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A IMPORTÂNCIA DOS VALORES ÉTICOS E MORAIS NA FORMAÇAO DA


CRIANÇA DA EDUCAÇÃO INFANTIL.

THE IMPORTANCE OF ETHICAL AND MORAL VALUES IN TRAINING


CHILDREN IN CHILDREN'S EDUCATION

SIMONE ANDREIA COSTA CAMPSO 1KARLA ROBERTO SARTIN 2JULIANA DUARTE DE


MENDONÇA CASTRO 3 GERALDO LOPES DE LIMA JUNIOR 4 JOSÉ REIS JUNIOR5 LIZANDRO
POLETTO6

RESUMO: Este artigo científico trata-se uma breve reflexão teórica sobre a importância de inserir
valores éticos e morais na Educação Infantil. Tem como objetivo analisar a relevância que têm a
aplicação desses valores e suas implicações pratica para a construção de uma sociedade mais
democrática. É apontada também a importância do trabalho docente nesse processo educativo, tendo
ele o compromisso de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participativos. São
também abordados os diferentes significados de ética no contexto filosófico na concepção de grandes
pensadores tais como: Aristóteles. A ética para o pensador serve como condução do ser humano à
felicidade. E é em toda interação, na dinâmica do convívio social que se possibilita transparecer os
valores éticos e morais, os quais são fundamentais para a construção do indivíduo. É pela educação
que o indivíduo tem a chance de construir sua personalidade moral. A metodologia adotada para a
realização do trabalho foi a Pesquisa Bibliográfica, tendo como auxílio teórico os principais autores:
Aranha (2006), Rios (2003); Chauí (1994); Sanchez (2002); Cortella (2010); Rafael Gomez (2003);
Libâneo (1994); Freire (1996); Martinelli (1999); Kant (1724-1804).

Palavras - chaves: Ética, Educação, e Comportamento Humano.

ABSTRACT: This article deals with a brief theoretical reflection on the importance of the insertion of
ethical and moral values in Early Childhood Education. Its objective is to analyze the relevance of the
application of these values and their practical implications in the construction of a more democratic
society. It is also important to emphasize the importance of teaching work in this educational process,
with the commitment to prepare students to become active and participative citizens. The different
meanings of ethics in the philosophical context are also approached in the conception of great thinkers
as: Aristotle. Ethics for the thinker serves as the driving of the human being to happiness. And it is in
every interaction, in the dynamics of social interaction, that it is possible to show the ethical and moral
values that are fundamental for the construction of the individual. It is by education that the individual
has the chance to build his moral personality. The methodology used to perform the work was the
Bibliographic Research, with the theoretical help as main authors: Aranha (2006), Rios (2003); Chauí
(1994); Sanchez (2002); Cortella (2010); Rafael Gomez (2003); Libâneo (1994); Freire (1996);
Martinelli (1999); Kant (1724-1804).

Keywords: Ethics, Education, and Human Behavior.

1
Acadêmica Simone Andréia Costa Campos.simone_acampos@hotmail.com
2
Professora Ma.Karla Sartin. coordenacaoengenhariaproducao@unicamps.com.br
3
Professora Ma. Juliana Duarte de Mendonça Castro. coordenacaoservicosocial@unicamps.com.br
4
Professor Me. Geraldo Lopes de Lima Junior. geraldolj@yahoo.com.br
5
Professor Me. José Reis Junior. educadorreis@gmail.com
6
Professor Me. Lizandro Poletto, orientador. lizandropoletto@hotmail.com.
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]INTRODUÇÃO

O propósito deste artigo científico visa analisar e explicar por meio de


pesquisa bibliográfica a importância de incluir a educação de valores a partir da
educação infantil, visto que, esses valores são fundamentais, pois é através dos
valores adquiridos na infância que o indivíduo se torna atuante e produtivo para a
sociedade.
A relevância do tema abordado se mostra a partir da necessidade de
esclarecer o significado desses princípios éticos na formação do caráter dos alunos,
propiciando neles uma educação voltada para o progresso moral.
Com base numa percepção crítica do comportamento humano na sociedade
atual, se torna uma exigência a educação de valores na educação, visto que as
modalidades de ensino são empobrecidas e pouco se discute esses princípios com
os alunos.
Este trabalho tem o objetivo de explicar que o papel da escola vai além da
transmissão de conteúdos escolares. O artigo visa entender que a educação é um
conceito amplo que se refere ao processo de desenvolvimento de qualidades
humanas, físicas, morais e intelectuais. É necessário um trabalho docente que
enfatize a construção de valores morais e éticos nos primeiros anos iniciais. Mas
afinal, o que é ética?
A palavra ética é de origem grega derivada de ethos, que diz respeito ao
costume, aos hábitos dos homens. A ética nasceu na Grécia, pois os gregos foram
os primeiros a racionalizar as relações com as pessoas, repensando posturas e
sistematizando ações.
Por meio de estudos realizados, percebeu-se que o exercício de um
pensamento crítico e reflexivo quanto aos valores e costumes vigentes, tem início na
Antiguidade Clássica com os primeiros grandes filósofos, Sócrates, Platão e
Aristóteles, questionadores que propunham uma espécie de ‘’estudo ético’’ sobre o
que de fato poderia ser compreendido como valores universais a todos os homens,
buscando dessa forma ser correto, virtuoso e ético.
Este trabalho tem o objetivo de esclarecer que é fundamental a abordagem de
assuntos relacionados aos valores humanos, para a construção de indivíduos mais
‘’humanos’’. A educação em valores propõe que as escolas cumpram com seu
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papel de educar visto que o não cumprimento de seu papel implica em desvios de
posturas.
Sabe-se que problemas e circunstâncias vividas pela sociedade são muitas
vezes gerados pela falta de educação. A prática de valores morais e éticos desde
cedo implicam em proporcionar um conjunto de práticas que tem o propósito de
contribuir para que os alunos se apropriem de conteúdos sociais e culturais de
maneira crítica e construtiva.
Sem transmitir os valores humanos universais, não há como formar cidadãos
éticos, pois eles são imprescindíveis para que a criança possa se socializar
adequadamente com os outros e conseguir um bom desenvolvimento social. É pela
educação que o indivíduo tem a chance de construir sua personalidade moral.
A pesquisa bibliográfica a ser realizada assumirá o formato bibliográfico e terá
como foco a análise das ideias dos seguintes teóricos: Sanchez (2002), Gomes
(2003), Aranha (2006), Zatti (2007), Valls (1994), Rios (2003).

