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COMPRESSIBILIDADE:

INTRODUÇÃO
MECÂNICA DOS SOLOS
PROF. DR. IDNEY CAVALCANTI DA SILVA
02/2021
INTRODUÇÃO
• Uma das principais causas de recalques é a
compressibilidade do solo, ou seja, a diminuição do
seu volume sob a ação das cargas aplicadas.
• Um caso de grande importância prática é aquele que
se refere à compressibilidade de uma camada de solo,
saturada e confinada lateralmente.
• Tal situação condiciona os chamados recalques por
a d e n s a m e n t o, q u e a l g u n s a u t o re s p r e fe r e m
denominar recalques por consolidação.
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RELAÇÃO CARGA VS DEFORMAÇÃO
• Todos os materiais deformam-se pela ação de uma
carga aplicada, fornecendo a Resistência dos Materiais,
para os diversos materiais (madeira, aço etc.)
empregados em construção, as características da
c o r r e l a ç ã o e n t r e a s c a r ga s e a s r e s p e c t i v a s
deformações.
• Essas correlações encontram-se tabeladas e são
utilizadas diretamente no projeto das estruturas.
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RELAÇÃO CARGA VS DEFORMAÇÃO
• Em engenharia de fundações, o problema é mais
complexo, pois as deformações dos solos são
comparativamente maiores que a dos materiais de
construção.
• Além disso, a deformação unitária nos materiais de
construção correspondente à pressão no limite de
segurança é da ordem de 0,005%, enquanto nos solos
é maior do que 0,5% (caso de areia compacta),
atingindo mesmo 2,5% (caso de argila plástica).
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RELAÇÃO CARGA VS DEFORMAÇÃO
• Tais deformações para os solos não se verificam
instantaneamente com a aplicação da carga, mas sim
em função do tempo, como é exemplo característico
das argilas.

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RELAÇÃO CARGA VS DEFORMAÇÃO
• A pe s a r de s s a s d efo r m a çõ e s , ge ra l m e nte n ã o
uniformes, nem sempre prejudicarem a estabilidade
do solo, podem comprometer as estruturas que
assentam sobre ele.
• Surgiriam, assim os recalques diferenciais, os quais
provocariam nas estruturas esforços adicionais que,
por vezes, se tornam bastante comprometedores à
sua própria estabilidade.
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RELAÇÃO CARGA VS DEFORMAÇÃO
• O problema do cálculo de recalques, como se verifica,
é também de interesse do engenheiro de estruturas,
que necessita conhecer esses recalques para poder
avaliar sua repercussão sobre a obra.
• Quando se projeta uma construção, se deve prever os
recalques a que a mesma estará sujeita, para daí
decidir com acerto sobre o tipo de fundação e até
mesmo sobre o sistema estrutural a ser adotado.
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RELAÇÃO CARGA VS DEFORMAÇÃO
• Para a estimativa da ordem de grandeza dos recalques
por adensamento, além do conhecimento do subsolo,
que nos dará a conhecer a espessura, posição e
natureza das camadas que o constituem, bem como
os níveis d'água, necessita-se ainda conhecer:
a) a distribuição das pressões produzidas em cada um
dos pontos do terreno, pela carga da obra.
b) as propriedades dos solos que interessam ao
problema a compressibilidade. 7/29
PROCESSO DE ADENSAMENTO
• Considerando uma fundação que distribui sua carga a
uma camada de argila saturada, limitada por camada
de areia e por um leito rochoso e impermeável; em
um ponto M qualquer da camada compressível de
argila saturada, a pressão transmitida pela fundação é
p0.

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PROCESSO DE ADENSAMENTO
Parte dessa pressão, u, vai ser
transmitida à água que enche os
vazios do solo; e a outra parte, p, às
suas partículas sólidas, de modo
que:
�0 = � + �

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PROCESSO DE ADENSAMENTO
• A pressão p tem o nome de pressão efetiva ou pressão grão
a grão, e ao acréscimo de pressão neutra (u), chama-se
sobrepressão hidrostática.
• A água (admitida incompressível) que está presa nos vazios
do solo, sofrendo esta sobrepressão, começa a se escoar em
direção vertical, no sentido da camada drenante de areia;
• No caso da argila, como a sua permeabilidade é muito baixa,
o escoamento se faz muito lentamente.

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PROCESSO DE ADENSAMENTO
• Dessa forma, a pressão u vai diminuindo até anular-se,
e p vai aumentando, uma vez que p0 é constante.
• Assim, no momento de aplicação da carga: u = p0 e p
= 0 e, no final, quando cessa a transferência de
pressões de u para p, praticamente u = 0 e p = p0 .
• Em uma fase intermediária qualquer, teremos:

�0 = �(�) + �(�)
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PROCESSO DE ADENSAMENTO

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PROCESSO DE ADENSAMENTO
• Pa ra u m a a n á l i s e d a s
pressões que se instalam
nas fases sólida, líquida e
gasosa de um solo não
saturado, consideremos
duas partículas sólidas
em contato sobre uma
superfície de área A.

