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GRUPO

Educação a Distância

Caderno de Estudos

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO

Prof. Fábio Roberto Tavares


Prof.ª Débora Cristina Curto da Costa Bocato

UNIASSELVI
2016

NEAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br

Copyright  UNIASSELVI 2016

Elaboração:
Prof. Fábio Roberto Tavares
Prof.ª Débora Cristina Curto da Costa Bocato

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

301.1
T231p Tavares; Fábio Roberto

Psicologia da comunicação/ Fábio Roberto Tavares;


Débora Cristina Curto da Costa Bocato : UNIASSELVI, 2016.

162 p. : il.

ISBN 978-85-7830-998-5

1.Psicologia social.
I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

Impresso por:
APRESENTAÇÃO

Caro acadêmico! Chegou a hora de você conhecer melhor a Psicologia da Comunicação


e aprender um pouco mais sobre ela! Esse é um importante ramo da Psicologia, tanto para a
sua vida acadêmica e profissional quanto para o cotidiano.

Durante o período de formação acadêmica, os conhecimentos em Psicologia são


fundamentais para sua formação profissional, haja visto que este é o campo da Ciência que
investiga o comportamento humano, ou seja, como as pessoas pensam, agem e se inter-
relacionam. Assim, é possível entender as bases em que são construídas as sociedades.
Contudo, para obter essa compreensão, faz-se necessário um resgate histórico de sua
concepção e consolidação científica.

No âmbito profissional, o bacharel em comunicação social deve possui a capacidade de


síntese crítica, bem como conhecimento científico, técnico e artístico, os quais são relevantes
no entendimento dos fenômenos da comunicação. Assim, conhecer como as pessoas pensam,
sentem e percebem o meio são princípios básicos dessa área de atuação.

No dia a dia, muitas informações são veiculadas por inúmeros emissores, contudo,
é preciso filtrar o que está sendo exposto a fim de que se possa levar assuntos, fatos e
acontecimentos de modo que os receptores compreendam a mensagem. Para tanto, é
preciso conhecer epistemologicamente os processos de formação da Psicologia aplicada à
Comunicação.

Esse caderno de estudos fornece os conhecimentos básicos em Psicologia da


Comunicação. Ele está dividido em três unidades. Na primeira unidade você estudará a
concepção da Psicologia enquanto Ciência, incluindo suas origens, na Grécia antiga, e as
escolas no seu percurso histórico. Também será abordada a Psicanálise de Sigmud Freud, a
qual mudou definitivamente os rumos da Psicologia. Para encerrar a primeira unidade, você
aprenderá noções básicas da Psicologia Social.

Na segunda unidade, a Psicologia Social é aprofundada. Você aprenderá aspectos


do comportamento humano considerando as contribuições da sociologia, a ciência política
e também, a religião e a história. Dessa forma, você será capaz de identificar os principais
problemas e questões pertinentes que a humanidade enfrenta quando se trata de inserção e
representação social.

Por fim, na terceira unidade, você aprenderá a interação entre indivíduo e sociedade
como duas instâncias distintas que interagem entre si: atitudes, preconceitos, comunicação,
relações grupais e liderança. Dessa maneira, você entenderá melhor a interdependência entre
o indivíduo e a sociedade.

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO iii


Desejo a você um ótimo aprendizado! Espero que ao terminar o estudo deste caderno
você tenha aprendido os conhecimentos básicos sobre a inter-relação entre a Comunicação
e a Psicologia, consiga compreender a importância desta disciplina e também consiga aplicar
esses conhecimentos na vida acadêmica, profissional e no cotidiano.

Bons estudos!

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO iv
PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO v
UNI

Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas.


Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus
estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. Desejo
a você excelentes estudos!

UNI

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO vi
SUMÁRIO

UNIDADE 1 – CONTEXTUALIZAÇÃO DA PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA .................... 1

TÓPICO 1 – CONCEITOS GERAIS DA PSICOLOGIA E SUA CONSTITUIÇÃO COMO


CIÊNCIA . ...................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3
2 ABORDAGEM HISTÓRICA DA PSICOLOGIA .............................................................. 4
2.1 A PSICOLOGIA NOS PRIMÓRIDOS: A GRÉCIA ......................................................... 4
3 A PSICOLOGIA NA IDADE MÉDIA ................................................................................ 6
4 A ORIGEM DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA .................................................................. 10
4.1 O FUNCIONALISMO . ................................................................................................ 10
4.2 ESTRUTURALISMO ................................................................................................... 11
4.3 ASSOCIACIONISMO ................................................................................................. 13
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 15
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 16

TÓPICO 2 – AS PRINCIPAIS TEORIAS DO SÉCULO XX ............................................. 17


1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 17
2 BEHAVIORISMO .......................................................................................................... 18
3 GESTALT - A PSICOLOGIA DA FORMA ..................................................................... 23
4 PSICANÁLISE .............................................................................................................. 29
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 32
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 33

TÓPICO 3 – PSICOLOGIA SOCIAL . .............................................................................. 35


1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 35
2 SUJEITO SOCIAL E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS .................................................. 35
3 RELAÇÕES ENTRE O INDIVIDUAL, O COLETIVO E A COMUNICAÇÃO ................ 40
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 43
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................. 45
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 46
AVALIAÇÃO . ................................................................................................................... 47

UNIDADE 2 – ASPECTOS DA PSICOLOGIA SOCIAL, IDENTIDADE E AS INTERAÇÕES


SOCIAIS . .................................................................................................. 49

TÓPICO 1 – A FORMAÇÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS E DA IDENTIDADE NA PERSPECTIVA


DA PSICOLOGIA SOCIAL ........................................................................... 51
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 51
2 A INFLUÊNCIA DA SOCIEDADE NA FORMAÇÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS .............. 52
3 A PSICOLOGIA, A MORAL E OS VALORES NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE ..... 59
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 74

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO vii


RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 76
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 78

TÓPICO 2 – O PAPEL DO PSICÓLOGO SOCIAL E OS RECURSOS DE


COMUNICAÇÃO: INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO . .......................... 81
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 81
2 ENTENDENDO A PSICOLOGIA SOCIAL E O PSICÓLOGO SOCIAL ....................... 81
3 COMUNICAÇÃO, CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO .............................................. 82
LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................... 89
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 91
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 92

TÓPICO 3 – A INFLUÊNCIA DAS INTERAÇÕES SOCIAIS NA SOCIEDADE E


RELIGIÃO .................................................................................................... 93
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 93
2 INFLUÊNCIAS SOCIAIS .............................................................................................. 93
3 RELIGIÃO COMO COMUNICAÇÃO ............................................................................ 98
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 100
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 102
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 103
AVALIAÇÃO . ................................................................................................................. 104

UNIDADE 3 – A RELAÇÃO ENTRE O INDIVIDUAL, O COLETIVO E A


COMUNICAÇÃO . ................................................................................... 105

TÓPICO 1 – OS CAMPOS PARA A COMUNICAÇÃO E A PSICOLOGIA ................... 107


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 107
2 A SOCIEDADE E O INDIVÍDUO BUSCANDO INTERAÇÃO . ................................... 109
3 PSICOLOGIA, CULTURA, SAÚDE E TRABALHO .................................................... 113
LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................... 116
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................ 118
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 119

TÓPICO 2 – A COMUNICAÇÃO, O CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO . .............. 121


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 121
2 COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM .............................................................................. 122
3 O SUJEITO E A COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL ..................................................... 124
4 DIFICULDADES NA COMUNICAÇÃO . ..................................................................... 128
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 130
RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 135
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 136

TÓPICO 3 – A PSICOLOGIA COMO FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE NA


COMUNICAÇÃO . ...................................................................................... 139

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO viii


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 139
2 O SUJEITO E AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS . .................................................. 139
3 A ATUAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ....................................................... 142
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 148
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 153
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 154
AVALIAÇÃO . ................................................................................................................. 157
REFERÊNCIAS . ............................................................................................................ 159

PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO ix
PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO x
UNIDADE 1

CONTEXTUALIZAÇÃO DA PSICOLOGIA
COMO CIÊNCIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Esta unidade tem por objetivos:

 compreender a concepção conceitual da psicologia e sua


constituição enquanto ciência;

 refletir sobre as principais teorias da psicologia do século XX;

 entendera importância da teoria das Relações Sociais na


Comunicação;

 compreender as relações existentes entre o individual, o coletivo


e a comunicação.

PLANO DE ESTUDOS

Esta unidade está dividida em três tópicos e ao final de cada


um deles você encontrará atividades que o auxiliarão no aprendizado.

P
TÓPICO 1 – CONCEITOS GERAIS DA PSICOLOGIA E S
SUA CONSTITUIÇÃO COMO CIÊNCIA I
C
O
TÓPICO 2 – AS PRINCIPAIS TEORIAS DO SÉCULO XX L
O
G
TÓPICO 3 – PSICOLOGIA SOCIAL I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
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O
UNIDADE 1

TÓPICO 1

CONCEITOS GERAIS DA PSICOLOGIA E


SUA CONSTITUIÇÃO COMO CIÊNCIA

1 INTRODUÇÃO

Por volta de 700 anos a.C., na Grécia, tiveram início as discussões sobre o pensamento
humano. Os gregos eram um povo bastante desenvolvido e foi lá que surgiram as primeiras
cidades-estados. A partir de então, houve a necessidade de busca por riquezas pelos cidadãos
(classe dominante) para a manutenção das cidades. Isso gerou o crescimento e a busca
de soluções para problemas de aspectos sociais, para a agricultura e também arquitetura.
Tais fatos geraram desenvolvimento nas áreas da Física, da Geometria e da política (BOCK;
FURTADO; TEIXEIRA, 2001).

Entre os filósofos gregos surgem as primeiras tentativas de designar uma Psicologia, daí
sua origem grega. Os termos psyché (alma, espírito) e logos (estudo, razão). No senso comum a
Psicologia é vista como uma ciência que estuda o comportamento, já em uma definição etimológica
significa “ciência da alma”. Neste sentido, a alma seria a parte não material do homem, estando
relacionada ao pensamento, aos sentimentos de amor ou ódio, às percepções e às sensações.

P
Filósofos que antecedem Sócrates tentaram explicar a relação entre o homem e o S
I
meio a partir das percepções. Existiam duas correntes que divergiam quanto à constituição do C
O
mundo. Os idealistas defendiam que o mundo se formava a partir das ideias. E os materialistas L
O
acreditavam que a matéria formava o mundo. G
I
A

Prezado acadêmico, neste primeiro tópico faremos, inicialmente, uma abordagem histórica D
A
da Psicologia desde os primórdios, na Grécia, até os conceitos atuais da Psicologia científica.
C
Nesse sentido, faremos um breve resgate das principais tendências da Psicologia, apresentando O
M
as escolas de pensamento conhecidas como estruturalismo, funcionalismo e associacionismo. U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
4 TÓPICO 1 UNIDADE 1

2 ABORDAGEM HISTÓRICA DA PSICOLOGIA

Prezado aluno! Sabemos que o berço das discussões sobre o pensamento humano está
na Grécia. Então vamos trazer um pouco sobre as ideias de alguns filósofos que foram essenciais
para se chegar ao conhecimento científico da atualidade, no que diz respeito à Psicologia.

2.1 A PSICOLOGIA NOS PRIMÓRIDOS: A GRÉCIA

Vamos iniciar com as ideias de Sócrates (469-399 a.C.), isto porque foi a partir dele
que a Psicologia começou a se constituir. A principal ideia deste filósofo era a distinção entre
os homens e os demais animais, por isso o foco de seus estados era a razão. Devido a isto
o homem era capaz de ir além dos seus instintos, ou seja, do irracional. Assim, a partir das
contribuições deste filósofo se inicia um caminho bastante utilizado pela psicologia, que são
as teorias da consciência de forma mais sistematizada (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).

FIGURA 1 - SÓCRATES

P FONTE: Disponível em: <http://www.diegomaia.com.br/blog/as-


S
I tres-peneiras-de-socrates-e-a-fofoca-no-ambiente-de-
C trabalho/>. Acesso em: 30 jun. 2016.
O
L
O
G Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates, buscou explicar onde se encontrava a
I
A razão dentro do corpo humano. Segundo ele, a razão estava presente na cabeça, que era
D onde se encontrava a alma. Por meio da medula a alma se ligava ao corpo. Esta conexão era
A
necessária porque o corpo e a alma podiam se separar. Deste modo, após a morte a matéria
C
O desaparecia e a alma ficava livre para habitar em outro corpo.
M
U
N
I Neste aspecto, Platão defendia a ideia de que o homem era formado por uma parte
C
A imaterial que seria a mente, e outra material que seria o corpo. Formulou então a chamada
Ç
à teoria platônica, na qual a alma era imortal e separada do corpo, sendo o homem um ser
O
UNIDADE 1 TÓPICO 1 5

dualista, composto de duas partes distintas e opostas. A mente estava relacionada ao bem, e
a parte material ao lado inferior do homem (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).

FIGURA 2 - PLATÃO

FONTE: Disponível em: <http://www.benitopepe.com.br/2009/08/11/


a-doutrina-de-platao/>. Acesso em: 1º jul. 2016.

Agora vamos falar sobre as concepções de outro filósofo grego que merece destaque,
Aristóteles, um opositor das ideias de Platão (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).

FIGURA 3 - ARISTÓTELES

FONTE: Disponível em: <http://compartilhandoebook.blogspot.com.


br/2014/06/livros-aristoteles-pdf-download-gratis.html>. P
Acesso em: 14 jul. 2016. S
I
C
O
Segundo este filósofo, o corpo e a alma eram inseparáveis, sendo que a psyque L
O
seria a parte ativa da vida. Nesta perspectiva, tudo o que possuía vida teria alma, a qual era G
I
responsável pela alimentação e reprodução. Contudo, o homem se distinguia dos demais por ser A

provido dessa alma e de mais duas outras, que seriam a sensitiva que lhe conferia percepção D
A
e movimento, e a racional que fazia dele um ser pensante.
C
O
M
Em sua obra De anima ou “Sobre a Mente”, conseguiu descrever as diferenças entre U
N
a razão, as percepções e as sensações, sendo este episódio visto como o primeiro tratado I
C
sistemático da Psicologia. Formulou a teoria aristotélica da mortalidade da alma e a designou A
Ç
como pertencente ao corpo. Ã
O
6 TÓPICO 1 UNIDADE 1

Caro acadêmico, a partir desse breve resgate sobre Aristóteles, podemos ter ideia da
magnitude de sua importância para que a ciência pudesse avançar até aqui. Então vamos
recapitular as principais conclusões deste filósofo.

FIGURA 4 - PERSPECTIVA ARISTOTÉLICA

CORPO E ALMA SÃO


INSEPARÁVEIS

DEMAIS ANIMAIS
HOMEM (3 ALMAS)
APENAS UMA ALMA

Alma (reprodução e (Reprodução e


alimentação) Alimentação-Instintos)

Alma Sensitiva
(Percepção e Movimento)

Alma Racional
P (Ser Pensante)
S
I
C
O FONTE: Adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2001)
L
O
G
I
A

D
A 3 A PSICOLOGIA NA IDADE MÉDIA
C
O
M
U Prezado acadêmico! Vamos avançar um pouco no tempo para que possamos entender
N
I a psicologia no contexto que equivale à Idade Média.
C
A
Ç
à Nesse momento da história surge o Império Romano, que irá dominar a Grécia, a Europa
O
UNIDADE 1 TÓPICO 1 7

e o Oriente Médio. Neste período está ocorrendo o desenvolvimento do cristianismo, que


mesmo 400 anos d.C., após ter sofrido terríveis invasões e enfraquecimento econômico com
aniquilação de territórios, resiste e se fortalece, sendo a religião predominante neste período.

Diante deste cenário, falar em Psicologia é relacioná-la ao conhecimento religioso.


Neste momento, a Igreja Católica monopolizava o poder e certamente interferia em questões
sobre o psiquismo. Dois grandes filósofos, Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino
(1225-1274), são figuras importantes e representam este período.

São Tomás de Aquino, membro da Igreja Católica, inspirado em Platão, também defendia
uma ruptura entre o corpo e a alma. Contudo, para ele a alma não representava simplesmente a
razão, mas também a manifestação divina do homem. Sendo a alma imortal, pois representava
a ligação entre a humanidade e Deus. Como a alma representava a sede do pensamento, uma
das maiores preocupações da Igreja era compreendê-lo.

A partir da Revolução Industrial se inicia a transição para o capitalismo na Inglaterra e,


consequentemente, inúmeros problemas sociais e econômicos. Em meio a isto começam a
surgir questionamentos sobre os postulados da Igreja e a busca por novas respostas para as
relações entre o homem e Deus. São Tomás de Aquino pregava que a busca pela perfeição
para o homem deve ser a constante busca a Deus, de modo que o homem, em sua essência,
busque a perfeição a partir de sua existência. Distingue assim essência de existência.

Aproximadamente 200 anos após a morte de São Tomás de Aquino se inicia a época
do Renascimento. Neste momento, o mercantilismo estimula a descoberta de novas terras e
o surgimento do acúmulo de riquezas por nações em formação, como França e Itália. E, ao
mesmo tempo, ocorre um processo de valorização do homem.

Um acontecimento ímpar que deriva uma revolução no conhecimento humano foram as


novas conclusões de Copérnico em 1543, de que o planeta Terra não é o centro do universo.
Nestas circunstâncias, regras e métodos para o estabelecimento do conhecimento científico P
S
começam a surgir, ocorrendo sua sistematização. O capitalismo move o mundo em busca de I
C
matéria-prima para abastecer os mercados e aumentar cada vez mais a produção. O mundo O
L
foi posto em movimento e então surge a racionalidade do homem e a busca pelo conhecimento O
G
científico em prol do desenvolvimento. I
A

D
A partir dessa perspectiva, o homem deixa de ser o centro do universo (Antropocentrismo) A

e o Sol passa a ser o centro. Isto significa que o homem está livre para traçar seu futuro e buscar C
O
por novas conquistas. Conhecimento e fé tornam-se independentes, o homem passa a buscar M
U
pelo conhecimento por meio da racionalidade. Neste momento surgem estudiosos como Hegel, N
I
que aponta a importância da história para o avanço do conhecimento, e Darwin com a teoria da C
A
evolução, que descarta definitivamente o Antropocentrismo (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001). Ç
Ã
O
8 TÓPICO 1 UNIDADE 1

NOT
A!


O homem passou a ser o centro do universo.

Em uma das teses de Giovanni Pico della Mirandola, a que melhor representa o
manifesto renascentista do homem seria o Discurso sobre a Dignidade do Homem.
Fica clara a descrição do homem como centro do mundo e o destaque em relação
ao seu valor. Pico (apud LACERDA, 2010) diz que: sendo o homem o centro, teria
livre-arbítrio para escolher onde queria chegar e o que queria fazer. Contudo, não
se é negada a existência de Deus, ao contrário, o homem é criatura de Deus, o qual
o colocou em destaque, ocupando lugar central no mundo.

Seguem as palavras de Pico (apud LACERDA, 2010, p. 4):

Coloquei-te no meio do mundo para que daí possas olhar melhor tudo
o que há no mundo. Não te fizemos celeste nem terreno, nem mortal
nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de si mesmo,
te plasmasses e te informasses, na forma que tiveres seguramente
escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, po-
derás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por
decisão do teu ânimo.

FIGURA 5 - ANTROPOCENTRISMO

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
A

C
O
M
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N
I
C FONTE: Disponível em: <https://br.pinterest.com/saganome/teocentrismo-y-
A
Ç antropocentrismo/>. Acesso em: 14 jul. 2016.
Ã
O
UNIDADE 1 TÓPICO 1 9

A classe emergente (burguesia) busca a emancipação do homem, de modo que possa


transformar o universo e explorar tudo o que a natureza lhe oferece. As ideias conspiravam a
favor e a busca por desvendar os fenômenos naturais, meio da observação rigorosa e objetiva
para a formulação de leis científicas, necessitavam de métodos e procedimentos rigorosos com
o objetivo de se alcançar o conhecimento científico livre de dogmas religiosos. Era o início da
Ciência Moderna.

Antes de entendermos o que seria a psicologia científica, precisamos compreender o


que vem a ser Ciência.

NOT
A!

Na realidade não existe uma única definição para este termo,
considerando sua abrangência. Podemos dizer que a Ciência é
uma forma de reflexão baseada na realidade cotidiana. Contudo,
o conhecimento científico e o cotidiano se aproximam e se
afastam ao mesmo tempo. Isso porque, para compreender a
realidade, a Ciência se utiliza de abstrações, ou seja, se afasta
do real, colocando-o como objeto de investigação, de modo a
ter uma melhor compreensão sobre os fenômenos, para além
das aparências (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).

A Ciência busca por respostas a partir da investigação de um objeto específico de


estudo, fazendo uso de métodos e procedimentos rigorosos para a elaboração das análises.

A ciência compõe-se de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos


da realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa
e rigorosa. Esses conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada,
sistemática e controlada, para que se permita a verificação de sua validade.
Assim, podemos apontar o objeto dos diversos ramos da ciência e saber exata-
mente como determinado conteúdo foi construído, possibilitando a reprodução
da experiência. Dessa forma, o saber pode ser transmitido, verificado, utilizado P
S
e desenvolvido (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p. 24). I
C
O
No caso das ciências que estudam o homem, como a psicologia, existe uma diversidade L
O
de objetos de estudo. Em um sentido mais amplo, o objeto de estudo da Psicologia seria o G
I
ser humano, contudo, uma gama de valores sociais intrínsecas ao mesmo permite inúmeras A

concepções. Deste modo, o objeto de estudo é definido de acordo com a visão de homem que D
A
cada teoria possui, sendo a psicologia uma ciência que estuda os “diversos homens” (BOCK;
C
FURTADO; TEIXEIRA 2001). O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
10 TÓPICO 1 UNIDADE 1

4 A ORIGEM DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA

Vamos iniciar conhecendo as escolas de pensamento do final do século XIX que


impulsionaram o movimento da Psicologia como Ciência. Nosso estudo segue as contribuições
de Bock, Furtado e Teixeira (2001).

ÇÃO!
ATEN

A Psicologia, enquanto um ramo da Filosofia, estudava a alma.


A Psicologia científica nasce quando, de acordo com os padrões
de ciência do século XIX, Wundt preconiza a Psicologia “sem
alma”. O conhecimento tido como científico passa então a ser
aquele produzido em laboratórios, com o uso de instrumentos de
observação e medição. Se antes a Psicologia estava subordinada
à Filosofia, a partir daquele século ela passa a ligar-se a
especialidades da Medicina, que assumira, antes da Psicologia, o
método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso
de construção do conhecimento.

FONTE: Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/6363734/


resumo---psicologia-social/9>. Acesso em: 2 jul. 2016.

É na Universidade de Leipzig, na Alemanha, a partir das investigações coletivas dos


pesquisadores Wundt, Weber e Fechner, que a Psicologia científica tem sua origem. Porém, é
nos Estados Unidos, devido ao grande crescimento econômico dentro do sistema capitalista,
que encontra área para crescer de forma rápida, surgindo as primeiras escolas em Psicologia
que deram origem a inúmeras outras teorias que existem na atualidade. Essas abordagens
são: o Funcionalismo, de William James (1842-1910); o Estruturalismo, de Edward Titchener
P
S (1867-1927); e o Associacionismo, de Edward L. Thorndike (1874-1949).
I
C
O
L
O
G
I
A 4.1 O FUNCIONALISMO
D
A
A partir dos estudos de Wiliam James, nos Estados Unidos, o Funcionalismo tem
C
O seu marco inicial. Foi a primeira organização sistemática de conhecimentos voltados para
M
U a psicologia. A partir de um olhar voltado para o desenvolvimento econômico, os principais
N
I questionamentos levantados eram sobre o que os homens faziam e por que faziam. Com o
C
A objetivo de encontrar as respostas, James começou a investigar o funcionamento da consciência,
Ç
à no sentido de como o homem a utiliza para se adaptar ao meio (MACHADO, 2016). Neste
O
UNIDADE 1 TÓPICO 1 11

aspecto, buscou investigar por meio de uma abordagem funcional e não experimental como
se dá a adaptação dos seres humanos ao seu meio.

FIGURA 6 - O FUNCIONALISMO DE W. JAMES

HOMEM

COMPREENSÃO DO
ADAPTAÇÃO AO
FUNCIONAMENTO
MEIO
MENTAL

CONSCIÊNCIA

FONTE: Adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2001)

James foi considerado o maior psicólogo americano devido à sua clareza para escrever
e expor suas ideias. Além disso, foi contra as colocações de Wundt no sentido de analisar a
consciência a partir da descoberta de seus elementos, apresentando uma abordagem funcional
para tais fins. De acordo com James, nossa consciência funciona como um guia para que
consigamos sobreviver. Devido à complexidade dos seres humanos e do ambiente em que
estão inseridos, a consciência é de extrema importância para suprir as necessidades de cada
indivíduo, promovendo sua evolução (MACHADO, 2016).

P
4.2 ESTRUTURALISMO S
I
C
O
Vamos entender no que se baseia o Estruturalismo, é interessante conhecermos as L
O
principais ideias de Wilhelm Wundt, seu fundador. G
I
A

Wilhelm Wundt foi um renomado psicólogo alemão, considerado o pai da psicologia D


A
moderna, tendo fundado seu primeiro laboratório experimental em psicologia na cidade de
C
Leipzig, na Alemanha. O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
12 TÓPICO 1 UNIDADE 1

FIGURA 7 - WUNDT

FONTE: Disponível em: <http://www.biografiasyvidas.com/biografia/w/


wundt.htm>. Acesso em: 5 jul. 2016.

O Estruturalismo surge na Alemanha, mas é levado para os Estados Unidos por


Titchener, perdurando por mais de 20 anos. Esta escola priorizava o papel da percepção
sensorial, funções cerebrais e a aprendizagem no decorrer do desenvolvimento, analisando
as relações entre a mente e os estímulos do mundo físico (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009). Para
realizar suas investigações, Wundt e Tichener utilizaram o método da introspecção.

A introspecção, ou percepção interior, tal como praticada no laboratório de


Wundt em Leipzig, seguia condições experimentais estritas, que obedeciam
a regras explícitas: (1) o observador deve ser capaz de determinar quando
o processo pode ser introduzido; (2) ele deve estar num estado de prontidão
ou de atenção concentrada; (3) deve ser possível repetir a observação várias
vezes; (4) as condições experimentais devem ser passíveis de variação em
termos, manipulação controlada dos estímulos. Esta última condição invoca
a essência do método experimental: variar as condições da situação-estímulo
e observar as modificações resultantes nas experiências do sujeito (SHULTZ;
SCHULTZ, 2009, p. 82).

P
NOT
A!

S
I
C
O
L
O
G
I
Caro acadêmico, vamos entender melhor sobre a introspecção.
A • MÉTODO DA INTROSPECÇÃO: O método introspectivo foi o primeiro método
usado em psicologia científica. A introspecção analítica ou introspecção controlada
D
A
foi usada pelos estruturalistas (Wundt). Os indivíduos eram submetidos a estímulos
numa situação padronizada; observandos descreviam a observadores treinados o
C que sentiam e assim permitiam a análise dos processos mentais conscientes. Este
O
M método não vingou, dada a impossibilidade de resultados estáveis e válidos. No
U entanto, a introspecção continua a ser largamente usada, como método auxiliar, na
N investigação de nosso cotidiano.
I
C
A FONTE: Disponível em: <http://abc-da-psicologia.webnode.com.pt/temas/metodos/metodo-
Ç
à introspectivo/>. Acesso em: jul. 2016.
O
UNIDADE 1 TÓPICO 1 13

O foco dos estudos no Estruturalismo estava pautado na estrutura da mente e, assim


como no funcionalismo, no estudo da consciência. Contudo, como o próprio nome diz, a
preocupação estava em analisar os aspectos estruturais do sistema nervoso central, que
seriam os estados elementares da consciência. Apesar do fundador desta escola ter sido Wundt,
foi Titchener, seu seguidor, quem utilizou o termo Estruturalismo pela primeira vez.

4.3 ASSOCIACIONISMO

Agora vamos conhecer um pouco das teorias de Edward L. Thorndike à luz do


pensamento de Schultz e Schultz (2009).

Um nome de grande importância para a forma de pensar em psicologia, denominada


Associacionismo, bem como para a psicologia educacional, é o do psicólogo americano Edward
Lee Thorndike. A partir dos seus estudos com animais, Thorndike postulou a Lei do Efeito,
um princípio de aprendizagem que seria aplicável tanto ao comportamento animal quanto
ao comportamento humano. A Lei do Efeito afirma que aquelas ações que têm resultados
agradáveis para o animal (incluindo o homem) tendem a se repetir, enquanto que as que têm
resultados desagradáveis tendem a desaparecer. Não é difícil reconhecer nesses princípios
as semelhanças com o chamado Condicionamento Operante, proposto por B. F. Skinner
alguns anos mais tarde. Thorndike lança, portanto, as bases de uma das mais influentes
correntes psicológicas: o behaviorismo.

FONTE: Disponível em: <http://wwwmdtbcomportamental.blogspot.com.br/2010/09/lei-do-efeito-e-l-


thorndike.html>. Acesso em: 14 jul. 2016.

Esta escola tem seus fundamentos nas concepções de Edward L. Thorndike. Segundo
ele, a aprendizagem decorre de um processo de associação de ideias, das mais simples às mais
complexas. O ponto central desta teoria está em analisar como as ideias se unem e se guiam
P
até se tornarem estáveis. Formulou a primeira teoria da aprendizagem na área da Psicologia. S
I
Nesta teoria da aprendizagem surge a Lei de causa-efeito. Thorndike fez diversos experimentos C
O
com animais e percebeu que, ao oferecer algum tipo de recompensa, o animal fazia o que ele L
O
queria. Nesta vertente, relacionou o comportamento humano ao comportamento animal. G
I
A

Thorndike sugeria que o comportamento de um animal era influenciado pelos efeitos D


A
que o comportamento gera no ambiente. Em seu experimento ele constatou que um gato (ou
C
cachorro), preso em uma caixa, mais cedo ou mais tarde daria um jeito de sair. Notou também O
M
que o tempo para o animal conseguir sair diminuía após cada tentativa. U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
14 TÓPICO 1 UNIDADE 1

FIGURA 8 - EXPERIMENTO DE THORNDIKE

FONTE: Disponível em: <http://animais.culturamix.com/comportamento/


psicologia-e-comportamento-animal>. Acesso em: 14 jul. 2016.

Além da lei do efeito, Thorndike desenvolveu duas outras teorias da aprendizagem,


que seriam a “lei do exercício” e a “lei da maturidade”. Em relação à segunda, para que uma
aprendizagem se efetive é necessário que o indivíduo seja capaz de estabelecer uma ligação
entre um estímulo e a sua resposta. Para Thorndike, a aprendizagem decorre de associações de
ideias, portanto, para que a criança consiga aprender um conteúdo mais complexo é necessário
que ela compreenda ideias mais simples, para a partir daí associá-las àquele conteúdo.

Essas três escolas que constituíram a psicologia científica deram origem, no século XX,
a novas teorias, as quais serão abordadas no próximo tópico.

NOT
A!

P
S
I
C
O A história da Psicologia é um tema que não apresenta obras adequadas aos alunos
L de Ensino Médio, isto devido à complexidade de seu conteúdo. Até mesmo os livros
O
G que contemplam apenas uma introdução, como os de Fred S. Keller, A definição
I da Psicologia (São Paulo, Herder, 1972), e de Anatol Rosenfeld, O pensamento
A
psicológico (São Paulo, Perspectiva, 1984), destinam-se a leitores que tenham
D alguma familiaridade com as questões da Psicologia. O primeiro trata da Psicologia a
A partir de sua fase científica, até o Behaviorismo e a Gestalt, excluindo a Psicanálise.
C
O segundo é mais denso e percorre os caminhos da Psicologia desde os filósofos
O pré-socráticos até a fase científica. Uma bibliografia mais avançada seria a obra de
M Antônio Gomes Penna, Introdução à história da Psicologia contemporânea (Rio
U
N
de Janeiro, Zahar, 1980).
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 1 TÓPICO 1 15

RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você viu que:

• Entre os filósofos gregos surgem as primeiras tentativas de designar uma Psicologia. A origem
da palavra é a soma dos termos gregos psyché (alma, espírito) e logos (estudo, razão).

• A partir das ideias de Sócrates é que a Psicologia começa a se constituir. A principal ideia
deste filósofo era a distinção entre os homens e os demais animais.

• Platão buscou explicar onde se encontrava a razão dentro do corpo humano. Para ele, o
homem era formado por uma parte imaterial que seria a mente, e outra material que seria o
corpo. Por meio da medula a alma se ligava ao corpo. Esta conexão era necessária porque
o corpo e a alma podiam se separar.

• Para Aristóteles, o corpo e a alma eram inseparáveis, sendo que a psyque seria a parte ativa
da vida.

• Em 1543 Copérnico anuncia a ideia de que o planeta Terra não é o centro do universo. A
partir de então o homem deixa de ser o centro do universo (Antropocentrismo) e o Sol passa
a ser o centro. Isto significa que o homem está livre para traçar seu futuro e buscar por novas
conquistas.

• O Funcionalismo buscou investigar, por meio de uma abordagem funcional e não experimental,
como se dá a adaptação dos seres humanos ao seu meio.
P
S
• O Estruturalismo estava pautado no estudo da estrutura da mente. Como o próprio nome I
C
diz, a preocupação estava em analisar os aspectos estruturais do sistema nervoso central, O
L
que seriam os estados elementares da consciência. O
G
I
A
• No Associacionismo de Edward L. Thorndike, a aprendizagem decorre de um processo de
D
associação de ideias, das mais simples às mais complexas. O ponto central desta teoria A
está em analisar como as ideias se unem e se guiam até se tornarem estáveis. C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
16 TÓPICO 1 UNIDADE 1


ID ADE
ATIV
AUTO

1 Os filósofos gregos contribuíram para que se iniciassem as pesquisas sobre o ser


humano. Nesse sentido, aponte as contribuições de Sócrates, Platão e Aristóteles
para a Psicologia.

2 Com a hegemonia da Igreja, na Idade Média, a contribuição de São Tomás de Aquino


para o conhecimento em Psicologia foi a seguinte:

a) Seguindo as ideias de Aristóteles, acreditava que a alma e o corpo eram inseparáveis.


b) Para ele, a alma representava apenas a razão.
c) Acreditava, assim como Platão, que corpo e alma podiam se separar. A alma, além
de representar a razão, representava ligação entre o homem e Deus, sendo por isso
imortal.
d) Como a alma não representava o pensamento, a Igreja não demonstrava grandes
preocupações em compreendê-la.

3 Neste tópico, estudamos as principais escolas da Psicologia do século XIX. Neste


sentido, a alternativa que melhor representa o Associacionismo é:

a) O fundador desta escola, William James, começou a investigar o funcionamento da


consciência, no sentido de como o homem a utiliza para se adaptar ao meio.
b) Esta escola tem seus fundamentos nas concepções de Edward L. Thorndike. Segundo
ele, a aprendizagem decorre de um processo de associação de ideias, das mais
P simples às mais complexas. O ponto central desta teoria está em analisar como as
S
I ideias se unem e se guiam até se tornarem estáveis.
C
O c) A principal preocupação desta escola estava em analisar os aspectos estruturais do
L
O sistema nervoso central, que seriam os estados elementares da consciência.
G
I d) Para realizar as investigações, os seguidores desta tendência, Wundt e Titchener,
A
utilizaram o método da introspecção.
D
A
e) Nesta escola a introspecção foi o primeiro método usado em psicologia científica. A

C
introspecção analítica ou introspecção controlada foi usada pelos associacionistas.
O
M
Os indivíduos eram submetidos a estímulos numa situação padronizada; observandos
U descreviam a observadores treinados o que sentiam.
N
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 1

TÓPICO 2

AS PRINCIPAIS TEORIAS DO SÉCULO XX

1 INTRODUÇÃO

Estudos científicos sobre o desenvolvimento humano tiveram seu início a partir do século
XIX. Antes disso, a Psicologia, como um ramo da filosofia, preocupava-se em estudar apenas
a alma. A partir das ideias de Wundt se inicia uma nova visão, denominada como a Psicologia
“sem alma”. Isto porque as pesquisas passam a apresentar um caráter mais científico, a partir
de constatações experimentais. Assim, o conhecimento passa a ser produzido a partir de um
laboratório com uso de instrumentos e medições.

Nesta perspectiva, as escolas, como o Estruturalismo e o Funcionalismo, vão sendo


substituídas por novas teorias, dando origem a novas tendências. Considerando as teorias mais
estudadas acerca do desenvolvimento humano é possível destacar as Teorias Behaviorista,
Gestalt e Psicanálise.

Para facilitar nossos estudos, vamos entender a que se refere cada uma dessas teorias
e seus principais defensores.
P
S
I
FIGURA 9 - TEORIAS DO SÉCULO XX C
O
BEHAVIORISMO GESTALT L
PSICANÁLISE O
Watson, Pavlov, Wertheimer,
Freud G
Skinner Koeler e Kofka I
A

D
A
Inconsciente: guarda
Modelagem do Compreender o homem
os impulsos sexuais e C
comportamento como uma totalidade
agressivos primitivos, O
desejos reprimidos, M
U
medos e vontades, N
memórias traumáticas I
C
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/1820370/>. Acesso em: 5 jul. 2016. A
Ç
Ã
O
18 TÓPICO 2 UNIDADE 1

A partir de agora vamos estudar com mais detalhes as principais teorias do século XX
dentro da Psicologia. Vamos lá?

2 BEHAVIORISMO

Um dos principais defensores do Behaviorismo clássico, Watson (1878-1958), dizia


que a psicologia deveria se voltar apenas aos dados das ciências naturais, ou seja, àquilo
que era passível de ser observado, que seria o comportamento. Para isso, utilizava-se de
alguns métodos de investigação, que eram: 1) Observação; 2) Métodos de Teste; 3) Método
de Relato Verbal; 4) Método do Reflexo Condicionado. Desta forma, Watson ofereceu o que
os psicólogos daquela época estavam precisando. Algo passível de observação, mensurável,
em que os experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes sujeitos e situações.

QUADRO 1 - MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO

Método de Método do Reflexo


Métodos de teste Método de relato verbal
observação Condicionado
Eram amostras de
O mais importante
comportamento e
método de investigação,
É a base não de qualidades As reações verbais
sendo considerado um
de todos os mentais. Não medem são passíveis de
substituto do estímulo.
métodos, não a inteligência, nem observação/verificação.
Método objetivo
necessita a personalidade das São tão valorizadas
para analisar o
de maiores pessoas. Medem quanto qualquer outro
comportamento por meio
explicações. apenas as respostas tipo de reação motora.
dos vínculos estímulo-
dadas a partir dos
resposta.
estímulos.
FONTE: Adaptado de Schultz, Schultz (2009, p. 246)

Vamos entender melhor o pensamento Behaviorista.

