Você está na página 1de 8

XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica

Geotecnia e Desenvolvimento Urbano


COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

Estabilização do Rejeito de Manganês de Licínio de Almeida-Ba


com Cimento para Utilização em Rodovias
Adriana Viana Neves
Faculdade de Tecnologia e Ciências, Vitória da Conquista - BA, Brasil,
neveseng.civil@hotmail.com

Hélio Marcos Fernandes Viana


Faculdade de Tecnologia e Ciências, Vitória da Conquista - BA, Brasil, hmfviana@bol.com.br

José Carvalho Borges Santos


Faculdade de Tecnologia e Ciências, Vitória da Conquista - BA, Brasil, borgescsantos@gmail.com

Rubem Xerxes Trindade Rodrigues


Faculdade de Tecnologia e Ciências, Vitória da Conquista - BA, Brasil, rubemxr@hotmail.com

João Paulo Freire Rocha


Faculdade de Tecnologia e Ciências, Vitória da Conquista - BA, Brasil, sucesso@live.com

RESUMO: Este trabalho avalia o desempenho de uma mistura elaborada com o rejeito de manganês
de Licínio de Almeida-BA e o cimento Portland. Sabe-se que o rejeito de manganês é um agente
danoso ao meio ambiente e tem impacto ambiental em rios e lagos. O cimento adicionado ao rejeito
foi um cimento Portland CP4-32 com teores de 2%, 4% e 6% em peso. Verificou-se a eficiência de
cada mistura a partir dos valores dos CBRs (California Bearing Ratio), para a energia intermediária.
Destaca-se que os corpos-de-prova das misturas rejeito de manganês-cimento foram submetidos a
dois tipos diferentes de cura: a cura imersa (4 dias imersos) e a cura mista (4 dias imersos e 3 dias
secos na sombra). Constatou-se que a mistura de rejeito-cimento com teor de cimento de 2%, em
peso, e cura mista apresentou um CBR de 95,10%, o que permite a sua utilização na construção de
base e sub-base de pavimentos e, também, pode evitar problemas ambientais causados pelo rejeito.

PALAVRAS-CHAVE: Meio Ambiente, Rejeito de Manganês, Estabilização, Pavimentação.

1 INTRODUÇÃO para a economia do País, mas gera uma


quantidade muito alta de rejeito, causando um
Encontrar matérias-primas de boa qualidade em forte impacto ao meio ambiente. Os compostos
jazidas, principalmente, quando se trata em do minério de manganês são utilizados desde a
atender as especificações para utilização em pré-história, pelo menos 17 mil anos atrás,
camada de base em rodovias, é trabalhoso e, quando o homem usava o dióxido de manganês
muitas vezes, a jazida com solo de qualidade para pinturas nas rochas. Também os
está distante do trecho de construção da Espartanos (Grécia Antiga) possuíam espadas
rodovia. Contudo sabe-se que é possível com liga de manganês, que eram as mais
estabilizar solos de baixa resistência e utilizá- resistentes espadas da época, (Medeiros, 2015).
los como base de pavimentos. A maior parte do consumo mundial de
A extração do minério de manganês é uma manganês é na indústria siderúrgica na
atividade que contribui de forma significativa produção de aço, que absorve cerca de 90% de
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

