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Aula 02: Economia e Sociedade Açucareira 03 /07/2020

Economia Açucareira

Basicamente três fatores determinaram que Portugal escolhesse o açúcar como


principal produto a ser cultivado e produzido na colônia, o primeiro deles, é que o
açúcar já era um produto bastante conhecido e consumido na Europa, sendo assim, já
seria um produto de fácil comércio. O segundo fator, é que Portugal já dominava as
técnicas de cultivo da cana-de-açúcar, e essa experiência dos portugueses com a
atividade açucareira vinha de suas possessões no continente africano, mais
especificamente nas Ilhas Madeira e Açores. No final do século XV, já existiam na
Madeira cerca de 150 engenhos de açúcar, movidos pelo trabalho escravo. O terceiro, é
que quando os portugueses chegam ao Brasil e passam a explorar o território, percebem
que o solo e clima são favoráveis para o plantio da cana-de-açúcar. Como ainda não
havia se encontrado ouro e prata, o açúcar se tornou o produto que vai sustentar a
economia da colônia.
O cultivo da cana se assentava no modelo plantation de produção, que consiste em um
modelo de produção agrícola caracterizado pela grande propriedade rural (latifúndio),
pela monocultura (exploração do solo com especializações em um só produto), pelo
trabalho escravo e para a produção destinada ao mercado externo. A produção
açucareira visava a exportação e não o consumo dentro da colônia.
A produção do açúcar acontecia nos engenhos, o engenho era o núcleo central da
sociedade ligada à produção açucareira. Eram grandes propriedades rurais, constituída
pela casa-grande, local em que residia o Senhor de engenho, família e agregados; a
senzala, que era habitada de forma precária e desumana pelos escravizados; a capela e a
casa de moenda. Era na casa de moenda que aconteciam as etapas de fabricação do
açúcar, lá a cana era amassada e o caldo extraído era engrossado ao fogo até chegar ao
ponto do melaço, o melaço colocado em formas que eram expostas ao sol até formarem
os pedaços de açúcar.
Esse açúcar produzido no Brasil era um açúcar mais escuro, o mascavo, se o Senhor
de engenho quisesse comercializá-lo poderia, porém não tinha um amplo mercado. O
açúcar mais consumido na Europa, era o refinado, se o Senhor de engenho quisesse
investir na sua produção teria que refinar esse açúcar, e é aí que entra a Holanda. A
Holanda dominava e controlava as técnica de refino, na verdade, participava de todo o
empreendimento açucareiro. Era a Holando que financiava a produção do açúcar aqui
na colônia emprestando dinheiro para Portugal; Portugal mandava recursos para o Brasil
que fazia o cultivo e produção desse açúcar; o açúcar era enviado para holanda que fazia
o refino e comercializava para o mundo. Esse era o caminho feito pelo açúcar.
O núcleo central da economia colonial foi evidentemente a produção açucareira, que
assegurou lucros extraordinários para Portugal, e principalmente para a Holanda, que
chegava a ganhar ainda mais que Portugal com o refino e a comercialização do açucar.
A lucratividade era tamanha, que desestimulava investimentos em outras áreas. Mas a
expansão contínua da atividade canavieira, com o aumento do número de pessoas nela
envolvidas, gerou outras necessidades. A criação de gado ganhou então espaço na
economia colonial, tornando-se de importância significativa para a subsistência da
população. As dificuldades para implementação da pecuária devido às lutas por
territórios dos criadores com os Senhores de engenho fizeram com que os fazendeiros
adentrassem o território, dando início a expansão territorial. A pecuária começou então
a ser feita no Sertão do Nordeste e no sul do Brasil.
Existiram também outras atividades econômicas secundárias, como o tráfico negreiro;
o tabaco para a produção de fumo, sendo a Bahia a principal produtora de fumo que era
trocado na África por escravizados; a mandioca; a cachaça; o couro, que advinha da
pecuária; o algodão etc.

