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CAMPANHA NACIONAL DE ESCOLAS DA COMUNIDADE

FACULDADE CENECISTA DE CAPIVARI – FACECAP

- CURSO DE PEDAGOGIA -

QUAL A FUNÇÃO DAS CRECHES E PRÉ – ESCOLAS?

JOISSE DANIELE SALES SANTANA RODRIGUES

Capivari, SP
2010
CAMPANHA NACIONAL DAS ESCOLAS DA COMUNIDADE
FACULDADE CENECISTA DE CAPIVARI – FACECAP

-CURSO DE PEDAGOGIA -

QUAL A FUNÇÃO DAS CRECHES E PRÉ – ESCOLAS?

Monografia apresentada ao Curso Pedagogia


da FACECAP/CNEC Capivari, para obtenção
do título de pedagoga, sob a orientação da
Profª. Ms. Ivanete Menegon Waldmann

JOISSE DANIELE SALES SANTANA RODRIGUES

Capivari, SP
2010
Monografia defendida e aprovada em
11/11/2010 (onze de novembro de dois mil e
dez), pela banca examinadora constituída pelos
professores:

____________________________________________

Profª Ms. Ivanete Menegon Waldmann

____________________________________________

Profª Ms. Alessandra Rodrigues Garcia Lucena


AGRADECIMENTOS:

Meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que de alguma forma doaram um


pouco de si para que a conclusão deste trabalho se tornasse possível:
Agradeço a Deus, por acreditar que nossa existência pressupõe outra infinitamente
superior, também por ser meu tudo, por ter me capacitado a chegar até aqui.
À minha professora orientadora, Profª Ms. Ivanete Menegon Waldmann pelo auxílio,
disponibilidade de tempo, material e idéias, sempre com prazer em ajudar, ler e opinar.
À D. Cecília, bibliotecária, pelo fornecimento e indicação de material para pesquisa
do tema,
Ao meu namorado, por acrescentar razão e beleza aos meus dias.
Aos meus pais Luciane e João, pelo exemplo, amizade, amor e carinho.
À minha irmã Thaís, pela ajuda durante o excesso de trabalhos, que para me ajudar
fazia a digitação dos mesmos.
Agradeço às diretoras, e professoras das duas instituições as quais permitiram minha
permanência nas salas de aula recolhendo depoimentos dos pais de seus alunos.
E também agradeço aos meus amigos que direta ou indiretamente contribuíram para a
realização deste.
À todos, muito obrigada!
”Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver
meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados
em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação
do homem.”

(Carlos Drummond de Andrade)


RODRIGUES, Joisse Daniele Sales Santana. Qual a função das creches e pré-escolas?.
Monografia de Conclusão de Curso. Curso de Pedagogia. Faculdade Cenecista de Capivari –
CNEC. 38 p., 2010.

RESUMO

A presente pesquisa aborda o tema educação infantil enfocando principalmente a questão


das creches e pré-escolas. Procuramos abordar a história da infância, e do surgimento das
creches e pré-escolas, explicando assim, não só como as mesmas surgiram, mas também o
porquê delas passarem a existir. Porém, buscamos entender alguns dos motivos pelos quais
os pais matriculam seus filhos nessas instituições. Para esta investigação realizamos
pesquisas bibliográficas e entrevistas, onde foram entrevistados quinze pais que possuem
filhos matriculados em creches e pré-escolas. Com eles, procuramos entender o motivo
pelos quais esses pais matriculam seus filhos nestas instituições. Buscamos também
especificar os motivos do surgimento das creches e pré- escolas, a importância das
brincadeiras nas creches e pré-escolas e a história da infância, baseado em diversos
autores, como: Àries(1981), Oliveira(2007), Kramer(1999) e Leontiev(1998). Referencial
Curricular Nacional, entre outros. Tais respostas corroboraram com outras pesquisas
quanto à função formativa da educação infantil.

Palavras-chave: 1. Infância. 2. Creches e pré-escolas. 3. Brincadeiras 4. Função Social.


SUMÁRIO

Introdução ................................................................................................................................. 8

1 - A Infância de um Jeito Diferente ........................................................................................ 11

2- Surgimento das Creches e Pré-Escolas no Brasil ................................................................. 13


2.1 – Creche e Pré – Escola, um direito para quem? ............................................................ 15

2.2 – Creches e Pré-Escolas- Quais as suas funções ? .......................................................... 17

2.3 – A importâncias das brincadeiras nas Creches e Pré - Escolas ..................................... 19


3 – A Expectativa de Alguns Pais ............................................................................................ 23

3.1 – Análises dos depoimentos e questionários respondidos pelos pais ............................. 24

Considerações Finais ................................................................................................................ 28

Referências Bibliográficas........................................................................................................ 30
Anexos ..................................................................................................................................... 32
INTRODUÇÃO:

As Pré-escolas não faziam parte das creches como hoje, século XXI. A pré-escola era
um beneficio para filhos de pessoas nobres, pois o assunto em questão era a educação
formativa, diferente das creches, as quais tinham como objetivo apenas cuidar.
Atualmente a educação infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da
criança até os cinco anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade.
Embora dependente do adulto, a criança é um ser capaz de interagir num meio
natural, social e cultural, desde bebê. Entretanto, por muito tempo a criança foi vista como
um ser “adulto”, ou um adulto em miniatura, mas hoje vemos que a criança é um ser único
que, ao mesmo tempo, está passando por fases de crescimento e de mudanças qualitativas e
quantitativas.
Ao iniciar a sua experiência na creche ou pré-escola esse ambiente lhe é novo, e a
criança poderá ou não se adaptar rapidamente. O bebê, por exemplo, que começa a
frequentar a creche poderá estranhar o lugar, o seu movimento, as profissionais, as pessoas
novas que a cercam e, com isso, poderá recusar a alimentação ou, também, poderá agir
normalmente e observar todo o movimento, aproveitando os diversos carinhos de boas
vindas como novo integrante da turma.
Para a criança que começa a frequentar a Pré-escola, a mudança mais importante é na
relação com os pais, porque agora é exigido dela que seja mais independente, o que
significa demonstrar mais responsabilidade por suas próprias necessidades. Este processo
está acontecendo desde o seu nascimento, mas, nesse ponto de transição, a criança se
depara com um repentino avanço. Aos cinco anos de idade, a maioria das crianças é capaz
de suportar a separação familiar durante parte do dia, sobretudo se isso já vier ocorrendo
no grupo de recreação ou no maternal.
A ligação entre a criança e o professor é muito importante e os pais devem facilitar
este contato. A figura materna jamais será abatida, mas é necessário que haja
também uma relação social em que se constitua um vínculo no qual a criança tenha
confiança para se desenvolver (RODRIGUES, apud GUIA DO BEBÊ, 2008).

Com certeza não deve ser nada fácil para os pais, nem para as crianças, mas a
iniciação escolar pode ser benéfica para todos. O contato com outras pessoas pode contribuir
para o desenvolvimento da autonomia da criança. De modo geral, as crianças, desde bebês,
gostam de frequentar a creche e de brincar, embora nem sempre os pais tenham essa visão.

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Diante deste cenário, é que se deu a escolha do tema para a realização deste trabalho.
Para tanto, este trabalho aborda o tema educação infantil e foca especialmente a função das
Creches e Pré – Escolas.
O mesmo foi escolhido devido ao interesse que surgiu a partir do estágio realizado
numa escola de educação infantil, como parte da exigência para a conclusão do curso de
Pedagogia.
O objetivo geral deste trabalho é apresentar uma discussão a respeito da evolução do
conceito de infância, da constituição histórica desses segmentos de ensino, e das
expectativas de um grupo de pais quanto à função das creches e pré-escolas.
Para isso realizamos pesquisas bibliográficas onde buscamos informações referentes
ao surgimento das creches e pré-escolas e sobre qual a sua função de acordo com os
dizeres de um grupo de pais.
Para melhor compreensão, buscamos informações sobre o inicio do funcionamento
das creches (que coincide com a introdução da mulher no mercado de trabalho) e a
importância do brincar na infância, apontadas por autores especializados no tema, como
Oliveira(2007), Kramer(1999) e Leontiev(1998).
Para realização da presente pesquisa foi escolhido como procedimento metodológico
a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo. A pesquisa bibliográfica teve como intuito,
aproximar dizeres de diferentes autores comparando e analisando seus estudos sobre o
tema “Creches e Pré – Escolas”.
A pesquisa de campo foi desenvolvida em duas creches diferentes, com o objetivo de
identificar as concepções dos pais sobre os motivos pelos quais matricularam seus filhos na
instituição, e quais as suas expectativas em relação a mesma. Para isso foi elaborado um
questionário com cinco questões para que cada um dos quinze pais respondessem,
colocando no papel, ou até mesmo descrevendo um pouco de sua opinião quanto as
expectativas sobre a instituição e a aprendizagem de seu filho. Solicitamos a comparação
da infância do filho com a sua própria infância, com o objetivo de explicitar como as
condições de vida interferem no estabelecimento das funções dos segmentos de ensino
enfocados, e por fim, explicar o motivo que o levou a matricular seu filho na creche ou
pré-escola, pergunta a partir da qual analisamos as expectativas desses pais quanto à
função das creches e pré-escolas.

