Você está na página 1de 278

Legislacao e

Normatizacao Aplicada

Benedita de Fátima Delbono

Editora

1ª Edição | Outubro |2013


Impressão em São Paulo / SP
Coordenação Geral Nelson Boni

Coordenação De Projetos Leandro Lousada

Professoras Responsáveis Benedita de Fátima Delbono

Revisão Ortográfica Vanessa Almeida

Projeto Gráfico e
Erick Genaro
Diagramação

Capa Wagner Boni

1ª Edição: Julho de 2013


Impressão em São Paulo/SP

Copyright © EaD KnowHow 2011


Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida por
qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

D344L Delbono, Benedita de Fátima.


Legislação e normatização aplicada. / Benedita de Fátima
Delbono. – São Paulo: Know How, 2013.
278 p.: 21 cm.

Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-8065-211-6

1. Normatização. 2. Normas. 3. CLT. 4. Segurança do


trabalho. 5. Risco no ambiente de trabalho. I. Título.

CDD 344.8101
Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353

Editora
Prezados(as) Alunos(as),

Sejam bem-vindos ao estudo de Legislação


e Normatização Aplicada para o curso de Segurança
do Trabalho, Prevenção e Controle de Riscos.
O presente livro tem por finalidade assisti-
-los no estudo e compreensão da legislação vigente,
para que possam desenvolver as suas habilidades.
Cumpre informá-los que o conteúdo versa so-
bre: Normalização; Normas nacionais e estrangeiras;
Legislação. Consolidação das Leis Trabalhistas; Portarias
Normativas; Atribuições e responsabilidades dos profis-
sionais de segurança em face de legislação vigente; Con-
ceitos e hierarquia na normalização; Normas internacio-
nais, nacionais e regionais; Organismos normalizadores;
Conceitos de Lei, Decreto, Resolução, Portaria e Norma.
Lei 6.514, de 1978 e outras; Decretos; Portaria do Minis-
tério do Trabalho; Estrutura das NRs e Estudos de caso.
O conteúdo indicado será objeto de estudo
em capítulos específicos, os quais trataram o assunto
da seguinte maneira:
- Capítulo 1 - Direito, Normatização e Normas
Nacionais e Estrangeiras

- Capítulo 2 - Normas Nacionais e Estrangeiras, Le-


gislação e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

- Capítulo 3 - Segurança do Trabalho, Prevenção e


Controle de Risco

- Capítulo 4 - Legislação Aplicada à Segurança, Pre-


venção e Controle de Risco no Ambiente do Trabalho

A importância do estudo de Legislação e


Normatização Aplicada para o curso de Segurança
do Trabalho, Prevenção e Controle de Riscos está no
fato de que o aluno poderá tomar conhecimento das
principais normas de aplicabilidade prática, além dos
conceitos básicos do direito, necessários ao profissio-
nal para que apreenda os principais procedimentos
jurídicos a fim de subsidiar a sua atuação profissional.
As normas jurídicas vistas aqui poderão ser
entendidas pela determinação do seu modo de apli-
cação no tempo e no espaço de uma forma clara e de
fácil entendimento para aqueles que não são opera-
dores do direito, a fim de que consigam aplicar esses
conhecimentos teóricos aos casos concretos.
O profissional da área de Segurança do Tra-
balho precisa ter no mínimo os conhecimentos bási-
cos de legislação a fim de desempenhar seu papel e
de garantir a sua integridade profissional, sendo este
um dos objetivos desta disciplina.
Além disso, as normas ora estudadas devem
ser colocadas em prática, pois o seu cumprimento
garantirá a integridade, a saúde e a qualidade de vida
de muitas pessoas, assegurando a preservação da
vida e do meio ambiente.
Este livro tem o intuito de servir de base
para o desenvolvimento dos conceitos morais, éticos
e legais com mote ao exercício profissional.

Sucesso a todos!

A Autora.
Sumario

13 Capítulo 1 – Direito E Normatização

13 1.1. Introdução
14 1.2. Noções de Direito
14 1.2.1. Conceito de Direito
16 1.2.2. Conceito de Justiça
16 1.2.3. Princípios de Direito
20 1.2.4. Fontes do Direito
21 1.2.5. Ramos do Direito
23 1.2.6. Norma Jurídica
23 1.2.7. Instituto Jurídico
24 1.2.8. Ordenamento Jurídico
27 1.2.9. Hierarquia da Norma Jurídica
32 1.2.10. Decreto, Portaria, Norma
Regulamentadora (NR), Instrução
Normativa, Ordem de Serviço,
Regulamento Técnico
44 1.3. Normatização
45 1.3.1. Normalização
52 1.3.2. Normatização
63 Capítulo 2 – Normas Nacionais
e Estrangeiras, Legislação e
a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT)

63 2.1. Introdução
64 2.2. Normas Nacionais e Estrangeiras
66 2.2.1. Liberdade Sindical e Direito à
Negociação Coletiva
66 2.2.1.1. A Liberdade Sindical e Direito
à Negociação Coletiva Sob o Ponto
de Vista Internacional
67 2.2.1.2. A Liberdade Sindical e Direito
à Negociação Coletiva Sob o Ponto
de Vista Nacional.
69 2.2.2. Erradicação do Trabalho Infantil
69 2.2.2.1. A Erradicação do Trabalho
Infantil Sob o Ponto de Vista
Internacional
72 2.2.2.2. A Erradicação do Trabalho
Infantil Sob o Ponto de Vista Nacional
75 2.2.3. Eliminação do Trabalho Forçado
75 2.2.3.1. A Eliminação do Trabalho
Forçado Sob o Ponto de Vista
Internacional
76 2.2.3.2. A Eliminação do Trabalho
Forçado Sob o Ponto de Vista
Nacional
78 2.2.4. A Não Discriminação no Emprego
ou Ocupação
85 2.2.5. Convenções da OIT Ratificadas
no Brasil
99 2.3. Hierarquia e a Legislação
Aplicada
99 2.3.1. Conceito e Hierarquia na
Normatização
102 2.3.2. Normas Aplicadas à Segurança
do Trabalho para Prevenção e Controle
de Risco
106 2.3.2.1. Segurança No Trabalho
109 2.3.2.2. Leis, Normas, Portarias e
Regulamentações
110 2.3.3.3 Organismos Normalizadores
114 2.3.3. A Consolidação das Leis do
Trabalho e a Segurança do Trabalho
para a Prevenção e Controle de Risco

123 Capítulo 3 – Segurança do Trabalho,


Prevenção e Controle de Risco

123 3.1. Introdução


124 3.2. Segurança do Trabalho,
Prevenção e Controle de Risco
124 3.2.1. Segurança do Trabalho
125 3.2.2. Prevenção
125 3.2.2.1. Higiene do Trabalho
129 3.2.3. Controle de Risco
130 3.2.3.1 Agentes Físicos
133 3.2.3.2. Agentes Químicos
134 3.2.3.3. Agentes Ergonômicos
134 3.2.3.4. Agentes Biológicos
136 3.2.4. Limite de Tolerância
138 3.3. Profissionais de Segurança do
Trabalho
138 3.3.1. Atribuições dos Profissionais de
Segurança do Trabalho
145 3.3.2 CIPA
151 3.3.3. SIPATs
153 3.3.4. Responsabilidade dos Profissionais
de Segurança do Trabalho
157 3.3.4.1. Resolução CONFEA N.º 434/99

169 Capítulo 4 – Legislação Aplicada à


Segurança, Prevenção e Controle
de Risco no Ambiente do Trabalho

169 4.1. Introdução


169 4.2. Legislação Aplicada Á Segurança,
Prevenção e Controle de Risco no
Ambiente do Trabalho
169 4.2.1. Organização Internacional do
Trabalho (OIT)
171 4.2.2. Controle Total de Perdas
173 4.2.3. Lei 6.514 de 1978
177 4.2.4. As Normas Regulamentadoras
(NRs)
191 4.3. Estudos de Caso
193 4.3.1. Gestão de Segurança e Saúde no
Trabalho: um Estudo de Caso em uma
Empresa de Transporte de Passageiro Urbano
207 4.3.2. Estudo de Caso: Trabalhador Cai De
Andaime e Morre na Cidade de Alfenas

217 Gabarito

219 Referências Bibliográficas

225 Anexos
1. Introdução

Neste capítulo, veremos as noções e os


princípios do Direito, partindo do conceito de
Direito e Justiça.
Elaborou-se o estudo dos Princípios de
Direito, das Fontes do Direito; dos Ramos do
Direito; da Norma Jurídica; do Instituto Jurídico;
do Ordenamento Jurídico; da Hierarquia da Nor-
ma Jurídica; bem como, do Decreto, da Portaria,
da Norma Regulamentadora (NR), da Instrução
Normativa, da Ordem de Serviço, do Regula-
mento Técnico.
Ainda, diante ênfase, se dará a Legislação e
a Normatização Aplicada, com o desenvolvimen-
to do estudo não só do conceito de Normatização,
das Normas Nacionais e Estrangeiras, com enfoque
para aplicação à Segurança do Trabalho para preven-
ção e controle de risco.

13
1.2. Noções de Direito

1.2.1. Conceito de Direito

A palavra “direito” tem origem no latim di-


rectus, que significa “reto” ou “colocado em linha
reta”. No latim clássico, ius era o termo usado para
designar o direito objetivo, o conjunto de normas, o
qual passou a ser designado por “direito”.
O termo “ius” (jus), por sua vez, deu origem
a palavras como justo, justiça.
O direito pode ser definido como o con-
junto de normas, que surgiu pela necessidade de o
homem estabelecer regras em suas relações, como
um mecanismo que tornasse possível o convívio em
sociedade, prevendo, inclusive, sanções para aqueles
que agissem em desacordo com essas regras, rece-
bendo a designação de Lei.
O fato social é sempre o ponto de partida
para a noção do Direito, pois, surge das necessidades
fundamentais das sociedades, que são reguladas por
ele como condição essencial de sobrevivência.
É no Direito que encontramos a segurança
das condições da vida humana, determinada pelas
normas que formam a ordem jurídica.
O significado de direito pode se referir à ci-
ência do direito ou ao conjunto de normas jurídicas
vigentes em um país, chamado de direito objetivo.

14
Também pode ter o sentido de reto, certo, de agir
de forma correta, com retidão, contudo, devemos
atentar ao conceito de ciência do direito, que é um
ramo das ciências sociais que estuda as normas obri-
gatórias que controlam as relações dos indivíduos
em uma sociedade.
Pode-se dizer que o direito se divide em:

→ Direito objetivo
→ Direito subjetivo

O conjunto de normas vigentes em um país


também é designado por direito, mais especificamen-
te como Direito Objetivo. Agora, a faculdade legal de
praticar ou não um determinado ato é designada por
direito subjetivo. Neste caso, o direito se refere ao po-
der que pertence a um sujeito ou grupo. Por exemplo,
o direito de receber aquilo pelo qual se pagou.
O direito como conjunto de normas tam-
bém se divide em:

→ Positivo
→ Natural

O direito positivo é um conjunto de normas


criadas e postas em vigor pelo Estado; o direito na-
tural é formado por normas derivadas da natureza,
ou seja, são as leis naturais que orientam o compor-

15
tamento humano, como os direitos fundamentais.
Exemplo: Vida.

1.2.2. Conceito de Justiça

A Deusa Themis é um dos símbolos do di-


reito. Neste símbolo, se verifica a deusa segurando
uma balança nas mãos, cujo significado entendemos
ser equilíbrio.
Ainda, a Deusa Themis conta com uma
venda nos olhos, simbolizando a imparcialidade.
Portanto, diante desse símbolo, a Justiça só
se faz com equilíbrio e imparcialidade.

1.2.3. Princípios de Direito

Os Princípios Gerais de Direito são enuncia-


dos normativos de valor universal, na maioria das vezes
orientam a compreensão do ordenamento jurídico no
tocante à elaboração, aplicação, integração, alteração
(derrogação) ou supressão (ab-rogação) das normas.
Representam o núcleo do sistema legal.
São, pois, as ideias de justiça, liberdade,
igualdade, democracia, dignidade etc., que serviram,
servem e continuarão servindo de alicerce para o do
Direito que está em permanente construção.

16
Os princípios que se destacam são:

→ Na área constitucional (chamadas nor-


mas principiológicas):
› Todos devem ser tratados como iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza;
› Todos são inocentes até que se prove
o contrário;
› Ninguém deverá ser obrigado a fazer
ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei;
› Nenhuma pena deverá passar da pes-
soa do condenado;
› Aos acusados, em geral, devem ser asse-
gurados o contraditório e a ampla defesa;
› A propriedade deve cumprir sua fun-
ção social;
› Deve-se pugnar pela moralidade admi-
nistrativa; etc.

→ Na área civil:
› Ninguém deve descumprir a lei alegan-
do que não a conhece;
› Nas declarações de vontade, deverá ser
mais considerada a intenção do que o
sentido literal da linguagem;
› O enriquecimento ilícito deve ser proibido;

17
› Ninguém deve transferir ou transmitir
mais direitos do que tem;
› A boa-fé se deve presumir e a má-fé
deve ser provada;
› Deve ser preservada a autonomia da
instituição familiar;
› O dano causado por dolo ou culpa
deve ser reparado;
› As obrigações contraídas devem ser
cumpridas (pacta sunt servanda);
› Quem exercitar o próprio direito não
estará prejudicando ninguém;
› Deve haver equilíbrio nos contratos,
com respeito à autonomia da vontade e
da liberdade para contratar;
› Os valores essenciais da pessoa humana
são intangíveis e devem ser respeitados;
› A interpretação a ser seguida é aquela que
se revelar menos onerosa para o devedor;
› A pessoa deve responder pelos pró-
prios atos e não pelos atos alheios;
› Deve ser mais favorecido aquele que
procura evitar um dano do que aquele
que busca realizar um ganho;
› Ninguém deve ser responsabilizado
mais de uma vez pelo mesmo fato;
› Nas relações sociais se deve tutelar a
boa-fé e reprimir a má-fé; etc.

18
No que se refere à Saúde e Segurança do
Trabalho, destacam-se os seguintes princípios:

› Segurança do trabalho é prioridade


máxima, devendo ser tratado como par-
te integrante do negócio da empresa.
› A empresa para ser boa em qualidade,
produtividade e rentabilidade, tem que
ser boa em qualidade de vida no trabalho.
› Os acidentes e doenças do trabalho
acontecem onde a prevenção falha.
› Segurança do trabalho se faz com co-
nhecimento, comprometimento e atitu-
des integradas dos empregadores, traba-
lhadores e governos.
› Somente podemos afirmar a existência
de dignidade no trabalho na ausência da
insalubridade e risco iminente.
› A política de segurança do traba-
lho somente será socialmente justa
se aplicada com conceito da univer-
salização, assistindo de forma igual a
todos os trabalhadores, independen-
temente do tamanho da empresa e
regime de vínculo de trabalho.
› É importante a oferta de boa assis-
tência às vítimas de doenças e aci-
dentes do trabalho, porém, o mais

19
importante é evitar as ocorrências
praticando a prevenção.
› Segurança do Trabalho deve ser trata-
da como investimento e não custo; cada
real aplicado representa economia de
quatro reais, servindo de base para o ne-
gócio sustentado.
› O profissional de segurança é o único
profissional que tem como missão pro-
mover saúde e segurança do trabalho,
considerando que os demais profissio-
nais do SESMT são especializações e o
cipeiro é voluntário, porém, todos são
importantes e indispensáveis, nas ações
integradas e transversais.
› O sucesso da segurança no trabalho
está vinculado aos princípios dos valo-
res humanos e respeito à vida, consi-
derando que o trabalho de ser fonte de
realização e não de sofrimento.

2.4. Fontes do Direito

As fontes do Direito são: a lei, os princípios,


o costume, a jurisprudência, a equidade e a doutrina.

20
2.5. Ramos do Direito

Fazem parte do direito as normas jurídicas que


se destinam a regular diferentes esferas da vida social.
Por essa razão, costumam se formar subsis-
temas jurídicos, com princípios específicos e dota-
dos de uma estrutura interna que os define como
ramos autônomos.
Há múltiplas formas de classificar o direito
em ramos.
Numa primeira classificação, as normas do
direito dividem-se em dois grandes grupos:

→ Direito público
→ Direito privado

São de direito público aquelas normas e


atuações nas quais o estado ou entidades públicas
se acham presentes como tais, ou seja, exercendo
seu poder. As normas de direito público podem
regular ações dentro de um mesmo país, ou as re-
lações do país com indivíduos. O que caracteriza
essas normas é a especial presença do poder es-
tatal. Exemplo: o direito constitucional, o direito
penal, o direito processual, etc.
O direito privado se constitui das normas que
regulam as relações entre pessoas. Da mesma forma,
são de direito privado as ações em que o estado en-

21
tra como particular, sem usar sua condição de poder.
Exemplo: o direito civil e o direito empresarial.
Contudo, superada essa divisão, há de se re-
conhecer o que está entre o público e o privado, ra-
zão pela qual se cita o mais novo ramo do:

→ Direito difuso e coletivo

O direito difuso e coletivo contempla o Di-


reito Ambiental, o Direito do Consumidor, o Es-
tatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do
Idoso e o Direito do Trabalho.
Define-se como sendo afetos a vários sujei-
tos não considerados individualmente, mas sim por
sua qualidade de membro de comunidades ou gru-
pos. Exemplo: Os mutuários da SFH – uma ilegali-
dade no contrato atinge a todos coletivamente.
Os interesses difusos diferenciam-se do Co-
letivo por ter seus titulares indetermináveis unidos
por fatos decorrentes de eventos naturalísticos, im-
possíveis de diferenciar na qualidade e separar na
quantidade de cada titular. Exemplo: Poluição do ar;
Fauna e Flora; Poluição sonora; Meio ambiente. Não
dá para precisar quem sofreará a lesão.

22
1.2.6. Norma Jurídica

Normas jurídicas são, essencialmente, regras


sociais, isso significa que a função das normas jurí-
dicas é disciplinar o comportamento social dos ho-
mens. Existem diversas outras normas que também
disciplinam a vida social.
Vejamos exemplos:
Normas Morais, as que se baseiam na consciên-
cia moral das pessoas, ou seja, num conjunto de valores e
princípios sobre o bem e o mal que orientam o compor-
tamento humano, numa determinada sociedade.
Normas Religiosas, as quais se baseiam na fé
revelada por uma religião ou crença.
Tanto as normas morais como as religiosas
se aplicam à vida em sociedade.
A norma jurídica é a conduta exigida ou o
modelo imposto de organização social, e pode-se di-
zer que a norma jurídica exerce justamente o papel
de ser o instrumento de definição da conduta exigida
pelo Estado, sob pena de sanção.
A Norma Jurídica se representa pela Lei.

1.2.7. Instituto Jurídico

Instituto Jurídico é a reunião de normas jurí-


dicas afins, que rege um tipo de relação social ou inte-

23
resse e que se identifica pelo fim que procura realizar.
É uma parte da ordem jurídica e, como
esta, deve apresentar algumas qualidades: harmonia,
coerência lógica, unidade de fim.
Enquanto a ordem jurídica dispõe sobre a
generalidade das relações sociais, o instituto se fixa
apenas em um tipo de relação ou de interesse: ado-
ção, pátrio poder, naturalização, hipoteca, etc. con-
siderando-os análogos aos seres vivos, pois nascem,
duram e morrem, lhering chamou-os de corpos jurí-
dicos, para distingui-los da simples matéria jurídica.
Diversos institutos afins formam um ramo,
e o conjunto destes a ordem jurídica.

1.2.8. Ordenamento Jurídico

Todo país para reger seu povo que vive em


sociedade necessita de um conjunto de normas ju-
rídicas que se dá o nome de ordenamento, ou seja:

→ Ordenamento Jurídico
Assim, vale dizer que uma norma que per-
tence ao ordenamento é considerada válida e, por-
tanto, pode ser qualificada como jurídica. Já uma
norma que não pertence ao ordenamento é conside-
rada inválida e não jurídica.
Portanto, perguntar, sob o ponto de vista do

24
direito, se uma norma é válida, corresponde a per-
guntar se ela pertence ao ordenamento jurídico.
O ordenamento jurídico é um conjunto de
alta complexidade, ou seja, além das regras de per-
tencimento, indicando quais são seus elementos, há
outras regras estruturais que estabelecem relações
necessárias entre eles.
De um modo geral, podemos afirmar que
existem três grandes grupos de regras estrutu-
rais, as regras de:

→ coesão,
→ coerência e
→ completude.

As regras estruturais de coesão estabelecem


os limites do ordenamento jurídico e conferem a ele
sua forma específica.
Entre tais regras, encontra-se a validade, que
estabelece os requisitos de pertencimento ao conjunto.
Dela decorre outra regra de grande impor-
tância, a hierarquia, estabelecendo que existam nor-
mas jurídicas e, portanto, válidas, superiores e mais
fortes, e regras jurídicas inferiores e mais fracas.
A produção de novas normas jurídicas é or-
ganizada pela regra estrutural das fontes do direito,
estabelecendo requisitos para que se crie uma nova
norma válida.

25
A produção de efeitos das normas do or-
denamento é delimitada no tempo pela regra da ir-
retroatividade/retroatividade, especificando as situ-
ações em que uma norma pode regular situações no
passado ou não.
Ainda, podemos destacar a regra estrutural
da dinâmica do ordenamento, que estabelece os re-
quisitos para que uma norma deixe de fazer parte do
conjunto, tornando-se inválida e, logo, deixando de
ser jurídica.
A consistência do ordenamento jurídico é
obtida pela regra da coerência.
Em sendo o direito um conjunto de normas
que deve permitir a resolução de controvérsias com
o mínimo de perturbação social, não podem existir
duas normas que ofereçam, ao mesmo tempo, uma
solução contraditória.
Tal situação criaria uma antinomia, ou seja,
conflito de normas, e deixaria o operador do direito e
a população sem critérios para seus comportamentos.
As antinomias devem ser solucionadas com a
eliminação de uma das normas contraditórias, possibili-
tando ao direito oferecer uma solução única ao conflito.
De um modo geral, a coerência é obtida a
partir de outra regra estrutural citada, a hierarquia.
Embora haja exceções, podemos afirmar
que toda nova norma deve ser coerente com outras
normas jurídicas superiores, ou seja, uma norma in-

26
ferior não pode, em tese, contradizer outra superior.
O ordenamento se estrutura de modo com-
pleto, ou seja, há uma regra estrutural que pressupõe
sua capacidade para resolver todos os conflitos so-
ciais, ainda que seja necessária a criação de uma nor-
ma jurídica sentencial pelo juiz para suprir a ausência
de uma norma jurídica legal.
A regra estrutural da completude, assim, es-
tabelece que eventuais lacunas do ordenamento, pela
ausência de leis preexistentes que prevejam uma so-
lução para um conflito social, serão preenchidas pelo
juiz, caso a caso.
Por outro lado, sob o ponto de vista dos desti-
natários sociais do direito, a completude manifesta-se na
impossibilidade de alegação do desconhecimento da lei.

1.2.9. Hierarquia da Norma Jurídica

Outro importante aspecto do estudo do Di-


reito é a Teoria da:

→ Hierarquia das Normas Jurídicas

A teoria da hierarquia das normas jurídicas é


um sistema de escalonamento das normas, proposto
por Hans Kelsen, jurista alemão do século passado,
que também é chamada de “Pirâmide de Kelsen”.

27
No Brasil, a Pirâmide de Kelsen é de fácil
visualização, haja vista como se estrutura o sistema
jurídico, qual seja:

→ Constituição Federal
→ Leis Complementares
→ Leis Ordinárias;
→ Medidas Provisórias
→ Leis Delegadas
→ Resoluções

A estrutura criada por Kelsen consagra a su-


premacia da Norma Constitucional e estabelece uma
dependência entre as normas escalonadas, já que a
norma de grau inferior sempre será válida se, e so-
mente se, fundar-se nas normas superiores.
Vejamos os conceitos de cada norma expos-
ta na Pirâmide de Kelsen.
A Constituição Federal tem seu fundamento
na Soberania Nacional, ou seja, na independência e
exclusividade de resolução de questões internas e or-
ganização político-jurídica do país.
Quanto aos assuntos de que trata a Consti-
tuição Federal, ela é a lei fundamental, já que organi-
za os elementos essenciais do Estado.
A Constituição Federal está no cume da Pi-
râmide de Kelsen por ser a expressão do poder or-
ganizacional, estatal que emana do povo e para ele é

28
feita, por seus representantes eleitos.
As Leis Complementares, por sua vez, têm
um processo de aprovação, no Congresso Nacional,
mais rigoroso, já que deverá ser aprovada mediante
quórum com a maioria absoluta, conforme o artigo
69 da própria Constituição Federal; sobre sua maté-
ria, está taxativamente expressa na própria Consti-
tuição Federal, ou seja, a própria Constituição Fede-
ral pede a Lei Complementar.
O importante é que não existirá Lei Com-
plementar sobre assunto que não seja pedido na
Constituição Federal.
As Leis Ordinárias têm como requisito de
aprovação quórum em maioria simples, desde que
presentes na sessão a maioria absoluta de membros,
nos termos do artigo 67 da Constituição Federal. Ela
só poderá tratar de assunto que tenha sido “deixado
de lado” pela Lei Complementar.
Aí o reforço do argumento de quem coloca
a Lei Ordinária abaixo da Complementar na Pirâ-
mide de Kelsen: ao passo que a Lei Complementar
tem rol de matérias expresso na Constituição Fede-
ral, para a Lei Ordinária designa-se o resíduo, “o que
sobrar”, num português mais coloquial.
Por outro lado, aqueles que defendem que
ambas estão no mesmo patamar de hierarquia, os ar-
gumentos são o de ser indiferente o quórum de vota-
ção, já que o órgão que as elabora é o mesmo, ou seja,

29
o Congresso Nacional, a cúpula do Poder Legislativo.
E, sobre a matéria da Lei Ordinária ser “resi-
dual” em face da matéria da Lei Complementar, diz-se
ser uma questão mais de praticidade que de importân-
cia. Sobre as Medidas Provisórias e as Leis Dele-
gadas, mais uma vez, há a discussão sobre haver hie-
rarquia ou não. Certo é que tanto Medidas Provisórias
quanto Leis Delegadas estão abaixo de Leis Ordiná-
rias e Leis Complementares, na hierarquia legal.
As Medidas Provisórias, nos termos do artigo
62 da Constituição Federal, constituem como sendo
atos do Presidente da República (Poder Executivo) e
serão feitas em caso de relevância e urgência.
As Medidas Provisórias terão força de lei e
serão submetidas ao Congresso Nacional (Poder Le-
gislativo) para que se tornem formalmente leis.
As Leis Delegadas, de conformidade com o
artigo 68 da Constituição Federal, ao contrário das
Medidas Provisórias, já nascem como leis, apesar
de serem elaboradas pelo Presidente da República
(Poder Executivo), contudo, somente são elabora-
das e publicadas quando houver a delegação, ou seja,
quando e, somente quando, o Congresso Nacional
delegar ao Presidente a função legislativa.
A Lei Delegada, por ser excepcional dentro
do sistema jurídico, tem - como a Medida Provisória
– por requisitos a relevância e a urgência. São es-
ses requisitos rígidos quanto à matéria sobre a qual

30
poderá dispor e estão capitulados no artigo 68 da
Constituição Federal e o elenco é taxativo.
O ponto em comum entre Medida Provisó-
ria e Lei Delegada é que emanam do Poder Execu-
tivo (Presidente da República) e, portanto, fruto de
“poder legiferante anômalo”.
O poder legiferante é o poder de fazer leis e
é próprio do Poder Legislativo.
O poder Executivo tem o encargo de adminis-
trar a Nação, enquanto o Poder Judiciário tem o poder
de, fazendo uso do que o Poder Legislativo produziu,
exercer a tutela dos direitos violados. São os três pode-
res da República independentes, mas harmônicos.
Em casos excepcionais, as funções do Legis-
lativo serão, então, em parcela mínima, transferidas
ao Poder Executivo, que fará, assim, Medidas Provi-
sórias e Leis Delegadas, por isso o nome “anômalo”
e por isso o baixo grau hierárquico.
Ademais, há sempre clara a dependência do
Poder Legislativo: o Poder ou delega a competência
para fazer a lei (Lei Delegada) ou tem o poder de não
transformar o ato feito (a Medida Provisória) numa lei.
Cada uma das Casas do Congresso Nacional
(Senado e Câmara) possui um rol especifico de atri-
buições que serão só suas, além das suas funções de
elaborar leis (legiferantes).
Estas atribuições não legiferantes também
estão descritas na CF, sendo, em sua maior parte,

31
nos art. 51, as da Câmara e art.52, as do Senado.
As Resoluções são os meios que serão usa-
dos para o exercício destas ações não legiferantes. É
a Resolução norma jurídica destinada a disciplinar
assuntos do interesse interno do Congresso Nacional
sendo o recorrente à concessão de licenças ou afas-
tamentos de deputados ou senadores, a atribuição
de benefícios.
O § 2º do art. 68 da Constituição Federal diz
que a Resolução é a forma com a qual o Congresso
faz a delegação da Lei delegada em que passa parcela
de poder legiferante ao Presidente da República.
Por isso, sua posição como a parte mais bai-
xa da Pirâmide de Kelsen: são ações muito específi-
cas, de caráter restrito e sobre assuntos muito pró-
prios, não possuindo a abrangência que uma lei deve
ter para ser lei.

1.2.10. Decreto, Portaria, Norma


Regulamentadora (NR), Instrução Normativa,
Ordem de Serviço, Regulamento Técnico

É importante considerar outras normas, con-


tudo, da lavra do Poder Executivo (Poder não legife-
rante) razão pela qual não consta da hierarquia da nor-
ma, mas existem e devem ser respeitadas, tal como o:

32
→ Decreto
O decreto é uma ordem emanada de uma au-
toridade superior ou órgão civil, militar, leigo ou eclesi-
ástico que determina o cumprimento de uma resolução.
No sistema jurídico brasileiro, os decretos são
atos administrativos da competência dos chefes dos po-
deres executivos: presidente, governadores e prefeitos.
O Decreto é usado pelo chefe do poder exe-
cutivo para fazer nomeações e regulamentações de
leis, dando-lhe cumprimento efetivo, entre outros.
Pode-se dizer que o Decreto é a forma de
que se revestem dos atos individuais ou gerais, ema-
nados do Chefe do Poder Executivo, Presidente da
República, Governador e Prefeito. Pode subdividir-
-se em decreto geral e decreto individual. Esse a pes-
soa ou grupo e aquele a pessoas que se encontram
em mesma situação.
Possui como efeito o de regulamentar ou
de executar, ou seja, expedido com base no artigo
84, IV da CF, para fiel execução da lei, ou seja, o
decreto detalha a lei. Nunca poderá contrariá-la e
nem ir além ou aquém dela. É importante conhecer
a Emenda Constitucional n.º 32/01.
O Professor Hely Lopes Meirelles, define-o
da seguinte forma:

Decretos, em sentido próprio e restrito,


são atos administrativos da competência exclusi-

33
va dos chefes do Executivo, destinados a prover
situações gerais ou individuais, abstratamente
previstas de modo expresso, explícito ou implí-
cito pela legislação.

O Manual de Redação Oficial da Presidência


da República menciona três tipos de Decreto:

→ Decretos Singulares
→ Decretos Regulamentares
→ Decretos Autônomos

Os Decretos Singulares são aqueles que po-


dem conter regras singulares ou concretas (v. g., de-
cretos de nomeação, de aposentadoria, de abertura
de crédito, de desapropriação, de cessão de uso de
imóvel, de indulto de perda de nacionalidade, etc.).
Os Decretos Regulamentares são atos nor-
mativos subordinados ou secundários.
A diferença entre a lei e o regulamento, no
Direito Brasileiro, não se limita à origem ou à supre-
macia daquela sobre este.
A distinção substancial reside no fato de que
a lei inova originariamente o ordenamento jurídico,
enquanto o regulamento não o altera, mas fixa, tão
somente, as regras orgânicas e processuais destina-
das a pôr em execução os princípios institucionais

34
estabelecidos por lei, ou para desenvolver os precei-
tos constantes da lei, expressos ou implícitos, dentro
da órbita por ela circunscrita, isto é, as diretrizes, em
pormenor, por ela determinadas. Não se pode ne-
gar que, como observa Celso Antônio Bandeira de
Mello, a generalidade e o caráter abstrato da lei per-
mitem particularizações gradativas quando não têm
como fim a especificidade de situações insuscetíveis
de redução a um padrão qualquer.
Disso resulta, não raras vezes, margem de dis-
crição administrativa a ser exercida na aplicação da lei.
Não se há de confundir, porém, a discricionariedade
administrativa, atinente ao exercício do poder regula-
mentar, com delegação disfarçada de poder.
Na discricionariedade, a lei estabelece pre-
viamente o direito ou dever, a obrigação ou a res-
trição, fixando os requisitos de seu surgimento e os
elementos de identificação dos destinatários. Na de-
legação, ao revés, não se identificam, na norma re-
gulamentada, o direito, a obrigação ou a limitação.
Estes são estabelecidos apenas no regulamento.
Os Decretos Autônomos foram introduzidos
em nosso ordenamento com o advento da Emenda
Constitucional n.º 32, de 11 de setembro de 2001.
Decorre diretamente da Constituição,
possuindo efeitos análogos ao de uma lei ordi-
nária. Tal espécie normativa, contudo, limita-se
às hipóteses de organização e funcionamento da

35
administração federal, quando não implicar au-
mento de despesa nem criação ou extinção de
órgãos públicos, e de extinção de funções ou car-
gos públicos, quando vago, conforme o art. 84,
VI, da Constituição.
E, há os:

→ Decretos Legislativos
Os Decretos Legislativos, conforme os
arts. 49 e 62, § 3º, da Constituição Federal, têm
como objeto matérias apontadas como de com-
petência exclusiva do Congresso Nacional, por
exemplo, as relações jurídicas decorrentes de me-
dida provisória não convertida em lei; resolver de-
finitivamente sobre tratados, acordos ou atos in-
ternacionais que acarretem encargos ou compro-
missos gravosos ao patrimônio nacional; autorizar
o Presidente da República a declarar guerra ou a
celebrar a paz; ratificar atos internacionais, sustar
atos normativos do presidente da República, jul-
gar anualmente as contas prestadas pelo chefe do
governo, autorizar o presidente da República e o
vice-presidente a se ausentarem do país por mais
de 15 dias, apreciar a concessão de emissoras de
rádio e televisão, autorizar em terras indígenas a
exploração e o aproveitamento de recursos hídri-
cos e a pesquisa e lavra de recursos minerais.
E, por fim, os:

36
→ Decretos-Lei
Os Decretos-Lei têm força de lei e foram
expedidos por Presidentes da República em dois
períodos: de 1937 a 1946 e de 1965 a 1989. Nossa
atual Constituição não prevê essa possibilidade. Al-
guns Decretos-Lei ainda permanecem em vigor.1

Ademais, cabe ressaltar outro ato adminis-


trativo, que são as:

→ Portarias
→ Portarias Normativas

As Portarias são atos administrativos inter-


nos, expedidos pelos chefes de órgãos, ordenando a
seus subordinados providências para o bom funcio-
namento dos serviços públicos.
São interministeriais, quando expedidos por
vários ministérios.
Não têm força de lei sobre os não funcio-
nários, muito embora, em razão da burocracia, não
raro se valha desse expediente para impingir obriga-
ções, as quais só podem ser criadas por lei ou, com
as devidas restrições, por medida provisória.
As portarias invocam leis para se fundamen-

1 - CASA CIVIL DA PRESIDENCIA DA REPUBLICA. Sub-chefia


para assuntos jurídicos. http://www4.planalto.gov.br/legislacao/
legislacao-1/decretos-leis 04agosto de 2013 22h34

37
tarem porque a administração pública só pode fazer
o que a lei lhe permitir, ao contrário da atividade
privada, que pode fazer tudo o que a lei não proíbe.
As Portarias Normativas são portarias que esta-
belecem normas ou regras sobre procedimentos relacio-
nados às funções de regulação, avaliação ou supervisão.
E, ainda, dada a pertinência deste Livro, de-
vemos trazer as:

→ Normas Regulamentadoras
→ Instruções Normativas
→ Ordens de Serviço
→ Regulamentos Técnicos

As Normas Regulamentadoras (NR) são co-


mumente publicadas pelo Ministério do Trabalho
por meio da Portaria 3.214/79 para estabelecer os
requisitos técnicos e legais sobre os aspectos míni-
mos de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO).
Atualmente, existem 36 Normas Regula-
mentadoras.
As NR são elaboradas e modificadas por
uma comissão tripartite composta por representan-
tes do governo, empregadores e empregados.
As NR são elaboradas e modificadas por meio
de Portarias expedidas pelo Ministério e é certo dizer
que nada nas NR “cai em desuso” sem que exista uma
Portaria identificando a modificação pretendida.

