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UM ESTUDO TEÓRICO-PRÁTICO DE UMA ESFERA EM UM PLANO

INCLINADO: SOBRE QUE CONDIÇÕES PODEMOS CONSIDERAR


OU DESPREZAR O MOVIMENTO DE ROTAÇÃO?
A theoretical-practical study of a sphere on na inclined plane: Under what conditions can we
consider or disregard the rotation movement?

E. S. SILVA1, V. K. MEDEIROS2, G. G. S. LINS3, L. S. COSTA4, A. M. SILVA5


1 Graduando, Física, Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, PE, Brasil
emersonsoares010@hotmail.com
2 Graduanda, Física, Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, PE, Brasil

karllamedeyros@gmail.com
3 Graduando, Física, Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, PE, Brasil

georranyslins@gmail.com
4 Graduando, Física, Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, PE, Brasil

Lucas.sscc@live.com
5 Graduanda, Física, Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, PE, Brasil

annahsilva1@gmail.com

RESUMO

O presente artigo se propõe a descrever e mostrar os resultados obtidos na questão


que envolve saber em quais condições se pode considerar ou desprezar o rolamento
de uma pequena esfera de vidro quando solta do alto de um plano inclinado de madeira,
com fórmica, a partir de procedimentos estatísticos, experimentais e através de
modelagens matemáticas que envolvem a variação do ângulo do plano inclinado e a
aceleração da esfera. Para auxiliar na obtenção e no tratamento dos dados
experimentais, foram utilizados o Software Tracker e o OriginPro 2016. Além disso,
iremos caracterizar e esboçar o movimento com rolamento e sem rolamento. Foi
verificado que para uma faixa de ângulos que compreendem 70° a 82° podemos
desprezar o efeito do rolamento da esfera. Objetivávamos também fazer uma discussão
que parte para o âmbito educacional, levando em consideração tanto a didática que foi
apresentada para nós, nas aulas de Instrumentação do Ensino de Física, quanto para
os demais níveis de ensino, mostrando os tipos de abordagem envolvendo o ensino no
laboratório aberto e a importância que cada uma dessas abordagens têm em conjunto
com o papel do (a) docente de Física no laboratório, ligados com a eficiência de
aprendizado dos estudantes.
Palavras-chave: Rolamento, didática, laboratório, Tracker, OriginPro 2016.

INTRODUÇÃO

O questionamento que motivou a produção deste artigo partiu de uma proposta


de projeto da disciplina de Instrumentação para o Ensino de Física, do curso de Física-
Licenciatura da Universidade Federal de Pernambuco-Campus Agreste. Essa
disciplina tem como objetivo discutir a importância do Ensino Experimental e
desenvolver meios para efetivá-lo. Para isso, deve-se pensar nas técnicas de
instrumentação para o ensino e como podemos aplicá-las nas salas de aula.
Outrossim, é de fundamental importância pensarmos em metodologias não
tradicionalistas, que incorporem habilidades e competências para que os estudantes
se apropriem dos conhecimentos referentes à Física.
A metodologia abordada na disciplina, consiste no conjunto de ensino por
investigação utilizando laboratório aberto - baseado na resolução de um problema a
partir de um experimento. Esse modelo tem em vista a participação ativa do discente
no processo de ensino e aprendizagem, sendo ele incumbido de elaborar
procedimentos necessários para testar suas hipóteses.
Através desse modo de trabalhar com a experimentação, todo o processo de
realização das atividades empregadas difere e muito do modo usual de aulas em
laboratórios, o chamado laboratório tradicional, enquanto no primeiro o foco está na
aprendizagem efetiva do aluno, no segundo, como argumenta Hernandes (2002), as
atividades experimentais:
Estão sempre associadas à manipulação de materiais/aparatos;
normalmente limitam-se à simples observação de fenômenos, buscando a
comprovação de teorias ou leis; sua função didática dificilmente é explicitada
e quase sempre a sua vinculação com os objetivos de ensino é muito tênue.
(HERNANDES, 2002, p. 2).

Normalmente, para a realização destas atividades, é seguido um conjunto de


instruções de um roteiro com uma sequência rígida de etapas, onde a maior
preocupação do aluno é meramente chegar à resposta correta, dedicando pouco ou
nenhum tempo para a análise crítica e interpretação dos resultados, bem como não
refletir acerca do significado da atividade realizada. Portanto, esse tipo de atividade
consiste em um processo puramente mecânico sem sentido e significado para o
discente.
Como já mencionado, o laboratório aberto toma um problema como ponto de
partida, onde a ação do estudante não se limita a mera manipulação de objetos e
observação de fenômenos, em que deve deixar sua postura passiva de lado e passar
a pensar, argumentar, questionar, agir e a ter controle sobre sua aprendizagem. O
papel do professor também sofre mudanças significativas, segundo Hernandes (2002,
p. 3), ele deve, “saber muito mais do que a matéria que está sendo ensinada, é o
responsável em lançar desafios, estabelecer perturbações, provocar no aluno a
insatisfação e o desejo em querer buscar explicações”. Borges (2002), apresenta
diferenças entre o uso tradicional do laboratório e as atividades investigativas (Figura
1).
Figura 1: Diferença entre laboratório tradicional e as atividades investigativas.