P Entende-se que pela observação e experimentação sistemática e cuidadosa


S
I é possível desenvolver um conjunto de princípios que podem explicar o com-
C portamento humano. O objeto da Psicologia, que até então tinha sido a alma,
O ou a consciência, a mente, a partir do behaviorismo passa a ser uma ciência
L
O do comportamento humano, não pode mais ser considerada como ciência
G pura da consciência. É dada uma importância maior aos fatores ambientais
I e a hereditariedade é relegada a segundo plano. O homem passa a ser visto
A
como produto do ambiente. Watson dizia que se a psicologia quisesse se
D fortalecer no mundo da ciência seria necessário que ela repensasse o seu
A objeto de estudo (MARQUES, 2013, p. 5).
C
O
M Watson não conseguiu mudar os rumos da psicologia da forma como pretendia,
U
N mas deixou seu legado, e seu seguidor Skinner deu seguimento ao desenvolvimento do
I
C Behaviorismo, dedicando-se à Ciência até a sua morte. Contudo, Skinner representou certa
A
Ç modificação no comportamentalismo watsoniano. Para realizar seus experimentos com animais,
Ã
O desenvolveu a chamada “Caixa de Skinner”.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 19

FIGURA 10 - CAIXA DE SKINNER

FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/CatarinaNeivas/condicionamento-


operante-20792301>. Acesso em: 14 jul. 2016.

NOT
A!


Um ratinho foi colocado na “Caixa de Skinner”, um recipiente fechado no qual se


encontrava apenas uma barra. Esta barra, ao ser pressionada por ele, acionava um
mecanismo (camuflado) que lhe permitia obter uma gotinha de água, que chegava à
caixa por meio de uma pequena haste. Que resposta se esperava do ratinho? - Que
pressionasse a barra. Como isso ocorreu pela primeira vez? - Por acaso. Durante a
exploração da caixa, o ratinho pressionou a barra acidentalmente, o que lhe trouxe,
pela primeira vez, uma gotinha de água, que, devido à sede, fora rapidamente P
S
consumida. Por ter obtido água ao encostar na barra quando sentia sede, constatou-se I
a alta probabilidade de que, estando em situação semelhante, o ratinho a pressionasse C
novamente (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p. 62). O
L
O
G
I
A
A falta de teoria nas atividades de Skinner resultou em muitas críticas. Seu positivismo
D
extremo e sua oposição a teorias incomodava muitos estudiosos. Um dos argumentos para A

tais contestações seria a impossibilidade de se realizar um experimento sem um planejamento C


O
prévio. Contudo, de acordo com alguns críticos, a aceitação dos princípios básicos de M
U
condicionamento já pressupõe a aceitação de certo embasamento teórico. N
I
C
A
Skinner resumiu sua perspectiva da seguinte maneira: “Nunca tratei de um problema Ç
Ã
construindo uma hipótese. Nunca deduzi teoremas, nem os submeti à prova experimental. O
20 TÓPICO 2 UNIDADE 1

Pelo que sei, eu não tinha um modelo preconcebido de comportamento — certamente não um
modelo fisiológico e mentalista, e, creio eu, tampouco um conceitual” (SKINNER, 1956 apud
SHULTZ; SHULTZ, 2009, p. 227).

Seu tipo exclusivamente descritivo de comportamentalismo radical se dedica


ao estudo das respostas; volta-se para descrever, e não para explicar o com-
portamento. Ele só se ocupava do comportamento observável e acreditava que
a tarefa da investigação científica se traduz em estabelecer relacionamentos
funcionais entre as condições de estímulo controladas pelo experimentador
e a resposta subsequente do organismo (SHULTZ; SHULTZ, 2009, p. 280).

Muitos autores destacam que o principal conceito da teoria de Skinner seria o


comportamento operante (a experiência do rato na Caixa de Skinner), o qual procura explicar
os comportamentos adquiridos no decorrer do desenvolvimento do indivíduo (FADIMAN;
FRAGER, 1986). Contudo, tais teorizações tiveram suas bases nos anos 30, na Universidade
de Harvard, onde Skinner iniciou seus estudos a partir do comportamento respondente, que
seria o fundamento para as inter-relações entre o indivíduo e o ambiente.

FIGURA 11 – OPERAÇÃO DO COMPORTAMENTO OPERANTE E COMPORTAMENTO


RESPONDENTE

P
S
I
C
O
L
O
G FONTE: Disponível em: <file:///E:/CADERNO%20UNIASSELVI/Behaviorismo%20-%20O%20
I
A estudo%20do%20comportamento%20_%20Portal%20Administração.html>. Acesso em: 16
jun. 2016.
D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 21

FIGURA 12 - COMPORTAMENTO OPERANTE X COMPORTAMENTO RESPONDENTE

COMPORTAMENTO COMPORTAMENTO
OPERANTE RESPONDENTE

Refere-se a um comportamento
não voluntário e engloba respostas
O que propicia a aprendizagem dos produzidas a partir de estímulos
comportamentos é a ação do indivíduo antecedentes do ambiente. Esses
sobre o meio e o efeito dela resultante. comportamentos são interações
Visa satisfazer alguma necessidade ou a incondicionadas estímulos-resposta
aprendizagem a partir do efeito da ação. entre o indivíduo e o ambiente. São
comportamentos gerados por estímulos
que independem de “Aprendizagem”.

Este comportamento pode ser Exemplos desse tipo de comportamento:


representado a partir da relação R → S, - A contração das pupilas quando uma luz
em que R seria a Resposta e S do inglês forte incide sobre os olhos.
Stimuli, que seria o estímulo reforçador e - A salivação provocada por uma gota de
a flecha significa “levar a”. limão colocada na ponta da língua.

FONTE: Adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2001)

O comportamento operante inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se


possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor. O
comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer direta, quer indiretamente
(KELLER, 1970 apud BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001). Assim, “o comportamento operante
é fortalecido ou enfraquecido pelos eventos que seguem a resposta. Enquanto o comportamento
respondente é controlado por seus antecedentes, o comportamento operante é controlado por
suas consequências” (FADIMAN; FRAGER, 1986, p. 194).

Continuaremos nossos estudos sobre as ideias de Skinner: comportamentalismo/


Behaviorismo (behavior: comportamento, em inglês). O estudo do comportamento se baseia nas P
S
reações dos organismos aos estímulos externos. Deste modo, os comportamentalistas buscaram I
C
moldar e controlar o comportamento humano. Continuaremos nossas discussões, especialmente O
L
a partir das considerações de Bock, Furtado e Teixeira (2001) e Schultz, Schultz (2009). O
G
I
A
Skinner já concebia que um organismo aprende quando seu comportamento é fortalecido
D
por um reforço ou diminui à medida que sofre uma punição. Nesta ótica, o organismo se ajusta A
ao ambiente dando respostas a partir dos estímulos aos quais é submetido. Duas contingências C
O
operantes na teoria de Skinner são o reforço positivo e o reforço negativo, sendo que ambos M
U
têm como objetivo ensinar certo comportamento ao indivíduo. Sendo que no reforço negativo N
dois processos merecem destaque, que seriam a esquiva e a fuga. Além disso, outros dois I
C
A
Ç
Ã
O
22 TÓPICO 2 UNIDADE 1

processos foram sendo formulados por meio da análise experimental do comportamento, que
são a Punição e a Extinção. Seguem as principais características de cada um:

Aumentam as chances de ocorrência de um determinado comportamento


devido à apresentação de um estímulo agradável que seria a
REFORÇO POSITIVO OU recompensa.
RECOMPENSA Por exemplo: A criança capricha em seu caderno e é elogiada pela
professora, isso aumenta a chance de ela continuar caprichando em
suas atividades.
Aumentam a chances de ocorrência de certo comportamento devido à
retirada de um estímulo desagradável.
REFORÇO NEGATIVO
Por exemplo: Se o indivíduo tomar um remédio (comportamento), a dor
vai passar (evento desagradável).
Processo onde os estímulos aversivos condicionados e incondicionados
ESQUIVA estão separados em um intervalo de tempo. Permitindo que o indivíduo
realize um comportamento a partir do primeiro que evite a ocorrência
do segundo.
Por exemplo: ao vermos um raio, já tapamos os ouvidos para evitar o
som do trovão.
Processo semelhante à esquiva, porém, neste caso, o comportamento
reforçado é aquele que termina com um comportamento aversivo já
em andamento.
FUGA
Exemplo: Se os rojões começam a estourar e só depois apresento um
comportamento para evitar o barulho, seja ele fechar a porta ou tapar
os ouvidos, este comportamento seria a fuga.
Processo no qual uma resposta deixa abruptamente de ser reforçada.
EXTINÇÃO Exemplo: Quando a pessoa que estávamos paquerando deixa de nos
olhar e passa a nos ignorar, nossas investidas tendem a desaparecer.
Tem como objetivo enfraquecer algum comportamento por meio de sua
aplicação. Pode-se dizer que a punição (castigo) é a consequência
PUNIÇÃO
desagradável que ocorre após o indivíduo apresentar um comportamento
indesejável.
FONTE: Adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2001)

A partir das abordagens realizadas podemos constatar que o Behaviorismo é um tipo de


P enfoque teórico da Psicologia. Esta perspectiva trouxe importantes contribuições para a psicologia
S
I científica, sendo que seu foco principal refere-se aos comportamentos específicos, observáveis
C
O e mensuráveis de um determinado indivíduo. Os estudos dessa abordagem são rigorosamente
L
O controlados com base no levantamento de dados comportamentais (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
G
I
A
Além disso, é importante ressaltar que o Behaviorismo não inclui conceitos subjetivos
D
A
relacionados à consciência, ao sentimento e tampouco à neurociência. Por fim, com base nos

C
pressupostos comportamentalistas é possível dizer que, ainda nos dias atuais, pais e educadores
O modelam o comportamento das crianças por meio de procedimentos que se aproximam do
M
U condicionamento operante (FONTANA; CRUZ, 1997).
N
I
C
A Visando facilitar sua aprendizagem em relação às ideias de Skinner, destacamos na
Ç
à sequência um mapa conceitual sobre os conceitos abordados.
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 23

FIGURA 13 - MAPA CONCEITUAL DA TEORIA COMPORTAMENTALISTA DE SKINNER

FONTE: Adaptado de Schultz e Schultz (2009)

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
3 GESTALT - A PSICOLOGIA DA FORMA A

C
O
Essa perspectiva teórica é uma das mais coerentes da História da Psicologia, isto porque M
U
seus defensores se preocuparam em desenvolver uma base metodológica que garantisse uma N
I
consistência teórica. Seus principais seguidores são Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang C
A
Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941), que para desenvolver suas concepções se Ç
Ã
basearam em estudos psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção. Vamos abordar O
24 TÓPICO 2 UNIDADE 1

os preceitos dessa teoria seguindo as contribuições de Bock, Furtado e Teixeira (2001).

FIGURA 14 - SEGUIDORES DA GESTALT

FONTE: Disponível em: <http://psicologiamodera.blogspot.com.br/2014/10/psicologia-


da-gestalt.html>. Acesso em: 5 jul. 2016.
P
S


I
C A!
O NOT
L
O
G
I Você sabe a origem do termo Gestalt?
A
O termo Gestalt é de origem alemã, sem tradução para o português.
D Contudo, o termo mais próximo seria forma ou configuração.
A Porém, esta denominação não é utilizada por não corresponder
C ao real significado do termo em Psicologia.
O
M
U
N
I O objetivo desta teoria é estudar como os seres vivos percebem as coisas, dentre elas,
C
A objetos, imagens, sensações. Por isso, essa tendência pode ser definida como a Teoria da
Ç
à Percepção. A Psicologia da Gestalt trouxe inúmeros benefícios devido à sua nova maneira de
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 25

buscar compreender melhor a relação entre o homem e o mundo que o cerca.

De acordo com os princípios desta teoria, a percepção do homem não ocorre por meio
de “pontos isolados”, de forma fragmentada, mas sim por uma visão do todo. Desse modo,
existe uma dependência entre as partes, pois não as percebemos de forma isolada, mas pelo
estabelecimento de relações entre elas (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009). Desse modo, para a
Gestalt, o homem é sempre a soma das partes que constituem a sua totalidade.

Por isso, essa teoria tem por finalidade analisar a vida psíquica sob a ótica da combinação
dos elementos que seriam as sensações e imagens que as constituem. Portanto, a Gestalt propõe
um estudo global do homem e do mundo e seu lema é “o todo é mais que a soma das suas partes”.

Os estudiosos desta teoria deram início às suas pesquisas a partir da análise da


percepção e sensação do movimento. Isto porque estavam interessados em entender quais os
processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica, na qual a percepção do estímulo físico
pelo indivíduo é vista com uma forma diferente da que ele tem na realidade.

FIGURA 15 - ILUSÃO DE ÓTICA

P
S
I
FONTE: Disponível em <http://alunosonline.uol.com.br/matematica/ilusao- C
otica.html>. Acesso em: 6 jul. 2016. O
L
O
G
O que vem a ser a ilusão de ótica? I
A

D
Vamos pensar no caso do cinema. Quem já viu uma fita cinematográfica sabe que ela A

é composta de fotogramas estáticos. O movimento que vemos na tela é uma ilusão de ótica C
O
causada pela pós-imagem retiniana (a imagem demora um pouco para se “apagar” em nossa M
U
retina). Como as imagens vão se sobrepondo em nossa retina, temos a sensação de movimento. N
I
Mas o que de fato está na tela é uma fotografia estática (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001). C
A
Ç
Ã
A partir do exposto podemos constatar o papel importantíssimo da percepção dentro O
26 TÓPICO 2 UNIDADE 1

dos enfoques da Gestalt. Assim, os experimentos voltados para a percepção levaram os


teóricos a questionarem um princípio da teoria Behaviorista, o estímulo-resposta. De acordo
com os estudiosos da Gestalt, entre o estímulo que o meio fornece e a resposta do indivíduo
existe o processo de percepção. Tal processo interfere diretamente na compreensão sobre o
comportamento humano.

Nesse sentido, há um confronto de ideias entre essas duas tendências frente ao objeto
da Psicologia, o comportamento. Isto porque as duas definem a Psicologia como a ciência que
estuda o comportamento. Contudo, o Behaviorismo estuda o comportamento a partir da relação
estímulo-resposta, isolando o estímulo relacionado à resposta esperada, desconsiderando os
aspectos da consciência. A Gestalt critica tal abordagem por entender que o comportamento
não pode ser estudado de forma isolada de um contexto mais abrangente, pois pode perder
seu verdadeiro significado sob o olhar do psicólogo.

Na visão dos gestaltistas, o comportamento deveria ser estudado nos seus


aspectos mais globais, levando em consideração as condições que alteram
a percepção do estímulo. Para justificar essa postura, eles se baseavam na
teoria do isomorfismo, que supunha uma unidade no universo, onde a parte
está sempre relacionada ao todo. [...] Rudolf Arnheim dá um bom exemplo da
tendência à restauração do equilíbrio na relação parte-todo: De que modo o
sentido da visão se apodera da forma? Nenhuma pessoa dotada de um sistema
nervoso perfeito apreende a forma alinhavando os retalhos da cópia de suas
partes [...] o sentido normal da visão [...] apreende um padrão global (BOCK;
FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p. 78).

Para os teóricos da Gestalt, não é possível analisar as partes sem pensar no todo. Não
existe a possiblidade de se analisar o comportamento de forma fragmentada, desprezando os
elementos que o constituem.

FIGURA 16 - PRINCÍPIO DA ABORDAGEM GESTÁLTICA

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
FONTE: Disponível em <http://esquizoestetica.blogspot.com.br/2011/12/postado-
C por-larissa-cosmi-o-que-e.html>. Acesso em: 21 jun. 2016.
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 27

Conforme salientam Bock, Furtado e Teixeira (2001), daí a necessidade em compreender


quais condições podem alterar a percepção do estímulo. A combinação dos elementos sensoriais
resulta em uma nova configuração, a qual não poderá ser constatada a partir da análise isolada
de tais elementos.

QUADRO 2 - PRINCÍPIOS DA PSICOLOGIA GESTALT


A segregação é a capacidade perceptiva de separar, evidenciar, destacar,
Lei da segregação identificar unidades formais na composição de um todo. Seria uma parte
segregada, diferenciada, isolada da constituição do todo.
Os elementos mais próximos tendem a se agrupar. Os elementos que estão
Lei da proximidade mais perto de outros numa mesma região tendem a ser percebidos como
um grupo.
Há uma tendência de buscarmos unir os elementos de modo que pareçam
Lei da continuidade
contínuos.
Lei da semelhança Eventos que são similares tendem a se agrupar entre si.
Todas as formas tendem a ser percebidas em sua forma mais simples. Este
Lei da pregnância
princípio é denominado simplificação natural da percepção.
FONTE: Adaptado de Schultz e Schultz (2009)

A Psicologia da Gestalt também faz referência à questão da “figura/fundo”. De acordo


com esta teoria, buscamos organizar percepções do objeto observado, que seria a figura, e o
plano contra o qual ela se destaca, o fundo. Na figura a seguir a imagem se destaca de forma
mais substancial e se sobressai do fundo. Além disso, quanto mais clara for a forma (Boa
forma), mais perceptível será a distinção entre a figura e o fundo. Já a Figura 18 apresenta a
questão da perspectiva da imagem, a qual nos permite interpretações distintas de acordo com
o ângulo da observação.

FIGURA 17 - FIGURA/FUNDO NA GESTALT

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
FONTE: Disponível em: <http://ascessetha.blogspot.com.br/2008/09/ Ç
figura-e-fundo.html>. Acesso em: 10 jul. 2016. Ã
O
28 TÓPICO 2 UNIDADE 1

FIGURA 18 - FIGURA/FUNDO

FONTE: Disponível em: <http://www.megatopico.com/sapo-ou-cavalo-t16683.html>. Acesso


em: 10 jul. 2016.

NOT
A!

Você sabia que essa alternância entre a figura e o fundo acontece
também em nossas vidas? Nossa figura muda de acordo com nossas
necessidades e interesses. Por exemplo, se estou escrevendo algo
e sinto fome, a fome passa a ser minha figura e o escrever se
torna o meu fundo até que a minha fome seja saciada. Por isso,
na Gestalt, esse processo é denominado alternância de fluido.

A Psicologia da Gestalt, de forma oposta ao Associacionismo, define a aprendizagem


por meio de uma relação intrínseca entre o todo e as partes. Sendo que o todo tem um papel
P fundamental na compreensão do objeto percebido. Vejamos um exemplo: Uma criança de
S
I três anos que ainda não está alfabetizada pode perfeitamente, a partir de um rótulo, identificar
C
O determinado produto. No caso da imagem da Coca-Cola, ela consegue identificar e pronunciar
L
O que se refere ao produto Coca-Cola sem ter realizado a união das palavras para formar as
G
I letras, ou seja, ela foi capaz de significar o todo. Ela separou a palavra na sua totalidade,
A
distinguindo a figura e o fundo.
D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 29

FIGURA 19 - IMAGEM NA GESTALT

FONTE: Disponível em: <http://themediaandi.blogspot.com.br/>.


Acesso em: 21 jun. 2016.

Na nossa vida cotidiana nem sempre conseguimos perceber de forma imediata certas
situações. Isto porque, muitas vezes, não apresentam uma distinção clara entre figura e fundo.
Contudo, muitas vezes nos deparamos com imagens que aparentemente não representam
nada para nós e de repente, sem grande esforço, esta imagem se torna lúcida e conseguimos
estabelecer a relação figura/fundo. Esse fenômeno dentro da Gestalt é denominado insight,
que remete a uma compreensão imediata de algo.

4 PSICANÁLISE

A Psicanálise tem como seu principal propagador Sigmund Freud (1856-1939), médico
psiquiátrico austríaco. Ele foi capaz de alterar radicalmente o modo de pensar sobre a vida
psíquica. A psicologia, enquanto ciência, precisava buscar por teorias científicas que pudessem
atender aos anseios da sociedade naquele período histórico em seus aspectos econômicos,
políticos e sociais. Neste contexto, a teoria psicanalítica de Freud buscou entender as percepções P
S
sensoriais interiores do homem, tais como as fantasias, os sonhos, os esquecimentos, vistos I
C
por ele como problemas científicos, levando à criação da Psicanálise. O
L
O
G
Essa teoria é fundamentada por conhecimentos científicos relacionados ao psiquismo. I
Seu método de investigação é interpretativo, pois busca explicações para o “oculto”. Esta teoria, A

constituída por Freud, refere-se a uma teoria de personalidade de caráter clínico, ou seja, D
A
estuda o homem e se preocupa com as doenças que o atingem e as possíveis formas de cura. C
O
M
Em 1900, a partir de seu livro “A Interpretação dos Sonhos”, Freud apresenta suas U
N
primeiras ideias sobre a estrutura da mente e seu funcionamento. Nesse sentido, divide o I
C
aparelho psíquico em três estruturas. A
Ç
Ã
O
30 TÓPICO 2 UNIDADE 1

Freud considerava três níveis de consciência do ser humano: o consciente, o pré-


consciente e o inconsciente.

Sendo comparado a um iceberg, o consciente seria a pontinha deste, ou seja,


aquilo que fica visível, acima da superfície. A parte do iceberg que fica logo
abaixo da superfície é a mente pré-consciente, neste caso corresponde àquilo
que está armazenado na memória do sujeito, não se tem consciência deste
conteúdo, mas podemos acessá-lo. Mas o investimento de Freud foi mesmo nos
achados sobre o inconsciente, é a parte oculta do iceberg, é no inconsciente
que, segundo Freud, existiam as motivações essenciais de todas as nossas
ações e sentimentos (OLIVEIRA, 2014, p. 70).

Deste modo, Freud concentrou seus esforços em analisar os fenômenos ocultos


presentes no inconsciente.

FIGURA 20 - O INCONSCIENTE
CONTEÚDOS QUE NÃO CENSURAS INTERNAS/
INCONSCIENTE: ACESSAM A CONSCIÊNCIA GENUINAMENTE
CONTEÚDOS NÃO OU O PRÉ-CONSCIENTE INCONSCIENTES
PRESENTES NO CAMPO DA
CONSCIÊNCIA.
É ATEMPORAL E POSSUI
LEIS PRÓPRIAS DE CONTEÚDOS QUE
REPRIMIDOS/VÃO PARA O
FUNCIONAMENTO PODEM JÁ TER SIDO
INCONSCIENTE
CONSCIENTES

FONTE: Adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2001, p. 95-96)

Seu objetivo era exprimir os conteúdos recalcados não presentes no campo da


consciência. Isto porque foram recusados pelo consciente ou pré-consciente. De acordo com
Freud apud Schultz e Schultz (2009), os comportamentos anormais do paciente tinham sua
origem a partir de tais conteúdos (pensamentos).

FIGURA 21 - CONTEÚDOS DO PRÉ-CONSCIENTE E CONSCIENTE

• CONTEÚDOS COM ACESSO


À CONSCIÊNCIA
P
S PRÉ-CONSCIENTE • AINDA NÃO ESTÁ NA
I
C CONSCIÊNCIA, MAS PODE
O VIR A ESTAR
L
O
G • INFORMAÇÕES ORIUNDAS
I
A DO MUNDO INTERIOR E
EXTERIOR
D CONSCIENTE
A
• DESTACAM-SE A
C PERCEPÇÃO, ATENÇÃO E
O RACIOCÍNIO
M
U
N
I FONTE: Adaptado de Schultz e Schultz (2009)
C
A
Ç
à Por volta de 1920-1923, Freud apresenta um novo modelo de teoria para o aparelho psíquico,
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 31

introduzindo os conceitos de id, ego e superego, que seriam os três sistemas de personalidade.

Neste novo modelo o id vem apresentando as características atribuídas ao sistema


inconsciente na primeira teoria. Desta forma, o Id é comandado pelo princípio do prazer, que
seriam os instintos e impulsos não civilizados. Já o Ego e o Superego são diferenciações do Id.

QUADRO 3 - NOVO MODELO DE TEORIA DO APARELHO PSÍQUICO SEGUNDO


FREUD

FONTE: Disponível: <http://direitoitajuba.blogspot.com.br/2014/08/id-ego-e-superego-


psicologia.html>. Acesso em: 12 jul. 2016.

Desta forma, podemos dizer que o Id é desorganizado e as leis lógicas do pensamento


não se aplicam a ele. Dentro dos conceitos de Freud, o Id é de origem orgânica e hereditário.
Estando presente desde o nascimento do indivíduo e da sua constituição. Se caracteriza por
ser estrutura da personalidade original e por isso é instintivo e regido pelo princípio do prazer.
P
S
Já o Ego se refere à parte racional do ser humano, regido pelo princípio da realidade. Nele I
C
estão presentes os sentimentos, percepção, aprendizagem, memória, habilidades, dentre outros. O
L
Seria o ponto de equilíbrio entre o Id e o Ego. Isto porque se esforça pelo prazer, que seriam as O
G
reivindicações do Id, mas sem cair no desprazer, com base nas exigências do Superego. O Ego I
A
é o componente psicológico da personalidade e está localizado na parte consciente da mente.
D
A

Por fim, o Superego se origina a partir do Complexo de Édipo (sentimento de culpa) e por C
O
isso funciona como um sensor do Ego, controlando certos impulsos. Tem origem especialmente M
U
na fase de infância, sendo as normas e padrões sociais adquiridos por cada indivíduo. Por N
I
isso controla e também pune comportamentos “inadequados”, mas também recompensa com C
A
sentimento de orgulho a partir de “bons” comportamentos. Está localizado entre o consciente Ç
Ã
e o pré-consciente e é o responsável por inibir o ego e buscar sempre a perfeição. O
32 TÓPICO 2 UNIDADE 1

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você viu que:

• No Behaviorismo os principais métodos de investigação de Watson eram: 1) Observação;


2) Métodos de Teste; 3) Método de Relato Verbal; 4) Método do Reflexo Condicionado.

• Skinner representou certa modificação no comportamentalismo watsoniano. Para realizar


seus experimentos com animais desenvolveu a chamada “Caixa de Skinner”.

• O estudo do comportamento se baseia nas reações dos organismos aos estímulos externos.
Deste modo, os comportamentalistas buscaram moldar e controlar o comportamento humano.

• O objetivo da Gestalt é estudar como os seres vivos percebem as coisas, dentre elas,
objetos, imagens, sensações. Por isso, essa tendência pode ser definida como a Teoria da
Percepção.

• Os estudiosos da teoria Gestalt, para desenvolver suas concepções, se basearam em estudos


psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção. Isto porque estavam interessados
em entender quais os processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica.

• A Psicanálise é fundamentada por conhecimentos científicos relacionados ao psiquismo.


Seu método de investigação é interpretativo, pois busca explicações para o “oculto”.

• A Psicanálise, constituída por Freud, refere-se a uma teoria de personalidade de caráter


P clínico, ou seja, estuda o homem e se preocupa com as doenças que o atingem e as possíveis
S
I formas de cura.
C
O
L
O • Freud, em suas primeiras ideias sobre a estrutura da mente e seu funcionamento, considerou
G
I três níveis de consciência do ser humano: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente.
A

D
A • Por volta de 1920-1923, Freud apresenta um novo modelo de teoria para o aparelho
C psíquico, introduzindo os conceitos de id, ego e superego, que seriam os três sistemas de
O
M personalidade.
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 1 TÓPICO 2 33


IDADE
ATIV
AUTO

1 Quem é o fundador do Behaviorismo? Comente sobre essa tendência teórica.

2 Considerando a Psicanálise de Freud presente na segunda teoria sobre a estrutura


do aparelho psíquico, a alternativa que descreve as características do Id é:

a) Podemos dizer que o Id é organizado e as leis lógicas do pensamento a ele se aplicam.


b) Por não ser de origem orgânica ou hereditário, o Id não se forma a partir do nascimento
do indivíduo e de sua constituição.
c) O Id é totalmente irracional e impulsivo, procura o prazer alheio à realidade ou à moral.
d) Refere-se à parte racional do ser humano, regido pelo princípio da realidade.
e) Origina-se a partir do Complexo de Édipo (sentimento de culpa) e por isso funciona
como um sensor do Ego, controlando certos impulsos.

3 A perspectiva teórica da Gestalt é uma das mais coerentes da História da Psicologia,


isto porque seus defensores se preocuparam em desenvolver uma base metodológica
que garantisse uma consistência teórica. Nesse sentido, assinale a opção que
descreve as principais abordagens desta teoria:

a) Esta teoria buscou entender as percepções sensoriais interiores do homem, tais


como as fantasias, os sonhos, os esquecimentos, vistos por ele como problemas
científicos, levando à criação da Psicanálise.
b) De acordo com os princípios desta teoria, a percepção do homem ocorre por meio
de “pontos isolados”, de forma totalmente fragmentada.
P
c) Os estudiosos desta teoria, em suas pesquisas, descartaram a análise voltada para S
I
a percepção e sensação do movimento. Isto porque não estavam interessados em C
O
entender quais os processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica. L
O
d) Esta perspectiva teórica tem suas bases a partir do comportamento, o qual procura G
I
explicar os comportamentos adquiridos no decorrer do desenvolvimento do indivíduo, A

porém, tais teorizações tiveram suas bases nos anos 30 a partir do comportamento D
A
respondente, que seria o fundamento para as inter-relações entre o indivíduo e o
C
ambiente. O
M
e) Para desenvolver suas concepções se basearam em estudos psicofísicos que U
N
relacionaram a forma e sua percepção, sendo o objetivo desta teoria estudar como os I
C
seres vivos percebem as coisas, dentre elas, objetos, imagens, sensações, dentre outras. A
Ç
Ã
O
34 TÓPICO 2 UNIDADE 1

P
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C
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UNIDADE 1

TÓPICO 3

PSICOLOGIA SOCIAL

1 INTRODUÇÃO

Neste tópico trabalharemos inicialmente acerca da Teoria das Representações Sociais,


tal teoria foi alvo de estudos de dois dos mais renomados psicólogos do mundo, Serge Moscovici
e Jean Piaget. Para eles, as representações sociais refletem a forma como os indivíduos
pensam, interpretam e acreditam em determinada realidade. Dessa forma, as representações
começam a surgir no momento em que o sujeito tem contato com a sociedade, ou seja, no
momento de seu nascimento. Nessa fase, os mecanismos do conhecimento ainda são limitados,
e somente terão um valor significativo a partir da inserção da criança em ambiente escolar. Isso
está fundamentado na carga de estímulos a que ela será exposta, construindo dessa forma seus
valores, crenças, as quais resultarão em seu caráter. Para tanto, faremos um pequeno resgate
histórico da origem das Representações Sociais, destacando seu contexto, evidenciando a
etimologia da expressão e, finalmente, revelando sua concepção conceitual.

Em seguida, daremos enfoque ao individual, ao coletivo e à comunicação. Tal qual o primeiro


capítulo, o segundo é fundamentado pelas reflexões de Serge Moscovici. Para ele, as condutas
comportamentais têm origem nas Representações Sociais, as quais elaboram e compartilham o
conhecimento (individual ou coletivo) socialmente em uma realidade comum. Assim, neste contexto, P
S
a comunicação se insere como ligações e conexões estabelecidas entre indivíduos ou grupos sociais. I
C
O
L
O
G
I
A
2 SUJEITO SOCIAL E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
D
A

A Representação Social (RS) é uma temática amplamente discutida por Moscovici. O C


O
referido autor trabalha a Representação Social na perspectiva da psicanálise e da sociologia, M
U
objetivando compreender o processo de construção de teorias do senso comum por meio da N
I
difusão das teorias científicas. Para ele, as Representações Sociais são compreendidas como C
A
um campo de conhecimento específico, no qual são construídas as condutas comportamentais, Ç
Ã
estabelecendo, dessa forma, a comunicação entre os sujeitos de determinado grupo social, O
36 TÓPICO 3 UNIDADE 1

que, por sua vez, é o produtor de interações interpessoais (MOSCOVICI, 1978).

Para compreender a significação das RS precisamos contextualizar o seu surgimento. Tal


teoria teve sua gênese na tese de doutoramento do psicólogo romeno Serge Moscovici em 1961.
Apesar de ter sido validada no século XX, faz-se necessário remontarmos ao século XIX para dar
significado à Teoria das RS. Esse período foi marcado por revoluções, talvez a mais conhecida
seja a Revolução Industrial, que, embora tenha sido iniciada muito antes disso, foi consolidada
em nível global somente neste período. Contudo, outras revoluções também ocorreram, e, a
exemplo disso, podemos destacar os ideais revolucionários do movimento operário.

A etimologia da palavra “representação” advém da forma latina repraesentare, a qual


significa fazer presente. Tal fato fundamenta-se em alguém ou alguma coisa ausente, mesmo
uma ideia, por intermédio da presença de um objeto (FALCON, 2000). Já Jovchelovitch (1998)
afirma que a “representação” era sinônimo de “espelho do mundo”. Onde representar era
reproduzir o social. Por muito tempo tal pensamento influenciou as ciências sociais e a psicologia,
dando a ilusão da coincidência perfeita entre o psíquico (mental) e o mundo (concreto).

Dessa forma, as condutas comportamentais originam-se a partir das Representações


Sociais, as quais elaboram e compartilham o conhecimento socialmente em uma realidade
comum. Essa realidade também é conhecida como senso comum, podendo ser representada
por mitos ou crenças produzidos e compartilhados a um grupo social, possibilitando assim uma
compreensão coletiva. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o conhecimento (senso)
comum não significa ser menor ou menos importante do que outras formas de conhecimento.
Suas significações vão além dessa compreensão reducionista, onde precisamos percebê-lo como
um conhecimento genuíno, o qual, por sua característica de estar ao alcance da compreensão de
todos os sujeitos envolvidos, tem o poder de efetivar as mudanças sociais (MOSCOVICI, 1978).

FIGURA 22 - PSICÓLOGO ROMENO SERGE MOSCOVICI

P
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C
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I
A

D
A

C
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M
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N
I
C
A
Ç FONTE: Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Serge_
à Moscovici>. Acesso em: jul. 2016.
O
UNIDADE 1 TÓPICO 3 37

Podemos compreender as Representações Sociais como a linguagem do senso


comum. De forma que se viabilize como um campo de conhecimento e de interação social.
Assim, fazendo alusão à comunicação da vida cotidiana, as palavras são fundamentais. As
palavras estão dotadas de ideologia, envolvidas por relações sociais em todas as áreas do
conhecimento (MINAYO, 2007).

Outros estudiosos também têm suas concepções acerca das Representações Sociais.
A sua conceituação tem origem atrelada à teoria das Representações Coletivas de Durkheim,
onde a sociedade tem poder coercitivo sobre as consciências dos sujeitos, prevalecendo o
coletivo sobre o individual. Para Durkheim (2003, p. 5), “somos então vítimas de uma ilusão que
nos faz crer que elaboramos, nós mesmos, o que se impôs a nós de fora”. Já Teixeira (1999)
assevera que a posição de Durkheim reduz a autonomia dos sujeitos, tornando-os passivos
diante das formas coletivas de pensar.

Nos dois mundos, o da experiência individual, todos os comportamentos e todas as


percepções são compreendidas como resultantes de processos íntimos, às vezes de natureza
fisiológica. No outro mundo, o dos grupos, o das relações entre pessoas, tudo é explicado
em função de interações, de estruturas, de trocas de poder. Esses dois pontos de vista são
claramente errôneos, pelo simples motivo de que o conflito entre o individual e o coletivo não
é somente do domínio da experiência de cada um, mas é igualmente realidade fundamental
da vida social (MOSCOVICI, 1978).

Jean Piaget corrobora da opinião de Moscovici, assumindo uma mesma postura


epistemológica, onde o mundo da forma como o conhecemos é constituído por meio de nossas
operações psicológicas. Dessa forma, a fim de compreender as representações sociais, faz-
se necessário, primeiramente, entender os processos pelos quais tais representações são
elaboradas e modificadas (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013).

FIGURA 23 - PSICÓLOGO FRANCÊS JEAN PIAGET


P
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C
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G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
FONTE: Disponível em: <https://br.pinterest.com/dihacst/piaget/>. Ç
Acesso em: jul. 2016. Ã
O
38 TÓPICO 3 UNIDADE 1

Apesar do marco das representações sociais estar em Durkheim, Moscovici (2004)


afirma que isso se deu na ótica da sociologia e que, na concepção da Psicologia, a égide das
representações está em Piaget. O francês foi o primeiro a abordar a temática ao investigar a
representação de mundo da criança. Suas contribuições ficaram famosas, pois auxiliaram na
compreensão do pensamento infantil, e hoje entendemos que a interação da criança com seus
pares e as situações por ela vivenciadas permitem o desenvolvimento das representações
(OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013).

NOT
A!

A teoria genética, ao descrever a conexão entre o cognitivo, o afetivo
e o social na trajetória de desenvolvimento da criança, se aproxima
da estrutura de representação de Moscovici. Tanto Durkheim quanto
Piaget demonstraram que o estatuto da representação é, ao mesmo
tempo, epistêmico, social e pessoal e é a consideração destas três
dimensões que pode explicar por que as representações não são
uma cópia do mundo externo, mas uma construção simbólica deste
mundo (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013).

A inserção da criança no ambiente escolar objetiva aumentar a carga de estímulos para


a aprendizagem. Os indivíduos jovens, no contexto humano, possuem sensores muito ativos
nas fases iniciais da vida. Isso possibilita a apreensão das informações no cérebro. Portanto, a
formação psicofísica dos seres humanos deve ocorrer de modo apropriado e cercado de cautela.

O contato com novas pessoas na gênese de sua inserção escolar pode incorrer em
danos futuros inerentes ao caráter do indivíduo. Em fase de crescimento, a criança tem uma
gama de necessidades. Além da necessidade de manutenção da vida, existem demandas por
independência, aperfeiçoamento, segurança, autoestima, aprovação. São definidos os valores
existenciais estéticos, intelectuais e morais (NOGUEIRA, 2016).
P
S
I
C Caros acadêmicos, não nos esqueçamos de que as crianças, no Brasil, têm o direito
O
L à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer assegurado pelo Estatuto da Criança e do
O
G Adolescente, em seu capítulo IV.
I
A

D
Para que as crianças se tornem cidadãos, os adultos formadores têm um papel fundamental.
A Esse novo conjunto formado por crianças (classe escolar) é composto por uma infinidade de
C
O
diferenças. Esses indivíduos estão apenas iniciando seu ciclo social, porém já chegam nessa fase
M com uma bagagem bastante volumosa advinda dos valores familiares aos quais foram expostos
U
N até então. Além disso, existem as diferenças físicas (gordo, magro, alto, baixo, branco, negro etc.)
I
C e também diferenças na capacidade de aprendizagem (NOGUEIRA, 2016).
A
Ç
Ã
O A atividade sensório-motora precede a representação, e a aquisição da lingua-
UNIDADE 1 TÓPICO 3 39

gem também está subordinada ao exercício da função simbólica. A represen-


tação deriva, em parte, da própria imitação, portanto, a imitação constitui uma
das fontes da representação, que fornece essencialmente seus significantes
imaginados. Pela imitação da ação, os repertórios dos comportamentos infantis
são ampliados e gradualmente interiorizados. Por outro lado, o jogo (ou ativi-
dade lúdica) conduz igualmente da ação à representação, na medida em que
evolui de sua forma inicial do exercício sensório-motor para a segunda forma
de jogo simbólico ou de imaginação (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013, p. 40).

