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Modelos de Auditoria Energética e Gestão de Energia


EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E GESTÃO DE ENERGIA

Modelos de Auditoria Energética e Gestão de Energia

Jônatas Duarte Lima

Resumo

Este e-book, compreende terminologias e identificação de potenciais de


eficiência energética nos processos e usos finais de energia; Elaboração de
diagnósticos energéticos e modelos de auditoria e gestão energética (CICE, ISO
50001); Protocolo Internacional de Medição e Verificação dos Resultados.

Modelos de Auditoria Energética e Gestão de Energia


Sumário
1. Gestão Energética ..................................................................................................................... 4
2. Metodologias Padronizadas de Gestão Energética ......................................... 5
2.1. Família de Normas ISO 50000..................................................................................... 6
2.2. Implantação de um SGE .................................................................................................. 8
3. Auditorias Energéticas ........................................................................................................10
4. Desenvolvendo uma Auditoria Energética ..........................................................13
4.1. Nível de Detalhamento ...................................................................................................13
4.2. Metodologia de Trabalho ..............................................................................................14
4.3. Usos Significativos de Energia (USEs) ..................................................................16
4.4. Indicadores de Desempenho Energético (IDEs) .........................................17
4.5. Relatório de Diagnóstico Energético ...................................................................19
5. Medição & Verificação de Resultados (M&V) .......................................................21
5.1. Protocolo Internacional de Medição & Verificação de Performance
(PIMVP) ....................................................................................................................................................21
5.2. Linha de Base Energética (LBE) ...............................................................................22
5.3. Plano de Medição & Verificação (PMV) ...............................................................24
5.4. Relatório de Medição & Verificação (RMV) .......................................................26
6. Recomendações.......................................................................................................................28
Referências ............................................................................................................................................30
Biografia ..................................................................................................................................................30

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1.
Gestão Energética

“Gestão de energia”, “conservação de energia” e “eficiência energética” têm sido


utilizados frequentemente como termos sinônimos, equivocadamente.
Enquanto o termo conservação de energia é mais bem entendido no sentido
amplo de se evitar o desperdício de energia (por exemplo, por meio da prática
de bons hábitos de consumo), a eficiência energética consiste na relação entre
a quantidade de energia empregada em uma atividade e aquela
disponibilizada para sua realização. Portanto, conservação de energia e
eficiência energética não são termos sinônimos, mas estão relacionados. A
conservação abrange a eficiência.

A gestão de energia, porém, vai além de ações isoladas de conservação e


eficiência. Sob o ponto de vista do consumo final, a gestão de energia pressupõe
esforços permanentes na busca da redução do seu uso para um mesmo nível
de produção. Em outras palavras, o objetivo da gestão energética é a melhoria
contínua do desempenho energético de uma empresa.

Eficiência
Energética

Conservação
de Energia

Gestão
Energética

Por se tratar de uma abordagem de melhoria contínua, a gestão de energia em


uma empresa exige esforços importantes como o estabelecimento de uma
política energética, objetivos, metas e planos de ação.

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2.
Metodologias Padronizadas de
Gestão Energética

A padronização de metodologias e procedimentos em gestão energética para


as organizações tem sido objeto de estudo profundo por diferentes
interessados, em todo o mundo, há anos.

Esforços da comunidade internacional do setor de energia com vistas a uma


abordagem prática para gestão de energia nas organizações garantiram o
desenvolvimento de metodologias, técnicas e procedimentos diversos para o
devido processamento, análise, julgamento e ações de gestão de energia.
Diferentes protocolos para o desenvolvimento de ações em eficiência
energética foram elaborados, em especial na década de 1990, com destaque
para o Protocolo Internacional de Medição & Verificação de Performance –
PIMVP, da Efficiency Valuation Organization – EVO.

Em 2011, a ISO (International Organization for Standardization), uma federação


mundial de organismos nacionais de normalização (organismos membros da
ISO), publicou a ISO 50001 – Sistema de Gestão de Energia, com objetivo de
permitir que as organizações estabeleçam os sistemas e processos necessários
para melhorar o desempenho energético, incluindo a eficiência energética, uso
e consumo. Em certa medida, pode-se afirmar que a ISO 50001 (e demais
normas da família ISO 50000) compilou, normalizou, ampliou e universalizou
recursos e estudos que, antes, caminhavam separadamente. Em 2018, a ISO
50001 foi atualizada, com o objetivo principal de incorporar à norma a estrutura
padrão dos sistemas de gestão da ISO – a Estrutura de Alto Nível (High Level
Structure – HLS). Este processo de revisão, incorporou à ABNT NBR ISO 50001
uma nova relação entre a estrutura do PDCA e os elementos do HLS agregados
em sua estrutura.

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A ISO 50001 é baseada no modelo de sistema de gestão de melhoria contínua,
também utilizado para outros padrões bem conhecidos, como ISO 9001 e ISO
14001. Isto facilita para as organizações integrarem o gerenciamento de energia
em seus esforços a fim de melhorar a qualidade (ISO 9001) e gestão ambiental
(ISO 14001).

