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Conti, S. (2016). Território e Psicologia Social e Comunitária, trajetórias / implicações políticas e epistemológicas.

Território e Psicologia Social e Comunitária, trajetórias /


implicações políticas e
epistemológicas1
Território e Psicologia Social e Comunitária, trajetórias e julgamento Política e
epistemológicas Território e Psicologia Social e
Comunitária,
caminhos / implicações políticas e epistemológicas
http://dx.doi.org/10.1590/1807-03102016v28n3p484

Santiago Conti
CONICET e Universidad Nacional de Rio Negro , San Carlos de Bariloche / Río Negro, Argentina

Resumo
“Território” é um conceito originado no campo disciplinar da Geografia, que ao longo do século XX foi sendo
reformulado de acordo com as diferentes correntes do pensamento social. É possível reconhecer que atualmente
esse conceito transcendeu seu âmbito disciplinar e é amplamente utilizado no campo das ciências sociais, em
geral, e na psicologia social e comunitária, em particular. Transcendendo o quadro disciplinar da geografia, o
presente trabalho pretende realizar um percurso analítico para compreender as implicações políticas e
epistemológicas da utilização do conceito de "território" para a Psicologia Social e Comunitária.
Argumentaremos que, longe do que os cortes disciplinares fazem, "território" é um conceito que não está e
nunca esteve isento de certos pressupostos psicossociais; pressupostos que a partir deste artigo serão
evidenciados considerando as relações íntimas entre as disciplinas em questão.
Palavraschave-: território; Psicologia Social; Psicologia comunitária; interdisciplinar.

Resumo
“Território” é um conceito oriundo do campo disciplinar da Geografia, que no século XX foi reformulado de
acordo com diferentes correntes do pensamento social. É possível reconhecer que você navega neste conceito
transcendental ao seu campo disciplinar e tem sido amplamente utilizado no campo das ciências sociais em
geral e na psicologia social e comunitária, em particular. Transcendendo o quadro disciplinar da Geografia, este
trabalho propõe um percurso analítico para compreender as implicações políticas e epistemológicas envolvidas
na não utilização do conceito de “território” para a Psicologia Social e Comunitária. Argumentamos que a
extensão dos tribunais disciplinares, "território" e um conceito que não é, nem nunca foi, isento de certas
pressões psicossociais; Partimos do pressuposto de que este artigo será evidenciado considerando as relações
íntimas entre as disciplinas envolvidas.
Palavras-chave: território; Psicologia Social; Psicologia comunitária; interdisciplinar.

Resumo
“Território” é um conceito originado no campo disciplinar da Geografia, e que ao longo do século XX foi
reformulado de acordo com os diferentes enquadramentos do pensamento social. Pode-se dizer que, na
atualidade, o conceito transcendeu seu campo disciplinar e é amplamente utilizado no campo das ciências
sociais em geral e, em particular, da psicologia social. Pulando o referencial disciplinar, este artigo propõe uma
análise para compreender as implicações políticas e epistemológicas envolvidas na utilização do conceito de
“território” para a Psicologia Social e Comunitária. Será argumentado que, longe do que as abordagens
disciplinares fazem, “território” é um conceito que não está e nunca foi isento de certos pressupostos
psicossociais; Pressupostos que a partir do presente artigo serão evidentes considerando as conexões íntimas
entre as disciplinas nele envolvidas.
Palavraschave-: território; Psicologia Social; psicologia comunitária; interdisciplina.
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Psicologia & Sociedade, 28(3), 484-493.
Por que hoje questionamos o território a partir
da Psicologia Social e Comunitária, tendo sido
Introdução um conceito fundador da Geografia moderna?

