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YÓV GLAUCIO COSTHAE

Copyright 2019 ©
Yóv Glaucio Costhae

Editor
Glaucio Costa Silva

Projeto gráfico, diagramação e capa


Gustavo Binda

Elementos Gráficos Capa


Freepik

Assistente editorial
Savya Alana

Revisão
do Autor

Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP)

C842e Costhae, Yóv Glaucio.


Èmi Ògun : vida mágica / Yóv Glaucio Costhae.- Vitória, ES:
Glaucio Costa Silva, 2019.
150 p. ; 14x21cm.

ISBN 978-65-901044-0-3

1. Religião. 2. Magia. 3. Povos africanos. 4. Felicidade.


5. Espiritualidade. I. Título.
CDU 299.6
Mudando você e sua vida de
uma forma alegre e objetiva
Agradecimentos

No Orun (mundo espiritual):


A Olodumaré, D’us Supremo, à Orunmilá, a
Testemunha do Destino, o Segundo depois de D’us, e
à Geledé, as Grandes Mães Ancestrais.
Homenagem especial

No Àiyé (mundo físico):


Ao Excelentíssimo Sr. Guilherme Santos Gomes,
A quem Olodumáre, Orunmilá e Egungun
trouxeram a este mundo para ajudar aos homens
em seu desenvolvimento divino.
Mojubaré!!!
SUMÁRIO

11 | Introdução
17 | Parte I – A Teoria
66 | Parte II – A Prática
96 | Parte III – A Magia dos Odus
144 | Palavras finais
147 | O autor e sua obra
148 | Bibliografia
149 | Contato
INTRODUÇÃO

MOJUBARÉ! (*)
Diz a sabedoria popular que todos os homens devem
obrigatoriamente fazer três coisas na vida:
- Plantar uma árvore;
- Ter um filho;
- Escrever um livro.
E aqui estou eu fazendo o terceiro item para começar a
cumprir meu compromisso com a vida, deixando os dois
itens anteriores para uma posterior oportunidade.
Neste livro falarei de coisas que fazem a vida muito mais
bonita, colorida e gostosa. Refiro-me à magia, aqui traduzida
como ebó, que é especificamente africana, mas que não deixa
a desejar a nenhuma outra forma de magia dos outros povos
ou outras culturas.
Também falarei de Deuses, afinal, desde a antiguidade até
os dias atuais, eles são evocados e amados por uns, respei-
tados por outros e temidos por quase todos. Mas a verdade
é que os Deuses, em todas as religiões e culturas, de todos
os povos da Terra, sempre povoaram o inconsciente coletivo,
por isso são tão reais, poderosos e divinamente humanos.
Tanto a Grécia quanto Roma, Escandinávia e Índia pos-
suíam (e algumas culturas ainda possuem) os seus Deuses. O
conjunto deles formava o panteão, de onde saíram todos os
mitos antigos estudados na atualidade pela Astrologia, Psi-

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cologia, Psicanálise, Parapsicologia e Esoterismo moderno.
Sabemos que esses mesmos Deuses são arquétipos, ou seja,
representações exteriores de uma realidade interior. Por isso
mesmo são as mesmas energias com nomes ou formas de cul-
to diferentes em cada povo do mundo, sempre adaptados à
sua realidade e sua necessidade evolutiva e espiritual.
Com os Deuses yorubás, também chamados de Orisas,
não é diferente, obedecendo a tudo que foi escrito anterior-
mente, salvo o fato de eles terem resistido às guerras, às inva-
sões de outras culturas e à miscigenação. Eles foram pratica-
mente extintos em seu habitat natural (se restringindo hoje
ao que chamamos de Yorubalândia), já que a mãe África hoje
é quase toda cristã e muçulmana, e renasceram em outros
continentes com a mesma força e grandeza do seu continen-
te de origem. Ainda são muito populares e cultuados com
frequência, mesmo porque aqui no Brasil há um terreiro em
cada esquina, e já que todo brasileiro é baiano também, nós
já nascemos batendo tambor, não é mesmo?
Se estou falando de magia, Orisas e outros temas afins, o
meu único objetivo é o de levar um pouco de compreensão às
pessoas e assim aumentar a capacidade de essas serem felizes.
O sentimento e a sensação interior de felicidade podem ser
traduzidos da seguinte forma:
“Felicidade é conhecimento espiritual e maturidade psi-
cológica, e isso independe da religião, crença, condição social
ou qualquer outro rótulo imposto às pessoas”.
Ao longo dos séculos, o culto aos Orisas vem sendo trans-
mitido oralmente. Isso dificultou e muito o verdadeiro saber
espiritual dos seus adeptos ao longo desses mesmos séculos,
pois a maldade, a ignorância, o despotismo e a irracionalida-

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de de muitos que detinham o conhecimento sagrado impe-
diu de forma racional e clara que esse mesmo conhecimento
chegasse aos nossos dias sem estar fragmentado.
Porém, esta é a época das luzes, em que tudo o que ficou
oculto por qualquer motivo retorna a nós sob outro prisma,
agora muito mais científico, limpo e belo.
Desde a sua vinda para nossas terras, o escravo africano
nos influenciou de forma poderosa, seja na culinária – vide
a cozinha baiana–, seja no vocabulário, nos costumes, etc.
Mas, sem sombra de dúvidas, foi na religião que o negro dei-
xou seu maior legado cultural (aqui no Brasil, tal religião é
chamada de candomblé, mas não confunda, por favor, com
a religião tradicional).
Dividindo (ou até mesmo competindo) com o conheci-
mento das folhas o título de segredo maior do culto está o
conhecimento dos Odus e seus respectivos ebós.
Mas o que são os Odus?
Segundo a maioria dos estudiosos africanistas e sacerdotes
brasileiros, os Odus seriam arquétipos, a causa primária de
todas as coisas. Esse termo traduzido para a nossa linguagem
significa “caminho” ou “possibilidades de destino”, mostran-
do bem a sua supremacia sobre os outros temas relacionados
ao culto aos Orisas.
Cada Odu é meji, ou seja, duplo em essência, podendo
ser positivo ou negativo num determinado período. Para ter-
mos uma vida equilibrada, devemos limpar seu aspecto nega-
tivo através de rituais denominados ebós.
O que é um ebó?
Segundo os africanos, ebós são todas as oferendas e rituais
descritos pelo Orisa Orunmilá através do opele-ifá (rosário)

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ou erindelogun (jogo de búzios) para equilibrar a vida de
uma pessoa e acabar com um determinado problema, não
importando de que ordem seja. O não cumprimento das
obrigações (ebós), segundo os africanos, sempre traz algo ne-
gativo à vida da pessoa devedora.
Existe um total de 256 Odus, sendo 16 superiores e 240
menores ou filhos (omo-Odus). Aqui só trataremos de 16
Odus principais, por serem a fonte de todo o poder, riqueza
e energia do universo.
Os ebós aqui descritos são inéditos e vêm sendo passados
pela tradição oral dentro da cultura afro-brasileira, na qual
vem tendo excelentes resultados durante todos esses anos.
A princípio eles se destinam aos iniciados no culto aos Orisas,
mas eu também coloquei aqui receitas simples que podem ser
usadas sem nenhum problema pelos não iniciados para alcançar
uma vibração positiva e transformar a situação em questão.
Em todo trabalho mágico deve-se respeitar rigorosamente
o segredo, a fim de não inutilizar o mesmo, afinal, em boca
fechada não entra mosquito, lembra?
Todos os ebós nos caminhos dos Odus são prescritos atra-
vés do jogo de búzios, por isso você deve usar de humildade
e bom senso. Procure sempre uma pessoa de confiança e co-
nhecimento para consultar ifá no jogo de búzios e desvendar
qual Odu está regendo e qual ebó deve ser feito, a fim de
encontrar a felicidade. A escolha fica a seu critério.
Este livro foi escrito propositalmente em duas partes: a
primeira é a teórica e traz informações sobre a religião yoru-
bá (africana ou dos Orisas), seus conceitos de universo e sua
conduta; sobre as forças da natureza (Orisas), assim como a
natureza da magia, seus usos e significados (mas, lembre-se,

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pela ótica afro-brasileira).
A segunda parte é prática. São todos os ebós (magias afri-
canas) praticados no candomblé brasileiro. Eles foram escri-
tos para qualquer pessoa que se interesse por magia, não só os
adeptos ou simpatizantes da religião yorubá. Mas, por isso, as
orientações e preceitos devem ser seguidos à risca.
A segunda parte é também é uma homenagem aos 519 anos
do Brasil, pois tanto aqui neste país quanto nas páginas deste
livro e no meu coração, as três raças – branco, índio e, princi-
palmente, negro – convivem pacífica e harmoniosamente.
Leia com atenção todo o livro. Só depois de se familiarizar
com a teoria é que você deve partir para a prática. Ainda as-
sim, tenha muita responsabilidade com as energias que você
está manipulando.

Boa leitura e boa sorte com os ebós.


Desejo-lhes paz (alafiá), saúde (ilerá) e prosperidade (iré).
ASÉ, ASÉ, ASÉ.

(*) Meus respeitos na língua yorubá.

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PARTE I

A TEORIA

História do povo yorubá (resumo didático):


Para que você possa entender um pouco da cultura espiritual
dos Orisas, vamos estudar muito resumidamente a história de
seu povo e da sua religião a fim de familiarizar você com essas
energias e assim você poder usar a magia (parte II) com sucesso.
O povo africano tem documentados 7000 anos de Histó-
ria, desde a ocupação dos negros do continente africano por
volta de 5000 a.C. até os dias atuais.
Já a cultura e a religião yorubá tem aproximadamente 4000
anos de História documentada, muito embora os historiadores
julguem que essa religião tenha no mínimo 8000 anos. Com a
entrada de Odudúwa no continente africano em 2000 a.C. se
inicia a cultura e religião dos negros africanos.
No ano 1400 a.C. são fundadas as cidades de Ilê-Ifé e Óyó,
importantes centros culturais e religiosos da África antiga.
Aqui no Brasil, com a colonização portuguesa, os negros
começaram a entrar no país em 1559, na condição de escra-
vos vindos de 280 grupos étnicos diferentes da África. Sendo
assim, a religião, que lá na África era pura (com cada grupo
étnico tendo os seus Deuses e formas de culto), aqui no Brasil
sofreu aculturação. Essa religião, já diferente da sua origem
por causa do sincretismo, ainda se mesclou com o catolicis-

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mo português, com o Kardecismo francês, com a pajelança
indígena, e dentro desse caldeirão cultural surgiu a Umban-
da, hoje tão popular no Brasil quando a religião dos Orisas.
Tanto na África como no Brasil, a religião se fundamentou
da seguinte forma:

Estruturamento do culto yorubá:


O estruturamento do culto yorubá sobre o panteão das
deidades africanas é dado da seguinte forma:
- Olodumaré - Senhor e Deus supremo do panteão;
- Orunmilá - Deus da sabedoria, conhecedor de todos os
destinos (Odus);
- Orisas - Deuses que incorporam os arquétipos universais
e auxiliam os seres humanos em sua jornada evolutiva, ances-
trais divinizados;
- Ori - principal Orisa e individual; fonte de todas as ex-
periências humanas (alma + personalidade);
- Egún Agdá - ancestrais que atingiram um grande de-
senvolvimento espiritual, tornando-se como que divinizados.
São grandes mentores espirituais e têm um papel de suma
importância na religião yorubá;
- Odu - predestinação de tudo que existe no universo,
pessoal ou coletivo, arquétipos universais.
Como toda religião, a yorubá também tem o seu código
de ética a ser seguido pelos seus adeptos. Infelizmente, o que
se vê nessa religião na atualidade (aqui no Brasil) não con-
diz com os ideais espirituais da religião. Também por esse
motivo, vemos tanto sofrimento espiritual dos adeptos (nem
todos, é óbvio). Igualmente por esse motivo, vemos tanto
sofrimento rondando a vida das pessoas que desrespeitam o

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código de ética com seu modo e conduta de vida. Para quem
está fora, cabe estudar muito a religião antes de assumir qual-
quer compromisso religioso ou espiritual.
Seguem abaixo as principais exortações da religião yoru-
bá, como foi escrito pelo Babalawo Ifá Kara Dê em seu livro
sobre a religião, que podem ser usadas por qualquer um, in-
dependentemente de religião, raça, cor, opção sexual, etc.

Exortações da religião yorubá:


1. Não deve haver prática da maldade.
“Aqueles que plantam as sementes da maldade as plantam
sobre as cabeças de seus filhos”.
“Na verdade, as cinzas voam de volta para o rosto daquele
que as jogou”.
2. Não deve haver roubo.
“Mesmo que o homem não veja, Olodumaré vê”.
3. Não deve haver egoísmo.
“Aqueles que são egoístas carregarão seus fardos sozinhos”.
4. Não deve haver aliança rompida por falsidade.
“Aqueles que quebram alianças serão varridos pela Terra”.
“Os sacrifícios dos que quebram alianças e dos mentirosos
não são aceitos”.
“Não minta contra companheiros. Não quebre aliança
com um aliado”.
5. Não deve haver hipocrisia.
“Aquele que não é verdadeiro com os outros, também não
o é consigo mesmo. Não sendo, jamais descobrirá a ver-
dadeira felicidade”.
6. Não devem existir atos de atrocidade cometidos contra
vizinhos.

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“O ódio acarreta o ódio”.
“Quem deseja viver em paz não semeia a guerra”.
“Quem fere o outro está ferindo a si próprio”.
7. Deve existir honra e respeito aos cidadãos.
“A relação de serviços entre anciãos e jovens deve ser con-
tinuamente fortalecida”.
“A mão do jovem não alcança a prateleira alta. Já a do
ancião não chega à fruta no pé”.
8. Deve-se proteger as mulheres.
“As mulheres são as flores do jardim; os homens são a
cerca a seu redor”.
9. Deve haver verdade e virtude.
10. Deve haver bondade e generosidade.
“A generosidade gera generosidade”.
11. Deve haver sensibilidade nas relações interpessoais.
“O carinho para com os outros geralmente resulta em
amor. Independentemente do tempo”.
12. Deve haver fidelidade nos votos dos parceiros.
“Homem, não seduza a mulher de outro homem. Mu-
lher, não seduza o homem de outra mulher”.
13. Deve haver hospitalidade.
“Em geral, o hospitaleiro é uma pessoa que descobriu re-
ceber os outros dentro de seu coração”.
14. Deve-se buscar evolução espiritual/material (*).
“Aquele que busca constantemente crescer será sempre o
determinador de sua existência. Não mais sendo determi-
nado pelas circunstâncias”.
15. Deve-se buscar alegria (*).
“Devemos buscar contar as rosas por suas pétalas, e não
por seus espinhos”.

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16. Deve haver mais paciência (*).
“Uma viagem de mil léguas começa a diminuir dando o
primeiro passo. Logo em seguida vem um de cada vez”.
17. Deve-se saber o que realmente quer (*).
“Quem não sabe o que busca, com certeza não saberá o
que é quando encontrar”.
(*) Exortação do autor.

Você já deve ter observado que toda a religião yorubá se


fundamenta na crença da existência de seres divinos que são
chamados de Orisas, que servem de intermediários entre o
Deus supremo e os homens. Esses Deuses também represen-
tam as forças da natureza.
Na África, os Egungun representam os seus ancestrais divi-
nizados e são familiares e ou coletivos. Aqui no Brasil, se indivi-
dualizaram devido a todo o processo já explicado em páginas an-
teriores. É importante esclarecer aqui que os Orisas são Deuses
e, como tais, só trabalham para o bem da humanidade e evolu-
ção espiritual dos homens. Portanto, essas histórias absurdas de
que eles matam, trazem sofrimento, cobram obrigações ritualís-
ticas ou obediência cega aos sacerdotes é pura fantasia de mentes
perversas e manipuladoras. É que, uma vez iniciado no culto aos
Orisas, você assumiu uma determinada responsabilidade dian-
te da vida. Quando, pelos mais diversos motivos, você rompe
com essa condição espiritual, os Orisas, por respeito, afastam-se
e deixam você à própria sorte, tirando aquela proteção natural
que eles lhe dispensavam. Isso explica por que muitas pessoas
têm problemas reais quando abandonam o culto, muito embora
também os terão dentro do culto, porque os problemas fazem
parte da vida, cabendo a nós a solução dos mesmos.

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A grande decepção das pessoas dentro do culto dos Orisas
é que elas querem que alguém (físico ou espiritual) faça as
coisas por elas. Como isso não ocorre, elas abandonam esse
caminho e vão atrás de outras religiões, nas quais elas podem
alimentar suas ilusões. É por esse motivo que existem tantos
mestres e líderes religiosos no mundo, pois todos querem que
alguém tome conta ou diga o que se deve fazer na vida. Isso é
a causa de todo o sofrimento, pois somente a pessoa, usando
os seus poderes com consciência (pensar, falar e sentir), tem
a responsabilidade de se fazer feliz.

Os Orisas – Deuses yorubás:


Orisa Ori – “O mais importante Orisa”
Esse é o principal Orisa de uma pessoa, pois representa a
nossa essência individual (espírito). É o Ori que torna você
único, individual e eterno. Através da energia desse Orisa é
que você vai evoluindo em consciência e aproximando-se da
perfeição. Esse Orisa se expressa nos dois mundos: no Òrun,
como “Ori Apari” (como sendo o Deus interno, o arquétipo,
a mente inconsciente), e no Àiyé, como “Ori Ode” (o Deus
externo, a personalidade e seus atributos).
O Odu Ogunda mostra claramente a supremacia do Ori-
sa Ori sobre os demais quando diz: “Nenhum Deus aben-
çoa uma pessoa sem o consentimento do seu Ori”. Para uma
maior compreensão da importância do Ori, saiba que todos
os demais Orisas são coletivos e somente Ori é individual, ou
seja, qualquer pessoa pode ser do seu mesmo Orisa. Porém,
você (o Ori) é o único universo, mesmo sendo do mesmo
Orisa de muitos outros. O seu destino, a sua energia e a sua
consciência são únicas. Nem todos devem se iniciar no culto

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aos Orisas, porém passar pelo ritual de bori (cultuar o Orisa
Ori) todos deveriam para se renovarem e fortificarem a si
mesmos e ao seu Odu (destino). Pense nisso.
Dia da semana: qualquer dia, sendo mais potente o dia
da semana em que a pessoa nasceu;
Cor: preferencialmente o branco;
Símbolos: igbá Ori (a casa da cabeça), uma representação
física da cabeça divina que se recebe no ritual do bori;
Oferendas: preferencialmente comidas brancas, mas fru-
tas e flores são muito bem aceitas.

Orisa Esú
Temos aqui o primeiro dos Orisas a ser criado. Ele repre-
senta o princípio dinâmico da existência de todas as coisas, de
toda a vida do universo em si. Ele não personifica nem o mal
nem o pecado como se propagou numa espécie de crença,
mas personifica a liberdade e a vida em toda a sua plenitude.
Esse poderoso Orisa é o mais amado de Olodumaré e nada
na Terra é feito sem a presença de Esú. Sem o seu consentimento,
sem sua ajuda, não há execução de nada, pois ele é indispensável
para o movimento e o equilíbrio da existência humana, animal,
vegetal e mineral do planeta. Esú, tal qual Loki (panteão dos
Deuses escandinavos), é o mensageiro dos Deuses aos homens.
Sua energia é o resultado da integração das forças ou polos
positivo/negativo, bem como da terra e da água, surgindo, as-
sim, como terceiro elemento ou energia do universo. Ele é o
inspetor de Oludumaré desde a criação. Somente podemos cul-
tuar os Orisas através de Esú. Ele é o princípio da comunicação,
por isso é o patrono do jogo de búzios (junto com Osun). Abrir
caminhos e dar soluções é uma das suas principais atividades.

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Dia da semana: segunda-feira;
Cor: preto e vermelho (conhecimento e ação);
Símbolos: ogo (porrete) e ado (cachaça);
Oferendas: obí, orogbo, galos, bodes, coelhos, gim, dendê.

Orisa Ogun
Esse Orisa é considerado irmão de Esú e Osose, é um Ori-
sa nacional na África e seu culto é muito difundido no Brasil.
Ele rege os caminhos, as guerras, a prosperidade e a força. É
o Orisa do ferro e dos profissionais que trabalham com ferro
em geral, sendo um pai bom e protetor.
Esse Orisa recebeu o título de rei dos reis dos yorubás. Ele
também é considerado um Orisa odé (caçador) e recebeu o
título de Oniire, que significa “rei de Iré” (cidade africana).
Os lugares consagrados a esse Orisa ficam ao ar livre, nas
entradas dos palácios, casas, mercados, etc.
Ogun é líder, centralizador do poder e grande aliado nas
horas de escolhas de novos caminhos. Ele pode ser considera-
do o mais passional dos Orisas, pois só age motivado por suas
emoções e desconsidera totalmente a razão. É ainda o grande
Orisa da vitória e das concretizações.
Dia da semana: terça-feira;
Cor: verde e vermelho (África), azul marinho (Brasil);
Símbolos: espada, facão, bigorna, faca (todas de ferro);
Oferendas: inhame-cará, galos vermelhos, bodes verme-
lhos, feijoada, manga espada, feijões torrados e obí.

Orisa Osoosi
É chamado de Alaketú, título oficial dos reis de Ketú. Orisas
Odé, rei da caça, da fartura, suas histórias e cultos são considera-

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dos dos mais ricos entre os povos yorubá. Está intimamente liga-
do a tudo que nasce e cresce naturalmente. O orvalho e o rio que
lhe são consagrados dominam ainda a fauna e a flora, e todos os
desenvolvimentos nessas áreas se dão graças à sua intercessão.
Osoosi é considerado o mais estratégico entre todos os Ori-
sas. Preza por sua liberdade a qualquer preço, mas não é mui-
to determinado. Como caçador, usa seu poderoso ofá (arco e
flecha), sendo muito astuto e hábil no manuseio desse objeto.
É muito cultuado no Brasil.
Uma antiga lenda do povo yorubá conta que esse Orisa,
com apenas uma flecha, matou um pássaro que personificava
o mal. Esse pássaro assustava o povo, transformando, assim,
a morte em alegria e riqueza.
Dia da Semana: quinta-feira;
Cor: verde (África), azul turquesa (Brasil);
Símbolos: ofá (arco e flecha) e irukerê (cetro com rabo
de búfalo);
Oferendas: ewá (feijão fradinho torrado), asoso (milho
amarelo e coco), obí, cacau, porco, galo e bode avermelhado.