38
Importante considerar que as NR, relativas
à segurança e saúde ocupacional, são de observância
obrigatória para qualquer empresa ou instituição que
tem empregados regidos pela Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT), incluindo empresas privadas e
públicas, órgãos públicos da administração direta e
indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legis-
lativo e Judiciário.
Ainda, os requisitos de Segurança e Saúde
Ocupacional (SSO) não estão somente presentes nas
NR. Há previsão necessária em: Leis, Decretos, De-
cretos-Lei, Medidas Provisórias, Portarias, Instru-
ções Normativas (Fundacentro), Resoluções (Cnen
e Agências do Governo), Ordens de Serviço (INSS),
Regulamentos Técnicos (Inmetro). A observância
das NR não desobriga as empresas do cumprimen-
to destas outras disposições contidas em códigos
de obras ou regulamentos sanitários dos estados ou
municípios, e outras, oriundas de convenções e acor-
dos coletivos de trabalho.
A Secretaria de Segurança e Saúde no
Trabalho (SSST) é o órgão de âmbito nacional
competente em conduzir as atividades relacionadas
com segurança e saúde ocupacional. Essas atividades
incluem a Campanha Nacional de Prevenção de
Acidentes do Trabalho (CANPAT), o Programa de
Alimentação do Trabalhador (PAT) e ainda a fisca-
lização do cumprimento dos preceitos legais e regu-

39
lamentares sobre segurança e saúde ocupacional, em
todo o território nacional. Compete, ainda, à SSST
conhecer, em última instância, as decisões proferidas
pelos Delegados Regionais do Trabalho, em termos
de segurança e saúde ocupacional.
A competência das Delegacias Regionais
do Trabalho DRT, nos limites de sua jurisdição, é
executar as atividades relacionadas com a seguran-
ça e saúde ocupacional. Essas atividades incluem
a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes
do Trabalho - CANPAT, o Programa de Alimenta-
ção do Trabalhador - PAT e, ainda, a fiscalização do
cumprimento dos preceitos legais e regulamenta-
res sobre segurança e saúde ocupacional. Compete,
ainda, à DRT, nos limites de sua jurisdição: adotar
medidas necessárias à fiel observância dos preceitos
legais e regulamentares sobre segurança e medicina
do trabalho, inclusive orientar os empregadores so-
bre a correta implementação das NR; impor as pena-
lidades cabíveis por descumprimento dos preceitos
legais e regulamentares sobre segurança e saúde ocu-
pacional; embargar obra, interditar estabelecimento,
setor de serviço, canteiro de obra, frente de trabalho,
locais de trabalho, máquinas e equipamentos; notifi-
car as empresas, estipulando prazos, para eliminação
e/ou neutralização de insalubridade; atender requisi-
ções judiciais para realização de perícias sobre segu-
rança e medicina ocupacional nas localidades onde

40
não houver médico do trabalho ou engenheiro de
segurança do trabalho registrado no MTE.
As Instruções Normativas constituem atos
puramente administrativos. Podem ser consideradas
normas complementares administrativas, tão-somen-
te. Isto porque elas complementam o que está numa
Portaria de um superior hierárquico, num decreto pre-
sidencial, ou Portarias Interministeriais. Jamais uma
Instrução Normativa pode inovar um ordenamento
jurídico passando por cima do conteúdo de leis ou de-
creto, pois, na Constituição, somos obrigados a fazer
ou deixar de fazer algo em função da Lei.
Uma Instrução Normativa é expedida pelos
superiores dirigentes dos órgãos públicos, seja o re-
presentante maior do órgão, ou aquele que tem dele-
gação de poderes para emitir instruções normativas
sobre sua área. A Instrução Normativa (IN) diz o
que os agentes daquele órgão público devem seguir,
executar, fazer, etc.
A Instrução Normativa (IN) diz respeito às
atribuições que devem ser seguidas por aqueles parâ-
metros especificados naquele ato administrativo.
As Ordens de Serviços constituem-se num
documento para orientar e informar os trabalhado-
res da empresa, quais são os riscos que irá encontrar
no ambiente de trabalho e na execução de suas ativi-
dades, para que o mesmo possa ter alguns cuidados
e realizar procedimentos para sua proteção.

41
As Ordens de Serviços (OS) são elaboradas
com a finalidade de evitar qualquer cobrança relacio-
nada à Saúde e Segurança do Trabalho pelo trabalha-
dor, a fim de que este seja treinado e orientado dos
riscos, por meio da Ordem de Serviço.
A OS é um documento importantíssimo,
onde na hipótese de um acidente ou doença contraí-
da no trabalho, o trabalhador pode alegar que desco-
nhecia o risco, por falta de orientação.
Com a ordem de serviço emitida e protoco-
lada pelo trabalhador estará ele ciente dos riscos que
estará exposto, onde a empresa prova o cumprimen-
to desta obrigação legal prevista na CLT e na NR01,
de informar antecipadamente os riscos existentes
em suas instalações aos seus trabalhadores.
Conforme a NR01, o Ministério do Traba-
lho especificou alguns objetivos que devem conter
na Ordem de Serviço.
A Ordem de Serviço sobre Segurança do
Trabalho não deve se limitar à transcrição de textos
legais ou redações padrão, o ideal é que seja elabo-
rada conforme as instalações da empresa, arranjo fí-
sico, máquinas, equipamentos, materiais e insumos
utilizados na produção.
A Ordem de Serviço sobre Segurança e Me-
dicina do Trabalho, emitida com base nos riscos re-
ais da empresa, é também um documento extrema-
mente útil na realização das integrações dos novos

42
colaboradores, podendo ser também utilizada como
material de apoio em treinamentos internos, audito-
rias e fiscalização.
Os Regulamentos Técnicos constituem-se
em documento aprovado por órgãos governamentais
em que se estabelecem as características de um pro-
duto ou dos processos e métodos de produção com
eles relacionados, com inclusão das disposições admi-
nistrativas aplicáveis, cuja observância é obrigatória.
Também pode incluir prescrições em maté-
ria de terminologia, símbolos, embalagem, marcação
ou etiquetagem aplicável a um produto, processo ou
método de produção, ou tratar exclusivamente delas.
Os Regulamentos Técnicos2 não se
confundem com as Normas Técnicas, as quais se
constituem em documento aprovado por uma insti-
tuição reconhecida, que prevê, para um uso comum
e repetitivo, regras, diretrizes ou características para
os produtos ou processos e métodos de produção
conexos, cuja observância não é obrigatória.
Tanto normas quanto regulamentos técni-
cos referem-se às características dos produtos, tais
como: tamanho, forma, função, desempenho, eti-
quetagem e embalagem, ou seja, a grande diferença
entre eles reside na obrigatoriedade de sua aplicação.

3 - INMETRO. http://www.inmetro.gov.br/barreirastecnicas/definicoes.
asp 04agosto2013às23h10

43
As implicações no Comércio Internacio-
nal são diversas. Se um produto não cumpre as
especificações da regulamentação técnica perti-
nente, sua venda não será permitida, no entan-
to, o não cumprimento de uma norma, apesar
de não inviabilizar a venda, poderá diminuir sua
participação no mercado.
E, ainda, cabe ressaltar a definição de Ava-
liação da Conformidade que trata de todo procedi-
mento utilizado, direta ou indiretamente, para deter-
minar que se cumpram as prescrições pertinentes
dos regulamentos técnicos ou normas.
Os procedimentos para a avaliação da con-
formidade compreendem, entre outros, os de amos-
tragem, prova e inspeção; avaliação, verificação e ga-
rantia da conformidade; registro, acreditação e apro-
vação, separadamente ou em distintas combinações.

1.3. Normatização

O conceito de normatização passa pela dis-


tinção entre Normalização e Normatização,
passando, então, ao conceito de Arouk3:

2 - AROUCK, Osmar. Normas brasileiras de documentação: uma


introdução. Belém: Ed. UFPA, 1995. 65p

44
“normalizar é submeter algo a normas,
padronizar, enquanto normatizar é estabelecer
normas para alguma coisa, ação ou processo”.

1.3.1. Normalização

Tomando o conceito de normalizar,


ou seja, submeter algo a normas, padronizar,
é importante considerar que é indispensável o
estabelecimento de regras para garantir o padrão de
qualidade não só dos produtos, mas também dos
processos, questão essa de pouca importância no
passado, sendo certo que as pessoas passaram difi-
culdades por não terem um padrão adequado ao que
estavam consumindo ou produzindo, fazendo com
que, em razão do desperdício experimentado pelo
produtor e pela insegurança do consumidor, a nor-
matização passe a ser algo necessário.
Para a normalização, as palavras-chave são:
submeter à norma e padronizar.
A necessidade da normalização representa-
da como linguagem só teve a sua importância com
o início da produção e do consumo. Essa padroni-
zação se representa, inicialmente, pela moeda, pelo
peso e medida.
Na medida em que fomos evoluindo, outros
padrões começaram a se fazer necessários.

45
Importante citar que a origem da normaliza-
ção vem desde remotas culturas e, neste sentido, vale
citar o artigo do Centro de Capacitação de Recursos
Humanos do Inmetro, vejamos:

Nos tempos antigos, a vida da comunida-


de era governada pelos costumes e pelas regras
comuns, administradas por um chefe, o que fez
surgir os primeiros padrões de vida: costumes e
regras comuns (família); linguagem comum; es-
crita figurada; símbolos fonéticos; roupas e abri-
gos; religião; divisão de tempo; forma e tamanho
dos artigos; dinheiro; pesos e medidas; leis; etc.4

As normas de medida estão entre as pri-


meiras a serem criadas, devendo seu início à épo-
ca em que o homem julgou necessário estimar
dimensões e distâncias.
Nesse momento, o homem começou a uti-
lizar-se de métodos um tanto quanto inadequados
para fazer as medições, tais como: utilizar os bra-
ços, dedos, pés, ou, quando tratavam de distâncias

4 - CENTRO DE CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DO


INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO
E QUALIDADE INDUSTRIAL. História da normalização. In:
Encontro Nacional de docentes sobre normas técnicas, 3, 1985, São
Leopoldo. Trabalhos apresentados. São Leopoldo: Inmetro, 1985. p.1.

46
maiores, era comum contarem os passos ou utilizar
a expressão “um dia de viagem”.
Esses tipos de medidas, mesmo sendo anti-
gos, ainda são utilizados em várias partes do mundo,
como na Índia, onde é comum usar o grão de cevada.
A mais antiga evidência de normalização da
antiguidade está nos vasos, adequadamente marca-
dos e certificados na Antiga Palestina.
Os padrões ou desenhos marcam e identificam
povos e culturas de diversas épocas. E essas caracterís-
ticas peculiares facilitam a identificação do momento e
das regras válidas para aquela época e cultura.
Gutenberg, no século XV, ao criar a Impren-
sa, não a fez de modo desordenado, como exemplo, os
móveis deveriam ser permutáveis entre si e de mesma
altura para que se conseguisse imprimir algo, inclusi-
ve, as letras possuíam detalhes para que o tipógrafo
pudesse sentir ao toque que letra ela havia apertado.
No aspecto normalização são inúmeros os
exemplos, tais como: a arquitetura das pirâmides
egípcias; os mastros, as velas, os remos e os lemes
uniformizados dos venezianos no século XV; os
aquedutos do Imperador Nerva (100 a.C.), etc.
Em face da evolução se viu a necessidade
de independência entre as unidades de medida e de
grandezas, haja vista que ocorriam de forma compa-
rativa natural, ou seja, com base nos pés, mãos, dias
de viagem, etc.

47
Assim sendo, nascem novas regras de pa-
dronização.
Para determinar essas novas regras, começa-
ram a fabricar bastões de medida normalizada, com
materiais duráveis, tais como: madeira, chumbo, cor-
das com nós no Egito, etc., os quais ficam deposita-
dos nos palácios e nas igrejas.
Com o advento da máquina a vapor e por
consequência o desenvolvimento da indústria mo-
derna é que se adotou o nosso atual sistema métrico.
Contudo, somente com a Segunda Guerra
Mundial que se tornou “mais evidente a importân-
cia de uma normalização nacional e internacional,
devido à dificuldade de fornecimento de peças e so-
bressalentes e a existência de diferentes normas nos
diferentes países.” 5
Dessa forma, pode-se dizer que a nor-
malização, que teve seu início como um mero
processo mecânico, evoluiu e tornou-se um
meio para assegurar a intercambialidade de for-
ma precisa e qualificável, sendo uma técnica de
simplificação e conservação de recursos e capa-
cidade produtiva.

5 - CENTRO DE CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DO


INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO
E QUALIDADE INDUSTRIAL. História da normalização. In:
Encontro Nacional de docentes sobre normas técnicas, 3, 1985, São
Leopoldo. Trabalhos apresentados. São Leopoldo: Inmetro, 1985. p.10

48
É importante considerar que as normas
aumentam e mudam conforme necessidade e progresso.
Do exposto, temos que:

A normalização é baseada nos resultados


já consolidados da ciência, técnica e da experiên-
cia. Ela determina não só as bases para o presen-
te, mas também para o futuro, e deve acompa-
nhar o progresso da tecnologia e as mudanças de
padrões e as mudanças de consumidores.6

Não se pode negar que nossas vidas são


pautadas por normas, e claro, dizer que a normali-
zação é muito importante nas atividades industrial e
científica não é novidade.
As atividades nos dias atuais dependem dire-
tamente de normas precisas e de aplicabilidade.
Há vantagens consideráveis na normalização,
tanto para quem produz quanto para quem consome.
Do mesmo modo, sabemos que a necessida-
de de normas nas mais diversas situações (negocia-
ções comerciais, indústria, intercâmbio entre infor-
mações, preservação do meio ambiente, etc.) é fator

6 - SILVA, Paulo Afonso Lopes da. Conceitos básicos de normalização.


In: Encontro Nacional de docentes sobre normas técnicas, 3, 1985, São
Leopoldo. Trabalhos apresentados. São Leopoldo: Inmetro, 1985. p.19.

49
determinante para a qualidade.
As normas brasileiras são resultantes de um
processo de consenso nos diferentes fóruns do Siste-
ma Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial (Sinmetro), cujo universo abrange o governo,
o setor produtivo, o comércio e os consumidores.
Essas normas visam obter, segundo Silva7:

a) defesa dos interesses nacionais; b) racio-


nalização na fabricação ou produção e na troca de
bens ou serviços, por meio de operações sistemáti-
cas e repetitivas; c) proteção dos interesses do con-
sumidor; d) segurança de pessoas e bens; e) uni-
formidade dos meios de expressão e comunicação.

Os grandes objetivos das normas técnicas são:

→ a simplificação;
→ a intercambialidade;
→ a comunicação;
→ a adoção racional de símbolos e códigos;
→ a economia;
→ a segurança;
→ saúde e proteção da vida;

7 - SILVA, Paulo Afonso Lopes da. Conceitos básicos de normalização.


In: Encontro Nacional de docentes sobre normas técnicas, 3, 1985, São
Leopoldo. Trabalhos apresentados. São Leopoldo: Inmetro, 1985. p.19.

50
→ o impedimento de barreira no comércio;
→ proteção do interesse do consumidor;
→ interesse da comunidade.

Ainda, para a normalização, é importante


considerar o que se chama de espaço da norma-
lização, que se divide em: a) Assuntos e Domínios:
toda norma aborda um assunto e como os assuntos
se encontram em número elevado agrupam-se eles
em domínios; b) Aspectos ou Tipos: requisitos e
condições que devem ser seguidos na elaboração da
norma; c) Níveis: entidades produtoras de normas.8
Os quais podem ser internacionais, regio-
nais, nacionais, associações, empresas ou empresa
individual. Porém, para a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) são apenas quatro níveis:
Internacional, Regional, Nacional e Empresarial.
A normalização nasceu da necessidade de a
população ter padrões que estabelecessem critérios
em aspectos da economia, da segurança ao consu-
midor, da melhoria na comunicação, da intercambia-
lidade, etc., evitando “a existência de regulamentos
conflitantes sobre produtos e serviços em diferentes
países, facilitando, assim, o intercâmbio comercial” 9

8 - SILVA, Paulo Afonso Lopes da. Conceitos básicos de normalização.


In: Encontro Nacional de docentes sobre normas técnicas, 3, 1985, São
Leopoldo. Trabalhos apresentados. São Leopoldo: Inmetro, 1985. p.19
9 - ABNT, 2006, on-line.

51
Assim sendo, faz-se necessária a presença
dos organismos responsáveis, tais como: a ISO,
IEC, ABNT, etc., continuamente criando, modi-
ficando e incentivando o uso de normas técnicas
nas mais diversas áreas de atuação, em nível na-
cional, regional e internacional.

1.3.2. Normatização

Tendo em vista o conceito de normatizar,


que é estabelecer normas, ação ou processo, temos
que considerar o conceito do SINAFER (Sindica-
to da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Fer-
ramentas em Geral no Estado de São Paulo), que
dá uma definição interessante sobre o que é
normatização, definindo-a da seguinte forma:

Atividade que estabelece, em relação a


problemas existentes ou potenciais, prescrições
destinadas à utilização comum e repetitiva com
vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em
um dado contexto.10

10 - SINAFER http://www.sinafer.org.br/site/index.php?page=nor
malizacao04deagostode2013 16h22

52
Para normatização, as palavras-chave são:
procedimento, processo, prescrição destinada à
utilização comum.
Para um melhor entendimento desse concei-
to é importante ter em mente que a normatização
nada mais é do que um conjunto de regras próprias a
respeito de um mesmo objeto, na definição, o objeto
para a regra única se daria a partir da identificação
dos problemas existentes e pontuais.
A prescrição, também apontada no con-
ceito, refere-se a uma regra única a fim de que
seja utilizada por todos (por isso comum e repe-
titiva) cuja finalidade seria a ordem para prevenir
os conflitos (por isso obtenção do grau ótimo de
ordem em um dado contexto).
A normatização refere-se às normas técni-
cas que existem para estabelecer requisitos técnicos a
serem atendidos por um produto, processo ou servi-
ço. São estabelecidas por consenso e aprovadas por
um organismo reconhecido que visa à otimização de
benefícios para as empresas e para a comunidade.11
A forma de atuação da normatização se
dá pelo estabelecimento de requisitos de qualidade,
desempenho, segurança.
A normatização, no que se refere à seguran-

11- SEBRAE/SC http://www.sebrae.com.br/customizado/inovacao/


acoes-sebrae/consultoria/normalizacao/137-04-saiba-mais-sobre-
normalizacao/BIA_1370404deagostode2013 16h22

53
ça, visa ao fornecimento; ao serviço ou uso/destina-
ção final do produto.
Também atua a normatização no esta-
belecimento de procedimentos, padronização
de formas, dimensões, tipos, usos; na fixação e
classificação fixar classificações, bem como, nas
terminologias e glossários. E, ainda, para definir
a maneira de medir ou determinar as característi-
cas, como os métodos de ensaio.
As referidas normas técnicas, objeto da nor-
matização, possuem níveis, quais sejam:

→ Internacional (ISO, IEC);


→ Regional (Copant, MERCOSUL, etc.);
→ Nacional (ABNT, IRAN, BSI, AFNOR etc.)
→ Empresarial (de uso pela empresa)

A Normalização tem seus objetivos,


quais sejam:

→ Economia
→ Comunicação
→ Segurança
→ Proteção do Consumidor
→ Eliminação de Barreiras Técnicas e
Comerciais
→ E, incluímos a estes objetivos:

54
Promoção dos Negócios Internacionais
O SEBRAE/SC12 inclui a:

Simplificação
Esses objetivos se justificam, tendo em vista
que apontar como item a Economia significa dizer
que proporcionará a redução da crescente varieda-
de de produtos e procedimentos; a Comunicação,
porque proporciona meios mais eficientes na troca
de informação entre o fabricante e o cliente, melho-
rando a confiabilidade das relações comerciais e de
serviços; a Segurança, porque protege a vida huma-
na e a saúde; a Proteção do Consumidor, porque
promove a sociedade de meios eficazes para aferir
a qualidade dos produtos e serviços; a Eliminação
de Barreiras Técnicas e Comerciais, porque evi-
ta a existência de regulamentos conflitantes sobre
produtos e serviços em diferentes países, facilitando,
assim, o intercâmbio comercial13. Apontamos como
objetivo também a Promoção dos Negócios In-
ternacionais, exatamente porque com a eliminação
de regulamentos conflitantes os negócios internacio-
nais serão cada vez mais viáveis. E, a Simplificação,

12 - SEBRAE/SC http://www.sebrae.com.br/customizado/inovacao/
acoes-sebrae/consultoria/normalizacao/137-04-saiba-mais-sobre-
normalizacao/BIA_1370404deagostode2013 16h22
13 - SINAFER http://www.sinafer.org.br/site/index.php?page=nor
malizacao04deagostode2013 16h22

55
porque reduz a crescente variedade de procedimen-
tos e tipos de produtos.
É importante considerar que, na prática,
a Normalização, conforme citado pelo referido Sin-
dicato, com o qual concordamos, está presente:

→ na fabricação dos produtos;


→ na transferência de tecnologia;
→ na melhoria da qualidade de vida por
meio de normas relativas à saúde; à seguran-
ça e à preservação do meio ambiente.

Neste diapasão, os benefícios apontados são


aqueles em que numa economia competitiva e acir-
rada, cujas exigências são crescentes e as empresas
dependem de sua capacidade de incorporação de
novas tecnologias de produtos, processos e serviços,
haja vista que a competição internacional entre as
empresas eliminou as tradicionais vantagens basea-
das no uso de fatores de abundância e custo baixo.
Assim sendo, a normalização é utilizado
cada vez mais como um meio para se alcançar a re-
dução de custo da produção e do produto final, sem
prejuízo da qualidade.
Os objetivos narrados constituem benefí-
cios e esses benefícios da Normatização, podem ser
escalonados em Qualitativos e Quantitativos.

56
Os Qualitativos14 permitem:

→ A utilização adequada dos recursos, tais


como: equipamentos, materiais e mão de obra;
→ A uniformização da produção;
→ A facilitação do treinamento da mão de
obra, melhorando seu nível técnico;
→ A possibilidade de registro do conheci-
mento tecnológico; e
→ Promover a melhora no processo de con-
tratação e venda de tecnologia.

Os Quantitativos15 permitem:

→ A redução do consumo de materiais e do


desperdício;
→ A padronização de equipamentos e
componentes;
→ A redução da variedade de produtos,
com a sua melhoria;
→ O fornecimento de procedimentos para
cálculos e projetos;
→ O aumento de produtividade;
→ A melhoria da qualidade; e,

14 - SINAFER http://www.sinafer.org.br/site/index.php?page=nor
malizacao04deagostode2013 16h22
15 - SINAFER http://www.sinafer.org.br/site/index.php?page=nor
malizacao04deagostode2013 16h22

57
→ O controle de processos.

O processo de normalização visa, portan-


to, à consecução de normas com claras, objetivos
que assegurem o cumprimento dos requisitos e
padrões estabelecidos.
Esse processo contribui para que a tarefa
de pessoas e máquinas envolvidas na produção seja
simplificada e facilitada, resultando produtos com-
petitivos e de qualidade garantida. Tudo isso com o
propósito de satisfazer as expectativas de demanda
do mercado consumidor e as demandas ambientais
impostas pela sociedade.16

16 - SEBRAE/SC http://www.sebrae.com.br/customizado/inovacao/
acoes-sebrae/consultoria/normalizacao/137-04-saiba-mais-sobre-
normalizacao/BIA_13704 04deagostode2013 16h22

58
Atividades

1 - Das alternativas abaixo aponte a que está correta:

A) Direito tem origem no Latim directus, que sig-


nifica “reto” ou “colocado em linha reta”. No latim
clássico, ius era o termo usado para designar o direi-
to objetivo, o conjunto de normas, o qual passou a
ser designado por “direito”.
B) O termo “ius” (jus), por sua vez, deu origem a
palavras como justo, justiça.
C) O direito pode ser definido como sendo o con-
junto de normas que surgiu pela necessidade de o
homem estabelecer regras em suas relações, como
um mecanismo que tornasse possível o convívio em
sociedade, prevendo, inclusive, sanções para aqueles
que agissem em desacordo com essas regras da so-
ciedade, recebendo a designação de Lei.
D) O fato social é sempre o ponto de partida para a
noção do Direito, pois surge das necessidades fun-
damentais das sociedades, que são reguladas por ele
como condição essencial de sobrevivência.
E) As alternativas anteriores estão corretas, devendo

59
acrescentar que no Direito que encontramos a segu-
rança das condições da vida humana, determinada
pelas normas que formam a ordem jurídica.

2 - O significado de direito pode se referir à ci-


ência do direito ou ao conjunto de normas jurídi-
cas vigentes em um país, chamado de direito ob-
jetivo. Também pode ter o sentido de reto, certo,
de agir de forma correta, com retidão, contudo,
devemos atentar ao conceito de ciência do direi-
to que é um ramo das ciências sociais que estuda
as normas obrigatórias que controlam as rela-
ções dos indivíduos em uma sociedade. Pode-se
dizer que o direito se divide em:

A) Público e Privado
B) Difusos e Coletivos
C) Objetivo e Subjetivo
D) Positivo e Natural
E) Penal e Civil

3 - O conjunto de normas vigentes em um país


também é designado por direito, mais especifica-
mente como Direito Objetivo. Agora, a faculda-
de legal de praticar ou não um determinado ato
é designada por direito subjetivo. Neste caso, o
direito se refere ao poder que pertence a um su-

60
jeito ou grupo. Por exemplo, o direito de receber
aquilo pelo qual se pagou. O direito como con-
junto de normas também se divide em:

A) Público e Privado
B) Difusos e Coletivos
C) Objetivo e Subjetivo
D) Positivo e Natural
E) Penal e Civil

4 - O direito positivo são as normas criadas e postas


em vigor pelo Estado; o direito natural são as normas
derivadas da natureza, ou seja, são as leis naturais que
orientam o comportamento humano, tais como:

A) Os direitos fundamentais, por exemplo, a vida;


B) O direito público, por exemplo, a cidadania;
C) O direito privado, por exemplo, o casamento;
D) Os direitos difusos, por exemplo, o meio ambiente;
E) O direito coletivo, por exemplo, a defesa do
consumidor.

5 - Sobre normatização é correto afirmar:

A) A normatização refere-se às normas técnicas


existem para estabelecer requisitos técnicos a serem
atendidos por um produto, processo ou serviço. São

61
estabelecidas por consenso e aprovadas por um or-
ganismo reconhecido que visa à otimização de bene-
fícios para as empresas e para a comunidade.
B) A forma de atuação da normatização se dá pelo
estabelecimento de requisitos de qualidade, desem-
penho, segurança.
C) A normatização no que se refere a segurança visa
o fornecimento; o uso ou destinação final do produ-
to ou serviço.
D) Também atua a normatização no estabelecimento
de procedimentos, padronização de formas, dimen-
sões, tipos, usos; na fixação e classificação fixar classi-
ficações, bem como, nas terminologias e glossários. E,
ainda, para definir a maneira de medir ou determinar
as características, como os métodos de ensaio.
E) As alternativas anteriores estão corretas acrescen-
tando que às referidas normas técnicas, objeto da
normatização possuem níveis, quais sejam: Interna-
cional (ISO, IEC); Regional (Copant, MERCOSUL,
etc.); Nacional (ABNT, IRAN, BSI, AFNOR, etc.),
Empresarial (de uso pela empresa).

62
1. Introdução

Neste capítulo, ênfase se dada às Normas


Nacionais e Estrangeiras, a Legislação aplicada e
a Consolidação das Leis do Trabalho com vistas
à Segurança do Trabalho para prevenção e con-
trole de risco, cujos temas são: liberdade sindical
e direito à negociação coletiva; liberdade sindical
e direito à negociação coletiva sob o ponto de
vista internacional; liberdade sindical e direito à
negociação coletiva sob o ponto de vista nacio-
nal; erradicação do trabalho infantil; eliminação
do trabalho forçado; e a não discriminação no
emprego ou ocupação.
Destacam-se, também neste capítulo, as
Convenções da OIT Ratificadas no Brasil.
O estudo da hierarquia e as normas aplicadas
à Segurança do Trabalho para prevenção e controle
de risco é tema de estudo, também neste capítulo.

63
2.2. Normas Nacionais e
Estrangeiras

Para podermos falar em Normas Nacionais


e Estrangeiras, devemos chamar a atenção para uma
das funções mais importantes da Organização Inter-
nacional do Trabalho (OIT), o qual estabelece e ado-
ta normas internacionais de trabalho sob a forma de:

→ Convenções
ou
→ Recomendações

Estes instrumentos são adotados pela Con-


ferência Internacional do Trabalho com a participa-
ção de representantes dos trabalhadores, emprega-
dores e dos governos.

As Convenções da OIT são consideradas:

→ Tratados Internacionais

Esses Tratados Internacionais, uma vez rati-


ficados pelos Estados Membros, passam a integrar a
legislação nacional.
A aplicação das normas pelos países é
examinada por uma Comissão de Peritos na Aplicação
de Convenções e Recomendações da OIT, que recebe e

64
avalia queixas, dando-lhes seguimento e produzindo rela-
tórios de memórias para discussão, publicação e difusão.
Em 1998, foi adotada a Declaração da OIT
sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Tra-
balho e seu Seguimento, que é uma reafirmação uni-
versal do compromisso dos Estados Membros e da
comunidade internacional em geral de respeitar, pro-
mover e aplicar um patamar mínimo de princípios e
direitos no trabalho, que são reconhecidamente fun-
damentais para os trabalhadores.
Esses princípios e direitos fundamentais
estão recolhidos em oito Convenções que cobrem
quatro áreas básicas:

→ Liberdade sindical e direito à negociação


coletiva
→ Erradicação do trabalho infantil,
→ Eliminação do trabalho forçado e
→ A não discriminação no emprego ou
ocupação.

65
2.2.1. Liberdade Sindical e Direito à
Negociação Coletiva

2.2.1.1. A Liberdade Sindical e Direito à


Negociação Coletiva Sob o Ponto de
Vista Internacional

A Organização Internacional do Traba-


lho (OIT) defende com unhas e dentes a liberda-
de sindical e negociação coletiva como direitos
humanos, conforme a fonte DIAP, publicado em
26/06/2008.17
Em 26 de junho de 2008, a Organização Inter-
nacional do Trabalho (OIT) divulgou o Relatório Global:

“A liberdade de associação e a liberdade sin-


dical na prática: lições aprendidas”.

Esse documento, no entendimento da pró-


pria OIT, proporciona uma visão panorâmica da
aplicação e do cumprimento efetivo dos princípios
e direitos universais relativos:

→ à liberdade de associação,
→ à liberdade sindical e
→ à negociação coletiva.

17 - http://www.oitbrasil.org.br/convention

66
A ratificação das convenções internacionais do
trabalho de número 87 e 98, relativas à liberdade sindi-
cal e à negociação coletiva, expressa o compromisso de
implementar os princípios e direitos nelas plasmados.
O Relatório Global registra avanços na
ampliação da ratificação dessas convenções pelos
Estados-Membros da OIT, e indicam também que
ainda é necessário um maior esforço para atingir a
ratificação universal de ambas as convenções, com-
promisso assumido pelos constituintes tripartites da
OIT há dez anos, ao aprovar a Declaração sobre os
Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho.
Importante considerar que até 2007, de um
total de 182 Estados-Membros, 148 haviam ratifica-
do a Convenção n.º 87 e 158 ratificado a Convenção
n.º 98. O Relatório aponta que é preocupante o
fato de a Convenção n.º 87 ter se tornado a menos
ratificada das oito Convenções fundamentais.

2.2.1.2. A Liberdade Sindical e Direito à


Negociação Coletiva Sob o Ponto de
Vista Nacional.

O Brasil ratificou a Convenção n.º 98 em


novembro de 1952. Porém, o mesmo não aconteceu
até hoje com a Convenção n.º 87, sobre liberdade
sindical e direito de sindicalização, considerada um
dos mais importantes tratados multilaterais da OIT.

67
Todos os trabalhadores e empregadores têm
o direito de constituir as organizações que julgarem
convenientes e de afiliarem-se a elas, com o objetivo
de promover e defender seus respectivos interesses e
de celebrar negociações coletivas com a outra parte,
livremente e sem ingerência de umas sobre as outras,
nem intromissão do Estado.
Os direitos de sindicalização e de negocia-
ção coletiva permitem promover a democracia, uma
boa governança do mercado de trabalho e condições
de trabalho decentes.
O presente Relatório parte, como os outros
dois Relatórios Globais que foram publicados sobre
este tema em 2000 e 2004, respectivamente, da pre-
missa que para se conseguir o objetivo da OIT, um
trabalho decente para todas as mulheres e homens
deve abranger:

→ liberdade,
→ igualdade,
→ segurança
→ dignidade humana

E, que tenham a oportunidade de expressar-


-se sobre o que estes conceitos significam.
A liberdade sindical e de associação, o di-
reito de sindicalização e de negociação coletiva são
direitos humanos fundamentais, cujo exercício tem

68
grande transcendência nas condições de trabalho e
de vida, assim como o desenvolvimento e o progres-
so dos sistemas econômicos e sociais.

2.2.2. Erradicação do Trabalho Infantil

2.2.2.1. A Erradicação do Trabalho Infantil


Sob o Ponto de Vista Internacional

A Conferência Geral da Organização Inter-


nacional do Trabalho (OIT), convocada em Genebra
pelo Conselho de Administração da Secretaria Inter-
nacional do Trabalho e reunida em 1ª de junho de
1999, em sua 87ª Reunião, trata da Convenção sobre
proibição das piores formas de trabalho infantil e ação
imediata para eliminação, aprovada em 17/06/1999,
em versões inglês e francês, igualmente oficiais, foi
publicado em 19 de novembro a Convenção n.º 182
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no
Brasil pelo Decreto 3597 de 12/09/2000.