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Sobre o tema em questão, de modo geral, as creches eram vistas como um lugar para
filhos de pessoas pobres, que tinham esse “privilégio” para, tendo onde deixar seus filhos,
trabalharem mais sossegadas.
Os objetivos desta pesquisa são de apresentar uma discussão a respeito da evolução do
conceito de infância segundo Àries (1981), de apresentar em capítulos a importância da
creche e pré - escola na vida dos pais e das crianças, e também investigar as expectativas dos
pais ao colocarem seus filhos na creche /pré-escola.
O presente trabalho está organizado em três capítulos, onde o primeiro aborda a
história do desenvolvimento do conceito de infância, o qual versa, segundo Àries (1981) que
aproximadamente no século XII as crianças eram vistas como adulto em miniatura. Desta
forma, podemos estabelecer comparações e perceber que o tratamento dado à infância difere
dependendo do local e do tempo em que esta é considerada.
O segundo capítulo traz informações sobre o surgimento das creches e pré- escolas
no Brasil. Esse “benefício” surgiu inicialmente, no período da Revolução Industrial, na
Europa. Chegou ao Brasil e foi intensificado devido as Guerras Mundiais, durante as quais a
mulher teve que ir a busca de emprego, e necessitavam de um lugar para deixar seus filhos e
por isso foram criadas essas instituições. Ainda no capítulo dois encontramos um subtítulo
no qual destacamos a importância das brincadeiras para o desenvolvimento da criança.
E para finalizar, no terceiro capítulo apresentamos as análises realizadas a partir do
questionário respondido pelos pais. É neste capítulo que procuramos entender quais as
necessidades dos pais quanto à educação de seus filhos e as expectativas dos mesmos.
Através desta organização da presente investigação buscamos subsídios para responder ao
problema desta pesquisa: “Qual a função das Creches e Pré- Escolas?”

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CAPÍTULO 1
INFÂNCIA: QUE HISTÓRIA É ESSA?

Na idade média, por volta do século XII, o conceito de infância deferia muito do
conceito que temos atualmente, a criança era vista como um adulto em miniatura.
Nessa época, podemos dizer que as crianças não eram tratadas como hoje, com
carinho, atenção e amor, não havia lugar para as crianças desenvolverem a sua infância como
vemos nos dias de hoje, pois as crianças tinham rotinas de adultos, onde incluia o trabalho,
jogos e responsabilidades.
A criança não era diferenciada dos adultos nem mesmo em pinturas, pois elas eram
retratadas com traços, roupas, e expressões de adultos.
Segundo Áries (1981, p. 51) [...] “No mundo das fórmulas românticas, e até o fim do
século XIII, não existem crianças caracterizadas por uma expressão particular, e sim,
homens de tamanho reduzido.”
A iconografia1 começou a retratar algumas crianças no século XIII como anjos, tendo
como foco principal Jesus e sua Mãe, a Virgem. Então surgiram outras pinturas de famílias
inspiradas na “sagrada família”, segundo Àries (1981, p.19), “Com a Maternidade da
Virgem, a tenra infância ingressou no mundo das representações. No século XIII ela inspirou
outras cenas familiares”.
A partir daí, crianças começaram a ser retratadas com mais freqüência, passaram a
ser retratadas com seus pais, e logo tomaram espaço nas pinturas.
Primeiro, as crianças eram retratadas nuas, como anjos, simbolizando a pureza. Em
seguida, começaram a ser retratadas com seus pais, com seus amigos, companheiros. Esse
tipo de pintura foi sendo inspirada até o século XIX. Àries comenta:
Salientamos aqui apenas o fato de que a criança se tornou uma das personagens
mais freqüentes dessas pinturas anedóticas: a criança com sua família; a criança
com seus companheiros de jogos, muitas vezes adultos; a criança na multidão, mas
“ressaltada” no colo de sua mãe, ou segurada pela mão ou brincando, ou ainda
urinando, a criança no meio do povo assistindo os milagres ou os martírios
(ÁRIES, 1981, p.55.)

1
Iconografia: (do grego "Eikon", imagem, e "graphia", descrição, escrita) é uma forma de linguagem visual que
utiliza imagens para representar determinado tema
11
Ainda segundo Áries, (1981.p.52.) podemos constatar que surgiram no século XIII
também, alguns tipos de representações de crianças, essas eram um pouco mais próximas do
conceito de infância moderno. O primeiro tipo era o das crianças que correspondem àquelas
que classificamos como adolescentes hoje, mas que naquela época eram chamadas crianças
“mais ou menos grandes”, eram educadas para ajudar os padres nas missas. O segundo tipo
de criança destacava as crianças de colo, aquelas que se ligavam ao mistério da maternidade.
E o terceiro tipo de criança surge na fase Gótica, em que eram retratadas nuas, como
símbolo de pureza.
Entre os séculos XVI e XVII a infância ganhou maior ênfase, pois foi aí que as
crianças burguesas deixaram de se vestir como adultos, e passaram a ter suas roupas
apropriadas. Esse simples fato diferenciava muito os pequenos dos adultos, mas as crianças
mais pobres continuavam com vestimentas de adulto.
Embora a mudança na vestimenta fosse um passo importante para essa evolução,
outra ainda era a questão afetiva, já que as crianças eram colocadas desde cedo para trabalhar
pesado.
Os adultos não expressavam seu amor pelas crianças, porém a partir do século XVII
houve uma mudança: a criança além de retratada era, agora, também notada e amada.
Essa concentração em volta da criança é particularmente notável, no grupo
familiar de Rubens, em que a mãe segura a criança pelo ombro, e o pai dá-lhe a
mão, e (...) em que as crianças se beijam se abraçam, e animam o grupo dos
adultos sérios com suas brincadeiras e carinhos. (ÀRIES, 1981, p.65).

Nos dias atuais, são dispensados tratamentos diferentes às crianças. Diferenciadas


pelo nível social, algumas crianças mais pobres são exploradas, colocadas desde cedo para
trabalhar, enquanto outras geralmente com um nível financeiro mais elevado são tratadas
como príncipes ou princesas, tendo tudo o que quer, na hora que quer, sem precisar se
esforçar.
Com essas mudanças no conceito de infância e nas relações sociais houve necessidade
de adequações às novas necessidades quanto ao atendimento às crianças e suas famílias.
Assim, surgiram as creches para cuidar das crianças para seus pais trabalharem, desse modo
as famílias passaram a ter esse “benefício”, pois enquanto os adultos trabalham, as crianças
são cuidadas e alimentadas por um outro responsável.
Porém, podemos perceber que a infância de hoje comparada à infância dos séculos
passados apresentam grandes diferenças, pois as crianças de hoje, legalmente, não podem
trabalhar. Antigamente as crianças eram colocadas para trabalhar desde muito novas. Outra
diferença muito importante é que hoje, a criança tem escola para frequentar a partir de seus
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seis meses de vida. Através desse meio, criança tem a oportunidade de interagir com os
amigos, professores, entre outros, além de receber os cuidados básicos ainda recebe amor,
carinho e dedicação daqueles que a rodeiam.

