Você está na página 1de 15

Justiça Federal da 1ª Região

PJe - Processo Judicial Eletrônico

23/08/2021

Número: 1031439-94.2021.4.01.3400
Classe: CRIMES DE CALÚNIA, INJÚRIA E DIFAMAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO JUIZ SINGULAR
Órgão julgador: 12ª Vara Federal Criminal da SJDF
Última distribuição : 20/05/2021
Valor da causa: R$ 1.000,00
Assuntos: Calúnia
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
ANTONIO AUGUSTO BRANDAO DE ARAS (QUERELANTE) AIRTON ROCHA NOBREGA (ADVOGADO)
CONRADO HUBNER MENDES (QUERELADO)
Ministério Público Federal (Procuradoria) (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
69722 22/08/2021 18:22 CONRADO H. Mendes - 12ªVCF-DF - RECURSO EM Recurso em sentido estrito
9453 SENTIDO ESTRITO - 23.08.2021
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA

12ª VARA FEDERAL CRIMINAL


SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

Proc. n.º 1031439-94.2021.4.01.3400


RECORRIDO:
CONRADO HUBNER MENDES
LUÍS FRANCISCO DA S. CARVALHO Fº - OAB/SP 63.600

“Caluniar é roubar, porque o nome é o primeiro dos


patrimônios do homem, a base de seu crédito, o nervo
de sua força, o estojo do seu trabalho, a herança da sua
prole, a última consolação da sua alma.” RUI BARBOSA

ANTÔNIO AUGUSTO BRANDÃO DE ARAS,


brasileiro, casado, Subprocurador-Geral da República no exercício do cargo de Procurador-Geral da
República, inscrito no CPF sob n.º 194.975.555-04, domiciliado e residente e domiciliado no Distrito
Federal, com endereço profissional no SAF Sul, Quadra 4 Conjunto C, Bloco A, Cobertura, Brasília-
Distrito Federal - CEP 70.050-900 – Telefone geral: (61) 3105-5100, vem, por advogado e bastante
procurador, com fundamento no art. 581, inciso I12 do Código de Processo Penal, interpor...

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

em face da v. decisão que rejeitou a Queixa-Crime referenciada em epígrafe, requerendo seja


recebido e processado e, caso Vossa Excelência entenda que deva ser mantida a r. decisão
recorrida, determine o seu encaminhamento ao Egrégio TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL da 1ª
REGIÃO, para o efeito de exame e deliberação das razões de fato e dos fundamentos de direito que a
seguir aduz.

DO CABIMENTO

Este recurso é interposto de v. decisão que, com fundamento no art. 395, III,
do Código de Processo Penal, rejeitou a Queixa-Crime proposta pelo
RECORRENTE, atraindo o cabimento do Recurso em Sentido Estrito, nos termos
do art. 581, inciso I, do Código de Processo Penal.

1
“Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: I - que não receber a denúncia ou a
queixa; (...).”
2
Art. 583. Subirão nos próprios autos os recursos: I - quando interpostos de oficio; II - nos casos do art. 581, I, III, IV,
VI, VIII e X;

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 1
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Em razão de o advogado do RECORRENTE ter sido intimado da decisão em
18/8/21 (quarta-feira), o prazo final de 5 dias para o protocolo do presente recurso
vence em 23/08/2021 (segunda-feira), o que confere tempestividade à irresignação.

O recurso que ora se interpõe não exige o recolhimento de preparo, estando


subscrito por advogado regularmente constituído nos autos, havendo evidente
interesse recursal e preenchidos, portanto, todos os pressupostos para o respectivo
conhecimento.

DOS FATOS SUBJACENTES

O RECORRENTE ajuizou Queixa-Crime contra o RECORRIDO aduzindo que


este possui uma conta na rede social Twitter (@conradohubner), onde se apresenta
como Professor de Direito @de_usp e Pesquisador do @copi_usp@Laut_br,
além de ser colunista do jornal Folha de São Paulo.

Em 15.01.2021, o RECORRIDO publicou em sua conta pessoal no Twitter a


acusação descabida e inconsequente contra o RECORRENTE, cujo conteúdo a
seguir se transcreve:

“O Poste Geral da República é um grande fiador de tudo que está acontecendo.


Sobretudo da neutralização do controle do MS na pandemia.