As motivações se verificam nas suas consi-


derações preliminares que justificam a necessidade
precípua de efetividade para a proibição das piores
formas de trabalho infantil, senão vejamos:

Tendo em vista a necessidade de adotar no-


vos instrumentos para proibição e eliminação das

69
piores formas de trabalho infantil, como a prin-
cipal prioridade de ação nacional e internacional,
que inclui cooperação e assistência internacionais,
para complementar a Convenção e a Recomen-
dação sobre Idade Mínima para Admissão a Em-
prego, 1973, que continuam sendo instrumentos
fundamentais sobre trabalho infantil.
Considerando que a efetiva eliminação das
piores formas de trabalho infantil requer ação ime-
diata e global, que leve em conta a importância da
educação fundamental e gratuita e a necessidade de
retirar a criança de todos esses trabalhos, promo-
ver sua reabilitação e integração social e, ao mesmo
tempo, atender as necessidades de suas famílias;
Tendo em vista a resolução sobre a eli-
minação do trabalho infantil adotada pela Con-
ferência Internacional do Trabalho, em sua 83a
Reunião, em 1996.
Reconhecendo que o trabalho infantil é de-
vido, em grande parte, à pobreza e que a solução
a longo prazo reside no crescimento econômico
sustentado, que conduz ao progresso social, sobre-
tudo ao alívio da pobreza e à educação universal;
Tendo em vista a Convenção sobre os Di-
reitos da Criança, adotada pela Assembléia das
Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989.
Tendo em vista a Declaração da OIT sobre
Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho e

70
seu Seguimento, adotada pela Conferência Interna-
cional do Trabalho em sua 86 a Reunião, em 1998;
Tendo em vista que algumas das piores for-
mas de trabalho infantil são objeto de outros instru-
mentos internacionais, particularmente a Conven-
ção sobre Trabalho Forçado, 1930, e a Convenção
Suplementar das Nações Unidas sobre Abolição da
Escravidão, do Tráfico de Escravos e de Instituições
e Práticas Similares à Escravidão, 1956;
Tendo-se decidido pela adoção de diver-
sas proposições relativas a trabalho infantil, ma-
téria que constitui a quarta questão da ordem do
dia da Reunião, e após determinar que essas pro-
posições se revestissem da forma de convenção
internacional, adota, neste décimo sétimo dia
de junho do ano de mil novecentos e noventa e
nove, a seguinte Convenção que poderá ser cita-
da como Convenção sobre as Piores Formas de
Trabalho Infantil, 1999.

Dos artigos da Convenção, destaque deve


ser dado ao seguinte:

Artigo 3º:
Para os fins desta Convenção, as piores for-
mas de trabalho infantil compreendem:
(a) todas as formas de escravidão ou práticas

71
análogas à escravidão, como venda e tráfico de crian-
ças, sujeição por dívida, servidão, trabalho forçado
ou compulsório, inclusive recrutamento forçado ou
compulsório de crianças para serem utilizadas em
conflitos armados;
(b) utilização, demanda e oferta de criança
para fins de prostituição, produção de material por-
nográfico ou espetáculos pornográficos;
(c) utilização, demanda e oferta de criança
para atividades ilícitas, particularmente para a produ-
ção e tráfico de drogas conforme definidos nos trata-
dos internacionais pertinentes;
(d) trabalhos que, por sua natureza ou pelas cir-
cunstâncias em que são executados, são susceptíveis de
prejudicar a saúde, a segurança e a moral da criança.18

2.2.2.2. A Erradicação do Trabalho Infantil


Sob o Ponto de Vista Nacional

É importante ressaltar que diversos fatores


contribuíram para que o Brasil experimentasse a
violação da criança e do adolescente, explorando o
trabalho infantil. Dentre eles, temos os fatores his-
tóricos, políticos e sociais, independentemente de

18 - http://canalconselhotutelar.wordpress.com/category/artigos-e-ponto-
de-vista/trabalho-infantil-artigos-e-ponto-de-vista/07/082013às00h13

72
recursos naturais escassos, permitindo que alguns
segmentos aceitassem com naturalidade. A elite po-
lítica e econômica, composta de empresários sem
compromisso social e políticos ultraconservadores,
acabaram fomentando as injustiças sociais na maio-
ria do povo brasileiro, inclusive no tocante à criança
e ao adolescente.
Contudo, o Brasil tem sido apontado como
um dos países que mais avançou no combate ao
trabalho infantil, pelo seu conjunto que vem desde
1891, com a criação do Decreto 1.313, que definia
a jornada de trabalho mínima para os menores do
sexo masculino e feminino, passando pela Conso-
lidação das Leis Trabalhistas (CLT) respaldado pela
atual Constituição Federal e finalmente disciplinado
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
Lei 8.069/90, que traz inovações fundamentais.
Entre as mais diversas ações criadas pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está a
criação dos Conselhos Municipais, Estaduais e Fede-
rais, que fazem a defesa dos direitos da Criança e do
Adolescente, determinando que:

ECA-Art. 86: a política de atendimento dos


direitos da criança e do adolescente far-se-á através
de um conjunto articulado de ações governamen-
tais e não-governamentais da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios.

73
O embasamento para a promoção e a prote-
ção dos direitos da criança e do adolescente, em al-
guns documentos internacionais apoiados pelas Or-
ganizações das Nações Unidas (ONU), é inspirado
no ECA, numa demonstração da importância deste
documento para o combate ao trabalho infantil.
Na sua demonstração de erradicar o traba-
lho infantil, as autoridades brasileiras têm participa-
do de forma exemplar, em eventos internacionais
sobre assunto.
O trabalho infantil ainda é um dado nacional
negativo para o Brasil. Contudo, o nosso país, nos en-
contros internacionais, tem sido referenciado pelos seus
projetos e ações na erradicação deste tipo de trabalho.
Importante ressaltar que programas sociais,
como o programa “Bolsa família”, o Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) dentre ou-
tros, constituem-se de meios utilizados pelo Estado
para o combate e erradicação do trabalho infantil.
O Estado tem se assistido das Organizações
Internacionais e Organizações não governamentais
em defesa do Direito da Criança e do Adolescente.

74
2.2.3. Eliminação do Trabalho Forçado

2.2.3.1. A Eliminação do Trabalho Forçado


sob o ponto de vista internacional

No que se refere ao conceito de trabalho


escravo, é importante distinguir o conceito atual do
conceito do período colonial brasileiro, o qual tinha
a escravidão como ideia de propriedade, ideia de do-
mínio, no qual um homem dominava o outro.
Assim sendo, verifica-se nos instrumentos
internacionais a não utilização do termo “trabalho
escravo”, mas sim “trabalho forçado, formas con-
temporâneas ou análogas à escravidão.”19
Para ser escravo não era necessário ser de
outra raça: “a condição de escravo derivava do fato
de nascer de mãe escrava, de ser prisioneiro de guer-
ra, de condenação penal, de descumprimento de
obrigações tributárias, de deserção do exército, entre
outras razões.”20
O trabalho escravo contemporâneo pode
ser conceituado como:

19 - CASTILHO, Ela Wiecko V. de. Em busca de uma definição jurídico-


penal de trabalho escravo. In: Comissão Pastoral da Terra. Trabalho escravo
no Brasil contemporâneo. São Paulo: Loyola, 1999. Pag. 83
20 - BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho, 2. ed. São
Paulo: LTr, 2006.pag. 50

75
O estado ou a condição de um indivíduo que
é constrangido à prestação de trabalho, em condições
destinadas à frustração de direito assegurado pela
legislação do trabalho, permanecendo vinculado, de
forma compulsória, ao contrato de trabalho mediante
fraude, violência ou grave ameaça, inclusive mediante
a retenção de documentos pessoais ou contratuais ou
em virtude de dívida contraída junto ao empregador
ou pessoa com ele relacionada. 21

A Organização do Trabalho (OIT) condena o


cerceamento da liberdade do trabalhador, notadamente:
com a apreensão de documentos pessoais; com a presença
de guardas fortemente armados; com dívidas ilegalmente
impostas e em decorrência das condições geográficas do
local de trabalho, que inviabilizam a fuga; tudo isso atrela-
do a péssimas condições de higiene e saúde, nos termos
da Professora Sônia Mascaro do Nascimento.

2.2.3.2. A Eliminação do Trabalho


Forçado Sob o Ponto de Vista Nacional

No ordenamento jurídico pátrio, o crime de


redução à condição análoga à de escravo, tipificado

21 - SCHWARZ, Rodrigo Garcia. Trabalho escravo: a abolição necessária:


uma análise da efetividade e da eficácia das políticas de combate à
escravidão contemporânea no Brasil. São Paulo:LTr, 2008.pag. 117-118

76
no artigo 149 do Código Penal, foi alterado substan-
cialmente com o advento da Lei n.º 10.803, de 11 de
dezembro de 2003, ampliando as formas e os meios
pelos quais o crime pode ser executado, trazendo
uma ideia do que se deve entender por condição
análoga à de escravo.
A citada Lei vem a reforçar a proteção pe-
nal ao prever que “quando a vítima for submetida
a ‘trabalhos forçados’ ou à ‘jornada exaustiva’, quer
sujeitando-o a condições degradantes de trabalho,
quer restringindo, por qualquer meio, sua locomo-
ção em razão de dívida contraída com o empregador
ou preposto” 22
O trabalho escravo contemporâneo é
uma realidade cruel que ainda assola o país, mos-
trando pessoas privadas de sua liberdade de di-
versos modos.
Aquele que escraviza não priva o trabalha-
dor apenas da liberdade, mas também não respeita
direitos mínimos que garantam a dignidade humana.
As condições, na maioria das vezes, são
piores do que as narradas nos livros que retratam a
era colonial no Brasil.

22 - BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte


especial, v. 2 – 7. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007.pag 389

77
2.2.4. A Não Discriminação no
Emprego ou Ocupação

A aprovação na 42ª reunião da Conferência


Internacional do Trabalho, ocorrida em Genebra,
em 1958, deu ensejo a entrar em vigor no plano in-
ternacional em 15 de junho de 1960 a Convenção
111, que trata Discriminação em Matéria de Empre-
go e Ocupação.
E neste sentido, destaca-se o que diz Arnal-
do Süssekind:

A Conferência Geral da Organização In-


ternacional do Trabalho,
Convocada em Genebra pelo Conselho
de Administração da Repartição Internacional
do Trabalho e reunida a 4 de junho de 1958, em
sua quadragésima segunda sessão;
Após ter decidido adotar diversas disposi-
ções relativas à discriminação em matéria de em-
prego e profissão, assunto que constitui o quarto
ponto da ordem do dia da sessão;
Após ter decidido que essas disposições to-
mariam a forma de uma convenção internacional;
Considerando que a Declaração de Fila-
délfia afirma que todos os seres humanos, seja
qual for a raça, credo ou sexo, têm direito ao
progresso material e desenvolvimento espiritual

78
em liberdade e dignidade, em segurança econô-
mica e com oportunidades iguais;
Considerando, por outro lado, que a
discriminação constitui uma violação dos
direitos enunciados na Declaração Univer-
sal dos Direitos do Homem, adota neste vi-
gésimo quinto dia de junho de mil novecen-
tos e cinquenta e oito a convenção abaixo
transcrita que será denominada ‘Convenção
sobre a Discriminação (Emprego e Profis-
são), 1958’;
Art. 1 — 1. Para os fins da presente con-
venção o termo “discriminação” compreende:
a) toda distinção, exclusão ou preferência
fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião polí-
tica, ascendência nacional ou origem social, que
tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade
de oportunidade ou de tratamento em matéria
de emprego ou profissão;
b) qualquer outra distinção, exclusão
ou preferência que tenha por efeito destruir
ou alterar a igualdade de oportunidades ou
tratamento em matéria de emprego ou pro-
fissão que poderá ser especificada pelo Mem-
bro interessado depois de consultadas as or-
ganizações representativas de empregadores
e trabalhadores, quando estas existam, e ou-
tros organismos adequados.

79
2. As distinções, exclusões ou prefe-
rências fundadas em qualificações exigidas
para um determinado emprego não são con-
sideradas como discriminação.
3. Para os fins da presente convenção
as palavras ‘emprego’ e ‘profissão’ incluem o
acesso à formação profissional, ao emprego e
às diferentes profissões, bem como às condi-
ções de emprego.
Art. 2 — Qualquer Membro para o
qual a presente convenção se encontre em
vigor compromete-se a formular e aplicar
uma política nacional que tenha por fim pro-
mover, por métodos adequados às circuns-
tâncias e aos usos nacionais, a igualdade de
oportunidades e de tratamento em matéria de
emprego e profissão, com o objetivo de eli-
minar toda discriminação nessa matéria.
Art. 3 — Qualquer Membro para o
qual a presente convenção se encontre em vi-
gor deve por métodos adequados às circuns-
tâncias e aos usos nacionais:
a) esforçar-se por obter a colaboração das
organizações de empregadores e trabalhadores e
de outros organismos apropriados, com o fim de
favorecer a aceitação e aplicação desta política;
b) promulgar leis e encorajar os progra-
mas de educação próprios a assegurar esta acei-

80
tação e esta aplicação;
c) revogar todas as disposições legislati-
vas e modificar todas as disposições ou práticas
administrativas que sejam incompatíveis com a
referida política;
d) seguir a referida política no que diz res-
peito a empregos dependentes do controle dire-
to de uma autoridade nacional;
e) assegurar a aplicação da referida
política nas atividades dos serviços de orien-
tação profissional, formação profissional e
colocação dependentes do controle de uma
autoridade nacional;
f) indicar, nos seus relatórios anuais
sobre a aplicação da convenção, as medidas
tomadas em conformidade com esta política
e os resultados obtidos.
Art. 4 — Não são consideradas como
discriminação quaisquer medidas tomadas
em relação a uma pessoa que, individualmen-
te, seja objeto de uma suspeita legítima de se
entregar a uma atividade prejudicial à segu-
rança do Estado ou cuja atividade se encon-
tre realmente comprovada, desde que a refe-
rida pessoa tenha o direito de recorrer a uma
instância competente, estabelecida de acordo
com a prática nacional.
Art. 5 — 1. As medidas especiais de

81
proteção ou de assistência previstas em outras
convenções ou recomendações adotadas pela
Conferência Internacional do Trabalho não são
consideradas como discriminação.
2. Qualquer Membro pode, depois de
consultadas as organizações representativas
de empregadores e trabalhadores, quando
estas existam, definir como não discrimina-
tórias quaisquer outras medidas especiais que
tenham por fim salvaguardar as necessidades
particulares de pessoas em relação às quais
a atribuição de uma proteção ou assistência
especial seja, de uma maneira geral, reconhe-
cida como necessária, por motivos tais como
o sexo, a invalidez, os encargos de família ou
o nível social ou cultural.
Art. 6 — Qualquer membro que ratificar
a presente convenção compromete-se a aplicá-
-la aos territórios não metropolitanos, de acordo
com as disposições da Constituição da Organi-
zação Internacional do Trabalho.
Art. 7 — As ratificações formais da pre-
sente convenção serão comunicadas ao Diretor-
-Geral da Repartição Internacional do Trabalho
e por ele registradas.
Art. 8 — 1. A presente convenção não
obrigará senão aos Membros da Organização
Internacional do Trabalho cuja ratificação tenha

82
sido registrada pelo Diretor-Geral.
2. Ele entrará em vigor doze meses de-
pois que as ratificações de dois Membros tive-
rem sido registradas pelo Diretor-Geral.
3. Em seguida, esta convenção entra-
rá em vigor para cada Membro doze meses
depois da data em que sua ratificação tiver
sido registrada.
Art. 9 — 1. Todo Membro que tiver rati-
ficado a presente convenção poderá denunciá-la
no fim de um período de dez anos depois da
data da entrada em vigor inicial da convenção,
por ato comunicado ao Diretor-Geral da Repar-
tição Internacional do Trabalho e por ele regis-
trado. A denúncia não terá efeito senão um ano
depois de ter sido registrada.
2. Todo Membro que, tendo ratificado
a presente convenção, dentro do prazo de um
ano depois da expiração do período de dez
anos mencionado no parágrafo precedente,
não fizer uso da faculdade de denúncia pre-
vista no presente artigo, será obrigado por
novo período de dez anos e, depois disso, po-
derá denunciar a presente convenção no fim
de cada período de dez anos, nas condições
previstas no presente artigo.
Art. 10 — 1. O Diretor-Geral da Re-
partição Internacional do Trabalho notificará

83
a todos os Membros da Organização Inter-
nacional do Trabalho o registro de todas as
ratificações que lhe forem comunicadas pelos
Membros da Organização.
2. Notificando aos Membros da Orga-
nização o registro da segunda ratificação que
lhe for comunicada, o Diretor-Geral chamará
a atenção dos Membros da Organização para
a data em que a presente Convenção entrar
em vigor.
Art. 11 — O Diretor-Geral da Reparti-
ção Internacional do Trabalho enviará ao Se-
cretário-Geral das Nações Unidas, para fim de
registro, conforme o art. 102 da Carta das Na-
ções Unidas, informações completas a respeito
de todas as ratificações, declarações e atos de
denúncia que houver registrado conforme os
artigos precedentes.
Art. 12 — Cada vez que julgar necessário, o
Conselho de Administração da Repartição Inter-
nacional do Trabalho apresentará à Conferência
Geral um relatório sobre a aplicação da presente
Convenção e examinará se é necessário inscrever
na ordem do dia da Conferência a questão de sua
revisão total ou parcial.
Art. 13 — 1. No caso de a Conferência adotar
nova convenção de revisão total ou parcial da pre-
sente convenção, e a menos que a nova convenção

84
disponha diferentemente:
a) a ratificação, por um Membro, da nova
convenção de revisão acarretará, de pleno direito,
não obstante o art. 17 acima, denúncia imediata da
presente convenção quando a nova convenção de re-
visão tiver entrado em vigor;
b) a partir da data da entrada em vigor da nova
convenção de revisão, a presente convenção cessará
de estar aberta à ratificação dos Membros.
2. A presente convenção ficará, em qualquer
caso, em vigor, na forma e no conteúdo, para os
Membros que a tiverem ratificado e que não tiverem
ratificado a convenção de revisão.
Art. 14 — As versões em francês e em inglês
do texto da presente convenção fazem igualmente fé. 23

2.2.5. Convenções da OIT Ratificadas


no Brasil

A Organização Internacional do Trabalho


(OIT) apresenta as Convenções ratificadas pelo Bra-
sil, conforme se verifica a seguir:

23 - Convenções da OIT, 2ª edição, 1998. Pag.338

85
86
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Convenção relativa ao Em-
Denunciada, como resultado
prego das Mulheres antes e
3 1919 26/04/1934 da ratificação da Convenção
depois do parto (Proteção à
n.º 103 em 26.07.1961.
Maternidade)
Convenção relativa ao Traba-
4 1919 26/04/1934 Denunciada em 12.05.1937
lho Noturno das Mulheres
Denunciada, como resultado
Idade Mínima de Admissão
5 1919 26/04/1934 da ratificação da Convenção
nos Trabalhos Industriais
n.º 138 em 28.06.2001.
Trabalho Noturno dos Meno-
6 1919 26/04/1934
res na Indústria
Convenção sobre a Idade Mí-
Denunciada, como resultado
nima para Admissão de Me-
7 1920 08/06/1936 da ratificação da Convenção
nores no Trabalho Marítimo
n.º 58 em 09.01.1974
(Revista em 1936)
Direito de Sindicalização na
11 1921 25/04/1957
Agricultura
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Indenização por Acidente do
12 1921 25/04/1957
Trabalho na Agricultura
14 Repouso Semanal na Indústria 1921 25/04/1957
Exame Médico de Menores no
16 1921 08/06/1936
Trabalho Marítimo
Igualdade de Tratamento (In-
19 denização por Acidente de 1925 25/04/1957
Trabalho)
Inspeção dos Emigrantes a
21 1926 18/06/1965
Bordo dos Navios
Contrato de Engajamento de
22 1926 18/06/1965
Marinheiros
Métodos de Fixação de Salá-
26 1928 25/04/1957
rios Mínimos
Trabalho Forçado ou Obriga-
29 1930 25/04/1957
tório

87
88
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Convenção Relativa ao Traba- Denunciada, como resultado
41 lho Nocturno das Mulheres 1934 08/06/1936 da ratificação da Convenção
(Revista, 1934) n.º 89 em 24.04.1957.
Indenização por Enfermidade
42 1934 08/06/1936
Profissional (revista)
Emprego de Mulheres nos
45 Trabalhos Subterrâneos das 1935 22/09/1938
Minas
Denunciada, como resultado
52 Férias Remuneradas 1936 22/09/1938 da ratificação da Convenção
n.º 132 em 23.09.1998.
Certificados de Capacidade
53 dos Oficiais da Marinha Mer- 1936 12/10/1938
cante
Denunciada, como resultado
Idade Mínima no Trabalho
58 1936 12/10/1938 da ratificação da Convenção
Marítimo (Revista)
n.º 138 em 26.06.2001.
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
80 Revisão dos Artigos Finais 1946 13/04/1948
Inspeção do Trabalho na In-
81 1947 11/10/1989
dústria e no Comércio
Organização do Serviço de
88 1948 25/04/1957
Emprego
Trabalho Noturno das Mulhe-
89 1948 25/04/1957
res na Indústria (Revista)
Denunciada, como resultado
Férias Remuneradas dos Marí-
91 1949 18/06/1965 da ratificação da Convenção
timos (Revista)
n.º 146 em 24.09.1998.
Alojamento de Tripulação a
92 1949 08/06/1954
Bordo (Revista)
Convenção sobre Salários, Du-
A Convenção não entrou em
93 ração de Trabalho a Bordo e 1949 18/06/1965
vigor.
Tripulação (Revista em 1949)

89
90
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Cláusulas de Trabalho em Con-
94 1949 18/06/1965
tratos com Órgãos Públicos
95 Proteção do Salário 1949 25/04/1957
Concernente aos escritórios
96 1949 21/06/1957
remunerados de empregos
Trabalhadores Migrantes (Re-
97 1949 18/06/1965
vista)
Direito de Sindicalização e de
98 1949 18/11/1952
Negociação Coletiva
Métodos de Fixação de Salário
99 1951 25/04/1957
Mínimo na Agricultura
Igualdade de Remuneração de
Homens e Mulheres Trabalha-
100 1951 25/04/1957
dores por Trabalho de Igual
Valor
Denunciada, como resultado
Férias Remuneradas na Agri-
101 1952 25/04/1957 da ratificação da Convenção
cultura
n.º 132 em 23.09.1998.
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Normas Mínimas da Segurida-
102 1952 15/06/2009
de Social
Amparo à Maternidade (Revis-
103 1952 18/06/1965
ta)
Abolição das Sanções Penais
104 1955 18/06/1965
no Trabalho Indígena
105 Abolição do Trabalho Forçado 1957 18/06/1965
Repouso Semanal no Comér-
106 1957 18/06/1965
cio e nos Escritórios
Denunciada, como resultado
107 Populações Indígenas e Tribais 1957 18/06/1965 da ratificação da Convenção
n.º 169 em 25-07-2002.
Denunciada, como resultado
Documentos de Identidade
108 1958 05/11/1963 da ratificação da Convenção
dos Marítimos
n.º 185, em 21.01.2010

91
92
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Convenção sobre os Salários,
a Duração do Trabalho a Bor- A Convenção não entrou em
109 1958 30/11/1966
do e as Lotações (revista em vigor.
1958)
Convenção sobre as Condi-
110 ções de Emprego dos Traba- 1958 01/03/1965 Denunciada em 28.08.1970
lhadores em Fazendas
Discriminação em Matéria de
111 1958 26/11/1965
Emprego e Ocupação
Exame Médico dos Pescado-
113 1959 01/03/1965
res
115 Proteção Contra as Radiações 1960 05/09/1966
116 Revisão dos Artigos Finais 1961 05/09/1966
Objetivos e Normas Básicas da
117 1962 24/03/1969
Política Social
Igualdade de Tratamento en-
118 tre Nacionais e Estrangeiros 1962 24/03/1969
em Previdência Social
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
119 Proteção das Máquinas 1963 16/04/1992
Higiene no Comércio e nos Es-
120 1964 24/03/1969
critórios
122 Política de Emprego 1964 24/03/1969
Exame Médico dos Adolescen-
tes para o Trabalho Subterrâ- 1965 21/08/1970
124
neo nas Minas
Certificados de Capacidade
125 1966 21/08/1970
dos Pescadores
Alojamento a Bordo dos Na-
126 1966 12/04/1994
vios de Pesca
127 Peso Máximo das Cargas 1967 21/08/1970
Fixação de Salários Mínimos,
131 Especialmente nos Países em 1970 04/05/1983
Desenvolvimento
132 Férias Remuneradas (Revista) 1970 23/09/1998

93
94
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Alojamento a Bordo de Navios
133 (Disposições Complementa- 1970 16/04/1992
res)
Prevenção de Acidentes do
134 1970 25/07/1996
Trabalho dos Marítimos
Proteção de Representantes
135 1971 18/05/1990
de Trabalhadores
Proteção Contra os Riscos da
136 1971 24/03/1993
Intoxicação pelo Benzeno
137 Trabalho Portuário 1973 12/08/1994
138 Idade Mínima para Admissão 1973 28/06/2001
Prevenção e Controle de Ris-
cos Profissionais Causados por
139 1974 27/06/1990
Substâncias ou Agentes Can-
cerígenos
Licença Remunerada para Es-
140 1974 16/04/1992
tudos
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Organizações de Trabalhado-
141 1975 27/09/1994
res Rurais
Desenvolvimento de Recursos
142 1975 24/11/1981
Humanos
Consultas Tripartites sobre
144 Normas Internacionais do Tra- 1976 27/09/1994
balho
Continuidade no Emprego do
145 1976 18/05/1990
Marítimo
Convenção Relativa às Férias
146 1976 24/09/1998
Anuais Pagas dos Marítimos
Normas Mínimas da Marinha
147 1976 17/01/1991
Mercante
Contaminação do Ar, Ruído e
148 1977 14/01/1982
Vibrações
Direito de Sindicalização e Re-
151 lações de Trabalho na Admi- 1978 15/06/2010
nistração Pública

95
96
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Segurança e Higiene dos Tra-
152 1979 18/05/1990
balhos Portuários
Fomento à Negociação Cole-
154 1981 10/07/1992
tiva
Segurança e Saúde dos Traba-
155 1981 18/05/1992
lhadores
Término da Relação de Traba-
158 lho por Iniciativa do Emprega- 1982 05/01/1995 Denunciada em 20.11.1996
dor
Reabilitação Profissional e Em-
159 1983 18/05/1990
prego de Pessoas Deficientes
Estatísticas do Trabalho (Revis-
160 1985 02/07/1990
ta)
161 Serviços de Saúde do Trabalho 1985 18/05/1990
Utilização do Amianto com Se-
162 1986 18/05/1990
gurança
Bem-Estar dos Trabalhadores
163 1987 04/03/1997
Marítimos no Mar e no Porto
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Proteção à Saúde e Assistên-
164 cia Médica aos Trabalhadores 1987 04/03/1997
Marítimos
Repatriação de Trabalhadores
166 1987 04/03/1997
Marítimos
Convenção sobre a Segurança
167 1988 19/05/2006
e Saúde na Construção
Promoção do Emprego e Pro-
168 1988 24/03/1993
teção Contra o Desemprego
sobre Povos Indígenas e Tri-
169 1989 25/07/2002
bais
Segurança no Trabalho com
170 1990 23/12/1996
Produtos Químicos
171 Trabalho Noturno 1990 18/12/2002
Convenção sobre a Prevenção
174 de Acidentes Industriais Maio- 1993 02/08/2001
res

97
98
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Convenção sobre segurança e
176 1995 18/05/2006
saúde nas minas
Convenção Relativa à Inspe-
ção das Condições de Vida e
178 1996 21/12/2007
de Trabalho dos Trabalhado-
res Marítimos
Convenção sobre Proibição
das Piores Formas de Trabalho
182 1999 02/02/2000
Infantil e Ação Imediata para
sua Eliminação
Convenção sobre os Docu-
185 mentos de Identidade da gen- 2003 21/01/2010
te do mar (Revista)
Fonte: http://www.oitbrasil.org.br06agosto2013às23h34
2.3. Hierarquia e a Legislação
Aplicada

2.3.1. Conceito e Hierarquia na


Normatização

A Constituição Federal brasileira dispõe:

Art. 165 - A constituição assegura aos tra-


balhadores os seguintes direitos, além de outros
que, nos termos da lei, visem à melhoria de sua
condição social:

...

XVI - previdência social nos casos de


doença, velhice, invalidez e morte, seguro-
-desemprego, seguro contra acidentes do
trabalho e proteção da maternidade, me-
diante contribuição da União, do emprega-
dor e do empregado.

É claro que, ao destacar no texto constitu-


cional o seguro contra acidentes do trabalho, a ques-
tão é de suma importância para o Estado Brasileiro.
Neste sentido, cumpre destacar que a Cons-
tituição é:

99
a lei fundamental da organização política
duma nação soberana, que determina a sua forma
de governo, institui os poderes públicos, regula as
suas funções e estabelece os direitos e deveres es-
senciais do cidadão em relação ao Estado.

Assim sendo, sob ponto de vista da hierar-


quia das normas, não se pode ignorar que a Consti-
tuição Federal está acima de qualquer Lei neste País.
Portanto, todas as Leis (chamadas de Leis
Infraconstitucionais), colocam-se abaixo da Consti-
tuição Federal e devem, para terem validade e serem
eficazes, estar em harmonia com a Constituição, as-
sim como, com os princípios que regem o País.
Como sabemos, há leis, decretos e portarias
federais, estaduais e municipais que se ocupam, di-
reta ou indiretamente, de higiene, segurança e medi-
cina do trabalho. Para o bom entendimento dessas
disposições legais e administrativas, é indispensável
certa familiaridade com os preceitos correlatos da
Constituição (também chamada de Carta Magna, Lei
Fundamental), assim vejamos:
Primeiramente, é importante considerar que
o Brasil constituiu-se com República Federativa, em
que a União, os Estados e os Municípios têm seus
campos de ação delimitados.
O artigo 8º da Constituição Federal reúne

100
tudo o que compete à União, inclusive o seu poder
de legislar sobre direito do trabalho, de seguro e pre-
vidência social e de defesa e proteção da saúde.
Razão pela qual as normas legais, relativas às
determinações aos empresários no sentido de preve-
nir acidentes do trabalho, estão colocadas na Consoli-
dação das Leis do Trabalho, cuja elaboração compete
à União, haja vista a determinação constitucional em
razão da matéria, ou seja, pelo fato de ser relacionada
ao Trabalhador, portanto, ao Direito do Trabalho.
O seguro de acidentes do trabalho, por força
do disposto na Lei n.º 5.316, de 14 de setembro de
1967, passou a integrar o sistema geral da Previdência
Social. Legislar sobre essa matéria também é de
competência da União.
Para o presente, faz-se necessário destacar o
parágrafo único do artigo 8º da Constituição, que
diz: «a competência da União exclui a dos Estados
para legislar supletivamente»
Assim sendo, a Constituição exclui o Estado
de legislar supletivamente sobre direito do trabalho,
bem como, sobre higiene e segurança do trabalho.
Contudo, muitas normas de proteção da saúde
pública são da lavra dos Estados, e muitas normas mu-
nicipais que disciplinam as obras urbanas apresentam
pontos de contato com certos aspectos da segurança,
higiene e medicina do trabalho, prevalecendo, em caso
de normas contraditórias, a proveniente da União.

101
2.3.2. Normas Aplicadas à
Segurança do Trabalho para Prevenção
e Controle de Risco

A história nos dá a noção exata da importân-


cia das normas aplicadas à Segurança do Trabalho
para prevenção e controle de riscos, e isso remonta
ao início com a Revolução Industrial, a qual permi-
tiu a organização das primeiras fábricas modernas, a
extinção das fábricas artesanais e o fim da escravatu-
ra, significando uma revolução econômica, social e
moral. Contudo, foi com o surgimento das primeiras
indústrias que os acidentes de trabalho e as doenças
profissionais se alastraram.
Assim, os acidentes de trabalho e as doenças
eram, em grande parte, provocados por substâncias
e ambientes inadequados com condições subumanas.
Também naquela oportunidade era grande o
número de doentes e também de mutilados.
Com o surgimento de trabalhadores espe-
cializados e melhor treinados para manusear equi-
pamentos complexos, que necessitavam de cuidados
especiais para garantir maior proteção e melhor qua-
lidade, verificou-se alguma melhora.
Até a Primeira Guerra Mundial, apenas ten-
tativas isoladas para controlar os acidentes e doenças
ocupacionais haviam sido feitas. Dando oportunidade
para, após a sua constatação, as primeiras tentativas

102
científicas de proteção ao trabalhador, com esforços
voltados ao estudo das doenças, das condições am-
bientais, do layout de máquinas, equipamentos e ins-
talações, bem como das proteções necessárias para
evitar a ocorrência de acidentes e incapacidades.
Durante a Segunda Grande Guerra, o mo-
vimento prevencionista realmente toma forma, pois
foi quando se percebeu que a capacidade industrial
dos países em luta seria o ponto crucial para deter-
minar o vencedor, capacidade esta mais facilmente
adquirida com um maior número de trabalhadores
em produção ativa e não acidentados ou doentes.
Neste momento, a Higiene e Segurança do
Trabalho ganhou destaque, firmando-se numa fun-
ção importante para os processos produtivos.
Nos países desenvolvidos, este conceito já é
popularizado, os países em desenvolvimento lutam
para implantá-lo.
Nos países da América Latina, a exemplo da
Revolução Industrial, a preocupação com os aciden-
tes do trabalho e doenças ocupacionais também ocor-
reu mais tardiamente, sendo que, no Brasil, os primei-
ros passos surgem no início da década de trinta sem
grandes resultados, tendo sido, inclusive, apontado na
década de setenta como o campeão em acidentes do
trabalho, contudo, evoluímos neste quesito.
A evolução se deu em razão, notadamente,
da melhora das condições de vida.

103
É importante considerar que, sob o aspecto
humano, a preservação da integridade física e mental
é um direito de toda a pessoa humana, portanto, de
todo trabalhador.
A evolução sobre Segurança do Trabalho
teve os seus marcos, quais sejam:

→ 1911: Começa-se a implementar com


maior amplitude o tratamento médico industrial;
→ 1919: Fundação da Organização Interna-
cional do Trabalho - OIT, em Genebra, na Suíça. Nes-
ta época, o Comitê da OIT estabelecido em Genebra,
estudando as condições de trabalho e vida dos traba-
lhadores no mundo, tornou-se obrigatória a constitui-
ção de Comissões, compostas de representantes do
empregador e dos empregados, com o objetivo de ze-
lar pela prevenção dos acidentes do trabalho, quando
as empresas tivessem 25 ou mais empregados.
→ No Brasil, simultaneamente, surge a
primeira Lei sobre Acidentes do Trabalho, a de n.º
3.724, de 15 de janeiro de 1919.
→ 1921: A Organização Internacional do
Trabalho – OIT organizou um Comitê para o Estu-
do de Assuntos referentes à Segurança e a Higiene
no Trabalho.
→ 1934: Tempos depois, em 10 de julho de
1934, foi promulgada a segunda Lei de Acidentes do
Trabalho através do Decreto n.º 24.637

104
→ 1943: Criação da Consolidação das Leis
do Trabalho – CLT
→ 944: Oficialmente instituída a criação da
CIPA - Comissão Interna Para Prevenção de Aciden-
tes, no Brasil: Getúlio Vargas, 21 anos após a reco-
mendação feita pela OIT, promulgou em 10.1.1944,
o Decreto – Lei n.º 7.036, fixando a obrigatoriedade
da criação de Comitês de Segurança em Empresas
que tivessem 100 ou mais empregados. O decreto
acima ficou conhecido como Nova Lei de Preven-
ção de Acidentes.
→ 1953: Em 27.01.1953, a Portaria 155 ofi-
cializava a sigla CIPA – Comissão Interna de Preven-
ção de Acidentes.
→ 1967: Em 26.02.1967, no Governo do
Presidente Costa e Silva, o Decreto-Lei n.º 229 mo-
dificou o texto do Capítulo V, título I, da CLT, o qual
dispunha de assuntos de Segurança e de Higiene no
Trabalho. Com esta modificação, o artigo 164 da
CLT que tratava de assuntos referentes à CIPA foi
alterado e ficou conforme o seguinte texto:
→ Art. 164 – As empresas que, a critério
da autoridade competente em matéria de Segurança
e Higiene no Trabalho, estiverem enquadradas em
condições estabelecidas nas normas expedidas pelo
Departamento Nacional de Segurança e Higiene do
Trabalho, deverão manter, obrigatoriamente, o Ser-
viço Especializado em Segurança e em Higiene do

105
Trabalho e constituir Comissões Internas de Preven-
ção de Acidentes – CIPAs.
→ § 1. 0 O Departamento Nacional
de Segurança e Higiene do Trabalho definirá
as características do pessoal especializado em
Segurança e Higiene do Trabalho, quanto às atri-
buições, à qualificação e à proporção relacionada
ao número de empregados das empresas com-
preendidas no presente artigo.
→ § 2. 0 As Comissões Internas de Prevenção de
Acidentes (CIPAS) serão compostas de representantes
de empregadores e empregados e funcionarão segundo
normas fixadas pelo Departamento Nacional de
Segurança e Higiene do Trabalho.
→ 1968: Portaria 3.456: - Em 29 de novem-
bro de 1968, a Portaria 3.456 reduziu o número de
100 para 50 empregados como o limite em que se tor-
na obrigatória a criação das CIPAs em cada Empresa.