CAPÍTULO 2
SURGIMENTO DAS CRECHES E PRÉ-ESCOLAS NO BRASIL

Historicamente, na Europa, no período de 1900 a 1930, os operários trabalhavam em


situações precárias, isso foi gerando muito descontentamento entre funcionários e patrões, até
que os funcionários fizeram um movimento para ganharem um espaço onde seus filhos
recebessem cuidados. Para acalmar a situação, os empresários procuraram uma maneira para
enfraquecer esse movimento, e resolveram ceder um local, um barracão, para que os filhos
dos operários ficassem recebendo cuidados, assim as mulheres também poderiam buscar
empregos e dedicar-se a eles. Esse local passou a ser chamado de creche.
Devido a I e II Guerra Mundial, muitas mulheres tiveram que assumir o papel de seus
maridos no mercado de trabalho e em casa, passando assim a ter seu espaço no mundo do
trabalho. Com a consolidação do sistema capitalista no século XIX, algumas leis passaram a
beneficiar essas mulheres, que com isso colocavam seus filhos nas creches
Nos anos 1960, a revolução feminista e a emancipação da mulher, com inúmeras
transformações na sociedade, tornam as creches elemento relevante na garantia de
espaços de abrigo e de educação para crianças de mães que buscam o mercado de
trabalho. (SANTOS, apud Política JusBrasil, 2010)

As creches, nessa época, eram vistas como um estabelecimento, um depósito de


crianças pobres para os filhos de pessoas de baixa renda. Naquela época, devido à falta de
saneamento básico nas moradias, as crianças ficavam sujeitas a contraírem doenças, até que
os sanitaristas passaram a defender e apoiar as creches.
Com a ajuda dos sanitaristas e assistencialistas foi havendo melhorias nas creches,
pois de depósito, esse espaço chamado creche passou a ter uma função, a de cuidar das
crianças que ali estavam, então as mesmas passaram a ser um ambiente que auxiliavam na
aprendizagem e no desenvolvimento das crianças.
Segundo Campos, Rosemberg e Ferreira: “[...] As primeiras iniciativas dirigidas para
crianças das camadas trabalhadoras possuíam cunho assistencialista e se deram no contexto
dos conflitos operários das primeiras décadas do século” (1995, p.103).

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As creches, porém eram vistas como um lugar adequado para os filhos de famílias
pobres, até que os movimentos feministas dos EUA mudaram essa visão, pois elas passaram a
lutar pela idéia de que as creches deveriam atender os filhos de todas as mulheres.
Na década de 70, esse movimento feminista chegou ao Brasil, e a partir da
Constituição de 1988, a Educação Infantil passou a ser um direito da criança, um dever do
Estado e uma opção da família, assim como afirma Haddad (1993).
Embora os pais tenham conseguido o direito de colocar seus filhos em creches, houve
quem não aceitou essa situação, pois muitos consideravam as creches como prejudicial à
criança pelo fato de “tirá-la” de perto da mãe muito cedo. Esse motivo não foi suficiente para
que as mães deixassem seus empregos, pelo contrário, cada vez mais o índice de mulheres
trabalhando aumentava, com isso, consequentemente, o número de matrículas de crianças nas
instituições também crescia, como pode se constatar na citação abaixo:

O aumento da demanda por pré-escola incentivou, na década de 70, o processo de


municipalização da educação pré-escolar pública, com a diminuição de vagas nas
redes estaduais de ensino e sua ampliação em redes municipais, (...). Em 1972 já
havia 460 mil matriculas nas pré-escolas em todo país (OLIVEIRA, 2007, p.110).

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº. 9.394/96 de 20 de dezembro de 1996 a


Educação Infantil é considerada a primeira etapa da Educação Básica (título V, capítulo II,
seção II, art. 29), tendo como objetivo o desenvolvimento global da criança até os seis anos,
tratando, igualmente, da questão da complementaridade dessas instituições com a família.
Houve algumas mudanças na lei, dentre a qual o ensino fundamental passou a ser de
nove anos, e a educação infantil passa a ser até os cinco anos de idade da criança.
As creches então, passaram a ser também pré-escolas para facilitar ainda mais o
contato das crianças com os estudos. Porém, para que os alunos tenham um bom desempenho,
é necessário que a instituição atenda alguns critérios básicos, como ter um prédio estável,
planejado, com educadores que garantam atividades para o desenvolvimento social,
psicológico e psicomotor da criança, onde as mesmas possam se sentir acolhidas.
Aproximadamente no século XIX, a creche era apenas um salão, onde ficavam todas
as crianças pobres. Hoje, as creches atendem alunos de várias classes sociais, todos ficam em
salas separadas por idades, com profissionais especializados, e os mesmos procuram atender
as necessidades dos alunos.
Na atualidade, espera-se que os alunos entre 0 (zero) e 3(três) anos freqüentem as
creches, crianças de 4 e 5 anos freqüentem a pré–escola, de 6 (seis) anos a 10 (dez) anos de
idade as crianças estão estudando no Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental, crianças de 11

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(onze) anos a 14 (catorze) anos, estudam no Segundo Ciclo do Ensino Fundamental e de 15
(quinze) a 17 (dezessete) estudam no ensino Médio, o que difere dos séculos passados,
quando as crianças começavam a freqüentar a escola aos 7 (sete) anos de idade, pois desde o
nascimento até os 6 (seis) anos era a fase em que estavam sob os cuidados de suas mães, ou
de suas amas.
Atualmente a escola de educação infantil é organizada da seguinte maneira:
A. Sala de berçário, destinada ao atendimento de crianças de 6 (seis) meses a 2 (dois)
anos de idade, possui geralmente um professor e um auxiliar, pois nessa faixa etária os adultos
precisam dedicar total atenção aos menores. Os bebês, que muitas vezes, estão aprendendo a
engatinhar, requerem muito cuidado e espaço adequado. A educação passa a ser ensinada por
meio da vivência do professor e aluno.
B. Maternal I é chamada a sala que atende crianças de 2 a 3 anos de idade, e maternal
II, é a sala que possui crianças de 3 a 4 anos, as crianças de ambas idades necessitam de
cuidados. Nessa fase os educadores passam a cuidar e educar fazendo atividades que
desenvolvam e estimulem a coordenação motora, a atenção,etc.
As crianças de dois anos brincam com qualquer objeto principalmente os que façam
barulho, como panelas e talheres. Enquanto brincam, as crianças de dois anos aprendem a
discriminar a diferença entre a imaginação e a realidade.

C. Crianças de 4 anos a 5 anos de idade passam para a Fase I, ou Grupo I,


dependendo da nomenclatura utilizada, nessa sala as crianças já seguem, geralmente, apostilas
ou métodos educativos ou tem a intervenção de livros didáticos, mas não perdem o hábito e
direito de brincar, criar, contar e recontar histórias.

Nas salas de Fase II, as crianças têm de 5 a 5 anos e 11 meses, quase seis anos de
idade. Essas não são mais crianças que necessitam de tanto cuidado como os bebês, pois nessa
faixa etária as crianças já começam a fazer a maior parte das coisas sozinhas, como ir ao
banheiro, por exemplo, porém ainda necessitam de acompanhamento e ajuda constantemente

2.1- CRECHE E PRÉ – ESCOLA, UM DIREITO PARA QUEM?

Diferente dos tempos passados, as creches possuem um papel fundamental na vida das
crianças, pois além de uma necessidade é um direito de toda e qualquer criança, independente

15
de classe, gênero, raça ou cor. A instituição de Educação Infantil deve ainda, preocupar-se
com os interesses imediatos da criança e os saberes já adquiridos por elas e acima de tudo
comprometem-se em garantir a elas o direito à infância, que toda criança tem.
A creche, em seu inicio, tinha o papel de guardar a criança, e em dar conselhos às
mães, ensiná-las a ter um contato mais próximo com seus filhos, portanto, segundo Haddad,

[...] Ao objetivo de atender aos filhos, das famílias pobres que precisam trabalhar
também se propagavam critérios considerados apropriados ao cuidado da criança,
evitando os perigos que levasse à vagabundagem e à morte. (1993, p.25)

Os educadores, e/ou, monitores de creches e pré-escolas não estimulavam as crianças a


alfabetização, mas voltava – se para os cuidados assistencialistas.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) – nº. 9.394/96, o trabalho dos educadores
de creche corresponde à assistência e à educação, oferecendo um atendimento comprometido
com o desenvolvimento da criança em seus aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais.

Quando deixadas pelos pais nas creches, as crianças ficam sob total zelo dos
monitores, professores, e funcionários, os quais têm o dever de cuidar e educar das crianças,
enquanto seus pais estão trabalhando.

No processo de cuidado, os monitores/professores são observados o tempo todo pela


criança, sendo assim, o adulto deve ter consciência de que tudo o que ele fizer poderá ser
imitado pelo menor, sendo esse um dos papéis ao qual o professor deve ficar atento.

Permaneci em duas creches e pré-escolas para realização deste, durante o período que
me mantive lá, pude perceber que um dos objetivos das creches é dar aconchego às crianças,
tornando a escola um espaço que atenda as suas necessidades. Para que isso se torne possível,
as creches fornecem o café da manhã, que geralmente é logo após a entrada, em torno das 9
horas da manhã é sempre servida uma fruta, depois disso as crianças tiram um cochilo até a
hora do almoço que geralmente é servido às onze horas.

Nas horas vagas entre uma refeição e outra, as crianças têm seus horários divididos
para a realização de várias atividades como: brincadeira com livre acesso aos brinquedos,
tomar sol da manhã, pois, conforme diz Campos em “Critérios para um atendimento em
creches que respeite os Direitos Fundamentais das crianças” “Nossas crianças tem direito à
brincadeira [...] Nossas crianças têm direito a um ambiente aconchegante, seguro e
16
estimulante [...] Nossas crianças têm direito ao contato com a natureza [...]” (2009. p.14, 17 e
18).

