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~•) 200(1, Silvi:111cl S:lllt i~q~o

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E~te li, 10 ou p:1 rt e tlt-k n =1o p<> 1, ·


:t:m ,1utoriz.1çao cscr1t.1 cio E<lit,,r.

S2350 Silviano Santi :q. 1 0


Ora (dir i s) p11
Silviano

381 p.

3.

Ficha catalográfict
da Cataloga~·ào ela Bil li

.. DIT o E T CT"O: _
TO O
p a r ~1 Ja e q u e s c.l o p , J

relo o Bra ncJaú

r m ck·l 1 cl<.: autobiografta ,


e se puecle e b·
c:t t~1s que uno ha scrito . once ir que el
Y enviado a de t' .
J· rnu jere:, parientes v· . . s inatanos
' leJos amigos, en situaciones
y estados de ánimo distintos?

Respiración artificial - Ricardo Piglia

E 't"unos acostumados a co1nentar e interpretar Carlos


ru [11111 ondde Andrade e Mário de Andrade através da leitura
_ t ~ 'tO que, por decisão soberana de cada um, são públicos.
D ~cte empre estavam ao alcance de todo e qualquer leitor
que por curiosidade intelectual, se adentrasse pelas páginas
elo jornal, da revista ou do livro. São textos onde a estili-
zaçâo literária, ou seja, o fingimento, recobre, surrupia,
eonde, escamoteia e dramatiza a experiência pessoal, intrans-
r\ el e íntima, para que a letra perca o diapasão empírico,
que a conforma no dia-a-dia, e se alce à condição de literatura,
, palavra, à condição de universal.
Acredi tamos que podemos reconhecer, mesmo de olhos
ndados . o e tilo de Carlos e de Mário; que ten1os noções
'
·m precj as dos temas que costuma1n abordar nos seus
e cr·tc que, por sua vez, sinaliza1n traços obses i 105 d~
um e do outro· que s01nos capazes d e d e e
nhar ' na den 1-
d ade cronológica·' d · tória paralela
do 'é ulo 20, a uas traJe .
.. te e conflitante ;
a vezes cúrnplices 1nuit'ls ezes d 1 ergen
' 1·d d 11·terária de cada um
que poden10s configurar a p rsona 1 -_
. . . d t da monum n 1i
reaf1rmando o pe o e alor do doi en ro
· ·
dade da cultura moderni ·ta bra tleira da lit r tur m,
e
c1u~· l·mos ' ll ", o dire::·itc> 1 lc)111 ' 1r

(li:--;correr so hre esse ou ~lCJll t' ll· r 1>

romance , pass2ncJo julgam ·n o qu


ciado e definitivo .
As palavras da obrn publicada em le t , d impr .,
tão ~i~ ha:c, qu_8nlo as pala vrél '=> q u -", depoi s cb lei ur--1, p
em sdenc10, falo ou escrevo. Os direi/o - dr! au/r) - na
~ ,. . úO
uma questao artistica; pertencem ante · oo cr ztenci) r 1~ ai
das artes modernas. Textos literário ,<, s~to lcgacl > /

leitores, para que dele.s tomemos pos e. Pode mos acrt ~c n ·ir
a palavra alheia ao nosso vocabulário, é.lSSumir J f rast licb r
n1emorizada, incorporar a vivência do oulrcJ ~, noss '1 e:p _
riência. Ao ler, deixamos que a obra jnscrev;.1 su~1 rn:1n_ -1 na
nossa 111emória, ao 1nesmo tempo em que fíncarnos o mar ,
no território que foi de um e pas.<,ou a ser cie todos. Ao fin ;í-1 ,
abolimos para todo o sempre o pcrtencimenlo cxclu ivo da
obra ao seu autor e a sua época.
Bons leitores são autore~ cle~providos de autentícidt.1dc e
providos de imaginação. A lei do leitor é a elo usuc1piã().
Bons críticos agem por conta própria: são como os qut
conseguem fazer tabula rasa da instituição juríclie:1. S<.:rn t r ·m
sido convocados para julgarem deterrnrnac. · 1 ,,
o rcu, por co nra
própria elegem qualquer como culpado , ao mesmo té:mpo em
que se autode f inem e sao- rccon l1eci-cl os pc Io.s pare . corno
juízes no tribunal das letras. A lei do crítico é a mesma qut
d. ·t ao protc~ro,
rege o universo kafkiano. O acu ·ado tem 1re 1 o J 1,
· d"' nad't vak-
mas o recurso mesmo usado com me. tna, e e
' - s foram end -
Daqui a pouco iremos ler cartas que nao no. ourro.
d d Andrade e10
reçadas. De um lado, Carlos Drummon e . _'-, Je1>n1-
, clre Graça h.J1 ia· .
um 1·0 vem doutor em Letras, Al exan · , ·Joscr1w~,
,, . d .. ·tos ou e1,lll
çaram-se sobre uma sene e manuscn .- . . omentado ,
· pressos JJ<lo~ e
transcreveram-nos para serem tm ' ·' , ., . r1 g nu•1ez-3- '
e ac1u i estão repro d u 21'd os r·te Jmente c1,
· _Gra ..:is e 1,,oic,1 J r:,1,-
• .. -,1<> (-'tl rn ' ,.,

- ( 'l S LI 'l a C e p ·ª l.i ,,
P ~rmissào e a- / trursmo .ncl .. f··1111e·t'varnente
1
' l>licus pe • ,.i
pu 110 ['N
herdeiros estao tornados e. e -li't cu l ro
' . ~ 1 ·na(h por 1,e • . c1t1~1fl
tora B<:'.m-te-vi em edt(~to coorc e ' ,1·, 10 púl l1cos dt
'.
• f ·vista por Diva Man,l
-, n-,1ª s ;raciosa. ·~~ ~· • O)1 raíl• rº(
. ,, . . . rd ·m t:xpr t ,-( d,
os t xtos ltternnos qut' por O ,
1 ~c r pu' 1
· · 1tinua1n '
<lois ·s -rítc ,res f e,n 111 e: (_ º' .,
. . l or )ívr,1ri,1.
ditora t com rc ializac os 1

60
11' li< :1: ;1 ( I< 1

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' :1 ~.Ili<> , <·:,< rit ;1 p<>r M:1110 e n i~1cb :1


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n :,' ,nt 11n1< bd(' d<>,') <loit_,, e orr(' spc>ncknt ·~ e
: P_' l:i' M:11 io l'('r« JI ew mo., um longo
' d(),; doL , (j\l( V~l i (b S ·rn(tn(l s~int~l c1 . 1921
IH·, ,·1n ,·111 lklo I lorizont c, :1t( f('ver ·iro de 194'>'.
> Pétulo . E. Ul- llll ~,rrwnt' c m s ~10

(), cotn confidf·ncia · sohrc prof unclas


·t;,~, <·moç.· o<·~ e ~, ~tlt~t tcn~ao oo dramático
,s. Est;1H rnos próximo~ da~ grafias de vida
· dv M:'1110, qtw durnntc anos ficaram segredadas
<' ;uquivo~ nos rct)f) ·ctivns e~póljos.
s1111 di:r., ·r, violm " corrcspondl'.ncia alheia, e. tamos
· a 11 laci:1 qu,· pod , enrijecer o~ sentimentos do~
1:-. ªº" atei<, 1r:1nsgr
.½~or s. E até petrificar o. mai ·
11ni<'o 1)('ns;1nH'nlo de culpa e remorso. Os que
11tr;11 11 :1 inti1nich1df' do~ corre. pondentes estamos
,·rvo1 r<'ligio<,o, que alicer(.''' nosso re. peito 111
e
, , ,l ,r:1 1it ·r:í ria q uc um e ou Iro nos legar" ·
·, ·, i11li111i l;iclC' da letra tpit-,tohir, eswmo · ·en lo,
s. (,ontunplado por conv nç'1~1
, P' iv< do ,. o pt'ti>ltco, no wci111t . : '
< rr io ( ' telt'-
1 \;i pcl<, ½ ·rv1t<> <10 ~ > • ,. ,·.
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,I, · , .. ,, 11\•1!'", :,, lv1•1 d, :, d,, !':it,, dr• <J , t t, ,·ícr ,'> da liwratur 'I [)

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r u·
, , 11 1•, ·, 11, , · • 11 111J ;,<) . /\1, · n:d 1. ;ir :1 s ,·d :1 ,1j ·s cnt re autor t vic l
,,l,1:1 liw1 :J 1i :1, ,,., ,-:,111di1,•,1,·, 1J<'g.11 ·11n :rq11cle c iso laratnª ' no
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•tcrni bck !;1 1,npr< '.' :·~ •
- o , egredo -, no exato instante em que aílon1 IlCJ l·spí itr
do escritor e torna mais agudos os momentos privilegié1drJs
languide1.
Sern l' . prcs~ar n:l m~liori~1 cios casos um momento epifânico
:i c 1n :1 11 :11. t'rn :-,i o desejo de traduzir um tête-à-têtesombrio.
, lítn\"'tdt) 1..'tn que u ·~pclho tétnto é a caligrafia (ou ''a sensi-
h i l1d ~1dt.: d~1tilugr~1fic~1'' , como a qualifica Mário 1 ) na folha de
Y lf t.: 'I t.:'lll l )1 .HKo, qu~nto é o correspondente . Ao se entregar

· t{) 11nigo u n1is~ivista nunca se distancia de si mesmo. o


lt .~ tu d.1 cHta é semelhante ao alter ego do escritor em bus;~ , I

dt d i:, \ogo consigo e com o outro. Exercício de introspecção?


irn . 1 c<,d que se defina introspecção como aconselha Michel
1◄ c uc:nilt - antes de ser uma decifração do sujeito por ele
pr . . prio, introspecção é uma abertura que o sujeito oferece
"to outro sobre si mesmo. ~ssa abertura tem procedência e
norne: a amizade. Em carta ao poeta Manuel Bandeira, datada
dL· 22 de maio de 1923, escreve Mário: "Deixa-me que te diga
l'orn toda a abundância de coração que tu és hoje para mim
um dos meus maiores amigo5_; isto é, um homem junto do
qual eu sou eu, ser aberto que se abandona." [Grifos nossos].
A amizad é o norte que _p ossibilita que caligrafia e sensi-
bilidade datilográfica permaneçam as mesmas na folha de
papel em branco. O nome do correspondente varia e gera um
complexo sistema de dissolução do sujeito (Como quero ser
visto por fulano e sicrano?). Informações podem ser forne_cidêl~,
e orncntários podem ser feitos, críticas podem ser enuncwd,i ·
· dist1nr:1
,1, ~1 s}o fornecidos, feitos e enunciados de maneira
l ·J
p -- r ' l ctd.1 correspondente. Em cartas dirigidas a Carlo . ot ;
1: trHll l 13 tnce1ral . ou a M uno ·1 M.tran d a, so,, a caüar~1fta
O _
e1•
. . ,, -- oclu ro e.1
· I', 1 i > ou .'>CJ'l, a amizade, e a mesma. O resto e pr . :J"
' , . . - B' . , cor ei:1 r .
11 n "1 , centrifugas e fascinantes tra1çoes. ,t.stc1 . ' tit":l
, ' ou (. fl
, rsut: s de urna informação, comenta rio _ pt'rd:1
1
, l. t:.1r, aqui e ali, a <lerrap~g m da pen~~· · 1t' un1:1
1 l r >l º ra f ta e. , i O L1( >
d:, s l' n s 1. 1) 1. l J.ela d e cJ a u.1o g ra,, 1··1c1.
e, 1

