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TUOTO MELLO ADVOGADOS ASSOCIADOS

César Antonio Tuoto Silveira Mello OAB/PR 40.492

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS DA


UNIÃO.

CÉSAR ANTONIO TUOTO SILVEIRA MELLO, Brasileiro, Casado, Advogado,


portador do CPF/MF nº 039.081.419-90 e do RG nº 7.169.087-3 SSP/PR, com
escritório profissional sito à Rua Aboud Khalil, 560, CEP 82410-350 na cidade
de Curitiba - PR, vem, respeitosamente à honrosa presença de Vossa
Excelência, com fundamento no Artigo 113, §1º da Lei 8.666/93, e Artigo 234,
e seguintes do Regimento Interno do TCU, apresentar:

DENÚNCIA/
REPRESENTAÇÃO

em face do PREGOEIRO E DEMAIS MEMBROS DA COMISSÃO DE


LICITAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO
EXERCITO localizado QGEx, Bloco G, Térreo, SMU - Brasília/DF e;
GESTOR DO CONTRATO 137/2017 do COMANDO LOGISTICO DO
EXERCITO – COLOG localizado no QGEx - Bloco C - 2º Andar, SMU - Brasília,
DF, 70630-901, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos.
DIRETOR GERAL DO COMANDO LOGISTICO DO EXERCITO – COLOG
localizado no QGEx - Bloco C - 2º Andar, SMU - Brasília, DF, 70630-901, pelos
motivos de fato e de direito a seguir expostos.

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Rua Aboud Khalil, nº 560, Sta Felicidade/ Curitiba-PR – CEP 82410-350
Fone/fax: (41) 3078-7597
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QUADRO RESUMO DE
IRREGULARIDADES

• Utilização do Sistema de Registro de Preço para licitação que


resultou em contrato único, com duração de 60 meses em
evidente desvirtuamento do Instituto.

• Regras de Qualificação Técnica em Desacordo com o Artigo


30, sob justificativa de aplicação crítica e necessidade de
extrema qualidade, que se mostraram inúteis dado que o
Sistema Resultado do Contrato Não Funciona.

• Utilização de Contrato com Objeto “Fabrica de Software” sem


critérios claros de avaliação de qualidade do resultado final e
em desacordo com a IN 4/2014 (SLTI/MP).

• Absoluta ausência de aplicação das regras de qualidade


previstas no Contrato, demonstrando ausência de
fiscalização contratual.

• Grave prejuízo ao Erário Público dado que pagou por


Software que não funciona, causou vazamento de dados
sigilosos e tem potencial de gerar passivo civil em razão de
colocar em risco atividade regulada, cuja falta de
documentos é passível de levar o cidadão à prisão.

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1 – DOS FATOS

O ora representante é cidadão praticante do tiro esportivo desde meados de


2008, possuindo o Certificado de Registro número 86.841.

Ocorre que em meados de 2020 tomou conhecimento de que seria realizada


nova tentativa de implantação de emissão de documentos de Certificado de
Registro de forma eletrônica, o que lhe trouxe péssimas memórias dos anos de
2014 e 2015 quando, em razão da primeira tentativa (absolutamente
fracassada) de implantação da emissão eletrônica de documentos, permaneceu
quase 02 anos com a sua documentação vencida, incapaz de praticar o
esporte, e ainda, sob constante ameaça de prisão dado que em posse de
armamentos e insumos sem a devida documentação válida o que, em tese,
representa cometimento de crime.

De forma absolutamente surpreendente, dada a notória capacidade


administrativa e eficiência dos servidores alocados ao Ministério da Defesa,
mais uma vez o sistema, agora denominado Sisgcorp, apresenta problemas
que impedem o seu uso, afetando diretamente o direito constitucional de
petição dado que os usuários que pretendem acessar os direitos relativos aos
CACs1, especialmente os que já pertencem à categoria e necessitam cumprir
as obrigatórias burocracias de renovação de documentação simplesmente não
conseguem que o sistema funcione de forma mínima.

Os problemas são profusos e de elevadíssima gravidade.

Afora questões simples, mas que demonstram clara falta de capricho e


qualidade na execução contratual (como a tela do usuário que apresentava
“tremores”, e um sistema de sessão de usuário com uma contagem de 15
minutos de sessão que não se renova com a atividade), temos questões de

1
Caçadores, Atiradores e Colecionadores

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elevada gravidade, a demonstrar que nenhuma das ferramentas de controle de


qualidade previstas tanto na melhor técnica e na doutrina especializada quanto
no próprio instrumento contratual estão sendo aplicadas.

A mais grave se deu na madrugada de 12/05/2021, em que após a


atualização, o sistema passou a apresentar a tela de usuário de pessoas
diversas das que haviam feito login, permitindo que uma pessoa tivesse acesso
a todas as informações de outra, incluindo aí o endereço e a lista de
armamentos registrados, enfim, acesso a todo o sistema no login de outra
pessoa.

O erro permaneceu durante toda uma madrugada, tendo sido resolvido apenas
por volta das 10:00 da manhã do dia seguinte com a retirada do sistema do ar
e o retorno da versão anterior.

É fato que, após várias movimentações dos usuários, inclusive tentando


solucionar a questão de forma administrativa, sem o acionamento deste meio
de comunicação, o sistema apresentou algumas melhoras, passando a
funcionar para algumas funções, mas ainda permeado de erros, erros estes
que muitas vezes simplesmente impedem seu uso.

O ora Requerente em contato com a comunidade fez um levantamento dos


erros, encontrando-se anexo erros e dificuldades de uso encontrados por pelo
menos uma dezena de usuários do sistema.

Em função da dificuldade dos usuários em obter respostas sobre a solução dos


problemas, e enfrentando por si próprio dificuldades para uso do mesmo, o ora
requerente decidiu obter informações sobre como havia sido realizada a
contratação deste, com vistas a verificar se a fonte dos erros não seria
decorrente de contratação mal realizada.

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Porém, realizando buscas nos portais de compras do governo federal não


conseguiu localizar nenhum edital contendo como objeto a contratação de
empresa especializada em informática para desenvolvimento do sistema
Sisgcorp.

Assim, solicitou junto à plataforma Fala.br, cópias integrais das fases interna e
externa da licitação que deu origem a plataforma, bem como informações
sobre aplicações de penalidades eventualmente ocorridas na execução
contratual.

Após 30 dias de espera recebeu informações exclusivamente sobre a fase


externa da licitação, tendo acesso portanto ao pregão da contratação, bem
como ao contrato decorrente.

