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Universidade Estadual de Feira de Santana

Departamento de Ciências Humanas e Filosofia


Disciplina: CHF 188 – História da Antiguidade I
Professor: Brian Gordon W. Kibuuka
Aluno: Rafael Dantas
Data: 18 de Janeiro de 2019

AV1. A partir do material de apoio das aulas 9 a 14, comente as estratégias imperialistas
de um dos Impérios indicados.
As estratégias imperialistas do Império de Acade (2340-2150 a. C) serão analisadas
nessa atividade, a partir da tentativa de articulação do texto-base das aulas 9 a 14 ao
vídeo disponível das referidas aulas. O objetivo deste exercício é tentar organizar uma
sequência lógica de desenvolvimento para algumas políticas imperiais antigas.
Ao estudarmos a expansão do império acádio durante as aulas, percebemos que a
necessidade premente das grandes cidades-estado do terceiro milênio era a garantia do
fluxo de produtos necessários ao abastecimento da população, que experimentava um
constante crescimento. De acordo com o que foi exposto pelo professor durante essas
aulas, a figura do rei de cada cidade-estado centralizava o conjunto de possibilidades de
desenvolvimento político, econômico e social, sob a sanção do divino. Deste modo, a
lógica política dominante no período era aquela que privilegiava a expansão do domínio
de uma cidade-estado sobre outra, fundamentada no poder bélico, cobrando-lhe tributos
e garantindo o seu controle sobre as rotas de comércio e abastecimento de alimentos. A
dominação política também significava dominação religiosa, sob a justificativa da
superioridade de um deus sobre outro, o que garantia ao corpo sacerdotal grande parcela
do poder político, distorção que possibilitava sérias tensões internas.
Exemplo clássico desse modelo político de imperialismo, diz o texto-base elaborado
pelo professor, é o Império de Acade. De acordo com o texto, o modelo de império
instituído por Sargão I (2340 – 2284) estabelece como seu elemento central de controle
a fundação de uma nova cidade, expressão do poder da realeza. Tal regime político
impõe aos governantes das cidades anteriormente independentes o domínio do rei de
Acade, centralizando o poder e sua condução política. Esta centralização foi acentuada
ainda mais sob o reinado de Naram-Sin (2260 – 2223), neto de Sargão, quando este se
proclama um deus e se auto intitula “rei dos quatro cantos (do universo)”. É justamente
essa hiper centralização (provocadora de pressões internas), apontada no texto-base
como um “problema fundamental” (p. 18) do Império de Acade, a causa da queda desse
império, aliada a pressões externas de impérios vizinhos.
A partir do exposto temos, então, que a lógica política do terceiro milênio é
condicionada pela dependência do controle das rotas comerciais, garantia do
abastecimento e prosperidade das cidades. Este paradigma sofre uma alteração na virada
para o segundo milênio, onde observa-se o surgimento de um grande número de
cidades-estado fortes, em permanente estado beligerante. Deste modo, a garantia de
sobrevivência de um império já não é mais dada apenas a partir do controle das rotas de
comércio e abastecimento, mas da sua capacidade de neutralizar ameaças vizinhas. A
depuração dessas técnicas de controle/sobrevivência vão resultar, já no primeiro
milênio, no desenvolvimento de um novo modelo político de imperialismo, onde as
táticas de dominação (como a técnica de desterro, implementada pelos assírios –
1300/612 a. C.) extrapolam a simples subjugação bélica, mas privilegia o domínio
ideológico e cultural, a partir de sofisticadas técnicas de dominação.