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ELAINE CRISTINA MARQUES ESPER

INICIAÇÃO À
PESQUISA CIENTÍFICA

Título livro 3
INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA
Elaine Cristina Marques Esper

2021
CASA NOSSA SENHORA DA PAZ – AÇÃO SOCIAL FRANCISCANA, PROVÍNCIA
FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL –
ORDEM DOS FRADES MENORES

PRESIDENTE
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
DIRETOR GERAL
Jorge Apóstolos Siarcos
REITOR
Frei Gilberto Gonçalves Garcia, OFM
VICE-REITOR
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO
Adriel de Moura Cabral
PRÓ-REITOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Dilnei Giseli Lorenzi
COORDENADOR DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD
Renato Adriano Pezenti
GESTOR DO CENTRO DE SOLUÇÕES EDUCACIONAIS - CSE
Fernando Rodrigo Andrian
REVISÃO
Lindsay Viola (Vozes)
DESIGNER INSTRUCIONAL
Leonora Gerardino
Patricia Sponhardi
PROJETO GRÁFICO
Impulsa Comunicação
DIAGRAMADOR
Lucas Paz (Studio 28)
CAPA
Lucas Ichimaru Testa

© 2021 Universidade São Francisco


Avenida São Francisco de Assis, 218
CEP 12916-900 – Bragança Paulista/SP
A AUTORA
ELAINE CRISTINA MARQUES ESPER
Doutora e Mestre em Engenharia e Ciência dos Materiais. Especialista em Engenharia
de Produção. Licenciada em Química. Professora da área de Química e de Materiais.
Possui ampla experiência em gestão acadêmica e na orientação de trabalhos de Con-
clusão de Curso.
SUMÁRIO
INFORMAÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA ...........................................................5

APRESENTAÇÕES DAS UNIDADES ....................................................................5

UNIDADE 01: CIÊNCIA E CONHECIMENTO: O QUE EU PRECISO SABER


SOBRE ISSO?...........................................................................................................6

UNIDADE 02: PESQUISA CIENTÍFICA: POR ONDE COMEÇAR?......................20

UNIDADE 03: PESQUISA CIENTÍFICA: COMO GERAR E ANALISAR OS


RESULTADOS?.........................................................................................................38

UNIDADE 04: COMO APRESENTAR OS RESULTADOS?....................................58


INFORMAÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA
Iniciação à pesquisa científica
Ementa: Introdução ao conhecimento científico e sua importância para o desenvolvi-
mento social e tecnológico. Pesquisa científica. Métodos de pesquisa. Desenvolvimento
da pesquisa. Bibliografia e aspectos normativos. Difusão do Conhecimento Científico.

Objetivos: Ao final do curso, o estudante será capaz de reconhecer a importância do


conhecimento científico para o desenvolvimento social e tecnológico, conhecer a pes-
quisa científica e de seus métodos, elaborar trabalhos acadêmicos de acordo com as
normas técnicas e apresentar trabalhos utilizando-se da comunicação efetiva e eficiente
nas formas escrita e oral.

Carga horária: 72 h

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Unidade 1:

Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

Nesta primeira unidade, estudaremos o conhecimento e de que forma a aquisição dele


consegue influenciar no desenvolvimento da Ciência. Aprenderemos técnicas facilita-
doras do processo de geração da ciência, no que tange à leitura e à escrita científica.

Unidade 2:

Pesquisa científica: por onde começar?

Nesta unidade, estudaremos os tipos de métodos científicos e os métodos da pesquisa


científica, focando nos primeiros estágios da pesquisa desde a elaboração do tema do
problema até a formulação de objetivos e hipóteses de uma pesquisa.

Unidade 3:

Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

Nesta unidade, estudaremos os principais itens de uma pesquisa bibliográfica, passan-


do pela revisão bibliográfica, pelo planejamento e pela condução da pesquisa científica,
da geração e da análise dos resultados obtidos.

Unidade 4:

Como apresentar os resultados?

Nesta unidade aprenderemos sobre os principais tipos de apresentação de trabalhos científi-


cos, quer seja apresentado de forma escrita, por meio de monografias, resumos de congresso
e artigos científicos, ou de forma oral, em formato de slides show ou apresentação de pôste-
res. Discutiremos ainda um assunto muito importante na apresentação de trabalhos: o plágio.
Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

1 UNIDADE 1

CIÊNCIA E CONHECIMENTO: O QUE EU


PRECISO SABER SOBRE ISSO?

INTRODUÇÃO
Olá! Seja bem-vindo ao componente curricular Iniciação à Pesquisa Científica. Esta uni-
dade tem por objetivo informá-lo sobre o que é conhecimento e o que é ciência. Apren-
deremos como fazer uma boa leitura e como maximizar a qualidade da leitura realizada,
passando pelas técnicas de fichamento, resumo e resenha para auxiliar na escrita, e
como estas podem ajudar na boa prática acadêmica e profissional. Então vamos lá!

Bons estudos!

INTRODUÇÃO À CIÊNCIA E AO CONHECIMENTO CIENTÍFICO


Quando se fala em metodologia de pesquisa
muitos estudantes sofrem por antecipação.
Este componente curricular pretende forne-
cer-lhe uma série de ferramentas para auxili-
á-lo durante toda a sua vida acadêmica. Não
sofra com ele. Aproveite-o para aprender o
que vai lhe ajudar em praticamente todos os
componentes curriculares do seu curso. Fonte:123rf

Não se prenda no fácil e nem no ilícito, po-


rém cômodo. Pesquisar e escrever serão
atividades que você deverá fazer durante
toda a sua vida profissional. Aprender a fazer o certo da primeira vez (aqui, neste
curso) tornará a sua vida acadêmica e profissional menos dolorida depois.

Bom, chega de conselhos. Vamos ao que interessa... O que é essa tal de Ciência? E
Conhecimento? Quais são as seme-lhanças e as diferenças entre eles?

Para entender a importância que a ciência e o conhecimento têm, é só se imaginar sem


nada. Sem nada mesmo!!! Você está usando um computador? Sem ciência, ele não exis-
tiria. Você está usando um smartphone? Sem ciência, ele não existiria. Você está usando
um sulfite com este texto impresso? Sem ciência, nem o sulfite, nem a tinta e nem o papel
existiriam. Nada existiria sem ciência e conhecimento. Sem ciência e sem conhecimento se-
riamos nômades, dormindo em árvores e cavernas, e nos alimentando de frutas somente...

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Ah, é verdade! Já fomos assim, e de lá para cá, muita ciência foi feita e muito conhecimento 1
foi adquirido para que tivéssemos o conforto que ao longo de toda a história buscamos.

Universidade São Francisco


A mesma ciência que hoje busca a cura do câncer, a revolução feita pela inteligência
artificial, o uso mais eficiente das formas gera-doras de energia já buscou coisas bem
mais simples como a caneta esferográfica (não utilizar mais tinta, pena e mata-borrão já
foi um luxo!) e o papel (imagina o espaço economizado nas bibliotecas que arquivavam
em papiro ou tábuas).

Segundo Santos e Parra Filho (2012, p. 10) o


“[...] conhecimento é uma explicação e interpretação filosófica do conhecimen-
to humano”, sempre ligado a um objeto real ou idealizado que transmite sa-
beres e proveniente da nossa eterna ânsia pelo desconhecido, pelos questio-
namentos que sempre fizemos e sempre faremos enquanto seres humanos.

SUGESTÃO DE LEITURA
SANTOS, João Almeida; PARRA FILHO, Domingos. Me-todologia Científica. 2. ed. Cengage
Learning Editores, abr. 2012. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

Marconi e lakatos agrupam o conhecimento em quatro tipos:


`  O conhecimento popular, que um sujeito tem sobre um objeto conhecido que está relacio-
nado à rotina de vida.

`  O conhecimento filosófico, constituído do levantamento de hipóteses.

`  O conhecimento religioso, que se apoia em doutrinas reveladas por divindades sobrenaturais.

`  O conhecimento científico, que trabalha com ocorrência ou fatos.

SUGESTÃO DE LEITURA
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Cientí-
fica. 8. ed. Atlas, jan. 2017. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

Ou seja, ao longo da história, agrupamos em caixinhas todo o conhecimento referente


aos nossos questionamentos múltiplos. Aquilo que desde sempre ouvimos: de onde
viemos e para onde vamos? Por que o céu é azul? Por que as estrelas brilham? As
respostas a essas perguntas são múltiplas e representam um tipo de conhecimento
adquirido. Mas, quem tenta provar a real resposta é a Ciência!!! A ciência é, portanto,
a sistematização do conhecimento, realizada pela aplicação de métodos rigorosos e
passíveis de serem repetidos, que só surgiu no século XVII, com a construção de equi-
pamentos que possibilitaram o desenvolvimento da astronomia.

Se você quer conhecer a história da ciência, a faculdade de filosofia, letras e ciências


humanas (FFLCH) da usp indica um rol de 12 livros interessantes (Magalhães, 2017):

1. De Arquimedes a Einstein. A face oculta da invenção científica (1994), de Pierre Thuillier.

2. Dez grandes debates da ciência (1999), de Hal Hellman.

Iniciação à pesquisa científica 7


Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

1 3. Elementos para uma história das ciências (1996), de Michel Serres.

4. As paixões da ciência. Estudos de História das Ciências (1991), de Hilton Japiassu.

5. História da Técnica e da Tecnologia (1985), de Ruy Gama.

6. Os filósofos e as máquinas (1989), de Paolo Rossi.

7. A estrutura das revoluções científicas (1962), de Thomas Kuhn.

8. Contra o método (1974), de Paul Feyerabend.

9. O homem e o universo. Como a concepção do universo se modificou através dos


tempos (1939), de Arthur Koestler.

10. O passado das ciências como história (2007), de Kostas Gavroglu.

11. Introdução à historiografia da ciência (2001), de Helge Kragh.

12. A evolução da tecnologia (2001), de George Basalla.

Se você tem pressa e é ávido por conhecimento, sugiro a leitura do item

1.2 Breve história da Ciência, disponível na obra de Mattar Neto (2017, p. 10-35).

SUGESTÃO DE LEITURA
MATTAR NETO, João Augusto. Metodologia Científica na Era da Informática. 4. ed. Saraiva,
2017. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

Lendo esse texto, você terá um panorama geral das ciências. sim, eu escrevi das ciências.
porque a complexidade do nosso mundo levou à subdivisão da ciência:

`  Matemática

`  Química

`  Astronomia

`  Geologia

`  Psicologia

`  Economia

`  Medicina

`  Engenharia

`  Biologia, etc

E as áreas foram subdivididas: a biologia, por exemplo, se dividiu em botânica, fisio-


logia, zoologia, genética, etc. e, hoje em dia, áreas e subáreas são unidas por novos
arranjos de conhecimentos, como a cibernética (ciência que estuda as máquinas au-
tomáticas e os seres vivos em seu sistema autogovernado), por exemplo.

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No Brasil, costumamos dividir a ciência em três grandes tipos: exatas, biológicas e hu- 1
manas. Já o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)
divide as áreas de conhecimento brasileira atualmente em oito grandes grupos:

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`  Ciências agrárias.

`  Ciências biológicas.

`  Ciências da saúde.

`  Ciências exatas e da terra.

`  Engenharias.

`  Ciências humanas.

`  Ciências sociais aplicadas.

`  Linguística, letras e arte.

Contudo, é inegável que todo o conhecimento gerado e toda a ciência desenvolvida não
teria acontecido sem a força da comunicação.

Fonte:123rf

Entre os vários tipos de comunicação, tais como escrita, rádio, TV e internet, se destaca a
forma escrita. Ela foi a base e continua sendo a base da nossa comunicação. A escrita por si
só não tem muito valor. Importância muito maior deve ser dada à leitura, à interpretação e ao
armazenamento de informações. Itens que tentaremos facilitar na sequência desta unidade.

LEITURA DE TEXTOS CIENTÍFICOS: PROCEDIMENTOS,


TÉCNICAS DE LEITURA
A leitura é um ato muito importante no desenvolvimento de ciência, pois auxilia no incre-
mento de vocabulário e faz com que o cientista possa “conversar” com o seu próprio eu
para a facilitação da geração de hipóteses, saber o que outras pessoas já sabem sobre
aquele assunto, encontrar aquela ideia que faltava para dar sequência ao trabalho ou
mesmo comparar os resultados obtidos por ele durante a sua pesquisa.

Iniciação à pesquisa científica 9


Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

1 É por meio da leitura que aprendemos sobre o mundo. É por meio da leitura que todo
universitário pode desenvolver habilidades e competências que farão com que ele seja
um excelente profissional.

Nascimento (2016, p. 1) afirma que a leitura acadêmica


“[...] precisa ter um caráter de leitura ativa ou viva. Ela se caracteriza quando
é realizada com interesse, vibração e entusiasmo. É aquela que, por seu
conteúdo, nos prende a atenção, que não nos deixa largar o livro. É quando
temos pressa e desejamos chegar ao fim, porém, com vontade de que o
texto não acabe. É aquela leitura que nos faz ver, ouvir e sentir as cores, os
sons e os aromas que o autor conseguiu imprimir e transmitir em seu texto.”

NASCIMENTO, Luiz Paulo do. Elaboração de projetos de pesquisa: Mono-


grafia, dissertação, tese e estudo de caso, com base em metodologia cientí-
fica. Cengage Learning Editores, 19 out. 2016. [Minha Biblioteca]. Disponível
na Biblioteca Virtual.

Nascimento (2016) ainda afirma que a leitura é o primeiro passo para o conhecimento,
para a criação. Veja, na Figura 1, todos os degraus que podem ser percorridos a partir
da leitura, que caracterizam o processo de pesquisa.

Figura 01. O caminho da pesquisa

Criar/construir
Refletir
Pensar
Saber
Conhecer
Entender
Estudar
Ler

Fonte: NASCIMENTO, 2016, p. 3.

Como podemos observar na Figura 1, a leitura é a base do estudo, do entendimento,


do conhecimento e de tudo que está relacionado com o desenvolvimento. Quanto mais
leitura, mais conhecimento, mais reflexão, mais criação. Com um pouco de curiosidade
saímos das cavernas e fomos à lua, mas o conhecimento foi passado de geração em
geração por meio de escrita e leitura. O conhecimento foi acumulado, aprimorado por
leitura selecionada, aprendido, transformado em competência, e possibilitou que enge-
nheiros construíssem naves espaciais. Cada um de nós é capaz de focar o aprendizado
em uma área e armazenar conhecimento nessa área. Jamais abandone a leitura, pois,
caso você faça isso, se tornará um profissional desqualificado com o passar do tempo.

Um ambiente adequado de leitura vai bem! Veja os itens considerados importantes por
Nascimento (2016, p. 5) para que a leitura seja rápida e efetiva.

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Figura 02. Componentes adequados para o bom estudo
1
Ventilação

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Velocidade Temperatura

Síntese Silêncio
exterior

Análise Silêncio
interior
Local ou ambiente
para o exercício
Avaliação do estudo Desejo

Meditação Respiração

Relaxamento

Fonte: NASCIMENTO, 2016, p. 3.

Para que um boa leitura possa ser feita é necessário saber


o que ler dentre todas as possibilidades hoje abundantes
existentes. Para tanto, é preciso saber selecionar a leitu-
ra. Uma leitura superficial dos principais pontos abordados
por um livro ou do resumo apresentado por um artigo pode
auxiliar na escolha da leitura daquela obra. Ou seja, essa
obra tem o que realmente eu procuro?

Se a partir dessa leitura superficial a curiosidade for aguça-


da, talvez valha a pena se debruçar sobre a obra, de fato. Fonte:123rf
Se a leitura de uma obra flui facilmente, significa que você já tem parte ou a totalidade
daquele conhecimento. Se, entretanto, a leitura for difícil, não desanime, siga essas
regrinhas básicas que visam facilitar a leitura e o entendimento da obra:
`  Sublinhe as informações importantes (um marca-texto também ajuda!);

`  Utilize linhas verticais nas margens quando os parágrafos forem muito extensos ou quan-
do quiser ressaltar afirmações já sublinhadas;

`  Utilize asteriscos e/ou outros sinais na margem quando desejar colocar uma informação
em evidência;

`  Numere afirmações ou proposições que apresentem uma ordem sequencial; anote suas
dúvidas na própria obra.

Essas dicas servem para todos os tipos de leitura. Mas caso você esteja realizando
uma pesquisa por meio da leitura, cabe ser analítico durante essa leitura. Para tanto,

Iniciação à pesquisa científica 11


Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

1 deve-se classificar a obra a ser lida, captar o conteúdo principal da obra (de preferência
em uma única frase), descobrir os objetivos, os problemas e as respostas, interpretar
o conteúdo do trabalho, identificar as palavras-chaves apresentadas ao longo do texto,
descobrir quais são os argumentos utilizados na resolução do problema, e, por fim, ser
crítico, abrir a sua mente para questionar tudo o que o autor diz na sua obra.
Por fim, mas não menos importante, passemos para
a leitura sintópica, na qual o pesquisador deve bus-
car tudo o que já foi escrito sobre o assunto que se
deseja conhecer. Para tanto, é interessante montar
uma biblioteca (ou uma pastinha no Google Drive),
fazer uma leitura seletiva de várias obras, uniformizar
os diferentes vocábulos utilizados pelos autores, mas
que no fim representam a mesma coisa, formular per-
guntas ao longo das leituras, confrontar as ideias dos
diferentes autores. Fonte:123rf

Uma prática de leitura bastante difundida é a técnica SQ3R, criada em 1946 pelo psicó-
logo educacional Francis Pleasant Robinson, que compreende cinco etapas:

01. Survey (levantamento);

02. Question (pergunta);

03. Read (leitura);

04. Recite (repetição);

05. Review (revisão).

A leitura é muito importante para toda a vida acadêmica e profissional. Podem auxiliar ainda
no processo de leitura de trabalhos científicos os fichamentos, os resumos e as resenhas.