De pronto causou grave estranheza o uso do Sistema de Registro de Preços


para contratação de sistema que vem sendo idealizado desde 2014, e portanto
deveria ser contratado como projeto fechado, bem como sendo recomendável,
considerando ser aplicação crítica, com necessidade de elevada qualidade
técnica (como consignado expressamente em resposta a impugnação
apresentada no procedimento licitatório), a previsão de ferramentas de gestão
de qualidade para recebimento do objeto contratual, liberando pagamentos
apenas para sistemas com funcionamento e desempenho comprovados.

Ademais, apesar da utilização do sistema de registro de preços, que poderia


explicar a baixa qualidade do resultado final do software entregue, dada a
intermitência de contratações e fatiamento dos componentes do sistema,
verificou-se que na prática o SRP foi utilizado única e exclusivamente por
questões orçamentárias dado que da ata de registro de preço decorreu uma
única contratação para cada lote sendo cada contrato com validade de 60
meses, em evidente deturpação do instituto.

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O contrato em si, por sua vez, segue os padrões de contratação da


administração pública e possui em seu corpo as ferramentas mínimas
necessárias para garantir a entrega de software minimamente utilizável, com
previsão de glosa de pagamentos, aplicações de multas, e a depender da
gravidade ou da reincidência a rescisão contratual, em caso de fornecimento
de produto de baixa qualidade.

Assim, considerando a resposta incompleta apresentada no sistema Fala.BR, o


ora peticionante apresentou o recurso, informando que a resposta havia sido
parcial, estando em falta as informações relativas à fase interna da licitação,
bem como as informações sobre eventuais aplicações de penalidade.

Tal recurso foi respondido, e em sua resposta está a explicação de porque o


sistema apresenta erros tão graves e qualidade tão inadmissível:

Apesar de a administração já ter pago cerca de 3.000.000,00 (três milhões) de


reais pelo sistema que apresenta todos os problemas dantes relatados e que
até a Presente momento não pode ser utilizado para os fins a que se destina, a
administração respondeu que: “não foram instaurados Processos
Administrativos Punitivos (PAD) referentes ao processo em comento,
existindo apenas uma notificação, na qual não resultou em instauração de um
processo regular, pois não houve qualquer irregularidade contratual
identificada.”

Assim, fica claro os motivos pelos quais o sistema não funciona e nunca
funcionará, resultando no mesmo desperdício de verbas públicas ocorridos na
primeira tentativa de implantação do sistema, dado que a gestão do contrato
se dá de forma absolutamente maternal, uma vez que mesmo situações de
completo absurdo (como é o caso da exposição de dados sigilosos dos
usuários) resulta no máximo em simples notificação, e um provável, olhar
atravessado de reprovação.

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Fica claro portanto que não há fiscalização no presente contrato e se houver


sucesso na implantação do sistema este se dará por pura sorte dado que os
sinais de ausência de aplicação dos termos contratuais, especialmente no que
se refere ao controle de qualidade mínimo no recebimento das tarefas é
evidente.

2 – DO DIREITO

2.1 – DO USO INDEVIDO DO SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS

Como bem definido na Jurisprudência e na Doutrina, o sistema de Registro de


preços deve ser utilizado para as situações cujo elemento essencial seja a
incerteza sobre as necessidades que existirão no tempo, devendo ser utilizado
ainda exclusivamente para a aquisição, no caso de serviços, de objetos
comuns.

Dado o elemento essencial de incerteza, a maior parte da doutrina e da


jurisprudência entendem ser incabível o sistema de registro de preços quando
já se sabe de antemão que haverá uma única contratação, não sendo lícito a
utilização do registro de preços como forma de burla à necessidade de previsão
orçamentária.

Ocorre que é o que temos no presente caso.

Está inclusive explícito na própria justificativa do edital que está se utilizando


do sistema de registro de preços em razão de restrições orçamentárias:

“a opção pelo sistema de registro de preços justifica se pelo fato de que a


forma de aquisição dos produtos e serviços poderá ter previsão de demanda de
entregas parceladas em função da disponibilidade orçamentária do

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contratante e até pela conveniência em se contratar a totalidade dos volumes


de serviços de que necessitamos de uma única vez ou de forma parcelada”2

Apesar da justificativa mencionar a possibilidade de contratação parcelada, o


edital em si menciona assinatura de contrato com validade de 12 meses
prorrogáveis por 60 meses demonstrando claramente a intenção de realizar a
contratação da totalidade em ato único, o que de fato ocorreu.

A inadequação dos Sistema de Registro de Preços no caso é evidente,


conforme lição de Sidney Bittencourt:

“Como é cediço, as características do SRP - notadamente a de não exigir da


Administração a promoção das contratações imediatas — dirigem o uso da
sistemática para as compras. A utilização do instituto na contratação de serviços
somente dar-se-á, portanto, nas hipóteses em que o interesse da
Administração não estiver voltado para uma execução continuada, dado que
tais serviços — que, por sua essencialidade, jamais poderão deixar de ser
prestados, não lhes sendo permitida a solução de continuidade — são
incompatíveis com a filosofia do registro de preços. Ademais, se os serviços
dessa natureza são atendidos por intermédio da prorrogação contratual, como
disciplina o inc. II do art. 57 da Lei n° 8.666/93, não há sentido algum na
contratação via SRP. As necessidades permanentes e contínuas devem ser
satisfeitas por meio de prorrogação de contratos licitados por licitações
convencionais.

Com o mesmo raciocínio, Alexandre Sarquis e Rosemeire Cardoso Ramos:

“O caráter de imprevisibilidade emprestado ao SRP evidencia que a regra geral,


instituída pela Lei 8.666/93, está direcionada às compras. Desta forma, a
jurisprudência do TCE/SP, por interpretação extensiva e sistemática, reconhece a
utilização do instituto para serviços somente nos casos em que não se
apresente a demanda por execução continuada ou a complexidade
geralmente atribuída às contratações de engenharia. Nesses moldes, o SRP

2
Termo de Referência, fls, 8, item 4.3

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se torna aceito somente para serviços de pequenos reparos e de pouca


monta, desde que caracterizados pela condição de imprevisíveis, mas
passíveis de mensuração. Atividades de fácil manejo e execução, não destacadas
pelas especificidades das obras e serviços de engenharia. (...)”