O QUE É ÉTICA?

Ética vem do grego ethos, e significa caráter, comportamento. O estudo da


ética é centrado na sociedade e no comportamento humano. No contexto filosófico,
ética significa “caráter”, “índole”, “natureza”. É um tipo de postura e se refere a um
modo de ser à natureza da ação humana, ou seja, como lidar diante das situações
da vida e o modo como estabelecemos relações com os outros. É uma postura
pessoal que pressupõe uma liberdade de escolha.
É na Antiguidade que a preocupação com a ética e a moral tem início, sendo
Aristóteles um dos mais importantes representantes da época. A ética para o filosofo
grego estava ligada a uma vida boa, sem a ausência de medidas e de limites para
alcançar a felicidade.
A reflexão grega surgiu então como uma pesquisa sobre a natureza do bem
moral, na busca de um princípio absoluta da conduta. Aristóteles trouxe grandes
contribuições para o campo da ética. Uma das contribuições destes filósofos é a
ideia de que as virtudes não são algo que se adquirem de uma hora para outra, mas
são adquiridas através do uso da razão, do hábito e das ações virtuosas. Sendo
assim, o agir ético refletidamente de acordo com a consciência moral era o princípio
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da felicidade para as ideias gregas. Eles pensavam sua existência e ordenava sua
vida a partir da ideia do Cosmo, cujo significado grego era ordem, cabia a cada qual
através da razão buscar as normas universais que deviam guiar a própria vida,
proporcionando o conhecimento de como enfrentar as adversidades, de como viver
melhor.
De acordo com a principal obra de Aristóteles, Ética a Nicômaco, (1997,
p.35), “os homens se tornam construtores construindo, e se tornam citaristas
tocando cítara; da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos,
moderados agindo moderadamente corajosos agindo corajosamente”.

Na citação, o filósofo esclarece que a finalidade suprema que justifica a


maneira do ser humano conduzir seus atos está relacionada a uma vida repleta de
posturas e comportamentos virtuosos.
O comportamento o qual menciona o pensador seria o grande fator distintivo
da ética, o modo de agir perante os outros, perante si próprio, e perante a
humanidade. Observa-se que nessa obra destacam-se algumas categorias muito
importantes e necessárias para se pensar o ato de educar.
Esta obra sustenta ainda que a virtude é um hábito e, portanto não só pode
como deve ser ensinada desde a infância, sendo esta uma importante tarefa do
homem.
Ainda de acordo com a Ética, de Aristóteles (1946, p.57),

Não basta que as ações virtuosas tenham certas qualidades para que sejam
feitas com justiça e temperança; mas se faz preciso , ainda que quem as
opere, opere conduzindo - se de certo modo: primeiramente, sabendo bem
o que faz; depois com propósito, ou antes, com o propósito de fazer o que
faz; em terceiro lugar, que, operando, a sua vontade seja firme e não mude.

Entende-se então, que a felicidade está ligada a uma sabedoria prática, a de


saber fazer escolhas na vida. A faculdade do pensar é o que há de melhor no ser
humano, sendo esta sua melhor virtude, neste sentido reside na razão o critério da
boa vida e do bem viver. A responsabilidade por nossa vida cabe a nós. Assim, agir
moralmente significa agir de acordo com a nossa própria consciência.
Como vimos à ética para Aristóteles baseia- se na virtude, sendo esta uma
disposição adquirida voluntariamente, como foi discutido. A excelência do caráter
5

que define a disposição do agir, sendo assim a cultura promove a sua própria
ordenação sem limites e sem regras.
Para Rafael Gomes Perez, (2003, p.25) “ética é a parte da filosofia que
estuda a moralidade dos atos humanos, enquanto livres e ordenados a seu fim
último”. Ainda para o autor, a ética leva o homem a sua finalidade principal: fazer o
bem. Ele acredita que a humanidade em crise, desvia-se de sua finalidade, e a ética
é sua bússola.
A ética se faz sempre presente em nossa vida. Nos dias atuais se observa
que certos valores que cada indivíduo assimila no decorrer da sua formação como
pessoas muitas vezes são adquiridas em sua família, escola entre outro, os quais
procuram nos guiar através de nossas escolhas, entre o certo e o errado, o bem e o
mal.
Uma sociedade justa só é possível quando a sociedade aplica ética em suas
rotinas. Diante de essa reflexão adotar uma conduta responsável é muito importante
diante das desigualdades, das injustiças que estão presentes nesse cenário
moderno, pois a sociedade é norteada pelo comportamento das pessoas, seja bom
ou ruim. A ética permite então vivermos como seres humanos e está relacionada
com os princípios que regem nossas ações. Sendo assim, o comportamento seria,
pois o grande fator distintivo da ética; o modo de agir perante os outros, perante si
próprio, perante os que são próximos, perante a humanidade.
Segundo Nallini, (2004.p. 26), “o conceito de ética está intimamente ligado ao
de moral, para ele, a crise da humanidade é uma crise moral”. A crise moral é a
própria referência de valores básicos de orientação de comportamentos. A ética é
seu remédio.
Diante das concepções semelhantes desses autores, compreende-se que a
ética na cidadania busca refletir sobre o comportamento do homem sob o ponto de
vista das noções do bem e do mal, do justo do injusto, abrangendo as normas
morais e politicas, busca também um meio em que as pessoas possam interagir na
sociedade obedecendo tais leis morais para um desempenho da comunidade
humana.
De acordo com Sanchez (2002, p.23), “a ética é a teoria ou ciência do
comportamento moral dos homens em sociedade”. Ou seja, é a ciência de uma
forma especifica de comportamento humano. É a ciência da moral. O autor
acrescenta ainda que a ética se ocupa de um objeto próprio, o setor da realidade
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humana que chamamos moral, constituído por um tipo peculiar de fatos ou atos
humanos.
De acordo com Álvaro Valls (1994, p.47), “tradicionalmente a ética é
entendida como um estudo ou uma reflexão científica ou filosófica, e eventualmente
até teológica , sobre os costumes ou sobre as ações humanas”. A ética pode ser o
estudo das ações ou costumes, e pode ser a própria realização de um tipo de
comportamento.