As crianças iniciam a construção de suas representações partindo de suas vivências


(das trocas de experiências) e de sua qualidade. No momento em que vem ao mundo a criança
não dispõe de instrumentos intelectuais completos, nem da representação do que a rodeia,
embora esteja inserida num mundo social. Assim, Piaget foi um dos primeiros autores a refletir
que a criança, no momento da elaboração de suas representações, baseia-se nas transmissões
(diretas/indiretas), bem como nas suas próprias experiências, onde o nível intelectual é fator
preponderante para a compreensão da realidade.

De forma sucinta, Moscovici (2004) atribui duas funções às RS.

QUADRO 4 - FUNÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SEGUNDO MOSCOVICI


Elas lhes dão uma forma definitiva, as localizam em uma determinada
categoria e gradualmente as põem como um modelo de determinado
tipo, distinto e partilhado por um grupo de pessoas. Todos os novos
elementos se juntam a esse modelo e se sintetizam nele. Mesmo
quando um indivíduo ou objeto não se adequa exatamente ao
1- Convencionam os objetos,
modelo, nós o forçamos a assumir determinada forma, entrar em
pessoas ou acontecimentos
determinada categoria, na realidade, a se tornar idêntico aos outros,
sob pena de não ser nem compreendido, nem decodificado. Nós
pensamos através de uma linguagem; nós organizamos nossos
pensamentos de acordo com um sistema que está condicionado,
tanto por nossas representações, como por nossa cultura.
Elas se impõem sobre nós com uma força irresistível. Essa força
é a combinação de uma estrutura que está presente antes mesmo
2- São prescritivas
que nós comecemos a pensar e de uma tradição que decreta o que
deve ser pensado.
FONTE: Adaptado de Reis e Belini (2011, p. 152) P
S
I
C
Por outro lado, as RS têm papel fundamental na dinâmica das relações e nas práticas O
L
sociais e respondem a quatro funções que as sustentam: O
G
I
A
QUADRO 5 - FUNÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
D
A
As RS permitem compreender e explicar a realidade. Elas permitem que
os atores sociais adquiram os saberes práticos do senso comum em um C
1- Função de saber
quadro assimilável e compreensível, coerente com seu funcionamento O
M
cognitivo e os valores aos quais eles aderem. U
N
As RS definem a identidade e permitem a proteção da especificidade I
dos grupos. As representações têm por função situar os indivíduos e os C
2- Função identitária grupos no campo social, permitindo a elaboração de uma identidade social A
Ç
e pessoal gratificante, compatível com o sistema de normas e de valores Ã
socialmente e historicamente determinados. O
40 TÓPICO 3 UNIDADE 1

As RS guiam os comportamentos e as práticas. A representação é


3- Função de orientação prescritiva de comportamentos ou de práticas obrigatórias. Ela define o
que é lícito, tolerável ou inaceitável em um dado contexto social.
Por essa função as representações permitem, a posteriori, a justificativa
das tomadas de posição e dos comportamentos. As representações têm
4- Função justificadora por função preservar e justificar a diferenciação social, e elas podem
estereotipar as relações entre os grupos, contribuir para a discriminação
ou para a manutenção da distância social entre eles.
FONTE: Adaptado de Reis e Belini (2011, p. 152)

Considerando o progresso do desenvolvimento humano dentro de uma sequência universal,


podemos dizer que o indivíduo evolui em sua compreensão do mundo em uma sequência ordenada,
portanto, sua forma de compreender e organizar a realidade depende do desenvolvimento alcançado
por suas estruturas intelectuais. O conhecimento social refere-se às representações elaboradas
pelo homem a partir de suas inúmeras atividades. Trata-se da compreensão das ideias sobre si
mesmo e a respeito dos outros (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013).

Por fim, entendemos que as RS compreendem as concepções individuais que um


sujeito, ou grupo social, têm a respeito de determinada temática abordada. Fazendo-se, dessa
forma, presente nas relações sociais, bem como no conjunto de opiniões e comportamentos
dos indivíduos, os quais refletem seus valores e condutas. Assim, as representações sociais
traduzem a forma como o indivíduo pensa, interpreta e acredita em determinada realidade.

3 RELAÇÕES ENTRE O INDIVIDUAL, O COLETIVO E A COMUNICAÇÃO

Os fenômenos individual e coletivo são alvos de investigação científica desde o século


XX. O objetivo dos pesquisadores é evidenciar a interdependência entre os dois, ou seja, para
explicar o nível coletivo se faz necessário um aporte teórico semelhante aos que são usados
P para a explicação do nível individual. Conforme visto anteriormente, a teoria das Representações
S
I Sociais (RS) de Moscovici reforça a ideia de que a identidade específica da Psicologia Social
C
O evidencia a exploração e a resolução de um problema histórico: As inter-relações entre os
L
O mundos individual e coletivo.
G
I
A A Psicologia Social, desta forma, se apresenta como uma disciplina híbrida,
D preocupada em estabelecer as relações que se processam nos campos de
A estudo tanto da psicologia, como da sociologia. A crítica de Moscovici torna-se
evidentemente mais incisiva quando o mesmo expõe sua preocupação quanto
C
O às intenções de muitos teóricos da Psicologia Social contemporânea, em es-
M pecial os de origem norte-americana, em apenas acrescentar uma dimensão
U social aos fenômenos psicológicos (STEFENON; GIL FILHO, 2009, p. 3).
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FIGURA 24 - PSICOLOGIA SOCIAL E SUAS INTERAÇÕES

SOCIOLOGIA

HISTÓRIA ECONOMIA

PSICOLOGIA
SOCIAL

FILOSOFIA PERSONALIDADE

CIÊNCIAS
POLÍTICAS

FONTE: Disponível em: <https://svtratamentodq.wordpress.com/psicologia-


social/>. Acesso em: jul. 2016.

Como podemos observar, a Psicologia Social leva em conta inúmeras variáveis para
traçar seu campo de investigação. Todas elas estão ligadas em uma sincronia sistêmica
que permite a apropriação do conhecimento de forma unificada. Isso também ocorre nas
representações sociais, onde o dualismo entre o individual e o coletivo é algo que também foi
abordado por Moscovici. As RS de determinado objeto não contemplam apenas o indivíduo,
pelo contrário, são consideradas também suas vivências, suas relações com o meio social,
tais como afetividade, crenças, conhecimento científico, ideais e cultura. As representações
sociais apresentam características racionais justamente por serem coletivas. Assim, a dualidade
estabelecida entre o mundo individual e o social é rejeitada. O que existe, na verdade, é uma
P
polarização, onde os fenômenos são marcados pela subjetividade de tal forma a aproximar os S
I
psicológicos e sociais. C
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Moscovici (2004) ainda assevera que as representações compartilhadas garantem G
I
a coexistência entre individualização e socialização. Tais variáveis são fundamentais na A
compreensão do dinamismo da sociedade e as mudanças que a compõem. Para o pesquisador, D
o fundamento está na interação entre sujeitos e grupos, formando a representação social, A

tornando-se, dessa forma, algo indissociável entre sujeito e sociedade. C


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42 TÓPICO 3 UNIDADE 1

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É necessário acabar com as barreiras entre Psicologia e Sociologia,
entre o individual e o coletivo, concebendo uma nova abordagem
na estrutura do pensamento humano. Tal reflexão deve ser
fundamentada em nova organização social, vislumbrando novas
possibilidades de contato com lugares diversos e distantes, novas
culturas e formas de ver o mundo (MOSCOVICI, 1978).

No âmbito da comunicação, o sentido de individual pode ser compreendido como o


próprio mundo em que vivemos, pois é único e invariável. Já a coletividade é representada
pelas inter-relações e conexões estabelecidas entre os indivíduos de determinado grupo
social. Neste sentido, as formas de se comunicar mudaram significativamente nos últimos 20
anos, contudo, apesar de o instrumento que conecta as pessoas passar por aperfeiçoamento,
o objetivo comum sempre é o mesmo, ou seja, estabelecer canais que permitam a troca de
informações. Despertando, dessa maneira, possibilidades infinitas, tais como novas tecnologias,
novos pensamentos e novos conhecimentos.

FIGURA 25 - O INDIVIDUAL E O COLETIVO PARA A COMUNICAÇÃO

P
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A FONTE: Disponível em: <http://mrsaraujo-educao.blogspot.com.br/2012/06/projeto-meios-
de-comunicacao-educacao.html>. Acesso em: jul. 2016.
C
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U As representações sociais se formam na vida diária das pessoas, estão presentes
N
I nos meios de divulgação, através da comunicação, nos costumes e instituições, na herança
C
A histórica, cultural das sociedades, na abordagem de diversos temas.
Ç
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UNIDADE 1 TÓPICO 3 43

Através das conversas, dentro das quais se elaboram os saberes populares e o


senso comum, é possível identificar as representações, pois elas se exprimem
através da linguagem, da arte, da ciência, religião, assim como nas famílias,
em suas relações e regras, contemplando também as relações econômicas e
políticas (OSTI; SILVEIRA; BRENELLI, 2013, p. 54).

Por fim, a presença da representação social no cotidiano das pessoas é percebida por
meio de opiniões, valores e ideias, os quais são transmitidos – absorvidos –, retransmitidos
através dos meios de comunicação, como: televisão, rádio, internet, periódicos ou por meio
de organizações sociais, como igrejas, partidos políticos, associações de bairro e ou grupos
sociais. As pessoas recebem a informação, a qual é processada na consciência individual e
passa a integrar a consciência coletiva, reproduzindo assim uma imagem, um valor (OSTI;
SILVEIRA; BRENELLI, 2013).

LEITURA COMPLEMENTAR

A NOVAS RELAÇÕES ENTRE O INDIVIDUAL E O COLETIVO

O seminário do Instituto de Pesquisas Avançadas (IEA) da USP, ‘O Indivíduo e o Espaço


Público’, com participação das professoras Maria Alice Rezende de Carvalho e Vera da Silva
Telles, e dos sociólogos Bernardo Sorj e Danilo Martuccelli, abordou questões sobre o indivíduo
no contexto da modernidade e seu lugar dentro das esferas políticas e nos espaços públicos.

O diretor do Centro Edelstein de Pesquisa Social falou sobre as aspirações, as


esperanças e frustrações que a vida moderna pode suscitar, bem como as pessoas lidam
com as pressões sociais. A apresentação fez parte de um ciclo de palestras com o tema ‘Em
Busca do Sentido Perdido: Diálogos Interdisciplinares sobre Ciência e Transcendência’, que
tem o objetivo de discutir as mudanças causadas pelo novo contexto sociocultural e as novas
formas de dominação da cultura ocidental contemporânea.

Graduado em história e sociologia pela Universidade de Haifa – Israel, Sorj alega P


que as maiores preocupações da sociedade – o sucesso, o status, o consumo – advêm dos S
I
meios de comunicação ou das redes sociais, que transmitem informações superficiais, não C
O
promovem (ou promovem pouco) a reflexão e o senso crítico do indivíduo. As informações L
O
‘esgotam-se em si mesmas’. “Vivemos num mundo no qual a tecnologia permeia cada passo G
I
de nossas vidas, mas não entendemos como ela funciona”, diz ele. Usamos celulares, tablets, A

computadores, mas não nos perguntamos como aquilo funciona, como foi feito. Fazemos uso D
A
daquilo que consideramos ‘útil’, muitas vezes sem nem saber a procedência, a origem até sua
C
total capacidade. O sociólogo uruguaio e naturalizado brasileiro ainda diz: “A comunicação é O
M
onipresente, mas seu conteúdo é raso”. U
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Conseguimos ter acesso à informação hoje de qualquer lugar. Seja no metrô, no ônibus, A
Ç
ela chega por meio de TVs, de celulares, do rádio, mas a pressa da vida cotidiana impede que os Ã
O
44 TÓPICO 3 UNIDADE 1

assuntos sejam tratados com mais profundidade, com discussão. As informações são passadas
de forma rápida, vazia, apenas com o intuito mesmo de noticiar um fato. Assim, o sentido da
vida ficou fragilizado. Segundo Sorj, o individualismo e o consumismo não deixam espaço para
a busca da transcendência do indivíduo. “O tempo se esgota no presente e na insegurança
sobre o que o futuro trará”, diz ele. Para o sociólogo Danilo Martuccelli, o amor norteia e se
torna cada vez mais valorizado na vida das pessoas. Ele é uma promessa de felicidade. ‘Muitos
estão dispostos a morrer por amor’, diz. Junto com esse sentimento, a religião e as crenças
são um suporte coletivo e individual para muitos na sociedade moderna, em que a vida privada
e o individualismo criam uma disputa entre o interesse coletivo e a felicidade pessoal.

Nesse contexto, a professora Maria Alice fala sobre a interação entre as pessoas e os
coletivos. A vida passou a ser uma troca igualitária, onde cada uma das partes possui seus
direitos, mas poucos convergem de verdade. ‘Convergir significa abrir mão de uma originalidade’,
diz ela. É como se o indivíduo abrisse mão da sua própria capacidade em prol das ideias de
outro. “A sensibilidade contemporânea é a da singularização”, complemente a professora. A
história passou a ser uma narração subjetivada do tempo. Antes o tempo estava fora de nós,
era objetivo, comum a toda a humanidade. O diálogo entre os indivíduos, sejam eles produtores
de conhecimento científico ou de outras áreas que refletem as condições humanas possui
esse impasse.

FONTE: Disponível em: <https://cbd0282.files.wordpress.com/2014/08/2relatocritico_patriciabeloni.


pdf>. Acesso em: jul. 2016.

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UNIDADE 1 TÓPICO 3 45

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você viu que:

• A Teoria das Representações Sociais surgiu a partir dos estudos do psicólogo romeno Serge
Moscovici, quando desenvolvia sua tese de doutoramento, em 1961.

• As Representações Sociais (RS) inicialmente tiveram uma abordagem sob a ótica da


sociologia. Entretanto, o psicólogo francês Jean Piaget também contribuiu para a constituição
dessa teoria.

• O significado da palavra “representação” advém da forma latina repraesentare, a qual significa


fazer presente.

• As condutas comportamentais originam-se a partir das Representações Sociais, as quais


elaboram e compartilham o conhecimento socialmente em uma realidade comum. Essa
realidade também é conhecida como senso comum, podendo ser representada por mitos
ou crenças produzidos e compartilhados a um grupo social, possibilitando assim uma
compreensão coletiva.

• As crianças iniciam a construção de suas representações partindo de suas vivências (das


trocas de experiências) e de sua qualidade.

• As RS de determinado objeto não contemplam apenas o indivíduo, pelo contrário, são


consideradas também suas vivências, suas relações com o meio social, tais como afetividade,
crenças, conhecimento científico, ideais e cultura. P
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46 TÓPICO 3 UNIDADE 1


IDADE
ATIV
AUTO

1 A Representação Social (RS) é uma temática que já foi amplamente discutida. Sua
origem se deu na década de 1960 em estudos no âmbito da sociologia e psicologia.
Considerando os conteúdos vistos neste tópico, assinale a alternativa correta:

Os principais ícones da Teoria da Representação Social são:

a) ( ) Sigmund Freud e Durkheim


b) ( ) Maiakov e Piaget
c) ( ) Moscovici e Piaget
d) ( ) Aristóteles e Platão

2 Jean Piaget (1979) foi um dos primeiros autores a refletir que a criança, no momento
da elaboração de suas representações, baseia-se nas transmissões (diretas/
indiretas), bem como nas suas próprias experiências, onde o nível intelectual é fator
preponderante para a compreensão da realidade. Por outro lado, Moscovici (2004)
atribui duas funções às RS, explique-as:

a) Convencionam os objetos pessoas ou acontecimentos.


b) São prescritivas.

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IAÇÃO
AVAL

Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final


da Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta
unidade.

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UNIDADE 2

ASPECTOS DA PSICOLOGIA SOCIAL,


IDENTIDADE E AS INTERAÇÕES SOCIAIS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Esta unidade tem por objetivos:


 expandir o conhecimento sobre o comportamento humano
usando uma abordagem que leve em conta, além da psicologia,
a sociologia, a ciência política e também a religião, a história;

 compreender e tolerar o comportamento de outras pessoas;

 compreender as forças que criam diferenças entre os grupos nos


padrões de comportamento social;

 entender a importância da ética, da moral, dos valores no trato


com o ser humano e com a sociedade;

 tomar consciência dos principais problemas e questões pertinentes


que a humanidade enfrenta quando se trata de inserção, de
representação social.

PLANO DE ESTUDOS

Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um


deles você encontrará atividades que contribuirão para sua reflexão
P
e análise dos conteúdos explorados. S
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C
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G
TÓPICO 1 – A FORMAÇÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS I
E DA IDENTIDADE NA PERSPECTIVA A
DA PSICOLOGIA SOCIAL
D
A
TÓPICO 2 – O PAPEL DO PSICÓLOGO SOCIAL E
OS RECURSOS DE COMUNICAÇÃO: C
O
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO M
U
TÓPICO 3 – A INFLUÊNCIA DAS INTERAÇÕES N
I
SOCIAIS NA SOCIEDADE E C
RELIGIÃO A
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UNIDADE 2

TÓPICO 1

A FORMAÇÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS E


DA IDENTIDADE NA PERSPECTIVA DA
PSICOLOGIA SOCIAL

1 INTRODUÇÃO

Caro acadêmico, você já parou para pensar como age quando está sozinho e quando
está acompanhado? Já é regra que a maioria das pessoas age de forma diferente quando está
sozinha de quando está com diferentes grupos de pessoas. Veja: quando estamos em família,
agimos de um jeito; quando estamos em um grupo de amigos, agimos de forma diferente;
quando estamos no trabalho, agimos de outro jeito. E aí, acertei? Pois é. Sabe por que isso é
uma realidade? A razão para isso é simples. O que fazemos sozinhos ou em grupo, nosso agir,
nossos pensamentos, o que sentimos são quase na sua totalidade fortemente influenciados
pelas pessoas com quem convivemos.

Neste tópico, vamos entender como a psicologia social age. Sabemos que a maioria
das pessoas age de forma diferente quando estão com diferentes grupos de pessoas, quando
estão em diferentes lugares, quando estão ... diferentes! Analise o seu dia a dia. Você acorda:
caso more com a família, vai ter um jeito de agir. Vai se dirigir ao trabalho ou à escola, à
faculdade, vai agir de forma diferente e assim por diante; conforme as pessoas, conforme as
P
circunstâncias, agimos diferente. Por que isso acontece dessa forma? Por que o nosso agir, S
I
o nosso pensar, aquilo que a gente sente sofre influência das pessoas que fazem parte de C
O
nossas vidas? Ortega Y Gasset (1967), filósofo espanhol, proferiu a seguinte frase: “Eu sou L
O
eu e minhas circunstâncias”. Perceba que nossas ações, pensamentos e sentimentos são G
I
quase sempre influenciados pelos indivíduos que nos cercam. A psicologia social nos ajuda A

a entender esses fenômenos para entendermos melhor como a presença das pessoas em D
A
nossa vida pode afetar nossos comportamentos, pensamentos e sentimentos. E isso é real.
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52 TÓPICO 1 UNIDADE 2

FIGURA 26 - AJUDA PARA QUEM PRECISA

FONTE: Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/318629742363522402/>. Acesso em:


16 jul. 2016.

Queremos então, nesta unidade, compreender os processos de percepção, cognição,


motivação, emoção, aprendizagem, memória e criatividade, processos esses que estão
em contínua interação com os papéis sociais, com as afiliações de diferentes grupos da
sociedade. São temas muito abrangentes, para os quais não temos a pretensão de dar todas
as respostas. Veja, por exemplo, o tema emoção, hoje muito estudado por neurocientistas. A
experiência emocional não é um fenômeno único, varia de indivíduo para indivíduo, sendo o
resultado de diferentes eventos. De forma simplista, a emoção se expressa por um ato motor,
em decorrência de sensações provocadas por estímulos sensoriais do meio onde está inserida
a pessoa (BRANDÃO, 2009).

Também vamos explorar a forma como as pessoas se comunicam consigo, com outros
indivíduos e com diferentes grupos, sejam grupos de lazer, de trabalho, entre outros.
P
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O 2 A INFLUÊNCIA DA SOCIEDADE NA FORMAÇÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS
G
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A
A nossa carteira de identidade traz a foto/imagem do nosso rosto. As formas do nosso
D
A rosto indicam nossas características, que são muito pessoais. Conforme nos aponta Tavares
C (2013), essas características indicam nossa identidade pessoal e intransferível, pelo menos
O
M visualmente, a não ser que tenhamos um gêmeo univitelino que através de uma foto não se
U
N pode identificar as diferenças.
I
C
A
Ç Para entendermos o conceito de sociedade, o que é sociedade, vamos destacar
Ã
O algumas palavras-chave imprescindíveis para este entendimento. A primeira palavra destacada
UNIDADE 2 TÓPICO 1 53

é “indivíduo”. Entre vários significados, pontos de vista, orientação para conceituar indivíduo,
que parece ser mais complexo para entender do que a própria sociedade, vamos tomar o
caminho do conceito do indivíduo como distinto, mas nem por isso incomunicável com outros
indivíduos (TAVARES, 2013).

FIGURA 27 - INDIVIDUALIDADE ÚNICA

FONTE: Disponível em: <http://diegokoelho.blogspot.com.br/>. Acesso em: 30 jun. 2016.

A singeleza da imagem na figura acima mostra o indivíduo com tantos outros, juntos,
porém com suas peculiaridades, no caso, a cor o diferencia, mas sabemos que o que realmente
diferencia um indivíduo de outro, geralmente, não é visível aos olhos (TAVARES, 2013).

Trata-se sempre da questão de identidade. De saber quem somos e como


somos, de saber por que somos. Sobretudo, quando nos damos conta de
que o homem se distingue dos animais por ter a capacidade de se identificar,
justificar e singularizar. De saber quem ele é. De fato, a identidade social é algo
tão importante que o conhecer-se a si mesmo através dos outros deixou os
livros de filosofia para se constituir numa busca antropologicamente orientada
(DAMATTA, 1986, p. 15).

Sobre identidade, discutiremos mais adiante. Agora queremos falar do indivíduo.


P
A etimologia da palavra indivíduo nos reporta ao latim “individuus”, onde se divide em “in”, S
I
que indica negação, mais “dividuus”, divisível, dividir. Juntando-se essas duas palavras, não C
O
divisível, entendemos que indivíduo é o que não se divide, que não se pode multiplicar, ou L
O
numa linguagem mais cinematográfica, não se pode replicar. E ainda podemos completar: G
I
A
De indivíduo deriva individuação, termo que designa a determinabilidade
D
individual, ou seja, aquilo que faz que este indivíduo seja precisamente este A
e se distinga de todos os outros, por exemplo: este determinado ser-Pedro.
C
Duns Scotus e sua escola dão também o nome de haecceitas à individuação, O
enquanto Pedro, por seu ser individual, é este ente determinado, capaz de ser M
assinalado como "este". Na esfera do conhecimento, o indivíduo manifesta- U
N
-se no conceito individual. A substantividade incomunicável do indivíduo e I
sua separação de tudo o mais crescem com a perfeição dos graus do ser. No C
domínio do inorgânico, os indivíduos salientam-se muitíssimo pouco; entram A
Ç
sempre em associações maiores (atômicas ou moleculares) e até hoje não Ã
foram ainda fixados de maneira unívoca. Nos reinos vegetal e animal, todo indi- O
54 TÓPICO 1 UNIDADE 2

víduo está, de ordinário, nitidamente separado dos restantes. O homem possui


uma substantividade essencialmente superior, visto que sua alma o eleva à
categoria de pessoa. O espírito puro repousa ainda mais em si. Finalmente,
a substantividade absoluta compete a Deus, porque se ergue infinitamente
acima de todas as coisas. Disponível em: <http://www.filoinfo.bemvindo.net/
filosofia/modules/lexico/entry.php?entryID=955>. Acesso em: 17 jul. 2016.

É de suma importância que tenhamos em vista, na realidade do indivíduo e do coletivo,


dentro da estruturação das organizações, as dimensões que estabelecem a comunicação e a
relação dos diferentes serviços e atuações. E a primeira organização que vai evidenciar estas
duas realidades – indivíduo e coletivo – é a família. Na família se exercita o trabalho, quando
todos têm algum grau de responsabilidade, com funções diferentes. Na família, todos buscam
o bem-estar-bem. Pelo menos nos indica o senso comum que na família todos querem o bem
sempre presente, a solidariedade atuando, enfim, o comprometimento de todos por todos.

Temos consciência de que vivemos numa época em que o sistema econômico preza
pela massificação e pelo individualismo e que se traduzem em comportamentos individualistas
que levam ao distanciamento e isolamento. Nesta ótica, ou nesta falta de ótica, prega-se o
mesmo pensar, o mesmo agir, algo totalmente inumano. O que é humano, o que é ser indivíduo,
deve se manifestar justamente na coletividade, no compartilhamento, na colaboração, seja em
forma de ideias – pensar; seja na prática – agir.

Faz parte do ser humano viver na coletividade e isto desde os primórdios da presença do
homem na Terra. É da constituição humana viver junto. Porém, este viver junto não é negação
do indivíduo desde que haja um conjunto de normas, regras, que mantenha uma convivência
digna entre todos.

Durkheim, em seus estudos, nos mostra a função das instituições sociais na manutenção
dessas duas realidades – indivíduo e coletivo na sociedade.

A instituição social é um mecanismo de proteção da sociedade, é o conjunto


P de regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, acei-
S tos e sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a
I
C
organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele
O participam. As instituições são, portanto, conservadoras por essência, quer seja
L família, escola, governo, polícia ou qualquer outra, elas agem fazendo força
O
G contra as mudanças, pela manutenção da ordem. Disponível em: <http://www.
I duplipensar.net/lit/francesa/2004-02-durkheim.html>. Acesso em: 17 jul. 2016.
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Émile Durkheim foi o primeiro professor de Ciência


Sociológica da França Sociológica. O cientista tinha,
sobretudo, interesse nas relações sociais e os fenômenos
oriundos da interação humana. Herdeiro do positivismo
de Auguste Comte, Durkheim procurava acreditar que
o sociólogo precisa ter certa distância de seu objeto
de estudo, mantendo-se isento de sentimentos como
paixão, desejo ou preconceito. A observação, a descrição,
a comparação e a estatística são, para Durkheim,
os principais instrumentos dos sociólogos para o
desenvolvimento de teorias e conclusões.

FONTE: Disponível em: <http://redes.moderna.com.br/tag/sociologia/>. Acesso em: 17 jul. 2016.

Não podemos determinar que os problemas de nossa sociedade se fundam no


individualismo. Podemos, sim, reconhecer que o individualismo é um dos problemas que temos
hoje, até entendido, quando desde pequenos somos estimulados para a competição, para a
superação, não de nós mesmos, mas dos outros. Os outros são sempre adversários, alguém
a quem devemos superar, vencer.

Temos uma série de formas e maneiras de construir, de estabelecer relações sociais


no mundo. Resultam disso as interações sociais e são elas justamente parte integrante das
ações que dão sentido e fim às nossas vidas. A partir dessas relações vamos criando, vamos
dando forma às estruturas sociais que nos dão pistas de como nos comportar no meio em P
que vivemos. S
I
C
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É a partir dessas estruturas já definidas que vão surgindo os papéis sociais, que, por L
O
sua vez, definem um conjunto de comportamentos que se espera de alguém que estabeleça G
I
minimamente relações com outros seres humanos. Para ter um papel social se espera um A

conjunto de comportamentos que podem sofrer mudanças ao longo do tempo e também diferir D
A
entre as culturas.
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56 TÓPICO 1 UNIDADE 2

S!
DICA

Identifique o papel da mãe em diferentes culturas, há diferenças?


E o papel da mulher, o que é aceitável? O que é comum? O que
é proibido?

Os papéis sociais podem variar conforme o status, a ocupação que exercemos, o grupo
social de que participamos. Veja, por exemplo, o papel social de um professor. Como professor,
ele tem um papel a desempenhar com seus alunos, outro papel a desempenhar junto a seus
colegas que também são professores, outro papel em relação à direção da escola.

FIGURA 28 - PSICOLOGIA E OS PAPÉIS SOCIAIS

P
S
I
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/43433/>. Acesso em: 17 jul. 2016.
C
O
L
O A pessoa, então, com tantos papéis a desempenhar, tantos status a manter, pode
G
I
encontrar dificuldades em compreender a diferenciação de cada um, pode encontrar dificuldades
A
de comportamento nos diferentes ambientes que frequenta. Por isso se torna importante a
D
A
psicologia social.

C
O A psicologia social aborda as relações entre os membros de um grupo social,
M portanto, encontra-se na fronteira entre a psicologia e a sociologia. Ela busca
U compreender como o homem se comporta nas suas interações sociais. Para al-
N
I guns estudiosos, porém, a comparação entre a Psicologia Social e a Sociologia
C não é assim tão simples, pois ambas constituem campos independentes, que
A
Ç
partem de ângulos teóricos diversos. Há, portanto, uma distância considerável
à entre as duas, porque enquanto a psicologia destaca o aspecto individual, a
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 57

sociologia se atém à esfera social. Disponível em: <http://www.infoescola.com/


psicologia/psicologia-social/>. Acesso em: 16 jun. 2016.

Temos até aqui a contribuição da psicologia, da sociologia e da cultura para nos ajudar
a entender os papéis sociais vividos na sociedade. Veja como a cultura pode nos oferecer
alguns questionamentos:

• Como a cultura afeta a forma como vemos a nós mesmos?


• Como a formação cultural de um indivíduo afeta a forma como eles veem a si mesmos?
• Como a cultura impacta nas relações?

A cultura, por vezes, determina a individualidade das pessoas e sua propensão a serem
mais independentes umas das outras. Já quando a cultura promove o senso de coletividade,
as pessoas são mais propensas a ter uma visão interdependente de si mesmas (elas se veem
como ligadas aos outros, se definem em termos de relações com os outros, a dar importância
aos relacionamentos e associações em grupos).

A psicologia tenta compreender o desenvolvimento e expressão do comportamento


humano em relação aos contextos culturais em que ocorre. Ela adota a perspectiva universalista
que assume que todos os seres humanos partilham processos psicológicos básicos, mas que
são então moldados por influências culturais.

Esta perspectiva permite a comparação de indivíduos de diferentes culturas com base


na uniformização do processo, mas também aceita a variabilidade comportamental com base
na modelação da cultura.

Vamos imaginar um grande evento que reúne pessoas de diferentes países, como,
por exemplo, um evento esportivo, as Olimpíadas, onde ocorrem interações entre indivíduos
provenientes de diferentes culturas. Precisamos compreender, pelo menos, dois conjuntos de
fenômenos de cultura de comportamento, bem como um terceiro conjunto, aquele que surge P
S
na intersecção das suas relações. Nessa situação, a psicologia recebe “ajuda” da sociologia I
C
e da ciência política para traduzir essas interações em "relações étnicas", e recorre também à O
L
antropologia, que identifica nessas interações a "aculturação". O
G
I
Durante o contato mais prolongado entre pessoas de diferentes origens culturais, A

todos esses conceitos e processos psicológicos e influências culturais precisam ser levados D
A
em consideração na seleção, treinamento e monitoramento de indivíduos durante as suas
C
interações interculturais. O
M
U
N
A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande desafio I
C
como forma de externar a cidadania que todos almejam. Para a maioria das pessoas essa A
Ç
realidade é algo distante, podemos imaginar como deve ser para a criança, mesmo sabendo Ã
O
58 TÓPICO 1 UNIDADE 2

que no viés econômico nunca a criança foi tão consumista e participante nessa dimensão
econômica como vem ocorrendo. Podemos citar as produções cinematográficas de Hollywood
que levam em conta o gosto da criança para desenvolver seus enredos, pois sabem que elas
têm poder de decisão na escolha dos filmes e ainda influenciam seus pais para que eles também
assistam aos mesmos filmes.

FIGURA 29 - A VIDA IMITANDO A ARTE

FONTE: Disponível em: <http://www.osvigaristas.com.br/imagens/criancas/melhor-cosplay-


da-historia-5505.html>. Acesso em: 30 jul. 2016.

A necessidade de possibilitar a participação cidadã das crianças deve levar em conta


seus diferentes modos de vida, suas diferentes famílias, suas diferentes culturas, a educação
e todos os paradoxos que as envolvem.

A concretização de uma infância cidadã apresenta-se como uma imperiosa


necessidade, mas também como uma laboriosa tarefa, na medida em que, para
P além de outros constrangimentos, não podemos esquecer que a infância não é
S
I vivida do mesmo modo por todas as crianças, varia muito, quer de sociedade
C para sociedade, quer dentro de uma mesma comunidade ou mesmo dentro
O de uma mesma família. Por conseguinte, podemos afirmar a existência não de
L
O uma única infância, mas de infâncias, dada a pluralidade de situações, especi-
G ficidades e características culturais disseminadas da vivência quotidiana deste
I grupo social e geracional. São infâncias com diferentes lógicas, por exemplo:
A
crianças de rua, crianças trabalhadoras, crianças exploradas sexualmente;
D são lógicas paradoxais com outros sentidos e com diferentes significações que
A
reafirmam o pressuposto das várias infâncias que têm que ser pensadas com
C outras categorias de análise e outros pressupostos metodológicos e analíticos.
O Além disso, não podemos esquecer que a criança não é mero receptor das
M
U
influências a que está sujeita, é também um ator em contínuo desenvolvimen-
N to e com opinião própria e pontos de vista que importa ter em consideração
I sempre que são abordadas questões que lhes digam respeito. No fundo,
C
A
trata-se de considerar a socialização como um processo dinâmico e dual.
Ç Disponível em: <http://200.144.189.42/ojs/index.php/mediajornalismo/article/
à viewFile/5797/5252>. Acesso em: jul. 2016.
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 59

Enfim, em todos os muitos grupos sociais que nós, como indivíduos fazemos parte,
temos um status e um papel social a cumprir, por exemplo, um homem pode ter o status de
pai em sua família. Devido a esse status, espera-se que ele desempenhe um papel para com
os seus filhos, que na maioria das sociedades exige que ele seja responsável pela educação,
alimentação e proteção. É claro, as mães costumam ter papéis complementares.

Esta filiação, esta pertença ao grupo social nos dá um conjunto de funções que permitem
que as pessoas saibam o que esperar uma da outra. No entanto, é comum que as pessoas
tenham vários status sobrepostos e vários papéis. Isso torna potencialmente os encontros
sociais mais complexos.

Uma mulher que é uma mãe para algumas crianças pode ser uma tia ou avó para os
outros. Ao mesmo tempo, ela pode ser uma esposa para um homem, ela muito provavelmente
é filha e neta de outras pessoas. Para cada um destes vários estados de parentesco ela deverá
desempenhar um papel um pouco diferente e ser capaz de alternar entre eles de forma instantânea.

Esses comportamentos de papéis relacionados mudam tão rapidamente quanto nossas


interações sociais. Em outras palavras, a adesão a um grupo social nos dá um conjunto de
funções que permitem que as pessoas saibam o que esperar umas das outras, mesmo sabendo
que nem sempre serão limitadoras para o nosso comportamento.

3 A PSICOLOGIA, A MORAL E OS VALORES NA FORMAÇÃO


DA IDENTIDADE

Vimos no subtópico anterior a importância das interações sociais. Agora, vamos


identificar a importância da ética, da moral e dos valores para que nossas interações sociais
sejam as mais civilizadas possíveis.

P
De acordo com Srour (2003), a ética é perene e a moral é mutável. A ideia de ética é S
I
que ela não muda, a ética traz reflexões acerca dos costumes, que é o campo da moral. Para C
O
melhor compreendermos, no Brasil temos a história da mulher como um bom exemplo de L
O
mudança de costumes e, por conseguinte, mudança de valores morais. G
I
A

Até a década de 30 a mulher não podia votar e nem ser votada, portanto, o sufrágio D
A
feminino foi uma conquista de equiparar a mulher ao homem e torná-la um membro da sociedade
C
como qualquer um, ou seja, uma pessoa participativa aos desígnios políticos do país. O
M
U
N
No cenário político nacional, a primeira mulher a se tornar deputada federal, em 1933, e I
C
somente em 1979 foi eleita a primeira senadora. Em 2011 o país elege pela primeira vez uma A
Ç
mulher como Presidente da República. Se você observar os anos, 1933, 1979 e 2011, verá o Ã
O
60 TÓPICO 1 UNIDADE 2

quanto demora para que os valores se transformem e, ao mesmo tempo, depois de estabelecida
a mudança, esses valores tornam-se tão familiares que nem mais pensamos nessa trajetória
de conquista e transformação.

No mundo do trabalho, a mulher conquistou espaço tardiamente, e por esse motivo,


várias são ainda as desigualdades entre a mulher e o homem no mundo do trabalho. Existem
diversas pesquisas que apontam mulheres e homens com mesmo nível de escolaridade e
mesma função que têm salários diferentes.

FIGURA 30 - TRABALHO DOBRADO

FONTE: Disponível em: <http://paduacampos.com.br/2012/2012/07/27/charge-elas-


estao-ocupadas-mesmo/>. Acesso em: 30 jul. 2016.

Não se pretende aqui fazer nenhum tipo de apologia à mulher, muito pelo contrário, a
mulher é só um bom exemplo para que possamos perceber o quanto ela se transformou perante
a sociedade. Antes ela não votava e nem era votada, antes ela não trabalhava fora de casa,
antes a sua vida limitava-se a cuidar de filhos e marido e da casa. E hoje?
P
S
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C
FIGURA 31 - DIREITOS CONQUISTADOS
O
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I
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I
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A
Ç FONTE: Disponível em: <http://andorinharosa.blogspot.com.br/2009/03/um-
Ã
O poema-em-homenagem-ao-dia.html>. Acesso em: 30 jul. 2016.
UNIDADE 2 TÓPICO 1 61

A moral são os costumes, são as práticas do comportamento humano e as práticas


aceitáveis de uma sociedade. Então, como esses costumes, práticas e culturas mudam? Mudam
quando a própria sociedade clama por mudanças ou quando, a partir de um movimento de um
grupo, procura-se conscientizar o resto da sociedade da importância de pensar e agir diferente.
Foi dado o exemplo da mulher, mas muitos são outros exemplos que se enquadrariam nesse
momento para ilustrar essa transformação de valor e costume. Nestas mudanças é que vemos
a importância da psicologia como ciência para entender essa evolução de comportamento e
de novas relações e de interações (TAVARES, 2013).

