSICA DA AÇÃO

FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL

3. TEORIA BIPARTIDA OU FINALISTA DA AÇÃO Î Considera-se crime o


FATO TÍPICO E ILÍCITO. Nesta teoria, para a configuração do delito bastam
o fato típico e a ilicitude, ao passo que a presença ou não da culpabilidade
importará somente na possibilidade ou não da pena ser imposta.
Esta é a teoria adotada pelo Código Penal, embora haja penalistas que
adotam outros entendimentos.

TEORIA FINALISTA DA AÇÃO

FATO TÍPICO + ILÍCITO

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Resumindo:

TEORIA QUADRIPARTIDA
• TÍPICO
• ILÍCITO
• CULPÁVEL
• PUNÍVEL

TEORIA CLÁSSICA
• TÍPICO
• ILÍCITO
• CULPÁVEL

TEORIA FINALISTA
• TÍPICO
• ILÍCITO

2.1.2 SUJEITOS DO CRIME

Sujeitos do crime são as pessoas ou entes relacionados à pratica e aos efeitos da


empreitada criminosa. Dividem-se em sujeito ativo e sujeito passivo. Vamos conhecê-
los a partir de agora.

2.1.2.1 SUJEITO ATIVO

É quem pratica a figura típica descrita na norma penal incriminadora.


Somente o ser humano, isoladamente ou associado a outros, possui capacidade
para delinqüir (autoria ou co-autoria). Aqui temos que definir importantes conceitos:

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DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

AUTOR Î TODA A PESSOA QUE PRATICA O NÚCLEO DO TIPO PENAL.

POR EXEMPLO: ART. 121, CP: “MATAR ALGUÉM...”. TIPO OU TIPO PENAL
É UM MODELO ABSTRATO QUE DESCREVE UM COMPORTAMENTO
PROIBIDO NO MEIO SOCIAL. O NÚCLEO DO TIPO REVELA-SE POR UM OU
MAIS VERBOS, POR EXEMPLO: “MATAR” (121, CP), “SOLICITAR OU
RECEBER” (357, CP).
EM SUMA, QUEM PRATICA O VERBO DO TIPO, PRATICA O SEU NÚCLEO.

CO-AUTOR Î PODE SER ENTENDIDO COMO AQUELE AGENTE QUE MAIS


SE APROXIMA DO NÚCLEO DO TIPO PENAL, JUNTAMENTE COM O AUTOR
PRINCIPAL, PODENDO SUA PARTICIPAÇÃO SER PARCIAL OU DIRETA.

EXEMPLO: “A” E “B” ESFAQUEIAM A VÍTIMA ATÉ A MORTE”. (BARROS,


2003, PÁG. 406).

PARTÍCIPE Î É AQUELE INDIVÍDUO QUE NÃO PARTICIPA DOS ATOS DE


EXECUÇÃO, MAS AUXILIA O AUTOR (OU CO-AUTOR) NA REALIZAÇÃO DO
FATO TÍPICO.

ESTA PARTICIPAÇÃO PODE SER MORAL OU MATERIAL.

A PARTICIPAÇÃO MORAL PODE OCORRER QUANDO O PARTÍCIPE


INDUZIR O AUTOR A REALIZAR UM FATO ILÍCITO (OU ANTIJURÍDICO),
“ATÉ ENTÃO INEXISTENTE”. O PARTÍCIPE PODE AINDA INSTIGAR O
AUTOR A REALIZAR A IDÉIA PRÉ-EXISTENTE NA SUA CABEÇA,
REFORÇANDO-A.

NA PARTICIPAÇÃO MATERIAL, COMO O PRÓPRIO NOME SUGERE, O


AGENTE PARTICIPA MATERIALMENTE COM A CONDUTA. EX: TÍCIO
FORNECE UMA ARMA PARA MÉVIO MATAR SEU DESAFETO, LOGO, É
PARTÍCIPE DO DELITO.

O sujeito ativo do crime recebe, de acordo com a situação processual em que se


encontra, a terminologia de indiciado (no inquérito policial), agente (sentido geral),
acusado (após a denúncia do Ministério Público), denunciado, réu, sentenciado,
dentre outros.
Neste ponto, para sua PROVA, não há necessidade de você conhecer a diferença
jurídica de indiciado para réu ou mesmo de acusado para agente. Basta apenas
que você saiba que se aparecer uma das supracitadas denominações, a banca
estará se referindo ao SUJEITO ATIVO.

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Ainda dentro do tema, para que um indivíduo seja considerado sujeito ativo, é
necessário que ele detenha capacidade penal, que nada mais é do que o conjunto
de condições exigidas para que um sujeito possa se tornar titular de direitos ou
obrigações no campo do direito penal.
Exatamente por isso que os mortos ou os animais e entes inanimados não podem
ser SUJEITOS ATIVOS, podendo, entretanto, ser objetos ou instrumentos do crime
(ex: sujeito que treina cão para matar alguém. O cão é instrumento do crime e não
sujeito ativo).
Bom, caro aluno, até aqui falamos das pessoas FÍSICAS, mas e as PESSOAS
JURÍDICAS, podem se enquadrar como SUJEITO ATIVO de um delito?
Há duas correntes em relação à pessoa jurídica poder ser sujeito ativo:

1ª) TEORIA DA FICÇÃOÎ A personalidade jurídica somente existe por


determinação da lei e dentro dos limites por ela fixados. Não tem a pessoa jurídica
consciência e vontade próprias. É uma ficção legal.
Para esta corrente, a pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo do crime, pois
não tem capacidade penal. Quem atua por ela são seus membros, seus diretores,
que serão responsabilizados pelo delito cometido em nome da pessoa jurídica.
Assim, somente os responsáveis concretos pelo delito (gerentes, diretores) são
responsabilizados penalmente.
2ª) TEORIA DA REALIDADE (PREDOMINANTE) Î Existe o entendimento de que
a pessoa jurídica é um ser natural e que tem vontades próprias. Conforme Nucci,
"porque elas fazem com que se reconheça, modernamente, sua vontade, não no
sentido próprio que se atribui ao ser humano, resultante da própria existência
natural, mas em um plano pragmático-sociológico, reconhecível socialmente. Essa
perspectiva permite a criação de um conceito denominado 'ação delituosa
institucional', ao lado das ações humanas individuais".
Diante disso, entende-se que a pessoa jurídica possa delinqüir.
Tal entendimento é o adotado pela ESAF e também pelo Superior Tribunal de
Justiça nos seguintes termos:

STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 889528 SC 2006/0200330-2

PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA O MEIO


AMBIENTE. DENÚNCIA REJEITADA PELO E. TRIBUNAL A QUO.
SISTEMA OU TEORIA DA DUPLA IMPUTAÇÃO.

Admite-se a responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes ambientais


desde que haja a imputação simultânea do ente moral e da pessoa física
que atua em seu nome ou em seu benefício, uma vez que "não se pode
compreender a responsabilização do ente moral dissociada da atuação de
uma pessoa física, que age com elemento subjetivo próprio" cf. Resp nº
564960/SC, 5ª Turma, Rel. Ministro Gilson Dipp, DJ de 13/06/2005
(Precedentes). Recurso especial provido.

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Assim, sendo propositalmente repetitivo:

ADMITE-SE A RESPONSABILIDADE
PENAL DA PESSOA JURÍDICA

A adoção deste entendimento tem por base diversos dispositivos que deixam clara a
opção do legislador em aplicar a Teoria da realidade em nosso ordenamento jurídico.
A CF/88, nos artigos 173, §5º e 225, §3º, determinou que a legislação ordinária
estabelecesse a punição da pessoa jurídica nos atos cometidos contra a economia
popular, a ordem econômica e o meio ambiente. Veja:

Art. 173

[...]

§ 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da


pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às
punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a
ordem econômica e financeira e contra a economia popular.

A Lei n.º 9.605/98, referente aos delitos cometidos em desfavor do meio ambiente,
fez com que essa teoria ganhasse força, uma vez que, em seu artigo 3°, dispôs:

Art. 3° As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e


penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração
seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de
seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a
das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
(grifo nosso)

2.1.2.2 SUJEITO ATIVO QUALIFICADO

Conforme vimos, a maioria dos crimes podem ser cometidos por qualquer pessoa,
bastando apenas a capacidade penal geral.

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Entretanto, há crimes que reclamam determinada capacidade especial penal por
parte do sujeito ativo, ou seja, certa posição jurídica (Ex: Ser funcionário público
para cometer o crime de peculato), ou posição de fato (Ex: Ser gestante para
cometer auto-aborto - infanticídio).
Nesses casos, os sujeitos ativos são chamados de "sujeitos ativos qualificados", os
quais praticam os crimes próprios.

CRIME PRÓPRIO QUANTO AO SUJEITO ATIVO É AQUELE QUE


EXIGE DO AGENTE CERTOS REQUISITOS NATURAIS OU SOCIAIS
QUE O TORNA CAPAZ DE FIGURAR COMO SUJEITO EXECUTOR
DAQUELE CRIME. EXEMPLIFICA-SE COM OS CRIMES QUE EXIGEM
A CONDIÇÃO DE "FUNCIONÁRIO PÚBLICO" PARA QUE POSSA O
INDIVÍDUO PERPETRAR A INFRAÇÃO.

2.1.2.3 SUJEITO PASSIVO

É o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado. É o coitado que morre no crime de


homicídio, o marido que sofre lesões corporais graves de sua mulher, ou mesmo o
possuidor da coisa no furto.
Nada impede que, em um determinado delito, dois ou mais sujeitos passivos
existam, desde que estes tenham sido lesados ou ameaçados em seus bens
jurídicos definidos no tipo penal.
Pode ser denominado de vítima ou de ofendido e divide-se em duas espécies:

1 - SUJEITO PASSIVO FORMAL OU MEDIATO Î É O ESTADO!!!


“Mas, como assim, professor, um indivíduo é vítima de roubo, por exemplo, e o
sujeito passivo é o Estado?”.
Exatamente, o Estado é o sujeito passivo mediato, pois, por ser o titular do
mandamento proibitivo não observado pelo sujeito ativo, é sempre lesado pela
conduta do sujeito ativo.

2 - SUJEITO PASSIVO MATERIAL OU IMEDIATO Î É o titular do interesse


penalmente protegido. É aquele que sofre a lesão do bem jurídico de que é titular,
como a vida, a integridade física, a honra. Podem ser sujeito passivo material:

• AS PESSOAS FÍSICAS Î Ex: Homicídio:


Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos

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• O ESTADO Î Ex: Crimes contra a Administração Pública:

Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer


outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do
cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio

• A PESSOA JURÍDICA Î Ex: A companhia de seguro, como pessoa jurídica


(art. 171, § 2º, V, CP - fraude para o recebimento de indenização ou valor de
seguro - Estelionato)

• A COLETIVIDADE Î(art. 286, CP – incitação ao crime).

Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:


Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

3 - SUJEITO PASSIVO – CASOS ESPECIAIS ÎExistem determinados casos,


comumente exigidos em PROVA que, embora não saiam da regra, são importantes
de serem citados para que você não precise nem pensar para marcar a resposta
correta:

Incapaz Î O incapaz pode ser sujeito passivo de delitos, pois é também titular de
direitos, como a vida e a liberdade (entre outros).
Há delitos em que somente podem figurar como sujeitos passivos os incapazes.
Ex: recém-nascido ser vítima de infanticídio (art. 123, CP); menor de idade ser
sujeito passivo de abandono intelectual (art. 246, CP).

Morto Î O ser humano morto não pode ser sujeito passivo de nenhum delito, pois
não é titular de direitos, podendo ser simplesmente o objeto material do delito.
Caso seja praticada alguma conduta atentando contra eles, restará configurado um
crime contra o respeito aos mortos (arts. 209 a 212, CP) e a vítima, neste caso,
será sua família ou a coletividade, e não o morto em si.

Nascituro Î O nascituro pode ser sujeito passivo, pois o feto tem direito à vida,
sendo esta protegida pela punição do aborto.

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Animais e coisas inanimadas Î Os animais e as coisas não são vítimas de


crime, figurando apenas como objeto material.
Daí resulta que em caso de lesão a coisas ou
animais, os sujeitos passivos são os seus
proprietários ou a coletividade.
Mas e nos crimes contra a fauna? Como já
disse, é a coletividade que figura como
vítima. De fato, ela é a titular do interesse de
ver preservado todo o patrimônio ambiental.

 
  Agora, caro aluno, um questionamento. Podemos afirmar que o
  sujeito passivo do delito é o prejudicado pelo crime?
 
A reposta é negativa, pois, ainda que muitas vezes tais
 
características se reúnam na mesma pessoa, as situações são
diversas.

Sujeito passivo é o titular do bem lesado, enquanto o prejudicado é


qualquer pessoa a quem o crime traga danos, patrimoniais ou não.

Imagine que Tício, casado com Mévia, tem a sua aliança roubada.
Quem é o sujeito passivo? Tício, pois ele era o titular do bem jurídico
protegido. E a maior prejudicada? A esposa, é claro, pois Tício não
exibe mais o símbolo de seu enlace matrimonial... (ALUNAS, não
briguem com o professor...Aposto que na hora da prova vocês vão
lembrar deste exemplo!!!)

2.1.3 OBJETO DO CRIME

É o bem ou objeto contra o qual se dirige a conduta criminosa. Pode ser:

• JURÍDICO Î Objeto jurídico do crime é o interesse protegido pela lei penal ou,
como diz Nuvolone, "o bem ou interesse que o legislador tutela, em linha
abstrata de tipicidade (fato típico), mediante uma incriminação penal".

• MATERIAL Î Objeto material ou substancial do crime é a pessoa ou coisa


sobre a qual recai a conduta criminosa, ou seja, aquilo que a ação delituosa
atinge. Está ele direta ou indiretamente indicado na figura penal. Assim,
"alguém" (o ser humano) é objeto material do crime de homicídio (art. 121), a
"coisa alheia móvel" o é dos delitos de furto (art. 155) e roubo (art. 157), etc.

Art. 121. Matar alguém [...]

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Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel [...]

Agora, para finalizar, um questionamento que inclusive já foi objeto de prova: Há crime
sem objeto?
A resposta é... DEPENDE, pois:

NÃO HÁ CRIME SEM OBJETO JURÍDICO, POIS QUALQUER


CRIME VIOLA UMA LEI. ENTRETANTO É POSSÍVEL UM
DELITO SEM OBJETO MATERIAL. EXEMPLO: ATO
OBSCENO (ARTIGO 233 DO CÓDIGO PENAL).

2.2 CRIME: CLASSIFICAÇÕES

A partir de agora começaremos a tratar das diversas classificações aplicáveis aos crimes,
assunto esse que acompanhará você até a nossa última aula, ou melhor... ATÉ A
PROVA!!!
Sendo assim, forme uma base forte e entenda bem os conceitos, para construir, até o
final do curso, uma fortaleza abrangendo todo o Direito Penal.
Dito isto, vamos começar:
A classificação dos crimes se subdivide em legal e doutrinária:

• LEGAL Î É a qualificação, ou seja, o nome atribuído ao delito pela lei penal. Na


Parte Especial do Código Penal, todo crime é acompanhado por sua denominação
legal (nomem iuris).
Sendo assim, diante desta definição, como sabermos o nome do crime previsto no
artigo 165 do Código Penal?

Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade


competente em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico.

A resposta é fácil. Basta abrir o código no artigo 165 e encontrar a denominação:


“Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico”.

• DOUTRINÁRIA Î É o nome dado por estudiosos do direito a determinadas


espécies de crime. Vamos ater nossos estudos à classificação doutrinária e,

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dentre as incontáveis existentes, somente àquelas que importam para a SUA
PROVA.

2.2.1 CRIMES COMUNS, CRIMES PRÓPRIOS E DE MÃO PRÓPRIA

• CRIMES COMUNS Î São os delitos que podem ser praticados por qualquer
pessoa.
Exemplo: Homicídio, furto, etc.

• CRIMES PRÓPRIOS Î São aqueles que exigem ser o agente portador de


capacidade especial.
Exemplo: Peculato (só pode ser praticado por funcionário público).

• CRIMES DE MÃO PRÓPRIA Î São passíveis de serem cometidos por qualquer


pessoa, mas não podem ser praticados por intermédio de outrem, ou seja, tais
crimes não admitem co-autoria, mas apenas a participação.
Exemplo: Falso testemunho.
Para ficar ainda mais claro: Um advogado pode induzir ou instigar uma testemunha
a faltar com a verdade, mas jamais poderá, em juízo, mentir em seu lugar ou
juntamente com ela. Sendo assim, quem pode cometer o delito de falso
testemunho? Qualquer pessoa QUANDO for testemunha.

2.2.2 CRIMES INSTANTÂNEOS, PERMANENTES E INSTANTÂNEOS DE EFEITOS


PERMANENTES

• CRIME INSTANTÂNEO Î É aquele que, quando consumado, encerra-se. A


consumação ocorre em determinado momento e não mais se prossegue.
Exemplo: Furto.

• CRIME PERMANENTE Î Existe quando a consumação se prolonga no tempo,


dependente da ação ou omissão do sujeito ativo. Não se admite a tentativa.
Exemplo: Cárcere Privado

• DELITO INSTANTÂNEO DE EFEITOS PERMANENTES é aquele em que a


permanência do efeito não depende do prolongamento da ação do sujeito ativo, ou
seja, ocorre quando, consumada a infração em dado momento, os efeitos
permanecem, independentemente da vontade do sujeito.
Exemplo: Crime de bigamia previsto no artigo 235 do CP.

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Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.

Se um indivíduo já é casado e casa novamente, no momento do segundo


matrimônio já é consumado o delito (instantâneo), mas, independentemente da
vontade dele, o efeito do crime permanecerá enquanto estiver casado.

2.2.3 CRIMES COMISSIVOS, OMISSIVOS PRÓPRIOS E OMISSIVOS IMPRÓPRIOS

• CRIMES COMISSIVOS Î São os que exigem, segundo o tipo penal objetivo


(descrição abstrata de um comportamento), em princípio, uma atividade positiva do
agente, ou seja, uma ação.
Exemplo: Roubo.

• CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS OU PUROS Î São os que objetivamente são


descritos com uma conduta negativa, ou seja, de não fazer o que a lei determina,
consistindo a omissão na transgressão da norma jurídica. É a omissão do
autor quando deve agir. Exemplo típico é a omissão de socorro prevista no artigo
135 do Código Penal. Observe:

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública

OBSERVE QUE NOS CRIMES PRÓPRIOS EXISTE UMA


NORMA PENAL QUE TIPIFICA A OMISSÃO. SENDO
ASSIM, PARA SUA PROVA, SE ESTIVER PRESENTE NO
CÓDIGO PENAL UMA TIPIFICAÇÃO PARA UMA
OMISSÃO, AFIRME: É OMISSIVO PRÓPRIO.

• CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS OU COMISSIVOS POR OMISSÃO Î


Existem quando a omissão consiste na transgressão do dever jurídico de impedir o
resultado, praticando-se o crime que, abstratamente, é comissivo. Nestes casos, a
lei descreve uma conduta de fazer, mas o agente se nega a cumprir o dever de
agir. A obrigação jurídica de agir deve existir, necessariamente.
As hipóteses de dever jurídico de agir foram previstas no parágrafo 2º do artigo 13
do Código Penal nos seguintes termos:

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Art. 13.
[...]
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia
agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.

IMAGINE QUE TÍCIO ESTÁ NA PRAIA QUANDO MÉVIA PERGUNTA A ELE SE


PODE OLHAR SEU FILHO ENQUANTO ELA ENTRA NA ÁGUA.
TÍCIO, IMPRESSIONADO COM OS ATRIBUTOS CORPORAIS DE MÉVIA,
ACEITA A RESPONSABILIDADE E, ENQUANTO ACOMPANHAVA COM SEU
OLHAR O TRAJETO MÉVIA-ÁGUA, A CRIANÇA VAI PARA O MAR E MORRE
AFOGADA.
NESTE CASO, EXISTE ALGUMA NORMA PENALIZADORA EM QUE TÍCIO IRÁ
SE ENQUADRAR PELA OMISSÃO?
A RESPOSTA É NEGATIVA. TÍCIO SERÁ ENQUADRADO EM HOMICÍDIO
CULPOSO.
LOGO, COM BASE NO ARTIGO 13, § 2º, “B” COMETEU UM CRIME OMISSIVO
IMPRÓPRIO.

2.2.4 CRIMES MATERIAIS, FORMAIS E DE MERA CONDUTA

• CRIME MATERIAL Î É aquele em que o tipo penal guarda em seu interior uma
conduta e um resultado naturalístico, sendo a ocorrência deste último necessária
para a consumação.
Exemplo: É o caso do homicídio, cuja consumação é caracterizada pelo
falecimento da vítima.

• CRIME FORMAL Î É aquele crime que se tem como consumado independente


do resultado naturalístico, não exigindo para sua consumação o resultado
pretendido pelo agente.
Ressalto que neste tipo de delito o resultado pode até ocorrer, mas, para a
consumação do crime, é indiferente.
Exemplos: No delito de ameaça, a consumação dá-se com a prática do fato, não se
exigindo que a vítima realmente fique intimidada. No de injúria, é suficiente que ela
exista, independentemente da reação psicológica do indivíduo.

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• NO CRIME DE MERA CONDUTA Î A lei não exige qualquer resultado
naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente. Em outras
palavras, o tipo não descreve o resultado, consumando-se a infração com a
simples conduta.
Exemplos: Violação de domicílio, ato obsceno, omissão de notificação de doença e
a maioria das contravenções.

OS CRIMES MATERIAIS, FORMAIS E DE MERA


CONDUTA SÃO CLASSIFICADOS EM RELAÇÃO
AO SEU RESULTADO.

2.2.5 CRIMES SIMPLES, QUALIFICADOS E PRIVILEGIADOS

• CRIME SIMPLES Î Ocorre quando o tipo legal é único. Neles, a lesão jurídica é
una e seu conteúdo não apresenta qualquer circunstância que aumente ou diminua
sua gravidade.
Exemplo: homicídio simples.

• CRIME QUALIFICADO Î Quando o legislador, ao tipo básico ou fundamental,


agrega situação que eleva ou majora a pena, tal qual se dá com o homicídio (art.
121 e par. 2º).

Art. 121
[...]
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo futil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso
que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de
outro crime:

Não surge a formação de um novo tipo penal, mas apenas uma forma mais grave
de ilícito.

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• CRIME PRIVILEGIADO Î É aquele em que, ao tipo básico e fundamental, a lei


agrega circunstâncias que o torna menos grave.
Exemplo: O homicídio praticado por relevante valor moral e o furto de pequeno
valor praticado por agente primário.

2.2.6 CRIMES COMPLEXOS

CRIMES COMPLEXOS Î Quando encerra dois ou mais tipos em uma única


descrição legal (ex.: roubo = furto + ameaça) ou quando, em uma figura típica,
abrange um tipo simples acrescido de fatos ou circunstâncias que, em si, não são
típicos (ex.: constrangimento ilegal = crime de ameaça + outro fato, que é a vítima
fazer o que não quer ou não fazer o que deseja).

Esquematizando:

CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO SUSCINTA EXEMPLO

COMUNS PRATICADOS POR QUALQUER PESSOA. FURTO

PRATICADOS POR PORTADORES DE


PRÓPRIOS PECLULATO
CAPACIDADE ESPECIAL.

COMETIDOS POR QUALQUER PESSOA,


FALSO
MÃO PRÓPRIA MAS NÃO PODEM SER PRATICADOS
TESTEMUNHO
POR INTERMÉDIO DE OUTREM.

CRIMES
QUANDO CONSUMADO, ENCERRA-SE. FURTO
INSTANTÂNEOS

PROLONGA-SE NO TEMPO,
CÁRCERE
PERMANENTES DEPENDENTE DA AÇÃO OU OMISSÃO
PRIVADO
DO SUJEITO ATIVO.

CONSUMADA A INFRAÇÃO EM DADO


INSTANTÂNEOS DE
MOMENTO, OS EFEITOS PERMANECEM,
EFEITOS BIGAMIA
INDEPENDENTEMENTE DA VONTADE
PERMANENTES DO SUJEITO.

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ATIVIDADE POSITIVA DO AGENTE, UMA


CRIMES COMISSIVOS ROUBO
AÇÃO.

CRIME QUE, ABSTRATAMENTE, É


OMISSIVOS OMISSÃO DE
OMISSIVO. É A OMISSÃO DO AUTOR
PRÓPRIOS SOCORRO
QUANDO DEVE AGIR.

CRIME QUE, ABSTRATAMENTE, É


ART. 13 CP - MÃE
COMISSIVO. A LEI DESCREVE UMA
OMISSIVOS DEIXA DE
CONDUTA DE FAZER, MAS O AGENTE
IMPRÓPRIOS ALIMENTAR A
SE NEGA A CUMPRIR O DEVER DE
CRIANÇA
AGIR.

UMA CONDUTA E UM RESULTADO


NATURALÍSTICO, SENDO A HOMICÍDIO Î
MATERIAIS
OCORRÊNCIA DESTE ÚLTIMO MORTE
NECESSÁRIA PARA A CONSUMAÇÃO.

CONSUMADO INDEPENDENTE DO
FORMAIS AMEAÇA
RESULTADO NATURALÍSTICO.

NÃO EXIGE QUALQUER RESULTADO


MERA CONDUTA ATO OBSCENO
NATURALÍSTICO.

OCORRE QUANDO O TIPO LEGAL É HOMICÍDIO


SIMPLES
ÚNICO. SIMPLES

AO TIPO SIMPLES, AGREGA SITUAÇÃO


QUALIFICADOS ART. 121, § 2°
QUE ELEVA OU MAJORA A PENA.

HOMICÍDIO
CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME SÃO
PRATICADO POR
PRIVILEGIADOS MINORATIVAS, ISTO É, SE ATENUAM A
RELEVANTE
PENA.
VALOR MORAL

DOIS OU MAIS TIPOS EM UMA ÚNICA ROUBO = FURTO


COMPLEXO
DESCRIÇÃO LEGAL. + AMEAÇA

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2.3 CRIME: FATO TÍPICO

Fato típico é o comportamento humano (positivo ou negativo) que se enquadra


perfeitamente nos elementos descritos na norma penal.
Exemplo: Tício esfaqueia Mévio, que vem a falecer devido às lesões Î Enquadramento
de Tício na conduta definida no artigo 121 do Código Penal:

Art. 121. Matar alguém:


Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Sendo assim, caro aluno, fica fácil encontrar a definição de fato atípico, que nada mais é
do que aquele que NÃO se enquadra em nenhum dispositivo da lei penal.
Para exemplificar: Mévio, pai de Tícia (22 anos), mantém relações sexuais com a filha,
que consente que tal ato aconteça. Neste caso, há crime? Claro que não! A conduta pode
até ser considerada imoral, mas, por haver consentimento de ambas as partes, não se
enquadra em nenhuma norma penal e, consequentemente, é atípico.
O fato típico é composto dos seguintes elementos:

1. CONDUTA
2. RESULTADO NATURALÍSTICO
3. NEXO DE CAUSALIDADE
4. TIPICIDADE

Só para ficar bem claro, no primeiro exemplo, há uma conduta, a de o sujeito esfaquear a
vítima. O resultado é a morte. O nexo entre a conduta e o resultado é que a vítima faleceu
em conseqüência das lesões produzidas pelas facadas. E o acontecimento se enquadra
no art.121 do CP.
Mas agora pergunto, e para responder pense na classificação dos crimes que vimos nesta
aula: Sempre os quatro elementos estarão simultaneamente presentes para a
caracterização de um fato típico???
A resposta é negativa, pois só estarão presentes, concomitantemente, nos CRIMES
MATERIAIS CONSUMADOS, pois estes, como já vimos, guardam em si uma conduta e
um resultado naturalístico, exigindo a produção deste para a sua consumação.
Na tentativa e nos crimes de mera conduta, diferentemente, não há resultado naturalístico
e nem nexo causal, limitando-se o fato típico aos elementos CONDUTA e TIPICIDADE.
E nos crimes formais?
Nos crimes formais, o resultado pode até acontecer, mas não é necessário para a
consumação. Sendo assim, podemos afirmar que será necessário para caracterizar um
fato típico proveniente de um delito formal, somente a CONDUTA e a TIPICIDADE.

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Esquematizando:

NEXO CAUSAL

RESULTADO

CRIMES
MATERIAIS FATO TÍPICO
CONSUMADOS

CRIMES
CONDUTA
TENTADOS,
FORMAIS E DE
MERA
TIPICIDADE CONDUTA

2.3.1 CONDUTA

Um dos mais fascinantes temas do direito penal é o estudo da conduta ou ação, não
só pelas suas próprias características, mas mais pelas divergências que cria em
relação ao estudo do crime.
Realmente, qualquer espécie de crime, seja doloso ou culposo, somente tem sua
exteriorização no mundo natural através da realização de uma conduta e há muito já
se dizia que "nullum crimem sine actione", ou seja, não há crime sem uma respectiva
ação humana.

O estudo da conduta é feito com base em teorias que você verá logo após o quadro
abaixo:

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DOLO E CULPA – QUAL A DIFERENÇA?

QUANDO ALGUÉM QUER COMETER UM DELITO OU ASSUME O RISCO DE


COMETÊ-LO, ELE ESTARÁ AGINDO DOLOSAMENTE. MAS SE ELE COMETEU O
CRIME APENAS POR NEGLIGÊNCIA, IMPRUDÊNCIA OU IMPERÍCIA, ELE ESTARÁ
AGINDO CULPOSAMENTE.

ASSIM, SE TÍCIO DÁ UM TIRO EM MÉVIO, ELE AGIU DOLOSAMENTE, POIS QUIS


MATÁ-LO.

MAS, E SE TÍCIO DEIXA SÓ UM PROJÉTIL E, BRINCANDO DE “ROLETA RUSSA”,


COLOCA-O CONTRA A CABEÇA DE MÉVIO, APERTA O GATILHO E O MATA?

NESTE CASO, ELE PODE ATÉ NÃO TER QUERIDO MATÁ-LO, MAS ASSUMIU O
RISCO DE FAZÊ-LO E, POR ISSO, TERÁ AGIDO DOLOSAMENTE.

POR OUTRO LADO, SE CAIO DEIXA SEU REVÓLVER CAIR DA BOLSA SEM
QUERER E AO BATER NO CHÃO ELE DISPARA E MATA TÍCIA, SERÁ DOLOSO?

A RESPOSTA É NEGATIVA. SERÁ UM DELITO CULPOSO, POIS ELE NÃO DESEJOU


E NEM ASSUMIU O RISCO DE MATAR TÍCIA, MAS AGIU COM IMPRUDÊNCIA, POIS
NINGUÉM DEVERIA ANDAR COM UMA ARMA DESTRAVADA EM UMA BOLSA.

FINALIZANDO:

IMPERÍCIA É QUANDO ALGUÉM QUE DEVERIA DOMINAR UMA TÉCNICA NÃO A


DOMINA. É O CASO DO MÉDICO QUE ERRA NA HORA DE SUTURAR UM
PACIENTE. DEPOIS DE SEIS ANOS ESTUDANDO MEDICINA, ELE DEVERIA SABER
SUTURAR. SE NÃO SABE, É IMPERITO.

NEGLIGÊNCIA É QUANDO AQUELE QUE DEVERIA TOMAR CONTA PARA QUE UMA
SITUAÇÃO NÃO ACONTECESSE, NÃO PRESTA A DEVIDA ATENÇÃO E A DEIXA
ACONTECER. É O CASO DA MÃE QUE DEVERIA TOMAR CONTA DO NENÉM
QUANDO ESTÁ DANDO BANHO NELE, VAI ATENDER O TELEFONE E O NENÉM
ACABA SE AFOGANDO. ELA NÃO QUERIA E NEM ASSUMIU O RISCO DE MATÁ-LO,
MAS NÃO TOMOU CONTA O SUFICIENTE PARA EVITAR SUA MORTE.

IMPRUDÊNCIA É QUANDO A PESSOA NÃO TOMA OS CUIDADOS QUE UMA


PESSOA NORMAL TOMARIA. É AQUELA QUE, AO DAR MARCHA-RÉ COM O
CARRO, ESQUECE DE OLHAR PARA TRÁS E ACABA ATROPELANDO ALGUÉM.

2.3.1.1 TEORIA CLÁSSICA, MECANICISTA, NATURALÍSTICA OU CAUSAL

A ideologia dessa teoria nasceu com o intuito de abrandar a sensação vivida na


época do Império, quando a vontade do Rei prevalecia e era ele quem ditava as
regras de conduta. Em contraposição a essa fase, surgiu a teoria clássica, para
que a sociedade ficasse inteiramente adstrita à vontade da lei e não mais à do
monarca.

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Para os defensores dessa teoria, ficar vinculado literalmente ao texto legal era mais
seguro. Interpretar a lei seria muito arriscado, não se podia dar margens a
interpretações, pois essas causariam a insegurança de regredir para a época
Imperial, quando prevalecia a arbitrariedade.
Portanto, a única interpretação possível do texto legal era a literal, devia-se seguir
à risca a junção do fato à norma.
Para a teoria causal da ação, pratica fato típico aquele que pura e simplesmente dá
causa ao resultado, independente de dolo ou culpa na conduta do agente,
elementos esses que, segundo essa teoria, serão analisados apenas na fase de
averiguação da culpabilidade, ou seja, não pertencem à conduta.
Para saber se o agente praticou fato típico ou não, deve-se apenas analisar se ele
foi o causador do resultado, se praticou a conduta descrita em lei como crime. Não
se analisa o conteúdo da conduta, a intenção do agente na ação, trabalha-se com
o mero estudo de relação de causa e efeito.
Crime, para essa teoria, é fato típico, antijurídico e culpável, pois o dolo e a culpa,
que são imprescindíveis para a existência do crime, pertencem à culpabilidade,
logo, esta (a culpabilidade) deve fazer parte do conceito de crime para os
seguidores dessa teoria.

SISTEMA CLÁSSICO

RELEMBRANDO!!!

PELA TEORIA ADOTADA ATUALMENTE PELO CÓDIGO PENAL,


CRIME É SOMENTE FATO TÍPICO E ILÍCITO (ANTIJURÍDICO).

Para esclarecer melhor a teoria causal, partimos de um exemplo: Imagine uma


pessoa que, ao sair de um restaurante, dirija-se ao depósito para retirar seu guarda-
chuva e, por engano, retira guarda-chuva alheio.
Para a teoria causal da ação, essa pessoa praticou fato típico (furto), visto que
subtraiu para si coisa alheia móvel. Mesmo que tal pessoa não tenha agido com
dolo, praticou fato típico, ou seja, a conduta descrita em lei como crime.
Outro exemplo seria o caso do “Sr. Certinho”, que estava dirigindo a 40 Km/h em
uma via cuja velocidade máxima preceituada era de 60 Km/h. Em determinado
momento, uma criança solta a mão de sua mãe, passa na frente de um caminhão

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(que impedia a visão dos motoristas) e acaba sendo morta pelo carro do Sr. Certinho
que, naquele momento, dirigia com a máxima atenção possível.

Neste caso, o Sr. Certinho praticou um FATO TÍPICO?


Para responder a pergunta, temos que pensar segundo o
nome da teoria, ou seja, de forma MECÂNICA.
Qual foi a CAUSA da morte da criança? Foi a AÇÃO do Sr.
Certinho, LOGO...É fato típico!
O principal defeito desta teoria é separar a conduta praticada no mundo exterior da
relação psíquica do agente, deixando de analisar sua vontade.
Fica claro, portanto, que esta teoria não distingue a conduta dolosa da conduta
culposa, pois ambas são analisadas objetivamente, uma vez que não se faz
nenhuma indagação sobre a relação psíquica do agente para com o resultado.
Bastante adotada em décadas passadas, essa teoria foi ao longo do tempo cada vez
mais abandonada, encontrando, hoje, poucos seguidores.

2.3.1.2 TEORIA FINAL OU FINALISTA

Hans Welzel foi o grande defensor dessa teoria que surgiu entre 1920 e 1930,
diante das constatações neoclássicas, nas quais se observou elementos
finalísticos nos tipos penais. Pela corrente neoclássica, também denominada
neokantista, foi possível determinar elementos subjetivos no próprio tipo penal,
e não somente na culpabilidade.
Esta teoria tem como idéia inicial a concepção do homem como ser livre e
responsável pelos seus atos. Para esta teoria, conduta é o comportamento humano
voltado a um fim. Logo, há que ser analisada a FINALIDADE do agente em sua
conduta.
Para a teoria finalista da ação, que foi a adotada pelo nosso Código Penal, será
típico o fato praticado pelo agente se este atuou com dolo ou culpa na sua conduta.
Se ausente tais elementos, teremos a atipicidade.

CONCLUINDO, A VONTADE DO AGENTE NÃO PODERÁ MAIS


SER SEPARADA DA SUA CONDUTA, AMBAS ESTÃO LIGADAS
ENTRE SI, DEVENDO-SE FAZER UMA ANÁLISE DE IMEDIATO
NO “ANIMUS” DO AGENTE PARA FINS DE TIPICIDADE.

Para a teoria finalista, crime é um fato típico e antijurídico, sendo a culpabilidade


mero pressuposto de aplicação da pena. Sendo assim, analisa-se a conduta do
agente se foi dolosa ou culposa, se tal conduta é típica e, por final, como
pressuposto de aplicação da pena, verifica-se a culpabilidade do agente.

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SISTEMA FINALISTA

PRESSUPOSTO DE
APLICAÇÃO DA
PENA

A referida teoria adotada leva em conta o valor da ação, o motivo que levou alguém
a praticar o delito, ao contrário da teoria causal que se contenta em apenas ver a
relação de causa e efeito da conduta.
A teoria finalista se preocupa com o conteúdo da conduta e da norma, pois muitos
tipos penais no seu próprio corpo descrevem elementos que exigem uma finalidade
específica, portanto, não poderíamos ignorar essa vontade da lei. Um exemplo de
tipo penal que exige finalidade é o artigo 216-A do Código que descreve em seu
preceito primário:

Art.216–A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou


favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de
superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego,
cargo ou função.

Ora, está claro que o tipo penal incriminador estabelece uma finalidade especial do
agente para que este se enquadre no mesmo, exigindo-se a finalidade de “obter
vantagem ou favorecimento sexual”, concluindo que não se pode separar a
conduta do agente de sua vontade, deixando claro que nosso Código Penal adotou
a teoria finalista da ação.

