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Teoria dos Conjuntos para

Concursos, ENEM e
Vestibulares
3ª Edição Ampliada com Questões Extras
1ª edição Kindle
Copyright © Março 2017 por Marcello Praça Gomes da Silva.

2ª edição Kindle
Copyright © Janeiro 2019 por Marcello Praça Gomes da Silva.

3ª edição Kindle
Copyright © Agosto 2019 por Marcello Praça Gomes da Silva.

Engenheiro. Físico. Matemático.

Ilustrações feitas pelo autor.


Revisão técnica, gramatical e estilística feitas pelo autor.

Palavras-Chave:
Álgebra de Conjuntos, Conjuntos, Diagramas de Venn, Intervalos.

Key Words:
Intervals, Set Algebra, Sets, Venn Diagrams.

Áreas de Interesse:
Matemática, Probabilidade e Estatística, Teoria dos Conjuntos.

Fields of Interest:
Mathematics, Probability and Statistics, Set Theory.

Direitos autorais:
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação, em
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forma ou por qualquer meio, sejam eles impressos, eletrônicos,
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material, o autor e a presente editora não se responsabilizam pelos
danos, perdas ou procedimentos que possam ser causados, direta
ou indiretamente, pela informação contida nesta obra.
Índice
Pensamentos

Dedicatória

Agradecimentos

Prefácio da Terceira Edição

Prefácio da Segunda Edição

Prefácio da Primeira Edição

Definições: Conjunto, Elemento

Notação para Conjuntos

Diagramas de Venn ou de Venn-Euler

Relações Entre Conjuntos

Subconjuntos

Conjunto Vazio ou Conjunto Nulo

Relações de Pertinência

Comparação Entre Conjuntos

Conjunto Universo

Igualdade de Conjuntos

Desigualdade de Conjuntos
Propriedades dos Conjuntos

Diagramas de Linha

Operações com Conjuntos

Leis de De Morgan

Complementos de Complementos

Cardinalidade de um Conjunto

Conjuntos Numéricos e Seus Diagramas de Linha

Conjuntos Finitos

Conjuntos Infinitos

Conjuntos Limitados e Ilimitados

Número de Elementos Resultantes da União de Conjuntos

Conjunto de Conjuntos

Conjunto Potência

Linguajar Matemático da Teoria dos Conjuntos

Intervalos Numéricos

Exercícios

Símbolos e Siglas da Teoria dos Conjuntos

Questões Extras
Bibliografia Recomendada

Lista de Estrangeirismos

Obras do Autor Publicadas na Plataforma Eletrônica Kindle


Pensamentos
Tenho afirmado frequentemente que, quando se pode medir aquilo
de que se está falando e exprimir essa medida em números, fica-se
sabendo algo a seu respeito, mas quando não se pode exprimi-la
em números, o conhecimento é limitado e insatisfatório. Ele pode ser
o começo do conhecimento, mas o pensamento terá avançado muito
pouco para o estágio científico, qualquer que seja o assunto[i].
(Lord Kelvin apud SEARS, 1983, p. 3).

SEARS, Francis Weston; ZEMANSKY, Mark W. e YOUNG, Hugh D.


Física. Tradução por José de Lima Accioli. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ:
LTC, 1983. 251p. 4v. V.1. Tradução de: University physics.

Devemos construir o futuro ao invés de nos preocuparmos com o


passado. (Steve Jobs apud CONSELHOS PARA CONSELHOS,
2014, página 34).

Conselhos para Conselhos. 52 Mensagens de Notáveis para Inspirar


o Conselho e Diretoria da sua Empresa. Paulo Vasconcellos, Júlio
Miranda e Augusto Carneiro (organizadores). Belo Horizonte, 2014.
64 pág.

In most sciences one generation tears down what another has built,
and what one has established another undoes. In mathematics alone
each generation adds a new story to the old structure.
(Hermann Hankel apud Journey Through Genius, 1990, página
vii preface)[ii].
E, por fim, segue uma mensagem que deixo aos que estudam para
alguma prova ou concurso. Não se preocupem, unicamente, com
meras questões imediatistas e/ou aquelas exclusivamente de ordem
prática. Procurem sempre ganhar o máximo de conhecimento sobre
um determinado assunto.
Sendo assim, reflitam profundamente sobre o breve texto que é
mostrado logo a seguir.

Faraday and Franklin's "Newborn Baby"


I. Bernard Cohen
Proceedings of the American Philosophical Society
Vol. 131, No. 2 (Jun., 1987), pp. 177-182

“What good is a newborn baby?” in relation to his own discoveries in


electromagnetism.

“Before leaving this substance, chlorine, I will point out its history, as
an answer tho those who are in the habit of saying to every new fact,
‘ What is its use?’ Dr. Franklin says to such, ‘What is the use of an
infant?’”.
Dedicatória
Ao meu neto e minha filha.
Ao meu pai e minha mãe (in memoriam).
Ao meu padrinho e madrinha (in memoriam).
À Sleepy e Shalissa (in memoriam).
À Bibi, Polar e Smilo.
E, last but not least, aos amantes da Matemática.

O autor.
Agradecimentos
Agradeço a todos aqueles que comigo estiveram enquanto este livro
era escrito e revisado: Bibi, Polar e Smilo. Sleepy e Shalissa em
espírito. Companheiros caninos inseparáveis em todos os
momentos, sejam eles bons ou maus. Esses sim são verdadeiros e
eternos amigos. Devo muito a todos eles. Que sejam ricamente
abençoados nesta vida e no porvir.

O autor.
Prefácio da Terceira Edição
Esta é uma nova edição ampliada com questões extras
amplamente comentadas sobre a Teoria Matemática dos Conjuntos.
O tratamento é bem aprofundado e detalhado. Espero que
venha a ser um valioso auxílio para todos aqueles que se preparam
para realizar vestibulares de nível mais elevado.
É bom dizer que existe uma visão equivocada, mas
amplamente difundida entre a grande maioria dos alunos, que
considera determinados assuntos como sendo muito fáceis, até
mesmo triviais. Isto ocorre, por exemplo, com o cálculo de médias e
com a Teoria Matemática dos Conjuntos no âmbito do ensino pré-
universitário. No entanto, tal visão está muito longe da verdade. A
questão é que, na esmagadora maioria dos casos, os professores
não se aprofundam o suficiente e, em consequência, acabam
difundindo tal visão distorcida. É mandatório e urgente mudar este
cenário negativo. Os livros que já publiquei nesta plataforma sobre
as médias (a aritmética, a geométrica, a heroniana, a harmônica e a
contra-harmônica) têm esta missão e esta nova edição também.
Quem crê, por exemplo, que o assunto média seja banal, talvez vá
se surpreender com aqueles livros.
Para isto, foi incluído aqui um novo capítulo, posto logo antes
da Bibliografia Recomendada, cujo nome é Questões Extras. Temos
aqui questões do vestibular do ITA (Instituto Tecnológico da
Aeronáutica) e do Exame Nacional de Acesso (ENA) ao PROFMAT
(Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional). Apesar
de se tratar de um curso de mestrado, as questões do exame de
admissão versam sobre temas atinentes ao Ensino Médio (porém de
maneira nada trivial).
Foram igualmente feitos diversos acréscimos e modificações
ao texto da segunda edição com a finalidade de aprimorar os
conceitos, melhor explicá-los e/ou aprofundá-los ainda mais.
Nenhum texto pode ser considerado como sendo definitivo.
Destarte, sempre é possível efetuar novas melhorias. É o que se
pretendeu fazer aqui.
Sendo assim, espero que realmente apreciem todo o novo
conteúdo que foi acrescentado. Bons estudos e boa sorte nas
futuras provas que decerto farão.
Gratias.

Marcello Praça Gomes da Silva


Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
01 de Agosto de 2.019 a.D.
Prefácio da Segunda Edição
Esta é uma edição revista e ampliada. Foram feitos alguns
acréscimos com a finalidade de aprimorar os conceitos e/ou
aprofundá-los. Muitos novos exemplos foram incluídos. Exercícios
novos igualmente foram acrescentados. Os exercícios já existentes
foram mais bem explicados. Espero que os leitores os apreciem.
Todo um novo tópico (chamado Subconjuntos Próprios)
também foi inserido.
Por fim, um maior detalhamento foi dado aos operadores da
Álgebra de Boole (por sua grande importância em questões
envolvendo o raciocínio lógico).
Dankon.

Marcello Praça Gomes da Silva


Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
01 de Janeiro de 2.019 a.D.
Prefácio da Primeira Edição
Este é um livro sobre a Teoria Matemática dos Conjuntos que
pode ser usado como complemento por aqueles que se preparam
para concursos, ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e
vestibulares em geral.
Contudo, ressalto que não se trata de um livro elementar
destinado a principiantes. Ainda que o assunto em si seja fácil, a
abordagem possui certa sofisticação e pressupõe que o leitor já
tenha tido algum estudo prévio do assunto e uma certa base
matemática (um bom Ensino Médio é suficiente).
Há um capítulo destinado especificamente a exercícios. Não
são muitos, porém os considero interessantes e úteis. Temos graus
variados de dificuldade de modo a atender distintos objetivos de
aprofundamento. Não são fornecidas apenas as respostas, mas
também os devidos e necessários comentários. Considero isso algo
muito importante, pois é um valioso auxílio para compreender o
problema como um todo.
No tocante aos concursos podemos observar que o Raciocínio
Lógico e Quantitativo assume importância cada vez maior. Assuntos
como o deste livro (além, por exemplo, da Análise Combinatória) são
pedidos com mais frequência e com maior grau de complexidade.
Destarte, estudá-los se tornou algo mandatório. Não podem,
simplesmente, ser esquecidos ou ignorados. É forçoso que sejam
encarados com a devida ousadia de quem almeja algo no futuro.
Nem mais nem menos.
Ao longo deste texto aparecem conceitos como o número de
Euler (que é a base dos logaritmos naturais), o número pi da
Geometria Euclidiana, a função trigonométrica seno, o fatorial. Estão
inseridos em contextos e são supostamente conhecidos pelos
leitores.
Retirei tópicos avançados por não serem pertinentes ao
propósito do livro. Por fim, fiz tão somente as demonstrações que
são essenciais ao bom entendimento.
Vamos, pois, aos estudos.
Dankon.

Marcello Praça Gomes da Silva


Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
25 de Março de MMXVII a.D.[iii]
Definições: Conjunto, Elemento
Inicialmente, vejamos algumas ideias que são essenciais para
o bom entendimento do assunto.

Conjunto: É uma coleção ou lista bem definida de objetos ou


entidades. Os conjuntos são, geralmente, representados por letras
maiúsculas do alfabeto latino:

A, B, C, ... K, L, M, ... X, Y, Z
Notar que foi usada a palavra “geralmente”. Isto é, não é obrigatório
representar os conjuntos por letras maiúsculas do alfabeto latino.
Poderíamos, a rigor, representá-los por letras maiúsculas do alfabeto
grego ou empregar qualquer outra notação[iv]. Apenas não seria algo
usual.
É importante saber que os objetos de um conjunto podem ser de
qualquer natureza.
O conceito de conjunto é primitivo, não sendo, portanto, passível de
uma definição rigorosa (lembrem-se dos conceitos primitivos da
Geometria Euclidiana: o ponto, a reta e o plano)[v].

A moderna Teoria dos Conjuntos é fruto dos trabalhos do


matemático Georg Cantor (1845, 1918) e encontra aplicação em
diferentes áreas da Matemática (como a Teoria das Probabilidades e
a Teoria dos Números) e da Tecnologia (por exemplo, em Ciências
da Computação).
A moderna Teoria da Probabilidade, por exemplo, está
fundamentada na Teoria dos Conjuntos. Tanto é que os melhores
cursos de Probabilidade se iniciam com esta última ou assumem
que os estudantes já tenham um razoável conhecimento dela.

Alguns autores usam as palavras coleção, classe e família como


sinônimos de conjunto (no entanto, a palavra de uso mais frequente
é, realmente, conjunto).
Vejamos a seguir alguns exemplos de conjuntos.

Ex.1:
Conjunto de todas as antenas que estão instaladas em uma estação
repetidora de comunicação.

Ex.2:
Conjunto de todos os números reais y tal que a equação quadrática
mostrada a seguir seja satisfeita (trata-se de uma equação
incompleta do segundo grau).

y2 - 49 = 0

Ex.3:
Conjunto dos alunos de uma determinada classe de uma certa
escola.

Ex. 4:
Conjunto dos países da África que são banhados pelo Oceano
Atlântico.

Ex. 5:
Conjunto de todas as palavras do idioma português que começam
com a letra t (tê).

Ex. 6:
Conjunto de todos os livros do acervo de uma certa biblioteca.

Ex. 7:
Conjunto dos números reais situados entre 1 e 2 (excluídos os dois
extremos).

Ex. 8:
Conjunto dos números reais situados entre 1 e 2 (incluídos os dois
extremos).
Ex. 9:
Conjunto dos números primos menores que 100 (cem).

Ex. 10:
Conjunto dos números divisores de 1.000 (mil).

Notar a sutil diferença existente entre os conjuntos numéricos dos


exemplos 7 (sete) e 8 (oito). Esta diferença se traduz pelas palavras
incluídos e excluídos.

Elemento de um Conjunto (também conhecido como item,


membro ou, simplesmente, elemento): É um objeto (ou entidade)
que pertence a um certo conjunto. Os elementos são, geralmente,
representados por letras minúsculas do alfabeto latino:

a, b, c, ... k, l, m, ... x, y, z
Notar que foi usada a palavra “geralmente”. Isto é, não é obrigatório
representar os elementos de um conjunto por letras minúsculas do
alfabeto latino. Poderíamos, a rigor, representá-los por letras
minúsculas do alfabeto grego. Apenas não seria algo usual.
Vejamos elementos dos exemplos anteriores.

Ex.1 anterior:
Antena do tipo Yagi-Uda (ou, simplesmente, Yagi)[vi] modelo TY-900,
antena paraboloidal sólida modelo VHP-180 (para operação na faixa
de frequência de 18 GHz)[vii].

Ex.2 anterior:
Temos dois resultados possíveis, a saber:

y2 - 49 = 0
y2 = 49
Raízes:

y1 = -7 ( -7 x -7 = +49 )
y2 = +7 ( +7 x +7 = +49 )
Assim sendo, escrevemos o conjunto-solução S conforme é
mostrado a seguir.

S = { y real | y = +7 ou y = -7 }

É muito importante atentar para o fato do conjunto-solução de uma


equação depender do universo considerado (mais à frente
trataremos do significado de conjunto universo ou conjunto
universal).
Assim, se o universo for o conjunto dos números naturais, a
equação em questão terá unicamente uma raiz (7 positivo), já que -7
(7 negativo) não é um número natural. Por outro lado, se o universo
for o conjunto dos números inteiros negativos, a equação em
questão também terá unicamente uma raiz (7 negativo), já que +7 (7
positivo) não é um número inteiro negativo (e sim um número inteiro
positivo).
E se o universo fosse o conjunto dos números irracionais? Bem,
nesse caso não haveria raízes (pois tanto 7 positivo quanto 7
negativo são números racionais). Assim, o correspondente conjunto-
solução seria o conjunto vazio (um conceito que será visto mais à
frente).
No exemplo dado, como o universo eram os números reais segundo
o próprio enunciado, o conjunto-solução possui duas raízes distintas
(7 positivo e 7 negativo).
A rigor, na ausência de informações sobre o universo, não há como
definir corretamente qual é o conjunto-solução de uma dada
equação (como este exemplo simples bem nos mostrou).
Ex.3 anterior:
Maria, Pedro, Cármen, Luís, Osvaldo, Mônica, Teresa, etc.

Ex.4 anterior:
Angola, Gabão, Senegal, Nigéria, Costa do Marfim, Libéria, etc.

Ex.5 anterior:
Tatu, trabalho, terra, tema, teoria, tubarão, timoneiro, tampa, etc.

Ex. 7 e 8 anteriores:
São ambos conjuntos numéricos. Não podemos listar todos os
elementos de tais conjuntos, sendo comum representá-los na
notação matemática de intervalos.

Ex. 9 anterior:
É um conjunto numérico finito cujos elementos são, por exemplo: 2,
3, 5, 7, 11.

Ex. 10 anterior:
É um conjunto numérico finito cujos elementos são, por exemplo: 2,
4, 8.
Notação para Conjuntos
Há, essencialmente, duas notações para expressar conjuntos,
a saber:

1. Por Extensão (por Nomeação ou Enumeração) dos Elementos

Z = {..., -3, -2, -1, 0, +1, +2, +3, ...}


Conjunto dos números inteiros (dito conjunto zê).

V = {a, e, i , o, u}
Conjunto das 5 (cinco) vogais básicas da língua portuguesa.

Os elementos do conjunto são listados entre chaves, sendo a


primeira a chave de abertura (que está situada à esquerda) e a
segunda a chave de fechamento (que está situada à direita). Cada
elemento é separado do outro por uma vírgula.

OBS.:
Quando temos números decimais como elementos de conjuntos é
possível haver confusão envolvendo as vírgulas separadoras dos
elementos e as vírgulas indicadoras das casas decimais. Para evitar
dúvidas alguns autores usam o ponto decimal ao invés da vírgula
decimal. Vejam o exemplo seguinte.

S = { 1,25, 12, 4,75, 0 }


É um conjunto numérico com 4 (quatro) elementos, a saber:

1,25 (um vírgula vinte e cinco)


12 (doze)
4,75 (quatro vírgula setenta e cinco)
0 (zero)
No entanto, alguém poderia achar que tal conjunto tivesse, na
verdade, 6 (seis) elementos, a saber:

1 (um)
25 (vinte e cinco)
12 (doze)
4 (quatro)
75 (setenta e cinco)
0 (zero)

Esta confusão decorre precisamente por conta de a vírgula


poder ser entendida ou como uma vírgula decimal ou como uma
vírgula separadora dos elementos do conjunto.
Para eliminar semelhante dúvida, alguns autores prefeririam
usar o ponto decimal no lugar da vírgula decimal, ou seja:

S = { 1.25, 12, 4.75, 0 }

2. Por Compreensão da Propriedade Definidora

B = {z | z é número par}
Conjunto dos números pares (ser par é a propriedade definidora
deste conjunto numérico). Será visto adiante que este é um conjunto
infinito.

A = {y | y é número primo}
Conjunto dos números primos (ser primo é a propriedade definidora
deste conjunto numérico). Será visto adiante que este também é um
conjunto infinito.
Conjunto dos números reais maiores que 2. Será visto adiante que
este é um conjunto infinito.

A propriedade que define o conjunto é escrita entre as chaves


de abertura e fechamento.

OBS.:
O símbolo | deve ser lido ‘tal que’.
ORDEM e REPETIÇÃO

É muito importante conhecer duas características inerentes


aos conjuntos. A primeira delas é a ordem em que os elementos
são listados no conjunto. Esta ordem não possui relevância (i.e., ela
é algo irrelevante). Como exemplo temos o conjunto a seguir.

A = { a, b, c } = { a, c, b } = { b, a, c } = { b, c, a } = { c,
a, b }
A ordem de listagem dos elementos foi mudada, porém é o
mesmo conjunto A. Assim, a ordem de listagem dos elementos de
um conjunto é irrelevante.

A segunda característica é a repetição dos elementos no


conjunto (a qual também não possui relevância). Como exemplo
temos o conjunto a seguir.

B = { a, a, a, b } = { a, a, b } = { a, a, b, b } = { a, b }
Há elementos repetidos, porém é o mesmo conjunto B. Assim,
a repetição de um mesmo elemento em um dado conjunto é
irrelevante. Em suma, cada elemento do conjunto deve ser,
preferencialmente, listado apenas uma única vez (pois é inútil listá-lo
mais de uma vez). Este conjunto B possui, portanto, apenas 2 (dois)
elementos.