11 • 1 repet 1'- •
. < ·11 lu e a d · 1 Eirio) l'~Ll canto • . . lo p:1r: 1•
--rcur so e ,
ll : 1 l<J li 1 1 · r1 ·1pag •fll cl:l rx.·na no pc J 1 n1,íq111rl•

d ., ( ont,ol · d<,..., l k l1o~ no l l·cl-Jdo


·
( · . p<)( ll ,111
~ . . '1:-- c.1rl.l·" . .;.1:-
111ul11pl~1s • v;..1r1~1cb.s not,ts • ><•fl.:-• 1•
·,• • S IH)(J:-, 1j · •(.I '
111 · 11 ,ialelucidtllit•u. I tls . . t. ir11t·11 1'
. · , , 1, J1l'lll j,•rl' 1
1 11d<•1)) l'I 1h·111 l" .pl1l·: 111 ' · ' , h1t1t'I
• > ljll,I
11 1H a l • ri:, 1 e I w. i d ;t 11 ' l •
po e se entregar, com conhccimentcJ 1. a 1
explicação e interpretação de toda e (JU'1lqii

❖ ❖ ❖

escrita da carta puxa a respon5ab1Jiciade rJ a Jtl


empírico. É a forma mais desinibida e subl1rn · da ",,_
oi\ para retomar o conceito de Mkhel J·cJuca u Jt. L
de ficção, o narrador e/ou os personag ~ns rece )e11
ente do autor as palavras fingidas (de que faJ, a
Pessoa em "Autopsicografia"). São elas que t()10~1r
palco do livro e roubam as luzes elo e<:ip ~tácuJ( <J JJ<1 í1 (
ujeito lírico ou dramático arrebata a fala ci<J <,ujeit(J --m /, r,,
e é mestre dos sentimentos nunciado--, ém umfirl'~o ia.
carta., é a caligrafia do escritor que mont21 a -j pr6 ,,rir
folha de papel, no preciso mom ento C::m qu<- .. "1 a ni
em direção ao outro. Ao querer in sug,u e pr(J\fCJC,u- r 1 <; r J a
espera de reação, de preferência uma rc,5 po. a, J mi f'>Í • ,
retroage primeiro sobre si me mo , porqu o eh r- í ·r í~l
correspondência pressupõe o exer ,, io de cetn rJ eg t m r;
abnegado, se me for permitido o parado ·o. n <-= 5 ... J, '
o missivista procura um corrc~puncien te q u > P ;sba ª
efeito benéfico. A carta-r~spo.sta t<::m a ªl?ªr'~ncía -
calmante ou vermífu8_2_:
10 universo da literatura, a carta existe Pª ra que ', -
. ., J ecisa ser rec n
pu1ÍJ se dirija ao mestre. O d 1sc1pu o pr
~ . ., I r,ucrcr )(1 "t
,. e.a 'J
> . e>

t:nquanto tal. (Assim como nos, e1tore~ , ,


i . . I . 7 ~om o5 ;r e t
11 h <:::cidos como dignos da inter ocuçau e 11 • ,

Je , . ., ,1 endize:; na • J u
· ancJ. Somos voyeurs e tambem apr:
Je lare:m(JS desta correspondência.)
í i Ac) iniciar a correspondência crn 192 , · .,
íC' 0l r<;umhccimento de Mário: ' Pr0Lur --r .,
1

,J1 < ~ lklcJ I i(Jrizonte: um rapaz rnagrc


11'~ ,r" nd II<,td, t.: que muito e • t~JY
ariui la f'. 1gitiva liorn de o
•11,,ntdr <, . UJ. .li() para() ()li
h<J Ir áiio n~1 (, rt
í<J ( <mtinuar a rn · a
u S(·j- defínítivan ntt
11l l 11 rt ~l IH •ITJ 1 1t1
<I :, ~
·S ;
us~1 e 1rs<J incl c•r
cl<: r
ntc r()r
p 1u prio 1:10 1·oye11 r e ,1pr ncJ 11 quan
/>(
· h: h )j1:' ; C:irlo escreve a 1 l{i r (> ,,n rqu
Eirio cncle reça cl a ao a mi 'º cr)mum
:1 leitur:i fur tiva d e tecta r<1 as q 1a lidad
: , l: rdJcie n~ ~ idéia e for a d esabusa da. De:\cia-a~
1.1 1 Elege . 1 1ário , o mestre qu e o condunrá pelo

inl ) intdcctual que intu i: "Es tou con ve ncid o qu e a


u ) d. litcrarnra no Brasil é uma questão de coragem se r.
1 1..1u:11. .. Por outro la d o e fin almente , o miss ivi ta nao
1 ·.1 e! e~ interesse p e lo outro . Ca rlos solicita cóp ia do
1111 : 1 ·· o turno de Be lo Horizonte ", elogiado por 11anu 1
ndc·ir:1, l.'111 carta dirigida a ele . Bandeira já o distingue,
1 e r t I u L' . L1rio ni o o distinguirá? n ~1 f're n t e
~l ca n :1 d e abe rtu ra, Carlos esgota o estoque de arma de s3o. C~l rl c
t di--. p ôc e, abandonado , fica à espera da carta-respo ta. e go%á- l<
l. pode ruclo: mimá-lo e até esquartejá-lo. Responde-lhe
1: 1 ge ra r : f<
á riu. reco nhecendo o discípulo no desespero que lhe é C om o
1 Jprio ; "J.í. com eçava a desesperar da minha resposta? ~feu En u nH: ra
1 ! l o m ecei es ta carta com pretensão ... Em todo ct~ d
0 da d <:: int
1 1 n:tu d e se p e re nunca . Eu respondo sempre aos amigo Professo,
z -. , ck·m o ro um pouco, mas nunca por desleixo ou C\<.rcvc <.:
o utro lé1c
qu e 11. 1 L nto . ,. Depots
. ele ter montaclo o o 1·1I o' quio ' C:1rlo.
. . ... I· prr,on~1 11- a c e~;1 él
11 p ,1~1 e. pencncia do dilaceramento e 11 , -.
da~ s u ~, s
l" d · <1LH " 1u ncb m<.:nto do diálogo e igcnte com Mano- . C/ll t• s
I·1 •t_>Cfl(llít t: a
1 'l rt ír el a e art:t - resposta o processo duplo l ' nlJ --, o Pn)
. ' . ,· •ito tb t' l
• 1n vt: n . Ao constttuir a si como .-,u t: e ~ cl.1 s a rt s
, . st' 'l 1}f
> , 1· tano · , ·dif refll
i ~ oi jc:t o cb escrita ele Culos), rnestr(. .
• 1>=11 d<,11 ~1 ~1 C·1ilos . Poderia ter elt- adotado f~>rlll•• 111 pi- :1· no < 0
- ns
. . . , . 0JO ti (l nan1,:
d u .. 1 ' 11111 ,no epistolar'? N~h> crt:io. tan°,
1 1 . 0 u 1nt'• ~ ' s ••
10 l' p
11.. l ' t , llfl1 ., ' 111:tto~ 110
· ,, Nao fala
. l - . s101bo n ,J. <>r\ J
por a usocs, . e f1J1 •
· t r1nt ·
lor a .. L di, c.:. to e cl'rtL·iro . ' s ,ez ~ angu ·
, L' b .--d inih>list ·is .
·. . , ' 1 (. l)C
num 1)rist-
T I Z <) fl l . l: hun1e111 I· . ,1~ (jtl<::•
• ( .t v~1nguard· , .
, 111 ;1 ·, nssiv·i
I
d.Mar1 0
,, ' ' <:' l' S , ;1u1
11t1 · 11L'k sullt ~l Í'tll · , . <>t11odel~1
• ,l ,l<> jOV(: 111 . .
t 11 i l, , '1 ~: ll rific ~td() . l111nc1ro.
• ( 111 f ;l\l()r 1
11 ,,11 .l ' sl ~t 1)1"<'<1, • ((>(<-;)
. ( s 1 tn ;1clo ;10 cio,
l lll\llllll, ~I , l' <<>Ili , I r1.
e> l n I r on 11 ( , r 1
ili 1d1r·it. (S<> ' t<> f'iti ·,I , P ~o
, <f li ( • p l () f) () r(i ()
<> Lt>rp<) d :1 c·1rt ·1 o de
. · ' ' . )Jl1 (_'~( <1 role
l :1 . : h d1ht :1 - , i1111)osi1ivc . .
' > e onenla
- 'HLk11 : 1. () eu, ll'spondcntc S'-' 'li) .
• '---- e rc ao
' )l11u llh:~trL:· (c1p~11. do cnsín())
..,, · quanto
IH,) :tu :-< llTtl ,cio) .

nt·s·< t ~llx. nura que o corpo da carta lhe


\ ' <..)l'L conquiste a 'coragem intelectual' que

o que des ja s r. Para que todos vocês,


i . rn or.ijo,· o
l se transformem no que desejam
lt l:i rio é alitnento spiritual, conclama a meta-
l )tnunlüo. Ao final da carta, Mário será explícito:

1i nt 1ros , ajunte1n-se a nós, Oswald, Tarsila, Graça


)11. ld d c,uvalho, e serão semelhantes a nós."
. . . n: o s trata de formar escola com um mestrão
Trat ~1-s de ser. E vocês por enquanto ainda não
dc~poi · d penetrar o corpo dessa carta-resposta,
n .' o :e cont nte com a inércia que o dom pode
. ndJ. discuta, aceite ou não aceite, responda."
lo. t [ário se apresenta dividido e imprevisto.
I<:.
, um belo. as suas múltiplas e variadíssimas ativi-
1• 'ào das aulas ministradas pelo sério
• 1 , t· que
p~1s am pelo verso esttam JO ico
t que escolhe. Por
n,n p la roupa e, travagan e
.1 t e tem de manter
p:t r:1 si a ca pac1c. a(<: qu
. . A0 l --senh'n o elenco
t [)írito r ·ltg1oso. ee • ,
. · . p'lf'l 'l 1ou Il1
1 11' l t h t o n v e n e to n ~11 .s , • , e,
, . . '•scritor d , destaque
colllO ..._,, "')f
- l . . , 11or nclll como Cl
na t o e s t- . . . • O
,. l· . 1· tr~,s nJc1ona1 ..
i1,i[bnnl '- .1.s e: . ·stn
• c1uc m1n1, , 1,1s
. wl•ts au • · .
nao ser 1 • ' . ,,- C) dcn poo-
. · l-1cl s s.t
1{1si ~l, sll ' lS ·1t1v1c
• · ' n{to-lllO( ll ·lo > ', ()
(11 •s( fl t
n ' l ri. a h > . , o . . de se pautar
. j )Od~l tt 111
in. 1, e apn.- nd1z e t 1
67
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L í11 M;írio <) que f aJl;.t a<; ~JrliWJ , . ~J (,~ d n. f d
~tll :1 que n· s~a ll;i n<)~ tn<,<_<J', q11 • ') < r 1 r , .. ,[ <n .
c>r1tum;1z dcdic gtancJc parl(' (i() ,,·1; l<·u1p<, A, 1 ,. 'í "
1
á rio sacrifica l ·r 1p(> e éncrg1é.l. f>< ,d<>t Ji1 <• ar , 1', í;' : .•

11 lo- us a sua arte. Se sua <)IH a Jjt ·rári~J e· ~ t{J ~ <• r rJ) 1~r 1..
ri' ( o ;1djctivo é d "'1e), seu ensinarnuit<> ')<·tá r •n. r . fi.
r matura a constataçao que orientar~ torfa -.; u;J vi<bc í a
<.<.cio pela "arte de aç·ã o p ·ht art0". A a<, ~H, <:x<·r< id~ p •la
.i,
<. t~ts junto aos mais jovens carente[) de <>ri<~nta<. a<; , u-
c; ci on a I (é preciso nao temer a pa la vrn) iJ nd>~1 p< ;r s
f r()duto d u m trip lo sacrifício: <la prociu<,é.t<> pr<>ptürr ""r ·
, r1 í s t i e 1, e o mo es tamos ven d o, d a eu lt u ra <.< J '> rn <>p <) 1j , , a
St afeiçoara p e la sofi s ti cação in t ·kc t ua l, <· d<;s val<J 1
,

.. < hssc, ~, q u e tin h a dire it o por nasdm ·nt<J <.· f<)rr aca<;.