Resumindo:
Para a teoria finalista, importa saber se o agente atuou com dolo ou culpa. Não
estando presente tais elementos, sua conduta será atípica. Por outro lado, para a
teoria causal, sua conduta seria típica, porém ele não seria culpável por ausência
de dolo e culpa, elementos estes que, para a teoria causal, fazem parte da
culpabilidade.

2.3.1.3 TEORIA SOCIAL

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A teoria social da ação tem como fundamento a relevância da conduta perante a
sociedade.
Para essa teoria, não basta saber se a conduta foi dolosa ou culposa para
averiguação do fato típico, mas, também, fazer uma análise de tal comportamento
e classificá-lo como socialmente permitido ou não.
Se a conduta do agente for considerada social, ou seja, aceita pela sociedade, será
atípica.
Para os adeptos da teoria social não podemos taxar como crime uma conduta que
é perfeitamente aceitável perante a sociedade e que não gera danos
consideráveis.
A referida teoria alega ser inútil punir alguém por um fato que a própria sociedade
aceita, ou seja, deve-se observar um elemento social que estaria contido
implicitamente no tipo penal. Para essa teoria, só será típico o fato que repercute
negativamente na sociedade.
Em um primeiro momento, caro aluno, a Teoria Social pode até parecer boa para a
sociedade, mas devemos, antes de pensar na “idéia” da teoria, responder à
seguinte pergunta: “Quem vai decidir o que é aceito ou não pela sociedade?”
Resposta: Somente o Juiz, e aqui é que começam os problemas.
Os críticos da teoria social alegam que esta implica num risco à segurança jurídica,
pois caberia ao magistrado decidir se tal conduta é típica ou não de acordo com os
costumes.
Assim, analisando o caso em concreto, se o juiz entender que a ação do agente foi
absolutamente sociável, classificará aquela como atípica, ignorando, assim, o
direito positivo.
Tal teoria não foi concebida pela nossa legislação, entretanto, não se deixa de
avaliar a sociabilidade da ação, podendo esta ser utilizada pelo magistrado como
critério de fixação da pena base, com fundamento no artigo 59 do Código Penal.

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta


social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e
conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima,
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime:

I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;


II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra
espécie de pena, se cabível.

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2.3.1.4 EXCLUSÃO DA CONDUTA

Não constituem conduta os atos em que não intervém a vontade. São exemplos
de hipóteses de ausência de conduta:

1. Caso fortuito e força maior Î São acontecimentos imprevisíveis e inevitáveis


que fogem do domínio da vontade do ser humano. Se não há vontade, não há
dolo ou culpa.
Exemplo: Tício estava em uma praça, ao lado de uma senhora. Após uma forte
rajada de vento, Tício é arremessado contra a mulher, ferindo-a. Neste caso,
houve VONTADE de Tício? É claro que não, logo, não houve conduta.

2. Atos ou movimentos reflexos Î Consiste em reação automática em


consequência de uma excitação dos sentidos.
Exemplo: Você lembra daquele martelinho de ortopedista?....Isso
mesmo, aquele que bate no joelho e, automaticamente, nossa
perna se mexe. Então, imagine que o médico bate com este
martelinho em seu joelho e, por impulso, a perna acaba atingindo o
médico. Como não há vontade de atingir o ortopedista, também
não há conduta.

3. Coação física irresistível Î Imagine que Tício é amarrado enquanto vê


Mévio sofrer lesões corporais graves. Neste caso, será enquadrado na
hipótese de omissão de socorro prevista no artigo 135 do Código Penal? É
claro que não, pois está sob coação física irresistível.

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública

4. Sonambulismo e hipnose Î Também não há conduta por falta de vontade


nos comportamentos praticados em completo estado de inconsciência.

2.3.2 RESULTADO

Resultado é a consequência provocada pela conduta do agente. Pode ser:

• JURÍDICO Î É, simplesmente, a violação da lei penal, mediante a agressão do


valor ou interesse por ela tutelado.

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• NATURALÍSTICO OU MATERIAL Î É a modificação do mundo exterior
provocada pela conduta do agente.

Agora, para finalizar, um questionamento. Há crime sem resultado?


A resposta é... DEPENDE, pois:

NÃO HÁ CRIME SEM RESULTADO JURÍDICO, POIS


QUALQUER CRIME VIOLA UMA LEI. ENTRETANTO É
POSSÍVEL UM DELITO SEM RESULTADO NATURALÍSTICO.

2.3.3 NEXO CAUSAL OU RELAÇÃO DE CAUSALIDADE

A relação de causalidade ou nexo causal ou nexo de causalidade é a forma segundo a


qual se verifica o vínculo entre a conduta do agente e o resultado ilícito. Sobre o tema,
estabelece o artigo 13 do Código Penal:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é


imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão
sem a qual o resultado não teria ocorrido.

A doutrina considera que a palavra “resultado” prevista no início do artigo 13 refere-se


somente ao resultado naturalístico. Sendo assim, para ser determinado o autor de um
crime, sempre teremos que verificar o NEXO CAUSAL, correto? CLARO QUE NÃO!!!!
Para que se vai verificar o nexo causal em delitos formais ou de mera conduta?
Nesses tipos de crimes importa o resultado ou só a conduta? Só a conduta! Sendo
assim, o estudo da relação de causalidade tem pertinência apenas nos crimes
MATERIAIS.

2.3.3.1 TEORIAS

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Podem-se destacar duas principais teorias na busca para definir a relação de
causalidade. São elas:

1 - DA EQUIVALÊNCIA DAS CONDIÇÕES OU EQUIVALÊNCIA DOS


ANTECEDENTES OU SINE QUA NON Î Segundo esta teoria, quaisquer das
condutas que compõem a totalidade dos antecedentes é causa do resultado, como,
por exemplo, a venda lícita da arma pelo comerciante que não tinha idéia do
propósito homicida do criminoso comprador.
Essa teoria costuma ser lembrada pela “profunda” frase:

A CAUSA DA CAUSA TAMBÉM É CAUSA DO QUE FOI CAUSADO.

Contudo, recebe críticas por permitir o regresso ao infinito, já que, em última


análise, até mesmo o inventor da arma seria causador do evento, visto que, se a
arma não existisse, tiros não haveria. Na verdade, a responsabilidade de todo
delito incidiria em “Adão e Eva”.
Já pensou esta teoria aplicada na época em que o adultério era crime? Ia para
cadeia o vendedor da cama, o dono da indústria de espuma....Enfim, é melhor
passarmos para a próxima.

2 - DA CAUSALIDADE ADEQUADA Î Esta teoria considera causa do evento


apenas a ação ou omissão do agente apta e idônea a gerar o resultado.
Segundo o que dispõe essa corrente, a venda lícita da arma pelo comerciante não
é considerada causa do resultado morte que o comprador produzir, pois vender
licitamente a arma, por si só, não é conduta suficiente para gerar a morte. Ainda é
preciso que alguém efetue os disparos que a causarão.
Portanto, a causa adequada é aferida de acordo com o juízo do homem médio e
com a experiência comum. Não basta contribuir de qualquer modo para o
resultado: A CONTRIBUIÇÃO DEVE SER EFICAZ!

2.3.3.2 TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL

O Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes, conforme é


possível perceber ao observar com atenção o artigo 13 do Código Penal. Veja:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é


imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (grifo nosso)

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Sendo assim, para a PROVA, causa é todo o comportamento humano, comissivo
ou omissivo, que, de qualquer modo, concorreu para a produção do resultado
naturalístico, pouco importando o grau de contribuição.
“Mas, professor, quer dizer que o vendedor de arma, segundo o sistema Brasileiro,
pode ser responsabilizado pelo homicídio?”
A resposta é: Depende!
Segundo a jurisprudência dominante, ao interpretar o artigo 13, para que um
acontecimento ingresse na relação de causalidade, não basta a mera dependência
física. Exige-se ainda a causalidade psíquica, ou seja, reclama-se a presença do
dolo ou da culpa por parte do agente em relação ao resultado.
Como já vimos, a ausência de dolo ou culpa afasta a conduta, a qual, por seu
turno, afasta a configuração do nexo causal.
Logo, na pergunta acima, se o vendedor sabia da intenção do comprador e, por
não gostar do “futuro” ofendido, facilitou a venda da arma, sua conduta será
considerada causa do crime de homicídio, cometido posteriormente. Se nada
sabia, tal responsabilização ficará afastada.
Resumindo, pelo que vimos até agora o artigo 13 do Código Penal adotou a teoria
da equivalência dos antecedentes. Fácil, concorda? Fácil até demais....E como
vida de concurseiro não é nada fácil (E eu sei muito bem...), excepcionalmente, a
teoria da causalidade adequada também é adotada no nosso sistema pátrio e isto
nos remete à necessidade de estudarmos as concausas.
Respire fundo e vamos começar!!!

2.3.3.3 CONCAUSAS

Paralelamente à causa, existe o que se denomina, doutrinariamente, concausa. Ou


seja, são outras causas que concorrem juntamente no fato então praticado e dão
força, de uma forma ou de outra, ao resultado.
As concausas subdividem-se em:

• CAUSA DEPENDENTE Î É aquela que é dependente da conduta. Só


acontece por causa da conduta e, assim, não exclui a relação de
causalidade. Ocorre como uma verdadeira sucessão de acontecimentos
previsíveis.
Exemplo: A morte em um homicídio advém da hemorragia interna que foi
causada pelo impacto da bala que veio da explosão provocada pela arma
feita pela conduta da pessoa que pressionou o gatilho.

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MORTE HEMORRAGIA IMPACTO EXPLOSÃO


CONDUTA
DA BALA DA ARMA

RESULTADO
CAUSA

• CAUSA INDEPENDENTE Î É aquela que acontece por motivos diversos


da conduta. Apresenta um resultado inesperado e não usual.
É independente porque tem a capacidade de produzir, por si só, o
resultado. Pode ser de natureza absoluta ou relativa, dependendo de sua
origem.

ƒ Absolutamente independente Î Quando não tem nenhuma


relação com a conduta. Por serem independentes, produzem
por si sós o resultado naturalístico.

ƒ Relativamente independente Î Originam-se da própria


conduta efetuada pelo agente. São relativas, pois não
existiriam sem a atuação do agente. Entretanto, tais causas
são independentes e, assim, são capazes de produzir por si
sós o resultado, já que não se situam no normal trâmite do
desenvolvimento causal.

CAUSA DEPENDENTE Î SÓ ACONTECE POR


CAUSA DA CONDUTA.

CAUSA INDEPENDENTE Î ACONTECE POR


MOTIVOS DIVERSOS DA CONDUTA.

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Vamos começar tratando das causas absolutamente independentes, que
subdividem-se em:

A) PREEXISTENTES Î São aquelas que já existiam antes da conduta e o efeito


dessa de nada interfere no resultado.
Exemplo: Tício verifica que Mévio está deitado na praia e atira dez vezes em
regiões vitais do desafeto. Posteriormente, o exame necroscópico conclui que no
momento dos disparos Mévio já estava morto, pois havia se afogado.
A conduta (tiro) não produziu o resultado (morte), pois esta foi causada pelo
afogamento preexistente.

B) CONCOMITANTE Î É aquela que ocorre no exato momento da conduta.


Exemplo: Caio efetua disparos contra Mévio no exato momento em que o teto da
casa cai na cabeça deste último.

C) SUPERVENIENTES Î É a que se concretiza posteriormente à conduta


praticada pelo agente, dando causa ao resultado.
Exemplo: Tício ministra uma alta dose de veneno para Caio, entretanto, antes de o
veneno começar a fazer efeito, aparece Mévio e efetua inúmeros disparos contra
Caio, matando-o.

Conseqüência das causas absolutamente independentes: Perceba que em


todas as modalidades o resultado aconteceria independentemente da conduta.
Desta forma, há um afastamento do nexo causal entre a conduta e o resultado
desejado.
“Mas, professor, isto quer dizer que o agente ficará impune?”
Não! Devem ser imputados ao agente os atos praticados e não o resultado
naturalístico, devido à ausência da relação de causalidade. Nos exemplos
mencionados, via de regra, responderá o agente por tentativa de homicídio e não
por homicídio consumado.

A partir de agora, voltaremos o estudo para as causas relativamente


independentes, que podem ser:

A) PREEXISTENTES Î A causa já existe antes da conduta do agente, entretanto,


por si só, não produziria o resultado. Assim, o agente responderá integralmente
pelo resultado naturalístico.
Exemplo: Tício atira em Mévio e o acerta de raspão. Entretanto Mévio, por ser
hemofílico, vem a falecer em virtude dos ferimentos. Perceba que a hemofilia é

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preexistente ao fato, entretanto, o resultado só foi possível devido à atuação de
Tício.

B) CONCOMITANTES Î Ocorrem concomitantemente à prática da conduta e aqui


valem os mesmos comentários quanto às causas relativamente independentes
preexistentes, ou seja, responde o agente pelo resultado naturalístico.
Exemplo: Mévio, com ânimo de matar Tício, aponta uma arma para ele. Tício,
desesperado, tenta fugir e no momento em que é efetuado o disparo, Tício é
atropelado por um caminhão.

C) SUPERVENIENTES Î Encontram previsão no artigo 13, parágrafo 1º do


Código Penal. Observe:

Art. 13
[...]
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos
anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Através da análise atenta do supracitado dispositivo, percebe-se que o legislador


optou por criar duas espécies do gênero causas relativamente independentes
supervenientes. São elas:

1. CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE INDEPENDENTES QUE


NÃO PRODUZEM POR SI SÓS O RESULTADO Î Imagine que Tício,
querendo matar Mévio, por possuir uma péssima mira, erra o coração e
acerta em seu braço. Mévio é levado ao hospital e, por imperícia médica,
vem a falecer.
Pergunto: Tício responderá pela morte de Mévio? Para responder a esta
pergunta, caro aluno, você deve se perguntar: “Se ele não tivesse levado o
tiro teria morrido?” É claro que não, pois nem para o hospital teria ido.
Sendo assim, nas CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE
INDEPENDENTES QUE NÃO PRODUZEM POR SI SÓS O RESULTADO, o
agente RESPONDE pelo resultado naturalístico.

Neste sentido já se pronunciou o STJ:

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STJ - HABEAS CORPUS: HC 42559 PE 2005/0042920-6

Relator(a): Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA

Julgamento: 03/04/2006

Órgão Julgador: T5 - QUINTA TURMA

Publicação: DJ 24.04.2006 p. 420

Processual penal. Habeas corpus. Homicídio qualificado. Novo


interrogatório. Faculdade do julgador. Prova emprestada. Inexistência de
constrangimento ilegal quando existem outros elementos que sustentam a
condenação. Causa superveniente relativamente independente.
Inexistência. Teoria da equivalência dos antecedentes causais. Legítima
defesa. Impossibilidade de reconhecimento pela via estreita do writ por exigir
exame do conjunto fático-probatório. Ordem parcialmente conhecida e,
nessa parte, denegada.
[...]

4. O fato de a vítima ter falecido no hospital em decorrência das lesões


sofridas, ainda que se alegue eventual omissão no atendimento
médico, encontra-se inserido no desdobramento físico do ato de
atentar contra a vida da vítima, não caracterizando constrangimento
ilegal a responsabilização criminal por homicídio consumado, em
respeito à teoria da equivalência dos antecedentes causais adotada no
Código Penal e diante da comprovação do animus necandi do agente.

[...]

2. CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE INDEPENDENTES QUE


PRODUZEM POR SI SÓS O RESULTADO ÎÉ exatamente a situação
trazida no parágrafo 1º do artigo 13.
Segundo o texto legal, a superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado;
os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
Perceba que aqui temos a clara aplicação da teoria da causalidade
adequada, não mais sendo considerada causa qualquer evento que tenha
concorrido para o resultado. A partir deste dispositivo, não cabe para ser
responsabilizado apenas uma contribuição, mas sim uma contribuição
ADEQUADA ao resultado naturalístico.

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Conforme já vimos, segundo a teoria da causa adequada, a


causa é aferida de acordo com o juízo do homem médio e
com a experiência comum. Não basta contribuir de qualquer
modo para o resultado: A CONTRIBUIÇÃO DEVE SER EFICAZ!

Vamos exemplificar para facilitar o entendimento: Tício efetua um disparo e


acerta no braço de Mévio. Mévio é levado de ambulância para o hospital.
Entretanto, durante o trajeto ocorre um acidente, a ambulância bate e Mévio
morre em razão da batida.
Neste caso, estamos diante de uma causa superveniente relativamente
independente que por si só produziu o resultado e, consequentemente, o
agente não será responsabilizado pela morte e, somente, pelos atos
anteriores.
“Mas, professor...Agora minha cabeça ficou uma bagunça....Aqui não é a
mesma situação anteriormente apresentada em que ele morria no hospital?
Não posso pensar que ele só estava na ambulância devido aos disparos
efetuados?”
Perceba, concurseiro(a), que há uma grande diferença. No caso em que ele
vai para o hospital e morre por imperícia médica, ele morre devido ao
agravamento dos ferimentos provenientes do disparo. Diferentemente, a
causa da morte no caso da ambulância não há qualquer relação DIRETA
com os ferimentos.

VAMOS AGORA ESQUEMATIZAR TUDO O QUE VIMOS COM


RELAÇÃO ÀS CONCAUSAS, A FIM DE ORGANIZAR AS IDÉIAS:

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PREEXISTENTES
ROMPEM O NEXO
CAUSAL E RESPONDE
ABSOLUTAMENTE O AGENTE PELOS
CONCOMITANTES
INDEPENDENTES ATOS PRATICADOS
ATÉ ENTÃO

SUPERVENIENTES

CAUSAS DEPENDENTES

NÃO ROMPEM O NEXO


PREEXISTENTES
CAUSAL E RESPONDE
O AGENTE PELO
RESULTADO
RELATIVAMENTE
CONCOMITANTES NATURALÍSTICO
INDEPENDENTES

SUPERVENIENTES

QUE NÃO
PRODUZIRAM POR
SI SÓS O
RESULTADO

QUE PRODUZIRAM
ROMPEM O
POR SI SÓS O
NEXO CAUSAL
RESULTADO

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2.3.3.4 RELEVÂNCIA DA OMISSÃO

Omissão relevante para o Direito Penal é o não cumprimento de um dever jurídico


de agir em circunstâncias tais que o omitente tinha a possibilidade física ou
material de realizar a atividade devida.
Conseqüentemente, a omissão passa a ter existência jurídica desde que preencha
os seguintes pressupostos:

1 - Dever jurídico que impõe uma obrigação de agir ou uma obrigação de evitar um
resultado proibido;
2 - Possibilidade física, ou material, de agir.

A OMISSÃO É PENALMENTE RELEVANTE QUANDO O


OMITENTE PODIA E DEVIA AGIR PARA EVITAR O
RESULTADO.

Sobre o tema, dispõe o Código Penal:

Art. 13
[...]
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia
agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.

O supra dispositivo só é aplicado aos crimes omissivos impróprios (comissivos por


omissão), isto é, aqueles em que a lei penal não cria um tipo penal para a omissão,
mas diz que se deixar de agir para impedir um resultado tutelado penalmente,
estará cometendo o delito.
Esta dedução sobre a aplicabilidade do parágrafo 2º é obvia, pois, se para os
crimes omissivos próprios temos uma norma que tipifica a omissão, é claro que
eles não irão se enquadrar no supracitado dispositivo e serão sempre penalmente
relevantes.
Sei que já tratamos da classificação dos crimes, mas só para ter certeza que você
entendeu, pergunto: É possível um homicídio por omissão?

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A resposta é positiva, pois se o indivíduo tinha o dever de impedir o resultado e não
o fez, será responsabilizado pela morte.
E o crime é omissivo próprio ou impróprio se o indivíduo tinha o poder e o dever de
agir? Resposta: Omissivo impróprio.
Segundo o Código Penal, o dever de agir incumbe a quem:

a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.


Exemplo: Pai que intencionalmente deixa de alimentar seu filho recém-nascido,
causando sua morte, responde por “homicídio doloso”;

b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado Î


Pode resultar de relação contratual, profissão ou quando, por qualquer outra forma,
assumiu a pessoa a posição de garantidora de que o resultado não ocorreria; o
dever jurídico não decorre da lei, mas de uma situação fática.
Exemplo: Salva-vidas que zela pela segurança dos banhistas de um clube;

c) Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do


resultado.
Exemplo: Aquele que, por brincadeira, joga uma pessoa na piscina e,
posteriormente, percebe que esta não sabe nadar, tem o dever de salvá-la; se não
o fizer, responde pelo crime.

2.3.4 TIPICIDADE

Como último elemento do fato típico tem-se a TIPICIDADE, que é a correspondência


exata, a adequação perfeita entre o fato natural, concreto e a descrição contida na lei.

Companheiros de estudo,

Chegamos ao final de mais uma aula. Sei que o assunto tratado é bem teórico e o volume
de informações, bem grande. Entretanto, tenha em mente que esta aula será essencial
para o perfeito entendimento das demais. Como costumo dizer em sala de aula, só uma
base forte permite uma perfeita construção.
Muitas vezes vejo alunos que já estudaram bastante o Direito Penal, mas não sabem a
exata diferenciação de um crime formal para um material ou mesmo de um crime próprio
para um comum.

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Isto acaba prejudicando o correto entendimento de diversos temas que são, regra geral,
de fácil compreensão.
Sendo assim, dedique-se a esta aula, releia os conceitos e pratique com os exercícios a
seguir.
Relembro que, ao final dos exercícios comentados, coloco a lista das questões
apresentadas, sem qualquer gabarito ou comentário. Esta lista tem a finalidade de
proporcionar a resolução, sem a prévia consulta da resposta.
Desta forma, sugiro que sejam feitos, primeiramente, os exercícios sem o gabarito, a fim
de realmente testar o aprendizado.
Bom, agora vamos deixar de conversa que você tem muito que fazer. Prossiga com força
em busca do seu sonho, não desanime e lembre sempre que só depende de você.
Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo

"O mundo está nas mãos daqueles que têm a coragem de sonhar
e de correr o risco de viver seus sonhos."
Paulo Coelho

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA

DO CRIME

Relação de causalidade

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a


quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não
teria ocorrido.

Superveniência de causa independente

§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a
quem os praticou.

Relevância da omissão

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para


evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

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EXERCÍCIOS

1. (Auditor – TCE – PR / 2003) O agente “B” seqüestra pessoa com o fim de obter
para si vantagem em dinheiro, consistente no pagamento de resgate. “B” é
condenado por extorsão mediante seqüestro (art. 159 do Código Penal). Pode-se
dizer que, neste caso, trata-se de:

A) crime instantâneo.
B) crime instantâneo de efeitos permanentes.
C) crime omissivo puro.
D) crime permanente.
E) crime comissivo por omissão.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Essa questão é só para começar a esquentar o cérebro. Como vimos,
crime permanente é o que se prolonga no tempo, aplicando-se no caso do sequestro.

2. (Promotor de Justiça – Ceará / 2001) A tentativa é incompatível com o crime:

A) permanente
B) instantâneo
C) de dano
D) de perigo
E) complexo

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: O crime permanente não admite tentativa. É só pensar: existe maneira
de uma tentativa de seqüestro se prolongar no tempo? Claro que não.

3. (Fiscal do Trabalho / 1998) "Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda,
vigilância ou autoridade e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos
resultantes do abandono" (CP. art. 133), quanto ao sujeito ativo, é crime:

A) coletivo
B) impróprio
C) de concurso necessário
D) impossível a co-autoria

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E) próprio

GABARITO: E
COMENTÁRIOS: Como vimos, crime próprio é aquele que exige uma característica
especial do sujeito ativo. No caso apresentado, o artigo 133 exige para a tipificação que a
pessoa tenha alguém sob sua guarda, logo exige uma característica particular.

4. (Técnico Administrativo – MPU / 2005) No tocante à relação de causalidade,


prevista no art. 13 do Código Penal, pode-se afirmar que:

A) a superveniência de causa relativamente dependente exclui a imputação quando, por


si só, produziu o resultado.
B) a omissão é penalmente relevante quando o omitente não podia e não devia agir para
evitar o resultado.
C) a superveniência de causa relativamente independente não exclui a imputação
quando, por si só, produziu o resultado.
D) o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe
deu causa.
E) se considera causa somente a ação sem a qual o resultado teria ocorrido.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS:

Alternativa “A” Î Incorreta Î Perceba que a banca substitui a palavra independente por
dependente, tentando desta forma confundir o candidato quanto à redação do artigo 13.

Art. 13
[...]
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos
anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Alternativa”B” Î Incorreta Î A omissão é penalmente relevante quando o omitente podia


e devia agir para evitar o resultado.

Alternativa “C” Î Incorreta Î Assim como a alternativa “A”, contraria o parágrafo 1º do


artigo 13.

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Alternativa “D” Î Correta Î Para que haja a imputação do resultado a um indivíduo, há
necessidade da conduta voltada para o fato.

Alternativa “E” Î Incorreta Î Não é somente assim, pois, conforme vimos, a omissão
também pode ser causa de um resultado.

5. (TCE – MG / 2005) A coação física irresistível exclui a:

A) conduta.
B) culpabilidade.
C) tipicidade.
D) ilicitude.
E) antijuridicidade.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: Como vimos em nossa aula, a coação física irresistível exclui a conduta
por ausência de vontade.

6. (ASSESSOR JURÍDICO TCE/PI) Segundo a teoria finalista, em sua versão hoje


dominante, a classificação técnica e analítica mais rigorosa dos elementos
subjetivos do crime dispõe que o :

(A) dolo integra o tipo a culpa integra a culpabilidade


(B) dolo e culpa integram o tipo
(C) dolo e a culpa integram a culpabilidade
(D) dolo integra a antijuridicidade e dolo integra a culpa integra o tipo.
(E) dolo e a culpa integram a antijuridicidade.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS: Segundo a teoria finalista, o crime classifica-se em fato típico e ilícito,
sendo a culpabilidade presuposto de aplicação da pena. Conforme vimos, os elementos
subjetivos culpa e dolo inserem-se no tipo penal, especificamente quanto à conduta.

7. (Auditor – MT / 2004) Diz-se que o crime é:

A) formal, quando depende do resultado para se consumar;


B) material, quando o resultado, se ocorrer, é mero exaurimento;
C) de mera conduta, aquele que pode ou não ter resultado;
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D) omissivo próprio, aquele que depende de resultado para se consumar;
E) comissivo por omissão, aquele que não dispensa o resultado para se consumar.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS:

Alternativa “A” Î Incorreta Î O crime formal pode até ter um resultado, mas não
depende dele para a consumação.

Alternativa “B” Î Incorreta ÎO crime material DEPENDE da ocorrência do resultado


naturalístico.

Alternativa “C” Î Incorreta Î O crime de mera conduta não tem resultado.

Alternativa “D” Î Incorreta Î No crime omissivo próprio, a conduta omissiva já está


prevista em lei e, portanto, a simples omissão, independentemente de qualquer resultado,
já é capaz de ser considerada crime.

Alternativa “E” Î Correta Î No omissivo impróprio ou comissivo por omissão, por não
haver tipificação expressa, o “não agir” só será punido se dele provier um resultado
negativo.

8. (Auditor-Fiscal / 2007) Adotada a teoria finalista da ação, o dolo e a culpa


integram a:

A) punibilidade.
B) tipicidade.
C) culpabilidade.
D) imputabilidade.
E) antijuridicidade.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS: Mais uma, só para que você perceba a importância do tema e NÃO
ESQUEÇA MAIS!!! O dolo e a culpa integram o tipo.

9. (Auditor-Fiscal / 2008) A relação de causalidade:

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A) não é excluída por concausa superveniente absolutamente independente.
B) não é normativa, mas fática, nos crimes omissivos impróprios ou comissivos por
omissão.
C) é imprescindível nos crimes de mera conduta.
D) é excluída pela superveniência de causa relativamente independente que, por si só,
produz o resultado, não se imputando também ao agente os fatos anteriores, ainda que
típicos.
E) é regulada, em nosso sistema, pela teoria da conditio sine qua non.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS:

Alternativa “A” Î Incorreta Î Contraria a característica primordial das causas


supervenientes absolutamente independentes, ou seja, estas causas rompem o nexo
causal.

Alternativa “B” Î Incorreta Î A relação de causalidade nos crimes omissivos impróprios


é normativa e encontra-se prevista no parágrafo 2º do artigo 13 do Código Penal.

Alternativa “C” Î Incorreta Î Se os crimes de mera conduta não possuem resultado, não
há que se falar em nexo causal.

Alternativa “D” Î Incorreta Î Imputa-se ao agente os fatos anteriores.

Alternativa “E” Î Correta Î A teoria da conditio nine qua non nada mais é, conforme
vimos, que a teoria da equivalência dos antecedentes.

10. (TJ – PE / 2007) Em tema de relação de causalidade, é INCORRETO afirmar que:

A) concausa superveniente absolutamente independente é aquela que nenhuma ligação


tem com o procedimento inicial do agente.
B) a omissão é penalmente irrelevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado, tornando-se uma "não causa" a isentar o agente de responsabilidade.
C) concausa superveniente relativamente independente que, por si só, produziu o
resultado, é a que forma novo processo casual, que se substitui ao primeiro, não estando
em posição de homogeneidade com o comportamento do agente.
D) caso fortuito equivale a uma "não causa", pois impede a tipificação de qualquer fato
humano a que o resultado lesivo poderia prender-se, por ser causa independente.

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E) o Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais, pelo qual
tudo quanto concorre para o evento é causa.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS: A omissão, diferentemente do exposto no item “B”, é penalmente
RELEVANTE quando o omitente podia e devia agir para evitar o resultado.

11. (TJ-PA-2009) O artigo 13, do Código Penal Brasileiro, que trata do resultado, ou
seja, do efeito material da conduta humana, não se aplica aos crimes:

A) habituais, comissivos e de mera conduta.


B) permanentes, formais e comissivos.
C) formais, omissivos próprios e de mera conduta.
D) comissivos, culposos e formais.
E) omissivos próprios, habituais e culposos.

GABARITO: C
COMENTÁRIOS: Os crimes formais, omissivos próprios e de mera conduta têm como
característica não dependerem do resultado.
GUARDE BEM ISSO PARA SUA PROVA!!!

12. (MPE-SE-2009) Considere:

I. O agente fere a vítima, diabética, que, levada ao hospital vem a falecer em


decorrência de diabete agravada pelo ferimento.
II. O agente fere a vítima num morro coberto de gelo, a qual, impossibilitada de
locomover-se pela hemorragia, vem a falecer em decorrência de congelamento.
III. O agente fere a vítima com um disparo de arma de fogo e esta, levada ao
hospital, vem a falecer em decorrência de veneno que havia ingerido antes da
lesão.
IV. O agente fere a vítima com disparo de arma de fogo. A vítima, levada ao hospital,
vem a falecer em decorrência de incêndio.

Tendo em conta a relação de causalidade física, o agente responderá por homicídio


consumado na situação indicada SOMENTE em

A) IV.
B) I e II.
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C) I e III.
D) III.
E) III e IV.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS:

Item I Î Causa relativamente independente preexistente. Responde o agente por


homicídio consumado.

Item II Î Causa superveniente relativamente independente que não produz por si só o


resultado. Responde o agente por homicídio consumado.

Item III Î Causa absolutamente independente preexistente. Responde o agente pelos


atos anteriormente praticados.

Item IV Î Causa superveniente relativamente independente que produz por si só o


resultado. Responde o agente pelos atos anteriormente praticados.

13. (MPE-SE-2009) Fato típico é

A) a modificação do mundo exterior descrita em norma legal vigente.


B) a descrição constante da norma sobre o dever jurídico de agir.
C) a ação esperada do ser humano em face de uma situação de perigo.
D) o comportamento humano descrito em lei como crime ou contravenção.
E) a possibilidade prevista em lei do exercício de uma conduta ilícita.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Questão que exige do candidato o conceito de FATO TÍPICO que nada
mais é que o comportamento humano descrito em lei como crime ou contravenção.

14. (MPE-SE-2009) A respeito da conduta, como elemento do fato típico, é correto


afirmar que são relevantes para o Direito Penal

A) as omissões humanas voluntárias.


B) os atos de seres irracionais.
C) o pensamento e a cogitação intelectual do delito.

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D) os atos realizados em estado de inconsciência.
E) os atos produzidos pelas forças da natureza.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: As alternativas “B”, “C”, “D”,”E” trazem situações em que fica clara a
ausência de vontade que, conforme vimos, é essencial para a conduta.
Na alternativa “A” temos o caso da omissão relevante.

15. (MPE-SE-2009) Denomina-se crime complexo

A) o que exige que os agentes atuem uns contra os outros.


B) se enquadra num único tipo legal.
C) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime.
D) exige a atuação de dois ou mais agentes.
E) atinge mais de um bem jurídico.

GABARITO: C
COMENTÁRIOS: Como vimos, dizemos ser crime complexo quando este encerra dois ou
mais tipos em uma única descrição legal (ex.: roubo = furto + ameaça) ou quando, em
uma figura típica, abrange um tipo simples acrescido de fatos ou circunstâncias que, em
si, não são típicos (ex.: constrangimento ilegal = crime de ameaça + outro fato, que é a
vítima fazer o que não quer ou não fazer o que deseja)

16. (TJ-2009) Adotada a teoria finalista da ação,

A) o dolo e a culpa integram a culpabilidade.


B) a culpa integra a tipicidade e o dolo a culpabilidade.
C) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade.
D) a culpa e o dolo integram a tipicidade.
E) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: A questão exige a característica fundamental da teoria finalista da ação:
A CULPA E O DOLO INTEGRAM A TIPICIDADE.

17. (Procurador do BACEN – 2006) O resultado é prescindível para a consumação


nos crimes

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A) materiais e de mera conduta.


B) formais e materiais.
C) formais e omissivos impróprios.
D) omissivos próprios e materiais.
E) de mera conduta e formais.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS: A questão pergunta quais são os delitos em que o resutado é
prescindível, ou seja, não é necessário. Como já tratamos em outras questões, os delitos
formais e de mera conduta não dependem de resultado.

18. (Analista Ministerial – 2006) A respeito dos elementos do fato típico, é correto
afirmar:

A) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente de coação


física irresistível.
B) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente de caso
fortuito.
C) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente de força
maior.
D) A superveniência de causa relativamente independente sempre exclui a imputação.
E) A omissão é penalmente relevante quando o agente, com seu comportamento anterior,
criou o risco da ocorrência do resultado.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS:

Alternativa “A” Î Incorreta Î Na coação física irresistível não há vontade, logo, não há
conduta.

Alternativa “B” Î Incorreta Î No caso fortuito não há vontade, logo, não há conduta.

Alternativa “C” Î Incorreta Î No força maior não há vontade, logo, não há conduta.

Alternativa “D” Î Incorreta Î As causas supervenientes relativamente independentes


que não produzem por si sós o resultado não excluem a imputação do ato consumado.

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Alternativa “E” Î Correta ÎExige o conhecimento do parágrafo 2º do artigo 13. Observe:
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado. (grifo nosso)

19. (Técnico Ministerial – 2006) Quem instiga outrem, fazendo nascer neste a idéia
de praticar um crime, é considerado.

A) autor principal.
B) partícipe.
C) co-autor.
D) autor mediato.
E) autor imediato.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS: Ainda não aprofundamos o tema, mas essa você já sabe responder.
Quem instiga outrem é partícipe.

20. (Promotor-2007) A respeito da relação de causalidade, é certo que

A) nem todos os fatos que concorrem para a eclosão do evento devem ser considerados
como causa deste.
B) a causa superveniente relativamente independente só exclui a imputação quando, por
si só, produziu o resultado.
C) a causa superveniente totalmente independente exclui a imputação e o agente não
responde sequer pelos fatos anteriores.
D) o resultado, de que depende a existência do crime, pode ser imputado a quem não lhe
deu causa.
E) a causa superveniente totalmente independente não exclui a imputação e o agente
responde pelo resultado.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS:

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Alternativa “A” Î Incorreta Î Como vimos, o Código Penal adota a teroria da
Equivalência dos Antecedentes. Para esta teoria, causa é TODO fato humano sem o qual
o resultado não teria ocorrido, ou seja, causa são todos os fatos que concorrem para a
eclosão do evento.

Alternativa “B“ Î Correta Î Traz regra prevista no parágrafo 1º do artigo 13.


§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Alternativa “C” Î Incorreta Î O agente responde pelos fatos anteriores.

Alternativa “D” ÎIncorreta Î Contraria o artigo 13 do Código Penal que dispõe:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente


é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (grifo nosso)

Alternativa “E” Î O agente não responde pelo resultado, mas sim pelos fatos já
praticados.

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1. (Auditor – TCE – PR / 2003) O agente “B” seqüestra pessoa com o fim de obter
para si vantagem em dinheiro, consistente no pagamento de resgate. “B” é
condenado por extorsão mediante seqüestro (art. 159 do Código Penal). Pode-se
dizer que, neste caso, trata-se de:

A) crime instantâneo.
B) crime instantâneo de efeitos permanentes.
C) crime omissivo puro.
D) crime permanente.
E) crime comissivo por omissão.

2. (Promotor de Justiça – Ceará / 2001) A tentativa é incompatível com o crime:

A) permanente
B) instantâneo
C) de dano
D) de perigo
E) complexo

3. (Fiscal do Trabalho / 1998) "Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda,
vigilância ou autoridade e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos
resultantes do abandono" (CP. art. 133), quanto ao sujeito ativo, é crime:

A) coletivo
B) impróprio
C) de concurso necessário
D) impossível a co-autoria
E) próprio

4. (Técnico Administrativo – MPU / 2005) No tocante à relação de causalidade,


prevista no art. 13 do Código Penal, pode-se afirmar que:

A) a superveniência de causa relativamente dependente exclui a imputação quando, por


si só, produziu o resultado.

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B) a omissão é penalmente relevante quando o omitente não podia e não devia agir para
evitar o resultado.
C) a superveniência de causa relativamente independente não exclui a imputação
quando, por si só, produziu o resultado.
D) o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe
deu causa.
E) se considera causa somente a ação sem a qual o resultado teria ocorrido.

5. (TCE – MG / 2005) A coação física irresistível exclui a:

A) conduta.
B) culpabilidade.
C) tipicidade.
D) ilicitude.
E) antijuridicidade.