Na massificação atual, a maioria das pessoas hoje talvez não se comporte


eticamente, as ideologias, os aparatos econômicos, etc., já não permitem
mais a existência de sujeitos livres, de cidadãos conscientes e participantes,
com capacidade julgadora. (VALLS,1994,p.47).

O autor introduz uma importante observação acerca do comportamento ético


da sociedade após o século XX, onde a maior parte age sem noção da moral e
influenciado por ideias externas, tornando a ética de certo modo, impraticável em
todos os aspectos. Essa reflexão significa de certa forma que não existe mais
espaço para a dúvida, pelo livre desenvolvimento da consciência individual.
De acordo com Corttela (2010, p. 106), “A ética é o conjunto de princípios e
valores da nossa conduta na vida junta”. Portanto a ética é o que faz a fronteira
entre o que a natureza manda e o que nós decidimos, a ética é aquilo que orienta a
sua capacidade de julgar, decidir, avaliar.
Para Sanchez, (2002, p.24), Ética vem do grego ethos, que significa
analogicamente modo de ser ou caráter enquanto forma de vida também adquirida
ou conquistada pelo hábito. Moral vem do latim, “mos ou mores”, no sentido de
conjunto de regras ou normas adquirido pelo hábito.
Ainda para o autor, o comportamento moral é tanto comportamento de
indivíduos quanto de grupos sociais humanos, cujas ações têm um caráter coletivo,
mas deliberado, livre e consciente. Ainda para o autor, os atos individuais que não
tem consequência alguma para os demais, não podem ser objetos de uma
qualificação moral.
A moral cumpre assim uma função social bem definida, contribuir para que os
atos dos indivíduos ou de um grupo social desenvolvam- se de maneira vantajosa
para toda a sociedade. Em suma, a moral tende a fazer com que os indivíduos
harmonizem voluntariamente – isto é, de uma maneira consciente e livre.
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O autor acrescenta ainda que nas fases mais antigas do desenvolvimento


histórico – social da humanidade, isto é, nas sociedades primitivas, o costume
representa o que deve ser. Mas também nas sociedades posteriores, já mais
desenvolvidas, o costume não desaparece completamente como forma de
regulamentação moral. As normas que assim vigoram na sociedade, às vezes
sobrevivem por muito tempo.
A partir dessa premissa é possível perceber que nos dias atuais os indivíduos
ainda se submetem as regras impostas pela sociedade tirando a possibilidade de
serem mais autônomos, mais democráticos. A regulamentação moral como
menciona o autor, ainda permanecem até hoje, pois a padronização de
comportamentos não torna os indivíduos democráticos por terem que seguir os
modelos impostos, a ordenação da sociedade induzindo este a aceitar a ordem
estabelecida. A moral implica sempre em uma consciência individual, ou seja, o
comportamento ético tem que ser livre e consciente.
Para De La Taille, (2005, p. 01), do ponto de vista psicológico, “a questão da
norma, como devo agir e a questão da felicidade, como quero viver, estão
relacionadas”. Ele explica ainda que a primeira questão se refere a moral e a
segunda à ética.
De acordo com Chauí, (1994, p.340), “a ação ética ancora-se na integridade
do ser humano frente aos seus semelhantes”. Sob essa ótica, o sujeito moral, é por
definição aquele capaz de distinguir entre o bem e o mal, e, portanto capaz de
desviar do caminho prescrito, capaz de decidir, de escolher de deliberar pelo
reconhecimento da fronteira entre o justo e o injusto.
Nesse contexto, pode-se afirmar que o caminho prescrito conforme afirma a
autora, não possibilita uma moral autônoma, a qual o indivíduo é capaz de
descentrar o próprio ponto de vista, tomando decisões e posicionando-se diante dos
problemas, conscientemente. Lembrando que os princípios livres constituem a base
para o real exercício da cidadania.
Segundo o Dicionário (Aurélio, 2008, p.319); “ética é o estudo dos juízos de
apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de
vista do bem e do mal.” seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo
absoluto.
Para Housaiss (2004, p.319),
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Ética é a parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que


motivam, distorce, disciplinam ou orientam o comportamento humano
refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores,
prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.

Sendo assim, seguindo as ideias dos autores, ética atribui responsabilidades


a todos os seres humanos. Adotar uma postura ética na sociedade é contribuir para
uma vida mais harmônica. A reflexão filosófica logo no início nos inspira a pensar
que podemos ser autores do nosso caráter, sendo este o produto da série de atos
dos quais somos princípios.
Importante salientar diante dessas reflexões, que a necessidade da ética seria
indispensável na educação como tema transversal. Sendo assim necessário que o
educador possibilite aos aprendizes, o desenvolvimento da capacidade de
abstração, de compreender conceitos, articulá-los à prática e a sua experiência de
mundo. Pois a formação ética desses alunos é que os possibilitará assumir sua
responsabilidade diante da vida e realizar escolhas.
Sendo assim, conforme defendido por Severino (2007, p.190), a ética
contemporânea para ele trata-se de uma ciência prática que debate os valores e
costume das pessoas, acrescentando ainda que está sempre presente no palco das
discussões sociais, profissionais, ecológicos e por que não dizer inclusive
educacionais.

