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Principais decisões do STF, TST e STJ | Principais atos normativos

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(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Miziara, Raphael
Retrospectiva trabalhista 2020 [livro eletrônico] : inclui os principais julgados
do STF, TST e STJ de interesse trabalhista, bem como referência aos principais atos
normativos editados no ano / Raphael Miziara. -- 1. ed. -- São Paulo : Thomson
Reuters Brasil, 2021. 6 Mb ; ePub
Bibliografia
ISBN 978-65-5614-999-8
1. Direito do trabalho 2. Direito do trabalho - Brasil I. Título.

20-53753 CDU-34:331(81)

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1. Brasil : Direito do trabalho 34:331(81)
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Principais decisões do STF, TST e STJ | Principais atos normativos
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020
INCLUI OS PRINCIPAIS JULGADOS DO STF, TST E STJ DE INTERESSE
TRABALHISTA, BEM COMO REFERÊNCIA AOS PRINCIPAIS ATOS
NORMATIVOS EDITADOS NO ANO

Raphael Miziara

© desta edição [2021]

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Juliana Mayumi Ono
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Fechamento desta edição [23.12.2020]

ISBN 978-65-5614-999-8
SUMÁRIO

Apresentação................................................................... 7

Janeiro.............................................................................. 11

Fevereiro.......................................................................... 35

Março............................................................................... 93

Abril.................................................................................. 125

Maio................................................................................. 149

Junho................................................................................ 179

Julho................................................................................. 209

Agosto.............................................................................. 223

Setembro.......................................................................... 249

Outubro............................................................................ 273

Novembro........................................................................ 289

Dezembro......................................................................... 305

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APRESENTAÇÃO

O ano de 2020 não é um ano para ser esquecido. Dele o ser humano pôde
e ainda poderá extrair as mais diversas lições. Foi um ano duro e inesperado.
A pandemia da Covid-19 impôs à humanidade uma nova forma de viver e se
relacionar.
Muitas das controvérsias relacionadas ao impacto da pandemia nas rela-
ções de trabalho ainda não chegaram ao Tribunal Superior do Trabalho, o que é
natural, já que a correta observância dos princípios do contraditório e da ampla
defesa e, enfim, todo trâmite processual, exigem uma duração razoável. Em
verdade, apenas alguns casos pontuais foram enfrentados pela mais alta Corte
trabalhista do país e, ainda assim, decididos de forma monocrática e caráter
emergencial.
De todo modo, o ano foi agitado para área trabalhista. Temas importan-
tíssimos foram julgados pelo Supremo Tribunal Federal, em caráter vinculante.
Outros tantos foram decididos pelo Tribunal Superior do Trabalho, notadamente
pelo seu Tribunal Pleno e pelas suas Seções Especializadas. A elas, se somam
outras tantas decisões turmárias, que refletem a rica diversidade de pensamento
e ideias entre os Ministros da Corte Trabalhista. Para fins didáticos, as decisões
estão divididas em cores, conforme legenda encontrará ao longo do material.
O intenso fluxo de ideias e informações muitas vezes impedem com que
possamos estar atentos a todas as novidades e muitas passam despercebidas. O
objetivo da Retrospectiva é permitir com que o profissional da área trabalhista
possa estar preparado, pelo menos do ponto de vista da atualização jurispru-
dencial, para o ano de 2021. Espera-se que seja extremamente útil e encontre
boa acolhida.
O material é composto da reprodução parcial de ementas e notícias
veiculadas pelos próprios tribunais. Algumas notas de autoria própria foram
acrescentadas, quando reputei necessário. Logo, não poderia deixar de registrar
aqui meu profundo agradecimento e elogio à Secretaria de Comunicação Social
do Tribunal Superior do Trabalho e do Supremo Tribunal Federal. Igualmente,
aos competentes servidores responsáveis pela elaboração dos informativos
do STF, do TST e do STJ.

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Ainda, não poderia de deixar registrado meu agradecimento especial ao


amigo e Professor Fabiano Coelho, pelo desafio que há muito abraçou de pro-
duzir periodicamente materiais de atualização jurisprudencial.
De igual modo, quero registrar o especial agradecimento à Editora Revista
dos Tribunais, na pessoa das queridas e competentes Juliana Ono e Quênia
Becker, que prontamente aceitou o desafio de elaborar o presente material e,
mais ainda, disponibilizá-lo de forma gratuita à comunidade jurídica.
Por fim, agradeço à minha esposa Carolina Hirata, pela paciência e com-
preensão quanto às minhas ausências necessárias à elaboração do presente
material.
Cartagena das Índias, 22 de dezembro de 2020.

Raphael Miziara
Organizador

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Retrospectiva Trabalhista 2020


Inclui os principais julgados do STF, TST e STJ de interesse
trabalhista, bem como referência aos principais atos
normativos editados no ano
Prof. Raphael Miziara1 (instagram @rmiziara)
Legenda:

Decisões do STF

SbDI-1

SbDI-2
Decisões do TST
SDC

Turmas

Decisões do STJ

Novidades Legislativas

Teses Vinculantes do TST

1. Doutorando em Direito (USP). Mestre em Direito (UDF). Especialista em Direito


(UCLM – Castilla-La Mancha). Advogado. Professor. Autor de livros e artigos jurídicos.

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JANEIRO

} 07/01/2020 – Readaptação para função administrativa depois da


alta previdenciária não configura alteração ilícita, ainda que com
redução salarial. O Regional manteve a improcedência da pretensão
ao reconhecimento da rescisão indireta e à estabilidade com funda-
mento na premissa de que a recolocação da reclamante em setor
administrativo, em razão de haver sido acometida por moléstias que
a impediam definitivamente de exercer as funções de comissária
de bordo, para as quais havia sido contratada, não caracteriza falta
grave do empregador, mesmo com a redução salarial e a alteração
do convênio médico para categoria inferior. Não havendo nos autos
nenhum elemento que permita concluir que a recolocação da recla-
mante possa porventura ter decorrido de eventual reconhecimento,
por parte da reclamada, da existência de doença ocupacional- tendo
em vista que tal existência foi negada nos presentes autos-, então a
recolocação da reclamante em setor compatível com sua limitação
não caracteriza falta grave do empregador, correspondendo, na ver-
dade, a uma alternativa juridicamente válida à extinção do contrato de
trabalho. Quanto aos danos morais, o Regional excluiu a indenização
com fulcro nas premissas de que não há prova de culpa ou dolo da
reclamada no surgimento da doença psiquiátrica da reclamante; e de
que a atividade econômica não enseja a responsabilidade objetiva da
reclamada. Realmente, de acordo com o artigo 256, § 2º, do Código
Brasileiro de Aeronáutica (Lei nº 7.565/86), há apenas uma modali-
dade de responsabilidade objetiva do transportador aéreo: é aquela
referente a morte ou lesão de tripulante ou empregado “causada
por acidente ocorrido durante a execução do contrato de transporte
aéreo, a bordo de aeronave ou no curso das operações de embarque
e desembarque”. Ora, conforme regra elementar de Hermenêutica
Jurídica, as exceções não comportam interpretação extensiva; e dada
a natureza excepcional da responsabilidade objetiva em relação à

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

modalidade subjetiva, não há como pretender-se estender a aplica-


bilidade do artigo 256, § 2º, do Código Brasileiro de Aeronáutica a
eventos que não decorram de acidentes aéreos, como no caso ora sub
judice. (TST-AIRR-1001621-57.2016.5.02.0718, 8ª Turma, Relatora
Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 07/01/2020).
} 07/01/2020 – Comunicar despedida por telegrama, de empregado
cujo contrato perdurou por mais de 32 anos, gera danos morais.
O comportamento da reclamada ultrapassou os limites do poder
diretivo, pois despedir, por meio de um simples telegrama, um em-
pregado que lhe serviu por mais de 32 anos, com excelente reputação
na empresa, sem qualquer “falta ou advertência apta a manchar sua
vida funcional”, configura tratamento que não pode ser considerado
meramente deselegante, mas sim despótico, precisamente porque
extrapola os limites de tolerância de qualquer ser humano. O exercício
da atividade econômica, premissa legitimada em um sistema capitalis-
ta de produção, está condicionado pelo art. 170 da Constituição à ob-
servância dos princípios nele enumerados, entre os quais se incluem
a valorização do trabalho humano, a existência digna, de acordo com a
justiça social (caput) e a função social da propriedade (inciso III), este
último perfeitamente lido como função social da empresa. Ademais,
estabelece vínculo direto e indissociável com os princípios contidos no
art. 1º da Constituição, que fundamentam o Estado Democrático de
Direito, entre os quais se incluem os valores sociais do trabalho e da
livre iniciativa (inciso IV), sem se falar na dignidade da pessoa humana
(inciso III). Com base nesses princípios, é possível a limitação do direito
potestativo de dispensa, quando a ele se sobrepõe um bem jurídico
relevante, protegido pela ordem jurídica, especialmente constitu-
cional. Demonstrado o dano decorrente da conduta do empregador,
deve ser mantido o acórdão regional que o condenou a indenizá-lo.
(TST-Ag-AIRR-578-73.2015.5.02.0060, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 08/11/2019).
} 07/01/2020 – São cabíveis honorários advocatícios sucumbenciais
no processo do trabalho nos casos de extinção do processo sem exa-
me do mérito, em razão de pedidos ilíquidos, por aplicação do prin-
cípio da causalidade (TST-RR-1001945-20.2017.5.02.0263, 5ª Turma,

12
Janeiro

Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 07/01/2020).


Também são cabíveis se a extinção do processo sem resolução de
mérito se dá em virtude da homologação do pedido de desistência
da ação. (TST-RR-35-04.2018.5.06.0012, 5ª Turma, Relator Ministro
Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 07/02/2020).
} 07/01/2020 – É válida prova emprestada, independentemente da
anuência da parte contrária, desde que: a) houver identidade entre
os fatos a serem provados; e, b) houver respeito ao contraditório na
produção original da prova (TST-Ag-AIRR-11903-29.2016.5.18.0007,
Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, 3ª Turma, DEJT
07/01/2020).
} 07/01/2020 – Ônus da prova quanto à natureza do bem de família é
do credor. A pessoa atingida pela execução não tem o ônus de provar
que o imóvel é bem de família, pois compete ao Exequente demons-
trar a existência de outros bens a serem executados. Julgados do TST
e do STJ. Não há fraude à execução quando a alienação do imóvel de
sócio ocorre anteriormente à concentração da execução no seu pa-
trimônio. Julgados do TST e do STJ. (TST-RR-388-80.2014.5.15.0029,
8ª Turma, Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT
08/11/2019).
} 08/01/2020 – O depósito recursal, por ser garantia do juízo, deve
ser efetuado pela própria parte que figura no polo passivo da re-
lação processual, não se admitindo que seja efetuado por pessoa
estranha à lide, ainda que pertencente ao mesmo grupo econômico.
(TST-AIRR-10270-92.2017.5.15.0051, Relatora Ministra: Dora Maria
da Costa, 8ª Turma, DEJT 07/01/2020).
} 08/01/2020 – Empresas não podem pesquisar dados de cré-
dito de candidatos ao emprego (no caso, motorista) (TST-Ag-
-RR-1109-68.2012.5.10.0020, 2ª Turma, Relatora Ministra Delaide
Miranda Arantes, DEJT 08/11/2019). Há outras decisões turmárias
no mesmo sentido. Contudo, advirta-se que a matéria está pendente
de julgamento e definição na SBDI-1 do TST (vide dia 17/08/2020
desta retrospectiva).
} 08/01/2020 – Empresa não precisa observar piso normativo de
categoria diferenciada se não participou das negociações. Na

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

hipótese, o Tribunal Regional entendeu que o empregado integrante


de categoria profissional diferenciada tem o direito de haver de seu
empregador as vantagens previstas no instrumento coletivo que
regula o seu segmento específico, sendo irrelevante a participação
da empresa ou de seu representante sindical na celebração do ajus-
te normativo. Por isso, deferiu à reclamante as diferenças salariais
previstas nas convenções coletivas da categoria profissional dos
empregados em estabelecimento de serviços de saúde no Município
de Campos, mesmo sem prova de que a empresa tenha participado
dos referidos ajustes. Mas, a decisão regional não se harmoniza com
o entendimento predominante nesta Corte, de que o empregado
integrante de categoria diferenciada não pode obter vantagens
previstas em instrumento coletivo de cuja negociação a emprega-
dora não tenha tomado parte, conforme orienta a Súmula 374 do
TST. (TST-ARR-10613-66.2014.5.01.0283, 3ª Turma, Relator Ministro
Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 25/10/2019).
} 08/01/2020 – Não faz jus ao adicional de periculosidade motoris-
ta que apenas acompanha o abastecimento. A NR-16, que trata
sobre a periculosidade, menciona sua caracterização na hipótese
de abastecimento de veículo. O TST fixou jurisprudência no sentido
de que o adicional só é devido na hipótese em que o empregado
participe efetivamente do abastecimento, operando a bomba de
combustível. Com isso, os empregados que apenas acompanham o
abastecimento e durante este permanecem na área de risco, não tem
direito ao adicional. A súmula 447 do TST, inclusive, nega o adicional
para os tripulantes de aeronave que permanecem a bordo durante
o abastecimento. O mesmo raciocínio é aplicado ao motorista de
transporte rodoviário. A própria SBDI-1 do TST tem entendido ser
indevido o adicional de periculosidade no caso de o motorista ape-
nas acompanhar o abastecimento do veículo, sob o fundamento de
que o Quadro 3 do Anexo 2 da NR 16 do Ministério do Trabalho, ao
classificar as atividades perigosas realizadas na operação em postos
de bombas de abastecimento de inflamáveis líquidos, refere-se ape-
nas ao “operador de bomba e trabalhadores que operam na área de
risco”. (TST-RR-754-03.2014.5.12.0030, 1ª Turma, Relator Ministro
Luiz José Dezena da Silva, DEJT 08/01/2020).

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Janeiro

} 08/01/2020 – É deserto o recurso quando o recorrente junta apenas


o comprovante de agendamento do depósito recursal, pois “deve
ser feito e comprovado no prazo alusivo ao recurso” (súmula nº 245
do TST) (TST-Ag-AIRR-855-35.2014.5.03.0048 Data de Julgamento:
18/12/2019, Relator Ministro: Luiz José Dezena da Silva, 1ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 08/01/2020).
} 09/01/2020 – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
ação de cobrança de honorários advocatícios não repassados
ao empregado. Discute-se o direito de advogado aos honorários
de sucumbência, a que ele teria direito em razão da atuação como
advogado empregado do Banco do Brasil. Se esses honorários não
forem pagos e, virtualmente, são devidos, é a obrigação do Banco do
Brasil, como empregador, que está sendo, em última análise, debati-
da, porque esses honorários, embora tivessem sido passados para a
associação, não foram repassados para os advogados. O fato de haver
essa intermediação pela associação não tem o condão de descolar
a parcela de sua origem no vínculo de emprego e, portanto, afastar a
competência da Justiça do Trabalho. Assim, apesar do aspecto sutil,
a compreensão é de que o que se está a tratar é substancialmente de
honorários advocatícios devidos pelo Banco do Brasil que não foram
repassados para o autor que, na condição de advogado-empregado,
estava em licença-médica. E, por essa razão, a competência, inde-
pendentemente da intermediação pela associação, é da Justiça do
Trabalho. (TST-E-RR-159700-88.2010.5.16.0002, SBDI-1, Redator
Ministro Augusto César Leite de Carvalho, DEJT 16/08/2019).
} 10/01/2020 – A redução do percentual da “Gratificação de Regência
de Classe” dos professores municipais trata-se de alteração lesiva,
vedada pelo 468 da CLT. A gratificação havia sido estabelecida em
40% pela Lei Municipal 2.396/2000, que dispõe sobre o Plano de
Carreira e Remuneração para o magistério e demais trabalhadores
da educação do município. Porém, em 2011, a Lei Complementar
Municipal 46 reduziu-a para 15%. Na hipótese, o Regional reputou
válida a redução do percentual da gratificação de regência de classe
recebida pela reclamante, de 40% para 15%, sob o fundamento de que
o município reclamado estaria vinculado ao cumprimento da lei. Por

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

conseguinte, entendeu como indevidas as diferenças salariais decor-


rentes da alteração do em epígrafe. Ao assim decidir, adotou posição
dissonante com a jurisprudência do TST, incorrendo em violação do
artigo 468 da CLT. (TST-RR-2223-64.2011.5.12.0006, 4ª Turma, Rela-
tor Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 22/11/2019).
} 10/01/2020 – É lícita a gravação feita por terceiro que não participa
da conversa, desde que com autorização de um dos interlocutores.
A discussão dos autos não se refere à interceptação telefônica, a qual
é feita por terceiro que não participa da conversa, mas de “gravação
feita por um dos interlocutores (ou com autorização deste), no caso, a
esposa do autor”, por meio da qual se comprovaria que a reclamada
estava repassando informações negativas a seu respeito [reclamante]
para outras empresas onde estava prestando processo seletivo”. O
diálogo entre a esposa do reclamante e o preposto da reclamada,
responsável por prestar informações sobre ex-empregados, também
não se insere em causa legal de sigilo ou de reserva de conversação
para ser inadmitido como prova. Se houvesse vedação, seria em favor
do reclamante, sobre quem versava a conversa, e não da reclama-
da, como entendeu equivocadamente o Regional, ao concluir pela
ilicitude da prova. Registrou o Tribunal a quo que a gravação não foi
utilizada em proveito da esposa do reclamante (interlocutora que
realizou a gravação), “e sim de terceiro (autor), que não participou
da conversa”, sendo diversa da hipótese decidida no RE-402.717/
PR, na qual se concluiu pela licitude da gravação. Quanto à gravação
utilizada como prova, a Suprema Corte, nos autos do RE-583.937-RJ,
Tema nº 237 da Tabela de Repercussão Geral, em acórdão da rela-
toria do Exmo. Ministro Cezar Peluso (DJE 18/12/2009), reafirmou a
jurisprudência daquela Corte (fundamentos expendidos na decisão
proferida no RE-402.717/PR), fixando a tese: “é lícita a prova consis-
tente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem
o conhecimento do outro”. Impõe ressaltar que, na fundamentação
do acórdão do RE-402.717/PR (DJe 13/2/2009), cujos fundamentos
foram ratificados em decisão com caráter vinculante (repercussão
geral), o STF destacou que “já proclamou esta Corte, em hipótese em
certo sentido até mais singular, onde se discutia a licitude do uso do

16
Janeiro

teor de conversa telefônica por quem alegava ter sido vítima de crime
cometido de um dos interlocutores, o qual desconhecia a gravação
feita por terceiro com autorização do outro” (destacou-se), referindo-
-se à analogia entre “causa excludente de injuridicidade da ação” e
“legítima defesa”, adotada no acórdão proferido no HC nº 74.678
(DJ 15/8/97), relatado pelo Exmo. Ministro Moreira Alves. Nesse ha-
beas corpus, discutia-se a “utilização de gravação feita por terceiro
com autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do
outro”, em que se decidiu pela licitude da prova, com fundamento
em “causa excludente da antijuridicidade da ação”, em que a vítima
de extorsão pretendia comprovar a prática do referido crime pelo
interlocutor (fiscal de rendas), que não tinha conhecimento da gra-
vação. In casu, o reclamante defendia seu direito de personalidade,
pretendendo comprovar a prática de ato ilícito pela reclamada (pres-
tação de informações desabonadoras contra ele). Salienta-se que, se
o reclamante solicitasse à reclamada informações (como empregador
interessado na sua contratação), “sua voz seria reconhecida pelo
chefe e pelos colegas de trabalho”, que não prestariam informações.
Somente por meio de ligação telefônica feita por outra pessoa seria
possível a produção da prova. Nesse contexto, a exigência de que o
reclamante fosse um dos interlocutores da conversa gravada invia-
bilizaria a produção da prova do fato constitutivo do direito daquele
e a pretendida proteção jurisdicional de direitos da personalidade.
Por outro lado, o direito à privacidade da reclamada não é absoluto
para cercear a defesa do reclamante, que também busca preservar
sua intimidade, privacidade, honra e imagem. Ao contrário do enten-
dimento adotado pelo Regional, a Suprema Corte não exige que a
gravação seja utilizada, em Juízo, em proveito de quem a realizou
para ser considerada lícita, mas que tenha sido realizada por um
dos interlocutores da conversa, no caso, a esposa do reclamante.
A situação se assemelha à destacada pelo Exmo. Ministro Moreira
Alves (HC nº 74.678), em que “seria uma aberração considerar como
violação do direito à privacidade a gravação pela própria vítima, ou
por ela autorizada, de atos criminosos, como o diálogo com seques-
tradores, estelionatários e todo tipo de achacadores” (destacou-se).
Diante do exposto, a gravação de conversa por um dos interlocutores

17
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

(esposa do reclamante), a despeito do desconhecimento pelo outro


interlocutor (empregado da reclamada), a fim de repelir conduta
ilícita do outro, é lícita, não se enquadrando na vedação constante
do artigo 5º, incisos LVI e XII, da Constituição Federal, uma vez que
constitui exercício regular do direito e de legítima defesa (artigo 5º,
inciso LV). (TST-RR-1279-63.2012.5.09.0668, 2ª Turma, Relator Mi-
nistro Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).
} 13/01/2020 – Personal Trainer não consegue vínculo de emprego
com academia. Não se desconhece a jurisprudência desta Corte no
sentido de que, admitida a prestação do serviço, é ônus do reclamado
comprovar que a relação jurídica se desenvolveu sob forma diversa
da empregatícia. Ocorre que, em hipóteses como a dos autos, sabe-
-se que a própria natureza dos serviços prestados (personal trainer)
sugere grau considerável de autonomia, de modo que descabe o
reconhecimento da subordinação por presunção. Se não bastasse,
é possível se extrair elementos do v. acórdão que indicam ser o caso
de parceria comumente estabelecida no ramo de atividades físicas,
no qual profissional da área, com CNPJ ativo, se beneficia de local já
equipado e adequado para o desempenho de sua atividade de per-
sonal trainer, não consubstanciando a ausência de contrato escrito
óbice ao reconhecimento da relação de cunho civil. Destaca-se que
a prova testemunhal, conforme descrito no v. acórdão, consignou
afastamento espontâneo da reclamante por uma semana, não ha-
vendo registro de qualquer advertência ou punição pelas ausências,
o que indica a presença de autonomia para a prestação do serviço.
Não verificado qualquer elemento de que o labor era desempenhado
com subordinação, tem-se por indevido o reconhecimento do vín-
culo empregatício. (RR-21797-94.2015.5.04.0252, 5ª Turma, Relator
Ministro Breno Medeiros, DEJT 06/12/2019).
} 13/01/2020 – As comissões devidas ao representante comercial
autônomo devem ser calculadas sobre o valor da venda à vista, sem
acréscimo dos encargos do financiamento decorrentes de venda a
prazo. Não era a reclamada quem financiava a venda a prazo para os
seus clientes, mas sim a instituição financeira, que repassava àquela
apenas o valor da mercadoria à vista e recebia os juros decorrentes do

18
Janeiro

financiamento. O artigo 2º, caput, da Lei nº 3.207/57, que regulamen-


ta as atividades dos empregados vendedores, assim dispõe: “Art. 2º
O empregado vendedor terá direito à comissão avençada sobre as
vendas que realizar. No caso de lhe ter sido reservada expressamente,
com exclusividade, uma zona de trabalho, terá esse direito sobre as
vendas ali realizadas diretamente pela empresa ou por um preposto
desta”. Ainda, o artigo 32, § 4º, da Lei nº 4.886/65, que regulamenta
a atividade do representante comercial autônomo, estabelece que
as comissões deverão ser calculadas pelo valor total das mercadorias.
Por valor total das mercadorias não se pode entender tratar-se do
preço da venda acrescido dos encargos decorrentes do financiamen-
to, como os juros, mormente em hipóteses como a dos autos, em
que não era a tomadora dos serviços deste representante comercial
autônomo, empresa representada, que financiava o negócio, mas sim
distinta instituição financeira sem qualquer vínculo com a primeira
e que entabulava outro negócio jurídico com o cliente comprador.
Com efeito, os encargos decorrentes do financiamento não são
revertidos à empresa representada, que recebe apenas o valor da
mercadoria. Beneficiam, pois, apenas a instituição financeira, que
não possui nenhum vínculo com o representante comercial, mas
sim com o cliente. Além disso, esses acréscimos não são fruto direto
do trabalho prestado pelo autor, cujo esforço foi concentrado na
venda do produto pelo preço oferecido por quem ele representa.
Segundo se observa do artigo 884 do Código Civil, considera-se
enriquecimento sem causa a vantagem econômica auferida sem
substrato jurídico, aumentando o patrimônio do beneficiário sem
nenhum elemento jurídico capaz de justificá-la, em detrimento do
injustificado empobrecimento de alguém. Assim, embasado no fun-
damento de que não é possível se enriquecer sem uma causa lícita,
todo pagamento feito sem que seja devido deverá ser restituído.
Ademais, faz-se relevante diferenciar a relação jurídica travada entre
o representante comercial e a empresa representada, de interme-
diação da venda com o cliente, com o negócio firmado entre este e
a instituição financeira concedente do empréstimo, da qual o autor
nem sequer participou nem colaborou diretamente para acontecer,
tratando-se, pois, de relações distintas. Assim, considerando que os

19
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

contratos em geral devem ser interpretados conforme a boa-fé, nos


termos do artigo 422 do Código Civil, e tendo em vista a vedação ao
enriquecimento sem causa prevista no artigo 884 do mesmo Código,
as comissões devidas ao representante comercial autônomo devem
ser calculadas sobre o valor da venda à vista, salvo estipulação em
contrário. (TST-E-RR-1846-18.2011.5.03.0015, SBDI-1, Relator Mi-
nistro Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 06/12/2019).2
} 13/01/2020 – Justiça do trabalho é competente para julgar ACP em
face da Itaipu binacional. Consoante preceitua o artigo 102, inciso I,
alínea “e’, da CRFB/88, cabe ao STF processar e julgar originariamente
“o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a
União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território”. Com fundamento
no citado dispositivo constitucional, o Plenário do STF reconheceu
a competência originária daquela Corte em ACP cujas partes litigan-
tes eram o MPF, órgão da União, e a Itaipu Binacional (Reclamação
nº 2.937-PR). Na oportunidade, a discussão envolveu a imposição
unilateral de legislação brasileira à empresa binacional em assuntos
de interesse comum, mas não controvérsia decorrente da relação de
trabalho, como in casu. Por haver interesse direto da República do
Paraguai, que seria afetado em caso de sentença condenatória,
reconheceu-se a competência originária do STF, nos exatos termos do
artigo 102, inciso I, alínea “e”, da CRFB/88. Por sua vez, o artigo 114,
inciso I, da CRFB/88 diz respeito à competência da Justiça do Trabalho
para processar e julgar as ações trabalhistas que envolvam os entes de
direito público externo. Nesses termos, compete à Justiça do Trabalho
julgar “as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes
de direito público externo e da administração pública direta e indireta
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, bem
como “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na

2. Neste caso, a SBDI-1 reformou a decisão da Turma cujo entendimento foi sentido
de que o art. 2º da Lei nº 3.207/57 não faz distinção entre o preço à vista e o preço a
prazo, tampouco a norma trata do contrato de financiamento entre o consumidor e
a empresa nas vendas a prazo. Assim, para a Turma, as comissões deveriam incidir
sobre o valor da mercadoria vendida. (RR-1846-18.2011.5.03.0015, 5ª Turma, Relator
Ministro Emmanoel Pereira, DEJT 28/08/2015).

20
Janeiro

forma da lei”. A discussão destes autos cinge-se à relação de trabalho,


cujos empregados aqui contratados seguem o regime da CLT. Não diz
respeito à empresa na sua condição binacional, o que significa que
os interesses da República do Paraguai, bem como sua soberania e
territorialidade, não serão afetados por eventual decisão proferida
nesta causa. Inconteste, portanto, que a matéria discutida nestes
autos, envolvendo a Itaipu Binacional e o preenchimento das cotas
de pessoas com deficiência ou reabilitadas é de natureza trabalhista,
o que atrai a competência desta Justiça especializada para proces-
sar e julgar o feito, nos termos do artigo 114 da CRFB/88. Trata-se
de competência em razão da matéria. Tal competência também
está prevista no Tratado de Itaipu e documentos conexos. A Itaipu
é entidade binacional, constituída a partir de um tratado interna-
cional firmado em 1973 entre a República Federativa do Brasil e a
República do Paraguai, cuja finalidade é realizar o aproveitamento
dos recursos hídricos do Rio Paraná pertencentes em condomínio
aos dois países. Diante do que definido no referido tratado, a con-
tratação de pessoal e as questões trabalhistas deverão ser sanadas
pelas normas internas de cada país. Nesta seara, a responsabilidade
de uma parte não repercute na esfera binacional nem interfere na
legislação da outra parte que não realizou as contratações. Logo, se
a demanda é oriunda da relação de trabalho, mesmo figurando ente
de direito público externo na relação processual, compete à Justiça
do Trabalho a solução do conflito. Não havendo repercussão jurídica
ou patrimonial para a República do Paraguai, a Justiça do Trabalho
é competente para processar e julgar a presente ação civil pública
ajuizada pelo MPT. Desta forma, a decisão proferida pelo STF na
Reclamação nº 2.937-PR não alcança a competência da Justiça do
Trabalho. (TST-RR-485-83.2010.5.09.0095, 2ª Turma, Relator Ministro
Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).
} 14/01/2020 – Se a empresa demonstra inequivocamente a adoção
de todas as medidas necessárias para o cumprimento da cota de
deficientes ou reabilitados não pode ser condenada caso tal cota
não seja atendida. O TST entende que a CLT aos empregados da
Itaipu quando houver lacuna no tratado internacional e nos casos

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

em que se revelar mais benéfica ao trabalhador, em atenção ao prin-


cípio da norma mais favorável que norteia o Direito do Trabalho. Na
linha dos precedentes desta Corte, e considerando-se que o tratado
internacional não regula todos os aspectos da relação de trabalho,
não há dúvidas de que normas internas, tais como a Lei nº 8.213/91,
têm plena aplicabilidade ao caso dos autos, mormente por envolver
questão de ordem pública mais favorável ao trabalhador. O legis-
lador, em nítida ação afirmativa, estabeleceu no artigo 93 da Lei
nº 8.213/91 que as empresas com 100 ou mais empregados estão
obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com trabalhado-
res deficientes ou reabilitados. Depreende-se do citado dispositivo
de lei que a reserva dessas vagas não é para qualquer empregado
com deficiência, e sim para aqueles trabalhadores reabilitados ou de-
ficientes que possuam alguma habilidade para o trabalho, ou seja,
cuja deficiência permita o exercício de uma atividade laboral.
Depreende-se do acórdão regional que a empresa logrou comprovar
a adoção de todas as medidas cabíveis para preencher as cotas des-
tinadas às pessoas com deficiência física ou reabilitadas, nos termos
do artigo 93 da Lei nº 8.213/91, entretanto não conseguiu preencher
o percentual mínimo de reserva legal. Assim, não há como puni-la
pelo não preenchimento da totalidade das cotas estabelecidas.
Não se pode penalizar a empresa que buscou, embora sem êxito,
preencher a cota prevista no artigo 93 da Lei nº 8.213/91. A aplicação
do citado dispositivo não pode se distanciar do princípio da razoabili-
dade, notadamente quando demonstrada a dificuldade de encontrar
profissionais com deficiência e habilitados para o preenchimento do
cargo. Por sua vez, o artigo 93 da Lei nº 8.213/91 não especifica as
condições de cumprimento da cota legal, assegura tão somente o
percentual de contratação de empregados com deficiência. Ocorre
que a improcedência da pretensão não exonera a reclamada ad
aeternum da obrigação legal de promover a admissão de pessoas
com deficiência ou reabilitadas, nos termos da lei. As ações inibitórias
visam não apenas enfrentar um descumprimento atual, mas também
prevenir descumprimentos futuros do comando legal. Seu objetivo
é exatamente intervir nas relações jurídicas continuativas e prevenir
a prática das lesões, qualificando e reforçando a sanção prevista na

22
Janeiro

lei, o que significa dizer que, no futuro, a Itaipu Binacional continuará


obrigada a contratar empregados com deficiência, nos exatos termos
do artigo 93 da Lei nº 8.213/91. Não se trata de um salvo-conduto. As
consequências jurídicas são relevantes e, no caso, não seria necessária
a interposição de nova ação civil pública. É caso típico de aplicação
do artigo 505, inciso I, do CPC de 2015, segundo o qual “nenhum
juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma
lide, salvo: I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado,
sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que
poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença”. Se,
contingencialmente, a empresa não pode ser sancionada por descum-
primento do dispositivo legal porque demonstrou e comprovou fato
impeditivo, para o futuro subsiste a tutela inibitória necessária, inde-
pendentemente de já ter ocorrido o dano e independente de o réu
incorrer em dolo ou culpa. (TST-RR-485-83.2010.5.09.0095, 2ª Turma,
Relator Ministro Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).
} 14/01/2020 – Ministro Alexandre de Moraes, do STF, julga incabível
Mandado de Injunção impetrado por empregada celetista alegando
ausência norma que regulamente a licença em razão de familiar
portador de doença grave, no âmbito dos contratos de trabalhos
regidos pela CLT. O art. 5º, inciso LXXI, da Constituição Federal prevê
que se concederá mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício de direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à so-
berania e à cidadania. Trata-se de ação constitucional autoaplicável,
de caráter civil e de procedimento especial, que visa a suprir uma
omissão do Poder Público, no intuito de viabilizar o exercício de um
direito, uma liberdade ou uma prerrogativa prevista na Constituição
Federal, visando a afastar o que Aricê Moacyr Amaral Santos aponta
como a inércia da norma constitucional, decorrente da omissão
normativa (Mandado de injunção. São Paulo: Revista dos Tribunais,
1989. p. 31), ou no dizer de Canotilho, buscando destruir o rochedo
de bronze da incensurabilidade do silêncio legislativo (As garantias
do cidadão na justiça. Coord. Sálvio de Figueiredo Teixeira. São Paulo:
Saraiva, 1993. p. 367). Em outras palavras, como tive oportunidade

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de afirmar, o mandado de injunção visa ao combate à síndrome de


inefetividade das normas constitucionais (Direito constitucional.
33. Ed. São Paulo: Atlas, 2017. p. 183). As normas constitucionais que
permitem o ajuizamento do mandado de injunção não decorrem de
todas as espécies de omissões do Poder Público, mas tão somente
daquelas que têm relação com as normas constitucionais de eficácia
limitada de princípio institutivo de caráter impositivo e das normas
programáticas vinculadas ao princípio da legalidade, por depende-
rem de atuação normativa ulterior para garantir sua aplicabilidade.
Assim, sempre é necessária a presença dos requisitos do mandado
de injunção, que são (a) a falta de norma reguladora de uma previsão
constitucional (omissão total ou parcial do Poder Público); (b) invia-
bilização do exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Ressalte-se, portanto, que o cabimento do mandado de injunção pres-
supõe a existência de nexo de causalidade entre a omissão normativa
do Poder Público e a inviabilidade do exercício do direito, liberdade ou
prerrogativa, conforme decidido por esta Corte: DIREITO SUBJETIVO
À LEGISLAÇÃO E DEVER CONSTITUCIONAL DE LEGISLAR. A NECESSÁ-
RIA EXISTÊNCIA DO PERTINENTE NEXO DE CAUSALIDADE. O direito à
legislação só pode ser invocado pelo interessado, quando também
existir- simultaneamente imposta pelo próprio texto constitucional- a
previsão do dever estatal de emanar normas legais. Isso significa que
o direito individual à atividade legislativa do Estado apenas se eviden-
ciará naquelas estritas hipóteses em que o desempenho da função de
legislar refletir, por efeito de exclusiva determinação constitucional,
uma obrigação jurídica indeclinável imposta ao Poder Público. Para
que possa atuar a norma pertinente ao instituto do mandado de in-
junção, revela-se essencial que se estabeleça a necessária correlação
entre a imposição constitucional de legislar, de um lado, e o conse-
quente reconhecimento do direito público subjetivo à legislação, de
outro, de tal forma que, ausente a obrigação jurídico-constitucional
de emanar provimentos legislativos, não se tornará possível imputar
comportamento moroso ao Estado, nem pretender acesso legítimo
à via injuncional. Precedentes (MI 542, Rel. Min. Celso de Mello, Ple-
nário, DJ de 28/6/2002). Não é o que ocorre na presente hipótese,

24
Janeiro

uma vez que o impetrante, trabalhador da iniciativa privada, pretende


obter – a título de equiparação com o regime jurídico dos servidores
públicos civis da União – benefício previsto no art. 81, inciso I, da
Lei 8.112/90. Logo, evidencia-se pretensão incompatível com a via
do mandado de injunção, dada a ausência de previsão constitucional,
cuja eficácia dependa de norma regulamentadora (MI 6976, Rel. Min.
Roberto Barroso, DJe de 8/10/2018; MI 6875, Rel. Min. Marco Aurélio,
DJe de 2/10/2019). É, portanto, incabível o presente mandado de
injunção (STF-MI nº 7273).
} 14/01/2020 – Inscrição do nome de empregado em cadastros res-
tritivos de crédito gera danos morais. Hipótese em que o Tribunal
Regional indeferiu o pedido de indenização por danos morais, por con-
siderar que a indevida inclusão do nome da reclamante no cadastro
de devedores do SERASA, constitui mero aborrecimento. No caso, foi
fixada a premissa fática de que a trabalhadora teve seu nome incluso
indevidamente no cadastro de devedores do SERASA, por ato de res-
ponsabilidade da empregadora, o que por si só configura o prejuízo
ao patrimônio moral da empregada, o que torna impositiva a conde-
nação em danos morais. (TST-RR-510-62.2010.5.06.0004, 2ª Turma,
Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 22/11/2019).
} 14/01/2020 – Publicada pelo Governo Federal a Portaria nº 950, de
13 de janeiro de 2020, que dispõe sobre normas complementares
relativas ao Contrato de Trabalho Verde e Amarelo, conforme pre-
visto no art. 18 da MP nº 905, de 11 de novembro de 20193.
} 16/01/2020 – Atraso no pagamento de verbas rescisórias, por si só,
não gera danos morais. O Tribunal Regional condenou a reclamada
ao pagamento por danos morais em razão do inadimplemento das
verbas rescisórias. A jurisprudência do TST entende ser incabível a
condenação ao pagamento de danos morais pelo mero atraso ou
inadimplemento de verbas rescisórias, sendo necessária a efeti-
va comprovação do prejuízo daí decorrente. Precedentes. (TST-
-RR-21-69.2014.5.15.0154, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena
Mallmann, DEJT 19/11/2019).

3. Referida MP posteriormente teve sua vigência encerrada.

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 20/01/2020 – Beneficiária da justiça gratuita deve pagar custas por


faltar injustificadamente à audiência. Merece reforma o acórdão
regional que excluiu a condenação da reclamante, beneficiária da
justiça gratuita, ao pagamento das custas processuais, em que pese
a sua ausência injustificada à audiência, por implicar em afronta
literal ao artigo 844, § 2º, da CLT. (RR-1000216-69.2018.5.02.0021,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 13/12/2019).
} 22/01/2020 – O recolhimento do depósito recursal é válido desde
que a guia contenha dados suficientes para vinculá-la ao processo
em referência. No presente caso, a Guia de Depósito Judicial anexada
contém o número do processo, a Vara do Trabalho de origem e o cor-
reto valor do depósito necessário à época, na forma da Súmula nº 128,
I, do TST, além de nome e CNPJ da reclamada como responsável pelo
recolhimento; portanto, à luz do quanto já decidido por esta Turma,
o documento denominado “comprovante de pagamento de boleto”,
que contém autenticação bancária e o número do código de barras
idêntico àquele constante da guia retro mencionada, é suficiente
para demonstrar a correta satisfação do preparo do recurso ordinário
da reclamada. (RR-11268-57.2015.5.01.0039, 8ª Turma, Relatora
Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 22/11/2019).
} 27/01/2020 – Unesco tem imunidade absoluta de jurisdição. Con-
forme jurisprudência sedimentada na OJ nº 416 da SBDI-1, impõe-
-se reconhecer a imunidade absoluta de jurisdição aos organismos
internacionais quando amparados em norma internacional incorpo-
rada ao ordenamento jurídico brasileiro, como no caso da Unesco.
Violação do art. 5º, § 2º, da CRFB/88 reconhecida. (TST-ReeNece-
RO-3523-70.2010.5.10.0000, SBDI-1, Relatora Ministra Delaide
Miranda Arantes, DEJT 13/12/2019).
} 28/01/2020 – Estabilidade acidentária não se estende ao segundo
emprego. O art. 118 da Lei nº 8.213/91 é claro ao vincular a manu-
tenção do contrato de trabalho do acidentado à empresa em que
ocorrido o infortúnio, inclusive em se tratando de acidente de trajeto
(artigo 21, IV, da Lei nº 8.213/91). Nesse contexto, ao reconhecer a
estabilidade do autor em face de empresa alheia ao acidente ocor-
rido, com quem mantinha um contrato de trabalho simultâneo,

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a decisão ofendeu literalmente o artigo 118 da Lei nº 8.213/91.


(TST-RR-36-40.2016.5.22.0003, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 13/12/2019).
} 28/01/2020 – Mandado de segurança é incabível para atacar deci-
são que reconsidera arquivamento de reclamação trabalhista de
empregado faltante à audiência. Cuida-se de mandado de segurança
aviado contra decisão em que acolhido pedido de reconsideração do
arquivamento da reclamação trabalhista, na forma do art. 844 da CLT,
ante a apresentação de atestado médico por parte do reclamante,
ora Litisconsorte, bem como determinada a reinclusão do feito na
pauta de audiência inaugural. A ordem foi concedida no Regional,
por violação do art. 494 do CPC, em que consagrada a preclusão “pro
judicato”, também objeto do art. 836 da CLT. Na forma do art. 5º,
II, da Lei 12.016/2009, o mandado de segurança não representa a
via processual adequada para a impugnação de decisões judiciais
passíveis de retificação por meio de recurso, ainda que com efeito
diferido (OJ nº 92 da SBDI-2 do TST). No caso concreto, o reclamante
esteve ausente à audiência inaugural, no que resultou o arquiva-
mento do processo, nos termos do art. 844 da CLT. No dia seguinte, o
reclamante apresentou petição, acompanhada de atestado médico,
em que requereu a reconsideração daquela decisão, o que foi aco-
lhido pelo juízo com o desarquivamento da ação e a reinclusão do
feito em pauta. Nesse contexto, o inconformismo da reclamada, ora
impetrante, deve ser externado na própria reclamação trabalhista,
mediante a arguição de nulidade em contestação e, em caso de não
acolhimento na sentença de mérito, pode ser renovado como maté-
ria preliminar em recurso ordinário, (arts. 893, § 1º, e 895, I, da CLT).
Havendo no ordenamento jurídico medida processual idônea para
corrigir a suposta ilegalidade cometida pela autoridade apontada
como coatora, resta afastada a pertinência do mandado de segurança.
(TST-RO-602-71.2018.5.06.0000, SBDI-2, Relator Ministro Douglas
Alencar Rodrigues, DEJT 22/11/2019).
} 31/01/2020 – É cabível a multa do art. 477, § 8º, da CLT quando o
encerramento do vínculo contratual se dá pela declaração da resci-
são indireta em sentença. O egrégio TRT consignou expressamente

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

ser indevida a multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT, pois o en-
cerramento do vínculo contratual se deu pela declaração da rescisão
indireta declarada em sentença. Por sua vez, o acórdão embargado
limitou-se a analisar o direito à multa do referido artigo quando o
pagamento das verbas rescisórias se efetuou em valor inferior ao
devido. Ocorre que deveria examinar a controvérsia sob o enfoque da
multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT e da rescisão indireta, o que
será feito neste momento. Inicialmente, considerando a possibilidade
de a decisão recorrida contrariar entendimento consubstanciado
na jurisprudência pacificada deste TST, verifica-se a transcendência
política, nos termos do artigo 896-A, § 1º, II, da CLT. Ademais, com o
cancelamento da OJ nº 351 da SBDI-1, esta Corte superior passou a
adotar entendimento de que a mera discussão acerca da existên-
cia de vínculo de emprego ou da forma de rescisão contratual, no
caso, rescisão indireta, não é suficiente para afastar a aplicação
da multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT pelo atraso no paga-
mento das verbas rescisórias, exceto quando a mora decorrer da
culpa do empregado, o que não ficou evidenciado no caso. (TST-ED-
-RR-473-07.2016.5.17.0008, 4ª Turma, Relator Ministro Guilherme
Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/01/2020).
} 31/01/2020 – A contratação de empregados de capatazia nos portos
com vínculo empregatício deve recair sobre trabalhadores cadastra-
dos ou registrados no OGMO. Trata-se de jurisprudência dominante
e já reiterada em decisões turmárias e da SDC, com base na nova Lei
dos Portuários. Em controvérsias que tratam da Lei nº 8.630/1993,
a jurisprudência do Eg. TST orienta-se pelo regime de prioridade de
contratação de trabalhadores no serviço de capatazia cadastrados
no OGMO, sendo possível a contratação de trabalhadores não ca-
dastrados se observada a referida preferência. Para as contratações
realizadas a partir da vigência da Lei nº 12.815/2013, seu art. 40,
§ 2º, confere exclusividade aos trabalhadores portuários avulsos
registrados nos casos de contratação para os serviços de capata-
zia, bloco, estiva, conferência e conserto de carga e vigilância de
embarcações, com vínculo empregatício por prazo indeterminado.
3. Nesse caso, a interpretação literal é suficiente para entender que

28
Janeiro

a contratação de trabalhadores portuários deve ser realizada apenas


dentre aqueles que possuem registro no OGMO. Vale destacar que
na redação legal há a palavra “exclusivamente” para delimitar a con-
tratação apenas aos trabalhadores portuários registrados, incluindo
expressamente os serviços de capatazia, de modo que qualquer con-
clusão pela possibilidade de contratar trabalhadores não registrados
violaria o significado mínimo do texto objeto da interpretação, que é
o ponto de partida do intérprete. A interpretação histórica do art. 40,
§ 2ª, da Lei nº 12.815/2013 indica que a contratação exclusiva de
trabalhadores portuários registrados está em sintonia com um ce-
nário de modernização e eficiência, porquanto o OGMO tem em sua
essência justamente a busca por essas duas qualidades para o setor
portuário. 5. A partir de uma intepretação sistemática, a análise do
conjunto normativo da Lei nº 12.815/2013 permite concluir que em
nenhum momento o legislador estabeleceu diferença entre capa-
tazia e os demais serviços portuários, havendo tratamento unitário
para todos eles. (TST-E-ED-RR-52500-43.2007.5.02.0446, SBDI-1,
Redatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 31/01/2020).
} 31/01/2020 – Agravo de petição, mesmo que seja interposto pela
massa falida, exige delimitação de valores, como condição de pro-
cessamento do apelo. Além disso, reiterou a jurisprudência do TST no
sentido de que a Justiça do Trabalho é competente para processar a
execução contra a massa falida até a definição dos valores da con-
denação. O artigo 897, § 1º, da CLT dispõe que o agravo de petição
somente será recebido quando houver delimitação das matérias e
dos valores impugnados. Desse modo, é ônus da parte delimitar os
valores incontroversos, sob pena de o recurso não ser conhecido.
Verifica-se, portanto, que se trata de pressuposto de admissibilidade
recursal, o qual tem por finalidade evitar a interposição de recurso
genérico, o que obstaria o prosseguimento imediato da execução em
relação às parcelas incontroversas e, por consequência, a satisfação
do crédito do exequente. Além disso, o artigo 897, § 1º, da CLT, não
faz menção de que a condição de massa falida da executada retira a
obrigatoriedade de cumprir as regras contidas no referido dispositi-
vo. Nesse contexto, se a própria lei determina que o recurso só será

29
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias


e os valores impugnados, não há espaço para interpretação extensiva
da norma. Convém ressaltar que, ao contrário do que alega a execu-
tada, a competência desta Justiça Especializada se limita à apuração
dos créditos trabalhistas devidos ao exequente. Portanto, por força
do que dispõe o artigo 6º, caput e § 2º, da Lei nº 11.101/2005, a
competência da Justiça do Trabalho para execução contra a massa
falida (entendimento aplicável também em caso de execução con-
tra empresa em recuperação judicial) vai até a individualização e
quantificação do crédito, mesmo quando se tratar de contribuição
previdenciária decorrente de crédito trabalhista. Desse modo, cabe
à parte interessada, esgotado tal procedimento, efetuar a sua habi-
litação no Juízo Falimentar. Ademais, a jurisprudência do TST firmou
entendimento no sentido de que a observância do pressuposto de
admissibilidade do agravo de petição constitui ônus da parte recor-
rente, ainda que detenha a condição de massa falida. Precedentes.
Na hipótese, o agravo de petição interposto pela executada não foi
conhecido, quanto ao tema fato gerador- termo inicial para o cômputo
de juros e correção monetária- índice aplicável, ao fundamento de que
a parte não delimitou os valores que entenderam devidos quando da
apresentação dos embargos à execução e da interposição do agravo de
petição. O Tribunal Regional entendeu que a condição de massa falida
da empresa executada não retira a obrigatoriedade de cumprir as
regras contidas no artigo 897, § 1º, da CLT, porquanto os valores tidos
como incontroversos podem ser objeto de habilitação perante o juízo
universal da massa falida. Nesse contexto, não se configura a alegada
violação do artigo 5º, II e LV, da CRFB/88, pois o não conhecimento do
agravo de petição interposto pela parte decorreu de aplicação da lei
incidente no caso vertente. Recurso de revista de que não se conhece.
(TST-RR-22200-18.2009.5.09.0096, 4ª Turma, Relator Ministro Gui-
lherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/01/2020).
} 31/01/2020 – Ação coletiva não impede tramitação de ação indivi-
dual com mesmo pedido. De acordo com o entendimento dominante
no TST, o ajuizamento de ação coletiva pelo sindicato de classe, na
qualidade de substituto processual, não impede o ajuizamento de

30
Janeiro

ação individual idêntica pelo titular do direito material, restando afas-


tada a hipótese de litispendência, ante a inexistência de identidade
de partes a que alude o artigo 337, § 2º, do CPC/15. Precedentes.
(TST-ARR-8399-35.2011.5.12.0014, 4ª Turma, Relator Ministro Gui-
lherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/01/2020).
} 31/01/2020 – A exposição do trabalhador à situação de risco por
2 (dois) minutos, desde que habitual, não caracteriza tempo extre-
mamente reduzido e rende ensejo ao adicional de periculosidade.
O TST tem entendido que a exposição do trabalhador à situação de
risco por alguns minutos, desde que habitual, não caracteriza tempo
extremamente reduzido de que trata a Súmula nº 364 do TST. Cabe res-
saltar que o reconhecimento de que a causa oferece transcendência
política (art. 896-A, § 1º, II, da CLT) não se limita à hipótese em que
haja verbete sumular sobre a matéria; haverá igualmente transcen-
dência política quando demonstrado o desrespeito à jurisprudência
pacífica e notória do TST sedimentada em OJ ou a partir da fixação
de tese no julgamento, entre outros, de incidentes de resolução de
recursos repetitivos ou de assunção de competência, bem como,
na hipótese do STF, no julgamento de recurso extraordinário com
repercussão geral ou das ações de constitucionalidade. Trata-se de
extensão normativa do conceito de transcendência política, prevista
no art. 896-A, § 1º, II, da CLT, a partir, sobretudo, da sua integração
com o novo sistema de resolução de demandas repetitivas inaugu-
rado pelo CPC de 2015, cujas decisões possuam caráter vinculante
(exegese dos arts. 489, § 1º, 926, 928 do CPC/2015). Ademais, ainda
que assim não fosse, o próprio § 1º do art. 896-A da CLT estabelece
que os indicadores de transcendência nele nominados não consti-
tuem cláusula legal exaustiva, mas possibilita o reconhecimento de
indicadores “entre outros”. No caso, o TRT registrou que o Reclamante
se expunha diariamente a situação de risco em razão da proximidade
com substância inflamável durante o abastecimento da empilhadeira,
por uma vez ao dia e pelo período médio de 02 minutos em cada
abastecimento. Logo, o indeferimento do adicional de periculosidade
contraria a Súmula nº 364, I, do TST. (TST-RR-291-65.2014.5.09.0670,
4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 31/01/2020).

31
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 31/01/2020 – Afastada garantia a de emprego da gestante em con-


tratação temporária. A jurisprudência prevalente no âmbito do TST
é no sentido de que o reconhecimento da garantia de emprego à em-
pregada gestante não se coaduna com a finalidade da Lei nº 6.019/74,
que é a de atender a situações excepcionalíssimas, para as quais não
há expectativa de continuidade da relação ou mesmo de prestação
de serviços com pessoalidade. Precedente do Tribunal Pleno do TST.
Inaplicável, pois, à hipótese, o item III da Súmula 244 do TST, em que
analisada a matéria sob o enfoque do limite temporal a que subme-
tidos os contratos por prazo determinado lato sensu, sem adentrar
as especificidades da relação triangular e precária estabelecida nos
contratos de trabalho temporário.

Nota No dia 18/11/2019 o TST firmou tese vinculante para enten-


der que não se aplica às empregadas temporárias (Contratadas pela
Lei n. 6.019/74) a garantia de emprego da gestante. A tese ficou assim
redigida: “É inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado
pela Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória da empre-
gada gestante, prevista no artigo 10, inciso II, alínea “b”, do ADCT”. O
julgamento, cujo acórdão não foi publicado, se deu no bojo do Incidente
de Assunção de Competência – IAC nº 5639-31.2013.5.12.0051, de
relatoria do Ministro Vieira de Mello (que foi voto vencido). O caso ques-
tionava a aplicabilidade do item III, da súmula 244 do TST, às empregadas
temporárias gestantes. Prevaleceu o voto da ministra Maria Cristina Pe-
duzzi para quem o artigo 10, inciso II, alínea “b”, do ADCT veda a dispensa
arbitrária ou sem justa causa, “o que não ocorre de forma visível nos
contratos temporários, sempre celebrados a termo e que se extinguem
pelo decurso do prazo neles fixado. Nem há presunção de continuidade,
como nos casos de experiência. O vínculo temporário finda pelo decurso
do prazo máximo previsto na Lei 6.019/74 ou pelo fim da necessidade
transitória da substituição de pessoal regular e permanente ou acréscimo
de serviço”. Também, por maioria, não houve modulação dos efeitos.
Desse modo, a tese, que tem efeito vinculante, pode ser aplicada em
processos que ainda não transitaram em julgado. Cumpre observar que
esse entendimento vinculante é restrito para os contratos temporários
(Lei nº 6.019/74). Para as demais empregadas contratadas por tempo
determinado (experiência, por exemplo), persiste, para a maioria das
Turmas do TST, a garantia de emprego.

32
Janeiro

} 31/01/2020 – Discussão sobre o vínculo empregatício ou sobre a


modalidade rescisória não afasta a multa do art. 477 da CLT. O egré-
gio Tribunal Regional do Trabalho consignou expressamente ser inde-
vida a multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT, pois o encerramento
do vínculo contratual se deu pela declaração da rescisão indireta
declarada em sentença. Por sua vez, o acórdão embargado limitou-se
a analisar o direito à multa do referido artigo quando o pagamento das
verbas rescisórias se efetuou em valor inferior ao devido. Ocorre que
deveria examinar a controvérsia sob o enfoque da multa prevista no
artigo 477, § 8º, da CLT e da rescisão indireta, o que será feito neste
momento. Inicialmente, considerando a possibilidade de a decisão
recorrida contrariar entendimento consubstanciado na jurisprudên-
cia pacificada do TST, verifica-se a transcendência política, nos termos
do artigo 896-A, § 1º, II, da CLT. Ademais, com o cancelamento da OJ
nº 351 da SBDI-1, o TST passou a adotar entendimento de que a mera
discussão acerca da existência de vínculo de emprego ou da forma
de rescisão contratual, no caso, rescisão indireta, não é suficiente
para afastar a aplicação da multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT
pelo atraso no pagamento das verbas rescisórias, exceto quando a
mora decorrer da culpa do empregado, o que não ficou evidenciado
no caso. Assim, devida a multa do art. 477, § 8º, da CLT nos casos de
rescisão indireta e reconhecimento do vínculo em Juízo. Preceden-
tes. (TST-ED-RR-473-07.2016.5.17.0008, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/01/2020).
} 31/01/2020 – Se a Administração Pública confessa que não fisca-
lizava o contrato de terceirização, exsurge sua responsabilidade
subsidiária, sem discussão quanto ao ônus da prova. Na hipótese
dos autos, em que pese o Regional extrair a culpa da Administração
do mero inadimplemento das obrigações trabalhistas pela Em-
presa prestadora de serviços conjugado com a atribuição do onus
probandi à Entidade Pública, a Reclamada argumenta, em seu recurso
de revista, que não tinha obrigação de fiscalizar o cumprimento das
obrigações trabalhistas pela Contratada, confessando a ausência
de fiscalização. Assim, não há como afastar a responsabilidade sub-
sidiária da ECT, pois ficou evidenciada, a partir da própria afirmação
da Demandada, sua culpa in vigilando, atraindo a incidência da

33
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Súmula 331, V, do TST. Nesse contexto, dado o distinguishing do caso


concreto em relação à tese fixada no precedente do STF, não há de se
falar em exercício do juízo de retratação, previsto no art. 1.030, II, do
CPC. (TST-AIRR-789-80.2014.5.09.0018, 4ª Turma, Relator Ministro
Ives Gandra Martins Filho, DEJT 31/01/2020)4

4. Apesar o entendimento da 4ª Turma, a SBDI-1 do TST firmou posição de que o ônus


da prova quanto à fiscalização do contrato é da Administração Pública (TST-E-ED-
-RR-62-40.2017.5.20.0009, SBDI-I, rel. Márcio Eurico Vitral Amaro, 10/9/2020 – In-
formativo TST nº 224). De todo modo, a matéria está pendente de julgamento no STF,
com repercussão geral reconhecida (RE 1.298.647 – Tema 1118).

34
FEVEREIRO

} 03/02/2020 – Fixada pela 6ª Turma do TST nova diretriz jurispru-


dencial para entender que os débitos trabalhistas sejam corrigidos
pelo IPCA-E desde junho de 2009, ainda que anterior à modula-
ção fixada pelo Tribunal Pleno datada de 25 de março de 2015 (TST-
-AIRR-706-78.2013.5.04.0005). Mas, de todo modo, a questão era
controvertida no âmbito do próprio TST, conforme se extra da seguinte
decisão da 8ª Turma: RECURSO DE REVISTA. CORREÇÃO MONETÁRIA
DOS CRÉDITOS TRABALHISTAS. ÍNDICE APLICÁVEL. Consoante enten-
dimento adotado pela 8ª Turma, com base na decisão do Tribunal
Pleno desta Corte Superior (TST-ArgInc-479-60.2011.5.04.0231 e ED-
-ArgInc-479-60.2011.5.04.0231), na correção dos créditos trabalhistas,
aplica-se a TR até 24/3/2015 e o IPCA-E a partir de 25/3/2015. Esta
Turma considera ainda, entendimento a que me submeto por disciplina
judiciária, que o art. 879, § 7º, da CLT perdeu a sua eficácia normativa,
em face da declaração de inconstitucionalidade parcial do art. 39 da
Lei nº 8.177/91, na medida em que o dispositivo da legislação esparsa
conferia conteúdo à norma da CLT, tendo em vista a adoção de fórmula
remissiva pelo legislador. Dessarte, estando a decisão recorrida em con-
sonância com tal entendimento, incide ao caso o óbice da Súmula nº 333
do TST e do art. 896, § 7º, da CLT. (TST-RR-2030-16.2014.5.09.0010, Re-
latora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 18/02/2020,
8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 21/02/2020).

Nota No dia 18/12/2020, o STF definiu que o IPCA-e e Selic devem


ser aplicados para correção monetária de débitos trabalhistas e declara
inconstitucional a Taxa Referencial – TR. No caso, o Tribunal conferiu
interpretação conforme à Constituição aos arts. 879, §7º e899, § 4º,
ambos da CLT, com redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017 (Reforma
Trabalhista). Ficou decidido que, até que o Poder Legislativo delibere
sobre a questão, devem ser aplicados o Índice Nacional de Preço ao
Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), na fase pré-judicial, e, a partir da

35
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

citação, a taxa Selic (art. 406 do CC), índices de correção monetária vi-


gentes para as condenações cíveis em geral. Ainda, o Tribunal modulou os
efeitos da decisão para determinar que todos os pagamentos realizados
em tempo e modo oportunos mediante a aplicação da TR, do IPCA-E ou
de qualquer outro índice deverão ser reputados válidos e não ensejarão
qualquer rediscussão. Ou seja, se já houver trânsito em julgado, a decisão
deverá o observar o comando judicial. Deverão ser mantidas e executadas
as sentenças transitadas em julgado que expressamente adotaram, na
sua fundamentação ou no dispositivo, a TR (ou o IPCA-E) e os juros de
mora de 1% ao mês. Por outro lado, aos processos em curso que estejam
sobrestados na fase de conhecimento, independentemente de haver
sentença, deverão ser aplicados, de forma retroativa, a taxa Selic, juros
e correção monetária, sob pena de alegação futura de inexigibilidade de
título judicial fundado em interpretação contrária ao posicionamento do
STF (art. 525, §§ 12 e 14, ou art. 535, §§ 5º e 7º, do CPC). Caso não tenha
havido manifestação expressa no título transitado em julgado, ainda
assim a tese deverá ser aplicada (ADCs nºs 58 e 59; ADIs 5867 e 6021).

} 03/02/2020 – Publicada decisão liminar proferida pelo Ministro


Gilmar Mendes, do STF, na ADPF nº 381, que determinou a sus-
pensão de todos os processos na Justiça do Trabalho que tratem
da validade de norma coletiva que restrinja direitos trabalhistas
não previstos constitucionalmente, inclusive sobre jornada de
trabalho de motoristas de transporte de cargas. O objeto da ação é
questionar decisões da Justiça do Trabalho que afastam a validade de
cláusulas de normas coletivas que dispõe sobre o enquadramento
de motoristas do transporte de cargas no inciso I do art. 62 da CLT,
ou seja, trabalho externo incompatível com o controle de jornada.
Na decisão, o ministro reconheceu que a matéria em debate na
ADPF 381 e no Tema 1046 (RE 1.121.633) é a mesma, qual seja, a
constitucionalidade de normas coletivas de trabalho que restringem
ou limitam direitos trabalhistas. Dessa forma, a decisão de suspensão
nacional dos processos proferida no âmbito do RE 1.121.633 atende,
de certa forma, o pedido cautelar formulado na ADPF, uma vez que
todos os processos que discutem validade de norma coletiva, inde-
pendentemente do direito trabalhista limitado e desde que não seja
constitucionalmente estabelecido, deverão ficar sobrestados até o
julgamento do mérito da repercussão geral. (STF-ADPF nº 381)

36
Fevereiro

} 03/02/2020 – Herdeiro de empregado falecido deve ser citado, não


podendo o feito ser extinto. Em ação rescisória, falecidos o Réu e sua
esposa-dependente, mas noticiada a existência de herdeiro (filho),
inclusive com informação do respectivo nome, o feito não pode ser
extinto, até porque, tratando-se de litisconsórcio necessário unitário,
a ausência de citação de um dos litisconsortes passivos implicaria a
extinção do processo sem resolução do mérito em relação a todos
os demandados, conforme jurisprudência da SBDI-2 do TST. Nesse
cenário, incabível a extinção do processo sem resolução do mérito
no que tange ao trabalhador falecido, porquanto o ordenamento
jurídico, conforme disposto nos arts. 943 e 1784 do CCB c/c art. 17
do CPC de 2015, atribui ao herdeiro do de cujus a legitimidade para
agir na defesa de seus interesses. E encontrando-se o herdeiro em
lugar incerto e não sabido, a citação deve ser levada a efeito via edital,
na forma do art. 246, IV, do CPC de 2015. Impositiva, portanto,
a anulação do acórdão regional, a fim de que a Corte a quo retome a
instrução processual, com citação do herdeiro do de cujus por meio
de edital, prosseguindo-se a partir daí como se entender de direito.
(TST-RO-60-92.2014.5.06.0000, SBDI-2, Relator Ministro Douglas
Alencar Rodrigues, DEJT 22/11/2019).
} 03/02/2020 – Falta de deliberação de diretoria não impede promo-
ção por antiguidade. Cinge a controvérsia acerca da necessidade da
deliberação da diretoria da empresa para concessão de progressão
por antiguidade ao empregado que preencheu o interstício temporal
previsto no PCS, visto que “as disposições normativas que versam
sobre essa pretensão possuem natureza programática ou de eficácia
contida, pois dependem de regulamentação ulterior”. A questão, que
envolve diversas empresas, foi objeto de uniformização pela SBDI-1
desta Corte, em composição completa realizada no dia 16/10/2014,
nos autos do E-ARR-5966-56.2010.5.12.0026, de relatoria do Ministro
Alexandre de Souza Agra Belmonte, a qual decidiu no sentido de que
as promoções por antiguidade dependem apenas do cumprimen-
to do critério objetivo alusivo ao tempo, de modo que a falta de
deliberação da diretoria não constitui óbice ao seu deferimento.
Registre-se, por oportuno, que ato da reclamada que se submete a
conveniência e oportunidade empresarial, traduz-se em condição

37
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

puramente potestativa, a qual não pode constituir óbice ao direito


do empregado de auferir progressão horizontal por antiguidade. Logo,
deve ser afastada a premissa de necessidade de regulamentação
ulterior, quando cumpridos requisitos de caráter objetivo, quais
sejam: interstício temporal de um ano, maior tempo na mesma classe
e nível, maior tempo na empresa, assiduidade e pontualidade e maior
tempo de experiência pregressa. (TST-RR-1575-24.2013.5.05.0131,
5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 06/12/2019).
} 03/02/2020 – Liminar do STF impõe suspensão nacional de todos os
processos que discutam validade de cláusulas de normas coletivas
flexibilizando a jornada de motoristas do transporte rodoviário
de cargas. (ADPF 381 MC, Relator(a): Min. Gilmar Mendes, julgado
em 19/12/2019, Divulg 31/01/2020, Public 03/02/2020). O Ministro
rememora que, após reconhecimento da repercussão geral da ques-
tão pertinente à validade das normas coletivas de trabalho que
limitam ou restringem direitos trabalhistas não assegurados cons-
titucionalmente (Tema 1.046), foi despachado no ARE 1.121.633 a
determinação cautelar de suspensão nacional de todos os processos
que debatessem a matéria nos órgãos jurisdicionais das instâncias
da Justiça do Trabalho.

Nota Logo, caso a petição inicial do trabalhador traga pretensão


que, para julgamento de mérito seja necessário que o magistrado ana-
lise a (i)licitude da cláusula negociação coletiva que envolva direito não
assegurado na Constituição, cabe ao magistrado ou tribunal de qualquer
instância da Justiça do Trabalho, cumprir a liminar do Ministro Gilmar
e suspender a tramitação do feito. Com isso, os processos envolvendo
validade de cláusula de norma coletiva que flexibilize direito assegurado
na lei, mas sem previsão constitucional, devem ser suspensos. Do con-
trário, a parte que se sentir prejudicada poderá apresentar reclamação
constitucional diretamente no STF, para requerer a ordem de sobresta-
mento do feito. E, mais: o Ministro relator não ressalvou a possibilidade
de instruir o feito, de modo que a suspensão deve ser determinada
de pronto. Por óbvio, a suspensão não impede o agendamento de
tentativa de acordo e, assim, se as partes chegarem a uma solução
consensual poderá ser homologado o acordo sem qualquer ofensa à

38
Fevereiro

determinação de suspensão nacional.5 No caso concreto, o relator re-


gistrou ter percebido que a discussão jurídica promovida na ADPF 381 é
idêntica ao objeto cuja repercussão geral foi declarada no Tema 1.046.
Em consequência, deferiu em parte o pedido cautelar, para determinar
a suspensão de “todos os processos pendentes, individuais e coletivos,
que versem sobre a validade de norma coletiva que restrinja ou limite
direitos trabalhistas não constitucionalmente previstos, inclusive os que
versam sore a aplicação do art. 62, I, da CLT aos motoristas profissionais
externos do setor de transporte de cargas”.

} 04/02/2020 – Hipoteca judiciária pode ser determinada de ofício. A


hipoteca judiciária constitui um dos efeitos secundários ou acessórios
da sentença condenatória e se manifesta de forma automática, por
força da lei, consagrando o princípio da efetividade do processo e
dispensando pedido explícito da parte. Tem fundamento no art. 495
do CPC (art. 466 do CPC de 1973), e trata-se de medida de ordem
pública. Isso corrobora a possibilidade de ser constituída de ofício,
independentemente de requerimento da parte. Mesmo no juízo
trabalhista, justifica-se, em razão de ser omissa a CLT, e pelo fato de
tratar-se de medida compatível com a efetividade do processo laboral.
(RR-103900-58.2009.5.03.0136, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto
Cesar Leite de Carvalho, DEJT 06/12/2019).
} 04/02/2020 – Execução provisória não pode se dar de ofício e SBDI-1
entende que o art. 475-O do CPC de 1973 (atual art. 520, I, do CPC
de 2015) não se aplica ao processo do trabalho. Discute-se a pos-
sibilidade de levantamento pelo credor da quantia de até sessenta
salários-mínimos relativa ao depósito recursal. Embora entenda que
do precedente TST-E-ED-RR 34500-47.2007.5.03.0064, Relatora Mi-
nistra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, é possível extrair ter havido
clara sinalização no tocante a compreender possível a aplicação
subsidiária do CPC quando revelado o estado de necessidade do
credor de salários, certo é que nos últimos julgados da SBDI-1 não
se tem feito tal destaque, entendendo-se inaplicável o artigo 475-O

5. cf. lições do professor Fabiano Coelho, manifestadas em seu material de divulgação


jurisprudencial.

39
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

do CPC de 1973 ante a incompatibilidade com as disposições dos


artigos 769 e 899, caput, § 1º, da CLT. In casu, a situação se diferencia
da usual porque o Tribunal Regional facultou, ex officio, à reclamante
o levantamento do depósito de até sessenta salários-mínimos, cor-
respondente à execução provisória, sem que a autora tenha pedido
o mencionado benefício. O inciso I do artigo 520 do CPC (art. 475-O
do CPC de 1973) dispõe fluir a execução provisória da sentença por
iniciativa e responsabilidade do exequente. Assim, o Regional, ao
conceder de ofício a execução provisória, violou os termos do referido
artigo. (RR-103900-58.2009.5.03.0136, 6ª Turma, Relator Ministro
Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 06/12/2019).6
} 04/02/2020 – Contato com agente periculoso, 5 (cinco) vezes ao
mês, por 15 a 20 minutos cada, rende ensejo ao adicional de peri-
culosidade. O TST entende que a permanência habitual em área de
risco, ainda que por período de tempo reduzido, não consubstancia
contato eventual, mas sim intermitente, com risco potencial de dano
efetivo ao trabalhador. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 364, I, do
TST: “tem direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto
permanentemente ou que, de forma intermitente, sujeita-se a con-
dições de risco. Indevido, apenas, quando o contato dá-se de forma
eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se
por tempo extremamente reduzido”. No caso, o reclamante retirava
os produtos químicos utilizados em suas atividades diretamente na
área de armazenamento de produtos químicos. O perito concluiu que
o reclamante adentrava de maneira habitual em local classificado
como área de risco, em situação de risco acentuado, em condição

6. No mesmo sentido: “A Corte Regional deu provimento ao agravo de petição da


autora para autorizar o pleito de levantamento de depósitos recursais efetivados
nos autos da execução provisória. Ocorre que o entendimento consagrado por
esta Corte é no sentido de que os arts. 520 e 521 do CPC/15 (antigo 475-O do
CPC/73) são inaplicáveis ao processo do trabalho, tendo em vista existir previsão
própria acerca da matéria na CLT. Precedentes. Recurso de revista conhecido por
violação do art. 5º, LIV, da CRFB/88, ante a má aplicação das regras contidas nos
arts. 520 e 521 do CPC de 15 (antigo 475-O do CPC/73), e provido”. (RR-56640-
44.2014.5.13.0002, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte,
DEJT 12/04/2019)

40
Fevereiro

de periculosidade conforme enquadramento prescrito na NR-16 da


Portaria 3.214/78, que trata de materiais inflamáveis. O TRT, contudo,
entendeu que a quantidade de vezes que o reclamante adentrava
na área de armazenamento dos produtos químicos, no total de 5 ao
mês, no tempo de 15 a 20 minutos, não se configura como habitual
e tampouco como intermitente, mas sim eventual. De acordo com
as premissas fáticas descritas, portanto, resulta que a exposição a
risco não era eventual e nem por período extremamente reduzido.
(ARR-1002252-58.2014.5.02.0463, 6ª Turma, Relatora Ministra Katia
Magalhaes Arruda, DEJT 06/12/2019).
} 05/02/2020 – Data do trânsito em julgado pode ser influenciado
pelo período de férias dos Ministros do TST. Os prazos processuais
ficam suspensos durante as férias coletivas dos Ministros no âmbito
do TST, as quais ocorrem nos meses de janeiro e julho, na forma do
Regimento Interno do TST. Tal fato deve ser considerado na fixação
do trânsito em julgado da decisão apontada como rescindenda se o
prazo para interposição de recurso findaria no decorrer do mês de
julho. Na hipótese dos autos, o réu sustenta que o último dia do prazo
para interposição do recurso de embargos ocorreu em 02/07/03. Com
a suspensão dos prazos processuais no referido mês, o trânsito
em julgado da decisão postergou-se para o mês de agosto daquele
ano, revelando tempestiva a rescisória ajuizada no dia 27/07/05.
(AR-1579456-27.2005.5.00.0000, SBDI-2, Relator Ministro Emma-
noel Pereira, DEJT 05/02/2010).7

7. “Nos termos do artigo 6º da Lei 5.584/70, o recurso de revista deve ser interposto no
prazo de oito dias, contados a partir da intimação da decisão recorrida. De acordo com
o artigo 66, § 1º, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, os membros dos Tribunais
Regionais do Trabalho não gozarão de férias coletivas - janeiro e julho -, mas terão
férias individuais. Assim, em janeiro (a partir do final do recesso forense) e em julho,
não haverá suspensão dos prazos recursais nas Cortes Regionais. Considerando que
o recurso de revista é apresentado perante o Tribunal Regional para exercício do juízo
de admissibilidade, conforme preconizado no artigo 896, § 1º, da CLT, a parte deve
observar os prazos aplicáveis nessa Corte. Resulta correta, daí, a decisão agravada
que considerou intempestivo o recurso de revista. Agravo a que se nega provimento”
(Ag-AIRR-337-85.2010.5.10.0017, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas
Brandao, DEJT 25/04/2014).

41
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 05/02/2020 – 5ª Turma do TST, em decisão inédita no Tribunal, nega


vínculo empregatício entre motorista e aplicativo Uber. Ementa:
VÍNCULO DE EMPREGO. MOTORISTA. UBER. AUSÊNCIA DE SUBORDI-
NAÇÃO. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. Destaque-se, de
início, que o reexame do caso não demanda o revolvimento de fatos
e provas dos autos, isso porque a transcrição do depoimento pessoal
do autor no acórdão recorrido contempla elemento fático hábil ao
reconhecimento da confissão quanto à autonomia na prestação de
serviços. Com efeito, o reclamante admite expressamente a possibili-
dade de ficar “off line”, sem delimitação de tempo, circunstância que
indica a ausência completa e voluntária da prestação dos serviços em
exame, que só ocorre em ambiente virtual. Tal fato traduz, na prática,
a ampla flexibilidade do autor em determinar sua rotina, seus horários
de trabalho, locais que deseja atuar e quantidade de clientes que pre-
tende atender por dia. Tal autodeterminação é incompatível com o
reconhecimento da relação de emprego, que tem como pressuposto
básico a subordinação, elemento no qual se funda a distinção com o
trabalho autônomo. Não bastasse a confissão do reclamante quanto
à autonomia para o desempenho de suas atividades, é fato incontro-
verso nos autos que o reclamante aderiu aos serviços de interme-
diação digital prestados pela reclamada, utilizando-se de aplicativo
que oferece interface entre motoristas previamente cadastrados e
usuários dos serviços. Dentre os termos e condições relacionados
aos referidos serviços, está a reserva ao motorista do equivalente a
75% a 80% do valor pago pelo usuário, conforme consignado pelo e.
TRT. O referido percentual revela-se superior ao que esta Corte vem
admitindo como bastante à caracterização da relação de parceria
entre os envolvidos, uma vez que o rateio do valor do serviço em alto
percentual a uma das partes evidencia vantagem remuneratória não
condizente com o liame de emprego. Precedentes. Recurso de revista
conhecido e provido. (RR-1000123-89.2017.5.02.0038, Relator Mi-
nistro: Breno Medeiros, Data de Julgamento: 05/02/2020, 5ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 07/02/2020)
} 06/02/2020 – Às ações coletivas se aplica o prazo prescricional de
5 (cinco) anos, por aplicação analógica do art. 21 da Lei nº 4.717/65

42
Fevereiro

(Lei de Ação Popular), como já vinha decidindo o STJ. Restou vencido


o entendimento que defendia a imprescritibilidade. O julgamento foi
suspenso para que o colegiado pudesse analisar a tese subsidiária:
saber se a instauração do Inquérito Civil serve para interromper
o prazo prescricional, por aplicação analógica do artigo 26, § 2º,
inc. III, do CDC (TST-E-ED-RR-2302-73.2014.5.17.0014, SBDI-1, Rel.
Min. Ministro Aloysio Correa da Veiga).
} 06/02/2020 – SDC defere cláusula normativa que garante pari-
dade entre casais hétero e homoafetivos. deferiu a fixação de
cláusula de acordo coletivo que reconhece a paridade de trata-
mento entre as uniões estáveis homoafetivas e heteroafetivas
com relação aos benefícios concedidos pelas empresas aéreas
a seus empregados. A decisão fundamentou-se em precedentes
da SDC e na jurisprudência do STF (ADI 4277), que reconheceu às
uniões homoafetivas o status de entidade familiar. (RO-21596-
19.2014.5.04.0000, SDC, Relator Ministro Mauricio Godinho Del-
gado, DEJT 13/12/2019).
} 07/02/2020 – Não cabe Mandado de Segurança para atacar de-
cisão que nega provimento a agravo de instrumento em Recurso
Ordinário. Trata-se de mandado de segurança impetrado contra
acórdão proferido pelo Tribunal Regional, que, em sede de agravo
de instrumento, manteve a decisão denegatória de seguimento de
recurso ordinário, por deserção. Com efeito, uma vez que a parte já
manejou todos os recursos cabíveis, não há que se falar na utilização
da ação mandamental contra decisão judicial passada em julgado.
Esta é a compreensão da Súmula nº 33 do TST e OJ nº 99 da SBDI-2,
do TST. Assim, a impetração do presente mandamus, de fato, é inca-
bível para impugnar o ato reputado ilegal. Ressalte-se, por fim, que
o ajuizamento da ação mandamental não tem o condão de obstar
automaticamente o trânsito em julgado no processo matriz. Somente
a interposição de recursos, no sentido estrito da expressão, seria
capaz de, por si só, impedir a preclusão máxima. Precedentes espe-
cíficos da SBDI-2 do TST. Recurso ordinário conhecido e não provido.
(RO-205-64.2019.5.10.0000, SBDI-2, Relatora Ministra Maria Helena
Mallmann, DEJT 07/02/2020).

43
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 07/02/2020 – Em conflito de competência, é possível o encaminha-


mento dos autos para juízo alheio ao conflito de competência em
julgamento. Discussão acerca do juízo competente para processar e
julgar reclamação trabalhista proposta em local diverso daquele em
que ocorreu a prestação de serviços. A competência para o ajuizamen-
to de reclamação trabalhista, em regra, é a do local onde o empregado
presta serviços (art. 651, caput, da CLT). Entretanto, os parágrafos do
referido art. 651 da CLT tratam das exceções a essa regra e, dentre elas,
a do § 3º possibilita a apresentação da reclamação também na locali-
dade da celebração do contrato. O feito foi distribuído para a 2ª Vara
do Trabalho de Jaboticabal/SP, que instruiu a reclamação trabalhista
e, após acolher a exceção de incompetência em razão do lugar, deter-
minou a remessa dos autos à Vara do Trabalho de Vitória/ES, dado que
a prestação de serviços ocorrera em Vitória/ES. A 6ª Vara do Trabalho
de Vitória/ES suscitou o conflito negativo de competência. Afasta-se,
de plano, a competência da 2ª Vara de Trabalho de Jaboticabal/SP,
tendo em vista que a jurisdição deste órgão não abrange a cidade
de Barrinha/SP, local onde foi celebrado o contrato de trabalho. Em
virtude da necessidade desta Corte resolver o conflito em debate,
tendo em vista os princípios da celeridade, efetividade e economia
processual, e, embora à luz da do art. 651, § 3º, da CLT, aplicável ao
caso, a compreensão seja de que não se trata da competência nem
da 2ª Vara do Trabalho de Jaboticabal/SP, tampouco da 6ª Vara do
Trabalho de Vitória/ES, deve ser fixado como foro competente para o
processamento do feito uma das Varas do Trabalho de Sertãozinho/
SP, tendo em vista que a cidade onde foi celebrado o contrato de tra-
balho, Barrinha/SP, pertence à sua jurisdição. Precedentes. Conflito
de competência admitido para declarar a competência de uma das
Varas do Trabalho de Sertãozinho/SP (CC-421-12.2019.5.17.0006,
SBDI-2, Relatora Ministra Delaíde Miranda Arantes, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Em sentido contrário ao sedimentado na OJ nº 158 da
SBDI-2, é cabível a multa por litigância de má-fé na ação rescisória
em caso de colusão das partes. O eg. Tribunal Regional, ao julgar
procedente a ação rescisória, considerando evidente a colusão decor-
rente do acordo homologado no processo matriz, impôs a condenação

44
Fevereiro

do réu em litigância de má-fé. Embora a Orientação Jurisprudencial


nº 158 da SBDI-2/TST, sedimentada à luz das disposições do CPC de
1973, seja no sentido de que “a declaração de nulidade de decisão ho-
mologatória de acordo, em razão da colusão entre as partes (art. 485,
III, do CPC), é sanção suficiente em relação ao procedimento adotado,
não havendo que ser aplicada a multa por litigância de má-fé”, no
caso em tela, a ação rescisória se volta contra sentença homologada
sob a égide do CPC de 2015. O citado verbete de jurisprudência, por
fazer referência expressa ao revogado CPC de 1973, não é aplicável à
espécie, uma vez que, após a vigência do CPC de 2015, as penalidades
relativas à litigância de má-fé devem ser necessariamente aplicadas
ao autor e réu que se servirem do processo para praticar ato simulado
ou conseguir fim vedado por lei (art. 142 do CPC de 2015). A sanção
processual, nesse caso, decorre de força de lei e, portanto, deve ser
aplicada de ofício. (RO-18-14.2018.5.20.0000, SBDI-2, Relatora Mi-
nistra Maria Helena Mallmann, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Transcrições dos trechos do acórdão regional no início
do recurso de revista, sem a devida separação e em tópico único
não se presta ao atendimento do pressuposto recursal. No caso
concreto, observa-se que a ora agravante apresenta as transcrições
dos trechos do acórdão regional no início do recurso de revista, sem a
devida separação e em tópico único, o que não se admite nos termos
da citada disposição legal, ante a impossibilidade de se proceder à
impugnação analítica dos fundamentos do acórdão. Assim, as transcri-
ções de trechos representativos do acórdão, no início das razões, não
atendem ao disposto no art. 896, § 1º-A, da CLT, uma vez que não há,
nesse caso, determinação precisa das teses do Regional combatidas
no apelo, nem demonstrações analíticas das violações e divergên-
cias jurisprudenciais apontadas. (AIRR-2273-35.2013.5.01.0521,
3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT
07/02/2020).8

8. Sobre o tema, didática a seguinte ementa: 1. Após a vigência da Lei nº 13.015/2014,


para atender ao disposto no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, deverá a parte, no seu recurso
de revista, transcrever o trecho do acórdão recorrido que demonstra a afronta a dis-
positivo de lei, a contrariedade a enunciado ou a divergência interpretativa. 2. Com

45
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 07/02/2020 – Gratificação de função recebida por dez ou mais anos


antes da Reforma Trabalhista é direito adquirido. A reorganização
institucional, alegada pelo recorrente, não tem sido reconhecida por
esta Corte Superior como justo motivo a autorizar a retirada pelo
empregador da gratificação percebida por dez ou mais anos pelo em-
pregado. De outro lado, o argumento de que o empregado teria se
recusado a participar de realocação para outras agências não valida a
retirada da gratificação pelo empregador, porquanto já incorporada à
remuneração, devido à proteção da estabilidade financeira, que não
se confunde com a continuidade ou não do trabalhador no cargo em
comissão. Saliente-se serem inaplicáveis as disposições contidas na Lei
nº 13.467/2017 à hipótese em apreciação, na medida em que antes do
advento da nova lei o impetrante já teria adquirido o direito à manu-
tenção do valor da gratificação. (RO-21616-68.2018.5.04.0000, SBDI-2,
Relator Ministro Evandro Pereira Valadão Lopes, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Nos termos da jurisprudência do TST, o recolhimento
do valor fixado como sanção por litigância de má-fé e da multa
por embargos de declaração protelatórios não configura pres-
suposto de admissibilidade recursal. Logo, deve ser afastada a
deserção do recurso ordinário interposto pela reclamada. (RR-862-
92.2012.5.04.0234, 1ª Turma, Relator Ministro Walmir Oliveira da
Costa, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Configura erro grosseiro a interposição de agravo de
instrumento contra decisão monocrática do relator no recurso
de revista. Da decisão monocrática do Relator que negou seguimento
ao recurso de revista, por entender não caracterizada a transcendên-
cia da matéria nele veiculada, caberia agravo interno para o órgão

a ressalva de entendimento deste relator, para o cumprimento do citado requisito


não se admite a indicação de páginas, paráfrase ou sinopse e a transcrição apenas do
relatório, da ementa ou da parte dispositiva. Não serve também a transcrição inte-
gral do acórdão regional ou a transcrição completa do capítulo recorrido, devendo a
parte destacar (negritar ou sublinhar) exatamente o ponto central da tese objeto do
recurso. 3. No caso, o segundo reclamado, em seu recurso de revista, não cumpriu
adequadamente esse requisito, pois transcreveu integralmente o acórdão regional e
trechos da sua ementa. (Ag-AIRR-815-49.2016.5.07.0023, 7ª Turma, Relator Ministro
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 07/02/2020).