Orisa Obaluwaye
Esse é o Orisa das pestes, segundo os yorubás. Ele é chama-
do no Brasil de “médico dos pobres” devido ao seu poder de
cura e regeneração. Ele também tem um enorme poder sobre
as epidemias e doenças comuns, principalmente as de pele.
Esse mesmo Orisa recebe inúmeros nomes, que aqui no
Brasil são traduzidos por qualidades. Por exemplo: Sapanã,
Omulú, Kajajá, Kafungê, entre outros, de acordo com a na-
ção proveniente da África. É associado ao Sol, por isso é cha-
mado de “rei do mundo”. Obaluwaye é o “senhor da terra”,

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por isso o vemos várias vezes assentado no chão das casas
de culto no Brasil (Nagô, Ketú, etc). Esse Orisa usa ludigba
(colar feito de chifres) e brajá (colar de búzios), sendo ambos
associados à realeza e ao poder ancestral.
Apesar de sua forma humilde, esse poderoso Orisa tem
muito asé para dar a seus filhos, tanto no sentido material
como no sentido espiritual.
Dia da semana: segunda-feira;
Cor: preto, vermelho e branco (conhecimento, atividade e paz);
Símbolos: xaxará (palha da costa e búzios);
Oferendas: gugurú (pipocas com coco), abacaxi, orogbo,
galos carijós, acarajé de feijão, patos, porco, bode, acaçá amarelo.

Orisa Osanyin
Esse é o “pai das folhas” de modo em geral, principalmen-
te as de poder medicinal ou uso mágico. Ele é o detentor do
asé, ou seja, o poder espiritual e força mágica do reino vege-
tal. As cascas e raízes por extensão também lhe pertencem.
Ele vive nas matas virgens e fechadas. Originário de Iraô,
atualmente Nigéria, ele traz a cura de todos os males (materiais
e espirituais) dentro de seus conhecimentos homeopáticos e fi-
toterápicos, trabalhando incansavelmente pela preservação da
natureza e de toda espécie de vida vegetal do planeta.
Ele usa uma cabaça (igbá-Osanyin), fuma cachimbo e
bebe cachaça misturada com mel de abelha. Nenhuma ceri-
mônia pode ser feita sem sua presença, devido a todos depen-
derem das folhas que só ele detém. Só ele detém o poder e o
significado do uso das ervas combinadas, aromas e cânticos
sagrados, despertando as forças adormecidas no homem (e
fora dele) para transformar a realidade de um indivíduo, para

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que ele possa atingir seus fins práticos.
Osanyin é muito respeitado também por ser um grande
feiticeiro e isso explica o porquê de suas ferramentas terem
um pássaro no alto de suas lanças. O pássaro é um símbolo
do poder das feitiçarias africanas.
Esse Orisa está também estritamente ligado a Orunmilá.
Foi ele quem ensinou a ifá às faculdades curativas das plantas.
Dia da semana: terça-feira;
Cor: verde e branco (transformação e paz);
Símbolos: ferro com 7 pontas e um pássaro no centro;
Oferendas: milho vermelho, mel, fumo, aipim assado,
abóbora, obí e galo.

Orisa Oxumaré
Representa o arco-íris, a dualidade, a união dos opostos,
o equilíbrio e está intimamente ligado à ideia de riqueza, po-
der e dinheiro. Está também associado ao ciclo virtual do
universo e à continuidade da existência. Tudo aquilo que se
movimenta eternamente está sob seu domínio.
Oxumaré é simbolizado e sempre representado como uma
serpente (às vezes mordendo a própria cauda, outras vezes duas
serpentes entrelaçadas), e acredita-se desde a antiguidade que seu
rastejar sobre a Terra tenha criado vales e rios. Na verdade, isso
também demonstra que, ao lado de sua mãe e de seus irmãos, ele
ganha o status de um dos Orisas mais velhos do mundo.
O movimento, a atividade e a continuidade trazem em si o seu
asé. Sendo rei na nação Gegê, usa o brajá (colar feito de búzios,
semelhante às escamas de serpente) e o lagdbá (colar de chifres
de búfalo), tendo relação com a terra e os nossos ancestrais. Está
sempre representado pelo arco-íris, mostrando suas múltiplas fa-

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ces e seu envolvimento com o eterno, o infinito e o sobrenatural.
Dia da semana: terça-feira;
Cor: verde e amarelo (transformação e sabedoria);
Símbolos: serpente;
Oferendas: ovos cozidos com dendê, batata-doce, banana
frita no azeite, pipocas, pato, obí, galo e bode.

Orisa Sango
Esse Orisa é o Rei da África, principalmente em Benin e Oyo,
onde se tornou Obá com o título de Alafin. Representa as forças
violentas da natureza, é associado ao fogo e acredita-se que ele ex-
pele fogo pela boca e pelas narinas – pelo menos assim contam
algumas lendas a esse respeito, sendo um ser humano deificado.
Sango usa o fogo em estado bruto e selvagem, dominan-
do-o com maestria. Ele personifica também a justiça, por isso
deve-se ter responsabilidade e consciência ao pedir algo, bem
como ao tomar atitudes cotidianas, pois ele cobrará de quem
deve e dará a quem merecer. Sempre persegue os ladrões,
mentirosos e malfeitores em geral, punindo-os com justiça.
Valente e protetor, ele fundou em Oyo uma dinastia de
heróis, reis e lutadores que sempre venciam em suas batalhas.
Foi o quarto Alafin (rei) de Oyo. É o único Orisa que possui,
ao mesmo tempo, natureza humana e divina.
Dia da semana: quarta-feira;
Cor: Vermelho e branco (África); marrom e branco (Brasil);
Símbolos: séré (cabaça de pescoço alongado), osé (ma-
chado duplo);
Oferendas: amalá (quiabo, cebola e dendê), ajebó (quia-
bo com água e mel), banana, orogbo, acarajé, galo, cágado,
carneiro e bode.

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Orisa Oyá (Iansã)
Ela foi uma das Rainhas nigerianas, esposa de Sango. Con-
siderada rainha dos ventos, tempestades e raios, além de ser
profundamente conhecedora da magia amorosa em seu tempo.
É a Deusa do rio Níger, na África, e comanda com maes-
tria os mortos (Eguns). Guerreira, impetuosa, forte e des-
temida, ela “empresta” suas virtudes a seus filhos e adeptos,
quando por eles invocada.
É um Orisa determinado e veloz e está presente no tempo e
no espaço (como vemos em várias de suas lendas), quando é cha-
mada de Iyá Méson Órun, ou seja, a mãe das nove partes do céu.
Ela se faz muito presente nos ebós, principalmente quando
eles vêm acompanhados de espíritos inferiores. Ela é encarre-
gada de despachá-los a seus lugares de origem a fim de terem
crescimento espiritual. Possui o poder (asé) da onisciência de-
vido ao fato de fazer várias coisas ao mesmo tempo e andar li-
vremente entre os dois mundos (Terra e espaço). Ela foi a úni-
ca mulher de Sango que o seguiu no fim do reinado em Oyo.
Dia da semana: quarta-feira;
Cor: vermelho, marrom e branco (ação, produção e pureza);
Símbolos: irukerê (rabo de boi);
Oferendas: manga-rosa, obí, acarajé, acaçá amarelo e
branco, amalá, galinha e cabras vermelhas.

Orisa Logun Ede


Temos aqui o mais encantado e enigmático de todos os Ori-
sas. Ele foi Rei e feiticeiro na cidade de Ede e seu título é Ologun.
É um Orisa violento, mas muito estrategista, tornando as
pessoas prósperas.
Elegante e refinado, possui uma vida intelectual e espiri-

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tual muito agitada, tendo ainda muita afinidade e proteção
com as mulheres, que se tornam naturalmente suas proteto-
ras e confidentes.
Dia da semana: quinta-feira;
Cor: azul-turquesa e dourado (tranquilidade e riqueza);
Símbolos: ofá (arco e flecha) e abebé (leque);
Oferendas: ososo (milho amarelo com coco), omolocum
(feijão fradinho com camarão seco, cebola e azeite), banana,
obí, galo e galinhas amarelas, bode e cabras amarelas.

Orisa Osun
Esse é o Orisa da fecundidade e do amor. Ela é a rainha da
nação Ijesá, é a mãe de Logun Ede e possui muito fundamento
com Ifá, Esú e Sango, além de aparecer em inúmeras lendas de
outros Deuses yorubás. É considerada a protetora das mulhe-
res que querem ter filhos e recebe muitas oferendas nesse sen-
tido. É também a Deusa das cachoeiras e água doce em geral.
Vaidosa por natureza, Osun é muito rica e adora se en-
feitar com ouro e pedras preciosas, muito embora na África
seu metal fosse o cobre. Segundo as lendas, no fundo de suas
águas ela gera muita riqueza. Preside a menstruação, gestação
e nascimento, sendo, por isso, muito popular entre as mulhe-
res. É a mais bela entre as Yabás (Orisas femininos).
Foi uma das esposas de Sango, a que ele mais amou, se-
gundo a lenda. Ela é Deusa de um rio de mesmo nome na
África. Em suas margens há um templo, na cidade de Oso-
gbo. Seu título na África é Yalodê, ou seja, é a mulher mais
importante do povoado, aldeia ou mesmo país. As suas dan-
ças imitam o movimento de uma mulher vaidosa e sensual,
sendo a sensualidade seu maior poder.

30 |
Dia da semana: sábado;
Cor: dourado (sabedoria e riquezas);
Símbolos: adédé (leque de metal dourado) e idé (pulseira
de metal);
Oferendas: omolocum (feijão fradinhos com ovos cozi-
dos, camarão seco, cebola e azeite), acaçás brancos e amare-
los, obí, galinhas e cabras amarelas, bananas, ipeté (massas de
inhames com temperos).

Orisa Obá
Uma das esposas de Sango, ocupava o último lugar entre
as mesmas.
É calma e está muito ligadas às mães feiticeiras.
Possui grande rivalidade com Osun.
Dia da semana: quarta-feira;
Cor: coral;
Símbolos: ofangi (espada) e escudo de cobre;
Oferendas: abará (massa de feijão fradinho enrolada em
folha de bananeira), amalá (quiabo com dendê, camarão e
cebola) e acarajé.

Orisa Ewá
Detentora de poderes mágicos de cura e transformação,
é maternal e acolhedora. Atenta ao sofrimento humano, visa
transformar dores em alegrias.
Dia da semana: sábado;
Cor: vermelho e amarelo (ação e sabedoria);
Símbolos: ejô (cobra) e ofangi (espada);
Oferendas: farofa de dendê, banana da terra frita no óleo
de dendê.

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Orisa Ibeji
Orisa que protege as crianças, em especial, as gêmeas.
Significado do nome: nascer duplo (gêmeos).
Dia da semana: todos;
Cor: todas;
Símbolos: casal de bonecos, sendo um macho e outro
fêmea;
Oferendas: todas as frutas, caruru (quiabo com galinha e
dendê) e frangos.

Orisa Yemonjá
Na África, esse é o Orisa do Rio Ogun. Já no Brasil ela foi
associada ao mar, sendo considerada também a mãe de todos
os Orisas – título que não lhe pertencia na África.
Sua origem e seu culto são da cidade de Abeokuta, na
África, cujo obá (rei) é chamado de Alake e lhe presta home-
nagem. É o Orisa “mãe dos peixes”, como seu próprio nome
já menciona. Chamada carinhosamente de Yá Ori, ou seja,
mãe de todas as cabeças, está sempre associada ao ritual de
bori (oferenda à cabeça).
É o símbolo das emoções da fecundidade da maternidade.
Seu poder concentra em si mesma, no seu próprio interior.
Costuma ser invocada para trazer fertilidade e prosperidade
em todos os níveis da existência humana.
Dia da semana: sábado;
Cor: branco, transparente ou prata (pureza e luz);
Símbolos: abebé (leque de metal prateado);
Oferendas: arroz e milho branco, acaçá branco, mel, azei-
te, dendê, obí, mamão, galinha pata e cabras brancas.

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Orisa Nanã Buruku
Nanã Buruku é a iyagba mais estreitamente associada à
morte, à terra, aos lagos, às fontes, à lama e às águas contidas
na terra. Sua qualidade maternal e sua relação com a lama e
a terra úmida associam-na à agricultura, à fertilidade e aos
grãos. Seus filhos são os mortos e os ancestrais.
Dia da semana: sábado;
Cor: lilás (transmutação), branco e azul (paz e prosperidade);
Símbolos: ibirin (centro de nervura de dendezeiro);
Oferendas: taioba, feijão preto, melão, obí, bertalha,
mingau, galinha e cabra branca.

Orisa Oxalá
Estamos diante do maior de todos os Orisas, tanto no
Brasil quanto na África, até mesmo em Cuba, onde seu culto
é muito forte. Sendo o “senhor da vida”, ele é um raro caso
de monogamia entre os Orisas.
Sendo muito mais amado por Olodumaré, foi encarregado
de criar o mundo. Não tendo muito sucesso em sua execução de-
vido à sua teimosia, é um Orisa totalmente com funfun (branco).
Apresenta-se geralmente sob duas formas: Oxalufan e
Oxaguian. Oxalufan é velho e sábio e Oxaguian é jovem e
guerreiro. Foi rei na cidade de Ifé, a cidade do amor na África.
Sua única esposa foi Yemonjá. Suas estátuas estão colocadas
lado a lado no templo na cidade de Ilsesim, em Ifé. Só come
alimentos brancos e sem sal, adora o mel puro de abelhas, a ba-
nha de ori, obí branco, uvas brancas e carnes brancas e macias.
Também recebeu o título de Olomanrere, que quer dizer
“senhor de boa argila”, uma alusão à criação dos seres hu-
manos. Detesta brigas, violência e tem pavor de sangue. As

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pessoas albinas e anãs são consagradas a esse Orisa devido ao
seu descuidado (segundo a lenda) na criação dos homens.
Dia da semana: sexta-feira;
Cor: branco (símbolo da pureza da eliminação);
Símbolos: òpásóró (cajado) e pilão;
Oferendas: pombos, mel, galinhas e cabras brancas, obí
branco.

Orisa Babá Egun


A palavra Egungun designa, ao mesmo tempo, um Ori-
sa, o conjunto dos ancestrais masculinos da humanidade e o
conjunto dos ancestrais masculinos de uma família; é deriva-
da de “egun”, que significa osso ou esqueleto. Entende-se por
Egun um ancestral em particular, um antepassado, habitante
do Orun, que pode se manifestar no Àiyé e que pode não
ser venerável, enquanto que Egungun ou Babá-Egun designa
toda uma coletividade de seres veneráveis.
Egungun são os ancestrais masculinos e Geledé são as an-
cestrais femininas.
Dia da semana: pode ser cultuado em qualquer dia;
Cor: estampados, coloridos;
Símbolos: a terra como símbolo principal e isan (um
amarrado de galhos que representam seus emissários);
Oferendas: obí, orogbo, galinha branca, bode claro e
qualquer comida dos humanos.

Curiosidades sobre os Orisas:


As principais diferenças entre a religião yorubá e as outras
grandes religiões:

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Concepção de Deus - para os seus adeptos, Deus não é
uma figura masculina ou feminina, mas possui uma essência
dos dois aspectos em perfeito equilíbrio. Deus não está longe,
distante e inalcançável, mas sim presente em tudo e em todos
no Orun (mundo espiritual) e no Àiyé (mundo físico) como
uma energia. Os Orisas são os seus máximos representantes no
mundo espiritual, os homens seus máximos representantes no
mundo físico e a natureza sua maior manifestação de poder.
Politeísmo - seus adeptos mantêm viva a crença e o culto
aos vários Deuses (forças da natureza) e veem o mundo es-
piritual como um grande país, onde é necessário todo poder
sócio-político-cultural e sendo cada Deus um representante
transmissor da energia máxima. Todos são indispensáveis e a
falta de um desequilibra o todo.
Forma de viver a vida - seus adeptos não vivem para “pa-
gar’ nenhum carma do passado, não estão aqui para conquis-
tar nenhum céu e nem temem inferno algum. Não acham
que a vida é triste ou problemática,  muito pelo contrário,
vivem sempre como se estivessem (e estão) numa festa. Não
acham que a vida espiritual é melhor que a vida material,
mas sabem que uma depende da outra, sendo ambas faces da
mesma moeda em perfeito equilíbrio.
Acreditar na vida após a morte e na reencarnação -
apesar de não estudarem esses assuntos de forma científica,
os adeptos os vivenciam na prática cotidiana. O culto aos
Egungun mostra claramente a continuidade da vida após a
morte física, e o culto aos abikú, que são crianças que nascem
e morrem várias vezes através da mesma mãe, mostra clara-
mente a existência da reencarnação.
Ecologia - uma vez que todos os Deuses são forças da

| 35
natureza e também cultuados na mesma, aprendem a respei-
tá-la como divina, honrando-a no cotidiano.
Acreditar na magia - todas as religiões praticam magia
com diversos nomes e roupagens, mesmo sem terem cons-
ciência de que lá no fundo é magia mesmo que estão prati-
cando. Veja, por exemplo, deformações, orações ritmadas e
roupas ritualísticas das missas (magia anímica, pois age no
emocional), práticas de meditação e de visualização criativa
(magia mental), novenas, mantras e afirmações (magia ver-
bal). Para os adeptos da religião yorubá, a magia é um pro-
cesso natural no universo e no homem. Eles a reconhecem
e respeitam como autêntica, porém, sua prática é opcional.
Não ser proselitista - seus adeptos não querem conver-
ter ninguém à sua crença. Não são coagidos a seguirem os
Deuses e não estão preocupados com os impérios do mundo
(política, economia, mídia), por isso eles vivem e deixam os
outros viverem em paz.

Correspondência dos Odus matriz dos Opele-Ifá com


os Odus matriz do jogo de búzios:
A) Opele-Ifá B) Jogo de búzios (Odu)

1º Ogbe 8º Eji Onile

2º Oyeku 13º Eji Ologbon

3º Iwori 12º Eji Lashebora

4º Edi 7º Odi

5º Obara 6º Obara

6º Okanran 1º Okanran

7º Irosun 4º Irosun

36 |
8º Owonrin 11º Oworin

9º Ogunda 3º Eta-Ogunda

10º Osa 9º Osa

11º Irete 15º Obeogunda

12º Otura 16º Alafia

13º Otupupon 2º Eji-Oko

14º Ika 14º Ika

15º Ose 5º Oshe


10º Ofun
16º Ofun

Quando você chegar na parte 2 deste livro vai se deparar


com infinidade de receitas mágicas a seu inteiro dispor. Mas
é preciso entender como funciona magia, pois muito precon-
ceito e ignorância ainda rondam esse assunto.
Para você entender como funciona a dinâmica do ebó,
veja o quadro abaixo, no qual é explicada de forma simples e
de fácil assimilação:

Olodumaré

Esú

Orisas

Ori

Para pedir algo, você é Ori. Seu pedido vai para o Orisa.
O Orisa passa o pedido para o Esú e este leva a Olodumaré.

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Como funciona a energia da vida segundo os yorubás:

Orisas da
ORUN
criação do
Universo
Destino universo e dos
Individual seres humanos
Obatalá –
16 Odus Base
Olorum –
256 Omo-Odus Seu Oludumaré – Ifá
Odú – Orisanilá –
Orunmilá –
Oduduá –
Osaalam
Cabeça
Yfá
interior Ipori (local)
onde moldam-
-se as cabeças
AIYÉ por Ajalà –
Planeta aquele
Seu
Orisas Terra responsável
Orisa
pelos moldes de
todas as
cabeças

Ori ODE
(cabeça exterior)

Esú
Bara

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O mundo espiritual e o físico co-existem e um influencia
o outro constantemente. O que está em cima é igual ao que
está embaixo. Lembra-se dessa citação?
A melhor definição de magia é a seguinte: “a magia é a arte
de manipular conscientemente as energias naturais para um de-
terminado fim”, sendo o mago a pessoa que aprendeu essa arte.
Juana Elbein dos Santos, em seu maravilhoso livro “Os
nagôs e a morte”, explica muito bem como os sacerdotes afri-
canos (e agora os brasileiros) também usam as energias natu-
rais na magia. Veja o texto abaixo:

Os três sangues (asé) nos três reinos:


Segundo a concepção yorubá da criação do universo, o
asé, mola propulsora de todo o sistema universal, é dividido
em três grandes reinos e cores. A saber:
O sangue vermelho corresponde a:
a) reino animal: sangue animal e humano;
b) reino vegetal: epó, osun e mel;
c) reino mineral: cobre e bronze.

O sangue branco corresponde a:


a) reino animal: sêmen, hálito, secreções e plasma (igbin);
b) reino vegetal: seiva, sumo, álcool, ori (banha) e yerossun;
c) reino mineral: sais, giz, prata e chumbo.

O sangue preto corresponde a:


a) reino animal: cinza dos animais;
b) reino vegetal: sumo escuro dos vegetais e waji;
c) reino mineral: carvão e ferro.

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Sendo assim, os ebós nada mais são do que a interrelação
energética dos três reinos da natureza, por isso possuem o poder
de mudar a nossa realidade física quando impregnada e ener-
gizada com o nosso poder pessoal – ou seja, o poder da nossa
vontade e o conhecimento das leis que regem a vida na Terra.
Como vimos acima, para o africano que tem o conceito dos
três sangues (energias dos três reinos divididas em três cores) é
fácil entender como se processa a sua magia: pela manipulação
consciente dessas energias. O mesmo conceito foi descrito na
magia, nos povos, nas religiões e nas culturas antigas como
sendo “os sete princípios herméticos”, explicados a seguir:
1 Mentalismo - tudo é mente. A mente cria todo o universo
físico. Tudo começa de um pensamento.
2 Correspondência - tudo que existe em cima (macrocosmo
ou mundos superiores e espirituais) também existe em-
baixo (microcosmo ou mundo astral e físico).
3 Vibração - tudo tem sua própria energia e vibração espe-
cífica e pessoal. Nada é absolutamente estático.
4 Polaridade - tudo tem seu par e seu oposto. Nada é total-
mente positivo ou negativo.
5 Ritmo - tudo tem seu tempo, tudo flui naturalmente,
tudo se alterna.
6 Causalidade - toda causa tem um efeito. Nada foge a esse
poderoso princípio.
7 Gênero - tudo é dividido e conhecido por masculino e
feminino e isso é imutável.