Fonte: BORGES, 2002, p. 304.


Borges (2002) também propõe a existência de quatro níveis das atividades
investigativas. O grau de abertura diz respeito a autonomia dos estudantes quanto ao
ensino em laboratório, como destacado na figura 2.

Figura 2: Níveis de investigação em um laboratório de ciências.

Fonte: BORGES, 2002, p. 304.

Pelo exposto na figura 2, o nível 0 constitui um típico problema fechado, sendo


o estudante encarregado de coletar os dados e confirmar as conclusões, não
possuindo autonomia alguma em todo o processo. No nível 1 ele deve coletar os
dados e obter as conclusões. Já nos níveis 2 e 3 é notado uma maior autonomia dos
estudantes diante seu objeto de estudo. No nível 2 o problema é dado, porém fica à
cargo do estudante como e quais dados deve coletar, analisar e concluir. No nível 3
ele é responsável por tudo, desde a formulação do problema até às conclusões.
O problema apresentado na disciplina, era o de descobrir em que condições
pode-se considerar ou desprezar o rolamento de uma esfera sobre um plano inclinado.
Dessa forma, estava ao nosso cargo todo o planejamento para a solução, a
formulação de hipóteses, execução do experimento, interpretação dos resultados e
conclusões, sendo esta atividade classificada em nível 2. Vale ressaltar que não existe
um único caminho de se chegar à solução adequada, fazendo-nos perceber que não
existe uma única maneira de se fazer ciência.
Com este trabalho, percebeu-se a potencialidade desse recurso didático no
ensino de Física, uma vez que pode proporcionar um ensino efetivo acerca de um
tema, neste caso o da cinemática, bem como também colaborar para o
desenvolvimento de capacidades de análise, interpretação, senso crítico e de
comparação, muitas vezes adormecidos nos estudantes.
DESENVOLVIMENTO

Movimentos de corpos que rolam são bastante comuns no dia a dia. Como
exemplos óbvios, podemos citar os movimentos das rodas de uma bicicleta ou de um
automóvel. Também é muito comum o uso de esferas em experimentos em plano
inclinado, como é o caso do artigo em questão.
No caso de rolamento, não podemos simplesmente tratar o corpo como uma
partícula. Um modelo adequado para esse caso é o de um corpo rígido o qual, por
definição, é um sistema no qual a distância entre as duas partículas do corpo é
inalterável ou pode-se dizer que o corpo é indeformável. Obviamente, nenhum corpo
real é perfeitamente rígido, mas em muitos casos essa é uma idealização conveniente.
Quando um corpo com simetria axial (um cilindro, uma esfera, um anel) rola
sobre uma superfície plana e cada ponto da periferia da roda não desliza sobre o
plano, dizemos que acontece um rolamento sem deslizamento ou simplesmente um
rolamento puro.
Para fixar a ideia, consideremos um cilindro de raio R rolando sem deslizar
sobre uma superfície horizontal. Quando ele gira de um ângulo 𝜃, o ponto de contato
do corpo com a superfície terá se deslocado uma distância S, tal que

𝑆 = 𝑅𝜃 (1)

Essa é a distância percorrida pelo centro de massa do corpo quando o mesmo


gira de um ângulo 𝜃. Derivando a equação (1) em relação ao tempo obtemos que

𝑣𝑐𝑚 = 𝜔𝑅 (2)