Ainda de acordo com minha experiência nas instituições notei que depois do almoço,
as funcionárias dão banho nas crianças que ficam em tempo integral na creche, pois no
próximo período, geralmente à tarde, vão para a sala de aula, com isso, dado o horário estão
cheirosos e saciados para terem um bom rendimento escolar.

2.2- CRECHES E PRÉ-ESCOLAS: QUAL A SUA FUNÇÃO?

Conforme comentamos nos capítulos anteriores, podemos afirmar que as creches e


pré-escolas têm o papel fundamental de cuidar e educar as crianças. Nesse capitulo vamos
entender o que é o cuidar e o que é o educar, para melhor compreender o papel dessas
instituições.

De acordo com o mini dicionário Aurélio, (1993, p.156) Cuidar significa: “v.t.1-
imaginar, meditar, cogitar. 2- Julgar, supor. 3-Aplicar atenção, o pensamento, a imaginação.
4- Ter cuidado. 5- Fazer os preparativos. 6- Prevenir-se. 7- Ter cuidado consigo mesmo.”

O cuidado qual citamos, não se trata de ficar o tempo todo vigiando, cercando a
criança, mas sim de atender as suas necessidades, observá-las e valorizá-las mesmo por um
simples fato ocorrido, dando a ela atenção necessária para que confiem em suas próprias
capacidades. Embora haja, também, a necessidade de cuidados básicos, onde se enquadram a
parte de alimentação, proteção, higiene, etc.

Ao promover atividades às crianças pequenas para que se expressem, cantem, dancem,


brinquem, tudo fica mais divertido, pois as crianças e o professor vão criando uma relação
afetiva, o que contribui para o desenvolvimento infantil.

Com um bebê que ainda não fala, tratamos de cuidar de acordo com suas necessidades,
interpretando o seu choro, por exemplo, pois é através dele que a criança expressa se está com
fome, sono, se precisa ser trocado, ou até mesmo se quer um pouquinho de atenção.

17
Com crianças na faixa etária de 1 a 2 anos, o cuidado maior já deve ser com o que ela
pega. Nessa idade tudo o que a criança vê e pega leva até a boca, podendo representar perigo,
como por exemplo, de se afogar com objetos pequenos ou se ferir ao contato com objetos
pontiagudos, mas isso não quer dizer que o cuidado deve ficar apenas nesse sentido. Todas as
crianças independentemente da idade tem direito a brincadeira. Nesse caso, ao atender
crianças de creche na idade de um a dois anos o cuidado mais apropriado é o da proteção.

As crianças de 3 a 5 anos carecem também, de atenção, respeito, afetividade, pois


nessa fase a criança está em processo de crescimento e desenvolvimento contínuo, onde
começam a desenvolver sua autonomia a partir daquilo que vivem no seu dia a dia.

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, “Para cuidar, é


preciso antes de tudo estar comprometido com o outro, com sua singularidade, ser solidário
com suas necessidades, confiando em suas capacidades. Disso depende a construção de um
vínculo entre quem cuida e quem é cuidado”. (1998. p.25)

Quando falamos de cuidar, seja quando nos referimos à criança maior ou menor
enfatizamos também o educar, pois através do cuidado e da brincadeira a criança está sendo
educada de uma forma lúdica.

Educar não é simplesmente dizer à criança o que fazer ou não fazer, mas orientar,
cuidar, brincar, interagir com a criança, fazer com ela atividades que desenvolvam suas
capacidades, aprendizagens, etc. Novamente recorremos ao dicionário Aurélio (1993, p.197),
que define educar como: Promover a educação de alguém ou de si mesmo; instruir-se.

Educar também é uma tarefa das creches e pré-escolas, pois de acordo com o
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998),

Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras, e


aprendizagens orientadas de forma integradas e que possam contribuir para o
desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar
com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso,
pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.
(1998. p.23).

Para educar precisamos amar, seja como mães, ou professoras, mas temos que lembrar
que o limite faz parte da educação. Não se educa uma criança com chantagens, ameaças, ou
promessas que não serão cumpridas, pois assim a criança cresce manipulador, chantagista,
deixando de acreditar em todos, e em si.

18
Portanto, o papel das creches na atualidade deixou de ser aquela educação voltada aos
cuidados básicos.

2.3 – A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS NAS CRECHES E PRÉ-ESCOLAS.

Neste item, pretende – se promover discussões sobre uma das estratégias pedagógicas
mais utilizadas nas instituições de Educação Infantil, que é a brincadeira.

Brinquedo e brincadeira aparecem com significações opostas e contraditórias: a


brincadeira é vista ora como ação livre, ora como atividade supervisionada pelo
adulto. O brinquedo expressa qualquer objeto que serve de suporte para brincadeira
livre ou fica atrelado ao ensino de conteúdos escolares. A contraposição entre a
liberdade e a orientação das brincadeiras, entre a ação lúdica concebida como fim
em si mesma, ou com fins para aquisição de conteúdos específicos, mostra a
divergência de significações (KISHIMOTO, 1997, p. 27).
Cuidar e educar, na educação infantil é essencial, mas é importante também que o
professor estimule a criança a brincar, que leve em consideração a importância da brincadeira
na fase da infância.

Em casa, os pais também devem acompanhar a brincadeira de seus filhos, pois, às


vezes, a criança está demonstrando através da brincadeira o que ela está sentindo, como
ciúme, carência, uma emoção, ou até desejo.

Leontiev (1998) diz que a brincadeira da criança é aprendida no contato social. A


criança, ao brincar, reproduz situações observadas ou vivenciadas por ela. Para ele:
A brincadeira da criança não é instintiva, mas precisamente humana, atividade
objetiva, que, por constituir a base da percepção que a criança tem do mundo dos
objetos humanos, determina o conteúdo de suas brincadeiras. (p.120)
As brincadeiras de hoje estão, geralmente, associadas às novas tecnologias, como:
videogame, computador, celular, etc, é importante que seja resgatado na educação infantil
aquelas brincadeiras de antigamente, como por exemplo, ciranda cirandinha, caranguejo peixe
é, corre cutia, lencinho na mão, e outras brincadeira de roda. Essas brincadeiras tradicionais
em grupos beneficiam o convívio social. Tal resgate das nossas antigas brincadeiras pode
minimizar às crianças o individualismo de ficar em frente ao computador jogando.

A criança tem o direito de brincar espontaneamente, e também de ter acesso aos


brinquedos, que façam sentido nas creches e pré-escolas, como por exemplo, os blocos de

19
montar, jogos de encaixe, e outros brinquedos que estimulem a criança a soltar sua
imaginação.

O Referencial Curricular Nacional afirma que “A brincadeira favorece a auto-estima


das crianças, auxiliando–as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa.”
(1998, p.27).

Através das brincadeiras, podemos explorar muito o conhecimento das crianças, como
formas, textura (áspero, liso, escorregadio), consistência (duro, macio), cor, gosto, regras,
ordens, etc.

Leontiev (1998) também afirma que é necessário compreender claramente em que


consiste o papel capital das brincadeiras; as regras do jogo e do seu desenvolvimento
precisam ser apresentadas. Neste caso, Leontiev (1998) está se referindo às brincadeiras
dirigidas e aos jogos.

Brincar é o que as crianças mais gostam de fazer, independentemente de cultura ou


classe social sem contar que essa é a linguagem das mesmas, pois brincar faz parte do
processo da formação educativa, e do crescimento do ser humano.

Teles (1997.p.15) afirma que “a criança reproduz na brincadeira a sua própria vida.
Através dela, ela constrói o real, delimita os limites frente ao meio e o outro e sente o prazer
de atuar entre as situações e não ser dominado por elas”.

Com isso, podemos constatar que as crianças têm em sua mente um mundo de faz de
contas, encantamentos e fantasias, o que torna para elas o seu mundo imaginário. Nele, elas
decidem o que fazer, o que criar, ou até mesmo o que ser, como, mãe, médico, estrela de
cinema, ou o que a faz feliz. Contudo, esses papéis que a criança passa a assumir na
brincadeira têm por base suas experiências sociais.

Brincando, as crianças desenvolvem sua criatividade, criticidade, linguagem,


motricidade, memória, recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem,
sabendo que estão brincando.