Se analisarmos do ponto de vista atual, todos esses princípios


africanos ou herméticos podem ser resumidos na trilogia ensina-

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da nos dias atuais como sendo “os poderes divinos do homem”:
1 Pensar;
2 Sentir;
3 Falar;

Eis aí a verdadeira chave para o sucesso de toda magia,


seja ela qual for.
Segundo a religião yorubá, todos nós, seres humanos, te-
mos três formas de energia poderosa à nossa disposição, que,
quando manipuladas, podem mudar nosso destino para me-
lhor ou para pior. Isso irá depender de como nossas energias
serão manipuladas em nossa vida. Por ordem de importância,
essas energias foram descritas a seguir:
1 Bori - ritual em que o Orisa Ori (principal Orisa de uma
pessoa) é cultuado a fim de melhorar o destino pessoal
do adepto.
2 Culto dos Orisas - forma de reverenciar os Deuses, a na-
tureza e os ancestrais divinizados, a fim de gozar de prote-
ção divina e abundância material.
3 Ogun (magia) - poder de transformação natural do ser
humano feito através dos elementos naturais e energizado
pelo poder divino do homem.

O item 3, Ogun, na África, devido a inúmeros fatores,


sejam políticos, ambientais, culturais, etc, é muito diferente
da magia praticada aqui no Brasil. A nossa magia é muito
miscigenada e aculturada. A seguir, a título de informação,
darei a lista e os respectivos significados das principais ma-
gias africanas:

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Tipos de magia yorubá:

A. Magias para proteção:


1 Oruká - trata-se de um anel de proteção preparado ritualis-
ticamente a fim de proteger astralmente e fisicamente o seu
usuário. Seu efeito é de aproximadamente 9 meses. Após isso,
outro ritual é necessário para novamente energizar o anel.
2 Apota - é uma poderosa magia de proteção, somente as-
tral, através da qual um poder é designado a fim de evitar
qualquer mal ao seu usuário. Essa magia é muito usada na
África por pessoas da terceira idade.
3 Aleko - magia especificamente sexual, pois devolve a vi-
rilidade nos homens e o desejo nas mulheres. É também
muito popular na África.
4 Magun- magia muito usada para desmascarar maridos,
pois o seu amante pode até morrer durante o ato sexual.
Já imaginaram essa magia aqui no Brasil? Pelo menos
70% da população já estaria dizimada.
5 Kanako - muito antiga e ainda praticada, essa magia traz pro-
teção para viagens e ainda faz diminuir a distância percorrida.
6 Ategbe- essa magia fecha seu corpo contra todas as magias
enviadas pelo inimigo.

B. Magias para os negócios:


1 Eyonu - muito usada por comerciantes, pois ela inutiliza
o poder maléfico dos concorrentes (olho grande, feitiços,
fofoca, inveja, etc) e faz com que as pessoas sem posses se
destaquem socialmente.
2 Itaja - é a preferida dos vendedores e comerciantes em geral,
faz aumentar as vendas e evita que uma empresa vá à falência.

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3 Awure - conhecida como a magia da boa sorte, pois abre
os caminhos e aumenta muito as possibilidades de sucesso
em qualquer empreendimento.
4 Igbega Lenu Ise - trata-se da magia usada pelos trabalha-
dores de uma empresa a fim de conseguirem promoções e
aumentos salariais.
5 Anobo - essa magia se faz preparando uma nota de di-
nheiro que, quando passada adiante, volta triplicada ao
bolso de quem a gastou, ou seja, ela é um poderoso pro-
motor da prosperidade.
6 Asé Onigbere - magia em que o poder de concretizar os
projetos profissionais é aumentado e todos eles acabam
tendo bom êxito.
7 Agbana - trata-se da magia que fixa o dinheiro na mão da
pessoa, ou seja, ela vê o fruto do seu trabalho e aprende a
ser econômica.

C. Magias para o amor:


1 Amudo e Iferan - são magias para as conquistas afetivas
ou sexuais, sendo a primeira de curta duração e a segunda
de longa. São magias populares e poderosas.
2 Ogu Ifé - magia da reconciliação. Ela traz de volta o ser
amado que foi embora ou com o qual se está brigado.
3 Adodun - trata-se da magia que aumenta o seu poder e
prazer sexual. A pessoa que se relaciona sexualmente com
você não quer mais ninguém por não sentir o mesmo pra-
zer que sente com você.
4 Iferan Ifé - magia muito popular, usada para conquistar
amigos, transformar amigos em amantes ou até mesmo
em amores.

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5 Awre Lati Um Obinrin Loyun - é usada para a mulher
conseguir engravidar e ter filhos saudáveis.
6 Ose Dudu Ifé - magia feita no sabão da costa a fim de
aumentar o magnetismo pessoal e atrair a pessoa amada
com fins afetivos e sexuais.

D. Magias para diversas finalidades:


1 Sagbadewe - feita com folhas e outros elementos, essa ma-
gia é como uma plástica, pois torna a pessoa mais jovem
em até 10 anos.
2 Sobiya - magia protetora da terra (lotes, chácaras, sítios,
fazendas, etc) para evitar brigas entre herdeiros ou dar a
vitória a um deles.
3 Oso Sise - magia com duas finalidades básicas: aprender a
ter paciência e apressar riquezas. É perigosa e só deve ser
feita por entendidos.
4 Oju Wiwe - muito usada por adivinhos ou pessoas que
praticam fórmula de oráculos, pois ela abre a 3ª visão ou
visão astral da pessoa.
5 Isoye - magia para aumentar a capacidade intelectual e a
memória de uma pessoa.
6 Mandarikon - essa magia faz com que os inimigos se es-
queçam de prejudicar a pessoa.
7 Asedariji - trata-se da magia capaz de fazer você conseguir
a simpatia dos seres do Arún (seres espirituais) e aumentar
suas possibilidades materiais.
8 Kasipalálá - muito usada até mesmo no Brasil, pois trata-
-se da famosa limpeza do corpo ou sacudimento, na qual
os elementos descritos pelo jogo de búzios são passados
no corpo da pessoa a fim de abrir-lhe os caminhos.

44 |
9 Ôgun Ísórá - poderosa proteção pessoal em que seu corpo
físico e sua aura são fechados magicamente por até 7 anos
para qualquer influência física ou astral (feitiço, tiros, fa-
cadas, doenças mortais).

Como você mesmo viu, existe uma infinidade de magias


que vão tratar também de uma infinidade de problemas hu-
manos. O universo mágico e místico dos yorubás é muito vas-
to, e uma profunda e verdadeira compreensão requer anos de
estudo e prática constante da religião e da magia desse povo.
Voltando para a nossa terra verde e amarela, devido ao cul-
to ter se tornado “afro-brasileiro”, a influência do ebó (literal-
mente traduzido como “sacrifício” ou “oferenda”) é bem mais
poderosa entre nós do que, é claro, as magias descritas acima. É
verdadeiro também o fator de que mesmo o ebó feito na África
é muito distinto e diferente do que os praticados aqui, devido
a todo o processo de miscigenação já citado anteriormente.
Inclusive, os ebós aqui descritos obedecem à nossa cultura reli-
giosa e forma adaptados à realidade brasileira.
Vamos, agora, estudar os principais tipos de ebós pratica-
dos tanto na África quanto aqui no Brasil:

Principais tipos de ebós:


1 Ebo Opé - oferenda de agradecimento feita para agrade-
cer aos Orisas pelos benefícios recebidos dos mesmos.
2 Ebo Étútú - oferenda de apaziguamento feita para acal-
mar alguma situação de crise (doenças, separações, etc).
Ela traz o total restabelecimento da situação em questão.
3 Ebó Éjé - oferenda dos animais feita por determinação de
um Orisa ou Egun com um fim específico.

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4 Ebó Ojúkóríbi - oferenda de prevenção feita para pre-
venir qualquer perigo da situação em questão, a fim de
harmonizá-la.
5 - Ebó Ípilé - oferenda de fundação feita para o sucesso da
construção de uma moradia, comércio ou templo religioso.
6 - Ebó Ikú - oferenda para afastar a morte, feita para tirar do
caminho o perigo de morte ou acidentes.
7 - Ebó Onje Ebigbe - oferenda de comidas feita com as co-
midas votivas dos Orisas e Eguns, a fim de alcançar suas
benesses.
8 - Ebó Ayepinun - oferenda de substituição feita com o ob-
jetivo de se fazer uma troca de algum elemento natural
pelo sofrimento da pessoa em questão.
9 - Ebó Odu - oferenda aos Odus feita para receber os bene-
fícios dos Odus de Ifá na vida prática.

Todos os Orisas e ancestrais podem participar da energia


dos ebós, porém três em especial se manifestam sempre na
execução de um ebó, potencializando-o e materializando os
seus efeitos na vida prática. São eles:
1º Ori - principal Orisa do ser humano. Detentor de todo
o seu poder pessoal e seu destino, ele determina com sua
força a energia canalizada para o ebó. O sucesso ou fracas-
so de um magista depende da força do seu Ori.
2º Esú - poderoso Orisa que faz a comunicação entre os
dois mundos: Órun e Áiyé (espiritual e físico). Ele leva
oferendas às outras divindades e traz a resposta das mes-
mas aos humanos.
3º Íyámì Ósòròngà - mães feiticeiras, que são as responsáveis
por potencializarem e energizarem os elementos usados

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no ebó, tornando-os divinos a fim de se alcançar os efeitos
e benefícios esperados dos ebós em questão.

Outros Orisas e a relação com os ebós:


Cada Orisa tem uma especialidade dentro do universo do
culto, por isso eles são requisitados nos ebós com uma finali-
dade específica. Confira abaixo a lista dos principais Orisas e
suas finalidades na magia dos ebós:
Ogun - abrir os caminhos, vencer os inimigos.
Osoosi - trazer fartura e abundância material.
Osanyin - esconder ou revelar coisas escondidas ou perdidas.
Logun Ede - favorecer a sorte, a comunicação, os namo-
ros e o lazer.
Oxumaré - promover mudanças e transformações em geral.
Sango - vencer as injustiças e conquistar bens materiais
ou favores.
Oyá - prover vida sexual ativa, coragem e pioneirismo.
Osun - ter filhos, casar, aumentar autoestima.
Obá - resolver conflitos emocionais e problemas afetivos
ou psicológicos.
Ewá - conservar a pureza e desenvolver a intuição.
Naná - ter sabedoria, paciência, envelhecer com saúde e paz.
Ibeji - harmonia nos relacionamentos em geral, alegria
interior e coisas duplas.
Obaluwaye - curar doenças e perpetuar a saúde.
Yemonjá - resolver problemas familiares ou ter equilíbrio
interior.
Obatalá - conquistar seu espaço no mundo, restaurar qual-
quer situação na sua vida e para ter firmeza de propósitos.

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Até aqui já sabemos que todo o universo pode ser consi-
derado um “ser mágico”, que todos os elementos se misturam
e geram uma terceira força: a magia, que pode ser direcio-
nada para um objetivo ou propósito específico, alterando a
realidade do mundo físico ou tridimensional.
É preciso sempre lembrar que magia não é matemática,
por isso não é o número exato dos materiais que vai validar
o resultado. Magia não é crendice, por isso, só a fé ou a de-
voção não garantem bons resultados. Magia não é mecânica,
por isso não adianta ser só racional ou saber intelectualmente
como ela funciona. Magia se faz com corpo, alma, mente e
desejo em perfeita sintonia, e isso, como tudo na vida, re-
quer tempo, habilidade, responsabilidade e prática – nunca
se esquecendo, é claro, de ter todo o conhecimento possível a
respeito do assunto em questão.
Farinha com dendê, sem poder, é farofa – com intenção, é
mágica. Ou seja, impregnada do seu “poder pessoal”, é padê.
Perfume com yerossun é um perfume com um pó dentro. O
mesmo perfume “com poder” é um filtro mágico do amor.
Feijão fradinho com ovos pode ser um prato a mais no seu
jantar – esse mesmo feijão “com poder” é uma maravilho-
sa receita afrodisíaca. Preces e orações podem ser somente
palavras repetidas ao vento – as mesmas, impregnadas “de
poder”, são palavras poderosas e transformadoras.
É sabido que todos nós temos poder pessoal e por isso
todos estamos aptos a praticar magia. É óbvio que existem
pessoas bem mais preparadas por um bom número de moti-
vos precedentes, como a ancestralidade ou práticas religiosas
místicas, por exemplo. Abaixo darei a relação de poder má-
gico das pessoas ligadas aos Orisas a fim de se compreender

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melhor essas energias e utilizá-las com sabedoria.

Filhos dos Orisas e seus poderes mágicos:


Esú - seu poder mágico é ilimitado, podendo contar com
ele para resolver todos os problemas. Pode-se usar qualquer
elemento na execução de sua magia.
Ogun - essas pessoas são impulsivas, impacientes e co-
léricas. Toda sua magia é direcionada para a vitória pessoal
em qualquer atividade. O ferro, o aço e as armas são muito
usados em sua magia, que é muito preventiva e protetora.
Osoosi - seus filhos são espertos e vivem em movimento.
Por serem vacilantes, sua magia geralmente é fraca. Os frutos,
as sementes e favas, assim como as carnes e caças são elemen-
tos usados nos rituais mágicos desse Deus.
Osanyin - poderosos feiticeiros, gostam de mistérios, são
sutis e guardam segredos. Todas as folhas são utilizadas na sua
certeira magia.
Orunmilá - pessoas de grande sabedoria e poder. Sua ma-
gia pode alterar o carma e, consequentemente, seu destino.
A palavra é muito usada, assim como o yerossun e o efun –
elementos potencializadores de sua magia.
Sango - vaidosos, voluntariosos e conscientes, sua magia
é poderosa para o coletivo e o social. O fogo, o dendê e a
pimenta são elementos muito usados em sua magia.
Oyá ou Iansã - essas pessoas são autoritárias, guerreiras
e poderosas. Sua magia é rápida e certeira. Seu poder é o do
verbo, por isso ofós, rezas, benzeduras e orações constituem
seus mais poderosos elementos, pois são auxiliados pelos an-
cestrais. A magia sexual está evidenciada nessa Deusa.
Osun - a maior autoridade em magia, principalmente a

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afetiva, a da fecundidade e a da previsão do futuro. Seus filhos
são poderosos e usam a culinária, o mel, os perfumes e as águas
como os mais poderosos elementos. Essas pessoas sabem plan-
tar para colher e o fazem com abundância e glamour.
Logun Ede - sua magia é muito ligada à estética e ao namo-
ro, sendo muito inconstante e superficial. Não é tão bom fei-
ticeiro. Usam-se flores e frutas como elementos de sua magia.
Obá - essas pessoas são práticas e céticas. Os elementos
usados em sua magia são todos os temperos e especiarias.
Sua energia está ligada aos problemas mal resolvidos ou si-
tuações amarradas.
Yemonjá - essas pessoas são protetoras e ciumentas. Sua
magia está ligada à casa e à família. Panelas de barro, colheres
de pau e fotos dos seus entes queridos constam como seus
elementos mágicos mais utilizados.
Oxumaré - ambiciosas e revolucionárias são essas pessoas.
Todas as magias do dinheiro ganham força em suas mãos.
Seus elementos mágicos são o dinheiro, as peles dos animais,
o arco-íris e a água de chuva.
Obaluwaye - essas pessoas são amantes do sofrimento,
têm baixa autoestima, mas, mesmo assim, são poderosas fei-
ticeiras de cura. A terra, os alimentos de origem animal e o
chifre de búfalo são seus principais elementos mágicos.
Naná - calmas, benevolentes e determinadas, essas pes-
soas dificilmente usam a magia em suas vidas práticas. Porém,
quando a usam, o fazem muito bem. A lama, os pântanos, o
barro, as flores do outono e a noite são seus elementos mágicos.
Ewá - pessoas sensíveis, metódicas, inibidas e caridosas.
Sua magia vai depender de seu estado de espírito. Roupas,
retalhos, bijuterias e metais (ouro, prata, cobre) são os seus

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elementos mágicos.
Egungun - sua magia é ligada ao mundo astral – pro-
blemas familiares ou coletivos, proteção e purificação. Ossos
humanos ou de animais, terra, árvores e objetos sonoros são
seus elementos mágicos.
Obatalá - seus filhos são inteligentes e, por isso, são podero-
sos. Sua magia é muito eficaz. O marfim, a prata, o efun, o algo-
dão e os tecidos brancos são seus melhores elementos mágicos.

Os dias da semana na magia yorubá:


Na magia, quanto mais energia e elementos você utilizar,
mais força e poder você terá e os efeitos logo serão notados.
Os dias da semana também influenciam na magia e você
pode fazer uso deles a seu favor. Veja a seguir as principais
magias relacionadas aos dias da semana. É claro que, havendo
urgência ou necessidade, você pode fazer em qualquer dia.
- Ojo aje - dia do dinheiro e da sorte.
Magias relacionadas à compra e venda, à sorte, ao poder
aquisitivo, às promoções e ao comércio.
- Ojo isegun - dia da vitória.
Magias relacionadas a derrotar os inimigos, a sair vence-
dor em demandas, a triunfar na vida.
- Ojo abameta - dia das três uniões.
Magias relacionadas ao amor, ao sexo, às amizades, às re-
conciliações, ao namoro.
- Ojo aiku - dia sem morte.
Magias relacionadas aos Eguns, aos problemas psicológi-
cos, ao sono. São usadas também para afastar os perigos e
aumentar os potenciais mágicos.

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As principais folhas dos Orisas:
Segundo a tradição afro-brasileira:
Esú - folha de fogo, malmequer-bravo, coração-de-negro,
tiririca, aroeira vermelha, cançansão, figueira, bredo, pinhão,
urtiga, vassourinha de relógio, folha-da-fortuna, xique-xique,
mangueira e bardana.
Ogun - abre-caminho, mariwô, espada-de-são-jorge,
aroeira branca, cajarana, língua-de-vaca, manga espada, bel-
droega, caiçara, açoita-cavalo, agrião, babosa, cana-de-brejo,
dracena, erva-tostão.
Osoosi - quebra-pedra, peregun, aroeira branca, bredo
sem espinhos, alfavaquinha, saião, dandá da costa, pega-pin-
to, alecrim-do-campo, alfazema, capim-limão, cinco-folhas,
malva, crista-de-galo.
Osanyin - de uma forma geral, todas as folhas pertencem
a esse Orisa, mas algumas concentram maior poder: são-gon-
çalinho, garobinha, mutamba, cajá, amendoim, fumo, angé-
lica, santa luzia, jenipapo.
Obaluwaye - canela-de-velho, picão, agoniada, babosa,
erva-de-bicho, umbaúba, beldroega, panaceia, carrapateira,
velame, jurubeba, manjericão roxo, carqueja, gameleira, fei-
jão preto, quitoco.
Oxumaré - jiboia, oriri, folhas de café, rama-de-leite, golfo,
capeba, alteia, angélica, peregun verde e amarelo, bananeira, lín-
gua-de-vaca, graviola, guaco, condessa, erva-das-serpentes, ingá.
Nanã-Buruku - taioba, baronesa, mutamba, dama-da-noite,
cajá, capeba, saião, mostarda, papoula-roxa, manacá, assapeixe,
avenca, cipestre, cidreira, quaresma, macaé, tradescância, obí.
Oyá - para-raio, louro, jarrinha, espada-de-Santa-Bárba-
ra, pega-pinto, peregun, flor-de-coral, brinco-de-princesa,

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bambu, macassá, dormideira, espirradeira, feijão fradinho,
jasmim, gerânio, pitanga.
Sango - hortelã-pimenta, mentrasto, manjerona, cam-
buatá, betis-cheiroso, musgo-de-pedreira, açafrão, alfavaca
roxa, barbatimão, brandamundo, capeba, colônia, carrapeta,
catingueira, mãe-boa, levante.
Logun Ede - oripepe, peregum verde amarelo, oriri, fo-
lha-da-independência.
Osun - macassá, baronesa, santa-luzia, vitória-régia,
ojuorô, oxibatá, oriri, oripepe, malva cheirosa, saião, alfava-
ca miúda, alamanda, arnica, caruru, camomila, malmequer,
gengibre, tinhorão, ipê.
Ewá - cana-do-brejo, ojuorô, santa-luzia, baronesa, pere-
gum, oriri.
Obá - abacaxi, abóbora, aipim, ameixa, uva, nêspera, ba-
nana, batata doce, caruru, laranja, goiaba, maçã, maracujá,
melão, milho.
Yemonjá - alfavaca, capeba, malva branca, pata-de-vaca,
umbaúba, mentrasto, alcaparreira, saião, alteia, anis, arroz,
colônia, cavalinha, condessa, graviola, jasmim, golfo, nenu-
far, mamão, oriri.
Babá Egun - aipo, alface, amoreira, amendoim, amên-
doas, baleira, bambu, beladona, Maria preta, mata, pixirica.
Obatalá - boldo e levante, algodão, saião, língua-de-vaca,
alfavaca, assapeixe, cipreste, cidreira, macaé, macassá, trades-
cância, obí, alecrim, alfazema, anis, angélica, colônia, camo-
mila e cravo.
“Kosi evé, kosi órisá” – em português, “sem folha não há
Orisa” (importante ditado yorubá).
Essa máxima mostra bem o poder do reino vegetal no universo.

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O africano já sabia do poder das folhas milênios atrás, por
isso sempre usou os banhos, unguentos e defumadores, a fim
de se harmonizar e a seus ambientes também.
Hoje, o esoterismo, através de seus modernos estudos e
autores contemporâneos, também comprova a veracidade do
poder das folhas.
As mesmas folhas descritas acima também podem ser
secas, trituradas e usadas como defumadores para limpar,
energizar ou harmonizar os ambientes ou pessoas. Caso você
queira fazer um unguento para revitalizar a sua aura e para
aumentar a sua disposição física e estado de espírito poderá
transformar as ervas secas em pó ou triturá-las em água, mis-
turá-las com banha de ori e passar em todo o corpo após o
banho de limpeza. Deixar por uma hora e tomar outro banho
só com sabão da costa.
As folhas medicinais podem ser usadas como chás para as
mais diversas finalidades.

