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ANNAES DO SENADO

DO

IMPÉRIO DO BRAZIL

2 a SESSÃO DA 18a LEGISLATURA

DE 17 DE AGOSTO A 16 DE SETEMBRO DE 1882

VOLUME IV

RIO DE JANEIRO
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A
DO SR. C. OTTONI
Aotas ;
No dia 7 de Setembro. Pag. 239.
Em 18 de Agoslo. Pag. 22.
Em ü de Setembro. Pag. 230. Autuo (0 Sr.) — Discurso:
Em 9de Setembro. Pag. 256.
Em 11 de Setembro. Pag. 238. Urçamento do ministério da agricultura.
Additivoa : (Sessão em 16 de Setembro.) Pags. 326 e
327.
nos sns. sinimbuV viriato de medeiros, castro
CARREIRA, JAGUARIRE, E OUTROS SRS. SE- B
MADORES. '
Ao orçamento da agricultura. Pags. 240 e Rarfio da Cagiuia (0 Sr.) —Discurso ;
241. Orçamento do ministério da agricultura.
DO SR. LEITÃO DA CUNHA (Sessão em 13 de Setembro.) Pag. 279.
Barros Barreto (0 Sr.) — Dçsaurso :
Ao orçamento da agricultura. Pag. 236.
Orçamento da agricultura. (Sessão epi 30 de
nos SRS. SINIMBU', OTTONI E VIRIATO DE MEDEIROS Agosto.) Pags. 139 a 163. '
Ao orçamento da agricultura. Pags. 293 c
296. c
DO SR. CIIRISTIANO OTTONI
Ao orçamento da agricultura. Pag. 301. Cansunsuo de Sinlinbú (0 Sr.)— Dis-
cursos :
AlTonao Celso (O Sr.) — Discursos: Orçamento do ministério da agricultura.
Instrucçâo publica no Paraná. (Sessáo em (Sessão em 31 de Agosto.) Pags. 184 a 194.
19 de Agosto.) Pags. 23 a 23. Idem, idem. (Sessão em 14 de Setembro.)
Sociedades anonymas. (Sessáo em 22.) Pags. Pags. 297 a 301.
02 a 67. Castro Carreira (0 Sr.) —Discurso :
Instrucçâo publica na província do Paraná.
(Sessáo cm 26.) Pags. 124 e 123. Sociedades anonymas. (Sessão em 24 de
Sociedades anonymas. (Sessão em 30.) Pags. Agosto.) Pags. 106 a 108.
153 a 139.
Oreamenlo do ministério da agricultura. dtristiano ottonl (0 Sr.) Discursas;
(Sessáo cm 5 de Setembro.) Pags. 241 a
231. A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em 24
Idem, idem. (Sessão em 13.) Pags. 315 a 321. de Agoslo.) Pags. 96 a 104.
Idem idem. (Sessão em 28.) Pags. 13o a 138. DOS SRS. BARÃO DA LAGUNA E PAES DE MENDONÇA
Orçamento do ministério da agricultura.
(Sessão em 14 de Setembro.) Pags. 262 a Ao orçamento da marinha. Pag. 4.
269. DO SR. JUNQUEIRA
Idem idem. (Sessão em 14.) Pags. 296 e 297.
Cruz Machado (O Sr.) — Discursos ; Ao additivo do Sr. Ribeiro da Luz (orça-
mento da marinha). Pag. 11.
A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em 17 DO SR.C. OTTONÍ
de Agosto). Pags. IS a 17.
Distúrbios em Alfenas. (Sessão em 2 de Se- (Substitutiva) A' lei de 9 de Janeiro de
tembro. ) Pags. 213 e 216. 1881. Pag. H.
Matadouro publico. (Sessão em 13.) Pag. 304.
DO SR. JOÃO ALFREDO
Correia (0 Sr.) —Discursos:
Orçamento do ministério da marinha. (Ses- Ao orçamento da marinha. Pag. 48.
são em 17 de Agosto.) Pags. 4 a 7. DO SR. NUNES GONÇALVES
Negocios da província do Rio de Janeiro.
(Sessão em 19.) Pag. 25. A' lei de 9 de Janeiro de 1881. Pag. 53.
Negocios do Paraná. (Sessão em 19). Pags.
33 a 39. DO SR. SILVEIRA MARTINS
Armamento para o exercito. (Sessão em 19.)
Pags. 94 a 96. a' lei de 9 de Janeiro de 1881. Pag. 62.
Imposto de importação. (Sessão em 26.) Pags.
120 a 122. DO SR. CORREIA
Instrucçâo publica na província do Paraná.
(Sessão em 26.) Pag. 124. Sobre sociedades anonymas. Pag. 62.
Negocios da Bahia. (Sessão em 26.) Pags. DO SR. AFFONSO CELSO
123 a 130.
Distúrbios em S. José de Leonissa e repre- Sobre sociedades anonymas. Pag. 76.
sentação de negociantes da Bahia. (Sessão
em 30.) Pags. U9 a 131. DO SR. JOSE'BONIFÁCIO
Desorganização do exercito. (Sessão em 31.)
Pag. 166. Sobre sociedades anonymas. Pags. 108 c 106.
Negocios de Pernambuco. (Sessão em 1 de DOS SRS. JUNQUEIRA E TEIXEIRA JÚNIOR
Setembro.) Pags. 194 e 195.
Sociedades anonymas. (Sessão em 1.) Pags. Ao orçamento do ministério da agricultura.
■ 204 a 2i 6. Pag. 108.
Colonias militares da província do Paraná. DO SR. JUNQUEIRA
(Sessão em 2.) Pags. 211 e212.
Distúrbios em Alfenas. (Sessão em 2.j Pags. Ao orçamento do ministério da agricultura.
216 e 217. Pags. 108 o 109.
Idem em S. José de Leonissa e representação
de negociantes da Bahia. (Sessão em 2.) DOS SRS. LEITÃO DA CUNHA, DIOGO VELHO E BARÃO
Pags. 225 a 227. DE MAMANGUAPE
Orçamento do ministério da agricultura. (Sub-emenda) Ao orçamento da agricultura.
(Sessãoem 12.) Pags. 274 a 278. Pags. 114 e 115.
Pede a impressão de documentos sobre a
instrucçâo publica no Paraná. (Sessão em DO SR. HENRIQUE D'AVILA
13.) Pag. 281.
Matadouro publico. (Sessãoera 13.) Pag. 304. Ao orçamento da agricultura. Pag. 142.
impostos de importação. (Sessão em 16.)
Pags. 337 a 340. DO SR. CORREIA
Sobre sociedades anonymas. Pag. 294.
D
DO SR. JOSE' BONIFÁCIO
Kkanta» (O Sr.)— Discurso : A' lei de 9 de Janeiro de 1881. Pag. 230.
A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em Rejeitada. Pag. 236.
17.) Pags. 12 a 13.
Mecreto: DOS SRS. RIBEIRO DA LUZ E BARÃO DA LAGUNA
N. 8664 de 13 de Setembro proro?ando a Ao orçamento da agricultura Pag. 234.
actual sessão da assembléa geral legisla-
tiva até o dia 7 de Outubro. Pag. 314. DO SR. AFFONSO CELSO
Documento» : Ao orçamento da agricultura. Pag. 262.
Sobre a instrucçâo publica na província do DO SR. CHRISTIANO OTTONI
Paraná. Pags. 283 a 288.
Ao orçamento da agricultura. Pag. 269.
E DO SR. CASTRO CARREIRA
Bmcmla»; Ao orçamento da agricultura. Pag. 289.
Aprovadas pela camara dos deputados á DOS SRS. BARROS BARRETO, LEITÃO DA CUNHA,
proposta do governo, fixando a despeza
do ministério da fazenda para o exercício AFFONSO CELSO, RIBEIRO DA LUZ E ANTÃO
de 1882-1883. Pags. 144 a 146. Ao orçamento da agricultura. Pag. 281.
DO SR. LUIZ FELIPPE Negocios do Paraná. ( Sessão em 26. ) Pag.
122.
Ao orçamento da agricultura. Pag. 28t. A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão om 4
de Setembro.) Pag. 229.
DO SR. HENRIQUE D'AVILA Idem idem . (Sessão em 5.) Pags. 230 a 233.
Sociedades anonymas. (Sessão em 4.) Pags.
(Sub emenda,) Ao orçamento da agricultura. 233 e 234.
Pag. 295. A lei de 9 de Janeiro de 1881.( Sessão em 5.)
DOS SRS. DARROS BARRETO, RIBEIRO DA LUZj DIOGO Pags. 237 e 238.
VEiHO E LEITÃO DA CUNHA -Tuntjuolra (O Sr.) —Discursos :
(Sub-emenda e emenda substitutiva) Ao Orçamento da marinha. (Sessão em 17 de
orçamento da agricultura. Pag. 293. Agosto.) Pag. 36.
Negocios da Bahia. (Sessão em 22.) Pag. 56.
DO SR. PAES DE MENDONÇA Orçamento da agricultura. (Sessão em 23.)
Pags. 77 a 93.
Ao orçamento da agricultura. Pag. 307. Colonias militares da província do Paraná.
( Sessão em 28.) Pags. 131 a 133.
DOS SRS. TEIXEIRA JÚNIOR E JUNQUEIRA Negocios da Bahia. (Sessão em 3 de Setem-
Ao orçamento do ministério da agricultura. bro.) Pags. 210 e 211.
Pag.314. Colonias militares da província do Paraná.
(Sessão em 2.) Pags. 213 a 2)5.
DO SR. ANTÃO Dtsturbios em Alfenas (Sessão em 2.) Pags.
219 e 220.
Ao orçamento do ministério da agricultura. Distúrbios em S. José de Leonissa e repre-
Pag. 327. sentação de negociantes da Bahia. (Sessão
em 2 ) Pags. 222 a 223.
Orçamento do ministério da agricultura.
F (Sessão em 15) Pags. 307 a 31.
Vcrnandes <la Cunlia (O Sr.)—Discursos;
A lei de 9 de .taneiro de 1881. (Sessão em 30 L
de Agosto.) Pags. 152 e 153. Lafaj-ette (O Sr).— Discursos ;
Orçamento do ministério da agricultura.
(Sessão em 15 de Setembro.) Pags. 327 e Sociedades anonymas. (Sessão era 25 de
328. Agosto.) Pag. 114. (S. Ex. não deu o dis-
curso.)
FVanci» «Io Sá (O Sr.) — Discurso; ídem idem. (Sessão em 28.) Pags.140 o 141.
A lei de9 de Janeiro de 1881. (Sessão em Idem idem. (Sessão em 5 de Setembro) Pags.
22 de Agosto.) Pags. 59 a 62 . 238 a 240.
Leão AelIosOj ministro do Império (O Sr.) —
H Discursos:
Henritjiie tl'Avlla (O Sr.)—Discursos: A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em
22 de Agosto.) Pags. 58 e 59.
Orçamento do ministério da marinha. (Ses- Negocios de Manáos. (Sessão em 30.) Pag 148.
são em 21 de Agosto.) Pags. 44 a 47. Distúrbios em S. José de Leonissa e repre-
Idem do ministério da agricultura. (Sessão sentarão de negociantes da Bahia. (Sessão
em 28.) Pags. 141 e 142. em 2 de Setembro.) Pag, 227 o 228.
Idem idem. (Sessão em 14 de Setembro.) Matadouro publico.(Sessão em 13.) Pag. 304.
Pags. 293 a 2j5. Leitão da Conlia (O Sr.)— Discursos :
Negocios de Manáos (Sessão era 30 de Agosto.)
J Pags. 117 e 148.
.lagnai-ibo (O Sr.)—Discursos: Orçamento da agricultura. (Sessão em 5 de
Setembro.) Pags. 231 a 236.
Distúrbios no termo de Alfenas. (Sessão em
28 de Agosto.) Pags. 133 a 133.
A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em 31.) M ,j o
Pags.107 a 174.
Idem idem. (Sessão em Io de Setembro.) Martinlio Campos (O Sr.) —Discursos:
Pags 193 a 204.
Distúrbios em Alfenas. (Sessão em 2.) Pags. Negocios do Paraná. (Sessão em 19 de
218 e 219. Agosto.) Pags. 31 a 34.
•louo Alfredo (O Sr.)—Discursos: Distúrbios em S. José de Leonissa e repre-
sentação de vários negociantes da Bahia
Negocios do Paraná. (Sessão em 19 de Agos- (Sessão em 16 de Setembro.) Pags. 336 e 337.
to.) Pags. 20 a 28. IMelra de 'Vasconcellos, ministro da ma-
Orçamento do ministério da marinha. (Ses- rinha (O Sr.) — Discursos :
são em 21.) Pags. 47 a 48. Orçamento da marinha. ( Sessão em 17 de
Distúrbios em Alfenas. ( Sessão em 2 de Se- Agosto. ) Pags. 7 e 8.
tembro.) Pags. 220 e 221.
«Voaá Uonifocio (OSr.)— Discursos: Idem idem (Sessão em 21. ) Pags. 41 a 44.
Idem idem. ( Idem idem. ) Pag. 48.
Sociedades anonvmns. ( Sessão em 23 de
Agosto.) Pags. 76 e 77. Nunes Gonçalves (O Sr.) — Discursos:
Ordem dos tnbalhosdo senado. (Sessão em A lei de 9 de Janeiro dn 1881. ( Sessãs sm 21
23.) Pags. 111 e 112. de Agosto. ) Pags. 48 a 53.
A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Idem idem.) Sociedades anonymas. ( Sessão em 31. ) Pags.
Pags. I13e[114. 174 a 183.
Observações do Sr. presidente do senado: DA MESMA COMMISSÃO
Sobre o requerimento do Sr. José Bonifácio Sobre a jubilação do lente cathedratico da
acerca dos trabalhos do senado. Pags. faculdade de medicina do llio de Janeiro,
112 e 113. conselheiro Francisco José do Canto e
Sobre a apresentação de dons additivos do Sr. Mello Castro Mascarenhas. Pags. 288 e 289.
José Bonifácio A lei de 9 de Janeiro de
1881. Pag. 229. DA COMMISSÃO DE EMPREZAS PRIVILEGIADAS
Oílicio do Sr. senador Antonio Diniz de Si- Sobre uma pretençâo de José Manoel Ferreira
queira e .Mello, solicitando licença para o Franco o João Braulio Muniz á garantia de
resto da sessão. Pag. 239. juros para a construcção de uma estrada
Padua Fleury, ministro da agricultura de ferro cm Sergipe. Pag. 289.
( O Sr. )— Discursos ;
DA COMMISSÃO DE PENSÕES E ORDENADOS
Orçamento do ministério da agricultura.
( Sessão em 24 de Agosto. ) Pags. 109 e HO. Sobre jubilação do lente da faculdade de
Idem idem. ( Ses-ão em 30. ) Pags. 163 a 163. direito de S. Paulo, conselheiro Francisco
Idem idem.( Sessão em 13 de Setembro.) Manoel de Souza Furtado de Mendonça.
Pags. 283 a 283. Pags. 289e 290.
Paes de .Mendonça ( 0 Sr.,)—Discurso : DA COMMISSÃO DE FAZENDA
Orçamento do ministério da agricultura. Sobre a alienação pela fabrica da matriz do
("Sessão cm 13 de Setembro. ) Pags. 30. S. Simão, província de S. Paulo, de terras
a 307. doadas em 1833 por Simão Antonio da Silva
Teixeira. Pag. 290.
Pareceees í
DA COMMISSÃO DE ORÇAMENTO (EM REQUERIMENTO)
DA COMMISSÃO DE ORÇAMENTO Sobre os trabalhos da commissão revisora
Ao orçamento da agricultura. Pags. 17 a 21. da carta cadastral. Pag. 304. Approvado.
(EM REQUERIMENTO)
DA COMMISSÃO DE PENSÕES E ORDENADOS Sobre a licença pedida pelo agenle de 2"
Sobre pensões. Pag. 23. classe da estrada de ferro D. Pedro II, José
Agostinho Barbosa. Pag. 304.
DAS COMMISSÕES REUNIDAS DE MARINHA E GUERRA DA COMMISSÃO DE EMPREZAS PRIVILEGIADAS
K DE LEGISLAÇÃO Sobre a concessão de privilegio e garantia de
juros para um ramal da cidade de Ala-
Sobre as promoções do exercito (Em reque- goinhas á povoaçâo do Timbó na Bahia.
rimento). Approvado. Pags. 40 o 41. DA COMMISSÃO DE PENSÕES E ORDENADOS
DA COMMISSÃO DE ORÇAMENTO (EM REQUERIMENTO) Sobre pensões. Pags. 333 c 336.
Pedindo cópia do parecer da commissãode rrojectos ;
fazenda do conselho de estado, com que DA COMMISSÃO MIXTA DO SENADO
se conformou o decreto de 1 de Julho de
1881. Approvado. Pag. 194. Substitutivo do § 7" do art. Io da lei de 9
DA COMMISSÃO DE PENSÕES E ORDENADOS de Janeiro de 1881. Pag. 62.
DO SR. CRUZ MACHADO
Sobre licença a um juiz do direito. Pag. 209. A' mesma lei. Pag. 62.
DA COMMISSÃO DE CONSTITUÇÃO Sobre a impressão de annaes parlamentares
anteriores a 1837. Pag. 302.
Sobre a licença do Sr. senador Barão de Sobre estragos causados á ferro-via D. PedroII
Soifza Queiroz. Pag. 229. pelas chuvas torrcnciacs de Fevereiro e
Março. Pags. 302 e 303.
D A. COMMISSÃO DE INSTRCCÇÃO PUBLICA
Proposições :
Sobre a matricula do estudante Manoel Cae- DA GAMARA DOS DEPUTADOS
tano de Albuquerque Mello. Pag. 239.
Sobre jubilações. Pag. 147.
DA COMMISSÃO DE ORÇAMENTO Sobre matrículas de estudantes e uma jubi-
lação. Pags. 163 c 166.
Sobre o orçamento geral da despeza. Pags. Sobre a concessão de juros para a construcção
209 a 274." de uma estrada de ferro em Sergipe. Pags.
236 e 237.
DA COMMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO Autorizando a fábrica da villa de S. Simão
cm S. Paulo a alienar as terras doadas
em 1833 por Simão Antonio da Silva Tei-
Sobre a licença do Sr. senador Antonio Diniz xeira. Pags. 236 e 237.
de Siqueira*e Mello. Pag. 280. Sobre matrículas de estudantes e uma li-
DA COMMISSÃO DE PENSÕES E ORDENADOS cença. Pag. 280.
Sobre um privilegio á companhia da estrada
Sóbri) a licença do professor de litleralurae de ferro da Bahia a S. Francisco. Pag. 288.
grammaticã do externato do imperial col- Sobre um credito extraordinário ao minis-
legio de Pedro II, Manoel Pacheco da Silva tério da marinba para a verba —Obras—
Júnior, Pags. 280 e 281. do exercício de 1881—1882, Pags. 323 a 335
1 — 7
itíbctro tia Luz (O Sr.) — Discursos;
R
Orçamento do ministério da agricultura.
Sledacções: (Sessão em 24 de Agosto.) Pag. no.
Idem idera (Sessão em 1 de Setembro.)
A' proposição do governo, fixando a des- Pags. 206 a 209. (Tem uma corrigenda
peza do ministério da raarinlia para o no Annexo.)
exercício det882—1883. Pags. lOi e 103. Idem idem (Sessão cm 13.) Pag. 304.
— Approvado Pag. 111.
Ile<iuci'iiii<3ntos r s
DO SIS. AFFONSO CELSO Saraiva (O Sr.) — Discursos:
Sobre a inslrucçao publica no Paraná. Pag Colonias militares da província do Paraná.
25. Retirado. Pag. 133. (Sessão em 2 deSetembro.) Pags. 212 e 213.
Distúrbios em Alfenas.(Sessàoem 2.)Pag. 219.
Impostos de importarão. (Sessão em 16 )
DO SR. CORREIA Pags. 340 a 342.
Silveira Martins (O Sr.) — Discursos :
Sobre negocios da província do Rio de Ja-
neiro. Pag. 23. Retirado a pedido do seu A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em 21
autor. Pag. 26. dc Agosto.) Pags. 53 a 55
Idem iuem. (Sessão em 22.) Pags. 57 e 58.
DO SR. JUNQUEIRA Negocios ilo Paraná. (Sessão em 26.) Pags.
123 o 124.
Sobro negocios da Bahia. Pag. 56. Distúrbios em Alfenas. (Sessão em 2 de Se-
tembro.j Pag. 220.
DO SR. CORREIA Impostos addicionaes de 10 "/...(Sessão em 13.)
Sobro armamento para o exercito. Pag. 96. Pag. 281.
DO SR. JOSÉ BONIFÁCIO Orçamento integral do minislerio da agri-
Sobre a ordem dos trabalhos do senado. Pag. cultura. (Sessão em 13.) Pags. 282 e 283.
Idem idem. (Sessão em 15.) Pag;. 323 e 326.
112. Impostos de importação. (Sessáo em 16.1
DO SR. C. OTTONI Pags. 343 e 344.
Silveira <la Motta (O Sr.) — Discursos :
(D-adiamento) Sobre alei de 9 de Janeiro de A lei de 9 de Janeiro de 1881. (Sessão em 23
1881. Pag. 113. Rejeitado. Pag. 193. de Agosto.) Pags. 68 a 76.
DO SR. CORREIA Impostos sobre importação. (Sessão em 14
de Setembro.) Pags. 260 a 262.
Sobre imposto de exportação. Pag. 122. Sorteio da deputação que tem de comprimen-
Approvado. tar a Sua Magestade o Imperador no dia 7
DO SR. JUNQUEIRA de Setembro.
Foram sorteados os Srs. Christiano Ottoni,
Sobre as colonias militares na província do Ortaviano. Visconde de Bom lietiro, Luiz
Paraná. Pag. 133. Approvado. Pag. 213. Felippe, Barros Barreto. Barão da Laguna,
Junqueira, Oiniz, Martinbn Campos, ÁÍTon-
DO SR. IAGUARIDE so Celso, Viriato de Medeiros, Ribeiro da
Luz, Luiz Carlos e Saraiva. Pag. 228.
Sobre distúrbios no termo deAlfenas. Pag- 0
JQK
T
DO SR. LEITÃO DA CUNHA
Teixeírn .lunior (O Sr.) —Discurso :
Sobre negocios dc Manáos. Pag. 148. Appro- Orçamento da agricultura. (Sessão em 28 de
vado. Agosto.) Pags. 142 e 143. ,
DO SR. CORREIA
Sobre a desorganizaçáo do exercito. Pag. v
166. Approvado.
Visconde de Jagnary (O Sr.) — Discurso:
DO MESMO SENHOR Orçamento do ministério da agricultura.
Sobre negocios de Pernambuco. Pag. 193. (Sessão em 23 de Agosto.) Pags. 115 a 119.
Approvado. Viriato de Medeiros (O Sr.) — Discursos :
DO SR. JUNQUEIRA Orçamento do ministério da agricultura.
(Sessão em 4 de Setembro.)Paes. 234 a 236.
Sobre negocios da Bahia. Pag. 211. Appro- Idem idem. (Sessão em 13.) Pa^s. 278 e 279.
vado. Visconde de ParanagaA (O Sr.) — Dis-
SILVEIRA DA MOTTA cursos:
Sobre impostos de importação. Pag. 262. Negocios do Paraná. (Sessão em 17 de Agosto.)
Pags. 2 a 4.
SILVEIRA MARTINS Idem da província do Rio de Janeiro.(Ses-
são em 19.) Pags. 25 e 26.
Sobro impostos addicionaes de 10 %• Pag. Idera do Paraná. (Sessão em 19.) Pags. 27 a
281. 31.

)
Idem da Bahia. (Sessão em 22.) Pags. 86 e 87. "Votações :
Idem do Paraná. (Sessão em 26.) Pags. 122 Do orçamento do ministério da marinha.
e 123. Pag. 48.
Distúrbios em S. José de Leonissa e repre- Da lei de 9 de Janeiro de 1881 (2a discussão).
sentação de negocianles da Bahia. (Sessão Pag. 229.
em 30.) Pags. 131 e 132. Sobre sociedades anonymas. Pag. 240.
Licença ao Sr. senador Barão de Souza Quei-
Colonias militares da província do Paraná. roz. Pag. 202.
(Sessão em 2 de Setembro.) Pag. 213. Sobre pensões. Pag. 202.
Sobre uma licença ao juiz de direito Antonio
Distúrbios em Alfenas. (Sessão em 2.) Pags. de Carvalho Serra. Pag. 262.
217 e 218. Sobre sociedades anonymas. (ultima dis-
Impostos sobre importação. (Sessão em 13.) cussão). Pag. 262.
Pag. 281. Approvação em 2a discussão do parecer da
commissâo de constituição sobre a licença
Idem addicionaes de 10%. (Sessão em 14.) do Sr. senador Antonio Diniz de Siqueira
Pags. 290 a 293. e Mello. Pag. 293.
SENADO

ííOa sessão Compareceram, depois do aberta a sessão, os


EM 17 DE AGOSTO DE 1882 Srs. Martinho Campos, Silveira da Motta, Vis-
condo de Bom Retiro, Diogo Velho, Teixeira
Júnior, Visconde do Abaetó, Barão de Souza
Presidência do Sr, Barão de Cotegipe Queiroz, Nunes Gonçalves, Silveira Martins o
J SUMMaRIO.—expediente.—Nogocios do Paraná. Apoia- Fernandes da Cunha.
monto do roquerimento do Sr. Corroía, quo ficara sobro a O Sr. Io Secretario deu conta do seguinte
mesa. Discurso do Sr. Viscondo do Paranaguá (presi-
donto do consoHio). Adiamento por pedira palavra o
Sr. João Alfredo.—piumeiua parte da ordem do dia.—
Orçarnonto do mioistorio da marinha. Emendas. Discur- EXPEDIENTE
sos dos Srs. Correia o Meira do Vasconeellos (ministro
da marinha). Discurso o emenda do Sr. Junqueira. Fi-
cou sobro a mesa a emenda para ser lida na sessão Officios :
seguinlo por ler dado a hora.—secunda parte da ordem
do dia.—A lei do 9 de Janeiro do 1881. Retirada do Do ministério do império, de 12 do corrento
uma emenda do Sr. Cliristíano Ottoni o substituição por mez, remettendo, em satisfaçãJ á requisição
outra. Discursos dos Srs. Dantas o Crus .Machado. constante do offioio do senado de 8 do mesmo
As 11 horas da manhã acharam-se presentes mez, cópias das propostas apresentadas á aca-
35 Srs. senadores, a saber : Barão de Cotegipe, demia de Bellas Artes, em primeira e segunda
Crnz Machado, Barão do Mamanguape, Godoy, concurrencia, para a execução das obras a que
Henrique d'Avila, Chichorro, José Bonifácio, se está procedendo no respectivo edifício, ás
Luiz Carlos, Diniz, Leão Velloso, Paula Pessoa, quaes se referem as actas das reuniões^que
Aífonso Celso, Correia, Octaviano, Junqueira, celebrou a secção de architectura da mesma
Barão da Laguna, Ribeiro da Luz, Meira de academia, de que também remette cópias. —
Vasconeellos, Saraiva, Barão de Maroim, A quem fez a requisição.
Barros Barreto, Dantas, João Alfredo, Viriato Do ministério da agricultura, de 14 do dito
de Medeiros, Castro Carreira, Visconde de Pa- mez, informando, em resposta á requisição do
ranaguá, Fausto de Aguiar, Visconde de Mu- senado, não somente acerca da concessão, no
ritiba. Visconde de Jaguary, Jaguaribe, Conde corrente anno, de estradas de ferro, ramaes e
de Baependy, Christiano Ottoni, Paes de Men- estudos para novas estradas na província do
donça, Lafayetto e Leitão da Cunha. Paraná, como as principaes cláusulas e ônus
Deixaram do comparecer, com causa partici- de taes concessões, mas também sobre a ga-
pada, os Srs. Uchôa Cavalcanti, Franco de Sá, rantia de juros e amortização das obrigações
Silveira Lobo, Sinimhú, Carrão, Antão, Cunha (debentures) emittidas na Europa pela Com-
o Figueiredo, Vieira da Silva, Luiz Felippe, pagnie des chemins de fer brêsiliens.— O mes-
Visconde de Nictheroy e Visconde de Pelotas. mo destino.
Do presidente da província de Goyaz,' dè 18
O Sr. Presidente abriu a sessão. de Julho ultimo, enviando dous exemplares do
Leu-se a acta da sessão antecedente, e, não relatório com que o Exm. Sr. Dr. Joaquim de
havendo quem sobre ella fizesse observações, Almeida Leite Moraes passou a administração
deu-se por approvada. daquella província ao Èxm. Sr. Io vice-presi-
v. iv.—1
2 ANNAES DO SENADO

dente Dr. Theodoro Rodrigues de Moraes.—Ao posição firme, que ao governo cabe na resolução
arcliiyo. de questões, que interessam á dignidade e á
honra da nação.
NEGÓCIOS DO PARANÁ Passando a tratar da outra questão, que o
nobre senador levantou relativamente á pro-
vincia de Pernambuco, julga o orador que ó
Foi lido, apoiado e posto oxn discussão o re- ella de actualidade e grande importância por
querimento do Sr. Correia, quo havia ficado mais de um motivo, quer considerada pelo prin-
sobre a mesa na sessão antecedente. cipio da legalidade, que é a bandeira do nobre
senador, como é também do orador, quer pelas
O Sr*. Viscontle de Parana- conseqüências que pode ter a deliberação to-
giiá {presidente do conselho) diz que o mada pelo governo no quo toca á cobrança de
nobre senador pelo Paraná formulou" o seu impostos inconstitucionaes na província de
requerimento, desejando do governo informa- Pernambuco, de que necessariamente resulta
ções a respeito do que S. Ex. suppõe inter- desequilíbrio entre a receita e a despeza da-
venção de ministros estrangeiros em negocies quella província, sobre que é urgente providen-
da administração do paiz. ciar. E', portanto, uma questão que não podia
Si o facto effectivamonte se désse, razão sem deixar de provocar a attenção e o zelo dos nobres
duvida teria o nobre senador para, em termos senadores.
ainda mais enérgicos,condemnal-o, assim como A questão não ó nova, data do longos annos,
o procedimento do governo, a quem rigorosa- tendo-se accentuado mais em 1874 na adminis-
mente incumbe zelar os brios e a dignidade do tração da Sr. Lucena. Fei então que a assem-
paiz, o que, o orador o assevera, ha de ser bléa provincial de Pernambuco, urgida pela
desempenhado pelo gabinete actual com toda necessidade, como outras províncias o têm feito
a consciência e vigor de que possa dispor. posteriormente, desviou-se da senda legal, e
Não se deu, porém, o facto, como presumo o inconstitucionalmente impoz sobre a importação,
nobre senador. A legação belga dirigiu-se ao aggravando a sorte do contribuinte o prejudi-
Sr. ministro dos negocios estrangeiros, a pro- cando a renda geral do Estado—contra a clara
pósito do imposto addicional de 3 %, cobrado e terminante disposição do art. 12 do aoto addi-
no Paraná sobre objectos alli importados para cional.
consumo, em virtude da lei provincial de 25 Houve então enérgicas reclamações por parte
de Abril de 1877, reclamando, por parte de do commercio, reclamações que se succederam
seus compatriotas, sobre os inconvenientes e nos annos subsequentes, como consta dos rela-
vexames, a que ficavam expostos, o pergun- tórios dos presidentes, entre os quaes ainda o
tando,em phrases as mais ccrtezes.si o governo, ultimo.
por autoridade própria, ou por iniciativa sua, A assembléa provincial, embora levada por
provocando o voto do parlamento, não poderia motivo muito legitimo, qual o de satisfazer ne-
obviar ao allegado estado de cousas. cessidades urgentes, nem por isso deixou de
Sendo assim, vê o nobre senador que nada ferir de frente a lei.
havia de estranhavel da parte do representante Ha, pois, necessidade do considerar-se o que
de um paiz amigo, que solicitava do governo so praticou, não só naquella província, senão
uma providencia e uma informação. B corres- também nas outras, attendendo no procedimen-
pondendo a esse procedimento, não podia o go- to dos seus representantes ao que ó legitimo
verno deixar de pedir por sua vez os esclare- e rectificando aquillo com que tenham elles
cimentos necessários para habilitar-se a dar contrariado lei expressa e positiva, chamando-
uma resposta satisfactoria ; tendo-o assim en- os assim ao regimen legal.
tendido o proprio nobre senador quando disse Esse regimen legal foi considerado pelo mi-
que <vcomDrehcndia que os representantes das nistério sob o ponto do vista que enunciou
nações estrangeiras se dirijam ao ministério em sou pogramma, manifestando-se pela des-
dos n <gocios estrangeiros para pedir qualquer centralização sobre a base de uma melhor dis-
esclarecimento, ou explicação, de quejulguem criminação da ronda, em ordem a levar-se a
carecer para bem desempenhar os seus deveres vida e a autonomia ás províncias, aos municí-
com os governos respectivos. » pios, etc., porque sem esta baso não surtiria o
Foi precisamente o quo occorreu no caso em desejado elfeito.
questão. Collocada esta no ponto exposto, é O governa ha muito cogita do assumpto,
intuitivo que não podia o governo ropellir a tendo mandado por circulares um trabalho ex-
solicitação diplomática, que aliás despertou as tenso, a respeito de impostos provi nciaes, aos
observações do nobre senador. presidentes das diversas províncias—afim de que
Não recebeu o governo suggestão alguma, e emittam a sua opinião, verificando si o allu-
muito menos a menor pressão que, por qualquer dido trabalho está de accôrdo com o que foi
forma, lhe pudesse tolher a mais plena liberdade votado nas assembléas provinciaes, fazendo
de acção em assumpto desta natureza. elles as rectificações possíveis.
Depois de varias outras considerações expli- Ha de esse trabalho continuar e no intervallo
cativas do facto accusado, o orador deixa de- da sessão das camaras será empenho do go-
monstrado que não houve intervenção álguma verno organizal-o de maneira que as necessi-
que pudesse^ tocar a susceptibilidade do gover- dades provinciaes sejam attendidas, para que
no, porque si houvera, teria não só o apoio do as assembléas provinciaes não precisem, para
nobre senador, mas seguramente também a do satisfação de reclamos, aliás legitimos, descar-
corpo legislativo e de todo o paiz para manter a rilhar da senda legal.
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 3

Não é dc hoje, portanto, que a assembléa de contrariar a justa aspiração do povo — pela
provincial de Pernambuco, como de outras pro- simples razão de sustentar uma lei provincial,
víncias, quasi todas, tem lançado impostos de que caducava pela sua base ?
importação. A providencia adoptada agora pelo governo
Cita o orador o facto do haver o Sr. presi- foi muitas vezes tomada em outros tempos, co-
dente do senado outr'ora dirigido, segundo o meçando logo depois da promulgação do acto
declarou, uma carta ao presidente da Bahia a addicional e sem reclamação alguma do parla-
respeito do assampto em questão, fazendo-lhe mento, nem mesmo dos próprios autores dessa
ver que semelhante imposição era contraria á lei, como muito bem fez notar 9 Sr. Bernardo
lei ; e recorda a sessão do senado em que o Pereira de Vasconcellos.
nobre presidente do conselho de então, o Sr. No caso vertente, não se podendo conseguir
conselheiro Saraiva, pronunciou-se estigma- outro remedio prompto para acudir ao estado da
tisando com vigor o procedimento que teve a excitação, em que se achava aquella província,
assembléa provincial da Bahia em lançar im- podendo mesmo haver um transtorno na ordem
postos de importação. publica, embora não fossem capazes de promo-
O nobre senador pela Bahia, hoje presidente vel-o os que estavam á testa da representação,
do senado, dirigiu-se nessa occasião ao presi- mas, porque sabe-se que nessas occasiões não
dente do conselho, o Sr. Saraiva, perguntando- falta quem explore taes emergências ; em se-
Ihe si tinha conhecimento da lei, ou das dis- melhante conjunctura, de certo que não cabia
posições, que acabavam de ser votadas na lei ao governo ficar inactivo, deixando de tomai-
do orçamento provincial da Bahia, e si S. Ex. as providencias, que o facto urgentemente
não entendia ser o caso de assumir o governo a pedia.
responsabilidade de mandar suspender a sua O orador autorizou o seu procedimento cora
execução. o dos mestres com quem tem aprendido o nobre
O nobre presidente do senado, com o senso senador pelo Paraná.
pratico e com o talento superior, que se lhe Para demonstral-o, cita e lê, acompanhando-os
reonhooe, viu bem que, em circumstancias do variadas observações, diversos trechos da
especiaes, é esse o único meio, o único remedio obra do finado Visconde de Uruguay, pelos
que resta ao governo, remedio que não pôde quaes se reconhece que o mal era antigo, o quo
ser condemnado em face do acto addicional, outro remedio para elle não havia senão o que
embora não contenha este artigo expresso que agora foi adoptado.
resolva a questão, porquanto deve enten- Assim se procedeu constantemente até 1856,
der-se a lei não sómente pela sua expres- —por simples deliberação do governo, ás vezes
são litteral, mas também polo seu espi- com audiência da sseção do conselho de estado,
rito. sem reclamação do parlam rato em casos evi-
Prohibindo o acto addicional, como clara e dentes, patentes, como disse o nobre presidente
lermiuantemente prohibe, que as assembléas do senado, que, em sua esclarecida opinião en-
provinciaes lancem impostos de importação, tendeu que não havia outro meio.
não considerou porventura necessário indicar
ao governo os meios de fazer eífectiva essi dis- Em 1856 ou 1857 o governo pareceu recuar,
posição fundamental, quo não pôde ser sup- em virtude do uma consulta da secção do can-
plantada por uma lei provincial. selha de estado, que o orador ia lêr, quando o
Acudindo a um aparte do Sr. senador pelo Sr. presidente do senado avisou-o de que era
Paraná, o orador pondera que o acto addicio- chegada a hora do terminar.
nal dá, ó verdade, os meios dos arts. 15 a 16 ; Observa que nesse caso ficará incompleta a
mas o processo, mais ou menos demorado d es- sua argumentação. Queria ler ao nobre senador
ses meios, não pôde aproveitar em circumstan- pelo Paraná um parecer do conselho do estado
cias urgentes o escopcionaes, como a de que pleno, no qual ha o voto muito esclarecido dos
se trata. Srs. Abrantes, Lopes Gami, Manoel Antonio
O orador cita os precedentes occorridos e Galvão, Bernardo Pereira de Vaspçncellos e
lè os pareceres enunciados pelo conselho de outros, abundando sempre nos principioá de
estado, condemnando sempre os abusos prati- que o governo tem a autorização de suspender
cados ; sendo que si não foram então suspen- a execução das leis inconstituoionaes.
sas as leis provinciaes, provém isso do não Não faltará, porém, occasião ao orador de
haver a urgência, que se deu no caso ver- dizer o quo ora ó obrigado a calar em obediên-
tente. cia ao Sr. presidente.
As leis «Iludidas têm sido sempre enviadas Mas não levará S. Ex. amai ao orador pon-
á assembléa geral para providenciar ; as pro- derar ser tal a situação da província do Per-
videncias não têm vindo e os soffrimentos cres- nambuco quo as medidas do governo oram in-
cem, como aconteceu agora em Pernambuco. dispensáveis. ,T -
O commercio da importante praça do Recife Lerá apenas o periodo de uma pubucaçao,
reuniu-se e representou ao presidente, tomando firmada pelo presidente da assembléa pro-
a deliberação de não despachar as suas merca- vincial, o Sr-. Barão da Muribéca, que se ex-
dorias até que houvesse uma providencia. Era primo assim; _ .
um transtorno grande para o commercio e para « Durante rainha ausência foram votados,
o socego daquella importante cidade. com preterição do que ordena o regimento,
Manifestando-se uma excitação, e por um muitos projectos sem utilidade publica, pre-
motivo legal, houve uma representação estri- judiciaes e sómenlo destinados a satisfazer in-
bada na lei fundamental. B o governo havia teresses particulares. ^
4 ANNAES DO SENADO

Reconheci que nada podia conseguir em cito para a nova provincia de Missões. Creio
favor da causa publica e, para evitar a repetição que essa será a informação que o governo tem
de scenas desagradáveis, como as que se deram de prestar,mesmo á vista do que leio na Tribuna
quando reassumi a presidência, deixei de fre- Nacional, em artigo publicado em resposta ao
qüentar a assembléa. escriptor chileno o Sr. Vicuna Mackena :
Si me fosse preciso provar o que acabo de « Nunca o Brazil pensou seriamente em
referir ; si não estivesse na consciência de uma guerra com a Republica Argentina .-
todos bem firmada a convicção de que ainda ne- « A questão de limites no território de Missões
nhuma assembléa provincial, em matéria de es- não pôde ser em nenhum tempo motivo de rom-
banjamento, excedeu á deste anno, bastar-me- pimento.
ia appellar para a lei do orçamento, ultima- « Não ha causa para semelhante loucura
mente publicada, e na qual se nota um au- nesse pequeno espaço de torra perdida no
gmento na despeza de mais de 1.000:000$, com centro do continente.
creaçãode empregos, augmento de vencimen- « Já não se peleja por antagonismo de raças,
tos, melhoras de aposentadoria, subvenções, etc. muito mais quando se attende a que essas velhas
Resta-me unicamente lastimar a sorte de tradições se vão apagando e desapparecem
pela mistura de homens de todas as nações.»
minha provincia, cujos negocios são tratados Creio também que a questão de limites entre
com tão pouco zelo, e a infelicidade do par- o Brazil e a Republica Argentina não justifica
tido conservador, a que sempre pertenci, e o rompimento das relações pacificas. Seria
sobro o qual pesa a responsabilidade de tudo comprar por duro preço uma solução que de
quanto fez a assembléa, porque nella tinha outra forma se pôde honrosamente alcançar.
maioria.—Barão de Murihèca. » Si a Republica Argentina poz em litígio o
Nestas circumstancias, vê-se que, si o go- território de que se trata, não desconhece tam-
verno não acudisso de prorapto á excitação, que bém que nunca sobre elle exerceu domínio.
se mostrava na cidade do Recife, teria fiiltado Vejo que nestas disposições está a imprensa
ao seu dever, e o orador—nunca louvará o capi- favorável ao governo argentino, e poisa con-
tão que diga eu não cuidei. tinúo no proposito, que manifestei na 2 dis-
Ficou a discussão adiada por ter pedido a cussão, de apreciar o orçamento do ministério
palavra o Sr. João Alfredo. da marinha, como um orçamento de paz.
Entretanto muito aproveitaria o interesse na-
PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA cional com qualquer declaração tranquilliza-
; dora por parte do governo, que tem a autoridade
ORÇAMENTO DO MINISTÉRIO DA MARINHA que me falta.
Infiro do procedimento do governo na discus-
Eatrou em 3a discussão o orçamento das des- são deste orçamento que o pensamento que o
pezas do ministério da marinha no exercicio domina é o mesmo que me inspira, visto que
de 1882—1883. nada tem proposto que motive a suspeita de
Foram successivamente lidas, apoiadas e pos- que se acha sob o receio de guerra próxima ;
tas conjuntamente em discussão as seguintes e de certo seu patriotismo o levaria a proceder
diversamente, si, com effeito, houvesse motivo
\Emendas para não estar o parlamento tratando do orça-
mento da marinha para tempo de paz.
« O vencimento dos professores da escola Não desejo a guerra, mas confesso que não
de marinha se dividirá : dous terços em orde- poderia ver com resignação' arrebatar-se á
nado e um terço em gratificação.—Barão da La- minha provincia uma parte importante de seu
guna.-» território, sobre o qual tom exercido juris-
€ Fica olçvado o vencimento do escrivão da dicção.
auditoria de marinha de 240$ a 480$000. Esta mutilação do território nacional ecoa-
SrR.— Sala das sessões, 17 de Agosto de ria tão dolorosamente em meu coração que,
1882.— Barão da Laguna.— Paes de Men- apezar de meus desejos de cjue o Brazil se con-
donça.» serve em relações amigáveis com todas as po-
tências, não poderia supportar a perda, pela
« § 12. Arsenaes : força, de um território que faz parte integrante
Em vez de 2.450; 899$575 da nação brazileira.
diga-se 2.451:299|557 O Sr. Barão da Laguna:—Apoiado ; muito
Sendo 400$ para a elevação dos vencimentos bem.
dos dous contínuos da secretaria da inspectoria O Sr. Jaguaribe :—Que nunca foi contes-
do arsenal da côrte de 800$ a 1;000$000. tado.
Sala das sessões em 17 de Agosto do 1882. O Sr, Correia :—A posse é mais que se-
—Paes de Mendonça.—Barão da Laguna.» cular.
O Sr. Correia : — Continúo no prõ-; Removida esta questão, única que poderia ter
posfto de discutir um orçamento de paz, espe- agora marcha funesta, não vejo também por
rando que o governo informará ao senado que que devamos preoccupar-nos com as medidas
não tem fundamento a noticia, publicada na que o receio do guerra reclamaria no orça-
Patria Argentina de 8 deste mez, de ter o go- mento. Entretanto os boatos de perturbação de
verno da republica enviado um corpo de exer- paz agitam inconvenientemente as populações.
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 5

E a este proposito pedirei ao nobre ministro O Sr. Silveira da Motta :— As pertur-


da marinha se digne informar-nos si tem no- bações que têm havido então são com brazi-
ticia de que o commandanto do encouraçado leiros ? Não sei quaes sejam os brazileiros que
argentino Paraná, surto em nosso porto, deu têm perturbado os officiaes argentinos.
ordem á oíficialldade para não desembarcar, em O Sr. Correia :— O nobre senador ha de
conseqüência do provocações que te:n recebido lembrar-se de que comecei pedindo informa-
em terra. Seguramente, si o facto ó real, não ções ao governo sobre o facto, persuadido da
pôde ser imputado á grande maioria ou quasi que serão no sentido dos protestos que tenho
unanimidade dos habitantes do Rio de Janeiro. feito e que o nobre senador acaba de fazer.
O Sr. Barão da Laguna :—Apoiado. O Sr. Silveira da Motta :— Não ha motivo
O Sr. Meira db-Vasconcellos (ministro da nenhum contra á população brazileira ; é pre-
marinha) :—Nem á sua minoria ; será um ficto texto.
isolado. O Sr. Correia: —Si realmente não ha mo-
0 Sr. Correia :— Eu disse—quasi unanimi- tivo contra a população brazileira, desejaria
dade.—A população do Rio de Janeiro tem dado que as competentes autoridades não consen-
tantas demonstrações do cor tez ia para com os tissem que nenhum estrangeiro pratique
estrangeiros... actos taes, que de nenhuma forma podemos to-
O Sr. Meira de Vasconcellos (ministro da lerar .
marinha) :—E continua a dar. O Sr. Silveira da • Motta : — O governo
O Sr. Correia :—... do modo hospitaleiro então não tem policia para proteger os estran-
e cordial por que acolhe a marinha de todas geiros, para reprimir os estrangeiros desordei-
as potências, que não pôde correr por sua con- ros 1
ta qualquer acto como o de que me occupo, O Sr. Correia : —Mas nem por discutir o
que, si delia partisse, daria testemunho me- orçamento da marinha, como orçamento de paz,
nos favorável do estado do nosso adiantamento. nem porque esteja disposto a conceder para o
O Sr. Barão da Laguna ;— Apoiado. exercício em que olle tem de vigorar autoriza-
ção para o governo contratar marinhagem, devo
O Sr. Correia :— O senado não pódò deixar deixar de insistir polo cumprimento da lei do
de protestar contra qualquer acto irregular alistamento militar, que, si tivesse sido execu-
neste sentidó... tada, dispensaria a necessidade desta medida
O Sr. Barão da Laguna e outros senhores : excepcional, a qual, com justa razão, excitou
—Apoiado. a susceptibilidade do illustre almirante que,
nesta casa, representa a província de Santa
0 Sr. Correia :— ... e, protestando, não Catharina.
é senão o fiel interprete do sentimento ge- Nesta falta de execução de uma lei promul-
ral da nação. (Apoiados.) Si, porém, houve gada em 1874, não ha, permittam-me os no-
qualquer provocação, espero que o governo bres ministros que o diga, respeito ao princi-
informe que tem tomado as providencias a pio da legalidade, de que hoje SS. BEx. fizeram
seu alcance para que não se reproduza. Não praça na discussão do requerimento que apre-
podemos ver com indiíferença faotos que de- sentei.
ponham contra o estado de nossa adiantada
civilisação, tanto mais quanto os officiaes da Folguei muito de ouvir ao nobre presidente
marinha brazileira, que so acham presente- do conselho,com applauso do seus collegas, que
mente era Buenos-Ayres, recebem alli o me- o principio da legalidade era por elles devida-
lhor acolhimento. Poderiamos corresponder mente acatado-.
dando fundado motivo aos da marinha argen- Folguei, porque reconhocendo-me, como os
tina para receiarem desembarcar na cidade do factos têm demonstrado, insuífleierie para a
Rio do Janeiro ? ! defesa deste principio, o queria ver sustentado
por mãos mais poderosas, que conseguirão
O Sr. Viriato de Medeiros :—Isto seria fazel-o prevalecer, o que não tenho podido
uma vergonha. alcançar.
O Sr. Barão da Laguna Isto seria cruel. Entretanto este principio não permitte, como
O Sr. Correia:—Espero que a ordem do parece que entendem os nobres ministros, que
commandante do Paraná, si foi dada, será re- o governo suspenda as leis. Quando o governo
vogada, e que os officiaes argentinos poderão, pratica algum acto deve mostrar a lei que o
como os de todas as outras nações, com as quaes permitte, e, si não ha lei que o autorize, e o
nos achamos em paz, percorrer com inteira considera absolutamente indispensável por mo-
segurança as ruas desta civilisada capital. tivos extraordinários que o imponham á sua
O Sr. Silveira daMotta :— Podem desem- responsabilidade, deve pedir ás camaras o bill
barcar ; não desembarcam porque não querem. de indemnidade, de que em tal caso necessita.
Não ha motivo nenhum para suspeitar-se da O certo é que a lei do alistamento militar
hospitalidade da parte da população brazileira ; não tem podido, nesta situação, conseguir a
é pretexto. devida execução. ^
O Sr. Correia : — O aparte do nobre sena- O Sr. Affonso Celso:— Isto vem de longe ;
também os senhores não lhe deram execução.
dor ó no sentido em que estou me enunciando,
pois que assegura a hospitalidade da nossa po- O Sr. Correia:— Espero que o nobre sena-
pulação. dor por Minas Geraeb mostre em que e até
6 ANNAES DO SENADO

onde o partido conservador é responsável pela 2^ discussão ; vou tratar do outros, sobre os
não execução da lei do alistamento militar. quaes devo chamar a attenção do nobre mi-
O Sr. Affonso Celso:— Tanto quanto o par- nistro. Um delles ó o que se refere á acqui-
tido liberal. sição de torpedos, por parte do ministério da
marinha.
O Sa. Correia:— A execução da lei depen- Desejo saber o que ha a este respeito. Um
dia da expedição de regulamento, que logo se dos antecessores do nobre ministro declarou
realizou, e da adopção de medidas preliminares, que o governo tinha retardado sua decisão, por
que foram tomadas ; mas quando era occasião ter sido informado por um official que se achava
de dar-lhe plena execução, terminados os actos na Europa, de que o torpedo Lay e superior ao
preparatórios, a execução não se verifica. Whitehead. Provavelmente o governo já de-
D'ahi resulta queã força, tanto de mar como cidiu a questão de preferencia, removido esse
de terra, votada nas leis respectivas, não se motivo de demora para a acquisição de tal meio
pode preencher. de guerra, de que Uma nação não se deve pri-
O Sr. Affonso Celso:— Como não se preen- var desde que as outras o empregam. Si todas
cheu então. as nações viessem a concordar em não empre-
gar o torpedo na guerra, eu diria que o Brazil
O Sr. Correia:— V. Ex. não está bem in- não fizesse excepção ; mas, pois que as outras
formado . potências usam desse meio, não pôde o Brazil
O Sr. Affonso Celso:— Estou ; acompanho collocar-so em situação diversa, isto ó, em po-
os negocios do meu paiz. sição desvantajosa.
O Sr. Correia:—Esta questão foi debatida O nobre ministro da marinha reconhece de
nesta mesma discussão pelo nobre senador por certo a importância da franca navegação na
Minas Geraes, relator da commissão do orça- barrado Rio Grando.
mento, o Sr. Ribeiro da Luz. Mas não nos demo- A construcção do estradas de ferro estratégi-
remos na apreciação da responsabilidade de cas, o quaesquer outros meios do dofosa no Rio
qualquer dos partidos na falta de execução Grando do Sul, ficara muito enfraquecidos sem
desta lei. Reconhecendo todos que presente- a franca navegação da barra, ou sem alguma
mente ella não está sendo executada, façamos outra providencia que supra os maios que em
com que se cumpra. Não se propõe a sua revo- certas circumstancias podem vir do não pene-
gação ... trarem os nossos navios no porto da cidade do
Rio Grande.
O Sr. Junqueira:—Não suspendem também Vejo quo, por uma emenda da camara dos de-
esta lei. putados, ó elevada a verba n. 13 com 10:000$,
O Sr. Correia:—Não sei si, nas circumstan- para melhorar o material o vencimentos dos
cias anteriores do paiz, a execução dessa lei empregados da praticagem da barra do Rio
tinha tanto alcance como presentemente. Grando.
Não sou levado a insistir neste ponto somente O Sr. Barão da Laguna ; — E' de primeira
pela manutenção do principio da legalidade, neocssidado.
que aliás bastaria para justificar a minha insis-
tência ; mas também por motivos de outra O Sr. Correia:—Não soi si isto basta para
ordem. o melhor serviço na barra do Rio Grando, na
parte dependente do ministério da marinha ;
Não se deve privar o paiz dos meios que a lei pois não convém que esse serviço se inter-
fornece para completar os claros do exercito e rompa .
da armada. Da interrupção, sempre inuito funesta ao
O Sr. Affonso Celso;—Mas não attribuasó commercio, podom vir ainda conseqüências
ao partido liberal. muito desastrosas.
O Sr. Correia:—Deixo V. Ex. com sua opi- O Sr. Barão da Laguna :— Apoiado.
nião e aceito o juizo do senado na apreciação da O Sr. Correia :— E' indispensável a franca
respónsabilidade que cabe aos partidos na falta e não interrompida communicação dos diversos
de execução desta lei. portos do Império com a província do Rio
O Sr. Affonso Celso:—Apoiado. Grande.
O Sr. Correia:—Una-se a mim o nobre se- O Sr, Henrique d'Avila ;— Apoiado.
nador para reclamar a execução da lei, que de- O Sr. Correia ;— Por isso perguntei ao no-
mais, nas circumstancias actuaes, torna-se in- bre ministro da marinha si bastava a provi-
dispensável. dencia tomada neste orçamento para o regular
O Sr. Silveira da Motta:—Elle não cahe serviço da praticagem da barra do Rio Grande.
nesta. Não concluirei as minhas observações sem
O Sr. Affonso Celso:—Porque? notar a vantagem, revelada pela pratica, da
O Sr. Silveira da Motta:—Porque V. Ex. ó lei que modificou a proposta e a discussão dos
um dos maiores adversários desta lei. orçamentos. {Apoiadas.)
O ultimo orçamento sobre que nos podemos
_ 0'Srí Affonso Celso:—Não me pronunciei pronunciar ó o que nos occupa ; todos os mais
ainda neste sentido. quo vieram ao senado, e podiam ser dados para
O Sr. Correia :—Não pretendo tratar nova- ordem do dia, o foram, e sobre elles já nos ma-
mente dos assumptos cpm que occupei-me na nifestamos.
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 7

