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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO - UFERSA

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS E HUMANAS – CCSAH


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS - DCH
Profº Me. Alcigerio Pereira de Queiroz
SOCIOLOGIA RURAL – Unidade: 01 Turma: 03

João Victor da Silva Oliveira

FICHAMENTO E EXERCÍCIO - A SOCIOLOGIA DE ÉMILE DURKHEIM

Mossoró-RN
Março, 2021
FICHAMENTO
A Sociologia de Émile Durkheim (p. 38 - 44). Terceiro capítulo.

COSTA, Cristina. ​Sociologia: Introdução à ciência da sociedade​. 4. ed. São Paulo:


Moderna, 2010.

1. O que é fato social

“A sociologia é a ciência que estuda a sociedade humana e cujo desenvolvimento se deu a


partir da necessidade de compreensão do homem e de sua vida em grupo.” (p. 38).

“A difusão do socialismo, o vigoroso movimento operário e a crise constante da República


francesa estimularam o estudo das bases da ordem social e do pacto entre os cidadãos. A
formação judaica de Émile Durkheim, por outro lado, favorecia a análise dos laços
comunitários e da coesão social.” (p. 38).

1.1. Características dos fatos sociais


1.1.1. Coerção

“Para Durkheim, os fatos sociais distinguem-se dos fatos orgânicos ou psicológicos por se
imporem ao indivíduo como uma poderosa força coercitiva à qual ele deve,
obrigatoriamente, se submeter.” (p. 39).

“A força coercitiva dos fatos sociais se manifesta pelas “sanções legais” ou “espontâneas”
(...). “Legais” são as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de leis (...).
“Espontâneas” são as que afloram como resposta a uma conduta considerada inadequada
por um determinado grupo ou por uma sociedade.” (p. 39).

“A “educação” - entendida de forma geral, ou seja, a educação formal e a informal -


desempenha, segundo Durkheim, uma importante tarefa nessa adequação dos indivíduos à
sociedade em que vivem, a ponto de, após algum tempo, as regras estarem internalizadas
nos membros do grupo e transformadas em hábitos.” (p. 39).

1.1.2. Exterioridade

“A segunda característica dos fatos sociais é que eles existem e atuam independentemente
da vontade ou adesão consciente dos indivíduos, sendo assim, “exteriores” a eles.”

“(..) os fatos sociais são ao mesmo tempo coercitivos e dotados de existência exterior às
consciências individuais.” (p. 39).

1.1.3. Generalidade

“(...) é possível distinguir fatos sociais porque eles não se apresentam como fatos isolados.
Eles são dotados de generalidade, envolvem muitos indivíduos e grupos ao longo do tempo,
repetem-se e difundem-se.” (p. 40).
1.2. A objetividade do fato social

“(...) Durkheim procurou respeitar a distância e a neutralidade do cientista diante de seu


objeto de estudo, condição necessária a uma ciência objetiva.” (p. 40).

“(...) Deveria deixar de lado seus preconceitos, isto é, valores e sentimentos pessoais em
relação àquilo que está sendo estudado, pois tudo que nos mobiliza - nossas simpatias,
paixões e opiniões - dificulta o conhecimento verdadeiro, fazendo-nos confundir o que
vemos com aquilo que queremos ver.” (p. 41).

“(...) Durkheim aconselhou o sociólogo a encarar os fatos sociais como “coisas”, isto é,
objetos que lhe são exteriores.” (p. 41).

1.3. Suicídio

“(...) Considerou-o fato social por sua presença universal em toda e qualquer sociedade, e
por suas características exteriores e mensuráveis, completamente independente das razões
que levam cada suicida a acabar com a própria vida.” (p. 41).

“(...) Para Durkheim, a prova de que o suicídio depende de leis sociais e não da vontade
dos sujeitos estava na regularidade com que variavam as taxas de suicídio de acordo com
as alternâncias das condições históricas.” (p. 41).

2. Normalidade e patologia nos fatos sociais

“Pode-se considerar um fato social como “normal” quando se encontra generalizado pela
sociedade ou quando desempenha alguma função importante para sua adaptação ou sua
evolução.” (p. 42).

“A “generalidade” de um fato social, isto é, sua unanimidade, é garantia de normalidade na


medida em que representa o consenso social, a vontade coletiva ou o acordo de um grupo
a respeito de determinada questão.” (p. 42).

3. A consciência coletiva e a consciência individual

“(...) Embora todos tenham sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar
e interpretar a vida, podem-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas
padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base do que Durkheim
chamou de “consciência coletiva” (p. 43).