O que faz com que a 'sociedade', em qualquer dos sentidos válidos da palavra,
seja sociedade, são evidentemente as diversas maneiras de interação a que nos
referimos. Um aglomerado de homens não constitui uma sociedade só porque
existe em cada um deles em separado um conteúdo vital objetivamente determi-
nado ou que o mova subjetivamente. Somente quando a vida desses conteúdos
adquire a forma da influência recíproca, só quando se produz a ação de uns sobre
os outros - imediatamente ou por intermédio de um terceiro - é que a nova coe-
xistência social, [...] se converte numa sociedade. Disponível em: <http://www3.
promovebh.com.br/revistapensaradm/art/a07.pdf>. Acesso em: 3 jul. 2016.

Estas interações podem mudar, assim como a moral que é mutável, como diziam os
romanos – “o tempora! o mores!” – (Oh tempos! Oh costumes!), ou seja, os costumes mudam com
o tempo. Srour (2003, p. 56) elenca alguns itens para a compreensão do que vem a ser moral:

● É um sistema de normas culturais que pauta as condutas dos agentes so-


ciais de uma determinada coletividade e lhes diz o que é certo ou não fazer.
● Depende da adesão de seus praticantes aos pressupostos e valores que
lhe servem de fundamentos.
● Representa um posicionamento diante das questões polêmicas ou sensíveis
e constitui um discurso que justifica interesses coletivos.
● Organiza expectativas coletivas ao selecionar e definir melhores práticas a
serem observadas.
● Tem natureza simbólica, essência histórica e caráter plural, e seus cânones
variam à medida que espelham as coletividades históricas que o cultivam.

Srour (2003, p. 57) ainda resume a moral comparativamente à ética:


P
S
Por isso mesmo, as morais são as nervuras sensíveis das culturas e dos ima- I
ginários sociais, as peças de resistência que armam as identidades organiza- C
cionais, códigos genéticos das condutas sociais requeridas pelas coletividades. O
L
Assim sendo, enquanto as morais correspondem às representações mentais O
que dizem aos agentes sociais o que se espera deles, quais comportamentos G
são recomendados e quais não o são, a ética diz respeito à disciplina teórica I
A
e ao estudo sistemático dessas morais e de suas práticas efetivas.
D
A
O quadro que segue auxilia na formulação de um comparativo entre ética e moral, para C
O
que essas palavras-chave possam ajudar na diferenciação de uma e outra. M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
62 TÓPICO 1 UNIDADE 2

QUADRO 6 – COMPARATIVO ENTRE ÉTICA E MORAL


ÉTICA MORAL
Perene Transitório
Universal Pontual
Regra Conduta da regra
Teoria Prática
FONTE: O autor

Vamos entender melhor esse comparativo entre ética e moral?!



A ética tem padrões externos que são fornecidos por instituições, grupos ou culturas a
que um indivíduo pertence. Por exemplo, advogados, policiais e médicos, todos têm que seguir
um código de ética estabelecido pela sua profissão, independentemente de seus próprios
sentimentos ou preferências. A ética também pode ser considerada um sistema social ou um
quadro de comportamento aceitável por todos os integrantes de uma sociedade constituída.

E a moral? Os princípios morais também são influenciados pela cultura de uma
sociedade, mas são princípios pessoais criados e sustentados pelos próprios indivíduos.

Via de regra, a ética tem muita consistência dentro de um determinado contexto, mas
pode variar muito entre os contextos. Vamos dar um exemplo, para entender melhor essa
dinâmica. A ética da profissão médica no século 21 é, geralmente, consistente e não muda de
um hospital para outro, mas essa ética da profissão médica é diferente da ética da profissão
jurídica desse nosso século.

Já o código moral de um indivíduo, geralmente, é imutável e consistente em todos


os contextos, mas também é possível que em certos eventos possa mudar radicalmente
suas crenças e seus valores pessoais, ou seja, sempre haverá um conflito entre os próprios
indivíduos, pois vivemos todos em sociedade, todos juntos e essa interação é continuamente
P
S colocada à prova, exigindo sempre o respeito ao outro e às normas já existentes. Veja a figura
I
C que segue como exemplo muitos simples e prático de alguns comportamentos adequados
O
L para quem vive em sociedade.
O
G
I
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D
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UNIDADE 2 TÓPICO 1 63

FIGURA 32 - CONVIVÊNCIA E INTERAÇÃO

FONTE: Disponível em: <https://rolhasuave.files.wordpress.com/2013/08/regras.jpg>.


Acesso em: 30 jul. 2016.

Depois dessa reflexão de como coisas simples podem melhorar nossa convivência
social, vamos voltar ao nosso comparativo entre ética e moral.

Pode haver conflito entre ética e moral? Com certeza, e podemos verificar essa realidade
com muita frequência. Vejamos.
P
S
Um exemplo de ética profissional conflitante com a moral é o trabalho de um advogado I
C
de defesa. A moral de um advogado pode dizer a ele que o assassinato é condenável e que os O
L
assassinos devem ser punidos, mas sua ética como advogado profissional exige que defenda O
G
o seu cliente com o melhor de suas habilidades, mesmo ele sabendo que o cliente é culpado. I
A

Outro exemplo pode ser encontrado no campo da medicina. Em várias partes do mundo, D
A
um médico não pode sacrificar seu paciente, mesmo a pedido dele, de acordo com padrões C
éticos para profissionais de saúde. No entanto, o mesmo médico pode, pessoalmente, acreditar O
M
no direito do paciente de morrer e contribuir para esse desejo. U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
64 TÓPICO 1 UNIDADE 2

Grande parte da confusão entre essas duas palavras pode ser rastreada até suas
origens. Por exemplo, a palavra "ética" vem do francês antigo “etique”‘, do latim “ethica” e do
grego “ethos” e se refere aos costumes ou filosofias morais.

Já a palavra moral vem de “moralis” do latim, que se refere ao comportamento e as boas


maneiras apropriadas à convivência em sociedade. Assim, as duas palavras têm significados
muito semelhantes, se não sinônimas, originalmente.

A moralidade e a ética do indivíduo foram estudadas com a formatação da filosofia há


bem mais de mil anos. A ideia de ética, como princípios que sejam estabelecidos e aplicados
a um grupo (não necessariamente focada no indivíduo), é relativamente nova, embora,
datando por volta de 1600. A distinção entre ética e moral é particularmente importante para
os especialistas em ética filosófica.

Sócrates foi considerado um marco da filosofia, de modo que todos os filósofos


que antecederam a época dos filósofos citados são conhecidos por pré-socráticos. Os pré-
socráticos também eram conhecidos como naturalistas, ou filósofos da natureza. Esses filósofos
preocupavam-se mais em entender as coisas, em dar explicação para a natureza e para o mundo.

FIGURA 33 - CERTEZAS DA FILOSOFIA

P FONTE: Disponível em: <http://www.umsabadoqualquer.com/category/socrates/>. Acesso em: 17


S
I jul. 2016.
C
O
L
O Vamos lá na Grécia antiga, onde o termo grego para a ética é Ethos e significa algo
G
I como personagem. Quando Aristóteles analisa a boa vida em “Ética a Nicômaco” e a “Ética a
A
Eudemo”, centra-se no tema de bons e maus traços de caráter que são entendidos como as
D
A virtudes e vícios. De traços de caráter nesses tempos atuais nós temos vários exemplos, não
C é mesmo?
O
M
U
N No sentido original, ética significa uma análise sobre os traços de caráter ou da
I
C personalidade. Avançando cronologicamente e mudando de espaço geográfico, vemos no
A
Ç
pensamento romano antigo, que foi essencialmente influenciado por Cícero, o ethikos, termo
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 65

grego (adjetivo de ethos), foi traduzido por moralis, termo latino (adjetivo de mores), enquanto
que os costumes na linha latina, na verdade, significam hábitos e costumes. É possível traduzir
ethos, do grego, como hábitos e costumes, mas é mais provável que a tradução de ethikos
por moralis foi um erro de tradução. O termo moralis refere-se ao ethos grego cujo significado
principal é hábito e costumes.

Se o termo moral se refere aos costumes, então o termo moral significa a totalidade
de todos os hábitos e costumes de uma dada comunidade. O termo moralis tornou-se um
termo técnico na filosofia latina, que abrange o presente significado do termo. Nos tempos
modernos, os hábitos e costumes de uma dada comunidade são denominados “convenções”
e são colocados como parâmetros para a vida em sociedade.

Moralidade, no entanto, não é simplesmente uma questão de mera convenção, mas esta
convenção, muito em voga na atualidade, entra em conflito com a moral. Depois que passamos
pela Grécia antiga, pelo pensamento romano antigo, chegamos aos dias atuais, onde existem,
pelo menos, cinco possibilidades diferentes para distinguir ética e moral:

• Ética e moral como esferas distintas: a ética tem a ver com a busca da própria felicidade
ou bem-estar e estilo de vida privada, isto é, como devemos viver para levarmos uma boa
vida para nós mesmos. A moralidade tem a ver com os interesses de outras pessoas e as
restrições deontológicas apresentadas por Habermas.
• A equação da ética e da moral defendidas por Peter Singer.
• Moralidade como um campo especial na esfera ética: Ética é o termo genérico para questões
éticas e morais, no sentido apresentado por Peter Singer.
• A moralidade como parte especial de ética desenvolvida por Bernard Williams
• Moralidade como o objeto da ética: Ética é a teoria filosófica da moralidade que é a análise
sistemática de normas e valores (de leitura padrão) morais.

É importante sempre questionarmos como os termos ética e moral são usados


socialmente e como usá-los para si mesmo. P
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66 TÓPICO 1 UNIDADE 2

QUADRO 7 - PARALELO ENTRE ÉTICA E MORAL

ÉTICA MORAL
• É o modo de viver e agir de cada povo, em
cada cultura.
• É a ciência que estuda a moral. • É o conjunto de normas, prescrições e valores
• É a reflexão sistemática sobre o comportamento reguladores da ação cotidiana.
moral. • Varia no tempo e no espaço.
• É a parte da filosofia que trata da reflexão dos • São os valores concernentes ao bem e ao
princípios universais da humanidade. mal, permitindo ou proibindo.
• São os valores humanos universais e fundamentais. • Conjunto de normas e regras reguladoras da
• É a teoria do comportamento moral. relação entre os homens de uma determinada
• É a compreensão subjetiva do ato moral. comunidade.
• Nasce da necessidade de ajudar cada
membro nos interesses coletivos do grupo.
FONTE: Tomelin e Tomelin (2002, p. 89-90)

O avanço na compreensão e vivência dos direitos humanos confirma que as diferenças


são essenciais para uma sociedade que prima pela justiça, pela equidade. Cabe ao ser humano,
constantemente, decidir pela verdade que se impõe no cotidiano da sua existência. Vivemos
continuamente tomando decisões que se apresentam justamente porque não vivemos sozinhos.
A ética e a moral estão aí para nos auxiliar nessas decisões.

Vázquez (2003, p. 15), no princípio de seu livro “Ética”, propõe diversas questões práticas
para a decisão do ser humano, tais como: “Devemos sempre dizer a verdade ou há ocasiões
em que devo mentir? Com respeito aos crimes cometidos na Segunda Guerra Mundial, os
soldados que os executaram, cumprindo ordens militares, podem ser moralmente condenados?”.

O que o autor quer alertar é que todos esses problemas são práticos e reais e se
apresentam nas relações afetivas dos seres humanos. As decisões práticas humanas podem
afetar um pequeno grupo ou um grande grupo.
P
S
I Em várias das situações que se apresentam ao ser humano, o que está em jogo são os
C
O problemas morais que ele deve decidir. Os valores e as normas que são reconhecidos numa
L
O sociedade como os mais corretos são os juízos que se formulam diante das ações humanas.
G
I
A À diferença dos problemas prático-morais, os éticos são caracterizados pela
sua generalidade. Se na vida real um indivíduo concreto enfrenta uma deter-
D
A minada situação, deverá resolver por si mesmo, com a ajuda de uma norma
que reconhece e aceita internamente, o problema de como agir de maneira
C que a sua ação possa ser boa, isto é, moralmente valiosa. Será inútil recorrer
O
M à ética com a esperança de encontrar nela uma norma de ação para cada
U situação concreta (VÁZQUEZ, 2003, p. 17).
N
I
C
A Daí surgem então os problemas morais e éticos, a respeito da legalidade também, porque
Ç
à o ideal é que nossas ações sejam éticas, morais e legais. É possível agirmos de forma moral,
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 67

mas ilegal? Por exemplo, se estamos num grande centro, às 4 horas da manhã, dirigindo um
carro, o sinal fica vermelho, você respeita e para, ou, de forma consciente, verificando se é
possível avançar, você avança o sinal. Você se vê no dilema interessante: ou respeita a lei e
para, ou se previne de um suposto assalto e avança o sinal.

Mesmo que você considere a atitude avançar o sinal moral, porque é melhor pagar uma
multa do que ser assaltado, ainda assim ela não é legal. O ideal é que seja legal, ético e moral.

O exemplo dado é de referência a uma decisão pessoal e que pode gerar consequências,
uma multa de trânsito, portanto essa ação é bem particular e de consequência particular.

Assim, podemos expor que a moral vem se constituindo historicamente, mudando


no decorrer da própria evolução do homem em sociedade, em que hábitos e costumes são
constituídos por esta relação social, em que a essência humana é pautada por estes princípios
morais. E estes, por sua vez, constituem o ser social que somos. E a ética nesta questão chega
para simplesmente regular e analisar estes preceitos morais.

A ética é precursora da transformação social dos diversos sistemas ou estruturas sociais.


Sistemas estes que imprimiam suas mudanças sociais, tais como:

• Capitalismo.
• Socialismo.

Podemos dizer que quando é constituída uma nova estrutura social, a ética, os vilões
e princípios morais são modificados para constituir assim esta nova concepção de sociedade.
Em outros termos, o sistema de valores morais se transforma no processo de constituição de
um novo padrão sócio-histórico. Os diversos processos e projetos de transformações sociais
devem permear os valores da solidariedade, igualdade e fraternidade, para assim poder constitui
uma sociedade mais justa e democrática.
P
S
Quando nos remetemos a apontar a crise da ética na contemporaneidade, nos desafiamos I
C
a apresentar os fundamentos epistemológicos nos quais se fundamenta esta perspectiva de O
L
análise. Afinal, o caminho seguro seria atribuir as mais diversas situações a uma genérica e O
G
obscura crise da ética, desresponsabilizando-nos de defini-la e situá-la adequadamente no I
A
contexto civilizatório ocidental.
D
A

Uma das possibilidades de nos apercebermos que estamos envoltos numa crise é C
O
quando temos dificuldade de definir adequadamente situações existenciais. Quando nossas M
U
referências a partir das quais nos posicionamos diante do mundo, da vida, das pessoas em N
I
nosso entorno não nos fornecem mais explicações adequadas, ou minimamente satisfatórias. C
A
Ç
Ã
Esta dificuldade de reconhecer e estabelecer referenciais atinge todas as dimensões O
68 TÓPICO 1 UNIDADE 2

de nossa vida, perpassando necessariamente o discurso (o logos), as palavras, os conceitos


através dos quais expressamos em ideias o mundo construído por nossas representações.

Nesta perspectiva, nos damos conta da crise da ética quando constatamos que o conceito
de ética que as pessoas fazem uso cotidianamente é caracterizado pela ambiguidade, pela
confusão conceitual em relação à moral. Tornou-se lugar comum as pessoas se referirem à
ética como sinônimo de moral, ou achar que moral é a mesma coisa que ética, ou seja, duas
palavras que podem ser utilizadas para “avaliar e julgar” comportamentos, formas de agir e
ser das pessoas. Neste caudal indiscernível, a ética pode ser utilizada para tudo, mesmo que
se tenha o sentimento de que não resolve nada, ou muito pouco pode fazer.

Esta dificuldade de definir a ética pode ser explicada primariamente (outras variáveis
explicativas são possíveis) através da própria etimologia das palavras. A origem da palavra
ética vem do grego “ethos”, que quer dizer o modo de ser, caráter, ou abrigo, a morada de
animais. Abrigo, morada, tem relação com a proteção da vida. Portanto, a ética relaciona-se
com as manifestações da vida humana, da forma como os seres humanos se relacionam com
o mundo, com a natureza e consigo mesmos na manutenção da vida. Por sua vez, os romanos
traduziram o “ethos” grego, para o latim “mos” (ou no plural “mores”), que quer dizer costume,
de onde vem a palavra moral. Assim, há uma nítida distinção entre os dois conceitos. A moral
é definida como o conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que advêm de
uma tradição, de uma determinada cultura e que norteiam o comportamento do indivíduo no
seu grupo social.

A moral caracteriza-se por especificidades culturais e apresenta-se de forma normativa,


ou seja, estabelece normas de conduta que orientam as ações cotidianas. Desta forma, a moral
tem incidência direta no âmbito da vida privada, ou seja, é norteadora dos comportamentos
individuais, da forma como as pessoas agem cotidianamente diante das mais variadas situações.

A ética tem incidência no âmbito da vida pública, como reflexão em torno das questões
P morais que envolvem a vida em sociedade. A ética assume uma dimensão ontológica
S
I imprescindível na medida em que somos convidados a pensar a nossa forma de ser e estar
C
O no mundo, a qualidade de nossas relações conosco e com os outros seres humanos. Pela
L
O sua dimensão ontológica, a ética diz respeito à esfera política do ser humano, na medida em
G
I que nos remete a pensar o bem comum, o bem viver, a vida em sociedade como condição da
A
felicidade individual e social.
D
A

C Com relação aos problemas éticos e morais do comportamento humano, observamos


O
M que a ética não é facilmente explicável ao sermos indagados, mas todos nós sabemos o que
U
N é, pois está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, ou seja,
I
C ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com os outros integrantes
A
Ç da sociedade.
Ã
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UNIDADE 2 TÓPICO 1 69

FIGURA 34 - O BEM E O MAL

FONTE: Disponível em: <www.dialogosuniverstarios.com.br>. Acesso


em: 17 jul. 2016.

O que entendemos por valores? Os valores são imutáveis? Como escolher valores?
Vamos aprender e refletir neste ponto sobre os valores que estão no centro de nossas escolhas e
também como esses valores se constituem. Queremos aqui refletir a urgência desse tema que está
presente em nosso cotidiano e é fundamental para nossa convivência social: os valores. Vamos
aprender o que são esses valores, como são constituídos, mantidos ou abandonados, importante
porque com isso saberemos como e por que lemos o mundo da forma que o fazemos e como
os outros nos interpretam. Trata-se, portanto, de buscar os fundamentos de nossa identidade.

FIGURA 35 - IDENTIDADE

P
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D
A

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FONTE: Disponível em: <http://cotidianonaperiferia.files.wordpress.com/2011/08/banner-post- N
lid.jpg>. Acesso em: 17 jul. 2016. I
C
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70 TÓPICO 1 UNIDADE 2

IMPO
RTAN
T E!

A palavra VALOR tem sua raiz no latim, valere, e significa coragem,
bravura, o caráter do homem; daí por extensão significa aquilo
que dá a algo um caráter.
1. A noção filosófica de valor está relacionada por um lado àquilo
que é bom, útil, positivo; e, por outro lado, à prescrição, ou seja,
a algo que deve ser realizado.
2. Do ponto de vista ético, os valores são os fundamentos da
moral, das normas e regras que prescrevem a conduta correta
(JAPIASSU; MARCONDES, 2001, p. 268).

A palavra valor tem significados diferentes para diferentes pessoas, dependendo de suas
opiniões, ou circunstâncias em que se aplica. Vamos a um exemplo: o valor de um automóvel
de luxo terá valores diferentes para pessoas dependendo do seu nível de renda, as percepções
do veículo, e quais os benefícios que ele vai entregar para eles.

Praticamente todas as sociedades desenvolveram tipos de valores para serem aplicados


e vividos pelos indivíduos. Vamos elencar alguns desses valores, sem, porém, deixar a
impressão que esses bastam para evidenciar a dignidade da pessoa.

• Valores humanos: evidenciam a preocupação com o ser humano como um todo, sua relação
com o meio ambiente desempenhando um papel importante na construção de atitudes
positivas como preocupação básica na relação ser humano versus natureza e não mais a
natureza versus homem.
• Valores sociais: palavras fortes quando se entende que ninguém vive sozinho – amor,
compaixão, tolerância, justiça.
• Valores culturais e religiosos: nossos costumes culturais e rituais de muitas maneiras nos
ensinam a desempenhar comportamentos de proteção, de respeito ao outro e à natureza,
P tratado como algo sagrado.
S
I • Valores éticos: o homem não pode se considerar o centro da Terra. Deve-se promover a
C
O cidadania, a sustentabilidade, a preservação de todas as espécies, inclusive a humana.
L
O • Valores globais: o conceito de que a civilização humana é uma parte do planeta como um
G
I todo e da mesma natureza e vários fenômenos naturais sobre a terra estão interligados
A
e inter-relacionados com laços especiais de harmonia. Se perturbar essa harmonia em
D
A qualquer lugar, haverá um desequilíbrio ecológico levando a resultados catastróficos, que
C em diferentes proporções já estão acontecendo.
O
M • Valores espirituais: os princípios de autopreservação, autodisciplina, o contentar-se com
U
N o básico e o necessário, o controle desenfreado dos desejos, a ganância e austeridade
I
C são alguns dos melhores elementos do nosso intricado sistema religioso que precisa ser
A
Ç purificado.
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 71

A partir da compreensão dos tipos de valores, faz-se necessário compreender o


significado de valor, pois, ao refletir sobre ética, também falamos sobre os nossos valores
e virtudes e, consequentemente, sobre o comportamento dos homens. Portanto, conclui-se
que a ética é formada pelo estudo e investigação do comportamento e dos juízos de valor,
estabelecendo ponderações de valor para o que está de acordo ou não com as normas e regras
de convivência dos homens em sociedade, pontuando o que é certo e errado em cada postura
social, observando sempre as normas de convivência social de cada sociedade ou povo.

Diariamente analisamos e fazemos julgamentos de valores tanto de coisas como dos


seres humanos. Por exemplo: “Aquela flor tem muitos espinhos, posso me machucar”; “Este
sabonete é ruim para mim, pois me causa alergia”; “Este chocolate é ruim, pois derrete fácil”;
“Gosto muito daquele chocolate, porque é muito saboroso”; “Acho que a Samanta agiu bem
ao ajudar você no trabalho de aula”; “Aquele profissional é competente”. Essas afirmações se
referem ao juízo de valor da realidade em que estamos inseridos, pois quando partimos do fato
de que a flor, o sabonete, o chocolate, a moça e o profissional existem realmente, atribuímos
algumas qualidades a eles, que podem nos atrair ou repelir.

Empregamos diversos tipos de valores, tais como: utilidade, estético, afetividade, do


bem e mal, religiosos, aspectos econômicos, sociais e políticos.

Os valores são, num primeiro momento, herdados por nós. Ao nascermos,


o mundo cultural é um sistema de significados já estabelecidos, de tal modo
que aprendemos desde cedo como nos comportar à mesa, na rua, diante de
estranhos, como, quando e quanto falar em determinadas circunstâncias; como
andar, correr, brincar; como cobrir o corpo e quando desnudá-lo; qual o padrão
de beleza; que direitos e deveres temos. Conforme atendemos ou transgre-
dimos os padrões, os comportamentos são avaliados como bons ou maus.
A partir da valoração, as pessoas podem achar bonito ou feio o desenho que
acabamos de fazer, ou criticar-nos por não termos cedido lugar à pessoa
mais velha no metrô; ou acham bom o preço que pagamos pela bicicleta; ou
nos elogiam por termos mantido a palavra dada; ou nos criticam por termos
faltado com a verdade.
Nós próprios nos alegramos ou nos arrependemos de nossas ações ou até
sentimos remorsos dependendo do que praticamos. Isso quer dizer que o P
resultado de nossos atos está sujeito à sanção, ou seja, ao elogio ou à repri- S
menda, à recompensa ou à punição, nas mais diversas intensidades: a crítica I
C
de um amigo, “aquele” olhar da mãe, a indignação ou até a coerção física (isto O
é, a repressão pelo uso da força, por exemplo, quando alguém é preso por L
assassinato) (ARANHA; MARTINS, 2003, p. 300-301). O
G
I
A
Alguns exemplos dos valores e virtudes humanas:
D
A

QUADRO 8 - VALORES E VIRTUDES C


O
AMIZADE JUSTIÇA OBEDIÊNCIA RESPEITO SIMPLICIDADE M
U
LEALDADE COMPREENSÃO SINCERIDADE PUDOR GENEROSIDADE N
I
C
PACIÊNCIA ORDEM HUMILDADE AUTOESTIMA LIBERDADE A
FONTE: O autor Ç
Ã
O
72 TÓPICO 1 UNIDADE 2

O cristianismo, com forte presença no ocidente, também contribuiu para reforçar seus
valores para a sociedade através de virtudes:

QUADRO 9 - VIRTURES CRISTÃS

VIRTUDES TEOLOGAIS PECADOS CAPITAIS VIRTUDES MORAIS

CORAGEM GULA SOBRIEDADE


JUSTIÇA AVAREZA PRODIGALIDADE
TEMPERANÇA PREGUIÇA TRABALHO
PRUDÊNCIA LUXÚRIA CASTIDADE
FÉ CÓLERA MANSIDÃO
ESPERANÇA INVEJA GENEROSIDADE
CARIDADE ORGULHO MODÉSTIA
FONTE: Chauí (2002, p. 349)

Depois de tantas interpretações que vimos no decorrer deste tópico sobre eticidade,
moral, efemeridade, vamos tratar de um tema não menos importante, mas com suas
peculiaridades e que por isso merece ser destacado, porque é através dele que o ser humano
pode dispor de seu objetivo pessoal em prol do objetivo coletivo.

FIGURA 36 - SOLIDARIEDADE

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
FONTE: Disponível em: <http://www.perguntascretinas.com.br/wp-content/uploads/2008/01/
A mafalda.jpg>. Acesso em: 15 jan. 2012.
C
O
M De acordo com Srour (2011, p. 45), existem dois tipos de interesses pessoais: egoísta,
U
N “quando beneficia exclusivamente o indivíduo à custa dos outros e, portanto, assume feições
I
C abusivas e particularistas”; e autointeresse, “quando beneficia o indivíduo sem prejudicar outrem,
A
Ç e, portanto, assume feições consensuais e universalistas, pois salvaguarda a individualidade
Ã
O e interessa a todos”. Tal como pode ser observado no esquema que segue:
UNIDADE 2 TÓPICO 1 73

FIGURA 37 - O AUTOINTERESSE E O EGOÍSMO

A satisfação de interesses
pessoais gera bem restrito

Indivíduo age de forma


Indivíduo age de forma
benigna e não prejudica
nociva e prejudica outros
outros
PRÁTICA CONSENSUAL

PRÁTICA ABUSIVA
Autointeresse Egoísmo
(Individualidade) (Exclusividade)

FONTE: Srour (2011, p. 45)

Nesse pensamento, Srour (2011) aborda a questão do altruísmo, que de acordo com
o senso comum o tem colocado no sentido de abnegação, filantropia, amor ao próximo, entre
outros. De acordo com o dicionário Michaelis (2016), altruísmo é um sentimento de quem põe
o interesse alheio acima do seu próprio. É exatamente sobre esse aspecto que o autor quer
considerar, longe do senso comum, de que altruísmo é sacrificar-se, valorizar o outro, valorizar
os interesses dos outros.

Srour (2011), quando classifica os estágios de altruísmo, demonstra que o interesse


é continuar a tese de que a solidariedade está ao lado do altruísmo e, portanto, é prática da
esfera do universalismo, enquanto que pensar somente em seus interesses é uma prática do
universo do particularismo. P
S
I
C
O interessante nas questões sobre altruísmo é que não é uma atitude apenas de O
L
instituições de caridade ou similares, pode ser uma ação prática do dia a dia. É um sentimento O
G
a ser interiorizado e praticado, como se observa: I
A

Agir de forma altruísta, por conseguinte, não exige necessariamente uma ati- D
tude de franco desprendimento, pois basta adotar uma postura cooperativa e A
solidária, ou basta exercitar o senso de interdependência. Equivale a levar em C
conta os interesses dos outros para não os prejudicar; procurar beneficiá-los na O
medida do possível; cuidar de si e dos demais para induzi-los à reciprocidade M
U
(SROUR, 2011, p. 29). N
I
C
Todo homem pode ser considerado um ser ético e que nossas raízes éticas advêm da A
Ç
nossa própria história por meio do trabalho. Podemos questionar a sua forma de ser, ou seja, Ã
O
74 TÓPICO 1 UNIDADE 2

qual a natureza da moral? Por que a moral é necessária? E como ela é? Pois sabemos que
“a (re)produção da vida social coloca necessidades de interação entre os homens, modos de
ser constitutivos da cultura, produtos do trabalho, tais como a linguagem, os costumes, os
hábitos, as atividades simbólicas, religiosas, artísticas e políticas” (BARROCO, 2000, p. 25).

A partir disso, podemos destacar alguns exemplos:

• Na questão da linguagem, hábitos e costumes: pode-se observar que toda região do Brasil
forma grupos ligados por seus costumes sociais, tais como: o nosso tipo de comida, o estilo
de vida, as atitudes, determinando o nosso convívio social.
• Na questão das atividades simbólicas: a aplicação de histórias de conto de fadas serve para
o desenvolvimento emocional de crianças.
• Na questão artística: a dança, a pintura, o teatro possibilitam a liberação da imaginação
e criatividade dos homens, além de serem utilizados no tratamento de algumas questões
de recuperação social e moral, como no tratamento de dependentes químicos e terapias
ocupacionais.

Também devemos compreender que o homem, quando desenvolve e cria seus valores
sociais e individuais, os classifica em certos ou errados, bons ou maus, de acordo com o
conjunto de necessidades e possibilidades de cada grupo social.

Ninguém vive sozinho e, dessa forma, o sentido de interdependência já se adquire desde


o nascimento. Somos afetados todo tempo por relações humanas, seja no nosso condomínio,
na universidade, igreja, ou em quaisquer dos lugares que frequentamos ou que intercedemos.
Então, relações humanas é toda e qualquer interação humana.

Esta consciência das questões éticas específicas em psicologia vai ampliar a nossa
visão do significado do comportamento ético em que se aplica a todo o esforço que fazemos
quando vivemos em grupo, em sociedade. Se você entrar na política, na educação, nos
P negócios, comércio, direito, medicina, ou qualquer outra vocação/profissão, você terá que
S
I tomar o tempo e esforço para examinar o que está fazendo em termos de suas implicações
C
O éticas e ter a coragem de confrontar, de questionar, de contrapor o comportamento antiético.
L
O
G
I
A LEITURA COMPLEMENTAR
D
A O PAPEL DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
C
O
M A comunicação é a arte de estar em contato com outras pessoas, seja para passar-
U
N lhes informações ou para recebê-las. O homem, como animal social, necessita estar sempre
I
C em contato com os outros da sua espécie. Isso porque ele, o homem, desenvolve as suas
A
Ç habilidades a partir da observação dos demais.
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 75

Uma comunicação bem-sucedida, de qualidade, depende, pois, de uma relação de


entendimento, conhecimento e respeito entre as partes. Se faltar um dos itens deste tripé, o
processo comunicativo não só pode, como deve ficar seriamente comprometido.

É necessário, portanto, que se conheça o outro. Para se ter uma ideia da importância
em se conhecer a outra extremidade desta relação, se, por um acaso você tiver a infeliz ideia
de presentear a um chinês com um relógio, de acordo com a cultura da China, seria como dizer-
lhe que seus dias estavam contados, ou seja, pode soar ou como uma ameaça ou uma ofensa.

Deve haver empatia entre as partes, mas não aquele manjado “se eu fosse você”. Para
se colocar no lugar do outro é preciso observar que existe toda uma bagagem emocional trazida
por esta pessoa. Cada um tem valores diferentes, e estes valores são moldados e forjados
com o passar dos anos, a partir do resultado da soma da educação recebida, das experiências
vividas e do ambiente onde se passou, sobretudo, a infância, que é a época de formação da
personalidade.

Portanto, para poder se colocar no lugar do outro, deve-se fazê-lo observando e


respeitando as diferenças, sejam elas sociais, culturais, religiosas ou políticas. E para que se
empreenda este conceito com sucesso, a psicologia é de enorme importância. É com base
nela que isto é possível. Não custa nada, faz bem e evita dor de cabeça.

FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/o-papel-da-psicologia-na-


comunicacao/40478/>. Acesso em: 17 jul. 2016.

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76 TÓPICO 1 UNIDADE 2

RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, vimos que:

• Na administração pública, os atos administrativos devem estar voltados ao universal, porque


as suas ações sempre devem preservar o interesse coletivo.

• No meio da administração pública não cabem atos administrativos voltados ao interesse


particular.

• O campo da moral é vasto, pois a moral é o alicerce para que a sociedade possa estipular
as suas regras de convivência.

• A moral caracteriza-se por especificidades culturais e apresenta-se de forma normativa, ou


seja, estabelece normas de conduta que orientam as ações cotidianas.

• A moral tem incidência direta no âmbito da vida privada, ou seja, é norteadora dos
comportamentos individuais, da forma como as pessoas agem cotidianamente diante das
mais variadas situações.

• A ética é definida como a teoria, o conhecimento, ou a capacidade racional de discernimento


em relação aos comportamentos morais, busca explicar, compreender, justificar e criticar a
moral, ou as morais de uma sociedade.

• A solidariedade está ao lado do altruísmo e, portanto, é prática da esfera do universalismo,


P enquanto que pensar somente em seus interesses é uma prática do universo do particularismo.
S
I
C
O • O valor é a relação que se estabelece entre o sujeito que valora e o objeto valorado.
L
O
G
I • Não existe um objeto com determinado valor.
A

D
A • Os objetos têm o valor que o sujeito lhe atribui, ou seja, não há valor em si, mas o valor para
C alguém.
O
M
U
N • Os valores que residem no centro de nossas vidas e de nosso cotidiano são muitas vezes
I
C
herdados de uma cultura ou de um costume.
A
Ç
Ã
O
• Os costumes (como é o caso da mulher ocidental) não são substituídos de uma hora para outra.
UNIDADE 2 TÓPICO 1 77

• Existe um processo de crise onde a sociedade promove alguns movimentos, em princípio


de forma isolada e, depois, vai se expandindo e tomando corpo e lugares.

• O século passado foi palco de grandes crises e mudanças em muitos segmentos sociais:
família, arte, política e educação.

• Devemos compreender que o homem, quando desenvolve e cria seus valores sociais e
individuais, os classifica em certos ou errados, bons ou maus, de acordo com o conjunto de
necessidades e possibilidades de cada grupo social.

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N
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78 TÓPICO 1 UNIDADE 2


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE – 2015) A emoção é um tema muito estudado pelos neurocientistas. A


experiência emocional não é um fenômeno único, varia de indivíduo para indivíduo,
sendo o resultado de diferentes eventos. De forma simplista, a emoção se expressa
por um ato motor, em decorrência de sensações provocadas por estímulos sensoriais
do meio onde está inserida a pessoa.
BRANDÃO, L. M. As bases biológicas do comportamento: introdução à
Neurociência. São Paulo: E.P.U., 2009 (Adaptado).

Considerando a neurociência das emoções, avalie as afirmações a seguir:

I - A emoção pode abarcar um conjunto de pensamentos e planos sobre um evento que


aconteceu, está acontecendo ou que vai acontecer e uma das formas de se manifestar
é por expressões faciais específicas.
II - As emoções podem desencadear mudanças endócrinas e autônomas significativas,
como, por exemplo, sudorese, aumento dos batimentos cardíacos e da respiração,
rubor facial, incontinência urinária e intestinal e espasmos.
III - A emoção tem base ambiental, uma das razões pelas quais não se cogita a existência
de componentes genéricos na manifestação de expressões faciais.

É correto o que se afirma em:


a) ( ) I, apenas.
b) ( ) III, apenas.
P c) ( ) I e II, apenas.
S
I d) ( ) II e III, apenas.
C
O e) ( ) I, II e III.
L
O
G
I
2 (ENADE – 2015) Na psicologia, há algum tempo deixou-se de atuar exclusivamente
A
por meio das intervenções individuais, dando-se espaço para intervenções grupais.
D
A
Há várias possibilidades de práticas grupais e de formas de intervenção em cada uma

C
delas, mesmo que em diferentes referenciais teóricos. Conhecer as intervenções e as
O
M
possibilidades de práticas psicológicas relacionadas a grupos em contextos diversos
U é importante para que o psicólogo possa organizar intervenções efetivas e eficazes.
N
I OSÓRIO, L. C. Psicologia Grupal: uma nova disciplina para o advento de uma era.
C
A Porto Alegre: Artmed, 2003 (Adaptado).
Ç
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 1 79

A respeito desse tema, avalie as afirmações a seguir:

I - No contexto da saúde, as intervenções em grupo com foco na psicoeducação têm


maior eficácia do que as práticas individualizadas.
II - No contexto educacional, privilegiam-se as práticas individuais com os alunos, já
que se lida com o processo de aprendizagem.
III - No contexto organizacional, empregam-se práticas grupais para desenvolver
competência e melhorar a qualidade do desempenho.
IV - No contexto comunitário, para a eficácia das práticas grupais, deve-se considerar
as redes de relações nela existentes.

É correto apenas o que se afirma em:


a) ( ) I.
b) ( ) II.
c) ( ) I e IV.
d) ( ) II e III.
e) ( ) III e IV.

P
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I
C
O
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80 TÓPICO 1 UNIDADE 2

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UNIDADE 2

TÓPICO 2

O PAPEL DO PSICÓLOGO SOCIAL E


OS RECURSOS DE COMUNICAÇÃO:
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

1 INTRODUÇÃO

A psicologia está sempre em busca do melhor para o indivíduo e para a sociedade. A


psicologia social, assim como os profissionais dessa área, pode criar ambientes que são réplicas
de ambientes do mundo real. Indivíduos e grupos de indivíduos podem ser colocados nestes
ambientes, e os psicólogos sociais podem, em seguida, observar seus comportamentos e ações.

Uma vez que a presença de psicólogos sociais e equipamentos médicos podem


influenciar o modo como uma pessoa se comporta, muitos psicólogos sociais preferem fazer
suas pesquisas na prática. Isso geralmente envolve a observação das pessoas “reais” em
ambientes e situações reais.

O trabalho que os psicólogos conduzem pode ser aplicado para resolver uma série de
problemas do mundo real, a partir de pequenos problemas para os principais problemas. Por
exemplo, os psicólogos sociais podem ser capazes de ajudar os anunciantes e comerciantes
a descobrir como usar a influência do grupo para ajudar a obter mais pessoas a comprar
determinadas marcas. A psicologia social também pode, a partir de seus estudos, ser aplicada P
S
para ajudar a colocar um fim ou diminuir a propagação de certos problemas sociais. Onde se I
C
pode chegar com tudo isso? Já temos experiências nesse campo quando vemos profissionais O
L
que trabalham criando programas comunitários e campanhas de sensibilização. Alguns O
G
psicólogos sociais também podem fornecer aconselhamento para pessoas afetadas por I
A
problemas sociais, ou seja, não há uma sociedade sadia sem indivíduos sadios.
D
A

C
O
M
2 ENTENDENDO A PSICOLOGIA SOCIAL E O PSICÓLOGO U
SOCIAL N
I
C
A
A psicologia social se utiliza de métodos científicos para compreender e explicar como Ç
Ã
sentimentos, comportamentos e pensamentos das pessoas são influenciados pela realidade, O
82 TÓPICO 2 UNIDADE 2

pela imaginação e pela presença implícita ou não de outras pessoas.