culturn l ivresca e cosmo po lita p recis<l ser s u lJs tit11ídé P +


<. ríLic1 q u leve em conta a cotH lí ç;Jo rr 1is ráv ~I 1
> g r os:--io d o: h rn~ ik iros. Nao ·. p r "< it.;o cl 1"gar a<J

p:1u - h r~1s il d t O sw:dd d e Andr:1d t·. l•,s t 11< g~1 a "r 11 -


ivi l i%' 1r~10 o ci d l' nt ;tl , crn1>01 a t stcja orr ·tu , 1 J Jar
lt tr~ts r1;1círn1 élÍ S f:11,l'r <> liag 11 <', ti 0
, il >'í . tico ~irti go il· Junho d t 1<) 21Í: '' ( ~1aç;1 r~111l 1a,; urn
'l a<
r ig<, so s ft ll<->11 w tH> S d e: cuht1 ra qu · l ll 11~ n, . ,
. ,, . . J i v • 0 a rt I st ,1
podt d . t 1:1r. No llH'I<, so c 1:1 t · 111 qu v , ...
. . .. 1 ,, , ( Jss1tb<.1e
1 n. d <>n11r1;1 <> ~111alf a l H' t1 s ul<> t ( :11 ., rH ·
~ 1 1•
, >vido
<> n h < r () S t <>lllc · rr: trH ·o s e ·otll< rlll or: 11H·o s ( :,,, J
r' to - ra
e , ma dor: o cora ão d J l ;m m n
cá no e petáculo da · ru: 1 • Pu ,. r
n te d trocar cartas. Pu 'ar e n 'er
,. rro imar agressi a e de puciorad~,m n
r " !mente, do outro, para que o outro , a pa
, uj ito, transforme o ujeito que puxara a e
).

lar~.1 ·ua arte poética ao descrev r


rn val carioca". O poeta tinha e deix d
1I o elo folião negro carioca; ne

· ~ ligioso (ou seja: vida, felici


modelo só pode e propor
"t conhecer ao di · ípulo
afinal ,, 0 verdadeiro
"n I ida l . 1
❖ ❖ ❖

DL::lmca clos os dois sujeitos na arena da correspondência,


r e s ui bosquejar o e e n á ri o em q u e e s t 'lo situa d os. t\ t é ;i
v iagem a Minas Gerais, Mário , conscqliência notável ciun1;1
semana de carnaval. A de 1922, desenrolada nas escadarias
do Teatro Municipal de São Paulo, ocasi~10 em qu , ao lado
de companheiros, proclamara aos quatro ventos o credo ela
arte moderna no Brasil. Carlos desabrocha inesperadamente
numa semana santa. A de 1924, no bar do Grande IIotel,
em Belo Horizonte, ocasião em que, ao lado de compa-
nheiros, acolhe os turistas paulistas que vinham dum circuito
pelas cidades históricas mineiras. Compete a Mário passar
ensinamento definitivo ao jovem. Carlos está totalment ·
tomado pelas idéias passadistas dos escritores finisseculares
franceses, de que é exemplo Anatole France, e dos poetas
pen umbristas cariocas, de que é exemplo o seu primeiro
mestre, Álvaro Moreira. Eis o ensinamento que lhe passa
. 1ário: as nossas profecias sobre a pujança da futura na ao
bra~ileira estão tanto onde estão, na futura megalópole latino·
'1mericana, maior exportadora de café, quanto onde parece
CJ~e não estão mais, nessa região interiorana das Gemi , qu
ha mais de século vem sendo marcada negativamente P la
evoluç-ao cm ciclos ela nossa economia e portadora.
Da varanda ela fazenda opulenta de café, os pauli ta ilr 111
os olhos para · , · 1•
os veios exauridos de ouro. Oncl Ir nqt
70
11 1111 l ~.tlL "il 1·iq l11.:·~:..1 · 1i1í s tk-
. . ". O ci ·I
1111 1 · 1< 111 l<>1·1c --1, "1C>
•1 l'll1[)rc t· e o d() ()ll
. . s ,ll f)<..'~<) • r<J ganh
1 1 11 1 1, ~ 1 lc>
1
. .
c>11 1111 s 1r1c> 1•1
e i ;1clo ·1- sc:nticJ
o a
a n<Jv•
d
' · 1.11 ,·c·l1 'I< ,.·~ , i11tl·1·ic ., TX: d e: '<mo . pr()fe:c:ias
, >1.111 ~1 t· 11 f rn1a d
, 111 ~' lei I a ,·; 1 <>s 111 l .10 und~, , Vir-, o café.
l'r 11I stas Sí. 1 '' na d~c:ad
<>
e1' ' l na i <1 • • J n ) o 1<) d a
i ' : ' < 1~, i a
111111 . 1 • 111 ,>j>l i-i i v s ·r dr> l no a
• 111p I ~1nt< 1 1· 1 I' IU Outr,,
(jll. ' • 1 L 1() l ✓ u
. Íi·1I1I> <1 Alc•i 1' ·,1<\ ·1n 1H J S, \r<,pic() :'-i n )S
I I l
li.til I S ( ' I Cjlll' [ , 111 \ • ' líí) )(;\rJ ,
• ~ • 1 rc ' (J\ e , Pc1ra a
1 t [ [l l 1 11 l (1 1 ~ 1 l I j t, l i ( ( ) d . 1 rt cl {)( J[ ll D\ i ri d.
, . ln( e pen lê 'r l -
u. 1 !, , 111: rttre lier()i A ·· f . nc1<1, d -· (J e:.
. ,, l . . . c.1 ~eira Sàr> P·1L \ . e
,ts e . tInIgr,1nte s e ' , r,, tnva-
, uropeus s·li
ele> p~1ss~1do f) ·rdid
~1 l- ' · proustiana- L
. o. ,nxerga-o
1 < 1 t: nh. s p1.: rcl1clas cb sern ela M· . . encravado
c1nt1q ueira ond L

mh nt ·I·r:1 lti ptlos bandeirante


· A o mesmo temp ' e tinha
.
1~r t·ir >, entro cio poder político na . l
Clona combalid 0o, o Rio
aI l
. . rebeldia
i 1..I u pela tenentista ' bus '
ca reenquadrar nae
1 rn1d,1dc ocidental o Brasil rural da Pri· me1ra ✓
· republica . •

. novas idéias sobre a brasilidade ganham p eso e sentido•


i tt)rico em tripés: metrópole (São Paulo) , mo numento -
l i cl ~1de histórica: e revo_l~ção (tenentismo); festa pagã
t C'H nava 1), solenidade religiosa (Semana Santa) e manifes-
l ~l <. > ·s públicas (comícios e rebeldias). Vanguarda européia,
1 r "t d i çéi o nacional e novos programas políticos; futurismo,

modernismo e tenentismo; arrogância, humildade e armas;


o.smopolitismo, nacionalismo e regionalismo.
1~ no entre-lugar instaurado pelos vários tripés que Carlos
e 1 Jário ajudam a colocar a pedra fundamental do edifício
1
1

uc· ✓ perpetuado pela obra literária de um e do outro e


1
usten ta do pelas cartas que estaremos lendo. O sólido e
11 u I t · facetado edifício do ideário modernista no éculo 20

l n1 i leiro. Dois versos sustentam essas nossas palavra

... Minas Gerais, fruta paulista ... - de lário de Andrade:


Mina aos mineiro de
(Tt-1 rsila, Oswal<l e Mário re e lan d o
An~ tok .) - de Carlos Drummond.

22
s- Paulo j:i e ta\ a em
1
l 9Lii complementa e contradiz 9 · ao . , tava no Bra iL
,. l e iluminista Jª es é •
Minas corno a Minas arcac e h autononua
) que buscam gan ar
Nao sfto duas regiões do paí
{ 1 ' 1, l 1,

111/1'\ i/(' 111,/0, ,, <(li<' 111,·1·,,,,. l<'j)(/1'<> , //('\ \ (/ /Jl(/ll('II 1 ,, 1 ,


• •• • M1 w11 ~ 1(
,· •" ,r/1/ud,· /"110du ,t1/

dn, 1,1/1 1jr111/e, . Sr1r, /orlr J \ lr/fir{,,1
' \ 1

1 • 11
111 .,/11\, /)(>/1/('//\ " " ,1111111<> h {/ //Ili jJ<W/(I d,·/ ){// l,f~llfttrfrt
</li<' 11,,., 11,,1/,1,
1 t's\C r/ltr/(1// 1111r/u ,,., <'\/J/Jllu, < <J1t/r )f.n, I\ /(/ JJ j li

o ,111,· 1°00 de., 1110.,11111'1 ,h ""'I"'·'


< /dor/e,, ri<' M/ 11 ,,, ' r r1n1.
s11,1.,· ir>n'frts
' · do S<'< 11/u /8, <>Jlrl<' /11r/u ,. r•tJ<>< r/tt/u
\ r/() f,r, ,·\Cf r1r,
<'. ,·111 11///111,1 r111,1/is<', l11</u .,11,t~<'r<' ru111r1, , /"ll<·<r•1tr1 um
< 011/l'tl Sc'JISO <I/Wll<f,\ rt/>t/1'<'/II<'. llr111/rt 11mr1 logic:1 1nlt·ri,JI
110 < riso. () r/loon ío <'Ili r/tl<' ri 111r1/or /1r1rte riu, ll<J\\() \
c'S< rilor<':,: s,·111/>r<' 11/1w11 d" r<1olirlod<' l>rr1,l/<'im l:izi :, <<>Ili

qtH.' :1 p 1i s:igc t11 (k Min:1s l> :1noc:1 suq 1,i ssc :10~ olhos do I t·n
111odc1nist is como qu :dqut·r cois :1 dl' novo<. ' origi11 ;il , d ·nlro,
C<> I
port :1nto , do qu :1dro <.k novid :1dc..· t· oripin :did :td<' qul' l'lvs 1,, a
procur.1v ~1m lgrif'os nossos!.

❖ ❖ ❖

Os su l )t l rra" neos (1ess~• u l ogtc\


· · ·tnl t..: rtor
· po( lt •111 ·st·1· 1rdmi·
11
'
. · , (lo rnoder·
lh :1dos n;1s cartas que leremos . /\ s1tua(ao am 1)tgu.i , ..
. . l . 1· t". ·1·111os ,~1p,1zt
n ismo f ic1 cvidl nte :10 se o )Sl rva r os mtt.· t~l'n iss , .1 s
,. .
0 S l' • pt fl O
d · Min:1s . Vivl 111 l 111 Belo l lorizonte e tem rot P ·
·
1 olt~1dos p~,1~1 Paris, freqüentadores contum.lZ ·
" · ·S < lll'
1
da
,·ti:i\
~,l
. . . • 11 1.,.,. 1·io l of1ltl
Lt ra1 ta /\l t s, 11;1 rua tLt Balua. Dur:1nt o º . . ·\'I ui
, . , . 1 Cal . E~stt .
lá s~to c11<.ontr;1dos os not1va 0 os ra1)a1..cs <> l ·lt''d'
• .,f'"t • ' "'\
1
esta odes, como di:t. carlos Drununond ·1 1 ( ront • •
· 1 1 t· f .,l (> 111 ridi·,n
no 1c al lS rancesas, porquL 1:inr . ·1
1