Outra notação que algumas vezes é usada para a


representação de conjuntos é a tabular (em forma de uma tabela de
elementos). Vejamos um exemplo de um conjunto A com 4 (quatro)
elementos, dispostos em duas linhas e duas colunas, delimitados
por parênteses.
Na representação usual por extensão temos:

A = { 1, 2, 3, 4 }
Já na representação por compreensão da propriedade
definidora temos:

A = { x | x é número natural de 1 a 4, incluindo os


dois extremos }
Por acaso esta representação tabular lembra algo ao leitor? Eu
diria que deve lembrar uma matriz (uma disposição de entes em
linhas e colunas). Nesse caso seria uma matriz quadrada 2x2 (com
duas linhas e duas colunas).
Entretanto, há algo muito diferente entre uma matriz e um
conjunto. Em uma matriz, a ordem e a repetição não são irrelevantes
e sempre devem ser levadas em consideração. Assim sendo, as 3
(três) matrizes a seguir são matrizes diferentes. Elas possuem os
mesmos elementos, porém tais elementos estão dispostos em
posições distintas (o que faz toda a diferença em se tratando de
matrizes).

Logo, em uma matriz é fundamental a posição em que o


elemento se encontra e o “valor” desse elemento (1 situado na
primeira linha primeira coluna é diferente de 1 situado na segunda
linha primeira coluna, por exemplo).
Em virtude destas considerações, pessoalmente não gosto de
usar a representação tabular da maneira como foi mostrada. Fica
menos ruim, digamos assim, se usarmos chaves ao invés de
parênteses.

Como visto antes, as chaves já são empregadas na


representação por extensão dos elementos de um conjunto. Assim,
é algo natural que elas também sejam empregadas na notação
alternativa tabular.
Diagramas de Venn ou de Venn-Euler
São uma forma gráfica para a representação de conjuntos.
Desenha-se uma curva fechada e, no interior desta curva, se lista os
elementos do conjunto. Tipicamente, a curva fechada tem o formato
de uma circunferência ou de uma elipse, mas não há qualquer
restrição ao formato a ser usado (e.g., losangos, triângulos,
pentágonos, eneágonos). Tais diagramas facilitam muito a
visualização de conjuntos e o resultado de operações envolvendo
conjuntos.
A seguir temos 2 (dois) diagramas de Venn. O da esquerda
representa o conjunto A (com quatro elementos numéricos) e o da
direita representa o conjunto Z (com três elementos na forma de par
ordenado). Notar que à esquerda se usou um retângulo e à direita
se usou uma elipse. Representando estes conjuntos por extensão
temos:

A = { 0, pi, 4, 12,3 }

Z = { (0,0), (1,2), (5,6) }

Lembrar que como a ordem dos elementos é irrelevante nós


também poderíamos escrever:
A = { 4, 12,3, 0, pi }

Z = { (1,2), (5,6), (0,0) }

OBS.:
1. É possível encontrar escrito diagrama de Euler-Venn (ao invés de
Venn-Euler) na literatura especializada. É algo deveras incomum,
mas não é errado.

2. Os diagramas de Venn são úteis quando temos 1 (um), 2 (dois) ou


3 (três) conjuntos. Para 4 (quatro) ou mais conjuntos, a visualização
se torna muito complicada ou impossível.
Relações Entre Conjuntos
Existem 4 (quatro) relações principais que podem ser
estabelecidas entre conjuntos, a saber:

Estar contido
(um conjunto estar contido em outro);

Conter
(um conjunto conter outro);

Não estar contido


(um conjunto não estar contido em outro);

Não conter
(um conjunto não conter outro).

As duas primeiras (estar contido e conter) são ditas relações


de inclusão e as duas últimas (não estar contido e não conter) são
ditas relações de exclusão.
Usando o operador lógico (ou booliano) da negação (NOT ou
[viii]
INV) podemos escrever:

Não Estar Contido é o mesmo que NOT Estar Contido

Não Estar Contido é o mesmo que INV Estar Contido

Não Conter é o mesmo que NOT Conter

Não Conter é o mesmo que INV Conter

Vejamos os exemplos a seguir (F é o conjunto dos números


inteiros e G é o conjunto dos números reais).
O conjunto dos números inteiros está contido no conjunto dos
números reais. Ou, o conjunto dos números reais contém o conjunto
dos números inteiros.

Os elementos do conjunto J não são números inteiros


(portanto, J não está contido no conjunto dos números inteiros).

OBS.: É importante saber que:

Qualquer conjunto está contido nele mesmo.

Qualquer conjunto contém ele mesmo.

Sendo assim, podemos escrever:


Assim:
O conjunto A está contido no conjunto A. Notar que A é um
conjunto qualquer.
O conjunto B contém o conjunto B. Notar que B é um conjunto
qualquer.
Subconjuntos
Tem-se 2 (dois) conjuntos F e G. Dizemos que:

G está contido em F se todos os elementos de G também


forem elementos de F. Nesse caso, é possível dizer que G é um
subconjunto de F. Um conjunto que está contido em outro conjunto é
chamado de subconjunto.

Ex.1:
O conjunto formado pelos diferentes tipos de amplificadores de
estado sólido é um subconjunto do conjunto de todos os possíveis
tipos de amplificadores eletroeletrônicos (lembrar que há também os
amplificadores valvulados, ainda que sejam raramente encontrados
na atualidade).

Ex.2:
A = {10, 20, 30, 40, 50} e B = {20, 30, 40}
Logo, B é um subconjunto de A (i.e., B está contido em A).
Notar que todos os elementos de B também são elementos de A.

Ex. 3:
A = {5, 8} e B = {a, {5, 8}, g}
Logo, A é um subconjunto de B (i.e., A está contido em B).
O conjunto A é, ele próprio, um elemento do conjunto B.

Ex. 4:
A = {x | x é rio do Brasil}
B = {y | y é rio da América do Sul}
C = {z | z é rio do planeta Terra}
A é um subconjunto de B (i.e., A está contido em B).
Todo rio do Brasil é também rio da América do Sul.
B é um subconjunto de C (i.e., B está contido em C).
Todo rio da América do Sul é também rio do planeta Terra.

A é um subconjunto de C (i.e., A está contido em C).


Todo rio do Brasil é também rio do planeta Terra.

Ex. 5:
Sejam os conjuntos numéricos A e B mostrados a seguir.

A = {x | x é número natural}

A = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, ...}

B = { y | y é número natural menor que 10}

B = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}

B é subconjunto de A (i.e., B está contido em A ou A contém B).


Todo número natural menor que 10 (dez) é um número natural.
SUBCONJUNTO PRÓPRIO

Um conjunto B é dito subconjunto próprio de um conjunto C


quando satisfizer duas condições, a saber:

Condição 1: B é subconjunto de C.

Condição 2: B não é igual a C.

É necessário satisfazer ambas as condições (e não apenas


uma delas) para que um subconjunto seja dito subconjunto próprio.
Assim, para B ser um subconjunto próprio de C temos:

Notem a presença do conectivo lógico (ou booliano) AND


(multiplicação lógica) para indicar que ambas as condições devem
ser simultaneamente satisfeitas.
Vejamos um exemplo envolvendo 2 (dois) conjuntos numéricos
A e B.

A = { 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 }

B = { 1, 2, 3 }
Notem que o conjunto B é um subconjunto de A (B está
contido em A ou A contém B), porém B é diferente de A. Sendo
assim, B é um subconjunto próprio de A.
SUBCONJUNTO e SUPERCONJUNTO

Vimos que se G está contido em F dizemos que G é um


subconjunto de F. Uma vez que G está contido em F é fato que F
contém G. Então, dizemos que F é um superconjunto de G. Em
termos de diagramas de Venn (ou de Venn-Euler) temos:

G é subconjunto de F (ou seja, G está contido em F).

F é superconjunto de G (ou seja, F contém G).


Conjunto Vazio ou Conjunto Nulo
Conjunto vazio (ou conjunto nulo) é aquele conjunto que não
possui nenhum elemento. Faz uso dos seguintes símbolos:

Vejamos alguns exemplos de conjuntos vazios.

Ex.1:
O conjunto das antenas paraboloidais sólidas cuja faixa de
frequência de operação não supera 1 kHz (um quilohertz)[ix] é vazio.
Não existe nenhuma antena deste tipo projetada para operar,
unicamente, em frequências de até 1 kHz (mil hertz). Antenas
paraboloidais operam em faixas frequenciais bem mais elevadas do
radioespectro (ou espectro radioelétrico).

Ex.2:
A é o conjunto formado pelas raízes reais da equação quadrática
mostrada a seguir (que é uma equação incompleta do segundo
grau).

y2 + 4 = 0
Então A = { }, A é um conjunto vazio.

Notar que as raízes são ditas reais (i.e., elas pertencem ao conjunto
dos números reais). A equação quadrática mostrada possui duas
raízes imaginárias[x] puras (elas não são raízes reais), a saber:
(sendo que i é a unidade imaginária, a raiz quadrada de menos um).
Testemos as duas raízes y1 e y2 para confirmar que são realmente
raízes da equação dada.

Q.e.d.

Ex.3:
O conjunto dos países da América do Sul que são banhados pelo
Oceano Índico é um conjunto nulo. Não há país sul-americano que
seja banhado por tal oceano (os únicos oceanos que banham a
América do Sul são os oceanos Atlântico e Pacífico e, de acordo
com certos geógrafos, o oceano glacial antártico no extremo austral
do continente).

Ex.4:
O conjunto formado pelos humanos que possuem mais de 4 m
(quatro metros) de altura é um conjunto nulo. Não existem seres
humanos que alcancem uma altura de quatro metros.

Ex.5:
Na atual Tabela Periódica, o conjunto formado pelos elementos
químicos com número atômico maior que 1.000 (mil) é um conjunto
nulo.
Ex.6:
Um conjunto pode ser entendido como vazio neste momento, porém
deixar de ser no futuro. Vejamos o seguinte exemplo. O conjunto
formado pelos planetas, além da Terra, que possuem vida é um
conjunto vazio. Hoje (agosto de 2019) isto é algo tido como
verdadeiro. Contudo, com o desenvolvimento da Astrobiologia, pode
deixar de ser em algum momento no futuro (seja próximo ou não).

Não devemos confundir um conjunto que tenha tão somente o


elemento zero (que é um conjunto unitário) com o conjunto vazio.
Assim sendo, os 2 (dois) conjuntos a seguir são diferentes.

O conjunto da esquerda possui um único elemento (sendo, portanto,


um conjunto unitário) e este elemento é o 0 (zero). Já o conjunto da
direita é um conjunto vazio.

OBS.:

1. O conjunto vazio está contido em qualquer conjunto (o conjunto


vazio é um subconjunto de qualquer conjunto).

2. Conjunto unitário é aquele conjunto que possui somente um único


elemento.

Exemplo: O conjunto A mostrado a seguir é unitário, pois apenas o


número natural 12 (doze) satisfaz tal equação do primeiro grau.

A = { x | x é número natural e x - 4 = 8 }
Outro exemplo de conjunto unitário é o conjunto de países do
planeta Terra onde o idioma oficial é o islandês (trata-se, tão
somente, da Islândia).
Relações de Pertinência
São aquelas relações que se estabelecem entre elementos e
conjuntos. São usados 2 (dois) símbolos para o estabelecimento de
tais relações, a saber:

Assim sendo, um elemento pertence (ou não pertence) a um


determinado conjunto. É importante perceber que é errado dizer que
um elemento está contido (ou não está contido) em um conjunto.
Estas duas últimas são relações envolvendo conjuntos e não entre
elementos e conjuntos.
Também dizemos “é elemento de” como sinônimo de “pertence
a” e “não é elemento de” como sinônimo de “não pertence a”.

É elemento de < == > Pertence a

Não é elemento de < == > Não pertence a

Usando o operador lógico (ou booliano) de negação,


barramento, complementação ou inversão (NOT ou INV, NÃO em
português) podemos escrever:

NOT pertence (não pertence)


NOT elemento de (não é elemento de)

Ou ainda:
INV pertence
INV elemento de

Já em português seria:

NÃO pertence
NÃO elemento de

Ex.:
Seja o conjunto A = {a, b, c, d, e} com 5 (cinco) itens.
O elemento a pertence ao conjunto A. Podemos escrever:

(a é um elemento de A ou a é um membro de A)

O elemento h não pertence ao conjunto A. Podemos escrever:

(h não é um elemento de A ou h não é um membro de A)

Vejamos, agora, uma relação de pertinência algo mais


complexa que as anteriores.
Seja o plano real XOY e um conjunto B formado pelos pares
ordenados (x, y), sendo x a abscissa e y a ordenada, que pertencem
a um círculo com raio R = 5 (cinco unidades de comprimento), cujo
centro se localiza na origem do plano real (encontro dos eixos
vertical e horizontal), ou seja, no ponto O(0,0). Como podemos
definir este conjunto usando o que foi aprendido antes?
Eis aqui a resposta. Vamos analisá-la em detalhes.

Tanto x quanto y, integrantes do par ordenado (x,y), são


números reais que pertencem a um círculo centrado na origem
O(0,0) do sistema com raio igual a 5 (cinco).
A equação cartesiana geral (em um sistema de coordenadas
cartesianas retangulares) de uma circunferência que jaz no plano
XOY é dada por:

Como tal circunferência está centrada na origem O(0,0) do


sistema de coordenadas temos deslocamentos nulos na abscissa e
na ordenada do centro, ou seja:

h=k=0
Assim:

Como o raio é igual a 5 (R=5), o raio ao quadrado (R2) vale 25


(=5x5).

Por fim, como os pares ordenados satisfazem a um círculo, é


preciso usar o sinal de desigualdade “menor que ou igual a” (posto
que a circunferência é, somente, a “borda” e precisamos também
levar em conta o seu interior). Este conjunto corresponde a uma
área finita no plano cartesiano XOY (podemos associar uma medida
de área expressa em uma determinada unidade de área, o metro
quadrado ou a jarda quadrada por exemplo).
Notar o sistema cartesiano plano retangular, o eixo XOX (dito
eixo das abscissas ou eixo horizontal), o eixo YOY (dito eixo das
ordenadas ou eixo vertical) e a origem O(0,0) do sistema. Notar
também a orientação positiva dos dois eixos cartesianos (da
esquerda para a direita no caso do horizontal e de baixo para cima
no caso do vertical). Estas são as orientações positivas padrão.
Todavia, seria possível definir outras orientações positivas (algo que
não é usual) em alguma prova, por exemplo. Assim, é preciso estar
bem atento aos enunciados.

O desenho anterior mostra graficamente o conjunto B (notar


que o círculo está colorido de rosa e a borda de vermelho).
Comparação Entre Conjuntos
Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer H e A. Dizemos que tais
conjuntos são comparáveis quando:

H está contido em A OU A está contido em H.

OR (OU em português) é o operador booliano[xi] da adição


lógica.
Vejam os diagramas de Venn a seguir. O primeiro nos mostra a
condição do conjunto H estar contido no conjunto A (ou seja, H é um
subconjunto de A). Já o segundo nos mostra a condição do conjunto
A estar contido no conjunto H (ou seja, A é um subconjunto de H).
Por outro lado, dizemos que tais conjuntos não são
comparáveis quando:

H não está contido em A E A não está contido em H.

AND (E) é o operador booliano da multiplicação lógica.

Vejamos 2 (dois) exemplos esclarecedores.

Ex.1:
Sejam H = {1, 3, 5, 7, 9, 11} e A = {1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15,
17}.
H e A são conjuntos comparáveis uma vez que H está contido
em A.

Ex.2:
Seja, agora, B = {f, g, h} e C = {h, m, p}.
B e C são conjuntos não comparáveis uma vez que:

B não está contido em C E C não está contido em B.


Veremos, mais tarde, que a intersecção entre os conjuntos B e
C não é vazia (pois existe um elemento em comum que é o h). Este
conjunto intersecção é um conjunto unitário (pois ele possui apenas
um único elemento, o elemento h). Ou seja:
Conjunto Universo
É aquele conjunto que possui todos os possíveis elementos
que caracterizam uma determinada situação (ou são pertinentes a
ela). É geralmente representado pela letra latina maiúscula U.
Na resolução de equações e inequações é usual indicar qual é
o conjunto universo a ser considerado, já que é possível que
diferentes conjuntos universo gerem distintos conjuntos-verdade V
para a mesma equação. Vejamos um exemplo interessante na
Álgebra (na resolução de equações do segundo grau).

Ex. 1:
Sendo U o conjunto dos números reais, a equação quadrática a
seguir possui duas raízes reais.

y2 - 16 = 0
O seu conjunto-verdade é dado por:

V = {-4, +4}
Façamos o teste das raízes.

(-4)2 - 16 = 16 - 16 = 0

(+4)2 - 16 = 16 - 16 = 0
Tanto +4 (quatro positivo) quanto -4 (quatro negativo) são
números reais.
Sendo U o conjunto dos números naturais, a equação
quadrática a seguir possui apenas uma única raiz natural.

y2 - 16 = 0
O seu conjunto-verdade é dado por:

V = {+4}
Apenas +4 é número natural (-4 não é número natural, ainda
que seja um número inteiro). Notaram como o conjunto-verdade de
uma equação se altera de acordo com o conjunto universo que for
considerado?

Ex. 2:
U é o conjunto universo de todas as unidades da federação (UF) no
Brasil. Um subconjunto de U, por exemplo, são os estados da
Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Outro
subconjunto de U são os estados da Região Sudeste (Rio de
Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais).

Em termos de diagramas de Venn se adota, geralmente, uma


forma geométrica retangular para representar U. No caso da figura,
temos o universo U como o conjunto de todos os possíveis tipos de
polígonos e o conjunto A com três elementos poligonais (o hexágono
regular, o trapézio isósceles e o triângulo isósceles).

OBS.:
1. U é também chamado conjunto universal. A letra U tem sua
origem na palavra latina universum (universe em inglês, universo em
português, universo em castelhano).

2. Na Estatística, o conjunto universo costuma ser chamado


conjunto população (ou, simplesmente, população), podendo ser
representado pela letra maiúscula P.

3. O conjunto A não foi desenhado em escala em relação ao


conjunto universal. Observar que A somente possui 3 (três)
elementos, mas o correspondente universo é muito maior (também
existem os paralelogramos, os trapézios escalenos, os triângulos
equiláteros, os pentágonos, os heptágonos, os octógonos, os
decágonos, etc).
Igualdade de Conjuntos
Dois conjuntos são ditos iguais (escrevemos A=B) quando
possuem os mesmos elementos. Nesse caso, é também possível
dizer que:

Ou seja, se A=B então A está contido em B AND B está


contido em A.

Ex.1:

À esquerda o conjunto A listou seus elementos e à direita o conjunto


B exibiu a propriedade caracterizadora.
Notem que tanto +4 (quatro positivo) quanto -4 (quatro negativo)
satisfazem a relação mostrada. É muito importante lembrar que a
raiz quadrada de 16 (dezesseis) é igual a 4 (SOMENTE). O -4
aparece por conta da presença do sinal +/- (mais ou menos) que foi
colocado fora da raiz. Assim:

SQRT(16) = +4

+ SQRT(16) = +4
- SQRT(16) = -4
Ex. 2:

Nesse caso, o conjunto A possui 2 (dois) elementos, a saber: o


número e (que é a base dos logaritmos naturais, napierianos ou
neperianos) e o número pi da Geometria Euclidiana[xii]. A seguir
vemos aproximações de tais números (lembrar que ambos são
números irracionais).

A ordem listada dos elementos não afeta a igualdade entre 2


(dois) conjuntos. Assim sendo, sejam os conjuntos A e B conforme
segue.

Apesar da ordem listada dos elementos ser diferente temos


que A é igual a B.

A=B
Também a repetição de elementos não afeta a igualdade.
Vejamos o exemplo a seguir.

{ 1, 2, 3 } = { 3, 2, 1 } = { 1, 1, 2, 2, 3, 3 } = { 3, 2, 2, 1,
1}
Temos aqui o mesmo conjunto, muito embora haja elementos
repetidos e a ordem de apresentação também se altere.
Desigualdade de Conjuntos
Dois conjuntos não são iguais (i.e., são desiguais) quando um
deles possui, ao menos, um elemento que não pertence ao outro.
Escrevemos:

É lido A é diferente de B e indica a desigualdade existente


entre os conjuntos A e B.
Outra forma de representar a desigualdade entre conjuntos é
mostrada a seguir (onde usamos o símbolo <>, o qual é um símbolo
alternativo para designar desigualdade).

