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A Actividade Bancária e Suas Funções

A actividade bancá ria tem como funçã o principal a dinamizaçã o da actividade econó mica interna bem como as suas relaçõ es
com o exterior e ainda a materializaçã o dos objectivos macroenó micos do governo.

Essa funçã o é exercida através da oferta de produtos e serviços financeiros e exercício de uma correcta supervisã o (Banco de
Moçambique).

Nesta secçã o, abordar-se-á as principais funçõ es da actividade bancá ria, a fim de conhecer o posicionamento dos bancos no
sistema econó mico e compreender a importâ ncia da legislaçã o do sistema bancá rio e o papel do Banco de Moçambique como
autoridade monetá ria.
Posicionamento da Actividade Bancária no Sistema Económico

Para o governo garantir o alcance dos seus objectivos macro-econó micos define políticas de actuaçã o tais como: orçamental,
monetá ria, fiscal, cambial e controlo da inflaçã o. Dentre essas políticas a monetá ria e controlo da inflaçã o ou preços se
afiguram mais importantes.

A concretizaçã o das políticas acima referidas exige que o governo desenvolva determinadas acçõ es de controlo em
diferentes â mbitos: controlo do crédito, liquidez dos bancos e das taxas de juro. É aqui que surge a intervençã o do sistema
bancá rio na materializaçã o da política econó mica e financeira do país.

Em momentos de inflaçã o galopante, as entidades governamentais estabelecem restriçõ es de crédito, aumentam as taxas de
reservas obrigató rias diminuindo a quantidade de moeda em circulaçã o, aumentam as taxas de juros das facilidade
permanentes concedida pelo Banco Central e estimulam as poupanças dos cidadã os, criando depó sitos atractivos.

O Papel do Banco de Moçambique

O sistema financeiro Moçambicano é constituído por diversas entidades, tais como: Autoridades monetá rias, Instituiçõ es de
crédito e sociedades financeiras. A sua classificaçã o pode ser conforme o quadro a seguir:

Classificação das Empresas do Sector Financeiro


Instituições de Crédito Sociedades Financeiras

• Bancos Comerciais • Sociedades Financeiras de Corretagem

• Caixas Econó micas • Casas de Câ mbio

• Cooperativas de Cré dito • Sociedades Gestoras de Fundos de Investimentos

• Sociedades de Investimentos • Sociedades Gestoras de Patrimó nio

• Sociedades de Capital de Risco

• Sociedades Administradoras de Compras em Grupo.

O Banco de Moçambique é o principal elemento do sistema financeiro e autoridade monetá ria do sistema bancá rio:

Banco de Moçambique é o banco central da Repú blica de Moçambique, devendo, nesta qualidade, no contexto da política
econó mica e financeira e por forma a assegurar o desenvolvimento do País, zelar pelo equilíbrio monetá rio interno e pela
sobrevivência exterior da moeda.
Sã o principais funçõ es do Banco de Moçambique:
• Emissã o da Moeda;
• Concessã o de empréstimos ao Estado;
• Fixaçã o de taxas de juro (indicativo);
• Fixaçã o de taxas de câ mbio (indicativo);
• Compensaçã o de cheques e outras formas de pagamento;
• Autorizaçã o de abertura de instituiçõ es de crédito e sociedades financeiras;
• Supervisã o de toda actividade de instituiçõ es de crédito e sociedades financeiras e
• Outras funçõ es atribuídas pela lei.

Intermediação Financeira
A principal funçã o dos bancos no sistema econó mico é a intermediaçã o financeira: canalizaçã o de recursos financeiros
excedetá rios (poupanças) para onde eles sã o escassos, que pode ser para o investimento ou para o consumo.
Esta funçã o, materializa-se na captaçã o de poupanças sob a forma de depó sitos e na sua cedência através da concessã o de
crédito.

Prestação de Serviços
A actividade dos bancos nã o se limita à intermediaçã o financeira, eles prestam uma multiplicidade de serviços, que podem
ser a compra e venda de moeda estrangeira, pagamentos de juros de obrigaçõ es, etc..

A prestaçã o desses serviços é uma funçã o complementar da intermediaçã o financeira, que os bancos colocam a disposiçã o
dos seus clientes e que muitas das vezes incide sobre os meios de pagamento, por exemplo, a compra e venda de moeda
estrangeira e cobranças de terceiros ou assume natureza diversa, como é o caso de aluguer de cofres, concessã o de garantias
bancá rias, etc..