FICHAMENTOS, RESUMOS E RESENHAS


Quando pesquisamos algum assunto é normal que fa-
çamos a leitura de várias fontes. As fontes utilizadas
num trabalho podem alcançar as dezenas e até as cen-
tenas. Portanto, faz-se necessário organizar todo o ma-
terial lido. Uma das formas de organizar é através dos
fichamentos. Santos e Parra Filho (2012, p. 120) dizem
que a função do fichamento é “[...] colocar à disposição
do pesquisador uma série de informações distribuídas
em uma gama enorme de obras já consultadas.” Fonte:123rf

Nos primórdios da pesquisa científica foi desenvolvido um método de fichamento das obras.
As fichas podem ser distribuídas em ordem alfabética ou decimal, na qual a ordem decimal
é a melhor, pois organiza por assunto. A Classificação Decimal Universal (CDU), por exem-
plo, organiza o item 16 – Lógica. Teoria do conhecimento. Metodologia. Unindo palavras
que estão relacionadas ao mesmo assunto, facilitando, assim, a vida do pesquisador.

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A estrutura da ficha deve ser direta e repetitiva para a melhor organização das informa- 1
ções. Essas fichas podem ser:

Universidade São Francisco


`  Fichas de citação, que transmitirão, na íntegra, o conteúdo da obra pela qual o pesquisa-
dor tem interesse, que serão frases que poderão ser utilizadas posteriormente, devendo
ser grafadas entre aspas, já que representam a autoria de outra pessoa.

FICHA DE CITAÇÃO

A) Título:
Pense no garfo! Uma história da cozinha e de como comemos

B) Referência bibliográfica:
BEE, Wilson. Pense no garfo! Uma história da cozinha e de
como comemos. Zahar, maio 2014. [Minha Biblioteca].

C) Texto: (citações)
“A colher de pau não tem uma aparência de especial sofistica-
ção –tradicionalmente, era oferecida como prêmio de consola-
ção em concursos –, mas tem a ciência a seu lado. A madeira
não é abrasiva e, por isso, é gentil com as panelas – você
pode raspá-las sem medo de ferir a superfície de metal.”2
“As panelas elétricas de arroz foram um casamento ideal entre
a cultura e a tecnologia. Os primeiros modelos reproduziram o
cozimento lento das tradicionais panelas de arroz japonesas,
feitas de barro – ao contrário do micro-ondas, que alterava
toda a estrutura das refeições familiares, as panelas elétricas
de arroz permitiram que as famílias asiáticas fizessem as mes-
mas refeições tradicionais, porém com muito mais facilidade.”44
“Assar é a mais antiga forma de cozinhar. Nos seus termos
mais elementares, não significa nada além de pôr os ingre-
dientes crus direto sobre o fogo.”70
“As colheres são – ao lado de seus companheiros e rivais, o
fachi e o garfo –decididamente uma forma de tecnologia. Suas
funções incluem servir, medir e levar o alimento do prato à
boca, sem falar nas colheres culinárias para mexer e raspar,
escumar, levantar e retirar como concha.”155

D) Indicação da obra:
A obra se destina a amantes da boa culinária e estudantes de
ciência dos materiais e usos na cozinha.

E) Local:
A obra, no formato de e-book, pode ser encontrada na Minha
Biblioteca da Universidade São Francisco.

Iniciação à pesquisa científica 13


Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

`  Fichas de resumo, que captarão as ideias maiores do texto, obra pela qual o pesquisador
1
tem interesse, que serão frases que poderão ser utilizadas posteriormente, devendo ser
grafadas entre aspas, já que representam a autoria de outra pessoa.

FICHA DE RESUMO

A) Título:
Como chegamos até aqui.

B) Referência Bibliográfica:
STEVEN, Johnson. Como chegamos até aqui: A história das
inovações que fizeram a vida moderna possível. Zahar, abr.
2015.[Minha Biblioteca].

C) Texto (resumo):
Assim como as formas vivas evoluem, as criações humanas
também evoluem. O livro está dividido em seis temas: vidro
(que conta a descoberta de uma obra de arte feita de vidro
produzida naturalmente na Líbia e encontrada na pirâmide de
Tutancâmon), frio (que conta a história de fabricação do gelo,
geladeiras, ar-condicionado e de suas comercializações), som
(que conta a biologia do ouvido e a ciência do som e como
utilizamos os conceitos do som no microfone, no telefone e
na rádio), higiene (que conta como foram desenvolvidas as
redes de esgoto, tratamento de água e sua correlação com
doenças), tempo (que conta a história do desenvolvimento dos
relógios) e luz (que conta a história da iluminação com com-
bustíveis fósseis e o desenvolvimento da energia elétrica).
A obra encerra-se contando a história da condessa de Love-
lace, Augusta Ada, e de sua paixão por matemática, que com
Charles Babbage fizeram as bases de cálculo computacional
que utilizamos até os dias atuais.

D) Indicação da obra:
A obra é indicada a todos que se interessam pela história das
inovações, descobertas e invenções.

E) Local:
A obra, no formato de e-book, pode ser encontrada na Minha
Biblioteca da Universidade São Francisco.

14
`  Fichas bibliográficas, que visam identificar o objetivo da obra, os problemas, os métodos
1
e os principais resultados obtidos.

Universidade São Francisco


FICHA BIBLIOGRÁFICA

A) Título:
Determinação de cádmio em bijuterias oriundas da china.

B) Referência Bibliográfica:
PAIS, A.R.; DINA, L.N.; ALVES, E.R.; REZENDE, H.C.; SILVA,
L.A.; ALVES, V.A. Determinação de Cádmio em Bijuterias Oriun-
das da China. Química Nova, v. 41, n.10, p. 1218- 1225, 2018.

C) Texto:
Este trabalho visou a determinação de cádmio em bijuterias
adquiridas em Uberaba – MG, de procedência chinesa. As
bijuterias foram lavadas em hexano e em banho de ultrassom
e foram dissolvidos em ácido nítrico. O cádmio foi identificado
qualitativamente por meio da precipitação com íon sulfeto.
Para a identificação quantitativa, o cobre presente na amostra
foi eletrolisado, e o cádmio quantificado por espectroscopia
de absorção atômica. A concentração de cádmio encontrada
foi de 30% (m/m), que é um valor extremamente preocupante
para a saúde das pessoas que fazem uso das bijuterias.

D) Indicação da obra:
A obra é indicada para estudantes e docentes de química ana-
lítica, e demais interessados em determinação de cádmio.

E) Local:
Revista Química Nova.
Disponível em: <http://quimicanova.sbq.org.br/imagebank/pdf/
v41n10a18.pdf>.

`  Fichas de esboço, nas quais o leitor faz anotações mais detalhadas do autor, lendo pági-
na por página e ressaltando as informações contidas em cada uma. É interessante o seu
uso porque facilita consultas posteriores para citações.

`  Fichas críticas ou analíticas, nas quais o pesquisador, além de apresentar o resumo e


os pontos principais do trabalho a ser fichado, também faz a análise crítica deste. Compa-
rações entre obras também são permitidas e auxiliam o processo de pesquisa e escrita.

Iniciação à pesquisa científica 15


Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

1 Atualmente os fichamentos podem ser feitos no formato e tamanho de fichas e escritos


à mão ou podem ser feitos em arquivos de computador.

Além dos fichamentos, também podem ser elaborados resumos e resenhas para auxi-
liar o pesquisador.

O resumo pode ser entendido como um texto que contém partes de um texto maior.
Essas partes são essenciais ao entendimento de todo o texto. É comum vermos resu-
mos de jornais, telejornais, peças de teatro, filmes, livros, espetáculos de música ou de
dança. O resumo, em todos os casos, é uma prévia do gênero. Sua função é fazer com
que queiramos ler o resto da obra, ou assistir ao espetáculo.

O resumo também pode ser acadêmico, de forma que compõe resumos e artigos para
congressos, artigos científicos, monografias, dissertações e teses. São classificados pela
NBR 6028:2003 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em: crítico, que se
caracteriza por fazer a análise crítica da obra lida, e também pode ser considerado uma
resenha; indicativo, que indica os pontos principais da obra lida e; informativo, que infor-
ma ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento. É muito
importante que o resumo seja claro e objetivo e leve o leitor a desejar ler o trabalho.

O resumo acadêmico deve conter o assunto, o objetivo, a articulação das ideias, a con-
clusão do autor e a originalidade do trabalho.

Um bom resumo deve conter:

`  100 a 250 palavras: artigos de periódicos;

`  150 a 500 palavras: relatórios técnicos-científicos, monografias, dissertações e teses.


Embora a ABNT 6028:2003 classifique a resenha como sendo um tipo de resumo, é ne-
cessário não confundir as duas coisas, pois são tipos de textos diferentes.

“[...] o resumo apenas reproduz sinteticamente um texto original, a resenha


tem estrutura própria. Juntamente com um resumo, aparecem na resenha
outras informações além de interpretações e avaliações, como contexto ge-
ral da obra, sua produção, divulgação, tradução (se for o caso), informações
sobre o autor. O resumo seria apenas uma parte do gênero resenha.” (ME-
DEIROS, 2014, p. 132).

Para se escrever uma boa resenha é necessário um conhecimento maior sobre o as-
sunto, já que a resenha permite que seja dada opinião e se faça comparações entre
diferentes obras de mesmo assunto. A escrita pode iniciar pelas respostas a algumas
perguntas: o texto tem coerência? É original? Apresenta ideias válidas? Essas ideias
são relevantes? O texto contribui para a área a qual se destina? O trabalho desenvol-
vido atingiu os objetivos desejados? Os métodos aplicados são os mais eficazes? O
texto aprofunda ideias ou apenas relata ideias de outros autores? A conclusão está
devidamente apoiada nos métodos aplicados?

Bem, agora que você já conhece as técnicas de fichamento, resumo e resenha e já apren-
deu sobre a importância da boa leitura para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos
e científicos, é hora de saber como melhorar a qualidade da sua leitura científica.

16
PROCEDIMENTOS E RECURSOS PARA O INCREMENTO DA 1
QUALIDADE DA LEITURA CIENTÍFICA

Universidade São Francisco


Primeiro, lembre-se que uma boa leitura requer um ambiente tranquilo e confortável.

Você deve escolher boas obras para ler. Dê preferência aos livros-texto, artigos inter-
nacionais (revistas Science e Nature são um bom começo para as áreas de exatas e
biológicas), artigos nacionais, teses, dissertações, resumos completos publicados em
anais de congresso. Bem, essa é a ordem de importância quando você não souber que
obra ler primeiro. E não se desespere se não conseguir ler tudo aquilo que você marcar
como leitura favorita. Ler tudo é impossível! Estabeleça prioridades!

SUGESTÃO DE LEITURA
Se você se interessou pelas revistas de artigos internacionais de ponta, o link para acessar a Scien-
ce é: https://www.science-mag.org/ e o link para acessar a Nature é: https://www.nature.com/

Quanto à escolha entre autores, uma boa dica é: leia o autor que tiver mais obras em
revistas da mesma área. Isso significa que ele tem muita experiência no assunto e que
você pode aprender um pouquinho mais com ele.

Quando ler um artigo científico siga estas quatro etapas:

`  Faça uma leitura superficial, a fim se o artigo vale


a pena para o seu trabalho e se ele tem a profundi-
dade que você precisa;

`  Releia aprofundadamente, separando os itens pre-


ciosos do trabalho, como objetivo, justificativa, mé-
todo, resultados, discussão e conclusão;

`  Interprete o texto, as imagens, os gráficos e as ta-


belas (aprenda analisá-las de forma rápida e direta);

`  Resuma o artigo. Fonte:123rf

Outra dica é: se você gosta de pesquisar e tem facilidade em ler e escrever, faça uma
iniciação científica. A iniciação científica é a porta de entrada para a ciência e te ensina
todos os passos da pesquisa científica na prática, com a orientação de um professor
especialista na área.

Leia aquilo de que gosta e não aquilo a que é obrigado, e logo estará lendo aquilo que
é obrigatório sem pensar nisso, porque simplesmente você adquiriu o gosto pela leitura.

A boa leitura abre as asas da imaginação, nos torna críticos e abre a nossa mente para
a criatividade e a criação.

Abuse das marcações, das fichas, dos resumos e das resenhas. Isso lhe ajudará muito
numa tarefa que sempre terá na sua vida profissional e acadêmica: a escrita.

Iniciação à pesquisa científica 17


Ciência e conhecimento: o que eu preciso saber sobre isso?

1 REDAÇÃO CIENTÍFICA: LINGUAGEM CIENTÍFICA E SUAS


CARACTERÍSTICAS
A redação científica é um gênero de redação assim como é a poesia, as peças de te-
atro, os jornais e as cartas de amor. Ela é direcionada ao perfil de leitor que fará a sua
leitura, de forma a ser o mais compreensível possível. Geralmente, quem lê um texto
científico já possui um conhecimento mínimo acerca do assunto. Porém, é extremamen-
te pertinente que a escrita:

Seja clara e precisa, ou seja, não deve deixar dúvidas quanto à in-
terpretação das informações, obedecendo às regras gramaticais e de
pontuação, e não deve usar gírias ou palavras vulgares.

Seja objetiva, ou seja, não se deve florear ou incrementar o texto sem


a real necessidade.

Tenha linguagem despersonalizada, utilizando a voz passiva ou a ter-


ceira pessoa do singular do impessoal.

Contenha parágrafos curtos, a fim de não tornar a leitura cansativa.

Seja referenciada, sempre citando o autor no qual se baseou para


escrever aquele trecho.

Tenha o texto com partes interligadas que devem conter introdução,


desenvolvimento (onde são apresentados os métodos e os resultados
alcançados) e conclusão unidos ao longo do texto.

Para a maioria das pessoas escrever dói e, para facilitar, deve-se treinar. Da mesma
forma que quanto mais se ler, mais vocábulos se adquire, quanto mais se escrever,
mais fácil se tornará o processo.

As principais formas de divulgação de trabalhos científicos são os artigos científicos, as


monografias, as dissertações e as teses. Em todas elas a estrutura de apresentação do
texto é a mesma, ou seja, contém título, autor, resumo, introdução, objetivo, fundamen-
tação teórica, método, resultados e discussão, conclusão, e referências bibliográficas.
Os trabalhos acadêmicos também devem apresentar a mesma estruturação.

Abordaremos mais sobre a forma de escrever um trabalho científico e/ou acadêmico na


unidade 4.

18
CONCLUSÃO 1
Nesta unidade você aprendeu as diferenças e as relações entre conhecimento e ciência.

Universidade São Francisco


Aprendeu sobre a importância da leitura e os métodos que existem para melhorar a leitura
científica, fichamentos, resumo e resenha, os quais culminam na melhoria da escrita.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉC- 6. MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: A
NICAS. NBR 6028: Informação e Documentação – Prática de Ficha-mentos, Resumos, Resenhas. 12.
Resumo – Apresentação. Rio de Janeiro, 2003. ed. Atlas, jun2014. E-book. [Minha Biblioteca]. Dispo-
2. MAGALHÃES, Gildo. Doze Livros para Enten- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
der a História das Ciências. Disponível em: https:// books/9788522490271/cfi/0!/4/4@0.00:14.4. Acesso
www.fflch.usp.br/sites/fflch.usp.br/files/2017-11/His- em: 10 jan. 2019.
to%CC%81ria%20das%20Cie%CC%82ncias.pdf. 7. NASCIMENTO, Luiz Paulo do. Elaboração
Acesso em: 5 jan. 2019. de projetos de pesquisa: Monografia, disser-
3. MAPA MENTAL. SQ3R: Método de Leitura. Dis- tação, tese e estudo de caso, com base em me-
ponível em: http://www.mapamental.org/mapas-men- todologia científica. Cengage Learning Edito-
tais/sq3r-metodo-de-leitura/. Acesso em: 4 jan. 2019. res, 2016. E-book. [Minha Biblioteca]. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
4. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva books/9788522126293/cfi/0!/4/4@0.00:5.87. Acesso
Maria. Fundamen-tos de Metodologia Científica. 8. em: 11 jan. 2019.
ed. Atlas, jan. 2017. E-book. [Minha Biblioteca]. Dis-
ponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com. 8. SANTOS, João Almeida; PARRA FILHO, Do-
br/#/books/9788597010770/cfi/6/2!/4/2/4@0:0.0795. mingos. Metodologia Científica. 2. ed. Cen-
Acesso em: 10 jan. 2019. gage Learning Editores, abr. 2012. E-book. [Mi-
nha Biblioteca]. Disponível em: https://integrada.
5. MATTAR NETO, João Augusto. Metodologia minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522112661/
Científica na Era da Informática. 4. ed. Sarai- cfi/0!/4/2@100:0.00. Acesso em: 12 jan. 2019.
va, 2017. E-book. [Minha Biblioteca]. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788547220334/cfi/0!/4/2@100:0.00. Acesso
em: 8 jan. 2019.

Iniciação à pesquisa científica 19


Pesquisa científica: por onde começar?

UNIDADE 2
2
PESQUISA CIENTÍFICA:
POR ONDE COMEÇAR?

INTRODUÇÃO
Olá! Seja bem-vindo à segunda unidade do curso Iniciação à Pesquisa Científica. Esta
unidade tem por objetivo apresentar as etapas do método científico, os métodos e os
estágios da pesquisa científica, principalmente no que se refere à identificação do pro-
blema de pesquisa e do tema, e da formulação de objetivos e hipóteses.

Bons estudos!