Esse foi o posicionamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conforme


registrado no item 1.1.45 do Auto Circunstanciado de Inspeção na Justiça Estadual
do Paraná, ainda na época da vigência do decreto anterior: "A contratação de
serviços previstos no Decreto 2.271/1997, que são de natureza continuada, com
vigência que dura até cinco anos constitui antítese da previsão contida no
Decreto 3.931/2001' _ Como consequência, o CNJ determinou ao Tribunal de
Justiça do Paraná que se abstivesse de utilizar o SRP para contratar prestação de
mão de obra de natureza continuada.”3

No mesmo sentido a doutrina de Cristiane Fortini:

Outro ponto relevante a ser extraído do art. 24, I, do Decreto n° 7.892/2013, é que
o SRP se presta para "contratações futuras". Daí se extrai que o SRP não se aplica
para as situações nas quais haverá uma única contratação. Dele presume-se
que sairão duas ou mais contratações, o que significa a formalização de dois ou
mais contratos ou instrumentos equivalentes (art. 62, da LLCA). Essa é a razão
pela qual o Decreto se valeu do plural do substantivo que designa o ato de
contratar (contratações). Assim é porque a demanda da Administração a ser
atendida pelo instituto em estudo não é de todo imediata.
Nessa mesma linha, pode se dizer, também, que o diploma regulamentar menciona
que as contratações serão futuras. Isto é, os ajustes que resultarão do SRP não
dizem respeito a demandas das quais a Administração necessite de
imediato. O registro de preço vem para atender futuras necessidades do Poder
Público. Tanto é assim que a ata gerada por um certame para registro formal de
preços tem vigência pelo prazo máximo de 1 (um) ano (art. 15, §3g, III, da Lei nº
8.666/1993, c/c o art. 12, do Decreto nº 7.892/2013), autorizando a Administração
a contratar com o prestador/fornecedor registrado durante todo esse lapso de
vigência.13

3
Licitação de Registro de Preços 5ª Ed. rev. e atual. Belo Horizonte: Fórum, 2019, fls. 115

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Baseado nesses pontos, já salta aos olhos que o SRP é um instituto destinado,
dentre outras situações, àquelas hipóteses nas quais a demanda da Administração
não é imediata e/ou não pode ser previamente determinada.”4

No presente caso, da simples leitura das justificativas presentes no Termo de Referência,


verifica-se que se tratava sim de necessidade imediata, cujo óbice se ligava mais à limitação
orçamentária que à efetiva forma de realização do objeto.

De fato, pode-se afirmar que toda a forma do objeto foi decidida levando em consideração
unicamente as restrições orçamentarias, havendo um esforço indevido para “encaixar” a
contratação ao sistema de registro de preços, o que pode ter intima ligação ao resultado final
desastroso que ora se verifica.

Tal práxis ilegal foi identificada por Paulo Sérgio de Monteiro Reis:

“Em primeiro lugar, não pode ser utilizado o SRP quando o objeto desejado
trata de uma necessidade específica, a ser atendida em determinado
momento, para a qual não exista qualquer perspectiva de repetição. Temos
visto algumas situações em que a administração pública busca solucionar alguma
dificuldade através da indevida utilização do SRP. Isso ocorre, por exemplo, quando
ainda inexiste orçamento aprovado; há, apenas, uma perspectiva de aprovação.
Pode ser uma parceria ainda não formalizada, mas que tenha uma boa
possibilidade de concretização; pode ser um início de exercício, no qual a aprovação
da lei orçamentária tenha sofrido algum atraso e a administração possua
necessidades a serem atendidas. Nesses dois exemplos, a contratação a ser
realizada almeja satisfazer uma situação única. Nas duas situações, o atendimento
legal seria a realização de uma licitação tradicional, com uma contratação para
entrega única. No entanto, a inexistência de fonte orçamentária impede a
realização dessa licitação tradicional; a administração entende, assim, que
poderá substituí-la por um registro de preços, solução sem qualquer
amparo legal.”5

4
REGISTRO DE PREÇOS: análise crítica do decreto federal nº 7.892/1, com as alterações Posteriores, 3º Ed Rev. E
Atual. Belo Horizonte: Fórum, 2019, fls. 115
5
sistema de registro de preços: forma inteligente de contratar - teoria e prática / Paulo Sérgio de Monteiro reis. Belo
Horizonte, Editora Fórum, 2020, fls. 57

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O mesmo autor destaca entendimento do TCU sobre o tema no Acordão


113/2012 - Plenário:

Atenta contra os princípios da razoabilidade e da finalidade o ente público (‘órgão


gerenciador’, nos termos do art. 1º, parágrafo único, III, do Decreto Federal nº
3.931/2001) valer-se do sistema de registro de preços para celebrar contrato com
objeto absolutamente idêntico ao da ata que lhe deu origem, isto é, constituir uma
ata de registro de preços para simplesmente firmar contrato pela totalidade do valor
da ata. Não se pode aceitar aqui o argumento de que, nesse caso, a ata ainda teria
utilidade para os ‘caronas’, uma vez que sua finalidade precípua – sua razão maior
de ser – é o atendimento às necessidades do ‘gerenciador’ e dos eventuais
‘participantes’ (art. 2º, III, do Decreto Federal nº 3.931/2001)”.

No presente caso, como relatado, o que se pretendia produzir com a referida


contratação era basicamente o sistema de certificado de registro digital, com a
automatização de procedimentos que até então eram realizados de forma
analógica em processos em papel.

O mesmo sistema que havia se tentado implementar em 2014 sem sucesso


e, portanto, cuja totalidade já poderia ter sido previamente planejada,
possuindo já predeterminados todos os passos necessários, que deveriam
replicar o procedimento realizado em papel, não havendo, portanto, qualquer
imprevisibilidade de demanda nem justificativa para o parcelamento do objeto.

Ademais, trata se de sistema de baixa complexidade (dado reproduzir


procedimentos de simples conferência de documentos, realizado de maneira
lateral em papel, sem grandes complicações ou necessidade de pessoal
especializado) não havendo justificativa para a duração do contrato possuir
mais de 1 ano.

De qualquer forma, mesmo que decidida a execução do objeto por etapas, não
haveria qualquer elemento de imprevisibilidade, estando o elemento de

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contratações sucessivas afastado pela realização posterior de um único


contrato, assinado dias após a emissão da ata de registro de preço e renovado
paulatinamente desde então.

Tal situação causa prejuízo à contratação dado que a incerteza do volume de


contratação pode afastar fornecedores bem como a informação privilegiada de
que será realizada após a ata a contratação integral pode vir a privilegiar
outros.

De fato, nota-se tal efeito no Pedido de Esclarecimento datado de 18/01/2017


17:03:09 em que o Licitante requer seja realizado cronograma de pagamento
e adiantamento de 5% devido à necessidade de mobilização e instalação de
equipes:

“Esclarecimento 18/01/2017 17:03:09


Tendo em vista a complexidade dos trabalhos do objeto editalício e, ainda, que a
empresa tem um custo muito alto com a mobilização e instalação da equipe no
início do projeto, solicitamos que seja previsto no cronograma de pagamento,
disposto no item 9.5 do Termo de Referência, um adiantamento de 5% do valor
contratual, em até 15 dias do início do contrato.
Ressalta-se, inclusive, que a referida antecipação não gera nenhum prejuízo para o
órgão contratante, visto que o contrato estará coberto por meio de garantia
contratual de mesmo valor de percentual (5%).”