onde 𝑣𝑐𝑚 = 𝑑𝑆⁄𝑑𝑡 é a velocidade de translação do centro de massa e 𝜔 = 𝑑𝜃⁄𝑑𝑡 é a


velocidade de rotação do corpo em torno de um eixo que passa pelo seu centro de
massa. A equação (2) é a condição necessária para que ocorra rolamento sem
deslizamento.
Como o ponto de contato da roda com o plano horizontal tem velocidade
resultante nula, significa que não ocorre deslizamento. O contato do cilindro com o
plano acontece ao longo de uma geratriz, cuja velocidade no instante de contato é
nula. Assim, como a velocidade de escorregamento entre as superfícies é nula, isso
significa que, no caso de rolamento puro, não pode haver atrito cinético entre as
superfícies. Ou seja, se existir atrito neste caso ele é necessariamente estático já que
a velocidade relativa de escorregamento é nula. Deve ser observado que há
movimento relativo entre o centro de massa do corpo e a superfície sobre o qual o
corpo rola. O que não há é um movimento relativo das superfícies em contato e essa
é a razão pela qual, nesse caso, não há atrito cinético.
Se a equação (2) não é obedecida teremos um rolamento com deslizamento.
A partir das condições acima mencionadas, vamos analisar a dinâmica de uma
situação em que temos uma esfera maciça que é abandonada sobre um plano
inclinado, como mostra a figura 3.
Figura 3: Corpo solido a descer sobre um plano inclinado. Fonte, Autor.

Os aspectos cinemáticos de um corpo sólido são, em geral, apresentados


analiticamente a partir das leis de Newton, que podem ser escritas
⃗⃗⃗⃗
𝐹𝑅 = 𝑚𝑎 (3)

⃗⃗⃗⃗
𝑀 = 𝐼𝛼 (4)

onde ⃗⃗⃗⃗
𝐹𝑅 é a resultante das forças que atuam no corpo de massa m, 𝑎 é a aceleração
do centro de massa (CM), 𝑀 ⃗⃗ é o momento resultante em relação ao centro de massa,
𝐼 é o momento de inércia em relação ao CM e 𝛼 é a aceleração angular.
No rolamento sem deslizamento (rolamento puro), vimos que a condição é que:
𝐹𝑎 < 𝜇𝑒 𝑁 (5)

e, no limite do deslizamento, quando o objeto está na iminência de rolar e deslizar


simultaneamente:
𝐹𝑎 = 𝜇𝑒 𝑁 (6)

Nestes dois casos é válida a condição de rolamento puro, que se pode escrever
pela equação (2). Para que a condição de não deslizamento seja mantida durante a
descida de uma esfera sobre um plano inclinado, a força de atrito gera um torque em
relação ao eixo que passa pelo centro de massa. Assim as equações (3) e (4) para a
situação descrita, podem ser escritas como
𝑚𝑔𝑠𝑒𝑛𝜃 − 𝐹𝑎𝑡 = 𝑚𝑎𝐶𝑀 (7)

𝑎𝐶𝑀
𝐹𝑎𝑡 . 𝑅 = 𝐼𝐶𝑀 . (8)
𝑅
Onde 𝑎𝐶𝑀 é a aceleração do centro de massa, R e 𝐼𝐶𝑀 são o raio e o momento da
𝑎
esfera em questão e o módulo da aceleração angular é dada pela razão 𝐶𝑀 , que pode
𝑅
ser obtida derivando a equação (2) em relação ao tempo. É conveniente expressar
𝐼𝐶𝑀 em função do raio de giração (NUSSENZVEIG, 2002, p. 265):

𝐼𝐶𝑀 = 𝑀𝐾 2 (9)
E substituindo a equação (9) na equação (8), temos:
𝑘2
𝐹𝑎𝑡 = 𝑚 𝑎 (10)
𝑅2
E substituindo na equação (7), obtemos finalmente:
𝑔𝑠𝑒𝑛𝜃
𝑎= 𝑘2
(11)
1+ 2
𝑅