Ao brincar, a criança passa a compreender as características do objeto de seu


funcionamento, os elementos da natureza e os acontecimentos sociais. Ao mesmo
tempo, ao tomar o papel do outro na brincadeira, começa a perceber diferentes
perspectivas de uma situação, o que lhe facilita a elaboração do diálogo interior
característico de seu pensamento verbal. (OLIVEIRA, 2007, p.160)

20
Muitos professores, especialmente os que trabalham com pré-escola, ainda seguem o
modelo de escola tradicional, onde a brincadeira espontânea é deixada um pouco de lado e as
crianças vivenciam mais o teórico, não tendo envolvimento com o lúdico.

Outros ainda têm a dificuldade de entender o significado da brincadeira espontânea no


cotidiano das crianças, não vêem a brincadeira como uma atividade formativa.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, afirma que: “É preciso


que o professor tenha consciência que na brincadeira as crianças recriam e estabilizam aquilo
que sabem sobre as mais diversas esferas do conhecimento, em uma atividade espontânea e
imaginativa.” (1998, p.29).

A brincadeira, não só dentro ou fora da sala de aula, mas nos dois ambientes é
fundamental para as crianças. Por que não desenvolver uma brincadeira com objetivos
relacionados ao conteúdo dado pelo educador na pré–escola? Ou, por que não brincar também
na hora do intervalo, com crianças de todas as idades, onde possam passar suas experiências
umas para outras? Isso contribuiria para a socialização.

Teles, (1997, p.16) diz que o tempo que as crianças têm à disposição para brincar
também deve ser considerado: é importante dar tempo suficiente para que as brincadeiras
surjam, se desenvolvam, e se encerrem.

Há duas maneiras de se desenvolver as brincadeiras com as crianças, a primeira é


através da brincadeira dirigida e a segunda, através da brincadeira espontânea.

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, ao propor a


brincadeira dirigida, “É preciso, porém, que o professor tenha consciência que as crianças não
estarão brincando livremente nestas situações, pois há objetivos didáticos em questão.” (1998,
p.29)

A citação acima menciona a brincadeira dirigida, que é aquela que o professor escolhe
a brincadeira para desenvolver seus objetivos específicos com as crianças, onde o mesmo
orienta o que ela deve ou não fazer.

Nas brincadeiras espontâneas, a criança tenta diversos caminhos, ampliando seu


repertório de recursos e tentando colocar em prática, num jogo simbólico, alguns de seus
conhecimentos. Como exemplo, podemos citar quando a criança bate os pés no chão

21
simbolizando que está cavalgando, ela está imitando um cavalo de acordo com a experiência
vivida por ela, ou quando brinca de casinha, provavelmente ela vai se comportar de modo
como ela representa o agir de seus pais. Assim podemos concordar com o Referencial
Curricular Nacional, que diz:

No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos, e os espaços valem e significam


outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam
os acontecimentos que lhe deram origem, sabendo que estão brincando. (1998,
p.27).

Através das brincadeiras espontâneas, nas quais as crianças brincam de acordo com o
que vivem, o professor ou os pais podem observar as crianças caso demonstrem alguma
diferença em seu comportamento, pois se brincam de escolinha por exemplo, eles vão agir
devidamente como seu professor, ou então se brincam de casinha onde é a mãe ou o pai,
agirão conforme eles representam.

Cabe ao professor organizar situações para que as brincadeiras ocorram de maneira


diversificada para propiciar às crianças a possibilidade de escolherem os temas,
papéis, objetos e companheiros com quem brincar, ou jogos de regras e de
construção, e assim elaborarem de forma pessoal e independente suas emoções,
sentimentos, conhecimentos e regras sociais (REFERENCIAL CURRICULAR
NACIONAL,1998, p.29).

Podemos perceber que o trabalho com a Educação Infantil requer do profissional, além
do amor à criança, a paixão pelo ensinar, um profundo respeito e um constante
aprimoramento das informações acerca do conhecimento do desenvolvimento da criança, das
suas características e possibilidades educativas.

Leontiev (1998, p.122) diz que:

O papel dominante do brinquedo na idade pré-escolar é reconhecido praticamente


por todos, mas para dominar o processo do desenvolvimento psíquico da criança,
neste estágio, quando o brinquedo desempenha o papel dominante, não é
certamente suficiente apenas reconhecer este papel da atividade lúdica.

O educador pode promover brincadeiras e considerar o tempo necessário para as


brincadeiras espontâneas no seu planejamento. Durante as brincadeira ele precisa observar
e, se for o caso, intervir.
As Creches e Pré–escolas deixaram de ser depósito de crianças e gradativamente foram

assumindo outro papel. Hoje são instituições essencialmente formativas, e não mais
assistencialista.
Educação formativa no sentido de tornar as crianças pessoas criativa, formar nelas um
caráter.
22
CAPÍTULO 3
AS EXPECTATIVAS DE ALGUNS PAIS ...

Para ampliar a visão sobre a função da educação infantil optamos por uma pesquisa
de campo, através da qual buscamos, nas opiniões de alguns pais, identificar as suas
expectativas e necessidades, as quais evidenciam a função desse segmento de educação.
Este capítulo tratará da análise da opinião de alguns pais de crianças que freqüentam
creches e pré-escolas do município de Rio das Pedras.
Rio das Pedras é uma cidade com aproximadamente 30.000 (trinta mil) habitantes, tem
um crescimento de 2,9 % ao ano2. A cidade conta com 05 (cinco) creches municipais, situadas
em bairros distantes, sendo próximas da clientela que as mesmas atendem.
Durante dois dias em cada uma das creches das quais permaneci, entreguei a alguns
pais uma folha com questionários a serem respondidos e também recolhi depoimentos
sobre a instituição em que seus filhos estão matriculados, dentre as perguntas buscamos
especificar os motivos pelos quais os responsáveis deixam seu filho nessas instituições, e o
que eles esperam das mesmas.
Através das respostas, cada responsável destacou o motivo pelo qual matriculou o
seu filho na creche, e o que espera da Instituição de Ensino quanto à aprendizagem de seu
filho.
É importante destacar que o nome das crianças e das mães aqui mencionado é
fictício, para assim preservar suas identidades.
Após os depoimentos realizamos uma análise de cada caso procurando interpretá-los,
com destaque sobre o que pensam sobre a função das creches e a diferença da sua infância
passada com a infância atual.
Com a autorização da diretora das creches foi enviado aos pais uma lista com as
questões a serem respondidas, dentre as quais se perguntava sobre a idade da criança, a idade
que a mesma começou a freqüentar a creche ou pré-escola, o motivo que levou a mãe a
matricular o filho na creche ou pré-escola, etc. As perguntas foram as seguintes:
 Qual a idade de seu filho(a)?
 Por que você não colocou seu filho (a) na creche ou pré-escola?

2
Fonte: http:// www.riodaspedras.sp.gov.br
23
 Por que você colocou seu filho (a) na creche ou pré-escola?

 O que você espera que eles aprendam na creche ou pré-escola?

 Qual a importância desse segmento de ensino para a criança? E para vocês, pais?

 Como você vê esse período que seu filho (a) se encontra (infância)? É parecido com a sua
infância?

A última pergunta foi elaborada com o objetivo de que os pais respondessem


verbalmente, assim contaria um pouco de sua trajetória escolar, pois é através de suas
experiências que os pais baseiam

3.1 ANÁLISE DOS DEPOIMENTOS E QUESTIONÁRIOS


RESPONDIDOS PELOS PAIS.

Analisando os quinze depoimentos pudemos perceber que esses pais têm filhos que
foram matriculados em creches e pré-escolas com idades variantes de 6 (seis) meses a 5
(cinco) anos.
Em apenas um caso, dos quinze analisados, a criança foi matriculada apenas na pré-
escola.
Maria, a mãe de Isabel afirma: “Não coloquei ela na creche, mas sim na pré-escola,
pois no período em que eu trabalhava, ela ficava com a minha mãe (avó da criança)”.
Tal resposta é um indício de que a necessidade de trabalho dificulta que a educação
primária tradicional seja realizada pelas mães e que, neste caso, assim como em muitos
outros, a avó assumiu a responsabilidade que antes era da mãe.
A expectativa dos pais em relação a creche e pré-escola pode ser analisada a partir
das respostas dadas quando indagadas sobre os motivos de colocarem seus filhos na escola.
Um exemplo pode ser a resposta de Maria, mãe de Isabel, de 5 anos.
Espero que ela aprenda a lidar com regras, saber que tudo tem limite, quero que ela
aprenda a dividir com os amigos seus brinquedos. Acho importante ela saber essas
coisas, porque na vida temos limites. Para nós pais, é importante esse segmento
para que ela melhore seu comportamento em casa, com os primos, avós,
familiares.(Maria, mãe de Isabel, de 5 anos).