A família de normas ISO 50000, portanto, serve como um roteiro de aplicação


geral para auxiliar as empresas no desenvolvimento de um Sistema de Gestão
de Energia (SGE). Semelhantemente a outras normas de gestão ISO, as normas
da família ISO 50000 são fundamentadas no conceito PDCA (Plan – Do – Check
– Act) de melhoria contínua, conforme figura abaixo.

Fonte: PROCOBRE, 2016.

2.1. Família de Normas ISO 50000

Com vistas a facilitar o entendimento, bem como dar o suporte necessário para
a implantação da ISO 50001, foram elaborados textos normativos
complementares focados em aspectos específicos de um Sistema de Gestão de
Energia (SGE). Este conjunto de normas compõe a família ISO 50000 que, além

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da ISO 50001:2018 – Requisitos com orientações para uso, compreende os
seguintes textos auxiliares:

• ABNT NBR ISO 50002 – Diagnósticos energéticos – Requisitos com


orientação para uso;
• ABNT NBR ISO 50003 – Sistemas de gestão de energia – Requisitos para
organismos de auditoria e certificação de sistemas de gestão de
energia;
• ABNT NBR ISO 50004 – Sistemas de gestão de energia – Guia para
implementação, manutenção e melhoria de um sistema de gestão de
energia;
• ABNT NBR ISO 50006 – Sistema de gestão de energia – Medição do
desempenho energético utilizando linhas de base energética (LBE) e
indicadores de desempenho energético (IDE) – Princípios gerais e
orientações;
• ABNT NBR ISO 50015 – Sistemas de gestão de energia – Medição e
verificação do desempenho energético das organizações – Princípios
gerais e orientações.

A figura abaixo ilustra como cada texto da família ISO 50000 presta suporte
específico para cada fase no processo de implantação de um SGE.

Fonte: PROCOBRE, 2016.

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2.2. Implantação de um SGE

Como qualquer sistema de gestão de melhoria contínua (a exemplo da ISO


9001), a ISO 50001 e suas normas auxiliares têm um conjunto definido de
objetivos que devem ser almejados pelas organizações interessadas na
implantação de um SGE:

• Dar suporte às organizações para que estabeleçam usos e consumos


mais adequados de energia;
• Criar uma comunicação fácil e transparente a respeito da gestão sobre
recursos energéticos;
• Promover as melhores práticas de gestão energética e reforçar os
ganhos com a aplicação da gestão da energia;
• Suportar a avaliação e priorização de implantação de novas tecnologias
mais eficientes no uso da energia;
• Estabelecer um cenário para promoção da eficiência energética através
da cadeia de suprimento;
• Favorecer a melhoria da gestão da energia em conjunto a projetos de
redução de gases de efeito estufa;
• Permitir a integração com outros sistemas de gestão organizacionais tais
como ambiental e de saúde e segurança.

O Guia de Aplicação da Norma ISO 50001 – Gestão da Energia (PROCOBRE,


2016) resume a implantação do SGE a cinco passos fundamentais, considerando
suas respectivas atividades específicas, atribuições necessárias para seu
desenvolvimento e recursos necessários. Estes passos são sintetizados no
diagrama abaixo.

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PASSO 1: CONTEXTO
• Analizar o contexto da organização
• Entender as necessidades e expectativas
• Determinar o escopo e estrutura do SGE
• Liderança e compromentimento
• Política energética
• Papéis organizacionais
• Gestão de mudanças

PASSO 5: MELHORAR (ACT) PASSO 2: PLANEJAR (PLAN)


• Não conformidade e ação corretiva • Revisão energética
• Melhoria Contínua • Ações para lidar com riscos e oportunidades
• Indicadores de desempenho energético (IDE)
• Linha de base energética (LBE)
• Objetivos energéticos e planejamento para atingi-los
• Planejamento da medição de energia

PASSO 4: MONITORAR (CHECK) PASSO 3: GERENCIAR (DO)


• Monitoramento, medição, análise e avaliação do SGE e • Recursos necessários
do desempenho energético • Competências necessárias
• Avaliação de requisitos legais e outros requisitos • Ações de conscientização
• Auditoria Interna do SGE • Estratégia de comunicação
• Revisão da Direção • Documentação da informação
• Planejamento e controle das operações
• Aquisição de serviços, produtos e energia

Como atividade fundamental na fase de planejamento (Passo 2: Planejar)


encontra-se a Auditoria Energética (ou Revisão Energética), que será abordada
na próxima seção.

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3.
Auditorias Energéticas

A fase de planejamento energético, conforme ISO 50001, requer uma análise


completa do uso e consumo de energia da empresa. Esse objetivo é cumprido
por meio de uma auditoria energética, identificando as áreas de uso significativo
a fim de se encontrar oportunidades para melhora do desempenho energético.