46
Fevereiro

colegiado, nos termos dos artigos 896-A, § 2º, da CLT c/c art. 247,
§ 3º, do Regimento Interno desta Corte. Logo, incabível a interpo-
sição de agravo de instrumento nesta hipótese, não se aplicando o
princípio da fungibilidade, por constituir erro grosseiro. Considerando
ser irrecorrível a decisão colegiada quanto à não transcendência
do recurso de revista (art. 896-A, § 4º, da CLT), bem como que não
cabe recurso extraordinário ao STF em matéria de pressupostos de
admissibilidade de recursos de competência de outro Tribunal, por
ausência de repercussão geral, determina-se a baixa imediata dos
autos. (Ag-RR-10643-71.2017.5.03.0047, 5ª Turma, Relator Ministro
Breno Medeiros, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – SDI-2 reitera jurisprudência de que não cabe MS ou
recurso para atacar acórdão regional que nega provimento ao agra-
vo de instrumento no recurso ordinário. Trata-se de mandado de
segurança impetrado contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional,
que, em sede de agravo de instrumento, manteve a decisão denega-
tória de seguimento de recurso ordinário, por deserção. Com efeito,
uma vez que a parte já manejou todos os recursos cabíveis, não há
que se falar na utilização da ação mandamental contra decisão judicial
passada em julgado. Esta é a compreensão da Súmula nº 33 do TST e OJ
nº 99 da SBDI-2 do TST. Assim, a impetração do presente mandamus,
de fato, é incabível para impugnar o ato reputado ilegal. Ressalte-se,
por fim, que o ajuizamento da ação mandamental não tem o condão
de obstar automaticamente o trânsito em julgado no processo matriz.
Somente a interposição de recursos, no sentido estrito da expressão,
seria capaz de, por si só, impedir a preclusão máxima. Precedentes
específicos da SBDI-2 do TST. (RO-205-64.2019.5.10.0000, SDI-2,
Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Publicada a Lei nº 13.979, de 6.2.2020, que dispõe so-
bre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública
de importância internacional decorrente do coronavírus.
} 07/02/2020 – Atraso no recolhimento do FGTS enseja rescisão
indireta do contrato de trabalho. A ausência de recolhimento dos
depósitos do FGTS, ou seu recolhimento irregular, configura ato fal-
toso do empregador suficientemente grave para ensejar a rescisão

47
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

indireta do contrato de trabalho, nos termos da alínea “d” do art. 483


da CLT. Precedentes. (RR-1000776-56.2018.5.02.0491, 2ª Turma,
Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – SDI-2 aplica penalidade por litigância de má-fé de
ofício em ação rescisória calcada na colusão das partes e entende
superada a OJ nº 158 da SDI-2 do TST. O eg. Tribunal Regional, ao
julgar procedente a ação rescisória, considerando evidente a colusão
decorrente do acordo homologado no processo matriz, impôs a con-
denação do réu em litigância de má-fé. Embora a OJ nº 158 da SBDI-2
do TST, sedimentada à luz das disposições do CPC de 1973, seja no
sentido de que “a declaração de nulidade de decisão homologatória
de acordo, em razão da colusão entre as partes (art. 485, III, do CPC), é
sanção suficiente em relação ao procedimento adotado, não havendo
que ser aplicada a multa por litigância de má-fé”, no caso em tela, a
ação rescisória se volta contra sentença homologada sob a égide do
CPC de 2015. O citado verbete de jurisprudência, por fazer referência
expressa ao revogado CPC de 1973, não é aplicável à espécie, uma vez
que, após a vigência do CPC de 2015, as penalidades relativas à liti-
gância de má-fé devem ser necessariamente aplicadas ao autor e réu
que se servirem do processo para praticar ato simulado ou conseguir
fim vedado por lei (art. 142 do CPC de 2015). A sanção processual,
nesse caso, decorre de força de lei e, portanto, deve ser aplicada de
ofício. (RO-18-14.2018.5.20.0000, SDI-2, Relatora Ministra Maria
Helena Mallmann, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Correios devem adotar medidas de segurança equi-
valentes às agências bancárias no Banco Postal. Os empregados
da ECT que prestam serviços bancários básicos por intermédio do
denominado Banco Postal exercem, além das atividades específicas
dos serviços postais, atribuições inerentes aos bancários. Consoante
o entendimento firmado pela maioria dos integrantes do Tribunal
Pleno do TST, no julgamento do E-RR-210300-34.2007.5.18.0012, o
empregado da ECT que trabalha nas agências dos Correios integrantes
do Banco Postal não podem ser enquadrado como bancário, não tem
direito à aplicação das normas coletivas da categoria dos bancários,
nem é beneficiário da jornada especial assegurada no art. 224 da

48
Fevereiro

CLT. Todavia, a ampliação do leque de serviços prestados pela ECT


e o desenvolvimento do sistema financeiro postal, com a criação de
uma join venture financeira, não pode afetar a segurança do am-
biente de trabalho, sendo necessário o correspondente incremento
da teia de proteção trabalhista. A Lei nº 7.102/1983, que merece
interpretação finalística, dispõe sobre as medidas de segurança que
os estabelecimentos financeiros devem adotar com a finalidade de
preservar a integridade física e o bem-estar dos seus funcionários e
dos clientes. Estão incluídos na proteção legal os postos de atendimen-
to, subagências e seções e as cooperativas de singulares de crédito,
que são estabelecimentos que também oferecem serviços bancários
de forma limitada. A inclusão de serviços bancários nas agências dos
Correios eleva sobremaneira a movimentação de numerário no es-
tabelecimento e, proporcionalmente, traz uma maior probabilidade
de incidência de assaltos. A reclamada, ao optar por atuar na esfera
financeira, deve assumir integralmente os riscos do novo empreen-
dimento, incluindo-se a sua responsabilidade objetiva por eventuais
infortúnios e a adoção de medidas de segurança pertinentes. Logo, o
exercício de funções tipicamente bancárias pelos empregados postais,
ainda que básicas, enseja maiores riscos à sua segurança pessoal, em
decorrência das condições de trabalho similares àquelas suportadas
por empregados de estabelecimentos financeiros, o que justifica a
adoção das medidas de segurança previstas no art. 1º, § 1º, da Lei
nº 7.102/1983. (RR-10088-25.2013.5.14.0003, 7ª Turma, Relator
Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – SDI-2 entende que à ação rescisória aplica-se as regras
do CPC em detrimento da CLT quanto ao tema despesas processuais.
No caso, foi concedida a gratuidade da justiça para a parte sucumben-
te, pessoa física, baseada na presunção de veracidade da declaração
de pobreza, conforme o § 3º do art. 99 do CPC. Ademais, determinou
a suspensão da exigibilidade das despesas processuais pelo prazo
de 5 (cinco) anos, conforme previsto no CPC, ao passo que, a CLT,
com acréscimo dado pela Reforma Trabalhista, prevê a suspensão
da exigibilidade por apenas 2 (dois) anos, após o que a execução
será extinta (CLT, art. 791-A, § 4º) (ED-RO-6372-66.2012.5.02.0000,
SDI-2, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 07/02/2020).

49
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} Mero inadimplemento de verbas rescisórias e de saldo de salário


não gera danos morais. Consoante a jurisprudência do TST, o mero
inadimplemento de verbas rescisórias e dos salários relativos ao
último mês do contrato de trabalho não induz afronta aos direitos
fundamentais do empregado, previstos no art. 5º, X, da CRFB/88.
Para o acolhimento do pedido de pagamento de indenização por
dano moral, exige-se comprovação efetiva de algum fato objetivo a
partir do qual se possa deduzir o abalo moral alegadamente sofrido.
Precedentes. (RR-755-39.2012.5.09.0095, 1ª Turma, Relator Ministro
Walmir Oliveira da Costa, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – Hora noturna maior que a prevista em lei pode ser
compensada com aumento do adicional. A jurisprudência do TST é
firme no sentido de que deve ser prestigiada a norma coletiva que,
ao fixar a duração normal de 60 minutos para a hora noturna, prevê,
em contrapartida, o pagamento de adicional noturno em percentual
superior ao valor garantido no artigo 73 da CLT. Na espécie, não se
configura mera supressão ou mesmo redução do direito legalmente
previsto, mas efetiva situação de mútuas concessões, mediante ne-
gociação coletiva de que trata o art. 7º, XXVI, da CRFB/88. Com efeito,
não houve, no caso, mera supressão do direito do empregado à hora
noturna reduzida, situação que, de fato, lhe causaria prejuízo. Houve,
em contrapartida, a concessão de vantagem compensatória, pois a
hora noturna foi remunerada com percentual superior ao de 20%.
Ainda, a jurisprudência do TST admite a possibilidade de extinção da
hora ficta noturna por norma coletiva, desde que haja a majoração
do adicional noturno em contrapartida. Por fim, a jurisprudência do
Tribunal Superior do Trabalho é firme no sentido de que o transporte
de valores por empregado não habilitado para o desempenho de ati-
vidade de risco configura ato ilícito do empregador e, portanto, enseja
à compensação do dano moral. (RR-1020-96.2012.5.09.0012, 1ª Tur-
ma, Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, DEJT 07/02/2020).
} 07/02/2020 – 5ª Turma do TST afasta preliminar de inépcia da
petição inicial que não delimita o horário de trabalho para fins de
pleitear horas extras. Muito embora no processo do trabalho não
se deva prestigiar a falta de técnica e clareza na exposição dos fatos

50
Fevereiro

e dedução de pedidos (CLT, art. 840, § 1º), não se pode afirmar inep-


tas as peças iniciais em que os fatos expostos possibilitam o regular
exercício do direito de defesa e a composição do conflito. Ainda,
com base na noção central da instrumentalidade das formas e do
aproveitamento dos atos processuais (arts. 277 e 283), diretamente
vinculada à ideia central do processo colaborativo que prestigia a
decisão de mérito (CPC, arts. 4º e 6º), a eventual configuração de
inépcia haveria de pressupor, no plano ideal, como condição para
sua declaração, a prévia concessão de prazo para saneamento (CPC,
art. 321). Nada obstante, segundo a norma processual civil, será
considerada inepta a petição inicial quando lhe faltar pedido ou
causa de pedir; quando o pedido for indeterminado, ressalvadas as
hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; quando da
narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; ou quan-
do contiver pedidos incompatíveis entre si (CPC, art. 330, I a IV). No
caso dos autos, não há pedidos incompatíveis ou indeterminados e
os fatos narrados justificam as pretensões ao final deduzidas, ou, em
outras palavras, há pedido e causa de pedir, estando perfeitamente
delimitada a extensão da pretensão deduzida (2 horas extras diárias,
gozo de 30 minutos de intervalo e prestação de labor por 12 horas
diárias durante um fim de semana em cada mês), inclusive em relação
a seus reflexos. A empresa sustenta a inépcia da petição inicial pela
só circunstância de que não foram indicados os horários de início e
término da jornada, além de não comprovado o labor extraordinário.
Portanto, tal como considerou o TRT da 4ª Região, não resta presente o
vício processual da inépcia, pelo que, embora divisando a divergência
jurisprudencial que autoriza o processamento do recurso, este não
merece provimento. Recurso de revista conhecido e não provido.
(ARR-20761-48.2016.5.04.0101, Redator Ministro: Douglas Alencar
Rodrigues, Data de Julgamento: 18/12/2019, 5ª Turma, Data de Pu-
blicação: DEJT 07/02/2020).
} 10/02/2020 – O mero atraso de verbas rescisória não gera danos
morais in re ipsa (presumíveis). Muito embora seja indiscutível
a possibilidade de se reconhecer dano moral in re ipsa, isto é, de
se presumir o abalo ao estado psicológico, à moral ou à honra da

51
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

pessoa a partir da própria natureza do fato ocorrido, tal conclusão


não emerge na situação descrita nos autos. Isso porque o atraso no
pagamento ou inadimplemento das verbas rescisórias não configura
evento que, por sua própria natureza, conduz o intérprete, automati-
camente, à conclusão de ter havido dano moral. Em casos tais, o dano
não é presumível, exigindo-se prova consistente da sua ocorrência,
necessária para tornar legítima a condenação da parte demandada.
Tal entendimento está sedimentado na jurisprudência iterativa do
TST. (RR-1001715-42.2014.5.02.0502, 1ª Turma, Relator Ministro
Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 10/02/2020).
} 10/02/2020 – 8ª Turma do TST entende que o fato de o reclamante
ter remuneração muito superior a dois salários-mínimos não é
suficiente, por si só, a demonstrar que ele está em situação econô-
mica que lhe permite demandar sem prejuízo do próprio sustento
ou da respectiva família. Com efeito, se o demandante apresenta a
declaração de pobreza, presume-se que a sua remuneração, ainda
que superior a dois salários-mínimos, não permite o pagamento
das custas processuais sem prejuízo do sustento próprio e de sua
família. Não há como se rejeitar o pedido de concessão do bene-
fício da justiça gratuita com base no valor da remuneração que foi
informada pelo reclamante na petição inicial, pois o magistrado não
conhece a vida pessoal e familiar do reclamante para concluir que
a sua remuneração não estaria comprometida, por exemplo, com
tratamentos médicos, dívidas, financiamentos, pensões alimentícias
ou despesas comuns. Recurso de revista conhecido e provido (RR-
21648-08.2016.5.04.0012, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria
da Costa, DEJT 10/02/2020).
} 10/02/2020 – Empregado incorpora gratificação recebida por
mais de 10 anos antes da Reforma Trabalhista. A superveniência
da reforma trabalhista, perpetrada pela Lei nº 13.467/2017, que
acresceu o artigo 468, § 2º, da CLT, não constitui fato novo capaz
de influenciar no julgamento da presente lide, mormente porque
não há falar em retroatividade da referida norma para circunstância
consolidada anteriormente à sua vigência. É dizer que, no caso em
tela, os fatos constitutivos atinentes à percepção da gratificação por

52
Fevereiro

período superior a 10 anos ocorreram antes mesmo da alteração


legislativa em comento, já que consta dos autos o exercício de fun-
ções de confiança de 6/12/2001 a 8/2/2018. Dessarte, nos termos
da Súmula nº 372, I, do TST, merece reforma a decisão regional para
deferir a incorporação da gratificação de função postulada. (RR-1029-
08.2018.5.06.0020, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa,
DEJT 10/02/2020).
} 10/02/2020 – MPT tem legitimidade principal para ajuizamento de
ação anulatória de norma coletiva. A jurisprudência da SDC do TST
posiciona-se no sentido de que a legitimidade para o ajuizamento
de ação anulatória de convenção coletiva (ou acordo coletivo) está
adstrita, essencialmente, ao MPT, consoante previsão legal (art. 83,
IV, da LC 75/93), e, excepcionalmente, aos sindicatos convenentes e à
empresa signatária, quando demonstrado vício de vontade. No caso
em análise, em que é questionada a validade de cláusulas de interesse
de toda a categoria profissional, tem-se, segundo a jurisprudência,
que o MPT é parte legítima para o ajuizamento de ação anulatória.
(RO-3307-55.2010.5.12.0000, SDC, Relator Ministro Mauricio Godi-
nho Delgado, DEJT 13/12/2019).
} 10/02/2020 – É válida a jornada de 6 horas durante cinco dias da
semana e de 12 horas aos sábados ou domingos. A cláusula coletiva
impugnada estabeleceu que os trabalhadores da base sindical dos
Sindicatos convenentes cumpririam uma jornada de trabalho de
6 horas durante cinco dias da semana (de segunda a sexta-feira) e
de 12 horas aos sábados ou domingos, alternadamente, perfazendo
42 horas semanais. A SDC, analisando cláusulas de conteúdo similar,
já manifestou entendimento de que o regime de compensação por
elas criado, como ocorre com a jornada de plantão de 12x36, respeita
o montante de 220 horas mensais, não extrapola o limite de 44 ho-
ras semanais- ambos decorrentes do art. 7º, XIII, da CRFB/88-, bem
como não prejudica o gozo do repouso semanal remunerado (7º,
XV, da CRFB/88), mostrando-se, portanto, válido. Desse modo, essa
condição de trabalho pode ser fixada por norma coletiva autônoma.
(RO-3307-55.2010.5.12.0000, SDC, Relator Ministro Mauricio Godi-
nho Delgado, DEJT 13/12/2019).

53
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 10/02/2020 – É inválida norma coletiva que condiciona a assistência


sindical à comprovação de recolhimento de receitas sindicais. Nos
termos do que dispõe o art. 477, § 7º, da CLT, o ato da assistência na
rescisão contratual será sem ônus para o trabalhador e empregador.
Logo, a cláusula que obriga a comprovação do pagamento das con-
tribuições sindicais, assistenciais e confederativa, contraria o teor do
art. 477, § 7º, da CLT. Julgados da SDC. (RO-3307-55.2010.5.12.0000,
SDC, Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 13/12/2019).
} 10/02/2020 – É inválida a imposição de descontos de contribuição
assistencial para toda a categoria. Ressalvado o entendimento do
Relator, a jurisprudência desta Corte, consubstanciada no Precedente
Normativo nº 119 e na OJ nº 17 da SDC, não admite norma coletiva
que imponha descontos nos salários dos integrantes da categoria
profissional, em favor do sindicato, que não sejam filiados ao ente
sindical. (RO-3307-55.2010.5.12.0000, SDC, Relator Ministro Mau-
ricio Godinho Delgado, DEJT 13/12/2019).
} 10/02/2020 – Em ação anulatória, é incabível a imposição de obri-
gação de fazer ou de não fazer e o pedido de dano moral coletivo.
A ação anulatória tem natureza constitutiva negativa e, portanto, em
face do caráter dessa ação, é incabível a imposição de obrigação de
fazer ou de não fazer, a cominação de multa pelo descumprimento da
determinação judicial e o provimento condenatório, como o relativo
ao pagamento de indenização por dano moral coletivo. Julgados da
SDC do TST. (RO-3307-55.2010.5.12.0000, SDC, Relator Ministro
Mauricio Godinho Delgado, DEJT 13/12/2019).
} 10/02/2020 – A adesão espontânea a Plano de Demissão Incenti-
vada ou Voluntária é equiparada ao pedido de demissão, sendo
indevidos a multa de 40% do FGTS e o aviso prévio. Precedentes.
(ARR-12024-47.2015.5.01.0401, 8ª Turma, Relator Ministro Marcio
Eurico Vitral Amaro, DEJT 10/02/2020).
} 10/02/2020 – 8ª Turma do TST valida seguro-garantia sem cláusula
de prazo indeterminado. A apólice de seguro apresentada deve estar
dentro do prazo de vigência, sendo certo que tanto a carta de fiança
bancária como o seguro-garantia judicial com prazo determinado são

54
Fevereiro

admitidos como garantia do Juízo, contudo devem ser renovados ou


substituídos antes do vencimento. Outrossim, inexiste imposição
legal para que o seguro-garantia judicial ou a carta de fiança ban-
cária tenham o prazo de validade indeterminado ou condicionado
até solução final do litígio. De igual modo, não se pode inferir que a
prerrogativa contratual da seguradora de requerer, em caso de dúvida,
novos documentos ou informações para fins de reclamação do sinis-
tro resulte na ineficácia do seguro-garantia. Caso seja extinta ou não
renovada a garantia, a parte arcará com o ônus da sua desídia, como
em qualquer hipótese ordinária de perda superveniente da garantia.
Nessa senda, merece reforma a decisão regional que concluiu pela
deserção do recurso ordinário. (RR-1002021-76.2017.5.02.0511,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 10/02/2020).

Nota A Reforma Trabalhista acrescentou o § 11 ao art. 899 da CLT,


prevendo que “o depósito recursal poderá ser substituído por fiança ban-
cária ou seguro-garantia judicial”. A nova regra produziu debates acerca
da admissibilidade de uma apólice do seguro-garantia com cláusula de
prazo determinado. Para pacificar a questão, foi editado o ato conjunto
TST/CSJT/CGJT nº 1, de 16/10/2019 que previa, entre outras regras,
que a apólice a ser apresentada deveria ter prazo mínimo de 3 anos,
com cláusula de renovação automática e responsabilidade da parte em
comprovar a renovação da apólice. No Procedimento de Controle Admi-
nistrativo 0009820-09.2019.2.00.0000, o Conselheiro Mário Guerreiro
suspendeu os artigos 7º e 8º do referido ato. O art. 7º menciona que o
seguro-garantia só será aceito se for apresentado antes de depósito ou
da efetivação da constrição em dinheiro, ao passo que o art. 8º mencio-
na que “após realizado o depósito recursal, não será admitido o uso de
seguro garantia para sua substituição”.

} 11/02/2020 – Comissária não faz jus a diferenças salariais por


cobrança de refeições dos passageiros. Segundo o artigo 456, pará-
grafo único, da CLT, inexistindo cláusula expressa, entende-se que o
empregado se obriga a todo e qualquer serviço compatível com a sua
condição pessoal. Com efeito, o fornecimento de refeições e bebidas
aos passageiros se insere nas atribuições inerentes dos comissários de
bordo, pouco importando se realizado a título gratuito ou mediante

55
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

pagamento pelos usuários do transporte aéreo, não havendo falar


em acúmulo de funções pela venda dos referidos produtos. (ARR-
10858-28.2014.5.01.0073, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria
da Costa, DEJT 19/12/2019).
} 12/02/2020 – Sociedade de economia mista em regime não concor-
rencial submete-se ao regime de precatórios. O STF, ao apreciar o
tema 253 de repercussão geral, firmou entendimento no sentido de
que as “sociedades de economia mista que desenvolvem atividade
econômica em regime concorrencial não se beneficiam do regime
de precatórios, previsto no art. 100 da Constituição da República”
(RE 599628, Rel. Min. Ayres Britto, DJe de 14/10/11). Por outro lado,
ao julgar a ADPF 387, o Pretório Excelso foi mais claro, ao reconhecer
que “é aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia
mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza
não concorrencial” (Rel. Min. Gilmar Mendes, julgada em 23/03/17).
No caso, a Terracap é empresa estatal dependente do Governo do
Distrito Federal, organizada sob a modalidade de sociedade de eco-
nomia mista. Como não atua em regime concorrencial, ao gerenciar
os terrenos da capital federal, enquadra-se no figurino traçado pelo
STF para submissão de seus débitos judiciais ao regime do precató-
rio. (ARR-44400-03.1988.5.10.0007, 4ª Turma, Relator Ministro Ives
Gandra Martins Filho, DEJT 21/02/2020).
} 12/02/2020 – STF fixa tese de que “é constitucional a imposição da
pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo automotor
ao motorista profissional condenado por homicídio culposo no
trânsito”. O tribunal a quo reputava que a aplicação dessa sanção ao
condenado que exerce profissionalmente a atividade de motorista
seria inconstitucional, por violar o seu direito ao trabalho. O colegiado
asseverou que inexiste direito absoluto ao exercício de atividade
profissionais (CRFB/88, art. 5º, XIII), sendo possível que haja res-
trição imposta pelo legislador, desde que razoável, como no caso.
Além disso, a medida é coerente com o princípio da individualização
da pena (CRFB/88, art. 5º, XLVI) e, também, respeita o princípio da
proporcionalidade. A suspensão do direito de dirigir não impossibilita
o motorista profissional de extrair seu sustento de qualquer outra

56
Fevereiro

atividade econômica (RE 607107/MG, rel. Min. Roberto Barroso,


julgamento em 12.2.2020, Informativo STF nº 966, Plenário).
} 12/02/2020 – Despedida por justa causa afasta direito às férias
proporcionais e 13º proporcional. De acordo com a jurisprudência
maciça desta Corte, aplicar-se a Súmula nº 171 do TST, mesmo à luz
das normas internacionais e do caráter supralegal que Supremo
Tribunal Federal lhes atribuiu. Ressalva de entendimento do relator.
Nos termos do disposto no artigo 3º da Lei nº 4.090/62, o pagamento
do décimo terceiro salário proporcional somente é devido quando
a dispensa do empregado ocorrer sem justa causa. Precedentes.
De todo modo, o relator deixou expresso seu entendimento pelo
qual a Constituição da República assegura de forma plena o direito
às férias, sem qualquer ressalva no que tange à despedida por justa
causa. Afirmou, ainda, que a Convenção 132 da Organização Inter-
nacional do Trabalho – OIT também autoriza o pagamento de férias
proporcionais ao empregado, independentemente do motivo de sua
dispensa (RR-918-63.2014.5.04.0232, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 19/12/2019).
} 12/02/2020 – Empregada de cooperativa de crédito não deve ser en-
quadrada como financiaria. A jurisprudência do TST, consubstanciada
na OJ nº 379 da SBDI-1, é no sentido da inviabilidade da equiparação
dos empregados de cooperativas de crédito aos bancários e financiá-
rios, para efeito de aplicação do art. 224 da CLT. Consoante preceden-
tes, a inteligência do Verbete estende-se às demais vantagens ínsitas
à categoria profissional. (RR-21051-77.2014.5.04.0022, 1ª Turma,
Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, DEJT 08/11/2019).
} 13/02/2020 – STF acolhe reclamação constitucional contra aplica-
ção da isonomia entre o trabalhador terceirizado e o empregado
contratado diretamente por empresa pública (OJ 383 da SDI-1 do
TST. (Rcl 39124 MC, Relator(a): Min. Luiz Fux, julgado em 12/02/2020,
publicado em DJe-031, Divulg 13/02/2020, Public 14/02/2020).

Nota A reclamação foi formulada pela empresa CEMIG, com pedi-


do de suspensão da eficácia de acórdão do TRT da 3ª Região que havia
deferido a um empregado terceirizado, com fulcro na OJ 383 da SDI-1

57
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

do TST, diferenças salariais e demais vantagens em relação aos empre-


gados contratados diretamente pela CEMIG. Na decisão que concedeu
a liminar, o Ministro não chega a enfrentar a questão sob o prisma do
princípio constitucional da isonomia, e se fundamenta basicamente na
Súmula Vinculante Nº 10 do STF, mencionando que a decisão atacada
passava pela ilicitude da terceirização na companhia elétrica e, por isso,
esvaziava o conteúdo normativo do § 1º do art. 25 da Lei nº 8.987/1995,
que permite às concessionárias do serviço público a contratar atividades
inerente à consecução de seu objetivo, o que resulta na autorização legal
para terceirizar a atividade-fim.

} 13/02/2020 – STF (decisão monocrática) nega seguimento a manda-


do de injunção, com pedido de liminar, em face de omissão legislativa
atribuída ao Congresso Nacional, relativamente à ausência norma
que regulamente a licença em razão de familiar portador de doença
grave, no âmbito dos contratos de trabalhos regidos pela CLT (MI
7273, Relator(a): Min. Alexandre de Moraes, julgado em 06/02/2020,
publicado em DJe-029 Divulg 12/02/2020, Public 13/02/2020). O rela-
tor, Ministro Alexandre de Moraes lançou os seguintes fundamentos:
1) o mandado de segurança será concedido quando a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício de direitos e liberdades
constitucionais; 2) o MI não cabe em qualquer omissão do poder
público, mas apenas aquelas relacionadas com as normas consti-
tucionais de eficácia limitada, para as quais a Constituição impõe
o dever estatal de emanar normas legais. Por isso, não satisfeitos os
requisitos constitucionais, em conformidade com a jurisprudência do
STF, o relator considerou que a via processual é inadequada e negou
seguimento ao MI.

Nota Na decisão, o Min. Alexandre de Moraes nada mencionou


sobre a Convenção nº 156 da OIT, sobre a Igualdade de Oportunidades
e de Tratamento para Homens e Mulheres Trabalhadores: Trabalha-
dores com Encargos de Família. Embora não ratificada pelo Brasil, o
diploma tem natureza jurídica de fonte material e nele há a previsão de
proteção de trabalhadores de ambos os sexos com responsabilidades
para com outros membros da família direta que tenham uma manifesta

58
Fevereiro

necessidade dos seus cuidados ou do seu amparo (art. 1.2). Acrescenta


que este trabalhador tem o direito de exercer livremente a escolha do
emprego, tendo em conta as necessidades familiares no que respeita
às condições de emprego e segurança social. Como bem lembra o
Prof. Fabiano Coelho, como o Brasil não ratificou a Convenção, há forte
argumento pela sua inaplicabilidade. Mas, há quem entenda possível
aplicar a Convenção para suprir a lacuna da legislação trabalhista, com
base no art. 8º da CLT, que prevê a possibilidade de aplicação do direito
comparado para fins de integração da norma nacional. Por isso, segun-
do ele, se pode usar o direito comparado, nada melhor que usar uma
Convenção da OIT que, ainda que não ratificada pelo Brasil, tem uma
essência universalizante. Acrescenta, ainda, que embora a Convenção
não sirva para garantir a licença remunerada para o trabalhador com
responsabilidades familiares, pode ela ser invocada, como medida de
equidade, com base em seu art. 8º, ao mencionar que “as responsabili-
dades familiares não podem, enquanto tais, constituir motivo válido
para por fim à relação de trabalho”. Com isso, se este trabalhador falta
ao trabalho para cuidar da filha, fato que é da ciência do empregador,
não poderá sofrer punição em razão das faltas, muito embora possa
ter a remuneração descontada pelos dias de faltas. Na jurisprudência
do TST, não se viu nenhum precedente tratando de licença para cuidar
de filho. Há alguns precedentes, no entanto, prestigiando a proteção in-
tegral da criança, como o que acolheu pedido de mudança de turno para
acomodar necessidades de empregada com filho autista (AIRR-1000356-
20.2013.5.02.0461, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de
Fontan Pereira, DEJT 30/04/2015); o que entendeu possível a redução
de jornada sem prejuízo do salário (RR-11204-62.2017.5.15.0144,
3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT
04/12/2020); e outro que determinou a devolução de desconto por faltas
em dia no qual a empregada faltou para acompanhar consulta médica
do filho (AIRR-740-04.2010.5.04.0023, 2ª Turma, Relatora Ministra
Delaíde Miranda Arantes, DEJT 24/04/2015)9.

9. Ver, ainda: TRT 3 – https://portal.trt3.jus.br/internet/conheca-o-trt/comunicacao/


noticias-juridicas/decisao-destaque-jt-mg-determina-que-copasa-reduza-jornada-
-de-empregada-mae-de-um-filho-autista-e-outro-com-transtornos e TRT 6 – https://
www.trt6.jus.br/portal/noticias/2018/01/22/trabalhadora-com-filho-autista-tem-
-direito-jornada-reduzida

59
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 14/02/2020 – Correção de erro de cálculo pode ser feita a qualquer


tempo por iniciativa do juiz ou a requerimento das partes e não
viola a coisa julgada. Com fundamento no art. 463, I, do CPC de 1973
(494, I, do CPC de 2015), é possível a correção de erros de cálculo a
qualquer tempo pelo juiz, de ofício ou a requerimento, providência
que não viola a coisa julgada e não está sujeita ao regime da preclusão.
Julgados do Eg. STJ. (ARR-1571600-76.2004.5.09.0006, 8ª Turma,
Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Não comete falta grave o agente comunitário de
saúde que deixa de residir em sua zona de atuação. O art. 10 da Lei
11.350/2006 estabelece as hipóteses de rescisão unilateral do con-
trato do agente comunitário de saúde, dentre as quais o cometimento
das faltas graves do art. 482 da CLT ou quando, a teor do art. 6º, I,
altera sua residência, fixando-a fora da área de atuação. Entretanto,
a Lei não determina que a rescisão contratual se faça por justa causa,
não sendo possível inferi-la, tendo em vista que se extrai do julgado
que o reclamante não praticou nenhuma falta grave, nos moldes do
art. 482 da CLT. (AIRR-334-45.2016.5.09.0245, 3ª Turma, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Ofende o princípio da efetividade da tutela jurisdi-
cional o indeferimento da expedição de ofício na fase de execução.
Na hipótese, o Regional manteve a sentença em que se indeferiu o
pedido da autora, em fase de execução, de expedição de ofício à
Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência
Privada e Vida, Saúde Complementar e Capitalização- CNSEG. Toda-
via, o princípio da efetividade da tutela jurisdicional demanda não
somente que o Poder Judiciário pronuncie o Direito, como também
entregue a tutela à parte que tiver reconhecido seu direito em Juízo.
Pelo referido princípio, todos os esforços também se concentram na
efetivação e na instrumentalização da tutela jurisdicional, sob pena
de ineficácia do comando contido na sentença e, consequentemente,
descrédito da sociedade no Poder Judiciário. Logo, devem ser deter-
minadas eventuais diligências solicitadas pela parte com objetivo de
localizar bens em nome da reclamada e de seus sócios, com vistas
à satisfação do crédito exequendo. Neste caso, é incontroverso que

60
Fevereiro

a execução está paralisada, porque ainda não foi possível localizar


bens da executada suficientes para assegurar a satisfação dos direitos
trabalhistas objeto do título judicial condenatório. Além disso, ao
contrário do que fundamentou o Regional, como a entidade privada
destinatária do ofício não estará obrigada a fornecer as informações
diretamente à exequente sem determinação do Poder Judiciário
nesse sentido, conclui-se que o indeferimento dessa providência
pelas instâncias ordinárias ofende, sim, de forma direta e literal, o
princípio da efetividade da tutela jurisdicional consagrado na Norma
Fundamental Brasileira (artigo 5º, inciso XXXV e §§ 1º e 2º), bem como
o inciso LXXVIII do mesmo artigo constitucional invocado no recurso
de revista. (RR-76300-15.1994.5.02.0072, 2ª Turma, Relator Ministro
José Roberto Freire Pimenta, DEJT 14/02/2020).
} Multa por descumprimento de decisão judicial em greve pode ser
revertida ao sindicato patronal. Segundo a jurisprudência majoritária
da SDC, a multa por descumprimento de obrigação de fazer ou de não
fazer- fixada em decisão liminar em contexto de greve- é devida ao
exequente, em razão do critério objetivo fixado no art. 537, § 2º, CPC.
Ressalva de entendimento do Relator10. (RO-183-52.2014.5.11.0000,
SDC, Redator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 13/12/2019).
} 14/02/2020 – O valor relativo à condenação por honorários ad-
vocatícios sucumbenciais não precisam ser incluídos no valor do
depósito recursal, pois é parcela acessória devida ao advogado e não
integram a condenação para efeito de garantia do juízo (RR-1001418-
82.2017.5.02.0711, Data de Julgamento: 12/02/2020, Relator

10. O relator do recurso ordinário do Sinetram, ministro Mauricio Godinho Delgado, assi-
nalou que, no seu entendimento, nas ações coletivas, a multa pode ser direcionada à
reconstituição dos bens coletivos lesados, conforme ocorre nas ações civis públicas. No
entanto, o ministro explicou que o entendimento predominante na SDC é que a multa
por descumprimento de ordem judicial fixada em liminar é devida à parte contrária
(exequente), conforme dispõe o CPC (artigo 537, parágrafo 2º). Em setembro do ano
passado, ao julgar caso semelhante com os mesmos sindicatos, o órgão registrou
que, embora seja louvável a destinação da multa para instituições beneficentes, essa
determinação contraria o critério objetivo previsto no CPC, ao possibilitar ao juízo a
discricionariedade em relação à destinação da multa, “a seu livre arbítrio e conforme
os próprios parâmetros”.

61
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data


de Publicação: DEJT 14/02/2020) e (RR-20128-33.2017.5.04.0382,
Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento:
05/02/2020, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020).
} Presume-se discriminatória a despedida de empregado com neo-
plasia maligna se há na empresa outros postos de trabalho dispo-
níveis. Na hipótese, o Reclamante, portador de neoplasia maligna, foi
imotivadamente despedido uma semana após o retorno do benefício
previdenciário que percebia em razão de ser portador de câncer no
reto em estado avançado. A Corte de origem, reformando a sentença
recorrida, não considerou comprovada a tese de dispensa discrimina-
tória, por entender que “a empresa desmobilizou a plataforma onde
ele (o Autor) laborava, de modo que o seu antigo posto de trabalho já
havia sido extinto quando do seu retorno à ativa”. No entanto, registra
o acórdão regional que, quando do retorno do Reclamante ao labor
em virtude da cessação de benefício previdenciário, havia outros
postos de trabalho ativos na empresa nos quais o Reclamante
poderia ter sido realocado. Desse modo, diante do quadro fático
delineado no acórdão recorrido, considera-se que a decisão regional,
ao entender que não houve discriminação na dispensa do Reclaman-
te - notadamente por existir outras plataformas ativas à época do
retorno ao trabalho-, foi proferida em dissonância ao entendimento
consubstanciado na Súmula 443 do TST. Não é demais ressaltar que
o Reclamante, sendo acometido por neoplasia maligna - câncer -,
considerada uma doença grave e estigmatizada, tem a seu favor a pre-
sunção que a dispensa foi discriminatória à exegese da Súmula 443
do TST. E a conduta discriminatória é gravemente censurada pela
ordem jurídica, especialmente a partir dos comandos constitucionais
de 5.10.1988 (Preâmbulo do Texto Máximo; art. 1º, III; art. 3º, I e IV;
art. 5º, caput e inciso I; art. 5º, III, in fine, todos preceitos da Consti-
tuição da República). (RR-462-45.2015.5.17.0191, 3ª Turma, Relator
Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Advogado concursado não tem direito à jornada espe-
cial. Segundo o artigo 20 do Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94),
a jornada do advogado empregado é de no máximo quatro horas

62
Fevereiro

contínuas diárias e 20 horas semanais. Nos casos em que a norma


coletiva estabeleça jornada diferenciada ou em que o contrato de
trabalho exija dedicação exclusiva, ela pode ser de oito horas. A
jurisprudência do TST tem se firmado no sentido de considerar sufi-
ciente para a caracterização do regime de exclusividade a fixação
no edital do concurso público da jornada de oito horas para advo-
gado, sendo inaplicável a carga horária semanal de vinte horas
prevista no art. 20 da Lei 8.906/1994. Há precedentes. (RR-730-
76.2015.5.10.0003, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar
Leite de Carvalho, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Aviso extemporâneo de férias não gera pagamento
em dobro. Ante a ausência de previsão legal, o mero descumprimento
do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no art. 135 da CLT, para a comu-
nicação prévia ao empregado da concessão das férias, não resulta na
condenação ao pagamento em dobro, quando o empregador observa
os prazos para sua concessão e pagamento, previstos nos artigos 134
e 145 da CLT. Há julgados. (RR-3087-43.2015.5.12.0045, 3ª Turma,
Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 22/11/2019).
} Na terceirização lícita, operada pela administração pública in-
direta ao contratar empresa prestadora de serviços mediante
procedimento licitatório regular, o princípio da isonomia resta
mitigado. A jurisprudência desta Corte Superior vem se consoli-
dando no sentido de que os empregados terceirizados fazem jus
às mesmas verbas trabalhistas legais e normativas asseguradas aos
contratados pela empresa tomadora de serviços, caso constatado
o exercício das mesmas funções e caso a contratação tenha se dado
de forma irregular. Presentes tais requisitos, aplicar-se-ia o princípio
da isonomia salarial. Entendimento consubstanciado na OJ nº 383 da
SBDI-1. Para que o empregado terceirizado faça jus, portanto,
às verbas previstas em norma coletiva da empresa tomadora de
serviços, é necessário o reconhecimento da terceirização ilícita.
Há precedentes. Na hipótese, o pedido do autor sequer está fun-
damentado na ilicitude da terceirização. Tampouco a tomadora foi
incluída no polo passivo da ação. O Tribunal Regional, no entanto,
ao ser instado a se manifestar sobre o ponto em sede de embargos

63
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de declaração, adotou a tese de que não há necessidade de se re-


conhecer a terceirização ilícita para o deferimento do adicional de
confinamento ao autor. Dessa forma, a decisão da egrégia Corte
Regional destoa do entendimento consubstanciado na OJ nº 383
da SDBI-1. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá pro-
vimento. (RR-658-29.2017.5.05.0401, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 21/02/2020).11
} 14/02/2020 – Contratante de serviços pode ajuizar ação de con-
signação em pagamento para quitar salários atrasados de tercei-
rizados. A responsabilidade do tomador dos serviços resultante do
contrato de terceirização depende, em primeiro lugar, da existência
do próprio labor em seu proveito, fato incontroverso nos autos. Por-
tanto, ainda que não tenha havido haja relação jurídica direta entre
o trabalhador e a pessoa jurídica para quem o labor foi realizado,
resultam interesse e legitimidade para a propositura da ação de
consignação e pagamento. Desde a EC nº 45/2004, a competência
desta Justiça é definida não apenas em função das partes envolvidas
na relação jurídica, mas também em decorrência de ter origem na
relação de trabalho, como no caso dos autos, em que se pretende
solver obrigações mantidas com os trabalhadores incluídos na rela-
ção triangular que marca os contratos de terceirização de serviços.
(RR-531-61.2012.5.01.0051, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 14/02/2020).

11. No caso concreto, um enfermeiro que prestou serviços à Petróleo Brasileiro S. A.


pleiteou o pagamento de adicional de confinamento, com fulcro na isonomia salarial
com os empregados da estatal. O benefício, previsto em instrumentos normativos
dos petroleiros, é pago na proporção de 30% do salário, em razão de atividades em
regiões terrestres inóspitas ou em instalações de plataformas marítimas, que exigem
que o empregado fique confinado no local de trabalho. O empregado reconheceu
que não havia cláusula específica em acordo coletivo de sua categoria nesse sentido,
mas argumentou que, assim como os colegas empregados da Petrobras, passava
14 dias confinado no trabalho e trabalhava nas mesmas condições. O pedido foi
deferido pelo TRT da 21ª Região ao fundamento de que o enfermeiro trabalhava
nas mesmas condições que os empregados da Petrobras e, em razão do princípio da
isonomia, dos valores sociais do trabalho e da dignidade da pessoa humana, tinha
direito ao adicional. Mas, como visto, o entendimento foi reformado pelo TST em
decisão turmária.

64
Fevereiro

} 14/02/2020 – Empregado que usava motocicleta nas atividades só


receberá adicional de periculosidade após regulamentação. Confor-
me se verifica no § 4º do art. 193 da CLT, com a redação dada pela Lei
nº 12.997/2014, “são também consideradas perigosas as atividades
de trabalhador em motocicleta”. O “caput” do preceito prevê que as
atividades ou operações perigosas nele relacionadas dependem da
regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego,
razão pela qual somente após sua edição passou a ser devido o adi-
cional respectivo. No caso, o autor é empregado de empresa que se
beneficiou da suspensão dos efeitos da Portaria 1.565/2014-MTE, que
regulamentou as atividades perigosas em motocicleta, pela Portaria
506/2015-MTE. (TST-RR-1364-93.2016.5.10.0017, 3ª Turma, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – A alternância na jornada de trabalho a cada 4 meses
configura turno ininterrupto de revezamento. Na hipótese dos
autos, concluiu o TRT que não estava caracterizado o trabalho do
Reclamante em turno ininterrupto de revezamento, uma vez que a
mudança de escala ocorria, em média, de quatro em quatro meses.
No entanto, é entendimento desta Corte que o fato de a alternân-
cia de turno ocorrer de forma quadrimestral não descaracteriza
o trabalho no aludido regime especial. Registre-se que, havendo
o trabalho com a alternância periódica de horário, de modo que
esteja o empregado submetido, no todo ou em parte, ao horário
diurno e noturno, aplica-se a jornada especial prevista no artigo 7º,
XIV, da Constituição Federal, consoante dispõe a OJ nº 360 da
SBDI-1 do TST. Estabelecida a alternância de turnos, o que acarreta
um maior desgaste para a saúde e para a vida familiar e social do
trabalhador, resta caracterizado o aludido regime. (RR-1001836-
70.2017.5.02.0371, Relator Ministro: Douglas Alencar Rodrigues,
Data de Julgamento: 05/02/2020, 5ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 14/02/2020)
} 14/02/2020 – A utilização de laudo pericial emprestado não rende
ensejo ao pagamento de honorários periciais, pois a parte su-
cumbente no processo original já arcou com o pagamento pela sua
elaboração (ARR-1001012-04.2017.5.02.0051, Data de Julgamento:

65
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

05/02/2020, Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho,


6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ACP
ajuizada pelo MPT sobre meio ambiente do trabalho, inclusive de
servidores públicos estatutários, tratando-se de situação distinta
da examinada pelo STF na ADI nº 3.395-6, para a qual a definição da
competência decorreu da natureza do regime jurídico. Aplicação da
Súmula nº 736 do STF (RR-2330-22.2012.5.10.0009 Data de Julga-
mento: 05/02/2020, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado,
3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 –Ausência de registro de penhora na matrícula do
imóvel descaracteriza fraude à execução, ante à ausência de prova
da má-fé do adquirente, mesmo que pendente ação judicial. Nos
termos do art. 792, IV, do CPC, a fraude à execução ocorre quando
presentes dois requisitos: a litispendência, independentemente da
natureza do processo (cognição, executivo ou cautelar) e a frustração
dos meios executórios. Quando o vendedor do bem alienado é o
próprio executado, a fraude à execução não é de difícil constatação.
Não é por outra razão que, ao adquirente de bens de expressivo valor
monetário, cabe perquirir se o alienante se encontra na posição de
réu, em demanda capaz de o reduzir à insolvência, sob pena de sofrer
as consequências de possível e futura evicção. O adquirente do bem
alienado em fraude à execução responderá pela sua incúria. Disto
decorre a lição clássica de que, em regra, ao exequente descabe pro-
var a existência do “consilium fraudis” entre alienante e adquirente.
Entretanto, essa conclusão vem sendo mitigada pela jurisprudência
em algumas situações. Isto se dá, principalmente, quando se impõe ao
adquirente do bem (terceiro de boa-fé) um ônus desarrazoado, com
intuito de evitar a fraude à execução, ou mesmo quando a conduta
daquele é irrelevante para a consumação desta. É o que se verifica
no quadro fático delineado nos autos, em que não restou provada a
má-fé dos terceiros adquirentes, tampouco o registro de penhora ou
ônus, na matrícula do imóvel, que inviabilizasse a aquisição do bem,
não havendo como presumir a fraude à execução. Nesse contexto,
configura-se desarrazoada a exigência de que os terceiros adquirentes

66
Fevereiro

deveriam ter providenciado certidões negativas do alienante-exe-


cutado, em órgãos como a Justiça do Trabalho, a fim de demonstrar
sua boa fé na aquisição do imóvel. Efetivamente, o direito do credor
trabalhista à satisfação de seu crédito - embora superprivilegiado -
não é absoluto e, sendo assim, não pode violar a esfera patrimonial
de pessoa que agiu com a diligência que ordinariamente se espera
daquele que realiza negócio jurídico envolvendo a alienação de bem
imóvel. A propriedade privada (art. 5º, XXII, da CF) e a segurança
jurídica (art. 5º, XXXVI, da CF) também são valores caros ao ordena-
mento jurídico brasileiro e, por isso, cabe ao exequente a prova de
que o terceiro adquirente agiu de má-fé, com o intuito de fraudar a
execução. Precedentes. (ARR-10956-78.2014.5.15.0087, Data de
Julgamento: 12/02/2020, Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani
de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – A incorreção do nome da parte recorrente na peça
recursal, trata-se de defeito que não obsta o exame do apelo, espe-
cialmente quando os demais dados alusivos ao processo estão corre-
tos e quando não demonstrado prejuízo à parte adversa, não havendo
de se falar em ilegitimidade de parte. (RR-928-21.2017.5.10.0011,
Data de Julgamento: 05/02/2020, Relatora Ministra: Delaíde Miranda
Arantes, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020.
} 14/02/2020 – Justiça do Trabalho tem competência para ação sobre
condições de trabalho de estatutários. O entendimento jurispruden-
cial do STF acerca da matéria em discussão demonstra que a limitação
de competência imposta à Justiça do Trabalho pela decisão daquela
Corte na ADI 3395-6 não alcança as ações que tenham como causa
de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segu-
rança, higiene e saúde dos trabalhadores. Nessa linha de raciocínio,
tem aplicação à hipótese dos autos a Súmula 736 do STF, segundo a
qual “Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como
causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à
segurança, higiene e saúde dos trabalhadores”. Portanto, insere-se no
âmbito da competência material da Justiça do Trabalho a apreciação
e julgamento de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do
Trabalho, mediante a qual se formulam pedidos relativos à adequação

67
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

do meio ambiente de trabalho, em face de ente público, para todos


os trabalhadores, independente do vínculo jurídico laboral, inclusive
para os servidores estatutários. (RR-2330-22.2012.5.10.0009, 3ª Tur-
ma, Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – A isenção do depósito recursal às as entidades fi-
lantrópicas (art. 899, § 10, da CLT) somente se aplica ao processo
de conhecimento e não aos recursos no processo de execução. O
art. 899, § 10, da CLT só se aplica aos processos em fase de conhe-
cimento. Em execução, incide o disposto no art. 884, § 6º, da CLT,
também instituído pela Lei nº 13.467/2017, em que se limitou
a isenção de garantia do juízo às entidades filantrópicas. A não
repetição das empresas em recuperação judicial na Seção referente
aos embargos à execução implica silêncio eloquente do legislador,
não cabendo interpretação extensiva para limitar garantia de crédito
trabalhista. Assim, não garantida a execução por empresa em recupe-
ração judicial, é deserto o apelo. Agravo de instrumento conhecido e
desprovido. (AIRR-929-37.2015.5.03.0054, Relator Ministro: Alberto
Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de Julgamento: 12/02/2020,
3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020)
} 14/02/2020 – Decisão que julga exceção de suspeição é irrecorrível
de imediato. O RO é cabível para a instância superior das decisões dos
TRTs em processos de sua competência originária, desde que tenham
conteúdo terminativo ou definitivo (arts. 895, II, da CLT e 245 do
RITST). No caso em tela, a decisão colegiada que, ao negar provimento
ao agravo regimental, mantém o entendimento acerca da exceção de
suspeição arguida pelos agravantes, tem natureza eminentemente
interlocutória, referindo-se tão somente à questão incidental na ação
principal, a demandar a insurgência da parte interessada no momento
recursal oportuno, tal como disposto no art. 799, § 2º, da CLT. Neste
sentido é a Súmula nº 214 do TST (AIRO-1003059-07.2017.5.02.0000,
Data de Julgamento: 11/02/2020, Relator Ministro: Alexandre de
Souza Agra Belmonte, SDI-2, Data de Publicação: DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – SBDI-2 do TST decide que na hipótese de ação resci-
sória fundamentada em colusão entre as partes o prazo decadencial
começa a fluir para o MPT, que não interveio no processo principal, a

68
Fevereiro

partir do momento em que tem ciência da fraude, o que se dá pela


ciência inequívoca da possível irregularidade (no caso, se deu com
a denúncia ao Parquet) e não da certeza subjetiva do Procurador
ou da conclusão do inquérito civil, que sequer é etapa obrigatória.
(Ag-RO-5954-31.2015.5.09.0000 Data de Julgamento: 04/02/2020,
Relator Ministro: Evandro Pereira Valadão Lopes, SBDI-2, Data de
Publicação: DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Gratificação de função recebida por mais de 10 anos
não pode ser suprimida com a entrada em vigor da Reforma Tra-
balhista (direito adquirido). Observa-se que os fatos constitutivos
relativos à percepção da gratificação por período superior a dez anos
ocorreram em data anterior à vigência da Lei 13.467/2017. Dessa
forma, a questão deve ser solucionada de acordo com a legislação
em vigor naquela época, ou seja, levando-se em consideração o dis-
posto no art. 468 da CLT, sem a introdução do § 2º, e na Súmula 372,
I, do TST. A alteração legislativa não alcança situações consolidadas,
sob pena de afrontar os princípios básicos de direito intertemporal
previstos nos arts. 5º, XXXVI, da Constituição Federal e 6º da LINDB.
Ademais, no tocante à alegação de que o empregado foi revertido ao
cargo efetivo por justo motivo, a jurisprudência desta Corte está paci-
ficada no sentido de se entender que o justo motivo está relacionado
com a ideia de falta grave praticada pelo empregado que importe na
quebra da fidúcia especial que gerou o convite para o exercício de
função comissionada. A confirmação das alegações do impetrante
acerca do rebaixamento de função em razão do baixo desempenho
no exercício da função de gerente de relacionamento exigiria aná-
lise das provas e o mandado de segurança não pode ultrapassar o
exame acerca da legalidade e razoabilidade do ato impugnado”. (RO-
735-48.2018.5.12.0000 Data de Julgamento: 11/02/2020, Relatora
Ministra: Delaíde Miranda Arantes, SBDI-2, Data de Publicação: DEJT
14/02/2020).
} 14/02/2020 – Na sucessão trabalhista é da sucessora a responsa-
bilidade pelo pagamento dos créditos derivados dos contratos de
trabalho dos empregados da sucedida. Consagrou-se o entendimen-
to, na doutrina e na jurisprudência, de que a sociedade empresária

69
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

sucessora trabalhista responde integralmente pelos débitos oriundos


das relações de trabalho, ainda que referentes a período anterior à
sucessão, e mesmo que o contrato de trabalho tenha cessado an-
teriormente a ela. Esse é o entendimento consagrado no TST, tanto
que resultou na edição da OJ nº 261 da SbDI-1, a qual, em situação
análoga à discutida nesta demanda, dispõe que, no caso da ocor-
rência de sucessão bancária, “as obrigações trabalhistas, inclusive
as contraídas à época em que os empregados trabalhavam para o
banco sucedido, são de responsabilidade do sucessor, uma vez que a
este foram transferidos os ativos, as agências, os direitos e deveres
contratuais, caracterizando típica sucessão trabalhista”. (RR-473-
06.2012.5.15.0007, 2ª Turma, Relator Ministro Jose Roberto Freire
Pimenta, DEJT 14/02/2020).
} 14/02/2020 – Por se tratar de decisão interlocutória, não cabe
recurso contra decisão que julga exceção de suspeição. O recurso
ordinário é cabível para a instância superior das decisões dos Tribu-
nais Regionais em processos de sua competência originária, desde
que tenham conteúdo terminativo ou definitivo, tal como preconi-
zam os arts. 895, II, da CLT e 245 do Regimento Interno desta Casa.
No caso em tela, a decisão colegiada que, ao negar provimento ao
agravo regimental, mantém o entendimento acerca da exceção de
suspeição arguida pelos agravantes, tem natureza eminentemente
interlocutória, referindo-se tão somente à questão incidental na ação
principal, a demandar a insurgência da parte interessada no momento
recursal oportuno, tal como disposto no art. 799, § 2º, da CLT. Neste
sentido é a Súmula nº 214 do TST. Precedentes desta Subseção. (AIRO-
1003059-07.2017.5.02.0000, SBDI-2, Relator Ministro Alexandre de
Souza Agra Belmonte, DEJT 14/02/2020).
} 15/02/2020 – Alternância de horários a cada 4 meses caracteriza
turno ininterrupto de revezamento. Na hipótese dos autos, concluiu
o TRT que não estava caracterizado o trabalho do Reclamante em
turno ininterrupto de revezamento, uma vez que a mudança de escala
ocorria, em média, de quatro em quatro meses. No entanto, é enten-
dimento desta Corte que o fato de a alternância de turno ocorrer de
forma quadrimestral não descaracteriza o trabalho no aludido regime

70
Fevereiro

especial. Registre-se que, havendo o trabalho com a alternância pe-


riódica de horário, de modo que esteja o empregado submetido, no
todo ou em parte, ao horário diurno e noturno, aplica-se a jornada
especial prevista no artigo 7º, XIV, da Constituição Federal, consoante
dispõe a OJ nº 360 da SBDI-1 do TST. Estabelecida a alternância de
turnos, o que acarreta um maior desgaste para a saúde e para a vida
familiar e social do trabalhador, resta caracterizado o aludido regime.
(RR-1001836-70.2017.5.02.0371, Relator Ministro: Douglas Alencar
Rodrigues, Data de Julgamento: 05/02/2020, 5ª Turma, Data de Pu-
blicação: DEJT 14/02/2020)
} 15/02/2020 – Em se tratando de parcela decorrente do contrato
de trabalho, e não de verbas oriundas de contrato de previdência
complementar, é competente a Justiça do Trabalho para proces-
sar e julgar a presente lide. Não existe identidade da questão ora
debatida com a examinada pelo STF nos Recursos Extraordinários
nºs RE 586.453/SE e RE 583.050/RS, em que se definiu a incompe-
tência material da Justiça do Trabalho para apreciar e julgar relações
previdenciárias complementares. Precedentes. (RR-1000031-
93.2015.5.02.0002, 7ª Turma, Relator Ministro Luiz Philippe Vieira
de Mello Filho, DEJT 13/12/2019).12

12. O caso cuidava de pedido de continuidade do pagamento do auxílio-alimentação


após a aposentadoria. O fundamento da decisão é que o regulamento interno da CEF
previa a extensão do benefício aos aposentados e pensionistas da empresa. O TRT
havia determinado a remessa do caso à Justiça Comum, com o entendimento de que
o auxílio-alimentação estaria vinculado à complementação de aposentadoria, paga
pela Fundação dos Economiários Federais – Funcef, e não pela ex-empregadora. O
TRT se baseou no entendimento do STF de que cabe à Justiça Comum julgar processos
decorrentes de contrato de previdência complementar privada, ainda que oriundo do
contrato de trabalho, pois a relação entre o associado e a entidade de previdência não
é trabalhista. No entanto, para o relator no TST o tema é diverso do julgado pelo STF.
Afirmou que nos termos da OJ nº 51 da SBDI-1 do TST, a continuidade do pagamento
do auxílio-alimentação instituído pela empregadora como parcela autônoma após a
aposentadoria não decorre de aplicação de norma de plano de benefício previdenciário
instituído por entidade de previdência privada, mas de norma regulamentar, a quem
compete o pagamento da parcela. Trata-se, assim, de típica demanda trabalhista, pois
a pretensão da aposentada diz respeito ao extinto contrato de trabalho e aos efeitos
pós-contratuais do vínculo de emprego regido pela CLT.

71
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 18/02/2020 – Proprietária da carga não é responsável por parcelas


devidas à motorista carreteiro. Os contratos de prestação de serviços
relacionados ao transporte de cargas ou produtos, regidos pelo art. 2º
da Lei n.º 11.422/2007, têm natureza estritamente comercial. Trata-
-se de hipóteses em que não se aplica o entendimento reunido em
torno do item IV da Súmula nº 331 do TST. Precedentes. (CLT, art. 896,
§ 1º-A, inciso II), diante da função constitucional uniformizadora do
TST. RR-20653-64.2017.5.04.0204, 1ª Turma, Relator Ministro Luiz
Jose Dezena da Silva, DEJT 18/02/2020.
} 19/02/2020 – Após a vigência da Reforma Trabalhista o tempo gasto
pelo empregado, antes ou depois do labor, à espera do transporte
fornecido pelo empregador não deve ser considerado como tempo
à disposição, mesmo para os contratos de trabalho firmados antes
da vigência da Lei nº 13.467/2017. Decidiu a Turma que “não se
pode negar a aplicação da Lei nº 13.467/2017 aos contratos que,
embora iniciados em período anterior à sua vigência, continuam
em vigor, como no caso dos autos”. (ARR-425-88.2018.5.12.0017,
Data de Julgamento: 19/02/2020, Relator Ministro: Breno Medeiros,
5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/02/2020).13
} 19/02/2020 – Órgão Especial do TST reafirma entendimento de que
contra decisão que denega seguimento a recurso extraordinário
cabe: a) agravo de instrumento ao STF, no prazo de 15 dias úteis,
quando o fundamento da decisão que tranca o RE não se baseia em
decisão do STF constante da Tabela de Temas de Repercussão Geral;
b) agravo interno ao Órgão Especial do TST, no prazo de 8 (oito) dias
úteis, quando o trancamento ocorre mediante invocação de tema
de repercussão geral do STF. Ementa: AGRAVO. INTEMPESTIVIDADE.
DECISÃO DA VICE-PRESIDÊNCIA DO TST EM QUE NÃO ADMITIDO

13. Também constou da ementa que: “A SBDI-1 desta Corte, no julgamento do Processo
E-ED-RR-334-09.2012.5.04.0024 (DEJT 15/06/2018), pronunciou-se no sentido de
ser imperiosa a renovação da argumentação jurídica contida no recurso de revista na
minuta de agravo de instrumento, inclusive com a indicação dos dispositivos legais
e/ou constitucionais e verbetes invocados, além da transcrição dos arestos com os
quais se pretendeu evidenciar a existência de divergência jurisprudencial, de forma
a demonstrar a incorreção da decisão que denegou seguimento ao apelo”.

72
Fevereiro

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM BASE EM PRECEDENTE DE REPER-


CUSSÃO GERAL. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 265 DO REGIMENTO
INTERNO DO TST. INOBSERVÂNCIA. Trata-se de agravo interposto em
face da decisão da Vice-Presidência do TST pela qual fora denegado
seguimento ao recurso extraordinário com base em precedente de
repercussão geral. Na esteira do julgamento do Pleno do Supremo
Tribunal Federal no AI 760.358/SE (Relator Gilmar Mendes), a decisão
em que aplicado precedente de repercussão geral desafia agravo
interno para a Corte de origem. Tal orientação foi consolidada no
CPC vigente (artigo 1.030, § 2º). O agravo interno está previsto no
artigo 265 do Regimento Interno do TST com prazo de 8 (oito) dias.
Assim, não observado o prazo de 8 (oito) dias, o não conhecimento
do agravo, por intempestivo, é medida que se impõe. Agravo não
conhecido. (Ag-ED-Ag-AIRR-123700-10.2011.5.17.0008, Relator
Ministro: Renato de Lacerda Paiva, Data de Julgamento: 10/02/2020,
Órgão Especial, Data de Publicação: DEJT 19/02/2020)
} 21/02/2020 – O contato ou a manipulação do cimento, no exercício
da função desempenhada pelo Reclamante (motorista montador
de bomba), não está inserida entre as atividades e operações clas-
sificadas como insalubres pelo Ministério do Trabalho- Anexo 13 da
NR 15, não ensejando, portanto, o pagamento do adicional de insalu-
bridade. Logo, faz-se cabível excluir da condenação o pagamento do
adicional de insalubridade em grau médio, fundamentado no contato
com “cimento”. (RR-1002277-12.2016.5.02.0072, 3ª Turma, Relator
Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Portuário avulso tem direito a intervalo intrajornada
e horas extras. A Constituição Federal, em seu art. 7º, XXXIV, equi-
parou os trabalhadores com vínculo empregatício e os avulsos, não
havendo, portanto, razão para se excluir destes o direito ao intervalo
intrajornada, até porque se trata de medida de higiene, saúde e segu-
rança do trabalho. Ademais, são devidas horas extras aos portuários
avulsos que trabalham em dois turnos de seis horas consecutivos,
ainda que a prestação de trabalho seja para tomadores diversos.
Precedentes. (ARR-1000775-43.2017.5.02.0447, 3ª Turma, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 21/02/2020).

73
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 21/02/2020 – Presunção de veracidade da jornada apontada na


inicial cede quando a mesma for inverossímil. A ausência de con-
troles de ponto gera presunção relativa de veracidade da jornada de
trabalho, que pode ser elidida por prova em contrário, dentre as quais
constam a razoabilidade e a experiência do magistrado (art. 375 do
CPC), de modo que não se impõe a adoção pelo julgador de toda e
qualquer jornada de trabalho informada pelo reclamante, sobretudo
quando esta se mostrar inverossímil, como ocorre no presente caso.
Não há como reconhecer, por presunção, a veracidade da jornada
declinada na inicial, de 18 horas diárias, cumprida todos os dias, com
apenas duas folgas por mês e durante um ano (duração do contrato).
Recurso de revista conhecido por má aplicação da Súmula nº 338 do
TST e provido. (RR-975-43.2014.5.23.0106, 3ª Turma, Relator Ministro
Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – A filiação compulsória ao sistema do FGTS, instituída
pela CRFB/88, não afeta o direito adquirido pelo reclamante à
estabilidade decenal prevista no art. 492 da CLT, conquistada an-
teriormente ao advento da CRFB/88 (art. 14 da Lei nº 8.036/1990).
Na hipótese de despedida sem justa causa do estável decenal, após
a Constituição Federal, é devida a sua reintegração ao emprego,
nos termos do art. 495 da CLT. Revelando-se desaconselhável a
reintegração do empregado em razão da animosidade entre as
partes, é devida a indenização dobrada, nos moldes dos arts. 496
e 497 da CLT, desde a data da demissão até a data da primeira de-
cisão que determina a conversão da reintegração em indenização
dobrada, conforme preceitua a Súmula nº 28 do TST. (RR-24260-
88.2013.5.24.0036, 7ª Turma, Relator Ministro Luiz Philippe Vieira
de Mello Filho, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Negativa de benefício previdenciário por ausência de
recolhimenots previdenciários pelo empregador gera danos mo-
rais. A inadimplência das obrigações trabalhistas acarreta a respon-
sabilidade civil do empregador quando provado o dano moral sofrido
pelo trabalhador. No caso dos autos, a ausência de recolhimento das
contribuições previdenciárias por longo período do contrato de traba-
lho resultou na negativa do órgão previdenciário oficial em conceder

74
Fevereiro

a aposentadoria requerida pelo reclamante. A situação retratada nos


autos configura dano moral. A simples notícia de recusa da concessão
da aposentadoria é motivo suficiente para causar angústia e abalo
emocional e, ainda que o reclamante possa reverter judicialmente a
decisão do INSS, sempre haverá um período de tempo em que não
poderá contar com o benefício que lhe era de direito até que sobre-
venha a decisão judicial que determine o pagamento do benefício
previdenciário; sem mencionar os custos, a demora e os riscos pro-
cessuais que sempre permeiam as ações judiciais. Passar por tudo isso
na velhice, ao final do ciclo produtivo e em meio às vicissitudes desta
fase da vida, é mais tormentoso. A demonstração do abalo emocional
não é materialmente comprovável, sendo perfeitamente dedutível in
re ipsa, em hipóteses como a dos autos. Logo, em função do ato ilícito
praticado, emerge o dever do empregador de indenizar o reclamante
pelo dano moral impingido a ele, nos termos do art. 186 do Código
Civil. (RR-24260-88.2013.5.24.0036, 7ª Turma, Relator Ministro Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Comissionista pura que também realiza outras tarefas
que a impediam de receber comissões deve receber horas extra
“cheia”. No caso, restou incontroverso que a reclamante recebia sa-
lário exclusivamente à base de comissões, enquadrando-se, assim,
no conceito de comissionista puro. Nos casos em que o comissionista
puro exerce funções diversas das de vendedor no decorrer das horas
extras, fica impossibilitado de efetuar vendas e receber comissões
nesse período. Por isso, é devido o pagamento da hora de trabalho
mais o adicional (hora extra “cheia”). Logo, a súmula nº 340 do TST
não se aplica ao caso de horas extras decorrentes da não concessão
ou concessão irregular das horas intervalares, uma vez que, nessa
situação, as comissões recebidas não remuneram de forma simples o
intervalo suprimido. Outrossim, a Súmula nº 340 do TST não se aplica
ao caso de horas extras decorrentes da não concessão ou concessão
irregular das horas intervalares, uma vez que, nessa situação, as
comissões recebidas não remuneram de forma simples o intervalo
suprimido (ARR-1000881-37.2015.5.02.0362, 2ª Turma, Relatora
Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 07/02/2020).

75
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 21/02/2020 – 5ª Turma admite razões finais remissivas em caso


protesto já consignado em audiência. No caso, o Regional entendeu
preclusa a oportunidade de arguição da nulidade do julgamento por
cerceio do direito de defesa, já que as razões finais foram remissivas,
apesar de o reclamante ter consignado protestos em audiência
quanto ao indeferimento da oitiva do preposto da empresa e de
testemunhas. Para o TST, ao contrário do entendimento firmado pelo
TRT, consignado o protesto em audiência, não há se falar em preclu-
são quanto à nulidade por cerceamento do direito de defesa pelo
oferecimento de razões finais remissivas. Demonstrada a violação
do art. 5º, LV, CRFB/88 (RR-1000069-02.2018.5.02.0067, Data de
Julgamento: 19/02/2020, Relator Desembargador Convocado: João
Pedro Silvestrin, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 21/02/2020).14

14. Sobre o tema, há interessante decisão da 6ª Turma: “RECURSO DE REVISTA. LEI


13.467/2017. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PRAZO
PARA APRESENTAÇÃO DE CONTESTAÇÃO, DOCUMENTOS E PROVA ORAL FORMU-
LADA PELA ADVOGADA DE RÉU REVEL. AUSÊNCIA DE PROTESTOS NA AUDIÊNCIA.
DEFERIMENTO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RAZÕES FINAIS ESCRITAS.
CERCEAMENTO DE DEFESA ALEGADO EM RAZÕES FINAIS ESCRITAS. AUSÊNCIA
DE PRECLUSÃO. TRANSCENDÊNCIA. [...]. No caso, apenas a advogada da reclamada
compareceu à audiência. Depois do interrogatório do reclamante a advogada presente
requereu prazo para juntada de defesa, documentos e prova oral, o que foi indeferido.
Ato contínuo foi encerrada a instrução processual, concedendo-se prazo para apresen-
tação de razões finais escritas. Ao apresentar suas razões finais escritas a reclamada
alegou cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do prazo para
juntada de defesa, documentos e produção de prova oral. O Tribunal Regional aplicou
a preclusão por entender que a parte deveria ter registrado protestos na audiência,
logo após o indeferimento do seu pedido. A causa apresenta transcendência jurídica,
nos termos art. 896-A, § 1º, IV, da CLT uma vez que a matéria não foi analisada pelo
TST sobre o aspecto ora trazido, razão pela qual passo a apreciação dos demais pres-
supostos do recurso de revista. A arguição de nulidade deve ser realizada “na primeira
vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos”. A conjunção coordenada
alternativa nos induz à conclusão de que a parte pode realizar o protesto de forma
imediata ao indeferimento, sem necessidade de renová-lo em razões finais ou pode
apresentá-lo apenas em razões finais, orais ou escritas. No caso, o protesto não foi
feito de forma imediata em audiência, mas foi realizado em razões finais escritas,
conforme facultado pelo magistrado condutor da audiência. Dessa forma, não
houve preclusão para se insurgir quanto ao indeferimento do pleito de prazo para
apresentação de defesa, documentos e produção de prova oral. Embora afastada a
preclusão, não há como acolher a irresignação da reclamada. Isso porque, no período

76
Fevereiro

} 21/02/2020 – Utilização do sistema “homem-morto” rende in-


denização por danos morais a Ferroviário. Trata-se de pedido de
indenização por dano moral, em razão do exercício da atividade
de maquinista de trem em regime de monocondução, em que o autor
ficava impossibilitado, durante a jornada de trabalho, de satisfazer
às suas necessidades fisiológicas e de realizar refeições dignamente.
As provas evidenciam que ao obreiro não era concedido o período
relativo ao intervalo intrajornada, não dispondo de tempo suficiente
sequer para suas necessidades fisiológicas. O reclamante era obrigado
a acionar o dispositivo de segurança denominado “homem morto”
em intervalos extremamente curtos de tempo, de modo que o em-
pregado, durante a jornada de trabalho, não tinha tempo suficiente
e confortável para realizar suas necessidades fisiológicas e para se
alimentar dignamente. Demonstrada a impossibilidade prática do
uso do banheiro pelo reclamante e da ausência de intervalo para
sua alimentação, sobretudo pela utilização do dispositivo denomi-
nado homem-morto, por óbvio que a situação implica em respon-
sabilidade da reclamada. Sobre o valor da indenização impõe-se à
análise do caso em tela verificar que a empresa reclamada, embora
tivesse plena consciência das condições a que o reclamante estava
submetido, nada fez para solucionar o problema. A condenação de
uma empresa que conscientemente submete seus trabalhadores a
condições indignas e subumanas de trabalho em uma indenização
no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) mostra-se efetivamente
irrisória, não cumprindo, de forma alguma, o caráter pedagógico que
deve ser observado na fixação do montante indenizatório. Ao final, a
indenização foi fixada em R$ 100.000,00 (cem mil reais) (ARR-11700-
57.2017.5.03.0037, 2ª Turma, Relator Ministro Jose Roberto Freire
Pimenta, DEJT 21/02/2020).

anterior à Lei 13.467/2017, como no caso dos autos, a ausência da reclamada na


audiência inicial resulta em revelia, mesmo que o seu advogado tenha comparecido
a audiência (Súmula 122 do TST). Sendo a parte revel, o indeferimento de prazo para
apresentação de contestação, documentos e prova oral não constitui cerceamento
do direito de defesa, nos termos da Súmula 74, II, do TST e art. 847 da CLT. Recurso de
revista de que não se conhece”. (TST-RR-10637-44.2016.5.09.0011, 6ª Turma, rel. Des.
Conv. Cilene Ferreira Amaro Santos, julgado em 5.6.2019 – Informativo TST nº 198).

77
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 21/02/2020 – STF entende que a adoção do tempo de serviço para fins


de escalonamento dos subsídios de servidores públicos caracteriza
discrímen razoável que não ofende o disposto no artigo 7º, XXX, da
CRFB/88 (ADI 5.400, rel. min. Luiz Fux, j. 21-2-2020, P, DJE de 12/03/2020).
} 21/02/2020 – O transporte de valores por empregado bancário
não contratado para tal função enseja a reparação por dano mo-
ral. O transporte de numerário possui regramento específico na Lei
nº 7.102/1983, que estabelece normas quanto à segurança de estabe-
lecimentos financeiros e à constituição e funcionamento das empre-
sas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte
de valores. A teor dos arts. 1º a 5º, é vedado o transporte de valores
por funcionários bancários desacompanhados de vigilantes ou fun-
cionários especializados. A empresa tem o dever de reduzir os riscos
inerentes à segurança do trabalhador e, no tocante ao transporte de
valores, observar os ditames da legislação específica que estabelece o
transporte acompanhado por vigilantes ou por intermédio de empresa
especializada. (RR-694-25.2014.5.05.0612, 7ª Turma, Relator Ministro
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020. É lícita a redução do percentual da gratificação de
balanço paga em razão do lucro da empresa. Conforme orientação
da SBDI-1 do TST não se há de falar em alteração contratual ilícita na
hipótese de redução do percentual da gratificação de balanço paga
em razão do lucro empresarial. Pontua que a Lei nº 10.101/2000,
que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados
da empresa, ao dispor, em seu art. 2º, § 1º, sobre a necessidade de
fixação, pelas partes, do período de vigência e prazos para revisão
do acordo mediante o qual avençadas as condições para o pagamen-
to da verba, denuncia a sua natureza mutável, a exigir periódica
aferição do contexto econômico e social em que inseridas, a fim de
prevenir que o cumprimento do pactuado torne-se excessivamente
oneroso para qualquer um dos contratantes. Precedentes. (RR-17-
05.2013.5.05.0038, 7ª Turma, Relator Ministro Luiz Philippe Vieira
de Mello Filho, DEJT 21/02/2020).15

15. A SBDI-1, em sua composição plena, decidiu que a referida alteração não contraria a
Súmula 51, I, do TST, tampouco o art. 468 da CLT (sessão extraordinária de 27/6/2011,

78
Fevereiro

} 21/02/2020 – A desconstituição da justa causa em juízo não tem o


condão de afastar a incidência da multa prevista no art. 477, § 8º, da
CLT, uma vez que as verbas rescisórias efetivamente devidas não fo-
ram pagas no prazo estabelecido no parágrafo 6º do citado dispositivo.
Precedentes da SBDI-1 do TST. (RR-3839-16.2012.5.02.0201, 2ª Tur-
ma, Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Pré-contratação de horas extras poucos dias após o
início do pacto laboral é fraude. A contratação das horas extras de
empregado bancário que se realiza poucos dias após a admissão ca-
racteriza o desvirtuamento da orientação contida na Súmula nº 199
do TST. É que o verbete não seria aplicável, supostamente, ante a
exigência de que haja contratação ao tempo da admissão. No caso
em apreço, as horas extras foram formalmente contratadas cerca
de quinze dias após a admissão, circunstância que evidencia que o
banco reclamado, ao postergar a pré-contratação - na expectativa
de que essa exceção fosse um requisito para afastar a aplicação da
Súmula nº 199 do TST -, agiu de modo a disfarçar a sua deliberada
violação aos preceitos da CLT. Assim, segundo o quadro delineado
no Tribunal Regional, não há como se furtar ao entendimento de que
efetivamente houve pré-contratação de horas extras, a caracterizar
a consonância da decisão recorrida com a diretriz da Súmula 199,
I, do TST. (RR-2083-31.2015.5.02.0018, 6ª Turma, Relator Ministro
Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 06/12/2019).
} 21/02/2020 – Gera dano moral proposta ao empregado de adesão
a novo plano de carreira mediante renúncia à estabilidade já ad-
quirida na empresa sucedida. A proposta de migração dos antigos
empregados do BESC para o quadro de funcionários do Banco do
Brasil continha cláusula draconiana, ao estabelecer que os antigos
empregados do BESC teriam que renunciar à estabilidade no emprego,
adquirida junto ao empregador originário, para poderem acessar os

processos E-RR 42300-59.2000.5.05.0471 e E-ED-AIRR e RR75200-44.2000.5.05.0003,


DEJT de 1º/7/2011 e 19/8/2011) ao fundamento de que a modificação, além de ter
acarretado a garantia dos postos de trabalho dos empregados do Banco sucedido,
gerou a efetiva percepção da parcela – que não era recebida, ante a ausência de lucro
do sucedido –, e visou à adequação dos percentuais praticados pelo Banco sucessor.

79
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

cargos de gerência do novo empregador. Ou seja, ao abrir mão da es-


tabilidade funcional, o reclamante não receberia nada em troca além
da possibilidade de progredir na carreira. Trata-se de acordo excessi-
vamente arriscado e desvantajoso, pois a perda para o trabalhador é
onerosa e imediata, ao passo que os ganhos são totalmente incertos
e imprevisíveis. Por outro lado, ao recursar o acordo e permanecer
com a estabilidade funcional, o empregado se vê tolhido de progredir
na carreira. O prejuízo não é apenas financeiro, mas existencial, na
medida em que o reconhecimento e a progressão na carreira são
aspirações profissionais inerentes ao trabalhador. Nesses termos,
o acordo formulado pelo Banco do Brasil configura abuso do poder
diretivo, pois se tratou de coagir o reclamante a renunciar à estabili-
dade no emprego, sob pena de sacrificar o progresso na carreira de
bancário. (ARR-8850-88.2011.5.12.0037, 7ª Turma, Relator Ministro
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – São cumuláveis a gratificação de função e o adicional
de quebra de caixa. A parcela “quebra de caixa” tem o objetivo de
remunerar o risco da atividade, frente a eventuais diferenças no fe-
chamento do caixa, ou seja, é paga para cobrir o risco do empregado
bancário que labora com numerários, sob tensão e risco contínuos.
Já a gratificação de função de caixa visa a remunerar a maior respon-
sabilidade do cargo. Desse modo, podem ser cumuladas quando
demonstrado o exercício simultâneo das atribuições. Isso porque são
pagas por fatores e objetivos diversos, não acarretando bis in idem.
Precedentes. (ARR-1015-36.2017.5.12.0038, 7ª Turma, Relator Mi-
nistro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 19/12/2019).
} 21/02/2020 – Empresas contratantes de transporte de valores
não possuem responsabilidade por dívidas com vigilante. Em
relação à responsabilidade subsidiária, frise-se o seguinte: como se
observa do acórdão recorrido, a Corte Regional reformou a sentença,
responsabilizando subsidiariamente as empresas ora recorrentes
(Súmula 331, IV, do TST), na proporção em que se beneficiaram da
prestação de serviços do autor (vigilante de carro forte - coletor de
malotes), por entender que houve, no caso, terceirização dos serviços
de transporte de valores, não sendo empecilho a tal reconhecimento

80
Fevereiro

a simultaneidade da prestação de serviços a vários tomadores, a


ausência de exclusividade da prestação laboral e a ausência de quan-
tificação do tempo despendido em favor de cada tomadora. Assim,
considerando as peculiaridades que envolvem o presente caso e a tese
recursal de que houve má aplicação da Súmula 331, IV, do TST, uma
vez que não se trata de terceirização de mão-de-obra, mas de cele-
bração de contrato de prestação de serviços de transporte de valores
(artigos 730 do CCB e 3º da Lei 7.102/83) de natureza civil, reputa-
-se prudente o provimento do agravo de instrumento para melhor
análise do recurso de revista. Agravos de instrumento conhecidos e
providos apenas quanto à controvérsia em torno da responsabilida-
de subsidiária, por aparente contrariedade à Súmula 331, IV, do TST
(má aplicação), a fim de determinar o processamento dos recursos
de revista. Extrai-se do acórdão recorrido que, no caso, as empresas
(Spal Indústria Brasileira de Bebidas S.A., Irmãos Boa Ltda. Grupo
Fartura de Hortifrut S.A. e Banco Santander (Brasil) S.A.) firmaram
contrato de prestação de serviços de transporte de valores com a
empresa RRJ Transporte de Valores e Segurança e Vigilância Ltda. e
que, no cumprimento deste, o autor exercia a função de vigilante de
carro forte- coletor de malotes, prestando serviços simultaneamente
às empresas mencionadas. A Corte Regional reformou a sentença,
responsabilizando subsidiariamente as empresas ora recorrentes
(Súmula 331, IV, do TST), na proporção em que se beneficiaram da
prestação de serviços do autor, por entender que houve, no caso,
terceirização dos serviços de transporte de valores. Em que pese
concordar com a Corte Regional que a prestação de serviços a vários
tomadores, simultaneamente, necessariamente não é óbice para o
reconhecimento da responsabilidade subsidiária, no entanto, nota-
-se, aqui, peculiaridades que, consideradas em conjunto, permitem
concluir que houve má aplicação da Súmula 331 desta Corte. É que
não se pode confundir o caso destes autos, em que cada empresa
envolvida tem o seu objeto social específico (comercial, industrial
ou bancário), com outros casos em que o trabalhador permanece
à disposição do tomador de serviços durante toda a jornada, a
exemplo dos vigilantes de banco, que a própria Súmula 331 do TST
trata em seu item III. Decerto que as atividades de coleta e transporte

81
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de valores dentro dos estabelecimentos não demandavam tempo e


força de trabalho significativos às empresas envolvidas e que não havia
ingerência direta destas, assim como coordenação quanto à jornada a
ser realizada. O autor estava inserido no quadro da empresa de trans-
portes de valores (RRJ Transporte de Valores Segurança e Vigilância
Ltda.), sua empregadora, que atuava com autonomia para gerenciar
as suas atividades e não disponibilizava a sua mão-de-obra em favor
de apenas um determinado tomador dos serviços, não havendo como
configurar, no caso, culpa in eligendo ou in vigilando. As empresas en-
volvidas, efetivamente, não tomavam os serviços pessoais do autor
para configuração do liame da responsabilidade subsidiária, pelo
contrário, o autor sempre trabalhou, fato incontroverso, na sede
da empresa de transportes de valores (prestadora), não estando
vinculado a qualquer posto de trabalho nas tomadoras. Sua lotação
era na sede da prestadora, de onde partia para as rotas, conforme se
infere da peça inaugural, quando aduz que, “ao Reclamante, como aos
demais trabalhadores da Reclamada era determinado que estivessem
no interior da 1ª Reclamada por volta das 7:30h, mas somente pode-
riam registrar o ponto a partir das 8h, pois este período era destina-
do a troca de roupa, tomar café da manhã e ainda colocar malotes,
documentos e demais objetos necessários para o seu trabalho no
interior do veículo da 1ª Reclamada” (págs. 13-14). Não tenho dúvida
de que, como entendeu o Juízo de primeiro grau, houve contrato de
natureza comercial e não terceirização de serviços nos moldes da
Súmula 331, IV, do TST. Precedentes. Recursos de revista conhecidos
por contrariedade à Súmula 331, IV, do TST (má aplicação) e providos.
CONCLUSÃO: 1- Homologar a desistência do recurso do Banco, nos
termos do artigo 998 do CPC/2015; 2- Conhecer dos agravos de ins-
trumento apenas quanto à controvérsia em torno da responsabilidade
subsidiária e dar-lhes provimento para determinar o processamento
dos respectivos recursos de revista; 3- Conhecer dos recursos de re-
vista por contrariedade à Súmula 331, IV, do TST (má aplicação) e, no
mérito, dar-lhes provimento para restabelecer a sentença que julgou
improcedente a ação quanto às empresas ora recorrentes. No caso, o
relator, ministro Agra Belmonte, observou peculiaridades que, consi-
deradas em conjunto, permitem afastar a hipótese de terceirização e,

82
Fevereiro

consequentemente, a aplicação da Súmula 331 do TST. Para o ministro,


não se pode confundir o caso, em que cada empresa envolvida tem o
seu objeto social específico (comercial, industrial ou bancário), com
outros em que o trabalhador permanece à disposição do tomador de
serviços durante toda a jornada, a exemplo dos vigilantes de banco.
(TST-ARR-11281-81.2015.5.15.0131, 3ª Turma, Relator Ministro
Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – No processo do trabalho, a atuação do MPT em
processo que envolva incapaz é supletiva. O TST, considerando a
autonomia do Processo do Trabalho, assim como a ausência de la-
cuna que justifique a incidência das regras do Processo Civil, firmou
a compreensão de que não gera nulidade a ausência de interven-
ção do MPT, por desnecessária, em processo ajuizado por menor
assistido pelo responsável legal, desde a primeira instância. Prece-
dentes. Dessa forma, uma vez que a presente ação teve como uma
das autoras a menor impúbere assistida por sua responsável legal,
o que se comprova por meio da certidão de nascimento acostada
à pág. 22 e, estando esta assistida por advogado com procuração
válida constante nos autos, não há que se falar em legitimidade do
Ministério Público para atuar em favor do incapaz e, menos ainda,
para recorrer de revista em nome deste. Assim, se a menor impúbere,
através de sua representante legal, concordou com a procedência
parcial da demanda, não caberia ao Ministério Público do Trabalho
substituir-lhe e interpor recurso de revista. Nesse contexto, reconhe-
ço a ilegitimidade recursal do Ministério Público do Trabalho para
interposição do recurso de revista. (RR-10167-42.2017.5.03.0141,
3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte,
DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Prazo prescricional para ações sobre férias é contado a
partir do fim do período concessivo. No caso, o Regional considerou
prescrita a pretensão de pagamento em dobro das férias do período
aquisitivo 2011/2012, ao argumento de que as férias foram usufruí-
das em dois períodos (de 2 a 16/1 e de 2 a 16/7/2012), e a ação fora
proposta em agosto de 2017, mais de cinco anos depois. Contudo,
nos termos do art. 149 da CLT, o prazo prescricional para reclamar o

83
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

pagamento das férias é contado do término do período concessivo.


(RR-11746-70.2017.5.15.0115, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto
Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Compete à Justiça do Trabalho julgar repercussão
de parcelas deferidas em juízo sobre contribuições a previdência
privada. Não se discute no presente caso a competência desta Justiça
Especializada para apreciar a repercussão das verbas salariais reco-
nhecidas judicialmente na complementação de aposentadoria, mas
tão somente a possibilidade de se determinar o recolhimento das
contribuições sociais devidas pelo empregador (patrocinador) a enti-
dade fechada de previdência complementar em relação ao objeto da
condenação. Cinge-se a controvérsia, portanto, em saber se a compe-
tência desta Justiça Especializada, no que diz respeito à determinação
de recolhimento das contribuições sociais (artigo 114, VIII, da CF),
limita-se ao regime geral de previdência social ou se alcança também
as contribuições devidas a entidades fechadas de previdência com-
plementar, em razão de condenação trabalhista a títulos de parcelas
que se inserem no conceito de salário de contribuição. A SDBI-1 do
TST, analisando caso análogo, manifestou-se no sentido de reconhecer
a competência desta Justiça do Trabalho, fundamentalmente com
lastro nos artigos 114, IX, da Constituição Federal c/c o artigo 876,
parágrafo único, da CLT. (E-ED-ARR-2177-42.2012.5.03.0022, Rela-
tor Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 26/08/2016).
Logo, a decisão regional que declinou a competência desta Justiça do
Trabalho para analisar a demanda violou o disposto no art. 114, I, da
CRFB/88. Julgados. (ARR-2225-81.2014.5.03.0005, 5ª Turma, Relator
Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Se a decisão regional se funda na interpretação de
instrumento coletivo, a admissibilidade do recurso de revista
restringe-se à comprovação de dissenso jurisprudencial, pressu-
posto recursal, contudo, não atendido pela parte (art. 896, b, da CLT).
(ARR-2225-81.2014.5.03.0005, 5ª Turma, Relator Ministro Douglas
Alencar Rodrigues, DEJT 21/02/2020).
} 21/02/2020 – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
pretensão de professora vinculada a contrato de edição, cessão de

84
Fevereiro

direitos autorais e de uso de imagem. Consoante dispõe o art. 114,


I, da Constituição Federal, compete à Justiça do Trabalho processar e
julgar as ações oriundas da relação de trabalho. No caso dos autos, o
Regional frisou que o objeto do contrato de edição, cessão de direitos
autorais e de uso de imagem firmado entre as partes consistiu na ela-
boração, pela reclamante, de duas apostilas da disciplina de Geografia
destinadas ao “Curso Normal Nível Médio à Distância”; na gravação
de aulas, por meio televisivo, sobre a referida matéria; e na cessão
irrevogável e restrita à contratante dos direitos autorais, de edição
e de uso de imagem dessas obras, válidas somente até 31/12/2002.
Todavia, mesmo após o término do contrato, as reclamadas continua-
ram utilizando o material didático sem a correspondente autorização
da contratada, reproduzindo-o e distribuindo-o, o que geraria para a
autora o direito à indenização. Da análise atenta do acórdão regional,
verifica-se que o intitulado contrato de edição, cessão de direitos
autorais e de uso de imagem, firmado entre as partes, traduz-se em
uma forma de pactuação de prestação de trabalho, pois a recla-
mante, professora, gravou aulas e elaborou apostilas; as reclamadas
ministram cursos com aulas semipresenciais; o pagamento da autora
foi efetuado em montante correspondente às horas de aula transmi-
tidas- circunstâncias que, somadas às demais delineadas no acórdão
regional, evidenciam que é da Justiça do Trabalho a competência para
a apreciação das controvérsias decorrentes do contrato de trabalho
firmado entre as partes. (RR-1618-33.2010.5.09.0008, 7ª Turma, Re-
lator Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 21/02/2020).
} Cota parte do empregador, acerca dos descontos previdenciários,
não integra a base de cálculo dos honorários de sucumbência.
Conforme diretriz da OJ nº 348 da SBDI-1, os honorários advocatícios
devem ser calculados sobre o valor líquido da condenação, sem a de-
dução dos descontos previdenciários e fiscais. Ao interpretar referida
OJ, a SBDI-1 do TST sedimentou o entendimento de que a cota parte
do empregador, relativamente aos descontos previdenciários, não
integra a base de cálculo dos honorários advocatícios, uma vez que
não constitui crédito de natureza trabalhista, mas parcela destinada
a terceiro. (ARR-2225-81.2014.5.03.0005, 5ª Turma, Relator Ministro
Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 21/02/2020).

85
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 21/02/2020 – É lícita a alteração de turno ininterrupto de reve-


zamento para turno fixo, ainda que com superior carga horária
mensal. No caso, os substituídos trabalhavam em turnos de reveza-
mento, com limite de 168 horas mensais, em escala 3x2 (três dias de
trabalho por dois de descanso), conforme estabelecido por norma
coletiva, e passando a submeter-se a regime de turnos fixos, em es-
cala 5x2 – “cinco dias de trabalho por dois dias de folga, com a venda
de um dia de folga” –, sujeitos à duração mensal do trabalho de 200
horas. Entende-se que o trabalho realizado em turnos ininterruptos
de revezamento é prejudicial à saúde do trabalhador, tanto que se
desenvolve em jornada de 6 horas, justamente com o intuito de re-
duzir os malefícios causados pela troca constante de turnos. Assim,
afigura-se benéfica ao empregado a alteração contratual havida e que
estabeleceu a prestação de serviços em um horário fixo. Ademais, a
mudança da jornada se insere no “jus variandi” do empregador, que
detém o comando do empreendimento. Registre-se que a questão
sobrepuja o mero interesse econômico, prevalecendo o direito indis-
ponível do trabalhador à saúde e à qualidade de vida. Acrescente-se
ainda, que nesse mesmo sentido, há a previsão contida na Súmula 391,
do Colendo TST, aplicável aos petroleiros. Precedentes. Recurso de re-
vista conhecido por violação do artigo 7º, XXVI, da CRFB/88 e provido.
(RR-11181-94.2015.5.01.0203, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 21/02/2020).
} 26/02/2020 – SDC reitera jurisprudência de que em ação anulatória
de norma coletiva ajuizada pelo MPT e julgada improcedente não
cabem honorários advocatícios sucumbenciais, salvo se com-
provada má-fé (aplicação analógica do art. 18 da Lei nº 7.347/85)
(RO-49900-20.2012.5.13.0009, Data de Julgamento: 17/02/2020,
Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, SDC, Data de
Publicação: DEJT 26/02/2020).

Nota A ação anulatória é de competência originária do TRT.