Encerrada a 3a discussão do orçamento do O receio do illustro senador não tem absolu-


ministério da marinha, o senado não terá que tamente razão nem fundamento ; e não se pôde
occupar-se com a lei do orçamento, emquanto mesmo tirar, como corollario das apreciações
a commissão de orçamento não apresentar o queS. Ex. fez.
seu trabalho, que, reconheço, deve ser muito Si estamos em paz, si não ha motivo sequer
meditado, sobro o do ministério da agricultura, para temer que ella se altere, como receia o
o ultimo reraettido ao senado. nobre senador que seja arrebatado pela Repu-
O Sr. Affonso Celso: — O parecer já está blica Argentina ou por outro qualquer paiz o
assignado. território de sua província ?
Não ha razão para acreditar que haja seme-
O Sr. Correia:—O parecer, como acaba de lhante pretonção, tão audaciosa e tão repro-
informar um dos honrados membros da com- vada ; mas, quando infelizmente ella se desse,
missão, já esta assignado. Será, pois. lido em não precisaria o illustro senador reclamar
breve, e poderá entrar aqui em discussão, da tribuna. Seria o governo, e com olle o
emquanto na camara se discutir o ultimo orça- paiz inteiro, inspirando-se no seu patriotismo,
mento que resta, o da fazenda. que haviam de sustentar a integridade do Im-
E' ou não um melhoramento sensível ? pério. O governo, porém, não acredita, nem pre-
Sem a ultima lei não poderia o senado até hoje sume que haja o pensamento do usurpar ter-
ter-se occupado com o orçamento ; feriamos ritório brazileiro por parte das nações vizinhas.
do aguardar que a camara dos deputados appro- {Apoiados.) Seria uma loucura, quo não se
vasse todos os orçamentos da despeza, e os poderia explicar, nom ó admissível, sobretudo
artigos relativos á receita. nas relações amigáveis, em que se acham os
Creio, pois, quo o tempo tom amplamente dous paizes.
justificado aos quo se empenharam pela pas- Mas o nobre senador pediu ao governo quo
sagem dessa lei, referendada pelo nobre se- informasse sobre o facto relatado por um perió-
nador por Minas Goraos, o Sr. Afifonso Celso, dico da Republica Argentina, quanto á resolu-
como ministro da fazenda. ção daquolle governo tomada em conferência
Creio que S. Ex., pois quo ó tão exigente na do minisíros, do enviar uma força, a occupar as
responsabilidade das faltas dos conservadores, Missões.
dovc ao monos nesta occasião reconhecer a O illustre senador até certo ponto encarre-
util coadjuvação que a S. Es. prestaram os gou-se do dar a resposta, porque com o critério,
conservadores que aqui tem assento, entre os que lho assisto sempre, declarou que não podia
queos o humilde orador, que com estas palavras acreditar em tal noticia, sobretudo porque o
termina as suas observações. Diário Ofpcial daquolla republica desmentia o
O Sr. Affonso Celso:—Nunca neguei esse boato. Nada com oífeito consta oíficialmente a
nem outros serviços. esse respeito; nem se pôde acreditar que o
governo argentino tenha tomado essa resolução.
Tal é a informação, que o orador pôde dar e que
O Sr. Aleira do Vasconcellos está de accórdo com as communicações, que se
{ministro da marinha) começa dizendo que têm recebido.
com toda a razão o illustrado senador que se Pediu ainda o illustre senador informações a
sentou declarou quo se continuava a discutir respeito do occurrenoias havidas com officiaes
pelo ministério da marinha um orçamento de argentinos e da ordem dada pelo commandante
paz. do vapor daquella nação, que se acha em nosso
Com oífeito o paiz está em paz, o não ha porto, prohibindo que os ofiiciaes venham á
razão para que se possa receiar que ella se per- terra, afim da evitar conflictos e provocações de
turbe de qualquer maneira; pelo contrario o que têm sido victimas.
governo permanece na convicção de que a paz Antes de tudo deve restabelecer uni facto que
continuará com os paizes vizinhos inalterável, está na 'consciência assim do senado, como do
como tem estado até hoje. paiz. Os argentinos, como todos os estrangeiros,
Nom a questão das Missões, a que se referiu militares ou paisanos, que aportam em nossa
o illustrado senador, é motivo para fazer pre- c ipital, têm sempre tido um acolhimento muito
sumir quo haja interrupção ou alteração das favorável, manifestações muito sinceras, quo
relações pacificas que se têm mantido. revelam estima e consideração. {Apoiados.)
A questão delimites no território dasMis-ões Acha-se na corte ura argentino distineto, em
ó antiquissima, tem sido tratada sempre diplo- caracter particular, mas que tem sido alvo do
maticamente o continua a sel-o debaixo do ovações da população fluminense, tem recebido
mesmo ponto de vista, convencido o governo convites de commissões e do clubs, tem sido
do quo olla ha de ter solução pacifica. Nem ha tratado com toda a obsequiosidade. Os officiaes
nenhum motivo, ainda que remoto, que possa argentinos têm tido o mesmo acolhimento da
fazer presumir quo venha a perturbar-se a paz população fluminense.
entre o Brazil e a Republica Argentina. Entretanto, hontem á tarde, lendo o_ hlooo,
Entretanto foi com sorpreza que o orador ou- deparou-se-lhe a noticia, a que se referiu o no-
viu o illustrado senador fazer uma apostrophe, bre senador, do terem sido feitas a esses qfficiaes
dizendo: «Será com muito desprazor que eu provocações, que obrigaram o seu commandante
verei arrebatar-se o território de minha pro- a prohibir-lhes quo sahissem do bordo. Imme-
víncia ; essa usurpação muito me incommo- diatamonte dirigiu-so o orador ao Dr. chofe de
dará.» policia, perguntando-lho o que havia de oxacto
8 ANNAES DO SENADO

a esse respeito, e a sua informação confirmou o que devia-se reduzir o numero dessas compa-
que acata de dizer ; que da parte da população nhias.
não houve, nem podia ter havido manifestação Esta idéa prevaleceu e foi traduzida em um
de sentimentos menos favoráveis aos officiaes additivo approvado pelo senado em 2a discussão.
argentinos, mas que um brazileiro, um único E' verdade que esse additivo não tratava só
(até lhe declarou o nome, que o senado lhe dis- desse assumpto, e talvez que alguns dos hon-
pensará de repetir), tido como turbulento e rados collegas votassem por elle attendendo a
irrequieto, se havia comportado de maneira que algumas disposições do mesmo additivo, pelas
desagradara a esses officiaes. quaes eu também votei. E' um dos additivos
Acrescentou o chefe de policia que a esse assignados pelo nosso illustre collega pela pro-
respeito tivera uma conferência com o vice- víncia de Minas Geraes, sob o n. 3, e que
cônsul da Republica Argentina, o qual se reti- resa do seguinte modo: Fica autorizado o go-
rara satisfeito, e que empregará com a neces- verno a reformar o regulamento das compa-
sária energia todos os meios ao seu alcance, nhias de aprendizes marinheiros, com o fim de
afim de evitar que esse cidadão, que infeliz- consolidar todas as disposições em vigor, po-
mente tanto abusa do caracter brazileiro contra dendo crèar commandantes especiaes para as
a opinião do todos, para praticar actos repro- mesmas companhias e reduzir seu numero, sem
vados, continue a proceder desse modo. augmonto, porém, da despeza que actnalmente
se faz.
Occorreu que esse mesmo indivíduo teve um Concordando com esse additivo na sua gene-
conflicto com um argentino, que não é official; ralidade, discordo entretanto profundamente
pelo que foi preso,fez-se o corpo de delicto res- na parte em que manda reduzir o numero das
pectivo, e, como os ferimentos foram conside- companhias.
rados leves, restituiu-se a liberdade a esse in-
divíduo; mas acha-se sujeito a processo. Isso Essa instituição, Sr. presidente, foi a sal-
se deu hontem e hontem mesmo foi providen- vação de nossa marinha de guerra e ha de ser
ciado. Já vê o nobre senador e o senado que o a salvação delia no futuro...
governo,e especialmente o chefe de policia, está O Sr. Barão da Laguna :—Apoiado.
attento, tomou providencias, e nãodescança. O Sr. Junqueira : — Ahi é cpie reside a
Finalmente disse o chefe do policia em sua força ; ahi é que está, por assim dizer, incluido
informação que tivera noticia de que o comman- o nacionalismo da nossa marinha de guerra.
dante argentino ordenara que os officiaes fi- O Sr. Barão da Laguna :—Apoiado.
cassem reclusos a bordo, mas que, não havendo
motivo para isso, não acreditava que essa or- O Sr. Junqueira :—A marinha de guerra
dem tivesse sido dada. O governo também não antigamente ora uma composição hybrida de
acredita nisso, porque um facto praticado iso- elementos heterogeneos ; tinha excellentes offi-
ladamente por um indivíduo, que está sob a ciaes, mas a equipagom era formada de indi-
acção da policia, não podia inspirar receio ao víduos de varias nacionalidades, e o senado
commandanto argentino; e, si tal ordemssdeu, comprehendo que uma equipagem formada
já estará de certo revogada, porque as provi- desse modo não pôde inspirar a precisa con-
dencias tomadas devem garantir perfeitamente fiança.
os officiaes argentinos. O Sr. Barão da Laguna ;—Muito bem.
O Sr. Silveira da Motta : — Ainda hontem O Sr. Junqueira:—Si no tempo de paz, para
vi officiaes argentinos no theatro. guarnição dos portos e das costas, pira a policia
O Sr. Meira de Vasconcellos (ministro da dss rios, uma guarnição .assim formada de
marinha): — Elles devem estar certos de que mercenários estrangeiros pôde servir, não ser-
serão tratados com toda a cordialidade, com que virá nunca para o tempo de guerra.
os brazileiros costumam acolher a todos, que O Sn. Barão da Laguna;—Apoiado.
procuram as suas plagas. O Sr. Junqueira: — Não seria com uma
Quanto á execução da lei de 1874 não pôde o equipagem desta ordem que teríamos alcançado
orador dizer mais do que já disse na 2a dis- as vlctorias que alcançamos na guerra do Pa-
cussão. raguay, naquelles reencontros sangrentos em
Mas está no pensamento do governo actual que sc empenharam os nossos marinheiros, que
empregar os seus esforços para que a lei seja em algumas abordagens se atiravam com todo
executada com toda a sinceridade. o denodo, o que não aconteceria si a nossa raa-
rinhagem não fosse composta de brazileiros
O Sr. Junqueira, :—Volto á tribuna que combatiam pela patria. (Apoiados.) E' por
nesta discussão,Sr. presidente, porque a maxima isso, Sr. presidente, que, como disse o hon-
questão, nos negocios relativos á marinha, são rado almirante e representante da província
as companhias de aprendizes marinheiros. de Santa Catharina, depois de 40 annos desta
O Sr. Barão da Laguna Apoiado. instituição excellento vemos reduzir o numero
dessas companhias e autorizamos o governo
O Sr. Junqueira :—Tenho sempre me de- a contratar marinhagem estrangeira.
clarado em favor do desenvolvimento que se
deve dar a essa bella instituição ; desejava até O Sr. Barão da Laguna:—Apoiado.
que se pudessem multiplicar as que existem ; O Sr. Junqueira:—E' retrogradar. Votei
mas com desprazer summo vi que prevaleceu a pela acquisição da marinhagem, mas votei
idéa sustentada também pelo nobre ministro, de contra a reducção do numero das companhias
c
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 9

de aprendizes marinheiros. Votei com dor pela ros annos elles têm de passar alli sob suas vis-
acquisição da marinhagem contratada pela tas, podendo ser visitados por seus parentes e
dura necessidade em que estamos collocados. tutores, e que só entram para o serviço do Es-
E' facto , não temos presentemente nos vi- tado quando attingom uma idade maior ,
veiros dessas companhias o num ro sufficiente quando pódem affrontar as vicissitudes. Em-
do jovens para completar o corpo de imperiaes quanto estão jovens as famílias desejara que
marinheiros. Foi pela dura necessidade que dei estejam sob suas vistas ; isto é obvio.
o meu voto. Mas, por isso mesmo que dei Não havendo essa facilidade, não ha de appa-
este voto com todo o constrangimento, é que rocer um só menino para as companhias de
não quero acoroçoar também a providencia aprendizes marinheiros collocadas fóra da pro-
adoptada de diminuir-se o numero dessas com- vincia, donde teriam de vir, e, em logar
panhias, porque assim vamos fechar inteira- desses moços, assim preparados desde meninos
mente a porta que estava aberta para a ac- para o serviço de guerra, para a disciplina, nós
quisição des^s moços e f.izer com que ja- seremos obrigados a engajar marinheiros nacio-
mais se possa completar o numero necessário naes ou estrangeiros. Estrangeiros quasi todos,
ao corpo de imperiaes marinheiros. porque nós não temos marinhagem ; a lei da
O Sn. Barão da Laguna:—Apoiado. liberdade de cabotagem acabou com a nossa
marinha mercante. Não temos, pois, senão o
O Sn. Junqueira:—Consideremos o nosso recurso dos marinheiros estrangeiros, da mari-
paiz. Vastíssimas cost is de centenas de léguas, nhagem mercenária, e esses homens não têm a
que muito équ! om uma provincia marítima dedicação pelo paiz como aquelles, não têm
haja uma companhia de aprendizes marinhei- mesmo, direi ao nobre ministro, o ardor e as
ros ? E não seria até preciso estabelecer illusões da mocidade, que são aquollas que
duas ou tras, conforme a extensão das c stas tormm o homem ou grande soldado ou grande
das varias províncias ? marinheiro !
A da Bahia, por exemplo, com uma costa tão O senado me releve citar um facto, que me
vasta, não poderia ter outra companhia em foi contado por um dis comraandantes mais
Porto Seguro ou om Caravellas ? Deveria ter ; illustres que tivemos na guerra do Paraguy.
o havia de adquirir muitos moços proprios para Rèferiu-me elle que, na occasião em que tra-
esse serviço. tava de livrar um nosso encouraçado da abor-
Os nobres senadores que impugnam a mi- dagem que tinha soffrido, commandando elle
nha opinião são levados som duvida por uma tamb ^m um outro navio encouraçado, mandou
idóa justa de economia. Mas ou queria que a qui aparte da equlpagem saltasse no navio que
economia fosse igualmente espalhada em todos estava acommettido pelos paràguayos para
os ramos do serviço publico, que todo o nosso livral-o daquella aggressão, primeiro que
orçamento fosse um corpo harmônico; que, as- saltou no convez do inimigo foi um moço do
sim como estabelecemos a aconomia em relação menos de 16 annos, sahido de uma companhia
ás companhias de aprendizes marinheiros, a do aprendizes marinheiros ! Porque ? Porque
estabelecêssemos também em relação a outros tinha o ardor da mocidade e combatia pela
serviços. patria ! Póde-se esperar a mesma cousa de um
Mas não é isto o que se faz.Quer-se economia marinheiro estrangeiro'( Pois ó a isto que o
sómente era relação ao pessoal do exercito e da senado quer reduzir o futuro da nossa esqua-
armada, e no entretanto se desbarata a mãos dra ? Não vale a pena fazer uma economia tão
cheias tudo quanto diz respeito a outros ser- pequena, até porque a maior despeza já está
viços. Porventura o que se votou (isto não é feita.
para fallar contra o vencido, é como exemplo) Existem as casas, existem os utensis, e va-
em relação ás faculdades de medicina está em mos destruir tudo ! Si se tratasse do uma crea-
relação com o que se votou para o ministério da ção nova, ainda poderia haver sombra do ra-
guerra ? (Apoiados:) Não é realmente fazer zão; mas trata-se apenas do consejnar o que
um verdadeiro aleijão ? Nós devemos ter ura está.
orçamento equilibrado, um orçamento harmô- Trate o nobre ministro com os presidentes
nico em todas as suaspirtes, e não é sómente de provincia, entenda-se com os juizes de or-
querer a subliraidade om certos serviços, gas- phãos, declare o governo que dá a este serviço
tando milhares do contos e reduzindo outros, de acquisição de pessoal para o exercito o ar-
fazendo economias com grande detrimento do mada a quarta parte di consideraçã) que dá a
instituições que têm servido para garantir a outros, e verá affluirem os voluntários para os
ordem, e integridade do Império. corpos e os moços para estas companhias.
Conseguintemente , Sr. presidente, eu con- Mas tem-ss deixado isto no maior esqueci-
tinuo a me pronunciar contra esta diminuição mento. Dá-se galardão a pessoas que prestam
de companhias de aprendizes marinheiros. outra especie de serviços, mas a estes nada ; é
O nobre ministro da marinha ha do conhecer, o maior esquecimento.
por experiência, que as companhias collocadas Desta maneira a nossa esquadra e o nosso
nas provincias têm muita facilidade de obter exercito tendem a desapparecer. Tenho sem-
os moços para o seu serviço. pre clamado neste sentido.
Estamos chegando a ura ponto em que, pa-
O Sr. Barão da Laguna: — Apoiado. rece, se vai sentindo a realidade do nbgocio,
O Sr. Junqueira; — As famílias dão de que precisamos de forças. Um paiz tão vasto,
boamente os seu filhos para servirem nas com- com 10.000.000 a 11.000.000 de habitantes, com
panhias, quando sabem que naquelles primei- costas iramensas, vizinhos turbulentos por toda
10 ANNAES DO SENADO

a parte, e estamos de braços cruzados, com a depois trata das attribuições da junta revi-
perspectiva de nem termos um exercito de sara, do processo da revisão, dos recursos,
15.000 homens e de nem termos na esquadra dos contingentes marcados pelo governo e
equipagem nacional. finalmente do sorteio.
Não é possível que conflemos a defesa dos Si os nobres senadores derem-se ao trabalho
nossos direitos, de nossa bandeira, a equipa- de ler todos os capítulos, cujas «pigraphes aca-
gens que não sejam brazileiras. bei de referir, verão quo os prazos são longos,
Neste sentido mandei uma emenda para que o não podiam deixar d; sel-o; em virtude dolles
se elimine do additivo apresentado e approvado o sorteio não podia ser feito senão perto de dous
as palavras—<írcduzir seu numero—». annos depois de ler o regulamento sido pro-
Faça-so tudo o mais que nelle se determina, mulgado, o portanto, si não se perdeu tempo
mas não se reduza o numero das companhias. para expedição do regulamonto, àpozar da mul-
Já que estou com a palavra, Sr. presidentç, tiplicid ide do disposições a quo nelle se devia
não posso deixar de referir-me a um ponto a attender ; si por eátas disposições só muito
que se referiram o nobre senador pelo Paraná tnnpo depois é que podia fazer-se o sorteio,
e o nobre ministro da marinha, que acabou de está claro que ao partido conservador não cabo
fallar ; é a respeito da execução di lei de a responsabilidade da não execução final
1874. da lei.
Tenho sempre propugnado pela execução O partido conservador deixou o podor em
desta lei, não porque tive a honra de referen- fins de 1877, e nesta occasião o illustre cidadão
dal-a, pois não faço cabedal disso, mas porque que occupava a pasta da guerra, o Sr. Duque
julgo que ella ó fonte que nós temos para ad- de Caxias, já achava-se doente, mas nenhuma
quirir braços para o exercito e armada. Si a responsabilidade cabe a elle, nem ao partido
lei não fôr boa, a pratica o demonstrará, far-se-ão conservador, da não execução da lei; porque
as correcções necessárias. afinal a execução devia ssr o sorteio, e o sorteio
Mas, diz-se : não temos culpa disto, ou antes só se poderia fazer em 1878, quando estariam
a culpa é commura, é dividida por todos; tanto terminados todos os trabalhos preparatórios.
cabe a um partido como a outro, de sorte que a Mas em 1878, Sr. presidente, já não estava
ninguém s) pode attribuir este facto. no poder o partido conservador, o portanto não
Sr. presidente, não tenho o costume do reta- pôde carregar com a responsabilidade da não
liar ; não gosto disto, não está nos meus hábi- execução da lei.
tos fizer recriminações aos meus adversários.
Mas realmente os factos históricos ahi estão ; é E devo dizer que, succedondo-me o honrado
a historia dos nossas dias. Sr. Duque do Caxias, tratou do continuar com
A lei do alistamento militar tem a data de 26 todo o afinco a expedição das ordens necessárias
de Setembro do 1874 ; foi votada nesta casa para completa e final execução do regulamento.
quasi no fim do anno ; não se perdeu muito Abra-se o Diário Official daquollo tempo, e
tempo em se fazer o seu regulamento, e este ver-se-á a multiplicidade de ordens expedidas,
regulamento, que eu tive também a honra de de respostas a todas as consultas que orara feitas.
organizar, tem a data de 27 de Fevereiro de Mas, como já disse, o remate da loi era o sorteio,
1875. para o qual devia preceder o acto do governo,
Vê o senadoquo não medeou muito tempo marcando os contingentes que cada parochia
para o estudo ae matéria tão grave. devia dar.
Sem querer considerar este regulamento Foi isto o que não se fez no tempo em que
como uma obra prima, direi que foi tido por se devia fazer. O partido conservador não so
bom pelo conselho de estado e por todos que descuidou ; deixou o poder em fins de 1877, e
o têm estudado, e em todo o caso contra elle não deixaram-se passar os annos de 1878, 1879, de
^tem-selevantado reclamações. 1880 e 1881, o lá se vai o de 1882 sem que o
Mas o íegulamento de 1875, para eitar na partido que governa dê o altimo remate á exe-
altura do assumpto a quo so referiram suas cução daquella lei. Não se fez o alistamento
disposições, tinha de tomar todas as cautelas em todas as parochias ; mas o regulamento es-
necessárias para â fiel execução da lei de 26 de tabelece providencias a este respeito, ha nelle
Setembro de 1874, de modo quo ella produzisse o remedio apresentado para isto.
todos os seus resultados ; e em virtude disto o
sorteio, quo era a disposição final da loi, não A verdade é, Sr. presidente, que os governos
podia fazer-se senão no prazo d ; porto de dous que se têm succedido do 5 de Janeiro para cá
annos. não têm querido dar execução á lei. Bem sei
Os nobres senadores, e principalmente o que toda a lei de alistamento militar ó uma lei
nobre senador por Minas Geraes, que reclamou que não tem as sympathias do povo ; é preciso
contra o que dizia o nobre senador polo Pa- que o governo tenha coragem de affrontar esta
raná, si reparar nas disposições deste regula- impopularidade passageira para bem do paiz.
mento, ha de ver que o partido conservador não Não ha duvida que a ninguém agrada uma lei de
teve tempo de dar o ultimo remate á execução impostos, uma lei de contribuição de sangue ;
da lei. Este é que é o ponto histórico. entretanto não tem o governo outro recurso
O regulamento de 27 de Fevereiro de 1875, senão cumpril-as por honra própria : noblesse
no cap. 3°, trata do alistamento que deve co- oblige.
meçar no dia 1 de Agosto; no cap. 4° trata das O Se. Coreeia :—Tanto mais quanto o prin-
juntas de parochias; noocap. 5o do processo do cipio da lei é muito mais liberal do que o da
alistamento; no cap. 6 da junta reoisora ; que vigorava. {Apoiados.)
C
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 11

O Sr. Junqueira. ;—Muito mais ; e esta lei Pariz em 1855, porque nos desarmou comple-
estabelece no art. Io o voluntariado, e só na tamente. Os Estados Unidos da America foram
faltado voluntariado ó que se procederá ao sor- mais prudentes e disseram á Inglaterra e á
teio dos indivíduos alistados nas parochias. França ; bem, vós quereis que a guerra no
Conseguintemente, Sr. presidente, fique mar fique como em terra, reduzidas as forças
consignado o facto histórico, de que não temos belligcrantes entre os exercites em terra e
culpa ; si o partido conservador não deu o ul- entre as esquadras no mar ; porém nós acre-
timo remate á execução da lei, fji porque não scentamos—que fique a propriedade particular
teve tempo. respeitada, isto é, diziam os Estados Unidos
O Sr. Jaguaribe:—Apoiado. que a guerra se limitasse ás forças armadas,
mas não so tocasse na propriedade particular
O Sr. Junqueira;—EUe, por sua parte, doa belligerantes. Esse é que era' o verda-
procurou executar todos os trabalhos prepa- deiro principio civilisador; mas nós, adhe-
ratórios necessários para a completa execução rindo á convencção do Pariz, ficamos privados
da lei... do con urso dos voluntários do mar ou das
O Sr. Correia :—Não procurou : fez. cartas do corso, expostos a combates com ma-
O Sr. Junqueira;—... fez o que podia rinhas de guerra superiores e com a proprie-
fazer ; não podia fazer mais, e da não execu- dade particular dos nossos compatriotas exposta
ção caiba a responsabilidade a quem do di- á captura.
reito. Portanto, si os torpedos não entraram em
convenção nenhuma restrictiva podemos
O nobre ministro da marinha parece-me delles usar, e por isso eu chamo a attenção do
olvidãr-so de responder ao nobre senador pelo nobre ministro para que não fiquemos neste
Paraná acerca de torpedos. Na guerra marí- ponto inferior a qualquer potência com a qual
tima moderna o torpedo representa um papel possamos ter alguma pendência. (Muito bem;
importantíssimo, c já tive occasião de notar muito bem.)
neste ponto, chamando a attenção do honrado
ministro da marinha para elle. Foi lida, e ficou sobre a mesa para ser
Como já disse em outra occasião, o governo apoiada na sessão seguinte, visto já ter dado a
tinha tido a solicitude de mandar construir hora a seguinte
navios apropriados para estos torpedos, e que Emenda ao additivo do Sr, Ribeiro da Luz
• nas experiências a que foram submettidos « Supprimam-se as palavras— reduzir o seu
mostraram ter grande velocidade. numero.— S. R. —Junqueira.-»
Mas, segundo sou informado, e segundo in-
forma ao Jornal do Commercio um dos seus A 11/2 horas da tarde o Sr. presidente deixou
correspondentes, nós temos lanchas, mas não a cadeira da presidência que passou a ser
temos torpedos, porque não possuímos o se- occupada pelo Sr. vice-presidente.
gredo do inventor, o Sr. Whitehed.
Segundo penso, este segredo tem sido com- SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA
prado por outras nações, e agora o nobre sena-
dor pelo Paraná diz, o ouvi de outros collegas, A I.EI DE 9_DB JANEIRO DE 1881
que ha necessidade de todo o cuidado a este
respeito, porque está reconhecido que existe Continuou a 2a discussão da proposição n.78,
um torpedo mais officaz do que aquelle outro. da camara dos deputados do corrente anno, al-
Não sei o que se tem passado a este respeito, terando algumas disposições da lei n. 3029 de
si o nobre ministro pensa em comprar torpedos 9 do Janeiro de 1881.
daquelle primeiro inventor. Não sou proflssio- 0 Sr. Christiano Oxtoni (pela ordem) re-
nal. Desejaria que nas guerras maritimas se quereu verbalmente a retirada da sqa emenda
puzesse em pratica o systema civilisador como hontem offerecida, a qual substituid por outra.
em terra; na guerra terrestre já se tem procu-
rado por peias a certos armamentos menos Consultado o senado, consentiu na retirada.
leaes. Vciu á mesa, foi lidi, apoiada e posta con-
O nobre ministro saberá que cm annos pas- juntamente em disTissão a seguinte
sados reuniu-se era S. Pctersburgo um con-
gresso, afim de serem abolidas na guerra certas Emenda substitutiva
especies de bombas explosivas, porque se dizia
que não ora uma arma leal, mas infelizmente Todas as disposições da lei de 9 de Janeiro
as nações todas têm-se lançado nesse caminho, de 1881, que se referem á prova de renda, são
e vemos que o torpedo, que ó uma arma monos substituídas pMi seguinte :
leal ainda (apoiados), se tem adoptado, e não Serão alistados como eleitores todos os ci-
podemos abrir mãodelle. Nós temos nos apres-
sado em concordar com todos os ajustes civili- dadãos brazileiros, que reunirem as seguintes
sadores quó porventura possam apparecer no habilitações :
mundo diplomático e guerreiro ; algumas vezes 1 ^ A idade exigida pela Constituição ; .
somos até muito apressados nisso, entretanto 2.a Goso de direitos polilicos ;
que ora relação a essa arma não estamos ligados 3.» Saber ler e escrever ;
por convenção nenhuma. 4.a Não estar comprehendido em alguma das
No meu fraco entender, uma das conven- excepções do art. 92, §§ 2°, 3° e 4° da Consti-
■ ções que mais nos prejudica c a que se fez em tuição o art. 2° daTei.
12 ANNAES DO SENADO

A prova da 3a habilitação consistirá no re- Podo, porventura, diante disto proceder a


querimento eseripto e assignado pelo proprio censura, de que ella tem sido alvo constante-
punho.do cidadão, podendo aliás ser apresen- mente, por não haver proposto medidas, que am-
tado por procurador. pliem ou que estendam o voto eleitoral ?
Incumbe ao juiz, em caso de duvida, exigir Era-nos dado, a nós os mandatários, neste
prova de authenticidade da letra do requeri- assumpto, sahir dos limites do mandato, que
mento. nos fora confiado ?
Rio, 17 de Agosto de 1882.— C. B. Ottoni. Si isto é assim, Sr. presidente, si nossa ta-
refa não foi restringir ou ampliar, mas tão so-
O Sr. X>airtas: — Julgo de minha mente tomar medidas que tornassem verda-
lealdade, Sr. presidente, intervir neste de- deira a execução da lei de 9 de Janeiro de 1881,
bate. claro está que cahem por terra as censuras, que
Fazendo parte da commissão mixta, não me nos têm sido feitas, porque não nos aprovei-
é licito, como aliás desejava, guardar completo támos da occasião para propor medidas que am-
silencio na discussão, que tem corrido a cargo pliassem o voto.
do illustre relator do projecto. Portanto, tudo No parecer de que a commissão mixta pre-
aconselhava que elle tomasse a si, com o ta- cedeu o seu trabalho,lêm-so estas palavras (lê) ;
lento e proficiência que possue, responder aos « A importância extraordinária da reforma
eloqüentes oradores que se têm occupado da feita pela legislação citada; a necessidade inde-
matéria. Mas, o meu silencio poderia ser mal clinável do que essa reforma não deixe de pro-
interpretado, attribuindo-se-lhe motivo diverso duzir os bons efieitos que delia so esperavam e
do verdadeiro, e por isto, como disse, julgo cuja possibilidade já foi verificada pelas pri-
dever explicar ao senado e ao paiz o motivo do meiras experiências, explicam e justificam o
meu voto. alvitre, adoptado por consenso unanime em
A discussão, a meu ver, tem tomado um rumo ambas as camaras, de nomear a commissão de
que se trati.»
diverso do que devera ter. Mais adiante ainda disse a commissão mixta,
Não se tem tratado propriamente do projecto que compõe-se, não cessarei do recordar ao
sob o ponto de vista, em que elle foi elaborado; senado, do membros de ambos os partidos
novos horizontes se têm aberto,esquecendo-se os {lêY .
illustres oradores que têm tomado parte no
debate de que as accusações attribuidas á com- « Está verificado que a lei e o regulamento <
missão mixt), por não ter ampliado o voto, não prestxm-se a grandes abusos em relação ao
são justas, porque o fim da commissão não alistamento dos eleitores, especialmente quanto
foi nem restringir , nem ampliar esse di- á prova do renda por contratos de arrenda-
reito. mento, a respeito dos quaes é notorio que em
toda a parto so projectara fraudes em lirga es-
O Sn. Christiano Ottoni : — Mas res- cala. Até já houve comarca em que a reforma
tringe. eleitoral foi executada de modo que produziu
O Sr. Dantas:—Vejamos si tenho razão. quasi o suffragio universal. A continuação o
desenvolvimento dessas praticas importaria a
Não se trata, Sr. presidanle, de um trabalho destruição dos benéficos offoitos da lei ; e contra
que fosse por mim ou por meus collegas espon- isso ó mister providenciar legislativamente
taneamente oíferecido ; não fomos nós quem o antes da revisão do alistamento geral, a que se
iniciou. procederá no primeiro dia do proximo mez do
Recorde-se o senado de que, no primeiro dia Setembro.
da primeira sessão legislativa, sob a impressão
^dos resultados da eleição em todo o Império, das « Cumpre igualmente tornar bem claras e
reclamaçifep, que de todos os pontos nos chega- positivas as disposições sobre a organização das
vam, das communicações officiaes, que acompa- mesas eleitoraes e outros pontos, de modo que
nharam O relatório do ministério e os dos pre- cessem as duvidas que a respeito de sua intel-
sidentes de província, em presença de todos ligencia se têm dado na eleição e na verificação
esses factos e documentos, nasceu um pensa- de poderes, e, tanto quanto fôr possível, fique
mento do seio do poder legislativo, o este pen- livre de todo arbitrio esta parto importante e
samento foi perfeitamente traduzido na indi- ultimado processo eleitoral. »
cação, que deu logar á nomeação da commis- Restringido assim o terreno do nosso traba-
são mixta. lho, nós não podíamos emprehonder uma outra
jornada da que nos fôra marcada, menos bri-
Em que termos foi concebida essa indica- lhante, é certo, porém difficil e em todo caso
ção ? (IS) digna da attenção do poder legislativo.
« Requeiro que o senado convide a camara Ninguém entro nós poderia deixar de
dos Srs. deputados para nomear _ uma commis- prever que se daria no Brazil o que se tem dado
são de cinco membros, que, reunida a outra do em toda a parte do mundo. Feita uma reforma
senado, reveja o regulamento de 13 de Agosto pelo systema directo e censitario, é natural, ó
de 1881, que tem de ser approvado pelo corpo naturalissimo que,com o correr dos tempos, com
legislativo o proponha outras medidas que a o desenvolvimento das idéas, o alargamento do
pratica haj i demonstrado ser necessárias para voto venha a ser uma bandeira em torno da
a boa execução da lei de 9 de Janeiro de 1881.» qual se reunam aquelles, que querem que
Eis aqui definida a tarefa da commissão intervenha nos negocios do Estado o maior
mixta. 'P numero posssivel de cidadãos activos.
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 13

Portanto, Sr. presidente, eu, quando se tra- tores antigos orçavam por vinte e tantos mil, e
tasse do alargamento do voto, mo alistaria actualmente sobem a mais de 145.000.
francamente cora aquelles que desfraldassem O Su. Jaguaribe ; — Para os eleitores an-
a bandeira. Actualmente, porém, neste pro- tigos se exigia uma renda muito maior.
jecto. limitado como se acha á esphera dentro
da qual a commissão mixta tinha de funcoionar, 0 Sn. Dantas:—Melhor para o caso ; mas
não parecia possível, nem opportuno, trazer o facto é este ; eleitores do systema indiracto
essa outra questão, que de envolta com a que e eleitores do systema directo ; aquelles or-
nos foi incumbida, prejudicaria a ambas. çavam por 24 ou 25.000, estes orçam por mais
{Apoiados.) de 145.000.
A lei eleitoral foi votada ha pouco tempo ; a O Sr. Saraiva:— E hão de ir brevemente a
primeira experiência também é recente; os 200.000.
dous partidos e3tudaram-n'a era todas as suas
partes, na execução que acabou de ter, e ó O Sr. Dantas: — E' certo que entre os elei-
natural que ambos, e á frente delles o partido tores e a população do Brazil a desproporção é
liberal, tenham do iniciar a idéa da extensão deplorável. Esta base da argumentação do
do voto. Então, não é possível duvidar, estarei nobre senador, que aliás eu não ignorava,
ao lado dos meus co-roligdonarios, que plei- fez sempre impressão em meu animo ; mas a
tearem por essa idéa. isto responderei que a nós cabe praticar aquillo
que têm praticado outros paizes — estender os
As objecções feitas em grande parto na dis- suffragios progressivamente, educar o povo
cussão deste projecto, são a reproducção das para attrahil-o cada vez mais ao gozd e exer-
que tiveram logar quando se discutiu a lei de 9 cicio desse direito, interessal-o cada vez mais
do Janeiro de 1881. Entre ellas avulta o tra- nos negocios públicos, procurando por todos os
balho minucioso, paciente,'que nos foi offere- meios chamar ao eleitorado cidadãos, que es-
cido pelo meu honrado amigo, senador por tejam nas condições de ser eleitores.
S. Paulo, e que tão profunda impressão causou
no animo de todos. E nesta ocoasião eu sou tanto mais levado a
proclamar esse ardente desejo, quanto até ao
O Sr. Christiano Ottoni:— Porque foi con- presente não está em meu animo transpor a
cludentissimo. barreira que nos separa do suífragio universal ;
O Sn. Dantas : — Não digo o contrario ; mas e, assim, direi aquillo que ha pouco tempo dizia
vou aprecial-o com applicáção ao projecto que o chefe do partido liberal na Bélgica, Frére-
discutimos. Orban ; « Quero a extensão do suífragio para
Em que se resumiu o trabalho importan- evitar o suífragio universal.»
tíssimo, digno dos talentos o das luzes do hon- O Sr. Cruz Machado : — Apezar de tudo, o
rado senador por S. Paulo ? Em discriminar a numero doi eleitores está na razão de 15 a
diíferença que existe entro os antigos votantes 20 % dos cidadãos brazileiros maiores do 25
indireotos o os eleitores modernos. annos ; ó o que diz a estatistica.
Ainda mais : mostrou a desproporção entro
olles e a população. O Sr. Dantas:— Quero, portanto, o alarga-
Mas, Sr. presidente, todo o mundo sabe que mento do suífragio; estarei ao lado daquelles
a primeira desproporção notada, essa a que se que o promovem. Mas, isto não quer dizer
referiu o nobre senador, entre os votantes an- que o projecto de que se trata tivesse por fim
tigos e os eleitores modernos, nada explica ampliar ou restringir de modo algum. O fira do
para a questão. Os votantes antigos não oram projecto, que, bem ou mal, nasceu do pensa-
eleitores, o o seu mandato desapparecia desde mento do ambas as camaras, foi estabelecer
que o eleitor era escolhido e reconhecido. providencias efficazes contra a fraude...
Esse direito foi perfeitamente qualificado O Sr. Saraiva:—Antes o projepto do Sr.
aqui por um dos mais notáveis parlamentares, Ottoni do que o alargamento pela Jraude !
de saudosa memória, o Sr. Salles Torres Ho- O Sr. Dantas:— O pensamento das caujaras
mem, quando o qualificou direito inerte. legislativas do Brazil foi que sejam eleitores
Portanto esta grande desproporção, que to- aquelles que pela lei do 9 de Janeiro de 1881 o
mou o honrado senador por S. Paulo, entre os devem ser, mas quo não pudessem ser também
antigos votantes e os eleitores actuaes, os elei- eleitores es que o não devam ser,segundo a lei
tores directos, nada importa á questão : os sys- que nos rege; foi um pensamento do boa exe-
temas são diversos . cução da lei.
O Sn. Caristiano Ottoni : —Mas quem tinha E' possivel que,nas disposições propostas pela
direito o perdeu ! commissão mixta.algumas pareçam difficultar, e
O Sn. Dantas : — Isso ó questão que não vem eífectivamente dificultem o alistamento ; isto
para o caso. pôde ser oxacto, mas por uma razão muito
Senhores, eu quero entrar na discussão com simples—é preciso não facilitar demasiado o
a maior isenção de animo, com a maior leal- alistamento para não facilitir a fraude.
dade. O systema antigo não pôde servir de O Sr. Cruz Machado :—Não dificulta, de-
medida para o juizo que tivermos de proferir. mora apenas. s
Si o nobre senador se desse ao trabalho de
ver a relação que existe entre os eleitores an- O Sr. Dantas :—Admitto que possa dificul-
tigos e os eleitores modernos, veria que o nu- tar ; mas o que não queremos e que a fraude
mero destes ó imraensamente maior: os elei- faça eleitores, contra aquillo que a lei deter-
)
14 ANNAES DO SENADO

minou; este é o pensamento culminante do téria eleitoral, sem que elle, intervindo, propu-
projecto. zesse o alargamento do voto.
Assim se travou a questão, e um incidente
O Sr. Silveira da Motta ; — E o resultado de urgência, que foi pelo governo posto como
desse pensamento é a restricção cada vez questão de confiança, deu logar á quéda do
maior ! ministério. Logo, os membros do gabinete de
O Sr. Dantas: — Creio ter-me explicado; 21 de Janeiro são coherentes com o seu procedi-
não tivemos em vista restringir o voto ; contra mento de então, querendo na discussão desse
isto estarei sempre. projecto que a idéa do alargamento do voto seja
O Sr . Silveira da Motta : — Conseguiram- inserida.
n'o então sem querer. Esta é a explicação ; foram acontecimentos
posteriores á nomeação da commissão mixta que
O Sr. Dantas : — Não ha tal. Peço a V. Ex. determinaram essa evolução com respeito á ma-
que examine o projecto em cada uma de suas téria que nos oecupa ; mas a commissão mixta
dispo-içõ:st e desse exame, com sua intolli- até então não tinha cousa nenhuma com isso.
gencia e conhecimento da matéria, chegará a O Sr. Cruz Machado:— Nada ; a sua missão
esta resultado: que com o projecto apenas se
ohtem o embaraço do alargamento pela fraude. é toda regulamentar, evitar a fraude.
A commissão mixta nasceu sob a impressão O Sr. Dantas;—E' isto o que justifica uma
deste pensamento : evitar que a fraudo se ira- tal ou qual divergência, toda apparente, entre
miscuisso no alistamento. o senador que neste momento occupaa attenção
O Sr. Silveira da Motta:—Embora se res- da casa e alguns de seus honrados amigos;
trinja ... mas,.elles são os primeiros a reconhecer que
tal divergência não existe, porque declarei, e
O Sr. Dantas:—Si na discussão, que vai cor- torno a declarar, que estarei com elles quando
rendo, emendas forem apresentadas, que, che- tivermos de tratar do alargamento do voto, con-
gando ao mesmo fim, ne.u apparenteraente servando sempre o censo, o voto directo censi-
denotem que ha restricção, lhes darei o meu tario, para evitar, como acabei de dizer, que
voto. cheguemos ao suffragio universal...
O Sr. Leão Velloso {ministro do império) : O Sr. Saraiva:—E'todavia melhor que lá
—Declaramos isso. cheguemos pelos meios regulares do que pela
O Sr. Cruz Machado:—Apoiado. fraude. {Ha outros apartes.)
O Sr. Dantas;—Si a commissão é mixta, o O Sr. Dantas:—Eu nestas idóas estou, Sr.
trabalho deve ser mixto também ; uns e outros, presidente, com os meus co-religionarios do
de ura e outro partido, têm o dever de cooperar Brazil, com os da Bélgica, da Italia, da Ingla-
para que cheguemos ao resultado que tivemos terra, que constantemente se pronunciaram no
em vista. Peço aos meus honrados collogas que mesmo sentido.
continuem a acompanhar a discussão, e offere- Nós podíamos admittir que os estrangeiros
çam emendas. votassem nas eleições municipaes. Penso que
estrangeiros que residem comnosco, que parti-
O Sr. Cruz Machado :—No intuito d1 evitar cipam desta nossa vida, que têm interesses
a fraude. muito immediatos na freguezia, no município,
O Sr. Saraiva :—E' só o que queremos. podem ter voto para escolherem o seu verea-
O Sr. Cruz Machado :—0 projecto não re- dor. Podíamos adoptar um censo municipal
stringe, ao contrario, muitas vezes alarga o que comprehendesse maior numero de eleito-
suffragio. res, um censo provincial para maior numero
de eleitores provinciaes, um censo geral para
» O Sr . Dantas :—Este projecto tornou-se ce- maior numero de senadores o deputados, como
lebre, porqut a elle se prende a questão que se faz na Bdgica, como se está fazendo mo-
deu logar a uma mudança ministerial, e este dernamente na Italia.
acontecimento é de tanta valia que colloca al-
guns dos que têm parte no projecto em situa- Eu, portanto, nutrindo todos estes pensa-
ção de deverem explicar completamente o seu mentos, não po^so ser classificado entre os que
pensamento. querem a restricção do voto.
O Sr. Saraiva :—O projecto foi innocente O Sr. Nunes Gonçalves;—Certamente.
em tudo isso. O Sr. Silveira da Motta:—Sinto que V. Ex.
O Sr. Dantas : —E' certo que, depois de não estivesse com esse pensamento quando se
reunida a commissão mixta e de offerecidos discutiu a lei do 9 de Janeiro, porque então não
alguns de seus trabalhos, surgiu um projecto teria votado contra todas as disposições de alar-
de adiamento, tanto da eleição municipal, como gamento do voto.
da revisão de alistamento, o todos se recordam O Sr. Dantas;— V. Ex. sabe a historia,
do que se deu : o adiamento nao passou e, honrosa para o parlamento e para ambos os
como não passasse o adiamento e urgisse partidos, que deu em resultado a adopção da
uma solução sobre isso, na camara dos de- lei de 9 de Janeiro.
putados levantou-se a questão. Mas, o go- Tratava-se de fazer uma reforma radical, do
verno então, com motivos respeitáveis, enten- se passar do systema indirecto para o directo, e
deu que não se poderia mais, no caso dado, os dous partidos, para que chegassem a um
isto é, da rejeição do adiamento, tratar de ma- accôrdo, tiveram necessidade de fazer mutuas
(
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 15

concessões, e isto ó que explica que, desde Ao honrado senador por S. Paulo procurou
então, eu o o meu honrado amig-o, presidente seguir, mas em vão, porque S. Ex., coma
do conselho do gabinete de 28 de hlarço, rapidez electrica de sua intelligencia elevou-se
não pudéssemos logo fazer adoptar na lei tão alto que ao orador, homem pratico e posi-
de 9 de Janeiro todas as idéas, que aliás tivo, não foi possível discernir todas as distinc-
tinhamos e continuamos a ter. Mas, eai todo ções e subtis argumentos com quo o honrado
case, essa lei, embora não fosse a ultima pa- senador tratou da questão, procurando objec-
lavra sobre a reforma eleitoral, como ainda ções, aliás não contra o projecto, mas contra a
não serão outras que tenham de vir no fu- lei de 9 de Janeiro.
turo (apoiados), esta lei em si encerra os O honrado senador trouxe muitas estatisticas
mais notáveis principies liboraes... que, si provassem alguma cousa seria a con-
O Sn. Cruz Macuado:—Apoiado. venien ciado voto universal, mas que em ver-
O Sn. Dantas:— ... qua nos honram diante dade nada provam, como é fácil de ver.
de nós mesmos e do estrangeiro; já foi uma Realmente S. Ex. comparando o numero dos
grande conquista. Não é possivel que de mo- antigos votantes 1.114.463, com o dos eleitores
mento se pudesse fazer uma reforma, que sa- actuaes, que são 145.296, concluiu que tinham
tisfizesse a todas as aspirações do presente e sido privados do direito de voto 966.167 cida-
menos as do futuro. Ainda ninguém conseguiu dãos ; mas como se arranjava esse milhão e
isto. (Apoiados.) tantos mil votantes da antiga lei ?
Eis explicado aquillo que o nobre senador, Quando se discutiu o projecto que depois foi
neste momento recorda como uma falta, mas a lei de 20 de Outubro de 1875 o orador, com-
que não deve ser considerado como tal. pulsando a estatística geral do império, delia
tirou o algarismo da população masculina de
Segundo annunciei, Sr. presidente, não maior idade para confrontal-o com o numero de
quero entrar na discussão do projecto. Ella votantes em cada uma das parochias.
corre por conta'de outros honrados collegas. Em um discurso que proferiu na sessão de 12
Dos trabalhos de commissão mixta, elbs o sa- de Agosto de 1875 patenteou ao senado alguns
bem,compareci a uma ou outra conferência, de- resultados desses confrontos e fez ver que, por
clarando que não podia eximir-me de uma in- exemplo,na Bahia,onde só faltavam 7 parochias, •
cumbência com que o senado me honrara, mas cujas qualificações não se receberam, havia
que me reservava o direito, adoptando o pensa- 17 parochias em que o numero de votantes
mento capital do projecto, que ora admittir correspondii a mais de 10 habitantes; 3 em
providencias para a boa execução d i lei de 9 de que correspondia a 10 ; 7 em que correspondia
Janeiro de 1881, de aceitar no correr da diseus- a 9; 9 em quo correspondia a 8 ; 12 em que
são as emendas que olla aconselhasse. correspondia a 7 ; 14 em que correspondia a
(Apoiados.) 6 ; 33 em qua correspondia cada votante a 5
Neste proposlto estou. Acompanho a discus- habitantes ; 26 em que correspondia a 4 ; 22
são e darei o meu voto a algumas das emendas em quo correspondia a 3 ; 14 em que corres-
que já foram offerocidas e a outras que no cor- pondia a 2 ; e 7 em que cada votante corres-
rer da discussão porventura o sejam. pondia a 1 habitante, do sorte que nestas vo-
Ponho aqui termo ás observações quo tinha tavam meninos, homens e mulheres sob_ no-
de offerecer, o mais uma vez declaro que o meu mes masmlinos, era o voto universalissimo !
pensamento sobre esto projecto não é, nem re- Analogas observações, referindo os dados que
motamente, o da restricção do voto. apresentou em 1875, mostra o orador qua se
A lei de 9 de Janeiro foi tão bem recebida deram em outras províncias, sendo que na das
Alagôas, na parochia do Penedo, havendo 3.750
pelo paiz, quo logo em sua primeira experiên- indivíduos maiores de 21 annos, qualificaram-
cia dou o^ melhores fruetos. so 5.906 votantes, excesso 2.156;—e ipto em uma
E' dever de todos nós empenharmos esforços qualificação, porque em outra posíerior subiu o
para quo hoje e amanhã olla seja uma verdade, numero dos votantes a 6.099 ! )
o que não excluo que surjam projectos do refor- Já se vê que oram votantes fictícios, meras
mas complomentares, para chamar ao eleitorado creaçõos da cabah. Os eleitores reaes, que em
brazileiro o maior numero de cidadãos activos. verdade influíam na escolha dos represantantes
Este é o meu pensamento. (Apoiados; muito da nação, compunham um corpo de cerca cie
bem!) 24.000 pessoas ; e, tendo a lei de 9 da Janeiro
admittido aos comicios oleitoraes cerca de
O Sn. Saraiva : — Fallou muito bem. 145.000 cidadãos, claro fica que alargou, e
muito, o eleitorado.
O Si'. O i- nv. Macliado diz que, O honrado senador pelo Ceará na sua impug-
lendo tomado parte nos trabalhos da commissão nação do projecto queixou-se amargamente de
mixta, que se organizou por indicação sua, e que houvessem ficado excluídos numerosos ci-
sendo além disso, como ora revela ao senado, o dadãos brazileiros; mas esqueceu-se de que
autor dos artigos explicativos da lei de 9 de Ja- do S. Ex. mesmo já partiu a idéa da exclusão
neiro quo se publicaram no Jornal do Com- da maioria da população. Quando se discutiu a
mercio, não pôde deixar de tomar parte no de- lei de 1875, o honrado senador sustentou que
bate, apezar de rouco, fatigado, enfermo, e de não deviam ser alistados como votantes os
não ter podido, como desejára, acompanhar toda analphabetos; ora, constituindo estes perto das
a discussão do projecto que se discute. três quartas partes da população, já vê o hon-
16 ANNAES DO SENADO

rado senador que a sua idéa importava a exclu- a 10.000. Entretanto alistaram-so cerca d e
são da grande maioria das massas populares. 6.000.
O honrado senador também não foi justo em Em ura artigo publicado no Jornal do Com-
outra apreciação que incidentemente trouxe a mercio mostrou o orador a relação que em
debate, quando, enxergando no projecto me- cada uma parochia havia entre o numero dos
didas especiaes, alludiu á medida do chefe de alistados e o dos cidadãos maiores. Esse estudo
poliçia especial que para o sertão da Bahia pro- comparativo serve para provar quão inexacta
puzera o nobre ex-ministro da justiça do é a asserç.ão de que a grande maioria dos bra-
gabinete 28 de Março. O honrado senador zileiros foi excluida.
não tem bem presente o passado, quando « A lei de 9 de Janeiro, escreveu então o
não veria logo que ao nobre ex-ministro da orador, é uma Thebas de cem portas pelas quaes
justiça não cabe a patente de invenção dos podem os cidadãos entrar para os comícios á
chefes de policia especiaes. Em um parecer das luz do direito e da verdade o não na escurldade
commissões de legislação e constituição do se- da fraude e da ficção. E si o primeiro alista-
nado, firmado pelos Sr. barão de Muritiba, Vis- mento não satisfez ainda completamente aos
conde de Abaeté, Visconde do Sapucahy, Vis- patrióticos intuitos de seus autores, também não
conde de Uruguay e José Ignacio Silveira da foi mau, foi mesmo bom...»
Motta, já se tratou de uma proposição da camara Ainda hoje assim pensa, e acredita que o
dos deputidos, alterando algumas disposições futuro lhe dará razão.
do Codigo Criminal, proposição que essa ca- • Compara em seguida o orador o numero de
mara votara por proposta do Sr. conselheiro dçputados com o dos antigos eleitores e com o
Nabuco de Araújo. Então,como aliás é de razão, dos actuaes, e faz ver que actualmente cada
entendia-se que têm cabimento medidas espe- deputado ó eleito por muito maior numero de
ciaes desde que reconhecidamente promovam o cidadãos que dessa arte interferem no meca-
bem publico. nismo do systemarepresentativo. Na corte, por
exemplo, 507 eleitores antigamente, eram os
O honrado senador por S. Paulo também trouxe que elegiam tres deputados, que hejo são eleitos
um quadro estatistico da província do Rio de Ja- por 5.954 eleitores.
neiro para mostrar que dos alistados poucos o
• foram pela prova de renda. Essa estatística nada Si se objectar que os votantes antigos eram
prova. Entre os isentos de prova estão os ju- em numero muito mais crescido que o do 507
rados — e ó notorio que muitos cidadãos, que eleitores, o orador responderá que esses pre-
aliás poderiam alistar-se demonstrando renda, tensos votantes não exprimiam absolutamente
preferiram fazel-o provando que eram jurados, a vontade popular nos comícios turbulentos e
no que encontravam maior facilidade. tumultuarios, aonde já nenhum homem serio
Tem-se dita que o numero de eleitores quali- ia levar o seu voto com receio de ser assassi-
ficados em virtude d i lei de 9 de Janeiro está nado, ou, pelo menos vilipendiado o offendido.
para a população na razãode 1 1/2 porcento. Quanto á indiíferença política que arrada os
Isso não ó exacto. Não é o total da população cidadãos do alistamento, o orador a deplora,
que se deve tomar para cilcular a porcentagem, mas é um facto. Os que duvidarem delia terão
mas sim o numero de cidadãos brazileiros de a prova vendo quantos dos alistados so abstêm
maior idade. O numero dos habitantes do sexo de votar. Em Minas Geraos, para a ultima
masculino é de 4.000.000, approximadamónte, eleição senatorial, votaram 14.000 eleitores o
e destes metade, isto d, 2.000.000 d que têm abstiveram-se cerca de 9.000. Na eleição para
maior idade. Ora, a relação demais de 145.000 deputados, igual, senão maior indiíferença ,
eleitores para 2.000.000 do habitantes mascu- como o orador demonstra lendo vários dados es-
linos o maiores d de 15 a 20 % excluídos os tatísticos. Os result idos desta indiíferonça não
analfabetos, que estão em maioria. ó justo attribuil-os á lei do 9 do Janeiro, e me-
, Também não têm razão alguma os que dizem nos tirar disso argumento contra o projecto.
que o alistamento na côrte fornece argumento Faça-se desta lei, exclama o orador, um fogo
conts.i a lei. Podiam ter-se alistado muitos ci- sagrado, o sejam os representantes da nação as
dadãos que não o fizeram por indifferonça. Isto vestaes que vigiem para que elle não se ex-
ó notorio, não ha negal-o. Não ha quem não tinga, e ao mesmo tempo para que não se con-
possa apontar pessoas de seu conhecimento que verta em incêndio pela fraude. Si a eleição di-
facilmente se alistariam, e não o quizeram recta não fôr garantida contra a malícia doa
fazer por indifferentismo político. que intentam frustrar-lhe os resultados, ella
Apezar disso, porém, não é justo proclamar-se perderá toda sua força, o o paiz não saberá
que o eleitorado da côrte é extremamente min- mais para quem appoüar.
goado. Ha no municipio neutro 31.000 bra- Em seguida occupa-se o orador com a analyse
zileiros de maior idade ; e si destes se deduzirem dos faotos que se deram na retirada do mi-
as praças de pret dos corpos do exercito e da nistério.
policia, que orçam por 4.000, ficarão 27.000. Foi o orador quem, cm um aparto ao honrado
Deduzam-se ainda destes os serventes, os tra- senador pelo Maranhão, ox-ministro de estran-
balhadores do aresnaes edaalfmdega, os em- geiros, disse que a questão de gabinete de que
pregados de repartições,os quaes vencem diarias, resultou o pedido de demissão do ministério, foi
os fâmulos, os caixeiros que não são primeiros, apenas uma sahida pela qual osso ministério
os indigentes, os presos de justiça, etc.—e veja- entendeu retirar-se ; e assim se exprimindo, o
se a que fica reduzido o numero de cidadãos que orador julga não ter feito olfensa a nenhum
podem ser eleitores. A 12.000 talvez ou mesmo dos honrados ex-ministros.
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 17