Podemos comparar essa aceleração com o caso trivial em que a superfície do


plano é perfeitamente polida, “sem atrito”, o que elimina a componente tangencial: a
força de reação N é normal ao plano.
Desse modo, tomando a equação (3), e sabe-se que a magnitude da força
resultante F neste caso simples é apenas a força peso dirigida tangencialmente ao
plano para baixo (ver a figura 3, desconsiderando a força de atrito). Assim, obtemos
que:
𝑎 = 𝑔𝑠𝑒𝑛𝜃 (12)
Agora podemos comparar as equações (11) e (12). A intepretação é que o fator
𝑘2
(1 + ) faz com que a aceleração seja reduzida em relação ao deslizamento puro
𝑅2
devido a energia rotacional adicionada que tem que ser gerada. Deve ser levado em
consideração que a equação (12) é um caso ideal, que por sua vez, desconsidera o
rolamento. Por conseguinte, verificaremos em quais ângulos as acelerações
experimentais tendem ao valor descrito pela equação (12), para responder à pergunta
presente no título deste artigo.
Utilizando a relação presente em (NUSSENZVEIG, 2002, p. 266), teremos:
1⁄ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑢𝑚 𝑎𝑛𝑒𝑙
2
1 2
= ⁄3 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑢𝑚 𝑐𝑖𝑙𝑖𝑛𝑑𝑟𝑜
𝑘2
1+ 2 5
𝑅 { ⁄7 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑢𝑚𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎}
Partindo da equação (11) e considerando esta relação acima, podemos chegar
na expressão para a aceleração de rolamento puro de uma esfera maciça sobre um
plano inclinado. Assim, ficaremos com:
5
𝑎 = 𝑔𝑠𝑒𝑛𝜃 (13)
7
Substituindo a equação (11) em (10), teremos:
𝐾2
𝐹𝑎𝑡 = 𝑚𝑔𝑠𝑒𝑛𝜃. (14)
𝐾2+ 𝑅2
Sabemos que o valor do momento de inércia, em relação ao centro de massa,
de uma esfera maciça é:
2
𝐼𝐶𝑀 = 𝑀𝑅2 (15)
5
Substituindo a equação (15) na equação (9), verificamos que
2
𝐾 2 = 𝑅2 (16)
5
Assim sendo, utilizando a relação presente no livro curso de Física Básica,
supracitado, com as equações (14) e (16), chegaremos na seguinte relação:
2
𝐹𝑎𝑡 = 𝑚𝑔𝑠𝑒𝑛𝜃 (17)
7
No caso limite (rolamento puro), vimos pela equação (6) que a força de atrito (𝐹𝑎 )
é do tipo estática, e que seu valor máximo é definido como o produto do coeficiente
de atrito estático máximo (𝜇𝑒 ) pela força normal (N) que, pela dinâmica mostrada na
Fig.3, é numericamente igual a componente perpendicular do peso da esfera. Assim,
igualando as equações (6) e (17), podemos definir uma equação para 𝜇𝑒 que depende
do ângulo de inclinação do plano inclinado:
2
𝜇𝑒 = 𝑡𝑔𝜃𝑐 (18)
7
Onde 𝜃𝑐 define o ângulo máximo do plano inclinado (chamaremos de ângulo crítico)
para o qual é possível o rolamento sem deslizamento.
Podemos obter o valor de 𝜇𝑒 simplesmente igualando os valores da
componente tangencial da força peso e a força de atrito estática máxima (ver Fig.3 e
eq. 6). Assim, teremos:
𝜇𝑒 = 𝑡𝑔𝜃 (19)
onde 𝜃 é o ângulo do plano inclinado que faz com que a esfera esteja na iminência de
deslizamento. Como é possível um corpo esférico deslizar e não rotacionar para
ângulos diferentes de zero? O procedimento experimental que proporcionou esse feito
será explicado posteriormente.
O corpo começa a deslizar para 𝜃 > 𝜃𝑐 . Com rolamento, o deslizamento de uma
esfera em um plano inclinado só começará para um ângulo maior que:
7 7
𝑡𝑔𝜃𝑐 = 𝜇𝑒 = 𝑡𝑔𝜃 (20)
2 2
Onde 𝜇𝑒 é o coeficiente de atrito estático máximo que pode ser medido
experimentalmente. Com esse valor, poderemos descobrir o ângulo crítico 𝜃𝑐 para a
condição de rolamento sem deslizamento.
MATERIAIS, MÉTODOS E PROCEDIMENTOS

Para que seja possível responder o questionamento presente neste artigo, foi
utilizado materiais de baixo custo que podem ser facilmente encontrados. São eles:
madeira com fórmica, esfera de vidro, transferidor escolar de 180° , nível de madeira,
dobradiça, pregos, parafusos, celular e suporte para filmagens.
Para cada ângulo escolhido, foram feitas 5 filmagens para depois tirarmos a
média do valor da aceleração a fim de diminuir possíveis flutuações estatísticas. Os
ângulos variavam de 5° em 5°, começando em 5° e terminando em 70°.
Posteriormente, foi preciso fazermos gravações em uma faixa de ângulos que eram
de interesse, percebida depois que foi construído o gráfico da aceleração em função
do ângulo. Essa faixa variava de 2° em 2°, começando com 42° e terminando em 48°.
Para cada filmagem, a esfera de vidro era abandonada em repouso no ponto
superior da rampa do plano inclinado, que tem um comprimento 𝐿 = (34,50 ±
0,05) cm. A figura 4 mostra o aparato experimental produzido. Usamos o nível de
madeira para certificarmos que a base do plano inclinado estaria plana.

Figura 4: Esfera de vidro descendo sobre o plano inclinado desenvolvido. (Arquivo pessoal).