Referir-se ao conceito de território hoje requer Para responder a essa questão, é necessário
um conjunto de esclarecimentos complementares ou traçar uma abordagem seguindo o caminho apontado
acessórios, situação bem diferente da ocorrida há 50 por Milton Santos em 1990 em seu livro Rumo a uma
anos. As ciências sociais mudaram, conforme denotam Nova Geografia. Nesse escrito o autor direciona seu
os novos objetos de estudo e a bagagem conceitual olhar crítico para a chamada Geografia do
que os remete. Neste contexto teórico em mutação, o Comportamento e a Geografia da Percepção, pois
questionamento da Psicologia Social e Comunitária ambas as disciplinas são reducionistas ao analisar a
exige atualmente a incorporação incessante de uma construção do espaço a partir de uma “escala”
conceituação (inter e multidisciplinar2) do território. individual3. . Embora, por um lado, o fato de o
A mudança nas ciências sociais não é alheia a “espacial” ser abordado a partir da maneira como os
processos políticos e epistêmico-filosóficos (entre indivíduos interpretam e organizam o espaço de forma
outros) de diferentes escalas, como a queda do regime singular se destaque como uma novidade, em
soviético ou as políticas do Consenso de Washington, contraste com tendências que tentaram aplicar um
bem como os efeitos causados ​pela so- denominada modelo espacial para um grupo populacional ; por
“virada lingüística” ou sociologia do conhecimento, outro lado, difere da ideia de uma definição de cada
entre outras abordagens científicas. Também não espaço social para cada indivíduo.
podemos ignorar o contexto sociocultural e político O aspecto central destacado pelo autor refere-se
que vem impondo uma nova agenda de ao fato de que embora a “escala” seja individual, não é
“desenvolvimento” para a América Latina, o que tem apropriado ignorar outras diferenças e hierarquias
levado a uma reatualização do territorial como relacionadas à produção do espaço como dimensões
articulação de velhas e novas demandas e conflitos. Aeconômicas, de gênero, históricas, entre outras, e que
globalização como macroprocesso político, econômico eles são exibidos e analisados ​em diferentes escalas.
e cultural e os modos de reprimarização econômica na Segundo Santos, os usos e apropriações individuais do
América Latina mostram a sobreposição de espaço, ou seja, a construção de lugares, ocorrem no
territorialidades disputadas em contextos locais, onde
marco de vivências e tramas coletivas, que vão além
os atores não se confrontam exclusivamente “face a da abordagem comportamental caracterizada pelo
face”. A partir daqui, os territórios e ferramentas enquadramento individual; por outro lado, sua crítica
analíticas têm que ser repensados, questionados. ao modelo de percepção conclui que a dimensão
Em geral, o território se situa como uma histórico-estrutural é um fator condicionante de
conceituação cuja passagem pelas ciências sociais qualquer processo perceptivo atravessado por
passou de extremos objetivistas para abordagens que determinações simbólico-ideológicas.
incorporam o subjetivo e o relacional como dimensões É interessante retornar à abordagem teórica de
constitutivas das mesmas. Milton Santos, pois nela vemos como os
Nas ciências sociais, em geral, e na psicologia desdobramentos de uma disciplina, no caso a
social em particular, o uso do conceito defoi Geografia, não estão e nunca estiveram isentos de
incorporado territóriopara dar conta de diferentes certos pressupostos psicossociais (epistemológicos
fenômenos em sua relação com a espacialidade e sua epolíticos
dimensão social. Diante desse fato, o presente trabalho ontológicos) que sem fazer. ele explícito permite
se propõe a realizar um percurso analítico para demonstrar as relações íntimas entre as disciplinas.
compreender as implicações políticas e Agora, para compreender que território nos é
epistemológicas que esse conceito adquiriu sob o olhar oferecido contextualmente para discutir a partir da
de diferentes concepções teóricas. O objetivo que Psicologia Social e Comunitária, é necessário
propomos não é prescritivo, mas analítico, uma vez identificar as correntes teóricas que adotam o
que busca oferecer uma orientação que facilite a território como conceito e poder compreendê-lo a
operacionalização conceitual do território de acordo partir de sua ampla dimensão categórica. O geógrafo
com os compromissos político-epistemológicos que Alejandro Benedetti (2011) oferece uma análise
cada interessado decidir assumir. matricial procurando organizar os percursos deste
conceito, que para os fins deste trabalho será

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de territórios. De imediato, é possível vislumbrar que
serão essas perspectivas que, segundo o escritor, nos
considerada como duas matrizes principais: a que convidam a repensar o território a partir da
classifica a conceituação do território como espaço Psicologia Social e Comunitária -
absoluto ou como espaço social, por um lado; e, por PSC. Aqui estarão outras abordagens que se
outro lado, o território em uma chave material, caracterizarão por apresentar uma inter-relação
chamada de perspectiva materialista, ou em uma complexa e diferenciada de processos sociais,
chave integradora, chamada de perspectiva espaciais, políticos e históricos.
integradora.
A transição entre os modelos objetivistas e
A conceituação do território como espaço aqueles que incluem certos determinantes subjetivos
absoluto remete a uma ontologia física, fechada e na conformação territorial é localizada por Benedetti a
continental do território: é esse suporte real que serve partir da obra The Significance of Territory de Jean
de base à vida humana, objetivamente definida (e Gottmann, que a partir de uma abordagem humanista
definível), e com uma clara distinção entre o natural e levanta: o
o elementos sociais. Esta conceituação é típica da
território, apesar de ser uma entidade muito
geografia clássica e da perspectiva matricial ou
importante, material, mensurável e concreto, é o
materialista4 É possível reconhecer as concepções produto e a expressão das características psicológicas
naturalista, positivista e determinista, que estiveram dos grupos humanos. Na verdade, é um fenômeno
na base das tradições etológicas e jurídico-políticas do psicossomática da comunidade, repleta de conflitos
território. A partir dessas perspectivas, a geopolítica internos e aparentes contradições 5. (Gottmann, 1973,
clássica consolidou-se como uma geografia do Estado. citado em Benedetti, 2011, p. 28)

