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UNIVERSIDADE VALE DO ACARAÚ - UVA

Disciplina: Empreendedorismo
Professora: Socorro Braun
Data: Novembro/2002

O PERFIL DO EMPREENDEDOR

O que significa o termo empreendorismo?

É uma livre tradução que se faz da palavra entrepreneurship. Designa uma área de grande
abrangência e trata de outros temas, além da criação de empresas :

 Geração do auto-emprego (trabalhador autônomo);


 Empreendedorismo comunitário (como as comunidades empreendem);
 Intra-empreendedorismo (o empregado empreendedor);
 Políticas públicas (políticas governamentais para o setor);

Exemplos do que seja um empreendedor:

O indivíduo que cria uma empresa, qualquer que seja ela; pessoa que compra uma empresa
e introduz inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar,
distribuir ou de fazer propaganda dos seus produtos e/ou serviços, agregando novos valores;
empregado que introduz inovações em uma organização, provocando o surgimento de
valores adicionais.
Não se considera, contudo, empreendedor uma pessoa que, por exemplo, adquira uma
empresa e não introduza qualquer inovação (seja na forma de vender, de produzir, de tratar
os clientes), mas somente gerencie o negócio.

Para que servem tais conceitos, definições?

Os conceitos indicam o ponto de partida dos pesquisadores para o estudo das condições que
levam o empreendedor ao sucesso. É através desse entendimento que é possível ensinar-se
a alguém a ser empreendedor. Por isso, o estudo do perfil de empreendedores é o tema
central das pesquisas e tem sido de grande valia para a educação na área. Os
empreendedores podem ser voluntários (que têm motivação para empreender) ou
involuntários (que são forçados a empreender por motivos alheios à sua vontade:
desempregados, imigrantes etc.).
Quem são os Empreendedores? - Poderíamos definir o questionamento acima de várias
formas, mas depois de estudar as definições de vários autores, chegamos à seguinte
definição: o empreendedor é alguém que possui a capacidade de sonhar e de
transformar esses sonhos em realidade.

Mas a pergunta que paira para a grande maioria é: o empreendedor é um ser especial? Seu
comportamento é genético? É um ser iluminado, com muita sorte? Segundo Peter Drucker, o
empreendedorismo é um comportamento e não um traço da personalidade. Essa definição
pode nos levar a uma conclusão: não há pré-requisito para se tornar um empreendedor; cada
um de nós pode, em maior ou menor grau, tornar-se um. Fatores como persistência,
vontade, dedicação, entusiasmo, responsabilidade, comprometimento, obstinação, visão de
futuro, são determinantes no sucesso do candidato a empreendedor.

Sabe-se, também, que o “empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos


hábitos, práticas e valores das pessoas. Existem famílias mais empreendedoras do que
outras, assim como cidades, regiões, países. Na verdade aprende-se a ser empreendedor
através da convivência com outros empreendedores, em um clima em que ser dono do
próprio nariz, ter um negócio, é considerado como algo muito positivo. Pesquisas indicam
que as famílias de empreendedores têm maior chance de gerar novos empreendedores e
que os empreendedores de sucesso quase sempre têm um modelo, alguém a quem
admiram e imitam”. Filion [1991]

Somos sabedores que o Brasil apresenta o maior número de empreendedores do planeta.


Esforços não estão sendo poupados para se criar uma cultura empreendedora no País, e
fazer com que essas características sejam arraigadas na sociedade. O empreendedorismo
diz respeito à natureza humana, são comportamentos e atitudes que conduzem à inovação e
à geração de riquezas.

Nas concepções das teorias do comportamento humano, praticamente toda conduta humana
é motivada. Isso é, o homem age em função de obter satisfação para as suas necessidades
e desejos, conscientes e inconscientes, definindo um objetivo (algo do meio externo), a ser
alcançado como resultado de uma conduta estratégica.

A base da qual derivam os inúmeros desejos dos seres humanos é um grupo de


necessidades, comuns a toda a espécie, que podem ser divididas em necessidades
fisiológicas ou de sobrevivência e necessidades psicológicas ou psicossociais. As
necessidades psicológicas têm sido classificadas e descritas de diversas formas por muitos
psicólogos, mas em linhas gerais, abrange necessidade de: segurança emocional,
autonomia, aceitação pelos outros, amor e amizade, influência sobre o meio e sobre
pessoas, prestígio, maximização do potencial individual de aptidões e habilidades,
aprendizagem, inovação e auto-aperfeiçoamento.