72
e 1inhJ 11 >

:1rl(> S, , ,1 ln() S
, omosuc - -.
ll unira conro,in-1cl I Sptrito
, o, e. e urn laclc
11 ~ 1 t o lt F r ~in ee e_. c.l . ),
• . 1 . , .' o outro pela
11111srnu e e Joaquim ahuc F ·::. , e
., ... ,, , . arlos:
o ,sc re ve
1 J p 1 z t ~ cL l 111 in h a g e ra r' à O cl , .
. \ ' evo Jtnenso a
q u t' me
. e n s tn ou a d u vi cl ar , a s O rrir· e, ,a n ,..
0
con1 a \ tela ." Continua, noutro trecho : "Sou
uropeu, ou antes: francês. Amo a Franca
n1 ' l mbiente propício, etc. (. .. )'' E suspira: "Agora co~o
· dt ce nle continuar a ser francês no Brasil , tenho que
, 1 Ih i~1r a única tradição verdadeiramente respeitável para
111111, a l radiçào francesa. Tenho que resignar-me a ser indí-
e n t re os indígenas sem ilusões. Enorme sacrifício;
• i ·HL hen1 que você reconhece!"
e d~t corres pondência começa por uma conversa entre
1e> -o caso entre o desinibido ateu mineiro e o dramático
'
t > p~1tdista. Há pelo menos dois conceitos de significados
luclt nres que se digladiam no terreno das cartas trocadas:
,, idi rn t'. ·acrifício. Mário resgata a tradição brasileira no
r t · to universal· Carlos reafirma a tradição européia no
' 5
r il l 1stin1a o nada que país e governantes of~rta~n .ªº
., . . , , ·n os e multtplo
O sacrifício para Mano, Ja o v1 1 . ,
procura doar à árvore Brasil urna alma, q:ie
e 1· ·-í ' l ampuraçao
rY o tern. O sacrifício para Caros sei .. ' ,.
, - leitura france'""1 ·
·r o melhor en1 s1 n1esmo, uas , ,·gD'tÇ'ào.
~ - , lidaclc - rt.Sl, •
m 1 >I r . ·imento eh personJ . 1 aponra
l1·ummonc1t ..3 r 0
r 11 ' lCfa . o
) ontraponto e ·1 .., d) ondt'
. 1, d.., bra ·1 u.l, ,
"t t
( Ia ss s n '·1 soc1ec l e r . no (. ,o rl\' ;n1 as
4

. , , ·e 7 " () n:tciona t~l 1 ., ("" ·1t·los, e


~lllt
· >rtlart ) . . ." dcc :u .1 , • -
,- s · 11 t l ~ ,
1s'1li.110 ·on 1 m,-1
.,
. Ccrc ·1ta~ 1 .. -e de
·• .• 1-tr<[ll 1 • li111.l . Jº
~,11staL, s
t n1 qu~1:,,; a : , t 11 li.. , te Ltnl cr~" · .
., it ida 111 n . _ enra1s
lor I l ' t "to e. ~dula\ ,to 11 ~niências 111
m 1 • - , . co n vc - , ,.
' n d11 it< d • sobrepor as su,i~ l'l ele be 5 ras.
d s, 1 -- · , cat11b~(,
me ma onfusa e anonuna
Esbo a-se um segundo ccn ' 1r10 P' 1' 1 ~,s 11ir1, •11 ,
l,
1
ele e desenrola a "tragédia de Né.thu ·<> · , 1 -11 ~1 r.
1
expre são de Carlos. Ei-lo: "Pessoalmente, a IH) 1
• •
11
e a história de nascer entre paisagens inculta~ ,.'- () á.
1
pouco civilizados. " A constatação melancólica é traduv
filo ofi3 de vida e de história que se depreende doca _ar) d-
- ) d J . b Pitul(; 5
de JHinba formaçao 0900 , e oaquim a uco, de
traí mo esta curta passagem: "A s paisagens
.
todas d onde: 1
,., . o i ovo
Mundo, a floresta amazontea ou os pampas argentino ,
0 0
valem para mím um trecho da Via Appia, uma volta da ' ª
. trada
de alerno a Amalfi, u1n pedaço do cais do Sena à sombra d
velho Louvre. 0 meio do luxo dos teatros, ~a ~oda, da Pol:
tica, somos sempre squatters, como se est1vessemo ainda
derribando a mata virgem." Carlos não titubeia diante do
patriótico Mário: "Acho o Brasil infecto. Perdoe o de abafo,
que a você, inteligência clara, não causará escândalo.·· De
novo, Carlos ecoa Joaquim Nabuco: "De um lado do mar
ente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país.
O sentimento em nós é brasileiro, a imaginação européia."
Mário não perdoa a influência de Anatole e de abuco
sobre o espírito do jovem poeta mineiro. 1 o seu aguerrido
nacionalismo, julga-a nociva. Ao examiná-la, vai encontrar
material para enriquecer suas refle ,.õe políticas e alimentar
seus petardos certeiros e irônicos, muita vezes debochado
e desbocados.
Investe contra o primeiro: "Anatole Jinda ensinou outra
coisa de que você se esqueceu: nsinou a gente a ter vergonha
das atitudes francas, práticas, vitais. ( ... ) Tem tudo qu ~ é
decadência nele. Perfeição formal. Pessimismo dilet' nte.
Bondade fingida porque é desprezo, desdém ou indifer n a.
Dúvida passiva porque não é aquela dúvida que eng ndra a
curiosidade e a pesquisa, mas a que pergunta: será? ironiza e
cruza os braços. E o que não é menos pior: é literato puro.
<. .. ) escangalhou os pobres moços fazendo deles un gato ·.
uns frouxos, sem atitudes, sem coragem, duvidando. ,ai
pena qualquer coisa, duvidando da felicidade, du ·dando d
amor, duvidando da fé, duvidando da esperan a
rança nenhuma, amargos, inadaptado , horroro o . I
e e filho-da-puta fez."

74
l lHll1.1 l> s~º UPtlc) })
l...... , . l' rde
1 , 1\ )1lll ,i . 111, ·1\1 : 1 u,n tr )C cl'll O ro1n gr O ..
~~e1ro t 10 e 'l
1 t
1. l ,llt'I Cjlll l.~(r(:'
, , o rn e ,
. . mo lern e g-1 qnha
l. cl1ta ., Po rnl
, 111 · 111 t1rn : 1 l t1) t ' l ) ': t tropi ' ll tragédiact' )Ute
. . l, ' lransn1 1·r l e , abu ,.
\l.l, i[,, l l. ts 1111il :t." ,·urupt'i:ts l·' . 1c a ao . co
1,..<ln.o: "Voe 10 vens • · S<. rc, e
• t i i \' l l l 1, t l Il r l .' h t l l t )'. q l l t' lodos . -
ê F pe 1o
, so fre rno s F ala na
11 1 l, , 1 1 r,t11u ~1 l ·=1,1a Ili , 1~1111 , . . · ,ngracacJor E ,
lnt<: isso s' · JUha
11 ·1 t 1d I dt· (!llt'lll wio . . f·· · , (>que de rn .
' s <> t e co rn is . . ane' ra
. 't ) til )ll!t )1 t ' l1.1g,1s clc~coh .· so. Dizia mais
ttu que gnss ou
. 1 q li • 101 eh I nud . .l molésth l , e· h' .. ava no pafo urna
. ' ee agas E
1, ll ' IH,'.1 , 111 ·11s grave de CJU t d e · u de~cobri
. , e o os e ta .
n11.l : 11lh)k ,...,11.1de ahuco ' I~ p-, .
1
mosmfeccio-
. - I e ciso começar es b
d,, 1s il ir:1m 'nto do Bra il ,, E se tra alho
' ··· m texto do me
H ll) , ~li dl'I tntr o que entende pel ~ smo ano,
, • • ✓ , a expressao que cunha.•

l ll st u Lk Jbuco e is o de vocês [b ·1 . .
. ras1 e1ros] andarem
)t111Llt) s.lud..id elo cais do Sena em 1 Q .
. . P ena umta de Boa
\ is t. t l ' l i:so de ocê falar dum 1·eito e escrever d
cavar emente
l l ll 1l :1ndo o pronome carolinamichaelismente. Estilize a sua

l:tl : 1 :---inu a Quinta de Boa Vista pelo que é e foi e estará


lt11.tdo d -1 mol . . stia de Nabuco."

hr.tsilcirar o Brasil, referir ao presente o passado


.i
1
~tl ion.t l, significa, em primeiro lugar, entrar em terreno
rn i rudo, onde o inimigo é o eurocentrismo machadiano, na
u:1 forma v ladamente racista, que é a defendida com unhas
· dl nlL's por Graça Aranha 8 nos anos 1920. Significa, em
gu id,t, oltar à lição recebida da vanguarda européia,
h u sc.1 ndo agora não mais a modernidade técnica dos futu-
r . t ,l s, mas um ponto de apoio no quest1onamen · to dos padrões
u, D(.'t. . . nLncos
. de arte, que d a d aistas
/ e surrealistas colocam
.
"
H I r:1tic1. Apoiada na desconstruçao
- d O eurocentnsmo,
. ..
a
.1ncl· 1 ·1~ ~1 ) ·obre o passado naciona 1 sigm . "f1ca aqui. o desre- f
.. nguarcl1sta, tare ª
·i I
loctlist-1H pelo cosmopolitismo va ..
.1 d . tas brasileiros.
var11 ntc redizada pelos mo ernis 7
_
, culturas n.10
1. • J)OnLO fe pa ·.sagem entre ''t Europa eª ·1 e a trad1· ao - r
/•, no Brc1 1
u· pt ias , nt r, -1 tradi ão europeia . cwdido, embora
e 11 . . . ->-JO ntonIO , l •1va
_ , nrristno, o ., st: '
1
, 1 ar I rasik ir·1 , o prim1/11;1s1r ·
ii I
1 r o to<. :tnte a descon.struçao - do euio(e osta pelos rno
der--
• a ui fade a Lroca de re1ercn r " (Í'l~ '. .prop · se 1n1s
. . .. · t urarn a
.,1 , run111v,1~ . - le um
: "<... ) no lha il as cultur. : I~--..; :tine.la v1va.s e
<>Lidiana <Hl sito rt'minisn.•n<.J,L
75
, li;_ e., ri A

ri Z<.1ra ,
ul r-
1 r;n r
) ci .: t ,1l h l: ra s
à rJ ele ín i ·vam -
e ·ac~o , xcrnplr . Jp
le%,1 ... nãrJ n ais em p cci lh <; a A

crítica ao eu rrJcentr1sm 0: h;rri


1 e tar -
que que r aca bar u;m a<:, pá tri as
, . . , Cr
1 r~• l 11 • ts r, cas. e tc . e e nllm e nta 11s mr; d al erria; ._
e I r~1 ·_. Estfl lo n ís i m o. Eu cr eio que nunca virá . r · 4 J

tl pi n. -.. ., u~ s t ·1ba e ram mai civiliza do que nó~ na s ... J e


. _ íl0 \~
dt: Belo I-T onzo nte e ao Pa ulo . Por uma ':>imple\ raz .
ivilizaç- o . Há civfüzaçõe ." O golpe mcJrtal em r -ª<·
l Jiâ d
\ r: rnh.a - d feri do no intervalo que separa as duas partes
irnç: o: .. _ vanço me mo qu e, enquanto o brasileiro nao
e , b ra ile irar, é um elvage m ."