MÉTODO CIENTÍFICO
A partir do momento que o homem ansiou por conhecer o mundo e aquilo que fazia parte
dele, passou a repetir, ainda que sem perceber, etapas para resolver suas dúvidas, ou
apenas no campo do pensamento ou na prática. Desde que ele percebeu que as árvores
de uma determinada região davam frutos em uma época e em outra época eram outras
árvores que davam seus frutos, criou rotas de peregrinação para se aproveitar dos frutos
das diferentes árvores. Isso, dentro do campo científico, é o que chamamos de método.

Segundo Appolinário (2015, p.11) o método “é um procedimento ou um conjunto orga-


nizado de passos que se deve realizar para atingir determinado objetivo”. O método
científico nada mais é do que seguir passos para atingir um objetivo, que se relaciona
diretamente com o conhecimento de uma área específica, e que passa pela observa-
ção, pela definição do problema, pela elaboração de hipótese, verificação científica,
análise e síntese.

SUGESTÃO DE LEITURA
APPOLINÁRIO, Fábio. Metodologia Científica. Cengage Learning Editores, jun. 2015. [Minha
Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual

Embora o método científico siga essa ordenação, não é tão simples assim. Ao longo
do tempo, vários filósofos e cientistas foram desenvolvendo seus próprios métodos de
interpretação do universo. Os pensadores gregos empregavam a observação como
primícias para responder às questões filosóficas e existenciais da época. Muito tempo
depois, na idade média, passamos por um período de escuridão, em que pensar não
era bem aceito pelos senhores feudais e pela igreja da época.

20
O desenvolvimento do método científico só ocorreu no princípio da modernidade, ali-
cerçado pelo movimento importante da época chamado de Revolução Científica. Entre
seus importantes expoentes, estão três que criaram os vários métodos de pesquisa 2
(ANDRADE, 2012):

Universidade São Francisco


`  Método dedutivo (desenvolvido por René Descartes), que baseia-se no esclarecimento
das ideias por meio do raciocínio que leva a conclusões verdadeiras elaboradas a partir
de deduções lógicas;

`  Método indutivo (desenvolvido por Francis Bacon), que diz que somente por meio da
observação pode conhecer algo novo. Esse método é muito utilizado nas Ciências da
Natureza, como botânica, zoologia, geologia e mineralogia;

`  Método experimental (desenvolvido por Galileu Galilei), baseada na formulação de uma


hipótese que pode ser testado por meio de experiências. Esse método é bastante comum
nas ciências físico químicas, nas quais os problemas podem ser matematizados.

SAIBA MAIS

Quem foram René Descartes, Francis Bacon e Galileu Galilei?

A resposta mais curta é: foram grandes pensadores/cientistas que revolucionaram o modo de


fazer a pesquisa científica. Mas talvez a resposta mais longa contextualize melhor a impor-
tância desses e de outros expoentes da Revolução Científica.

A Revolução Científica foi um período de iniciação à luz da pesquisa científica, que ocorreu
de 1543 a 1687. Em 1543, Nicolau Copérnico publicou o livro Sobre a revolução dos orbes
celestes e, em 1687, Isaac Newton publicou o livro Princípios matemáticos da filosofia natu-
ral. Ambas as obras se relacionam ao desenvolvimento da física, em especial pela observa-
ção da astronomia, e marcam o início e o final do tempo onde a ciência foi redefinida. Esse
período, unido ao Renascentismo e à Reforma Protestante, são considerados o marco para
o início da modernidade. Muitos consideram o período das Grandes Navegações como o
início das transformações e da quebra da ruptura com o mundo aristotélico e o período da
Antiguidade anterior (MARCONDES, 2016).

Em resumo, a Revolução Científica teve influência direta no nosso modo de agir e pensar
a ciência, e criou bases fortes para que inovações ocorressem, como a própria Revolução
Industrial. Muitos nomes foram importantes nesse período, tais como:

`  Nicolau Copérnico; `  Galileu Galilei;

`  Andreas Vesalius; `  Johannes Kepler;

`  Leonardo Da Vinci; `  William Harvey;

`  Michel de Montaigne; `  René Descartes;

`  Willian Gilbert; `  Robert Boyle;

`  Francis Bacon; `  Isaac Newton etc.

Eles desenvolveram a ciência nos campos da astronomia, da física, da matemática e da medicina.

Iniciação à pesquisa científica 21


Pesquisa científica: por onde começar?

René Descartes (Figura 1) viveu de 1596 a 1650 e é Figura 01. Desenho esquemático de
2 um dos mais importantes filósofos da modernidade, René Descartes e seu plano cartesiano
com destaque na matemática (na qual desenvolveu
o método das coordenadas e o produto cartesiano),
na psicologia (na qual discutiu a subjetividade da
consciência e propôs o método introspeccionista),
e na medicina (em que formulou a visão mecanicis-
ta do corpo humano). Para Descartes, as ideias po-
dem servir de base para o conhecimento e foi com
esse pensamento que ele desenvolveu seu método
dedutivo (MARCONDES, 2016). Fonte: SHAPIRO, 2016

Figura 02. Desenho esquemáticoFrancis Bacon (1561-1626 – Figura 2), foi um dos mais im-
de Francis Bacon portantes influenciadores da Modernidade, especialmente
no que tange ao desenvolvimento da metodologia científi-
ca. Exerceu cargos altos na sociedade da época na área ju-
rídica, chegando a ser lorde chanceler no reinado de Jaime
I, e recebendo o título de Visconde de Saint Albans, mas
caiu em desgraça pela desavença política entre rei e parla-
mento. Sua importância se deve pela discussão do método
científico, em que apresenta a importância da ciência expe-
rimental para o desenvolvimento da lógica científica. Mais
do que isso, ele defendeu que a ciência experimental auxi-
Fonte: BORTHOLETTI, 2018
liaria no desenvolvimento da sociedade, contribuindo para
o bem-estar das pessoas. Essa ciência experimental só seria alcançada por meio da libertação
do pensamento humano frente aos estigmas existentes e ao poder inicial da observação da
natureza, sem preconceitos. Para Bacon conhecer é saber fazer (MARCONDES, 2016).

Porém, foi Galileu Galilei (Figura 3), que estabeleceu a ciência experimental de fato. Galileu
(1564-1642), ao lado de Copérnico e Newton, foi um dos mais importantes expoentes da Revo-
lução Científica, e um dos mais conhecidos em função de sua defesa política do heliocentrismo
e do processo de inquisição que sofreu. Estudou medicina e ciências naturais, tornando-se pro-
fessor de matemática na Universidade de Pádua em 1591, onde inventou o telescópio e com
ele pôde observar as montanhas da lua, as luas de Júpiter a composição da Via Láctea, o que
representou sua quebra de ideias, se “convertendo” ao heliocentrismo de Copérnico, pelo qual foi
perseguido pela Inquisição Romana. Seu método baseia-se em analisar os dados da natureza
(resolução), construir um modelo matemático que expresse os dados essenciais em teoremas e
leis, deduzindo consequências a partir dele (composição), e comprovar pela experimentação se
as leis formuladas e as consequências ocorrem realmente (MARCONDES, 2016).
Figura 03. Desenho esquemático de Galileu Galilei à esquerda e Representação de Galileu utilizando
seu telescópio para estudar as estrelas
Fonte: BARAR, 2011

22
Dessa forma, hoje definimos o método científico com um caso particular que envolve di-
versos tipos de outros métodos, no qual estão claramente definidas as seguintes etapas:
2
`  A identificação de um fenômeno do universo que necessite de explicação que é chamado
de observação;

Universidade São Francisco


`  A produção de uma explicação provisória sobre esse fenô-meno, que denominamos
de hipótese;

`  A execução de um teste para prova a explicação, chamada de experimentação;

`  A análise e a conclusão para verificar se a explicação é verdadeira, que chamamos de


generalização (appolinário, 2015).

Atualmente, consideram-se outros métodos relacionados às etapas de trabalho, tais


como os métodos:
`  Histórico, que busca explicações nos acontecimentos passados;

`  Comparativo, que compara semelhanças e diferenças em um tema de pesquisa;

`  Estatístico, que utiliza os conceitos matemáticos para explicar a realidade; e

`  Os estudos de caso, que se baseiam em estudos específicos a um local, uma empresa,


etc. e que dificilmente se repetiriam exatamente da mesma forma em outro local (MEDEI-
ROS, 2014).

Podemos agrupar os métodos também de acordo com a área do conhecimento como:


ciências formais ou matemáticas, ciências naturais ou biológicas, ciências morais e
sociais, brevemente descritas na Tabela 1.
Tabela 01. Divisão das Ciências

TIPOS DE CIÊNCIA CARACTERÍSTICAS


Lidam unicamente com abstrações, ideias e estruturas
Ciências formais
conceituais.

Estudam os fenômenos concernentes à biologia, à física e


Ciências naturais
à química (vida, ambiente, etc.).

Ciências sociais, como a psicologia, a sociologia e a


Ciências sociais economia dedicamse à investigação dos fenômenos
humanos e sociais.

Fonte: APPOLINÁRIO, 2015.

As ciências formais ou matemáticas incorporam a medida das grandezas, do qual fa-


zem parte a álgebra, a aritmética, a geometria, a física, a química. São áreas que levam
em conta a observação de um fenômeno, a criação de hipóteses sobre esse fenômeno,
a experimentação e a indução que nada mais é que modelagem matemática na forma
de equação para esse fenômeno (Tabela 2), caracterizando-se, portanto, inicialmente,
como método indutivo e depois como experimental. São assim a inércia de Newton, a
conservação das massas de Lavoisier e a teoria da relatividade de Einstein.

Iniciação à pesquisa científica 23


Pesquisa científica: por onde começar?

As ciências naturais ou biológicas comtemplam os estudos dos seres vivos, de sua es-
trutura e composição química, das trocas que fazem com o ambiente mediante reações
2 químicas ou processos físicos. Fazem parte dessa área a botânica, a zoologia, a bio-
geografia, a biologia marítima, a ecologia, a paleontologia, a anatomia, a taxionomia, a
citologia, a histologia, a genética, a fitopatologia, a patologia, a embriologia, a medicina
veterinária, a evolução. O método de pesquisa mais utilizado é o indutivo, que também
pode culminar no método experimental. Fazem parte desses métodos as leis genômi-
cas de Mendel, comprovada por modelos matemáticos, que segue as etapas contidas
na Tabela 1. Entretanto, no campo da Biologia, a experimentação, embora de grande
importância, apresenta séria dificuldade em razão da complexidade dos fenômenos. As-
sim, a botânica e a zoologia se desenvolveram, por exemplo, por estudos de analogias,
através da associação das semelhanças, seguida de classificação, para se determinar
a qual reino e a qual família pertence o ser vivo.

Tabela 02. Etapas dos métodos das ciências matemáticas e naturais

ETAPA DO MÉTODO DESCRIÇÃO


Avaliar com sensibilidade as características do objeto de
pesquisa. Ser detalhista na observação e não ter pressa
1) Observação
no término da observação, utilizando todos os órgãos do
sentido de forma racional.
Levantamento das causas de um certo comportamento
2) Hipótese observado. A hipótese nada mais é do que uma suposição
provisória que será provada na sequência da pesquisa.
É o estudo prático do fenômeno provocado artificialmente
3) Experimentação no sentido de se provar a hipótese. Deve-se ter paciência
e ser imparcial durante a experimentação.
Consiste na generalização de uma relação de causalida-
4) Indução de que se torna lei. Quase sempre é possível utilizar um
modelo matemático para tal.

SAIBA MAIS

Inércia de Newton

O inglês sir Isaac Newton (1642-1727 – Figura 4), é fa- Figura 04. Desenho representativo
moso pela sua importância na Revolução Científica, uma de Isaac Newton e suas contribui-
vez que conseguiu integrar as diferentes teorias de ou- ções para a Revolução Científica
tros expoentes do período. Sua principal obra foram os
livros Princípios Matemáticos da Filosofia Natural (1686),
no qual alia a observação da física e da astronomia com
os cálculos matemáticos que explicavam os fenômenos,
por exemplo, da movimentação dos corpos celestes, da
gravitação universal, entre outras. O livro I traz sua teoria
sobre a movimentação dos corpos, que deram origem a
três leis importantes, sendo a mais conhecida da lei da
inércia, seguida do princípio fundamental da dinâmica e Fonte: TORRES, 2018.
da lei da ação e reação (MARCONDES, 2016).

24
A lei da inércia diz, basicamente, que um corpo permanece em repouso se estiver em repou-
so ou permanece em movimento se estiver em movimento a não ser que sofra a ação de uma 2
força externa que altere o seu estado normal (NEWTON, 1686).

Universidade São Francisco


O livro completo de Isaac Newton pode ser encontrado na indicação de leitura a seguir:

SUGESTÃO DE LEITURA
NEWTON, Isaac. Philosophiae Naturalis Principia Mathematica. Londini, 1686. Disponível na
Biblioteca Virtual.

Uma divulgação científica interessante desse e de outros fenômenos da física é reali-


zada pelo GREF – Grupo de Reelaboração do Ensino de Física do Instituto de Física
da Universidade São Paulo (USP). Observe na Figura 5 o início da divulgação desse
tópico (GREF, 1998, p. 57).

Figura 05. Divulgação Científica sobre a Lei da Inércia

Fonte: GREF, 1998, p. 57

Iniciação à pesquisa científica 25


Pesquisa científica: por onde começar?

Na sequência do texto, o GREF (1998) explica a aplicação da Lei da Inércia na parada


de um grande meio de transporte, como um barco ou uma espaçonave, explana sobre
2 o porquê de não sentirmos os movimentos de translação e rotação do planeta Terra e
relaciona a Lei da inércia de Newton com a famosa Lei da Relatividade de Einstein.

Leia esse interessante texto na Indicação de Leitura a seguir.

SUGESTÃO DE LEITURA
GREF. Grupo de Reelaboração do Ensino de Física. Leituras de Física: GREF Mecânica para
ler, fazer e pensar. [São Paulo: USP]. 1998. Disponível na Biblioteca Virtual.

SAIBA MAIS

Lei da Conservação das Massas de Lavoisier Antoine

Lavoisier (1743-1794 – Figura 6), é considerado o Pai da Figura 06. Desenho representa-
Química pelas diversas influências que exerceu no nasci- tivo de Lavoisier em
mento dessa ciência. Lavoisier teve grande influência no seu laboratório
desenvolvimento da linguagem química, sendo um dos
responsáveis pelo estabelecimento de uma sistematização
na nomenclatura de compostos químicos por meio da pu-
blicação de seu famoso livro Traité Élémentaire de Chimie
(traduzido para Tratado Elementar da Química) em 1789
(CARVALHO, 2012). Sua importância no desenvolvimen-
to de equipamentos científicos é considerada um marco
da sua época. Um desses equipamentos desenvolvidos e
aperfeiçoados foi a balança, com a qual elaborou a lei fa-
mosa que amplamente repetimos e readequamos para o
tratamento lúdico conforme a necessidade: “Na natureza
nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. O nome Fonte: SILVA, 2019
verdadeiro da lei é Lei da Conservação das Massas, mas a frase anterior é muito mais expres-
siva e repetida.

Em suma, a lei diz que em qualquer processo químico a massa inicial e somada dos reagen-
tes é igual à massa final e somada dos produtos. A grande influência de Lavoisier se deu no
estudo dos gases resultantes dos processos de combustão. Ele precisou inventar equipa-
mentos para medir a massa dos gases resultantes de uma reação química, quando ninguém
conseguia “enxergar” esses gases.

As ideias que perduravam na época se relacionavam a teoria do flogístico, segundo a qual


se acreditava que a combustão consistia no desprendimento de corpos inflamáveis. Lavoisier
consegue identificar que a combustão necessita de ar desflogisticado para acontecer, ou
seja, a combustão necessitava do oxigênio e não da propriedade de inflamabilidade (VIDAL;
CHELONI; PORTO, 2007). Estudos sobre a combustão permitiram o início da experimenta-
ção aplicada à respiração, à fotossíntese e à calorimetria.

Veja na Figura 7 a representação do laboratório de Lavoisier onde podemos ter uma ideia
da invenção de equipamentos tão comuns para os experimentos realizados (SCIENCE HIS-
TORY INSTITUTE, 2017).

26
Figura 07. Lavoisier em seu laboratório: experimentos sobre a respiração de um homem em repouso
2

Universidade São Francisco


Fonte: Cortesia da Edgar Fahs Memorial Collection, Department of Special
Collections, University of Pennsylvania Library.

Para conhecer mais sobre a história de Lavoisier, navegue pelo site: https://www.sciencehis-
tory.org/historical-profile/antoine-laurent-lavoisier

Teoria da Relatividade de Einstein

Albert Einstein (1879-1955 – Figura 8), é considerado um gênio Figura 08. fotografia de
fora de seu tempo. Na verdade, muitos acreditam que ainda não Albert Einstein
estamos vivendo o tempo de Einstein. Desde criança foi um in-
contido com as questões da ciência, tudo era motivo para que

Fonte: Encyclopedia Britannica


Einstein se perguntasse: “Mas porque é dessa forma?”. Não foi
um bom aluno, pois foi incompreendido pelos professores da épo-
ca. Por isso e porque era um incontido se transformou em autodi-
data. Se interessou pela ação do magnetismo e pela sua relação
com a eletricidade desde muito cedo e isso o acompanhou por
toda a vida (STRATHERN, 1998).