toda produção mundial deste metal. Destaca-se textura argilo-areno-siltosa. No trabalho, foram
que as ligas metálicas obtidas com o manganês realizados ensaios CBR (California Bearing
tendem a apresentar maior resistência mecânica, Ratio) e resistência à compressão não
dureza, rigidez e resistência ao desgaste. O confirmada, com três teores do RBI Grade 81
manganês também é utilizado na fabricação de (2%, 4% e 6%) e três períodos de cura (1, 7 e 28
pilhas, baterias, em mandíbulas de altas dias). Concluiu-se que o solo obteve um
resistências para corte de trilhos, e etc. aumento significativo de resistência.
(Medeiros, 2015). Para Castro (2011), o Quanto à mistura solo-cal, dados de
descarte do rejeito de manganês de forma laboratório de Mendonça et al. (1998) mostram
incorreta se torna um fator muito agravante ao que para um tempo de cura 28 dias e para uma
meio ambiente contribuindo para a mistura solo-cal de 6% de teor de cal, em peso
contaminação das nascentes de rios e lagos. da cal na mistura solo-cal, resultou em CBR 8,2
Em 1962, foi implantada uma empresa vezes maior do que o valor do CBR inicial do
mineradora na cidade de Licínio de Almeida - solo natural não misturado com a cal.
BA cujo objetivo era a exploração do minério Já a mistura do solo-cimento também vem
de manganês, material este, amplamente sendo empregada no Brasil há muito tempo,
utilizado na composição das ligas metálicas, pois desde a década de 1960 esta mistura tem
que por sua vez, é essencial na fabricação do sido utilizada em obras de pavimentação em
aço. Vale ressaltar que as atividades de regiões com escassez de pedreira. Grande parte
mineração dessa localidade perduraram por da malha rodoviária do Estado de São Paulo foi
aproximadamente cinco décadas. construída com a mistura de solo-cimento. De
O rejeito do manganês é o resultado de uma acordo com Bernucci et al. (2008), denomina-se
sucessão de etapas de beneficiamento do solo-cimento, quando o percentual em massa de
minério de manganês, que compreende desde a cimento está acima de 5% na mistura com o
extração do material nas minas, transporte, solo. Destaca-se que para Balbo (2007), quando
britagem e, por fim, o peneiramento. a mistura solo-cimento apresentar teores de
Definir a proporção exata do rejeito por cimento, em peso da mistura, menores que 4%,
tonelada de minério beneficiado ainda é muito a mistura é designada de solo melhorado com
complexo, tendo em vista que fatores, a cimento.
exemplo da diversidade de técnicas empregadas Além do mais, o cimento Portland, quando
na extração e condições climáticas, podem misturado com o solo pode influenciar de forma
influenciar para mais ou para menos na geração benéfica na mistura para melhorar o solo nos
desse rejeito. Estima-se, todavia, com base nos seguintes aspectos: diminui expansão, melhora
dados obtidos da empresa mineradora instalada a plasticidade (reduzir IP), eleva o CBR, e
em Licínio de Almeida-BA, e verificando melhora a granulometria do solo para atender as
através do relatório de pesquisa do IPEA especificações da norma. A norma brasileira
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que trata da dosagem solo-cimento é a NBR
que este resíduo representa cerca de 3% por 12253 (2012).
tonelada de minério beneficiado. Em termos Finalmente, este trabalho tem como objetivo
geotécnicos, conceitualmente o rejeito de avaliar, de forma qualitativa, quais as reais
manganês é considerado solo. influências, em termos de CBR, quando são
Atualmente, existem muitos estabilizantes adicionados ao rejeito de manganês de Licínio
para solos no mercado, pode-se destacar o RBI de Almeida-Ba, porcentagens de 2 %, 4% e 6%,
(Road Building International), o cimento em peso, de cimento na mistura. Considerando-
Portland e a cal. França (2003) estudou o se para os corpos-de-prova analisados a cura
comportamento de quatro tipos de solos da imersa de 4 dias e a cura mista de 7 dias (4 dias
Microrregião de Viçosa-MG, constituídos de de imersão e 3 dias secos na sombra). Destaca-
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

se que todos os corpos-de-prova avaliados neste de manganês e transportado até a Cidade


trabalho foram compactados na energia Vitória da Conquista-BA, para o laboratório da
Intermediária de Proctor e o rejeito é EMURC (Empresa Municipal de Urbanização
classificado como sendo um solo A-4 pela TRB de Vitória da Conquista) para análises das
(Transportation Research Board). propriedades físicas do rejeito de manganês. A
figura 2 mostra o rejeito de manganês no
momento em que estava sendo secado em
2 MATERIAIS E MÉTODOS sombra, antes de ser submetido aos ensaios.

Neste tópico, tem-se uma análise detalhada do


rejeito de manganês do ponto de vista
geotécnico, e também alguns aspectos
relacionados à coleta do rejeito e os principais
procedimentos laboratoriais para avaliar as
misturas rejeito de manganês-cimento Porland.