} 26/02/2020 – É abusiva a greve político-trabalhista. No caso, a


greve teve por finalidade contestar a política de privatização do

86
Fevereiro

Governo. (EI-DCG-1000418-66.2018.5.00.0000 Data de Julgamento:


17/02/2020, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos,
SDC, Data de Publicação: DEJT 26/02/2020).
} 26/02/2020 – SDC reitera jurisprudência do TST e do STF (ARE
1.018.459/PR, com repercussão geral reconhecida: “é inconstitu-
cional a instituição, por acordo, convenção coletiva ou sentença
normativa, de contribuições que se imponham compulsoriamente
a empregados da categoria não sindicalizados”) que considera
inválida instituição de contribuição assistencial compulsória aos
não filiados ao sindicato, mesmo após a Reforma Trabalhista.
(RO-20909-66.2019.5.04.0000, SDC, Relator Ministro Guilherme
Augusto Caputo Bastos, DEJT 26/02/2020).
} 27/02/2020 – Transferência realizada há mais de 10 anos afasta
direito a adicional. A OJ nº 113 da SBDI-1 do TST determina o direito
ao adicional de transferência no caso de ser provisória. Considera-se
o caráter provisório ou definitivo, aferindo-se, no caso concreto, os
termos em que ocorreu o deslocamento, tais como o tempo de con-
tratação, o motivo que o ensejou, o número de mudanças, o ânimo de
permanência e, em certas situações, a época da rescisão contratual.
Na hipótese, o autor somente foi transferido duas vezes em todo o
contrato de trabalho, sendo a última há mais de 10 anos. Dessa forma,
deve ser excluído o adicional de transferência, em razão de possuir ca-
ráter definitivo. Precedentes. (RR-296-97.2013.5.09.0096, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 19/12/2019).
} 28/02/2020 – Simples declaração de pobreza é meio hábil para
provar a hipossuficiência para fins de gratuidade da justiça, mesmo
para as ações ajuizadas após a Reforma Trabalhista, por aplicação su-
pletiva do art. 99, § 3º do CPC, que é compatível com a nova redação
do art. 790, § 3º, da CLT, de modo que as duas normas podem e devem
ser aplicadas conjuntamente, por força dos arts. 15 do CPC e 769 da
CLT. Ainda, nos termos do item I da Súmula nº 463 do TST, basta a sim-
ples afirmação do declarante ou de seu advogado para se considerar
configurada a sua situação econômica. (RR-340-21.2018.5.06.0001
Data de Julgamento: 19/02/2020, Relator Ministro: José Roberto
Freire Pimenta, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/02/2020). No

87
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

mesmo sentido, de 14/02/2020, decisão da 6ª Turma: “mera de-


claração da parte quanto ao fato de não possuir condições de arcar
com as despesas do processo, nos termos da Súmula nº 463, I, do c.
TST, mesmo após as alterações promovidas pela Lei 13.467/2017,
é suficiente para o fim de demonstrar sua hipossuficiência econô-
mica, com ressalva de entendimento pessoal do Ministro Relator”
(RR-433-39.2018.5.17.0013, Data de Julgamento: 11/12/2019,
Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, Data de Pu-
blicação: DEJT 14/02/2020).
} 28/02/2020 – É do empregado o ônus da prova quanto à culpa da
Administração Pública nos processos quem envolvem terceirização
e responsabilidade subsidiária, sob o fundamento de que o julga-
mento do Tema 246 da Tabela de Repercussão Geral do STF induz tal
conclusão, de forma vinculante. Afirma o relator: “a SBDI-1 do TST,
em 12/12/19, com sua composição plena, entendendo que a Supre-
ma Corte não havia firmado tese quanto ao ônus da prova da culpa
in vigilando ou in elegendo da Administração Pública tomadora dos
serviços, atribuiu-o ao ente público, em face da teoria da aptidão da
prova (TST-E-RR-925-07.2016.5.05.0281, SBDI-1, Rel. Min. Cláudio
Mascarenhas Brandão – Acórdão ainda não publicado)”. Ainda:
“Sobreleva notar que tal precedente da SBDI-1 se baseia no fato de
que foi rejeitada pela maioria do STF a proposta do relator (Min. Luiz
Fux) de esclarecer, em embargos declaratórios, que o ônus da prova
nesse caso era do empregado. Ora, a tese da relatora originária do
RE 760931 (Min. Rosa Weber), de que o ônus da prova era da Ad-
ministração Pública, restou vencida, e a decisão do TST, calcada na
culpa in vigilando do ente público, por não ter provado que fiscalizou
o cumprimento das obrigações trabalhistas, foi reformada. Assim,
os embargos declaratórios foram rejeitados ao fundamento de que
a decisão não carecia de maiores esclarecimentos (Red. Min. Edson
Fachin). Ou seja, nem se adotou a tese, a contrario sensu, do ônus da
prova do reclamante nos embargos declaratórios, nem se afirmou
ser tal matéria infraconstitucional, já que, repita-se, ficou vencida a
tese do ônus da prova do ente público no julgamento originário do
Supremo, com cassação da decisão do TST que se firmava nessa tese

88
Fevereiro

específica (Rel. Min. Freire Pimenta). Nesse diapasão, tendo em vista


o caráter vinculante das decisões do STF em temas de repercussão
geral, o que não se dá com decisões da SBDI-1 do TST, é de se sobrepor
aquela a esta”. (RR-16876-88.2015.5.16.0016 Data de Julgamento:
18/02/2020, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 4ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 28/02/2020). Também nesse sentido: ARR-
71-64.2014.5.04.0231, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz
Ramos, DEJT 31/01/2020.

Nota Não obstante as decisões da 4ª Turma, outras Turmas estão


seguindo a decisão da SDI-1 do TST. RECURSO DE REVISTA. RESPONSABILI-
DADE SUBSIDIÁRIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TERCEIRIZAÇÃO. SÚMU-
LA Nº 331, ITEM V, DO TST. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA
1. A C. SBDI-1, no julgamento dos TST-E-RR-925-07.2016.5.05.0281, e
em atenção ao decidido pelo E. STF (tema nº 246 da repercussão geral),
firmou a tese de que, “com base no Princípio da Aptidão da Prova, é do
ente público o encargo de demonstrar que atendeu às exigências legais
de acompanhamento do cumprimento das obrigações trabalhistas pela
prestadora de serviços”. 2. O E. STF, ao julgar o Tema nº 246 de Repercus-
são Geral, não fixou tese sobre a distribuição do ônus da prova pertinente
à fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas, matéria de
natureza infraconstitucional. 3. Na hipótese, a Corte de origem reputou
concretamente caracterizada a conduta culposa do ente público, que não
logrou demonstrar a efetiva fiscalização do cumprimento das obrigações
trabalhistas da prestadora de serviços, encargo que lhe competia, razão
por que se mantém a condenação subsidiária imposta ao Recorrente.
Entendimento diverso encontra óbice na Súmula nº 126 do TST. (RR-551-
21.2010.5.10.0003, 8ª Turma, Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen
Peduzzi, DEJT 07/01/2020).

} 28/02/2020 – 4ª Turma do TST entende possível afastar defeito for-


mal atinente aos pressupostos intrínsecos do Recurso de Revista
(equívoco na transcrição do trecho que comprova o prequestio-
namento, ou seja, mitiga-se a exigência), para dar prevalência ao
julgamento de mérito, com intuito de prestigiar tese jurídica fixada
pelo STF em julgamento de tema de repercussão geral. Ainda, afas-
tou o óbice do art. 896, § 1º-A, I, da CLT. “2. Ora, o Supremo Tribunal

89
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Federal, ao aplicar a sistemática da repercussão geral aos recursos


extraordinários que aprecia, tem entendido que, uma vez fixada a
tese de caráter vinculante, sua aplicação aos casos concretos se faz
priorizando o tema de fundo e relevando eventual desatendimento
a pressupostos intrínsecos do recurso próprio da instância a quo.
Nesse sentido, em inúmeras reclamações constitucionais, o STF tem
superado diversos óbices processuais, apontados pelo TST para de-
negar seguimento a agravos de instrumento em recurso de revista,
quando verifica que a questão de fundo tratada na origem se refere a
tema de repercussão geral já pacificado, como é o caso do Tema 246,
relativo à responsabilidade subsidiária da administração pública (cfr.
Rcl 37.809 MC-SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 19/11/19; Rcl 37.465
MC-MA, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 11/11/19; Rcl 37.536-
RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe de 24/10/19, inter alia).
Compreende-se a preocupação da Suprema Corte em fazer prevalecer
sua jurisprudência vinculante frente a óbices processuais formais
erigidos pelas instâncias a quo, especialmente quando tais requisitos
formais (como o art. 896, § 1º-A, da CLT), guardam significativa carga
de subjetivismo em sua aplicação. No entanto, tal relativização dos
pressupostos intrínsecos do recurso de revista levaria consigo a sua
ordinarização, retirando-lhe a natureza extraordinária que ostenta
dentro da sistemática recursal trabalhista. Daí que só se admita tal
flexibilização em relação a temas de repercussão geral já pacifica-
dos pelo STF”. (RR-16876-88.2015.5.16.0016 Data de Julgamento:
18/02/2020, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 4ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 28/02/2020).
} 28/02/2020 – Mesmo em ação ajuizada anteriormente à Reforma
Trabalhista, são cabíveis honorários na ação indenizatória proposta
pelos dependentes de empregado falecido, decorrente de acidente
de trabalho. Prevalece o entendimento de que é inaplicável o item I
da Súmula nº 219 do TST, pois a pretensão não decorre de violação
de direitos trabalhistas, sendo inexigível, por consequência, a filia-
ção dos autores à entidade sindical. Com efeito, não se pode exigir
dos genitores e dos filhos que venham a juízo assistido por sindica-
to, pois não há vínculo empregatício com a empresa nem filiação

90
Fevereiro

sindical. A exigência contida na Súmula 219 está restrita às ações


entre empregado e empregador. Na ação indenizatória proposta pe-
los dependentes do empregado falecido, decorrente de acidente de
trabalho, a pretensão não decorre de violação de direitos trabalhistas.
Precedentes. (ARR-159000-71.2009.5.01.0065, 5ª Turma, Relator
Desembargador Convocado Joao Pedro Silvestrin, DEJT 28/02/2020).
} 28/02/2020 – Não geral nulidade a recusa do magistrado em pro-
ceder à oitiva das partes. Ainda que reconhecida a transcendência
jurídica da matéria, em razão da existência de decisões díspares e
atuais no âmbito das Turmas desta Corte, não há como prosseguir o
agravo de instrumento. Isso porque, conforme mencionado na de-
cisão ora impugnada, a atual jurisprudência de 6 das 8 Turmas desta
Corte vem se posicionando no sentido de que a dispensa do depoi-
mento das partes não configura cerceamento do direito de defesa,
haja vista que no Processo do Trabalho a oitiva pessoal dos litigantes
constitui faculdade do juiz, consoante o disposto no art. 848 da CLT.
Acrescente-se, por relevante, que o e. TRT ainda acrescentou que
os demais elementos dos autos eram suficientes ao convencimento
do magistrado singular, não havendo falar, portanto, em ofensa aos
dispositivos invocados. Considerando a improcedência do recurso,
aplica-se à parte agravante a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do
CPC. (Ag-AIRR-10067-11.2013.5.06.0023, 5ª Turma, Relator Ministro
Breno Medeiros, DEJT 28/02/2020).

91
MARÇO

} 02/03/2020 – STF, por meio de decisão monocrática do Ministro


Gilmar Mendes, manda TST rever decisão que aplica IPCA-E para
correção de débito trabalhista (ARE 1.247.402).
} 03/03/2020 – Banco integrante da administração pública indireta
que promove empregado de forma equivocada não gera dano
moral. O Regional deferiu a indenização por danos morais não ape-
nas por conta da expectativa frustrada da reclamante de vir a ser
promovida após seleção interna eivada de irregularidade, mas sim
porque, mesmo depois de verificado o equívoco na referida seleção
interna e do subsequente rebaixamento de função e salário, a recla-
mante continuou exercendo as atribuições próprias da promoção
que lhe havia sido negada, mediante desvio de função. Contudo,
em se tratando o Banco reclamado de uma sociedade de economia
mista, está jungido ao princípio da legalidade e a todos os demais
consectários constitucionais, entre os quais, com especial destaque,
a moralidade administrativa. Logo, em sendo incontroverso que a
reclamante não possuía requisitos para participar da seleção inter-
na, a ulterior anulação do ato não pode caracterizar ilicitude apta a
ensejar qualquer eventual dano moral e a respectiva indenização.
(ARR-100191-68.2016.5.01.0057, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora
Maria da Costa, DEJT 10/02/2020).
} 03/03/2020 – Em caso de dúvida acerca do estado de gravidez, não se
aplica a distribuição regular do ônus da prova, devendo prevalecer a
presunção que mais favorece o nascituro. Quanto à dúvida acerca da
data da concepção, isto é, se teria ocorrido antes ou depois do pedido
de demissão, a fim de averiguar se a empregada era ou não estável
naquele momento, cumpre salientar, primeiro, que a reclamante trata
especificamente dessa questão em suas razões recursais, aduzindo que
“[...] no momento do término do contrato de trabalho, em 13/01/2018,

93
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

a obreira encontrava-se grávida”, e, segundo, que a jurisprudência


desta Corte é no sentido de priorizar a garantia constitucional de
estabilidade provisória da gestante, de modo a proteger o nascituro,
em caso de dúvida acerca do estado de gravidez, não se aplicando
a distribuição regular do ônus da prova. Precedentes, inclusive da
SDI-116. (RR-10991-34.2018.5.18.0016, 2ª Turma, Relatora Ministra
Delaide Miranda Arantes, DEJT 13/12/2019).
} 03/03/2020 – Necessidade de assistência sindical (art. 500 da CLT)
se aplica a todos os tipos de garantias de emprego. O reconheci-
mento da validade da rescisão contratual da empregada gestante
sem a observância das formalidades legais implica ofensa à garantia
de emprego prevista no art. 10, II, “b”, do ADCT. O art. 500 da CLT ex-
pressamente exige a assistência sindical como condição de validade
do pedido de demissão do empregado estável. Essa determinação
é aplicável a todas as hipóteses de garantia de emprego previstas
no ordenamento justrabalhista, inclusive a da empregada gestan-
te, pois o escopo da norma é exatamente o de resguardar a lisura da
demissão, de modo a assegurar que o empregado estável não esteja
sob nenhuma forma de coação, prevenindo, também, qualquer erro
ou vício na manifestação de sua vontade. Tal entendimento é válido
tanto para a estabilidade decenal, quanto para as chamadas “estabi-
lidades provisórias”, pois o empregado em tal condição é detentor
de uma maior proteção no momento da dispensa. Recurso de revista

16. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. GESTANTE. DÚVIDA QUANTO À DATA DA CONCEPÇÃO.


Na impossibilidade de se dirimir a controvérsia quanto à data da concepção, a juris-
prudência desta Corte Superior orienta-se não pela distribuição regular do ônus da
prova, mas pela prioridade da garantia constitucional da estabilidade provisória da
gestante, em proteção ao nascituro. Recurso de revista conhecido e provido. (RR-77-
38.2016.5.12.0018, Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de
Julgamento: 03/04/2019, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 12/04/2019); DISPENSA
REALIZADA ANTES DO INÍCIO DA GESTAÇÃO - DÚVIDA OBJETIVA SOBRE O ESTADO
DE GRAVIDEZ. A estabilidade gestante é garantia constitucional que visa à tutela da
família e da dignidade humana. Assim sendo, ante a existência de dúvida objetiva
quanto ao estado gravídico no momento da rescisão, deve prevalecer a interpre-
tação que privilegia o reconhecimento do direito constitucionalmente garantido.
(RR-758976-38.2001.5.03.5555, Redatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi,
Data de Julgamento: 09/05/2005, SBDI-1, Data de Publicação: DJ 01/07/2005).

94
Março

conhecido e provido. (RR-10991-34.2018.5.18.0016, 2ª Turma, Rela-


tora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 13/12/2019).
} 04/03/2020 – Viúva habilitada como dependente perante INSS
tem legitimidade para ajuizar, em nome próprio, ação contra ex-
-empregador do marido, empregado falecido. Inicialmente, destaca-
-se que na presente hipótese é incontroverso que a reclamante é
dependente do falecido trabalhador, devidamente habilitada perante
a Previdência Social. A questão em tela deve ser analisada à luz da
legislação pertinente, que é o artigo 1º da Lei nº 6.858/80, a saber:
“Art. 1º. Os valores devidos pelos empregadores aos empregados e
os montantes das contas individuais do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço e do Fundo de Participação PIS-PASEP, não recebidos em
vida pelos titulares, serão pagos, em quotas iguais, aos dependentes
habilitados perante a Previdência Social ou na forma da legislação es-
pecífica dos servidores civis e militares, e, na sua falta, aos sucessores
previstos na lei civil, indicados em alvará judicial, independentemente
de inventário ou arrolamento”. O TST, interpretando o citado dispo-
sitivo, vem reiteradamente decidindo que tanto os dependentes
habilitados perante a Previdência Social quanto os sucessores
previstos na lei civil possuem legitimidade para propor ação em
que se postulam verbas não recebidas pelo empregado em vida
decorrentes da relação de emprego, independentemente de in-
ventário ou arrolamento. Nesse contexto, verifica-se que a Corte de
origem, ao decidir pela ilegitimidade ativa ad causam da viúva do de
cujus, violou o disposto no artigo 1º da Lei nº 6.858/80. Precedentes.
(RR-1001726-40.2017.5.02.0446, 2ª Turma, Relator Ministro Jose
Roberto Freire Pimenta, DEJT 14/02/2020).
} 05/03/2020 – STF entende que “compete à Justiça comum processar
e julgar controvérsias relacionadas à fase pré-contratual de seleção
e de admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face
da Administração Pública, direta e indireta, ainda que adotado o
regime celetista de contratação de pessoal” (RE 960429/RN, rel.
Min. Gilmar Mendes, julgamento em 4 e 5.3.2020, Plenário, Infor-
mativo STF nº 968, Tema 992). Fundamentou-se na ideia de que na
fase pré-contratual ainda não existe um elemento essencial inerente

95
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

ao contrato de trabalho, que é seu caráter personalíssimo, de índole


privada. O que prevalece é, em verdade, o caráter público, isto é, o
interesse da sociedade na estrita observância do processo admi-
nistrativo que efetiva o concurso público. Portanto, a fase anterior
à contratação de empregado público deve se guiar por normas de
direito público, notadamente do direito administrativo. Ainda não
há, nesse momento, direito ou interesse emergente da relação de
trabalho, a atrair a competência da Justiça trabalhista.
} 06/03/2020 – Cabe rescisão indireta do contrato de trabalho em
decorrência da não concessão do intervalo intrajornada. É incon-
troversa a concessão irregular do intervalo intrajornada, porque a
empregada cumpria jornada diária de 10 horas, sem intervalo intra-
jornada. Assim, resta evidenciado o descumprimento contratual e
legal pelo empregador, notadamente de medida de saúde e segurança
do empregado, pois o artigo 71, caput, da CLT, determina que “em
qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é
obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação,
o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou
contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas”.
Dessa forma, constatado que a empresa não concedia corretamente o
intervalo intrajornada, resta caracterizada a falta grave apta a ensejar
a rescisão indireta prevista no artigo 483, “d”, da CLT. Precedentes.
(RR-1181-55.2016.5.10.0104, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 06/03/2020).
} 06/03/2020 – Ainda que beneficiário da justiça gratuita, empre-
gado deve efetuar pagamento das custas processuais ante sua
ausência injustificada à audiência. O Regional, considerando a data
de ajuizamento da presente reclamação trabalhista, em 6/12/2018,
ou seja, na vigência da Lei nº 13.467/2017, bem como o comando
insculpido no art. 844, § 2º, da CLT, não conheceu do recurso ordinário
interposto pelo reclamante, por deserto, considerando prejudicado
o pedido de concessão dos benefícios da justiça gratuita, uma vez
que a parte se ausentou injustificadamente da audiência inaugural
e não efetuou o pagamento das custas no momento da interposição
daquele recurso. Nos termos do regramento contido no artigo 844,

96
Março

§ 2º, da CLT, o reclamante, ainda que faça jus ao benefício da justiça


gratuita, teria de ter efetuado o pagamento das custas processuais
quando da interposição de seu recurso ordinário, ante sua ausência
injustificada à audiência, ônus do qual não se desincumbiu. (AIRR-
375-71.2018.5.09.0041, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da
Costa, DEJT 06/03/2020).
} 06/03/2020 – Não comprovação do motivo da ausência à audiência
pelo reclamante implica no pagamento das custas, ainda que bene-
ficiário da justiça gratuita. O Tribunal Regional condenou a Autora,
beneficiária da justiça gratuita, ao pagamento das custas processuais
nos termos do art. 844, § 2º, da CLT, ressaltando que a Reclamante,
sem qualquer justificativa, não compareceu à audiência inaugural,
ocasionando o arquivamento da reclamação ajuizada na vigência da
Lei 13.467/2017. De fato, as inovações legais questionadas, preci-
samente os §§ 2ºe 3º do art. 844 da CLT, não implicam negativa de
assistência judiciária gratuita, pois a cobrança apenas será exigida se a
parte não justificar a sua ausência à audiência, após demandar e gerar
custos para a máquina judiciária e para a própria parte adversa. No
caso, não comprovada, pela Autora, a impossibilidade de seu compa-
recimento à audiência, correta a aplicação do artigo 844, § 2º, da CLT
(Julgados do TST). (Ag-ED-RR-1001292-60.2018.5.02.0076, 5ª Turma,
Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 06/03/2020).
} 06/03/2020 – Data da publicação da decisão prevalece sobre a
data da intimação via diário oficial. Na hipótese, consta do acórdão
regional que a sentença foi publicada no dia 29/06/2018, “data em
que as partes já estavam cientes”. A jurisprudência do TST firmou
entendimento de que o prazo recursal da parte que, intimada, não
comparecer à audiência em prosseguimento para a prolação da
sentença conta-se de sua publicação. Dessa forma, não há dúvida de
que o prazo recursal tem início da divulgação da sentença, indepen-
dentemente da publicação no Diário de Justiça. Desse modo, acórdão
regional foi proferido em conformidade com a Súmula nº 197 TST, o
que obstaculiza o recurso de revista, nos termos do artigo 896, § 7º,
da CLT e da Súmula nº 333. Agravo de instrumento conhecido e não
provido. (AIRR-1331-68.2017.5.08.0003, 8ª Turma, Relatora Ministra
Dora Maria da Costa, DEJT 06/03/2020).

97
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 06/03/2020 – Diferença ínfima no valor do depósito recursal não


implica deserção. A diferença de R$0,94 (noventa e quatro centavos)
é irrisória, sendo insuficiente para obstar o seguimento do recurso,
pois implica rigor excessivo, ainda mais se considerado o valor já
recolhido e o alcance da finalidade do depósito recursal, no caso, a
garantia do juízo. Nesse contexto, convém trazer à baila a decisão
monocrática da Suprema Corte da lavra da Ministra Carmen Lúcia
(AI-644323/RS, publicada no DJ de 16/3/2007) que deu provimento
ao agravo do empregador convertendo-o em recurso extraordinário,
a fim de, sem a premissa da deserção do recurso de revista, deter-
minar o retorno dos autos ao Tribunal Superior do Trabalho (AIRR-
82140-38.1999.5.04.0019), para prosseguir o julgamento do recurso
como entender de direito. Naquela decisão, o entendimento foi o
de que a diferença ínfima (R$0,22- vinte e dois centavos) não con-
duzia à deserção do recurso, pois cumprida a formalidade essencial
à sua admissibilidade. A diferença constatada representava quantia
irrisória, que não justifica a adoção de rigor excessivo. Vale registrar,
ainda, ser aplicável ao caso o disposto na Lei nº 13.015/2014, que
inseriu o § 11 ao artigo 896 da CLT, segundo o qual, “ Quando o re-
curso tempestivo contiver defeito formal que não se repute grave,
o Tribunal Superior do Trabalho poderá desconsiderar o vício ou
mandar saná-lo, julgando o mérito”. Com efeito, referida legislação
trouxe significativo avanço como forma de valorização da instrumen-
talidade das formas ao permitir a desconsideração de vício que não
seja grave ou a intimação da parte para ajuste, com o fim de que
possa julgar o mérito do recurso interposto. Nesse contexto, resta
comprovado o efetivo recolhimento do depósito recursal referente
ao recurso ordinário. Assim, superado o óbice imposto na decisão
de admissibilidade e estando atendidos os pressupostos extrínsecos
do recurso de revista remanescentes, prossegue-se na análise dos
pressupostos intrínsecos dele, nos termos da OJ nº 282 da SDI-1 deste
TST. (AIRR-557-43.2012.5.01.0024, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora
Maria da Costa, DEJT 06/03/2020).
} 05/03/2020 – STF fixa a seguinte tese de repercussão geral: “Compete
à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à

98
Março

fase pré-contratual de seleção e de admissão de pessoal e eventual


nulidade do certame em face da Administração Pública, direta e
indireta, nas hipóteses em que adotado o regime celetista de contra-
tação de pessoal”. A decisão fundamentou-se no argumento de que
inexiste relação de trabalho na chamada fase pré-contratual a atrair a
competência da Justiça do Trabalho e que há prevalência do caráter
público e o concurso público como ato de natureza administrativa.
(RE 960429, Relator(a): Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em
05/03/2020, DJe 24/06/2020).
} 06/03/2020 – STJ fixa, em sede de Incidente de Assunção de Compe-
tência, a seguinte tese: “Compete à Justiça comum julgar as deman-
das relativas a plano de saúde de autogestão empresarial, exceto
quando o benefício for regulado por meio de convenção coletiva ou
acordo coletivo de trabalho, hipótese em que a competência será
da Justiça do Trabalho, ainda que figure como parte trabalhador
aposentado ou dependente do trabalhador”. Outra tese firmada foi
a de que “Para a definição da competência do julgamento das de-
mandas entre usuário e operadora de plano de saúde, é irrelevante
a distinção entre trabalhador ativo, aposentado ou dependente do
trabalhador”. O fundamento é o se baseia no reconhecimento da
autonomia da saúde suplementar em relação ao Direito do Trabalho,
tendo em vista que o plano de saúde coletivo disponibilizado pelo
empregador ao empregado não é considerado salário, a operadora
de plano de saúde de autogestão, vinculada à instituição emprega-
dora, é disciplinada no âmbito do sistema de saúde suplementar, e
o fundamento jurídico para avaliar a procedência ou improcedência
do pedido está estritamente vinculado à interpretação da Lei dos
Planos de Saúde, o que evidencia a natureza eminentemente civil da
demanda. (Tese firmada no REsp n. 1.799.343/SP, Relatora para acór-
dão Ministra Nancy Andrighi, na sessão de julgamento da Segunda
Seção, realizada em 11/3/2020)

Nota A jurisprudência do STJ seguia o entendimento de que a


competência para julgamento de demandas entre usuário e operadora
de plano de saúde seria da Justiça do Trabalho tão somente quando a

99
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

própria empresa operava o plano de saúde. Recentemente, porém, o


STJ, com fundamento na autonomia do contrato de plano de saúde em
relação ao contrato de trabalho, passou a manifestar o entendimento
de que a competência é da Justiça comum, mesmo na hipótese de
“autogestão empresarial”. Nesse contexto, a única hipótese em
que a competência foi mantida na Justiça do Trabalho passou a ser
situação em que o plano de saúde seja da modalidade autogestão
empresarial e, cumulativamente, as regras do plano estejam previs-
tas em contrato de trabalho, acordo ou convenção coletiva. Já para
afirmar que compete à Justiça Comum o julgamento das demandas
entre usuário e operadora plano de saúde, é irrelevante a existência de
norma acerca da assistência à saúde em contrato de trabalho, acordo
ou convenção coletiva. Portanto, compete à Justiça comum o julga-
mento das demandas entre usuário e operadora de plano de saúde,
exceto quando o plano é organizado na modalidade autogestão
empresarial, sendo operado pela própria empresa contratante do
trabalhador, hipótese em que a competência é da Justiça do Trabalho.
(Informativo STJ nº 667)
Dada a importância do tema, importante a leitura das informações do
Inteiro Teor extraídas do Informativo STJ nº 667:
A jurisprudência desta Corte Superior, até pouco tempo, seguia o en-
tendimento de que a competência para julgamento de demandas entre
usuário e operadora de plano de saúde era da Justiça do Trabalho tão
somente quando a própria empresa operava o plano de saúde. Recente-
mente, porém, o STJ, com fundamento na autonomia do contrato de pla-
no de saúde em relação ao contrato de trabalho, passou a manifestar o
entendimento de que a competência seria da Justiça comum, mesmo na
hipótese de “autogestão empresarial”. Nesse contexto, a única hipótese
em que a competência foi mantida na Justiça do Trabalho passou a ser
a situação em que o plano seja da modalidade autogestão empresarial
e, cumulativamente, as regras do plano estejam previstas em contrato
de trabalho, acordo ou convenção coletiva. Com base nesse panorama
jurisprudencial, a tese a ser proposta neste incidente caminharia no sen-
tido de se afirmar a competência da Justiça do Trabalho apenas na
hipótese em que as regras de assistência à saúde estejam previstas no
contrato de trabalho, acordo ou convenção coletiva, e o que plano seja
operado na modalidade autogestão empresarial, reafirmando-se assim
a atual jurisprudência. Contudo, em caso similar, o STF, no julgamento

100
Março

do RE 586.453/SE, que versou acerca da competência da Justiça do Tra-


balho para demandas relativas à previdência complementar, adotou o
critério objetivo da autonomia da previdência complementar em relação
ao contrato de trabalho, com base no art. 202, § 2º, da Constituição,
fixando-se a competência na Justiça comum, ainda que o contrato de
trabalho disponha sobre previdência complementar. 6 Porém, à falta
de uma norma constitucional análoga à regra do art. 202, § 2º, da
Constituição, versando sobre saúde suplementar, não me parece viável
excepcionar as regras de competência enunciadas no art. 114 da Cons-
tituição. A solução, portanto, é buscar um outro critério objetivo. Nesse
passo, deve-se retomar a jurisprudência que prevalecia nesta Corte,
no sentido de se reconhecer a competência da Justiça do Trabalho nas
demandas em que o plano de saúde é operado pela própria empresa
que contratou o trabalhador. Deveras, nessa modalidade de organiza-
ção da assistência à saúde, a figura do empregador (ou do contratante
da mão de obra) se confunde com a do operador do plano de saúde,
de modo que, sob a ótica do trabalhador, ou de seus dependentes, o
plano de saúde é oriundo da relação de trabalho, atraindo, portanto, a
competência da Justiça do Trabalho, por força do enunciado do art. 114,
inciso I, da Constituição. De outra parte, relembre-se que a cognição da
Justiça do Trabalho não é limitada à aplicação da legislação trabalhista,
podendo abranger também a aplicação da legislação comum (inclu-
sive as normas de regulação), desde que a demanda seja oriunda ou
decorrente da relação de trabalho. Ademais, o fato de a assistência à
saúde não integrar o “salário” não implica, necessariamente, que ela
não integre o “contrato de trabalho”, pois o objeto deste não se limita
à mera fixação do salário do trabalhador. Com esses fundamentos,
primando-se pela segurança jurídica na definição da competência,
conclui-se pela retomada do entendimento que já prevaleceu no STJ.
Definida a competência da Justiça do Trabalho, a competência da Justiça
comum se estabelece naturalmente a contrario sensu, por se tratar de
competência residual.

} 06/03/2020 – Publicado acórdão do IRR sobre a impossibilidade


de cumulação de adicionais de insalubridade e de periculo-
sidade. Incidente de recursos repetitivos, instaurado perante a
SBDI-1, para decidir-se, sob as perspectivas dos controles de cons-
titucionalidade e de convencionalidade, acerca da possibilidade

101
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de cumulação dos adicionais de periculosidade e de insalubridade,


quando amparados em fatos geradores distintos e autônomos, dian-
te de eventual ausência de recepção da regra do art. 193, § 2º, da
CLT, pela CRFB/88. Os incisos XXII e XXIII do art. 7º da Constituição
Federal são regras de eficácia limitada, de natureza programática.
Necessitam da “interpositio legislatoris”, embora traduzam normas
jurídicas tão preceptivas quanto as outras. O princípio orientador
dos direitos fundamentais sociais, neles fixado, é a proteção da
saúde do trabalhador. Pela topografia dos incisos - o XXII trata
da redução dos riscos inerentes ao trabalho e o XXIII, do adicional
pelo exercício de atividades de risco-, observa-se que a prevenção
deve ser priorizada em relação à compensação, por meio de retri-
buição pecuniária (a monetização do risco), dos efeitos nocivos do
ambiente de trabalho à saúde do trabalhador. Gramaticalmente, a
conjunção “ou”, bem como a utilização da palavra “adicional”, no
inciso XXIII do art. 7º, da Carta Magna, no singular, admite supor-
-se alternatividade entre os adicionais. O legislador, no art. 193,
§ 2º, da CLT, ao facultar ao empregado a opção pelo recebimento
de um dos adicionais devidos, por certo, vedou o pagamento
cumulado dos títulos, sem qualquer ressalva. As Convenções 148
e 155 da OIT não tratam de cumulação de adicionais de insalubri-
dade e de periculosidade. Conforme ensina Malcom Shaw, “quando
uma lei e um tratado têm o mesmo objeto, os tribunais buscarão
interpretá-los de forma que deem efeito a ambos sem contrariar a
letra de nenhum dos dois”. É o que se recomenda para o caso, uma
vez que os textos comparados (Constituição Federal, Convenções
da OIT e CLT) não são incompatíveis (a regra da impossibilidade de
cumulação adequa-se à transição para o paradigma preventivo),
mesmo considerado o caráter supralegal dos tratados que versem
sobre direitos humanos. É inaplicável, ainda, o princípio da norma
mais favorável, na contramão do plano maior, por ausência de con-
traposição ou paradoxo. Há Lei e jurisprudência consolidada sobre a
matéria. Nada, na conjuntura social, foi alterado, para a ampliação
da remuneração dos trabalhadores no caso sob exame. O art. 193,
§ 2º, da CLT, não se choca com o regramento constitucional ou con-
vencional. 8. Pelo exposto, fixa-se a tese jurídica: o art. 193, § 2º, da

102
Março

CLT foi recepcionado pela Constituição Federal e veda a cumulação


dos adicionais de insalubridade e de periculosidade, ainda que de-
correntes de fatos geradores distintos e autônomos. Tese fixada.
(IRR-239-55.2011.5.02.0319, SBDI-1, Redator Ministro Alberto Luiz
Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 06/03/2020).17
Tese firmada: O art. 193, § 2º, da CLT foi recepcionado pela Consti-
tuição Federal e veda a cumulação dos adicionais de insalubridade
e de periculosidade, ainda que decorrentes de fatos geradores
distintos e autônomos.
} 10/03/2020 – Publicado o Informativo TST nº 215, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 215


(Período 5 de fevereiro a 9 de março de 2020)
Movimento conduzido por pequeno grupo de trabalhadores e sem repercussão
significativa não caracteriza greve. Movimento que aconteceu maneira espontâ-
nea e imprevista, oriundo de reivindicações pontuais (falta de pagamento de horas
extras e supostas perseguições a obreiros), com participação de pouquíssimos
trabalhadores e curta duração (cerca de 30 minutos). Concluiu-se não estar con-
figurada uma efetiva greve, mas sim uma manifestação isolada, com repercussão
mínima. TST-RO386-09.2017.5.11.0000, SDC, rel. Min. Maurício Godinho Delgado,
9.3.2020 – Informativo TST nº 215.
A assinatura do advogado em acordo celebrado e homologado judicialmente
entre as partes, no qual se limitou o pagamento dos honorários advocatícios
à modalidade “honorários contratuais”, comprova a sua aquiescência quanto à
exclusão dos honorários sucumbenciais fixados em sentença transitada em julga-
do, anterior ao aludido acordo. Honorários sucumbenciais indevidos. TST-E-ED-
-RR-225340-83.1998.5.07.0010, SBDI-I, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho,
red. p/ acórdão Min. Breno Medeiros, 13.2.2020 – Informativo TST nº 215.

17. Segundo o Professor Fabiano Coelho, da decisão se pode extrair as seguintes


premissas: a) a regra que impede a cumulação dos adicionais de insalubridade
e de periculosidade, constante do § 1º do art. 193 da CLT foi recepcionada pela
Constituição de 1988; b) tal regra é compatível com as convenções 148 e 155 da
OIT, normas internacionais que não tratam dos adicionais por condição de trabalho
adversas; c) a regra celetista em discussão impede a cumulação dos adicionais, sem
qualquer ressalva.

103
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 215


(Período 5 de fevereiro a 9 de março de 2020)
Não configura alteração contratual lesiva a mera adequação textual de anexo de
norma regulamentar, mormente quando se verifica que o anexo – parte acessória
da norma –, está em descompasso com a totalidade do conteúdo da parte prin-
cipal do regulamento. A correção deu-se, sobretudo, pelo fato de que a empresa
é integrante da Administração Pública indireta e possui o poder-dever de rever
e corrigir seus atos que contenham algum vício. Assim, a hipótese apresenta
peculiaridade que afasta a aplicação geral do item I da Súmula nº 51 do TST. TST-
-E-ED-RR-975-54.2015.5.22.0003, SBDI-I, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann,
red. p/ acórdão Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, 13.2.2020 – Informativo
TST nº 215.
Não cabe mandado de segurança para impugnar decisões que indeferiram os
pedidos de mediação e de reconsideração formulados pelo sindicato impetran-
te. No bojo de uma ACP ajuizada pelo MPT, o sindicato apresentou pedido de
mediação para solucionar a questão relativa à abstenção de cobranças de hono-
rários advocatícios decorrentes da prestação de assistência judiciária, o qual foi
indeferido, pois a Lei nº 5.584/70 diz que a assistência judiciária prestada pelo
sindicato é gratuita. Assim, não há falar em direito líquido e certo, tampouco
em cabimento de MS. TST-RO-572-30.2018.5.17.0000, SBDI-II, rel. Min. Delaíde
Miranda Arantes, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar Rodrigues, 18.2.2020 –
Informativo TST nº 125.
Motorista profissional que tem o direito de dirigir suspenso no curso do con-
trato de trabalho comete falta grave e pode ser despedido por justa causa. TST-
-RR-287-93.2016.5.09.0658, 7ª Turma, rel. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado
em 5.2.2020 – Informativo TST nº 2015.
Motorista de Uber não tem vínculo empregatício. A possibilidade de ficar ‘off line’
sem delimitação de tempo é circunstância que indica a ausência completa e volun-
tária da prestação dos serviços. Tal fato traduz, na prática, a ampla flexibilidade do
autor em determinar sua rotina, seus horários de trabalho, locais que deseja atuar
e quantidade de clientes que pretende atender por dia. Tal auto-determinação
é incompatível com o reconhecimento da relação de emprego, que tem como
pressuposto básico a subordinação. Outrossim, reservava-se ao motorista o equi-
valente a 75% a 80% do valor pago pelo usuário, percentual superior ao que o TST
vem admitindo como bastante à caracterização da relação de parceria entre os
envolvidos, uma vez que o rateio do valor do serviço em alto percentual a uma das
partes evidencia vantagem remuneratória não condizente com o liame de emprego.
TST-RR-1000123-89.2017.5.02.0038, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado
em 5.2.2020 – Informativo TST nº 215.

104
Março

Informativo TST nº 215


(Período 5 de fevereiro a 9 de março de 2020)
É nulo o acordo extrajudicial entabulado entre o autor e os supostos responsáveis
pela obra em que trabalhou, não sendo obstáculo ao direito de propor ação de
indenização em virtude da ocorrência do acidente de trabalho, mesmo que tenha
havido a participação do Ministério Público Estadual, considerando que, quando
ajuizada a presente ação, esta Justiça do Trabalho já era competente para analisar a
matéria. TST-RR-52800-46.2006.5.15.0068, 7ª Turma, rel. Min. Luiz Philippe Vieira
de Mello Filho, julgado em 7.2.2020 – Informativo TST nº 215.
Com fundamento no art. 494, I, do CPC, é possível a correção de erros de cálculo a qual-
quer tempo pelo juiz, de ofício ou a requerimento, providência que não viola a coisa jul-
gada e não está sujeita ao regime da preclusão. TST-ARR-1571600-76.2004.5.09.0006,
8ª Turma, rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, julgado em 12.2.2020 – Infor-
mativo TST nº 215.
Apenas a declaração de pobreza é suficiente para a comprovação do estado de misera-
bilidade do reclamante, para fins de deferimento dos benefícios da Justiça gratuita, em
ação ajuizada após a vigência da Lei nº 13.467/2017. TST-RR-340-21.2018.5.06.0001,
2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 19.2.2020 – Informativo
TST nº 215.

} 11/03/2020 – Competência para processar e julgar ACP movida


em face de veículo de comunicação visando coibir a veiculação de
anúncios de emprego discriminatórios. (...) Discute-se nos autos
a competência desta Justiça Especializada para processar e julgar
ação com a finalidade de proibir publicação, por jornais de grande
circulação, de anúncios de emprego com cunho discriminatórios. A
Constituição Federal é categórica ao definir que compete à Justiça
do Trabalho processar e julgar as ações oriundas da relação de tra-
balho (Art. 114, I). O quadro fático é de que a hipótese é de relação
de consumo, ou seja, não oriunda de relação de trabalho, com pre-
tensão de coibir jornal de grande circulação de publicar anúncios de
emprego, como já ressaltado, com cunho discriminatório. Diante
desse contexto, o acórdão do Regional, ao admitir a competência da
Justiça do Trabalho, violou o art. 114, I, da Constituição Federal. (...)
(TST – 5ª Turma – RR-18200-11.2007.5.02.0008 – Rel. Des. Conv. João
Pedro Silvestrin – Julgado em 11/03/2020)

105
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 11/03/2020 – Não cabem honorários advocatícios nas reclamações


constitucionais perante o STF. 1. Nos termos do artigo 1.022 do
Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são
cabíveis nos casos de obscuridade, contradição ou omissão da deci-
são impugnada, bem como para fins de correção de erro material.
2. Não é cabível a condenação em honorários em ações de natureza
constitucional, que visam a tutelar relevantes interesses sociais. Com
mais razão esse entendimento se aplica à reclamação, que é ação de
natureza constitucional destinada a preservar a competência do pró-
prio Supremo Tribunal Federal e para garantia da autoridade de suas
decisões, salvo em comprovada má-fé. 3. Embargos de declaração,
opostos em 9.8.2018, rejeitados. (Rcl 26405 AgR-ED, Relator(a): Edson
Fachin, Segunda Turma, julgado em 21/02/2020, DJe 04-03-2020)
} 12/03/2020 – STF entende que o artigo 927, parágrafo único, do
Código Civil, é compatível com o artigo 7º, XXVIII, da CRFB/88,
sendo constitucional a responsabilização objetiva do empregador
por danos decorrentes de acidentes de trabalho, nos casos especifi-
cados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida, por
sua natureza, apresentar exposição habitual a risco especial, com
potencialidade lesiva e implicar ao trabalhador ônus maior do que
aos demais membros da coletividade (RE 828.040, rel. min. Alexandre
de Moraes, j. 12/03/2020, DJe de 26/06/2020, Tema 932).
} 13/03/2020 – Pensão mensal deve ser equivalente a 100% da re-
muneração quando há incapacidade total para as atividades que
exercia e incapacidade parcial para o trabalho. Quando há redução
da capacidade de trabalho, o valor da pensão deverá ser proporcional
à depreciação auferida e o cálculo da indenização deve ser apurado
com base na incapacidade para o exercício de ofício ou profissão
anteriormente exercida pelo trabalhador, e não para o mercado
de trabalho em sentido amplo, devendo ser avaliada a situação
pessoal da vítima. A jurisprudência da SbDI-1 do TST é de que, em
regra, a pensão mensal deve ser equivalente a 100% da remune-
ração quando há incapacidade total para as atividades exercidas e
incapacidade parcial para o trabalho. O fato de a reclamante não se
encontrar completamente excluída do mercado de trabalho, podendo

106
Março

exercer atividades que não lhe exijam a realização de movimentos


repetitivos, não lhe retira o direito ao pagamento da pensão mensal
até convalescença. (RR-8600-20.2007.5.02.0087, 6ª Turma, Relatora
Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 13/03/2020).
} Prescrição em caso de transposição de regime jurídico é contada
a partir da alteração. Cinge-se a controvérsia à competência desta
Justiça especializada para o exame da presente reclamação trabalhis-
ta, ajuizada por empregado celetista admitido sem concurso público
anteriormente à vigência da CRFB/88 e estabilizado nos moldes do
art. 19 do ADCT, bem como em face da alteração do regime jurídico
de celetista para estatutário mediante lei federal. O Tribunal Pleno
desta Corte Superior trabalhista, examinando idêntica controvérsia
nos autos do processo nº TST - ArgInc-105100-93.1996.5.04.0018,
envolvendo a lei estadual que foi objeto de apreciação pelo STF na
ADI 1.150/RS, firmou a compreensão de que neste precedente foi
vedada tão somente a transposição e investidura automática dos
servidores celetistas admitidos sem concurso público em cargo de
provimento efetivo, sem afastar a validade da mudança do regime
celetista para o estatutário. Dessa forma, considera-se válida a mu-
dança do regime jurídico de celetista para estatutário do servidor
admitido antes da Constituição Federal de 1988 sem concurso público
e estabilizado na forma do art. 19 do ADCT, desde que não haja a
sua transposição automática e investidura em cargo de provimento
efetivo. Por conseguinte, a Justiça do Trabalho é incompetente para
processar e julgar a pretensão alusiva ao período posterior à vigência
da lei que promoveu a alteração do regime jurídico de celetista para
estatutário, remanescendo apenas a competência residual desta
Justiça especializada para apreciar os pedidos anteriores à instituição
do regime estatutário. Outrossim, considerando a diretriz perfilhada
pela Súmula nº 382 desta Corte Superior, a mudança do regime ju-
rídico de celetista para estatutário resulta em extinção do contrato
de trabalho, de modo que a fluência do prazo da prescrição bienal
tem início a partir da vigência da lei que alterou o regime. In casu,
o prazo da prescrição bienal começou a fluir a partir da vigência da
Lei Federal nº 8.112/1990, em 12/12/1990, a qual alterou o regime

107
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

jurídico de celetista para estatutário, sendo certo que a presente re-


clamação trabalhista foi ajuizada apenas em 2017, após o transcurso
do biênio posterior à extinção do contrato de trabalho. Logo, impõe-
-se pronunciar a prescrição bienal da pretensão anterior à vigência
da referida norma. (RR-798-03.2017.5.05.0421, 8ª Turma, Relatora
Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – É do empregador o ônus da prova quanto à concessão
do intervalo intrajornada se não há pré-assinalação nos cartões de
ponto. A controvérsia dos autos cinge-se a definir a quem cabe o ônus
da prova na hipótese em que, apesar de juntados os cartões de ponto,
neles não há pré-assinalação do horário de intervalo intrajornada. O
artigo 74, § 2º, da CLT estabelece como obrigatória aos estabeleci-
mentos de mais de dez trabalhadores a pré-assinalação do período de
repouso. A jurisprudência do TST, quanto ao intervalo intrajornada,
pacificou-se no sentido de que o ônus da prova concernente à sua
concessão é do empregador, nos casos em que não se procede à
pré-assinalação dos cartões de ponto. A SBDI-1 já se pronunciou
sobre a questão, decidindo que, em hipóteses como essas, cabe ao
empregador o ônus da prova quanto à regular fruição do intervalo
intrajornada. (E-ED-RR-698-68.2015.5.20.0011, SBDI-1, Relator Mi-
nistro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 13/03/2020). No mesmo
sentido: A ausência de pré-assinalação do intervalo intrajornada
para refeição e descanso implica presunção relativa de que não
era usufruído. Portanto, o ônus da prova quanto ao fato, quando
não registrado no controle de jornada, é do reclamado. Precedentes.
(ARR-2701-29.2012.5.02.0002, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 18/12/2020).
} 13/03/2020 – A SDI-1 do TST, ao julgar o processo E - RR - 51
-16.2011.5.24.0007, decidiu que as promoções por merecimento,
pelo seu caráter subjetivo e comparativo, ligado à avaliação profis-
sional dos empregados aptos a concorrer à progressão, estão con-
dicionadas aos critérios estabelecidos no regulamento empresarial,
cuja análise está exclusivamente a cargo da empregadora, o que torna
a avaliação de desempenho requisito indispensável à sua conces-
são. In casu, o Regional consignou o fato de não ter sido realizado o

108
Março

procedimento de recrutamento interno. Nesse contexto, seguindo a


linha da jurisprudência do TST e considerando o caráter meritório da
progressão vertical, a sua concessão depende do cumprimento do
requisito relativo à avaliação de desempenho no processo de recru-
tamento previsto na norma regulamentar, de modo que a omissão
da reclamada na realização da avaliação não induz a presunção de
preenchimento do requisito e o implemento automático da progres-
são, em razão do seu aspecto subjetivo, inerente ao desempenho do
empregado, que somente pode ser avaliado pela empregadora, ou
seja, a análise está exclusivamente a cargo da empregadora. Ainda
que a empresa tenha sido omissa em relação à avaliação, não se
poderá considerar implementada a condição, sobretudo diante da
necessidade de a agente se submeter à concorrência com outros em-
pregados. (RR-414-28.2017.5.19.0008, 8ª Turma, Relatora Ministra
Dora Maria da Costa, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – Erro na classificação do documento no PJe não impede
admissibilidade do recurso. Hipótese em que o Tribunal Regional não
conheceu do recurso ordinário, consignando que esta não classificara
adequadamente o tipo de documento da peça apresentada. Deve-
-se ressaltar, no entanto, que não existe previsão em lei para o não
conhecimento do recurso ordinário apenas em razão do registro equi-
vocado perante o sistema PJe. Portanto, ao indicar irregularidade no
peticionamento feito pelo sistema PJe, não conhecendo do recurso or-
dinário interposto pela recorrente, o acórdão regional criou óbice não
previsto em lei, cerceando o direito de defesa constitucionalmente
assegurado. Precedentes. (RR-1001203-43.2016.5.02.0032, 2ª Tur-
ma, Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – Aprovado em concurso receberá indenização por
ter sido preterido por terceirizado. A ECT foi ao pagamento de R$ 5
mil a título de indenização a um candidato aprovado para o cargo de
carteiro que não foi nomeado, em razão da contratação de tercei-
rizados para a função. Houve conduta culposa da empresa e nexo
causal entre a ação e o dano sofrido. (RR-1510-82.2016.5.10.0002,
7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT
13/03/2020).

109
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 13/03/2020 – Mandado de segurança aviado contra decisão na qual


o Juízo, ao declarar nulo o acordo entabulado entre as partes, de-
terminou que o Impetrante (advogado dos exequentes) devolvesse
o valor auferido com a venda de dois apartamentos, recebidos em
pagamento de honorários advocatícios. Na forma do art. 5º, II, da
Lei 12.016/2009, o mandado de segurança não representa a via pro-
cessual adequada para a impugnação de decisões judiciais passíveis
de retificação por meio de recurso, ainda que com efeito diferido (OJ
nº 92 da SBDI-2 do TST). O acordo na reclamação trabalhista originária
foi declarado nulo, em procedimento designado pela Corregedoria
Regional, nos termos do art. 142 do CPC de 2015, ante a constatação
de que celebrado em fraude à execução. Segundo a ótica da decisão
censurada neste mandado de segurança, a transação firmada traduziu
ato simulado, praticado em prejuízo aos demais credores da empresa,
no intuito de livrar os imóveis penhorados em diversas reclamações
trabalhistas “de ônus e gravames decorrentes de execuções fiscais,
transferindo-os diretamente ao advogado de alguns dos exequen-
tes”. A controvérsia que envolve a determinação de devolução da
quantia relativa aos honorários em razão da declaração de nulidade
do acordo (execução reversa) deve ser solucionada nos próprios
autos originários, mediante a interposição de agravo de petição
(artigo 897, “a”, da CLT). Havendo no ordenamento jurídico medida
processual idônea para corrigir a suposta ilegalidade cometida pela
autoridade apontada como coatora, resta afastada a pertinência do
mandado de segurança, conforme a diretriz da OJ nº 92 da SBDI-1 do
TST. (RO-5639-64.2017.5.15.0000, SBDI-2, Relator Ministro Douglas
Alencar Rodrigues, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – O ônus de provar a cessação da enfermidade pertence
a quem interessa o fim do pagamento da pensão. Na hipótese ver-
tente, o autor se desincumbiu satisfatoriamente do ônus probatório
que lhe cabia de comprovar o fato constitutivo do direito à indenização
por danos morais e materiais, na medida em que o laudo pericial foi
conclusivo quanto à existência de doença profissional decorrente
de esforço físico repetitivo, que implicou sua incapacidade parcial,
além do nexo de causalidade com as atividades desempenhadas.

110
Março

A indenização por danos materiais, na forma de pensão mensal, visa


ressarcir a vítima do valor do trabalho para o qual ficou inabilitada,
enquanto durar a convalescença. Ao esclarecer os critérios objetivos
para o pagamento da pensão, o Regional havia definido que o período
de convalescença seria apurado na liquidação (fase de cálculo) da
sentença e que caberia ao metalúrgico provar esse período, por inter-
médio de licenças concedidas pelo INSS ou por qualquer outro meio
hábil. Contudo, entendeu a Turma que o ônus de provar a cessação
da enfermidade pertence a quem interessa o fim do pagamento da
pensão, não havendo que se falar em transferência de tal ônus ao
autor. (RR-160400-26.2009.5.03.0143, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – Sexta Turma do TST aceita atestado sem menção ex-
pressa de impossibilidade de locomoção. A Súmula 122 do TST dispõe
que a revelia decorrente da ausência à audiência em que deveria apre-
sentar defesa pode ser ilidida mediante a apresentação de atestado
médico, que deverá declarar, expressamente, a impossibilidade de
locomoção no dia da audiência. No caso autos, o Tribunal Regional
manteve a sentença que aplicou a pena de confissão o reclamante,
sob o fundamento de que não ficou comprovada a sua impossibili-
dade de comparecer à audiência, pois o atestado continha apenas a
recomendação de afastamento, sem referência à impossibilidade de
locomoção. Entretanto, consta do atestado médico apresentado, emi-
tido um dia antes da audiência, que o paciente estava impossibilitado
de trabalhar por cinco dias. A decisão do eg. TRT contraria o entendi-
mento do TST no sentido de que se considera atendida a exigência da
Súmula 122 do TST para elisão da revelia a apresentação de atestado
médico que, embora não declare expressamente a impossibilidade
de locomoção, noticie o comparecimento da parte ao consultório
médico, com recomendação de afastamento das atividades de
trabalho, incluindo a data da sessão, o que permite concluir que
também não estaria apto a comparecer à audiência marcada. As-
sim, deve ser decretada a nulidade processual por cerceio de defesa
a partir da decisão que indeferiu a suspensão da audiência e aplicou
ao reclamante a pena de confissão. (RR-122-13.2016.5.05.0511,
6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correa da Veiga, DEJT 13/03/2020).

111
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 13/03/2020 – A multa pelo descumprimento de acordo judicial e


nele prevista (multa moratória) não se equipara, no plano jurídico-
-jurisprudencial, ao conceito de “todas as verbas” (item IV da
súmula 331 do TST) decorrentes da condenação levada a efeito
no processo de conhecimento e relativa ao período da prestação
de serviços. (RR-1001245-16.2014.5.02.0468, 5ª Turma, Relator
Desembargador Convocado Joao Pedro Silvestrin, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – Configura alteração prejudicial ao empregado e, por-
tanto, inválida, a redução do número de horas-aula do professor,
no curso do contrato de trabalho, ainda que mantidos, o valor do
salário-hora e a quantidade fixada no momento da admissão. A
decisão regional consagrou entendimento no sentido de ser válida a
alteração, porque preservado o patamar inicial, ajustado no momento
da contratação. Apontou que a oscilação da quantidade de aulas, no
decorrer do contrato, seria inerente à atividade e estaria na esfera do
jus variandi do empregador. Ressaltou que a irredutibilidade salarial
estaria garantida pela manutenção do valor do salário pago por hora.
O julgado merece reparo. A tese pacificada na jurisprudência é a de
que: “A redução da carga horária do professor, em virtude da diminui-
ção do número de alunos, não constitui alteração contratual, uma vez
que não implica redução do valor da hora-aula”. A contrariu sensu,
se a diminuição não está atrelada a esse fato justificador, considera-se
inválida, por prejudicar o empregado, contra a dicção do artigo 468
da CLT. Não se há de tomar como piso a carga ajustada no momento da
contratação, mas, sim, o patamar mais vantajoso, conquistado pelo
empregado no decorrer do contrato. Essa é precisamente a situação
dos autos, pois a decisão regional expressa ter havido o aumento
progressivo da carga-horária da autora, de 2 para 16 aulas semanais
e, depois, sua diminuição. (RR-10750-12.2013.5.01.0080, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
caso de empregada pública não estável na forma do art. 19 do
ADCT admitida antes da CRFB/88. O Tribunal Pleno do TST, no jul-
gamento do Processo nº 105100-93.1996.5.04.0018 (publicado em
18/9/2017, Relatora Ministra Maria Helena Mallmann), envolvendo

112
Março

discussão referente à constitucionalidade do art. 276, caput , da Lei


Complementar Estadual nº 10.098/1994 do Estado do Rio Grande
do Sul, objeto de apreciação pelo STF na ADI nº 1.150/RS, firmou o
entendimento de ser válida a transmudação automática do regime
celetista para o estatutário de servidor público estável (art. 19 do
ADCT), vedando, apenas, a possibilidade de transposição e inves-
tidura em cargo de provimento efetivo. No caso, a Reclamante foi
admitida em 1984, sem concurso público, sob o regime celetista. O
caso não se adequa à situação examinada pelo Tribunal Pleno desta
Corte, tendo em vista que não se trata de servidora estável na forma
do art. 19 do ADCT, porque contratada há menos de 5 (cinco) anos da
data da promulgação da Constituição da República. Não há falar em
transmudação automática do regime celetista para o estatutário,
ainda que haja lei municipal prevendo a alteração do regime jurí-
dico, porquanto a ausência de concurso público ofende o art. 37, II,
da CRFB/88. Deve ser mantida a competência da Justiça do Trabalho
para julgar e processar o feito durante todo o período contratual. (RR-
318-02.2018.5.13.0022, 8ª Turma, Relatora Ministra Maria Cristina
Irigoyen Peduzzi, DEJT 13/03/2020).
} 13/03/2020 – Tesoureiro executivo da Caixa não possui fidúcia
especial. O eg. Tribunal Regional, ao concluir que a reclamante, no
exercício de cargo de tesoureiro executivo da CEF, executava atividade
de confiança, a atrair a jornada de trabalho excepcional do art. 224,
§ 2º, da CLT, contrariou o entendimento do TST, no sentido de que
as atribuições do cargo de tesoureiro executivo (tesoureiro de reta-
guarda) evidenciam, na realidade, o exercício de função meramente
técnica, desprovida da fidúcia especial a que alude o referido dispo-
sitivo celetista. Devido o enquadramento da reclamante no art. 224,
caput, da CLT, com submissão à jornada de seis horas diárias, e o
deferimento das 7ª e 8ª horas como extras e reflexos. (RR-1001510-
56.2017.5.02.0001, 6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correa da
Veiga, DEJT 13/03/2020).
} 20/03/2020 – MPT tem legitimidade para discutir fraude na contra-
tação de trabalhadores sem carteira assinada, quando presentes os
requisitos da relação de emprego. O Regional manteve a sentença

113
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

que reconheceu a ilegitimidade ativa do Ministério Público, no to-


cante a pretensão relativa ao registro da CTPS dos trabalhadores, ao
fundamento de que constitui direito individual heterogêneo, bem
como quanto aos pedidos constantes nos itens III.4, III.5, III.6, III.7,
III.8, III.12 e III.13 da ação civil pública, ao concluir que, por serem
decorrentes do reconhecimento do vínculo empregatício, não per-
tencem a um grupo, mas a cada trabalhador individualmente. O MPT
detém legitimidade ad causam para ajuizar a ação civil pública na
defesa dos interesses individuais homogêneos, difusos e coletivos.
No caso, o parquet intenta o reconhecimento de direito decorrente
de origem comum, ante a narrativa de fraude imputada à reclamada
na contratação de trabalhadores sem carteira assinada, quando
presentes os requisitos da relação de emprego. O entendimento
jurisprudencial do TST já se pacificou no sentido de que o MPT tem
legitimidade para o ajuizamento de ação civil pública inclusive para a
defesa de interesses individuais homogêneos. Precedentes. Registre-
-se, ainda, que o fato de ser necessária dilação probatória para afe-
rição dos substituídos enquadrados na situação descrita na inicial
não constitui óbice à atuação do Ministério Público, uma vez que
tal fato não descaracteriza a natureza homogênea da pretensão.
(ARR-1327-20.2013.5.24.0005, 5ª Turma, Relator Ministro Breno
Medeiros, DEJT 20/03/2020).
} 20/03/2020 – Sindicato possui legitimidade para pretensão conde-
natória de horas extras. Nos termos do nosso ordenamento jurídico
e na esteira da jurisprudência iterativa desta Corte e do Supremo
Tribunal Federal, a substituição processual pelo sindicato tem lugar
em razão de defesa de direitos ou interesses individuais homogêneos
da categoria profissional representada, de forma ampla (artigo 8º,
inciso III, da CRFB/88). Dessa forma, o que legitima a substituição
processual pelo sindicato é a defesa coletiva de direitos individuais
homogêneos, assim entendidos aqueles que decorrem de uma ori-
gem comum relativamente a um grupo determinado de empregados.
Esse requisito foi devida e integralmente cumprido na hipótese em
julgamento. Ressalta-se que a homogeneidade que caracteriza o
direito não está nas consequências individuais no patrimônio de

114
Março

cada trabalhador advindas do reconhecimento desse direito, mas


sim no ato praticado pelo empregador de descumprimento de nor-
mas regulamentares e de leis e no prejuízo ocasionado à categoria
dos empregados como um todo, independentemente de quem
venha a ser beneficiado em virtude do reconhecimento da ilicitude
da conduta do empregador. Fica caracterizada a origem comum do
direito, de modo que legitime a atuação do sindicato, não a descarac-
terizando o fato de ser necessária a individualização para apuração do
valor devido a cada empregado, uma vez que a homogeneidade diz
respeito ao direito, e não à sua quantificação, até porque os direitos
individuais homogêneos não são direitos individuais idênticos,
necessitando-se apenas que decorram de um fato lesivo comum. A
liquidação do direito eventualmente declarado nesta ação para cada
trabalhador substituído dependerá do exame das particularidades
afetas a cada um deles, de forma a verificar, em relação a cada um
deles, se e em que medida se encontra abrangido pela decisão judicial
a ser proferida; contudo, a necessidade de quantificação dos valores
devidos, reforça-se, não desnatura a homogeneidade dos direitos e,
portanto, não afasta a legitimidade ativa do substituto processual.
(RR-1049-66.2018.5.09.0003, 2ª Turma, Relator Ministro Jose Ro-
berto Freire Pimenta, DEJT 20/03/2020).
} Empregada beneficiária da justiça gratuita pagará honorários
advocatícios sucumbenciais. In casu, o debate jurídico que emer-
ge do presente processo diz respeito à compatibilidade do § 4º do
art. 791-A da CLT, introduzido pela Lei 13.467/17, que determina o
pagamento de honorários advocatícios pelo beneficiário da justiça
gratuita, quando sucumbente e tenha obtido em Juízo, neste ou em
outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, frente aos
princípios da isonomia, do livre acesso ao Judiciário e da assistência
jurídica integral e gratuita aos que comprovarem a insuficiência de
recursos, esculpidos no caput e nos incisos XXXV e LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal, questão que, inclusive, encontra-se pendente
de análise pela Suprema Corte em sede de controle concentrado de
constitucionalidade (ADI 5.766-DF, Rel. Min. Roberto Barroso). Con-
forme se extrai do acórdão recorrido, a Autora, que litiga sob o pálio

115
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

da justiça gratuita, foi condenada ao pagamento de honorários ad-


vocatícios sucumbenciais em benefício da Reclamada, no percentual
de 10% dos pedidos julgados improcedentes na presente reclamação
trabalhista, no importe de R$ 3.977,08 (três mil, novecentos e setenta
e sete reais e oito centavos). Como é cediço, a Reforma Trabalhista,
promovida pela Lei 13.467/17, ensejou diversas alterações no campo
do Direito Processual do Trabalho, a fim de tornar o processo laboral
mais racional, simplificado, célere e, principalmente, responsável,
sendo essa última característica marcante, visando coibir as deno-
minadas “aventuras judiciais”, calcadas na facilidade de se acionar
a Justiça, sem nenhum ônus ou responsabilização por postulações
carentes de embasamento fático. Não se pode perder de vista o
crescente volume de processos ajuizados nesta Justiça Especializada,
muitos com extenso rol de pedidos, apesar dos esforços empreen-
didos pelo TST para redução de estoque e do tempo de tramitação
dos processos. Nesse contexto foram inseridos os §§ 3º e 4º no
art. 791-A da CLT pela Lei 13.467/17, responsabilizando-se a parte
sucumbente, seja a autora ou a demandada, pelo pagamento dos
honorários advocatícios, ainda que beneficiária da justiça gratuita, o
que reflete a intenção do legislador de desestimular lides temerárias,
conferindo tratamento isonômico aos litigantes. Tanto é que o § 5º
do art. 791-A da CLT expressamente dispôs acerca do pagamento da
verba honorária na reconvenção. Isso porque, apenas se tiver crédi-
tos judiciais a receber é que terá de arcar com os honorários se fizer
jus à gratuidade da justiça, pois nesse caso já não poderá escudar-se
em pretensa insuficiência econômica. Percebe-se, portanto, que o
art. 791-A, § 4º, da CLT não colide com o art. 5º, caput, XXXV e LXXIV,
da CF, ao revés, busca preservar a jurisdição em sua essência, como
instrumento responsável e consciente de tutela de direitos elemen-
tares do ser humano trabalhador, indispensáveis à sua sobrevivência
e à da família. Ainda, convém ressaltar não ser verdadeira a assertiva
de que a imposição de pagamento de honorários de advogado àquele
que se declara pobre na forma da lei implica desvio de finalidade da
norma, onerando os que necessitam de proteção legal, máxime por-
que no próprio § 4º do art. 791-A da CLT se visualiza a preocupação
do legislador com o estado de hipossuficiência financeira da parte

116
Março

vencida , ao exigir o pagamento da verba honorária apenas no caso


de existência de crédito em Juízo, em favor do beneficiário da justiça
gratuita, neste ou em outro processo, capaz de suportar a despesa
que lhe está sendo imputada, situação, prima facie , apta a modificar
a sua capacidade financeira, até então de miserabilidade, que justifi-
cava a concessão de gratuidade, prestigiando, de um lado, o processo
responsável, e desestimulando, de outro, a litigância descompromis-
sada. Por todo o exposto, não merece reforma o acórdão regional
que manteve a imposição de pagamento de honorários advocatícios
à Autora sucumbente, restando incólumes os dispositivos apontados
como violados na revista. (ARR-1315-57.2018.5.12.0007, 4ª Turma,
Relator Ministro Ives Gandra Martins Filho, DEJT 20/03/2020).
} 20/03/2020 – A falta de assinatura do empregado nos registros de
frequência configura tão somente irregularidade administrativa, e não
é suficiente, por si mesma, para tornar inválida a prova documental
apresentada. Os registros, ainda que apócrifos (não assinados), têm
presunção de veracidade, a qual pode ser eliminada por prova em
contrário, o que não ocorreu no caso. Há precedentes. (RR-1306-
13.2012.5.01.0072, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite
de Carvalho, DEJT 20/03/2020).
} 20/03/2020 – A retenção da CTPS por prazo superior ao previsto em
lei enseja o pagamento de indenização por dano moral, sendo o dano
presumível (in re ipsa). Ou seja, a condenação prescinde de prova do
efetivo dano experimentado pelo empregado, bastando a demonstra-
ção da conduta ilícita praticada pelo empregador, o que efetivamente
ocorreu no caso concreto. (RR-13052-10.2015.5.15.0062, 6ª Turma,
Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 20/03/2020).
} 20/03/2020 – Empregado que aderiu ao PDV pode manter plano
de saúde, atendidos certos requisitos. Nos termos dos artigos 30 e
31 da Lei nº 9.656/98, o empregado tem o direito de manter o plano
de saúde nas mesmas condições à época da vigência do contrato de
trabalho, no caso de rescisão ou exoneração do contrato de traba-
lho sem justa causa, desde que: I - tenha contribuído para o plano
de assistência à saúde pelo prazo mínimo de dez anos; e II- assuma
o pagamento integral. Verifica-se, dessa forma, que a extinção do

117
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

contrato de trabalho não afasta o direito de manutenção do plano de


saúde, nem mesmo aos empregados dispensados sem justa causa. No
mesmo sentido, a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de
ser irrelevante que o empregado tenha aderido ao PDI para a perma-
nência na condição de beneficiário do plano de saúde. Precedentes.
(RR-2508-51.2015.5.22.0002, 4ª Turma, Relator Ministro Guilherme
Augusto Caputo Bastos, DEJT 20/03/2020).
} 20/03/2020 – A restrição ao uso de banheiros pela empresa não pode
ser considerada conduta razoável, pois configura afronta à dignidade
da pessoa humana e à privacidade, aliada ao abuso do poder diretivo
do empregador. A conduta patronal, caracterizada pela restrição e
fiscalização do uso das toaletes, expõe o trabalhador a constrangi-
mento desnecessário, ensejando a condenação ao pagamento da in-
denização por dano moral. (RR-245500-97.2013.5.13.0023, 6ª Turma,
Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 20/03/2020).
} 22/03/2020 – Publicada a Medida Provisória nº 927 de 22 de março
de 2020, que “dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrenta-
mento do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto
Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde
pública de importância internacional decorrente do coronavírus
(covid-19)”. Referida MP teve seu prazo de vigência encerrado no
dia 19 de julho de 2020.
} 27/03/2020 – A jurisprudência do TST tem entendido que o juiz pode
atuar com relativa discricionariedade para escolher o critério da
condenação pelos danos materiais (pagamento de uma vez só ou
não) (ARR-1815-57.2013.5.09.0242, 2ª Turma, Relatora Ministra
Delaide Miranda Arantes, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – Caracteriza sobreaviso o uso de celular para além do
horário normal quando impede o empregado de se desconectar
das responsabilidades do trabalho e de dispor de seu tempo ex-
clusivamente em benefício próprio. Se a Corte regional, valorando
fatos e provas, concluiu que o reclamante estava submetido ao
regime de sobreaviso , pois aguardava ordens por meio de telefone
celular fornecido pela empresa, de modo que “foi impedido de se

118
Março

desconectar das responsabilidades do trabalho e de dispor de seu


tempo exclusivamente em benefício próprio”. Entendimento diverso,
notadamente no sentido da ausência de restrição à locomoção do
empregado, demandaria o reexame fático-probatório dos autos,
atraindo a incidência da Súmula nº 126 do TST. Recurso de revista
adesivo que não se conhece. (RR-1028-10.2011.5.09.0303, 1ª Turma,
Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, DEJT 27/03/2020).
} O exercício de atividades em função readaptada não afasta a in-
denização por dano material. Hipótese em que o Tribunal Regional,
embora tenha reconhecido a culpa da reclamada pela doença ocu-
pacional sofrida pelo autor, entendeu que, diante da reintegração
determinada pelo juiz de primeiro grau, não haveria dano material
a ser reparado enquanto existente o vínculo de emprego entre as
partes. No entanto, a determinação de reintegração e a consequente
percepção de remuneração são circunstâncias que não afastam o di-
reito à indenização por danos materiais na forma de pensão mensal,
porquanto possuem fatos geradores distintos. Com efeito, a reintegra-
ção foi deferida com fulcro na norma coletiva da categoria, ao passo
que a indenização por dano material, deferida na forma de pensão,
tem alicerce na legislação civil (art. 950 do Código Civil), cujo escopo
é obrigar o empregador a ressarcir os danos materiais causados ao
reclamante em decorrência da doença ocupacional. Assim, o exercí-
cio de atividades em função readaptada na empresa, com a natural
percepção de salários não constitui óbice para o deferimento da inde-
nização. Precedentes. (ARR-1001362-92.2014.5.02.0472, 2ª Turma,
Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – O afastamento do trabalho, pelo empregado, por
motivo de auxílio-doença comum é, por si só, causa suspensiva do
contrato de trabalho, na forma do que dispõe o artigo 476 da CLT.
Assim, no período de suspensão do contrato de trabalho, a jurispru-
dência do TST firmou entendimento de que não é devido o auxílio
alimentação e a cesta básica. (ARR-1815-57.2013.5.09.0242, 2ª Tur-
ma, Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – É deserto o recurso de embargos de declaração em
razão do não recolhimento da multa por agravo manifestamente

119
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

infundado. Conforme o artigo 1.021, § 5º, do CPC, a interposição


de qualquer recurso está condicionada ao recolhimento da multa
prevista no § 4º do mesmo artigo. Registre-se que esse dispositivo
se aplica ao Processo do Trabalho, por força do disposto no artigo 3º,
XXIX, da Instrução Normativa nº 39/TST, a qual excepciona apenas a
disposição acerca do prazo do agravo interno. Ressalte-se, ademais,
que, nos termos do artigo 994, IV, do CPC de 2015, não há dúvida de
que os embargos de declaração possuem natureza jurídica de recurso,
razão pela qual a sua oposição condiciona-se ao depósito prévio da
multa aplicada. Precedentes do Órgão Especial. Desse modo, por-
quanto não atendido o pressuposto de admissibilidade recursal, uma
vez que a ora embargante não recolheu a multa que lhe foi aplicada
por ocasião do julgamento do agravo por ela interposto, não merece
conhecimento o apelo. Embargos de declaração de que não se conhe-
ce” (ED-Ag-AIRR-905-16.2017.5.11.0151, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – Não se conhece do recurso de revista calcado em
violação se não indicado especificamente o inciso do texto legal.
A alegação de ofensa ao artigo 114 da Constituição Federal, sem a
especificação de qual inciso teria sido violado, não atende à exigência
da alínea “c” do artigo 896 da CLT bem como da Súmula nº 221, item I,
desta Corte. Sem a indicação expressa dos incisos e parágrafos do
artigo 114 da CRFB/88, presume-se que a violação seria ao caput, o
que não autoriza o conhecimento do recurso de revista, uma vez que
nele, isoladamente, não há nenhum conteúdo normativo ao qual o
acórdão regional se contrapusesse. Conforme entendimento reite-
rado deste Tribunal, não se conhece o recurso de revista por violação
de lei federal ou de preceito constitucional quando o recorrente não
indica expressamente o dispositivo de lei ou da Constituição Federal
tido como violado. Precedente da SbDI-1 do TST. Agravo de instrumen-
to desprovido” (AIRR-46200-79.2005.5.04.0252, 2ª Turma, Relator
Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – Não se aplica a prescrição de ofício ao processo do
trabalho. O artigo 219, § 5º, do CPC, mudou o sentido de prescrição,
que é um conceito contemplado no ordenamento constitucional, ao

120
Março

retirar sua característica de exceção substancial e a ele emprestar a co-


notação de matéria de ordem pública. No caso sob exame, o problema
identificado por Canotilho desvanece-se ante a expressa proibição,
no texto da Constituição Brasileira, de o legislador ordinário reduzir
a proteção de direitos sociais por ela soberanamente consagrados,
sendo-lhe vedado, por óbvio, fazê-lo por via direta ou oblíqua, vale
dizer: inválida é a regra infraconstitucional que inova um nível menor
de proteção ou mesmo dá à norma constitucional um significado o
qual frustre ou mitigue seu caráter tuitivo. Centrando o foco, portanto,
na matriz constitucional, é dizer que a defesa da incompatibilidade
entre o mencionado preceito e o direito do trabalho- o que estaria
a exigir uma interpretação conforme para ele- exaure-se na percep-
ção de o conceito de prescrição considerado pelo constituinte, em
restrição que fez ao direito de ação trabalhista ser insusceptível de
mutação pelo legislador ordinário sempre que assim não suceder
para melhorar as condições sociais do trabalhador. Não há demasia
em lembrar que a alteração de sentido do conceito constitucional foi,
no caso sob exame, promovida por legislador que, debruçado sobre
as relações paritárias do direito civil, está muitas vezes à margem das
vicissitudes enfrentadas pelos sujeitos de uma relação de emprego
marcada pela subordinação e debilidade econômica do credor de
salários, alimentos, dignidade enfim. Decerto que a conversão do
direito de defesa em norma de ordem pública, a ser pronunciado
mesmo em caso de revelia, fere letalmente o valor mais estimado pela
ordem constitucional, o qual mal disfarça o liame axiológico entre a
dignidade humana e os direitos sociais, ou entre aquela e a garantia
de que a esses corresponde o direito de ação judicial. É nessa medida
que a compatibilidade exigida pelo art. 8º da CLT deve ser afastada,
proscrevendo-se, em consequência, a subsidiariedade do art. 219,
§ 5º, do CPC de 1973. (RR-1072-41.2014.5. 09. 0071, 6ª Turma, Re-
lator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – Assegura-se estabilidade à gestante, ainda que não
requeira a reintegração. Tem reiteradamente entendido esta Corte
que o legislador constituinte não condicionou o gozo dessa garantia
constitucional a que a empregada gestante postule primeiro sua

121
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

reintegração ou aceite voltar ao emprego caso o retorno lhe seja


oferecido por seu empregador, ao defender-se em Juízo, sob pena de
considerar essa recusa como renúncia ao próprio direito, pois não se
pode extrair dessa norma constitucional que seu descumprimento
implique necessariamente a reintegração da trabalhadora. Neste
feito, conforme delineado na decisão regional, foram preenchidas
as únicas condições previstas pela jurisprudência predominante do
Tribunal Superior do Trabalho para que a reclamante fizesse jus à in-
denização decorrente da estabilidade, que são seu estado gravídico
no curso do contrato de trabalho e sua despedida imotivada. Ademais,
a nova redação dada ao artigo 461 do Código de Processo Civil pela
Lei nº 8.952/94, subsidiariamente aplicável à esfera trabalhista por
força do artigo 769 da Consolidação das Leis do Trabalho, ao mesmo
tempo em que explicitou a clara prioridade dada pelo ordenamento
jurídico nacional à tutela específica das obrigações de fazer e não
fazer em detrimento de sua tutela meramente ressarcitória - a ser
prestada, neste caso, por meio do pagamento da indenização dos
valores correspondentes ao período desde a dispensa até a data do
término do período estabilitário-, também previu, em seu § 1º, em
caráter de exceção e expressamente, que o titular do direito terá a
faculdade de requerer conversão da tutela específica em perdas e
danos, sem que se possa considerar que o exercício dessa opção pela
empregada implicou abuso de direito ou renúncia a esse. Foi essa,
aliás, a mesma razão que levou à recente edição da OJ nº 399 da
SBDI-1. (AIRR-100445-71.2016.5.01.0047, 2ª Turma, Relator Ministro
José Roberto Freire Pimenta, DEJT 27/03/2020).
} 27/03/2020 – É inepta a petição inicial que narra o trabalho em con-
dições insalubres, mas deixa de formular o pedido correspondente.
Na hipótese dos autos, verifica-se que o Reclamante não formulou,
em sua petição inicial, pedido de condenação das Reclamadas ao
pagamento de diferenças do adicional de insalubridade. O Processo
do Trabalho está regido pelo princípio da simplicidade, que viabiliza
o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho, na medida em que se
exige a observância de regras menos rígidas para o ajuizamento da
ação trabalhista. Contudo, não se pode deixar de observar as regras

122
Março

previstas na CLT acerca dos requisitos da reclamação trabalhista,


descritos no art. 840, § 1º, em que se exige a necessidade de a petição
inicial conter o pedido. Logo, ao considerar inepta a petição inicial,
por ausência de pedido, o Tribunal Regional não violou, mas julgou
a controvérsia em conformidade com o art. 840, § 1º, da CLT. (RR-
4158-66.2013.5.12.0040, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz
Ramos, DEJT 27/03/2020).

123
ABRIL

} 1º/04/2020 – Publicado o Informativo TST nº 216, cujas principais


decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 216


(Período 9 a 31 de março de 2020)

A celebração de acordo sem ressalvas, com o fim de encerrar movimento paredista,


afasta o interesse processual, em dissídio coletivo, de ver declarada a abusividade da
greve (art. 485, VI, do CPC). TST-RO-240-16.2017.5.20.0000, SDC, rel. Min. Mauricio
Godinho Delgado, red. p/ acórdão Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 9.3.2020 – Infor-
mativo TST nº 216.

O descumprimento pela empresa do percentual mínimo de contratação de apren-


dizes, prevista no art. 429 da CLT, mostra-se suficiente à configuração do dano moral
coletivo, sendo despiciendo comprovar a repercussão do ato ilícito na consciência
coletiva do grupo social. A regularização desse percentual de contratação, após o
ajuizamento da ação ou do inquérito pelo MPT, não extingue o feito sem julgamento
de mérito, tampouco descaracteriza o dano imaterial coletivo decorrente do des-
cumprimento da cota de aprendizes, pois já caracterizada a lesão à coletividade.
TST-E-RR-822-68.2011.5.23.0056, SBDI-I, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho,
12.3.2020 – Informativo TST nº 216.

A concessão do intervalo de 20 minutos (art. 253 da CLT) prescinde do labor


contínuo, por 1 hora e 40 minutos, no interior de câmara frigorífica, sendo su-
ficiente a exposição do trabalhador à variação de temperatura decorrente da
movimentação de um ambiente (quente/normal) para o outro (frio) durante
esse período. A continuidade de que tratam o art. 253 da CLT e a Súmula 438 do
TST se refere apenas ao tempo a ser considerado para a concessão do intervalo
para recuperação térmica, não sendo necessário, para esse fim, que o empre-
gado trabalhe 1 hora e 40 minutos em exposição contínua ao agente frio. Dessa
forma, assegura-se aos empregados que trabalham em ambiente artificialmente
frio, ainda que de forma intermitente, o direito ao referido intervalo. TST-Ag-
-E-RR-10257-87.2015.5.01.0040, SBDI-I, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann,
12.3.2020 – Informativo TST nº 216.

125
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 216


(Período 9 a 31 de março de 2020)
Não ofende os direitos constitucionais de liberdade de associação e de presunção de
inocência a proibição de constituir, fundar, criar, gerenciar, administrar ou participar
de qualquer outra sociedade cooperativa que tenha por objeto o fornecimento e a
intermediação de mão de obra e cujas atividades não estejam previstas nos arti-
gos 4º da Lei nº 5.764/71 (fraudulenta). TST-Ag-E-RR-163400-88.2009.5.02.0037,
SBDI-I, rel. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, red. p/ acórdão Min. Cláudio Mascarenhas
Brandão, 12.3.2020 – Informativo TST nº 216.
A cláusula de impenhorabilidade inserida por doador do imóvel não tem aplicabi-
lidade na execução de débitos trabalhistas. A decisão fundamentou-se na Lei de
Execuções Fiscais (art. 30 da Lei nº 6.830/1980), que prevê que a totalidade dos
bens e das rendas do devedor responde pelo pagamento dos créditos trabalhistas,
seja qual for sua origem ou natureza, excluindo apenas os bens cuja impenho-
rabilidade absoluta é reconhecida em lei. Assim, não ofende o art. 5º, XXII, da
CRFB/88 decisão que entende que cláusula restritiva do bem doado (cláusula de
impenhorabilidade) não pode servir de óbice ao direito de crédito trabalhista. TST-
-Ag-AIRR188800-06.1996.5.02.0023, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado
em 11.3.2020 – Informativo TST nº 216.
Não compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ação com a finalidade de proibir
publicação, por jornais de grande circulação, de anúncios de emprego com cunho
discriminatórios, pois a relação é de consumo. TST-RR-18200-11.2007.5.02.0008,
5ª Turma, rel. Des. Conv. João Pedro Silvestrin, julgado em 11.3.2020 – Informativo
TST nº 216.
É possível o ajuizamento de ação trabalhista para reconhecimento de diferenças
de complementação de aposentadoria pela integração na sua base de cálculo de
verba salarial (horas extras e reflexos) pleiteada em outra reclamação trabalhista,
mesmo diante da ausência de trânsito em julgado da demanda de que depende a
ação ajuizada. Apenas com o provimento jurisdicional daquela ação seria possível ao
reclamante buscar a integração de eventual parcela deferida à complementação de
sua aposentadoria. TST-RR192-92.2012.5.15.0090, 1ª Turma, rel. Min. Walmir Oliveira
da Costa, julgado em 18.3.2020 – Informativo TST nº 216.
É ofensiva à liberdade sindical cláusula constante de norma coletiva ou sentença
normativa estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de taxa
para custeio do sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento
sindical e outras da mesma espécie, obrigando trabalhadores não sindicalizados.
Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis de
devolução os valores irregularmente descontados. (PN nº 119 da SDC da TST). TST-
-RR-1002380-35.2017.5.02.0605, 3ª Turma, rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan
Pereira, julgado em 24.3.20 – Informativo TST nº 216.

126
Abril

Informativo TST nº 216


(Período 9 a 31 de março de 2020)
O afastamento do trabalho, pelo empregado, por motivo de auxílio-doença comum
é, por si só, causa suspensiva do contrato de trabalho (art. 476 da CLT). Assim, no
período de suspensão do contrato de trabalho, a jurisprudência do TST firmou
entendimento de que não é devido o auxílio alimentação e a cesta básica. ARR-
1815-57.2013.5.09.0242, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em
24.3.2020 – Informativo TST nº 216.
Entidade filantrópica não goza da isenção de custas processuais, salvo se beneficiá-
ria da justiça gratuita, que dependerá de comprovação robusta. Dispõe o art. 899,
§ 10, da CLT, incluído pela Lei nº 13.467/2017, serem “isentos do depósito recursal
os beneficiários da justiça gratuita, as entidades filantrópicas e as empresas em re-
cuperação judicial”. Cuida, portanto, exclusivamente da questão atinente à isenção
de depósito recursal. No que diz respeito particularmente às custas processuais, o
art. 790, § 4º, da CLT, também incluído pela Lei nº 13.467/2017, passou a admitir a
concessão dos benefícios da Justiça Gratuita “à parte que comprovar insuficiência de
recursos para o pagamento das custas do processo”. Tal benefício inequivocamente
estende-se à pessoa jurídica, tenha ela ou não fins lucrativos. Não obstante, pressu-
põe comprovação cabal da insuficiência econômica (Súmula nº 463, II, do TST). O TST
entende que a juntada de pesquisa feita junto ao SERASA apenas revela a existência
de pendências financeiras, não se prestando a demonstrar, de forma inequívoca, a
alegada fragilidade econômica da Reclamada. TST-RR-1000558-91.2017.5.02.0255,
3ª Turma, rel. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, julgado em 24.3.20 – Infor-
mativo TST nº 216.
A indicação de uma parte como responsável solidária pelo adimplemento das obriga-
ções trabalhistas, por si só, é suficiente para legitimá-la a figurar como parte no feito.
Incide na espécie a denominada Teoria da Asserção, mediante a qual a verificação
das condições da ação se dá pelas afirmações feitas na petição inicial, não havendo
de se falar em exclusão do polo passivo mediante argumentações relativas ao mérito
da demanda. TST-ARR-949-91.2013.5.04.0661, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz
Ramos, julgado em 25.3.2020 – Informativo TST nº 216.