❖ ❖ ❖ p u is
ont r,1
t e z ~1s,
-o mesmo movimento em que o u1e1 o e abre ao outro pendi 1
pa r que e te o conheça , ele també m e dá a conhecer a i g am ,ts
por i me mo . A carta tem algo do diário íntimo e tem algo da
pro 3 de ficção . Como escreve Carlo Drummond em··_ Iine-
ra ão do outro '· (Lição de coisas): "Onde avanço, me dou , e o
que é ugado/ ao mim de mim , em ecos se desmembra. Cada
arta tem dua direções: Mário suga Carlos, onde este e abre
, ele; Carlo suga Mário, onde este se lhe abre. Se cada cana
· ·oi damente, tem duas direções, a correspondência trocada
r m pelo menos quatro. Carlos não conhece a si apenas pela
ia n la que oferece a Mário; vai também se conhecer P'1ª
i' n '"'] a qu ~ Mário lhe abre sobre si mesmo. Do me mo modo.
,.. rio n ' o conhece a si a penas pela janela que abre para
~arlo , vai também se conhecer pela janela que Cario _Ih:
· br · sobr ~ si me mo. Assim como o discípulo Cario e dei ~
CJnt ' ndnar pelo mestre Mário também e te acabará ·n °
cont· minado pelo respon ·ivo ~ respon ável di cípulo. p~ ~
a pouco a ategoria.) me. tre e discípulo ão abandonan

76
. l 1.t n, n i ~1 l1h. · .· .
• ' l 1 1. \ 111 \ l l l 1 ~l I l 1( ) ::i
.1 p n : 1s : 1rt : 1s . 1 .
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llllcl l1 Í \ .' I, ()
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1:t t ~~ 1 . c. :1 ro l<.:· i t or .
. -- ~ \. l ) l i . ã'Ít:) <.h r)r() ' l ele r·
íntimo l'
t • ' ' l('Ç<l()
r \ . J te 111 :1lgo do dt.spcl r ~llc . Corno tal )
'-~- J t:.Ll L- .lbr ~1 voct, leitor , corno ui~
m que e requer a paci " ncia e a L

.. - -: r. pJr:1 n}o fahr d -1 sua imaginaçao e


utr . ..1b :1 :id,1 um de nós, leitores,
n1. r ..~ ~ :: jogo de linguagem - espon-
.. t:1111 e111 di p:1rat-1dos - da e pressão
rre ond ncia de C· rlos e Mário nos ofe-
L~

!t"re . ~ da um de nós bus ·u um fio condutor


'
e e hou · .. e, eria o re umo de vários fios
d. \·id:i ot' diana com eu impre istos, incer-
e _ . re, ·ira ·oit , arrufo , alegrias, temores, arre-
e...,confian :i in 1eja , padecimentos ... Todas a
en n1ento humano ali e tào e postas - como
o o 10 c:idi er - à ·i itaçào pública.
1

r ~ · n1plo. ten1 algo a ver com a solidão.'º Solidào


~ mo . ua leitura também . ( ossa solidào de
io de conhecimento para Carlos e Mário.
m :. lgo a ver com o desejo de comuni-
'l ' lnlO prt.'ci~a do llll strc quanto o mestre
u •lc: em este n~1o o · .) Ctrl 0 -"' é· um
que emik pedido: de socorro, iü_o
~l 1u -·lt que 111L rL'Cl amizade ~ SCF~
" , • •r '\'l' ( , ,trios
"lo me ·trrt l cnc lo , L~l .

dt lht h:l t r lll~l ntLtdo o meu =• rt tg~>


• r ' tr l •. Ele promo 'l u urn~l ·tpro ·1-
. . , ,· ,. .. ,.: ana -r sposta
u me mutlo prtlto~.l · .
. I t· t ' lr'Ch J>r ,cjsamos con/1-
b 11 Ja () - l l~ • 1 , . ,
f ·11, 1s equ1 oto:-i .l
1 •

r. a. H 1 p r i ~ oe s a . t re rn t • • ' .
l . -lo e como l..1r1<.
. O nr r da id"l de Car º!j n .
i 111"1 1n :L
. ,a rios prt l is.l.
• , . ·( . . . 1 vi 'º
num meio e•. · _
I tltn1 ·
11
lhl 11:H ~cc c.stranho e p o rnu ...
l
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. 'l l • a ,ti
.. .. . . 1) ·111 lti1H~c' ck•ss, lugare 10 han1·1ct t..:.
' • ll t :1 Ol'L \ 1\ l l ' ' 1 () n
• • 1 ) 1 . ,, , 1( )..s , i ' L' : .. L m h o rn rn. .a 1 d e l º . ~ l (
li n1.,,11 · ' i .. . 1 t-- l ./ t·
• • ,· / lJ 111 1 )li rro va I e C\ ag~1 r." ~lí. . 11,
' ' :t t 1, ,' • • . • ri e t .·
\. 11 ) 1 1 l tlL' ,.· ido,'.-; · 1.:1 ~1 outro, d iga a: n t: ir,- ,,,
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• t l r) 111<.:: iu t'fll que vive, cret 1nL· 1111() ,,. O
1
fll lljlltl . ' -;:.• ., ~·. • ()e
· ,11 ·, I, 1'- ·u1ur1.: ..s dt' peso, i e. ta-lhe o li ro-mcstte, r , ta-lh
, 11 . 1r, , 11.: -• r: 1 11l c
1
, ,s I i , r s d natole e s ua mo rte no 'l n
• ,., . . ; . · o en,
\p 1 1n t .. .
t·o rrespondenoa.
_ . . ·i't ,1
' • · I
ao
.
e isso. qu. e 1 1110 s- no
ma ' l ◄ ug · t "? o poema fala do escritor pro me tano, da Pura
L:iín~1l . que s}o O livros de Anatole, e do luto d o leitor:

Estou de luto por Anatole


France, o de Thai's, jóia soberba.
Não há cocaína, não h á m o rfi n a
igual a essa divin a j() L

papa-fina. p:1 r:
cu n
(Alguma p oesia).
fr ~l ll

novo mestre , que do moço reclama mocidade, a lição do


0
velho mestre, Anatole - o que recl am a sapiência da juYen-
rucle, como se lhe aplicasse cocaína . Esclarece Carlos a Mário:
es t
1 natole "me ensinou a duvidar, a sorrir e a n ão ser exigente
C:.t l
com a vida" .
A carta tem algo a ver com a solidão no exílio. O ar que o ou
mi sivista respira onde vive não é bom para a vida mental. A de.
província sufoca. Duas vezes náufrago. O missivista sonha no
com a p átria perdida, ou com a pátria que inventa. ada
p releu, tudo almeja. Dilata as narinas. Graças à leitura , o meio
em q ue Carlos vive se amplia. O horizonte determinado pela
, d ia el e montanhas, que coloca Belo Horizonte num vale. se
di tende: "Uma rua começa em Itabira, que vai dar em qualquer
po nto d a terra " ( !(América" , A rosa do povo). Continua a escla-
c.c ·r a Mário : "(. .. ) tenho uma estima bem medíocre pelo
p a no ra ma bras ileiro ". Confessa-lhe ser "mau cidadão."
P,. tri a d _. Carlos não é a perdida, nem é a que está metonin~i-
ca m ntc no pedaço do Brasil que é o Rio de Janeiro ou - 0
Pa ulo. Ca rlos ainda não é ''suficientemente brasileiro'' para
~ncontrar a solução na mudança de região. Em 1 ào o jorn -
hsta Chater,tu b nan·, d lh e oferece en1prego em São P u l ·

78
p [í r i "l cl ' e~\r i os l ~l ~1 l 11l t' ·:1d • . ,
l ,l . . l ( \\ 1(. \ 1
,nr- 11 l t.' ,_ , i son 110 s (, :tlt' cl i z<..' 1 , 1 Po , \' p11 •
• • l n.' s e ,t u t · 1 I' . )I' i li \ i< i
,r~lÇ as : to ;,;
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1 ,,. ) , c.b li\'
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.. . · · e · ri , <.1 ~,e) , k , . . · , 111
!")<H l l (. ,~11 l ,, . 11 ·1 l]lllj11'<Hl\ 1() 11<) ( l i ·s · . 1,1.s1,. 1nh •nt 11 d ei
• 1 1 ( ' 11 ( ) ( ) 1 11' ( 1l 1 l' li

" 111 l1 w 1 qu , t1h e> l, ·vv r·i n ·i s <· . . ( · · ~ q 11 v n:, ·


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1. 11 <.Jll1. \ f \f () llH:' (, t'Sl t · 11il . • . ' (.'() l) C l11 i :

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. .. . . ,u ~o u 11111 e· · ih 1
um t '..,~ tlado ." s~ iin · < <) 111 , :,;
, l f co m o "' ~llok f()i l(·i tci
,:1r o s n ~to oi fei t<) l) :-11 .,, 1 1.111 ~l S .
• 1 ;1,. l ( ·.:1r j () S, i" ( ·1·
!"W V il :1 .. .

~ litt r:1tura br...isi leira, essas cartas t·ilv ,. . .·. , .


. • \ . , . . . ,, ' (. (. /, S<.. j, ltn .l dt'S( II C \()
n· p1 ( 1sc.1 , tngrata e satisf-ttorh<- U<) "d csc
1'-
.
, n,-~11·1.;1m c nt o " ,
e e

d .'' dt ~p.J 1Sc.llnento" ' de q ue fa la Ma urice [>,..


)a lt-es pc 1() 1;id o
, ·1c 1on ~d1st.:1 , e Carlos pelo lado cosmopolt't'l
e.
D csc
'
r.., 1-, 11·•z~11nc nt o 1 ...

e d .-p~1isan1ento são altamente positivos, julga Ca rlos, se 0


·o v ,rn ive atolado n a p asmaceira da província. Ca rlos se abre
p·ua Mário e p ara si ao reconhecer su as raízes autóctones
e o,no falsas. Em fug a, busca as verdadeiras raízes nos livros
r~1nceses, como o viciado , a .cocaína ou a morfina.
lário se abre para Carlos e para si ao reiterar que as ra ízcs
francesas do mineiro é que são na verdade falsas, desde qu e
e ncaradas por outro viés - o da brasilidade. No fundo, Mário
e stá mais próximo da ideologia de Maurice Barres do que
, rios. O "mau cidadão", Carlos retruca: "há mil maneira - de
, e . A p ior é ser nacionalista". O diálogo continua, agora c m
o 1tro contexto, o da poesia, onde Carlos se mostra mcst~·e
dt , d , a primeira hora. Ao pé da letra, responde Carlos a Mano
no poen1a "Europa, França e Bahia":

Me us olhos brasileiros se fecham sau??~~s.


Minha boca procura a "Canção do~ .11 ~,0 ·
Como e ra mesmo a anç ~0 do E 1ho ?
"C · a
Eu tão esquecido da minha terra ...
Ai te rra que t m palmeiras
ond canta o sabiá!
:- ticl do parado o
. uez'-l se111~1n '
tamb / 111 re,po,ule pe lª nq '
pcPti 'O:
le nós!
., Está farto ( , B ·t ·il
O Brasil não nos quet · Este não e O ~· '. ?
u -· 1 é no outro mundo. . . - os brastlt ,ro ..
Nos ' O uras1 . ., E acaso ex1st1r~o ,
Nenhum Brasil existe.
1u :nt:1 - que escreve para Mãr·
, . , to, C~trl<
1 1..:r:1turn co rn o mcansavel gene 1 . > •
.11-:1 ra ,iz s tm p ,1p I diferente
. ao c1,
ª ogist<l , Cju
• 1 c 1..: me• 1~,10 e 1~is né- o estão consig , ª cerr1da,J
. nadas
u 1 1 r:1ngu<:'
urn cl1a estarão O 'cl P(>~·s · l 'rnas '
. ·..:.: J~ ( (:
- t.:lll 1t ~thir. elo 1 [ato Dentro (ver, _Carl<>s
. d SCrie I
particular o poema "Raiz" f.J ce
, e 94ri
"'~ de perd r'. reza o poema sobre O pai 1; JJ .
. C l .b,, . . esct~,
1 dernisw. ar os tam em se desenha a I. ª
s J)a ra ,
,
mo etnologo,
11 ,
e tomamos ao pe da letra a d ª
l c<l e. LC1p ma no d,
l i 1· a Cl au d e L,,ev1-Strauss:
. '· ( eíi-
_j _ p JenJ. se definir como uma técnka do desp• ... ) ª
~,...,.,.,...._~ oh
• at~a-
At tropologia estrutural). O genealogista e O etnólo Cn
. L.,s.~m na per onalidade poétic_a de Carlos. O etnó]o!~ •vc
~e ~pJ1 -_ mento) upre o genealogista (desenraizamento). l]lL'
()
P ra o primeiro Carlos, as verdadeiras raízes não estão no ., D
B - J. e rào lá ; em ' países imaginários, fáceis de habitar". Se
1

cb
e_r- o lá. é preciso que o poeta abandone o que o enraíza
qui. O jogo de troca-troca ("Troque. Vá trocando. Passe a
perna. se po ível") é marca registrada da poesia drummon-
d1ana. Exemplos: "E a gente viajando na pátria sente saudade
da pátria·· - '~ To elevador penso na roça,/ na roça penso no
ele,-ador. ,. O poema de onde foram extraídos esses versos se
chama ·· Explicação " (Alguma poesia). Outro exemplo: "João se
amava Teresa que amava Raimundo/ que amava Maria que e~\
ama,·a Joaquim que amava Lili/ que não amava ninguém." Os ju s
\·er os ão do poema "Quadrilha". Os versos drummondianos fél '/..