É oportuno ressaltar um detalhe terminológico curioso, uma vez que expressões


como “diagnóstico energético” e “análise energética” têm sido utilizadas,
corriqueiramente, como sinônimas de “auditoria energética”. De fato, a
literatura utiliza tais expressões indistintamente e, certamente, na maioria dos
casos seu significado é único, tratando da análise sistemática dos fluxos de
energia em um sistema particular, visando discriminar as perdas e orientar um
programa de uso racional de insumos energéticos. A Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL) utiliza o termo diagnóstico energético, conforme
definição:

Um diagnóstico energético consiste em uma avaliação


detalhada das oportunidades de eficiência energética na
instalação do consumidor de energia, resultando em um
relatório contendo a descrição detalhada de cada ação
de eficiência energética e sua implantação, o valor do
investimento, economia de energia (e/ou redução de
demanda na ponta) relacionada (estimativa ex-ante),
análise de viabilidade e estratégia de medição e
verificação a ser adotada (ANEEL, 2018).

A norma ABNT NBR ISO 50002:2014 – Diagnósticos energéticos: requisitos com


orientações de uso utiliza o termo “diagnóstico energético”.

Neste material, auditoria energética e diagnóstico energético serão utilizados


indistintamente, como sinônimos.

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Um diagnóstico energético é, portanto, parte integrante do programa de
gestão, como ferramenta essencial para compreensão e planejamento de
ações. O diagnóstico deve levar em consideração os parâmetros e os objetivos
definidos na política energética, tais como retorno financeiro mínimo aceitável
pela direção para implementação de medidas ou informações sobre reformas
planejadas na empresa. Seus resultados devem gerar uma compreensão do
perfil de consumo existente, habilitando os responsáveis a serem capazes de
traçar uma linha de base que permitirá calcular futuras economias, estabelecer
metas de consumo e criar um plano de ação para implantação ou estudo
detalhado de medidas de eficiência energética.

É, portanto, o momento de a organização detalhar seus processos internos e os


usos específicos que faz da energia. Em primeiro lugar, deve-se buscar conhecer
os aspectos dos históricos de consumo da energia, para identificar os tipos de
energia utilizados e a sua distribuição entre os diversos processos da
organização. Com base nessas informações, será possível definir as bases que
sustentarão a medição sistemática do desempenho energético e analisar as
melhorias a serem implementadas. O estabelecimento das linhas de base
energéticas (LBE, conforme capítulo 5.2) e dos indicadores de desempenho
energético (IDE) permite verificar se os objetivos e metas previamente
estabelecidos estão sendo atendidos.

A imagem a seguir sintetiza o fluxo de atividades associadas à auditoria


energética ou, conforme nomenclatura utilizada pela ISO 50001, a revisão
energética.

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ENTRADAS ANÁLISES SAÍDAS

•Dados de consumo •Análise do uso de •Lista de usos


histórico energia e consumo significativos de
•Dados de variáveis •Identificação de energia (USEs)
relevantes áreas de uso e •Balanço energético
("variáveis consumo •Padrões de
independentes") significativo de consumo de
•Dados técnicos e energia energia
de desempenho •Identificação de •Indicadores de
•Gráficos de fluxos oportunidades desempenho
de processos para melhoria de energético (IDRs)
•Partes desempenho •Linhas de base
interessadas energético energética (LBEs)
•Objetivos
•Metas
•Planos de ação
•Planos de medição

É importante ressaltar que a auditoria energética (ou revisão energética) deve


ser atualizada em intervalos pré-definidos ou sempre que a organização passar
por alterações capazes de afetar aspectos relevantes do seu uso e consumo de
energia. A substituição de equipamentos ou sistemas, a ampliação ou redução
da gama de fontes de energia consumida e a alteração da lógica de processos
são exemplos de alterações que demandariam uma nova revisão energética.

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4.
Desenvolvendo uma Auditoria
Energética
4.1. Nível de Detalhamento

Um diagnóstico energético pode ter diferentes níveis de profundidade e


detalhamento. É comum categorizar o escopo em quatro níveis: Análise
Preliminar (walk-through survey), Análise de Custos (utility cost analysis),
Auditoria Energética Padrão (standard energy audit) e Auditoria Energética
Detalhada (detailed energy audit) focada na análise de investimentos
específicos.

Nível Descrição

Consiste tipicamente em uma rápida visita técnica no local para


Análise Preliminar identificar áreas onde ações simples e de baixo custo (geralmente
(walk-through survey) ações de operação e manutenção) possam prover de maneira rápida
reduções de custos com energia e operações.

Inclui uma cuidadosa avaliação do uso medido de energia e custos


Análise de Custos operacionais da unidade. Tipicamente, são avaliados dados de vários
(utility cost analysis) anos para se identificar padrões do uso de energia, demanda de ponta,
efeitos climáticos e potenciais economias de energia.

Consiste em uma análise abrangente dos sistemas energéticos da


Auditoria Energética unidade consumidora. Em particular, inclui o desenvolvimento de uma
Padrão (standard linha de base energética para o desempenho energético da unidade, a
energy audit) avaliação de economias potenciais e o custo-benefício de ações de
conservação selecionadas.

Mais abrangente, porém exige maior tempo para realização. Inclui o


Auditoria Energética uso de instrumentos de medição para a instalação e/ou para alguns
Detalhada (detailed sistemas específicos da unidade (ex. motores, lâmpadas etc.). Ainda,
energy audit) simulações computacionais sofisticadas são geralmente consideradas
para formulação das recomendações.