2.1 A Coleta do Rejeito de Manganês

A amostra do rejeito de manganês utilizada Figura 2. Rejeito de manganês no momento em que


estava sendo secado em sombra (Fonte: Acervo dos
neste estudo foi coletada na cidade de Licínio autores, 2015).
de Almeida-BA, em um ponto de descarte,
localizado nas adjacências da empresa de 2.2 Classificações e Análise Minerológica do
mineração local. O registro do local de coleta Rejeito
foi feito em coordenadas geográficas com um
aparelho GPS, que indicou uma latitude Os ensaios para classificação do rejeito de
14º40’43.1’’S e longitude 42º30’53.8’’W. A manganês foram realizados na EMURC e no
figura 1 mostra a localização do ponto de laboratório de Geotécnica da UFV
amostragem. (Universidade Federal de Viçosa). O material
(rejeito de manganês) foi classificado como solo
A-4 pela classificação TRB, SP (sand poor)
pela classificação USCS (Unified Soil
Classification System), e NA’ (Não Laterítico
Arenoso), pela classificação MCT (Miniatura
Compactado Tropical). A amostra estudada
(rejeito de manganês) não apresentou LP
(Limite de Plasticidade) e nem LL (Limite de
Liquidez); assim sendo, o material não
apresentou IP (Índice de Plasticidade). O valor
obtido para a massa específica dos sólidos foi
Figura1. Localização do ponto de descarte do rejeito e S = 3,331 g/cm³. Assim, as normas técnicas
manganês na cidade de Licínio de Almeida - BA (Fonte: utilizadas nestes estudos foram
Google Earth, 2015). respectivamente: NBR 6457, NBR 6459, NBR
7180 e NBR 6508.
Iniciaram-se os procedimentos da A figura 3 ilustra a curva granulométrica do
amostragem com a limpeza parcial do local, rejeito de manganês obtida com base no ensaio
removendo 10 cm da superfície do solo. Em descrito na NBR 7181. A análise minerológica
seguida foi coletado cerca de 200 kg do rejeito do rejeito de manganês foi realizada a partir do
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

ensaio de difração de raios X, com o 26,8% e massa específica seca máxima = 1,720
difratômetro de raios X do IFSC (Instituto de g/cm³. A figura 6 mostra a variação do CBR do
Física de São Carlos). Onde foi detectado, no rejeito de manganês na energia Intermediária de
rejeito de manganês, os seguintes minerais: Proctor. Pode-se observar que o CBR máximo
Gismodina, Muscovita, Caulinita e Quartzo. A do material foi igual a 64% para um teor de
Figura 4 ilustra o resultado do ensaio de umidade 26,8%. Destaca-se que o rejeito de
difração de raios X realizado no rejeito de manganês em seu estado natural apresentou
manganês. uma expansão de 0,1%, no ensaio CBR na
energia intermediária de Proctor.

Figura 3. Curva granulométrica do rejeito de manganês


(Fonte: Laboratório de Geotécnica da Universidade
Federal de Viçosa, 2015).
Figura 5. Curva de compactação do rejeito (Fonte:
Laboratório da EMURC, 2015).

Figura 4. Difratograma do rejeito de manganês da região


do município de Licínio de Almeida - BA (Fonte:
Laboratório do IFSC, 2016).

2.3 Proctor e CBR na Energia Intermediária

O ensaio de compactação e CBR, na energia


intermediária de Proctor, foram realizados no
laboratório de geotécnica da EMURC em
Vitória da Conquista - BA, com base nas
normas NBR 7182 e DNER-ME 049/94. A
figura 5 ilustra a curva de compactação na
energia intermediária de Proctor. Para o rejeito, Figura 6. CBR para do rejeito (Fonte: Laboratório da
obteve-se o teor de umidade ótima (Wot) = EMURC, 2015).
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

2.4 Tipo de Cimento Portland Utilizado na 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS


Estabilização do Rejeito RESULTADOS

O cimento Portland é altamente eficiente em Neste tópico, são apresentados e comentados os


argamassa, massas de assentamento e principais resultados obtidos com este trabalho.
revestimento, concreto armado, concreto para Os gráficos foram gerados a partir do programa
pavimentos e solo-cimento. O cimento utilizado Excel. Com base nos resultados, foi possível
nesse trabalho para estabilizar o rejeito foi o avaliar a qualidade do material quanto ao
cimento Portland CP4-32. Com características aspecto relacionado à construção de rodovia de
físico-químicas conforme NBR 5736 e acordo com as normas atuais do DNIT
adquirido no comércio de Vitória da Conquista- (DEPARTAMENTO NACIONAL DE
BA. INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES).