Evidente portanto a inadequação da forma de contratação, sendo necessário a


intervenção desta Corte de Contas a fim de determinar aos responsáveis a
adoção de medidas para evitar a repetição do ilícito bem como punir eventuais
condutas em desconformidade com a lei.

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2.2 – DA AUSENCIA DE CRITERIOS OBJETIVOS DE QUALIDADE

Como se verifica da matéria publicada pela Revista MAGNUM de 2015 (anexa),


a primeira tentativa de implantação do sistema eletrônico de emissão de CRs
se deu em 2015, sendo um retumbante fracasso.

Diz a Matéria:

“Vinha sendo implantada pela Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados


("DFPC") uma nova forma de se conceder o Certificado de Registro (ou, como
comumente é chamado “CR”). Tal nova forma é o chamado CR eletrônico ou CR on-
line. Tal sistema vinha sendo implantado em substituição ao anterior, o qual era
conduzido totalmente em meio físico.
[...]
O CR Eletrônico podia ser demandado através do website www.sisfpc.eb.mil.br,
porém a implantação de tal novo formato sofreu diversas sistémicas, pois ora a
referida página se encontrava fora do ar, ora não se conseguia obter
acesso, ora não se conseguia subir (fazer "upload') dos documentos
necessários para a obtenção / renovação do CR, havia enorme lentidão no
sistema, dentre diversos outros problemas.6
De modo a uma pretensa solução a esses problemas, o serviço público
previsto em Lei Federal acabou por ser suspenso pela DFPC através de uma
Portaria, qual seja a Portaria 16 - COLOG. datada de 10 de julho de 2014, por meio
da qual durante 6 meses a concessão de novos CRs foi integralmente suspensa.
Passadas o meio ano e uma batalha jurídica encampada pelo Ministério Público
Militar, o serviço voltou à ativa, porém com os velhos problemas de sempre - de
sorte que em junho de 2015 se resolveu voltar ao antigo sistema físico para que o
interessado solicite a concessão / renovação de seu CR.”

Assim, é fato que na primeira tentativa de implantação do referido sistema foi


despendido grandes quantidades de verba pública num sistema que nunca
funcionou e acabou sendo abandonado, causando ainda diversos problemas

6
Os problemas relatados são os mesmos enfrentados hoje pelos usuários do denominado Sisgcorp, em verdadeiro “Déjà
vu” do ocorrido em 2014/2015

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aos cidadãos e ao interesse público, inclusive ao ora representante que à


época ficou cerca de 01 ano e meio com toda a documentação de seus
produtos controlados vencida, sem possibilidade sequer de protocolar a
renovação, sob risco de a qualquer momento ser preso em flagrante por estar
em posse de produtos controlados sem a devida documentação válida.

Portanto, é possível verificar que a demanda relativa ao chamado Sisgcorp, se


trata de “demanda fechada”, ou seja, objeto certo e definido, que não se trata
sob hipótese alguma de objeto parcelável, o que deveria afastar o uso da
chamada “fábrica de software” para a sua contratação.

Assim o termo de referência desenvolvido para tal contratação deveria levar


em consideração a experiência fracassada anterior e verificar que a
contratação utilizando a sistemática de fábrica de software não foi a mais
adequada, devendo ainda ter dedicado especial atenção aos critérios de
acompanhamento da execução contratual e de seus requisitos de qualidade.

O Edital no caso tentou compensar o não uso da modalidade de licitação


correta ou o correto planejamento do objeto, com a apresentação de
exigências excessivas no momento da habilitação, o que resultou na
desclassificação de diversos concorrentes.

De fato, o excesso de exigência foi objeto de Impugnação Específica, a qual foi


apresentada da seguinte maneira:

“Ao verificar as condições para participação na licitação citada, foi percebida que a
mesma possui a exigência formulada nos ITENS 6.1.6.2, 6.1.6.3 e 6.1.6.11, do
Termo de Referência, que vêm assim descritas: (Transcrição Omitida pelo
Pregoeiro). Sucede que, tal exigência está contrariando as normas que regem o
procedimento licitatório, conforme abaixo vemos:[...]

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A exigência do Item 6.1.6.2 em que “cada atestado deverá vir acompanhado


de Tabela de Comprovação de Serviços executados...” não procede, uma vez
que cada órgão emite o atestado no molde que lhe convir.
[...]
No item 6.1.6.3 cita que “a licitante deverá demonstrar ainda que foram
produzidas as evidências e artefatos de cada processo relacionado no
Anexo XVIII. As evidência e artefatos deverão ser anexadas ao atestados”.
Dentre os artefatos solicitados no Anexo XVIII, encontram-se documentos
estratégicos do cliente como Documento de visão, Plano de Projeto, Cronograma
estimado, Diagrama de caso de uso, Modelo lógico de banco de dados, Plano de
implantação e Plano de teste. Tais documentos não podem ser disponibilizados sem
a autorização da contratante dona do atestado.

O item 6.1.6.11 faz uma série de exigências que não garante que o
trabalho e a quantidade solicitados foram realmente
executados, além de limitar a uma quantidade mínima de empresas que
possam ter utilizados esse nível de detalhamento solicitado para o serviço,
exigido pela contratada. Ora pois, uma empresa totalmente apta a prestar os
serviços solicitados pelo presente edital pode ser totalmente capaz de executar
os serviços solicitados, porém não conseguir provar com tamanho nível de
detalhamento de seus clientes não exigirem um sistema para controle das
demandas de serviços que possua o nível de detalhamentos listado neste item.”

Tal impugnação aponta em resumo que para fins de habilitação técnica a


administração estava exigindo detalhamentos, inclusive com apresentação de
artefatos e até mesmo trechos de softwares que são, por óbvio, objetos de
sigilo.

Aponta também que tais requisitos só poderiam ser cumpridos por empresas
que tivessem prestado serviço a órgãos que simultaneamente utilizassem a
mesma metodologia de contratação e avaliação do software que a licitante, em
evidente afronta a limitação prevista no artigo 30, II da Lei 8.666/93 e que tais
exigências em nada garantiam a capacidade das proponentes em realizar um
bom trabalho.

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Tais exigências apesar de não ter sido apontado pelo impugnante eram
absolutamente desnecessárias dado que o licitante vencedor seria submetido
conforme os termos do edital a prova de conceito de forma a demonstrar sua
capacidade, prova de conceito esta, que se note, não apresentava requisitos
objetivos e era permeada de subjetividades.

De fato, na opinião do ora Representante, só seria capaz de atender às


exigências de qualificação técnica empresa que já tivesse realizado trabalhos
ao próprio órgão contratante, como de fato ocorreu.