É gravíssima a omissão e desfaçatez de Aras.”


(Destaques nossos).

Entre 17 e 19 de janeiro do mesmo ano, publicou ainda as seguintes


acusações sem qualquer preocupação com a veracidade dos fatos:

“Augusto Aras ignora o MPF da Constituição Federal. Age como o PGR da Constituição
militar de 1967. Um servo do presidente.”

“Augusto Aras é um inovador institucional.


O MS comete crimes comuns e de responsabilidade que causam tragédia em
Manaus e no resto do país. Tudo bem documentado e televisionado.
Aras, em vez de investigar o infrator, manda o infrator investigar a si mesmo.”

“O Poste Geral da República publicou nota para dizer que está fazendo tudo
direitinho”.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 2
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Nos dias seguintes (20, 21 e 23), retoma a prática:

“Augusto Aras é a antessala do fim do Ministério Público Federal tal como desenhado
pela Constituição, é também a própria sala da desfaçatez e covardia jurídicas”.

“O MPF ainda respira, apesar de uma bomba como Aras”

“O país que gera e empodera anti-antifascistas como Andrés Mendonças e Augustos


Aras também produz Margareth Dalcomos.”

“Art. 43. São crimes de responsabilidade do Procurador Geral da República:


2- recusar-se a prática de ato que lhe incumba;
3- ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições;
3- proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.”

“Augusto Aras pede inquérito para investigar o despachante ““muito simples senhores
um manda, o outro obedece””

Investigar quem obedece é coragem padrão Aras”.

Finalmente, claramente elevando o tom das acusações contra o


RECORRENTE, fez publicar no Jornal Folha de São Paulo, de 26.01.2021, artigo
intitulado “Aras é a antessala de Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional”, no
qual, após alinhar atos supostamente criminosos imputados ao RECORRENTE,
dentre outras aleivosias assacadas contra ele, registra as seguintes passagens:

“ Augusto Aras integra o bando servil. Enquanto colegas de governo


abrem inquéritos sigilosos e interpelam quem machuca imagem do chefe, Aras fica na
retaguarda: omite-se no que importa; exibe-se nas causas minúsculas; autoriza o
chefe a falar boçalidades mesmo que alimente espiral da morte sob o signo da
liberdade.
[...]

Aras não economiza no engavetamento de investigações criminais:


contra Damares por agressão a governadores; contra Heleno por ameaça ao STF;
contra Zambelli por tráfico de influência; contra Eduardo Bolsonaro por subversão da
ordem política ao sugerir golpe.

Aras não só se omite. Quando age, tem um norte: contra a lei,


inviabilizou que procuradores enviassem recomendações de praxe ao Ministério da
Saúde; contra a lei, recomendou a membros do MPF que não cobrassem gestores da
saúde em caso de “incerteza científica”. Nem vamos falar de como desmontou forças-
tarefa de combate à corrupção para concentrar em si arsenal de informações privadas
com infinito potencial de intimidação.
[...]

Aras não se deixa constranger pela submediocridade verbal e teatral


que floreia seu colaboracionismo. Aderiu à hermenêutica declaratória, fraude
interpretativa que atribui validade do argumento jurídico à autoridade de quem fala,
faceta autoritária comum à magistocracia.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 3
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Aras é a antessala do fim do Ministério Público tal como desenhado
pela Constituição de 1988. “A Constituição é o meu guia, a PGR não se move por
interesses partidários.” A Constituição-guia de Aras é a ditatorial de 1967. Ali, o
PGR era empregado do presidente.

Se contra Bolsonaro cabe um impeachment Pró-Vida, contra Aras cabe


um impeachment Pró-MP.”
(Destaques nossos).

Segundo consignado na Queixa-Crime, o RECORRIDO não se limitou a


promover crítica mediante narrativa ou simplesmente formulou uma crítica ácida ou
com teor altamente negativo, ele imputou ao RECORRENTE a prática do crime de
prevaricação descrita no art. 319 do Código Penal, de seguinte conteúdo:

“Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo


contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.”

Isso porque afirma, de forma inequívoca, que o RECORRENTE estaria


deixando de praticar atos ou praticando determinados atos para beneficiar o Senhor
Presidente da República, para atender interesse ou sentimento pessoal do
QUERELANTE de servir ao Presidente ou a terceiros.