2.5 Principais Procedimentos Laboratoriais 3.1 Ensaios de Compactação com Misturas


Rejeito-Cimento Portland
Após a análise do material (rejeito de
manganês), sem adição de qualquer mistura A tabela 1 mostra os resultados dos ensaios de
estabilizante, deu-se início a análise das compactação na energia intermediária de
misturas de cimento com o rejeito de manganês. Proctor, realizados no laboratório da EMURC.
As misturas que foram realizadas seguiram uma Pode-se verificar que foram realizados 4
ordem de proporção com relação ao peso dos (quatro) ensaios de compactação sendo um
materiais, e os teores de cimento adicionado na ensaio com o rejeito sem mistura e 3 (três)
mistura foram de 2%, 4% e 6%. Também foram ensaios realizados com as misturas rejeito de
realizados os ensaios de compactação na manganês-cimento nas proporções de 2%, 4% e
energia intermediária de Proctor para as 6% de teor de cimento, em peso, na mistura.
misturas rejeito de manganês-cimento para os Além do mais, tem-se a umidade ótima e a
teores, em peso de cimento na mistura, de 2%, massa específica seca máxima obtida dos
4% e 6%. ensaios. Verifica-se que a maior massa
Em seguida, foram moldados 3 (três) corpos- específica foi obtida com a mistura de 2% de
de-prova nos teores 2%, 4% e 6% de cimento, teor de cimento, na qual também se obteve o
em peso, na mistura rejeito-cimento, os quais menor teor de umidade.
foram submetidos a cura imersa (4 dias
imersos) e em seguida foram rompidos para Tabela 1. Compactação de Proctor na energia
obter os resultados dos CBR(s). intermediária (Fonte: Laboratório da EMURC).
Finalmente, foram moldados mais 3 (três) TEOR DE UMIDADE MASSA ESPECÍFICA SECA
MATERIAL
corpos-de-prova nos teores de 2%, 4% e 6% de (REJEITO + TEOR DE
ÓTIMO MÁXIMA

% (g/cm³)
cimento, em peso, nas misturas rejeito-cimento, CIMENTO)

os quais foram submetidos a cura mista de 7 REJEITO (SOLO) 26,80 1,720

dias (4 dias submersos e 3 dias secos na


REJEITO + 2% 24,80 1,780
sombra) e , logo após, foram obtidos os
REJEITO + 4% 25,50 1,747
resultados dos CBR(s) da mistura.
REJEITO + 6% 26,60 1,705
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

3.2 Comportamento das Misturas Rejeito de linear. Além disso, a massa específica seca
Manganês-Cimento Portland máxima foi igual a 1,780 g/cm³, localizada no
topo parábola cúbica.
A figura 7 mostra a variação da umidade ótima A figura 9 ilustra a trajetótia de variação do
das misturas rejeito de manganês-cimento para CBR das misturas rejeito de manganês-cimento
os teores de cimento, em peso, de 0%, 2%, 4% e para os teores de cimento, em peso, de 0%, 2%,
6%, a qual foi obtida nos ensaios de Proctor na 4% e 6% obtidos a partir dos ensaios de Proctor
energia intermediária. na energia intermediária, para uma cura imersa
Observa-se que a relação não linear de 4 dias em água.
apresentada na figura 7 foi obtida com apenas 4
pontos, que é um número pequeno de pontos
1,800
para obter tal relação. Provavelmente, se o

Massa específica seca máxima (g/cm3)


número de pontos fosse maior, talvez o valor do
R² (coeficiente de determinação) poderia ser
menor do que 1. 1,750

Pode-se observar na figura 7 que a partir do


teor de cimento de 2% a umidade ótima do solo
aumenta, na proporção que se aumenta o teor de 1,700

cimento (TC), até uma umidade máxima de máx = 0,0018.(TC)3 - 0,0221.(TC)2 + 0,0673.(TC) + 1,72
R² = 1
26,6%. Além do mais, percebe-se que a relação
entre a umidade ótima e o teor de cimento é um 1,650
0 1 2 3 4 5 6 7
polinômio tipo parábola cúbica, ou polinômio
Teor de cimento, TC, (%)
de 3º (terceiro) grau.
Figura 8. Variação da massa específica seca máxima
27,0 versus teor de cimento, para misturas rejeito de
manganês-cimento.
Teor de umidade ótimo (%)