As funçõ es complementares ajudam os bancos a aumentar o volume de negó cio da sua actividade principal, a intermediaçã o
financeira, contribuindo indirectamente na captaçã o de depó sitos, melhoria da qualidade e diversificaçã o estreitando as suas
relaçõ es com o cliente.

Organização Funcional da Banca

As instituiçõ es de crédito, tal como outras empresas de grande dimensã o, têm uma multiplicidade de ó rgã os a que estã o
atribuídas as diversas funçõ es com vista a atingir os objectivos da instituiçã o. Apesar de as instituiçõ es nã o terem modelos
de organizaçã o iguais, geralmente existem cinco grandes funçõ es que, de acordo com a dimensã o da empresa bancá ria,
pode-se encontrar duas ou mais fundidas num mesmo departamento, sã o elas:

• Funçã o comercial
• Promoçã o e apoio comercial;
• Operacionais ou de Execuçã o de operaçõ es;
• Staff ou de apoio técnico;
• Apoio central.

A função comercial: compreende as tarefas que decorrem do contacto directo com o cliente para a satisfaçã o das suas
pretensõ es: prestaçã o imediata de informaçõ es, esclarecimentos e oferta de produtos bancá rios. Na prática, esta á rea
engloba estabelecimentos abertos ao pú blico genericamente designados por balcões e os ó rgã os superiores responsá veis
por estes estabelecimentos.

Promoção e apoio comercial: aos ó rgã os incluídos nesta á rea compete a concepçã o de produtos e serviços bancá rios,
preparar e efectuar a promoçã o, coordenar as acçõ es comerciais e intervir directamente em certos mercados. É funçã o de
marketing que deve estudar as acçõ es comerciais a desenvolver, de acordo com os objectivos estratégicos.

O departamento de operações: esta divisã o realiza um conjunto de tarefas, tais como, codificaçã o e processamento
informá tico, extracçã o de listagens, envio de notas de débito e crédito aos clientes. Com o desenvolvimento da informá tica,
estas tarefas sã o realizadas nos balcõ es, cabendo aos serviços centrais apenas o controlo.

Staff e apoio técnico: é uma funçã o responsá vel por estudos de natureza econó mica, planeamento estratégico, recuperaçã o
do crédito, apoio legal, recursos humanos, auditoria, etc..

Apoio central: estã o compreendidas nesta á rea, a contabilidade, serviços gerais, aplicaçã o de regras fiscais, arquivo, etc..

O Plano de Contas Para Instituições de Crédito e Sociedade Financeiras

A contabilidade contém uma linguagem fundamental na actividade bancária, e como todas as formas de comunicação,
vai sofrendo adaptações ao real sobre o qual interage de forma a manter a actualidade. A comunicação a este nível
estabeleceu-se através da evolução do conceito de normalização contabilística que foi influenciando a evolução paralela
do Plano de Contas para Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras com alterações em 1988, 1994 e 1999.

2.2.1 Sistematização do Plano de Contas

O Plano de Contas para as Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras em vigor (Aviso 13/GGBM/99), estabelece
uma aproximação ás regras e práticas da comunidade bancária internacional e é constituído por nove classes,
nomeadamente:

1. Disponibilidades;
2. Aplicações;
3. Imobilizações;
4. Recursos Alheios;
5. Contas Internas e de Regularização;
6. Recursos Próprios e Equiparados;
7. Custos por Natureza;
8. Proveitos por Natureza;
9. Contas extrapatrimoniais.

A organização interna das classes reflecte, de forma explícita a aplicação dos seguintes critérios básicos de ordenação:

• Natureza do elemento patrimonial;


• Sector institucional;
• Situação da residência;
• Distinção entre moeda nacional e estrangeira;
• Prazo das operações e
• Consideração dos sectores fundamentais da economia.

Esta organização pode ser resumida no seguinte quadro:


Hierarquia das Classes de Contas e Suas Tipificações
Natureza
• Disponibilidades;
• Aplicações;
• Recursos alheios;
• Imobilizações;
• Contas internas e de regularizações;
• Recursos próprios e equiparados ;
• Custos por natureza e
• Extrapatrimoniais.