Com a intenção de medir o valor do coeficiente de atrito estático dada pela


equação (19), pensamos em colar duas esferas de vidro de mesmo tamanho para
evitar o rolamento, dispensando o desenvolvimento de outro aparato experimental ou
a compra de um bloco do mesmo material da esfera utilizada. Com isso, foi possível
estimarmos o valor do coeficiente através do ângulo de inclinação no qual o conjunto
formado pelas duas esferas estaria na iminência de deslizamento. Foram feitas 10
medições, com o uso do transferidor, para depois ser calculado o coeficiente de atrito
junto com a sua incerteza.
Através do software Tracker, podemos fazer videoanálises quadro a quadro
das filmagens da esfera descendo sobre o plano inclinado ( Fig. 5). Depois de definir
todos os parâmetros (ponto de massa, eixos coordenados e bastão de calibração) é
possível observarmos um gráfico da posição em função do tempo. Utilizando o método
de ajuste de curva presente no Tracker, calculamos o valor da aceleração da esfera
para cada ângulo definido.
O software Tracker além de ser um recurso gratuito e de fácil manuseio, pode
cumprir uma função importante no processo de ensino-aprendizagem, caso seja
devidamente utilizado. Esse software permite a manipulação e aquisição de dados
experimentais, assim como a construção de gráficos que são tão fundamentais na
construção do conhecimento físico (BEZERRA, 2012).

Figura 5: Utilização do Tracker para o cálculo da aceleração (o borrão visto na figura é a esfera de
vidro e, à direita, observa-se o gráfico x versus t). Arquivo pessoal.

No entanto, o Tracker também possui algumas limitações. Ao fazermos as


análises tínhamos bastante dificuldades para definir o ponto de massa para ângulos
maiores que 70°, uma vez que a esfera de vidro saltava e a sua imagem ficava com
um borrão, devido a sua alta velocidade.
Depois das análises dos vídeos com o Tracker, comparamos as acelerações
obtidas com a aceleração de deslizamento eq. (12) para o caso ideal, que
desconsidera o movimento de rotação do corpo. Para isso, usaremos a fórmula do
desvio percentual, bastante presente nos livros de introdução à laboratório:
|𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜−𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑎𝑑𝑜𝑡𝑎𝑑𝑜|
𝐷% = × 100% (21)
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑎𝑑𝑜𝑡𝑎𝑑𝑜
onde o valor medido é o valor da aceleração obtida através do Tracker e o valor
adotado é o valor da aceleração de deslizamento dada pela eq. (12).
Diante dos resultados obtidos, é preciso fazer o uso de técnicas estatísticas
para uma melhor leitura. De acordo com a recomendação da norma ISO GUM (2008)
– Guia para a expressão de incerteza de medição, há duas categorias para as
incertezas: tipo A e tipo B. A incerteza tipo A é um método de avaliação de incerteza
que se dá pela análise estatística de uma série de medições. Já a incerteza tipo B é
um método de avaliação de incerteza que não é obtida por parâmetros estatísticos.
Para este artigo, iremos utilizar tanto a incerteza tipo A quanto a B.
Como a incerteza tipo A envolve parâmetros estatísticos, utilizaremos a
equação do desvio padrão da média (LIMA e ZAPPA, 2014):

𝑆 ∑𝑛
𝑖=1(𝑥𝑖 −〈𝑥〉)
2
𝜎𝑚 = = √ (22)
√𝑛 𝑛(𝑛−1)

onde 𝑆 é o desvio padrão e 𝑛 o número de medições. Essa equação fornece uma


estimativa da maior ou menor incerteza da média 〈𝑥〉.
A incerteza tipo B, como já supracitada, dispensa de um tratamento estatístico.
Diante disso, é necessário outro modo para estimar o seu valor. Para De Araujo
(2017), esse tipo de incerteza geralmente é baseado em um julgamento científico por
parte do operador utilizando todas as informações relevantes disponíveis.
O quadro 1 apresenta uma forma para calcularmos a incerteza do tipo B. Note
que existe duas classificações: retangular e triangular. Assim como a incerteza do tipo
A é baseada em uma função de densidade de probabilidade, o mesmo acontece com
o tipo B. O nível de confiança é uma medida da probabilidade de que um valor
mensurado se encontre entre 𝑥 − 𝑢 e 𝑥 + 𝑢, em que 𝑥 representa a melhor
aproximação e 𝑢 é a incerteza-padrão.

Quadro 1 – Valor da incerteza-padrão para as incertezas do tipo B.

Função de densidade de Incerteza- Nível de Quando usar


probabilidade padrão 𝒖 confiança
Quando se conhece
𝑎 apenas os valores
𝑢=
Retangular 2√3 58% máximos e mínimos
de variação.
Quando se conhece
𝑎 os valores máximo e
𝑢=
Triangular 2√6 65% mínimo de variação
e o valor mais
provável.
Fonte: Adaptado de (DE ARAUJO, 2017).