Embora todos os seres humanos tenham todas essas necessidades e devem satisfazê-las,
em alguma medida, para manter a saúde física e mental e desenvolver uma personalidade
integrada e equilibrada, a intensidade de cada uma assim como a configuração específica,
varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com a história de vida de cada um.

Um dos campos centrais de pesquisas na área do empreendedorismo concentra-se


fundamentalmente no estudo do ser humano e dos comportamentos que podem conduzir ao
sucesso. Por outro lado, o conjunto que compõe o instrumental necessário ao empreendedor
de sucesso, ou seja, o know-how tecnológico e o domínio de ferramentas gerenciais, é visto
como uma conseqüência do processo de aprendizado de alguém capaz de atitudes
definidoras de novos contextos: o empreendedor. Em outras palavras, o indivíduo portador
das condições necessárias para empreender saberá aprender o que for necessário para a
criação, desenvolvimento e realização de sua visão. No ensino do empreendorismo o ser é
mais importante do que o saber: este será conseqüência das características pessoais que
determinam a sua própria metodologia de aprendizagem.

Presume-se que, se uma pessoa tem características e aptidões mais comumente


encontradas em empreendedores de sucesso, terá ela melhores condições para
empreender. Como se sabe, são as características comportamentais básicas pelas quais o
candidato a empreendedor deve se pautar. Por outro lado, sem tais características, a pessoa
terá dificuldades em obter sucesso. No estágio atual de conhecimento sobre
empreendedorismo, sabe-se como ajudar os empreendedores em potencial e os
empreendedores de fato a identificar as características que devem ser aperfeiçoadas para
obterem sucesso. Assim, é possível que as pessoas aprendam a ser empreendedores, mas
dentro de um sistema de aprendizagem especial, bastante diferente do ensino tradicional.

O que ainda não se pode fazer no estágio atual de conhecimento na área de


empreendedorismo: determinar com certeza se uma pessoa vai ou não ser bem sucedida
como empreendedora; garantir que as pessoas possuidoras das características essenciais
ao empreendedor terão sucesso.

Fatores de sucesso identificados, segundo pesquisa realizada junto a Empreendedores,


pelos pesquisadores da área (Timmons [1994] e Hornaday [1982]), que se traduzem em
Características do Comportamento Empreendedor:

 Empreendedor tem um "modelo", uma pessoa que o influencia.


 Tem iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização.
 Tem perseverança e tenacidade.
 O fracasso é considerado um resultado como outro qualquer.
 O empreendedor aprende com os resultados negativos, com os próprios erros.
 Tem grande energia.
 É um trabalhador incansável.
 Ele é capaz de se dedicar intensamente ao trabalho e sabe concentrar os seus esforços
para alcançar resultados.
 Sabe fixar metas e alcança-las.
 Luta contra padrões impostos. Diferencia-se.
 Tem a capacidade de ocupar um intervalo não ocupado por outros no mercado, descobrir
nichos.
 Tem forte intuição. Como no esporte, o que importa não é o que se sabe, mas o que se
faz.
 Cria situações para obter feedback sobre o seu comportamento e sabe utilizar tais
informações para o seu aprimoramento.
 Tem sempre alto comprometimento. Crê no que faz. Diz, "posso fazer", ao invés de "não
posso" ou "talvez".
 Sabe buscar, utilizar e controlar recursos.
 Sonhador realista. É racional, mas usa também a parte direita do cérebro.
 Líder. Cria um sistema próprio de relações com empregados. É comparado a um "líder de
banda", que dá liberdade a todos os músicos, deles extraindo o que têm de melhor, mas
consegue transformar o conjunto em algo harmônico, seguindo uma partitura, um tema,
um objetivo.
 É orientado para resultados, para o futuro, para o longo prazo.
 Aceita o dinheiro como uma das medidas do seu desempenho.
 Tece "redes de relações" (contatos, amizades) moderadas, mas utilizadas intensamente
como suporte para alcançar os seus objetivos. A rede de relações internas (com sócios,
colaboradores) é mais importante que a externa.
 O empreendedor de sucesso conhece muito bem o ramo em que atua.
 Cultiva a imaginação e aprende a definir visões.
 Traduz seus pensamentos em ações.
 Define o que deve aprender (a partir do não- defino) para realizar as suas visões.
 É pró-ativo diante daquilo que deve saber: primeiramente define o que quer, aonde quer
chegar, depois busca o conhecimento que lhe permitirá atingir o objetivo. Preocupa-se em
aprender a aprender, porque sabe que no seu dia-a-dia será submetido a situações que
exigem constante aprendizado de conhecimentos, que não estão nos livros.
 O empreendedor é um fixador de metas.
 Cria um método próprio de aprendizagem. Aprende a partir do que faz. Emoção e afeto
são determinantes para explicar o seu interesse. Aprende indefinidamente.
 Tem alto grau de "internalidade", que significa a capacidade de influenciar as pessoas
com as quais lida e a crença de que pode mudar algo no mundo. A empresa é um
sistema social que gira em torno do empreendedor. Ele acha que pode provocar
mudanças nos sistemas em que atua.
 O empreendedor não é um aventureiro; assume riscos moderados. Gosta do risco, mas
faz tudo para minimizá-lo.
 É inovador e criativo. (A inovação é relacionada ao produto. É diferente da invenção, que
pode não dar conseqüência a um produto.).
 Tem alta tolerância à ambigüidade e incerteza e é hábil em definir a partir do indefinido.
 Mantém um alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar
oportunidades de negócios.

