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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM PSICOLOGIA CLÍNICA

DISCIPLINA: O PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO E A FUNÇÃO SIMBÓLICA

PROF.ª DR.ª LILIANA LIVIANO WAHBA

EDUARDO ARRUDA SAUTCHUK

Reflexão acerca dos verbetes de “símbolo” no livro Tipos Psicológicos


(OC 6) de Jung

NÚCLEO DE ESTUDOS JUNGUIANOS

São Paulo
2021
O conceito de símbolo é um elemento central para a teoria junguiana. São muitas
as definições e relações que aparecem na obra de Jung acerca do simbólico, da função
simbólica ou transcendente.
A leitura dos parágrafos indexados com o termo “símbolo” no livro Tipos
Psicológicos (JUNG, 2014) permite observar tal variedade: imagens internas da psique;
ponte entre consciente e inconsciente; energia psíquica; mediação entre opostos; terceiro
elemento; conhecido-desconhecido criatividade; oposição real-irreal; o mysterium
conjunctionis; o numinoso; ambivalência da consciência; religião; união; dinamismo
finalista; entre outros.
O símbolo é considerado uma função básica da psique, que independe da
vontade consciente. Não é possível criar um símbolo intencionalmente, uma vez que ele
é essencialmente desconhecido, pelo menos em parte. Essa é a característica que o faz
ser “vivo”: produz efeitos na consciência e não se esgota, porque não é compreensível
em sua totalidade. Um símbolo totalmente conhecido não é um símbolo, torna-se signo
ou alegoria.
Diferentes imagens são consideradas “símbolos de... (alguma coisa)”. Por
exemplo, renovação da vida, salvador, redentor, morte, transição, amor, esperança, do
pai, da mãe, de animais. Há ainda símbolos fálicos ou uterinos. Geralmente, o símbolo
se apresenta de alguma forma a alimentar a imaginação. Por exemplo, símbolos que
remetem ao corpo ou à sexualidade podem gerar um fluxo de energia a partir da
imaginação erótica (de ligação).
O símbolo é, em suma, uma função psíquica criativa de expressão daquilo que
não é conhecido totalmente. Tem caráter numinoso. Sustenta opostos dentro de si
mesmo: é racional e irracional; pode ser uma imagem definida mas ao mesmo tempo
relativa; pode ser individual e social. Ou seja, está numa liminaridade que conecta o
consciente e o inconsciente. Oferece, portanto, os caminhos de sentido no processo de
desenvolvimento psíquico.

Referência:
JUNG, C. G. Psychological types. CW 6. Princeton University Press, 2014. (Trabalho
originalmente publicado em 1921)

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