As incertezas de medições se propagam quando operações matemáticas são


feitas e em casos em que a medida de uma grandeza física de interesse é feita de
maneira indireta. A equação da incerteza de uma função 𝑓 que depende apenas de
uma variável e que a incerteza 𝛿𝑥 = 𝑢(𝑥) seja suficientemente pequena nas
vizinhanças de 〈𝑥〉 (LIMA e ZAPPA, 2014, pag. 20) será dada por:

𝑑𝑓(𝑥)
𝑢𝑐 (𝑓) ≈ | 𝑢(𝑥) (23)
𝑑𝑥 𝑥=〈𝑥〉
RESULTADOS E DISCUSSÕES

Diante dos resultados obtidos, iremos utilizar os modelos matemáticos


presentes no desenvolvimento deste trabalho, para tentar responder em que
condições podemos considerar ou desconsiderar a rotação de uma esfera sobre um
plano inclinado. Como já foi bem explanado, a aceleração de rolamento puro é um
modelo em que não há movimento relativo entre as superfícies em contato da esfera
e do plano inclinado, isto é, não há deslizamento durante a descida da esfera, há
apenas rolamento (por isso rolamento puro).
É importante ressaltar que a aceleração de deslizamento é um modelo ideal,
que desconsidera quaisquer forças dissipativas. Esse modelo é bastante utilizado no
Ensino Médio devido a sua simplicidade matemática, mas possui mais limitações,
como em não considerar o rolamento do corpo que desce sobre o plano inclinado.
Iremos utilizar essa limitação para fazer um estudo comparativo entre as acelerações.
Para uma melhor análise dos resultados obtidos via software Tracker, a tabela
1 sintetiza os valores das acelerações. As acelerações de rolamento puro e de
deslizamento são obtidas através das equações (13) e (12), respectivamente.

Tabela 1 – Valores das diferentes acelerações associadas ao movimento da esfera.

Aceleração Aceleração de Aceleração de


Ângulo experimental rolamento puro deslizamento
(°) [TRACKER] (m/𝒔𝟐 ) (m/𝒔𝟐 )
(m/𝒔𝟐 )
5° 0,47 0,61 0,85
10° 1,09 1,22 1,70
15° 1,65 1,81 2,54
20° 2,22 2,40 3,36
25° 2,67 2,96 4,15
30° 3,18 3,50 4,91
35° 3,67 4,02 5,63
40° 3,98 4,50 6,31
*42° 4,64 4,69 6,56
*44° 4,82 4,87 6,81
45° 4,88 4,95 6,94
*46° 5,04 5,04 7,06
*48° 5,23 5,21 7,29
50° 5,65 5,37 7,51
55° 6,64 5,74 8,04
60° 7,20 6,07 8,50
65° 7,69 6,35 8,89
70° 8,47 6,58 9,22
* Faixa de ângulos de interesse para a análise do ângulo crítico.
Para interpretarmos melhor os resultados presentes na tabela 1, foi construído
um gráfico, sem os ângulos compreendidos entre 42° e 48° (Figura 6), com o auxílio
do software OriginPro 2016, que é uma excelente ferramenta para construção de
gráficos e análises dos dados através dos diversos recursos disponíveis em sua
plataforma.

Figura 6: Gráfico das diferentes acelerações em função do ângulo.

Com o auxílio desse gráfico, percebemos que existe algumas regiões de


interesse que merecem uma atenção. Deve-se tomar cuidado quanto aos valores para
as acelerações para o ângulo de 5°, uma vez que pode parecer que para esse ângulo
podemos desprezar os efeitos da rotação do corpo, devido ao fato de que os pontos
não obedecem a uma relação funcional linear. Entretanto, fica evidente pela tabela 1
que esses valores são distantes um do outro (desvio percentual grande).
A aceleração obtida experimentalmente possui um comportamento bastante
curioso. Até o ângulo de 45°, podemos perceber que os pontos experimentais estão
abaixo dos pontos que descrevem a modelagem de rolamento puro, com um desvio
percentual menor do que em relação aos pontos da aceleração de deslizamento.
Além disso, entre 45° e 50°, a aceleração experimental supera a aceleração de
rolamento puro. Depois disso, é perceptível a tendência de convergência entre as
acelerações de deslizamento e a experimental. Então, podemos fazer o uso do
método da extrapolação dos dados experimentais, para que seja possível descobrir
uma faixa de ângulos em que o movimento de rotação pode ser desprezado.
O método de extrapolação, como o próprio nome já diz, nos fornece valores
extrapolados, isto é, que partem de uma tendência referente aos pontos utilizados.
Isso nos permite tirar conclusões para ângulos maiores que 70° e menores que 5°.
Como já foi explicado, para valores acima de 70°, os resultados das acelerações
obtidos pelo uso do Tracker não faziam sentido físico como, por exemplo, aceleração
maior que a aceleração gravitacional. Isso decorre da dificuldade de definir o ponto de
massa com o uso desse software, já que a esfera de vidro aparecia em vídeo com
borrões. Para ângulos menores que 5°, a impossibilidade estava no aparato
experimental, dificultando as filmagens para ângulos variando de 1° em 1°, por isso
recorremos aos recursos do software OriginPro 2016. A figura 7 mostra como esse
programa pode fornecer valores extrapolados, com o destaque para o método de
extrapolação utilizado. Esse método foi o que melhor se ajustou aos pontos
experimentais.