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PROCESSO DE ADENSAMENTO
• Seja P a força total normal ao plano de contato, na
situação de equilíbrio, podemos escrever:

� = �� �� − ��� ��� + �� ��

� �� ��� � − �� − ���
= � = �� + ��� + ��
� � � �
� = �� � + ��� � + �� (1 − � − �)
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PROCESSO DE ADENSAMENTO

�� ���
=� =�
� �
Como a é muito pequeno, (1 - a) ≈ 1; ao contrário, pS, em
geral, é muito elevado.
Assim, fazendo a.p S = p (pressão efetiva), é possível
escrever:
� = � − �� + � �� − ���
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PROCESSO DE ADENSAMENTO
• A equação mostrada anteriormente, é o princípio das
pressões efetivas (proposto por Terzaghi) generalizado
aos solos não saturados por Bishop (1955).
• Para solos secos:
� = 0 ∴ � = � − ��
• Para solos saturados:
� = 1 ∴ � = � − ���
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PROCESSO DE ADENSAMENTO
• A pressão na água (pag) por sua vez se decompõe em:
��� = �ℎ + �

• onde uh é a pressão hidrostática e u a pressão neutra


ou sobrepressão hidrostática oriunda de uma
sobrecarga aplicada ao solo.

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ANALOGIA MECÂNICA DE TERZAGHI
• C o m p re e n d e - s e fa c i l m e n t e o m e c a n i s m o d a
transferência de pressões, utilizando-se a analogia
mecânica de Terzaghi, onde as molas representam o
esqueleto sólido do solo, e os furos capilares nos
êmbolos, os seus vazios.
• A pressão nas molas (ou seja, no esqueleto sólido)
aumenta à medida que a água escapa pelos furos (ou
então através dos poros do material).
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ANALOGIA MECÂNICA DE TERZAGHI
• Para a analogia mecânica,
a figura ao lado mostra a
distribuição da pressão
neutra através dos tubos
piezométricos instalados.
• A curva ligando os níveis
d'água, para um
determinado tempo t,
chama-se isócrona.
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ANALOGIA MECÂNICA DE TERZAGHI

• Escapando-se a água intersticial da camada compressível


considerada, o volume dos seus vazios vai diminuindo e,
conseqüentemente, o seu volume total.
• Como a camada está confinada lateralmente, a diminuição
de volume se dará por diminuição de altura.
• Esta diminuição de altura é que se denomina recalque por
adensamento.

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ANALOGIA MECÂNICA DE TERZAGHI

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OBSERVAÇÕES
• O adensamento de uma camada de solo ocorre
através de um processo 3D de escoamento d'água,
com conseqüentes variações das dimensões da massa
de solo em todas as direções.
• Entretanto, para um material com relação carga vs
deformação muito complexa como o solo, tal análise
não seria possível.

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OBSERVAÇÕES
• Porém, no caso de estudo, onde uma camada argila se
encontra limitada, em uma ou duas faces, por uma
camada drenante, podemos considerar o processo
como essencialmente unidirecional.

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COMPRESSIBILIDADE DOS TERRENOS PERMEÁVEIS
(AREIA E PEDREGULHO)
• No caso de terrenos muito permeáveis, como as
areias e os pedregulhos, o processo de adensamento
não se apresenta como o exposto anterioemente,
pois a pressão efetiva é praticamente sempre igual à
pressão aplicada e, conseqüentemente, as
deformações se produzem de maneira muito rápida.

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COMPRESSIBILIDADE DOS TERRENOS PERMEÁVEIS
(AREIA E PEDREGULHO)
• Tais deformações explicam-se simplesmente como
devidas a um reajuste de posição das partículas do
solo; daí serem, em muito maior grau que nas argilas,
irreversíveis as deformações nos terrenos permeáveis.

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COMPRESSIBILIDADE DOS TERRENOS POUCO
PERMEÁVEIS (ARGILA)
• No caso de camada de argila, e de acordo com o
mecanismo anteriormente descrito, pela sua variação
de altura, que se denomina compressão primária ou
adensamento, representa apenas uma fase particular
da compressão.

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COMPRESSIBILIDADE DOS TERRENOS POUCO
PERMEÁVEIS (ARGILA)
• Além desta, considera-se ainda a compressão inicial
ou imediata - a qual se atribui a uma deformação da
estrutura da argila ante a aplicação brusca da carga e
à compressão instantânea da fase gasosa, quando
esta existir - e a compressão secundária ou secular,
também chamada efeito secundário do adensamento,
o qual se explica como uma compressão do esqueleto
sólido formado pelas partículas do solo.

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COMPRESSIBILIDADE DOS TERRENOS POUCO
PERMEÁVEIS (ARGILA)
• Desses três tipos de compressão, apenas o primeiro
tem importância especial, dados os seus efeitos sobre
as construções.
• Tanto os efeitos devidos à compressão inicial como os
ocasionados pela compressão secundária, são em
geral negligenciados na prática.

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COMPRESSIBILIDADE DOS TERRENOS POUCO
PERMEÁVEIS (ARGILA)
• Os primeiros, em virtude de seu pequeno valor; os
outros, por serem muito atenuados pela extrema
lentidão com que as deformações ocorrem, muito
embora a compressão secundária seja, às vezes,
responsável por uma apreciável fração do recalque
total.

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