Da etologia, o comportamento humano é


Embora Benedetti a coloque como uma
subsumido ao estudo sistemático dos animais em
abordagem de transição, para aqueles que escrevem e
termos de sua implantação inata e espacial para sua
considerando os antecedentes recentemente expostos,
reprodução (com a influência do darwinismo). Já a
esta definição representa um salto qualitativo
partir da tradição jurídico-política, a escala nacional e
considerável, e uma mudança em direção à
internacional foi incorporada sob uma concepção
determinação social de o território amplamente novo.
biogeográfica, que se baseava em uma visão
Um ator, neste caso identificado como "a
organicista do Estado: o espaço vital humano-animal
comunidade", como um "grupo humano", é um
como fundamento de uma geografia do Estado. Sua
produtor de território. Nessa definição, destaca-se a
instrumentalização influenciou a geografia militar, a
heterogeneidade interna, que Gottmann identifica
cartografia, a escola, a educação cívica, entre outros
como conflito interno e aparentes contradições. Nesse
contextos. Dessa forma, o território é concebido em
sentido, pode-se pensar em um modelo
termos de jurisdição (competência e funções) sobre a
biopsicoterritorial, uma tensão cartesiana, ou mesmo
qual uma ação é aplicada, ado açãoEstado. Dentro da
uma velha chave na tensão matéria-ideia.
perspectiva materialista , atambémreconhecida
tradição marxista clássicaé na medida em que o Por outro lado, esta abordagem expõe uma
território aparece como a base material dos recursos concepção do corpo como entidade material,
que a sociedade utiliza. Ao mesmo tempo, é uma mensurável e concreta, e a contribuição da
condição da reprodução material da sociedade. Desse característica psicológica (ideativa), conflitiva e
modo, essas abordagens apresentam a decisão contraditória dos “grupos humanos”. Agora, deve-se
político-epistêmica de priorizar a unidade de análise notar que o grupo ou comunidade humana identificada
ou escala “nacional”; e o território (o limite, a por Gottmann contribui, em sua expressão territorial,
fronteira) em sua definição como objetividade com seu conflito interno, o que permitirá então ser
espacial, e são caracterizados por um vazio analítico contrastado com outros modelos, que incorporarão
de sociabilidade. outras variáveis ​ou locais de conflito. Em todo o caso,
nota-se que esta concepção não ultrapassa a natureza
Consequentemente, e ao mesmo tempo seguindo
jurídica e jurisdicional de uma “porção do espaço”
uma cronologia, serão as conceituações do território
definida à escala nacional como território (Benedetti,
como espaço social que proporcionarão (de diferentes
2011; Schneider & Peyré Tartaruga, 2006). Ou seja, o
formas) ângulos de inteligibilidade para o
enquadramento ou escala ajusta-se à dimensão
reconhecimento e compreensão da ação humana /
jurisdicional (espacial e estatal) instituída como
social na conformação ou configuração do certos tipos
suporte físico e jurídico de uma determinada
expressão territorial, correspondendo ao que seria uma abordagem "humanista". Baseado no conceito de
geopolítica “humanizada”.
Vale a pena reconhecer a filiação biológica da

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A abordagem geocrítica teve um importante
desdobramento na “renovação” do território. Com
territorialidade, típica da etologia do início do século raízes marxistas, embora incorporando visões de
XX, onde o peso do inato foi central para entender sua outras perspectivas, seu principal expoente
reprodução como um conjunto de adaptações que os latino-americano é o brasileiro Milton Santos. Sua
animais fazem para controlar e definir um território proposta enfatiza a ideia de que toda teoria do espaço
(material). Do mesmo modo, foram as questões de está diretamente ligada a uma teoria social e, portanto,
identidade, segurança e estímulo que motivaram os o território deve ser entendido como um fato social;
estudos sobre o território na perspetiva humanista, enquanto o espaço o apresenta como complexo,
onde também existe uma correspondência entre multidimensional, que não precede a sociedade nem é
território e área espacial ou terreno. o resultado dela, mas antes se apresenta como uma
A chave analítica subjetiva dessa definição de instância social.
território baseia-se menos em um conflito territorial ou Conforme proposto no parágrafo anterior, o
conflito entre atores e, antes, encontra suporte em uma território (e sua dimensão espacial) é uma construção
abordagem das formas de representação e expressão social e, portanto, proporciona inteligibilidade sobre
espacializada dos processos de um indivíduo ou de "os usos sociais" do espacial. Aqui o território não é
uma comunidade. Da mesma forma, é possível exclusivamente um suporte material, mas é também a
reconhecer as formas diferenciadas como diferentes própria materialidade das construções sociais e suas
grupos concebem seu território, e neste ponto a disputas simbólico-materiais, que certamente
paráfrase de Silveira (2011) se enquadra na medida em constituem a base de sua (re) produção (Santos, 1990,
que um mesmo território pode ser representado como 1994, 2000).
recurso para um grupo (humano), enquanto outro pode
concebê-lo como "um casaco". O conceito de “rugosidade” (Santos, 1990),
surgiu para acentuar a relação espaço-tempo, ao
O território passa a ser definido como um definir o espaço em termos de acumulação desigual
espaço social a partir da concepção de múltiplas e de registros sócio-espaciais históricos, carregados de
complexas redes sociais, onde é “o social” que nos conflito. No final de seu itinerário analítico, conforme
permite compreender o espaço. Essa forma de definir sugerido por Zusman (2002), essa relaçãotempo
o território tem implicado na proliferação de estudos espaço-foi influenciada por suas discussões no âmbito
sobre essa temática da teoria da estruturação (tensão estrutura-agência) a
Dado o caráter que os estudos sociais foram partir da interação entre sistemas de objetos. ações.
adquirindo, Benedetti (2011) refere-se ao território em A incorporação do conceito de “rugosidade”
uma perspectiva integrativa. Desse ponto de vista, evidencia o caráter ativo do agente imerso em
diversos eixos são considerados, mas são as relações sistemas de relações que o pré-existem e sobre os
sociais que estabelecem e configuram os territórios. quais atua. Nesse sentido, uma diferença se estabelece
Conceitos como “poder”, “territorialidade”, “conflito”, a partir da compreensão da ação por forças externas
“atores”, entre outros, farão parte de uma matriz ampla ou exclusivamente estruturais. Ao mesmo tempo,
e heterogênea de inteligibilidade de processos incorpora na compreensão do espaço os conceitos de
socioespaciais. "horizontalidade" (relações espaciais próximas) e
Na análise proposta por Benedetti (2011) esses "verticalidade" (relações espaciais distantes) (Santos,
eixos que definem o território são considerados a partir 2000) para dar conta da multidimensionalidade e
da compreensão dos fenômenos comunitários e de sua multescalaridade da ação e dos agentes. envolvidos na
dinâmica de espacialização. Nesse sentido, o autor cita construção do território.
quatro abordagens: a relacional, a geocrítica, a Embora grande parte das abordagens dessa
regional-política e a territorial. Diante disso, é abordagem priorizem escalas mais regionais, para os
possível avançar, para justificar esse vínculo entre a fins deste trabalho é interessante não apenas
categoria território e a PSC, que é essa perspectiva mencionar que elas problematizam o território e a
que se considera oferecer a maior referencialidade dinâmica centro-periferia em relação ao capitalismo e
analítica para os processos psicossociais que ocorrem à globalização (Harvey, 1996 ; Sassen, 2003), bem
em contextos comunitários, que são aqueles. que como questões de cunho cultural, mas também
dizem respeito a esta subdisciplina.
destacam como a matriz analítica se refere à partir de
objetivação de uma determinada configuração social a