A psicologia social, tradicionalmente, tem sido definida como o estudo das maneiras
como as pessoas afetam e são afetadas pelos outros através da comunicação. Já a comunicação
é um conceito complexo e multidisciplinar, pois até mesmo as disciplinas que usam o termo
não entram em consenso sobre a definição exata. Justamente essa indefinição teórica traz a
desigualdade saudável em diferentes campos, como: biologia celular, ciência da computação,
etologia, linguística, engenharia elétrica, sociologia, antropologia, genética, filosofia, semiótica
e teoria literária. Embora haja um núcleo de significado comum para a forma como o termo é
usado nestas disciplinas, as particularidades diferem enormemente.

O psicólogo social, por sua vez, vai olhar para o comportamento do grupo, vai prestar
atenção na percepção social, seja ela verbal ou não verbal, vai atentar para os diferentes
comportamentos de conformidade, agressão, preconceito, liderança e tantos outros. Essa
percepção social e a interação social são vistos como chave para a compreensão do
comportamento social. De forma simplificada, a psicologia social estuda o impacto das
influências sociais sobre o comportamento humano.

3 COMUNICAÇÃO, CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO

Informação, conhecimento e sociedade são conceitos muito usados por todos nós a
todo momento, em todos os lugares, de todas as formas, em todos os momentos. Conceitos
indispensáveis num mundo globalizado.

Uma sociedade não se forma sem a contribuição do conhecimento e da informação. Por


isso nos perguntamos: o que é mais importante: a informação ou o conhecimento? Cada um
tem a sua devida importância e cada um tem sua contribuição para o enriquecimento do outro.
P
S
I
C Quando estudamos o conceito sociedade nos pontos anteriores percebemos que hoje
O
L é fato: nunca o cidadão teve tanto acesso à informação e a possibilidades de conhecimento.
O
G Isso não indica que tudo o que chega de informação é aproveitável e também nem todos têm
I
A condições de filtrar aquilo que realmente importa.
D
A
O acesso à informação acontece porque existem facilidades trazidas pela internet, visto
C
O que as informações impressas, jornal, revista, por exemplo, têm custo, enquanto que o que se
M
U encontra de informação na internet nem sempre vai ser cobrado para quem aí buscar informação.
N
I
C
A Os meios de comunicação no Brasil, por exemplo, têm que reservar na sua grade de
Ç
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 2 83

programação um tempo de informação jornalística, para que possam manter seus contratos
de concessão. Porém, não há um controle sobre o tipo de informação, apenas se houver o
cumprimento do tempo que deve ser destinado a isso. O cidadão recebe muitas informações
e acredita que essa quantidade de informações que ele adquire o torna qualificado para emitir
diferentes tipos de juízo. Sabemos que isso não é garantia de qualidade do conhecimento que
possa ter adquirido com tamanha informação. É preciso que a informação seja processada,
debatida, comparada, confrontada e não só ouvida, assistida, vista.

FIGURA 38 - INFORMAÇÃO DESCARTÁVEL

FONTE: Disponível em: <http://www.pybony.xpg.com.br/wp-content/uploads/2011/06/


tv-brasileira.jpg>. Acesso em: 29 jul. 2016.

A globalização não pode ser vista somente do ponto de vista econômico e como uma
realidade atual, contemporânea, privilégio nosso. Podemos trazer algumas características da
globalização que fazem essa identificação com a economia, mas que também se identificam
com a ideologia política, com a língua e com os modos de comunicação. Vejamos, então, a
primeira característica da globalização:
P
Relações econômicas: as relações econômicas do mundo globalizado são S
I
moldadas pelas exigências das empresas, corporações ou conglomerados C
multinacionais e planetários, o Estado é compelido a reduzir sua presença di- O
reta na economia nacional, privatizar as empresas sob seu controle, promover L
O
a redução de seus gastos, principalmente na área social, mantendo, porém, G
o papel de guardião dos interesses transnacionais (SOARES, 1986, p. 10). I
A

D
Na crise econômica que o mundo enfrentou em 2008, já com previsões de que dure A

até 2020, essa ideia de um estado com pouca presença na economia parece contraditória, C
O
quando vemos o governo norte-americano criando subsídios e auxiliando com enormes somas M
U
de dinheiro várias empresas em dificuldades nos seus balancetes. N
I
C
A
Ç
Ã
O
84 TÓPICO 2 UNIDADE 2

S!
DICA

Neste link <http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/03/31/


ult4294u1176.jhtm> você poderá encontrar, de forma bem
resumida, informações das causas da crise dos Estados Unidos
de 2008 e que contaminaram a economia de outros países, com
reflexos até os dias de hoje.

FIGURA 39 - O MUNDO EM CRISE

FONTE: Disponível em: <http://www.palavras.blog.br/2009/04/crise-mundial-no-


psicologo.html>. Acesso em: 29 jul. 2016.

Ao analisar a afirmação – o Estado é compelido a reduzir sua presença direta na


economia nacional – temos a comprovação de que isso é relativo, no sentido de que o Estado
P pode ser a única tábua de salvação quando fortes instituições, como, por exemplo, instituições
S
I bancárias e indústrias automobilísticas, passam por dificuldades financeiras e de gerenciamento.
C
O A crise de 2008 nos Estados Unidos, e também, mais recentemente, a crise em países europeus,
L
O com destaque para a Grécia, foram crises que ainda refletem fortemente hoje e não só nos
G
I seus países de origem, mas em todo o mundo.
A

D
A
S!
C DICA
O
M
U
N Neste link <http://economia.estadao.com.br/noticias/
I economia+internacional,entenda-a-crise-na-grecia-e-suas-
C
A
implicacoes,71997,0.htm> você encontra informações sobre a
Ç crise grega, suas variantes e sua influência, principalmente para
à a Europa, mas também seus reflexos para o mundo.
O
UNIDADE 2 TÓPICO 2 85

Não queremos discutir em profundidade as implicações econômicas dessas crises,


mas entender sua influência no processo de globalização, onde todos sentimos seus efeitos
em nossas vidas.

Uma segunda característica que predomina juntamente com a economia, na globalização,


é a língua inglesa: “A língua inglesa garante o intercâmbio entre os agentes financeiros mundiais
e passa a ser utilizada como idioma universal nos campos da cultura e do turismo (oitenta e oito
por cento de toda a literatura científica e técnica é veiculada em inglês” (SOARES, 1986, p. 10).

FIGURA 40 - “SEGUNDA LÍNGUA”

FONTE: Disponível em: <http://sandra1martins.files.wordpress.


com/2011/11/sem-nome2.png>. Acesso em: 29 jul. 2016.

Quando vemos a grande importância da China na economia mundial, também


percebemos a importância crescente da língua, o mandarim. No entanto, o inglês ainda
P
permanece predominante, assim como o latim tinha sua importância no Império Romano. S
I
C
A terceira característica, essa sim determinante neste nosso contexto, são os modos O
L
de comunicação. O
G
I
A
A revolução tecnológica no campo dos recursos e dos meios de comunica-
ção – possibilitada pela telemática e pela tecnologia dos satélites – amplia de D
forma excepcional a capacidade de produção, acumulação e veiculação de A
dados e informações. A capacidade de armazenamento dos bancos de dados C
de todos os comutadores conectados à internet equivale, por exemplo, a mais O
de cinquenta milhões de CD-ROMs. E em um CD-ROM pode-se armazenar M
U
toda uma enciclopédia (SOARES, 1986, p. 10). N
I
C
A
O final do século XIX e início do século XX foi marcado, entre tantos eventos, pela Ç
Ã
evolução da indústria e sua fixação como forte provedora de emprego e contribuinte para O
86 TÓPICO 2 UNIDADE 2

a evolução da sociedade. É neste período também que o termo sociedade da informação


surge com força para solidificar o termo sociedade pós-industrial. A indústria vai evoluindo,
se transformando com os avanços técnicos, com novas formas organizacionais, com o que
chamamos de excelência e qualidade no gerenciamento do que compõe e integra uma indústria:
insumos, força de trabalho, energia. O que vai perpassar essa evolução e contribuir para isso é
a capacidade da informação de trazer os avanços tecnológicos para a indústria, com destaque
para a eletrônica, a informatização, a telecomunicação.

O vertiginoso fluxo de informações a que homem atual está exposto, se, de


um lado lhe permite estar bem informado, do outro dificulta o processamento
dessas informações numa síntese pessoal de pensamento. Também a lingua-
gem está mudando, sobretudo ante às infinitas possibilidades oferecidas pela
tecnologia e multimídia. A imagem, o som, as luzes, os movimentos confinam
a palavra abstrata. O modo de perceber e interpretar a realidade torna-se
mais sensitivo, emotivo e estético do que racional e ético. Em outras palavras,
tende-se mais ao sentir que pensar (SOARES, 1986, p. 5).

Acredita-se piamente que informação hoje é tudo. Estar bem informado é uma
necessidade premente entre um círculo de amigos em torno do tema futebol, de outro,
interessado na novela, de outro reunido para discutir a qualidade musical de nossas rádios.
Enfim, informação tem seu valor e é por isso importante termos claro o que vem a ser informação.

Informação é formada por três palavras: in + formar + ação, poderíamos dizer


que informação é uma ação de interiorizar a formação. Parece que há mais um
caráter passivo por parte do sujeito, neste caso, sequer há relação direta do
sujeito com o objeto, o sujeito tem acesso ao conteúdo, e é formado pelo dado
pronto, de uma relação prévia e universalmente ou oficialmente aceita, e este
recebe este produto pronto, acabado, sem inicialmente nenhuma possibilidade
de autonomia no processo que se levou ao dado informado. Disponível em:
<http://pensarigor.blogspot.com.br/2005/10/conhecimento-e-informao.html>.
Acesso em: jul. 2016.

Através da informação adquirimos conhecimentos que são pertinentes para nosso


dia a dia, assim como as ferramentas que utilizamos para ter informação contribuem para as
P transformações sociais atuais. É a informação na sociedade da informação.
S
I
C
O As transformações em direção à sociedade da informação, em estágio avançado
L
O
nos países industrializados, constituem uma tendência dominante mesmo para economias
G
I
menos industrializadas e definem um novo paradigma, o da tecnologia da informação,
A
que expressa a essência da presente transformação tecnológica em suas relações com a
D
A
economia e a sociedade. Esse novo paradigma tem, segundo Castells (2000), as seguintes
características fundamentais:
C
O
M
U • A informação é sua matéria-prima: as tecnologias se desenvolvem para permitir ao homem
N
I atuar sobre a informação propriamente dita, ao contrário do passado, quando o objetivo
C
A dominante era utilizar informação para agir sobre as tecnologias, criando implementos
Ç
à novos ou adaptando-os a novos usos.
O
UNIDADE 2 TÓPICO 2 87

• Os efeitos das novas tecnologias têm alta penetrabilidade, porque a informação é parte
integrante de toda atividade humana, individual ou coletiva e, portanto, todas essas
atividades tendem a ser afetadas diretamente pela nova tecnologia.
• Predomínio da lógica de redes. Esta lógica, característica de todo tipo de relação complexa,
pode ser, graças às novas tecnologias, materialmente implementada em qualquer tipo de
processo.
• Flexibilidade: a tecnologia favorece processos reversíveis, permite modificação por
reorganização de componentes e tem alta capacidade de reconfiguração.
• Crescente convergência de tecnologias, principalmente a microeletrônica, telecomunicações,
optoeletrônica, computadores, mas também e crescentemente, a biologia. O ponto central
aqui é que trajetórias de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do saber
tornam-se interligadas e transformam as categorias segundo as quais pensamos todos
os processos.

FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a09v29n2.pdf>. Acesso em: 29 jul. 2016.

O recurso que agora estamos utilizando para informar sobre a disciplina que estamos
estudando passa por material impresso, o caderno de estudos. Enquanto durar o estudo dessa
disciplina, temos à nossa disposição outros recursos: o ambiente virtual de aprendizagem, a
internet, o DVD etc. Quando processamos todas essas informações, estamos potencializando o
nosso processo de aprendizagem e por isso envolvemos esses recursos em nossas práticas de
informação utilizando alguns tipos de conhecimento. Platão nos ajuda nesta reflexão, dividindo
o conhecimento em categorias, começando pelo sensorial, visto que sua abrangência vai além
do ser humano, passando pelos animais. Veja que ele parte do geral para o particularizado,
para aqueles conhecimentos que, a princípio, são exclusivos do ser humano:

• Conhecimento intelectual
• Conhecimento popular
• Conhecimento científico
• Conhecimento teológico P
S
I
C
Cada um desses tipos de conhecimento tem suas características e podemos nós O
L
mesmos caracterizá-los a partir de nossa própria vivência. O próprio conceito e etimologia da O
G
palavra nos ajuda a entender o processo de conhecimento. I
A

Conhecimento no grego vem de gnosis, que pode ser traduzido como "saber" D
ou "ciência", mas tem uma variável gnômê que pode ser traduzido como "juí- A
zo", "opinião", "conselho", "parecer", "acordo" etc. Conhecer é apropriar-se do C
cognoscível, absorver parcialmente ou plenamente (sendo aqui idealista) um O
objeto ou o outro, o que está fora ou dentro dos limites de nossa observação. M
U
Conhecer no hebraico é "Yadá", que está ligado à "intimidade", esta palavra, N
às vezes, é usada com conotação sexual, dando a ideia de que conhecer é I
transpor o véu do desconhecido, é entrar no outro, é penetrar a realidade C
A
desconhecida. Porém, quando se diz "conhecimento" trata-se do produto do Ç
ato de conhecer. Conhecer é a relação, conhecimento é o seu produto, porém, Ã
O
88 TÓPICO 2 UNIDADE 2

está implícito no ato de conhecer que não há conhecimento passivo, este está
diretamente ligado ao "ato de conhecer", e não é possível assim "receber co-
nhecimento", o que é possível é conduzir ao conhecimento, mas está sempre
ligada à própria intervenção do sujeito ao objeto. (grifos do original) Disponível
em: <http://pensarigor.blogspot.com.br/2005/10/conhecimento-e-informao.
html>. Acesso em: 29 jul. 2016.

Para podermos apresentar alguns tipos de conhecimentos, precisamos identificar quais


aspectos queremos destacar com essa escolha. Apresentaremos os aspectos desenvolvidos
por Carvalho e Ivanoff (2009), assim desenvolvidos:

Linguagem: a existência de uma linguagem comum é fundamental quando a integração


de conhecimento é realizada por meio de regras e diretivas ou quando é realizada pela
resolução de problemas e tomada de decisões em grupo. Estudantes que falam línguas
diferentes deverão fazer mais esforços para coordenar seus conhecimentos.

Outras formas de comunicação simbólica: a familiaridade, o conhecimento e a destreza


na utilização de programas computacionais específicos são outro exemplo de comunicação
simbólica. Quando alunos e professores conhecem jogos físicos, jogos eletrônicos ou
programas como o Second Life, outras possibilidades de linguagem estão disponíveis para
a comunicação.

Aspectos comuns do conhecimento especializado: esse é um caso de paradoxo,


parece uma contradição, mas tem solução. O benefício da integração de conhecimento está
em articular os diferentes conhecimentos especializados de diferentes pessoas, se duas
pessoas têm a mesma base de conhecimentos, não há vantagem com a integração. No
entanto, se as pessoas têm bases de conhecimentos completamente separadas, a integração
não vai ocorrer além de níveis básicos ou primitivos.

Construção de significados compartilhados: o conhecimento das pessoas pode ser


comunicado pelo estabelecimento de compreensões compartilhadas entre elas. Grant faz
P
S um comentário interessante sobre esse aspecto, dizendo que ensinamentos que a princípio
I
C parecem sem sentido podem ter seu significado descoberto pela convivência entre alunos
O
L e professores, pelo compartilhamento de esquemas de cognição comuns ou pelo uso de
O
G metáforas, analogia e histórias como veículos para moldar, integrar e reconciliar diferentes
I
A compreensões e experiências individuais.
D
A
Reconhecimento de domínios individuais de conhecimento: a compreensão
C
O compartilhada facilita o agir coordenado. A integração efetiva de conhecimentos requer,
M
U entretanto, que cada pessoa esteja consciente do repertório de conhecimento de todas as
N
I outras. Interdependências recíprocas ou de grupos, como as que acontecem em um time de
C
A futebol, requerem coordenação por ajustes mútuos. Chegar a esse ponto sem comunicação
Ç
à explícita requer que cada jogador reconheça as habilidades de outros jogadores. Esse
O
UNIDADE 2 TÓPICO 2 89

reconhecimento mútuo favorece o sucesso da coordenação em situações novas.

FONTE: CARVALHO, Fábio Câmara Araújo de; IVANOFF, Gregório Bittar. Tecnologias que educam:


ensinar e aprender com as tecnologias de informação e comunicação. São Paulo: Pearson,
2009, p. 16.

As transformações da sociedade da informação têm profunda dimensão psicológica: elas


implicam alterações nas funções cognitivas, nas emoções e na maneira como se comportam,
se relacionam e se organizam. Além disso, essas mudanças estão relacionadas ao surgimento
de novas necessidades e problemas com novas formas e meios de fornecer uma resposta,
por isso sofrem interferências. Esta linha de pensamento oferece uma abordagem aberta e
multidisciplinar para a complexidade destas mudanças psicológicas, articulando a sua dimensão
biológica, psicológica e social e integrando os diferentes contextos em que ocorrem essas
mudanças, seja no campo da saúde, nas organizações ou na própria ação que vai ocorrendo
na sociedade como um todo.

LEITURA COMPLEMENTAR

FALHAS NA COMUNICAÇÃO
Ricardo Miyasaki

Uma das maiores dificuldades do ser humano na atualidade é a comunicação, que


vem sendo bombardeada com os mais diversos tipos de instrumentos, criados em um primeiro
momento para facilitar e agilizar as trocas de informações, e desde então estamos cercados
por diferentes formas de comunicação, porém, muitas delas podem se tornar inimigos da clara
compreensão da “fala”.

Vários são os instrumentos, existem as redes sociais como Twitter, Facebook etc., enquanto
também temos o celular e suas mensagens SMS, Messenger, SKYPE, entre muitos outros.

Todos eles foram criados para facilitar e ampliar a comunicação entre pessoas, é a P
S
chamada rede social; podemos, através deles, manter contato com quem está distante, tanto I
C
em questão de espaço como de tempo. Podemos conversar com amigos de infância, com O
L
pessoas que estão do outro lado do planeta e, muitas vezes, também utilizamos estes artifícios O
G
para conversar com o colega na mesa ao lado. I
A

D
Porém, apesar destes instrumentos algumas vezes funcionarem, quando não A
usados adequadamente, como facilitadores das falhas na comunicação, estas acontecem C
O
por outros motivos. M
U
N
I
Em muitos casos encontramos relacionamentos estremecidos, tarefas mal ou não C
A
executadas por questão de falhas na comunicação. Um comentário mal interpretado, por Ç
exemplo, pode acarretar desconforto e desavença entre pessoas, seja em uma relação pessoal Ã
O
90 TÓPICO 2 UNIDADE 2

ou profissional, e aí podemos dizer que os instrumentos modernos que serviriam para facilitar
nossa comunicação podem influenciar ainda mais nesse mal-entendido, pois, quando nos
comunicamos através deles, estamos excluindo as expressões faciais, o contato e a linguagem
corporal que servem como conteúdo para interpretação daquilo que falamos verbalmente e,
além disso, aprofundar ainda mais nossa dificuldade de comunicação, pois não vivenciamos
o treino do convívio social.

As pessoas precisam aprender a conhecer minimamente o outro, isso mantém um


bom relacionamento de comunicação, pois, desta forma se consegue levar em consideração
a maneira como cada um percebe o mundo, porque todas as informações são processadas e
interpretadas sob a influência de suas crenças e de outros componentes aprendidos durante
a vida e também na convivência com as pessoas.

Muitas vezes, ao recebermos aquilo que outra pessoa nos passa, por causa de
nossos preconceitos, acabamos interpretando de forma diferente daquilo que realmente é.
Se alguém cometeu um erro uma vez, a probabilidade de ele ser julgado negativamente é
grande (intolerância ao erro), assim como se alguém é sempre assertivo, a probabilidade de
ser julgado para melhor também acontecerá antes mesmo de se concluir aquela situação. [...]

Alguns recursos podem ser utilizados para se evitar as fragilidades na comunicação,


um deles é o uso da redundância, onde nenhuma nova informação é acrescentada, somente
a repetição de frases ou conteúdos importantes para a percepção e compreensão de quem
recebe a informação.

E também o feedback, que é um conjunto de sinais que permitem ao outro reconhecer


o resultado da mensagem. Pode-se fazer perguntas e verificar as respostas para ver se a
informação foi totalmente compreendida ou não.

FONTE: Disponível em: <https://psicoclinicas.wordpress.com/2011/08/26/falhas-de-comunicacao/>.


Acesso em: 30 jul. 2016.
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UNIDADE 2 TÓPICO 2 91

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, vimos que:

• A psicologia social se utiliza de métodos científicos para compreender e explicar como


sentimentos, comportamentos e pensamentos das pessoas são influenciados pela realidade,
pela imaginação e pela presença implícita ou não de outras pessoas.

• A psicologia social, tradicionalmente, tem sido definida como o estudo das maneiras como
as pessoas afetam e são afetadas pelos outros através da comunicação.

• A comunicação é um conceito complexo e multidisciplinar, nem mesmo as disciplinas que


usam o termo entram em consenso sobre exatamente como deve ser definido. Justamente
essa indefinição teórica traz essa desigualdade saudável em diferentes campos, como:
biologia celular, ciência da computação, etologia, linguística, engenharia elétrica, sociologia,
antropologia, genética, filosofia, semiótica e teoria literária.

• O psicólogo social lança seu olhar para o comportamento do grupo, vai prestar atenção na
percepção social, seja ela verbal ou não verbal, vai atentar para os diferentes comportamentos,
que podem se de conformidade, de agressão, de preconceito, de liderança e tantos outros.

• Uma sociedade não se forma sem a contribuição do conhecimento e da informação.

• A globalização não pode ser vista somente do ponto de vista econômico, e também como
uma realidade atual, contemporânea, privilégio nosso.

• Através da informação adquirimos conhecimentos que são pertinentes para nosso dia a
P
dia, assim como as ferramentas que utilizamos para ter informação contribuem para as S
I
transformações sociais atuais. C
O
L
O
• Platão dividiu o conhecimento em categorias, começando pelo sensorial, visto que sua G
I
abrangência vai além do ser humano, passando pelos animais. A

D
A
• Platão parte do geral para o particularizado, para aqueles conhecimentos que, a princípio, são
C
exclusivos do ser humano: conhecimento intelectual, conhecimento popular, conhecimento O
científico, conhecimento teológico. M
U
N
I
• As transformações da sociedade da informação têm uma profunda dimensão psicológica: C
A
elas implicam alterações nas funções cognitivas e nas emoções e na maneira como se Ç
Ã
comportam, se relacionam e se organizam. O
92 TÓPICO 2 UNIDADE 2


IDADE
ATIV
AUTO

1 Como podemos caracterizar a psicologia social?

2 Platão dividiu o conhecimento em categorias, começando pelo sensorial, visto que sua
abrangência vai além do ser humano, passando pelos animais. Apresente, segundo
Platão, aqueles conhecimentos que, a princípio, são exclusivos do ser humano:

3 A informação tem seu valor e é importante termos claro o que vem a ser informação.
Apresente o conceito a partir da etimologia da palavra informação.

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UNIDADE 2

TÓPICO 3

A INFLUÊNCIA DAS INTERAÇÕES SOCIAIS


NA SOCIEDADE E RELIGIÃO

1 INTRODUÇÃO

Você já parou para pensar como, muitas vezes, temos comportamentos, ideias e até
crenças que vêm e vão de forma quase automática em nossas vidas? Questão de hábito?
Pois é. Dito de outra forma, muitas das coisas que fazemos, o que dizemos e aquilo em que
acreditamos são produto do hábito. No dia a dia, sem perceber, vamos internalizando todos os
tipos de comportamento de forma quase automática, que é semelhante a uma resposta reflexa
a um estímulo físico. Por exemplo, você já fez aquele teste que consiste em bater em lugar
específico no seu joelho que provoca uma reação instintiva de movimento da sua perna? É mais
ou menos assim. De um modo semelhante, nós, seres humanos, reagimos automaticamente,
e frequentemente também inconscientemente, a estímulos sociais. Não vamos entrar nos
detalhes pavlovianos de estímulo-resposta. Você pode pesquisar mais sobre isso. Queremos
avançar na importância da psicologia para o sucesso das interações sociais, já que somos
seres sociais, não vivemos sozinhos.

Neste tópico vamos, primeiro, estudar como as influências sociais atuam nas interações
P
sociais. No segundo momento, devido à importância da religião na sociedade, vamos estudá-la S
I
como meio de interação. C
O
L
O
G
I
A

2 INFLUÊNCIAS SOCIAIS D
A

C
O
Vivemos um dia a dia cheio de tensões, com várias tentativas de influências alheias a nós. M
U
Muitas pessoas passam sua vida fazendo com que os outros cumpram suas solicitações. Calcule N
I
você, acadêmico, quantas vezes em um dia você será apelado, persuasivamente, a realizar algo C
A
para alguém. Todos nós estamos sujeitos a um número incontável de tentativas de influência a todo Ç
o momento. E se nos estendêssemos para as influências que recebemos da TV, das mídias sociais? Ã
O
94 TÓPICO 3 UNIDADE 2

E se incluirmos o tempo que gastamos com as pessoas no trabalho? Não podemos esquecer nossa
família, vizinhos, estranhos, e inúmeros outros que encontramos durante um dia, porque, de uma
forma ou de outra, todos querem que você faça alguma coisa, qualquer coisa.

Não esqueça que estamos implicitamente falando de psicologia social, que estuda
as crenças individuais, atitudes e comportamentos das pessoas nos lugares em que estejam
presentes. O foco da psicologia social é o indivíduo dentro do grupo e o grupo com suas crenças,
suas atitudes e seus comportamentos.

Temos hoje uma preocupação constante com o futuro das próximas gerações. E aí entram
as ciências do comportamento humano para nos ajudar, pois oferecem uma base de conhecimento
e prática para o desenvolvimento de políticas que promovem, entre outras coisas, a paz, a justiça
social, a plena realização dos direitos humanos a todos os seres humanos e o olhar atento ao
meio ambiente para um futuro ecologicamente sustentável, que não seja apenas um sonho. A
psicologia tem um papel fundamental nesses anseios e ela mesma se torna ferramenta para
possibilitar mudanças sociais positivas no intuito de ajudar os indivíduos, grupos e toda a sociedade
a conviver e interagir de forma íntegra, no cumprimento das normas e regras já estabelecidas.

A convivência em sociedade presume a formalização e desempenho de vá-


rios papéis sociais. O que permite a convivência nos grupos é a existência de
regras reconhecidas como justas e passíveis de cumprimento. Aos indivíduos
cabe lutar pela sua manutenção ou transformação quando elas já não mais
cumprirem uma função norteadora (RUBIO; SILVA, 2003, p. 75).

Vamos então elencar algumas opções em que a psicologia pode auxiliar nessa busca
de um mundo melhor através de pequenos gestos, pequenas ações:

• Construir um terreno comum entre divisões que causam uma mentalidade de desconfiança
em relação àqueles que vemos como diferentes.
• Priorizar ações mais amplas de longo prazo, como, por exemplo, a representatividade de
pessoas do bairro, na vida pública.
P
S • Reconhecer os erros e buscar sempre a união de forças, resistindo à nossa tendência para
I
C negar a responsabilidade e culpar os outros quando as coisas dão errado.
O
L • Avaliar alternativas através de uma análise ponderada e empatia, rejeitando apelos de medo
O
G e raiva que muitas vezes tornam mais difícil o nosso julgamento.
I
A • Evitar, quando houver, qualquer tipo de conflito de incompreensão e falta de comunicação
D que podem causar outros problemas.
A
• Evitar a transmissão de vingança de uma geração para a seguinte, curando as feridas
C
O causadas pela violência, por traumas.
M
U
N
I Veja, acadêmico, que a psicologia não está sozinha nessa construção de perspectivas
C
A para um mundo melhor. A história, a sociologia e a ética são algumas das disciplinas que estão
Ç
à presentes nessa construção (TAVARES, 2016).
O
UNIDADE 2 TÓPICO 3 95

A psicologia social é, muitas vezes, pensada para ser uma combinação entre a sociologia
e a psicologia, uma vez que utiliza métodos analíticos de ambas as áreas de pesquisa. Embora
a psicologia social seja semelhante à sociologia, também é muito diferente. Por exemplo,
os profissionais, em ambos os campos, têm um interesse particular em grupos de pessoas.
Sociologia, no entanto, concentra-se no comportamento do grupo, enquanto que a psicologia
social se concentra em como um grupo de pessoas influencia cada indivíduo no grupo.

Uma área da psicologia social que estuda a atividade do psiquismo decorrente


do modo de vida do lugar/comunidade; estuda o sistema de relações e repre-
sentações, identidade, níveis de consciência, identificação e pertinência dos
indivíduos ao lugar/comunidade e aos grupos comunitários. Visa ao desenvol-
vimento da consciência dos moradores como sujeitos históricos e comunitá-
rios, através de um esforço interdisciplinar que perpassa o desenvolvimento
dos grupos e da comunidade. [...] Seu problema central é a transformação do
indivíduo em sujeito (GÓIS, 1993, p. 27).

S!
DICA

Um filme que mostra a perseverança, a determinação de um grupo de jovens que


vivem as dificuldades do trabalho no meio rural, situação muito parecida com a de
muitos jovens no interior do Brasil, que saem do meio rural em busca de uma realidade
mais promissora. Esses jovens começam a ser acompanhados e estimulados pelo
novo treinador de cross country. É a valorização da comunidade através do esporte
evidenciando o ‘poder dos relacionamentos familiares, o comprometimento inabalável
e a incrível ética de trabalho’, valores tão desacreditados atualmente. Assista ao
filme Mc FARLAND - USA

P
S
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I
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D
A

C
FONTE: Disponível em: <https://o2porminuto.ativo.com/corrida-de-rua/dicas/dica-de-filme- O
M
mcfarland-usa/>. Acesso em: 27 jul. 2016. U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
96 TÓPICO 3 UNIDADE 2

A inserção social vai acontecer quando termos normas sociais equilibradas com os
desejos, anseios e projetos da sociedade. É preciso levar em conta algumas considerações
sobre as normas sociais para podermos entender melhor onde estamos pisando.

As normas sociais são regras sobre como se comportar que não estão escritas em
algum lugar de honra. Elas nos dão uma ideia esperada de como devemos nos comportar em
um determinado grupo social ou cultura. Parece bem simples, mas não é. Lembremos dos
casos de intolerância, bullying, seja na escola, em casa, na rua, no grupo social.

S!
DICA

Um bom filme para entender as dificuldades nos relacionamentos, seja em casa, no


meio social, por causa de depressão, bullying. E isso independe de idade. O filme
“Desajustados” vai falar sobre isso, contando a história de Fúsi, que vive uma rotina
de monotonia, mas, por pior que tudo pareça, a vida pode mudar.

P
S
I
C FONTE: Disponível em: <http://www.brasilonline.tv/assistir-desajustados-legendado-2015-
O
L online/>. Acesso em: 26 maio 2016.
O
G
I
A

D Mesmo assim, as normas sociais são os padrões aceitos de comportamento dos


A
grupos sociais. Estes grupos variam de classe de amizade, de trabalho, de competição e vão
C
O
perpassando a cidade, o estado, o país e também a relação estabelecida entre nações. Quer
M
U
um exemplo no âmbito social para verificar como há normas não escritas, mas que acontecem
N
I
espontaneamente? Por que a pessoa mais gordinha vai para o gol? Por que o ‘dono’ da bola
C
A
vai jogar no ataque? Por que o ‘personal’ que não estiver bem vestido ou fora do peso é visto
Ç com desconfiança? São as normas sociais agindo e definindo o comportamento apropriado
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 3 97

para cada grupo social. Não nascemos sabendo de todas as normas contidas na sociedade.
Vamos descobrindo “com o andar da carroça”.

Do ponto de vista do interacionismo, esse processo de descoberta é muito complexo


e sutil. Se não conhecemos os aspectos relevantes da cultura que se aplicam a determinada
situação, tornamo-nos intensamente “desafinados” às ações e gestos dos outros. Nós lemos
esses gestos, buscando nos conectar aos mecanismos intelectuais que os produzem num
esforço de aprender como nos comportar. Geralmente já possuímos valores, crenças e
normas importantes, mas nosso conhecimento é deficiente no que concerne à proeminência
de cada uma delas, e podemos até ser ignorantes em relação a normas e crenças relevantes.
Nossos erros nos entregam, e experimentamos as sanções e desaprovações dos outros;
consequentemente, nos tornamos desafinados com os gestos dos outros, ou então, sabendo
de antemão da nossa ignorância, podemos agir experimentalmente prestando atenção a
movimentos, palavras e gestos de outros, evitando os erros. Uma vez que damos um sentido
aos símbolos culturais relevantes, os processos de interação sustentam esses símbolos ao
mesmo tempo que os reafirmam, reforçando-os. Cada um de nós se comporta de modo
adequado; tais comportamentos reforçam os valores, crenças e normas; e, quando estes
são reforçados, eles ganham poder para limitar o comportamento. Atos de desvio realmente
ocorrem e quebram esse “ciclo de reforço”, ou de afirmação, mas geralmente tentamos trazer
o desviante de volta ao ciclo, sustentando-o. Dessa forma é que a cultura é sustentada pelas
microações interpessoais dos indivíduos.

FONTE: Disponível em: <http://evunix.uevora.pt/~eje/introducao%20_a_sociologia.htm>. Acesso em:


19 jun. 2016.

As normas fornecem uma ordem na sociedade e sabemos como são necessárias. É
difícil ver como a sociedade humana poderia funcionar sem normas sociais. Os seres humanos
precisam de normas para orientar e dirigir o seu comportamento, para fornecer ordem e
previsibilidade nas relações sociais e de dar sentido e entendimento das ações de cada um.
Estas são algumas das razões pelas quais a maioria das pessoas, na maioria das vezes, vive
em conformidade com as normas sociais. P
S
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C
A convivência em sociedade presume a formalização e desempenho de vá- O
rios papéis sociais. O que permite a convivência nos grupos é a existência de L
regras reconhecidas como justas e passíveis de cumprimento. Aos indivíduos O
G
cabe lutar pela sua manutenção ou transformação quando elas já não mais I
cumprem uma função norteadora (RUBIO, 2002, p. 75). A

D
A
Entendida a função e importância das normas no âmbito da sociedade, da boa
C
convivência, vamos avançar. O
M
U
N
Muitos estudos já foram feitos a partir de experiências que identificam o envolvimento dos I
C
indivíduos em alguma atividade, e até lazer, que estabelece relações e aí acontece a inclusão A
Ç
social. Também é fácil identificar que o envolvimento com outras pessoas causa um impacto Ã
O
98 TÓPICO 3 UNIDADE 2

na conexão social experimentada por indivíduos e seu bem-estar subsequente. E não para por
aí. É só observar. Estar envolvido leva a pessoa a se sentir socialmente mais conectada. As
redes sociais desenvolvidas através do envolvimento de organizações desportivas são de um
valor formidável para o apoio social daqueles envolvidos em organizações comunitárias, mais
conhecidas como ONGs. Muitas dessas ONGs são de denominação religiosa e promovem, ao
seu modo, interações sociais. É o que iremos estudar no próximo subtópico.

3 RELIGIÃO COMO COMUNICAÇÃO

Acadêmico, você já se questionou sobre como a mercantilização e a internet estão


transformando a vida religiosa de muitos jovens? Para o bem ou para o mal, não cabe a nós
aqui avaliarmos. Para os jovens muçulmanos, o uso da internet é um meio importante para a
construção de um consenso em relação, por exemplo, se namoro antes do casamento é compatível
com a vida de um "bom muçulmano". Considerando que a comunicação na vigência do sistema
religioso no período da revelação de Maomé era hierárquica, autoritária, o sistema de atos
comunicativos em um novo ambiente de mídia é fragmentado ao invés de unitário, disperso, em
vez de centralizado. Essa dinâmica entre a comunicação e a religião já é algo bem estruturado,
visto a utilização dos meios de comunicação por diferentes denominações religiosas.

Na contemporaneidade, a comunicação religiosa assumiu novos contornos com a


utilização dos meios de comunicação massiva. Hoje, as igrejas encontram-se irremediavelmente
submersas numa parafernália de símbolos e apelos midiáticos, e mergulhadas na aberta
permissão para a existência de uma, por vezes, “incômoda” pluralidade religiosa. Assim, a
comunicação nos mass media passa a ser adotada nas diversas denominações religiosas
com muita facilidade, e normalmente é vista como um instrumento eficaz no competitivo
mercado religioso. Por isso, deparamo-nos com inúmeras igrejas em constante busca
por amplos terrenos midiáticos. Trata-se, inclusive, de uma estratégia para garantir suas
P
S existências sociais, através da visibilidade projetada, principalmente, pela televisão. Em
I
C paralelo, encontramos os meios de comunicação de massa abrindo, cada vez mais, suas
O
L portas para uma programação de cunho religioso, o que na visão de Klein (2006, p.199) lhes
O
G rende dupla vantagem: “auferir lucros com a venda de espaço e de se justificar os pecados da
I
A transmissão de conteúdos moralmente condenados pelas diversas denominações religiosas”.
D
A FONTE: Disponível em: <http://www.koinonia.org.br/tpdigital/detalhes.asp?cod_artigo=302&cod_
boletim=16&tipo=Artigo>. Acesso em: 16 jul. 2016.
C
O
M
U O crescimento desses centros diferentes de interpretação em um sistema de
N
I comunicação global produziu uma considerável instabilidade no sistema formal de crenças e
C
A de práticas religiosas. Porque os novos mass media oferecem múltiplos canais de acesso e
Ç
à estimulam diferentes interações em blogs, por exemplo, e de certa forma, eles trazem uma
O
UNIDADE 2 TÓPICO 3 99

democratização do conhecimento e estilos de vida religiosos. Embora ainda haja um fosso


digital, mais e mais pessoas têm acesso a estes locais religiosos virtuais de comunicação.

Não é de hoje que a religião tem como características o seu individualismo em associação
com o declínio da autoridade das instituições tradicionais e uma consciência crescente de que
os símbolos religiosos são construções sociais, por vezes sem sentido religioso. Essa nova
caracterização não é privilégio de uma religião, mas de praticamente todas as grandes religiões.