Lendo um topico da falia do throno, demons- O Sr. Vice-Presidbnte declarou que veiu á
tra que nesse documento mui clara e solemne- mesa o ia a imprimir para entrar na ordem dos
mente o governo louvou o interesse do parla- trabalhos o seguinte
mento no eiame dos defeitos da lei de 9 do
Janeiro, reconhecendo, portanto, a existência
de taes senões, já reconhecidos na execução da Parecer
lei.
Como, pois, se vem hoje dizer que esses de- ORÇAMENTO DA AGRICULTURA
feitos não foram ainda bastante observados para
poderem ser prevenidos ?
A oommissão de orçamento tem a honra do
Adiantada vai a hora e o orador tinha ainda submetter á apreciação do senado, suíficiente-
muitos apontamentos, tencionava mesmo dis- m mte examinada, a proposição do poder ex-
cutir detidamente as diversas disposições do ecutivo, enviada sob n. 82 pela camara dos de-
projeclo ; mas não o fará para não fatigar a putados, na qual ó fixada a despeza do ministério
attenção do senado, a quem pede venia para da agricultura para o exercício de 1882—1883.
terminar, citando algumas conceituosas pon- Para o senado ter presente o augmento con-
derações de Laboulayo. stante dos dispendios dos dinheiros públicos
« Os americanos, diz este celebre escriptor, basta comparar a somma dos créditos ordinários
tomam as cousas menos de cima, e deixam-se e especiaes, votados na lei vigente para os va-
ficar em um terreno mais solido. riados serviços deste ministério, com a da pro-
« Para elles ó lei divina, ó o instincto, ó a posta do governo o a votada pela camara.
sympathia quem funda e mantém as sociedades
humanas. A lei vigente fixa a despeza
« Ha nisto um facto natural que ao homem ordinária em 18.200:133$375
não é dado mudar ; porem, quanto ao governo, e a de créditos especiaes
que os americanos reduzem ao manejo dos in- em 12.201;213$667
teresses geraes da comraunidade, é todo obra
humana : seu objecto ó assegurar o bem estar Prefazendo o total de 30.401;347§042
e a liberdade de cada qual e de todos pela von- A proposta elevou o computo dessas despezas
tade e pelo concurso de todos e de cada assim ;
qual. ordinárias 23.238:506$551
« Não ó possivel, porém, fazer votar uma especiaes 27.839:110|751
sociedade inteira: não ha democracia que até o
presente não tenha admittido certas incompa- Total 51.077 :G17$302
tibilidades, tiradas da idade, do sexo, ou de
outra qualquer circumstancia. A nação ó, Pelas emendas da camara fo-
portanto, representada por um corpo elei- ram elevadas as despezas
toral. ordinárias a 25.717:498$551
Especiaes a 27.291:952$369
« Nos Estados-Unidos, em geral, são eleito-
res todos os cidadãos maiores do 21 annos in- Sommando o total de 53.009;450$920
scriptoj no arrolamento da milícia ou no dos
impostos. Assignalarei essa differença entre as isto ó, a quantia votada oxcede á proposta em
idéas ameroinas o as idéas francezas : não 1.931:833$618, e ao orçamento ainda em vigor,
conheço nos Estados-Unidos um só juriscon- na enorme somma de 22.608:1035878.
sulto, um só publicista que faça do eleitorado A confrontação destes algarismos imporia á
direito natural, direito que o legislador não commissão o dever de propor cortes profundos
possa modificar. Para os americanos, assim nas verbas dóste orçamento, si não témesse in-
como para cs inglezes, o eleitorado é funcção duzir o senado a empenhar-se n'uma luta, sem
que a lei regula a bem dos interesses da com- esperança de util suocosso, como seria,do cehto,
munidade, funcção esta que t :m limites, como todo o esforço que tendesse a adiar por amor do
todas as funcçõos os têm. Por exemplo: em equilíbrio orçamentário despezas reputadas in-
certos Estados, taes como a Pennsylvania, nada declináveis o inadiáveis sem agourentamento
parece mais legitimo e ma:s democrático do que do progresso moral o material da nação.
excluir os cidadãos que não contribuem para Bem ou mal comprehondidas, razoáveis ou
as despezas publicas. Acha-se immoral confe- exageradas essas exigências do progresso, não
rir tal direito aos vadios o aos mendigos. ó licito desconhecer que cilas transudam, taes
« Nos Estados-Unidos, pois, a palavra poro quaes, dos póros da nação e manifestam-se por
tem sentido legal, claramonto definido; ó ao todos os seus orgãos do publicidade.
corpo eleitoral, á estabilidade dos cidadãos, que Nestas condições a commissão não se aven-
a constituição confia o exercício da soberania, tura a propor outras emendas que não sejam
segundo fôrmas definidas. A multidão não é o principalmente as que tenham por fim corrigir
povo; politicamente ella não tom direito algum; algum ongmo que so depare nas emendas da
sua vontade jamais pode fazer a lei.» camara, visto não poder acreditar que sejà mais
Eis o que disse Laboulayo—e com tão valiosa feliz do quo foi a commissão da mesma camara
opinião tem o orador concluído. {Muito bem ! a qual não logrou ver aceitas pelo governo o
Muito bem!) adoptadas na votação muitas das parcas reduc-
Ficou a discussão adiada pela hora. çõei que propoz em seu parecer,
v. iv.—3 )
18 ANNAES DO SENADO

"Ò* Secretaria de estado Cumpre, porém, á commissão ponderar que a


importância dos salarios dos logares suppri-
A proposta pediu para o pessoal e material a midos, por si só, não perfaz a somma reduzida ;
quantia de 262:000$, superior á consigmada porquanto, essa importância não attinge a mais
na lei vigente 26:960$000 ; a camara, porém, de 7:680$, que deduzidos de 48:860$ fazom esta
reduziu-a a 241:000$000, não julgando o ex- baixara 41;180$000. E', pois, necessário que ás
cesso de 21:000$000, pedidas para impressões de suppressões realizadas addicione-se mais dous
relatórios e expediente, suflicientemente jus- logares dos quatro feitores, que figuram na ta-
tificados. beliã com 1:200$ cada um, o diminua-se nos
A commissão torna suas acerca desta verba, 8:300$ destinados ao material 580$000. Com
estas reducções propostas pela commisíão, para
as considerações seguintes feitas pela da ca- as quaes oíferece emenda additiva á da camara,
mara : ficará o^serviço dentro das forças da verba.
« Não justificam o augmento proposto as ra-
zões allegidas na tibella justificativa, tanto por
ser manifestamente exagerada a quantia do 13a Corpo de bombeiros
8:135$ pira—Assignaturas djjornaes e ou-
tras despezas miúdas, como também porque a— De 280:000$ é a importância da verba des-
impressío do relatório, avaliada em 25:000$, tinada a este serviço no orçamento vigente, a
muito menos custará desde que os annexos só qual foi elevada pela proposta adoptada pela ca-
comprebendam documentos indispensáveis ao mara a 340:000$, com o fundamento do serem
exame dos actos do governo, e sejam os outros necessários 12:000$ para indemnisação da re-
publicados no Diário Ofpcial ou archivados na partição dos telegraphos por serviços feitos,
secretaria, quando não fôrem de reconhecida 8:000$ para custeio da estação maritima e
utilidade ; » e, portanto , conclue mandando 40;000$ para as despezas quo accresceram com
emenda de reducção da verba ã quantia do o novo regulamento. A commissão pede venia
236:000$000, que é a mesma da lei vigente, para ponderar que, ainda no exercieio de
apenas arredondada. 1879—1880, a despeza realizada com esse corpo
não attingiu a 200:000$, que a lei que vigorou
3a. Sociedade Braziliense de Acclimação nos dous exercícios de 1880—1882 e quo ainda
vigora no vigente elevou a verba a 280:000$
A camara supprimiu a subvenção de 2:000$, para serem satisfeit is todas as exigências de
destinada na lei vigente a essa sociedade, por serviço do tamanha importância, intuito que
não se achar esta organizada de moda a prestar foi conseguido, como afirma nas paginas 99 a
serviços que justifiquem tal auxilio, e a com- 101 do ultimo relatório o ministro que o leu á
missão convém na suppressão. camara, exprimindo-se assim : » Consoguiu-se
material de excellentes condições e dos me-
7a. Auxilio ás escolas praticas de agricul- lhores typos, deposito bem provido de utensis,
tura o apezar de existirem 67 vagas para o numero
do 300 praças com que o decreto n. 8337 dotou
Mais de uma vez tem tido a commissão de o corpo, pelo serviço desempenhado tem ello
assignalar o modo como estão sendo organizadas grangeado a sympathia e a confiança da popu-
as labellas justificativas do orçamento, com ma- lação desta cidade » ; e tão suficiente é o es-
nifesto desprezo das normas legaes pelo the- tado elíectivo do corpo, que o mesmo relatório
souro. acnrescenta este salutar conceito :» não devendo
E' assim que, dispondo o art. 34 da lei as mesmas vagas sor prehenohidas senão á me-
n. 317, de 21 de Outubro de 1843, que só fi- dida que o exigirem bom demonstradas ne-
gurem nas tabellas serviços decretados por lei, cessidades.»
a verba deoque se trata ahi figura sem assento Estas reflexões são suficientes para deter-
em acto algum l)gal, dotada com 100:000$, minirem a commissão a não acompanhar a ca-
quar-tia que f d elevada pela camara a 150:000$, mara na adopção da verba d l proposta, adopção
não Obstante ter a respectiva commissão muito que, de mais a mais, importaria implicitamente
judiciosamenle ponderado que « não era pru- a approvação do citado regulamento, do qual
dente sobrecarregar o orçamento com um ser- provém, como acertadamente observou a com-
viço prescindivel e de resultado incerto, quando missão daquella camara, o augmento da verba.
se nota diminuição na receita publica. » Neste sentido offerece a commissão emenda,
A commissão, entretanto, limita-se a con- reduzindo a verba da proposta a 300:000 e di-
signira infracção da lei, não se atrevendo á minuindo os 40:000$ destinados a despezas ac-
propor a suppressão da verba para não expor o crescidas com o novo regulamento, que está
senado a dificuldades pela rejeição de verba ainda dependente da approvação do poder legis-
destinada á instrucção profissional. lativo.
12a Jardim da praça da Acclamaçã o 14a Illuminação publica
O pedido da proposta foi de 48:860$000. A Esta verba foi dotada no orçamento vigente
camara reduziu-o a 38:200$, aceitando a emend a com a quantia de 786;882$984, que a proposta
da sua commissão, a qual supprimiu o logar d e adoptada pela camara elevou a 854:217$136 em
ajudante do apontador, o de chefe dos guardas , conseqüência do alargamento constante da
reduziu a 18 o numero dos trabalhadores . área da illuminação.
t
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 19

A' commissão do senado não passa desaper- estudo do orçamento, talvez o mais complicado
cebido como á da camara o augmento da quota do todos peli multiplicidade de serviços que
destinada á fiscalisação deste serviço, a qual, tem por destino prover não poderia ella conse-
sem justificação plausível, subiu de 13:680;$ á guir dos relatórios que compulsou conhecer
21:480$000. Sem esperança, porém, de ser qual foi a despeza effe tuada no penúltimo exer-
mais bem succedida do que o foi a commissão cício encerrado, porque, por uma originalidide
da outra camara, limita-se a consignar ofacto que a commissão não sabe explicar, essa estrada,
sem propor emenda. do dominio do Estado e costeada por elle, não
adapta suas contas ao anno financeiro e persiste
15a Garantia de juros ás estradas de ferro em referil-as ao anno civil. Vê-se, porém,
desses documentos que a despeza no anno de
E' de 1.173:331$59i a quantia destinada para 1880 foi de 5.372:412$081, e no de 1881, de
este serviço no orçamento vigente, a qual f d 5.684:710$166 ; quantia esta que não devo ficar
elevada pela proposta a 1.492;187$280, sob o muito aquém da effectivamente despendida no
fundamento de comprehender-se nella a quan- ultimo anno financeiro.
tia nec ssaria para differenç s de cambio. Não sendo, pois, a despeza realizada o deter-
Não é licito á commissão contrariar, sem minativo de tão considerável augmento da verba
razão sufficienfe, o plano financeiro que por- da proposta, a commissão recorreu á analyse
ventura d'terminou essa innovação, escu- dos dados contidos na tabella, os quaes se re-
sada ate agora, por serem as quantias proveni- sumem assim :
entes de differenç.as de cambio lançadas na Admnistr a -
conta do custeio, e, for conseqüência, dedu- ção cen -
zidas da renda bruta do cada uma das estradas trai 92:800$000
que gozam do garantia de juros. Na supposição
do que ogoverno pretende executaro plano a que Serviço tele-
tllude á pagina 189 do ultimo relatório do graphico.. 244:800$000
respectivo ministério, a commissão concorda Contabilida -
que se tente a experiência, augmentando-se, de 106:500$000
como foi augmentada, averba pela proposta. Trafego.... 1.033:420$000
Outro tanto nãopódo a commissão aconselhar Via perma-
a respeito da emenda da camara que elevou a
vrba a 2.1)52; 187$280 para prolongar-ss a nente.... 1.395:000$000
estrada de ferro do Natal a Nova Cruz pelo valle Locomoção.. 822;000$000
do Jundiahy á villi deMacahyba, bifurcando-se
ahi para o Ceará-mirim o á cidad > do Príncipe, Somm i a de-
na província do Rio Grande do Norte. Por speza com
melhor vontade que tenha a commissto do não o pessoal. 3.700 520Í000
regatear recurs s ao governo p ira o desonvol- Material.... 2.080 1001000
viment i da viação ferrea, não pôde deixar de Obras novas. 1.408 000$000
fizer reparo no modo como foi incluída essa
disposição, do t ido incabivol. n'uma verba
destinada a satifazor compromissos p icturdos Total da pro-
polo Estado, e cora a mais flagrante perturbação posta 7.188;620$000
da regularidade do orçamento. A ultima parcella, que se inscreve—Obras
Si a emenda tem por fim decretar, desde já, o novas—demonstra bem que na contabilidade
prolongamento de uma estrada, traçando-lhe a da estrada leva-s; ao custeio soramas eviden-
directriz do tronco e ramaes para supprir a ca- temente p u-tencentes á conta do capital, pratica
rência do estudos completos, e que isto se faça essa que o menor inconveniente que acarreta é
por couta do Estado, não ó na verba de que se d ir-se á estrada custo muito inferior aq real ó
trata que a autorização pôde ser incluída. Si alimentar-se a illusão de larga retribuição do
tem por alvo garantir os juros da capital que capital empregado nella. Si o augmenlo con-
fòr necessário para esse prolongamento, o seu siderável da verba pr cede da necessid ide de
assento natural seria nos credites especiaes, novos serviços na parto da linha em trafego,
como os demais nas mesmas condições. seria mais consentaneo com as boas praticas
Portanto opina, em conclusão, pela rejeição que não figurasse nesta verba. Entretanto a
da emenda da camara. commissão limita-se a aceitar a emenda da ca-
mara, convencida de que quaesquer esforços,
dirigidos no sentido de fazer cessai essa
16.» Estrada de ferro D. Pedro II pratica, não conseguiriam desarraigal-a, como
não têm conseguido restringir as despezas da
A dotação desta verbi nos dous últimos exer- estrada ás consign ições votadas, as quaes unica-
cícios foi de 5.400:000§, a proposta pediu mente em rarissim s exercícios não têm ultra-
7.188;li20$ e a cimara votou 7.158.620§, dimi- passado os limites fixados ; e, abstendo-se de
nuindo 30:000$, destinada a extranumerarios propor qualquer emenda de reducçãb, aliás bem
da contabilidade 6 a excessos de vencimentos necessária, chama mui instantemente a mais
sobre os lixados por lei. solicita attenção do governo para este trans-
S"m insano trabalho, incabivel na estreiteza cendmte assumpto, digno pir certo de seus
do tempo de que dispõe, a commissão para o assíduos desvelos.
20 ANNAES DO SENADO

19° Obras publicas A commissão não pôde aconselhar que se


adopte a emenda da camara, tal qual veiu ao
Do 1.760:544$ é a consignação da loi vi- senado,nem mesmo a quantia que figura na pro-
gente, que a proposta fez ascender a 2.300:000.1 posta ; ella julga que esta verba ficará sobe-
e que a camara, instada seguramente pela jamente dotada com 700:000|; autorizando-se
urgência de prover-se a serviços inadiáveis por ao mesmo tempo o governo a reformar a repar-
sua natureza, elevou ainda a 3.651:000$000. tição, no sentido de reslringir-so a enorme des-
Por mais que impressione a commissão peza que o seu pessoal acarreta ao thesouro, a
o excessivo augmento desta verba, que ex- troco de um resulUdo incerto, senão de todo
cede em mais do dobro a ultima consignação negativo, e a renovar o contrato com a socie-
votada, a commissão não se julga competente- dade colonisadora de Hamburgo.
mente habilitada para propor eliminações de a
serviços contidos na emenda da camara, sem 24 Subvenção ás companhias de navegação a
arriscar-se a commetter preterições sempre odio- vapor
sas, embora involuntariamente praticadas, e
por isso aguarda esclarecimentos que possam Esta verba figura na proposta com a quantia
ser prestados nas discussão afim de deliberar de 3.299:600$, menor 4:800$ do que a da lei
sobre emendas que deva apresentar. vigente, e a camara, deduzindo^lhe 90:000$, por
abates obtidos em renovações do contratos, au-
20 Esgoto da cidade gmentando algumas subvenções e determinando
novas na importância do 56:000$,elevou-a segu-
A commissão aceita a emenda da camara que ramente por equivoco a 3.427:600$, quando dos
eliminou da proposta a quantia pedida para a termos da emenda se conclue que ella devia
creação de um engenheiro ajudante e mais um baixar a 3.265:600$000.
auxiliar, reduzido a 1.506:452$ o pedido de A commissão manda emenda corrigindo o en-
1.512:800$. O excesso da verba votada pela ca- gano da somma.
mara, comparada coma do orçamento cm vigor,
que é de 1.450:000$, justifica-se pelo desenvol- 25a Correio geral
vimento do serviço, operado incessantemente,
como é de notoriedade. A verba da proposta, aceita pela camara é de
2^062:088|680, tendo sido a dos dous últimos
21a Telegraphos exercícios de 1.767:520$. A differença de cerca
de 300:000$ de augmento desta verba ó justi-
A commissão reslringir-se-ia a aceitar a ficada pelo desenvolvimento que tem tido o ser-
emenda da camara, si não necessitasse reparar viço e seu patente melhoramento.
um engano, que seguramente houve, quando a A commissão aceita a emenda da camara que
emenda dispoz que o prolongamento da linha eleva á primeira classe as administrações dos
telegraphica do Ceará ao Maranhão passasse pelo correios do Rio Grande do Sul, Minas e Pará e
Piauhy ; ora, não podendo esse prolongamento á terceira a do Paraná ; mas propõe a suppres-
dar-se sem passar por esta província, parece são da palavra— geral — qualificativo que não
evidente que a emenda pretendeu impor, e o fez compete ás administrações dos correios pro-
com justiça,a passagem da linha por Therezina, vinciaes.
como capital da província.
Como na verba precedente, o augmento de 27a Fábrica de ferro de S. João de Ipa-
dotação é justificado pelo constante desenvol- nema
vimento das linhas telegraphicas. A emenda
consigna 1.959:400$ para este serviço, que fi- Foi de 176:609$ a quantia destinada a esta
gura no orçaisento vigente com 1.30õ:540$000. verba nos dous últimos exercícios, o, pedindo a
proposta 192:040$ pelo maior desenvolvimento
22a Terras publicas e colonisação que se tem dado á fabrica, para tel-o ainda
maior a camara elevou a verba a 362:040$000.
A commissão não pretende contestar o desen-
q plano da emancipação das colonias o o aná- volvimento havido e o que ha de vir cora o au-
thema erguido contra a colonisação estipen- gmento da consignação; observa apenas que
diada fizeram nutrir ao paiz a esperança de está habilitada a assegunr que a quantia do
que não mais se prosoguiria na senda de 312:040$ é bastante para fazer com que esse
grandes dispendios, inevitáveis na constância desenvolvimento deixe de manifestar-se como
de tal systema de colonisação. até agora, unicamente pelo augmento annual
Votado credito especial para os trabalhos com- do custeio da fabrica. Neste sentido manda
plementares da emancipação das colonias do emenda.
Estado, rescindidos os contratos existentes para
introducção de immigrantes, a verba destinada a,
este serviço figurou nos dous últimos exercí- 29a Educação de ingênuos
cios apenas com a insignificante quantia de
201:000$. (A. inconsistência em tudo, que é um A proposta pediu a elevação desta verba, que
dos nos-os males característicos, já nos faz vol- era de 38:400$, a 50:900$, sendo 12:000$ para
tar á senda tão censurada. a colonia orphanologica Christina, no Ceará, e
São disso testemunho os 9õ3;535$750 da pro- 500$ para uma outra em Goyaz. A camara
posta que a camara elevou a 1.073:535$750. addicionou á proposta mais 20:000$ para
C
SESSÃO EM 17 DE AGOSTO 21

umasylo ou collegio de S. Luiz em Minas, com mara substitua-se a pala-


a condição de serem alli recebidos e educados vra — Piauhy — pela —
ingênuos. Therezina. a
Acommissão receia que a adopçãoMa emen- A' verba 22 — Terras publi-
da da camara torne em pouco tempo contagioso cas e colonisação. — Sub-
o systema do subvencionar-se largamente, e stitua-se a emenda da ca-
sem a necessária e efficaz inspecção, estabeleci- mara pela seguinte — Di-
mentos que se digam destinados á educação de minuindo o governo quanto
ingênuos; mas na deficiência de esclareci- possível o numero do pes-
mentos aguarda a discussão para deliberar soal desta repartição,
sobre as emendas que deve offerecer. reformando o seu regula-
mento , ficando também
CRÉDITOS ESPECIAES autorizado a innovar o
contrato com a sociedade
_ Passando agora a tratar dos créditos espe- colonizadora de Hamburgo,
ciaes, a commissão manifesta-se sem hesitação contanto que o faça em
pela emenda da camara, a qual reduz a somma condições menos onerosas
dos créditos especiaes a 27.291:952$369, pouco para o thesouro, reduzida
inferior a de 27.839;110$751, que foi pedida a verba a 700:000$000
pelo governo. E' enorme essa quantia em rela- A' verba 24a — Subvenção ás
ção aos recursos disponíveis do thesouro ; mas companhias de navegação:
a verdade ó que applicada com o devido crité- — Acrescente-se á emen-
rio e economia, em vez de serella uma despeza da da camara — não po-
improductiva, tornar-se-ha um emprego ren dendo o governo renovar os
doso de capital, satisfazendo ao me;mo tempo contratos que findarem,sem
as aspirações politico-industriaes de povos que que diminua a subvenção
vivem sob o influxo da civilisação moderna, que actualmente [J goza a
como presamo-nos de viver. companhia, cujo contrato
for renovado. — E substi-
EM CONCLUSÃO tua-se a quantia de .
3.427:600$ pela do £^37265:600$000
A commissão de orçamento, solicitando a A' verba 2õa — Correio 'ge-
benevolência e costumada indulgência do se- ral. — Na emenda da ca-
nadop ira as numerosas lacunas desta exposi- mara, depois da palavra —
ção, ó de parecer que seja adoptada a proposta Administração — suppri-
do governo, emendada pela camara dos deputa- ■ ,<Tna-se a palavra — geral.
com as seguintes A' verba 27a — Fabrica de
ferro de S. João de Ipa-
EMENDAS DA COMMISSÃO nema. — Supprima-se a
a emenda da camara e ele-
A' verba I — Secretaria de ve-se a verba da proposta a 312:040$000
estado, — E m v e z de
262:000$, diga-se — dedu- As reducções constantes
zida do evpedionte a quan- das emendas sommam
■ tia-de 26;000$000 236:000$000 1.190:535$750 e fazem des-
A' verba 12a — Jardim da cer a despeza a 51.818:915$170
praça da Acclamação ; — L Sela das commissões do senado, 14 de Acosto
Substitua-se a emenda da de 1882. — Darros Barreto. — Ribeiro da
camara pela seguinte — Luz. — DiogoVelho, com restricção quanto •>
supprimindo-se deus loga- a verba 13 a
, por entender que deve ser man-
res de feitores, de ajudante tido o credito consignado na proposta.— Leitão
de apontador, o de chefe dos da Cunha, com restricção, pelo motivo supra-
guardas e reduzindo-se a menoionado. — Affonso Celso. — Silveira da
18 o numero dos trabalha- flfoíía, com restricções quanto aos §§ 14 e 22,
dores o a 7:720$ a quantia
des ti nada ao material 38; 200$000 o quanto aos créditos especiaes.
A' verba 13a — Corpo de O Sr. Vicb-Presidente deu para'ordem do
bombeiros. — Em vez de dia 18j:
340:000$, diga-se— suppri-
midos 40:000$,destinados a A mesma já designada a saber :
despezas accrescidas com o ^ parte {atè\à meia hora da tarde)^
novo regulamento
a 300:000$000 3 a
discussão do orçamento das despezas do
A' verba 15 — Garantias de ministério da marinha no exercício de 1882,—
juros ás estradas de ferro— 1883.
supprima-se a emenda da
gamara, a 2a parte (d meia hora ou antes)
verba 21 — T e 1 e g r a- Continuação da 2a discussão da proposição da
- phos.— Na emenda da ca- camara dos deputados n. 78, do corrente anno,
22 ANNAES DO SENADO

alterando algumas disposições da lei n. 3029 I 3a discussão do orçamento da despezas do


de 9 de Janeiro de 1881. ministério da marinha no exercício de 1882—
2a discussão da proposição da mesma camara 1883.
n. 151, de 1880, autorizando o governo a man- Continuação da 2a discussão da proposição
dar rever as contas de Urias Antonio da Silva, da camara dos deputados, n. 78, do corrente
provenientes de adiantamento feito á fazenda anno, alterando algumas disposições da lei
nacional. n. 3.029, de 9 de Janeiro de 1881.
Levantou-se a sessão ás 3 1/2 horas da tarde. 2a discussão da proposição da mesma ca-
mara, n. 151, de 1880, autorizando o governo
a mandar rever as contas de Urias Antonio da
Silva, provenientes de adiantamento feito a fa-
zenda nacional.
Acta Em seguida o mesmo Sr. presidente con-
vidou os Srs. senadores presentes paraseoocu-
BM 18 DE AGOSTO DE 1882 parem com os trabalhes das suas comraissões.

Presidência do Sr. Barão de Cotegipe

A's 11 horas da manhã fez-se a chamada e OOa weHssio


acharam- se presentes 29 Srs. senadores a saber;
Barão de Cotegipe, Cruz Mach ido, Barão de
Mamanguape, Henrique d'Avila, Leitão da EM 19 DE AGOSTO DE 1882
Cunha, Chichorro, Luiz Carlos, Correi i, Paula
Pessoa, Castro Carreira, Atibnso Celso, Diniz, Presidência do Sr. Conde de Baependy
Meira de Vasconcellos, Fausto de Aguiar,
Viriato de Medeiros, Barros Barreto, Junqueira,
Christiano Ottoni, Dantis, Ribeiro da Luz, La- SUMMARIO.—Expediente.—Parecer.—Instrucção publica
fayette, Visconde de Abaete, João Alfredo, ao Paraná. Discurso o roi|uorinionlo cio Sr. Atfonso Celso
Barão da Laguna, Barão de Maroim, Visconde Adiado por torpedido a palavra o Sr. Corroía.—Nojío-
de Bom Retiro, Paes de Mendonça, Visconde cios da província do Rio do Janeiro. Discurso e roqueri-
mento do Sr. Correia. Discurso d i Sr. Visconde do Para-
de Paranaguá o Conde de Baepeudy. naguá (prosidonto do consollioJ.O Sr. Correia pode a rc-
Deixaram de comparecer com causa partici- iiiada do loquoriinoi.to. O senado consente.—ordem do
pada os Srs.; Uchòa, Cavalcanti, Nunes Gon- dia. — Nogocios do Paraná. Di-cursos dos Srs. João
çalves, Barão do Souza Queiroz, Diogo Velho, Alfrodo, Viscondo do Paranaguá (presidonle do con-
solho) (2). Mar.inho Campos o Correia.
Jaguaribe, Franco de Sá, Octaviano, Silveira
Lobo, Silveira Martins, Teixeira Júnior, Si- A'b 11 horas da manhã acharam-se presentes
nimbú, Carrão, Antão, Godoy, Fernandes da 31 Srs. senadores a saber: Conde de Baepen-
Cunho, de Lamare, Saraivi, Cunha e Figuei- dy, Cruz Machado, Barão de Mamanguape,
redo, José Bonifácio, Silveira da Motta, Vieira Leitão da Cunha, Henrique d'Avila, Chichor-
da Silva, Luiz Felippe, Martinho Campos. Leão ro, de Lamare, Diniz, Luiz Carlos, Leão Vel-
Vellozo, Visconde de Jaguary, Visconde de lozo, Paula Pessoa, Correia, Castro Carreira,
Muritiba, Visconde de Nictheroy e Visconde Dantas,Visconde do Muritiba, Jaguaribe, Barão
de Pelotas. da Laguna, Teixeira Júnior, Barros Barreto,
0 Sr. 1° Secretario deu conta do seguinte Paes de Mendonça, João Alfredo, Viscondo de
Abaoto, Viriato de Medeiros, Barão de Maroim,
EXPEDIENTE Aífonso Celso, Fausto de Aguiar, Christiano
Ottoni, Saraiva, Antão, Barão de Souza Queiroz
Officio da me a eleitoral da 2asecçãoda pa- e Lafayette.
rochia de Nossa Senhora da Conceição dos Deixaram de comparecer com causa partici-
Montes da cidade de Palmares, da província de pada os Srs. Uchóa Cavalcante, Diogo M lho,
Pern imbuco, remettendo < ópia das assignatu- Octaviano, Silveira Lobo. Sinimbú, Carrão,
nas dos eleitores que compareceram á eleição Ribeiro da Luz, Cunha o Figueiredo, Silveira
de um sen idorpor aquella província.—A' com- da Motta, Vieira da Silva, Meira de Vascon-
missão de constituição. cellos, Barão de Cotegipe, visconde de Nicthe-
A's 11 1/2 horas da manhã o Sr. presidente roy e de Pelotas.
declarou que não podia haver sessão por acha- O Sr. Presidente abriu a sessão.
rem-se presentes sóment ■ 29 Srs. senador- s, e Leu-se a acta da sessão antecedente, e não ha-
deu para ordem do dia 19 : vendo quem sobre ella fizesse ob-ervações, deu-
Discussão do requerimento adiado do Sr. Cor- se por approvada.
re/a,pedindo cópia do aviso do ministério da fa- Compareceram depois de aberta a sessão os
ze nda.de 31 do mez findo, dirigido ao presidente Srs.: Visconde de Bom Retiro, Visconde de Ja-
da província do Paraná e dos documentos que
o acompanharam. guary, Luiz Felippe, Visconde de Paranatuá,
Martinho garapos, Junqueira,Nunes Gonçalves,
E as outras matérias já designadas sem dis- Fern ndos da Cunha, Franco de Sá, Godoy, Sil-
tincção de partes, a saber : veira Martins e José Bonifácio.
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 23

O Su. 1° Secretario dá conta do seguinto E' assumpto que a todos deve preoccupar
muito sériamente, e a respeito do qual a nin-
EXPEDIENTE guém póde-se dizer—não è da sua conta, como
acerca de questão diversa disse-se já a um
Oífioios : nobre senador, que julgou a bem recordal-o
Do Sr. sonador João Florentino Meira de nesta casa.
Vasconcillos, de hoje, communicando não ser- Lembrar-se-á V. Ex. talvez de que, discutindo
Ihe possível comparecer á sessão.— Inteirado. eu aqui a reforma d'8 faculdades de medicina,
Do ministério do império de 17 do corrente fui obrigado pelos apartes com que honraram-
moz, remettendo sanccionados os auto^raphos me alguns collegas, a tratar das condições em
das resoluções da assembléa geral, relativa aos que se acham entre nós osdous primeiros graus
estudantes Agllio de Villaboim, José de Barros de instruoção.
Wanderley Mendonça, Francisco Florio Leal e Objectando-se-me que iam elles mui des-
Luiz Augusto do Sá Godolphitn e Castro.— Ao curados pelos poderos provinciaes, fiz ver que
arohivo, communicando-se á outra camara. lod 'S as províncias d 'dicavam-lhos grande parte
Do Sr. Io secretario da camara dos deputados dos seus recursos, e então indiquei a proporção
de 18 do dito mez,communicindo um que aquel- que ties despezas guardavam em cada pro-
la camara, tendo na sessão de hontem proce- víncia com a respectiva receita. Nessa escala
dido á eleição da mesa que deve funccio- colloquei em ultimo logir a do Paraná.
nar no presente mez, elegeu: pr 'sidente o Sr. Esta parte do meu discurso deu motivo a re-
Josá Rodrigues de Lima Duarte, vice-preú- clamações da parte do nobre senador por essa
dentes os Srs. Antonio Joaquim Rodrigues Jú- província e de um illustre membro da camara
nior, Antonio Moreira de Barros, o Antonio dos Srs. deputados.
Eleutorio de Camargo; 1°, 2o, 3o e 4o secretários Leroi as palavras do nobre senador, que re-
os Srs. João da Matta Machado, Francisco 11- produziu também as do nobre deputado a quem
defonso Ribeiro de Menezes, Leopoldo Augusto me refiro.
Deocleciano de Mello Cunha e José Basson de S. Ex. exprimiu-se assim (lê).
Miranda Osorio; e o outro que a mesma mesa da
camara consultou ter sido sanccionado o de- « Examinando os orçamentos da receita e
creto da assembléa geral que concede u.m cre- despeza dis províncias, reconheço também que
dito extraordinário, afim de sir applicado ás ellas distribuem com o ensino a parto que po-
despezas que o imperial observatório tem de dem tirar de suas rendas, o que muito louvável
effectuar com a observação da passagem de é ; mas dahi resulta que o nivol intellectual do
venus sobro odi-sco solar.— Inteirado. Império não pôde elevar-se sensivelmente sem o
O Sr. 2o Secretario leu o seguinte efflcaz auxilio dos cidadãos. {Apoiados.)
« Na primeira sessão a que, depois da mi-
Parecer nha forç ida ausência, compareci, fallsi parti-
cularmente ao nobre senador sobre a parle do
A commissão do pensões o ordenados, exami- seu discurso rei itiva á província que tenho a
nou a proposição da outra camara, de 18 do honra de representar, mostrando-lhe o desejo
proximo passado mez, pela qual são approvaios de fazer algumas observações, a primeira vez
os decretos de 1 de Abril do corrente anno, que que me fosse possível tomar a palavra.
concedera a as segu ntes pensões: de 500 rs. « Neste intervillo, um illustre representante
diários ao anspoçada reformado Salustiano da minha província na camara temperaria,
Francisco Duarte, de 400 rs., também diirios, com justa razão cioso pela bôa fama de nossa
aos soldados reformados, Antonio de Hollanda província, expoz o que occorre no Paraná
Vaseoncellos e Francisco Teixeira de Freitas. ácerca do ensino distribuido pelo cofre pro-
Das informações officiaes, documentos e in- vincial .
specção de saúde, que foram presentes á com- « Eis as püavras do deput ido, o Sr.^Dr. Ge-
missão, resulta que todos os agraciados se inu- neroso Marques dos Santos (Zl);
tilisaram no serviço da guerra por ferimentos « Segundo a lei do orçamento votada
recebidos em combate, achando-se hoj e na im- para o exercício de 1881—1882, e que coln-
possibilidade de angariarem os meios de subsis- tinúa em vigor no primeiro semestre do cor-
tenci i; em conseqüência do que, é do parecer rente exercício, a renda da província do Paraná
a commissão que a alludida proposição entre em é orçada em 682:684$. deduzido do total da re-
discussão o seja approvada. ceita orçada de 747:3fi5$970 o valor da omissão
Sala das commissões, 17 de Agosto de 1882.— de 50:000$ de apólices, que não ó renda,
A. M. Nunes Gonçalves.—Henrique d'Ávila. e o imposto de décima urbana, orçado em
14:671$070, que ó municipal e tem applicação
A imprimir para entrar na ordem dos tra- especial pira a instrucção publica; e por
balhos . elle se verifica que a verba despendida com a
instrucção publica importa em 112:472$, não
INSTRUCÇÃO PUBLICA NO PARANÁ incluindo nesta verba a importância que a pro-
víncia gasta com os professores aposentados,
O Sr. eViroii-4o Celso :—Sr. pre- despeza que é também feita por causa da in-
sidente, vou formular um requerimento, que, strucção publica. i
tendo alguma cousa de pessoal, refere-se to- « Assim, não ó a undecima parte, como disse
davia a objecto de interesse publico, á in- o nobre senador, mas quasi a sexta parte da ren-
strucção primaria e secundaria. da a verba que a província dedica ao importante

á
24 ANÍUES DO SENADO

serviço da ingtmcção publica ; e esta verba será balho, intitulado O Brazil na Exposição de
ainda muito maior si se levar em conta que 1876 em Philadelphia, notoriamente devido ás
pela lei provincial n. 653 de 1881, a décima loeubrações de um illustrado estadista, orna-
urbama ó applicada em sua totalidade á compra mento desta casa.
de mobilia, de utensílios e livros para as esco- Ahi encontra-se um quadro do estado da
las dos municípios que não têm illuminação instrucção primaria e secundaria em todas as
publica, e na importância de 10 0/o para o mes- províncias, especificando o numero de escolas,
mo fim, nos municípios que despendem com a o numero de alumnos, o que com ellas se des-
illuminação.» pende e o quantum da receita de cada uma.
« No que me parece que o nobre deputado não
teve razão foi em ter visto nas palavras do Foi nesse importante escripto que me baseei
nobre senador uma apreciação que abate a pro- quando disse que a província de Paraná appli-
víncia do Paraná. O nobre senador segura- cava um pouco mais da undecima parte de seus
mente não teve outro intuito senão o de apre- recursos sem animo absolutamente de ames-
sentar os elementos que pôde reunir sobre o quinhal-a, ou de estabelecer superioridade? —
ensino nas províncias, desejoso de certo de que apenas constatando um facto aífirmádo em docu-
rectificaçõesfossem feitas aos dados de que usou, mento digno de todo o credito.
para poder formar juizo seguro sobre tão im- O Sn. João Alfredo : —Como se trata de
portante assumpto. Conhecendo agora o que rectificar direi que a respeito de Pernambuco
occorre no Paraná em relação á instrucção houve tambom engano.
publica, que ainda ultimamente tem tido incre- O Sr. Affonso.Celso:—Agradeço a rectifi-
mento, S. Ex. rectificará os dados de que fez cação. O documento em que me fundei conta
uso, e, assim habilitado, formará o seu juizo. já alguns annos ; mas é o que contém esclare-
« Creio que o nobre senador apreciará estas cimentos completos, que não se encontram em
informações, como apreciaria qualquer outra trabalhos mais recentes, como os últimos rela-
que tendesse a fornecer meio mais seguro tórios do ministério do império e da repartição
para o exame da matéria. da estatística, que esteve a cargo do nobre se-
« S. Ex. não podia ter, nem teve intuito de nador pelo Paraná.
abater a província que representa ; faço esta
justiça ao nobre senador, cuja ausência ainda Feita esta declaração, Sr. presidente, eu não
mais deploro pelo doloroso motivo que a deter- apreciarei a demonstração que fez o nobre de-
mina . » putado por aquella província para provar que
ella concorre com cerca da sexta parte dos seus
Agradeço ao meu nobre collega a justiça que recursos para o desenvolvimento da instrucção
fez ás minhas intenções. publica; aceito-a como exacta, o que muito
Eu o aprecio em subido grau ; S. Ex. o sabe, applaudo ; mas pedirei licença para duas ob-
muito o considero, o não de hoje, desde os servações.
nossos tempos acadêmicos. O nobre deputado, para chegar áquella
Estarei sempre prompto a eleval-o, mesmo á afirmativa, deduz da receita orçada para o ul-
custa de minha obscura individualidade, mas timo exercício duas addiçõos. Si empregar-
nunca em menoscabo de qualquer parochia do mos o mesmo processo, como ó de razão, ás ou-
Império, e menos da província do Paraná, que, tras províncias, não sei si o Paraná subirá
quando muitos outros títulos não tivesse á ou descerá na escala que estabeleci, conser-
minha sympathia, bastar-lhe-ia para isso ser vando ologar que S. Ex. assignalou-lhe.
berço do nobre senador e do digno deputado, a A segunda observação é a seguinte: no re-
quem consagro igualmente muit^ estima e con- latório do nobre ex-ministro do império, sena-
sideração, pelo seu alto merecimento e serviços dor pela Bahia, eu vejo que ha naquella pro-
á causa que nos é commum. víncia 131 escolas public is do instrucção pri-
Não entranhei, Sr. presidente, quí SS. EEx. maria,sendo 02 para o sexo masculino, 29 para
reclamassem contra um juizo que acreditaram o feminino e 40 mixta3,mag 0dessas 131 acham-
injusto e desfavorável á sua província ; antes se vagas 45 ou mais do 30 /o.
paleceu-me muito louvável o seu procedi-
mento. Ora, si o orçamento vigente destina 112:472§
Tão pouco levei a mal que a ella fizessem a esse serviço, que eqüivale á sexta parte da
um cortejo com o meu chapéu, pois não podia renda, ó preciso, para calcular-se o dispendios
haver uso mais honroso, tanto para o chapou deduzir também daquolla somma pelo meno,
como para o dono. (Riso.) 30 */ o, correspondente as escolas que nao func-
Comprehende, porém, V. Ex., que não me cionam.
pôde ser indifíerente suppor-se que produzi no Feita essa deducção, ver-se-á que não está
senado uma argumentação inexacta em matéria longe da verdade a proposição que avancei,
de facto, citmdoalgarismos errados. firmado cm uma fonte de informação tão com-
O nobre deputado, meu distineto correligio- petente, como a que já indiquei.
nário, a quem alludo, ponderou que ignorava a Entretanto, como po so aindi estar enganado,
origem das informações que me levaram a e é de utilidade publica averiguar-se bem a
affirmar que a província do Paraná consumira verdade a tal respeito, submetto á considera-
com a instrucção publica apenas a undecima ção do senado o seguinte requerimento. (Lê.)
parte da sua receita. Foi lido, apoiado e posto em discussão, a qual
Vou indical-a ; é uma origem insuspeita, J ficou adiada por ter pedido a palavra o Sr.
autorizada e quasi official. E' o excellente tra- | Correia, o seguinte

c
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 25

Requerimento «Devo por ultimo informara V. Ex. que


hontem á tardo recebi do mesmo João Rufino
« Roqueiro que, por intsrrnedio do ministé- o telegramma que em original transmitto a
rio do império, ss peça ao governo as seguintes V. Ex.»
informações; O Sr. João Rufino passou um telegramma ao
1.° Quantas escolas primarias e secundarias presidente no mesmo sentido do telegramma
ha na província do Paraná ; que dirigiu ao nobre senador, e em conseqüên-
2.° Qual a despeza que efíectivamente com cia, como diz em sua carta, o presidente diri-
ellas se faz. giu-se ao chefe de policia, o este ao delegado.
Rio, 19 de Agosto de 1882.—Affonso Celso.-» Posteriormente o presidente recebeu do mes-
mo Sr. João Rufino o telegramma que passo a
NBGOCIOS DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO ler e que deve tranquillisar o nobre senador e o
senado. Os homens não foram fuzilados...
O Sr-, —Recebi do muni- O Sr. Correia;—Elle communicou isto mes-
cípio do Valença o seguinte telogramma (lê) :
« O subdelegado de S. Sebastião do Rio Bo- mo ao presidente.
nito assumiu hontem a jurisdicção proposital- O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
mente e com força policial,paisanos e escravos, do conselho) O telegramma ó este :
despejou hontem de uma casa que diz ser pro- « Mizael Vieira, o guerreiro subdelegado de
priedade sua, lançando fogo á mesma, recrutou S, Sebastião do Rio Bonito, rometteu hoje es-
e conservou presos em uma enxovia a Ambrosio coltados os dous recrutas ao juiz de orphãos ;
Guimarães o José Guimarães, maiores do 17 esto mandou apresent il-os ao delegado ; esta
annos ; irão ser fuzilados ; providencias.—João autoridade os poz em liberdade incontinenti.»
Ru/ino Furtado de Mendonça. » O telegramma expedido pelo chefe de policia
Si hontem tivessoraos sessão daria conheci- ao delegado em Valença, está concebido nos se-
mento doste tolegramma ao senado... guintes termos (lê)'.
O Sr. Martinho Campos;—Talvez seja tarde « Providencie com toda a urgência sobre a
e os homens já estejam fuzilados. (Riso.) violência de que se queixa João Rufino Furtado
de Mendonça, contra o subdelegado de S. Se-
O Sr. Correia;—... o pediria informações bastião do Rio Bonito, que ante-hontem com
ao governo. soldado, despejou e lançou fogo em uma casa
Mas, não tendo havido sessão, julguei dever que diz sua, e prendeu Ambrosio Gonçalves
communicar particularmente o telegramma ao Guimarães e José Guimarães.
nobre presidente do conselho, que dignou-se « Informe, pois, si o dito subdelegado abusou
tomal-o om consideração para examinar o facto, do seu cargo e lançou mão da força publica em
do qual não tenho outro conhecimento senão o proprio interesse. »
que ministra o telogramma do Sr. Furtado
de Mendonça. E' o que consta. Apenas cheguem os esclare-
cimentos que aguardo a cada momento, attenta
Em todo o caso julgo dever submetter á a resposta do presidente da província, que acabo
deliberação do senado este requerimento (lê) : de ler, terei o cuidado o dar-me-oi pressa em
« Roqueiro que, polo ministério da justiça, apresentai-os ao senado ou particularmente ao
se peça ao governo informação sobre a prisão nobre senador, afiançando, polo que toca ás dis-
de Ambrosio Guimarães o José Guimarães, em posições do governo e do seu^ delegado na pro-
S. Sebastião do Rio Bonito, municipio de Va- víncia, que são ellas no sentido de exercer o
lença, província do Rio de Janeiro. » maior rigor contra aquella indicada autoridade
Foi apoiado e posto em discussão. no caso de que os factos sejam verdadeiros, e,
demais, procedido por esse interesso Beu,_oppri-
mindo a esses cidadãos, que aliás foram incon-
O Sr. Visconde d.e Paraua- tinenti postos ein liberdade, como informa o
ígviíx (presidente do conselho)'. — Sr. presi- proprio Sr. Furtado de Mendonça. ,
dente vou, ofiferecer ao nobre senador os escla- O facto de serem postos em liberdade incon-
recimentos que tenho sobre o assumpto do tinenti, demonstra que com eífeito crime não
telegramma, que S. Ex. teve a bondada de houve, mas o governo espera informações sobro
communicar-mo hontem. o motivo da prisão, porque,em todo caso, deu-se
Dirigi-me logo ao presidente da província do uma violência, que não pôde passar sem a ne-
Rio de Janeiro, exigindo informações o S. cessária repressão, pois praticou-se uma prisão
Ex. respondeu-me nos seguintes termos (lê)'. arbitraria e o autor incorre sem duvida om se-
« Em resposta á carta de hoje, do V. Ex., vera censura, devendo, portanto, ter a punição
cumpro-me informar-lhe que tendo hontem conveniente.
recebido de João Rufino Furtado do Mendonça Todavia os termos em que se dirige esse in-
o telegramma, por cópia, remetti-o immediata- divíduo não são taes, que a autoridade possa
mente ao chefe de policia, que por sua vez te- repousar na sua informação : não era crivei que
lographou ao delegado, como V. Ex. se dignará um indivíduo revestido da autoridade do cargo
de ver dos papeis juntos. publico, se abalançasse nesta época e no muni-
« Em virtude de semelhantes providencias cipio de uma cidade tão importante como Va-
aguardo a todo momento informações, que me lença, a mandar fuzilar dous homens.
apressarei em leval-as logo ao conhecimento E nem ó admissivel mesmo que ousasse tanto,
de V. Ex. porque a cidade em peso se levantaria e elle
v. iv.—4 3
26 ANNAES DO SENADO

proprio correria maior perigo do que aquelles imitado, tem, da parte de S. Ex., suas intor-
contra os quaes quizesse exercer tal violência. mitencias, e no assumpto do que se trata houve
O Sr. Junqueira : —E não houve informa- uma dellas.
ção alguma sobre esse faclo. A responsabilidade da lei em questão não é
do partido conservador em Pernambuco, nem
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente quanto á precedência, como inexactamente
do conselho) :— Não houve. As informações disse o nobre presidente do conselho, nem
que vierem, eu transmittirei. quanto ao facto de ser uma lei votada exclusi-
O Si*. Oorreia : — Depois das infor- vamente por conservadores ou pela maioria
mações do nobre presidente do conselho, e da conservadora.
promessa de S. Ex., não só de providenciar Não ó pela precedência, porque antes que a
principalmente sobre a injusta prisão e sobre assembléa de Pernambuco tivesse lançado mão
o annunciado recrutamento, assim de trans- desse recurso, que o orador declara inconsti-
mittir ao senado as informações que obtiver, tucional, de tributar, em proveito das rendas
julgo dispensável a approvação do requerimento provinciaes, os artigos de commercio impor-
e por ísío peço a V. Bx. que consulte ao senado tados naquellá provincia, muitas outras o
si concorda na retirada delle. tinham feito.
Esta questão data quasi que da execução do
Consultado, o senado consentiu na retirada acto addicional.
do requerimento. E' certo que em 1874, pela primeira vez em
ORDEM DO DIA Pernambuco, a assembléa provincial no intuito
louvável de alliviar os principaes generos de
NEGÓCIOS DO PARANÁ exportação da provincia, o algodão o o assucar,
dos impostos que supportavam, lembrou-se de
Proseguiu a discussão do requerimento do uma substituição, que pareceu mais commoda,
Sr. Correia, pedindo copiado aviso do minis- o fui tributar, a exemplo do outras províncias,
tério da fazenda,de 31 do mez findo, dirigido ao os generos de importação.
presidente da provincia do Paraná e dos docu- Semelhante imp isto, que o orador o repete, é
mentos que o acompanharam. inconstitucional, podia ser mais supportado pela
população de Pernambuco, do que o pesado im-
O Sr. João AJíVc.lo abstem-se posto sobre a exportação dos generos, que
sempre de discutir assumptos de que outros tra- lutavam com uma concurrencia esmagadora
tam com toda a proficiência, e não pediria a pa- e estavam desprotegidos em quasi todos os mer-
lavra sobre o requerimento em discussão, si o cados .
nobre presidente do conselho não tivesse lan- Sabe-se que nada ó peior, nada menos sus-
çado ao partido conservador de Pernambuco tentável do que o imposto de exportação em
a responsabilidade da lei que, em seu con- generos, que soífrem competência em pro-
ceito, podia pôr em perigo a ordem publica. ducção igual de outros paizes.
Observando o Sr. Paranaguá em aparte que A assembléa provincial, movida por estas
aão fôra elle, mas o Sr. Barão de Muribeca, razões, fez a substituição do imposto, a exem-
que produziu documentos que o justificaram, plo de outras províncias.
o orador, pedindo venia, observa que o nobre Levantou-se é certo algum clamor, a im-
presidente do conselho enunciou no seu dis- prensa tratou da questão, as camaras discuti-
curso a asseveração de que o abuso de impôr ram-n'a, e o governo de então, do qual fazia o
sobre generos de importação—nasceu de con-
servadores, ou de uma assembléa de conserva- orador parte, declarou que considerava o im-
dores ; e a consideração de terS. Bx. trazido posto inconstitucional, que a assembléa exor-
o artigo do Sr. Barão de Muribeca, tornando bitara. Esta declaração se acha expressa no re-
suas as" palavras daquello illustre cidadão, latório do finado Sr. Visconde do Rio Branco,
significa que na opinião de S. Ex. a res- que ocoupava nessa época o cargo de presi-
poSisabilidade da lei o dos factos subsequen- dente do conselho, relatório de 1875.
tes é do partido conservador. Alei, porém, estava votada, sinccionada, o
Não podia o orador ouvir em silencio seme- em execução, não cabendo revogal-a senão á
lhante censura a seus amigos ; não podia ver assembléa geral. Da parte do governo não
partir do nobre presidente do conselho, tão havia remedio a dar.
altamente collocado pelas suas qualidades pes- No anno seguinte, em 1875, a própria asso-
soaes e pela posição que occupa, uma censura ciação commercial, representada por negocian-
tão grave aos seus amigos sem que acudisse tes da primeira ordem, entendeu-se com a as-
immediatamente pela defesa delles. sembléa provincial e tratou da modificação do
O nobre presidente do conselho é muito mo- imposto, lançado por experiência em 1874, acei-
derado, muito pacifico, pôde dizer-se que sua tando outros impostos e sempre favorecendo-se
divisa é—quieta non movere—e ninguém ó o mais possivel a exportação dos principaes
mais hábil, mais delicado, mais sagaz mesmo productos da provincia.
em dirigir-se no meio de difficuldades do que Subindo os liberaes em 1878, elles, que ti-
S. E?. nham levantado tamanho clamor contra a lei de
O nobre presidente do conselho dá to los os 1874, que tinham acompanhado a censura ao
dias provas de cordura, condemnando as recri- imposto, om sua primeira assembléa provincial
ininaçoes e as retaliações ; mas esse procedi- lançaram o mesmo imposto, e nem sequer o
mento, aliás tão louvável, tão digno de ser diminuíram.
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 27