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análise é local, regional, de modo que
possibilita uma abordagem "botton-up" ou "de baixo"
atores que disputam o espaço. Essa objetivação é sobre à organização social do espaço. O espacial, e
dinâmica, mas ao mesmo tempo histórica, ou seja, sua para nosso interesse, o território adquire ao mesmo
historicidade é conceituada como rugosidade, e como tempo uma dimensão temporal, dinâmica, que
expressa Santos (1990) na citação a seguir, é de permitiu a partir desta abordagem conceber
caráter testemunhal, é uma linguagem relacionada aos territorialidades móveis e temporais, territorialidades
modos de produção. : em processo.
Espaço é a matéria trabalhada por excelência.
Será a proposta de Raffestin que mostrará com
Nenhum dos objetos sociais tem tanto domínio sobre
o homem, nem está presente de tal forma no cotidiano
mais clareza o lugar ativo do "sujeito" na construção
dos indivíduos. (...) O espaço, portanto, é um do território, um território socialmente construído a
testemunho; testemunha um momento de um modo de partir da linguagem, da capacidade semiótica,
produção através da memória do espaço construído, sustentado por poderes multipolares e dinâmicos. O
das coisas fixadas na paisagem criada. território existe, segundo Raffestin, como um espaço
(Santos, 1990, pp. 153-154) semiotizado:
O território é um rearranjo do espaço cuja finalidade
Na preocupação com os modelos territoriais se encontra nos sistemas de informação à disposição
globalizantes, a orientação centra-se na geração de do homem, na medida em que pertence a uma cultura.
vínculos que tendam à horizontalidade como forma de O território pode ser considerado o espaço informado
defesa e resistência territorial das comunidades frente pela semiosfera. ... Desse modo, vou considerar a
ao avanço dos projetos. verticais, que tendem a questão da ecogênese territorial como um processo de
relações de subordinação (Santos, 1994). Este eixo semiotização do espaço. (Raffestin, 1986, pp.
177-180)6
proposto por Santos apresenta uma relação clara com
uma das preocupações centrais do PSC, que é a
O trabalho de Robert Sack Human Territoriality
construção de projetos comunitários que tendam a
(1986) é colocado como outra contribuição fundadora
processos de autonomização, onde os recursos e ideias
da abordagem relacional. Nisso revisita o conceito de
da comunidade são a base para a legitimidade dos
"territorialidade", destacando-se da base inata das
referidos projetos, procurando neutralizar lógicas de
abordagens anteriores da escola humanista, para
subordinação externa e mesmo interna, ou seja,
conceber a territorialidade como a "... estratégia de um
aquelas que perpassam as subjetividades próprias da
indivíduo ou grupo para afetar, influenciar ou
comunidade (Cf. Montero, 2008).
controlar as pessoas, fenômenos e suas relações, por
A jornada para compreender a “virada” na meio da delimitação e do exercício do controle sobre
definição do território, bem como seus pressupostos uma área geográfica. Essa área pode ser chamada de
psicossociais, continua a reconhecer as contribuições território ”(Sack, 1986, p. 17, citado por Benedetti,
pioneiras de Claude Raffestin e Robert Sack na 2011).
chamada concepção relacional do território.
Como várias traduções mostram, Sack entende a
Raffestin (1980/1993) aborda em sua obra territorialidade como uma estratégia ou como uma
clássica Por uma geografia do poder uma crítica tentativa (ou tentativa) de um ator, seja ele individual
central ao que entende ser a perspectiva ou em grupo. A distinção não é significativa para o
unidimensional (e vertical) da geografia, onde é o caso em questão, mas o que deve começar a emergir é
poder do Estado em suas diferentes escalas que define o critério de racionalidade subjacente: Sack aqui
o território. Ao mesmo tempo, fornece uma concepção localiza uma ação voluntária e consciente (de
multipolar de poder, baseada nas relações sociais, controle, influência, afetação), uma estratégia
cujas ações concretas e simbólicas são objetivadas e deliberada, de um sujeito com motivações, objetivos e
expressas espacialmente, definindo territórios. desejos, exibidos em uma superfície. A partir disso,
entende-se que território é qualquer área suscetível ou
Raffestin mostra uma mudança que vai além do taticamente delimitada e controlada por um ator, com
modelo centrado no estado e permite a teorização e base em sua influência para com os outros. Esta
análise de outros tipos ou formas de conflitos. Essas explicação refere-se claramente a um modelo analítico
"Geografias do poder" baseiam-se nas teorizações em que, a partir de mecanismos de controle,
foucaultianas do poder, concebendo-o como um influência, entre outros, se faz referência ao vetor
aspecto imanente das relações sociais, e cuja escala de “poder” como aspecto constitutivo das relações
sociais e de sua territorialidade. Por outro lado, nota ea partir da perspectiva do
que tais territórios são territórios definidos"de dentro