POR QUE A EDUCAÇÃO EM VALORES É INDISPENSÁVEL A PARTIR DA


EDUCAÇÃO INFANTIL?

A primeira infância é um período crucial na vida das crianças, pois é nesta


fase em que elas adquirem capacidades fundamentais para o desenvolvimento das
habilidades que irão impactar na sua vida adulta.
A construção de valores vem desde a infância, são essenciais na formação do
nosso caráter e de nossa postura diante da vida, por isso se torna necessário a
criança assimilar valores para o seu desenvolvimento, pois todos os indivíduos
precisam e devem tomar conhecimento dos valores humanos. Esses princípios são
humanizastes e ajudarão as crianças no seu crescimento moral.
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Para Aranha (2006, p.178), os programas de educação moral devem, portanto


oferecer oportunidades para estimular o indivíduo a passar de um estágio para
outro. Salienta ainda que é importante superar o comportamento infantil, egoísta,
interesseiro, individualista, para em seguida ser capaz de valorizar as relações
interpessoais.
A partir destas reflexões, a aquisição de regras de bons comportamentos
adequados de um bom cidadão, se dá nos anos iniciais, desempenhando um papel
fundamental no desenvolvimento da criança. Essa primeira etapa é marcante na
vida desses infantes.
Ainda de acordo com Aranha (2006, p.172), desde o nascimento, nos
encontramos envoltos por valores herdados, pois o mundo cultural é um sistema de
significados estabelecidos por outros, ainda para essa autora, estamos sempre
fazendo juízos de valores.
Quando se fala em Educação Infantil, é impossível negar a responsabilidade
dos educadores com a formação moral das crianças. Nessa fase, é importante dá
oportunidade para os pequenos ultrapassar os limites da cognição.
Trabalhar valores éticos e morais na Educação Infantil é de suma importância
uma vez que a infância é o alicerce a vida e o adulto é produto daquilo que vivencia
e aprende, também nos seus primeiros anos na escola. Para que haja então uma
educação completa é necessário ofertar um ambiente sócio- moral, no qual sejam
ensinados valores fundamentais como: moral, responsabilidade, disciplina, ética,
respeito, solidariedade, liberdade, justiça e outros mais. Pois esses valores são os
princípios que fundamentam a consciência humana, diante dessa reflexão se torna
fundamental que os educadores enriqueçam seu trabalho com esses princípios, uma
vez que seja possibilitado a elaboração de pensamentos críticos, autônomos.
De acordo com Martinelli, (1999, p.17), os valores integram o conhecimento,
a família, a escola, e a vida em sociedade, vinculam o ensinamento ministrado na
escola às circunstâncias da vida construindo uma consciência da ética e da estética
do bem.
A instituição de Educação Infantil é o espaço de inclusão das crianças nas
relações éticas e morais que regem a sociedade na qual estão inseridas. A formação
ética dos alunos desde cedo é o que os possibilitará assumir suas responsabilidades
diante da vida e realizar escolhas de forma consciente, preocupando-se com sua
conduta ética diante da sociedade.
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De acordo com a LDB, 9394/96, no artigo 29, Educação Infantil, é a primeira


etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da
criança até cinco anos de idade em seus aspectos físicos intelectuais e social,
complementando a ação da família e da comunidade. Ainda seguindo os preceitos
da LDB 9394/96, é atribuição do profissional da educação infantil trabalhar o aluno
como um todo e não como um ser fragmentado.
A educação para a liberdade começa cedo. De acordo com Sidney (1997,
p.117), “desenvolvimento da criança e do adolescente o desenvolvimento social e
moral da criança, acontece a medida que ela estabelece seu primeiro contato social
com os pais e outras pessoas do lar.” Para o autor, um aspecto importante desse
aprendizado de associação com os outros é o desenvolvimento de um conjunto de
padrões morais, ou consciência. Ele explica que aprender a agir segundo uma moral
é uma função do desenvolvimento da consciência.
Refletindo a concepção do autor, entende-se que a consciência individual na
criança deve ser estimulada desde cedo uma vez que é dada a ela a possibilidade
de ter um senso ético. Então, os padrões morais fornecem a criança um guia pela
qual ela pode avaliar suas próprias ações, comportamentos.
Segundo Rios (2003, p.37), a escola seria o melhor dos remédios contra os
males da sociedade, a autora acredita que se tivermos uma escola boa
alcançaremos, consequentemente uma sociedade desejada, mais humana.
A necessidade de uma educação ética e moral se tornam muito importante e
necessária para formar indivíduos solidários e cooperativos, auxiliando-os na sua
identidade autonomia. Ela é o caminho para promover as transformações que se
fazem necessárias na formação ética e moral dos indivíduos.
Seguindo o raciocínio do autor, a ética deve então ser pensada como um dos
componentes mais importantes na educação, sendo esta baseada em propostas de
resolução de conflitos, buscando melhorar o convívio social, criando bases para a
construção de uma sociedade mais democrática e sensível à ética nas relações
humanas.
Diante de uma visão crítica, a educação em valores hoje se torna uma
exigência, devido o notável enfraquecimento dos princípios que norteiam o
comportamento humano. Sendo assim, se faz necessário uma educação, na qual
possam ser problematizados os dilemas vivenciados pelo aluno, despertando nele
sua percepção diante desses problemas do mundo em que vive, tendo autonomia
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para pensar e refletir sobre seu papel na sociedade. Vivemos uma deficiência moral
cada vez mais explícita na sociedade: injustiças, corrupções, conflitos, violência,
individualismo, desigualdades, miséria, discriminação. Essas “patologias” sociais se
proliferam cada vez mais e isso atinge a humanidade.
Com base nesse contexto, torna-se necessário uma nova postura ética com
relação aos métodos de ensino, levando para o espaço escolar o debate, a reflexão
e a ação sobre a realidade social em que o aluno vive. Desenvolvendo assim uma
educação moral que seja capaz de detectar e criticar injustiças.
A teoria construtivista apresenta a proposta da educação moral cognitiva e
evolutiva, baseada no desenvolvimento moral, sob o enfoque da construção de
personalidades autônomas.
Segundo Piaget, um dos teóricos da teoria Construtivista, citado por Aranha
(2006, p.173), “a constituição da vida moral acontece à medida que a criança
desenvolve a inteligência e a atividade, tornando-se capaz de perceber
racionalmente o mundo”.
O autor acredita que para que o pensamento infantil seja desenvolvido desde
cedo, é necessário estimular a autopercepção da criança dando a ela a
oportunidade de desenvolver a empatia, respeito, diferenças, comunicação e lidar
com os conflitos.
Ainda com base nessa teoria construtivista, reforçando o pensamento de
Piaget, o âmbito escolar está relacionado com a construção de subjetividades, isso
ocorre a medida que a criança é estimulada a despertar sua percepção crítica,
aprender a pensar por si só. Portanto, escutar a criança é uma oportunidade de
retomarmos a partir do ângulo dela um olhar crítico sobre as ideias e valores de
nossa cultura.
Ainda de acordo com Piaget (1999, p.38),