Sociedade Açucareira

A sociedade açucareira era marcada por algumas características, era uma sociedade
patriarcal, onde a organização social é dada pela figura masculina. O patriarcalismo
conferia ao Senhor privilégios de mando e riqueza sobre os demais membros da
sociedade. Era uma sociedade estamental, onde havia pouca ou nenhuma mobilidade
social; era endogâmica, pois os casamentos aconteciam entre pessoas do mesmo grupo
social; e aristocráticas, a aristocracia é uma forma de governo praticada por pessoas que
se destacam na sociedade. Na colônia por exemplo, surgiram durante os governos gerais
as chamadas câmaras municipais, que eram núcleos de administração política, jurídica e
policial das vilas e cidades que iam surgindo, que eram administradas pelos chamados
“Homens bons”. Para possuir um cargo nas câmaras ou em qualquer outro cargo do
Estado era necessário comprovar a pureza de sangue, que consistia em ser português,
católico e não possuir nenhuma ascendência árabe, judaica, africana ou indígena.
A base dessa sociedade era escravista, praticamente todo trabalho era escravo, o braço
negro esteve sempre presente em todas as áreas e setores de atividades. Nas lavouras,
nos serviços domésticos e nos centros urbanos foi a força de trabalho fundamental para
a economia brasileira.
Existiam diferentes tipos de escravizados no Brasil, tinham os escravos de lavoura,
que desempenhavam diferentes funções nas lavouras e nas demais instalações da
propriedade rural, como a casa de moenda. Os escravos domésticos, que se dedicavam
aos cuidados das tarifas ligadas ao ambiente doméstico, geralmente esses escravizados
tinha uma condição de vida relativamente melhor do que os lavoura, por exemplo.
Existiam também os escravos de ganho, os quais o Senhor se utilizava das habilidades
para obter dinheiro, geralmente esses escravizados faziam transporte de pessoas e de
cargas, vendiam doces de tabuleiro, cuidavam de estabelecimentos comerciais ou
fabricavam utensílios. Geralmente a maior parte do lucro obtido no dia ficava com seu
dono e o que sobrava era utilizado para alimentação, vestuário ou até mesmo para
comprar a sua alforria. E por último tinham os escravos de aluguel, geralmente quando
um Senhor estava passando por alguma dificuldade financeira ou tinha tantos
escravizados que não tinha com o explorá-los, acabava alugando para terceiros.

Resistência Africana
EXERCÍCIOS
1) (Enem) O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no
século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas
(séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época, passou a ser
importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas
continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes
de princesas casadoiras".

CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual,


1996.

Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido


por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de:

a) A mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente.

b) Os árabes serem aliados históricos dos portugueses.

c) O lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.

d) As feitorias africanas facilitarem a comercialização desse produto.

e) Os nativos da América dominarem uma técnica de cultivo semelhante.

2) Na verdade, o que Portugal queria para sua colônia americana é que fosse uma
simples produtora e fornecedora de gêneros úteis ao comércio metropolitano e que se
pudessem vender com grandes lucros nos mercados europeus. Este será o objetivo da
política portuguesa até o fim da Era Colonial. E tal objetivo ela o alcançaria plenamente,
embora mantivesse o Brasil, para isto, sob um rigoroso regime de restrições econômicas
e opressão administrativa; e abafasse a maior parte das possibilidades do país.” Prado
Junior
Podemos compreender, pela leitura do texto, que:
a) O interesse da Metrópole era no sentido de desenvolvimento econômico da colônia e,
para tal, preocupava-se com o incentivo a toda atividade que visasse explorar os
recursos que beneficiassem a terra
b) Apesar de o Brasil constituir uma colônia de exploração, os princípios mercantilistas
não foram, aqui, aplicados com rigor, o que possibilitou o desenvolvimento de
atividades que visavam o incremento da colônia
c) Apesar de a colonização atender aos princípios mercantilistas, estes, em grande parte,
não foram respeitados, uma vez que a economia colonial voltou-se mais para o
comércio interno
d) Os objetivos da metrópole foram plenamente alcançados, mesmo que, para isto, ela
tivesse que se afastar dos princípios econômicos do sistema colonial
e) A montagem da empresa colonial obedecia aos princípios do mercantilismo e, neste
sentido, Lisboa preocupou-se em incentivar na colônia as atividades complementares à
economia metropolitana
3) Qual era a estrutura básica da produção de açúcar implantada por Portugal no Brasil?

a) monocultura, trabalho escravo e grande propriedade.

b) monocultura, trabalho escravo e pequena propriedade familiar.

c) monocultura, trabalho assalariado e pequena propriedade familiar.

d) policultura, trabalho assalariado e grande propriedade.

e) policultura, trabalho escravo e grande propriedade.


4) O país que atuava como parceiro econômico de Portugal na produção do açúcar por
meio do financiamento dos engenhos, refinamento do açúcar e distribuição da
mercadoria pela Europa foi:

a) França.

b) Espanha.

c) Cabo Verde.

d) Índia.

e) Holanda.

5) O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século
VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e
XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou a ser importado do Oriente
Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto
de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras.
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual,
1996.
Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto
escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de
a) a mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente.
b) os árabes serem aliados históricos dos portugueses
c) o lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.
d) as feitorias africanas facilitarem a comercialização desse produto.
e) os nativos da América dominarem uma técnica de cultivo semelhante.
GABARITO

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