Obtendo respostas com quatro búzios:


Você pode usar esse eficaz método para saber se pode rea-
lizar algum ebó que você queira. Ou, uma vez feito o ebó,
verificar qual será o seu resultado. Você só precisa dispor de
quatro búzios abertos: bafore-os com gim antes de usá-los e
depois guarde-os num local seco e seguro.
Alafia - os quatro búzios caem abertos. Essa é a resposta
mais positiva do jogo. É um “super sim”. Tudo está bem com
sua pergunta, todos os caminhos vão se abrir e tudo vai se re-
solver. Ela ainda representa paz e tranquilidade. Quando uma
oferenda é dada aos Orisas, significa que foi aceita, as divinda-
des estão felizes e seus pedidos serão satisfeitos. Nessa jogada

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não é necessário confirmar outra vez, pois não existe a possibi-
lidade de acontecer o contrário do que foi perguntado.
Etawa - nessa jogada, três dos quatro búzios caem abertos
para cima e o significado é um “talvez”, ou seja, você deve
aconselhar a pessoa a ter mais paciência diante os fatos da
pergunta em questão, refletir sobre os prós e os contras na
vida dela. Quando o assunto é referente a oferendas ofertadas
aos Orisas, deve-se jogar novamente e perguntar ao mesmo o
que saiu errado ou o que ficou faltando. Nessa jogada, sem-
pre se deve confirmar a resposta com outras caídas.
Ejilaketú - somente dois dos quatro búzios caem abertos.
Nessa jogada, a resposta é “sim”, principalmente quando o as-
sunto for de ordem material, como, por exemplo, a compra de
um carro, uma casa, uma viagem ao exterior, etc. Ele também
confirma os recados anteriores dados por qualquer jogada. É
uma jogada que respeita muito o nosso livre-arbítrio, dizendo
que tudo vai depender de nossa força de vontade, sem haver
interferências diretas das divindades envolvidas na questão. A
mesma resposta se aplica a questões espirituais, como no caso
na oferenda aos Orisas, não havendo uma necessidade para isso.
Okaran - vemos nessa jogada apenas um dos quatro bú-
zios aberto. A resposta é desfavorável para a pergunta, mas
é um “não duvidoso”, pois com jogo de cintura, orações e
oferendas, as coisas podem mudar a seu favor. Tudo aqui é
uma questão de tempo.
Oykú - vemos aqui os quatro búzios fechados. É a mais
desfavorável das respostas, indicando um “super não”. Tam-
bém fala de morte, traições, perigos iminentes e não se deve
jogar novamente, pois não mudará o presságio, devendo bus-
car outro caminho.

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A conduta do mago na vida diária:
Seja ele yorubá, esotérico, druida, umbandista, angelólo-
go, cabalista, cigano, Wicano, Xamã, etc.
- Saber que a magia é universal e neutra: magia é inerente
a todos os povos e culturas. Ela não é em si boa ou má, bran-
ca ou negra. Os atributos e a cor são definições e responsabi-
lidade de quem pratica, não da magia em si.
- Saber é poder: o praticante deve conhecer a fundo a
magia que vai realizar, caso contrário pode ver o feitiço virar
contra o feiticeiro.
- Fluir com o universo: a magia foi criada no início dos
tempos para desenvolver os poderes divinos dos homens e faci-
litar sua vida na Terra. Porém, ela, como tudo o mais, obedece
às leis cósmicas, principalmente as de causa e efeito. Por isso, é
conhecida como a lei do 3x3, ou seja, você recebe multiplicado
por 3 tudo o que fizer na magia. Portanto, aprenda a trabalhar
em benefício do universo e da vida e flua com tudo o mais.
Não se oponha ao ritmo natural das coisas ou à vontade pró-
pria das pessoas. Lembre-se disso e você será muito feliz.
- Fazer, calar e esperar: o praticante da magia deve apren-
der a guardar segredo da mesma para não despertar a crítica
ou curiosidade alheia, que em nada vão ajudar no processo
mágico (pode até atrapalhar). Uma vez feita a magia, deixe o
Universo trabalhar em seu benefício, ou seja, espere, não atra-
palhe o ritmo natural com a sua ansiedade. Desapegue-se, só
assim a energia fica desbloqueada e o benefício chega até você.
- Respeitar os limites da vida: você deve aprender a ouvir um
“não” do universo quando sua magia não surtir o efeito deseja-
do. A vida é muito sábia e com certeza o seu desejo não iria fazer
você feliz, mesmo que a princípio você achasse o contrário.

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- Viver com qualidade de vida: um mago deve ser uma pessoa
consciente e equilibrada. Seu estilo de vida exterior irá mostrar
sua verdadeira natureza interior. Comer para viver, beber para
festejar, praticar sexo para se unir ao Divino – tudo isso deve ser
feito com total equilíbrio, sem excessos e alternando períodos de
atividade e de repouso. Busque o caminho do meio.
- Seu mundo é seu templo: a casa de um mago, assim
como seu local de trabalho ou os locais que ele costuma fre-
quentar como lazer, deve refletir seu equilíbrio interior, ou
seja, limpeza física, pureza energética, capacidade de adapta-
ção, quando necessário, e transcendência. Esses sempre são
pré-requisitos para uma boa energia, consequentemente, vão
ser expressadas na vida como facilidades, oportunidades e fe-
licidades duradouras.
- Ser globalizado e holístico: você vive num mundo glo-
balizado, isso quer dizer que tudo o que você fizer vai afetar
tudo e a todos, ou vice-versa. Como a vida lhe devolve tudo
que você a dá, a qualidade dos efeitos na sua vida prática
está diretamente relacionada à qualidade das causas que você
anda gerando. Tudo está mesmo em suas mãos.
Quando você precisar de algum tratamento médico especí-
fico, procure o mais natural possível (homeopatia, fitoterapia e
florais são bons exemplos), sendo evidente que focalizar a sua
energia na prevenção é muito mais aconselhado. Exercícios fí-
sicos adequados, relaxamento, yoga, dieta equilibrada e balan-
ceada, pouco fumo e álcool são um bom começo. Lembre-se
sempre de que você vive o tempo todo em contato com a natu-
reza: honre-a reciclando o seu lixo, cuidando bem dos animais
e sendo grato à vida, pois esse é o sentimento que nos faz fluir.
O mago deve sempre conhecer de tudo um pouco, pois,

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vivendo na totalidade da vida e em comunhão e harmonia
com a natureza e os demais reinos, se faz necessário estu-
do e conhecimento para que ele, de forma consciente, possa
exercer o seu poder em qualquer área. Portanto, astrologia,
oráculos (tarô, búzios, runas, baralho cigano, iching, etc),
cabala, numerologia, mitologia, fitoterapia, cristais, florais,
homeopatia, psicologia humana, entre outros temas, devem
constar no currículo de um mago. Mas, acima de tudo, ele
deve viver essas energias intensamente, lembrando sempre
que não se faz magia (nem nada nesta vida) só com a cabeça,
mas sim de corpo inteiro, de alma e de espírito.
Para finalizar este nosso gostoso bate-papo teórico sobre a
magia e arregaçarmos as mangas para partir para a prática (eu
sei que você já está ficando ansioso):
A magia é a arte de manter os pés no chão e a cabeça nas
estrelas.
Experimente!!!
Desejo que você entre de corpo, alma e consciência nes-
se maravilhoso universo da magia e possa transformar a si
mesmo e as circunstâncias ao seu redor em experiência de
amadurecimento e crescimento interior, assumindo a sua
vida, não dependendo externamente de ninguém, sabendo
que você é o único responsável pela sua total felicidade,
quer você queira ou não, acredite ou não. Tudo começou e
deve acabar dentro de você mesmo. Lembre-se de que você é
um espírito e vai viver por toda a eternidade. Caso duvide,
comece já a estudar profundamente a reencarnação.
A título de esclarecimento, para terminar esse assunto sobre
magia, vamos parar para refletir sobre os nossos atos conscientes
ou inconscientes antes de fazermos esse ou aquele ebó, pois a

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maioria das pessoas que procura a solução dos seus problemas
nos ebós deveria antes fazer um tratamento psicológico e estudar
as leis do universo a fim de realmente encontrarem a felicidade.

Reflexões existenciais:
- Sobre proteção:
Ninguém deseja ser roubado, mas devemos também nos
lembrar de não “roubar” ninguém. Como? Roubar não sig-
nifica apenas tirar algo material dos outros. Vai muito além
disso e também é muito mais sutil. Se não pararmos para
refletir constantemente sobre nossos
Atos, não poderemos reclamar quando a vida sabiamente
nos convidar a nos reajustar com o universo e com os seres hu-
manos. Devemos lembrar de não roubarmos a paz alheia, a vida,
a felicidade, a esperança, o amor e tudo o mais que nossos se-
melhantes conseguiram conquistar pelos seus próprios méritos.
Cada um recebe da vida de acordo com suas obras. Se
faltam várias coisas em nossas vidas talvez seja porque nunca
tenhamos nos preocupado em conquistar. E todo dia é um
novo dia para começarmos essa conquista. Quem lesa os ou-
tros, tira de si mesmo.
- Sobre a ira, a competição e o poder:
Como as pessoas estão estressadas no mundo moderno,
todo mundo briga com todo mundo e por qualquer motivo
e em qualquer lugar. Todos querem, na sua vaidade, se julgar
melhor que os outros, gerando toda uma gama de infelici-
dades no seu caminho. Siga um conselho de Ifá para você
refletir e reorientar sua vida:
Verso do oráculo de Ifá a respeito do Odu Eta-Ogunda: “A
ira não leva a nada, a paciência é a mãe de toda a virtude; aque-

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les que desenvolvem a paciência terão vida longa e felicidade”.
- Sobre a cura:
A saúde começa dentro de você com posturas e atitudes
positivas diante da vida. O perfeito funcionamento do corpo
físico ou psíquico vai depender de sua responsabilidade com
os mesmos. Isso inclui exercícios físicos, dietas equilibradas,
visitas periódicas aos especialistas, pensamentos e palavras
harmoniosas, sentimento de gratidão pela vida e, acima de
tudo, confiança no mundo espiritual. Por isso, curar-se sig-
nifica reequilibrar-se, e lembre-se de que toda cura em qual-
quer nível do seu ser é uma autocura.
- Sobre o amor:
Esse é o ponto de maior discussão na religião yorubá. Sa-
cerdotes inescrupulosos ficam ricos fazendo as famosas “amar-
rações”. Devo dizer que todo mundo é livre para escolher com
quem quer ficar e que ninguém tem o poder de manter sob ca-
tiveiro astral uma outra pessoa. E, quando aparentemente isso
ocorre, é porque uma valiosa lição se manifesta na vida das pes-
soas em questão. Quando você fizer um ebó afetivo, certifique-
se de que “o que te move é nobre, verdadeiro e espiritual”, pois,
na maioria das vezes, é mesquinho, pequeno. É, por exemplo,
um orgulho ferido, um sentimento de posse, uma incapacida-
de de viver bem sozinho, uma baixíssima autoestima, etc – o
que só resulta em mais sofrimento no final inevitável desses
mesmos relacionamentos. Procure usar a magia do amor para
encontrar alguém em especial ou para harmonizar o seu rela-
cionamento atual, mas nunca para “amarrar” quem não quer
ficar com você. Interferir na vontade consciente das pessoas é
magia negra e só vai te trazer sofrimentos. O amor verdadei-
ro liberta, promove consciência superior e elevação espiritual.

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“Quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, acorda”
(Carl Gustav Jung).
- Sobre o dinheiro:
Nada cai do céu. Tudo na vida é conquistado pela alma
em evolução. Com o dinheiro ou os bens materiais não é
diferente. Quando você for fazer qualquer ebó para fins ma-
teriais, certifique-se de que você está fazendo a sua parte, ou
seja, trabalhando, estudando, se atualizando, tendo uma per-
sonalidade positiva. Enfim, você vai manipular uma energia
que você já gerou na sua vida. Caso contrário, você não vai
conseguir bons resultados. Também reveja os seus valores
pessoais e suas crenças interiores sobre a prosperidade, pois
isso vai determinar a qualidade e a quantidade de dinheiro ou
bens materiais que você irá adquirir na vida. Prosperidade é
expressar a sua alma incondicionalmente.
- Sobre a espiritualidade:
Você deve entender que religião é bem diferente de es-
piritualidade. Enquanto a primeira se norteia por dogmas
e crenças humanas, a segunda se dirige aos nossos sentidos
interiores e à nossa verdadeira fé, aqui traduzida como ener-
gia em potencial. Ser uma pessoa realmente espiritualizada é
estar em constante desenvolvimento interior e exterior. Isso
independe da religião que se professe, mas se deve aos senti-
mentos de gratidão e reverência a todo o universo e à ausên-
cia de medo ou preconceitos. Essas são constantes no coração
de quem já despertou para o verdadeiro significado da vida e
vive a verdadeira espiritualidade, que também inclui maturi-
dade psicológica.
- Sobre a iniciação religiosa:
O contato e o trabalho conscientes com os Orisas se dão

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em níveis superiores da existência e se manifestam fisicamente
através de nosso coração (chacra cardíaco). Isso pode ter co-
meçado a se desenvolver em vidas anteriores e sempre culmina
com o ritual da iniciação. Daí para a frente, a ascensão da ener-
gia é constante até a pessoa ter alcançado a maestria pessoal.
- Sobre a magia negra ou as práticas do mal:
Agora você já conhece os vários tipos de magias e ebós
praticados na África e aqui no Brasil. Você deve estar se per-
guntando: “mas o mal, ele existe? É praticado na magia ou
independe da magia?” A resposta é “sim”, mas vamos estudar
o mal sob o prisma da espiritualidade, para não ficar em nos-
sas mentes e corações nenhuma dúvida.
Se Deus criou tudo e se tudo é Deus, Ele não pode ter
criado o mal para seus filhos, e essa história de que Deus criou
tudo perfeito e o homem criou o mal, o demônio e o pecado
(ou o nome que você quiser dar) é pura fantasia humana. Afi-
nal, sendo Deus toda inteligência, é claro que Ele já sabia de
tudo que o homem seria capaz de fazer antes mesmo de criá-lo,
e se Ele permitiu e ainda permite (acho que nunca vimos na
história da humanidade tanta violência e insanidade), é porque
há uma razão justa para tudo isso. Ela se chama “evolução da
consciência”, ou seja, é através das experiências, sejam elas boas
ou más, que nós vamos crescendo, evoluindo e despertando
para o nosso melhor. Assim, vamos nos aproximando da per-
feição e não mais praticaremos o mal em nenhum dos reinos
da existência. A vida está sempre a nosso favor, afinal, ela é
Deus em ação no nosso cotidiano. Mesmo quando nos acon-
tece algo que aparentemente é visto, sentido ou rotulado como
mal, isso é, na verdade (longe de ilusões que nós criamos, in-
sistindo em perpetuar com nossas limitações e atitudes interio-

62 |
res negativas), uma valiosa oportunidade de aperfeiçoamento.
Quando alguém lhe faz um mal (um feitiço, uma fofoca, uma
agressão, etc) e você perde um emprego, fica doente, rompe
com alguém querido, ou coisas assim, a princípio, você pode
ver ou sentir isso como um mal. Mas o tempo, que é sempre
um grande auxiliar nessas horas, vai revelando outros aspectos
seus e da vida que estavam desconhecidos até então. Você per-
cebe que tinha muito apego e dependência das pessoas, que
era frágil e imaturo na situação que lhe causou dor, começa
a ver realmente quem é quem na sua vida, vai para empregos
ou relacionamentos melhores, etc, e a pessoa que a princípio
queria lhe prejudicar de alguma maneira acabou te ajudando
de todas as maneiras. Conclusão: a vida sempre ganha no final.
Eu vou lhe contar uma coisa: sabe por que o mal entra
em sua vida? Porque você permite, tendo medo e dúvidas em
relação a você mesmo, à vida e até mesmo em relação a Deus
e aos seres espirituais. Afinal, você, sendo filho do universo,
herdou da vida toda a força e energia necessárias para vencer
qualquer obstáculo ou adversidade. Mas você vacila, põe, as-
sim, todo o seu poder nas mãos de outros e abre suas defesas.
Dessa forma qualquer um pode te atingir, e nem sempre isso
é magicamente, às vezes as opiniões e críticas alheias ou as
exigências sociais lhe afetam até muito mais.
Caso você queira sair desse círculo vicioso e voltar a ter
sua força e poder em você, pare agora de ler ou assistir (ou
mesmo conversar) sobre assuntos nefastos, violentos, limita-
dores ou agressivos, não se ligue em fofocas ou futilidades e
só gaste sua energia física, mental e emocional com coisas,
pessoas ou situações harmoniosas. Evite se expor em locais
públicos ou privados de baixa vibração energética ou mesmo

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pornográficos. Pode, a princípio, lhe custar um pouco essa
mudança de hábito, mas os benefícios serão enormes. Não
procure a luz onde há trevas, não tente consertar nada nem
ninguém, você só tem poder sobre você, seu mundo e sua
vida. A única forma de se tornar feliz e harmônico na vida
é respeitar cada um como é. Mas isso não significa conviver
com esse lado infeliz da existência. Lembre-se do sábio con-
selho do mestre Jesus quando disse: “estejam no mundo, mas
não sejam dele”. Isso me faz lembrar daquele velho ditado
popular que diz “quem se mistura com porco, farelo come”.
Espero que você tenha entendido que o mal é transitório
e que, pela lei tanto da magia quanto da vida, ele volta para
quem lhe enviou multiplicado por três em intensidade e efei-
tos (cuidado!).
Caso você queira se livrar do mal, não o tema nem duvide
de você, da vida ou da força do bem. Coma, beba, respire, fale,
cante, veja sempre o bem, o bom, o amor, a luz, a verdade.
Isso, sim, e só isso efetivamente e verdadeiramente vai te dar a
proteção. Tudo está em suas mãos, é você, com suas escolhas
(livre arbítrio), quem determina a qualidade de sua vida.
Uma vez que você já tenha praticado ou ainda pratique
as famosas “queimações” ou qualquer outra forma de mal,
pare de culpar as pessoas, as circunstâncias, a sorte ou a vida,
quando a mão de ferro das experiências bater à sua porta.
É bom lembrar também que ninguém, por mais saber ou
poder que tenha adquirido (porque o verdadeiro poder é a
conquista interior), pode burlar as leis espirituais que regem
o planeta. Elas são muito maiores e poderosas que a nossa pe-
quena e mesquinha vontade humana. Quando chega a hora
de qualquer um pagar seus débitos com a vida, nem todo

64 |
seu arsenal mágico impedirá isso de acontecer. O contrário
também é verdadeiro, pois quando é a hora de você receber
os frutos dos seus méritos, nenhum exército de opositores ou
inimigos vai impedir isso de acontecer em sua vida.
Sempre que você, por instinto ou ignorância espiritual, for
prejudicar alguém, lembre que você pode até conseguir por
um tempo, mas nunca pela vida inteira. E você deverá de-
pois se acertar com sua consciência e com as leis do universo.
O mal sempre foi transitório e sempre trabalhou para o bem.
Afinal, a humanidade sempre foi ameaçada por situações e
pessoas poderosas e malignas (atualmente estamos ameaçados
pela bomba atômica), mas isso sempre nos levou para o nosso
melhor e sempre evoluímos através dos perigos e problemas ou
o aparente mal. Pense nisso antes de se lançar contra alguém.

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PARTE II

A PRÁTICA
Agora que você já tem alguma teoria preliminar sobre a
magia, vamos dar um passo adiante com as práticas mágicas,
afinal, tudo na vida só é realmente apreendido na prática,
pois estamos na era das ciências dos experimentos do crer
para ver, dá consciência, da experiência .É só fazendo, expe-
rimentando, que você vai realmente se convencer, pois acre-
ditar sem provas é tolice e ingenuidade (as provas aqui são
também as certezas e as sensações interiores). Se você tiver os
seus sentidos apurados, nas páginas que seguem, você vai sen-
tir o aroma das folhas secas dos incensos, a espuma cremosa
das especiarias misturadas aos sabonetes, dando um toque
diferente ao seu banho, vai sentir na boca o gosto delicioso
dos acarajés de Salvador. Vai se refrescar nas águas verdes dos
banhos aromáticos e sentir a energia de cada elemento que
você usar na execução dos seus ebós. Sem contar, é claro, com
o encanto dos perfumes e pós mágicos vindo em sua direção.
A magia, nos tempos antigos, fazia para os homens o mes-
mo que as modernas terapias (florais, hipnose, terapia, vidas
passadas, etc) fazem hoje, ou seja, o trabalho de autoconhe-
cimento e autotransformação. Por isso ela é tão atual como
foi milênios atrás e pode ser aliada a qualquer terapia atual.
Quando você se deparar com ebós que envolvem o sacrifí-
cio animal em outros livros, pois neste não terá, não o faça. A

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menos que você seja um sacerdote preparado para isso.
Essa discussão ao redor do tema “sacrifício de animais” é ve-
lha e, como todas as outras discussões, ela também é inútil. Na
vida, as situações e pessoas, assim como as práticas religiosas, são
como são e não adianta, com os olhos pequenos do preconceito
ou ideais sociais, criticar ou rotular isso ou aquilo como certo ou
errado. Tudo na vida, ao longo dos tempos, já provou ser relativo.
O sacrifício animal tem o seu motivo e sua validade, infe-
lizmente esse é um segredo do culto só revelado aos iniciados.
Se ele vai perdurar até a eternidade ou se vai acabar por for-
ça da evolução, como apregoam alguns, não sabemos, o que
sabemos é que, sendo o universo e a vida muito mais sábios
que nós, se permitiram que esse culto atravessasse a História,
é porque é assim que deve ser. Cabe a nós aceitarmos os fatos
como eles são e cuidar de nossas vidas.
Todo o material a seguir inclui os elementos básicos à prá-
tica da magia e foram cuidadosamente escolhidos por mim,
entre uma outra infinidade de receitas, para que você possa,
com sua inteligência e bom senso, usá-los com sabedoria na
construção consciente da vida que você quer viver.
O renomado físico Albert Einstein tem uma frase de ouro
para fechar essa nossa conversa: “triste época, é mais fácil des-
truir um átomo que um preconceito”.
Mãos à obra e boa sorte!