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Da tabela anterior, observa-se que a realização de uma auditoria energética é
incremental do ponto de vista técnico e de custo. Se considerarmos a
contratação de consultores externos para a realização de uma auditoria
energética, é comum a cobrança de valores baixos ou até mesmo nulos para a
realização de uma Análise Preliminar, ao passo que uma Auditoria Energética
Detalhada requer a remuneração de honorários de profissionais mais
especializados e, consequentemente, mais caros.

Entretanto, é importante ressaltar que cada nível de auditoria tem sua limitação
e, logicamente, o investimento em um nível de maior detalhamento significa,
necessariamente, maior precisão nas avaliações, melhor análise dos riscos
envolvidos e mais subsídios no processo de tomada de decisão.

4.2. Metodologia de Trabalho

A realização de uma auditoria energética deve ser sistemática, seguindo etapas


claras e objetivas. O fluxograma abaixo resume as etapas de uma auditoria
energética, conforme práticas recomendadas pela ISO 50002 – Diagnósticos
energéticos – Requisitos com orientação para uso.

▪ Planejamento do Diagnóstico Energético e Reunião de Abertura: O


planejamento do diagnóstico começa com uma reunião entre o cliente
e o auditor afim de se identificar os objetivos do trabalho. Nessa reunião,
devem ser abordados aspectos sobre o histórico da unidade
consumidora, ações de eficiência energética já realizadas, planejamento
de reformas a serem feitas no futuro, expectativas do trabalho, metas

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específicas, e premissas econômicas utilizadas para tomada de decisões
de investimento.

▪ Coleta de dados: O auditor deve solicitar e analisar todos os dados


possíveis antes da primeira visita técnica ao local, a fim de otimizar a
visita com base em informações prévias. Exemplos de dados que devem
ser levantados remotamente:
o Dados de consumo de no mínimo 12 meses;
o Quadro de áreas, incluindo área útil, área de escritórios e área de
estacionamentos;
o Layout básico do edifício, número de andares e de elevadores;
o Usos principais e secundários do edifício;
o Número de ocupantes, taxa de ocupação e perfil dos ocupantes;
o Documentos que apontem informações relevantes acerca do
perfil de consumo dos sistemas a serem avaliados (ex. registros
de volume produzido mensalmente, taxa de ocupação de
ambientes, volume de água bombeada, vendas realizadas etc.).

▪ Plano de medições: Às vezes, com base na reunião inicial e nos dados


preliminares, é possível definir a necessidade de realizar medições
pontuais ou prolongadas em determinados sistemas e equipamentos da
unidade consumidora. O plano de medição deverá ser aprimorado
durante e após a realização da visita técnica.

▪ Visita ao local: A visita ao edifício é a ocasião em que é obtida a maior


parte das informações necessárias para a investigação energética.
Portanto, ela deve ser otimizada. É boa prática utilizar um checklist com
todos os lugares a serem visitados e todas as informações a serem
obtidas durante a visita. O objetivo da visita pelo prédio é investigar os
fatores que afetam o desempenho de todos os sistemas consumidores
de energia do edifício. É imprescindível a interação com as pessoas
responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas a serem
estudados. Ao longo da visita, o auditor deve, também, identificar os
pontos que requeiram medições pontuais ou prolongadas. Pode-se usar

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ferramentas para obter dados de potência instantânea dos
equipamentos, ou instalar um medidor portátil de energia com
registrador de dados para coletar informações de consumo de
equipamentos específicos ao longo dos dias de visita, ou deixá-lo
medindo por um tempo maior, como uma semana. Durante a visita, o
auditor deve fazer uma lista de todas as possíveis AEEs (Ações de
Eficiência Energética) que pareçam interessantes, para serem analisadas
posteriormente.

▪ Análise: Todas as informações colhidas devem ser então analisadas, para


avaliar o consumo histórico de energia, separação de consumo por usos
finais, e curvas de carga com base nas medições feitas. Durante a análise,
pode surgir a necessidade de pedir informações adicionais à equipe
predial. As informações sobre a operação do edifício devem ser avaliadas
para buscar soluções às dificuldades encontradas.

▪ Relatório do Diagnóstico Energético: Os resultados do diagnóstico


energético devem ser compilados num relatório de forma bem
organizada. Trata-se do produto do planejamento realizado e será
utilizado para subsidiar as ações e investimentos a serem realizados.

▪ Reunião de Encerramento: É boa prática agendar uma reunião final


entre o auditor e o responsável do edifício a fim de apresentar os
resultados e as AEEs sugeridas, visando garantir que as medidas serão
compreendidas e aumentar a probabilidade que as que forem
consideradas viáveis poderão ser implementadas.

4.3. Usos Significativos de Energia (USEs)

A revisão energética deve conter uma análise minuciosa do consumo de energia


e/ou do potencial de melhoria do desempenho energético de equipamentos,
sistemas ou processos da organização de modo a permitir a identificação de

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quais são os Usos Significativos de Energia (USEs) que requerem atenção
especial e, naturalmente, que serão objeto de projetos para melhorias.