A <> B
Ex.:
Sejam os conjuntos A e B mostrados a seguir. O conjunto A possui 4
(quatro) elementos enquanto o conjunto B possui 5 (cinco)
elementos. B tem um elemento que não é elemento de A (se trata do
fatorial de cinco).

Esses conjuntos são, portanto, desiguais (A não é igual a B).


OBS.:
Tanto em A quanto em B foi usada a abreviatura sen (de seno, uma
conhecida função trigonométrica circular plana).
O seno e o cosseno de um ângulo plano estão relacionados pela
assim chamada Identidade Fundamental da Trigonometria Plana,
isto é:

Aqui, theta representa um ângulo plano[xiii] qualquer. Olhando para


esta identidade nos lembramos de um famoso teorema da
Geometria Euclidiana. Qual é esse teorema?
Propriedades dos Conjuntos
Vejamos, a seguir, 5 (cinco) importantes propriedades dos
conjuntos.

Propriedade 1:
Todo conjunto está contido em si mesmo, i.e.,

Lemos: B está contido em B, qualquer que seja B. Podemos também


ler: B contém B, qualquer que seja B.
Trata-se da propriedade reflexiva. Em outras palavras: todo
conjunto é um subconjunto de si mesmo. Ou, todo conjunto é um
superconjunto de si mesmo.

Propriedade 2:
O conjunto vazio está contido em todo e qualquer conjunto, i.e.,

Lemos: Vazio está contido em B, qualquer que seja B.


Logo, o conjunto vazio é subconjunto de todo e qualquer conjunto.

Propriedade 3:
Se B está contido em F, então F contém B.
Notar o sinal de implicação mútua (se trata de uma implicação de ida
e de uma implicação de volta) querendo dizer: Se F contém B, então
B está contido em F.

Propriedade 4:
Igualdade.

Se A for igual a B então A estará contido em B E (AND) B


estará contido em A. Se A estiver contido em B E (AND) se B estiver
contido em A então A será igual a B.
Notar o sinal de implicação mútua (se trata de uma implicação
de ida e de uma implicação de volta).

Propriedade 5:
Se H está contido em F E (AND) F está contido em P

Então H estará contido em P.

Trata-se da propriedade transitiva. Visualizando estas


relações com o auxílio de um diagrama de Venn-Euler temos:
Em termos de subconjuntos e superconjuntos escrevemos:

H é subconjunto de F.
F é subconjunto de P.
H é subconjunto de P.

F é superconjunto de H.
P é superconjunto de F.
P é superconjunto de H.
Diagramas de Linha
As relações entre conjuntos costumam ser desenhadas
usando os chamados diagramas de Venn (ou de Venn-Euler). Aqui
vamos ver uma representação alternativa (atualmente ela é muito
pouco usada nas salas de aula).
Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer ditos H e F, sendo que H
está contido em F (ou seja, H é um subconjunto de F).

Para fazer o diagrama de linha correspondente se desenha F


acima de H (uma vez que F contém H ou H está contido em F) e se
une os 2 (dois) por um traço na vertical. O nome diagrama de linha
deriva precisamente do fato de se fazer uso desse traço.

Este é o diagrama de linha da relação entre os 2 (dois)


conjuntos F e H. Vejamos, agora, como seria o diagrama de linha
envolvendo 3 (três) conjuntos (nomeados P, H e W) que apresentam
as relações a seguir:
P está contido em W e W está contido em H.

Este é o diagrama de linha das relações entre os 3 (três)


conjuntos P, W e H.
Quando comparamos os diagramas de Venn com os
diagramas de linha percebemos que estes últimos não exibem os
elementos (membros) dos conjuntos. Há de se ressaltar que
dependendo da situação, esta exibição dos elementos pode ser útil
(ou, até mesmo, imprescindível).
Para concursos, este é um tópico bem interessante para
aparecer em questões sobre Raciocínio Lógico. Bastaria haver uma
breve apresentação do que venha a ser um diagrama de linha no
enunciado da questão e, logo a seguir, a pergunta propriamente dita.

OBS.:
Os diagramas de linha não costumam ser estudados no Ensino
Médio, mas apenas no Ensino Superior. Há, contudo, honrosas
exceções.
Operações com Conjuntos
Vejamos como funciona a Álgebra de Conjuntos (a qual guarda
regras que diferem das regras da Álgebra convencional).
Estudaremos neste capítulo algumas operações envolvendo
conjuntos.

UNIÃO ou REUNIÃO

Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer A e B e um elemento genérico x


(xis). O conjunto união (ou conjunto reunião) será dado por:

É lido A união B ou A reunião B.


É o conjunto formado pelos elementos x (xis) que pertencem
ao conjunto A OU (OR) que pertencem ao conjunto B.
Pictoricamente temos:

Ex.:

O conjunto H reunião F é também representado como:


H soma F
H união F
H mais F ( H + F )
A razão para tal se encontra na definição da própria operação
união.

Notar que é feito uso do conectivo booliano OR (que é o


operador de adição lógica).
A Álgebra de Conjuntos possui propriedades próprias, que
podem diferir daquelas propriedades da Álgebra convencional,
senão vejamos.

Propriedade 1: Lei idempotente.


A união de um conjunto com ele mesmo é igual ao próprio conjunto.

Seja H = { 2, 3, 4 } um conjunto com 3 (três) elementos. Então:

H união H = { 2, 3, 4 } união { 2, 3, 4 } = { 2, 3, 4 }

Se lembram da questão conceitual já comentada anteriormente


sobre a repetição dos elementos de um conjunto?
Já na Álgebra convencional temos:
Usou-se números reais, porém isto é igualmente válido com
números complexos, ou seja:

z1 = a + bj

z1 + z1 = ( a + bj ) + ( a + bj )

z1 + z1 = 2a + 2bj = 2 x ( a + bj ) = 2 x z1 Q.e.d.
Se esta lei da Álgebra convencional fosse válida na Álgebra de
Conjuntos teríamos (o que não é verdade):

Propriedade 2: Lei comutativa.


A união de conjuntos goza da propriedade comutativa
(comutatividade da operação de união).

Seja H = { 2, 3, 4 } e B = { 1, 5 }. Então:

H união B = { 2, 3, 4 } união { 1, 5 } = { 1, 2, 3, 4, 5 }

B união H = { 1, 5 } união { 2, 3, 4 } = { 1, 2, 3, 4, 5 }
Se lembram da questão conceitual já comentada anteriormente
sobre a ordem dos elementos em um conjunto?

A comutatividade também é válida na Álgebra convencional.


Assim:

z1 + z2 = z2 + z1
Sendo z1 e z2 números complexos quaisquer.

Propriedade 3: Primeira Lei de Identidade.


A união de um conjunto com o conjunto vazio é igual ao próprio
conjunto.

Seja H = { 1, 3 } e B = { }. Então:

H união B = { 1, 3 } união { } = { 1, 3 } = H

Propriedade 4: Segunda Lei de Identidade.


A união de um conjunto com o conjunto universo é igual ao conjunto
universo.

Propriedade 5: Lei associativa.


A união de conjuntos goza da propriedade associativa
(associatividade da operação de união).
A associatividade também é válida na Álgebra convencional. Assim:

( z1 + z2 ) + z3 = z1 + ( z2 + z3 )
Sendo z1, z2 e z3 números complexos quaisquer.

Propriedade 6:
Para que a união de 2 (dois) conjuntos seja igual ao conjunto vazio é
preciso que AMBOS sejam conjuntos vazios (notar o uso do
operador de multiplicação lógica AND).

Vimos como se faz a união de 2 (dois) conjuntos quaisquer A e


B. Contudo, podemos ampliar o conceito de união para mais de 2
(dois) conjuntos. Vejamos como é feito.
Sejam n (ene) conjuntos.

A1, A2, A3, ..., An


O correspondente conjunto união é dado por:

É o conjunto formado pelos elementos que pertencem ao


conjunto A1 OU (OR) que pertencem ao conjunto A2 OU (OR) que
pertencem ao conjunto A3 OU (OR) que pertencem ao conjunto A4 e
assim sucessivamente até An.
Por exemplo, para 3 (três) conjuntos ditos A, B, C temos:

É lido A união B união C (ou A reunião B reunião C). É o


conjunto formado pelos elementos que pertencem ao conjunto A OU
(OR) que pertencem ao conjunto B OU (OR) que pertencem ao
conjunto C.
INTERSECÇÃO

Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer A e B e um elemento genérico x


(xis). O conjunto intersecção será dado por:

É lido A inter B. É o conjunto formado por todos aqueles


elementos que pertencem ao conjunto A e que também pertencem
ao conjunto B. Pictoricamente temos:

Ex.:

Quando a intersecção entre 2 (dois) conjuntos é o conjunto


vazio (i.e., quando não existem elementos comuns) nós dizemos
que esses conjuntos são disjuntos ou mutuamente exclusivos (ou
ainda, mutuamente excludentes, ME). Pictoricamente temos:
Sejam os conjuntos A e B. Se

A e B são disjuntos.

Da mesma forma, se A e B são disjuntos então

Notar o símbolo de implicação mútua (na ida e na volta).


Sejam os 3 (três) conjuntos a seguir.

B = { a, b, c } C = { c, d, e } F = { z, w, y }
Podemos ver que:

A intersecção entre esses conjuntos (B, F e C, F) é o conjunto


vazio. Assim, são conjuntos disjuntos (porém, B e C não são
disjuntos, pois o elemento c é comum aos dois).

O conjunto H intersecção F é também representado como:

H produto F
H inter F
H vezes F ( H x F ou HF )
A razão para tal se encontra na definição da própria operação
intersecção.

Notar que é feito uso do conectivo booliano AND (que é o


operador de multiplicação lógica).
Vejamos as propriedades da intersecção.

Propriedade 1: Lei idempotente.


A intersecção de um conjunto com ele mesmo é o próprio conjunto.

Vejam que o conjunto vazio e o conjunto universo também são


conjuntos. Logo, esta propriedade é válida para esses 2 (dois)
conjuntos especiais (como não poderia deixar de ser).

{ } inter { } = { }

U inter U = U

Propriedade 2: Lei comutativa.


A intersecção de conjuntos goza da propriedade comutativa
(comutatividade da operação de intersecção).

Devemos ler: H inter B é o mesmo que B inter H.

Propriedade 3: Primeira Lei de Identidade.


A intersecção de um conjunto com o conjunto vazio é igual ao
conjunto vazio.

Propriedade 4: Segunda Lei de Identidade.


A intersecção de um conjunto com o conjunto universo é igual ao
próprio conjunto.

Vejam o exemplo mostrado a seguir.

U = { x | x é número real }

H = { -2, -1, 0, +1, + 2 }

H inter U = { -2, -1, 0, +1, + 2 } = H

Propriedade 5: Lei associativa.


A intersecção de conjuntos goza da propriedade associativa
(associatividade da operação de intersecção).

Vejam o exemplo mostrado a seguir.

H = { 1, 2, 3, 4 }

A = { 1, 2 }

B = { 2, 3, 4 }
No lado esquerdo da igualdade temos:

H inter A = { 1, 2 }

( H inter A ) inter B = { 2 }

No lado direito da igualdade temos:

A inter B = { 2 }

H inter ( A inter B ) = { 2 }

Assim, os lados esquerdo e direito levam ao mesmo resultado.

Propriedade 6: Primeira Lei Distributiva.

Notem que a união está sendo aplicada a uma intersecção.


Vejamos o exemplo a seguir.

A = { 10, 11, 14 }

B = { 0, 4, 100 }

C = { 100, 200, 300 }

No lado esquerdo da igualdade temos:

B inter C = { 100 }

A união ( B inter C ) = { 10, 11, 14, 100 }

No lado direito da igualdade temos:


A união B = { 0, 4, 10, 11, 14, 100 }

A união C = { 10, 11, 14, 100, 200, 300 }

( A união B ) inter ( A união C ) = { 10, 11, 14, 100 }

Assim, os lados esquerdo e direito levam ao mesmo resultado.

Propriedade 7: Segunda Lei Distributiva.

Notem que a intersecção está sendo aplicada a uma união.

Tal qual foi feito na propriedade 6, o leitor é convidado a gerar um


exemplo para a propriedade 7 (podem ser usados os mesmos
conjuntos A, B e C).
DIFERENÇA

Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer A e B e um elemento genérico x


(xis). O conjunto diferença entre eles é dado por:

É lido A menos B ou A diferença B. É o conjunto formado por


todos aqueles elementos que pertencem ao conjunto A e que não
pertencem ao conjunto B.
Vejam o diagrama de Venn a seguir. A parte colorida de rosa é
o conjunto A menos B. Notem que a parte da intersecção entre A e
B foi retirada. Isto nos mostra que a operação de diferença entre 2
(dois) conjuntos é uma operação eliminadora da intersecção desses
conjuntos. Pictoricamente temos:

Ex.:
A = { k, w, y } B = { c, k, q, z }

A - B = { w, y }
Observem que os elementos w e y pertencem ao conjunto A,
porém não pertencem ao conjunto B. Já o elemento k pertence a
ambos os conjuntos (elemento da intersecção) e foi eliminado do
conjunto diferença.
Na Álgebra Elementar, dependendo de U (conjunto universo),
a operação de subtração pode, inclusive, nem existir em todas as
situações. Vejamos o seguinte exemplo que envolve o conjunto dos
números naturais.
Vamos lembrar que o conjunto dos naturais não é fechado em
relação à operação de subtração. Isto significa que nem toda
operação de subtração feita com números naturais resulta em um
número natural.
Assim, sejam os números 10 e 4 (ambos pertencentes ao
conjunto dos números naturais). De fato, o resultado de 10 menos 4
é igual a 6 (que é também um número natural). Porém, o resultado
de 4 menos 10 não pertence ao conjunto dos naturais (já o conjunto
dos números inteiros é fechado em relação à operação de
subtração).

(10 - 4 = 6) pertence ao conjunto dos números naturais

(4 - 10 = -6) não pertence ao conjunto dos números naturais

Leis da Diferença
Estas 3 (três) leis envolvem uma operação de diferença entre
conjuntos. A primeira e a segunda podem ser facilmente analisadas
com o diagrama de Venn anterior. A terceira, a meu ver, é um pouco
mais complicada, mas também pode ser compreendida com um
diagrama de Venn mais elaborado.

Primeira Lei:

Vejam que o conjunto diferença A menos B é sempre um


subconjunto do próprio conjunto A.
Segunda Lei:

Vejam que a operação diferença é uma eliminadora de intersecção.


Assim, a intersecção entre o conjunto diferença A menos B e o
conjunto B é um conjunto vazio.

Terceira Lei:

No capítulo vindouro Questões Extras há um exercício para provar a


terceira lei de maneira formal.
COMPLEMENTAÇÃO
(Negação, Barramento, Inversão)

Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer A e B. O conjunto complementar


de A em relação a B é dado por:

Ex. Considerando os conjuntos a seguir, vamos calcular o


complementar de A em relação a B e o complementar de B em
relação a A (sendo que j representa a unidade imaginária, a raiz
quadrada de menos um):

Vejamos a questão da complementação de um conjunto em


relação ao conjunto universo. Seja um dado conjunto H e o
correspondente conjunto universo U. O conjunto complementar de H
em relação à U é formado por todos os elementos de U que não
pertencem ao conjunto H.
Simboliza-se por: H’ (H linha) ou HC. É lido complementar de
H, H complementar, negação de H, H negado, H barrado ou ainda
NÃO H (NOT H ou INV H).

Ex.: Se U = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10} e H = {0, 2, 4, 6, 8, 10}


então HC será dado por:

HC = {1, 3, 5, 7, 9}
O conjunto H negado também pode ser escrito conforme
segue

onde a letra y denota os elementos de HC. Em termos de diagramas


de Venn temos:

Conjuntos Complementares

Diz-se que 2 (dois) conjuntos quaisquer H e F são complementares


(em relação ao conjunto universo U) quando:

ou seja, a união entre eles é o próprio conjunto universo e eles são


mutuamente exclusivos (disjuntos). A seguir temos um diagrama de
Venn para os conjuntos complementares H e F. Observem que não
há elementos em comum (intersecção nula) e ao unirmos H com F
teremos o conjunto universal U.
A complementação de conjuntos goza das seguintes
propriedades:

Propriedade 1: Complemento do complemento.


O complemento do complemento de um conjunto é o próprio
conjunto.

(HC)C = H
Vejamos como isto se aplica ao diagrama de Venn anterior.
O complementar de H é F.

HC = F
E o complementar de F volta a ser H.

FC = (HC)C = H

Propriedade 2: União com o complemento.


A união de um conjunto com seu complemento é igual ao conjunto
universo.
Vejamos como isto se aplica ao diagrama de Venn anterior.
O complementar de H é F.

HC = F
Unindo H com o complementar de H temos o conjunto universal U.

H U HC = H U F = U
Aqui é preciso estar muito atento para a notação que foi usada por
mim. U (sem itálico) está designando a operação de união e U (com
itálico) está designando o conjunto universal.

Propriedade 3: Intersecção com o complemento.


A intersecção de um conjunto com seu conjunto complementar é
igual ao conjunto vazio (lembrar que um conjunto e seu
complementar são conjuntos disjuntos).

Vejamos como isto se aplica ao diagrama de Venn anterior.


O complementar de H é F.

HC = F
A intersecção de H com F não possui elementos (é o conjunto
vazio).

Propriedade 4: Complemento do conjunto universo.


O complementar do conjunto universo é o conjunto vazio.
Em linguagem popular (ou informal) dizemos: Nada mais falta ao
conjunto universo para atingir o próprio conjunto universo.

Propriedade 5: Complemento do conjunto vazio.


O complementar do conjunto vazio é o conjunto universo.

Em linguagem popular (ou informal) dizemos: Tudo falta ao conjunto


vazio para atingir o conjunto universo.

Propriedade 6: Diferença de Conjuntos Envolvendo


Complementares.

Essa propriedade é mais difícil de ser percebida. Vejam o exemplo


esclarecedor mostrado a seguir.

A = { 1, 2, 3, 4 }

B = { 2, 3, 5 }
Temos então:

Negação de A = { 5 }

Negação de B = { 1, 4 }
A inter (negação de B) = { 1, 4 }

(Negação de A) inter B = { 5 }

A menos B = { 1, 4 }

B menos A = { 5 }
Vejam que as igualdades da propriedade 6 foram satisfeitas.
Leis de De Morgan
Primeira Lei de De Morgan: Lei da Intersecção (transformada) em
União.

A leitura da Primeira Lei é feita conforme segue: O


complemento da intersecção de dois conjuntos é igual à união dos
complementos de cada um dos conjuntos.

Segunda Lei de De Morgan: Lei da União (transformada) em


Intersecção.

A leitura da Segunda Lei é feita conforme segue: O


complemento da união de dois conjuntos é igual à intersecção dos
complementos de cada um dos conjuntos.

As Leis de De Morgan podem ser generalizadas conforme


segue (os dois casos anteriores são casos particulares, para n = 2,
dos casos gerais ilustrados a seguir).

Primeira Lei Geral de De Morgan:


Segunda Lei Geral de De Morgan:

Vejamos um exemplo. Sejam os 2 (dois) conjuntos A e B


mostrados a seguir.

A = { 1, 2, 3, 4, 5, 6 }

B = { 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10 }
Então:

A união B = { 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 }
( A união B ) barrado = { }

A inter B = { 3, 4, 5, }
( A inter B ) barrado = { 1, 2, 6, 7, 8, 9, 10 }

A barrado = { 7, 8, 9, 10 }
B barrado = { 1, 2, 6 }
Aplicando as Leis de De Morgan temos:

Primeira Lei:

{ 1, 2, 6, 7, 8, 9, 10 } = { 7, 8, 9, 10 } união { 1, 2, 6 }
OK

Segunda Lei:

{ } = { 7, 8, 9, 10 } inter { 1, 2, 6 } OK
Complementos de Complementos
Vimos que (HC)C = H. Trata-se do complemento de um
complemento. Vamos, agora, estabelecer uma regra geral para o
seguinte caso:

( ( ( HC )C )C )C...
Ou seja, n operações de complementação de um mesmo
conjunto (onde n é um número natural maior ou igual a 1).