6. (ASSESSOR JURÍDICO TCE/PI)Segundo a teoria finalista, em sua versão hoje


dominante, a classificação técnica e analítica mais rigorosa dos elementos
subjetivos do crime dispõe que o :

(A) dolo integra o tipo a culpa integra a culpabilidade


(B) dolo e culpa integram o tipo
(C) dolo e a culpa integram a culpabilidade
(D) dolo integra a antijuridicidade e dolo integra a culpa integra o tipo.
(E) dolo e a culpa integram a antijuridicidade.

7. (Auditor – MT / 2004) Diz-se que o crime é:

A) formal, quando depende do resultado para se consumar;


B) material, quando o resultado, se ocorrer, é mero exaurimento;
C) de mera conduta, aquele que pode ou não ter resultado;
D) omissivo próprio, aquele que depende de resultado para se consumar;
E) comissivo por omissão, aquele que não dispensa o resultado para se consumar.

8. (Auditor-Fiscal / 2007) Adotada a teoria finalista da ação, o dolo e a culpa


integram a:

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A) punibilidade.
B) tipicidade.
C) culpabilidade.
D) imputabilidade.
E) antijuridicidade.

9. (Auditor-Fiscal / 2008) A relação de causalidade:

A) não é excluída por concausa superveniente absolutamente independente.


B) não é normativa, mas fática, nos crimes omissivos impróprios ou comissivos por
omissão.
C) é imprescindível nos crimes de mera conduta.
D) é excluída pela superveniência de causa relativamente independente que, por si só,
produz o resultado, não se imputando também ao agente os fatos anteriores, ainda que
típicos.
E) é regulada, em nosso sistema, pela teoria da conditio sine qua non.

10. (TJ – PE / 2007) Em tema de relação de causalidade, é INCORRETO afirmar que:

A) concausa superveniente absolutamente independente é aquela que nenhuma ligação


tem com o procedimento inicial do agente.
B) a omissão é penalmente irrelevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado, tornando-se uma "não causa" a isentar o agente de responsabilidade.
C) concausa superveniente relativamente independente que, por si só, produziu o
resultado, é a que forma novo processo casual, que se substitui ao primeiro, não estando
em posição de homogeneidade com o comportamento do agente.
D) caso fortuito equivale a uma "não causa", pois impede a tipificação de qualquer fato
humano a que o resultado lesivo poderia prender-se, por ser causa independente.
E) o Código Penal adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais, pelo qual
tudo quanto concorre para o evento é causa.

11. (TJ-PA-2009) 1. O artigo 13, do Código Penal Brasileiro, que trata do


resultado, ou seja, do efeito material da conduta humana, não se aplica aos crimes:

A) habituais, comissivos e de mera conduta.


B) permanentes, formais e comissivos.
C) formais, omissivos próprios e de mera conduta.
D) comissivos, culposos e formais.
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E) omissivos próprios, habituais e culposos.

12. (MPE-SE-2009) Considere:

I. O agente fere a vítima, diabética, que, levada ao hospital vem a falecer em


decorrência de diabete agravada pelo ferimento.
II. O agente fere a vítima num morro coberto de gelo, a qual, impossibilitada de
locomover-se pela hemorragia, vem a falecer em decorrência de congelamento.
III. O agente fere a vítima com um disparo de arma de fogo e esta, levada ao
hospital, vem a falecer em decorrência de veneno que havia ingerido antes da
lesão.
IV. O agente fere a vítima com disparo de arma de fogo. A vítima, levada ao hospital,
vem a falecer em decorrência de incêndio.

Tendo em conta a relação de causalidade física, o agente responderá por homicídio


consumado na situação indicada SOMENTE em

A) IV.
B) I e II.
C) I e III.
D) III.
E) III e IV.

13. (MPE-SE-2009) Fato típico é

A) a modificação do mundo exterior descrita em norma legal vigente.


B) a descrição constante da norma sobre o dever jurídico de agir.
C) a ação esperada do ser humano em face de uma situação de perigo.
D) o comportamento humano descrito em lei como crime ou contravenção.
E) a possibilidade prevista em lei do exercício de uma conduta ilícita.

14. (MPE-SE-2009) A respeito da conduta, como elemento do fato típico, é correto


afirmar que são relevantes para o Direito Penal

A) as omissões humanas voluntárias.


B) os atos de seres irracionais.

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C) o pensamento e a cogitação intelectual do delito.
D) os atos realizados em estado de inconsciência.
E) os atos produzidos pelas forças da natureza.

15. (MPE-SE-2009) Denomina-se crime complexo

A) o que exige que os agentes atuem uns contra os outros.


B) se enquadra num único tipo legal.
C) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime.
D) exige a atuação de dois ou mais agentes.
E) atinge mais de um bem jurídico.

16. (TJ-2009) Adotada a teoria finalista da ação,

A) o dolo e a culpa integram a culpabilidade.


B) a culpa integra a tipicidade e o dolo a culpabilidade.
C) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade.
D) a culpa e o dolo integram a tipicidade.
E) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade.

17. (Procurador do BACEN – 2006) O resultado é prescindível para a consumação


nos crimes

A) materiais e de mera conduta.


B) formais e materiais.
C) formais e omissivos impróprios.
D) omissivos próprios e materiais.
E) de mera conduta e formais.

18. (Analista Ministerial – 2006) A respeito dos elementos do fato típico, é correto
afirmar:

A) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente de coação


física irresistível.
B) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente de caso
fortuito.

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C) É possível a ocorrência de fato típico quando o resultado lesivo é decorrente de força
maior.
D) A superveniência de causa relativamente independente sempre exclui a imputação.
E) A omissão é penalmente relevante quando o agente, com seu comportamento anterior,
criou o risco da ocorrência do resultado.

19. (Técnico Ministerial – 2006) Quem instiga outrem, fazendo nascer neste a
idéia de praticar um crime, é considerado.

A) autor principal.
B) partícipe.
C) co-autor.
D) autor mediato.
E) autor imediato.

20. (Promotor-2007) A respeito da relação de causalidade, é certo que

A) nem todos os fatos que concorrem para a eclosão do evento devem ser considerados
como causa deste.
B) a causa superveniente relativamente independente só exclui a imputação quando, por
si só, produziu o resultado.
C) a causa superveniente totalmente independente exclui a imputação e o agente não
responde sequer pelos fatos anteriores.
D) o resultado, de que depende a existência do crime, pode ser imputado a quem não lhe
deu causa.
E) a causa superveniente totalmente independente não exclui a imputação e o agente
responde pelo resultado.

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AULA 03 – DO CRIME – PARTE 02

Futuros Auditores Fiscais da Receita Federal, sejam bem vindos a mais uma aula!!!

Hoje prosseguiremos tratando da parte referente ao crime e chegaremos em alguns


pontos de muita importância para sua prova.
Lembre-se de que os conceitos tratados anteriormente serão essenciais para o correto
entendimento do que virá e, portanto, caso ainda haja dúvidas, “ganhe tempo” e releia o
que já vimos nas outras aulas.
Dito isto, vamos começar!
Bons estudos!!!

3.1 CRIME DOLOSO

Ao se examinar a conduta, verifica-se que, segundo a teoria finalista, é ela um


comportamento voluntário e que o conteúdo da vontade é seu fim.

PARA A TEORIA FINALISTA DA AÇÃO, A CONDUTA É COMPOSTA


DE AÇÃO/OMISSÃO SOMADA AO DOLO PERSEGUIDO PELO
AUTOR, OU À CULPA EM QUE ELE TENHA INCORRIDO POR NÃO
OBSERVAR DEVER OBJETIVO DE CUIDADO.

ANTES DA PROPOSIÇÃO DESSA TEORIA, A TEORIA CLÁSSICA,


ADOTADA ATÉ A REFORMA DO CÓDIGO PENAL DE 1984 NO
BRASIL, CONSIDERAVA ELEMENTOS DA CONDUTA APENAS A
AÇÃO/OMISSÃO E O RESULTADO.

Nessa concepção, a vontade é o componente subjetivo da conduta, faz parte dela e dela
é inseparável.
Se Tício mata Mévio, não se pode dizer de imediato que praticou um fato típico
(homicídio), embora essa descrição esteja no art. 121 do CP ("matar alguém").
Isto porque o simples fato de causar o resultado (morte) não basta para preencher o tipo
penal objetivo. É indispensável que se indague o conteúdo da vontade do autor do fato,
ou seja, o fim que estava contido na ação, já que ela (a ação) não pode ser compreendida
sem que se considere a vontade do agente.
Toda ação consciente é dirigida pela consciência do que se quer e pela decisão de querer
realizá-la, ou seja, pela vontade. A vontade é querer alguma coisa e o dolo é a vontade
dirigida à realização do tipo penal.

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Assim, pode-se definir o dolo como:

A CONSCIÊNCIA E A VONTADE NA REALIZAÇÃO DA


CONDUTA TÍPICA OU A VONTADE DA AÇÃO
ORIENTADA PARA A REALIZAÇÃO DO TIPO.

3.1.1 TEORIAS DO DOLO

Existem três teorias que tratam do dolo. São elas:

1. TEORIA DA REPRESENTAÇÃO  Para esta teoria, se o agente prevê o


resultado como possível e ainda assim opta por continuar a conduta, já está
caracterizado o dolo. Aqui, pouco importa se o agente quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo.
Sendo assim, imagine que Tício sai de casa em sua moto para ir a uma
entrevista de emprego. Durante o percurso, devido a um congestionamento,
resolve “cortar” pela calçada e, logo em um momento inicial, depara-se com
inúmeros pedestres. Certo de sua perícia na moto, prossegue e acaba
atropelando Mévio.
Segundo a teoria da representação, o ato será considerado doloso, pois, ao
subir na calçada e se deparar com pessoas, Tício já poderia prever o resultado
como possível, mesmo que não o desejasse sinceramente.

2. TEORIA DA VONTADE  Esta teoria engloba o conceito da teoria da


representação no que diz respeito à necessidade da previsão do resultado,
entretanto, amplia os “requisitos” para a caracterização do dolo, incluindo
também a obrigatoriedade da vontade de produzir o resultado.

3. TEORIA DO ASSENTIMENTO  Segundo esta teoria, há dolo não só quando


o agente quer o resultado, mas também quando realiza a conduta assumindo o
risco de produzi-lo.

3.1.2 TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL

O Código Penal dispõe a respeito do crime doloso em seu artigo 18, nos seguintes
termos:

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Art. 18 - Diz-se o crime:


I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo;

Do exposto, pergunto, caro(a) Aluno(a), quais foram as teorias adotadas pelo Código
Penal?
Resposta: A teoria da vontade (quando o inciso I diz “o agente quis o resultado”) e a
do assentimento (quando o supra inciso dispõe “ou assumiu o risco de produzi-lo”).
Assim, podemos resumir que o dolo é, primordialmente, VONTADE DE PRODUZIR O
RESULTADO. Entretanto, também há dolo na conduta de quem, após prever e estar
ciente de que pode provocar o resultado, ASSUME O RISCO DE PRODUZÍ-LO.

OCÓDIGO P
CÓDIGO ENAL A
PENAL DOTOU A
ADOTOU ASSSEGUINTES T
SEGUINTES EORIAS P
TEORIAS ARA
PARA
C ARACTERIZAR O D
CARACTERIZAR OLO:
DOLO:

1–TEORIA D
TEORIA DAA VONTADE  O A
VONTADE GENTE Q
AGENTE UIS O R
QUIS ESULTADO;
RESULTADO;

2–TEORIA D
TEORIA DOOA SSENTIMENTO  O A
ASSENTIMENTO GENTE A
AGENTE SSUMIU O R
ASSUMIU ISCO
RISCO
D
DEEP RODUZI-LO.
PRODUZI-LO.

3.1.3 ELEMENTOS DO DOLO

São elementos do dolo:

I – CONSCIÊNCIA DO ATO E DO RESULTADO  O sujeito ativo deve saber


exatamente o que está fazendo ou deixando de fazer. Ademais, deve relacionar sua
ação/omissão com o resultado desejado, ou seja, o nexo causal deve ser também
percebido pelo agente. A esta percepção dá-se o nome de momento intelectual do
dolo, quando ele sabe que, com tal conduta, o resultado típico será alcançado.

II – VONTADE DE AGIR, OU SE OMITIR, E PRODUZIR O RESULTADO  este


elemento é dito momento volitivo, quando o agente tem o desejo de realizar a conduta.
Assim, no anterior ele sabe o que faz; neste, quer fazer isso.

O dolo inclui não só o objetivo que o agente pretende alcançar, mas também os meios
empregados e as conseqüências secundárias de sua atuação.
Mas como assim?

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Bem, há duas fases na conduta: uma interna e outra externa.

Eu_vou_matar_ A interna opera-se no pensamento do autor (e se não passa disso, é


o_Tício_com_ penalmente indiferente), e consiste em:
minha_arma!_
a) propor-se a um fim (matar um inimigo, por exemplo);

b) selecionar os meios para realizar essa finalidade (escolher um


explosivo, por exemplo); e

c) considerar os efeitos concomitantes que se unem ao fim pretendido (a


destruição da casa do inimigo, a morte de outras pessoas que estejam
com ele, etc.).

A segunda fase consiste em exteriorizar a conduta, numa atividade em que se utilizam


os meios selecionados conforme a normal e usual capacidade humana de previsão.
Caso o sujeito pratique a conduta nessas condições, age com dolo e a ele se podem
atribuir o fato e suas conseqüências diretas (morte do inimigo e de outras pessoas, a
demolição da casa, o perigo para os transeuntes, etc.).

ELEMENTOS D
ELEMENTOS DOOD OLO:
DOLO:

C ONSCIÊNCIA ((ELEMENTO
CONSCIÊNCIA ELEMENTO IINTELECTUAL)
NTELECTUAL) + V ONTADE ((ELEMENTO
VONTADE ELEMENTO V OLITIVO)
VOLITIVO)

3.1.4 ESPÉCIES DE DOLO

A doutrina subdivide o dolo em diversas espécies. Tratarei aqui das que são
importantes para a sua PROVA. Vamos conhecê-las.

3.1.4.1 DOLO DIRETO E DOLO INDIRETO

Também denominado dolo determinado, o dolo direto ocorre quando o agente quer
atingir um resultado específico com a conduta. É o caso, por exemplo, do matador
profissional que, após receber uma determinada quantia em dinheiro, mata a vítima
com um tiro certeiro.
Diferentemente, o dolo indireto ou indeterminado é aquele que não se dirige a um
resultado certo. Subdivide-se em DOLO ALTERNATIVO E DOLO EVENTUAL.
A partir de agora redobre a sua atenção, pois estamos tratando de um ponto que é
questão recorrente em PROVA.

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DOLO ALTERNATIVO  Verifica-se quando o agente não possui previsão


de um resultado específico, satisfazendo-se com um ou outro,
indistintamente.
Dá-se o dolo alternativo, por exemplo, quando a namorada ciumenta
surpreende seu amado conversando com outra e, revoltada, joga uma
granada no casal, querendo matá-los ou feri-los.
Perceba que ela quer produzir um resultado e não “o” resultado.
No exemplo acima, se o resultado for a morte, responderá a agente por
homicídio. Mas e se o resultado for ferimentos? Responderá por lesão
corporal ou tentativa de homicídio?
Em caso de dolo alternativo, o agente sempre responderá pelo resultado
mais grave, ou seja, pela tentativa de homicídio.

DOLO EVENTUAL  No dolo eventual, o sujeito prevê o resultado e,


embora não o queira propriamente atingir, pouco se importa com a sua
ocorrência (“eu não quero, mas se acontecer, para mim tudo bem, não é por
causa desse risco que vou parar de praticar minha conduta; não quero, mas
também não me importo com a sua ocorrência”).
Seria o exemplo do indivíduo que coleciona armas e, em determinado dia,
resolve testar seu armamento. Prosseguindo no intento, aponta um fuzil na
direção de uma estrada na qual “quase nunca passa alguém”.
Pensa: “Aqui quase nunca passa alguém, então, se passar bem na hora que
eu atirar, azar de quem estava no lugar errado na hora errada”.
Perceba que o indivíduo assumiu o risco.
Efetua o disparo e acerta uma pessoa, matando-a.
Neste caso, responderá o indivíduo por homicídio doloso, pois presente se
encontra o dolo eventual. Observe o interessante e recente julgado do STF
sobre o tema:

HC 91159/MG, rel. Min. Ellen Gracie, 2.9.2008. (HC-91159)


Salientou-se que, no Direito Penal contemporâneo, além do dolo direto — em
que o agente quer o resultado como fim de sua ação e o considera unido a
esta última — há o dolo eventual, em que o sujeito não deseja diretamente a
realização do tipo penal, mas a aceita como possível ou provável (CP, art. 18,
I, in fine).
Relativamente a este ponto, aduziu-se que, dentre as várias teorias que
buscam justificar o dolo eventual, destaca-se a do assentimento ou da
assunção, consoante a qual o dolo exige que o agente aquiesça em causar o
resultado, além de reputá-lo como possível.
Observou-se que para a configuração do dolo eventual não é necessário o
consentimento explícito do agente, nem sua consciência reflexiva em relação
às circunstâncias do evento, sendo imprescindível, isso sim, que delas
(circunstâncias) se extraia o dolo eventual e não da mente do autor.

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Cabe o dolo eventual a todos os delitos que com ele tenham compatibilidade. Digo isto
porque em alguns casos, como na previsão do artigo 180 do Código Penal, só é
cabível o dolo direto, não sendo possível o eventual. Observe:

Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito


próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para
que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: (grifo nosso)

A expressão “que sabe” traz a obrigatoriedade da vontade imediata de cometer o


delito, ou seja, o dolo direto.

SENDO A
SENDO SSIM, P
ASSIM, ARA S
PARA UA P
SUA ROVA, N
PROVA, ÃO S
NÃO EE
SE SQUEÇA:
ESQUEÇA:
A PARECEU A E
APARECEU XPRESSÃO ““QUE
EXPRESSÃO QUE SABE”, V
SABE”, OCÊ J
VOCÊ JÁÁSABE Q
SABE UE
QUE
N ÃO É CA
NÃO BÍVEL O D
CABÍVEL OLO E
DOLO VENTUAL.
EVENTUAL.

3.1.4.2 ABERRATIO CAUSAE (DOLO GERAL)

Aberratio causae é o erro na causa que produz o delito. Ocorre quando o sujeito,
pensando ter atingido o resultado que queria, pratica uma nova conduta com
finalidade diversa e, posteriormente, constata-se que o resultado foi ocasionado
pela segunda conduta.
Para exemplificar, imagine que Tício, pensando em matar Mévio, bate com um
pedaço de ferro na sua cabeça. Certo de ter matado Mévio, coloca-o dentro de um
saco e lança o corpo dentro de um rio, a fim de ocultar o delito.
Dias depois, o saco é encontrado por policiais e o exame do cadáver determina
que a morte foi causada por asfixia, e não pela pancada.
Neste caso, temos um erro na relação de causalidade, mas este erro, para o Direito
Penal, é irrelevante, pois o que importa é se o agente queria um resultado e o
alcançou.

3.2 CRIME CULPOSO

A doutrina constantemente trata sobre este tema, entretanto, não se chegou ainda a
um conceito único de crime culposo.
A lei, por sua vez, limita-se a prever as modalidades da culpa e dispõe sobre o
assunto da seguinte forma:

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Art. 18 - Diz-se o crime:

[...]

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,


negligência ou imperícia.

“Mas, professor....Como assim??? Não há nenhum conceito doutrinário de crime


culposo para facilitar o entendimento?”

Caro aluno, unindo os diversos conceitos apresentados pela doutrina e seguindo a


linha de raciocínio da ESAF, podemos dizer que o crime culposo é:

O QUE
QUE SE
SE VERIFICA
VERIFICAQUANDO
QUANDOOOAGENTE,
AGENTEDEIXANDO
, DEIXANDO
DDEE OBSERVAR
OBSERVAR O O DEVER
DEVER OBJETIVO
OBJETIVO DE
DECUIDADO,
CUIDADO,POR
POR
IIMPRUDÊNCIA,
MPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA
NEGLIGÊNCIA OU
OU IMPERÍCIA,
IMPERÍCIA, REALIZA
REALIZA
V OLUNTARIAMENTE UMA
VOLUNTARIAMENTE UMACONDUTA
CONDUTQUE
A QU E PRODUZ
PRODUZ
R ESULTADO N
RESULTADO ATURALÍSTICO IINDESEJADO,
NATURALÍSTICO NDESEJADO, N ÃO
NÃO
P REVISTO EENEM
PREVISTO NEM QUERIDQUE
QUERIDO, O, QPODIA,
UE POCOM
DIA, ACOM A
D EVIDA A
DEVIDA TENÇÃO, T
ATENÇÃO, ER E
TER VITADO.
EVITADO.

Para exemplificar, não sei se você acompanhou (sei que concurseiro não vê muita
televisão), recentemente tivemos um caso amplamente divulgado de uma mãe que
estava com seu filho em um carrinho de bebê e, ao esquecer de acionar o freio das
rodas, o carrinho caiu na linha férrea e o trem passou por cima.
Neste caso, tivemos um final feliz, pois nada aconteceu com a criança, mas e se o
resultado morte ocorresse. A mãe seria responsabilizada?
Claro que sim, pois produziu um resultado indesejado, não previsto e nem querido,
que podia, com a devida atenção (acionamento dos freios), ser evitado.

Prosseguindo, conforme já vimos, dentro de uma concepção finalista, culpa é o elemento


normativo da CONDUTA, pois sua constatação depende da valoração do caso concreto.
Os crimes culposos, normalmente, são previstos no chamado tipo penal aberto, pois a lei
não diz expressamente no que consiste o comportamento culposo, reservando esta
avaliação ao Juiz.

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DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

TIPO PENAL ABERTO


FALA-SE EM TIPO ABERTO QUANDO O LEGISLADOR, EM RAZÃO DA
IMPOSSIBILIDADE DE PREVER TODAS AS CONDUTAS PASSÍVEIS DE
ACONTECER NA SOCIEDADE, CRIA TIPOS NOS QUAIS NÃO DESCREVE
DE FORMA COMPLETA E PRECISA O COMPORTAMENTO CONSIDERADO
PROIBIDO E CRIMINOSO, O QUE IMPÕE A NECESSIDADE DE
COMPLEMENTAÇÃO PELO INTÉRPRETE DA NORMA.

NESSA LINHA, TIPO ABERTO É AQUELE QUE TRAZ EM SEU BOJO


REQUISITOS NORMATIVOS, DE FORMA A EXIGIR DO APLICADOR DO
DIREITO A REALIZAÇÃO DE JUÍZO NORMATIVO.
EXEMPLIFICANDO: PRATICAR ATO OBSCENO. A NORMA PENAL NÃO
ESPECIFICA O QUE SEJA ATO OBSCENO, CABENDO AO INTÉRPRETE
BUSCAR A SUA DEFINIÇÃO.

Entretanto, é importante ressaltar que nada impede a definição de um crime culposo em


um tipo fechado, tal como ocorre no delito de receptação culposa previsto no Código
Penal. Observe:

Art. 180

[...]

§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela


desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a
oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso.(grifo nosso)

3.2.1 ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO

Após estes conceitos iniciais, vamos aprofundar o assunto verificando os elementos


que compõem o crime culposo. São eles:

1. CONDUTA HUMANA;
2. VIOLAÇÃO DO DEVER OBJETIVO DE CUIDADO;
3. RESULTADO NATURALÍSTICO;
4. NEXO CAUSAL;
5. TIPICIDADE; e

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6. PREVISIBILIDADE.

3.2.1.1 CONDUTA HUMANA

Como já estudamos, nos crimes dolosos a vontade do agente está focada na


realização de resultados objetivos ilícitos. O FIM ALMEJADO OU ACEITO É
ILÍCITO.
Diferentemente, nos crimes culposos o que importa não é o fim do agente (que
é normalmente lícito), mas o modo e a forma imprópria com que atua.
Os tipos culposos proíbem, assim, condutas em decorrência da forma de
atuar do agente para um fim proposto, e não pelo fim em si.
Se um motorista, por exemplo, dirige velozmente para chegar a tempo de
assistir à missa domingueira e vem a atropelar um pedestre, o fim lícito não
importa, pois agiu ilicitamente ao não atender ao cuidado necessário a que
estava obrigado em sua ação, dando causa ao resultado lesivo (lesão, morte).
Essa inobservância do dever de cuidado faz com que essa sua ação configure
uma ação típica.
Para ficar ainda mais claro, podemos dizer que no crime culposo a vontade do
agente se limita à pratica de uma conduta perigosa, por ele aceita e desejada.

“Mas professor, nos vimos que no dolo eventual o agente também não quer
diretamente atingir o fim ilícito. Qual a diferença?”

Perceba que no dolo eventual ele prevê o resultado e, embora não o queira
propriamente atingir, pouco se importa com a sua ocorrência. Diferentemente,
na culpa, o agente, sinceramente, não quer e acredita que o resultado não vai
ocorrer. Isso ainda ficará mais claro no decorrer da aula. Fique tranquilo(a).
Para finalizar, é importante citar que o crime culposo pode ser praticado por
ação ou omissão.

3.2.1.2 VIOLAÇÃO DO DEVER OBJETIVO DE CUIDADO

Sabemos que uma das principais características da vida em sociedade é a


impossibilidade de se fazer tudo o que é almejado, pois os interesses de
terceiras pessoas e da própria comunidade impõem barreiras que não podem
ser afrontadas.
Mais quais são essas barreiras?
Há algum tempo falava-se muito da necessidade de se utilizar o cinto de
segurança, entretanto, poucas pessoas usavam.
Após a normatização da conduta, trazendo previsão de penalização, o que
aconteceu? Todos começaram a usar.

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Neste sentido, fica claro que estas barreiras são impostas pelo próprio
ordenamento jurídico a todas as pessoas, visando regular o pacífico convívio
social e garantir o DEVER OBJETIVO DE CUIDADO.
E o que é esse dever objetivo de cuidado?
Quem vive em sociedade não deve causar dano a terceiro, sendo-lhe exigido o
dever de cuidado, indispensável para evitar tais lesões. Assim, se o agente não
observa esses cuidados, causando com isso dano a bem jurídico alheio,
responderá por ele.
Como muitas das atividades humanas podem provocar perigo para os bens
jurídicos, sendo inerentes a elas um risco que não pode ser suprimido
inteiramente sob pena de serem totalmente proibidas (dirigir um veículo, operar
um maquinismo, lidar com substâncias tóxicas etc.), procura a lei estabelecer
quais os deveres e cuidados que o agente deve ter quando desempenha certas
atividades (velocidade máxima permitida nas ruas e estradas, utilização de
equipamento próprio em atividades industriais, exigência de autorização para
exercer determinadas profissões etc.).
Em razão de existir em todo delito culposo essa violação ao DEVER
OBJETIVO DE CUIDADO, alguns doutrinadores referem-se a ele como o
objeto central de estudo do “Direito Penal da Negligência”, o gênero que teria
como espécies as seguintes MODALIDADES:
NEGLIGÊNCIA;
IMPERÍCIA ;
IMPRUDÊNCIA.

RELEMBRANDO!!!

IMPERÍCIA É QUANDO ALGUÉM QUE DEVERIA DOMINAR UMA


TÉCNICA NÃO A DOMINA. É O CASO DO MÉDICO QUE ERRA NA HORA
DE SUTURAR UM PACIENTE.

DEPOIS DE SEIS ANOS ESTUDANDO MEDICINA, ELE DEVERIA SABER


SUTURAR. SE NÃO SABE, É IMPERITO.

NEGLIGÊNCIA É QUANDO AQUELE QUE DEVERIA TOMAR CONTA


PARA QUE UMA SITUAÇÃO NÃO ACONTEÇA, NÃO PRESTA A DEVIDA
ATENÇÃO E A DEIXA ACONTECER.
É O CASO DA MÃE QUE DEVERIA TOMAR CONTA DO NENÉM QUANDO
ESTÁ DANDO BANHO NELE, VAI ATENDER O TELEFONE E O NENÉM
ACABA SE AFOGANDO. ELA NÃO QUERIA E NEM ASSUMIU O RISCO
DE MATÁ-LO, MAS NÃO TOMOU CONTA O SUFICIENTE PARA EVITAR
SUA MORTE.

IMPRUDENTE É A PESSOA QUE NÃO TOMA OS CUIDADOS QUE UMA


PESSOA NORMAL TOMARIA. É A PESSOA QUE, AO DAR MARCHA-RÉ
COM O CARRO, ESQUECE DE OLHAR PARA TRÁS E ACABA
ATROPELANDO ALGUÉM.

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IIMPRUDÊNCIA,
MPRUDÊNCIA, N EGLIGÊNCIA E IIMPERÍCIA
NEGLIGÊNCIA MPERÍCIA S ÃO
SÃO
M ODALIDADES, E N
MODALIDADES, ÃO E
NÃO SPÉCIES D
ESPÉCIES EC
DE ULPA.
CULPA.

3.2.1.3 RESULTADO NATURALÍSTICO

No crime culposo, o resultado naturalístico funciona como elementar do tipo


penal. Sendo assim, podemos concluir que:

T OD O C
TODO RIME C
CRIME U L PO SO É U
CULPOSO M
UM
C RIME M
CRIME ATERIAL!!!
MATERIAL!!!

Em si mesma, a inobservância do dever de cuidado não constitui conduta típica


porque é necessário outro elemento do tipo culposo: o resultado.
Só haverá ilícito penal culposo se da ação contrária ao cuidado resultar lesão a
um bem jurídico. Se, apesar da ação descuidada do agente, não houver
resultado lesivo, não haverá crime culposo.
O resultado não deixa de ser um "componente de azar" da conduta humana no
crime culposo (dirigir sem atenção pode ou não causar colisão e
lesões em outra pessoa).
Não existindo o resultado (não havendo a colisão), não se
responsabilizará por crime culposo o agente que inobservou o
cuidado necessário, ressalvada a hipótese em que a conduta
constituir, por si mesma, em um ilícito penal (a contravenção de
direção perigosa de veículo, prevista no art. 34 da LCP, por exemplo).
A exigência do resultado lesivo para a existência do crime culposo justifica-se
pela função política garantidora que deve orientar o legislador na elaboração do
tipo penal.
Não haverá crime culposo mesmo que a conduta contrarie os cuidados
objetivos e se verifique que o resultado se produziria da mesma forma,
independentemente da ação descuidada do agente.
Assim, se alguém se atira sob as rodas do veículo que é dirigido pelo motorista
na contramão de direção, não se pode imputar a este o resultado (morte do
suicida). Trata-se, no caso, de mero caso fortuito.
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Evidentemente, deve haver no crime culposo, como em todo fato típico, a


relação de causalidade entre a ação e o resultado, obedecendo-se ao que
dispõe a lei brasileira no art. 13 do CP.

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime,


somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa
a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

3.2.1.4 NEXO CAUSAL

Como se trata de crime MATERIAL, há que ser verificado a relação entre a conduta
e o resultado a fim de caracterizar o delito, ou seja, em consonância com a teoria
da equivalência dos antecedentes causais, deve ser provado que o RESULTADO
ADVEIO DA CONDUTA.

3.2.1.5 TIPICIDADE

Sendo elemento do fato típico nos crimes materiais consumados, a tipicidade


precisa estar presente para a configuração do crime culposo. Como já vimos, nada
mais é do que a adequação do fato concreto ao descrito na lei.

3.2.1.6 PREVISIBILIDADE OBJETIVA

É a possibilidade de uma pessoa comum, com inteligência


mediana, prever o resultado.
Com você já sabe, o tipo culposo é diverso do doloso. Há na
conduta não uma vontade dirigida à realização do tipo, mas
apenas um conhecimento potencial de sua concretização,
vale dizer, uma possibilidade de conhecimento de que o
resultado lesivo pode ocorrer.
Esse aspecto subjetivo da culpa é a possibilidade de conhecer o perigo que a
conduta descuidada do sujeito cria para os bens jurídicos alheios e a possibilidade
de prever o resultado conforme o conhecimento do agente. A essa possibilidade de
conhecimento e previsão dá-se o nome de previsibilidade.
A previsibilidade, conforme o Professor Damásio, “é a possibilidade de ser
antevisto o resultado, nas condições em que o sujeito se encontrava. Exige-se que
o agente, nas circunstâncias em que se encontrava, pudesse prever o resultado de
seu ato. A condição mínima de culpa em sentido estrito é a previsibilidade; ela não
existe se o resultado vai além da previsão.”

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Mas qual fato não pode ser previsto pelo homem? Não se pode prever que existe a
possibilidade de um louco se jogar na frente de um carro? Claro que sim, há louco
para tudo neste mundo!
É evidente, porém, que não é essa previsibilidade em abstrato de que se fala, pois,
se não se interpreta o critério de previsibilidade informadora da culpa com certa
flexibilidade, o resultado lesivo sempre seria atribuído a seu causador.
Não se pode confundir o dever de prever, fundado na diligência ordinária de um
homem qualquer, com o poder de previsão. Diz-se, então, que estão fora do tipo
penal dos delitos culposos os resultados que estão fora da previsibilidade objetiva
de um homem razoável, não sendo culposo o ato quando o resultado só teria sido
evitado por pessoa extremamente prudente.
Assim, só é típica a conduta culposa quando se puder estabelecer que o fato era
possível de ser previsto pela perspicácia comum, normal dos homens. Esse
indivíduo comum, de atenção, diligência e perspicácia normais à generalidade das
pessoas é o que se convencionou chamar de HOMEM MÉDIO.
Os homens, porém, são distintos no que concerne à inteligência, sagacidade,
instrução, conhecimentos técnicos específicos etc., variando a condição de prever
os fatos em cada um.
Assim, a previsibilidade, segundo a doutrina, deve ser estabelecida também
conforme a capacidade de previsão de cada indivíduo. A essa condição dá-se o
nome de previsibilidade subjetiva.
Verificado que o fato é típico diante da previsibilidade objetiva (do homem
razoável), só haverá reprovabilidade ou censurabilidade da conduta (culpabilidade)
se o sujeito pudesse prevê-la (previsibilidade subjetiva).

Vamos exemplificar:

José, um exímio atirador, realiza a conduta voluntária de limpar sua pistola em um


quarto onde seus sobrinhos estão brincando.
Age com inobservância do cuidado objetivo manifestado através da imprudência,
que é a prática de um ato perigoso.
Como assim?
Embora saiba dos riscos de acidente que a limpeza de arma de fogo traz, espera
levianamente que nada ocorra, pois confia na sua perícia no trato com armas.
Dessa forma, dá um golpe de segurança na arma para que se houvesse algum
cartucho na câmara este fosse ejetado, retira o carregador e começa a limpeza da
arma apontando-a sempre no sentido oposto do que brincam seus sobrinhos.
Durante a limpeza, a arma dispara, o projétil atinge a janela, ricocheteia e lesiona
seu sobrinho.
Ocorre que José deveria, antes de dar o golpe de segurança, ter retirado o
carregador, pois da forma como agiu, colocou um projétil na câmara da arma.
Percebe-se, no exemplo citado, que o homem prudente e de discernimento
(homem médio) colocado nas condições de José não agiria como ele agiu, pois

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não precisa ser um atirador perfeito para saber do perigo existente na limpeza de
um armamento.
Dessa forma, configurada está a previsibilidade objetiva.
Quando, ao comparar a conduta do sujeito com o dever de cautela genérico,
observa-se que ele não agiu da forma imposta pelo cuidado objetivo, facilmente
conclui-se que o fato é típico.

3.2.2 ESPÉCIES DE CULPA

Quanto às espécies, podemos classificar a culpa em:

3.2.2.1 CULPA CONSCIENTE X CULPA INCONSCIENTE

Essa divisão tem como fator distintivo a previsão do agente acerca do resultado
naturalístico provocado pela sua conduta.
Na culpa consciente o agente prevê o resultado, mas espera que ele não ocorra.
Acredita o agente que pode evitá-lo com suas habilidades (culpa com previsão).
Exemplo clássico dessa espécie de culpa é dada pelo Professor Mirabete, no qual
o caçador, avistando um companheiro próximo ao animal que deseja abater, confia
em sua habilidade de exímio atirador para não atingi-lo, mas, quando dispara,
acaba causando a morte da vítima.
Diferentemente, na culpa inconsciente, o resultado não é previsto pelo agente,
embora previsível. É a culpa comum, que se manifesta pela imprudência,
negligência ou imperícia.
Caro aluno, tudo claro? Então agora pergunto um dos principais questionamentos
trazidos pelas bancas. Existe diferença entre CULPA CONSCIENTE E DOLO
EVENTUAL?
Resposta: Claro que sim!!! A culpa consciente se diferencia do dolo eventual.
No dolo eventual o agente tolera a produção do resultado, o evento lhe é
indiferente, tanto faz que ele ocorra ou não. Ele assume o risco de produzi-lo.
Na culpa consciente, ao contrário, o agente não quer o resultado, não assume o
risco e nem ele lhe é tolerável ou indiferente. O evento lhe é representado
(previsto), mas confia em sua não-produção.
Para resumir tudo isso e você NÃO ERRAR EM PROVA, imagine que Tício comete
uma conduta que ocasiona um resultado naturalístico penalmente punível.
Qual será a frase adequada para Tício no caso de dolo eventual?
E no caso de culpa consciente?
Abaixo apresento a resposta (Com uma linguagem bem clara!!!):

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3.2.2.2 CULPA PRÓPRIA X CULPA IMPRÓPRIA

Esta classificação se baseia na intenção de produzir o resultado naturalístico.

Na culpa própria ou propriamente dita o agente não quer e nem assume o risco
de produzir o resultado. É, por assim dizer, a culpa propriamente dita.
Contrariamente, na culpa imprópria ou por extensão ou por assimilação ou por
equiparação, o agente por erro, fantasia ou outra situação fática, que se real
justificaria sua conduta, provoca intencionalmente um resultado ilícito.
Cuida-se, na verdade, de dolo, eis que o agente quer a produção do resultado,
mas, por motivos da política criminal, no entanto, o Código Penal aplica a um crime
doloso a punição correspondente a um crime culposo. (art. 20, par. 1º, CP).