} 02/04/2020 – Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho suspende


liminar por possível prejuízo a atividade considerada essencial por
Decreto e risco de aglomeração. Foi suspensa, em tutela de urgência,
os efeitos de decisão proferida no Tribunal Regional do Trabalho da
14ª Região que determinava o afastamento imediato de trabalhadores
do banco Santander de Rondônia que coabitam com pessoas idosas
ou portadores de doenças crônicas ou imunodeprimidas, e de pais

127
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de filhos menores de 12 anos. A tutela vale até que ocorra o exame


da matéria pelo órgão jurisdicional competente e tem o objetivo de
impedir lesão de difícil reparação e assegurar eventual resultado útil
do processo. No caso, o Banco Santander S.A. sustentou que a decisão
teria elastecido o conceito de pessoas integrantes do grupo de risco
ao incluir pais de menores de 12 anos, e pessoas que convivem em
suas residências com pessoas maiores de 60 anos e portadoras de
doenças crônicas ou imunodeprimidas, pois a extensão está em de-
sacordo com o conceito de grupo de risco definido pela Organização
Mundial de Saúde – OMS, pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ,
por meio da Resolução nº 313, de 19/03/2020, pelo Tribunal Supe-
rior do Trabalho – TST, por meio do Ato nº 122/GDGSET.GP, de 13 de
março de 2020, e pelo Decreto nº 24.887, de 20 de março de 2020,
do Governo do Estado de Rondônia. Para o Ministro Corregedor a
decisão contestada é controversa ao ampliar o conceito legal de grupo
de risco, “uma vez que incluiu, além das próprias pessoas definidas
como integrantes dos grupos de risco, aqueles que com eles coabi-
tam. Incluiu, ainda, de maneira ampla e irrestrita, os pais de filhos
menores de 12 anos”. Vale lembrar que de acordo com o parágrafo
único do artigo 13 do Regimento Interno da Corregedoria-Geral da
Justiça do Trabalho, “em situação extrema ou excepcional, poderá o
Corregedor-Geral adotar as medidas necessárias a impedir lesão de
difícil reparação, assegurando, dessa forma, eventual resultado útil do
processo, até que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional
competente”. Processo: Correição Parcial ou Reclamação Correicional
(88) nº 1000289-90.2020.5.00.0000
} 03/04/2020 – Diferenças salariais reconhecidas em Juízo não geram
aplicação da multa do art. 477 da CLT. A multa prevista no artigo 477,
§ 8º, da CLT incide quando o pagamento das verbas rescisórias, cons-
tantes do TRCT, ocorre fora do prazo legal. O mero reconhecimento
em juízo de diferenças de rubricas rescisórias, seja pelo pagamento
incompleto ou a menor das referidas não gera, por si só, o aludido
direito. Precedentes. (ARR-101029-95.2016.5.01.0029, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 03/04/2020).
Ainda: é firme o entendimento da SBDI-1 do TST no sentido de que

128
Abril

o fato de o pagamento das verbas rescisórias, no prazo legal, ter


sido apenas parcial, ou a menor, em razão do reconhecimento de
diferenças em juízo, não enseja o pagamento da multa prevista no
art. 477, § 8º, da CLT- vinculada, exclusivamente, à hipótese de atraso
na quitação. (RR-249-60.2013.5.06.0144, 1ª Turma, Relator Ministro
Walmir Oliveira da Costa, DEJT 07/08/2020).
} 03/04/2020 – Uso de camiseta com logomarca de empresas parcei-
ras não gera direito a dano moral. O Direito de imagem é um direito
autônomo, que abrange a imagem-retrato, como a representação
das características físicas da pessoa natural, e a imagem-atributo,
considerado o reconhecimento social das características da pessoa.
De um lado, qualquer pessoa tem direito de preservar sua imagem do
uso comercial indevido ou da associação com conceitos vexatórios ou
humilhantes. Trata-se, neste caso, da tutela constitucional do direito
estático de imagem. Por outro lado, para as pessoas com notorieda-
de, surge o direito dinâmico de imagem, pelo qual a pessoa famosa
pode explorar ativamente sua imagem, por contrato de cessão. As
normas constitucionais de direitos fundamentais têm por objetivo a
vida digna, sendo o Direito do Trabalho importante instrumento em
relação aos trabalhadores subordinados. A Constituição igualmente
garante a liberdade em todas suas expressões e de maneira mais am-
pla, inclusive a liberdade de iniciativa econômica (CF, art. 1º, inc. IV;
art. 170, caput). Em razão disso, é preciso fazer balanceamento de
direitos, a fim de compatibilizar a proteção do direito de imagem do
empregado e do direito de livre iniciativa da empresa. Para tanto, o
empregado com fama e notoriedade deve ter proteção jurídica de
seu direito dinâmico de imagem, pois agrega valor aos produtos da
empresa, como ocorre com os modelos, manequins, artistas, atletas
etc., pois em relação a eles existe uma esfera de iluminabilidade na
qual se colocam espontaneamente por interesses profissionais. Já
para os empregados comuns (sem notoriedade), a proteção recai
sobre o direito estático de imagem, não podendo haver uso co-
mercial indevido da imagem-retrato, nem associação com marcas
de conteúdo vexatório, o que afetaria a imagem-atributo. Há, con-
tudo, uma zona de neutralidade na relação de emprego, na qual o

129
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

empregado deve submeter-se ao poder diretivo e regulamentar do


empregador, responsável pelo sucesso e pelos riscos da atividade
econômica, sendo lícita a exigência do uso de uniformes, seja com
a marca do empregador, seja com marcas de empresas parcerias
que, direta ou indiretamente, viabilizam a atividade econômica na
qual o trabalho se insere. Ressalte-se que não há necessidade de
autorização expressa para o uso do uniforme contendo logomarca
dos produtos comercializados, pois, ao ser contratado, o empregado
adere a todas as condições estabelecidas pela empresa (inclusive,
ao uso do uniforme). Ademais, os trabalhadores no comércio têm o
salário garantido e proporcional às vendas dos produtos vinculados
no uniforme, seja pelo recebimento de comissões, quando for o caso,
seja pelos benefícios indiretos pelo sucesso da atividade econômica.
Logo, ao promover os produtos comercializados pelo empregador,
com a finalidade de vendê-los, o empregado já está sendo remune-
rado pelo salário recebido. A esse respeito, esta Quarta Turma já se
manifestou no sentido de que a obrigatoriedade de o empregado
vestir uniformes contendo propagandas ou logomarcas dos produtos
comercializados com os quais o empregador trabalha não constitui,
por si só, violação do direito de imagem e não gera indenização por
danos morais. O entendimento acerca da caracterização do dano
moral, nesses casos, depende da comprovação de que a pessoa foi
submetida à situação vexatória ou constrangedora por conta de ter
sua imagem vinculada a tais marcas ou, ainda, de que a pessoa em
questão tenha notoriedade suficiente para que o uso das logomarcas
presentes no uniforme atrelada à sua imagem gere um ganho finan-
ceiro expressivo para o empregador. No presente caso, não consta do
acórdão regional que o uso de vestimentas com logomarcas tenha
trazido qualquer prejuízo ao autor, tampouco há registro de que as
marcas estampadas nos uniformes possam ter feito o Reclamante
passar por situação vexatória ou constrangedora. Além disso, tam-
bém não há na decisão regional nenhuma afirmação no sentido de
ser o Reclamante uma pessoa famosa ou notoriamente conhecida,
a ponto de que o uso dessas logomarcas atrelado à imagem do autor
especificamente possa ter gerado um ganho financeiro significativo
para a Reclamada. Nesse contexto, não houve violação do direito

130
Abril

estático de imagem do Reclamante, pois o uso de uniforme veicu-


lando marcas de produtos vendidos no mercado pelo empregador
se insere na zona de neutralidade do direito de imagem decorrente
das condições corriqueiras do contrato de trabalho, durante a jor-
nada de trabalho e restrito ao local de trabalho, na qual o efeito
ao público em geral nem agrega valor aos produtos, nem deprecia
a imagem- atributo do empregado. (RR-145-96.2014.5.05.0003,
4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 03/04/2020).
} 03/04/2020 – Corregedoria-Geral da JT edita recomendação sobre
impossibilidade de levantamento em abstrato de depósitos recur-
sais. Foi editada a Recomendação 7/2020, que trata da impossibili-
dade de liberação imediata e em abstrato de depósitos judiciais aos
reclamantes em processos pendentes de julgamento. De acordo com
o documento, os corregedores regionais devem dar ciência aos juízes
de primeiro grau sobre a decisão da Presidência do Tribunal Superior
do Trabalho, que ressaltou que a CLT só prevê a medida após decisão
definitiva, quando pendente controvérsia em relação aos valores
devidos. Segundo a decisão da ministra Cristina Peduzzi, em resposta
à pretensão formulada pela Associação dos Juízes pela Democracia
(AJD), “não há previsão legal para que a Presidência do TST, de modo
geral e abstrato, determine o levantamento imediato do depósito
recursal em todos os processos que ainda estão em tramitação na
Justiça do Trabalho”. Além disso, de acordo com o artigo 899, pará-
grafo 1º, da CLT, o levantamento do depósito “depende de despacho
do juiz em processo concreto”. A presidente ressaltou ainda que,
conforme a jurisprudência do TST, “a liberação dos valores deposi-
tados em juízo, prevista no artigo 475-0 do CPC de 1973 (art. 520 do
CPC de 2015), não é aplicável ao processo do trabalho, haja vista a
incompatibilidade com as disposições dos artigos 769 e 899, caput,
parágrafo 1º, da CLT, em que se autoriza a execução provisória até
a penhora” (E-RR-527-26.2010.5.03.0152, SBDI-1, Rel. Min. Walmir
Oliveira da Costa, DEJT 7/12/2018)
} 03/04/2020 – Vistoria no local do trabalho não é indispensável para
reconhecimento de doença ocupacional e o seu indeferimento

131
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

não caracteriza cerceamento de defesa. A perícia médica objetiva


aferir a condição de saúde do empregado Reclamante, o que torna
a avaliação do local de trabalho dispensável conforme as conclusões
médicas identificadas. No caso, após a análise da condição pessoal
do Reclamante, dos exames clínicos e dos documentos médicos apre-
sentados, o perito médico conclui que o “o autor apresenta escoliose,
coxartrose e espondilose que não tem relação com suas atividades
de trabalho na requerida”. Desnecessidade de avaliação do local de
trabalho, uma vez que conclusivo o exame médico quanto à ausência
do nexo de causalidade. Cerceamento de defesa não caracterizado.
(RR-1306-33.2013.5.09.0661, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre
Luiz Ramos, DEJT 03/04/2020).
} 03/04/2020 – O STF, no julgamento do RE nº 590415, DJe de 29/5/2015,
com repercussão geral reconhecida, firmou entendimento de que “a
transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho,
em razão de adesão voluntária do empregado a plano de dispensa
incentivada, enseja quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas
objeto do contrato de emprego, caso essa condição tenha constado
expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano, bem como
dos demais instrumentos celebrados com o empregado”. Não obs-
tante, a OJ 270 da SbDI-1 do TST, impõe-se seguir a jurisprudência do
STF, responsável pela uniformização da interpretação constitucional,
desde que envolvam as mesmas circunstâncias fáticas do citado pre-
cedente. No caso, extrai-se do acórdão regional que houve adesão ao
Plano de Demissão Incentivada, pactuado mediante acordo coletivo,
amplamente discutido entre empregados, empregador e sindicato
profissional, na qual se outorgou quitação expressa de todos os
direitos decorrentes do extinto contrato de trabalho. Ao manter a
sentença que reconheceu a eficácia ampla da quitação do contrato de
emprego, passada pelo empregado no ato de adesão voluntária, tal
qual prevista na negociação coletiva que instituiu o Plano de Demissão
Voluntária – PDV, o acórdão regional proferiu decisão em harmonia
com a jurisprudência desta Corte Superior e do STF sobre a questão.
(RR-1486-55.2015.5.09.0022, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre
Luiz Ramos, DEJT 03/04/2020).

132
Abril

} 04/04/2020 – Publicada a Medida Provisória nº 945, de 4 de abril


de 2020, que “dispõe sobre medidas temporárias em resposta à
pandemia decorrente da covid-19 no âmbito do setor portuário”,
dentre outras medidas, tais como a alteração da Lei de Greve (Lei
nº 7.783/89). Referida MP foi convertida na Lei nº 14.047, de 24 de
agosto de 2020.
} 07/04/2020 – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
pedido de pagamento de auxílio-funeral diretamente pela ex-
-empregadora em decorrência do contrato de trabalho. À luz do que
dispõe o artigo 114 da CRFB/88, compete à Justiça do Trabalho pro-
cessar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho, bem como
aquelas delineadas nos seus diversos incisos, além de, mediante lei,
outras controvérsias que tenham por origem a relação de trabalho,
consoante expressamente dispõe o inciso IX do mencionado precei-
to. O plenário do STF, no julgamento dos Recursos Extraordinários
nos 586453 e 583050, em sessão realizada em 20/02/2013, fixou
entendimento, com repercussão geral, no sentido de pertencer à
Justiça comum a competência julgar processos decorrentes de con-
trato de previdência complementar privada. Todavia, a hipótese em
análise comporta a aplicação da técnica da distinção (distinguishing)
para não incidência do entendimento do STF, no caso concreto, visto
que não está em debate o pagamento de complementação de apo-
sentadoria por entidade de previdência privada, mas o pagamento de
pensão, pecúlio e auxílio-funeral diretamente pela ex-empregadora,
em razão do contrato de trabalho. A lide tem, portanto, sua gênese
no vínculo empregatício. (RR-597-52.2014.5.05.0021, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 07/04/2020).
} 07/04/2020 – STF julga procedente Reclamação Constitucional
contra decisão que reconheceu a isonomia entre o trabalhador
terceirizado e o empregado contratado diretamente por empresa
pública (OJ 383 da SDI-1 do TST) (Reclamação nº 39124, Min. Luiz
Fux, j. 07/04/2020)
} 07/04/2020 – Desconhecimento pelo empregador afasta discri-
minação na dispensa de portadora de HIV. A Súmula nº 443 do
TST estabelece presunção de discriminação na ruptura contratual

133
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

quando o empregado apresenta doença grave, que suscite estigma


ou preconceito. À luz de tal verbete, nesses casos, há inversão do
ônus da prova e incumbe ao empregador comprovar ter havido ou-
tro motivo para a dispensa. Trata-se, logicamente, de presunção de
natureza relativa. No caso, é incontroverso que a autora é portadora
do vírus HIV. Sucede, contudo, que o Tribunal Regional, soberano na
análise do conjunto fático-probatório, reconheceu que a reclamada
não tinha conhecimento do estado de saúde da obreira. O exame
da tese recursal, em sentido contrário, esbarra no óbice da Súmu-
la nº 126 do TST, pois demanda o revolvimento de fatos e provas.
Diante desse contexto, não é possível concluir pela existência de
discriminação no ato que extinguiu o vínculo de emprego. (RR-21748-
40.2015.5.04.0030, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas
Brandao, DEJT 07/04/2020).
} 07/04/2020 – Justiça do Trabalho tem competência para processar
e julgar ação sobre auxílio-funeral a viúva de aposentado. À luz
do que dispõe o artigo 114 da CRFB/88, compete à Justiça do Tra-
balho processar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho,
bem como aquelas delineadas nos seus diversos incisos, além de,
mediante lei, outras controvérsias que tenham por origem a relação
de trabalho, consoante expressamente dispõe o inciso IX do men-
cionado preceito. O plenário do STF, no julgamento dos Recursos
Extraordinários nos 586453 e 583050, em sessão realizada em
20/02/2013, fixou entendimento, com repercussão geral, no sen-
tido de pertencer à Justiça comum a competência julgar processos
decorrentes de contrato de previdência complementar privada.
Todavia, a hipótese em análise comporta a aplicação da técnica da
distinção (distinguishing) para não incidência do entendimento do
STF, no caso concreto, visto que não está em debate o pagamento
de complementação de aposentadoria por entidade de previdência
privada, mas o pagamento de pensão, pecúlio e auxílio-funeral dire-
tamente pela ex-empregadora, em razão do contrato de trabalho.
A lide tem, portanto, sua gênese no vínculo empregatício. (RR-597-
52.2014.5.05.0021, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas
Brandao, DEJT 07/04/2020).

134
Abril

} 13/04/2020 – O STF, no julgamento da ADI 4.167-DF, declarou a


constitucionalidade do art. 2º, § 4º, da Lei nº 11.738/2008. Tratando-
-se de norma especial para os professores do ensino público da
educação básica, prevalece sobre a norma geral inscrita no art. 320
da CLT. Atento ao decidido pelo STF, o Pleno do TST, no julgamento
do E-RR-10314-74.2015.5.15.0086, em 10.10.2019, fixou tese no
sentido de que “a consequência jurídica do descumprimento de
regra que disciplina a composição interna da jornada de trabalho,
quando não extrapolado o limite semanal de duração da jornada, é o
pagamento do adicional de 50% para as horas trabalhadas em sala
de aula além do limite de 2/3 da jornada”. Tendo em vista a modula-
ção dos efeitos da decisão do STF, este entendimento é aplicável ao
trabalho prestado após 27.4.2011. Logo, deve ser acolhido o pedido
de condenação ao pagamento de horas extras ou do adicional cor-
respondente pela extrapolação do limite de 2/3 da jornada em sala
de aula do professor. De fato, na composição da jornada do profes-
sor, as atividades de classe não devem extrapolar o limite de 2/3 da
carga horária (art. 2º, § 4º, da Lei 11.738/2008). O Tribunal Pleno,
sobre esse artigo, firmou a interpretação de que, mesmo quando a
jornada semanal não é extrapolada, é devido ao professor o adicional
de 50% em relação às horas que ultrapassem a proporcionalidade.
(E-RR-10267-03.2015.5.15.0086, SBDI-1, Relator Ministro Alberto
Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 13/04/2020).
} 13/04/2020 – Código de autenticidade é válido como fonte oficial de
publicação de decisão para fins de recurso. Contraria a Súmula 337,
V, do TST, acórdão turmário que não conhece de recurso de revista,
com fundamento no item I, “a” da aludida Súmula, por ausência de
indicação da fonte de publicação, mesmo em hipótese de existência
do código de autenticidade na cópia, em formato pdf , do inteiro
teor do aresto paradigma, juntada aos autos, porque tal providência,
nos precisos termos do verbete, “torna-a equivalente ao documento
original e também supre a ausência de indicação da fonte oficial de
publicação”. (E-ED-RR-1258-27.2016.5.08.0005, SBDI-1, Relator
Ministro Marcio Eurico Vitral Amaro, DEJT 13/04/2020).

135
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 15/04/2020 – Covid-19: Presidente do TST mantém medidas para


proteger empregados dos Correios18. Em liminar, o juízo de primeiro
grau deferiu pedido de sindicato para determinar que os Correios
fornecessem máscaras, luvas, talheres, copos e pratos descartáveis
a todos os empregados que atuam no atendimento ao público exter-
no e na distribuição externa de objetos postais. Pela decisão da 30ª
Vara do Trabalho, o funcionamento das agências de Correios e das
unidades de distribuição nos municípios do Estado do Rio de Janeiro
somente poderia ocorrer se as medidas já tivessem sido adotadas.
O objetivo foi proteger os empregados do contágio pelo novo coro-
navírus. No pedido para suspender a decisão da desembargadora,
que manteve a decisão de 1º grau, a ECT alegou que a manutenção
da decisão na ação civil coletiva implicaria risco de lesão à ordem
e à saúde públicas. A empresa sustentou também que as medidas
impostas afetariam, diretamente, o funcionamento do serviço pos-
tal, causando grave dano à ordem econômica dada a essencialidade
dos serviços. Por último, alegou que haveria ônus financeiro severo
à entidade. Ao analisar o recurso dos Correios, a ministra presidente
do TST afirmou que, embora a essencialidade dos serviços postais
revele-se notória, “essa premissa não justifica minimizar a adoção de
medidas de segurança e saúde em relação aos empregados”. Como
empresa pública, a ECT também se sujeita à obrigação de cumprir as
normas de segurança e medicina do trabalho – dever de toda empresa,
nos termos do artigo 157, inciso I, da CLT, do artigo 16 da Convenção
155 da Organização Internacional do Trabalho e do artigo 7º, inci-
so XXII, da Constituição da República. Sob a perspectiva da pandemia
do coronavírus, a ministra explicou que o artigo 3º, parágrafo 7º,

18. Nos termos da legislação de regência (Lei nº 8.437/1992 e 12.016/2009) e da jurispru-


dência do Superior Tribunal de Justiça e do colendo Pretório Excelso, será cabível o
pedido de suspensão quando a decisão proferida em ação movida contra o poder pú-
blico puder provocar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas.
II- As pessoas jurídicas de direito privado possuem, excepcionalmente, legitimidade
para formular pedido de suspensão de decisão ou de sentença nesta Corte Superior
apenas quando buscam tutelar bens relacionados, diretamente, ao interesse público.
Precedentes da Corte Especial. (...) (STJ-AgRg na SLS 1.956/ES, Rel. Ministro Francisco
Falcão, Corte Especial, julgado em 04/03/2015, DJe 23/03/2015)

136
Abril

do Decreto 10.282/2020, que regulamenta a Lei 13.979/2020, dis-


põe que devem ser adotadas as cautelas necessárias à redução de
transmissibilidade do vírus, inclusive para resguardar o exercício e o
funcionamento dos serviços públicos e atividades essenciais, como
os serviços postais. “Assim, as medidas impostas pela decisão judicial
não conflitam com as orientações de autoridades”, ao contrário do
que argumentou a ECT. Nesse sentido, a presidente do TST ressaltou
que é de conhecimento público a eficácia da utilização de máscaras,
luvas e álcool em gel para impedir a propagação da pandemia. “O for-
necimento de talheres, pratos e copos descartáveis também contribui
para combater a evolução da grave enfermidade”, concluiu. Por fim, a
ministra afirmou que a suspensão das cautelas poderia resultar em
risco à saúde pública, contribuindo para ampliar o risco de contágio e a
exposição dos trabalhadores, seus familiares e demais membros da
sociedade. De acordo com a presidente Maria Cristina Peduzzi, não
há fundamento para deferir o pedido dos Correios. “A manutenção
da decisão não paralisa as atividades da empresa estatal, já que não
foram impostas restrições efetivas, mas simples adoção de medidas
de extremo relevo no combate à pandemia em benefício não somente
dos trabalhadores envolvidos, mas de toda a sociedade”, finalizou.
Com esses fundamentos, a presidente do TST indeferiu o pedido de
suspensão da liminar. (TST-SLS-1000335-79.2020.5.00.0000, Publi-
cação: 16/04/2020)
} 15/04/2020 – STF declara a constitucionalidade da Lei nº 11.442
de 2007 que (i) regulamentou a contratação de transportadores
autônomos de carga por proprietários de carga e por empresas trans-
portadoras de carga; (ii) autorizou a terceirização da atividade-fim
pelas empresas transportadoras; e (iii) afastou a configuração de
vínculo de emprego nessa hipótese. Ainda, que não há inconstitucio-
nalidade no prazo prescricional de 1 (um) ano, a contar da ciência do
dano, para a propositura de ação de reparação de danos, prevista no
art. 18 da Lei 11.442/2007, à luz do art. 7º, XXIX, CRFB/88, uma vez
que não se trata de relação de trabalho, mas de relação comercial.
Foram fixadas as seguintes teses em repercussão geral: “1 – A Lei
11.442 de 2007 é constitucional, uma vez que a Constituição não veda
a terceirização, de atividade-meio ou fim. 2 – O prazo prescricional

137
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

estabelecido no art. 18 da Lei 11.442/2007 é válido porque não se


trata de créditos resultantes de relação de trabalho, mas de relação
comercial, não incidindo na hipótese o art. 7º, XXIX, CRFB/88. 3 – Uma
vez preenchidos os requisitos dispostos na Lei nº 11.442 de 2007,
estará configurada a relação comercial de natureza civil e afastada
a configuração de vínculo trabalhista” (ADC 48, rel. min. Roberto
Barroso, j. 15-4-2020, DJe de 19/5/2020).
} 16/04/2020 – o Plenário do STF, por maioria, não referendou a me-
dida cautelar concedida na ADI Nº 6363 e manteve a eficácia da
Medida Provisória 936 de 202019, que autoriza a redução da jornada
de trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de
trabalho por meio de acordos individuais em razão da pandemia do
novo coronavírus, independentemente de anuência sindical. Dentre
outros fundamentos, observou-se que a Medida Provisória não teve
o objetivo simples de legalizar a redução salarial, mas sim de esta-
belecer mecanismos emergenciais de preservação de emprego e de
renda. Não se trata de conflito entre empregado e empregador e da
definição salarial como resultado desse embate, que é a situação
normal na qual se exige a participação sindical para equilibrar as
forças. Isso não significa, entretanto, que os sindicatos ficarão total-
mente alheios a esses acordos, pois nos termos da MP, eles serão
comunicados, para verificar a necessidade de estender os termos
de determinado acordo a outros trabalhadores da categoria, ou para
indicar a anulação dos acordos, se houver algum vício. O que o texto
legal não fez foi exigir a anuência sindical para que o acordo se torne
ato jurídico perfeito, o que diminuiria sensivelmente a eficácia da
medida emergencial. (ADI 6363 MC-Ref/DF, rel. orig. Min. Ricardo
Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgamento
em 16 e 17.4.2020, Informativo STF nº 973).

19. Posteriormente Convertida na Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020, que institui o


Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda; dispõe sobre medidas
complementares para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecido
pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde
pública de importância internacional decorrente do coronavírus, dentre outras pro-
vidências.

138
Abril

} 17/04/2020 – O TST, sopesando a situação como a registrada nos au-


tos – em que efetuado o pagamento das férias dentro do prazo legal,
embora não usufruídas pelo empregado –, entende que o respectivo
pagamento deve ser efetuado de forma simples, acrescido do terço
constitucional, a fim de observar a dobra prevista no artigo 137 da
CLT20 e evitar o enriquecimento ilícito pelo triplo pagamento do
período. Precedentes. (RR-936-61.2012.5.09.0670, 5ª Turma, Relator
Desembargador Convocado Joao Pedro Silvestrin, DEJT 17/04/2020).
} 17/04/2020 – Empregado temporário (Lei n 6.019/74) goza de
estabilidade provisória em caso de acidente de trabalho. O Tribu-
nal Regional aplicou ao caso a tese prevalecente nº 9 do TRT da 2ª
Região, segundo a qual “Não se reconhece a estabilidade provisória
prevista no art. 118, da Lei nº 8.213/91, no caso de acidente do tra-
balho ocorrido no transcurso do contrato a termo”. Tendo em conta
os princípios da razoabilidade, da boa fé objetiva, além da teoria
do risco da atividade econômica, a jurisprudência do TST evoluiu
no sentido de que deve ser reconhecido o direito do trabalhador
temporário acidentado à estabilidade do artigo 118 da Lei 8.213/91.
Incidência da diretriz inserta na Súmula 378, III, do TST, segundo a
qual “o empregado submetido a contrato de trabalho por tempo
determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de
acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91”. (RR-
1002170-73.2015.5.02.0501, 5ª Turma, Relator Ministro Douglas
Alencar Rodrigues, DEJT 17/04/2020).
} 17/04/2020 – Em situações excepcionais, admite-se a renúncia tá-
cita à impenhorabilidade do bem de família. Vigora entendimento
pacífico nesta c. Corte no sentido de que a interpretação conferida ao
rol descrito no art. 3º da Lei nº 8.009/90 deve ser restritiva, porque se
trata de exceção legal ao direito social à moradia. Todavia, não se pode
ignorar que o Direito jamais compactua com a torpeza na utilização
dos institutos, de maneira que a regra legal não acabe por escudar
situações de abuso de direito, fraude e má-fé do proprietário. Nessas
situações, a norma protetiva deve ser ultrapassada, para que não se

20. Art. 137 da CLT. Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de que trata o
art. 134, o empregador pagará em dobro a respectiva remuneração.

139
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

tenha como intocável o bem gravado com a impenhorabilidade de


que trata o art. 1º da Lei nº 8.009/90. Compete ao Poder Judiciário
combater a conduta que não se coadune com os princípios da boa
fé objetiva, da cooperação no processo e comportamento ético.
Assim, conquanto se admita ser norma de ordem pública, questões
tais como o princípio da boa fé objetiva, o venire contra factum
proprium, a má-fé, a busca por beneficiar-se de sua própria torpeza
não podem ser acobertados pelo julgador. Tais situações, quando
cabalmente demonstradas no caso concreto, tornam admissível
ultrapassar os limites do art. 3º da Lei nº 8.009/90. É o caso. No caso
em apreço, a própria executada (autora na presente ação rescisória)
indicou sponte sua o bem de família à penhora, em substituição a
outros dois que haviam sido já levados a hasta pública, peticionando
para que fosse retirada a penhora sobre estes bens, que foram logo
vendidos. Assim, às escâncaras se configura hipótese de venire contra
factum proprium capaz de afastar a impenhorabilidade sobre o bem
de família, de modo que não cabe o corte rescisório - diante de tal
excepcionalidade- por violação do art. 3º da Lei 8.009/90. (RO-10517-
27.2014.5.01.0000, SBDI-2, Redator Ministro Alexandre de Souza
Agra Belmonte, DEJT 17/04/2020).
} 17/04/2020 – STF entende que compete à Justiça comum processar
e julgar causa de servidor público municipal admitido mediante
aprovação em concurso público sob o regime da Consolidação das
Leis de Trabalho e que, posteriormente, passou a ser regido pelo
estatuto dos servidores públicos municipais, ainda que o pedido
envolva pretensões celetistas. Prevaleceu no julgamento o voto do
ministro Alexandre de Moraes, para quem como o vínculo do servi-
dor com a administração pública é estatutário, a competência para
julgar a causa é da Justiça comum, ainda que as verbas requeridas
sejam de natureza trabalhista e relativas ao período anterior à al-
teração do regime de trabalho (CC 8018, Relator(a): Marco Aurélio,
Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado
em 19/12/2019, DJe 17/04/2020).
} 17/04/2020 – A multa prevista em norma coletiva possui natureza de
cláusula penal e, portanto, seu montante deve limitar-se ao valor da

140
Abril

obrigação principal (OJ nº 54 da SBDI-I). Por ocasião do julgamento


do E-ARR-12481.66.2014.5.14.0041 (Relator Exmo. Ministro Augusto
César Leite de Carvalho, data do julgamento: 12/11/2018, data da
publicação no DEJT: 30/11/2018), a colenda SBDI-I do TST dirimiu a
controvérsia acerca da natureza jurídica da multa normativa, enten-
dendo que a multa prevista em norma coletiva possui natureza jurídica
de cláusula penal, devendo obedecer, portanto, o que determina o
artigo 412 do Código Civil, no sentido de que “O valor da cominação
imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação princi-
pal”. Nesse sentido dispõe o entendimento sedimentado na OJ nº 54
da SBDI-I do TST. (RR-10617-32.2018.5.03.0114, 6ª Turma, Relator
Ministro Lelio Bentes Correa, DEJT 17/04/2020).
} 17/04/2020 – Empregadora é condenada ao pagamento de inde-
nização a vendedor que não pôde manter plano de saúde após
demissão. Conforme o artigo 10 da Resolução Normativa 279/11 da
Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, o empregado des-
pedido sem justa causa tem 30 dias para optar pela manutenção da
condição de beneficiário do plano de saúde, cabendo ao empregador
formalizar essa opção no ato da comunicação do aviso prévio. A Cor-
te regional manteve a condenação da reclamada no pagamento da
indenização pretendida, sob o fundamento de que “o dano moral se
confirmou por ato negligente empresarial que alijou o trabalhador da
possibilidade de manutenção da sua segurança à saúde”. Constatado,
portanto, que o cancelamento do plano de saúde se deu por culpa da
reclamada, resta evidente a violação dos direitos da personalidade
do reclamante, que se viu abalado psicologicamente porque teve
dificultado seu acesso e de sua família à assistência à saúde. Assim,
a conduta da reclamada configurou ato ilícito e causou dano moral,
apto a ensejar a sua responsabilização civil. Ressalta-se que o dano
moral, em si, não é passível de prova, pois acontece no íntimo do
ser humano, em sua esfera psicológica, de modo que não é possível
demonstrá-lo materialmente, sendo, portanto, considerado in re ipsa.
Com efeito, diante do quadro fático narrado na decisão regional, é
impossível negar a ocorrência de sofrimento interior e angústia ex-
perimentada pelo reclamante, diante da alteração das condições do

141
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

seu plano de saúde, tornando extremamente dificultoso o pagamento


da sua assistência à saúde. Presente também o nexo de causalidade
entre a conduta da reclamada e o dano sofrido pelo reclamante, já
que essa foi a causa adequada e suficiente para a ocorrência desse.
(AIRR-10454-86.2014.5.01.0263, 2ª Turma, Rel. Min. Jose Roberto
Freire Pimenta, DEJT 17/04/2020).
} 20/04/2020 – Presidente do TST cassa liminares que determinavam
a liberação, das atividades presenciais, dos empregados metro-
viários e terceirizados incluídos em grupos de risco de contágio da
Covid-19, além do fornecimento de material de proteção individual
para os demais empregados. A decisão pautou-se em questão exclu-
sivamente processual, por entender que não cabia ao TRT da 2ª Região
deferir liminar com provimento condenatório em dissídio de natureza
jurídica. A jurisprudência do TST estabelece que esse tipo de dissídio
abrange pretensão declaratória destinada a interpretar norma geral
e não pode ser cumulado com pretensões condenatórias. A decisão é
técnica, sem entrar no mérito da questão. A decisão regional benefi-
ciava ainda os trabalhadores terceirizados, ultrapassando os limites
da representação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de
Transportes Metroviários e em Empresas Operadoras de Veículos
Leves Sobre Trilhos no Estado de São Paulo (Metroviários-SP), aspecto
que, segundo a decisão, reforça a ausência de fundamento jurídico
para manter as liminares questionadas pelo Estado de São Paulo e
pelo Metro. Os efeitos da liminar são válidos até o trânsito em julgado
da decisão de mérito que será proferida no julgamento do Dissídio
Coletivo, nos termos do artigo 4º, parágrafo 9º, da Lei 8.437/1992.
(Processo: SLS-1000317-58.2020.5.00.0000).
} 20/04/2020 – STF declara constitucional a Lei nº 9.601 de 1998,
que instituiu modalidade de contrato de trabalho por tempo deter-
minado (ADI 1.764, voto do rel. min. Gilmar Mendes, j. 20-4-2020,
DJe de 29/5/2020).
} 20/04/2020 – Anistiada tem direito a recomposição financeira re-
lativa ao período de afastamento. A interpretação sistemática da Lei
nº 8.878/1994 autoriza a conclusão de que a concessão de anistia aos
empregados que atendem aos seus requisitos decorre de suspensão

142
Abril

do contrato de trabalho, a ensejar direito ao cômputo do período pre-


térito do tempo de serviço para efeito de reconhecimento do direito
aos aumentos gerais e às progressões lineares, quando da recompo-
sição da remuneração, bem como para concessão de promoção por
antiguidade e reenquadramento na carreira, a partir do retorno ao
trabalho. Nesse sentido, a jurisprudência deste Tribunal, revendo
posicionamento anterior, firmou-se no sentido de que a vedação de
efeitos financeiros retroativos, estabelecida na OJ Transitória nº 56
da SBDI-1, não alcança tais direitos, a prevalecer apenas a restrição
contida na OJ Transitória nº 44 da SBDI-1. Precedentes. (RR-1033-
60.2017.5.12.0037, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas
Brandao, DEJT 24/04/2020).
} 20/04/2020 – STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GE-
RAL. TEMA 999. CONSTITUCIONAL. DANO AMBIENTAL. REPARAÇÃO.
IMPRESCRITIBILIDADE. 1. Debate-se nestes autos se deve prevalecer
o princípio da segurança jurídica, que beneficia o autor do dano am-
biental diante da inércia do Poder Público; ou se devem prevalecer
os princípios constitucionais de proteção, preservação e reparação
do meio ambiente, que beneficiam toda a coletividade. 2. Em nosso
ordenamento jurídico, a regra é a prescrição da pretensão reparatória.
A imprescritibilidade, por sua vez, é exceção. Depende, portanto, de
fatores externos, que o ordenamento jurídico reputa inderrogáveis
pelo tempo. 3. Embora a Constituição e as leis ordinárias não dis-
ponham acerca do prazo prescricional para a reparação de danos
civis ambientais, sendo regra a estipulação de prazo para pretensão
ressarcitória, a tutela constitucional a determinados valores impõe o
reconhecimento de pretensões imprescritíveis. 4. O meio ambiente
deve ser considerado patrimônio comum de toda humanidade, para
a garantia de sua integral proteção, especialmente em relação às
gerações futuras. Todas as condutas do Poder Público estatal devem
ser direcionadas no sentido de integral proteção legislativa interna
e de adesão aos pactos e tratados internacionais protetivos desse
direito humano fundamental de 3ª geração, para evitar prejuízo da
coletividade em face de uma afetação de certo bem (recurso na-
tural) a uma finalidade individual. 5. A reparação do dano ao meio

143
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

ambiente é direito fundamental indisponível, sendo imperativo o


reconhecimento da imprescritibilidade no que toca à recomposição
dos danos ambientais. 6. Extinção do processo, com julgamento de
mérito, em relação ao Espólio de Orleir Messias Cameli e a Marmud
Cameli Ltda, com base no art. 487, III, b do Código de Processo Civil
de 2015, ficando prejudicado o Recurso Extraordinário. Afirmação de
tese segundo a qual “É imprescritível a pretensão de reparação civil
de dano ambiental” (RE 654833, Relator(a): Alexandre de Moraes,
Tribunal Pleno, julgado em 20/04/2020, DJe 24/06/2020)
} 24/04/2020 – O STF firmou entendimento de que se insere na com-
petência da Justiça Comum o exame da existência, validade e eficácia
das relações entre servidores e o poder público fundadas em vínculo
jurídico-administrativo (ADI nº 3.395/DF). Não se pode olvidar, contu-
do, que no referido julgamento o STF se restringiu à análise de típica
relação de ordem estatutária, ou seja, de caráter jurídico-administrati-
vo, que se estabelece entre os entes da Administração Pública Direta,
suas autarquias e fundações públicas e seus respectivos servidores.
Tal pronunciamento, portanto, não abrange a situação em que a parte
autora foi nomeada para o exercício do cargo em comissão de diretor
do departamento de cultura do município (cargo em comissão de
livre nomeação e exoneração), sob o regime da CLT (Lei Municipal
nº 731/90) (RR-201-78.2018.5.12.0041, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 24/04/2020).21

21. Vale lembrar que a mera arguição de configuração de regime jurídico-administrativo


não afasta a competência da Justiça do Trabalho, sendo necessário perquirir a natureza
da relação jurídica estabelecida entre as partes, o que demanda prova. Se houver prova
da existência de lei municipal instituindo o regime jurídico estatutário ou a contratação
temporária, a competência será da Justiça Comum. Ao revés, se não houver registro
de contratação temporária (art. 37, IX, da CRFB/88) ou de lei que instituí o regime
estatutário, permanece a competência da Justiça do Trabalho. Nesse sentido: “No
caso, extrai-se do acórdão recorrido que a admissão da reclamante ocorreu sem prévia
submissão a concurso público, já na vigência da Constituição de 1988. Entretanto, não
há registro de contratação temporária (art. 37, IX, da CRFB/88) ou da lei que instituí o
regime estatutário pelo ente público, permanecendo, portanto, a competência desta
Justiça Especializada para o julgamento da lide. Julgados. (RR-406-61.2017.5.22.0107,
2ª Turma, Rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, DEJT 26/06/2020).

144
Abril

} 24/04/2020 – Em julgamento ao recurso de revista, a Sexta Turma


concluiu pela ausência dos indicadores da transcendência do recur-
so interposto sob a égide da Lei Nº 13.467/17. O art. 896-A, §§ 2º,
3º e 4º, da CLT estabelece a irrecorribilidade da decisão colegiada
que mantém o voto do relator que, em recurso de revista, não re-
conhece a transcendência. A Sexta Turma tem decidido que, com
maior razão, é irrecorrível a decisão colegiada que não reconhece
a transcendência da matéria. Assim, incabíveis os embargos de
declaração opostos. Embargos de declaração de que não se conhece.
(ED-RR-279-09.2018.5.07.0010, 6ª Turma, Redator Ministro Augusto
César Leite de Carvalho, DEJT 24/04/2020).
} 24/04/2020 – Não é suspeita a testemunha que possui ação contra
o mesmo empregador, ainda que com objeto idêntico. A súmula
nº 357 do TST não faz referência à limitação de conteúdo das ações
ajuizadas, de maneira que nada impede que tenham o mesmo ob-
jeto, sob pena de violação ao direito de ação, constitucionalmente
assegurado no artigo 5º, XXXV, da Carta Maior, e que deve ser com-
preendido de forma ampla, sem interpretações limitativas, portanto.
Precedentes. (RR-11974-60.2017.5.18.0083, 7ª Turma, Relator Mi-
nistro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 24/04/2020).
} 24/04/2020 – Descumprimento da cota de aprendizes (art. 429
da CLT) configura lesão à coletividade e danos morais coletivos
in re ipsa. O desrespeito à norma que reserva cotas aos aprendizes
alcança potencialmente todos aqueles trabalhadores sem experiên-
cia profissional situados na mesma localidade do estabelecimento
comercial, que poderiam ser contratados pela ré, o que, por si só,
demonstra o caráter lesivo e reprovável da conduta empresarial.
Logo, não é necessário comprovar a repercussão de eventual violação
na consciência coletiva do grupo social, já ofendido moralmente a
partir do fato objetivo da violação da ordem jurídica. (E-RR-822-
68.2011.5.23.0056, SBDI-1, Relator Ministro Luiz Philippe Vieira de
Mello Filho, DEJT 24/04/2020).
} Venda de unidade isolada em recuperação judicial não caracteriza
sucessão trabalhista. O STF, no exame do mérito da ADIn nº 3.934-2,
decidiu que a Lei nº 11.101/2005, ao estabelecer que o arrematante

145
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

não tem responsabilidade pelas obrigações do devedor, no caso da


alienação de filiais ou de unidades produtivas isoladas, ocorrida no
curso da recuperação judicial (art. 60, parágrafo único) ou após a
convolação da recuperação judicial em falência (art. 141, II), salvo nas
hipóteses previstas na própria lei (art. 141, II e § 1º), não afrontou os
dispositivos constitucionais que tratam da proteção jurídica dos traba-
lhadores (arts. 1º, III e IV, 6º, 7º, I, e 170 da CRFB/88). O TST, em obser-
vância à decisão do STF, a qual teve efeito vinculante (art. 102, § 2º, da
CRFB/88), vem adotando o entendimento de que o art. 60, parágrafo
único, da Lei nº 11.101/2005 estabelece que no caso de recuperação
judicial de empresas, a alienação de unidade produtiva isolada não
enseja a caracterização de sucessão de empresa quanto às obrigações
trabalhistas. Julgados. (RR-20218-39.2016.5.04.0782, 6ª Turma, Re-
latora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 24/04/2020).
} 27/04/2020 – STF decide que não é dado a conselho de fiscalização
profissional perpetrar sanção de interdito profissional, por tempo
indeterminado até a satisfação da obrigação pecuniária, com a
finalidade de fazer valer seus interesses de arrecadação frente
a infração disciplinar consistente na inadimplência fiscal. Trata-se
de medida desproporcional e caracterizada como sanção política em
matéria tributária. Isso porque há diversos outros meios alternativos
judiciais e extrajudiciais para cobrança de dívida civil que não obs-
taculizam a percepção de verbas alimentares ou atentam contra a
inviolabilidade do mínimo existencial do devedor. Fixação de Tese de
julgamento para efeitos de repercussão geral: “É inconstitucional a
suspensão realizada por conselho de fiscalização profissional do
exercício laboral de seus inscritos por inadimplência de anuidades,
pois a medida consiste em sanção política em matéria tributária”
Declaração de inconstitucionalidade dos arts. 34, XXIII, e 37, § 2º,
da Lei 8.906 de 1994 (RE 647885, Relator(a): Edson Fachin, Tribunal
Pleno, julgado em 27/04/2020, DJe 19/05/2020).
} 29/04/2020 – STF decide que o art. 29 da MP 927/202022, ao excluir,
como regra, a contaminação pelo coronavírus da lista de doenças

22. A MP nº 927 de 22 de março de 2020, teve seu prazo de vigência encerrado no dia 19
de julho de 2020.

146
Abril

ocupacionais, transferindo o ônus da comprovação ao empregado,


prevê hipótese que vai de encontro ao entendimento do STF em
relação à responsabilidade objetiva do empregador em alguns
casos. Ainda, que não se mostra razoável a diminuição da atividade
fiscalizatória exercida pelos auditores fiscais do trabalho, na forma
prevista pelo art. 31 da MP 927/2020, em razão da necessidade de
manutenção da função exercida no contexto de pandemia, em que
direitos trabalhistas estão sendo relativizados. Por esses fundamen-
tos, concedeu parcialmente medida liminar para suspender a eficácia
dos arts. 29 e 31 da Medida Provisória 927 de 2020 (ADI 6354 MC-
-Ref, Relator(a): Marco Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre de
Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 29/04/2020, DJe 11/11/2020)
} 30/04/2020 – Não se exige que a contratação de deficiente se dê
para as mesmas funções exercidas pelo empregado dispensado.
Encontra-se consolidado no TST o entendimento de que a dispensa
de empregado com deficiência ou reabilitado sem a subsequente
contratação de outro empregado em condições semelhantes somente
rende ensejo à reintegração no emprego caso a empresa não tenha
observado o percentual exigido no art. 93, § 1º da Lei nº 8.213/91.
Isso porque a garantia de emprego prevista no art. 93, § 1º, da Lei
nº 8.213/91 é apenas indireta e tem como objetivo a preservação
da cota mínima de postos de trabalho reservados aos portadores de
necessidades especiais, não sendo exigência da lei que a contratação
se dê para as mesmas funções exercidas pelo empregado dispensado.
Precedentes. (E-RR-779-16.2012.5.03.0069, SBDI-1, Relator Ministro
Breno Medeiros, DEJT 30/04/2020).
} 30/04/2020 – Erro grosseiro na interposição de recurso rende
ensejo à aplicação de multa. Conforme o entendimento firmado na
OJ nº 412 da SBDI-1 do TST, é incabível agravo inominado ou agravo
regimental contra decisão proferida por órgão colegiado. Inaplicável
o princípio da fungibilidade ante a configuração de erro grosseiro.
Diante da consideração de ser manifestamente inadmissível do
recurso, aplica-se à parte agravante a multa prevista no art. 1.021,
§ 4º, do CPC. Agravo não conhecido, com aplicação de multa. (Ag-
-E-ARR-1674-41.2014.5.02.0034, SBDI-1, Relator Ministro Alexandre
Luiz Ramos, DEJT 30/04/2020).

147
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 30/04/2020 – STF referendou, por maioria, a medida cautelar de-


ferida pelo ministro Edson Fachin na ADI 6327, “a fim de conferir
interpretação conforme à Constituição ao artigo 392, § 1º, da CLT,
assim como ao artigo 71 da Lei nº 8.213/91 e, por arrastamento, ao
artigo 93 do seu Regulamento (Decreto nº 3.048/99), e assim assentar
(com fundamento no bloco constitucional e convencional de normas
protetivas constante das razões sistemáticas antes explicitadas) a
necessidade de prorrogar o benefício, bem como considerar como
termo inicial da licença-maternidade e do respectivo salário-ma-
ternidade a alta hospitalar do recém-nascido e/ou de sua mãe, o
que ocorrer por último, quando o período de internação exceder
as duas semanas previstas no art. 392, § 2º, da CLT, e no art. 93, § 3º,
do Decreto nº 3.048/99 (ADI 6327, Ref-MC, rel. min. Edson Fachin,
j. 3-4-2020, DJe de 19/6/2020).

148
MAIO

} 1º/05/2020 – Publicado o Informativo TST nº 217, cujas principais


decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 217


(Período 1º a 30 de abril de 2020)
É inexigível a juntada da certidão de nascimento da criança para fins de concessão da
estabilidade da empregada doméstica. TST-RR-100896-70.2016.5.01.0282, 5ª Turma,
rel. Min. Douglas Alencar Rodrigues, julgado em 1º/4/2020 – Informativo TST nº 217.
Segundo o STF, compete à Justiça Comum o exame da existência, validade e eficácia
das relações entre servidores e o poder público fundadas em vínculo jurídico-
-administrativo (ADI 3.395/DF). Tal precedente não abrange a situação em que
a parte autora foi nomeada para o exercício do cargo em comissão de diretor do
departamento de cultura do município, sob o regime da CLT, como disposto em Lei
Municipal. TST-RR-201-78.2018.5.12.0041, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio Mascarenhas
Brandão, julgado em 15/4/2020 – Informativo TST nº 217.
Opor à parte litigante óbice à análise do pedido reconvencional por mera ausência de
repetição de forma expressa ao fim da peça processual (contestação) se apresenta
como conduta não mais admitida no âmbito das regras processuais hoje em vigor
(art. 322 do CPC c/c art. 840, § 1º, da CLT). TST-RR-716-17.2017.5.14.0131, 6ª Turma,
rel. Min. Kátia Magalhães Arruda, julgado em 22/4/2020 – Informativo TST nº 217.
Há legitimidade ativa do sindicato da categoria profissional para pleitear direitos
individuais homogêneos, ainda que existente eventual distinção entre as atribui-
ções previstas para as funções ocupadas pelos substituídos, em relação às quais se
questiona o enquadramento no artigo 224, § 2º, da CLT. Tal fato não é suficiente para
afastar a legitimidade do sindicato, considerando a possibilidade de procedência
parcial, caso se constate a fidúcia especial apenas em 1 ou 2 delas, e não nas de-
mais. Não há, portanto, a necessidade de que haja homogeneidade entre todos os
substituídos, tampouco se exige que a decisão seja uniforme para todas as funções.
TST-RR-1878-59.2014.5.10.0003, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão,
julgado em 22/4/2020 – Informativo TST nº 217.
Não se permite o julgamento do recurso adesivo anteriormente ao recurso princi-
pal. TST-RR-2381-20.2012.5.18.0006, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes,
julgado em 28/4/2020 – Informativo TST nº 217.

149
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 217


(Período 1º a 30 de abril de 2020)
A correta interpretação do disposto no art. 22 da Lei 8.213/91 é no sentido de que,
ocorrendo o acidente de trabalho, independentemente de afastamento ou não, é
obrigatória a emissão da CAT por parte do empregador, sob pena de aplicação de
multa. TST-RR-10645-07.2015.5.03.0081, 6ª Turma, rel. Min. Augusto César Leite
de Carvalho, julgado em 29/4/2020 – Informativo TST nº 217.

} 04/05/2020 – A jurisprudência do TST é pacífica quanto à respon-


sabilidade do empregador pelo pagamento dos salários do em-
pregado, a partir da alta previdenciária, ainda que considerado
inapto pela junta médica da empresa (art. 896, § 7º, da CLT), sob
pena de se deixar o empregado em um “limbo jurídico-trabalhista-
-previdenciário”. (RR-502-88.2015.5.17.0009, 1ª Turma, Relator
Ministro Walmir Oliveira da Costa, DEJT 04/05/2020).
} 04/05/2020 – É válida cláusula de seguro de vida que exclui in-
denizações decorrentes de doenças profissionais. O reclamante
aderiu ao contrato de seguro de vida em grupo, o qual engloba morte
acidental, morte e invalidez permanente decorrente de acidente,
excluindo, expressamente, doenças/acidentes profissionais. Como
se observa, trata-se de contrato que possui garantia de pagamento
de indenização, mas com exclusão de doenças profissionais. Dentro
desse contexto, tem-se por válida a cláusula controvertida, pois não
configura preceito abusivo nem delimitador da cobertura do segu-
ro. Com efeito, não pode a parte, após a vigência do seguro, decidir
modificar o núcleo de uma de suas cláusulas para benefício próprio,
sob pena de afronta ao ajustado, mormente porque a interpretação
ampla pretendida pelo recorrente não tem acolhida, uma vez que a
cláusula limitativa, por ser uma cláusula de benefício, deve ser inter-
pretada restritivamente, sobretudo diante dos termos do art. 757 do
CC, segundo o qual, “pelo contrato de seguro, o segurador se obriga,
mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do
segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminado”.
Por conseguinte, tendo em vista a exclusão de cobertura de doença
profissional, e tendo o reclamante problemas de coluna decorren-
tes do trabalho como concausa, por certo que não preenche os

150
Maio

requisitos para a percepção do prêmio postulado. (AIRR-1001039-


53.2015.5.02.0472, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa,
DEJT 04/05/2020).
} 06/05/2020 – Tem direito ao adicional de periculosidade o empre-
gado que trabalha próximo a tubulações ou dutos nos quais há
passagem de combustíveis inflamáveis, ainda que tais tubulações
não armazenem o combustível, porque tal situação se equipara à
hipótese de risco prevista na NR 16 da Portaria nº 3.214/1978 do
Ministério do Trabalho. (RR-133400-45.2013.5.17.0006, 6ª Turma,
Relatora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – O pagamento a menor não enseja aplicação da multa
do art. 477 da CLT, que somente deve ser aplicada quando ultra-
passado o prazo para pagamento previsto no § 6º do dispositivo
legal em análise. (RR-133400-45.2013.5.17.0006, 6ª Turma, Relatora
Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Analista de crédito de administradora de cartão equi-
para-se aos financiários, pois empresa administradora de cartão de
crédito tem equiparação com instituição financeira (súmula nº 55
do TST). A SBDI-1 do TST possui o entendimento consolidado de que
as administradoras de cartão de crédito são consideradas empresas
de crédito e financiamento, razão pela qual seus empregados devem
ser enquadrados na categoria profissional dos financiários para fins
de aplicação da Súmula 55 do TST. Ademais, estabelecido que a re-
clamada é uma empresa financeira e que a autora exerce atividades
correlatas à atividade-fim da instituição financeira, a empregada tem
direito aos benefícios e vantagens inscritos nas normas coletivas apli-
cáveis ao financiários. Precedentes da SBDI-1 e de todas as Turmas
do TST. (RR-1000464-42.2016.5.02.0203, 6ª Turma, Relator Ministro
Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Empresa em recuperação judicial deve efetuar de-
pósito recursal para garantia do juízo para recorrer na fase de exe-
cução (garantia do juízo vs. depósito judicial). O depósito judicial
é exigível na fase de conhecimento, enquanto na fase de execução
incide o disposto no artigo 884, § 6º, da CLT como garantia do juízo

151
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

por intermédio do depósito do valor ou penhora de bens, bem como o


seguro garantia judicial com acréscimo de 30% do valor da execução.
Essa diferenciação decorre de uma exegese restritiva do alcance dos
institutos assecuratórios do trânsito de ações e recursos, sem que
incorra em violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa,
por se tratar de questão de índole meramente infraconstitucional. (Ag-
-AIRR-10874-36.2017.5.03.0003, 5ª Turma, Relator Desembargador
Convocado Joao Pedro Silvestrin, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Prevalece no âmbito do TST o entendimento de que
o cargo de Técnico Bancário de empresa pública, conquanto exija
apenas a conclusão de ensino médio para efeito de qualificação do
candidato para a participação no correspondente concurso público,
traduz, após a aprovação no certame, exercício de função para a
qual se faz necessário conhecimento específico capaz de justificar
seu enquadramento no permissivo de acumulação de cargos, em
face da atividade de professor da rede pública de ensino, na forma
do artigo 37, XVI, “b”, da CRFB/88. (RR-1190-17.2012.5.09.0029,
5ª Turma, Relator Desembargador Convocado Joao Pedro Silvestrin,
DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – O acordo judicial, conferindo quitação ampla e irres-
trita aos créditos oriundos do contrato de trabalho, sem ressalvas,
homologado na vigência da Emenda Constitucional nº 45/2004, época
em que já não mais subsistia discussão acerca da competência desta
Justiça Especializada para apreciar eventuais pedidos de indenizações
por danos morais e materiais, em virtude de acidente de trabalho ou
doença ocupacional a ele equiparada, inviabiliza a posterior discussão de
tais verbas, em face da caracterização de coisa julgada. Tratando-se
de direitos oriundos da prestação de trabalho, inserem-se as respec-
tivas indenizações também na esfera do objeto do acordo firmado
entre as partes e homologado em juízo. OJ nº 132 da SBDI-II do TST23.

23. OJ nº 132 da SBDI-2 do TST. AÇÃO RESCISÓRIA. ACORDO HOMOLOGADO. ALCANCE.


OFENSA À COISA JULGADA. Acordo celebrado- homologado judicialmente- em que o
empregado dá plena e ampla quitação, sem qualquer ressalva, alcança não só o objeto
da inicial, como também todas as demais parcelas referentes ao extinto contrato de
trabalho, violando a coisa julgada, a propositura de nova reclamação trabalhista.

152
Maio

(RR-20812-49.2014.5.04.0030, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio


Mascarenhas Brandao, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – O reconhecimento da legitimidade ativa do sindicato
da categoria profissional para pleitear direitos individuais homo-
gêneos, guarda sintonia com a jurisprudência do TST e do STF. O
artigo 8º, inciso III, da CRFB/88 assegura aos sindicatos a possibilida-
de de substituição processual ampla e irrestrita para agir no interesse
de toda a categoria. No caso, a petição inicial relata a existência de
procedimento contumaz da empresa quanto à inobservância da
concessão regular do repouso semanal remunerado, em desapreço
ao estabelecido no artigo 7º, XV, da CRFB/88 e entendimento contido
na OJ nº 410 da SbDI-1 do TST. Trata-se, portanto, de fato de origem
comum, que atinge determinado número de empregados (os que
laboram em tais condições), o que torna o direito homogêneo- con-
forme art. 81, parágrafo único, III, do CDC (Lei nº 8.078/90)- e legitima
a atuação do sindicato como substituto processual. É de salientar que
a necessidade de verificar, na liquidação da sentença, em relação a
cada substituído, a quantificação da indenização e em que medida
se encontra abrangido pela decisão exequenda, não retira a homo-
geneidade do direito e, portanto, não afasta a legitimidade ativa do
sindicato. (RR-17047-27.2015.5.16.0022, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Juntada da contestação no PJe antes da audiência
não impede desistência da ação. Constou da decisão agravada que,
nos termos da interpretação sistemática das normas inseridas nos
arts. 267, §4º, do CPC/73, 485, § 4º, do atual CPC, 847, caput, da
CLT, o momento de apresentação da defesa é aquele que sucede à
tentativa de acordo, sendo certo que a inserção da contestação no
sistema eletrônico, de forma antecipada, não se presta à finalidade
pretendida pela reclamada, até porque a aludida desistência foi
apresentada antes do referido momento processual. Acrescente-se
que ficara registrado no acórdão regional que a tese da reclamada, no
sentido de que o reclamante teria prévio conhecimento do conteúdo
da contestação, não fora provado nos autos, motivo pelo qual não se
poderia presumir tal alegação e impor ao reclamante o prejuízo do não

153
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

exercício do seu direito de desistência da ação, sob o jugo da concor-


dância da reclamada. Além disso, ressaltou que o desentranhamento
da defesa foi determinado de plano pelo magistrado em audiência que
homologou o pedido de desistência independentemente da anuên-
cia da parte reclamada. Nesse contexto, para se chegar à conclusão
contrária necessário seria o reexame do contexto fático probatório
dos autos, procedimento este vedado em sede de recurso de revista
(Súmula 126 do TST). (Ag-RR-1120-71.2013.5.07.0012, 5ª Turma,
Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Empregado (promotor de vendas) que usava moto-
cicleta tem direito a adicional de periculosidade, pois o tempo de
deslocamento entre supermercados foi considerado exposição
habitual ao risco. Nos termos do item I da Súmula 364 do TST, tem
direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto perma-
nentemente ou que, de forma intermitente, se sujeita a condições de
risco. É indevido, apenas, quando o contato se dá de forma eventual,
assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por
tempo extremamente reduzido. No caso em tela, o autor, na função
de promotor de vendas, utilizava a motocicleta nos deslocamentos
realizados entre os supermercados, “o que perfazia cerca de 10%
da jornada”. Logo, está caracterizada a exposição habitual ao risco,
visto que 10% da jornada de trabalho é tempo suficiente a afastar
o conceito de eventualidade e de tempo extremamente reduzido.
(RR-11098-69.2017.5.03.0036, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Motorista de carro-forte não ganha adicional de pe-
riculosidade por atender loja de conveniência. Ele sustentava estar
exposto ao risco em razão da proximidade com combustível. O TST
firmou entendimento no sentido de que é indevido o pagamento de
adicional de periculosidade para motorista que apenas acompanha
o abastecimento de veículos, uma vez que a NR 16 do MTE define
como perigosa a atividade de contato direto do trabalhador com o
inflamável no momento de abastecimento do veículo. Por outro lado,
na linha desse mesmo entendimento, o ingresso na área de risco com
o carro-forte para entrega e coleta de malotes na loja de conveniência

154
Maio

do posto de combustível também não enseja o percebimento do adi-


cional de periculosidade, pois a atividade em comento não envolve
operações com bombas de abastecimento, não se enquadrando no
Anexo 2 da NR 16. (RR-20692-29.2015.5.04.0011, 5ª Turma, Relator
Ministro Breno Medeiros, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Isolamento e esvaziamento das funções geram danos
morais. A conquista e afirmação da dignidade da pessoa humana não
mais podem se restringir à sua liberdade e intangibilidade física e psí-
quica, envolvendo, naturalmente, também a conquista e afirmação de
sua individualidade no meio econômico e social, com repercussões
positivas conexas no plano cultural- o que se faz, de maneira geral, con-
siderado o conjunto mais amplo e diversificado das pessoas, mediante
o trabalho e, particularmente, o emprego. O direito à indenização
por dano moral encontra amparo no art. 5º, V e X, da Constituição
da República; e no art. 186 do CCB/2002, bem como nos princípios
basilares da nova ordem constitucional, mormente naqueles que
dizem respeito à proteção da dignidade humana, da inviolabilidade
(física e psíquica) do direito à vida, do bem-estar individual (e social),
da segurança física e psíquica do indivíduo, além da valorização do
trabalho humano. O patrimônio moral da pessoa humana envolve
todos esses bens imateriais, consubstanciados, pela Constituição, em
princípios fundamentais. Afrontado esse patrimônio moral, em seu
conjunto ou em parte relevante, cabe a indenização por dano moral,
deflagrada pela Constituição de 1988. No caso vertente, o Tribunal
Regional reformou a sentença que considerara caracterizado o dano
moral ensejador da reparação pretendida, decorrente do isolamento
vivenciado pelo Reclamante, no ambiente de trabalho e do esva-
ziamento de suas funções. Para tanto, registrou o TRT que “inexiste
prova cabal de que o reclamante não foi convidado para participar de
reuniões importantes, na medida em que se mostra insuficiente ao
convencimento do julgador a mera assertiva de uma testemunha no
sentido de que avistava de seu posto de trabalho a sala de reunião e
ali não via o autor. Registre-se, ainda, que tarefas no depósito não se
mostram estranhas à rotina de um assistente de gerente de super-
mercado (...)”. A alteração funcional aponta para evidente retaliação

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

empresarial, já que o Autor era assistente de gerente e, abruptamente,


foi transferido para exercer funções no depósito e, além disso, foi im-
pedido de participar das reuniões das quais os assistentes de gerente
sempre participaram, causando ao Obreiro abalo emocional. Diante
da submissão do Obreiro a situações que atentaram contra a sua
dignidade, a sua integridade psíquica e o seu bem-estar individual-
bens imateriais que compõem seu patrimônio moral protegido pela
Constituição-, tem ele, de fato, direito à reparação moral, conforme
autorizam o inciso X do art. 5º da Constituição Federal e os arts. 186
e 927, caput, do CCB/2002. Recurso de revista conhecido e provido
no tema” (RR-986-15.2014.5.06.0181, 3ª Turma, Relator Ministro
Mauricio Godinho Delgado, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – O TST tem entendido que o adicional de insalubrida-
de somente é devido quando o contato com álcalis cáustico ocorre
em sua composição original, sem nenhuma diluição ou mistura, o
que não é o caso dos produtos comuns de limpeza, ainda que no
laudo pericial haja manifestação em sentido diverso, nos termos
da OJ nº 4 da SBDI-1 do TST (Súmula nº 448 do TST). (RR-20209-
66.2016.5.04.0333, 6ª Turma, Relatora Ministra Katia Magalhaes
Arruda, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido
de que é permitida a cumulação do pagamento de indenização por
dano material decorrente de acidente de trabalho ou de doença
ocupacional com o recebimento pelo empregado de benefício pre-
videnciário. Isso em razão de referidas parcelas derivarem de fatos
geradores distintos. Precedentes. (ARR-179-96.2014.5.02.0442,
5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – A jurisprudência do TST está posta no sentido de que
a manipulação e o contato com cimento em obras de construção
civil, no desempenho da função de pedreiro ou de servente, não
se encontram relacionadas como insalubres no Anexo 13 da NR 15
da Portaria nº 3.214/1978 do Ministério do Trabalho. Incidência da
Súmula 448, I, do TST. (RR-35-73.2018.5.12.0032, 3ª Turma, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 08/05/2020).

156
Maio

} 08/05/2020 – O tempo despendido pelo empregado na espera de


transporte fornecido pelo empregador é considerado à disposição
deste, equiparado, por força do disposto no artigo 4º da CLT, a tempo
de serviço efetivo, para fins de duração da jornada, desde que esse seja
o único meio de transporte disponível ao empregado, já que tal hipó-
tese deriva da incompatibilidade entre os horários de início/término
da jornada e os do transporte público. (ARR-394-72.2017.5.12.0027,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – Discute-se, no caso em análise, a nulidade da sen-
tença proferida pelo Juízo de origem, tendo em vista o indeferimento
da juntada de documentos na audiência inaugural, ao fundamento de
que ocorrera a preclusão pela apresentação de defesa antes do re-
ferido ato processual. Nos termos do art. 845 da CLT, o reclamante
e o reclamado comparecerão à audiência acompanhados das suas
testemunhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas. A ju-
risprudência do TST orienta-se no sentido de ser possível a juntada
de documentos destinados à produção de provas até o encerramento
da instrução processual, diante da inteligência do referido art. 845 da
CLT. (TST-ARR-1000388-50.2018.5.02.0008; 5ª Turma; Rel. Min. João
Pedro Silvestrin, DEJT 08/05/2020)
} 08/05/2020 – A jurisprudência consolidada no TST é a de que a rever-
são de justa causa fundada em ato de improbidade não comprovado
em juízo traduz-se em abuso do direito potestativo do empregador,
nos termos do artigo 187 do Código Civil, caracterizando ato ilícito
que atenta contra a honra e a imagem do empregado e enseja dever
de reparação por dano moral in re ipsa. (RR-257-64.2016.5.17.0002,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 08/05/2020).
} 08/05/2020 – A reversão da justa causa em juízo não impede a inci-
dência da multa do art. 477, § 8º, da CLT, uma vez que o empregador
suprimiu unilateralmente o pagamento de significativas verbas
rescisórias, devendo arcar com as consequências da aplicação equi-
vocada da dispensa por justa causa. Precedente da SbDI-1 do TST.
(RR-257-64.2016.5.17.0002, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria
da Costa, DEJT 08/05/2020).

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RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 08/05/2020 – Retenção da CTPS por prazo superior ao que dispõe


a legislação trabalhista (cerca de nove meses) gera danos morais.
Consoante se depreende do disposto nos artigos 29 e 53 da CLT, a
anotação da CTPS e, por conseguinte, sua devolução ao empregado
no prazo legal compreende obrigação do empregador, razão pela qual
sua retenção por tempo superior ao estabelecido em lei configura ato
ilícito. Ainda que inexista a comprovação de que a retenção da CTPS
tenha ocasionado prejuízos de cunho material à autora, é evidente
a natureza ilícita da conduta, bem como o prejuízo dela decorrente.
(RR-800-36.2016.5.21.0041, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 08/05/2020).
} 15/05/2020 – STF entende que não encontra amparo no Texto Cons-
titucional revisão de benefício previdenciário pelo valor nominal
do salário-mínimo (RE 968.414, rel. min. Marco Aurélio, j. 15-5-2020,
DJE de 3/6/2020, Tema 996).
} 21/05/2020 – TST confirma direito de sustentação oral a advoga-
dos em casos de juízo de retratação. SBDI-2 decide que advogados
terão direito à sustentação oral em casos em que se discute o juízo
de retratação, embora tal possibilidade não esteja prevista no Regi-
mento Interno da Corte, e a concessão ficava a critério do presidente
da Turma. Contudo, a questão gerava controvérsias, pois alguns
advogados cogitavam se não haveria cerceio de defesa. O caso foi
discutido durante o julgamento de um recurso da ECT, que retornou
ao TST para eventual exercício de juízo de retratação, como prevê
a Lei 11.418/2006, que trata do instituto da Repercussão Geral. O
dispositivo confere à autoridade julgadora a possibilidade de rever
uma decisão, parcial ou totalmente, caso ela divirja de entendimento
do STF em sede de repercussão geral.
} 22/05/2020 – Extensão de direitos dos servidores públicos efe-
tivos aos servidores e empregados públicos contratados para
atender necessidade temporária e excepcional do setor público.
A contratação de servidores públicos por tempo determinado, para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse públi-
co, prevista no art. 37, IX, da Constituição, submete-se ao regime
jurídico-administrativo, e não à Consolidação das Leis do Trabalho.

158
Maio

2. O direito a décimo terceiro salário e a férias remuneradas, acres-


cidas do terço constitucional, não decorre automaticamente da
contratação temporária, demandando previsão legal ou contratual
expressa a respeito. 3. No caso concreto, o vínculo do servidor
temporário perdurou de 10 de dezembro de 2003 a 23 de março
de 2009. 4. Trata-se de notório desvirtuamento da finalidade da
contratação temporária, que tem por consequência o reconheci-
mento do direito ao 13º salário e às férias remuneradas, acrescidas
do terço. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tese
de repercussão geral: “Servidores temporários não fazem jus a
décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço
constitucional, salvo (I) expressa previsão legal e/ou contratual
em sentido contrário, ou (II) comprovado desvirtuamento da
contratação temporária pela Administração Pública, em razão
de sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogações”, ainda
que celetistas. (RE 1066677, Relator(a): Marco Aurélio, Relator(a)
p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em
22/05/2020, DJe 01-07-2020)
} 22/05/2020 – A revista visual de pertences do empregado, sem con-
tato físico e realizada de forma indiscriminada em relação a todos
os empregados, não acarreta dano moral, pois se trata de situação
em que o empregador age dentro dos limites do seu poder diretivo,
no regular exercício da proteção e defesa do seu patrimônio. (RR-
1391-58.2014.5.05.0026, 8ª Turma, Relatora Ministra Maria Cristina
Irigoyen Peduzzi, DEJT 22/05/2020).
} 22/05/2020 – Validade da exigência do depósito recursal como
pressuposto de admissibilidade do recurso extraordinário na
Justiça do Trabalho. Surge incompatível com a Constituição Federal
exigência de depósito prévio como condição de admissibilidade do
recurso extraordinário, no que não recepcionada a previsão constan-
te do § 1º do artigo 899 da CLT, sendo inconstitucional a contida na
cabeça do artigo 40 da Lei nº 8.177 e, por arrastamento, no inciso II
da Instrução Normativa nº 3/1993 do Tribunal Superior do Trabalho.
(RE 607447, Relator(a): Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em
22/05/2020, DJe 03-06-2020)

159
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 22/05/2020 – Não há preclusão quando a parte, apesar de formular


protesto em audiência pelo deferimento da oitiva de testemunhas,
apresenta razões finais sem renová-lo. O comando do art. 795 da
CLT é o de que a parte deve arguir a nulidade na primeira vez em que
tiver de falar, em audiência ou nos autos. Não há determinação para
que, após insurgir-se em momento oportuno, a parte ratifique seu
ato posteriormente. (RR-1000222-04.2016.5.02.0003, 5ª Turma,
Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 22/05/2020).
} Justiça do Trabalho não pode estabelecer prazo para comprovação
de descumprimento de tutela inibitória. A ação civil pública, disci-
plinada pela Lei nº 7.347/1985, prevê a responsabilidade patrimonial
pelos danos morais e materiais causados aos interesses difusos
ou coletivos da sociedade. Uma das principais inovações trazidas
pelo referido diploma foi a possibilidade de que a parte, legitimada pelo
artigo 5º, propusesse ao Poder Judiciário que o decreto jurisdicional
por ela perseguido assumisse uma natureza dúplice, abraçando,
além da condenação em pecúnia, a obrigação de fazer ou de não
fazer, conforme a disciplina de seu artigo 3º. Observa-se, pois, que,
mesmo antes da reforma que culminou na mais recente redação
do artigo 461 do CPC de 1973 (atual 497 do CPC) e da vigência do
artigo 84 do CDC, a LACP já prestigiava a tutela específica como a
espécie de satisfação estatal mais importante tanto para a efetividade
do provimento obrigacional quanto para a compensação do ilícito
já efetivado ou para cessação daquele ato ofensivo ainda em curso.
Nessa linha, o artigo 11 da lei conferiu ao magistrado a prerrogativa
de lançar mão, até mesmo ex officio, de execução específica ou de
cominação de multa diária, como forma de ampliar a força coerci-
tiva do mandamento reparatório ou inibitório por ele proferido, o
que restou ratificado pelo comando inserto no artigo 536, §1º, do
atual CPC. De fato, a par da espécie de tutela específica que se busca
atingir (obrigação de dar, pagar, fazer ou não fazer), a efetividade
e autoridade da decisão que a concede depende da utilização de
instrumentos coativos efetivos e eficazes que obriguem o réu ao seu
cumprimento. No caso dos autos, o Ministério Público do Trabalho

160
Maio

requereu, além da condenação da ré ao pagamento de indenização


por dano moral coletivo, a imposição de diversas obrigações de fazer
e de não fazer, relativas à estrita observância das normas legais que
regulam a jornada de trabalho, assim como a fixação de astreintes
pelo seu eventual descumprimento. A constatação de que realmente
havia irregularidades relacionadas ao registro da jornada de trabalho,
ao limite de exigência de prestação de horas extras e à concessão
de períodos de descanso, forneceu subsídios para que o magistrado
de primeira instância acolhesse as pretensões relacionadas à tutela
inibitória. Todavia, inovou o juízo primevo, ao determinar prazo de
cinco anos para que o Parquet comprove eventual descumprimento
do decreto inibitório, sob pena de que se presuma a conformação da
política da empresa ao resultado da demanda e de que se arquive o
processo. O Tribunal Regional chancelou a decisão, ao fundamento
de que: “a estabilização da demanda é de fundamental importância
para a concretização da prestação jurisdicional e que a perpetua-
ção ilimitada do processo de execução se opõe à própria segurança
jurídica, porquanto obstaria a formação da coisa julgada material
de que trata o art. 502 do NCPC”. Ora, o acórdão não se encontra
coadunado com a finalidade essencial do instituto da tutela inibi-
tória, que é justamente garantir a efetividade da decisão judicial,
nomeadamente em obrigações de caráter sucessivo. Aliás, não há
qualquer dispositivo, seja Lei nº 7.347/1985, seja no CPC, que de-
termine a limitação temporal das penalidades incidentes em caso
de descumprimento do decreto sentencial ou mesmo o superve-
niente arquivamento do feito. Muito pelo contrário, existe previsão
expressa no artigo 537, §4º, da moderna codificação instrumental,
de que a multa permanecerá em vigor enquanto não for cumprida
a decisão, o que, no caso de obrigações que se renovam no tempo,
deve ser entendida como instrumento dissuasório para a reiteração
de condutas antijurídicas. Note-se que a SBDI-1, ao examinar o
E-ED-RR- 747-09.2013.5.24. 0031, da relatoria do ministro Augusto
César Leite de Carvalho, decidiu, de forma unânime, que não cabe
a limitação temporal das astreintes pelos mesmos motivos re-
gistrados no presente julgamento. A 8ª Turma também já decidiu
no mesmo sentido. Por fim, cabe acrescentar, obter dictum, que o

161
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

dever de bem proceder, de agir de acordo com a legislação e com a


boa-fé objetiva não tem prazo de validade, devendo ser uma prática
reiterada e ad aeternum de qualquer pessoa, física ou jurídica, inde-
pendentemente de meios de coerção conferidos pela lei ao Poder
Judiciário. Por todo o exposto, o recurso de revista é provido para
afastar a limitação temporal atribuída à tutela inibitória quanto a
necessidade de comprovação de descumprimento das obrigações
de fazer e de não fazer e a determinação de arquivamento superve-
niente do processo. Recurso de revista conhecido por violação dos
artigos 536, §1º, do CPC e 11 da Lei nº 7.347/1985 e provido. (ARR-
10156-53.2015.5.03.0021, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de
Souza Agra Belmonte, DEJT 15/05/2020).
} 15/05/2020 – A jurisprudência do TST firmou-se no sentido de que
a Associação das Pioneiras Sociais (Rede Sarah) é pessoa jurídica de
direito privado, nos termos da legislação de regência (Lei nº 8.246/91),
que presta serviço social autônomo, contratando empregados
com base na legislação trabalhista, razão pela qual não lhe é apli-
cável a estabilidade prevista no artigo 41 da CRFB/88. (RR-104400-
70.2012.5.16.0003, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos,
DEJT 15/05/2020).
} 16/05/2020 – Publicado o Informativo TST nº 218, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 218


(Período 4 a 15 de maio de 2020)
Não se conhece de recurso interposto com assinatura digital de advogado
sem procuração nos autos, revelando-se inexistente o ato praticado por irre-
gularidade de representação. A concessão do prazo de 5 (cinco) dias para a
parte recorrente sanar o vício (item II da Súmula nº 383 do TST), só é cabível
quando verificada irregularidade no instrumento de procuração ou substabe-
lecimento que já consta nos autos. No caso, o RO interposto pelo impetrante
foi subscrito eletronicamente por advogado que não estava habilitado por
procuração ou substabelecimento no momento da interposição do apelo. TST-
-AIRO-154-58.2019.5.17.0000, SBDI-II, rel. Min. Maria Helena Mallmann, julgado
em 5/5/2020 – Informativo TST nº 218.

162
Maio

Informativo TST nº 218


(Período 4 a 15 de maio de 2020)
A Justiça do Trabalho é incompetente para apreciar controvérsia sobre a natureza
da relação jurídica existente entre Município e servidores públicos, ainda que se
vislumbrem elementos capazes de inferir que os servidores não estariam submeti-
dos ao regime estatutário. Conforme entendimento pacificado pelo STF, compete
à Justiça Comum analisar, preliminarmente, eventual desvirtuamento da relação
jurídica invocada pelo ente público. TST-RO-457-47.2015.5.05.0000, SBDIII, rel.
Min. Luiz José Dezena da Silva, julgado em 12/5/2020 – Informativo TST nº 218.
É cabível indenização por danos morais em caso de isolamento e esvaziamento
das funções do empregado. No caso concreto, a alteração funcional aponta
para evidente retaliação empresarial, já que o Autor era assistente de gerente e,
abruptamente, foi transferido para exercer funções no depósito e, além disso,
foi impedido de participar das reuniões das quais os assistentes de gerente sem-
pre participaram, causando ao Obreiro abalo emocional. Diante da submissão
a situações que atentaram contra a sua dignidade, a sua integridade psíquica
e o seu bem-estar individual - bens imateriais que compõem seu patrimônio
moral protegido pela Constituição-, tem ele, de fato, direito à reparação moral.
TST-RR-986-15.2014.5.06.0181, 3ª Turma, rel. Min. Maurício Godinho Delgado,
julgado em 6/5/2020 – Informativo TST nº 218.
O Auditor Fiscal do Trabalho possui atribuição para declarar a existência de vín-
culo de emprego, sem que isso configure invasão de competência da Justiça do
Trabalho. Contudo, em caso de existência de contrato de prestação de serviços
(terceirização) não tem o AFT competência para vislumbrar a ilicitude da tercei-
rização e lavrar auto de infração por ausência de registro da CTPS pela empresa
contratante, haja vista se tratar de situação na qual os trabalhadores terceirizados,
que prestavam serviços nas dependências da empresa autora, são empregados de
outra empresa, já dispondo de registro na CTPS. TST-RR-247-06.2011.5.02.0263,
4ª Turma, rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 5/5/2020 –
Informativo TST nº 218.
É constitucional a compensação da verba honorária sucumbencial imputada ao
trabalhador beneficiário da justiça gratuita com os créditos obtidos em Juízo, ainda
que em outro processo (art. 791-A, § 4º, da CLT). Os honorários advocatícios su-
cumbenciais imputados ao beneficiário da justiça gratuita devem primeiramente
sejam compensados com créditos obtidos em juízo, ainda que em outro processo,
e, tão somente na hipótese de os ganhos serem insuficientes ou inexistentes, é
que incidirá a condição suspensiva de exigibilidade prevista no art. 791-A, § 4º, da
CLT. TST-RR-20556-23.2018.5.04.0271, 4ª Turma, rel. Min. Ives Gandra Martins
Filho, julgado em 6/5/2020 – Informativo TST nº 218.

163
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 218


(Período 4 a 15 de maio de 2020)
É lícita a gravação de conversa por um dos interlocutores, ainda que sem a ciência
do outro participante. É igualmente lícita a gravação de conversa telefônica feita
por terceiro com a autorização de um dos interlocutores sem o conhecimento do
outro, quando ausente causa legal de sigilo ou de reserva da conversação. IV. Re-
curso de revista de que não se conhece. TST-RR-281-72.2016.5.10.0104, 4ª Turma,
rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado em 6/5/2020 – Informativo TST nº 218.
Cabe agravo de petição para atacar decisão que acolhe a exceção de pré-execu-
tividade, pois a decisão é terminativa. A controvérsia surge quanto ao recurso
viável para impugnar decisão que rejeita ou não conhece da exceção de pré-
-executividade. Na Justiça Comum é pacífico o entendimento de que ocorre a
preclusão da análise da matéria em embargos à execução, quando previamente
examinada em sede de exceção de pré-executividade (Precedentes do STJ). Nos
termos do artigo 897, “a”, da CLT, caberá agravo de petição contra as decisões
do Juiz ou Presidente na fase de execução. Porém, tal preceito não faz nenhuma
distinção quanto à sua natureza, seja interlocutória ou terminativa do feito.
Afastado o óbice da irrecorribilidade imediata, caberia saber se para a inter-
posição do agravo de petição contra a decisão que não conheceu ou rejeitou a
exceção de pré-executividade seria exigível a garantia do juízo. Sobre o tema,
não se pode impor para o conhecimento do agravo de petição a garantia do
juízo, na circunstância em que não acolhida a exceção de pré-executividade. TST-
-ARR19700-68.1986.5.02.0002, 4ª Turma, rel. Min. Guilherme Augusto Caputo
Bastos, julgado em 13/5/2020 – Informativo TST nº 218.
Na relação de emprego doméstico, o filho da contratante que não residia com
a mãe e era apenas o administrator do patrimônio da genitora, não deve ser
responsabilizado solidariamente pelas verbas trabalhistas, na medida em que
não se extrai da exegese do artigo 1º da Lei Complementar nº 150/2015 a con-
figuração de empregador doméstico pelo interesse e dever de assistência dos
filhos aos pais. TST-RR-11036-97.2018.5.03.0099, 5ª Turma, rel. Des. Conv. João
Pedro Silvestrin, julgado em 6/5/2020 – Informativo TST nº 218.

} 22/05/2020 – Fundo imobiliário/Empresa incorporadora dona da


obra é responsável pelas obrigações trabalhistas inadimplidas no
contrato de empreitada pela construtora, nos termos da exceção
prevista na parte final da OJ nº 191 da SBDI-I do TST24 e com a tese

24. OJ nº 191 da SBDI-1 do TST – CONTRATO DE EMPREITADA. DONO DA OBRA DE


CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. Diante da inexistência de previsão legal
específica, o contrato de empreitada de construção civil entre o dono da obra e o

164
Maio

vinculante II fixada no julgamento do IRR-190-53.2015.5.03.009025


(Tema 006). (AIRR-100761-66.2017.5.01.0074, 6ª Turma, Relator
Ministro Lelio Bentes Correa, DEJT 22/05/2020).
} 22/05/2020 – É nula a citação por edital se não há utilização de
outros meios na tentativa de localização da reclamada, tal como
citação por edital. Trata-se de ação rescisória ajuizada pela emprega-
dora que articula a nulidade da citação por edital no processo matriz.
Depreende-se do disposto no art. 841, § 1º, da CLT que a comunica-
ção por edital deve ser realizada nos casos em que o reclamado criar
embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado no endereço
apontado pelo reclamante. No caso concreto, extrai-se dos autos
que, na reclamatória, não houve a intimação do reclamante para
indicar/atualizar o endereço da 2ª reclamada, tampouco se tentou a
citação por Oficial de Justiça ou consulta à ficha cadastral atualizada
da pessoa jurídica reclamada na JUCESP. Ademais, ao tempo do ajui-
zamento da reclamação, embora tenha ocorrido alteração do ende-
reço do estabelecimento comercial da reclamada, essa circunstância
encontrava-se devidamente averbada perante a Junta Comercial.
Foi destacado, ainda, que havia dúvida razoável na nomenclatura
do logradouro empresarial e que o endereço de citação utilizado foi
obtido em pesquisa em sítio da internet, o qual não corresponde ao
atual utilizado pela executada. Por isso, não restou comprovado que
a contratante se encontrava em local incerto e não sabido, tampouco
que a reclamada criou embaraço para o recebimento da notificação
postal. Assim, a decisão que encerra a instrução processual sem que
tenham sido adotados quaisquer outros meios hábeis à obtenção do
correto endereço do polo passivo da demanda por certo que indica
o cerceamento de defesa e a consequente nulidade da sentença do

empreiteiro não enseja responsabilidade solidária ou subsidiária nas obrigações


trabalhistas contraídas pelo empreiteiro, salvo sendo o dono da obra uma empresa
construtora ou incorporadora.
25. “II) A excepcional responsabilidade por obrigações trabalhistas prevista na parte final
da OJ nº 191, por aplicação analógica do artigo 455 da CLT, alcança os casos em que o
dono da obra de construção civil é construtor ou incorporador e, portanto, desenvolve
a mesma atividade econômica do empreiteiro (decidido por unanimidade)”.

165
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

processo subjacente. Logo, deve ser mantida a nulidade do processo,


tal como concluiu a Corte Regional. Precedente específico desta eg.
Subseção-2. (RO-9143-46.2014.5.02.0000, SBDI-2, Relatora Ministra
Maria Helena Mallmann, DEJT 22/05/2020).
} 22/05/2020 – Aluguel a terceiros não afasta impenhorabilidade de
único imóvel da família. Nos termos dos arts. 1º, 3º, e 5º, caput, da
Lei nº 8.009/90, para caracterização do bem de família, e consequente
impenhorabilidade, exige-se apenas que o bem indicado à penhora
seja o único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar
para moradia permanente. Assim, a penhora efetivada sobre o úni-
co imóvel residencial afronta o próprio direito à moradia protegido
constitucionalmente (art. 6º da CR/88). (RR-4500-13.2000.5.03.0031,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 22/05/2020).
} 25/05/2020 – Não há sucessão trabalhista em cartório se houver
solução de continuidade. Sendo certo que a relação de emprego
nos serviços notariais se dá com o titular da serventia, em caso de
sucessão na titularidade do cartório somente se reconhece a sucessão
trabalhista na hipótese da continuidade da prestação de serviços em
favor do novo titular. Com efeito, não caracteriza sucessão trabalhis-
ta quando o empregado do titular anterior não prestou serviços ao
novo titular do cartório. Com efeito, A jurisprudência do Tribunal
sedimentou-se no sentido de que, em se tratando de cartório, a
sucessão de empregadores pressupõe não só a transferência da
unidade econômica de um titular para outro, mas que a prestação
de serviço pelo empregado do primeiro prossiga com o segundo
(RR-1302-50.2015.5.02.0069, 8ª Turma, Relator Ministro Joao Batista
Brito Pereira, DEJT 25/05/2020).
} 29/05/2020 – Ente público não responde pelos créditos trabalhistas
devidos no período em que atua como interventor em hospital.
Estando nesta qualidade, o ente não age em nome próprio e nem na
condição de tomador de serviços. Isso porque a medida extrema da
intervenção objetiva apenas a garantia da continuidade da prestação
dos serviços públicos de saúde, não tendo o condão de retirar a qua-
lidade de empregadora principal da reclamada, que continua com a
propriedade dos seus bens, sem sofrer nenhuma alteração em sua

166
Maio

estrutura jurídica. (RR-127-14.2018.5.23.0107, 2ª Turma, Relatora


Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 29/05/2020).26
} 29/05/2020 – Não se conhece de recurso para o TST se as razões
do recorrente não impugnam os fundamentos da decisão re-
corrida, nos termos em que proferida. Em suas razões recursais, o
recorrente se limitou a renovar os argumentos da inicial, [...] logo,

26. Em sentido contrário: RECURSO DE REVISTA. MUNICÍPIO. INTERVENÇÃO MUNICIPAL


EM HOSPITAL. RESPONSABILIDADE DO INTERVENTOR. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA
CONSTATADA. A intervenção com assunção plena da administração e gestão do hospital
implica responsabilização do Município pelos danos resultantes do inadimplemento
das obrigações trabalhistas, em relação ao período em que perdurou. E tal se deve pelo
fato de, visando à manutenção da prestação do serviço público essencial de saúde,
utilizar-se da força de trabalho da parte autora, assumindo, assim, as obrigações da
empregadora principal. Se o interventor deixa de regularizá-las, desrespeitando o
contrato de trabalho havido com o hospital sob intervenção, a sua responsabilidade
encontra fundamento no art. 37, § 6º, da CRFB/88, que não isenta de responsabili-
dade o ente público perante terceiros. [...] A jurisprudência do TST tem se manifestado
no sentido de que reconhecido o inadimplemento da empregadora pelas obrigações
trabalhistas deve responder subsidiariamente pelos créditos pendentes dos trabalha-
dores que lhe serviram. (RR-1001944-98.2015.5.02.0491, 7ª Turma, Rel. Min. Claudio
Mascarenhas Brandão, DEJT 18/11/2019). Ainda: “A intervenção do Poder Público
em ente privado, com a assunção plena da administração e gestão, mesmo que tem-
porariamente, implica a responsabilização subsidiária do ente público em relação
ao período em que perdurar a intervenção. Verifica-se que, na hipótese dos autos, o
regime de intervenção ocorreu por determinação legal, imputando ao Município
o encargo de interventor na instituição. Assim, o ente público passou a administrar
o hospital, do qual o Reclamante era empregado, e, na condição de gestor, passou
a ser corresponsável pelos atos praticados no período de intervenção. De fato, essa
espécie de intervenção encontra-se prevista na Constituição Federal (art. 5º, XXV),
segundo a qual, no caso de iminente perigo público, a autoridade competente pode-
rá usar de propriedade particular, como se verifica na hipótese sob exame, em que
ocorreu a intervenção do Município no hospital. Todavia, não há dúvidas de que, no
caso concreto, se o Município assumiu a gestão do Hospital, mesmo que temporaria-
mente, evidentemente deverá ser responsabilizado pelas obrigações trabalhistas em
relação ao período em que perdurou a intervenção. Com efeito, nessas circunstâncias,
inadimplindo a real empregadora as obrigações trabalhistas, deve responder subsi-
diariamente o ente público Reclamado pelos créditos pendentes dos trabalhadores
que lhe serviram. Julgados desta Corte. (AIRR-12135-23.2016.5.15.0040, 3ª Turma,
Rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, DEJT 21/06/2019). Há julgados pela presença
de responsabilidade subsidiária nas 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª Turmas do TST, sendo este
o posicionamento majoritário.