A primeira moral da criança é a da obediência e o primeiro critério do bem é


durante muito tempo a vontade dos pais. Então os valores morais assim
concebidos são valores normativos [...] há o respeito por regras impostas,
propriamente ditas.

Seguindo esse pensamento, podemos perceber que nessa fase a criança


ainda se submete aos valores normativos, não superando ainda a fase da
heteronomia. A educação deve assim favorecer gradativamente a passagem para
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uma etapa mais evolutiva do comportamento moral, a etapa da autonomia, sendo


nesta onde a criança constrói o seu “eu”.
Para Sung e Silva (1995, p.15), ele afirma que: “ser humano deve, portanto
construir o seu ser. Ele não nasce pronto, se faz ser humano, se torna pessoa. O
grande desafio de nossas vidas é este processo de construção do nosso ser”.
Seguindo essa linha de raciocínio, o ser humano passa por um processo de
humanização e essa humanização se dá por meio da cultura, por meio social. São
no convívio, nessa troca, no reconhecimento de valores, ideias que nos tornamos
humanas. O homem não pode progredir na sua vida se não for auxiliado pela
experiência coletiva, sendo assim a tarefa educativa pela qual se forma o ser
humano, tem como objetivo conduzir esse indivíduo à sua realização, dirigindo-o até
que alcance seus limites.
De acordo com Vicente Zatti (2007, p.32), tendo como base os teóricos Kant
e Paulo Freire, “a educação se encontra fundada no caráter inconcluso do ser
humano. Ele acredita que o homem não nasce homem, ele se forma homem pela
educação”.
Para Kant, se nada se opõe na infância e na juventude o indivíduo
conservará a selvageria a vida toda. O pensador propõe uma educação que não
prejudique o caráter humano, acrescenta ainda que o respeito à dignidade da
criança sempre deve está presente para que não promovam simples adestramento.
Assim é possível perceber nesses dois pensadores que suas concepções nos
inspiram a pensar uma educação para a autonomia que busca desenvolver a
capacidade dos educandos e ambas as concepções se fazem bem coerentes e
corretas, visto que a educação precisa formar o indivíduo para que ele adquira a
civilidade, se torne prudente e se moralize. Por isso o ensino dos conteúdos não se
pode se dar de forma alheio a formação moral do educando.
Segundo o psicólogo norte americano Kohlberg, citado por Aranha (2006,
p.177), ensinar moral não deve ser entendido segundo a maneira tradicional e
conservadora de dar lições sobre o que é justiça, temperança, responsabilidade,
coragem e outras coisas mais, do que ensinar conteúdos de moral, a preocupação
desse autor é enfatizar a dimensão formal e processual da constituição da
consciência moral. A ideia dele era criar condições para que as pessoas
alcançassem por si próprias os estágios mais altos da moralidade.
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De acordo com La Taille (1998), ética é a reflexão sobre a felicidade e sua


busca, a procura de uma vida significativa, uma vida boa, Moral para ele é o
conjunto de deveres derivados da necessidade de respeitar as pessoas nos seus
direitos e na sua dignidade.
De acordo com Kant, (2002, p.7) em sua obra: Sobre a Pedagogia, “a
educação e a instrução não podem ser puramente mecânicas, mas devem apoiar -
se em princípios”. Como poderíamos tornar os homens felizes se não os tornarmos
morais e sábios? Ainda para o pensador, ser disciplinado quer dizer procurar impedir
que a animalidade prejudique o caráter humano. Uma verdadeira educação requer,
pois, que ensinamos aquilo que jugamos essencial.
O autor acredita que a disciplina, ou seja, a ética formal ajudará na formação
moral do indivíduo sendo então o princípio da educação. Para ele uma educação
pública completa é aquela que reúne ao mesmo tempo, a instrução e a formação
moral. O objetivo fundamental é que os educandos se conheçam, saibam agir sobre
eles com prudência, tornando-se um cidadão feliz e produtivo. Dessa forma então a
educação estará garantindo a felicidade da espécie humana. Essa forma mecânica
então de ensinar para ele tira o homem da selvageria e o conduz a liberdade.
Para Vasconcelos (1993), citado por Claudino Gilz (2006, p.68);

A verdadeira disciplina se define independentemente do contexto que se


opõe, como um objetivo único e universal para o qual devemos sempre
tender ou o qual devemos sempre nos aproximar. São por meio da
disciplina que são geradas as condições necessárias para a vida em
sociedade, oportunizando o desenvolvimento da autonomia e da
solidariedade.