26,5

26,0
Ademais, pode-se observar, na figura 9, que
25,5 a partir do teor de cimento de 2%, o CBR
25,0
aumenta, na proporção em que se aumenta o
teor de cimento (TC), até um valor máximo de
24,5 Wot= -0,0479.(TC)3 + 0,625.(TC)2 - 2,0583.(TC) + 26,8
R² = 1
CBR igual a 218,60%.
24,0 Destaca- se, na figura 9, que o CBR para o
0 1 2 3 4 5 6 7
teor de 2% de cimento foi igual a 76,3%, ainda
Teor de cimento, TC, (%)
um valor baixo para conferir a utilização deste
material como base de pavimento rodoviário,
Figura 7. Variação umidade ótima versus teor de cimento,
conforme recomenda o Manual de
para misturas rejeito de manganês-cimento.
Pavimentação do DNIT. Contudo, para o teor de
A figura 8 mostra a variação da massa 4%, em peso, o CBR foi para 118,5%,
específica seca máxima das misturas rejeito de tornando-se um excelente material para base de
manganês-cimento para os teores de cimento, pavimento. Ainda, o R² da relação mesmo
em peso, de 0%, 2%, 4% e 6% obtidos nos sendo menos que 1 pode ser considerado muito
ensaios de Proctor na energia intermediária. bom, pois está muito próximo de 1.
Pode-se verificar na figura 8 que a partir do A figura 10 representa a variação do CBR
teor de cimento de 2%, tem-se que à medida das misturas rejeito de manganês-cimento para
que se aumenta o teor de cimento (TC), a massa os teores de cimento, em peso, de 0%, 2%, 4% e
específica seca máxima se reduz de forma quase 6%, os quais foram obtidos a partir dos ensaios
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

de Proctor na energia intermediária, para cura cimento (TC), até um CBR de 239,9%. Ainda,
mista de 7 dias (imersa de 4 dias e 3 dias secos verifica-se que a relação entre o CBR e o teor
na sombra). de cimento é um polinômio tipo do 3º grau (ou
Observa-se que a relação não linear parábola cúbica).
apresentada na figura 10 foi obtida com apenas Verifica-se, na figura 10, que o valor do
4 pontos, que é um número pequeno de pontos CBR para mistura com teor de cimento de 2% e
para obter tal relação. Provavelmente, se o cura mista foi igual a 95,1%, ou seja, um
número de pontos fosse maior, talvez o valor do excelente resultado, que qualifica este material
R² poderia ser menor do que 1. para ser utilizado com base de pavimento de
estradas. Deste modo, mesmo para um teor de
cimento baixo o resultado foi muito bom,
Cura imersa (4 dias) considerando-se a cura mista.
250
Finalmente, a tabela 2 indica os resultados da
200 expansão medidas nos ensaios CBR’s, na
energia intermediária de Proctor, para as
CBR (%)

150 misturas rejeito de manganês-cimento para os


teores de cimento, em peso, de 0% (rejeito
100
puro), 2%, 4% e 6%. Também, considerando-se
a cura dos corpos-de-prova, do tipo mista de 7
50
CBR = 5,4875.(TC)2 - 7,625.(TC) + 65,4
R² = 0,9973
dias (imersa de 4 dias e 3 dias secos na sombra)
0
e do tipo imersa de 4 dias. Percebe-se, através
0 1 2 3 4 5 6 7 da tabela 2, que o cimento Portland contribui
Teor de cimento, TC, (%) para uma total estabilização das misturas tanto
para cura mista como para a cura imersa, no que
Figura 9. Variação do CBR versus teor de cimento, das
misturas rejeito de manganês-cimento e para cura imersa
se refere à expansão.
de 4 dias.
Tabela 2. Expansão com a cura mista e a cura imersa.

Cura mista
(Imersa de 4 dias e 3 dias secos na sombra)
250

200
CBR (%)

150

100
5 CONCLUSÃO
50
CBR = 1,7458.(TC)3 - 10,525.(TC)2 + 29,617.(TC) + 64
R² = 1
As principais conclusões obtidas com este
0
trabalho são as que se seguem:
0 1 2 3 4 5 6 7 i) O material pesquisado (rejeito de
Teor de cimento, TC, (%)
manganês de Licínio de Almeida-BA) não
atende a especificação normativa do DNIT
Figura 10. Variação do CBR versus teor de cimento, das (Manual de Pavimentação) para ser utilizado
misturas rejeito de manganês-cimento e para cura mista.
como base de rodovias, pois o CBR apresentou
um valor abaixo do estabelecido pela norma.
Pode-se constatar através da figura 10 que a Contudo a depender do tipo de cura dos corpos-
partir do teor de cimento de 2% o CBR de-prova, a adição de cimento Portland, em
aumenta, na proporção que se aumenta o teor de
XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