167
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

não impugnou os fundamentos da decisão recorrida. Destarte, o


recurso ordinário não merece conhecimento, por ausência de dia-
lética recursal, nos termos da Súmula 422, I, do TST. (RO-1003475-
72.2017.5.02.0000, SBDI-2, Relator Ministro Evandro Pereira Valadão
Lopes, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Enseja danos morais in re ipsa a reversão em juízo da
dispensa por justa causa fundada em suposto ato de improbidade
não comprovado. A jurisprudência do TST é no sentido de que a rever-
são da rescisão por justa causa em juízo, por si só, não enseja o dever
de reparação por danos morais. No entanto, a reversão de justa causa
fundada em ato de improbidade não comprovado, constitui exercício
manifestamente excessivo do direito potestativo do empregador, con-
forme previsão do art. 187 do Código Civil, configurando ato ilícito aten-
tatório à honra e à imagem do empregado, enseja dever de reparação
por dano moral in re ipsa. (ARR-1577-26.2014.5.17.0001, 2ª Turma,
Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – 7ª turma reafirma jurisprudência do Tribunal Pleno pela
qual “o tempo gasto no percurso entre a boca da mina e a frente da
lavra não pode ser computado na jornada de trabalho dos mineiros
para efeito de concessão de intervalo intrajornada, como previsto no
art. 71, caput, da CLT, pois os arts. 293 e 294 da CLT são absolutamente
claros ao dispor que a jornada não ultrapassa as 6 (seis) horas diárias
e que o tempo de percurso será computado apenas para efeito de pa-
gamento de salário, com regra própria e específica quanto ao intervalo
intrajornada (CLT, art. 298)”. (RR-10198-85.2014.5.05.0311, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Colusão das partes com intuito de fraudar a lei e pre-
judicar terceiros conduz à desconstituição de decisão homologatória
de acordo. Colusão é sinônimo de simulação e significa ato falso pro-
movido por duas ou mais pessoas com o intuito de enganar terceiro
ou de transgredir a lei. Assim, nos termos do artigo 485, III, do CPC de
1973, havendo colusão entre as partes, com o intuito de prejudicar
terceiro, ou fraudar a lei, deve ser desconstruída a decisão transitada
em julgado, eis que formada com base em uma atuação simulada das
partes, em uma falsa lide. No caso, vislumbram-se fortes indícios da

168
Maio

existência de colusão entre as partes do feito matriz, que simularam


uma transação judicial, com a finalidade de fraudar a lei. Desse modo,
os fortes indícios de colusão, no feito matriz, são: reclamação traba-
lhista, com múltiplos pedidos, e frágil prova documental, requerendo
valores de alta monta (R$ 631.140,41); ausência de defesa por parte
da reclamada e acordo firmado em audiência, em vultuoso valor
(R$ 500.000,00); descumprimento do acordo já na segunda parcela
(de um total de 40), com incidência de multa de 50%; petição da
reclamante informando o descumprimento do acordo, e, de ime-
diato, já indicando bem imóvel da reclamada à penhora, o qual foi,
posteriormente, adjudicado pela exequente; patrono da reclamante
indicado por contador da reclamada; dívida tributária da reclamada,
de elevadíssimo valor (R$ 27.666.338,59), anterior ao ajuizamento
do feito matriz. Assim, vislumbram-se fortes indícios de prática de ato
ardiloso na propositura da reclamação trabalhista com a finalidade
de fraudar a lei e prejudicar terceiro, pelo que deve ser mantida a
v. decisão recorrida que acolheu o pedido rescisório pautado no in-
ciso III do artigo 485 do CPC de 1973. (RO-14278-18.2010.5.15.0000,
SBDI-2, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – O art. 37, XIII, da CRFB/88 veda a vinculação ou equi-
paração de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de
remuneração de pessoal do serviço público. A isonomia pretendida
acaba por burlar a norma constitucional, permitindo que empre-
gado regido pela CLT tenha garantida a mesma remuneração dos
servidores estatutários. Nessa esteira, a jurisprudência do TST, nos
termos do referido dispositivo constitucional, veda a isonomia sa-
larial entre trabalhadores vinculados a regimes jurídicos diversos
(celetista e estatutário). Dessa forma, não há falar em aplicabilidade
da OJ nº 383 da SBDI-1 ao caso concreto, a qual se refere à hipótese
de equiparação entre empregados de prestador e de tomador de
serviços, ambos regidos pelo mesmo regime jurídico. Precedentes.
(RR-531-96.2016.5.11.0001, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Omissão de lesão anterior não configura dolo da
parte vencedora se tal omissão não tem relação de causa e efeito

169
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

entre o dolo processual e a condenação. Cuida-se de pretensão


rescisória calcada em dolo da parte vencedora em detrimento da
parte vencida ao argumento de que o reclamante, ora réu, teria
distorcido os fatos relacionados ao acidente de trabalho, quando da
anamnese realizada pela perita do juízo, induzindo o julgador a erro.
2. Na forma do art. 485, III, do CPC de 1973, o dolo processual hábil
à desconstituição da coisa julgada é o ardil que influencia o juízo de
modo determinante, constatando-se, em juízo rescindente, que o
pronunciamento jurisdicional teria sido diferente se não houvesse
a conduta reprovável do vencedor. 3. No caso concreto, consta do
acórdão rescindendo que o Autor, na anamnese realizada na prova
pericial, informou queda nos dias 1/3/2010 e 27/4/2010, quando
teria fraturado o 4º metacarpo da mão e do punho direitos, sendo
submetido a cirurgia. Todavia, em inspeção junto ao Hospital Brasília,
a perita constatou que o reclamante foi atendido em data anterior
(26/2/2010), em razão de lesão também na mão direita. Entendeu
o Colegiado que o reclamante incidiu em litigância de má fé, ao omi-
tir na entrevista com a perita a ocorrência de uma queda anterior
(fevereiro), sem qualquer nexo com a prestação de serviços e que
ocasionou lesão na mesma mão que teria sido fraturada quando dos
acidentes de trabalho relatados na petição inicial, o que dificultou a
apuração dos fatos na prova pericial. 4. A despeito da litigância de má
fé e da lesão anterior, constatou o Colegiado que a prova documental,
pericial e oral efetivamente demonstrou a ocorrência de contusão
diagnosticada no dia 27/4/2010, em consequência de queda da pró-
pria altura, quando o reclamante desempenhava suas atividades em
prol da reclamada, com recomendação de afastamento do trabalho
por 20 dias. Concluiu-se, então, que o reclamante fazia jus à garan-
tia de emprego provisória prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91.
5. Neste contexto, não resta configurado o dolo da parte vencedora
em detrimento da parte vencida, hábil à desconstituição da coisa
julgada, na forma do art. 485, III, do CPC de 1973, pois a prática foi
constatada na própria reclamação trabalhista, tanto que condena-
do o reclamante ao pagamento de multa por litigância de má fé. A
conduta processual reprovável não afastou, na ótica do Colegiado
prolator do acórdão rescindendo, a configuração do direito material

170
Maio

amplamente demonstrado no acervo probatório da reclamação


trabalhista. Pretensão rescisória improcedente. ART. 485, V, DO CPC
DE 1973. JULGAMENTO EXTRA PETITA NO ACÓRDÃO RESCINDEN-
DO. AMPLA DEVOLUTIVIDADE DO RECURSO ADESIVO INTERPOSTO
PELO RÉU. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 128, 460, 514, II, E 515 DO CPC
DE 1973. NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. Pretensão rescisória calcada em
violação dos arts. 128, 460, 514, II, e 515 do CPC de 1973, ao argu-
mento de que no recurso adesivo do reclamante, ora réu, teria sido
renovada unicamente a causa de pedir relacionada com o primeiro
acidente- que teria ocorrido em 1/3/2010- e não quanto ao segundo-
ocorrido em 27/4/2011. Assim, o Tribunal, ao reconhecer o acidente
de trabalho como ocorrido no dia 27/4/2010, teria extrapolado os
limites do pedido recursal. 2. Reexaminando as razões apresentadas
no recurso adesivo interposto pelo reclamante, ora Réu, verifica-se
a renovação expressa da alegação de ocorrência dos dois acidentes
de trabalho mencionados na petição inicial, tanto aquele que teria
ocorrido em março, quanto o segundo, ocorrido em abril de 2010, o
que afasta a arguição de julgamento extra petita no acórdão rescin-
dendo. 3. Ausentes as violações dos artigos 128, 460, 514, II, e 515 do
CPC de 1973. Pretensão rescisória improcedente. ARTIGO 485, IX,
DO CPC DE 1973. ERRO DE FATO NÃO CARACTERIZADO. EXISTÊNCIA
DE PRONUNCIAMENTO JURISDICIONAL. 1. Segundo a definição legal,
há erro de fato quando o juiz considerar existente fato inexistente ou
inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo relevante, em qual-
quer caso, que não tenha havido controvérsia ou pronunciamento
judicial a respeito (CPC de 1973, artigo 485, IX, §§ 1º e 2º). Nesses
termos, o erro de fato apto a autorizar o corte rescisório não cor-
responde a simples equívoco no julgamento, mas a uma autêntica
falha de percepção do juiz sobre ponto decisivo da controvérsia.
2. No entanto, constatado que o fato em torno do qual supostamente
houve erro foi objeto de pronunciamento judicial no processo origi-
nário, é inviável o corte rescisório postulado. Vale lembrar, ademais,
que não se pode admitir que, sob o pretexto de que há erro de fato
no julgado, se reexamine a prova produzida no feito matriz, a fim de
obter conclusão favorável à Autora, com amparo na parte da prova
que ela entende ser-lhe favorável. Afinal, não cabe ação rescisória

171
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

fundada em erro de fato para melhor exame da prova produzida nos


autos da ação originária. (RO-445-29.2014.5.10.0000, SBDI-2, Relator
Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Empregado bancário não faz jus a comissões pela
venda de cartão de crédito, seguros, capitalização e planos de pre-
vidência, ante a ausência de previsão contratual. É entendimento
pacífico no TST que o exercício de atividades diversas, compatíveis
com a condição pessoal do trabalhador, não enseja o pagamento de
acréscimo salarial por acúmulo de função, pois o salário já remune-
ra todas as tarefas desempenhadas dentro da jornada de trabalho.
Ausente acordo entre as partes, as atividades desempenhadas pelo
empregado bancário na venda de produtos são compatíveis com o
cargo e, portanto, é descabido o pagamento de acréscimo salarial
pelo acúmulo de funções. A teor do art. 456, parágrafo único, da
CLT, “à falta de prova ou inexistindo cláusula expressa a tal respeito,
entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer serviço
compatível com a sua condição pessoal”. Não se pondo sob foco alte-
ração ilícita do contrato de trabalho (CLT, art. 468), descabe cogitar-
-se de acréscimo remuneratório ao trabalhador que realiza outras
incumbências que não extrapolam a órbita da sua condição pessoal.
(RR-1497-84.2015.5.11.0004, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz
Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 29/05/2020).27
} 29/05/2020 – Novo ato altera regras sobre seguro garantia judicial.
A alteração ocorreu devido ao entendimento do CNJ sobre a ma-
téria. A presidente do TST e do CSJT e o corregedor-geral da Justiça
do Trabalho assinaram o Ato Conjunto TST.CSJT.CGJT 1/2020, que
trata do uso do seguro garantia judicial em substituição ao depósito
recursal e para garantia de execução trabalhista. O novo ato altera as
regras anteriores (Ato Conjunto TST.CSJT.CGJT 1/2019) do TST sobre a

27. No mesmo sentido: O TST firmou o entendimento de que as atividades desempenha-


das pelo empregado bancário na venda de produtos de outras empresas do grupo
econômico do reclamado, tais como seguro, capitalização, previdência etc. é com-
patível com o rol de atribuições do bancário e não caracteriza acúmulo de funções.
(RR-1147-59.2016.5.11.0005, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT
06/03/2020).

172
Maio

matéria, em razão de entendimento firmado pelo Conselho Nacional


de Justiça – CNJ. A partir da Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017),
apólices de seguro e de cartas de fiança bancária passaram a ser acei-
tas em substituição ao depósito recursal e para garantia de execução
trabalhista.
} 29/05/2020 – Correios não precisam instaurar processo adminis-
trativo ou abertura de prévio contraditório antes da despedida. O
STF, ao julgar os embargos de declaração opostos contra a decisão
proferida no RE 589.998/PI, fixou a seguinte tese jurídica: “a Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT tem o dever jurídico de motivar,
em ato formal, a demissão de seus empregados”. Todavia, o Pretó-
rio Excelso ressalvou que a obrigação da referida empresa pública
não ultrapassa a mera descrição, por escrito e em procedimento
simplificado, dos critérios de conveniência e de oportunidade que
fundamentam o desligamento. De fato, restou expressamente decli-
nado no acórdão dos declaratórios que “a fim de conciliar a natureza
privada dos vínculos trabalhistas com o regime essencialmente público
reconhecido à ECT, não é possível impor-lhe nada além da exposição,
por escrito, dos motivos ensejadores da dispensa por justa causa. Não
se pode exigir, em especial, instauração de processo administrativo ou
abertura de prévio contraditório”. Na hipótese específica dos autos,
o que se depreende da decisão recorrida é que o reclamante foi dis-
pensado ao final do contrato de experiência, em razão de inaptidão
constatada e justificada segundo os critérios constantes de relatório
produzido pela gestora de recursos humanos. Entende-se, portanto,
que a ECT motivou o ato de dispensa, preenchendo o requisito cons-
tante tanto na tese fixada pelo STF em repercussão geral quanto no
item II da OJ da SBDI-1 nº 247 do TST. Precedentes desta Corte, inclu-
sive desta 3ª Turma, envolvendo situações análogas. Recurso de revista
conhecido por contrariedade (má aplicação) ao item II da OJ da SBDI-1
nº 247 do TST e provido. (RR-199500-46.2009.5.20.0003, 3ª Turma,
Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Cobrança de metas por quadro de avisos com foto e
nome do empregado gera indenização. Apesar de o Tribunal Regio-
nal consignar que a existência de cobrança de metas com a utilização

173
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de quadro de avisos não configura lesão ao patrimônio imaterial do


trabalhador, bem como que o autor não foi surpreendido no exercício
de suas funções com situações criadas pela ré ou que não fossem
previsíveis no seu tipo de trabalho, a prova produzida nos autos e elen-
cada no acórdão a quo deixa claro que havia quadro com exposição
das metas, que o reclamante já foi exposto no quadro de metas e que
no quadro de avisos constava a foto e depois o nome. Entendo que o
dano moral ficou cabalmente demonstrado em face do tratamento
ofensivo dirigido deliberadamente ao reclamante em razão da exis-
tência de cobrança de metas, com a utilização de quadro de avisos,
com exposição de foto e nome do trabalhador. Assim, comprovado
o evento danoso, surge o dever de reparação. Dessa forma, fixa-se a
condenação em danos morais no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil
reais). (RR-1000972-34.2016.5.02.0026, 2ª Turma, Relatora Ministra
Delaide Miranda Arantes, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Empregado que optou por pagamento parcelado não
receberá férias em dobro. A Lei 13.467/2017 acrescentou o art. 896-A
à CLT, que disciplina o pressuposto intrínseco da transcendência
a partir de quatro vetores taxativos, quais sejam: o econômico, o
político, o social e o jurídico. Conforme posição majoritária desta
Sétima Turma, no caso de recurso de revista interposto pelo empre-
gador, a causa oferecerá transcendência econômica se o valor total
dos temas devolvidos no recurso de revista ultrapassar 1000 (mil)
salários-mínimos, 500 (quinhentos) salários-mínimos e 100 (cem) sa-
lários-mínimos, para empresas de âmbito nacional, estadual ou
municipal, respectivamente. No caso dos empregadores doméstico,
individual ou microempreendedor, ter-se-á como parâmetro o valor
de 40 salários-mínimos, previsto no art. 852-A da CLT (procedimento
sumaríssimo), salvo exceções pontuais. No que se refere ao recurso de
revista interposto pelo empregado objetivando afastar condenação
ou penalidade imposta ao próprio trabalhador, tem-se como pre-
sente a transcendência econômica se ele estiver desempregado ou
for beneficiário da justiça gratuita. Por fim, em relação ao recurso de
revista interposto pela parte obreira objetivando a revisão do julgado
quanto aos pedidos indeferidos, o critério objetivo para a aferição da

174
Maio

transcendência consistirá igualmente no valor de 40 salários mínimos


previsto no art. 852-A. No caso concreto, discute-se a repercussão
jurídica do pagamento da remuneração de férias de forma parcela-
da por opção do próprio empregado, em hipótese na qual as férias
eram concedidas na época devida e o terço constitucional de férias,
o abono legal e parte da remuneração de férias eram pagos de for-
ma adiantada (no mês anterior ao gozo das férias). Nesse contexto,
considerando-se que se trata de recurso interposto pelo reclamante
objetivando a revisão do julgado quanto a pedido indeferido (julgado
improcedente), e que o valor dado à causa pelo autor, conforme cons-
ta da petição inicial, foi de R$ 82.795,05, conclui-se que o valor total
do único tema devolvido no recurso ultrapassa 40 salários-mínimos
(40 x R$ 1.045,00- valor do salário-mínimo em 2020 = R$ 41.800,00).
Emerge, daí, a transcendência econômica da matéria. De acordo com
o entendimento sedimentado na Súmula 450 desta Corte Superior,
“é devido o pagamento em dobro da remuneração de férias, incluído
o terço constitucional, com base no art. 137 da CLT, quando, ainda
que gozadas na época própria, o empregador tenha descumprido o
prazo previsto no art. 145 do mesmo diploma legal”. No caso verten-
te, todavia, existe uma peculiaridade fática, uma distinção, que não
autoriza a aplicação da orientação da consagrada na referida súmula,
qual seja, a opção do empregado pelo pagamento parcelado da
remuneração de férias, não se tratando, pois, de opção do empre-
gador. No particular, o Tribunal Regional constatou que a reclamada
paga o terço constitucional e o abono legal no mês anterior ao gozo
de férias, além de antecipar parte da remuneração do período a ser
usufruído. Consignou, ainda, que o parcelamento da quitação do
título decorre da opção feita pelos próprios empregados, a quem
é dada a referida opção, a ser feita de forma livre por cada um deles.
No caso, ainda, o reclamante gozou de suas férias nas épocas próprias.
Em suma, constou expressamente da decisão do TRT a tese de que foi
“exercida pelo empregado a opção pelo parcelamento do pagamento
de férias”. Em casos como o presente, esta c. Corte Superior entende
que o pagamento parcelado da remuneração das férias, quando
ocorria por opção do próprio empregado, e não por imposição da
empresa, não autoriza a aplicação da Súmula nº 450 do TST, que

175
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

trata de hipótese diversa, referente ao pagamento das férias fora


do prazo previsto na norma celetista por iniciativa do empregador.
(RR-49-46.2019.5.21.0008, 7ª Turma, Relator Ministro Evandro Pe-
reira Valadao Lopes, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Decisões do STF não servem de parâmetro para
interposição de embargos à SDI. No caso, por mais relevantes e
persuasivas que sejam as decisões oriundas do STF, para manejo
dos embargos na SDI do TST, as decisões do órgão máximo do Judi-
ciário brasileiro não se prestam a demonstrar a divergência. Não
se conhece do recurso de embargos quando os arestos trazidos à
colação ora apresentam não atendem aos requisitos da Súmula 337,
II, do TST, ora são oriundos de órgão não arrolado do artigo 894, II, da
CLT. (E-ED-RR-211000-59.2007.5.02.0463, SBDI-1, Relator Ministro
Alexandre Luiz Ramos, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – Não havendo substituição da sentença, o pedido de
desconstituição do acórdão do TRT revela-se juridicamente impos-
sível. Pretensão de corte rescisório dirigida contra acórdão do TRT que
apreciou apenas a responsabilidade subsidiária da ora autora. Ação
rescisória em que se invoca dolo processual, prova falsa e erro de fato
em relação à declaração de vínculo empregatício e às parcelas dele
decorrentes. Nos termos da Súmula 192, III, do TST, “sob a égide do
art. 512 do CPC de 1973, é juridicamente impossível o pedido explícito
de desconstituição de sentença quando substituída por acórdão do
Tribunal Regional”. A contrario sensu, não havendo substituição da
sentença, o pedido de desconstituição do acórdão do TRT revela-se
juridicamente impossível, a teor do art. 485, caput, do CPC de 1973,
por não consistir na última decisão de mérito proferida na causa. Essa
é a hipótese destes autos, impondo-se a extinção do processo nos
termos do art. 267, VI e § 3º, do CPC de 1973. Precedentes. Recurso
ordinário conhecido e processo extinto sem resolução de mérito.
(RO-42600-84.2008.5.09.0000, SBDI-2, Relatora Ministra Delaide
Miranda Arantes, DEJT 29/05/2020).
} 29/05/2020 – No recurso de revista o recorrente deve demonstrar
a semelhança entre a decisão recorrida e as decisões paradigmas
trazidas a confronto de teses. Não merece provimento o agravo

176
Maio

que não desconstitui os fundamentos da decisão monocrática, pela


qual foi denegado seguimento ao agravo de instrumento em face da
ausência de preenchimento dos requisitos previstos no artigo 896,
§ 8º, da CLT. Verifica-se, da análise das razões do recurso de revista,
que a parte, de fato, não cuidou em demonstrar a semelhança entre
a decisão recorrida e as decisões paradigmas trazidas a confron-
to de teses, como ordena o art. 896, § 8º, da CLT, de forma que a
exigência processual contida no referido dispositivo, na hipótese,
assim como consignado na decisão agravada, não foi satisfeita.
(Ag-AIRR-1001948-73.2016.5.02.0371, 2ª Turma, Relator Ministro
José Roberto Freire Pimenta, DEJT 29/05/2020).

177
JUNHO

} 1º/06/2020 – O entendimento prevalente nesta Corte é o de que,


em relação aos dissídios individuais típicos, prevalecem os crité-
rios objetivos na fixação da competência territorial, conforme o
artigo 651, caput e § 3º, da CLT, sendo admitido o ajuizamento da
reclamação trabalhista no domicílio do reclamante apenas se esse
coincidir com o local da prestação de serviços, da contratação ou
da arregimentação, ou se a reclamada possuir atuação em âmbito
nacional, condições essas que não constam das premissas fáticas
consignadas no acórdão regional. Diante desse contexto, o ajui-
zamento da reclamatória trabalhista em juízo diverso do local da
contratação ou da prestação de serviços colide com as regras de
fixação de competência trazidas pelo art. 651, caput e § 3º, da CLT.
(RR-554-81.2018.5.19.0055, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria
da Costa, DEJT 01/06/2020).
} 1º/06/2020 – Dispensa em massa sem prévia negociação coletiva
não gera danos morais. Além de a necessidade de prévia negociação
coletiva para a dispensa em massa ser controvertida, especialmente
considerando a reconhecida ausência de norma específica vigente
na época dos fatos, sua falta não implicaria, por si só, dano moral ao
empregado. Haveria necessidade da comprovação dos requisitos
da reparação civil, por força dos artigos 186 e 927 do Código Civil,
o que não ocorreu efetivamente. (ARR-10028-94.2017.5.03.0075,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 01/06/2020).
} 1º/06/2020 – Interpretação conforme ao disposto no art. 114, I, IV e
IX, da Constituição da República, de modo a afastar a competência da
Justiça do Trabalho para processar e julgar ações penais. (ADI 3.684,
rel. min. Gilmar Mendes, j. 11-5-2020, P, DJe de 1º-6-2020).
} 1º/06/2020 – Publicado o Informativo TST nº 219, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

179
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 219


(Período 18 a 29 de maio de 2020)
Em questão de ordem, a SBDI-I assegurou amplamente o direito à sustentação oral
nos casos de juízo de retratação, seja ele positivo ou negativo. Tratava-se de julga-
mento de um recurso de embargos que retornou ao TST para eventual exercício de
juízo de retratação. TST-E-RR-ED-1813-26.2010.5.06.0000, SBDI-I, rel. Min. Alberto
Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 21/5/2020 – Informativo TST nº 219.
Ao formular pedidos com valores líquidos na petição inicial, sem registrar qualquer
ressalva, o autor limita a condenação a esses parâmetros (art. 492 do CPC de 2015).
No caso concreto, extrai-se da petição inicial que o reclamante requereu o pagamento
de horas in itinere no exato valor de R$ 3.803,00, não havendo qualquer menção
de se tratar de mera estimativa ou requerimento de apuração em liquidação, como
havia sido feito em outros pedidos, devendo a condenação se limitar aos valores
indicados na petição inicial. TST-E-ARR10472-61.2015.5.18.0211, SBDI-I, rel. Min.
Walmir Oliveira da Costa, 21/5/2020 – Informativo TST nº 219.
Na hipótese de viagens para participação em cursos de treinamento e capacitação
exigidos pelo empregador e realizados em cidades estranhas ao local da prestação
de serviços, considera-se tempo à sua disposição o período de trânsito aéreo, bem
como aquele expendido no aeroporto aguardando o embarque, limitado este
último a 1 (uma) hora (art. 4º da CLT). Não devem ser computados como tempo
à disposição nenhum dos períodos de deslocamento até o aeroporto, seja ao de
origem, na ida, seja ao de destino, na volta, e nem aquele gasto em trânsito do
aeroporto ao hotel em que ficaria hospedado na cidade de realização dos cursos.
TST-E-RR-770-74.2011.5.03.0106, SBDI-I, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho,
red. p/ acórdão Min. Alexandre Luiz Ramos, 21/5/2020 – Informativo TST nº 219.
Em ação rescisória foi suscitado conflito negativo de competência, com remessa
dos autos ao STF, pois havia sido prolatada sentença de mérito pelo Juízo estadual
em 9/4/2004, antes, portanto, da promulgação da EC 45/2004 (Súmula Vinculante
nº 22 do STF e CC 7.204-1/MG). TST-RO-96700-68.2009.5.12.0000, SBDI-II, rel. Min.
Douglas Alencar Rodrigues, 19/5/2020 – Informativo TST nº 219.
A decisão que, antes de analisar o pedido de benefício de gratuidade de justiça plei-
teado por pessoa jurídica, indefere a petição inicial e extingue a ação rescisória, sem
resolução de mérito, por falta de regularização do depósito prévio, está em desacordo
com o que preceitua o art. 99, § 2º, do CPC. No caso, diante do descumprimento de
determinação que concedia prazo para a regularização do depósito prévio, o julgador
extinguiu a ação sem que houvesse manifestação da parte a respeito da ausência dos
requisitos para a concessão da justiça gratuita e sem a oportunidade para o exercício
do direito de defesa quanto a esse aspecto. TST-RO-315-82.2017.5.19.0000, SBDI-II,
rel. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, 26/5/2020 – Informativo TST nº 219.

180
Junho

Informativo TST nº 219


(Período 18 a 29 de maio de 2020)

A observância da decisão proferida no ARE 791.932-DF, na qual houve menção


à tese firmada nos julgamentos da ADPF 324 e do RE958.252-MG (Tema 725 da
Tabela de Repercussão Geral) - licitude da terceirização de qualquer atividade
da tomadora de serviços-, não impede o reconhecimento de vínculo de emprego
entre o trabalhador terceirizado e essa empresa, quando comprovada a incidência
dos artigos 2º, 3º e 9º da CLT ao caso em apreço. O STF não determinou a aplicação
do artigo 94, inciso II, da Lei nº 9.472/97 independentemente das particularida-
des do caso concreto, para desconsiderar a terceirização desvirtuada e a relação
de emprego estabelecida com a tomadora de serviços, se comprovados esses
aspectos. Assim, mesmo considerando, em princípio, lícita a terceirização das
atividades da concessionária de serviços de telecomunicações, conforme decidiu
a STF, no caso sub judice, há fundamento autônomo e independente que cons-
titui elemento de distinção (distinguishing) para manter o vínculo de emprego.
Desse modo, constata-se que a questão não enseja a aplicação da ratio decidendi
da controvérsia constitucional decidida pelo STF, em caráter vinculante. TST-
-ARR-126700-53.2009.5.06.0021, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta,
julgado em 20/5/2020 – Informativo TST nº 219.

Reconhecida a supressão indevida do plano de saúde a empregado aposentado


por invalidez, presume-se o abalo moral a ensejar direito à indenização por danos
morais. TST-RR-100154-62.2016.5.01.0341, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda
Arantes, julgado em 27/5/2020 – Informativo TST nº 229.

No processo de jurisdição voluntária de homologação judicial de acordo extraju-


dicial (art. 855-B a 855-E da CLT) estando presentes os requisitos de validade do
acordo extrajudicial firmado, mostra-se inviável ao Poder Judiciário a aposição de
ressalvas ou condições que não foram estabelecidas pelos interessados, cabendo-
-lhe, tão somente, decidir pela homologação ou não do termo de transação, me-
diante decisão fundamentada (CR/88, art. 93, IX). TST-RR-596-19.2018.5.06.0015,
5ª Turma, rel. Min. Douglas Alencar Rodrigues, julgado em 20/5/2020 – Informativo
TST nº 219.

Incide prescrição de 5 (cinco) anos na ação de habilitação plúrima em coisa julgada


coletiva. À pretensão executiva de condenação imposta à Fazenda Pública aplica-se
o prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 1º do Decreto 20.910/32. Desse
modo, encontra-se prescrita a ação de habilitação individual (plúrima) em coisa
julgada coletiva proposta em 08/02/2017, porque o trânsito em julgado da ação
coletiva ocorreu 29/05/2007. TST-Ag-RR-9-71.2017.5.02.0070, 5ª Turma, rel. Min.
Breno Medeiros, julgado em 27/5/2020 – Informativo TST nº 219.

181
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 219


(Período 18 a 29 de maio de 2020)
Se o objeto social da cooperativa não conflita com a atividade principal do emprega-
dor, ou seja, se a cooperativa não possui interação ou conflito com os empregadores
ou seus diretores, não há embasamento para o usufruto de benesse da estabilida-
de aos dirigentes de cooperativa de consumo. Não se tratando, portanto, de uma
cooperativa de empregados, não pode gerar a estabilidade para seus diretores.
TST-RR-1721-39.2015.5.17.0009, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão,
julgado em 20/5/2020 – Informativo TST nº 219.
Sobre a cota social de empregados reabilitados ou com deficiência, entende o TST que
é indevida a reintegração, ainda que não tenha havido a contratação de substituto,
se, ao tempo da dispensa, resultou mantido o percentual fixado no dispositivo em
comento. Há, ainda, precedente específico da SBDI-1 quanto à desnecessidade de
contratação para o mesmo cargo/função. Assim, merece reforma a decisão Regional
que determinou a reintegração do autor, mesmo tendo constatado que, à época de
sua dispensa, “o réu observava os percentuais previstos na legislação em relação à
contratação de pessoas portadoras de deficiência ou reabilitadas a nível nacional”.
TST-RR11017-06.2015.5.01.0244, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão,
julgado em 20/5/2020 – Informativo TST nº 219.
O pagamento parcelado da remuneração das férias, quando ocorre por opção do
próprio empregado, e não por imposição da empresa, não autoriza a aplicação da
Súmula nº 450 do TST, que trata de hipótese diversa, referente ao pagamento das
férias fora do prazo previsto na norma celetista por iniciativa do empregador. TST-
-RR49-46.2019.5.21.0008, 7ª Turma, rel. Min. Evandro Pereira Valadão Lopes, julgado
em 20/5/2020 – Informativo TST nº 219.
Na tutela inibitória, o encerramento superveniente das atividades da empresa não
afasta o interesse de agir da parte, ante a natureza do provimento solicitado. TST-
-RR-10115-03.2015.5.03.0178, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão,
julgado em 27/5/2020 – Informativo TST nº 219.

} 05/06/2020 – Permanece o direito às horas de trajeto para con-


tratos firmados anteriormente à Reforma Trabalhista. Debate-se
acerca dos contratos de trabalho firmados antes de 11/11/2017 e que
se encontram em vigor para efeito de aplicação da Lei 13.467/2017.
O Tribunal Regional rejeitou a pretensão da reclamada que visava
limitar o direito à entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017 por en-
tender que a supressão de horas in itinere não alcança os contratos
de trabalho em curso. Decidiu, portanto, que, enquanto houver

182
Junho

fornecimento de transporte pelo empregador, o empregado admi-


tido antes da vigência da referida lei tem direito às horas in itinere,
não havendo que se limitar a condenação até 11/11/2017. São duas
as razões pelas quais deve prevalecer a compreensão- adotada pelo
Regional - de ser inadmissível restringir o direito a horas in itinere
ao período anterior à Lei n. 13.467/2017: a) a lei não pode incidir
sobre relações contratuais em curso, sob pena de violar ato jurídico
perfeito, e salvo quando sobrevém norma mais favorável (ao titular
de direito fundamental) que comporte, por isso, aplicação imediata
(art. 5º, §1º, da Constituição); b) a parcela salarial, porque integra o
núcleo de irredutibilidade na contraprestação pecuniária devida em
razão do trabalho, não pode ter a sua natureza retributiva modificada
por lei, sob pena de violar-se direito adquirido. É de se manter a de-
cisão do Tribunal Regional que consignou a tese de que a supressão
de horas in itinere não alcança os contratos de trabalho em curso.
(AIRR-1102-52.2016.5.22.0101, 6ª Turma, Redator Ministro Augusto
César Leite de Carvalho, DEJT 05/06/2020).
} 05/06/2020 – Constitui erro grosseiro a impugnação de despacho
denegatório de recurso de embargos por meio de agravo de instru-
mento. Nos termos do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa nº 35/2012
do TST e do art. 235, X, RITST, em face de despacho de Presidente de
Turma que não admite recurso de embargos, cabe recurso de agravo.
Na hipótese dos autos, o Agravante interpõe “agravo de instrumento”
para impugnar a decisão proferida pelo Presidente da 6ª Turma que
não admitiu o recurso de embargos. Observe-se que, dessa forma,
o Recorrente incorreu em erro grosseiro, não passível de aplicação
do princípio da fungibilidade recursal, uma vez que inexiste dúvida
razoável acerca do apelo cabível à hipótese. Ressalte-se que o agravo
de instrumento aplica-se às decisões que negam seguimento a recurso
ordinário ou de revista, consoante art. 897, alínea “b”, da CLT. Por outro
lado, inviável a concessão de prazo para saneamento do vício porquan-
to o manejo do recurso cabível é pressuposto recursal que a parte
deve ter ciência, de maneira que se afasta a incidência do art. 932,
parágrafo único, do CPC/2015, consoante dispõe o art. 4º, § 2º, da
IN nº 39/2016. Precedentes. (Ag-E-ED-RR-1080-72.2011.5.04.0811,
SBDI-1, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 05/06/2020).

183
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 05/06/2020 – Bem de família é impenhorável, ainda que de alto


valor (R$ 13.500.000,00). Trata-se de pretensão rescisória dirigida
contra o v. acórdão regional que, adotando a técnica da ponderação
dos princípios constitucionais, manteve a penhora sobre bem de fa-
mília suntuoso, fazendo prevalecer o crédito alimentar do exequente
em detrimento da proteção do bem de família, mas com resguardo
de valor remanescente em hasta pública para a obtenção de outro
imóvel. 2. O direito social à moradia é assegurado pelo art. 6º da CR,
e o art. 1º da Lei 8.009/90 garante a impenhorabilidade do bem de
família, protegendo o núcleo familiar e a sua residência. Muito embora
parte da doutrina entenda que a garantia ao imóvel residencial de
luxo transcende o conceito constitucional de moradia, não há como
fazer prevalecer a satisfação do credor em detrimento da impenho-
rabilidade do bem de família. Isso porque a técnica da ponderação
dos bens se operacionaliza por meio do princípio da proporcionali-
dade e, no caso, retirar a proteção constitucional dada à moradia e
a impenhorabilidade do bem de família pelo fato de ser suntuoso ou
ter alto valor não se afigura razoável. 3. Nem mesmo as exceções ao
direito social à moradia previstas no art. 3º da Lei 8.009/93 fazem re-
ferência a “alto padrão do imóvel residencial”. A jurisprudência desta
Corte Superior e, também, o Superior Tribunal de Justiça asseguram a
condição de bem de família ainda que o imóvel residencial tenha alto
valor. 4. Conclusivo que a manutenção de constrição judicial sobre
bem de família afeta o direito social à moradia garantido constitu-
cionalmente, motivo pelo qual se reforma a decisão recorrida para
reconhecer a viabilidade do corte rescisório pela alegada ofensa ao
art. 6º da CRFB/88. (RO-58-65.2019.5.09.0000, SBDI-2, Relator Mi-
nistro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 05/06/2020)
} 05/06/2020 – O artigo 53, § 1º, V, da Lei nº 9.394/199628, não esta-
beleceu hipótese objetiva de garantia de emprego aos professores
universitários. De acordo com a jurisprudência do TST, o art. 53,
parágrafo único, V, da Lei 9.394/1996 não confere estabilidade ao

28. Art. 53, § 1º, V – “para garantir a autonomia didático-científica das universidades,
caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, dentro dos recursos orça-
mentários disponíveis, sobre: (...) V – contratação e dispensa de professores (...)”

184
Junho

professor universitário celetista, não havendo falar em necessidade


de deliberação do colegiado da instituição para a sua dispensa.
(ARR-4485-69.2013.5.12.0053, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria
Helena Mallmann, DEJT 05/06/2020).
} 05/06/2020 – O mero atraso na entrega do Perfil Profissiográfico
Previdenciário – PPP ou o fornecimento incorreto não enseja in-
denização por danos morais. A jurisprudência do TST entende que o
fornecimento incorreto ou o atraso na entrega do Perfil Profissiográfico
Previdenciário – PPP enseja indenização por danos morais desde que
haja prejuízo ao trabalhador, acarretando a negativa, atraso ou paga-
mento a menos da aposentadoria especial. No caso, extrai-se do acór-
dão regional que não ficou evidenciado efetivo prejuízo ou frustação na
esfera íntima do empregado. (AIRR-2408-64.2013.5.02.0086, 2ª Tur-
ma, Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 05/06/2020).
} 05/06/2020 – Conversão dos embargos de declaração em
agravo não impede a aplicação de multa de 2% sobre o valor
atualizado da causa (art. 1.021, § 4º, do CPC de 2015). (ED-Ag-
-RR-161-83.2014.5.12.0026, 6ª Turma, Relatora Ministra Katia Ma-
galhaes Arruda, DEJT 05/06/2020).
} STJ entende que não incide imposto de renda sobre o valor recebi-
do a título de ajuda compensatória mensal prevista no art. 476- A
da CLT (lay-off). A suspensão do contrato de trabalho regulada
pelo art. 476-A da CLT preconiza que o contrato de trabalho do
empregado, após celebração de acordo ou de convenção coletiva
com o sindicato da categoria, e anuência formal do empregado, fica
suspenso pelo período de duração do curso de requalificação de no
mínimo 2 (dois) e no máximo, 5 (cinco) meses. Nessa modalidade, o
empregado recebe bolsa de qualificação profissional, custeada pelo
FAT- Fundo de Amparo ao Trabalhador, nos termos do art. 2º-A da Lei
n. 7.998/1990, durante o curso de aprimoramento profissional, desde
que a suspensão tenha duração máxima de cinco meses, após o que o
encargo passa a ser de responsabilidade do empregador, conforme o
art. 476-A, § 7º, da CLT. Como o contrato de trabalho é suspenso, ficam
sobrestadas as obrigações principais do empregado e do empregador:
respectivamente, a prestação de serviços e o pagamento de salários.

185
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Além disso, ficam paralisados os efeitos do contrato como contagem


de tempo de serviço para férias e 13º salário proporcionais, depósito
na conta vinculada do FGTS, recolhimento da previdência social e, por
conseguinte, o cômputo do período como tempo de serviço para a
aposentadoria. A empresa empregadora, a seu turno, deve oferecer
cursos de qualificação profissional, arcando com todas as despesas
decorrentes, além de benefícios como vale-refeição, e a denominada
“ajuda compensatória mensal”, com valor definido na convenção ou
acordo coletivo. No caso, a 189 ajuda compensatória corresponde à
diferença devida entre a bolsa recebida para qualificação e o salário
líquido percebido, com evidente redução salarial, até porque a bol-
sa de qualificação não tem natureza de salário, assim como a ajuda
compensatória, que indeniza o trabalhador por dispensar a garantia
da irredutibilidade. O art. 43 do CTN descreve o fato gerador do im-
posto de renda nos seguintes termos: O imposto, de competência
da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como
fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou
da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza,
assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos
no inciso anterior. Como há suspensão do contrato de trabalho, tal
ajuda compensatória não se enquadra no inciso I do art. 43 do CTN.
Além disso, ela não configura proventos, entendidos como acréscimos
patrimoniais descritos no inciso II do mesmo dispositivo. Ademais, se a
ajuda compensatória é calculada com base no salário líquido evidente
que cada substituído receberá menos que efetivamente receberia se
estivesse trabalhando, recebendo o salário bruto. O montante pago
a título de ajuda compensatória, portanto, tem natureza jurídica de
indenização, destinando-se a reconstituir a perda patrimonial do tra-
balhador e os próprios prejuízos advindos da suspensão do contrato
de trabalho, e não um acréscimo patrimonial tido como fato gerador
do imposto, motivo pelo qual não se sujeita à tributação pelo imposto
de renda. (REsp 1.854.404-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda
Turma, por unanimidade, julgado em 02/06/2020, DJe 21/08/2020 –
Informativo STJ nº 678)

186
Junho

} É constitucional o artigo 522 da CLT. A previsão legal de número


máximo de dirigentes sindicais dotados de estabilidade de emprego
(art. 522 da CLT) não esvazia o princípio da liberdade sindical (art. 8º,
caput, CRFB/88). O art. 522 da CLT não exclui ou restringe a liberdade
das entidades sindicais de definir o número de integrantes de sua dire-
toria, considerando suas necessidades. Esse dispositivo legal cumpre
a finalidade de limitar o número de dirigentes sindicais detentores da
garantia provisória no emprego estabelecida no art. 8º, VIII, da CF. A
definição do número de diretores de uma entidade sindical é matéria
abrangida pela liberdade sindical e regulada em estatuto. Entretanto,
a definição do número de dirigentes sindicais com garantia provisó-
ria no emprego não é matéria sujeita ao arbítrio de cada entidade
sindical nem importa na autonomia maior ou menor do sindicato
(Precedentes: RE 446.970 AgR, rel. min. Dias Toffoli, 2ª T; e AI 593.129
AgR, rel. min. Roberto Barroso, 1ª T.) O entendimento de que essa
garantia é conferida a todos os dirigentes sindicais, sem limitação
numérica, subverteria a finalidade do instituto, convertendo-o em
instrumento impeditivo do exercício do direito do empregador de
romper o contrato de trabalho sem justa causa com os consectários
e deveres constitucionais e legais que lhe são impostos pela adoção
desta providência. ADPF 276, rel. min. Cármen Lúcia, DJE de 3-6-2020.
(Informativo STF nº 980, Plenário Virtual)
} É constitucional a contribuição social prevista no art. 1º da LC
nº 110, de 29/06/2001, tendo em vista a persistência do objeto
para a qual foi instituída”. Processo relacionado: RE 878313 – Tema
846. A contribuição foi criada para que a União obtivesse recursos
para o pagamento de correção monetária das contas vinculadas do
FGTS, diante da condenação à observância dos expurgos inflacionários
decorrentes dos Planos Verão e Collor, sem que houvesse perda de
liquidez do fundo. De acordo com a empresa recorrente, o reequilí-
brio das contas foi atestado em 2012 pela Caixa Econômica Federal
(CEF), e os valores arrecadados estariam sendo remetidos ao Tesouro
Nacional. Assim, o quadro atual representaria desvirtuamento do
produto da arrecadação. No seu entendimento, há outras destinações
a serem conferidas à contribuição social, igualmente válidas, “desde

187
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

que estejam diretamente relacionadas aos direitos decorrentes do


FGTS”. O ministro citou como exemplo o Programa Minha Casa Minha
Vida, cujos destinatários são, em sua grande maioria, os mesmos
beneficiários do fundo.
} O nexo técnico epidemiológico previdenciário é constitucional.
O STF decidiu, por maioria, vencido o ministro Marco Aurélio, de-
clarar a constitucionalidade do artigo 21-A da Lei nº 8.213/1991
(acrescentado pela Lei nº 11.430/2006), e do artigo 337, § 3º e
§ 5º ao § 13, do Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo
Decreto nº 3.048/1999, nos termos do Decreto nº 6.042/2007).
Os dispositivos - que estabelecem regras a serem adotadas pela
perícia em caso de acidente do trabalho, instituindo o Nexo Técnico
Epidemiológico Previdenciário (NTEP) – foram impugnados pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio de ação direta
de inconstitucionalidade. A Associação Nacional dos Procuradores
do Trabalho (ANPT), admitida no processo na qualidade de amicus
curiae, defendeu a constitucionalidade dos dispositivos impugnados.
A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia explicou que o NTEP
“faz-se presente quando constatada significância estatística na as-
sociação entre determinado código da Classificação Internacional
de Doenças – CID e determinado código da Classificação Nacional de
Atividade Econômica – CNAE, como disposto no inc. III do art. 3º da
Instrução Normativa INSS/PRES n. 31/2008”. No entanto, a magis-
trada relembrou que, mesmo verificado o nexo epidemiológico, a
presunção da natureza acidentária da incapacidade é relativa, po-
dendo ser afastada pela perícia médica do INSS se demonstrada sua
inexistência, ou por meio de procedimento administrativo iniciado
pela empresa- ou pelo empregador doméstico- com a finalidade de
comprovar o caráter não ocupacional da incapacidade. Carmem Lú-
cia ressaltou que “não há sentido” em se utilizar o § 1º do artigo 201
como parâmetro de controle de constitucionalidade dos dispositivos
impugnados na ação, pois o texto constitucional se refere aos casos
de aposentadoria especial, sem relação com os benefícios previ-
denciários por acidente de trabalho. “Ao estabelecer o Nexo Técnico
Epidemiológico Previdenciário – NTEP como forma de caracterização

188
Junho

da incapacidade do segurado como acidentária, na Lei n. 11.430/2006


não se estabeleceu espécie de aposentadoria especial não prevista
na Constituição, mas sim parâmetro para a concessão dos benefícios
previdenciários por acidentes de trabalho, no exercício de compe-
tência expressa atribuída ao legislador ordinário pelo § 10 do art. 201
da Constituição da República.” A relatora destacou ainda que não há
violação ao inciso XXVIII do artigo 7º nem ao inciso I do artigo 201 da
Constituição da República. “As normas impugnadas, longe de ofendê-
-los, harmonizam-se com esses dispositivos, tornando mais efetiva
a proteção do trabalhador contra acidentes de trabalho prevista na
Constituição.” Segundo dados publicados na Revista de previdência
social, após a instituição NTEP houve um aumento médio de 225%
no total de benefícios previdenciários acidentários concedidos, entre
os anos de 2006 e 2008. “Antes da vigência da Lei n. 11.430/2006,
na ausência da expedição da Comunicação de Acidente de Traba-
lho – CAT pelo empregador, era comum atribuir-se ao segurado, a
parte hipossuficiente da relação trabalhista, a responsabilidade por
demonstrar que a doença que o acometia tinha nexo causal com a
atividade desempenhada. Com o advento da nova legislação, esse
nexo passou a ser presumido quando constatada relevância estatística
no confronto entre a doença e a atividade econômica da empresa”,
concluiu a magistrada. ADI 3932/DF
} 03/06/2020 – STF entende que sempre que for pago ao trabalhador
com vínculo permanente, o adicional de riscos é devido, nos mes-
mos termos, ao trabalhador portuário avulso (RE 597.124, rel. min.
Edson Fachin, j. 3-6-2020, P, DJE de 23-10-2020, Tema 222).
} 04/06/2020 – STF julgou prejudicada a ADI 2.288, na qual se ana-
lisava a constitucionalidade de preceitos da Lei 8.542/1992 que
dispunham sobre a ultratividade das normas coletivas trabalhistas,
com fundamento na superveniência da Lei nº 13.467 de 2017 (Re-
forma Trabalhista), que expressamente veda ultratividade no direito
do trabalho brasileiro. Segundo consta da ementa do julgamento, a
Constituição da República não disciplina a vigência e a eficácia das
convenções e acordos coletivos de trabalho. A conformação desses
institutos é de competência do legislador ordinário, que deverá, à

189
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

luz das demais normas constitucionais, eleger políticas legislativas


capazes de viabilizar a concretização dos direitos dos trabalhadores. O
Tribunal afirmou ainda que a Lei 13.497/2017 alterou o § 3º do art. 614
da CLT e vedou expressamente a ultra-atividade das normas coletivas
no ordenamento jurídico brasileiro. A nova lei, portanto, determinou
um regime jurídico completamente diferente do previsto no § 1º do
art. 1º da Lei 8.542/1992, que estabelecia a ultra-atividade e era o
objeto das ações diretas. Assim, ainda que se declarasse a inconsti-
tucionalidade da lei revogadora, a lei revogada não poderia voltar
a ter vigência, em razão de norma expressa que é taxativa quanto à
impossibilidade da ultra-atividade. (ADI 2.288, rel. min. Cármen Lúcia,
j. 4/6/2020, DJe de 9/9/2020).
} 05/06/2020 – Conselho de fiscalização profissional deve motivar dis-
pensa. Autarquia profissional, submetida aos princípios norteadores
da administração pública, não pode despedir imotivadamente sem
sindicância e inquérito prévio em que assegurados o contraditório e a
ampla defesa. (RO-8903-28.2012.5.02.0000, SBDI-2, Relator Ministro
Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 05/06/2020).
} 10/06/2020 – Despedida sete anos depois de ser reabilitada em
nova função, empregada que teve doença ocupacional não obtém
reintegração. Há 7 anos a reclamante foi reabilitada e readaptada
para a função de assistente operacional, sendo que, no momento de
sua dispensa, encontrava-se apta a executar as atividades laborais
para as quais fora readaptada, conforme laudo pericial, não existindo,
portanto, nenhuma limitação laboral. Assim, não há falar em aplica-
ção do artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 e, consequentemente, não
se cogita da estabilidade provisória de que trata a Súmula nº 378, II,
do TST. (RR-1803-56.2012.5.01.0224, 8ª Turma, Relatora Ministra
Dora Maria da Costa, DEJT 16/06/2020). Embasando-se no laudo
pericial a Turma considerou eficaz a readaptação da reclamante para
o exercício das novas funções por 7 anos no Banco reclamado, sem
sequelas, o que resultou na quebra do nexo causal, não havendo,
assim, falar em doença ocupacional apta a ensejar a reintegração
pretendida pela ora embargante. (ED-RR-1803-56.2012.5.01.0224,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 13/11/2020).

190
Junho

} 12/06/2000 – Faxineira de farmácia não faz jus ao adicional de in-


salubridade em grau máximo. A jurisprudência do TST é no sentido
de que a coleta de lixo urbano não se confunde com a de lixo em
residências ou escritórios, em razão da quantidade do primeiro e da
ausência de previsão do segundo na NR 14 da Portaria nº 3.214/78
do Ministério do Trabalho (Inteligência da Súmula nº 448, II, do
TST29). Equipara-se à limpeza de escritório e, portanto, não enseja o
pagamento de adicional de insalubridade a atividade de higienização
de sanitários com a coleta de lixo em banheiros de estabelecimento
comercial (farmácia), mormente se não há elementos a evidenciar
que se cuida de limpeza em banheiros situados em locais públicos de
grande circulação (RR-20674-36.2014.5.04.0013, 4ª Turma, Relator
Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 12/06/2020).
} 12/06/2020 – O TST tem posição majoritária de que o inadimple-
mento de horas extras consubstancia ato faltoso, bem como
justificativa grave suficiente para configurar a justa causa, por
culpa do empregador, a ensejar arescisão indiretado pacto

29. Súmula nº 448. Atividade Insalubre. Caracterização. PREVISÃO NA NR Nº 15 DA


PORTARIA DO MINISTÉRIO DO TRABALHO Nº 3.214/78. INSTALAÇÕES SANITÁRIAS.
I – Não basta a constatação da insalubridade por meio de laudo pericial para que o
empregado tenha direito ao respectivo adicional, sendo necessária a classificação
da atividade insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho. II – A
higienização de instalações sanitárias de uso público ou coletivo de grande circu-
lação, e a respectiva coleta de lixo, por não se equiparar à limpeza em residências
e escritórios, enseja o pagamento de adicional de insalubridade em grau máximo,
incidindo o disposto no Anexo 14 da NR-15 da Portaria do MTE nº 3.214/78 quanto
à coleta e industrialização de lixo urbano. Sobre o tema, a SBDI-1 do TST já entendeu
coleta de lixo em 50 apartamentos não garante adicional de insalubridade: “norma
ministerial, a questão não é de índole quantitativa, mas qualitativa, pois o que
se deve considerar, para fins de deferimento do adicional de insalubridade, não é o
volume do lixo recolhido, mas a sua natureza e/ou origem. Logo, o lixo produzido
em apartamentos ou casas de condomínio residencial, independentemente do
volume recolhido, é considerado lixo doméstico e, portanto, não se equipara ao lixo
urbano, oriundo de banheiros utilizados por inúmeras e indeterminadas pessoas,
pois não tem o condão de potencializar a exposição do trabalhador a agentes infec-
ciosos, sendo inaplicável o disposto na Súmula nº 448, item II, do TST. Precedentes.”
(E-RR-635-17.2012.5.15.0131, SBDI-1, Rel. Min. Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT
07/06/2019).

191
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

laboral, conforme preleciona o art. 483, “d”, da CLT. (RR-24615-


29.2015.5.24.0004, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz
Ramos, DEJT 12/06/2020).
} Recurso extraordinário. Direito Previdenciário. Benefício previden-
ciário. Fator Previdenciário. Constitucionalidade. Existência de re-
percussão geral. Reafirmação da jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal sobre o tema. Recurso extraordinário provido para cassar o
acórdão recorrido e determinar de que a Corte de origem profira novo
julgamento observando a orientação jurisprudencial emanada do
Plenário do STF. Tese de repercussão geral: É constitucional o fator
previdenciário previsto no art. 29, caput, incisos e parágrafos, da Lei
nº 8.213/91, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 9.876/99. (RE
1221630 RG, Relator(a): Ministro Presidente, Tribunal Pleno, julgado
em 04/06/2020, DJe 19-06-2020)
} Na recuperação judicial, os créditos decorrentes de condenação por
danos morais imposta à recuperanda na Justiça do Trabalho são
classificados como trabalhistas (REsp 1.869.964-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 16/06/2020,
DJe 19/06/2020). O propósito recursal é definir se os créditos decor-
rentes de condenação por danos morais, em razão de intoxicação
alimentar, imposta às recuperandas na Justiça do Trabalho devem
ser classificados como trabalhistas ou quirografários.Verifica-se que
a obrigação da recuperanda em reparar o dano causado ao empre-
gado foi a consequência jurídica aplicada pela Justiça especializada
em razão do reconhecimento da ilicitude do ato por ela praticado,
na condição de empregadora, durante a vigência do contrato de tra-
balho.Convém lembrar que há disposições específicas na legislação
trabalhista que obrigam a empresa empregadora a garantir a segu-
rança e a saúde dos trabalhadores, bem como a fornecer condições
adequadas de higiene e conforto para o desempenho das atividades
laborais.Assim, para a inclusão do empregado no rol dos credores
trabalhistas, não importa que a solução da lide que deu origem ao
montante a que tem direito dependa do enfrentamento de questões
de direito civil, mas sim que o dano tenha ocorrido no desempenho
das atividades laborais, no curso da relação de emprego.Importa

192
Junho

consignar que a própria CLT é expressa - em seu art. 449, § 1º - ao


dispor que “a totalidade dos salários devidos aos empregados e a
totalidade das indenizações a que tiver direito” constituem créditos
com o mesmo privilégio.No particular, destarte, por se tratar de cré-
dito constituído como decorrência direta da inobservância de um
dever sanitário a que estava obrigada a recuperanda na condição de
empregadora, afigura-se correta- diante da indissociabilidade entre
o fato gerador da indenização e a relação trabalhista existente entre
as partes- a classificação conforme o disposto no art. 41, I, da LFRE.
(Informativo STJ nº 676)
} Recurso extraordinário. Processual. Competência. Justiça comum
estadual e Federal. Complementação de aposentadoria. Instituição
por lei. Vínculo decorrente de regime de direito público. Existência
de repercussão geral. Reafirmação da jurisprudência da Corte so-
bre o tema. Recurso extraordinário provido a fim de reconhecer a
competência da Justiça comum estadual para processar e julgar a
ação proposta pela parte ora recorrida. Tese de repercussão geral:
Compete à Justiça comum processar e julgar causas sobre com-
plementação de aposentadoria instituída por lei cujo pagamento
seja, originariamente ou por sucessão, da responsabilidade da
Administração Pública direta ou indireta, por derivar essa res-
ponsabilidade de relação jurídico-administrativa. (RE 1265549
RG, Relator(a): Ministro Presidente, Tribunal Pleno, julgado em
04/06/2020, DJe 19/06/2020)
} Embargos de declaração. Recurso extraordinário. Repercussão
geral reconhecida e reafirmação de jurisprudência pacífica no STF.
Competência. Justiça comum estadual e federal. Complementa-
ção de aposentadoria. Instituição por lei. Vínculo decorrente de
regime de direito público. Modulação dos efeitos do julgamento
para manter, na Justiça do Trabalho, até o trânsito em julgado
e o final execução, todos os processos dessa espécie em que já
houver sido proferida sentença de mérito até a data da publi-
cação do acórdão do julgamento do recurso no Plenário Virtual
da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal (19/6/20).
Embargos acolhidos, com modulação dos efeitos do acórdão

193
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

embargado. 1. A competência para o processamento de ações


em que se busca a complementação de aposentadoria instituída
por lei é da Justiça comum, porque ela é decorrente de relação de
direito público. 2. Modulação dos efeitos da decisão em que se
reconheceu a competência da Justiça do Trabalho para processar
e julgar, até o trânsito em julgado e a correspondente execução,
todas as causas da espécie nas quais houver sido proferida senten-
ça de mérito até a data da publicação do acórdão do julgamento
do recurso no Plenário Virtual da Repercussão Geral do Supremo
Tribunal Federal (19/6/20). Embargos de declaração acolhidos,
com modulação dos efeitos do acórdão embargado. (RE 1265549,
Relator(a): Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em
16/09/2020, DJe 26/11/2020)
} Compete ao juízo da recuperação judicial a execução de créditos
líquidos apurados em outros órgãos judiciais, inclusive a destina-
ção dos depósitos recursais no âmbito do processo do trabalho
(CC 162.769-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, por
unanimidade, julgado em 24/06/2020, DJe 30/06/2020). Cinge-se
a controvérsia em se determinar a competência para decidir acer-
ca da destinação dos depósitos recursais efetuados por empresas
demandadas na Justiça do Trabalho anteriormente ao pedido de
recuperação judicial. Como cediço, o parágrafo 1º do artigo 899
da Consolidação das Leis do Trabalho condiciona a admissão dos
recursos interpostos nas demandas trabalhistas a depósito prévio
da quantia da condenação, até um valor máximo. No âmbito da
Justiça do Trabalho, o depósito é pressuposto de admissibilidade
dos recursos interpostos contra as sentenças em que houver con-
denação em pecúnia, tendo duas finalidades: garantir a execução
e evitar recursos protelatórios. Ressalta-se que, a partir da edição
da Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), o § 4º do artigo 899 da
CLT passou a determinar que “o depósito recursal será feito em
conta vinculada ao juízo e corrigido com os mesmos índices da
poupança”, deixando de ser feito em conta vinculada ao FGTS,
em nome do trabalhador. Assim, uma vez realizado o depósito, os
valores aportados ficam à disposição do Juízo Laboral, sujeitos a

194
Junho

levantamento imediato, por mero despacho, logo após o trânsito


em julgado, em favor da parte vencedora, segundo a previsão do
§ 1º do art. 899 da CLT. Ocorre que, nos casos em que é concedida
a recuperação judicial à empresa reclamada no curso da demanda,
ocorre a novação dos créditos anteriores ao pedido, obrigando o
devedor e todos os credores a ele sujeitos, por expressa disposição
do art. 59 da Lei n. 11.101/2005.O art. 49 da Lei n. 11.101/2005
complementa que “estão sujeitos à recuperação judicial todos os
créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos”.
O crédito buscado na demanda trabalhista em trâmite na data do
pedido se submete, portanto, aos efeitos da recuperação, devendo
ser pago nos termos do plano aprovado, em isonomia de condições
com os demais credores da mesma classe.Tendo em vista sua natu-
reza de garantia e não de pagamento antecipado, fica claro que não
é possível a autorização, pelo Juízo do Trabalho, de levantamento
dos valores depositados por empresa em recuperação judicial, na
forma do § 1º do art. 899.Isso porque a competência da Justiça
do Trabalho se limita à apuração do respectivo crédito, devendo,
após sua liquidação, ser habilitado no Quadro-Geral de Credores,
nos termos do art. 6º, § 2º, da Lei n. 11.101/2005, sendo vedada
a prática de atos que comprometam o patrimônio da empresa em
recuperação. Portanto, é da competência do juízo universal a de-
cisão sobre a satisfação de créditos líquidos apurados em outros
órgãos judiciais, sob pena de prejuízo aos demais credores e à via-
bilidade do plano de recuperação.Anota-se, de outro lado, que a
Lei n. 13.467/2017 recentemente incluiu os §§ 10 e 11 no art. 899
da CLT, que preveem a isenção do depósito prévio às empresas em
recuperação judicial e a possibilidade de sua substituição por fiança
bancária ou seguro garantia judicial. A exigência do depósito recursal
pelas empresas em recuperação judicial foi afastada, justamente,
para se harmonizar à atual legislação, que prioriza a preservação da
fonte produtiva, direcionando seus ativos à manutenção da própria
atividade empresarial. (Informativo STJ nº 675)
} 14/06/2020 – Publicado o Informativo TST nº 220, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

195
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 220


(Período 1º a 12 de junho de 2020)

A greve motivada pelo descumprimento patronal de obrigações contratuais e legais


permite a mitigação da necessidade de cumprimento das formalidades legais para
a sua deflagração, com base na excludente de abusividade prevista no art. 14, pa-
rágrafo único, da Lei nº 7.783/89. Entende a SDC que um descumprimento residual
não enseja a aplicação da “exceção do contrato não cumprido”, sendo necessário
para a configuração dessa excludente um descumprimento grave, seja por sua
natureza, seja pelo acúmulo de inadimplementos. No caso, embora a greve tenha
sido realizada durante a vigência do instrumento normativo heterônomo, os fatos
que ensejaram a paralisação foram bastante relevantes (inadimplemento de direi-
tos fundamentais para viabilizar o curso normal da prestação de trabalho – atraso
no adimplemento dos salários, não pagamento da terceira parcela do 13º salário
de 2018 e ausência no cumprimento de outras obrigações contratuais e legais re-
ferentes a férias, depósitos de FGTS, fornecimento de EPI, vale-transporte), o que
torna legítima a paralisação da categoria profissional, com apoio na excludente
de abusividade de greve prevista no parágrafo único do art. 14 da Lei nº 7.783/89.
Greve não abusiva. TST-RO-1000506-16.2019.5.02.0000, SDC, rel. Min. Maurício
Godinho Delgado, 8/6/2020 – Informativo TST nº 220.

Na terceirização configura-se a responsabilidade subsidiária do ente público


quando evidenciada a culpa in vigilando na fiscalização do contrato. TST-E-
-RR-992-25.2014.5.04.0101, SBDI-1, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho,
4/6/2020 – Informativo TST nº 220.

Não é cabível o manejo de mandado de segurança para impugnar decisão que


determina a suspensão da execução em cumprimento a provimento cautelar
do STF em matéria com repercussão geral (RMNR). Existência de recurso idôneo
para ataque da decisão (agravo de petição) (OJ nº 92 da SBDI-2 do TST). TST-
-RO-21653-61.2019.5.04.0000, SBDI-II, rel. Min. Douglas Alencar Rodrigues,
9/6/2020 – Informativo TST nº 220.

É incabível habeas corpus para discutir interpretação do conteúdo de cláusula


contratual para se extrair a garantia de exercício profissional. No caso, concedeu-se
liminar no âmbito do Regional para que o trabalhador se abstenha de prestar serviços
a empresas concorrentes e, portanto, cumpra o disposto em cláusula de não con-
corrência prevista em aditivo ao contrato de trabalho. Assim, o trabalhador não está
cerceado na sua liberdade de locomoção. TST-HCCiv-1000288-08.2020.5.00.0000,
SBDI-II, rel. Min. Maria Helena Mallmann, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar
Rodrigues, 9/6/2020 – Informativo TST nº 220.

196
Junho

Informativo TST nº 220


(Período 1º a 12 de junho de 2020)

Mesmo no sistema de dupla pegada, para fins do intervalo intrajornada, há uma


única jornada a ser considerada, de modo que atenta contra o art. 71 da CLT o
entendimento que considera devido mais um período de descanso porque a
segunda pegada teria ultrapassado o limite de seis horas contínuas de trabalho.
TST-RR-144000-10.2008.5.01.0245, 1ª Turma, rel. Min. Luiz José Dezena da Silva,
julgado em 10/6/2020 – Informativo TST nº 220.

Cabe ao empregador definir o padrão de vestimenta no meio ambiente laboral, sen-


do lícita a inclusão no uniforme de logomarcas da própria empresa ou de empresas
parceiras e de outros itens de identificação relacionados à atividade desempe-
nhada (CLT, art. 456-A). A existência de logomarca de apoiador ou patrocinador da
empresa no uniforme de seus empregados, se não for ofensiva ou constrangedora
pela natureza do produto divulgado, não pode ser tida como causadora de dano
moral ao trabalhador, já que não viola sua imagem, honra ou respeitabilidade. TST-
-RR-305-75.2015.5.05.0492, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, red. p/ acór-
dão Min. Ives Gandra Martins Filho, julgado em 9/6/2020 – Informativo TST nº 220.

Na esteira da jurisprudência do STF, as empresas prestadoras de serviço público


essencial em regime de monopólio sem fins lucrativos gozam das prerrogativas da
fazenda pública. TST-Ag-RR-1572-32.2017.5.13.0026, 5ª Turma, rel. Min. Breno
Medeiros, julgado em 3/6/2020 – Informativo TST nº 220.

Se a reclamada já estava presa fora do país anteriormente ao envio e recebimento


da citação postal no seu endereço residencial, demonstrado está que de fato não
poderia tê-la recebido, tanto que fora declarada revel. Assim, porque cerceado o
legítimo direito de defesa da reclamada, está configurada a violação do artigo 5º,
LIV, da CR/88. TST-RR-1001366-47.2016.5.02.0024, 8ª Turma, rel. Dora Maria da
Costa, julgado em 10/6/2020 – Informativo TST nº 220.

} 15/06/2020 – Mãe de empregado acidentado pode pedir indeniza-


ção relacionada às lesões dele. A Corte de origem consignou que “a
dor que a mãe da vítima possa experimentar vendo o filho mutilado
no auge da vida merece respeito”, mas não lhe confere legitimidade
ativa para postular qualquer indenização na Justiça do Trabalho”, pois
“não há óbito”. No caso, a mãe do empregado que sofreu acidente
do trabalho, tendo as duas pernas amputadas, não está postulando
direito alheio em nome próprio. Os pedidos formulados por essa
reclamante não dizem respeito aos danos causados ao empregado

197
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

em decorrência do acidente do trabalho por ele sofrido, mas, sim,


ao suposto dano moral por ela experimentado em decorrência das
lesões impostas ao seu filho. Trata-se, pois, de pretensão relaciona-
da a dano reflexo ou em ricochete. Nesse contexto, em que a mãe
do empregado postula direito personalíssimo e autônomo, forçoso
concluir pela sua legitimidade ativa, sendo irrelevante a circunstância
de não se tratar de acidente do trabalho com óbito. (ARR-1000544-
58.2016.5.02.0606, 1ª Turma, Relator Ministro Hugo Carlos Scheuer-
mann, DEJT 15/06/2020).
} 19/06/2020 – Não cabe mandado de segurança contra o acórdão
em agravo de instrumento que nega a gratuidade da justiça para o
reclamante, declarando a deserção do RO. A presente ação manda-
mental visa ao reconhecimento da ilegalidade perpetrada no acórdão
regional por meio do qual o eg. Tribunal Regional negou provimento ao
agravo de instrumento, confirmando a inadmissibilidade do recurso
ordinário considerado deserto. Diante da deserção do recurso ordiná-
rio, a parte interpôs agravo de instrumento e embargos de declaração,
exaurindo os meios disponíveis para a discussão da matéria, à luz da
Súmula nº 218 desta Corte Superior: “É incabível recurso de revista
interposto de acórdão regional prolatado em agravo de instrumento”.
Por outro lado, o mandado de segurança não é sucedâneo recursal
e não pode ser admitido quando a parte esgota todos os recursos
disponibilizados pelo ordenamento jurídico, o que leva à incidência
do entendimento consolidado na Orientação Jurisprudencial nº 99
da SBDI-2/TST, tal como decidiu o eg. Tribunal Regional. Precedentes.
(RO-100540-77.2018.5.01.0000, SBDI-2, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – A jurisprudência do TST é no sentido de que, mesmo
após a edição da Convenção nº 132 da OIT, o empregado dispensado
por justa causa não tem direito às férias proporcionais. (RR-21434-
69.2015.5.04.0006, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos,
DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido
de que o cumprimento de jornada extenuante pela prestação de
horas extras habituais, por si só, não resulta em dano existencial,

198
Junho

sendo imprescindível a demonstração efetiva de prejuízo ao convívio


familiar e social (RR-131171-46.2015.5.13.0009, 4ª Turma, Relator
Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – O § 2º do artigo 134 da CLT30 dispõe que as férias do
empregado maior de 50 anos serão sempre concedidas de uma só
vez. O artigo 137, por sua vez, fixa a penalidade ao empregador do
pagamento em dobro das férias concedidas fora do prazo do arti-
go 134. Assim, observo que deve ser aplicada a penalidade prevista
em tal artigo no caso em análise, já que o empregado não usufruiu as
férias da forma como prescritas em lei. Precedentes. (RR-1000019-
84.2017.5.02.0010, 4ª Turma, Relator Ministro Guilherme Augusto
Caputo Bastos, DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – Segundo a jurisprudência assente na OJ 191 da SBDI-1
do TST, reafirmada pela decisão do IRRR suscitado no RR-190-
53.2015.5.03.009031, não há responsabilidade subsidiária ou solidária

30. Dispositivo revogado pela Reforma Trabalhista de 2017.


31. RR-190-53.2015.5.03.0090, cujo julgamento ocorreu em 11 de maio de 2017, tendo
a SBDI-1 adotado as seguintes teses (Tema Repetitivo nº 006): “RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA. DONA DA OBRA. APLICAÇÃO DA OJ 191 DA SbDI-1 LIMITADA À PESSOA
FÍSICA OU MICRO E PEQUENAS EMPRESAS: I) A exclusão de responsabilidade solidária
ou subsidiária por obrigação trabalhista a que se refere a OJ nº 191 da SDI-1 do TST não
se restringe à pessoa física ou micro e pequenas empresas, compreende igualmente
empresas de médio e grande porte, e entes públicos (decidido por unanimidade); II) A
excepcional responsabilidade por obrigações trabalhistas prevista na parte final da
OJ nº 191, por aplicação analógica do art. 455 da CLT, alcança os casos em que o dono
da obra de construção civil é construtor ou incorporador e, portanto, desenvolve a
mesma atividade econômica do empreiteiro (decidido por unanimidade); III) não é
compatível com a diretriz sufragada na OJ nº 191 da SDI-1 do TST jurisprudência de
Tribunal Regional do Trabalho que amplia a responsabilidade trabalhista do dono da
obra, excepcionando apenas ‘a pessoa física ou micro e pequenas empresas, na forma
da lei, que não exerçam atividade econômica vinculada ao objeto contratado’ (deci-
dido por unanimidade); IV) Exceto ente pública da Administração Direta e Indireta,
se houver inadimplemento das obrigações trabalhistas contraídas por empreiteiro
que contratar, sem idoneidade econômico-financeira, o dono da obra responderá
subsidiariamente por tais obrigações, em face de aplicação analógica do art. 455 da
CLT e culpa in eligendo (decidido por maioria).” Há entendimento sobre a matéria que
conduz à responsabilidade do contratante, também e subsidiariamente, sempre que
evidenciada a sua conduta ilícita não somente na escolha do empreiteiro inidôneo

199
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

do dono da obra, independente do porte da empresa ou de ser o


contratante ente público, em relação às obrigações trabalhistas
contraídas pelo empreiteiro, desde que o contrato celebrado seja
de construção civil; o contratante não seja empresa construtora ou
incorporadora e, exceto a Administração Pública, não firme contrato
com empresa sem idoneidade econômico-financeira. Se o caso não
se enquadra nessas exceções, aplica-se a regra. No caso, tratava-se
de contrato celebrado entre ente público e empresa de construção
para realização de obra certa de construção civil. Logo, a controvérsia
não trata de contrato de terceirização para prestação de serviços, a
ensejar a responsabilidade subsidiária do ente público, nos termos
da Súmula 331 do TST. No caso dos autos, o reclamado atuou como
verdadeiro dono da obra, tendo em vista que os serviços realizados
pelo reclamante estão inseridos no conceito de construção civil,
configurando controvérsia acerca da responsabilidade entre o dono
da obra e o empreiteiro. (RR-1172-66.2014.5.17.0008, 6ª Turma,
Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – A Justiça do Trabalho é competente para processar
e julgar pretensão indenizatória do empregado por retenção e re-
colhimento indevido de imposto de renda. Versando a demanda
sobre matéria relativa ao contrato de trabalho, no caso, o incorreto
recolhimento do imposto de renda procedido pelo órgão gestor de
mão de obra, em nítido prejuízo ao trabalhador, não há como se afas-
tar a competência desta Justiça Especializada. No caso, o portuário
alegou que nunca havia usufruído de férias durante o contrato de
trabalho e o Ogmo efetuava o pagamento das férias não gozadas
de forma indenizada, mas retinha o Imposto de Renda sobre esses
valores, em contrariedade ao Código Tributário Nacional. No TST, o
relator observou que a pretensão não é de devolução dos valores,
mas de indenização compensatória pelo desconto indevido em sua

(culpa in elegendo), conforme entendimento da SBDI-1 no julgamento do tema repe-


titivo nº 6, mas, também, quando negligenciasse a fiscalização do cumprimento, por
este, das obrigações trabalhistas (culpa in vigilando). A jurisprudência trilhou outra
senda, porém, como se revela pela leitura da OJ 191 da SBDI-1 do TST e do julgamento
do tema repetitivo nº 6.

200
Junho

remuneração. Não havia sequer pretensão deduzida contra a União,


sujeito ativo tributário do Imposto de Renda. Logo, tratando-se de
demanda sobre matéria relativa ao contrato de trabalho, em flagrante
prejuízo ao trabalhador, não há como afastar a competência da Justiça
do Trabalho. Se a Justiça do Trabalho é competente para determinar
o recolhimento das contribuições fiscais, também o é para julgar a ir-
regularidade dos descontos efetuados. (RR-1826-51.2017.5.17.0007,
3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – É possível a utilização de seguro-garantia judicial
com prazo de vigência determinado para garantia da execução.
Descabe restringir a aplicação do novel comando trazido pelo art. 899,
§ 11, da CLT, apondo-lhe limites que o legislador não matizou, seja
no processo civil, seja no trabalhista, como o requisito de duração
indeterminada da apólice de seguro requerido pelo TRT, exigência,
ademais, contrária ao que dispõe o art. 760 do CC, que prevê a neces-
sidade, para o contrato de seguro, de cláusula com “o início e o fim
de sua validade”. (RR-10537-56.2016.5.03.0173, 4ª Turma, Relator
Ministro Ives Gandra Martins Filho, DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – O entendimento predominante nesta Corte Superior
quanto à caracterização da provisoriedade deve-se à constatação
de transferências sucessivas e de curta duração, levando-se simul-
taneamente em consideração o tempo de contratação. No caso dos
autos, consta do acórdão recorrido que houve uma única transfe-
rência do reclamante para a Bahia em 01/05/2005, permanecendo
lá por mais de 5 anos, até a resilição contratual em 15/07/2010, o
que configura a transferência definitiva. Precedentes. (AIRR-16-
50.2011.5.04.0383, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena Mall-
mann, DEJT 19/06/2020).
} 19/06/2020 – A indenização por danos materiais e o benefício previ-
denciário não se confundem e possuem naturezas distintas, estando
a cargo de titulares diversos. Não há óbice à sua cumulação. (ARR-
20454-79.2017.5.04.0030, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz
Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 19/06/2020).

201
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 19/06/2020 – Na prestação de serviços simultânea a vários tomado-


res não há óbice à aplicação da responsabilidade subsidiária. Nesse
caso, a responsabilidade de cada tomador de serviços fica limitada ao
período de vigência do contrato firmado com a empresa prestadora.
(RR-1002399-89.2017.5.02.0201, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto
Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 19/06/2020).
} 22/06/2020 – Conforme jurisprudência sedimentada do STF (AI
634719, Rel. Min. Dias Toffoli, 1ª Turma, DJe 09/03/2012) e do
TST, é nula a despedida imotivada do servidor público celetista
da Administração Pública Direta, autárquica ou fundacional, que
deve ser motivada e precedida de procedimento que observe as
garantias de ampla defesa e contraditório, inclusive no período em
que o empregado se encontra em estágio probatório. (RR-467530-
13.1998.5.04.5555, 1ª Turma, Relator Ministro Walmir Oliveira da
Costa, DEJT 22/06/2020).
} 24/06/2020 – É válida norma coletiva que se aplica apenas a uni-
dade específica da empresa. A norma coletiva regulamentou o
funcionamento do banco de horas e previu o pagamento de inde-
nização especial para os trabalhadores de uma unidade específica.
A disposição coletiva em análise não ofende preceito de norma
pública de proteção à saúde, à segurança e à higiene do traba-
lhador. Logo, não há como estender a benesse da indenização ao
reclamante, haja vista que não laborava na unidade beneficiada.
(RR-757-69.2015.5.09.0041, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria
da Costa, DEJT 26/06/2020).
} 24/06/2020 – O debate acerca da penhora de valores existentes
em conta conjunta ostenta nítido caráter infraconstitucional, o que
inviabiliza a aferição de ofensa direta. A alegação de violação ao
art. 7º, inc. X, da Constituição Federal não prospera para preservar
o direito de impenhorabilidade, uma vez que o próprio dispositivo
constitucional remete a proteção do salário, na forma da lei, impondo
desenganadamente a incursão no direito infraconstitucional para
averiguar eventual violação que, no caso, não será direta. (RR-27-
48.2015.5.04.0251, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos,
DEJT 26/06/2020).

202
Junho

} 24/06/2020 – Auxiliar de farmárcia sem contato direto com pacien-


tes ou com material infecto-contagiante não faz jus a adicional de
insalubridade. Logo, não merece reparos acórdão regional que, com
amparo na prova pericial, nega o direito ao adicional de insalubridade
aos empregados que, na função de auxiliares de farmácia, desem-
penhavam atividades administrativas e burocráticas em farmácia
hospitalar, sem contato permanente com pacientes ou com material
infecto-contagiante, não se enquadrando, assim, ao disposto no
Anexo 14 da NR 15 da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho.
(RR-186200-32.2013.5.17.0012, 4ª Turma, Relator Ministro Alexan-
dre Luiz Ramos, DEJT 26/06/2020).
} 25/06/2020 – A 8ª Turma do TST determinou que seja feita nova
instrução processual e citação de parte que, ao tempo da citação por
edital, já estava presa em outro país (Israel), tanto é que, não locali-
zada para citação, foi condenada à revelia. O pedido de nulidade foi
feito pela mãe da parte, que recebeu a citação, mas foi considerada
sem legitimidade para agir em defesa da filha. Segundo a Turma do
TST, a parte teve cerceado o seu direito de defesa por não ter sido
notificada. A notificação postal foi encaminhada ao endereço da dona
da empresa, mas recebida pela mãe, que vive no Brasil. Como a em-
presária já se encontrava detida em Israel, a mãe, mesmo declarada
sem legitimidade para agir em defesa da filha, alegou a nulidade da
sentença que condenou a filha. A mãe sustentou que não teve como
entrar em contato com a filha, a fim de avisá-la do conteúdo da ação
trabalhista, para que ela pudesse se defender. O TRT da 2ª Região
não acolheu o pedido de nulidade ao entendimento de que a mãe não
teria legitimidade para atuar no processo. Segundo a decisão, que
confirma a validade da notificação postal, “por não ter sido recusada
nem devolvida”, o interesse jurídico não se confunde com o mero inte-
resse decorrente de simples solidariedade familiar, “sendo-lhe defeso,
ainda que para arguir a nulidade de citação, pleitear direito alheio em
nome próprio”. Ao analisar o recurso da mãe da parte contra a deci-
são do TRT, a relatora, ministra Dora Maria da Costa, disse que é dever
do julgador zelar pela regularidade da citação, de modo a preservar
a condução íntegra do processo e a prevenir eventual alegação de

203
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

nulidade. A ministra observou que, conforme os autos, a empresária


já estava presa fora do Brasil na data da citação postal, pelo que não
poderia tê-la recebido. Na avaliação da ministra, a empresária teve
seu direito de defesa cerceado, configurando a violação legal. Pela
decisão da 8ª Turma, o processo retornará à Vara de origem para rea-
bertura da instrução processual. (RR-1001366-47.2016.5.02.0024,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 16/06/2020).
} 26/06/2020 – A atividade desenvolvida por motorista que ingressa na
área de risco apenas para acompanhar o abastecimento do veículo
não se encontra definida no artigo 193 da CLT e na NR 16 do Ministério
do Trabalho e Emprego como perigosa, sendo indevido, portanto, o
adicional de periculosidade nessa hipótese. Precedentes da SDI-1 do
TST. (RR-1001240-89.2016.5.02.0252, 8ª Turma, Relatora Ministra
Dora Maria da Costa, DEJT 26/06/2020).
} 26/06/2020 – Art. 1º, da EC nº 45/2004, na parte em que deu nova
redação ao art. 114, §§ 2º e 3º, da CRFB/88. (...) Legitimidade do MPT
para ajuizar Dissídio Coletivo em caso de greve em atividade essencial.
Ofensa aos artigos 5º, XXXV, LV e LXXVIII, e 60, § 4º, IV, da CRFB/88.
Inocorrência. Condição da ação estabelecida pela Constituição. Estí-
mulo às formas alternativas de resolução de conflito. (ADI 3.432, rel.
min. Gilmar Mendes, j. 29-5-2020, P, DJE de 26-6-2020).
} 26/06/2020 – A presunção da validade da notificação não depende
da pessoalidade do ato (art. 841, §1º, da CLT) bastando a entrega da
comunicação processual pelo carteiro no correto endereço da parte
reclamada ou de um de seus sócios. (RO-21113-52.2015.5.04.0000,
SBDI-2, Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 26/06/2020).
} 26/06/2020 – Do contexto delineado no acórdão não é possível
depreender que o Reclamado tenha feito uso ou reproduzido de
forma fraudulenta a obra intelectual do empregado, hábil a lhe
ensejar a indenização mantida pela Corte de origem, amparada no
art. 102, da Lei nº 9.610/98, já que não consta da decisão qualquer
assertiva nesse sentido. Além disso, exsurge do conjunto probatório
que o Autor desenvolveu os programas de computador durante a
vigência do contrato de trabalho, o que leva à conclusão de que ele

204
Junho

assim o fez durante a jornada, no exercício das suas atribuições e


mediante a utilização de equipamentos e recursos do empregador, de
modo que essa atividade foi incorporada ao contrato. Assim, em que
pesem os elementos extraídos da decisão de origem, no sentido de
que a criação de software pelo Reclamante era atividade dissociada
do objeto do seu contrato de trabalho, pelas razões ora expostas, ao
manter a sentença em que se deferiu indenização, o Tribunal Regio-
nal incorreu em violação do art. 102 da Lei nº 9.610/98. IV. Recurso
de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (RR-1634-
18.2012.5.04.0020, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos,
DEJT 26/06/2020).32
} 26/06/2020 – Nos termos dos artigos 7º, inciso XV, CRFB/88 e 1º
da Lei nº 605/1949, o repouso semanal remunerado, preferencial-
mente aos domingos, é direito assegurado a todos os trabalhadores
urbanos e rurais. O artigo 6º, parágrafo único, da Lei 10.101/2000,
que regulamenta a situação dos trabalhadores do comércio (com as
alterações da Lei nº 11.603/2007) estabelece que o repouso semanal
remunerado deve coincidir ao menos uma vez, no período máximo

32. Nos termos do art. 4º da Lei nº 9.609/98, que “dispõe sobre a proteção da propriedade
intelectual de programa de computador”: “Art. 4º Salvo estipulação em contrário,
pertencerão exclusivamente ao empregador, contratante de serviços ou órgão público,
os direitos relativos ao programa de computador, desenvolvido e elaborado durante a
vigência de contrato ou de vínculo estatutário, expressamente destinado à pesquisa
e desenvolvimento, ou em que a atividade do empregado, contratado de serviço
ou servidor seja prevista, ou ainda, que decorra da própria natureza dos encargos
concernentes a esses vínculos. § 1º Ressalvado ajuste em contrário, a compensação
do trabalho ou serviço prestado limitar-se-á à remuneração ou ao salário convencio-
nado. § 2º Pertencerão, com exclusividade, ao empregado, contratado de serviço ou
servidor os direitos concernentes a programa de computador gerado sem relação
com o contrato de trabalho, prestação de serviços ou vínculo estatutário, e sem a
utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais e de negócios,
materiais, instalações ou equipamentos do empregador, da empresa ou entidade com
a qual o empregador mantenha contrato de prestação de serviços ou assemelhados,
do contratante de serviços ou órgão público. § 3º O tratamento previsto neste artigo
será aplicado nos casos em que o programa de computador for desenvolvido por
bolsistas, estagiários e assemelhados”. Já os arts. 88 a 93 da Lei nº 9.279/96, que
“regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial”, trata “da invenção e
do modelo de utilidade realizado por empregado ou prestador de serviço”.

205
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de três semanas, com o domingo, fixando, portanto, critério de reve-


zamento compatível com o texto constitucional. No caso dos autos,
foi respeitada a legislação em vigor, uma vez que é incontroverso que
as trabalhadoras substituídas pelo sindicato trabalham em regime de
escala 2X1, ou seja, a cada dois domingos consecutivos trabalhados,
há concessão do descanso semanal no domingo subsequente. Desse
modo, a recepção constitucional do artigo 386 da CLT33, que prevê
escala quinzenal para a fruição do repouso semanal remunerado aos
domingos para as empregadas mulheres, não impede a aplicação
das normas legais específicas (Lei nº 10.101/2000 com as alterações
da Lei nº 11.603/2007) para as trabalhadoras do setor do comércio.
Precedentes. (RR-554-39.2017.5.12.0014, 2ª Turma, Relator Ministro
Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 26/06/2020).
} 26/06/2020 – A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho é
firme no sentido de que, independentemente do título sob o qual o
profissional foi contratado (professor, instrutor ou técnico), é a rea-
lidade do contrato de trabalho que define a função de magistério e,
por consequência, a inserção na categoria diferenciada de professor,
ou seja, a não observância de exigência formal para o exercício da
profissão de professor, prevista no artigo 317 da CLT, não afasta o
enquadramento. Dessa forma, a não observância de exigência for-
mal para o exercício da profissão de professor, prevista no art. 317
da CLT, não afasta o enquadramento como professor. (RR-2728-
97.2014.5.02.0048, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos,
DEJT 26/06/2020).
} 30/06/2020 – Preconceito racial é motivo para rescisão indireta
do contrato de trabalho. A rescisão indireta caracteriza-se pela fa-
culdade de o empregado considerar extinto o contrato de trabalho,
em face da ocorrência de conduta ilícita e reprovável do emprega-
dor, caracterizada pelo desrespeito a direito individual subjetivo ou
injustificado descumprimento de obrigações legal ou contratual.
O Tribunal Regional, soberano na análise das provas, registrou que o

33. Art. 386. Havendo trabalho aos domingos, será organizada uma escala de revezamento
quinzenal, que favoreça o repouso dominical.