Tais acusações infundadas se fazem quando afirma que o RECORRENTE age


como “empregado do Presidente”, seria “servo do Presidente”, que integraria o
“bando servil” e que se omite no que importa. Para confirmar sua premissa,
enumera atos concretos supostamente criminosos que atestariam essa omissão
dolosa de ato de ofício: “Aras não economiza no engavetamento de investigações
criminais: contra Damares por agressão a governadores; contra Heleno por
ameaça ao STF; contra Zambelli por tráfico de influência; contra Eduardo
Bolsonaro por subversão da ordem política ao sugerir golpe”.

E completa afirmando que além de omissão, quando age, assim o faz tendo
como norte contrariar a lei:

“Aras não só se omite. Quando age, tem um norte: contra a lei, inviabilizou que
procuradores enviassem recomendações de praxe ao Ministério da Saúde; contra a
lei, recomendou a membros do MPF que não cobrassem gestores da saúde em caso
de “incerteza científica”. Nem vamos falar de como desmontou forças-tarefa de
combate à corrupção para concentrar em si arsenal de informações privadas com
infinito potencial de intimidação.”

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 4
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Além de o fazer com as afirmações que constituem calúnia, o RECORRIDO
também ataca as honras objetiva e subjetiva do RECORRENTE – cometendo os
crimes de injúria e difamação, com outras afirmações.

No primeiro caso, quando nomeia o QUERELANTE de “Poste Geral da


República”, quando o acusa de ser a “sala da desfaçatez e covardia jurídicas”, de
ser uma bomba para o MPF e que “não se deixa constranger pela
submediocridade verbal e teatral que floreia seu colaboracionismo”.

E no segundo caso ao afirmar, neste ponto de forma genérica, que o


RECORRENTE seria um “grande fiador de tudo o que está acontecendo” o que
configura não apenas fatos absolutamente inverídicos, quanto fatos que conspurcam
a trajetória de vida imaculada, pessoal e profissional, do RECORRENTE, expondo-o
à execração pública mediante afirmações que transcendem a informação ou a crítica
– ainda que contundente - para revelar um evidente e irretorquível animus difamandi.

Por essas razões, o RECORRENTE pleiteou o recebimento da QUEIXA-


CRIME e a condenação do RECORRIDO nas penas cominadas pelos crimes dos
artigos 138, 139 e 140 c/c art. 141, incisos II, III e IV e § 1º do Código Penal.

DA V. DECISÃO RECORRIDA

Em que pese a contundente narrativa de fatos com perfeita subsunção aos


tipos penais respectivos, a v. decisão ora impugnada rejeitou a QUEIXA CRIME,
com fundamento no art. 395, III, do Código de Processo Penal, ou seja, por faltar
justa causa para o exercício da ação penal.

Segundo a v. decisão, da “análise das declarações do querelado ((id


548675431, id548675438, id 548675441) não é possível extrair-se a existência de
dolo específico voltado à ofensa da honra do querelante bem como de
potencialidade lesiva das expressões tidas por ofensivas” e que “as expressões
ofensivas devem revestir-se dessa especial vontade e efetiva potencialidade de
causar dano à honra daquele a quem é atribuído o insulto ou a ofensa”, o que
não ocorreria no caso dos autos.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 5
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Acrescenta, ainda, que em “que pese o eventual dissabor sofrido pelo
querelante, não vislumbro conduta apta a fazer incidir a tutela criminal na
medida em que as expressões proferidas pelo querelado, mesmo que
inadequadas, não se revestem de potencialidade lesiva real de menoscabo à
honra do querelante. Isso porque estão situadas no âmbito da mera expressão
de opinião e não do aviltamento ou insulto” e que a “liberdade de expressão e a
imprensa livre são pilares de uma sociedade democrática, aberta e plural,
estando quem exerce função pública exposto a publicações que citem seu
nome, seja positiva ou negativamente” e que em “uma democracia, todo
indivíduo deve ter assegurado o direito de emitir suas opiniões sem receios ou
medos, sobretudo aquelas causadoras de desconforto ao criticado”.

São estes os fundamentos da v. decisão ora impugnada, que são adiante


desconstituídos para se evidenciar a necessidade de sua reforma para se permitir o
regular trâmite do processo penal.