Mediante essa citação, constata-se que é preciso que haja um consenso a


respeito da conceituação da disciplina, o autor afirma claramente que ela tem um
objetivo único. Ela busca assim o desenvolvimento, o senso de responsabilidade,
implica numa construção social, conduzindo os indivíduos a uma postura correta na
sociedade.
É possível perceber em Kant e Aristóteles que apesar de pontos de vista
distintos com o modo de conceber a ética, visam o mesmo resultado: o bem comum
encima da dignidade humana. Para esses dois pensadores, toda ação tem uma
reação que pode ser negativa ou positiva.
Baseado nas concepções desses filósofos, para que o indivíduo possa se
comportar eticamente no meio é preciso que ele seja educado, pois um indivíduo
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disciplinado se torna um sujeito ético. Sendo assim, disciplinar as crianças desde


cedo, significa desenvolver seu caráter conduzi-las a posturas corretas, as boas
ações virtuosas para que possa ter bons hábitos e saiba viver em sociedade, agindo
conscientemente, pois a educação é um excelente caminho para promover as
transformações que se fazem necessárias na formação ética e moral no indivíduo.
Kant explica ainda de forma coerente que é preciso tornar os homens sábios.
O homem não pode tornar-se verdadeiro homem senão pela educação, sendo esta
capaz de mudar o caminho do ser, conduzindo-o ao pensamento autônomo e assim
conquistar sua liberdade verdadeira, assumindo assim uma postura ética no meio
social, sabendo viver em coletividade, pois a educação é o caminho. Ela possibilita
ainda que cada indivíduo adquira a capacidade de conduzir o seu próprio processo
formativo.
A formação em valores humanos busca assim construir novos modelos de
sociedade, através da ética, da solidariedade, da justiça, e com isso tornar os seres
humanos mais felizes, criativos e transformadores. É necessário educar para que as
pessoas vivam bem e se tornem sujeitos éticos.
Sendo assim a formação implica criação, construção, assimilação, ou seja,
uma formação integradora significa a construção mútua de sujeitos que possam
interagir de maneira cooperativa e reflexiva na sociedade. A construção de valores
sociais e morais são importantes para que as crianças de hoje construam uma
sociedade melhor amanhã.
Segundo Pedro Goergen, (2007, p.47),

o grande desafio da educação no que se refere à educação ética é: permitir


que a criança possa aos poucos assumir-se como autora da sua própria
identidade, constituindo-se como sujeito moralmente autônomo e capaz de
tomar nas suas próprias mãos o seu destino no interior da humanidade.

Diante desse raciocínio, é importante uma educação que envolva a formação


de uma personalidade responsável, livre e consciente. Para que haja uma ação
educativa consciente é preciso que haja um exercício profissional competente.

O PAPEL DO TRABALHO DOCENTE NA FORMAÇÂO ÉTICA E MORAL DA


CRIANÇA.
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A escola é um espaço de relações humanas, de socialização A preparação do


corpo docente se faz necessária na formação ética e moral do indivíduo,
principalmente na educação infantil onde se inicia a vida escolar, sendo assim, a
intervenção pedagógica se torna muito importante na formação ética e moral da
criança. O educador tem como papel intervir neste aspecto de desenvolvimento,
ajudando a construir nela um sistema de valores socialmente desejáveis, visto que a
Instituição de educação infantil é um dos espaços de inserção das crianças nas
relações éticas e morais que envolvem a sociedade na qual estão inseridas.
Diante disto é necessário que o educador possibilite aos aprendizes o
desenvolvimento de suas capacidades dando a eles o acesso a reflexão sobre os
princípios, valores, condutas, pois a ética nasce do exercício da reflexão, ou seja, os
princípios e as posturas designados éticos são norteados pela reflexão, sendo esta
crucial na vida do ser humano. A formação moral é um processo complexo que
abriga diversos aspectos até a formação da consciência moral autônoma.
É sabido que o professor é um agente transformador, ele carrega consigo o
dever e a responsabilidade acerca da formação integral dos seus alunos, pois ele é
tido como referência de conduta para os mesmos, por isso é de suma importância
assim que na educação infantil esses educadores reflitam sobre a importância de
um olhar mais atento sobre a criança percebendo quais são suas reais
necessidades.
Na sala de aula, ele se depara com diversos valores e normas, modos de
comportamentos que os indivíduos compartilham-nos diferentes meios sociais. A
educação para a vida exige desses profissionais da educação uma postura de ação
com responsabilidade. A formação profissional implica em entender a aprendizagem
como um processo contínuo, e requer uma análise cuidadosa desse aprender,
requer evolução e concretização. Sendo assim o professor precisa agir
conscientemente, trabalhando construtivamente com seus alunos, avaliando suas
necessidades e características concretas. Então o objetivo básico de todo educador
consiste no aperfeiçoamento de sua prática educativa.
Segundo Libâneo (1994, p.47) “o trabalho docente constitui o exercício
profissional dos professores e este é o seu primeiro compromisso com a sociedade”.
Sua responsabilidade é preparar alunos para se tornarem futuros cidadãos ativos e
participativos na vida cultural e política.
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Os professores são responsáveis pela formação moral dos alunos e devem