2.3.2.1. Segurança no Trabalho

A Segurança do Trabalho pode ser entendi-


da como conjuntos de medidas que são adotadas,
visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças
ocupacionais, bem como proteger a integridade e a
capacidade de trabalho do trabalhador.
É estuda por diversas disciplinas, tais como:
Introdução à Segurança, Higiene e Medicina do

106
Trabalho, Prevenção e Controle de Riscos em Má-
quinas, Equipamentos e Instalações, Psicologia na
Engenharia de Segurança, Comunicação e Treina-
mento, Administração aplicada à Engenharia de
Segurança, O Ambiente e as Doenças do Trabalho,
Higiene do Trabalho, Metodologia de Pesquisa, Le-
gislação, Normas Técnicas, Responsabilidade Civil e
Criminal, Perícias, Proteção do Meio Ambiente, Er-
gonomia e Iluminação, Proteção contra Incêndios e
Explosões e Gerência de Riscos.
Contudo, a Segurança do Trabalho deve ser
entendida com prevenção e, para isto, a Indústria
deve se preocupar com a preservação da integridade
física do trabalhador e também precisa ser conside-
rada como fator de produção.
Os acidentes, provocando ou não lesão, in-
fluenciam na produção porque proporcionam:

→ eventuais perdas materiais;


→ diminuição da eficiência do trabalhador
acidentado ao retornar ao trabalho e de seus
companheiros, devido ao impacto provoca-
do pelo acidente;
→ aumento da renovação de mão de obra;
→ elevação dos prêmios de seguro de acidente;
→ aos trabalhadores abalo em sua moral;
→ sacrifício a qualidade dos produtos.

107
O quadro de Segurança do Trabalho de uma
empresa deve compor-se de uma equipe multidisci-
plinar contando com:

→ Técnico de Segurança do Trabalho,


→ Engenheiro de Segurança do Trabalho,
→ Médico do Trabalho e Enfermeiro do
Trabalho.

Estes profissionais formam o que chama-


mos de SESMT - Serviço Especializado em Enge-
nharia de Segurança e Medicina do Trabalho.
Pelos empregados da empresa, se constitui a
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA),
que tem como objetivo a prevenção de acidentes e do-
enças decorrentes do trabalho, de modo a tornar com-
patível permanentemente o trabalho com a preserva-
ção da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
A segurança do trabalho propõe-se a com-
bater os acidentes de trabalho, quer eliminando as
condições inseguras do ambiente, quer educando os
trabalhadores às medidas preventivas.
A Segurança do Trabalho é definida por
normas e leis específicas.
No Brasil, a Legislação de Segurança do
Trabalho compõe-se de Normas Regulamentadoras,
Normas Regulamentadoras Rurais e outras leis com-
plementares, como portarias e decretos e também as

108
convenções Internacionais da Organização Interna-
cional do Trabalho, ratificadas pelo Brasil.

2.3.2.2. Leis, Normas, Portarias e


Regulamentações

No Brasil, os princípios básicos da Seguran-


ça do Trabalho são ditados e orientados pelas Nor-
mas Regulamentadoras – NRs.
A partir das NRs poderemos nos guiar e
verificar as situações de risco de uma determinada
instalação.
Por sua vez, estas Normas Regulamentado-
ras – NRs apoiam-se e se relacionam com Normas
Técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos compe-
tentes, inclusive Normas Técnicas Internacionais.
A Segurança e Medicina do Trabalho atualmen-
te é regida por Leis, Normas e Portarias, quais sejam:

→ Constituição Federal de 1988;


→ Consolidação das Leis do Trabalho
– CLT, Capítulo V - Segurança e Medici-
na do Trabalho, (Decreto Lei n o 5.452 de
01.05.1943, atualizada pela Lei n.º 6.514, de
2 de janeiro de 1977)
→ Normas Regulamentadoras (NRs),
aprovadas pela Portaria n.º 3.214, de 08
de junho de 1978;

109
→ Normas Regulamentadoras Rurais
(NRRs), aprovadas pela Portaria n.º 3.067,
de 12 de abril de 1988.
→ Decreto n.º 4.085, de 15 de janeiro de
2002, o qual promulgou a Convenção n.º
174 da OIT, bem como, a Recomendação
n.º 181 sobre a Prevenção de Acidentes In-
dustriais Maiores.

É muito importante também que sejam


seguidas as recomendações técnicas relativas à Se-
gurança da Instalação e à Segurança do Trabalhador
encontradas nos livros técnicos que regem o assunto,
nos manuais técnicos das instalações e de seus com-
ponentes, nos treinamentos específicos, dentre outros.

2.3.3.3 Organismos Normalizadores

Os Organismos Normalizadores podem ser as


Instituições governamentais ligadas à Segurança e Medi-
cina do Trabalho e demais entidades não governamen-
tais que se dedicam ao tema, dentre elas destacamos:

→ Ministério do Trabalho e Emprego –


MTE e seus Órgãos Regionais do MTb;
→ Previdência Social;
→ Secretaria de Segurança e Saúde no Tra-
balho - SSST órgão de âmbito nacional com-

110
petente para coordenar, orientar, controlar e
supervisionar as atividades relacionadas com
a segurança e medicina do trabalho;
→ Secretaria de Segurança e Medicina do
Trabalho – SSMT;
→ Delegacias Regionais do Trabalho - DRT,
nos limites de sua jurisdição, órgão regional
competente para executar as atividades rela-
cionadas à segurança e medicina do trabalho;
→ Órgãos Federais, Estaduais e Munici-
pais: Podem, ainda, ser delegadas a outros
Órgãos Federais, estaduais e municipais, me-
diante convênio autorizado pelo Ministro do
Trabalho, atribuições de fiscalização e/ou
orientação às empresas, quanto ao cumpri-
mento dos preceitos legais e regulamentares
sobre segurança e medicina do trabalho.
→ Departamento de Segurança e Saúde
no Trabalho;
→ Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Fi-
gueiredo de Medicina e Segurança do Trabalho
→ SOBES – Sociedade Brasileira de Enge-
nharia de Segurança
→ ABNT – Associação Brasileira de Nor-
mas Técnicas;
→ ANAMT – Associação Nacional de Me-
dicina do Trabalho;
→ ABMT – Associação Brasileira de Medi-

111
cina do Trabalho;
→ ABPA – Associação Brasileira para Pre-
venção de Acidentes;
→ ABHO - Associação Brasileira de Higie-
nistas Ocupacionais;
→ FENATEST - Federação Nacional dos
Técnicos de Segurança do Trabalho;
→ OMS/OPAS - Organização Mundial
da Saúde;
→ OIT – Organização Internacional do
Trabalho;
→ Abraphiset - Associação Brasileira dos
Profissionais de Higiene e Seg. do Trabalho;
→ Anent - Associação Nacional de Enfer-
magem do Trabalho;
→ Anest - Associação Nacional de Enge-
nharia de Segurança do Trabalho.

É importante considerar que a International


Organization for Standardization (ISO), com a Interna-
tional Electrotechnical Commission (IEC) formam os
dois principais fóruns de normalização internacional.24
As normas internacionais são reconhecidas
pela Organização Mundial do Comércio (OMC)

24 - http://rabci.org/rabci/sites/default/files/Trabalho_FINAL_
Normalizacao.pdf19agosto2013às02h45

112
como a base para o comércio internacional, e o seu
cumprimento significa contar com as melhores con-
dições para ultrapassar eventuais barreiras técnicas.
A ISO foi fundada em 1945 por uma comissão
de 25 países, incluindo o Brasil, eles queriam criar um
organismo mundial que tivesse o propósito de facilitar a
coordenação internacional e a harmonização de normas
industriais. Atualmente, é composta por 149 países, em
diversas regiões, incluindo desenvolvidos, subdesenvol-
vidos e em desenvolvimento. Tem aproximadamente
15000 padrões que promovem o alcance de benefícios
para quase todos os setores industriais, de negócios e tec-
nologia. A ISO elabora e difunde as normas internacio-
nais relativas a todos os domínios de atividades, deixando
a cargo da IEC as normas de teor eletroeletrônico.
No Brasil, tanto a IEC como a ISO são
representadas pela ABNT.
A ABNT é maior organização de regula-
mentação técnica do Brasil. Foi fundada em 1940,
“para fornecer a base necessária ao desenvolvimento
tecnológico brasileiro”.25
Dentre os vários objetivos, vale destacar o
principal que é a elaboração e o incentivo do uso de
normas técnicas, mantendo-as sempre atualizadas.
Para que uma nova norma seja aprovada, ela
precisa passar pelo comitê referente à área desejada

25 - ABNT, 1998, p.18.

113
que irá analisar e formular um consenso entre con-
sumidores e produtores para, logo em seguida, en-
trar em votação nacional.
Com relação aos comitês, os dados mais re-
centes, encontrados no site da Associação, são os que
a ABNT possui 53 Comitês (ABNT/CB) e 3 Orga-
nismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS).

2.3.3. A Consolidação das Leis do


Trabalho e a Segurança do Trabalho para
a Prevenção e Controle de Risco

O Procurador João Carlos Teixeira fez pu-


blicar artigo “A legislação de saúde do trabalhador
aplicável e vigente no Brasil” 26 do qual destacamos:

Hodiernamente, em nosso ordenamen-


to jurídico, a segurança, higiene e medicina do
trabalho, foi alçada a matéria de direito consti-
tucional, sendo direito social indisponível dos
trabalhadores, ou melhor, direito público subje-
tivo dos trabalhadores, exercerem suas funções
em ambiente de trabalho seguro e sadio, caben-
do ao empregador tomar as medidas necessá-

26 - TEIXEIRA. João Carlos A legislação de saúde do trabalhador


aplicável e vigente no Brasil http://www.pgt.mpt.gov.br/publicacoes/
pub48.html19agosto201302h24

114
rias no sentido de reduzir os riscos inerentes ao
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene
e segurança (inciso XXII do art. 7º).O direito à
saúde, ao trabalho, à segurança e à previdência
social está previsto no art. 6º da Constituição da
República. Os arts. 196 a 200 da Carta Consti-
tucional dispõem que a Saúde é direito de todos
e dever do Estado, garantir e promover a efe-
tividade desse direito, mediante políticas, ações
e serviços públicos de saúde, organizados em
um sistema único, que podem ser complemen-
tados por outros serviços de assistência à saúde
prestados por instituições privadas. Tais ações
e serviços são de relevância pública, cabendo
ao Poder Público dispor, nos termos da lei, so-
bre sua regulamentação, fiscalização e controle,
devendo sua execução ser feita diretamente ou
através de terceiros e, também, por pessoa físi-
ca ou jurídica de direito privado.

É sabido, e reitera o citado Procurador,


que nos termos dos incisos II e VIII do art. 200
da CF/88, compete ao Sistema Único de Saúde,
entre outras coisas, executar as ações de vigilância
sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde
do trabalhador; e colaborar na proteção do meio
ambiente, nele compreendido o do trabalho.

115
O art. 225 da Magna Carta assegura o di-
reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
essencial à sadia qualidade de vida.
O meio ambiente de trabalho também en-
contra proteção jurídica nesse dispositivo constitu-
cional, especificamente no inciso V do §1º, que dis-
põe, in verbis:

§1º Para assegurar a efetividade desse direito,


incumbe ao Poder Público:
(...)
V - controlar a produção, a comercialização
e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que
comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o
meio ambiente; (nota: regulamentado pela Lei n°
8.974, de 05.01.95)

A interpretação sistemática do disposto nos


arts. 6º, 7º, XXII, 196 a 200 e art. 225, §1º, V da Cons-
tituição da República, não deixa dúvidas de que a
saúde do trabalhador e o meio ambiente do trabalho
foram também alçados a direito social de natureza
constitucional, cujo cumprimento é imposto por lei
ao empregador, conforme se verifica das prescrições
dos arts. 154 a 201 da CLT (com redação dada pela
Lei 6.514/77) e nas Portarias 3.214/78 e 3.067/88,
que tratam das normas regulamentares relativas à se-

116
gurança e medicina do trabalho urbano e rural, res-
pectivamente, sendo certo que a efetividade do direito
requer a firme atuação do Poder Público, no sentido
de exigir e fiscalizar o cumprimento da lei.
Não se discute mais a normas regulamen-
tadoras de medicina e segurança no trabalho, esta-
belecidas em lei ou em Portarias do Ministério do
Trabalho e Emprego, haja vista serem plenamente
aplicáveis aos trabalhadores e às empresas, sujeitos
à relação de emprego regidas pela Consolidação
das Leis do Trabalho, instituída pelo Decreto-lei n.º
5.452, de 1° de maio de 1943.

117
Atividades

1 - No que diz respeito ao trabalho forçado, é cor-


reto afirmar que:

A) A expressão “trabalho análogo ao de escravo”


diz respeito a trabalho forçado e o seu emprego
se dá em razão do trabalho escravo ter sido for-
malmente abolido em 13 de maio de 1888 e o Es-
tado passou a considerar ilegal um ser humano
ser dono de outro.
B) As que permaneceram foram situações semelhan-
tes ao trabalho escravo, tanto do ponto de vista de
cercear a liberdade quanto de suprimir a dignidade
do trabalhador é trabalho forçado vedado no Brasil.
C) Trabalho escravo é uma das maiores negações
aos direitos humanos, repudiado em todo o mundo.
Portanto, quem usa trabalho escravo não está cum-
prindo a função social de sua propriedade.
D) As alternativas “a”, “b” e “c” estão corretas.
E) As alternativas somente a alternativa “c” está correta.

119
2 - O condenado por trabalho escravo terá como sanção:

A) O confisco de todas as terras que possui por con-


ta da lei
B) O confisco apenas das terras com plantação de
psicotrópicos.
C) A perda da Função Social da propriedade
D) O confisco de seus bens imateriais
E) O confisco das terras nas quais fora encontrado
o trabalho escravo.

3 - Todos os trabalhadores e empregadores têm o


direito de constituir as organizações que julgarem
convenientes e de afiliar-se a elas, com o objetivo de
promover e defender seus respectivos interesses e
de celebrar negociações coletivas com a outra parte,
livremente e sem ingerência de umas sobre as outras,
nem intromissão do Estado. Esta é a definição de:

A) Liberdade sindical
B) Liberdade de expressão
C) Instituto jurídico
D) Ordenamento jurídico
E) Trabalho forçado

4 - Entre as mais diversas ações criadas pelo Estatu-

120
to da Criança e do Adolescente (ECA) está a criação
dos Conselhos Municipais, Estaduais e Federais, que
fazem a defesa dos direitos da Criança e do Adoles-
cente, determinando que:

A) Política de atendimento dos direitos da criança


e do adolescente far-se-á de modo autônomo, sem
contar com as ações governamentais e não governa-
mentais da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios.
B) Política de atendimento dos direitos da criança e
do adolescente far-se-á através de um conjunto arti-
culado de ações governamentais e não governamen-
tais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.
C) O embasamento para a promoção e a proteção
dos direitos da criança e do adolescente, em alguns
documentos internacionais apoiados pela Organiza-
ção das Nações Unidas (ONU), são inspirados no
ECA, numa demonstração da importância deste
documento para o combate ao trabalho infantil.
D) O embasamento para a promoção e a proteção
dos direitos da criança e do adolescente, em alguns
documentos internacionais, sem se apoiar na Orga-
nização das Nações Unidas (ONU) em nenhum do-
cumento brasileiro
E) As ações em razão da criança e do adolescente
não são de importância internacional.

121
5 - As Normas Regulamentadoras (NR) são comu-
mente publicadas pelo Ministério do Trabalho por
meio da Portaria 3.214/79 para estabelecer:

A) Os requisitos técnicos e legais sobre os aspectos


mínimos de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO).
B) As normas técnicas e legais sobre os aspectos mí-
nimos de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO).
C) As normas técnicas somente sobre os aspectos
mínimos de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO).
D) As normas legais sobre os aspectos mínimos de
Segurança e Saúde Ocupacional (SSO).
E) As portarias a respeito de segurança do trabalho
em razão dos aspectos mínimos sobre Segurança e
Saúde do Trabalhador.

122
1. Introdução

Neste capítulo, será dada ênfase às Normas


de Segurança do Trabalho, prevenção e controle de
risco, o qual se desenvolverá pelo estudo de seus
conceitos, normas aplicáveis e os meios de preven-
ção e controle de risco.
Destacam-se, também neste capítulo, os
profissionais de segurança do trabalho essenciais
para a consecução da Segurança, prevenção e con-
trole de risco no Brasil.
As atribuições, bem como as responsabilida-
des desses profissionais, são de suma importância.

123
3.2. Segurança Do Trabalho,
Prevenção e Controle de Risco

3.2.1. Segurança do Trabalho

Para começarmos a falar em Segurança


do Trabalho, ou Segurança Laboral como é tra-
tada por alguns, torna-se necessário o conceito
que em regra geral é o conjunto de ciências e
tecnologias que tem o objetivo de promover a
proteção do trabalhador no seu ambiente ou lo-
cal de trabalho, visando a redução de acidentes
de trabalho e doenças ocupacionais.
É importante, ainda, considerar que se trata
de uma das áreas da segurança e saúde ocupacionais,
cujo objetivo é:

→ identificar,
→ avaliar e
→ controlar situações de risco,
→ proporcionar um ambiente de traba-
lho seguro
→ proporcionar um ambiente saudável
ao trabalhador

124
3.2.2. Prevenção

3.2.2.1. Higiene do trabalho

Para iniciarmos o assunto prevenção, é ne-


cessário trazer ao estudo a Higiene do Trabalho,
tendo em vista que cada organismo vivo está cons-
tantemente sujeito a inúmeras condições externas
que agem sobre seus sentidos e influenciam em seu
físico e psicológico.
O conjunto de todas essas influências cons-
titui o ambiente em que o organismo se encontra.
A título de Higiene do Trabalho são conside-
radas as influências relacionadas com o desempenho
de uma atividade que podem alterar as condições de
saúde de um trabalhador.
A American Industrial Hygiene Associa-
tion traz a definição dessa ciência traçando os seus
objetivos. Vejamos:

“Higiene do Trabalho é a ciência e a arte


que trata do reconhecimento, avaliação e contro-
le dos riscos ocupacionais”.

Em termos complementares, segue o con-


ceito também sobre higiene do trabalho:

125
“É o conjunto de normas e procedimen-
tos que visa a proteção da integridade física e
mental do trabalhador, preservando-o dos riscos
de saúde inerentes às tarefas do cargo e do am-
biente físico onde são executadas.”

Segundo Chiavenato, os objetivos da Higie-


ne do Trabalho são:

→ Eliminação das causas de doenças pro-


fissionais;
→ Redução dos efeitos prejudiciais provo-
cados pelo trabalho em pessoas doentes ou
portadoras de defeitos físicos;
→ Prevenção do agravamento de doenças e
de lesões;
→ Manutenção da saúde dos trabalhadores;
→ Aumento da produtividade por meio de
controle do ambiente de trabalho.

É importante considerar que a higiene e a se-


gurança são duas atividades que estão intimamente liga-
das ao objetivo de garantir condições eficazes de traba-
lho, garantindo ao trabalhador a sua saúde e bem-estar.
A Organização Mundial de Saúde (OMS)
faz a verificação de condições de Higiene e Seguran-
ça dizendo que consiste «num estado de bem-estar

126
físico, mental e social e não somente a ausência de
doença e enfermidade».
A proposta da Higiene do Trabalho como
ciência é o combate, sob o ponto de vista médico,
das doenças profissionais, identificando os fatores
que podem afetar o ambiente do trabalho e o tra-
balhador, visando eliminar ou reduzir os riscos pro-
fissionais, tais como: condições de insegurança do
trabalho que podem afetar não só a segurança, mas
também a saúde e o bem-estar do trabalhador.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
preceitua como obrigação de todos e notadamente
da empresa:

I - Cumprir e fazer cumprir as normas de


segurança e medicina do trabalho;

II - Instruir os empregados, através de or-


dens de serviço, quanto as preocupações a tomar no
sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças
ocupacionais;

III - Adotar medidas que lhes sejam deter-


minadas pelo órgão regional competente;

IV - Facilitar o exercício da fiscalização pela


autoridade competente

127
A Higiene do Trabalho tem seus fundamen-
tos em face da própria história.
É importante retomar as ocorrências até
meados do século 20, cujas condições de trabalho
não eram levadas a sério.
Nessa época o que importava era a produtivida-
de mesmo que isso viesse a implicar em riscos de doença
ou de acidente ou, ainda, a morte de trabalhadores.
Acreditamos que o pensamento corrente da
época que pouco valorizava a vida dos trabalhadores
atrelada à ausência do Estado seriam os fatores de-
terminantes deste descaso em razão do trabalhador.
Contudo, a partir dos anos 50 e 60, tentati-
vas de adequação dos trabalhadores a atividades ade-
quadas às suas capacidades foram o primeiro movi-
mento em prol da saúde e segurança destes.
Para um programa de prevenção de ris-
cos laborais, as condições de segurança, higiene e
saúde são os requisitos mínimos para um progra-
ma de prevenção, e isso constitui patrimônio à
empresa por ter à sua disposição material huma-
no capaz de desenvolver suas atividades, propor-
cionando lucro e, consequentemente, aumentan-
do a produtividade e competitividade, bem como
a diminuição do sinistro em face de acidentes e
de doenças do trabalho.
É certo, pois, que a diminuição de produ-
tividade e o comprometimento da qualidade dos

128
produtos e serviços, além do desperdício, podem
ser causados pela indisposição e fadiga dos tra-
balhadores em face do horário excessivo e pelas
condições de trabalho inadequadas em seu am-
biente, como ausência de iluminação adequada,
ventilação, mobiliário, etc. Muito embora o cor-
po humano adéque com facilidade aos ambientes,
é certo que os ambientes adequados proporcio-
nam rendimento no trabalho muito maior do que
os desenvolvidos em ambientes inadequados.

3.2.3. Controle de Risco

Para o estudo do controle de riscos no am-


biente do trabalho, é importante identificar quais são
esses agentes ambientais que dão ensejo à doença ou
desconforto significativo que leva à ineficiência no
desenvolvimento da atividade laboral:

→ Agentes físicos: ruído, vibrações, calor,


radiações, frio e umidade.
→ Agentes químicos: poeira, gases e va-
pores, névoas e fumos.
→ Agentes ergonômicos: levantamento,
transporte e descarga de materiais equipa-
mentos, condições ambientais.
→ Agentes biológicos: micro-organismos,
vírus e bactérias.

129
3.2.3.1 Agentes físicos

Dentre os agentes físicos, tais como: ruído, vi-


brações, calor, radiações, frio, e umidade, destacamos
o ruído que é qualquer sensação sonora indesejável.
O ruído excessivo tem vários efeitos sobre o
organismo humano, dentre eles o dano ao aparelho
auditivo, que pode levar à surdez permanente e é in-
capacitante para a comunicação.
A unidade de avaliação do ruído é o decibel
(DB) que é uma unidade não dimensional.
Importante é considerar que os níveis de ru-
ído contínuo ou intermitente devem ser medidos em
decibéis (DB) com instrumento de nível de pressão
sonora operando no circuito de compensação “A”
e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras de-
vem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador.
Os tempos de exposição aos níveis de ruído
não devem exceder os limites de tolerância em desta-
que no Anexo 1 da NR15.

Nível de Pressão Máxima exposição


Sonora-NPSdB(A) diária permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas

130
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos

Fonte: Anexo 1 da NR 15, redação dada pela Portaria no 3.214, de 08/06/78

Importante considerar também os agentes


físicos e a vibração que levam o trabalhador a:

→ Visão turva - as vibrações reduzem a


acuidade visual e torna a visão turva, ocor-
rendo a partir de 4 Hz.
→ Perda de equilíbrio - os indivíduos que
trabalham com equipamentos vibratórios de
operação manual, tais como: martelo pneu-
mático e motosserra, apresentam degenera-
ção gradativa do tecido muscular e nervoso.

131
→ Falta de concentração.
→ Lesão permanente de determinados
órgãos do corpo - os efeitos aparecem na
forma de perda da capacidade manipuladora
e do controle do tato nas mãos, conhecido,
popularmente, por dedo branco. Essas do-
enças são observadas, principalmente, em
trabalhadores de minas e florestais (motos-
serras à 50-200 Hz). Os dedos mortos sur-
gem no máximo após seis meses de trabalho
com uma ferramenta vibratória.

A ISO 2631 apresenta valores máximos de


vibrações suportáveis para tempos de um minuto a
12 horas de exposição, abrangendo três critérios de
severidade: limite de conforto, sem maior gravidade
(ex: veículos de transporte coletivo); limite de fadi-
ga, provocando redução da eficiência dos trabalha-
dores (ex: máquinas que vibram); limite de exposi-
ção, correspondente ao limiar do risco à saúde. A
norma brasileira NR-15 estabelece níveis máximos
de vibração, utilizando os dados especificados pelas
recomendações da ISO 263.
No tocante ao calor, umidade e frio, ou
seja, a Ambientes Térmicos, razão pela qual a aten-
ção deve ser dada a temperatura, sendo ela a que
merece maior destaque ao se falar em adequação de
condições de ambiente de trabalho, pois, a tempe-

132
ratura é que transmite a sensação de conforto no
ambiente. O excesso ou a falta podem levar o tra-
balhador a doenças laborais pela sua exposição em
ambientes de temperaturas extremas.
Os fatores que definem os ambientes térmi-
cos são os seguintes:

→ Temperatura do ar;
→ Umidade do ar;
→ Movimentação do ar;
→ Calor Radiante.

3.2.3.2. Agentes Químicos

Os agentes químicos são as diversas subs-


tâncias, compostos ou produtos que possam pene-
trar no organismo pela via respiratória, nas formas
de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapo-
res, ou que, pela natureza da atividade de exposição,
possam ter contato ou serem absorvidos pelo orga-
nismo por meio da pele ou por ingestão.
Assim como os agentes físicos, estes agen-
tes também necessitam de instrumentos específicos
para que sejam avaliados, embora, em alguns casos,
a atividade de campo restringe-se a coleta do agente
para que seja enviado a um laboratório especializado
que determinará a concentração do mesmo.
Nas atividades ou operações nas quais os

133
trabalhadores ficam expostos a agentes químicos, a
caracterização de insalubridade ocorrerá quando fo-
rem ultrapassados os limites de tolerância constantes
dos ANEXOS 11,12 e 13 da NR15.

3.2.3.3. Agentes ergonômicos

Os agentes ergonômicos, tais como: levan-


tamento, transporte e descarga de materiais, equipa-
mentos, condições ambientais do posto de trabalho
e à própria organização do trabalho, razão pela qual
são os considerados fora da condição de trabalho,
pois, pela sua natureza, estão em desacordo com as
características psicofisiológicas dos trabalhadores,
não proporcionando conforto, segurança e desem-
penho eficiente as tarefas dos trabalhadores.
Para a avaliação dos agentes ergonômicos,
faz-se necessária a utilização dos métodos de me-
dições definidos nos princípios da Ergonomia: me-
dições antropométricas, medições dos fatores dos
postos de trabalho, etc.

3.2.3.4. Agentes biológicos

Os agentes biológicos são micro-organismos


que podem contaminar o trabalhador e são, basica-
mente, as bactérias, os fungos, os bacilos, os parasi-
tas, os protozoários, os vírus, entre outros mais.

134
Os agentes biológicos perigosos estão orga-
nizados em quatro classes, nas quais a ordem crescen-
te do número indica um maior perigo, assim vejamos:

→ Classe 1 - contempla os agentes não pe-


rigosos, ou de um mínimo perigo, que não
exigem equipamentos ou profissionais ex-
perimentados para a sua manipulação, admi-
tindo-se o emprego de técnicas geralmente
aceitáveis para materiais não patógenos.
→ Classe 2 - está representada por agentes
de perigo potencial comum. Inclui os agentes
que podem provocar enfermidades com graus
variados de gravidade como consequência de
inoculações acidentais, infecção ou outro me-
canismo de penetração cutânea, mas que ge-
ralmente podem ser controlados, de forma se-
gura e equilibrada, por técnicos de laboratório.
→ Classe 3 - inclui patógenos que reque-
rem condições restritivas especiais.
→ Classe 4 - são enquadrados os agentes
que requerem as condições restritivas mais
estreitas, por sua extrema periculosidade ou
porque podem causar epidemias.

A avaliação, geralmente, se dá em laboratórios


apropriados por meio da coleta de sangue, fezes, urina
ou outro meio de pesquisa, realizada nos trabalhadores.

135
3.2.4. Limite de Tolerância

O Reconhecimento dos riscos se dá quando,


por meio de inspeções preliminares, são levantados os
riscos potenciais em determinado local de trabalho.
A Avaliação é realizada por meio da utiliza-
ção de métodos específicos, avaliando-se qualitativa-
mente e quantitativamente os agentes prejudiciais.
O Controle refere-se às medidas a serem to-
madas com base nos dados obtidos pela avaliação e
reconhecimento detalhado do local de trabalho, tais
como: máquinas utilizadas, operações realizadas, en-
tre outras. Isto com a finalidade de eliminar ou redu-
zir os riscos, notadamente, à saúde do trabalhador.
Os procedimentos adotados para a Avalia-
ção de alguns agentes de risco estão dispostos na
Norma Regulamentadora NR15 que diz respei-
to às Atividades e Operações Insalubres.
De acordo com a NR 15, o trabalhador não
deve exceder o limite de tolerância de exposição aos
agentes.
Para entendermos melhor o que quer dizer
a NR15 devemos nos ater ao que quis dizer sobre:

→ Limite de Tolerância
Limite de Tolerância trata da concentração
ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com
a natureza e o tempo de exposição ao agente, que

136
não causará dano à saúde durante a vida laboral.
É importante, ainda em face da NR15, as
considerações a respeito do exercício de trabalho em
condições de insalubridade, ou seja, realizado sob
exposição acima do limite de tolerância, assegurará
ao trabalhador a percepção de adicional, incidente
sobre o salário mínimo, equivalente a:

→ 40%, para insalubridade de grau máximo;


→ 20%, para insalubridade de grau médio;
→ 10%, para insalubridade de grau mínimo.

Observe-se, pois, que no caso de incidência


de mais de um fator de insalubridade, considera-se o
de grau mais elevado, para efeito de acréscimo sala-
rial, sendo vedada a percepção cumulativa.
A eliminação ou neutralização da insalubri-
dade determinará a cessação do pagamento do adi-
cional respectivo.

137
3.3. PROFISSIONAIS DE
SEGURANÇA DO TRABALHO

3.3.1. Atribuições dos Profissionais


de Segurança do Trabalho

A Portaria n.º 3.275/89 dispõe sobre as atri-


buições do Técnico de Segurança do Trabalho.
E dessa Portaria destaca-se:

Art.1º As atividades do Técnico de Segu-


rança do Trabalho são as seguintes:
I - informar o empregador, através de pa-
recer técnico, sobre os riscos existentes nos am-
bientes de trabalho, bem como orientá-lo sobre
as medidas de eliminação e neutralização;
II - informar os trabalhadores sobre os
riscos da sua atividade, bem como as medidas de
eliminação e neutralização;
III - analisar os métodos e os processos
de trabalho e identificar os fatores de risco de
acidentes do trabalho, doenças profissionais e
do trabalho e a presença de agentes ambientais
agressivos ao trabalhador, propondo sua elimi-
nação ou seu controle;
IV - executar os procedimentos de seguran-
ça e higiene do trabalho e avaliar os resultados al-
cançados, adequando-os as estratégias utilizadas de

138
maneira a integrar o processo prevencionista em
uma planificação, beneficiando o trabalhador;
V - executar programas de prevenção de
acidentes do trabalho, doenças profissionais e
do trabalho nos ambientes de trabalho com a
participação dos trabalhadores, acompanhando
e avaliando seus resultados, bem como sugerin-
do constante atualização dos mesmos e estabele-
cendo procedimentos a serem seguidos;
VI - promover debates, encontros, cam-
panhas, seminários, palestras, reuniões, treina-
mentos e utilizar outros recursos de ordem di-
dática e pedagógica com o objetivo de divulgar
as normas de segurança e higiene do trabalho,
assuntos técnicos, administrativos e prevencio-
nistas, visando evitar acidentes do trabalho, do-
enças profissionais e do trabalho;
VII - Executar as normas de segurança
referentes a projetos de construção, ampliação,
reforma, arranjos físicos e de fluxos, com vistas
à observância das medidas de segurança e higie-
ne do trabalho, inclusive por terceiros;
VIII - encaminhar aos setores e áreas
competentes normas, regulamentos, documen-
tação, dados estatísticos, resultados de análises e
avaliações, materiais de apoio técnico, educacio-
nal e outros de divulgação para conhecimento e
auto-desenvolvimento do trabalhador;

139
IX - indicar, solicitar e inspecionar equi-
pamentos de proteção contra incêndio, recursos
audiovisuais e didáticos e outros materiais consi-
derados indispensáveis, de acordo com a legislação
vigente, dentro das qualidades e especificações téc-
nicas recomendadas, avaliando seu desempenho;
X - cooperar com as atividades do meio
ambiente, orientando quanto ao tratamento e
destinação dos resíduos industriais, incentivando
e conscientizando o trabalhador da sua impor-
tância para a vida;
XI - orientar as atividades desenvolvidas
por empresas contratadas, quanto aos procedi-
mentos de segurança e higiene do trabalho pre-
vistos na legislação ou constantes em contratos
de prestação de serviço;
XII - executar as atividades ligadas à segu-
rança e higiene do trabalho utilizando métodos
e técnicas científicas, observando dispositivos le-
gais e institucionais que objetivem a eliminação,
controle ou redução permanente dos riscos de
acidentes do trabalho e a melhoria das condições
do ambiente, para preservar a integridade física e
mental dos trabalhadores.
XIII - levantar e estudar os dados estatís-
ticos de acidentes do trabalho, doenças profis-
sionais e do trabalho, calcular a frequência e a
gravidade destes para ajustes das ações preven-

140
cionistas, normas, regulamentos e outros dispo-
sitivos de ordem técnica, que permitam a prote-
ção coletiva e individual;
XIV - articular-se e colaborar com os seto-
res responsáveis pelos recursos humanos, forne-
cendo-lhes resultados de levantamentos técnicos
de riscos das áreas e atividades para subsidiar a ado-
ção de medidas de prevenção a nível de pessoal;
XV - informar os trabalhadores e o em-
pregador sobre as atividades insalubres, perigo-
sas e penosas existentes na empresa, seus riscos
específicos, bem como as medidas e alternativas
de eliminação ou neutralização dos mesmos;
XVI - avaliar as condições ambientais de
trabalho e emitir parecer técnico que subsidie
o planejamento e a organização do trabalho de
forma segura para o trabalhador;
XVII - articular-se e colaborar com os ór-
gãos e entidades ligados a prevenção de acidentes
do trabalho, doenças profissionais e do trabalho;
XVIII - participar de seminários, treina-
mentos, congressos e cursos visando o inter-
câmbio e o aperfeiçoamento profissional.
Art. 2º As dúvidas suscitadas e os casos
omissos serão dirimidos pela Secretaria de Segu-
rança e Medicina do Trabalho.