Considerações importantes sobre a prática da magia (ebós):


Os banhos de limpeza devem ser tomados antes do banho de
asseio diário. Os banhos de asé ou energizantes devem sempre
ser tomados depois do banho de asseio diário. Você deve tomar a
cada seis meses um remédio de verme, pois os focos dos mesmos

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no corpo físico podem desenvolver as energias negativas man-
dadas por terceiros ou criadas por você mesmo (pensamentos,
sentimentos, palavras e atos negativos). Você deve tomar um de-
purativo de sangue a cada 6 meses, pois o sangue é o veículo
da alma e deve estar limpo. Quando praticar qualquer forma de
magia, não pratique relações sexuais nas 24 horas antes e 24 horas
depois. Não se trata de moral ou proibições religiosas, mas sim de
preservação energética, pois você deve priorizar onde e como usar
sua energia a fim de alcançar os seus objetivos mágicos.
Os chás podem ser tomados sempre que quiser, principal-
mente na lua cheia, e nunca quente ou frio, mas sim morno
ou temperatura ambiente.
Sempre que terminar um ebó (magia), para potencializá-
-lo, diga as seguintes frases abaixo:
Em yorubá Em português
KOMA KÚ Que não haja morte.
KOMA RÚN Que não haja doença.
KOMA SEJO Que não haja briga.
KOMA OTÁ Que não haja inimigos.
ARIN DEDEUWÁ Entre todo nós

• Sempre que for fazer qualquer ebó ou oferenda para Oba-


talá-Oxalá, vista-se totalmente de branco.
• Uma vez feita a magia, relaxe e deixe o universo trabalhar
com e em você, ou seja, desapegue-se do resultado.

Magias para diversos fins:


1. Paz familiar:
- Maneira de fazer: fazer um chá com folhas de valeriana,
adoçar com mel e oferecer a todos da casa para beber;

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- Maneira de fazer: todos da família devem tomar um ba-
nho e lavar a casa com flores de murta.

2. Purificar ambientes:
- Maneira de fazer: fazer um chá forte de alecrim (horta)
e lavar todo o ambiente;
- Maneira de fazer: queimar folhas secas de sálvia no ambiente;
- Maneira de fazer: queimar cânfora no ambiente;
- Maneira de fazer: também queimar sândalo no ambiente.

3. Atrair sorte:
- Maneira de fazer: colocar dentro de um vaso: arruda e rosas
vermelhas com um laço de fita vermelha amarrado no buquê;
- Maneira de fazer: imantar um ímã (colocá-los entre as
mãos e levá-los ao centro da testa, mentalizando o que quer
atrair) com seus desejos e colocar no ambiente.

4. Atrair dinheiro:
- Maneira de fazer: tomar 7 banhos de eucalipto com alecrim;
- Maneira de fazer: tomar 7 banhos de canela em pau;
- Maneira de fazer: usar no dedo do sol (anelar) um anel
com granada;
- Maneira de fazer: plantar num vaso de flor arruda ma-
cho e fêmea e misturar num recipiente mel e três moedas
correntes;
- Maneira de fazer: ter bem na entrada da casa, enfeitan-
do, uma planta jiboia na água com 7 moedas antigas;
- Maneira de fazer: na fase da lua cheia, colocar 7 moedas
debaixo do tapete na entrada da casa.

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5. Afrodisíaca:
- Maneira de fazer: preparar lagarto cozido na cerveja pre-
ta com noz moscada e canela. Comer e oferecer ao amado;
- Maneira de fazer: fazer uma cenoura com pepino, cenou-
ra e nabos cortados ao comprido. Oferecer ao pretendente;
- Maneira de fazer: banho de cravo-da-índia com canela em
pau e uma taça de vinho tinto suave todas a sextas feiras à noite.

6. Atrair amor:
- Maneira de fazer: fazer bonecos de panos representando o
casal, enchendo-os com verbena, valeriana e rosas brancas. Co-
loque ainda algo da pessoa (cabelo, foto, roupa) e um ímã na
altura do coração do boneco. Amarre-os com fitas coloridas e
coloque-os em lugar escondido no quarto. Batize-os, apresente
à lua cheia e guarde bem longe dos olhares dos curiosos.
- Maneira de fazer: partir uma maçã vermelha ao meio,
coloque os nomes e/ou as fotos, adoce com mel, feche e en-
role numa fita rosa. Acenda duas velas para o anjo da guarda
(unidas) e guarde a maçã. Depois de 7 dias, ponha a maçã em
uma árvore frondosa.
Todo o ritual é muito pessoal e, quando feito dentro de
magia, deve-se guardar segredo e agir secretamente, para que a
energia de terceiros não interfira, prejudicando nossos objetivos.

7. Assegurar o dinheiro nas mãos:


Maneira de fazer: passar óleo de amêndoas no corpo, após
o banho diário, por 7 dias seguidos de cada mês.

8. Harmonia nos relacionamentos:


Maneira de fazer: passar canela em pó, após o banho diá-

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rio, por 7 dias seguidos de cada mês.

9. Facilidade nas amizades e nas vendas:


Maneira de fazer: tomar 7 banhos com anis, açúcar e perfume.

10. Proteção do ambiente:


Maneira de fazer: pegar uma maçã, cravejá-la com cravos-da-
-índia, colocando-a como decoração no local onde deseja proteger.

11. Encontrar a felicidade:


Maneira de fazer: tomar banhos de jasmim por 7 dias
consecutivos e perfumar, com essa mesma essência, os am-
bientes onde trabalha, estuda, etc.

12. Atrair o sexo oposto:


Maneira de fazer: tomar 7 banhos de salsa com açúcar.

13. Conseguir favor de terceiros:


Maneira de fazer: tomar 7 banhos de cravo-da-índia.

14. Sorte em jogos:


Maneira de fazer: tomar 7 banhos de louro.

15. Prosperidade:
Maneira de fazer: passar canela em pó em qualquer nota
de dólar e sempre carregá-la na carteira.

16. Conseguir namoro/casamento:


Maneira de fazer: tomar 7 banhos de flor de laranjeira.

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17. Fartura na alimentação:
Maneira de fazer: juntar todas as cascas de cebola e alho
que forem sendo usadas durante o mês e queimá-las, incen-
sando a casa na lua cheia.

18. Sucesso comercial:


Maneira de fazer: lavar a frente do ponto comercial, du-
rante 7 dias, com água de arroz.

19. Quebrar feitiçaria:


Maneira de fazer: tomar 7 banhos de manjericão ou lavar
os ambientes com essa solução.

20. Livrar-se de olho gordo:


Maneira de fazer: carregar sempre uma pedra de ônix ou
pôr nos ambientes.

21. Livrar-se e evitar ciúmes e agressões físicas:


a) Materiais:
9 maracujás;
9 folhas de hortelã;
9 fitas brancas.
Maneira de fazer: cortar os maracujás ao meio, pôr o
nome da pessoa ciumenta com uma folha de hortelã em cima
dele e fechar com a fita dando um laço. Entregar no jardim
ao seu Orisa devocional.

b) Materiais:
1 prato branco;
Folhas de dormideira;

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Flores de camomila;
1 colher de açúcar mascavo.
Maneira de fazer: colocar no prato o nome do ciumento
e os demais ingredientes misturados por cima. Oferecer num
jardim ao seu Orisa devocional.

c) Materiais:
1 vidro de água de melissa;
1 vidro de água de rosas;
1 vidro de água de laranjeira.
Maneira de fazer: colocar o nome do ciumento dentro de
uma tigela, acrescentar as águas acima e depositar no fundo
do congelador ou freezer, oferecendo ao seu Orisa devocional.

22. Ebó para pessoas nervosas ou doentes mentais:


Materiais:
Folhas de: manjericão, capeba, cidreira, samambaia-abre-
-caminho, boldo, saião, macassá, colônia, cana-de-macaco;
Sementes de girassol;
1 pedra de cânfora.
Maneira de fazer: fazer um travesseiro com todas essas
folhas misturadas. A pessoa deve dormir nele por 7 dias na
lua minguante e depois despachar na cachoeira ou no mar.

23. Ebó para afastar a pobreza ou a falta de oportunidade


na vida:
Materiais:
1kg de farinha de mandioca torrada;
1kg de alpiste torrado;
1 coco seco com água;

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1m de pano preto;
1 frango branco do sexo da pessoa.
Maneira de fazer: numa encruzilhada, passar todos os ele-
mentos no corpo e deixar cair no chão em cima do pano
preto. Passar o frango no corpo e soltá-lo vivo.

24. Perfume para atrair dinheiro e boa sorte:


Materiais:
10ml de sua essência preferida;
10ml de fixador de almíscar;
80ml de álcool de cereais.
Maneira de fazer: misturar tudo dentro de um vidro escu-
ro, deixar repousar por um mês e usar sempre pela manhã nas
seguintes partes: face esquerda e direita, testa, peito esquerdo
e direito e umbigo.

25. Ebó para reconciliação (amor, filhos ou amigos):


Maneira de fazer: apanhar uma estrela do mar (cinco pon-
tas), lavá-la em 5 ondas chamando o nome da pessoa, colocar
dentro de um saco de pano branco com 5 punhados de areia
da praia e pendurar atrás da porta de entrada da sua casa.
Assim que a pessoa voltar, enterrar num jardim. Fazer, de
preferência, na lua nova.

26. Ebó para limpar carros:


Materiais:
Folhas de peregum;
Folhas de cajá;
Aluá ou água do mar.
Maneira de fazer: bater as folhas dentro e fora do carro e

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depois salpicar o aluá ou água do mar no carro. Despachar as
folhas do mar.

27. Patuá de proteção para carro (contra roubos ou acidentes):


Materiais:
2 grãos de feijão fradinho;
2 ímãs;
2 moedas correntes;
2 folhas de mariwô.
Maneira de fazer: colocar tudo dentro de um saquinho de
couro preto ou vermelho e pendurar no carro. Trocar a cada
seis meses.

28. Ebó para absorver negatividade dos ambientes:


Maneira de fazer: colocar em todos os cantos do ambiente (de
cada cômodo) 3 quiabos, deixar até secar e despachar no mar.

29. Perfume para harmonizar ambientes onde haja muita


discussão, confusão:
Materiais:
10 gotas de essência de bergamota;
2 gotas de óleo de hortelã;
1 copo de água mineral.
Maneira de fazer: misturar tudo e borrifar pelo ambiente
a ser harmonizado.

30. Caldeirão da bruxa (para amor ou dinheiro):


Materiais:
1 maçã vermelha;
1 pedaço de canela em pau;

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2 copos de vinho tinto;
2 copos de refrigerante.
Maneira de fazer: ferver todo o material, mentalizando
os pedidos, e logo tomar a poção e comer a maçã. Fazer esse
ritual todo dia 31 de outubro ou nas luas cheias.

31. Preceito para Natal e Ano Novo:


1 - Defumar toda a casa e trocar as roupas de cama, mesa
e banho;
2 - Despachar a rua com 2 padês, 1 gema de ovo, 1 de
mascavo;
3 - Arrumar a mesa no chão de qualquer cômodo:
- Toalha de mesa florida;
- 6 velas de cera ou africanas;
- 6 tipos de grãos diferentes em seis pratinhos;
- 6 ramos de trigo;
- Arroz integral;
- Trigo de quibe;
- Semente de girassol;
- 6 taças de vinho branco suave;
- 6 moedas de 1 real;
- 6 porções de ebó com mel;
- 6 palmos de fitas de cores diferentes;
- 6 guizos de metal amarelo ou cobre.
Obs.: antes banho de limpeza e de asé e ósé dudu asé.
Comida branca ao igbá-ori (caso o tenha).

32. Defumador para o dia da mesa:


Materiais:
Enxofre;

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Semente de girassol;
Fumo de rolo;
Folhas de cacau ou cacau em pó.
Maneira de fazer: deixar a mesa por três dias, colocar tudo
num prato e despachar numa árvore frondosa ou praça de
muito movimento. Antes de despachar, pegar um pouco de
cada elemento, colocar dentro de um saquinho vermelho e
pôr atrás da porta da cozinha da casa.

Banhos:
1. Para harmonizar casais:
Materiais:
1 xícara de pétalas de rosas vermelhas;
1 xícara de folhas de rosas;
1 colher de chá de canela;
1 colher de chá de cravo-da-índia;
10 gotas de óleo de amêndoas;
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar antes de dormir.

2. Para dissipar tensões:


Materiais:
10 gotas de óleo de semente de uva;
1 colher de sopa de flores de laranjeira;
Manjericão;
1 colher de sopa de hortelã;
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar sempre que houver
necessidade.

3. Para atrair o amor:


Materiais:

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½ xícara de canela em pau;
½ xícara de cravo-da-índia;
1 xícara de cascas de maçã secas.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar antes de sair de casa.

4. Para relaxar e dormir bem:


Materiais:
2 colheres de camomila;
1 colher de mel;
1 colher de cravo-da-índia.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar antes de dormir.

5. Banho energizante:
Materiais:
3 rosas brancas;
3 galhos de arruda;
3 galhos de manjericão;
3 galhos de boldo;
3 pedras de sal grosso;
3 folhas de guiné.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar quando for necessário.

6. Para florir e suavizar os caminhos:


Materiais:
1 rosa amarela em pétalas;
1 rosa branca em pétalas;
1 rosa vermelha em pétalas;
3 gotas do seu perfume;
3 cravos-da-índia.

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Maneira de fazer: ferver tudo e tomar quando for necessário.

7. Para descansar pernas e pés:


Materiais:
2 colheres de sal marinho;
20 gotas de essência de lavanda;
2 litros de água mineral.
Maneira de fazer: ferver tudo e banhar as pernas e os pés.

8. Banho das Sete Ervas:


Poderoso banho de limpeza.
Materiais:
Comigo-ninguém-pode;
Arruda;
Guiné;
Pau-d’alho;
Espada-de-são-jorge;
Pinhão roxo;
Vence-demanda.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar banho da cabeça aos pés.

9. Banho energético:
Poderoso banho de asé para abrir os caminhos rapidamente.
Materiais:
Folhas de abre-caminho;
Cravo-da-índia;
Gengibre;
Canela em pau.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar banho da cabeça
aos pés.

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10. Banhos Poderosos:
1. Paz e harmonia: manjericão, boldo, cana-de-macaco e
folhas de limão.
2. Dinheiro e sorte: avenca, fruta-pão e folhas de laranja.
3. Afastar energias negativas: são-gonçalinho e folhas de
fumo.
4. Resolver problemas: abre-caminho, dinheiro-em-pen-
ca e folha-da-fortuna.
5. Amor: alecrim-do-campo, manjericão e verbena.
6. Tirar vícios: arruda, guiné e fumo de rolo com sal grosso.
7. Trazer boa sorte: pétalas de girassol, manjericão, pétalas
de rosas amarelas e brancas.
8. Vencer na justiça: erva-de-santa-catarina, manjerona,
quitoco, manjericão, levante e arruda.

Sabonetes mágicos:

1. Para limpar e abrir caminhos:


Materiais:
1 sabonete neutro;
1 pitada de sal marinho;
Enxofre;
20 gotas de essência de eucalipto.
Maneira de fazer: derreter o sabonete em banho-maria,
acrescentar os outros elementos, misturar. Pôr numa forma, dei-
xar esfriar e usar duas vezes por semana pela manhã, ao acordar.

2. Para atrair amor e dinheiro:


Materiais:
1 sabonete neutro;

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20 gotas de essência de flor de laranjeira;
1 colher de chá de cravo em pó;
1 colher de chá de louro em pó;
1 colher de chá de noz-moscada em pó;
1 colher de chá de açúcar mascavo;
1 colher de chá de erva-doce;
1 colher de chá de sândalo em pó.
Maneira de fazer: derreter o sabonete em banho-maria,
acrescentar os outros elementos, misturar. Pôr numa forma, dei-
xar esfriar e usar duas vezes por semana ao acordar, pela manhã.
Obs: evitar usar durante a lua minguante.

3. Para clientela:
Materiais:
2 sabonetes de glicerina;
1 sopa de canela em pó;
6 folhas de akoko torradas em pó.

4. Para despertar o amor:


Materiais:
1 sabonete de glicerina;
1 colher de dandá-da-costa em pó.

5. Para atrair dinheiro:


Materiais:
1 sabonete de glicerina;
5 gotas de cedro (essência);
5 gotas de patchouli (essência);
1 colher de canela em pó.

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6. Para atrair coisas boas:
Materiais:
1 sabonete de glicerina;
10 gotas de cravo (essência);
1 colher de sândalo em pó.

7. Para abrir caminhos:


Materiais:
1 sabonete de glicerina;
10 gotas de essência de flor de laranjeira;
1 colher de cravo-da-índia em pó.

8. Limpeza astral:
Materiais:
1 sabonete de glicerina;
10 gotas de essência de eucalipto;
1 pedra de cânfora em pó.

9. Para sorte/caminhos novos:


Materiais:
1 sabonete de glicerina;
1 colher de lírio fiorentino;
10 gotas de essência de jasmim.

10. Para limpar e trazer asé:


Materiais:
1 sabonete de glicerina;
5 gotas de essência de cedro;
5 gotas de essência de sândalo;
1 colher de sopa de gengibre em pó.

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11. Para fixar o amor:
Materiais:
1 sabonete de glicerina;
10 gotas de essência de verbena;
1 colher de sopa de pó de semente de girassol.

12. Para limpeza e atração:


Materiais:
1 sabonete de glicerina;
Dandá-da-costa ralado;
1 colher de sopa de folha de laranja-da-terra seca.
Maneira de fazer os sabonetes de 3 a 12:
Ponha os sabonetes para derreter em banho-maria, acres-
cente fora do fogo os materiais e despeje o conteúdo numa
forma. Deixe esfriar, desenforme (use plástico fino para en-
volver a forma pois ajuda na hora de desenformar) e use sem-
pre por três dias consecutivos na semana.

Defumação:
1. Para não faltarem alimentos:
Materiais:
Casca de alho;
Casca de cebola;
Pó de café;
Cânfora.
Maneira de fazer: misturar tudo e defumar a casa ou o
ambiente comercial.

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2. Para bons encontros afetivos/sexuais:
Materiais:
Cravo-da-índia;
Canela em pau;
Alfazema;
Alecrim;
Gengibre ralado.
Maneira de fazer: misturar tudo e defumar o ambiente
do encontro.

3. Para afastar alguém do caminho:


Materiais:
Erva-passarinho;
Folhas e flor de espirradeira.
Maneira de fazer: misturar tudo e defumar as roupas e
calçados de quem você quer afastar.

4. Para atrair dinheiro:


Maneira de fazer: torrar milho de galinha e misturar com
açúcar mascavo e canela em pó. Defumar os ambientes de
fora para dentro.

Outros defumadores:
5. Sorte e dinheiro: louro e canela.
6. Afastar os males: arruda, guiné, sal grosso e palha de alho.
7. Unir a família: alfazema, alecrim e murta.
8. Boa saúde: benjoim, alfazema e anis estrelado.
9. Amor: flor de laranjeira e mascavo.
10. Intuição: sândalo, mirra, incenso e flor de lótus.
11. Estudos: noz moscada, pimenta-da-jamaica e benjoim.

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12. Vida sexual: amor-agarradinho, sempre-viva e gengibre.
13. Energias positivas: pimenta-da-jamaica.
14. Magia: erva-doce, endro e arruda.
15. Ancestrais (proteção): sândalo e lavanda.
16. Poderosa limpeza de energias negativas: estrume de
vaca, seco, assafétida e enxofre.
17. Abrir caminhos para trabalho ou promoções: estrume
de cavalo seco, com levante e mascavo.

Chás mágicos:
(Consulte seu médico antes de usá-los.)
Usar sempre fervidos em água mineral.
- Cravo-da-índia, folhas de abacate, canela em pau. Usa-
dos juntos ou separados, abrem a consciência, aumentando
a intuição, a clarividência e traz sonhos reveladores que aju-
dam na viagem astral.
- Gengibre, anis-estrelado e catuaba. Usados juntos ou
separados, aumentam a vitalidade e sua energia interior e psí-
quica, expandem sua aura e lhe dão proteção astral.
- Pétalas de rosas vermelhas e mel puro de abelhas. Usar
para atrair amor e para trazer paz interior.

FRUTAS CHÁS BANHOS


Abacaxi Diurético Atrai saúde
Ameixa Depurativo Vence batalhas
Atrai
Amora Diabetes
autoconfiança
Cereja Anemia Atrai sexo

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Descarrega
Damasco Amigdalite
desgosto
Laranja Ansiedade Atrai dinheiro

Descarrega
Limão Febre
negatividade

Maçã Pele Atrai união


Descarrega
Maracujá Insônia
os nervos

Atrai saúde
Marmelo Cólicas
(ginecológica)

Morango Bronquite Atrai o amor

Pêra Laxante Descarrega rancor

Pêssego Hipertensão Descarrega inveja


Tangerina Convalescença Atrai disposição
Uva Arteriosclerose Atrai autoestima

“As experiências da vida, quando são compreendidas,


transformam-se em aprendizado. Quando incompreendidas,
transformam-se em sofrimento”.

- Perfume protetor de ambientes:


Materiais:
1 litro de álcool de cereais;
1 colher de arruda;
1 colher de alecrim;

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20 gotas de essência de eucalipto.
Maneira de fazer: misturar tudo dentro do álcool e deixar
em infusão por 30 dias em local escuro. Quando for usar,
diluir duas colheres desse perfume em um copo de água e
espargir no ambiente a ser protegido com um raminho de
qualquer árvore.

- Proteção para residência ou comércio:


Materiais:
6 punhados de arroz cru;
1 obero pequeno;
6 grãos de milho;
6 moedas;
6 ímãs;
6 conchas;
6 punhados de areia da praia.
Maneira de fazer: colocar no fundo do oberó os 6 punha-
dos de areia da praia, os 6 punhados de arroz cru e o restante
do material por cima. Coloque em um local alto. Trocar a
cada seis meses.

- Proteção para residência e comércio:


Materiais:
Areia da praia limpa;
Enxofre em pó;
Sal grosso;
Cânfora em pó.
Maneira de fazer: misturar tudo em partes iguais. Colocar
em uma panelinha de barro e pôr atrás da porta do ambiente
a ser protegido.