Via de regra, ao se identificar um USE de um determinado sistema é feita a


análise técnica necessária para a escolha de um ou mais Indicadores de
Desempenho Energético (IDEs) e, com base nas variáveis relevantes (ou
variáveis independentes, conforme PIMVP – cf. seção 5.1) que interferem no
consumo de energia é elaborada a Linha de Base Energética (LBE) do sistema.

Outros fatores como idade de equipamentos, procedimentos operacionais e


condições de manutenção podem interferir consideravelmente no
comportamento dos USEs, o que deve ser reportado no Relatório de
Diagnóstico Energético (seção 4.5) e considerado na seleção de ações de
conservação e conscientização.

4.4. Indicadores de Desempenho Energético (IDEs)

O efeito do SGE desenvolvido sobre a organização é, em última análise,


verificado pelos Indicadores de Desempenho Energético (IDEs). Uma vez que os
IDEs correlacionam o consumo de energia (kWh, MWh) com uma variável
independente do USE em análise (p. ex.: volume de bens produzidos,
temperatura ou graus-dia de refrigeração ou aquecimento, volume de vendas
etc.), a comparação do comportamento de um determinado IDE durante o
período de linha de base e após início da operação do SGE pode apontar, por
exemplo, se as ações implementadas estão produzindo os resultados esperados
em termos de melhoria do desempenho energético ou chamar atenção para o
fato de que as melhorias no desempenho energético esperadas não estão
ocorrendo.

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Fonte: PROCOBRE, 2016.

Os IDEs são ferramentas que acompanham a modelagem da Linha de Base


Energética, uma vez que esta objetiva representar com alto nível de confiança
as variações de energia observadas em um período, correlacionando-as com os
parâmetros que interferem no consumo de energia de um dado sistema (cf.
capítulo 5).

Alguns IDEs comuns utilizados por diferentes tipos de organizações são


apresentados abaixo:

• kWh/m³, comumente utilizado por companhias de saneamento


ambiental (produção, tratamento e distribuição de água potável);
• kWh/n° de hóspedes, pode ser utilizado pelo setor hoteleiro (uma
alteração simples para “n° de pacientes internados” tem aplicação
imediata para o setor hospitalar, por exemplo);
• kWh/unidades vendidas, pode ser aplicada para atividades do setor
comercial como lojas, mercados e similares;

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• kWh/graus-dia, adaptado para sistemas de refrigeração ou
aquecimento, pode ser usado para diferentes aplicações de energia
térmica.

A seleção e formatação dos IDEs deve ser feita sob uma análise cuidadosa,
levando em consideração os resultados obtidos da modelagem elaborada para
a LBE e características do desempenho energético observadas na análise dos
USEs para o cada sistema da organização.

4.5. Relatório de Diagnóstico Energético

Como mencionado na seção anterior, o Relatório de Diagnóstico Energético


sintetiza os estudos realizados e apresenta as ações de eficiência energética
propostas e sua respectiva análise de viabilidade econômica. O quadro abaixo
exemplifica um modelo de relatório.

1 – Resumo Executivo

2 – Empresa

(localização, indicadores, descrição básica dos processos)

3 – Estudos energéticos

(diagramas, características, estudo das perdas)

3.1 – Sistemas Elétricos

a) Levantamento da carga elétrica instalada


b) Análise das condições de suprimento
(qualidade do suprimento, harmônicas, fator de potência, sistema de transformação)
c) Estudo do Sistema de Distribuição de energia elétrica
(desequilíbrios de corrente, variações de tensão, estado das conexões elétricas)
d) Estudo do Sistema de Iluminação:
(luminometria, análise de sistemas de iluminação, condições de manutenção)
e) Estudo de Motores Elétricos e outros Usos Finais
(estudo dos níveis de carregamento e desempenho, condições de manutenção)

3.2 – Sistemas Térmicos e Mecânicos

a) Estudo do Sistema de ar condicionado e exaustão


(sistema frigorífico, níveis de temperatura medidos e de projeto, distribuição de ar)

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b) Estudo do Sistema de geração e distribuição de vapor
(desempenho da caldeira, perdas térmicas, condições de manutenção e isolamento)
c) Estudo do Sistema de bombeamento e tratamento de água
d) Estudo do Sistema de compressão e distribuição de ar comprimido

3.3 – Balanços energéticos

4 – Análise de Racionalização de Energia

(estudos técnico-econômicos das alterações operacionais e de projeto, como por exemplo, da viabilidade
econômica da implantação de sistemas de alto rendimento para acionamento e iluminação, viabilidade
econômica da implantação de sensores de presença associados a sistemas de iluminação, análise do uso de
iluminação natural, análise de sistemas com uso de termoacumulação para ar condicionado, viabilidade
econômica da implantação de controladores de velocidade de motores, análise da implantação de sistemas de
cogeração)

5 – Recomendações

6 – Conclusões

7 – Anexos

(figuras, esquemas, tabelas de dados)

O modelo apresentado no quadro anterior deve ser adaptado às características


específicas de cada empreendimento, considerando critérios subjetivos de
análise, bem como a formatação para propósitos específicos (captação de
recursos financeiros, aprovação em chamadas públicas de projetos etc.).