141
O papel dos profissionais de segurança do
trabalho é fundamental à prevenção dos riscos ine-
rentes às atividades laborais, tanto na sua execução
quanto as advindas do próprio ambiente do trabalho.
A precípua função desses profissionais é a
gerência de risco.
Gerência de risco nada mais é do que pro-
mover, primeiramente, a ligação entre a empresa e
os trabalhadores no tocante ao risco iminente do
ambiente e da atividade laboral, para, consequente-
mente, mitigar e prevenir os riscos.
Segundo Barbosa Filho, a possibilidade de
eventos indesejados, previsíveis ou não, está sempre
presente no cotidiano das organizações. Para evitar
a ocorrência, o ideal é que se busque a minimização
dos impactos danosos, com a adoção de uma série
de práticas de forma a reduzir o número de inciden-
tes, de acidentes e de perdas.
Para o desenvolvimento de hábitos desejá-
veis, a organização poderá adotar uma série de me-
didas, independentemente das obrigações formais,
CIPAS e/ou SESMT. Contudo, mais importante do
que orientar os trabalhadores sobre como agir em
determinada situação, com base em planos de in-
tervenção, é a correta definição da probabilidade de
ocorrência de cada acontecimento inoportuno aos
quais poderá estar sujeita a organização e de suas
dimensões sobre os mais variados aspectos, que de-

142
terminará uma prioridade de atenções.
Assim sendo, Gerência de Riscos pode ser
definida como:

o conjunto de técnicas que visa reduzir ao


mínimo os efeitos das perdas acidentais, enfo-
cando o tratamento correto de riscos que pos-
sam causar danos pessoais, materiais, ao meio
ambiente e à imagem da organização. Pode ser
definida como o Processo de Planejar, Organi-
zar, Dirigir e Controlar os Recursos Humanos
e Materiais de uma Organização, no sentido de
minimizar os efeitos dos riscos sobre essa orga-
nização, ao mínimo custo possível. 27

O Pós-Segunda Guerra Mundial marca a neces-


sidade de proteção das empresas em face dos riscos ine-
rentes às atividades desenvolvidas, por essa razão é deferi-
do afirmar que os primeiros estudos no tocante à gerên-
cia ou gerenciamento de risco, iniciaram-se nos Estados
Unidos da América (USA) e em alguns países da Europa.
Neste sentido:

Apesar da Gerência de Riscos não ser uma


prática constante nas organizações brasileiras,

27 - GEORGE HEAD – RIMS.

143
acredita-se que ele não onera o balanço final das
organizações, e as despesas incorridas não podem
ser comparadas aos benefícios que a organização
terá, tanto no tocante à otimização de custos de
seguros como na maior proteção dos recursos
humanos materiais, financeiros e ambientais. 28

Assim sendo, é importante para o presente


o conceito de:

→ Risco
Risco é «a chance de acontecer algo que cau-
sará impacto nos objetivos, é mensurado em termos
de consequências e probabilidade».29
Os riscos podem se apresentar como pro-
blemas ou desafios que necessitam ser encarados.
De modo sistemático, o risco pode ser visto
por três elementos:
→ Pelas causas geradoras, que neste caso é
o próprio risco.
→ Sobre quem pode incidir o risco ou su-
jeito do risco.

28 - ALBERTON, Anete. Uma Metodologia para auxiliar no


gerenciamento de riscos e na seleção de alternativas de investimentos
de segurança. Florianópolis, 1996. Dissertação (Mestrado em
Engenharia de Produção) - Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina.
29 - Australian Standard AZ/NZS 4360-1999

144
→ Os efeitos do risco sobre o sujeito.
Do exposto, podemos afirmar que é de
suma importância a observação da interface entre os
aspectos abaixo:
→ humano,
→ social,
→ político,
→ legal,
→ econômico,
→ empresarial,
→ técnico.

Dentre o desenvolvimento das atividades, a


atribuição expressiva dos Profissionais de Segurança do
Trabalho está no gerenciamento ou gerência do risco.

3.3.2. CIPA

A Comissão Interna de Prevenção de Aci-


dentes (CIPA) é um instrumento importante para os
trabalhadores, dispõem para tratar da prevenção de
acidentes do trabalho, das condições do ambiente do
trabalho e de todos os aspectos que afetam sua saú-
de e segurança. A CIPA é regulamentada pela Con-
solidação das Leis do Trabalho (CLT) nos artigos
162 a 165 e pela Norma Regulamentadora 5 (NR-5),
contida na portaria 3.214 de 08.06.78, baixada pelo
Ministério do Trabalho.

145
O objetivo básico da CIPA é fazer com que
empregadores e empregados trabalhem conjunta-
mente na tarefa de prevenir acidentes e melhorar a
qualidade do ambiente de trabalho. Confira a seguir
quais as principais atribuições de uma CIPA, requi-
sitos para sua formação e modo de funcionamento.
A organização da CIPA é obrigatória nos lo-
cais de trabalho seja qual for sua característica - comer-
cial, industrial, bancária, com ou sem fins lucrativos,
filantrópica ou educativa e empresas públicas - desde
que tenham o mínimo legal de empregados regidos
pela CLT, conforme o quadro 1 da NR-5. A CIPA
é composta por representantes titulares do emprega-
dor e dos empregados, e seu número de participantes
deve obedecer às proporções mínimas na NR –5.
A empresa deve solicitar ao órgão do Mi-
nistério do Trabalho o registro da CIPA através de
requerimento, juntando cópias das atas de eleição,
instalação e posse do calendário anual das reuniões
ordinárias e o livro de atas com o termo de abertura
e atas mencionadas.
O requerimento e as cópias das atas datilo-
grafadas devem ser em duas vias, sendo que uma via
será devolvida protocolada pelo agente fiscalizador.
O registro deve ser feito no prazo máximo de dez
dias após a data da eleição. Comunicada a DRT, uma
cópia protocolada deve ser enviada ao setor respon-
sável pela segurança do trabalho na empresa. Após

146
ter sido registrada na DRT, a CIPA não pode ter o
seu número de representantes reduzidos nem pode
ser desativada antes do término do mandato, ainda
que haja redução de empregados na empresa.
Os representantes do empregador são de-
signados pelo próprio, enquanto os dos empregados
são eleitos em votação secreta, representando, obri-
gatoriamente, os setores de maior risco de aciden-
tes e com maior número de funcionários. A votação
deve ser realizada em horário normal de expediente
e tem que contar com a participação de, no mínimo,
a metade mais um do número de funcionárias de
cada setor. A lista de votação assinada pelos eleitores
deve ser arquivada por um período mínimo de três
anos na empresa. A lei confere a DRT como órgão
de fiscalização competente, o poder de anular uma
eleição quando for constatado qualquer tipo de irre-
gularidade na sua realização.
Os candidatos mais votados assumem a
condição de membros titulares. Em caso de em-
pate, assume o candidato que tiver maior tempo
de trabalho na empresa. Os demais candidatos
assumem a condição de suplentes, de acordo com
a ordem decrescente de votos recebidos. Os can-
didatos votados não eleitos como titulares ou su-
plentes devem ser relacionados na ata da eleição,
em ordem decrescente de votos, possibilitando
uma futura nomeação. A CIPA deve contar com

147
tantos suplentes quantos forem os titulares, sen-
do que estes não poderão ser reconduzidos por
mais de dois mandatos consecutivos.
A estrutura da CIPA é composta pelos se-
guintes cargos: Presidente (indicado pelo emprega-
dor); Vice-Presidente (nomeado pelos representan-
tes dos empregados, entre os seus titulares); Secre-
tário e suplente (escolhidos de comum acordo pelos
representantes do empregador e dos empregados).
Cabe ao Ministério do Trabalho, por meio
das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTS), fis-
calizar a organização das CIPAS. A empresa que não
cumprir a lei será autuada por infração ao disposto
no artigo 163 da CLT, sujeitando-se à multa prevista
no artigo 201 desta mesma legislação.
O mandato dos membros titulares da CIPA
é de um ano, e aqueles que faltarem a quatro reuniões
ordinárias, sem justificativa, perderão o cargo, sen-
do substituídos pelos suplentes. Não é válida, como
justificativa, a alegação de ausência por motivo de
trabalho. Os representantes dos empregados titula-
res da CIPA não podem sofrer demissão arbitrária
entendendo-se como tal a que não se fundamentar
em motivo disciplinar, técnico ou econômico. Esta
garantia no emprego é assegurada ao cipeiro desde
o momento em que o empregador tomar conheci-
mento da sua inscrição de candidatos às eleições da
CIPA e prolonga-se até um ano após o término do

148
mandato. Os cipeiros não podem também ser trans-
feridos para outra localidade, a não ser que concor-
dem expressamente. A reeleição deve ser convoca-
da pelo empregador, com um prazo mínimo de 45
dias antes do término do mandato e realizada com
antecedência de 30 dias em relação ao término do
atual mandato. Os membros da CIPA, eleitos e de-
signados para um novo mandato, serão empossados
automaticamente no primeiro dia após o término do
mandato anterior.
A CIPA tem por atribuição:

→ Investigar e analisar os acidentes ocorri-


dos na empresa.
→ Sugerir as medidas de prevenção de aci-
dentes julgadas necessárias por iniciativa
própria ou sugestão de outros empregados
e encaminhá-las ao presidente e ao departa-
mento de segurança da empresa.
→ Promover a divulgação e zelar pela ob-
servância das normas de segurança, ou ain-
da, de regulamentos e instrumentos de ser-
viço emitidos pelo empregador.
→ Promover anualmente a Semana Interna
de Prevenção de Acidentes (SIPAT).
→ Sugerir a realização de cursos, palestras
ou treinamentos, quanto à engenharia de se-
gurança do trabalho, quando julgar necessá-

149
rio ao melhor desempenho dos empregados.
→ Registrar nos livros próprios as atas de
reuniões ordinárias e extraordinárias e enviar
cópia ao departamento de segurança.
→ Preencher ficha de informações sobre
situação da segurança na empresa e ativi-
dades da CIPA e enviar para o Ministério
do Trabalho. Preencher ficha de análise de
acidentes. Deve ser enviada cópia de ambas
as fichas ao departamento de segurança da
empresa. O modelo destas fichas pode ser
encontrado em qualquer DRT.
→ Elaborar anualmente o Mapa de Riscos
da empresa.

O presidente da CIPA deve coordenar todas as


atribuições citadas anteriormente. Ele deve presidir as
reuniões e é responsável pela convocação dos cipeiros.
Pode determinar tarefas aos membros da co-
missão, isoladamente ou em grupos de trabalho. Além
disso, deve promover o bom relacionamento da CIPA
com o departamento de segurança e com os demais
setores da empresa. O vice-presidente, por sua vez,
deve executar as atribuições que lhe forem delegadas
e substituir o presidente em suas faltas ocasionais. Ao
secretário da CIPA, cabe elaborar as atas de eleições,
da posse e das reuniões e manter o arquivo e o fluxo
de correspondência atualizados. Os demais membros

150
da CIPA devem participar das reuniões, investigar e
analisar os acidentes ocorridos, sugerindo medidas
preventivas e realizar inspeções nos locais de traba-
lho. Além disso, têm a obrigação de promover a di-
vulgação de princípios e normas de segurança junto
aos demais trabalhadores e atuar como porta-vozes
dos problemas de segurança comunicados pelos em-
pregados. Para o empregador, a tarefa é simples: deve
prestigiar integralmente a CIPA.

3.3.3. SIPATs

Uma das principais atribuições da Semana


Interna de Prevenção de Acidentes (SIPATs) é pro-
mover anualmente a Semana Interna de Prevenção de
Acidentes (SIPAT). A maioria das empresas opta pela
realização das SIPATs no segundo semestre, pelo fato
de se possuir um maior número de informações sobre
as condições de segurança, como as estatísticas de aci-
dentes do ano anterior. Pelo menos 30 dias antes da
realização da Semana, uma comissão deve ser criada
para elaborar a programação a ser desenvolvida.
Simulações, competições esportivas e peças
de teatro são algumas das práticas que vêm sendo
utilizadas nas empresas para realizar SIPATs criati-
vas e realmente participativas.
O Diário Oficial da União, de 20 de agos-
to de 1992, publicou uma portaria do Departamen-

151
to Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador
(DNSST) implantando a obrigatoriedade da elabo-
ração de mapas de riscos pelas Comissões Internas
de Prevenção de Acidentes (CIPAS) nas empresas.
Essa portaria entrou em vigor em dezembro
último. O mapa é um levantamento dos pontos de
risco nos diferentes setores das empresas. Trata-se de
identificar situações e locais potencialmente perigosos.
A partir de uma planta baixa de cada seção
são levantados todos os tipos de riscos, classifican-
do-os por grau de perigo: pequeno, médio e grande.
Estes tipos são agrupados em cinco grupos, classifi-
cados pelas cores vermelho, verde, marrom, amarelo
e azul. Cada grupo corresponde a um tipo de agente:
químico, físico, biológico, ergonômico e mecânico.
A ideia é que os funcionários de uma seção
façam a seleção apontando aos cipeiros os princi-
pais problemas da respectiva unidade. Na planta da
seção, exatamente no local onde se encontra o ris-
co (uma máquina, por exemplo), deve ser colocado
o círculo no tamanho avaliado pela CIPA e na cor
correspondente ao grau de risco. O mapa deve ser
colocado em um local visível para alertar aos traba-
lhadores sobre os perigos existentes naquela área.
Os riscos serão simbolizados por círculos de três
tamanhos distintos: pequeno, com diâmetro de 2,5
cm; médio, com diâmetro de 5 cm; e grande, com
diâmetro de 10 cm.

152
A empresa receberá o levantamento e terá
30 dias para analisar e negociar com os membros da
CIPA ou do Serviço Especializado em Engenharia de
Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), se hou-
ver prazos para providenciar as alterações propostas.
Caso estes prazos sejam descumpridos, a CIPA deve-
rá comunicar a Delegacia Regional do Trabalho.

3.3.4. Responsabilidade dos Profissionais


de Segurança do Trabalho

É fato que a segurança do trabalho é uma


preocupação crescente levando, inclusive, as empre-
sas a definir padrões para garantir as melhores con-
dições dos trabalhadores em todos os processos.
Em face do fenômeno da globalização as
fusões e aquisições tem sido uma prática constante,
viabilizando a padronização.
A informação, portanto, passou a ser uma
ferramenta de precípua importância, não só para
disseminá-la, mas para orientar esse processo, a fim
de mitigar danos, inclusive ao próprio empregado.
Nas empresas de grande porte, represen-
tadas pelas multinacionais cujo segmento é o mais
diversificado possível, a segurança do trabalho tem
que ser pauta em suas discussões para implemen-
tação de procedimentos de prevenção, sendo, pois,
uma das suas preocupações.

153
Os gestores são os responsáveis pelos trei-
namentos, monitoramento e -disseminação da cultu-
ra e dos padrões de segurança da empresa.
Além disso, os gestores por atribuição acom-
panham de perto os trabalhadores e devem identifi-
car os pontos que merecem maior atenção, sendo
certo, pois, que as campanhas internas dependem do
comprometimento gerencial.
Partindo do pressuposto que todo e qual-
quer acidente de trabalho pode ser evitado, as cam-
panhas de conscientização podem combinar comu-
nicação interna, ações de Recursos Humanos e do
Departamento de Segurança do Trabalho.
Nas empresas multinacionais, a recomenda-
ção é sempre avaliar as experiências de cada país e
divulgá-las para outras regiões, sendo possível adap-
tar soluções para problemas comuns.
Os profissionais de segurança do tra-
balho, assim como os Técnicos em Segurança do
Trabalho, têm a missão de supervisionar as ativida-
des ligadas à segurança do trabalho, visando assegurar
condições que eliminem ou reduzam ao mínimo os
riscos de ocorrência de acidentes de trabalho, obser-
vando o cumprimento de toda a legislação pertinente.
Portanto, é de sua responsabilidade:

→ Promover inspeções nos locais de tra-


balho, identificando condições perigosas,

154
tomando todas as providências necessárias
para eliminar as situações de riscos, bem
como treinar e conscientizar os funcionários
quanto a atitudes de segurança no trabalho.
→ Preparar programas de treinamento sobre
segurança do trabalho, incluindo programas
de conscientização e divulgação de normas
de segurança, visando ao desenvolvimento
de uma atitude preventiva nos funcionários
quanto à segurança do trabalho.
→ Determinar a utilização pelo trabalhador
dos equipamentos de proteção individu-
al (EPI), bem como indicar e inspecionar
equipamentos de proteção contra incêndio,
quando as condições assim o exigirem, vi-
sando à redução dos riscos à segurança e in-
tegridade física do trabalhador.
→ Colaborar nos projetos de modificações
prediais ou novas instalações da empresa, vi-
sando a criação de condições mais seguras
no trabalho.
→ Pesquisar e analisar as causas de doenças
ocupacionais e as condições ambientais em
que ocorreram, tomando as providências
exigidas em lei, visando evitar sua reincidên-
cia, bem como corrigir as condições insalu-
bres causadoras dessas doenças.
→ Promover campanhas, palestras e outras

155
formas de treinamento com o objetivo de
divulgar as normas de segurança e higie-
ne do trabalho, bem como para informar e
conscientizar o trabalhador sobre atividades
insalubres, perigosas e penosas, fazendo o
acompanhamento e avaliação das atividades
de treinamento e divulgação.
→ Supervisionar os serviços de cantina, vi-
gilância e portaria, visando garantir o bom
atendimento ao público interno e visitante.
→ Distribuir os equipamentos de proteção
individual (EPI), bem como indicar e ins-
pecionar equipamentos de proteção contra
incêndio, quando as condições assim o exigi-
rem, visando à redução dos riscos à seguran-
ça e integridade física do trabalhador.
→ Colaborar com a CIPA em seus progra-
mas, estudando suas observações e proposi-
ções, visando a adotar soluções corretivas e
preventivas de acidentes do trabalho.
→ Levantar e estudar estatísticas de aciden-
tes do trabalho, doenças profissionais e do
trabalho, analisando suas causas e gravidade,
visando à adoção de medidas preventivas.
→ Elaborar planos para controlar efeitos de
catástrofes, criando as condições para com-
bate a incêndios e salvamento de vítimas de
qualquer tipo de acidente.

156
→ Preparar programas de treinamento, ad-
missional e de rotina, sobre segurança do
trabalho, incluindo programas de conscien-
tização e divulgação de normas e procedi-
mentos de segurança, visando ao desenvol-
vimento de uma atitude preventiva nos fun-
cionários quanto à segurança do trabalho.
→ Prestar apoio à SIPAT, organizando as
atividades e recursos necessários.
→ Avaliar os casos de acidente do trabalho,
acompanhando o acidentado para recebi-
mento de atendimento médico adequado.
→ Realizar inspeções nos locais de trabalho,
identificando condições perigosas, tomando
todas as providências necessárias para elimi-
nar as situações de riscos, bem como treinar
e conscientizar os funcionários quanto a ati-
tudes de segurança no trabalho.

3.3.4.1. Resolução CONFEA n.º 434/99

No tocante a outros profissionais da área


de Segurança do Trabalho, tais como Engenheiros e
Arquitetos, especialistas em Engenharia de Seguran-
ça do Trabalho e a Resolução n.º 434/99, dispõe so-
bre a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)
relativa às suas atividades.
O Conselho Federal de Engenharia, Arqui-

157
tetura e Agronomia (CONFEA) é claro na impor-
tância da ART ao dispor na Resolução citada as suas
considerações, vejamos:

Considerando que, de acordo com o art. 1º


da Lei nº 6.496, de 05 de dezembro de 1977, todo
contrato para a execução de obras ou prestação de
quaisquer serviços profissionais referentes à En-
genharia, Arquitetura e Agronomia, fica sujeito à
Anotação de Responsabilidade Técnica – ART;
Considerando que a Engenharia de Segu-
rança do Trabalho constitui uma especialização de
engenheiros e arquitetos, ao nível de pós-gradua-
ção lato sensu, que gera atribuições profissionais;
Considerando que somente a ART pode-
rá definir quem, para os efeitos legais, são os res-
ponsáveis técnicos pelos serviços de Engenharia
de Segurança do Trabalho;
Considerando que, de acordo com o art.
4º do Decreto n.º 92.530, de 09 de abril de 1986,
as atividades dos Engenheiros e Arquitetos,
especializados em Engenharia de Segurança do
Trabalho serão definidas pelo CONFEA;
Considerando que as atividades dos En-
genheiros e Arquitetos especializados em Enge-
nharia de Segurança do Trabalho foram defini-
das pelo CONFEA no art. 4º da Resolução nº
359, de 31 de julho de 1991;

158
Considerando o disposto na Resolução nº
425, de 18 de dezembro de 1998, do CONFEA,
que «dispõe sobre a Anotação de Responsabili-
dade Técnica e dá outras providências;

De seus dispositivos, destacamos:

§ 1º Os estudos, projetos, planos, rela-


tórios, laudos e quaisquer outros trabalhos ou
atividades relativas à Engenharia de Segurança
do Trabalho, quer público, quer particular, so-
mente poderão ser submetidos ao julgamento
das autoridades competentes, administrativas e
judiciárias, e só terão valor jurídico quando seus
autores forem Engenheiros ou Arquitetos, es-
pecializados em Engenharia de Segurança do
Trabalho e registrados no Conselho Regional de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA.
§ 2º Os estudos, projetos, planos, relatórios,
laudos e quaisquer outros trabalhos ou atividades
de Engenharia de Segurança do Trabalho
referidos no parágrafo anterior, somente serão
reconhecidos como tendo valor legal se tiverem
sido objeto de ART no CREA competente.
Art. 2º Para os efeitos desta Resolução,
entende-se como Engenharia de Seguran-
ça do Trabalho:

159
I-a prevenção de riscos nas atividades de
trabalho com vistas à preservação da saúde e in-
tegridade da pessoa humana; e
II-a proteção do trabalhador em todas as
unidades laborais, no que se refere à questão de se-
gurança, inclusive higiene do trabalho, sem interfe-
rência específica nas competências legais e técnicas
estabelecidas para as diversas modalidades da Enge-
nharia, Arquitetura e Agronomia, conforme o Pa-
recer nº 19/87 do Conselho Federal de Educação.
Art. 3º Em consonância com o disposto
no artigo anterior, as atividades de Engenharia de
Segurança do Trabalho que serão objeto de ART,
são aquelas previstas nos itens 1 a 18 do art. 4º da
Resolução nº 359, de 1991, do CONFEA.
Parágrafo único. O profissional, ao preen-
cher o formulário de ART, especificará em qual
item do art. 4º da Resolução nº 359, de 1991, do
CONFEA, se enquadra o documento técnico e/
ou atividade técnica, objeto de Anotação de Res-
ponsabilidade Técnica.
Art. 4º Incluem-se entre as atividades de
Engenharia de Segurança do Trabalho, referidas
no art. 4º da Resolução nº 359, de 1991, a elabora-
ção e os seguintes documentos técnicos, previstos
na Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, que
regulamentou a Lei nº 6.514, de 22 de dezembro
de 1977, que alterou o Capítulo V, Título II da

160
Consolidação das Leis do Trabalho – CLT:
I- programa de condições e meio ambien-
te do trabalho na indústria da construção - PC-
MAT, previsto na NR-18;
II-programa de prevenção de riscos am-
bientais – PPRA, previsto na NR-09;
III-programa de conservação auditiva;
IV-laudo de avaliação ergonômica, pre-
visto na NR-17;
V-programa de proteção respiratória, pre-
visto na NR-06; e
VI-programa de prevenção da exposi-
ção ocupacional ao benzeno – PPEOB, pre-
visto na NR-15.

Importante ressaltar que, em 1990, o quadro


do Serviço Especializado em Engenharia de Segu-
rança e em Medicina do Trabalho e uma equipe de
profissionais da saúde (SESMT), estabelecida pela
NR 4, já havia sido atualizado.
O SESMT, a partir de então, é formado por:

→ Engenheiro de Segurança do Trabalho;


→ Médico do Trabalho;
→ Enfermeiro do Trabalho;
→ Auxiliar de Enfermagem do Trabalho;
→ Técnico em Segurança do Trabalho.

161
O SESMT foi estabelecido no artigo 162
da Consolidação das Leis do Trabalho e é regula-
mentado pela Norma Regulamentadora NR 04, que
disciplina que, dependendo da quantidade de empre-
gados e da natureza das atividades, o serviço pode
incluir os profissionais citados.
O SESMT foi criado em face do aumento
expressivo de acidentes do trabalho, a fim de re-
solver, mas, também e notadamente, prevenir, aler-
tando e dando instruções aos trabalhadores sobre
o aparecimento de novas doenças, esclarecimentos
sobre qualquer tipo de doença e também evitar que
pequenos acidentes de trabalho possam acontecer e
prejudicar tanto o empregado quanto o empregador.

162
Atividades

1 - O quadro do Serviço Especializado em Enge-


nharia de Segurança e em Medicina do Trabalho e
uma equipe de profissionais da saúde (SESMT), es-
tabelecida pela NR 4, já havia sido atualizado. Assim
sendo, é correto afirmar:

A) Que o SESMT foi estabelecido no artigo 162


da Consolidação das Leis do Trabalho e é regula-
mentado pela Norma Regulamentadora NR 04, que
disciplina que, dependendo da quantidade de empre-
gados e da natureza das atividades, o serviço pode
incluir os profissionais citados.
B) O SESMT foi criado em face do aumento expres-
sivo de acidentes do trabalho, a fim de resolver, mas,
também e notadamente, prevenir, alertando e dando
instruções aos trabalhadores sobre o aparecimento
de novas doenças, esclarecimentos sobre qualquer
tipo de doença e também evitar que pequenos aci-
dentes de trabalho possam acontecer e prejudicar
tanto o empregado quanto o empregador.
C) É formado por Engenheiro de Segurança do Tra-

163
balho; Médico do Trabalho; Auxiliar de Enfermagem
do Trabalho; Técnico em Segurança do Trabalho.
D) Serve à prevenção de riscos nas atividades de tra-
balho com vistas à preservação da saúde e integri-
dade da pessoa humana, bem como a proteção do
trabalhador em todas as unidades laborais, no que se
refere à questão de segurança, inclusive higiene do
trabalho, sem interferência específica nas competên-
cias legais e técnicas estabelecidas para as diversas
modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agrono-
mia, conforme o Parecer n.º 19/87, do Conselho Fe-
deral de Educação.
E) Somente as alternativas “A”, “B” e “D” estão corretas.

2 - O SESMT é formado, obrigatoriamente, por:

A) Engenheiro de Segurança do Trabalho; Médico


do Trabalho; Enfermeiro do Trabalho; Técnico em
Segurança do Trabalho.
B) Engenheiro e Arquiteto de Segurança do Trabalho;
Enfermeiro do Trabalho; Auxiliar de Enfermagem do
Trabalho; Técnico em Segurança do Trabalho.
C) Engenheiro de Segurança do Trabalho; Médico
do Trabalho; Enfermeiro do Trabalho; Auxiliar de
Enfermagem do Trabalho; Técnico em Segurança
do Trabalho.
D) Engenheiro de Segurança do Trabalho; Médico

164
do Trabalho; Enfermeiro do Trabalho; Auxiliar de
Enfermagem do Trabalho.
E) Engenheiro de Segurança do Trabalho; Médico
do Trabalho; Auxiliar de Enfermagem do Trabalho;
Técnico em Segurança do Trabalho.

3 - Os profissionais de segurança do trabalho, tal


como os Técnicos em Segurança do Trabalho, têm a
missão de supervisionar as atividades ligadas à segu-
rança do trabalho, visando assegurar condições que
eliminem ou reduzam ao mínimo os riscos de ocor-
rência de acidentes de trabalho, observando o cum-
primento de toda a legislação pertinente. Portanto, é
de sua responsabilidade:

A) Promover inspeções nos locais de trabalho, iden-


tificando condições perigosas, tomando todas as pro-
vidências necessárias para eliminar as situações de ris-
co, bem como treinar e conscientizar os funcionários
quanto às atitudes de segurança no trabalho.
B) Preparar programas de treinamento sobre segu-
rança do trabalho, incluindo programas de conscien-
tização e divulgação de normas de segurança, visan-
do ao desenvolvimento de uma atitude preventiva
nos funcionários quanto à segurança do trabalho.
C) Determinar a utilização pelo trabalhador dos
equipamentos de proteção individual (EPI), bem

165
como indicar e inspecionar equipamentos de prote-
ção contra incêndio, quando as condições assim o
exigirem, visando à redução dos riscos à segurança e
integridade física do trabalhador.
D) Colaborar nos projetos de modificações prediais
ou novas instalações da empresa, visando à criação
de condições mais seguras no trabalho.
E) Todas as alternativas estão corretas.

4 - Gerência de risco é:

A) Promover, primeiramente, a ligação entre a em-


presa e os trabalhadores no tocante ao risco iminen-
te do ambiente e da atividade laboral para, conse-
quentemente, trabalhar para mitigar e prevenir os
riscos dessa ordem.
B) A possibilidade de eventos indesejados, previsí-
veis ou não, está sempre presente no cotidiano das
organizações. Para evitar a ocorrência destes, o ideal
é que se busque a minimização dos impactos dano-
sos, com a adoção de uma série de práticas, de forma
a reduzir o número de incidentes, de acidentes e de
perdas, segundo Barbosa Filho.
C) O conjunto de técnicas que visa reduzir ao mí-
nimo os efeitos das perdas acidentais, enfocando o
tratamento correto de riscos que possam causar da-
nos ao meio ambiente e à imagem da organização.

166
Pode ser definida como o Processo de Planejar, Or-
ganizar, Dirigir e Controlar os Recursos Humanos e
Materiais de uma Organização, no sentido de mini-
mizar os efeitos dos riscos sobre essa organização,
ao mínimo custo possível.
D) Somente as alternativas “A”, “B”, “C” estão corretas
E) Somente a alternativa “C” está correta.

5 - A CIPA tem por atribuição:

A) Investigar e analisar os acidentes ocorridos na


empresa.
B) Sugerir as medidas de prevenção de acidentes jul-
gadas necessárias por iniciativa própria ou sugestão
de outros empregados e encaminhá-las ao presiden-
te e ao departamento de segurança da empresa.
C) Promover a divulgação e zelar pela observância
das normas de segurança, ou ainda, de regulamentos
e instrumentos de serviço emitidos pelo empregador.
D) Promover anualmente a Semana Interna de Pre-
venção de Acidentes (SIPAT).
E) Todas as alternativas estão corretas.

167
Legislacao Aplicada a Seguranca,
Prevencao e Controle De Risco no
Ambiente do Trabalho

4.1. INTRODUÇÃO

Neste capítulo, ênfase se dará à Legislação


aplicada à segurança, prevenção e controle de risco
no ambiente do trabalho.
Destacam-se, também neste capítulo, pre-
venção e controle de risco no Brasil; a OIT, o con-
trole total de perdas; a Lei 6.514, de 1978, as NRs
vigentes e dois estudos de caso.

4.2. LEGISLAÇÃO APLICADA


Á SEGURANÇA, PREVENÇÃO E
CONTROLE DE RISCO NO AMBIENTE
DO TRABALHO

4.2.1. Organização Internacional do


Trabalho (OIT)

A Organização Internacional do Trabalho


(OIT) foi fundada em 1919, com o objetivo de pro-

169
mover a justiça social e, assim, contribuir para a paz
universal e permanente.
A OIT tem uma estrutura tripartite única en-
tre as agências do sistema das Nações Unidas, na qual
os representantes de empregadores e de trabalhadores
têm a mesma voz que os representantes de governos.
Ao longo dos anos, a OIT tem lançado, para
adoção por seus Estados-membros, convenções e
recomendações internacionais do trabalho.
Essas normas versam sobre liberdade de as-
sociação, emprego, política social, condições de tra-
balho, previdência social, relações industriais e admi-
nistração do trabalho, entre outras.
A OIT desenvolve projetos de cooperação
técnica e presta serviços de assessoria, capacitação e
assistência técnica a seus Estados-membros.
A estrutura da OIT compreende: Conferên-
cia Internacional do Trabalho, Conselho de Admi-
nistração e Secretaria Internacional do Trabalho.
A Conferência é um fórum mundial que se
reúne anualmente para discutir questões sociais e tra-
balhistas, adotar e rever normas internacionais do tra-
balho e estabelecer as políticas gerais da Organização.
É composta por representantes de
governos e de organizações de empregadores e de
trabalhadores dos 178* Estados-membros da OIT.
Esses três constituintes estão também repre-
sentados no Conselho de Administração, órgão exe-

170
cutivo da OIT, que decide sobre as políticas da OIT.
A Secretaria Internacional do Trabalho, ór-
gão permanente sob o comando do Diretor-Geral, é
constituída por diversos departamentos, setores e por
extensa rede de escritórios instalados em mais de 40
países, mantém contato com governos e representa-
ções de empregadores e de trabalhadores e marca a
presença da OIT em todo o mundo do trabalho.
Dessas conferências da OIT muitas diretri-
zes são estabelecidas, influenciando diretamente a
edição de Leis desta qualidade em nosso país.
É pauta constante a segurança, prevenção e
controle de risco no ambiente do trabalho.
Um dos elementos precípuos é o controle
de perdas.

4.2.2. Controle Total de Perdas

O controle de perdas foi introduzido pela


ideia de John A. Fletcher nos anos 70, com uma vi-
são abrangente, a fim de reduzir ou eliminar os ris-
cos no ambiente do trabalho, tal como os acidentes
e doenças laborais.
O citado estudioso partiu do pressuposto
de que os acidentes que resultam em danos às ins-
talações, aos equipamentos e aos materiais têm as
mesmas causas básicas do que os que resultam em
lesões, sendo que o objetivo do Controle Total de

171
Perdas é o de reduzir ou eliminar todos os acidentes
que possam interferir ou paralisar o sistema.
Enquanto a segurança e medicina do traba-
lho tradicional se ocupavam da prevenção de lesões
pessoais, o Controle Total de Perdas envolve os dois
conceitos no que se refere aos acidentes com lesões
pessoais e danos à propriedade englobando ainda:
perdas provocadas por acidentes em relação a ex-
plosões, incêndios, roubo, sabotagem, vandalismo,
poluição ambiental, doença, defeito do produto etc.
Portanto, pode-se dizer que o Controle
Total de Perdas envolve:

→ Prevenção de lesões (acidentes que têm


como resultado lesões pessoais);
→ Controle total de acidentes (danos à pro-
priedade, equipamentos e materiais);
→ Prevenção de incêndios (controle de to-
das as perdas por incêndios);
→ Segurança industrial (proteção dos bens
da companhia);
→ Higiene e saúde industrial;
→ Controle da contaminação do ar, água e solo;
→ Responsabilidade pelo produto.