24
Observando os depoimentos, podemos perceber que alguns pais destacam que
esperam que seus filhos aprendam na escola a dividir, respeitar, ler e escrever, etc. Mas
também pode se inferir que alguns deles esperam que a creche ensine o que os pais não
conseguem ensinar ou dar para as crianças em casa. Como exemplo, podemos também tomar
o depoimento de Vânia, mãe de Janaely de 5 anos.

Espero que na creche ela aprenda a conviver com outras crianças, a lidar com as
diferenças, para ter um bom relacionamento social, e uma relação boa com o
pedagógico, porque quase todos os conceitos e valores se aprendem quando criança.
(VÂNIA, mãe de Janaely de 5 anos)

E o de Maria, mãe de Isabel de 5 anos, quando a mesma diz com suas próprias
palavras: “Em casa a Isa é uma criança sem limite, rebelde, acha que tudo é do jeito dela, mas
na escola ela é boa aluna, só recebo reclamação de que ela é muito tagarela”.

Quando perguntado para os pais sobre a importância do segmento de ensino (enfocado


nesta pesquisa) para a educação de seus filhos, muitos afirmaram que consideram importante
a socialização, interação, independência, e aprendizagem para o desenvolvimento da criança.
Podemos fazer tal afirmação com as declarações de alguns pais, como Francisco, pai de
Fabrício, de 1 ano e 5 meses:

Espero que na creche ele aprenda regras, respeito para assim conviver com outras
pessoas, por que é muito importante principalmente para o desenvolvimento dele.
(FRANCISCO, pai de Fabrício, de 1 ano e 5 meses)

Através do depoimento, descrito abaixo, pode-se evidenciar as incertezas pelas quais


uma mãe foi acometida. Ela, de certa forma, tem medo que seu filho não seja amado ou bem
cuidado na creche, percebe-se também que é dificultoso, para ela, deixar seu filho nessa
instituição, mas que ao deixá-lo tem a expectativa de que o menino tenha um aprendizado.
Ela espera que ele aprenda as letras, números, e também conquiste gradativamente a sua
independência. Essa insegurança pode ser amenizada se a creche mantiver boas relações com
os pais, pois a parceria permite um maior conhecimento entre família e escola, a ansiedade
poderia ser menor e eles teriam maior segurança quanto ao tratamento que seu filho estaria
recebendo.

Espero que na creche ele receba o amor que eu dou, claro que não é igual, mas
espero que elas (as professoras) cuidem bem dele. Quero que ele cresça esperto, que

25
aprenda desde pequeno ser independente e inteligente que aprenda as letras, os
números, o nome das coisas. (NATALIA Mãe de Felipe)

Para encerrar, foi questionado aos pais sobre a semelhança entre sua infância em
relação à de seu filho. A partir das respostas foi possível analisar que a infância de cada
criança varia mais ou menos com relação à criação recebida pelos pais, pois há sete (07) pais
que citaram que a sua infância é parecida com a de seu filho, mas houve também oito (08)
mães que citaram que tiveram a infância diferente. Algumas pelo fato de, na sua infância, não
ter acesso a creche e outros motivos, como vemos abaixo:

A infância dele é parecida com a minha, pois meus pais também trabalhavam fora de
casa e eu ficava com a tia, que cuidou de mim até eu me virar sozinha. (LUCIANE,
mãe de Henrique, de 1 ano e 3 meses)

E também o depoimento de Edna, mãe de Ruan, de 2 anos de idade:

Nossa infância é parecida, pois minha mãe também tinha que ir trabalhar e minha
avó cuidava de mim e dos meus irmãos, a única diferença é que quem cuida dele
(filho) são as tias da creche. (EDNA, mãe de Ruan, de 2 anos de idade).

Temos depoimentos que expressam que a infância dos pais foi diferente da infância
de seus filhos. Como exemplo, transcrevemos o depoimento de Francisco, pai de Fabrício de
1 ano e 5 meses:

Vejo muita diferença entre a minha infância e a infância dele, principalmente nas
condições de vida, porque antes era tudo mais difícil, hoje é um pouco mais fácil. As
condições de vida que meus pais tinham era bem mais baixa que a minha para
sustentar meus filhos.(FRANCISCO, pai de Fabrício de 1 ano e 5 meses).

Nesse caso, a diferença citada pelo pai trata-se da diferença financeira, que o mesmo
diz que antes era mais difícil o emprego, a renda era mais baixa, e a quantidade de filhos
geralmente era maior, o que dificultava os pais de sustentar os filhos e manter todos na escola,
mas hoje, o Senhor Francisco afirma ser mais fácil manter a sustentação da casa e o filho na
escola, pois a creche ajuda muito com uma boa alimentação, e o material escolar.

E também o depoimento, de Selma, mãe de Eloá de 3 anos:

A infância dela é muito boa em vista da minha, ela brinca, vai para a escola, tem
vários amigos na creche. Já a minha infância, eu não tinha nada, morava numa casa
simples, com minha mãe e meus dois irmãos, era difícil ter material para levar na
escola, comida boa para comer, mas a forma de educar que eu trago é igual a da
minha mãe, então educo a minha filha como fui educada. (SELMA, mãe de Eloá de
3 anos)

26
Dona Selma nos relata que na sua infância não tinha os materiais escolares suficientes
para levar para a escola, nem comidas variadas, mas que isso nunca foi motivo para ela e seus
irmãos serem mal educados. Comparando a sua infância com a de sua filha, a mãe diz ser
diferente, pois Eloá sua filha, estuda, tem amigos, e também boa educação. Apesar de
ressaltar as diferenças materiais entre seu o modo de vida e o de sua filha Eloá, a senhora
Selma tem em sua mãe a maior referência de como educar.

Felipe é uma criança muito esperta, e têm acesso a muitas coisas que eu não tinha na
minha época, como brinquedos, carinho, creche, e comida na hora certa. Na minha
infância, mamãe ia pra roça e me deixava e minhas irmãs com a vizinha, e quando a
gente queria brinquedo a gente fazia de papelão. (NATALIA, mãe de Felipe)

No depoimento acima, a mãe Natalia fala a respeito dos brinquedos dela e de seu filho,
com isso, a mesma compara que seu filho tem brinquedos, carinho, comida na hora certa e é
matriculado numa creche para que ela possa trabalhar. Com esse depoimento podemos
ressaltar as mudanças sociais, dentre elas o acesso às creches que passaram a fazer parte do
nosso cotidiano. Natalia, quando criança, ficava com a vizinha enquanto sua mãe trabalhava.

Outro fato importante de se destacar é que a mãe deixa claro que não tinha acesso a
brinquedos como seu filho, mas isso não a impedia nem às suas irmãs de brincarem. Elas
confeccionavam seus brinquedos com papelão, e assim, estavam brincando e aprendendo,
pois com essa atividade que não era dirigida, mas sim uma necessidade, elas estavam usando
a imaginação, criatividade e coordenação motora. Para fazer uma simples boneca ela teria
que realizar diversas atividades: imaginar, desenhar, colorir, criando assim uma personagem,
uma fantasia, na qual ela escolhia as características, para somente depois recortar e brincar.

27
CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em todo esse trabalho buscamos compreender a função das creches e pré-escolas.


Iniciamos com informações sobre a história da inserção da criança no mundo infantil e
escolar. Em seguida tratamos da história da infância, de como a criança era tratada, ou vista
(adulto em miniatura) desde suas fases iniciais, da imagem das crianças retratadas como
anjos, a fase das paparicações e apego com os familiares, seguido pela necessidade da mulher
buscar empregos e entrar no mercado de trabalho, que por fim impulsionou criação das
creches.
De acordo com o conteúdo estudado, podemos concluir que as creches e pré-
escolas passaram a existir para que a mulher pudesse trabalhar tranquilamente, sem
preocupações enquanto seus filhos estavam sendo cuidados, alimentados, e educados por uma
pessoa externa ao grupo familiar, minimizando as preocupações das mulheres trabalhadoras,
eles poderiam produzir mais, aumentando o lucro das empresas.
Podemos dizer, com base nos estudos deste, que, as antigas creches foram fundadas
devido a demanda, e a mesma era focada no cuidado, alimentação e educação de boas
maneiras, mas com o passar dos anos, as mesmas tornaram-se instituições de ensino, onde
além de receber cuidados, a criança passa a ser alfabetizada.
A respeito das brincadeiras, pode-se dizer que na fase da creche/pré-escola, a criança
aprende muito brincando. Vemos casos de bebês que brincam, levando seu pezinho ou
mãozinha até a boca, fazendo assim a descoberta do seu corpo, e também as crianças maiores
que brincam imitando a realidade, ou fantasiam ainda mais a sua brincadeira.
Tudo na vida da criança é uma fonte de aprendizado, e na brincadeira está
entrelaçando o brincar com o aprender. Ao mesmo tempo que a criança brinca e cria o seu
mundo imaginário, está exercitando sua mente, e assim, aprendendo a representar cenas da
realidade em suas brincadeiras.
Assumindo a função formativa e considerando a faixa etária dos educandos, o
professor tem que ter consciência de sua ação pedagógica, adequando as atividades de acordo
com a idade de seus educandos, para assim concluir com êxito seus objetivos. A criança
precisa associar o que está aprendendo nas creches e pré-escolas com a realidade, para que a
atividade não fique distante de seu modo de viver.
Esse trabalho buscou identificar as expectativas dos pais quanto às creches e pré-
escolas, e através de depoimentos e análises dos mesmos podemos destacar que os pais