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num longo continuum que vai do domínio
político-económico mais 'concreto' e 'funcional' à
define ”(Benedetti, 2011, p. 45) o que implica a apropriação mais subjectiva e / ou ' cultural-simbólico
delimitação de uma exterioridade, de um outro, de um ”7 (Haesbaert, 2004a: 95-96, citado
fora na construção e controle do“ próprio ”território por Haesbaert, 2007). Essa definição que entende
(Manzanal, 2007). poder e território como constitutivos das relações
Conforme indicado acima, vemos que o modelo sociais é uma tese interessante para fundamentar o
adotado por Sack mostra que a construção de um locus político8. do PSC. A seguir a Montero podemos
território requer uma concepção de poder hierárquica e citar a seguir uma de suas primeiras definições:
controladora, caracterizada por relações de inclusão / estudo dos fatores psicossociais que permitem
exclusão, apropriação / expropriação, sugerindo mais desenvolver, promover e manter o controle e o poder
um modelo de produção do território baseado em que os indivíduos podem exercer sobre seu ambiente
lógicas de controle. individual e social para resolver os problemas que os
afligem e conseguir mudanças nos. nesses ambientes
Por outro lado, a chamadade Benedetti e na estrutura social9. (Montero, 2008, p. 70)
abordagem relacional teve e tem vários continuadores
e expoentes. Entre eles, destacam-se as contribuições A abordagem político-cultural regional (também
dos geógrafos brasileiros Marcelo Lopes de Souza e concebida como “nova geografia regional”) adota “a
Rogério Haesbaert. López de Souza especializou-se região” como escala de análise. dos à relevância,
nos estudos do território e desenvolvimento, e cruzou valorização e reivindicação. dos lugarNesse sentido,
o caminho dos estudos relacionais do território ao preocupa-se com as manifestações sociais em um
postular que o território remete às relações de poder na espaço entendido como regional, e a partir do campo
sua delimitação e demarcação espacial (Souza, 1995, analítico social, aborda as formas de representação do
p. 78) . O vetor proposto “poder” presume-se regional, da fronteira, bem como os sentimentos
multiescala, e não apenas em sua dimensão ligaes; Isso implica uma concepção construcionista e
político-econômica, mas também em sua determinação dinâmica do espaço, enquanto territórios em
cultural simbólica e psicossocial. Nesse ponto, ele construção, onde o simbólico e o cultural têm uma
concebe a "identidade" como uma construção social parte constitutiva das identidades regionais e políticas
que articula e une sentidos, promove identificações, e de suas dinâmicas de espacialização.
como uma formação psicossocial em que o poder é
Benedetti esclarece que, como função heurística,
inteligível enquanto, em sua qualidade territorial, é
território e região seriam equivalentes funcionais
espacializado.
(2009), a ponto de se desdobrar o regional, embora
Ora, será Haesbaert quem, para não cair nos ainda reconhecendo critérios de classificação políticos
essencialismos, sustenta essa concepção retirando e técnicos “externos” (aqueles que indicam “esta é
qualquer associação fixa entre espaço e identidade, e uma região”) , em uma dimensão subjetiva do
sustentando que se trata de dar conta de “identidades territorial a partir de processos de conceituação de
territoriais”. Este posicionamento relacional mostra consciência regional, ideias e identificações da região
que o território não é um continente no qual se e seus simbolismos a partir da função narrativa10.
encontram "identidades" acabadas, homogêneas, etc.,
mas sim que, ao conceber a dimensão da identidade a A última abordagem a definir é a chamada
partir de uma perspectiva socioconstrucionista, estas abordagem territorial. A este respeito, convém
são constantemente redefinidas (com mais alguns esclarecer que está "na moda" nos diferentes campos
aspectos fixos e outros mais móveis) e suas de análise ou intervenção social; em muitos casos, é
territorialidades são uma tensão constante desses usado como sinônimo de “território” (Rozas, 1999) e,
processos. em alguns deles, um uso acrítico ou contraditório é
evidenciado à medida que as suposições subjacentes
Seguindo Lefevre, entendemos que são as são subtraídas. Destaca-se como uma abordagem que
relações de poder de dominação (um processo de tipo tem tido uma utilização prática ou instrumental no
concreto, funcional, ligado às ideias de “posse” ou quadro de programas de gestão do desenvolvimento,
“propriedade”) e de apropriação (de tipo subjetivo, uma aplicação alargada nas periferias e
simbólico) que constituem o territórios. Afirma o autor semiperiféricas do mundo, predominante nas
que “O território, imerso em relações de dominação e / abordagens de redução da pobreza, com base nas
ou de apropriação sociedade-espaço,“ desdobra-se linhas de financiamento e promoção. de organizações
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técnica é mais adequada do que a racionalidade