Agora com uma assembléa de maioria con- Leu o orador no discurso do nobre presidente
servadora, ó verdade, a lei do orçamento é, do conselho, que o programma de S. Ex. é de
por assim dizer, a reproduoção da anterior, descentralização, sobre a base da melhor repar-
isto é, é a mesma lei da ultima assemblea pro- tição dos rendimentos públicos para dar auto-
vincial do partido liberal. nomia e vida ás províncias e aos municípios.
Quante á allegação do que os conservadol-es Aceitando as palavras do honrado senador,
estão alli em maioria, podendo, portanto, deixar quizera que S. Ex. dissesse, como ha de rea-
de votar a lei com impostos inconstitucionaes, lizar esse programma ad cautelm adiado para
o orador observa que a assembléa provincial o anno que vem.
compõe-se de 39 membros ; 21 são conserva- Ha entretanto um ponto no discurso de S. Ex.
dores, 18 são libTaes. Desses 21 conservadores, que levanta a ponta do véo, que encobre o seu
nem todos estiveram presentes. Admitta-se, segredo. E'preciso, disse o honrado ministro,
porém, que estiveram todos. que o imposto addicional venha legalisar esse
Um inutillsava o seu voto como presidente, facto. Isto parece indicar que o remedio, que
ficam 20. Um, conhecidamento, o Sr. Barão de S. Ex. tem em mente, e o systema francez ;
Muribeca, ora contrario, e juntando-se aos 18 impostos addicionaes aos que se cobram por
liberaos, estariam as forças daquella corporação conta do Estado, dados ás províncias.
equilibradas. Mas fará este remedio cessar o vexame, a
Nem se pôde pôr em duvida que, si os libe- que o nobre presidente do conselho quiz acu-
raos não tivessem cooperado para essa lei, dir tão promptamente ? O imposto votado ou
si não a tivessem aceitado, de accôrdo com peles assembleas provinciaes, ou pela assembléa
os precedentes, já alludidos, ella não pas- geral, não terá os mesmos resultados, não occa-
saria. sionará os mesmos vexames ?
Depois de algumas considerações demonstra- O que parece ao orador é que S. Ex. proce-
tivas deste asserto, o orador conclue que a lei deu sem todo o exame e ponderação, que o caso
de que tanto se fallou cora tão grave censura é pedia, e que a sua promessa ha de falhar.
uma lei de todos. Referindo-se emfim ao imposto de transito,
A assembléa provincial pelo lado dos con- que se cobra na província de Minas Geraes,
servadores mostrou-se sempre disposta a com- diz que olle é detestável, e eqüivalendo a um
binar como Sr. conselheiro José Liberato nos imposto sobre a importação é' muito mais ve-
meios de fazer um orçamento, que correspon- xatório do que aquelle, de que se trata.
desse ás necessidades da província. Declara, que também recebow. um telegram-
Si a lei de que tanto se falia desagradasse ao ma da associação commercial de Pernambuco,
presidente liberal, delegado de confiança do pedindo-lhe que cooperasse nas providencias
governo, o que se seguiria ? que ella julgava necessárias. Com o orador se
_ O presidente não sanccionava a lei, e onde entenderam o Sr. Portella e outros amigos,
tinham os conservadores dous terços para fa- concordando todos neste ponto : que apoiariam
zel-a approvar ? o pedido da associação commercial, mas para
Appolla o orador portanto para a justiça do que fosso resolvido pelos meios legaes.
nobre presidente do conselho,justiça que nunca Entretanto a suspensão decretada polo nobre
viu falhar senão incidentemente em algum presidente do conselho, não só ó illegal, mas é
momento do enthusiasmo, como quando tratou também iniqua. Desde que a lei foi sancciona-
da lei do orçamento do Pernambuco ; appella da o único remedio era a revogação pelo poder
para a justiça do nobre presidente do conselho legislativo. E, si o nobre presidente do conse-
e S. Ex. ha da confessar que essa lei, de que se lho tinha, como afflrma, a grande missão de
maldiz tanto, é de todos nós, oü não sabe o reerguer o acto addicional, levando-o ao
orador de quem seja. maior auge da sua pureza, é singular o modo
O nobre presidente do conselho teve um meio por que o faz, violando-o.
singular, singularissimo de defender o seu de- Mas que motivos extraordinários levaram
legado. S. Ex. disse : Que havia elle de fazer, S. Ex. a proceder por esse modo ? A este ds-
si o abuso era antigo, datava de 1874 ? peito o nobre presidente do conselho tem sido
Este argumento prova de mais. Que deviam o mais contradictorio possível. Afflrmou S. Ex.
fazer os deputados conservadores, si o abuso o que o orador tâmbera affirma, que o com-
era antigo, si a pratica era constante, e, o que mercio é pacifico e ordeiro, que reclama, usan-
ò mais, durante a administração do nobre pre- do de seu direito de petição, e que não iria aos
sidente do conselho na província da Bahia, meios extremos. Ora, si o commercio dava to-
também alli se cobravam direitos de importação, das as garantias de ordem e de paz, para que
«em quo S. Ex. desse providencia alguma em violar o nobre presidente do conselho o acto
contrario ? addicional ?
Ora, com tão grandes exemplas, partindo de A resolução foi, como disse, também iniqua,
pessoas tão altamente collocadas, e tão compe- procedendo-se assim a respeito de Pernambuco,
tentes, não é de admirar, que alguns desvarios e deixando-se todas as outras províncias no
pudessem praticir moços inexperientes, que gozo de impostos igualmente inconstitucionaes
vinham pela primeira vez á assembléa provin- e mais vexatórios ainda ; como o de tran^jto em
cial. Minas Geraes. Por isso o orador quer que se
Entretanto o orador entende, que não devem adopte uma providencia geral, que se appli-
fazer-se rocriminações.Dirá ao nobre presidente que a todas as províncias.
do conselho ; « O erro ó commum, empenhe- Também o nobre presidente do conselho se
nao-nos em supprimil-o.» apoiou nos precedentes. Com essa razão tudo
28 ANNAES DO SENADO

se justifica, até mesmo o acto da assembléa pro- assembléas, que nesse ponto se apartam do seu
Tincial de Pernambuco. dever.
A verdade é que o nobre presidente do con- A um dos pontos da carta do Barão de Mu-
selho imaginou um perigo de ordem publica, ribeca oppoz-se a contestação do Dr. Nicolau
que felizmente não existia. S. Ex., porém, Tolentino de Carvalho, que ó um moço intelli-
estava no caso de que falia Ovidio, que o nau- gente e um caracter serio, e dahi conclue o
frago tem medo até das aguas mansas o tran- orador, que o facto é sujeito a verificação, sem
quillas. Não procedeu, entretanto, S. Ex. do que isso importe o diminuir por qualquer modo
mesmo modo,por occasião do imposto do vintém. a força da palavra do Sr. Barão.
Faz justiçi aos seus comprovincianos, affir- Concluindo diz que lhe parece ter mostrado
mando que elles saberiam esperar na mais per- o seguinte :
feita ordem o remedio legal, que o governo 1.° Que não compete aos conservadores da
quizesse tomar, e que todos os seus represen- província á responsabilidade da lei, que tanto
tantes procederiam nesse caso sem distincção medo causou ao nobre presidente do conselho.
de partido.
Chega o orador a um ponto de seu maior 2.° Que o meio empregado não lhe podia ser
constrangimento. Refere-se ater o nobre pre- legal,nem justificado pelas circumstancias pois
sidente do conselho apresentado um artigo, pu- não era caso de se appellar para a razão de
blicado pelo Sr. Barão de Muribeca, condem- S. Ex. em nome da suprema lei da salvação
nando o procedimento da assembléa provincial publica.
de Pernambuco. 3.° Que na declaração do Barão de Muribeca
Fazendo justiça ás distinctas qualidades do não está a condemnação dos outros membros da
octogenário Barão, por quem'continúa a ter ass mbléa, que, si não têm a autoridade da ve-
a mesma consideração e respeito que sempre lhice, da fortuna e da honradez sempre pro-
lhe tem tributado, diz que o seu artigo lido em vada em uma longa existência, possue os sen-
tom neutro não pôde produzir o effeito, que timentos generosos da mooidade, todos os nobres
teve em vista o nobre presidente do conselho. estímulos da intelligonoia bem cultivada, e todo
O que elle revela apenas é que entre os con- o patriotismo, que os faria arredar de um pro-
servadores, como entre os liberaes, ha diver- cedimento menos digno delles e da província.
gências muito lamentáveis, mas que não podom (Muito bem ; muito bem)
significar a condemnação de ninguém.
Factos semelhantes têm oceorrido entre li- O Sr. Visconcl© cio FNiira ua-
beraes. Não se leram já na camara dos depu- gixsx (presidente do conselho):—Sr. presi-
tados artigos de liberaes do Piauhy, procu- dente, sinto que o honrado senador enxergasse
rando afeiar a politica do nobre presidente do nas palavras que proferi em defesa do acto do
conselho, que ó aliás inspirada sempre por governo, com relação aos negocios de Pernam-
honrosas intenções? No senado, na camara dos buco, uma retaliação ou uma aggressão, pois
deputados, na imprensa e na tribuna não se que d'ahi resultou romper S. Ex. o silencio que
ouvem constantemente homens respeitáveis ac- tem guardado, e deixar o proposito em que tem
cusarem outros homens também respeitáveis ? 0 estado de não tratar de assumptos já bem
procedimento, pois,do nobre presidente do con- elucidados por outros senadores, como o fôra a
selho neste caso não está de accordo com a sua questão vertente.
politica tão pacifica, e de horror ás recrirnina- S. Ex. não me fez inteira justiça. Collocado
ções. na necessidade de defender-mo e de justificar o
Entra em seguida o orador em largas apre- meu procedimento, eu não devia desprezar o
ciações do alludido artigo, referindo alguns dos documento, que naturalmente se me oíferecia,
faetoí occorridos na assembléa provincial de de um cidadão, cuja respeitabilidade não podia
Pernambuco e não achando motivo de censura ser posta em duvida, e quò apreciou as cir-
para muitos dos projectos offerecidos naquella cumstancias excepcionaes, em que se achava
asfembléa, e que tanto desagradaram ao hon- a praça de Pernambuco, circumstancias que
rado Barão. motivaram o acto do governo.
Analysa alguns desses projectos que podem Não quiz attribuir exclusivamente ao partido
dar logar á censura, mas que de nenhum modo conservador a paternidade desses impostos il-
justificam as accusações feitas á assembléa pro- legaes, que tanto clamor excitaram naquella
vincial. O exemplo de se avolumar o orçamento província ; mas, si ella não lhe pertence, muito
vem do governo geral. O gabinete actual, que menos pode pertencer ao partido libenl, que
se achava agora em minoria na provincia o
tem grandes reformas financeiras a fazer, ahi que não estava no poder em 1874, quando
trouxe um orçamento desequilibrado, com um mais se accentuou a incidência destes im-
déficit maior de que os dos anteriores exer- postos. ..
cícios. Como querer, pois, que os outros sejam
economicos ? O Sr. Luiz Felippe;—Quando foram pela
Convém em que se deve pensar seriamente primeira vez decretados.
com prudência e reflexão, no meio de trazer as O Sr. João Alfredo: —E' o que eu nego.
assenibléas pravinciaes e as camaras munici-
paes a um procedimento mais prudente, e mais 0 Sr. Luiz Felippe:—Lá...
previdente pelo futuro, mas não ha de ser o O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
governo que tem como regra o desequilíbrio dos do conselho):—... que foram reproduzidos era
orçamentos, que terá o direito de censurar as leis subsequentes.
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 29

Não posso dizer (juo fosso a província de Per- xame não se fará sentir, o o commerciante, que
nambuco a primeira a lançar taes impostos, paga 100$, não terá duvida em pagar 110$ sobre
mas na escala em que o fez parece que eviden- a mercadoria importada, uma vez que se facilite
temente foi. o processo da arrecadação.
E' possível que em algumas outras provincias Mas o que se dsu em Pernambuco ?
se tivessem lançado impostos de importação, Os empregados do consulado queriam intervir
e as leis a que tive de referir-me, quando nos despachos que se faziam na alfandega, lan-
tratei de me justificar, e para mostrar que o çando o seu visto, exercendo, por assim dizer,
acto do_ governo não era novo, demonstram que uma certa fiscalização sobre os empregados ge-
já em épocas anteriores taes impostos haviam raes, o que não era admissível.
sido lançados, e quo o governo, mediante a O Sr. JoÃo Alfredo;—Nunca defendi nem o
audiência do conselho de estado, e mesmo sem imposto, nem o processo.
ella, não hesitara em tomar as providencias que'
o caso exigia. O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
A assemblóa provincial de Pernambuco foi a do conselho)-.—Isto augmentou o vexame.
quo usou em mais larga escala deste recurso, Demais, as assembléas provinciaes têm esta-
que depois se procurou tfansplintar para a pro- belecido impostos differenciaes, lançado im-
víncia da Bahia, faoto a que já alludi, na pre- postos sobre os generos de outras províncias,
sidência do Sr. Lucena, o qual aliás foi demo- com o intuito de proteger as suas industrias ;
vido do proposito em que se achava, embora a impostos os mais pesados, alguns até pro-
assembléa procedesse por motivos muito legí- hibitivos.
timos, como aliás têm tido sempre as assem- Vê, portanto, o nobre senador que o imposto
bléas provinciaes—pela necessidade de fazerem addicional, partido do poder competente, colloca
faco ás suas despezas, não tendo outros recur- as provincias em posição de igualdade ; as re-
sos e não querendo gravar a lavoura nem a taliações odiosas desapparecem, e não veremos
industria. as provincias fazendo tarifas protectoras, e
Foi demovido, disse, o Sr. Lucena do seu pro- empregando outras medidas, que não podem se-
posito, na presidência da^ Bahia, em virtude de não enfraquecer o sentimento da união e pre-
recommendação muito expressa do honrado judicar a integridade do Império.
Sr. presidente do senado, então ministro da Parece-me, pois, que o meio annunoiado,
fazenda, o Sr. Barão de Cotegipe. Mas afinal e que o nobre senador declarou que era a ponta
a Bahia seguiu o exemplo de Pernambuco, e do "véo que eu levantava, virá attenuar os sof-
lá se acham também lançados estes impostos frimentos das provincias o concorrer para que
inconsti tuoionaos. se restabeleça o regimen legal, que ninguém
Não ha razão, portanto, para retaliar, nem o dirá quo é o que existe actualmente.
meu proposito foi fazer retaliações; quiz apenas O nobre senador foi o primeiro a reconhecer
accontuar ofacto e suas circumstancias parajus a illegAlídade do imposto de importação lançado
tiflcar o procedimento do governo ; e alludi ás pela assemblóa provincial de Pernambuco e por
razões, aos motivos ponderosos que impelliram outras provincias do Império.
agora a assombléa provincial a deslisar-se da Não era possivel deixar de reconhecel-o, por-
senda, que lhe é traçada pelo acto addicional, que a violação ó flagrante e patente, e o nobre
no intuito de fazer sentir a necessidade de presidente do senado já disse uma vez quo não
chamar as assembléas provinciaes ao cumpri- havia outro meio senão aquelle de que eu lancei
mento do seus deveros ; sendo necessário ao mão, quando, interrogando o nobre senador
mesmo tempo attonder aos justos e logitimos pela Bahia, então presidente do conselho, lhe
reclamos financeiros das assembléas provin- perguntou si elle não se julgava autorizado a
ciaes, porque é evidente que se dará o desiqui- tomar uma providencia prompta. S. Ex. res-
librio entre a receita e a despeza desde o mo- pondeu-lhe que havia exemplos e qpe por sua
mento em que cesse essa fonte de renda, de parte não réconheoia outro meio senão a sus-
quo illogalmente lançavam mão. pensão de semelhantes leis.
Nós, portanto, poder legislativo, que somos Não digo que o fizesse em circumstancias
o competente, tratemos de legitimar o facto, ordinárias, mas certamente o faria naquellas
vamos em auxilio das provincias com o imposto em quo se achava agora a provincia de Per-
addicional, concedamos-lhes aquillo que ellas nambuco, quando o commercio em peso se
tomaram incompetentemente. reunia e por uma votação tomava a resolução
de fechar as casas e não despachar os generos.
O Sr. João Alfredo:—Fica o mesmo vexame Note bem o nobre senador; não foi um motivo
para o commercio. imaginário o quo dirigiu o governo; foram
O Sr. Visconde de Paranagdá {presidente circumstancias patentes, e que de um mo-
do conselho)-.— O vexame não é o mesmo ; as mento para outro podiam fazer perigar a ordem
provincias não repellem absolutamente, tanto publica.
a de Pernambuco como a da Bahia, este im- O governo, que tem o sentimento da respon-
posto addicional; mas, sendo lançado pela pro- sabilidade dos seus actos, não podia deixar da
rincia sobre os generos de importação, e medir o alcance desse procedimento, é de atten-
cobrado pelas repartições provinciaes, às for- der a uma reclamação fundada em motivos le-
malidade» crescem, e augmenta o vexame ; ao gaes.
passo que si o poder competente, o poder legis- Quando se clamava contra impostos de im-
lativo, decretar o imposto addicional, cobrado na portação, lançados com violência flagrante,
mesma occasião, pelo mesmo despacho, o ve- manifesta do acto addicional, como havia o
30 ANNAES DO SENADO

governo de dizer, que essa reclaiurção, f in- Que mau é que, emquanto não tratamos do
dada no acto ddloional, fosse desattendida por assumpto em sua verdadeira base, a descentra-
encontr r uma disposição de lei que aliás não lisação administrativa, que é uma aspiração
tinha a mesma força ? geral, que hoje acha assentimento em todas as
Embora se tivesse perdido a oocasião oppor- fileiras, entre liberaes e conservadores, mas
tuna de vir com o remedio apropriado e efficaz, que não pode produzir o desejado effeito sem
previsto pelo acto addicional, nem por isso o que as províncias e os municipios sejam do-
governo deveria conservar-se indiíferente quan- tados com recursos apropriados e convenientes ;
do o commercio se apresentava reclamando, e que mau e, digo, que, emquanto não tomamos a
em termos respeitosos, justiça prompta. esse respeito uma providencia que demanda
Tinha, como tenho, no commercio de Per- mais estudo, vamos em auxilio das províncias,
nambuco a maior confiança ; são cidadãos agora que se discuto a lei de meios ? Parece-me
respeitáveis, garantia de ordem; mas, como que é opportuna a occasião para que o corpo
disse, as circumstancias podiam ser exploradas, legislativo, dando-lhes os meios necessários,
a agitação naturalmente havia de crescer á tire-lhes os motivos de desligarem-se da senda
medida que o remedio se demorasse, e o nobre legal, fazendo cessar esses impostos que, não
senador reconheceu que o meio indicado pelo sendo baseados no acto addicional, sendo antes
art. 16 do acto addicional é por extremo moroso. uma violação flagrante delle, naturalmente des-
Não ó a primeira vez que esta questão tem pertam essas repugnancias, que pódem em um
sido trazida ao conhecimento do governo, sen- momento dado operar uma explosão e compro-
do por este, depois da audiência do conselho de metter a ordem publica.
estado, submettida ao conhecimento do corpo Portanto, tratemos deste assumpto com isen-
legislativo, com o pedido da revogação dessas ção de animo. Aqui são mal cabidas as consi-
leis inconstitucionaes. derações partidárias; nem ou tive o menor
Mas, si o poder competente, o poder a que intento de offender ao partido que tem por
rendo homenagem, e cujas attribuições não chefe ao nobre senador, quando fiz allusão a
procurarei de modo algum invadir, nem ago- esse documento ; quiz apenas justificar o pro-
rentar, não tem podido, por qualquer motivo, cedimonto do governo, mostrando que as cir-
acudir com o remedio apropriado, e si occorrem cumstancias eram excepcionaes, e eu não
circumstancias de alta razão de Estado, por que adoptaria uma medida dessa ordem e cuja res-
motivo não ha de o governo ds tom sr uma provi- ponsabilidade assumo, senão em circumstancias
dencia, como tomou agora, cujo resultado foi extraordinárias, como ora, no caso de que se
serenar completamente os ânimos, e fazer trata, a excitação que começava a sentir-se na
desapparecer qualquer receio de conflicto, re- praça do Pernambuco, e que podia ser explo-
ceio que, como já disse, me foi communicado rada.
pelo presidento da província pedindo providen- A assemblea provincial de Pernambuco não
cia urgente ? se houve com aquella prudência (o nobre se-
Si o governo se conservasse indifferente nador foi o primeiro a reconhecel-o) que era de
ou procurasse outro meio de mais difHcil reali- esperar ; mas ella era composta de moços inex-
zação, e, a despeito da vontade daquelles que perientes, que pela primeira vez tinham as-
promoveram a reunião, a ordem publica fosse sento naquelle recinto.
perturbada, quem seria o responsável ? Segura- O nobre senador procurou attenuar o seu pro-
mente o governo, porque não viu a tempo o cedimento, e não serei eu quem venha ag-
perigo para conjural-o; e, pois, não duvidei graval-o.
assumir a responsabilidade do acto, como a as- Tendo,porem, necessidade de justificar o acto
sumo, trazendo-o ao conhecimento do corpo le- do governo, porque não quero arrogar-me o
gislativo, a cujo juizo me submetto. direito de suspender leis provinciaes em todas
Não ^a-contradição da minha parte, quando e quaesquer circumstancias,como medida legal
por esse lado reconheço os sentimentos pací- era-me preciso mostrar que o governo proce-
ficos, as idéas de ordem do commercio do Per- dera, movido por uma razão de Estado—a con-
nambuco, e por outro vi a possibilidade de um veniência de assegurar a ordem publica.
motim. Já expliquei isso ao nobre senador a Em outras circumstancias eu faria o mesmo
S. Es., homem pratico, homem de governo, que fizeram os meus antecessores : remetteria
não pode deixar de reconhecer que aquellag a lei ao corpo legislativo, pedindo a sua deroga-
circumstancias podiam ser aproveitadas para ção, como já fez o honrado presidente do senado,
um transtorno da ordem publica, de tal ma- Sr. Barão de Cotegipe, que aliás entendia que,
neira que cs mesmos que promoveram a re- mesmo sem a pressão das circumstancias e sem
união viessem a ser os que mais soffressem. a necessidade de um remedio urgente, o gover-
Conheço que qualquer medida que haja de no podia proceder, sem incorrer por isso na
se tomar não pode limitar-se á provinoia de censura dos autores do acto addicional, o como
Pernambuco, e é por isso que lembrei o meio se procedeu em 1835, e ainda depois em 1836,
de um imposto addicional, que seja applicado 1838, 1841 e 1842.
como auxilio ás províncias. Não é a primeira Na preciosa obra do Sr. Visconde de Urü-
vez que o temos feito : já se tem votado, creio guay vêm todos estes factos apontados, o os
que 600:000$, em todos os orçamentos para pareceres do conselho de estado subscriptos
auxilio das províncias com relação á força por homens de intelligoncia superior e conhe-
policial; já lhes foi cedido o imposto de pa- cedores dos negooios, opinando todos que o
tentes da guarda nacional, o imposto sobre pro- governo não podia ser privado de semeltiante
fissões e outros. autorização.
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 31

O Sn. Leão Vklloso (ministro do império); mento de um cidadão... de dous talvez, depois,
—A lei do censo. quem sabe de quantos mais...
O Sr. Visconde de Paranagua' ^presidente O Sr. Correia Quem diz isso é o chefe
do conselho)-.—Ha também o exemplo da lei do liberal de Valença.
censo, como lembra bem o nobre. ministro do O Sr. Martinho Campos :— ... quando é
império, que foi suspensa. sabido que o prazo de fuzilamentos taes não
Assim se fez muitas vezes. costuma ser muito longo : algumas horas de-
O mesmo Sr. Manoel Antonio Galvão, em pois da sentença o homem pôde estar fuzilado
conselho de estado pleno, opinou pelo voto em e enterrado sem remissão nem aggravo. Eu
separado do Visconde ds Abaetó, sustentando torno saliente o perigo a que se expoz o nobre
ue, em caso de perigo, não hesitaria em usar senador, interferindo em um caso destes; mas
este recurso. Foi o que eu fiz. felizmente a sua poderosa aotividade soube
Julgo, portanto, ter justificado o meu pro- tirar-se das difficuldades.
cedimento, e espero, senão o louvor, a que não 0 Sr. Correia dá um aparte.
aspiro, ao menos a desculpa do nobre senador
e daquelles que tiverem de apreciar o meu pro- O Sr. Martinho Campos;— Quando estivesse
cedimento pelos justos motivos que o ditaram. condemnado, pediria para abreviar-se o prazo.
O Sr. Barros Barreto:—Mas conservaram Acho a regra melhor, acabava logo a afflicção
o presidente, que sanccionou a lei. que deva ser grande,a julgar pelos arrepios que
esta só lembrança de V. Ex. me causa.
O Sx-, 'Mn i*Li 11 Uo Oainpos : — O Sr. Correia dá um aparto.
Sr. presidente, não pretendia raettsr-ma nesta O Sr. Martinho Campos;—Os habitantes de
discussão; contava que o fizesse o nobre se- Valença viveram sempre em paz e continuam a
nador pelo Paraná, especialmente, depois que viver em perfeita segurança.
está livre da pressão de espirito que deve ter O Sr. Correia ; — Si V. Ex. quizer informa-
soffrido de hontem até hoje pelo risco que ções peça ao nobre presidente do senado, que é
correu de deixar commetter um fuzilamento de lá vizinho e a quem mostrei o telegramma.
dous cidadãos,que em boa hora tiveram quem os
puzesse sob a protecção do telegraphode S.Ex. O Sr. Martinho Campos:—Mas, Sr. presi-
Sem duvida nenhuma correu o nobre senador o dente, não foi o telegrapho que me trouxe á
risco sério de ser consumraado una tal homi- tribuna; a felicidade protegeu os infelizes que
cídio, si não tivesse solicitado a tempo as pro- estavam ameaçados de fuzilamento, conforme
videncias. communicações feitas ao honrado senador pelo
O Sr. Correia:—Os liberaes de Valença Paraná ; o que me traz á tribuna é querer ape-
nas marcar a parte de responsabilidade com que
procederam mal, não recorrendo a V. Ex. possa ficar nesta questão de assembléas e leis
O Sr. Martinho Campos ; — Fizeram até provinciaes suspensas pelo governo geral. O
muito bem em dirigir-se a V. Ex., que ó o dono honrado presidente do conselho sabe que nin-
dos telegramraas, e, portanto,até,por esta razão guém menos do que eu duvidará nunca da
atem de todas as outras, o melhor patrono : pureza de suas intenções e de que o um ma-
deve, porém, o nobre senador ser mais solicito gistrado educado no respeito álei.
em casos tão apertados. Porém o faoto é muito grave : é uma questão
O Sr. Correia :—Em casos idênticos hei de importante de direito constitucional, negocio
recorrer a V. Es. de grande alcance e influencia na organização
O Sr. Martinho Campos : — Era casos ur- política do paia, pois concerne á autonomia das
gentissimos, como foi o de hontem, valia bem províncias.
a pena convocar-se uma sessão extraordinária A lei estava sanocionada, não conjinha dis-
do senado, á noite, mesmo á noite, afim de so- posição nova ; é uma lei de orçamento, que re-
licitar as providencias que o caso exigisse e petia os mesmos impostos que se cobravam}em
não expor-se a incorrer em grave responsabi- Pernambuco desde 1874, ou antes, como ainda
lidade pela falta das providencias. hoje ouvimos aqui confessar pelo honrado se-
O Sr. Correia : — Quando V. Ex. fòr pre- nador por aquella província.
sidente desta casa, hei de empregar esse meio. Não houve esses motivos graves de inquie-
Não ó caso para gracejo a liberdade de cidadãos, tação, nem perigo de ordem publica, que, ainda
que deve merecer todo o apoio de seus repre- quando sobreviessem, não era occasião a mais
sentantes. conveniente para suspensão da lei.
Neste ponto divirjo do honrado presidente do
O Sr. Martinho Campos ; — Justamente ; conselho. Entendo, e é incontestável pelo acto
abundo neste parecer. addiccional que, mesmo quando houvesse pe-
O Sr. Correia:—O que admiro é que, tra- rigo, o governo não tinha o direito de suspen-
tando-se de cidadãos liberaes, V. Ex. não os der uma lei provincial sanccionada. Quanto ao
venha defender. presidente de Pernambuco, accusado de tel-a
O Sr. Martinho Campos:—Não, senhor; é sanccionado, a sua defesa está em que é uma
o que faço, estou defendendo-os. Estou apenas legislação que encontrou vigente em Pârnam-
encarecendo o serviço que V. Ex. prestou e buco,sem reclamação alguma: os impostos não
congratulando-me com V. Ex. pelo bom êxito são novos.
da intervenção de V. Ex., que evitou o fuzila- O Sr. Ldiz Felippe : — Apoiado.
9
32 ANNAES DO SENADO

O Sr. Martinho Campos : — Ha muitos annos Sem duvida nenhuma vejo que a administra-
que a reclamação tinha sido feita, mas não de- ção de S. Ex. tem encontrado, já não digo a
ferida, contentando-se os que tinham requerido tolerância, que a minha encontrou em alguns
com a solução dada á questão. conservadores da camara; mas a de S. Ex.
O honrado Sr. presidente do conselho, man- tem encontrado o apoio geral de todos na
dando suspender a lei, não ponho em duvida, camara dos deputados e uma unanimidade que
já disse, procedeu com as melhores e as mais vai com enthusiasmo mal disfarçado adiante
puras intenções ; mas não procedeu, na minha até de muitos pensamentos do governo no
opinião, regularmente, nem conforme a nossa senado.
constituição. Ao governo, portanto, seria muito fácil obter
em poucos dias que fosse votada a revogação da
O Sr. Visconde de Paranagüá (presidente lei si, examinada, fosse reputada offensiva da
do conselho) : —Como uma medida extraor- constituição.
dinária. Não reconheço ao governo o direito de sus-
O Sr. Martinho Campos :—Mas nem extra- pender leis provinciaes sanccionadas, o gover-
ordinário era o motivo. no podia, tendo o parlamento reunido, como
actualmente se acha, pedir a revogação da lei:
O Sr . Visconde de Paranagüá (presidente do para suspendel-a tem a mesma autoridade que
conselho) :—Julguei assim em vista das in- tem quanto ás leis da assembléa geral.
formações offlciaes do presidente. Não reconheço ao governo o direito de sus-
O Sr. Martinho Campos : — Mas não era pondel-as, por si, e muito menos para o proce-
nenhum motivo extraordinário... dimento que teve o nobre presidente do con-
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente do selho suspendendo alguns artigos da lei do or-
conselho) : —Julguei que era, e submetto o çamento de Pernambuco creando impostos de
meu procedimento... importação. Si o governo pôde suspender a
execução de artigos de uma lei provincial
O Sr. Martinho Campos:—... e pergunto a creando impostos, porque não pôde suspender
V. Ex. si houve alguma alteração da ordem também artigos de outras leis ?
publica ? O Sr. Visconde de Paranaguá [presidente
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidentedo do conselho) dá outro aparte.
conselho) : — Não houve ; mas chegou lá a O Sr, Martinho Campos Sem duvida al-
noticia. guma: assim como V. Ex. agora manda suspen-
der os artigos desta lei provincial, amanhã
O Sr . Martinho Campos ; —A ordem publica outro ministro poderá suspender dous ou três
nenhum perigo corria, e as informações offl- artigos ou os quequizer, de outras leis.
ciaes, dizem isto mesmo. Ora, considerarei este ponto por outro lado :
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente do supponha-se que os artigos não relativos aos im-
conselho) :—Mas depois que chegou lá a noticia postos subsistem ; não sei porque um outro mi-
da ordem da suspensão. nistério, por motivo de salvação publica, não
O Sr. Martinho Campos:—Não corria, e tomará amanhã a deliberação de mandal-os
livre-nos Deus de que para as leis votadas também suspender. Nem sancção parcial o go-
pelas assembleas provinciaes, segundo os re- verno ou os precidentes podem dar—suspender
quisitos constitucionaes, aquelles que se julga- leis ou revogal-as só o poder legislativo é com-
peteate para fazer.
rem prejudicados lancem mão de semelhante O legislador provincial não pode querer que
meio de resistência ; as assembléas provin- subsistam na lei certos artigos ; e o governo,
ciaes ficarão annulladas no uso do seu poder sob sua responsabilidade e por sua autoridade,
legislativo. revogar ou suspender estes artigos da lei.
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente O precedente, portanto, é de graves conse-
do conselho) :— Pareciam as circumstancias qüências, e não penso que deva prevalecer,
exll-aordinarias ; os negociantes fechavam as Sr. presidente.
portas... Como se trata de varrer testadas, quero tam-
O Sr. Martinho Campos :—EUes as torna- bém varrer a minha e dizer que nesta matéria
riam a abrir por si mesmos, no fim de poucos não posso acompanhar a S. Èx.
dias ; por este lado, o nobre presidente do con- Estando na tribuna e tratando do assurapto
selho podia ficar descansado, greves desta tão importante, aproveitar-me-ei da occasião,
ordem não offerecem perigo á ordem publica. para considerar um outro ponto da questão.
Quando o nobre presidente do conselho tratou
O Sr. Visconde de Paranaguá (presítfewíe do desta matéria, disso que tomaria providencias
conselho) dá um aparte. para impedir que as assembléas provinciaes
O Sr. Martinho Campos ;—Entendo que o creassem taes impostos e prometteu-lhes au-
precedente, neste caso aberto pelo nobre presi- xílios.
dente do conselho, não deve ser registrado como Não sei como aqeulles que são tão ciosos da
um precedente bom para imitar-se. Oparla- autonomia das assembléas provinciaes, o se
mentovestava reunido e o nobre presidente do diziam mais do que eu, se conservara calados
conselho tinha toda a facilidade de obter a pro- diante desta gravo ameaça, porque ó uma
videncia necessária, porque não dispõe só de ameaça á autonomia das assembléas provin-
maioria, dispõe da unanimidade do parla- ciaes, que têm o direito de creár seus im-
mento. postos. ..
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 33

O Sr . Visconde de Paranaguá {presidente tomar para que as provincias tenham sempre


do conselho)'.— Menos os expressamente pro- recursos. A discriminação da renda não ha de
hibidos. Recommendo a V. Ex. o art. 12 do trazer maior renda ao orçamento geral, porque
acto addicional. o nobre presidente do conselho, supponho, ha
O Sr. Martinho Campos:—Perdôe-me V. Ex.: de ser no orçamento que ha de propor as me-
as assembléas provinciaes têm votado estes im- didas que a tal o autorizem...
postos como impostos de consumo, que real- Conforme os seus offorecimontos o nobre pre-
mente são lançados sobre generos destinados a sidente do conselho, no orçamento proximo,
serem consumidos. attribuirá ás provincias algumas das rendas que
As assembléas provinciaes têm o direito de entram actualmente para o thesouro, mas com
lançar contribuições, e não sei de alguma que que as substituirá ?
tenha creado impostos de importação, senão Nós temos já o orçamento desequilibrado ;
como impostos de consumo. supponho, pois, que o nobre presidente do con-
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente selho não poderá dar nem 100:000$ para Per-
do conselho):—Idem est. nambuco.
O Sr. Martinho Campos :—Mas, quanto á O Sr. Luiz Felippe :—A suspensão do orça-
esta idéa do dar auxilio pecuniário ás assem- mento importa uma diminuição de 1.400:000$009.
bléas provinciaes, si as provincias tivessem a O Sr. Martinho Campos :>—E' uma questão
fraqueza de aooital-o em troca do seu direito muito séria ; sorprendeu-me o acto do nobre
de orear a receita das suas provincias, fica- presidente do conselho, sempre tão reflectido e
riam reduzidas ás circumstancias em que se calmo, e S. Ex. difficilmente terá meios de
acha a eamara municipal da cõrte, que foi reparar ou corrigir o passo que deu ; do orça-
pouco a pouco aceitando esmolas do governo, mento, repito, não pode dar auxilio a Per-
e ficou reduzida ao estado em que se acha hoje: nambuco sem também dar ás outras provincias,
é uma corporação morta, sem autonomia e sem entendamo-nos por esta razão, porque não
poder exercer suas attribuições, que são entendo que o governo deva dar auxilio ás
importantíssimas, senão á vontade do go- outras provincias, mas pela igual suspensão
verno . dos impostos provinciaes ficarão todas no mes-
E' por isso que digo que a promessa do mo caso, e por isso estará o nobre presidente
nobre presidento do conselho, de prestar auxilio do conselho na obrigação do mandar suspen-
pecuniário ás provincias, é uma ameaça séria e der leis iguaes nas outras provincias, já não
perigosa. digo o imposto itinerário de Minas, aliás da
E demais, com que recursos pôde contar o mesma natureza, até porque os animaes que
nobre presidente do conselho ? não vão carregados não pagam, nem também os
Depois da guerra do Paraguay os nossos animaes soltos ; pagam aómente os carregados.
orçamentos estão sempre em estado de déficit Nestas questões,Sr. presidente, é fácil de-
permanente. clamar-se contra os governos tanto geral como
provinciaes, mas sem nenhum fundamento, sem
Onde o nobre presidente do conselho vai nenhuma razão ; a verdade é que difficilmente
buscar dinheiro para soccorrer ás provincias, o governo das provincias, e dos municípios, po-
para poder fazer esta promessa aqui e na ea- dem no nosso paiz levantar, por meio de impos-
mara dos deputados í tos, as sommas necessárias para acudir ás ne-
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente cessidades sempre crescentes de melhoramen-
do conselho) dá um aparto. tos ; e não sei si é prudente que o governo
O Sr. Martinho Campos :—A respeito da geral intervenha assim, facilmente, tolhendo a
incompetência do governo para suspender leis, acção das provincias.
já disse o que entendia dever fazer-se, As provincias de S. Paulo, Minas « Rio de
Porque não se appellou para nova decisão Janeiro não poderiâm supportar os impostos de
da assembléa provincial para reconsiderar este exportação que o Pará e o Amazonas supportqm,
assumpto ? sujeitos á taxa de mais de 25 oJ0. As assem-
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente bléas provinciaes não são irresponsáveis para
do conselho): — O presidente da província com seus commitentes, e devem conhecer melhor
já convocou extraordinariamente a assembléa o que lhes convém nesta matéria.
provincial. O Sr. Cruz Machado : — Essas pagam
O Sr . Martinho Campos : — Si o governo 28 %, porque colhem e não plantam.
julga-ss com o direito do suspender leis pro- O Sr. Martinho Campos :— Não são qs po-
vinciaes, o nobre presidente do conselho teria vos que vivem da caça e da pesca os mais ri-
de, todos os annos, estar suspendendo leis, por- cos ; peço, pois, ao nobre presidente^ do
ue constantemente têm existido leis no caso conselho que aceite as minhas observações,
esta medida. nas vistas e intenções amigáveis ora que as emit-
_ E não se pôde querer que as assembléas pro- to ; em matéria de attribuições das assembléas
vinciaes fiquem subordinadas ao governo, que provinciaes acompanho os princípios que meu
não é responsável pela penúria das provincias; partido sempre professou ; entendo mesiao que
essa penúria vera da nossa grandeza ; temos as assembléas provinciaes não são sujeitas á as-
um território immenso e não tomos popu- sembléa geral, senão nos poucos casos expres-
lação sufflciente para produzir, povoando-o. samente marcados na constituição : o seu poder
Não sei, portanto, que providencia podemos legislativo ó tão legitimo o tão autonomico
v. iv,—5
34 ANNAES DO SENADO

como o da assemblea geral, e esta não tem ne- municipal ; os outros municípios, pobres, pe-
nhuma superioridade áquellas ; a vastidão do quenos, têm suas camaras que governam,
nosso paiz torna impossível reconhecer outra têm acção ; suas camaras municipaes não
doutrina. têm rendas, mas têm poder e autonomia ;
Si o Brazil não fosse composto de províncias, a camara municipal da côrte tem o poder que
cujo governo tem acçãô e poder que o acto ad- os ministros do império lhe querem reionhe-
dicional deu e julgou necessários para o desen- cer. As províncias ficarão nas mesmas con-
volvimento do paiz, o Brazil não podia subsis- dições ; as assembléas provinciaes ficarão re-
tir no estado aotual e seria necessariamente duzidas ás mesmas condições quo a camara
fraccionado (apoiados), e por mais amigo que municipal da côrte.
seja das instituições liberaes, eu sacrificaria
mais facilmente a liberdade do que a integri- O Sr. Visconde de IPax-ana-
dade do Im erio, até porque as liberdades não gwái(presidente do conselho): — Sr. presi-
sobreviveriam á dissolução do Império. dente, pedi a palavra principalmente para tes-
Declaro, pois, que não reputo o acto pra- temunhar o respeito c deferoncia que consagro
ticado pelo nobre ministro nem legal nem ao meu honrado amigo, quo acabá do impugnar
sufficiente, porque o nobre ministro, com a o acto do governo.
providencia tomada, nem garante nem res- Não erigi em principio nem sustentei a
guarda o principio que quer fazer prevale- competência do governo para suspender leis
cer. provinciaes, sob qualquer motivo o em quaos-
Si o nobre ministro tem o acto da assemblea quor circumstancxas '.justifiquei apenas a me-
por attentatorio da constituição, neste caso dida como excepcional , acrescentando nada
devia provocar sua revogação ; a ameaça de havia de estranhavel om meu procedimento,
perigo da ordem publica existiu? O governo attentos os precedentes occorridos aliás em cir-
persuadiu-se que existiu, mas esse perigo curnstancias muito menos favoráveis do que as
cessou e cumpre examinar esta questão e ado- quo motivaram o meu acto.
ptar um principio mais permanente áceroa de
todas as províncias. E, desde que baseei-me na opinião do autori-
Ha outras províncias onde, com facilidade, o dades tão respeitáveis do ambos os lados po-
mesmo elemento que se procurou levantar aqui líticos, o acto addicional não sendo claro;
na côrte, no Io de Janeiro e se levantou desde quo não revoguei lei alguma em todo ou
agora em Pernambuco, em outra cl sse que dá em parte, em algum de sous artigos ou para-
mais garantia ao Estado, esse mesmo pôde le- graphos, mis apenas autorizei a suspensão da
vantar-se em outras províncias. Quanto á cobrança de ura imposto, evi lentemente illegal,
questão de Io de Janeiro, S. Ex.,como ministro como o nobre senador não pode deixar de re-
de um paiz livre, quando se pedia a suspensão conhecer, porque todos sabem quo as assem-
da lei, S. Ex. declarou-se incompetente para bléas i rovinciaes não podem tributar os gêne-
suspendel-a, e procedeu então muito regular- ros de importação, porquoassim ferem defronte
raento : não podia fazer agora o contrario. o art. 12 do Acto Addicional, não sei real-
mente, Sr. presidente, como se possa insistir
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente na censura da medida excepecional adoplada
do conselho) :—Não me julguei competente. pelo governo.
O Sr. Martinho Campos O direito á o O easonão t'maminor semelhançacom o que
mesmo. Em todo caso S. Ex. tem questão em se deu a 1 de Janeiro, em quo tomei altitude
pé, não resolveu cousa alguma e o nobre mi- muito diversa da que assuini agora. Erítão
nistro do império, que é quem tem de resolver tratava-se di um imposto, votado competente-
e devia ter resolvido esta questão, que é da mentepelo corpo legislativo, quo estava em seu
suamasta, nos deve dar a sua opinião, porquan- direito fazando-o; e o imposto vitado pela-
to diz respeito especialmente á pasta dq impé- assembléa provincial tem contra si o art. 12 do
rio. Eu sei que não tenho nenhuma divergên- acto addicional, que diz assim (lê) :
cia de opinião com o meu nobre amigo, o nobre « As asserabldas provinciaes não poderão le-
presidente do conselho, mas o nobre ministro gislar sobre impostos de importação, nem sobre
do império descobriu em mim, ha pouco, mui- os objectos não coraprehendidos nos dous pre-
tos esquecimentos dos princioios liberaes, mui- cedentes artigos.»
ta divergência e muita insufficiencia, e como
não me accusi nem me inculca a consciência, Esses impostos comtudo têm sido tolerados ;
quem sabe si o que tem de fazer supprir minha o commercio tem reclamado, algumas vezes,
insufficiencia e lacunas, não terá alguma embora pagando-os sempre. Ultimamente, po-
cousa que eu não possa acompanhar ? Em rém, tomou uma resolução extrema, fechou ás
todo caso a questão não está resolvida, ó suas casas, o paralysaram-se as transacções.
muito grave e séria ; e o caminho verdadeiro As circúmstancias eram, pois, graves e exce-
a seguir é entregar á assembléa geral a sua pcionaes, sendo quo o motivo que determinou
decisão. O que o governo acaba de fazer não semelhante reclamação, baseava-se fundada-
ó legal. ments no Acto Addicional. Ora, em taes con-
Coia a decisão e o pallPtivo que se offereee dições, e partindo a reclamação de uma cor-
a condição das assembléas provinciaes será poração tão respeitável, como a do commercio
igual á da camara municipal da côrte. Pó- de Pernambuco, não deveria merecer toda a
dc-ie dizer que o município neutro é o único consideração por parte do governo ? As provi-
municipio do Império que não tem camará dencias deviam ser demoradas ? Não compre-
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 35
hendo o nobre senador o máu effeito da moro- Portanto, em circumstancias extraordinárias,
sidade dellas em taes circurastancias ? como entendi que est iv i a praça de Pernam-
O Sr. Martinho Campos;— No momento em buco, não duvidei tomar a responsabilidade do
que^ se as pedisse com. urgência, o parlamento acto.
decidiria. Não digo que usei de um direito, que o go-
O Su. Visconde de Paranagua' (presidente verno ó o censor da a assembléas provinciaes, e
do conselho)'. Já de lia muito que o governo qm, abrindo a collecção, fosse man iando logo
tem pedido ao corpo legislativo a revogaçSo do suspender as l is que no seu entender, ain ia
leis dessa natureza ; o nobre ex-prendente do com o auxilio do conselho de estado, fossem
conselho, o Sr.conselheiro Saraiva, fez-se ouvir reputadas ineonstitucionaes ; não, não a Imitto
neste sentido, tanto na camara temporária,como isso como medida ordinária ; ó uma providencia
na tribuna do senado, onde também já reclamou excepcional, de que só em casos rarissimos o go-
providencias legislativas o honrado Sr. presi- verno deve lançar mão, declarando tomar a
dont», o Barão do Cotegipe. responsabilidade e levando o facto immediata-
m mteao conhecimento do corpo legislativo,
Em vista disto o commercio esperou ; mas os como fiz, e submettendo-o ao seu juizo.
vexames continuaram, as exigências duplica- (Apoiados.)
ram , as circumtancias aggravaram-se ; ora
preciso uma medida urgente. Era, Sr. presidente, o que linha a dizer em
O presidente da província expoz-me a contin- doferoncia ao honrado sonador.
gência excepcional, em que se achava a cidade,
o dizia que ora possível um conílicto, «d o go- O Sr- Oorreia: — Nem por ter-se o
verno insistisse na cobrança dos impostos nobre ox-presidente do conselho occupado como
illegaes. telegramma que hoje me dirigiu um liberal de
Respondi q_ua era conveniente sustar essa Valonça, o Sr. João Ruflno Furtado de Men-
cobrança, até deliberação ulteriar do poder donça, relatando arbitrariedades de uma auto-
competente, que é o legislativo. A questão, ridade policial, igualmente da situação presen-
portanto, não foi resolvida completamente; te, voltarei a este assumpto.
não posso ser accusado de ter revogado uma Os factos, como o senado ouviu hoje, não
lei. estão esclarecidos ; mas sabemos quanto basta
para justificar o ter-se tratado do assumpto uo
O nobre senador pelo Paraná, o primeiro senado, pois que ficou provado que dous brazi-
que levantou o debate, censurando o procedi- beiros, illegalmente presos em S. Sebastião do
mento do governo por ser contrario ao prin- Rio Bonito, foram violentamente remettidos á
cipio da legalidade, reconheceu comtudo que sede do município e ahi postos em liberdade.
o governo podia, á vista das circumstancias, Quando não houvesse outros factos,esse que
fazer o que fez, visto que em todo o caso o im- ficou demonstrado com as informações do go-
posto não devia ser cobrado á bocca do cofre, verno bastaria para que o senado não deixasse
o podia ser adiado o seu recebimento. E si passar tal abuso sem o reparo que merece.
o cor [o legislativo, examinando a lei, enten-
der que a Constituição não foi feridi, o que O Sr. Martinho Campos:—Mas a demora
duvido que faça, então tollitur questio : a lei que houve da parte de V. Ex...
continuariá a produzir os seus eífeitos, o a pra- O Sr. Correia V. Ex. andaria talvez mais
ça do Pernambuco outro remedio não tora rapidamente do que eu, que não pude andar se-
senão submetter-se á decisão do poder legisla- não como andei. Recebi hontera o telegramma no
tivo, único que tem a competência do decidir senado, e, como não houve sessão, apresentei-o
em ultima instância sobre a questão da consti- ao nobre presidente do conselho, pedindo sua
tucionalidade ou inconstitucionalidade das leis. attenção : e S. Ex. dignou-se pecebel-o3o pro-
Mas a violação aqui ó evidente. Houve ef- videnciar.
fensa da Constituição do Império, e oífensa, que O Sr. Martinho Campos ;—Si hoje esses i.í-
mo pareceu flagrante. dividuos já estivessem fuzilados, V. Ex. nãe
Sendo as circumstancias extraordinárias, a deixaria do ter a responsabilidade. (Riso.)
medida que adoptei foi extraordinária; e, justi- O Sr. Correia : — A responsabilidade seria
ficando o meu procedimento, mostrei que elle principalmente de V.Ex.porque foi talvez quem
não foi uma innovação, e que tanto mais se nomeou esse subdelegado de S. Sebastião do Rio
justificava quanto não podia ser a intenção da Bonito.
lei que um acto praticado contra a mesma lei
produzisse todos os seus efleitos. O Sr. Martinho Campos : —Não o nomeei.
Si uma lei provincial ferisse de frente, por O Sr. Correia:—Mas o conservou. Eu ó
exemplo, um tratado, o nobre senador que ha que não teria responsabilidade alguma, porque
pouco tempo esteve no governo, e que bem com- não fui presidente da província do Rio de J i-
prehendia a responsabilidade de sua posição, neiro, não nomeei, nem conservei subdele-
consentiria que essa lei por ter sido sanccio- gados.
nada tivesse oxooução, embora dahi pudesse
provir ura conílicto internacional, embora V. Ex. não ostá no mesmo caso. Esse Tuzi-
dahi pudessem provir reclamações sérias que laracnt) seria por conta do V. Ex., como ox-
presidente da província do Rio do Janeiro.
sujeitassem o paiz a algum dezar ou ao paga-
mento de alguma indemnisação ? Não o faria O Sr'. Martinho Campos Felizmente nãò
decididamente. ha risco do fuzilamento.
36 ANNAES DO SENADO