RAZÕES PARA REFORMA DA DECISÃO

Em boa síntese, a v. decisão considerou não se configurar crimes os atos


atribuídos ao RECORRIDO porque se situaram na órbita do direito de liberdade de
expressão e porque as expressões ofensivas não se revestiram de potencialidade
lesiva real de menoscabo à honra do RECORRENTE que, por exercer função pública
deve aceitar ser exposto a publicações que citem seu nome, mas que deve ignorar
em respeito, supostamente, de uma liberdade de expressão que, à toda evidência,
é exercida de forma descabida e abusivamente. Calha, a respeito e de pronto,
rememorar sábias e ponderadas preleções que a seguir são trazidas à colação:

“(...) A liberdade de expressão, por sua vez, consiste, basicamente, no direito


de transcender seus pensamentos, ideias e opiniões. No entanto, a liberdade de
expressão não pode ser confundida com um suposto “direito à ofensa”.
(...)
É que o ato de ofender alguém não coloca uma ideia em debate, apenas
resulta numa agressão indevida que transborda os limites do exercício dessa
liberdade. Inclusive, é de se ter em vista que, como corolário da democracia, a
liberdade de expressão exige uma proteção especial, mas tal não significa que o
seu exercício permita ultrapassar certos limites, de modo a atingir direitos
fundamentais como a dignidade da pessoa humana, não sendo portanto o direito
à liberdade de expressão um direito absoluto.”
“Procuradora da República, CAROLINE MACIEL, Procuradora Regional da República –
manifestação no Proc. PJe n.º Proc. n.º 1031439-94.2021.4.01.3400”

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 6
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Inequivocamente, a Constituição Federal insere a inviolabilidade da
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas no catálogo dos
direitos fundamentais previstos no seu sacrossanto art. 5º, assegurando o direito a
indenização pelo dano material ou moral, e erige como fundamento da República a
dignidade da pessoa humana (art. 1º, III).

Não é demais rememorar que uma das funções dos direitos fundamentais é a
proteção perante terceiros, ou seja, como leciona DIRLEY DA CUNHA3, o
reconhecimento constitucional da dignidade de certos bens impõe ao Estado o dever
de protegê-los contra o ataque de terceiros. E se é certo haver uma proibição do
excesso, também viola os direitos fundamentais sua proteção deficiente pelo
Estado.

O vertiginoso crescimento no número de ataques à honra e dignidade


alheias, especialmente com o amplo acesso às mídias sociais e a disseminação de
fake news tem demonstrado que mesmo a criminalização dessas condutas não tem
sido suficiente para inibir sua prática, frustrando uma das mais importantes funções
do Direito, o que sugere a aparente necessidade de atuação eficiente para reprimir
esses ilícitos.

Afinal, como oportunamente lembrou o e. Ministro GILMAR MENDES, no


julgamento da ADPF 130, “o mundo não se faz apenas de liberdade de imprensa,
mas de dignidade da pessoa humana, de respeito à imagem das pessoas. É
fundamental, portanto, que levemos em conta essas observações”.

Ainda na referida ADPF 130, o e. Ministro CELSO DE MELLO ressalvou a


necessidade de se combater o abuso no exercício do direito de liberdade de imprensa.
Disse Sua Excelência:

“ É importante observar, no entanto, Senhor Presidente, que a Constituição da


República, embora garantindo o exercício da liberdade de informação jornalística,
legitima a intervenção normativa do Poder Legislativo, permitindo-lhe -
observados determinados parâmetros referidos no § 1º do art. 220 da Lei
Fundamental - a emanação de regras concernentes à proteção dos direitos à
integridade moral e à preservação da intimidade, da vida privada e da imagem
das pessoas. Se assim não fosse, os atos de caluniar, de difamar, de injuriar e de
fazer apologia de fatos criminosos, por exemplo, não seriam suscetíveis de
qualquer reação ou punição, porque supostamente protegidos pela cláusula da
liberdade de expressão.
[...]

3
CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito constitucional. 5. ed. Salvador: Juspodivm, 2011., p. 565.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 7
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Tenho por irrecusável, por isso mesmo, que publicações que
extravasam, abusiva e criminosamente, o exercício ordinário da liberdade de
expressão e de comunicação, degradando-se ao nível primário do insulto, da
ofensa e, sobretudo, do estímulo à intolerância e ao ódio público, não merecem
a dignidade da proteção constitucional que assegura a liberdade de manifestação
do pensamento, pois o direito à livre expressão não pode compreender, em seu
âmbito de tutela, exteriorizações revestidas de ilicitude penal ou de ilicitude civil.
[...] (g.n.)”