Vivendo uma vida miserável e pobre, Einstein só tinha cabeça


para a ciência. Em 1905 publicou na famosa revista Annalen der
Physik os artigos: “Sobre um ponto de vista heurístico acerca da produção e da transformação
da luz”, de forma a explicar a natureza da Luz, atuando ora como partículas independentes bas-
tante semelhantes a um gás, mas com massa de repouso nula (fótons), ora como ondas, com
características puramente ondulatórias; “Uma nova determinação do tamanho das moléculas”;
“Sobre o movimento de pequenas partículas suspensas em um líquido estacionário, segundo
a teoria cinética molecular do calor”, na qual propôs que as partículas de pólen suspensas na
água eram bombardeadas pela moléculas invisíveis que formavam o líquido e que isso cau-
sava o movimento browniano, ou seja, nesse artigo Einstein provou a existência dos átomos;
“Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, no qual propôs a teoria da relatividade
especial, na qual os conceitos e leis do espaço e do tempo só podem reivindicar validade na
medida em que permanecem em relação clara com as experiências (STRATHERN, 1998).

A teoria da relatividade especial representou a ruptura da mecânica clássica de Newton,


na qual tempo e espaço eram únicos e verdadeiros. Einstein formulou uma teoria nova que
propunha uma explicação totalmente nova do universo. Vários, antes dele propuseram pe-

Iniciação à pesquisa científica 27


Pesquisa científica: por onde começar?

quenos ajustes, mas ele foi o que quebrou totalmente o paradigma. Ele aceitou que o espaço
2 e o tempo eram relativos e por isso a velocidade da luz é constante através do espaço inde-
pendente da fonte da luz ou do observador estarem ou não em movimento, e não existe mo-
vimento absoluto e nem existe ausência total de movimento, o que significa que a velocidade
é relativa ao referencial que a define. Duas contradições que representam o quão brilhante
ele foi na elaboração da teoria, que se resumem na explicação de que à medida que a velo-
cidade se aproxima da velocidade da luz, o tempo se torna mais lento (STRATHERN, 1998).

Foi somente após dois anos de extensos estudos matemáticos que chegou à famosa equa-
ção E = mc2, na qual E é energia, m é massa e c é a velocidade da luz. Isso explicava a
quantidade enorme de energia liberada pelo sol e explicada a radioatividade que estava
sendo estudada recentemente (STRATHERN, 1998).

A teoria não parou aí, mas avançou para o patamar do que conhecemos como Teoria da
Relatividade Geral, na qual foi incluída a gravitação ao fenômeno tempo-espaço, capaz de
abranger corpos que se deslocam em movimento relativamente acelerado sob a ação de um
campo de energia emanado pela própria matéria, a gravidade. Pensando na luz com sua
característica dual (onda e partícula) chegou à conclusão de que, para um feixe de luz atra-
vessar um campo gravitacional, se curvaria (pela característica de partícula), e isso tornaria a
distância entre dois pontos mais curta. Todos os estudos posteriores culminaram, em 1916 na
publicação na revista Annalen der Physik, em um artigo intitulado “O fundamento da teoria da
relatividade geral”, parte confirmada em 1919 por experimentos realizados em pleno Eclipse
Solar (STRATHERN, 1998).

SUGESTÃO DE LEITURA
STRATHERN, Paul. Einstein e a relatividade em 90 minutos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
E-book. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

SAIBA MAIS

Leis de Mendel

Gregor Johann Mendel (1822-1884 – Figura 9), foi outro grande Figura 09. Fotografia de
cientista que soube utilizar a experimentação na elaboração de Gregor Mendel
suas leis. Monge e professor, fez vários experimentos genéticos
com ervilhas, que todos nós aprendemos um dia nas aulas de
biologia, que culminaria na elaboração de suas leis. Seus es-
tudos foram feitos em 1863, publicados em 1866 nos anais da
Natural History Society de Brno, mas só tiveram real importância
após 1900, quando os botânicos Hugo de Vries, na Holanda;
Carl Correns, na Alemanha, e Erich von Tschermak-Seysenegg,
Fonte: PIERCE, 2017

na Áustria, buscavam individualmente literaturas que embasas-


sem suas ideias com relação à hereditariedade (ASTRAUKAS
et al., 2009).

Resumidamente, Mendel utilizou a ervilha de jardim (Pisum sa-


tivum), que tem pétalas da flor que se fecham impedindo que

28
grãos de pólen entram ou saiam, o que faz com essa espécie tenha que se autofertilizar,
portanto, com variação genética mínima de uma geração para outra. Em seus experimentos, 2
cruzou plantas baixas e altas e verificou que as plantas geradas eram híbridas, e as baixas
eram perdidas. Depois, as híbridas geravam numa proporção 3:1 plantas altas e baixas na

Universidade São Francisco


próxima geração, o que permitiu que ele concluísse que as plantas baixas deixavam seu
código na geração das híbridas. Estavam definidos os termos dominantes e recessivos. Atu-
almente chamamos de genes dominantes ou recessivos (SNUSTAD; SIMMONS, 2018).

A textura de semente, a cor de semente, a forma de vagem, a cor de vagem, a cor de flor e
a posição da flor também foram estudadas por Mendel e também resultaram na proporção
3:1 quando as características eram estudadas uma a uma (SNUSTAD; SIMMONS, 2018). A
Figura 10 ilustra os principais aspectos estudados por Mendel em seus experimentos.

Figura 10. Fotos e desenhos utilizados por Mendel sobre a ervilha Pisum sativum nos seus estudos
de hereditariedade. Ele examinou 7 características que apareciam nas sementes e nas plantas que
cresciam a partir das sementes

Fonte: PIERCE, 2017.


Com os experimentos, Mendel percebeu que os genes tinham duas cópias de cada gene
que poderiam ser iguais ou diferentes, e que essas cópias eram incorporadas aleatoriamente
durante a reprodução das plantas. Dessa forma, Mendel constatou que a hereditariedade
ocorria em função dos cruzamentos genéticos e que os recessivos não influenciavam em
uma geração mas podiam aparecer na subsequente (SNUSTAD; SIMMONS, 2018).

As leis de Mendel podem ser resumidas da seguinte maneira:

1ª Lei: As células sexuais devem conter apenas um fator (ou unidade de herança) para cada
característica a ser transmitida. Cada característica é condicionada por um par de fatores,
um herdado do pai e outro herdado da mãe, que se separam na formação dos gametas com
a mesma probabilidade;

2ª Lei: Na formação dos gametas, os principais pares de fatores se segregam independente-


mente, de tal forma que cada gameta recebe apenas um fato de cada par. Todos os tipos pos-
síveis de gametas serão produzidos nas mesmas proporções (SNUSTAD; SIMMONS, 2018).

SUGESTÃO DE LEITURA
SNUSTAD, D. Peter; SIMMONS, Michael J. Fundamen-tos de Genética. 7. ed. Rio de Janei-
ro: Guanabara Koogan, 2018. E-book. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

Iniciação à pesquisa científica 29


Pesquisa científica: por onde começar?

Já as ciências morais e sociais contemplam o estudo do homem como ser dotado de


razão e de liberdade, sendo divididas em psicologia, história e ciências sociais. “A ciên-
2 cia moral, que tem como objeto o estudo da verdade, que é a lógica; o estudo do belo,
que é a estética; e a ciência política, que procura determinar as leis gerais de qualquer
sociedade.” (SANTOS; PARRA FILHO, 2012, p. 71). As ciências que trabalham com
fatos decorrentes de observação utilizam o método indutivo e as ciências morais, que
se preocupam com o ideal, utilizam o método dedutivo.

RELEMBRE
`  Método dedutivo (desenvolvido por René Descartes), que baseia-se no esclarecimento
das ideias por meio do raciocínio que leva a conclusões verdadeiras elaboradas a partir
de deduções lógicas.

`  Método indutivo (desenvolvido por Francis Bacon), que diz que somente por meio da
observação pode conhecer algo novo. Esse método é muito utilizado nas Ciências da
Natureza, como botânica, zoologia, geologia e mineralogia.

A história estuda os principais acontecimentos políticos, econômicos, intelectuais e morais


relativos a uma época ou a toda a humanidade. O desenvolvimento da pesquisa é um
processo lento baseado na documentação encontrada para um determinado povo, ou pela
transmissão da tradição ao longo do tempo, ou pela análise de monumentos pertinentes.
Quase sempre se direciona para o uso de ciências auxiliares, como geografia, economia,
demografia, sociologia, cronologia, arqueologia, hermenêutica, heurística, esfragística, an-
tropologia, criptologia e a própria psicologia (SANTOS; PARRA FILHO, 2012).

A psicologia estuda o homem enquanto ser único, podendo ser aplicada experimen-
talmente como a ciência que estuda os fenômenos da consciência e suas leis e suas
inter-relações com o mundo físico e social (SANTOS; PARRA FILHO, 2012).

A sociologia tem como objetivo estudar as instituições e as manifestações da vida so-


cial, bem como as alterações das próprias instituições, baseando-se em aspectos so-
ciais e políticos, de forma a caracterizar a maneira de pensar, as atividades realizadas,
os costumes, as leis, os tipos de instituições existentes na sociedade e sua forma de
conduzimento. Os métodos mais utilizados são o dedutivo e indutivo, mas também po-
de-se fazer uso dos métodos comparativo, histórico, estatístico, monográfico, formal,
funcional, compreensivo ou ecológico (SANTOS; PARRA FILHO, 2012).

SUGESTÃO DE LEITURA
SANTOS, João Almeida; PARRA FILHO, Domingos. Metodologia Científica. 2. ed. Cengage Le-
arning Edi-tores, abr. 2012. Cap. 3. E-book. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

Agora que você conhece o que é método, seus tipos e as áreas de pesquisa aos quais
cada método melhor se adapta, vamos, enfim, estudar o que é pesquisa.

30
MÉTODOS DE PESQUISA
A pesquisa nada mais é do que a sequência de tra- 2
balho dos pesquisadores, e visa responder a um

Universidade São Francisco


questionamento, ou seja, resolver um problema. A
pesquisa científica trabalha com métodos adequa-
dos para que os resultados gerados sejam aceitos
pela comunidade científica. Pode-se afirmar ainda
que atualmente a pesquisa científica nada mais é do
que o acréscimo do conhecimento já existente sobre
o assunto pesquisado.

Para entendermos o que é a pesquisa, basta imagi-


narmos o lavrador sem sua enxada, o médico sem
seu estetoscópio, o advogado sem seus livros de Fonte:123rf
leis, o professor sem lousa e giz. Bem, assim, também seria o cientista sem a pesquisa,
ou seja, a pesquisa é a ferramenta do cientista.

É pela pesquisa que conhecemos o mundo e é pela pesquisa que nos inquietamos e
encontramos problemas que poderão ser resolvidos. Qualquer que seja a nossa dúvida,
é da nossa essência perguntar a quem sabe. Por isso, quando fomos crianças fizemos
tantas perguntas: Por que o céu é azul? Por que existe árvore pequena e árvore gran-
de? O que são as estrelas? E por aí vai. Todos fizemos isso quando crianças e sempre
perguntamos para quem sabia de todas as respostas.

Por isso, a primeira de todas as pesquisas e que existe para todas as áreas é a pes-
quisa bibliográfica. É por meio dela que sabemos o que o mundo já sabe sobre um de-
terminado assunto. A pesquisa bibliográfica nada mais é do que a identificação do que
dizem os livros, as revistas, os jornais, etc. sobre o assunto de interesse. A pesquisa
bibliográfica faz uso dos fichamentos, dos resumos e das resenhas que aprendemos
na unidade anterior. Ela é o ponto de partida para a definição da sequência de trabalho
que se deseja realizar.
Fonte:123rf

Iniciação à pesquisa científica 31


Pesquisa científica: por onde começar?

A pesquisa pode classificada em (SANTOS; PARRA FILHO, 2012):

2
`  Pesquisa preliminar, que é o ponto de partida para o levantamento de hipóteses sobre
o trabalho que será desenvolvido. É a delimitação do problema por meio da escrita de um
pré-sumário e dará ideia da magnitude do trabalho que será desenvolvido e dos recursos
(tempo, financeiro, acessibilidade às informações, equipamentos, etc.) que serão utilizados;

`  Pesquisa teórica, que é a pesquisa feita com viés de enriquecimento do conhecimento.


Ela não terá parte prática, apenas levantamento bibliográfico e reflexão sobre o tema.
Darwin fez uma pesquisa teórica quando falou sobre o processo de evolução humana;

`  Pesquisa aplicada, que se faz quando se deseja tornar um objetivo prático na vida das
pessoas. Geralmente aplica uma lei já existente e é imediata. A criação de novos produtos
pela indústria e o aumento de eficiência energética de um equipamento são bons exem-
plos de pesquisa aplicada;

`  Pesquisa de campo, aquela que faz onde está ocorrendo o problema. Os levantamen-
tos realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são exemplos
perfeitos de pesquisa de campo. A aplicação de questionários está relacionada à pes-
quisa de campo.

Pode se concluir a partir dessa classificação que a pesquisa preliminar sempre estará
presente nas demais. Há ainda a divisão em pesquisa básica e pesquisa aplicada. A
pesquisa aplicada já sabemos que tem por objetivo gerar produtos ou processos. A
pesquisa básica tem por objetivo gerar conhecimento. Esse conhecimento poderá ser
utilizado posteriormente por outro cientista.

Portanto, você deve estar se perguntando: como se faz uma pesquisa? A resposta é:
procurando, lendo, informando-se, aprofundando o conhecimento até o momento em
que se encontra uma pergunta e respostas a essa pergunta. É dessa forma, simples,
que a ciência se desenvolveu durante nossa história. Existe mágica? Não, só existe
muito trabalho! E o passo a passo para facilitar é claro:

IMPORTANTE
“1. Seleção do tópico ou problema para a investigação.

2. Definição e diferenciação do problema.

3. Levantamento de hipóteses de trabalho.

4. Coleta, sistematização e classificação dos dados.

5. Análise e interpretação dos dados.

6. Relatório do resultado da pesquisa.”

(MARCONI; LAKATOS, 2017, p. 169)

Nosso objetivo a partir de agora é trabalhar nesses seis passos até que a pesquisa
possa ser desenvolvida de fato.

32
A primeira etapa trata da definição do problema de investigação. Porém, antes cabe
seguir os cinco passos de preparação para a pesquisa, definidos por Marconi e Lakatos
(2017), que dizem que primeiro deve-se decidir a pesquisa que será feita, depois espe- 2
cificar os objetivos, elaborar um plano de trabalho, escolher a equipe de trabalho, fazer

Universidade São Francisco


o levantamento de recursos e o cronograma de trabalho.

ESTÁGIOS DE UMA PESQUISA CIENTÍFICA: IDENTIFICAÇÃO


DO TEMA E ESTABELECIMENTO DO PROBLEMA CIENTÍFICO
Um trabalho científico é como uma caça ao tesouro. No final você descobre algo que
ninguém mais sabia. É por isso que a ciência é algo tão fascinante. A parte mais difícil
desse processo é a escolha do tema de pesquisa. Porque é natural que queiramos
resolver os problemas do universo. Mas isso, infelizmente, não é possível. Por isso, é
preciso delimitar o tema de trabalho. Costumo dizer que é melhor encontrar um proble-
ma e a partir dele extrair o tema, do que o inverso.

Por exemplo, suponhamos que eu te peça um tema de trabalho e você me diga “cosmé-
ticos”. Vou te dizer: “delimite!”. E você me diz: “a química dos cosméticos”. Vou te dizer:
“melhorou, mas delimite!”. Vamos ficar nesse vaivém até você delimitar o trabalho o sufi-
ciente para que ele se torne exequível. Você quer um exemplo de como ficar interessan-
te? Eu te diria: “A química dos cosméticos aplicada na formulação de batons com filtro so-
lar”. Observe como esse tema é totalmente diferente do tema inicial, mas ainda faz parte
dele, assim como uma infinidade de outros trabalhos que possam surgir do primeiro tema.

Delimitar o tema não deve ser visto com uma redução do trabalho, mas antes como uma
focalização do trabalho. Delimitar o tema é, portanto, dar um foco ao objeto de pesquisa.

O tema de pesquisa tem que ser interessante. Lembre-se da caça ao tesouro! Em ne-
nhum momento até o término do trabalho você pode desanimar, senão a pesquisa per-
derá a sua graça. O tema tem que ser original (cópias estão cheias por aí!) e tem que ser
viável (você tem todos os recursos necessários para desenvolver o tema escolhido?).

Em tempos de internet rápida, fácil e com zilhões de informações a um clique, é preciso


utilizá-la sem dó para que a delimitação do trabalho seja feita de forma coerente com a
realidade da pesquisa. O professor orientador de trabalhos ajudará muito nessa etapa.

Segundo Appolinário (2015, p. 36), após a delimitação do tema, deve-se fazer um levan-
tamento mínimo das informações sobre tema.

“a) Quem são os autores clássicos e contemporâneos mais importantes nessa área?

b) Quais os principais periódicos científicos dessa comunidade?

c) Há livros recomendados sobre o tema? Quais são? Onde posso localizá-los?

d) Quais os principais conceitos envolvidos nesse assunto? Quem os definiu?

e) Existem teorias divergentes abordando o tema? Quem as elaborou? Em que sequência


histórica essas teorias foram desenvolvidas?”

Iniciação à pesquisa científica 33


Pesquisa científica: por onde começar?

Após responder a esses questionamentos, se o tema for ruim, altere-o, pois ele dificil-
mente resultará num bom trabalho. E nem pense em pular essa etapa. Se você fizer
2 isso, corre o risco de errar feio na sequência do trabalho.

Agora vamos à definição do problema. O tema pode ser amplo, mas o problema deve
ser específico e preciso. O problema é, portanto, uma pergunta direcionada do tema.
Voltando ao nosso tema “A química dos cosméticos aplicada na formulação de batons
com filtro solar”, o problema de pesquisa poderia ser “Será que o uso de filtros solares na
formulação de batons é eficaz na diminuição do número de casos de câncer nos lábios?”.