O Sr. Correia :— Essa noticia de fuzila- valer precedentes o opiniões para substituir a
mento é do telegramma ; corre por conta de falta de uma attribuiçâo que o acto addicional
quem a deu. não confere ? Para esta questão não ha senão
O requerimento que se discute foi motivado uma solução. Por mais respeitáveis que sejam
por um aviso do nobre ministro da fazenda di- as opiniões, e ellas não são uniformes, por
rigido ao presidente da provincia do Paraná, mais numerosos que sejam os precedentes,
para informar ácerca de uma lei provincial, re- nem opiniões, nem precedentes pódem fazer
ativa a impostos de importação para consumo. incluir no acto addicional uma disposicção
Motivou o aviso uma nota dirigida ao nosso que elle não contém.
ministro dos negócios estrangeiros pela legação Eu desejaria que o nobre presidente do con-
belga. selho mostrasse-me no acto addicional uma
Tendo eu já lido nos deus últimos relatórios disposição que permitia ao governo suspender
notas sobre o mesmo assumpto, nas quaes se leis provinciaes.
manifesta intervenção em nossa administração O Sr. Martinho Campos:—E si o presidente
interna ou fiscalisação dos actos dos poderes fôr chamado a contas pela assembléa provincial
públicos, protestei contra esse procedimento ao e fôr rosponsabilisado ?
discutir-se o orçamento do ministério dos negó-
cios estrangeiros. Lendo aquello aviso na folha O Sr. Correia :—O nobre presidente do con-
offioial, tinha todo o fundamento para suppor selho, não podendo invocar nenhuma disposição
que tratava-se de caso semelhante. para justificar o seu procedimento, recorreu ao
Não conheço a nota,o nobre presidente do con- espirito do acto addicional. Mas o cjue signi-
selho não a leu; mas como declarou que o caso é fica invocar o espirito do acto addicional para
diíferente, cpte a legação belga de nenhuma justificar um acto do governo ? Significa a de-
fôrma quiz intrometter-se em negocios que são claração de que o acto addicional é, pelo me-
de nossa exclusiva competência, aceitarei a in- nos, obscuro-e carece de interpretação. Mas a
formação do nobre presidente do conselho, ob- interpretação, está isso declarado expressamen-
servando entretanto que, si o caso e como S. te no acto addicional, só compete ao poder le-
Ex. disse, melhor teria procedido a legação gislativo 1
belga tratando de pedir esclarecimentos parti- Como, pois, seguir, por esse caminho, para,
culares e não expedindo uma nota publica, a em desespero de causa, achar uma solução que
que o governo julgou dever dar circulação. o acto addicional dá exactamente no sentido op-
O ponto principal desta discussão tem sido o posto ?
procedimento do nobre presidente do conselho O Sr. Fernandes da Cunha ; — O art. 24,
em relação á ultima lei de orçamento votada § 3o, ó expresso, não carece de interpretação ;
pela assemblóa legislativa de Pernambuco. ó formal, o texto preciso ; em matéria do attri-
Contém esta lei impostos de importação que buições não se admitte interpretação, nem am-
já figuram nas leis anteriores, desde 1874. plia tiva nem restrictiva.
Sanccionada a lei e tendo de entrar em ex-
ecução, os negociantes de Pernambuco reuni- O Sr. Correia;—Demais o art. 24 não trata
ram-se, protestaram e declararam que não senão de attribuições do presidente da provincia
fariam despachos, emquanto não houvesse so- e o § 3° não diz senão que a este delegado do go-
verno compete suspender a publicação das leis
lução da reclamação que dirigiam ao governo provinciaes no caso e pela fôrma marcada nos
para suspensão desta parte da lei do orçamento. arts. 15 e 16.
Immediatamenta o nobre presidente do con-
selho, ministro da fazenda, expediu ordem O Sr . Fernandes da Cunha : — E o que diz o
para reclizar-se a pedida suspensão ; e, em vez art. 16? O art. 16 manda levarao conheci-
de declarar ao parlamento que, considerando mento da assembléa geral as razões da não
excepcionaes as circumstancias da província, sancção.
tomava sobre si a responsabilidade de uma me- O Sr. Correia:—Poderandojudiciosamente
dida illegal, no intuito de pedir ao poder legis- que o acto addicional prohibede modo expresso,
lativo obill do indemnidàde, em tal caso ne- no art. 12, que as assembléas provinciaes
cessário, pretende S. Ex. justificar o seu lancem impostos de importação, o nobre pre-
procedimento como tendo-o tido em ob- sidente do conselho formulou esta pergunta :
servância do acto addcional, ponto em que não
posso absolutamente concordar com o nobre « Como, pois, se invoca o acto addicional
presidente do conselho, e om que mais de para condemnar o acto que pratiquei ? »
accôrdo me acho com seu illustre antecessor, O acto addicional reconhece que as assem-
o nobre senador por Minas Geraes. bléas provinciaes pódem votar resoluções con-
trarias á Consti tuição e providencia para que a
O Sr . Martinho Campos dá um aparte. violação não permaneça.
O Sr. Correia : — Para que o governo Mas o meio que o acto addicional fornece
pudesse justificar o seu acto como legal, devia para annullar o abuso da assemblóa provincial
apontar o artigo do acto addicional que o que decreta medidas inconstitucionaes ó por-
permjjte. ventura aquelle a que recorreu o nobre presi-
O Sr. Martinho Campos:—Não o encontra. dente do conselho ? Não.
O Sr. Correia : — Não ha. O governo geral, em relação aos actos legis-
lativos das assembléas provinciaes, só tem uma
, S» Ex.tratou de invocar precedentes o opiniões, attribuiçâo, a que confere o art. 17, que diz,
aliás de pessoas muito abalizadas ; mas podem tratando de leis não sanccionadas por contra-
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 37

rias á Constituição, aos tratados e aos interesses cias funestissimas; seria o governo cedendo
das outras províncias : diante de pressão ! Um perigo político !
« Não se achando nesse tempo reunida a O Sr. Correia ; — O nobre presidente do
assembléa geral e julgando o governo que o conselho está vendo que o acompanho na süa
projecto deve ser sanccionado, poderá mandar defesa, aceito a sua argumentação, e aprecio as
ue elle seja provisoriamente executado até conseqüências que contém.
efinitivá decisão da assembléa geral. »
Tem, pois, o governo a attribuição do mandar O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
executar provisoriamente as leis provinoiaes do conselho) : — Trata-se da apreciação das
não sanccionadas por algum dos indicados moti- circumstancias.
ros quando não julga procedentes as razões da O Sr. Correia :— Não se trata, pois, do re-
nãosancção. E'uma attribuição conferida no gimen legal.Mas o nobre presidente do conselho,
intuito de fortalecer as attribuições das as- quando pela primeira vez fallou em resposta
sembléas provinoiaes. ás observações que fiz, disse que não havia
Inferir da attribuição provisória de mandar sido ferido o principio da legalidade,e a mesma
executar a de suspender a lei é tirar uma proposição repetiu na camara dos deputados.
illação inadmissível,é crearum direito expresso, Observa em seu aparto o nobre presi-
de que o legislador absolutamente não cogi- dente do conselho que devemos apreciar as
tou. circumstancias extraordinárias, a agitação, que
Si quizesse conceder ao governo o direito de o levou a suspender esta lei provincial. Em tal
suspender a lei provincial, o legislador lh'o caso S. Ex.torá de repetir seu procedimento logo
teria dado tão expressamente como deu o do que igual agitação se manifesto em outras pro-
que trata o art. 17 do acto addicional. víncias em que o mesmo imposto existe. Ora, de-
Dentro do principio dalegalidade o nobre verá o nobre presidente do conselho esperar
presidente do conselho, ministro da fazenda, que haja agitação para ceder diante delia, para
não pôde justificar o seu acto. proceder da mesma forma por que procedeu em
Ainda, na sessão em que foi apoiado este relação á Pernambuco ? Não.
requerimento, o nobre presidente do conselho Assim animados,os interessados na suspensão
fez praça do seu amor á legalidade. Exultei da lei, que os contraria, promoverão agitação
por desejar que com o seu apoio poderoso este semelhante á que motivou em Pernambuco o
principio possa ser salvo das ondas que por acto que desejam conseguir.
todos os lados o acommettem,.. Julgo,por isso,dever aconselhar ao nobre pre-
_ Mas,singrando S. Ex. por este rumo, o prin- sidente do conselho que generalise a medida
cipio da legalidade vai a naufrágio certo. parcial que tomou, antes que seja coagido pela
mesma forma por que diz tol-o sido em pre-
O Sn. Fernandes da Cunha ; — Está elle sença das eircumstancias ultimas em que estava
morto ha muito tempo; quando a Constituição a província de Pernambuco.
a ninguém contém !...
O principio da autoridade lucrará com esse
O Sr. Correia:—Tola a argumentação do procedimento.
nobre presidente do conselho repousa em pre- Apreciando as circumstancias em que nos
cedentes e em opiniões de pessoas autorizadas últimos dias achou-se a cidade do Recife, creio
que julgam que o governo pode praticar o que que o nobre presidente do conselho exagerou
o nobre presidente do conselho praticou. Mas, o receio de perturbação da ordem publica.
si se trata de ponto em que o acto addicional O meio a que os negociantes declara-
precisa do interpretação, não compete ao go- ram que haviam do recorrer, de fecharem as
verno dal-a. portas e não realizarem despachos—ora o uso
Não ó solida a argumentação do nobre presi- de um direito. O governo ó quo não tem nada
dente do conselho. Ou o governo tem a attribui- que ver com os negociantes que fecham seus
ção a que o nobre presidente do conselho se soc- estabelecimentos de negocio ou que não que-
corro, e então deve usar delia, não sómente em rem fazer despachos das mercadorias que rhes
momentos de agitação ; ou não a tem, e neste vêm do estrangeiro: é um acto inoflensivo a
caso devo S. Bx. assumir francamente a re- quo o governo não podia deixar do ser absoluta-
sponsabilidade do acto illegal, justificando-se mente estranho.
com motivos de ordem superior e pedindo bill Si os negociantes se lembrassem de empre-
de indemnidade. (Ba vários apartes.) gar o-i mesmos meios para annullarem outras
Si o procedimento do nobre i residente do disposições, o nobre presidente dp conselho
conselho ó resultante das disposições do acto devia de acudir em seu auxilio e realizar os seus
addicional, S. Ex. não podia, nas suas pro- jos ? Tomaria a si a evangélica missão do os
videncias, restringir-se ao caso de Pernambuco; convencer do quo não deviam proceder de tal
não tinha outro caminho senão suspender ao modo, tão contrario a seus verdadeiros e legíti-
mesmo tempo todas as disposições semelhantes mos interesses ? Não de certo...
que vigoram nas legislações das outras pro- O Sr. Martinho Campos:—Elles teriam as
víncias.
E julga o nobre presidente do conselho que, casas fechadas por pouco tempo.
tendo tal attribuição, apenas deve usar delia O Sr. Correia; — Ellcs haviam de reconhe-
quando o povo se agita ? Não andaria bem. cer que o uso do seu dir ito lhes era mais fu-
O Sr. Fernandes da Cunha : — Seria uma nesto que vantajoso, si o governo não quizesse
medida animadora da anarchia , de conseqüên- encarar o facto pelo modo por que o encarou,
38 ANNAES DO SENADO

julgando que isso punha em risco a tranqüili- O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
dade publica na cidade do Recife. do conselho):— Man :ei suspender a cobrança
O nobre presidente do conselho talvez em do imposto.
breve receba telegramma* da província da O Sr. Correia .—Isto ó,.mandou suspender
Bahia, dizendo que os negociantes da cidade de todas as 1 is que mantém o imposto.
S. Salvador, concordando eom o governo em O Sr. Silveira Martins:—Estas estavam
que são inconstitucionaes os impostos de im- executadas já.
portação que alli se cobram, resolveram fechar
suas portas e não fazer mais despacho, espe- O Sr. Correia :—Mas, em conseqüência d i
rando prompta solução da parta do gov rno. .; ordun do presidente do conselho, ficou a pro-
E o nobre ministro terá de mandar suspender víncia de Pernambuco sem l i do orçamento ?
a lei provincial da Bahia, que foi S. Ex. mes- Ficou com uma lei mutilada ?
mo quem sanccionou, para que os negociantes Ora o nobre presid nte do conselho, si deter-
não tenham suas portas fechadas e vão logo minou que se cumprisse a lei do orçamento,
fazer despachos na repartição fiscal ! menos na parte refor mto aos impostos de im-
portação, tomou ainda maior arbítrio porque
E' essa a lei de orçamento que está vigo- S. Ex. sabe que nem o presidentèda província
rando na Bahia com impostos iguaes aos de pode deixar de sanccionar urna parte da lei.
Pernambuco. O presidente, que não quiz sanc- As difficuldades ne ta questão do lois de orça-
cionar a que a assemblèa provincial votou em mento provincial provêm justamente de quo
sua ultima reunião, por causa destes impostos, os presidentes têm de dar ou negar saneção a
mandou que subsistisse a anterior, por força toda a lei.
da qual são elles arrecadados !
O Sr. Fernandes da Cunha : — Outra ques-
De que serviu, pois, a não saneção ? tão constitucional.
O Sr . Martinho Campos : — Mas elle não O Sr. Correia ; — E' outra questão impor-
podia fazer outra cousa. tante. Qual foi o poder que o governo se ar-
O Sr. Correia ; — A observação do nobre rogou com o acto quo o nobre presidente do
senador é até certo ponto procedente. 0 presi- conselho praticou, com relação ao orçamento
dente manifestou seu juizo sobro os impostos provincial do Pernambuco? O de mandar cum-
no momento em que o podia fazer, quando a prir uma lei provincial em parte.
lei subiu á sua saneção. Mas a observação não Ora, este direito confere-o o acto addicional a
aproveita ao presidente da Bahia , porque algum poder. ?
S. Ex., quando deixou de sanccionar a resolu- O presidente de província pode fazer com quo
ção prorogativa do orçamento anterior, não uma lei soja suspensa, mas pelos meios estabe-
invocou a razão de contemplar esse orçamento lecidos no acto addicional, o a lei toda.
impostos inconstitucionaes, contra os quaes O governo g ral não tem om nenhum caso
protestou depois. a faculd ide de suspender parcialmente lois
provinciaos.
O Sn. Martinho Campos :— Como lhe cum- Veja o senado como um acto praticado con-
pria. tra a lei ennovella tudo o drffioulta a posição do
O Sr. Correia:—Si tivesse negado a sane- governo!
ção, allegando que a lei prorogada continha Dentro dos princípios da legalidade, que o
impostos inconstitucionaes, a assemblóa podia nobre presidente do conselho sustenta, mas que
rosolver na fôrma do acto addicional sobre essas desta vez deixou perigar, S. Ex. era inexpu-
razões do presidente ; mas não sanccionar uma gnável ; apartou-se delle e está sentindo na
resolução prorogativa do orçamento somente discussão os effeitos perniciosos do seu acto. E
porqu^ vem privar a presidência do direito, que Deus queira que não tenha igualmente de sen-
não sei donde deriva, de mandar executar a lei tir nos fictos públicos !
anterior, isso enfranquece o argumento que o As provincias em que se cobram, em vir-
nobre senador por Minas Goraes invoca em tude de leis provinciaes, impostos de impor-
seu aparte, e que em verdade, si não se desse a tação para o consumo, e que estavam tran-
circumstancia que apontei, seria muito em quillas, não se conservarão mais assim de-
favor do presidente da Bahia. pois da decisão do nobre president» do con-
O Sr. Martinho Campos dá um aparto. selho para Pernambuco. Elias hão de dizer :
« Porque havemos nós de estar pagando im-
O Sr. Correia :— Si sirvo o argumento em postos que o governo não quer quo se arreca-
favor do actual presidente de Pernambuco, não dem om Pernambuco ?»
servo do mesmo modo, nem ao actual pre- E o nobre presidente do conselho, logo que os
sidente da Bahia, nem ao nobre sonador negociantes se resolvam a "fechar as. porta-
pelo Piauhy, presidente do conselho, que não dos seus estabelecimentos e deixar de fazer
julgou dever negar saneção á lei anterior ape- despachos nas repartições, irá mandando tes
zar de conter impostos de importação. legr mmas aos presidentes para que essas leis
Esta observação força-mo a dirigir uma per- contrarias ao art. 12 do acto addicional não
gunta £fo nobre presidente do conselho. S. Ex. se cumpram ! E os ânimos hão de serenar
mandou simplesmente suspender a ultima lei promptaraento !...
do orçamento da província de Pernambuco ou A serenidade quo provirá desses actos o
todas as anteriores que contêm o imposto do quo nobro presidente do 'conselho a invocará em
se trata ? sou favor, como tem invocado om relação ao
SESSÃO EM 19 DE AGOSTO 39

acto que mandou suspender a lei do orçamento deve reconhecer que isso não deixa de enfra-
de Pernambuco. quecer a sua posição.
Mas, agitação, si pode servir para que se Sou um defensor impotente do principio da le-
suspenda uma lei provincial, porque não ser- galidade; por isso tomo a liberdade de per-
virá para mandar executal-a, quando nova guntar ao nobre senador pelo Rio Grande do
agitação apparecar em sentido contrario á pri- Sul, também ministro da fazenda na presente
meira ? situação liberal, cuja opinião me falta conhecer,
E' máu procedimento do governo o decidir si S. Ex. não julga que o Sr. Saraiva tem nesta
diante da violência, diante da agitação ; toda a matéria opinião mais constitucional do que o
prudência deve ter para não provocar justas actual Sr. presidente do conselho ?
manifestações aggressivas da população ; mas O Sr. Silveira Martins :—Quanto á illega-
tomar a agitação e a desordem como movei para lidade do acto estou de accôrdo com V, Ex. Hei
praticar áotos contrários ao principio da lega- de fali ir também.
lidade, isto não c de bom conselho.
O presidente do gabinete 28 de Março re- O Sr. Correia;—Já se vê, pois, que nesta si-
cebeu do Rio Grande do Sul t 'logrammas, tuação llbeivil é, ao que parece, o nobre presi-
como os que foram dirigidos de Pernambuco ao dente do conselho o único ministro da fazenda
n obre presidente do conselho ; ■ tratava-se da que não só mandou suspender uma lei provin-
suspensão de um decreto do poder ox 'cutivo, cial, como entende poder sustentir no parla-
cass indo certas facul iades anteriormente con- mento que essa acto não é oífensivo do principio
cedidas á mesa do rendas de Pelotas. da legalidade.
Houve também agitação no commercio. Ao menos, sõ falta conhecer a opinião de mais
E o que f'z o nobre senador pela Bahia, um ministro da fazenda nesta situação, o Sr.
presidente do gabinete 28 de Março? Julgou Affonso Celso. S. Ex. sa manifestará si o jul-
a província do Rio Grande em circumstancias gar conveniente. Más todas as opiniões conhe-
excepcionaes ? Mandou suspender o seu acto ? cidas dos ministros da fazenda da situação
Nã); o decreto oxecutou-se e está sendo cum- actual são no sentido da que tenho susten-
prido. tado.
Somos ambos, o nobre presidente do conse-
Muito se fortaleceu o nobre presidente do Iho e eu, propagnadores do principio da lega-
conselho com a opinião do presidente do lidade, mas aohamo-nos em desaccôrdo neste
senado, o illustre senador pela Bahia, o Sr. ponto : S. Ex. pretende que a legalidade favo-
Barão de Cotegipe. Vou ler as palavras rece seu acto o eu o nego absolutamente.
do nobre Barão na sessão de 1 de Ontubro de
1880, rcerca dos impostos que >, assem- O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente do
blea provincial da Bahia tratava de orear sobre conselho):—O que eu disse foi que apreciei ns
ganeros importados. Disse S. Ex. (lê): circumstancias e pratiquei um acto excepcio-
nal, a-sumindo toda a responsabilidade do acto.
« Pergunto, o governo não tem autoridade
para mandar suspender essa lei por inconsti- O Sn. Correia:—Si o principio da legali-
tucional? Ha exemplos disto. Eu supponho dade favorece ao nobre presidente do conselho,
que este é o único remédio para essas e outras não ha necessidad ■ de explicar seu procedi-
usurpações das as-omblóas provinciaes.» mento como aconselhado por circumstancias es-
peciaes e extraordinárias ; basta invocar a dis-
O nobre Barão de Cotegi e não afHrmou, pois, posição que legitima o seu acto. Si não a en-
que o governo tivesse a attribnição de su-pen- contra, não pôde deixar de reconhecer que
der as leis provinciaes : lormulou a pergunta, tomou um arbítrio que a lei não confere ; não
notou que havia preced htes, e disse que pôde deixar de reconhecer que, tomando esse
julgava ser esse o remedio para s usurpações arbítrio, outro caminho não tem senão vir sub-
das assembléas provinciaes. Tudo sujeitou, missamente pedir ao poder legislativo que o
porém, á solução que se dósse á pergunta : isente da culpa em que por tal acto ficou in-
« Temo governo competência ?» curso .
O nobre senador pela B hia, o Sr. Saraiva, Tenho concluido. (Muito bem. )
então presidentMo conselho e ministro da fa-
zenda, o que respondeu ? Eis suas palavras Ficou a discussão adiada pela hora.
(lê):
«Ha muito qu'» julgo irregular o facto de or- O Sr. Presidente deu para ordem do dia
ganizarem as iissemblóas provineiaos tarifas, 21.
imporora direitos de importação ; compete, po- í* parte (até í i)2 hora da tarde)
rém, ao poder legislativo resolver estas ques-
tões. Não importa isto dizer que o governo não
as estudo » S1 discussão do orçamento das despezas do
E o facto ó que o presidente do conselho do nvnisterio da marinha no oxercicio de 1882—
mini terio 28 de Março não mandou suspender 1883.
a lei provincial contra ; qual reclamou o Sr.
Barão de Cot -gipe • 2:l parte (a 1 f/2 hora ou antes)
O principio sustentado pelo nobr ■ presidente
do gabin te 28 de Março é o vertadeiro.
Yojo que dous antecessores do nobre presidente Continuação da 2a discussão da proposição da
do conselho são accórdes neste ponto, e S. Ex. camara dos deputados, n.78, do corrente anno,
40 ANÍíAES DO SENADO

alterando algumas disposições da lei n. 3.029, da Couto.—Ao archivo, communicando-se a


de 9a de Janeiro do 1881. outra camara.
2 ' discussão da proposição da mesma camara, Do presidente da provincia das AIagôas,de 14
n. 151, de 1880, autorizando o governo a man, do mesmo mez, remettendo um exemplar do re-
dar rever as contas de Urias Antonio da Silva- latório com que o ex-10 vice presidente, o Exm.
provenientes de adiantamento feito pela fazenda Sr. Dr. Cândido Augusto Pereira Franco, pas-
nacional. sou-lhe a administração daquella provin-
Levantou-se assão ás 3 horas da tarde. cia.—Ao archivo.
O Sr. 2° Secretario leu o seguinte.
Parecer
CO sesssio
As commissões reunidas de marinha e
EM 21 DE AGOSTO DE 1882 guerra, e de legislação, tendo conferenciado
ácerca dos assumptos sobre os quaes foram in-
cumbidas pelo senado de apresentar parecer,
Presidência do Sr. Conde de Baependy reconhecem que a nova situação acreada pelo
projecto para o estado-maior de 2 classe é a
SU.MMARIO.—expediente.—Parecer cm rcijuerimento. mais razoável em ordem a extinguir-se gra-
Approvação.— primeira partb da ordem do dia.—
Emenda do Sr. Junqueira. Discursos dos Srs. Moira dualmente esse corpo, e sem offensa a direitos
de Vasconcellos (ministro da marinha) o Henrique adquiridos.
cTAvila. Discurso e emenda do Sr. João Alfredo. Discur-
so do SnMeira de Vasconcellos (ministro da marinha). Esse projecto veiu da camara dos deputados
Votação.—SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA.—A lei de em 1879.
9 de Janeiro do 1881. Discursos dos Srs. Nunes Gon- Foi apresentado na fôrma de additivo á lei
çalves o Silveira Martins. Emenda do Sr. Nunes Gon-
çalves. de fixação de forças de terra, juntamente com
outros.
A's 11 horas da manhã acharam-se presen- Separados na camara dos deputados, formaram
tes 34 Srs. senadores, a saber : Barão de Co- projecto separado.
tegipe, Cruz Machado, Barão de Mamamguape, O senado rejeitou alguns, julgou prejudi-
Leitão da Cunha, Henrique d'AviIa, Barros cados outros, e approvou somente em 2a dis-
Barreto, Chichorro, Visconde de Paranaguá, cussão o additivo que fôrma o projecto sobre
Luiz Carlos, Paula Pessoa, Correia, Visconde o estado-maior de 2a classe.
de Muritiba, Barão da Laguna, Castro Car- Na discussão havida no senado foram apre-
reira, Christiano Ottoni, Diniz, Leão Velloso, sentados os seguintes additivos :
Teixeira Júnior, Luiz Felippe, Antão, Fausto « Artigo. Fica elevado o quadro dos phar-
de Aguiar, Meira de Vasconcellos, Ribeiro da maceuticos do exercito com mais 10 alferes.
Luz, João Alfredo, Nunes Gonçalves, Paes de Artigo. Fica o governo autorizado a rever o
Mendonça, Viriato de Medeiros, Saraiva, Ja- regulamento da escola g^ral de tiro, do Campo
guaribe, Dantas, Barão de Souza Queiroz, Grande, approvado pelo decreto n. 5.276 de 10
Visconde de Abaeté, Junqueira e Visconde de de Maio de 1873.—Junqueira. »
Bom Ritiro. « Artigo. A promoção para os corpos de en-
Deixaram de comparecer com causa partici- genheiros e estado maior do03Ia classe se dará
pada os Srs.: Uchôa Cavalcanti, Barão de Ma- concurrentemonte com os 2 e l03 tenentes de
roim, Franco de Sá, Silveira Lobo, Carrão, artilharia, aos alferes e tenentes de infantaria
Godoy, Cunha Figueiredo, Vieira da Silva, Mar- o cavallaria, que possuírem as necessárias
tinho Campos, Visconde de Jaguary, Visconde habilitações scientiflcas. —Junqueira.
de Nicthèroy e Visconde de Pelotas. « Para as vagas da capitão que se verifica-
rem no corpo de engenheirosa concorrerão os
O Sn. Presidente abriu a sessão. capitães de estado maior de I classe, de arti-
Leu-se a acta da séssão antecedente, e não lharia, de cavallaria e de infantaria que tive-
havendo quem sobre ella fizesse observações, rem o curso de engenharia e houverem obtido
deu-se por approvada. as melhores notas de approvações.
Compareceram depois de aberta a sessão « Para as vagas que se verificarem de capi-
os Srs.: tão de estado maior de Ia classe concorrerão,
Lafayette, Affonso Celso, Silveira da Motta, além dos tenentes deste corpo, os capitães
Octaviano, de Lamare, Fernandes da Cunha, de artilharia, de cavallaria e de infantaria que
Silveira Martins, Sinimbú, Diogo Velho, Conde tiverem o curso do estado maior de Ia classe,
de Baependy e José Bonifácio. sendo preferidos os que houverem obtido as me-
O Sa. Io Secretario dá conta do seguinte lhores notas de approvações.
Para as vagas do tenentes do estado maior
EXPEDIENTE de Iaclasse concorrerão os 20S tenentes de ar-
Officios : tilharia, de cavallaria e de infantaria que ti-
verem o curso do esfcrdo maior d ■ Ia classe,
Do tninisterio da justiça, de 16 do corrente proferindo-se os que tiverem obtido as melho-
mez, devolvendo sanccionado o autographo da res notas.—Visconde de Paranaguá.'»
resolução da assembléa geral relativa á con- « Continuar-se-á a computar para todos
cessão de licença ao ministro do supremo tribu- os effeitos, inclusive o da promoção, a anti-
nal de justiça, conselheiro João José de Almei- güidade, que em virtude da excepçâo consa-
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 41
gradá no art. 9 da lei n. 585 de 6 de Setem- sobro consulta da secção de guerra o marinha
bro de 1850, 20 do regulamento promulgade do conselho de estado, fizeram-se promoções no
pelo decreto n. 772 de 31 de Março de 1851, e corpo de engenheiros, de accôrde com essa dou-
4° da lei n. 1471 de 25 de Setembro de 1867, ó trina ; e, no caso affirmativo, qual a dat i da
contado aos offlciaes do engenheiros empre- primeira dellas.
gados nos serviços de sua profissão fóra do mi- Requeremos outrosim que o governo, por
nistério da guerra com licença ou permissão intermédio do mesmo ministério, informe :
deste ministério ; e bem assim aos ofliciaes dos qual o numero dos capitães de estado-maior do
outros corpos, compr ehendidos na referida ex- Ia classe, de artilharia, de cavallaria o de in-
cee ção. —Sin imhü.» fantaria, actualmente habilitados com approva-
« Não se attende no intersticio exigido para ções plenas em todas as cadeiras do curso de
a promoção o tempo de serviço que prestam os engenharia militar ;
offici es do exercito em oommis-ões alheias do Qual o numero dos capitães daquellas tres
ministério da guerra, ainda que para isso te- armas, habilitados pare a inclusão no estado-
nham obtido a necessária permissão. L va-se- maior de Ia classe com approv.ições plenas em
Ih >8, porém,em conta o referido tempo nos ter- todo curso ;
mos da lei n. 585 de 6 de Setembro de 1850 Qual o numero dos tenentes de cavallaria e
para a sua antigüidade. infantaria actualmente habililados com appro-
§ Único. Não se compréh ndem na primeira vações plenas em todas as cad ir ,s dos cursosa
parte do >ta disposição os offlciaes do exercito de engenheiros e do estado-maior do l.
que serviram antes da imperial resolução de classe ;
consulta do 24 de Dezembro-de 1881, r lati vã- Qual o numero dos tenentes do estado-maior
mente ao tempo do serviço que prestaram em de l» classe, e los tenente i de artilharia, habi-
repartição estranha ao minist rio da guerra ; litados actualmente para a promoção ao posto
bem como aquelles que servirem no corpo de capitão de engenheiros ;
militar de policia da corte e no corpo de bom- Qual araódi.i mnual das vagas de capitães de
beiros.—Visconde de Paranaguá. engenheiros, do estado-maior de Ia classe e do
Os a Witivoj que e r ferem á revisão io re- tenentes deste corpo;
gulamento da escola geral :e tiro o a elevação Qual a média d is alumnos que se matriculam
do quudrj do, phannac uticos do exercito com no Ia anuo do ur o mperior das escolas rai-
mais dez ilfere t, estão no caso d entrar im- litares, e dos que chegam ao ultimo.
me.aatamente om aiscussão o ser a provados, Sala das • ommissões do sonnrto om 16 de
porque no debati havi .o não se levanta: am Agosto do 1882.—João José de Oliveira Jun-
objmçS'S e ão justifica .os, o prim iro pe a queira.— Muritiha.—J. J. Fernandes da Cu-
necessidade reclama .a nos últimos relatórios nha.— Barão da Laguna. — Lafayette Rodri-
da repartição dos negocies ia guerra, de fazer- gues Pereira. — Visconde ãe.Jaguary.
se algumas alterações no r gulamento, como a Foram postos em discussão o sem debate ap-
experiência o t m demonsti-a .o, e como re pii- uro ados os requerimentos constantes do pare-
sitou o dguo commandante daquella escola ; o cer d.-.s commissões.
segundo pelo íãcto .ie reconhec .-r-so qu- o nu-
m-ro loa . harmaceuticos é insufficiente para o PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA
serviço, o Ler a assembléá gerai, no orçamento
passado, consignado funuos par.t pagamento ©RÇAMENTO DO MINISTÉRIO DA MARINHA
desse accroecimo no quadro, e estarem pr tsen-
temento contratados dez jdiarmaceuticos pai- Proseguiu a 3a discussão, do orçamento da
zinos, «juo não póiem convir por não ficarem marinha no exercício de 1882—1883.
sujeitos ds regras da disci. lina militar. Foi lida, apoiada o posta conjulietamonte
A res eito, porém, dos outros additivos, que em dis u são a emenda do Sr. Jun jusiva, que
versam sobre o modo .e contar-se a antigüidade ficou sobre a mesa na sessão de 18 do corrente
e o intersticio para as promoções dos offlciaes de mez. '
exercito,que estiverem em commissões de outros O Sr. 1° Secretario deu conta do um offioio
ministérios, o áccrca da promoção pa.-a os
corpos de engenheiros e do estado-maior de 1' do ministério do império, de hoje, commani-
classe pensam as comraissõrs que, para dar cando que Sua Magcstade o Imperador se di-
um voto funlado áeerca de ses importantes as- gnar > rec iber amanhã 22, ás 2 horas da tarde, no
sumptoSj precisam de obter do governo alguns paço da cidade, a de mtação do senado, que tem
esclarecimentos sobro factos que podem ter de apresentar ao mesmo Augusto Senhor a
influencia nas deliberações a aconselhar-se. resposta á falia do throno.—Int tirado.
Assim, opininam que o projecto e os addi- Continuou a discussão interrompida.
tivos referidos em primeiro logar, entrem na
ordem dos trabalhos desd já, o que fi juom os O Si". Meiira cio Vascoiicollos
outros para ulterior exame e parecer, depois (ministro da marinha.)-. — Sr. presidente, oil-
de recebidas as informações constantes dos se- lustr' senador pala Bahia, qu ; fallou em ul-
guintes podidos : tirno lunar sobro os negocios da marinha,pro-
Requeremos que o governo, por intermedie nunciou-se segunda vez conira a emenda of-
do ministério da guerra informe si, antes d ferecida pelo honrado relator da comraissão de
firmada a d mtrina de que traia a imperial re- orçunento, quo autoriza o governo a reorga-
solução de 24 de Dezembro de 1881, tomada nizar e reconstituir as companhias de. opren-
v, i.v—6
42 ANNAES DO SENADO

dizes marinheiros. A opposição de S. Ex. foi las tem uma freqüência de centenas do menores
accentuada, principalmente na parte, em que e em algumas sóbe o numero até 900. Alli se
mantêm para o governo a faculdade de reduzir attende mais á instrucção desses menores do
o numero de companhias, si assim o julgar que á sua collocação. No Brazil, porem, tem
conveniente. sido o contrario ; consulta-se antes a boa collo-
Pela maneira, por que se manifestou o nobre cação o descura-se do ensino disciplinar. Nós
senador, parece estar convencido de que o pro- lemos companhias aquarteladas em casas de
gramma adoptado para esta reorganização é a luxo, em chacaras, em palacetes alugados por
reducção das companhias existentes. Mas não ó alto preço, que se transformam em quartéis, de
assim, nem este é o pensamento da emenda, e modo que, quando ò preciso entregal-os a seus
nem tal idéa está no intuito do governo. O fim donos, torna-se necessário que o Estado os re-
principal da emenda é collocar as companhias stitua como os recebeu, o, portanto, que faça
em melhores condições, de maneira que possam grandes despezas.
otferaeer as vantagens, que dellas devemos e Accresce que não temos navios apropriados
precisamos auferir. à instrucção naval, sendo aliás isso indispen-
A reducção será apenas adoptada como um sável, para que desde pequenos os apren-
recurso, si o governo entender necessário ou dizes comecem a familiarisar-se com a nave-
indispensável. O pensamento ó promover e au- gação e as manobras de bordo ; precisamos de
gmentar a freqüência de aprendizes nas com- navios escolas, com armamento, artilhados com
panhias, que existem, e, si conseguir que o pequenos canhões, de fácil manejo para exer-
numero de menores se eleve em porporção e se- cício do infantaria, para que se adextrem em
rem conservadas todas as companhias, compen- summa, o jogo de tolas as armas e, princi-
sando as despezas que com ellas fazem, neste palmente se habituem ás fainas e disciplina
sentido será a reorganização. Mas, si por- dos navios de guerra : nada disso temos abso-
ventura, não obstante os esforços, que se em- lutamente. Não bastam que aprendam a ler e
pregarem, e garanto que não os pouparei, não escrever, isto mesmo mal, como succede actual-
chegarmos ao resultado desejado, reconhece o mente. ..
senado, e creio que não o pode contestar o il- O Sn. De Lamare: — Isso é verdade.
lustre senador, que não vale a pena conti- O Sr. Meira de Vasconcbllos (ministro da
nuarem despezas do custeio, do pessoal, da warm/w):—Entretanto o illustre senador, que
educação, do ensino para o numero de seis, tanto se oppõe á reducção das companhias, não
dez ou quinze aprendizes, como actualmente reflecte em uma difficuldade que pode surgir,
existem em diversas companhias. pela maneira por que está concebida a emenda,
Nestas condições,, as companhias nem com- isto ó, o governo pode reorganizar as compa-
pensam as despezas feit s pelos cofres públicos, nhias, mas não exceder a verba destinada ao
nem forneçam para o serviço o pessoal neces- respectivo serviço ; conservar tod^s as compa-
sário e proveitoso. nhias, collocal-as em bom pé, dar-lhes o com-
Reconheço com o illustre senador que, na mando e o pessoal necessário para a disciplina e
realidade, as companhias do aprendizes mari- educação dos menores, será talvez impossível
nheiros representam um papel importante na fazel-o dentro do orçamento sem a suppressão
organização do pessoal da armada brazileira, das que não garantem boas esperanças de fu-
como diz S. Ex. Ellas foram no passado a sal- turo; dahi só pôde resultar desproveito para as
vação da armada e hão de sel-o também no fu- que se acham em circumstancias de com ade-
turo. quada reorganização offerecer vantagens ao
Mas é necessário não confundir-se a appa- serviço publico.
rencia com a realidade ; não devemos sacrificar Autorizar reformas, não dando os meios, quo
o principio á triste verdade dos factos. A ver- se tornam necessários, ó querer impossibilitar
dade é que, no caso em que ellas se acham actual- s governo de realizal-as como desejaria ou
mente, não podem prestar esse serviço ; no es- obrigai-:) a realizal-as de uma maneira imper-
tado decadente do seu pessoal não hão de ellas feita e .incompleta.
salvar a armada. Si fôr possivol conservar-se a E' natural quo com as providencias, que pre-
totalidade das companhias, reorganizando-as, tendo adoptar, por intermédio dos presidentes,
dando-lhes uma freqüência regular, o numero juizes do orphãos e influencias nas províncias,
sufflciente de aprendizes, tanto melhor. consiga elevar o numero de aprendizes, talvez,
Mas, si não fôr isto possivel, a despeito dos na maior parte ou mesmo em todas as com-
sacrifícios e esforços, que empregar o governo, panhias. ..
parece que deve ficar livre a faculdade de sup-
primir as que não estiverem em condições de O Sr. De Lamare:—Conseguirá certamente.
prosperidade, porque a vantagem não está no O Sr. Meira de Vasconcellos (ministroda
grande numero de companhias, mas na organiza- marinha):— ... porque, desde que as provín-
ção ainda que de poucas, que possam ser man- cias se convencerem de que o governo está
tidas com sufficiente numero de aprendizes, disposto a supprimir aquellas companhias, que
instruídos e disciplinados, para que possam não estiverem em condições de ser conserva-
ser üo futuro verdadeiros viveiros da nossa das, por falta de fre {uoncia, naturalmente inte-
marinha. ressadas para que persistam as companhias alli
Na Inglaterra, por exem do, não existe um collocadas, é provável que pelo concurso das
grande numero de companhias de aprendizes ; pessoas importantes e autoridades das localida-
ha,apenas uma meia dúzia, mas cada uma del- des, concorram em auxilio do governo, para
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 43

augmentar-so o numero dos menores, e será tudes, quo nfo se encontram em marinhagem
isto de grande vantagem, e é só o que o go- merconaria. (Apoiados.)
verno deseja. Por conseqüência, nutro a esperança de que,
Com > sabe o senado, o principal motivo d; usando da autorização contida na emenda ap-
decadência das companhias, deixando de parto provada no senado, os marinheiros contratados
o estado actual do sua péssima organização, é serão brazileiros, porque só entre brazileiros ó
sobretudo a repugnância que existe na nossa que se encontram heróes como Marcilio Dias e
população para entregar seus filhos á armada. outros, que se immortalisaram na guerra do
Os pais, tutores, protectores do menores e de Paraguay.
orphãos preferem conserval-os sem educação Feitas estas observações, direi algumas pa-
nem occupação a entrogal-os a eompanhias de lavras a respeito da compra d) torpedos.
aprendizes, até corto ponto com razão, pelo Fui interrogado a este respeito polo nobre
estado, do decadência, em que ellas se acham. senador pelo Paraná e com muita instância
Os juizes de orphãos também têm preferido pelo nobre senador pela Bahia. S. Ex. disse
até agora dar os menores antes á soldada ou que o governo havia resolvido a compra do
empregal-os como criados a envial-os para as torpedos, mas quo não sabia si havia dado prefe-
companhias de aprendizes marinheiros. rencia ao novo torpedo inventado, e o nobre se-
_ Mas o governo, como já disso, procurará vêr nador pela Bahia insistiu, instou, para que eu
si cons 'gue das autoridades a acquisição de dissesse qual a opinião do governo a respeito da
meninos para por esse meio obter o pessoal da preferencia entro o torpedo Whithead e o tor-
armada. pedo Lay.
A questão principal hoje não é ter grande E' corto que ultimamente têm procurado dis-
numero do companhias, nem subdividir essas putar a preferencia essas duas armas de guerra;
companhias, mas ter o numero necessário, que mas as experiências feitas não autorizam a
permitta fornecer á armada o pessoal de que preferencia que pretende o torpedo Lay ; pelo
precisa. contrario são favoráveis ao torpedo Whithead...
O governo considerará serviço relevante o O Sn. De Lamarb:—Apoiado.
prestado com a acquisição de menores para as
companhias do aprendizes marinheiros, nos O Sn. Meira de Vasconcellos (ministro da
termos da lei. Mas o que ó preciso ó organizai- marinha)... notando-se a respeito do tor-
as o melhoral-as, fazel-as sahir do estado, em pedo Lay um grande defeito, e ó que elle é im-
que se acham. pellido pelo ácido carbônico liquido, quo é do
Como o senado sabe, a grande questão a este difficil acquisição <3 preparo, ao passo que o
respeito é a do commando, ó a de bons com- torpedo Whithead ó impellido^ pelo ar com-
mandantos, que saibam educar o preparar os primido, que em toda a parte existo ; a machina
meninos (apoiados); um bom commandante é deoorapressão ó de fácil acquisição e prompto
uma especialidade; no qual estão entregues preparo, e quanto á velocidade a do torpedo
aos capitães de portos, o que, por todos os mo- Lay não é maior, ó antes menor.
tivos, ó inconveniente, o essa é a primeira re- O Sr. De Lamarb:—Muito menor.
forma ; dar-lhes cominandantes, que tenham O Rr. Meira de Vasconcbi.los (ministro da
as aptidões necessárias para a instrucção e marinha)E em todo caso actualmenteas van-
educação dos menores, e aquellcs, que presta- tagens são pelo Whitehead. Ultimamente tam-
rem este serviço, serão considerados pelo go- bém disputa preferencia um outro torpedo^ de
verno como prestando serviços relevantes, para bronze, invenção de um constructor de Berlim ;
os fins logaes o legítimos, porquanto, nas cir- e disputa-a porque o bronze não se qxyda, não
cumstancias, em que nos achamos, não pôde se enferruja tão facilmente ó e mais conscr-
haver serviço mais importante do que o do col- vação e maior duração. 0
locar em condições favoráveis essas companhias, Mas tudo isso ainda é problemático e du-
que devem fornecer o pessoal para a armada. vidoso; não está dita a aultima palavra, o Por
(Apoiados.) ora a preferencia tem sido geralmonte_ dada ao
O illustrado senador lastimou que o governo torpedo Whitehead. Não é possível adiar e es-
tivesse autorização para contratar marinhagem, perar por tempo indeterminado ; a nação que a
porque essa marinhagem, prevê S. Ex., sendo respeito esperasse a ultima palavra para com-
mercenária, ha do ser contratada entro estran- prar, ficaria dasarmada eternamente, porquanto
geiros. todos os dias surgem novos inventos. Não ha
Aceitei a autorização, mas tenho a esperança outro recurso senão aceitar o armamento, como
de que não terei necessidade do contratar es- se acha, o no fim de certos annos fazer acquisi-
trangeiros ; espero limitar-mo a contratar na- ção de outros, que tiverem sido melhorados.
oionaes. R é o que fazem todos os povos da Europa,
O Sr. Barão da Laguna:—Deus o permitta. que so dá a respeito dos torpedos da-se a res-
O Sr. Meira de Vasconceluos (ministro da peito da preferencia entro a metralhadora Nor-
marinha)'.— Como o nobre senador, eu entendo donfeldt e o canhão-rewolvor Hotchkiss. A
quo o marinheiro estrangeiro não ó o mais pró- França profere a Nordenfeldt, e a Inglaterra
prio para praticar actos de patriotismo e dedi- usa do ambos ; porem a maioria prefere a Nor-
cação om defesa da integridade o da indepan- denfeldt, a qííal t"ni sobre o canhão-rewolvor
dencia de um paiz quo não é o sou ; não so Hotchkiss algumas vantagens.
pódo esperar dolle as acçõos do valor, que se O canhão Hotchkiss tem os seus canos_ col-
inspiram no amor da patria, qualidades, vir- locados sobre um eixo, de maneira, que, inuti-
44 ANNAES DO SENADO

lisanlo-33 um ixõ ficam os outros canos inu- versos agentes que existem nesta côrte, faça a
t lisados, ao passo que a Nordenfaldt tom os sua eneommenda para a Europa, onde estão dis-
canos independentes uns do outros, de modos tinetos oíHciaes brazileiros, quo pó lem ser
que, quando um se inutilisa, dos outros con- incumbidos desta tarefa, corno por oxemplo o
tinuara afuncoionar. No canhão-rewolvor o Sr. Costa Azevedo.
carluxo entra pela mesma abertura, porque, si Também ha de pormittlr o nobre ministro que
um cartaxo che car a enjambrar, cessa o tiro dos não concorde o orador com S. Ex. a respeito
outros canos, inconveniente que não se dá na da autorização que pediu para diminuir as com-
metralhadora. panhias de aprendizes.
Fallou finalmente o nobre senador da prati- Está neste ponto d s perfeito accôrdo com o
cagem da barra do Rio Grande do Sul, dizendo nobre senador pela Bahia, o Sr. Junqueira,
qu o não era sufficiente a quantia- votada para entendendo que ao governo não deve ser con-
melhoral-a. cedida tal autorização, porque, em caso algum,
Com effeito, sou o primeiro a reconhecer que deve o governo diminuir unu só dessas com-
a quantia de 10:000S ó insignificanto para os panhias.
melhoramentos de que preciso a barra do Rio A difiiouldade única quo encontra para que
Grande do Sul. Es'_0 serviço está a cargo do sejam ellas colloeadas no devido pé, ó não poder
ministério da agricultura, cm cujo orçamento o governo dispor de pessoal idoneo para su i
será votada a quantia necessária. administração e augmentar o preciso ensino.
Est"s 10:000$ são destinados para augmento Quanto ao pessoal das companhias, o nu-
de vencimentos e accommodaçõos para prá- mero de aprendizes, quando o governo -resolvor
ticos. fazer um verdadeiro esforço, conseguirá o
Mas o ministério da marinha não se tem des- numero quo quizer.
cuidado de attender, no que podo, áquella barra; O que tem observado ó que o governo li-
mandou-se construir uma lancha a vapor que mita-se de tempos a tempos a recommendar a
está quasi prompla, acha-se também em con- remessa do menores, mas nas localidades não
s^rucção ura rebocador e tem-so promovido ou- tem um encai-regado para receber esses menores,
tros melhoramentos importantes,e tanto quanto nem confere autorização para as despezas com
permittirem as forças do orçamento, o governo elles necessárias até ao ponto a que são desti-
está disposto a realizar ainda outros. nados, de modo que as alludidas rocommen-
São estas as considerações, que se me offere- nações são, por assim dizer, cm pura perda,
cem para fazer ; acredito ter tomado em consi- dão trazem resultado pratico algum. Si taes
deração as prinoipaes observações feitas pelo dificuldades não são tão sensíveis ou antes
illustrado senador. não occorrem noa portos marítimos, accentuara-
se em todos os outros pontos das províncias,e ó
O Sn. De Lamare:—Muito bem. o que cumpre remover.
Desde que o governo está no patriótico in-
O Sv. IJesii-iquo íl'Ávila, vem tuito de olhar com interesse para essas compa-
á tribuna movido principalmente pelo desjo, de nhias, viveiros de bons marinheiros, está o
obt r mais esclare úmentos sobre a questão de orador certo de que muito fará augmentaudo o
que se trata. Acabou do ouvir o nobre ministro desenvolvendo a instrucção, elevando o nivel
e pede-lhe permissão para discordar do proce- intellectual dos menores.
dimento quo t -m tido cm relação ao impertan- Observa que hoje não carecemos de mari-
tissimo assumpto da compra do torpedos. nheiros que só saibam ler e escrever, mas que
E* urgente conseguir o segredo desses torpe- reunam as qualidades de marinheiros e do ma-
dos o armar o paiz com arma tão formidável, chinistas, porquo a bordo dos nossos navios do
mas parece que melhor andaria o nobre rainis- guerra, actualmente, elles tem d j entender do
ti-o'si não elfectuasso a compra aqui na corte, machinas.
confiando-a antes a alguém na Europa, pois Applaudu de coração a Uniformidade de vis-
que, tendo quasi todos os inventores agentes tas que observa entre o governo e o senado
nesta côrte, por isso mesmo que iodos os dias era referenc:a ao grand; comóiettimenlo d)
; e modificam, alteram o aperfeiçoara taes m i- elevar o nosso poder militar ao grau de eficá-
chinas, é que se não pó lo aqui resolver, igno- cia compatível, não só com as necessidades da
rando-se qual a ultima palavra da sciencia a guerra moderna, como com a situação das na-
tal respeito. ções vizinhas.
Disse o nobre ministro que o torpedo Whi- Julga que entre nós a arte militar está de-
toheod ó reconhecido como o melhor. Não está cadente. Não é raro encontrar-so um oficial
o orador longe disso, mas tem suas duvidas por que, terminado ó seu serviço, não so ■ apresse
que ultimamente um americano aperfeiçoou em libertar- e da farda, como de uma cousa
aquelle torpedo,dando-lhe qualidades muito su- ridícula, constrangedora o até certo ponto
periores. E' verdade que esse aperfeiçoamento como uma espreie de concessão tacita, feita ao
não está ainda hera reconhecido, depende de publico civil, quo ó hostil á farda.
experiências que se vão fazer na Hollanda. Em nosso paiz, em todo o império , som ox-
Sobre este pmto enuncia o orador mais algu- cepção da província do orador, mesmo actual-
mas consid -rações, tendentes a domonstrar que mento, not i.-so repugnan ia invencível entre
ó preferível, por qualque1, lado quo se encaro, os cidadãos para incorporarem-se ás fileiras-do
quo seja a compra do t srpodos realizada na oxorcito ou entrarem nos quadros da armada.
Europa, pelo que pode ao nobre ministro quo, Todo o cidadão quo pódo libertar-se do sorvíço
si não tomou compromisso algum com os di- o faz, ainda mesmo com ds maiores sacrifícios.
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 45