internacionais como o BID, FAO, Banco Mundial e política (Lapalma, 2001) para canalizar processos de
CEPAL. Este território se torna uma unidade operação aprendizagem social territorial, inovação tecnológica e
, que apresenta, segundo Schejtman e Berdegué desenvolvimento institucional.
(2004), 7 características: competitividade, inovação Conclusões? Orientações
tecnológica, caráter sistêmico, demanda externa ao
território, articulação urbano-rural, desenvolvimento
institucional e relação-identidade socialmente Ao longo da escrita, procurou-se mostrar as
construída. Essas características norteiam uma gestão implicações das diferentes trajetórias do conceito de
do desenvolvimento baseada na ação territorial (onde território em sua abertura categórica, ou seja, em suas
territorial se refere a uma área ou espaço delimitado) diversas atribuições e compromissos teórico-políticos
destinada a modificar as relações sociais de uma no âmbito das ciências sociais. No que se refere ao
determinada população. interesse disciplinar da Psicologia e, em particular, de
uma Psicologia Social e Comunitária (PSC),o uso
O que se vai gerando a partir da concepção de
conceitual do território destaca-secomo categoria
uma unidade econômica operacional é transformar as
psicossocial e relacional.
condições de incorporação ao mercado, com base em
“um princípio de progressividade de objetivos, em A noção de território é frequentemente
uma escala de ordem inferior (construção de capital referenciada na Psicologia Social e Comunitária. Seu
humano e capital social) em maior complexidade uso tem sido indiscutivelmente ligado à conceituação
(eliminação da pobreza, modificação das relações de de "comunidade" e "senso de comunidade" (McMillan
poder, aprofundamento da democracia) ”(Schejtman & & Chavis, 1986). Ora, uma revisão extensa dessas
Berdegué, 2004, p. 41). Essa abordagem territorial conceituações permitiu-nos identificar que a sua
destaca o papel central da escala local como utilização é frequentemente realizada de forma
protagonista das ações e processos de indistinta na literatura da nossa disciplina, dando como
desenvolvimento. Desse modo, em inúmeras ocasiões principal uso o conceito de "território" como porção
se apresenta como um modelo de terra (base material). , ou jurisdicional, dando
metodológico-operacional da abordagem da pobreza, e equivalência funcional a conceitos como território,
daquelas relações que impedem ou limitam a bairro, zona, nível local, o local (Berroetea, 2007;
competitividade do território em termos de sua Christlieb, 2000; Krause, 2001; Montero, 2008; Vidal,
incorporação à lógica do mercado (Barsky & 1991). Isso não implica que tais leituras sobre a forma
Schejtman, 2008 ) Essa proposta está em sintonia com de conceber o "território" devam ser descartadas longe
as transformações institucionais e políticas que visam dele, uma vez que respondem definitivamente à práxis
à descentralização do governo pelo Estado, bem como histórica de nossa disciplina, tanto na concepção de
com os modelos de planejamento botton-up ou "território" do ponto de vista da comunidade
bottom-up (Boisier, 1999). Da mesma forma, Boisier organizacional. . (de baixo), a partir de um ponto de
incorpora um olhar crítico sobre que tipo de territórios vista da delimitação espacial no quadro de uma
tem interesse em gerir a partir do desenvolvimento e determinada política (gestão) de intervenção, de cima
argumenta que: (Rozas, 1999).
é um conceito associado à ideia de container e não à A partir das matrizes propostas por Benedetti,
ideia de conteúdo. Território é qualquer corte da
oferece-se uma análise centrada nos pressupostos
superfície da terra, mas nem todo território é de
interesse do ponto de vista do desenvolvimento. … psicossociais da categoria território a partir dos
Assim, a expressão “desenvolvimento territorial” diferentes usos conceituais que têm sido feitos nas
tradições do pensamento geográfico. Isso permitiu
refere-se à escala geográfica de um processo e não à
sua substância. (Boisier, 1999, p. 8) perceber o quão entrelaçadas estão as áreas de contato
entre as tradições do pensamento geográfico e os
A proposta da abordagem territorial entende que modelos psicossociais inscritos na Psicologia.
é a gestão não inteligente das capacidades locais que
A relevância, segundo quem escreve, reside na
reduz a competitividade do território, o que pelo
contemporaneidade do conceito de território, que se
menos na sua aplicação poderia implicar que se trata
torna uma "moda", ou melhor, um uso categórico
mais de engenharia territorial. das relações sociais,
disputado que se associa a processos identitários,
geradas a partir de todos os atores que estão dentro de
posicionamentos estratégicos, no quadro de um
cada território. Desta forma, o território é sempre um
cenário e projetos conflituosos em. tensões, que nos
ativo a ser desenvolvido, e onde a racionalidade
obrigam a refletir sobre o lugar das comunidades no
quadro de uma globalização hegemônica e desigual (Wiesenfeld, 2006).

