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O que É um Cristão?

por John Piper


O que significa ser um cristão? Charles Hodge, um dos grandes teólogos reformados do século XIX, achou a resposta
neste texto: “É ser constrangido por um senso do amor de nosso divino Senhor, de tal modo que Lhe consagramos nossa
vida”.
Ser um cristão não significa apenas crer, de coração, que Cristo morreu por nós. Significa
“ser constrangido” pelo amor demonstrado nesse ato. A verdade nos pressiona. Ela força e
se apropria; impele e controla. A verdade nos cerca, não nos deixando fugir. Ela nos prende
em gozo.
Como a verdade faz isso? Paulo disse que o amor de Cristo o constrangia por causa de um
julgamento que ele fazia a respeito da morte: “Julgando nós isto: um morreu por todos;
logo, todos morreram”. Paulo se tornou cristão não somente por meio da decisão com base
no fato de que Cristo morreu pelos pecadores, mas também por meio do sábio
discernimento de que a morte de Cristo foi também a morte de todos aqueles em favor dos
quais Ele morreu.
Em outras palavras, tornar-se um cristão é chegar a crer não somente que Cristo morreu
por seu povo, mas também que todo o seu povo morreu quando Ele morreu. Tornar-se um
cristão é, primeiramente, fazer esta pergunta: estou convencido de que Cristo morreu por
mim e de que eu morri nEle? Estou pronto a morrer, a fim de viver no poder do amor dEle e
para a demonstração da sua glória. Em segundo lugar, tornar-se um cristão significa
responder sim, de coração.
O amor de Cristo nos constrange a responder sim. Sentimos tanto amor fluindo da morte de
Cristo para nós, que descobrimos nossa morte na morte dEle — nossa morte para todas as
lealdades rivais. Somos tão dominados (“constrangidos”) pelo amor de Cristo, que o mundo
desaparece, como que diante de olhos mortos. O futuro abre um amplo campo de amor.
Um cristão é uma pessoa que vive sob o constrangimento do amor de Cristo. O cristianismo
não é meramente crer num conjunto de doutrinas a respeito do amor de Cristo. É uma
experiência de ser constrangido por esse amor — passado, presente, futuro.
Entretanto, esse constrangimento surge de um juízo que fazemos sobre a morte de Cristo:
“Quando Ele morreu, eu morri”. É um julgamento profundo. “Assim como o pecado de
Adão foi, legal e eficazmente, o pecado de toda a raça, assim também a morte de Cristo foi,
legal e eficazmente, a morte de seu povo.” Visto que nossa morte já aconteceu, não temos
mais condenação (Rm 8.1-3). Isto é a essência do amor de Cristo por nós. Por meio de sua
morte imerecida, Cristo morreu nossa morte bem merecida e abriu o seu futuro como o
nosso futuro.
Portanto, o juízo que fazemos sobre a sua morte resulta em sermos constrangidos pelo
amor dEle. Veja como Charles Hodge expressou isso: “Um cristão é alguém que reconhece a
Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, como Deus manifestado em carne, que nos amou
e morreu por nossa redenção. É também uma pessoa afetada por um senso do amor deste
Deus encarnado, a ponto de ser constrangida a fazer da vontade de Cristo a norma de sua
obediência e da glória de Cristo o grande alvo em favor do qual ela vive”.
Como não viver por Aquele que morreu nossa morte, para que vivamos por sua vida? Ser
um cristão é ser constrangido pelo amor de Cristo.

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