Quando olhamos para um mercado religioso global diferenciado, os vários segmentos


do mercado religioso competem uns com os outros. Um olhar sobre o Brasil e conseguimos
identificar essa competição entre evangélicos com evangélicos e evangélicos com católicos,
só para citar alguns exemplos.

As novas religiões são genuinamente consumistas, quando vendem, além do ensino


religioso, roupas, livros, mas ao mesmo tempo movimentos fundamentalistas parecem desafiar
valores de consumo (ocidentais), eles próprios tipicamente vendedores de um estilo de vida
baseado em dietas especiais, educação alternativa, regimes de saúde, códigos de vestimenta,
destinos de peregrinação, e serviços de casamento. Podemos imaginar como fica a cabeça
do consumidor, digo, do fiel, com todas essas opções?

A religião como um agente de mudança social está muito comprometida pela perda de
qualquer comunicação verdadeira entre o sagrado e o mundo. A religião se tornou especializada na
prestação de serviços pessoais e, portanto, se confunde com vários outros setores seculares que
também oferecem bem-estar, cura, conforto e significado para a vida. Nesta competição, os grupos
religiosos têm, de modo geral, assumido os métodos e valores de uma gama de instituições que
definitivamente não estão preocupadas em comunicar valores, promover interações verdadeiras,
difundir o senso ético, enfim, coisas que seriam do alto, mas que são bem terrenas.

FIGURA 41 - NÃO MISTURAR RELIGIÃO COM COMUNICAÇÃO


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FONTE: Disponível em: <http://www.palavras.blog.br/2009/04/crise-mundial-no- C
psicologo.html>. Acesso em: 29 jul. 2016. A
Ç
Ã
O
100 TÓPICO 3 UNIDADE 2

Caso a religião (ou as práticas religiosas) continue nessa dinâmica, passará a ser vista
como uma realidade socialmente construída, em que o sagrado oferece apenas segurança
e legitimidade, desde que os seus membros não percebam que a religião é socialmente
construída, terrena.

Aos olhos da sociedade, em geral, acredita-se que a religião é socialmente construída.


Nesta visão sociológica da religião, as práticas religiosas e rituais são vistos como atividades
simbólicas que ajudam a definir a identidade de indivíduos e grupos. Dessa forma, as crenças
religiosas, que deveriam provocar a interação entre as pessoas e das pessoas com o ente
sagrado, são vistas como sujeitas a interpretações levianas.

LEITURA COMPLEMENTAR

PSICOLOGIA E CULTURA

Zygmunt Bauman

Estamos isolados em rede?

Em tempos líquidos, a crise de confiança traz consequências para os vínculos que são
construídos. Estamos em rede, mas isolados dentro de uma estrutura que nos protege e, ao
P
S mesmo tempo, nos expõe. É isso mesmo? O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu
I
C livro Medo líquido, diz que estamos fragilizando nossas relações e, diante disso, nos contatamos
O
L
inúmeras vezes, seja qual for a ferramenta digital que usamos, acreditando que a quantidade
O
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vai superar a qualidade que gostaríamos de ter.
I
A

D
Bauman diz que, nesses tempos líquidos-modernos, os homens precisam e desejam
A que seus vínculos sejam mais sólidos e reais. Por que isso acontece? Seriam as novas redes
C de relacionamento que são formadas em espaços digitais que trazem a noção de aproximação?
O
M Talvez sim, afinal a conexão com a rede, muitas vezes, se dá em momentos de isolamento
U
N real. O sociólogo, então, aponta que, quanto mais ampla a nossa rede, mais comprimida
I
C ela está no painel do celular. “Preferimos investir nossas esperanças em ‘redes’ em vez de
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 2 TÓPICO 3 101

parcerias, esperando que em uma rede sempre haja celulares disponíveis para enviar e receber
mensagens de lealdade”, aponta ele.

E já que as novas sociabilidades, aumentadas pelas pequenas telas dos dispositivos


móveis, nos impedem de formar fisicamente as redes de parcerias, Bauman diz que apelamos,
então, para a quantidade de novas mensagens, novas participações, para as manifestações
efusivas nessas redes sociais digitais. Tornamo-nos, portanto, seres que se sentem seguros
somente se conectados a essas redes. Fora delas os relacionamentos são frágeis, superficiais,
“um cemitério de esperanças destruídas e expectativas frustradas”.

A liquidez do mundo moderno esvai-se pela vida, parece que participa de tudo, mas os
habitantes dessa atual modernidade, na verdade, fogem dos problemas em vez de enfrentá-
los. Quando as manifestações vão para as ruas, elas chamam a atenção porque se estranha a
formação de redes de parceria reais. Para vínculos humanos, a crise de confiança é má notícia.
De clareiras isoladas e bem protegidas, lugares onde se esperava retirar (enfim!) a armadura
pesada e a máscara rígida que precisam ser usadas na imensidão do mundo lá fora, duro e
competitivo, as ‘redes’ de vínculos humanos se transformam em territórios de fronteira em que
é preciso travar, dia após dia, intermináveis conflitos de reconhecimento.

FONTE: Disponível em: <https://psicomarcosmarinho.wordpress.com/psicologia-e-cultura/>. Acesso


em: 17 jul. 2016.

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102 TÓPICO 3 UNIDADE 2

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, vimos que:

• A psicologia social é, muitas vezes, pensada para ser uma combinação entre a sociologia
e a psicologia, uma vez que utiliza métodos analíticos de ambas as áreas de pesquisa.

• As normas sociais são regras sobre como se comportar que não estão escritas em algum
lugar de honra.

• A normas sociais nos dão uma ideia de como devemos nos comportar em um determinado
grupo social ou cultura.

• Os seres humanos precisam de normas para orientar e dirigir o seu comportamento, para
fornecer ordem e previsibilidade nas relações sociais e dar sentido e entendimento das ações
de cada um.

• O envolvimento com outras pessoas causa um impacto na conexão social experimentada


por indivíduos e seu bem-estar subsequente.

• A religião, como um agente de mudança social, está muito comprometida pela perda de qualquer
comunicação verdadeira entre o sagrado e o mundo. A religião se tornou especializada na
prestação de serviços pessoais e, portanto, se confunde com vários outros setores seculares
que também oferecem bem-estar, a cura, conforto e significado para a vida.

P • Nesta visão sociológica da religião, as práticas religiosas e rituais são vistas como atividades
S
I simbólicas que ajudam a definir a identidade de indivíduos e grupos.
C
O
L
O • Parte importante da psicologia cultural é compreender as diferenças sociais de diferentes
G
I culturas.
A

D
A • Com o nascimento da psicologia cultural veio o desenvolvimento de terapias que levam em
C conta as características culturais.
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IDADE
ATIV
AUTO

1 Apresente algumas opções em que a psicologia pode auxiliar nessa busca de um


mundo melhor através de pequenos gestos, pequenas ações.

2 Como caracterizar as novas religiões no que tange ao mercado de consumo religioso?

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104 TÓPICO 3 UNIDADE 2

IAÇÃO
AVAL

Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final


da Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta
unidade.

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UNIDADE 3

A RELAÇÃO ENTRE O INDIVIDUAL, O


COLETIVO E A COMUNICAÇÃO

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Esta unidade tem por objetivos:

• estudar a interação entre indivíduo e sociedade como duas


instâncias distintas que interagem entre si: atitudes, preconceitos,
comunicação, relações grupais, liderança;

• entender a interdependência entre o indivíduo e a sociedade;

• compreender a importância do trabalho do psicólogo social, que vai


a campo para lidar com os fatores comportamentais das pessoas;

• destacar como a psicologia social tem a ver com a forma de


manifestação dos sentimentos, pensamentos, crenças, intenções.

PLANO DE ESTUDOS

Esta primeira unidade está dividida em três tópicos. No final


de cada um deles você encontrará atividades que contribuirão para
sua reflexão e análise dos conteúdos explorados.

P
TÓPICO 1 – OS CAMPOS PARA A COMUNICAÇÃO E A S
PSICOLOGIA I
C
O
TÓPICO 2 – A COMUNICAÇÃO, O CONHECIMENTO E A L
INFORMAÇÃO O
G
I
TÓPICO 3 – A PSICOLOGIA COMO FUNDAMENTO DA A
RESPONSABILIDADE NA COMUNICAÇÃO
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UNIDADE 3

TÓPICO 1

OS CAMPOS PARA A COMUNICAÇÃO E A


PSICOLOGIA

1 INTRODUÇÃO

Na Bíblia, o livro do Eclesiastes, 4:9-12, já confirmava que o homem não foi feito para
viver só e sim será mais feliz quando viver junto com outro. E quando um cair, terá o outro para
apoiá-lo. Aí vem a psicologia, aproximadamente 2000 anos depois, nos apresentando Freud,
Jung, que nos apontam essa mesma realidade. Vimos, anteriormente, que a interdisciplinaridade
se faz presente nesse nosso estudo, e constatamos que enquanto a psicologia abraça o
indivíduo, a sociologia esmiúça a sociedade. Queremos, sim, estudar a interação entre indivíduo
e sociedade como duas instâncias distintas que interagem entre si: atitudes, preconceitos,
comunicação, relações grupais, liderança, e muito mais e de como tudo isso, indivíduo e
sociedade, vai se ajustando (STREY, 1998).

A comunicação tem papel fundamental nos relacionamentos humanos e hoje somos


confrontados com uma cultura que, por vezes, nos priva da educação mais fundamental de que
precisamos para ter sucesso em nossos relacionamentos. Aprender as sutilezas e nuances de
comunicação significativa e eficaz é fundamental para relacionamentos sadios.
P
S
I
Você deve estar se perguntando: por que estudar comunicação e psicologia em uma C
O
mesma disciplina? Saiba que a comunicação como disciplina, chamada e unificada, tem uma L
O
história de contestação que remonta aos tempos dos diálogos socráticos. Buscando definir G
I
“comunicação” como uma palavra estática, ou disciplina unificada, pode não ser tão importante A
como a compreensão da comunicação com uma pluralidade de definições. D
A

Algumas definições são amplas, reconhecendo, por exemplo, que os animais podem C
O
se comunicar, outras definições incluem apenas os seres humanos dentro dos parâmetros de M
U
interação simbólica humana. N
I
C
A
Via de regra, a comunicação pode ser geralmente descrita em três dimensões principais: Ç
Ã
conteúdo, forma e destino. O
108 TÓPICO 1 UNIDADE 3

Vamos aos exemplos:

• Conteúdo de comunicação inclui atos que declaram conhecimentos e experiências, como


dar conselhos e comandos e fazer perguntas. Esses atos podem assumir muitas formas,
incluindo comunicação não verbal, linguagem gestual e linguagem corporal, escrever ou
verbalizar pela fala.
• A forma depende dos sistemas de símbolos utilizados.
• O destinatário pode ser a própria pessoa, outra pessoa (na comunicação interpessoal), ou
de outra entidade (como uma empresa ou grupo).

A Psicologia da comunicação, seja ela aplicada na forma gerencial, organizacional, de


grupo, verbal, não verbal, é uma realidade que deve ser levada em conta em todas as áreas
da vida, especialmente porque relações interpessoais são relações de influência e as pessoas
influenciam umas às outras e sofrem influências, seja pela personalidade, comportamentos,
atitudes, habilidades e experiências vivenciadas ao longo da vida.

Em uma comunicação eficaz, aliás, é preciso primeiro estabelecer um significado


compartilhado em torno das palavras, construções e ideias que estamos discutindo e, depois,
ainda estabelecer um significado para alcançar um fluxo coerente de diálogo. Tal conjunto de
habilidades permite que os relacionamentos prosperem. Isso não vale só entre as pessoas, serve
também para empresas, organizações, países. Por isso, é importante entender os diferentes
níveis de comunicação, descritos a seguir:

• Nível Macrossocial: Podemos abordar a cultura como um fenômeno de comunicação.


Em uma sociedade determinada, os produtos culturais são difundidos ou transmitidos por
canais culturais com sistemas de códigos definidos, tanto dentro de uma estrutura social
específica, como entre sociedades, no presente ou em uma geração futura.
• Nível Microssocial: Aqui incluem-se os pequenos grupos, instituições e organizações e
intrapessoal.
P • Organizações: Possuem uma estrutura e realizam funções as quais são possíveis graças
S
I aos nexos e redes de comunicação que se estabelecem entre os diferentes elementos.
C
O A estrutura hierárquica implica o fluxo de informação em determinado sentido, em tempo
L
O limitado e conteúdos específicos.
G
I • Pequenos grupos: Em grupos há mecanismos de comunicação que estabelecem nexos
A
diferenciais entre seus membros. De acordo com a comunicação, esta pode determinar
D
A as posições de liderança ou poder do grupo.
C • Intrapessoal: É o modelo de menor interesse para a psicologia social. Consiste em
O
M que o sujeito se comunique consigo mesmo mediante símbolos verbais, implícitos ou
U
N representações imaginárias.
I
C
A FONTE: Disponível em: <http://www.resumosetrabalhos.com.br/comunicacao-psicologia-social.html>.
Ç
à Acesso em: 30 jul. 2016.
O
UNIDADE 3 TÓPICO 1 109

Veja, acadêmico, que esses níveis comunicacionais vão aparecer em diferentes


momentos no decorrer desse nosso estudo, auxiliando no melhor entendimento da comunicação,
na interação entre o indivíduo e a sociedade.

Para acontecer a comunicação além dos elementos principais do processo de


comunicação, dos níveis que acabamos de ver, há outros componentes, por vezes,
imperceptíveis, mas com forte efeito sobre o processo de comunicação.

Na verdade, existem modelos simples de comunicação, mas cada processo de


comunicação é muito complexo. Assim, um dos componentes mais importantes do processo de
comunicação é a personalidade humana, que tem um grande impacto sobre qualquer processo
de comunicação, independentemente do contexto em que ocorrer.

Não podemos esquecer que a comunicação é principalmente uma interação entre


indivíduos e cada personalidade determina o comportamento de comunicação. Talvez por isso
a investigação é necessária sobre as regras relacionais que o processo de comunicação cria.

O que acontece na prática é uma comunicação relacional que se desenvolve a partir


de uma série de normas, regras e padrões de comportamento e que podem ser positivos ou
negativos, dependendo dos efeitos dessas interações em rede.

Os especialistas concordam que, em tais redes, a saúde mental dos membros é melhor
do que os indivíduos que raramente estabelecem relações com outras pessoas. A solidão na
atualidade é considerada a condição mais comum e estressante de vida humana. Portanto, as
pessoas, em função da sua personalidade, têm a capacidade de criar relações interpessoais e
de manter e desenvolver essas relações. Por isso, veremos mais adiante essa interação entre
psicologia, saúde, cultura e trabalho.

P
S
2 A SOCIEDADE E O INDIVÍDUO BUSCANDO INTERAÇÃO I
C
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O
A natureza humana do indivíduo depende de sua participação em uma sociedade. G
I
Tudo o que sabemos sobre o ser humano tende a mostrar que nenhum ser humano pode, A

normalmente, desenvolver-se isoladamente. D


A

C
Todos os pensamentos ou sentimentos são experimentados pelos indivíduos. O
M
Sentimentos ou pensamentos são comuns entre os indivíduos, não na sociedade. Não há U
N
vontade comum da sociedade. Quando dizemos que um grupo tem um pensamento comum, I
C
significa que há tendências para o pensamento, sentimento e ação, amplamente dominante no A
Ç
grupo. Essas tendências são o produto da interação que se passa entre os indivíduos e suas Ã
O
110 TÓPICO 1 UNIDADE 3

relações atuais, mas eles não formam um único pensamento, uma única vontade ou propósito.
A sociedade não pode ter pensamento ou vontade própria.

É apenas à luz dos nossos interesses, nossas aspirações, nossas esperanças e medos
que podemos atribuir qualquer função e qualquer meta para a sociedade. Por outro lado, os
indivíduos têm interesses, aspirações e objetivos só porque eles são uma parte da sociedade.
Enfim, a relação que se estabelece entre o indivíduo e a sociedade não é unilateral.

Pode-se concluir que o indivíduo e a sociedade são interdependentes. Nem os indivíduos


pertencem à sociedade como células, nem a sociedade é um mero artifício para satisfazer certas
necessidades humanas. O indivíduo e a sociedade interagem uns com os outros e dependem
um do outro. Ambos são complementares e complementam um ao outro.

As teorias que estudam o indivíduo e a sociedade estão corretas quando apontam a


dependência do homem em viver em sociedade. Porém, pecam quando negam a irrelevância
da individualidade em detrimento do social. É errado dizer que a sociedade é mais real do que
os seus membros, que a nossa consciência é apenas uma expressão da consciência social.
A realidade é que existe uma inter-relação fundamental entre o indivíduo e a ordem social.

Tradicionalmente, duas teorias – o contrato social e a teoria orgânica – apresentam uma


explicação para a relação entre o indivíduo e a sociedade. De acordo com a teoria do contrato
social, a sociedade é o resultado de um acordo celebrado por homens que originalmente viviam
em um estado pré-social. E porque a sociedade é feita pelo homem é que ele é mais real do
que sua criação. A sociedade é apenas uma agregação de indivíduos.

Cada indivíduo é, assim, o produto de relacionamento social. Ele nasce para uma
sociedade que sutilmente molda suas atitudes, suas crenças e seus ideais. Ao mesmo tempo,
a sociedade também cresce e muda de acordo com a mudança de atitudes e ideais dos seus
membros. A vida social não pode ter nenhum significado, exceto como a expressão da vida
P dos indivíduos.
S
I
C
O Quando olhamos para a história de alguns países da América, como, por exemplo,
L
O Estados Unidos e Brasil, vemos, em escalas diferentes, histórias de luta, conflitos entre o
G
I indivíduo e a sociedade como um todo. Exemplos? Abraham Lincoln e Getúlio Vargas.
A

D
A Você já percebeu que ‘gastamos’ grande parte de nossas vidas nos comunicando com
C os outros? Compartilhar seus pensamentos e compreender os sentimentos de outra pessoa são
O
M habilidades essenciais para o funcionamento de qualquer sociedade no mundo. Não é nenhuma
U
N surpresa que a dificuldade com a comunicação está no centro de muitas outras coisas que
I
C prejudicam o convívio social. E é justamente por isso que sempre buscamos melhorar nossa
A
Ç comunicação. E é nessa busca que percebemos como é importante compreender o porquê
Ã
O das ações e atitudes das pessoas.
UNIDADE 3 TÓPICO 1 111

Para isso, precisamos analisar a situação e o momento em que elas estão inseridas.
A empatia também é necessária para a busca de soluções para comunicação.

Podemos dizer que existem três princípios universais do comportamento humano e


as atitudes a eles relacionadas que podem nos ajudar a compreender as atitudes e a forma
de pensar das pessoas.

• MENTAL: Raciocínio; Objetividade; Antevisão; Visão Global; Estrutura e valores.


• EMOCIONAL: Sentimento; Subjetividade; Relacionamento; Comunicação; Organização
e Imaginação Criativa.
• FÍSICO: Realização; Execução; Concretização; Experiência Sensorial; Praticidade e
Experiência Sistêmica.

FONTE: Disponível em: <https://psicoclinicas.wordpress.com/2011/08/26/falhas-de-comunicacao/>.


Acesso em: 30 jul. 2016.

S!
DICA

Para melhor ilustrarmos o que acabamos de estudar, para entendermos essa


importância da comunicação, segue o exemplo de um filme: Coach Carter, que
ilustra como comunicar-se com os outros é difícil, mas que a persistência pode
trazer resultados além do esperado. Este filme utiliza o basquete para desenvolver o
trabalho do treinador em uma escola que apresenta baixo rendimento educacional,
onde a repetência, evasão e o desempenho refletiam o fracasso de um sistema que
não se preocupava com o ser humano por detrás do estudante.

Os dirigentes da escola, habituados com os péssimos resultados, ano após ano, não
enxergavam possibilidade de êxito e se acomodaram em repetir formas ultrapassadas
P
de ensino e não acreditavam no bom desempenho dos alunos. S
I
É nesse contexto que chega o treinador Carter, técnico de basquete que já estudou C
O
na mesma escola e fica preocupado com o desempenho escolar dos alunos que jogam L
no time de basquete. Em meio ao desânimo e descrença dos professores, pais e O
alunos, o técnico desafiou sua equipe a buscar algo que ia além das quadras, que G
I
pedia a união do grupo e busca de transformação de suas vidas e também de suas A
famílias. Assista. Vale a pena ver as interações que vão se desenrolando durante o
filme, transformando vidas. D
A

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Ç
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112 TÓPICO 1 UNIDADE 3

FONTE: Disponível em: <http://livraria.folha.com.br/filmes/drama/coach-carter-treino-vida-


dvd-1151232.html>. Acesso em: 30 jul. 2016.

A sociedade não existe independentemente das pessoas. Existe uma interdependência,


uma combinação de atos, de ações que acontecem dentro da sociedade, num esforço
cooperativo que deve levar a uma sociedade plena que só tem sua razão de existir enquanto
estiver a serviço das pessoas.

Não há, basicamente, uma contradição entre indivíduo e sociedade. O indivíduo


é um ser histórico-cultural que é constituído pelas interpelações sociais. Mesmo
quando está sozinho, como Robinson Crusoé, é um ser humano que tem o
habitus de sua sociedade. Isto é, tem o jeito de andar, hábitos de higiene, de
expressar emoções, de usar instrumentos que adquiriu das relações pessoais
com indivíduos da sociedade que o constituiu. Na sociedade ocidental atual,
extremamente individualista e conflituosa, os indivíduos podem se representar
como seres isolados em oposição à sociedade. Isto, entretanto, é uma criação
da própria sociedade neste momento histórico.
Não há por que ter um alto grau de competição e tensão grupal, tornando difícil
um equilíbrio entre as inclinações pessoais e as tarefas sociais. O verdadeiro
eu não está enclausurado e isolado dessa sociedade. É somente uma ilusão.
O indivíduo não é estranho à sociedade. A vida social supõe entrelaçamento
P entre necessidades e desejos em uma alternância entre dar e receber. A razão
S e a mente não são substâncias, mas produtos de relações em constantes
I
C transformações. Os instintos e as emoções sofrem transformações no decorrer
O da vida social (MACHADO, 2001, p. 54-55)
L
O
G
I Este raciocínio lança uma luz inteiramente diferente sobre a relação entre os indivíduos
A
e a sociedade, este raciocínio não é novo. Os indivíduos têm a percepção de que eles possam
D
A satisfazer a sua necessidade de relações, de interações através do intercâmbio e da associação
C com outros. A grande recompensa e satisfação de tal cooperação faz com que a interação
O
M social se torne a mais eficaz e eficiente ferramenta do indivíduo para atingir seus objetivos.
U
N
I
C Quanto mais uma sociedade for complexa e organizada, mais a sociedade proporciona
A
Ç oportunidade para iniciativa e empreendimento, quanto maior o grau de individualidade entre
Ã
O os membros. Não há antagonismo inerente entre individualidade e sociedade, cada um é
UNIDADE 3 TÓPICO 1 113

essencialmente dependente do outro. Seria, no entanto, enganoso dizer que existe completa
harmonia entre a individualidade e a sociedade.

A sociedade é um sistema de relações entre os indivíduos. O sistema molda nossas


atitudes, crenças e nossos ideais. Isto não quer dizer que os indivíduos pertencem à sociedade
como as folhas pertencem às árvores ou as células ao corpo. As relações entre o indivíduo e
a sociedade são mais complexas.

A sociedade é uma relação entre indivíduos, seus membros. É a soma de indivíduos que
estão em estado de interação. Esta interação cria algo que é mais do que a soma dos indivíduos.
E é essa interação que diferencia a sociedade a partir da mera agregação de indivíduos.

Existe, portanto, uma interdependência fundamental e dinâmica do indivíduo e da


sociedade. E nessa perspectiva vamos entender melhor como se dá, ou não, essa interação
do indivíduo na sociedade utilizando algumas perspectivas ou campos para compreender
melhor essa interação.

3 PSICOLOGIA, CULTURA, SAÚDE E TRABALHO

A relação entre o indivíduo e a sociedade tem a incumbência de aproximá-los e não os


distanciar. Essencialmente, a "sociedade" estabelece as normas, costumes e regras básicas
de comportamento humano. Estas práticas são tremendamente importantes para saber como
os seres humanos agem e interagem uns com os outros. A sociedade não existe de forma
independente, sem o indivíduo. Por outro lado, a sociedade existe para servir as pessoas e não o
contrário. A vida humana e a sociedade praticamente andam juntas. O homem é biologicamente
e psicologicamente preparado para viver em grupos, na sociedade. Dessa forma, a sociedade
tornou-se uma condição essencial para a vida humana, para o seu surgimento e para sua
P
continuidade e evolução. A relação entre o indivíduo e a sociedade é, em última análise, um dos S
I
mais profundos de todos os problemas da filosofia social. É mais filosófico que sociológico, pois C
O
envolve a questão dos valores que vimos na Unidade 2. O homem depende da sociedade. É na L
O
sociedade que um indivíduo é cercado (e, por que não?) pela cultura, como uma força social. G
I
A
É na sociedade mais uma vez que ele tem que estar em conformidade com as normas, já D
que vive integrado como membro de um grande grupo. Essa questão da relação entre o indivíduo A

e a sociedade é o ponto de partida de muitas discussões. Ela está intimamente ligada com a C
O
questão da relação do homem e da sociedade. A relação entre os dois depende do fato de que M
U
o indivíduo e a sociedade são dependentes mutuamente e um cresce com a ajuda do outro. N
I
C
A
O psicólogo que vai a campo, aí se caracterizando como psicólogo social, vai lidar com Ç
Ã
os fatores que o levam a se comportar de uma determinada maneira, na presença de outros, O
114 TÓPICO 1 UNIDADE 3

e olhar para as condições em que certos comportamentos/ações e sentimentos ocorrem. Já


a psicologia social tem a ver com a forma como estes sentimentos, pensamentos, crenças,
intenções e objetivos são construídos e como tais fatores psicológicos, por sua vez, influenciam
nossas interações com os outros.

O modo como a psicologia tenta dar conta das relações sociais apresenta dupla
característica. Uma consiste em focalizar as dimensões ideais e simbólicas
e os processos psicológicos e cognitivos que se articulam aos fundamentos
materiais dessas relações. A outra aborda essas dimensões e esses processos
considerando o espaço de interação entre pessoas ou grupos, no seio do qual
elas se constroem e funcionam (JODELET, 2004, p. 54).

Já vimos que a psicologia não está sozinha no trato com o ser humano. Uma variante
muito interessante e de muita valia é a psicologia cultural, a qual permite que os profissionais
de saúde mental possam aumentar a eficácia do tratamento das pessoas de diferentes origens.

Por ter uma grande sensibilidade às diferentes origens culturais, o tratamento pode se
tornar mais bem-sucedido. Além disso, através do estudo de culturas diferentes, uma maior
compreensão dessas realidades pode facilitar o acompanhamento.

Pode parecer redundante, mas parte importante da psicologia cultural é compreender


as diferenças sociais de diferentes culturas. Algo que pode parecer estranho em uma cultura
pode ser a norma em outra, portanto, ao se dirigir a pessoas de diferentes culturas é importante
entender essas diferenças. Esta atenção não é apenas para evitar sentimentos de mágoa, mas
também obter uma maior compreensão do indivíduo.

Uma ação que pode ser comum na cultura de um indivíduo é incompreensível para os
padrões da maioria, pode ser de outra forma confundido como um sinal de doença mental, se
o profissional de saúde mental ter falta de compreensão do que a cultura possa lhe indicar.
Ao incluir a moral cultural como modelo no tratamento, o terapeuta amplia ainda mais a
probabilidade de alcançar o objetivo do paciente. Do lado do paciente não é provável que
P
S queira abandonar a sua cultura, mas, em vez disso, quer ser capaz de superar seu problema
I
C
sem negar suas raízes culturais, seu contexto cultural, mesmo que seja diferente dos demais.
O
L
O
G
Com o nascimento da psicologia cultural veio o desenvolvimento de terapias que levam
I
A
em conta as características culturais. Cada pessoa, com uma origem étnica diferente, tem
problemas que são diferentes do que os problemas que os outros enfrentam, por causa de
D
A sua singularidade cultural.
C
O
M No campo do trabalho, vamos dar um passo adiante no conhecimento sobre a questão
U
N social, tendo presente que essa realidade não pode se resumir em desigualdades, em
I
C injustiças entre classes, vai além da questão social, chegando até a dimensão mundial, onde
A
Ç se desenvolvem realmente as relações, sejam elas humanas ou institucionais.
Ã
O
UNIDADE 3 TÓPICO 1 115

Com efeito, se em tempos passados se punha em relevo no centro de tal


questão, sobretudo, o problema da classe, em época mais recente é posto em
primeiro plano o problema do mundo. Por isso, deve ser tomado em considera-
ção não apenas o âmbito da classe, mas o âmbito mundial das desigualdades e
das injustiças; e, como consequência, não apenas a dimensão da classe, mas
sim a dimensão mundial das tarefas a assumir na caminhada que há de levar
à realização da justiça no mundo contemporâneo (JOÃO PAULO II, s.a., p. 8.).

A psicologia também tem contribuído com a especialização e o desenvolvimento, o


crescimento mais significativo no campo da psicologia hoje é a psicologia organizacional-
industrial. Psicólogos especializados nesta área desenvolvem um trabalho com os empregadores
para melhorar as taxas de retenção de funcionários e aumentar a produtividade. Muitas
pessoas, nesta área da psicologia, trabalham em estreita colaboração, é claro, com programas
de computador. Estes programas de computador também podem ser utilizados para avaliar a
usabilidade de aplicações de recursos humanos. Quanto mais a tecnologia é usada em uma
empresa ou em uma instituição, mais ela pode influenciar o trabalho de um psicólogo.

A tecnologia e sua relação com a psicologia têm se expandido muito nos últimos anos.
Algumas instituições de Ensino Superior estão recomendando estudantes de cursos secundários
completos de estudo em programação de computadores ou outra área relacionada com a
tecnologia na preparação para se tornarem psicólogos.

Vamos aqui reafirmar o que de antemão já sabemos e constatamos cotidianamente na


nossa vida: o trabalho é um forte indicativo da capacidade humana de criar, inovar e transformar a
natureza. O ser humano não pode se contentar somente com essa adaptação da natureza e das
coisas para suprir suas necessidades. O ser humano tem que sentir-se realizado, sentir-se satisfeito
por realizar tal prodígio, sentir-se mais humano e, por isso, ter interações mais significativas.

Prosseguindo nessa perspectiva, o processo natural é seguir na direção da dinâmica do


trabalho solidário, que se traduz no cooperativismo, no associativismo, no trabalho comunitário
e também no trabalho artesanal, realidades estas que agregam aquelas pessoas que
desenvolvem, principalmente, suas habilidades no desenvolvimento de materiais diferenciados P
S
dos de uma produção em série. I
C
O
L
O trabalho solidário não foge das regras básicas de qualquer trabalho, conforme O
G
regulamentado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho): I
A

D
• Deve ser produtivo. A

• Remunerado. C
O
• Exercido com segurança. M
U
• Desenvolvido na liberdade e na inter-relação com os outros. N
I
C
A
No Brasil, o trabalho solidário é muito bem-vindo nos empreendimentos econômicos aqui Ç
Ã
presentes que são regidos dentro da solidariedade, mas na seriedade de um desenvolvimento O
116 TÓPICO 1 UNIDADE 3

econômico e social sustentável.

Conforme o mapeamento oficial feito pelo governo federal, constatou-se que,


dos 14.954 empreendimentos econômicos solidários pesquisados no país em
2005, 77% foram criados nos últimos 10 anos. Eles operam sob autogestão: os
trabalhadores são proprietários das empresas e decidem democraticamente tudo
o que lhes seja relevante, particularmente a destinação de excedentes. Inexis-
tem as figuras clássicas de patrão ou empregado, a propriedade é coletiva, a
gestão compartilhada e atua-se sob princípios solidários (MANCE, 2007, p. 14).

O trabalho solidário é, usualmente, uma resposta a necessidades muito específicas,


localizadas, sejam elas de emprego, de geração de riqueza, que se integram a outras redes
sociais, e que oferecem uma nova dinâmica, um novo caminho, possível, palpável, para um
novo desenvolvimento econômico mais humano, mais sustentável, mais justo.

Vemos, portanto, que uma nova economia, não capitalista, ecologicamente


sustentável e sociologicamente justa, centrada nos valores da participação
democrática e distribuição de riqueza está crescendo, trazendo consigo a
proposta de um novo modelo de desenvolvimento e a esperança de um mundo
melhor para todos (MANCE, 2007, p. 14).

O trabalho solidário deve primar pela solidariedade e união. É o contraponto do que


temos hoje no mundo do trabalho: competição e individualismo. O trabalho solidário é a
possibilidade de interações quando sabemos como é difícil exercer qualquer profissão quando
não há capacidade de estabelecer relações, tornando um sacrifício quando deveria ser um
momento de criação, de interações, de promoção do ser humano.


!
ROS
SF UTU
ESTUDO

No tópico seguinte queremos entender melhor como se dá


a relação entre a comunicação e linguagem e comunicação,
conhecimento e informação e sua contribuição para uma melhor
P interação social. Até lá.
S
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G LEITURA COMPLEMENTAR
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A
O PAPEL DA PSICOLOGIA NA COMUNICAÇÃO
D
A

C Marcos Teixeira
O
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A comunicação é a arte de estar em contato com outras pessoas, seja para passar-
I
C
lhes informações ou para recebê-las. O homem, como animal social, necessita estar sempre
A
Ç
em contato com os outros da sua espécie. Isso porque ele, o homem, desenvolve as suas
à habilidades a partir da observação dos demais.
O
UNIDADE 3 TÓPICO 1 117

Uma comunicação bem-sucedida, de qualidade, depende, pois, de uma relação de


entendimento, conhecimento e respeito entre as partes. Se faltar um dos itens deste tripé, o
processo comunicativo não só pode, como deve ficar seriamente comprometido.

É necessário, portanto, que se conheça o outro. Para se ter uma ideia da importância
em se conhecer a outra extremidade desta relação, se, por um acaso você tiver a infeliz ideia
de presentear a um chinês com um relógio, de acordo com a cultura da China, seria como dizer-
lhe que seus dias estavam contatos, ou seja, pode soar ou como uma ameaça ou uma ofensa.

Deve haver empatia entre as partes, mas não aquele manjado “se eu fosse você”. Para
se colocar no lugar do outro é preciso observar que existe toda uma bagagem emocional trazida
por esta pessoa. Cada um tem valores diferentes, e estes valores são moldados e forjados com o
passar dos anos, a partir do resultado da soma da educação recebida, das experiências vividas e
do ambiente onde se passou, sobretudo, a infância, que é a época de formação da personalidade.

Portanto, para poder se colocar no lugar do outro, deve-se fazê-lo observando e


respeitando as diferenças, sejam elas sociais, culturais, religiosas ou políticas. E para que se
empreenda este conceito com sucesso, a psicologia é de enorme importância. É com base
nela que isto é possível. Não custa nada, faz bem e evita dor de cabeça.

FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/o-papel-da-psicologia-na-


comunicacao/40478/>. Acesso em: 30 jul. 2016.

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118 TÓPICO 1 UNIDADE 3

RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, vimos que:

• A natureza humana do indivíduo depende de sua participação em uma sociedade.

• Tudo o que sabemos sobre o ser humano tende a mostrar que nenhum ser humano pode,
normalmente, desenvolver-se isoladamente.

• As teorias que estudam o indivíduo e a sociedade estão corretas quando apontam a


dependência do homem em viver em sociedade.

• A sociedade não existe de forma independente, sem o indivíduo.

• A vida humana e a sociedade praticamente andam juntas.

• O homem é biologicamente e psicologicamente preparado para viver em grupos, na sociedade.

• A sociedade tornou-se uma condição essencial para a vida humana, para o seu surgimento
e para sua continuidade e evolução.

• A relação entre o indivíduo e a sociedade é, em última análise, um dos mais profundos de


todos os problemas da filosofia social.

• Com o nascimento da psicologia cultural veio o desenvolvimento de terapias que levam em


P conta as características culturais.
S
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O • Cada pessoa com uma origem étnica diferente tem problemas que são diferentes do que os
L
O problemas que os outros enfrentam por causa de sua singularidade cultural.
G
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• O trabalho solidário é, usualmente, uma resposta a necessidades muito específicas,
D
A localizadas, sejam elas de emprego, de geração de riqueza, que se integram a outras redes
C sociais, e que oferecem uma nova dinâmica, um novo caminho, possível, palpável, para um
O
M novo desenvolvimento econômico mais humano, mais sustentável, mais justo.
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C
• O trabalho solidário é a possibilidade de interações quando sabemos como é difícil exercer
A
Ç
qualquer profissão quando não há capacidade de estabelecer relações, tornando um sacrifício
Ã
O
quando deveria ser um momento de criação, de interações, de promoção do ser humano.
UNIDADE 3 TÓPICO 1 119


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE - 2012) O modo como a Psicologia tenta dar conta das relações sociais
apresenta dupla característica. Uma consiste em focalizar as dimensões ideais e
simbólicas e os processos psicológicos e cognitivos que se articulam aos fundamentos
materiais dessas relações. A outra aborda essas dimensões e esses processos
considerando o espaço de interação entre pessoas ou grupos, no seio do qual elas
se constroem e funcionam (JODELET, 2004, p. 54, adaptado).

Considerando o contexto acima, avalie as seguintes asserções e a relação proposta


entre elas.

I. A Psicologia Social, ao estudar fenômenos como preconceito, estereótipo, crenças


e valores, insere-se em perspectivas mais sociologizantes do que psicológicas.

PORQUE

II. A Psicologia Social tenta compreender de que maneira as pessoas e os grupos se


constroem no interior de relações socioculturais mais amplas, de acordo com as duas
características apontadas por Jodelet.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.

a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.


b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa P
S
da I. I
C
c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. O
d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. L
O
e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. G
I
A

2 Como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) regulamenta o trabalho solidário? D


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120 TÓPICO 1 UNIDADE 3

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UNIDADE 3

TÓPICO 2

A COMUNICAÇÃO, O CONHECIMENTO E A
INFORMAÇÃO

1 INTRODUÇÃO

Muitas vezes tomamos como certo que as nossas palavras transmitem exatamente o
que pretendemos com elas. Esta é uma suposição que carece de certezas e que, por isso,
as palavras, os conceitos tendem a não ser recebidos na forma como quem envia pretende
ser entendido. No momento em que algumas frases são pronunciadas, podemos ter uma
comunicação totalmente desperdiçada. Quantas vezes precisamos refazer uma pergunta para
poder entender o que eles querem dizer com a palavra ou palavras que eles estão usando?

Para nós, seres humanos, as palavras são mais do que um meio de comunicação, elas
podem moldar nossas crenças, comportamentos, sentimentos e definir nosso agir. Assim, como
ferramenta eficaz de comunicação, nada é mais poderoso do que as palavras para moldar
nossas opiniões.