490
Psicologia & Sociedade, 28(3), 484-493.
de possibilidade da dinâmica identitária de cada
experiência. Ou seja, uma abordagem de formas,
A utilização e apropriação do conceito de opções e escolhas, um locus, que combina, por um
território por diferentes atores, bem como a lado, os registros das
consequente articulação com outros conceitos, como experiências, bem como a articulação desses registros
"desenvolvimento", "comunidade", "sustentabilidade", a partir da configuração da experiência atual. Aqui o
"identidade", entre outros, resultam num conjunto de conceito de “identidades territoriais” proposto por
discursos , de línguas concorrentes. Isso é Haesbaert destaca-se por seu potencial heurístico,
evidenciado, por exemplo, na forma estratégica (não entendendo que ocorrem indistintamente nos casos de
necessariamente “racional”) como algumas agências controle e não controle de um território11.
de desenvolvimento e governos têm aplicado este
conceito, bem como na forma como as próprias Além da abordagem indicada no parágrafo
comunidades locais se apropriaram do conceito. anterior da Psicologia Social e Comunitária, é
território no quadro de uma tensão entre a interessante resgatar o conceito de rugosidade
horizontalidade e a verticalidade do poder. elaborado por Milton Santos (1990). Nesse sentido, as
rugosidades se inscrevem testemunhadamente como
Uma forma de ilustrar essa tendência se expressa “o homem trabalha sobre sua herança” (Santos, 1991,
nas situações que surgem nos casos de grupos de p. 155), e remetem à historicidade do espaço-tempo
migrantes ou comunidades deslocadas, que por em suas desiguais relações de poder (de produção),
diversas causas, sejam econômicas, ou de violência “entre instituições, empresas e homens ”(Santos, 1991,
física ou por conflitos armados, ou desastres naturais, p. 94). Seu vínculo com as “identidades territoriais”
experimentam territorialidades móveis, temporárias, remete a uma articulação conjuntural que oferece ou
ou em processo de reterritorialização, ou que se possibilita a inscrição e atualização dessas rugosidades
apliquem a muitas outras comunidades que devido a na construção relacional de uma determinada arena
projetos estrangeiros não podem “se tornar” ou política (Long, 2007).
resolver suas demandas e direitos territoriais (isto é
claramente evidenciado em torno da disputa territorial De acordo com a recapitulação teórica que
de comunidades expostas a lógicas de exploração e procedemos, vemos que ao desessencializar a
extrativismo e projetos de grande escala em várias construção do território numa perspectiva psicossocial
áreas e regiões da América Latina). O compromisso da e centrada numa comunidade, nota-se que essa
Psicologia Social e Comunitária com esses problemas, construção não se apoia exclusivamente num locus
de opressão e desigualdade, vem sendo afirmado comum, fora do tudo muda, mas que se apóia
desde os primórdios da perspectiva latino-americana simultaneamente e a partir de escalas diferentes, desde
(Freitas, 1998; Montero, 2008). atores externos e posições (outros), cujos projetos
também se referem a outras construções do território,
Do escritor, opta-se por conceber a configuração a formas de espacialização do poder e das relações
de grupos / comunidades juntamente com vários sociais, incluindo ou não um certo comunidade
modos de inscrição espacial, compreensíveis como (Montenegro, Rodríguez, & Pujol, 2014; Sawaia,
território, a partir da abordagem relacional. A partir 2006).
daqui, entende-se que as configurações de grupo,
comunidade, seja pelo seu cruzamento, seja pela sua A título de síntese, podemos sintetizar o
dinâmica interna, são factíveis e necessárias para conjunto de discussões anteriormente propostas em
serem analisadas em chave multiescala. Portanto, os dois níveis: de um lado, o aporte teórico que
processos de territorialidade implicam em teias de problematiza a questão interdisciplinar vinculada ao
significados e práticas com múltiplos desdobramentos, “território”, na medida em que proporciona certa
que configuram um posicionamento (sempre político) inteligibilidade e favorece a solidariedade entre dois
de cada experiência nas formas, opções e escolhas que disciplinares. campos, que a partir de diferentes
adota sua construção territorial. tradições e caminhos, eles tentaram conceituar a
espacialidade de um ponto de vista psicossocial; e por
Concordamos com a proposta de Rogério outro lado, destacam-se as contribuições da
Haesbaert (2007) quanto à relação entre identidade e perspectiva relacional para a compreensão dos
território, onde reconhecer os processos de processos de afirmação, defesa ou
territorialidade a partir da própria historicidade do projeção-reivindicação social em seu futuro e
controle / domínio do território (territórios construção territorial. Este segundo aspecto dá conta
constituídos) que precede e funciona como condição de certas ferramentas heurísticas na reflexão sobre a
articulação entre o espacial como imanente ou como parte do locus comunitário, como campo
constitutivo das relações sociais, especificamente específico da Psicologia Social e Comunitária.