De outro lado, a absoluta inoperância do produto final entregue demonstra de


forma cabal que assistia razão à impugnante dado que a empresa contratada
foi incapaz de entregar o produto com um mínimo de qualidade e usabilidade.

Tal fato pode ser atribuído a ausência de critérios objetivos de avaliação de


qualidade no edital que por sua vez acabam por permitir uma fiscalização
contratual deficiente com excesso de subjetividades que resultam na entrega
de um software inoperante, com o pagamento integral dos valores previstos no
contrato e sem a aplicação de qualquer penalidade à empresa dado que nos
dizeres do responsável “não houve qualquer irregularidade contratual
identificada.”

Assim temos a necessidade de intervenção desta Corte de Contas para


recomendar à Representada que atualize seus editais de contratação de
Fábrica de Software, cujos termos básicos de avaliação de qualidade foram
redigidos em data anterior a Instrução Normativa número 4 de 11 de setembro
de 2014 da Secretaria de Logística e Tecnologia Da Informação (SLTI/MP),
inserindo nestes critérios objetivos relativos aos prazos de entrega e critérios
mínimos de desempenho dos softwares a serem postos em ambiente de
produção antes de se liberar os pagamentos pelos artefatos entregues, a fim
de evitar a ocorrência de disponibilização de softwares inoperantes,

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integralmente pagos e que demandam constantes correções às expensas do


erário público.

2.3 - DOS INDICIOS DE CONDUÇÃO DO CERTAME

Como relatado em tópico anterior, apesar de realizar a opção de licitação pelo


tipo pregão, que, em razão de ser reservado para licitações de objetos
comuns, em geral não permite a realização de exigências excessivas para a
habilitação dos proponentes, o edital da licitação ora objeto da presente
representação está permeado de exigências excessivas de habilitação que vão
muito além do permitido pelo artigo 30 da lei 8666/93.

O excesso de exigências foi objeto de impugnação específica, a qual foi


indeferida sob a justificativa de que um objeto era de extrema importância, o
que justificava o atropelamento da legislação.

Note-se aqui na resposta a impugnação não há o enfrentamento do argumento


de ilegalidade das exigências, havendo apenas a justificativa do exagero
pautada na crucialidade do serviço.

Na interpretação do ora representante, as exigências para habilitação do


licitante acabaram por conduzir a licitação a licitantes que já tivessem
realizado trabalhos em favor do próprio órgão contratante.

Isto porque além da apresentação de atestados de capacidade técnica cuja


limitação de conteúdo está inserida na própria lei, não sendo lícito aos órgãos
licitantes inovar em tais exigências.

O termo de referência faz todo um apanhado de entendimentos do tribunal de


conta os quais são no sentido de exigências de quantitativos mínimos e não
em relação à inovações de formas de exigência, em claro sinal de que os

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responsáveis pela elaboração do edital tinham a noção de que estavam


extrapolando os termos da lei.

As exigências extralegais foram as seguintes:

“6.1.6.2. Cada atestado deverá vir acompanhado de Tabelas de Comprovação


de Serviços Executados, conforme modelo do Anexo XVIII, detalhando os
maiores projetos desenvolvidos e implantados em ambiente de produção. A
quantidade de trabalho executado, por um ou mais projetos devem, no mínimo,
atender às quantidades especificadas no item
6.1.6.1.19:

6.1.6.3. Para cada projeto informado no item 6.1.6.2 do Termo de Referência, a


licitante deverá demonstrar ainda que foram produzidas as evidências e artefatos
de cada processo relacionado no Anexo XVIII. As evidências e artefatos deverão
ser anexadas aos atestados;”

Como se verifica, o Presente Edital não se limitou a exigir para fins de


habilitação técnica a apresentação de atestados de capacidade técnica.

Foi exigida a documentação complementar, que deveria seguir anexo ao


atestado, e, portanto, se trata-se de um anexo, não é o próprio atestado, para
fins de habilitação sob a justificativa de que:

“6.1.6.1.5 - Considerando-se a natureza do serviço, os padrões de excelência


que se deseja alcançar e os resultados esperados, é significativo que as
empresas candidatas demonstrem condições, em proporção razoável, de
experiência comprovada na prestação de serviços compatíveis em características,
quantidades e prazos com o objeto desta licitação”

Ocorre quem além da exigência ilegal de apresentação de documentação não


prevista em lei, que é clara em afirmar que a habilitação técnica se limita a

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apresentação dos atestados, o edital previu a realização de Prova de Conceito


(POC).

Note-se que a realização de prova de conceito em si não é considerada ilegal,


sendo classificada como uma espécie de apresentação de amostras.

Porém a prova de conceito quando exigida deve possuir critérios objetivos de


avaliação, a fim de afastar a inerente subjetividade no ato de avaliação de
amostras.

Portanto temos exigências exacerbadas para a qualificação técnica, às quais se


mostram inúteis em razão da exigência posterior de realização de prova de
conceito, a qual é muito mais apta a demonstrar a efetiva capacidade de
execução do objeto, especialmente considerando o presente caso em que a
prova de conceito se consubstanciava na execução de tarefas similares às que
seriam executadas no momento da realização do objeto.

Não obstante, a impugnação foi julgada improcedente, mais uma vez sob a
justificativa de essencialidade da aplicação, apesar de admitir que está
exigindo documentação além do Atestado:

“O atestado propriamente dito é emitido por cada órgão ou entidade, portanto não
necessitam estar no modelo citado, pois o objetivo é que a comprovação contenha
informação descrita no anexo. [...]
Diante dos argumentos apresentados pela impugnante, assim como pela resposta
da área técnica requisitante, decido: Julgar improcedente o pedido de republicação
do Edital, uma vez que as exigências têm caráter crítico relacionado ao
objeto do certame, tendo sido esclarecidos os itens duvidosos por meio do portal
de compras governamentais e por meio da resposta da área técnica requisitante
aqui transcrita.”7

7
Ata de julgamento da impugnação.

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Por fim há de se apontar que a limitação de concorrência inserida no edital sob


a justificativa de garantia de qualidade no produto final se demonstrou inútil
dado que o produto final entregue possui qualidade sofrível sendo as
dificuldades de uso do sistema a razão da presente petição.

Verificando as razões de desclassificação das concorrentes melhor colocada


bem como os recursos apresentados contra a classificação da empresa que se
sagraria vencedora, verifica-se que de fato a existência de contratação prévia
foi fator decisivo para se sagrar vencedora desta licitação, dando, portanto,
mais força ao argumento de que, mesmo que de forma involuntária, o Edital
privilegiou a contratação de empresas que já possui um contrato com o órgão
licitante, ou ao menos com órgãos da administração pública, sendo prejudicado
o que utiliza-se atestados emitidos por empresas privadas.