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o


dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo

Vamos exemplificar a culpa imprópria:


Mévia, 16 anos, é proibida pelos pais de se encontrar com Tício, seu namorado.
Triste com tal situação, e sem poder sair de casa pela porta no período noturno,
resolve sair pela janela.
Prosseguindo no seu intento, desce pela janela até o quintal, passa pelos quatro
cachorros da casa que, por conhecerem a menina, não latem e, por fim, vai ao
encontro do amado.

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Aproximadamente às 2 da manhã, Mévia volta para sua casa, passa pelos


cachorros, que novamente não latem, e começa a subir na sacada para entrar pela
janela.
Caio, pai de Mévia, avista um vulto tentando entrar em sua casa e atira
certeiramente. Ao descer para ver o corpo, percebe que alvejou sua filha.
O agente efetuou os disparos com arma de fogo, com intenção de matar. Tinha
dolo direto. Agiu, contudo, com o chamado “ERRO INESCUSÁVEL QUANTO À
ILICITUDE DO FATO”, pois foi imprudente.
“Mas como assim imprudente?”
Ele poderia ter sido mais cauteloso, já que o vulto não trazia ameaça e, com o
silêncio dos cachorros, somente poderia ser pessoa da casa.
Desta forma, responde por homicídio culposo.

3.2.3 COMPENSAÇÃO DE CULPAS

Vamos começar este tópico exemplificando para facilitar o entendimento: Imagine que
Tício avança o semáforo no sinal vermelho e, concomitantemente, um carro trafega na
contramão. Os dois batem e ficam com lesões corporais.
Neste caso, como fica claro, os dois foram imprudentes e se enquadram no delito de
lesão corporal culposa. Será possível a compensação de culpas?
A resposta é NEGATIVA, ou seja:

N ÃO SE
NÃO SEADMITE
ADMITAE COMPENSAÇÃO
A COMPENSAÇDE
ÃOCULPAS
DE CUNO
LPAS NO
D IREITO PENAL
DIREITO PENAL BRASILEIRO,
BRASILEIRO, UMA
UMA VEZ
VEZQUE
QUEPREVALECE
PREVALECE
O C ARÁTER
CARÁTER PÚBLICO
PÚBLICO DA S ANÇÃO
SANÇÃO PENAL
PENAL COMO
COMO
F UNDAMENTO P
FUNDAMENTO ARA A S
PARA UA P
SUA ROIBIÇÃO.
PROIBIÇÃO.

3.2.4 EXCEPCIONALIDADE DO CRIME CULPOSO

O parágrafo único do artigo 18 do Código Penal deixa claro que só haverá penalização
para um delito cometido de forma culposa quando houver previsão legal. Observe:

Art. 18
[...]
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente.
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O furto, por exemplo, por não trazer previsão, não existe na modalidade culposa.
Para complementar, veja as importantes palavras do STJ:

STJ - HABEAS CORPUS: HC 12161 SP

HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO.


DENÚNCIA. INÉPCIA. EX-PREFEITO MUNICIPAL. CRIME DE
RESPONSABILIDADE. DECRETO-LEI Nº 201/67. AUSÊNCIA DE
JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL. EXAME APROFUNDADO DE
PROVAS. Súmula 164-STJ:"O prefeito municipal, após a extinção do
mandato, continua sujeito a processo por crime previsto no art. 1º, do
Decreto-Lei nº 201, de 27.2.67."

De acordo com o princípio da excepcionalidade dos crimes


culposos (parágrafo único do art. 18 do CP)a punição por dolo é a
regra, enquanto a sanção por culpa é excepcional, só sendo
admitida quando a lei textualmente o prevê. (grifo nosso)

3.2.5 TENTATIVA NO CRIME CULPOSO

O crime se diz tentado quando o agente não o consuma por circunstâncias alheias à
sua vontade. O intento do agente era consumar a infração, atingir o bem jurídico
protegido na extensão pretendida, todavia, é interrompido, mas não por vontade
própria.
Essa vontade qualifica-se como dolosa, porque a intenção do agente era consumar a
infração penal ou produzir o resultado criminoso.
Nos crimes culposos, não se admite a tentativa porque a vontade inicial é dirigida ao
descumprimento único e exclusivo do dever objetivo de cuidado, mas não se vincula,
em momento algum, a vontade com a realização do resultado, sob pena de se verificar
a modalidade dolosa.
Então se cair na prova que a TENTATIVA nunca é aceita para delitos culposos, está
correto??? NÃÃÃÃÃÃÃOOOOO, pois:

ÉA DMITIDA A T
ADMITIDA ENTATIVA N
TENTATIVA NAA
H IPÓTESE D
HIPÓTESE EC
DE ULPA IIMPRÓPRIA!!!
CULPA MPRÓPRIA!!!

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Resumindo: IIMPRUDÊNCIA
MPRUDÊNCIA

MODALIDADES
MODALIDADES NEGLIGÊNCIA
NEGLIGÊNCIA

IIMPERÍCIA
MPERÍCIA

C ONSCIENTE
CONSCIENTE

IINCONSCIENTE
NCONSCIENTE

C ULPA
CULPA E SPÉCIES
ESPÉCIES
P RÓPRIA
PRÓPRIA

IIMPRÓPRIA
MPRÓPRIA

C ONDUTA
CONDUTA
HUMANA
HUMANA

V IOLAÇÃO D
VIOLAÇÃO DOO
D EV ER O
DEVER BJETIVO
OBJETIVO
D
DEEC UIDADO
CUIDADO

E LEMENTOS
ELEMENTOS
R ESULTADO
RESULTADO
N ATURALÍSTICO
NATURALÍSTICO

NE XO C
NEXO AUSAL
CAUSAL

T IPICIDADE
TIPICIDADE

P REVISIBILIDADE
PREVISIBILIDADE

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3.3 CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO

Quando estudarmos a parte do Código Penal referente aos crimes e respectivas


cominações, você perceberá que existem determinados delitos que possuem uma
penalização definida para uma conduta básica e outras penas mais rigorosas previstas
para resultados mais graves advindos da conduta.
Têm-se denominado tais infrações de crimes qualificados pelo resultado. Observe um
exemplo:

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer
meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
[...]
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de
reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a
reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. (grifo nosso)

São quatro as espécies de crimes qualificados pelo resultado:

1 – DOLO NO ANTECEDENTE E DOLO NO CONSEQÜENTE  Há intenção do agente


de praticar tanto a conduta típica quanto produzir o resultado agravador.
Exemplo: O agente espanca vítima com a intenção de provocar-lhe aborto (art. 129, § 2º,
V). Tem dolo de lesões corporais e dolo de provocar, como conseqüência, o aborto.

2 – CULPA NO ANTECEDENTE E CULPA NO CONSEQÜENTE  A prática do tipo dá-


se de forma culposa, assim como seu resultado.
Exemplo: Acidentalmente causa lesões corporais a outrem que, devido a elas, corre risco
de vida (art. 129, § 1º, II).
Outro exemplo é o caso dos crimes culposos de perigo comum, resultando lesão corporal
grave ou morte. Veja:

Art. 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de


natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se
resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta
lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se
a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço.

3 – CULPA NO ANTECEDENTE E DOLO NO CONSEQÜENTE  A primeira conduta é


culposa, mas a segunda, que a agrava, é cometida dolosamente.

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Exemplo: Sem querer, o agente causa lesões corporais, mas, propositalmente, deixa de
prestar socorro (art. 129, § 7º).

4– DOLO NO ANTECEDENTE E CULPA NO CONSEQÜENTE (CRIME


PRETERDOLOSO OU PRETERINTENCIONAL)  Neste caso, o agente produz mais do
que pretende. Na primeira conduta, tem a intenção de praticá-la, mas o resultado acaba
sendo mais grave do que esperava ou queria. Esse é o chamado crime preterdoloso, pois
o resultado foi pior do que pretendido.
Exemplo: Tendo a intenção de provocar lesões à vítima, dá-lhe um soco; ela cai, bate a
cabeça numa pedra e morre.
Também existe no caso de latrocínio, se a morte após o roubo não era desejada (art. 157,
§ 3º).
OBS: Se o agente do roubo assume o risco da qualificadora morte, teremos dolo no
antecedente e dolo no consequente. Observe o elucidativo julgado do supremo tribunal
Federal:

STJ, RESP 418.183/DF


PENAL. RECURSO ESPECIAL. LATROCÍNIO. CONCURSO DE
AGENTES. PARTICIPAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA.
INAPLICABILIDADE.
I - O roubo com morte é delito qualificado pelo resultado, sendo que
este plus, na melhor dicção da doutrina, pode ser imputado na forma de
dolo ou de culpa.
II - No roubo, mormente praticado com arma de fogo, respondem, de
regra, pelo resultado morte, situado evidentemente em pleno
desdobramento causal da ação delituosa, todos que, mesmo não
agindo diretamente na execução da morte, contribuíram para a
execução do tipo fundamental (Precedentes). Se assumiram o risco,
pelo evento respondem. Recurso provido

Vamos agora tratar especificamente desta quarta espécie qualificadora que, como já
visto, recebe a denominação de crime preterdoloso.

3.3.1 CRIME PRETERDOLOSO

Preterdolo é uma expressão que advêm do latim praeter dolum, ou seja, além do dolo.
A grosso modo, podemos dizer que o crime preterdoloso, também chamado de
preterintencional, é aquele que ocorre quando a conduta dolosa gera a produção de
um resultado mais grave do que o efetivamente desejado pelo agente.

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O crime preterdoloso é um crime misto, em que há uma conduta que é dolosa, por
dirigir-se a um fim típico, e que é culposa pela geração de outro resultado, ocorrido
pela inobservância do cuidado objetivo, que não era objeto do crime fundamental.
Não há aqui um terceiro elemento subjetivo ou forma nova de dolo ou mesmo de
culpa. Como bem acentua Pimentel, "é somente a combinação de dois elementos -
dolo e culpa - que se apresentam sucessivamente no decurso do fato delituoso: a
conduta inicial é dolosa, enquanto o resultado final dela advindo é culposo. Há, como
se tem afirmado, dolo no antecedente e culpa no conseqüente.
Exemplo típico é o apresentado no artigo 129, parágrafo 3º, do Código Penal, que
dispõe da seguinte forma:

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:


Pena - detenção, de três meses a um ano.
[...]
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente
não quís o resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. (grifei)

Perceba, caro(a) aluno(a), que o legislador tipifica a conduta de gerar lesões corporais
(caput) e adiciona um resultado agravador que é a morte da vítima produzida a título
de culpa.

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3.3.2 DISPOSIÇÃO DO CÓDIGO PENAL SOBRE O TEMA

De forma bem objetiva para a sua PROVA, guarde o seguinte:


PELO RESULTADO QUE AGRAVA A PENA, SÓ RESPONDE O AGENTE QUE O
HOUVER CAUSADO AO MENOS CULPOSAMENTE, conforme leciona o artigo 19 do
Código Penal:

Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o


agente que o houver causado ao menos culposamente.

Desta forma, o resultado mais grave, se culposo, deve ser objetivamente previsível, ou
seja, previsível ao HOMEM MÉDIO para que possa ser imputado ao agente.

3.4 ERRO DE TIPO

Para começar este tópico, e a fim de que você entenda corretamente o assunto, é preciso
que se faça uma pergunta: “Erro e ignorância são palavras sinônimas? “Em um primeiro
momento, podemos dizer que não, mas para a SUA PROVA a resposta é SIM.
“Mas como assim, professor?”
Vamos compreender:
O erro é um acontecimento humano de estado positivo, ou seja, o erro é a falsa
representação da realidade, é a crença de ser A, sendo B, é o equivocado conhecimento
de um elemento.
Para o Direito, o erro é o vício de consentimento e, sendo este um acontecimento
humano, não podia o Direito Penal deixar de tratar da matéria.
A ignorância, por sua vez, é um acontecimento humano de estado negativo. A ignorância
difere do erro por ser a falta (e não a falsa) de representação da realidade, o total
desconhecimento, isto é, a ausência do saber de determinado objeto.
Na ciência jurídica, no entanto, não cabe a diferenciação entre estado negativo e estado
positivo do acontecimento humano. Para nossa disciplina legal, predomina uma tese
unificadora. Ambos, erro e ignorância, no Direito Penal, são semelhantes em suas
conseqüências ou, como nas palavras de Alcides Munhoz Neto:
“incidem sobre o processo formativo da vontade, viciando-lhe o elemento intelectivo, ao
induzir o sujeito a querer coisa diversa da que teria querido, se houvesse conhecido a
realidade.
Sendo assim, podemos resumir que, para o Código Penal Brasileiro:

ERRO E IGNORÂNCIA SE EQUIVALEM!!!

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3.4.1 CONCEITO

Erro de tipo é a falsa percepção da realidade acerca dos elementos constitutivos do


tipo penal.
É o que incide sobre as elementares ou circunstâncias da figura típica, sobre os
pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados secundários da norma
penal incriminadora.
É o que faz o sujeito supor a ausência de elemento ou circunstância da figura típica
incriminadora ou a presença de requisitos da norma permissiva.
O erro de tipo pode ser:

ESSENCIAL  O erro recai sobre dados principais do tipo.


Exemplo: Tício vai caçar na floresta e, para isso, esconde-se atrás de uma árvore.
A fim de abater sua caça, aponta sua arma para uma moita, que não para de
mexer (para frente e para trás).
Acreditando ser uma onça, atira e acerta uma pessoa que estava lá. A pessoa
morre.
Ocorre erro de tipo, pois não sabia Tício que atirava em um ser humano. É erro de
tipo essencial, pois recaiu sobre dado principal do tipo (art. 121: matar alguém).

ACIDENTAL  O erro recai sobre dados periféricos do tipo.


Exemplo: Mévio vai a um supermercado para furtar sal. Chegando em casa com o
produto do furto, percebe que é açúcar.
É erro de tipo, pois não sabia que estava subtraindo açucar.
É erro de tipo acidental, pois o fato de ser sal ou açúcar é periférico ao tipo.

N
NOO ERRO
ERRO DE
DE TIPO
TIPO ESSENCIAL,
ESSENCIAL,OOAGENTE,
AGENTE,SE
SEAVISADO
AVISADODO
DOERRO,
ERRO,
PARA IIMEDIATAMENTE
PARA MEDIATAMENTE O Q UE IIA
QUE A FA ZER.
FAZER.
NO ERRO
NO ERRO DE
DE TIPO
TIPO ACIDENTAL,
ACIDENTAL,OOAGENTE,
AGENTE,SE
SEAVISADO
AVISADODO
DOERRO,
ERRO,
OC ORRIGE E C
CORRIGE ONTINUA A A
CONTINUA GIR IILICITAMENTE.
AGIR LICITAMENTE.

O erro de tipo encontra previsão no artigo 20 e parágrafos do CP:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o


dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

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Antes de prosseguirmos, alguns conceitos são necessários. Sendo assim, vamos abrir
o nosso já conhecido dicionário do concurseiro e aprender, ou relembrar, conceitos:

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

TIPO PENAL  É O CONJUNTO DOS ELEMENTOS DO CRIME DESCRITOS NA


NORMA PENAL. TODO TIPO PENAL POSSUI, NO MÍNIMO, UM NÚCLEO, QUE VEM
A SER O “VERBO” QUE REPRESENTA A CONDUTA (AÇÃO OU OMISSÃO) HUMANA
DESCRITA.
ELEMENTOS OBJETIVOS  OS ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO REFEREM-SE
AO ASPECTO MATERIAL DA INFRAÇÃO PENAL, DIZENDO RESPEITO À FORMA DE
EXECUÇÃO, TEMPO, MODO, LUGAR, ETC.
ELEMENTOS SUBJETIVOS  OS ELEMENTOS SUBJETIVOS DO TIPO PENAL,
TAMBÉM CONHECIDOS NA DOUTRINA POR ELEMENTOS SUBJETIVOS DO
INJUSTO, DIZEM RESPEITO AO ESTADO PSICOLÓGICO DO AGENTE, OU SEJA, À
SUA INTENÇÃO.
ELEMENTOS NORMATIVOS  OS TIPOS PENAIS PODEM CONTER ELEMENTOS
NA SUA FORMAÇÃO QUE NÃO SÃO DE COMPREENSÃO IMEDIATA, COMO OS
ELEMENTOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS, EM RAZÃO DA NECESSIDADE DE UM
JUÍZO DE VALOR SOBRE OS MESMOS. NESTES TIPOS PENAIS QUE CONTÉM
ELEMENTOS NORMATIVOS, ALÉM DE O LEGISLADOR INCLUIR EXPRESSÕES
COMO MATAR, SUBTRAIR, OFENDER, ETC., INCLUI AINDA EXPRESSÕES COMO
SEM ‘JUSTA CAUSA’, ‘INDEVIDAMENTE’, ‘FRAUDULENTAMENTE’, ETC., QUE SÃO
CONSIDERADOS ELEMENTOS NORMATIVOS.
ELEMENTARES  DENOMINAM-SE ELEMENTARES AS EXPRESSÕES (PALAVRAS
OU SIGNOS LINGÜÍSTICOS) QUE DESCREVEM O CONTEÚDO BÁSICO DO TIPO
PENAL, SEM AS QUAIS A DESCRIÇÃO RESTA INCOMPLETA. SÃO ELEMENTARES
DO TIPO PENAL DESCRITO NO ARTIGO 155 DO CP (CRIME DE FURTO):
“SUBTRAIR PARA SI OU PARA OUTREM, COISA ALHEIA MÓVEL”.

3.4.2 ESPÉCIES

O erro de tipo essencial pode ser de duas espécies:

1. INESCUSÁVEL, VENCÍVEL OU INDESCULPÁVEL  Neste caso, apesar do


erro, fica claro que tal poderia ter sido evitado. É a mesma situação que já
vimos quando tratamos do conceito de HOMEM MÉDIO relacionado com a
culpa.

2. ESCUSÁVEL, INVENCÍVEL, DESCULPÁVEL  É o erro que não advêm da


CULPA do agente, ou seja, qualquer pessoa MÉDIA, naquela situação, incidiria
naquele erro.

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A partir da análise destas duas espécies no caso concreto serão definidos os efeitos
de erro de tipo. Desde já é importante citar que, nos termos do “caput” do artigo 20 do
CP, seja o erro INESCUSÁVEL ou ESCUSÁVEL, ele SEMPRE EXCLUI O DOLO.
Mas e a culpa?
Ai sim vai depender da espécie, ou seja, o erro escusável EXCLUI O DOLO E A
CULPA, gerando a impunidade total do fato.
Diferentemente, o erro inescusável exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo.
Desta forma, podemos afirmar que, se Tício, por não olhar a placa do veículo, leva o
carro alheio para sua casa, ele será punido a título de culpa, por tratar-se de crime
inescusável, correto? ERRADO!!!!!
Como vimos, a penalização por crime culposo tem caráter excepcional e como a lei
não tipifica a conduta CULPOSA para o crime de furto, independentemente de ser
escusável ou inescusável, permanecerá o agente impune.

Resumindo:

EXCLUI O DOLO,
INESCUSÁVEL MAS NÃO A
CULPA

ERRO DE
TIPO
ESSENCIAL

EXCLUI O DOLO E
ESCUSÁVEL A CULPA

3.4.3 DESCRIMINANTES PUTATIVAS

Caro aluno, neste tópico vou adentrar somente no que importa para sua PROVA, não
abordando assim aspectos referentes à culpabilidade.
Sobre as descriminantes putativas, preceitua o Código Penal:
Art. 20
[...]
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação

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legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é


punível como crime culposo.

Putativo significa algo que se supõe verdadeiro, embora, na verdade, não o seja. Há
uma incongruência ou contradição entre a representação fática do agente e a situação
objetiva ou real.
No momento da conduta, o autor imagina ser esta não-ilícita, pois supõe existir uma
situação que na verdade não há. Se tal situação realmente existisse, a conduta do
agente tornar-se-ia lícita.
Portanto, dois pontos extremos são as chaves para a compreensão das
descriminantes putativas: o mundo real e o mundo imaginário. As condutas praticadas
na realidade apresentam sua ilicitude. Porém, no plano das idéias do agente as
mesmas teriam seu caráter lícito.

EM SÍNTESE, DESCRIMINANTE PUTATIVA É UMA CAUSA


EXCLUDENTE DE ILICITUDE, ERRONEAMENTE IMAGINADA
PELO AGENTE. ELA NÃO EXISTE NA REALIDADE, MAS O
AGENTE PENSA QUE SIM PORQUE ESTÁ ERRADO.

Ainda estudaremos a fundo as excludentes de ilicitude, mas por enquanto é importante


ao menos uma noção básica:

COMPREENDER PARA APRENDER

EXCLUSÃO DE ILICITUDE É UMA CAUSA EXCEPCIONAL QUE RETIRA O


CARÁTER ANTIJURÍDICO DE UMA CONDUTA TIPIFICADA COMO
CRIMINOSA.

NO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO, SÃO CAUSAS EXCLUDENTES DE


ILICITUDE:

ESTADO DE NECESSIDADE - QUANDO O AUTOR PRATICA A


CONDUTA PARA SALVAR DE PERIGO ATUAL DIREITO PRÓPRIO
OU ALHEIO.
LEGÍTIMA DEFESA - CONSISTE EM REPELIR MODERADAMENTE
INJUSTA AGRESSÃO A SI PRÓPRIO OU A OUTRA PESSOA.
ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL - QUANDO O AUTOR
TEM O DEVER DE AGIR E O FAZ DE ACORDO COM
DETERMINAÇÃO LEGAL.
EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO - CONSISTE NA ATUAÇÃO DO
AGENTE DENTRO DOS LIMITES CONFERIDOS PELO
ORDENAMENTO LEGAL.

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A doutrina admite três hipóteses de descriminantes putativas:

a) Erro sobre os pressupostos fáticos (supor situações de fato) de uma causa de


exclusão da ilicitude.  Imaginemos que Tício está na rua e avista Mévio, seu
desafeto. Ao se aproximar, Mévio coloca a mão no bolso e Tício, imaginando que
Mévio tiraria uma arma, efetua 3 disparos certeiros, matando Mévio.
Posteriormente, Tício, que pensou estar agindo em legítima defesa, verifica que Mévio
não possuía arma e iria somente tirar um isqueiro do seu bolso. Ocorreu a chamada
LEGITIMA DEFESA PUTATIVA.

b) Erro relativo aos limites da causa de justificação  Caio, fazendeiro, fica o dia
todo em sua janela com uma espingarda apontada para a entrada de sua propriedade.
Sempre que um posseiro tenta invadir sua propriedade, ele, certeiramente, atira e
mata o indivíduo. Cuida-se da figura do excesso, pois a defesa da propriedade não
permite esse tipo de reação desproporcional.

c) Erro sobre a existência da causa de justificação (supor estar autorizado) 


Caio encontra sua mulher praticando adultério com Mévio. Sem pensar, pega sua
arma e mata os dois.
Imagina estar agindo de acordo com a LEGÍTIMA DEFESA DA HONRA, que não é
causa de exclusão de ilicitude aceita em nosso ordenamento jurídico. O agente errou
quanto à existência da descriminante.

O artigo 20, parágrafo 1º, trata unicamente da situação de ERRO SOBRE OS


PRESSUPOSTOS FÁTICOS (SUPOR SITUAÇÕES DE FATO) DE UMA CAUSA DE
EXCLUSÃO DA ILICITUDE e atribui os seguintes efeitos:

SITUAÇÃO DE FATO QUE, SE EXISTISSE, TORNARIA A AÇÃO LEGÍTIMA

1–ERRO PLENAMENTE JUSTIFICADO  ISENTA DE PENA

2–ERRO INESCUSÁVEL  RESPONDE POR CULPA (CASO HAJA PREVISÃO


LEGAL)

3.4.4 ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO

Sobre o tema, dispõe o Código Penal:

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Art. 20
[...]
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Há determinadas situações nas quais o agente não erra por conta própria, mas sim de
forma provocada, isto é, determinada por outrem (agente provocador). Este erro
provocado pode ser doloso ou culposo.
Quando o agente provocador atua com dolo, a ele será imputado o delito.
Suponha-se que o médico, desejando matar o paciente, entrega à enfermeira uma
injeção que contém veneno, afirma que se trata de um anestésico e faz com que ela a
aplique.
A enfermeira agiu por erro determinado por terceiro, e não dolosamente, respondendo
apenas o médico.
Ocorre que também pode o provocador agir culposamente e, nestes casos, teremos
um efeito diferenciado.
Imagine que um vendedor de carro, por engano, fornece um veículo sem freios para
que um pretenso comprador realize um “test drive”. Ao sair da loja, o comprador
atropela dois indivíduos.
Neste caso, responde o agente provocador e também o provocado, desde que seu
erro seja inescusável.

3.4.5 ERRO DE TIPO ACIDENTAL SOBRE A PESSOA

Caro aluno, sabe aquele indivíduo que tudo que faz, faz
errado. Então, é exatamente dele que trataremos agora. No
erro sobre a pessoa, o sujeito, não satisfeito em decidir
matar alguém, ainda ERRA a pessoa.
É o caso de Tício, que querendo atirar em Mévio, confunde
a pessoa visada e mata Caio.
Atenção que aqui não estamos tratando de um indivíduo
que erro o alvo e sim daquele que, por confusão, acredita estar matando A e acaba
matando B.
Sobre o tema, preceitua o Código Penal:

Art. 20
[...]
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta
de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

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Perceba que o final do supra-exposto parágrafo diz que se deve considerar a


qualidade da vítima contra quem o delito seria cometido. Sendo assim, imaginemos
que Tício quer matar seu pai, mas o confunde com seu tio, irmão gêmeo, matando-o.
Neste caso, a agravante, cometer crime contra ascendente, prevista no artigo 61, será
aplicada?
A resposta é positiva, pois não importa o que ocorreu e sim o que o agente queria que
ocorresse.
“Mas, professor, como vamos saber exatamente, na realidade, o que o agente estava
pensando?”
Boa pergunta...Depois que você passar na prova eu tento responder. Por enquanto,
atenha-se à teoria!!!

3.4.6 ERRO DE TIPO ACIDENTAL NA EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS)

Neste tipo de erro, diferentemente do ocorrido no erro sobre a pessoa, o agente não
se confunde quanto à pessoa, mas erra o alvo e acaba acertando outra.
Exemplo: Tício mira em Mévio, mas acerta uma criança. Neste caso, responderá pelo
homicídio doloso, mas não de forma qualificada (crime cometido contra criança), pois,
como vimos no item anterior, vale o que ele quer fazer e não o que ele fez.

3.4.7 ERRO DE PROIBIÇÃO (ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO) X


DESCONHECIMENTO DA LEI.

Caro(a) aluno(a), trataremos brevemente deste tópico, pois o aprofundamento


encontra-se dentro do assunto CULPABILIDADE, que está fora de seu edital.
Para começar, uma pergunta: O não conhecimento da lei pode ser utilizado pelo
agente como forma de ficar isento de pena?
A resposta é negativa e o efeito deste desconhecimento encontra previsão no artigo
21 do Código Penal, que dispõe:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a


ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-
la de um sexto a um terço.

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se


omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (grifo nosso)

Mas todos interpretam as leis da mesma forma? Claro que não.

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Imaginemos um indivíduo que, lendo a lei de drogas, “interpreta” ser possível a


plantação em sua casa da planta da maconha para fins medicinais. Este indivíduo
poderá alegar o TOTAL DESCONHECIMENTO DA LEI?
A resposta é negativa, pois como vimos o desconhecimento da lei é inescusável.
Entretanto, poderá alegar um erro quanto ao entendimento da ilicitude do fato, ou seja,
um ERRO DE PROIBIÇÃO.
O erro de proibição pode ser definido como a falsa percepção do agente acerca do
caráter ilícito do fato típico por ele praticado, de acordo com um juízo profano, isto é,
possível de ser alcançado mediante um procedimento de simples esforço de sua
consciência.
O indivíduo conhece a existência da lei penal, mas desconhece ou interpreta mal seu
conteúdo, ou seja, não compreende adequadamente seu caráter ilícito.

SE ESSE DESCONHECIMENTO FOR INEVITÁVEL, ISENTA


DE PENA.
7 DIFERENTEMENTE, SE EVITÁVEL, PODE REDUZIR A
PENA.

****************************************************************************************************
FUTURO(A) AUDITOR(A) FISCAL DA RECEITA
FEDERAL, MUITO BOM!!! AQUI VOCÊ ACABA DE
FINALIZAR MAIS UM IMPORTANTE TEMA RUMO À TÃO
SONHADA APROVAÇÃO. SE A PROVA ESTÁ
CHEGANDO, VOCÊ TAMBÉM ESTÁ ADQUIRINDO MAIS
E MAIS CONHECIMENTO E É ISSO QUE FARÁ A
DIFERENÇA NO DIA DE COLOCAR O ESFORÇO EM
PRÁTICA. DITO ISTO, RESPIRE FUNDO, RECARREGUE
AS SUAS ENERGIAS E VAMOS À LUTA COM O ÚLTIMO TEMA DE NOSSA AULA!!!

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3.5 ITER CRIMINIS

Iter criminis é uma expressão em latim, que significa "caminho do delito", utilizada no
direito penal para se referir ao processo de evolução de um crime, ou seja, descrevendo
as etapas que se sucederam desde o momento em que surgiu a idéia do delito até a sua
consumação.
O Iter criminis costuma ser divididos em duas fases: A fase interna e a fase externa.

3.5.1 FASE INTERNA

Na fase interna, dá-se a cogitação do crime.


A cogitação refere-se ao plano intelectual acerca da prática criminosa, com a
visualização do resultado querido.
Essa fase é interna ao sujeito, está em sua mente, em sua cabeça, logo, não é
punível. De fato, a conduta penalmente relevante é somente aquela praticada por
seres humanos e projetada no mundo exterior.

3.5.2 FASE EXTERNA

A fase externa engloba os atos preparatórios, os atos de execução e a consumação


do delito.

Atos preparatórios  São atos externos ao agente, que passam da cogitação à


ação objetiva, como, por exemplo, a aquisição da arma para a prática de homicídio.
Os atos preparatórios, regra geral, não são puníveis. Com relação às exceções,
não se preocupe para sua PROVA.

Atos de execução  São aqueles dirigidos diretamente à prática do crime. No


Brasil, o Código Penal, em seu artigo 14, inciso II, definiu que o crime se diz
tentado quando iniciada a execução e esta não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente. Assim, exige-se que o autor tenha realizado de
maneira efetiva uma parte da própria conduta típica, adentrando no núcleo do tipo.
É o caso, por exemplo, de efetuar disparos de arma de fogo contra uma pessoa

Consumação  É aquela na qual estão presentes os elementos essenciais que


constituem o tipo penal. É, por isso, um crime completo ou perfeito, pois a conduta
criminosa se realiza integralmente.
Para exemplificar, em um homicídio em que a conduta é “matar alguém”, dizemos
que o crime foi condumado com a morte de um ser humano provocado por outra
pessoa.

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Resumindo:


OH YES,
COMPREI
VOU
A ARMA
MATAR!!!

PROIBIDO!!!
IMAGENS
FORTES!!!

COGITAÇÃO PREPARAÇÃO EXECUÇÃO CONSUMAÇÃO

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Caros alunos,

Finalizamos mais uma aula e agora é hora de consolidar os conceitos com exercícios
e uma atenta releitura dos pontos principais.

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Siga com força nos estudos, pois a prova está cada vez mais próxima e, em breve, se
Deus quiser, todo esforço será coroado com a tão sonhada e tão esperada aprovação.
Nos momentos de cansaço, imagine como poderá estar sua vida daqui a pouco tempo
e lembre-se SEMPRE que só depende de você.

Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo

"Consulte não a seus medos, mas a suas esperanças e sonhos.


Pense não sobre suas frustrações, mas sobre seu potencial não usado. Preocupe-se não
com o que você tentou e falhou, mas com aquilo que ainda é possível a você fazer. "

(Papa João XXIII)

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA

Art. 18 - Diz-se o crime:

Crime doloso

I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;

Crime culposo

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência


ou imperícia.

Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por
fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.

Agravação pelo resultado

Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que
o houver causado ao menos culposamente.

Erro sobre elementos do tipo

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

Descriminantes putativas

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias,


supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena
quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.

Erro determinado por terceiro

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Erro sobre a pessoa

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena.
Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Erro sobre a ilicitude do fato

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se


inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

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Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a


consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
essa consciência.

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EXERCÍCIOS

1. (Promotor – MPE – CE / 2003) No crime preterdoloso , tem-se:

A) dolo no antecedente e dolo no conseqüente


B) culpa no antecedente e culpa no conseqüente
C) culpa no antecedente e dolo no conseqüente
D) dolo no antecedente e culpa no conseqüente
E) responsabilidade objetiva

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Como vimos, o crime preterdoloso é caracterizado pelo dolo no
antecedente e culpa no consequente.

2. (Juiz – TRT / 2003) O chamado dolo eventual caracteriza-se pelo fato de o agente:

A) não querer o resultado, mas assumir o risco de produzi-lo pouco se importando com a
produção ou não deste resultado;
B) querer o resultado e por isso assumir o risco de produzi-lo;
C) não querer o resultado, mas acreditar sinceramente que este não é antijurídico;
D) não querer o resultado e acreditar sinceramente que, agindo da maneira que agirá, não
dará causa ao resultado;
E) nenhuma das respostas anteriores.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: É a questão do “Seja o que Deus quiser”, ou seja, no dolo eventual o
agente não se importa com o resultado que irá vir de sua conduta.

3. (TCE – RN / 2000) "Deixar, o ex-administrador de instituição financeira, de


apresentar, ao interventor, liqüidante, ou síndico, nos prazos e condições
estabelecidas em lei as informações, declarações ou documentos de sua
responsabilidade" (Lei no 7.492, de 16 de junho de 1986, art. 12).Esse tipo legal de
crime configura:

A) crime próprio
B) crime preterintencional

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C) crime de consumação antecipada


D) exaurimento
E) tentativa perfeita

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: Essa questão exige conceitos vistos na aula 02, mas, como temos o
crime preterdoloso sendo citado na alternativa “B”, resolvi colocar. De qualquer forma,
creio que nenhum concurseiro fica chateado com exercício a mais!!!
A questão trata de um crime próprio, ou seja, exige uma qualidade especial do agente. No
caso em questão, a qualificação como “ex-administrador de instituição financeira”.

4. (Juiz Substituto – TJ-SP 2009) Depois de haver saído do restaurante onde havia
almoçado, Tício, homem de pouco cultivo, percebeu que lá havia esquecido sua
carteira e voltou para recuperá-la, mas não mais a encontrou. Acreditando ter o
direito de fazer justiça pelas próprias mãos, tomou para si objeto pertencente ao
dono do referido restaurante, supostamente de valor igual ao seu prejuízo. Esse
fato pode configurar:

A) erro determinado por terceiro.


B) erro de tipo.
C) erro de permissão.
D) erro de proibição.
E) N.R.A.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: Perceba, caro aluno, que no caso em tela fica claro que Tício tem
conhecimento da ilicitude do ato de furtar, mas, através de um juízo próprio, julga ser seu
ato plenamente lícito por ter o “direito de fazer justiça pelas próprias mãos”. Assim,
estamos diante do ERRO DE PROIBIÇÃO.

5. (AFRF / 1998) A, amigo de B, ambos maiores e imputáveis, vão à caça. A vê a


onça próxima a B; não querendo perder a oportunidade, embora tenha previsão de
poder matar o amigo, se errar a pontaria, atira em direção ao animal, confiante de
que, como ocorrera, várias vezes, naquelas circunstâncias, não erraria o alvo. Atira
em direção ao animal, todavia, mata B. A situação descrita configura:

A) culpa inconsciente

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B) preterdolo
C) culpa consciente
D) dolo eventual
E) dolo direto

GABARITO: C
COMENTÁRIOS: O fato descrito pela ESAF deixa claro a existência da chamada culpa
consciente. O agente acredita, sinceramente, que o resultado delituoso não ocorrerá.

6. (SEFAZ – PI / 2001) No que diz respeito ao elemento subjetivo do tipo, é correto


afirmar que:

A) o crime de furto só é punido a título de dolo.


B) o crime de furto admite as modalidades dolosa e culposa.
C) há dolo direto quando a vontade do agente não visa a um resultado preciso e
determinado.
D) há dolo eventual quando o agente não assume o risco de produzir o resultado.
E) imprudência, negligência e imperícia são modalidades do dolo.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: Questão que exige conceitos amplamente tratados na aula.
Vimos que o crime de furto não traz a tipificação para a culpa, logo, como o crime culposo
tem caráter excepcional, ou seja, precisa estar previsto para ser considerado crime, só é
punido a titulo de dolo.
A alternativa “C” traz o conceito de dolo indireto.
A alternativa “D” tenta confundir o candidato com o conceito de culpa consciente atribuído
ao dolo eventual. Conforme vimos, no dolo eventual o agente assume o risco, não se
interessando pelo resultado que advirá de sua conduta.
A alternativa “E” é só para quem nunca viu Penal na vida errar... Imprudência, Negligência
e Imperícia são MODALIDADES da Culpa.

7. (MPU / 2004) É correto afirmar que:

A) pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver
causado dolosamente.
B) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado isenta de pena.

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C) responde pelo crime o terceiro que não determina o erro.


D) é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
E) no caso de erro sobre a pessoa, consideram-se para efeitos penais, as condições ou
qualidades da vítima efetivamente atingida.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS:
Alternativa “A”  Vimos que existem delitos em que o resultado culposo agrava a pena.
Exemplo: Crime Preterdolosos.
Alternativa “B”  O erro quanto à pessoa não isenta de pena, nos termos do parágrafo 3º
do artigo 20:

Art. 20
[...]
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta
de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Alternativa “C”  Tenta confundir o candidato incluindo a palavra “não”. Na verdade,


responde pelo crime o terceiro que DETERMINA o erro. Observe:

Art. 20
[...]
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Alternativa “D”  É a reprodução exata do parágrafo 1º do artigo 20, que versa sobre as
descriminantes putativas. Observe:

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo

Nesta questão fica clara a importância da leitura dos dispositivos do Código Penal.

Alternativa “E”  No erro sobre a pessoa, consideram-se as qualidades de quem se


queria atingir.