“A consciência coletiva é, em certo sentido, a moral vigente na sociedade. Ela aparece


como um conjunto de regras fortes e estabelecidas que atribuem valor e delimitam os atos
individuais. É a consciência coletiva que define o que, numa sociedade, é considerado
“imoral”, “reprovável” ou “criminoso”.” (p. 43)
4. Morfologia social: as espécies sociais

“Durkheim também considerava como um dos objetivos da sociologia a comparação de uma


sociedade com a outra, constituindo-se numa morfologia social (...).” (p. 43).

“(...) Durkheim propunha que toda sociedade tivesse evoluído de uma forma social mais
simples, a horda, constituída de um único segmento de indivíduos. Das combinações entre
essas formas simples e igualitárias originaram-se as sociedades mais complexas (...).” (p.
43).

“Para os bons resultados desse trabalho de constituição de uma morfologia social,


Durkheim orienta os sociólogos a se valerem de apurada observação empírica. (...)”. (p. 44).

4.1. Solidariedade mecânica e solidariedade orgânica

“Solidariedade mecânica, para Durkheim, era aquela que predominava nas sociedades
pré-capitalistas, em que os indivíduos se identificavam por meio da família, da religião, da
tradição e dos costumes, permanecendo em geral independentes e autônomos em relação
à divisão social do trabalho (...).” (p. 44).

“Solidariedade orgânica seria aquela típica das sociedades capitalistas, em que, pela
acelerada divisão social do trabalho, os indivíduos se tornavam interdependentes. (...) Nas
sociedades capitalistas, a consciência coletiva se afrouxa, ao mesmo tempo que os
indivíduos se tornam mutuamente dependentes, cada qual se especializa numa atividade e
tende a desenvolver maior autonomia pessoal.” (p. 44).

5. Durkheim e a sociologia científica

“Essa postura estava centrada na na verificação dos fatos que poderiam ser observados,
mensurados e relacionados por meio de dados coletados diretamente pelo cientista.
Observação, mensuração e interpretação eram aspectos complementares do método
durkheimiano.” (p. 44).

“(...) Pode-se dizer que já se delineava uma apreensão da sociologia em que se


relacionavam harmonicamente o geral e o particular. Em vista de todos esses aspectos tão
relevantes e inéditos, os limites antes impostos pela filosofia positivista perderam sua
importância, fazendo dos estudos de Durkheim um constante objeto de interesse da
sociologia contemporânea.” (p. 44).
EXERCÍCIO

1. Fatos sociais são um conjunto de objetos e conceitos que definem como os


indivíduos devem agir perante as diversas situações enfrentadas na sociedade.
2. As 3 características são: Coercitividade, exterioridade e generalidade. Os fatos
sociais diferenciam-se dos fatos orgânicos por se imporem ao indivíduo de forma
coercitiva poderosa, que obriga o indivíduo a se submeter. Além disso, os fatos
sociais são exteriores aos indivíduos. Eles surgem antes mesmo do nascimento de
cada um, sendo passados através dos costumes e tradições. E como terceira
característica, eles são gerais, não focando somente em um determinado indivíduo,
mas sim nos grandes grupos e organizações sociais.
3. Durkheim afirma que o sociólogo deve apreender a realidade que o cerca, sem
distorcê-la com os seus desejos e preconceitos. Deveria manter um distanciamento
dos seus sentimentos pessoais e valores, pois todas essas coisas dificultam o
conhecimento verdadeiro, nos fazendo confundir o que vemos com o que queremos
ver.
4. Ele dizia que toda sociedade evoluiu de uma forma social mais simples, a horda,
constituída por um único segmento de indivíduos. Diferenciou também as espécies
sociais das diferentes fases históricas. Disse que as transformações históricas são
mais efêmeras, enquanto a diversidade de espécies é mais constante.
5. Solidariedade mecânica é aquela que relaciona o indivíduo com a família, a religião,
a tradição e os costumes, prevalecendo a independência e a autonomia em relação
à divisão social do trabalho. Solidariedade orgânica é aquela que, pela acelerada
divisão social do trabalho, torna os indivíduos interdependentes. Enquanto que,
nesses tipos de sociedade a consciência coletiva se afrouxa, os indivíduos se
tornam dependentes, pois cada um é especializado em uma determinada atividade.
6. Pois esses fatos encontram-se generalizados pela sociedade e auxiliam a sua
adaptação e evolução. Eles representam fatos que integram as pessoas em torno de
determinados valores, com uma importante função social.

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