Assim sendo, o conceito de Controle Total


de Perdas:

172
desenvolveu-se e evoluiu, no pensamen-
to dos profissionais de segurança durante mui-
tos anos, com o fim de inverter a tendência as-
cendente do índice de lesões. Segundo ele, para
implantar-se um programa de Controle Total de
Perdas deve-se ir desde a prevenção de lesões ao
controle total de acidentes, para então chegar-se
ao Controle Total de Perdas. De acordo com o
mesmo autor, a implantação de um programa de
Controle Total de Perdas requer três passos bá-
sicos: determinar o que se está fazendo; avaliar
como se está fazendo e; elaborar planos de ação
que indiquem o que tem de ser feito. 30

4.2.3. Lei 6.514 de 1978

A Lei n.º 6.514/77 foi responsável pela alteração


do Capítulo V do Titulo II da Consolidação das Leis do
Trabalho, relativo à segurança e medicina do trabalho.
Alguns aspectos relacionados à segurança e
medicina do trabalho no Brasil já tinham sido super-
ficialmente disciplinados em 1941 e 1942. A legisla-
ção sobre a matéria deu-se efetivamente por meio do

ALBERTON, Anete. Uma Metodologia para auxiliar no


gerenciamento de riscos e na seleção de alternativas de investimentos
de segurança. Florianópolis, 1996. Dissertação (Mestrado em
Engenharia de Produção) - Programa de Pós-

173
Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do
Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-lei n.º 5.452,
de 1º de maio de 1943.
A primeira modificação substancial sofrida
pela CLT, no que diz respeito à questão, ocorreu em
1967. Foram introduzidas algumas inovações, no-
tadamente as relativas à obrigatoriedade da organi-
zação, pelas empresas, do Serviço Especializado de
Segurança e Medicina do Trabalho.
Contudo, foi com a Lei n.º 6.514, de 22 de
dezembro de 1977 (publicada no D.O.U. de 23/12/1977,
Seção I - Parte I), que deu nova redação a todo o Capítu-
lo V do Título II da CLT, relativo à segurança e medicina
do trabalho, que se absorveu o conteúdo de vários diplo-
mas legais e destacaram-se a insalubridade e a periculosi-
dade dos ambientes de trabalho.
Convém ressaltar que essa modificação deu
nova cara à CIPA, estabeleceu a obrigatoriedade, es-
tabilidade, entre outros avanços.
A par dessa alteração na CLT, em 1978, hou-
ve a Criação das Normas Regulamentadoras (NRs),
aprovadas pela Portaria 3214, de 08/06/78 do MTE,
aproveitando e ampliando as portarias existentes e
Atos Normativos, adotados até na construção da Hi-
drelétrica Itaipu. Na ocasião, foram criadas 28 NRs.
Essa portaria representou um dos principais
impulsos dados à área de Segurança e Medicina do
Trabalho nos últimos anos.

174
Em 1979, em face da carência de profissionais
para compor o Serviço Especializado em Engenharia
de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), a
resolução n.° 262 regulamenta a criação de cursos em
caráter prioritário para esses profissionais.
Em 1983, a Portaria n.° 33 alterou a NR5,
introduzindo nela os riscos ambientais.
Já em 1985, a Lei n.° 7410, de 27/11/85,
oficializou a especialização em Engenharia de
Segurança do Trabalho e criou a categoria pro-
fissional de Técnico em Segurança do Traba-
lho, até então os únicos profissionais preven-
cionistas não reconhecidos legalmente.
Essa Lei deu prazo de 120 dias para o Mi-
nistério da Educação e Cultura (MEC) verificar os
currículos básicos do curso de especialização em
Técnico de Segurança do Trabalho.
Contudo, somente em 1987, por meio do
parecer 632/87 do MEC, foi estabelecido o curso
de formação de Técnico de Segurança do Trabalho
(TST), o qual se encontra em vigor.
Já em 1986, a Lei n.° 7498/86 regulamenta
as profissões Enfermeiro, Técnico em Enfermagem,
Auxiliar de Enfermagem e a Lei n.° 9235 de
09/04/86 regulamentou a categoria de Técnico de
Segurança do Trabalho. Que na década de 50 eram
chamados de “Inspetores de Segurança”.
Em 1990, o quadro do SESMT NR 4 é atu-

175
alizado, passando a ser formado por: Engenheiro de
Segurança do Trabalho; Médico do Trabalho; En-
fermeiro do Trabalho Auxiliar de Enfermagem do
Trabalho; Técnico em Segurança do Trabalho.
A Lei 8.213/91 veio para estabelecer o con-
ceito legal de Acidente de Trabalho e de Trajeto e
nos artigos 19 a 21 e no artigo 22 também estabelece
a obrigação da empresa em comunicar os Acidentes
do Trabalho às autoridades competentes. Foi poste-
riormente alterado pelo Decreto n.º 611, de 21 de
julho de 1992.
Em 2001, entra em vigor a Portaria n.° 458,
de 4 de Outubro de 2001, e fica proibido, a partir de
então, o trabalho infantil no Brasil.
Somente em 2009 o termo Ato Inseguro
é retirado do item 1.7 da Norma Regulamentado-
ra 1. E isso é motivo de comemoração para mui-
tos prevencionistas que reclamam que o termo
retirava em muitas vezes a responsabilidade do
empregador. Pois, era fácil rotular os acidentes
somente como Ato Inseguro, e isso dificultava
encontrar a verdadeira causa.
Em 2012, a Presidente do Brasil instituiu
por meio da Lei n.º 12.645, de 16 de maio de
2012, o dia 10 de outubro como o Dia Nacional
de Segurança e de Saúde, notadamente, nas Esco-
las com intuito de Educar nossas crianças e ado-
lescentes sobre o assunto.

176
4.2.4. As Normas Regulamentadoras (NRs)

Para promover o estudo relativo à segurança,


prevenção e controle de risco no trabalho seguem
em ordem cronológica as Normas Regulamentado-
ras (NRs) do Ministério do Trabalho:
A Portaria n.º 3.214/78 da Secretaria de
Segurança e Saúde no Trabalho (SSST), atualmente,
Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho
(DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego dis-
põe que a NR 1, em suas disposições gerais, deter-
mina que as normas regulamentadoras, relativas à
segurança e medicina do trabalho, obrigatoriamente,
deverão ser cumpridas por todas as empresas pri-
vadas e públicas, desde que possuam empregados
regidos de acordo com a CLT. Determina, também,
que a Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho –
SST é o órgão competente para coordenar, orientar,
controlar e supervisionar todas as atividades relacio-
nadas à Segurança do Trabalho. E dá competência às
Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) regionais,
determina as responsabilidades do empregador e a
responsabilidade dos empregados.
A NR 2 refere-se à Inspeção Prévia, ou seja,
determina que todo estabelecimento novo deverá
solicitar aprovação de suas instalações ao órgão re-
gional do Ministério do Trabalho e Emprego, que
emitirá o CAI – Certificado de Aprovação de Ins-

177
talações, por meio de modelo pré-estabelecido no
próprio site do MTE.
A NR 3 diz respeito a Embargo ou Interdi-
ção. A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) poderá
interditar/embargar o estabelecimento, as máquinas,
setor de serviços se os mesmos demonstrarem grave
e iminente risco para o trabalhador, mediante laudo
técnico, e/ou exigir providências a serem adotadas
para a regularização das irregularidades. Em caso de
interdição ou embargo em um determinado setor ou
maquinários ou na empresa toda, os empregados re-
ceberão os salários como se estivessem trabalhando.
A NR4 refere-se aos Serviços Especiali-
zados em Engenharia de Segurança e em Medici-
na do Trabalho. Sendo certo que a implantação do
Serviço Especializado em Engenharia de Segurança
e em Medicina do Trabalho (SESMT) depende da
gradação do risco da atividade principal da empresa
(Classificação Nacional de Atividades Econômicas –
CNAE) e do número total de empregados do esta-
belecimento, estabelecido em seu Quadro 2.
Dependendo desses elementos, o SESMT
deverá ser composto por um Engenheiro de Segu-
rança do Trabalho, um Médico do Trabalho, En-
fermeiro do Trabalho, Auxiliar de Enfermagem do
Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho, todos
empregados da empresa.
O SESMT tem por finalidade promover

178
ações de prevenção e correção dos riscos encontra-
dos para tornar o ambiente de trabalho um lugar se-
guro. Compatível com a preservação saúde, e com a
segurança do trabalho.
A NR 5 diz respeito à Comissão Interna
de Prevenção de Acidentes – CIPA. Determina que
todas as empresas privadas, públicas, sociedades de
economia mista, instituições beneficentes, coopera-
tivas, clubes, desde que possuam empregados cele-
tistas, dependendo do grau de risco da empresa e do
número mínimo de 20 empregados, são obrigadas a
manter a CIPA.
Este dimensionamento depende da Classifica-
ção Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, que
remete a outra listagem de número de empregados.
O objetivo é a prevenção de acidentes e do-
enças decorrentes do trabalho, tornando compatível o
trabalho com a preservação da saúde do trabalhador.
A CIPA é composta de um representante da
empresa, ou seja, Presidente (designado) e represen-
tantes dos empregados, eleitos em escrutínio secre-
to, com mandato de um ano, e direito a uma reelei-
ção, e mais um ano de estabilidade.
Mesmo quando a empresa não precisar de
membros eleitos de acordo com o dimensionamen-
to previsto deverá ter um membro designado pelo
empregador. Esse membro responderá pelas ações
da CIPA na empresa.

179
A NR 6 dispõe sobre os Equipamentos
de Proteção Individual. As empresas são obrigadas
a fornecer aos seus empregados equipamentos de
proteção individual, destinados a proteger a saúde e
a integridade física do trabalhador. O Equipamento
de Proteção Individual (EPI) deve ser entregue gra-
tuitamente, e a entrega deverá ser registrada.
Todo equipamento deve ter o Certificado de
Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho e Empre-
go e a empresa que importa Equipamentos de Proteção
Individual (EPIs) também deverá ser registrada junto ao
Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho, exis-
tindo para esse fim todo um processo administrativo.
A NR 7 diz respeito ao Programa de Con-
trole Médico de Saúde Ocupacional, estabelecendo
a obrigatoriedade de exames médicos (obrigatórios)
para as empresas, sendo eles: Exame admissional;
Exame periódico; Retorno ao trabalho; - Mudança
de função; Demissional; e Exames Complementares,
dependendo do grau de risco da empresa e agen-
tes agressores presentes no ambiente de trabalho, a
critério do médico do trabalho e dependendo dos
quadros na própria NR 7, bem como na NR 15 (In-
salubridade), existirão exames específicos para cada
risco que o trabalho possa gerar.
A NR 8 veio para tratar das Edificações. Esta
norma define os parâmetros para as edificações, obser-
vando-se a proteção contra a chuva, insolação excessiva

180
ou falta de insolação, enfim, busca estabelecer condi-
ções do conforto nos locais de trabalho. É importante
também no tange o assunto, observar as legislações
pertinentes a nível federal, estadual e municipal.
Já a NR 9 veio para determinar o Programa
de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Esta-
belece a obrigatoriedade da elaboração e implanta-
ção do PPRA a todas as empresas que admitam tra-
balhadores como empregados.
O Programa de Prevenção de Riscos Am-
bientais (PPRA) objetiva a preservação da saúde e
integridade do trabalhador, por meio da antecipação,
avaliação e controle dos riscos ambientais existentes,
ou que venham a existir no ambiente de trabalho,
tendo em vista a proteção ao meio ambiente e dos
recursos naturais.
O PPRA é um programa dinâmico e se for
levado a sério desde a elaboração até a execução das
medidas preventivas, pode contribuir de forma bem
significativa para a organização das ações de preven-
ção dentro de cada empresa.
A NR 10 trata das Instalações e Serviços
de Eletricidade, a qual visa estabelecer condições
mínimas para garantir a segurança daqueles que tra-
balham em instalações elétricas, em suas diversas
etapas, incluindo projeto, execução, operação, ma-
nutenção, reforma e ampliação. Cobrir em nível pre-
ventivo usuários e terceiros.

181
A NR 11, que trata de Transporte, Movi-
mentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais,
veio para estabelecer medidas de prevenção à Ope-
ração de Elevadores, Guindastes, Transportadores
Industriais e Máquinas Transportadoras. Trata da
padronização dos procedimentos operacionais, e,
assim, busca garantir a segurança de todos os envol-
vidos na atividade.
A NR 12 refere-se às Máquinas e
Equipamentos. Por meio dela se determinam as ins-
talações e áreas de trabalho, distâncias mínimas en-
tre as máquinas. Os equipamentos; dispositivos de
acionamento, partida e parada das máquinas e equi-
pamentos. Em seus anexos vários equipamentos são
mostrados de forma bem detalhada, sempre busca
a padronização das medidas de prevenção a serem
adotadas, a fim de obtermos um trabalho mais segu-
ro com o maquinário.
A NR 13 diz respeito a Caldeiras e Vasos de
Pressão, vem estabelecer os procedimentos de segu-
rança que devem ser observados nas atividades re-
ferentes a projeto de construção, acompanhamento
de operação e manutenção, inspeção e supervisão de
inspeção de caldeiras e vasos de pressão.
Essa Norma exige treinamento específico
para os seus operadores, contendo várias classifica-
ções e categorias, nas especialidades, devido, princi-
palmente, ao seu elevado grau de risco.

182
A NR 14 dispõe sobre os Fornos. Por meio
dela, se têm definidos os parâmetros a serem observa-
dos para a instalação de fornos, cuidados com gases,
chamas, líquidos. É importante observar as legislações
pertinentes nos níveis federal, estadual e municipal.
A NR 15 refere-se às Atividades e Opera-
ções Insalubres, por ela se obtém a definição desse
tipo de atividade, ou seja, a atividade é considerada
insalubre quando ocorre além dos limites de tole-
rância, isto é intensidade, natureza e tempo de ex-
posição ao agente, que não causará dano à saúde do
trabalhador, durante a sua vida laboral.
As atividades insalubres estão contidas nos
anexos dessa Norma e são considerados os agentes:
Ruído contínuo ou permanente; Ruído de Impacto;
Tolerância para Exposição ao Calor; Radiações Ioni-
zantes; Agentes Químicos e Poeiras Minerais.
Tanto a NR 15 quanto a NR 16 depen-
dem de perícia, a cargo do médico ou do engenhei-
ro do trabalho, devidamente credenciado junto ao
Ministério do Trabalho e Emprego.
A NR 16 refere-se às Atividades e Opera-
ções Perigosas. São atividades perigosas aquelas li-
gadas a Explosivos, Inflamáveis e Energia Elétrica.
A NR 17 refere-se à Ergonomia, a qual es-
tabelece os parâmetros que permitam a adaptação
das condições de trabalho às características psicofi-
siológicas do homem. Máquinas, ambiente, comuni-

183
cações dos elementos do sistema, informações, pro-
cessamento, tomada de decisões, organização, tudo
isso gera consequências no trabalhador, e devem ser
avaliados, e, se necessário, reorganizado.
Observe-se que as Lesões por Esforços Re-
petitivos (LER) e as denominadas Doenças Osteo-
musculares (DORT) são relacionadas ao trabalho e
constituem o principal grupo de problemas de saú-
de, reconhecidas pelo seu vínculo laboral.
Importante considerar que o termo
DORT é muito mais abrangente do que o ter-
mo LER, constante hoje das relações de doenças
profissionais da Previdência.
A NR 18 refere-se às Condições e Meio
Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.
Destina, pois, a regulamentar o elenco de providên-
cias a serem executadas, em função do cronograma
de uma obra, levando-se em conta os riscos de aci-
dentes e doenças do trabalho e as suas respectivas
medidas de segurança.
É sem dúvidas uma das normas mais com-
pletas em comparação às demais NRs vigentes.
A NR 19 trata dos Explosivos determinan-
do parâmetros para o depósito, manuseio e armaze-
nagem. Objetivando regulamentar medidas de segu-
rança para esse trabalho que é de alto risco.
A NR 20 refere-se à Segurança e Saúde no
Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis. Define

184
os parâmetros para as atividades de extração, pro-
dução, armazenamento, transferência, manuseio e
manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis.
A NR 21 trata do Trabalho a Céu Aberto,
por essa razão, define o tipo de proteção que deve
ser fornecida pela empresa aos trabalhadores que
trabalham sem abrigo, contra intempéries (insolação,
condições sanitárias, água, etc.).
A NR 22 veio para disciplinar a Segurança
e Saúde Ocupacional na Mineração. Estabelece nor-
mas para a segurança dos trabalhadores da indústria
da mineração. Objetivando a busca permanente por
um ambiente de trabalho seguro.
A mineração tem normas bem específicas. Al-
guns itens exclusivos da mineração são: Programa de
Gerenciamento de Risco (PGR), Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes na Mineração (CIPAMIN).
A NR 23 trata da Proteção contra Incên-
dios. Todas as empresas devem possuir proteção
contra incêndio; saídas para retirada de pessoal em
serviço e/ou público; pessoal treinado e equipamen-
tos. Recentemente, essa norma foi alterada e já não
tem muito a oferecer.
Todas as questões relacionadas a incêndios
devem ser resolvidas observando as legislações esta-
duais do Corpo de Bombeiros.
A NR 24 traz as Condições Sanitárias e de
Conforto nos Locais do Trabalho, vez que todo es-

185
tabelecimento deve atender às denominações desta
norma. Ele busca adequar banheiros, vestiários, re-
feitórios, alojamentos e outras questões de conforto.
Cabe à CIPA e/ou ao SESMT (onde hou-
ver), a observância e cumprimento desta norma. É
importante observar, também, se nas Convenções
Coletivas de Trabalho de cada categoria existe algum
item sobre o assunto.
A NR 25 refere-se aos Resíduos Industriais.
Trata da eliminação dos resíduos gasosos, sólidos,
líquidos de alta toxidade, periculosidade, risco bio-
lógico, radioativo, relativos ao trabalho. Busca evitar
acidentes como o caso Césio 137, em Goiás.
No caso de eliminação de resíduos, é impor-
tante consultar as normas específicas de acordo com
as peculiaridades de cada Estado e Município.
A NR 26 veio disciplinar a Sinalização de
Segurança. Determina, portanto, as cores a serem
observadas na segurança do trabalho como forma
de prevenção, evitando a distração, confusão e fa-
diga do trabalhador, bem como cuidados especiais
quanto a produtos e locais perigosos. Recentemente,
essa norma foi revista, e já não oferece muito. Qual-
quer dúvida sobre o tema deve ser esclarecida com
as normas estaduais e NBRs.
A NR 27 trata do Registro Profissional do
Técnico de Segurança. Apesar de ainda constar em
todos os livros de NR esta norma foi revogada.

186
A NR 28 veio para disciplinar a Fiscalização
e penalidades e para isso veio estabelecer os proce-
dimentos a serem adotados pela fiscalização traba-
lhista de segurança e medicina do trabalho, tanto a
concessão de prazos ás empresas para a correção de
irregularidades técnicas, como também, no que con-
cerne ao procedimento de autuação por infração as
Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina
do trabalho, e valores de multas.
A NR 29 refere-se à Norma Regulamenta-
dora de Segurança e Saúde no Trabalho Portuário e
tem por objetivo regulamentar a prevenção contra
acidentes e doenças profissionais, facilitar os primei-
ros socorros a acidentados e alcançar as melhores
condições possíveis de segurança e saúde aos traba-
lhadores portuários.
As disposições contidas nessa NR aplicam-
-se aos trabalhadores portuários em operações, tan-
to a bordo como em terra, assim como aos demais
trabalhadores que exerçam atividades nos portos or-
ganizados e instalações portuárias de uso privativo e
retroportuárias, situadas dentro ou fora da área do
porto organizado.
A NR 30 veio para disciplinar a Segurança
e Saúde no Trabalho Aquaviário. Aplica-se aos tra-
balhadores de toda embarcação comercial utilizada
no transporte de mercadorias ou de passageiros,
na navegação marítima de longo curso, na cabota-

187
gem, na navegação interior, no serviço de reboque
em alto-mar, bem como em plataformas marítimas
e fluviais, quando em deslocamento, e embarcações
de apoio marítimo e portuário.
A observância desta Norma Regulamenta-
dora não desobriga as empresas do cumprimento
de outras disposições legais com relação à matéria e
outras oriundas de convenções, acordos e contratos
coletivos de trabalho.
A NR 31 refere-se à Segurança e saúde no
Trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, explo-
ração florestal, aquicultura, sendo este último tam-
bém conhecido como Aquacultura, ou seja, trata-
-se da produção de organismos aquáticos, como a
criação de peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios e
o cultivo de plantas aquáticas para uso humano. A
maricultura refere-se especificamente à aquicultura
marinha, enquanto a piscicultura refere-se ao cultivo
de peixes, principalmente, de água doce. Já a carci-
nicultura é a criação de camarões. A conquicultura
refere-se à criação de moluscos bivalves, sendo a
ostreicultura a criação de ostras e a mitilicultura a
criação de mexilhões.
Estabelece os preceitos a serem observa-
dos na organização e no ambiente de trabalho,
de forma a tornar compatível o planejamento e o
desenvolvimento de quaisquer atividades da agri-
cultura, pecuária, silvicultura, exploração flores-

188
tal e aquicultura com a segurança e saúde e meio
ambiente do trabalho.
A NR 32 trata da Segurança e Saúde no
Trabalho em Serviços de Saúde. Tem por finalidade
estabelecer diretrizes básicas para a implementação
de medidas de proteção à segurança e à saúde dos
trabalhadores dos serviços de saúde, bem como da-
queles que exercem atividades de promoção e assis-
tência à saúde em geral. Norma bem específica para
regulamentar, inclusive, os programas de prevenção
que têm traços bem particulares nessa atividade.
A NR 33 refere-se à Segurança e Saúde nos
Trabalhos em Espaços Confinados, e tem por obje-
tivo estabelecer requisitos mínimos para a identifi-
cação de espaços confinados e o controle dos riscos
existentes, de forma a garantir, permanentemente, a
segurança e saúde dos trabalhadores que interagem
direta ou indiretamente nesses espaços.
Entende-se por espaço confinado qualquer
área não projetada para ocupação humana, que tenha
meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação seja
insuficiente para remover os contaminantes, que possa
existir enriquecimento ou insuficiência de oxigênio exi-
gido para uma respiração natural.
A NR 34 trata das Condições e Meio Ambien-
te de Trabalho na Indústria da Construção e Reparação
Naval e estabelece requisitos mínimos e as medidas de
proteção e segurança à saúde e ao meio ambiente de

189
trabalho nas atividades da indústria de construção e re-
paração naval. Englobam assuntos, como: Análise Pre-
liminar de Risco (APR), Diálogo Diário de Segurança
(DDS), Permissão de Trabalho (PT), Equipamento de
Proteção Individual (EPI), Equipamento de Proteção
Coletiva (EPC), dentre outros.
A NR 35 trata do Trabalho em Altura. Esta
Norma estabelece os requisitos mínimos e as medi-
das de proteção para o trabalho em altura, envolven-
do o planejamento, a organização, execução, treina-
mento de funcionários, de forma a garantir a segu-
rança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta
ou indiretamente com esta atividade.
Já a NR 36 trata da Segurança e Saúde no
Trabalho em Empresas de Abate e Processamento
de Carnes e Derivados. O objetivo da Norma Regu-
lamentadora 36 é estabelecer os requisitos mínimos
para a avaliação, controle e monitoramento dos ris-
cos existentes nas atividades desenvolvidas na indús-
tria de abate e processamento de carnes e derivados
destinados ao consumo humano.
A NR 36 visa ao estabelecimento de formas
e procedimentos de trabalho, a fim de garantir, per-
manentemente, a segurança, a saúde e a qualidade de
vida no trabalho. Sem causar prejuízo da observância
do normatizado nas demais Normas Regulamenta-
doras – NRs do Ministério do Trabalho e Emprego.

190
4.3. ESTUDOS DE CASO

O Método do Estudo de Caso é o método


das Ciências Sociais, que devem ser analisadas de
acordo com o problema apresentado as questões
devem respondidas, tomando o investigador o real
evento e de acordo com os fatos.
Há métodos para a elaboração de um estudo
de caso, contudo, o básico é o que segue:

1) Introdução
Define o problema a ser examinado e ex-
plica os parâmetros ou as limitações da situação;
deve despertar interesse e curiosidade.
2) Visão Geral/Análise
Onde/quando/por quê; fornece detalhes
sobre atores envolvidos e organizações; identi-
fica questões profissionais, técnicas ou teóricas
etc.; o caso deve ser rico em nuances contextu-
ais: cenários, personalidades, culturas, urgência
das questões etc.
3) Relato da Situação
Descreve as ações, pode incluir declara-
ções dos atores e suas relações; deve deixar claro
o período temporal ou a cronologia do caso; é
importante saber onde os eventos importantes
ocorrem, com a identificação clara de locais e
das instituições.

191
Problemas do caso
Geralmente, um ou dois problemas que
requerem análise para resolver uma questão
específica; devem ser apresentados de forma
clara; podem assumir três formas: a) apresen-
tam uma situação e perguntam aos alunos o
que fariam a seguir; b) definem uma tarefa,
como, por exemplo, pedir aos alunos para
elaborar relatório recomendando uma ação;
c) ilustram um cenário e pedem aos alunos
que analisem as falhas e recomendem como a
situação deveria ser abordada. 31

Nos demais itens, apresentaremos alguns es-


tudos de caso com ênfase na estrutura.

31 - http://casoteca.enap.gov.br/index.php?option=com_content&v
iew=article&id=27&Itemid=526ago201320h30

192
4.3.1. GESTÃO DE SEGURANÇA E
SAÚDE NO TRABALHO: UM ESTUDO DE
CASO EM UMA EMPRESA DE TRANSPORTE
DE PASSAGEIRO URBANO

“...
Caracterização da Empresa

3.1. Dados Preliminares


A Empresa de Transportes Urbano “X”
está localizada na cidade de João Pessoa/Para-
íba, em um bairro popular. Foi fundada no ano
de 1972 e tem como forma jurídica responsa-
bilidade limitada, composta por três sócios: o
presidente, um diretor administrativo e um fi-
nanceiro. Atua na capital, oferecendo aos usu-
ários a prestação de serviço de transporte ur-
bano em sete linhas de sete bairros da capital.
Possui 195 funcionários, sendo distribuídos
da seguinte forma: 73 motoristas, 73 cobra-
dores, 08 agentes administrativos, 01 psicólo-
ga, 01 técnico em segurança do trabalho, 14
despachantes, 02 borracheiros, 01 eletricista,
01 pintor, 01 auxiliar de pintor, 01 lanterneiro,
01 auxiliar de lanternagem, 02 mecânicos, 08
auxiliares de mecânico, 01 abastecedor, 04 la-
vadores, 01 varredor e 02 porteiros.

193
3.2. Organização do Trabalho
Apesar de um número expressivo de fun-
cionários e diversidade de funções, a empresa
não possui um organograma estruturado. Quan-
to à gestão da mão de obra, esta possui uma jor-
nada de dois turnos, assim distribuídos:
Diurno: 08h00 – 12h00
Diurno: 14h00 – 18h00
Noturno: 18h00 – 24h00

Essa jornada é dirigida aos funcionários


em geral, de forma que há aqueles que trabalham
apenas no turno diurno, e outros, como o pesso-
al da manutenção, que trabalham apenas no tur-
no noturno. Com relação à função de motoris-
tas, cobradores e despachantes, a jornada segue
uma rotina de serviço de sete horas e vinte mi-
nutos trabalhados, com uma hora de descanso e
uma folga semanal, regulamentada pela Superin-
tendência de Transporte e Trânsito (STTrans).
Cada percurso de linha deve ter uma duração
média de 40 a 45 minutos, com uma margem de
5 minutos para mais ou menos.
Os funcionários obedecem a um regime
de trabalho fixo com carteira assinada, sem ho-
ra-extra estabelecida. A remuneração de pessoal
é quinzenal, apresentando níveis salariais de 1 a
5 salários mínimos, não havendo adicional de

194
produtividade. O índice de rotatividade é baixo
e a média de idade entre os funcionários gira em
torno dos 30 anos, e o nível de escolaridade, de
maneira geral, é o primeiro grau completo.
Para a seleção de pessoas, a empresa adota
o seguinte procedimento: entrevista inicial, apli-
cação de testes práticos específicos da função
e entrevista final, realizadas pela psicóloga, en-
quanto os testes práticos são aplicados por pes-
soas especializadas na função. De maneira geral,
os funcionários são disciplinados, comparecen-
do ao trabalho com regularidade, apresentando
baixo índice de absenteísmo, onde a supervisão
é realizada pela própria diretoria.

4.1. De acordo com as NRs


Foram selecionadas as NRs que se mos-
traram relevantes na empresa em questão, den-
tro da perspectiva de SST.

4.1.1. NR – 4:
A NR – 4 versa sobre os Serviços Espe-
cializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho, cuja finalidade é de pro-
mover a saúde e proteger a integridade do traba-
lhador no local de trabalho.
Esta empresa está classificada, segundo a
Classificação Nacional de Atividades Econômicas,

195
como de transporte rodoviário de passageiros, re-
gular, urbano, e possui um grau de risco 3. Devi-
do a isso, e ao número de funcionários, a empresa
conta com um técnico de segurança do trabalho. O
SEESMT está diretamente subordinado à direto-
ria administrativa, sendo formado por uma equipe
multiprofissional composta por uma enfermeira,
uma psicóloga, um médico do trabalho e um técni-
co de segurança. Os serviços realizados neste setor
funcionam em horário comercial, sendo que o téc-
nico trabalha em tempo integral, o médico uma vez
por semana e os demais em meio período. A sala
utilizada tem 25 m², é climatizada e funciona pró-
ximo ao setor de manutenção, no térreo. Existem
problemas com relação a este espaço, pois, quando
o atendimento individual é necessário, a psicólo-
ga precisa se deslocar a outro ambiente, o mesmo
ocorre com a visita semanal do médico, que precisa
ser realizada fora de seu local de trabalho devido à
ausência de uma sala para atendimento. Na realiza-
ção anual da SIPAT, todos os funcionários traba-
lham nos dois períodos.
Com relação a palestras sobre AIDS e ou-
tras doenças sexualmente transmissíveis, estas são
realizadas pelo menos duas vezes ao ano. O téc-
nico em segurança também dá aos trabalhadores
noções de primeiros socorros, embora se tenha ve-
rificado que são bastante precárias e insuficientes.

196
Os acidentes de trabalho são tratados de
maneira inadequada: apenas os acidentes consi-
derados por eles de grande relevância são no-
tificados, é emitida a CAT e feito o registro no
livro de ata da CIPA. Os acidentes considerados
“leves, sem grande importância”, são notifica-
dos apenas no livro de ata da CIPA. O último
acidente no qual foi emitida a CAT ocorreu em
1998, sendo classificado como acidente de traje-
to. Este setor não colabora nos projetos de insta-
lações físicas e tecnológicas da empresa.

4.1.2. NR – 5:
A NR – 5 estabelece a Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes - CIPA - e tem como ob-
jetivo a prevenção de acidentes e doenças decor-
rentes do trabalho, de modo a tornar compatível
permanentemente o trabalho com a preservação
da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
A comissão da CIPA nesta empresa é
formada de 16 cipeiros, sendo o presidente um
despachante; o vice-presidente, cobrador; e a se-
cretária é a psicóloga da empresa. Destes, 8 são
representantes do empregado e 8 do emprega-
dor, seguindo os critérios de representatividade
dos setores de maior risco. Na visão do técni-
co de segurança, a função dos cipeiros é “jus-
tamente prevenir acidentes, (...) observar algum

197
fio descapado, aí ele comunica ao presidente da
CIPA, entendeu? (...)”, o que pode ser taxada de
no mínimo limitada.
A CIPA possui um calendário anual de
reuniões mensais, geralmente no último dia útil
de cada mês, sendo realizada no auditório da
empresa. O SEESMT se relaciona com a CIPA
como intermediador da direção; também se re-
úne para a realização de palestras, do curso para
os cipeiros e elaboração do mapa de risco. Este
existe, mas apenas no projeto, não sendo colo-
cado nas áreas de risco para visualização e con-
sequente conscientização do risco. Não possui
a estatística dos acidentes de trabalho, nem das
doenças do trabalho.

4.1.3. NR –6:
Esta norma aplica-se aos Equipamentos de
Proteção Individual – EPI, que é definido como
todo dispositivo de uso individual, de fabricação
nacional ou estrangeira, destinado a proteger a
saúde e a integridade física do trabalhador. Fica
a empresa obrigada a fornecer aos empregados,
sem custo adicional, EPI adequado ao risco e em
perfeito estado de conservação e funcionamento.
Os EPIs utilizados na empresa são: prote-
tor auricular, protetor ocular, máscaras, macacão
de brim, avental, luva de couro, botas. O local

198
onde o uso é exigido é na manutenção, nas ativi-
dades da mecânica, lanternagem, pintura, eletri-
cista e abastecimento.
Existe uma divergência considerável entre
o discurso do técnico de segurança e do cipeiro
entrevistado quando perguntados sobre a forma
de aquisição, distribuição e controle dos EPIs.
O primeiro relatou que quando percebe a ne-
cessidade de EPIs, solicita à diretoria de imedia-
to, que emite a ordem de compra e, assim, são
adquiridos e distribuídos em número suficiente
para todos; o segundo, pelo que pôde ser cons-
tatado mais verdadeiro através da própria obser-
vação efetuada falou que a maioria dos EPIs não
é individual, as quantidades são insuficientes e
não há manutenção e higienização periódica, o
que leva muitos a não usá-los com receio até de
contrair alguma doença. O cipeiro no seu dis-
curso também revelou a ineficácia das palestras
educativas para o uso dos EPIs; além da demora
em adquirir os equipamentos. Estes não são fis-
calizados com relação à qualidade e manutenção.

4.1.4. NR– 7:
A NR – 7 estabelece a obrigatoriedade da
elaboração e implementação, por parte de todos
os empregadores e instituições que admitam tra-
balhadores como empregados, do Programa de

199
Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCM-
SO, com a finalidade de promoção e preservação
da saúde do conjunto dos seus trabalhadores.
O PCMSO existente foi coordenado pelo
médico contratado, e o responsável pela sua exe-
cução é o técnico de segurança supervisionado
pelo médico. Segundo o técnico, eles realizam
todos os exames requeridos no PCMSO.

4.1.5. NR – 9:
Esta norma diz respeito à obrigatorieda-
de da elaboração e implementação, por parte de
todos os empregadores e instituições que admi-
tam trabalhadores do Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais – PPRA, objetivando a pre-
servação da saúde e da integridade dos trabalha-
dores, através da antecipação, reconhecimento,
avaliação e consequente controle da ocorrência
de riscos ambientais existentes ou que venham a
existir no ambiente de trabalho, tendo em con-
sideração a proteção do meio ambiente e dos
recursos naturais.
O PPRA desta empresa foi elaborado em
1996 por um engenheiro de segurança do traba-
lho e vem sendo reformulado anualmente pelo
técnico, porém, foi observado que essa reformu-
lação não é tão atual quanto ao relatado. Verifi-
cou-se que o PPRA 2000 ainda não havia sido

200
reformulado e de 2001 estava fora de cogitação,
o que revela o descaso existente. O que pôde ser
constatado é que a empresa faz do PPRA o seu
sistema de gestão de segurança.