assumir o papel de parceiro no processo de aprendizagem desse aluno pois o
conhecimento se constrói na interação do sujeito com o meio, ou seja, o processo de
transmissão e assimilação ativa ocorre na atividade conjunta.
Assim, pensar em uma prática educacional que se propõe a trabalhar com os
valores morais, é pensar uma prática pautada no diálogo e na construção desses
valores. Pois toda educação é uma ação de diálogo entre seres humanos.
Para Claudino Gilz (2006, p.44); “diálogo é mais do que entendimento das
palavras enunciadas. É mais do que falar e ouvir. É a expressão da harmonia entre
dois ou mais indivíduos”. Do grego, diálogos: diálogo ou conversa entre duas
pessoas que têm como finalidade o confronto e a depuração saudável das ideias em
busca da verdade.
Para Oliveira (2007, p.102), “a partir do diálogo, das trocas de informações
com as crianças e com o adulto, a criança inicia um processo de discussão em que
busca a compreensão do pensamento do outro, ao mesmo tempo em que tenta se
fazer compreender”. A partir daí, sua linguagem e pensamento vão se
desenvolvendo cada vez mais.
Nessa perspectiva, acredita-se que a atitude dialógica favorece a informação,
o encontro e a compreensão. Ao se tratar de formação ética do aluno a pedagogia
deve assumir então a forma de um diálogo crítico o qual favorece uma comunicação
democrática, viabilizando o sentido da participação de cada indivíduo, na
estruturação da sua cultura e sua identidade.
De acordo com Freire, (2005, p.91), o diálogo é essencial na prática
educativa. O educador enfatiza ainda que alguns elementos constitutivos para o
diálogo estão na dimensão da ação e da reflexão não se separando. Para esse
pensador, proferir palavras verdadeiras não deve ser privilégio de alguns. É sim um
direito de todos os homens, pois ao dialogar, os homens nascem.
De acordo com Bertrand (1998, p.165), afirma que;

A pedagogia deve assumir a forma de um diálogo crítico, isto é, nos


antípodas do magistral tradicional caracterizado por um professor que
monologa e estudantes que tiram apontamentos. [...] Os estudantes
aprendem através do dialogo, a desenvolver uma visão crítica dos seus
poderes, das suas condições, da sua linguagem, dos seus conhecimentos e
da sua sociedade.
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Como vimos nesta citação, o dialogo é a essência da educação e deve está


presente em todos os momentos da aprendizagem, pois, permite um intercâmbio
que proporciona a construção coletiva do conhecimento. O a conversa é o caminho
através do qual os sujeitos se pronunciam.
De acordo com Paulo Freire, (1996, p.18);

Ensinar exige ética e também estética. [...] Não é possível pensar os seres
humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe ou pior,
fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. Tornamo-
nos capazes de intervir, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos
éticos.

Como se pode perceber, o autor explica coerentemente a importância da ética


no processo de construção do conhecimento, pois o caráter ético, não pode ser
deixado de lado na aprendizagem. Adotar uma postura ética revela uma face
transformadora na educação. Formar é então muito mais do que simplesmente
educar, visa também uma transformação social. Freire afirma que é impossível
pensar os seres humanos longe da ética. Ainda para o educador, nas condições de
verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da
construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador.
Libâneo (1998, p.64) afirma que, “a educação precisa ajudar o aluno a
transformar-se em sujeitos pensantes, capaz de utilizar seu potencial de
pensamento na construção e reconstrução de conceitos, habilidades e valores”.
De acordo então com essas conclusões nesses dois autores, os educadores
são assim líderes que representamos modelos referenciais em que os estudantes
solidificam suas bases. Observa-se a relevância de um posicionamento ético, no
processo de ensino e aprendizagem, na construção do conhecimento. Construir
implica em proporcionar aos discentes a compreensão, dando a ele a possibilidade
de pensar, para que ele alcance o real conhecimento de forma autônoma e
prazerosa.
Educação e liberdade são inseparáveis, diante disso, se fazem necessários
uma postura ética e uma reflexão por parte dos profissionais da educação, os quais
precisam tornar o ambiente escolar um espaço de confronto, de troca de saberes,
provocando sempre discussões. Assim se dá a formação do indivíduo autônomo e
produtivo para a sociedade. Por isso educação não pode promover um
adestramento e sim uma ação transformadora no indivíduo.
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Segundo Claudino Gilz, (2006, p.10), para a democracia se efetivar há a


necessidade de se estruturar um projeto de trabalho em que o desenvolvimento das
virtudes humanas perpasse o processo de ensino e aprendizagem, objetivando um
novo patamar de consciência em que predomine a liberdade no mundo de formação
de referenciais, a formação de gerações futuras precisa crescer não em habilidade
no manejo de informações mas também enquanto pessoas de caráter, princípios
,idealismo.
A partir dessas informações, entende-se que uma proposta pedagógica deve
ser pautada em princípios éticos, da autonomia da responsabilidade, da
solidariedade, do respeito etc. Pressupõe-se a iniciativa dos professores em
desenvolver trabalhos problematizadores fazendo da sala de aula um espaço de
troca de saberes, levando o educando ao estímulo cognitivo num programa de
educação moral, o qual ele possa ter capacidade de jugar e de intervir. A educação
deve tender a formar a razão autônoma , que assume a responsabilidade de
deliberar, argumentar e justificar seus pontos de vista.
Importante salientar ainda que a educação é uma prática social, que tem
como objetivo a humanização, libertação emancipação, desalienação dos sujeitos
em sociedade. A educação envolve assim o processo de tomada de consciência
crítica do sujeito, permitindo-lhe a organização reflexiva de seu pensamento crítico.
De acordo com Rosa (2001, p.117), ele afirma que;

Uma das questões de maior relevância para o desenvolvimento da


educação moral é a capacidade da escola e a habilidade do professor de
fazer com que o aluno se exercite, com o assessoramento do professor , no
tratamento de problemas morais.