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- Patuá de proteção individual contra roubos e acidentes:
Materiais:
1 pedaço pequeno de minério de ferro;
2 folhas de mariwô;
1 saco de couro de cabrito.
Maneira de fazer: colocar tudo dentro do saquinho e usá-
-lo por até 7 meses. Depois, despachar no mar.

- Ebó para evitar abortos:


Maneira de fazer: colocar um boneco do mesmo sexo da
criança dentro de um melão, amarrar com fitas coloridas e
oferecer na cachoeira para Osun.

- Ebó de segurança residencial ou comercial:


Materiais:
3 dentes de alho;
3 pregos virgens;
Azougue;
1 obí roxo;
1 quartinha;
Mel.
Maneira de fazer: colocar tudo na quartinha, cobrir com
água e mel e enterrar do lado de fora de casa.

Ebós para o amor:


1- Maneira de fazer: pegar o último osso de uma rabada,
torrar, misturar com canela e com o nome da pessoa, fazer
um breve e usar junto do corpo.

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2 - Materiais:
1 coração de porco;
1 folha de papel vegetal;
1 folha de papel celofane;
1 padê de mel;
Fita verde do tamanho da pessoa.
Maneira de fazer: colocar os nomes dentro do coração,
desenhar um coração no papel vegetal, escrever os nomes e
colocar o coração em cima, cobrir com padê de mel e fechar
com papel celofane amarrando com fita, para parecer um ovo
de Páscoa. Entregar em um casamento.

3 - Materiais:
1 folha de papel vegetal;
1 padê feito com milho de galinha moído com mel.
Maneira de fazer: desenhar e cortar um coração no papel
e escrever os nomes 16 vezes.
Cobrir com a farofa de milho, cantar e oferecer a Osun.

4 - Materiais:
Materiais:
1 cabeça de cera;
1 ajebó;
6 acaçás;
1 miolo;
Ebô.
Maneira de fazer: bater o ajebó, colocar tudo dentro da
cabeça e entregar à Iemanjá. Deixar em casa por 7 dias e
entregar no mar.

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5 - Materiais:
1 obí;
1 coração de boi;
Ebô;
1 acaçá;
Pano branco;
1 pombo;
Fita branca.
Maneira de fazer: colocar os nomes e o acaçá no coração
com bastante mel, bater 4 vezes no ori do pombo chamando
o nome da pessoa. Soltar o pombo, abrir o obí e fazer os pe-
didos. Colocar tudo dentro de uma panela de barro, lacrar e
entregar em alto mar.

6 – Ebó para trazer alguém de volta:


Maneira de fazer: 2 pés de cera com um ajebó dentro e
no nome da pessoa, junto da porta de entrada, virados para
dentro de casa. Chamar a pessoa por 6 dias e depois despa-
char na cachoeira.

7 - Maneira de fazer: tirar um pouco do pelo do cachorro


(do sexo oposto ao da pessoa) em cruz, torrar e fazer um bre-
ve com o nome dentro.

8 - Ebó para trazer alguém de volta:


Materiais:
3 corações de cera;
1 casal de pombos;
2 velas de sete dias;
2 obis;

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1 bacia de ágata;
Ebô;
Fita branca/amarela/azul;
Mel.
Maneira de fazer: colocar os nomes dentro dos corações,
colocar os obis, passar os pombos no corpo e soltar. Amarrar
tudo com as fitas e cobrir com ebô e mel de abelha.

9 - Pó mágico para tornar a pessoa encantada:


Materiais:
1 efun;
1 noz-moscada;
1 colher de chá de canela em pó;
1 colher de chá de cravo-da-índia em pó;
1 colher de chá de semente de girassol;
1 colher de chá de casca de ovo;
1 fava de aridan;
1 fava de aberê.
Maneira de fazer: transformar tudo em pó, misturar
e usar sempre que for sair para encontrar ou procurar um
amor, passando somente nas mãos, rosto e cabeça.

10 - Perfume mágico para atração:


Materiais:
1 perfume de sua preferência;
1 colher de chá de yerossun.
Maneira de fazer: colocar o yerossun dentro do perfume e
deixar por 30 dias em local escuro. Usar somente nos órgãos
sexuais e nas sobrancelhas.

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Magia homossexual:
1. Padê para atrair amor ou sexo:
Materiais:
1 colher de sopa de gengibre;
1 colher de sopa de sândalo;
1 colher de sopa de essência de almíscar;
1 colher de sopa de essência de patchouli;
1 colher de sopa de essência de dama-da-noite;
3 colheres de sopa de dendê;
3 colheres de sopa de mel de abelha;
2 copos de farinha de mesa.
Maneira de fazer: misturar todos os ingredientes e pôr
numa panela de barro pequena. Cobrir tudo com duas cla-
ras batidas em neve misturadas com duas colheres de açúcar
mascavo, canela em pó e semente de papoula. Oferecer em
noite de lua cheia numa praça movimentada ou na porta de
uma boate. Chame por uma entidade de afinidade sua.

2. Pó para atração de pessoas do mesmo sexo:


Materiais:
1 colher de sopa de amor-agarradinho;
1 colher de sopa de essência de dama-da-noite;
1 colher de sopa de essência de almíscar;
1 colher de sopa de essência de patchouli;
1 pedra de cânfora;
1 colher de sopa de canela em pó;
1 colher de sopa de fava de aridan.
Maneira de fazer: na lua cheia, transforme tudo em pó,
acrescente as essências e 1 conteúdo de talco sem perfume.

92 |
Misture tudo e passe no corpo sempre que for sair para en-
contrar ou procurar um amor para você. Guarde em local
seco e escuro – ninguém deve tocar nesse pó mágico.

3. Banhos para atrair pessoas do mesmo sexo:


1- Anil na água mineral;
2- Pétalas de rosas vermelhas misturadas com pétalas de
cravos brancos (banho fervido);
3- Salsa (tempero para carne) na água mineral (banho
cru, macerado na água, coado para uso);
4- Folhas e flor de crista-de-galo (também conhecido
como “veludo”). Banho fervido ou cru, é opcional;
5- Canela em pau misturada com cravo-da-índia (fervido
em partes iguais);
6- Folhas de limão e laranja em números iguais (banho
fervido);
7- Água mineral solarizada na cor rosa e essência de flor de
laranjeira (7 gotas) - tomar 7 banhos seguidos. Para solarizar
a água, envolva um recipiente transparente de vidro em papel
celofane ou plástico na cor rosa (ou na cor que quiser, se fizer
para outros fins) e deixe exposto no sol da manhã por 2 horas.

Obs.: todos os banhos aqui indicados devem ser tomados


da cabeça aos pés e sempre que a pessoa for sair para arranjar
ou encontrar o ser amado. Deve-se, contudo, evitar a fase
minguante da lua.

4. Perfume para atrair pessoas do mesmo sexo:


a) Materiais:
1 frasco do seu perfume favorito;

| 93
1 olho-de-boto;
1 saco de veludo preto.
Maneira de fazer: Na lua crescente, tome um banho de
limpeza (escolha entre os apresentados nesta obra), coloque o
olho de boto dentro do seu perfume e ponha o frasco dentro
do saco negro. Deixe em infusão até a lua cheia (ou seja, por
7 dias), depois passe a usar somente nas sobrancelhas, ao re-
dor do umbigo e nos órgãos sexuais. Ninguém deve tocar em
seu perfume, caso aconteça, ele perde o encanto. Guarde-o
em local seco, escondido e escuro.

b) Materiais:
1 frasco de seu perfume favorito;
7 folhas verdes de catinga-de-mulata;
Pó de ímã;
1 pau de canela;
7 cravos-da-índia.
Maneira de fazer: misturar todos os materiais, pôr dentro
do frasco e agir como descrito acima.

5. Magias para atrair pessoas do mesmo sexo:


a) Materiais:
1 ninho de passarinho;
2 ovos de codorna;
Os dois nomes escritos em lápis no papel vegetal;
Mel puro de abelha;
1 ímã.
Maneira de fazer: colocar os nomes enrolados no ímã no
fundo do ninho, pôr os ovos de codorna em cima, cobrir
com mel e devolver esse ninho em uma árvore frondosa.

94 |
b) Materiais:
2 bonecos machos feitos com roupas das pessoas em ques-
tão, recheado de folhas de amor-agarradinho;
1 ímã;
1 retrós de linha azul;
Nome e endereço de quem se quer conquistar escritos a
lápis no papel vegetal;
1 quartinha azul;
Mel puro de abelha.
Maneira de fazer: juntar os bonecos de frente um para o
outro e colar o ímã na altura do coração. Enrolar os bonecos
com papel vegetal já escrito e enrolar tudo com a linha azul.
Pôr os bonecos dentro da quartinha e cobrir com mel. Guar-
dar em sua casa.

| 95
PARTE III

A MAGIA DOS ODUS


Obs.: Odu não se despacha, não se agrada e nem se assen-
ta. Odu é uma “determinação divina” e fazemos ebós em seus
caminhos de acordo com as divindades que se apresentam
nos Odus. Só assim vamos alcançar as bênçãos e o Asé de
Orisa em nossas vidas.
Importante: sem a melhora contínua do caráter, nenhum
ebó apresentará resultado benéfico. Olodumáre e os Orisas,
assim como os ancestrais, não abençoam os maldosos. É
preciso fazer por merecer sua atenção divina.

ODU OKARAN
1 búzio aberto.
Respondem: Esú ou Elegabara, Ebiji, Oxumaré, Omulu
e Egun.
Lado negativo do Odu: roubo, sustos, prisão, ruína, per-
da de tudo, mentiras, traições, feitiços de rua, encruzilhadas,
casa de Esú.
Lado positivo do Odu: abertura de caminhos, vitórias
sobre inimigos, início de novas coisas, resoluções cármicas.
Nesse Odu podemos fazer ebós para afastar todos os ma-
les, vencer os inimigos e abrir todos os nossos caminhos.

- Como pedir coisas boas a esse Odu:

96 |
Materiais:
4 padês (água, mel, cachaça e dendê);
4 folhas de amêndoas;
4 acaçás;
1m de pano branco;
4 moedas correntes.
Maneira de fazer: na beira de um rio, evoque Esú Lonan,
passe tudo no corpo da pessoa e arrume as folhas, pedindo
tudo de bom ao Odu.

- Ebó para abrir todos os caminhos fechados por feitiços:


Materiais:
14 ovos brancos;
1 frango de cor;
1 carretel de linha branca;
7 acaçás;
4 padês (água, mel, cachaça e dendê);
7 velas brancas.
Maneira de fazer: passar o frango na pessoa e evocar seu
pedido para afastar todo mal da pessoa. Passe os outros ma-
teriais, arrume na encruzilhada e, por último, passe a linha,
desenrole todas cantando para Esú e fazendo os pedidos.

- Para abrir caminhos de um modo geral:


Materiais:
1 padê de dendê torrado;
Pipocas;
1 bife malpassado no dendê;
Cebolas.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, evocando

| 97
Esú fazendo os pedidos. Arrume na encruzilhada e saia de costas.

- Banho atrativo do Orisa Esú:


Materiais:
Macassá;
Salsa;
Açúcar;
Perfume;
Chuchu.
Maneira de fazer: macere tudo com as mãos na lua cres-
cente, numa segunda-feira, e tome um banho do pescoço
para baixo.

- Para conseguir emprego:


Materiais:
4 padês (água, mel, dendê e cachaça);
1 folha de mamona;
1 garrafa de bebida quente;
1 pacote de velas brancas;
1 ovo cozido cortado em 4 partes;
1 cebola cortada em 4 partes.
Maneira de fazer: no alto de um morro, em uma encruzi-
lhada, passe tudo no corpo da pessoa e evoque Esú em nome
de Oyá e nos caminhos de Obará, fazendo todos os pedidos
de emprego.

- Para vender carro, casas, etc:


Materiais:
1 pomba rolinha;
1 pedaço de morim branco;

98 |
1 pemba branca;
4 moedas correntes;
4 búzios abertos.
Maneira de fazer: pegar o morim e passar no objeto a ser
vendido. Ralar a pemba, misturar com as moedas, os búzios
e um papel em que esteja escrito o número da placa do carro
ou o endereço da casa a ser vendida. Passar a pomba branca
no objeto a ser vendido e enrolar com o pano e tudo que está
dentro. Chegue na encruzilhada, solte a pomba e ofereça o
restante a Esú, fazendo os pedidos.

- Para arranjar namorado(a):


Materiais:
7 pedras de cristal de rochas coloridas’
7 acaçás amarelos (ekós);
7 frutas doces e claras;
4 padês (água, mel, cachaça e dendê);
7 moedas correntes.
Maneira de fazer: passar tudo pelo corpo evocando Esú e fa-
zendo os pedidos. Colocar perto de uma boate, clube, motel, etc.

- Para abrir caminhos para negócios:


Materiais:
4 padês (mel, cachaça, água e dendê);
1m de pano preto, vermelho e branco;
4 folhas de mamona;
7 velas brancas;
7 moedas correntes;
1 garrafa de bebida quente.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa numa

| 99
encruzilhada aberta (4 pontas) e oferecer a Esú, fazendo pe-
didos de tudo de bom.

- Para vencer os inimigos:


Materiais:
21 velas brancas.
Maneira de fazer: por 21 dias consecutivos, passe uma
vela no corpo e acenda ao contrário para o anjo da guarda
dos inimigos.

- Para ter clientes novos e segurar os que já possui:


Materiais:
Owadi;
Ofun;
Mel;
Dendê.
Maneira de fazer: misturar tudo e ir da encruzilhada até
o portão jogando essa mistura, evocando Esú e fazendo os
pedidos.

- Para assentar Esú em seu assentamento:


Materiais:
1 obí roxo;
7 pimentas-da-costa;
Cachaça.
Maneira de fazer: colocar tudo na boca, mastigar fazendo
os pedidos e cuspir em cima de Esú, louvando-o e conver-
sando com ele.

- Para Esú vencer seus inimigos:

100 |
Materiais:
7 acaçás vermelhos (ekós);
7 acaçás brancos;
7 velas brancas;
7 ovos brancos;
7 moedas correntes.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo em uma encruzi-
lhada de barro e pedir a Esú que tome conta dos inimigos,
que quebre a intenção e força dos mesmos, e que lhes mostre
os bons caminhos.

- Para a pessoa ficar gamada em você:


Materiais:
1 morim branco;
1 vela de sete dias branca;
7 rosas vermelhas;
1 kg de fubá;
1 vidro de mel;
1 vidro de perfume;
3 maçãs vermelhas;
1 champagne;
2 acaçás amarelos (ekós);
1 maço de cigarros;
1 oberó grande.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo com os nomes e
fotos das pessoas juntas, arrumar dentro do oberó e colocar
nos pés de Esú.

- Para calar a boca dos fofoqueiros:


Materiais:

| 101
1 língua de boi;
7 qualidades de pimenta;
7 azougues;
Pólvora;
Linha preta;
Dendê.
Maneira de fazer: abrir a língua, colocar o nome do(a)
fofoqueiro(a) dentro com os outros materiais, costurar com a
linha, ferver no dendê e despachar em uma fossa ou vala suja,
evocando Esú do lodo.

OFU EJI-OKO
2 búzios abertos.
Respondem: Ogun, Ibeji e Oxalá.
Lado positivo do Odu: grandes triunfos, muitas amiza-
des, carisma irradiante, vitória nas guerras, facilidade para
uma vida dupla.
Nesse Odu podemos fazer ebós para abrir caminhos, sair
dos problemas e ter firmeza na vida de um modo geral.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
2 acaçás;
2 acarajés;
2 orogbos;
2 moedas correntes;
2 espelhos;
2 figas;
2 velas;
2 búzios;

102 |
2 conchas;
2 estrelas do mar;
1 panela de barro;
2m de morim branco;
7 retroses de linhas de cores variadas.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, colocar a
panela no chão e arrumar tudo dentro da mesma. Desenrole as
linhas fazendo os pedidos a Ogun e coloque na panela. Embru-
lhe tudo com morim e despache na beira de uma lagoa ou rio.

- Ebó para tirar da prisão uma pessoa inocente:


Materiais:
21 ovos brancos.
Maneira de fazer: escrever o nome da pessoa nos ovos,
quebrá-los em volta do presídio onde a pessoa está e pedir a
Ogun que solte a mesma.

- Para vencer os inimigos e abrir caminhos:


Materiais:
1 inhame-cará;
Mel;
Dendê;
2 velas brancas;
21 moedas correntes;
21 palitos de dendê;
1kg de farinha de mesa;
1 folha de mamona.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa numa
estrada de barro de subida. Fazer um padê de mel e den-
dê, colocar o inhame-cará assado em cima com os palitos de

| 103
dendê e as moedas e regar tudo com mel e dendê. Oferecer a
Ogun e fazer os pedidos.

- Ebó para chamar alguém que está sumido:


Materiais:
1 ovo branco cru;
Mel;
1 copo de água limpa;
Foto da pessoa.
Maneira de fazer: colocar tudo dentro do copo, colocar
atrás da porta de entrada da casa e chamar o nome da pessoa
duas vezes. Pedir a Ogun que mostre o caminho à pessoa,
para ela voltar.

- Ebó para aproximação:


Materiais:
1 prato de louça branca;
2 cocadas de batata-doce;
2 frutas doces e claras;
2 velas brancas;
Foto das pessoas.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo de quem quer pu-
xar a outra pessoa. Colocar as fotos dentro das cocadas e fechar.
Colocar dentro do prato com as frutas em volta, acender as
duas velas para os anjos da guarda e oferecer aos Orisas Ogun e
Ibeji, pedindo aproximação e felicidade para as pessoas.

- Ebó para a prosperidade:


Materiais:
2 acaçás;

104 |
2 velas;
2 moedas;
2 ovos brancos;
Mel.
Maneira de fazer: passar todos os ingredientes no corpo da
pessoa numa praça movimentada e chamar por Meki e Mekio-
ko, pedindo tudo de bom depois de cobrir com Mel. Se pos-
sível, fazer acompanhado de duas crianças numa terça-feira.

- Ebó para abrir todos os caminhos:


Materiais:
1 galo vermelho;
1kg de milho amarelo;
1kg de feijão fradinho;
1kg de feijão preto;
7 inhames-cará assados;
7 ovos vermelhos;
1 obí de 4 gomos;
1 orogbo;
7 bananas-da-terra.
Maneira de fazer: passar todos os ingredientes no corpo
da pessoa numa estrada de subida, evocar Ogun e fazer seus
pedidos de prosperidade e abertura de caminhos.

- Ebó para conseguir dinheiro:


Materiais:
1kg feijão fradinho;
7 moedas correntes;
Folhas de são-gonçalinho.
Maneira de fazer: torrar o feijão, passar no corpo da pessoa

| 105
junto com as moedas e espalhar nos cantos da casa. Deixar por
7 dias e varrer com as folhas de são-gonçalinho. Despachar na
porta de um banco ou local comercial de muito movimento.

ODU ETA-OGUNDÁ
3 búzios abertos.
Respondem: Obaluwaye, Ogun, Sango, Osoosi, Ajé
(Orisa da riqueza) e Esú.
Lado negativo do Odu: doenças diversas, golpes rudes,
paixão masoquista, tendência ao suicídio, autodepreciação,
baixa autoestima.
Lado positivo do Odu: heranças espirituais e materiais, gran-
de poder e proteção espiritual, curas espirituais, ajuda de terceiros.
Nesse Odu podemos fazer ebós para curar doenças (físi-
cas, mentais e espirituais).

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 panela de barro;
1 pombo branco;
3 pedaços de rapadura;
3 doces amarelos;
3 acaçás brancos;
3 orogbos;
3 búzios;
3 moedas correntes;
3 cavalos-marinhos;
1 gota de azougue;
1 ímã;
1 estrela-do-mar.

106 |
Maneira de fazer: passar tudo no corpo evocando Obalu-
waye, fazendo os pedidos e colocando tudo dentro da panela.
Suba um morro cantando para Obaluwaye. Quando chegar
lá, passe o pombo no corpo e solte-o. Deixe a panela lá.

- Ebó para fechar feridas no corpo:


Materiais:
3 bifes de boi;
Pipocas;
3 acaçás brancos;
3 ovos brancos;
3 folhas de canela de velho;
Parte do corpo afetada de cera.
Maneira de fazer: passe tudo na pessoa, coloque em cima
da ferida e depois dê os mesmos a três cachorros da rua para
comerem. Ofereça o resto do material aos pés de Omulu.
Deixe ali por 3 dias e entregue na porta de uma Igreja de San-
to Homem. Tomar três banhos seguidos de canela-de-velho.

- Ebó para curar qualquer doença:


Materiais:
Todos os miúdos de boi;
3 ecurus (bolinho de feijão fradinho no vapor enrolado
com folha de bananeira);
3 acarajés;
3 ovos brancos;
3 velas brancas.
Maneira de fazer: passar todos os materiais no corpo da
pessoa e despachar numa árvore frondosa. Dar banho de fo-
lhas e defumar a pessoa. Dar comida ao Orisa e Obaluwaye.

| 107
- Ebó para conseguir residência (comprar/alugar):
Materiais:
1 casa de cera;
Pipocas;
3 orogbos;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo de quem quer
conseguir residência, encher a casa de pipocas, acender a vela
de sete dias e fazer os pedidos referente à casa. Depositar na
porta de uma Igreja de Santo Homem numa segunda-feira.

- Para conseguir clientes e facilidades nas vendas:


Materiais:
3 orogbos;
Folhas de manjericão;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: passar todos os materiais no corpo da
pessoa evocando Obaluwaye. Colocar os orogbos na boca e
fazer os pedidos. Logo em seguida, colocar em cima do as-
sentamento desse Orisa e acender a vela de sete dias – fazer
numa segunda-feira. Se não tiver assentamento, colocar em
cima da comida do Orisa.

- Para curar doenças de pele:


Materiais:
Pipoca;
Folhas de canela-de-velho.
Maneira de fazer: por 7 dias seguidos, tomar um banho
com pipocas e as folhas de canela-de-velho misturadas no

108 |
campo ou mato.

- Para ter muita sorte na vida:


Materiais:
7 acarajés de feijão preto.
Maneira de fazer: passar no corpo da pessoa e oferecer ao
Orisa numa segunda-feira.