Da análise dos recursos apresentados bem como das contrarrazões e o


julgamento desta verifica se que tanto a defesa apresentada como as razões
de decidir frequentemente apontam a experiência anterior da empresa junto
ao órgão:

Em suas razões de recurso a empresa CAST INFORMATICA aponta que a


empresa declarada vencedora não teria apresentado a documentação
complementar aos atestados de capacidade técnica exigidos.

Por sua vez em suas contrarrazões a empresa declarada vencedora se defende


apontando que as listas de exigência seriam meramente exemplificativas (a
demonstrar que efetivamente não havia apresentado a totalidade da
documentação).

“De antemão, é necessário destacar uma manobra da qual a RECORRENTE se vale


insistentemente no decorrer de sua peça recursal: agarrando-se a uma tênue

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esperança semântica, ela tenta tratar listas como exaustivas, ao passo que são
claramente exemplificativas.”

Em seguida, aponta para a possibilidade de o órgão diligenciar,


complementando a documentação faltante:

“Mesmo assim, no interesse de exibir irreversivelmente a insuficiência nos


argumentos da RECORRENTE, aponta-se que, como frisado nos itens 6.1.6.1.15.1 e
6.1.6.1.15.1.1 do TR, o Órgão se reserva a faculdade de diligenciar os
atestados apresentados, com fins de validar qualquer informação que
possa ter deixado dúvidas:

E passa então a listar as experiências anteriores que possui com o próprio


órgão que demonstram ser apta a realização do objeto:

“Pois bem, a primeira verificação a ser feita é simplesmente interna: o SIMATEX,


sistema desenvolvido desde 2014 pela RECORRIDA para o Departamento de Ciência
e Tecnologia – DCT e para o Comando Logístico do Exército Brasileiro –
COLOG, utiliza Jasper Reports para geração de relatórios.

Isso pode ser demonstrado, por exemplo, pelas ocorrências do Sistema de Gestão
de Ocorrências - SGO de número EB-2730 e EB-4406. Porém, muito mais
contundente, é o fato de que a ferramenta Jasper Reports consta no Documento
de Arquitetura do SIMATEX, validado pelo próprio DCT/CDS.

O código fonte da aplicação na configuração do Maven, responsável pela


gestão de dependências e construção do projeto, também corrobora essa
informação. Podem ser verificados trechos do pom.xml do módulo maven eb-
parent, utilizado por todos os módulos do SIMATEX, como o sigelog-web, a
incorporação dos jars nos artefatos gerados do Jenkins, e diversos relatórios .jrxml
compilados em .jasper.

Tais informações são facilmente verificáveis pela equipe de arquitetura do


Centro de Desenvolvimento de Sistemas – CDS do Exército Brasileiro. [...]

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E segue apresentando uma série de diligências realizadas em diversos órgãos


públicos onde o órgão licitante analisou os softwares desenvolvidos, diligências
essas que parecem ter requerido acesso a informações de elevada
sensibilidade, acesso que por óbvio não seria fornecido por empresas privadas
devido ao risco de exposição de segredos industriais, além do inerente
constrangimento ter de despender esforços para atendimento de uma
demanda quem nada agrega ao bom andamento da atividade empresarial,
representando um ônus irrazoável de se exigir de terceiro que apenas forneceu
um atestado de capacidade técnica.

Considerando que a administração realizou amplos esforços para negar ao ora


peticionante as cópias da documentação da licitação, não há como se ter
certeza da forma como se realizou tais diligências, nem o quanto invasivas
tenham sido, porém é importante ressaltar o argumento de fechamento das
contrarrazões que não permite descartar de pronto a hipótese de vantagem
conferida a pré contratados na licitação:

“Ou seja, mesmo que assistisse razão à RECORRENTE acerca da exaustividade das
tecnologias listadas no item 6.1.6.1.18.1.1, o que não é o caso, o Exército
Brasileiro possui conhecimento interno da capacitação técnica da
RECORRIDA quanto ao uso da ferramenta Jasper Reports/iReport, além de poder
adquirir evidências de outros clientes em sede de diligência.”

Por fim, o julgamento do recurso demonstra de forma clara que a existência de


contrato prévio foi fator decisivo para a manutenção da habilitação da
concorrente, como se verifica:

“4.1.2. Ademais, embora a referida lista não incluísse tecnologias de cunho


obrigatório, a equipe técnica pôde comprovar a experiência de utilização da
tecnologia Jasper Reports, pela recorrida, tanto no projeto SIMATEx
(desenvolvido no Centro de Desenvolvimento de Sistemas do Exército –
CDS), quanto em outros órgãos – objetos de diligências e também emitentes dos
atestados de capacitação técnica – como FUNASA e IBAMA.

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4.1.3. Dessa forma, julga-se improcedente o recurso apresentado para este item.”

Assim temos que há sinais de que o excesso de exigências de habilitação, com


a necessidade de apresentação de anexos aos atestados de capacidade técnica
acabou por conduzir a licitação a habilitação de empresas que já tivessem
prestado serviços semelhantes ao próprio órgão público, ou ainda a outros
órgãos públicos dispostos a se submeter às invasivas diligências previstas no
edital.

Importante ressaltar que da ata da licitação é possível verificar que houve pelo
menos uma desclassificação de empresa em razão de não atendimento dos
quesitos de habilitação técnica, sendo os atestados apresentados em sua
maioria emitidos por empresas privadas, em razão de que não foi possível a
realização da diligência em razão de sigilo da informação, como havia sido
alertado em sede de impugnação que ocorreria, chegando ao absurdo de a
equipe técnica sugerir a assinatura de acordo de confidencialidade entre a
empresa licitante e o exército brasileiro, o que é data vênia absolutamente
ilegal pois nenhum órgão público pode assumir obrigações sem o devido
procedimento prévio, dado que o que garante qualquer acordo de
confidencialidade é a cláusula penal que se constitui de obrigação monetária:

Pregoeiro 31/05/2017 14:15:02 "A empresa poderá emitir um


termo de confidencialidade para os integrantes do Exército
Brasileiro que analisarão a documentação confidencial
protegida por clausula contratual, entretanto, outros documentos
não confidencias poderão ser acrescentadas no COMPRASNET,
podendo acrescentar no portal documentos com as informações
confidencias tarjadas. "

Sem grande surpresa o resultado foi a desclassificação da empresa:

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“Pregoeiro 04/07/2017 16:38:44 Após a apreciação do relatório


apresentado pela equipe da área requisitante referente ao Grupo 1, a decisão deste
Pregoeiro é pela INABILITAÇÃO da empresa OESIA NETWORKS DO BRASIL LTDA.”