PARA REFLETIR
Appolinário (2015) diz ainda que o pesquisador não pode se esquecer de avaliar o seu pro-
blema de pesquisa, se questionando: será que o problema é novo? Ou já fizeram pesquisas
relacionados e bem-sucedidas sobre esse tema? O problema é relevante social ou cientifi-
camente? O problema pode ser respondido com o atual nível de desenvolvimento da área
científica em questão?

Após a definição do tema e do problema de pesquisa, chega o momento de definir objetivo(s)


e hipótese(s).

FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES E OBJETIVOS


De forma geral, o objetivo de uma pesquisa consiste em responder ao problema de
pesquisa. O objetivo pode ser subdivido em objetivo geral e objetivos específicos (que
são os objetivos secundários e complementares da pesquisa), os quais delimitam ainda
mais o problema de pesquisa.

Voltando ao nosso tema:

`  Tema: A química dos cosméticos aplicada na formulação de batons com filtro solar.

`  Problema: Será que o uso de filtros de solares na formulação de batons é eficaz na dimi-
nuição do número de casos de câncer nos lábios?

`  Objetivo geral: Determinar se o uso de filtros solares na formulação de batons é eficaz na


diminuição do número de casos de câncer nos lábios.

`  Objetivos específicos: a) mensurar o número de casos relatados de câncer de lábios;


b) determinar qual é a porcentagem de batons que utiliza filtro solar em sua composição;
c) determinar o índice de consumo de batons com filtro solar numa região específica por
meio de questionário.

Observe que nos objetivos específicos surgem ideias de como iniciar a resolução do
problema. Eles serão importantes posteriormente na definição do método de pesquisa
que será utilizado.

Tendo os objetivos definidos, chega o momento de incorporar a hipótese ou as hipóte-


ses da pesquisa. A hipótese é a resposta temporária para o problema. No nosso tema

34
de pesquisa, a resposta poderia ser sim ou não. Vai depender muito se a mensuração
do número de câncer nos lábios for uma numeração fácil de ser encontrada. Logo, o
tema de pesquisa proposto não é um tema muito bom, pois tem condições muito es- 2
pecíficas para que a hipótese possa ser respondida sem dúvidas. Então, o que faltou?

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Faltou o levantamento de informações mínimas sobre o tema de pesquisa.

Bem, se você pesquisar um pouco, vai descobrir que há uma grande quantidade de
cosméticos, como maquiagens diversas com filtro solar. Além disso, deve-se utilizar
protetor solar, ainda que a maquiagem contenha filtro solar. Portanto, o nosso tema de
pesquisa é ruim e precisa ser reiniciado.

Um bom exemplo de pesquisa científica pode ser extraído de Appolinário (2015, p. 39):

`  Tema: A mídia televisiva e a formação de opinião eleitoral. Problema: Os debates políticos


televisivos em vésperas de eleições influenciam de maneira decisiva a intenção de voto
do eleitor brasileiro?

`  Objetivo Geral: Determinar o grau de influência dos debates políticos televisivos sobre a
intenção de voto dos eleitores brasileiros.

`  Objetivos Específicos: a) Mensurar os índices de audiência desses programas junto ao


público eleitor; b) Determinar distinções de classe social, em razão do grau de influência
desses programas; c) Verificar se há relação entre as variáveis gênero, grau de instrução
e outras características demográficas e o grau de influência sobre a intenção de voto.”

Não temos aqui um problema muito fácil de ser respondido, porém, os objetivos espe-
cíficos definidos são possíveis de serem analisados facilmente. Isso tudo se os debates
ocorrerem, é claro.

Cabe ressaltar que as hipóteses devem ser plausíveis, consistentes, verificáveis, cla-
ras, simples e específicas ao problema de pesquisa.

Agora é a sua vez! Sobre o que você gostaria de saber mais? Elabore um tema, um pro-
blema, objetivos gerais e específicos de pesquisa e levante hipóteses que respondam
ao seu questionamento.

CONCLUSÃO
Nesta unidade você aprendeu sobres os diferentes métodos de pesquisa e as diferen-
tes pesquisas. E instruiu-se sobre o início do processo de pesquisa a partir das elabo-
rações do tema, do problema, dos objetivos e das hipóteses.

Iniciação à pesquisa científica 35


Pesquisa científica: por onde começar?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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-bart/francis-bacon-o-problema-fundamental-do-no-
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www.scielo.br/pdf/ss/v10n4/a07v10n4.pdf>. Acesso neiro: Guanabara Koogan, 2018. E-book. [Minha
em: 9 maio 2019. Biblioteca]. Disponível em: <https://integrada.mi-
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sofia e história das ciências: a revolução científica.
Editora Zahar. 2016. E-book. [Minha Biblioteca]. 19. TORRES, Richard. Biografía De Isaac Newton.
6 set. 2018. Disponível em: <https://williamteacher.
9. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, wordpress.com/2018/09/06/imagenes/>. Acesso em:
Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Cien- 17 jun. 2019.
tífica. 8. ed. Atlas, jan. 2017. E-book. [Minha Bi-
blioteca]. Disponível em: <https://integrada.mi- 20. VIDAL, P. H. O.; CHELONI, F. O.; PORTO, P. A. O
nhabiblioteca.com.br/#/books/9788597010770/ Lavoisier que não está presente nos livros didáticos.
cfi/6/2!/4/2/4@0:0.0795>. Acesso em: 6 fev. 2019. Química Nova na Escola, n. 26, p. 29-32, 2007. Dis-
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Prática de Ficha-mentos, Resumos, Resenhas. 12.
ed. Atlas, jun. 2014. E-book. [Minha Biblioteca]. Dis-

36
2

Universidade São Francisco

Iniciação à pesquisa científica 37


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

UNIDADE 3

PESQUISA CIENTÍFICA: COMO GERAR E


3
ANALISAR OS RESULTADOS?

INTRODUÇÃO
Olá! Seja bem-vindo à unidade 3 do curso Iniciação à Pesquisa Científica. Esta unidade
tem por objetivo informá-lo sobre como se planeja uma pesquisa científica, como se
geram os resultados e como estes devem ser analisados, sempre se levando em conta
os demais autores que trabalharam com temas semelhantes. Conheceremos nessa
unidade, ainda, as normativas que regem a escrita do trabalho científico.

Bons estudos!

BUSCA E REVISÃO DAS INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS


Lembre-se que na unidade anterior, falávamos sobre a definição do tema de pesqui-
sa e da formulação de hipóteses e objetivos na tentativa de resolver o problema de
pesquisa delimitado.

Após essa etapa, o próximo passo, antes de iniciar a pesquisa científica de fato, é a
busca correta das informações a respeito dos trabalhos que já foram realizados utilizan-
do o mesmo tema de pesquisa que o seu.

Para tanto faz-se necessária a elaboração de palavras-chaves que contemplem os princi-


pais assuntos que envolvem o seu tema de pesquisa. Elaborar essas palavras-chaves nem
sempre é fácil. O professor que está orientando o seu trabalho é o melhor guia nesse mo-
mento e é importante que se escolha palavras-chaves que realmente direcionem ao traba-
lho, para não correr o risco de ler muita coisa inicialmente e se perder no tema de pesquisa.

Lembre-se do que aprendemos na primeira unidade: é importante saber escolher o que


vamos ler, já que as opções são muitas!!!

Se o tema estiver bem definido e os objetivos bem alinhados ao tema, tornar-se-á fácil
a elaboração das palavras-chaves. Mas o que são as palavras-chaves? São palavras
que interligam os assuntos abordados ao tema de pesquisa.

GLOSSÁRIO
Palavras-chave: são palavras que resumem ou definem o texto que é tratado.

38
Segundo Fujita (2004, p. 257) “A palavra-chave é uma representação do conteúdo signi-
ficativo do texto e também é utilizada para representar uma necessidade de informação
na estratégia de busca”.
3
Tradicionalmente, as palavras-chaves surgiram com o objetivo de automatizar a busca
de material sobre um determinado assunto nos bancos de dados, sendo um recurso

Universidade São Francisco


importante na era da internet, de tal forma a configurar um termo de acesso rápido a al-
gum conteúdo específico. Atualmente, as palavras-chaves são uma forma de indexação
documentária (FUJITA, 2004).

Fujita (2004) sintetiza a importância da palavra-chave por meio da representação de


sua importância, mostrada na Figura 1, onde podemos notar que a palavra-chave pode
ser considerada o cerne de um texto.

Figura 01. Níveis de condensação documentária entre resumo e palavra-chave

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Parágrafo
Duis aute irure dolor in re-
prehenderit in voluptate velit
esse cillum dolore eu fugiat

Fonte: adaptado de FUJITA, 2004, p. 260


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Em outras palavras Borba, Van der Laan e Ros Chini (2012) dizem que a palavra-chave
tem “[…] o objetivo de representar sinteticamente o conteúdo temático do texto”, portanto,
deve ser realizado pelo autor, que é a pessoa que mais conhece sobre o seu próprio texto.

Sendo assim, há uma grande importância na determinação correta das palavras-cha-


ves, pois elas são capazes de nortear todo o desenvolvimento de um texto, ou relacio-
nar adequadamente o que é dito num texto. Faz-se também necessário o entendimento
de que as palavras-chaves podem relacionar diretamente os assuntos diversos desen-
volvidos em um mesmo projeto de pesquisa.

Iniciação à pesquisa científica 39


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

EXEMPLO

Para exemplificar a importância das palavras-chaves, voltemos ao exemplo de Appolinário


3 (2015, p. 39):

“Tema: A mídia televisiva e a formação de opinião eleitoral.

Problema: Os debates políticos televisivos em vésperas de eleições influenciam de maneira


decisiva a intenção de voto do eleitor brasileiro?

Objetivo Geral: Determinar o grau de influência dos debates políticos televisivos sobre a
intenção de voto dos eleitores brasileiros.

Objetivos Específicos:

a) Mensurar os índices de audiência desses programas junto ao público eleitor;

b) Determinar distinções de classe social, em razão do grau de influência desses programas;

c) Verificar se há́ relação entre as variáveis gênero, grau de instrução e outras características
demográficas e o grau de influência sobre a intenção de voto.”

As palavras-chaves que mais se adequam a esse tema poderiam ser: mídia televisiva,
opinião eleitoral, debates políticos. São palavras simples que dão a ideia geral dos assuntos
abordados no trabalho.

Se utilizarmos um buscador de sites, como o Google, por exemplo, digitando-se os


termos “mídia televisiva + artigo pdf”, aparecerão vários trabalhos que tratam do tema
mídia televisiva.
Te convido a testar essa busca e observar
os diversos assuntos abordados. Fazendo
essa pesquisa, os primeiros três trabalhos
que encontrei foram: mídia televisa na for-
mação de opinião (MENEZES, 2007); mídia
televisiva e sua influência no consumo de
alimentos danosos a crianças e adolescen-
tes (REIS, 2015); e a relação entre globaliza-
ção e a mídia na sociedade (TONET; MELO,
Fonte:123rf

2014). Portanto, não foi encontrado entre os


três primeiros trabalhos nenhum que relacio-
ne a mídia televisiva com a opinião eleitoral.
Se, no entanto, a busca no Google for dos termos “mídia televisiva + opinião eleitoral
+ artigo pdf”, os trabalhos encontrados vão relacionar os dois termos pesquisados. No
caso apresentado, foram encontrados os seguintes trabalhos: as eleições na era da
televisão (AVELAR, 1992); mídia e vínculo eleitoral (MIGUEL, 2004); e o papel dos
meios de comunicação na campanha eleitoral (GONZÁLEZ; 2015). Nos três trabalhos
percebe-se claramente a interrelação entre as palavras-chaves pesquisadas. Além
disso, também foi possível verificar que os três relacionam o tema com a ocorrência
de debates.

40
Embora, nesse caso, somente com o uso de duas palavras-chaves já encontrarmos
pesquisas diretamente relacionadas ao nosso objeto de pesquisa, muitas vezes isso
não ocorre. Haverá casos em diversas pesquisas que podem ser realizadas em que os
termos não encontrarão trabalhos interrelacionados. Por que isso ocorre? Por que o seu 3
tema de pesquisa é, provavelmente, inédito.

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Na elaboração das palavras-chaves de um texto, deve-se utilizar uma quantidade de
três a cinco palavras-chaves. Uma ou duas palavras-chaves apenas dificilmente conse-
guem retratar todo o trabalho desenvolvido e mais do que cinco, geralmente, acabam
por repetir os mesmos termos utilizados antes.

Determine cinco palavras-chaves para um tema que você deseje pesquisar. Para que
a busca de informações seja efetiva, é necessário utilizar fontes confiáveis de busca e,
mais do que isso, é importante saber escolher o que realmente é importante. As fontes
de busca de informação são as mais variadas.

CURIOSIDADE
Você sabia que quando não existia internet, as melhores fontes de busca eram as fontes
escritas, como livros, jornais, revistas, periódicos, boletins, ensaios e as fontes orais, tais
como filmes, entrevistas, seminários, etc. Hoje, com a internet, ficou bem mais fácil encontrar
informações e bem mais difícil escolher as informações que são realmente relevantes.

É importante lembrar que o velho e bom livro que traz o assunto de forma generalista e
básica deve ser o primeiro a ser consultado e a ser lido. Uma boa enciclopédia, ou ainda
um dicionário, devem ser utilizados para a correta definição das palavras que permeiam
o assunto tratado. Da internet devem ser consultados revistas de instituições fidedignas
e sites confiáveis.

Seguindo o exemplo das mídias televisivas e opinião eleitoral, você pode perceber que
a busca na internet é simples. Pode-se utilizar o Google Acadêmico também, ou, ainda,
as revistas indexadas nas bases de dados da CAPES ou da SciELO, por exemplo, mas
a pesquisa inicial básica já é capaz de auxiliar no processo inicial pela busca de traba-
lhos. Alguns truques podem ajudar no processo:

1. Use aspas nos termos de busca: se você utilizar “mídia televisiva”, a busca ficará restrita
a páginas que contem o termo inteiro e não apenas uma das palavras.

2. Use hifens para excluir palavras: se você utilizar cavalo de Troia – Grécia, o Google vai pesqui-
sar apenas os cavalos de troia do tipo vírus, excluindo o famoso cavalo de Troia grego.

3. Use asterisco no final das buscas: ele servirá como um “complete a frase”.

4. Utilize o tipo de arquivo que deseja receber: se terminar a pesquisa com pdf., ppt. ou
doc., só virão arquivos em pdf., Power Point ou Word, respectivamente.

5. Utilize o sinal de + para pesquisar sites que abordem os dois termos ao mesmo tempo

6. Utilize um ~ para pesquisa uma palavra e seus sinônimos ao mesmo tempo.

Iniciação à pesquisa científica 41


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

PESQUISE
Não perca tempo! Vá até a biblioteca ou acesse a biblioteca digital e pesquise livros que abor-
3 dem o tema que você gostaria de pesquisar. Leia ao menos os capítulos mais importantes
sobre esse tema. Não se perca nessa tarefa! Não leia mais do que 10 páginas...

E o que é confiável na internet? Se optar por ler informações retiradas de sites, prefira
os sites do governo, como IBGE, páginas dos ministérios, órgãos ligados à pesquisa
científica (Embrapa, IPT, FAPESP, Sociedade Brasileira de Física, etc.). Fuja de blogs,
Wikipédia e sites de compartilhamento de trabalhos acadêmicos (aliás, fuja desses sites
sempre!!!). É preciso conhecer muito bem um assunto para saber se quem o publicou
sabe mesmo ou não sobre esse assunto. Então quem sabe muito sobre um assunto?
Quem publicou livros e artigos.

IPT
Embrapa FAPESP

Sociedade
IBGE Brasileira
de Física

Cabe ressaltar que o Google é uma ferramenta de busca rápida, que nem sempre traz
trabalhos confiáveis e/ou relevantes sobre o tema de pesquisa. Entre as melhores fon-
tes de busca de dados estão:
`  SciELO – Scientific Electronic Library Online, que é uma biblioteca eletrônica que contém
uma coleção selecionada de periódicos científicos, como já mencionada anteriormente;

`  WorldWideScience, que é uma porta para a ciência global, composto por bases de dados
nacionais e internacionais e portais científicos;

`  Springer Link, que proporciona aos pesquisadores acesso a milhões de documentos cien-
tíficos de revistas, livros, séries, protocolos e trabalhos de referência;

42
`  ScienceResearch.com, que coloca à disposição do público a sua tecnologia capaz de
pesquisar na “deep web” e fornecer resultados de qualidade, apresentando conteúdos de
outros sites de pesquisa.
3
RELEMBRE

Universidade São Francisco


Quanto à escolha dos artigos que serão lidos, cabem algumas dicas:

Escolha artigos de pessoas renomadas no assunto (seu professor orientador, em momento


oportuno, pode ajudar nisso), de preferência que consigam abordar duas palavras-chaves do
seu tema. Não se desespere se você não encontrar um artigo que aborde duas palavras, isso
vai significar que o seu tema de pesquisa ainda não foi pesquisado. Mas se você encontrar
um artigo que tenhas três palavras-chaves iguais às suas, volte duas casinhas e comece
novamente pela determinação do tema de pesquisa (é, seu tema já é de conhecimento geral
da nação...).

Leia três artigos científicos para começar. Não se esqueça de fazer o fichamento deles.

Se ficou com muita dúvida, leia mais dois artigos. Não ultrapasse esse número inicialmente,
pois as definições que você precisa conhecer estarão neles.

Mattar Neto (2017, p. 164) diz que “[...] a pesquisa vai confirmar suas ideias ou opiniões;
às vezes vai modificá-las; mas quase sempre vai ajudar a dar forma a seu pensamento.”
Concordo muito com essa frase de Mattar Neto. Lembra-se do exemplo infeliz do batom
com filtro solar? Então, nem sempre estamos certos em nossas ideias e opiniões.