28
esperam que as creches e pré-escolas ofereçam a seus filhos o cuidado, e a educação
formativa. Com isso, podemos constatar que a sociedade também passou a perceber que essas
instituições deixaram de ser apenas assistencialistas voltadas apenas ao cuidado básico, mas
que são instituições que contribuem para a formação de seus educandos.
Portanto, concluímos que a função da Creche e Pré – Escola nos dias atuais é de
estimular a criança a usar a imaginação, criar situações, estimular a brincadeira, porque
Creche e Pré-Escola têm o papel fundamental de cuidar dos educandos e contribuir para a sua
educação.

Esse trabalho procurou, por meio de pesquisa bibliográfica, entrevistas, e análise das
mesmas, ampliar a compreensão sobre a função das creches e pré-escolas na sociedade atual.
De acordo com as respostas das perguntas realizadas aos pais sabemos que eles, na
maioria dos casos, matriculam seus filhos em creches para saírem trabalhar, e geralmente não
têm quem fique com seus filhos em casa. Deste modo, a função das creches e pré-escola, na
visão desses pais, parece ser a de suplementar a educação familiar. Isso acentua a importância
formativa desse segmento escolar, o que vem a corroborar com os dizeres de Kramer (1998),
que afirma que a Educação Infantil deve:

[...] propiciar o desenvolvimento infantil, considerando os conhecimentos e valores


culturais que as crianças já têm e, progressivamente, garantindo a ampliação dos
conhecimentos, de forma a possibilitar a construção de autonomia, cooperação,
criticidade, criatividade, responsabilidade, e a formação do auto-conceito positivo,
contribuindo, portanto para a formação da cidadania. (p. 49).

Portanto, chegamos a conclusão que a qualidade das creches e pré-escolas é muito


importante, pois a ênfase desta instituição em uma ou outra área e a abordagem adotada
implicará em ações concretas e essas ações afetarão o desenvolvimento da criança.

29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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e do Desporto, Secretaria de educação fundamental. Vol.1. Brasília: MEC/SEF, 1998.

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em:<http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/formador-criancas-
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<http://www.monografias.brasilescola.com/pedagogia/a-historia-das-creches.htm >. Acesso
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culturais. In: SANTOS, S; MARLI, P. (Org.). Brinquedoteca: O lúdico em diferentes
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http://www.goiaseducacao.com/vPens. php?c=6. Acesso em 20 de Maio de 2010.

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SP.1996

OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação infantil: fundamentos e métodos. Cortez editora.
São Paulo/ SP - 2007

30
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<http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/a_primeira_ida_a_creche.htm>. Acesso em 21 maio
2009.

SACCHETTO, Karen Kaufmann. Adaptação na escola. Disponível em


<http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/adaptacao_na_escola.htm>. Acesso em 21 maio 2009.

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<http://www.jusbrasil.com.br/politica/4556273/educacao-infantil-dos-parques-infantis-as-
naves-mae-70-anos-de-inovacao> . Acesso em 01 Maio 2010

TELES, Maria Luiza Silveira. Socorro! É proibido brincar!.Editora Vozes.Petrópolis / RJ –


1997.

Anexos:

31
Seguem os depoimentos dos quinze pais que responderam aos questionários para essa
pesquisa, lembrando mais uma vez que os nomes dos pais e das crianças aqui mencionados
são fictícios para preservação de suas identidades.

1º Depoimento

Mãe: Maria / Filha: Isabel


Minha filha tem 5 anos de idade, não coloquei ela na creche, mas sim na pré-escola,
pois no período em que eu trabalhava ela ficava com a minha mãe ( avó da criança), Coloquei
ela na pré-escola pela idade, também para aprender as letras, números, fazer amizades, porque
ela é muito sozinha.

Espero que ela aprenda a lidar com regras, saber que tudo tem limite, quero que ela
aprenda a dividir com os amigos seus brinquedos. Acho importante ela saber essas coisas,
porque na vida temos limites. Para nós pais, é importante esse segmento para que ela melhore
seu comportamento em casa, com os primos, avós, familiares.

Em casa a Isa é uma criança sem limite, rebelde, acha que tudo é do jeito dela, mas na
escola ela é boa aluna, só recebo reclamação de que ela é muito tagarela.

Minha infância foi totalmente diferente, sempre fui calma e quieta. Outra diferença é
que eu sempre gostei de brincar com os amigos, mas minha filha prefere brincar sozinha a ter
que dividir seus brinquedos.

2º Depoimento

Mãe: Priscila / Filha: Juliana

Minha filha tem três aninhos e já freqüenta a escola, comecei a trabalhar, e não podia
deixá-la sozinha. Achei melhor colocar ela na escolinha do que ter que pagar uma pessoa para
ficar com ela, porque na creche ela vai interagir com outras crianças, pois ela é filha única.

Espero que na creche a Ju (modo como chama a filha) aprenda a conviver com outras
crianças, de culturas diferentes, tenha uma boa educação em relação ao que é certo e errado,
aprenda a conviver em comunhão e união, saber compartilhar as coisas.

32
Afinal todo esse segmento é importante para o dia a dia da família, não deixa a
educação limitada apenas ao centro familiar, e principalmente para o futuro da criança.

A infância dela (da filha) é parecida com a minha infância apenas na maneira de
educar, acho que nossos pais influenciam no modo que vamos criar nossos filhos,
principalmente se tivermos uma boa educação, nos estimula a criar nossos filhos igual como
fomos educados.

3º Depoimento

Mãe: Natalia / Filho: Felipe

Felipe tem hoje um ano e três meses. Coloquei meu bebê na creche por que tive que
procurar um emprego para ajudar meu marido em casa, só o dinheiro dele não estava dando
para nos sustentar.
Espero que na creche ele receba o amor que eu dou, claro que não é igual, mas espero
que elas (as professoras) cuidem bem dele. Quero que ele cresça esperto, que aprenda desde
pequeno ser independente e inteligente que aprenda as letras, os números, o nome das coisas.

Acho muito importante tudo isso na vida dele, porque talvez eu e o meu marido, não
consigamos dar atenção suficiente pra ele, e pra não crescer com essa falta de atenção a
creche é muito importante!

Felipe é uma criança muito esperta, e têm acesso a muitas coisas que eu não tinha na
minha época, como brinquedos, carinho, creche, e comida na hora certa. Na minha infância,
mamãe ia pra roça e me deixava e minhas irmãs com a vizinha, e quando a gente queria
brinquedo a gente fazia de papelão.

4º Depoimento

Mãe: Selma / Filha: Eloá

Coloquei a Elo (apelido pelo qual chama a filha) na creche quando ela completou 3
anos de idade,porque eu precisava trabalhar de faxineira e não tinha com quem deixar ela.
Com ajuda da Creche, quero que minha filha seja mais independente, viva um pouco
mais com outras crianças, pra ela é importante para que um dia na ausência minha e do meu
marido, que ela saiba se virar, que não fique dependendo de nós para fazer alguma coisa.

33
A infância dela é muito boa em vista da minha,ela brinca, vai para a escola, tem vários
amigos na creche, já a minha infância eu não tinha nada, morava numa casa simples, com
minha mãe e meus dois irmãos, era difícil ter material para levar na escola, comida boa para
comer, mas a forma de educar que eu trago é igual a da minha mãe, então educo a minha filha
como fui educada.

5º Depoimento

Mãe: Benedita / Filha: Bruna

A Bruna tem dois aninhos e já freqüenta a creche. Matriculei ela lá ( na creche) porque
eu trabalho, e acho que essa é a melhor escolha.
Espero que na creche ela faça várias atividades, que aprenda bastante sobre educação,
pois as crianças de hoje tem muito a aprender, e pra nós pais é muito bom que na creche eles
aprendam sobre isso.
A minha infância com a da Bruninha é parecida na parte de educação, eu sempre fui
bem educada, ela também, desde pequena já sabe respeitar os mais velhos, isso é muito
importante!
A creche vai fazer muita diferença n vida das crianças, porque lá elas têm uma boa
alimentação, aprendem sobre respeito, educação, regras e limites desde pequenininhos, isso
vai fazer um futuro melhor.