4.1.6. NR – 12:
Nesta norma estão estabelecidos os prin-
cipais requisitos que dizem respeito às máquinas
e equipamentos, principalmente com relação a
instalações, área de trabalho, piso, distâncias re-
comendáveis entre outros.
As máquinas e equipamentos encontra-
dos na empresa dividem-se em um pequeno
número com estado de conservação bom e sua
maioria com estado de conservação de regular
a precário. As instalações não estão corretas: há
muitas “gambiarras”; a área de trabalho não é
bem higienizada e a distribuição dos equipamen-
tos e máquinas é aleatória, com a existência de
entulho em diversos locais.

4.1.7. NR – 17:
A NR – 17 visa estabelecer parâmetros que
permitam a adaptação das condições de trabalho
às características psicofisiológicas dos trabalhado-
res, de modo a proporcionar um máximo de con-
forto, segurança e desempenho eficiente.
A empresa não possui nenhum tipo de pla-

201
nejamento para prevenção de riscos ergonômicos,
embora esteja consciente da presença dos mesmos.

4.1.8. NR – 23:
Esta norma estabelece que todas as empre-
sas deverão possuir proteção contra incêndio; saí-
das suficientes para a rápida retirada do pessoal em
serviço, em caso de incêndio; equipamento sufi-
ciente para combater o fogo em seu início e pesso-
as adestradas no uso correto desses equipamentos.
Segundo o técnico, o treinamento contra
incêndio é realizado a cada 6 meses, especialmen-
te, para a equipe de manutenção; mas, foi veri-
ficado que esse treinamento na realidade não é
extensivo aos motoristas, cobradores e demais
membros da empresa, com pouquíssimos deles
sabendo usar um extintor. Dois dias antes da vi-
sita, aconteceu um incêndio em um ônibus que
o destruiu por completo, na própria garagem da
empresa, e nenhuma atitude foi tomada de ime-
diato para cessar o fogo. Outras características
importantes para serem mencionadas são: ine-
xistência de sinalização, para indicar as saídas, e
de sistemas de alarme, com detecção e combate
automático; os dois reservatórios com capacidade
de 2.000 litros, localizados junto à bomba abaste-
cedora e borracharia são utilizados para lavagem
dos ônibus e as mangueiras são do tipo comum.

202
4.1.9. NR – 24:
A NR 24 versa sobre as condições sani-
tárias e de conforto nos locais de trabalho. Com
relação a esta norma, observou-se que as áre-
as destinadas ao vestuário e aos banheiros são
desorganizadas, sujas, com pouca iluminação;
o número de armários é insuficiente; os bebe-
douros não estão alocados nas áreas de maior
concentração de funcionários; o refeitório não
dispõe de mesas e cadeiras em número suficien-
te e as condições de higiene são precárias.

4.2. De acordo com a BS 8800 (De


Cicco, 1996):

4.2.1. Organização:
As atividades prescritas com relação à
organização dizem respeito a: ter acesso ou ter
competência o suficiente em relação à SST; de-
finir a alocação de responsabilidades, inclusive
financeira; assegurar que as pessoas tenham a
autoridade necessária para cumprir suas respon-
sabilidades; alocar recursos adequados; identifi-
car as competências necessárias e organizar os
treinamentos pertinentes; tomar providências
para uma comunicação eficaz; adotar medidas
para obter o aconselhamento de especialistas
em SST e tomar providências eficazes para o en-

203
volvimento dos funcionários. Segundo o diretor
administrativo da empresa, o responsável pela
SST é o técnico de segurança e o departamento
específico para a SST é o SEESMT. O controle
financeiro é feito apenas pelo diretor financeiro
que não possui nenhuma ligação com a SST.
O envolvimento e apoio dos funcioná-
rios estão esquematizados da seguinte forma,
de acordo com o depoimento: “as informações
passam pelo técnico de segurança, ele escuta o
pessoal e passa para diretoria e a gente faz o que
achar conveniente, o que achar viável.”
O treinamento dos funcionários sobre SST
é precário, reduzido a um número mínimo e os di-
rigentes raramente participam. Existe um questio-
nário que é aplicado no final do ano para avaliação
da eficácia do treinamento, mas não são realizadas
ações em cima do que foi obtido no mesmo.
A empresa toma conhecimento de no-
vas legislações e publicações relacionadas à SST
através da revista da CIPA e repassa as infor-
mações aos funcionários através do técnico de
segurança nas reuniões da CIPA.

4.2.3. Avaliação de Riscos:


O processo de avaliação de riscos abrange
todos os perigos de SST. É melhor integrar ava-
liações para todos os perigos do que realizar ava-

204
liações separadas para perigos à saúde, manuseio
de materiais, perigos com máquinas, etc. Se as
avaliações são realizadas separadamente, usando
métodos diferentes, a ordenação das prioridades
para o controle de riscos é mais difícil. Avalia-
ções separadas podem também conduzir a uma
duplicação desnecessária.
A avaliação dos riscos é feita quando da re-
formulação do PPRA e do questionário realizado
no final do ano. O plano de ação utilizado para
controle dos riscos é através de palestras e não
há uma análise crítica para adequação deste plano.

4.2.4. Mensuração de Desempenho:


Os principais itens a serem verificados são:
estabelecer meios para a medição quantitativa e
qualitativa do desempenho da SST; implementar
medidas pró-ativas e implementar medidas reativas.
A avaliação para verificar se os planos de
SST são implementados é feita no questionário
anual citado anteriormente. Os dados sobre aciden-
tes de trabalho e doenças ocupacionais são tratados
como foi citado no tópico da NR – 4A inspeção
nos locais de trabalho é eventual, realizada pela di-
retoria. A inspeção de máquinas e equipamentos é
precária. Foi mencionada apenas a inspeção “anual
dos compressores, que não há nem necessidade de
fazer, só de cinco em cinco anos (...)”

205
4.2.5. Auditoria:
Esta é um exame sistemático para deter-
minar se o sistema existente está em conformi-
dade com padrões e normas definidos. Não são
realizadas auditorias na empresa em questão. O
que existe é a fiscalização do Ministério do Tra-
balho, que acontece cerca de três vezes ao ano.

5. Conclusão:
De acordo com o que foi observado e
relatado nas entrevistas e questionários pode-
-se verificar o desconhecimento sobre o que é,
como funciona e quem participa de um sistema
de gestão de segurança nesta empresa. O que
se procura realizar é o mero cumprimento da
legislação e, ainda assim, inadequadamente. A fal-
ta de envolvimento, compromisso e interesse da
alta gerência com a política de segurança e higie-
ne do trabalho ficou evidenciada nos discursos,
além do despreparo daquele que estava a frente
do SEESMT, confirmando a teoria de que o em-
presariado está sempre pouco preocupado com
as ações desenvolvidas neste departamento, rele-
gando a este um papel secundário na organização.
A estrutura altamente verticalizada e buro-
crática favorece a permanência desse modelo de
organização, onde se procura beneficiar a empresa
e os trabalhadores ficam à margem desse processo.

206
Para a elaboração de um sistema de se-
gurança e higiene do trabalho nesta empresa,
sugere-se que, primeiramente, tente cumprir
pelo menos a legislação vigente, para, a partir de
então, realizar uma avaliação ambiental interna
da organização, buscando conhecer os pontos
fortes e fracos em relação à segurança e saúde do
trabalho e, baseado nisto, efetuar o planejamen-
to estratégico, considerando também os fatores
ambientais externos, para que as ações sejam
planificadas de forma integrada e coerente.

Extraído do Estudo de Caso Fonte:


http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENE-
GEP2001_TR45_0584.pdf 28ago201320h02

4.3.2. Estudo De Caso: Trabalhador cai


de andaime e morre na cidade de Alfenas

“Trabalhador cai de andaime e morre na


cidade de Alfenas” - Ministério do Trabalho
aguarda laudo
EPTV
20/09/2006 20:56:00 - Um trabalhador
de 35 anos morreu nesta quarta-feira, (...) após
cair de uma altura de oito metros em uma cons-
trução civil no bairro Jardim Boa Esperança. O

207
funcionário chegou a ser socorrido pelo Corpo
de Bombeiros, mas não resistiu. Os bombeiros
confirmaram que ele usava equipamentos de se-
gurança. A empresa, que construía o galpão no
bairro, disse que dará apoio à família da vítima
de acidente de trabalho. O Ministério do Traba-
lho aguarda o laudo do acidente. «
Estudo de Caso – Os cuidados
Um método bom para utilizar no es-
tudo de caso é o método das falhas na Segu-
rança no Trabalho. Porém, alguns cuidados
são necessários para o estudo. Não deduzir
diretamente. Basear-se em instrumento
legal (leis, portarias, normas etc.). Verificar
a situação clínica (especialista). Não colocar
verdade sobre os fatos relatados.

Análise do modo de falhas e efeitos


Falha de omissão: quando não executa ou
executa apenas parcialmente uma intervenção,
tarefa, função ou passo.
Falha de missão: quando executa in-
corretamente uma intervenção, tarefa, fun-
ção ou passo.
Falha por ato estranho ou ação estranha:
quando executa uma intervenção, tarefa, função
ou passo que não deveria ter sido executado.
Falha sequencial: quando executa uma

208
intervenção, tarefa, função ou passo fora da se-
quência correta.
Falha temporal: quando executa uma in-
tervenção, tarefa, função ou passo fora do mo-
mento correto.

Extraído de 05-10-06 - Estudo de Caso.


Fonte http://www.grupos.com.br/blog/tecni-
coceduc/permalink/8584.html20ago1320h26

209
Atividades

1 - A NR 30 veio para disciplinar a Segurança e Saú-


de no Trabalho Aquaviário. Isso significa que:

A) Aplica-se aos trabalhadores de toda embarcação


comercial utilizada no transporte de mercadorias ou
de passageiros, na navegação marítima de longo cur-
so, na cabotagem, na navegação interior, no serviço
de reboque em alto-mar, bem como em plataformas
marítimas e fluviais, quando em deslocamento, e em-
barcações de apoio marítimo e portuário.
B) A observância desta Norma Regulamentadora não
desobriga as empresas o cumprimento de outras dispo-
sições legais com relação à matéria e outras oriundas de
convenções, acordos e contratos coletivos de trabalho.
C) Refere-se à Segurança e saúde no Trabalho na
agricultura, pecuária, silvicultura, exploração flores-
tal a aquicultura, sendo este último também conheci-
do como Aquacultura, ou seja, trata-se da produção
de organismos aquáticos, como a criação de peixes,
moluscos, crustáceos, anfíbios e o cultivo de plantas
aquáticas para uso humano. A maricultura refere-se

211
especificamente a aquicultura marinha, enquanto a
piscicultura refere-se ao cultivo de peixes, principal-
mente de água doce. Já a carcinicultura é a criação
de camarões. A conquicultura refere-se à criação de
moluscos bivalves, sendo a ostreicultura a criação de
ostra e a mitilicultura a criação de mexilhão.
D) Somente as alternativas “a” e “b” estão corretas
E) Somente as alternativas “b” e “c” estão corretas

2 - A NR15 faz as considerações a respeito do exercí-


cio de trabalho em condições de insalubridade, ou seja,
realizado sob exposição acima do limite de tolerância,
assegurará ao trabalhador a percepção de adicional, in-
cidente sobre o salário mínimo, equivalente a:

A) 40%, para insalubridade de grau máximo; 20%,


para insalubridade de grau médio; 10%, para insalu-
bridade de grau mínimo.
B) 30%, para insalubridade de grau máximo; 10%,
para insalubridade de grau médio; 05%, para insalu-
bridade de grau mínimo.
C) 50%, para insalubridade de grau máximo; 30%,
para insalubridade de grau médio; 10%, para insalu-
bridade de grau mínimo.
D) 40%, para insalubridade de grau máximo; 30%,
para insalubridade de grau médio; 10%, para insalu-
bridade de grau mínimo.

212
E) 50%, para insalubridade de grau máximo; 20%,
para insalubridade de grau médio; 10%, para insalu-
bridade de grau mínimo.

3 - O que é SIPAT:

A) Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SI-


PAT), não sendo uma das atribuições das CIPAS. A
maioria das empresas opta pela realização das SI-
PATs por liberalidade.
B) Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SI-
PAT), não sendo atribuição das CIPAS. A maioria
das empresas opta pela realização das SIPATs por
imposição dos empregados.
C) Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SI-
PAT), sendo uma das principais atribuições das CI-
PAS, a qual deve promovê-la anualmente. A maioria
das empresas opta pela realização das SIPATs no
segundo semestre pelo fato de se possuir um maior
número de informações sobre as condições de se-
gurança, por exemplo, as estatísticas de acidentes do
ano anterior. Pelo menos 30 dias antes da realização
da Semana, uma comissão deve ser criada para ela-
borar a programação a ser desenvolvida.
D) Semana Interna de Prevenção de Acidentes
(SIPAT) sendo uma das principais atribuições
das CIPAS, a qual deve promovê-la quinquenal-

213
mente. A maioria das empresas opta pela realiza-
ção das SIPATs no segundo semestre pelo fato
de se possuir um maior número de informações
sobre as condições de segurança, por exemplo,
as estatísticas de acidentes do ano anterior. Pelo
menos 30 dias antes da realização da Semana,
uma comissão deve ser criada para elaborar a
programação a ser desenvolvida.
E) SIPAT e CIPA têm a mesma finalidade.

4 - A Lei n.° 7410 de 27/11/85 oficializou:

A) A especialização em Engenharia de Segurança do


Trabalho.
B) Criou a categoria profissional de Técnico em Se-
gurança do Trabalho.
C) Criou a categoria profissional Inspetor de Segurança.
D) A especialização em Engenharia de Seguran-
ça do Trabalho e criou a categoria profissional de
Técnico em Segurança do Trabalho, até então os
únicos profissionais prevencionistas não reconhe-
cidos legalmente.
E) Equiparou o meio ambiente do trabalho ao meio
ambiente natural em razão das pessoas humanas fa-
zerem parte integrante do ecossistema.

214
5 - Para o estudo do controle de riscos no ambiente
do trabalho é importante identificar quais são esses
agentes ambientais que dão ensejo à doença ou des-
conforto significativo que leva à ineficiência no de-
senvolvimento da atividade laboral:

A) Agentes físicos: ruído, vibrações, calor, radiações,


frio, e umidade.
B) Agentes químicos: poeira, gases e vapores, névo-
as e fumos.
C) Agentes ergonômicos: levantamento, trans-
porte e descarga de materiais equipamentos,
condições ambientais.
D) Agentes biológicos: micro-organismos, vírus
e bactérias.
E) Todas as alternativas estão corretas

215
Gabarito

1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
E C D A E D E A B A

1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
D C D D E D A C D E

217
Referencias Bibliograficas

AROUCK, Osmar. Normas brasileiras de documen-


tação: uma introdução. Belém: Ed. UFPA, 1995.

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do


Trabalho, 2. ed. São Paulo: LTr, 2006.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito


penal: parte especial, v. 2 – 7. ed. rev. e atual. São
Paulo: Saraiva, 2007.

BRASIL- Constituição (1988). PINTO, Antonio Luiz


de Toledo. WINDT, Márcia C. V. dos Santos. CÉS-
PEDES, Lívia. 40ª. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2007.

CASA CIVIL DA PRESIDENCIA DA REPU-


BLICA. Sub-chefia para assuntos jurídicos. http://
www4.planalto.gov.br/legislacao/legislacao-1/de-
cretos-leis 04agosto de 2013 às22h34

CASTILHO, Ela Wiecko V. de. Em busca de uma


definição jurídico-penal de trabalho escravo. In: Co-

219
missão Pastoral da Terra. Trabalho escravo no Brasil
contemporâneo. São Paulo: Loyola, 1999

CENTRO DE CAPACITAÇÃO DE RECURSOS


HUMANOS DO INSTITUTO NACIONAL DE
METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALI-
DADE INDUSTRIAL. História da normalização.
In: Encontro Nacional de docentes sobre normas
técnicas, 3, 1985, São Leopoldo. Trabalhos apresen-
tados. São Leopoldo: Inmetro, 1985.

CONSELHO TUTELAR http://canalconselho-


tutelar.wordpress.com/category/artigos-e-ponto-
-de-vista/trabalho-infantil-artigos-e-ponto-de-
-vista/07/082013às00h13

DE CICCO, Francesco. Manual sobre Sistemas de Ges-


tão da Segurança e Saúde no Trabalho, vol.II ed., 2000.

INMETRO.http://www.inmetro.gov.br/barreiras-
tecnicas/definicoes.asp 04/08/13às23h10

LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquemati-


zado. 16ªed. São Paulo Saraiva, 2012.

MANUAIS DE LEGISLAÇÃO ATLAS. Segurança


e Medicina do Trabalho. 46º

220
MARTINS, Sergio Pinto. CLT Universitária. 6ª. Ed.
– São Paulo: Atlas, 2007.

MEIRELLES. Hely Lopes. Direito Administrativo


Brasileiro - 39ª Edição – Malheiros. São Paulo 2013

MESQUITA, Luciana Sobreira de. Gestão da segu-


rança e saúde no trabalho: um estudo de caso em
uma empresa construtora. João Pessoa, 1999. Dis-
sertação (Mestrado em Engenharia de Produção) –
Universidade Federal da Paraíba.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional.


10ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. 822

NASCIMENTO, Sonia Mascaro. A ques-


tão do Trabalho Escravo. Disponível em:
<http://www.oabsp.br/boletim-informativo/
trabalhista/edição-05-desembro-de-2005/a-
-questao-do-trabalhoescravo-dra-sonia-
-ascaronascimento/?searchterm=trabalho%20es-
cravo> 24 mar. 2009.

OIT http://www.oitbrasil.org.br/convention 06 de
agosto de 2013 às 23h17

OIT 2013 http://www.ilo.org 06 de agosto de 2013


às18h50

221
PACHECO JÚNIOR, Waldemar et al. Gestão da se-
gurança e higiene do trabalho: contexto estratégico,
análise ambiental, controle e avaliação das estraté-
gias. São Paulo: Atlas, 2000.

PINTO, Antonio L. T. WINDT. Márcia C.V. dos


Santos. CÉSPEDES, Lívia. VADE MECUM, ECA,
São Paulo: Saraiva, 2006.

REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito.


22ªed.-São Paulo: Saraiva,1995.

RUSSO, Osvaldo, Artigo: Economia Familiar e Tra-


balho Infantil. 20/09/2006. Jornal do Brasil. www.
Planalto.gov.br.

SCHWARZ, Rodrigo Garcia. Trabalho escravo: a


abolição necessária: uma análise da efetividade e da
eficácia das políticas de combate à escravidão con-
temporânea no Brasil. São Paulo:LTr, 2008.

SEBRAE/SC http://www.sebrae.com.br04deagos-
tode2013às16h22

SEBRAE/SC http://www.sebrae.com.br04deagos-
tode2013às16h22

222
SILVA, Paulo Afonso Lopes da. Conceitos básicos
de normalização. In: Encontro Nacional de docentes
sobre normas técnicas, 3, 1985, São Leopoldo. Tra-
balhos apresentados. São Leopoldo: Inmetro, 1985.

SINAFER http://www.sinafer.org.br 04 de agosto


de 2013, às16h22.

223
Anexos

ANEXO I

Convenções ratificadas pelo Brasil

Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Convenção rela- Denunciada,
tiva ao Emprego como resulta-
das Mulheres an- do da ratifica-
3 1919 26/04/1934
tes e depois do ção da Conven-
parto (Proteção à ção n.º 103 em
Maternidade) 26.07.1961.
Convenção rela-
tiva ao Trabalho Denunciada em
4 1919 26/04/1934
Noturno das Mu- 12.05.1937
lheres
Denunciada,
como resulta-
Idade Mínima de
do da ratifica-
5 Admissão nos Tra- 1919 26/04/1934
ção da Conven-
balhos Industriais
ção n.º 138 em
28.06.2001.

225
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Trabalho Noturno
6 dos Menores na 1919 26/04/1934
Indústria
Convenção sobre Denunciada,
a Idade Mínima como resulta-
para Admissão de do da ratifica-
7 1920 08/06/1936
Menores no Tra- ção da Conven-
balho Marítimo ção n.º 58 em
(Revista em 1936) 09.01.1974
Direito de Sindica-
11 lização na Agricul- 1921 25/04/1957
tura
Indenização por
Acidente do Tra-
12 1921 25/04/1957
balho na Agricul-
tura
Repouso Semanal
14 1921 25/04/1957
na Indústria
Exame Médico de
16 Menores no Tra- 1921 08/06/1936
balho Marítimo
Igualdade de Tra-
tamento (Indeni-
19 1925 25/04/1957
zação por Aciden-
te de Trabalho)
Inspeção dos Emi-
21 grantes a Bordo 1926 18/06/1965
dos Navios
Contrato de Enga-
22 jamento de Mari- 1926 18/06/1965
nheiros

226
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Métodos de Fi-
26 xação de Salários 1928 25/04/1957
Mínimos
Trabalho Forçado
29 1930 25/04/1957
ou Obrigatório
Denunciada,
Convenção Rela-
como resulta-
tiva ao Trabalho
do da ratifica-
41 Nocturno das Mu- 1934 08/06/1936
ção da Conven-
lheres (Revista,
ção n.º 89 em
1934)
24.04.1957.
Indenização por
42 Enfermidade Pro- 1934 08/06/1936
fissional (revista)
Emprego de Mu-
lheres nos Traba-
45 1935 22/09/1938
lhos Subterrâneos
das Minas
Denunciada,
como resulta-
Férias Remunera- do da ratifica-
52 1936 22/09/1938
das ção da Conven-
ção n.º 132 em
23.09.1998.
Certificados de
Capacidade dos
53 1936 12/10/1938
Oficiais da Mari-
nha Mercante
Denunciada,
como resulta-
Idade Mínima no
do da ratifica-
58 Trabalho Maríti- 1936 12/10/1938
ção da Conven-
mo (Revista)
ção n.º 138 em
26.06.2001.

227
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Revisão dos Arti-
80 1946 13/04/1948
gos Finais
Inspeção do Tra-
81 balho na Indústria 1947 11/10/1989
e no Comércio
Organização do
88 Serviço de Empre- 1948 25/04/1957
go
Trabalho Noturno
89 das Mulheres na 1948 25/04/1957
Indústria (Revista)
Denunciada,
como resulta-
Férias Remunera-
do da ratifica-
91 das dos Marítimos 1949 18/06/1965
ção da Conven-
(Revista)
ção n.º 146 em
24.09.1998.
Alojamento de
92 Tripulação a Bor- 1949 08/06/1954
do (Revista)
Convenção sobre
Salários, Duração A Convenção
93 de Trabalho a Bor- 1949 18/06/1965 não entrou em
do e Tripulação vigor.
(Revista em 1949)
Cláusulas de Tra-
balho em Contra-
94 1949 18/06/1965
tos com Órgãos
Públicos
Proteção do Salá-
95 1949 25/04/1957
rio

228
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Concernente aos
escritórios remu-
96 1949 21/06/1957
nerados de em-
pregos
Trabalhadores Mi-
97 1949 18/06/1965
grantes (Revista)
Direito de Sindica-
98 lização e de Nego- 1949 18/11/1952
ciação Coletiva
Métodos de Fi-
xação de Salário
99 1951 25/04/1957
Mínimo na Agri-
cultura
Igualdade de Re-
muneração de
Homens e Mulhe-
100 1951 25/04/1957
res Trabalhadores
por Trabalho de
Igual Valor
Denunciada,
como resulta-
Férias Remunera- do da ratifica-
101 1952 25/04/1957
das na Agricultura ção da Conven-
ção n.º 132 em
23.09.1998.
Normas Mínimas
102 da Seguridade So- 1952 15/06/2009
cial
Amparo à Mater-
103 1952 18/06/1965
nidade (Revista)
Abolição das San-
104 ções Penais no 1955 18/06/1965
Trabalho Indígena

229
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Abolição do Tra-
105 1957 18/06/1965
balho Forçado
Repouso Semanal
106 no Comércio e 1957 18/06/1965
nos Escritórios
Denunciada,
como resultado
Populações Indí- da ratificação da
107 1957 18/06/1965
genas e Tribais Convenção n.º
169 em 25-07-
2002.
Denunciada,
como resultado
Documentos de
da ratificação
108 Identidade dos 1958 05/11/1963
da Convenção
Marítimos
n.º 185, em
21.01.2010
Convenção sobre
os Salários, a Du-
A Convenção
ração do Trabalho
109 1958 30/11/1966 não entrou em
a Bordo e as Lota-
vigor.
ções (revista em
1958)
Convenção sobre
as Condições de
Denunciada em
110 Emprego dos Tra- 1958 01/03/1965
28.08.1970
balhadores em
Fazendas
Discriminação em
111 Matéria de Em- 1958 26/11/1965
prego e Ocupação
Exame Médico
113 1959 01/03/1965
dos Pescadores

230
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Proteção Contra
115 1960 05/09/1966
as Radiações
Revisão dos Arti-
116 1961 05/09/1966
gos Finais
Objetivos e Nor-
117 mas Básicas da 1962 24/03/1969
Política Social
Igualdade de
Tratamento en-
118 tre Nacionais e 1962 24/03/1969
Estrangeiros em
Previdência Social
Proteção das Má-
119 1963 16/04/1992
quinas
Higiene no Co-
120 mércio e nos Es- 1964 24/03/1969
critórios
Política de Empre-
122 1964 24/03/1969
go
Exame Médico
dos Adolescentes
124 para o Trabalho 1965 21/08/1970
Subterrâneo nas
Minas
Certificados de
125 Capacidade dos 1966 21/08/1970
Pescadores
Alojamento a Bor-
126 do dos Navios de 1966 12/04/1994
Pesca
Peso Máximo das
127 1967 21/08/1970
Cargas

231
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Fixação de Salá-
rios Mínimos, Es-
131 pecialmente nos 1970 04/05/1983
Países em Desen-
volvimento
Férias Remunera-
132 1970 23/09/1998
das (Revista)
Alojamento a Bor-
do de Navios (Dis-
133 1970 16/04/1992
posições Comple-
mentares)
Prevenção de Aci-
134 dentes do Traba- 1970 25/07/1996
lho dos Marítimos
Proteção de Re-
135 presentantes de 1971 18/05/1990
Trabalhadores
Proteção Contra
os Riscos da Into-
136 1971 24/03/1993
xicação pelo Ben-
zeno
Trabalho Portuá-
137 1973 12/08/1994
rio
Idade Mínima
138 1973 28/06/2001
para Admissão
Prevenção e Con-
trole de Riscos
Profissionais Cau-
139 1974 27/06/1990
sados por Subs-
tâncias ou Agen-
tes Cancerígenos
Licença Remune-
140 1974 16/04/1992
rada para Estudos

232
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Organizações de
141 Trabalhadores Ru- 1975 27/09/1994
rais
Desenvolvimento
142 de Recursos Hu- 1975 24/11/1981
manos
Consultas Triparti-
tes sobre Normas
144 1976 27/09/1994
Internacionais do
Trabalho
Continuidade no
145 Emprego do Ma- 1976 18/05/1990
rítimo
Convenção Relati-
va às Férias Anu-
146 1976 24/09/1998
ais Pagas dos Ma-
rítimos
Normas Mínimas
147 da Marinha Mer- 1976 17/01/1991
cante
Contaminação do
148 Ar, Ruído e Vibra- 1977 14/01/1982
ções
Direito de Sindi-
calização e Rela-
151 ções de Trabalho 1978 15/06/2010
na Administração
Pública
Segurança e Hi-
152 giene dos Traba- 1979 18/05/1990
lhos Portuários
Fomento à Nego-
154 1981 10/07/1992
ciação Coletiva

233
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Segurança e Saúde
155 1981 18/05/1992
dos Trabalhadores
Término da Rela-
ção de Trabalho Denunciada em
158 1982 05/01/1995
por Iniciativa do 20.11.1996
Empregador
Reabilitação Pro-
fissional e Empre-
159 1983 18/05/1990
go de Pessoas De-
ficientes
Estatísticas do
160 1985 02/07/1990
Trabalho (Revista)
Serviços de Saúde
161 1985 18/05/1990
do Trabalho
Utilização do
162 Amianto com Se- 1986 18/05/1990
gurança
Bem-Estar dos
Tr a b a l h a d o r e s
163 1987 04/03/1997
Marítimos no Mar
e no Porto
Proteção à Saúde
e Assistência Mé-
164 1987 04/03/1997
dica aos Trabalha-
dores Marítimos
Repatriação de
166 Tr a b a l h a d o r e s 1987 04/03/1997
Marítimos
Convenção sobre
167 a Segurança e Saú- 1988 19/05/2006
de na Construção
Promoção do Em-
prego e Proteção
168 1988 24/03/1993
Contra o Desem-
prego

234
Adoção Ratificação
Convenção Título Observação
OIT Brasil
Sobre Povos Indí-
169 1989 25/07/2002
genas e Tribais
Segurança no Tra-
170 balho com Produ- 1990 23/12/1996
tos Químicos
171 Trabalho Noturno 1990 18/12/2002
Convenção sobre
a Prevenção de
174 1993 02/08/2001
Acidentes Indus-
triais Maiores
Convenção sobre
176 segurança e saúde 1995 18/05/2006
nas minas
Convenção Relati-
va à Inspeção das
Condições de Vida
178 1996 21/12/2007
e de Trabalho dos
Tr a b a l h a d o r e s
Marítimos
Convenção so-
bre Proibição das
Piores Formas de
182 Trabalho Infantil 1999 02/02/2000
e Ação Imediata
para sua Elimina-
ção
Convenção sobre
os Documentos
185 de Identidade da 2003 21/01/2010
gente do mar (Re-
vista)

235
ANEXO II

CONVENÇÃO n.º 98

I — Aprovada na 32ª reunião da Conferên-


cia Internacional do Trabalho (Genebra — 1949),
entrou em vigor no plano internacional em 18.7.51.
II — Dados referentes ao Brasil:
a) aprovação = Decreto Legislativo n.º 49,
de 27.8.52, do Congresso Nacional;
b) ratificação = 18 de novembro de 1952;
c) promulgação = Decreto n.º33.196, de
29.6.53;
d) vigência nacional = 18 de novembro de
1953.
“A Conferência Geral da Organização Inter-
nacional do Trabalho,
Convocada em Genebra pelo Conselho de
Administração da Repartição Internacional do Tra-
balho e tendo-se reunido a oito de junho de 1949,
em sua trigésima segunda sessão.
Após ter decidido adotar diversas proposi-
ções relativas à aplicação dos princípios do direito de
organização e de negociação coletiva, questão que

236
constitui o quarto ponto na ordem do dia da sessão.
Após ter decidido que essas proposições to-
mariam a forma de uma convenção internacional,
adota, a primeiro de julho de mil novecentos e qua-
renta e nove, a convenção seguinte, que será deno-
minada ‘Convenção Relativa ao Direito de Organi-
zação e de Negociação Coletiva, 1949’;
Art. 1 — 1. Os trabalhadores deverão gozar
de proteção adequada contra quaisquer atos atenta-
tórios à liberdade sindical em matéria de emprego.
2. Tal proteção deverá, particularmente,
aplicar-se a atos destinados a:
a) subordinar o emprego de um trabalhador
à condição de não se filiar a um sindicato ou deixar
de fazer parte de um sindicato;
b) dispensar um trabalhador ou prejudicá-lo,
por qualquer modo, em virtude de sua filiação a um
sindicato ou de sua participação em atividades sin-
dicais, fora das horas de trabalho ou com o consen-
timento do empregador, durante as mesmas horas.
Art. 2 — 1. As organizações de trabalhado-
res e de empregadores deverão gozar de proteção
adequada contra quaisquer atos de ingerência de
umas e outras, quer diretamente quer por meio de
seus agentes ou membros, em sua formação, funcio-
namento e administração.
2. Serão particularmente identificados a atos
de ingerência, nos termos do presente artigo, medi-

237
das destinadas a provocar a criação de organizações
de trabalhadores dominadas por um empregador ou
uma organização de empregadores, ou a manter or-
ganizações de trabalhadores por outros meios finan-
ceiros, com o fim de colocar essas organizações sob
o controle de um empregador ou de uma organiza-
ção de empregadores.
Art. 3 — Organismos apropriados às condi-
ções nacionais deverão, se necessário, ser estabeleci-
dos para assegurar o respeito do direito de organiza-
ção definido nos artigos precedentes.
Art. 4 — Deverão ser tomadas, se necessá-
rio for, medidas apropriadas às condições nacionais,
para fomentar e promover o pleno desenvolvimento
e utilização dos meios de negociação voluntária en-
tre empregadores ou organizações de empregadores
e organizações de trabalhadores com o objetivo de
regular, por meio de convenções, os termos e condi-
ções de emprego.
Art. 5 — 1. A medida segundo a qual as ga-
rantias previstas pela presente Convenção se aplica-
rão às forças armadas e à polícia será determinada
pela legislação nacional.
2. De acordo com os princípios estabeleci-
dos no § 8 do art. 19 da Constituição da Organi-
zação Internacional do Trabalho, a ratificação desta
Convenção, por parte de um Membro, não deverá
ser considerada como devendo afetar qualquer lei,

238
sentença, costume ou acordo já existentes que con-
cedem aos membros das forças armadas e da polícia
garantias previstas pela presente Convenção.
Art. 6 — A presente Convenção não trata da
situação dos funcionários públicos ao serviço do Es-
tado e não deverá ser interpretada, de modo algum,
em prejuízo dos seus direitos ou de seus estatutos.
Art. 7 — As ratificações formais da presente
convenção serão comunicadas ao Diretor-Geral da Re-
partição Internacional do Trabalho e por ele registradas.
Art. 8 — 1. A presente convenção não obri-
gará senão aos Membros da Organização Interna-
cional do Trabalho cuja ratificação tenha sido regis-
trada pelo Diretor-Geral.
2. Ele entrará em vigor doze meses depois
que as ratificações de dois Membros tiverem sido re-
gistradas pelo Diretor-Geral.
3. Em seguida, esta convenção entrará em
vigor para cada Membro doze meses depois da data
em que sua ratificação tiver sido registrada.
Art. 9 — Fica proibido qualquer desconto
dos salários cuja finalidade seja assegurar pagamento
direto ou indireto do trabalhador ao empregador, a
representante deste ou a qualquer intermediário (tal
como um agente encarregado de recrutar a mão-de-
-obra), com o fim de obter ou conservar um emprego.
Art. 10 — 1. O salário não poderá ser objeto
de penhora ou cessão, a não ser segundo as modali-

239
dades e nos limites prescritos pela legislação nacional.
Art. 11 — 1. Todo Membro que tiver ratifi-
cado a presente convenção poderá denunciá-la no fim
de um período de dez anos depois da data da entrada
em vigor inicial da convenção, por ato comunicado
ao Diretor-Geral da Repartição Internacional do Tra-
balho e por ele registrado. A denúncia não terá efeito
senão um ano depois de ter sido registrada.
2. Todo Membro que, tendo ratificado a pre-
sente convenção, dentro do prazo de um ano depois
da expiração do período de dez anos mencionado
no parágrafo precedente, não fizer uso da faculdade
de denúncia prevista no presente artigo, será obri-
gado por novo período de dez anos e, depois disso,
poderá denunciar a presente convenção no fim de
cada período de dez anos, nas condições previstas
no presente artigo.
Art. 12 — 1. O Diretor-Geral da Reparti-
ção Internacional do Trabalho notificará a todos os
Membros da Organização Internacional do Traba-
lho o registro de todas as ratificações que lhe forem
comunicadas pelos Membros da Organização.
2. Notificando aos Membros da Organiza-
ção o registro da segunda ratificação que lhe for co-
municada, o Diretor-Geral chamará a atenção dos
Membros da Organização para a data em que a pre-
sente Convenção entrar em vigor.
Art. 13 — O Diretor-Geral da Repartição

240
Internacional do Trabalho enviará ao Secretário-
-Geral das Nações Unidas, para fim de registro,
conforme o art. 102 da Carta das Nações Unidas,
informações completas a respeito de todas as rati-
ficações, declarações e atos de denúncia que houver
registrado conforme os artigos precedentes.
Art. 14 — Cada vez que julgar necessário, o
Conselho de Administração da Repartição Internacio-
nal do Trabalho apresentará à Conferência Geral um
relatório sobre a aplicação da presente Convenção e
examinará se é necessário inscrever na ordem do dia da
Conferência a questão de sua revisão total ou parcial.
Art. 15 — 1. No caso de a Conferência ado-
tar nova convenção de revisão total ou parcial da
presente convenção, e a menos que a nova conven-
ção disponha diferentemente:
a) a ratificação, por um Membro, da nova
convenção de revisão acarretará, de pleno direito,
não obstante o art. 17 acima, denúncia imediata da
presente convenção quando a nova convenção de
revisão tiver entrado em vigor;
b) a partir da data da entrada em vigor da
nova convenção de revisão, a presente convenção
cessará de estar aberta à ratificação dos Membros.
2. A presente convenção ficará, em qualquer
caso, em vigor, na forma e no conteúdo, para os
Membros que a tiverem ratificado e que não tiverem
ratificado a convenção de revisão.