A perigosa proposta da v. decisão de considerar protegida pela liberdade de


expressão a imputação de crime de prevaricação à autoridade, além dos insultos
dirigidos ao RECORRENTE, sem qualquer cunho informativo, muito menos sob
suposto animus narrandi, baseados em fatos imaginários sem qualquer verificação
prévia da veracidade, acaba por conferir imunidade a quem quiser injuriar, difamar e
caluniar a qualquer um, sem receio de qualquer natureza, em um tal grau de
irresponsabilidade incompatível com a República e com a necessidade de se conferir
proteção suficiente aos direitos fundamentais.

Nesse sentido, o Colendo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ proferiu


recente acórdão no Recurso Especial n. 1897338-DF, de relatoria do insigne
Ministro LUÍS FELIPE SALOMÃO, em que rejeita a tese de irresponsabilidade
consagrada na sentença, deixando assente que a liberdade de expressão deve
gravitar em torno da verdade, mesmo que não seja absoluta, mas que seja extraída
da boa-fé resultante da “diligência do informador”, a quem incumbe “apurar de
forma séria os fatos que pretende tornar públicos”.

Ainda, diferentemente do entendimento firmado na v. decisão, consignou o Eg.


STJ no referido acórdão que o “reconhecimento do ato ilícito e sua consequente
condenação não exigem a prova inequívoca da má-fé da publicação que
extrapola os limites da informação” e que insultos dirigidos à vítima da ofensa,
absolutamente dissociados do interesse público, com o uso de palavras objetivamente
indecorosas e degradantes, afasta-se da “margem tolerável da crítica,
transformando a publicação em verdadeira zombaria e menosprezo à pessoa”.

A ementa do mencionado v. acórdão indica:

RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE INFORMAÇÃO, EXPRESSÃO E LIBERDADE


DE IMPRENSA. DIREITOS NÃO ABSOLUTOS. COMPROMISSO COM A ÉTICA, A
VERDADE E O INTERESSE PÚBLICO. VEDAÇÃO À CRÍTICA DIFAMATÓRIA E
QUE COMPROMETA OS DIREITOS DA PERSONALIDADE. ABUSO DO DIREITO E
CORRESPONDENTE RESPONSABILIZAÇÃO. CONFIGURAÇÃO DO DANO
MORAL. INDENIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. MÉTODO BIFÁSICO.
[...]

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 8
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
3. A liberdade de informação diz respeito a noticiar fatos, e o exercício desse
direito apenas será́ digno de proteção quando presente o requisito interno da
verdade, pela ciência da realidade, que não se exige seja absoluta, mas aquela
que se extrai da diligência do informador, a quem incumbe apurar de forma séria
os fatos que pretende tornar públicos.

4. O direito de expressão consiste na liberdade básica de expressar os


pensamentos, ideias, opiniões, crenças: trata-se de poder manifestar- se
favorável ou contrariamente a uma ideia, é a realização de juízo de valor e críticas,
garantindo-se a participação real dos cidadãos na vida coletiva.
[...]

6. Quando, a pretexto de se expressar o pensamento, invadem-se os direitos


da personalidade, com lesão à dignidade de outrem, revela-se o exercício de um
direito em desconformidade com o ordenamento jurídico, o que legitima a
responsabilização cível e criminal pelo conteúdo difundido, além do direito de
resposta.

7. A liberdade de informação, de expressão e de imprensa, por não ser


absoluta, encontra limitações ao seu exercício compatíveis com o regime
democrático, tais como o compromisso ético com a informação verossímil; a
preservação dos direitos da personalidade; e a vedação de veiculação de crítica
com o fim único de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa (animus injuriandi vel
diffamandi).

8. A pedra de toque para conferir-se legitimidade à crítica jornalística é o interesse


público, observada a razoabilidade dos meios e formas de divulgação da notícia,
devendo ser considerado abusivo o exercício daquelas liberdades sempre que
identificada, em determinado caso concreto, a agressão aos direitos da
personalidade, legitimando-se a intervenção do Estado-juiz para pôr termo à
desnecessária violência capaz de comprometer a dignidade.