Baseado nessa reflexão, o aluno através do contato com seus professores vai
se desenvolvendo, ampliando sua visão de mundo e criando condições necessárias
para compreender e viver no mundo de forma adequada e coerente, transformando
sua realidade. Sendo assim o professor precisa ter uma conduta ética em relação a
seus educandos.
No mundo contemporâneo marcado por uma crise de valores éticos e morais,
o professor precisa despertar nos alunos desde cedo uma reflexão sobre a realidade
que os cercam. O processo educativo, deve assim priorizar a formação de valores,
fazendo um levantamento dos problemas que ferem a sociedade, promovendo
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assim uma ação com diálogo, cooperação e respeito. Pois os meios e os problemas
são os principais fatores na construção de uma personalidade moral.
Desse modo para Claudino Gilz (2006, p.76), os princípios da educação são;

Estabelecer e explicitar as virtudes que regulam a vida coletiva, tornar


explícitos os critérios de determinada decisões e atuações; colocar os
alunos em situações em que possam decidir, jugar e agir; valorizar os
comportamentos e as atitudes desejadas ou esperadas, oportunizar a ação
e reflexão sobre as próprias ações, apresentar diferentes possibilidades ou
alternativas, avaliar e ajudar a avaliar os prós e os contras, os valores
subjacentes, com o objetivo de facilitar a construção de critérios próprios e
a tomada de decisão a partir das virtudes interiorizadas.

Seguindo este raciocínio, a Instituição de ensino deve proporcionar não


apenas conteúdos escolares, o trabalho do educador influencia também na
formação humana. A educação é um processo muito mais rico e complexo do que
simplesmente a transmissão de conhecimentos. Uma escola comprometida com a
ética deve assumir a missão de trabalhar com a humanização, promovendo assim
uma educação emancipadora, capaz de contribuir para a construção dedo ser
autônomo. É preciso que a educação proporcione a libertação do ser humano
possibilitando assim a concretização do “ser mais”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo científico, foi apresentada uma breve reflexão sobre a


importância de uma educação em valores éticos e morais na Educação infantil. Foi
discutido o conceito de ética sob o ponto de vista de vários autores, tendo Aristóteles
como principal referência, pois seu pensamento foi muito útil para a construção e
desenvolvimento deste artigo, com a ideia de que para alcançarmos a felicidade e
vivermos bem em sociedade depende da postura ética e das escolhas que fazemos
do modo como agimos na sociedade, ou seja, as ações virtuosas é o caminho para
vivermos bem.
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica na qual teve a concepção de vários
autores e o modo como eles concebem a ética e a moral ajudando a esclarecer a
relevância dos mesmos para compreender como comportar-se eticamente. A Ética
como já foi afirmado, é de origem Grega derivada de ethos e está relacionada a
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costume, aos hábitos dos homens. O pensamento ético busca assim julgar o
comportamento humano dizendo o que é certo e o que é errado.
Neste trabalho foi possível compreender que para a construção de sujeitos
éticos, é fundamental uma educação pautada nos princípios éticos, pois Kant explica
de forma clara que é pela educação que se formam homens sábios. A reflexão
deste pensador foi muito útil e ajudou a enriquecer este trabalho. Pois a educação
trabalha no homem, sua habilidade, sua prudência e sua moralidade. Com base
nessa reflexão, a escola se torna assim um espaço de humanização, visando assim
a formação integral no indivíduo não como um ser fragmentado e sim como um todo.
É sabido que de acordo com a teoria construtivista de Jean Piaget, a
autonomia da criança é desenvolvida aos poucos. Para este teórico, a construção
ética nas crianças começa a partir do momento em que ela é estimulada a
desenvolver a sua autonomia. Sendo assim ela estará construindo seus próprios
valores.
Este tema proporcionou um olhar mais atento com relação a formação e
identidade do profissional da educação, visto que o desenvolvimento e
enriquecimento de competências são fundamentais para se alcançar uma educação
de qualidade, diante desta constatação ficou claro que a intervenção pedagógica se
torna indispensável na formação de sujeitos democráticos.
O profissional da educação precisa assim progredir a cada vez mais na sua
profissão para assim atender as necessidades dos alunos. Sendo assim, adotar uma
postura reflexiva nesse processo de ensino e aprendizagem se torna relevante.
A análise dos autores presentes neste trabalho trouxe ainda a questão da
educação como ação disciplinadora na concepção kantiana. Para ele instruir a
criança é ensiná-la a pensar. Disciplinar é assim propor ações de caráter reflexivo. A
educação moral seria desenvolvida assim nos institutos de educação.
Neste trabalho foi discutida, a importância da ação dialógica no processo
educativo, sendo este componente fundamental para uma educação pautada no
exercício democrático. É pelo diálogo crítico e problematizado que se dá o processo
de tomada de consciência ético.
Neste trabalho foi possível compreender que a educação deve desenvolver a
preocupação com a dimensão ética para formar indivíduos solidários, cooperativos,
auxiliando-os na construção de sua identidade e autonomia.
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Foi abordada nesse artigo também a relevância do da ação dialógica na


construção de sujeitos éticos sendo que o diálogo cria possibilidades de
transformação no indivíduo, quando é dada a ele a oportunidade de participação, de
mostrar seu ponto de vista durante a aprendizagem.
Sendo assim, este trabalho de pesquisa buscou uma compreensão da
importância dos valores no contexto educacional, para que possa priorizar o
desenvolvimento integral do aluno para que possam ser formados cidadãos
conhecedores de seus direitos e deveres, consequentemente uma educação voltada
para os princípios éticos e morais auxilia os educandos a desenvolver sua
personalidade e agir com autonomia no meio social, auxiliando o também a ter um
melhor relacionamento interpessoal e também assumir suas responsabilidades
pessoais.
Neste artigo foi feito também uma análise crítica da sociedade atual, trouxe
reflexões e apontamentos com relação a conduta do indivíduo atual, foi possível
detectar uma crise de valores éticos e morais. Constatou-se que a crise moral na
qual se encontra a humanidade, se dá pela falta de educação.
Conclui-se que o envolvimento pessoal de todo educador e sua sensibilidade
ética estão articulados a um compromisso com o destino da humanidade na
construção de uma sociedade melhor e equitativa.

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