Sujeitos
• Sector de actividade:
o Instituições de crédito;
o Sociedades financeiras e
o Outros.
• Residência:
o Residentes e
o Não residentes.

Prazos das operações


• Curto prazo e
• Médio e longo prazo

Unidade de medida Moeda nacional e


Moeda estrangeira.
Garantias conexas Garantias do estado;
Hipotecas ;
Outras e
Sem garantia.

Posicionamento das Contas no balanço

Apesar de existir discrepâ ncia entre o Plano de Contas para Instituiçõ es de Crédito e Sociedades Financeiras e o Plano Geral
de Contabilidade a equaçã o fundamental do balanço é a mesma, se nã o vejamos:

Activo = Passivo + Fundos Pró prios

Assim se seguirmos o dispositivo horizontal do balanço, as contas irã o se posicionar no balanço da seguinte maneira:

Activo Passivo

1. Disponibilidades 6. Recursos Alheios


2. Aplicaçõ es 7. Contas Internas e de Regularizaçã o (saldos
3. Imobilizaçõ es credores)
5. Contas Internas e de Regularizaçã o (saldos 8. Recursos Pró prios e Equiparados
devedores)

9. Contas Extrapatrimoniais 9. Contas Extrapatrimoniais


2.2.3 Análise das classes de contas

Um banco, como qualquer unidade econó mica, está inserido num determinado ambiente econó mico com o qual mantém
permanentes ligaçõ es em termos de fluxos reais a que correspondem fluxos monetá rios, mas no sentido oposto a aquele. No
sector bancá rio, dada a natureza da sua actividade (intermediaçã o) financeira), haverá fluxos recursos dos poupadores para
o banco e deste para os investidores. Assim estar-se-á na presença de aplicações, ao falarmos de:

• Aquisiçã o do imobilizado;
• Concessã o de crédito;
• Depó sito noutros bancos;
• Pagamento de salá rios;
• Liquidaçã o de Juros.

Estamos na presença de recursos nas seguintes situaçõ es:

• Aumento de capital por entrada de dinheiro;


• Obtençã o de fundos no mercado monetá rio;
• Depó sito de clientes
• Cobrança de juros

Tal como em qualquer facto patrimonial, os fluxos sã o susceptíveis de revestir duas naturezas diferentes patrimoniais
(factos patrimoniais qualitativos) e de exploraçã o (factos patrimoniais quantitativos), veja a tabela seguinte:

Fluxo

Natureza
Patrimoniais De Exploração

• Aquisiçã o do imobilizado; X
• Concessã o de crédito; X
Aplicaçõ es
• Depó sito noutros bancos; X
• Pagamento de salá rios; X
• Liquidaçã o de Juros X
Aumento de capital X
Obtençã o de fundos no mercado X
Recursos monetá rio X
Depó sito de clientes X
Cobrança de juros

A dupla sistematizaçã o que observou no quadro antecedente, está consagrada no PCICSF através da seriaçã o de classes de
contas, apenas com duas excepçõ es:

Classe 5 – Contas Internas e de regularizaçã o, reú ne simultaneamente contas de aplicaçõ es e recursos e nem sempre traduz
ligaçõ es ao exterior, quer dizer, o movimento dessas contas muita das vezes nã o representa um fluxo.

Classe 9 – Contas Extrapatrimoniais, envolvem a relevaçã o de responsabilidades ou compromissos assumidos pelo Banco ou
pelos demais sujeitos perante este e que nã o houve ainda fluxo patrimonial ou de exploraçã o.

2.2.4 Relações entre classes de contas

Se observar o diagrama acima, verifica-se que existe relaçã o entre classes de contas se nã o vejamos:

• a integraçã o das contas de custos e proveitos dá origem a resultados que por sua vez permite a constituiçã o de
reservas e criaçã o de provisõ es específicas;
• Os recursos alheios originam juros de operaçõ es passivas (custos por natureza);
• As aplicaçõ es originam juros de operaçõ es activas (proveitos por natureza);

Aplicação 1

A Gringos & Gringos obteve do Banco Male um empréstimo de 1.200.000 contos pagá vel em prestaçõ es semestrais. A taxa de
juro foi fixado em 30% anuais. Com base nestes elementos, preencha o quadro seguinte, na perspectiva do Banco.

Fluxo Natureza
Patrimoniais De
Exploração
Aplicaçõ es
Recursos

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