Figura 7: Uso do OriginPro 2016 para a obtenção da extrapolação.

A tabela 2 fornece os valores obtidos pela extrapolação, assim como o desvio


percentual (eq. 21) em relação a aceleração experimental extrapolada e a aceleração
de deslizamento.

Tabela 2 – Valores da extrapolação para a aceleração experimental e o desvio percentual.

Aceleração Aceleração de
Ângulo experimental deslizamento Desvio
(°) extrapolada (m/𝒔𝟐 ) Percentual
(m/𝒔𝟐 )
1° 0,03 0,17 >10%
2° 0,09 0,34 >10%
3° 0,22 0,51 >10%
4° 0,34 0,68 >10%
*70° ------ 9,22 8,13%
71° 8,64 9,28 6,90%
72° 8,81 9,33 5,57%
73° 8,97 9,38 4,37%
74° 9,11 9,43 3,29%
75° 9,25 9,48 2,43%
76° 9,37 9,52 1,58%
77° 9,46 9,56 1,05%
78° 9,54 9,6 0,62%
79° 9,58 9,63 0,52%
80° 9,59 9,66 0,72%
81° 9,60 9,69 0,93%
82° 9,64 9,71 0,72%

Média -------- -------- ≈ 2,83%


* Para esse ângulo não era necessário extrapolar o valor da aceleração já que ela foi obtida
experimentalmente.

Note que para os ângulos menores que 5°, devemos considerar o efeito da
rotação da esfera, visto que o desvio percentual entre a aceleração experimental e a
aceleração de deslizamento é bastante considerada.
Para uma melhor visualização e interpretação dos resultados obtidos através
da extrapolação, a figura 8 representa o novo gráfico, parecido com o gráfico anterior,
mas com os resultados da extrapolação.

Figura 8: Gráfico extrapolado para ângulos menores que 5° e maiores que 70°.
Através desse gráfico, podemos perceber que para ângulos maiores que 70° e
até 82°, podemos desprezar o rolamento da esfera de vidro sobre o plano inclinado,
devido ao desvio percentual médio dessa faixa de ângulos ser bastante razoável
(2,83%). Mas como isso pode ser explicado? Para responder esse questionamento,
devemos voltar para o gráfico da Figura 6. Como vimos, a aceleração experimental
supera a aceleração de rolamento puro entre 45° e 50°. Diante desse fato, realizamos
o mesmo experimento para ângulos entre 42° e 48°. A figura 8 fornece o gráfico para
uma melhor visualização e comparação dos dados.

Figura 8: Gráfico para a obtenção do ângulo limite.

Podemos perceber que o fato da aceleração experimental superar a de


rolamento puro se deve ao deslizamento. Como já foi explicado, o ângulo crítico é
ângulo máximo pelo qual é possível o rolamento sem deslizamento. Com o auxílio
desse gráfico, fica fácil perceber que o ângulo crítico vale 46°. Uma boa estimativa
seria dizer que em 44° não haja deslizamento e em 48° haja. Utilizando a equação
presente no quadro 1 para a incerteza tipo B Triangular, sendo o valor da base 𝑎 para
esse caso 4°, a incerteza será:
4
𝑢= ≅ 0,8 (23)
2 √6

Com esse valor, fazendo o arredondamento necessário, podemos expressar o


valor do ângulo crítico obtido experimentalmente:
θc = (46 ± 1)° (24)
É possível determinarmos o ângulo crítico sabendo o valor do coeficiente de
atrito estático máximo. Para calcularmos esse valor, foi colada duas esferas de vidro
com o mesmo tamanho. Foram feitas 10 medições, para calcularmos a média do
coeficiente e sua incerteza, para minimizar os efeitos das flutuações estatísticas.
A tabela 3 mostra os ângulos obtidos, que correspondem ao momento em que
o conjunto formado por duas esferas estavam na iminência de deslizar. Através da
equação (19), foi possível calcular o coeficiente de atrito.
Tabela 3 – Valores dos coeficientes de atrito estático calculados a partir dos ângulos de iminência de
deslizamento do conjunto formado por duas esferas de vidro.