206
Junho

superior hierárquico do autor o chamava por apelidos pejorativos, de


cunho racial. A utilização de expressões racistas, no meio ambiente
de trabalho, é uma prática que deve ser veemente combatida. Ela
humilha, constrange e segrega o trabalhador, atingindo diretamente
sua honra subjetiva. Nesse contexto, diante da gravidade e reiteração
da conduta delineada, é inequívoca a ocorrência de falta grave, ense-
jando, pois, a rescisão indireta do contrato de trabalho, nos moldes
do artigo 483, “e”, da CLT. (RR-458-21.2013.5.12.0028, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 30/06/2020).
} 30/06/2020 – No recurso de revista, a transcrição integral do ca-
pítulo do acórdão, sem a delimitação dos pontos de insurgência
objetos das razões do recurso de revista não atende ao previsto
no artigo 896, § 1º-A, I, da CLT. Em sede de recurso de revista, a
parte deve, obrigatoriamente, transcrever, ou destacar (sublinhar/
negritar), o fragmento da decisão recorrida que revele a resposta
do tribunal de origem sobre a matéria objeto do apelo; ou seja, o
ponto específico da discussão, contendo as principais premissas
fáticas e jurídicas do acórdão regional acerca do tema invocado no
apelo. Na presente situação, a transcrição do capítulo do acórdão,
integralmente, sem a delimitação dos pontos de insurgência objetos
das razões do recurso de revista- mediante o destaque dos trechos
em que foram adotados os argumentos do acórdão regional para
o deslinde da controvérsia -, não atende ao previsto no artigo 896,
§ 1º-A, I, da CLT. Tal procedimento impede, por consequência, a
observância dos demais requisitos contidos nos incisos II e III do
artigo 896, § 1º-A, da CLT: a demonstração analítica (que se faz por
meio da argumentação) entre os dispositivos e verbetes apontados
e o trecho da decisão destacada no apelo. Precedentes da SBDI-1
do TST. (Ag-AIRR-1002159-62.2016.5.02.0322, 7ª Turma, Relator
Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 30/06/2020).
} 30/06/2020 – Bombeiro comunitário de município receberá por horas
de trabalho além do previsto. Em matéria de Direito do Trabalho, a
competência legislativa é atribuída à União, motivo pelo qual não é
possível a edição de lei municipal, salvo se mais benéfica e com os
efeitos equivalentes a regulamento empresarial. Na espécie, sendo

207
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

incontroversa a sujeição do autor ao regime comum de compensa-


ção de horários de 12x36, sem observância do limite semanal de
36 horas de trabalho, mesmo após a edição da Lei nº 11.901/2009,
impõe-se reconhecer o direito às horas extraordinárias laboradas
além da 36ª semanal, independentemente de se tratar de bombeiro
comunitário. (RR-154-57.2016.5.09.0656, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 30/06/2020).
} 30/06/2020 – No recurso de revista, inobservância de pressuposto
de admissibilidade formal torna impossível o exame da transcen-
dência. Consoante entendimento assentado pela Sétima Turma desta
Corte Superior, se o recurso de revista, em relação a determinado
tema, não atende pressuposto intrínseco formal de admissibilidade,
como, por exemplo, as exigências previstas no art. 896, § 1º-A, da CLT,
o exame da transcendência da respectiva matéria resultaria na prática
de ato processual inútil, em afronta aos princípios da celeridade e
da economia processual e ao direito fundamental à duração razoá-
vel do processo. No caso vertente, irretocável a decisão unipessoal
agravada quanto ao não atendimento do pressuposto intrínseco de
admissibilidade previsto no inciso I do § 1º-A do art. 896 da CLT, pois
a parte recorrente limitou-se a transcrever um excerto do acórdão
regional que não abrange a completude da fundamentação adotada.
Desse modo, a indicação do trecho em que repousa o prequestiona-
mento da “matéria controvertida nos autos não foi adequadamente
providenciado, na medida em que, para análise e enfrentamento das
teses recursais, este Órgão julgador necessariamente teria que passar
ao exame dos fundamentos da decisão regional não transcritos pela
recorrente” (Ag-AIRR- 909-75.2013.5.20.0011, Relator Ministro Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, 7ª Turma, DEJT DE 14/8/2017). (Ag-
-AIRR-11137-14.2016.5.03.0097, 7ª Turma, Relator Ministro Evandro
Pereira Valadao Lopes, DEJT 30/06/2020).
} 30/06/2020 – Discussão em torno do reconhecimento do vín-
culo de emprego apresenta transcendência social. (RR-11175-
74.2016.5.15.0070, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas
Brandao, DEJT 30/06/2020).

208
JULHO

} 1º/07/2020 – É inconstitucional lei estadual que estabeleça medidas


sobre meio ambiente do trabalho. É inconstitucional a lei estadual
que estabeleça medidas para evitar a intoxicação dos trabalhadores
por substâncias químicas presentes em tintas e anticorrosivos e
condicione o uso de revestimento e pinturas anticorrosivas à com-
provação de atoxidade à saúde do trabalhador e ao meio ambiente. O
interesse local na preservação da saúde pública não legitima os entes
subnacionais a expedir normas de segurança do trabalho e proteção
da saúde do trabalhador, que pertencem à competência privativa da
União, nos termos do art. 22, I, da Constituição Federal. Diante disso,
foi declarada a inconstitucionalidade da Lei 4.735/2006 do Estado do
Rio de Janeiro. ADI 3.811, rel. min. Gilmar Mendes, DJE de 1º-7-2020.
(Informativo 984, Plenário Virtual)

} 01º/07/2020 – Sendo lícita a terceirização, ainda que em atividade


fim, é inviável a aplicação de direito da categoria da contratante
dos serviços (RR-666-96.2013.5.03.0014, 5ª Turma, Relator Desem-
bargador Convocado Joao Pedro Silvestrin, DEJT 01/07/2020).

} 1º/07/2020 – Publicado o Informativo TST nº 221, cujas principais


decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 221


(Período 15 a 30 de junho de 2020)
Compete ao Tribunal Pleno julgar reclamação que tiver como causa de pedir alegada
inobservância de súmula por ele estabelecida, visto ser o órgão colegiado cuja autori-
dade se pretende garantir (art. 210, § 2º, do RITST). Rcl-1000623-61.2019.5.00.0000,
Tribunal Pleno, rel. Min. Márcio Eurico Vitral Amaro, 29/6/2020 – Informativo TST
nº 221.

209
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 221


(Período 15 a 30 de junho de 2020)

Configura-se a deserção quando o recorrente, apesar de ter feito o recolhimen-


to das custas e do depósito recursal tempestivamente, deixa de comprová-lo
dentro do prazo alusivo ao recurso. Não havendo comprovação do pagamen-
to do depósito recursal no prazo para sua interposição, o recurso mostra-se
deserto (art. 7º da Lei nº 5.584/70 e Súmula nº 245 do TST). TST-E-ED-ED-
-RR-11105-22.2015.5.03.004, SBDI-I, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta,
18/6/2020 – Informativo TST nº 221.

A Justiça do Trabalho é competente para julgar matéria que envolva os efeitos da


readmissão de empregados anistiados, com fundamento nos artigos 471 da CLT e
na Lei nº 8.878/94. TST-E-ED-RR-11421-44.2015.5.01.0022, SBDI-1, rel. Min. Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, 18/6/2020 – Informativo TST nº 221.

A ECT goza dos mesmos privilégios conferidos à Fazenda Pública (art. 12 do


Decreto-lei nº 509/69), regra recepcionada pela Constituição (RE 220.906). Logo,
aplica-se à ECT o parágrafo 5º do art. 37 da CRFB/88 (imprescritibilidade). No caso,
a pretensão da ECT em obter o ressarcimento de quantia relativa à diferença de
caixa não se trata de demanda que tenha por objeto a aplicação da Lei de Impro-
bidade Administrativa, razão por que não há como se entender imprescritível a
referida pretensão. TST-RO-1384-62.2011.5.19.0000, SBDI-2, rel. Min. Luiz José
Dezena da Silva, 16/6/2020 – Informativo TST nº 221.

A decisão que, antes de conceder prazo para regularização do depósito prévio,


indefere a petição inicial e extingue a ação rescisória, sem resolução de mérito,
está em desacordo com o princípio da primazia da resolução do mérito e com o
que preceitua o art. 321 do CPC, o qual é aplicável à ação rescisória em virtude
do parágrafo único do art. 318 do CPC. Na espécie, a despeito de a autora ter
regularizado, espontaneamente, o depósito prévio um dia após o ajuizamento
da ação rescisória, o julgador extinguiu a ação, sem qualquer concessão de prazo
para que o vício fosse sanado. TST-RO-107-24.2016.5.23.0000, SBDI-II, rel. Min.
Luiz José Dezena da Silva, 23/6/2020 – Informativo TST nº 221.

O reclamante não possui legitimidade ativa “ad causam” para, em reclamatória


trabalhista individual, requerer indenização por dano social (dumping social), uma
vez que esta é direcionada à tutela de interesses difusos e coletivos, ultrapassan-
do a esfera pessoal do trabalhador. TST-RR-1883-42.2014.5.03.0176, 1ª Turma,
rel. Min. Walmir Oliveira Costa, julgado em 24/6/2020. Informativo TST nº 221.

210
Julho

Informativo TST nº 221


(Período 15 a 30 de junho de 2020)

O rompimento imotivado do contrato do professor após início das atividades


letivas dificulta a sua recolocação no mercado de trabalho. Despedida que
ultrapassa os limites do poder diretivo, sendo o pagamento de indenização
por danos morais e materiais medida que se impõe, porquanto configurada a
perda de uma chance, consoante o disposto no artigo 927 do Código Civil. TST-
-RR-1789-71.2016.5.10.0001, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta,
julgado em 17/6/2020 – Informativo TST nº 221.

É possível a apresentação de seguro-garantia judicial, em substituição ao depó-


sito recursal, conforme previsão do art. 899, § 11, da CLT, introduzido pela Lei
13.467/17, com cláusula de vigência determinada da apólice. Ademais, o art. 760
do CC prevê a necessidade, para o contrato de seguro, de cláusula com “o início e
o fim de sua validade”. TST-RR10537-56.2016.5.03.0173, 4ª Turma, rel. Min. Ives
Gandra Martins Filho, julgado em 16/6/2020 – Informativo TST nº 221.

O e-mail corporativo ostenta a natureza jurídica de ferramenta de trabalho, daí


porque é permitido ao empregador monitorar e rastrear a atividade do emprega-
do em e-mail corporativo, isto é, checar as mensagens, tanto do ponto de vista for-
mal (quantidade, horários de expedição, destinatários etc.) quanto sob o ângulo
material ou de conteúdo, não se constituindo em prova ilícita a prova assim obtida.
Não viola os arts. 5º, X e XII, da CRFB/88, o acesso e a utilização, pelo empregador,
do conteúdo do “e-mail” corporativo. TST-RR-1347-42.2014.5.12.0059, 4ª Turma,
rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado em 23/6/2020 – Informativo TST nº 221.

Em caso de equipamento desenvolvido pelos empregados (ato inventivo), que


resulta em melhoria funcional traduzida em maior produtividade para empresa,
que já utiliza o referido equipamento os empregados fazem jus à justa remunera-
ção. Se a inovação não resultou da natureza do serviço para o qual os reclamantes
foram contratados, mas de contribuição pessoal destes com o concurso de recur-
sos, dados, meios, matérias, instalações e equipamentos da reclamada, estamos
a tratar da modalidade invenção de empresa, tendo os empregados, portanto,
direito ao recebimento de uma “justa remuneração”, com fundamento no art. 91,
§ 2º, da Lei 9.279/96, porquanto o invento não foi objeto de prévia contratação,
sendo ele extracontratual, e que a empresa obteve vantagem financeira em face
da utilização do invento. TST-Ag-AIRR-495-51.2014.5.17.0003, 5ª Turma, rel. Min.
Breno Medeiros, julgado em 17/6/2020. Informativo TST nº 221.

211
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 221


(Período 15 a 30 de junho de 2020)
É possível reformar decisão anteriormente proferida por Órgão Colegiado com apoio
na Súmula nº 331, I, do TST, pela via dos embargos de declaração opostos, a serem
julgados depois das decisões do STF, nos autos da ADPF nº 324 e do RE nº 958.252, com
repercussão geral e efeitos “erga omnes” e vinculante. Entendeu-se pelo acolhimento
dos embargos de declaração para, por aplicação analógica do art. 1.030, II, do CPC,
não conhecer do recurso de revista da parte reclamante, porquanto a terceirização,
em atividade meio ou fim, é sempre lícita, não comportando o reconhecimento
do vínculo empregatício, subsistindo-se apenas a responsabilidade subsidiária,
nos termos das já citadas decisões do STF. TST-ED-ED-RR-544-68.2014.5.06.0013,
5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado em 17/6/2020 – Informativo TST nº 221.
Não se verifica ofensa ao art. 5º, II, da CR/88, a imputação de obrigação de fazer,
consistente na instalação de sanitários em todas as suas composições ferroviárias,
pois esta decorre dos postulados básicos de proteção a direitos mínimos dos tra-
balhadores, à saúde, à dignidade e valorização do trabalho humano, ínsitos nas
normas dos arts. 1º, e 7º, XXII, da CRFB/88, e 157, I, da CLT, uma vez que a ausência
de sanitários impossibilita o digno exercício da profissão e de um meio ambiente de
trabalho saudável, com condições mínimas de higiene e saúde. De outro lado, não
há dispositivo legal ou convencional que obrigue o empregador à contratação de
auxiliar de maquinista pela adoção do sistema de dupla condução, pois a definição
do sistema de condução a ser adotado está inserido no âmbito do seu poder diretivo
de organizar as atividades econômicas da empresa, conforme estabelece o art. 2º da
CLT, pelo que se verifica a excepcionalíssima hipótese de afronta à norma do art. 5º,
II, da CR/88. TST-RRAg-1776-46.2012.5.03.0021, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros,
julgado em 17/6/2020 – Informativo TST nº 221.
Incide prescrição de 5 (cinco) anos na ação de habilitação plúrima em coisa julgada
coletiva. À pretensão executiva de condenação imposta à Fazenda Pública aplica-se o
prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 1º do Decreto 20.910/32. Desse modo,
encontra-se prescrita a ação de habilitação individual (plúrima) em coisa julgada
coletiva proposta em 08/02/2017, porque o trânsito em julgado da ação coletiva
ocorreu 29/05/2007. TST-Ag-RR-26-10.2017.5.02.0070, 5ª Turma, rel. Min. Breno
Medeiros, julgado em 24/6/2020 – Informativo TST nº 221.
Não é possível a compensação da indenização por danos materiais (art. 950 do CC)
com a pensão paga pelo INSS a título de aposentadoria por invalidez, mesmo que
complementada pela previdência privada, ante a distinção entre a natureza e o
objetivo de tais institutos. TST-ARR-8000-27.2008.5.05.0492, 7ª Turma, rel. Min.
Renato de Lacerda Paiva, julgado em 23/6/2020 – Informativo TST nº 221.

212
Julho

} 02/07/2020 – Lançamento da obra Direito do Trabalho de emer-


gência, pela editora Revista dos Tribunais.

SOUZA JÚNIOR, Antonio Umberto


de; GASPAR, Danilo Gonçalves;
COELHO, Fabiano; MIZIARA,
Raphael. Direito do Trabalho de
Emergência - Impactos da Covid-19
no Direito do Trabalho. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2020.

} 02/07/2020 – Não é cabível habeas corpus para questionar cláusula


de não concorrência. No direito brasileiro, com exceção do período
situado entre 1891 e 1926, quando da consagração da denomina-
da “doutrina brasileira do habeas corpus”, a defesa das liberdades
públicas fundamentais não ligadas à liberdade física de locomoção
(o direito de ir e vir ou permanecer) -- entre as quais a de exercício
de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer (art. 5º, XIII, da CF)-- não se legitima
pela via do habeas corpus, instrumento que compõe a “jurisdição
constitucional das liberdades” e que tem por objeto único e exclusivo
a supressão da ameaça de violência ou coação na liberdade de loco-
moção de qualquer pessoa, por ilegalidade ou abuso de poder (CF,
art. 5º, LXVIII). Nesse contexto, a questão da juridicidade ou mesmo
da constitucionalidade das denominadas cláusulas contratuais tra-
balhistas de não-concorrência-- com as quais se introduzem deveres
de abstenção aos trabalhadores, com compensações econômicas
equivalentes, durante determinados períodos ou circunstâncias, após
extintos os contratos de trabalho-- não pode ser objeto de exame na
ação constitucional de habeas corpus. A defesa da liberdade de exercí-
cio profissional nessas hipóteses, à luz dos parâmetros constitucionais

213
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

e legais, está assegurada amplamente pelas vias ordinárias de acesso


à Justiça (CF, art. 5º, XXXV, da CF), inclusive com a possibilidade de
dedução de tutelas provisórias de urgência de natureza cautelar e/ou
antecipatória (CPC, art. 300 e ss)e, eventualmente, com a possibilidade
de impugnação autônoma às decisões produzidas nesse âmbito es-
pecífico de cognição de urgência (Súmula 414 do TST c/c a OJ 92 da
SBDI-II/TST). No caso dos autos, o debate jurídico acerca da cláusula
de não concorrência está sendo travado nos autos da reclamação
trabalhista proposta pelo Paciente em face de sua ex-empregadora,
sobrevindo a impetração de segurança perante o TRT da 2ª Região,
no qual praticado o ato supostamente coator, que foi inclusive al-
vejado via agravo interno (CPC, art. 1.021). Logo, a questão jurídica
que anima a presente impetração é objeto de discussão regular pe-
rante os juízos naturais competentes (CF, art. 5º, LIII) e sem qualquer
afronta ao devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). A inadequação do
habeas corpus para a defesa do bem jurídico “liberdade ao trabalho”
é manifesta, na linha da jurisprudência pacífica de todos os tribunais
superiores e do STF. Habeas corpus não admitido. Processo extinto
sem resolução do mérito” (HCCiv-1000288-08.2020.5.00.0000, SBDI-
2, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 05/07/2020).
} 09/07/2020 – Corregedor-geral da Justiça do Trabalho afasta liminar
que proibia demissões na rede de churrascarias Fogo de Chão. A
decisão é válida até o julgamento de ações civis públicas que discutem
a dispensa de cerca de 420 empregados em todo o país. Sem emitir
juízo de valor a respeito da matéria discutida nas ações principais, o
corregedor-geral concluiu que o quadro caracteriza situação extrema
e excepcional que justifica a atuação da Corregedoria-Geral, “a fim
de impedir lesão de difícil reparação e assegurar o resultado útil do
processo, até que ocorra o exame da matéria pelo órgão jurisdicional
competente”. Considerando as orientações constantes da Recomen-
dação CSJT.GP 001/2020, que trata da busca de composição relativa
às situações decorrentes da contingência de pandemia, e tendo
em vista os amplos espectros gerados pelos efeitos das medidas a
serem implementadas a nível nacional, o ministro determinou que
a questão seja levada à Vice-Presidência do TST, órgão responsável

214
Julho

pela condução dos procedimentos de mediação e conciliação pré-


-processual de âmbito coletivo nacional. Por se tratar de situação
decorrente da contingência da pandemia da Covid-19, o ministro
encaminhou a questão à Vice-Presidência do Tribunal Superior do
Trabalho, para que se examine a possibilidade de mediação com a
empresa e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Fonte: TST.
} 19/07/2020 – Encerrado o prazo de vigência da Medida Provisória
nº 927 de 22 de março de 2020, que dispunha sobre as medidas
trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública
reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020,
e da emergência de saúde pública de importância internacional de-
corrente do coronavírus (covid-19). Em consequência, foi extinta a
ADI nº 6377, por perda de objeto (rel. Min. Marco Aurélio).
} 29/07/2020 – É inaplicável ao regime de trabalho temporário,
disciplinado pela Lei n.º 6.019/74, a garantia de estabilidade pro-
visória à empregada gestante, prevista no art. 10, II, b, do ADCT.
Tese fixada em Incidente de Assunção de Competência. (IAC-5639-
31.2013.5.12.0051, Tribunal Pleno, Redatora Ministra Maria Cristina
Irigoyen Peduzzi, DEJT 29/07/2020).
} 30/07/2020 – Greve e hipóteses de não descontos dos dias parados.
A regra geral no Direito brasileiro, segundo a jurisprudência dominan-
te, é tratar a duração do movimento paredista como suspensão do
contrato de trabalho (art. 7º, Lei 7.783/89). Isso significa que os dias
parados, em princípio, não são pagos, não se computando para fins
contratuais o mesmo período. Entretanto, caso se trate de greve em
função do não cumprimento de cláusulas contratuais relevantes e
regras legais pela empresa (não pagamento ou atrasos reiterados de
salários, más condições ambientais, com risco à higidez dos obreiros,
etc.), em que se pode falar na aplicação da regra contida na exceção
do contrato não cumprido, a greve deixa de produzir o efeito da mera
suspensão. Do mesmo modo, quando o direito constitucional de greve
é exercido para tentar regulamentar a dispensa massiva. Nesses dois
grandes casos, seria cabível enquadrar-se como mera interrupção o
período de duração do movimento paredista, descabendo o desconto
salarial. Destaque-se que eventual conduta antissindical por parte

215
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

do empregador, que tenha contribuído de maneira decisiva para a


paralisação, poderia afastar o enquadramento dos dias parados como
mera suspensão contratual, passando o lapso temporal paredista
a ser enquadrado como interrupção contratual, com o pagamento
dos dias parados. Verifica-se que o caso dos autos não se amolda à
hipótese de interrupção do contrato de trabalho, mas de suspensão
contratual, não sendo devido, a princípio, o pagamento dos dias
parados. Contudo, esta Seção Especializada em Dissídios Coletivos
construiu, nos últimos anos, uma jurisprudência sólida no sentido de
que é possível se adotar uma solução intermediária quando a greve
perdurou por elevado número de dias-como é o caso dos autos, em
que a greve perdurou por praticamente um mês -, a fim de evitar o
comprometimento de um ou dois meses inteiros de salário dos tra-
balhadores, acarretando um prejuízo considerável ao mantimento
de sua sobrevivência e o de sua família. Observe-se que, na maioria
desses julgados, o critério utilizado por esta SDC foi o de autorizar o
desconto de 50% dos dias não trabalhados e a compensação dos ou-
tros 50%. Não se olvida que, em relação à greve realizada no âmbito da
Administração Pública, o STF prolatou interpretação bastante severa
sobre o assunto, assentando a viabilidade jurídica de o Administrador
Público realizar o corte do ponto dos servidores grevistas, para fins
da subsequente não efetivação do pagamento salarial mensal (tese
jurídica fixada a partir da apreciação do tema 531 da repercussão
geral). Embora este Relator entenda que a decisão do STF mereça
ser interpretada em suas distintas facetas, não podendo prevalecer
uma interpretação que impeça de forma absoluta a resolução da
controvérsia a partir da ponderação e equilíbrio entre os interesses
envolvidos-o da Administração, o dos grevistas e o interesse da popu-
lação envolvida-, fato é que, no caso concreto, não se trata de greve
realizada no âmbito da Administração Pública, podendo ser aplicável
o critério mediador adotado por esta Seção Especializada, em que se
autoriza a compensação de parte dos dias parados. Assim, embora o
caso dos autos não se amolde à hipótese de interrupção do contrato
de trabalho, tendo em vista a longa duração da greve, entende-se
razoável a autorização do desconto de 50% dos dias não trabalha-
dos e a compensação dos outros 50%. Recurso ordinário provido

216
Julho

parcialmente, no ponto. (RO-7628- 42.2016.5.15.0000, SDC, Relator


Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 30/07/2020).
} 31/07/2000 – O TST consolidou entendimento de que a validade
do “pedido” de demissão da emprega gestante condicionada à
assistência sindical, nos termos do artigo 500 da CLT. No caso, a
Corte Regional afastou a pretensão de reconhecimento da estabili-
dade prevista no artigo 10, II, b, do ADCT, com base no fato de que
não houve dispensa arbitrária ou sem justa causa, mas sim pedido de
demissão pela reclamante, sem demonstração de vício de consen-
timento, e, ainda, de que o período contratual foi inferior a um ano,
firmando entendimento de que não há necessidade de assistência
sindical, divergindo do entendimento jurisprudencial do TST (RR-
1000987-93.2018.5.02.0038, 4ª Turma, Relator Ministro Guilherme
Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/07/2020).
} 31/07/2020 – Não há direito a promoção automática por mereci-
mento quando as promoções exigem prévia avaliação de desem-
penho e deliberação do empregador. No que se refere à progressão
funcional por merecimento, o TST tem entendido que a concessão do
referido benefício está condicionada ao cumprimento dos critérios
do regulamento empresarial, sendo essencial para sua aferição a
realização de avaliação de desempenho e a deliberação do emprega-
dor. Dessa forma, no caso de omissão do empregador em proceder
à avaliação de desempenho funcional do empregado, não se impõe
considerar implementadas as condições inerentes à progressão
por merecimento. (RR-530-86.2016.5.05.0031, 4ª Turma, Relator
Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 31/07/2020). Nesse sentido já
se manifestou a SBDI-1: “[...] DIFERENÇAS SALARIAIS. PROMOÇÕES
POR MERECIMENTO. PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS – PCS. DESCUM-
PRIMENTO. NECESSIDADE DA REALIZAÇÃO DAS AVALIAÇÕES DE DE-
SEMPENHO. A controvérsia cinge-se a saber se é possível considerar
implementada a condição contratual inerente à promoção por me-
recimento, justamente quando o empregador não cumpre o critério
previsto no Plano de Cargos e Salários e deixa de realizar as avaliações
necessárias à progressão em comento. Relativamente à promoção
por merecimento, as avaliações de desempenho constituem requisito

217
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

essencial, por se revestirem de critérios subjetivos e comparativos


inerentes à excelência profissional do empregado, que somente pode
ser avaliado pela empregadora, não cabendo ao julgador substituí-
-lo nessa análise. A propósito, esta Subseção, em sua composição
completa, por maioria de votos, na qual este Relator ficou vencido,
entendeu que, no que concerne às promoções por merecimento,
em face do seu caráter subjetivo, estão condicionadas aos critérios
do regulamento empresarial, sendo essencial para sua aferição a
deliberação da diretoria da empresa (E-RR-51-16.2011.5.24.0007,
Redator Ministro: Renato de Lacerda Paiva, Data de Julgamento:
8/11/2012, SBDI-1), Data de Publicação: 9/8/2013). Dessa forma, no
caso de omissão do empregador em proceder à avaliação de desem-
penho funcional do empregado, não há considerar implementadas
as condições necessárias à promoção por merecimento”. (Ag-E-
-RR-1432-79.2014.5.05.0008, Relator Ministro José Roberto Freire
Pimenta, SBDI-1, DEJT 29/11/2019).
} 31/07/2020 – Para se caracterizar a estabilidade provisória do di-
rigente sindical é desnecessária a comprovação do registro do
sindicato representativo da categoria profissional no ministério
competente. Aludido registro tem por finalidade obedecer ao prin-
cípio da unicidade sindical (artigo 8º, II, da CRFB/88). A ausência de
comprovação desse registro, contudo, não pode impedir a eficácia
(produção dos efeitos) dos atos praticados pelo sindicato, sob pena
de ser criada uma presunção negativa de existência do próprio sin-
dicato. Assim, restou pacificado o entendimento de que o registro
do sindicato no ministério competente traduz mera formalidade não
essencial. A inobservância do princípio da unicidade sindical não
pode ser presumida. Ao revés, deve ser demonstrada por quem a
alega. Ressalta-se que o STF34 garantiu aos sindicatos a aquisição da

34. “1. A constituição de um sindicato posto culmine no registro no Ministério do Trabalho


(STF, MI 144, 3.8.92, Pertence, RTJ 147/868) a ele não se resume: não é um ato, mas
um processo. 2. Da exigência do registro para o aperfeiçoamento da constituição do
sindicato, não cabe inferir que só a partir dele estejam os seus dirigentes ao abrigo da
estabilidade sindical: é interpretação pedestre, que esvazia de eficácia aquela garantia
constitucional, no momento talvez em que ela se apresenta mais necessária, a da
fundação da entidade de classe.” (SRF-RR-205.107-1, Rel. Min. Sepúlveda Pertence,
DJU de 25/9/1998).

218
Julho

personalidade jurídica mesmo antes do efetivo registro no ministé-


rio competente e, por conseguinte, o direito à estabilidade sindical.
Na hipótese, o Regional concluiu negou ao reclamante o direito à
estabilidade de dirigente sindical, pois não comprovou a existência
do pedido de registro do sindicato no ministério competente, o que
caracterizaria a irregularidade do sindicato. Dessa forma, a decisão
regional está contrária ao quanto decidido no TST, razão pela qual
faz jus o reclamante à estabilidade provisória destinada ao dirigente
sindical. (ARR-1393-06.2016.5.20.0005, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/07/2020). Ainda: “[...]
o reconhecimento da garantia de emprego ao empregado eleito
para cargo de direção ou representação sindical independe da efeti-
vação do registro do respectivo sindicato no Ministério do Trabalho
e Emprego ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. [...]
Na linha da jurisprudência sedimentada nesta Corte, a ratio essendi
que anima as liberdades constitucionais das associações sindicais
não é o seu registro, mas o momento de sua efetiva fundação”.
(E-ED-RR-261600-83.2007.5.12.0050, Rel. Min. José Roberto Freire
Pimenta, SBDI-1, DEJT de 13/10/2017).
} 31/07/2020 – A jurisprudência do TST firmou-se no sentido de que a
conduta do empregador, ao exigir do empregado o desempenho da
atividade de transporte de valores, para a qual não fora habilitado,
configura ato ilícito e, portanto, enseja o pagamento de indenização
por danos morais em razão da exposição potencial do trabalhador
à situação de risco. (RR-1013-78.2015.5.06.0143, 4ª Turma, Relator
Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 31/07/2020).
} 31/07/2020 – A causa oferece transcendência política (art. 896-A,
§ 1º, II, da CLT) não se limita à hipótese em que haja verbete sumular
sobre a matéria; haverá igualmente transcendência política quando
demonstrado o desrespeito à jurisprudência pacífica e notória do
Tribunal Superior do Trabalho sedimentada em Orientação Jurispru-
dencial ou a partir da fixação de tese no julgamento, entre outros, de
incidentes de resolução de recursos repetitivos ou de assunção de
competência, bem como, na hipótese do Supremo Tribunal Federal,
no julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral ou

219
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

das ações de constitucionalidade. Trata-se de extensão normativa


do conceito de transcendência política, prevista no art. 896-A, § 1º,
II, da CLT, a partir, sobretudo, da sua integração com o novo sistema
de resolução de demandas repetitivas inaugurado pelo Código de
Processo Civil de 2015, cujas decisões possuam caráter vinculante
(exegese dos arts. 489, § 1º, 926, 928 do CPC/2015). Ademais, ainda
que assim não fosse, o próprio § 1º do art. 896-A da CLT estabelece que
os indicadores de transcendência nele nominados não constituem
cláusula legal exaustiva, mas possibilita o reconhecimento de indica-
dores “entre outros” (RR-1013-78.2015.5.06.0143, 4ª Turma, Relator
Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 31/07/2020).
} 31/07/2020 – Mantida autorização de trabalho nos feriados du-
rante a pandemia em rede de supermercados. A decisão leva em
conta a essencialidade da atividade. Tratam os autos de agravo
interposto pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Marin-
gá contra a d. decisão monocrática por meio da qual foi deferida a
tutela de urgência requerida pela Companhia Sulamericana de Dis-
tribuição e concedido, em consequência, efeito suspensivo ao seu
recurso de revista. Em consequência, foram suspensos os efeitos do
v. acórdão por meio do qual as rés foram condenadas a se absterem
de convocar os respectivos empregados que laboram na área de
atuação do sindicato-autor (supermercados e hipermercados) em
dias de feriados nos quais não haja autorização em norma coletiva,
até a decisão final do referido apelo. No tocante aos requisitos para
a concessão da tutela vindicada constata-se que, no caso vertente,
o fumus boni iuris decorre da virtual possibilidade de conhecimento
do apelo quanto ao pleito de reforma do v. acórdão regional. Como
consignado na d. decisão ora agravada, o Decreto nº 9.127 de 16 de
agosto de 2017 alterou o Decreto 27.048/1949, que regulamentou a
Lei nº 605, de 5 de janeiro de 1949, para incluir o comércio varejista de
supermercados e de hipermercados no rol de atividades autorizadas
a funcionar permanentemente aos domingos e aos feriados civis e
religiosos. Em uma primeira análise, é possível concluir que, embora
exista uma lei que limita de funcionamento do comércio em geral
em dias de feriados à prévia autorização em convenção coletiva de

220
Julho

trabalho (Lei nº 10.101/2001), os supermercados e hipermercados


não se encontram abrangidos pela referida norma, porquanto não
se inserem na classificação de estabelecimentos de “comércio em
geral”, nos moldes previstos no artigo 6º-A, da Lei nº 10.101/2001.
Isto porque, para eles, há legislação específica que autoriza funciona-
mento em domingos e feriados, independentemente de disposição
prévia em convenção coletiva do trabalho. Deve-se primar, nesse
caso, pelo princípio da especialidade da norma. Constata-se, nesse
mister, que a lei traz uma previsão genérica e não veda que o decreto
regule as hipóteses excepcionais. Ademais, sobreleva notar que o
Decreto nº 9.127/2017 criou uma justa expectativa para as partes,
que definem a sua conduta de acordo com a sua previsão. Assim, tem-
-se que a pretensão recursal tem plausibilidade apta a demonstrar
o preenchimento primeiro requisito necessário para a concessão da
tutela vindicada. Já o periculum in mora, como afirmado, decorre
da possibilidade de a demora na decisão conclusiva do recurso vir
a trazer danos irreparáveis à parte, tendo em vista o atual cenário e a
situação excepcional pela qual passa o país, diante da pandemia
provocada pelo novo Coronavírus. Robustece o perigo da demora o
fato de a atividade exercida pela ora agravada, de comercialização
de higiene, alimentos e bebidas estar inserida no rol de atividades
essenciais, previstas no Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020,
que regulamenta a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. De tal
modo, tendo em vista a iminência de feriados nacionais, a vultosa
multa aplicada pelo egrégio Tribunal Regional do Trabalho (no importe
de no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais)) pela utilização de mão de
obra de cada empregado nesses dias, a dificuldade em se estipular
uma norma coletiva no atual contexto, bem como o evidente prejuízo
a ser suportado pelos consumidores ao não terem acesso aos bens
essenciais de consumo nesses dias e ainda terem que se expor ao
risco de enfrentar aglomerações nos dias que antecedem e suce-
dem os aludidos feriados, resta demonstrado o perigo da demora.
(Ag-TutCautAnt-746-90.2020.5.09.0000, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 31/07/2020).

221
AGOSTO

} 05/08/2020 – STF fixa a tese segundo a qual “é inconstitucional a


incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador
sobre o salário-maternidade”. O STF já definiu que as disposições
constitucionais são legitimadoras de um tratamento diferenciado às
mulheres desde que a norma instituidora amplie direitos fundamen-
tais e atenda ao princípio da proporcionalidade na compensação das
diferenças. No entanto, no presente caso, as normas impugnadas,
ao imporem tributação que incide somente quando a trabalhadora
é mulher e mãe cria obstáculo geral à contratação de mulheres, por
questões exclusivamente biológicas, uma vez que torna a maternida-
de um ônus. Tal discriminação não encontra amparo na Constituição,
que, ao contrário, estabelece isonomia entre homens e mulheres,
bem como a proteção à maternidade, à família e à inclusão da mulher
no mercado de trabalho. Inconstitucionalidade material dos referi-
dos dispositivos. (RE 576967, rel. Roberto Barroso, Tribunal Pleno,
j. 05/08/2020, DJe 21/10/2020, Tema 72).
} 05/08/2020 – Fechamento da empresa (encerramento da ativida-
de empresarial) não afasta direito de empregado à estabilidade
por acidente de trabalho. A garantia provisória do emprego, nesse
caso, tem caráter social. (RR-1001733-76.2016.5.02.0087, 2ª Tur-
ma, Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 29/05/2020).
} 07/08/2020 – A SDI- 1 do TST adotou a tese de que se caracteriza como
transitória a transferência inferior a um período mínimo de 2 (dois)
anos em cada posto, fundando-se em tal critério temporal para as
transferências, não sendo o número de transferências que dita o
direito ao adicional, mas a sua duração. Outrossim, há posição firme
nesta Corte no sentido de que se considera definitiva a transferência
que se conservar até a extinção do contrato de trabalho, caso dos

223
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

autos. (RRAg-1533-11.2012.5.01.0037, 8ª Turma, Relatora Ministra


Dora Maria da Costa, DEJT 07/08/2020).35
} 07/08/2020 – Ação sobre contratação de estagiários do legislativo
deve ser julgada pela Justiça Comum. Não compete à Justiça do Traba-
lho processar e julgar Ação Civil Pública na qual o Ministério Público do
Trabalho postula que a Assembleia Legislativa do Estado abstenha-se
de renovar os contratos de estágio atualmente em curso e de contratar
novos estagiários sem que haja prévia aprovação em processo sele-
tivo; que seja observada a exigência legal de compatibilidade entre
as atividades desenvolvidas no ambiente laboral pelos estagiários e
o curso ou proposta pedagógica; e que seja paga quantia a título de
reparação por dano moral coletivo, havendo, ainda, postulação refe-
rente à antecipação de tutela. Como as postulações deduzidas estão
diretamente relacionadas ao controle de legalidade e moralidade do
ato administrativo praticado pelo ente público, relação que se reveste
de caráter jurídico-administrativo, fogem, portanto, do âmbito de com-
petência desta Justiça Especializada. (RR-21294-84.2014.5.04.0001,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 07/08/2020).
} 07/08/2020 – Trata-se de ação rescisória ajuizada com o intuito de
rescindir a sentença homologatória de acordo, proferida nos autos
de ação coletiva, em que o sindicato, na condição de substituto
processual, transacionou o pagamento do adicional de periculosi-
dade, no valor de 1/3 do valor devido, com acréscimo de honorários
advocatícios, sem anuência expressa do ora Autor. O caso reúne

35. “O TST tem decidido que, para a avaliação da natureza da transferência, é necessário
cotejar a frequência das mudanças de localidade de trabalho, bem como a duração
de cada uma delas. O que se extrai do acórdão embargado é que o Reclamante, du-
rante o período contratual de 30 anos, foi submetido a quatro alterações no local da
prestação de serviço, tendo a última mudança de localidade perdurado por doze anos
e se estendido até a rescisão contratual. Logo, tem-se que foi definitiva a transferência
a que foi sujeito a Reclamante, pois, para o fim de aplicação da OJ 113 da SbDI-1 do
TST, esta Subseção tem decidido que transferências com duração superior a 2 (dois)
anos no período não prescrito não devem ser qualificadas como provisórias, mas
sim definitivas. [...]” (E-ED-RR-2448700-42.2007.5.09.0015, Data de Julgamento:
05/09/2019, Relator Ministro: Alexandre Luiz Ramos, SBDI-1, Data de Publicação:
DEJT 13/09/2019).

224
Agosto

elemento suficiente para invalidar o acordo, nos termos do art. 485,


VIII, do CPC de 73, na medida em que não foi comprovado que o
sindicato estivesse autorizado pelo Autor a transacionar o paga-
mento de suas verbas rescisórias. 3. Sobre o alcance dos poderes
do sindicato, como substituto processual, oportuno ressaltar o
voto vista do Exmo. Ministro Gilmar Mendes, na ocasião do julga-
mento do Recurso Extraordinário 193.503/SP, no sentido de que
“o sindicato, na qualidade de substituto processual, não poderá
praticar atos de disposição dos direitos estritamente individuais dos
trabalhadores por ele representados”. (Tribunal Pleno, julgado em
12/06/2006, DJe 24/08/2007). Também o art. 38 do CPC de 73 já
dispunha sobre a necessidade de outorga de poderes especiais para
atos de disposição de direitos, o que também denota a legitimidade
ampla do sindicato no plano processual, mas não no material. Não
é por outro motivo que a jurisprudência desta Corte Superior tem
se firmado no sentido de que, não obstante os sindicatos detenham
legitimidade ampla para atuar na defesa coletiva e/ou individual
das categorias, por força do art. 8º, III, da CR/88, a substituição
processual encontra limites, na medida em que não é dado a essas
entidades, de forma livre e sem prévia autorização, renunciar ou
transigir sobre direito material do qual não é titular. Evidenciada
a hipótese de rescindibilidade descrita pelo art. 485, VIII, impõe-
-se a reforma da decisão recorrida para julgar procedente a ação
rescisória. (RO-9027-54.2012.5.04.0000, SBDI-2, Relator Ministro
Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 07/08/2020).
} 14/08/2020 – Não é devida a aplicação de multa convencional à em-
presa que não cumprir a previsão normativa quanto à apresentação
de cópia da RAIS à entidade sindical. Prevalece o entendimento de
que a RAIS não é documento exclusivo do empregador, podendo a
entidade sindical requerer o seu acesso no Ministério do Trabalho.
No caso, considerando que a empresa efetivamente apresentou os
recibos de entrega da RAIS ao Ministério do Trabalho, cujas cópias
estavam à disposição da entidade sindical caso quisesse acessá-las
para conferência, não subsiste a multa convencional imposta. (RR-
638-91.2017.5.09.0024, 2ª Turma, Relator Ministro Jose Roberto
Freire Pimenta, DEJT 14/08/2020).

225
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 14/08/2020 – Diante dos princípios da instrumentalidade das formas


e do aproveitamento dos atos processuais, havendo elementos que
comprovem o efetivo recolhimento das custas processuais, não há
como se considerar deserto o recurso. Assim, a despeito da suscitada
ausência de elementos capazes de vincular o recolhimento bancário
ao processo, o comprovante de pagamento possui os elementos,
previstos na CLT, capazes de identificar o correto recolhimento das
custas processuais, a saber,- pagamento pelo vencido, do valor arbi-
trado na sentença e dentro do prazo recursal, nos termos do art. 789,
§ 1º, da CLT, e da Instrução Normativa nº 20/2002, do TST, razão pela
qual não há como se considerar deserto o apelo. Julgados desta Corte
Superior. (RR-605-25.2018.5.23.0009, 3ª Turma, Relator Ministro
Mauricio Godinho Delgado, DEJT 14/08/2020).
} Controle alternativo de jornada sem negociação coletiva. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRABALHISTA.
ADOÇÃO DE CONTROLE DE JORNADA ALTERNATIVO, SEM RESPALDO
EM NEGOCIAÇÃO COLETIVA. REGULARIZAÇÃO POSTERIOR DA SITUA-
ÇÃO. TUTELA INIBITÓRIA. POSSIBILIDADE. O Tribunal Regional con-
cluiu que o reclamado, de fato, praticou ato ilícito ao adotar sistema de
controle de jornada alternativo, sem prévia negociação coletiva que
assim autorizasse. Contudo, indeferiu o pleito do Ministério Público
do Trabalho- consistente em obrigação de não fazer (abster de utilizar
controles alternativos de jornada, sem a formalização em acordo
coletivo)- por entender que tal situação já havia sido corrigida pela
empresa. Sucede que o provimento aqui buscado visa, justamente,
a impedir a reiteração da conduta irregular, sendo necessário para
tanto, apenas, a configuração do ilícito e a probabilidade de sua repe-
tição no futuro, de modo que o posterior ajuste da conduta lesiva pela
empresa não é suficiente para afastar tal pretensão. É o que se extrai
do artigo 497, parágrafo único, do CPC/2015. É de se ressaltar, por fim,
que, em julgado recente, a SbDI-I desta Corte Superior se manifestou
no sentido de ser desnecessária a atualidade do ato ilícito praticado
para fins de formação do juízo de probabilidade necessário ao defe-
rimento do pretenso direito. Logo, comprovada a conduta ilícita da
empresa e considerando a possibilidade de sua reiteração, torna-se
devida a tutela pleiteada. Recurso de revista conhecido e provido.

226
Agosto

DANOS MORAIS COLETIVOS. CARACTERIZAÇÃO. ADOÇÃO DE SISTEMA


ALTERNATIVO DE CONTROLE DE PONTO, SEM PRÉVIA NEGOCIAÇÃO
COLETIVA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AOS EMPREGADOS. É certo
que o descumprimento reiterado da legislação trabalhista- sobretudo
as normas de saúde, higiene e segurança - enseja indenização por
danos morais coletivos, nos termos da jurisprudência pacífica desta
Corte. Não se discute também que a caracterização do referido dano
moral dispensa a prova do dano psíquico dele decorrente. Todavia,
o presente caso contém peculiaridade que impede o deferimento
da indenização postulada. Isso porque, embora o banco reclamado
tenha, de fato, desrespeitado as normas administrativas referentes
à adoção de sistema alternativo de controle de ponto- fato incontro-
verso, conforme registrado pelo Tribunal Regional-, constou que tal
circunstância não acarretou nenhum prejuízo aos empregados. Com
efeito, ficou registrado que: “em momento algum ficou provado ou
mesmo caracterizado, no período em que o registro de ponto eletrô-
nico foi adotado no âmbito do trabalho, que o controle ou anotação
dos horários de entrada e saída dos empregados ocorreu de forma
errada, em prejuízo dos empregados e a favor dos interesses comer-
ciais e financeiros do Banco.”. Ora, o descumprimento à legislação
trabalhista que enseja a reparação por danos morais coletivos é
aquele que acarreta efetiva lesão ou, ao menos, ameaça de lesão,
a direitos. Não é a hipótese dos autos, na qual a irregularidade
perpetrada pelo réu - embora reprovável e passível de motivar a
tutela inibitória, conforme deferido anteriormente -, se aproxima
mais de mera infração administrativa. Ademais, não há que se falar
nem mesmo na ocorrência de dano, uma vez que a ação do reclamado
não causou nenhum prejuízo a outrem. Recurso de revista não co-
nhecido”. (RR-1732-43.2013.5.09.0015, 7ª Turma, Relator Ministro
Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 14/08/2020).
} É Ilícito o uso de informações de crédito por empresas de gestão de
risco. Discussão sobre a licitude de uma empresa de gerenciamento
de risco do setor de transporte rodoviário de carga possuir e alimentar
banco de dados sobre restrições de crédito de motoristas candidatos a
emprego e repassá-las às empresas contratantes. O juízo de primeiro
grau e a Sétima Turma do TST julgaram improcedente a pretensão
do MPT de que a empresa se abstivesse dessa prática. Para a Turma,

227
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

a atividade desenvolvida pela GPS era lícita e permitia às empresas


examinar a conveniência de contratação de trabalhadores “segundo
o perfil individual de cada qual, avaliando, inclusive, os potenciais
impactos nas relações de seguro de cargas”. Um dos requisitos para
a interposição de embargos à SDI-1 é a existência de interpretações
divergentes das Turmas do TST sobre a matéria tratada. No caso, o
MPT apontou decisão da Segunda Turma, em ação envolvendo em-
presa de gestão de riscos, em que a prática de repassar informações
constantes de bancos de dados públicos foi considerada ilícita. O
relator dos embargos do MPT à SDI-1, ministro Alberto Bresciani,
destacou que a jurisprudência do TST já pacificou o entendimento de
que as informações constantes nos serviços de proteção ao crédito
não podem ser exigidas de empregados e candidatos a emprego.
Segundo ele, a redação atual do artigo 13-A da Lei 11.442/2007, que
regula o transporte de cargas, proíbe a utilização de banco de dados
de proteção ao crédito como mecanismo de vedação de contratos
entre os transportadores autônomos e as empresas de transporte
rodoviário de cargas. Para Bresciani, o cadastro organizado pela GPS,
ainda que público, destina-se à proteção do crédito a ser concedido
por bancos, particulares e associações comerciais e não deve ser
usado para verificar a aptidão de motoristas ao emprego ou “a pro-
babilidade de que venha a subtrair as mercadorias transportadas”,
elevando os custos do seguro dos fretes. Com esses fundamentos,
votou pela condenação da GPS à obrigação de deixar de utilizar o
banco de dados e de buscar informações sobre os candidatos a em-
prego, com imposição de multa de R$ 10 mil por candidato em caso de
descumprimento, e ao pagamento de indenização de R$ 200 mil por
dano moral coletivo. Livre iniciativa: presidente do TST, ministra Maria
Cristina Peduzzi, abriu divergência, por entender que a GPS apenas
sistematiza um conjunto de dados, a partir de informações públicas,
e não há informações de que esse procedimento tenha impedido a
contratação de trabalhadores. A ministra entende que a condenação
da empresa a impediria de desenvolver atividade lícita, geradora de
impostos, “o que vai de encontro ao princípio da livre iniciativa”. O
julgamento foi interrompido pelo pedido de vista do ministro Cláudio
Brandão. Processo: E-RR-933-49.2012.5.10.0001- Art. 13-A. É veda-
da a utilização de informações de bancos de dados de proteção ao

228
Agosto

crédito como mecanismo de vedação de contrato com o TAC e a ETC


devidamente regulares para o exercício da atividade do Transporte
Rodoviário de Cargas. (Incluído pela Lei nº 13.103, de 2015)
} 14/08/2020 – Nos casos de jornada mista de trabalho preponderan-
temente no horário noturno, devido é o adicional noturno, quanto
às horas trabalhadas, que seguem no período diurno, aplicando-se,
portanto, a Súmula 60, II, do TST. Precedentes da SBDI-1 do TST. (ARR-
1000071-37.2015.5.02.0241, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto
Cesar Leite de Carvalho, DEJT 14/08/2020).
} 14/08/2020 – Confissão ficta só pode ser aplicada caso a parte te-
nha sido intimada pessoalmente para depor. O Tribunal Regional
manteve a sentença em que foi aplicada a confissão ao reclamante
em face da sua ausência à audiência de instrução. Extrai-se do acór-
dão recorrido que houve marcação da audiência de instrução e que
o reclamante foi intimado por intermédio de seu patrono. A Súmula
nº 74, I, do TST prevê que “aplica-se a confissão à parte que, expressa-
mente intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência
em prosseguimento, na qual deveria depor”. O TST firmou posiciona-
mento no sentido de que deve a parte ser intimada pessoalmente
para prestar depoimento, ainda que tenha advogado constituído nos
autos, com poderes específicos para receber intimação. Julgados.
(RR-12708-48.2016.5.15.0012, 6ª Turma, Relatora Ministra Katia
Magalhaes Arruda, DEJT 14/08/2020).
} 14/08/2020 – Empregado que apresentou diploma falso de con-
clusão de curso será reintegrado, pois ele foi demitido por justa
causa após o empregador descobrir, 12 anos depois, a falsidade
do documento. No caso, o ato coator concedeu-se a tutela de ur-
gência que visava a reintegração de empregado integrante da CIPA,
declarando nula a despedida, porque equivale a perdão tácito a falta
de imediatidade na aplicação da penalidade, aventada em virtude do
fornecimento de atestado escolar supostamente falso quando da
admissão, ocorrida há mais de doze anos. O acórdão regional ora
recorrido denegou a segurança. O exame da prova pré-constituída
conduz à conclusão de que o empregado era detentor de garantia
provisória de emprego no ato da demissão, assegurada por norma

229
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

coletiva em vigor, por ser membro suplente da CIPA. Não se contro-


verte que a análise em torno da validade da justa causa imputada ao
litisconsorte passivo necessário é questão que demanda dilação pro-
batória exauriente no processo principal, não podendo ser apreciada
pela via estreita e excepcionalíssima do mandado de segurança. De
qualquer sorte, não se pode ignorar que não há aparente justificativa
empresarial para buscar- apenas 12 anos depois- a veracidade dos
documentos juntados no ato admissional. Além disso, há que se ter
em mente que o certificado de conclusão do segundo grau não parece
ser requisito indispensável para o exercício da função de auxiliar de
produção de pneus. A apreciação em torno da dispensa na vigência
do acordo coletivo instituidor de tal garantia faz-se possível diante
da documentação carreada aos autos no feito de origem e replicada
nesta demanda, que atesta ser o empregado portador de estabilidade
provisória, porque comprovada a sua posse como membro suplente
da CIPA, nos termos do art. 10, II, “a”, do ADCT e da Súmula 339 do TST.
Dessa forma, evidenciada a presença dos elementos que justificam
o deferimento da tutela de urgência requerida na ação originária,
conforme disposto no artigo 300 do CPC/2015, conclui-se que não
há ofensa a direito líquido e certo das impetrantes. (RO-20496-
53.2019.5.04.0000, SBDI-2, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra
Belmonte, DEJT 14/08/2020).
} 16/08/2020 – Publicado o Informativo TST nº 222, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 222


(Período 3 a 14 de agosto de 2020)
A Justiça do Trabalho é competente para apreciar e julgar ação civil pública objeti-
vando que o município implemente políticas públicas constitucionalmente previstas
para prevenir e erradicar o trabalho infantil. A competência inscrita no art. 114 da
Constituição da República não se limita aos casos de relação de emprego existen-
te, abrangendo, também, o exame de questões relativas ao direito subjetivo das
crianças ao não trabalho, tutela ora pretendida pelo MPT. Manteve-se a declaração
de incompetência quanto aos pedidos relativos à elaboração e implementação de
políticas públicas para educação e profissionalização de crianças e adolescentes.
TST-E-RR-44-64.2013.5.09.0009, SBDI-I, red. p/ acórdão Min. Alberto Luiz Bresciani
de Fontan Pereira, 6/8/2020 – Informativo TST nº 222.

230
Agosto

Informativo TST nº 222


(Período 3 a 14 de agosto de 2020)
É permitida a fixação de jornada de trabalho aos feriados no comércio varejista de
supermercados e hipermercados, desde que haja prévia autorização em convenção
coletiva e seja observada a legislação municipal, conforme preconiza o artigo 6º-A
da Lei nº 10.101/2000. Ainda que o Decreto nº 9.127/2017 tenha inserido o comér-
cio varejista de supermercados e hipermercados no rol de atividades autorizadas
a funcionar continuadamente, permanece a exigência de negociação coletiva por
se tratar de regra prevista em lei, cuja regulamentação, materializada no decreto,
não pode inovar no ordenamento jurídico, sob pena de ofensa ao princípio da
separação de Poderes e quebra da coerência do sistema normativo brasileiro. TST-
-E-ED-ED-RR-266-67.2012.5.04.0571, SBDI-I, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta,
6/8/2020 – Informativo TST nº 222.
Em caso de majoração do lucro líquido do empregador, em face da reapresentação de
balanços financeiros, o deferimento aos empregados de diferenças decorrentes
de reflexos sobre a parcela de participação nos lucros e resultados é medida que
se impõe. ARR 1973-54.2014.5.03.0013, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire
Pimenta, julgado em 5/8/2020 – Informativo TST nº 222.
Está superado o entendimento contido no item III da Súmula 244 do TST pelo ad-
vento da tese do Tema 497 da repercussão geral do STF, em julgamento realizado
no RE 629.053, na Sessão Plenária de 10/10/2018. Isso porque o conceito de esta-
bilidade diz respeito à impossibilidade de terminação do contrato de trabalho por
ato imotivado do empregador, não afastando que o contrato termine por outras
causas, nas quais há manifestação de vontade do empregado, como no caso do
“pedido” de demissão (a manifestação de vontade se dá no fim do contrato) ou
nos contratos por tempo determinado e no contrato de trabalho temporário (a
manifestação de vontade do empregado já ocorreu no início do contrato). Assim,
na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado, não há direito
à garantia provisória de emprego prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do ADCT.
TST-RR-1001175-75.2016.5.02.0032, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos,
julgado em 4/8/2020 – Informativo TST nº 222.
Em regra, não cabem honorários advocatícios sucumbenciais nas ações ajuizadas
anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 13.467 de 2017 (Reforma Trabalhista).
TST-RR-1072-36.2017.5.06.0001, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado
em 4/8/2020 – Informativo TST nº 222.
Inexiste direito adquirido à incorporação da gratificação de função, ainda que
exercida por mais de 10 anos, frente à norma expressa do art. 468, § 2º, da CLT. TST-
-RR-377-71.2017.5.09.0010, 4ª Turma, rel. Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho,
julgado em 12/8/2020 – Informativo TST nº 222.

231
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 222


(Período 3 a 14 de agosto de 2020)
O art. 477, caput, da CLT, na redação anterior à Lei nº 13.467/2017, refere-se apenas
à base de cálculo da indenização nele prevista e não das verbas rescisórias. O acórdão
regional, ao manter decisão “que determinou que se deve tomar como base de cálculo
para fins rescisórios a maior remuneração auferida pela reclamante na reclamada”,
aplicou mal o art. 477, caput, da CLT, na redação anterior à Lei nº 13.467/2017. TST-
-RR-11229-63.2016.5.03.0138, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado
em 12/8/2020 – Informativo TST nº 222.
A apuração do FGTS deve observar todas as parcelas que integram sua base de cálculo,
sejam elas principais ou seus reflexos. O reconhecimento da natureza salarial dos
anuênios acaba por repercutir no cálculo de outras parcelas que, por determinação
legal, também fazem parte da base de cálculo do FGTS, nos termos do art. 15 da Lei
8.036/90. Reconhecida a existência de diferenças salariais, sobre elas deve incidir o
FGTS. TST-RR-20348-08.2016.5.04.0013, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado
em 12/8/2020 – Informativo TST nº 222.

} 18/08/2020 – Encerramento do prazo de vigência da Medida Provi-


sória nº 905, de 11 de novembro de 2019, que “Institui o Contrato de
Trabalho Verde e Amarelo e alterou a legislação trabalhista”.
} 18/08/2020 – RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL.
TEMA 846. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
PREVISTA NO ART. 1º DA LEI COMPLEMENTAR 110, DE 29 DE JUNHO
DE 2001. PERSISTÊNCIA DO OBJETO PARA A QUAL FOI INSTITUÍDA.
1. O tributo previsto no art. 1º da Lei Complementar 110/2001 é
uma contribuição social geral, conforme já devidamente pacificado
no julgamento das ADIs 2556 e 2558. A causa de sua instituição foi a
necessidade de complementação do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço FGTS, diante da determinação desta SUPREMA CORTE de
recomposição das perdas sofridas pelos expurgos inflacionários em
razão dos planos econômicos denominados “Verão” (1988) e “Collor”
(1989) no julgamento do RE 226.855. 2. O propósito da contribuição, à
qual a sua cobrança encontra-se devidamente vinculada, não se con-
funde com os motivos determinantes de sua instituição. 3. O objetivo
da contribuição estampada na Lei Complementar 110/2001 não é
exclusivamente a recomposição financeira das perdas das contas do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço- FGTS em face dos expurgos

232
Agosto

inflacionários decorrentes dos planos econômicos Verão e Collor.


4. A LC 110/2001 determinou que as receitas arrecadadas deverão
ser incorporadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS
(art. 3º, § 1º), bem como autorizou que tais receitas fossem utiliza-
das para fins de complementar a atualização monetária resultante
da aplicação, cumulativa, dos percentuais de dezesseis inteiros e
sessenta e quatro centésimos por cento e de quarenta e quatro in-
teiros e oito décimos por cento, sobre os saldos das contas mantidas,
respectivamente, no período de 1º de dezembro de 1988 a 28 de
fevereiro de 1989 e durante o mês de abril de 1990 (art. 4º, caput ).
5. Já o artigo 13 da Lei Complementar 110/2001 determina que as
leis orçamentárias anuais referentes aos exercícios de 2001, 2002 e
2003 assegurarão destinação integral ao FGTS de valor equivalente à
arrecadação das contribuições de que tratam os arts. 1º e 2º desta Lei
Complementar). 6. Ao estabelecer que, até o ano de 2003, as receitas
oriundas das contribuições ali estabelecidas terão destinação integral
ao FGTS, pode-se concluir que, a partir de 2004, tais receitas poderão
ser parcialmente destinadas a fins diversos, desde que igualmente
voltados à preservação dos direitos inerentes ao FGTS, ainda que
indiretamente. 7. Portanto, subsistem outras destinações a serem
conferidas à contribuição social ora impugnada, igualmente válidas,
desde que estejam diretamente relacionadas aos direitos decorrentes
do FGTS. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tese
de repercussão geral: “É constitucional a contribuição social prevista
no artigo 1º da Lei Complementar nº 110, de 29 de junho de 2001,
tendo em vista a persistência do objeto para a qual foi instituída. (RE
878313, Relator(a): Marco Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre
de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 18/08/2020, DJe 04-09-2020)
} 14/08/2020 – Não se presume discriminatória a despedida somente
pelo fato de o empregado ter ajuizado ações trabalhistas pretéritas
em face do empregador. No caso julgado, era incontroverso que o
reclamante tenha ajuizado reclamatórias trabalhistas anteriores em
desfavor da empresa, contudo isso não permite concluir pela caracte-
rização de dispensa discriminatória, arbitrária ou preconceituosa por
parte da reclamada, não podendo a condenação se pautar na mera

233
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

presunção. A discriminação deve ser provada. Caso contrário não há


falar em nulidade da dispensa, mormente diante da ausência de prova
efetiva da prática pela reclamada de qualquer conduta discriminatória
vedada pelo art. 1º da Lei nº 9.029/95. RR-10240-10.2018.5.03.0034,
8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 14/08/2020.36
} 14/08/2020 – 5ª Turma do TST decide que sindicato que recebeu con-
tribuições sindicais dos seus empregados deve ser incluído na ação em
que outro sindicato questiona o enquadramento sindical, pois pedia
que fosse declarado representante dos empregados da empresa,
para fins de negociação e de recolhimento das taxas assistenciais
ou da contribuição sindical. A medida é admissível para resguardar
o ente sindical do prejuízo decorrente do alegado recolhimento da
contribuição a outro sindicato. O instituto da denunciação da lide é
admissível para resguardar o denunciante do prejuízo advindo do
alegado recolhimento da contribuição sindical a outro sindicato que
não o autor, inserindo-se tal debate na competência da Justiça do
Trabalho a justificar a excepcionalidade do seu cabimento. (RRAg-
289-06.2016.5.07.0016, 5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros,
DEJT 14/08/2020). No caso julgado, o juízo de primeiro grau e o TRT
da 7ª Região indeferiram o pedido, ao argumento de que o fato de a
empregadora ter recolhido indevidamente a contribuição sindical
a sindicato que não a representava não obriga o magistrado a acolher
o pedido de inclusão dessa entidade no processo (denunciação da
lide), pois o sindicato autor não teria responsabilidade pelo eventual
recolhimento indevido feito pela empresa.
} 21/08/2020 – O STF fixou a tese de que a transação extrajudicial que
importa rescisão do contrato de trabalho em razão de adesão volun-
tária do empregado a plano de dispensa incentivada enseja quitação
ampla e irrestrita de todas as parcelas objeto do contrato de emprego,
caso essa condição tenha constado expressamente do acordo coletivo
que aprovou o plano, bem como dos demais instrumentos celebrados

36. Há julgado da SBDI-1 entendendo discriminatória a dispensa de empregado que


ajuíza reclamação trabalhista. Mas, o acórdão não enfrenta a questão da presunção.
(E-ARR-10256-19.2014.5.03.0061, SBDI-1, Relator Ministro José Roberto Freire Pi-
menta, DEJT 22/11/2019).

234
Agosto

com o empregado (RE 590.415/SC). Se não há registro de existência


de cláusula expressa em acordo coletivo de trabalho dando quitação
geral do contrato de trabalho para os empregados que aderissem ao
PDV, ou até mesmo de ter sido o PDV instituído mediante negociação
coletiva, aplica-se a jurisprudência até então pacificada no âmbito
desta Corte Superior, no sentido de que a adesão do empregado a
programa de desligamento voluntário (PAE) não enseja quitação total
dos direitos decorrentes do contrato de trabalho, abrangendo tão
somente as parcelas e os valores constantes do recibo de quitação
(OJ nº 270 da SBDI-1 do TST) (RR-11973-76.2017.5.18.0018, 2ª Tur-
ma, Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 21/08/2020).
} 21/08/2020 – A jurisprudência do STF firmou-se no sentido de reco-
nhecer que a Lei nº 4.950-A/66 não viola o art. 7º, IV, da CRFB/88, ao
prever a fixação do piso salarial em múltiplos do salário-mínimo, sendo
certa a vedação de vinculação de futuros aumentos ao reajuste auto-
mático do salário-mínimo. Logo, a estipulação do salário profissional
dos médicos veterinários, adotando-se múltiplos do salário-mínimo
não vulnera o disposto no art. 7º, IV, da Constituição, norma que proí-
be a automática correção do salário profissional baseada no reajuste
do salário-mínimo. Assim, o piso salarial de contratação pode ser o
previsto na Lei nº 4.950-A, de 1966, somente não sendo reconhecida
como juridicamente viável a correção automática (indexação) do
salário profissional do arquiteto toda vez que for reajustado o salário-
-mínimo (Súmula Vinculante 4 do STF). Nesse sentido, inclusive, tem-
-se a diretriz que emana da OJ nº 71 da SBDI-2 do TST. Desse modo,
quando da contratação do médico veterinário, a sua remuneração
deve observar os parâmetros previstos na Lei nº 4.950-A/66, que
estão estabelecidos com base no mínimo legal. O piso de contratação,
assim, é prefixado, não podendo ser inferior ao estabelecido pela Lei
nº 4.950-A/66. (RR-24522-23.2016.5.24.0007, 3ª Turma, Relator
Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 21/08/2020).
} 21/08/2020 – Trabalhador rural tem direito ao pagamento de
horas extras decorrentes da supressão do intervalo para recupe-
ração térmica estabelecido no Anexo 3 da NR-15 para o caso de
exposição ao calor acima dos limites de tolerância. A concessão do

235
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

intervalo para recuperação térmica estabelecido na referida norma


regulamentadora constitui medida que visa assegurar a higiene, a
saúde e a segurança do trabalhador, a qual não se confunde com o
direito ao adicional de insalubridade. Por conseguinte, a supressão do
referido intervalo enseja o respectivo pagamento como horas extras,
conforme exegese aplicada em relação aos intervalos dos arts. 71,
§ 4º, e 253 da CLT. A percepção do adicional de insalubridade não
afasta o direito ao intervalo em comento, o qual deve ser assegurado
e considerado tempo de serviço para todos os efeitos legais. RR-240-
63.2019.5.06.0411, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa,
DEJT 21/08/2020.
} 21/08/2020 – Segundo a jurisprudência que vem se firmando no TST,
no exercício das funções de operador de empilhadeira, a exposição a
gases inflamáveis configura condição de risco acentuado, a ensejar o
direito ao adicional de periculosidade. A exposição diária e habitual
a agente inflamável em condições de risco acentuado, ainda que por
apenas 5 (cinco) minutos, dá direito ao pagamento do adicional de
periculosidade, uma vez que não se configura o “tempo extrema-
mente reduzido”, mas contato intermitente (Súmula 364 do TST)
(RR-1002302-81.2014.5.02.0464, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora
Maria da Costa, DEJT 21/08/2020).37
} 21/08/2020 – A ECT é empresa pública federal, equiparada à Fazenda
Pública, e deve obediência aos princípios que regem a administração
pública em geral (art. 37, caput, da CR/88), especificamente o da
legalidade. Logo, tem o dever jurídico de conformar suas práticas
administrativas ao disciplinado em lei, podendo anular seus atos,
como expressamente determinado pelas Súmulas nº 346 e 473 do
STF. Por isso, não constitui ofensa ao art. 468 da CLT, nem vulneração
à Súmula nº 51, item I, do TST, a adequação da metodologia de cálculo
da gratificação de férias, promovida pela ECT, após 01/07/2016 (Me-
morando-Circular nº 2316/2016- GPAR/CEGEP). Sob esse enfoque,

37. No mesmo sentido, entendendo que 4 (quatro) minutos de exposição diária ao risco
são suficientes para configurar o potencial lesivo, especialmente considerando que
o próprio trabalhador realizava o abastecimento: RR-1002055-42.2015.5.02.0472,
2ª Turma, Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, DEJT 13/03/2020.

236
Agosto

fixa-se o seguinte entendimento: “ainda que praticado de forma


reiterada, o pagamento indevido de parcela trabalhista (v.g. gratifi-
cação de férias), por erro de cálculo, não gera ao empregado direito
à adoção continuada do critério errado no cálculo e pagamento de
parcelas futuras, sem, contudo, haver obrigação de devolução dos
valores já recebidos conforme metodologia anterior”. (RR-11619-
49.2016.5.03.0068, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos,
DEJT 21/08/2020).
} 21/08/2020 – Aeronauta tem direito ao adicional de periculosida-
de em relação às horas variáveis. No caso, a reclamada já pagava
o adicional de periculosidade à reclamante. Portanto, revelou-se
inócua a discussão a respeito da incidência da Súmula nº 447 do TST,
que consagra o entendimento segundo o qual “tripulantes e demais
empregados em serviços auxiliares de transporte aéreo que, no mo-
mento do abastecimento da aeronave, permanecem a bordo não têm
direito ao adicional de periculosidade [...]”. Cinge-se a controvérsia à
incidência do adicional de periculosidade também em relação à parte
variável do salário do aeronauta, cujo salário básico é composto de
uma parte fixa e de outra variável, decorrente da prestação de trabalho
após a 54ª hora semanal. Se a atividade do aeronauta é considerada
de risco durante as horas fixas de voo, não há justificativa para excluí-lo
em relação às horas variáveis, ou seja, aquelas prestadas além das 54
horas semanais. A condição perigosa não se altera em relação às horas
variáveis resultando dessa circunstância o pagamento do adicional
de periculosidade, tanto pelo seu caráter retributivo como salarial, os
quais não podem ser suprimidos por cláusula meramente contratual
em razão de norma cogente (arts. 7º, XXIII, da CRFB/88, 193 e 457, § 1º,
da CLT). Há julgados. (ED-ARR-1001386-20.2016.5.02.0709, 6ª Tur-
ma, Relatora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 21/08/2020) e
(ARR-1001386-20.2016.5.02.0709, 6ª Turma, Relatora Ministra Katia
Magalhaes Arruda, DEJT 06/03/2020).
} 21/08/2020 – Cinge-se a controvérsia em definir se a Justiça do Tra-
balho possui competência para apreciar demanda, que versa sobre
empregada brasileira contratada no exterior para prestar serviços
em solo estrangeiro. A competência da Justiça do Trabalho para
apreciar demandas relacionadas às relações de trabalho está definida

237
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

no artigo 114, I, da CR/88. O artigo 651, caput, da CLT, por sua vez,
a define, em razão do lugar. No § 2º do mencionado preceito está
prevista uma das exceções à regra da territorialidade, que define
que a competência se estende aos dissídios ocorridos em agência ou
filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja
convenção internacional dispondo em contrário. Ainda, o artigo 21,
inc. I e parágrafo único, do CPC de 2015 estabelece ser competente
a autoridade judiciária brasileira sempre que o réu estiver domicilia-
do no Brasil, considerando-se assim a pessoa jurídica que aqui tiver
agência, filial ou sucursal. Portanto, deve ser mantido o entendimento
adotado no acórdão regional, no sentido de ser a Justiça do Trabalho
brasileira a competente para julgar o caso. Já sobre o direito material
aplicável, a Lei nº 11.962/2009, ao alterar o texto do artigo 1º da Lei
nº 7.064/82, estendeu a todos os trabalhadores contratados no Brasil
ou transferidos por seus empregadores para prestar serviços no ex-
terior tal aplicação. A garantia abrange não somente os dispositivos
concernentes à transferência e retorno para o Brasil, mas também o
próprio universo normativo que regula o contrato durante o período
de permanência do empregado no exterior. Assim, assegura-se ao
trabalhador brasileiro contratado para prestar serviços no exterior
a possibilidade de aplicação da legislação pátria “quando mais fa-
vorável do que a legislação territorial, no conjunto de normas e em
relação a cada matéria” (inciso II do artigo 3º da Lei nº 7.064/82).
Esse panorama jurídico motivou, inclusive, o cancelamento da Sú-
mula nº 207 do TST. Afinal, a possibilidade de aplicação da norma
mais favorável ao trabalhador se contrapõe à rigidez do princípio da
territorialidade, antes consagrado na jurisprudência deste Tribunal.
Na hipótese dos autos, o Tribunal Regional, soberano no exame do
conjunto fático-probatório, registrou que a legislação brasileira é mais
benéfica à reclamante. Assim, sendo aplicável a legislação brasileira
e, tendo a recorrente alegado óbice presente somente na legislação
estrangeira, não há equívoco a ser sanado no acórdão regional.
(Ag-AIRR-459-64.2015.5.10.0004, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio
Mascarenhas Brandao, DEJT 21/08/2020).38

38. A própria Lei nº 7.064/1982 cuidou de elastecer o seu alcance também ao emprega-
do contratado por empresa sediada no Brasil, independentemente do local onde

238
Agosto

} Cabe limitação do valor de astreintes ao valor da obrigação princi-


pal? RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO
DO TRABALHO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. MULTA
DIÁRIA OU ASTREINTE. LIMITAÇÃO AO VALOR DA OBRIGAÇÃO PRIN-
CIPAL. ART. 412 DO CÓDIGO CIVIL E ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL
Nº 54 DA SBDI-1 DO TST. INAPLICABILIDADE. A multa cominatória
(astreinte) trata-se de instituto de natureza jurídica processual,
previsto no art. 461 do CPC/1973 (art. 537 do CPC/2015), confe-
rindo ao julgador a faculdade de compelir a parte ao cumprimento
de determinada obrigação de fazer ou não fazer, ao passo que a
cláusula penal, disciplinada nos arts. 408 a 416 do Código Civil, pos-
sui natureza jurídica material e está relacionada ao cumprimento
da indenização por perdas e danos. Considerando que a hipótese
dos autos diz respeito à multa pelo descumprimento de obrigação
de fazer, não há que se falar na limitação prevista no art. 412 do
Código Civil ou na aplicação da OJ 54 da SBDI-1 do TST. Recurso
de revista de que se conhece e a que se dá provimento (ARR-1183-
72.2012.5.23.0146, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena Mall-
mann, DEJT 21/08/2020).
} 24/08/2020 – Conversão da Medida Provisória nº 945, de 2020 na Lei
nº 10.047, de 24 de agosto de 2020, que “Dispõe sobre medidas tem-
porárias para enfrentamento da pandemia da Covid-19 no âmbito
do setor portuário, [...] e altera as Leis nºs 9.719, de 27 de novembro
de 1998, 7.783, de 28 de junho de 1989, 12.815, de 5 de junho de
2013, 7.565, de 19 de dezembro de 1986, e 10.233, de 5 de junho
de 2001.” Incluiu-se no rol de serviços ou atividades essenciais do
artigo 10 da Lei de Greve as “atividades portuárias”.

firmado o ajuste. Nesse sentido, disciplina o seu art. 2º, inciso III: “Para os efeitos
desta Lei, considera-se transferido: I - o empregado removido para o exterior, cujo
contrato estava sendo executado no território brasileiro; II - o empregado cedido à
empresa sediada no estrangeiro, para trabalhar no exterior, desde que mantido o
vínculo trabalhista com o empregador brasileiro; III - o empregado contratado por
empresa sediada no Brasil para trabalhar a seu serviço no exterior”. (gn) Assim,
pouco importa que a reclamante já residisse em Luanda, no momento da celebra-
ção do contrato, e mesmo considerando que o instrumento fora lá assinado pelos
litigantes, a reclamada é uma entidade genuinamente brasileira.

239
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 24/08/2020 – STF fixa tese pela qual servidores que tiveram relação
jurídica regida pela CLT, modificada considerado regime jurídico
único, têm direito à diferença remuneratória decorrente do Plano
de Cargos, Carreiras e Salários – PCCS, em razão da irredutibilidade.
(RE 1023750, Relator(a): Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em
24/08/2020, DJe 17/09/2020)
} 24/08/2020 – COMPETÊNCIA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – SENTENÇA
TRABALHISTA. A Justiça do Trabalho é competente para executar, de
ofício, as contribuições previstas no artigo 195, incisos I, alínea “a”, e
II, da Carta da República, relativamente a títulos executivos judiciais
por si formalizados em data anterior à promulgação da Emenda
Constitucional nº 20 de 1998 (RE 595326, Relator(a): Marco Aurélio,
Tribunal Pleno, julgado em 24/08/2020, DJe 17/09/2020, Tema 505)
} Salário não pode ser penhorado para pagamento de honorários
advocatícios sucumbenciais. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE
PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. AÇÃO DE INDENIZA-
ÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
DE SUCUMBÊNCIA. NATUREZA ALIMENTAR. EXCEÇÃO DO § 2º DO
ART. 833. PENHORA DA REMUNERAÇÃO DO DEVEDOR. IMPOSSI-
BILIDADE. DIFERENÇA ENTRE PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA E VERBA
DE NATUREZA ALIMENTAR. JULGAMENTO: CPC/15. 1. Ação de in-
denização, na fase de cumprimento de sentença para o pagamento
dos honorários advocatícios, da qual foi extraído o presente recurso
especial, interposto em 12/02/2019 e atribuído ao gabinete em
18/06/2019. 2. O propósito recursal é decidir se o salário do devedor
pode ser penhorado, com base na exceção prevista no § 2º do art. 833
do CPC/15, para o pagamento de honorários advocatícios, por serem
estes dotados de natureza alimentar, nos termos do art. 85, § 14, do
CPC/15. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mé-
rito, e suficientemente fundamentado o acórdão recorrido, de modo
a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação
do art. 1.022, II, do CPC/15. 4. Os termos “prestação alimentícia”,
“prestação de alimentos” e “pensão alimentícia” são utilizados como
sinônimos pelo legislador em momentos históricos e diplomas diver-
sos do ordenamento jurídico pátrio, sendo que, inicialmente, estavam

240
Agosto

estritamente relacionados aos alimentos familiares, e, a partir do


CC/16, passaram a ser utilizados para fazer referência aos alimentos
indenizatórios e aos voluntários. 5. O termo “natureza alimentar”, por
sua vez, é derivado de “natureza alimentícia”, o qual foi introduzido
no ordenamento jurídico pela Constituição de 1988, posteriormente
conceituado pela EC nº 30/2000, constando o salário como um dos
exemplos. 6. Atento à importância das verbas remuneratórias, o cons-
tituinte equiparou tal crédito ao alimentício, atribuindo-lhe natureza
alimentar, com o fim de conceder um benefício específico em sua
execução, qual seja, a preferência no pagamento de precatórios, nos
termos do art. 100, § 1º, da CRFB. 7. As verbas remuneratórias, ainda
que sejam destinadas à subsistência do credor, não são equivalentes
aos alimentos de que trata o CC/02, isto é, àqueles oriundos de rela-
ções familiares ou de responsabilidade civil, fixados por sentença ou
título executivo extrajudicial. 8. Uma verba tem natureza alimentar
quando destinada à subsistência do credor e de sua família, mas
apenas se constitui em prestação alimentícia aquela devida por quem
tem a obrigação de prestar alimentos familiares, indenizatórios ou
voluntários em favor de uma pessoa que, necessariamente, deles
depende para sobreviver. 9. As verbas remuneratórias, destinadas,
em regra, à subsistência do credor e de sua família, mereceram a
atenção do legislador, quando a elas atribuiu natureza alimentar. No
que se refere aos alimentos, porque revestidos de grave urgência- por-
quanto o alimentando depende exclusivamente da pessoa obrigada
a lhe prestar alimentos, não tendo outros meios para se socorrer -,
exigem um tratamento mais sensível ainda do que aquele conferido
às verbas remuneratórias dotadas de natureza alimentar. 10. Em
face da nítida distinção entre os termos jurídicos, evidenciada pela
análise histórica e pelo estudo do tratamento legislativo e jurispru-
dencial conferido ao tema, forçoso concluir que não se deve igualar
verbas de natureza alimentar às prestações alimentícias, tampouco
atribuir àquelas os mesmos benefícios conferidos pelo legislador a
estas, sob pena de enfraquecer a proteção ao direito, à dignidade e
à sobrevivência do credor de alimentos (familiares, indenizatórios
ou voluntários), por causa da vulnerabilidade inerente do credor
de alimentos quando comparado ao credor de débitos de natureza

241
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

alimentar. 11. As exceções destinadas à execução de prestação ali-


mentícia, como a penhora dos bens descritos no art. 833, IV e X, do
CPC/15, e do bem de família (art. 3º, III, da Lei 8.009/90), assim como
a prisão civil, não se estendem aos honorários advocatícios, como
não se estendem às demais verbas apenas com natureza alimen-
tar, sob pena de eventualmente termos que cogitar sua aplicação a
todos os honorários devidos a quaisquer profissionais liberais, como
médicos, engenheiros, farmacêuticos, e a tantas outras categorias.
12. Recurso especial conhecido e não provido. (REsp 1815055/SP,
Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 03/08/2020,
DJe 26/08/2020)
} 28/08/2020 – Nos termos da jurisprudência dominante do TST, o em-
pregador está isento de pagar o aviso-prévio apenas na hipótese em
que o empregado tenha requerido a dispensa de seu cumprimento,
por ter obtido um novo emprego, caso em que a comprovação de novo
emprego torna-se necessária para que se confirme que o empregado
solicitou a dispensa sem qualquer vício na sua manifestação de von-
tade. Portanto, não havendo pedido de dispensa do cumprimento
do aviso- prévio por parte do empregado, é irrelevante o fato de ele
ter conseguido novo emprego, razão pela qual o empregador conti-
nua obrigado por seu pagamento, nos termos da súmula nº 276 do
TST. (E-ARR-1754-16.2013.5.10.0002, SBDI-1, Relator Ministro Jose
Roberto Freire Pimenta, DEJT 28/08/2020).
} 28/08/2020 – Para apresentação do agravo de petição, cabe a parte
mencionar os valores incontroversos, sendo ilegal exigir que estes
estejam atualizados. A parte executada delimitou a matéria e os
valores objeto de sua irresignação no agravo de petição. O Tribunal
de origem, todavia, entendeu que mencionados valores deveriam
estar atualizados e, deste modo, não conheceu do agravo de petição.
Ocorre que a exigência de atualização dos valores constitui, na espé-
cie, pressuposto recursal não previsto expressamente pela lei, o que
ofende as garantias do contraditório e da ampla defesa. Precedentes.
Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (ARR-
286-90.2012.5.05.0034, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena
Mallmann, DEJT 28/08/2020).

242
Agosto

} 28/08/2020 – Improcede o pedido de indenização substitutiva da


estabilidade provisória da gestante que recusou injustificadamente
a reintegração. Cinge-se a controvérsia à possibilidade de se deferir
indenização substitutiva nos casos em que há recusa injustificada da
empregada gestante à proposta do empregador de retorno ao tra-
balho. Na hipótese dos autos, ficou devidamente comprovado que
o empregador, tão logo teve conhecimento do estado gestacional da
reclamante, espontaneamente lhe ofereceu o retorno ao posto de
trabalho, sendo que esta injustificadamente se recusou a retornar.
Logo, não há como dar guarida à pretensão indenizatória, diante do
implícito abuso de direito por parte da gestante. Recurso de revista
conhecido e provido. (RR-11395-81.2018.5.18.0082, 8ª Turma, Re-
latora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 28/08/2020).39
} O crédito decorrente das astreintes aplicadas no bojo de processo
trabalhista deve ser habilitado na recuperação judicial na classe dos
quirografários, e não na dos créditos trabalhistas (REsp 1.804.563-
SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 25/08/2020, DJe 31/08/2020). A controvérsia cinge-se a
saber se o crédito decorrente das astreintes, aplicadas no bojo de pro-
cesso trabalhista, em razão de descumprimento de ordem emanada
pelo Juízo trabalhista, deve ser habilitado na recuperação judicial na
classe dos créditos trabalhistas, ou na dos quirografários. Inicialmente,
destaca-se que as astreintes possuem o propósito específico de coa-
gir a parte a cumprir determinada obrigação imposta pelo juízo- em
tutelas provisórias e específicas ou mesmo na sentença-, incutindo,
em seu psicológico, o temor de sofrer sanção pecuniária decorrente

39. A decisão foi por maioria e possui os seguintes detalhes fáticos que merecem ser
registrados: (1) a gravidez foi descoberta após o encerramento do contrato, (2) após
a homologação da rescisão contratual a reclamante comunicou a assistente do depar-
tamento pessoal da empresa acerca da gravidez, (3) diante da notícia da gravidez, a
empresa imediatamente informou à reclamante que ela era detentora de estabilidade
e que seria reintegrada, (4) a reclamante compareceu na empresa, informou que não
tinha interesse na reintegração e formalizou declaração de próprio punho no sentido
de que renunciava a reintegração. De todo modo, importante alertar que este não é o
entendimento da SBDI-1 do TST, que considera o direito irrenunciável pela gestante,
por também pertencer ao nascituro.

243
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de eventual inadimplemento, do que ressai, indiscutivelmente, seu


caráter coercitivo e intimidatório. Trata-se, pois, de técnica executiva,
de viés puramente instrumental, destinada a instar a parte a cum-
prir, voluntariamente (ainda que sem espontaneidade), a obrigação
judicial, tal como lhe foi imposta. Na hipótese de a técnica executiva
em comento mostrar-se inócua, incapaz de superar a renitência do
devedor em cumprir com a obrigação judicial, a multa assume claro
viés sancionatório. Trata-se, nesse caso, de penalidade processual
imposta à parte, sem nenhuma finalidade ressarcitória pelos prejuízos
eventualmente percebidos pela parte adversa em razão do descum-
primento da determinação judicial ou correlação com a prestação,
em si, não realizada.O fato de a multa processual ter sido imposta no
bojo de uma reclamação trabalhista não faz com que esta adira ao
direito material ali pretendido, confundindo-se com as retribuições
trabalhistas de origem remuneratória e indenizatória. Primeiro,
porque a obrigação judicial inadimplida, ensejadora da imposição
de sanção pecuniária, não se confunde, necessariamente, com o
direito ao final reconhecido na reclamação trabalhista. Segundo e
principalmente, porquanto a sanção pecuniária imposta em razão
do descumprimento da obrigação judicial- estabelecida em tutelas
provisórias e específicas ou mesmo na sentença-, de natureza proces-
sual, não possui nenhum conteúdo alimentar, que é, justamente, o
critério justificador do privilégio legal dado às retribuições trabalhis-
tas de origens remuneratória e indenizatória. Não se pode conferir
tratamento assemelhado a realidades tão díspares. O crédito traba-
lhista tem como substrato e fato gerador o desempenho da atividade
laboral pelo trabalhador, no bojo da relação empregatícia, destinado
a propiciar a sua subsistência, do que emerge seu caráter alimentar.
As astreintes, fixadas no âmbito de uma reclamação trabalhista 190
(concebidas como sanção pecuniária de natureza processual), não
possuem origem, nem sequer indireta, no desempenho da atividade
laboral do trabalhador.A interpretação demasiadamente alargada à
noção de “crédito trabalhista”, a pretexto de beneficiar determinado
trabalhador, promove, em última análise, indesejado desequilíbrio no
processo concursal de credores, sobretudo na classe dos trabalhis-
tas, em manifesta violação ao princípio da par conditio creditorum.
(Informativo STJ nº 679)

244
Agosto

} 17/08/2020 – A SBDI-1 do TST começou a analisar a licitude do uso de


informações de crédito por empresas de gestão de risco em relação
aos candidatos ao emprego. A discussão pauta-se na licitude de uma
empresa de gerenciamento de risco do setor de transporte rodoviário
de carga possuir e alimentar banco de dados sobre restrições de cré-
dito de motoristas candidatos a emprego e repassá-las às empresas
contratantes. Inicialmente, o juízo de primeiro grau e a 7ª Turma do
TST julgaram improcedente a pretensão do MPT de que a empresa
se abstivesse dessa prática. Para a Turma, a atividade desenvolvida
era lícita e permitia às empresas examinar a conveniência de con-
tratação de trabalhadores “segundo o perfil individual de cada qual,
avaliando, inclusive, os potenciais impactos nas relações de seguro
de cargas”. Para chegar à SDI, o MPT apontou decisão da 2ª Turma,
em ação envolvendo empresa de gestão de riscos, em que a prática
de repassar informações constantes de bancos de dados públicos foi
considerada ilícita. O relator dos embargos do MPT à SDI-1, ministro
Alberto Bresciani, destacou que a jurisprudência do TST já pacificou
o entendimento de que as informações constantes nos serviços de
proteção ao crédito não podem ser exigidas de empregados e candi-
datos a emprego. Segundo ele, a redação atual do artigo 13-A da Lei
11.442/2007, que regula o transporte de cargas, proíbe a utilização de
banco de dados de proteção ao crédito como mecanismo de vedação
de contratos entre os transportadores autônomos e as empresas de
transporte rodoviário de cargas. Para Bresciani, o cadastro organi-
zado pela GPS, ainda que público, destina-se à proteção do crédito
a ser concedido por bancos, particulares e associações comerciais
e não deve ser usado para verificar a aptidão de motoristas ao em-
prego ou “a probabilidade de que venha a subtrair as mercadorias
transportadas”, elevando os custos do seguro dos fretes. Com esses
fundamentos, votou pela condenação da GPS à obrigação de deixar de
utilizar o banco de dados e de buscar informações sobre os candidatos
a emprego, com imposição de multa de R$ 10 mil por candidato em
caso de descumprimento, e ao pagamento de indenização de R$ 200
mil por dano moral coletivo. A presidente do TST, ministra Maria
Cristina Peduzzi, abriu divergência, por entender que a GPS apenas
sistematiza um conjunto de dados, a partir de informações públicas,

245
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

e não há informações de que esse procedimento tenha impedido a


contratação de trabalhadores. A ministra entende que a condenação
da empresa a impediria de desenvolver atividade lícita, geradora de
impostos, “o que vai de encontro ao princípio da livre iniciativa”. O
julgamento foi interrompido pelo pedido de vista do ministro Cláudio
Brandão. Processo: E-RR-933-49.2012.5.10.0001
} 28/08/2020 – Professor dispensado no início do semestre letivo
receberá indenização pela perda de uma chance. Uma vez iniciado
o semestre letivo, a probabilidade de recolocação do professor em
outra instituição de ensino é bastante prejudicada, na medida em que
se presume estarem preenchidos os demais postos de trabalho de
professor. Assim, tendo em vista que o rompimento imotivado do
professor após início das atividades letivas dificulta a sua recolocação
no mercado de trabalho, constata-se que o procedimento adotado
pela instituição de ensino reclamada ultrapassou os limites do po-
der diretivo, sendo o pagamento de indenização por danos morais e
materiais medida que se impõe, porquanto configurada a perda de
uma chance, consoante o disposto no artigo 927 do Código Civil. (RR-
1789-71.2016.5.10.0001, 2ª Turma, Relator Ministro Jose Roberto
Freire Pimenta, DEJT 28/08/2020). A teoria da perda de uma chance
foi construída a partir da responsabilidade civil prevista nos arts. 186
e 927 do CCB, segundo a qual a vítima é privada da oportunidade de
obter certa vantagem, em face de ato ilícito praticado pelo ofensor,
configurando-se um prejuízo material indenizável, consubstanciado
na real probabilidade de um resultado favorável esperado. O que se
indeniza é a possibilidade de obtenção do resultado esperado. A in-
denização buscada não deve corresponder efetivamente à vantagem
esperada, mas sim à perda da oportunidade de obter a vantagem ou
de evitar o prejuízo. Mas, no caso julgado, a remuneração mensal
do reclamante era de R$ 8.009,67. Sua dispensa logo após o início do
semestre resultou em frustração quanto à continuidade do vínculo
empregatício e em dificuldade de recolocação no mercado de trabalho
pelos seis meses seguintes, razão pela qual Turma entendeu que a
indenização por dano material deve corresponder ao prejuízo supor-
tado neste interregno. Assim, a reparação pecuniária, decorrente

246
Agosto

do dano material consistiu em 6 x R$ 8.009,67 (acrescidos de 6/12


avos – a título de 13º salário proporcional – R$ 4.004,83, somados a
6/12 avos de férias proporcionais – com o respectivo terço constitucio-
nal – R$ 5.339,76), o que totaliza R$ 57.402,61 (cinquenta e sete mil,
quatrocentos e dois reais, e sessenta e um centavos). Mas, fora este
caso do professor, o valor da indenização deve ter como parâmetro
o valor total do resultado esperado e sobre este deverá incidir um
coeficiente de redução proporcional às probabilidades de obtenção
desse resultado. Ou seja, com base nas provas produzidas e na sua
convicção, o juiz deverá levar em conta as probabilidades reais de o
autor da ação alcançar o resultado esperado. Quanto maiores essas
possibilidades, maior deve ser o valor da indenização.
} 31/08/2020 – STF entende que é legítima a incidência de contribui-
ção social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional
de férias (RE 1.072.485, rel. min. Marco Aurélio, j. 31/08/2020, DJe
2/10/2020, Tema 985).
} Direito Previdenciário e Constitucional. Constitucionalidade do
art. 57, § 8º, da Lei nº 8.213/91. Percepção do benefício de aposen-
tadoria especial independentemente do afastamento do benefi-
ciário das atividades laborais nocivas a sua saúde. Impossibilidade.
Recurso extraordinário parcialmente provido. 1. O art. 57, § 8º, da
Lei nº 8.213/91 é constitucional, inexistindo qualquer tipo de conflito
entre ele e os arts. 5º, inciso XIII; 7º, inciso XXXIII; e 201, § 1º, da Lei
Fundamental. A norma se presta, de forma razoável e proporcional,
para homenagear o princípio da dignidade da pessoa humana, bem
como os direitos à saúde, à vida, ao ambiente de trabalho equilibrado
e à redução dos riscos inerentes ao trabalho. 2. É vedada a simulta-
neidade entre a percepção da aposentadoria especial e o exercício
de atividade especial, seja essa última aquela que deu causa à apo-
sentação precoce ou não. A concomitância entre a aposentadoria e
o labor especial acarreta a suspensão do pagamento do benefício
previdenciário. 3. O tema da data de início da aposentadoria especial
é regulado pelo art. 57, § 2º, da Lei nº 8.213/91, que, por sua vez,
remete ao art. 49 do mesmo diploma normativo. O art. 57, § 8º, da Lei
de Planos e Benefícios da Previdência Social cuida de assunto distinto

247
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

e, inexistindo incompatibilidade absoluta entre esse dispositivo e


aqueles anteriormente citados, os quais também não são inconsti-
tucionais, não há que se falar em fixação da DIB na data de afasta-
mento da atividade, sob pena de violência à vontade e à prerrogativa
do legislador, bem como de afronta à separação de Poderes. 4. Foi
fixada a seguinte tese de repercussão geral: “(i) [é] constitucional a
vedação de continuidade da percepção de aposentadoria especial se
o beneficiário permanece laborando em atividade especial ou a ela
retorna, seja essa atividade especial aquela que ensejou a aposenta-
ção precoce ou não; (ii) nas hipóteses em que o segurado solicitar a
aposentadoria e continuar a exercer o labor especial, a data de início
do benefício será a data de entrada do requerimento, remontando a
esse marco, inclusive, os efeitos financeiros; efetivada, contudo, seja
na via administrativa, seja na judicial, a implantação do benefício, uma
vez verificada a continuidade ou o retorno ao labor nocivo, cessará
o benefício previdenciário em questão. (RE 791961, Relator(a): Dias
Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2020, DJe 19-08-2020)
} 31/08/2020 – A competência para decidir sobre a possibilidade da
substituição de depósito recursal por seguro garantia é exclusiva do
juízo de execução. O pedido demanda análise fática incompatível com
a sede extraordinária do TST. (RR-1254-05.2017.5.09.0012, 2ª Turma,
Relator Ministro Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 28/08/2020).