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8. (MPU / 2004) A diferença entre dolo eventual e culpa consciente consiste no fato
de que:

A) no dolo eventual a vontade do agente visa a um ou outro resultado; e na culpa


consciente o sujeito não prevê o resultado, embora este seja previsível.
B) no dolo eventual a vontade do agente não visa a um resultado preciso e determinado;
e na culpa consciente o agente conscientemente admite e aceita o risco de produzir o
resultado.
C) no dolo eventual, não é suficiente que o agente tenha se conduzido de maneira a
assumir o resultado, exige-se mais, que ele haja consentido no resultado; já na culpa
consciente, o sujeito prevê o resultado, mas espera que este não aconteça.
D) se o agente concordou em última instância com o resultado, não agiu com dolo
eventual, mas com culpa consciente.
E) se não assumiu o risco de produzir, mas tão-só agiu com negligência, houve dolo
eventual e não culpa consciente.

GABARITO: C
COMENTÁRIOS: Mais uma sobre dolo eventual e culpa consciente. Esse tipo de
questão aparece muito em prova. A alternativa C trata de forma perfeita sobre estes dois
institutos.
Alternativa “A”  Na culpa consciente, o agente prevê o resultado, mas espera
sinceramente não atingí-lo. Quando o agente não prevê o resultado, temos a culpa
comum.
Alternativa “B”  Insere o conceito de dolo indireto na culpa consciente.
Alternativa “D”  Se o agente concorda com o resultado, age com dolo e não com culpa.
Alternativa “E”  Se agiu com negligência, ocorreu CULPA e não DOLO.

9. (MPU / 2004) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado:

A) isenta o réu de pena, pois o agente visa a atingir certa pessoa e, por acidente ou erro
no uso dos meios de execução, vem a atingir outra.
B) não isenta o réu de pena; no entanto, as qualidades ou condições que contarão para
qualificar ou agravar o delito, serão as da vítima que se pretendia atingir e não as da
efetivamente ofendida.
C) não isenta o réu de pena, e o erro é reconhecido quando o resultado do crime é único
e não houve intenção de atingir pessoa determinada.
D) isenta o réu de pena, e ocorre quando o agente, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
E) não isenta o réu de pena; no entanto, as qualidades ou condições da vítima
efetivamente atingida é que contarão para qualificar ou agravar o delito.

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GABARITO: B
COMENTÁRIOS: Exige do candidato o conhecimento do parágrafo 3º do artigo 20 do CP.

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta


de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

10. (MPU / 2004) "Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que
está contaminado, ato capaz de produzir o contágio" (CP. art. 131). No texto - "com
o fim de transmitir" - configura elemento:

A) Subjetivo
B) Naturalístico
C) Normativo
D) Subjetivo do tipo
E) Circunstancial

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Com frequência encontramos em prova questões deste tipo, ou seja,
exigindo a diferenciação entre os elementos do tipo. Para relembrar:
ELEMENTOS OBJETIVOS DESCRITIVOS: São os objetos (coisas), seres (agentes),
animais, coisas ou atos perceptíveis pelos sentidos. Não precisam de nenhuma
valoração.
ELEMENTOS NORMATIVOS: São aqueles que devem ter uma valoração, um juízo de
valor. Como exemplo as expressões: “indevidamente”, “digna” , “saúde”.
ELEMENTOS SUBJETIVOS: Vivem no interior no psiquismo do sujeito, na esfera do
pensamento; todo dolo possui um elemento subjetivo que é a consciência. Como
exemplo, "para ocultar desonra própria", "com o fim de transmitir doença a outrem", "de
que se sabe inocente", “para si ou para outrem”.
Logo, fica claro que temos na expressão destacada um elemento subjetivo do tipo, o qual
será necessário para caracterizar a conduta tipificada a título de dolo.

11. (Auditor Fiscal / 2003 - Adaptada) No tocante ao erro quanto à ilicitude do fato,
pode-se afirmar que:

A) quando for evitável não se permite a redução da pena.

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B) é considerado evitável o erro se o agente atua ou se omite com a consciência da


ilicitude do fato.
C) o engano recai sobre elemento do tipo penal e exclui o dolo.

D) O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá


diminuí-la de um sexto a um terço.

E) é também conhecido como erro de proibição, sendo o desconhecimento da lei


escusável.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Exige o conhecimento do artigo 21, que dispõe:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do


fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto
a um terço.

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite


sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

Alternativa “A”  Se evitável, permite-se a redução da pena de um sexto a um teço.

Alternativa “B”  Transcreve de forma errada o parágrafo único do artigo 21. É


considerado evitável o erro se o agente atua ou se omite SEM a consciência da ilicitude.

Alternativa “C”  A alternativa C trata de hipótese de erro de tipo e não de erro de


proibição, pois afirma que o erro incide sobre elemento do tipo penal, excluído o dolo.

Alternativa “D”  Resposta fácil de ser encontrada, pois reproduz o caput do artigo 21.

Alternativa “E”  O desconhecimento da lei é INESCUSÁVEL.

12. (TJ – PA / 2009) O artigo 18, I, do Código Penal Brasileiro indica duas espécies
de dolo, ou seja, dolo

A) direto e indireto.
B) de dano e de perigo.
C) determinado e genérico.

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D) genérico e específico.
E) normativo e indeterminado.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS: O artigo 18, I, dispõe:

Art. 18 - Diz-se o crime:


I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo;

O início trata do dolo direto: “O agente quis o resultado...”


O término do dolo indireto: “Assumiu o risco de produzí-lo.”
Com relação às outras alternativas, não se importe, para SUA PROVA, com as definições
que não foram tratadas.

13. (TJ – PA / 2009) Para a configuração do crime culposo, além da tipicidade, torna-
se necessária a prática de conduta com:

A) observância do dever de cuidado e vontade consciente.


B) inobservância do dever de cuidado que causa um resultado cujo risco foi assumido
pelo agente.
C) observância do dever de cuidado que causa um resultado desejado, mas previsível.
D) inobservância do dever de cuidado que causa um resultado desejado, mas previsível.
E) inobservância do dever de cuidado que causa um resultado não desejado e
imprevisível.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS: A questão trata do crime culposo de maneira genérica, não se referindo
especificamente a nenhuma espécie.
Como vimos, para o crime culposo é essencial a ocorrência de um resultado derivado da
inobservância do dever de cuidado, não desejado pelo agente.

14. (MPE – SE / 2009) O médico que, numa cirurgia, sem intenção de matar,
esqueceu uma pinça dentro do abdômen do paciente, ocasionando- lhe infecção e a
morte, agiu com:

A) culpa, por imperícia.

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B) dolo direto.
C) culpa, por negligência.
D) culpa, por imprudência.
E) dolo eventual.

GABARITO: C
COMENTÁRIOS: O médico agiu com culpa e foi NEGLIGENTE em sua atuação. Mas não
seria imperícia?
A resposta é negativa. Precisa ser médico para saber que não se deve deixar uma pinça
dentro do abdômem de um indivíduo? Claro que não, logo o erro não foi derivado de um
“saber profissional” e sim de um esquecimento, uma falta de cuidado do médico.

15. (TJ – PE / 2007) Quanto ao dolo e a culpa é correto afirmar que:

A) a forma típica da culpa é a culpa inconsciente, em que o resultado previsível não é


previsto pelo agente. É a culpa sem previsão.
B) no dolo eventual, o evento é previsto, mas o agente confia em que não ocorra; já na
culpa consciente, o resultado não é previsto, mas o agente se conduz de modo a assumir
o risco de produzi-lo.
C) no caso de dois agentes concorrerem culposamente para um resultado ilícito, nenhum
deles responderá pelo fato, diante da teoria da compensação de culpas adotada pelo
nosso ordenamento penal.
D) o dolo direto ou determinado compreende o dolo eventual e o dolo alternativo, no qual
o agente quer um ou outro entre dois ou mais resultados.
E) no crime culposo o agente realiza uma conduta involuntária que produz um resultado
não querido, imprevisível e excepcionalmente previsível, que podia, com a devida
atenção, ser evitado.

GABARITO: A
COMENTÁRIOS:
Alternativa “A”  Quando falamos em culpa de maneira genérica, estamos tratando da
culpa inconsciente que encontra previsão no artigo 18, II, do Código Penal.
Alternativa “B”  Tenta confundir os conceitos de dolo eventual e culpa consciente, já
amplamente tratados. (MAIS UMA VEZ!!! CUIDADO PARA A SUA PROVA!!!).
Alternativa “C”  Não há compensação de culpas no Direito Penal Brasileiro.
Alternativa “D”  O dolo indireto compreende o dolo eventual e o dolo alternativo.
Alternativa “E”  A conduta, para ser dolosa ou culposa, precisa ser VOLUNTÁRIA, ou
seja, deve haver VONTADE.

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16. (TJ – PE / 2007) Quanto ao erro sobre os elementos do tipo, o erro determinado
por terceiro, o erro sobre a pessoa e o erro sobre a ilicitude do fato, tratados no
Código Penal, é INCORRETO afirmar que:

A) o erro do agente sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável,


poderá diminui-la de um sexto a um terço.
B) é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse tornaria a ação legítima.
C) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena o agente.
D) não há isenção de pena quando o erro deriva da culpa e o fato é punível como crime
culposo.
E) o erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal do crime, não exclui o dolo, mas
impede a punição por crime culposo, ainda que previsto em lei.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS: Questão que exige o conhecimento do artigo 20, 21 e seus parágrafos.
Alternativa “A”  Reproduz o final do artigo 21. Observe:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do


fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto
a um terço.

Alternativa “B”  Reproduz o início do parágrafo 1º do artigo 20. Veja:

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo

Alternativa “C”  Reproduz o início do parágrafo 3º do artigo 20.

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta


de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Alternativa “D”  Reproduz o final do parágrafo 1º, acima reproduzido.

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Alternativa “E”  Contraria o “caput” do artigo 20 ao dizer que impede a punição por
crime culposo. Observe:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o


dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

17. (TJ – PE / 2006) Em relação ao Dolo e a Culpa, é INCORRETO afirmar que:

A) age com culpa por negligência, o agente que por inércia psíquica ou indiferença,
podendo tomar as cautelas exigíveis, não o faz por displicência.
B) salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como
crime, senão quando o pratica dolosamente.
C) a quantidade da pena para o crime não varia segundo a espécie de dolo.
D) na culpa consciente o agente prevê o resultado, mas espera, sinceramente, que não
ocorra, enquanto na culpa inconsciente o agente não prevê o resultado que é previsível.
E) no dolo eventual ou também chamado de culpa própria, o agente realiza a conduta
com a vontade firme e definida de obter o resultado pretendido.

GABARITO: E
COMENTÁRIOS:
Alternativa “A”  Está perfeita. Trata da hipótese de negligência relacionada à culpa.

Alternativa “B”  Como vimos, regra geral, o indivíduo só é punido pelo fato em que atua
com DOLO, SALVO aqueles em que a LEI expressamente prevê a modalidade culposa.

Art. 18
[...]
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.

Alternativa “C”  A quantidade da pena não varia segundo a espécie de dolo como
previsto no art. 18, inciso I.
Assim, em homicídio simples, a pena será a cominada abstratamente para o crime
(reclusão de 6 a 20 anos), quer ocorra o dolo direto, quer tenha o agente atuado com dolo
eventual.
Na aplicação da pena, porém, o juiz poderá levar em consideração a espécie de dolo. Na
lei anterior, fazia-se referência expressa à intensidade do dolo como uma das

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circunstâncias judiciais destinadas a orientar o julgador. A vigente apenas refere-se à


culpabilidade.

Alternativa “D”  Define corretamente a culpa consciente e a inconsciente.

Alternativa “E”  Está incorreta, pois além do dolo eventual não ser chamado de culpa
própria, nesta espécie o agente pratica o delito sendo para ele indiferente o resultado
advindo da conduta.

18. (TRE – MS) Jonas e José celebraram um pacto de morte. Jonas ministrou
veneno a José e José ministrou veneno a Jonas. José veio a falecer, mas Jonas
sobreviveu. Nesse caso, Jonas

A) não responderá por nenhum delito, por falta de tipicidade.


B) responderá por homicídio consumado.
C) responderá por auxílio a suicídio.
D) responderá por instigação a suicídio.
E) responderá por induzimento a suicídio.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS: Assim como não há compensação de culpa, é claro que não há
compensação de dolo, logo, responderá Jonas por homicídio consumado.

19. (TCE – RN / 2000) "Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida"
(Código Penal, art. 316)."Para si ou para outrem" representa:

A) dolo
B) culpa consciente
C) culpa inconsciente
D) normativo
E) elemento subjetivo do tipo

GABARITO: E
COMENTÁRIOS: Na expressão destacada, há que ser valorada a VONTADE do sujeito,
logo, estamos diante de um elemento subjetivo do tipo.

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20. (TCE – RN / 2000) "Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício"


(Lei no 8.429, de 2/6/1992, art. 11, II)."Indevidamente" é elemento:

A) Subjetivo
B) Objetivo
C) Acidental
D) Normativo
E) Culpa consciente

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: A palavra indevidamente significa que se o retardamento ou a não
prática for DEVIDA, não incidirá o tipo penal. Desta forma, como há necessidade de uma
valoração por parte do Magistrado, conforme vimos na questão 10, trata-se de elemento
normativo.

21. Mulher na rodoviária é abordada por um sujeito que pede que ela leve uma caixa
de medicamento para um amigo seu que estará esperando no local de destino.
Inocentemente, a mulher pega a caixa, entra no ônibus e segue viagem. Chegando
ao local, é abordada por policiais que, ao abrir a caixa de remédios verifica que há
200 gramas de pó de cocaína. A mulher cometeu:

A) erro determinado por terceiro.


B) erro de tipo.
C) erro de permissão.
D) erro de proibição.
E) N.R.A.

GABARITO: B
COMENTÁRIOS: A mulher agiu com erro de tipo, ou seja, entendia ausente um elemento
típico presente, qual seja, levar consigo drogas.

22. Holandês é pego no aeroporto de Guarulhos/SP fumando seu cigarrinho de


maconha, pois pensa ser lícita a conduta com base no ordenamento de seu país.
Comete o Holandês:

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A) erro determinado por terceiro.


B) erro de tipo.
C) erro de permissão.
D) erro de proibição.
E) N.R.A.

GABARITO: D
COMENTÁRIOS: Agiu o Holandês com erro de proibição, ou seja, sabia o que estava
fazendo (fumando droga), mas imaginava lícito (porque na Holanda é liberado).

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1. (Promotor – MPE – CE / 2003) No crime preterdoloso , tem-se:

A) dolo no antecedente e dolo no conseqüente


B) culpa no antecedente e culpa no conseqüente
C) culpa no antecedente e dolo no conseqüente
D) dolo no antecedente e culpa no conseqüente
E) responsabilidade objetiva

2. (Juiz – TRT / 2003) O chamado dolo eventual caracteriza-se pelo fato de o agente:

A) não querer o resultado, mas assumir o risco de produzi-lo pouco se importando com a
produção ou não deste resultado;
B) querer o resultado e por isso assumir o risco de produzi-lo;
C) não querer o resultado, mas acreditar sinceramente que este não é antijurídico;
D) não querer o resultado e acreditar sinceramente que, agindo da maneira que agirá, não
dará causa ao resultado;
E) nenhuma das respostas anteriores.

3. (TCE – RN / 2000) "Deixar, o ex-administrador de instituição financeira, de


apresentar, ao interventor, liqüidante, ou síndico, nos prazos e condições
estabelecidas em lei as informações, declarações ou documentos de sua
responsabilidade" (Lei no 7.492, de 16 de junho de 1986, art. 12).Esse tipo legal de
crime configura:

A) crime próprio
B) crime preterintencional
C) crime de consumação antecipada
D) exaurimento
E) tentativa perfeita

4. (Juiz Substituto – TJ-SP 2009) Depois de haver saído do restaurante onde havia
almoçado, Tício, homem de pouco cultivo, percebeu que lá havia esquecido sua
carteira e voltou para recuperá-la, mas não mais a encontrou. Acreditando ter o
direito de fazer justiça pelas próprias mãos, tomou para si objeto pertencente ao
dono do referido restaurante, supostamente de valor igual ao seu prejuízo. Esse
fato pode configurar:

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A) erro determinado por terceiro.


B) erro de tipo.
C) erro de permissão.
D) erro de proibição.
E) N.R.A.

5. (AFRF / 1998) A, amigo de B, ambos maiores e imputáveis, vão à caça. A vê a


onça próxima a B; não querendo perder a oportunidade, embora tenha previsão de
poder matar o amigo, se errar a pontaria, atira em direção ao animal, confiante de
que, como ocorrera, várias vezes, naquelas circunstâncias, não erraria o alvo. Atira
em direção ao animal, todavia, mata B. A situação descrita configura:

A) culpa inconsciente
B) preterdolo
C) culpa consciente
D) dolo eventual
E) dolo direto

6. (SEFAZ – PI / 2001) No que diz respeito ao elemento subjetivo do tipo, é correto


afirmar que:

A) o crime de furto só é punido a título de dolo.


B) o crime de furto admite as modalidades dolosa e culposa.
C) há dolo direto quando a vontade do agente não visa a um resultado preciso e
determinado.
D) há dolo eventual quando o agente não assume o risco de produzir o resultado.
E) imprudência, negligência e imperícia são modalidades do dolo.

7. (MPU / 2004) É correto afirmar que:

A) pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver
causado dolosamente.
B) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado isenta de pena.
C) responde pelo crime o terceiro que não determina o erro.
D) é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
E) no caso de erro sobre a pessoa, consideram-se para efeitos penais, as condições ou
qualidades da vítima efetivamente atingida.
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8. (MPU / 2004) A diferença entre dolo eventual e culpa consciente consiste no fato
de que:

A) no dolo eventual a vontade do agente visa a um ou outro resultado; e na culpa


consciente o sujeito não prevê o resultado, embora este seja previsível.
B) no dolo eventual a vontade do agente não visa a um resultado preciso e determinado;
e na culpa consciente o agente conscientemente admite e aceita o risco de produzir o
resultado.
C) no dolo eventual, não é suficiente que o agente tenha se conduzido de maneira a
assumir o resultado, exige-se mais, que ele haja consentido no resultado; já na culpa
consciente, o sujeito prevê o resultado, mas espera que este não aconteça.
D) se o agente concordou em última instância com o resultado, não agiu com dolo
eventual, mas com culpa consciente.
E) se não assumiu o risco de produzir, mas tão-só agiu com negligência, houve dolo
eventual e não culpa consciente.

9. (MPU / 2004) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado:

A) isenta o réu de pena, pois o agente visa a atingir certa pessoa e, por acidente ou erro
no uso dos meios de execução, vem a atingir outra.
B) não isenta o réu de pena; no entanto, as qualidades ou condições que contarão para
qualificar ou agravar o delito, serão as da vítima que se pretendia atingir e não as da
efetivamente ofendida.
C) não isenta o réu de pena, e o erro é reconhecido quando o resultado do crime é único
e não houve intenção de atingir pessoa determinada.
D) isenta o réu de pena, e ocorre quando o agente, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
E) não isenta o réu de pena; no entanto, as qualidades ou condições da vítima
efetivamente atingida é que contarão para qualificar ou agravar o delito.

10. (MPU / 2004) "Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que
está contaminado, ato capaz de produzir o contágio" (CP. art. 131). No texto - "com
o fim de transmitir" - configura elemento:

A) Subjetivo
B) Naturalístico
C) Normativo
D) Subjetivo do tipo
E) Circunstancial

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11. (Auditor Fiscal / 2003 - Adaptada) No tocante ao erro quanto à ilicitude do fato,
pode-se afirmar que:

A) quando for evitável não se permite a redução da pena.


B) é considerado evitável o erro se o agente atua ou se omite com a consciência da
ilicitude do fato.
C) o engano recai sobre elemento do tipo penal e exclui o dolo.

D) O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá


diminuí-la de um sexto a um terço.

E) é também conhecido como erro de proibição, sendo o desconhecimento da lei


escusável.

12. (TJ – PA / 2009) O artigo 18, I, do Código Penal Brasileiro indica duas espécies
de dolo, ou seja, dolo

A) direto e indireto.
B) de dano e de perigo.
C) determinado e genérico.
D) genérico e específico.
E) normativo e indeterminado.

13. (TJ – PA / 2009) Para a configuração do crime culposo, além da tipicidade, torna-
se necessária a prática de conduta com:

A) observância do dever de cuidado e vontade consciente.


B) inobservância do dever de cuidado que causa um resultado cujo risco foi assumido
pelo agente.
C) observância do dever de cuidado que causa um resultado desejado, mas previsível.
D) inobservância do dever de cuidado que causa um resultado desejado, mas previsível.
E) inobservância do dever de cuidado que causa um resultado não desejado e
imprevisível.

14. (MPE – SE / 2009) O médico que, numa cirurgia, sem intenção de matar,
esqueceu uma pinça dentro do abdômen do paciente, ocasionando- lhe infecção e a
morte, agiu com:

A) culpa, por imperícia.


B) dolo direto.
C) culpa, por negligência.

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D) culpa, por imprudência.


E) dolo eventual.

15. (TJ – PE / 2007) Quanto ao dolo e a culpa é correto afirmar que:

A) a forma típica da culpa é a culpa inconsciente, em que o resultado previsível não é


previsto pelo agente. É a culpa sem previsão.
B) no dolo eventual, o evento é previsto, mas o agente confia em que não ocorra; já na
culpa consciente, o resultado não é previsto, mas o agente se conduz de modo a assumir
o risco de produzi-lo.
C) no caso de dois agentes concorrerem culposamente para um resultado ilícito, nenhum
deles responderá pelo fato, diante da teoria da compensação de culpas adotada pelo
nosso ordenamento penal.
D) o dolo direto ou determinado compreende o dolo eventual e o dolo alternativo, no qual
o agente quer um ou outro entre dois ou mais resultados.
E) no crime culposo o agente realiza uma conduta involuntária que produz um resultado
não querido, imprevisível e excepcionalmente previsível, que podia, com a devida
atenção, ser evitado.

16. (TJ – PE / 2007) Quanto ao erro sobre os elementos do tipo, o erro determinado
por terceiro, o erro sobre a pessoa e o erro sobre a ilicitude do fato, tratados no
Código Penal, é INCORRETO afirmar que:

A) o erro do agente sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável,


poderá diminui-la de um sexto a um terço.
B) é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse tornaria a ação legítima.
C) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena o agente.
D) não há isenção de pena quando o erro deriva da culpa e o fato é punível como crime
culposo.
E) o erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal do crime, não exclui o dolo, mas
impede a punição por crime culposo, ainda que previsto em lei.

17. (TJ – PE / 2006) Em relação ao Dolo e a Culpa, é INCORRETO afirmar que:

A) age com culpa por negligência, o agente que por inércia psíquica ou indiferença,
podendo tomar as cautelas exigíveis, não o faz por displicência.
B) salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como
crime, senão quando o pratica dolosamente.
C) a quantidade da pena para o crime não varia segundo a espécie de dolo.

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D) na culpa consciente o agente prevê o resultado, mas espera, sinceramente, que não
ocorra, enquanto na culpa inconsciente o agente não prevê o resultado que é previsível.
E) no dolo eventual ou também chamado de culpa própria, o agente realiza a conduta
com a vontade firme e definida de obter o resultado pretendido.

18. (TRE – MS) Jonas e José celebraram um pacto de morte. Jonas ministrou
veneno a José e José ministrou veneno a Jonas. José veio a falecer, mas Jonas
sobreviveu. Nesse caso, Jonas

A) não responderá por nenhum delito, por falta de tipicidade.


B) responderá por homicídio consumado.
C) responderá por auxílio a suicídio.
D) responderá por instigação a suicídio.
E) responderá por induzimento a suicídio.

19. (TCE – RN / 2000) "Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida"
(Código Penal, art. 316)."Para si ou para outrem" representa:

A) dolo
B) culpa consciente
C) culpa inconsciente
D) normativo
E) elemento subjetivo do tipo

20. (TCE – RN / 2000) "Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício"


(Lei no 8.429, de 2/6/1992, art. 11, II)."Indevidamente" é elemento:

A) Subjetivo
B) Objetivo
C) Acidental
D) Normativo
E) Culpa consciente

21. Mulher na rodoviária é abordada por um sujeito que pede que ela leve uma caixa
de medicamento para um amigo seu que estará esperando no local de destino.
Inocentemente, a mulher pega a caixa, entra no ônibus e segue viagem. Chegando
ao local, é abordada por policiais que, ao abrir a caixa de remédios verifica que há
200 gramas de pó de cocaína. A mulher cometeu:

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A) erro determinado por terceiro.


B) erro de tipo.
C) erro de permissão.
D) erro de proibição.
E) N.R.A.

22. Holandês é pego no aeroporto de Guarulhos/SP fumando seu cigarrinho de


maconha, pois pensa ser lícita a conduta com base no ordenamento de seu país.
Comete o Holandês:

A) erro determinado por terceiro.


B) erro de tipo.
C) erro de permissão.
D) erro de proibição.
E) N.R.A.

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AULA 04 – DO CRIME – PARTE 03

Caros alunos,

Hoje finalizaremos a parte do Código Penal que trata sobre o crime e, com certeza, ao
final da aula, você já terá garantido importantes pontos na sua prova.

Bons estudos!!!

4.1 TENTATIVA

4.1.1 CONCEITO

Como vimos no final da aula passada, o crime possui um caminho que se denomina
“iter criminis”. Ele é composto da cogitação, preparação, execução e consumação, das
quais apenas as duas últimas têm importância para o estudo da tentativa.

Digo isto pois o legislador deixa claro no Código Penal que tentativa é o início da
execução de um crime que somente não se consuma por circunstâncias alheias à
vontade do agente. Observe:

Art. 14 - Diz-se o crime:


[...]
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente.

A tentativa, muitas vezes, recebe outras denominações, tais como crime imperfeito ou
crime incompleto, em oposição ao crime consumado, reconhecido como completo ou
perfeito.

A TENTATIVA É A REALIZAÇÃO INCOMPLETA DO TIPO


PENAL, DO MODELO DESCRITO NA LEI.

NA TENTATIVA, HÁ PRÁTICA DE ATO DE EXECUÇÃO, MAS


NÃO CHEGA O SUJEITO À CONSUMAÇÃO POR
CIRCUNSTÂNCIAS INDEPENDENTES DE SUA VONTADE.

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4.1.2 ELEMENTOS DA TENTATIVA

De forma bem objetiva, pode-se dizer que 03 elementos compõem a estrutura do


crime tentado. São eles:

1. INÍCIO DA EXECUÇÃO;
2. AUSÊNCIA DE CONSUMAÇÃO POR CIRCUSTÂNCIAS ALHEIAS À
VONTADE;

3. DOLO DE CONSUMAÇÃO.

Observe, caro aluno, que uma característica fundamental da tentativa é o dolo da


consumação, ou seja, o agente QUERIA, TINHA VONTADE de alcançar a
consumação, mas por circunstâncias que não havia previsto, não consegue atingir seu
objetivo.

Aqui surge um importante questionamento que deve ser estudado com muita atenção:
É cabível a tentativa no dolo eventual?

PARA LEMBRAR:

NO DOLO EVENTUAL, O SUJEITO PREVÊ O RESULTADO E,


EMBORA NÃO O QUEIRA PROPRIAMENTE ATINGIR, POUCO SE
IMPORTA COM A SUA OCORRÊNCIA (“EU NÃO QUERO, MAS SE
ACONTECER, PARA MIM TUDO BEM, NÃO É POR CAUSA DESSE
RISCO QUE VOU PARAR DE PRATICAR MINHA CONDUTA; NÃO
QUERO, MAS TAMBÉM NÃO ME IMPORTO COM A SUA
OCORRÊNCIA”)

A doutrina é extremamente divergente neste ponto, mas, com foco na sua PROVA,
o que é necessário conhecer é o entendimento da ESAF e, segundo a banca, É
CABÍVEL A TENTATIVA NOS CASOS DE DOLO EVENTUAL.

Este é o entendimento que vem sendo seguido pela maioria dos Tribunais. Veja:

TJMA - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO: RSE 137722007 MA

Não cabe a desclassificação do crime de tentativa de homicídio, quando


presente o dolo eventual na conduta do acusado, porquanto, o tipo penal
não faz diferenciação em relação ao dolo direto.

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TJDF - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO : RECSENSES


20030510017029 DF

PROCESSUAL PENAL. TENTATIVA DE HOMICÍDIO SIMPLES.

[...]

2. AO DESFERIR TIROS NO TÓRAX DA VÍTIMA, REGIÃO DE


LETALIDADE IMEDIATA, FICA EVIDENCIADO, NO MÍNIMO, O DOLO
EVENTUAL,RAZÃOPELAQUALIMPOSSÍVELEXCLUIR
ANTECIPADAMENTE O ÁNIMO DO DELITO.

4.1.3 ESPÉCIES DE TENTATIVA

A tentativa apresenta a seguinte divisão:

• TENTATIVA BRANCA OU INCRUENTAO agente


não atinge o objeto material. Imagine que Tício está
com uma blusa branca, perfeitamente lavada pela sua
mãe. Ao encontrar Mévio, este começa a atirar e Tício
começa a correr. Nenhum tiro é acertado, logo o que
era branco permanece branco, pois o objeto não foi
atingido.

• TENTATIVA VERMELHA OU CRUENTADiferentemente da tentativa


branca, aqui a vítima é atingida, mas o delito não se consuma.

• TENTATIVA PERFEITANeste tipo de tentativa, fica caracterizada a


INCOMPETÊNCIA do agente, ou seja, o autor do delito utiliza TODOS os meios
executórios disponíveis e, mesmo assim, não atinge a consumação. É o caso
do indivíduo que, portando um revolver com 06 cartuchos, utiliza todos, mas
não consegue atingir a vítima em um ponto letal.

• TENTATIVA IMPERFEITAO agente inicia a execução, mas não utiliza todos


os meios de que dispõe. É o caso do indivíduo que começa a atirar e, no 3º
disparo, é interrompido pela chegada de policiais que estavam passando pelo
local.

4.1.4 PUNIBILIDADE DA TENTATIVA

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Ao punir a tentativa, o Direito está protegendo um bem jurídico, ainda que este
não tenha corrido perigo de maneira efetiva, mas pelo simples fato de a tentativa
poder vir a proporcionar a vivência do perigo. A ordem jurídica teme pelo sujeito
passivo, mesmo que este não tenha sentido temor algum e nem tenha percebido a
ameaça.

Duas teorias existem a respeito da punibilidade da tentativa. A subjetiva prega a


aplicação da mesma pena que a do delito consumado, fundamentando-se na
vontade do autor, contrária ao direito.

Diferentemente, a objetiva propõe para a tentativa pena menor que a do crime


consumado, já que a lesão é menor ou não ocorreu qualquer resultado lesivo ou
perigo de dano. Foi esta a adotada pelo Código Penal ao determinar que:

Art. 14
[...]
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa
com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a
dois terços

A redução da pena concernente à tentativa deve resultar das circunstâncias da


própria tentativa. Isto quer dizer que não devem ser consideradas na redução da
pena as atenuantes ou agravantes porventura existentes, mas sim o iter criminis
percorrido pelo agente em direção à consumação do delito.

A diminuição entre os limites legais deve ter como fundamento elementos


objetivos, ou seja, a extensão do iter criminis percorrido pelo agente, graduando-
se o percentual em face da maior ou menor aproximação da meta objetivada. Ou
seja, quanto mais o agente se aprofundou na execução, quanto mais se
aproximou da consumação, menor a redução.

Na hipótese de homicídio, tem-se considerado em especial a redução máxima


para a tentativa branca e também a maior ou menor gravidade da lesão efetiva
para a dosagem da pena na tentativa.

A lei prevê exceções à regra geral no art. 14, parágrafo único, cominando a
mesma pena para a consumação e a tentativa do resultado lesivo. É cominada a
mesma sanção, por exemplo, para a evasão ou tentativa de evasão com violência
do preso (art. 352), para a conduta de votar ou tentar votar duas vezes (art. 309 do
Código Eleitoral) etc. Veja:

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a


medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:

Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena


correspondente à violência.

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Afora as exceções expressas, é obrigatória a redução da pena entre os limites de


um e dois terços.

Podemos resumir:

PROXIMIDADE DA CONSUMAÇÃO

DIMINUIÇÃO
DIMINUIÇÃO
MÍNIMA DA
MÁXIMA DA
PENA
PENA

4.1.5 CRIMES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA

A regra geral é a de que os crimes dolosos são compatíveis com a tentativa, pouco
importando se são materiais formais ou de mera conduta.

A título de exemplo, imagine que Mévio e Tícia decidem realizar um show de sexo
explícito em uma praça pública. No momento em que vão tirar a última peça de roupa,
são abordados e presos por policiais. Neste caso, as condutas se enquadram como
tentativa de ato obsceno (crime de mera conduta).

Sendo assim, REPITO, a regra geral é a COMPATIBILIDADE dos delitos com a


tentativa.

Algumas espécies de infrações penais, entretanto, não admitem tentativa. São elas:

1. CRIMES CULPOSOSComo vimos na aula anterior, não se admite


tentativa no crime culposo, pois este só se consuma com a ocorrência do
resultado naturalístico. Pode-se, porém, falar em tentativa na culpa
imprópria, uma vez que, nessa hipótese, o agente visa o evento, que não
vem a ocorrer por circunstâncias alheias à sua vontade. Ocorre na
realidade um crime doloso tentado que, por ter sido executado por erro ou
excesso culposos, tem o tratamento do crime culposo por disposição legal.

2. CRIMES PRETERDOLOSOSTambém já tratamos deste delito e


sabemos que ele, por se caracterizar pela culpa no resultado, não admite

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tentativa. É ela possível, porém, nos crimes qualificados pelo resultado em


que este é abrangido pelo dolo do sujeito. Assim, se em um roubo o sujeito
tentar matar a vítima, há tentativa de crime qualificado pelo resultado.

Também chamado de crime único, é3. CRIMES


UNISUBSISTENTES
aquele em que a conduta é exteriorizada mediante um único ato, não se
podendo falar em iter criminis e, consequentemente, na ocorrência da
tentativa. É o caso do delito de desacato cometido verbalmente: ao ser dita
a palavra empregada, com a finalidade de menosprezar a função pública,
consumado está o crime.

Os crimes omissivos puros também4. CRIMES


OMISSIVOS PRÓPRIOS
não admitem a tentativa, pois não se exige um resultado naturalístico
decorrente da omissão. Se o sujeito deixou escoar o momento em que
deveria agir, ocorreu a consumação; se ainda pode atuar, não há que se
falar em tentativa.
Atenção que nos crimes omissivos impróprios, admite-se a tentativa. A mãe
que, desejando a morte do filho recém-nascido, deixa de alimentá-lo, sendo
a vítima socorrida por terceiro, pratica tentativa de infanticídio.

Segundo a Lei de Contravenções Penais5. CONTRAVENÇÕES


PENAIS
(que não importa para a sua prova), NÃO É ADMITIDA A TENTATIVA
PARA AS CONTRAVENÇÕES PENAIS.

6. CRIMES CONDICIONADOSSão aqueles que dependem do


cumprimento de uma condição para que possam ser punidos. Um exemplo
claro é o crime de participação em suicídio. Exemplo: Tício, percebendo
que seu cunhado está na janela, começa a gritar: “PULA! PULA! PULA!
PULA!. Se o cunhado não pular, não há delito, pois só há punição se
resultar em morte ou lesão corporal grave.

7. CRIMES HABITUAISEntende a doutrina majoritária NÃO ser possível a


tentativa nos crimes habituais. Ex: Tentativa de curandeirismo.

Resumindo:
Não admitem tentativa os crimes:

1. CRIMES CULPOSOS;
2. CRIMES PRETERDOLOSOS;
3. CRIMES UNISUBSISTENTES;
4. CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS;

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5. CONTRAVENÇÕES PENAIS;
6. CRIMES CONDICIONADOS;
7. CRIMES HABITUAIS.

4.1.6 DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ

Imagine que Tício, a fim de ocupar a vaga de presidência em um empresa, ministra


veneno para Mévio. Este ingere o veneno e começa a perder os sentidos.

Se neste momento Tício já respondesse, de qualquer forma, pela execução, o que o


levaria a interromper o feito, dando, por exemplo, um antídoto para Mévio?

Exatamente para estimular esta interrupção e impedir o resultado naturalístico advindo


da execução, o legislador optou por colocar um dispositivo no Código Penal prevendo
que caso haja a desistência do prosseguimento na ação ou o impedimento do
resultado, responderá o agente SOMENTE pelos seus atos já praticados. Observe:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na


execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos
já praticados.

Deste supracitado artigo, surgem os conceitos da desistência voluntária e do


arrependimento eficaz, que são formas da chamada tentativa abandonada, assim
denominada porque a consumação do crime não ocorre em razão da VONTADE DO
AGENTE.

Vamos estudar cada um destes institutos:

1. DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIAO agente, por ato voluntário, interrompe a


execução do crime, abandonando a prática dos demais atos necessários e que
estavam à sua disposição para a consumação.

Observe, caro concurseiro, que em nenhum momento ocorre de o agente NÃO


PODER PROSSEGUIR na execução, e este entendimento é importantíssimo
para a sua PROVA. Exemplificando:

Imagine que Tício prende Mévio (esse Mévio sofre....) em uma parede e
começa a atirar de uma distância de 50 metros, errando o primeiro disparo.
Efetua o segundo disparo de 25 m e também erra. Nervoso, resolve se
posicionar a 1 metro de Mévio e, ao encostar a arma em sua cabeça, vê a foto
da filha da vítima caída no chão. Comovido, e ainda com 5 cartuchos no
revólver, desiste da ação. Neste caso, temos a desistência voluntária.

Sendo assim, entenda e GUARDE PARA SUA PROVA::

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DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIAQUANDO O
AGENTE DIZ: “POSSO PROSSEGUIR, MAS NÃO
QUERO”.

TENTATIVAQUANDO O AGENTE DIZ:


“QUERO PROSSEGUIR, MAS NÃO POSSO”.

2. ARREPENDIMENTO EFICAZDiferentemente do que ocorre na


desistência voluntária, o agente pratica todos os atos suficientes à
consumação do delito, mas adota providências para impedir o resultado.

É o caso do exemplo que vimos no início deste tópico em que Tício dá


veneno para Mévio. Ao ingerir o veneno, Mévio só não morre se Tício der a
ele o antídoto. Se Tício age desta forma e impede a morte, operou-se o
arrependimento eficaz.