RELEMBRE

Na unidade anterior estudamos a definição do tema de pesquisa, no qual o exemplo utilizado


para batom com filtro solar era insuficiente para o desenvolvimento de uma pesquisa, uma
vez que a maioria dos cosméticos já tem filtro solar na sua composição. Por isso, podemos
classificar esse exemplo como infeliz para a escolha de um tema de pesquisa. Sendo assim,
é possível corroborar com o que diz Mattar Neto (2017) sobre a necessidade de pesquisar
sobre o assunto antes de desenvolvê-lo. Afinal, aquele assunto já pode estar “esgotado” do
ponto de vista do que é necessário conhecer sobre ele.

Dessa forma, podemos concluir que é preciso conhecer as ideias e as opiniões de quem
sabe mais do que nós sobre um determinado assunto. É assim que funciona a pesquisa.

PESQUISE
Elabore três fichamentos de três artigos diferentes (cada um com duas palavras-chaves
iguais à sua, pelo menos).

Lembre-se que Santos e Parra Filho (2012, p. 120) dizem que função do fichamento
é “[...] colocar à disposição do pesquisador uma série de informações distribuídas em
uma gama enorme de obras já consultadas.”

Iniciação à pesquisa científica 43


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

Depois de tudo isso é necessário iniciar a escrita do seu trabalho. Inicie a revisão bi-
bliográfica, utilizando os livros, artigos/fichamentos e sites de confiança que você já leu
e escolheu. Essa revisão visa produzir um texto que explicará ao leitor todo o contexto
3 teórico, técnico e social no qual o seu problema se insere, bem como os principais con-
ceitos, autores e ideias relacionados a ele. Ah! E você precisar relembrar-se de uma
coisa que é muito importante: escrever não é fácil. Não fuja desse sofrimento se você
quer responder à sua pergunta inicial, aquela que gerou o seu problema de pesquisa.

Durante seu curso de graduação, você fará isso dezenas de vezes, muitas delas dire-
cionadas pelos docentes. Então, guarde e amadureça em sua cabeça um bom proble-
ma de pesquisa e faça, desde já, uma boa revisão bibliográfica para arrasar no desen-
volvimento do Trabalho de Conclusão de Curso.

Para escrever sobre o que foi pesquisado, é necessário que você saiba que existem
regras claras sobre como isso deve ser realizado. A Universidade São Francisco adota
um Manual para Normalização de Trabalhos Acadêmicos, que foi desenvolvido a partir
das Normas disponibilizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, A ABNT,
da qual falaremos na sequência.

NORMAS TÉCNICAS DE ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS


Toda a escrita acadêmica de trabalhos científicos foi normatizada pela ABNT (Associa-
ção Brasileira de Normas Técnicas). Há uma série de normas, entre as quais as mais
importantes são:
`  NBR 6023:2018: Informação e documentação – Referência – Elaboração.

`  NBR 6024:2012: Informação e documentação – Numeração progressiva das seções de


um documento – Apresentação.

`  NBR 6027:2012: Informação e documentação – Sumário – Apresentação.

`  NBR 6028:2003: Informação e documentação – Resumo – Apresentação.

`  NBR 6029:2006: Informação e documentação – Livros e folhetos – Apresentação.

`  NBR 6034:2004: Informação e documentação – Índice – Apresentação.

`  NBR 10520:2002: Informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação.

`  NBR 10719:2015: Informação e documentação – Relatório técnico e/ou científico –


Apresentação.

`  NBR 14724:2011: Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação.

`  NBR 15287:2011: Informação e documentação – Projeto de pesquisa – Apresentação.

Sempre que você for escrever um trabalho acadêmico, cabe solicitar um modelo para
o professor. Esse modelo sempre é elaborado seguindo essa lista de normas da ABNT.
Dessas normas, as que são mais utilizadas são a NBR 6023, que foi atualizada no final
de 2018 e é uma norma de como se deve apresentar a indicação correta das referências

44
bibliográficas; a NBR 10520, que informa como devem ser escritas as citações; e a NBR
14724, que diz como os trabalhos acadêmicos devem ser apresentados na forma escrita.

PESQUISE 3
Acesse as três principais normas citadas e faça uma leitura prévia delas.

Universidade São Francisco


Cabe diferenciarmos o que são referências bibliográficas e como elas devem ser cita-
das no corpo do texto.

Primeiramente, referências bibliográficas é uma lista de trabalhos que foram utilizados


para escrever um texto. Por exemplo, este material foi escrito utilizando algumas refe-
rências que são apresentadas no final do texto. No caso desta unidade, foram utilizados
Mattar Neto (2017), o Appolinário (2015) e o Gil (2017) como referências bibliográficas.
Mas onde essas referências foram utilizadas ao longo de toda a unidade? Basta você
buscar por eles ao longo do texto. Onde eles estão informados significa que foram utili-
zados como base para a escrita daquele trecho. Isso é um tipo de citação.

A ABNT NBR 10520 (2002, p. 1) diz que a citação é a “Menção de uma informação extraída de
outra fonte”, podendo ser uma citação direta, uma citação indireta ou uma citação de citação.
A citação direta é a cópia perfeita das informações utilizadas na escrita de um parágrafo. Ge-
ralmente, ela aparece grafada entre aspas para mostrar que realmente se trata de uma cópia
de outra pessoa, e o número da página de onde foi retirada a informação aparece juntamente
com o ano de publicação, assim como está sendo colocado no início deste parágrafo. A cita-
ção indireta é escrita com base em algum autor, que por isso é citado. Porém, a informação
não caracteriza uma cópia perfeita, mas sim o que a pessoa que escreveu sobre o assunto
entende sobre o mesmo. A citação de citação é quando se lê a informação de um autor impor-
tante em uma obra e deseja-se citá-lo por ser antigo e/ou de difícil acesso. É importante men-
cionar que a citação de citação ou apud deve ser utilizada apenas em situações especiais.

A própria ABNT NBR 10520 (2002) traz alguns exemplos importantes dos três tipos de
citação, que são transcritas a seguir.

a) Citação direta:

`  Para citações diretas na qual o autor é citado após a apresentação do texto:

“Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filoso-


fia [...]” (DERRIDA, 1967, p. 293).

`  Para citações diretas onde o autor é citado no texto:

Segundo Sá (1995, p. 27): “[...] por meio da mesma arte de conversação’ que abrange tão
extensa e significativa parte da nossa existência cotidiana [...]”

`  Para citações diretas com mais de três linhas de texto:

A teleconferência permite ao indivíduo participar de um encontro nacional


ou regional sem a necessidade de deixar seu local de origem. Tipos comuns

Iniciação à pesquisa científica 45


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

de teleconferência incluem o uso da televisão, telefone, e computador. Atra-


vés de áudio-conferência, utilizando a companhia local de telefone, um sinal
de áudio pode ser emitido em um salão de qualquer dimensão. (NICHOLS,
3 1993, p. 181)

Observe que para todos os exemplos apresentados o número da página onde está o texto
utilizado na íntegra é apresentando no corpo do texto. E há uma diferença na grafia do autor
quando citado no texto é apresentado em letras minúsculas e, quando apresentado após o
texto, é apresentado em letras maiúsculas.

Citação indireta:

`  Para citações indiretas onde o autor é citado no texto:

A ironia seria assim um forma implícita de heterogeneidade mos-trada, conforme a classifica-


ção proposta por Authier-Reiriz (1982).

`  Para citações indiretas onde o autor é citado no final do texto:

A produção de lítio começa em Searles Lake, Califórnia em 1928 (MUMFORD, 1949).

Observe que para as citações indiretas não há a presença da apresentação da página origi-
nal de onde foi retirada a informação.

c) Citação de citação:

Segundo Silva (1983 apud ABREU, 1999, p. 3) diz ser [...]

“[...] o viés organicista da burocracia estatal e antiliberalismo da cultura política de 1937, pre-
servado de modo encapuçado na Carta de 1946.” (VIANNA, 1986, p. 172 apud SEGATTO,
1995, p. 214-215). No modelo serial de Gough (1972 apud NARDI, 1993) o ato de ler envolve
um processamento serial que começa com uma fixação ocular sobre o texto, prosseguindo
da esquerda para a direita de forma linear.

É importante ressaltar que a expressão apud deve ser utilizada em casos extremos,
onde o autor original não é facilmente encontrado. Observe, como nos exemplos encon-
trados na ABNT NBR 10520 (2002), os autores originais são autores bastante antigos.
A expressão apud pode ser trocada por “citado por”.

Ainda, segundo a ABNT NBR 10520 (2002) existem duas formas de referenciar as ci-
tações utilizadas: uma delas é o sistema autor-data, que é utilizado neste material, e
outro é o sistema numérico, no qual as referências são listadas na sequência numérica
na qual aparecem no texto. Portanto, se você ler artigos que tenham números no final
de um parágrafo, em sobrescrito ou entre colchetes, saiba que eles estão seguindo a
normativa que foi escolhida por aquela revista para a apresentação das referências
bibliográficas utilizadas. A maioria das revistas das áreas de humanas e saúde utiliza
o sistema autor-data enquanto que, a maioria das revistas da área de exatas utiliza o
sistema numérico.

46
A ABNT 10520 (2002) apresenta os seguintes exemplos para os tipos de referenciação:

a) Sistema autor-data 3
No texto:

Universidade São Francisco


A chamada “pandectísta havia sido a forma particular pela qual o direito romano fora integra-
do no século XIX na Alemanha em particular.” (LOPES, 2000, p. 225).

`  Na lista de referências:

LOPES, José Reinaldo de Lima. O direito na História. São Pau-lo: Max Limonad, 2000.

b) Sistema numérico

No texto:

A chamada pandectísta havia sido a forma particular pela qual o direito romano fora integrado
no século XIX na Alemanha em particular 15.

`  Na lista de referências:

[15] LOPES, José Reinaldo de Lima. O direito na História. São Paulo: Max Limonad, 2000.

Ainda, cabe ressaltar que, na lista de referências, para o sistema autor-data, as mesmas são
apresentadas em ordenação alfabética enquanto que, para o sistema numérico, as referên-
cias são apresentadas na ordem em que aparecem no texto.

PLANEJAMENTO E CONDUÇÃO DA PESQUISA


Mais importante do que fazer uma boa revisão bibliográfica sobre um assunto
que se deseja pesquisar, é planejar como se vai pesquisar. Esse planejamento é
chamado de projeto de pesquisa, que contempla, geralmente, a introdução, os ob-
jetivos, a justificativa, a revisão bibliográfica, o método de pesquisa, o cronograma
de trabalho, os resultados esperados e as referências bibliográficas.

Existem diversos tipos de pesquisa e diversos tipos de trabalhos. Cada área


do conhecimento se adéqua melhor a um tipo ou a outro, como já discutimos
na unidade 2.

Gil (2017) classifica os diversos tipos de pesquisa de acordo com vários critérios,
sendo estes a área do conhecimento, a finalidade da pesquisa, o propósito da
mesma e os métodos empregados, conforme mostrado na Figura 2, onde pode-
mos observar também que os métodos de pesquisa podem dar origem a diferentes
tipos de pesquisa.

Iniciação à pesquisa científica 47


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

Figura 02. Esquema dos critérios utilizados para a definição dos tipos de pesquisa
(baseado em GIL, 2017).

3
Pesquisa

Área do Métodos
Finalidade Propósito
conhecimento empregados

Tipos de
pesquisa

Qualidade ou Quantitativa

Pesquisa
ou Laboratório
de campo

Não
Experimental ou
experimental

Planejar o tipo de pesquisa auxilia a chegar na resposta à pergunta inicial que deu
origem ao problema de pesquisa de maneira mais rápida e mais precisa. Essa esco-
lha nada mais é do que um delineamento que envolve a definição dos fundamentos
metodológicos, a real definição dos objetivos da pesquisa, o ambiente da pesquisa e a
determinação das técnicas de coleta e análise de dados.

Gil (2017) define os delineamentos de pesquisa em:


`  Pesquisa bibliográfica: é a pesquisa realizada com base no que outros autores já fala-
ram sobre aquele tema. É comum para as áreas de direito, filosofia e literatura;

`  Pesquisa documental: é semelhante à pesquisa bibliográfica, mas difere-se no teor dos


documentos anali-sados, que podem ser registros de cartório, relatórios, boletins, docu-
mentos de bibliotecas raras e outros documentos de ordem interna. É uma pesquisa muito
comum nas áreas de Ciências Sociais e Economia;

`  Pesquisa experimental: na qual o pesquisador precisa manipular pelo menos um dos


fatores que se acredita ser responsável pela ocorrência do fenômeno que está sendo
pesquisado. É comum nas áreas das Ciências básicas e das Engenharias, mas também
se aplica no âmbito da Psicologia;

48
`  Ensaio clínico: no qual o pesquisador aplica um tratamento (ou intervenção) e observa
os seus efeitos e analisa o seu desfecho. É muito comum na área da Saúde.

`  Estudo de coorte: refere-se a um grupo de pessoas que têm alguma característica co-
mum, constituindo uma amostra a ser acompanhada por certo período de tempo, para se 3
observar e analisar o que acontece com elas. É também comum na área da Saúde.

Universidade São Francisco


`  Estudo de caso-controle: também chamado de expost-facto, refere-se a estudos retros-
pectivos que analisam a consequência após ter ocorrido algo e se verifica quais foram os
antecedentes que levaram a ela. É comum também na área da Saúde.

`  Levantamento de campo: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo com-
portamento se deseja conhecer e os dados levantados são tratados estatisticamente. É
comum em várias áreas do conhecimento.

`  Estudo de caso: consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos casos, de


maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, no qual é difícil generalizar. É
comum nas áreas das ciências sociais.

`  Pesquisa etnográfica: é utilizada tradicionalmente para a descrição dos elementos de


uma cultura específica, tais como comportamentos, crenças e valores, sendo comum
em Antropologia.

`  Pesquisa fenomenológica: trata-se de um tipo de pesquisa que busca descrever e inter-


pretar os fenômenos que se apresentam à percepção.

`  Teoria fundamentada nos dados: tem por objetivo de proporcionar uma alternativa ao
processo de geração dedutiva de teorias sociais.

`  Pesquisa-ação: é uma metodologia para intervenção, desenvolvimento e mudança


no âmbito de grupos, organizações e comunidade. Vêm sendo muito utilizada em
causas comunitárias.

`  Pesquisa participante: tem por objetivo auxiliar a população envolvida a identificar por
si mesma os seus problemas, a realizar a análise crítica destes e a buscar as soluções
adequadas. É um tipo de pesquisa interessante sob o ponto de vista de ações educativas.

Ainda temos as pesquisas mistas que envolvem mais de um tipo de pesquisa. A partir
do momento em que o tipo de pesquisa está determinada, segue-se vários passos para
a elaboração do projeto de pesquisa. Gil (2017) diz que esses passos são diferentes
de acordo com o tipo de pesquisa. Porém, resumidamente, podemos pensar que, uma
vez escolhido o melhor método para responder à pergunta, basta agora dizer como a
resposta será encontrada. Isso é o método.

Ou seja, qual será o tipo de pesquisa realizada, quem serão os participantes da pesqui-
sa, quais recursos materiais e imateriais serão utilizados, quais variáveis são importan-
tes (se é que elas existem), quanto tempo será necessário para a pesquisa, quanto a
pesquisa custará monetariamente, etc.

Respondendo a essas inquietações, teremos a definição de como será feita a pesqui-


sa. A partir disso, é necessário criar um cronograma de trabalho. A tabela 1 ilustra um
exemplo de cronograma genérico para a pesquisa. A medida do tempo (dias, semanas,
meses) deve ser elaborada de acordo com as necessidades do projeto.

Iniciação à pesquisa científica 49


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

Tabela 01. Exemplo de cronograma de pesquisa

PERÍODO DE TEMPO
3 (EM DIAS, SEMANAS, QUINZENAS OU MESES)
ETAPA
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Especificação dos
objetivos

••
Elaboração de
questionário, ou
parte prática


Seleção de
amostra ou de
materiais

•••
Coleta das amos-
tras ou ensaios
experimentais

Análise dos dados


•••
•••
Comparação dos
dados com os da
literatura

Escrita do relatório
••••
Apresentação

Já os custos monetários do desenvolvimento do projeto também podem ser apresenta-
dos na forma de tabela, como, por exemplo, o que é mostrado na Tabela 2.

Tabela 02. Exemplo de tabela com os custos de um projeto de pesquisa

ESPECIFICAÇÃO DO MATERIAL QUANTIDADE/UNIDADE VALOR


Folha sulfite A4 2 resmas R$ 40,00
xxxx xx xxx
xxxx xx xxx
Total - xxx

É muito importante que durante a condução da pesquisa tanto o cronograma quanto a


tabela de custos sejam sempre revisitadas para o acompanhamento perfeito do anda-
mento da pesquisa.

Em linhas gerais, a condução da pesquisa nada mais é do que é do seguir a receita


de bolo que você mesmo preparou, colocando todos os ingredientes (materiais) na

50
quantidade correta, ajustando os parâmetros que podem alterar o as propriedades do
bolo como a temperatura ideal do forno, o tipo de forma que melhor se aplica, batendo
ou não as claras em neve, adicionando o fermento primeiro ou por último, etc. O ajuste
dos parâmetros é importante na qualidade do produto final. Assim também será com os 3
resultados provenientes da pesquisa realizada.

Universidade São Francisco


PESQUISE
Leia a Metodologia de pesquisa de dois ou três ar-tigos e identifique as facilidades e as difi-
culdades de reproduzir o trabalho.

Bom, depois da pesquisa realizada, é hora de comer o bolo!!! É, não tão rápido assim.
É extremamente dispendiosa e extremamente importante a próxima etapa, que é a
análise e a interpretação dos resultados.