peso, na proporção de 2%, 4% e 6%, nas REFERÊNCIAS


misturas com o rejeito de manganês elevou o
CBR a níveis superiores aos estabelecidos pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR
norma do DNIT para base de pavimento 12253. Solo-cimento-dosagem para emprego como
camada de pavimento- procedimento. 2012
rodoviário. ________. NBR 6457. Solo - Amostras de solo -
ii) Na pesquisa feita, atesta-se que esse preparação para ensaios de compactação e de
rejeito de manganês que no momento está caracterização. Rio de Janeiro. 1986.
degradando a natureza, pode ser reutilizado na ________. NBR 7182. Solo - ensaio de compactação.
construção de rodovias, trazendo dois Rio de Janeiro. 1986.
________. NBR 6508. Grãos do solo que passam na
benefícios básicos: o de proteger a natureza, peneira 4,8mm - determinação da massa especifica.
onde o meio ambiente está sendo poluído (rios e Rio de Janeiro. 1984.
lagos), e ao mesmo tempo evita explorar novas ________. NBR 6459. Solo - determinação do limite de
jazidas para base de rodovia, onde ocorre o liquidez. Rio de Janeiro. 1984.
impacto ambiental de derrubada vegetação e ________. NBR 7180. Solo - determinação do limite de
plasticidade. Rio de Janeiro. 1984.
escavações. ________. NBR 7181. Solo – Análise granulométrica.
iii) Observou-se, com este trabalho, que a Rio de Janeiro. 1984.
variação do CBR com o teor de cimento Balbo, J. T. (2007) Pavimentação Asfáltica: projeto,
Portland, para as misturas rejeito de manganês- materiais e restauração. 1. ed., Oficina de Textos,
São Paulo, SP, BRASIL, 558 p.
cimento, é um polinômio do segundo grau
Bernucci, L. B.; Mota, L. M. G.; Cerratti, J. A. P.; Soares,
quando a cura dos corpos-de-prova é imersa, e é J. B. (2008) Pavimentação asfáltica - Formação
um polinômio do terceiro grau quando a cura básica para engenheiros. ABEDA (Associação
dos corpos-de-prova é do tipo mista de 7 dias Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfaltos),
(imersa de 4 dias e 3 dias secos na sombra); Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 501p.
Castro, C. G. (2011) Estudo do aproveitamento de
Também, as relações polinomiais do CBR com
rejeitos do beneficiamento do Manganês pela
o teor de cimento, para as misturas rejeito de indústria cerâmica. Dissertação de Mestrado,
manganês-cimento podem ser consideradas Programa de Pós-Graduação em Engenharia de
excelentes, pois os valores dos R² foram de 1 Materiais Ouro Preto da REDEMAT (Rede Temática
(um) ou próximo de 1 (um). de Engenharia de Materiais), Universidade Federal de
Ouro Preto (UFPO), 108p.
iv) Finalmente, destaca-se que o valor do
DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS DE
CBR, para mistura com teor de cimento de 2% e RODAGEM - DNER-ME 049/94. Solos -
cura mista, foi igual a 95,1% e com expansão de determinação do índice de suporte Califórnia
0,00%, o que, seguramente, qualifica este utilizando amostras não trabalhadas. Rio de Janeiro,
material como excelente para ser utilizado com 1994.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE
base de pavimento de estradas, mesmo para um INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNIT -
baixo teor de cimento Portland utilizado. Manual de pavimentação. 3. ed. Rio de Janeiro. 2006.
França, F. C. (2003) Estabilização química de solos para
fins rodoviários: Estudo de caso com o produto “RBI
AGRADECIMENTOS GRADE 81”. Dissertação de Mestrado, Programa de
Pós-Graduação em Engenharia, Universidade Federal
de Viçosa (UFV), 104p.
Ao técnico de laboratório José Augusto do Medeiros, M. A. (2015) Manganês - Aplicações e
IFSC (Instituto de Física de São Carlos), ao envolvimento com a saúde. http
técnico de laboratório Francisco da EMURC www//quiprocura.net/wordpress/2015/11/16
(Empresa Municipal de Urbanização de Vitória manganês-aplicações-e-envolvimento-com-a-saúde.
Mendonça, A. A.; Lima, D. C.; Bueno, B. S.; Fontes, M.
da Conquista) e a todos(as) os(as) P. F. (1998) Caracterização tecnológica de misturas
funcionários(as) da Gerlab da FTC (Faculdade solo-cal: estudo de caso dirigido a dois solos de
de Tecnologia e Ciências) de Vitória da Viçosa - MG. COBRAMSEG, XI, Brasília, v. 2, p.
Conquista-BA. 1175-1182.

Você também pode gostar