É importante ressaltar que o arrependimento eficaz só é possível nos crimes


materiais, pois o CP é claro o dizer “ impede que o resultado se produza”.
Logo, se o resultado é relevante ao fato, obviamente, não há que se falar
em delitos formais ou de mera conduta.

4.1.6.1 REQUISITOS

Ainda dentro do assunto desistência voluntária e arrependimento eficaz, é preciso


citar que existem dois requisitos a serem cumpridos para que o agente seja
beneficiado pelo disposto no artigo 15. São eles:

1. VOLUNTARIEDADE Idéia originada da mente do agente.


2. EFICÁCIATem que impedir o resultado. Se tentou impedir, mas não
conseguiu...Azar o dele...

4.1.6.2 EFEITOS

A desistência voluntária e o arrependimento eficaz não são causas de diminuição


da pena e sim de atipicidade.

“Mas como assim professor? Quer dizer que ele não vai ser punido?”
Claro que vai, mas não de forma tentada pelo delito, mas somente pelos atos já
praticados. Nos exemplos citados referentes a disparo de arma de fogo, por
exemplo, não responderá o agente por tentativa de homicídio e sim por lesões
corporais.

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EXISTEM ALGUMAS CORRENTES QUE NÃO CONSIDERAM OS INSTITUTOS


DA DESISTÊNCIA VOLUTÁRIA E DO ARREPENDIMENTO EFICAZ COMO
FORMA DE AFASTAR A TIPICIDADE. E O QUE ISSO IMPORTA?
ABSOLUTAMENTE NADA, POIS PARA SUA PROVA:

A DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E O ARREPENDIMENTO


EFICAZ AFASTAM A TIPICIDADE, RESPONDENDO O
AGENTE PELOS ATOS JÁ PRATICADOS.

4.2 ARREPENDIMENTO POSTERIOR

4.2.1 CONCEITO

Sobre o tema, dispõe o Código Penal da seguinte forma:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois
terços.

O chamado arrependimento posterior é CAUSA DE DIMINUIÇÃO DA PENA,


diferentemente do que vimos na desistência voluntária e no arrependimento eficaz.
Ocorre quando o agente, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à
pessoa, voluntariamente e até o recebimento da denúncia ou queixa, restitui a coisa
ou repara o dano provocado por sua conduta.

Segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial, o arrependimento posterior pode


ocorrer em qualquer espécie de crime e não somente nos delitos contra o patrimônio.
Basta, como deixa claro o texto legal, que exista um dano passível de reparação.

Observe o que diz sobre o tema o STJ, deixando claro o que é arrependimento
posterior e a OBRIGATORIEDADE da diminuição da pena:

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STJ - RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS: RHC 20051 RJ


2006/0181741-0

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DIREITO PROCESSUAL


PENAL. CRIMES DE ESTELIONATO E FORMAÇÃO DE QUADRILHA.
ARREPENDIMENTO POSTERIOR. DEPOIMENTO CONTIDO NOS
AUTOS PELA PRÓPRIA VÍTIMA QUE ATESTA QUE O DANO FOI
REPARADO VOLUNTARIAMENTE PELO PACIENTE. INCIDÊNCIA
OBRIGATÓRIA DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA.

1. O arrependimento posterior é causa de diminuição de pena objetiva,


bastando para a sua configuração seja voluntário e realizado antes do
recebimento da denúncia, mediante a devolução ou reparação integral do
bem jurídico lesado.

2. Na hipótese, observa-se, mormente da leitura do termo de declarações


prestado pela própria vítima, que o recorrente, voluntariamente e logo após
os fatos narrados na denúncia, restituiu, relativamente ao crime de
estelionato, os bens havidos de forma indevida e fraudulenta 3. Recurso
provido para, mantida a condenação do recorrente, determinar ao juízo
sentenciante que realize nova dosimetria da pena, relativamente ao crime
de estelionato a ele imputado, na qual deverá incidir a causa de diminuição
da pena do arrependimento posterior prevista no art. 16, do Código Penal.

Antes de prosseguirmos, uma pequena observação:

CONHECER PARA ENTENDER

A DENÚNCIA E A QUEIXA SÃO OS PEDIDOS INICIAIS PARA QUE O


ESTADO PROMOVA UMA AÇÃO PENAL.

DIANTE DOS ELEMENTOS APRESENTADOS PELO INQUÉRITO


POLICIAL OU PELAS INFORMAÇÕES QUE RECEBEU, O ÓRGÃO DO
MINISTÉRIO PÚBLICO FORMA A SUA CONVICÇÃO E PROMOVE A
AÇÃO PENAL PÚBLICA COM O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA.

A QUEIXA É A DENOMINAÇÃO DADA PELA LEI À PETIÇÃO INICIAL DA


AÇÃO PENAL PRIVADA INTENTADA PELO OFENDIDO OU SEU
REPRESENTANTE LEGAL.

OBS: PARA A SUA PROVA, NÃO SE PREOCUPE COM AS ESPÉCIES DE


AÇÃO (PÚBLICA E PRIVADA).

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4.2.1.1 REQUISITOS

Para que o arrependimento posterior seja aceito, os seguintes requisitos devem ser
cumpridos, CUMULATIVAMENTE:

Imagine que Tício,1. CRIME SEM


VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA
querendo furtar uma loja, quebra uma janela de vidro, depois explode duas
portas de madeira, mata três cachorros e, por fim, estrangula o gato da dona
da loja. Neste caso, será possível a aplicação do instituto do arrependimento
posterior?
Claro que sim, pois houve violência contra a COISA e não contra a pessoa.

2. REPARAÇÃO VOLUNTÁRIA, PESSOAL E INTEGRALO agente não


pode ser coagido a reparar o dano, o que não quer dizer que não pode ter
sido induzido por outra pessoa a tal ato. Aqui não importa se a idéia surgiu
ou não da mente do agente. Basta que a reparação seja voluntária.

A reparação deve ser pessoal, ou seja, não pode o pai do criminoso querer
restituir, por exemplo, uma quantia furtada.

“Mas professor, como saber se não foi o pai do agente que deu o dinheiro
para ele devolver?”

Boa pergunta, mas com certeza a ESAF não vai cobrar este “subjetivo
conhecimento” de você! Fique tranquilo(a).

Por fim, não basta reparar ou restituir parcela do que foi lesado.

3. LIMITE TEMPORALA reparação do dano ou restituição da coisa deve


ocorrer antes do RECEBIMENTO da denúncia ou queixa.

Agora que já conhecemos a desistência voluntária, o arrependimento eficaz e o


arrependimento posterior, podemos resumir:

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA EXCLUI A TIPICIDADE,


RESPONDENDO O AGENTE
PELOS ATOS JÁ
PRATICADOS
ARREPENDIMENTO EFICAZ

OBRIGATORIAMENTE
ARREPENDIMENTO POSTERIOR
DIMINUI A PENA

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E ainda:

DESISTÊNCIA ARREPENDIMENTO ARREPENDIMENTO


VOLUNTÁRIA EFICAZ POSTERIOR

INÍCIO DA FIM DA CONSUMAÇÃO RECEBIMENTO


EXECUÇÃO EXECUÇÃO DO CRIME DA DENÚNCIA
OU QUEIXA

4.3 CRIME IMPOSSÍVEL

4.3.1 CONCEITO

Crime impossível, também chamado pela doutrina de quase-crime, tentativa


inadequada ou inidônea, na conceituação de Fernando Capez, "é aquele que, pela
ineficácia total do meio empregado ou pela impropriedade absoluta do objeto material
é impossível de se consumar".

O renomado jurista Antonio José Miguel convencionou chamar de crime impossível "a
atitude do agente, quando o objeto pretendido não pode ser alcançado dada a
ineficácia absoluta do meio, ou pela absoluta impropriedade do objeto".

Por sua vez, para reforçar as definições aqui apresentadas, o art. 17 do Código Penal
dispõe que:

"Art. 17. Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio
ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o
crime."

Diante dos conceitos apresentados, caro aluno, existe alguma


semelhança entre o crime tentado e o crime impossível? A
resposta é positiva, pois nos dois a execução da conduta
criminosa não alcança a consumação. Entretanto, as diferenças
são bem claras.

Na tentativa, a consumação é plenamente possível, a qual só


não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Diferentemente, no crime impossível a consumação nunca pode ocorrer, seja em
razão da ineficácia absoluta do meio, seja por força da impropriedade absoluta do
objeto.

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4.3.2 TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL

O Código Penal, ao tratar do crime impossível, resolveu adotar a chamada teoria


objetiva temperada ou intermediária. Segundo esta teoria, para a configuração do
crime impossível, os meios empregados e o objeto do crime devem ser
ABSOLUTAMENTE inidôneos a produzir o resultado.

Inidoneidade absoluta é aquela em que o crime nunca poderia chegar a ser


consumado.

Exemplo tradicional na doutrina é o indivíduo que falsifica grosseiramente uma nota e


tenta comprar algo com ela. Você, caro aluno, aceitaria as notas abaixo?

Claro que não, nem você, nem ninguém. Logo, é hipótese de CRIME impossível.
Diferentemente, se lhe é apresentada a seguinte nota:

Embora seja falsa, a diferenciação não é possível por um simples olhar. Logo, não
caracteriza o crime impossível.

Neste sentido já se pronunciou o STJ:

STJ - HC 45.616/SP – 09/08/2007

PENAL. HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE FURTO. CRIME IMPOSSÍVEL.


ORDEM DENEGADA.

1. O crime impossível somente se caracteriza quando o agente, após a


prática do fato, jamais poderia consumar o crime pela ineficácia absoluta do
meio empregado ou pela absoluta impropriedade do objeto material, nos
termos do art. 17 do Código Penal.

2. A ação externa alheia à vontade do agente, impedindo a consumação do


delito após iniciada a execução, caracteriza a tentativa (art. 14, II, do CP).

3. Ordem denegada

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4.3.3 ESPÉCIES DE CRIME IMPOSSÍVEL

A leitura atenta do artigo 17 nos traz duas espécies de crime impossível:

• POR INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO;

• POR IMPROPRIEDADE ABSOLUTA DO OBJETO.

Ocorre o primeiro caso, segundo o Ilustre DAMASIO, “quando o meio executório


empregado pelo insciente pseudo autor, pela sua natureza, é absolutamente incapaz
de causar o resultado (ausência de potencialidade lesiva)”.

O exemplo por ele apresentado é do sujeito que, por erro, desejando matar a vítima
mediante veneno, coloca açúcar em sua alimentação, pensando tratar-se de arsênico.
Outro exemplo clássico na doutrina é o da tentativa de homicídio com a utilização de
revólver sem munição ou de armas cujas cápsulas já foram deflagradas .

Inclui-se nessa hipótese, ainda, a chamada tentativa irreal ou supersticiosa, cujo


exemplo é do agente que deseja matar a vítima mediante ato de magia ou bruxaria.

Na segunda parte do artigo 17, encontra-se a segunda hipótese de ocorrência do


crime impossível: o objeto material sobre o qual deveria incidir o comportamento não
existe ou, pela sua situação ou condição, torna-se absolutamente impossível a
produção do resultado visado, por circunstâncias desconhecidas pelo agente.

Assim, há integral impropriedade do objeto quando o bem jurídico é inexistente.


Ocorre, por exemplo, quando a mulher erroneamente acredita estar grávida e,
desejando se livrar do feto, faz uso de práticas abortivas.

Outro exemplo bastante utilizado na doutrina é o caso do sujeito que, desejando matar
a vítima, efetua disparos em direção a um cadáver. Fica claro, neste caso, que o bem
jurídico protegido, a vida, já não existe.

Agora, pergunto, Futuro Aprovado: Imaginemos que Tício tenta furtar Mévio, mas ao
colocar a mão no bolso direto, não consegue pegar o objeto, pois este estava no
esquerdo.

Neste caso, como Tício tentou pegar o celular em um bolso que nada tinha, é caso de
crime impossível?

A resposta é negativa, pois o objeto material existia e, nesta situação, estamos


diante de uma impropriedade RELATIVA do objeto. Como o Código Penal exige
impropriedade ABSOLUTA, não será caso de crime impossível, mas tentado.

E no caso do roubo, se o indivíduo não possui nenhum bem? É crime impossível?


Para a PROVA, deve-se seguir o entendimento do STJ:

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STJ - REsp 897.373/SP – 03/04/2007

RECURSO ESPECIAL. PENAL. ROUBO. CRIME COMPLEXO.


AUSÊNCIA DE BENS. TENTATIVA. INEXISTÊNCIA DE CRIME
IMPOSSÍVEL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA.

1. A divergência jurisprudencial restou devidamente comprovada.

2. Tratando-se o crime de roubo, tem-se por iniciada a execução


tão-logo praticada a violência ou grave ameaça à vítima. O fato de
inexistir bens materiais em poder da vítima, não desnatura a
ocorrência do crime em sua modalidade tentada.

Para finalizar, um último caso prático. Imaginemos que Tício entra em um supermercado
repleto de câmeras e seguranças. Mesmo assim, resolve colocar um produto no bolso a
fim de não ser cobrado por ele. Devido ao monitoramento, é descoberto e levado à
polícia. Neste caso, devido ao monitoramento, é caso de crime impossível?

A resposta é negativa e novamente o STJ já se pronunciou sobre o caso:

STJ - REsp 911.756/RS – 17/04/2008

1. Cinge-se a controvérsia à configuração ou não de crime impossível na


hipótese em que o agente, ao tentar sair do estabelecimento comercial
com produtos pertencentes a este, é detido por seguranças, em
decorrência da suspeita de funcionários da empresa.

2. No caso dos autos, o fato de o agente ter sido vigiado pelo segurança do
estabelecimento não ilide, de forma absolutamente eficaz, a consumação
do delito de furto, pois existiu o risco, ainda que mínimo, de que o agente
lograsse êxito na consumação do furto e causasse prejuízo à vítima,
restando frustrado seu intento por circunstâncias alheias à sua vontade.

3. Desta maneira, não se pode reconhecer, nesta situação, a configuração


de crime impossível pela absoluta ineficácia do meio empregado, mas sim
a tentativa de furto. O crime impossível somente se caracteriza quando o
agente, após a prática do fato, jamais poderia consumar o crime pela
ineficácia absoluta do meio empregado ou pela absoluta impropriedade do
objeto material, nos termos do art. 17 do Código Penal.

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4.4 ILICITUDE

4.4.1 CONCEITO

licitude é a relação de antagonismo que se estabelece entre a conduta humana


voluntária e o ordenamento jurídico, de modo a causar lesão ou perigo de lesão a um
bem jurídico tutelado.

Entretanto, nem toda conduta que se enquadra perfeitamente no ordenamento jurídico


penal deve ser punida. Imagine, por exemplo, que Tício chega em casa e percebe
que há um bandido com uma arma, prestes a assassinar sua esposa. Diante de tal
fato, pega sua arma e mata o invasor.

Nesta situação, podemos dizer que Tício deve ser punido? Claro que não, pois a
conduta dele é aceitável.

O que ele deveria fazer? Deixar a esposa morrer? A resposta, obviamente, é


negativa.

Sendo assim, existem determinadas situações que excluem a ilicitude da conduta, e a


elas, IMPORTANTÍSSIMAS PARA SUA PROVA, dá-se o nome de CAUSAS DE
EXCLUSÃO DA ILICITUDE.

Vamos estudá-las!!!

4.4.2 CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE

A grande parte das causas excludentes de ilicitude estão presentes no Código Penal.
Estas causas recebem a denominação de LEGAIS e dividem-se em genéricas e
específicas.

As causas genéricas são aquelas presentes no artigo 23 do CP, as quais iremos


estudar uma a uma. São elas:

• ESTADO DE NECESSIDADE;
• LEGÍTIMA DEFESA;
• ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL;
• EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO.

As chamadas causas específicas, que não são relevantes para sua PROVA, são
aquelas que estão previstas na parte especial do Código Penal e são referentes a
delitos específicos, como no caso do artigo 142 que versa sobre a injúria e a
difamação.

Observe:

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Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:

I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por


seu procurador;

II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo


quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;

III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação


ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício.

Além das causas legais, a doutrina e a jurisprudência vêm admitindo causas de


exclusão da ilicitude que não encontram previsão direta em lei, conhecidas como
supralegais.

Na verdade, aqui não se trata de uma atuação extralegal, mas de uma extensão das
normas, pois, nas lições de Mezger, “Nenhuma lei esgota a totalidade do direito”.

Para os que admitem as causas supralegais, a que é aceita por todos e importa para
sua PROVA diz respeito ao consentimento do ofendido.

Sendo assim, um indivíduo que faz uma tatuagem em outro não comete lesão
corporal, pois está amparado no consentimento do ofendido como causa supralegal de
exclusão da ilicitude.

Do exposto, podemos resumir:


• ESTADO DE
NECESSIDADE

GENÉRICAS • LEGÍTIMA DEFESA

• ESTRITO CUMPRIMENTO
DO DEVER LEGAL

• EXERCÍCIO REGULAR DO
DIREITO
LEGAIS

PREVISTAS NA PARTE
ESPECIAL DO CÓDIGO PENAL.
ESPECÍFICAS EXEMPLOS: Art. 128 / Art. 142
/ Art. 146, parágrafo 3º.
EXCLUDENTES
DE ILICITUDE

SUPRALEGAIS CONSENTIMENTO DO OFENDIDO

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4.4.3 ESTADO DE NECESSIDADE

Estado de necessidade é o sacrifício de um interesse juridicamente protegido para


salvar de perigo atual e inevitável o direito do próprio agente ou de terceiros.

É causa de exclusão de ilicitude, desde que outra conduta, nas circunstâncias reais,
não fosse razoável exigir.

Um exemplo amplamente tratado na doutrina é o dos dois náufragos que avistam uma
tábua de madeira capaz de suportar o peso só de um indivíduo. Durante a “briga” pela
madeira, A deixa B morrer afogado a fim de se salvar. Neste caso, podemos dizer que
A agiu em estado de necessidade.

Perceba que no estado de necessidade não há, como vemos, uma agressão a um
direito, mas um choque, em que alguém, na defesa de direito próprio ou alheio, se vê
na contingência de praticar fato considerado criminoso, a fim de salvá-lo de perigo
atual e iminente que não provocou por sua vontade, não sendo justo exigir-se o
sacrifício desse direito.

Encontra-se disposto no artigo 24 do Código Penal, nos seguintes termos:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para


salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de


enfrentar o perigo.

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a


pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

4.4.3.1 REQUISITOS

A análise do artigo supracitado revela a existência de dois momentos distintos QUE


DEVEM SER SOMADOS para a correta verificação da ocorrência do estado de
necessidade. São eles:

1. Situação de Necessidade Que depende de:

• PERIGO ATUAL;
• PERIGO NÃO PROVOCADO VOLUNTARIAMENTE;
• AMEAÇA A DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO;

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• AUSÊNCIA DE DEVER LEGAL DE ACEITAR O PERIGO.

2. Fato necessitado A conduta típica em face do perigo tem como


requisitos:

• INEVITABILIDADE DO PERIGO POR OUTRO MODO;


• PROPORCIONALIDADE.

4.4.3.2 SITUAÇÃO DE NECESSIDADE

• Existência de perigo atualPerigo é a exposição do bem jurídico a uma


situação de probabilidade de dano. Sua origem pode vir de um fato da
natureza, de seres irracionais (como um cachorro) ou mesmo da atividade
humana.

Atual é o que está acontecendo, é o perigo concreto, imediato, não se


admitindo o uso de tal excludente quando trata-se de perigo remoto, ou seja,
de perigo passado.

• Proteção de direito próprio ou alheioÉ necessário que o bem a ser


salvo esteja protegido pelo ordenamento jurídico, pois, do contrário, não
poderá alegar estado de necessidade. Exemplo: Um preso não pode matar
o carcereiro sob o pretexto de exercício do seu direito de liberdade.

• Perigo não provocado voluntariamenteA pessoa que deu origem ao


perigo não pode invocar a excludente para sua própria proteção, pois seria
injusto e despropositado. É o caso, por exemplo, do indivíduo que põe fogo
em uma lancha por imprudência e depois mata o outro viajante afogado a
fim de ficar com a única bóia existente.

• Inexistência do dever legal de enfrentar o perigoDeve inexistir o


dever legal de enfrentar o perigo, pois caso a lei o determine, este deve
tentar salvar o bem ameaçado sem destruir qualquer outro, mesmo que para
isso tenha que correr os riscos inerentes à sua função.

Exemplificativamente, não pode um bombeiro, para salvar um morador de


uma casa em chamas, destruir a residência vizinha, quando possível fazê-lo
de forma menos lesiva, ainda que mais arriscada à sua pessoa.

4.4.3.3 FATO NECESSITADO

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• Inevitabilidade do perigoSomente se admite o sacrifício do bem
quando o perigo for inevitável, bem como seja necessário a lesão a bem
jurídico de outrem para escapar da situação perigosa. Exemplo: Se para
fugir do ataque de um boi bravio de R$500.000,00 o agende puder
facilmente pular uma cerca, não está autorizado a matar o animal.

• Proporcionalidade do sacrifícioExige que o agente aja de acordo com


a razoabilidade do sacrifício, ou seja, deve-se buscar sacrificar um bem de
menor importância para salvar um bem de maior ou igual valor. Exemplo:
Entre uma vida e o patrimônio, sacrifica-se o patrimônio.

Mas e se o indivíduo, visando proteger bem próprio ou de terceiro, sacrifica


outro bem jurídico de maior valor?

Neste caso, não há exclusão do crime. É mantida a tipicidade, mas é


possível a diminuição de pena nos termos do parágrafo 2º do artigo 23 :

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito


ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

Observe que no supra dispositivo não há OBRIGATORIEDADE da


diminuição de pena, mas simplesmente a POSSIBILIDADE do magistrado,
avaliando o caso, aplicar tal redução.

4.4.4 LEGÍTIMA DEFESA

A legítima defesa é a segunda causa de exclusão da antijuridicidade prevista pelo


artigo 23 do Código Penal, e está regulada no artigo 25 do mesmo ordenamento:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente


dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito
seu ou de outrem.

Segundo NUCCI, “é a defesa necessária empreendida contra agressão injusta, atual


ou iminente, contra direito próprio ou de terceiro, usando, para tanto, moderadamente,
os meios necessários.”

E continua:
“Valendo-se da legítima defesa, o indivíduo consegue repelir as agressões a direito
seu ou de outrem, substituindo a atuação da sociedade ou do Estado, que não pode
estar em todos os lugares ao mesmo tempo, através dos seus agentes. A ordem
jurídica precisa ser mantida, cabendo ao particular assegurá-la de modo eficiente e
dinâmico”.

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A análise do artigo 25 revela que a legítima defesa deve atender,


CUMULATIVAMENTE, aos seguintes requisitos:

• AGRESSÃO INJUSTA;
• AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE;
• DEFESA DE DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO;
• REAÇÃO COM OS MEIOS NECESSÁRIOS;
• USO MODERADO DOS MEIOS NECESSÁRIOS.

Resumindo:

INJUSTA

ATUAL OU IMINENTE
AGRESSÃO
CONTRA DIREITO
PRÓPRIO OU ALHEIO
REQUISITOS
DA LEGÍTIMA
DEFESA
EMPREGO DOS MEIOS
NECESSÁRIOS
REAÇÃO
USO MODERADO DOS
MEIOS

4.4.4.1 AGRESSÃO INJUSTA

Agressão é o comportamento humano capaz de gerar lesão ou provocar um perigo


concreto dano. Trata-se de atividade exclusiva do ser humano, não podendo ser
efetuada por um animal, por exemplo.

Sendo assim, se um indivíduo é atacado por um animal e o mata, regra geral, pode
ser caracterizado o estado de necessidade, mas não a legítima defesa.

Dito isto, pergunto: Imagine que Tício faz um treinamento intensivo para que seu
cachorro aprenda a atacar os outros quando ordenado. Em determinado momento,
ao encontrar Mévio, ordena ao cão o ataque. Mévio, utilizando seu canivete, mata
o cachorro. Neste caso, está caracterizado o estado de necessidade ou a legítima
defesa?

Para esta situação particular, temos a LEGÍTIMA DEFESA, pois Tício utiliza o
cachorro como se fosse uma arma e obriga Mévio a repelir injusta agressão.

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4.4.4.2 AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE

A agressão humana injusta e real deve ser marcada pela atualidade ou pela
iminência. Significa que a mesma deverá estar ocorrendo ou prestes a acontecer, e
nunca quando já terminada.

Aqui encontramos uma diferença com relação ao dispositivo que trata do estado de
necessidade. Neste, temos a obrigatoriedade do perigo ATUAL, enquanto na
legítima defesa pode ser ATUAL ou iminente.

4.4.4.3 AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE

A ação de defesa promovida em face da agressão, deve ser praticada com vontade
de defesa. Isto indica a intenção do agredido de se defender ou de defender um
bem jurídico de terceiro.

Agora me responda: A vida é um bem jurídico? Claro que sim... Sendo assim,
imagine que Tício, médico, percebe que Mévio vai injetar uma quantidade tão
grande de drogas que facilmente o levaria a morte. Visto isso, tentando impedir a
situação, bate em Mévio a fim de que este desmaie e deixe de ingerir a substância.
Neste caso, está configurada a LEGÍTIMA DEFESA?

A resposta é POSITIVA, pois Tício está defendendo um bem jurídico de terceiro (A


VIDA) que no momento sofre agressão.

4.4.4.4 REAÇÃO COM OS MEIOS NECESSÁRIOS

Meios necessários são todos aqueles suficientes à repulsa da agressão injusta que
está ocorrendo ou prestes a ocorrer.

Ensina a doutrina majoritária que os meios necessários, além de suficientes,


devem estar disponibilizados no momento da agressão, existindo, em todo caso, a
observância da proporcionalidade entre o bem jurídico a que se visa resguardar e a
repulsa contra o agressor.

Se um indivíduo joga uma pedra e como resposta obtêm um tiro de bazuca na


testa, obviamente que não há proporcionalidade.

Corroborando tal posicionamento, vem a calhar a opinião sempre abalizada do


professor Heleno Cláudio Fragoso: “Empregar moderadamente os meios
necessários significa usar os meios disponíveis, na medida em que são
necessários para repelir a agressão. Deverão aqui considerar-se as circunstâncias
em que a agressão se fez, tendo-se em vista a sua gravidade e os meios de que o
agente podia dispor.”

É importante ressaltar que o meio necessário, desde que seja o único disponível ao
agente para repelir a agressão, pode ser desproporcional em relação a ela, se
empregado MODERADAMENTE. É o caso, por exemplo, do indivíduo que, ao ser

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atacado com uma barra de ferro, utiliza uma arma de fogo, meio de defesa que
estava ao seu alcance.

4.4.4.5 USO MODERADO DOS MEIOS NECESSÁRIOS

Além do emprego do meio adequado, é imprescindível que se faça o uso com


moderação, a fim de não se incorrer no chamado excesso de legítima defesa.

4.4.4.6 LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA (IMAGINÁRIA)

É aquela em que, devido a um erro, o agente acredita existir injusta agressão, atual
ou iminente a direito seu ou de outrem.

É o exemplo mais do que já tratado em que Mévio coloca a mão no bolso para
pegar um lenço e Tício, achando que ele vai retirar uma arma, efetua disparos.

Neste caso, NÃO OCORRE A EXCLUSÃO DA ILICITUDE.

LEGÍTIMA DEFESA REAL X LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA

ALEGÍTIMADEFESAPUTATIVA,TECNICAMENTE,NÃO
CARACTERIZA LEGÍTIMA DEFESA, ISTO É, CAUSA DE EXCLUSÃO
DA ANTIJURIDICIDADE.

NA VERDADE, A DENOMINADA LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA


CARACTERIZA ERRO DE TIPO, OU SEJA, O AGENTE TEM UMA
FALSA PERCEPÇÃO DA REALIDADE QUE FAZ COM QUE O MESMO
PENSE QUE ESTÁ AGINDO EM UMA SITUAÇÃO DE LEGÍTIMA
DEFESA, QUANDO, DE FATO, NÃO ESTÁ SOFRENDO AGRESSÃO
ALGUMA.

A LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA EXCLUIRÁ O DOLO, ISTO É, O


FATO TÍPICO, MAS NÃO A ANTIJURIDICIDADE DA CONDUTA.

4.4.5 ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL

Diferentemente do que fez com o "estado de necessidade" e com a "legítima defesa",


o Código Penal não definiu o conceito de "estrito cumprimento de dever legal",
limitando-se a dizer que:

Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato:

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[...]
III – em estrito cumprimento de dever legal...

Sua conceituação, porém, é dada pela doutrina, como, por exemplo, Fernando Capez,
que assim define o estrito cumprimento do dever legal: "É a causa de exclusão da
ilicitude que consiste na realização de um fato típico, por força do desempenho de
uma obrigação imposta por lei, nos exatos limites dessa obrigação". Em outras
palavras, a lei não pode punir quem cumpre um dever que ela impõe.

Dentro desse conceito, importante atentar para duas expressões: "dever legal" e
"cumprimento estrito".

O que vem a ser "dever legal"?


Como a própria expressão sugere, é uma obrigação imposta por lei, significando que o
agente, ao atuar tipicamente, não faz nada mais do que cumprir uma obrigação.

Mas para que esta conduta, embora típica, seja lícita, é necessário que esse dever
derive, direta ou indiretamente, de "lei".

O que significa, por sua vez, o "cumprimento estrito"?


Quando a lei impõe determinada obrigação, existem limites, parâmetros, para que tal
obrigação seja cumprida, isto é, a lei só obriga ou impõe dever até certo ponto e o
agente obrigado só dever proceder até esse exato limite imposto pela lei.

Dessa forma, exige-se que o agente tenha atuado dentro dos rígidos limites do que
obriga a lei ou determina a ordem que procura executar o comando legal. Fora desses
limites, desaparece a excludente, surgindo, então, o abuso ou excesso.

Exemplo clássico de estrito cumprimento de dever legal é o do policial que priva o


fugitivo de sua liberdade ao prendê-lo em flagrante. Nesse caso, o policial não comete
crime de constrangimento ilegal ou abuso de autoridade, por exemplo, pois que ao
presenciar uma situação de flagrante delito, a lei obriga que o policial efetue a prisão
do respectivo autor, preenchido, portanto, o requisito do dever legal.

Por outro lado, é necessário também que o policial se limite a cumprir exatamente o
que a lei lhe impõe, isto é, que o cumprimento desse dever cinja-se estritamente ao
imposto por tal lei.

Assim, basta que o policial prenda o agente flagrado, privando sua liberdade. Haveria
abuso ou excesso se o policial, depois de contido o sujeito, continuasse
desnecessariamente a fazer uso da força ou de ofensas físicas contra aquele.

Outro exemplo tradicional é o do oficial de justiça que retira da casa de alguém objetos
de sua propriedade em cumprimento de mandado de penhora contra aquela pessoa.
Ora, por um lado, há o dever legal de assim agir, pois que o mandado judicial entregue
ao oficial de justiça impõe-lhe o dever de cumpri-lo, não havendo, portanto, crime de
roubo, embora a conduta seja típica.

Da mesma forma, necessário que o oficial de justiça permaneça nos limites rígidos do
que lhe impôs o mandado.

Assim, haveria o excesso por parte do servidor se, por exemplo, além da penhora e
seqüestro de um quadro valioso, de propriedade do executado, aquele resolvesse
penhorar e seqüestrar também outro bem do executado não relacionado no "mandado

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judicial", apenas por imaginar que futuramente teria que voltar àquela residência para
fazer "reforço de penhora".

4.4.5.1 ELEMENTO SUBJETIVO

Assim como as demais excludentes de ilicitude, o estrito cumprimento do dever


legal exige que o agente tenha consciência de que age sob essa causa de
justificação.

Em outra palavras, é preciso que o agente que praticou a conduta típica tenha
atuado querendo praticá-la, mas com a consciência de que cumpria um dever
imposto pela lei.

Dessa forma, se, por exemplo, o delegado de polícia, querendo vingar-se de seu
desafeto, prende-o sem qualquer justificativa, amedrontando-o pelo fato de "ser
delegado" e descobre, posteriormente, que já existia mandado de prisão preventiva
contra aquele cidadão, cabendo a ele, delegado, cumpri-lo, nem por isso sua
conduta deixa de ser criminosa, porque atuou sem a consciência e sem a intenção
de cumprir o seu dever.

É pela necessidade desses elementos subjetivos que não é possível a ocorrência


do estrito cumprimento de dever legal na prática de condutas típicas culposas, mas
apenas em condutas dolosas. Aliás, todas as excludentes de ilicitude só podem ser
verificadas em crimes dolosos.

4.4.5 EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

Trataremos agora da última excludente de ilicitude, presente no final do artigo 23 do


CP nos seguintes termos:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:


[...]
III – [...] no exercício regular de direito.

O exercício regular de direito pressupõe uma faculdade de agir atribuída, regra geral,
pelo ordenamento jurídico a alguma pessoa, pelo que a prática de uma ação típica
não configuraria um ilícito.

Mirabete cita como exemplos de exercício regular de direito:

• A correção dos filhos por seus pais;


• Prisão em flagrante por particular;
• No expulsar, quando da invasão da propriedade.

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Em qualquer caso, não se pode ultrapassar os limites que a ordem jurídica impõe ao
exercício do direito. Caso os pais, a pretexto de corrigir os filhos, incorram em maus-
tratos, responderão pelo crime.

4.4.5.1 OFENDÍCULOS

Ofendículos são aparatos defensivos da propriedade


(cacos de vidro no muro, cercas de arame farpado,
maçanetas eletrificadas etc.).

Embora sejam considerados, por parte da doutrina, como


legítima defesa, são, na verdade, exercício regular de um
direito, pois faltaria o elemento subjetivo da defesa à
agressão.

Também se consideram exercício regular de direito as lesões ocorridas na prática


de esportes violentos, desde que toleráveis e dentro das regras do esporte.

4.4.6 ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL X EXERCÍCIO REGULAR DO


DIREITO

Sabemos que tanto o estrito cumprimento de dever legal quanto o exercício regular do
direito são causas excludentes de ilicitude. Todavia, estes dois importantes institutos
do Direito Penal possuem diferenças claras. São elas:

ESTRITO CUMPRIMENTO DO EXERCÍCIO REGULAR DO


DIFERENCIAÇÕES
DEVER LEGAL DIREITO

FACULTATIVAO
AGENTE ESTÁ AUTORIZA-
COMPULSÓRIAO AGENTE DO A AGIR PELO ORDE-
NATUREZA ESTÁ OBRIGADO A CUMPRIR O NAMENTO JURÍDICO, MAS
MANDAMENTO LEGAL A ELE PERTENCE A OPÇÃO
DE EXERCER O DIREITO
ASSEGURADO.

O DIREITO CUJO EXER-


CÍCIO SE AUTORIZA PODE
O DEVER DE AGIR TEM ORIGEM ADVIR DA LEI, DE REGU-
ORIGEM LAMENTOS E, PARA PARTE
EXCLUSIVAMENTE NA LEI
DA DOUTRINA, ATÉ MES-
MO DOS COSTUMES.

4.4.7 LEGÍTIMA DEFESA X ESTADO DE NECESSIDADE

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Dentre as várias questões que aparecem em PROVA exigindo o conhecimento das


causas excludentes de ilicitude, sem dúvida, uma que disputa a preferência dos
examinadores é a que tenta confundir os candidatos com os conceitos de legítima
defesa e estado de necessidade.

Para que você não erre em prova, vou apresentar essas diferenças neste tópico a fim
de que você não se confunda. Vamos começar:

A) NO ESTADO DE NECESSIDADE, HÁ UM CONFLITO ENTRE DOIS


BENS JURÍDICOS EXPOSTOS A PERIGO; NA LEGÍTIMA DEFESA,
UMA REPULSA A ATAQUE;

B) NO ESTADO DE NECESSIDADE, O BEM JURÍDICO É EXPOSTO A


PERIGO; NA LEGÍTIMA DEFESA, O DIREITO SOFRE UMA
AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE;

C) NO ESTADO DE NECESSIDADE, O PERIGO PODE OU NÃO ADVIR


DA CONDUTA HUMANA; NA LEGÍTIMA DEFESA, A AGRESSÃO SÓ
PODE SER PRATICADA POR PESSOA HUMANA;

D) NO ESTADO DE NECESSIDADE, A CONDUTA PODE SER DIRIGIDA


CONTRA TERCEIRO INOCENTE; NA LEGÍTIMA DEFESA,
SOMENTE CONTRA O AGRESSOR;

E) NO ESTADO DE NECESSIDADE, A AGRESSÃO NÃO PRECISA SER


INJUSTA; NA LEGÍTIMA DEFESA, POR OUTRO LADO, SÓ EXISTE
SE HOUVER INJUSTA AGRESSÃO (EXEMPLO: DOIS NÁUFRAGOS
DISPUTANDO A TÁBUA DE SALVAÇÃO. UM AGRIDE O OUTRO
PARA FICAR COM ELA, MAS NENHUMA AGRESSÃO É INJUSTA).

4.5 EXCESSO

Há determinadas situações nas quais o agente, baseado em uma excludente de ilicitude,


age com excesso, ou seja, ultrapassa as barreiras do aceitável.

Sendo assim, o Código Penal, depois de apresentar as excludentes de ilicitude, dispõe,


no parágrafo único do artigo 23, que:

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Art.23
[...]
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.

A expressão “em qualquer das hipóteses deste artigo” indica a penalização do excesso,
doloso ou culposo, em todas as causas legais genéricas de exclusão de ilicitude.
Podemos exemplificar:

• EXCESSO NO ESTADO DE NECESSIDADEO indivíduo, tentando fugir do


ataque de um cão feroz, quebra o vidro de um carro, quando podia resguardar-se
em uma casa que tinha à sua disposição.

O excesso no estado de necessidade recai na expressão “nem podia de outro


modo evitar”, presente no artigo 24 do CP.

• EXCESSO NA LEGÍTIMA DEFESAMévio, começa a jogar pedras em Tício.


Este por sua vez, pega a arma e efetua 14 disparos sendo 5 na cabeça.

O excesso na legítima defesa ocorre quando o agente utiliza meios desnecessários


ou emprega os meios sem moderação.

• EXCESSO NO ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGALTício, policial,


usa a força para prender Mévio e continua agredindo o agente depois de preso.

O excesso no estrito cumprimento do dever legal resulta da não observância, pelo


agente, dos limites definidos pela lei.