9. A repressão do excesso não é incompatível com a democracia. A garantia


de não censura prévia não significa impossibilidade de controle e
responsabilização a posteriori contra condutas não protegidas jurídico-
constitucionalmente, que, na verdade se contrapõem à liberdade de
manifestação e à invulnerabilidade da honra.

10. O regular exercício de um direito não tolera excessos e, por isso, o abuso
de direito é ato jurídico, em princípio de objeto lícito, cujo exercício, levado a
efeito sem a devida regularidade, acarreta um resultado que se considera ilícito.

11. O reconhecimento do ato ilícito e sua consequente condenação não


exigem a prova inequívoca da má-fé da publicação que extrapola os limites da
informação, à semelhança do que ocorreu na jurisprudência norte-americana,
difundida pela doutrina da actual malice, que não se coaduna com o ordenamento
brasileiro.

12. No caso dos autos, as qualificações dirigidas à recorrente, no vídeo


publicado pela recorrida, em nada se ajustam ao conteúdo legítimo da liberdade
de imprensa invocada, nem sequer correspondem ao direito de livre
manifestação, de expressão e de pensamento do jornalista sobre determinado
fato. Os insultos dirigidos à pessoa que discursava não revelaram o interesse
público invocado, não bastasse a utilização de palavras objetivamente
indecorosas e degradantes. A narrativa apresentada não se relacionou aos fatos
presenciados ou mesmo ao conteúdo do discurso da recorrente, afastando-se da
margem tolerável da crítica, transformando a publicação em verdadeira zombaria
e menosprezo à pessoa.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 9
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
13. exercício do direito à liberdade de pensamento e de expressão, conquanto não
esteja sujeito à censura prévia, está condicionado ‘a responsabilidades ulteriores’. Não
é possível, em absoluto, a proibição (censura) de manifestação da liberdade de
pensamento ou de expressão; mas, uma vez que sejam utilizadas, o uso desse direito
não pode extrapolar o limite do razoável e violar o respeito aos direitos e à reputação
das demais pessoas.

14. Observadas as circunstâncias do caso - a gravidade do fato em si (ofensa à


honra e reputação), imputações aviltantes e humilhantes à vítima (comparação a um
animal), a condição do agente de profissional experiente, capaz de identificar termos
ofensivos, além da condição econômica do ofensor, assim como a particularidade da
divulgação das ofensas por meio da internet, de alcance incalculável -, fixa-se a
indenização em R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), sem se destoar da
proporcionalidade e da razoabilidade, tampouco dos critérios adotados pela
jurisprudência desta Corte.” (g.n.)

No presente caso, o RECORRIDO não demonstrou ter feito qualquer


apuração dos fatos que noticiou como verdades, transformando seus textos apenas
em insultos deliberados contra o RECORRENTE, despidos de interesse público e
lançados com o único propósito de saciar seu sadismo e de conspurcar a honra do
RECORRENTE.

Em caso que abordou semelhante modo de atuação, a Eg. 4ª TURMA do C.


STJ conclui que a adoção de termo objetivamente ofensivo à honra
descaracteriza, por si, o “animus narrandi” e o “animus criticandi”, em sentido
diametralmente oposto ao adotado pela r. decisão. Confira-se:

“ Não era, portanto, uma matéria meramente informativa, mas sim,


sobretudo, critica, com conotação desabonadora (difamatória) da honra dos
recorrentes, por tratamento injurioso e imputação caluniosa. O termo gangue,
segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, significa
"associação de malfeitores, bando, quadrilha". Trata-se de termo formalmente
injurioso, ofensivo em qualquer contexto.

A utilização de qualificativo, per se, objetivamente ofensivo à honra


descaracteriza o "animus narrandi" e o "animus criticandi". É certo que o termo
"telegangue" pode ter sido criado e até empregado também por outros
profissionais de imprensa, mas o recorrido dele se valeu para associá-lo
diretamente aos nomes dos recorrentes, ofendendo-os. Nesse sentido,
extrapolou os limites da crítica para ingressar no ataque à honra dos
promoventes, o que configura o dever de indenizar.