e prolongam no discípulo João Cabral de Melo Neto, que tudo vid


entende. Leiamos trecho de "Os três mal-amados", que traz víc l
Cd l
epígrafe tomada de empréstimo a "Quadrilha":

Jüaq im:
() tim ..Jf comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor
(. J!TICU minha certidão de idade, minha genealogia, meu endere,,o.
·
O , inr;r omcu meu~ cartões de visita. O amor veto eco meu to(O
r; f)t.tpéis onde eu C:'.screvera meu nome.

f beto I .. J
/Ja caJJo: l Jma letra procura/ o calor e1o a l ª · .
si por 1,
. as C> alfa b ·tCJ existe/ fora de q uai quer letra, / em '" '
11
na gra a/ de existir, na miséria/ de não ser decifrado/ 01
01
que ·ja amado.,, bs o drama do náufrago-em-ling~''l~
letra ba tarda está a procura da sociabilidade l

8
odo- · ·n r-
o r
de 1 opa ado
,. e
cem - de p e · o . - Ó
11 , , 11 1( J

·eri ~1
pe l,1 e1u., '
· O<, ro 1
pe<leff' cc
so n11étncl
cornP' r ti
oLl a f-21z
de 7~ro!
1li I u1 1 i ,
soltos: ''
1, 111, • , 11 iir 11) • {J pcs '1 sobre a poe~ ia de Carlos
111 L1 < rü , 0 B ras i1 '
,url , Jt- Aur 1"1rk a pr;c~ ia re n a~ce nti ta portuguesa, Bras il " ,
1 • M 11 ~1,1<h J Ci1n1rJr_:J, r1u c ~c rc1 rec upe rada explicita- fi n a l d e>
' , 1 • i i1 , • «·, , r /111·r) ,,,, i/trna, r rJtn (J p()una " A máquina do mundo", à in sig n
11,1 , , • .. . , , JI i, r í t dr) /r;j)/J , qu e: ')•· ·numt.ra no ca nto 9 de Os
l ~\ p
/'J 1111< ·I · r.. Jilü f. r)k1 r:r id(J < orno prémio a Vasco da de rn a n
, 111,
1, ·l,1. , ·11 . f<·llr; •, <1 ((1nl1<.: < ím e nto divino do mundo . d e qu e
N'1 I · ~1 ln d, · 191.(J, ' i JJJ íJIJi1/. da pr1 ·s ia drummondiana ainda pre rn a t
r, r. 1, ,11/1 uh p1·l<1 t11Jl! \ VJ <fa tnáquina do mundo - o
ro, , , ,,1r) rir, 1111tr1dr) l<·mí.J da famo~a oitava de mesmo
1

·, Alí 1 ·<>d ·· ·w1 c<·1I<; d<J mundo que: empre trabalha


1

1, , r • .,,,, r,
1,> <k 1ll<,pi í1 gratuHa n~1 poesia d Carlos
Ji.r 1 , ir 1:1 , Jt , An t (, IJ í, > .J <J -~ (: Sara i va , 1 n d o a 1íri ca
1,

• 11 ' 1 , ;díd ;1d1 · ;i l,í1 ·r:uq1iia , íaP lhn '' regimento


" 1• ·· ,1ilu111d,, d1 · 11 11111 'mtigo at 11 so " < u ., ✓ o muo<lo
' líi',~trJJ p:11 u. sao o
d qu r r
l, 1d(J/ , , ,r P' suncu a .

' 1
1 -l ~t o v 11lgo rrno vale mais; cm vez ele se .,
·
g 111 . 1-." t::
" · .,
p()1 · urn ~t or1n1 ~10 ~ usança ant ·
' ,,guiar pela raza
, 0,
iga . Per~u -1din l
d e c111t o 1111111llo l 'S l 1Í cnc.lcnado ele ma . , , ' e e.o-se
·. ,. .. neira cl favorecer .
, ' 111 . • 11 2 ( , 111HH: S qu1.: tt·.s ol cu razer-se ma os
, .. • ., u como os outros.
11 1. 1 1 1 g t , ,il s 1.. · mo~t rou verdadei ,
ra , porque foi

t . 1111<) 1b11<> , ;, ·mpre sublinhado na leitura


1. 11 ., < 1~1 < >it ~1v~1 ··o desconcerto do mundo"
, não
d I u rn mondia na elo mundo a ser
11·~11 ~1l~1nc ~1- 0 uma nota de esperança. A espe-
·h i t1.> c.lu hum H? Talvez . Relembremos o verso do
1a:1 c.l 1,-., e: k·s f"~1c ·. ": " (. .. ) se eu me chamasse Raimundo/
a u 1 1~1 seri a uma solução." É efeito do gosto
i lll ; t , 11 ~10
di d( 1 id ·1 qu · c1 ,<,con trói a religião? Leiamos "Romaria":
ro 111t.::· iro pedem com os olhos,/ pedem com a boca ,
J 1 l >111 as n1àos./ Jesus já cansado de tanto pedido/ dorme

• t 11h ~ nclo com outra humanidade." É efeito do nacionalismo,

<. >1171 :1rtilhado com os pares modernistas, força centrífuga que

u s ~1 fazer tabula rasa e inventar a nação brasileira a partir


lc zero? Leiamos "Hino Nacional" através de alguns versos
, oito, : "Precisamos descobrir o Brasil! ", "Precisamos colonizar
o Bra il", "Precisamos educar o Brasil", "Precisamos louvar o
Brasil", "Precisamos adorar o Brasil!". Versos soltos que, ao
inaI do poema, passam pela matriz do desajuste e se recolhem
a in ignificância: "Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!"
la poesia de Carlos o desconcerto do mundo se manifesta
d°' maneira mais evidente através de um inventário das perdas,
ele que o melhor exemplo é a carta 58, onde fala da morte
pr maturíssima do filho em 1927:

,nern Meu filhinho viveu apenas meia hora. Nasceu às 4 e 15 da


rabalh tarde e morreu às 4 e 45. O médico disse que era hepatite
1uética congênita. Mas parece que ele morreu de asfixia.
cario Fiquei tão alegre vendo-o nascer e sabendo que era homem
a JíriC3 que nem reparei no que se estava passando e foi o seguinte:
o m ·nino nasceu roxo, ansiado, e sem chorar, gemendo
a penas . Logo o puseram numa bacia de banho e ali a parteira
0 batizou, na minha frente, sem que eu vi se. Depois de

vestido, fechou os olhos, eu pensei que estivesse dormindo ,


Dolores disse que estava com um pressentimento que l ·
tinha morrido.
, ,1 \ l

p'r.l l r

' ' l\ \ 1

e :-ez r -
ombr:1 pen rrei.
ó o 1 g a r '.'"' C:2e1
Da fon e -ec ~nú rll Je , e rer. Li , \
Pra quê poi:. afei~' o. ·:per.1 n _.1.
e peco :ogo
Q'""'e as u o , a cau~a p'ra a - u ·ar.
e tê-la abe a não a ter?
C:-er ou amar -
Até a raiz . do p eito o n de 1lberguei
Tais sonho e o goze i
O \·ento arranq ue e leYe o nde qu i -er
E eu os não p o a achar!

❖ ❖ ❖

J.,ni r,étrf( se, !Jário não há o desígnio da participa ~o po\i-


-ra idáría. A 1 i ta do i tema político-partid1rio m :.díOL r ,
t riza a hL tória social brasileira, a , i ta da tr:in:ito-
prrJgr' ma revolucionários ele caf'Íter planetl1ri)
s(Jlídarí dade universal e peh olid: o dopo ta
d ada indivíduo na maioridade) . De ~nl -
l ia -se r l<J 1 ·n JS > poema "Mãos dada ' em 11tim Jll f( d
mundo; d ~ Mário leia- pelo meno o poema un· t

~()zinho 11
m Lira pau/istana. 1 Optam p 1
,
lrn

R4
o
d1-

() .!
p der· a er id ntifi-
a asalv-çãr;
me pre JCUpado
o padre deixo incom-
e larecedor da p( icõe
cilre em mpoL de pe te' pode
e dado ao médi o o direito de
um cristão e de receber erisinamemo
como o foi. E cre,·e-ihe Carlos : "Vo~
e uma confi são geral que não fiz ao padre
mbora eja católico, acho que este senhor não tem
m minha ida. E ua carta é que proYoca esta confissão.
o.: o ho mofüados o que \rocê me mandou dizer. E
foi bom para mim. gora e tou mais co solado. Você
grande peso do coração.··
C r o.; · _ ário: corpo & alma, saúde & sahraçào. A paixão
- ·da - a de,·oçào cri tà. Carlos Drummond: -E sem alma,
orpo Claro enigma)
o p opriamente político-partidário, os dois optam
r o a e não pela ação ou pelo discurso de teor panfle-
.-r·o pop h a ou doutrinário. eremos todo cidadão . ou
o mo . Op am pela ação com \Tistas a um amplo e liber-
o p oj o e ral para o Bra il. re\·e tido nece :iriamente
luc·onária na área da educaçio pública. 1 ·o plano
ad 1 ou federal, cultura e educa io ào o
ocial, e n: o . política afin:ida
que . credic \ am n~ ieut1·alidade
-- d ca ão pel arte? d:i ·nte pel
- u. ~ urr -no , 0 credo moder-
o bi: oito fio que fabrico."
tid p lítico fi · m pró-
. p lo' azares
na n e~- idade de
em cratiz r a dm· -
o o n ó io do E t do e in ti{Uiç- e ú li
11 1·
;.:1 t ·rr;
1 ' ,, í r1 r Ir II L
• , _"7 rr1
j ~ i Ir) ,
r1 { ; 1/ <j11, · f1 (1 <l '" r1trr> (\,
1 , . 1 ·, < I ' 1< ~1 l il > • r , l ; 1 ( 1, J n r I j vi
, 11 , ·, •r l111rr1 ~111 J < ,<>líl'> ( ,;u\ i 'JS

'" '' 1,:1r ~1 v 1v , · r ,·n1 rc l,~inh(J h - 8 ,~


11 t •, ~1j~11' fllllrl j>l<>J< · I<> (()lrl\ ni st;.1, ITl í-JS
. 1< 1, , , 1, · , e < >1, , , t n ~ 1.', h l ~ < 1~, , ~1 1 1t ( J r i t {ir ia
11 1 1 1 8
11 ,-, , ,, c, 11 q11 :1ndc, ~'<> 0<Jlf jé1 o a c <>rel e
<> < <>r: ,<

1 1. , 111 . , , , p t , • r " >1~; , t i v; 1 ·, d<> nau nâ o a in j u 8 _

<) :11, ~ tlhl H' ti :: 111<> ) ~•o ; dc ,<-, rnan<lo~ c.k cla <;se )

.1 11()1 < > p <':;:; ilni .·;t~, ( ~qwn a.c, menos otjmi sta

. tllh<'II<> :, d< · J~<· 1; 1( ; l() .