Para n = 1 tem-se:

HC (i.e., o complemento de H)

Notar que n é ímpar.

Para n = 2 tem-se:

(HC)C (i.e., o próprio H)

Notar que n é par.

Para n = 3 tem-se:

((HC)C)C (i.e., o complemento de H)

Notar que n é ímpar.

Para n = 4 tem-se:
(((HC)C)C)C (i.e., o próprio H)

Notar que n é par.

Para n = 5 tem-se:

((((HC)C)C)C)C (i.e., o complemento de H)

Notar que n é ímpar.

E assim sucessivamente.

Ficamos indefinidamente nesta situação oscilatória entre duas


situações (ditas H e H barrado ou H e H complementado). Destarte,
podemos escrever a seguinte expressão para o caso geral:

Sendo que n é o número de operações de complementação (1,


2, 3, 4, 5, ...). Notar que não faz sentido n assumir o valor nulo (se
assumisse o valor zero não haveria sequer uma única operação de
complementação).

OBS.:
O título deste capítulo também poderia ser dado por (com o mesmo
significado):

* Negações de Negações
* Barramentos de Barramentos

* Inversões de Inversões
Cardinalidade de um Conjunto
O número de elementos de um conjunto A é denominado
cardinal do conjunto A e é representado pela notação n(A). Também
encontramos a notação card(A).

Ex. 1:
Se S = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10} então n(S) = 10

Ex. 2:
Se P = {3, 3, 3, 4, 4, 5} então n(P) = 3

(lembrar que elementos listados repetidos não contam)

Ex. 3:
Se A = {4} então n(A) = 1

Trata-se de um conjunto unitário (tem apenas um único elemento).


Assim, todo conjunto unitário possui cardinalidade unitária.

Ex. 4:
A cardinalidade do conjunto dos números naturais é infinita (tal
conjunto possui infinitos elementos). O mesmo é verdadeiro para o
conjunto dos números pares positivos, para o conjunto dos números
ímpares positivos e para o conjunto dos números inteiros.

Ex. 5:
Se C = { 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, ..., n } então card(C) = n
É o conjunto dos n (ene) primeiros números naturais excetuando-se
o zero. Se, por exemplo, n for igual a 356 teremos card(C) = 356.
OBS.:
Quando 2 (dois) conjuntos possuem o mesmo número de elementos
(i.e., quando possuem a mesma cardinalidade) eles são chamados
conjuntos equipotentes.

EQUIPOTÊNCIA <==> MESMA CARDINALIDADE

Notar que a igualdade entre conjuntos não necessariamente se


manifesta em conjuntos equipotentes. Vejam o próximo exemplo.

A = { 4, 5, 6, 7 } B = { 0, 1, 2, 3 }

n(A) = n(B) = 4

Os conjuntos A e B possuem 4 (quatro) elementos cada. Logo, são


conjuntos equipotentes (possuem o mesmo número de elementos;
possuem a mesma cardinalidade). Todavia, nem mesmo possuem
elementos em comum (a intersecção entre eles é nula) e, assim, não
são iguais (para serem iguais deveriam possuir os mesmos
elementos).
Conjuntos Numéricos e Seus Diagramas de Linha
Dentre os muitos conjuntos numéricos existentes analisaremos
os mais importantes. Ei-los.

Naturais:

Este é o primeiro conjunto numérico ensinado nas escolas do Ensino


Fundamental. Subconjuntos importantes do conjunto dos números
naturais são os pares positivos, os ímpares positivos e os primos.

Inteiros:
Z = {... -5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, ...}
Notaram como os números naturais aparecem no conjunto dos
inteiros? Na verdade, os naturais são um subconjunto dos inteiros
(ou, falando de outra forma, os inteiros são um superconjunto dos
naturais).

Racionais:

Exemplos: 0, 4, 7/5, -3/2, 6/7, 14/132, 1/2.

A restrição mostrada (q sendo diferente de zero) se faz presente


uma vez que a divisão por zero não é permitida.

Irracionais:
I = { y | y não pode ser posto na forma p/q} onde

Para o conjunto universo dos números reais podemos escrever:

I = QC

Ou seja, os irracionais são o conjunto complementar dos racionais


considerando o universo dos números reais. Na forma pictórica
temos:

Exemplos:

OBS.:
O número de Euler (que é a base dos logaritmos naturais,
napierianos ou neperianos) é também um número irracional.

Reais:
Conjunto formado pela união (ou reunião) do conjunto dos racionais
com o conjunto dos irracionais.
Imaginários Puros:

É o conjunto formado pelos elementos jota bê tal que bê é um


número real e jota é a raiz quadrada de menos um (unidade
imaginária). Na Matemática é usual usar a letra minúscula i para
representar a unidade imaginária. Já na Engenharia Elétrica usamos
a letra minúscula jota com o mesmo propósito.
Alguns exemplos de números imaginários puros:

j4, j10, -j15, j1.000


Tipicamente lemos: jota quatro, jota dez, jota menos quinze e jota
mil.
Notar que o zero é imaginário puro e é também real (ele se situa na
intersecção da reta real horizontal com a reta imaginária vertical).
Podemos escrever o zero como:

0 = j0 = 0j = 0 + j0
A primeira forma (que é a mais comum) mostra o zero como um
número real. A segunda e a terceira formas mostram o zero como
um número imaginário puro. A quarta forma mostra o zero como um
número complexo com parte real nula e parte imaginária também
nula. As 4 (quatro) representações são plenamente válidas e seu
emprego depende somente do contexto ou de uma preferência
pessoal.

Complexos:
Os números complexos são uma extensão dos números reais.
Surgiram da necessidade de resolver equações do segundo grau
onde o discriminante era negativo. São amplamente empregados na
Física e na Engenharia Elétrica (por exemplo, na representação de
impedâncias[xiv]).

Um número complexo z costuma ser escrito na forma


retangular, ou seja:

z = a + bj = a + jb
Nesta forma de representação, a parte real de z é dada por a e
a parte imaginária de z é dada por b. Os operadores parte real (Re)
e parte imaginária (Im) de um número complexo z são definidos
como:

Re [ z ] = Re [ a + bj ] = a

Im [ z ] = Im [ a + bj ] = b
E o número complexo z poderá ser escrito como:

z = Re [ z ] + j Im [ z ]

OBS.:
De forma alternativa é possível escrever um número complexo z
expresso na forma retangular como:

z = bj + a = jb + a
Isto é, colocando a parte imaginária na frente da parte real (porém,
isso não é algo usual).

Há outras formas de representação dos números complexos


(trigonométrica, exponencial, Steinmetz, polar, par ordenado ab, par
ordenado polar e cis). Vejamos, por exemplo, como é feita a
representação na forma de par ordenado ab.

z = (a, b)
Ou ainda:

z = (Re[z], Im[z])
Ou seja, o primeiro elemento do par ordenado ab é a parte real
de z e o segundo elemento do par ordenado ab é a parte imaginária
de z.

OBS.:
Na forma de par ordenado ab não podemos inverter a ordem dos
elementos do par (notar que se trata de um par ordenado, ou seja,
um par onde a ordem é importante). Assim, o primeiro elemento do
par será sempre a parte real do número complexo z e o segundo
elemento do par será sempre a parte imaginária do número
complexo z.

Vejamos agora os seguintes exemplos com a representação


do tipo retangular.

z = 4 + j3 = 4 + 3j
(a parte real e a parte imaginária são ambas positivas)

z = 10 -j8 = 10 -8j
(a parte real positiva e a parte imaginária negativa)
z = -5 -j3,6 = -5 -3,6j
(a parte real e a parte imaginária são ambas negativas)

Quando se insere um * (asterisco) logo após o símbolo do


conjunto significa que o elemento 0 (zero) foi retirado desse
conjunto.

Ex.: Vejamos como fica o conjunto dos números inteiros quando o


elemento 0 (zero) é retirado dele.

Z* = {... -5, -4, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 4, 5, ...}

Z* = Z - { 0 }
Podemos, agora, escrever as seguintes relações entre os
conjuntos mostrados.

Assim sendo, vejamos como fica o correspondente diagrama


de linha (notar que algumas das barras do diagrama foram
desenhadas com uma certa inclinação).
Com relação a esse diagrama de linha vou lançar aqui uma
provocação intelectual. Vejam que os conjuntos dos racionais e dos
imaginários puros estão apartados um do outro. Porém, o que
podemos dizer acerca do número zero?
Ora, o zero é um número imaginário puro (já vimos isso antes).
Notar que podemos escrever 0j ou j0. Será ele também um número
racional? Para responder a esta pergunta vamos ver se o zero
cumpre os requisitos para ser um número racional.
Bem, podemos escrever o zero na forma a seguir.

0=0/h
Onde h deve ser um número inteiro diferente de zero, por
exemplo:

0 = 0 / 2 = 0 / 1 = 0 / 15 = 0 / (-100)
Tanto zero quanto h são números inteiros.
Então, o zero é um número racional. Assim, como proceder
para indicar no diagrama de linha que os conjuntos dos racionais e
dos imaginários puros possuem uma intersecção que não é nula
(isto é, a intersecção entre tais conjuntos não é um conjunto vazio)?
OBS.:
1. Notar que todos os números naturais são inteiros e todos os
números inteiros são racionais. Então, todos os números naturais
são racionais (transitividade). Temos:
Os naturais são um subconjunto dos inteiros.
Os inteiros são um superconjunto dos naturais.
Os inteiros são um subconjunto dos racionais.
Os racionais são um superconjunto dos inteiros.
Os naturais são um subconjunto dos racionais.
Os racionais são um superconjunto dos naturais.

2. Notar que todos os números irracionais são reais e que todos os


números racionais também são reais. Temos:
Os irracionais são um subconjunto dos reais.
Os reais são um superconjunto dos irracionais.

Os racionais são um subconjunto dos reais.


Os reais são um superconjunto dos racionais.

3. Notar que todo número real é também número complexo (quando


a parte imaginária for igual a zero).

z = a + bj ( sendo a e b reais )
Se b=0 então z=a+(0xj)=a+0=a

4. O conjunto dos reais e o conjunto dos imaginários puros possuem


uma intersecção unitária (que é o número zero).
Assim, este conjunto intersecção é um conjunto unitário (possui
apenas um único elemento, o qual é o elemento zero).

0 = 0 + 0j

5. Notar que todo número imaginário puro é também complexo.


Temos:
Os imaginários puros são um subconjunto dos complexos.
Os complexos são um superconjunto dos imaginários puros.

z = 0 + bj = bj ( sendo b real )

Por fim, o leitor é convidado a elaborar um diagrama de Venn


relacionando os principais conjuntos numéricos aqui vistos (até os
reais). Incluam também os números imaginários. Não esqueçam as
eventuais intersecções não nulas entre os conjuntos. Tomando como
base o diagrama de linha anterior esta é uma tarefa que considero
fácil.
Conjuntos Finitos
Um conjunto é dito finito quando o processo de contagem dos
elementos do conjunto chega a um final, ou seja, existe um último
elemento do conjunto.

Ex. 1:
S = {z | z é número ímpar positivo menor que 1.000}
S = { 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15, ... 997, 999 }
Observem que mesmo se o limite fosse um milhão (ou um bilhão ou
mesmo um trilhão), o conjunto continuaria sendo finito (ele somente
teria um número muito maior de elementos).

Ex. 2:
P = {x | x é número real AND 2x2 = 50}
Não se trata de qualquer número real, mas somente aqueles que
satisfazem a igualdade que foi mostrada. Assim, se

2x2 = 50
então

x2 = 50 / 2 = 25
e, portanto

x = 5 ou x = -5
Há 2 (dois) elementos neste conjunto, a saber:
P = {+5, -5}

n(P) = 2

Ex. 3:
H = {modelos de smartphones em uso no Brasil}

Ex. 4:
B = {raças de gatos domésticos que existem ao redor do mundo}

Ex. 5:
M = {times brasileiros de futebol masculino no ano de 2019}

Ex. 6:
R = {inteiros positivos de 1 a 6, incluindo os dois extremos}
R = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
Um conjunto com 6 (seis) elementos.

OBS.:
Todo conjunto finito é enumerável (nós sempre podemos contar os
elementos de qualquer conjunto finito e chegar ao último).
Conjuntos Infinitos
Um conjunto é dito infinito quando o processo de contagem
dos elementos do conjunto não chega a um final, ou seja, não se
chega nunca ao último elemento.

Ex. 1:
J = {w | w é número ímpar positivo}
Existem infinitos números ímpares (tanto positivos quanto
negativos).

Ex. 2:
A = {x | x é número real AND 0 < x < 1 }
Há infinitos números reais situados no intervalo aberto (0,1).

Ex. 3:
Todos os conjuntos numéricos a seguir são infinitos:

O asterisco colocado na parte da direita indica que o número 0


(zero) foi excluído do conjunto correspondente.

É fundamental não confundir dois conceitos distintos: conjunto


infinito e conjunto que tem um número muito grande de
elementos. Vejamos um exemplo.

Ex.:
J = {w | w é número racional não negativo}
A = {espécies animais e vegetais da Terra, inclusive as já extintas}

J é um conjunto infinito, porém A é um conjunto finito (ainda


que com um número enorme de elementos). Observar que nem
sabemos quantas são as espécies que já se extinguiram no planeta
Terra, porém sabemos que não são infinitas.

Um conjunto infinito pode ser enumerável ou não-enumerável.


Assim:

Enumerável é todo conjunto finito ou aquele em que seus


elementos podem ser colocados em correspondência biunívoca com
os elementos do conjunto dos números naturais.
Dizemos que há uma correspondência biunívoca entre os
elementos de 2 (dois) conjuntos quando a cada elemento de um
certo conjunto A corresponde um elemento do outro conjunto B, e
vice-versa.

Não-enumerável é aquele em que seus elementos não


podem ser enumerados (i.e., não podem ser postos em
correspondência biunívoca com os elementos do conjunto dos
naturais). Um dos mais conhecidos é o conjunto dos números reais
(outro é o conjunto dos números irracionais).
Conjuntos Limitados e Ilimitados
Um conjunto qualquer H é dito limitado caso exista um número
real positivo M tal que:

Ou seja, para todo e qualquer elemento de H (tomado em valor


absoluto) existe um número real positivo M que é maior ou igual. As
barras verticais representam a função valor absoluto (módulo)[xv].
Conjuntos ilimitados (ou não limitados) são aqueles para os
quais a desigualdade anterior não ocorre. Vejamos os exemplos a
seguir.

A = { z | z é número primo }
É um conjunto ilimitado.
Não existe um número primo que seja o maior de todos (o conjunto
dos números primos é um conjunto infinito).

B = { w | w é número par positivo }


É um conjunto ilimitado.
Não existe um número par positivo que seja o maior de todos (o
conjunto dos números pares positivos é um conjunto infinito).

O conjunto dos números naturais é um conjunto ilimitado.


Não existe um número natural que seja o maior de todos (o conjunto
dos números naturais é um conjunto infinito).

O conjunto dos números inteiros positivos é um conjunto ilimitado.


Não existe um número inteiro positivo que seja o maior de todos (o
conjunto dos números inteiros positivos é um conjunto infinito).

F = {4, -635, 0, 893, pi, e, -745}


É um conjunto limitado.
Neste caso, M é igual a 893. Vejam a análise feita a seguir com cada
um dos elementos do conjunto F.

| 4 | = 4 < 893

| -635 | = 635 < 893

| 0 | = 0 < 893

| 893 | = 893

| pi | = pi < 893

| e | = e < 893

| -745 | = 745 < 893

T = {1, 1/2, 1/3, 1/4, ...}


É um conjunto limitado (vejam que T é um conjunto infinito).
Temos aqui uma sequência numérica infinita que vai diminuindo de
valor termo a termo (os denominadores vão progressivamente
aumentando de valor). Neste caso, M é igual a 1 (um).

Conjuntos Finitos x Infinitos


Vamos memorizar agora duas afirmativas muito importantes
envolvendo os conceitos de finitude, infinitude e limitação.

Afirmativa 1:
Conjuntos finitos são sempre limitados (e.g., o conjunto F).

Afirmativa 2:
Conjuntos infinitos podem ser limitados (e.g., o conjunto T) ou
ilimitados (e.g., A, B, conjunto dos números naturais).
Número de Elementos Resultantes da União de
Conjuntos
Sejam 2 (dois) conjuntos quaisquer A e B. Tem-se que:

O número de elementos do conjunto A (o cardinal de A) é dado por


n(A).

O número de elementos do conjunto B (o cardinal de B) é dado por


n(B).

O número de elementos do conjunto A união B (ou A reunião


B) será dado pelo seguinte teorema.

Teorema:

O entendimento deste teorema (mas não a sua demonstração)


é facilitado com o uso de um Diagrama de Venn (lembrar que os
Diagramas de Venn não são provas matemáticas formais e,
portanto, não devem ser usados nas demonstrações de teoremas).
Observem que a intersecção dos 2 (dois) conjuntos acaba
sendo contada duas vezes (pois ela diz respeito não apenas ao
conjunto A, mas também ao conjunto B). Isto já nos abre a mente
para a parcela que foi subtraída. Perceberam?
Vejamos a demonstração formal do teorema anterior.

Em termos de conjuntos disjuntos podemos escrever A união B


como:

Observem que separamos a união dos conjuntos em 3 (três)


conjuntos disjuntos (somente a parte exclusiva de A, a intersecção
entre A e B e somente a parte exclusiva de B). Essa separação das
partes exclusivas (de A e de B) é possível graças à operação de
diferença (ou seja, A menos B e B menos A).
Algo similar pode ser feito para os conjuntos A e B, ou seja:

Novamente temos aqui a separação de cada um dos conjuntos


em suas partes exclusivas (por exemplo, a parte exclusiva de A e a
intersecção entre A e B).
Calculando a cardinalidade do conjunto união dado pela
primeira igualdade temos:
Podemos escrever:

logo,

Portanto:

Corolário:

Se os conjuntos A e B forem disjuntos (i.e., se eles não tiverem


elementos comuns) teremos uma simplificação da expressão geral
(pois não faremos mais uso da parte relativa à intersecção).
Demonstração:

Sendo A e B conjuntos disjuntos (i.e., mutuamente excludentes ou


mutuamente exclusivos) temos que a sua intersecção é o conjunto
vazio.

Assim sendo:

O conjunto vazio não possui elementos e, portanto, a sua


cardinalidade é igual a zero. Assim:

Q.e.d.
Este é um caso particular da intersecção entre 2 (dois)
conjuntos (daí ser ele um corolário do teorema original).
Até aqui tratamos apenas da união de 2 (dois) conjuntos
(disjuntos ou não). Todavia, é possível definir a união de 3 (três) ou
mais conjuntos e, em consequência, determinar o número de
elementos presentes no correspondente conjunto união.

Sendo assim, vamos fazer alguns exercícios. Determinaremos


o número de elementos dos conjuntos união bem como os próprios
conjuntos união. Aqui estão os conjuntos A, B e C.
A = { 1, 2, 3 } e n(A) = 3

B = { 3, 4, 5 } e n(B) = 3

C = { 10 } e n(C) = 1

A U B = { 1, 2, 3, 4, 5 }

A U C = { 1, 2, 3, 10 }

B U C = { 3, 4, 5, 10 }

A inter B = { 3 }
É um conjunto unitário (tem um único elemento).

A inter C = { }
É um conjunto nulo (sem elementos).

B inter C = { }
É um conjunto nulo (sem elementos).

A inter B inter C = { }
É um conjunto nulo (sem elementos).