248
SETEMBRO

} 1º/09/2020 – Publicado o Informativo TST nº 223, cujas principais


decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 223


(Período 17 a 31 de agosto de 2020)
A SDC não possui competência funcional para processar e julgar recurso ordinário
em habeas corpus, por não se tratar de hipótese de dissídio coletivo. O fato de a
suposta violação à liberdade de locomoção ter ocorrido no contexto de greve não
resulta na competência da SDC para julgar o RO em habeas corpus, tratando-se de
processo de competência da SBDI-2. A arguição de ofício da preliminar de incompe-
tência funcional não constitui decisão surpresa (art. 4º, § 1º, da IN nº 39 de 2016 do
TST), visto que a competência do juízo constitui pressuposto processual de validade.
TST-RO-1031-70.2015.5.05.0000, SDC, rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos,
17/8/2020 – Informativo TST nº 223.
É devido pagamento do Adicional de Atividade de Distribuição e/ou Coleta Externa
ao empregado dos Correios que foi readaptado em decorrência de acidente de
trabalho e que passou a exercer atividade interna na empresa, mas que já recebia
o adicional por exercício de atividade externa antes do afastamento, com base
no princípio constitucional da irredutibilidade salarial (art. 7º, VI, da CR/88), que
tem como consectário a proteção à estabilidade financeira, e no art. 461, § 4º,
da CLT, que inviabiliza a equiparação salarial quando o paradigma for trabalhador
readaptado em face de acidente de trabalho ou doença ocupacional. TST-E-ARR
10927-50.2016.5.09.0014, SBDI-I, rel. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
20/8/2020 – Informativo TST nº 223.
Caracteriza dano moral in re ipsa quando a empresa contrata trabalhadores tem-
porários, no prazo de validade do concurso público, em detrimento de candidato
aprovado dentro do número de vagas previsto no edital, dispensando-se a prova
do abalo moral sofrido, assim como a conduta culposa da empregadora e o nexo
causal entre ambos, sendo o ato em si suficiente para ensejar a reparação civil.
TST-E-RR-1781-23.2014.5.10.0015, SBDI-I, rel. Cláudio Mascarenhas Brandão,
20/8/2020 – Informativo TST nº 223.

249
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 223


(Período 17 a 31 de agosto de 2020)
É cabível a impetração de habeas corpus contra decisão que determinou retenção
de passaporte, por se tratar de ato que viola diretamente o direito de locomoção.
TST-RO-8790-04.2018.5.15.0000, SBDIII, rel. Min. Evandro Pereira Valadão Lopes,
red. p/ acórdão Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 18/8/2020 – Informativo
TST nº 223.
É competente a Justiça do Trabalho para julgar mandado de segurança contra ato
de juiz do trabalho que exorbita de sua competência e decide matéria alheia à sua
jurisdição. Na espécie, a decisão do juiz do trabalho sobre a incidência do imposto
de transmissão de bens imóveis (ITBI) em arrematação judicial exorbitou de sua
competência. TST-RO-1001657-22.2016.5.02.0000, SBDI-II, rel. Min. Maria Helena
Mallmann, 18/8/2020 – Informativo TST nº 223.
O monitoramento dos empregados no ambiente de trabalho por meio de câmera,
sem qualquer notícia a respeito de excessos pelo empregador, tais como a utilização
de câmeras espiãs ou a instalação de câmeras em recintos que fossem destinados ao
repouso dos funcionários ou que pudessem expor partes íntimas dos empregados,
como banheiros ou vestiários, não configura ato ilícito, inserindo-se dentro do po-
der fiscalizatório do empregador. Ainda, o procedimento não ocasiona significativo
constrangimento aos funcionários, nem revela tratamento abusivo do empregador
quanto aos seus funcionários, já que o monitoramento por câmera, a rigor, é feito
indistintamente. RR-21162-51.2015.5.04.0014, 1ª Turma, rel. Min. Hugo Carlos
Scheuermann, julgado em 26/8/2020 – Informativo TST nº 223.
Torna-se ilícita a terceirização em caso de subordinação direta dos empregados da
empresa prestadora de serviços em relação aos prepostos da empresa contratante.
No caso, a prova demonstrou que o trabalho era supervisionado pelos prepostos
da contratante, que poderiam impor sanções disciplinares aos empregados das
empresas terceirizadas. Esse aspecto, conforme o relator, evidencia a ocorrência de
subordinação direta. TST-RR-1012-35.2013.5.04.0203, 3ª Turma, rel. Min. Alexandre
de Souza Agra Belmonte, julgado em 26/8/2020 – Informativo TST nº 223.
O contrato de transporte de pessoas não se confunde com o de prestação de servi-
ços, sendo inaplicável o item IV da Súmula nº 331 do TST, porquanto não se trata de
intermediação de mão de obra, não havendo falar em responsabilidade subsidiária.
TST-RR-10984-48.2017.5.15.0117, 8ª Turma, rel. Min. Dora Maria da Costa, julgado
em 19/8/2020 – Informativo TST nº 223.

} CONSTITUCIONAL, TRABALHISTA E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


INTERNO NA RECLAMAÇÃO. VIOLAÇÃO AO QUE DECIDIDO NA ADC
16 E NO RE 760.931 TEMA 246-RG. DECISÃO IMPUGNADA QUE

250
Setembro

ATRIBUIU RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA À RECLAMANTE SEM


A DEMONSTRAÇÃO DE COMPORTAMENTO SISTEMATICAMENTE
NEGLIGENTE OU DE NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE A CONDUTA DO
PODER PÚBLICO E O DANO SOFRIDO PELO TRABALHADOR. SUPE-
RADA A AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA DO RECURSO DE REVISTA
(ART. 896-A DA CLT) POR ABSOLUTA INCOMPATIBILIDADE COM AS
DECISÕES DESTA CORTE SOBRE A TEMÁTICA. RECURSO PROVIDO
PARA AFASTAR A RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE. 1. O SUPRE-
MO TRIBUNAL FEDERAL reconheceu a Repercussão Geral sobre a
questão de responsabilidade subsidiária da administração pública
por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empre-
sa prestadora de serviço na ADC 16 e no RE 760.931 Tema 246-RG.
Mostra-se incompatível com tais precedentes, portanto, o reconhe-
cimento, pelo TST, da ausência de transcendência da matéria, motivo
pelo qual supero a questão para analisar a questão de fundo. 2. Por
ocasião do julgamento do RE 760.931, sob a sistemática da Reper-
cussão Geral, o Plenário desta SUPREMA CORTE afirmou que inexiste
responsabilidade do Estado por débitos trabalhistas de terceiros,
alavancada pela premissa da inversão do ônus da prova em favor do
trabalhador. 3. No caso sob exame, não houve a comprovação real
de um comportamento sistematicamente negligente da agravante,
tampouco há prova do nexo de causalidade entre a conduta comis-
siva ou omissiva do Poder Público e o dano sofrido pelo trabalhador,
a revelar presunção de responsabilidade da reclamante, conclusão
não admitida por esta CORTE quando do julgamento da ADC 16.
4.Recurso de agravo ao qual se dá provimento, afastando, desde
já, a responsabilidade da parte recorrente. (Rcl 36958 AgR, Órgão
julgador: Primeira Turma, Relator(a): Min. Rosa Weber, Redator(a)
do acórdão: Min. Alexandre de Moraes, Julgamento: 08/09/2020,
Publicação: 09/11/2020)
} CONSTITUCIONAL, TRABALHISTA E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
INTERNO NA RECLAMAÇÃO. VIOLAÇÃO AO QUE DECIDIDO NA ADC
16 E NO RE 760.931 TEMA 246-RG. DECISÃO IMPUGNADA QUE
ATRIBUIU RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA À RECLAMANTE SEM
A DEMONSTRAÇÃO DE COMPORTAMENTO SISTEMATICAMENTE

251
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

NEGLIGENTE OU DE NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE A CONDUTA DO


PODER PÚBLICO E O DANO SOFRIDO PELO TRABALHADOR. SUPE-
RADA A AUSÊNCIA DE TRANSCENDÊNCIA DO RECURSO DE REVISTA
(ART. 896-A DA CLT) POR ABSOLUTA INCOMPATIBILIDADE COM AS
DECISÕES DESTA CORTE SOBRE A TEMÁTICA. RECURSO PROVIDO
PARA AFASTAR A RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE. 1. O SUPRE-
MO TRIBUNAL FEDERAL reconheceu a Repercussão Geral sobre a
questão de responsabilidade subsidiária da administração pública
por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empre-
sa prestadora de serviço na ADC 16 e no RE 760.931 Tema 246-RG.
Mostra-se incompatível com tais precedentes, portanto, o reconhe-
cimento, pelo TST, da ausência de transcendência da matéria, motivo
pelo qual supero a questão para analisar a questão de fundo. 2. Por
ocasião do julgamento do RE 760.931, sob a sistemática da Reper-
cussão Geral, o Plenário desta SUPREMA CORTE afirmou que inexiste
responsabilidade do Estado por débitos trabalhistas de terceiros,
alavancada pela premissa da inversão do ônus da prova em favor do
trabalhador. 3. No caso sob exame, não houve a comprovação real
de um comportamento sistematicamente negligente da agravante,
tampouco há prova do nexo de causalidade entre a conduta comis-
siva ou omissiva do Poder Público e o dano sofrido pelo trabalhador,
a revelar presunção de responsabilidade da reclamante, conclusão
não admitida por esta CORTE quando do julgamento da ADC 16.
4. Recurso de agravo ao qual se dá provimento, afastando, desde já,
a responsabilidade da parte recorrente. (Rcl 36958 AgR, Relator(a):
Rosa Weber, Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, Primeira
Turma, julgado em 08/09/2020, DJe 09-11-2020)
} 04/09/2020 – Aplica-se a súmula 443 do TST para as situações de
câncer de mama. Inicialmente, a 8ª Turma do TST concluiu que o
câncer, por si só, não possui natureza contagiosa nem estigmatizante,
cabendo à empregada o ônus de provar que, no caso concreto, havia
estigma ou motivação discriminatória em sua dispensa. No entanto,
constata-se a dissonância do julgamento com o entendimento recen-
temente firmado pela SbDI-1 que, ao interpretar a Súmula 443 do TST,
fixou tese no sentido de que se presume discriminatória a dispensa

252
Setembro

do empregado portador de neoplasia maligna, presunção esta que


só pode ser elidida mediante prova robusta em sentido contrário, a
cargo da empresa. (E-ED-RR-2493-66.2014.5.02.0037, SBDI-1, Relator
Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 04/09/2020).
} 04/09/2020 – Não se aplica a garantia provisória de emprego à em-
pregada gestante (artigo 10, II, “b”, do ADCT) submetida ao regime de
trabalho temporário Lei n.º 6.019/74). Tese firmada no Incidente
de Assunção de Competência IAC-5639-31.2013.5.12.0051 (Tema
nº 02). (RR-1002078-94.2017.5.02.0511, 6ª Turma, Relator Ministro
Lelio Bentes Correa, DEJT 04/09/2020).
} 04/09/2020 – Na responsabilidade subsidiária não se aplica o bene-
fício de ordem. Para que o cumprimento da condenação recaia sobre
o devedor subsidiário, mister, apenas, que ele tenha participado da
relação processual e que seu nome conste do título executivo judicial,
somado ao fato de não se mostrarem frutíferas as tentativas de co-
brança do devedor principal. Não há, portanto, que se falar, na hipó-
tese, em benefício de ordem ou instituto a ele assemelhado, como a
prévia desconsideração da personalidade jurídica. A efetivação prática
da condenação subsidiária independe do prévio esgotamento da via
executória em face da empresa devedora, bem como dos sócios ou
administradores da devedora principal. Além disso, o prévio esgota-
mento da via executória em face da empresa devedora, bem como dos
sócios da empregadora direta implicaria transferir para o Juízo mais
um encargo, consistente na tarefa de localizar os bens particulares de
pessoas físicas, o que, não raro, revela-se em demorada diligência
de resultados inócuos. (ARR-1614-63.2014.5.03.0059, 3ª Turma,
Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 04/09/2020).
} 04/09/2020 – Em regra, a culpa exclusiva da vítima, que o fato da
vítima (denominado como culpa da vítima no Código Civil- art. 936)
é fator excludente da reparação civil, por inexistência de nexo de
causalidade do evento danoso com o exercício da atividade laboral.
Nesse norte, a caracterização da culpa exclusiva da vítima seria fa-
tor de exclusão do elemento “nexo causal” para efeito de inexistência
de reparação civil no âmbito laboral somente quando o infortúnio
ocorre por causa única decorrente da conduta do trabalhador, sem

253
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

qualquer ligação com o descumprimento das normas legais, contra-


tuais, convencionais, regulamentares, técnicas ou do dever geral de
cautela por parte do empregador, ou também sem qualquer ligação
com os fatores objetivos do risco da atividade. A responsabilidade
objetiva pode advir tanto da atividade empresarial ou da dinâmica
laborativa (independentemente da atividade da empresa) (ARR-
1614-63.2014.5.03.0059, 3ª Turma, Relator Ministro Mauricio Go-
dinho Delgado, DEJT 04/09/2020).
} 08/09/2020 – Em caso de adesão válida ao PDV opera-se a renúncia
expressa à eventual estabilidade provisória, o que afasta a aplicação
do art. 73, V, da Lei n.º 9.504/97 (RR-311-03.2011.5.02.0041, 1ª Tur-
ma, Relator Ministro Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 08/09/2020).
} 09/09/2020 – 6ª Turma do TST: empresa que exclui função de mo-
torista da base de cálculo para cota de aprendizes é condenada a
pagar indenização por dano moral coletivo. O fato de a empresa
ter funções que não podem ser exercidas por menores (insalubres
ou perigosas), não retira essas funções da base de cálculo da quanti-
dade de aprendizes, como prevê expressamente a Lei 10.097/2000
e o Decreto 5.598/2005. Ressalte-se que a aprendizagem pode ser
exercida até os 24 anos e não apenas por menores de 18 anos. Pro-
cesso TST-RR- 1432-91.2015.5.12.0059.
} 09/09/2020 – Sucessivos rebaixamentos, depois de longos anos de
exercício do cargo de diretor regional, não rendem ensejo a danos mo-
rais. Designações para ocupar cargos de confiança, ainda que possam
representam um decréscimo de confiança (e de remuneração) em
relação ao primeiro cargo ocupado (diretor regional), não configuram
ato ilícito. O exercício de função de confiança, qualquer que seja ela,
admite a reversão ao cargo original, sendo assegurada, quando muito,
a incorporação da gratificação recebida por mais de dez anos, em
homenagem ao princípio da estabilidade financeira, salvo se provada
alguma discriminação. (Ag-RR-10811-39.2013.5.18.0001, 1ª Turma,
Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, DEJT 05/06/2020).
} 11/09/2020 – Empresa não consegue invalidar laudo com base em
denúncia contra perito. A reclamada arguiu por petição, a existência

254
Setembro

de fato novo e superveniente nos termos do art. 493 do NCPC, por


entender que deve ser declarada a nulidade da perícia médica reali-
zada, determinando o retorno dos autos à instrução para a realização
de novo exame, tendo em vista que o perito que apresentou o laudo
constante dos autos está sendo investigado pelo MPF em razão de
envolvimento no esquema de corrupção em perícias trabalhistas,
denominado como “Operação Hipócritas”, conforme autos 9467-
06.2017.4.03.6105. Junta como prova o acórdão proferido pelo TRT
da 15ª Região nos autos do processo nº 0011293-64.2015.5.15.0109
RORSum, em que fora reconhecida a nulidade da perícia realizada pelo
mesmo expert e determinada a realização de outra, em decorrência
de ser investigado na “Operação Hipócritas”. O art. 493 do CPC dis-
põe que “Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo,
modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito,
caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da
parte, no momento de proferir a decisão”. No caso dos autos, em que
pese à gravidade do noticiado pela reclamada, entende-se que não
há razão para decretação da nulidade da perícia como fato superve-
niente, pois a única prova apresentada é um acórdão do TRT da 15ª
Região que analisou questão idêntica. Não há nenhum documento
que comprove que o perito indicado tenha participado do referido
esquema de corrupção e fraude em processos trabalhistas, sendo
que a mera indicação de que estava sendo investigado na Operação
Hipócritas do MPF, por si só, não é capaz de retirar a credibilidade
do laudo apresentado nos presentes autos. Isso porque, conforme
informações extraídas do site do MPF, a referida operação, deflagra-
da a partir de maio de 2016, “descortinou o funcionamento de uma
ampla rede criminosa, com abrangência em municípios diversos, em
que alguns assistentes técnicos – “autorizados” e aparentemente
financiados pela parte (geralmente empresas) que assistiam nos
processos trabalhistas e, por vezes, contando com a intermediação
de advogados- ajustavam o pagamento de vantagens indevidas (em
regra, de R$ 1,5 a R$ 4 mil por perícia) a peritos judiciais para emissão
de laudo pericial favorável à parte interessada. Em diversos casos
analisados na investigação, há evidências de que alguns dos peritos
judiciais solicitaram, aceitaram e/ou receberam os valores oferecidos

255
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

e, por conta disto, beneficiaram a parte que lhes pagou. As perícias falsas
e/ou tendenciosas em favor das empresas buscavam descaracterizar
o nexo de causalidade (de causa e efeito) entre a doença e o trabalho
exercido na empresa, a negação da própria doença do trabalhador
e/ou a afirmação de ausência de perda de capacidade laborativa. O
perito traía a confiança do juízo para tentar induzi-lo em erro e obter
uma sentença mais favorável à empresa reclamada”. A partir de tais
informações, conclui-se que a operação buscou investigar esquema
de corrupção praticado, via de regra, por empresas e peritos, não
havendo informações do envolvimento de trabalhadores, pois con-
forme as referidas notícias constantes do site no MPF, os laudos eram
confeccionados no intuito de beneficiar as empresas em processos
de responsabilidade por acidente e doença do trabalho. Por todo o
exposto, por qualquer ângulo que se examine, não há como reconhecer
a nulidade da perícia neste momento processual, quer porque a em-
presa não logrou demonstrar por documentos o efetivo envolvimento
do perito subscritor do laudo proferido nos autos; quer porque no caso
dos autos a perícia demonstrou o nexo concausal entre a moléstia e
as atividades desenvolvidas na empresa, fato que, a priori, denota a
isenção do perito, pois não favorece diretamente nenhuma das partes
(o interesse da reclamada era pelo reconhecimento da ausência de
nexo causal, enquanto que o da reclamante era de nexo causal direto,
e não concausal). (Ag-AIRR-11254-31.2014.5.15.0003, 3ª Turma, Re-
lator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 11/09/2020).
} 11/09/2020 – 3ª Turma reafirma jurisprudência do TST segundo a qual
a não observância dos intervalos para recuperação térmica, previstos
no quadro 1 do Anexo III da NR-15 da Portaria 3.215/78 do MTE, resulta
no pagamento de horas extras correspondentes ao referido período,
conforme exegese aplicada em relação aos intervalos previstos nos
arts. 71, § 4º, e 253 da CLT. (RR-1387-59.2017.5.23.0076, 3ª Turma, Re-
lator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 11/09/2020).
} 11/09/2020 – Não se aplica às controladoras de tráfego aéreo as nor-
mas especiais que regem a categoria dos radiotelefonistas (art. 227 e
seguintes da CLT). A atividade principal da autora é o monitoramento
de aeronaves, sendo o trabalho com rádio e telefone acessório à

256
Setembro

sua função principal. Considerando que as funções exercidas pela


empregada são variadas e não se concentram apenas nas atividades
de radiotelefonia, não há como enquadrá-la na respectiva categoria.
RR-1387-21.2016.5.09.0129, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 11/09/2020.
} 11/09/2020 – Partido político não pode ser responsabilizado por
débitos contraídos de forma independente pelo candidato eleitoral.
De acordo com o artigo 265 do Código Civil, a solidariedade decorre
da lei ou da vontade das partes, sendo certo que quanto a este último
aspecto o contrato de prestação de serviços não a contemplou. Da
análise dos dispositivos legais que supostamente poderiam ensejar
eventual condenação solidária do partido político, verifica-se que o
artigo 17 da Lei 9.504/97 não prevê a responsabilidade solidária ao
dispor que “As despesas da campanha eleitoral serão realizadas sob
a responsabilidade dos partidos, ou de seus candidatos, e financiadas
na forma desta Lei”. Por outro lado, o artigo 29, § 3º, da citada Lei
eleitoral, ao prever a possibilidade de responsabilizar solidariamente o
órgão partidário com o candidato pelas dívidas contraídas, condiciona
tal responsabilidade à decisão do órgão nacional de direção: “Even-
tuais débitos de campanha não quitados até a data de apresentação
da prestação de contas poderão ser assumidos pelo partido político,
por decisão do seu órgão nacional de direção partidária”, o que não
ocorreu no caso dos autos. RRAg-10827-39.2019.5.18.0241, 5ª Tur-
ma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 11/09/2020.
} 12/09/2020 – Publicado o Informativo TST nº 224, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 224


(Período 1º a 11 de setembro de 2020)
A SBDI-1, em sua composição plena, firmou entendimento de que o STF não emitiu
tese vinculante quanto à distribuição do ônus da prova relativa à fiscalização e,
nessa esteira, concluiu que incumbe à Administração Pública o ônus da prova da
fiscalização dos contratos de prestação de serviços, por se tratar de fato impeditivo
da responsabilização subsidiária. TST-E-ED-RR-62-40.2017.5.20.0009, SBDI-I, rel.
Márcio Eurico Vitral Amaro, 10/9/2020 – Informativo TST nº 224.

257
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 224


(Período 1º a 11 de setembro de 2020)
Não cabe ação rescisória com pedido de desconstituição de acórdão prolatado em
Agravo de Instrumento conhecido e não provido, pois a decisão não é de mérito. Não
é o caso de configuração da hipótese prevista no art. 966, § 2.º, II, do CPC, uma vez
que não houve decisão que impedisse a admissibilidade do recurso correspondente
ou impeça nova propositura da demanda. AR-1000914-95.2018.5.00.0000, SBDI-II,
rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, 2/9/2020 – Informativo TST nº 224.
Sobre os efeitos da decisão criminal no direito e no processo do trabalho, vigora em
nosso ordenamento, em regra, o princípio da incomunicabilidade das instâncias. A
decisão do juízo criminal repercute sobre outras esferas somente em caso de reco-
nhecimento da inexistência material do fato ou da negativa de autoria em sentença
de mérito no processo penal. Se a decisão de absolvição do reclamante no juízo cri-
minal se dá por ausência de provas e não por estar provada a inexistência do fato ou
da autoria não há como se afastar a justa causa. TST-RR215500-31.2008.5.02.0465,
2ª Turma, rel. Min. Maria Helena Mallmann, julgado em 2/9/2020 – Informativo
TST nº 224.
Decisão transitado em julgado, que determinou o pagamento de valor correspon-
dente à pensão mensal vitalícia ao trabalhador, de uma só vez, não trata de relação
jurídica de trato continuativo, submetida à cláusula rebus sic stantibus, sendo inca-
bível ação revisional (artigo 505, I, do CPC). TST-RR-1001013-24.2017.5.02.0007,
3ª Turma, rel. Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte, julgado em 2/9/2020 – In-
formativo TST nº 224.
A Lei nº 12.997/2014 é autoaplicável, produzindo efeitos desde 20.06.2014, data
da sua publicação, uma vez que todos os elementos para a sua tipicidade e vali-
dade são autoevidentes. A regulação pelo Ministério do Trabalho, inserindo a
atividade na NR-16, ostenta efeitos meramente administrativos, não prejudicando
o direito trabalhista (adicional de periculosidade) criado pela lei especificada. TST-RR-
24195-53.2017.5.24.0004, 3ª Turma, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, julgado
em 2/9/2020 – Informativo TST nº 224.
A contradição a que alude o artigo 1022 do CPC diz respeito à ausência de lógica ou
coerência entre as proposições contidas na decisão, não permitindo ao intérprete
deduzir, com exatidão, qual dos dois ou mais sentidos que se extraem do texto deve
prevalecer. TST-ED-ARR-707-96.2016.5.21.0001, 3ª Turma, rel. Min. Alexandre de
Souza Agra Belmonte, julgado em 9/9/2020 – Informativo TST nº 224.
A pretensão indenizatória que tem como causa de pedir o temor do qual é acometido
o reclamante de, futuramente, vir a desenvolver doença profissional em função da
sua exposição ao amianto durante o contrato de trabalho, prescreve em 2 (dois) anos
a contar da ruptura contratual. TST-RR-12879-21.2016.5.15.0039, 4ª Turma, rel. Min.
Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 1º/9/2020 –Informativo TST nº 224.

258
Setembro

Informativo TST nº 224


(Período 1º a 11 de setembro de 2020)
Homologação do TRCT com assistência sindical e sem ressalvas quanto ao “pedido”
de demissão não alcança ou não tem por efeito impedir posterior ajuizamento de
reclamação trabalhista pleiteado a rescisão indireta do contrato de trabalho, em face
de vício de consentimento (abalo psicológico em face de assédio moral). Para o TST,
os efeitos da quitação do TRCT, com assistência sindical, não abarcam a ocorrência
ou não de vício de consentimento quando do pedido de demissão e sua respectiva
conversão em rescisão indireta do contrato de trabalho. Nos termos da Súmula
nº 330 do TST, a quitação passada pelo empregado, com assistência de entidade
sindical de sua categoria, tem eficácia liberatória apenas em relação às parcelas
expressamente consignadas no recibo, dentro do limite dos valores efetivamente
pagos, salvo se oposta ressalva expressa e especificada ao valor dado às parcelas
impugnadas. Significa dizer que eventual eficácia liberatória do termo de quitação
assinado pelo empregado, a teor da Súmula nº 330 do TST e do art. 447, § 2.º, da
CLT, não impede eventual pleito de conversão do pedido de demissão em reta do
contrato de trabalho com apoio em vício de consentimento decorrente de assédio
moral (abalo psicológico). Isso porque o artigo 477 da CLT e a Súmula nº 330 do TST
explicitam que eventual quitação é relativa a uma dada parcela paga ao empregado
e não quitação acerca da discussão de eventual modalidade de rescisão do contrato
de trabalho, não havendo, portanto, sequer a necessidade de opor ressalva nesse
sentido no TRCT quanto essa discussão de conversão da modalidade de rescisão do
contrato de trabalho. TST-RR-1846-64.2012.5.08.0008, 5ª Turma, rel. Min. Breno
Medeiros, julgado em 9/9/2020 – Informativo TST nº 224.

} 17/09/2020 – STF julga improcedente ADPF 509 e entende constitu-


cional Cadastro de Empregadores que tenha submetido trabalhadores
a condições análogas à de escravo (Lista Suja).
} 18/09/2020 – Esta Corte Superior tem entendido que a existência de
sucessivas alterações no local da prestação de serviço, ao longo do
contrato de trabalho, enseja o pagamento do adicional de transfe-
rência. No que se refere ao tempo de duração, a jurisprudência desta
Corte, atenta ao princípio da razoabilidade, a fim de mensurar o que
representa a provisoriedade nos casos de transferência, entende ca-
racterizada quando ela se dá por um período inferior a 3 (três) anos.
No caso dos autos, verifica-se que houve uma única transferência do
Reclamante de Parobé/RS para a Itapetinga/BA, onde lá trabalhou
por quase cinco anos, até a resilição contratual em 2013, a afastar a
provisoriedade da transferência e, por consequência, a obrigação do
empregador de pagamento do adicional. Recurso de revista conhecido

259
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

por contrariedade à OJ nº 113 da SDI-I do TST e provido. (RRAg-840-


38.2013.5.04.0383, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza
Agra Belmonte, DEJT 18/09/2020).
} 18/09/2020- O pagamento da parcela PLR não é condicionado à vi-
gência do contrato de trabalho, mas sim, ao fato de o empregado ter
contribuído para os resultados da empresa (Súmula nº 451 do TST).
Por isso, o TST entende que não é possível, ainda que por norma
coletiva, excluir o direito ao pagamento da PLR com relação ao em-
pregado que “pediu” demissão, uma vez que tal distinção redunda
em ofensa ao princípio da isonomia, tendo em vista que, mesmo o
empregado que teve a iniciativa na ruptura contratual contribuiu para
os resultados positivos da empresa. (RR-10338-55.2015.5.01.0066,
4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 18/09/2020).
} 18/09/2020 – A arrematação judicial, conquanto seja um modo de-
rivado de aquisição da propriedade, não tem o condão de transferir
todo e qualquer débito para o adquirente do bem imóvel arrematado.
Tal conclusão decorre, inclusive, da regra inserta no § 1º do art. 908
do CPC, que dispõe que “no caso de adjudicação ou alienação, os
créditos que recaem sobre o bem, inclusive os de natureza propter
rem, sub-rogam-se sobre o respectivo preço, observada a ordem de
preferência”. Assim, as dívidas do bem alienado judicialmente recaem
sobre o valor do preço pago pelo adquirente, observando-se, sem-
pre, a ordem de preferência. Essa disposição se aplica, inclusive, aos
débitos relativos à tarifa devida à empresa concessionária de energia
elétrica e, caso não haja crédito suficiente para a sua quitação, por
tratar-se de obrigação pessoal e não propter rem, não se transfere
ao adquirente do bem arrematado, visto que os débitos estão vincu-
lados apenas àquele que efetivamente usufruiu do serviço prestado.
Precedentes do STJ e do TST. (RO-80251-12.2016.5.22.0000, SBDI-2,
Relator Ministro Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 18/09/2020).
} 18/09/2020 – 8ª Turma do TST afasta aplicação da legislação brasileira
para reger o trabalho em navio de cruzeiro de bandeira estrangeira
que navega em águas nacionais e internacionais. Inicialmente, so-
bre a competência, a Turma afirmou que a jurisprudência do TST,
atenta às novas dinâmicas das relações laborais, tem reconhecido a

260
Setembro

competência territorial do foro do domicílio do trabalhador, mesmo


que não coincida com o local da prestação de serviço ou com o da
contratação, desde que também não reste inviabilizado o direito de
defesa da parte reclamada. No caso enfrentado, o trabalhador foi
arregimentado, treinado e contratado no Brasil para prestar serviços
em navio de cruzeiro de bandeira estrangeira, com empresa subsi-
diária do grupo sediada no Brasil, para labor em águas nacionais e
internacionais. Nesse cenário, exigir do trabalhador o ajuizamento
de sua reclamação no país da bandeira do navio, em razão da Lei do
Pavilhão, mostra-se em flagrante descompasso com a necessidade de
assegurar ao empregado acesso à Justiça, direito fundamental de todo
cidadão (art. 5º, XXXV, da CRFB/88), solução que, em última análise,
acarretaria em denegação de justiça, em razão dos elevados custos
financeiros gerados pela necessidade de transporte, alimentação e
hospedagem, por exemplo, a quem busca por prestações de nature-
za alimentar. Ademais, verifica-se que as reclamadas participaram,
efetivamente, de todos os atos processuais, sem qualquer prejuízo
no exercício do seu direito de defesa. Assim, em razão do disposto
nos art. 5º, XXXV, da CRFB/88, art. 651 da CLT, art. 75, § 2º, do Código
Civil, art. 12 da LINDB e art. 22, I, e parágrafo único, e 22, I e II, do CPC,
não há como afastar a jurisdição nacional e a competência da Justiça
do Trabalho para apreciação do feito. Já sobre a lei material aplicá-
vel (conflito de leis no espaço) a controvérsia reside em definir qual
a legislação aplicável ao caso em exame: legislação do país no qual
está matriculado o navio (Lei do pavilhão ou da bandeira) ou aplica-
ção da legislação brasileira, nos termos da Lei nº 7.064/82. As regras
fundamentais para a solução das antinomias são três: a) o critério
cronológico, b) o critério hierárquico e c) o critério da especialidade.
No que concerne ao critério hierárquico, é importante destacar o que
o art. 178, caput, da CRFB/88 dispõe: “A lei disporá sobre a ordenação
dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à orde-
nação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela
União, atendido o princípio da reciprocidade”. Examinando o referido
dispositivo, há substanciosa doutrina que sustenta que as normas
internacionais relativas à ordenação do transporte internacional
têm hierarquia de norma supralegal, constituindo uma exceção ao

261
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

critério de equiparação dos tratados internacionais (que não tratam


de direitos humanos) à lei ordinária. Ademais, em 5.5.2017, o STF
examinou controvérsia envolvendo o disposto no art. 178 da Consti-
tuição Federal, assentando a seguinte tese de repercussão geral- tema
210: “Nos termos do art. 178 da CRFB/88, as normas e os tratados
internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras
aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia
e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do
Consumidor”. Verifica-se, portanto, que a decisão do STF conduz à
conclusão de que as normas internacionais que ordenam o transporte
internacional devem prevalecer sobre a legislação interna, em razão
do disposto no art. 178 da CRFB/88. Além disso, pelo critério da espe-
cialidade, as normas internacionais, ora em exame, também devem
prevalecer sobre a Lei nº 7.064/83, pois tratam, especificamente,
sobre a legislação aplicável, dentre outras coisas, às condições de
trabalho, tripulação e questões sociais em navios que navegam em
águas nacionais, internacionais e em alto mar. A Convenção 186 da
OIT - Convenção sobre Trabalho Marítimo -, buscou incorporar em
um único documento especialmente as normas existentes sobre
trabalho marítimo. A matéria é de extrema importância, pois, no que
importa ao caso em apreciação, a convenção elegeu a lei do pavilhão.
Ou seja, os deveres e obrigações são regidos pela legislação do país
cuja bandeira haja o navio arvorado. Apesar de a Convenção 186 da
OIT não poder ser exigida, ainda, no âmbito interno, pois não finali-
zado o trâmite de incorporação ao ordenamento jurídico nacional,
a referida norma internacional é plenamente aplicável aos navios
que ostentem bandeira dos países signatários da referida norma da
OIT, como no caso do Panamá, bandeira do navio ora em apreciação.
Não obstante isso, há outras duas convenções internacionais, ratifi-
cadas pelo Brasil e pelo país da bandeira do navio ora em discussão,
que elegeram a legislação do país no qual está matriculado o navio
(Lei do pavilhão ou da bandeira): a) Convenção das Nações Unidas
sobre o Direito do Mar, celebrada em Montego Bay, na Jamaica, em
10/12/1982, promulgada pelo Decreto nº 1.530, de 22 de junho de
1995 - arts. 91, item 1, 94, itens 1 e 2, “b”; b) Convenção de Direito
Internacional Privado (Código de Bustamante), celebrada em Havana,

262
Setembro

em 13 de fevereiro de 1928, promulgada pelo Decreto nº 18.871 de


13 de agosto de 1929- arts. 198, 279 e 281. Assim, seja pelo critério
hierárquico e/ou da especialidade, deve ser afastada a aplicação da
legislação brasileira no caso de trabalhador contratado para laborar
em navio de cruzeiro que navega em águas nacionais, internacio-
nais e em alto mar, tendo em vista a incidência da lei do pavilhão
ou da bandeira prevista nas convenções internacionais firmadas
pelo Brasil, evitando-se, assim, a disparidade de tratamento entre
trabalhadores que exercem a mesma função, e, ao mesmo tempo,
privilegiando a segurança jurídica dessas relações. (ARR-1268-
93.2017.5.13.0006, 8ª Turma, Redator Ministro Márcio Eurico Vitral
Amaro, DEJT 18/09/2020).40
} 21/09/2020 – STF decidiu que é constitucional a exigência do comum
acordo entre as partes para ajuizamento de dissídio coletivo de natu-
reza econômica. A decisão foi tomada na sessão virtual concluída em
21/9, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE 1002295), com
repercussão geral reconhecida (Tema 841).
} 21/09/2020 – A jurisprudência da SDC, ao tempo em que considera
“desnecessária a homologação, por Tribunal Trabalhista, do acordo
extrajudicialmente celebrado, sendo suficiente, para que surta efei-
tos, sua formalização perante o Ministério do Trabalho” (OJ nº 34 da
SDC), ressalva que, se postulado pelas Partes, compete ao Tribunal
homologar o acordo celebrado no curso do dissídio coletivo, excluídas,
todavia, as cláusulas que atentem contra o ordenamento jurídico
trabalhista. ROT-237-09.2019.5.23.0000, SDC, Relator Ministro Ives
Gandra Martins Filho, DEJT 29/09/2020.
} 21/09/2020 – A jurisprudência da SBDI-2 do TST perfilha o enten-
dimento de que, além de ser possível a concessão dos benefícios
da justiça gratuita às pessoas jurídicas que comprovarem de forma
cabal sua insuficiência de recursos, a gratuidade da justiça abrange
o depósito prévio a ser recolhido na propositura da ação rescisória.

40. Em sentido diametralmente oposto (a lei material deve ser a brasileira) e representan-
do a posição atualmente dominante no TST, confira-se: ARR-1370-79.2015.5.09.0012,
6ª Turma, Relatora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 14/02/2020.

263
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Enquanto o depósito recursal tem natureza jurídica de pressuposto


recursal extrínseco, com finalidade de garantir o juízo, visando asse-
gurar que, em fase de execução, o crédito trabalhista seja adimplido,
o depósito prévio consiste em pressuposto processual de existência
e validade regular do procedimento especial desconstitutivo, com a
finalidade de, à guisa de multa, desestimular o ajuizamento de ações
rescisórias de forma temerária. (RO-10540-11.2017.5.03.0000, SBDI-2,
Relator Ministro Evandro Pereira Valadao Lopes, DEJT 14/08/2020).
} 21/09/2020 – Multa normativa é limitada ao valor da obrigação princi-
pal. A SBDI-1 do TST, em sua composição plena, na sessão realizada em
12/11/2018 (TST-E-ARR-12481-66.2014.5.14.0041, Relator Ministro
Augusto César Leite de Carvalho, DEJT 30/11/2018), firmou tese no
sentido de que a condenação ao pagamento de multa estipulada em
norma coletiva, em razão do descumprimento de cláusula pactuada,
não pode superar o valor da obrigação principal corrigida, ante a
natureza jurídica de cláusula penal, o que atrai a diretriz firmada na
OJ nº 54 da SbDI-1 do TST (RR-2686-83.2011.5.15.0018, 4ª Turma,
Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 26/06/2020).
} 22/09/2020 – É constitucional a exigência de comum acordo entre
as partes para ajuizamento de dissídio coletivo de natureza econô-
mica, conforme o artigo 114, § 2º, da CRFB/88, na redação dada pela
EC nº 45/2004. (RE 1.002.295, rel. p/ o ac. min. Alexandre de Moraes,
j. 22-9-2020, P, DJE de 13-10-2020, Tema 841.)
} 23/09/2020 – 2ª Turma do TST decidiu que a substituição de depósito
recursal por seguro garantia só é possível se o depósito for realizado após
a vigência da Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) (data da entrada
em vigor da Reforma Trabalhista). TST-RR-176200-26.2009.5.03.0004,
2ª Turma, rel. Min. Maria Helena Mallmann, julgado em 23/9/2020.
} 23/09/2020 – Ação de viúva e filho não impede o ajuizamento de novo
pedido pelos pais de trabalhador falecido, em decorrência do mesmo
fato gerador. É possível aos genitores do empregado falecido ajuizar
ação pleiteando indenização por danos morais, mesmo nos casos
em que há ação anterior proposta pelo cônjuge e filho do de cujus.
Nestes casos, para aferição da legitimidade, não é imprescindível que

264
Setembro

os genitores demonstrem a proximidade com o empregado falecido.


É entendimento do TST o de que possível ausência de proximidade
entre os genitores e o de cujus, e, por conseguinte, a inexistência do
alegado abalo moral, deve ser examinado quando do julgamento
do mérito da controvérsia, e não como óbice para o reconhecimento
da legitimidade ativa ad causam. Portanto, não há óbice processual
para que parentes postulem, em ações distintas, indenização por da-
nos morais, ainda que com base no mesmo fato gerador. Isso porque,
o alegado abalo moral é direito personalíssimo, devendo ser pleiteado
em nome próprio e examinado à luz das peculiaridades ínsitas ao
ofendido. (RR-10277-31.2015.5.18.0129, 1ª Turma, Relator Ministro
Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 14/08/2020). No mesmo sentido:
“Frise-se que não implica violação da coisa julgada (CRFB/88, art. 5.º,
XXXVI) o reconhecimento, em relação à companheira, do direito ao
pagamento de indenização por danos morais em outra lide contra a
mesma reclamada, fundamentada, igualmente, na dor sofrida pelo
falecimento deste trabalhador. Isso porque os danos experimentados
em situação tal transcendem a esfera individual ou de parcela do
núcleo familiar - a dor moral projeta reflexos sobre todos aqueles que
de alguma forma estavam vinculados afetivamente ao trabalhador
vitimado pelo acidente de trabalho. É que a dor pelo óbito independe
de relação de dependência econômica, mas, como dito, do sentimento
de ausência, de pesar, de saudade, etc. Portanto, cabível o pleito de
indenização por danos morais formulado pelo genitor do emprega-
do falecido.” (TST-AIRR-1512-98.2016.5.11.0010, Relator: Ministro
Mauricio Godinho Delgado, 3.ª Turma, DEJT 7/1/2019.)
} 24/09/2020 – 4ª Turma: não há direito adquirido à incorporação
da gratificação de função recebida por dez anos ou mais, mesmo
se completado o período antes da Reforma. INCORPORAÇÃO DE
GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO EXERCIDA POR MAIS DE 10 ANOS - SÚ-
MULA 372, I, DO TST FRENTE AO ART. 468, § 2º, DA CLT- TRANSCEN-
DÊNCIA JURÍDICA DA CAUSA- INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO
- RECURSO DESPROVIDO. Constituem critérios de transcendência
da causa, para efeito de admissão de recurso de revista para o TST,
a novidade da questão (transcendência jurídica), o desrespeito à

265
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

jurisprudência sumulada do TST (transcendência política) ou a direito


social constitucionalmente assegurado (transcendência social), bem
como o elevado valor da causa (transcendência econômica), nos ter-
mos do art. 896-A, § 1º, da CLT. A discussão sobre o direito adquirido
à incorporação da gratificação de função percebida por mais de 10
anos, quando revertido o empregado ao cargo efetivo, contemplada
pela Súmula 372, I, do TST e disciplinada especificamente de modo
diverso pelo art. 468, § 2º, da CLT, acrescido pela Lei 13.467/17, da
reforma trabalhista, é nova nesta Turma e de relevância jurídica para
ser por ela deslindada. O inciso I da Súmula 372 do TST tem como
“leading case” o precedente do processo E-RR-01944/1989 (Red.
Min. Orlando Teixeira da Costa, DJ 12/02/1993), em que se elenca-
ram expressamente 4 princípios que embasariam o deferimento da
pretensão incorporativa: a) princípio da habitualidade; b) princípio
da irredutibilidade salarial; c) princípio da analogia com direito re-
conhecido aos servidores públicos; d) princípio da continuidade da
jurisprudência. Nele se chegou a afirmar que “o legislador, dispondo
sobre a espécie (art. 468, parágrafo único da CLT), esqueceu-se de
explicitar se a reversão ao cargo efetivo, quando o trabalhador deixar
o exercício de função de confiança, importa na perda da gratificação
respectiva, mesmo tendo prestado relevantes serviços ao empre-
gador, naquela situação, por longo tempo”. Verifica-se, pela “ratio
decidendi” do precedente que embasou o inciso I da Súmula 372, que
o TST, ao invés de reconhecer na lacuna da lei o silêncio eloquente do
legislador, que não abriu exceções à regra, inovou no ordenamento
jurídico, criando vantagem trabalhista não prevista em lei, incorrendo
em manifesto ativismo judiciário e voluntarismo jurídico, mormente
por estabelecer parâmetros discricionários quanto ao tempo de
percepção (10 anos) e condições de manutenção (não reversão por
justa causa) da gratificação. Louvou-se, para tanto, na regra do art. 62,
§ 2º, da Lei 8.112/90, da incorporação de quintos pelos servidores
públicos da União, revogado desde 1997, o que retiraria inclusive a
base analógica da jurisprudência do TST. A Lei 13.467/17, levando em
conta os excessos protecionistas da jurisprudência trabalhista, veio
a disciplinar matérias tratadas em verbetes sumulados do TST, mas
fazendo-o em termos mais modestos, a par de estabelecer regras

266
Setembro

hermenêuticas na aplicação do direito, vedando explicitamente a


redução ou criação de direitos por súmula (Art. 8º, § 2º, da CLT). 6. No
caso do art. 468, § 2º, da CLT, a reforma trabalhista explicitou que a
reversão ao cargo efetivo não dá ao trabalhador comissionado o di-
reito à manutenção da gratificação de função, independentemente
do tempo em que a tenha recebido. Como a base da incorporação
da gratificação de função, antes da reforma trabalhista de 2017, era
apenas jurisprudencial, com súmula criando direito sem base legal,
não há que se falar em direito adquirido frente à Lei 13.467/17, uma
vez que, já na definição de Gabba sobre direito adquirido, este se
caracteriza como um conflito de direito intertemporal, entre lei
antiga e lei nova (“fato idôneo a produzi-lo, em virtude de a lei do
temp no qual o fato se consumou”) e não entre a lei nova e fonte
inidônea para criar direito novo. 8. Nesses termos, inexistindo
direito adquirido à incorporação da gratificação de função, ainda
que exercida por mais de 10 anos, frente à norma expressa do
art. 468, § 2º, da CLT, é de se dar provimento ao recurso de revista
patronal, para restabelecer a sentença que julgou improcedente a
reclamação trabalhista em que a vantagem era postulada. (RR-377-
71.2017.5.09.0010, 4ª Turma, Relator Ministro Ives Gandra Martins
Filho, DEJT 21/08/2020).
} 25/09/2020 – STF decidiu que a competência para processar e julgar
ações que envolvam contratos de representação comercial autô-
noma é da Justiça Comum, e não da Justiça do Trabalho. A tese de
repercussão geral fixada foi a seguinte: “Preenchidos os requisitos
dispostos na Lei 4.886/65, compete à Justiça Comum o julgamento
de processos envolvendo relação jurídica entre representante e
representada comerciais, uma vez que não há relação de trabalho
entre as partes”. (Recurso Extraordinário 606003, com repercussão
geral – Tema 550).41

41. Antes da tese, bom lembrar que o TST entendia pela impossibilidade de condenação
subsidiária da representada quando evidenciada a existência de contrato mercantil
entre as partes, em que as empresas, em nítido intercâmbio comercial, pactuam a
venda de produtos e serviços, pois não se trata de terceirização de serviços. (Ag-
-RR-1000575-74.2017.5.02.0402, 5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT
14/02/2020).

267
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 25/09/2020 – STF decidiu que terceirizados e empregados de em-


presa pública com mesmas tarefas podem ter salários diferentes.
Assim, não é possível a equiparação de direitos trabalhistas entre
terceirizados e empregados de empresa pública. O entendimento
foi firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 635.546, com
repercussão geral reconhecida (Tema 383). Os ministros propuseram
diferentes teses de repercussão para a matéria, por isso o julgamento
foi suspenso apenas para deliberação da tese de repercussão geral
em assentada posterior.
} 25/09/2020 – Se ao tempo da aquisição do imóvel não pendia ne-
nhuma ação contra o sócio responsável subsidiário a aquisição foi
de boa-fé. No caso, a execução se processava contra a empresa, cujo
sócio e sua esposa venderam o imóvel penhorado em 19.11.2013.
A reclamação trabalhista contra a empresa foi proposta em ação em
10.02.2012. Somente em 24.03.2014 houve a inclusão dos sócios.
Apenas nesse instante passou ele a figurar como parte na ação prin-
cipal. Como não havia, ao tempo da propositura da ação, demanda
contra a pessoa natural responsável pela venda do bem imóvel, disso
resultando a inadequada declaração de fraude à execução. (RR-525-
30.2017.5.02.0252, 5ª Turma, Relator Desembargador Convocado
Joao Pedro Silvestrin, DEJT 25/09/2020). Conforme jurisprudência da
SDI-I do TST, “para a configuração da fraude à execução é necessária a
existência de má-fé do terceiro adquirente, de modo que não se trata
de critério puramente objetivo, pelo que é necessário perquirir se o
terceiro adquirente detinha conhecimento da pendência do processo
sobre o bem alienado ou se a demanda era capaz de levar o alienante
à insolvência” (E-ED-RR-154900-19.2004.5.15.0046, Relator Ministro
José Roberto Freire Pimenta, DEJT de 26.05.2017).
} 25/09/2020 – Recusa a procedimento cirúrgico não afasta direito a
pensão mensal. O fato de a lesão poder ser revertida por intervenção
cirúrgica e pelo tratamento fisioterápico que a trabalhadora se re-
cusou a se submeter, não afasta o direito à indenização. No caso, em
primeiro lugar, não havia base científica peremptória nos autos de que
a cirurgia e fisioterapia seriam suficientes para evitar o comprometi-
mento de sua capacidade laborativa e para afastar a responsabilidade

268
Setembro

da ré. Em segundo lugar, nos termos do artigo 15 do CCB, ninguém


poderá ser constrangido a realizar tratamento médico ou intervenção
cirúrgica, sobretudo para fazer valer o seu direito indenizatório. RR-
1740-85.2015.5.20.0001, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de
Souza Agra Belmonte, DEJT 25/09/2020.
} 25/09/2020 – 4ª Turma do TST confirma jurisprudência do TST no
sentido de que a existência de EPI não faz presumir que o local de
trabalho é insalubre. Também não faz presumir que o ambiente
é insalubre a não apresentação de documentos ambientais para
demonstração da salubridade. Logo, é indispensável prova técnica
pericial, não podendo o julgador formar seu convencimento por mera
presunção e por ausência de prova. Se ausente o referido documento,
se torna ainda mais imprescindível a produção da mencionada prova
técnica. (RRAg-1734-14.2016.5.08.0119, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 25/09/2020).
} 25/09/2020 – No trabalho portuário, há compatibilidade entre o re-
gime de remuneração por produção do trabalhador portuário e o
pagamento de horas extras, quando houver extrapolação da jornada
diária ou semanal. Logo, a remuneração por produção não exclui o
direito do trabalhador ao pagamento de horas extras (art. 7º, XVI,
CRFB/88) (RR-220-81.2016.5.11.0009, 6ª Turma, Relatora Ministra
Katia Magalhaes Arruda, DEJT 14/08/2020).
} 27/09/2020 – Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho defere limi-
nar apresentada pela Confederação Brasileira de Futebol – CBF para
cassar tutela de urgência que suspendeu a realização de partida de
futebol profissional entre Palmeiras e Flamengo, ao considerar que
participarão do jogo apenas os atletas negativados para Covid-19.
Mas, o principal fundamento foi o de que o TRT da 1ª Região, sedia-
do no Rio de Janeiro, excedeu os limites da competência territorial,
pois não poderia determinar a suspensão de partida de futebol a ser
realizada em outro Estado da Federação (São Paulo).
} 29/09/2020 – Publicado o Informativo TST nº 225, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

269
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 225


(Período 14 a 28 de setembro de 2020)
Ofende o direito líquido e certo de processamento e julgamento imediato do recurso
de revista a determinação de retorno dos autos ao TRT para uniformização da sua
jurisprudência conflitante, nos termos do art. 896, § 4º, da CLT, quando o tema objeto
do recurso de revista já se encontra pacificado no âmbito do TST, ainda que a aludida
determinação tenha sido expedida antes da revogação do mencionado dispositivo
legal pela Lei nº 13.467/2017. TST-MS1000026-29.2018.5.00.0000, Órgão Especial,
rel. Min. Breno Medeiros, 14/9/2020 – Informativo TST nº 225.
A SDC, por maioria, considerou não abusiva a greve deflagrada pelos empregados dos
Correios, a despeito dos descumprimentos dos ditames legais e da liminar da ilustre
Relatora originária do feito, quanto à manutenção de percentual mínimo de 70% de
pessoal em atividade e não bloqueio de acesso às dependências da empresa, diante
da recusa patronal à negociação coletiva e do oferecimento de proposta redutiva de
vantagens, na qual anuía com a manutenção de apenas 9 das 79 cláusulas constantes
da sentença normativa anterior, justificando, assim, o movimento paredista e seus
excessos, em razão das perdas de vantagens consideradas históricas pela categoria.
TST-DCG-1001203-57.2020.5.00.0000, SDC, red. p/ acórdão Min. Ives Gandra Martins
Filho, 21/9/2020 – Informativo TST nº 225.42
Configura-se objetiva a responsabilidade da empresa por acidente automobilístico
que vitimou empregado motorista profissional, inexistindo culpa exclusiva da vítima
quando o risco do labor exercido pelo obreiro é inerente à atividade realizada pela
empresa. Ao realizar atividades de transporte rodoviário, a empresa assume o risco
de expor a vida e a integridade física dos seus trabalhadores, de modo que eventual
culpa do empregado no acidente não afasta a responsabilidade objetiva do empre-
gador, por se tratar de um risco de acidente intrínseco à atividade desenvolvida.
TST-E-RR-270-73.2012.5.15.0062, SBDI-I, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho,
17/9/2020. Informativo TST nº 225.

42. Em seu voto, a ministra propôs a manutenção de todas as cláusulas sociais históricas,
ou seja, com mais de 10 anos, de acordo com as convenções coletivas. Prevaleceu, no
entanto, a divergência parcial aberta pelo ministro Ives Gandra. O ministro lembrou
que, diferentemente do dissídio econômico puro, trata-se de dissídio coletivo de
greve, em que o poder normativo da Justiça do Trabalho fica reduzido e não pode
impor normas e condições de trabalho que representem ônus econômicos maiores
do que os previstos em lei. Nesse caso, segundo ele, não havendo cláusulas preexisten-
tes decorrentes de norma convencional anterior, deve-se conceder apenas o reajuste
salarial pela correção monetária dos salários, com a inclusão na relação da sentença
normativa de 20 cláusulas de natureza social.

270
Setembro

Informativo TST nº 225


(Período 14 a 28 de setembro de 2020)
O prazo do art. 800 da CLT tem natureza preclusiva, de modo que, não tendo a parte
exercido seu direito de opor exceção de incompetência territorial na forma e no
interregno ali previstos, prorroga-se a competência territorial do juízo em que pro-
posta a ação. TST-CC-10467-93.2019.5.15.0013, SBDI-II, rel. Min. Luiz José Dezena
da Silva, 22/9/2020 – Informativo TST nº 225.
A substituição do depósito recursal por fiança bancária ou seguro garantia judicial
só tem aplicação aos recursos interpostos contra as decisões proferidas a partir de
11/11/2017. TST-RR-176200-26.2009.5.03.0004, 2ª Turma, rel. Min. Maria Helena
Mallmann, julgado em 23/9/2020 – Informativo TST nº 225.
Gera dano moral coletivo a conduta empresarial que determinar aos propagan-
distas de produtos farmacêuticos a degustação de medicamentos de empresas
concorrentes. Lesão significativa e que, efetivamente, ofendeu a ordem jurídica,
ultrapassando a esfera individual. TST-RRAg-1559-84.2016.5.22.0004, 3ª Turma,
rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, julgado em 16/9/2020 – Infor-
mativo TST nº 225.
Se a entidade religiosa atua no ramo de radiodifusão é possível o reconhecimento
do exercício da função de radialista pelo Reclamante para fins de enquadramento
obreiro na Lei 6.615/1978. No caso, o TRT afastou o enquadramento do Autor na
categoria de radialista, por concluir que “a reclamada é uma igreja cuja finalidade
precípua não é a radiofusão, mas tão somente a propagação de sua doutrina religiosa”.
Contudo, muito embora seja uma instituição religiosa, cuja finalidade principal é a
pregação do Evangelho, também resulta incontroversa sua atuação como entidade
de radiodifusão, mediante a produção profissional e habitual de programa da igreja
para transmissão em rádio, pela qual atinge uma de suas atividades precípuas de
propagar sua doutrina religiosa. A propósito, é cada vez mais comum, na complexa
e multifacetada sociedade contemporânea, a reunião de múltiplas atividades orga-
nizacionais na estrutura de uma entidade ou organização originalmente singela e
unidimensional. É o que se percebe, por exemplo, em entidades universitárias mais
sofisticadas, bem como em entidades religiosas mais bem arquitetadas. Diante do
exposto, tem-se que o TRT, ao concluir que a Reclamada não atua no segmento de
radiodifusão, violou o art. 3º da Lei 6.615/1978. Contudo, considerando que a matéria
não foi examinada sob o prisma das atividades exercidas pelo Obreiro, e que não há
no acórdão regional elementos fáticos que permitam ao TST aferí-las para fins de
enquadramento nos arts. 2º e 4º da Lei 6.615/1978, impõe-se o retorno dos autos
ao Juízo da Vara do Trabalho de origem para definição da questão, como entender
de direito. TST-RR-2172-37.2015.5.02.0056, 3ª Turma, rel.Min. Mauricio Godinho
Delgado, julgado em 23/9/2019 – Informativo TST nº 225.

271
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 225


(Período 14 a 28 de setembro de 2020)
O não fornecimento de equipamentos de proteção individual não implica em au-
tomática violação aos direitos da personalidade do empregado. Exigível, portanto,
prova do prejuízo ou abalo sofrido. TST-AIRR-11425-96.2017.5.18.0003, 4ª Turma,
rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 22/9/2020 – Informativo
TST nº 225.

É discriminatória a dispensa da empregada mulher por ausência de acomodação


exclusiva em embarcação (navio mercante). A previsão do art. 4º da Lei nº 9.029/95
aplica-se aos contratos por tempo determinado, inclusive o de experiência. Devido
o pagamento das remunerações compreendidas no período de afastamento, em
dobro, na forma do art. 4º, II, da Lei nº 9.029/95, compreendido entre a data da
dispensa discriminatória e a data de publicação da sentença (conforme os julgados
do TST), considerando as circunstâncias do caso concreto, em que não se revela
cabível a reintegração da reclamante, que havia sido contratada por tempo de-
terminado (ação ajuizada em 2015). RRAg-10553-78.2015.5.01.0018, 6ª Turma,
rel. Min. Kátia Magalhães Arruda, julgado em 15/9/2020 – Informativo TST nº 225.

Para as situações constituídas anteriormente à vigência da Lei nº 13.467/2017


(preenchimento do requisito necessário ao reconhecimento da pretensão em
período anterior à novel legislação), será mantido o direito do empregado à
incorporação das funções exercidas. Entendimento contrário implicaria violação
da garantia constitucional da irretroatividade da lei (artigo 5º, XXXVI) que asse-
gura proteção ao direito adquirido (artigo 6º da LINDB). Ou seja, tendo recebido
as referidas gratificações por dez ou mais anos, considerando a data limite de
11/11/2017 (vigência da lei), deverá ser observado o entendimento contido na
Súmula nº 372 do TST, vigente à época dos fatos. Nada impede que se assegure
esse direito ao empregado público, pois os entes integrantes da Administração
Pública devem seguir integralmente a legislação trabalhista. Ocorre que a Corte
de origem determinou que fosse restabelecida a função comissionada recebida
pela empregada, “devendo o respectivo pagamento considerar a média das
gratificações no decênio que antecedeu a supressão da função em 01/04/2018”.
Não observou, desse modo, o prazo limite determinado pela modificação trazida
no artigo 468, § 2º, da CLT (11/11/2017). Assim, merece modificação o julgado,
a fim de que, na apuração do valor a ser incorporado a título de gratificação de
função, seja observada a média atualizada das funções exercidas nos 10 (dez) anos
anteriores a 11/11/2017. TST-RR-2090-90.2017.5.09.0007, 7ª Turma, rel. Min.
Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 16/9/2020 – Informativo TST nº 225.
Não cabe Reclamação Constitucional que está amparada na alegação de inobservância
de verbete sumulado de Tribunal Regional. TST-RO-587-82.2017.5.08.0000, 8ª Tur-
ma, rel. Min. Dora Maria da Costa, julgado em 16/9/2020 – Informativo TST nº 225.

272
OUTUBRO

} 02/10/2020 – Não se inserem na competência da Justiça do Trabalho


as ações ajuizadas por Sindicatos, tendo por objeto representativi-
dade sindical ou contribuição sindical, que digam respeito a traba-
lhadores submetidos ao regime estatutário ou àqueles cujo regime
jurídico aplicável esteja em discussão, pois as demandas relativas a
sindicato de servidores públicos estatutários detém natureza jurídica
administrativa, visto que os filiados são servidores públicos, não inseri-
dos, portanto, no regime celetista. Precedentes do STF (ADI nº 3.395-
MC/DF e Agravo Regimental nos autos da Reclamação nº 9.625/RN)
(E-RR-24300-63.2013.5.24.0006, SBDI-1, Relator Ministro Alexandre
Luiz Ramos, DEJT 02/10/2020). Portanto, nas ações que abrangem
eleições sindicais desses servidores não se reconhece a competência
da Justiça do Trabalho, mas da Justiça Comum.
} 07/10/2020 – O ministro Douglas Alencar, do TST, suspendeu liminar
concedida pelo juízo da 9ª Vara do Trabalho de Brasília em que se de-
terminava a observância, pela União, de diversos procedimentos para a
revisão e a atualização das Normas Regulamentadoras (NRs) do extinto
Ministério do Trabalho (atual Secretaria Especial de Previdência e Tra-
balho). Para ele, a Justiça do Trabalho é incompetente para examinar
pedido de declaração de nulidade da portaria que alterou a NR-15, por
suposta afronta a normas procedimentais e materiais. A controvérsia
existente nos autos da ACP ajuizada pelo MPT não visa à preservação
do meio ambiente laboral numa situação específica, concreta e deter-
minada, mas envolve, muito além disso, a própria retirada da Portaria
1.359/2019 do mundo jurídico, com a revalidação da normatividade
anterior, o que implicara, nessa parte, usurpação da competência
do STF (Processo:TutCautAnt-1001321-33.2020.5.00.0000, Relator:
Douglas Alencar Rodrigues). Com a decisão, a liminar concedida pelo
juízo de primeiro grau fica suspensa até o julgamento do mandado de
segurança pela SBDI-2 do TST.
} 08/10/2020 – Ação ajuizada por herdeiros de trabalhador autônomo
vítima de acidente deve ser julgada pela Justiça do Trabalho. Nos

273
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

termos da súmula nº 392 do TST, a Justiça do Trabalho é competen-


te para processar e julgar ações de indenização por dano moral e
material, decorrentes da relação de trabalho, ainda que propostas
pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido. O fato de
o trabalhador ser autônomo não afasta a competência da Justiça do
Trabalho para julgar a lide. (RR-11025-64.2015.5.01.0411, 6ª Turma,
Relatora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 04/09/2020).
} 08/10/2020 – TST entende que o repasse de serviços por meio de
aparelho celular aos empregados da terceirizada configura subordina-
ção direta. Apesar de o STF ter reconhecido a licitude da terceirização
de toda e qualquer atividade, meio ou fim (ADPF 324 e RE 958.252).
Remanesce a possibilidade de reconhecimento de vínculo com a
empresa contratante, apenas nos em que se verifique a existência
de pessoalidade e subordinação jurídica com a tomadora de serviços
(art. 4º-A da Lei 6.019/74). No caso concreto, o Regional registrou
que “os autos dão conta da existência dos requisitos de pessoalidade
e subordinação, na relação jurídica entre as partes, mormente pelo
fato de os serviços a serem executados serem repassados aos eletri-
cistas da mesma forma, por meio do aparelho eletrônico” (AIRR-196-
95.2017.5.10.0801, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite
de Carvalho, DEJT 25/09/2020).
} 09/10/2020 – Celetistas de fundação pública não conseguem equi-
paração salarial. Nos termos da OJ nº 297 da SBDI-1 do TST, “o art. 37,
inciso XIII, da CRFB/88, veda a equiparação de qualquer natureza
para o efeito de remuneração do pessoal do serviço público, sendo
juridicamente impossível a aplicação da norma infraconstitucional
prevista no art. 461 da CLT quando se pleiteia equiparação salarial
entre servidores públicos, independentemente de terem sido con-
tratados pela CLT”. (RR-20066-18.2017.5.04.0018, 3ª Turma, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 28/08/2020).
} 09/10/2020 – É imprescindível a prova da má-fé para caracterização de
fraude à execução. No caso concreto, quando o automóvel foi adquiri-
do (25/08/2017) não havia ainda direcionamento da execução para a
pessoa do sócio ou registro da constrição ao bem adquirido, o que só
veio a ocorrer em 23/11/2017, por isso o negócio jurídico pactuado foi

274
Outubro

realizado de boa-fé (RR-1000648-58.2018.5.02.0322, 5ª Turma, Relator


Desembargador Convocado Joao Pedro Silvestrin, DEJT 09/10/2020).
} 10/10/2020 – Publicado o Informativo TST nº 226, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:
Informativo TST nº 226
(Período 29 de setembro a 9 de outubro de 2020)
Apesar de a legitimação do sindicato para a defesa de interesses da categoria ser
ampla, a retenção de honorários contratuais incidentes sobre o montante da con-
denação só é permitida se o contrato de honorários for celebrado com cada um dos
substituídos (art. 22, § 4º, da Lei nº 8.906/94). Nesse contexto, não se pode deduzir
honorários advocatícios do valor do precatório, quando o contrato de prestação
de serviços advocatícios foi firmado apenas entre o sindicato e o advogado, haja
vista a inexistência de vínculo contratual entre o advogado e os substituídos. TST-
-RO-176200-65.1997.5.17.0001, Órgão Especial, rel. Min. João Batista Brito Pereira,
5/10/2020 – Informativo TST nº 226.
O TST passou a considerar possível a determinação de penhora de vencimentos,
realizada na vigência do CPC de 2015, para satisfação de débitos de natureza traba-
lhista, desde que limitada a 50% do montante recebível. Ocorre que o caso concreto
apresenta particularidades que, de fato, impedem a manutenção do referido ato de
constrição judicial, visto que o impetrante recebe um salário-mínimo de aposenta-
doria e possui 75 (setenta e cinco) anos de idade. Assim, em uma ponderação entre
o direito da satisfação do crédito do exequente e a subsistência do executado, há
de prevalecer este em detrimento daquele, com base no princípio da dignidade da
pessoa humana, fundamento constitucional. TST-RO1002653-49.2018.5.02.0000,
SBDI-II, rel. Min. Evandro Pereira Valadão Lopes, 29/9/2020 – Informativo TST nº 226.
Deve ser desconstituído capítulo da sentença referente aos honorários advocatícios
deferidos em ações ajuizadas anteriormente à Lei nº 13.467/2017 e, em juízo res-
cisório, afastada a condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucum-
benciais. TST-RO-11432- 80.2018.5.03.0000, SBDI-II, rel. Min. Alexandre de Souza
Agra Belmonte, 6/10/2020 – Informativo TST nº 226.
Ajuizada ação anulatória de auto de infração pelo autuado, a posterior propositura
de correspondente ação de execução fiscal pela União, em outro foro, não tem o
condão de deslocar a competência, visto que esta é fixada no momento do registro
ou da distribuição da petição inicial, como preconiza o art. nº 43 do CPC. Ademais,
a competência territorial para a execução fiscal (art. 46, §5º, do CPC) é de natureza
relativa, o que implica reconhecer a possibilidade de sua alteração ou prorrogação.
Dessa forma, no presente caso, cabia à União o ajuizamento da execução fiscal no
mesmo foro em que já tramitava a ação anulatória, devendo, pois, em razão da pa-
tente conexão, ser reunidas as referidas ações para julgamento em conjunto, a fim
de se evitar a prolação de decisões conflitantes. TST-CC-9953-02-2019.5.00.0000,
SBDI-II, rel. Min. Maria Helena Mallmann, 6/10/2020 – Informativo TST nº 226.

275
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 226


(Período 29 de setembro a 9 de outubro de 2020)
Conforme o art. 8º, III, da CRFB/88, os sindicatos têm ampla e irrestrita legitimidade
ao tutelar direitos coletivos ou individuais dos empregados da categoria, sendo
incabível a limitação imposta pela Corte Regional no sentido de que a execução
ser realizada por ações individuais. TST-RR-1377-21.2017.5.08.0015, 2ª Turma,
rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em 30/9/2020 – Informativo TST nº 226.

Ambas as Turmas do STF, apreciando reclamações contra decisões do TST, vencidos


os Min. Marco Aurélio e Rosa Weber, deixaram claro que, de acordo com o figurino
dos precedentes vinculantes do STF quanto ao Tema 246, é do reclamante o ônus
da prova da culpa in vigilando da administração pública (cfr. AgRg-ED-Rcl 36.836-
MA, 1ª Turma, Red. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 14/2/2020; AgRg-Rcl
37.035-MA, 2ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2019). TST-
-RR-83-97.2018.5.20.0003, 4ª Turma, rel. Min. Ives Gandra Martins Filho, julgado
em 29/9/2020 – Informativo TST nº 226.

Aplica-se à SPTRANS o regime de execução por precatório, tendo em vista que a


referida sociedade de economia mista não desenvolve a sua atividade econômica
em regime concorrencial. TST-RR-261000-58.2000.5.02.0059, 4ª Turma, rel. Min.
Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 29/9/2020 – Informativo TST nº 226.

Havendo intimação em paralelo pelo Diário Oficial e pelo sistema do PJe, deve pre-
valecer, para efeito de contagem de prazo processual, a notificação feita por este
último sistema (PJe), uma vez que é dispensável a intimação feita pela publicação no
meio oficial comum. Pelo princípio da boa-fé objetiva processual e pelo princípio da
primazia da decisão de mérito, considera-se a intimação realizada pelo sistema do
PJe para contagem do prazo processual. Cabe ao órgão jurisdicional intimar as partes
dos atos processuais, cabendo-lhe eleger a via legal própria. Se emite duas vias de
intimação e causa legítima dúvida quanto a qual delas deve atender, deve-se optar
pela intimação que menos prejuízo cause à parte. TST-RR-175-33.2017.5.19.0005,
4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado em 29/9/2020 – Informativo TST
nº 226.

Nos termos da jurisprudência do STF (ADC 48 e ADI 3.961) a Lei nº 11.442/2007


é constitucional, uma vez que a Constituição não veda a terceirização, de ati-
vidade-meio ou fim. Ainda, o prazo prescricional estabelecido no art. 18 da Lei
nº 11.442/2007 é válido porque não se trata de créditos resultantes de relação
de trabalho, mas de relação comercial, não incidindo na hipótese o art. 7º, XXIX,
CRFB/88. Assim, uma vez preenchidos os requisitos dispostos na Lei nº 11.442/2007,
estará configurada a relação comercial de natureza civil e afastada a configuração
de vínculo trabalhista. TST-RR-81-56.2014.5.17.0002, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre
Luiz Ramos, julgado em 29/9/2020 – Informativo TST nº 226.

276
Outubro

Informativo TST nº 226


(Período 29 de setembro a 9 de outubro de 2020)
O não conhecimento do recurso ordinário por deserção nos casos de pedido de
substituição do depósito recursal por seguro garantia judicial com prazo de validade
determinado, em época anterior ao Ato Conjunto nº 1/TST.CSJT.CGJT, de 1/10/2019,
implica ofensa ao princípio do devido processo legal. Isso porque, à época ainda
não havia diretrizes claras para a utilização do novo instrumento de garantia no
âmbito da Justiça do Trabalho, pairando dúvida razoável quanto aos procedimentos
a serem observados, os quais somente foram padronizados com a edição do Ato
Conjunto. RR-1000677-10.2017.5.02.0463, 6ª Turma, rel. Min. Kátia Magalhães
Arruda, julgado em 29/9/2020 – Informativo TST nº 226.

Se o autor foi contratado para exercer a função de operador de corte/montagem/


acabamento, e portanto, lidar rotineiramente com ferramentas de trabalhado
perfurocortantes, assim como, substâncias tóxicas e/ou entorpecentes, é legíti-
ma a exigência de apresentação de certidão negativa, em razão da natureza do
ofício, de modo a não caracterizar lesão moral ao candidato ao emprego. TST-RR-
-AIRR-976-88.2016.5.13.0024, 7ª Turma, rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, julgado
em 30/9/2020 – Informativo TST nº 226.

Não cabe recurso de revista adesivo se já foi interposto recurso de revista não
admitido por intempestividade. Quando da interposição do primeiro recurso, a
parte exerceu o seu direito de se insurgir contra o acórdão regional, operando-se,
assim, a preclusão consumativa. Não poderia interpor novo apelo revisional para
atacar a mesma decisão, ainda que o primeiro tenha sido inadmitido por intem-
pestividade, sob pena de violação do princípio da unirrecorribilidade das decisões.
TST-Ag-ARR-1734-91.2013.5.15.0032, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio Mascarenhas
Brandão, julgado em 30/9/2020 – Informativo TST nº 226.

Não cabem honorários advocatícios sucumbenciais em caso de arquivamento do


feito por ausência do Reclamante à audiência, pois a condenação ao pagamento
de honorários advocatícios sucumbenciais não está prevista no art. 844 da CLT, que
traz rol taxativo das consequências advindas do não comparecimento injustificado
do reclamante à audiência. Ainda, havendo previsão expressa na CLT do ônus que
recai sobre o reclamante que não comparece à audiência, não deve haver aplicação
subsidiária do art. 85, § 6º, do CPC, consoante dispõe o art. 769 da CLT, que prevê a
aplicação subsidiária do CPC ao Processo do Trabalho apenas quando houver omissão
neste e desde que haja compatibilidade. TST-RR-10349-92.2018.5.03.0173, 8ª Turma,
rel. Min. João Batista Brito Pereira, julgado em 30/9/2020 – Informativo TST nº 226.

} 13/10/2020 – De acordo com a Súmula nº 357 do TST o simples fato


de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador não

277
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

torna a testemunha suspeita. Esse entendimento incide mesmo nos


casos em que há oitivas recíprocas entre autor e testemunha (RR-
1000029-39.2015.5.02.0321, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto
Cesar Leite de Carvalho, DEJT 14/08/2020).
} 15/10/2020 – O contido na Súmula nº 338, item I, também é aplicável
quando há juntada parcial dos controles de frequência, hipótese em
que se presume verdadeira a jornada apontada na inicial em relação
ao período não coberto pelo registro de jornada apresentado, presun-
ção essa que é relativa (iuris tantum), podendo ser elidida por prova
em contrário. Não se pode acolher a pretensão de fixação pela média
da jornada de trabalho, com base nos cartões apresentados, para o
período em que faltaram os cartões. Prevalece o mesmo entendi-
mento para o caso de apresentação de registros de ponto ilegíveis.
Precedentes. O Tribunal Regional, ao considerar válidos os cartões
de ponto ilegíveis e concluir que para o período em que não foram
juntados os controles de ponto, deveria prevalecer a média das jor-
nadas dos meses anteriores, decidiu em dissonância com o disposto
na Súmula nº 338, item I, do TST. (RR-1000373-26.2015.5.02.0319,
4ª Turma, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT
04/09/2020).
} 16/10/2020 – 6ª Turma do TST entende que a liquidação do pedido
na petição inicial, exigida a partir da Reforma Trabalhista é uma
mera estimativa e, por isso, não impede que o juiz defira valores
superiores aos indicados na petição inicial. Ementa: RECURSO DE
REVISTA DO RECLAMANTE. APELO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017.
PEDIDOS LÍQUIDOS. LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO AOS VALORES
DE CADA PEDIDO. APLICAÇÃO DO ART. 840, § 1º, DA CLT, ALTERADO
PELA LEI 13.467/2017. TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. A contro-
vérsia gira acerca da aplicação do artigo 840, § 1º, da CLT, que foi
alterado pela Lei 13.467/2017. No caso em tela, o debate acerca do
art. 840, § 1º, da CLT, detém transcendência jurídica, nos termos
do art. 896-A, § 1º, IV, da CLT. A controvérsia acerca da limitação da
condenação, aos valores liquidados apresentados em cada pedido da
inicial, tem sido analisado, pela jurisprudência dominante, apenas sob
a égide dos artigos 141 e 492 do Código de Processo Civil. Por certo

278
Outubro

que aludidos dispositivos do CPC são aplicados subsidiariamente no


processo trabalhista. Entretanto, no que se refere à discussão acerca
dos efeitos dos pedidos liquidados, apresentados na inicial trabalhista,
os dispositivos mencionados do CPC devem ceder espaço à aplicação
dos parágrafos 1º e 2º do artigo 840 da CLT, que foram alterados pela
Lei 13.467/2017. Cumpre esclarecer que o TST, por meio da Resolução
nº 221, de 21/06/2018, considerando a vigência da Lei 13.467/2017 e
a imperativa necessidade de o TST posicionar-se, ainda que de forma
não exaustiva, sobre a aplicação das normas processuais contidas na
CLT alteradas ou acrescentadas pela Lei 13.467/2017, e considerando
a necessidade de dar ao jurisdicionado a segurança jurídica indispen-
sável a possibilitar estabilidade das relações processuais, aprovou a
Instrução Normativa nº 41/2018, que no seu art. 12, § 2º, normatizou
que “para fim do que dispõe o art. 840, §§ 1º e 2º, da CLT, o valor da
causa será estimado (...)”. A Instrução Normativa nº 41/2018 do TST,
aprovada mediante Resolução nº 221, em 02/06/2018, registra que
a aplicação das normas processuais previstas na CLT, alteradas pela
Lei 13.467/2017, com eficácia a partir de 11/11/2017, é imediata,
sem atingir, no entanto, situações pretéritas iniciadas ou consolidas
sob a égide da lei revogada. Portanto, no caso em tela, em que a
inicial foi ajuizada no ano 2018, hão de incidir as normas processuais
previstas na CLT alteradas pela Lei 13.467/2017. Assim, a discussão
quanto à limitação da condenação aos valores constantes nos pedi-
dos apresentados de forma líquida na exordial deve ser considerada
apenas como fim estimado, conforme normatiza o parágrafo 2º do
artigo 12 da IN 41/2018 desta Corte. A decisão regional que limitou
a condenação aos valores atribuídos aos pedidos na inicial configura
ofensa ao art. 840, § 1º, da CLT. Reconhecida a transcendência jurídica
do recurso de revista. Recurso de revista conhecido e provido. (ARR-
1000987-73.2018.5.02.0271, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto
Cesar Leite de Carvalho, DEJT 16/10/2020).
} 19/10/2020 – É cabível reintegração do empregado com doença ocu-
pacional reconhecida pelo INSS após a dispensa e ainda que fora da
projeção do aviso prévio (súmula nº 378, item II, do TST), pois uma vez
constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação

279
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de causalidade com a execução do contrato de emprego, é assegurado


o direito à estabilidade provisória pelo período de 12 meses após a
cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado, nos termos
do artigo 118 da Lei n0 8.213/1991. (RO-1151-74.2019.5.05.0000,
SBDI-2, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT
28/08/2020).
} 26/10/2020 – Proximidade de aparelho móvel de raio-x não ga-
rante direito ao adicional de periculosidade, pois a parcela não é
devida ao trabalhador que não opera o equipamento, ainda que
permaneça, habitual ou eventualmente, nas áreas de risco. A SDI
Plena do TST, em IRR julgado no dia 01/08/2019, com efeito vinculante
(IRR-1325-18.2012.5.04.0013), firmou as seguintes teses jurídicas:
“I – a Portaria MTE nº 595/2015 e sua nota explicativa não padecem
de inconstitucionalidade ou ilegalidade. II – não é devido o adicional de
periculosidade a trabalhador que, sem operar o equipamento móvel
de Raios X, permaneça, habitual, intermitente ou eventualmente, nas
áreas de seu uso. III – os efeitos da Portaria nº 595/2015 do Minis-
tério do Trabalho alcançam as situações anteriores à data de sua
publicação”. Se o acórdão recorrido reconhece que a reclamante se
enquadrava na hipótese prevista na Portaria nº 595/2015, não pode
considerar que os efeitos dessa se aplicavam apenas ao período la-
boral após sua publicação. (RR-10655-17.2017.5.03.0005, 6ª Turma,
Relatora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 02/10/2020).
} 23/10/2020 – Em caso de confissões recíprocas, a questão deve ser
discutida com base no critério da distribuição do ônus da prova,
como no caso de controle de ponto inválido e empregado que faltou
à audiência. Na hipótese, a Eg. 8ª Turma do TST deu provimento ao
recurso de revista interposto pela Reclamada para excluir da conde-
nação o pagamento de horas extras, nos termos da Súmula 74, I, do
TST. Ressaltou que embora a Reclamada tenha carreado nos autos
cartões de ponto inválidos, óbice previsto na Súmula 338, III, desta
Corte, o não comparecimento do Reclamante à audiência implica
confissão quanto à matéria e acarreta a presunção de veracidade
das alegações da ora embargada. Com efeito, o item I da Súmula 338,
dispõe que é ônus do Empregador enquadrado no art. 74, § 2º, da

280
Outubro

CLT colacionar aos autos os controles de jornada dos empregados,


sob pena de presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho
alegada na petição inicial. Nesse cenário, o entendimento dominante
nesta Corte no caso de confissão recíproca, como a situação vertente,
é no sentido de que a pena de confissão ficta aplicada ao Reclamante
não afasta a presunção de veracidade da jornada de trabalho, visto
que a apresentação de controles válidos de frequência pela Recla-
mada antecede o momento de comparecimento à audiência e tal
ônus decorre de imposição legal (art. 74, §2º, da CLT). Precedentes.
(E-RR-3793-17.2010.5.02.0421, SBDI-1, Relator Ministro Alexandre
Luiz Ramos, DEJT 23/10/2020).
} 23/10/2020 – Empregado tem legitimidade ativa para, individual-
mente, executar sentença prolatada em ação coletiva ajuizada
por sindicato na condição de substituto processual. O CDC, relati-
vamente às ações coletivas para a defesa de interesses individuais
homogêneos, no seu art. 97, dispõe, que “a liquidação e a execução
de sentença poderão ser promovidas pela vítima e seus sucessores,
assim como pelos legitimados de que trata o art. 82”. Com supedâ-
neo no referido dispositivo legal, a SBDI-1 do TST, no julgamento dos
Embargos E-RR-1843-88.2012.5.15.0049, firmou o entendimento
de que o empregado substituído possui legitimidade para, de forma
individual, promover procedimento de execução de sentença prola-
tada em ação coletiva movida pelo sindicato autor, por trata-se de
legitimidade concorrente, e não legitimidade subsidiária. No vertente
caso, o Tribunal Regional entendeu não ser procedente a pretensão
da parte reclamante de promover individualmente a execução nos
autos de ação coletiva. O Tribunal Regional, portanto, ao manter a extinção
da ação de execução em questão, sob o fundamento de que a parte
reclamante não possui legitimidade para ajuizar ação de execução
individual autônoma de sentença coletiva, proferiu decisão em ofensa
ao art. 5º XXXV, da Constituição da República, que preconiza a garantia
de acesso ao Poder Judiciário. RR-1847-28.2012.5.15.0049, 7ª Turma,
Relator Ministro Evandro Pereira Valadao Lopes, DEJT 23/10/2020).
} 27/10/2020 – Publicado o Informativo TST nº 227, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

281
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 227


(Período 13 a 26 de outubro de 2020)
É nula a cláusula normativa que, objetivando subsidiar o custeio da clínica médica,
estabelece contribuição a ser paga diretamente pelas empresas ao sindicato da
categoria profissional. Assim, é inválida a cláusula que estabelece, a qualquer título,
contribuições a serem pagas pelo empregador diretamente ao sindicato profissional.
TST-RO-699-17.2018.5.08.0000, SDC, rel. Min. Kátia Magalhães Arruda, 19/10/2020 –
Informativo TST nº 227.
Em dissídio coletivo de natureza econômica, não se defere cláusula que impu-
te ao empregado 100% do encargo financeiro da aquisição de instrumento de
trabalho, sob pena de inversão da lógica da assunção dos riscos do empreendi-
mento (art. 2º da CLT) e desrespeito ao princípio da intangibilidade salarial.
TSTRO-7430-05.2016.5.15.0000, SDC, red. p/ acórdão Min. Mauricio Godinho
Delgado, 19/10/2020 – Informativo TST nº 227.
Gera dano moral a prática de registrar atestados médicos na CTPS (art. 29, § 4º, da
CLT e art. 8º da Portaria nº 41 de 2007 do Ministério do Trabalho e Emprego. Tal
conduta ultrapassa o poder diretivo do empregador, pois esse tipo de registro gera
um impacto negativo à imagem do empregado nas contratações futuras, diante da
possibilidade de o trabalhador ser considerado menos saudável ou assíduo do que
os demais candidatos à vaga no emprego, violando seu direito de personalidade.
TST-E-RR-8-22.2013.5.20.0007, SBDI-I, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho,
15/10/2020 – Informativo TST nº 227.
O valor da causa atribuído à ação rescisória em que se pretende rescindir fração es-
pecífica da coisa julgada deve ser fixado de maneira a corresponder ao exato alcance
dos pedidos submetidos ao corte rescisório e não ao valor total da condenação, sob
pena de se atribuir à parte ônus pecuniário excessivo e desproporcional, decorren-
te da ampliação indevida da base de cálculo para a realização do depósito prévio.
TST-RO-10102-78.2013.5.01.0000, SBDI-II, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar
Rodrigues, 13/10/2020 – Informativo TST nº 227.
A adoção de medidas coercitivas atípicas (art. 139, IV, do CPC de 2015) é admissível
no processo do trabalho (art. 3º, III, da IN nº 39 do TST), desde que observados os
seguintes pressupostos: i) ausência de patrimônio do devedor para quitar débitos
trabalhistas; ii) que tal insuficiência patrimonial seja aferida após a utilização de
todas as medidas típicas sem sucesso; iii) decisão fundamentada, considerando
as particularidades de cada caso, especialmente a conduta das partes; iv) contra-
ditório, proporcionalidade, razoabilidade, legalidade e eficiência. O caso tratava de
apreensão de CNH, que não era utilizada como instrumento de trabalho do deve-
dor. TST-RO-1237-68.2018.5.09.0000, SBDI-II, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes,
20/10/2020 – Informativo TST nº 227.