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5.
Medição & Verificação de
Resultados (M&V)

Um problema clássico no momento de se implementar um projeto de eficiência


energética reside nos critérios e metodologia a serem utilizados para o correto
cálculo da economia energética obtida. Uma vez que “economia não pode ser
medida”, justamente por se tratar de uma diferença de quantidades de energia
em momentos distintos, por vezes ocorre um impasse na tomada de decisão
por parte de administradores de energia pela falta de conhecimento dos
procedimentos padronizados de Medição & Verificação (M&V).

A metodologia adequada de M&V, portanto, permite e devida avaliação dos


sistemas energéticos antes da realização das ações de eficiência energética (por
meio da construção da Linha de Base Energética – LBE) e, posteriormente,
garante o procedimento adequado para cálculo das economias (Determinação
da Economia), respeitando critérios rigorosos de precisão e incerteza.

O desenvolvimento de uma Auditoria Energética e, posteriormente, a


implantação de um projeto de eficiência energética sem a realização de um
processo aderente de M&V acarretará, certamente, em especificações de
projeto mal elaboradas e resultados mal aferidos.

5.1. Protocolo Internacional de Medição & Verificação de Performance


(PIMVP)

O Protocolo Internacional de Medição e Verificação de Performance (PIMVP) é


patrocinado pela Efficiency Valuation Organization (EVO - Organização de
Avaliação de Eficiência), sociedade privada sem fins lucrativos.

Com sua primeira edição publicada em 1996, o PIMVP atualmente consiste em


uma coleção de diversos documentos que objetivam apoiar a avaliação correta

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de investimentos em eficiência de energia e uso da água, gerenciamento da
demanda e energia renovável ao redor do mundo.

Largamente adotado como principal protocolo de eficiência energética


internacionalmente, sua estrutura conceitual foi utilizada para a concepção da
norma ISO 50015:2014 – Sistemas de gestão de energia – Medição e verificação
do desempenho energético das organizações – Princípios gerais e orientações,
integrante da família de normas da ISO 50000.

No Brasil, o PIMVP é o documento oficial para realização de M&V de projetos


realizados no âmbito do Programa de Eficiência Energética (PEE)
regulamentado pela ANEEL, por meio das diretrizes estabelecidas nos
Procedimentos do Programa de Eficiência Energética (PROPEE) – Módulo 8 e
no Guia de M&V ANEEL.

5.2. Linha de Base Energética (LBE)

A NBR ISO 50006:2016 – Sistemas de gestão de energia — Medição do


desempenho energético utilizando linhas de base energética (LBE) e
indicadores de desempenho energético (IDE) — Princípios gerais e orientações
fornece orientações para organizações de como estabelecer, utilizar e manter
indicadores de desempenho energéticos (IDE) e linhas de base energética (LBE)
como parte do processo de medição de desempenho energético.

A LBE é uma referência que caracteriza e quantifica o desempenho energético


de uma organização durante um período específico. A LBE permite que uma
organização avalie alterações do desempenho energético entre dois períodos
selecionados. A LBE também é utilizada para cálculos de economia de energia,
como uma referência antes e depois da implementação de ações de melhoria
do desempenho energético. Em regra, a LBE pode ser apresentada por meio de
séries temporais ou relações causais.

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Conforme o PIMVP, o período da linha de base deve ser determinado para:

• Representar todos os modos de funcionamento da instalação.


Este período deve cobrir um ciclo de funcionamento
completo, desde o consumo máximo de energia ao mínimo;
• Representar relativamente bem todas as condições de
funcionamento de um ciclo de funcionamento normal. Por
exemplo, apesar de poder ser escolhido determinado ano
como o período da linha de base, se faltarem dados de um
mês durante o ano selecionado, dados comparáveis para o
mesmo mês de um ano diferente deverão ser utilizados, a fim
de garantir que o registro do período da linha de base não
esteja representando inadequadamente as condições de
funcionamento do mês em falta;
• Incluir apenas períodos de tempo para os quais sejam
conhecidos todos os fatores relativos à instalação, fixos e
variáveis, que regem a energia. O recuo no tempo do período
da linha de base para incluir múltiplos ciclos de
funcionamento requer conhecimento idêntico de todos os
fatores que regem a energia através do período da linha de
base mais longo, a fim de se efetuarem corretamente os
ajustes de rotina e não-de rotina, após a instalação da AEE;
• Coincidir com o período imediatamente anterior ao
compromisso de levar a cabo a instalação da AEE. Períodos
mais anteriores no tempo não refletiriam as condições
existentes antes da reforma, e, por conseguinte, poderiam não
fornecer um período da linha de base adequado para medir o
efeito apenas da AEE.

A imagem abaixo exemplifica a modelagem de uma LBE por meio de relações


causais entre uma variável independente selecionada e o consumo de energia
de um sistema.