241
Art. 16— As versões em francês e em inglês
do texto da presente convenção fazem igualmente fé.

[1] Texto extraído do livro “Convenções da


OIT”, de Arnaldo Süssekind, 2ª edição, 1998. 338p.
Gentilmente cedido pela Ed. LTR.

242
ANEXO II

Sugestões para elaborar estudos de caso

Orientações preliminares
Os casos podem ser reais ou fictícios. Os
reais exigem muito cuidado na atribuição de decla-
rações, que devem ser devidamente documentadas.
Casos fictícios dão mais liberdade ao autor, mas isso
não significa que possam abordar situações irreais.
Ao contrário, o caso posto como fictício deve, de
fato, expressar situações já vividas por servidores
públicos no desempenho de suas funções.
Durante a escolha do tema, deve ser bem deli-
neado o problema, os atores envolvidos e onde se pas-
sa. Esse é o eixo inicial para a construção da narrativa.
O caso é essencialmente um instrumento
pedagógico que deve servir para o aprendizado de
como agir em situações reais e de quais podem ser
as consequências das ações.
Um caso não é um documento histórico
nem um texto puramente descritivo. Ele deve ser
capaz de suscitar questões para debate e ter elemen-
tos que permitam tomada de posição e definição de
cursos de ação.

243
Desenvolvimento
Uma vez definidos o tema e o foco para o
caso, que deve estar colado ao objetivo de aprendi-
zagem do curso em que será utilizado, deve-se partir
para o trabalho bibliográfico e para a realização de
entrevistas, quando necessárias. A pesquisa biblio-
gráfica auxilia a entender melhor o tema a ser tra-
tado e as abordagens teóricas sobre ele, inclusive na
definição de atores relevantes para a fase de entrevis-
tas. Estas servem para elucidar diferentes pontos de
vista sobre o caso, reflexões e detalhes da história do
caso, bem como garantir a veracidade e a fidedigni-
dade das informações.
A escolha do entrevistado deve levar em
consideração o tipo de informação que se deseja ob-
ter. Muitas vezes, dirigentes sabem muito menos do
dia a dia das equipes do que um técnico mais envol-
vido no processo.

Possíveis perguntas para as entrevistas


• Perguntas de caráter descritivo, do tipo “o
que”, “quem”, “como” e “onde”. Principalmente o
como será o foco das entrevistas, que fornecerão in-
formações para o relato e para o alinhamento entre
questões teóricas e o caso em questão.
o Que contratempos surgiram/podem surgir?
o Quais são as áreas envolvidas?
o Quem são as pessoas envolvidas?

244
o Há conflitos?
o Como acontece/aconteceu o desenrolar
do processo?
o Quais são/foram os pontos críticos?
o Quais as facilidades?
o Quais as dificuldades?

Exemplo:
• Perguntas de caráter explicativo, do tipo
“por quê”, fornecerão subsídios para os objetivos da
aprendizagem.
o Por que a ação foi iniciada?
o Por que foi escolhido esse desenho?
• Nessa parte, a elaboração de perguntas de-
pende de conhecimento prévio da situação em ques-
tão e de dúvidas e informações que não tenham sido
esclarecidas por meio da descrição.
• Encerre indagando sobre quais outras pes-
soas poderiam ser consultadas e se há algum mate-
rial/documento que possa ser acessado.
OBS.: Essa é uma orientação geral sobre a
organização de perguntas a serem feitas durante as
entrevistas. O tipo de pergunta dependerá do tema
abordado e do conhecimento prévio de informações.

Escrevendo o caso
A redação do caso deve ser elaborada de
forma bastante neutra, apresentando fatos e cir-

245
cunstâncias envolvidas. O caso é muito mais um
relato contextualizado, pois toda a análise deverá
ser realizada pelos alunos. Abaixo uma estrutu-
ra possível a ser seguida ao elaborar a narrativa
principal do caso:

Que Estrutura Um Caso Pode Seguir?

1. Introdução
Define o problema a ser examinado e expli-
ca os parâmetros ou as limitações da situação; deve
despertar interesse e curiosidade.

2. Visão Geral/Análise
Onde/quando/por quê; fornece detalhes
sobre atores envolvidos e organizações; identi-
fica questões profissionais, técnicas ou teóricas
etc.; o caso deve ser rico em nuances contextuais:
cenários, personalidades, culturas, urgência das
questões etc.

3. Relato da Situação
Descreve as ações, pode incluir declarações
dos atores e suas relações; deve deixar claro o perí-
odo temporal ou a cronologia do caso; é importante
saber onde os eventos importantes ocorrem, com a
identificação clara de locais e das instituições.

246
4. Problemas do caso
Geralmente um ou dois problemas que re-
querem análise para resolver uma questão específi-
ca; devem ser apresentados de forma clara; podem
assumir três formas: a) apresentam uma situação e
perguntam aos alunos o que fariam a seguir; b) de-
finem uma tarefa, como, por exemplo, pedir aos
alunos para elaborar relatório recomendando uma
ação; c) ilustram um cenário e pedem aos alunos que
analisem as falhas e recomendem como a situação
deveria ser abordada.

*Estrutura válida tanto para casos longos


como para casos curtos, guardadas as proporções e
a complexidade de cada possibilidade

Análise qualitativa de casos – Checklist


Quando escrevemos um estudo de caso, nos
deparamos com algumas dúvidas sobre a qualidade
do trabalho. Será que conseguimos alcançar o nosso
objetivo? Será que o leitor/aluno se envolverá com
a narrativa? Para ajudar nessa análise, desenvolve-
mos um checklist que pode auxiliar nessa constru-
ção. Não se trata de um rol exaustivo de aspectos
que precisam ser observados, nem se quer aqui di-
zer que, para que um caso seja bom, ele tenha que
responder de forma favorável todos os pontos. São
apenas dicas para se chegar a um caso mais bem es-

247
crito e adequado para aplicação em sala de aula.

1. Há um desafio colocado? Os problemas e


dilemas da situação foram contextualizados? Um bom
caso deve desafiar os alunos a criar uma solução com
uma ou mais decisões tomadas; os problemas não de-
vem ter resposta certa ou óbvia. Um bom caso deve
provocar os alunos a pensar sob várias perspectivas.
2. Que teorias ou conceitos pretendem ser
ensinados por meio do caso?
3. Os elementos políticos que influenciaram
na situação foram explicitados?
4. O caso se prestaria a uma abordagem de
ensino e aprendizagem interessante (ex.: encenações,
simulações)? Quais?
5. Para quais cursos ou outras abordagens o
caso poderia ser utilizado?
6. O caso deve ser tão breve quanto possível.
Um bom caso deve fornecer informações suficien-
tes para que os alunos possam analisar, de maneira
eficaz e eficiente, os fatos relevantes. O caso tem in-
formações suficientes para uma boa análise?
7. O caso não deve produzir qualquer
diagnóstico ou prognóstico. Não há resposta
certa, solução única.
8. Um bom caso deve promover habilida-
des tanto de análise como de síntese. O caso deve
ser orientado para decisões e movido para a ação.

248
Os alunos são motivados quando têm que converter
análise em ação.
9. Quais foram as fontes utilizadas? Elas foram
múltiplas? Houve entrevistas? Informantes-chave?
10. O caso identifica o ator ou atores que in-
fluenciaram nas ações, devem resolver o problema e/
ou devem tomar as decisões? O leitor poderá se ver no
papel do tomador de decisões ou em outros papéis?
11. Existe tensão dinâmica suficiente no
caso para produzir pontos de vista controversos e
competitivos?
12. O caso é atraente (contém um insight sur-
preendente; prazos fatais, conflitos, oportunidades e
ameaças atraem o leitor rapidamente para o caso)?
13. Um caso, especialmente aquele docu-
mente situações reais, não deve ser visto simples-
mente como autopromoção da parte do autor ou da
organização patrocinadora.
14. O caso possui uma nota pedagógica? Ela
está bem estruturada?

249
ANEXO IV

LEI Nº 6.514 - DE 22 DE DEZEMBRO


DE 1977 - DOU DE 23/12/77

Altera o Capítulo V do Titulo II da Conso-


lidação das Leis do Trabalho, relativo a segurança
e medicina do trabalho e dá outras providências. 

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
faço saber que o CONGRESSO NACIONAL
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art 1º - O Capítulo V do Titulo II da Con-


solidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo De-
creto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, passa a
vigorar com a seguinte redação:

"CAPÍTULO V
DA SEGURANÇA E DA MEDICINA
DO TRABALHO

SEÇÃO I
Disposições Gerais

Art. 154 - A observância, em todos os locais

250
de trabalho, do disposto neste Capítulo, não desobri-
ga as empresas do cumprimento de outras disposi-
ções que, com relação à matéria, sejam incluídas em
códigos de obras ou regulamentos sanitários dos Es-
tados ou Municípios em que se situem os respecti-
vos estabelecimentos, bem como daquelas oriundas
de convenções coletivas de trabalho.

Art 155 - Incumbe ao órgão de âmbito na-


cional competente em matéria de segurança e medi-
cina do trabalho:

I - estabelecer, nos limites de sua compe-


tência, normas sobre a aplicação dos preceitos deste
Capítulo, especialmente os referidos no art. 200;
II - coordenar, orientar, controlar e super-
visionar a fiscalização e as demais atividades rela-
cionadas com a segurança e a medicina do trabalho
em todo o território nacional, inclusive a Campanha
Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho;
III - conhecer, em última instância, dos re-
cursos, voluntários ou de ofício, das decisões pro-
feridas pelos Delegados Regionais do Trabalho, em
matéria de segurança e medicina do trabalho.

Art 156 - Compete especialmente às Delegacias


Regionais do Trabalho, nos limites de sua jurisdição:

251
I - promover a fiscalização do cumprimento
das normas de segurança e medicina do trabalho;
II - adotar as medidas que se tornem exi-
gíveis, em virtude das disposições deste Capítulo,
determinando as obras e reparos que, em qualquer
local de trabalho, se façam necessárias;
III - impor as penalidades cabíveis por des-
cumprimento das normas constantes deste Capítulo,
nos termos do art. 201.

Art 157 - Cabe às empresas:

I - cumprir e fazer cumprir as normas de se-


gurança e medicina do trabalho;
II - instruir os empregados, através de or-
dens de serviço, quanto às precauções a tomar no
sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças
ocupacionais;
III - adotar as medidas que lhes sejam deter-
minadas pelo órgão regional competente;
IV - facilitar o exercício da fiscalização pela
autoridade competente.

Art 158 - Cabe aos empregados:

I - observar as normas de segurança e medi-


cina do trabalho, inclusive as instruções de que trata
o item II do artigo anterior;

252
Il - colaborar com a empresa na aplicação
dos dispositivos deste Capítulo.

Parágrafo único - Constitui ato faltoso do


empregado a recusa injustificada:

a) à observância das instruções expedidas pelo


empregador na forma do item II do artigo anterior;
b) ao uso dos equipamentos de proteção in-
dividual fornecidos pela empresa.

Art 159 - Mediante convênio autorizado pelo


Ministro do Trabalho, poderão ser delegadas a outros
órgãos federais, estaduais ou municipais atribuições de
fiscalização ou orientação às empresas quanto ao cum-
primento das disposições constantes deste Capítulo.

SEÇÃO II
Da Inspeção Prévia e do Embargo ou In-
terdição,

Art 160 - Nenhum estabelecimento poderá ini-


ciar suas atividades sem prévia inspeção e aprovação das
respectivas instalações pela autoridade regional compe-
tente em matéria de segurança e medicina do trabalho.

§ 1º - Nova inspeção deverá ser feita quando


ocorrer modificação substancial nas instalações, inclusive

253
equipamentos, que a empresa fica obrigada a comunicar,
prontamente, à Delegacia Regional do Trabalho.
§ 2º - É facultado às empresas solicitar prévia
aprovação, pela Delegacia Regional do Trabalho, dos
projetos de construção e respectivas instalações.

Art 161 - O Delegado Regional do Trabalho,


à vista do laudo técnico do serviço competente que
demonstre grave e iminente risco para o trabalha-
dor, poderá interditar estabelecimento, setor de ser-
viço, máquina ou equipamento, ou embargar obra,
indicando na decisão, tomada com a brevidade que
a ocorrência exigir, as providências que deverão ser
adotadas para prevenção de infortúnios de trabalho.

§ 1º - As autoridades federais, estaduais


e municipais darão imediato apoio às medidas
determinadas pelo Delegado Regional do Trabalho.
§ 2º - A interdição ou embargo poderão ser
requeridos pelo serviço competente da Delegacia
Regional do Trabalho e, ainda, por agente da
inspeção do trabalho ou por entidade sindical.
§ 3º - Da decisão do Delegado Regional do
Trabalho poderão os interessados recorrer, no prazo de
10 (dez) dias, para o órgão de âmbito nacional competente
em matéria de segurança e medicina do trabalho, ao qual
será facultado dar efeito suspensivo ao recurso.
§ 4º - Responderá por desobediência,

254
além das medidas penais cabíveis, quem, após
determinada a interdição ou embargo, ordenar ou
permitir o funcionamento do estabelecimento ou
de um dos seus setores, a utilização de máquina ou
equipamento, ou o prosseguimento de obra, se, em
consequência, resultarem danos a terceiros.
§ 5º - O Delegado Regional do Trabalho,
independente de recurso, e após laudo técnico do
serviço competente, poderá levantar a interdição.
§ 6º - Durante a paralisação dos serviços, em
decorrência da interdição ou embargo, os empre-
gados receberão os salários como se estivessem em
efetivo exercício.

SEÇÃO III
Dos Órgãos de Segurança e de Medicina do
Trabalho nas Empresas

Art 162 - As empresas, de acordo com nor-


mas a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho,
estarão obrigadas a manter serviços especializados
em segurança e em medicina do trabalho.

Parágrafo único - As normas a que se refere


este artigo estabelecerão:

a) classificação das empresas segundo o número


de empregados e a natureza do risco de suas atividades;

255
b) o número mínimo de profissionais espe-
cializados exigido de cada empresa, segundo o gru-
po em que se classifique, na forma da alínea anterior;
c) a qualificação exigida para os profissionais
em questão e o seu regime de trabalho;
d) as demais características e atribuições dos
serviços especializados em segurança e em medicina
do trabalho, nas empresas.

Art 163 - Será obrigatória a constituição


de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
(CIPA), de conformidade com instruções expedidas
pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos
ou locais de obra nelas especificadas.

Parágrafo único - O Ministério do Trabalho


regulamentará as atribuições, a composição e o fun-
cionamento das CIPA (s).

Art 164 - Cada CIPA será composta de re-


presentantes da empresa e dos empregados, de acor-
do com os critérios que vierem a ser adotados na
regulamentação de que trata o parágrafo único do
artigo anterior.

§ 1º - Os representantes dos empregadores,


titulares e suplentes, serão por eles designados.
§ 2º - Os representantes dos empregados,

256
titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto,
do qual participem, independentemente de filiação
sindical, exclusivamente os empregados interessados.
§ 3º - O mandato dos membros eleitos da CIPA
terá a duração de 1 (um) ano, permitida uma reeleição.
§ 4º - O disposto no parágrafo anterior não
se aplicará ao membro suplente que, durante o seu
mandato, tenha participado de menos da metade do
número de reuniões da CIPA.
§ 5º - O empregador designará, anualmente,
dentre os seus representantes, o Presidente da CIPA e
os empregados elegerão, dentre eles, o Vice-Presidente.

Art 165 - Os titulares da representação


dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer
despedida arbitrária, entendendo-se como tal a
que não se fundar em motivo disciplinar, técnico,
econômico ou financeiro.

Parágrafo único - Ocorrendo a despedida,


caberá ao empregador, em caso de reclamação à Jus-
tiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer
dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de
ser condenado a reintegrar o empregado.

SEÇÃO IV
Do Equipamento de Proteção Individual

257
Art 166 - A empresa é obrigada a fornecer aos
empregados, gratuitamente, equipamento de proteção
individual adequado ao risco e em perfeito estado de
conservação e funcionamento, sempre que as medidas
de ordem geral não ofereçam completa proteção contra
os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados.

Art 167 - O equipamento de proteção só po-


derá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do
Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho.

SEÇÃO V
Das Medidas Preventivas de Medicina do
Trabalho

Art 168 - Será obrigatório o exame médico


do empregado, por conta do empregador.

§ 1º - Por ocasião da admissão, o exame


médico obrigatório compreenderá investigação
clínica e, nas localidades em que houver abreugrafia.
§ 2º - Em decorrência da investigação clínica
ou da abreugrafia, outros exames complementares
poderão ser exigidos, a critério médico, para
apuração da capacidade ou aptidão física e mental
do empregado para a função que deva exercer.
§ 3º - O exame médico será renovado, de seis
em seis meses, nas atividades e operações insalubres

258
e, anualmente, nos demais casos. A abreugrafia será
repetida a cada dois anos.
§ 4º - O mesmo exame médico de que trata
o § 1º será obrigatório por ocasião da cessação
do contrato de trabalho, nas atividades, a serem
discriminadas pelo Ministério do Trabalho, desde
que o último exame tenha sido realizado há mais de
90 (noventa) dias.
§ 5º - Todo estabelecimento deve estar
equipado com material necessário à prestação de
primeiros socorros médicos.

Art 169 - Será obrigatória a notificação das


doenças profissionais e das produzidas em virtude
de condições especiais de trabalho, comprovadas ou
objeto de suspeita, de conformidade com as instru-
ções expedidas pelo Ministério do Trabalho.

SEÇÃO VI
Das Edificações

Art 170 - As edificações deverão obedecer


aos requisitos técnicos que garantam perfeita segu-
rança aos que nelas trabalhem.

Art 171 - Os locais de trabalho deverão ter,


no mínimo, 3 (três) metros de pé-direito, assim con-
siderada a altura livre do piso ao teto.

259
Parágrafo único - Poderá ser reduzido esse mí-
nimo desde que atendidas as condições de iluminação e
conforto térmico compatíveis com a natureza do traba-
lho, sujeitando-se tal redução ao controle do órgão com-
petente em matéria de segurança e medicina do trabalho.

Art 172 - 0s pisos dos locais de trabalho não


deverão apresentar saliências nem depressões que
prejudiquem a circulação de pessoas ou a movimen-
tação de materiais.

Art 173 - As aberturas nos pisos e paredes


serão protegidas de forma que impeçam a queda de
pessoas ou de objetos.

Art 174 - As paredes, escadas, rampas de


acesso, passarelas, pisos, corredores, coberturas e
passagens dos locais de trabalho deverão obedecer
às condições de segurança e de higiene do trabalho
estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e manter-
-se em perfeito estado de conservação e limpeza.

SEÇÃO VII
Da Iluminação

Art 175 - Em todos os locais de trabalho de-


verá haver iluminação adequada, natural ou artificial,
apropriada à natureza da atividade.

260
§ 1º - A iluminação deverá ser uniformemente
distribuída, geral e difusa, a fim de evitar ofuscamento,
reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.
§ 2º - O Ministério do Trabalho estabelecerá os
níveis mínimos de iluminamento a serem observados.

SEÇÃO VIII
Do Conforto Térmico

Art 176 - Os locais de trabalho deverão ter


ventilação natural, compatível com o serviço realizado.

Parágrafo único - A ventilação artificial será


obrigatória sempre que a natural não preencha as
condições de conforto térmico.

Art 177 - Se as condições de ambiente se tor-


narem desconfortáveis, em virtude de instalações ge-
radoras de frio ou de calor, será obrigatório o uso de
vestimenta adequada para o trabalho em tais condições
ou de capelas, anteparos, paredes duplas, isolamento
térmico e recursos similares, de forma que os empre-
gados fiquem protegidos contra as radiações térmicas.

Art 178 - As condições de conforto térmico


dos locais de trabalho devem ser mantidas dentro
dos limites fixados pelo Ministério do Trabalho.

261
SEÇÃO IX
Das Instalações Elétricas

Art 179 - O Ministério do Trabalho disporá


sobre as condições de segurança e as medidas espe-
ciais a serem observadas relativamente a instalações
elétricas, em qualquer das fases de produção, trans-
missão, distribuição ou consumo de energia.

Art 180 - Somente profissional qualificado


poderá instalar, operar, inspecionar ou reparar insta-
lações elétricas.

Art 181 - Os que trabalharem em serviços


de eletricidade ou instalações elétricas devem estar
familiarizados com os métodos de socorro a aciden-
tados por choque elétrico.

SEÇÃO X
Da Movimentação, Armazenagem e Manu-
seio de Materiais
 
Art 182 - O Ministério do Trabalho estabe-
lecerá normas sobre:
 
I - as precauções de segurança na movimen-
tação de materiais nos locais de trabalho, os equi-
pamentos a serem obrigatoriamente utilizados e as

262
condições especiais a que estão sujeitas a operação
e a manutenção desses equipamentos, inclusive exi-
gências de pessoal habilitado;
II - as exigências similares relativas ao manu-
seio e à armazenagem de materiais, inclusive quanto
às condições de segurança e higiene relativas aos re-
cipientes e locais de armazenagem e os equipamen-
tos de proteção individual;
III - a obrigatoriedade de indicação de carga
máxima permitida nos equipamentos de transporte,
dos avisos de proibição de fumar e de advertência
quanto à natureza perigosa ou nociva à saúde das
substâncias em movimentação ou em depósito, bem
como das recomendações de primeiros socorros e de
atendimento médico e símbolo de perigo, segundo
padronização internacional, nos rótulos dos materiais
ou substâncias armazenados ou transportados.
 
Parágrafo único - As disposições relativas ao
transporte de materiais aplicam-se, também, no que
couber, ao transporte de pessoas nos locais de trabalho.

Art 183 - As pessoas que trabalharem na mo-


vimentação de materiais deverão estar familiarizados
com os métodos raciocinais de levantamento de cargas.

SEçãO XI
Das Máquinas e Equipamentos

263
Art 184 - As máquinas e os equipamentos
deverão ser dotados de dispositivos de partida e
parada e outros que se fizerem necessários para a
prevenção de acidentes do trabalho, especialmente
quanto ao risco de acionamento acidental.

Parágrafo único - É proibida a fabricação, a im-


portação, a venda, a locação e o uso de máquinas e equi-
pamentos que não atendam ao disposto neste artigo.

Art 185 - Os reparos, limpeza e ajustes so-


mente poderão ser executados com as máquinas
paradas, salvo se o movimento for indispensável à
realização do ajuste.

Art 186 - O Ministério do Trabalho estabele-


cerá normas adicionais sobre proteção e medidas de
segurança na operação de máquinas e equipamentos,
especialmente quanto à proteção das partes móveis,
distância entre estas, vias de acesso às máquinas e
equipamentos de grandes dimensões, emprego de
ferramentas, sua adequação e medidas de proteção
exigidas quando motorizadas ou elétricas.

SEÇÃO XII
Das Caldeiras, Fornos e Recipientes sob
Pressão

264
Art 187 - As caldeiras, equipamentos e re-
cipientes em geral que operam sob pressão deverão
dispor de válvula e outros dispositivos de segurança,
que evitem seja ultrapassada a pressão interna de tra-
balho compatível com a sua resistência.

Parágrafo único - O Ministério do Trabalho


expedirá normas complementares quanto à seguran-
ça das caldeiras, fornos e recipientes sob pressão,
especialmente quanto ao revestimento interno, à lo-
calização, à ventilação dos locais e outros meios de
eliminação de gases ou vapores prejudiciais à saúde,
e demais instalações ou equipamentos necessários à
execução segura das tarefas de cada empregado.

Art 188 - As caldeiras serão periodicamente


submetidas a inspeções de segurança, por engenhei-
ro ou empresa especializada, inscritos no Ministério
do Trabalho, de conformidade com as instruções
que, para esse fim, forem expedidas.

§ 1º - Toda caldeira será acompanhada de


“Prontuário”, com documentação original do fabricante,
abrangendo, no mínimo: especificação técnica, desenhos,
detalhes, provas e testes realizados durante a fabricação
e a montagem, características funcionais e a pressão
máxima de trabalho permitida (PMTP), esta última
indicada, em local visível, na própria caldeira.

265
§ 2º - O proprietário da caldeira deverá orga-
nizar, manter atualizado e apresentar, quando exigi-
do pela autoridade competente, o Registro de Segu-
rança, no qual serão anotadas, sistematicamente, as
indicações das provas efetuadas, inspeções, reparos
e quaisquer outras ocorrências.
§ 3º - Os projetos de instalação de caldeiras,
fornos e recipientes sob pressão deverão ser subme-
tidos à aprovação prévia do órgão regional compe-
tente em matéria de segurança do trabalho.

SEÇÃO XIII
Das Atividades Insalubres ou Perigosas

Art 189 - Serão consideradas atividades ou


operações insalubres aquelas que, por sua natureza,
condições ou métodos de trabalho, exponham os
empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos
limites de tolerância fixados em razão da natureza e
da intensidade do agente e do tempo de exposição
aos seus efeitos.

Art 190 - O Ministério do Trabalho aprova-


rá o quadro das atividades e operações insalubres e
adotará normas sobre os critérios de caracterização
da insalubridade, os limites de tolerância aos agentes
agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de
exposição do empregado a esses agentes.

266
Parágrafo único - As normas referidas neste
artigo incluirão medidas de proteção do organismo
do trabalhador nas operações que produzem aerodis-
persóides tóxicos, irritantes, alérgicos ou incômodos.

Art 191- A eliminação ou a neutralização da


insalubridade ocorrerá:

I - com a adoção de medidas que conservem o


ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância;
II - com a utilização de equipamentos de pro-
teção individual ao trabalhador, que diminuam a in-
tensidade do agente agressivo a limites de tolerância.

Parágrafo único - Caberá às Delegacias Re-


gionais do Trabalho, comprovada a insalubridade,
notificar as empresas, estipulando prazos para sua
eliminação ou neutralização, na forma deste artigo.

Art 192 - O exercício de trabalho em con-


dições insalubres, acima dos limites de tolerância es-
tabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a
percepção de adicional respectivamente de 40% (qua-
renta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez
por cento) do salário-mínimo da região, segundo se
classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo.

Art 193 - São consideradas atividades ou

267
operações perigosas, na forma da regulamentação
aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que,
por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem
o contato permanente com inflamáveis ou explosi-
vos em condições de risco acentuado.

§ 1º - O trabalho em condições de
periculosidade assegura ao empregado um adicional
de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os
acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou
participações nos lucros da empresa.
§ 2º - O empregado poderá optar pelo adicional
de insalubridade que porventura lhe seja devido.

Art 194 - O direito do empregado ao adi-


cional de insalubridade ou de periculosidade cessará
com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade
física, nos termos desta Seção e das normas expedi-
das pelo Ministério do Trabalho.

Art 195 - A caracterização e a classificação da


insalubridade e da periculosidade, segundo as normas
do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia
a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do
Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.

§ 1º - É facultado às empresas e aos sindicatos


das categorias profissionais interessadas requererem

268
ao Ministério do Trabalho a realização de perícia em
estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de
caracterizar e classificar ou delimitar as atividades in-
salubres ou perigosas.
§ 2º - Argüida em juízo insalubridade ou pe-
riculosidade, seja por empregado, seja por Sindica-
to em favor de grupo de associado, o juiz designará
perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não
houver, requisitará perícia ao órgão competente do
Ministério do Trabalho.
§ 3º - O disposto nos parágrafos anteriores
não prejudica a ação fiscalizadora do Ministério do
Trabalho, nem a realização ex officio da perícia.

Art 196 - Os efeitos pecuniários decorrentes


do trabalho em condições de insalubridade ou pericu-
losidade serão devidos a contar da data da inclusão da
respectiva atividade nos quadros aprovados pelo Mi-
nistro do Trabalho, respeitadas as normas do artigo 11.

Art 197 - Os materiais e substâncias empre-


gados, manipulados ou transportados nos locais de
trabalho, quando perigosos ou nocivos à saúde, de-
vem conter, no rótulo, sua composição, recomenda-
ções de socorro imediato e o símbolo de perigo cor-
respondente, segundo a padronização internacional.

Parágrafo único - Os estabelecimentos que

269
mantenham as atividades previstas neste artigo afi-
xarão, nos setores de trabalho atingidas, avisos ou
cartazes, com advertência quanto aos materiais e
substâncias perigosos ou nocivos à saúde.

SEÇÃO XIV
Da Prevenção da Fadiga

Art 198 - É de 60 kg (sessenta quilogramas)


o peso máximo que um empregado pode remover
individualmente, ressalvadas as disposições especiais
relativas ao trabalho do menor e da mulher.

Parágrafo único - Não está compreendida na


proibição deste artigo a remoção de material feita
por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos,
carros de mão ou quaisquer outros aparelhos mecâ-
nicos, podendo o Ministério do Trabalho, em tais ca-
sos, fixar limites diversos, que evitem sejam exigidos
do empregado serviços superiores às suas forças.

Art 199 - Será obrigatória a colocação de


assentos que assegurem postura correta ao traba-
lhador, capazes de evitar posições incômodas ou
forçadas, sempre que a execução da tarefa exija que
trabalhe sentado.

Parágrafo único - Quando o trabalho deva

270
ser executado de pé, os empregados terão à sua dis-
posição assentos para serem utilizados nas pausas
que o serviço permitir.

SEçãO XV
Das Outras Medidas Especiais de Proteção

Art 200 - Cabe ao Ministério do Trabalho


estabelecer disposições complementares às normas
de que trata este Capítulo, tendo em vista as peculia-
ridades de cada atividade ou setor de trabalho, espe-
cialmente sobre:

I - medidas de prevenção de acidentes e os


equipamentos de proteção individual em obras de
construção, demolição ou reparos;
II - depósitos, armazenagem e manuseio de
combustíveis, inflamáveis e explosivos, bem como
trânsito e permanência nas áreas respectivas;
III - trabalho em escavações, túneis, galerias,
minas e pedreiras, sobretudo quanto à prevenção de
explosões, incêndios, desmoronamentos e soterra-
mentos, eliminação de poeiras, gases, etc. e facilida-
des de rápida saída dos empregados;
IV - proteção contra incêndio em geral e as
medidas preventivas adequadas, com exigências ao
especial revestimento de portas e paredes, constru-
ção de paredes contra-fogo, diques e outros ante-

271
paros, assim como garantia geral de fácil circulação,
corredores de acesso e saídas amplas e protegidas,
com suficiente sinalização;
V - proteção contra insolação, calor, frio,
umidade e ventos, sobretudo no trabalho a céu aber-
to, com provisão, quanto a este, de água potável, alo-
jamento profilaxia de endemias;
VI - proteção do trabalhador exposto a
substâncias químicas nocivas, radiações ionizantes
e não ionizantes, ruídos, vibrações e trepidações ou
pressões anormais ao ambiente de trabalho, com
especificação das medidas cabíveis para eliminação
ou atenuação desses efeitos limites máximos quanto
ao tempo de exposição, à intensidade da ação ou de
seus efeitos sobre o organismo do trabalhador, exa-
mes médicos obrigatórios, limites de idade controle
permanente dos locais de trabalho e das demais exi-
gências que se façam necessárias;
VII - higiene nos locais de trabalho, com
discriminação das exigências, instalações sanitárias,
com separação de sexos, chuveiros, lavatórios, vesti-
ários e armários individuais, refeitórios ou condições
de conforto por ocasião das refeições, fornecimento
de água potável, condições de limpeza dos locais de
trabalho e modo de sua execução, tratamento de re-
síduos industriais;
VIII - emprego das cores nos locais de tra-
balho, inclusive nas sinalizações de perigo.

272
Parágrafo único - Tratando-se de radiações
ionizantes e explosivos, as normas a que se referem
este artigo serão expedidas de acordo com as resolu-
ções a respeito adotadas pelo órgão técnico.

SEÇÃO XVI
Das Penalidades

Art 201 - As infrações ao disposto neste Ca-


pítulo relativas à medicina do trabalho serão puni-
das com multa de 3 (três) a 30 (trinta) vezes o valor
de referência previsto no artigo 2º, parágrafo único,
da  Lei nº 6.205, de 29 de abril de 1975, e as con-
cernentes à segurança do trabalho com multa de 5
(cinco) a 50 (cinquenta) vezes o mesmo valor.

Parágrafo único - Em caso de reincidência,


embaraço ou resistência à fiscalização, emprego de
artifício ou simulação com o objetivo de fraudar a
lei, a multa será aplicada em seu valor máximo.

Art 2º - A retroação dos efeitos pecuniários


decorrentes do trabalho em condições de
insalubridade ou periculosidade, de que trata o artigo
196 da Consolidação das Leis do Trabalho, com a
nova redação dada por esta Lei, terá como limite a
data da vigência desta Lei, enquanto não decorridos
2 (dois) anos da sua vigência.

273
Art 3º - As disposições contidas nesta Lei
aplicam-se, no que couber, aos trabalhadores avulsos,
as entidades ou empresas que lhes tomem o serviço
e aos sindicatos representativos das respectivas
categorias profissionais.

§ 1º - Ao Delegado de Trabalho Marítimo


ou ao Delegado Regional do Trabalho, conforme o
caso, caberá promover a fiscalização do cumprimen-
to das normas de segurança e medicina do trabalho
em relação ao trabalhador avulso, adotando as medi-
das necessárias inclusive as previstas na Seção II, do
Capítulo V, do Título II da Consolidação das Leis do
Trabalho, com a redação que lhe for conferida pela
presente Lei.
§ 2º - Os exames de que tratam os §§ 1º e 3º
do art. 168 da Consolidação das Leis do Trabalho,
com a redação desta Lei, ficarão a cargo do Instituto
Nacional de Assistência Médica da Previdência So-
cial - INAMPS, ou dos serviços médicos das entida-
des sindicais correspondentes.

Art. 4º - O Ministro do Trabalho relacionará


o artigos do Capítulo V do Título II da Consolida-
ção das Leis do Trabalho, cuja aplicação será fiscali-
zada exclusivamente por engenheiros de segurança e
médicos do trabalho.

274
Art 5º - Esta Lei entrará em vigor na data de
sua publicação, ficando revogados os artigos 202 a 223
da Consolidação das Leis do Trabalho; a Lei nº 2.573,
de 15 de agosto de 1955; o Decreto-lei nº 389, de 26 de
dezembro de 1968 e demais disposições em contrário.

Brasília, em 22 de dezembro de 1977; 156º


da Independência e 89º República.

ERNESTO GEISEL
ARNALDO PRIETO

275