282
Outubro

Informativo TST nº 227


(Período 13 a 26 de outubro de 2020)

A ausência de juntada das razões de voto vencido no acórdão recorrido que jul-
gou o pleito rescisório gera a nulidade absoluta do ato de publicação da referida
decisão, independentemente da comprovação de prejuízo (artigo 941, § 3º, do
CPC) TST-RO-80168-25.2018.5.22.0000, SBDI-II, rel. Min. Evandro Pereira Valadão
Lopes, 20/10/2020 – Informativo TST nº 227.

Na ação de cobrança da contribuição sindical rural, para a regular constituição


do crédito é imprescindível a notificação pessoal do devedor em razão de sua
natureza tributária, bem como das dificuldades de acesso aos meios de co-
municação do contribuinte que vive no campo. Já para urbana, em que pese a
existência de acórdão da 5ª Turma do TST em sentido contrário, o Relator do
caso tem posição no sentido de que para a cobrança da contribuição sindical
urbana não é necessária a notificação pessoal do devedor ou individualização
do sujeito passivo da contribuição, sendo suficiente a publicação de editais nos
jornais de maior circulação local (art. 605 da CLT), pois ao contrário do que ocor-
re com os contribuintes que residem na zona rural, os da zona urbana não têm
dificuldade de acesso aos meios de comunicação, não estando, assim, presente
o requisito que motivou o entendimento no sentido de se exigir a notificação
direta do devedor nas ações de cobrança de contribuição sindical rural. TST-
-RR-1243-83.2017.5.13.0005, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado em
21/10/2020 – Informativo TST nº 227.

A questão envolvendo a expectativa de vida para fins de pensionamento é matéria


eminentemente de direito, porquanto se cuida apenas de critério para sua fixação,
bastando que a parte adversa tão somente impugne o pleito principal, visando
afastar sua a responsabilidade civil e respectiva indenização (no caso, responsa-
bilidade civil decorrente de acidente do trabalho). As estimativas da expectativa
de vida são fatos notórios que sequer dependem da produção de provas. TST-
-RR-1308-07.2012.5.18.0008, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado em
21/10/2020 – Informativo TST nº 227.

Na conversão de processo físico em eletrônico o ônus com a digitalização das


peças processuais não pode ser imputado às partes, sendo inadmissível a criação
de dever processual não previsto em lei por normativo interno do Tribunal Re-
gional, a caracterizar inovação do ordenamento jurídico por meio de resolução.
Violação do princípio constitucional da legalidade (art. 5º, II, da CRFB/88). TST-
-RR-64600-95.2006.5.03.0071, 7ª Turma, rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, julgado
em 21/10/2020 – Informativo TST nº 227.

283
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 227


(Período 13 a 26 de outubro de 2020)

Para fins de concessão do benefício da gratuidade da justiça a pessoa natural, a


comprovação a que alude o § 4º, do art. 790, da CLT pode ser feita mediante simples
declaração da parte (item I, da Súmula nº 463, do TST), não se exigindo formalização
por outro meio. TST-ARR-1001016-92.2018.5.02.0055, 7ª Turma, rel. Min. Cláudio
Mascarenhas Brandão, julgado em 14/10/2020 – Informativo TST nº 227.

É plenamente possível a cumulação de pedidos de tutelas inibitórias com o pedido


de indenização por danos morais coletivos, pois a conjunção “ou” estabelecida no
art. 3º da Lei nº 7.347/1985 tem sentido aditivo. TST-RRAg-1160-23.2015.5.14.0001,
8ª Turma, rel. Min. Dora Maria da Costa, julgado em 14/10/2020 – Informativo TST
nº 227.

A multa pelo descumprimento de obrigação de fazer constitui uma mul-


ta processual (astreintes) e não se confunde com cláusula penal fixada pelas
partes, pelo que resulta inaplicável a disposição do art. 412 do Código Civil. TST-
-RRAg-1160-23.2015.5.14.0001, 8ª Turma, rel. Min. Dora Maria da Costa, julgado
em 14/10/2020 – Informativo TST nº 227.

} EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL. LIVRE EXERCÍCIO PROFISSIO-


NAL, ATENDIDAS AS QUALIFICAÇÕES QUE A LEI ESTABELECER. LEILOEI-
RO. PAGAMENTO DE CAUÇÃO PARA DESEMPENHO DA ATIVIDADE.
CONSTITUCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO.
1. A cláusula da liberdade de profissão (art. 5º, XIII, da CF) assegura
a brasileiros e a estrangeiros residentes no país o direito constitu-
cional a exercer qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer. A jurisprudência do
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL tem afirmado que essa norma socorre
tanto a liberdade de escolha, como a liberdade de exercício de uma
atividade a título de trabalho, ofício ou profissão. 2. Quanto ao exercí-
cio de trabalho, ofício ou profissão, a garantia de liberdade comporta
alguma limitação pelo legislador infraconstitucional, conforme dispõe
o art. 5º, XIII, da CF. Embora admissível, essa intervenção está ma-
terialmente submetida aos demais preceitos constitucionais, como
o valor social do trabalho (arts. 1º, IV; 6º, caput, XXXII; 170, caput, e
VIII; 186, III, 191 e 193, entre outros). 3. A legitimidade da atuação
legislativa no campo do exercício do trabalho deve ser restrita apenas
ao indispensável para viabilizar a proteção de outros bens jurídicos

284
Outubro

de interesse público igualmente resguardados pela própria Consti-


tuição, como a segurança, a saúde, a ordem pública, a incolumidade
das pessoas e do patrimônio, a proteção especial da infância e outros.
Somente quando a execução individual de determinada atividade
puder implicar risco a algum desses valores, imprescindíveis para
o bem-estar da coletividade, é que o legislador estará autorizado a
restringir a liberdade de trabalho. 4. São diretrizes para a atividade
legislativa tendente a condicionar o exercício de alguma profissão:
(a) a lei não pode estabelecer limitações injustificadas, arbitrárias ou
excessivas; (b) as limitações instituídas pela lei devem fundamentar-se
em critérios técnicos capazes de atenuar os riscos sociais inerentes
ao exercício de determinados ofícios; e (c) as limitações instituídas
pela lei não podem dificultar o acesso a determinada categoria profis-
sional apenas sob o pretexto de favorecer os seus atuais integrantes,
mediante restrição exclusivamente corporativista do mercado de
trabalho. 5. Enfim, exige-se, como requisito de validade das limitações
normativas ao exercício profissional, que sejam elas obedientes a
critérios de adequação e de razoabilidade que possam ser aferidos
lógica e objetivamente. 6. O Decreto 21.981/1932 dispõe, em seus
artigos 6º, 7º e 8º, que “o leiloeiro, depois de habilitado devidamen-
te perante as Juntas Comerciais fica obrigado, mediante despacho
das mesmas Juntas, a prestar fiança, em dinheiro ou em apólices
da Dívida Pública federal (…)”; “a fiança responde pelas dívidas ou
responsabilidades do leiloeiro”; e que “o leiloeiro só poderá entrar
no exercício da profissão, depois de aprovada a fiança oferecida (...)”.
7. O leiloeiro lida diariamente com o patrimônio de terceiros, de for-
ma que a prestação de fiança como condição para o exercício de sua
profissão busca reduzir o risco de dano ao proprietário- o que reforça
o interesse social da norma protetiva, bem como justifica a limitação
para o exercício da profissão. 8. Recurso Extraordinário a que se nega
provimento. Tema 455, fixada a seguinte tese de repercussão geral:
“A exigência de garantia para o exercício da profissão de leiloeiro,
prevista nos artigos 6º a 8º do Decreto 21.981/1932, é compatível
com o artigo 5º, XIII, da CF/1988”. (RE 1263641, Relator(a): Marco
Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno,
julgado em 13/10/2020, DJe 28/10/2020)

285
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} A exigência de garantia para o exercício da profissão de leiloeiro,


prevista nos artigos 6º a 8º do Decreto 21.981/1932, é compatível
com o art. 5º, XIII, da Constituição Federal de 1988 (CF) (1). O art. 5º,
XIII, da CF é norma constitucional de eficácia contida. Por isso, o
legislador ordinário pode restringir o alcance da liberdade de exer-
cício de qualquer trabalho nela prevista, a fim de disciplinar certas
atividades cuja prestação possa, por falta de técnica, atingir negati-
vamente a esfera de outros indivíduos ou de valores ou interesses da
própria sociedade. Entretanto, a legitimidade da atuação legislativa
no campo do exercício do trabalho deve ser limitada ao indispensá-
vel para viabilizar a proteção de outros bens jurídicos de interesse
público igualmente resguardados pela própria Constituição, como a
segurança, a saúde, a ordem pública, a incolumidade das pessoas e
do patrimônio, a proteção especial da infância e outros. No caso, o
leiloeiro lida diariamente com o patrimônio de terceiros, de forma
que a prestação de fiança como condição para o exercício de sua
profissão busca reduzir o risco de dano ao proprietário, o que reforça
o interesse social da norma protetiva, bem como justifica a limitação
para o exercício da profissão. Com esse entendimento, ao apreciar
o Tema 455 da repercussão geral, o Plenário, por maioria, negou
provimento a recurso extraordinário. (1) CF: “Art. 5º Todos são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes: (...) XIII – é livre o exercício de qualquer traba-
lho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que
a lei estabelecer;” RE 1263641/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual em 9.10.2020.
(RE-1263641)
} DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. PROFISSIONALIZAÇÃO
E TRABALHO. CF, art. 7º, XXXIII: EC 20/1998 e idade mínima para o
trabalho. A norma fundada no art. 7º, XXXIII, da Constituição Fede-
ral (CF) (1), na alteração que lhe deu a Emenda Constitucional (EC)
20/1998, tem plena validade constitucional. Logo, é vedado “qual-
quer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de

286
Outubro

aprendiz, a partir de quatorze anos”. O texto constitucional atribui à


família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar, às crianças e
aos adolescentes, em atenção e respeito à sua peculiar condição de
pessoa em desenvolvimento, as condições materiais, afetivas, sociais
e psicológicas necessárias ao acesso e à proteção ao direito à vida,
à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
e comunitária. Também lhes incumbe o dever de colocar a criança e
o adolescente a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão (CF, art. 227) Atendendo
às diretrizes de caráter protetivo fundadas no art. 227, a EC 20/1998
modificou os critérios etários que definem a idade mínima para o
regular início de atividades laborais. No desempenho de seu poder
reformador, o Congresso Nacional proibiu a exploração de natureza
estritamente econômica do trabalho infantil. As sequelas físicas, emo-
cionais e sociais infligidas à criança e ao adolescente em decorrência
da exploração do trabalho infantil, justificam a proteção especial e
prioritária destinada a esse grupo vulnerável. A temática referente ao
trabalho infantil é objeto de diversos instrumentos convencionais no
plano internacional, notadamente a Convenção 138 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) (Convenção sobre Idade Mínima de
Admissão ao Emprego, 1973) e a Convenção 182 da OIT (Convenção
sobre a Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil, 1999), ambas
formalmente incorporadas ao direito positivo interno. Perante a Or-
ganização das Nações Unidas (ONU), o Brasil assumiu o compromisso
de erradicar todas as formas de trabalho infantil até 2025 [Meta 8.7 da
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável]. A elevação da idade
mínima para o trabalho do adolescente promovida pela EC 20/1998,
além estar em plena conformidade com os princípios e diretrizes que
orientam a doutrina da proteção integral — diretriz estruturante da
CF de 1988 (art. 227) — acha-se, ainda, em harmonia com os obje-
tivos e os postulados fundamentais da República [CF, art. 3º, IV] e
com os princípios básicos extraídos da ordem jurídica internacional.
Ademais, a cláusula que proíbe o retrocesso em matéria social traduz,
no processo de sua concretização, verdadeira dimensão negativa
pertinente aos direitos sociais, impedindo, em consequência, que

287
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

os níveis de concretização dessas prerrogativas, uma vez atingidos,


venham a ser reduzidos, degradados ou suprimidos. Trata-se, na
espécie, de ação direta de inconstitucionalidade ajuizada contra a
parte final do inciso XXXIII do art. 7º da CF, na redação dada pela EC
20/1998. A confederação requerente buscava o restabelecimento
do texto anterior do dispositivo constitucional, que determinava a
“proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores
de dezoito e de qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo
na condição de aprendiz”. O Plenário julgou o pedido improcedente e
confirmou a validade da norma questionada. (ADI 2096/DF, rel. Min.
Celso de Mello, julgamento virtual em 9.10.2020. ADI-2096)

288
NOVEMBRO

} 05/11/2020 – 7ª Turma do TST entende que a retenção da CTPS, por


tempo superior ao estabelecido em lei (art. 29 da CLT), é considerada
ato ilícito e gera danos morais, ainda que não haja comprovação de que
a retenção tenha gerado prejuízos materiais, pois é evidente a natureza
ilícita da conduta e o prejuízo dela decorrente. Processo: RR-1002449-
21.2016.5.02.0373
} 05/11/2020 – SBDI-1 do TST reafirma sua jurisprudência pela qual o
ajuizamento da ação no domicílio do trabalhador, quando for em local
diverso daquele em que foi contratado ou prestou serviço, somente
é possível se as empresas demandadas forem de âmbito nacional.
E-RR-776-51.2013.5.07.0025
} 05/11/2020 – Nos contratos de empreitada (OJ nº 191 da SBDI-1
do TST), afasta-se a responsabilidade subsidiária pelo pagamento
das parcelas trabalhistas (E-RR-330-93.2013.5.09.0671, SBDI-1,
Relator Ministro Márcio Amaro, j. 05/11/2020). No caso em apreço,
o ministro Cláudio Brandão abriu divergência para reconhecer a res-
ponsabilidade subsidiária da empresa Klabin, ao argumento de que
os fatos registrados pelo TRT revelaram um contrato de prestação
de serviços. “Das quatro atividades que figuram como resultantes
do contrato, três delas revelam a execução de serviços (conservação,
revestimento e manutenção de estradas e aceiros de uso florestal)
e apenas uma (construção de estradas e aceiros de uso florestal)
poderia ser enquadrada no conceito de obra certa”, afirmou. “Trata-
-se, portanto, de trabalho de necessidade contínua e permanente,
relacionado à atividade-fim da tomadora”. Seis Ministros seguiram a
divergência, mas diante do empate na votação (7 X 7), aplicou-se ao
caso o parágrafo 1º do artigo 140 do Regimento Interno do TST, que
prevê, nessa hipótese, a manutenção da decisão recorrida.

289
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 05/11/2020 – STF admite ADPF que questiona a Súmula nº 450


do TST43, pois se trata de enunciado de caráter normativo. Para o
STF há viabilidade de ajuizamento de Arguição de Descumprimento
de Preceito Fundamental em face de enunciado de Súmula de Ju-
risprudência predominante editada pelo TST. Outrossim, atendido
o princípio da subsidiariedade, uma vez que não há instrumento
processual capaz de impugnar ações e recursos que serão obstados
com base em preceito impositivo no âmbito da Justiça trabalhista.
(ADPF 501 AgR, Relator(a): Alexandre de Moraes, Relator(a) p/ Acór-
dão: Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, julgado em 16/09/2020,
DJe- 05/11/2020)
} 06/11/2020 – 4ª Turma do TST, por unanimidade, manteve a conde-
nação de reclamante beneficiária da justiça gratuita ao pagamento de
custas processuais por não ter comparecido em audiência, tampouco
justificado sua ausência. O relator, ministro Ives Gandra Martins Filho,
avaliou que a imposição do pagamento de custas processuais, nessa
situação, não tira o direito do trabalhador de ter acesso ao Poder
Judiciário. Segundo ele “a própria lei excepciona da obrigação de re-
colher as referidas custas aquele que comprovar que a sua ausência
se deu por motivo legalmente justificável, prestigiando, de um lado,
o processo responsável, e desestimulando, de outro, a litigância des-
compromissada”. Processo: RR-1000400-32.2018.5.02.0051
} 06/11/2020 – 1ª Turma do TST entende que empregado não faz jus ao
adicional de transferência por ter passado dez meses no exterior, pois
é pressuposto indispensável para o recebimento da parcela a prova
de que houve mudança de domicílio do reclamante. No caso, o TST
entendeu que não houve transferência definitiva ou provisória, pois a
família do trabalhador permaneceu no Brasil, não tendo se deslocado
para o exterior e de que ele morava juntamente com outros empre-
gados. Logo, não concretizada a mudança de domicílio. Em nenhum

43. Súmula nº 450 do TST – FÉRIAS. GOZO NA ÉPOCA PRÓPRIA.PAGAMENTO FORA DO


PRAZO. DOBRA DEVIDA. ARTS. 137 E 145 DA CLT. É devido o pagamento em dobro
da remuneração de férias, incluído o terço constitucional, com base no art. 137 da
CLT, quando, ainda que gozadas na época própria, o empregador tenha descumprido
o prazo previsto no art. 145 do mesmo diploma legal.

290
Novembro

momento ficou demonstrada a intenção do empregador em mudar


o domicílio do empregado. (RR-879-11.2010.5.03.0143, 1ª Turma,
Relator Ministro Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 06/11/2020).
} 09/11/2020 – 4ª Turma do TST reafirma a jurisprudência da Corte no
estendido de que a exigência de certidão expedida por órgão estatal,
constante do artigo 606 da CLT, reporta-se apenas aos casos em que
o ente sindical opte pelo ajuizamento da respectiva ação executiva,
não se aplicando para as ações de cobrança da contribuição sindical
rural. (RR-11908-10.2018.5.15.0025, 4ª Turma, Relator Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 04/09/2020).
} 07/11/2020 – Publicado o Informativo TST nº 228, cujas principais
decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 228


(Período 27 de outubro a 6 de novembro de 2020)
É inconstitucional o § 5º do art. 896-A da CLT, que dispõe ser “irrecorrível a decisão
monocrática do relator que, em agravo de instrumento em recurso de revista, consi-
derar ausente a transcendência da matéria”. Tal prática viola os princípios da colegia-
lidade, do juiz natural, do devido processo legal, da segurança jurídica, da proteção
da confiança e da isonomia; impede o exame futuro da controvérsia pelo STF; revela
a incongruência de procedimentos adotados no julgamento de recursos de revista
e de agravos de instrumento, o que viola o princípio da razoabilidade; obstaculiza
o exercício da competência reservada, por lei, às Turmas deste Tribunal; dificulta a
fixação de precedentes por este Tribunal, considerando a ausência de parâmetros
objetivos fixados para o reconhecimento da transcendência e a atribuição de elevado
grau de subjetividade por cada relator- que não constitui órgão julgador, mas, sim,
instância de julgamento, cuja atuação decorre de delegação do Colegiado. Cabível o
agravo interno para atacar decisão monocrática do relator que denegou seguimento
ao agravo de instrumento em recurso de revista, por ausência de transcendência da
causa. (TST-ArgInc-1000845-52.2016.5.02.0461, Tribunal Pleno, rel. Min. Cláudio
Mascarenhas Brandão, 6/11/2020 – Informativo TST nº 228)
Remetidos os autos ao Tribunal Pleno para que julgue o recurso de embargos em
que se discute a necessidade ou não de renovação no agravo de instrumento das
alegações concernentes aos pressupostos intrínsecos de cabimento do recurso de
revista, elencados no art. 896 da CLT – violação legal/constitucional e divergência
jurisprudencial –, quando a decisão denegatória do recurso de revista invoca um
óbice processual para inadmiti-lo (TST-E-ED-ED-RR291-13.2016.5.08.0124, SBDI-I,
rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 29/10/2020 – Informativo TST nº 228)

291
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 228


(Período 27 de outubro a 6 de novembro de 2020)

A realização habitual de jornada excessiva não enseja, por si só, o pagamento de


indenização por dano existencial, que não é presumível, sendo imprescindível a
demonstração inequívoca do prejuízo sofrido, ou seja, prova de que suas relações
sociais foram rompidas ou de que seu projeto de vida foi suprimido de seu horizon-
te. TST-E-RR-402-61.2014.5.15.0030, SBDI-I, rel. Luiz Phillipe Vieira de Melo Filho,
29/10/2020 – Informativo TST nº 228)

São válidas e idôneas como meio probante de pagamento do salário, a apresentação


de fichas financeiras da empresa. A despeito do que prevê o art. 464 da CLT (o paga-
mento do salário deve ser feito mediante recibo), pode o empregador comprovar o
pagamento de salários por outros meios de prova, tais como as fichas financeiras da
empresa (TST-EARR-568-74.2015.5.17.0007, SBDI-I, rel. Min. Lelio Bentes Corrêa,
29/10/2020 – Informativo TST nº 228)

O recolhimento da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC é requisito objetivo de admissi-


bilidade do recurso de embargos e a inobservância do prazo para sua comprovação
implica deserção, ainda que o recolhimento tenha se dado dentro do prazo alusivo
ao recurso (TST-Ag-E-Ag-AIRR-249-43.2015.5.05.0621, SBDI-I, rel. Min. Alberto Luiz
Bresciani de Fontan Pereira, 29/10/2020 – Informativo TST nº 228).

Havendo compatibilidade de horários entre os cargos/empregos públicos, resta


atendido o requisito previsto no art. 37, XVI, da CF para a acumulação pretendida,
sendo irrelevante para efeito de aplicação da norma constitucional a circunstância de
as jornadas desempenhadas serem exaustivas (TST-E-ED-RR-261-78.2016.5.21.0006,
SBDI-I, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 5/11/2020 – Informativo TST
nº 228).

Instaurado IRR e afetado o julgamento ao Tribunal Pleno para a definição das


seguintes questões jurídicas: 1º) natureza jurídica do litisconsórcio formado nos
contratos de terceirização de serviços; 2º) os efeitos produzidos nos autos que
resultam da renúncia do autor ao direito em que se funda a ação em relação a
apenas uma das empresas, especialmente a prestadora de serviços; 3º) legiti-
midade recursal da empresa que não integrou a lide; 4º) os efeitos produzidos
nos processos examinados em juízo de retratação, quando apenas uma das
rés interpôs o recurso extraordinário.TST-RR-1000-71.2012.5.06.0018 e TST-
-RR-664-82.2012.5.03.0137, SBDI-1, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão,
5/11/2020 – Informativo TST nº 228.

292
Novembro

Informativo TST nº 228


(Período 27 de outubro a 6 de novembro de 2020)

Os honorários de sucumbência serão calculados sobre o valor dado à causa apenas


quando não for possível mensurar o proveito econômico obtido com a condena-
ção. É possível mensurar proveito econômico nas condenações em obrigação de
fazer, como por exemplo na condenação da empresa em efetuar o recolhimento e
o repasse da contribuição sindical de seus empregados ao sindicato-autor, caso em
que o proveito econômico que será a soma dos valores correspondentes a um dia
de trabalho de cada um dos empregados da empresa ré que integram a categoria
econômica, sendo essa a base de cálculo dos honorários de sucumbência. (TST-
-RR-432-67.2018.5.07.0034, 1ª Turma, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann, julgado
em 28/10/2020 – Informativo TST nº 228).

Não compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ação de indenização por


danos morais ajuizada contra sites de busca na internet por disponibilização de
informações acerca de reclamações trabalhistas ajuizadas pelos autores (TST-
-AIRR-10209-05.2017.5.03.0105, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta
em 28/10/2020 – Informativo TST nº 228).

Aplicam-se aos Shoppings Centers o art. 389, §§ 1º e 2º, da CLT, consistente na


obrigação de destinar local reservado para guarda de filhos de todos os funcio-
nários, sejam seus próprios e os dos lojistas, em período de amamentação, sob
guarda e vigilância. (TST-RRAg-21078-62.2015.5.04.0010, 3ª Turma, rel. Min.
Alexandre de Souza Agra Belmonte, julgado em 4/11//2020 – Informativo TST
nº 228)

Reescalonamento de níveis salariais entre empregados vinculados a diferentes regu-


lamentos de empresa (Súmula 51 do TST), embora implique vantagens pecuniárias
a parte dos empregados, não viola o princípio da isonomia, pois trata-se de diferen-
ciado a empregados em condições distintas de admissão e regidos por regulamento
distinto, com diferentes obrigações e direitos. (TST-RR-503-27.2015.5.12.0037,
4ª Turma, rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 27/10/2020 –
Informativo TST nº 228)

Não incide Imposto de Renda sobre as férias indenizadas, pois o art. 6º, V, da Lei
nº 7.713/88, exclui da base de incidência do imposto de renda as parcelas de natu-
reza indenizatória recebidas por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. TST-
-RR-849-28.2013.5.09.0652, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado em
27/10/2020 – Informativo TST nº 228.

293
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Informativo TST nº 228


(Período 27 de outubro a 6 de novembro de 2020)

O valor da gratificação de férias fixado em lei ou por convenção entre as partes


não se altera na hipótese de conversão (“venda”) de 1/3 do período de descanso
anual em abono pecuniário. Vale dizer: ou a gratificação de férias incide sobre os
30 dias de férias; ou incide sobre 20 dias de férias e sobre os 10 dias do abono pecu-
niário, sem que, com isso, haja qualquer prejuízo ao empregado, à luz das normas
constitucionais e legais de regência. TST-RR-11497-38.2016.5.03.0035, 4ª Turma,
rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado em 27/10/2020 – Informativo TST nº 228.

Ainda que praticado de forma reiterada, o pagamento indevido de parcela trabalhis-


ta (v.g. gratificação de férias), por erro de cálculo, não gera ao empregado direito à
adoção continuada do critério errado no cálculo e pagamento de parcelas futuras,
sem, contudo, haver obrigação de devolução dos valores já recebidos conforme
metodologia anterior, pois a ECT é empresa pública federal, equiparada à Fazenda
Pública, e deve obediência aos princípios que regem a administração pública em
geral (art. 37, caput, da CRFB/88), especificamente o da legalidade, tendo o dever
jurídico de conformar suas práticas administrativas ao disciplinado em lei, poden-
do anular seus atos, como expressamente determinado pelas Súmulas nº 346 e
473 do STF. TST-RR-11497-38.2016.5.03.0035, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz
Ramos, julgado em 27/10/2020 – Informativo TST nº 228.

O termo a quo para a contagem do prazo prescricional na hipótese de pretensão à


indenização por danos morais pelo risco de se desenvolver doença grave decorrente
de exposição, durante o pacto laboral, ao amianto, substância nociva à saúde, é a data
da rescisão do contrato de trabalho. TST-RR-13001-34.2016.5.15.0039, 8ª Turma,
rel. Min. João Batista Brito Pereira, julgado em 28/10/2020 – informativo TST nº 228.

O TST vem entendendo que a ressalva do art. 505, I, do CPC/15, segundo a qual


o juiz pode examinar novamente questão relativa à mesma lide caso sobrevenha
alteração do estado de fato ou de direito, se refere a questões de execução con-
tinuada, e não à fase de conhecimento, já alcançada pela preclusão pro judicato.
TST-RR-591-05.2015.5.06.0014, 6ª Turma, rel. Min. Kátia Magalhães Arruda, julgado
em 4/11/2020 – Informativo TST nº 228.

} É constitucional a legislação estadual que determina que o regime


jurídico celetista incide sobre as relações de trabalho estabeleci-
das no âmbito de fundações públicas, com personalidade jurídica
de direito privado, destinadas à prestação de serviços de saúde.
A fundação pública, com personalidade jurídica de direito privado,

294
Novembro

é dotada de patrimônio e receitas próprias, autonomia gerencial,


orçamentária e financeira para o desempenho da atividade prevista
em lei [art. 1º da Lei Complementar (LC) 118/2007 do estado do Rio
de Janeiro (2)]. Nessa configuração, o Estado não toca serviço público
na área da saúde. Ele se utiliza de pessoa interposta — de natureza
privada — que, então, adentra o mercado de trabalho e contrata.
Assim, havendo uma opção do legislador pelo regime jurídico de
direito privado, é decorrência lógica dessa opção que seja adotado
para o pessoal das fundações autorizadas o regime celetista. No caso,
trata-se de ação direta de inconstitucionalidade ajuizada em face da
LC 118/2007, e do art. 22 da Lei 5.164/2007 (3), ambas do estado do
Rio de Janeiro, que dispõem sobre a criação de fundações públicas,
com personalidade jurídica de direito privado, destinadas à prestação
de serviços de saúde, observado o regime jurídico da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). Com esse entendimento, o Plenário julgou
improcedente o pedido formalizado. Os ministros Dias Toffoli, Cármen
Lúcia, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e
Ricardo Lewandowski acompanharam o relator com ressalvas apenas
para agregar fundamento específico acerca da distinção entre funda-
ção pública de direito público e fundação pública de direito privado,
nos termos do que decidido no RE 716.378, submetido à sistemática
da repercussão geral (informativo STF nº 997)
} Ao Chefe do Executivo estadual compete a iniciativa de projetos de
lei versando estrutura administrativa, a teor dos artigos 61, § 1º, in-
ciso II, alínea “e”, e 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal,
aplicáveis, por simetria, às unidades federativas. É constitucional
referência ao salário-mínimo contida em norma de regência de
benefício assistencial como a fixar valor unitário na data da edição
da lei, vedada vinculação futura como mecanismo de indexação.
(ADI 4726, Relator(a): Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em
11/11/2020, DJe 30-11-2020)
} 12/11/2020 – 8ª Turma do TST entende que agente de disciplina
de presídio de segurança máxima, lotado na lavanderia, não tem
direito a adicional de periculosidade. O TRT da 19ª Região havia de-
ferido o adicional por entender que o agente trabalhava no interior do

295
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

estabelecimento prisional de forma permanente e essa circunstância


“já o colocava em situação de risco acentuado à sua integridade física
ou mesmo de sua vida”. Contudo, para a 8ª Turma do TST o reconhe-
cimento do direito ao adicional de periculosidade exige o exercício
de atividade profissional de segurança pessoal ou patrimonial. Nessa
categoria estão incluídos apenas os empregados que exercem ativi-
dade de segurança privada e os que atuam na segurança patrimonial
ou pessoal de locais ou bens públicos, contratados pela administração
pública direta ou indireta, o que não era o caso do processo, no qual
não ficou demonstrado o exercício de atividade de segurança pessoal
ou patrimonial pelo empregado, que ficava na lavanderia do presídio
e “assim como outros empregados da administração, não mantinha
contato físico com os detentos, já que ficam em ambientes estan-
ques”. Ofensa ao artigo 193, II, da CLT, sendo indevido, na hipótese, o
adicional de periculosidade. (RR-1514-19.2018.5.19.0061, 8ª Turma,
Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 04/09/2020).
} 12/11/2020 – 4ª Turma do TST segue o entendimento da Corte e
entende as atividades de cobrador e motorista são complementares
entre si e podem ser acumuladas, pois não demandam esforço su-
perior ao aceitável ou conhecimento específico mais complexo para
a sua execução, sendo indevidas diferenças salariais por acúmulo
de função. Citou o artigo 456, parágrafo único, da CLT, pelo qual na
falta de prova ou de cláusula expressa a respeito, entende-se que o
empregado se obriga a todo e qualquer serviço compatível com sua
condição pessoal. Processos: RR-101631-92.2016.5.01.0221 e RR-
11516-62.2014.5.01.0005.
} 13/11/2020 – 3ª Turma do TST afirma que se presume discriminatória
a ruptura arbitrária do contrato de trabalho, quando não comprovado
um motivo justificável, em face de circunstancial debilidade física
causada por doença grave (cardiopatia grave), ainda que está não seja
suscetível de causar estigma ou preconceito (Súmula 443 do TST),
quando a prática discriminatória ilícita emergir do acervo probatório
produzido nos autos. No caso concreto, o Reclamante foi dispensa-
do doente e a empresa detinha conhecimento sobre o seu quadro
de saúde, bem como sobre a probabilidade de novos afastamentos
em razão da doença- de incontestável natureza grave. Desse modo,

296
Novembro

entender que não houve discriminação na dispensa do Reclamante


viola a Súmula nº 443 do TST (RR-1365-50.2017.5.11.0006, 3ª Turma,
Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 11/09/2020).
} 16/11/2020 – O acordo firmando perante a Comissão de Conciliação
Prévia somente gera a eficácia liberatória prevista no art. 625-E se
esta for integrada pelo sindicato representativo da categoria pro-
fissional do empregado que firmar o acordo. Dessa forma, tendo a
conciliação realizada sido firmada perante Comissão não integrada
pelo sindicato representativo da categoria do reclamante, não há
como conferir a ele a eficácia liberatória geral prevista no referido
art. 625-E da CLT (RR-28700-69.2007.5.01.0201, 8ª Turma, Relator
Ministro Joao Batista Brito Pereira, DEJT 16/11/2020).
} 18/11/2020 – SBDI-1 do TST já decidiu que a circulação em trajes ínti-
mos, em razão do cumprimento de normas sanitárias, não configura
lesão à intimidade, salvo se constatada a inexistência de portas nos
boxes dos chuveiros, o que expõe a nudez dos empregados, exatamente
como no caso enfrentado (RR-100936-51.2016.5.01.0541, 7ª Turma,
Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 25/09/2020).
Logo, o dano moral pode restar configurado, não propriamente em de-
corrência da ‘barreira sanitária’, mas em face da ausência de portas nos
boxes dos chuveiros, ao submeter o empregado à exposição excessiva e
injustificada de sua intimidade (TST-E-ARR-10037-91.2013.5.18.0103,
Rel. Min. João Oreste Dalazen, SBDI-1, DEJT de 11/4/2017).
} 19/11/2020 – Não é rescindível acordo firmado mediante coação
praticada por advogado contratado pelo próprio reclamante, pois
só se admite a anulação do negócio se o beneficiário soube ou de-
vesse saber da coação, respondendo com o terceiro pelas perdas e
danos (arts. 154 e 155 do CC). Como no caso em apreço não houve
comprovação de que o empregador, parte que seria eventualmente
beneficiada pelo vício de consentimento, tivesse ou devesse ter
conhecimento da coação praticada pelo advogado do reclamante,
não pode vir a sofrer as consequências do vício alegado, devendo
o terceiro, ou seja, o causídico contratado pelo reclamante, vir a
responder por eventuais danos que lhe foram causados. (RO-24-
42.2015.5.23.0000, SBDI-2, Relator Ministro Luiz Jose Dezena da
Silva, DEJT 11/09/2020).

297
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 21/11/2020 – Publicado o Informativo TST nº 229, cujas principais


decisões estão da tabela abaixo:

Informativo TST nº 229


(Período 9 a 20 de novembro de 2020)
Não se admite a majoração ou diminuição do valor da indenização por danos morais
na instância extraordinária, exceto nos casos em que a indenização for fixada em
valores estratosféricos ou excessivamente módicos (TST-RR-1-30.2016.5.06.0002,
2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 11/11/2020 – Informa-
tivo TST nº 229)
Tem direito líquido e certo à reserva de vaga para pessoas com deficiência aquele que
tem deficiência auditiva unilateral total (art. 4º, II, do Decreto nº 3.298/1999 c/c Lei
nº 7.853/89 c/c Decreto nº 6.949/2009) (TST-RO-1002366-52.2019.5.02.0000, Órgão
Especial, rel. Min. Luiz José Dezena da Silva, 9/11/2020 – Informativo TST nº 229).
A Justiça do Trabalho é competente para apreciar pretensão de pagamento de
multa estipulada em cláusula penal decorrente de descumprimento de cláusula de
permanência no emprego. No caso, tanto a cláusula de permanência como a cláu-
sula penal resultante do descumprimento da primeira estavam atreladas à relação
de trabalho que se estabeleceu de forma independente ao contrato de cessão de
direitos (relação comercial), o que denota a competência da Justiça do Trabalho
para exame a respeito/ Ademais, constou na decisão rescindenda que “a garantia
de emprego ajustada tem aspecto trabalhista, mesmo que conste no contrato de
cessão de direitos”. (TST-AR-1000480-72.2019.5.00.0000, SBDI-II, rel. Min. Alexandre
de Souza Agra Belmonte, 10/11/2020 – Informativo TST nº 229)
A legitimação para atuar na Justiça do Trabalho, como substituto processual, é da
Defensoria Pública da União (art. 14 da LC nº 80). Em regra, as Defensorias Públi-
cas Estaduais não possuem legitimidade para atuar na Justiça do Trabalho, exceto
em caso de convênio específico para esta finalidade com DPU (art. 14, § 1º, da LC
nº 80/1994) (TST-RO-371-84.2010.5.11.0000, SBDI-II, rel. Min. Luiz José Dezena da
Silva, 10/11/2020 – Informativo TST nº 229)
Regimento Interno de TRT não pode prever o recolhimento de custas como
pressuposto de admissibilidade recursal para interposição de Agravo Inter-
no (TST-RO-10204-19.2019.5.18.0000, SBDI-II, rel. Luiz José Dezena da Silva,
10/11/2020 – Informativo TST nº 229)
O conceito de “mesma localidade” para fins de equiparação salarial, previsto na
súmula nº 6, item X, do TST, deve ser ampliado para abarcar as regiões geográficas
imediatas e intermediárias, de acordo com a nova divisão regional brasileira feita
pelo IBGE (TST-E-ED-RR-10792-65.2016.5.15.0145, SBDI-I, rel. Min. Augusto César
Leite de Carvalho, 12/11/2020 – Informativo TST nº 229 – Informativo TST nº 229).

298
Novembro

Informativo TST nº 229


(Período 9 a 20 de novembro de 2020)
São cabíveis honorários advocatícios sucumbenciais no dissídio coletivo de natureza
econômica, bem como nos casos de extinção do processo sem resolução do mérito,
caso em que a parte que deu causa ao processo deve arcar com o pagamento da
verba honorária (§§ 6º e 10 do art. 85 do CPC) (TST-RO-314-31.2018.5.13.0000, SDC,
rel. Min. Dora Maria da Costa, 16/11/2020 – Informativo TST nº 229)
É discriminatória e nula a despedida por justa causa decorrente/motivada por prisão
em flagrante/indiciamento no âmbito criminal, sem a prova do trânsito em julgado da
decisão condenatória (TST-RR-1498-44.2016.5.10.0010, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde
Miranda Arantes, julgado em 18/11/2020 – Informativo TST nº 229)
Nas causas em que o valor de alçada é inferior a 2 (dois) salários-mínimos, a ju-
risprudência do TST entende cabível recurso ordinário contra a sentença, caso
a discussão envolva matéria constitucional (TST-RR1343-83.2017.5.10.0017,
4ª Turma, rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos, julgado em 10/11/2020 –
Informativo TST nº 229)
Os serviços auxiliares às atividades de transportes aéreos encontram-se en-
quadrados na categoria profissional dos aeroviários (Decreto 1.232/1962) (TST-
-RR-55-15.2017.5.10.0013, 8ª Turma, rel. Min. João Batista Brito Pereira, julgado
em 11/11/2020 – Informativo TST nº 229)
É discriminatória a conduta da empresa que não contempla diversidade racial no
seu guia de padronização visual (dress code). No caso, a reclamada possuía um guia
de padronização visual para seus empregados, no qual não constavam fotos de
nenhum que represente a raça negra. No caso, a falta de diversidade racial no guia
de padronização visual é uma forma de discriminação, ainda que indireta, que tem
o condão de ferir a dignidade humana e a integridade psíquica dos empregados da
raça negra, como no caso da reclamante, que não se sentem representados em seu
ambiente laboral. Cumpre destacar que no atual estágio de desenvolvimento de nossa
sociedade, toda a forma de discriminação deve ser combatida, notadamente aquela
mais sutil de ser detectada em sua natureza, como a discriminação institucional ou
estrutural, que ao invés de ser perpetrada por indivíduos, é praticada por institui-
ções, sejam elas privadas ou públicas, de forma intencional ou não, com o poder de
afetar negativamente determinado grupo racial. É o que se extrai do caso concreto
em exame, quando o guia de padronização visual adotado pela reclamada, ainda
que de forma não intencional, deixa de contemplar pessoas da raça negra, tendo
efeito negativo sobre os empregados de cor negra, razão pela qual a parte autora
faz jus ao pagamento de indenização por danos morais, no importe de R$ 10.000,00
(dez mil reais). RR-1000390-03.2018.5.02.0046, 2ª Turma, Relatora Ministra Delaide
Miranda Arantes, DEJT 04/12/2020 – Informativo TST nº 229.

299
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

} 17/11/2020 – Publicada Nota Técnica SEI nº 51520/2020/ME, que


analisa os efeitos dos acordos de suspensão do contrato de trabalho
e de redução proporcional de jornada e de salário, de que trata a Lei
nº 14.020 de 2020, sobre o cálculo do 13º salário e das férias dos
trabalhadores.
} 19/11/2020 – STF entende que é possível a fixação de obrigações
alternativas a candidatos em concursos públicos e a servidores em
estágio probatório, que se escusem de cumprir as obrigações legais
originalmente fixadas por motivos de crença religiosa, desde que
presentes a razoabilidade da alteração, a preservação da igualdade
entre todos os candidatos e que não acarrete ônus desproporcional à
Administração Pública, que deverá decidir de maneira fundamentada
(RE 611874/DF, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Edson
Fachin, julgamento em 19.11, 25.11 e 26.11.2020; e, ARE 1099099/
SP, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 19.11, 25.11 e 26.11.2020).
} 20/11/2020 – Tratando-se de doença ocupacional, profissional
ou de acidente do trabalho a culpa do empregador é presumi-
da. Embora não se possa presumir a culpa em diversos casos de
dano moral- em que a culpa tem de ser provada pelo autor da ação,
tratando-se de doença ocupacional, profissional ou de acidente do
trabalho, essa culpa é presumida, em virtude de o empregador ter o
controle e a direção sobre a estrutura, a dinâmica, a gestão e a ope-
ração do estabelecimento em que ocorreu o malefício. No caso dos
autos, extrai-se do acórdão recorrido que a prova pericial produzida
apontou que o Autor foi portador de transtorno de ajustamento ao
trabalho com reação depressiva prolongada em face da alteração do
sistema operacional e que “as linguagens de computação podem ser
muito complicadas, necessitando de longos cursos em alguns casos
para que sejam aprendidas”. Constou na decisão recorrida, ainda,
a “dificuldade do Reclamante em adaptar-se a um novo sistema de
trabalho”, tanto o é que, posteriormente, voltou a laborar no sistema
anterior. Foi registrado, ainda, o afastamento das atividades laborais
para tratamento de saúde por seis meses. O Tribunal Regional, con-
tudo, entendeu ser indevida a responsabilidade civil da Reclamada.
Todavia, considerando-se as premissas fáticas transcritas no acórdão
recorrido, tem-se que a matéria comporta enquadramento jurídico

300
Novembro

diverso, pois, o labor em um novo sistema operacional, após um curso


de apenas duas semanas, foi o fator reconhecidamente estressor que
desencadeou o adoecimento do Autor (transtorno de ajustamento
ao trabalho com reação depressiva prolongada), cujos sintomas se
projetaram ao longo do tempo. No que diz respeito ao elemento cul-
pa, tem-se que, uma vez constatados a doença ocupacional, o dano,
o nexo causal e considerando-se que o empregador tem o controle
e a direção sobre a estrutura, a dinâmica, a gestão e a operação do
estabelecimento em que ocorreu o malefício, desponta a premissa
da culpa presumida do Reclamado e, consequentemente, a confi-
guração dos elementos que ensejam a responsabilidade civil (dano,
nexo causal e culpa empresarial) e o dever de indenizar. Assim, resta
presente a configuração dos elementos que ensejam a responsabilida-
de civil (dano, nexo causal e culpa empresarial) e o dever de indenizar.
(ARR-1186-70.2014.5.09.0041, 3ª Turma, Relator Ministro Mauricio
Godinho Delgado, DEJT 20/11/2020).
} 23/11/2020 – SDC do TST julga procedente ação anulatória ajuizada
pelo MPT e declara a nulidade de cláusula normativa que exclui os
aeronautas da base de cálculo da cota de contratação de pessoas
com deficiência (art. 93 da Lei nº 8.213/91 e art. 141 do Decreto
nº 3.048/99) e de aprendizes (art. 429 da CLT). Observou-se que o
art. 93 da Lei nº 8.213/91, ao estabelecer cota mínima para contrata-
ção de pessoas com deficiência ou reabilitados pela Previdência Social
sobre o número total de empregados da empresa, não estabeleceu
nenhuma ressalva ou exceção de cargos ou atividades para o cômputo
do cálculo, e, quanto à segurança nas operações aeroviárias, cabe
frisar que a exigência pode ser facilmente cumprida nos quadros
administrativos ou em uma série de funções na cadeia de atividades
econômicas desenvolvidas pelas empresas aéreas. A ministra Kátia
Arruda, afastou a aplicação ao caso do entendimento do STF (Tema
1046 de repercussão geral) sobre a validade de norma coletiva de
trabalho que limita ou restringe direito trabalhista não assegurado
constitucionalmente, ao fundamento de que o próprio STF já decidiu
que a controvérsia jurídica em torno do cumprimento das cotas de
aprendizes e pessoas com deficiência tem natureza constitucional.

301
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

(AACC-1000639-49.2018.5.00.0000, SDC, rel. Min. Katia Magalhães


Arruda, 23/11/2020 – Informativo TST nº 229).
} 23/11/2020 – A consulta prévia aos cadastros do SPC e SERASA dos
candidatos a emprego acarreta dano moral coletivo in re ipsa, sendo
desnecessária prova de prejuízo sofrido pela coletividade de traba-
lhadores (inocorrência da contratação de candidatos submetidos à
consulta). A prática dos citados atos antijurídicos e discriminatórios
configura ofensa ao patrimônio moral coletivo, sendo, portanto,
passível de reparação. Tais serviços tem por finalidade a proteção
dos comerciantes, instituições financeiras e creditícias, entre outros,
para o fornecimento de crédito para pessoas com histórico de não
honrar com suas obrigações, independentemente do motivo que as
levou a tanto, não se destinando à consulta prévia de candidato ao
emprego – conduta claramente discriminatória e reprovável. (RR-
1170-75.2010.5.02.0066, 2ª Turma, Relator Ministro Jose Roberto
Freire Pimenta, DEJT 13/11/2020).
} 24/11/2020 – 3ª Turma do TST reafirma jurisprudência no sentido
de que agente comunitária de saúde não faz jus ao adicional de
insalubridade, pois não basta a constatação da insalubridade por
meio de laudo pericial para que o empregado tenha direito ao adi-
cional, sendo necessário, também, que a atividade seja classificada
como insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do
Trabalho. No caso dos agentes comunitários, o trabalho realizado em
visitas domiciliares não se equipara ao desempenhado em contato
permanente com pacientes ou com material infectocontagioso em
estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana. (RR-
10545-23.2018.5.15.0078, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz
Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 04/09/2020).
} 26/11/2020 – SBDI-2 do TST entende que o recolhimento do depó-
sito prévio feito em guia inapropriada é válido, desde que atingida
a finalidade do ato, em razão do princípio da instrumentalidade das
formas RO-6016-69.2016.5.15.0000, SBDI-2, Relator Ministro Luiz
Jose Dezena da Silva, DEJT 18/09/2020.
} 26/11/2020 – 5ª Turma do TST, na esteira do que entende todas
as demais turmas do TST, entende que a garantia constitucional de
estabilidade provisória no emprego da gestante, prevista artigo 10,

302
Novembro

II, “b”, do ADCT, é para a dispensa arbitrária ou sem justa causa de-
corrente de iniciativa do empregador, o que não abrange o “pedido”
de demissão, sendo irrelevante para o deslinde da questão o fato de
a empregada desconhecer o seu estado gravídico no momento do
pedido de demissão, já que a garantia constitucional de estabilidade
gestante provisória se aplica apenas aos casos de dispensa arbitrária
ou sem justa causa (Ag-RR-11778-73.2016.5.03.0041, 5ª Turma,
Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 02/10/2020).
} 27/11/2020 – Publicada a Nota Técnica SEI nº 53797/2020/ME, sobre
a orientação à Auditoria Fiscal do Trabalho sobre os efeitos dos acor-
dos de suspensão do contrato de trabalho e de redução proporcional
de jornada e de salário, de que trata a Lei 14.020 de 2020, sobre o
cálculo do 13ºsalário, das férias e outras repercussões.
} 27/11/2020 – Decisão judicial em Portugal não afasta a competência
da Justiça do Trabalho. Os efeitos da coisa julgada estrangeira se dão
apenas após a homologação pelo Superior Tribunal de Justiça. Antes
disso, não há qualquer óbice ao exercício da jurisdição brasileira.
Portanto, não havendo qualquer menção, no processo, a eventual
homologação pelo STJ do resultado da ação ajuizada em Portugal,
não existe qualquer impedimento ou ilegalidade para que a empre-
gada se utilize da jurisdição nacional da Justiça do Trabalho, a fim de
discutir direito relativo à prestação de trabalho para a representação
diplomática. Nesse sentido, inclusive, o art. 24 do CPC/15 afastou a
ocorrência da litispendência estrangeira, nos seguintes termos: “A
ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência
e não obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mes-
ma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em
contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no
Brasil”. RRAg-11285-89.2015.5.01.0008, 6ª Turma, Relatora Ministra
Katia Magalhaes Arruda, DEJT 27/11/2020.
} 27/11/2020 – A interpretação dada ao art. 625-E, parágrafo único, da
CLT, pelo Plenário do STF, no julgamento das ADIs 2139/DF, 2160/DF
e 2237/DF, é no sentido de que “a eficácia liberatória geral do termo
neles contido está relacionada ao que foi objeto da conciliação. Diz
respeito aos valores discutidos e não se transmuta em quitação

303
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

geral e indiscriminada de verbas trabalhistas” (DJE 20/02/2019 –


Ata nº 14/2019. DJe nº 34, divulgado em 19/02/2019). Essa nova e
adequada interpretação do Plenário do STF sobre o tema, portanto,
afasta a leitura restritiva e de quitação geral do termo de conciliação
lavrado pela CCP, adotada até então pela SBDI-1 do TST- decisão que
era seguida por esta 3ª Turma por estrito respeito ao Órgão Colegia-
do de uniformização de jurisprudência das oito Turmas do TST. Com
efeito, o acordo firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia
(CCP) não possui eficácia para produzir quitação plena e irrestrita
em relação a todos os créditos decorrentes do contrato de trabalho,
abrangendo parcelas nem sequer mencionadas no termo de quitação
firmado perante a CCP. Não se trata de negar validade ao termo de
conciliação. Mas a transação capaz de autorizar a extinção do processo
pressupõe acordo homologado em Juízo (art. 831, parágrafo único, da
CLT), entendimento já pacificado nesta Corte Superior Trabalhista pela
Súmula 100, V, e pela OJ 132 da SBDI-2, ambas do TST. [...] Reitere-se
que a decisão vinculante do Supremo Tribunal Federal é nesse sentido:
“a eficácia liberatória geral do termo neles contido está relacionada ao
que foi objeto da conciliação. Diz respeito aos valores discutidos e não se
transmuta em quitação geral e indiscriminada de verbas trabalhistas”.
Nesse panorama, a quitação dada pelo empregado perante a Comissão
de Conciliação Prévia não tem o alcance de quitação plena e irrestrita,
tendo em vista os princípios da irrenunciabilidade e indisponibilidade
dos direitos trabalhistas. Efeitos absolutos e irrestritos ao documento
rescisório extrajudicial atentam não só contra a regra e princípio da in-
disponibilidade de direitos como também do amplo acesso à jurisdição.
Na hipótese, a Corte de origem reformou a sentença para extinguir o
processo sem resolução de mérito, reconhecendo a eficácia liberatória
geral do termo de conciliação firmado perante a Comissão de Concilia-
ção Prévia. Assim, por estar a decisão regional em dissonância com o
entendimento acima exposto, deve o recurso ser conhecido e provido
para, afastada a eficácia liberatória do acordo firmado perante a Comis-
são de Conciliação Prévia, determinar o retorno dos autos ao Tribunal
Regional de origem a fim de que prossiga no julgamento do feito, como
entender de direito. (RR-13241-69.2017.5.15.0077, 3ª Turma, Relator
Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 27/11/2020)

304
DEZEMBRO

} 01/12/2020 – Lançamento da obra “Reflexos da LGPD no direito e


no processo do trabalho”.

MIZIARA, Raphael; MOLLICONE,


Bianca; PESSOA, André. Reflexos
da LGPD no Direito e no Processo
do Trabalho. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2020.

} 02/12/2020 – Em caso de desvio de função do empregado público,


são devidas diferenças salariais, mas não reenquadramento, em ra-
zão da necessidade de concurso público para tanto. Nos termos da
OJ nº 125 da SBDI-1 do TST, derivada de interpretação do artigo 37
da Constituição, o simples desvio funcional do empregado não gera
direito a novo enquadramento, mas às diferenças salariais respectivas.
(RO-1002880-10.2016.5.02.0000, SBDI-2, Relator Ministro Alexandre
de Souza Agra Belmonte, DEJT 18/09/2020).
} 04/12/2020 – STF fixa a tese de repercussão geral pela qual “compete
à Justiça comum processar e julgar demandas em que se discute
o recolhimento e o repasse de contribuição sindical de servidores
públicos regidos pelo regime estatutário” (RE 1089282, rel. Gilmar
Mendes, Plenário, Sessão Virtual de 27.11.2020 a 4.12.2020, Infor-
mativo STF nº 1000, Tema 994). No processo julgado, o Estado do
Amazonas questionava decisão do Tribunal de Justiça (TJ-AM), que

305
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

declinou de sua competência para julgar causa sobre recolhimento


de contribuição sindical de servidores da Defensoria Pública local para
a Justiça do Trabalho. No STF, o Estado alegava que a contribuição
sindical, no caso, diz respeito a servidores públicos estatutários e,
portanto, atrairia a competência da Justiça comum. Em resumo,
o art. 114, III, da CRFB/88 deve ser interpretado em conjunto com o
art. 114, I, da CRFB/88, de modo a excluir da competência da Justiça do
Trabalho as causas instauradas entre o Poder Público e os servidores
a ele vinculados por típica relação estatutária ou de caráter jurídico-
-administrativo. A SBDI-1 do TST já se alinhava ao entendimento do
STF mesmo antes do julgamento: E-RR-1309-35.2010.5.18.0081,
SBDI-1, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 13/12/2019, no
qual ficou assentado que “a discussão nos autos diz respeito à compe-
tência da Justiça do Trabalho para julgar ação ajuizada por entidade
sindical postulando sua legitimidade para cobrança de contribuição
sindical, devida pelos servidores públicos vinculados ao Município
embargante. Nesse cenário, a jurisprudência desta do TST é no sen-
tido de que, para manter alinhamento com o STF nos julgamentos da
ADI nº 3.395-MC/DF e do Agravo Regimental interposto nos autos da
Reclamação nº 9.625/RN, deve-se entender que não se inserem na
competência da Justiça do Trabalho as ações ajuizadas por Sindicatos,
tendo por objeto representatividade ou contribuição sindical, que
digam respeito a trabalhadores submetidos ao regime estatutário
ou àqueles cujo regime jurídico aplicável esteja em discussão. Dessa
forma, o acórdão embargado ao concluir pela competência da Justiça
do Trabalho para julgar a presente demanda decidiu em desarmonia
com a atual, iterativa e notória jurisprudência desta Corte Superior
sobre a matéria. Precedentes.” (E-RR-1309-35.2010.5.18.0081, SBDI-1,
Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 13/12/2019)”. De igual
modo: E-RR-24300-63.2013.5.24.0006, SBDI-1, Relator Ministro
Alexandre Luiz Ramos, DEJT 02/10/2020.
} 04/12/2020 – Oficiais de justiça podem ser representados por sindi-
cato próprio. Discute-se, no caso, o legítimo representante dos oficiais
de justiça e avaliadores do Estado do Mato Grosso: se o sindicato
específico- Sindicato dos Oficiais de Justiça e Avaliadores do Estado
de Mato Grosso - ou o sindicato geral - Sindicato dos Servidores do

306
Dezembro

Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, ambos de base estadual.


O artigo 570 da CLT estabelece que os sindicatos serão constituídos,
em geral, por categorias econômicas e profissionais específicas. O
parágrafo único desse mesmo artigo, por outro lado, excepciona a
aplicação da regra da especificidade, permitindo a formação de sin-
dicato com a junção de categorias similares ou conexas, na hipótese
em que determinada classe econômica ou profissional não consiga
sindicalizar-se eficientemente pelo critério específico. O artigo 571 da
CLT ainda prevê a possibilidade de as categorias formarem sindicatos
específicos com a dissociação do sindicato principal. Isso significa que
é possível a formação de um sindicato, por dissociação de categoria
mais específica, numa mesma base territorial, observado o princípio
da unicidade sindical previsto no artigo 8º, II, da Constituição Federal.
Ressalta-se que o Supremo Tribunal Federal tem entendimento de
que a criação de um novo sindicato de categoria mais específica por
dissociação ou por desdobramento não ofende o princípio da unici-
dade sindical. Nesse contexto e considerando ainda as informações
trazidas pelo SINDOJUS-MT e pela FESOJUS-BR ao longo do processo,
não impugnadas pelo SINJUSMAT, de que já existem 14 sindicatos de
oficiais de justiça e avaliadores distribuídos nos Estados da Federação,
com um percentual elevadíssimo de filiados, percebe-se a possibilidade
de vida associativa regular e de ação sindical eficiente, na esteira
do que preconiza o art. 571 da CLT, sobretudo considerando certas
particularidades das atividades dos oficiais de justiça e avaliadores, a
demandarem pautas de reivindicações bem específicas. Com efeito,
as dificuldades e adversidades enfrentadas pelos oficiais de justiça
e avaliadores no desempenho de suas funções eminentemente ex-
ternas exigem reivindicações específicas, que geralmente se revelam
mais imprescindíveis para esses servidores do que pautas e reajustes
gerais pleiteados pelos demais servidores do Judiciário. Pode-se citar,
a título exemplificativo, os reajustes de verbas indenizatórias, como
transporte e reembolso combustível; formas de remuneração e com-
pensação monetária por cumprimento de mandados em plantões e
recessos; diárias de deslocamento para cumprimento de mandados;
segurança e medidas de prevenção, redução ou eliminação dos riscos
cotidianos inerentes à sua atividade externa; aposentadoria especial;
impactos do processo judicial eletrônico na carreira; entre outros.

307
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Esses interesses, por vezes, não encontram ressonância ou são dei-


xados em segundo plano nas pautas dos sindicatos representativos
do Judiciário em geral. Chega-se, até mesmo, a entrarem, algumas
vezes, em conflito com interesses dos demais servidores, que exercem
atividade interna, consoante se percebe, por exemplo, dos impactos
gerados pelo processo judicial eletrônico na divisão e incumbência
de tarefas necessárias para a execução de ordens judiciais, como
pesquisas de penhora e elaboração de minutas e protocolos relativos
a pedidos de bloqueio e desbloqueio de valores pelo BACENJUD, atri-
buições exequíveis internamente. (RR-34-60.2018.5.23.0007, 2ª Tur-
ma, Relator Ministro Jose Roberto Freire Pimenta, DEJT 04/12/2020).
} 04/12/2020 – O pagamento de vantagem pecuniária expressiva a
trabalhadores que não participaram do movimento paredista eviden-
cia a prática de sofisticada conduta antissindical, com a intenção de
frustrar greve. Perpetrada a quebra da isonomia entre empregados
(sendo a isonomia protoprincípio da CRFB/88- art. 5º), tem o traba-
lhador reclamante direito à mesma bonificação ofertada, em caráter
geral, aos empregados não grevistas. Da mesma forma, a discrimi-
nação e a ofensa a direito fundamental provocam, “in re ipsa”, vio-
lação dos direitos de personalidade do reclamante. Assim, também
é devida indenização por dano moral. (RR-212-68.2017.5.05.0193,
3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
DEJT 04/12/2020).
} 04/12/2020 – A mera adequação da reclamada aos termos impostos
pelo decreto condenatório- comportamento que não se revelou es-
pontâneo, mas consequência do ajuizamento da ação coletiva- não
possui o condão de afastar a penalidade abstratamente imposta,
simplesmente por não se coadunar com a finalidade essencial do
instrumento assecuratório da tutela específica. É de fácil constata-
ção que o ajustamento da empresa, mediante o cumprimento das
obrigações de fazer, converteu a tutela específica reparatória em
inibitória, ou seja, em constrangimento imposto pelo poder jurisdi-
cional para que a situação irregular não volte a ocorrer. Nesse sentido,
não deixam de ser curiosos os argumentos contra a cominação da
penalidade, tendo em conta que basta à empregadora não reiterar
os atos antijurídicos para que o comando dissuasório permaneça

308
Dezembro

em sua feição abstrata e não se concretize. Portanto, andou mal o


TRT ao entender que a mera regularização da situação dos funcio-
nários no curso do presente processo seria suficiente para afastar
a penalidade por eventual descumprimento da obrigação de fazer
imposta pela sentença. Precedentes unânimes da SBDI-1. (RR-632-
48.2014.5.05.0009, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza
Agra Belmonte, DEJT 04/12/2020).
} 04/12/2020 – STF conheceu de ADPF e julgou procedente o pedido,
para declarar a inconstitucionalidade da interpretação judicial que
admite o bloqueio, a penhora e/ou o sequestro de verbas estaduais,
ao fundamento de que tais valores constituiriam créditos devidos
pelo Estado a empresas rés em ações trabalhistas, e fixou a seguinte
tese de julgamento: “Verbas estaduais não podem ser objeto de
bloqueio, penhora e/ou sequestro para pagamento de valores
devidos em ações trabalhistas, ainda que as empresas reclamadas
detenham créditos a receber da administração pública estadual,
em virtude do disposto no art. 167, VI e X, da CR/88, e do princípio
da separação de poderes (art. 2º da CR/88)” (ADPF 485/AP, rel. Min.
Roberto Barroso, Informativo STF nº 1000).
} 04/12/2020 – A exigência de integralização do capital social por
empresas individuais de responsabilidade limitada – EIRELI, no
montante previsto no art. 980-A do Código Civil, com redação dada
pelo art. 2º da Lei 12.441/2011, não viola a regra constitucional
que veda a vinculação do salário-mínimo para qualquer fim, bem
como não configura impedimento ao livre exercício da atividade
empresarial. O art. 980-A do Código Civil não prevê forma de inde-
xação nem qualquer vinculação que possa interferir ou prejudicar os
reajustes periódicos do salário-mínimo. O sentido da proibição do
art. 7º, IV, da CRFB/88 é proteger a integridade do salário-mínimo
como direito fundamental do trabalhador. Por isso, evitar a vinculação
é uma tentativa de evitar o prejuízo dos reajustes ou de reduzir-lhe
o poder de compra real. No caso, a utilização do salário-mínimo é
meramente referencial. O valor do salário-mínimo serve tão somente
como parâmetro para determinação do capital social a ser integrali-
zado na constituição da EIRELI. Ademais, a exigência de integralização

309
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

de capital social não inferior a cem vezes o maior salário-mínimo vi-


gente no País não representa obstáculo à livre iniciativa. Isso porque
a exigência de integralização do capital social representa requisito
para constituição de uma das formas de pessoas jurídicas, a EIRELI.
Não representa uma condição de acesso ao mercado ou à atividade
empresarial. Trata-se de requisito para limitação da responsabilida-
de patrimonial do empresário pessoa física. O empresário poderá
empreender, mesmo sem o capital mínimo exigido pela lei, mas não
será beneficiado pela limitação de responsabilidade que, de outra
forma, a EIRELI proporciona. A restrição/condição não é ao exercício
da empresa, mas vincula-se a um certo regime jurídico ou estrutura
jurídica mais benéfica ao empresário individual. Tampouco o requisito
se apresenta como discriminatório ou desproporcional. Justifica-se,
aliás, no quadro de experimentação institucional que marca a intro-
dução dessa forma de pessoa jurídica. No caso, trata-se de ação direta
de inconstitucionalidade ajuizada com o objetivo de ver declarada a
inconstitucionalidade da parte final do caput do art. 980–A do Código
Civil, com redação dada pelo art. 2º da Lei 12.441/2011. Com esse
entendimento, o Plenário, em sessão virtual, julgou improcedente a
ação direta de inconstitucionalidade. ADI 4637/DF, rel. Min. Gilmar
Mendes, julgamento virtual finalizado em 4.12.2020 – Informativo
STF nº 1001.
} 04/12/2020 – É constitucional a determinação de que a participação
de trabalhadores nos lucros ou resultados de empresas estatais
deve observar diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo
ao qual as entidades estejam sujeitas (caput e no parágrafo único
do art. 5º da Lei nº 10.101, de 19.12.2000). A jurisprudência do STF
admite a análise de omissão inconstitucional parcial quando se
demonstre insuficiência da normatividade adotada. Entretanto,
não se constata essa omissão no art. 5º da Lei 10.101/2000, porque
nele se tem disciplina suficiente e consistente sobre o direito à par-
ticipação nos lucros e resultados das empresas estatais, de acordo
com o disposto no inciso XI do art. 7º da CRFB/88. Além disso, não há
ofensa ao princípio da isonomia. A submissão das empresas estatais
às diretrizes específicas estabelecidas pelo Poder Executivo, mesmo

310
Dezembro

no que se refere ao cumprimento dos direitos trabalhistas, é fator


de realce constitucional em razão do regime jurídico híbrido a que as
entidades estão sujeitas. Trata-se de ação direta de inconstitucionali-
dade em face do art. 5º, caput e parágrafo único, da Lei 10.101/2000;
do art. 1º, V, do Decreto 3.735/2001; dos arts. 3º, §§ 3º e 4º, e 12,
IV, VI e VII, da Portaria 27/2012 do Departamento de Coordenação
e Governança das Empresas Estatais da Secretaria Executiva do
Ministério do Planejamento – DEST/SE/MP; bem assim dos arts. 2º,
IV e parágrafo único, 3º, I a V, e 5º, § 1º, da Resolução 10/1995 do
Conselho de Coordenação e Controle das Empresas Estatais – CCE.
Essas normas federais estabeleceram condições para a participação
de trabalhadores nos lucros e resultados de empresas estatais.
O Plenário julgou improcedente o pedido formulado, na parte em
que conhecido, para declarar constitucional o disposto no caput e
parágrafo único do art. 5º da Lei 10.101/2000. Não foi conhecida a
pretensão quanto aos demais preceitos impugnados, porquanto
apenas regulamentam a aludida lei e não cabe o exame de normas
secundárias ou regulamentares, nesta via, por configurar-se ofensa
indireta à Constituição. ADI 5417/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, julga-
mento virtual finalizado em 4.12.2020 – Informativo STF nº 1001.
} 04/12/2020 – STF inicia análise de repercussão geral de Recurso Ex-
traordinário em que se discute à luz dos artigos 1º, III, e 7º, I e III, da
Constituição de 1988, o direito à execução da indenização de 40%
sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, prevista
no artigo 18, § 1º, da Lei 8.036/1990, quando não expressamente
constante do título executivo judicial (ARE 1.298.177, Rel. Ministro
Luiz Fux, Tema 1123).
} 08/12/2020 – STF reconhece repercussão geral quanto ao tema
“Ônus da prova acerca de eventual conduta culposa na fiscalização
das obrigações trabalhistas de prestadora de serviços, para fins de
responsabilização subsidiária da Administração Pública, em virtude
da tese firmada no RE 760.931 (Tema 246)” (RE 1.298.647, Relator:
Ministro Luiz Fux, Tema 1118).
} 08/12/2020 – A Confederação Nacional do Transporte – CNT ajuizou,
no STF, Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC nº 75) da

311
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

Lei 13.103/2015 (nova Lei do Motorista), que regulamenta o exercício


da profissão de motorista profissional nas atividades de transporte
rodoviário de cargas e de passageiros. A ADC foi distribuída, por
prevenção, ao ministro Alexandre de Moraes, relator de outra ação
sobre a mesma matéria (ADI 5322).
} 09/12/2020- Publicada no Diário Oficial da União (edição nº 235, se-
ção 1, página 237) a Portaria SEPEC/ME nº 24.471, de 1º de dezembro
de 2020, para manter aprendizes à distância. Em síntese, a norma
autoriza a execução das atividades teóricas e práticas dos programas
de aprendizagem profissional na modalidade à distância até 30 de
junho de 2021.
} 10/12/2020 – 3ª Turma do TST entende que empresa é responsável,
objetivamente, por agressão cometida por empregado terceirizado
em relação ao seu empregado efetivo, pois, nos termos dos arts. 933
e 932, III, do Código Civil, o empregador ou comitente é civilmente
responsável por atos de seus empregados, serviçais e prepostos,
no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; bem
como que responderá por tais atos praticados, ainda que não haja
culpa de sua parte (responsabilidade civil objetiva do empregador
pelos atos praticados por seus empregados). Assim, a partir de uma
interpretação sistemática do ordenamento jurídico, com fundamen-
to nas normas referidas, e com fulcro nas premissas constantes no
acórdão regional- no sentido de que houve agressão perpetrada, me-
diante golpes com uma barra de ferro, desferidos por um motorista
terceirizado da Reclamada (que aguardava o carregamento de seu
caminhão com açúcar) contra o Reclamante durante o expediente e
nas dependências da própria empresa,- conduz à conclusão de que o
empregador deve ser objetivamente responsabilizado, sendo dispen-
sável, portanto, qualquer perquirição em torno de sua culpa. Para o
relator, embora não se possa presumir a culpa em diversos casos de
dano moral – em que a culpa tem de ser provada pelo autor da ação –,
tratando-se de doença ocupacional, profissional ou de acidente do
trabalho, essa culpa é presumida, em virtude de o empregador ter o
controle e a direção sobre a estrutura, a dinâmica, a gestão e a ope-
ração do estabelecimento em que ocorreu o malefício. Ainda, de que

312
Dezembro

“não se tratava o agressor de um terceiro, estranho às atividades da


Empregadora, mas de um prestador de serviços por ela terceirizado,
para realizar o transporte dos seus produtos. Ou seja, o agressor fazia
parte da dinâmica do Estabelecimento, inclusive, da área direta de
atuação do Reclamante, já que ‘uma de suas obrigações funcionais era
verificar se os motoristas estavam cumprindo com os procedimentos
operacionais e de segurança”. (RR-814-65.2015.5.18.0129, 3ª Turma,
Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 18/09/2020).
} 10/12/2020 – STF veda bloqueio de verbas públicas para pagamento
de valores em ações trabalhistas. Isso porque os atos de constrição
praticados pela Justiça do Trabalho sobre verbas públicas, sob alega-
ção de que as empresas reclamadas deteriam créditos a receber da
administração estadual, configuram violação dos princípios do contra-
ditório, da ampla defesa, do juiz natural, do sistema de precatórios
e da segurança orçamentária. A medida fere ainda o princípio da
separação dos Poderes e os dispositivos constitucionais que regem o
orçamento público. Assim, verbas estaduais não podem ser objeto de
bloqueio, penhora ou sequestro para pagamento de valores devidos
em ações trabalhistas, ainda que as empresas envolvidas tenham
créditos a receber da administração pública estadual. Portanto, é
inconstitucional a interpretação que permite o bloqueio, a penhora
e/ou o sequestro de verbas estaduais, ao fundamento de que os valo-
res em questão constituem créditos devidos pelo estado a empresas
que sejam rés em ações trabalhistas. Em seu voto, o ministro Barroso
afirmou que atos de constrição praticados pela Justiça do Trabalho
sobre verbas públicas, com a alegação de que as empresas deteriam
créditos a receber da administração estadual, violam os princípios
do contraditório, da ampla defesa, do juiz natural, do sistema de
precatórios e da segurança orçamentária. O relator lembrou que a
jurisprudência do STF tem reconhecido a inconstitucionalidade do
bloqueio e do sequestro de verba pública nessas hipóteses e citou,
nesse sentido, a ADPF 387. Com relação ao manejo da ADPF em hipó-
teses com a dos autos, o STF faz duas ressalvas para o seu cabimento.
A primeira é que seja utilizada em situações extraordinárias, em
que o tempo de resposta normal, nas instâncias ordinárias, possa

313
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

acarretar grave desequilíbrio social e econômico. A segunda ressalva


é a de que o conjunto de decisões judiciais não tenha transitado em
julgado. No caso concreto, considerando-se a pulverização dos atos
questionados por vários juízos e órgãos colegiados, a interposição dos
recursos cabíveis em cada processo não seria capaz de solucionar a
controvérsia de modo imediato, definitivo e, sobretudo, com eficá-
cia geral e vinculante. Único a divergir do relator, o ministro Marco
Aurélio, votou por acolher parcialmente o pedido, para declarar a
inconstitucionalidade de atos constritivos que recaiam sobre verba
referente a entidade de direito público. A tese fixada no julgamento
foi a seguinte: “Verbas estaduais não podem ser objeto de bloqueio,
penhora e/ou sequestro para pagamento de valores devidos em
ações trabalhistas, ainda que as empresas reclamadas detenham
créditos a receber da administração pública estadual, em virtude
do disposto no art. 167, VI e X, da CF, e do princípio da separação
de poderes (art. 2º da CF)”. ADPF 485/AP, rel. Min. Roberto Barroso,
julgamento virtual finalizado em 4.12.2020 – Informativo STF nº 1001.
} 11/12/2020 – Empregada terá jornada adaptada para acompanhar
filho com síndrome de Down em atividades terapêuticas. ACÓRDÃO
NO RECURSO ORDINÁRIO PUBLICADO APÓS A VIGÊNCIA DA LEI
Nº 13.467/2017. I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE
REVISTA DA AUTORA. TUTELA INIBITÓRIA - OBRIGAÇÃO DE FAZER -
PRETENSÃO DE REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO, SEM DIMI-
NUIÇÃO PROPORCIONAL DA REMUNERAÇÃO E SEM A COMPENSAÇÃO
DE HORÁRIOS, A FIM DE QUE A TRABALHADORA ACOMPANHE SEU
FILHO DE SEIS ANOS DE IDADE, PORTADOR DA SÍNDROME DE DOWN,
EM ATIVIDADES TERAPÊUTICAS INDISPENSÁVEIS AO DESENVOLVI-
MENTO SADIO E À INTEGRAÇÃO SOCIAL DA CRIANÇA. EFICÁCIA
HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA IGUALDADE SUBS-
TANCIAL E DA ADAPTAÇÃO RAZOÁVEL. PRESENÇA DE TRANSCENDÊN-
CIA SOCIAL. Discute-se desde 2017 o direito de uma mãe e
professora de ver reduzida em algumas horas a jornada de trabalho
perante o Município de Bariri, sem a obrigatoriedade de compensa-
ção de horários e sem prejuízo da remuneração que provê o susten-
to da família, a fim de que ela acompanhe o filho, que completou seis

314
Dezembro

anos de idade no dia 20/10/2020, nas atividades terapêuticas indis-


pensáveis ao seu pleno desenvolvimento enquanto portador da
Síndrome de Down. Considerando que a proteção à infância e a as-
sistência à pessoa portadora de necessidades especiais, bem como
o direito ao trabalho são direitos sociais assegurados pela Constitui-
ção, reconhece-se a transcendência da matéria trazida no recurso de
revista, nos termos do art. 896-A, § 1º, III, da CLT. A razoabilidade da
tese de violação do art. 5º, caput, da CF justifica o provimento do
agravo de instrumento. Agravo de instrumento conhecido e provido.
II- RECURSO DE REVISTA DA AUTORA. TUTELA INIBITÓRIA- OBRIGAÇÃO
DE FAZER - PRETENSÃO DE REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO,
SEM DIMINUIÇÃO PROPORCIONAL DA REMUNERAÇÃO E SEM A
COMPENSAÇÃO DE HORÁRIOS, A FIM DE QUE A TRABALHADORA
ACOMPANHE SEU FILHO DE SEIS ANOS DE IDADE, PORTADOR DA
SÍNDROME DE DOWN, EM ATIVIDADES TERAPÊUTICAS INDISPENSÁ-
VEIS AO DESENVOLVIMENTO SADIO E À INTEGRAÇÃO SOCIAL DA
CRIANÇA- EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA
IGUALDADE SUBSTANCIAL E DA ADAPTAÇÃO RAZOÁVEL- CONCESSÃO
DE HORÁRIO ESPECIAL POR MEIO DO AUMENTO DAS HORAS DE
TRABALHO PEDAGÓGICO LIVRE (HTPL) E DIMINUIÇÃO EQUIVALENTE
DA JORNADA PRESENCIAL- APLICAÇÃO DOS ARTS. 98, §3º, DA LEI Nº
8.112/1990 E 11 DA LEI MUNICIPAL Nº 4.111/2011- PONDERAÇÃO
DOS INTERESSES EM CONFLITO, SEGUNDO O ART. 2 DA CONVENÇÃO
INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊN-
CIA - PROVIMENTO PARCIAL DO PEDIDO. Discute-se desde 2017 o
direito de uma mãe e professora de ver reduzida em algumas poucas
horas a jornada de trabalho perante o Município de Bariri, sem a
obrigatoriedade de compensação de horários e sem prejuízo da re-
muneração que provê o sustento da família, a fim de que ela acom-
panhe o filho, que completou seis anos de idade no dia 20/10/2020,
nas atividades terapêuticas indispensáveis ao seu pleno desenvolvi-
mento enquanto portador da Síndrome de Down. O juízo de primei-
ro grau, em caráter liminar inaudita altera pars autorizado pelo
art. 300, caput e § 2º, do CPC, deferiu a antecipação dos efeitos da
tutela. Já em sede de cognição exauriente, cassou a medida de ur-
gência e julgou improcedente a pretensão. O Tribunal Regional negou

315
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

provimento ao recurso ordinário da autora. Utilizando como funda-


mento nuclear a ausência de previsão legal que respaldasse o pedido,
o Colegiado acrescentou que os princípios constitucionais não auto-
rizam o Poder Judiciário a impor obrigações não previstas em lei,
notadamente as que representam impacto financeiro. Destacou que
a efetivação do que pretende a trabalhadora em juízo deve ocorrer
por meio de políticas públicas abrangentes. No entanto, a Constitui-
ção Federal de 1988 consagrou a dignidade da pessoa humana e os
valores sociais do trabalho como fundamentos nucleares da Repú-
blica Federativa do Brasil (art. 1º, III e IV). O poder constituinte origi-
nário erigiu a construção de uma sociedade justa e solidária e a
promoção do bem de todos, sem preconceito ou discriminação, ao
status de objetivos fundamentais do Estado brasileiro (art. 3º, I e IV).
Os direitos humanos foram alçados ao patamar de princípio nortea-
dor das relações externas, com repercussão ou absorção formal no
plano interno (arts. 4º, II, e 5º, §§ 2º e 3º). Já o catálogo de garantias
e direitos fundamentais deixou de assumir a conformação vertical do
constitucionalismo clássico para constituir o principal fundamento
sobre o qual repousa todo o ordenamento jurídico nacional. A deno-
minada Carta Política, de feição marcadamente liberal e que se pro-
punha, essencialmente, à imposição de limites ao poder do Estado
na vida privada, deu lugar a uma Carta Fundamental, de caráter diri-
gente, programático e de alcance muito mais abrangente e concre-
tizador. O processo histórico de horizontalização dos direitos
fundamentais adquiriu assento constitucional expresso (art. 5º, §1º),
de modo que, diferentemente do que sugere o acórdão recorrido, os
valores mais caros à sociedade possuem aptidão para alcançar todos
os indivíduos de forma direta e eficácia plena, sem a necessidade de
que sejam veiculados por meio de pontes infraconstitucionais. Nes-
se sentido, a matriz axiológica da Constituição não somente pode,
mas, sobretudo, deve servir de fonte imediata para a resolução de
demandas levadas à tutela do Poder Judiciário, notadamente aque-
las de alta complexidade. De todo modo, a ausência de norma infra-
constitucional específica não seria capaz de isentar o magistrado de,
com base nos princípios gerais de direito, na analogia e nos tratados
internacionais ratificados pelo Brasil, dentre eles o Pacto de San Jose

316
Dezembro

da Costa Rica, reconhecer a incidência direta dos direitos sociais em


determinados casos concretos, mesmo porque aqueles nomeados
exemplificativamente no texto constitucional, inclusive no que diz
respeito aos trabalhadores, encerram cláusulas gerais ou de conteú-
do indeterminado, mas de aplicação imediata (arts. 6º e 7º, caput, in
fine). O Tribunal Regional não deixa de ter razão quando afirma que
o dever da sociedade, de assegurar o exercício de direitos aos grupos
em situação de vulnerabilidade, deve ser aperfeiçoado por meio de
políticas públicas de alcance abrangente. Essa responsabilidade, no
caso específico dos deficientes e dos portadores de necessidades
especiais, é de competência concorrente dos entes federativos, nos
termos dos arts. 23, II, e 24, XIV, da CF e se encontra prevista em di-
versos pontos da própria Constituição, notadamente nos seus
arts. 203, IV, 208, III, e 227, §1º, II, bem como na legislação específica,
a exemplo do art. 8º da Lei nº 13.146/2015- Lei Brasileira de Inclusão
da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
Neste sentir, é mesmo dever do Estado promocional, por meio de
seus Poderes, dar conteúdo prestacional aos direitos sociais, agindo
de forma ativa a concretizá-los. Ocorre que a ainda claudicante atua-
ção do Poder Público na adoção de medidas efetivas ao bem-estar
da população vulnerável e, sobretudo, o alcance mais restrito da
pretensão declinada na exordial, permitem que este Colegiado exa-
mine a controvérsia sob ótica diversa. Felizmente, está ficando para
trás o tempo em que a pessoa portadora de deficiência física, mental,
intelectual ou sensorial, inata ou adquirida, era considerada apenas
um peso a ser suportado por terceiros, fosse no âmbito familiar ou
social ou ainda sob as expensas do Estado. Impulsionada pela medi-
cina, pela psicologia, pela sociologia e por outras áreas do saber, a
sociedade tem evoluído, passando a enxergar os integrantes dessa
parcela da população como indivíduos sujeitos de prerrogativas e
obrigações, no exercício, às vezes pleno, às vezes mitigado, de sua
capacidade e de sua cidadania. O direito brasileiro não ficou alheio a
essa evolução, de modo de que documentos construídos no plano
internacional com o intuito de proteger e salvaguardar o exercício
dos direitos dos deficientes e portadores de necessidades especiais
vêm sendo absorvidos pela ordem jurídica pátria com força de

317
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

emenda constitucional , a exemplo da Convenção Internacional sobre


os Direitos das Pessoas com Deficiência e do Tratado de Marraqueche;
da revogação dos incisos I a III do art. 3º do Código Civil brasileiro
quanto à caracterização dos incapazes; e, o art. 1783-A, do Código
Civil, sobre a tomada de decisão apoiada. A nossa ordem jurídica,
mesmo que de forma incipiente, tem procurado promover e garantir
os direitos e liberdades fundamentais desses indivíduos, visando à
sua inclusão social, em igualdade de condições e oportunidades com
as demais pessoas. Expressões de conotação depreciativa, como a
outrora paradigmática “loucos de todo gênero”, deixaram de ser
utilizadas nos textos legais, ao passo que a não-discriminação nega-
tiva passou a ser a palavra de ordem em documentos oficiais. No
âmbito da Administração Pública, a Lei nº 13.370/2016 alterou o
art. 98, §3º, da Lei nº 8.112/1990 para estender o direito ao horário
especial ao servidor público federal que possui cônjuge, filho ou
dependente com deficiência e para revogar a exigência de compen-
sação. Especificamente no que toca ao Direito do Trabalho, tramita
no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 110/2016, da relatoria do
senador Flavio Arns, que pretende reduzir em 10% a jornada dos
trabalhadores que tenham sob sua guarda filhos com deficiência,
sem prejuízo da remuneração. A par de tudo o que já foi considerado,
há de se ter em mente que os anseios por uma sociedade justa não
podem passar ao largo da percepção de que os seus integrantes são
plurais e de que a igualdade substancial é valor que coloca em alto
relevo as diferenças de ordem pessoal. Tratar pessoas diferentes com
isonomia não significa tratá-las segundo a mesma régua ou de acor-
do com os mesmos parâmetros. A aplicação do primado da igualda-
de sem qualquer temperamento costuma apenas aprofundar as
desigualdades ainda tão presentes em nossa realidade social. É
certo que os funcionários da municipalidade recorrida não têm seus
horários de trabalho adequados a fim de que possam acompanhar
seus filhos em atividades educacionais ou recreativas, mormente
sem a redução de salários. Ocorre que o filho da autora possui carac-
terísticas particulares que não apenas o diferenciam da maioria das
outras crianças, mas, também, representam um desafio superior
tanto ao seu desenvolvimento como pessoa quanto à sua afirmação

318
Dezembro

enquanto agente socialmente relevante. Destaque-se, por oportuno,


que a ciência não estabelece gradação à Síndrome de Down, não
havendo que se cogitar de sua incidência severa ou moderada. Daí a
importância do seguinte questionamento: ao negar um horário dife-
renciado à sua mãe, o reclamado não estaria adotando um tratamen-
to uniforme para crianças em situações flagrantemente desiguais?
Pensamos que a resposta seja positiva. A Convenção Internacional
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência , aprovada pela Assem-
bleia Geral das Nações Unidas em 13 de dezembro de 2006 e chan-
celada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo
nº 186/2008, conforme o procedimento do art. 5º, §3º, da CF, reco-
nhece que a deficiência “é um conceito em evolução” e que “resulta
da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às
atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação
dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com
as demais pessoas”. Estabelece, no art. 3º, os seus “princípios gerais”,
dentre os quais se destacam o “respeito pela diferença” e a “igualda-
de de oportunidades”. Prevê, no art. 5.1, que “todas as pessoas são
iguais perante e sob a lei a que fazem jus, sem qualquer discriminação,
a igual proteção e benefício da lei”. Especificamente quanto à crian-
ça, determina, no art. 7.1 que “os Estados Partes tomarão todas as
medidas necessárias para assegurar às crianças com deficiência o
pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamen-
tais, em igualdade de oportunidades com as demais crianças”. Refe-
ridos dispositivos não apenas ratificaram o já consagrado princípio
da igualdade material insculpido no art. 5º, caput, da CF, mas, também,
lhe conferiram refinamento temático expresso. Assim, o direito das
crianças com deficiência, de serem tratadas pelo Estado e pela socie-
dade em igualdade de condições e segundo as características pecu-
liares que as diferenciam dos demais indivíduos, passou a ser literal
na Constituição brasileira a partir de 25 de agosto de 2009, data da
publicação do Decreto presidencial nº 6.949. Existem julgados do
Tribunal Superior do Trabalho, inclusive da 3ª Turma, nos quais o
cuidado diferenciado que deve ser dirigido às crianças portadoras de
necessidades especiais justificou a alteração de turno de trabalho
de seus pais. É evidente que a transposição de um ideal de justiça de

319
RETROSPECTIVA TRABALHISTA 2020

uma decisão judicial para a realidade concreta nem sempre é tran-


quila, ou mesmo factível. O alto grau de abstração de um princípio
constitucional deve sempre ser levado em consideração pelo juiz no
exame da exequibilidade e das repercussões econômicas e sociais de
sua decisão. Assim, é de toda pertinência a preocupação do Tribunal
Regional com impacto financeiro e/ou administrativo de uma sen-
tença desfavorável ao réu. Nesse sentido, o art. 5.3 da Convenção diz
que, “a fim de promover a igualdade e eliminar a discriminação, os
Estados Partes adotarão todas as medidas apropriadas para garantir
que a adaptação razoável seja oferecida”. Já o art. 2 conceitua a
“adaptação razoável “como as “modificações e os ajustes necessários
e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido,
quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas
com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade de oportu-
nidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liber-
dades fundamentais”. Prover “adaptação” significa adotar os esforços
necessários para que os portadores de deficiência possam usufruir
dos direitos humanos e fundamentais, em igualdade de condições
com os demais indivíduos. A razoabilidade dessa acomodação en-
contra limite apenas na eventual desproporcionalidade entre os
benefícios que podem ser alcançados com a sua adoção e os possíveis
custos dela decorrentes. Diante dessa perspectiva e tornando ao caso
concreto, cabe à Justiça do Trabalho conciliar os interesses divergen-
tes entre as partes para que a criança possa ser acompanhada por
sua mãe nas atividades multidisciplinares, sem que isso proporcione
um ônus para o qual o réu não esteja preparado ou não consiga su-
portar. Conforme o quadro fático expresso no acórdão recorrido, “a
reclamante acumula dois contratos na função de Professor de Edu-
cação Básica II, ambos com a municipalidade reclamada, cada um
com carga horária semanal de 31 horas”. O pedido formulado na
inicial consiste na obrigação de que a municipalidade autorize a sua
ausência do serviço às terças-feiras, de 13h00 às 17h00 (quatro horas)
e de 18h20 às 21h10 (duas horas e cinquenta minutos), e às quintas-
-feiras, de 12h30 às 17h00 (quatro horas e trinta minutos). Ou seja,
a autora pede para que lhe sejam reduzidas, sem prejuízo de sua
remuneração, 11 horas e 20 minutos dentre as 62 horas semanais

320
Dezembro

por ela despendidas no ofício de professora de Geografia da munici-


palidade ré. Já o município requer a total improcedência da reclama-
ção trabalhista ou “que seja encontrada outra solução para o próximo
ano letivo, para a professora poder acompanhar o seu filho no trata-
mento e também não haja prejuízos tanto para os alunos da rede
municipal, tanto quanto para o erário municipal” (sic). De um lado,
sabe-se que o acompanhamento da criança por sua mãe tende a
desempenhar papel muito importante na sedimentação das compe-
tências adquiridas e/ou estimuladas nas atividades terapêuticas,
mesmo porque o contato direto e reiterado da genitora com os
membros da equipe multidisciplinar deve repercutir positivamente
na estimulação adicional promovida no âmbito familiar. Ademais, a
ciência diz que a estimulação precoce é de extrema relevância para
a maior eficácia das técnicas adotadas pelos profissionais. Diante
desse contexto, uma eventual improcedência da pretensão poderia
ensejar até mesmo um pedido de desligamento da trabalhadora, o<