Já só foram os bellos lempos em que forma- Era esse sem d ivida o nosso d-^ver ; não po-
vam-se os regimentos com os moços mais intol- díamos tratar do outro modo um homem de
ligontes, filhos das melhores famílias ; já o t nto merecimento.
foram os tempos em que uma grande parte da Consta também ao orador que um distineto
mais brilhante mo"idad ■ nossa corria para a offlcial da marinha argentina, o que commandeu
escola da marinha, honrando-sa com a f irda da o Almirante Brown, se acha entre nós, tendo
armada brazileira, como um titulo nobiliario. estndad o nosso paiz pelo lado marítimo.
Resta-nos, é verdade, desses bellos tempos a Nãi leva a mal esse procedimento, antes o
lembrança, representada nos distinctos offlciaes obgia. Era tunpe de p.iz devem ser estudados
de marinha qua possuímos, numero já muito di- os paizes vizinhos, d evem ser procurad is todos
minuído pela morte e pelas baixas do serviço, os esclar ecimentos necessários para na omer-
e ainda enfraquecido por uma enf rmidade que g meia de uma guerra saber-se como se tenha
considera mais grave que tudo—o abatimento,o do haver no paiz cora que se tenha de lutar.
desanimo que se nota nas fileiras do exercito e O que Iam mta o orador ó que a^sim se não
da marinha. faça entre nós. Nossos homens de . estado, é
E', pois, do absoluta necessidade reorganizar f rçi oonfossai-o, quando têm necessidade de
o nosso poder militar, mas pensa o orador que r 'pouso, demandam a Europa; embora na parte
nessa reorganização se deve ter mais cuidado na mais ao sul da rçgião que habitamos encon-
parto ref rente ao pessoal da marinha. Pode o trariam "lies clima tão ameno, tão salutar como
material (luctuante ser completo, poderosíssimo; os que alli ha.
mas, si os navios não tiverem equipagens, com Em nos a sooied >de, porém, o facto de viajar
que sejam devidamente g arnecidos, a marinha pela Europa é motivo de distineção. Não se é
ficará impotente. entre nós bem distineto sem ter viajado na Eu-
Julga que a autorização que tem o governo ropa. E'a razão por que pegou a moda. Todos
para contratar marinheiros pôde apenas ser para lá se encaminham o se demoram. Muitos
conndorada como providencia passageira ; não lá escrevem as suas obras, estudam muito
dá remedio aos nossos males, que jestão em aquelle ; paizes, chegando a ponto do conhe-
outro ponto. rel-os muito mais e melhor do que as próprias
províncias do Império em que nasceram ! E, si
Continua a pensar que se deve abrir debato re ; re s im, aborrecem-se lego do nosso paiz a
largo sobro 'sta questão. tal ponto que nada para elles presta.
Tem ouvido elogiar as reservas do parla- Chega a ponto de que os nossos diplomatas
mento argentino discutindo a questão de li- qua por lá se demorara um pouco esque-
mites. cem a lingua patria !
Não tem proposito desooppor a esses elogios, Referirá ura tbeto passado ha pouco tempo.
pôde mesmo concordar com èlles ; mas a no -a (Jm homem bem distineto, bem illustrado, em
posição é muito diversa da daquella republica posição bem elevada, que reside na Europa ha
nessa questão. alguns annos, casando não ha muito uma filha
Nós temos posse immemorial sobro a juelEs com um brazileiro, de lá fez as competente»
terrenos, firmamo-nos em títulos aceitos pelos participações para o Rrazil em francez e se-
princípios do direito, recebidos em todo o gando o ostylo francez.
inundo. Isto é o que dovíimos lamentar.
Po lemos por conseqüência fallar á luz do Si adoptassemos o systeraa que seguem os ar-
dia, jogar com as cartas sobro a. mesa, som gentinos, no que diz respeito ao poder militar,
receio do commetter alguma inconveniência. ver-nos-iam is em posição mais vantijosa.
O mesmo não acontece com a republica ar- Naqu dle paiz a classe militar ò roubada do
gentina, que lerá necessidade de guardar re- maior prestigio. Desde 1810 que a confederação
serva-', porque, não sendo o seu direito tão tem tido-presidmbs quasi todos militares; bjí
claro, não quererá mostrar qual a sua vordi- aconteceu pie ura sábio litterato o philqsopho,
deira po ição. o Sr. Sarmiento, chegando d elevada posição do
- Já teve o orador o-casião de diz r uma vz e presidente, teve de envergaras d-ngonas do ge-
repete ; — na republica argentina conhece- e n-ralato. Acorasce que as lutis civis têm
melhor o nosso est-do militar d i que entro nós aguerrido as populações da republica. Disso
mesmos. sabe riamos perfeitamente si tomássemos por
Possuem os argentinos nossas revistas o as moda, em vez de ir p ira a Europa, estudár o
discutem nas suas, sabendo o senado que nas que so passa nos paizes mais ao »ul da Anrn-
revistas militares brazileiras a nossa ituação rica. .
em referencia ao exercito o á marinha ó traçada O grande obstáculo que o nobre ministro cta
com a maior minuciosidade o exactidão. marinha vai encontrar para reorganizar a
Têm os noss is relatórios, consultam css >s esquadra ó a questão do pessoal. A lei do ser-
documento q tòm dados ofBciies, 0,0 pio o m \is, viço militar u.ão ó só militar, mas também
têm agonies muito solicito 1 cm colher todas as política o civil; sob esso triplice aspectoq ella
necessárias inforraaçõ ent ndo com os maiores interesses do paiz, e
E nem só agentes offlciaes. Não "O acha por isso pede o orador licença ao nobre senador
entre nós o primeir i estadista daquelle paiz, o pela Bahia, o Sr. Junqueira, para não conside-
Dr. Avellaneda ? Não tem lloapii sido rec e- rar justa a apreciação que S. Ex. fez ao par-
bido com braços abortos? Não se lhe tem tido liberal por hão ter dado execução á lei1 de
franqtiead) todos os meios do osclarjcimentos ( 1874i Corab S. Ex. raosmó disse, esSa lei
46 ANNAES DO SENADO

entrou no período de execução em fins de 1877; para o estado oriental. Na occasião de guerra
e, em quatro annos, que tanto tem durado a chamar-se-ão os reservistas ; mas onde estão
presente situação política, não era possível ao elles ? Qual a organização que se lhes deu ?
partido liberal executar uma lei que não estava Nada disto se sabe.
nos costumes do povo. Por isso entende o orador que o nobre mi-
Mesmo em França, onde é notoria a pro- nistro da marinha, de accôrdo com o seu hon-
pensão para a carr ira militar, a lei do recruta- rado collega da guerra, devo quanto antes
mento levou 50 annos para ser executada, sendo promover os melhoramentos necessários para
que, ainda sob o dominio formidável d; Napo- que a lei se torne oxequivel. Tal como ella se
leão I, ella nunca se executou no departamento acha, não vale a pena abalar o povo com a ex-
de Oeste. ecução delia.
O nobre senador não foi justo com o partido Também deve ver o nobre ministro que, si a
liberal. Este só tem dominado neste paiz em lei melhorada pôde prestar-se para o exercito,
alguns annos até 1834 ; de 1834 até 1864 o do- não tanto assim para a marinha. Precisamos
minio absoluto pertenceu á idéa conservadora, de marinheiros, que venham para a esquadra
que modificou radicalmete em alguns pontos, com a possibilidade de vir a ser bons homens
não só a legislação do paiz, senão também a do mar. Os sorteados pódem ser indivíduos dos
educação popular. O partido liberal subindo ao sertões do interior, e estes nunca darão bons •
poder após a tão longa dominação de seus ad- marinheiros.
versários, necessariamente encontrou difiioul- Na parte relativa ao recrutamento da armada
dades, e cumpre dar-lhe tempo para que possa o nobre ministro deve fomentar o desenvolvi-
reconstruir as instituições tão desmanteladas mento da nossa marinha mercante. O ministro
no período anterior. da marinha dos Estados Unidos ainda ha pouco
Entende o orador que destas recriminações tempo disse no congresso que, si a Confederação
não resultam beneficio algum, podendo mesmo do Norte possuisze na época da guerra de suc-
impedir a aproximação entre Os partidos que cessão os 60 navios mercantes, que actualmente
actualmente se dá, e que o orador está longe de servem nas companhias transatlânticas,aqualla
censurar. Mas viu-se obrigado'a fazer as pon- guerra não teria durado o tempo que durou
derações precedentes para defender o seu par- porque os vasos mercantes, armados em guerra,
tido das accusações injustas que lhe foram teriam bloqueado completamente os portos do
feitas pelo nobre senador pela Bahia. sul.
O certo é que a lei de 26 de Setembro do Chama o orador a attenção do nobre ministro
1874 não pôde dar remedio aos males de que para esta questão, porque a fronteira de Uru-
se resento a organização militar do paiz. guayana não pôde sor bem defendida sem que o
Embora representando um progresso, essa lei governo crêe ou favoreça este meio de auxilio,
ó incapaz de collocar o nosso poder militar em tão natural e tão pouco dispendioso. Alli os ar-
posição conveniente, "sendo verdade que ne- gentinos têm suas companhias commerciaes de
nhum dos seus grandes intuitos pôde ser pre- vapores, que pódem supportar canhões raiados.
enchido pela sua execução, por mais rigorosa O commercio brazileiro da fronteira tem pro-
que esta seja. curado organizar companhias analogas ; mas,
Não tendo decretado o serviço pessoal e obri- havendo de lutar com grandes difflculdades,
gatório, o nosso exercito e a nossa marinha carecem de ser auxiliados peh governo.
continuarão a ser suppridos de soldados e ma- No Alto Uruguay o meio mois profícuo de de-
rujos tirados da ultima classe da sociedade. fesa é o d'torpedos. O honrado ministro deve
Hoje todo o individuo que tiver a mais longi- montar alli uma estação completa, não se es-
qua possibilidade de obter algum recurso tra- quecendo da respectiva offlcina. Si isto se fizor,
tará de eximir-ae do serviço militar. Ficarão os navios da esquadra argentina em caso de
aquelles que por miseráveis e inúteis não pu- guerra, ainda quando subam o Salto Grande,
derem obter a quantia, aliás não avultada, para pela a mndancia d'agua, não poderão subir o
se eximirem do serviço das armas. Uruguay.
Como ficarão, portanto, constituídos exercito Quanto aos arsenaes do Pernambuco e da
e marinha, continuando a alimentai-se em Bahia lencionao orador dar o seu voto a qual-
fonte tão impura ? Poderão o soldado e o ma- quer emenda reslabelecendo-os, mas para que
rinheiro ser respeitados como devem ? Sem du- também se crêem alli estações e offieinas do
vida que não. torpedos, sendo que estas ultimas devem ter
Além d^sse defeito, não se pôde dizer que a direcções especiaes, não se fazendo o quo
lei de 1874 preparou uma reserva efflcaz. Ella actualmente se pratica cora a ofucina de tor-
nem se quer poderá elevar ao dobro o nosso pedos da corte, que está annexa á repartição
exercito em emergencia de guerra ; e, ainda de artilharia.
quando essa reserva pudesse encorporar-se ao Empenhado como se acha o nobre ministro
exercito, por que meios se poderia conservar na defesa de nossas fronteiras, não pôde deixar
áqurlles soldados, que deram baixa durante os de tomar em consideração o serviço da barra
trea primeiros annos, as aptidões necessárias do Rio Grande do Sul; si esta não fòr conve-
para a praça ? nientemente pralicavel, todos, os recursos
E' impossível que a reserva organizada como enviados para a fronteira não poderão lá
se acha na lei, possa dar resultados profícuos. chegar.
Os soldados que dão baixa ficam pelas provín- Feitas estas considerações, pede o orador
cias, a na do orador a maior parte delles passa desculpa ao senado pelo tempo que lhe tomou
SESSXO EM 21 DE AGOSTO 47

o, si se tora demorado nestes assumptos, é pela nistro da marinha—que noticia recente tem do
convicção em que está, do que convém forta- assentamento do pharol daí Roccas.
lecer a província do Rio Grnnde, sem o que E' para lamentar que depois de tanto tempo
poderá o paiz soffrer transtornos maiores que perdido, depois de tantas despezas feitas, agora
os que tem supportado até hoje. {Muito bem ; se verifique que a encommenda foi errada; que
muito bem.) o pharol, que veiu da Europa, não pôde ser as-
sentado na ilha das Roccas; e que o material
O fSr. Joã,o -VlíVedo : — Direi que para lá se mandou era insuficiente e im-
muito poucas palavras ; o meu fim é apresen- próprio ! Isso revela que não houve o preciso
tar uma emenda, restabelecendo a verba—Ar- estudo prévio e sensato, em que devia fundar-
senaes—tal como veio votada pela camara dos se a encommenda que se fez para a Europa, e
Srs. deputados, no orçamento da marinha. o trabalho que, afiliai, depois das maiores des-
graças acontecidas naquelle terrível escolho,
Peço venia ao senado para contrariar assim o foi ordenado pelo nobre ex-ministro da mari-
voto que deu na 2a discussão, porque parece-mé nha, o Sr. Lima Duarte.
que contra este voto, dado de accôrdo com a Li também no relatório, que o nobre ex-mi-
honrada commissão do orçamento, ha razões nistro resolveu aproveitar o pharol que se re-
fortíssimas que interesam não só a nós como ao conheceu imprestável para as Roccas,mandando
commercio do todo o mundo. collocal-o no cabo de Santo Agostinho.
A honrada commissão disse que não aceitava Não contesto que a providencia tenha sido
a quantia votada pela camara dos deputados, util, porque com effeite para os navios que
porque ella era insuíficiente para a organiza- procuram o porto de Pernambuco, convém
ção e custeio do arsenal de Pernambuco em que haja um pharol ao sul da cidade, naquelle
condições de poder ser util. ponto ; mas pedirei ao nobre ministro que
Permitam os meus nobres collegas que eu preste sua particular e solicita attenção para a
não considere procedente esta razão ; contra conveniência que havia em illuminar os pontos
ella bastaria allegar o diotado—que Roma não que formam como que as sentinellas avançadas
se fez em um dia. do Bnzil nos maiores caminhos commerciaes
Não havemos de condemnar e adiar indefini- do mundo.
damente serviços necessariis, sómente porque Para todas as communicações entre o Brazil
não ó possível fazel-os, de uma vez, em ponte e a Europa, entre os Estados-Unidos (costa
grande. atlantica) o o Pacifico; ou entro a Europa e a
Entendo, pel > contrario, que devemos ir fa- Austrália ha um cruzamento ou encontro geral
zendo pouco a pouco, conforme os nossos re- no espaço em que estão os recifes do Cabo de
cursos, o que é possível; o assim chegaremos S. Roque, as Roccas, a ilha de Fernando
com segurança ao fim, mais cedo do que se es- Nnronh i o o Penedo de S. Pedro.
perassem )S tal abundancia de dinheiro, que nos A üluminação destes quatro pontos é uma
permittisse omprehender e realizar tudo sem necessidade universal, ó do nosso particular
interrupção. interesse, porque além do mais ficaria sendo
Um arsenal de marinha em Pernambuco menor o preço do seguro para os navios que
não interessa sómmto a nós, mas também procuram os nossos portos, o é um indecliná-
ao commercio de todo o mundo. vel dever a que o Brazil não pôde faltar como
Além de ser a capit 1 daquella província o nação civilisãaa. (Apoiados.)
interposto commercial mais importante do norte E' triste ler a discripção dos destroços de
do Brazil, ó uma posição geographica muito n ivi js que se encontram nas Roccas, e pensar
notável, um ponto obrigado do passagem rara nas vidas que alli acabaram á fjmo e sede, na
toda a navegação de longo curso que freqüenta mais afflictiva situação ! Não devemos consen-
o Atlântico ; dahi necessidades particulares a tir quo aquillo continue a ser um vasto e me-
attender com relação a todas as marinhas mer- donho cemitério marítimo. (Apoiados'.)
cantes. São tão importantes os interesses que se
Naturalmente os navios que por alli passam licam ao serviço de que fali ), que a impréfisa
pódem procurar a terra, no ponto mais oriental ingleza, não o governo inglez, talvez por causa
da costa, ou para reparos e certos fornecimen- da nossa negligencia, tem discutid oa necessi-
tos que o arsenal possa fazer, ou para obter vi- dade da acquisição da ilha de Fernando de No-
tualhas que e mercado offerece," ou como logar ronha, como ha alguns annos passados foi re-
donde recebam avisos para se dirigirem antes vel'do na camara dos deputados, por um illus-
a um porto do que a outro ; e tudo isso tem que tre brizilciro que já pertenceu á nossa diplo-
ver com o nosso proprio interesse e com o inte- macia.
resse do commercio do mundo. Eu poderia ler a respeito do certas providen-
E sendo que, além disso, a posição geogra- cias que podem ser tomadas com grande pro-
phica de Pernambuco ó digna de ser aprovei- veito, as indlc ções de um distineto engenheiro
tada no caso d 3 guerra, quer para defeza, quer francez, que esteve em Pernambuco o que alli
para aggressão, certamente convém que a nossa fez estudos interessantes; mas, como annun-
esquadra possa apoiar-se em um arsenal de ciei ao começar, não quiz dizer senão algumas
marinha que lhe forneça os meios necessá- palavras ácêrca do arsenal de marinha de Per-
rios. nambuco, e o outro assumpto de que me occupei
Tocando neste assumpto, tratarei, muito pôde ser mais discutido quando se tratar do
rapidamente, de outro que com elle se liga. e ministério da agricultura, porque interessa ao
tomo a liberdade de perguntar ao nobre mi- commercio.
48 AMNAES DO SENADO

Por isso, e para não demorar a passagem do SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA
orçimento da marinha, vou aqui terminar as
observações que pretendia fazer. A LEI DE 9 DE JANEIRO DE 1881
Foi lida, ap nida e posta em discussão con-
juntamente a seguinte Proseguíu a 2a discussão do art. 1° da pro-
posição da camara dos deput idos, n. 18, do cor-
Emenda renti auno, alterando algumas disposições da
qei n. 3029 de 9 do Janeiro de 1881.
Ao § 12—Arsenaes—restabePça-se a emenda A' 1 1/2 hora da tarde o Sr. presidente deixou
da camara dos deputados-—João Alfredo. a cadeira da presidono a, que passou a ser
• ocoupada pelo Sr. vice-presidente.
O Sr. Meira d© Vitsooiicelios
(ministro da marinha) :— Sr. presidente, ; ou- O Sr. Nu.:a.©s Gonçalves:—Sr.
ças palavras proferir.;i para responder ás per- presidente, occuparci por poucos momentos
guntas, que me foram dirigidas pelo nobre a' attenção do senado, não tomando senão o
senador, que acaba dj sentar-se. tempo que me fôr absolutament; indispensável
Perguniou S. Ex. o que resolvera o govorno metturpara justificar umas emendas que vou sub-
a respeito do pharol das^Rocas. Nas ob erva- á sua iliustrada apreciação.
ções, que fez o illustre senador, está implicita- qu«Nãotêmprocurarei envolver-me ms questões
sido suscitad .s por parte dos impugna-
mente ar sposta, que vou dar. uuro do projecto.
Com eífeito, foi encommendado para o pharol Não t nho a honra de qiertencer á commissão
uma colu.una de ferro ; reconheceu-s ■, porém, rnixta, nem por qual quer modo collaborei no
que esse pharol não era o mais proorio para projecto em hscussão, não me cabendo, portan-
aquelle local, porquanto o ferro facilmente se to, a tarefa de responder as arguições que têm
oxidava. sido feitas ao trabalho da mesma Cjmmissão ;
Não convinha, pois, sacrificar por quatro alem do que, seria qior demais essa tarefa de
ou cinco aunos essa m iteri d, quando pedi ser minha parte, visto como os dignos membros da
aproveitado para outro logar mais proprio e commissão, que têm absinto no senauo, já o
onde tivesse duração regular. fizeram com toda a onvetencla e, a meu ver,
Assim resolveu o meu antecessor ; e eu man- muito salisfactoriamente.
tive essi resolução, fazendo remover omateri l Não procurarei aind t responder ás arguições
do pharol das Roocas, onde estava sendo assen- (U i têm sido feitas, por que as considero deslo-
tado. para o Cabo do Santo Agostinho. cadas, par icendo-ma qu ; teriam tolo o cabi-
E neste sentido está o governo promovendo mento quando foi discutida a lei de 9 de Janeiro,
essa melhoramento, suostituindo as columuas qu : tratou de determinar as classes ás quaes era
de ferro por columnas de made.ra, do custo concedido o dinito do voto ; não, hoj ■ que não
menor e de maior duração, e que, sem grande procuramos eliminar ou incluir cidadão algum
dispendio, podem ser substxtaidas quaudo te- nem d ifinir nova < classes a quem deva ser
nham de arruinar-se. conferido esse direito, e sim siruple mente re-
gular de um modo mais preciso o claro, ou
Quanto ao outro ponto do discurso, em que o antes, mais eíficaz, as condições que a mes na
nobre senador chamou a attenção do governo, lei d : 9 de Janeiro estatuiu qeara o exercicio
para que favoreça o commercio, illuminándo al- de se direito.
gumas paragens, o governo está no intuito d • Isso não obstante, Sr. presidente, devo ser
tomar este assumpto em consideração, tant > franc . declarando que algtlinas dessas argui-
quanto o permitia a veroa vot da, que e apenas ções lov ntadas c mira > pr 'j;cto, cm meu con-
de 100:000$; e, si tudo não fizer, ó po.que ceito têm b istanto peso, sobro-ahindi entre
para tudo^ão teve dinheiro. todas a quolla pela ;u d se accusa o projecto de
?5ão essas as observações, que tinha a fazer. nlmiamento rigoroso para com aquelles cida-
Não havendo mais quem pedisse a palavra dãos que tiverem adquirido p r titule de pro-
encerrou-s; a discussão. poi'dade, do arrendamento ou do impostos o
Procedendo-se á votação foram successiva- direito do voto o que,entretanto,ficam excluídos
monte approvadas as emendas offerecidas pelos p los prazos estabelecidos no projecto.
Srs. Barão da Laguna o Paes de Mendonça — Essa arguição, como disse, me parmo séria ;
elevando o vencimento do escrivão da auditoria por parte, p .rem, da iliustrada commisíão ob-
da marinha ; pelo Sr. João Alfr do, restabele- serv u-sj que a pratica de abusos em grande
cendo a emenda da camara dos deputados ao scala, commettidos por oocasião do primeiro
§ 12 da proposta, ficando prejudicada a emenda alistamento feito, eo Conhecimento que se tem
dos Srs. Paes de Mendonça e Barão da Laguna de outros muitos, que se projectam para o alis-
tamento proximo, aconselharam a providencia
a esse mesmo paragrapho ; pelo Sr. Barão da pr posta com o fim de evitar que a fraude ti-
Laguna dividindo os vencimentos dos profes- vesse triumpho Ue cau a.
sores da escola de marinha; pelo Sr. Junqu ura
supprimindo-se as palavras —que reduziu o seu Lm outros termos,
-
disse-se por parle dos que
numere,—doadJitivo 3° do Sr. Ríj iro da Luz. i o p ugnam o p: ojecto :
Foi a proposta, assim emendada, aduptada « E ju to, ó conveniente que por causa de
para ser remetlida á outra camara, indo antes algumas fraudes,de alguns abusos que se possam
3 commissão de redacção. commètter, sejam muitos cidadãos privados do
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 49
direito que legitimamente adquiriram, de votar um prazo de tempo, como o pagamento do im-
de conformidade com os preceitos da lei ? » posto pelo mesmo tempo.
Por parto da commissão; «E' justo, ó conve- A camara tendo supprimido a
a Ia condição,
niente que por amor do direito de alguns cida- ficou subsistindo sóment: a 2. São fáceis de ver
dãos abramos as portas a todas as especies do as objícções que dahi podiam resultar, porque
abusos c de fraudes que vêm deturpar o pensa- basta que o indivíduo pague 6$ nos logares
mento da lei de 9 de Janeiro ? » Deante desta centraes do Império pelo imposto de industria
dualidade de fôrma, em que pode ser posto o e profissões para que adquira o direito de
problema, a solução é intrincada e difficil, e votar.
esta dificuldade não nos deve sorprender, Desde que não houvesse obrigação de provar
porque ó da natureza das cousas; em nenhum a posse do estabelecimento ou o effectivo exer-
ramo de legislação tem tanta applicação o cício da profissão, em virtude da qual paga esse
annexim italiano — fatta la legge, inventata la imposto, não seria difficil aos cabalistas mandar
malizia — como no de que se trata ; e, pois, pagar por cada cidadão 6$ de imposto de in-
parece que alguma providencia se devia adoptar dustrias e profissões, formando assim um exer-
para o fim de obstar a esse mal. cito de votantes. Lamento sinceramente que a
Mas, qual deve ser essa providencia ? camara dos deputados tivesse supprimido esta
A illustrada commissão mixta entendeu que condição, que me parecia essencial (apoiados):
estava no alargamento dcs prazos e, em minha exigir a prova da posse effectiva com a mesma
opinião, entendeu bem, não porque assim se certidão com que se provasse que o indivíduo
evitem absolutamente as fraudes e abusos que pagava o imposto por espaço de dous annos, e
possam ser commettidos, mas porque ao menos provasse também que elle era o legitimo dono,
dá-se occasião a que da consagração do tempo o assim se removia em grande parte o manejo
resulte uma tal ou qual presumpção de legiti- a que venho de referir-me.
midade em favor dos títulos exhibidos. Não me animo, porém, a mandar uma emenda
O que resta saber é si os prazos adoptados no neste sentido, porque não sei qual é o pensa-
projecto satisfazem bem esse intuito, si são pe- mento da commissão e do senado. Mas, si
quenos ou por demais excessivos. alguma fôr offmecida nesse sentido, desde já
Si minha débil voz pudesse ser ouvida pelos hypotheco o meu voto em seu favor.
illustrados membros da commissão, eu lhes pe- Feitas estas considerações preliminares, pas-
diria que restringissem um pouco alguns dos sarei a justificar as emendas que vou ter a
prâzos, conservando os que ella propoz para os honra de offerecer.
arrendamentos e para pagamento de certos A primeira dellas se refere ao n. 1 do § 4°,
impostos, onde os abusos são mais fáceis, onde em que se trata do processo da avaliação.
elles se fazem sentir de um modo mais notável, Já tratei deste assumpto a primeira vez que
mas não assim com relação aos prazos neces- occupei a attenção do senado nesta discussão,
sários para o exercício do direito de voto por mostrando que o alvitro suggerido pela com-
aquelles que o tiverem adquirido por titulo de missão não pdde subsistir, dado o caso de des-
propriedade. accôrdo entre os peritos que têm de avaliar a
Vejo que a nobre commissão nessa parte fez propriedade, para saber si ella pôde ou não con-
sua differença: contentou-se com o prazo de um ferir o direito ie voto.
anno, a menos que a propriedade não seja des- Pelo projicto o terceiro perito não está ad-
membrada de outra, em cujo caso exige-se o stricto ao voto de nenhum dos outros diver-
prazo de tres annos. gentes.
Não ha perigo com relação á propriedade, Pôde dar um valor seu, comtanto que respeite
porque não é fácil que um indivíduo aliene da os limites traçados pelos dous laudos existentes
si o domínio que tem sobre um objecto só para entre o máximo e o minimo.
o fim de um manejo eleitoral, porque elle fica Mostrei que este alvitre não tom justificação ;
desarmado completamente e corre o risco de é contrario ao principio de toda a nossa legis-
perder a propriedade ; portanto, o interesse in- lação... 0 •
dividual d o pr meiro a aconselhar ao proprie- O Sn. Jaguaribb:—Apoiado.
tário que seja muito circumspecto no emprego
desse meio para o fim de illudir a lei. O Sr. Nunes Gonçalves:— ... é contrario
Não acontece, porém, o mesmo com relação mesmo aos princípios das legislações estran-
ao arrendamento, porque ahi póde-se conseguir geiras. Não conheço legislação nenhuma em
o fim desejado e fazendo depois desapparecer o que se faculte este recurso. Aquellas que con-
arrendamento sem que o proprietário corra o ferem ao terceiro perito o direito de afastar-so
risco de ficar privado de sua propriedade. dos dous laudos divergentes, reservara ao juiz a
A mesma cousa se dá com relação aos im- faculdade de escolher aquelle dos laudos que
postos. mais razoável, mais justo, mais conveniente
E lamento sinceramente que na camara dos lhe parecer. Mas com o systema do nosso pro-
deputados tivesse sido supprimida uma idéa jecto o juiz não tem mais do que homologar ;
consignada pela commissão no seu trabalho, não lhe é permitido mandar proceder a nova
relativamente ao pagamento do imposto de in- avaliação, e tem do cingir-se forçosamente ao
dustrias o profissões. O trabalho da commissão laudo do terceiro perito, que pôde ser tudo
consignava duas condições para que o pagamen- quanto quizerem, menos uma avaliação ju-
to deste imposto pudesse conferir o direito de dicial.
votar: não só a posse effectiva de um estabele- Eu não conheço, como disse, legislação que
cimento industrial, rural ou commercial por sanccione este principio, porque de facto não
v. iv.—7
50 ANNAES DO SENADO

existe avaliação nenhuma ; existem tres liu los. desaecôrdo com o pensamento da mesma com-
Não sabemos qual delles tem razão para preva- missão, consignado no § 2°, quando diz;
lecer . « Si o cidadão possuir diversas immoveis,
Urgido por esta argumentação, que não pôde cada um dos quaes tenha valor locativo ou
ser refutada, disse um dos illustrados membros proprio, inferior ao mencionado no paragrapho
da commiasão, como razão da disposição, que antecedente, a prova da renda legal será feita
não se tem em vista aqui nenhum eífeito oivil sobre os valores reunidos de mais de um desses
senão o de declarar-se si o cidadão está ou não immoveis. »
no caso de vetar. Si assim é, como sujeitar-se o cidadão a
O Sr. Jagoaribe ;—Isso me parece ainda tantos processos differentes, quando o pensa-
maior contrasmso : o ser e não ser ao mesmo mento do projecto é reunir o valor de todos
tempo. elles para um só fim ?
Ponhamos, pois, de accôrdo esta disposição
O Sr . Nunes Gonçalves : — Aceito entre- com a do § 2.0
tanto essa observação, que ainda mais vem for- Neste sentido formulei uma emenda, que
talecer o meu argumento. Desde que não ha im- está assim concebida:
portância maior no voto do terceiro ponto, desde « Cada processo poderá referir-se a mais de
que não se trata de dar outros effeitos jurídicos um termo possuido, uma vez que sejam todos
ao laudo desse terceiro perito, senão declarar se pertencentes a um só indivíduo.»
a propriedade vale tanto quanto é necessário Assim evita-se o vexame de muitos proces-
para conferir o direito de voto, qual é o incon- sos e o inconveniente que venho de apontar.
veniente que ha em sujeital-o a um dos laudos A terceira emenda que vou offerecer é com
divergentes ? relação á parte final do § 9.0 Ahi se diz ;
No domínio das legislações em que se per- « Fica também sem eífeito a disposição do
mitte ao terceiro perito afastar-se dos dous n. 11 do citado art. 4.°
laudos, não se dá, como disse, o triumphoa ne- Diz a emenda:
nhum dos tres, porque reserva-se ao juiz a « Supprima-se a parte final do § 9o quando
faculdade de escolher um, e aquelle em favor manda que fique sem eífeito a disposição do
do qual o juiz se pronuncia, decide, não pelo n. 11 do art. 4o da lei n. 3.029. »
voto singular do perito escolhido, mas pela Esta disposição que o projecto manda ficar
força que lhe imprime a escolha judicial, e sem eífeito ó aquella, em virtude da qual foram
assim não é repugnante que produza elle todos considerados pela lei como tendo a renda legal,
os effeitos. para poderem ser alistados, os jurados de 1879,
Isso não se dá com o systema do projecto, os juizes de paz e os vereadores.
porque o juiz não tem o direito de apreciação. Os argumentos apresentados contra esta dis-
Partindo destas considerações e de accôrdo posição parecem-me plausíveis e procedentes.
com a razão dada pelo illustrado membro da
commissão, eu formulei uma emenda assim O Sr. Jaguaribe :—Apoiado.
concebida : O Sr. Nunes Gonçalves :—Não ha razão
« Os peritos se limitarão a declarar si a pro- para que façamos supprimir aquella disposição
priedide tem ou não o valor preciso para con- da lei, o entendo mesmo que esta parte do pro-
ferir ao cidadão o direito de ser alistado como jecto vai além do fim que a commissão quiz
eleitor, deoconformidade com o disposto nos ns. 1 guardar; ella não quiz ampliar, nem tirar di-
e 2 do § I ; si houver desaecôrdo, o juiz muni- reitos ; não tratou disto ; apenas quiz regular o
cipal ou o juiz substituto nomeará um terceiro' uso destes direitos. Mas esta disposição vai
arbitro, que será obrigado a cingir-se a um dos eliminar direitos reconhecidos pela lei a ci-
dous laudos divergentes. » dadãos julgados no caso de ser alistados, como
Com isto preenche-se perfeitamente o fim são os juizes de paz, os vereadores e os jurados
(}uo tevê em vista a condição. do 1879.
A outra emenda refere-se ao n. 2, § d0, onde Nem todos os indivíduos a quem aprovei-
sá^diz: tava esta disposição da lei, usaram do seu di-
« Cada processo não se referirá a mais do um reito. Sabe-se qual foi o açodamento, a urgência
só terreno possuído.» mesmo com que se fez o primeiro alistamento :
Uma disposição assim concebida no projecto a indiíferença ou o descuido fez com que
leva-me a crer que houve algum equivoco muitos indivíduos deixassem de requerer seu
por parte da imprensa eu de cópia. alistamento Portanto, não é justo privar agora
Não considero ser o pensamento da commis- estes indivíduos de usar deste direito.
são sujeitar o proprietário de pequenos terrenos Diz-se que houve algumas fraudes, algumas
a tantos processos de avaliação, quantos falsificações de livros, e de facto tenho conhe-
fossem os mesmos terrenos... cimento de dous ou tres desses casos. Mas não
O Sr. Fausto de Aguiar Apoiado ; hou- me parece isto bastante para revogarmos a lei
ve engano certamente. na parte que reconhcou o direito de voto dessas
tres classes de cidadãos, o que constitue para
OSa. Nunes Gonçalves:— Sou o primeiro ellas um direito adquirido ; não vejo razão
a reconhecer isto. simplesmente porque deu-se um ou outro abuso
Concebido como está o paragrapho nesta que não é fácil de reproduzir-se.
parte, ficará o proprietário sujeito a tantos Senhores, o que está reconhecido é que a
processos de avaliação quantos fôrem os ter- disposição que se procura revogar foi o salva-
renos que possuir, e isto está de certo em teriodalei, digamol-o com franqueza.
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 51
O Sr. Jagüaribe : — Apoiado ; si não fosse O Sr. Fausto de Aguiar dá um aparte.
ella teríamos menos da terça parte dos elei-
tores actuaes. O Sr. Nunes Gonçalves:—Bem ; acreditando
que eífectivamente era este o pensamento da
O Sr. José Bonifácio :—Os jurados de 1878 commissão, formulei a emenda que vou ler, com
e 1879. o intuito de evitar este steeple chase de loca-
O Sr. Nunes Gonçalves Mas si abuso tários quando o prédio tiver um só pavimento
houve, devo dizer que o receio de sua repro- (lê):
ducção não nos deve levar ao extremo proposto, «On. 5do§ll seja substituído pelo se-
tanto mais quanto este abuso, estas falsificações guinte :
não são cousas muito fáceis de realizar-se, por-
que para se falsificar um livro de alistamento « Não se admittirá a provar a renda legal
de jurados é preciso que sejam complices na pelo valor locativo do prédio, em que residir,
falsificação os primeiros funccionari s da co- segundo os ns, 1 e 2 do dito artigo, senão o ci-
marca, pois que sabemos que a revisão dos ju- dadão quo tiver alugado o prédio inteiro, salvo
rados ó feita por uma junta composta do presi- si este tiver mais de um pavimento, caso em
dente da camara municipal, do promotor publico que será admittido o cidadão qüe tiver alugado
e do juiz de direito da comarca. todo o pavimento em que residir com economia
separada, pagando o valor locativo estabelecido
Fazendo justiça á honestidide dos nossos no n. 1 do mesmo artigo. »
magistrados não posso acreditar que nenhum
juiz do direito eílectivo tenha concorrido para O Sr. Fausto de Aguiar:—Torna mais cla-
uma falsificação desta ordem ; si alguma fraude ro o pensamento da commissão.
deu-se, havia de ser praticada por algum juiz O Sr. Nunes Gonçalves:—Mando uma outra
supplente que estivesse com a jurisdição. emenda ao n. 6 do mesmo paragrapho, que
Portanto, me parece de bom conselho que diz :
supprimamos esta parte final da emenda da « Nas disposições do citado art. 5o não se
honrada commissão, para que continue a sub- comprehendem os sublocatarios ou subarren-
sistir a disposição da lei, evitando-se assim datarios.»
maior odiosidado para este projecto. Por esta disposição um grande numero de
Si dependesse de meu voto, desde que tcdos cidadãos fica excluído do alistamento. Si a
reconhecem a necessidade de alargar o circulo commissão propõe isto com o fim de evitar abu-
dos quo devera votar, pediria que, em vez de sos, como se allegou, de se sublocar uma, duas
supprirair-se esta parte da lei, como propõe a e mais vezes o mesmo prédio dando assim di-
honrada commissão, se estendesse o direito do reito a muitos indivíduos ser alistados, penso
voto aos jurados de 1880—1881. que pôde se remediar este inconveniente por
Como bem ponderou o nobre senador por Minas, um meio inais simples, e neste sentido formulei
o Sr. Ribeiro da Luz, os jurados de 1879 que a seguinte emenda (lê) :
foram alistados não são eternos e vão desappa- « O n. 6 do § 11 seja substituído pelo se-
recendo pela morto uns após outros, e, si elles guinte:
não forem substituídos, bem depressa teremos o « As disposições do citado art. 5o e as
alistamento eleitoral muito reduzido. de numero antecedente são em tudo appli-
Mas, como não se trata neste momento de cavois aos sublocatarios, juntando estes o con-
augmentar nem do diminuir as classes de vo- trato de locação entro o sublocador e o lo-
tantes, não apresentarei emenda neste sentido ; cador.
c por isso mesmo entendo queo se deve fazer « A prova da effectiva residência no prédio
desapparecer a parte final do § I , para que se é em todos os casos necessária para dar aos
deixe subsistir a disposição da lei, afim de locatários e sublocatarios o direito a serem
que continuem a ser alistados os vereadores, alistados.» '
os juizes do paz e os jurados de 1878—1879. Pôde com effeito dar-se o caso do subloca-
Uma quarta emenda vou também oíferecer, tario estar no caso de ser alistado; e então dôve
com relação ao n. 5 do § 11. juntar o contrato de locação entre o sublocador
Este numero dispõe : e o locatário.
« V. Não se admittirá a provar a renda A razão da parte final da minha emenda ó a
legal pelo valor locativo do prédio em que re- seguinte: Para ser alistado o sublocatorio, é
sidir, segundo os ns. 1 e 2 do dito art. 5o, ello obrigado a exhibir uma certidão da rece-
mais do quo um cidadão em cada prédio, salvo bedoria, da qual consle o valor locativo do
si este tiver mais de um pavimento, caso em prédio e os recibos do aluguel; mas si elle não
que eerá admittido um cidadão por pavimento, ó o locatário e sim sublocatario, si recebeu o
si nello risidir com economia separada, pa- contrato de outros in .ividuos que são locatários,
gando o valor locativo estabelecido no n, 1 do ó preciso exhibir, além da certidão dos recibos,
mesmo artigo. » documento com o qual prove a qualidade de
Tem-se ponderado, e na minha opinião com locatário, por parte daquelle que houver pas-
muito fundamento, que hypothose pôde dar-se sado os referidos recibos.
de em um só pavimento residir mais do um lo- Sem esse documento o juiz se racharia
catário, dous, tres ou mais ; e favorecendo o embaraçado para saber si os recibos foram pas-
artigo a um só delles a quem aproveitará ? sados por pessoa competente e verdadeiro lo-
Ao primeiro que se apresentar ? E si apresen- catário do prédio, e é fácil de prever quantos
tarem-so doús conjuntamente ? manejos dahi poderiam resultar. Alguns des-
52 ANNAES DO SENADO

tes se deram perante mim, como juiz quando tive Um Sr. Senador :—Pôde recorrer.
de executar a lei ; o meio que tive p ira ob-
stal-os foi exactamente este que consagro na O Sr . Nunes Gonçalves ;— O recurso em
emenda—o de exigir que o sublocatario apre- nada pôde aproveitar, porque, segundo o pro-
sentasse, além da certidão da recebedoria e dos jecto, o simples facto d» reversão é quanto
recibos assignados pelo locatário, mais o con- basta para fundamentar a eliminação, sem ne-
trato entre o locatário e o locador do prédio cessidade de nenhuma prova de fraude. Estas
para estabelecer o nexo entre este e o subloca- considerações bastam para justificar a emenda
tario . que oflfereço e que é a seguinte: « Supprima-se
Tenho ainda uma parte final nessa mesma o § 1.5 »
emenda: a prova de effectiva residência no prédio Ainda uma emenda offoreço ao § 17, e é a
é em todo o caso necessária para dar ao loca- ultima ; ahi se diz {lendo) :
tário e ao sublocatario o direito de ser alistado.
Essa parte final tem por fim evitar o caso,que se « § 17. Nos recursos interpostos contra a
pode dar, de muitos locatários o sublocalarios inclusão de cidadãos no alistamento de eleitores
successivos do mesmo prédio, prevalecerem-se ó permittida prova documental de simulação
de contratos anteriores que tenham feito, para dos contratos, quer sobre propriedade ou
exigirem o seu alistamento e gozarem do favor posse, quer sobre rendas, ou de illegitimidade
da lei. E' por isso que exijo, além da averbação ou falsidade dos títulos ou certidões que tenham
do prédio na recebedoria, uma prova qualquer servido de base ao alistamento. »
da residência no mesmo prédio, podendo ser Na discussão o meu illustrado amigo senador
o attestado passado ou pela policia, ou pelo vi- pela província de S. Paulo fez sentir com toda
gário, com o qual se certifique aquelle facto. plausibilidado as conseqüências desastrosas a
A outra emenda refere-se ao § 15 ; neste pa- que pod ariam dar logar essas palavras—prova
ragrapho se diz {lendo) : documental—, mostrando que ellas podem pre-
« § 15. A eliminação de eleitores do alista- star-se a muitos abusos, desde que a prova do-
mento, em que se acharem, terá logar no se- cumental abrange escripturas publicas, con-
guinteo caso, além dos especificados no n. 1 e tratos particulares e tudo quanto possa servir
no § 5 do art. 8o da lei n. 3029, e no art. 40 de documento. De facto seria absurdo que se pu-
do regulamento n. 8213:—quando, dentro do desse annullar um alistamento só por qualquer
prazo de tres annos, contados da data da pu- espocie de prova que se apresentasse com o
blicação do dito alistamento, os bens a que se titulo de documental. Para evitar essa incon-
referir o titulo de propriedade, ou posse, que gruência, que certamente não estava no animo
houver induzido á inclusão do eleitor no alista- da commissão, peço que se substitua—proya
mento, por qualquer modo voltarem ao domínio documental— pelas seguintes palavras {lê) :
ou posse da pessoa que a este os alienara, ou
passarem ao domínio ou posse de filho ou genro « Prova por escriptura publica ou por sen-
da mesma pessoa. tença passada em julgado. »
A eliminação, neste caso, será feita somente Aqui não damos aos juizes e tribunaes o
á vista de certidão authentica de escriptura pu- arbítrio que poderia haver com a disposição do
blica, ou escripto particular que prove qual- projeoto o não tolhemos ao recorrente o direito
quer dos dous factos mencionados. » que se lhe quer garantir.
Esta disposição me parece injustificável. Não São essas as emendas que tenho de mandar e
sei por que razão havemos de mandar eliminar
do alistamento o indivíduo que legitimamente a respeito dellas eu desejara que a nobre com-
adquiriu uma propriedade, só porque,no fim de missão ou alguns de seus membros emittisse
algum tempo, elle,por conveniência própria,fez seu parecer. Meu pensamento ó concorrer para
voltar essa mesma propriedade ao poder da- que esse trabalho seja digno do senado e para
quelle de que a houvera, quando muitas ra- que possamos fazer uma lei sem restringir
zões'podem ocoorrer para esse fim. Esse indi- inconvenientemente o direito do voto, sem
víduo, estando já alistado, adquiriu um direito, attentar contra as prerogativas, do cidadão, e
do qual não pôde mais ser esbulhado, ó um facto que sirva para estabelecer alguns diques aos
oonsummado que deve ser respeitado : a menos abusos.
que se não prove que o seu alistamento foi o Reconheço, já o disse, que a meteria é
effeito da fraude e que os documentos apre- difflcil, ó um problema de tal ordem ei tão
sentados e que serviram de prova para intrincado que não pôde ter solução satisfa-
o alistamento foram falsos ou simulados. tória em termos absolutos e peremptórios.
Admitta-se embora o direito para a nullifl- O nosso grande empenho, e nisto devem
cação do alistamento por meio da acção com- consistir os nossos esforços, ó conciliar quan-
petente, particular e publica, mas não queira- to fôr possível os interesses dos cidadãos e os
mos firmar o absurdo de se attribuir a quem seus direitos com a causa da moralidade pu-
realizara o contrato,esse effeito gravíssimo, pelo blica e com a da fiel execução da lei.
simples facto da reversão, quando esta póle ter
sido muito licita e regularmente feita. As emendas que acabo do ter a honra de
Assim, me parece que a disposição desse offereoer, me parece que attingem perfeita-
paragrapho ó clamorosamente injusta, insusten- mente esse fim.
tável e odiosa e como tal não pôde ser adrait- São apoiadas e postas conjuntamente em
tida. discussão as seguintes
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 53

Emendas está ; o segundo ó responder ao nobre senador


pelo Maranhão, ex-ministro de estrangeiros,
1.» que appellou para os liboraes do senado, afim
de que todos manifestassem o seu juizo sobre
O sog-ando periodo do n. 1 do § 4o seja sub- essa matéria, que deu logar á retirada do ga-
stituido pelo seguinte : binete 21 de Janeiro, por elle entender que o
« Os peritos se limitarão a declarar si a pro- principio consagrado no projecto não era da
priedade tem ou não o valor exigido pela lei escola liberal.
para conferir ao cidadão o direito a ser alistado O orador foi dos que combateram esse gabi-
como eleitor, de conformidade com o disposto nete ; e, ainda mais, aconselhou também aos
nos ns. 1 e 2 do § l.o Si houver desaccôrdo, seus amigos da camara des deputados que pro-
o jmz municipal ou o juiz substituto nomeará curassem fazer que sobre esse projecto se
um 3° perito que será obrigado a cingir-se a estabelecesse a questão de confiança, por ter
um dos dous laudos divergentes.» previsto que o gabinete deveria cahir na vo-
tação.
2.» Mas, nem o procedimento dos liberaes, então
dissidentes,os torna menos liberaes, nem o facto
O periodo final do n. 2 § 4o seja substituído prova a sua adhesão á reforma, nem ó exacto
pelo seguinte : que o ministério adandunasse o projecto por
julgal-o menos liberal.
« Cada processo poderá referir-se a mais de Ao contrario, o projecto era do gabinete, foi
um terreno possuído, uma vez que sejam todos indicado na falia do throno, que é peça minis-
pertencentes a um só indivíduo.» terial, os membros da commissão da camara dos
deputados sahirun do partido liberal, tendo
3.» sido indicados pelo chefe do gabinete, e figu-
rando entro elleso chefe da maioria, o Sr. Cân-
« Supprima-se a parte final do § 9°, quando dido do Oliveira ; e no senado entrou na com-
manda que fique sem effoito a disposição do missão o Sr. conselheiro Dantas, que o presi-
n. 12 do art. 4o da lei n. 3029.» dente do conselho dissera ser o pai do minis-
4.a tério.
Como pretende-se, pois, que o projecto não
O n. 5 do § 11 seja substituído pelo se- fosse daquelle gabinete? Os amigos do governo
guinte : não podiam fabricar um projecto senão em in-
« Não se admittirá a provar a renda legal teira harmonia com o governo, que sustentavam.
pelo valor locativo do prédio em que residir, se- Portanto, si o governo recusou, foi por outro
gundo os ns. 1 o 2 do dito artigo, senão o cida- motivo; não por julgar o projecto menos libe-
dão que tiver alugado o prédio inteiro, salvo si ral. Hoje acoberta-se com esse principio ; mas
este tiver mais de um pavimento, caso em que não é exacto ; a razão éoutra.
será admittido o cidadão que tiver alugado todo Em primeiro logar o ministério hesitou,
o pavimento em que residir com economia sepa- desde que o nobre senador por S. Paulo decla-
rada, pagando o valor locativo estabelecido no rou que não podia dar o seu apoio ao projecto
n. 1 do mesmo artigo. » por encerrar um ponto com que não podia
transigir, nem com seu proprio pai : o ferir o
5.» grande principio do partido liberal—a extensão
do suífragio. Em segundo logar o capricho
O n. 6 do § 11 seja substituído pelo se- levou o nobre presidente do conselho a mudar
guinte : de rumo. ,
« As disposições do citado art. 5o e as do
numero antecedente são em tudo applicaveis O nobre senador pela Bahia, Sr. Saraiva,
aos sublocatarios, juntando estes o contrato de impugnou o adiamento da eleição, votando'o
locaçao entro o sublocador e locador. senado com a opinião do nobre senador, e mais
A prova da eífectiva residência no prédio é tarde o presidente do gabinete disse no se-
ern todos os casos necessária para dar aos loca- nado que o haviam convencido as razões apre-
tários o sublocatarios o direito a serem alista- sentadas pelo nobre senador pela Bahia, e,
dos.» portanto, já não queria mais o projecto.
a ' Das palavras do nobre senador pela Bahia
6. não podia o ex-presidente do conselho deduzir
Supprima-se o § 15. aquella conclusão, por isso que ellas eram re-
lativas ao adiamento da eleição, e não á re-
1.* visão da lei. O que houve, pois, foi um ca-
pricho : « como fizestes cahir a primeira parte,
« No § 17 em vez das palavras—prova docu- asseguro que a segunda não ha de passar, não
mental—diga-se—prova por escriptura publica quero mais. »
ou por sentença passada em julgado.»—A. M. O orador, que era opposição, e procurava
Nunes Gonçalves. por todos os modos destituir o governo, que
qualificava máo, entendeu que era um campo
OSv. SiIvoix*a. Martins vem á de batalha justo, uma medida de expediente,
tribuna por dous motivos ; o primeiro é impedir não por apoiar a lei, mas para eliminar o go-
a passagem da lei, pelo menos tal como ella verno, desde que este fazia questão de gabinete
54 ANNAES DO SENADO