Assim, data venia, a valoração trazida nas decisões proferidas nas instâncias
ordinárias não se mostra ajustada ao caso que descrevem, merecendo reforma.” (AgRg
no AREsp 606415/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL
ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 07/04/2015, DJe 01/07/2015)

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 10
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Segundo arguta observação do e. Ministro CELSO DE MELLO, no Mandado
de Segurança n. 23452, “não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou
garantias que se revistam de caráter absoluto”, tanto por isso que diante do
equivalente prestígio que a Constituição Federal outorga à liberdade de imprensa
e à dignidade da pessoa humana, esses valores devem conviver de forma
harmoniosa, sobretudo diante da explícita restrição à liberdade de informação que
decorre da proteção à inviolabilidade da vida privada, à intimidade, à honra e à
imagem da pessoa, tudo conforme inscrito como cláusula pétrea no inciso III do art.
1º e no inciso X do art. 5º da Constituição Federal.

E conquanto o agente público seja obrigado a conviver – e até mesmo a tolerar


em maior demasia que o particular – com a crítica, mesmo que ácida, da imprensa e
dos cidadãos em geral, ninguém está obrigado a admitir ser vítima impotente de
injúria, calúnia e difamação, pois nesse ponto divisor a liberdade de informar se
converte em abuso e o abuso não é direito, é ilícito.

Por isso ter o Egrégio SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA assentado que a


“ampla liberdade de informação, opinião e crítica jornalística reconhecida
constitucionalmente à imprensa não é um direito absoluto, encontrando
limitações, tais como a preservação dos direitos da personalidade, nestes
incluídos os direitos à honra, à imagem, à privacidade e à intimidade, sendo
vedada a veiculação de críticas com a intenção de difamar, injuriar ou caluniar”,
cuja tese foi construída a partir de diversos precedentes da Eg, Corte (REsp
1771866/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,
julgado em 12/02/2019, DJe 19/02/2019; REsp 1567988/PR, Rel. Ministro PAULO DE
TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe
20/11/2018; REsp 1322264/AL, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA,
julgado em 20/09/2018, DJe 28/09/2018; REsp 1652588/SP, Rel. Ministro RICARDO
VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 02/10/2017;
REsp 1627863/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado
em 25/10/2016, DJe 12/12/2016; AgRg no AREsp 606415/RJ, Rel. Ministro MARCO
BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em
07/04/2015, DJe 01/07/2015).

Ora, ao intitular o RECORRENTE como “Poste Geral da República”, que age


com “desfaçatez” e “covardia”, que é um “servo do presidente” e integra o “bando
servil”, e que comete crime de prevaricação, o RECORRIDO extrapola o direito de
crítica e comete crimes contra a honra. Diferentemente do que conclui a r. decisão, a
responsabilização penal não serve para inibir a liberdade de expressão – cuja
censura é expressamente proibida – mas para impedir o abuso, dando ao fato a
consequência desejada pelo texto constitucional e pelo Código Penal. Afinal, há
muito o C. STF já decidiu que não há, sob a Constituição Federal, poderes
ilimitados ou direitos absolutos, nem mesmo o da liberdade de imprensa.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 11
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Por essas razões, é que em recente julgamento da Egrégia 4ª TURMA do
Colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO, foi provido o Recurso
em Sentido Estrito interposto pelo ora RECORRENTE contra v. decisão de igual
conteúdo, tendo se deliberado por “... receber a queixa-crime quanto aos crimes
dos arts. 138, 139 e 140 do CP, determinando o retorno dos autos ao juízo de
origem, para o prosseguimento da ação penal”.

Calha acentuar, em trecho do percuciente voto proferido pelo insigne


Desembargador Federal CÂNDIDO RIBEIRO, o que ressalta com relação à situação
enfrentada naquele processo, em tudo semelhante a este, de onde se colhe que:

“........................................................................................................................................
Neste contexto, analisando o teor da publicação indicada, entendo configurada,
em tese, a vontade de caluniar, difamar e injuriar o querelante, não havendo
qualquer subterfúgio utilizado por parte do querelado ao mencionar a possível
ocorrência de, ao menos, o crime de prevaricação por parte do querelante, além
de denominá-lo de ‘cão de guarda’, ‘perdigueiro’ e ‘procurador de estimação’,
pelo que não se mostra razoável obstar o prosseguimento do curso normal da
ação penal intentada na hipótese, em que serão apurados os fatos e a existência
ou não de crime, bem como a responsabilidade do querelado, se for o caso.
........................................................................................................................................”
(Destaques nossos).