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS


Após a execução da metodologia de pesquisa, faz-se necessário apresentar, interpretar
e analisar os resultados obtidos. É como se você estivesse escrevendo por que aquela
receita de bolo da vovó deu certo. Embora ela diga: é só bater tudo e pôr na forma para
assar. Tem os segredinhos, porque o que nós fazemos nunca fica igual ao dela. Então,
escrever os resultados é exatamente isto: mostrar a todos os segredinhos que só a
vovó sabe.

O primeiro é passo é determinar a quantidade e o tipo de dados gerados. Depois, é


necessário relacionar os dados obtidos com as hipóteses feitas, isso é, conferir se as
hipóteses estavam certas ou erradas.

Os dados coletados em uma pesquisa científica podem ser qualitativos ou quantitativos.

IMPORTANTE
Os dados qualitativos estão baseados em uma impregnação de dados do pesquisador, que
consegue analisar os dados de maneira interativa, de tal forma que o faça repetidas vezes
(ROSA; ARNOLDI, 2006).

De forma geral, os dados qualitativos envolvem os aspectos analíticos de manipulação


e interpretação dos dados. Geralmente, parte-se dos dados macros que, ao longo do
processo, vão sendo reduzidos em resumos ou apresentações até que seja possível
extrair uma conclusão plausível dos mesmos (GIBBS, 2009).

Uma das técnicas de análise qualitativa utilizadas é a técnica de análise de conteúdo


que se faz através do resumo daquilo que é importante no texto, por meio do uso de
paráfrases que são mais importantes ao pesquisador, conforme mostrado na Figura 3
(FLICK, 2012).

Iniciação à pesquisa científica 51


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

Figura 03. Modelo do processo analítico de conteúdo geral

Definição do Material
3

Análise da situação em que ele foi produzido

Classificação formal do material

Direção da análise

Diferenciação teórica das questões da pesquisa

Definição das técnicas analíticas e do modelo do processo concreto

Definição das unidades analíticas

Passos analíticos com o sistema de categorias

Sumário Explicação Estruturação

Reavaliação do sistema de categorias em contraposição à teoria e ao material

Interpretação dos resultados segundo as principais questões de pesquisa

Aplicação dos critérios de qualidade analítica do conteúdo

Fonte: FLICK, 2012.

52
Os dados considerados qualitativos por Gibbs (2009) são:
`  Entrevistas individuais ou em grupos e suas transcrições.

`  Observação participante etnográfica. 3

`  Correio eletrônico.

Universidade São Francisco


`  Páginas na internet.

`  Propaganda: impressa, filmada ou televisionada.

`  Diários em vídeos.

`  Gravações de vídeos de transmissões de TV.

`  Vários documentos, como livros e revistas.

`  Conversas em grupo de bate-papo na internet.

`  Arquivos de notícias da internet.

`  Fotografias.

`  Filmes.

`  Vídeos caseiros.

`  Gravações em vídeo de sessões de laboratórios.

`  Etc.

Em cada um deles é possível verificar que não são incluídos contagens e medidas, uma
vez que fazem parte dos dados quantitativos.

SUGESTÃO DE LEITURA
GIBBS, Graham. Análise de dados qualitativos: Coleção Pesquisa Qualitativa. Porto Alegre:
Artmed, 2009. E-book. [Minha Biblioteca]. Disponível na Biblioteca Virtual.

Os dados quantitativos correspondem a uma mescla da análise de dados matemáticos,


estatísticos e computacionais. As etapas da análise de dados quantitativas são:
`  Organização dos dados;

`  Agrupamento e resumo dos dados por meio de tabelas de frequências;

`  Resumo das principais estatísticas, tais como como medidas de tendência central e
de dispersão;

`  Análise e interpretação dos dados por meio de cruzamento de tabelas e análise


de correlação.

Os resultados devem ser apresentados de forma que o leitor possa entender, raciocinar
sobre eles e compreender tudo o que foi feito, de forma que sejam demostradas as evi-
dências nas quais se chegou por meio da pesquisa realizada e do método empregado.

Iniciação à pesquisa científica 53


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

Flick (2012) elaborou uma lista com as principais características que são mais importan-
tes no momento da apresentação correta dos dados, sejam eles qualitativos ou quanti-
tativos. São eles:
3
1. O método de análise que você escolheu é apropriado aos dados que você coletou?

2. Ele satisfaz a complexidade dos dados?

3. A natureza dos dados permite que você aplique a estrutura analítica que escolheu?

4. O tipo de análise permite reduzir a complexidade dos dados de tal maneira que os resulta-
dos se tornem facilmente compreensíveis?

5. Você pode responder à sua questão de pesquisa com o formato da análise que escolheu?

6. Qual é a questão da pesquisa ou o aspecto dela que se pretende que seja o foco da
análise?

7. Sua análise pode avaliar se o seu resultado ocorreu por acaso ou se é um resultado
singular?

8. Seus resultados quantitativos são estatisticamente importantes?

9. Algumas regularidades (p. ex., uma tipologia) tornaram-se visíveis nos resultados qualita-
tivos?

10. Como a sua análise considera os casos ou dados desviantes?

Deve-se abusar de tabelas, quadros, gráficos, ilustrações, fotos, etc., e o que for com-
plemento, mas não estritamente necessário para o entendimento do trabalho, deve ser
colocado como apêndice do trabalho a ser escrito ou como material suplementar do
artigo que será publicado.

Pontos inconclusivos também devem ser relatados no trabalho, para que fiquem de
sugestão para trabalhos futuros do pesquisador ou de outros que estejam pesquisando
o mesmo tema.

Apêndice é um elemento pós-textual de autoria do autor que tem por objetivo comple-
mentar dados ou resultados adquiridos pela pesquisa. Não se deve confundir apêndice
de anexo. O anexo também é um elemento pós-textual, mas de autoria de outros auto-
res que também visam a complementação do trabalho realizado.

Após a apresentação dos resultados, estes devem ser interpretados, que é a parte mais
importante do relatório. A apresentação de evidências confirma ou refuta uma hipótese,
e a somatória de vários dados convergem para uma conclusão a respeito daquele tema.

Por último, deve-se analisar os resultados, correlacionando-os com os resultados obti-


dos por outros autores que pesqui-saram o mesmo assunto. Essa é uma boa hora de
voltar para os fichamentos e verificar o que o que os autores obtiveram de resultados
em suas pesquisas e que caracterizam o que chamamos de estado de arte.

54
CONCLUSÃO
Nesta unidade você aprendeu sobre como se deve planejar uma pesquisa científica,
desde a geração das palavras-chaves relacionadas ao tema, bem como escolher a 3
melhor metodologia de pesquisa e estudou sobre a importância da boa apresentação,
interpretação e análise dos resultados.

Universidade São Francisco


Na sua vida profissional isso será uma rotina, independentemente da sua área de for-
mação. Em todos os momentos da nossa vida profissional somos cobrados por resulta-
dos. É importantíssimo saber planejar como chegar a esses resultados. Levantamento
de hipóteses, estudo prévio sobre outros trabalhos semestres já realizados, montagem
e execução de cronograma, coleta, análise e interpretação de dados estarão sempre
presentes e serão necessários para o pleno desenvolvimento dessas atividades. Saber
planejar é uma arte que leva à colheita dos frutos mais perfeitos!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉC- Artmed, 2009. E-book. [Minha Biblioteca]. Disponí-
NICAS. ABNT NBR 10520: Informação e documen- vel em: <https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
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Iniciação à pesquisa científica 55


Pesquisa científica: como gerar e analisar os resultados?

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56
3

Universidade São Francisco

Iniciação à pesquisa científica 57


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

UNIDADE 4

PESQUISA CIENTÍFICA: COMO


4
APRESENTAR OS RESULTADOS?

INTRODUÇÃO
Olá! Seja bem-vindo à unidade 4 do curso Iniciação à Pesquisa Científica. Esta unidade
tem por objetivo o estudo das várias formas de apresentação de trabalhos científicos,
seja no formato de monografia seja na forma artigos, bem como da sua apresentação
oral no formato de banner ou slides show. É nesta unidade, por fim, que abordaremos
um assunto muito importante na divulgação de trabalhos científicos: o plágio.

Bons estudos!

ESTRUTURA DE UM TRABALHO CIENTÍFICO


Uma das partes mais importantes do
trabalho científico é a sua divulgação.
Afinal, do que adianta fazer pesquisa e
não divulgá-lo?

Existem várias formas de divulgação de


um trabalho científico. Para os que termi-
Fonte:123rf
nam uma graduação, o modelo mais utili-
zado de trabalho de conclusão de curso é
a monografia.

Segundo Santos e Parra Filho (2011, p. 193) a monografia “é um trabalho escrito, por-
menorizado, em que se pretende dar informações completas sobre algum tema particu-
lar de um ramo do conhecimento ou sobre personagens, localidades, acontecimentos”.

Para os que terminam um mestrado, o modelo de apresentação também é uma mono-


grafia, mas que recebe a alcunha de dissertação. Para os que defendem um doutorado
ou a livre-docência, o modelo de trabalho escrito utilizado também é a monografia, mas
é chamada de tese. Basicamente, a diferença entre os trabalhos apresentados é o seu
aprofundamento no tema e a apresentação do caráter inédito, que é obrigatório apenas
para as defesas de doutorado e de livre-docência.

Todos esses modelos, independentemente da universidade que o gerou, se baseiam


nas Normas ABNT que já discutimos anteriormente.

58
A Universidade São Francisco dispõe de um Manual de Normas para Trabalhos Aca-
dêmicos. Nesse Manual estão as principais normatizações ABNT com a formatação de
margem, numeração de página, espaçamentos, modelos de formatação de títulos e
subtítulos, entrelinhas, paráfrases (citações diretas), espaços entre parágrafos, tabelas,
gráficos e figuras, bem como a sequência de apresentação estrutural da monografia.
4
A estrutura de trabalho escrito apresentada no formato de monografia é composta de:

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`  Elementos pré-textuais: capa, folha de rosto, ficha catalográfica, folha do examinador,
dedicatória, agradecimentos, resumo, sumário;

`  Elementos textuais: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. O nosso famoso come-


ço, meio e fim. Na Introdução deverão ser escritos elementos que relatam o problema
de pesquisa, a hipótese, a justificativa e os objetivos do desenvolvimento do trabalho. O
Desenvolvimento deverá se ater aos métodos utilizados na pesquisa, aos resultados en-
contrados e às discussões obtidas por meio desses resultados. A conclusão deve conter
uma síntese de todos os resultados alcançados e todos os objetivos atingidos, bem como
elucidar a continuidade ou não da pesquisa realizada;

`  Elementos pós-textuais: bibliografia, anexos e apêndices.

Logicamente, a descrição acima é uma forma generalista e resumida dos tipos de apre-
sentação de trabalhos científicos e nem todos os itens são obrigatórios na escrita de
todos os tipos de monografia. Veja os itens obrigatórios presentes na Figura 1.

Para entendermos as especificidades da estrutura de uma monografia é necessário


que conheçamos as normas em vigor. A NBR 14724/2011 trata da documentação e da
apresentação de teses, dissertações e trabalhos acadêmicos intra e extraclasse.

A norma estabelece regras específicas para a escrita de um trabalho acadêmico ou


científico que deve ser apresentado a uma banca de avaliadores. E apresenta uma se-
quência de apresentação do texto, conforme podemos observar na Figura 1.
Figura 01. Estrutura interna de um trabalho acadêmico

Folha de rosto (obrigatório)


Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória (opcional)
Agradecimentos (opcional)
Epígrafe (opcional)
Elementos
Resumo na língua vernácula (obrigatório)
pré textuais Resumo em lígua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional)
Lista de tabelas (opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
PARTE Sumário (obrigatório)
INTERNA
Introdução
Elementos
Desenvolvimento
textuais Conclusão
Referência (obrigatório)
Glossário (opcional)
Elementos
Apêndice (opcional)
pós textuais Anexo (opcional)
Índice (opcional)
Fonte: ABNT 14724/2011.

Iniciação à pesquisa científica 59


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

Dos elementos pré-textuais, já discutimos sobre a importância da escrita de um bom re-


sumo. Este é a porta de entrada do trabalho, o item que o leitor/pesquisador lê primeiro.
Se estiver bem escrito, é bem provável que chamará a atenção do leitor/pesquisador,
despertando, assim, o interesse em ler o trabalho como um todo.
4 Outro elemento pré-textual importante é o sumário.
Para o leitor, ele é importante, pois permite encon-
trar de forma mais rápida um determinado item que
é imprescindível no momento em que ele acessa
o trabalho. Para o autor, é necessário para o pro-
cesso de escrita do trabalho, no qual recomenda-se
elaborar um sumário prévio com os principais itens
que se deseja abordar. A escrita, como já tratamos
anteriormente é um processo complexo. Por isso, é
essencial que se trabalhe os casos, escrevendo pri- Fonte:123rf
meiramente as principais ideias e, posteriormente, organizando essas ideias é que se
terá o trabalho escrito da melhor maneira possível (MATTAR, 2017).

Na sequência, mostrada na Figura 1, podemos observar que a Introdução, o Desen-


volvimento e a Conclusão fazem parte dos elementos textuais. É mais comum, porém,
vermos a distribuição do Desenvolvimento feita em capítulos, no qual estão presentes
a Metodologia ou os Métodos e os Resultados e Discussão. Ainda é comum observar-
mos, entre a Introdução e a Metodologia, a apresentação da Fundamentação Teórica ou
Revisão Bibliográfica, já trabalhada na unidade anterior.

Durante a escrita dos elementos textuais, que caracterizam os principais itens do tra-
balho, aconselha-se que a escrita deste seja realizada com sua parte metodológica
(MATTAR, 2017).

Já estudamos sobre a Introdução, que basicamente apresenta o problema da pesquisa, a


justificativa, as hipóteses e os objetivos do trabalho. Segundo Santos e Parra Filho (2011), a
Introdução deve responder a três perguntas básicas: Por quê? Como fazer? E para quem?
Respondendo a essas perguntas estarão definidas a justificativa, o método que será utilizado
e a área de conhecimento humano ao qual o trabalho se encontra, respectivamente.

Ainda segundo Santos e Parra Filho (2011), é na Introdução que se apresenta de forma
sucinta o conteúdo do trabalho na sequência que foi construído o sumário.

É por isso que é comum que algumas áreas ou alguns grupos de pesquisa não façam
a separação entre Introdução e Fundamentação Teórica, mas aumentem a Introdução
para responder à pergunta como fazer?

Quanto ao desenvolvimento do trabalho, já discutimos sobre a definição e aplicação do


método de pesquisa e a forma de apresentar os resultados obtidos.

A conclusão é um item muito importante do trabalho. Ela é a resposta ao problema de


pesquisa. Deve dizer claramente se as hipóteses levantadas na Introdução foram con-
sideradas verdadeiras ou não. A conclusão é válida quando apresenta em plenitude e
consistência argumentos que corrobora a qualidade do trabalho desenvolvido.

60
PARA REFLETIR
Você deve estar se perguntando: e se os resultados não levaram à validação das hipóteses? Isso é
totalmente possível e comum. Nesses casos, a conclusão deve ser elaborada de tal forma que per-
mita o início de um novo trabalho a ser realizado pelo mesmo grupo de pesquisa ou por outro grupo.
4
A Tabela 1 ilustra a estrutura principal dos elementos textuais e seus conteúdos.

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Tabela 01. Estrutura de um texto científico

SEÇÃO Conteúdo

INTRODUÇÃO A ideia central; o leitor é informado do que trata o texto.


O desdobramento da ideia central; o debate sobre o tema; o autor apre-
DESENVOLVIMENTO senta argumentos para sustentar a ideia expressa na Introdução.
A posição ou a solução do autor, apoiada nos argumentos apresentados;
CONCLUSÃO por vezes, sugere desdobramento.
Fonte: PEREIRA, 2018

As referências bibliográficas de um trabalho constituem o principal item e único obriga-


tório dos elementos pós-textuais. A princípio, quando escrevemos nossa primeira mono-
grafia, esse item às vezes é negligenciado. Mas, na verdade, a escolha das referências
utilizadas num trabalho diz muito sobre a sua qualidade. A quantidade de referências
utilizadas também é um item de suma importância. Já discutimos sobre a importância
da leitura sobre livros e artigos que trabalharam o tema de pesquisa e que o uso destes
no desenvolvimento do trabalho escrito deve ser feito sem limites. Outra dica importante
para a escrita correta das referências bibliográficas é a utilização da padronização apre-
sentada na norma ABNT 6023/2018.

Quanto aos anexos (de autoria de outros autores) e apêndices (de autoria própria), é
importante que sejam utilizados para tornar a leitura do trabalho mais leve. Questioná-
rios pertencentes à pesquisa são um bom exemplo de apêndice que pode ser apresen-
tado numa monografia.

A apresentação de tabelas e figuras é outro item bastante importante na escrita do tra-


balho científico. Não existem normas fixas para a sua apresentação; entretanto, para
as tabelas é recomendado utilizar as Normas de Apresentação Tabular elaboradas pelo
IBGE no ano de 1993 (IBGE, 1993), conforme ilustrado na tabela 2 a seguir, no qual a
legenda fica sempre acima da Tabela e a fonte, abaixo.

Tabela 02. Exemplo de formatação adequada para tabelas criada pelo IBGE. Pessoas residentes em
domicílios particulares, por sexo e situação do domicílio – Brasil – 1980.