491
Conti, S. (2016). Territorio y Psicología Social y Comunitaria, trayectorias/implicaciones políticas y epistemológicas.
un territorio sin territorialidad (desde la óptica que sea,
tanto funcional como simbólica).
Notas Referencias

1
El presente trabajo es parte de una serie de discusiones Barsky, O. & Schejtman, A. (2008). El desarrollo rural en
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2
Multidisciplinario, en tanto se apela a los distintos campos ub.edu/geocrit/sn/sn-286.htm
disciplinares para identificar y seleccionar aquellos tópicos Benedetti, A. (2011). Territorio: concepto integrador de la
permeables a los cruces en el trabajo interdisciplinario. geografía contemporánea. In P. Souto (Coord.), Territorio,
3
Se utiliza el término “escala” propio de la Geografía y la lugar y pasaje: prácticas y conceptos básicos en geografía
Cartografía, cuando desde el campo psicológico se refiere (pp. 11-82). Buenos Aires: Editorial de la Facultad de
más bien a “nivel de análisis”, pero se destaca la Filosofía y Letras - UBA.
equivalencia o compatibilidad para este caso. Berroetea TH (2007). Espacio público: notas para la
4
El uso categorial de la “perspectiva materialista” se vincula en articulación de una psicología ambiental comunitaria. In JA
este caso con una ontología física del espacio, Inzunza & TH Berroetea (Eds.), Trayectoria de la
evidenciándose la primacía del suelo y lo natural como Psicología Comunitaria en Chile (pp. 259-285). Valparaíso:
soporte o base fundamental, escindido de la “dimensión Universidad de Valparaíso.
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material no se reduce a lo físico-natural, sino que se opta hablando? Santiago de Chile: Autor. Acesso em 22 de
epistemologicamente por una concepción que entiende la outubro, 2015, em http://municipios.unq.edu.ar/modules/
existencia también y en simultáneo de lo material en tanto mislibros/archivos/29-DesLo.pdf
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es base para lo social). posmoderna. In A. Lindón (Coord.), La vida cotidiana y su
5
El subrayado es de quien escribe. espacio-temporalidad (pp. 147-170). Barcelona: Anthropos
6
Le territoire est une réordination de l'espace dont l'ordre est à ColMex.
chercher dans les systèmes informationnels dont dispose Freitas, MFQ (1998). Elementos para una retrospectiva
l'homme en tant qu'il appartient à une culture. Le territoire histórica sobre la psicología social comunitaria en Brasil. In
peut être considéré comme de l'espace informé par la A. Martín (Ed.), Psicología Comunitaria. Fundamentos y
sémiosphère. …Cela dit, je vais considérer la question de aplicaciones (pp. 131-140). Madrid: Síntesis.
l'écogenèse territoriale en tant que processus de Haesbaert, R. (2007). Território e multiterritorialidade: um
sémiotisation de l'espace (Raffestin, 1986, pp. 177-180) debate. GEOgraphia, 9(17), 19-46. Acesso em data 10 de
(traducción del autor). outubro, 2015, em http://www.uff.br/geographia/ojs/index.
7
Podemos entonces afirmar que el territorio, inmerso en php/geographia/article/view/213/205
relaciones de dominación y/o de apropiación sociedad Harvey, D. (1996). From Space to Place and Back Again. In
espacio, “se despliega a lo largo de un continuum que va de Justice, Nature and Geography of Difference (pp. 291-326).
la dominación político-económica más “concreta” y London: Blackwell.
“funcional” a la apropiación más subjetiva o “cultural Krause, JM (2001). Hacia una redefinición del concepto de
simbólica” (Haesbaert, 2004a, pp. 95-96). (Traducción del comunidad. Revista de Psicología de la Universidad de
autor). Chile, 10(2), 49-60.
8
Esta idea se emparenta al concepto de “validez psicopolítica Lapalma, AI (2001). El escenario de la intervención
epistémica” de Isaac Prilleltensky (2008); se propone su comunitaria. Revista de Psicología de la Universidad de
distinción respecto de dar cuenta que la opción por “lo Chile, 9(2), 61-70. Acesso em 25 de outubro, 2015, em
comunitario” de la PSC antecede al criterio de “validez http://www.revistapsicologia.uchile.cl/index.php/RDP/
psicopolítica epistémica”, al tiempo que lo requiere, pero su article/viewFile/18573/19619
posicionamiento discursivo en tanto afirmación le antecede.
9
Long, N. (2007). Sociología del Desarrollo: una perspectiva
Montero (2008) refiere que esta concepción de la PSC fue centrada en el actor. México: CIESAS; Colegio de San Luis.
esbozada por su autoría en 1982, y posteriormente McMillan, DW & Chavis, DM (1986). Sense of community a
reformulada en 1984. definition and theory. Journal of Community Psychology, 14(1),
10
Este enfoque se distancia considerablemente del abordaje 6-23.
propuesto para el actual trabajo. Se lo menciona para dar Manzanal, M. (2007). Territorio, poder e instituciones. Una
cuenta de su ubicación en el corpus teórico sobre perspectiva crítica. In M. Manzanal, M. Arqueros, & B.
“territorio”, y se lo utiliza en situaciones específicas. Nussbaumer (Comps.), Territorios en construcción, Actores,
11
Haesbaert (2007) sostiene que es factible dar cuenta de tramas y gobiernos, entre la cooperación y el conflicto (pp.
identidades territoriales como procesos dinámicos de 15-50). Buenos Aires: CICCUS.
territorialización, y que eso se da tanto desde la posición del Montenegro, M., Rodríguez, A., & Pujol, J. (2014). La
dominio territorial como de la precariedad territorial; lo que Psicología Social Comunitaria ante los cambios en la
no encuentra empírica ni teóricamente posible es concebir sociedad contemporánea: De la reificación de lo común a la
articulación de las diferencias. Psicoperspectivas, 13(2), 32-43.

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