Novamente, em razão da negativa de encaminhamento de documentos


solicitados através do Fala.br, não é possível verificar as reais razões que
levaram à desclassificação da empresa, uma vez que o referido relatório da
equipe técnica não se encontra anexa na fase externa da licitação.

Porém não seria excessivamente arriscado apostar que a realização de


diligências por funcionários do exército em uma empresa privada, com
tentativa de acesso à informação confidencial tenha sido prejudicada, e fator
decisivo para a desclassificação da empresa.

Colocando de maneira mais clara, caso algum cliente do ora peticionante, que
atua na área de assessoria e consultoria jurídica de empresas, consultasse
sobre a possibilidade de permitir que um órgão público realizasse diligências
com vistas a analisar códigos fonte e demais detalhes dos sistemas de
informática da empresa, com acesso a informações confidenciais, a resposta
seria algo nas linhas de “Você está de brincadeira comigo né?”.

Até mesmo porque um contrato de confidencialidade assinado entre um


particular e o Exército Brasileiro, sem observância do necessário procedimento
administrativo (mesmo que de inexigibilidade) não teria qualquer validade
jurídica.

Sobre a impossibilidade de assunção de despesa sem o devido procedimento,


extrai-se da Nota Técnica 972/2019/CGUNE/CRG 8

8
https://repositorio.cgu.gov.br/bitstream/1/44713/11/Nota_Tecnica_972_2019.pdf

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“Art. 1º Poderá a autoridade correcional competente deixar de promover a


responsabilização administrativa prevista no art. 143 da Lei nº 8.112/1990 e no
art. 2º da Lei nº 12.846/2013 nos casos de assunção de obrigações sem
cobertura contratual, prática vedada pelo art. 60, parágrafo único, da Lei
nº 8.666/1993 [...]”

Assim, fica evidente que a “solução” de assinatura de acordos de


confidencialidade entre o órgão público e as empresas privadas se mostrava
completamente inviável do ponto de vista prático, havendo demonstração clara
de que as exigências ilegais inseridas no edital privilegiaram empresas que
realizaram serviços anteriores à própria administração, em injustificável
limitação da concorrência, sob a justificativa de garantia de qualidade,
qualidade esta que não foi atingida na execução contratual.

Deve, portanto, este Tribunal de Contas determinar o afastamento de tais


cláusulas restritivas em futuras licitações a fim de evitar novas limitações de
contratações que não garantem a qualidade final do objeto.

2.4 – DA REITERADA RECUSA DE FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES

O ora peticionante tentou obter acesso a fase interna da licitação para


obtenção de mais informações sobre a origem da licitação, informações
essenciais para a identificação de eventuais indícios de favorecimento ou
condução do edital, bem como identificar os erros de planejamento que
levaram a fracassada execução contratual que hora se verifica.

Considerando a lei de acesso à informação e a legislação que regulamentou o


exercício do direito, o ora peticionante fez uso da plataforma Fala.Br,
solicitando especificamente cópias da fase interna da licitação, bem como da
fase externa, e ainda informações sobre as aplicações de penalidades.

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Em sua primeira resposta, entregue depois de 30 dias de levantamento (20 +


10 de prorrogação) a administração forneceu exclusivamente as informações
da fase externa da licitação.

Apresentado recurso, apontando a ausência de informações sobre a fase


interna e as penalidades, a administração se limitou a informar que não foram
aplicadas penalidades, silenciando sobre os documentos da fase interna.

Apresentado novo recurso, no qual especificamente se apontou que a


documentação seria utilizada para apresentação nesta peça, o Recurso foi
“Deferido”, porém as informações não foram fornecidas, tendo a administração
se limitado a informar que “o seu pedido foi remetido à Diretoria de
Fiscalização de Produtos Controlados - DFPC e após consolidado, caso haja
aspectos complementares, será enviado para o e-mail cadastrado.”

Desta feita informação relevante que poderia ser utilizada para melhor
fundamentar esta representação foi reiteradamente sonegada pela
administração o que, data vênia, torna ainda mais importante seu acesso dado
que a experiência demonstra que quanto menos transparente é a informação,
mais interessante e útil para o esclarecimento dos fatos, esta se revela.

Assim, considerando a reiterada negativa de fornecimento de documento


público, requer determine de forma liminar este tribunal, que os responsáveis
juntem nestes autos a totalidade do processo administrativo que culminou na
licitação ora fiscalizada, informando ainda as razões de negativa do
fornecimento da documentação quando solicitada pelo cidadão.

Requer outrossim, que após a juntada da documentação aos autos seja o ora
peticionante intimado para tomar conhecimento dos documentos bem como
seja fornecido o prazo para apresentação de eventual aditamento na presente
representação, ou apresentação de representação paralela.

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2.5 – DA HABILITAÇÃO DO REQUERENTE COMO TERCEIRO


INTERESSADO

Como já explicitado o ora Requerente tem interesse no desfecho do presente


procedimento pois é o usuário obrigatório do sistema resultante da licitação, e
pretende com a abertura do presente procedimento auxiliar na obtenção de
sistema que efetivamente cumpra o prometido nas campanhas publicitárias
realizadas pelo Exército Brasileiro exortando as inúmeras (e aparentemente
imaginárias) qualidades do sistema Sisgcorp.9

Ademais pretendia realizar uma análise mais aprofundada da documentação


que lhe foi sonegada, a fim de melhor fundamentar a presente representação,
não tendo ainda desistido de obtenção da documentação.

Caso esta venha a ser juntada aos presentes autos sem que o ora
Representante esteja habilitado como interessado, quando da obtenção da
documentação por outros meios fatalmente haverá apresentação de nova
representação, com perda da eficiência no curso da fiscalização.

Ademais, considerando o uso rotineiro (e obrigatório) do sistema, este


representa testemunha dos erros dos sistemas, podendo fornecer à este
Tribunal maiores informações sobre novos eventos de erros graves ocorridos,
de modo a permitir a indicação de efetividade das eventuais medidas tomadas
por este Tribunal de Contas na correção da execução contratual e, portanto, do
bom emprego das verbas públicas.

Assim requer, nos termos do artigo 146 do RI/TCU sua habilitação como
interessado nos presentes autos.
9
PodCast "Braço Forte", da secretaria de comunicação do exército. Nesse episódio, número 78, é explicado o
funcionamento do SISGCORP
https://open.spotify.com/episode/0LWIx9DKbHGyJEkSxjjXlq?si=kvjsE8d2TwKjp8Jp-4quTw
Saiba mais sobre o novo Sistema de Gestão Corporativa de Produtos Controlados - SisGCorp
https://www.youtube.com/watch?v=GHCuiX9i3Rk

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2.5 – DA NECESSIDADE DE DEFERIMENTO DE MEDIDA CAUTELAR

Como demonstrado, o sistema resultante da licitação apresenta uma série de


problemas, com funcionamento errático, quem impede que os usuários
exerçam seus direitos, colocando em risco o próprio erário público, dado que
da inoperância do sistema podem decorrer ações indenizatórias em face da
União.