De modo atento aos fatos relatados, a insigne Procuradora da República,


CAROLINE MACIEL, Procuradora Regional da República, fez ver a respeito,
naquele processo, que:

“......Em suma, a tipificação dos crimes contra a honra tem como móvel de proteção a
cláusula constitucional prevista no artigo 5o, X, da Constituição, que prevê que "são
invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação".

Desse modo, aquele que publica informações desonrosas sobre alguém


(difamação), atinge a dignidade, a respeitabilidade ou o decoro de alguém
(injúria) ou acusa falsamente alguém pela prática de crime (calúnia), comete
crime contra a honra e estará sujeito às sanções previstas no Código Penal.

A liberdade de expressão, por sua vez, consiste, basicamente, no direito de


transcender seus pensamentos, ideias e opiniões. No entanto, a liberdade de
expressão não pode ser confundida com um suposto “direito à ofensa”.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 12
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
Nos termos constitucionais, a liberdade de expressão serve para proteger a
manifestação do pensamento, a atividade artística, intelectual, científica e todo o
debate essencial para a construção de um Estado democrático, desde que não seja
configurada lesão à honra de terceiros.

É que o ato de ofender alguém não coloca uma ideia em debate, apenas
resulta numa agressão indevida que transborda os limites do exercício dessa
liberdade. Inclusive, é de se ter em vista que, como corolário da democracia, a
liberdade de expressão exige uma proteção especial, mas tal não significa que o seu
exercício permita ultrapassar certos limites, de modo a atingir direitos
fundamentais como a dignidade da pessoa humana, não sendo portanto o direito
à liberdade de expressão um direito absoluto.
(..........)

No caso sob exame, a queixa-crime atende aos requisitos processuais


estabelecidos no artigo 41 do Código de Processo Penal, contendo a exposição
dos fatos com todas as suas circunstâncias, bem como a qualificação do acusado.

Além disso, imputa fatos determinados - não genéricos -, os quais guardam


pertinência com o cargo exercido pelo querelante, e que em tese podem ser
considerados típicos.

Diante de tal fato e considerando que a honra e a imagem são, sem sombra de
dúvidas, bens protegidos pela lei penal, incabível a rejeição da queixa-crime,
devendo, em consequência, a decisão do MM Juiz a quo ser reformada.
.......................................................................................................................................”
(Destaques nossos).

Tais fundamentos bem se prestam a tornar certo que a v. decisão prolatada no


sentido de rejeitar a QUEIXA-CRIME regularmente proposta e atendendo os
requisitos em lei posto, não merece extinção, mesmo porque sempre calha realçar
que “... a liberdade de expressão não pode ser confundida com um suposto
“direito à ofensa”, conforme pôs em destaque a digna e competente Procuradora
da República, Dra. CAROLINE MACIEL, conforme anteriormente restou referido.

Portanto, com o devido respeito à v. decisão recorrida, resulta evidente seu


descompasso com a Constituição Federal, com o Código Penal e com a
jurisprudência dos Egrégios Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal
Federal, razões suficientes data venia para que se implemente a devida cassação do
v. decisum para se permitir o regular trânsito à ação penal subjacente.

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 13
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132
ANTE TODO O EXPOSTO,
vem o RECORRENTE requerer seja, a priori, exercido o juízo de retratação para o
efeito de reconsiderar-se a v. decisão recorrida, e, caso mantida, seja o presente
RECURDO EM SENTIDO ESTRITO remetido à Superior Instância onde espera-se
venha ele a ser conhecido e provido para o efeito de, cassando a r. sentença
objurgada, determinar o regular processamento da QUEIXA-CRIME, conforme
pleiteado na inicial acusatória.

ESPERA DEFERIMENTO.
BRASÍLIA – DF, segunda-feira, 23 de agosto de 2020.

AIRTON ROCHA NÓBREGA ROBERTA REIS NÓBREGA


OAB/DF 5.369 OAB/DF 27.280

Assinado eletronicamente por: AIRTON ROCHA NOBREGA - 22/08/2021 18:22:40 Num. 697229453 - Pág. 14
http://pje1g.trf1.jus.br:80/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21082218224084400000690489132
Número do documento: 21082218224084400000690489132