Quando se trata de linguagem e comunicação, a regra é que não é o que você diz, mas
o que as pessoas ouvem. As palavras são uma das ferramentas mais poderosas que nós, como
P
seres humanos, possuímos. A grande questão é que as palavras são subestimadas quando se S
I
trata de fundamentar o pensamento e o processamento de comportamento, bem como a tomada C
O
de decisões na nossa vida que impactam não somente em nós, mas naqueles que nos cercam. L
O
G
I
Temos hoje uma preocupação constante com o futuro das próximas gerações, e aí A

entram as ciências do comportamento humano para nos ajudar, pois oferecem uma base de D
A
conhecimento e prática para o desenvolvimento de políticas que promovam, entre outras coisas,
C
a paz, a justiça social, a plena realização dos direitos humanos a todos os seres humanos O
M
e, é claro, o olhar atento ao meio ambiente, para que um futuro ecologicamente sustentável U
N
não seja apenas um sonho. A psicologia então tem papel fundamental nesses anseios e ela I
C
mesma se torna ferramenta para possibilitar mudanças sociais positivas, no intuito de ajudar A
Ç
os indivíduos, grupos e toda a sociedade. Ã
O
122 TÓPICO 2 UNIDADE 3

Vamos então elencar algumas opções em que a psicologia pode auxiliar nessa busca
de um mundo melhor através de pequenos gestos, pequenas ações:

• Construir um terreno comum entre divisões que causam uma mentalidade de desconfiança
em relação àqueles que vemos como diferente.
• Priorizar ações mais amplas de longo prazo.
• Reconhecer os erros e buscar sempre a união de forças, resistindo à nossa tendência para
negar a responsabilidade e culpar os outros quando as coisas dão errado.
• Avaliar alternativas através de uma análise ponderada e empatia, rejeitando apelos de medo
e raiva que muitas vezes tornam mais difícil o nosso julgamento.
• Evitar, quando houver, qualquer tipo de conflito de incompreensão e falta de comunicação
que podem causar outros problemas.
• Evitar a transmissão de vingança de uma geração para a seguinte, curando as feridas
causadas pela violência, por traumas.

Veja, acadêmico, o que conversamos anteriormente. A psicologia não está sozinha nessa
construção de perspectivas para um mundo melhor. A História e a Sociologia são algumas das
disciplinas que estão presentes nessa construção, assim como as tecnologias. Então, se você
vai seguir pelo caminho da psicologia ou se tornar um psicólogo, a tecnologia a que as pessoas
têm acesso disponibiliza infinitas possibilidades técnicas que afetam significativamente tanto
a sua preparação quanto a sua prática no campo da psicologia.

2 COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

Podemos entender a linguagem como uma construção da comunicação, como um


sistema gramatical, o que significa que sons, suficientemente normatizados para serem utilizados
por duas pessoas, podem transmitir informação de uma para outra.
P
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I
C E a comunicação? A comunicação é qualquer forma pela qual duas pessoas trocam
O
L informações. Elas poderiam usar a linguagem, mas também podem usar gestos, expressões
O
G faciais, sinais, mímica, ou quaisquer formas ou maneiras de expressar essa informação.
I
A Podemos entender vulgarmente assim: a comunicação é o carro, e a linguagem é a estrada.
D
A
Para os seres humanos, as palavras são mais do que um meio de comunicação, elas
C
O
podem moldar nossas crenças, comportamentos, sentimentos e, finalmente, nossas ações.
M
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Apesar de espadas poderem nos coagir e ameaçar, nada é mais poderoso do que uma
N
I
ferramenta que pode moldar nossas opiniões.
C
A
Ç A expressão pela linguagem é uma cognição que realmente nos torna humanos.
Ã
O Enquanto que outras espécies se comunicam com uma habilidade inata para produzir um
UNIDADE 3 TÓPICO 2 123

número limitado de vocalizações significativas ou mesmo com sistemas parcialmente aprendidos


(por exemplo, o canto dos pássaros), não há nenhuma outra espécie conhecida até agora que
pode expressar ideias através de frases com um conjunto limitado de símbolos evidenciados
pelos sons da fala e pelas palavras.

Ao lançarmos nosso olhar na história da psicologia e da linguagem, vamos encontrar


uma das primeiras explicações científicas de aquisição da linguagem, apresentada por Skinner
(1957). Como um dos pioneiros do behaviorismo, ele foi responsável pelo desenvolvimento da
linguagem por meio de influência da natureza.

Skinner argumentou que as crianças aprendem a linguagem baseada em princípios de


reforços behavioristas, por associar palavras com significados. Quando a criança se expressa
corretamente é positivamente recompensada para que perceba o valor do que foi comunicado
através das palavras e frases. Skinner era um estudioso, pesquisador que serviu de base para
o avanço de muitos estudos do comportamento humano, e também criticado, principalmente
por Noam Chomsky, criador da Teoria da Gramática Universal.

S!
DICA

Caro acadêmico, busque mais informações sobre Skinner, Pavlov,


Chomsky para aumentar seu conhecimento sobre essa temática.

Quando se trata de linguagem e comunicação, a regra é que não é o que você diz,
mas o que as pessoas ouvem. As palavras são uma das ferramentas mais poderosas que nós,
como seres humanos, possuímos. O problema é que as palavras são subestimadas, sendo
que se apresentam de forma efetiva para o pensamento e processamento de comportamento,
bem como a tomada de decisão.
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FIGURA 42 – PROCESSANDO A INFORMAÇÃO C
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FONTE: Disponível em: <http://jornalistaflavioazevedo.blogspot.com.br/2015_06_01_ A
Ç
archive.html>. Acesso em: 16 jul. 2016. Ã
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124 TÓPICO 2 UNIDADE 3

O fato é que a linguagem é essencialmente uma característica humana. Todas as


tentativas de lançar luz sobre a evolução da linguagem humana falharam devido à falta de
conhecimento sobre a origem de qualquer idioma, e devido à falta de um animal que possui
qualquer forma de 'transição' de comunicação. Isso deixa os evolucionistas com um enorme
fosso entre seres humanos com suas habilidades de comunicação inatas, e os grunhidos, os
latidos, ou as imitações dos animais. Como observado por Dunbar (1996, p. 10):

Com a idade de seis anos, a média das crianças aprendeu a usar e entender
cerca de 13.000 palavras; por dezoito anos ele terá um vocabulário de trabalho
de 60.000 palavras. Isso significa que ele tem aprendido uma média de dez
novas palavras por dia desde o seu primeiro aniversário, o equivalente a uma
nova palavra a cada 90 minutos da sua vida de vigília.

Já que recorremos à Bíblia neste nosso caderno, vamos então recorrer a ela novamente,
já que os seres humanos são capazes de comunicar em linguagem humana, fato esse porque
Deus os criou com a capacidade de fazê-lo! A Bíblia ainda oferece a única explicação plausível
para a origem da linguagem humana, quando registra, no livro do Gênesis 1: 26-27: "Então
Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; ... E criou
Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou".

3 O SUJEITO E A COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL

Vamos olhar ao nosso redor: provavelmente, apenas 7% das pessoas que fazem parte
do seu dia a dia se comunicam verbalizando. E os outros mais de 90%? Bom, se comunicam por
sinais não verbais, tais como linguagem corporal, contato visual e tom de voz, a escrita etc., sem
esquecer que a popularização galopante da tecnologia na última década, em termos de mídia
social, fez com que mensagens de texto, Facebook e Twitter tenham inevitavelmente se tornado
as formas mais eficientes de se comunicar uns com os outros. Podemos também destacar que
P a eficiência ou a nossa dependência sobre as formas mais eficientes de comunicação está se
S
I tornando uma das maiores preocupações para as pessoas em nossas interações. No entanto,
C
O é preciso não esquecer que a interação face a face deve permanecer uma referência em nossa
L
O sociedade, porque é de uma qualidade muito superior e tem a capacidade de satisfazer nossas
G
I necessidades sociais inerentes.
A

D
A A comunicação não verbal é um tema muito delicado e, por isso, muitos autores se
C debruçam sobre este tema, trazendo suas contribuições para o conceito e caracterização da
O
M discussão. Vamos elencar alguns desses autores:
U
N
I
C
De acordo com Corraze (1982), a comunicação não verbal é um meio, dentre outros,
A
Ç
de transmitir informação; o autor se refere a este tipo de comunicação como “as comunicações
Ã
O
não verbais”. Estas são definidas como os diferentes meios existentes de comunicação entre
UNIDADE 3 TÓPICO 2 125

seres vivos que não utilizam a linguagem escrita, falada ou seus derivados não sonoros
(linguagem dos surdos-mudos, por exemplo). É um conceito que evidencia um extenso
campo de comunicação, pois este não se restringe apenas à espécie humana. A dança das
abelhas, o ruído dos golfinhos, a expressividade das artes: dança, música, teatro, pintura,
escultura etc. são também consideradas formas de comunicação não verbal.

De acordo com Corraze (1982), para o ser humano as comunicações não verbais
se processam através de três suportes. O primeiro, o corpo, nas suas qualidades físicas,
fisiológicas e nos seus movimentos. O segundo, no homem, ou seja, objetos associados
ao corpo, como os adornos, as roupas, ou mesmo as mutilações, marcas ou cicatrizes de
tatuagens, de rituais ou não; neste suporte ainda podem ser relacionados os produtos da
habilidade humana que podem servir à comunicação. Finalmente, o terceiro suporte se
refere à dispersão dos indivíduos no espaço, este espaço engloba desde o espaço físico,
que cerca o corpo, até o espaço que a ele se relaciona, o espaço territorial.

Argyle (1978), estudioso e pesquisador dos comportamentos não verbais, ao


abordar o sistema não verbal, não apresenta a categorização de suportes e sim distingue os
seguintes canais: expressão facial; olhar; gestos e movimentos posturais; contato corporal;
comportamento espacial; roupas, aspecto físico e outros aspectos da aparência. Estes canais
fazem parte de uma categorização denominada “os diferentes sinais corporais”.

Knapp (1982), especialista neste campo das comunicações não verbais, apresenta um
esquema de classificação bem mais detalhado da conduta não verbal. Esta classificação é dividida
em sete áreas, de acordo com a literatura ou com as investigações científicas. As áreas são: a)
movimento corporal ou cinésica (emblemas, ilustradores, expressões de afeto, reguladores e
adaptadores); b) características físicas; c) comportamentos táteis; d) paralinguagem (qualidades
vocais e vocalização); e) proxêmica; f) artefatos e g) o meio ambiente.

Davis (1979), jornalista, ao apresentar em seu livro uma visão sintética sobre a área
P
da comunicação não verbal, relata a temática das pesquisas sob os seguintes subtítulos: S
I
índices de sexo; comportamentos de namoro; o mundo silencioso da cinética; o corpo é a C
O
mensagem; o rosto humano; o que dizem os olhos; a dança das mãos; mensagens próximas L
O
e distantes; interpretando posturas físicas; o ritmo do corpo; os ritmos do encontro humano; G
I
comunicação pelo olfato; comunicação pelo tato, entre outros tópicos. Assim, os canais de A

comunicação do nível não verbal podem ser classificados em dois grupos: o primeiro, que D
A
se refere ao corpo e ao movimento do ser humano, e o segundo, relativo ao produto das
C
ações humanas. O primeiro apresenta diferentes unidades expressivas, como a face, o olhar, O
M
o odor, a paralinguagem, os gestos, as ações e a postura. O segundo também apresenta U
N
várias unidades de expressão, como a moda, os objetos do cotidiano e da arte, até a própria I
C
organização dos espaços: físico (pessoal e grupal) e ambiental (doméstico, urbano e rural) A
Ç
FONTE: Disponível em: <http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v11%20n2%20artigo7.pdf>. Ã
O
Acesso em: 25 jul. 2016.
126 TÓPICO 2 UNIDADE 3

São muitos os conceitos, são diversas as categorizações colocadas por estes autores e
certamente há outros, com outros olhares, tratando sobre este tema das condutas não verbais.
É um fenômeno difícil de categorizar, de estabelecer um conceito unânime. A vantagem de
tudo isso? Temos abertas muitas possibilidades de reflexão, de crítica, de parâmetros para
nosso aprofundamento.

Segundo Rector e Trinta (1985), a comunicação humana é tanto um fenômeno


quanto uma função social. Comunicar envolve a ideia de partilhar, de compartilhar
e de transferir a informação entre dois ou mais sistemas. Estas informações podem
ser simples ou complexas, tanto em nível biológico quanto em nível das relações
sociais. A mensagem é a unidade de comunicação e a interação entre indivíduos
ocorre quando uma série de mensagens é intercambiada. A comunicação se efetua
através da transferência de informação, sob duas condições principais. A primeira
condição é a presença de dois sistemas: um emissor e um receptor; a segunda é
a transmissão de mensagens (apud MESQUITA, 1997, p. 156).

A comunicação, com suas características peculiares, torna possível a análise de todos


os fenômenos culturais, sejam estas linguagens verbais ou não verbais; sabendo que todos
esses fenômenos são sistemas de signos e, portanto, fenômenos de comunicação (MESQUITA,
1997). Ainda segundo o autor, fazem parte deste universo as línguas escritas, os alfabetos
desconhecidos, as línguas naturais, as linguagens formalizadas, as comunicações virtuais, os
códigos culturais e de mensagens estéticas, bem como a paralinguística, a metalinguagem,
a proxêmica e a cinésica, entre outros. Por isso se faz importante a semiótica, tanto para a
comunicação verbal, como para a comunicação não verbal.

A semiótica é a ciência dos signos, é a ciência de toda e qualquer linguagem; tem por
objetivo analisar como se estrutura a linguagem de todo e qualquer fenômeno como fenômeno
de produção de significação e de sentido. Impostada por Pierce, nos últimos decênios do século
passado, foi objeto de estudo e análise de Saussure, no início deste século, sendo denominada
de semiologia – o estudo de todos os sistemas de signos (ECO, 1987; SANTAELLA, 1983).

A semiologia pode ser definida, segundo Buyssens (1972), como o estudo dos
P
S processos de comunicação; esses processos envolvem a utilização de meios para influenciar
I
C outrem que devem ser reconhecidos por aqueles a quem se quer influenciar. O signo, por
O
L definição, é algo ou alguma coisa que está no lugar de outra coisa. Este algo é a representação
O
G
de algum aspecto ou capacidade segundo o ponto de vista a partir do qual o objeto é recortado
I
A
de um determinado contexto.

D
A De acordo com a análise que Coelho Netto (1980) faz a partir de Pierce, a relação do
C signo com o seu objeto pode se dar através de três tipos de representação: o ícone, que tem
O
M uma relação de semelhança com seu objeto; o índice, que apresenta uma relação existencial
U
N de causa e efeito, e o símbolo, cuja ligação é arbitrária, porém, quando se constitui, tem uma
I
C força coercitiva e se torna uma convenção.
A
Ç
à FONTE: Disponível em: <http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v11%20n2%20artigo7.pdf>.
O Acesso em: 25 jul. 2016.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 127

A ideia que muitos de nós temos é que a comunicação se dá através da palavra, da fala.
Bem limitado isso. E não é assim. Embora esta seja uma definição simples, quando pensamos
sobre como podemos comunicar, a discussão se mostra muito mais complexa. Existem várias
categorias de comunicação e mais do que uma pode ocorrer em qualquer momento.

Birkner (2013) apresenta quatro diferentes categorias de comunicação:

• Falada ou comunicação verbal: face a face, telefone, rádio ou televisão e outros meios de
comunicação.
• Comunicação não verbal: linguagem corporal, gestos, como nos vestimos ou agimos.
• Comunicação escrita: cartas, e-mails, livros, revistas, material escrito na internet ou através
de outros meios de comunicação.
• Visualização: gráficos e tabelas, mapas, logotipos e outras visualizações.

Porém, quando falamos em nível de comunicação relacional entre o ser humano, temos
dois níveis: a comunicação verbal e a não verbal.

Na sociedade atual, o ser humano se relaciona através de dois níveis de comunicação:


o verbal e o não verbal. A comunicação verbal é a forma discursiva, falada ou escrita, na qual
mensagens, ideias ou estados emocionais são expressos. A comunicação humana não verbal
é a forma não discursiva, efetuada através de vários canais de comunicação (ROSO, 1998).

Os gestos e os movimentos fazem parte dos inúmeros canais de comunicação que


o ser humano utiliza para expressar suas emoções e sua personalidade, comunicar atitudes
interpessoais, transmitir informações nas cerimônias, nos rituais, nas propagandas, nos
encontros sociais e políticos e demonstrações de arte (ROSO, 1998).

A comunicação não verbal, como um meio de transmissão e recepção de


uma mensagem, como um meio de interação e entendimento entre os seres
humanos, não pode ser desvinculada do contexto individual ou de natureza
social ao qual pertence a informação. Grande parte das informações que são P
geradas e emitidas por esses canais não verbais situa-se abaixo do nível da S
I
consciência (ROSO, 1998, p. 111). C
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128 TÓPICO 2 UNIDADE 3

FIGURA 43 - CÓDIGOS NA COMUNICAÇÃO

FONTE: Disponível em: <http://grhprofissional.blogspot.com.br/2014/09/quem-nao-se-


comunica-se-trumbica.html>. Acesso em: 17 jul. 2016.

Passamos boa parte de nossa vida nos comunicando. Compartilhamos pensamentos,


procuramos compreender os sentimentos de outra pessoa com habilidades essenciais para o
funcionamento de qualquer sociedade no mundo. Não é nenhuma surpresa, então, que a dificuldade
com a comunicação não é algo estranho que nos leva a buscar aconselhamento, orientação de um
profissional para identificar quais problemas estamos tendo para nos comunicarmos.

4 DIFICULDADES NA COMUNICAÇÃO

P
S A nossa forma de codificar e decodificar mensagens é baseada no processo de
I
C comunicação que fomos desenvolvendo nas fases anteriores da nossa vida.
O
L
O Todos os dias somos envolvidos e dominados por informações, imagens, sons,
G que, de uma forma ou de outra, tentam mudar, criar, ou cristalizar opiniões, ou
I
A atitudes nas pessoas. Isto é a própria mediação de nossas relações sociais.
Como assinala Guareschi (1993), não há como negar a evidência de que hoje
D os meios de comunicação envolvem os seres humanos num novo espaço
A
acústico, que McLuhan (1962; 1969; 1967) chama de ‘mundo retribalizado’,
C onde eles passam a ser bombardeados, instantaneamente, por variadíssimas
O e inúmeras informações de todas as partes do mundo. Esse espaço acústico
M
U pode assumir, muitas vezes, características de um agente revolucionário im-
N perialista, que tem o poder de construir e moldar os seres humanos como bem
I entende. Assim, quem controla esse espaço pode determinar que tipo de ser
C
A humano vai se formar (ROSO, 1998, p. 126-127).
Ç
Ã
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UNIDADE 3 TÓPICO 2 129

Todas as palavras são realmente apenas símbolos que representam certas coisas,
e cada pessoa pode ter uma compreensão um pouco diferente, mesmo no nível da palavra
individual. Além disso, o número real de palavras que conhecemos e a complexidade das
alterações de linguagem com mais experiência, e as formas como codificar e decodificar
mensagens são determinados pela nossa cultura, padrões de família e outras experiências.

Problemas de comunicação podem surgir em cada passo que damos quando saímos
de nós mesmos e vamos ao encontro dos outros sabendo de antemão que o outro não teve
exatamente as mesmas experiências de vida e os mesmos padrões de comunicação que nós
tivemos, e aí os ruídos na comunicação podem atrapalhar.

FIGURA 44 - EMISSOR E RECEPTOR

FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/385041/>. Acesso em: 16 jul. 2016.

P
S
Um problema muito comum que nós podemos ter como receptores de mensagens é I
C
como se dá a codificação do nosso pensamento, do nosso sentimento ou da nossa necessidade O
L
naquele momento. Como será filtrado aquilo que estamos recebendo. Pense em como você O
G
pode codificar, por exemplo, a mensagem da sensação de fome de uma criança de três anos I
A
de idade de diferentes formas. Esta criança provavelmente não fala como você, por isso é
D
preciso escolher a melhor maneira de codificar uma mensagem que, para essa criança, é de A
suma importância que seja entendida. C
O
M
U
Outro problema comum é que às vezes os nossos pensamentos, sentimentos ou ideias N
são extremamente complexos, e nós não podemos confiar em nosso próprio bom senso. Assim, I
C
o envio de mensagens para além de coisas que não entendemos em nós mesmos também A
Ç
Ã
O
130 TÓPICO 2 UNIDADE 3

tem uma baixa probabilidade de ser compreendidas pelo receptor. São os ruídos, as barreiras
na comunicação.

FIGURA 45 - BARREIRAS NA COMUNICAÇÃO

FONTE: Disponível em: <http://ideagri.com.br/plus/modulos/noticias/imprimir.php?cdnoticia=414>.


Acesso em: 2 jun. 2016.

Podemos identificar na figura anterior que quando há problemas na comunicação, a


culpa é de ambos, emissor e receptor. O receptor, quando recebe uma mensagem, pode não
ter habilidade suficiente para decodificá-la, adicionar significado próprio que não coaduna com
a intenção do remetente da mensagem.

Quem envia a mensagem pode codificar o pensamento, o sentimento ou necessidade


de uma forma que torna difícil a compreensão pelo receptor. Vamos imaginar, por exemplo,
P
S como se pode codificar a mensagem da sensação de fome de forma diferente para uma criança
I
C
de três anos de idade e alguém que não fala a mesma língua que você.
O
L
O
G LEITURA COMPLEMENTAR
I
A
Decifrando a comunicação não verbal no processo de negociação: será que a outra
D
A parte está dissimulando?
C
O
M Mônica Portella
U
N
I
C A comunicação não verbal é uma parte importante do processo de negociação,
A
Ç uma vez que nos comunicamos não apenas com as palavras, mas com todo o nosso corpo
Ã
O (paralinguagem, gestos, posturas, expressão facial, movimentos dos olhos etc.). A porcentagem
UNIDADE 3 TÓPICO 2 131

de comunicação não verbal na transmissão de qualquer mensagem é muito elevada:

• Os elementos não verbais da comunicação social são responsáveis por aproximadamente


65% do total das mensagens enviadas e recebidas.
• Assim, apenas 35% do significado de uma conversa corresponderiam às palavras
pronunciadas, sendo que 65% das mensagens seriam comunicados por meio não verbal.

Logo, o negociador que não sabe decodificar mensagens não verbais, está perdendo
65% do que é comunicado, sendo assim, este, além de perder grande parte da comunicação,
deixa de aproveitar oportunidades importantes para fazer bons negócios, bem como facilitar
este processo complexo. Em contrapartida, o negociador que sabe decodificar mensagens não
verbais pode negociar de forma mais eficaz, bem como empregar tais estratégias para facilitar
o processo de negociação (artigo: tire partido dos sinais que enviam seus clientes).

Uma negociação efetiva e bem-sucedida exige que sejamos capazes de nos comunicarmos
e nos relacionarmos com outras pessoas. Para este intuito, podemos lançar mão de uma série
de técnicas, bastante simples, que não são abordadas durante nossa formação. Dentre essas
técnicas cabe destacar estratégias relacionais baseadas na comunicação não verbal:

• Será que ao negociar estamos transmitindo sinais não verbais para que a outra parte possa ler?
• Conseguimos ler corretamente as mensagens não verbais transmitidas pela outra parte e
empregamos adequadamente tais informações?

Interpretar corretamente mensagens não verbais adiciona força nas nossas habilidades
de negociação, uma vez que aprendemos o que o outro lado está comunicando não verbalmente.
Por outro lado, sabemos o que está sendo transmitido à outra parte, por meio da comunicação
não verbal, e assim podemos empregar tal conhecimento de acordo com nossos objetivos.

O estudo da comunicação não verbal pode ser subdividido em uma série de tópicos:
P
S
• gestos, posturas e movimentos do corpo; I
C
• face e movimentos dos olhos; O
L
• paralinguagem (tom de voz, pausas, velocidade da fala etc.); O
G
• vestuário; I
A
• território (distância que mantemos das pessoas);
D
• sinais não verbais de dissimulação; A

• comunicação não verbal com estrangeiro. C


O
M
U
Cada um dos itens acima transmite mensagens sobre o que estamos comunicando, bem N
I
como sobre a comunicação da outra parte, no entanto, dada a natureza do presente trabalho, C
A
não abordaremos aqui técnicas para decifrar o significado dos diversos tipos de mensagens Ç
Ã
não verbais, bem como questões relacionadas ao impacto das mensagens não verbais sobre a O
132 TÓPICO 2 UNIDADE 3

outra parte. Um aspecto importante no que se refere à comunicação não verbal no processo de
negociação, diz respeito à identificação da dissimulação por meio da comunicação não verbal.

• É possível identificar a omissão de informação no processo de negociação?


• É possível identificar a dissimulação neste processo?

De acordo com as pesquisas na área, podemos identificar sinais não verbais de


dissimulação e a omissão de informação no processo de negociação, com um pouco de
treinamento. Serão discutidos, a seguir, alguns desses indícios não verbais de dissimulação.

Dissimulamos com mais facilidade com as palavras do que com os gestos ou posturas.
É verdade que as pessoas em uma interação podem exibir um rosto enganosamente simpático,
construir um sorriso falso ou fingir raiva. Podem também ser falsas em suas ações, bem como
com as palavras, mas apenas quando sabem mais ou menos o que fazer (artigo: gestos que
delatam: a linguagem secreta do sucesso).

Embora o “bom dissimulador” emita um menor número de sinais com o corpo e a face,
suprimindo a maior parte dos sinais não verbais, restam quase sempre alguns sinais difíceis
de serem eliminados. Tais sinais não verbais de dissimulação podem ser detectados pelo
negociador bem treinado.

GESTOS

As pistas mais facilmente suprimíveis na dissimulação são os gestos. Apesar disso,


tanto as pessoas que estão dissimulando, tanto a vítima da dissimulação, costumam dar pouca
atenção a eles, e, sabendo disso, poucas pessoas procuram controlar seus gestos. Por esta
razão, o corpo pode se tornar uma fonte valiosa de informações no que se refere à mentira.
Existem alguns tipos de gestos que merecem atenção.

P O corpo denuncia a dissimulação: emblemas sinais gestuais que, dentro de uma cultura,


S
I possuem um significado preciso. Aparecem cortados e/ou incompletos quando a pessoa mente,
C
O surgindo, geralmente, fora da região de apresentação (entre pescoço e quadris). Por exemplo,
L
O um negociador pode balançar a cabeça, em sinal de não, quando responde que concorda com
G
I uma proposta. Aqui verificamos uma contradição entre verbal e não verbal:
A

D
A • Ilustradores: gestos diretamente ligados à fala. Servem para enfatizar ou ilustrar o discurso.
C As pessoas usam menos ilustradores quando falseiam uma informação. Na mentira, os
O
M ilustradores aparecem fora de sincronia com o discurso.
U
N • Manipuladores: caracterizam-se como movimentos de auto manipulação, como coçar o nariz,
I
C passar a mão no cabelo, esfregar o queixo etc. a frequência de manipuladores aumenta
A
Ç quando a pessoa está tensa (não necessariamente quando está mentindo). Entretanto, como
Ã
O muitas pessoas sentem-se tensas quando estão mentindo, estes gestos podem aumentar.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 133

PARALINGUAGEM

A paralinguagem remete a uma série de ocorrências na linguagem, mas que não façam
parte da Língua. Assim temos:

a) variações de altura e intensidade da voz;


b) as pausas;
c) sons que não fazem parte da língua, como os risos e suspiros;
d) a velocidade da fala etc.

Embora tenhamos um grande controle sobre o conteúdo de nossa fala, a paralinguagem


pode, muitas vezes, nos trair, fornecendo pistas de que estamos mentindo. Destacamos a
seguir alguns sinais paralinguísticos da mentira:

•  a fala torna-se mais alta e menos fluente na dissimulação;


• hesitação no início da fala, principalmente antes de responder a uma pergunta, pode indicar
que a outra parte está dissimulando. Por exemplo, um negociador pode hesitar ao responder
questões a respeito de um certo tema, isto pode indicar sonegação de informação verdadeira;
• as pausas tornam-se mais longas e frequentes, é como se a outra parte precisasse pensar
antes de responder.
• pelo nervosismo, o tom de voz pode ficar mais agudo.

FACE

 As pessoas possuem maior dificuldade de mentir com a face do que com as palavras.
Quando falamos, podemos nos monitorar com a audição, o mesmo não acontece com as
expressões faciais. Inibir uma expressão facial espontânea pode ser muito difícil, e nem sempre
estamos atentos o suficiente para antecipar sua ocorrência e controlá-la a tempo de escondê-
la com outra expressão. Enumeramos a seguir algumas pistas faciais indicadoras de que a
pessoa está dissimulando: P
S
I
C
• expressões quebradas: aparecem para tentar controlar a expressão facial dissimulada. Por O
L
exemplo, um sorriso ou outra expressão falsa podem ser criados para encobrir a expressão O
G
facial de frustração diante da proposta da outra parte; I
A
• timing: expressões verdadeiras são demonstradas rapidamente. Se a expressão não é
D
verdadeira, esta tende a permanecer por mais tempo no rosto; A

• expressões assimétricas: expressões voluntárias (não espontâneas) são assimétricas, C


O
enquanto que as involuntárias (espontâneas) são simétricas. Por exemplo, um negociador M
U
pode dizer que está satisfeito com o acordo proposto, enquanto exibe sinais de raiva em um N
I
lado da face e dos outros sinais de alegria; C
A
• falta de sincronia: se a expressão de uma emoção aparece depois das palavras relativas a Ç
Ã
esta, provavelmente ela é falsa. Normalmente, a expressão de uma emoção genuína aparece O
134 TÓPICO 2 UNIDADE 3

junto com as palavras e até alguns segundos antes.

CONCLUSÃO

Vimos que a comunicação não verbal é uma parte importante do processo de negociação,
uma vez que nos comunicamos não apenas com as palavras. O negociador que não sabe
decodificar mensagens não verbais, está perdendo 65% do que é comunicado. Em contrapartida
o negociador que sabe decodificar mensagens não verbais pode negociar de forma mais eficaz,
bem como empregar tais estratégias para facilitar o processo de negociação.

Em suma, podemos aprender a ler e fazer uso dos sinais não verbais no processo
de negociação, bem como decodificar a dissimulação, alcançando desta forma melhores
resultados. Por outro lado, a falta de tais habilidades pode nos deixar em desvantagem em
relação à outra parte.

FONTE: Disponível em: <http://www.sdr.com.br/professores/MPortella/Decifrando.htm>. Acesso em:


30 jul. 2016.

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 3 TÓPICO 2 135

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, vimos que:

• Os psicólogos sociais podem ser capazes de ajudar os anunciantes e comerciantes a


descobrir como usar a influência do grupo para ajudar a obter mais pessoas a comprar
determinadas marcas.

• A psicologia social pode, a partir de seus estudos, ser aplicada para ajudar a pôr um fim ou
diminuir a propagação de certos problemas sociais.

• A comunicação não verbal é um meio, dentre outros, de transmitir informação.

• A comunicação, com suas características peculiares, torna possível a análise de todos os


fenômenos culturais, sejam estas linguagens verbais ou não verbais; sabendo que todos
esses fenômenos são sistemas de signos e, portanto, fenômenos de comunicação.

• Todas as palavras são realmente apenas símbolos que representam certas coisas, e cada
pessoa pode ter uma compreensão um pouco diferente, mesmo no nível da palavra individual.

• Às vezes, os nossos pensamentos, sentimentos ou ideias são extremamente complexos, e


nós não podemos confiar em nosso próprio bom senso.

• O receptor, quando recebe uma mensagem, pode não ter habilidade suficiente para decodificar
a mensagem, adicionar significado próprio que não coaduna com a intenção do remetente
da mensagem. P
S
I
C
• Quem envia a mensagem pode codificar o pensamento, o sentimento ou necessidade de O
L
uma forma que torna difícil de ser compreendido pelo receptor. O
G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
136 TÓPICO 2 UNIDADE 3


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE – 2015) Em homenagem ao Dia do Motorista, comemorado em 25 de julho,


foi veiculado o seguinte anúncio publicitário: Esse. Anúncio. É. Assim. Mesmo. Com.
Uma. Série. De. Pontos. Um. Atrás. Do. Outro. Porque. É. Para. Lembrar. A. você.
Que. Hoje. É. Dia. De. Homenagear. O. Motorista. De. Ônibus.
Clube de Criação de São Paulo, 24. Anuário de Criação. São Paulo, 1999. (Adaptado).

Considerando o anúncio mencionado no texto, avalie as afirmações a seguir:

I. A utilização da palavra “Pontos” no anúncio é realizada com o objetivo de evocar


duplo sentido.
II. No anúncio, faz-se uso de metalinguagem para explicar o processo criativo de sua
produção e o emprego da pontuação.
III. A ideia criativa do anúncio explora o uso excessivo do ponto, a fim de remeter ao
percurso realizado por um motorista de ônibus, ao longo de um dia de trabalho.

É correto o que se afirma em:

a) ( ) I, apenas.
b) ( ) III, apenas.
c) ( ) I e II, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.

P
S 2 (ENADE – 2012) A seguinte queixa foi encaminhada ao Conselho Regional de
I
C Psicologia. Uma adolescente, atendida no setor de orientação vocacional, queixou-
O
L se de que o psicólogo influenciava pacientes a participar de cultos, relacionando
O
G acontecimentos à vontade de Deus; utilizava-se de mapa astral em suas orientações
I
A e realizava atendimento a diferentes pessoas de uma mesma família propiciando
D a troca de informações entre elas. Foi constatado o uso de mapas astrológicos
A
em sessões de orientação vocacional como ferramenta complementar de análise.
C
O
Verificou-se, ainda, que houve indução a convicções morais e religiosas e que foi
M
U
realizado atendimento individual a diversos membros da família. Em sua defesa, o
N
I
psicólogo negou ter abordado a questão religiosa e devassado o sigilo, destacando
C
A
ser relativa a inviolabilidade, já que a atendida era menor de idade. Afirmou utilizar-
Ç se somente de instrumentos científicos e, eventualmente, da técnica de mapa astral
Ã
O
UNIDADE 3 TÓPICO 2 137

para melhor compreender os pacientes e abreviar os processos psicoterápicos.


Psi Jornal de Psicologia CRP SP, n. 168, mar./abr./2011. Disponível em: <http://www.
crpsp.org.br/portal/comunicacao>. Acesso em: 6 jul. 2012 (adaptado).

Com base na situação apresentada e tendo como referência o Código de Ética


Profissional do Psicólogo, avalie as afirmações a seguir.

I. A astrologia não é prática complementar da Psicologia e tampouco método científico;


desse modo, não pode ser utilizada direta ou indiretamente no decorrer de um
processo ou tratamento psicológico.
II. O psicólogo tem o dever de respeitar o sigilo profissional, protegendo, por meio da
confidencialidade, a intimidade das pessoas; entretanto, na situação apresentada,
a pessoa atendida era menor de idade, o que autoriza o psicólogo a repassar aos
familiares as informações obtidas.
III. Ao psicólogo é vedado induzir a convicções políticas, filosóficas, morais ou religiosas
no exercício de suas funções profissionais; portanto, no caso relatado, o psicólogo
infringiu o Código de Ética Profissional.

É correto o que se afirma em:

a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
c) ( ) I e III, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.

P
S
I
C
O
L
O
G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
138 TÓPICO 2 UNIDADE 3

P
S
I
C
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G
I
A

D
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C
O
M
U
N
I
C
A
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O
UNIDADE 3

TÓPICO 3

A PSICOLOGIA COMO FUNDAMENTO DA


RESPONSABILIDADE NA COMUNICAÇÃO

1 INTRODUÇÃO

As mídias sociais de todos os tipos e formas se tornaram uma parte tão importante da
nossa sociedade que, olhando para elas de uma forma negativa, só irá provocar retrocessos
de tudo o que já foi construído até aqui no que tange à comunicação. Nós, como sociedade,
devemos promover e continuar a incorporar a mídia social de forma cada vez mais positiva,
porque sites de redes sociais são ferramentas poderosas quando precisamos entrar em contato
com pessoas que estão distantes de nós.

Acreditamos que as mídias sociais apresentam, na maior parte, contribuições positivas,


no entanto, precisamos levar em conta que o efeito que a mídia social tem sobre cada pessoa
é sempre diferente. E aí entra a psicologia para acompanhar todo esse processo, caso a caso,
mesmo porque as mídias sociais são um campo que está em contínua mudança e aí, quando
se resolve a questão de como o uso de mídia social afeta a interação das pessoas, mais
perguntas continuarão a surgir, da mesma forma como esses sites vão continuar mudando.
Continuam a mudar. Por isso, os questionamentos, seja na psicologia, seja na comunicação,
P
seja na sociologia, permanecem, já que estamos tratando de indivíduos que vivem em sociedade S
I
e querem aproveitar essas novas tecnologias. C
O
L
O
G
I
A

2 O SUJEITO E AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS D


A

C
O
O desenvolvimento de novas tecnologias disparou nos últimos anos e esses avanços M
U
têm desempenhado um papel significativo no avanço do campo da psicologia, e a própria N
I
psicologia tem utilizado uma série de tecnologias no seu campo de atuação. Temos a seguinte C
A
realidade: quando pequenos grupos de pessoas interagem uns com os outros em tempo real, Ç
Ã
usando tipos diferentes de meios de comunicação (por exemplo, telefones, computadores O
140 TÓPICO 3 UNIDADE 3

e videoconferência), os processos que se desenrolam durante a interação face a face são


combinados por vários fatores únicos para a mediação. Um exemplo evidente de investigação
sobre este tipo de comunicação é a comunicação mediada por computador, em que dois
indivíduos contam com a tecnologia baseada em computador para realizar uma interação.

Variadas são as preocupações, nos últimos 20 anos, com o fato de que as revoluções
das tecnologias da informação resultem na potenciação do “ensimesmamento” do homem,
isto é, na sua introspecção individualista e egoísta. Uma vez que os recursos tecnológicos de
comunicação e informação estejam ao seu dispor, é natural que esse tipo de preocupação e
especulação sociológica venha à tona. Assim, os indivíduos tenderiam, crescentemente, ao
isolamento doméstico. Até as necessidades afetivas poderiam, como em grande parte podem,
ser atendidas virtualmente.

Uma pergunta que deve ser corriqueira na atualidade é sobre como a mídia social afetará
as relações e as interações das pessoas na sociedade. O que já é real é que há uma diminuição
visível dessas interações face a face por causa do advento e popularização das mídias sociais
na última década. Não se pode afirmar que as mídias sociais estejam de fato prejudicando a
capacidade das pessoas para interagir umas com as outras em um ambiente real.

Estudos sobre a competência social dos jovens que passam grande parte de seu tempo
em redes sociais são às vezes muito conflitantes. Há sempre as análises que ficam com os
lados extremos e aí fazem julgamentos sem fundamentos em relação às pessoas que passam
muito tempo nas mídias sociais. Aqui, é mais necessária a psicologia, como acompanhamento
e orientação do que pesquisar e investigações apenas para detectar os males que podem advir
do uso das redes sociais e os comportamentos antissociais.