De outro lado, não é o desprezível o risco de o contrato havido com a empresa


se encerrar sem que os graves problemas do sistema estejam corrigidos,
ocorrendo nesta oportunidade o mesmo que ocorreu em 2015 com o “CR
Eletrônico”, onde após o dispêndio da verba o sistema foi simplesmente
abandonado.

Ocorre que tal risco decorre da provável fiscalização deficiente da execução


contratual dado que mesmo o sistema apresentando diversos e recorrentes
problemas, nenhuma penalidade foi aplicada à empresa contratada, sequer
tendo sido aberto procedimentos administrativos para verificar os óbvios
descumprimentos contratuais, conforme respondido na plataforma Fala.br.

Oras, se temos de um lado um sistema inoperante, que impede o acesso dos


cidadãos aos seus direitos, dado que obrigados a apresentar seus
requerimentos exclusivamente através da plataforma, e de outro um fiscal do
contrato que afirma não haver nenhum descumprimento contratual, é evidente
que a fiscalização do contrato está deficiente.

Seria o mesmo que o senhor Relator sair de casa todos os dias transitando por
uma via completamente esburacada, chegando a danificar o veículo de tão
ruins as condições, e receber do gestor do contrato de pavimentação a
resposta de que não há qualquer descumprimento contratual e verificar no

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portal de compras que a empresa recebeu milhares de reais pela pavimentação


da via.

Desta feita estão presentes os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in


mora.

O primeiro é representado por contrato cuja licitação foi recheada de


exigências para a garantia da qualidade, e cujo contrato resultante não prevê
punições para a entrega de sistemas defeituosos.

Já o segundo é representado pelos inúmeros defeitos existentes no sistema,


que demonstram o não atendimento do objeto contratual, defeitos estes que
porém não levaram a tomada de qualquer providência por parte do gestor do
contrato que aparentemente não vê qualquer descumprimento contratual e
recebe em definitivo softwares inoperantes.

Nesta semana, pouco antes do protocolo desta representação, o sistema


“perdeu” todos os PCEs cadastrados em processos de Autorização de Compra e
Processos de Registro, fazendo com que todos os procedimentos sejam
perdidos.

Fazendo uma alusão, seria como se todos os processos permanecessem no


sistema, porém os anexos contendo as provas das alegações fossem perdidos,
fazendo com que todos os processos se tornem incapazes de serem
analisados, ocasionando não só a perde da GRU paga pelo usuário, como a
perda de tempo dos servidores de todas as Regiões Militares que terão de
disponibilizar tempo para indeferir ou devolver para correção os
procedimentos.

O cenário é CAÓTICO e foi devidamente registrado em vídeo pelo ora


representante em https://youtu.be/g98ZP93r0oc

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Note-se que não é o primeiro caso de erro grosseiro, tendo havido


anteriormente erro gravíssimo ocorrido no início de maio em que os usuários
logavam no sistema e este apresentava dados de outras pessoas, divulgando
informações sensíveis:

Como se verifica da informação encaminhada pelo usuário Matheus, nesta data


há um lugar no seu sistema a visualização de cadastro inicial apresentava
dados de pessoa estranha “Alexandro Alves”, divulgando informações como
telefone, e-mail, e demais dados cadastrais que foram suprimidos para
preservar a identidade.

É importante ressaltar que através desse sistema é possível realizar a


impressão dos documentos das armas e demais produtos controlados dos
usuários, sendo uma falha inaceitável de segurança.

Tal fato ocorreu na data de 13/05/2021, sendo a resposta dada pela


administração de que nenhuma penalidade havia sido aplicada nem nenhum

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processo havia sido aberto em data de 31/05/2021, portanto mais de 15 dias


após ocorrência de elevada gravidade, demonstrando que efetivamente a
fiscalização do contrato se dá de forma débil.

Ainda, além dos volumosos anexos contendo diversos problemas relatados


pelos usuários, os erros foram registrados em vídeo, que podem ser
consultados em:

• https://youtu.be/1ZtNYK7Btlg

• https://youtu.be/RLvGVgzMNQg

• https://youtu.be/DogTc80RwCw

• https://youtu.be/MjNEY8iOsCo

Assim há a necessidade de que seja liminarmente afastado o gestor do


contrato resultante da licitação objeto da presente representação, a fim de que
os termos contratuais, especialmente no que se refere ao não recebimento de
objetos defeituosos sejam aplicados com a devida seriedade e firmeza.

Portanto requer seja deferida medida cautelar determinando o afastamento


das funções do gestor do contrato e ao terceiro representado que adote
medidas necessárias para garantir a correta fiscalização utilizando das
ferramentas contratuais para o não recebimento de objetos defeituosos.

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3. DOS PEDIDOS

Diante, de todo o exposto, requer:

a) Seja deferida a habilitação do representante como terceiro interessado a


fim de acompanhar o andamento do procedimento.

b) Seja deferida medida cautelar para determinar ao órgão que afaste o


gestor do contrato decorrente da licitação, tomando providências para
garantir a qualidade da execução contratual, especialmente aplicando
penalidades no caso de ocorrência de erros no sistema que impeçam sua
funcionalidade.

c) Seja determinado, também em medida cautelar, a juntada dos


documentos relativos à fase interna da licitação, bem como os pareceres
técnicos utilizados na avaliação de habilitação das licitantes.

d) Seja determinado ainda a juntada de relatório das reclamações de


usuários dos sistemas encaminhadas por qualquer meio, bem como as
providências adotadas para sanar os problemas e sancionar os
responsáveis.

e) Ao final, seja a presente representação julgada procedente para:

I. Determinar ao órgão que não faça uso de Atas de Registros de


Preços para contratação de serviços que resultem em contratos
únicos de longa duração, especialmente nos casos de “fábrica de
software”.

II. Determinar ao órgão que não realize exigências de qualificação


técnica extremadas, se limitando a exigências de atestados de

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capacidade técnica, sem anexos ou exigências comprobatórias que


envolvam análises aprofundadas e invasivas dos serviços
executados capazes de restringir a competição e conduzir o Edital.

III. Determinar ao órgão a retenção da garantia contratual até que


sejam verificadas as responsabilidades pelos reiterados defeitos
dos sistemas, recomendando a abertura de processo administrativo
para apuração das responsabilidades.

Nestes termos,
Pede deferimento.

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CÉSAR ANTONIO TUOTO SILVEIRA MELLO

Curitiba, 11 de junho de 2021.

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