E a prova é o facto de ter desappârecido a ur- se effectivo o pagamento, nem obrigar o»


gência da discussão logo que o gabinete cahiu. remissos, como demonstrou a experiência.
Não tinha, pois, o nobre ex-ministro de es- Não quer fazer reviver essa questão; o que
trangeiros o direito de appellar para os senti- quer é mostrar que, assim como o governo
mentos do liberalismo dos senadores, para co- assume a responsabilidade de suspender a co-
nhecer o seu juizo sobre o projecto,porque quem brança de impostos decretados por uma pro-
mudou de opinião foi o gabinete transado. O víncia, assim também podia suspender a execu-
projecto era seu, porque era governamental, ção de uma lei geral. Ambas são leis que,dentro
embora viesse em nomeda commissão mixta. do território que regem, operam com a mesma
0 projecto foi innocente ; a occasião é que energia. Não havendo, portanto, diíferença, não
foi aproveitada, porque é de boa política espe- procede a razão oíferecida pelo nobre presi-
rar, e nunca perder asoccasiões. Elias pas- dente do conselho.
sam rapidamente, e o talento do homem de No desenvolvimento de suas considerações
estado consista em saber aproveitar o mo- diz que pensa de modo contrario ao nobre
mento opportuno. E isso foi o que succedeu. presidente do gabinete 21 de Janeiro, quando
Não foi realmente um pretexto para se reti- disse que preferia á liberdade a integridade
rar o ministério; o nobre ex-presidente do con- do império.
selho estava tão convencido da sua vida, que na O império existe pela constituição; ella ó a
sexta-feira protestou que havia de fazer com escriptura que prova o facto da nação, e esta
que na segunda entrasse em discussão o orça- só pôde existir com os direitos e com as liber-
mento do ministério de estrangeiros, que havia dades que alli se garantem aos cidadãos e ás
sido adiado por motivo de moléstia do respe- províncias do império.
ctivo ministro. Por sua parte o orador prefere decididamente
pertencer a uma nação pequena com liberdade
Quem quer discutir segunda-feira é contar do que a uma nação grande com a escravidão.
com a morte na sexta anterior, em que eífecti- A servidão ó um grande mal, mas uma cousa
vamente morreu. ainda peior ó o servilismo.
O que acaba de dizer sobre este ponto A Bélgica tem um pequeno território, mas
da historia parlamentar é para que os factos o belga apparece altivo e orgulhoso em toda
não passem adulterados para a historia do a parte do mundo, porque d um homem livre, um
paiz. cidadão. Outros, que pertencem a nações
Impugna independentemente disso o projecto grandes em território, e que têm muito poder,
para que elle não passe, ou então passe me- vivem degradados e humildes, porque não ha
lhorado, com o suffragio mais extenso. Não homens dignos sem liberdade.
sabe entretanto porque o actual governo o traz
á discussão, quando não foi medida victoriosa B o Brazil não garantirá perfeitamente a
na camara, como acabou de mostrar, e guando liberdade individual, si as suas instituições se
falta o tempo até para a discussão das leis an- não fundarem todas na liberdade provincial, tor-
nuas. nando-se praticas e formaes as grandes theses
consignadas na acto addicional.
Não devia o governo fazer questão da passa- Não quizera que o governo tratasse logo
gem do projecto, quando existem questões da dessas reformas, que são complexas, e deman-
mais alta importância, que deviam ser tomadas dam mais tempo, mais experiência e mais es-
em consideração, como é a da descentralisação tudo, mas ao menos que merecesse a sua
administrativa, porque agora mesmo elle se attenção o estado actual do exercito, que real-
acha em grandes difficuldades com a adminis- mente não e iste, porque não ha exercito sem
tração das províncias da Bahia e Pernam- disciplina.
buco.
Referindo-se aos factos occorridos em Per- E a proposito julga opportuno responder ao
nambuco, aprecia o acto do governo que man Ia nobre senador pelo Paraná, que ha poucos dias
suspender a lei provincial, como medida o considerou injusto pela apreciação que o
extraordinária. O acto é discricionário, mas orador fizera do procedimento do marechal do
justificam-no as circumstancias ? O cjue cum- exercito, o Sr. Conde d'Eu, na escola mi-
pria ao governo era submelter o caso immeiia- litar.
tamente á camara dos deputados, e pedir-lhe Doeu-lhe muito essa censura, porque o orador
um bill de indemnidade. Si não o obtivesse, tem a coragem de fazer justiça aos grandes,
teria perdido o confiança da camara e cahiria dizendo-lhes quando têm razão contra os pe-
como tem cahido muitos ministérios. Cifra-se quenos e também de dizer aos pequenos: a ver-
tudo, portanto, em uma questão de gabin te. dade está comvosco, e não com aquelle pode-
Observa que o nobre presidente do conse- roso. O homem que quer ser verdadeiramente
lho procurou justificar-se de ter procedido de justo não procede de outro modo ; não enxerga
modo contrario na questão do imposto do vin- senão os factos, separa-os inteiramente, abstra-
tém, e o orador entende que nesse ca o não hindoda idea de pessoa. Por isso os gregos,
procedeu o governo prudentemente, não sus- sempre formaes e plásticos, pintavam a justiça
pendendo a cobrança do impoto. cega, com balança e espada ; cega, não enxer-
Faz algumas considerações sobre essa ques- gava individualidades, e com a espada cortava
tão, sustentando que a energia do governo indistinctamente.
naquelle caso seria reconsiderar o seu acto, Ha muitas pessoas, e o orador tem conhecido
visto que o processo da cobrança não parecia até juizes que, para mostrarem independência,
conveniente, sobretudo por não poder tornar- estão sempre armados de espada contra os
SESSÃO EM 21 DE AGOSTO 55

grandes, contra os ricos, contra os homens de alludida, que constitue apenas um facto se-
posição. Esses, porém, não querem a justiça, cundário, que em nada altera a verdade da
porque a não amam ; só querem as apparencias historia.
delia. Pedindo desculpa ao nobre presidente por se
Assim o orador, si tivesse feito o seu repa- ter desviado do assumpto do debate, diz que não
ro só por animosidade, incorreria na mesma é inimigo da rhetorica e aqueile que o é, é ini-
censura, por ter apreciado desse modo o proce- migo do systema parlamentar. Ella ó umá arte
dimento de um príncipe, do marido da futura divina; o primeiro povo do mundo, os athe-
imperatriz. nienses, erão todos rhetoricos. Pôde censurar-se
Já disse e o repete, que muito a seu pezar, e a rhetorica vulgar, fallar,tomar tempo. Mas isso
vencido pela necessidade, fez essa advertência, mesmo é um grande beneficio do systema con-
para que o marechal do exercito (assim devia ser stitucional. Quando não havia as explosões da
considerado na escola militar), que occupa no palavra, as questões debatiam-se na praça pu-
paiz uma posição especial, advertido em uma blica, ou nos campos da batalha, á espada ou á
cousa ligeira, não praticasse cousas maiores. lança, exterminando-se uns aos outros.
Julgou, portanto, fazer um bom serviço. Agora pôde apenas demorar-se ura projecto
Si na questão havida entre o príncipe e o pro- cemo o qu í se discute, que, si passasse de-
fessor, o Sr. Conde d'Eu, ou alguém por elle, pressa, podia prejudicar muito uns, cerceando
tivesse declarado que não era exacta a expo- o direito, a liberdade do cidadão, já muito cer-
sição, não seria o ora lor que se occuparia do ceada. Assim, si não se pódo conquistar o
facto; mas nada se disse em publico, como melhor, conquiste-se ao menos a negação do
devia dizer-se, por honra do príncipe e por mal.
honra também do paiz. O systema da governo parlamentar não é
Recorda que, por occasião do roubo das jóias feito só para fazer o bem ; é sobretudo um or-
no paço de S. Christovâo, veiu á imprensa o ganismo preparado para impedir o mal e os
mordomo da casa imperial rcctificar os factos erros do governo ; porque é impossível que,
que haviam sido adulterados. em um longo debate nas duas camaras, o paiz
Ora, o Sr. Conde d'Eü, qtie não tem a mesma se não compenetre da inconveniência da medida
posição, nenhum dezar teria era declarar que que se quer adoptar.
a versão não era exacta. Elle não declarou, A opinião das massas ó decisiva, e por isso
porém, cousa nenhuma; as infjrmações, que o o principal defeito dos parlamentos é serem
orador tem, são as que leu nos jornaes, e que eleitos por numero limitado de votos porque
não foram contraditadas. desse modo não ó o governo da opinião pu-
blica. Pois formará essa opinião só o rico,
Ora, como o orador não está adstricto á prova só o sábio, só o doutor, só um numero limitado,
documental, porque não é o juiz, que julga pelo limitadíssimo de eleitores, diante da grande
allegado e provado, basta-lhe o critério, para massa da população?
ver que nem um faria a accusação publicando o Não julga, pois, conveniente que se queira
facto, nem outro a defesa, calando a verdade do manter um privilegio injusto. Querer evitar
occorrido, e por isso julgou o facto verdadeiro, a fraude trancando a porta aos eleitores é o
e julgou do seu dever censurar o acto que, da mesmo que prohibir o commercio livre para
parte de pessoa tão qualificada, r óde constituir evitar o contrabando.
um principio não sé na escola militar, como nas O orador prosegue em largas considerações,
outras escolas, e até no parlamento. Ahi, quan- apreciando as restricções da lei, as causas con-
do alguém da galeria, ou de fóra, perturba o stilucionaos e a idade, mostrando como era occa-
debate, o presidente o faz retirar, empregando sião de emendar esse defeito, pondo a lei de
até a força, si ó secessario. Não vê razão para accôrdo com a constituição
que qualquer espectador perturbe o professor Expõe ainda o orador as razões porque con-
com apartes, ou a não ha para que o legislador tinua a clamar pela desentralização adminis-
não seja perturbado. O p-incipio é o mes no. trativa, querendo que o governo tenha res-
Sento ter entrado nestas explicações, a que peito ás províncias.
o obrigou o nobre senador pelo Paraná. Concluindo diz que o que deseja ó que o
Appella entretanto para a consciência do povo brazileiro, si fér infeliz com o seu go-
illustre príncipe. Elle mesmo reconhecerá que verno, só se queixe da si pela má escolha que
não foz bem. Contra a sua pessoa não tem o tenha feito dos seus representantes, que por
orador nenhuma animo idade, bem ao contrario, emquanto não são escolhidos por ello, mas por
ainda que nunca tenha conversado com Sua meia dúzia relativamente ao todo ; ninguém
Alteza, tem li.lo cartas suas e tem visto alguma deve querer manter esse privilegio, com que
cousa que lhe prova que é um homem muito parece explorar-se o povo. _ . ,
intelligente. O governo é do paiz pelo paiz. A constitui-
E' um engano dizer-se que não se publicou ção diz: soberania do povo. E um povo que se
a defesa; ella sahiu em um jornal, não em nome reduz a um numero tão limitado não é sobe-
de Sua Alteza, mas não contestava o facto, rano. A soberania não pôde residir em tão pe-
contestava apenas o ponto litterario, que o queno numero, e em querer ser delegado do
orador aprecia largamente, condemnando ener- soberano — o povo. ^
gicamente aquella grande atrocidade, é mos- Ficou a discussão adiada pela hora.
trando como por ella ó responsável o rei, sendo
diante da carnificina e da santificação do crime O Sr. Vice-Presidknte deu para ordem do-
pelo Papa, de pouco valor a cireumstancia dia 22:
56 ANNAES DO SENADO

(ia parte até 2 horas da tarde) Fernandes da Cunha, Franco de Sá e Luiz


Felippe.
a
Continuação da 2 discussão da proposição O Sr. 1° Secretario declarou que não havia
da camara dos deputados, n. 78, do corrente expediente.
anno, alterando algumas disposições da lei
n. 3.029, de 9 de Janeiro de 1881. NEGOCIOS DA BAHIA
{Aparte ás 2 horas ou antes) O Sr. Junqueira: — O nobre pre-
sidente do conselho conhece bem os negocios
a
3 discussão da proposição da mesma camara da Baixa Grande, comarca do Camisão, na pro-
n. 221, de 1879, relitiva a sociedades ano- vincia da Bahia.
nymas, com o novo parecer das commissões de Em 26 de Fevereiro do anno passado houve
legislação e fazenda. alli grandes desordens. Familias respeitáveis
a
2 discussão da proposição da mesma camara, foram obrigadas a emigrar ao pino do sol do
n. 151, de 1880, autorisando o governo a man- meio dia, e a retirar-se a pé para a villa do
dar rever as contas de Urias Antonio da Silva Camisão, á procura de abrigo. Commetteram-se
provenientes de adiantamento feitos pela fa- grandes desatinos.
zenda nacional. Felizmente, assumindo a administração da
Levantou-se a sessão ás 3 horas da tarde. província, o nobre senador pelo Piauhy poz
cobro a essas desordens : nomeou um bom sub-
delegado e um bom promotor, deu outras pro-
videncias, e restabeleceu-se alli a ordem.
Mas, ultimamente os negocios estão tomando
6Sa sessão máo caracter naquelle ponto. Deram-se novas
desordens. No fim do moz passado ou princi-
EM 22 DE AGOSTO DE 1882. pio deste apedrejaram-se casas de cidadãos
importantes, dispararam-se tiros ás portas do
Presidência do Sr. Barão de Cotegipe digno vigirio e de outras pessoas notáveis. As
familias estão sobresaltadas, e tenho, Sr. pre-
SUMMARIO.—Negocios da Bahia. Discurso o requeri- sidente, cartas daquella loc didade e da capital
mento do Sr. Junqueira. Discurso do Sr. Visconde do da Bahia dizendo que é preciso uma providen-
Paranaguá (presidomo do Conselho). Adiado por ter
podido a palavra o Sr. Correia. — PaniEinA Ppakte oa cia enérgica do governo e que alli haja uma
ordem do dia.—A lei de9 do Janeiro de 1881. i iacur- boa autoridade policial. Vou, pais, mandar um
sos dos Srs. Silveira Martins, Leão Volloso (ministro do requerimento á mesa pedindo ao governo infor-
império) e Franco do Sá. Emendas. — Adiamento.—
Següsda parte da ordem do dia.—Sociedades anonymas. mações a respeito desses successos, convencido
Emendas. Discurso do Sr. Affonso Celso. de que o nobre presidente do conselho e seus
collegas hão de olhar com attenção para aquol-
A's 11 horas da manhã fez-se a chamada e les negocios. O nobre presidente do cons dho
acharam-se presentes 31 Srs. senadores, a conhece-os perfeitamente. Alli, Sr. presidente,
saber: Barão de Cotegipe, Cruz Machado, Ba- é preciso restabelecer-se o império da lei, que
rão de Mamanguape, Leitão da Cunha, Luiz precisa ser restabelecido também em muitas
Carlos, Correia, Junqueira, Meira de Vascon- localidades do Brazil.
cellos, Paula Pessoa, Visconde de Paranaguá,
Viriato de Medeiros, Barros Barreto, José Hoje seria um grande e verdadeiro program-
Bonifácio, Castro Carreira,Visconde de Abaeté, ma o restabelecimento da ordem, e o restabe-
Fausto de Aguiar, Nunes Gonçalves, Diniz, lecimento das finanças. O mais tudo podia
Ribeiro da Luz, Dantas, Antão, Aífonso Celso, esperar um pouco; não é tão urgente. O que
Conde de Biependy, Lafayette, Saraiva, Leão não pôde esperar ó este estado em que vemos
Velloso, Christiano Ottoni, Paes de Mendonça, tantas localidades, sem que se dêm providen-
Silveira Martins, Teixeira Júnior e Si- cias adequadas. Neste sentido envio á mesa o
nimbd. meu requerimento.
Deixaram de comparecer, com causa partici- Foi lido, apoiado e posto em discussão o se-
pada, os Srs. Uchôa Cavalcanti, Chichorro, guinte
Barão de Souza Queiroz, Diogo Velho, Octa-
viano, Silveira Lobo, Henrique d'Avila, Godoy, Requerimento
Cunha e Figueiredo, Vieira da Silva, Martinho
Campos, Visconde de Bom Retiro, Visconde de Requeiro que se peçam ao governo,por inter-
Muritiba, Barão de Maroim, Visconde de Ni- médio do ministério da justiça, informações
ctkeroy e Visconde de Pelotas. ácerca dos últimos successos occorridos na fre-
guesia da Baixa Grande, da comarca do Cami-
O Sr. Presidente abriu a. sessão. são, na província da Bahia.—S.R. —/mnyueira.
Lêu-se a acta da sessão antecedente, e, não
havendo quem sobre ella fizesse observações, O Sr. "Visconde de Parana-
deu-se por approvada. (presidente do conselho)Sr. presi-
Compareceram, depois de aborta a sessão, os dente, não tenho noticia dos factos a que allu-
Srs. Barão da Laguna, de Lamare, João Al- de o nobre senador e nom S. Ex. os especificou.
fredo, Visconde de Muritiba, Jaguaribe, Sil- Por isso não posso dar informações neste
veira da Motta, Visconde de Jaguary, Carrão, momento. Mas vou exigil-as do presidente da
SESSÃO EM 22 DE AGOSTO 57
província, certo de que elle lerá cumprido o O Sr. Junqueira:— Apoiado; é muito digno.
seu dover, providenciando a este respeito,
como ou fiz o anno pjssado, relativamente aos OSa. Visconde de Paranaguá (pi-esidenic do
factis a que alludiu o nobre senador. conselho): —Hei de, portanto, exigir as precisas
Com cffeito, um attentado alli havia sido informações do presidente da Bahia, certo do
commottilo cm Fevereiro do anno passado, que,si tão deploráveis acontecimentos se repro-
antos_ do rainha chegada á Bahia: algumas duziram, debaixo de qualquer fôrma, naquella
famílias foram cxpellidas no prazo peremp- localidade, S. fix. não se terá feito esperar
tório do muito poucas horas, creio que de na expedição das providencias adequadas.
3 ou 4... Com offeito, ha intrigas, e intrigas antiga-,
O Sn. Junqueira Apoiado. naquella localidade, e cumpre que a autoridade
esteja muito attenta afim de que não tom ;m
O Sr. Visconde de Paranagua' {presidente caracter de comprometter a ordem publica.
do conselho)-.—Foi um attentai > inaudito... Nada mais posso adisntar agora ao nobre se-
O Sr. Junqueira : — Um acto de selva- víncia nador a este respeito. O presidente da pro-
gem. da Bahia ha de tomar, e acredito mesmo
que já terá tomado providencias...
O Sn. Visconde de Paranaguá {presidente Os Sus. Leão Vem.oso {ministro do impé-
do conselho) : —As providencias, porém, foram rio) k Mbira de Vasconobllos {ministro da
expedidas logo que cheguei. marinha) :— Apoiado.
Tinham já decorrido talvez dous inezes e a O Sr. Vi-conde de Paranaguá {presidente
excitação continuava. Entretanto, tomei logo do conselho):—Tenho naquelle presidente a
na devida consideração o facto, em vista das mais plena confiança. . .
representações que me for ou feitas pelas
victimas... Os Srs. Leão Velloso {ministro do impé-
rio) e Mbira de Vasconceli.os {ministro da
O Sr. Junqueira : — Apoiado. marinho) :— Apoiido.
O Sr. Visconde de Paranagua' {presi- O Sr. Visconde de Paranaguá {presidente
dente do conselho):—... as medidas por mira do conselho) :— Elle é digno disso. Esteja o
adoptadas foram de tal ordem, ins irararn tal nobre senador,portanto,certo,e os povos daquolla
confiança, que os expellidos volt'ram para s Lie >1 idade convencidos dc que o presidente da
seus logares completamente garantidos... Bahia empregará todos os recursos que es-
O Sn. Junqueira;—V. Ex. prestou ura bom tiverem ao seu alcance para que o império
serviço. da lei não soffra a menor quebra naquella
O Sr. Visconde de Paranaguá {presidenta localidade, bem como em outro qualquer lo-
do conselho):—... pela pnsença de autori- gar de sua jurisdição.
dades, que me mereciam toda a coníi inça, no- O Sr. Correia:—Peço a polavra.
tavelmente o subdelog.ido, Sr. alfeivs Meirellos, O Sr. Presidente:—Fica adiada a dis-
e o digno promotor, que nomeei, destituindo o cussão.
que lá estava...
O Sr. Junqueira :— Apoiado. PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
do conselho):—... e que tinha rei ições, no A LEI DE 9 DE JANEIRO DE 1881
logar, cora os principaes implicados naquelles
acontecimentos. Continuou a 2» discussão do art. 0° da pro-
O promotor nomeado foi o Sr. Sancho Bitten- prosição da camara dos deputados, u. 78, do
court Berenger César, que alli procedeu par- corrente anno, alterando algumas disposições
feitamento bem. da lei de 9 do Janeiro de 1881.
O Sr. Junqueira:—Procedeu muito bem.
O Sr. Visconde de Paranaguá {presidente O Si*. SilTeira. Max^tins já tom
do conselho):—Apreciando os seu serviços, o manifestado a sua opinião sobre o projecto que
primeiro logar import mte que vagou, lh'o dei. se discute. Tomando a palavra, não ooculta
sem solicitação delle, nem de n ssoa alguma, que o faz para embaraçar a passagem da lei,
porque, senhores, entendo que para o gover- obstando assim que se restrinja o direito de
no ter auxiliares, é preciso quo os seus servi- suffragio.
ços soj im apreciados o premiados de prompto, Si o projecto tem do ficar como está, é acto
{apoiados), independentemente de patronos. meritorio e patriótico impedir a sua passagem
por todos os meios lícitos, e entre elles está o
O Sr. Junqeira:— Apoiado. empng) dos recursos facultados pelo regi-
O Sr. Visconde de Paranaguá {presidenta mento. . .
do conselho): — Foi o que fiz com quelle Entende que o projecto tom por fim corrigir
digno magi trado, romovendo-o para a cornar urna lei por outra lei, o que ó imp ssivel : uma
ca de Santo Amaro, onde rocod- u muito bem, lei má, porém discrotamonte executada, pôde
e agora, contribuindo para que se lhe desse o produzir bons o.Ti tos; porém a melhòr e a
juizado municipil em Barra Mansa, onde est , mais correcta das leis 1
nenhum offeito bom pro-
e creio que ha de pro-eder como os preceden- duzirá, si não fô. executada conveniente-
tes autorizam a esperar, i mente.
v. iv. —8
58 ÂNNAES do senado

As restricções estabelecidas pelo projeoto em com a matéria, faz ver que pelo art. 2o da
discussão têm sido exuberantemente demons- loi de 9 do Janeiro é eleitor todo cidadão nos
tradas ; e o mesmo governo parece não ser termos dos arts. 6, 91 e 92 da constituição,
infenso ao alargamento do voto. isto ó, todo aquelle que tem renda liquida an-
Essas restricções, si apoucam o eleitorado nual não inferior a 200.$ por bens de raiz, in-
com relação á eleição de deputados, realmente dustria, commercio ou emprego. Alei estabele-
o tornam minimo, insignificante, quasi nullo ceu um novo systema de prova,mas respeitando
relativamente á eleição de vereadores. a constituição, que só excluiu algumas classes
Na eleição municipal pela lei antig'a achou- evidentemente inhabilitadas para o exercício
se estabelecido, com o systema de um só grau, do direito do voto, taes como as praças de pret,
um suffragio tão extenso que era quasi univer- os interdictos, os mendigos, etc. Sendo assim,
sal. Assim foram eleitas as municipalidades não se pôde entender como é que a mesma lei
durante 50 annos, desde que o povo brazileiro declarou não permanente o alistamento que
sahiu do regimen colonial e a historia política encontrou feito do accôrdo com os princípios
do paiz não prova que tenha dahi provindo constituoionaes que ella não alterou.
nenhum inconveniente para a ordem e a segu- Si porventura se tivesse alterado o'censo,
rança publica : pelo contrario,esse direito assim seria logico que se declarasse não permanente
generalisado foi como uma valvula de segu- a qualificação que existia ; mas o censo não foi
rança, impedindo que tumultuariamente se elevado, e, portanto, aquelles dos antigos qua-
manifestassem muitos e profundos descontenta- lificados que não foram alistados em virtude da
mentos populares. lei vigente, certo é que foram prejudicados em
As constituições políticas modernas baseam- seus direitos.
se todas sobre o principio da soberania exis- A contradição vai adiante. Pelo art. 5° exi-
tente na totalidade da nação ; mas o que se vè ge-se para o alistamento que, no intuito do
na pratica é exactamente o contrario : a maxima provar a renda constitucional de 200$, se apre-
parte da população apenas serve o obedece... sentem provas de pagamento de quantias su-
Grande soberania na verdade ! periores para aluguel de casa. Pois quem só
Discorrendo sobre a extensão que pela Índole ganha 200$ por anno, e esse pela constituição
da nossa constituição devem ter os direitos po- pôde votar, tem obrigação de provar que paga
liticos dos cidadãos e, portanto, os doveres que de aluguel de casa, sommas superiores a 200$,
lhe são co-relativos, o orador sustenta que a e até, em certo» casos,o dobro, 400$, como exige
todo cidadão corre o dever de defender a sua o citado art. 5o?
patria, e disto deduz a obrigatoriedade do ser- Este systemu. de mais a mais é iniquo. Do
viço das armas para todos os brazileiros. eleitor que reside no Rio do Janeiro exige prova
Estas idóas, bem como a de organizar-se re- de que paga 400$ de aluguel de casa ; no em-
gular e efflcazmente a defesa da província do tanto que do eleitor de uma villa do interior
Rio Grande, não pareceram bem a um illustre apenas exige prova de que paga 100$. Nada ha
deputrdo pelo Rio de Janeiro, o qual incluiu o que justifique esta desigualdade.
orador entre os pretensos patriotas, que, no Impugna em seguida o orador a disposição
sentir de S. Ex., almejam chegar a seus fins do projecto^ rola,tivo aos offi iaes honorários.
pela relaxição dos commandantes. Estes cidadãos tem a prova de capacidade que a
Isto é inepto. Pois comprehende-se que pre- lei conf Te a outras classes. Não é admissível
tenda alguém attingir fins menos patrióticos, que os que souberam commandar companhias
contribuindo para que o Estado organize um ou batalhões, defendendo a patria, não tenham
exercito no Rio Grande ? a necessária aptidão para eleger um represen-
tante da nação. Neste sentido enviará uma
Si os exércitos se relaxam, depende quasi emenda.
sempre isso dos governos, que são os primeiros
wg6neraeá'. A historia ahi está para demons-
Oulro3Ím,não lhe parece razoavol a disposição
tral-o, lembrando entre outros o celebre mare- referente á idade. Todos os dias o parlamento
chal de Villares preterido por Villeroy. concede dispensas de idade para matricula de
estudantes, o que quer dizer reconhecer-lhes a
Em nosso paiz, alludiu o orador, em outro capacidade que a lei lhes nega. Ainda mais :
discurso, ao general Marquez de Barbacona, fez-se uma revolução declarando o Imperador,
O honrado filho deste militar, dominado antes na idade de 15 annos, apto para governar o
pelo sentimento da piedade filial do que pelo da nosso vásto paiz. Porque, pois, contestar a
imparcialidade histórica, acudiu sustentando outros cidadãos capacidade para aos 21 annos
que em fontes errôneas e suspeit is se inspira poderem votar em um candidato á senatoria ou
o orador. Engana-se, porém, esse cidadão; não á deputação ? Realmente ó injusto, e além disto
em Lino Coutinho e em Vasconcellos foi inspi- diminue o numero de eleitores, quando ó pre-
rar-se o orador, mas sim nos contemporâneos e ciso alargar o suffragio.
testemunhas oculares dos factos dessa época,
como foram o general Osorio, que era então ^Podia o orador ir adiante; porém, afim de
alferes, e o brigadeiro Brandão, que era ca- não mais incorrer na censura de estar ob-
pitão nesse tempo. struindo, dá documento vivo do contrario pon-
Depois de varias apreciações históricas era do aqui remato ás suas observações.
abono das opiniões que emitlira relativamente
ao general Marquez de Barbacena, o orador, O Sr. Leão Volloso (ministro
cingindo-se ás advertências do Sr. presidente, do império) :—Sr. presidente, por vezes al-
o passando mais rostrictamente a occupar-se guns dos oradores que têm occupado a tri-
SESSÃO EM 22 DE AGOSTO 69
bana tem insistido em ouvir a opinião do go- O Sx*. Fi-anco <1© Sá, não julga
verno ; o o nobro senador pela província do sufficiente a opinião que acaba de dar o nobre
Minas Geraos, o qual não está presente, o ministro do império, declarando qual foi a in-
ex-presidente do conselho, chegou a formular tenção geral da commissão , 0 qual é o desejo
uma censura contra o ministro do império do ministério, que consiste unicamente epi
por nao ter ainda enunciadj sua opinião ro- evitar as fraudes, que fazem frustrar muitas
íativamento a este projecto. disposições da lei de 9 de Janeiro
A censura não procede, para que o senador Não duvida dessas intenções do governo e da
que hoje dirige a repartição do império tem commissão; está mesmo convencido de que
sua opinião formulada no proprio projecto, como assim é, mas suppõe ter-se demonstrado que o
membro que foi da commissão mixta ; e ainda projecto vai muito além desse proposito,restrin-
que^ não tivesse, desde que se mostrasse de gindo consideravelmente direitos concedidos
acoórdo com a commissão, e neste sentido se pela lei, o o que se pergunta ao governo é si
manifostasso, estava no seu direito de conser- concorda com essas restricções. Tem-se dito
var-so silencioso, tanto mais quando, segundo que se formulem emendas, que sendo razoá-
declarações feitas por alguns nobres senado- veis, serão aceitas. Mas, os que tem comba-
res, ha proposito de impedir a passagem do tido e projecto só poderiam propor a suppressão
projecto ; e uma vez que este proposito foi reve- de todas as provas, que se estabelecem de novo,
lado, o governo, que já declarou que era ur- ou que são augmentadas pela commissão, e que
gente tomar providencias para evitar fraudes, tornam mais difficil a qualificação de cidadãos,
não andaria acertado se concoresio para obstar quo tenham adquirido a prova de lei. Desde
a passagem do projecto. que so augmontam as diíficuldades do alista-
mento, tem-se feito uma restricção ao direito
Accrosoo quo quasi todas as considerações, eleitoral, e o quo o orador desejava era que o
que têm sido feitas contra o projecto, referom-se nobre ministro dissesse, si concordava com o
antes á lei eleitoral; são argumentos que teriam meio ideiado pela commissão para evitar as
logar quando se discutiu esta lei. Mas agora fraudes.
não se trata de alterar o systema da lei ; o fim Accresce que muitos cidadãos que pela lei
do projecto já foi muito lucidamente definido de 9 de Janeiro tinham direito de votar, são
pelo meu nobre amigo, senador pela Bahii, directa e positivamente excluidos pelo projecto,
comopelos outros membros da commissão. S. Ex. como os jurados de 1879 o os vereadores do
que também ò membro da commissão, disse quatrienni i anterior á lei.
muito claramente que não se trata de alargar, Dizendo em aparte o nobre ministro do im-
nem de restringir direitos; do que se trata sim- pério que se restabelece esse direito, observa
plesmente é do manter-se a execução da lei, o orador que nesse caso o projecto não é susten-
impedindo as fraudes até onde fôr possível... tado pelo nobre ministro.
O Sn. Silveira da Motta :—Mas o facto ó O outro ponto importante é sobre os locatários
que o projecto restringe. (lia outros apartes.^ e sublocatarios.
A emenda a quo so referiu o nobre ministro,
O Sr. Leão Velloso (ministro do império) : condemna o trabalho da commissão e assim a
—Declarei, o igual declaração foi feita pelo impugnação sempre produziu algum offeito.
nobre senador pela Bahia, quando se discutiu Passando a apreciar o projecto sobro outro
esto projecto no seio da commissão, que nos ponto do vista, mostra como ello altera um dos
reservávamos o direito do modificar nossas opi- pontos fundamentaes da lei do 9 do Janeiro,
niões na discussão, aceitando as idéas que nos que exigia que a prova de renda fosse do-
parecessem mais apropriadas ao fim que se cumental, não tendo a testemunhai valor em
tinha em vista. nenhum caso, ainda mesmo corroborada por
Depois que passei a occupar a posição do mi- sentença judicial.
nistro do império, achei-mo no seio da camara, Entretanto o projecto admitte o alistamento
e declarei que votaria por todas as emendas que, por meio do avaliação, quo não ó mais do que
facilitando a prova de renda, não animassem a o juizo de dous indivíduos, um dos qu ies no-
fraudo. meado pela autoridade publica, que pela depen-
dência do governo não offerece garantia alguma
O Sr. Cruz Machado: — Apoiado. da prova especial produzida ad hoc, só para o
O Sr. Leão Velloso (ministro do império) : fim eleitoral.
— E neste proposito estou; hei de votar pelas Outro ponto essencial da lei do 9 de Janeiro
emendas apresentadas polo nobre senador pelo é o systema das qualificações ; a permanência
Maranhão, e pola emenda annunciada polo do alistamento.
nobre senador por Minas Geraes, o Sr. Ribeiro Estabeleceu-se como principio inílexivel,
da Luz, assim como votarei por todas as outras invariav d, quo o cidadão, uma voz alistado,
que apparocerem, tendendo a fa ilitar a prova nunca mais perderia o direito do voto. Hoje
de renda, mas sem fomentar a fraude. augmentam-se as difficuldados do alistamento,
Este ó o proposito em que estou ; e, manifes- diíficuldades extremas cm alguns casos, o ainda
tando a opinião do governo, repito que neste o cidadão alistado não fica seguro de perihane-
projecto não ha outro fim senão o do evitar cer no numero dos eleitores, pois que a questão
até onde fòr poasivel as fraudes que ameaçam contra o seu direito pôde ronovár-se, dizendo-se
falsificar o alistamento eleitoral. que foi simulado o contrato, pelo qual ello foi
Creio, pois, cora esta declaração ter cumprido alistado, e dada bem ou mal essa prova, o cida-
o meu dever. (Muito bem.) dão será eliminado. . >
GO ANNAES DO SENADO

O orj.dor desenvolvo largamente a matéria, demente o prestigio, a força moral do partido a


mostrando os inconvenientes desse processe, que pertence.
que teve por base a prova testemunhai, que se Tem-se empregado no debate a palavra obs-
tinha querido systematicamente excluir; assim, truir. Não lhe parece que no caso presente
a prova que nSo serve para admittir, _ servirá so verificassem a hypothese da obstrucção. O
p ira eliminar ; e o cidadão que tiver sido alis- que se tem assim denominado em Inglaterra ó
tado, mediante uma prova instrumental, ven- um systema, que certamente merece a conde-
cendo todos os obstáculos da lei, poderá depois nacção de todos os que prezam o systema par-
ser cxcluido por uma prova testemunhai. Basta lamentar. Um pequeno grupo dos representan-
para isso que alguns indivíduos vão referir tes da Irlanda adoptou por systema embara-
circumstanoiaS; das quaes um juiz possa, de çar todas as questões do parlamento, e assim
boa ou de má fé, inferir, que o contrato foi si- essa minoria, tornando-se facciosa porque
mulado. Assim qualquer cidadão poderá ver saho do seu direito, impede, esterilisa comple-
lançado per terra o seu direito e annullado o tamente a acção legislativa da maioria.
seu contrato, embora revestido do todas as for- Não contesta que esse procedimento não seja
malidades da lei. muito patriótico aos olhos da Irlanda, cujo ob-
Parece-lhe importante, capital esto ponto jectivo c a sua antonomia parlamentar, e em
do projecto- todo o caso poderá ser um meio efficaz para obri-
As garantias de que a lei rodeou a qualifica- gar o parlamento inglez a fazer-lho concessões.
ção já não são sufficientes para punir as frau- O ponto porém, a que quer chegar ó que_ no
des que possam ter-se dado? E é caso para gran- c iso presente não se trata dc obstruir, de im-
de temor, que por entro as malhas tão cerradas pedir a acção legitima da maioria e do go-
de qualificação escapasse algum cidadão, que verno; o que so quer apenas é demorar urn
não estivesse rigorosamente no caso de pro- pouco o andamento do projecto que se consi-
var o direito eleitoral? dera, sem razão, do urgente necessidade pu-
O orador chama portanto a attonção do nobre blica. Nem seria rasoavel que ura projecto que
ministro para estes dous pontos importantes, passou na outra oamara sem discussão, passasse
em que o projecto oífende a lei de 9 de Janeiro: do mesmo modo no senado, quando elle oífende
o caracter da prova, e a permanência da quali- gravemente os direitos do cidadão, o altora pro-
fundamente o systema da lei, votada ha apenas
ficação. um anno. Neste caso os que impugnam o pro-
Recorda que quando no senado se propoz o jecto com todo o esforço, e se demoram o mais
adiamento das eleições municipaes e do alista- que podem na tribuna, prjstam um serviço pu-
mento, afim da se corrigir antes os deffeitos da blico.
lei, e entre elles o maior, o systema do voto O orador está prompto a formular emendas,
uninominal; entendeu-se que isso era um co- desde que o nobro ministro declare que accoita
meço de reacção contra a lei,' que ainda não as idéas que trm enunciado. Si nem o go-
tinha sido sufficientamente praticada para reve- verno,nem a coramissão as acceita.para que for-
lar todos os seus pontos fracos. Nessa oocasião mular emendas para as vèr rejeitadas? Em todo
acudiu á tribuna o ex-presidente do ministério o c iso apresenlal-as-á na 3a discussão, ou ainda
28 de Março, em dsfeza da lei que lhe parecia na segunda, si para isso lhe derem tempo. Si
ir jser offendida sem bastante reflexão, demon- não asapivsent)ujá,foi pelo motivo, que acaba
strando-se na discussão que o projecto não só de declarar, pela nenhuma esperança de que
revelava tendência para uma reacção contra a fossim ucceitas, em vista do açodaraento com
lei, mas ainda a oífendia em pontos fundamen- que se queria fazer passar o projecto.
taes, com que não teria concord ido aquello Depois do mais algumas consideraç5e3,pa3sa
honradç ministro, mesmo quando teve do accei- a responder ao nobre senador pela província
w tar tr msacçõos para facilitar a passigem do do Rio Grande do Sul. Tem muita satisfação
projecto. Elle teria em tal caso feito questão de em vèr que S. Ex. vem com o seu valioso con-
gabinete. curso em auxilio dos pouco? que impugnam o
Como,pois, hojo, sob o pretexto de augmontar projecto.
as garantias da boa execução da lei eleitoral, Não quor fazer recriminações estoreis, que
esses pontos são offendidos, sem que so orgam seriam prejudiciaes, quando S. Es. traz o seu
as vozes daquelles que têm a principal respon- valioso apoio aos que combatem a projectadi
sabilidad) no systema da lei actual, e que p':r reforma.
isso devem ser os mais zelosos em defendei a ? Dirá entretanto o nobre senador que não
Por isso insiste com o governo, e especial- ha a contradição que S. Ex. notou, nem da
mente com o nobre ministro do império, para parti do orador, nem da do gabinete a que
que S. Ex. diga si concorda com essas duas pertenceu. Para o demonstrar historia os
partes do projecto, relativamente á prova de factos e explica o pensamento do governo,
renda e á permanência da qualificação. quando na falia do throno chamou a attenção
Não é propositi do orador, discutindo o pro- do parlamento para a necessidade da revisão
jecto,crear embaraços ao governo, ao qual, como da lei de 9 de Janeiro.
já declarou, não é hostil, fazendo ao contrario E' certo que todos estavam do accôrdo no
sinceros voto* para que seja feliz em sua admi- ponto de se corrigirem os defeitos que a pra-
nistração; insiste porém em suas reflexões, não tica da lei tinha revelado, e a commissão havia
só por um dever de coheroncia, mas pola firme apenas completado nVssi tempo o seu tra-
convicção em que está de que o projecto oflende balho sobre eleições municipaes. O projecto
os direitos do cidadão, 0 vem prejudicir gran- actual não estava ainda formulado; portanto
SESSÃO EM 22 DE AGOSTO 61
não tem razão o nobre senador, quando diz Não era o resultado que certamente desejava
quo para ollo se chamou a attenção das com- o illustra presidente do gabinete 28 de Março ;
missõos na falia do throno e quo as-sim era pro- o que S. Ex. queria era a verdadeira expres-
jeoto do governo. O projecto foi assig-nad i uo são da vontade popular, e não o triurapho dos
seio da commissão no raez de Junho, e a falia interesses individuaes contra a victoria das
do throno ó do 17 de Maio. A verdade ó que o idéas.
governo não foi ouvido, nem tomou parte na Não quer o orador a eleição por província,
elaboração do projecto. porque abi se pôde manifestar a influencia do
Em sua opinião, o primeiro dos defeitos que governo, mas também não quer uma eleição
a lei manifestou na pratica foi o extremo em que desappareça inteiramente a influencia
rigor dos meios da prova. Era esse o ponto dos partidas e das idéas ; quer o meio termo ;
capital, que precisava do correcção. Outro de- a eleição que não revele unicamente os inte-
feito que se havia manifestado muito saliente resses individuaes, nem que represente uma
era o voto uninominal. única força, a força do governo.
Eram estes pontos que deviam principal- Entende que o receio de caudilhos deve ser
mente occupar a attenção da commissão, care- muito menor que o da preponderância governa-
cendo também de reforma o systema da apura- mental . O caudilho político no sentido que a
ção das eleições nos districtos, e que a pratica oste termo se dá nas republicas de origem hes-
revelou ser muito defeituoso. panhola, isto é, um chefe militar que pela
O orador indica ainda outms defeitos que a força das armas impõe a sua opinião, seria uma
nobre commissão podia ter reformado, corri- calamidade publica ; porém o caudilho, tomado
gindo disposições ambíguas ou deficientes. no sentido de chefe de Organizações partidá-
Do que não podia cogitar o ministério de 21 rias o director de grandes opiniões collectivas,
de Janeiro é que a commissão augmentasse as longe de ser conderanado, deve ser considerado
dificuldades da prova de renda, que no entender um benemerito da cau-a publica neste paiz, em
do governo já era bastante rigorosa. que não ha nem grandes influencias aristo-
O pr jecto não era, portanto, governamental, cráticas, nem grandes proprietários, nem pai-
nem o gabinete podia concordar com ollo. xões políticas que extremem os partidos.
Quanto ao projecto relativo á eleição muni- Neste ponto o orador não se afasta da
cipal, o governo foi ouvido e deu sua opinião ; dout.ina liberal professada em todo mundo,
quanto ao quo se discute, não. O primeiro cor- como demonstra, citando o exemplo da França,
rigiu alguns defeitos d.i lei, e lastima o orador onde o partido mais adiantado fez questão do
•que homens eminentes do partido liberal tives- restabelecimente dos circulos, o o exemplo
sem corrido em apoio de um systema que nem di Itilia onde também o partido liberal pu-
ao_ menos lhe pertencia, porque o voto unino- gnou pela reforma no sentido de acabar com os
minal não foi idóa do ex-presidente do gabinete circulos d; um só deputado, e finalmente o
de 28 d; Março, nem da camara dos dosputados, exomplo da própria Inglaterra, onde as opi-
nem foi apresentado por membro algum do niões mais adiantadas quasi sempre conseguem
partido liberal; foi uma idéa da ultima hora, fazer-ss representar nos circulos de tres.
oíforocida pela commissão e aceita polo go- Estas idéas o orador já as tinha quando de-
verno por espirito de transacção. putado; o defendeu-as opportunamente ao dis-
Para mostrar o defeito desse systema refere- cutir-se a ultima reforma eleitoral.
se á eleição geral o provincial da Bahia, tendo dosConsign ido como se acha na lei o systema
naquella, com a eleição de districtos de um que circulos do um só deputado, o orador pensa
a experiência demonstrará om breve os
deputado, triumphado em sua maioria o partido perniciosos effeitos do um tal systema ; porém,
liberal, e tendo nesta com o voto uninominal si não se deve tocar na lei para retocaj-a neste
dado a quasi totalidade da representação pro- ponto, sem que da experiência se tenham co-
vincial ao partido conservador. Essa dilferen ;a
o orador attribue ai defeito do ultimo sys- lhido todos os ensinamentos, muito menos,, se
tema ; só asüm se pode xplicar a contradicção deve cahir na exageração do voto uni-nominal,
combinado com o quociente para as eleições
entre duas eleições realizadas muito proxima- provinoiaes.
mento.
Abi so encontram mais os defeitos da falta
Rofere-so também ás ultimas eleições da de cohesão política, dando como resultado o
còrte, om que se provou que não são eleitas as triurapho dos pequenos interesses.
pessoas de maior merecimento, mas sim as que
c balam melhor, O defeito ó do systema do Produzidas algumas considerações sobre o
vMo uninominal, que deslróo os esforço? dos resultado das ultimas eleições municipaes, lem-
partidos o a influencia das idéas. d indo a vi- bra o orador que ainda ultimamente uma das
ctoria universalmento aos mais activos, d ; sorte folhas que mais aggrodiram o ministério do 21
quo são muitas vozes os que menos têm a estima de Janeiro, e insuspeita, portanto, aos olhos dos
publica. E a razão é simples ; ha nest' sys- que defendem o voto uninominal,demonstrou ca-
tema mais probabilidades de êxito,e por isso são balmente que este systema não póle ter defesa
muit) numerosos os pret ndontos, levantando-se possível, sendo que, além do mais, tem o in-
candidaturas do todos os pontos. Não do- conveniente do incommodar duas vezes o
minim mais as idéas, não ha mais a responsa- eleitor.
bilidade dos partidos ; domina apenas o podi- Ha ainda um lado pelo qual pôde ser apre-
torio, acompanhado do todo o cortejo do meios ciado b projecto om discussão : ó o pouco tem-
conhecidos para solicitar votos. po quo resta para que seja votado o prpmul-
62 ANNAES DO SENADO

gado. Argumento analogo predominou para a Rio de Janeiro, de 12$ dentro dos limites das
rejeição do projecto de adiamento da eleição outras cidades, e de 6$ nos demais logares do
municipal. Actualmente dà-se o mesmo. Por Império.
maior que seja a pressa na passagem do pro- Não servirão para a prova da renda qualquer
jecto, elie não será convertido em lei de modo outros impustos não mencionados na dita lei.
que suas disposições sejam observadas nos —Conde de Baependy.—Fausto de Aguiar.—
alistamentos de todo o Império. Cruz Machado.—Ribeiro da Luz.
Assim ficarão frustradas as medidas relativas Altere-se o n. 2 do § Io do art. Io do se-
aos arrendamentos prejudicando-se além disto guinte modo :
o direito dos cidadãos que, confiando no que
dispõe a lei vigente, se tiverem habilitado para « Quando o immovel consistir em terrenos de
o alistamento, preparando provas que não se- lavoura ou de criação ou em quaesquer outros
jão mais admittidas pela reforma em projecto, eitabelecimentos agrícolas ou ruraes, pela
a qual descarte terá um effeito retroactivo. computação da renda á razão de dez por cento
Do projecto em discussão pôde, pois, dizer-se sobre o valor do immovel.— Cruz Machado.'»
o que se disse a respeito do adiamento das Ficou a discussão adiada pela hora.
eleições municipaes ; vem já muito tarde !
Eram estas as observações que tinha a fa- SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA
zer. (Af «tf s bem.)
A' 1 hora e 40 minutos da tarde, o Sr. pre- SOCIEDADES ANONYMAS
sidente interrompeu o orador, o Sr. Franco de Entra em 3a discussão a proposição_da ca-
Sá, e convidou a deputação que tinha de apre- mara dos Srs. deputados n. 221, de 1879, re-
sentar a Sua Magestade o Imperador a resposta lativa a sociedades anonymas, com as emendas
á falia do throno, a desempenhar a sua miss ;o. ofierocidas no novo parecer das commissões de
A' 1 hora e 3/4 da tarde o Sr. presidente legislação e de fazenda.
deixou a cadeira da presidência, que passou a
ser oocupada pelo Sr. vice-presidente. Foram lidas, apoiadas e postas conjuncta-
Foram lidas, apoiadas e postas conjunta- mente em discussão as seguintes
mente em discussão as seguintes
Emendas
Emendas
Acrescente-se ao art. Io, § 2o, n. 2, depois
O valor loeativo do prédio exigido pelo n. 1 das palavras—caixas econômicas—as seguin-
do art. 5o da lei n. 3029 para dar direito aos tes—e as sociedades de seguros mutuos.—M.
cidadãos a serem alistados como eleitores será F. Correia.
o de 100$000 para todas as cidades e villas do Ao art. 37 acrescente-se ; § 3.° A socie-
Império, ficando assim derogada a parte final dade em commandita por acçõos dissolve-se
do numero e do artigo referidos.—Silveira pela morte de qualquer dos socios responsáveis.
Martins, —M. F. Correia.
São aptos para serem alistados como eleitores
todos os cidadãos que, reunindo as demais con- Emenda additiva
dições legaes, fòrem maiores de 21 annos de
idade.— S. R.— Silveira Martins.
Ao art. 10 acrescenté-se : § 4.° A porcen-
Substitua-se o § 8'J pelo seguinte í tagem que fòr devidida aos administradores,
Fica revogada a parte final do n. 3 do § do art fundadores ou a quaesquer empregados da so-
■»30 da leirn. 3029, quando exige a percepção de ciedade será tii ada dos lucros líquidos, dopois
soldo ou pensão para que possam os oíficiaas de deduzida a parte destinada a compor o fundo
honorários ser alistados como eleitores.— S. R. de reserva.—M.F. Correia.
— Silveira Martins.
O Sr. AAlonso Colso pronun-
Projecto n. 78 de 1SS2 ciou-se, na 2a discussão deste projecto, de modo
a tornar bem claro o seu pensam >nto e bem pa-
Substitutivo do § 1' do art, Io : tente a significação do voto que lhe deu.
As disposições dos ns. 2, 3 e 4 do §2° do Não o aceita senão em falta de cousa me-
art. 3o da lei n. 3029 ficam substituidos pelo lhor ; como uma transacção entre a doutrina,
seguinte; quo ha 22 annos (completam-se hoje exacta-
« Com certidão passada pela competente re- mente) vigora entre nós ácerca de sociedades
partição fiscal da qual conste não só que, desde anonyinas, em manifesto detrimento do espi-
dous annos antes contados do ultimo dia do rito de ini-iativa e de empreza, e a que dese-
prazo do art. 6, § 6o, da lei n. 3029, o cidadão jara ver consagrada na legislação, para que
possuo _ effectivamente qualquer estabeleci- esse espirito pudesse avigorar-se e desenvol-
mentõ industrial, rural ou commercial, mas ver-se, isto é,—o regimen da plena liberdade,
também que por elle tem pago, durante o tendo como garantia contra abusos—maxima
mesmo tempo, o imposto geral ou provincial de publicidade e penalidade severa,
industria ou profissão ou qualquer outro, ba- No ponto a que chegou a discussão— tão
seado no valor loeativo do immovel, na impor- larga e minuciosa—fòra perder tempo inutil-
tância de 24$, dentro dos limites da cidade do mente insistir nas idóas que expendeu a osso
63
respeito, pois as opiniões estão conhecidas o dos accionistas podem trazer embaraços sérios
não ha modifical-as. á marcha e gyro dos negocios das sociedades
Limitar-se-á, pois, a adduzir algumas obser- anonymas ; e, portanto, não convém que ellas
vações, que suggere-lhe a revisão por que dependam de um numero tão insignificante da
passou o projeoto no seio das illustradas com- socios, como tres, que podem muitas vezes re-
missões de legislação e fazenda. presentar uma fracção miaima do capital so-
Começará pelo art. 15, que trata da convoca- cial, isto é, tres acções !
ção e reunião da assembléa geral dos accio- As illustradas commissões exageraram o
nistas. principio que a emenda do orador consagrou ,
A esse respeito o projecto formulado para a cahiram no excesso opposto ao do projeoto pri-
2a discussão tinha uma lacuna sensivel, dei- mitivo. Nem o que este queria, ne mo que ora
xando os accionistas completamente desprote- se autoriza ; nem tanto, nem tão pouco.
gidos contra o capricho ou arbítrio dos admi- A emenda constituía um meio termo, que a
nistradores e fiscaes, de quem dependia a um tempo prevenia os abusos e caprichos tanto
convocação extraordinária da assembléa geral. da administração e fiscaes da -sociedade, como
Ainda que a maioria dos acnonistas recla- dos accionistas.
masse uma convocação extraordinária da assem- Assim como, segundo o projeoto, bastam sete
bléa geral para deliberar sobre qualquer as- socios para organizarem uma companhia ano-
sumpto de vital interesse para a sociedade, essa nyma e o deposito de 10 o/0 do capital social
convocação não teria logar si a ella se oppuzes- para que ella se repute legalmente constituída,
sem os administradores o fiscaes. assim também a assembléa geral deveria ser
Da decisão dos administradores havia recurso necessariamente convocada serapre que o exi-
para os fiscaes ; mas a recusa destes era perem- gisse esse numero de socios, representando
ptória, contrariando assim o projecto, nessa a mesma porção do capital.
parte, o que a experiência e a pratica já tinham O orador justificou a sua emenda com as se-
firmado, como excellente cautela, em todos os guintes observações, que pede licença para re-
estatutos das mais importantes companhias ano- cordar, até porque nellas vai implícita a refu-
nymas existentes entro nós, tação do que ora propõem as illustradas com-
Assignalando os inconvenientes dessa lacuna, missões reunidas;
o orador offereceu uma emenda, que mereceu o «Os nobres senadores mostraram que eramis-
assentimonto do senado o acha-se incorporada ter emendar o artigo de mo lo a tornar possível
no projecto constituindo o § 9o do art. 15, assim a reunião da assembléa geral extraordinaria-
concebido : mente, a despeito da vontade em contrario da
« A assembléa geral será convocada sem- directoria o da commissão fiscal.
pre que o requeiram sete ou mais accionistas, O orador estava convencido de que não havia
comtanto que representem pelo menos um também inconveniente na falta de uma dispo-
quinto do capital realizado, Será motivada a sição qualquer nesse sentido, por suppôr que o
convocação, e poderá ser feita pelos proprios projecto entregava mais esse ponto á liberdade
accionistas reclamantes, si recusarem-n'a de contratar, podendo os estatutos regulal-o,
fazer os administradores e o conselho fis- como quizessem os interessados.
cal. O nobre relator, porém, veiu desilludil-o,
A este paragrapho propõem agora as honra- sustentando que a convocação extraordinária
das oommi-sões uma emenda nestes termos. da assembléa geral dos accionistas só deve ter
logar a juiso da directoria e do conselho fiscal.
« Art. 15, § 9o ; Substitua-se a palavra— Segundo
sete—pela—tres— e depois da palavra— accio- cionistas. S.deEx., no direito conferido aos ac-
exigirem essa convocação, ha um
nistas—supprimam-se as restantes.-»
A passar esta emenda, o § 9° do art. 15 es- grande perigo pára a marcha regular d^s asso-
ciações, cuja existência mesmo pôde ser por
tabelecerá o seguinte : elle compromeltida! ^
« A as-semblea geral dos accionistas será Perigo vè o orador, ao contrario, na impos-
convocada sempre que o requererem tres ac- sibilidtde de reunirem-se os accionistas, quando
cionistas .» a isso opponham-se a directoria e o conselho
O orador acha inconveniente a amplitude que fiscal.
por essa fôrma deram as iliustridas commissões Concorda com o nobre relator em quo as re-
ao pensamento da sua emenda, que hoje con- petidas reuniões de accionistas podem trazer
stituo o § 9° do art. 15. sérios embaraços á direcção de uma sociedade
Si era desacortado não haver recurso da re- anonyma.
cusa dos administradores e fiscaes de convoca- Reconhece mesmo que a sorte da uma socie-
rem a assembléa geral quando o reclamassem dade anonyma ficaria muitas vezes á mercê da
os accionistas, em bem dos seus interossos, não qualquer accionista caprichoso ou mal inten-
menos desaoertado ó facilitar excessivamente
esse recurso. cionado, si fôra licito a cada um, ou mesmo a
um pequeno numero delles, convocar, quando
O Sr. José Bonifácio diz que a emenda não quizessem, a assembléa geral. il
consagra essa amplitude. Mas, entre essa amplitude, incompativQÍ
O Sr. Affonso Celso responde que não ha com o gyro dos negocios, e a.restricção do pro-
nella nenhuma limitação ; desde que tres accio- jecto—qual oxplicou-o S. Ex., só permittindo
nistas o requererem, a convocação ó obrigatória. a reunião da assembléa nos casos que aponta,
As reuniões freqüentes da assembléa geral ou quando a directoria e o conselho fiscal jul-
64 ANNAES DO SENADO