A U B U C = { 1, 2, 3, 4, 5, 10 }
Por mera contagem de elementos obtemos:

n(A U B) = 5

n(A U C) = 4

n(B U C) = 4
n(A U B U C) = 6
Através das fórmulas obtemos:

n(A U B) = 3 + 3 - 1 = 5

n(A U C) = 3 + 1 - 0 = 4

n(B U C) = 3 + 1 - 0 = 4

n(A U B U C) = 3 + 3 + 1 - 1 - 0 - 0 + 0 = 6
Mas como se chegou a este último resultado por fórmula?
Afinal de contas temos 3 (três) conjuntos, mas somente vimos a
fórmula para 2 (dois). Bem, é possível desenvolver fórmulas para
três, quatro ou mais conjuntos envolvidos na operação de união. No
caso de 3 (três) conjuntos temos:

O caso de 3 (três) conjuntos é mais raramente visto em


exames. Contudo, é uma possibilidade real que ele possa vir a
aparecer (mormente se quisermos elevar o nível de cobrança de
uma prova). Assim, é bom ficarem atentos. Notem que as
intersecções duas a duas foram retiradas e, ao final, foi preciso
incluir a intersecção dos 3 (três) conjuntos. Isso foi feito devido ao
fato desta parte ter ficado de fora com as operações anteriores de
retirada executadas previamente.
É interessante fazer o diagrama de Venn dos 3 (três) conjuntos
A, B e C para uma melhor visualização da situação e entendimento
da fórmula que foi apresentada. Não esquecer que o caso mais
geral pressupõe que existam todas as intersecções. No exercício 6
do capítulo de exercícios tal diagrama de Venn é mostrado.
Vou lançar aqui uma provocação intelectual. E se tivéssemos 4
(quatro) conjuntos? Qual seria a fórmula geral?
Conjunto de Conjuntos
Este capítulo introduz um conceito fulcral para entender o que
seja o conjunto potência (o qual será visto logo adiante). Vejamos.
A ideia é um conjunto cujos elementos são conjuntos (daí o
nome conjunto de conjuntos). Este é um tópico que costuma
confundir os alunos e por isso é preciso atenção redobrada. Vamos
discutir um exemplo.

Seja o conjunto H mostrado a seguir. Este conjunto tem 5


(cinco) elementos e todos os 5 (cinco) elementos são, eles próprios,
conjuntos.

H = {{k}, {s}, {v}, {k, s}, {k, s, v}}


Assim, os elementos do conjunto H são dados por:

Primeiro elemento: {k}


Segundo elemento: {s}
Terceiro elemento: {v}
Quarto elemento: {k, s}
Quinto elemento: {k, s, v}

Já que os elementos de H são conjuntos, nós usamos chaves


para identificar cada um deles. E como relacionamos tais elementos
com o próprio conjunto H?

{v} é um elemento de H, logo,

Da mesma forma:

{k, s} é outro elemento de H, logo,


É correto escrever

Não, não é correto. Como {k, s, v} é um dos elementos de H, o


certo é escrever usando o sinal de pertinência, ou seja:

Lembrar que elementos pertencem (ou não pertencem) a


conjuntos. E {k, s, v} é um dos elementos de tal conjunto.
Conjunto Potência
Tendo sido apresentado o conceito de conjunto de conjuntos
no capítulo anterior, estamos preparados para entender o que é o
conjunto potência.
Pot(A), dito conjunto potência de A, é o conjunto formado por
todos os subconjuntos de A. É também conhecido como conjunto
das partes de um conjunto.
Seja um conjunto A (contendo três elementos) dado por:

Os elementos do conjunto A são: pi, jota 377 e a raiz quadrada


de e. Os subconjuntos de A são dados por (lembrar que o conjunto
vazio é um subconjunto de qualquer conjunto e, por isso, deve ser
incluído):

O conjunto potência de A, dito Pot(A), será então dado por:

Notem que tal conjunto potência possui 8 (oito) elementos.


Vejamos, agora, como calcular genericamente o número de
elementos do conjunto potência (i.e., a cardinalidade do conjunto
potência) de um certo conjunto qualquer A, que é chamado o
cardinal de Pot(A).

n(Pot(A)) = 2P
n(Pot(A)) = 2 x 2 x 2 x 2 x ... x 2 (P vezes)
onde P é o número de elementos do conjunto A. Desta forma,
faremos a operação de potenciação 2 elev P (dois elevado a pê)
para obter o número de elementos do conjunto potência (i.e., a sua
cardinalidade).

No exemplo anterior, o conjunto A tinha 3 elementos (P = 3) e,


assim, a cardinalidade do seu conjunto potência é 8 (dois elevado ao
cubo é igual a oito).

2 elev 3 = 23 = 2 x 2 x 2 = 8

OBS.:
1. Seja o conjunto vazio. O correspondente conjunto potência será
dado por:

O conjunto vazio possui um único subconjunto que é ele próprio.


Lembrar que o conjunto vazio é um conjunto que não possui
elementos (o número de elementos é igual a zero) e é subconjunto
de qualquer conjunto. Assim, a cardinalidade deste conjunto
potência é dada por:

2. Seja, agora, um dado conjunto unitário B (que possui somente


um único elemento, o qual chamaremos de el).

B = { el }
Seu conjunto potência será dado por (não podemos nos esquecer
nunca de incluir o conjunto vazio):

Assim, a cardinalidade desse conjunto potência será dada por:


Linguajar Matemático da Teoria dos Conjuntos
A Teoria dos Conjuntos possui um linguajar (ou jargão)
matemático próprio, o qual é muito empregado na Teoria das
Probabilidades (com as devidas alterações de nomenclatura).
Assim, é assaz útil conhecê-lo. Para tal, consideraremos 2 (dois)
conjuntos quaisquer denominados H e G.

Pelo menos (ao menos) um dos conjuntos:


Indica a operação de união (ou reunião).

Na operação de união, basta que um elemento esteja em um dos


conjuntos para que ele também esteja no conjunto união.

Ambos os conjuntos:
Indica a operação de intersecção.

Fala-se ambos já que tem de pertencer ao conjunto H e pertencer


também ao conjunto G.

O conjunto H, mas não o conjunto G:


Indica a operação de intersecção envolvendo um complementar.

O diagrama de Venn correspondente é mostrado a seguir. Primeiro,


façam a complementação do conjunto G e somente depois façam a
intersecção entre os conjuntos.

Nenhum dos conjuntos:


Indica a operação de intersecção envolvendo 2 (dois) conjuntos
complementares.

O diagrama de Venn correspondente é mostrado a seguir. Primeiro


façam a complementação de cada um dos conjuntos e somente
depois façam a intersecção de tais complementações.
Intervalos Numéricos
São conjuntos numéricos definidos, tipicamente, sobre o
conjunto dos números reais. A matemática intervalar faz uso de 4
(quatro) símbolos, a saber: dois parênteses ( ) (sendo um de
abertura e o outro de fechamento) e dois colchetes [ ] (sendo um
de abertura e o outro de fechamento).
Os intervalos podem ser:

Aberto à esquerda e aberto à direita


(duplamente aberto)

( ) ou ] [

Aberto à esquerda e fechado à direita

( ] ou ] ]

Fechado à esquerda e aberto à direita

[ ) ou [ [

Fechado à esquerda e fechado à direita


(duplamente fechado)

[ ]
onde aberto não considera o extremo correspondente e fechado
considera o extremo correspondente. Vejamos exemplos simples
envolvendo um intervalo de números reais (dito intervalo real).
Vamos focar nossa análise nos extremos dos intervalos.

[1,2]
Intervalo fechado em 1 (à esquerda) e fechado em 2 (à direita). É
um intervalo duplamente fechado. Tanto 1 quanto 2 fazem parte
deste intervalo.

(1,2)
Intervalo aberto em 1 (à esquerda) e aberto em 2 (à direita). É um
intervalo duplamente aberto. Nem 1 nem 2 fazem parte deste
intervalo.

(1,2]
Intervalo aberto em 1 (à esquerda) e fechado em 2 (à direita).
Somente 2 faz parte deste intervalo (1 não faz parte).

[1,2)
Intervalo fechado em 1 (à esquerda) e aberto em 2 (à direita).
Somente 1 faz parte deste intervalo (2 não faz parte).

Quando o intervalo é desenhado sobre a reta real é costume


usar um pequeno círculo preto para indicar a extremidade fechada e
um pequeno círculo branco para indicar a extremidade aberta.

O intervalo indicado acima (fechado à esquerda em pi, aberto


à direita em três pi) é dado na notação intervalar por:
Em termos de notação de conjuntos escrevemos o intervalo
anterior conforme segue (vamos chamá-lo intervalo IA):

Os conjuntos numéricos infinitos também podem ser


representados na notação de intervalos, senão vejamos um exemplo
com o número de Euler (que é a base dos logaritmos naturais,
napierianos ou neperianos).

Na notação de intervalos temos:

onde o símbolo é usado para representar a ideia (ou noção) de


infinito. Eis a representação pictórica deste intervalo.

Intervalos Degenerados: Seja um número real qualquer b. Chama-se


intervalo degenerado ao intervalo dado por:
[b]
Notar que o intervalo dito degenerado engloba, apenas, um
único número real (daí o nome degenerado; o intervalo degenerou
em apenas um número).

Para finalizar, vejamos 3 (três) importantes propriedades da


matemática intervalar.

Propriedade 1:
A intersecção de 2 (dois) intervalos é também um intervalo.

Exemplo:

Intervalo 1:

Int_1 = [ 0, 10 ] => é um intervalo duplamente fechado


Intervalo 2:

Int_2 = [ 5, 20 ] => é um intervalo duplamente fechado

Int_1 inter Int_2 = [ 5, 10 ]

Propriedade 2:
A união de 2 (dois) intervalos não disjuntos (i.e., que não sejam
mutuamente exclusivos) é também um intervalo.

Exemplo:

Intervalo 1: Int_1 = [ 0 10 ]
Intervalo 2: Int_2 = [ 5, 20 ]
Os intervalos Int_1 e Int_2 não são disjuntos (eles possuem uma
intersecção não nula).

Int_1 união Int_2 = [ 0, 20 ]

Propriedade 3:
A diferença de 2 (dois) intervalos não comparáveis é também um
intervalo.
Exercícios
Ex. 1:
Quais são os elementos do conjunto H o qual é descrito por sua
propriedade?

Ex. 2:
Quais são os elementos do conjunto H o qual é descrito por sua
propriedade?

OBS.: Neste caso, simboliza o conjunto dos números


complexos.

Ex. 3:
Qual é o diagrama de linha que simboliza as relações entre os
conjuntos a seguir?

A = {1} B = {2} C = {1, 2}


Ex. 4:
Qual é o diagrama de linha que simboliza as relações entre os
conjuntos a seguir?

A = {a} B = {a, b} C = {a, b, c}


D = {a, b, d}
Ex. 5:
Sejam os conjuntos A e B. Qual é a relação existente entre os
conjuntos

Ex. 6:
Em uma pesquisa sobre visitação de websites na internete com
3.000 servidores do Executivo federal foi revelado que:

1.000 acessavam o website C;


1.100 acessavam o website T
1.400 acessavam o website Tel;
300 acessavam o C e o T;
500 acessavam o T e o Tel;
350 acessavam o C e o Tel;
100 acessavam o C, o T e o Tel.

Pergunta-se:

6.1 Quantos servidores acessam o C?


6.2 Quantos servidores acessam somente o T?
6.3 Quantos servidores acessam somente o T ou somente o Tel?
6.4 Quantos servidores não acessam nenhum dos 3 websites?
6.5 Quantos servidores acessam somente um dos 3 websites?
6.6 Quantos servidores acessam mais de um dos 3 websites?
6.7 Quantos servidores acessam somente o C?
6.8 Quantos servidores acessam somente o Tel?

Ex. 7:
Prove que

n(A1 + A2 + A3 + ... + An) = n(A1) + n(A2) + n(A3) + ... +


n(An)
onde A1, A2, A3, ... An são conjuntos finitos que detêm a seguinte
propriedade:

Ex. 8:
Qual é o resultado de

Ex. 9:
Sendo A, B e C os conjuntos a seguir, calcule:

A = {0, 1, 2, 3, 4, 5} B = {0, 7} C = {3, 4, 5}


A união B
B união C
A união B união C
A inter B
A inter C
A inter B inter C
A-C
Defina o conjunto A por sua propriedade.

Ex. 10:
Sejam os conjuntos a seguir.

A = { 1, 1, 2, 2, 3 } e B = { 0, 1 }

Calcule a união e a intersecção entre eles.


Calcule a cardinalidade dos conjuntos união e intersecção.
Reescreva sucintamente o conjunto A.
Ex. 11:
Seja o conjunto a seguir.

G = { a, b, c }

Quais são e quantos são os subconjuntos de G? Mostre um


subconjunto próprio de G.
Resp. Ex. 1:

H={ }
Trata-se do conjunto vazio.
Dica: Observar o conjunto universo (no conjunto dos reais não há
número que elevado ao quadrado seja negativo). Observem as
operações em termos de sinais.
(+)x(+)=(+)
Positivo vezes Positivo = Positivo
(-)x(-)=(+)
Negativo vezes Negativo = Positivo
0x0=0
Zero vezes Zero = Zero

Haveria solução caso o conjunto universo fosse o conjunto dos


números complexos. Vejam o exercício a seguir.

Resp. Ex. 2:

H = { + j11, - j11 } onde j é a unidade imaginária (a raiz quadrada de


menos um). Esta equação possui solução quando o conjunto
universo é o conjunto dos números complexos. Vamos testar as
duas soluções.

(j11)2 = j11 x j11 = (-1) x 121 = -121

(-j11)2 = (-j11) x (-j11) = (-1) x (-1) x j x j x 121 = -121


Lembrar que j2 (j ao quadrado) é igual a menos um. Normalmente,
se usa a letra latina minúscula i para representar a unidade
imaginária. Contudo, a letra latina minúscula j também é usada com
tal propósito (mormente na Engenharia Elétrica).
Em exames da área de Exatas é mais provável encontrar a letra jota
com este significado (raiz quadrada de menos um).

Resp. Ex. 3:

C é superconjunto de A.
A é subconjunto de C.
C é superconjunto de B.
B é subconjunto de C.

Notar que o diagrama de linha não estabelece relação entre os


conjuntos A e B.

Resp. Ex. 4:
D é superconjunto de B.
B é subconjunto de D.
C é superconjunto de B.
B é subconjunto de C.
B é superconjunto de A.
A é subconjunto de B.
Notar que o diagrama de linha não estabelece relação entre os
conjuntos D e C.

Resp. Ex. 5:

C, D e E são conjuntos disjuntos (mutuamente exclusivos ou


mutuamente excludentes).
Dica: Faça os correspondentes Diagramas de Venn. Desenhe os
conjuntos A e B com uma parte em comum (esta parte comum é a
intersecção entre tais conjuntos).

Resp. Ex. 6:

Este é um problema clássico em concursos de nível um pouco mais


alto.
É muito útil fazer uso de um Diagrama de Venn. Desenhemos, pois,
3 (três) círculos conforme abaixo.
Sabemos que 100 servidores acessam os 3 websites e, assim,
a intersecção dos 3 conjuntos possui 100 elementos (servidores).
Como 350 acessam C e Tel e 100 acessam os 3, sobram 250
(=350-100) para acessar somente o C e o Tel. De forma análoga,
como 500 acessam T e Tel e 100 acessam os 3, sobram 400 (=500-
100) para acessar somente T e Tel.

Como 300 acessam C e T e 100 acessam os 3, sobram 200


(=300-100) para acessar somente o C e o T. Como 1.000 acessam
o C, sobram 450 (=1.000-200-100-250) que somente acessam o C.
Como 1.100 acessam o T, sobram 400 (=1.100-200-100-400) que
somente acessam o T. Como 1.400 servidores acessam o Tel,
sobram 650 (=1.400-250-100-400) que somente acessam o Tel.
O diagrama final da situação é mostrado a seguir.
Com base no diagrama anterior vamos, pois, responder as
perguntas que foram feitas no enunciado do problema.

Resp. 6.1
C = 450 + 250 + 200 + 100 = 1.000 servidores
Resp. 6.2
Somente T = 400 servidores
É preciso prestar muita atenção nas palavras. Neste caso a palavra
essencial da pergunta é somente.
Resp. 6.3
Somente T ou Somente Tel = 650 + 400 = 1.050 servidores
Resp. 6.4
Nenhum dos 3 websites =
3.000 - 450 - 400 - 650 - 200 - 100 - 250 - 400 = 550 servidores
Resp. 6.5
Somente 1 dos 3 websites = 1.500 servidores
( = 450 + 400 + 650 )
Resp. 6.6
Mais de 1 dos 3 websites = 950 servidores
( = 200 + 100 + 250 + 400 )
Acessar mais de 1 significa que são acessados ou 2 ou 3 websites.
Resp. 6.7
Somente C = 450 servidores
Notar que “somente C” é diferente de “acessar C”. Isto ocorre
porque quem “acessa C” também pode acessar os demais. Por
outro lado, quem somente acessa C não acessa nenhum outro.
Resp. 6.8
Somente Tel = 650 servidores
Notar que “somente Tel” é diferente de “acessar Tel”. Isto ocorre
porque quem “acessa Tel” também pode acessar os demais. Por
outro lado, quem somente acessa Tel não acessa nenhum outro

Resp. Ex. 7:

Dica: Já foi feita uma demonstração para 2 (dois) conjuntos


disjuntos (ver o capítulo denominado Número de Elementos
Resultantes da União de Conjuntos). Agora temos uma
generalização.
Em relação a essa situação anterior temos um número de conjuntos
igual a n (ene), porém disjuntos dois a dois. Isto pode ser visto da
condição

Devemos ler conforme segue:

A intersecção do conjunto AK com o conjunto Aj será o conjunto


vazio sempre que os índices forem diferentes (k diferente de j).

Podemos escrever (já que todos os conjuntos são disjuntos entre si):
considerando que existem p (pê) conjuntos mutuamente excludentes
(i.e., p conjuntos disjuntos).

Resp. Ex. 8:

Fazendo diagramas de Venn a resposta é praticamente imediata.


Em ambos os casos a resposta é A (conjunto A).
OBS.: Considerem analisar 2 (dois) casos, a saber: A e B disjuntos e
A e B com intersecção diferente do conjunto vazio.

Resp. Ex. 9:

A união B = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 7}
B união C = {0, 3, 4, 5, 7}
A união B união C = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 7}

A inter B = {0}
Trata-se de um conjunto unitário (i.e., aquele que somente possui
um único elemento). Não confundir este conjunto unitário (cujo
elemento é o zero) com o conjunto vazio.

A inter C = {3, 4, 5} = C
Esta intersecção é o próprio conjunto C (C é um subconjunto de A).

A inter B inter C = { }
É o conjunto vazio (não possui elementos). Notar que estamos
tratando da intersecção entre os 3 (três) conjuntos A, B, C. Não
existe um único elemento que pertença simultaneamente aos 3
(três) conjuntos.

A-C = {0, 1, 2}
Estes 3 (três) elementos pertencem ao conjunto A, porém não
pertencem ao conjunto C.

A = {x | x é número natural AND 0 =< x =< 5}


Aqui primeiramente mostramos que x é um número pertencente ao
conjunto dos números naturais. Logo depois mostramos o intervalo
de variação de x (fazendo uso do sinal =<). Fizemos uso do
conectivo lógico AND (E) da multiplicação lógica para que ambas as
condições fossem atendidas.

Resp. Ex. 10:

A U B = { 1, 1, 2, 2, 3 } U { 0, 1 } = {0, 1, 2, 3}
Card (A U B) = 4

A inter B = { 1, 1, 2, 2, 3 } inter { 0, 1 } = { 1 }
Card (A inter B) = 1
Trata-se de um conjunto unitário.
De forma sucinta temos:

A = { 1, 2, 3 }
Card (A) = 3

Quando o enunciado fala em “reescrever de forma sucinta” a ideia


subjacente é a questão da repetência dos elementos em um
conjunto.

Resp. Ex. 11:

Os subconjuntos de G são:

{a}
{b}
{c}
{ a, b }
{ a, c }
{ b, c }
{ a, b , c }
{ } conjunto vazio

A cardinalidade do conjunto G é igual a 3 (ele possui três


elementos). Temos então:

23 = 2 x 2 x 2 = 8
Existem 8 (oito) subconjuntos do conjunto G.

Um subconjunto próprio de G é { a, b }. Notem que { a, b } é


subconjunto de G, mas não é igual a G (se qualificando, portanto,
para ser subconjunto próprio). Outro subconjunto próprio de G é { c
}.
Símbolos e Siglas da Teoria dos Conjuntos
Segue uma lista contendo os símbolos e as siglas mais usadas
na Teoria Matemática dos Conjuntos. O ideal é que todos eles sejam
devidamente memorizados.