• EXCESSO NO EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITOTício, visando a boa


educação de seu filho, Mévio, resolve, no exercício regular do direito de corrigir o
comportamento da criança, utilizar uma barra de ferro a título de castigo físico.

O excesso no exercício regular de direito decorre da utilização abusiva do direito


consagrado pelo ordenamento jurídico.

Do exposto até agora, podemos resumir:

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EXCESSO

• NO ESTADO DE NECESSIDADE, RECAI NA EXPRESSÃO “NEM


PODIA DE OUTRO MODO EVITAR”.

• NA LEGÍTIMA DEFESA, OCORRE QUANDO O AGENTE UTILIZA


MEIOS DESNECESSÁRIOS OU EMPREGA OS MEIOS SEM
MODERAÇÃO.

• NO ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL, RESULTA DA NÃO


OBSERVÂNCIA, PELO AGENTE, DOS LIMITES DEFINIDOS PELA
LEI.

• NO EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO, DECORRE DO EXERCÍCIO


ABUSIVO DO DIREITO CONSAGRADO PELO ORDENAMENTO
JURÍDICO.

4.5.1 ESPÉCIES DE EXCESSO

• DOLOSO OU CONSCIENTEÉ o excesso voluntário. O agente dolosamente


extrapola os limites legais. É o caso, por exemplo, de um indivíduo que desarma
um bandido e, posteriormente, com o ladrão já imobilizado, dispara dois tiros em
sua cabeça.

• CULPOSO OU INCONSCIENTEÉ o excesso que deriva de culpa (negligência,


imperícia ou imprudência) em relação à moderação e, para alguns doutrinadores,
também quanto à escolha dos meios necessários. O agente, assim, responde por
crime culposo. Exemplo: Tício, visando defender-se de tapas efetuados por uma
mulher, empurra Mévia que tropeça, cai e bate com a cabeça, vindo a falecer.

Observe o que o STF dispõe sobre o tema:

"Depois da Reforma Penal em 1984, segundo o parágrafo único do art. 23 do


CP, o agente responderá pelo excesso doloso ou culposo em qualquer das
causas de exclusão de ilicitude.

Desde então, tornou-se obrigatório o questionamento do excesso doloso ou


culposo, sempre que o Conselho de Sentença negar, na excludente da
legítima defesa, o uso dos meios necessários ou a moderação no emprego
dos meios.

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Pela ordem de precedência, questiona-se em primeiro lugar o excesso


doloso, porquanto o Júri, até ali, negou a legítima defesa, prevalecendo ainda
a prática do fato criminoso a título de dolo, pois ação é única. Respondido
afirmativamente, estará o réu condenado por crime doloso.

Negado, questiona-se o excesso culposo. Negado ambos, o réu estará


absolvido, pois o Júri reconheceu o excesso casual. Se o Juiz Presidente
deixa de questionar o excesso doloso, indagando apenas o excesso culposo,
ocorrerá nulidade por deficiência dos quesitos, independentemente de
protesto no momento próprio, pois se trata de quesito obrigatório. Tem
incidência a Súmula 156 do STF" (nº 697023711, Rel. Des. Danúbio Edon
Franco. j. 25.6.97, DJ 8.8.97, p. 31).

***************************************************************************************************

Companheiros de estudo,

Finalizamos aqui a “PARTE GERAL” do edital, ou seja, os itens referentes ao início do


Código Penal. A partir da próxima aula começaremos a tratar de temas específicos,
iniciando com os CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

PARABÉNS por mais esta etapa completada. Sem dúvida, os ensinamentos aqui
aprendidos farão diferença na hora da tão esperada PROVA e naquela escada
apresentada na aula zero, você acaba de subir mais um degrau!!!

Agora, pratique bastante com os exercícios e não deixe de reler os pontos que ainda
não foram assimilados.

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Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo

"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."


(José Saramago)

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA

DO CRIME

Art. 14 - Diz-se o crime:

Tentativa

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à


vontade do agente.

Pena de tentativa

Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena


correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

Desistência voluntária e arrependimento eficaz

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede


que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

Arrependimento posterior

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o
dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário
do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

Crime impossível

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

Exclusão de ilicitude

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

I - em estado de necessidade;

II - em legítima defesa;

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Excesso punível

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo.

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Estado de necessidade

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de


perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o
perigo.

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços.

Legítima defesa

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

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EXERCÍCIOS

1. (MPE – SE / 2009) Considere:

I. Tício resolveu matar seu desafeto. Elaborou um plano de ação, apanhou uma faca
e o atacou, desferindo- lhe golpes. Este, no entanto, conseguiu desviar-se e,
utilizando técnicas de defesa pessoal, dominou e desarmou o agressor.

II. Caio resolveu matar seu desafeto. Adquiriu uma arma e efetuou diversos
disparos em sua direção, errando o alvo e acabou sendo preso por policiais que
acorreram ao local.

Nas situações indicadas, deve ser reconhecida a ocorrência de:

A) fatos penalmente irrelevantes.

B) crime tentado e crime consumado, respectivamente.

C) crimes consumados.

D) crimes tentados.

E) crime consumado e crime tentado, respectivamente.

GABARITO: D

COMENTÁRIOS: Nas duas situações o agente não atinge o seu objetivo por fatores
ALHEIOS À SUA VONTADE. Desta forma, fica caracterizado o crime tentado, conforme o
artigo 14, II, do Código Penal.

Art. 14 - Diz-se o crime:

[...]

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por


circunstâncias alheias à vontade do agente.

2. (MPE – SE / 2009) Pedro efetuou disparo de arma de fogo contra Paulo. Em


seguida, arrependido, o levou até um hospital, onde, apesar de atendido e
medicado, veio a falecer. Nesse caso, houve:

A) arrependimento posterior.

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B) desistência voluntária.

C) arrependimento eficaz.

D) crime tentado.

E) crime consumado.

GABARITO: E

COMENTÁRIOS: Esta é uma questão típica de prova e ainda vejo muitos concurseiros
errando.

Como vimos em nossa aula, o arrependimento eficaz só é válido quando o indivíduo


consegue EFICAZMENTE impedir o resultado. No caso em tela, o resultado naturalístico
acontece, logo, não há que se falar em qualquer outro crime que não o consumado.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na


execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos
já praticados.

3. (MPE – SE / 2009) No estado de necessidade,

A) o agente pode responder pelo excesso doloso, mas não pelo culposo.

B) a situação de perigo não pode ter sido provocada por vontade do agente.

C) a reação contra agressão humana deve ser atual.

D) a ameaça só pode ser a direito próprio.

E) há extinção da punibilidade.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: O estado de necessidade encontra-se disposto no artigo 24 do Código


Penal, nos seguintes termos:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.

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§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal


de enfrentar o perigo.

Do supra artigo retiramos que para caracterizar o estado de necessidade devemos ter:

• PERIGO ATUAL;
• PERIGO NÃO PROVOCADO VOLUNTARIAMENTE;
• AMEAÇA A DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO;
• AUSÊNCIA DE DEVER LEGAL DE ACEITAR O PERIGO.
• INEVITABILIDADE DO PERIGO POR OUTRO MODO;
• PROPORCIONALIDADE.

Analisando as alternativas, verifica-se que a que se enquadra dentro dos requisitos é a


alternativa “B”, deixando claro que não há caracterização do estado de necessidade
quando o agente cria a situação de perigo.

É importante lembrar que o estado de necessidade extingue a ILICITUDE, pode ser


alegado para direito próprio ou de terceiro e a AGRESSÃO deve ser atual.

4. (PC – PB / 2009) Um indivíduo, portador do vírus da AIDS, manteve regularmente


relações sexuais com sua namorada, com a intenção de matá-la por meio do
contágio da doença. A namorada não tinha conhecimento do estado patológico de
seu parceiro. Dias após, foi constatado, por meio de exames médicos e
laboratoriais, que houve efetivamente a transmissão do vírus, apesar de os efeitos
da doença ainda não terem se manifestado, não impedindo, portanto, o
desempenho das atividades cotidianas da pessoa infectada. Nessa situação
hipotética, o indivíduo portador do vírus:

A) não cometeu ilícito penal, uma vez que se trata de crime impossível.

B) cometeu tentativa de homicídio.

C) cometeu o crime de perigo para a vida ou saúde de outrem.

D) cometeu o crime de perigo de contágio venéreo.

E) cometeu o crime de perigo de contágio de moléstia grave.

GABARITO: B

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COMENTÁRIOS: Esta situação não é muito comum em provas, mas, como abrange uma
parte importante da matéria, resolvi colocá-la.

Qual era a VONTADE do agente? MATAR A NAMORADA.

Ele conseguiu? Não, por fatores alheios à sua vontade (não importa quais são esses
fatores).

Logo, responde por:

TENTATIVA DE HOMICÍDIO!!!

Este deve ser o raciocínio utilizado em sua prova.

5. (MPE – PE / 2006) Inclui-se dentre as causas excludentes da antijuridicidade:

A) o erro inevitável sobre a ilicitude do fato.

B) o exercício regular de um direito.

C) a obediência à ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico.

D) a embriaguez fortuita completa.

E) a coação irresistível.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Essa é fácil! As causas legais excludentes de ilictude são:

• ESTADO DE NECESSIDADE;
• LEGÍTIMA DEFESA;
• ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL;
• EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO.

Logo, a única resposta correta é a alternativa “B”.

6. (EXAME DE ORDEM – OAB 2008.1 - Adaptada) Com relação às causas


excludentes de ilicitude (ou antijuridicidade), assinale a opção correta.

A) Agem em estrito cumprimento do dever legal policiais que, ao terem de prender


indiciado de má fama, atiram contra ele para dominá-lo.

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B) O exercício regular do direito é compatível com o homicídio praticado pelo militar que,
em guerra externa ou interna, mata o inimigo.

C) Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar-se de perigo


atual ou futuro que não provocou por sua vontade ou era escusável.

D) A legítima defesa putativa é causa de exclusão da ilicitude

E) N. R. A

GABARITO: E

COMENTÁRIOS:

Alternativa “A”Está errada, porque não existe dever legal de matar ou para matar. A
Lei não poderia determinar a destruição da vida de uma pessoa. Conforme a orientação
da doutrina penal pátria, havendo a agressão de determinada pessoa contra um policial,
poderá este reagir em legítima defesa. Não é o caso de estrito cumprimento do dever
legal, mas sim de situação de legítima defesa. Afora isso, outro argumento considerado
para descaracterizar o dever legal na ação é o excesso da mesma, justamente porque
não é necessário, nem aceitável, atirar num indiciado com o intuito de dominá-lo.

Alternativa “B”O homicídio praticado pelo militar em guerra externa ou interna


caracteriza situação de estrito cumprimento do dever legal, e não de exercício regular de
direito. Excepcionalmente (caso de guerra) se aceita, no Direito Penal, a ação de matar
como estrito cumprimento do dever legal.

Alternativa “C” Está errada, porque o estado de necessidade enseja o perigo atual, e
não o futuro.

Alternativa “D” A legitima defesa putativa não é causa excludente de ilicitude.

Alternativa “E” É a resposta correta, pois todas as alternativas estão erradas.

7. (AGU / 99) A, imputável, jamaicano, sem assimilar a cultura brasileira, agindo


como se estivesse em seu país, pratica conduta definida como crime, no Brasil. Na
Jamaica, tal conduta é lícita. O fato configura erro de:

A) Tipo

B) Fato

C) Proibição

D) Crime impossível

E) Crime consumado

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GABARITO: C

COMENTÁRIOS: Essa questão abrange a matéria apresentada na aula 02 e apresenta


nas alternativas conceitos introduzidos na aula 03. No exemplo apresentado, fica
caracterizado o erro sobre a ilicitude do fato, logo, estamos tratando de erro de proibição.

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude


do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um
sexto a um terço.

8. (AGU / 99) "A", imputável, inicia atos de execução de um crime; antes de ocorrer
o resultado, deixa de praticar os demais atos para atingir a consumação. A
consumação não acontece. A hipótese configura:

A) tentativa

B) arrependimento posterior

C) desistência voluntária

D) arrependimento eficaz

E) crime impossível

GABARITO: C

COMENTÁRIOS: O agente interrompe a execução por vontade própria antes do término


da execução, logo, é caso de desistência voluntária. Para relembrar a relação entre a
desistência voluntária, o arrependimento eficaz e o arrependimento posterior, observe o
gráfico abaixo:

DESISTÊNCIA ARREPENDIMENTO ARREPENDIMENTO


VOLUNTÁRIA EFICAZ POSTERIOR

INÍCIO DA FIM DA CONSUMAÇÃO RECEBIMENTO


EXECUÇÃO EXECUÇÃO DO CRIME DA DENÚNCIA
OU QUEIXA

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9. (BACEN / 2002) No que se refere ao arrependimento posterior pode-se afirmar


que:

A) para que haja a redução da pena, exige-se a completa reparação do dano ou a


restituição da coisa, além da necessidade da voluntariedade do ato realizado pelo agente.

B) se trata de causa facultativa de diminuição de pena.

C) só é aplicável caso a reparação do dano ou a restituição da coisa ocorra após o


recebimento da denúncia ou da queixa.

D) a redução da pena neste caso atinge todos os crimes, inclusive aqueles cometidos
com violência ou grave ameaça à pessoa.

E) a reparação feita por um dos acusados não aproveita aos demais.

GABARITO: A

COMENTÁRIOS:

Alternativa “A”Traz os requisitos obrigatórios para a caracterização do arrependimento


posterior, nos termos do artigo 16. Observe:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a
dois terços.

Alternativa “B” O arrependimento posterior é causa OBRIGATÓRIA de redução de


pena.

Alternativa “C” Não é após o recebimento, e sim antes do RECEBIMENTO da denúncia


ou queixa.

Alternativa “D”O artigo 16 deixa claro só ser cabível o arrependimento posterior aos
delitos cometidos SEM violência ou grave ameaça.

Alternativa “E”No arrependimento posterior, o importante é a reparação do dano.


Sendo assim, se dois indivíduos cometeram o delito, a reparação feita por um deles pode
ser aproveitada pelo outro. Este tema não é pacífico, havendo muita divergência
doutrinária.

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10. (Promotor – CE / 2001) A, imputável, inicia a execução de um crime; antes da


consumação, por deliberação própria, deixa de prosseguir os atos delituosos. A
hipótese caracteriza:

A) arrependimento eficaz

B) tentativa

C) desistência voluntária

D) consumação

E) exaurimento

GABARITO: C

COMENTÁRIOS: Mais uma questão que exige o conhecimento do conceito de


desistência voluntária.

11. (Fiscal trabalho / 1998) Assinale a opção cujo instituto jurídico não seja comum
ao crime e à contravenção penal.

A) tentativa

B) pena

C) resultado

D) consumação

E) execução

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: Como tratamos, uma das hipóteses de impossibilidade de tentativa são


as contravenções penais.

12. (MPU / 2004) Quanto ao arrependimento posterior, previsto no artigo 16 do


Código Penal, pode-se afirmar que:

A) não há limite temporal para a sua aplicação.

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B) a redução de pena é aplicável aos crimes cometidos com ou sem violência ou grave
ameaça à pessoa.

C) se trata de mera atenuante e não de causa obrigatória de diminuição de pena.

D) a pena pode ser reduzida de 1 (um) a 2/3 (dois terços).

E) a reparação do dano exigida não precisa ser efetiva, bastando a simples intenção de
fazê-la.

GABARITO: D

COMENTÁRIOS: Exige do candidato o simples conhecimento do texto presente no artigo


16 do Código Penal. Observe:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a
dois terços.

Como já vimos, o arrependimento posterior possui um limite temporal (antes do


recebimento da denúncia ou queixa), só é cabível aos delitos praticados sem violência ou
grave ameaça à pessoa e é causa obrigatória de diminuição de pena.

Além disso, a reparação do dano deve ser EFETIVA, não bastando a simples intenção de
fazê-la.

Aqui, o que importa NÃO É A INTENÇÃO!!!

13. (Auditor Fiscal do Trabalho / 2006) O agente que, voluntariamente, desiste de


prosseguir na execução do crime, responde:

A) pela prática do crime tentado.

B) pela prática do crime consumado.

C) somente pelos atos já praticados.

D) pelo crime consumado, mas reduzida a pena de um a dois terços em virtude do


arrependimento posterior.

E) pelo crime consumado, sem qualquer redução da pena.

GABARITO: C

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COMENTÁRIOS: Questão que exige do candidato a literalidade do artigo 15 do Código


Penal.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na


execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos
já praticados.

14. (BACEN / 2006) A tentativa:

A) constitui causa geral de diminuição da pena, devendo o respectivo redutor


corresponder à culpabilidade do agente.

B) é impunível nos casos de ineficácia absoluta do meio e de relativa impropriedade do


objeto.

C) exige comportamento doloso do agente.

D) não prescinde da realização de atos de execução, ainda que se trate de contravenção


penal.

E) dispensa o exaurimento da infração, necessário apenas para que se reconheça a


consumação.

GABARITO: C

COMENTÁRIOS:

Alternativa “A”A redução da pena concernente à tentativa deve resultar das


circunstâncias da própria tentativa. Isto quer dizer que não devem ser consideradas
na redução as atenuantes ou agravantes porventura existentes e sim tendo-se em
vista o iter criminis percorrido pelo agente em direção à consumação do delito.

Alternativa “B”A impropriedade do objeto não deve ser relativa e sim absoluta.
Observe o que dispõe o Código Penal:

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do


meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível
consumar-se o crime.

Alternativa “C”É a alternativa correta, pois não há que se falar em tentativa para o
crime culposo (salvo a culpa imprópria). Desta forma, deve-se exigir um
comportamento DOLOSO para a caracterização da tentativa.

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Alternativa “D”Está completamente incorreta. Primeiro porque para as


contravenções não cabe tentativa, segundo porque será necessário o início da fase de
execução para caracterização do instituto penal. Veja:

Art. 14 - Diz-se o crime:

[...]

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por


circunstâncias alheias à vontade do agente.

Alternativa “E”Na tentativa, o indivíduo vai até o final em busca do resultado


almejado, mas é interrompido por circunstâncias alheias à sua vontade.

15.(AGENTE DE POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL - NCE/UFRJ 2005) Entre as


alternativas abaixo, é correto afirmar que os ofendículos excluem:

a) o nexo causal;

b) a culpabilidade;

c) a imputabilidade;

d) a ilicitude;

e) a culpa.

GABARITO: D

COMENTÁRIOS: Ofendículos são artefatos utilizados para o resguardo do patrimônio,


tais como cercas elétricas, cacos de vidro, etc. Se um indivíduo tenta invadir uma casa e
morre com a alta voltagem da cerca, os donos da propriedade estarão amparados e a
ilicitude da conduta será excluída.

16. (PC – MA / 2006) Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. A redução de
pena decorrente da tentativa deve resultar:

A) do iter criminis percorrido pelo agente em direção à consumação do delito.

B) da prevalência das circunstâncias atenuantes sobre as circunstâncias agravantes.

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C) da maior ou menor periculosidade do agente, tendo em conta os dados constantes do


processo.

D) da valoração dos antecedentes do agente, especialmente da primariedade e da


reincidência.

E) da intensidade do dolo, do grau da culpa, e dos motivos determinantes da conduta


delituosa.

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: Mais uma questão que exige o conhecimento do fator que deve ser
levado em consideração na mensuração da redução da pena a ser aplicada no caso de
tentativa. Como já vimos, quanto mais próximo da consumação, menor será a redução.

17. (PC – MA / 2006) Considere:

I. Paulo deseja matar José, mas desiste de seu intento.

II. João deseja matar José, adquire veneno, mas se arrepende e também desiste.

III. Luiz deseja matar José, adquire veneno, coloca na xícara de café deste, mas se
arrepende e impede o mesmo de ingeri-lo.

IV. Pedro deseja matar José, adquire veneno, coloca na xícara de café deste; José
toma o veneno, mas é levado por sua empregada a um hospital, onde os médicos
conseguem salvá-lo.

Há tentativa de homicídio nas hipóteses indicadas APENAS em:

A) IV.

B) III.

C) III e IV.

D) II, III e IV.

E) I e II.

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item:

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Item “I”Neste primeiro item temos um indiferente penal, ou seja, não há nenhum delito.
Estamos no início do iter criminis, na fase do desejo, da cogitação.

Item “II”Ainda estamos tratando de um indiferente penal. O agente está na fase dos
atos preparatórios e desiste de seu intento.

Item “III”Aqui a fase de execução tem início, mas o agente se arrepende (desistência
voluntária). Neste caso, responderá somente pelos atos já praticados que, no caso em
tela, não caracterizam crime.

Item “IV”Agora sim!!! Aqui temos a tentativa de homicídio. O agente só não obtêm o
resultado naturalístico por fatores alheios à sua vontade.

18. (PC – MA / 2006) Inclui-se dentre as causas excludentes da ilicitude:

A) a coação física irresistível.

B) o estado de necessidade.

C) a legítima defesa putativa.

D) a coação moral irresistível.

E) o desconhecimento da lei.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Como já vimos, o ESTADO DE NECESSIDADE é uma excludente de


ilicitude.

19. (Defensor Publico – MA / 2003) A tentativa:

A) é impunível nos casos de ineficácia absoluta do meio e de relativa impropriedade do


objeto.

B) dispensa o exaurimento da infração, necessário apenas para que se reconheça a


consumação.

C) não prescinde, para seu reconhecimento, da realização de atos de execução, ainda


que se trate de contravenção penal.

D) exige comportamento doloso do agente.

E) constitui causa geral de diminuição da pena, devendo o respectivo redutor


corresponder à culpabilidade do agente.

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GABARITO: C

COMENTÁRIOS: Questão bem parecida com a número 14 e aqui valem os mesmos


comentários, ou seja, a tentativa exige comportamento DOLOSO do agente.

20. (Auditor Fiscal – SP / 2007) Exclui a ilicitude da conduta:

A) a coação irresistível.

B) a obediência hierárquica.

C) a desistência voluntária.

D) o estrito cumprimento do dever legal.

E) o arrependimento posterior.

GABARITO: D

COMENTÁRIOS: O estrito cumprimento do dever legal é uma EXCLUDENTE DE


ILICITUDE.

21. (Procurador – Recife / 2003) Excluem a antijuridicidade da conduta:

A) a legítima defesa, o estrito cumprimento do dever legal e a obediência hierárquica.


B) a coação irresistível, a desistência voluntária e o exercício regular de direito.

C) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estado de necessidade.

D) a coação irresistível, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.

E) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de


necessidade.

GABARITO: E

COMENTÁRIOS: Mais uma sobre as excludentes de ilicitude. Perceba que este tipo de
questão é RECORRENTE em provas.

A alternativa correta é a “E” que traz hipóteses de excludentes de ilicitude presentes no


artigo 23 do CP:

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Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:


I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.

22. (SEFAZ – DF / 2001) Excluem a ilicitude da conduta:

A) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de


necessidade.

B) a legítima defesa, o exercício regular de direito e a coação irresistível.

C) a obediência hierárquica, a coação irresistível e a desistência voluntária.

D) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estrito cumprimento do dever


legal.

E) o estado de necessidade, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.

GABARITO: A

COMENTÁRIOS: Mais uma questão que exige o conhecimento do artigo 23 do Código


Penal.

23. (TCE – CE / 2006) A respeito do dolo e da culpa, é correto afirmar que:

A) não pode haver culpa se o agente tiver previsto o resultado.

B) o crime culposo não admite tentativa.

C) no Direito Penal a culpa do réu e da vítima podem compensar-se.

D) no Direito Penal não há concorrência de culpas.

E) a culpa é presumida no tipo penal e o dolo deve estar expresso.

GABARITO: B

COMENTÁRIOS: Como vimos, a regra geral é a impossíbilidade da tentativa para os


crimes culposos.

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24. (TCE – PB / 2006) Paulo arrombou o armário de Maria, sua colega de serviço, no
momento em que esta se ausentou do local de trabalho e subtraiu a carteira,
contendo R$ 100,00 em dinheiro, de dentro da bolsa. Dois meses depois, se
arrependeu. Procurou Maria e lhe devolveu a carteira e o dinheiro furtado, bem
como lhe reembolsou o dinheiro gasto no reparo do armário arrombado. Nesse
caso, Paulo:

A) só terá direito à redução de pena se Maria o perdoar expressamente perante o Juiz do


processo.

B) não terá direito a nenhum benefício, porque o arrependimento só tem eficácia se


ocorrer até a consumação do delito.

C) terá a pena reduzida de um a dois sextos, se a restituição dos valores furtados e a


reparação do dano tiverem ocorrido entre o recebimento da denúncia e a sentença.

D) não terá direito à redução da pena porque se trata de delito cometido mediante
violência consistente no arrombamento do armário.

E) terá a pena reduzida de um a dois terços, se a restituição dos valores furtados e a


reparação do dano tiverem ocorrido até o recebimento da denúncia.

GABARITO: E

COMENTÁRIOS: Questão que exige o conhecimento do instituto do arrependimento


posterior, disposto no artigo 16 do Código Penal. Observe:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a
dois terços.

Conforme percebe-se, o disposto na alternativa “E” enquadra-se perfeitamente no


supracitado conceito.

25. (ESCRIVÃO DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO CEARÁ 2006) O agente que


pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício não era
razoável exigir-se, encontra-se em situação de:

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A) legítima defesa.

B) estado de necessidade putativo.

C) legítima defesa putativa.

D) estado de necessidade.

E) N.R.A

GABARITO: D

COMENTÁRIOS: Exige o conhecimento do artigo 24 que define o que é o ESTADO DE


NECESSIDADE

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1. (MPE – SE / 2009) Considere:

I. Tício resolveu matar seu desafeto. Elaborou um plano de ação, apanhou uma faca
e o atacou, desferindo- lhe golpes. Este, no entanto, conseguiu desviar-se e,
utilizando técnicas de defesa pessoal, dominou e desarmou o agressor.

II. Caio resolveu matar seu desafeto. Adquiriu uma arma e efetuou diversos
disparos em sua direção, errando o alvo e acabou sendo preso por policiais que
acorreram ao local.

Nas situações indicadas, deve ser reconhecida a ocorrência de:

A) fatos penalmente irrelevantes.

B) crime tentado e crime consumado, respectivamente.

C) crimes consumados.

D) crimes tentados.

E) crime consumado e crime tentado, respectivamente.

2. (MPE – SE / 2009) Pedro efetuou disparo de arma de fogo contra Paulo. Em


seguida, arrependido, o levou até um hospital, onde, apesar de atendido e
medicado, veio a falecer. Nesse caso, houve:

A) arrependimento posterior.

B) desistência voluntária.

C) arrependimento eficaz.

D) crime tentado.

E) crime consumado.

3. (MPE – SE / 2009) No estado de necessidade,

A) o agente pode responder pelo excesso doloso, mas não pelo culposo.

B) a situação de perigo não pode ter sido provocada por vontade do agente.

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C) a reação contra agressão humana deve ser atual.

D) a ameaça só pode ser a direito próprio.

E) há extinção da punibilidade.

4. (PC – PB / 2009) Um indivíduo, portador do vírus da AIDS, manteve regularmente


relações sexuais com sua namorada, com a intenção de matá-la por meio do
contágio da doença. A namorada não tinha conhecimento do estado patológico de
seu parceiro. Dias após, foi constatado, por meio de exames médicos e
laboratoriais, que houve efetivamente a transmissão do vírus, apesar de os efeitos
da doença ainda não terem se manifestado, não impedindo, portanto, o
desempenho das atividades cotidianas da pessoa infectada. Nessa situação
hipotética, o indivíduo portador do vírus:

A) não cometeu ilícito penal, uma vez que se trata de crime impossível.

B) cometeu tentativa de homicídio.

C) cometeu o crime de perigo para a vida ou saúde de outrem.

D) cometeu o crime de perigo de contágio venéreo.

E) cometeu o crime de perigo de contágio de moléstia grave.

5. (MPE – PE / 2006) Inclui-se dentre as causas excludentes da antijuridicidade:

A) o erro inevitável sobre a ilicitude do fato.

B) o exercício regular de um direito.

C) a obediência à ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico.

D) a embriaguez fortuita completa.

E) a coação irresistível.

6. (EXAME DE ORDEM – OAB 2008.1 - Adaptada) Com relação às causas


excludentes de ilicitude (ou antijuridicidade), assinale a opção correta.

A) Agem em estrito cumprimento do dever legal policiais que, ao terem de prender


indiciado de má fama, atiram contra ele para dominá-lo.

B) O exercício regular do direito é compatível com o homicídio praticado pelo militar que,
em guerra externa ou interna, mata o inimigo.

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C) Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar-se de perigo


atual ou futuro que não provocou por sua vontade ou era escusável.

D) A legítima defesa putativa é causa de exclusão da ilicitude

E) N. R. A

7. (AGU / 99) A, imputável, jamaicano, sem assimilar a cultura brasileira, agindo


como se estivesse em seu país, pratica conduta definida como crime, no Brasil. Na
Jamaica, tal conduta é lícita. O fato configura erro de:

A) Tipo

B) Fato

C) Proibição

D) Crime impossível

E) Crime consumado

8. (AGU / 99) "A", imputável, inicia atos de execução de um crime; antes de ocorrer
o resultado, deixa de praticar os demais atos para atingir a consumação. A
consumação não acontece. A hipótese configura:

A) tentativa

B) arrependimento posterior

C) desistência voluntária

D) arrependimento eficaz

E) crime impossível

9. (BACEN / 2002) No que se refere ao arrependimento posterior pode-se afirmar


que:

A) para que haja a redução da pena, exige-se a completa reparação do dano ou a


restituição da coisa, além da necessidade da voluntariedade do ato realizado pelo agente.

B) se trata de causa facultativa de diminuição de pena.

C) só é aplicável caso a reparação do dano ou a restituição da coisa ocorra após o


recebimento da denúncia ou da queixa.

D) a redução da pena neste caso atinge todos os crimes, inclusive aqueles cometidos
com violência ou grave ameaça à pessoa.

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E) a reparação feita por um dos acusados não aproveita aos demais.

10. (Promotor – CE / 2001) A, imputável, inicia a execução de um crime; antes da


consumação, por deliberação própria, deixa de prosseguir os atos delituosos. A
hipótese caracteriza:

A) arrependimento eficaz

B) tentativa

C) desistência voluntária

D) consumação

E) exaurimento

11. (Fiscal trabalho / 1998) Assinale a opção cujo instituto jurídico não seja comum
ao crime e à contravenção penal.

A) tentativa

B) pena

C) resultado

D) consumação

E) execução

12. (MPU / 2004) Quanto ao arrependimento posterior, previsto no artigo 16 do


Código Penal, pode-se afirmar que:

A) não há limite temporal para a sua aplicação.

B) a redução de pena é aplicável aos crimes cometidos com ou sem violência ou grave
ameaça à pessoa.

C) se trata de mera atenuante e não de causa obrigatória de diminuição de pena.

D) a pena pode ser reduzida de 1 (um) a 2/3 (dois terços).

E) a reparação do dano exigida não precisa ser efetiva, bastando a simples intenção de
fazê-la.

13. (Auditor Fiscal do Trabalho / 2006) O agente que, voluntariamente, desiste de


prosseguir na execução do crime, responde:

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A) pela prática do crime tentado.

B) pela prática do crime consumado.

C) somente pelos atos já praticados.

D) pelo crime consumado, mas reduzida a pena de um a dois terços em virtude do


arrependimento posterior.

E) pelo crime consumado, sem qualquer redução da pena.

14. (BACEN / 2006) A tentativa:

A) constitui causa geral de diminuição da pena, devendo o respectivo redutor


corresponder à culpabilidade do agente.

B) é impunível nos casos de ineficácia absoluta do meio e de relativa impropriedade do


objeto.

C) exige comportamento doloso do agente.

D) não prescinde da realização de atos de execução, ainda que se trate de contravenção


penal.

E) dispensa o exaurimento da infração, necessário apenas para que se reconheça a


consumação.

15.(AGENTE DE POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL - NCE/UFRJ 2005) Entre as


alternativas abaixo, é correto afirmar que os ofendículos excluem:

a) o nexo causal;

b) a culpabilidade;

c) a imputabilidade;

d) a ilicitude;

e) a culpa.

16. (PC – MA / 2006) Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. A redução de
pena decorrente da tentativa deve resultar:

A) do iter criminis percorrido pelo agente em direção à consumação do delito.

B) da prevalência das circunstâncias atenuantes sobre as circunstâncias agravantes.

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C) da maior ou menor periculosidade do agente, tendo em conta os dados constantes do


processo.

D) da valoração dos antecedentes do agente, especialmente da primariedade e da


reincidência.

E) da intensidade do dolo, do grau da culpa, e dos motivos determinantes da conduta


delituosa.

17. (PC – MA / 2006) Considere:

I. Paulo deseja matar José, mas desiste de seu intento.

II. João deseja matar José, adquire veneno, mas se arrepende e também desiste.

III. Luiz deseja matar José, adquire veneno, coloca na xícara de café deste, mas se
arrepende e impede o mesmo de ingeri-lo.

IV. Pedro deseja matar José, adquire veneno, coloca na xícara de café deste; José
toma o veneno, mas é levado por sua empregada a um hospital, onde os médicos
conseguem salvá-lo.

Há tentativa de homicídio nas hipóteses indicadas APENAS em:

A) IV.

B) III.

C) III e IV.

D) II, III e IV.

E) I e II.

18. (PC – MA / 2006) Inclui-se dentre as causas excludentes da ilicitude:

A) a coação física irresistível.

B) o estado de necessidade.

C) a legítima defesa putativa.

D) a coação moral irresistível.

E) o desconhecimento da lei.

19. (Defensor Publico – MA / 2003) A tentativa:

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A) é impunível nos casos de ineficácia absoluta do meio e de relativa impropriedade do


objeto.

B) dispensa o exaurimento da infração, necessário apenas para que se reconheça a


consumação.

C) não prescinde, para seu reconhecimento, da realização de atos de execução, ainda


que se trate de contravenção penal.

D) exige comportamento doloso do agente.

E) constitui causa geral de diminuição da pena, devendo o respectivo redutor


corresponder à culpabilidade do agente.

20. (Auditor Fiscal – SP / 2007) Exclui a ilicitude da conduta:

A) a coação irresistível.

B) a obediência hierárquica.

C) a desistência voluntária.

D) o estrito cumprimento do dever legal.

E) o arrependimento posterior.

21. (Procurador – Recife / 2003) Excluem a antijuridicidade da conduta:

A) a legítima defesa, o estrito cumprimento do dever legal e a obediência hierárquica.

B) a coação irresistível, a desistência voluntária e o exercício regular de direito.

C) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estado de necessidade.

D) a coação irresistível, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.

E) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de


necessidade.

22. (SEFAZ – DF / 2001) Excluem a ilicitude da conduta:

A) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de


necessidade.

B) a legítima defesa, o exercício regular de direito e a coação irresistível.

C) a obediência hierárquica, a coação irresistível e a desistência voluntária.

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D) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estrito cumprimento do dever


legal.

E) o estado de necessidade, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.

23. (TCE – CE / 2006) A respeito do dolo e da culpa, é correto afirmar que:

A) não pode haver culpa se o agente tiver previsto o resultado.

B) o crime culposo não admite tentativa.

C) no Direito Penal a culpa do réu e da vítima podem compensar-se.

D) no Direito Penal não há concorrência de culpas.

E) a culpa é presumida no tipo penal e o dolo deve estar expresso.

24. (TCE – PB / 2006) Paulo arrombou o armário de Maria, sua colega de serviço, no
momento em que esta se ausentou do local de trabalho e subtraiu a carteira,
contendo R$ 100,00 em dinheiro, de dentro da bolsa. Dois meses depois, se
arrependeu. Procurou Maria e lhe devolveu a carteira e o dinheiro furtado, bem
como lhe reembolsou o dinheiro gasto no reparo do armário arrombado. Nesse
caso, Paulo:

A) só terá direito à redução de pena se Maria o perdoar expressamente perante o Juiz do


processo.

B) não terá direito a nenhum benefício, porque o arrependimento só tem eficácia se


ocorrer até a consumação do delito.

C) terá a pena reduzida de um a dois sextos, se a restituição dos valores furtados e a


reparação do dano tiverem ocorrido entre o recebimento da denúncia e a sentença.

D) não terá direito à redução da pena porque se trata de delito cometido mediante
violência consistente no arrombamento do armário.

E) terá a pena reduzida de um a dois terços, se a restituição dos valores furtados e a


reparação do dano tiverem ocorrido até o recebimento da denúncia.

25. (ESCRIVÃO DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO CEARÁ 2006) O agente que


pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício não era
razoável exigir-se, encontra-se em situação de:

A) legítima defesa.

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B) estado de necessidade putativo.

C) legítima defesa putativa.

D) estado de necessidade.

E) N.R.A

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL
§ 1º O condenado à pena de prisão simples fica
sempre separado dos condenados à pena de
reclusão ou de detenção.
§ 2º O trabalho é facultativo, se a pena aplicada
não excede a 15 (quinze) dias.
Reincidência
Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o
agente pratica uma contravenção depois de passar
em julgado a sentença que o tenha condenado, no
Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no
Brasil, por motivo de contravenção.
Erro de direito
Art. 8º No caso de ignorância ou de errada
compreensão da lei, quando escusáveis, a pena
pode deixar de ser aplicada.