Por outro lado, o que vemos com bastante frequência, nas últimas duas décadas, é uma
superação dos isolamentos comportamentais pela intensificação das formas de comunicação
virtual. Não sendo físicas, essas formas de comunicação pela web provocam, não obstante, um
P aumento exponencial dos diálogos e da troca de informação. Amplificam, ao invés de diminuir, os
S
I relacionamentos. Permitem, por extensão, a amplificação de grupos sociais distantes fisicamente.
C
O
L
O As redes sociais são um exemplo fantástico de multiplicação de relacionamentos, trocas
G
I de informação, de solidariedade e também de engajamento em questões coletivas. As cidades
A
estão cheias de movimentos pela internet. Cada vez que alguém tem uma boa e contagiante
D
A ideia e a lança no Facebook, ela se alastra rapidamente e é capaz de interferir no resultado
C de um pleito eleitoral, de salvar animais, de denunciar uma injustiça, de revitalizar uma praça
O
M (como é o caso da Prainha de Blumenau, comprometida pela enchente de 2011, na curva do
U
N Rio Itajaí-açu, e ocupada por jovens, a partir de um chamamento via rede social, denominado
I
C “Vamo se unir” (sic).
A
Ç
Ã
O Nessa direção, é possível dizer que as críticas e os temores mais pessimistas em
UNIDADE 3 TÓPICO 3 141

relação à individualização dos comportamentos parecem fadados ao esquecimento. Não


é por desmerecimento às advertências de certa vertente sociológica, sempre crítica aos
avanços tecnológicos, mas comparando o que se dizia há dez ou 15 anos sobre o receio
de “ensimesmamento” dos indivíduos, os primeiros anos da segunda década do século XXI
parecem desconstruir os argumentos dos céticos.

No mesmo sentido, é possível lançar mão dos e-mails, dos recursos de busca na
internet, principalmente do Google, através do qual uma simples busca de um nome de um
valioso amigo ou parente nos permite o restabelecimento de contatos afetivos e profissionais
jamais imaginados pelos nossos bisavós. Tomem-se as facilidades do MSN, nessa perspectiva:
Ah, um amigo me falou de ti e me deu o teu endereço. Podes me adicionar? E lá vem aquelas
boas lembranças, sucedidas de contatos, de agendamentos de encontros presenciais, sim,
presenciais e, como num passe de mágica, tudo é resolvido. Num passe de mágica? Não.
Fruto do incansável, audacioso e ambicioso esforço humano na busca do conhecimento e ao
encontro de alternativas e soluções que, não importa se imbuídos do desejo de lucro ou poder,
facilitam, melhoram e trazem felicidade às vidas humanas.

A solidariedade, a comunicação e a coletivização são aspectos inerentes às formas de


organização social, na família, na igreja, nas empresas, nas associações e nas “tribos”. E não
há razão para acreditarmos que os recursos das tecnologias de comunicação tenham sido
imbuídos de intenções obscuras de ensimesmamento, individualização e insulamento humanos.
Nem mesmo é possível acreditar que, com o que podemos ver com nossos próprios olhos,
todas essas comodidades tecnológicas sejam utilizadas pelos “animais que falam” justamente
para que se tornem taciturnos. Seres humanos precisam de gente ao redor e qualquer desvio
nesse sentido sempre existiu, é escolha de alguns indivíduos ou resultado de outras causas
que constituem a exceção e não a regra.

[...] A relação com a realidade concreta com seus cheiros, cores, frios, calo-
res, pesos, resistências e contradições é mediada pela imagem virtual que é
somente imagem. O pé não sente mais o macio da grama verde. A mão não
pega mais um punhado de terra escura, o mundo virtual criou um novo hábitat P
para o ser humano, caracterizado pelo encapsulamento sobre si mesmo e pela S
I
falta do toque, do tato e do contato humano (BOFF, s.d.). C
O
L
Outra realidade muito importante e já presente e que merece destaque é a inclusão O
G
digital, que para ser autêntica precisa estar ligada à inclusão social. I
A

D
Neste sentido, como afirma Ferreira (2004), o computador é uma ferramenta de A

construção e aprimoramento de conhecimento que permite acesso à educação e ao trabalho, C


O
desenvolvimento pessoal e melhor qualidade de vida. M
U
N
I
Diante do cenário high tech (de alta tecnologia), a inclusão digital faz-se ne- C
cessária para todos. As situações rotineiras geradas pelo avanço tecnológico A
produzem fascínio, admiração, euforia e curiosidade em alguns, mas, em Ç
Ã
outros, provoca sentimento de impotência, ansiedade, medo e insegurança. O
142 TÓPICO 3 UNIDADE 3

Algumas pessoas ainda olham para a tecnologia como um mundo complica-


do e desconhecido. No entanto, conhecer as características da tecnologia e
sua linguagem digital é importante para a inclusão na sociedade globalizada
(FERREIRA, 2004, p. 86).

3 A ATUAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Como podemos entender os meios de comunicação de massa a partir de uma definição?


A comunicação de massa tem sido tipicamente entendida como organização, por exemplo,
jornais, empresas de produção cinematográfica ou estúdios de televisão, que utilizam uma
tecnologia de mídia para distribuir informação para grandes audiências. Com essa nova era
digital e tecnológica que todos estamos vivendo, o contraste entre as grandes organizações
e grandes audiências foi descaracterizado, já que agora se tornou possível qualquer pessoa
produzir uma “notícia” e “postar na net”, onde milhares de pessoas irão visualizar. Os 15 minutos
de fama preconizados por Andy Warhol se tornaram realmente possíveis nos nossos tempos.

As tecnologias de comunicação de massa mudaram a forma como pensamos sobre


comunicação em geral, considerando o diálogo, a divulgação e combinação de ideias entre
duas ou mais pessoas. Do ponto de vista dos processos psicológicos, uma maneira de se
aproximar de comunicação de massa é como uma combinação de face a face e interações
interpessoais mediadas.

Os meios de comunicação vivem hoje um senso de responsabilidade social norteados por


uma ética que orienta praticamente todas as suas ações, seja na mídia ou outras organizações,
exercendo importância comum para com o ambiente, a sociedade, a cultura e a economia. Os
meios de comunicação mostram uma preocupação muito grande em promover discussões em
relação aos aspectos ambientais e socioculturais, até em relação à economia, à política, aos
movimentos sociais, que por causa da globalização e da informatização buscam a diversificação
P
S em suas atuações, assim como a política, a economia etc.
I
C
O
L Como a mídia social afetará a interação em nossa sociedade? Desde o advento e
O
G popularização das mídias sociais na última década, ainda não há pesquisas, mas não há provas
I
A para apoiar as alegações de que a mídia social esteja de fato prejudicando a capacidade das
D
pessoas de interagir com competência em um ambiente sem utilização de alguma mídia, ao
A
mesmo tempo temos pessoas com relacionamentos muito fortes no mundo real utilizando as
C
O
mídias sociais como um local adicional para interagir com outras pessoas que fazem parte do
M
U
seu convívio. São pessoas extrovertidas que querem usar a mídia social como uma saída extra
N
I
para interagir com amigos da escola, do trabalho e também da família.
C
A
Ç Como a mídia social afetará a interação em nossa sociedade? Já não é de hoje que
Ã
O o face a face nas interações pessoais diminui por causa dessas novas tecnologias sociais.
UNIDADE 3 TÓPICO 3 143

Várias teorias em psicologia social tentam compreender o papel da mídia na


sociedade. Todas, de um modo ou de outro, tentam iluminar essa problemática.
Algumas teorias, contudo, não dão conta de explicar determinados mecanis-
mos e obscurecem a compreensão global da realidade. Elas explicam algo,
mas ficam no meio do caminho. Assim, por exemplo, o que está por detrás
do comportamentalismo, cognitivo e psicanálise é uma visão cartesiana: a
dicotomia entre o mundo externo e interno. Cada abordagem tem sua maneira
específica de explicar e lidar com essa dicotomia. Tanto os comportamentalistas
quanto os cognitivistas partem da concepção de que existem seres humanos
que podem saber o que é melhor para a humanidade e, portanto, são dignos
de controlar e construir desejos nas pessoas (ROSO, 1998, p. 134).

Essa realidade relacionada a essa responsabilidade social dos meios de comunicação é


relativamente um novo conceito, começou em meados do século 20, e é usado principalmente
por países menos desenvolvidos e em desenvolvimento.

A teoria da responsabilidade social dos meios de comunicação mudou a maneira


da imprensa efetuar a publicação de notícias a partir de informações objetivas obtidas na
interpretação do que é produzido. Antes desta teoria se fazer valer, os fatos eram apresentados
sem nenhuma interpretação. O receptor é que fazia suas próprias interpretações, à sua maneira.
Essa situação evolui porque, como se vê, temos aí o problema de interpretação que não foi
baseada na realidade. É aí que entra uma nova dinâmica de comunicação interpretativa,
e o jornalismo investigativo entra em ação quando passa a buscar, através de uma séria
investigação, a realidade por trás de cada caso.

S!
DICA

Assista ao filme
P
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L
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G
I
A

D
A

C
O
M
U
N
I
C
FONTE: Disponível em: <http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQJ19-QyPb-cdY99Dm9 A
GjsDpXhW2CtUw6kFvEymXpDesX_Pifh7>. Acesso em: 16 abr. 2016. Ç
Ã
O
144 TÓPICO 3 UNIDADE 3

Um filme que retrata bem a realidade do jornalismo investigativo é o filme Spotlight,


que relata a situação difícil de um grupo de jornalistas que apresenta um número
enorme de documentações provando abuso de crianças realizado por padres na cidade
de Boston. A história, baseada em fatos reais, é pesada, mas mostra a importância
da investigação na busca e apresentação da comunicação da verdade.

É muito difícil um mesmo meio de comunicação de massa ter unanimidade junto aos
receptores, pois há muita seletividade e a reação ocorre de diferentes formas através de sua
própria experiência e orientação de acordo com a mídia de massa. Algumas dessas mídias
são: revistas, Televisão, jornais, internet.

Devido às infinitas variedades de meios de comunicação que temos hoje, existem


grandes limitações que parecem ter um impacto impressionante na dinâmica de comunicação. A
maior limitação dos meios de comunicação é a competição. Soa estranho, pois é a competição
que os mantêm criativos, atentos e na incessante busca de renovação, mas, como vimos
anteriormente, a reação do receptor nem sempre é previsível.

FIGURA 46 - MANIPULANDO A INFORMAÇÃO

P
S
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L
O
G
I
A FONTE: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd163/los-medios-de-comunicacion-en-
el-mundo-del-deporte.htm>. Acesso em: 16 jul. 2016.
D
A

C
O
Cada meio de comunicação de massa quer ser o único a atingir o público, aumentando
M
U
a concorrência. Como exemplo temos a transmissão dos jogos de futebol. Há empresas que
N
I
compram o horário de transmissão porque, a partir de pesquisas de mercado, identificam
C o público receptor daquele programa e querem vender seu produto para esse público. É
A
Ç praticamente uma via de mão dupla: os meios de comunicação precisam das empresas e
Ã
O as empresas precisam dos meios de comunicação, e ambos miram no público receptor. É a
UNIDADE 3 TÓPICO 3 145

opção de escolha.

Já virou senso comum que na atualidade cada vez mais esportes, equipes, organizações
não governamentais estão lançando programas de mídia social, participando e interagindo nas
redes e mídias sociais. Por que está acontecendo isso? Qual a importância?

• Primeiro: os admiradores do esporte, do esportista, mudaram os seus hábitos e estão


migrando para as mídias e plataformas sociais, sem deixar a TV, a mídia impressa.
• Segundo: criaram-se possibilidades de maior interação entre fã/admirador com o esportista,
com o time.
• Terceiro: a valorização do esportista caminha com sua “entrada” nas mídias sociais: quantos
seguidores, quantos twits, quantas curtidas, quantos compartilhamentos etc.
• Quarto: as mídias sociais servem para reforçar uma marca.
• As mídias sociais, de alguma forma, motivam a participação em alguma instituição como
forma de ajudar outras pessoas.

Parece óbvio, mas somente a criação de uma página com fãs no Facebook ou conta
no Twitter, sem uma compreensão das regras de engajamento social, não garante os itens
acima elencados. Pode acontecer o inverso: pode resultar em oportunidades perdidas, pode
provocar um isolamento no mundo digital, diminuindo as relações no mundo real.

FIGURA 47 - MUNDO REAL?

FONTE: Disponível em: <http://suzyanearaujo.blogspot.com.br/2011/10/interpretando-charges. P


html>. Acesso em: 25 jun. 2016. S
I
C
O
Já passou o tempo em que se discutia qual veículo era mais importante no mundo das L
O
comunicações: se a mídia social ou se o espaço do anúncio de televisão no horário nobre. G
I
Todos os meios são importantes, porque atingem um determinado público ou pela importância, A

por exemplo, de algo veiculado na TV, independentemente da audiência, vai ser transportado D
A
voluntariamente para redes de mídia social que têm a capacidade de envolver os fãs para além
C
do dia do jogo, do evento, da entrevista, ou seja, em tempo real. O
M
U
N
Assim, como afirma Pavarino (2003), a importância e a influência dos meios de I
C
comunicação de massa nas sociedades são inegáveis e o processo de identificação e avaliação A
Ç
destes efeitos depende de algumas variáveis: Ã
O
146 TÓPICO 3 UNIDADE 3

• da tecnologia utilizada como difusora das informações: tevê, rádio, imprensa são compreendidos
de maneira distinta uns dos outros. A televisão, por exemplo, possui conteúdo fragmentado
e maior visibilidade;
• do acesso: há regiões no Brasil onde o rádio é o meio mais acessível;
• das diferenças culturais, sociais e econômicas que influenciam na escolha e no acesso aos
meios: os jornais são mais lidos pelas classes A e B;
• do papel que cada meio possui na sociedade em que atua: jornais, por exemplo, são mais
relevantes para a opinião pública em alguns países da Europa do que no Brasil.

Com o avanço e acessibilidade da tecnologia na atualidade, cada vez mais se torna


possível o uso quantitativo pelas pessoas do que essas possibilidades oferecem e, por
consequência, a forma como a sociedade vai migrando para essas novas mídias. Veja, por
exemplo, a evolução do celular. De simples telefone para chamadas à infinidade de opções
que temos, inclusive de chamadas telefônicas. O tablet, o computador de mesa, o notebook,
a televisão a cabo etc.

Mesmo com todas essas possibilidades, a mídia impressa ainda é o tipo mais influente na
formação de opinião. Vivemos momentos de grandes incorporações, fusões, de encerramento de
edições tanto de revistas quanto de jornais impressos. Por que acontece essa reestruturação?

Em um mundo de economia globalizada, de concorrência acirrada, é comum


verificar nas organizações, especialmente as privadas, a tendência em buscar
estratégias que propiciem seu crescimento por meio de reestruturações que
lhes garantam maior competitividade, como exemplo, estratégias de cresci-
mento interno, integração horizontal ou vertical, fusões e incorporações (DIAS;
PORTILHO, 2011, p. 2).

Você já considerou seriamente como deve se sentir um atleta profissional em um


momento em que se encontra cercado de vários repórteres do mundo todo, apontando câmeras
que transmitirão imagens para celular, tablet, TV e que logo estarão estampadas nos principais
jornais? Numa linguagem popular diria: isso tudo é muito insano. É o que acontece hoje. E
P
S
se você não é nenhum ‘famoso’ da bola, você é consumidor disso tudo. De uma forma ou de
I
C
outra. Nesta perspectiva, nos tornamos apenas espectadores e a intenção, a motivação, não
O
L
deve ser essa. Um filme que mostra essa situação de mero espectador que demora a reagir,
O
G
seja na frente da TV ou atuando nela, é o filme Show de Truman.
I
A

D
A

C
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M
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N
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 3 TÓPICO 3 147

S!
DICA

Um filme muito interessante sobre um personagem criado em um mundo que simula


a realidade e, nessa realidade simulada, milhões de pessoas assistem desde o
nascimento de Truman até o momento em que ele passa a desconfiar que algo está
errado em sua vida e começa então uma busca pela verdade.

FONTE: Disponível em: <http://www.goldposter.com/26649/>. Acesso em: 27 jun. 2016.

Este filme é muito bacana, não é mesmo? Vemos nele o que acontece no mundo do
esporte: a falta de autocrítica, o narcisismo exacerbado, a falta de escrúpulos que transborda
por toda a sociedade. Para sairmos dessa situação é preciso:

Cultivar, em primeiro lugar, a autocrítica. Qualquer que seja a origem dessa


expressão, não se pode negar o fato de estar sendo ela mundialmente em-
pregada para designar uma atitude cada vez mais necessária na sociedade P
contemporânea. Muito dificilmente poderá alguém progredir se não for capaz S
de reconhecer as próprias deficiências, os próprios defeitos. A autocrítica, I
C
portanto, precisa ser encarada como uma das finalidades da educação e um O
hábito indispensável aos bons esportistas. Deve se tornar uma atitude habitual L
tão arraigada quanto possível, o que não quer dizer que a pessoa descambe O
G
no sentido de excessivo pessimismo. É preciso que cada qual conheça os I
próprios méritos e as próprias possibilidades, mas não esqueça a eventuali- A
dade de diminuição de suas capacidades, assim como as falhas existentes
D
no comportamento de qualquer um (LOBO, 1973, p. 77). A

C
Há muitas maneiras, formas que as pessoas podem utilizar para influenciar o O
M
comportamento dos outros. Nós não esperamos que as pessoas se comportem de forma U
N
aleatória, mas que saibam identificar o comportamento de determinadas maneiras em situações I
C
particulares. Cada situação social, cada evento social implica o seu próprio conjunto de A
Ç
Ã
O
148 TÓPICO 3 UNIDADE 3

expectativas sobre a maneira "correta" ou a maneira mais conveniente de se comportar. Tais


expectativas podem variar de grupo para grupo.

Uma maneira dessas expectativas se tornarem aparentes é quando olhamos para os


papéis que as pessoas desempenham na sociedade. Os papéis sociais são a parte em que
as pessoas agem como membros de um grupo social.

Quando observamos algumas décadas atrás, veremos que as únicas ligações entre
as pessoas era o face a face. Atualmente, temos o Facebook, o Twitter e uma lista crescente
de outras plataformas de mídia social que permitem às pessoas expressar as suas opiniões
para qualquer pessoa, para qualquer assunto, de qualquer lugar do mundo, instantaneamente,
simultaneamente.

Muitas coisas interessantes estão acontecendo hoje no mundo da tecnologia. Os


psicólogos são influenciados pelos avanços tecnológicos de muitas maneiras, no entanto, os
impactos da tecnologia sobre a psicologia podem ser benéficos e prejudiciais. Como a tecnologia
se desenvolve, os médicos, conselheiros, pesquisadores e especialistas em recursos humanos
devem estar todos preparados para lidar com boas e más ações criadas pela tecnologia.

Todas essas mídias sociais devem assumir sua responsabilidade no desenvolvimento


dos indivíduos, permitindo a cada pessoa o direito de falar, de expressar e publicar. Parece
utopia, porque não vemos isso. Quando temos normas de concessão dos meios de comunicação
para determinados grupos as administrarem, percebemos que falta muito para que os meios
de comunicação sejam o lugar de expressão das pessoas e da própria sociedade. Acadêmico,
em seu ponto de vista, os meios de comunicação são um instrumento para o desenvolvimento
social? Tendo presente que a função que transparece das mídias é a de informar, documentar,
analisar, interpretar, mediar e mobilizar, criando e encontrando soluções.

LEITURA COMPLEMENTAR
P
S
I PSICOLOGIA E COMUNICAÇÃO
C
O
L
O Leandro Murta
G
I
A
Um processo de comunicação consiste na correta transmissão de informação e exerce
D
A sobre o receptor um efeito. Este resultado da comunicação é o que podemos chamar de realidade.
C Sabemos que quando entramos neste assunto, há uma complexidade de fatores que vêm sendo
O
M estudados no decorrer dos tempos. Comunicação e Psicologia sempre estiveram intrinsecamente
U
N relacionadas. Bateson (1972, 1979) foi um dos pioneiros no estudo da comunicação humana
I
C e sua aplicação nos estudos da Psicologia. De início houve um interesse de estudar o papel
A
Ç dos paradoxos na comunicação. O projeto partiu da teoria dos tipos lógicos de Russell e das
Ã
O mensagens analógicas e digitais de Whitehead. A comunicação digital corresponde ao conteúdo
UNIDADE 3 TÓPICO 3 149

verbal expresso, enquanto que o analógico é todo o componente emocional envolvido na


mensagem. A partir das ideias de Bateson, temos a teoria da comunicação humana proposta
por Watzlawick (1967), que propõe os axiomas da comunicação. Nestes pressupostos vamos
encontrar a estreita relação entre comunicação e o processo relacional, que a partir de então
vamos encontrar transformações na compreensão da comunicação humana. Este trabalho parte
do pressuposto de que não é possível não se comunicar, bem como não ocorrer interação, e
sim, que sempre estaremos interagindo e as mensagens são ações comunicativas por meio das
quais geramos significados e organizamos a realidade de nossos mundos. Mais recentemente
também encontramos os estudos de Bebchuk (1994), ao propor que toda a conversação é um
entrelaçamento de emoção e linguagem. Com isto estamos falando mais uma vez da relação
que é estabelecida nesta troca. Para o autor, ao escutar, há um convite ao diálogo. Vamos
encontrar a evolução nesta forma de entender a comunicação humana, nos princípios do
construcionismo social, que entende que é através da relação com o outro, em que processos
de trocas comunicacionais são exercidas e, portanto, de onde construímos nossos sistemas de
valores e crenças. Tal compreensão da comunicação vem refletindo profundas modificações na
esfera da Psicologia e nos modos de interação humana. A comunicação é uma das coisas mais
antigas que pertence aos seres humanos, mas só neste último século é que vemos a atenção e o
interesse desta no processo de evolução do ser humano. Talvez com a necessidade da expansão
do conhecimento, o confronto com as divergências, a necessidade de resolução de conflitos e
problemas num espaço de tempo menor, a necessidade vital de aumentar as possibilidades de
ampliar e transmitir as mensagens, tudo isso fez com que as ciências voltassem os interesses
sobre este assunto. Principalmente quando vemos que um dos princípios básicos da comunicação
é a possibilidade de estabelecer um diálogo que é constituído com base nas emoções, e que
esta resulta da participação comum das interações recorrentes, faz com que nos aproximemos
de uma compreensão da comunicação virtual que cada vez mais vem ocupando espaços na
nossa realidade. Neste sentido, estamos falando de uma troca de mensagens com uma rede
que se estende em todas as direções. Com isto, uma profunda transformação nas mudanças de
pensamento e valores se apresenta, uma nova visão de mundo como um todo integrado e não
como uma simples somatória de partes isoladas. É neste momento que vimos a necessidade da
Psicologia e Comunicação mais uma vez se aproximarem do mundo virtual que vem refletindo P
S
a expressão da mais recente forma de comunicação humana e da rede de relações que se I
C
estabelecem dentro de redes, não havendo hierarquias, nem acima nem abaixo, havendo somente O
L
redes aninhadas dentro de redes (CAPRA, 1996). O
G
I
A
Estamos falando de um processo relacional, inserido dentro de um processo de
D
comunicação junto às novas tecnologias, que faz necessário ser parte integrante da atuação A

psicológica, bem como do campo de estudos da Psicologia. E também com isso, cabe refletir C
O
a respeito de como estas inovações podem ser inseridas no mundo acadêmico. É amplamente M
U
conhecido que a tecnologia vem trazendo uma mudança substancial nos assuntos que dizem N
I
respeito às condições humanas. A tecnologia no século 20 tem servido numa expansão particular C
A
e de complexidade no crescimento do potencial para as relações sociais. Estamos falando Ç
Ã
do telefone, do automóvel, rádio, meios de comunicação, televisão, transporte aéreo, mais O
150 TÓPICO 3 UNIDADE 3

recentemente o uso pessoal do computador, a transmissão via satélite, as redes de comunicação


internacionais, o fax, as filmadoras, o telefone móvel, todos fazendo parte da rotina diária com
a função de colocar as pessoas cada vez mais próximas. Cada uma destas tecnologias nos
permite uma comunicação de imediato. Este sistema de comunicação permite a expansão
da consciência grupal ao permitir a ampliação dos horizontes do indivíduo isolado, para
compartilhar valores, crenças e visões de mundos semelhantes. No meio acadêmico também
vamos encontrar uma ampla transformação, através do florescimento de inúmeros encontros
acadêmicos através de periódicos, estruturas organizacionais e encontros internacionais.

Uma mudança significativa está na concepção do conhecimento. Toda esta mudança


pode ser mais claramente refletida a partir dos fundamentos do construcionismo social. Isto
porque toda essa tecnologia exige uma mudança radical e uma reformulação do projeto
pedagógico. A autoridade na educação agora é exercida e consolidada quanto maior o
background relacional, na produção de conhecimento, ao enfatizar o contexto e o diálogo.
É neste momento que o uso de ferramentas e de todo potencial tecnológico tem que fazer
parte do processo educacional, como o uso do multimídia, do CD-ROM e o uso da rede, se
entendermos que a Psicologia tem que acompanhar e responder às demandas sociais e
individuais. E também se Psicologia e Comunicação são inseparáveis, ambas têm em comum
a necessidade de participar em conjunto do processo de construção das relações humanas,
e uma delas é a utilização da comunicação virtual.

A Web e a Psicologia

Chegamos à era da aldeia global: computadores, celulares, fax, fibras óticas. O tempo
e as distâncias se modificaram. Tempo é dinheiro. Essa é a máxima da sociedade capitalista
em que estamos imersos. A sociedade contemporânea caminha para o terceiro milênio. Muda
a sociedade, perplexa a cada instante, assimilando e recriando o social, o ecstasy, a aids, a
clonagem. Muda a sociedade e mudam também as suas demandas. A Psicologia e a Psicanálise,
disciplinas seculares, também vêm se modificando em decorrência dessas transformações e
P através da interação com a sociedade. Apesar - ou por causa - de todas essas transformações,
S
I o sofrimento psíquico e o conflito humano permanecem. E com eles a busca de tratamentos
C
O que tragam alívio dessas dores e a resolução dos conflitos o mais rapidamente possível. Novas
L
O formas de tratamentos ou apoio que facilitem a dor psíquica devem surgir e a Web se configura
G
I entre um deles. Mas o que é Web? Como uma rede de informação estaria podendo colaborar
A
para minimizar o sofrimento das pessoas na sociedade? Como uma rede de informações
D
A poderia se envolver e tentar ajudar o sujeito a amenizar seus conflitos?
C
O
M O Impacto da Rede
U
N
I
C Contudo, temos que analisar quem é o usuário deste serviço. Estatísticas sobre a
A
Ç internet são difíceis de calcular. A partir de 1997, a internet tornou-se extremamente popular.
Ã
O Estima-se em cerca de 60 milhões o número de usuários da rede; dados mais otimistas falam
UNIDADE 3 TÓPICO 3 151

em 100 milhões nos próximos anos. O número de sites amplia-se exponencialmente, e a


presença privada na rede, particularmente no WWW, tem crescido significativamente. Aplicações
avançadas, como o Internet Phone ou o CU-Seeme, que possibilitam a troca de informação
audiovisual em tempo real, demandam maiores investimentos na infraestrutura e na velocidade
de transmissão de dados. Diante de tal explosão de popularidade e utilização, fica muito difícil
um exercício de futurologia: o que será da internet, daqui em diante? Seu uso se alargará, ou
será mais restritivo, com a presença da censura? E o Terceiro Mundo, como garantirá o acesso
de suas comunidades carentes à rede? Uma série de questões se coloca. Apenas podemos
aguardar por seus desdobramentos. Mas, com certeza, existe um ponto pacífico: o fenômeno
internet é global, e irreversível. Além de estar em constante crescimento, existe o aspecto da
descentralização desta rede. A todo momento estão sendo adicionados novos computadores
sem que nenhuma autoridade central seja notificada. A previsão de muitas pessoas é que a
internet vai transformar o modo como o mundo se comunica e, consequentemente, as maneiras
em que seu intelecto coletivo vai se expressar, mas não será uma expansão tranquila, livre de
obstáculos ou mesmo previsível. A internet conseguiu transformar-se em meio de comunicação
de massas em alguns países do mundo desenvolvido porque uma minoria de pessoas nesses
países possui qualificações básicas para ser usuário da rede. Essas pessoas têm acesso a
sistemas públicos de telecomunicações em condições de suportar a rede: possuem dinheiro
para comprar os computadores e modems necessários; têm o nível de educação e interesse
necessário para dominar o uso dos sistemas envolvidos e, quando chegam a esse ponto,
possuem a orientação cultural e linguística que lhes dá acesso a informações que acham
compreensíveis e úteis ou ao menos interessantes. As diferenças linguísticas e culturais são
os principais fatores que fazem do avanço da internet no mundo desenvolvido um processo
errático desigual. A maior parte do mundo ainda tem um longo caminho a percorrer antes de
começar a se interessar por luxos tecnológicos como a internet. O que está acontecendo nos
países desenvolvidos hoje podem ser implicações para os padrões futuros de uso da rede
entre dois terços remanescentes da população mundial, mas, com o tempo, a maioria global
terá de ter acesso a sistemas de rede com os quais ainda nem sequer sonhamos. Para a maior
parte do mundo, o uso dos meios de comunicação ainda terá que passar por tecnologias mais
conhecidas, tais como a TV e a telefonia simples. P
S
I
C
Tendências: Educação e Tecnologia O
L
O
G
As sociedades que maximizam o uso de nova tecnologia, seja para novas pesquisas, I
A
divulgação ou informando sobre os resultados alcançados, foram as que mais investiram em
D
tecnologia e que sofreram transformações na qualidade de vida. O investimento em tecnologia, A

na sociedade moderna, é o investimento no saber. Se não ocorre este investimento, fica-se C


O
na dependência de quem sabe. A história contemporânea confirma esta premissa. As nações M
U
detentoras de tecnologia são as que mais progridem e as que dominam na atualidade. As que N
I
não investem em tecnologia e ciência ficam a reboque na história, dependendo de concessões C
A
e da boa vontade das nações mais desenvolvidas. A tecnologia, em se tratando das ciências Ç
Ã
humanas, não pode ter outro objetivo que o estar a serviço do bem-estar, considerando que O
152 TÓPICO 3 UNIDADE 3

a promoção de conhecimento é guia para o alcance do seu ideal. Neste particular, a difusão
de ideias e a qualidade da informação são altamente importantes para a formação do futuro
profissional, isto não poderia ser diferente em relação à Psicologia. As novas tecnologias (já
não tão novas), como no caso da Web, passam a ser ferramentas para a formação contínua do
profissional, eficiência e desempenho são indispensáveis no processo de formação, que, como
é sabido, deve ser constante e infindável. Neste caso as informações devem ser acessadas
com facilidade, bibliografias devem ser consultadas em poucos minutos, interface com colegas,
professores e instituições têm a incumbência de fazer circular a informação, checar dados e,
fundamentalmente, trocar experiências. [...]

Conclusão

Na Psicologia, enquanto estudo e pesquisa para uma compreensão do sujeito na


sociedade, o conhecimento teórico é sinônimo de ciência, muito mais do que nas sociedades
anteriores. Na sociedade atual, a socialização do saber deve vir para privilegiar a todos. A internet,
paradoxalmente, pode vir a tornar realidade algumas destas aspirações, particularmente as
que envolvem o conhecimento das teorias psicológicas, assim como o atendimento de milhares
de alunos, professores e outros que desejam conhecer ou receber informação a respeito de
uma ciência tão diversificada como esta. É claro que nada acontece espontaneamente. Muitos
responderão, com razão, que a tecnologia, por si só, não transforma o mundo. É verdade. No
entanto, ela funciona como instrumento, ferramenta e fator de difusão de ideias.

FONTE: Disponível em: <http://especialistasemqualidade.blogspot.com.br/2008/12/psicologia-e-


comunicao.html>. Acesso em: 30 jul. 2016.

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UNIDADE 3 TÓPICO 3 153

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, vimos que:

• O desenvolvimento de novas tecnologias disparou nos últimos anos e esses avanços


têm desempenhado um papel significativo no avanço do campo da psicologia, e a própria
psicologia tem utilizado uma série de tecnologias no seu campo de atuação.

• As redes sociais são um exemplo fantástico de multiplicação de relacionamentos, trocas de


informação, de solidariedade e também de engajamento em questões coletivas.

• A solidariedade, a comunicação e a coletivização são aspectos inerentes às formas de


organização social, na família, na igreja, nas empresas, nas associações e nas “tribos”.

• As tecnologias de comunicação de massa mudaram a forma como pensamos sobre


comunicação em geral, considerando aí o diálogo, a divulgação e combinação de ideias entre
duas ou mais pessoas. Do ponto de vista dos processos psicológicos, uma maneira de se
aproximar de comunicação de massa é como uma combinação de face a face e interações
interpessoais mediadas.

• Os meios de comunicação vivem hoje um senso de responsabilidade social, norteados


por uma ética que orienta praticamente todas as suas ações, seja na mídia ou outras
organizações, dando muita importância comum para com o ambiente, com a sociedade,
com a cultura, com a economia.

• Cada meio de comunicação de massa quer ser o único a atingir o público, aumentando a P
S
concorrência. I
C
O
L
• Com o avanço e acessibilidade da tecnologia na atualidade, cada vez mais se torna possível O
G
o uso quantitativo pelas pessoas do que essas possibilidades oferecem e, por consequência, I
A
a forma como a sociedade vai migrando para essas novas mídias.
D
A

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M
U
N
I
C
A
Ç
Ã
O
154 TÓPICO 3 UNIDADE 3


IDADE
ATIV
AUTO

Vamos reproduzir aqui questões aplicadas no ENADE, para que você, acadêmico,
possa se familiarizar com a dinâmica utilizada na prova que, obrigatoriamente, os
acadêmicos que irão concluir o curso no ano do ENADE terão que realizar.

1 (ENADE – 2015) Hoje, o conceito de inclusão digital está intimamente ligado ao


da inclusão social. Neste sentido, o computador é uma ferramenta de construção
e aprimoramento de conhecimento que permite acesso à educação e ao trabalho,
desenvolvimento pessoal e melhor qualidade de vida.
FERREIRA, J. R. et al. Inclusão Digital. In: BRASIL. O futuro da indústria de
software: a perspectiva do Brasil. Brasília: MDIC/STI, 2004 (adaptado).

Diante do cenário high tech (de alta tecnologia), a inclusão digital faz-se necessária
para todos. As situações rotineiras geradas pelo avanço tecnológico produzem
fascínio, admiração, euforia e curiosidade em alguns, mas, em outros, provocam
sentimento de impotência, ansiedade, medo e insegurança. Algumas pessoas ainda
olham para a tecnologia como um mundo complicado e desconhecido. No entanto,
conhecer as características da tecnologia e sua linguagem digital é importante para
a inclusão na sociedade globalizada.
Nesse contexto, políticas públicas de inclusão digital devem ser norteadas por
objetivos que incluam:

I. A inserção no mercado de trabalho e a geração de renda.

P
II. O domínio de ferramentas de robótica e de automação.
S
I
III. A melhoria e a facilitação de tarefas cotidianas das pessoas.
C IV. A difusão do conhecimento tecnológico.
O
L
O
G É correto apenas o que se afirma em:
I
A

D a) ( ) I e II.
A
b) ( ) I e IV.
C
O c) ( ) II e III.
M
U d) ( ) I, III e IV.
N
I e) ( ) II, III e IV.
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 3 TÓPICO 3 155

2 (ENADE – 2015)

FONTE: Disponível em: <http://www.irbianchi.com>. Acesso em: 15 jul. 2015.

O termo ciberespaço especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação


digital, mas também o universo oceânico de informação que ela abriga, assim como os
seres humanos que navegam e alimentam esse universo. O neologismo “cibercultura”
especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais) de práticas, de
atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com
o crescimento do ciberespaço.
LEVY. P. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999 (adaptado).

Considerando a charge e o texto acima, avalie as asserções a seguir e a relação


proposta entre elas.

I. A charge expõe um aspecto da cibercultura e compartilha com o texto a visão otimista


em relação ao desenvolvimento das tecnologias da comunicação.

PORQUE P
S
I
C
II. O crescimento do ciberespaço possibilita a virtualização, que implica uma realidade O
L
desterritorializada e altera os comportamentos pessoais, o que está de acordo com O
G
os pressupostos de Levy. I
A

D
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A

C
O
a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta M
U
da I. N
I
b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa C
A
correta da I. Ç
Ã
O
156 TÓPICO 3 UNIDADE 3

c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.


d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas.

3 (ENADE – 2012) A realidade dos movimentos sociais é bastante dinâmica e, nem


sempre, as teorizações têm acompanhado esse dinamismo. Com a globalização e a
informatização da sociedade, os movimentos sociais, em muitos países, inclusive no
Brasil e em outros países da América Latina, tenderam a se diversificar e complexificar.
Por isso, muitas explicações paradigmáticas ou hegemônicas nos estudos da segunda
metade do século XX necessitam de revisões ou atualizações ante a emergência de
novos sujeitos sociais ou cenários políticos.
SCHERER-WARREN, I. Das mobilizações às redes de movimentos sociais. Sociedade
e Estado. Brasília, v. 21, n. 1, jan./abr., 2006, p. 109-30.

Considerando a afirmação acima, avalie as seguintes asserções e a relação proposta


entre elas.

I. A Psicologia precisa dedicar-se a compreender os novos sujeitos sociais em seus


cenários políticos, a diversidade identitária, as diferentes demandas por direitos e
formas de ativismo, para construir um arcabouço teórico capaz de dar respostas às
demandas de fortalecimento de indivíduos e das redes sociais.

PORQUE

II. A sociedade civil, embora configure um campo composto por forças sociais
heterogêneas, está relacionada à esfera da defesa da cidadania e suas respectivas
formas de organização em torno de interesses públicos e de valores, não sendo isenta
de relações e conflitos de poder, de disputas por hegemonia e representações sociais
P e políticas diversas e antagônicas.
S
I
C
O A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
L
O
G
I a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
A
b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa
D
A da I.
C c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
O
M d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
U
N e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas.
I
C
A
Ç
Ã
O
UNIDADE 3 TÓPICO 3 157

IAÇÃO
AVAL

Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final


da Unidade 3, você deverá fazer a Avaliação referente a esta
unidade.

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158 TÓPICO 3 UNIDADE 3

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I
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159

REFERÊNCIAS

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OLIVEIRA, D. C. (Org.). Estudos interdisciplinares de representação social. 2. ed.
Goiânia: AB, 2000.

ADORNO, Theodor. Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

ARANHA, Maria Lucia de Almeida, MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São
Paulo: Moderna, 2003.

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BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias - Uma Introdução ao


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P
S
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