111 11.1 <) ,' ,q . 11 :1.~ 111 :1< :) - p ;1t' 1 rctornélr a e xpre sã o
IH l.1 ftli ~, ·: 10 p11r;1 <' ,; impl< ·s i , d ·t e rminado partido
1' ' i, ' 0 11P l nl ~tl\t() do ,i t,<; t('1n :1 no pod r s · aproximam por
,111 1

l,w, , ,,·s ·: , , •p111pl< 111< nt :11< s < d<. ·s~1just;1dos . Ambos acreditam
tt < H1 ~1.-; d , S<'j~,, 11 :1.s 11 ;1rocs <'tn vias de desenvolvi-
<)ti

b-; t ,do (' o prindp;tl L1tor de modernizaçao. li-


, l I n n 11 : 1m . t."l p ;1b v r;, s d t • ( ; <•t <d i o V a r g as , e o mo ali -

11 t. 111 1111 l 1dnt 111.,ri:1111 :1s p :1L1vr;1s d<· Ju ;1n P rón e de Lázaro
< .1 1d 11 :1.~ . 1 p1i1nn1 :11 :t 111 ;'1 quin ;1 do Est;1do significa melhorar

, 111 1 ,rh 1111t · 11t<· :1 <'ondic.:: 10 de vid ;t do cidacE10 brasileiro .


. P< r lllll Lido, cm virtuck da profissão
:, pro: i rn :1111 do p ;t rt ido político que st[t
:10 St·rvidorvs públicos. Por outro lado

/ do. ' p ~1rt1<.l<>s m luta na an: n't política ,


p ti , ~ ~,r · 111 ~, p <> l li i ·: 1 : , t r; 1 e..-· s d us (> · u los d a é ti e •
<H ' 1ilu, o bifocai. tlibr't<.hs p h
,,,,, . l>at . qu r
l
l< 1 1 'l 101 ·11tista
> ll 1 !<Hl.11 1 11ti 1 > 1 olJti o t n d
.la figur,. d a co nLradic~ 0 (pré • .
P - 1 - ~ • nno c1 tst·1nte)
fl,. ur d- rac ~ :. ) IT1u1to/ pouco) . E nttc . ' ..
os val
, quanto r.cl ·
J' ,l
,. , j· ' c!it' lc > e icl ~H..l élo no phn) . d . . ores ele sobrtvi-
1 >11 1
, . . .. .
a i < s 1 1 t l 1( ~1 no ph no e 1 , .
'- e 1n i, L

idual -
, e os valores
· o ctivo, Carl , ,
( i1n ch1r '%él pois ·ss, l . os e Mario
, , ~ e o is gru n d
l i ~ll()l"i ,,os eva1ores
• > - ( e>ll t r; l cl Í I (n1 o r ,

11 11v"1I I ~1I11pc,u C> _ d , . .,.. ambtgt10 , é


t xpc 11 •nch; íl
11 , ll .1, <>111 :,cle fc , L ·· t de s . 1· .. e re exào
.. J , imcc ICl/is/ar;; ,
, l t nlo ' 10s qu , procunm s . \. . . , , rna~ que
e ' e rouu tecer f
<... 1() ·e<I l dos cl1a'- rnamento[) .
:1 LI rg ê n b ace
r

>111pl .. ·o ~e torna o d scompa,


• . e sso entre servidor
li < . ·e rn p ], r . e ~ntl. ta comprometíd 0 , f ace ao Estado ..
rnuz...- 1clo r e l1tatonal quando se atenta
~ ' para o f ato de
u 1 cb rnento da construção da personalidade úbl·
1 1 M,, . ,, l p ica
, r s :, e 1 ano e a iteratura. (Note-se, nas cartas d
. . '"' . e
; a 1 ns1stenc1a em grifar o verbo ser.) As peças literárias
produzem comportam uma nítida e indiscutível opção
[ t rne lhoria da condição cultural, social, política e econô-
1 i '"1 das classes populares, daqui e de qualquer região do
1

0 1 bo. Esse outro descompasso - entre as idéias revolucio-


n., ria , expressas na obra literária, e as atitudes conserva-
i ra , assumidas no cotidiano pelo servidor - é visto como
ve r onhoso pelos radicais de plantão, tanto os de direita
1
u,.1nto os de esquerda, para retomar a dicotomia da época.
e undo os primeiros, o funcionário público exemplar tem
d1 renegar em público a sua produção literária para continuar
a ze r parte do grupo político alçado ao poder no Estado ou
n' nação. Segundo os outros, o grande poeta tem de abdicar
da sua função no serviço público, sempre circunscrita pelas
ontingéncias dos grupos políticos no poder, e assumir a
1p rfícj da palavra poética que produz e divulga. No inter:-
! í i<> e n tr os dois planos é que brotam e se espraia1n as pole-
. . . ,, ·mas vezes públicas),
( 1nu1tas delas 1ntest1nas e ranss1 .
,, . d' a carreira prof 1s-
, as e éL represahas, que asse iaran1
,, . A . entário das perdas
lit ~rária de Carlos e Mano. 0 inv ,
,1 das derrotas no p 1ano
no plano privado se soma o cata ogo ~
I (d Ji o.
,, . . - , l var vantagen1 en1 tudo.
Carlos · Mano nao conseguem e a~o e,, forte)
.; (a palavra n
No caso · de Mário ' cite-se · a expu ls,io de Cultura d O E.. ·t ., d
do cargo de diretor do Departan1ento lhO m ·u 1
d . ário traba e
d São Paulo ao meio de extraor in
'
r
'---
. coc.;n2,.r:e~ ___,,
a ' ·a c:3.- i):-óp ~ ~
[ re
v n ~agem, como e q . ..,
de er co ceb~do como o
nc anw como e f o e mer
ca a ão e. ·ce ~eme documenco e :in i.=e d ~-
ida oúblka do~ dois grande poeu . _-eL - -e ete t.
J narcisista pelo p a lanque e o holofote. m~ i~· g1.. ~- i)
pela exp icaçào e a justifícath·a por e t:irem n i e~· t} .
go to pelas benesse que enriquecem. nui - J
a J rabalho público que enobrece.
s ·m cr m o a vida literária, a Yida públi a de C: rio: t'
,- r· ,. cr)I e sob o igno da amizJde. Em 192 . qu ~n
R ,ui ta de A nlropofagia <leia- e: O wald de ~ ndrade) d ni re
,- r' r J, ,a rJ J e< m1 pra briga com O ·ald e ·ocorre o ' mi
· Jig- e - · da rc i ta e hipotecando solidaried: d : ··p ra
' a lit ·ratura não vale uma boa amizade . con:~i 0 •
: 1 ta --tl cn-,. A.ssírn sendo, quando Cario e ário e n-
v ' ' r 1 w <H I o outn não há a nece sidade de ac rc. r
1 1

,n ·17.i nr ·n1 <.: nt · o~ ponteiro para e itar o mal-ent ndid ·


l\ ( •
)j " 1 •1 : l 1) . 1 1\ . dl•
11 l d\ 1 \ )1 1 t 111· •11\) l I i t' 11, \
' l. .1 '
lil q l' \ l l l l l l l l l. ' 1' l)\ \ I •
' l'I.. ' ll ~lt ~
i 1.. l . 1 d 1 • • 11 Il ) 1
) l:'1111)1 ' , '() l)lil)\1( () ()111()

•trti t :I "() l)l ' j1 ' 11l ' lllll 1\\\) l. 11ll'\I

.1 i ..... , · 1 q l1111t11 t1.: · 1111)<.) llll1 ~1r · 1 1.: ·ss 1.. · lt11nult) , " ) Ein
< 1 i lt.:· ra ljllt.:' :1 kl :1d1.:: do .1t1i :"1 :1. 11 ~l qlnlid ·i1.:k
:11i
1, i 1.. o r !"HÍ h I t u ) . 11 .1 o d 1.: l ' t r :1d u i' 1r ~ 1v .1u p o 11t k p.1 ,. 1i_ 1.. ) _

111 1-- ~u ll '-" de, L ru.· uhiir-sc p -lo, pritH. tpio s d ~, ": iit1.:· '--k
1,.l< p l:1 : 11lL ... ( "O Dcp:1rumcnto, inh:1 nh.. t1r:11 d<.) imp:,.--~.
L 1 · i:111t t, ~10 mc-s1no t . . m.po em qu cb a Jo escritor sui<. id.idu
111 1 1 o n1 i nuidack objetiv . 1 8 su:1 ·artl: de .1~::10· p ,1., ~lrt1..•.")

❖ ❖ ❖

J Jo há o desígnio de participa~·ào político-p~trtilhrb l m


C:trio, e Mário. Se ela 'lCOnt ce - e acont ct u muiLts l Zl s
no decorrer de décadas-, duas figuras sobn.ssaL\111 1u :pli-
ca ·~1o que nos é dada, tanto por Carlos qtnnto por Líri(.).
1 Jomcen1os as duas figuras: o sorteado o eleito. Sortca lo pl lo
~~ c"1so. Eleito pela con1petencia. Sorteado ou l. kito, o Jrti:l·t
·1u 1ha por aceitar cargo público por s filiar (indirl t·tmt nte.
n"o me engano) a partido político qu dcspr 'Z 'l, ou m que
r ao ;1credita totaltnente. A filiaçao (indirl. ta, rt p timo:) : d.t
1-
. r npr atrétvés de utn canal esptcífiu, - o jornal. O jon ~l -
1i. mo, jornalisrno cultural, n.:'.aliza o rito d pas:·1g m.
Dcsd 1921, Cario~· colabora no l iâ1 io te 1\fin ':l:, org 10
do Partido Rt puhlictno Min iro t, 111 1926, f-lr 1 l 1rt ' h
r da -ao. 1) ·sele 1927, Mário colabora no l i:ni> ir~ 1
(J1gao e1o Partido 1) 111ocLtttco, . • l
l'ITlt o t 111 )J o.
·i "Ü) ··1 ) P·trt 1 i
J> ) t 1· 1· , l - . , > •· • l > ,H t •1 nti. l
' J u ) 1c1 no Pau 1sta. Ca r os -. r-u· 1 'l, ~e 1 1
1

.
111 ine . . 1 . l .. l . b l l u "l
iro.- e: Sl r{1 e >nd 1z1t o a · tnn 1 11 ·
50, confonne at sta o poenYt .. ()utut r ) ( O
m \ntt un Algurna poe~ ia '< 111 ·1 u r r
·r1lis1;1 rir> p<>( • l ~1J M{1rl<> LSl,trft ass ,•
<)( l ' l \
, s ,. .r(, < C> n l11.1:1cl<> ,..1') trinchcir -, " C.<) ;ir.
L " ~ de >,
• ,
11
• 1 ') ·'S'L e J pi íin< 1ro ~H ,1 l)a por s. > rnciv I•
1 ~,
r,r.1 111 • ., • • l l : nv A
,cli, 1' , , •x p •n('n< l i l <.:s t~Hlu ,il u ()lvlr JJ (
,, f r ' i , , >rn o Dr . '
1 ' i< , , , () • ( °5' \Jfl<i<> ;1 ·;il>é..l f)<>r Sê ())(:\(
.1 1 1a ' . 'i , , • • ,. . ,n Yc I i tLI
H Jf/ ,1-t I h j>l ' fl n< l ' I n · g1()n~i1 (()J"n ) Ytr
111 ; 1 1 < 1 > ' . ' , 1 () p .. , r,1
l li ili •
,, 1\1111,<> ,
'
«, 11 1<> <.:.'-l t, iino<-, <..;~ dien1 ·• n I
u l() dr<)Kt(i r~i1
1~' 1 rir, pl :1r1<> ptiJ,ljc <> cin qu<.: se hu~c- '. l'.~tn. eu
• . d , nte ,
,<> ~1 < 1Jlt1tr<, a c.xlucac10 .
,i : i< Í<> Ti ,_1 1 • grar
l 'o
s ·r ,Jmíg<> de um constituuo .
l .
na li~ta·, tril h ~1
lll ir, 11 ·1lí s t~1 J)<>( I s<.: r amigo e<.: um ten,·nt·
1(
or ' . . '-- 1st~f> 1\ rvtário
, s clii·,.s f)c rgunta <-; trnz ét haiJa dois moment ·
í l "
1 ,
,
1, r ~' :11111z~1clc d· Cdr]()') e Mano.
, ,. . º~ dt\i, depoi
list a.
,: rlr>s cs l ~ crn BélfbéJc<.:na em outubro de 1930. Faz f t
.,, · • · 16 W h. Partt
as mgtcm Lui's, , pre~ .-
1• ' rr·v(;Juuonanas
r r ; >'J"> ~
mineiras.
. 1
pater
•r l<..: cJ, 1 J<cpi.'.Jl>lica, tinha s~do deposto no Rio de Janeiro. ''A té
s . 1 prii 1ciro pcns~mento foi tel e fonar do quartel-general d ser a
trr)p~ rnínc:ira para Mário, que estava do lado dos perdedor ª para
es.
, () t •rnc;<, docum<::nto da faJa de Carlos, datado da época. A em
s 1"' foi~ , () cJí á ]ogo entre os dois está transcrito na cana em
riu . M~ri(; L1grt1dccc o telefonema do amigo, datada de 24 de
a e '
s . e rn />r<; ele 1930. O telcfonema acaricia os dias tristes por
do/e
1 1 .:. pa <,<,éJ a famfHa d Má do, já que seu irmão, Carlos de
trab
Mr; r éJÍ<, AncJracJc, está preso, e os familiares seguidos na rua
an1<
pr;r w1e,retas. Mário reage com dignidade ao carinho fraterno
em.
/ i • j11 stifíca o telefonema: "Quanto ao bem moral que você
da
rri ... f ('%, isso não se conta nem raga. Afinal sempre é triste a
g nf e ( <Jn<-it~tar o a vacalhamento moral a que os pau li ta
rinknn ãtingido. Toda a riqueza bonita e feitos nossos, conver- arr~
ríd< ;<-i n() que fomos nesta Revolução [a de 30], é triste.''
A si111a\·a<> n~o se repete em novembro de 1932. Mário e tá
1
< 111 ~;J< > J>;u do. De novo, está do lado dos perdedore,. l 0 dia