(relaciona elemento com conjunto)

(relaciona elemento com conjunto)

(relaciona conjunto com conjunto)

(relaciona conjunto com conjunto)

(relaciona conjunto com conjunto)

não contém

(relaciona conjunto com conjunto)


É a notação mais usual.
(relaciona conjunto com conjunto)

(relaciona conjunto com conjunto)

(relaciona conjunto com conjunto)

{ chave de abertura

} chave de fechamento

{ } conjunto vazio ou conjunto nulo

conjunto vazio ou conjunto nulo


Notar que infinito não é um número, mas sim um conceito
matemático (uma ideia).

n( ) Número de elementos (cardinalidade) do conjunto ( ).

| Tal que (notação preferencial)

: Tal que (notação alternativa)

+ Adição lógica ou booliana (conectivo OR)

X Multiplicação lógica ou booliana (conectivo AND)

= Igualdade

NET Diferente de (do inglês Not Equal To)


Notação alternativa.

> Maior que

< Menor que

>= Maior que ou igual a (símbolo alternativo)

(símbolo preferencial)
=< Menor que ou igual a (símbolo alternativo)

(símbolo preferencial)

AND
Operador lógico ou booliano (multiplicação lógica). O mesmo que E.

E
Operador lógico ou booliano (multiplicação lógica). O mesmo que
AND.

NAND
Operador lógico ou booliano (NOT AND). O mesmo que NE (NÃO
E).

NE
Operador lógico ou booliano (NÃO E). O mesmo que NAND.

INV
Operador lógico ou booliano NÃO (INVersor).

NOT
Operador lógico ou booliano NÃO (inversão, negação, barramento
ou complementação). O mesmo que NÃO.

NÃO
Operador lógico ou booliano (negação lógica). O mesmo que NOT
ou INV.

OR
Operador lógico ou booliano (adição lógica). O mesmo que OU.

OU
Operador lógico ou booliano (adição lógica). O mesmo que OR.
NOR
Operador lógico ou booliano (NOT OR). O mesmo que NOU (NÃO
OU).

NOU
Operador lógico ou booliano (NÃO OU). O mesmo que NOR (NOT
OR).

TT
Do inglês Truth-Table. O mesmo que TV.

TV
Tabela-verdade. O mesmo que TT.
Questões Extras
Todas as questões deste capítulo foram respondidas com uma
grande riqueza de detalhes, com o propósito de esclarecer todas as
eventuais dúvidas dos leitores.

Questão 01 (ITA):
Considere as seguintes afirmações sobre o conjunto
U = {0,1,2,3,4,5,6,7,8,9}.

Pode-se dizer, então, que é (são) verdadeira (s)

a) apenas I e III
b) apenas II e IV
c) apenas II e III
d) apenas IV
e) todas as afirmações

Resposta e comentários:
Esta é uma questão com grau baixo de dificuldade. Todavia,
como já era de se esperar, exige atenção em pequenos detalhes
que, se forem negligenciados, certamente levam a pessoa ao erro.
Vejamos, pois.

Primeiramente, o aluno deverá ter conhecimento de alguns


símbolos básicos da Teoria Matemática dos Conjuntos, a saber:
pertence, está contido, intersecção, um dos símbolos usados para
representar o conjunto vazio e, por fim, a notação usual para indicar
o número de elementos de um dado conjunto.
Temos aqui um conjunto numérico finito U com 10 (dez)
elementos, usando a notação de extensão (que também é chamada
enumeração ou nomeação) de seus elementos. Vale a pena
observar que, geralmente, a letra U é reservada para representar o
conjunto universo (conjunto universal ou conjunto população). Mas
isto não é algo obrigatório e nem sempre ocorre. Nesta questão, por
exemplo, U se refere a um determinado conjunto (o qual é um
subconjunto finito do conjunto dos números naturais). Aqui, U é o
conjunto numérico formado pelos 10 (dez) primeiros números
naturais (de zero até nove).
Dito isto, analisemos detalhadamente cada uma das 4 (quatro)
afirmativas que foram feitas no enunciado.

Afirmativa I:
O conjunto U possui 10 (dez) elementos e, portanto, é
verdadeiro afirmar que n(U)=10 (o número de elementos do conjunto
U é igual a 10).
Porém, as relações de pertinência (ou seja, pertence e não
pertence) somente são usadas para relacionar elementos e
conjuntos (nunca devem ser usadas para relacionar dois conjuntos).
E como temos o conjunto vazio, não se poderia usar o símbolo
pertence (o correto seria usar o símbolo estar contido como é
mostrado a seguir).

Logo, a afirmativa I está errada (pois muito embora a segunda


parte da afirmativa I esteja correta, a primeira parte está errada).
Afirmativa II:
Novamente, o conjunto U possui 10 (dez) elementos e,
portanto, é verdadeiro afirmar que n(U)=10.
Agora, ao contrário da afirmativa anterior, foi empregado o
símbolo correto (estar contido). E, realmente, o conjunto vazio é um
dos subconjuntos do conjunto U.
Logo, a afirmativa II está certa (pois ambas as partes de tal
afirmativa estão corretas).

Afirmativa III:
O elemento 5 é elemento pertencente ao conjunto U e o
símbolo correto (de pertinência) foi usado para relacionar o elemento
(=5) e o conjunto (=U). Além disso, o conjunto {5}, que é um
conjunto unitário, é um subconjunto do conjunto U e o símbolo
correto (estar contido) foi usado para relacionar esses 2 (dois)
conjuntos.
Logo, a afirmativa III está certa (pois ambas as partes de tal
afirmativa estão corretas).

Afirmativa IV:
Temos aqui uma operação de intersecção (inter). Vamos
lembrar que tal operação (como também a operação de união) é
aplicada entre conjuntos e tem como resultado um outro conjunto.
Assim sendo:

Conjunto 1 inter Conjunto 2 = Conjunto 3

Conjunto 4 união Conjunto 5 = Conjunto 6


É essencial lembrar que ao aplicarmos o operador de
intersecção (inter) entre conjuntos nunca obteremos elementos, mas
sim conjuntos.
Porém, tal afirmativa deu como resultado o elemento 5 (cinco)
e não um conjunto (como deveria ser). Sendo assim, existe aqui um
erro conceitual. O correto é mostrado a seguir.
Logo, a afirmativa IV está errada.

Vemos então que estão corretas somente as afirmativas II e III


e, por conseguinte, a opção certa é a opção (c).

Resposta: Opção (c): apenas II e III.


Questão 02 (ITA):
Seja o conjunto

sobre o qual são feitas as seguintes afirmações.

Pode-se dizer, então, que é (são) verdadeira (s) apenas

a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) I
e) II

Resposta e comentários:
Esta é, igualmente, uma questão com grau baixo de
dificuldade. Novamente, como também já era de se esperar, ela
exige bastante atenção em pequenos detalhes. Vejamos, pois.
O conjunto S é formado por determinados números racionais
(ou seja, números pertencentes ao conjunto Q) simbolizados por r
que satisfazem simultaneamente duas condições de contorno, a
saber:

Condição de contorno 1: r >= 0


Os elementos de S devem ser números racionais maiores ou iguais
a 0 (zero). Sendo assim, os elementos do conjunto S não são
números negativos.

Condição de contorno 2: r2 =< 2


Os elementos de S elevados ao quadrado devem ser menores ou
iguais a 2 (dois).

O conjunto S é, pois, um subconjunto do conjunto Q (ou, o


conjunto Q é um superconjunto do conjunto S).
Mas o que são mesmo os números racionais? Vamos recordar
qual é a definição formal.
Um número t é dito racional (pertencente ao conjunto numérico
Q) quando:

Isto significa que tanto p quanto q devem ser números inteiros,


sendo q diferente de zero (lembrar que a divisão por zero não é
permitida). AND é o operador booliano da multiplicação lógica. A
presença de AND indica que ambas as condições devem ser
simultaneamente satisfeitas (p deve pertencer ao conjunto dos
inteiros e q deve também pertencer ao conjunto dos inteiros).
Dito isto, analisemos em detalhes as afirmações que foram
feitas no enunciado.

Afirmativa I:
Temos 2 (dois) elementos numéricos (5/4 e 7/5) que são,
ambos, números racionais (vejam como eles cumprem a definição
anterior de um número racional).

5, 4, 7 e 5 são números inteiros;


Os denominadores das frações (4 e 5) são diferentes de zero.
O símbolo empregado (pertence) relaciona elemento com
conjunto (no caso, com o conjunto S), sendo o símbolo correto para
se usar nestas duas situações.
Além disso, tanto 5/4 quanto 7/5 são positivos e seus
quadrados são menores que 2 (dois). Vejamos.

(5/4)2 = 25/16 = 1,5625 < 2

(7/5)2 = 49/25 = 1,96 < 2


Logo, a afirmativa I está certa (pois ambas as partes de tal
afirmativa estão corretas).

Afirmativa II:
Inicialmente, esta afirmativa nos diz que existe um dado
conjunto formado pelos elementos x que são números reais, tal que
x pertence ao seguinte intervalo fechado em ambas as extremidades
(fechado à esquerda e fechado à direita):

E nos diz também que fazendo a intersecção de tal conjunto


com o conjunto S resulta no conjunto vazio. Será isto verdadeiro ou
falso?
Bem, basta encontrar um único número que atenda à condição
de intersecção para provarmos que a intersecção em tela existe (e,
portanto, ela não é igual ao conjunto vazio). Para facilitar a
visualização, vamos usar uma aproximação com 4 (quatro) casas
decimais para a raiz quadrada de 2 (dois).
Feito isso, reescrevemos o intervalo fechado como mostrado a
seguir (não esquecer que o extremo direito de tal intervalo é agora
um valor aproximado).

[ 0, 1,4142 ]
O número 1/4 (um quarto) já nos mostra que tal intersecção
não é um conjunto vazio. Vejam só.

1/4 = 0,25
É um número racional.
É um número real positivo.

(1/4)2 = 1/16 = 0,0625


É menor que 2.
Assim, 1/4 pertence ao conjunto S. Além disso, 1/4 é um
número real (se ele é um número racional, automaticamente ele
também é um número real) e se situa no intervalo fechado de zero
até a raiz quadrada de dois.

0 =< 1/4 =< 1,4142


Logo, 1/4 também pertence ao conjunto dos elementos x. Isto
faz com que 1/4 já seja nosso contraexemplo, invalidando a
afirmativa II. Vejam que 1/2 (um meio) também invalida a afirmativa
II (que diz que o conjunto intersecção é vazio).

1/2 = 0,5
É um número racional.
É um número positivo.

(1/2)2 = 1/4 = 0,25


É menor que 2.

1/2 = 0,5
É um número real (situado entre 0 e a raiz quadrada
de 2).
Logo, a afirmativa II está errada.

Afirmativa III:
A raiz quadrada de dois é um número irracional (talvez seja o
número irracional mais famoso, em termos da história da
Matemática). Sendo um número irracional, a raiz quadrada de 2 não
pertence ao conjunto dos racionais. E, em decorrência, também não
pertence ao conjunto S (já que S é um subconjunto dos racionais).
Em linguagem simbólica escrevemos:

Devemos ler: A raiz quadrada de dois não pertence ao


conjunto Q e isso implica na raiz quadrada de dois não pertencer ao
conjunto S.

Logo, a afirmativa III está errada.

Vemos então que somente a afirmativa I é correta e, por


conseguinte, a opção certa é a opção (d).

Resposta: Opção (d): apenas I.


Questão 03 (ITA):
Sejam U um conjunto não vazio e Usando
apenas as definições de igualdade, reunião, intersecção e
complementar, prove que:

Resposta e comentários:
Esta é uma questão discursiva e que envolve duas
demonstrações. Comumente, alunos não estão habituados com
demonstrações durante o Ensino Médio (mesmo no Ensino Superior
isto ainda acontece nas uniesquinas). Isto torna a questão algo mais
difícil. Vejamos como proceder.
Inicialmente observem que o enunciado usou a palavra reunião
(ao invés de união) e complementar (significando inversão,
barramento ou negação). Foi usado o símbolo \ para denotar a
diferença entre dois conjuntos (ao contrário do símbolo que é
usualmente empregado). O complementar de A (ou A
complementado) foi simbolizado por AC (algumas vezes se usa uma
barra e se lê A barrado). Isto já nos mostra a importância de o aluno
conhecer nomenclatura em maior profundidade.
Notem que tanto A quanto B estão referidos ao mesmo
conjunto universo U. Isto nos permite escrever o seguinte diagrama
de Venn considerando a primeira afirmativa (a intersecção entre A e
B sendo o conjunto vazio, isto é, A e B sendo conjuntos disjuntos). É
interessante observar que as dimensões das duas circunferências
no desenho são irrelevantes para o problema em questão.
Vamos inicialmente provar a primeira afirmativa. Podemos
escrever: Sendo A e B disjuntos então qualquer que seja

teremos

Se o elemento x pertence ao conjunto B, automaticamente tal


elemento x não pertence ao conjunto A (uma vez que não existem
elementos em comum entre os dois conjuntos).
Outrossim, se o elemento x não pertence ao conjunto A então
forçosamente ele pertence ao complementar do conjunto A.

Notem que os elementos do conjunto B não pertencem ao


conjunto A (pois A e B são disjuntos). Assim, os elementos do
conjunto B pertencem ao complementar de A.
Isto é equivalente a dizer que

Ou seja, em relação ao universo U, o conjunto B está contido


no conjunto complementar de A (ou ainda, o conjunto complementar
de A contém o conjunto B). Q.e.d.
Podemos escrever o seguinte diagrama de linha para
representar esta situação:

AC é dito ser um superconjunto de B (ou, B é dito ser um


subconjunto de AC).

Vamos provar agora a segunda afirmativa. Neste caso, notem


que precisamos generalizar a situação (não é mais possível supor o
caso particular da primeira afirmativa onde os dois conjuntos, A e B,
eram disjuntos). Precisamos refazer nosso diagrama de Venn
conforme é mostrado a seguir. Notem que existe agora uma região
de intersecção não nula entre os conjuntos A e B (a intersecção
entre A e B não é mais um conjunto vazio).
Como definimos a diferença entre 2 (dois) conjuntos quaisquer
H e F? Bem, o conjunto H menos o conjunto F (H-F) corresponde ao
conjunto formado pelos elementos do conjunto H que não
pertencem ao conjunto F.
Inicialmente, vamos reescrever a afirmativa II com a notação
mais usual para exprimir a diferença entre 2 (dois) conjuntos.

(1)

É a partir do lado esquerdo da igualdade anterior que


doravante iremos desenvolver todo o nosso raciocínio.
Da definição mostrada anteriormente, temos que o conjunto B
menos o conjunto AC (B-AC) corresponde ao conjunto formado pelos
elementos do conjunto B que não pertencem ao conjunto AC.
Simbolicamente escrevemos para um elemento qualquer x
(xis) que atenda à condição (1):

Ora, se x não pertence ao conjunto AC é porque ele


obrigatoriamente pertence ao conjunto A. Não há outra opção
possível uma vez que:
A união (ou reunião) de um dado conjunto com seu
complementar corresponde ao conjunto universal.
Assim sendo, podemos escrever:

Desde que se satisfaça a condição (1).


Ora, o elemento genérico x pertence ao conjunto B e também
pertence ao conjunto A. Isto equivale a afirmar que o elemento
genérico x pertence à intersecção entre os conjuntos A e B.
Está provada a segunda afirmativa. Q.e.d.

OBS.:
É interessante usar passo-a-passo diagramas de Venn para checar
a veracidade deste resultado. Lembrar, porém, que diagramas de
Venn não podem ser usados como provas formais na Teoria dos
Conjuntos, sendo tão somente instrumentos auxiliares para
visualização.
Questão 04 (ITA):
Sejam A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {-1, -2, -3, -4, -5}. Se
então o número de elementos de C é

(a) 10
(b) 11
(c) 12
(d) 13
(e) 14

Resposta e comentários:
Esta é uma questão que considero bem fácil.
Notem que o conjunto A possui 5 (cinco) elementos (todos eles
sendo números inteiros positivos) e o conjunto B também possui 5
(cinco) elementos (todos eles sendo números inteiros negativos). Os
elementos do conjunto C são formados pela multiplicação de
elementos dos conjuntos A (x) e B (y). Assim sendo, os possíveis
elementos do conjunto C são mostrados a seguir.

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3


1 x (-1) = -1 2 x (-1) = -2 3 x (-1) = -3
1 x (-2) = -2 2 x (-2) = -4 3 x (-2) = -6
1 x (-3) = -3 2 x (-3) = -6 3 x (-3) = -9
1 x (-4) = -4 2 x (-4) = -8 3 x (-4) = -12
1 x (-5) = -5 2 x (-5) = -10 3 x (-5) = -15

Grupo 4 Grupo 5
4 x (-1) = -4 5 x (-1) = -5
4 x (-2) = -8 5 x (-2) = -10
4 x (-3) = -12 5 x (-3) = -15
4 x (-4) = -16 5 x (-4) = -20
4 x (-5) = -20 5 x (-5) = -25
Alguém mais desatento contaria de bate-pronto um total de 25 (vinte
e cinco) elementos (cinco elementos por grupo). Pena que o
examinador não tenha posto este valor entre as alternativas. Caso
tivesse posto, creio que muitos a marcariam e, em consequência,
errariam. Mas por que a resposta certa não é 25?
Bem, lembram-se que em conjuntos nós não levamos em
consideração os elementos repetidos? Pois é, esta é a razão da
resposta correta não ser 25 (há diversos valores repetidos).
Extraindo tais valores repetidos ficamos apenas com:

C = {-1, -2, -3, -4, -5, -6, -8, -9, -10, -12, -15, -16, -20, -25}

O número de elementos do conjunto C (ou seja, a cardinalidade do


conjunto C) é, portanto, igual a 14 (quatorze).

n(C) = 14

Resposta: Opção (e): 14

OBS.:
Duas formas de tornar esta questão mais difícil seguem abaixo.

(1) Substituir “então o número de elementos de C é” por “então a


cardinalidade de C é”. Isto decorre do fato da palavra cardinalidade
ser menos conhecida no contexto da Teoria dos Conjuntos.

(2) Ao invés de apenas perguntar quantos elementos tem o conjunto


C, o examinador poderia perguntar qual é o resultado da soma dos
algarismos do número que dá a cardinalidade do conjunto C. Vejam
possíveis opções.

(a) 14
(b) 7
(c) 25
(d) 4
(e) 5

Sendo que n(C)=14, a resposta certa seria a opção e (uma vez que
1+4=5).
Observem que o examinador inseriu o valor 7 (para quem contasse
considerando os elementos repetidos, obtendo o valor 25 e 2+5=7).
Colocou também o valor 14 para quem se esquecesse de somar os
valores dos algarismos (são 14 elementos, mas lembrem-se que o
enunciado não estava perguntando isso).
Questão 05:
Sejam 4 (quatro) conjuntos quaisquer (ditos A, B, C e D) e o
diagrama de Venn-Euler mostrado a seguir. Pergunta-se:
(a) Este diagrama de Venn-Euler é adequado para representar as
relações entre tais conjuntos no caso mais geral possível (sim ou
não)?
(b) Caso seja, mostre o porquê e caso não seja, explique a razão
(ou razões) para tal.
(c) O diagrama mostrado é inadequado para qualquer situação
envolvendo os 4 (quatro) conjuntos (sim ou não)? Explique.