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Linha de Base - Exemplo
25,4

25,2

25
Consumo de energia

24,8

24,6

24,4

y = 1,1756x + 0,5876
24,2
R² = 0,9704

24
19,8 20 20,2 20,4 20,6 20,8 21 21,2
Variável Independente (ou variável relevante)

Além da tabulação dos dados, é imprescindível que seja realizada a devida


análise técnica, procedendo com o tratamento estatístico adequado para se
avaliar se existe correlação entre as grandezas selecionadas, se o modelo
matemático utilizado representa com confiança as variações do período
observado, se a amostra selecionada é suficiente e se os medidores utilizados
atendem aos critérios de precisão necessários. Este tratamento estatístico é
mandatório para a elaboração da LBE, bem como na fase de determinação da
economia, por ocasião das ações de M&V (seções 5.3 e 5.4). É recomendada a
leitura da publicação específica da EVO (2014) sobre o assunto, “Estatística e
Incerteza para o PIMVP”, disponível gratuitamente em https://evo-world.org/en/.

5.3. Plano de Medição & Verificação (PMV)

Uma das atividades inerentes ao Passo 2 ao se implantar um SGE, conforme


apresentado na seção 2.2, é o Planejamento da Medição e, posteriormente, o
monitoramento dos resultados obtidos (Passo 4). O PIMVP (e a ISO 50015)
apresenta os critérios e metodologias que devem ser utilizados para a
elaboração de um Plano de Medição & Verificação de resultados, usualmente
abreviado como PMV.

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A comparação do consumo ou demanda antes e depois da implementação
deve ser feita em uma base consistente, usando a seguinte equação geral da
M&V:

𝐸𝑐𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 = (𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑎 𝐿𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑑𝑒 𝐵𝑎𝑠𝑒 −


𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝐷𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝐸𝑐𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎) ± 𝐴𝑗𝑢𝑠𝑡𝑒𝑠

A figura abaixo exemplifica a abordagem necessária para a comparação


adequada dos volumes de energia.

Fonte: EVO, 2017.

Após as medições do período de referência (período de linha de base) e o


estabelecimento completo do modelo do consumo e demanda da linha de base
(LBE), deve-se elaborar um Plano de M&V, contendo todos os procedimentos e
considerações para o cálculo das economias, conforme preconizado no PIMVP.

Em resumo, o Plano de M&V deve ser estabelecido após a realização das


medições dos equipamentos existentes nas instalações avaliadas na Auditoria
Energética, devendo incluir a discussão dos seguintes tópicos, os quais estão
descritos com maior profundidade no PIMVP:

▪ Objetivo das ações de eficiência energética;


▪ Opção do PIMVP selecionada e fronteira de medição;
▪ Linha de base, período, energia e condições;
▪ Período de determinação da economia;

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▪ Bases para o ajuste;
▪ Procedimento de análise;
▪ Preço da energia;
▪ Especificações dos medidores;
▪ Responsabilidades de monitoramento;
▪ Precisão esperada (conforme definido pela ANEEL, neste caso
deverá ser perseguida uma meta “95/10”, ou seja, 10% de
precisão com 95% de confiabilidade);
▪ Orçamento;
▪ Formato de relatório;
▪ Garantia de qualidade.

A preparação de um Plano de M&V é etapa recomendada para a determinação


da economia. A planificação antecipada garante que todos os dados necessários
para a determinação da economia estarão disponíveis após a implementação
da(s) AEE(s), dentro de um orçamento aceitável.

É altamente recomendado que o Plano de M&V seja elaborado por um


profissional qualificado como um Profissional Certificado em M&V (CMVP®, na
sua sigla em inglês).

5.4. Relatório de Medição & Verificação (RMV)

Uma vez terminada a implantação das ações de eficiência energética, devem


ser procedidas as medições de consumo e demanda e das variáveis
independentes relativas ao mesmo período, observando o estabelecido no
Plano de M&V, de acordo com as recomendações do PIMVP.

Relatórios completos de M&V devem incluir pelo menos:

▪ Os dados observados durante o período de determinação da


economia: os momentos de início e fim do período de
medição, os dados de energia e o valor das variáveis
independentes;

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▪ Descrição e justificação de quaisquer correções feitas aos
dados observados;
▪ Para a Opção A, os valores estimados acordados;
▪ Tabela de preços da energia utilizada;
▪ Todos os pormenores de qualquer ajuste não periódico da
linha de base efetuado. Os pormenores devem incluir uma
explicação da alteração das condições desde o período da
linha de base, todos os fatos observados e suposições e os
cálculos de engenharia que levaram ao ajuste;
▪ A economia calculada em unidades de energia e monetárias.

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6.
Recomendações

Engajamento da alta administração. O desenvolvimento de auditorias


energéticas e, posteriormente, de um processo de M&V para a aferição das
economias resultantes das ações de eficiência energética (AEEs) executadas
requer planejamento e, principalmente, engajamento dos níveis de gerência e
diretoria das empresas. Sem o devido apoio da alta administração dificilmente
os agentes diretamente envolvidos na realização das atividades de gestão de
energia obterão sucesso no desenvolvimento de medidas eficazes e contínuas.
Quanto mais para a implantação de um SGE, conforme procedimentos
delineados pela ISO 50001, o engajamento da alta direção é mandatório e disto
depende seu sucesso.