SITUAÇÃO DO
TOTAL MULHERES HOMENS
DOMICÍLIO
Total 117 960 301 59 595 332 58 364 969
Urbana 79 972 931 41 115 439 38 857 492
Rural 37 987 370 18 479 893 19 507 477
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

Iniciação à pesquisa científica 61


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

As tabelas, geralmente, mostram um conjunto de dados, e a relação entre esses da-


dos, facilitando, assim, a visualização deles. Outro uso comum para as tabelas é a
demonstração de cálculos estatísticos e gráficos demonstrativos (SANTOS; PARRA
FILHO, 2011).
4 Com relação à apresentação de figuras, faz necessário informar que esta deve estar
legível, com todas as informações mostradas em português e tamanho de letra com-
patível com o tamanho de letra apresentado no texto. Nunca utilize uma figura apenas
para ocupar espaço no texto. Tanto figuras quanto tabelas devem ter uma função efetiva
no sentido de reforçar os argumentos.

Podem ser consideradas Figuras: fluxogramas, fotografias, desenhos esquemáticos, grá-


ficos, etc. No caso de gráficos, é essencial que os eixos x e y (e z, se for o caso) estejam
devidamente apresentados. Todos os dados que serão essencialmente comentados e dis-
cutidos no texto devem ser apresentados. Se ficar maçante ou ocupar um espaço muito
grande, sempre é possível utilizar o espaço de apêndices e anexos. A Figura 2 mostra os
principais tipos de gráficos que podem ser elaborados (SANTOS; PARRA FILHO, 2011).

Figura 02. Principais tipos de gráfico, (a) gráfico linear, (b) gráfico de colunas,
(c) gráfico de barras, (d) gráfico de setores

a) b)

c) d)

Fonte: Elaborado com base em SANTOS e PARRA FILHO, 2011.

62
Além da monografia, outros tipos de trabalhos escritos podem ser apresentados, como
os resumos de congresso e os artigos científicos. Ambos os documentos seguem nor-
mas próprias ou dos organizadores do congresso ou do corpo editorial da revista cien-
tífica. Os resumos de congresso, tanto simples como expandidos, são publicados em
anais de congresso, enquanto os artigos são publicados em revistas científicas. Ambas
4
as publicações são escolhidas e determinadas pelo autor do trabalho.

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Esses trabalhos apresentam, de forma geral, caráter de ineditismo e/ou são importantes
para o grupo ao qual pertencem.

IMPORTANTE
Os resumos de congresso simples se caracterizam geralmente pela apresentação de uma
página que contém a introdução, o desenvolvimento e as conclusões extraídas do trabalho.
Já os resumos completos se caracterizam pela escrita de 12 a 20 páginas de trabalho, no
qual, além do resumo simples, são evidenciados os métodos utilizados e os resultados obti-
dos. No resumo expandido também é comum a apresentação da fundamentação teórica e as
referências utilizadas no desenvolvimento do trabalho.

Os pesquisadores participam de congressos, encontros, simpósios e outros, para apre-


sentar seus projetos de pesquisa, muitos dos quais com resultados e as conclusões par-
ciais como forma de receberem a avaliação prévia de seu trabalho por outros pesquisado-
res da mesma área, discutir ideias novas, ver os trabalhos de outros pesquisadores, etc.

No próprio envio dos resumos já é realizada uma avaliação prévia dos trabalhos, ge-
ralmente por um avaliador da mesma área. Apenas os resumos simples ou expandidos
bons são liberados para a apresentação, que pode ser no formato oral ou pôster, con-
forme discutiremos mais adiante.

Para alunos de graduação ou de iniciação científica, a participação em congressos, seja


nacional ou internacional, é um grande diferencial no currículo, principalmente se ele
deseja fazer um mestrado após o curso.

SAIBA MAIS

O que são congressos, encontros, simpósios, seminários, jornadas, etc.?

Primeiramente, são eventos científicos. Um evento científico é uma atividade que tem por
objetivos: reunir especialistas em determinadas áreas do conhecimento para discutir temas
comuns, de tal forma que permitam a atualização e o progresso da pesquisa científica; di-
vulgar resultados de pesquisa dos pesquisadores e colocá-la em debate a fim de qualificá-la
e validá-la no âmbito da comunidade científica; incentivar o desenvolvimento de campos de
pesquisa ainda emergentes; e promover a formação de pesquisadores (CAPES, 2016).

A divisão entre os diversos eventos científicos existentes se dá pela diferença de objetivos


que existem entre eles. Entre os principais eventos científicos brasileiros, temos:

`  Congressos: podem ser regionais, nacionais ou internacionais. Duram entre 3 a 5 dias


e comportam conferências, mesas-redondas, simpósios, debates, sessões de apresenta-
ção de trabalhos como pôsteres ou orais, minicursos, etc. Geralmente é organizado por

Iniciação à pesquisa científica 63


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

entidades ou sociedades consolidadas com um tema gerador das discussões. Podem ser
técnicos ou científicos (CAPES, 2016; GALOÁ JOURNAL, 2019).

`  Encontros: são reuniões de iniciativa local ou de determinada comunidade científica, na


qual os pesquisadores, estudantes e outros profissionais podem apresentar seus resulta-
4 dos pesquisa e relatos de experiências a fim de debatê-los. É comum ter espaço para a
realização de mesas-redondas, conferências, palestras, painéis, minicursos, entre outras
atividades (CAPES, 2016).

`  Simpósios: são mais específicos do que os congressos e se destinam a determinado


grupo científico. Se caracterizam pela realização de mesas-redondas conduzidas por um
moderador, e pela exposição de trabalhos, seja no formato oral ou pôster (CAPES, 2016;
GALOÁ JOURNAL, 2019).

`  Seminários: também envolvem a apresentação oral seguida de discussão. Geralmente é


realizada a partir de um tema central e seus subtemas também são trabalhados (CAPES,
2016; GALOÁ JOURNAL, 2019),

`  Jornadas: são minicongressos organizadas por sociedades responsáveis para áreas


mais amplas, mas realizadas em regiões menores, sendo, portanto, locais ou regionais.
Costumam durar apenas um dia (CAPES, 2016; GALOÁ JOURNAL, 2019).

Existem outros diversos tipos de eventos científicos que são realizados, tais como conferên-
cias, colóquios, feiras, mostras, oficinas, minicursos, palestras, fóruns, etc.

Ainda existe a divulgação de trabalhos científicos por meio da publicação artigos cientí-
ficos em revistas científicas, que geralmente são a forma mais completa de divulgação
de um trabalho. As revistas científicas foram criadas para sistematizar a comunicação
entre os cientistas. E assim continua até os dias de hoje.

SAIBA MAIS
A primeira revista científica foi Journal des Savants, publicado pela primeira vez em 5 de
janeiro de 1665, em Paris. Hoje, infelizmente a revista não circula mais. O segundo periódi-
co surgiu em 6 de março do mesmo ano, na cidade Londres, o Philosophical Transactions,
publicado pela Royal Society – The Royal Society of London for the Improvement of Natural
Knowledge (Sociedade Real de Londres para o Progresso do Conhecimento da Natureza).
Este periódico continua em circulação até os dias atuais (PEREIRA, 2018).

Marconi e Lakatos (2017) estabelecem que os artigos científicos devem contemplar a intro-
dução, o material e método, resultados, discussão e conclusões. É importante frisar que a
revisão bibliográfica, em alguns periódicos, será adicionada à introdução para as devidas
definições e para a informação a respeito do estado da arte da pesquisa realizada.

GLOSSÁRIO
O que é estado da arte?

Estado da arte, segundo Ferreira (2002), é uma pesquisa bibliográfica que tem o desafio de ma-
pear e discutir um tema de conhecimento, considerando o que há de mais novo publicado sobre

64
aquele assunto, considerando dissertações de mestrado, teses de doutorado, publicações em
periódicos e comunicações em anais de congressos e de seminários. Pode ser considerada o
levantamento inventariante e descritivo da produção científica do tema que se deseja investigar.

4
Pereira (2018) corrobora com Marconi e Lakatos (2017) e estabelece que essa estrutu-
ra de um artigo científico deve ser do tipo IMRD, ou seja, deve contemplar a Introdução,

Universidade São Francisco


o Método, os Resultados e a Discussão.
`  Introdução: devem ser apresentadas informações que justifiquem a pesquisa e os obje-
tivos da mesma;

`  Método: devem apresentar como o estudo foi delineado, como a amostra foi selecionada,
como os dados foram obtidos e como será feita a análise para alcançar o objetivo da pesquisa;

`  Resultados: são mostrados dos dados realizados com a aplicação do método;

`  Discussão: os dados devem ser interpretados, comentados, comparados com outros tra-
balhos, de forma a responder ao objetivo do trabalho.

O artigo deve ser escrito de forma que os “fatos e argumentos [sejam] concatenados para
orientar o leitor e fazê-lo compreender a conclusão do autor” (PEREIRA, 2018, p. 29).

A Tabela 3 mostra as definições e as perguntas que devem ser respondidas em cada


seção do IMRD.

Tabela 03. Estrutura IMRD do artigo científico e o conteúdo de cada seção

SEÇÃO CONTEÚDO PERGUNTA-CHAVE


Apresentação de informações sobre o tema, a De que trata o estudo? Por que a investigação
Introdução
justificativa para a investigação e o objetivo. foi feita? O que se sabia sobre o assunto?

Descrição do cenário da pesquisa, da amos-


Método Como o estudo foi realizado?
tra, dos procedimentos e dos aspectos éticos.

Apresentação dos achados acompanhados, O que foi encontrado? Quais são os fatos
Resultados
se aplicável, da respectiva análise estatística. revelados pela investigação?

O que significam os achados apresentados?


Interpretação dos resultados, comparações
Discussão O que este estudo acrescenta ao que já se
e conclusão.
sabia sobre o assunto?

Fonte: PEREIRA, 2018.

O rigor de avaliação dos artigos científicos costuma ser maior do que os resumos
enviados para eventos científicos. Enquanto nestes é comum a avaliação de um autor
apenas, para artigos científicos, a avaliação é feita às cegas por dois avaliadores.

Na elaboração e na divulgação de um trabalho científico, seja monografia, resumo ou


artigo científico, um assunto muito importante a ser tratado é a certeza da inexistência
do plágio.

Iniciação à pesquisa científica 65


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

PLÁGIO
Pozzebon e Pereira (2017) afirmam que o plágio é “a cópia do trabalho intelectual de
outrem, seja o conjunto da produção, seja um fragmento desse trabalho, sem que lhe
seja atribuído o devido crédito”.
4

Fonte:123rf
Em tempos de internet é comum ceder à tentação do “crtl C + crtl V” quando o professor soli-
cita uma pesquisa acadêmica, porém, é necessário sabermos de que essa prática configura
um crime que está no Artigo 184 da nossa Constituição Penal, atualizado em 2003, pela Lei
n. 10.695, que pune a violação dos direitos do autor com multa ou detenção.

Pior do que o plágio, é autoplágio, que configura na reprodução total ou parcial de um


trabalho publicado anteriormente sob autoria própria, ou quando se faz pequenas alte-
rações no texto mantendo-se a mesma pesquisa realizada.

Muitos alunos praticam o plágio por desconhecimento total da lei e das normas de es-
crita técnica. Por isso, alertamos que citar corretamente o trabalho que foi utilizado na
escrita de um texto é essencial para que este não se configure como plágio.

Atualmente existem softwares que auxiliam na busca do plágio, principalmente levando-


-se em considerações os materiais publicados na internet.

Segundo Ribeiro (2018), os cinco programas de busca de plágio mais fáceis de se-
rem utilizados e que são grátis são: Plagius, Farejador de plágio, Plagium, Plagiarisma,
Plag.pt. Além desses, um dos mais utilizados é o CopySpider.

Se você não sabe se está escrevendo um texto que é plágio ou não, segue uma dica:
passe o seu texto por um software de busca de plágio e analise o percentual de simi-
laridade que ele apresentou. E nunca se esqueça de citar as obras que utilizou para
escrever um trabalho. Toda vez que você fizer a citação corretamente, seja ela direta ou
indireta, está escrevendo da forma correta, sem passar por plágio.

Garschagen [2006] subdivide o plágio em três tipos principais:


`  Integral ou direto, que consiste na cópia de todas as palavras sem citação;

`  Parcial, quando o trabalho acadêmico é um recorte de parágrafos e frases de diversos


autores sem a menção de suas obras;

66
`  Conceitual, ou indireto, quando há utilização da ideia do autor escrevendo de outra forma
sem citar a fonte original.

Bem, agora que o trabalho científico já foi desenvolvido e escrito, chega a hora de sua
apresentação. 4

APRESENTAÇÃO DE TRABALHO CIENTÍFICO

Universidade São Francisco


A apresentação de um trabalho científico, além das formas escritas já apresentadas, tais
como monografia, dissertação, tese, resumos publicados em anais de congressos e artigos
científicos, também podem ser apresentados de outras formas. Não podemos nos esque-
cer da publicação em livros e/ou e-books e das formas de apresentação oral, que podem
ser: palestras, mesas-redondas, jornadas, simpósios, colóquios, fóruns, oficinas, sessões
de comunicação, etc., no qual geralmente se faz uso dos pôsteres ou dos slides show.

Há diferenças significativas no uso de um


desses recursos como forma de apresenta-
ção oral de trabalho científicos, por isso, nos
ateremos a essas formas individualmente.

Primeiramente, os pôsteres são muito utiliza-


dos em apresentações acadêmicas, mostras
de trabalho, apresentações em congressos.
Fonte:123rf

Trata-se, geralmente, de apresentação rá-


pida, na qual vários trabalhos são expostos,
analisados e avaliados ao mesmo tempo.
Por isso, o seu tempo de apresentação não deve ultrapassar 5 minutos. Havendo o
interesse do avaliador ou de quem está vendo o trabalho, ele fará perguntas sobre os
principais itens que lhe chamar a atenção no trabalho.

Para a confecção do pôster, é essencial que sejam apresentados elementos introdu-


tórios, metodológicos e os principais resultados obtidos. Não pode se esquecer das
referências bibliográficas utilizadas e das principais conclusões obtidas. É normal que o
evento realizado apresente um modelo de pôster a ser seguido e é de bom tom utilizar
esse modelo na preparação desse evento no qual estão inclusive os tamanhos permiti-
dos de acordo com o espaço destinado pelos organizadores do evento. Como a bobina
de papel tem um 1,0 metro de largura, é comum utilizar o tamanho 1,0 x 1,1 m.

Cores de fundo devem ser evitadas e texto em excesso também. A intenção do pôster é
chamar a atenção das pessoas que estão transitando pelo evento e a sua função para
a pessoa que o apresenta é conter todas as informações necessárias para a perfeita
apresentação do mesmo.

Na Figura 2 é apresentado um modelo de pôster apresentado em congresso, no qual


podemos ver a utilização de esquema para mostrar a introdução e de fluxograma para
mostrar a metodologia utilizada. Além disso, é possível observar que o tipo de letra
empregado facilita a leitura.

Iniciação à pesquisa científica 67


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

Figura 03. Modelo de Pôster Divulgado para o XXV Encontro de Iniciação Científica da Universidade São
Francisco, realizado em maio de 2019.

Fonte: USF, 2019

Como podemos observar na Figura 3, na confecção de um pôster é necessário inserir


todos os elementos utilizados numa pesquisa científica de forma clara e limpa, ou seja,
sem excessos de textos. Tabelas, fluxogramas e figuras devem ser destaques do pôster.
Além disso, cores de fundo devem ser evitados. A intenção do pôster é chamar a atenção
das pessoas que estão transitando pelo evento e a sua função para a pessoa que o apre-
senta é conter todas as informações necessárias para a perfeita apresentação do mesmo.

Na Figura 4 é apresentado um modelo de pôster apresentado em congresso, no qual


podemos ver a utilização de esquema para mostrar a introdução e de fluxograma para
mostrar a metodologia utilizada. Além disso, é possível observar que o tipo de letra
empregado facilita a leitura.

68
Figura 04. Exemplo de pôster apresentado em congresso.

Universidade São Francisco


Fonte: MARQUES e SANTOS JR., 2014

Já os slides show são muito utilizados em apresentações para bancas avaliadoras, tais
como trabalho de conclusão de curso, mestrados e doutoramentos, ou na apresentação
em comunicações orais em eventos científicos. São apresentações orais de trabalhos
mais completos, nas quais os avaliadores já tiveram acesso ao material escrito e já
fizeram as suas devidas anotações. Os slides show, nesse caso, servem para sintetizar
todo o trabalho realizado, apresentado os principais itens do trabalho desenvolvido. O
tempo de apresentação varia muito de instituição para instituição, mas as bancas de
mestrado e de doutorado costumam fixar um tempo de 40 minutos de exposição, en-
quanto que as apresentações de trabalho de conclusão de curso e especialização ficam
entre 15 a 30 minutos.

Iniciação à pesquisa científica 69


Pesquisa científica: como apresentar os resultados?

Também é comum esse tipo de apresentação oral para trabalhos científicos em con-
gressos. Alguns deles fixam 15 minutos de apresentação, mas mais recentemente, tem
havido uma redução para que a apresentação não ultrapasse 7,5 minutos em alguns
eventos científicos.
4 Na apresentação de trabalhos científicos por meio de slides show também deve-se
seguir a ordenação da apresentação por meio de: Introdução, Justificativa, Objetivos,
Metodologia, Principais Resultados, Conclusão e abertura para perguntas.

Para que a apresentação seja efetiva e realmente passe aos ouvintes as principais
informações, é necessário que a apresentação seja treinada para que ao passar as
ideais, os ouvintes sintam a confiança no desenvolvimento do trabalho.

A máxima na apresentação de um trabalho é: ninguém sabe mais dele que quem


o desenvolveu!

CONCLUSÃO
Nesta unidade você aprendeu sobre: como se deve escrever um trabalho científico em
suas diversas formas; o plágio e o quão é fundamental não cometê-lo; a importância da
apresentação oral de uma pesquisa científica; e os tipos de apresentações existentes.

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Universidade São Francisco


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