Resposta e comentários:
Esta é uma questão discursiva que lida com a percepção do
estudante sobre diagramas de Venn na presença de mais de 3 (três)
conjuntos (no caso, quatro).
Inicialmente vejam que o enunciado fala em conjuntos quaisquer
(inclusive negrita a palavra para melhor realçar esta condição).
Assim, devemos supor o caso mais geral possível e não um caso
particular. O caso particular mais simples seria não haver
intersecções entre os conjuntos, ou seja:
Alguém poderia indagar por que não mostramos a intersecção B
inter A (mas apenas A inter B)? Bem, lembrem-se da lei comutativa
da operação de intersecção entre dois conjuntos quaisquer, ou seja:

A inter B = B inter A
A intersecção entre dois conjuntos goza da propriedade comutativa.
O correspondente diagrama de Venn-Euler poderia ser dado por
(notar a inexistência de intersecções entre os conjuntos):

Voltando ao nosso caso geral, a resposta correta para a pergunta é


NÃO (isto é, aquele diagrama de Venn-Euler que foi apresentado no
enunciado é inadequado para representar as relações existentes
entre os conjuntos quaisquer A, B, C e D no caso mais geral).
Vejamos as razões para tal.
(1) Não existe uma região específica do diagrama para representar a
intersecção exclusiva entre os conjuntos B e D (isto é, envolvendo
somente B e D).

(2) Igualmente, não existe uma região específica do diagrama para


representar a intersecção exclusiva entre os conjuntos A e C (isto é,
envolvendo somente A e C).

Notem, porém, que existem regiões específicas do diagrama para


representar as seguintes intersecções exclusivas:

Conjunto A e conjunto B (envolvendo somente A e B)


Conjunto A e conjunto D (envolvendo somente A e D)
Conjunto C e conjunto B (envolvendo somente C e B)
Conjunto C e conjunto D (envolvendo somente C e D)

Destarte, o diagrama de Venn-Euler do enunciado não é geral o


bastante para contemplar todas as situações possíveis, sendo
inadequado para esse fim. Esta é uma deficiência desse tipo de
diagrama quando estão envolvidos mais de 3 (três) conjuntos em um
caso geral.
Todavia, há uma situação onde ele se mostraria adequado. Isto
ocorreria quando não houvesse nem uma intersecção exclusiva
entre B e D e nem uma intersecção exclusiva entre A e C. Logo, a
resposta ao item (c) é não.
Questão 06 (PROFMAT 2016, Questão 27):
Acrescentando-se 3 novos elementos ao conjunto A, obtemos o
conjunto B com precisamente 224 subconjuntos a mais do que A. O
número de elementos de A é igual a:

(A) 5
(B) 6
(C) 7
(D) 8
(E) 9

Resposta e comentários:
O número de elementos do conjunto A (dito nA) será representado
por N. Desta forma, o número de subconjuntos do conjunto A será
dado por 2N, ou seja, dois elevado a N.
Do enunciado da questão, temos que o número de elementos do
conjunto B (dito nB) é dado pelo número de elementos do conjunto A
acrescido de 3 (três). Logo:

nB = nA + 3 = N + 3
Desta forma, o número de subconjuntos do conjunto B será dado por
2(N+3), ou seja, dois elevado a (N mais 3).
E novamente de acordo com o enunciado da questão podemos
escrever:

# Subconjuntos de B = # Subconjuntos de A + 224

2(N+3) = 2N + 224
É preciso resolver esta equação para a determinação do valor de N.
Temos então:
2N x 23 = 2N + 224

8 x 2N - 2N = 224

7 x 2N = 224

2N = 224 / 7

2N = 32 = 25

N=5
Destarte, o número de elementos do conjunto A é igual a 5 (cinco) e
a opção correta é a opção (A).

Vejamos algumas análises além do que foi pedido no enunciado. Se


A possui 5 (cinco) elementos, então o número de subconjuntos de A
(dito SA) será igual a:

SA = 2N = 25 = 32
O número de elementos do conjunto B é igual a:

nB = nA + 3 = 5 + 3 = 8
E o número de subconjuntos de B (dito SB) será igual a:

SB = 28 = 256
Vamos então confirmar, como diz o enunciado da questão, que o
número de subconjuntos de B é igual ao número de subconjuntos de
A acrescido de 224 (duzentos e vinte e quatro).
SB = SA + 224 = 32 + 224 = 256 ( OK )
Bibliografia Recomendada
LIPSCHUTZ, Seymour. Teoria dos Conjuntos. Tradução por
Fernando Vilain Heusi da Silva. São Paulo, SP: McGraw-Hill, 1972.
Tradução de: Schaum’s Outline of Theory and Problems of Set
Theory and Related Topics.

Este é, a meu ver, o melhor livro em língua portuguesa sobre a


Teoria dos Conjuntos. Merece ser lido, relido e guardado para
futuras consultas. Vale a pena tê-lo nas bibliotecas.

Fotografia do autor:
Exemplar de sua biblioteca pessoal (Bibliotheca Mundi).
Lista de Estrangeirismos
Segue, para facilitar a consulta, uma lista com os
estrangeirismos, dispostos em ordem alfabética, que foram
utilizados neste livro. Para cada um deles são fornecidas
explicações sucintas e exemplos de uso.
O conceito de estrangeirismo aqui empregado engloba, tão
somente, as palavras (ou expressões ou frases) que estão grafadas
no próprio idioma de origem (sem qualquer alteração na forma de
escrita). Assim, é um conceito mais restrito que o conceito
gramatical clássico (onde uma palavra como deletar já é
considerada um estrangeirismo oriundo da língua inglesa, ou seja,
um anglicismo).
A lista a seguir engloba latinismos (do latim clássico),
anglicismos (do inglês), um interlinguismo e um esperantismo[xvi] (do
esperanto).

a.D.
Do latim anno Domini (ano do Senhor ou ano de Deus). A letra D é
grafada maiúscula em sinal de respeito à Divindade. Assim sendo,
nós estamos no ano 2.019 a.D. Podemos encontrar outras formas
alternativas, a saber:
AD (maiúsculas sem os pontos);
A.D. (maiúsculas com os pontos);
ad (minúsculas sem os pontos);
a.d. (minúsculas com os pontos).
Outros ainda usam EC (Era Comum) para não fazer menção
explícita à figura divina do Cristianismo.

AND[xvii]
Do inglês. E. Designa o operador lógico (ou booliano) da
multiplicação lógica. Este operador pode atuar em N variáveis de
entrada (sendo N um número natural maior ou igual a dois) e
resultará em uma única variável de saída. Outros dois operadores
lógicos muito usados são o de adição lógica (OR) e o de negação
(barramento, complementação ou inversão) lógica (NÃO, NOT ou
INV).
AND também designa o dispositivo eletroeletrônico (porta AND ou
porta E) responsável pela execução da operação de multiplicação
lógica envolvendo as N variáveis de entrada.
A tabela-verdade (truth-table em inglês) da multiplicação lógica
(representada pelo operador AND ou E) é mostrada a seguir.
X, Y e Z são variáveis boolianas (ou lógicas), X e Y são as variáveis
de entrada (input), Z é a variável de saída (output), TRUE é o estado
lógico de verdadeiro e FALSE de falso. Observar que se quisermos
que a variável de saída assuma o estado TRUE é mandatório que
ambas as variáveis de entrada também estejam no estado TRUE.
Qualquer variável de entrada que esteja no estado FALSE levará a
variável de saída a assumir o estado FALSE.

Como há duas variáveis de entrada (ditas X e Y) e dois estados


lógicos possíveis (ditos TRUE e FALSE) temos um total de quatro
possibilidades na saída (pois 2E2=2x2=4).
Na maioria das vezes este operador lógico é grafado em letras
maiúsculas (AND/E), porém pode também aparecer grafado em
letras minúsculas (and/e).

Apud
Do latim. Perto de, junto a. Usada para fazer citações indiretas (com
o significado de “citado por”).
Exemplo de uso: (Lord Kelvin apud SEARS, 1983, p. 3). Significa
que no livro de SEARS de 1983 foi feita uma citação de autoria de
lorde[xviii] Kelvin na página 3.
Copyright
Do inglês. Direito de cópia. Já existe na língua portuguesa a forma
aportuguesada copirraite (tal aportuguesação foi meramente
ortográfica, sendo a pronúncia somente uma aproximação da
pronúncia original).
Exemplo de uso: Nesta Universidade sempre é respeitado o
copyright. Quiçá isto fosse verdade nas salas de reprografia
terceirizadas das nossas Universidades, faculdades e centros
universitários.

Dankon
Do esperanto. Obrigado(a). Uma alternativa esperantista de
fechamento mais elegante em relação ao tradicional e já batido
Thank you (ou thanks) do inglês. Ver a entrada gratias.

Dura lex sed lex


Do latim. A lei é rígida, mas é lei (e, por conseguinte, deve ser
cumprida). Algo que nem sempre é seguido nestas terras
tupiniquins.
Exemplo de uso: Enquanto a lei estiver em vigor vocês precisarão
pagar a taxa. Dura lex sed lex.

e-book (plural e-books)


Do inglês. Electronic book. Livro eletrônico. Este, que está sendo
lido, é um exemplo de e-book na plataforma Kindle. Também é
possível encontrar a grafia ebook (sem o uso do hífen). Em
português podemos usar a forma e-livro. A forma E-livro, com a letra
E maiúscula, não deve ser usada (lembrar que se trata de um mero
substantivo comum), a não ser que tal palavra inicie uma frase.
Exemplo de uso: Atualmente os e-books podem ser lidos em vários
dispositivos eletrônicos (tablets, smartphones, e-readers, notebooks,
desktops, netbooks).

e.g.
Do latim exempli gratia (por exemplo). Esta é uma abreviatura muito
usada na língua inglesa (nem tanto na portuguesa). Notar que as
duas letras são grafadas minúsculas e finalizadas por pontos.
FALSE
Do inglês. Falso. Um possível estado lógico binário (em oposição à
TRUE). Na lógica binária os resultados possíveis são apenas dois:
verdadeiro ou falso, certo ou errado, um ou zero, ligado ou
desligado, aceso ou apagado, sim ou não, passa corrente elétrica ou
não passa corrente elétrica.

Fields of interest
Do inglês. Áreas de interesse. Diz-se daquelas áreas do saber que
são do interesse de uma determinada obra (cartilha, livreto, livro,
monografia de final de curso, dissertação, tese ou artigo de
periódico). Para esta obra, a Matemática é uma área de interesse
(mas a Química Orgânica e a Educação Moral e Cívica não são).

Gratias
Da interlíngua[xix]. Obrigado (a). Uma maneira mais polida (também
erudita e mais refinada) de encerrar um prefácio ou uma
correspondência. Ver a entrada dankon.

i.e.
Do latim id est (isto é, ou seja). Assim como e.g., esta é também
uma abreviatura muito usada na língua inglesa (nem tanto na
portuguesa). Notar que as duas letras são grafadas minúsculas e
finalizadas por pontos.

In memoriam
Do latim. Em memória de. Usa-se, em textos escritos, quando nos
referimos a alguém (seja pessoa ou animal) já falecido. Para os
animais o uso é menos comum, porém é algo perfeitamente válido.
Exemplo de uso: Agradecemos à Euclides (in memoriam) pela
magistral escrita de Os Elementos.

Input
Do inglês. Entrada. Refere-se à entrada de uma porta lógica, de um
bloco funcional (e.g., de um equalizador de fase) ou de um
dispositivo em geral.
Exemplo de aplicação: input port (porta de entrada de um
quadripolo, por exemplo).

Internet
Do inglês. Inter + net. A grande rede mundial de computadores. Na
verdade, trata-se de um enorme conjunto de redes distintas que
estão interconectadas.
Em português, o mais correto seria usar a forma internete com a
letra e ao final (muito embora internet seja quase que
exclusivamente usada). É interessante observar que o próprio VOLP
(Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) dicionariza a grafia
internet (como um substantivo feminino). Consultar a Busca no
Vocabulário no web site da Academia Brasileira de Letras
(http://www.academia.org.br/).
A seguir podemos ver o resultado da busca feita no dia 31.07.2019
(http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario).

s.f. significa substantivo feminino.


Se traduzirmos diretamente esta palavra teremos em português o
neologismo inter-rede. Contudo, entre os países lusófonos, o Brasil
parece ter uma especial predileção pelo uso de palavras inglesas
nas suas formas originais (podemos citar como exemplos: jeans,
link, OK, hardware, software, firmware, bit, byte, show). No entanto,
já existem no léxico tecnológico da língua portuguesa muitas
palavras que foram devidamente aportuguesadas (por exemplo, os
adjetivos plugado, deletado e printado, os verbos da primeira
conjugação plugar, deletar e printar e os substantivos comuns
plugue, deleção e printagem).

Key Word
Do inglês. Palavra-chave. São palavras, ou expressões, que indicam
conceitos essenciais em uma obra (cartilha, livro, livreto, monografia
de final de curso, dissertação, tese ou artigo de periódico). Para esta
obra, a palavra conjunto é uma key word (mas neutrino e
romantismo não são).

Last But Not Least


Do inglês. O último, mas não o menos importante. Expressão usada
para indicar que o último item de uma enumeração não é o de
menor importância.
Exemplo de uso: Os alunos deverão aprender inglês, francês,
alemão e, last but not least, italiano.

OR[xx]
Do inglês. OU. Designa o operador lógico (ou booliano) da adição
lógica. Este operador pode atuar em N variáveis de entrada (sendo
N um número natural maior ou igual a dois) e resultará em uma
única variável de saída. Outros dois operadores lógicos muito
usados são o de multiplicação lógica (AND) e o de negação
(barramento, complementação ou inversão) lógica (NÃO, NOT ou
INV).
OR também designa o dispositivo eletroeletrônico (porta OR ou
porta OU) responsável pela execução da operação de adição lógica
envolvendo as N variáveis de entrada.
A tabela-verdade (truth-table) da adição lógica (representada pelo
operador OR) é mostrada a seguir.
X, Y e Z são três variáveis boolianas (ou lógicas), X e Y são as
variáveis de entrada (input), Z é a variável de saída (output), TRUE é
o estado lógico de verdadeiro e FALSE de falso. Observar que se
quisermos que a variável de saída assuma o estado TRUE somente
é preciso que uma das variáveis de entrada também esteja no
estado TRUE. Qualquer variável de entrada no estado TRUE levará
a variável de saída a assumir o estado TRUE. Somente quando
ambas as variáveis de entrada estiverem no estado FALSE é que a
variável de saída assumirá o estado FALSE.

Como há duas variáveis de entrada (ditas X e Y) e dois estados


lógicos possíveis (ditos TRUE e FALSE) temos um total de quatro
possibilidades na saída (pois 2E2=2x2=4).
Na maioria das vezes este operador lógico é grafado em letras
maiúsculas (OR/OU), porém pode também aparecer grafado em
letras minúsculas (or/ou).

Output
Do inglês. Saída. Refere-se à saída de uma porta lógica, de um
bloco funcional (e.g., de um atenuador ou de um amplificador) ou de
um dispositivo em geral.
Exemplo de aplicação: output port (porta de saída de um quadripolo,
por exemplo).

Q.e.d.
Do latim Quod erat demonstrandum (como queríamos demonstrar).
Em português também se usa c.q.d. com o mesmo significado. A
diferença entre os dois é que a forma c.q.d. é de uso restrito aos
países lusófonos, enquanto Q.e.d. é de uso internacional. Alguns
autores escrevem Qed (ou cqd) sem usar os pontos separadores.
Em uma demonstração matemática se enuncia um dado teorema,
demonstra-se tal teorema e, ao final, se apenda Q.e.d. (ou c.q.d).

Software
Do inglês. Programa de computador.
Exemplo de uso: Qual desses softwares você prefere que nós
instalemos na sua máquina?

TRUE
Do inglês. Verdadeiro. Um possível estado lógico binário (em
oposição à FALSE). Na lógica binária os resultados possíveis são
apenas dois, a saber: verdadeiro ou falso, certo ou errado, um ou
zero, ligado ou desligado, aceso ou apagado, sim ou não, passa
corrente elétrica ou não passa corrente elétrica.

Truth-Table (TT)
Do inglês. Tabela-verdade (TV). Uma tabela que relaciona variáveis
lógicas de entrada (input) e variáveis lógicas de saída (output).

Turn
Do inglês. Espira ou volta. Uma unidade de medida de ângulos
planos. Uma espira corresponde a uma circunferência completa (isto
é, 360 graus de base sessenta). Trata-se de uma unidade raramente
usada e que não é parte integrante do Sistema Internacional de
Unidades (SI ou SIU). Aparece em alguns textos de Teoria
Eletromagnética.
O símbolo desta unidade pode variar de autor para autor
(justamente pelo fato dela não ser parte integrante do SI). Um dos
símbolos usados para representar a unidade espira é a letra tê
maiúscula normal (T) ou grafada em itálico (T).
Web Site ou website
Do inglês. Site (ou sítio) da World Wide Web (WWW ou W3).
Exemplo de uso: Quem já visitou o website da nossa empresa?

Wireless
Do inglês. Sem fio. Palavra usada para designar uma ligação via
rádio entre dois ou mais pontos (por exemplo, uma ligação rádio
ponto-a-ponto[xxi] em micro-ondas[xxii]).
Exemplo de uso: As redes wireless são muito comuns nos
ambientes domésticos e corporativos.
Obras do Autor Publicadas na Plataforma
Eletrônica Kindle (em ordem cronológica de
publicação)
1. Variação da Atenuação de Cabos Coaxiais com a
Temperatura.
Abril 2015. ASIN: B00VZFDBDM.

2. Frequências, Comprimentos de Onda e Larguras de Linha:


Um Ensaio.
Maio 2015. ASIN: B00YG3NMYS.

3. Casamento de Impedâncias Resistivas com Célula L.


Agosto 2015. ASIN: B013MNAPQK.

4. A Unidade de Transmissão Neper: Um Tutorial.


Outubro 2015. ASIN: B0164RQYM0.

5. Sobre Quadrados, Retângulos e Paralelogramos.


Novembro 2015. ASIN: B0180S9ZA4.

6. A Sociedade da Informação e a Infocracia.


Dezembro 2015. ASIN: B019ZJTAVQ.

7. Distância Entre Dois Pontos em um Sistema de Coordenadas


Cartesianas Oblíquas.
Janeiro 2016. ASIN B01AQRAO48.

8. Projeção de Segmentos Retilíneos em Sistemas de


Coordenadas Cartesianas Oblíquas.
Fevereiro 2016. ASIN B01BIKLOZK.

9. Área de Triângulos Planos a Partir das Coordenadas Polares.


Março 2016. ASIN B01CV4YPB2.
10. 75 Piadas e Pensamentos Matemáticos.
Março 2016. ASIN B01DCVHUII.

11. Neologismos Tecno-Científicos - 2ª Edição Revista e


Ampliada.
Abril 2106. ASIN B01E9TQ6PK.

12. Uma Pequena História das Comunicações Ópticas Guiadas.


Junho 2016. ASIN B01GIU44N4.

13. Percentagens e CPMF.


Junho 2016. ASIN B01H6BKWH6.

14. Terminações em RF.


Julho 2016. ASIN B01I6X0LJC.

15. Triplas Pitagóricas Através das Fórmulas de Duplicação de


Ângulos.
Julho 2016. ASIN B01J0L15J4.

16. 121 Piadas e Pensamentos Matemáticos com Comentários.


Setembro 2016. ASIN B01LKQON0K.

17. A Fórmula da Tangente do Ângulo-Metade Através de uma


Proof Without Words.
Setembro 2016. ASIN B01LWNHVUW.

18. Um Ensaio Sobre Latitudes e Longitudes em Diferentes


Unidades Angulares.
Outubro 2016. ASIN B01MFDRWC7.

19. Uma Introdução aos Bipolos Elétricos.


Novembro 2016. ASIN B01N3NAZYM.

20. Rotação e Translação no Sistema de Coordenadas Polares.


Dezembro 2016. ASIN B01MS1HESE.
21. Pequeno Glossário de Filtros Elétricos.
Janeiro 2017. ASIN B01MY7MIN5.

22. Divagações Matemáticas.


Fevereiro 2017. ASIN B06WLPGHQV.

23. Teoria dos Conjuntos para Concursos, ENEM e Vestibulares.


Março 2017. ASIN B06XVBS4K6.

24. Sobre Círculos e Circunferências.


Maio 2017. ASIN B0716RN7XH.

25. Um Ensaio Sobre Segmentos Circulares.


Maio 2017. ASIN B071ZG4TXZ.

26. Média Aritmética: Conceitos e Aplicações.


Junho 2017. ASIN B072WML8LH.