Equipe própria ou contratação de auditores externos. A realização de uma


Auditoria Energética pode ser conduzida tanto pela equipe técnica de
engenharia da empresa como por auditores/empresas externos especializados
no assunto. Portanto, para a realização das atividades em um tempo adequado
e nível de detalhamento requerido, é importante que cada empresa avalie se
sua equipe interna detém disponibilidade de tempo e a devida capacitação
técnica para tal. Recomenda-se que para auditorias de maior detalhamento
que, consequentemente, demandarão maior aprofundamento nos estudos e
têm maior abrangência dos sistemas avaliados, contem com o auxílio de
auditores externos especialistas. Uma alternativa comum para este trabalho
está na contratação de ESCOs.

Empresas de Serviços de Conservação de Energia – ESCOs. As ESCOs (do


inglês, Energy Service Companies), são Empresas de Engenharia, especializada
em Serviços de Conservação de Energia, ou melhor, em promover a eficiência
energética e de consumo de água nas instalações de seus clientes. As ESCOs
têm sido um importante vetor no apoio a empresas para o desenvolvimento de
ações de eficiência energética (e, consequentemente, na implantação de SGEs),
desde a concepção de diagnósticos até a efetiva execução das AEEs e aferição

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dos resultados. Via de regra, o objetivo é o estabelecimento de uma parceria,
partilhando os resultados obtidos (por meio de Contratos de Performance).

Profissional Certificado em Medição & Verificação – CMVP. A Associação de


Engenheiros de Energia (AEE), em conjunto com a EVO – Efficiency Valuation
Organization, estabeleceu o programa Certified Measurement and Verification
Professional (CMVP®) com o duplo objetivo de reconhecer os profissionais mais
qualificados nessa área crescente do setor de energia e elevar dessa forma, os
padrões profissionais gerais no campo de medição e verificação. Portanto, a EVO
em conjunto com a AEE treina e certifica profissionais de Medição e Verificação
em cursos padronizados ao redor do mundo. O direito de usar o título de CMVP®
é conferido àquele que demonstre proficiência no campo da M&V com
aprovação em um exame escrito de 4 horas e que comprove as qualificações
requeridas, tanto acadêmicas quanto de vivência prática. A atividade do CMVP
é imprescindível para a concepção de Contratos de Performance. Ademais, fica
evidente a importante destes profissionais para a aplicação da ISO 50015 no
contexto de um SGE.

Contratos de Performance. Existem muitos modelos de contratação de


energia utilizados no mercado de serviços de eficiência energética, com
diferentes abordagens, podendo funcionar de forma específica para diferentes
mercados, porém os Contratos de Performance (ou Contratos de Desempenho)
têm sido a alternativa mais utilizada por consumidores interessados em
eficiência energética. Os Contratos de Performance, firmados entre o cliente e
uma ESCO, estabelecem as condições para o desenvolvimento e remuneração
das implantações das ações técnica e economicamente viáveis, através da
partilha (por tempo determinado) do montante de economia obtida com a
redução efetiva nos custos de consumo de energia na operação do cliente.

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Referências

[1] ABNT NBR ISO 50.001:2011. Sistemas de gestão da energia. Brasil, 2011.

[2] ABNT NBR ISO 50.002:2014. Diagnósticos energéticos. Brasil, 2014.

[3] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Guia de M&V, 2014.


[4] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Procedimentos do
Programa de Eficiência Energética – PROPEE, 2018.

[5] CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – CBCS. Guia


Prático para Realização de Diagnósticos Energéticos em Edificações, 2016.

[6] EFFICIENCY VALUATION ORGANIZATION – EVO. Conceitos Básicos:


Protocolo Internacional de Medição & Verificação de Performance, 2017.

[7] EFFICIENCY VALUATION ORGANIZATION – EVO. Estatística e Incerteza para


o PIMVP, 2014.

[8] EFFICIENCY VALUATION ORGANIZATION – EVO. Protocolo Internacional de


Medição & Verificação de Performance – PIMVP, Volume I, 2012.

[9] FILHO, Guilherme Filippo. Gestão da energia: fundamentos e aplicações.


São Paulo: Érica, 2018. 264 p.

[10] KREITH, Frank et al. Energy management and conservation handbook. New
York: CRC Press, 2008.

[11] MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA – MME. Plano Nacional de Eficiência


Energética – PNEf, 2010.

[12] MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA. Estudo sobre o Estado da Arte dos
mecanismos de contratação de serviços de eficiência energética em
edificações no Brasil, 2014.

[13] PANESI, André. Fundamentos de eficiência energética. São Paulo: Ensino


Profissional, 2006. 189 p.

[14] PROCOBRE. Guia para aplicação da Norma ABNT NBR ISO 50001 – Gestão
de Energia, 2016.

[15] VIANA, Augusto Nelson Carvalho et al. Eficiência Energética: fundamentos


e aplicações. Campinas: Elektro, 2012. 314 p.

Biografia

Jônatas Duarte Lima é engenheiro eletricista (Centro Universitário da FEI) e


técnico em eletroeletrônica (SENAI). É profissional certificado em Medição &
Verificação (CMVP) pela Association of Energy Engineers (AEE) e Efficiency
Valuation Organization (EVO). Atua no setor de energia desde 2011, com foco

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especial no desenvolvimento de projetos de eficiência energética e engenharia
de M&V, experiência comercial no Mercado Livre de Energia e Geração
Distribuída e no desenvolvimento de novos negócios.

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