ODU IROSUN
4 búzios abertos.
Respondem: Yemonjá, Osoosi, Egun e Oyá.
Lado negativo do Odu: problemas familiares, calúnias,
falsidades, ciladas, desastres, indecisões.
Lado positivo do Odu: casa própria, união familiar, aju-
da da família e dos amigos, resolução de conflitos.
Nesse Odu podemos fazer ebós para a paz familiar, a reso-
lução dos conflitos e para vencer todos os obstáculos da vida.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 abóbora-moranga;
4 búzios;
4 moedas correntes;
4 acaçás com mel;
4m de fita vermelha e branca;
1 saquinho de morim;
1 papel com os pedidos.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, abrir a
abóbora e colocar tudo dentro do saquinho de Morim e da
abóbora. Amarrar com as fitas sem dar nó e despachar numa

| 109
árvore frondosa, no alto de um morro, pedindo a Yemonjá
para resolver.

- Ebó para tirar os males da cabeça e tirar olho gordo:


Materiais:
1 miolo de boi;
1kg de milho branco;
Mel;
1 vela de sete dias branca;
Azeite de oliva.
Maneira de fazer: cozinhar o milho branco, oferecer o mio-
lo já batizado com o nome da pessoa em cima do milho bran-
co, temperar com mel e azeite de oliva. Acender a vela e ofere-
cer a Yemonjá para curar todos os males e tirar o olho gordo.

- Ebó para pessoa soltar dinheiro:


Materiais:
1 cabeça de cera no sexo da pessoa;
Arroz cru;
Açúcar mascavo;
Várias moedas correntes;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: depois de batizar a cabeça com o nome
da pessoa, oferecer em cima do arroz misturado com as moe-
das e com o açúcar. Acender a vela oferecendo a Yemonjá e
fazendo os pedidos.

- Banho atrativo para o amor:


Materiais:
1 rosa branca;

110 |
1 rosa amarela;
1 rosa vermelha;
7 flores de laranjeira;
Mel.
Maneira de fazer: Ferver a água, colocar tudo dentro, aba-
far e tomar o banho.

- Ebó para limpar ambiente:


Materiais:
7 folhas de mamona;
Folhas secas de sálvia;
Chá forte de alecrim.
Maneira de fazer: bater toda a casa, loja, etc, com folhas
de mamona dos fundos para frente. Na frente do ambiente,
quebrá-las e despachar no mato. Defumar o ambiente com
folhas de sálvia e lavar o mesmo com chá de alecrim.

- Para acabar com a má sorte:


Materiais:
1m de fita branca larga na medida da cabeça da pessoa;
1 vela de cera na medida da fita.
Maneira de fazer: escrever o nome da pessoa na fita e na
vela, acender e deixar queimar até a metade fazendo os pedi-
dos. Depois, queime o restante da vela em uma igreja dedi-
cada à Nossa Senhora.

- Ebó para tirar maus pensamentos e despertar a inteli-


gência:
Materiais:
2 suspiros brancos;

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Açúcar mascavo;
Pétalas de rosas brancas;
Várias moedas correntes.
Maneira de fazer: misturar tudo e lavar a cabeça. Despa-
char no mar fazendo os pedidos.

ODU OSÉ, OBATALÁ, LOGUN EDÉ OSUN


5 búzios abertos.
Responde: Osun.
Lado negativo do Odu: ilusões amorosas, vingança, fal-
sidade de mulher, aborto.
Lado positivo do Odu: almas gêmeas, casamentos reali-
zados/plenos, futuro brilhante, boas notícias, novidades.
Nesse Odu podemos fazer ebós para o amor, saúde, brilho
pessoal, profissional, paz e prosperidade.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 panela de barro com tampa;
1m de fita azul, amarela, rosa, branca e vermelha;
5 acaçás;
5 obis;
5 velas;
5 bolas de arroz.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa em noi-
te de lua cheia, fazer os pedidos nos obis, despachar no mato
e acender as velas contando para Osun.

- Para chamar alguém distante:


Materiais:

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2 ovos brancos.
Maneira de fazer: bater as claras em neve atrás da porta
de entrada chamando o nome da pessoa. Deixar até ele ou
ela aparecer.

- Ebó para conseguir aproximação e amor verdadeiro:


Materiais:
Foto da pessoa
1kg de milho branco;
Mel;
1 vela de sete dias branca;
2 ovos brancos.
Maneira de fazer: colocar as fotos em um prato branco,
colocar milho branco cozido em cima, adoçar com mel, bater
as duas claras em neve e cobrir tudo. Acender a vela e fazer os
pedidos a Osun, despachando na cachoeira.

- Ebó para conseguir um bom emprego:


Materiais:
5 chuchus;
2 ovos brancos;
Açúcar mascavo;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: ralar os chuchus cantando para Osun,
espremer os mesmos e arrumar a massa numa vasilha de louça.
Bater as claras em neve e cobrir tudo. Adoçar e acender a vela.

- Banho atrativo de Osun:


Materiais:
5 rosas amarelas;

| 113
5 amores-do-campo;
5 cravos-da-índia;
5 paus de canela;
5 flores de laranjeira;
5 gotas de mel.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar o banho na lua cres-
cente de um sábado.

- Ebó para afastar todo o mal:


Materiais:
5 rosas amarelas.
Maneira de fazer: passar as rosas no corpo da pessoa e
despachar na cachoeira fazendo os pedidos.

- Ebó para atrair sorte:


Materiais:
1 prato branco;
1 obí branco;
Arroz com casca.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, colocar
atrás da porta de entrada, chamar pelos bons Odus do pro-
gresso e fazer os pedidos.

- Ebó para quebrar todas as forças de feitiços:


Materiais:
1 panela de barro com tampa envernizada;
16 ovos brancos;
1 litro de dendê;
1m de morim branco.
Maneira de fazer: antes de tudo, olhar-se no fundo da pa-

114 |
nela, passar os ovos no corpo, colocá-los na panela e temperar
com dendê. Amarrar com o morim e jogar na água do mar.

- Ebó para harmonia nos relacionamentos:


Materiais:
1 coração de boi;
1 litro de mel;
1 panela de barro com tampa;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: colocar o coração já batizado com os
nomes das pessoas no fundo do coração, colocá-lo na panela
e cobri-lo totalmente com mel. Tampar e acender a vela fa-
zendo os pedidos e oferecendo ao Orisa Osun na cachoeira.

- Banho para amor e harmonia nos relacionamentos:


Materiais:
Folhas de parreira;
Folha de maçã;
Canela em pau;
Cravo-da-índia;
5 gotas de perfume;
Açúcar mascavo;
Folhas de picão.
Maneira de fazer: macere tudo com as mãos, acrescente o
perfume e tome o banho da cabeça aos pés.

- Ebó para curar qualquer doença:


Materiais:
1 omolocum;
O número de ovos brancos referentes à idade da pessoa.

| 115
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa e ofere-
cer na cachoeira a Osun.

- Ebó para solucionar qualquer problema:


Materiais:
1 dibô;
1 omolocum.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa e ofere-
cer na beira de uma praia limpa, pedindo a Osun que resolva
as pendências.

- Ebó para segurar seu amado(a):


Materiais:
Rastro da pessoa;
1 panelinha de barro;
1 obí branco;
1m de fita branca;
Mel;
100g de cera de carnaúba;
Vaso de plantas sem espinhos.
Maneira de fazer: coloque o rastro da pessoa dentro da pa-
nela, abra o obí, coloque os nomes dentro, ponha mel e feche o
obí. Coloque no fundo da panelinha, derreta a cera de carnaú-
ba e ponha por cima de tudo, lacrando. Enterre no fundo do
vaso de plantas e regue uma vez por mês com água e mel. Esse
vaso de plantas deve ficar atrás da porta de entrada, enfeitando.

- Ebó para prosperidade familiar:


Materiais:
Várias frutas doces e claras.

116 |
Maneira de fazer: na lua cheia, oferecer na cumeeira da
casa a Osun.

ODU OBARÁ
6 búzios abertos.
Respondem: Sango, Osoosi, Logun Ede, Ori e Oyá.
Personalidade: são Pessoas de temperamento forte. São
brigões, ambiciosos, nervosos, sujeitos a fofocas, invejas e
olho gordo. Também possuem muita criatividade, honesti-
dade, beleza física, sinceridade e tomam para si o sofrimento
dos outros. São fiéis e possuem incompatibilidade de gênio
com os familiares.
Lado negativo do Odu: miséria, pobreza, dívidas, rou-
bos, ciladas, vícios diversos, amor extraconjugal.
Lado positivo do Odu: riqueza espiritual, abertura de
caminhos, promoções profissionais, mudanças benéficas.
Nesse Odu podemos fazer ebós para ter dinheiro, sorte,
harmonia e definir nossa posição na vida.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
6 acaçás (ekós) amarelos;
6 moedas;
6 acarajés;
6 ovos brancos cozidos;
6 velas brancas;
6 búzios fechados;
6 pregos novos;
6 gotas de azougue;
1 panelinha de louça branca;

| 117
6 ímãs.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa e arru-
mar dentro da panelinha. Colocar em um caminho de mato
limpo e fazer pedidos bons.

- Banho promotor da prosperidade:


Materiais:
Alecrim da horta;
Folhas de eucalipto.
Maneira de fazer: macerar com as mãos, tomar banhos
por 6 dias.

- Oferenda para sorte e felicidade:


Materiais:
1kg de milho amarelo;
Amendoim torrado;
Coco em fatias;
Folhas de louro;
Folhas-da-fortuna;
6 ovos cozidos.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa fazendo
os pedidos, arrumar num oberá e oferecer numa árvore fron-
dosa na cachoeira, em lua cheia.

- Ebó para não faltar dinheiro em casa:


Materiais:
6 moedas correntes.
Maneira de fazer: passar no corpo da pessoa e colocar em-
baixo do tapete de entrada da casa na lua crescente. Renovar
a cada lua.

118 |
- Ebó para não faltar cliente:
Materiais:
1 padê de mel;
Folhas de eucalipto;
Açúcar mascavo;
1kg de milho amarelo torrado.
Maneira de fazer: toda segunda-feira, antes do sol nascer,
quinar o eucalipto e despachar na rua, chamando por novos
clientes. Fazer um padê de mel e ir colocando da encruzilha-
da até o portão, pedindo a Esú que mostre o caminho dos
novos clientes até você. Subir um morro de chão passando o
milho amarelo no corpo, chamando por Osoosi e fazendo os
pedidos de muitos clientes e muita fartura.

ODU ODI
7 búzios abertos.
Respondem: Omolu, Osolufon e Osoosi, Esú, Osun,
Egungun e Abiku.
Lado negativo do Odu: miséria, vícios diversos, deman-
das, doenças contagiosas, traições.
Lado positivo do Edu: resolução de problemas, curas es-
pirituais, vitória contra traidores, dinheiro.
Nesse Odu podemos fazer ebó para afastar os traidores de
nossa vida, a má sorte e todos os perigos.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
70 moedas correntes;
1 alguidá branco;

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1kg de milho branco cozido;
1kg de milho amarelo cozido;
1 acaçá (ekós) amarelo;
1 vela de sete dias branca;
7 folhas de amendoeira;
1 orogbo;
Mel;
Azeite doce.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa e arru-
mar no oberó. Por último, pegar as moedas, passar no corpo
e colocar em cima fazendo os pedidos ao Odu.

- Ebós para os inimigos nos esquecerem:


Materiais:
1kg de farinha de mesa;
1 litro de mel;
7 velas brancas.
Maneira de fazer: misture a farinha com o mel, faça uma
bola grande e passe no corpo da pessoa. Ofereça no mato
em cima de uma folha de mamona e acenda as velas. Faça os
pedidos e volte.

- Banho para cortar a influência negativa:


Materiais:
7 folhas de guiné;
1 galho de arruda macho/fêmea;
1 dente de alho roxo;
7 pedras de sal grosso.
Maneira de fazer: ferver tudo na lua minguante e tomar o
banho do pescoço para baixo, fazendo os pedidos. Depois, acen-

120 |
der velas para o anjo da guarda e defumar a casa e a si mesmo.

- Defumador contra negatividade:


Materiais:
Estrume de boi;
Casca de alho;
Enxofre;
Assafétida;
Palha de cana.
Maneira de fazer: misturar tudo e defumar o ambiente
dos fundos para a frente com um copo de água atrás da porta
de entrada. Logo que acabar, colocar o defumador do lado de
fora e despachar a água porta à fora, mentalizando que todos
os males foram embora com a água.

- Ebó para prosperidade/abertura de caminhos/amor:


Materiais:
7 qualidades de frutas doces e claras;
7 folhas de dinheiro em penca;
Mel;
Azeite doce;
7 moedas;
Ouro e prata;
1 obí ralado;
1 orogbo ralado;
1 fava divina.
Maneira de fazer: ferver todos os materiais, acender 7 ve-
las brancas ao redor do banho e fazer os pedidos. Logo que
acabar, passar as frutas dos pés para a cabeça, assim como a
água e os demais ingredientes. Recolher tudo e depositar em

| 121
uma praça pública de muito movimento. Isso deve ser feito
na lua cheia e em uma quinta-feira.

- Ebó para proteger a casa de feitiços/olho gordo/roubos:


Materiais:
1 quartinha de louça branca com alça;
1 obí;
1 orogbo;
1 olho-de-boi;
3 espadas-de-são-jorge
1 pé de comigo-ninguém-pode;
1 fita larga vermelha.
Maneira de fazer: arrumar tudo dentro da quartinha, fa-
zer um laço com a fita, colocar essa quartinha ao lado esquer-
do de quem entra na casa e trocar a cada ano de uso. Colocar
água limpa dentro da quartinha e não deixar secar.

- Banho para tirar feitiço/olho gordo/pragas/etc:


Materiais:
3 dentes de alho roxo;
7 folhas de comigo-ninguém-pode;
1 espada-de-são-jorge;
7 pedras de sal grosso.
Maneira de fazer: ferver tudo e tomar banho do pescoço
para baixo na lua minguante.

ODU EJI-ONILE
8 búzios abertos.
Responde: Osogiyan.

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Lado negativo do Odu: mentiras, traições, falsidades, fu-
xicos, brigas e desavenças, doenças que levam à morte.
Lado positivo do Odu: é o mais positivo/poderoso dos
Odus. Traz cargos nos cultos aos Orisas, abertura de cami-
nhos, resoluções na vida.
A pessoa deve dar Bori.
Nesse Odu podemos fazer ebós para vencer as falsidades e
traições. Devemos nos cuidar espiritualmente.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
8 palmos de morim branco;
8 acaçás brancos;
8 bolas de inhame-cará;
1kg de milho branco cozido;
8m de fita branca e azul;
8 velas brancas.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, no mato
limpo. Acender as velas, fazer os pedidos ao Odu e ir embora.

- Banho para evolução espiritual:


Materiais:
Dandá-da-costa ralado;
Levante;
Patchouli;
Panacéia;
Algodão;
Macassá;
1 obí branco ralado;
1 orogbo ralado;

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Água mineral.
Maneira de fazer: macerar esse banho na lua nova e tomar
da cabeça aos pés. Fazer um resguardo de 3 dias sem álcool
ou sexo.

- Ebó para desembaraçar a vida:


Materiais:
5 padês de mel;
1 pombo branco;
5 moedas correntes;
5 velas brancas.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa e dentro
da casa (comercial), soltar o pombo fazendo os pedidos, ir até
a beira de um rio, oferecer os padês e acender as velas.

- Ebó para acalmar clima de briga:


Materiais:
1kg de milho branco;
Mel;
Azeite de oliva;
2 claras em neve;
Fotos das pessoas;
Folhas de saião;
1 prato branco;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: colocar as fotos no fundo do prato, se-
guidas de mel e milho. Temperar com azeite de oliva, co-
brir tudo com folhas de saião e colocar as claras em neve por
cima. Acender a vela e fazer os pedidos de paz.

124 |
- Ebó para movimento de dinheiro e clientes:
Materiais:
1kg de farinha de acaçá;
Mel.
Maneira de fazer: passar 8 acaçás com mel no corpo na
lua cheia e despachar em 8 locais movimentados. Ex: lojas,
praças, bancos, etc.

- Ebó para acalmar e adoçar a vida de uma pessoa:


Materiais:
1kg de milho de pipoca;
Açúcar;
1 pombo branco;
1m de pano branco.
Maneira de fazer: passar todos os materiais no corpo pe-
dindo tudo de bom. Soltar o pombo para Oxalá fazendo os
pedidos pessoais. Misturar o milho e o açúcar, fazer uma
trouxa com o pano e amarrar no alto de uma árvore frondosa.

- Ebó para abrir os caminhos, atrair sorte, dinheiro e clientes:


Materiais:
8 palmos de pano branco;
1 litro de mel;
1kg de milho de canjica;
1kg de farinha de mesa;
1kg de farinha de acaçá;
1kg de arroz;
8 búzios brancos;
8 obís brancos;
8 moedas correntes.

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Maneira de fazer: fazer 8 bolos com os ingredientes aci-
ma, passar tudo no corpo da pessoa, arrumar tudo dentro de
uma bacia de ágata, colocar em volta 8 quartinhas de louça
branca com alça e acender 8 velas. Oferecer a Osaguian e
fazer os pedidos pessoais.

ODU OSÁ
9 búzios abertos.
Respondem: Oyá, Yemonjá e Iyami Osoronga.
Lado negativo do Odu: despotismo, capricho, teimosia,
falsidade, feitiços diversos.
Lado positivo do Odu: espiritualidade, viagens, boas no-
tícias, início de coisas positivas, amor e casamento.
Nesse Odu podemos fazer ebós para tirar os atrapalhos dos
nossos caminhos, renovar a vida e resolver problemas familiares.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
9 palmos de morim vermelho;
1 cabaça grande;
9 acarajés vermelhos;
9 bolos de arroz;
9 ovos cozidos;
1 obí;
1 orogbo;
9 búzios abertos;
9 conchas do mar;
Mel;
Azeite de dendê.
Maneira de fazer: passar todos os ingredientes no corpo

126 |
e arrumá-los dentro da cabaça. Subir um morro bem alto.
Quando chegar ao topo, levante a cabaça acima da cabeça,
chame pelo Odu, faça seus pedidos, deixe lá e vá embora.

- Ebó para se livrar de pragas, negatividade, olho gordo e


feitiços e despertar poderes ocultos:
Materiais:
1 miolo de boi;
1kg de milho branco;
Mel;
Foto da pessoa;
Algodão.
Maneira de fazer: coloque a foto no fundo de um prato bran-
co de louça, cubra com milho branco cozido, coloque o miolo
e cubra com mel. Cubra tudo depois com algodão, ofereça a
Oxalá, faça seus pedidos de tudo de bom e coloque na porta de
uma Igreja de Santo Homem. Por fim, acenda uma vela.

- Para resolver qualquer problema de cabeça (físico, men-


tal e espiritual):
Materiais:
1 fita branca na medida da cabeça da pessoa doente;
1 vela de cera na medida da fita.
Maneira de fazer: passe a vela e a fita na cabeça e corpo da
pessoa, acenda e deixe queimar só até a metade. Faça um laço
com a fita na vela e ofereça no mar para Yemonjá fazendo os
pedidos de melhora e cura da pessoa.

- Ebó para a pessoa vencer todas as dificuldades, empeci-


lhos e feitiços:

| 127
Materiais:
1kg de feijão fradinho;
½ kg de camarão seco;
Azeite de oliva;
5 ovos cozidos;
½ kg de cebola;
1kg de milho branco.
Maneira de fazer: fazer um omolocum e um dibô, passar
no corpo e oferecer numa praia limpa a Yemonjá e Osum, fa-
zendo os pedidos de tudo de bom e pedindo vitória na vida.

- Ebó para acalmar uma pessoa e desenvolver suas facul-


dades mentais:
Materiais:
1kg de milho branco;
Algodão;
Erva-doce.
Maneira de fazer: fazer 9 bolos de milho branco enrolados
no algodão, enfeitar com erva-doce, oferecer junto da foto da
pessoa e fazer todos os pedidos necessários à vida.

- Ebó para afastar maus pensamentos, teimosia ou gênio


agressivo:
Materiais:
1 cebola grande branca;
Arroz branco;
Açúcar cristal;
Perfume.
Maneira de fazer: escrever nome e data de nascimento da
pessoa na cebola, misturar o arroz com perfume e açúcar,

128 |
oferecer com uma vela na praia, a cebola em cima do arroz a
Yemonjá. Faça pedidos pessoais e deixe o local em paz.

- Ebó para promover mudanças positivas, abrir caminhos


e vencer inimigos:
Materiais:
9 ovos brancos;
9 velas brancas;
9 moedas correntes.
Maneira de fazer: por 9 dias seguidos, no pôr do sol, vá
até a praia, passe um dos ingredientes acima no corpo, tome
um banho e volte.

ODÚN OFUN
10 búzios abertos.
Respondem: Osolufón, Osun, Esú e Egun.
Lado negativo do Odu: feitiços amorosos, separação de
casais, doenças diversas na cabeça e barriga, perigo de morte,
teimosia e vícios.
Lado positivo do Odu: recuperação de algo perdido, re-
conciliação conjugal, cura de várias doenças, recomeço pro-
fissional e amoroso.
Nesse Odu podemos fazer ebós para saúde, renovação,
procriação e paz.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 pombo branco;
1 obí branco;
1 vela branca;

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1 bandeirinha branca;
1 acaçá branco;
100 moedas correntes;
Mel;
Azeite doce.
Maneira de fazer: acenda a vela, passe no corpo da pessoa
e segure na mão esquerda. Com a mão direita, segure a ban-
deirinha, peça a alguém para passar em você o restante dos
materiais e faça seus pedidos pessoais. Pingue um pouco de
mel e azeite doce ao lado dos pés da pessoa, passe o pombo e
solte-o evocando Oxalá, fazendo os pedidos pessoais.

- Ebó para sorte, prosperidade, abertura de caminhos e


empregos:
Materiais:
1 obí branco;
10 moedas correntes;
½ m pano branco;
1 fava divina.
Maneira de fazer: passar os materiais no corpo da pessoa,
fazer uma trouxa e colocar dentro do seu travesseiro. Dormir
sobre isso de uma lua cheia à outra. Só então despache dentro
de um banco.

- Ebó para vender imóveis:


Materiais:
1 pombo branco;
Mel;
1 fita branca.
Maneira de fazer: passe o pombo no estabelecimento a ser

130 |
vendido (casa, carro, etc). Escreva nome e endereço na fita
e amarre no pé do pombo. Passe mel em seu bico e solte o
mesmo ao fazer os seus pedidos.