6 º Depoimento

Mãe: Luana / Filho: Gabriel

O Gabriel freqüenta a creche desde os quatro anos, hoje ele já tem cinco anos.
Coloquei ele lá para trabalhar, e trabalhar tranqüila, pois sei que lá está sendo bem cuidado, e
o ensino é muito bom.
Espero que ele aprenda a ler e escrever, para ser alguém importante futuramente, pois
todas as crianças precisam se desenvolver e aprender as coisas da vida.
A minha infância e a dele é muito parecida, eu também fui pra escola cedo, brinquei
muito, fui uma criança muito feliz com isso, e hoje graças aos estudos eu sou um alguém.

7º Depoimento

Mãe: Fernanda / Filhos: Laura e Lucas


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Os meus dois filhos foram pra escola muito cedo, o Lucas tem cinco anos, mas na
época ele tinha três, a Laura tem quatro anos, mas quando entrou na creche tinha dois.
Eles foram pra escola assim tão pequenos, porque na minha casa a gente estava
passando necessidades, aí eu precisei trabalhar.
Lá na creche eu sei que eles vão aprender muitas atividades, vão se envolver com os
amiguinhos e com os funcionários da creche, que são como a segunda família das crianças.
É muito importante que as crianças freqüentem escolas desde cedo, porque dentro das
escolas e creches eles têm uma aprendizagem muito boa, as crianças se envolvem muito, mas
também é necessário que todos os pais ajudem as creches dando educação para os filhos em
casa, porque educação vem do berço.
Comparando a nossa infância, elas não são nada parecidas, porque quando eu tinha a
idade deles meus pais trabalhavam e a nossa vida financeira era boa dava pra viver tranqüilo.
Meu pai sempre nos corrigia com palmadas, e sempre resolvia!Hoje a infância destas crianças
é difícil porque nós pais não podemos mais bater para corrigir eles, dinheiro, não temos o
suficiente para dar a eles o que gostaria, é mais difícil de viver nos dias de hoje, mas eu luto
para oferecer um futuro melhor aos meus filhos.

8º Depoimento

Mãe: Vânia / Filha: Janaely

A Janaely tem três anos de idade, só coloquei ela na creche por muita necessidade para
ir trabalhar.
Espero que na creche ela aprenda a conviver com outras crianças, a lidar com as
diferenças, para ter um bom relacionamento social, e uma relação boa com o pedagógico,
porque quase todos os conceitos e valores se aprendem quando criança, e para nós pais é bom
que as crianças vão para a escola cedo para nos desprender um pouco deles e aprender que
eles não são aqueles bebês que a gente sempre acha que é.
A minha infância e a dela é muito diferente, porque quando eu era criança vivi toda a
minha infância com outra família, e meus filhos vivem comigo e com o meu marido que é a
família deles, procuro sempre passar para meus filhos uma vida diferente da que eu vivi.
E todo o aprendizado que eles têm na creche vai servir muito para eles futuramente,
quando forem adultos vão lembrar eu sempre foram bem cuidados.

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9º Depoimento

Mãe: Daniela / Filho: Pietro

Matriculei o Pietro na escola quando ainda tinha seis meses de idade, hoje ele tem dois
anos e adora as tias, os amigos e a creche.
Coloquei-o na creche por motivo de necessidade de trabalho, claro que também pensei
muito que seria bom para o aprendizado dele, com o auxilio das creches ele aprendeu a viver
em sociedade. Acho muito importante que ele saiba relacionar com as pessoas, assim ele
nunca vai estar sozinho.
Nossa infância não é parecida, pois na minha época não havia necessidade dos pais
deixarem seus filhos tão cedo em creche, não tinha a facilidade de hoje em dia.
A creche futuramente terá muita importância para o meu filho, pois terá conhecimento
e disciplina, mas depende muito de cada creche, pois tem algumas que não tem organização
para com a educação.

10º Depoimento

Mãe: Luciane/ Filho: Henrique

Meu filho tem um ano e três meses, coloquei ele na creche desde pequeno porque
tenho que trabalhar fora de casa, também pensei muito que vai ser bom para o
desenvolvimento dele.
Espero que com a convivência na creche ele se desenvolva com outras crianças , pra
ele ter uma qualidade de vida melhor pois lá ( na creche) tem pessoas capacitadas e estudadas
para fazer que a criança se desenvolva melhor na vida e no aprendizado.
A infância dele é parecida com a minha, pois meus pais também trabalhavam fora de
casa e eu ficava com uma tia, que cuidou de mim até eu me virar sozinha.
Com a creche o Henrique vai saber a conviver com outras pessoas, e se Deus quiser ter
uma boa educação.

11º Depoimento

Pai: Francisco / Filho: Fabrício

O Fabrício tem um ano e cinco meses, e começou a ir à creche com sete meses, porque
eu e minha esposa trabalhamos fora, não tinha como ela para de trabalhar para ficar com ele.

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Espero que na creche ele aprenda regras, respeito para assim conviver com outras
pessoas, por que é muito importante principalmente para o desenvolvimento dele.
Vejo muita diferença entre a minha infância e a infância dele, principalmente nas
condições de vida, porque antes era tudo mais difícil, hoje é um pouco mais fácil. As
condições de vida que meus pais tinham era mais baixa do que a minha para sustentar os meus
filhos.
No amanhã tenho certeza que o Fabrício vai lembrar da creche e ver que foi lá que ele
aprendeu a ter educação, onde teve uma boa alimentação e muito carinho das professoras.
12º Depoimento

Mãe: Rosana / Filho: Mateus

Desde pequenino o Mateus vai pra escola, hoje ele está com um ano e oito meses.
Matriculei ele na creche por que tenho que trabalhar para ajudar meu marido com as despesas
da casa.
Sei que a creche é um ótimo lugar para as crianças, pois lá eles aprendem a ter horário,
a ser independente, coisa que ele já está aprendendo.
Isso é muito bom, por que ele não vai ficar mais tão apegado comigo, vai saber se
virar sozinho e dar um pouco de sossego para os pais, já que ele é tão teimoso igual a mim
quando era pequena.

13º Depoimento

Mãe: Edna / Filho: Ruan


O Ruan completou dois aninhos esse mês, mas freqüenta a creche desde seus seis
meses. Coloquei ele na creche porque eu preciso trabalhar, mas lá é muito bom pra ele, para
aprender a conviver com outras crianças, dividir tudo e respeitar os outros, o que é muito
importante faz parte da vida.
Nossa infância é parecida, pois minha mãe também tinha que trabalhar e minha avó
cuidava de mim e dos meus irmãos, a única diferença é que quem cuida dele é as tias da
creche.
Graças a creche as crianças têm uma alimentação saudável, um aprendizado bom.

14º Depoimento

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Mãe: Francisca / Filha: Ingrid
Minha filha tem três anos, e vai à creche desde bebê, pois eu trabalho e precisava da
creche para cuidar dela, para ajudar na educação.
Espero que a Ingrid respeite sempre os mais velhos e os mais novos, também que
tenha interesse pelos estudos, porque conheço muitas crianças que eram “anti-sociais”, e
depois que freqüentou a creche transformou-se.
Na minha infância eu era muito quietinha, meus pais não precisavam brigar comigo, e
na infância dela preciso chamar sua atenção várias vezes, por ser teimosa e uma menina
levada.

15º Depoimento

Mãe: Sueli / Filha: Sabrina


A Sabrina freqüenta a creche desde que tinha um ano e meio, hoje ela fica na pré-
escola, mas coloquei ela lá pelo fato de ter que trabalhar, por isso ela fica período integral na
escola, de manhã ela fica na creche, no salão, aí s professoras dão banho e almoço pra ela, e
depois do almoço ela vai para a sala de aula onde faz o jardim I.
Espero que nessa fase dela ela aprenda a ler e a escrever, também respeitar a todos,
enquanto ela estava na creche aprendeu muitas coisas como musicas infantis, brincadeiras de
roda, cores etc., tudo que aprendia chegava em casa ensinando eu e o meu marido.
Por isso acho que tudo o que ela aprenda na creche é muito importante, ela fica feliz e
passa pra todo mundo essa felicidade.
Nossa infância é diferente, pois a minha mãe não trabalhava, e eu não ficava na
creche.
Futuramente a creche vai beneficiar muito a vida dela, como já beneficia hoje, pelo
fato dela respeitar a todos, mas acho que ela ainda tem muito a aprender, como a dar valor nas
amizades, valorizar o que ela tem.

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