Ângulo 𝝁𝑴á𝒙
(°)
15° 0,2679
14° 0,2493
16° 0,2867
16° 0,2867
17° 0,3057
14,5° 0,2586
14° 0,2493
17° 0,3057
16° 0,2867
17,5° 0,3153

Média 0,28119

Através da avaliação da incerteza do tipo A, podemos definir o melhor valor


para o coeficiente de atrito. Utilizando a equação (22), chegaremos no seguinte
resultado:

𝜇𝑒 = (0,281 ± 0,008) (25)


Para descobrir o valor do ângulo crítico, é preciso utilizar o resultado de (25)
em (20) e para o cálculo da incerteza utilizar a equação (23). Assim, teremos:

θc = (44,5 ± 0,8)° (24)


O desvio percentual entre essas duas formas para determinar o ângulo crítico
é 3,26%, o que é bastante razoável.
Dessa forma, podemos perceber para qual ângulo a esfera de vidro não desliza.
Estudos como o de Silva et al (2003), mostram que para valores acima do ângulo
crítico a energia mecânica não é conservada. Isso se deve ao fato de que o movimento
da esfera, para ângulos maiores que θc , é composto por rolamento e deslizamento, o
que contribui significativamente para um aumento da sua aceleração em relação da
modelagem de rolamento puro.
O fato de existir deslizamento para ângulos maiores que o crítico explica o
porquê valores entre 70° a 82° podemos desprezar o rolamento da esfera. A tendência
observada pelo gráfico da figura 6 já nos fornecia esse indicativo. Entretanto, foi
necessário estudar a fundo o problema e utilizar de diferentes métodos para poder
responder o questionamento deste artigo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este trabalho, verificamos a importância do uso de experimentos para o


ensino, especialmente em se tratando de questionamentos pertinentes. A disciplina
de Instrumentação para o Ensino de Física nos permitiu desenvolver este trabalho,
que não foi trivial, já que o docente responsável pela disciplina não deu um roteiro e
estava ao nosso cargo todo o planejamento para uma boa interpretação dos
resultados obtidos e para a solução da problemática.
É importante destacar que abordagens parecidas podem ser utilizadas no
Ensino Médio, tendo cuidado apenas no excesso de exigência científica por parte do
professor e na matemática para as construções dos modelos. Empregar o uso de
experimentação por investigação de fato pode trazer bons frutos durante o processo
de ensino-aprendizagem, visto que o estudante tem a oportunidade de se envolver
mais em relação a uma problemática.
Nosso aparato experimental foi construído de forma bastante simplória, com
materiais de fácil acesso. Vale ressaltar que podemos desenvolver trabalhos
pertinentes apenas com materiais de baixo custo, uma vez que o fator de maior
relevância para este processo investigativo é a dedicação dos envolvidos.
Descobrimos, através dos modelos matemáticos desenvolvidos e com o uso da
extrapolação de dados, que podemos desprezar os efeitos do rolamento da esfera de
vidro sobre um plano inclinado para uma faixa de ângulos que compreendem 70° a
82°. Para explicar o porquê disso, utilizamos o conceito de ângulo crítico que foi obtido
de duas formas diferentes, com um valor para o desvio percentual bastante razoável.
Para outros ângulos que não estejam na faixa descrita anteriormente, devemos
considerar o rolamento da esfera, visto que as acelerações experimentais quando
comparadas com as de deslizamento apresentam um desvio percentual bastante
elevado, lembrando que a aceleração de deslizamento está associada a uma
modelagem que despreza o rolamento.
Dessa forma, conseguimos com êxito responder o questionamento presente no
título deste trabalho. Futuramente, pretende-se aplicar esse estudo em estudantes do
Ensino Médio, tomando cuidado nas modelagens matemáticas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6607/6099. Acesso em: 20
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Ensino de Física, v. 29, 2012.
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medições. Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2017. Disponível em:
https://sites.ifi.unicamp.br/rouxinol/files/2019/01/Introdu%C3%A7%C3%A3o-
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incerteza de medição. 1ª edição brasileira. Disponível em:
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e força de atrito. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 25, p. 378-383, 2003.
Disponível em: http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/v25_378.pdf. Acesso em: 03 jan.
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