Idéia e oportunidade

” Há uma grande diferença entre uma idéia e uma oportunidade"

Não saber distinguir entre uma idéia e uma oportunidade é uma das grandes causas de
insucesso. A confusão entre idéia e oportunidade é muito comum entre os empreendedores
iniciantes. Identificar e agarrar uma oportunidade é, por excelência, a grande virtude do
empreendedor de sucesso. É necessário que o pré-empreendedor desenvolva essa
capacidade, praticando sempre. Atrás de uma oportunidade sempre existe uma idéia, mas
somente um estudo de viabilidade, que pode ser feito através do Plano de Negócios, indicará
seu potencial de transformar-se em um bom negócio.

Fontes de idéias:

 Negócios existentes - Pode haver excelentes oportunidades em negócios em falência. É


lógico que os bons negócios são adquiridos por pessoas próximas (empregados, diretores,
clientes, fornecedores).
 Franquias e Patentes.
 Licença de produtos - Uma fonte de boas idéias é assinar revistas da área. Corporações,
universidades e institutos de pesquisa não-lucrativos podem ser fontes de idéias.
 Feiras e exposições
 Empregos anteriores - Grande número de negócios são iniciados por produtos ou serviços
baseados em tecnologia e idéias desenvolvidas por empreendedores enquanto eram
empregados de outros.
 Contatos profissionais - Advogados de patentes, contadores, bancos, associações de
empreendedores.
 Consultoria - Dar consultoria pode ser uma fonte de idéias.
 Pesquisa universitária
 A observação do que se passa em volta, nas ruas.
 Idéias que deram certo em outros lugares.
 Experiência enquanto consumidores.
 Mudanças demográficas e sociais, mudanças nas circunstâncias de mercado.
 Caos econômico, crises, atrasos (quando há estabilidade, as oportunidades são mais
raras).
 Usa das capacidades e habilidades pessoais.
 Imitação
 Dar vida a uma visão.
 Transformar um problema em oportunidade.
 "Descobrir" algo que já existe: melhorar, acrescentar algo novo na idéia já existente.
 Combinar de uma forma nova.
Oportunidade

Ela deve se ajustar ao empreendedor. Algo que é uma oportunidade para uma pessoa pode
não ser para outra, por vários motivos (know-how, perfil individual, motivação, relações etc.).
É um alvo móvel. Se alguém a vê, ainda há tempo de aproveitá-la.

Um empreendedor habilidoso dá forma a uma oportunidade onde outros nada vêem, ou


vêem muito cedo ou tarde.

Idéias não são necessariamente oportunidades (embora no âmago de uma oportunidade


exista uma idéia).

A oportunidade é a fagulha que detona a explosão do empreendedorismo.


Há idéias em maior quantidade do que boas oportunidades de negócios.

Características da oportunidade: é atraente, durável, tem uma hora certa, ancora-se em


um produto ou serviço que cria, ou adiciona valor para o seu comprador.
Apresenta um desafio: reconhecer uma oportunidade enterrada em dados contraditórios,
sinais, inconsistências, lacunas de informação e outros vácuos, atrasos e avanços, barulho e
caos do mercado (quando mais imperfeitos os mercados, mais abundantes são as
oportunidades). Reconhecer e agarrar as oportunidades não é uma questão de usar
técnicas, checklists e outros métodos de identificar e avaliar; não há receita de bolo (a
literatura tem mais de 200 métodos), mas depende da capacidade do empreendedor.

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