- Ebó para curar doenças diversas:


Materiais:
1kg de milho branco;
Órgão doente de cera;
Algodão;
Mel;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: faça um ebó de Oxalá, coloque o órgão
em cima e acenda a vela. Após 7 dias, despache numa Igreja
de Santo Homem.

ODU OWONIUN
11 búzios abertos.
Respondem: Egun, Oyá, Ogun, Esú, Logun Ede e Osum.
Obs.: esse Odu é ligado a antepassados. Ensina a valori-
zá-los e cultuá-los como única forma de resolver problemas.
Lado negativo do Odu: pessoa pesada (carregada), sem
sorte na vida, perturbada por obsessores, morte súbita, Esú
atrapalhando a vida da pessoa.
Lado positivo do Odu: cultuar os ancestrais, renova-
ção na vida, novidades inesperadas, aberturas de caminhos,
Ogun traz as resoluções.
Nesse Odu podemos fazer ebós para agradar Egun, afastar
doenças, pragas, morte e fazer chegarem a sorte e a amizade.

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- Como pedir coisas boas ao Odu:
Materiais:
1 gamela;
1 inhame-acará cozido e descascado;
1 ekó (acaçá vermelho);
11 gemas de ovos;
1 cristal de rocha;
11 moedas correntes;
11 búzios abertos;
Mel;
Azeite de dendê.
Maneira de fazer: passar todos os materiais no corpo da
pessoa. Colocar a gamela no chão, pôr dentro dela um pou-
co de areia do mar, colocar o inhame por cima e em volta
as gemas, depois o acaçá, as moedas, o cristal e os búzios.
Temperar com mel e dendê. Levar o Ebó ao topo de uma
montanha, subir chamando pelo Odu e ir fazendo os pedidos
pessoais. Deixar no pé de uma árvore bem frondosa d sair de
costas para o ebó.

- Banho para afastar espíritos negativos:


Materiais:
11 folhas de quiabo;
1 pedaço de cacto.
Maneira de fazer: cozinhar e tomar esse banho do lado de
fora da casa. Defumar-se com asséfétida, acender velas para
o anjo da guarda e fazer 3 dias de resguardo dentro de casa.

- Ebó para afastar espíritos negativos:


Materiais:

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1 boneco de pano do sexo do falecido;
1 pedaço de pano preto;
11 velas brancas.
Maneira de fazer: passar esse boneco no corpo da pessoa
com os olhos dele tampados pelo pano preto. Ir a uma cachoei-
ra, acender as velas, despachar o boneco na água e tomar um
banho na cachoeira com sabão da costa. Ir embora e cumprir 3
dias de resguardo. Defumar-se com casca de alho e assafétida.

- Ebó para quebrar as forças do inimigo:


Materiais:
11 ovos brancos.
Maneira de fazer: passar no corpo da pessoa e quebrar em
11 encruzilhadas.

- Como agradar Egun (antepassados) para abrir seus ca-


minhos (só deve ser feito para Eguns de sua família):
Materiais:
1m de pano estampado;
11 bolos de farinha;
11 bolos de tapioca;
11 bolos de fubá;
1 mingau de creme de arroz;
11 ovos brancos;
Muitas pipocas;
A comida preferida da pessoa morta;
1 bandeirinha branca em uma folha (galho) de amora;
11 velas brancas;
A bebida que a pessoa mais gostava;
11 moedas correntes.

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Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, fazer uma
mesa em local afastado de casa, acender as velas, rezar pela pes-
soa, oferecer, fazer os pedidos de tudo de bom e sair de frente
para o ebó. Ao chegar em casa, tomar banho de folhas de quia-
bo do lado de fora da casa e defumar com asséfétida. Acender
uma vela para seu anjo da guarda fazendo os pedidos pessoais.

- Ebó para acalmar Esú e abrir os caminhos:


Materiais:
3 padês (dendê, mel e cachaça);
3 velas brancas;
3 ovos brancos;
3 moedas correntes;
3 cigarros;
3 charutos;
3 cebolas roxas cortadas em 4 partes;
3 acaçás;
3 ekós (acaçás amarelos).
Maneira de fazer: ir a três encruzilhadas e passar um dos
materiais acima, pedindo a Esú que lhe abra todos os cami-
nhos e lhe traga tudo de bom, felicidade e sorte na vida.

ODU EJÍ-LASEDORA
12 búzios abertos.
Responde: Sango.
Lado negativo do Odu: dor de cabeça (real e figurada),
pessoa louca, desequilibrada, casos na justiça, vícios diversos
e alcoolismo, pessoas mal-educadas.
Lado positivo do Odu: heranças a receber, cargos nos cul-
tos aos Orisas, fim dos sofrimentos, resolução de problemas.

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Nesse Odu podemos fazer ebós para pedir o fim do so-
frimento, alcançar a vitória, acabar com os desencontros e
eliminar os inimigos.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 gamela;
12 acaçás;
12 moedas;
12 búzios abertos;
12 conchas do mar;
12 cavalos marinhos;
1 pedra de fogo;
12 orogbos;
Mel;
Azeite doce.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, en-
feitar na gamela e oferecer na pedreira a Sango, fazendo os
pedidos pessoais.

- Ebó para alcançar a vitória em uma questão qualquer:


Materiais:
1kg de quiabo;
Mel;
Azeite doce;
12 orogbos;
12 moedas atuais;
6 qualidades de frutas doces e claras;
1 vela de sete dias branca.
Maneira de fazer: faça um ajebó com os quiabos, mel e

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azeite doce (bater tudo na mão). Passe as moedas e os oro-
gbos no corpo e ponha em cima do ajebó. Passe as frutas pelo
corpo fazendo os pedidos e ponha em cima do ajebó. Passe a
vela no corpo e acenda, oferecendo tudo a Sango. Ponha na
cumeeira de sua casa e deixe por 12 dias. Só então despache
numa pedreira com 1 cerveja preta e 1 vela.

- Ebó para tirar o vício da bebida:


Materiais:
1 garrafa de cachaça;
Cravo-da-índia.
Maneira de fazer: mastigar o cravo-da-índia enquanto
chama o nome da pessoa viciada, fazendo os pedidos. Co-
locar o cravo-da-índia dentro da cachaça e dar à pessoa para
beber até a metade. Oferecer o restante na encruzilhada ao
Esú Tiriri, pedindo que enterre ali mesmo o vício da pessoa.

- Ebó para tirar qualquer vício da pessoa:


Materiais:
1 fronha de travesseiro da pessoa viciada;
Cravo-da-índia.
Maneira de fazer: mastigar o cravo-da-índia chamando o
nome da pessoa e colocá-lo dentro da fronha com nome e
data de nascimento da pessoa. Deixar debaixo do colchão
dela por 7 dias e depois despachar no mar, na maré minguan-
te, pedindo para levar todos os vícios da pessoa e trazer a paz.

ODU EJI OLOGBON


13 búzios abertos.
Respondem: Nanã Buruku e Sanponná, Omolu, Yamim,

136 |
Oyá, Egun, Ori e Esú.
Lado negativo do Odu: morte por doenças incuráveis,
feitiços feitos no cemitério, casos amorosos com escândalo,
falsidade de amigos próximos, inveja, dúvida, homem mau.
Lado positivo do Odu: vence as dificuldades, proteção
dos ancestrais, cura de doenças, velhice feliz.
Nesse Odu podemos fazer ebós para nos livrar dos feiti-
ços, morte e doenças, assim como vencer os invejosos.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 oberó;
1 corvina crua, sem escamas ou tripas;
1 ekó (acaçá amarelo);
1 acaçá branco;
1 obí;
2 padês (água e dendê);
7 folhas de mostarda;
13 grãos de pimenta-da-costa;
1 gota de azougue;
1 ímã.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo, arrumar dentro
do oberó, despachar num mato perto de um lago, rio ou ca-
choeira, fazendo os pedidos pessoais. Acender vela no lugar.

- Ebó para afastar espíritos ruins:


Materiais:
1kg de feijão preto;
1kg de feijão vermelho;
1kg de feijão branco;

| 137
1kg de feijão fradinho;
1kg de todos os outros feijões que encontrar;
1kg de arroz branco;
1kg de milho branco;
1kg de milho de pipoca;
1kg de pó de café;
1kg de açúcar;
13 cebolas brancas;
13 bolos de farinha branca;
13 acaçás;
1m de pano preto, vermelho, branco e estampado;
3 padês (mel, dendê e cachaça);
13 velas brancas;
13 charutos;
Muitas flores brancas;
1 tubo de pólvora;
7 qualidades de verdura;
7 qualidades de legumes;
1 bicho de pena no sexo do Egun.
Maneira de fazer: passar todos os materiais acima crus, co-
zidos e torrados no corpo da pessoa, passar o bicho e sacrificar
em cima do ebó, fazer um círculo com pólvora e botar fogo.
Dar banho de folhas de quiabo e defumador de assafétida.

- Ebó para conseguir amizades:


Materiais:
Muitas flores de laranjeira;
Rosas brancas e amarelas;
Mel.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa e ofere-

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cer às almas santas e benditas
numa igreja, fazendo os pedidos pessoais. Acender velas e
fazer orações, agradecendo a graça que deseja.

ODU IKÁ-ORI
14 búzios abertos.
Responde: Oxumaré.
Lado negativo do Odu: problemas com amigos, deman-
das profissionais, doenças passageiras, falsidades diversas,
paixões fogo-de-palha, desequilíbrios na personalidade.
Lado positivo do Edu: novidades afetivas e profissionais,
pessoa equilibrada, muito dinheiro a caminho, novas amiza-
des, sorte em jogos.
Neste Odu podemos fazer ebós para o amor, ganhar em
jogos e sexualidade.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 travessa de louça branca;
1 peixe vermelho;
7 padês (azeite doce, dendê, água, mel, vinho branco,
água, açúcar e perfume);
14 bolas de inhame-cará;
14 bolas de arroz;
14 acaçás;
1 obí de 4 gomos;
1 orogbo;
14 moedas atuais;
14 velas brancas.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo, arrumar na tra-

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vessa fazendo os pedidos pessoais e despachar num mato lim-
po e rasteiro.

- Ebó para conseguir realizar todos os seus sonhos:


Materiais:
½ kg de todas as frutas doces que conseguir;
Mel.
Maneira de fazer: passá-las no corpo, cortar e fazer uma
salada de frutas. Adoçar com mel, fazendo os pedidos pessoais,
e comer por 14 dias seguidos, começando na lua crescente.

- Ebó para agilizar coisas positivas:


Materiais:
1kg de milho de galinha;
1kg de feijão fradinho;
O número de moedas correntes correspondente à sua idade.
Maneira de fazer: cozinhar os cereais, misturar com as
moedas e passar no corpo, fazendo os pedidos. Despachar na
porta de um banco.

- Ebó para trazer prosperidade:


Materiais:
1 travessa de louça;
1 noz-moscada;
3 folhas de louro;
Canela em pau;
Cravo-da-índia;
Erva-doce;
Milho de galinha;
Feijão fradinho;

140 |
Arroz com casca;
Número de moedas referente à sua idade.
Maneira de fazer: misturar tudo e passar no corpo. Arru-
mar na travessa, colocar por 14 dias atrás da porta de entrada
da casa e depois colocar na cumeeira. Passado um ano, des-
pachar na porta de um banco ou casa de grande movimento.

ODU OGBÉ-OGUNDÁ
15 búzios abertos.
Respondem: Obá e Ewá.
Personalidade: são Pessoas sonhadoras, com muita força
de vontade, lutam pelo que querem, são rebeldes e cheias
de vontade, teimosas e inquietas. Porém são conciliadoras,
vivem com problemas psicológicos e afetivos.
Lado negativo do Odu: problemas (doenças) de pernas
e vistas, guerras de pessoas do mesmo sexo, negócios ruins e
desastrosos, perseguição e perigo de morte.
Lado positivo do Odu: felicidade no amor, bons negó-
cios a caminho, caminhos abertos.
Nesse Odu podemos fazer ebós para conseguir felicidade
pessoal e paz.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 cabaça;
1 topázio bruto;
15 caroços de milho;
15 caroços de feijão fradinho;
1 acaçá;
1 acarajé;

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1 ímã;
1 gota de azougue;
1 pombo branco.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo, colocar dentro da
cabaça e despachar no pé de árvore fazendo os pedidos a Esú.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 igbim (caramujo).
Maneira de fazer: passe o igbim no corpo e ofereça-o a
Obatalá, ou solte-o na beira de um rio.

ODU ALAFIA
16 búzios abertos.
Responde: Obatalá.
Obs.: as pessoas desse Odu são proibidas de usar preto e
vermelho, devem fazer tudo no dia de domingo e usar muito
incenso, meditação e banhos aromáticos.
Lado negativo do Odu: morte e toda sorte de infelicidade.
Lado positivo do Odu: sorte duradoura, saúde forte,
prosperidade constante, amor verdadeiro, futuro promissor,
proteção espiritual.
Nesse Odu podemos fazer ebós para conquistar a felici-
dade e sorte. Também podemos fazer ebós para prosperar e
sermos feliz em todos os sentidos, inclusive afastando a mor-
te e doenças graves.

- Como pedir coisas boas ao Odu:


Materiais:
1 búzio;

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1 obí branco;
1 moeda;
16 ramos de trigo;
1kg de milho branco;
1 tigela branca de louça.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo, arrumar tudo den-
tro da tigela e fincar os ramos de trigo em volta. Depois de
passar no corpo, oferecer o igbim vivo em cima de tudo e colo-
car num mato limpo, próximo à água limpa. Fazer os pedidos.

- Ebó para conseguir graças especiais e/ou impossíveis:


Materiais:
16 bolsos de inhame;
16 frutas claras e doces;
16 moedas correntes;
16 acaçás brancos e doces;
16 folhas de parreira;
16 punhados de ebó.
Maneira de fazer: passar tudo no corpo da pessoa, numa
cachoeira. Arrumar todos os ingredientes perto da água,
acender 16 velas brancas perfumadas e oferecer a Orunmilá
e Ifá, fazendo seus pedidos. Na volta, tomar banho da cabeça
aos pés de macassá, manjericão, louro, açúcar mascavo, 16
cravos brancos e dandá-da-costa.

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PALAVRAS FINAIS

Chegamos ao final deste livro, mas não deste assunto,


que possui, em si mesmo, por seus inúmeros ângulos e as-
pectos, muita riqueza e variedade de possibilidades e muita
sabedoria ancestral.
Você deve ter observado que os princípios e maneiras de
se praticar a magia na África e aqui no Brasil, pelo caminho
dos Odus e Orisas, é o mesmo do resto do mundo, só mu-
dando, é óbvio, os elementos usados ou os Deuses evocados.
Hoje em dia, a figura desfigurada da bruxa e a crença no
diabo de chifre e rabo “graças a Deus” ou “aos Deuses” está
cada vez mais longe da nossa realidade (interior e cotidiana).
Também, vemos homens de terno e gravata, executivos e em-
presários, e mulheres socialites de vestido longo de seda e salto
alto fazendo os mesmos rituais (ou ebós) que nossos ancestrais
faziam há seis ou oito mil anos. Assim será até que o último
dos homens tenha aprendido a usar seus poderes interiores
com consciência para criar a sua realidade com facilidade e
felicidade e não precise de uma “mãozinha da mãe natureza”.
“Ainda que eu falasse a língua dos anjos ... sem amor eu
nada seria”.
Parece que essa frase do apóstolo Paulo nos primórdios do
cristianismo ainda resume o nosso ideal de evolução humana
aqui no planeta Terra (acho até que ela resistirá ao tempo).
Os ebós aqui contidos podem ser feitos por leigos com

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orientação de um Babalorisá ou Yalorisá, pois seus efeitos, se
mal feitos, podem não corresponder às expectativas pessoais
ou à finalidade das mesmas. Por isso, acautelem-se.
Também quero informar que não existe garantia de que
os resultados mencionados aqui ocorrerão em qualquer me-
dida ou momento. A lei cósmica constitui uma experiência
entre o indivíduo e os Orisas, e cada um pode prestar teste-
munho apenas dos resultados pessoais, dependendo de cada
um provar os ebós.
Nunca devemos nos esquecer de que só o amor constrói
e de que a “lei do semelhante” reina no mundo, ou seja, o
que você quiser para si deve primeiro dar para os outros, pois
você só atrairá aquilo que você mesmo for na sua alma. A
outra lei reinante no mundo é a de “causa e efeito “ou “lei do
carma”, em que você recebe de volta multiplicado aquilo que
dá. Não há pessoa ou conhecimento no mundo que possa
fugir ao poder, força e vigor dessas leis.
Vibrações de ódio, desamor, inveja, ciúmes, vaidade ou
qualquer outra desse nível invalidarão os ebós, pois os mes-
mos têm por finalidade só coisas positivas, que são opostas
ao exposto acima.
Já o amor a si mesmo e ao próximo, a gratidão, a reverência
aos antepassados e os sentimentos, palavras e pensamentos posi-
tivos têm o poder de intensificar os ebós e seus efeitos positivos.
Como você mesmo viu, seu futuro está em suas mãos, use
seu poder com responsabilidade.
Qualquer opinião, atitude ou ritual mágico que você ve-
nha a fazer que não esteja contido neste livro ou dentro da fi-
losofia aqui exposta ocorrerá por sua responsabilidade, e não
minha, pois eu deixei tudo muito claro neste livro, diante do

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universo, da vida e dos Orisas.
Rogo a todas as energias para que você expanda a sua
consciência e tenha uma vida melhor - só depende de você.
Fiquem com a certeza de que fiz o meu melhor, apresen-
tando esta obra e a esperança de que você pode refazer a sua
vida e ser muito mais pleno, realizado e feliz.

Boa Sorte e muito asé para você.

Yóv Glaucio Costhae.

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O AUTOR E SUA OBRA

Yóv Glaucio Costhae é astrólogo, tarólogo e numerólogo


profissional, tendo seus clientes no eixo São Paulo - Rio de
Janeiro - Espírito Santo, além de em outros países, como In-
glaterra e EUA, com trinta anos de atuação na área mística.
Trabalhou nos anos 90 na cidade de Cariacica (ES), no pro-
jeto MYLLÊNIUN, que inclui uma coluna no jornal local e
um quadro de mesmo nome na rádio local. O assunto é sempre
a resolução dos problemas através da evolução da consciência.
Palestrante interestadual, seus temas abordados incluem
prosperidade, sexualidade, harmonia familiar, carma, reencarna-
ção, entre outros. As palestras são sempre muito frequentadas e
realizadas em associações de yoga, livrarias, sindicatos, etc.
Iniciado no culto aos Orisas em junho de 1988, participou
até 1995 ativamente das atividades sociais e ritualísticas do seu
egbe (casa de culto). Também iniciado na magia, trabalha em
feiras esotéricas atendendo e palestrando em todo o Brasil.
Atualmente, faz mensalmente webnários na Rede Aqua-
rius Online.

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BIBLIOGRAFIA

- Da Silva José Ornato – A Linguagem Correta dos Orisas – Edi-


tora Pallas – 1994.
- Ervas – Raízes Africanas – Editora Palha – 1973.
- Barcellos Cesar – Os Orisas e a Personalidade Humana – Editora
Palhas – 1990.
- Togún Altair – Elegun, iniciação no candomblé – Editora Palhas – 1995.
- Portugual Fernandes – Apostila Magia Yorubá.
- Gasparetto Antonio Luiz – A Verdadeira Arte de Ser Forte – Fita
k7 Os Caminheiros.
- Buonfiglio Mônica – Búzios o Oráculo dos Orisas – Ed. Outras
Palavras – 1992.
- Elbein dos Santos – Os Nagos e a Morte – Editora Vozes – 1975.
- Jr. Fonseca Eduardo – Dicionário Yorubá (Nagó) Português –
1988.
- Ekundayo Taiwo – Apostila sobre adivinhação ebo e magia –
Centro Cultural Yorubá- 1995.
- OBA – OJU – O verdadeiro Jogo de Búzios – Edf. Eco – 2º Edição
- Cunningham Scott – Guia essencial da bruxa solitária - Ed. Gaia -1998.
- Karade Ifá – Manual dos conceitos da religião Yorubá – USA
- Magos Colégio – Plantas medicinais de A a Z – 1999.
- CILDO Di Ossun pai – Orisàs, o segredo da vida – Motivo Edi-
torial Ltda – 1996.
- Rosacruz Fraternidade – Ecos – Julho/Agosto 1999.
- Pensamento Almanaque – Editora Pensamento – 1999 e 2000.
- Spacassassi Geraldo – Baralho PETIT Lenormand.

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CONTATO

Yóv Glaucio Costhae


WhatsApp +55 27 99984-0165
E-mail: glauciocosthaeastrologo@gmail.com
Site: http://yovglauciocosthae.com.br
Facebook/ @glauciocosthaeastrologia
Instagram/@yovglaucio

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Alguns projetos têm mesmo vida própria, parece até que não são
nossos, mas sim regidos por uma força universal que decide o
momento exato em que eles devem existir livremente. Quando
escrevi este livro no ano 2000, foi um frenesi, pois em um mês estava
tudo escrito. Mas, quem diria, este filho teve uma gestação longa –
19 anos para ser mais exato.
Este é um compêndio de magias que aprendi e pratiquei por vários
anos e com muito sucesso e que sempre quis passar adiante, mesmo
não professando a religião afro-brasileira há mais de duas décadas.
Meu intuito maior com o “Èmi Õgun – Vida Mágica” é dar um sentido
filosófico ao culto, algo atípico na prática da religião afro-brasileira
em nosso país, onde, muitas vezes, os praticantes são movidos
apenas pelo desejo de aprender receitas sem melhorar seu caráter
ou conhecer a fundo as leis e o funcionamento da magia.
A missão deste livro é vir para o bem e levar o bem para os que
vislumbram a prática da religião afro-brasileira ou que desejam
aperfeiçoar a si mesmos, refinando seus métodos de culto.
Desejo a todos uma leitura leve e edificante para si e para as ações
que tenham com o próximo.
Uma vida mágica para você e boa leitura.

Este livro foi composto no inverno de 2019,


na tipografia Garamond Pro, de Claude Garamond, corpo 11/15,
sobre papel pólen soft 80g/m2.

ISBN 978-65-901044-0-3

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