0 d<· rH Jvcrnhro daquele ano, endereça carta a Carlos, cujas


pala vr~ts s •riétm consjdcradé1s inconvenientes e até gros eira
m1<> tiv ss<.;m sido ditadas pela paixão desmedida e a cegueira
n1 m1 "nlftn ·a: "Você, Carlos, perdoe uni ser descalibrado. te
, '' ca ·tig<J de vjver sempre apaixonadatn nt a toda hor
·rn qualq r minuto, qu é o sentido da minha
I íd ·
rnom ·nto, <.'U faria tud >, daria tudo pra ' , e Paul,> Prr
lo Brasil. <. .. ) Jamais m f-tlt u o instinto d lid n

')('
_um r ~1r ~17 d " pc n de n ll' da ffH.:·~: d :1
l:.'1 : l

L1 r to 11 o dia p ri me i r O d , ah r il d e 1 2 () :
11 j c.: 11 · 10 g ~inh i um \'int ' m com :i mi n ha nn() , • 1 ll ,\(_)
l 1 "-

r 1 1 , 1t co hr ' ela Noite [paoamento


b
dos -1<- 1·rt·gc)..:" CSCrt· l os
·1 . ~t c?io o '' Mê Modernista ''] e um o utro m nor ai nda
lk· lo l1o rizonte . ATÉHOJEVIVO ÀCUSTA DE 1EUP I".
e 11 iss J o é dolorosa para u m h o me m d e 23 anos, recé m -
~L . do e formado em farmácia, pouco disp osto no e ntanto
t: ~·u-cer a profissão. Carlos te nta se compreende r na sua

;ler! uita: "(. .. ) não sei por que essa minha incapacidade d e
[n h~dhar. Talvez d evido à criação cheia de mimo , às doçu ra
, mo lecentes d e minha m ãe e à condescendência , disfarçada
e rn ec ura , de n1e u p a i. .. O certo é que me acho zonzo diante
J, v ida , e à 1nercê dos a contecimentos. " Zonzo e à mercê dos
~1co ntecimen tos, p a rtira para Itabira , disposto a tocar com o
frn . :- o a faze nda que tinha herdado. Fracassa. O irmão lhe
- rr· nja urn lugar de professor de geografia no colégio local.
T rn de levar às pressas a esposa a Belo Horizonte , em virtude
do e ·tacio ci e sa úde delicado, grávida que está do primeiro
ál ho . Hcgre sa s ozinho a Itabira: "Deixei minha mulher em
1 ,Jo Horizon te, a conselho 1nédico, e vitn ca ar a rida . De
nCJ vo no buraco , Má rio! E de cabeça pra baixo. ''
1t ssa e n c ruzilhada ela vida, zonzo e à tnercê dos aconte-
i, 1 ~ntos, é s orteado pelo acaso e1n outubro do mesmo ano :
., m ~unigo . ·
ca n1a rac1a 1ne arranJOU un1 lttg'tt·
, (le redator no
.
Viário de Minas, jornalzinho do PRM, ele sorte que larguei~
. pra pegar no o f 1e1a
ge ogra fia .
' . 11s1no. " o amigo _can1arada
Alberto Campos, irmão de Francisco Can1pos. entao se cr t'í ri(
t , , 1· 11 n rn i n l:.' i r o e f u tu , 0 tO d
· l --i l '
,..:
, " : l l l l t l: ~ ~ ·a tan1]) ' p ( ) l •I l
,,. 1 ' ' ,] ,1 J LI s t 1·
,
( ) -

. . -- - , em au
1 ,, , •• (, p ~1rt ido nao e do agrado , _ t<Jr ela
, e.1..\ t i .1
· nt1111<.:.' ros1ss1rnas as , . <-= •• J
. Crt l ICas
n 11 e , 1s t : 1 , -1 o e O n ~ e · qu
t' .. rvador 1
,111 r c <1 0 l' do se u :1grac.lo E '->n1 ()
• A. • ~111 tnt

~ ,l. ~ t ,111 ·s :1 :1 itnporta rn. ta e.lo jorna1zinl ri_:-.


1l ,: t 1·1·' '- :1: 1..:' l·orno qu e ' l "antecipac 1 d lO_C)lt e::
. .. e. o a \..l .
t il l'l l l:1r1 :1 c orn erto prazer · 0 • nica
. Jornali~
~ l l <..' t1,·1( ) pu c.le faz r como desejava _rn u
, 111 1 l.... n 11 t ' l e1e m I m ,
. r·
1que i se n d O }.
POts
, l .'
a l

0 rna ~t
1
, riu I d o l)R t 11 {1 membro do quadro buro , '. ª
cratico
p 1rc ntetnente sen1 nexo com a p,01 -.
. . . , 1t1ca ..
-i pulo 1ntnnsecamente o liga a ela
, o ata

ecta ti ras , Mário passa de perdedor na


, 1 : tit 1 i n . dL-- u a encedor na política paulista.
r n : L1. . - de amizade e fraternidade com ilustres
- -. p 1r: , n 11 n ionar o irmão Carlos, que era mili-
il l ri1 1 "ira ho ra . Ern 1935 erá por eles eleito pela
u 1 Du . .ute a presenta !vlário ao prefeito de
r 1 l , no n101nento em que este organiza 0
...· c:111 gra nde e1npecilhos, Mário é nomeado
dir t r d Departan1ento de Cultura. O fato
1rt.. a Carlos , datada de 19 de setembro de
Pr do onfiou en1 nlin1, pôs 1nesmo em mim
1 1 1ir: ·el de genero idade . Eu fui muito
qu . . nd l falou o n1eu no1ne, e ele fincou o pé
nta _J poderosí sin1a da política. O Fábio
n1nordial n'l !vlunicipalidade, lidando com
L e indi -íduo,' e u ne1n p rtencia ao partido!"'-
1

•••••
♦ •
' 1 ·v,. .' t,


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~lqu1 l',\ l :10 p :1r,1 e /11 c idor t ·.-.,st · cn1 :1<pi ·li- p <rnl <>
c n L1s um ., depoi s da rnllrí1. S(J p ~11 • paVit
1:1 1 ~ts n o ras ou re le mbrar p assagem d es ta intr()dti < ~H>
1~11Hlo ,1c h :1r qu e o controk se m J nli co do texto es t{i sc nd<~
1 t·judic1do p o r fa lt ~1 d e re ferê·ncia que pode a lumi a r ponte>~
>h~n ,ros d o ca minho qu e stá sendo trilhG1do .

(Prefácio . Carlos & Mário . Rio de JaneircJ:


Editora IknHe- vi , 2002 )

JOT S

1
V r n o ta a ca rta 104, ond Mário distingue o e scre ver a mao do bat e r ·
,,11q uina.

U·i ~1-.sc: "N:10 se pode adquirir uma técnica, ou habilichde profis siona l,
111 1.:: . e rt reio; nao se pode tampouco ,1prcnder a arte de viver , a techw:>

!ou /J io 11 , se 111 uma askcsis qm é preciso entcm.ler como um trdnam ·n« > d
1

si J or si lll<: Slllo ( ... )". " L'(criturc de soi " . CotJ)S ecn'I. Pr ·ss ·s llni w rs ita irts
j ~ F r:1ll ( t ' ft. V l" r ' j f() 198 3 .

O p~1no d e ftindo da nossa análise, no tocant · a e.,· e'iSO, mhra e ,;acrifíci(J,


lo i ( :-; l>o ·ado prim e iro por (;eorg s Bataillc em A no\,fJO dl' despe a (Ric <l
}' IH iro: 1111ago, 197C., ), livro que s • inspira, por sua ;z, no Fn aio olm
0 dom , forma arcaica da /roca, do antropólogo 1 an I Mauss .
1
i\farjo pre.-,sentia eerto aristocratismo m C'lrlos . 1~m 1926, n
em que, formado em Farm{1cia, Carlos d ·e id · ir ganh'H a i I·
volt1 a aconselhá-lo: ''Voe(· aí proc. urc.: , <: dar e H11 t< d:
\ll j 1 . tl •
1)( )1
d.: J
' " l ' ~' t
1) ~I l
\.. () 1

9
'a certa Carlos subscreveria estas palavras de Manuel Bandeira , obre hno·
·' Foi, me parece, a última grande influência qu recebi: o que vi e: lt
depois disso já me encontrou calcificado em minha n1aneira udiniti\'J -
J!inerário de Pasárgada. Rio de Janeiro: Livraria São Jo , , 1957 _
10
Para se enrender corretamente o sentido da pahvra, leia-st? o pocm.t
· América··. A rosa do povo. ln: Poesia completa. Rio de J:meiro: Editora
. ;o\,·a guilar, 2002. Edição do Centenário ... Portanto, po, sível dL·tribuir
minha solidão, torná-la meio de conhecimento. Port·1nto, solid:'lo 0 p.ll:n m
U(: amor."
u Carlos e Mário são etnólogos. Oswald de Andrade, b ·1sta unn lcilur:t d·
,,Jemórias sentimentais de João .Mim mar, , o uiajante. Fle dt':l'l)lm. l)
Br- ~i l na Place de Clichy, em Paris, no "umbigo do mundo". n@<.) .1
qualificou acertadamente Paulo Prado.
12 Como exemplo do que estamo .. entendendo por ínt'e11t n. :oh o im1 lfl(
lo r~racio ,'o, lei·11n-se este versos de "Como um prL:entt. ··:··ti 1,,/1
erro amarmos assim nossos par(.>11/es.·' A ide111ididt do stm_111e
cudeia,/ fora melhor rompê-la. Procurar nu,,, par 1 1lfe_- "ª
A- 1,1,
que jtcar neste mrmictjJío, neste sobrenome?/ ( ... Qu ,_- •m tlbrir um i"
oararo túnel, la,;~ar minha term ,I passando por I tli. ·o 'it .- ti, P' I '
lcwouras, d I eterna a1;ih1cía de corr )io,1 e in:tugur:1r n wo_. m t·nr,.n,·,t1ti
uma 11m a cidade" (Grifo no:so).
1
rosa do J m· . oJ. dl .. p. l - .

9
dê _ _ arJos sobre e ~3 pa a
J re a cncun táncia que
n J a 7/1925, em Carlos & \Jário.

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