Conversão da multa em prisão simples


CONTRAVENÇÃO
Art. 9º A multa converte-se em prisão simples,
A contravenção é tida como "crime anão", crime de acordo com o que dispõe o Código Penal sobre a
de mangas curtas. conversão de multa em detenção.
Parágrafo único. Se a multa é a única pena
cominada, a conversão em prisão simples se faz
CONTRAVENÇÕES PENAIS entre os limites de 15 (quinze) dias e 3 (três) meses.
Limites das penas
DECRETO-LEI Nº 3.688,
DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 Art. 10. A duração da pena de prisão simples
não pode, em caso algum, ser superior a 5 (cinco)
anos, nem a importância das multas ultrapassar
Lei das Contravenções Penais. cinqüenta contos de réis.
Parte Geral Suspensão condicional da pena de prisão
Aplicação das regras gerais do Código Penal. simples
O Presidente da República, usando das Art. 11. Desde que reunidas as condições legais,
atribuições que lhe confere o Art. 180 da o juiz pode suspender, por tempo não inferior a 1
Constituição, decreta: (um) ano nem superior a 3 (três), a execução da
pena de prisão simples, bem como conceder
Art. 1º Aplicam-se às contravenções as regras livramento condicional.
gerais do Código Penal, sempre que a presente Lei
não disponha de modo diverso. Penas acessórias
Territorialidade Art. 12. As penas acessórias são a publicação
da sentença e as seguintes interdições de direitos:
Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à I - a incapacidade temporária para profissão ou
contravenção praticada no território nacional. atividade, cujo exercício dependa de habilitação
especial, licença ou autorização do poder público;
Voluntariedade. Dolo e culpa II - a suspensão dos direitos políticos.
Parágrafo único. Incorrem:
Art. 3º Para a existência da contravenção, basta a) na interdição sob nº I, por 1 (um) mês a 2
a ação ou omissão voluntária. Deve-se, todavia, ter (dois) anos, o condenado por motivo de
em conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, contravenção cometida com abuso de profissão ou
de um ou de outra, qualquer efeito jurídico. atividade ou com infração de dever a ela inerente;
b) na interdição sob nº II, o condenado à pena
Tentativa privativa de liberdade, enquanto dure a execução da
pena ou a aplicação da medida de segurança
Art. 4º Não é punível a tentativa de detentiva.
contravenção.
Medidas de segurança
Penas principais
Art. 13. Aplicam-se, por motivo de contravenção,
Art. 5º As penas principais são: as medidas de segurança estabelecidas no Código
I - prisão simples; Penal, à exceção do exílio local.
II - multa.
Presunção de periculosidade
Prisão simples
Art. 14. Presumem-se perigosos, além dos
Art. 6º A pena de prisão simples deve ser indivíduos a que se referem os ns. I e II do Art. 78
cumprida, sem rigor penitenciário, em do Código Penal:
estabelecimento especial ou seção especial de I - o condenado por motivo de contravenção
prisão comum, em regime semi-aberto ou aberto. cometida em estado de embriaguez pelo álcool ou
16
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

substância de efeitos análogos, quando habitual a Art. 20. Anunciar processo, substância ou objeto
embriaguez; destinado a provocar aborto:
II - o condenado por vadiagem ou mendicância. Pena - multa.
III - (Revogado pela Lei nº 6.416, de 24-5-1977.)
IV - (Revogado pela Lei nº 6.416, de 24-5-1977.) Capítulo I - Das contravenções referentes à
pessoa
Internação em colônia agrícola ou em Vias de fato
instituto de trabalho, de reeducação ou de
ensino profissional Art. 21. Praticar vias de fato contra alguém:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
Art. 15. São internados em colônia agrícola ou (três) meses, ou multa, se o fato não constitui crime.
em instituto de trabalho, de reeducação ou de
ensino profissional, pelo prazo mínimo de 1 (um) Capítulo I - Das contravenções referentes à
ano: pessoa
I - o condenado por vadiagem (Art. 59); Internação irregular em estabelecimento
II - o condenado por mendicância (Art. 60 e seu psiquiátrico
parágrafo).
III - (Revogado pela Lei nº 6.416, de 24-5-1977.) Art. 22. Receber em estabelecimento
psiquiátrico, e nele internar, sem as formalidades
legais, pessoa apresentada como doente mental.
Pena - multa.
§ 1º Aplica-se a mesma pena a quem deixa de
Internação em manicômio judiciário ou em comunicar à autoridade competente, no prazo legal,
casa de custódia e tratamento internação que tenha admitido, por motivo de
urgência, sem as formalidades legais.
Art. 16. O prazo mínimo de duração da § 2º Incorre na pena de prisão simples, de 15
internação em manicômio judiciário ou em casa de (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa, aquele
custódia e tratamento é de 6 (seis) meses. que, sem observar as prescrições legais, deixa
Parágrafo único. O juiz, entretanto, pode, ao retirar-se ou despede de estabelecimento
invés de decretar a internação, submeter o indivíduo psiquiátrico pessoa nele internada.
a liberdade vigiada.
Capítulo I - Das contravenções referentes à
Ação penal pessoa
Indevida custódia de doente mental
Art. 17. A ação penal é pública, devendo a
autoridade proceder de ofício. Art. 23. Receber e ter sob custódia doente
mental, fora do caso previsto no artigo anterior, sem
Capítulo I - Das contravenções referentes à autorização de quem de direito:
pessoa Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
Fabrico, comércio, ou detenção de armas ou (três) meses, ou multa.
munição
Capítulo II - Das contravenções referentes ao
Art. 18. Fabricar, importar, exportar, ter em patrimônio
depósito ou vender, sem permissão da autoridade, Instrumento de emprego usual na prática de
arma ou munição: furto
Pena - prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um)
ano, ou multa, ou ambas cumulativamente, se o fato Art. 24. Fabricar, ceder ou vender gazua ou
não constitui crime contra a ordem política ou social. instrumento empregado usualmente na prática de
crime de furto:
Capítulo I - Das contravenções referentes à Pena - prisão simples, de 6 (seis) meses a 2
pessoa (dois) anos, e multa.
Porte de arma
Capítulo II - Das contravenções referentes ao
Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de patrimônio
dependência desta, sem licença da autoridade: Posse não justificada de instrumento de
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 6 emprego usual na prática de furto
(seis) meses, ou multa, ou ambas cumulativamente.
§ 1º A pena é aumentada de um terço até Art. 25. Ter alguém em seu poder, depois de
metade, se o agente já foi condenado, em sentença condenado por crime de furto ou roubo, ou
irrecorrível, por violência contra pessoa. enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando
§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de 15 conhecido como vadio ou mendigo, gazuas, chaves
(quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa, quem, falsas ou alteradas ou instrumentos empregados
possuindo arma ou munição: usualmente na prática de crime de furto, desde que
a) deixa de fazer comunicação ou entrega à não prove destinação legítima:
autoridade, quando a lei o deter-mina; Pena - prisão simples, de 2 (dois) meses a 1
b) permite que alienado, menor de 18 (dezoito) (um) ano, e multa.
anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a
tenha consigo; Capítulo II - Das contravenções referentes ao
c) omite as cautelas necessárias para impedir patrimônio
que dela se apodere facilmente alienado, menor de Violação de lugar ou objeto
18 (dezoito) anos ou pessoa inexperiente em
manejá-la. Art. 26. Abrir, alguém, no exercício de profissão
de serralheiro ou ofício análogo, a pedido ou por
Capítulo I - Das contravenções referentes à incumbência de pessoa de cuja legitimidade não se
pessoa tenha certificado previamente, fechadura ou
Anúncio de meio abortivo qualquer outro aparelho destinado à defesa de lugar
ou objeto:
17
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 Capítulo III - Das contravenções referentes à
(três) meses, ou multa. incolumidade pública
Direção não licenciada de aeronave
Capítulo II - Das contravenções referentes ao
patrimônio Art. 33. Dirigir aeronave sem estar devidamente
Exploração da credulidade pública licenciado:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
Art. 27. Explorar a credulidade pública mediante (três) meses, e multa.
sortilégios, predição do futuro, explicação de sonho,
ou práticas congêneres: Capítulo III - Das contravenções referentes à
Pena - prisão simples, de 1 (um) a 6 (seis) incolumidade pública
meses, e multa. Direção perigosa de veículo na via pública
Capítulo III - Das contravenções referentes à Art. 34. Dirigir veículos na via pública, ou
incolumidade pública embarcações em águas públicas, pondo em perigo
Disparo de arma de fogo a segurança alheia:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
Art. 28. Disparar arma de fogo em lugar habitado (três) meses, ou multa.
ou em suas adjacências, em via pública ou em
direção a ela:
Pena - prisão simples, de 1 (um) a 6 (seis)
meses, ou multa.
Parágrafo único. Incorre na pena de prisão Capítulo III - Das contravenções referentes à
simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou incolumidade pública
multa, quem, em lugar habitado ou em suas Abuso na prática da aviação
adjacências, em via pública ou em direção a ela,
sem licença da autoridade, causa deflagração Art. 35. Entregar-se, na prática da aviação, a
perigosa, queima fogo de artifício ou solta balão acrobacias ou a vôos baixos, fora da zona em que a
aceso. lei o permite, ou fazer descer a aeronave fora dos
lugares destinados a esse fim:
Capítulo III - Das contravenções referentes à Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
incolumidade pública (três) meses, ou multa.
Desabamento de construção
Capítulo III - Das contravenções referentes à
Art. 29. Provocar o desabamento de construção incolumidade pública
ou, por erro no projeto ou na execução, dar-lhe Sinais de perigo
causa:
Pena - multa, se o fato não constitui crime contra Art. 36. Deixar de colocar na via pública sinal ou
a incolumidade pública. obstáculo, determinado em lei ou pela autoridade e
destinado a evitar perigo a transeuntes:
Capítulo III - Das contravenções referentes à Pena - prisão simples, de 10 (dez) dias a 2 (dois)
incolumidade pública meses, ou multa.
Perigo de desabamento Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:
a) apaga sinal luminoso, destrói ou remove sinal
Art. 30. Omitir alguém a providência reclamada de outra natureza ou obstáculo destinado a evitar
pelo estado ruinoso de construção que lhe pertence perigo a transeuntes;
ou cuja conservação lhe incumbe: b) remove qualquer outro sinal de serviço
Pena - multa. público.
Capítulo III - Das contravenções referentes à
Capítulo III - Das contravenções referentes à incolumidade pública
incolumidade pública Arremesso ou colocação perigosa
Omissão de cautela na guarda ou condução
de animais Art. 37. Arremessar ou derramar em via pública,
ou em lugar de uso comum, ou de uso alheio, coisa
Art. 31. Deixar em liberdade, confiar à guarda de que possa ofender, sujar ou molestar alguém:
pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida Pena - multa.
cautela animal perigoso: Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele
Pena - prisão simples, de 10 (dez) dias a 2 (dois) que, sem as devidas cautelas, coloca ou deixa
meses, ou multa. suspensa coisa que, caindo em via pública ou em
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: lugar de uso comum ou de uso alheio, possa
a) na via pública, abandona animal de tiro, carga ofender, sujar ou molestar alguém.
ou corrida, ou o confia a pessoa inexperiente;
b) excita ou irrita animal, expondo a perigo a Capítulo III - Das contravenções referentes à
segurança alheia; incolumidade pública
c) conduz animal, na via pública, pondo em Emissão de fumaça, vapor ou gás
perigo a segurança alheia.
Art. 38. Provocar, abusivamente, emissão de
Capítulo III - Das contravenções referentes à fumaça, vapor ou gás, que possa ofender ou
incolumidade pública molestar alguém:
Falta de habilitação para dirigir veículo Pena - multa.
Art. 32. Dirigir, sem a devida habilitação, veículo Capítulo IV - Das contravenções referentes à
na via pública, ou embarcação a motor em águas paz pública
públicas: Associação secreta
Pena - multa.
Art. 39. Participar de associação de mais de
cinco pessoas, que se reúnam periodicamente, sob
18
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

compromisso de ocultar à autoridade a existência, Capítulo V - Das contravenções referentes à


objetivo, organização ou administração da fé pública
associação: Uso ilegítimo de uniforme ou distintivo
Pena - prisão simples, de 1 (um) a 6 (seis)
meses ou multa. Art. 46. Usar, publicamente, de uniforme, ou
§ 1º Na mesma pena incorre o proprietário ou distintivo de função pública que não exercer; usar,
ocupante de prédio que o cede, no todo ou em indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação
parte, para reunião de associação que saiba ser de cujo emprego seja regulado por lei.
caráter secreto. Pena - multa, se o fato não constitui infração
§ 2º O juiz pode, tendo em vista as penal mais grave.
circunstâncias, deixar de aplicar a pena, quando
lícito o objeto da associação. Capítulo VI - Das contravenções relativas à
organização do trabalho
Capítulo IV - Das contravenções referentes à Exercício ilegal de profissão ou atividade
paz pública
Provocação de tumulto. Conduta Art. 47. Exercer profissão ou atividade
inconveniente econômica ou anunciar que a exerce, sem
preencher as condições a que por lei está
Art. 40. Provocar tumulto ou portar-se de modo subordinado o seu exercício:
inconveniente ou desrespeitoso, em solenidade ou Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
ato oficial, em assembléia ou espetáculo público, se (três) meses, ou multa.
o fato não constitui infração penal mais grave:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 6 Capítulo VI - Das contravenções relativas à
(seis) meses, ou multa. organização do trabalho
Exercício ilegal do comércio de coisas
Capítulo IV - Das contravenções referentes à antigas e obras de arte
paz pública
Falso alarma Art. 48. Exercer, sem observância das
prescrições legais, comércio de antigüidades, de
Art. 41. Provocar alarma, anunciando desastre obras de arte, ou de manuscritos e livros antigos ou
ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz raros:
de produzir pânico ou tumulto: Pena - prisão simples, de 1 (um) a 6 (seis)
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 6 meses, ou multa.
(seis) meses, ou multa.
Capítulo VI - Das contravenções relativas à
Capítulo IV - Das contravenções referentes à organização do trabalho
paz pública Matrícula ou escrituração de indústria e
Perturbação do trabalho ou do sossego profissão
alheios
Art. 49. Infringir determinação legal relativa à
Art. 42. Perturbar alguém, o trabalho ou o matrícula ou à escrituração de indústria, de
sossego alheios: comércio, ou de outra atividade:
I - com gritaria ou algazarra; Pena - multa.
II - exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em
desacordo com as prescrições legais; Capítulo VII - Das contravenções relativas à
III - abusando de instrumentos sonoros ou sinais polícia de costumes
acústicos; Jogo de azar
IV - provocando ou não procurando impedir
barulho produzido por animal de que tem guarda: Art. 50. Estabelecer ou explorar jogo de azar em
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 lugar público ou acessível ao público, mediante o
(três) meses, ou multa. pagamento de entrada ou sem ele:
Pena - prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um)
Capítulo V - Das contravenções referentes à ano, e multa, estendendo-se os efeitos da
fé pública condenação à perda dos móveis e objetos de
Recusa de moeda de curso legal decoração do local.
§ 1º A pena é aumentada de um terço, se existe
Art. 43. Recusar-se a receber pelo seu valor, entre os empregados ou participa do jogo pessoa
moeda de curso legal do País: menor de 18 (dezoito) anos.
Pena - multa. § 2º Incorre na pena de multa, quem é
encontrado a participar do jogo, como ponteiro ou
Capítulo V - Das contravenções referentes à apostador.
fé pública § 3º Consideram-se jogos de azar:
Imitação de moeda para propaganda a) o jogo em que o ganho e a perda dependem
exclusiva ou principalmente da sorte;
Art. 44. Usar, como propaganda, de impresso ou b) as apostas sobre corrida de cavalos fora de
objeto que pessoa inexperiente ou rústica possa hipódromo ou de local onde sejam autorizadas;
confundir com moeda: c) as apostas sobre qualquer outra competição
Pena - multa. esportiva.
§ 4º Equiparam-se, para os efeitos penais, a
Capítulo V - Das contravenções referentes à lugar acessível ao público:
fé pública a) a casa particular em que se realizam jogos de
Simulação da qualidade de funcionário azar, quando deles habitualmente participam
pessoas que não sejam da família de quem a
Art. 45. Fingir-se funcionário público: ocupa;
Pena - prisão simples, de 1 (um) a 3 (três) b) o hotel ou casa de habitação coletiva, a cujos
meses, ou multa. hóspedes e moradores se proporciona jogo de azar;

19
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

c) a sede ou dependência de sociedade ou Pena - prisão simples, de 1 (um) a 6 (seis)


associação, em que se realiza jogo de azar; meses, e multa.
d) o estabelecimento destinado à exploração de
jogo de azar, ainda que se dissimule esse destino. Capítulo VII - Das contravenções relativas à
polícia de costumes
Capítulo VII - Das contravenções relativas à Distribuição ou transporte de listas ou avisos
polícia de costumes
Loteria não autorizada Art. 56. Distribuir ou transportar cartazes, listas
de sorteio ou avisos de loteria, onde ela não possa
Art. 51. Promover ou fazer extrair loteria, sem legalmente circular:
autorização legal: Pena - prisão simples, de 1 (um) a 3 (três)
Pena - prisão simples, de 6 (seis) meses a 2 meses, e multa.
(dois) anos, e multa, estendendo-se os efeitos da
condenação à perda dos móveis existentes no local. Capítulo VII - Das contravenções relativas à
§ 1º Incorre na mesma pena quem guarda, polícia de costumes
vende ou expõe à venda, tem sob sua guarda, para Publicidade de sorteio
o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na
circulação bilhete de loteria não autorizada. Art. 57. Divulgar, por meio de jornal ou outro
§ 2º Considera-se loteria toda ocupação que, impresso, de rádio, cinema, ou qualquer outra
mediante a distribuição de bilhete, listas, cupões, forma, ainda que disfarçadamente, anúncio, aviso
vales, sinais, símbolos ou meios análogos, faz ou resultado de extração de loteria, onde a
depender de sorteio a obtenção de prêmio em circulação dos seus bilhetes não seja legal:
dinheiro ou bens de outra natureza. Pena - multa.
§ 3º Não se compreendem na definição do
parágrafo anterior os sorteios autorizados na
legislação especial.
Capítulo VII - Das contravenções relativas à
polícia de costumes
Loteria estrangeira Capítulo VII - Das contravenções relativas à
polícia de costumes
Art. 52. Introduzir, no País, para o fim de Jogo do bicho
comércio, bilhete de loteria, rifa ou tômbola
estrangeiras: Art. 58. Explorar ou realizar a loteria denominada
Pena - prisão simples, de 4 (quatro) meses a 1 jogo do bicho, ou praticar qualquer ato relativo à sua
(um) ano, e multa. realização ou exploração:
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem Pena - prisão simples, de 4 (quatro) meses a 1
vende, expõe à venda, tem sob sua guarda, para o (um) ano, e multa.
fim de venda, introduz ou tenta introduzir na Parágrafo único. Incorre na pena de multa
circulação, bilhete de loteria estrangeira. aquele que participa da loteria, visando a obtenção
de prêmio, para si ou para terceiro.
Capítulo VII - Das contravenções relativas à
polícia de costumes Capítulo VII - Das contravenções relativas à
Loteria estadual polícia de costumes
Vadiagem
Art. 53. Introduzir, para o fim de comércio,
bilhete de loteria estadual em território onde não Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à
possa legalmente circular: ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter
Pena - prisão simples, de 2 (dois) a 6 (seis) renda que lhe assegure meios bastantes de
meses, e multa. subsistência, ou prover a própria subsistência
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem mediante ocupação ilícita:
vende, expõe à venda, tem sob sua guarda, para o Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
fim de venda, introduz ou tenta introduzir na (três) meses.
circulação, bilhete de loteria estadual, em território Parágrafo único. A aquisição superveniente de
onde não possa legalmente circular. renda, que assegure ao condenado meios bastantes
de subsistência, extingue a pena.
Capítulo VII - Das contravenções relativas à
polícia de costumes Capítulo VII - Das contravenções relativas à
Exibição ou guarda de lista de sorteio polícia de costumes
Mendicância
Art. 54. Exibir ou ter sob sua guarda lista de
sorteio de loteria estrangeira: Art. 60. Mendigar, por ociosidade ou cupidez:
Pena - prisão simples, de 1 (um) a 3 (três) Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
meses, e multa. (três) meses.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem Parágrafo único. Aumenta-se a pena de um
exibe ou tem sob sua guarda lista de sorteio de sexto a um terço, se a contravenção é praticada:
loteria estadual, em território onde esta não possa a) de modo vexatório, ameaçador ou fraudulento;
legalmente circular. b) mediante simulação de moléstia ou
deformidade;
Capítulo VII - Das contravenções relativas à c) em companhia de alienado ou de menor de 18
polícia de costumes (dezoito) anos.
Impressão de bilhetes, lista ou anúncios
Capítulo VII - Das contravenções relativas à
Art. 55. Imprimir ou executar qualquer serviço de polícia de costumes
feitura de bilhetes, lista de sorteio, avisos ou Importunação ofensiva ao pudor
cartazes relativos a loteria, em lugar onde ela não
possa legalmente circular: Art. 61. Importunar alguém, em lugar público ou
acessível ao público, de modo ofensivo ao pudor:
20
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Pena - multa. Art. 67. Inumar ou exumar cadáver, com infração


das disposições legais:
Capítulo VII - Das contravenções relativas à Pena - prisão simples, de 1 (um) mês a 1 (um)
polícia de costumes ano, ou multa.
Embriaguez
Capítulo VIII - Das contravenções referentes à
Art. 62. Apresentar-se publicamente em estado administração pública
de embriaguez, de modo que cause escândalo ou Recusa de dados sobre própria identidade ou
ponha em perigo a segurança própria ou alheia: qualificação
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3
(três) meses, ou multa. Art. 68. Recusar à autoridade, quando por esta
Parágrafo único. Se habitual a embriaguez, o justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou
contraventor é internado em casa de custódia e indicações concernentes à própria identidade,
tratamento. estado, profissão, domicílio e residência:
Pena - multa.
Capítulo VII - Das contravenções relativas à Parágrafo único. Incorre na pena de prisão
polícia de costumes simples, de 1 (um) a 6 (seis) meses, e multa, se o
Bebidas alcoólicas fato não constitui infração penal mais grave, quem,
nas mesmas circunstâncias, faz declarações
Art. 63. Servir bebidas alcoólicas: inverídicas a respeito de sua identidade pessoal,
I - a menor de 18 (dezoito) anos; estado, profissão, domicílio e residência.
II - a quem se acha em estado de embriaguez;
III - a pessoa que o agente sabe sofrer das
faculdades mentais;
IV - a pessoa que o agente sabe estar
judicialmente proibida de freqüentar lugares onde se
consome bebida de tal natureza:
Pena - prisão simples, de 2 (dois) meses a 1
(um) ano, ou multa. Capítulo VIII - Das contravenções referentes à
administração pública
Capítulo VII - Das contravenções relativas à Proibição de atividade remunerada a
polícia de costumes estrangeiro
Crueldade contra animais
Art. 69. (Revogado pela Lei nº 6.815, de 19-8-
Art. 64. Tratar animal com crueldade ou 1980.)
submetê-lo a trabalho excessivo:
Pena - prisão simples, de 10 (dez) dias a 1 (um) Capítulo VIII - Das contravenções referentes à
mês, ou multa. administração pública
§ 1º Na mesma pena incorre aquele que, embora Violação do privilégio postal da União
para fins didáticos ou científicos, realiza, em lugar
público ou exposto ao público, experiência dolorosa Art. 70. Praticar qualquer ato que importe
ou cruel em animal vivo. violação do monopólio postal da União:
§ 2º Aplica-se a pena com aumento de metade, Pena - prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um)
se o animal é submetido a trabalho excessivo ou ano, ou multa, ou ambas cumulativamente.
tratado com crueldade, em exibição ou espetáculo
público. Disposições finais
Capítulo VII - Das contravenções relativas à Art. 71. Ressalvada a legislação especial sobre
polícia de costumes florestas, caça e pesca, revogam-se as disposições
Perturbação da tranqüilidade em contrário.
Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a Art. 72. Esta Lei entrará em vigor no dia 1º de
tranqüilidade, por acinte ou por motivo reprovável: janeiro de 1942.
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2
(dois) meses, ou multa. Rio de Janeiro, 3 de outubro de 1941; 120º da
Independência e 53º da República.
Capítulo VIII - Das contravenções referentes à
administração pública Getúlio Vargas
Omissão de comunicação de crime
Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade
competente:
I - crime de ação pública, de que teve
conhecimento no exercício de função pública, desde
que a ação penal não dependa de representação;
II - crime de ação pública, de que teve
conhecimento no exercício da medicina ou de outra
profissão sanitária, desde que a ação penal não
dependa de representação e a comunicação não
exponha o cliente a procedimento criminal:
Pena - multa.
Capítulo VIII - Das contravenções referentes à
administração pública
Inumação ou exumação de cadáver

21
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

c) força maior
d) caso fortuito
e) n.d.a.
06) Admite-se, no direito penal brasileiro:
a) co-autoria em crime culposo
b) a tentativa no crime de injúria (CP, Art. 140)
c) o perdão judicial no crime de descaminho
d) a aplicação de uma escusa absolutória no
peculato culposo
e) n.d.a.
07) O desconhecimento da lei implica:
a) a exclusão de antijuridicidade
b) a exclusão de culpabilidade
c) circunstância atenuante da pena
d) circunstância qualificadora da pena
e) n.d.a.
08) No concurso de pessoas, comunicam-se as
circunstâncias:
a) e condições de caráter pessoal
b) subjetivas pessoais
c) e condicionais de caráter subjetivo e
objetivo
d) e condições de caráter pessoal, quando
elementares
e) n.d.a.
09) O momento consumativo do crime
TESTES DE continuado ocorre com
a) a primeira das ações que o integram
DIREITO PENAL b) qualquer das ações que o integram
c) a Última das ações que o integram
01) No crime de peculato, abstraída a condição d) a consumação da segunda das ações que o
de "funcionário público" do agente ocorre: integram
a) detração penal e) n.d.a.
b) "actio libera in causa"
c) atipicidade absoluta 10) O sujeito passivo no crime de atentado
d) irrelevância penal do fato violento ao pudor está expresso como sendo
e) desclassificação do crime para outro a) mulher
b) mulher e virgem
02) As afirmações abaixo estão corretas, c) alguém
exceto: "Não excluem a culpabilidade": d) mulher honesta
a) o erro sobre pessoa (error in persona) e) n.d.a.
b) o erro na execução (aberratio ictus)
c) o resultado diverso do pretendido (aberratio 11) Ocorre arrependimento eficaz quando o
criminis) agente
d) a coação moral irresistível a) voluntariamente desiste de prosseguir na
e) a emoção e a paixão execução do crime
b) voluntariamente impede que o resultado
03) Sobre a interpretação analógica no direito criminoso se produza
penal podemos dizer que ela: c) por circunstâncias alheias à sua vontade
a) não é admitida no direito penal desiste da consumação do ilíto
b) aplica-se ao texto quando ele diz menos d) n.d.a.
que o pretendido
c) ocorre quando o próprio dispositivo legal 12) Os elementos seguintes integram o crime de
determina a sua aplicação estelionato, salvo
d) é o raciocínio que parte do geral para o a) obtenção de vantagem para si ou para
especial outrem
e) é sinônimo de analogia b) prejuízo de valor considerável
c) emprego de meio fraudulento
04) A consciência da ilicitude do fato: d) n.d.a.
a) é parte integrante do dolo, na teoria da ação
finalista 13) Configura-se crime de resistência quando a
b) integra o tipo, na teoria normativa mais oposição a execução de ato legal se faz
tradicional a) mediante promessa de vantagem indevida
c) integra a culpabilidade, na teoria da ação b) necessariamente com emprego de violência
finalista c) com a simples ameaça a funcionário
d) integra a ação, na teoria da ação finalista competente
e) n.d.a. d) n.d.a.
05) Em direito penal, costuma-se dizer que se o 14) Diz-se que o furto à qualificado, quando é
fato não, foi previsto por quem lhe deu causa e se, praticado
além disso, era de todo imprevisível e só por isso a) com abuso de confiança
inevitável, ocorre uma hipótese de: b) por sócio contra quem legitimamente detém
a) culpa inconsciente a coisa comum
b) dodo eventual
22
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

c) em prejuízo do cônjuge, na constância da d) se todas elas forem corretas


sociedade conjuga
d) n.d.a. I) A legítima defesa à causa de exclusão de
antijuridicidade.
15) A subtração de energia elétrica é II) A coação moral irresistível, é causa de
a) furto exclusão de antijuridicidade.
b) estelionato III) No crime de falso testemunho, o fato não
c) apenas ilícito civil deixa de ser punível mesmo quando o agente se
d) n.d.a. retrata ou declara a verdade antes da sentença a
ser proferida no processo em que o crime se
16) A doutrina dominante justifica a punição dos consumou.
crimes em estado de enbriaguês: IV) Diz-se consumado o crime quando nele se
a) pela teoria da "act-lo libera in causa reúnem todos os elementos de sua definição legal.
b) pelo princípio do "nullum crimen, nulla
poena sine lege" 23) Na "aberratio ictus" com lesão à terceiro e à
c) pela responsabilidade objetiva pessoa visada, haverá:
d) n.d.a. a) concurso de crimes
b) crime único
17) Em Direito Penal , quando o agente, c) excesso culposo
penalmente capaz, pratica o fato em legítima d) erro de tipo
defesa, tem-se (assinale a alternativa correta): e) n.d.a.
a) uma excludente de imputabilidade
b) uma irresponsabilidade penal 24) Em relação ao crime de latrocínio, pode-
c) uma hipótese de "actio libera in causa" se dizer que:
d) uma descriminante a) está consumado, se há a subtração, ainda
e) n.d.a. que a vítima sobreviva ao ataque físico ,
b) não cabe aplicar o aumento de pena
previsto no § 2º., I, do Art. 157 do Código Penal
c) é considerado crime progressivo
18) A receptação culposa ou dolosa é punível d) à considerado crime permanente
somente e) n.d.a.
a) se conhecido o autor do crime de que
proveio a coisa 25) Entre os requisitos da Legitima defesa, não
b) se punido o autor do crime de que proveio a figura:
coisa a) a preservação de um direito, próprio ou de
c) se comprovada a origem ilegítima da coisa outrem
d), se não se suceder absolvição por não haver b) o emprego moderado dos meios
prova da existência do fato anterior necessários à defesa
e) n.d.a. c) a impossibilidade de prevenir, ou obstar a
ação, ou de invocar e receber socorro da autoridade
19) Não admitem a tentativa os seguintes pública
crimes: d) agressão atual, ou iminente, e injustiça
a) culposos, materiais e preterdolosos e) n.d.a.
b) culposos, formais e unissubsistentes
c) unissubsistentes, plurissubsistentes e os 26) O elemento subjetivo ou culpabilidade
omissivos próprios a) exclui o dolo
d) omissivos impróprios, os materiais e os de b) abrange a imprudência, que é a omissão de
mera conduta um determinado procedimento que deveria ter o
e) n.d.a. agente
c) inexiste se o resultado não à previsível
20) Para a doutrina finalista: d) envolve a imperícia, que se traduz pela
a) o dolo é normativo porquanto contêm a ação em que o agente manifesta desprezo pela
consciência da antijuridicidade cautela normal
b) o dolo é normativo não porquanto não e) n.d.a.
contem a consciência da antijuridicidade
c) o dolo é natural porquanto contém a 27) A desistência voluntária corresponde,
consciência da antijuridicidade penalmente:
d) o dolo é natural porquanto não contêm a a) ao crime consumado
consciência da antijuridicidade b) ao arrependimento eficaz
e) n.d.a. c) ao arrependimento posterior
d) à tentativa
21) O empregado que subtrai uma ferramenta e) n.d.a.
da empresa durante a jornada de trabalho e é
surpreendido com esse objeto na revista pessoal 28) Um elemento, pretendendo praticar um
diária, antes da saída, vindo a ser preso em furto, tenta arrombar uma porta, porém afasta-se do
flagrante, comete: local. Na hipótese, ocorre
a) crime consumado a) crime consumado
b) contravenção consumada b) desistência voluntária
c) contravenção penal tentada c) crime tentado
d) crime tentado d) arrependimento eficaz
e) n.d.a. e) n.d.a.
22) A luz do Direito Penal, examine as 29) Denomina-se ultratividade da Lei Penal a
alternativas abaixo e assinale: a) aplicação da norma jurídica após a sua
a) se uma delas for correta revogação
b) se duas delas forem corretas b) aplicação da norma do fato ocorrido antes
c) se três delas forem corretas do início de sua vigência
23
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

c) adoção do princípio "tempus regit actum" 38) Se o funcionário público exige vantagem,
d) retroação restritiva da lei mais benigna em razão da função, mas não a tendo assumido,
e) n.d.a. comete:
a) crime de corrupção passiva
30) O sistema adotado pela legislação penal b) crime de concussão
para a fixação da imputabilidade é o c) crime de exploração
a) biológico d) um indiferente penal
b) psicológico e) n.d.a.
c) etiológico
d) biopsicologico 39) No peculato culposo
e) n.d.a. a) a reparação do dano, se precede a
sentença irrecorrível, extingue a punibilidade do
31) Servidor público que, embora não tenha a crime
posse do objeto, facilita para que um terceiro b) a reparação do dano, se precede a
ingresse na repartição pública e o subtraia pratica sentença irrecorrível, dá direito ao Wsursis"
a) furto c) a reparação do dano, se precede a
b) peculato próprio sentença irrecorrível, não causa nenhum efeito na
c) peculato apropriação pena
d) peculato impróprio d) n.d.a.
e) n.d.a.
40) O delito de peculato configura-se somente
32) A perda de cargo público, nos crimes quando é praticado
praticados com abuso de poder, quando a pena a) por particular
aplicada for superior a quatro anos, se constitui em b) por funcionário público
a) interdição temporária de direitos c) por estrangeiro
b) efeito principal, imediato e automático da d) por criminoso reincidente
condenação e) n.d.a.
c) efeito especifico não automático da
condenação 41) Retardar ou deixar de praticar
d) medida de segurança restritiva indevidamente, ato de ofício, constitui
e) n.d.a. a) crime de prevaricação, desde que seja para
satisfazer interesse ou sentimento pessoal
33) O erro na execução (aberratio ictus), b) crime de condescendência criminosa
previsto no artigo 73 do CP, ocorre c) crime de prevaricação, punível somente
a) nos crimes contra o patrimônio quando culposo, e praticado para satisfazer
b) nos crimes contra a pessoa interesse ou sentimento pessoal
c) nos crimes contra a pessoa e contra o d) crime de advocacia administrativa
patrimônio e) n.d.a.
d) em qualquer crime previsto na legislação
penal 42) O funcionário público que pratica violência,
no exercício da função, ou a pretexto de exerci-la,
34) A embriagues completa, proveniente de estará sujeito às penas:
força maior, à causa extinta de a) previstas para a violência arbitrária,
a) tipicidade somente
b) culpabilidade b) previstas para a prevaricação e violência
c) ilicitude arbitraria
d) antijuridicidade c) previstas para a violência arbitrária e a
e) n.d.a. correspondente violência
d) n.d.a.
35) O excesso na legitima defesa decorre
a) da conduta em desacordo com o 43) Para os efeitos penais, considera-se
ordenamento jurídico funcionário público:
b) do que se denomina defesa "sucessiva" a) somente quem exerce função pública
c) de uma provocação extremamente injusta remunerada
d) do uso inadequado do meio empregado ou b) somente quem exerce cargo público
da falta de moderação na repulsa remunerado
e) n.d.a. c) quem, embora transitoriamente, ou sem
remuneração, exerce cargo, emprego ou função
36) Incide diretamente sobre o dolo ou a culpa pública
a) o erro de proibição d) somente quem exerce cargo público estável
b) o erro de tipo e) n.d.a.
c) o erro sobre a ilicitude do fato
d) o erro acidental 44) Quando é oferecida vantagem indevida a
e) n.d.a. funcionário público, para que retarde ato de ofício
a) o crime de corrupção ativa somente se
37) A forma tentada no crime de peculato configura quando a vantagem aceita
culposo b) o crime de corrupção ativa somente se
a) não é admitida no direito penal configura com o simples ofereci mento
b) à admitida e a pena será reduzida de 1/3 a c) o crime de corrupção ativa somente se
2/3 configura se a vantagem e concedida antes do
c) é aceita na hipótese de co-autoria com retardamento do ato
particular d) inexiste o crime de corrupção ativa quando
d) não é aceita porque o crime de peculato e a vantagem e concedida após o retardamento do
sempre doloso ato
e) n.d.a. e) n.d.a.

24
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

45) Quanto a culpabilidade, é correto afirmar que


ela:
a) exclui o dolo
b) abrange a imprudência, que se configura pela
omissão de uma cautela que se deveria tomar.
c) não existe, se o resultado delituoso é
imprevisível
d) envolve a imperícia, que é menosprezo pelas
cautelas legais que se deve tomar no exercício de
um direito.
46) Com relação aos crimes culposos:
a) não podem ser cometidos em concurso de
agente
b) independem de prévia previsão legal
c) não admite tentativa
d) dependem da intenção do agente que busca o
resultado
47) Marque a afirmação certa:
a) A tentativa é punida sempre, mas com a pena
correspondente a do crime, diminuída de um a dois
terços.
b) O resultado, de que independe a existência do
crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
c) Sem o nexo de causalidade, o agente é
inimputável.
d) Há imputabilidade quando a embriaguez é
incompleta, mas decorrente de caso fortuito ou força
maior.
48) Marque a assertiva errada:
a) A omissão é irrelevante penalmente, quando o
omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
b) Quem tem por lei a obrigação de cuidado,
RESPOSTAS
proteção ou vigilância, é penalmente responsável 1) e 26) c
em caso de omissão. 2) e 27) b
c) A superveniência de causa relativamente 3) c 28) b
independente exclui a imputação, quando, por si só, 4) c 29) a
produziu o resultado; os fatos anteriores imputam-se 5) d 30) d
a quem os praticou. 6) a 31) d
d) Considera-se causa a conduta sem a qual o 7) c 32) c
resultado não teria ocorrido. 8) d 33) b
49) Assinale a alternativa correta: 9) c 34) b
a) A superveniência de causa absolutamente 10) c 35) d
independente exclui a imputação, quando, por si só, 11) b 36) b
produziu o resultado. 12) b 37) a
b) A reparação do dano ou restituição da coisa, 13) c 38) b
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por 14) a 39) a
ato voluntário do agente, reduz a pena de um a dois 15) a 40) b
terços. 16) a 41) a
c) O crime é culposo, quando o resultado é 17) d 42) d
imprevisto e imprevisível. 18) c 43) c
d) O crime é culposo, quando o agente não quer 19) b 44) b
o resultado, mas assume o risco de produzi-lo. 20) d 45) b
21) d 46) c
50) Assinale a assertiva errada: 22) b 47) c
a) É isento de pena quem, por erro plenamente 23) a 48) a
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de 24) b 49) a
fato que, se existisse, tornaria sua ação legítima. 25) c 50) c
b) Não há isenção de pena, em descriminante
putativa, se o erro deriva de culpa.
c) Há isenção de pena em descriminante
putativa, quando há culpa e o fato é punível como
crime culposo.
d) Em caso de erro provocado por terceiro, este
responderá pelo resultado.

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