27. Média Geométrica: Conceitos e Aplicações.


Junho 2017. ASIN B073MBM7C1.

28. Ângulo de Deflexão de Refletores Passivos.


Julho 2017. ASIN B074672DF5.

29. Obtenção das Coordenadas Geográficas para Radioacesso.


Agosto 2017. ASIN B074MN21HK.

30. Média Heroniana: Conceitos e Aplicações.


Agosto 2017. ASIN B074VHPZF6.

31. Um Ensaio Sobre a Estatística Descritiva.


Setembro 2017. ASIN B0762QMPT3.

32. Um Catálogo de Áreas e Perímetros de Figuras Planas.


Outubro 2017. ASIN B076YYCBWG.
33. Média Harmônica: Conceitos e Aplicações.
Dezembro 2017. ASIN B078GFVVMT.

34. Média Contra-Harmônica: Conceitos e Aplicações.


Janeiro 2018. ASIN B078VHH84P.

35. Uma História Sucinta das Comunicações Via Satélite.


Março 2018. ASIN B07B7B49GV.

36. A Importância da Topografia para as Telecomunicações.


Julho 2018. ASIN B07FRNVYBX.

37. A Topografia e as Distâncias Entre Estações de


Radiocomunicação.
Agosto 2018. ASIN B07GLB4V1H.

38. Distância Entre Pontos em um Sistema de Coordenadas


Polares.
Outubro 2018. ASIN B07J3RQKN7.

39. 51 Tons de Matemática.


Dezembro 2018. ASIN B07M95JGT3.
[i]
Este pensamento de lorde Kelvin se aplica tanto à Matemática
quanto às demais Ciências (incluindo as chamadas Ciências
Biológicas - Biologia, Ecologia, Zoologia, Botânica, Medicina,
Nutrição, Veterinária, Odontologia - e as Sociais - Antropologia,
Sociologia, Filosofia, Política, Serviço Social, História, Direito). É
errado (e até mesmo perigoso) pensar que o pleno entendimento de
uma Ciência Social se dará sem que se tenha um mínimo de
saberes matemáticos (por exemplo, a geração, a leitura e a
interpretação de gráficos, a Estatística Descritiva e a Probabilidade
elementar).
[ii]
Na maioria das ciências, uma geração põe abaixo o que outra
havia criado e o que uma firmou outra desfaz. Apenas na
Matemática cada geração adiciona um novo pavimento sobre a
velha estrutura.
[iii]
Numeração romana: M (1.000), X (10), V (5) e I (1). Assim,
MMXVII corresponde a 2.017 na numeração indo-arábica.
2.017 = 1.000 (M) + 1.000 (M) + 10 (X) + 5 (V) + 2 (II)
A título de lembrança, segue a correspondência entre a numeração
romana (à esquerda) e a numeração indo-arábica (à direita).

I <-> 1 (um)
V <-> 5 (cinco)
X <-> 10 (dez)
L <-> 50 (cinquenta)
C <-> 100 (cem)
D <-> 500 (quinhentos)
M <-> 1.000 (mil)

Apesar do pouco uso do sistema de numeração romana na


atualidade (em imóveis, relógios analógicos, nomes de papas,
numeração de páginas em documentos e livros, títulos de filmes),
julgo ser importante o seu conhecimento (principalmente do ponto
de vista histórico, ao serem apresentados os diferentes sistemas de
numeração que já foram usados no passado e as semelhanças e
diferenças entre eles). Além disso, conhecimento nunca é demais e
em algum momento sempre será proveitoso. Quanto mais sabemos
mais estamos preparados para o desconhecido. Vejam o que nos diz
o pensamento a seguir.

A sorte favorece uma mente preparada.


(Louis Pasteur apud CONSELHOS PARA CONSELHOS, 2014,
página 27).
Conselhos para Conselhos. 52 Mensagens de Notáveis para Inspirar
o Conselho e Diretoria da sua Empresa. Paulo Vasconcellos, Júlio
Miranda e Augusto Carneiro (organizadores). Belo Horizonte, 2014.
64 pág.
[iv]
De qualquer maneira, seja qual for a notação empregada, é
sempre importante deixar isso bem esclarecido para o leitor. Um dos
problemas com a Matemática (e também com a Física e a
Engenharia) é justamente não entender plenamente as notações
que foram usadas pelo autor.
[v]
Para compreender adequadamente tais conceitos, vejam as
seguintes considerações que ligam os conceitos euclidianos com o
mundo físico que é percebido pelos seres humanos.

- Ponto:
Um pingo que é deixado por uma caneta (ou por um lápis) em uma
folha de papel. Um ponto (falando no sentido euclidiano) é aquilo
que não tem partes (não tem comprimento, não tem largura e não
tem altura). É uma entidade zero-dimensional.

- Reta:
O traço que é deixado quando se faz um risco no papel com o apoio
de uma régua. A rigor, temos aqui uma porção limitada de uma reta
(porção essa que é dita ser um segmento de reta) e não a reta em
si. Uma linha (falando no sentido euclidiano) é aquilo que tem
somente comprimento (não tem nem largura e nem altura).
- Plano:
O tampo de uma mesa ou o piso de uma sala. A rigor, temos aqui
uma porção limitada de um plano e não o plano em si. Um plano
(falando no sentido euclidiano) é aquilo que tem comprimento e
largura, mas não altura.

Sólidos geométricos também guardam estreitas associações com


objetos do mundo real, por exemplo: um paralelepípedo retângulo
com uma caixa, uma esfera com uma bola de futebol e um elipsoide
de revolução com o planeta Terra.
[vi]
As antenas Yagi são, tipicamente, usadas na faixa de UHF (Ultra-
High Frequency) do radioespectro. O UHF é uma faixa de
frequências lineares que vai desde 300 MHz (trezentos megahertz)
até 3.000 MHz (três mil megahertz). No modelo de antena dito TY-
900, 900 indica a faixa de frequência linear de operação (isto é, 900
MHz, novecentos megahertz).
[vii]
O gigahertz (símbolo GHz) é uma unidade de medida da
grandeza frequência linear. É um múltiplo da unidade fundamental
hertz (Hz) do Sistema Internacional de Unidades (SI ou SIU), sendo
que:

1 GHz = 109 Hz (dez elevado à nona potência)

1 GHz = 1.000.000.000 Hz

gigahertz => prefixo giga (G) + unidade hertz (Hz)

Notar que o prefixo SI giga é simbolizado pela letra G maiúscula


(não minúscula). Assim, é errado grafar gm (para gigametro) e gg
(para gigagrama). O correto é sempre grafar Gm e Gg.

A sigla SI vem do francês Système International d'Unités. Também é


conhecido pela sigla SIU (embora menos frequentemente). É o
sistema de unidades de medida oficial e de uso obrigatório no Brasil
(ainda que tal obrigatoriedade nem sempre seja seguida). É comum
encontrar em textos de Engenharia unidades como a polegada
(comprimento), o pé (comprimento), a libra-força, o grau Rankine
(temperatura) e a libra por polegada quadrada (psi, do inglês pounds
per square inch) para medir pressão.
As unidades básicas (ou fundamentais) do SI, assim como as
grandezas por elas medidas, são: metro (comprimento físico),
quilograma (massa), segundo (tempo), kelvin (temperatura
termodinâmica), ampere (intensidade de corrente elétrica), mol
(quantidade de matéria ou quantidade de substância) e candela
(intensidade luminosa).
[viii]
O operador lógico (ou booliano) da operação de negação
(também chamada inversão, barramento ou complementação) é
representado por NOT (NÃO em português) ou INV. É um operador
unário (operador unário é aquele onde há uma única variável de
entrada e uma única variável de saída). A tabela-verdade (truth-table
em inglês) da operação lógica de negação é dada por:

Y = NOT X = INV X
Entrada SAÍDA
X Y
FALSE TRUE
TRUE FALSE

X é a variável lógica de entrada (input) e Y é a variável lógica de


saída (output). Notar que a saída Y fica invertida (daí o nome
inversão) em relação à entrada X (o que era FALSE vira TRUE e o
que era TRUE vira FALSE).
[ix]
O quilohertz (símbolo kHz) é uma unidade de medida da grandeza
frequência linear. É um múltiplo da unidade fundamental hertz (Hz)
do Sistema Internacional de Unidades (SI ou SIU), sendo que:

1 kHz = 103 Hz (dez elevado à terceira potência)


1 kHz = 1.000 Hz (mil hertz)

quilohertz => prefixo quilo (k) + unidade hertz (Hz)

Notar que o prefixo métrico quilo é simbolizado pela letra k


minúscula (não maiúscula). Assim, é errado grafar Km (para
quilômetro) e Kg (para quilograma), ainda que seja muito comum
encontrar tais erros no quotidiano (em placas de trânsito, por
exemplo). O correto é sempre grafar km e kg.
[x]
Os números ditos imaginários são tão imaginários quanto
quaisquer outros. Vale lembrar que um dia os números negativos já
foram tidos como imaginários (se pensava naquela época como é
que poderia haver um número que fosse negativo, uma quantidade
que fosse menor que o próprio zero).
[xi]
A nova reforma ortográfica da língua portuguesa criou aberrações
sem fim, até mesmo na Matemática. No português, o adjetivo
derivado do nome próprio do matemático grego Euclides é
euclidiano e esse tal sufixo iano é o único correto, mesmo existindo
a letra e na palavra original. Observem os 3 (três) exemplos a seguir
onde a palavra original usa a letra e enquanto a palavra derivada
(por conta da dita reforma) usa a letra i.

Euclides --> euclidiano (e não euclideano)


Acre --> acriano (e não acreano)
Laplace --> laplaciano (e não laplaceano)

Na verdade, acriano deveria vir de Acri, euclidiano de Euclidis e


laplaciano de Laplaci. Mais estapafúrdia ainda é a grafia a seguir.

Boole --> Booliano (e não booleano)

Do nome do matemático inglês George Boole, o criador da Álgebra


Booliana. É tamanha mediocridade ortográfica que só faltava
quererem grafar buliano (talvez passe a ser assim quando for feita a
próxima reforma).
De qualquer forma, é o que manda a ortografia vigente atualmente
no Brasil e é assim que a Lei nos obriga a escrever (pelo menos
enquanto tal lei não for mudada). Dura lex sed lex.
[xii]
Pi (letra grega minúscula).
Designa a constante real irracional e transcendental pi da Geometria
Euclidiana. Costuma aparecer como 3,14 (dita aproximação por falta
ou aquém) ou 3,1416 (dita aproximação por excesso ou além). Em
alguns casos aparece, inclusive, com o valor inteiro 3 (sendo esta,
porém, uma aproximação ruim e que não deve ser usada). A
aproximação a seguir costuma ser suficiente para as aplicações
quotidianas em Engenharia (são sete casas decimais, sendo seis
casas corretas e a última aproximada).

A título de curiosidade, segue o valor de pi que foi obtido na


calculadora eletrônica (na modalidade dita científica) do sistema
operacional Microsoft Windows 7 Home Premium.

Observar, nesta versão ampliada, a aproximação que é feita quando


se usa 7 (sete) casas decimais.

[xiii]
Ângulos planos são medidos em diversas unidades angulares, a
saber: grau sexagesimal (de arco ou de base sessenta), radiano,
grado (ou gradiano), espira (turn ou volta), milésimo militar, milésimo
teórico, quadrante, sextante, raso, circunferência, minuto de arco e
segundo de arco. Também se usam unidades complexas como o
GMS (grau de arco, minuto de arco, segundo de arco) e o GMD
(grau de arco, minuto decimal).
As abreviaturas GMS e GMD também aparecem como DMS (do
inglês Degree Minute Second) e DDM (Degree Decimal Minute).
Vale fazer aqui um breve, mas importante comentário. Há quem diga
que não se usa mais na prática a representação GMS. A verdade é
que isto é algo totalmente equivocado e só poderia vir de pessoas
(por mais capacitadas que venham a ser) apartadas da realidade do
mundo. E pensar que ouvi semelhante asneira em um renomado
instituto de pesquisa/educação. Latitudes e longitudes, só para citar
um exemplo, são frequentemente, e proveitosamente, expressas na
notação GMS. Isto é útil quando localizamos estações de
radiocomunicação (como ERBs, estações rádio base) em softwares
de cálculo e planejamento de redes wireless.
[xiv]
Impedância (ou impedância elétrica) é a propriedade de um
elemento de circuito (e.g., um resistor) em oferecer oposição à
passagem da corrente elétrica. A impedância é representada por um
número complexo, possuindo uma parte real (que é dita resistência
elétrica) e uma parte imaginária (que é dita reatância elétrica),
podendo esta última ser capacitiva ou indutiva. Na forma retangular
escrevemos:

Z = R +/- jX
Z maiúsculo representa a impedância (medida em ohms), R
maiúsculo representa a resistência elétrica (medida em ohms), X
maiúsculo representa a reatância elétrica (medida em ohms) e j
minúsculo representa a unidade imaginária (a raiz quadrada de
menos um). Se usarmos o sinal positivo (+) teremos uma reatância
indutiva (XL) e se usarmos o sinal negativo (-) teremos uma
reatância capacitiva (XC).
Notar que se usarmos o operador parte real de um número
complexo (Re) obteremos a resistência elétrica R e se usarmos o
operador parte imaginária de um número complexo (Im) obteremos a
reatância elétrica X (que poderá ser indutiva ou capacitiva). Assim:
Re (Z) = Re (R +/- jX) = R

Im (Z) = Im (R +/- jX) = +/- X


[xv]
A função módulo (que é também chamada função valor absoluto)
é definida conforme segue (no conjunto dos números reais):

A variável x é um número real qualquer (podendo ser negativo, nulo


ou positivo). Exemplificando:

Se x = 4 teremos | x | = | 4 | = 4
Se x = - 3 teremos | x | = | - 3 | = 3
Se x = 0 teremos | x | = | 0 | = 0
A definição anterior não é a única possível para a função valor
absoluto. Outra definição equivalente se baseia na função raiz
quadrada. Ei-la:

O módulo de x é dado pela raiz quadrada de x elevado ao quadrado.


Vejamos uma situação envolvendo um número positivo e um número
negativo.
| 5 | = SQRT (52) = SQRT (25) = 5
| -5 | = SQRT [ (-5)2 ] = SQRT (25) = 5
SQRT é a sigla, em inglês, para SQuare RooT (raiz quadrada),
sendo muito usada em substituição ao símbolo de raiz. No Microsoft
Excel 2013 em português, usamos RAIZ para exprimir a função raiz
quadrada com a sintaxe RAIZ(núm).
A função módulo goza de várias propriedades interessantes, por
exemplo:

A primeira delas diz que o módulo do produto de dois números é


igual ao módulo do primeiro vezes o módulo do segundo. Já a
segunda diz que o módulo da razão entre dois números é igual ao
módulo do numerador dividido pelo módulo do denominador.
Notar que y (na segunda propriedade) não pode ser igual a zero,
uma vez que a divisão por zero não é definida na Matemática (é
uma restrição que sempre precisa ser feita para os denominadores
de frações). Já para a primeira propriedade não existem restrições
(tanto x quanto y podem assumir qualquer valor real).
Vejamos um exemplo numérico de cada uma dessas duas
propriedades modulares.
[xvi]
A palavra esperantismo é um neologismo na língua portuguesa.
A ideia de esperantismo é a mesma de galicismo (palavra vinda do
francês), italianismo (palavra vinda do italiano), espanholismo
(palavra vinda do espanhol ou, melhor dizendo, do castelhano),
germanismo (palavra vinda do alemão) e americanismo (palavra
oriunda do inglês norte-americano).
De forma geral, independentemente de a palavra ter sua origem em
qualquer país onde a língua inglesa seja falada (e.g., Austrália,
África do Sul, Guiana, Nova Zelândia), é usado o termo anglicismo.
A forma americanismo somente existe por conta da inegável
influência dos Estados Unidos da América (EUA) na cultura mundial,
bem como na Ciência e Tecnologia.
Sendo assim, americanismo é somente um tipo particular de
anglicismo (como australianismo, da Austrália, e neozelandismo, da
Nova Zelândia, também poderiam ser). Por sinal, é o tipo particular
mais frequentemente encontrado na literatura.
[xvii]
Há um operador lógico derivado do AND que se denomina NAND
(uma contração de NOT AND) ou NE (uma contração de NÃO E) em
português. Tal operador é estudado em um curso de Álgebra
Booliana ou Técnicas Digitais. O NAND pode ser entendido como
resultado da operação de negação (NOT) aplicada diretamente à
saída de um operador AND.
A tabela-verdade a seguir mostra o resultado da operação NAND
sobre as variáveis lógicas de entrada X e Y (ela foi criada fazendo
uso de uma popular planilha eletrônica).

NAND (X, Y) => NOT ( X AND Y )


NAND (X, Y) => INV ( X AND Y )

[xviii]
Aportuguesação do substantivo comum inglês lord (com a
inclusão da vogal de apoio final e).

inglês lord + e = português lorde


Outras quatro palavras aportuguesadas que possuem formação
similar são:

inglês bit + e = português bite

inglês chip + e = português chipe

inglês nerd + e = português nerde

inglês born + e = português borne


[xix]
A interlíngua é uma língua artificial cientificamente construída a
partir das línguas de cultura da Europa. Outros exemplos de línguas
artificiais são: novial, esperanto, solresol, lingwa de planeta, neo, ido
e mondial.
Aprender e usar interlíngua é, de certa forma, se tornar um cidadão
do mundo e não estar amarrado a nenhuma língua de nenhum país
(em consequência, não ficar submetido ao correspondente domínio
cultural). Claro é que o mesmo raciocínio também é igualmente
válido para toda e qualquer outra língua artificial (como, por
exemplo, o ido ou o novial).
Para aqueles leitores que estiverem interessados, a associação
internacional do idioma se chama UMI - Union Mundial pro
Interlingua (vide www.interlingua.com com acesso feito em
31.07.2019) e a associação interlinguista oficial no Brasil é a UBI -
União Brasileira pró Interlíngua (vide www.interlingua.org.br/ com
acesso feito em 31.07.2019). Realmente, vale muito a pena navegar
por todo o conteúdo lá oferecido.
[xx]
Há um operador lógico derivado do OR que se denomina NOR
(uma contração de NOT OR) ou NOU (uma contração de NÃO OU)
em português. Tal qual o NAND, tal operador é estudado em um
curso de Álgebra Booliana ou Técnicas Digitais. O NOR pode ser
entendido como resultado da operação de negação (NOT) aplicada
diretamente à saída de um operador OR.
A tabela-verdade a seguir mostra o resultado da operação NOR
sobre as variáveis lógicas de entrada X e Y (ela foi criada fazendo
uso de uma popular planilha eletrônica).

NOR (X, Y) => NOT ( X OR Y )

NOR (X, Y) => INV ( X OR Y )


[xxi]
Uma ligação rádio ponto-a-ponto (P-P) é uma ligação que
interconecta um ponto A com um ponto B (sendo A e B distintos) por
meio de equipamentos rádio que operam em uma determinada
banda de frequência (por exemplo, em ondas submilimétricas). Esta
banda frequencial é conhecida como banda (ou faixa) de frequência
de operação, sendo limitada por uma frequência inferior (dita fINF) e
por uma frequência superior (dita fSUP). Tanto fINF quanto fSUP são
definidas por um determinado critério de Engenharia (havendo
várias definições possíveis na prática).
[xxii]
As frequências fINF e fSUP da faixa de micro-ondas variam de
acordo com o autor, não sendo uma unanimidade. Particularmente,
as considero 900 MHz (novecentos megahertz) e 30 GHz (trinta
gigahertz), respectivamente. Assim, a largura de banda (BW, do
inglês bandwidth) de micro-ondas é de:

BW = 30 GHz - 900 MHz


Como temos unidades diferentes (GHz e MHz), vamos transformar
uma delas para, só depois, efetuar a operação de subtração.

BW = 30 GHz - 0,9 GHz = 29,1 GHz


OBS.: A rigor, a unidade básica é a mesma (hertz, Hz). Porém, os
prefixos usados são diferentes (giga G e mega M), daí a
necessidade da transformação prévia.

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