garem-na necessária, ha um meio J,6rmo, que O Sr. Nunes Gonçalves:— Deve haver um
deve ser autorizado como garantia indispen- minimo do capital.
sável . O Sr. Affonso Celso pondera que esse mí-
Pois será impossivel que, tanto a directoria, nimo pôde ser o que se exige de capital reali-
como o conselho fiâoal, tenham interesses in- zado, para reputar-se constituida legalmente a
confessáveis em que os accionistas não se con- sociedade.
greguem para deliberar ? Passará a outro ponto.
O Sr. Silveira da Moita :—Apoiado. 0 art. 18 do pnjocto resolveu com acerto
O Sr. Affonso Celso pergunta si não pôde uma importante questão de direito commercial
dar-se o caso de que, tanto a directoria comi muito controvertida, e da qual occupou-se lar-
o conselho fiscal, mancommunados, sacrifiquem ga nente, com a sua habitual superioridade, o
os negocios sociaes de modo a ser necessário e nobre senador pela Bahia o Sr. Fernandes da
urgente, que os accionistas se acautelem, pro- Cunha.
videnciando a respeito ? Essa questão ó a da falleneia nas sociedades
anonymas,—estado d i direito, quo o projecto,
O Sr. Castro Carreira :—E tem havido de accòrdo com a jurisprudência moderna, não
casos desses. admittiu com relação a ellas, substituindo-o,
O Sr. Affonso Celso observa que o nobre com toda a razão, pelo do liquidação judi-
relator das commissões poderá talvez dizer que, cial.
em todo o caso, fica salvo aos accionistas pro- Ao orador parecem bem combinadas as dispo-
videnciarem quando houver reunia), promo- sições que o projecto estabeleceu a esse respei-
verem a nullidade dos actos abusivos prati- to ; e as aceita, mas acredita qne poderiam ser
cados pelos seus mandatários o tornarem effe- completadas, com vantagem, garantindo-se me-
ctiva a sua responsabilidade. lhor o interesse, quer dos credores, quer dos
Assim é, na verdade ; mas nem sempre essaí accionistas , sempre que a sociedade entrar cm
providencias á posteriori livrarão a soeied id) via de liquidação judiei il ou forçada.
do grandes prejuízos. Maios h i quuma voz Vai explicar-se. O proje ;t ) manda applicar a
consummados, não são susceptíveis de rsmadio essa liquidação, com as alterações constantes
ou compensação; entretanto, qu; podem ser dos arts. 20, 21, 22 e 24, as disposições do co-
facilmente evitados, acudindo-se em tempo. digo commercial, r dativos a fallencia na parte
Hypotheses podem occorrer em que a sal- ci.il e administrativa. '
vação de uma siciedade d ipendi de uma me- Ora, segundo o codigo commercial o o regu-
dida prompta e enérgica, que a assomblea geral lamento 738 de 1850, que o disenvolveu, desde
pôde tomar, e a autoridade não, por estar ad- pie não ha concordata, e forma-se o contrato de
stricta a formulas de que não lhe ó licito união, os administradores da massa ficam logo
prescindir. autorizados;
1.0 A procedor á venda de todos os bens delia,
E', portanto, indispensável, como bem pon- seus effeitos o mercadorias, qualquer que seja
derou o nobre senador por S. Paulo, que haja a sua especie, o a liquidar as dividas activas e
um recurso prompto e efficaz contra o c ipricho, passivas (Coligo Comm Tcial, art. 862); ou,
a má vontade, ou a má fé dos mandatários ; e como dispõe o regulamento 738 no art. 162, a
esse recurso não deve ser outro s mão a possi- ar-eoadar. liquidar, pagar, demandar activa e
bilidade de intervir o poder sup rior do man- passivamente e praticar todoi os mais netos quo
dante,do accionista,tomadas as cautelasprecisas sejam necessários a bem da massa, era juizo o
para o seu bom uso. fóra delle.
Taes cautelas são obvias—basta marcar-se 2.° A vender as dividas activas da massa, que
um minimo de accionistas, quer relativamente for ;m de dilficil liquidação e cobrança, o a en-
»ao numèro, quer ao capitai social, para ser trar a respeito dellas em qualquer transacção
Obrigatória a reunião da assemblea geral,quan- ou convênio quo lhes pareça util. (Codigo Com-
dó a reclamarem. mercial art. 864.)
Não se dê o direito de exigir a convocação a A estes podures tão amplos, de que os admi-
um accionista individualmente, nem a um pe- nistra lores ficam imuiediatamonte investidos,
queno numero; isto seria sem duvid i incon- e podem exerço-, sem outro titulo além do con-
veniente. Mas negal-o a um grupo números ; trato do união, a lei poz apenas um i rostricção,
ou que represente uma parte importante do o vem a ser, que ao convênio ou accòrdo com os
capital, não é de bom conselho, porque importa devedores da massa devem preceder assenti-
armar a directoria e o conselho fiscal de um mento dos credores e autorização do juiz.
poder ou autoridade que pode ser fatal á asso- 1 udo mais pódem fazer por si, e em virtude
ciaçãe. exclusivain 'nte da sua nomeação. Estas attri-
Tanto isso é verdade, que o nobre relator das buiçõ^s, segundo o projecto no art. 24, passam
commissões remidas difflcümente apontará es- para os syndicos, que assim dis orão como lhes
tatutos de sociedade anony na seria quo não aprouver. da massa social, oxcepto no caso único
contenham providencia a esse r ;speito. » de accòrdo com os devedores.
o estas mesmas considerações que ainda Conviria, não só a bem dos credores, como
pesam no animo do orador e o levam a não
aceitara amplitude, que as hmradas commis- dos acci mistas, que elles interviessem de
sões deram ao direito de rociam irem os accio- al giiuia sorte e.n actos tão importantes, antes
nistas a reunião da assemblea gorai. que se comsumimssem , i ara evitar muitas
vezes grandes prejuízos, senão ruina total.
SESSÃO EM 22 DE AGOSTO 65

B' manifesto que, mesmo sem fazer conces- seus inconvenientes o desvantagens ; e no em-
sões indébitas aos credores da massa, podem os tanto, o banco pagou todo o debito de capital e
syndicos, revestidos de tão amplos poderes sa- juros, sobrando-lhe ainda dinheiro para distri-
crificar a sorte tanto dos accionistas como dos buir dividendo aos accionistas !
credores, por facilidade, por desidia e também Em vista desse resultado tão lisongeiro, e
por má fé. que foi a melhor resposta que os ox-directores
Nem se diga que ha sufficiente garantia no poderiam dar aos seus acousadores, não é in-
facto de devorem ser syndicos os cinco maiores contestável que, si a liquidação não se fizesse
credores da massa, como exige oprojecto, por- precipitadamente e nella pudessem intervir os
que ó preciso attender também aos interesses primeiros interessados, isto é, os accionistas,
dos pequenos credores, que os grandes pódem não é incontestável que aquelle estabeleci-
comprometter, e aos dos accionistas. mento, vencidos os embaraços de momento, po-
Não se diga tão pouco que qualquer abuso deria ter continuado as suas operações, pres-
encontra corretivo na destituição dos syndicos, tando á praça assignalados serviços ?
que terá logar sempre que a reclamar a maio- O Sr. Viriato de Medeiros:—Como tinha
ria dos credores em numero e quantia, porque prestado.
esto remedio poderá chegar tarde quando o
mal já esteja consummado. O Sr. Affonso Celso diz que é exacto; mui-
Sabe o orador que o projecto conformou-se tos serviços prestou, concorrendo para a creação
neste ponto com as legislações modernas, que de emprezas utilissimas.
a respeito consagram apenas essas mesmas dis- Este e outros factos, pois, devem despertar a
posições. attenção das illustradas commissões, afim de
melhorarem o projecto neste ponto.
Mas, taes legislações são difficientissimas O orador não ousa offercoer emenda neste
nesso particular e os entendidos procuram aper- sentido. Si as suas observações obtiverem o
feiçoai-as. assenlimento das commissões, a emenda for-
E' digno de meditar-se o artigo que sobre o mulada por ellas será adoptada mais facilmente.
assumpto inserto no Esonomista Francez de No caso contrario, não é de crer que o senado
10 de Junho do corrente anno, sob a opigraphe a approve.
— Inconveniências do regimen actual das Abstem-se, portanto, o orador de apresen-
fallencias. Os syndicos e os credores, á cuja tal-a.
leitura procede o orador. Na segunda discussão o orador lembrou uma
Este artigo, firmado pelo redactor principal emenda ao art. 27 § 3o, que as illustradas com-
dessa importantíssima publicação seientiflea, missões não aceitaram sem razão alguma.
suggero idéas muito aproveitáveis para bem O artigo pune ahi os administradores que por
regular-se a liquidação judicial de companhias qualquer artificio promoverem altas falsas do
anonymas. acções,
O orador chama para elle a attenção das il- O orador perguntou e até hoje ignora a razão
lustradas commissões, e pede-lhes que reflictam por que não punia também os administradores,
si não ó do bom conselho, que aos accionistas que artificiosamente promovessem baixas falsas
se dê alguma intervenção acerca, ao menos, das acções. A fraude ó idêntica; os prejuízos
das attribuições mais importantes conferidas pódem ser consideráveis em ambos os casos ;
aos syndicos pelo projecto. disposição da lei, portanto, deveria ser a
O escriptor, entre outros factos, cita o da mesma.
venda de um pequeno caminho de ferro de Per- Que as especulações o jogos de_bolsa, no sen-
pignan a Prades, feita ao governo pelos encar- tido do promoverem baixas artificiaes em títulos
regados da liquidação da empreza por sete mi- vantajosamente cotados, pódem ser e effectiva-
lhões e meio de francos, quando essa estrada monte são muitas vezes causa de grandes de-
além dos gastos de custeio, deu logo no primeiro sastres—facto ó que a historia financeira
0 com-
anno, depois de vendida, um milhão de francos prova de modo indubitavel.
de renda ! Todos sabem que uma das maiores crises
Ora, si os syndicos fossem obrigados a ouvir commerciaes, que o mundo tem presenciado,Jfoi
os accionistas, antes de realizada aquella opera- a que subitamente irrompeu em Londres no
ção, a empreza poderia ter continuado, depois anno de 1866, tão temerosa e terrivel, que alli
de satisfeitos todos os seus compromissos, em ficou assignalado o dia do seu apparecimento
proveito dos mesmos accionistas. com a significativa denominação de blach fri-
Não ó cousa iudiíferente para o Estado os day a Sexta feira negra !
prejuízos soífridos por associações anonymas : Essa crise, que Wolowsky descreve eloqüen-
elles desanimam e enfraquecem o espirito de temente no seu livro sobre o Banco de Ingla-
empreza, tão util e tão fecundo. terra, foi devida aos que alli são chamados
Os inconvenientes observados em França, e ursos da bolsa, que especulam sobre a baixa
de que o alludido escriptor faz menção, têm-se artificial de títulos garantidos e seguros, bea-
dado mais de uma vez entre nós. ring.
Ahi está, por exemplo, na consciência de Desde então tratou-se de punir^tal fraude, e
todos, o facto, ainda recente, do Banco Nacio- era o que o orador tinha em vista, propondo
nal. Abriram-lhe a fallencia ; não foi possível que se substituísse as palavras altas falsas das
que os accionistas oíferecessem concordata em acções por cotações falsas, que comprehendem
conseqüência da qualificação da quebra. Pro- a especulação indébita, tanto para a alta como
cedeu-se á liquidação judicial, com todos os para a baixa.
r. iv.—9
66 ANNAES DO SENADO

só depois de re ilizada a totalidade da sua im-


Não atina com as razões pelis quaes as illus-
tradas commissões rejeit iram a idéa. portância poderão ser ao portador.
Paragrapho único. Nas commanditas por
O Sr. Nunes Gonçalves: — A emenda era acções, além dos gerentes, serão solidaria-
acertada. mente responsáveis os socios que pir seus
O Sr. Affonso Celso, discutindo o projecto, nomes, pronomes ou apellidos, figurarem na
em geral,mostrou que uma das suas principaes firma social.
lacunas era o não restabelecer as sociedades Art. A sociedade em commandita por acções
em commandita por acções, abolidas entre nós organizar-se-á por escriptura publica ou par-
por ura decreto de 1854, fructo de terrores in-ticular, assignada por todos os socios, e não se
fundados . reputará legalmente constituída antes de sub-
Por essa occasião foi convidado por alguns scripto todo o capital, e realizada e (depositada
dos nobres senadores a apresentar emendas cm banco ou em poder de pessoa abonada, á
nesse sentido. Comquanto não tomasse um escolha dos subscriptores, a décima parte do
compromisso formal, entendeu dever satisfazer mesmo capital.
a esse convite lisongeiro dos seus illustrados « Art. Ainda que legalmente constituidá,
collegas, formulando um esboço de projecto, não poderá funccionar s;m o registro de que
que submetteu ás illustradas commissões, com tratam o § 2» ns. 1, 2, 3, e o § 3o do art. 3o
a seguinte ligeira exposição { lê :) {ds projecto em discussão.)
« Tratando eu, na discussão geral sobre so- « Art. São-lhe applicaveis as disposições
ciedades anonymas, da conveniência de resta- dos arts. 4o, 5o, 6o e 7° §§ 3o e 8o (do mesmo
belecer-se entre nós a commandita por acções, projecto.)
prohibida pelo decreto n. 1.437 de 13 de De- « Art. As acções não poderão ser negocia-
zembro de 1854, o nobre relator das commis- das antes de realizado 1/5 do capital, subsis-
sõesreunidas de legislaçãoe fazenda, dignou-se tindo, porém, a responsabilidade do gerente ná
de convidar-me a offerecer emendas nesse sen- fôrmaC e pelo tempo estabelecidos no citado
tido. art. 7 § 2.0
« Comprometti-me a fazel-o, si tanto me « Art. As attribuições do gerente ou ge-
animasse o proseguim^nto do debate. rentes, o modo como exercerão os commandi-
« Em desimpenho desse compromisso, venho tarios seu direito de deliberação o fiscalisação,
submetter á illustrada apreciação das com- e bem assim os casos de dissolução, além dos
missões reunidas, o incluso esboço de vários mencionados no art. 18, serão estabelecidos na
artigos, que naquelle setido parece-me po- escripturação social.
derem sera incluidos no projecto, ainda pen- «Art. A penalidade estatuída neda lei,
dente de 3 discussão. para os administradores e fiscaes das sociedades
« Preferi este alvitre ao de apresental-o noanonymas, será applicavel aos gerentes em
correr delia para não demoral-a. commandita por acções e também aos seus fis-
« As illustradas commissões dar-lhe-ão o caes, si os tiverem.—S. R.—Affonso Celso. »
apreço que porventura possa merecer-lhes. As illustradas commissões fizeram-lho a
« Devo declarar que o esboço não traduz o honra não só do tomar em consideração o seu
meu pensamento individual sobre o assumpto, trabalho, como de acoital-o em sua quasi inte-
mas tão sómente o que supponho poder con- gridade .
seguir, em vista da opinião predominante no O Sr. Lafayette :— Em sua integridade,
seio da commissão e da maioria do senado. accrescentando, porém, alguma cousa.
« No meu humilde conceito, as disposições O Sr. Affonso Celso diz que fizeram
da lei, taato ácorca das sociedades anonymas, alguns accrescentamentos e deram-lhe outra
como da commandita por acções, deveriam redacção.
limitar-sa a prescrever a maxima liberdade, a Quanto á redacção, o orador reconhece que ó
w par de p'enalidade severa, deixando tudo o mais melhor a das commissões, e nem p dia deixar
ao espirito de iniciativa e a liberdade de con-de ser assim; mas pelo que toca aos accres-
tratar. centamentos, não lhe parecem todos muito
« Pela razão exposta, porém, tive de con- felizes.
formal-as ao que deliberou-se em 21 discussão, 0 primeiro encontra-se logo no artigo ad-
modelando-as pelo que foi votado relativamente ditivo, em que o projecto autoriza as comman-
ás sociedades anonymas, afim de conservar a ditas por acções.
unidade de systema. Elle está redigido de modo que accionistas
« Fico á disposição dos meus illustre collegas
sómente poderão ser os socios commanditarios
para qualquer esclarecimento que julguem e nunca os gerentes, ou os solidariameme res-
necessário, sujeitando-me á sua douta censura ponsáveis.
e correcção. Não comprehendo qual a necessidade ou con-
« Paço do senado, 20 de Julho de 1882.— veniência desta restncção. De que o socio ge-
Affonso Celso.■» rente possa constituir o seu quinhão social em
acções, como os outros, não se segue que
Artigos additivos ao projecto sobre sociedades deixe
1 de ser solidariamente responsável, como
anonymas sêl-o-á o cammanditario, que, embora se inscre-
vesse como accionista, o não fosse obrigado,
Art. E permittido ás sociedades em com- não pelo valor das respectivas acções, depois
mandita dividirem o seu capital em accões, que praticasse actos de gestão, ou consentisse em
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 67

figurar o seu nome na firma, caso em que a se dignou de responder : « Agradeço muito os
sua responsabilidade será illimitada. sentimentos que me manifesta o senado e o
Ainda que o gerente constitua o seu capital apoio que promette ao governo. »
em acções, a sua responsabilidade vai além
dellas, compromettendo todo o patrimônio. O Sr. Vice-Presidbnte declarou que a re-
O mesmo acontece em qualquer outra socie- sposta de Sua Magest de o Imperador era rece-
dade commercial em que não ha limitação para bida com fnuito especial agrado.
a responsa jilidade de seus membros. O mesmo Sr. vice-presidente deu para ordem
Na sociedade em nome collectivo, por exem- do dia 23 :
plo, cada sucio obriga-se por uma certa quota
de capital, não entra com todo o patrimônio Ia parte (até i hora da tarde)
para o gyro dos negocios, mas nem por isso
deixa esse patrimônio de estar sujeito aos com- Continunção da 2a discussão da proposição da
promissos sociaes. camara dos deputados n. 7H, do corrente anno,
O art. 34, como as illustradas commissões o alterando algumas disposições da lei n. 3029,
redigiram, tem, pois, o inconveniente de ex- de 9 de Janeiro de 1881.
pressar uma idéa incorrecta, qual a de que o ge-
rente não pôde possuir acção, o que nenhuma 2a parte (d 1 hora ou antes, até ás duas)
das legislações prohibe, n m ha razão para
prohibir. Continuação da 3a discussão da proposição
A segunda modificação feita no nrojecto do da mesma camara n. 221, de 1879, relativa ás
orador é que as illustradas commissões tornam sociedades anonymas.
Obrigatórios os fiscaes nas commmditas por
acções, ao pas o que elle/coherente ornas 3a parte (ds 2 horas ou antes, até às 4)
suas idéas, admittia-os como elemento faculta-
tivo. d3'xando ao critério dos accionistas rc- 2a discussão do orçam ento das d "spezas de
gulir esse ponto como entendessem mais acer- ministério da agricultura no exercido do
tado. 1882 -1883.
Si nas sociedades anonymas a existência de
fiscaes ó indispensável, não acontece assim nas Levantou-se a sessão ás 3 horas da tarde.
commanditas, porque o coramanditario pó le
examinar por si os negocios sociaes, sempre
que quizer, e até deliberar -obre ellas, sem
comprometter o seu privilegio. Esta innova- 03a sessão
ção, portanto, é mais uma limitação desneces-
sária á liberdade de contratar. EM 23 DE AGOSTO DE 1882
Todavia o orador não faz questão disso, visto
que outras restricções ó obrigado a aceitar para
conseguir, ao menos, alguma cousa. Presidência de Sc. Barão de Cotegipe
Lamenta que o projecto. as im como preen-
cheu a lacuna das commanditas pir acções, não SUMMARIO.—Primeira parte da ordem do dia.— Alei
de 9 tle Jai.eiro do 1881— Diseurso do Sr. bilveira da
contemplasse também as associações coope- da Moita. Adiamento. —Segunda parte da ordem do dia.
rativas, que tanto convém nacionalisar entré — Socicdaoes anonymas. Emendas. Discurso do Sr.
José Donifacio. Adiamenfo. —Teuceira parte da ordem
nós, o que não cabem no quadro do codigo com- do dia. --Orçamento "O m nisloiio da agricultura. Dis-
mercial. curso do Sr. Jiioqueira.
Desejava fazer outras observações ; mas,
estando dada a hora, terminará repetindo, que A' 11 horas da manhã fez-se a chamada e
aceita o projecto como uma transição do regi- acharam-se presentes 31 Srs. senadores, a
men actu 1 para o que devo vi rorar no paiz, s: ber': Bai ão Cotegipe, Cruz Machado. Barão
isto ó, não—a remoção da tutela sobre o ano- de Mamang mpe, Henrique d'Avila, Leitão dà
nymato do governo para a lei, mai o regimen Cuuhi, Christiano Ottoni, Luiz Carlos, José Bo-
da liberdade, da iniciativa sem impecilios, nifácio, Octaviano, B rros Barreto, Junqueira,
nem tr.mbôlhos,— único que pôde fazer do Affonso Celso, C mde de Baepeudy, Meira
anonymato uma grande força, ura poderoso de Vasconcollos, Castro Carreira, Visconde de
agente do progresso, justificando as palavras de Muritiba, Fausto de Aguiir, Correia, Barão
m» escriptor : « Si Archimedes conhecesse Souzi Queiroz, Luiz Felippo, Visconde do
as sociedades anonymas teria achado a ala- Abaeté, de Lamare, Dantas, Leão Velloso, Ja-
vanca própria para de Tocar o mundo commer- guaribe, Rib dro da Luz, Nunes Gonçalves,
cial ! » Paes de Mendonça, Antão, Vise mde do Bom
Ficou a discussão adiada pela hora. Retiro e Viriato de Medeiros.
Deixaram de comparoc r com causa partici-
O Sn. Correia,o btendo a palavra pela or lem, pada os Srs : Uchôa Cavalcante, Chichorro,
disse, como orador da deputação encarr gada Barão de Maroira, Franco le Sá, Silveira Lobo,
pelo senado de apresentar a Sua Ma res- Carrão, Godoy, Saraiva, Cunha e Figueiredo,
tado o Imperador a resposta á falia do throno, Vieira da Silva, Martinho Campos, Paula
Pessoa, Visconde de Nictheroy e Visconde Pe-
que esta cumpriu sua missão, d pois de ter sido lotas .
introduzida com as formalidades do estylo
à presença do mesmo angusto senhor, o qual O Sr. Presidente abriu a sessão.
68 ANNAES DO SENADO

Leu-se a acta da sessão antecedente, o não receber este ministério com disposições do
havendo quem sobre elia fizesse observações apoial-o, e realmente as tenho. Mas, senhores,
deu-so por approvada. perdúe-me o honrado Sr. presidente do con-
Compareceram depois de aberta a sessão os selho, a quem eu por certo não desejaria dizer
Srs. Silveira da Motta, Visconde de Paranaguá, cousa que não fosse animadora para a sua mar-
Lafayette, Diniz, Silveira Martins, Fernandes cha governamental'; perdôe-me S. Ex. o dizer-
da Cunha, Visconde de Jaguary, Barão da La- lhe que uma destas razões,que me afastaram da
guna, Teixeira Júnior, Diogo Velho, Sinimbú discussão de uma lei política, como é a reforma
e João Alfredo. da lei eleitoral, era a ignorância em que está o
O Sr. Io Secretario declarou que não havia paiz,em que estou eu,ao menos a respeito, não
expediente. sodas tendências geraesdo governo,mas particu-
larmente e9n relação ao projectoque se discuto.
PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA Não sei até agora qual ó a razão por que um
projecto desta ordem, que foi causa de uma
criso ministerial e da quóda de um gabinete,
A LEI DE 9 DE JANEIRO DE 1881 tendo o ministorio passado insistido pelo sou
adiamento, está saltando agora mortalmente
Continuou a 2» discussão do art. 6o da pro- todos os tramites parlamentares para ser ado-
posição da camara dos deputados, n. 78, do ptado.
corrente anno, alterando algumas disposições Não posso comprehender que isto se consiga
da lei de 9 de Janeiro de 1881 com as emendas sem impulso do governo ; mas eu queria que
oíferecidas. esse impulso fosse franco, fosse aberto, que o
governo nos dissesse; «Eu, ministério actual,
O Sr. Silveira cia Aíotta ; — não, quero o que o ministério passado queria»
Sr. presidente, farei o sacrificio de tomar parte que o no que importava a declaração que faria
neste debate, apezar das razões ponderosas que o governa do que deseja fazer adoptar este
tinha para escusar-me deste encargo. projecto; o essa declaração seria importan-
A primeira dellas é conhecida do senado: d tissima.
o meu estado de enfermidade. Hontem o nobre ministro do império, inter-
Ha dous mezes que não tomo parte nos de- pellado pelos oradores, que muito antes de mim
bates por este motivo; e ainda hoje que não de- têm insistido na necessidade de pronunciar-se
veria fazer pesar sobro o senado as conseqüên- o governo a respeito do andamento deste pro-
cias da debilidade do enfermo para entrar em jecto, fez duas declarações que não achei muito
uma discussão de tanto alcance como esta. correctas.
Mas allego esto motivo rmsmo para pedir ao A primeira foi quo a sua opinião a respeito
senado a sua indulgência em favor do orador da lei estava sabida, porque o nome do S. Ex.
enfermo. estava no projecto como membro da oommissão
Esta,senhores, ó sem duvida a primeira razão mixta.
plausível que eu podia ter para continuar a E' preciso considerar esta primeira razão. O
abster-me do debate, e venço estas difficulda- voto do nobro actual ministro do império na
dades com muito sacrificio para mim, porque commissão pôde preencher as condições da
acho que o assumpto merece a attenção dos ho- opinião do nobre senador como ministro ? En-
mens públicos que têm princípios políticos. tendo que não ; sua posição de ministro im-
A segunda razão, senhores, que me afastava põe-lhe outras restricções que não tom o mem-
também deste debate, é uma razão política. 0 bro de uma camara legislativa.
ministério mudou-se quando eu estava enfermo;
não assisti nem aos funeraes do Sr. Martinho Depois, sonhores, como membro do parla-
„ Campor, nem ao baptisado do novo ministério. mento, nós estamos vendo todos os dias ter-se
Mas, de longe, no meu leito de enfermo, vi um uma opinião, o dopois, indo-se para o governo,
grande programma ministerial, que mo alentou, mudar-se, allegandologo conveniências...
e ahi mesmo concebi esperanças de que o mi- O Sn. Christiano Ottoni : — Exigências do
nistério aotual pudesse merecer o meu apoio. posição.
Lembrar-se-á o senado de que, quando o mi-
nistério 21 de Janeiro veiu a esta camara dis- O Sn. Silveira da Motta : — ... e exi-
cutir pela 1^ vez as condições de sua existência, gências de posição.
o-ponto capital da interpellação que fiz a esse E não vamos muito longo ; temos agora um
ministério na discussão da falia do throno, esta- exemplo bem frizante.
belecendo a primeira condição do meu apoio, O nobre ex-ministro do império não póJe de-
foi querer saber qual era o seu programma. clinar a responsabilidade da proposta do orça-
Achei deficiente o programma dosso minis- mento do governo para sua repartição. Esta
tério, que não dizia o que queria fazer, porque parto do orçamento veiu para a commissão do
não poderia ser aspiração única de um paiz senado, approvada na cimara dos deputados
nasconle, cheio dc vitalidade e do exigências de com annuencia do nobre ex-ministro do impé-
progresso, o obter uma lei de orçamento. rio. Eu, como membro da commissão de orça-
Tal foi o meu ponto de concordância única mento, fui quem fez a primeira edição do pa-
com o ministério passado. recer, segundo a expressão do nobre senador
Ora, tendo succedido a esso ministério o ac- por Minas Goraos. que a impugnou ; o nessa
tual, que apresentou três pontos de programma
que merecem a minha adhesão, sinto que devo primeira edição do parecer, além do outras
cousas que esoandalisaramao nobre senador....
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 69

O Sr . Affonso Celso : — A mim só, não ; que essa discussão tem corrido em minha au-
ao senado também, que o mandou corrigir. sência ; não levo a sua inexorabilidade com-
O Sr. Silveira da Motta ; —Bem ; mas migo a esse ponto...
V. Ex. foi o único membro da commissão que, O Sr. Affonso Celso:— V. Ex. ó que ó
na oocasião de apresentar-se o parecer, dis- inexorável commigo; eu apenas respondo :—
cordou em pontos Cipitaes... Mas não averi- amor com amor igual.
guemos agora esses pormenores; vamos somente O Sr. Silveira da Motta ;— Pois sim ; ó
a um ponto, no qual o nobre senador por Minas certo que alguns honrados membros da com-
talvez esteja innocente. missão têm tomado parte no debate ; mas ha
Quando veiu ao senado a proposta do orça- muitos dias este projecto tem sido impugnado
mento do império, um dos pontoi da primeira fortomenf!, e não tem havido resposta aos dis-
edição do meu parecer... cursos dos impugnadores.
0 Sr. Affonso Celso ;—A edição princeps... O nobre senador jiela província de S.Paulo
0 Sr. Silveira da Motta;—... um dos pontos já exhauriu até expedientes que deram logar
desse parecer condemnava a despeza que se faz a que o nobre ministro do império considere
no império com o interna to do collegio de irlandezes os oradores que oocupam a tri-
Pedro II. Eu propunha a suppressão de 200:000$ buna.
que se despendem com essa instituição condem- O Sr. Leão Vblloso ( ministro do império) ;
nada e condemnayel hoje por todos os princí- —Eu não disse isso; não fallei^ aqui em irlan-
pios. Pois, senhores, o nobre ex-ministro do dezes.
império, que defendeu, sendo governo, a con- O Sr. Silveira da Motta :—Mas não era
servação do internato do Pedro 11, propoz ha preciso fallar.
dias, pouco depois que deixou de ser ministro,
a abolição desse estabelecimento, qúe deverá O Sr. Paes de Mendonça :—Foi o Sr. Sil-
ser substituído por outro de ensino secundário veira Martins.
para mulheres! O Sr. Silveira da Motta Está no Diário
Trago este facto, senhores, para mostrar a O/^cioí que o nobre ministro deu como razão
verdade do que disse, o nã) para fazer censura de não tomar parto no debate o haver reconhe-
ao ex-ministro; acho até muito louvável que cido o que a discussão era para protelar.
ello, desprendido desses obstáculos que o conse- O Sr. Leão Yelloso {ministro do império):
lho de ministros muitas vezes oppõe á inciativa —Por ter reconhecido, não; porque alguns ora-
individual, muitas vez- s a mais acertada, dores o declararam.
viesse agora apresentar sua idéa em conformi-
dade com a que então expendi no parecer. O O Sr. Silveira da Motta :—O nobre sena-
caso ó, porém, que o nobre ex-ministro foi ouvi- dor pela província do Rio Grande do Sul o que
do na conferência da commissão de orçamento, fez foi declarar que, achando a idéa muito in-
ondepropuz a suppre=são,e elle, como ministro, conveniente, estava no seu direito oppondo em-
não a quiz; agora a quer o eu o louvo por baraços para que ella passasse.
querer. O Sr. Silveira Martins:—Mas do que de-
O Sr. Dantas:— Acho do toda a vanta- sistiria, si o governo quizesse melhorar o pro-
gem. jecto.
O Sr. Silveira da Motta :—Eis ahi, Sr. O Sr. Silveira da Motta:—Portanto, ou
presidente, porque eu acho inco recta a razão acho que, tendo o nobre ministro feito essa de-
que dá o nobre ministro do império actual, pre- claração, ou devia considoral-a como mais uma
tendendo que nós nos satisfaçamos com a sua razão para não tomar parte no debato, para não
declaração — de que a opinião do governo ó ser também considerado'irlandez.
sabida, porque S. Ex., como membro da com- O governo até hoje ainda não fdz uma de-
missão, foi dessa opinião. Não ó bastante. Era claração tio explicita, como o parlamento tem o
preciso que o nobre ministro do império actual direito do exigir, a respeito das idé.ís sobre a
nos dissesse qual a razão por quo esse projecto reforma eleitoral.
tom marchado com tanta celeridade, com tanta O Sr. Christiano Ottoni:—Nem diz que
estratégia, a ponto do que o único membro da emendas aceita.
commissão mixta, que ha tomado parto neste O Sr. Silveira da Motta :—Tem apenas
debato, ó o nobre senador pelo Pará. annunciado, para contentar, que aceitará
O Sr. Cruz Machado : — Não apoiado ; eu emendas quo tendam a alargar o voto, e não a
lambem tomei parte. restringil-o
O Sr. Silveira da Motta;— E'verdade ; O Sr. Leão Velloso {ministro do império):
V. Ex. fallou, o largamente. E voto por algumas que estam apresen-
O Sr. Cruz Machado :— E o Sr. Dantas tadas.
também fallou, e o Sr. Ribeiro da Luz também.
O Sr.Silveira daMotta:—Por algumas ; ó
O Sr. Affonso Celso :— Ahi está uma er- bem natural que V. Ex. escolha bem. <
rata ; V. Ex. suppunha que era um só, e foram
tres ou quatro. O Sr. Leão Velloso {ministro do império):
O Sr. Silveira da Motta:— V. Ex. ha de — Sem duvida, porque não hei de votar por
desculpar-me a necessidade dessa errata, por- I aquelias que V. Ex. indicar.
70 annaes do senado

O Sr. Silveira da Motta:—Nem eu indica- oraO matéria Sr. Nunes Gonçalves:—Já declarou que
urgente.
ria porque não dou importância nenhuma a essas
emendas pelas quaes V. Ex. vai votar, porque O Sr. Silveira da Motta :— Bem, aceito a
ellas não valem nada. Declaro que nao me errata. Não tenho idéa de tal declaração, e ó
contento com ellas. por isso que estava insistindo, e sentindo a falta
Portanto, senhores, eu tinha o direito de do nobre rresidente do conselho.
exigir que o governo fosse mais expli- Ora bem, uma vez que o projecto é urgente,
cito. . „ - devo agora encarai-o e dar as razões por que
O governo quer esse projecto s O governo voto contra elle.
quer que pisse nesta sessão? O governo acha Senhores, eu olho para esse projecto debaixo
que passindo nesta s ssão pôde servir para o de um ponto de vista diverso daquelle por que
alistamento que se ha de fazer no inez de Se- elle tem sido encarado por alguns illustres im-
tembro ? De que serve p ssir esse projecto? pugnadores.
Parece que é uma mystificação faz d-o passar O senado sabe que votei contra a lei eleito-
agora, quando o al stam^nto já nos pôde ser ral ; e votei contra a lei eleitoral dando as ra-
feito pela reforma eleitoral. zões por que o fazia. Não tomei parte na dis-
O governo não deve contentar-se em dizer, cussã) de seus artigos ; apenas na 2a discussão
por um de seus orgãos, que a sua opinião consta emitti meu voto uma vez, e na 3a discussão
do parecer da commissào mixta. Parecer de um outra vez fundamentei o meu voto. Votei contra
membro do governo, em uma commissão, não ó essa lei, porque conservo intactos os meus
o parecer do governo, entidade collectiva, que princípios constitucionaes, e todos os meus es-
depende de outras condições. crúpulos a este respeito. ^ ...
0 Sr. Paes de Mendonça : — Apoiado. Acompanhei o ministério que iniciou a re-
O Sr. Silveira da Motta : — O honrado mi- forma estou eleitoral dependente de constituinte e
nistro do império, não pode impor ao minis- ainda hoje persuadido de que, embora
seja lei do paiz, é inconstitucional a de D de
tério, como opinião ministerial, uma opinião sua Janeiro.
emittida em coraraissão da casa, como senador.
Sinto que não esteja | resenle o nobre pre- 0 Sr. Fernandes da Cunha:—Apoiado; ó e
sidente do conselho, que aliás ausentou-se por ha de ser sempre.
condições de serviço... O Sr. Silveira da Motta : — Portanto, se-
0 Sr. Presidente;—Sim, senhor ; deu parte nhores, desde que parto deste ponto de vista,
disso. de neo 'ssidade,as rainhas conseqüências devera
O Sr. Silveira da Motta:— .. porque t .1- serE diversas.
parto deste ponto do vista, porque ainda
vezpudesse adiantar-nos alguma cousa mais que
aquillo que o n ibre ministro do império nos mesmo quando a lei se fez, antes de ser pro-
quer dar, que é sómente sua opinião de mem- posta, sendo c nsullado a respeito delia, emitti
bro da commissão. sempre a mesma opinião e agourei este resul-
tado que se está dando; que ali que se inau-
Eu quero é a o únião do governo ; senhor 'S, gurava, como um grande triumpho liberal, m is
porventura a opinião do governo é a opinião que nunca foi liberal, que foi conseguida em
da commissão ? O governo quer o que o mi- nome, no falso nome dos princípios liberaes,
nistério passudo não queria ? sendo aliás essencialmente conservadora...
Parece que sim, porque o projecto, que teve O Sr. Fernandes da Cunha ; —E'revolu-
uma vi tação contraria na camara el ctiva, teve cionaria.
depois com muita dispensa de discussão a ap-
provação na mesma camaia, e com ella veiu O Sr. Jaguaribe : — Então está no pro-
pira o senado. Foi quasi que votado por a cla- grarama : reforma ou revolução.
niação, e isto me poaeria supprir a minha im- O Sr. Silveira da Motta; — ... agouni
píTfinente exipencia ao governo para que noi que a lei que i ntão se exaltava como um primor,
diga sua opinião, porque eu podia sup ior que havia de dar muito em br ve a dera nstração
o governo influiu na camara para fazer passar dos erros que ella continha, e dos defeitos que
o projecto. haviam de tornar nemssaria sua reforma.
Mas emfim o senado vê que não é pos^iv 1 E até esta 1 Uma lei com pouco mais de ura
obter mais esclar cimentes, que aliás eu desi- anno de vida, applicada uma só vez, já c rece
java e tinha o direito de exigir,p ira saber qual de reto (ues, e já ambas as cas >s do parla uento
é a opinião do governo.Não sei qual é ; apenas açodidis se aprostam para reformal-a !
conheço a de um membro da commissão do sen i- O Sr. Jaguaribe :—Apoiado.
do,que hoje faz partido governo.S.Ex. não nos O Sr. Silveira da Motta;—E o que se apo-
disse que esta ó a opinião do governo. Isto é senta para supprir a falta da experiência jue
que era preciso dizer; e não sei p r que razão um só anno não pôde dar ? Algumas queixas,
S. Ex. tem difficuldade em ser claro... attendendo ás quaes espíritos miúdos e perspi-
Creio que ha alguma cousa, alg im quúl... cazes acharam inconvenientes em varias re-
Tenho importunado tanto ao governo para co- gras sobro a prova do renda, que podem d ir
nhecer a sua opinião...
logur a alguma simulação ou fraude.
O Sr. Leão Velloso (ministro do império): Senhores, o legislador quando pouco depois
—O Sr. presidente do conselho já declarou a do 'azer a lei toma a responsabilidade de querer
sua opinião. reformal-a, tem obrigação de mostrar os de-
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 71
feitos capitães a que pretende dar remedio: O Sr. Silveira da Motta : — Mas pôde
não deve reduzir-se a querer emendar um ou haver questão de legalilade, porque temos
outro artiguinho da lei, porque elle deu logar muitos regulamentos que transpõem os limites
a tae-í ou taes evasivas, fraudes ou simulações. das leis.
Então, depois de demonstrar a necessidade
palpitante de se fazer a re òrma, é que deve de OMarço Sr. Cruz Machado :— O ministério 28
não excedeu as suas attribuições no
levai-a a effeito; mas legislar em um dia e
dahi a anno e meio refundir-se tudo por causa regulamento.
de um artigo soõre prova de renda,— o que O Sr. Silveira da Motta ;—Não sei si o mi-
quer isto dizer? Qual a explicação plausível nistério 28 de Março excedeu ou não: não
deste procedimento ? aífirmo que "xcedesse ; mas era obrigação da
A explicação seria esta que vou dar : é commissão dizer si elle não tinha excedido.
que a lei é tão boa, que não tem a reformar-se Esta ó que é a minha questão. (Apoiados.)
senão uns artiguinhos... O Sr. Cruz Machado Mas a questão de
Ora, ha alguém tão cego, senhores, que constitucionalidade foi resolvida pelo parla-
olhando para esta lei, possa dizer que o único mento por meio da lei.
defeito que ella tem é o da prova de renda ?
O Sr. Fernandes da Cunha :—Isso não tolhe
.0 Fausto de Aguiar:— A commissão
não concluiu o seu trabalho ainda ; apresentou o direito á critica histórica.
um projecto parcial, ha de apresentar outros; O Sr. Cruz Machado :— Ah ! a critica histó-
não está concluído o trabalho. rica é outra cousa.
O Sr. Silveira da Motta:—Assim também O Sr. Fernandes da Cunha :—Então de que
me parece; con luido elle não está. .. vale a liberdade da tribuna o do pensamento ?
A nobre commissão restringiu-se ás dispo- O Sr. Silveira da Motta :—No re ;uerimenfco
sições do alistamento; mas a indicação feita feito pelo honrado senador pela província de
pelo nobre senador pela província de Minas Minas, que iniciou este projecto, está a decla-
Geracs para a nomeação da commissão mixta, ração a que me referi.
foi tendo em vista os inconvenientes que se Diz o requerimento (lê) :
tinham manifestado na primeira execução da
lei... « Requeiro que o senado convide a camara
dos Srs. deputados para nomear uma commissão
O Sr. José Bonifácio :—Todos e quaesquer de cinco membros, que, reunida á outra do se-
defeitos que a pratica tivesse demonstrado. nado, reveja o regulamento de 13 de Agosto...
O Sr. Fausto de Aguiar :—Sem duvida ;
mas não podia a commissão fazer tudo ao mes- ^0 Sr. Cruz Machado :—Leia o resto.
mo tempo. Apresentou dous projectos, tem O Sr. Silveira da Motta E' a primeira
ainda outros a apresentar, e um delles referen- cousa, não é a ultima.
te ao processo da eleição municipal. O. Sr. Cruz Machado:—Complete o pensa-
O Sr. Silveira da Motta :—A primeira mento.
condição que a commissão mixtá devia preen- O Sr. Silveira- da Motta (continuando a
cher para o desempenho de sua missão legis- ler) :—... que tem de ser approvado... »
lativa, on emittir a sua opinião sobre todo o
regulamento do governo para a lei eleitoral, ~^E que ainda não foi, porque os senhores
isto é, si acaso o regulamento estava, ou não, ainda nada fizeram sobre elle.. .
conforme a lei. O Sr. Cruz Machado : — Leia todo o reque-
O Sr. Christiano Ottoni:—Isso é o que lhe rimento.
incumbia expressamente. (Ha diversos apartes. O Sr.presidente recla-
O Sr. Cruz Machado : — Isso ha de ser o ma attenção.)
final ; urgente era a revisão. O'Sr. Silveira da Motta : — A primeira
O Sr Silveíra da Motta : — Eis ahi ; o cousa a fazer era, portanto, approvar o regu-
meu nobre collega e amigo entende que essa lamento ...
ha de ser a parte final, e eu acho que deveria O Sr. Cruz Machado ; — Entendemos o con-
ser o principio. trario.
O Sr . Fausto de Aguiar ; — São modos de
ver. O Sr. Silveira da Motta : — Não duvido
que a commissão procedesse como entendeu em
O Sr. Fernandes da Cunha ; — A questão sua sabedoria, porém, é contra isto que fallo,
da constitucionalidade e da legalidade sempre demonstrando, como penso ter feito, que enten-
é a ultima nesta casa ! deu muito mal a indicação ; porquanto, o nobre
O Sr. Silveira da Motta : — E por isso senador por Minas Geraes, apurado nestas ma-
mesmo a primeira condição a preencher pela térias e intelligente como é, quando fez a sua
honrada commissão, devia ser o emittir a sua indicação, teve em vista o que era essencial e
opinião— si o regulamento estava ou não con- correcto : a nomeação da commissão para, em
forme com a lei de 9 de Janeiro. primeiro logar, rever o regulamento.
O Sr. Cruz Machado : — Não ha questão de O Sr. Fausto de Aguiar : — A commissão
constitucionalidade sobro o regulamento do go- entendeu que procederia melhor indo por partes
verno. na revisão.
72 AKNAES DO SENADO

O Sr. Silveira da Motta :— Depois_ do re- cito, seus officiaes e até seus sargentos ; todos
visão é que a honrada commissão deveria tam- esses têm direito de voto, uma vez que se
bém propor outras medidas que a pratica hou- exija que elles saibam ler e escrever.
vesse demonstrado serem necessárias para a boa Ora, desde que a constituição estabelece
execução da lei do 9 de Janeiro de 1881. esta difBculdade de dar como condição de voto e
Na indicação do honrado senador por Minas elegibilidade a renda, embora diversa, os se-
Geraes está, pois, a demonstração da necessi- nhores que não fazem caso da constituição, que
dade que tinha a commissão de proceder de' reformam como querem, na hora que querem
outro modo. c acham que tudo se pôde fazer por lei ordiná-
Senhores, eu não posso deixar de votar con- ria, que embaraço têm em dizer. « Nós pre-
tra este projecto. por isso que meu ponto de suppomos a renda na posição do indivíduo que
vista radical é que a lei de 9 de Janeiro é souber ler e escrever. »
inconstitucional, e que a reforma que se estiver E a renda, note-se, para ser eleitor; não
fazendo dessa lei ha de padecer do mesmo de- devia ser de 200â, devia ser a primeira renda
feito. Não admitto que se possam alterar as con- de 100$000.
dições ds eleitorado sem os poderes necessários Assim dispensar-se-iam essas cathegerias
de uma constituinte para esse fim... {Pausa.) de indlviduos com direito de votar ; não havia
Sr. presidente, comecei o meu discurso alle- mais doque uma cathegoria e ficava desempe-
gando enfermidade, e estou sentindo os effeitos nhado o preceito constitucional...
de minha imprudência ; o senado me per- O Sr. Christiano Ottoni : — Apoiado.
mitterá que eu continue a fallar sentado.
O Sr. Silveira da Motta:—... sem haver toda
(O Sr. presidente, consulta a esse respeito o essa confusão, todo esse codigo de 22 paragra-
senado, que resolve pela affirmativa) phos com um só artigo, para difinir-se o que é
O Sr. Silveira da Motta:—Dizia eu Sr. prova de- renda, como si qualquer cabalista não
presidente, que os meus escrúpulos constitu- pud sse desmembrar uma parte do sua propri-
cionaes a respeito da lei bastariam para votar edade o passal-a a algum aggregado, fazendo-o
contra o projecto; mas, ainda pondo de parte o proprietário interinamente, por meios occultos !
meu ponto de vista nesta discussão, hei de votar Não se está vendo, senhores, que esto sys-
contra o projecto, porque restringe o voto do teraa de prova de ronda conduz a grandes ab-
cidadão. surdos ?
O Sr. Christiano Ottoni: —Apoiado, é o Entretanto polo meu systema um indivíduo
ponto capital. que recebesse do proprietário rural, por simu-
lação, uma parto de terras para apresentar a
O Sr. Silveira da Motta;—Eu como sou prova do renda que lho dosso direito ao elei-
partidista do suffragio universal de todo o ci- torado, talvez não pudesse votar...
dadão brasileiro maior de 21 annos que souber O Sr. Christiano Ottoni; —Havia de ir
lèr e escrever, offereci neste sentido, quando aprender a ler o a escrever, si não soubesse...
se discutia a lei, uma emenda que foi ampa- O Sr. Silveira da Motta : — Talvez não
rada também com a assignatura do honrado pudesse votar ; mas si elle tivesse as condições
senador que se senta á minha esquerda o Sr. que exijo, embora fosse um artista mecânico,
Christiano Ottoni. votaria, ao passo que por esta nossa lei quasi
Sou defensor, ha muitos annos, dessa idéa todos os artistas estão excluídos ; pode-se mesmo
que simplifica tudo e dispensa este codigo indi- dizer que os operários estão excluídos do votar!
gesto de regras para a prova de renda ! E por que razão, senhores, um serralheiro,
Isto é um codigo, artificioso ó verdade, por- que em uma officina ganha 4 e 5$ por dia,
que consta de um artigo com 22 paragraphos, um limador que em uma fabrica de machinas
meio sublime que agora se inventou para favo- ganha salários grandes, serão excluídos do di-
w reeer a.discussão das meterias parlamentares. reito de voto.
O Sr. José Bonifácio :—Para obstruir a dis- O Sr. Christiano Ottoni:—Apoiado; ó
cussão . uma iniqüidade.
O Sr. Silveira da Motta:—E' verdade;
isso é que ó ser obstructor. O Sr. José Bonifácio:—Ganham mais do
Eu só combati a lei de 9 de Janeiro, quando que alguns empregados públicos.
ella se discutiu, na parte que fazia consistir a O Sr. Silveira da Motta :—Entretanto que
condição da capacidade eleitoral na renda do um bacharel sem clientes, um medico sem
cidadão. doentes, um empregado publico de mingua-
B', senhores, reconhecido hoje que a peior dos vencimentos...
condição de capacidade para se verificar o di- ^ O Sr. José Bonieacio :— Que ás vezes não
reito do cidadão intervir nos negocies públicos têm com que manter a família.
é a renda. A renda pode presuppôr-se segundo
a posição do cidadão ; uma lei pôde estabelecer, O Sr. Silveira da Motta : —... tem o di-
verhi grntia, que tenha voto nas reuniões elei- reito de votar ?
toraes o cidadão que fôr empregado publico ou
senador, ou deputado, lente, medico, artista, Não^ senhores ; é preciso inventar uma le-
gislação que não seja este codigo, uma legis-
marcmeiro, carpiteiro, isto é, a lei pode esta- lação simples, porque o povo não deve ter
belecer como condição que presupponha a rabulas e não comprehende senão idéas sin-
renda a posição dq indivíduo, de modo que não
exclua as classes illustradas, não exclua o exer- gelas ; não comprehende este papelorio tão
grande, estes immensos codigos eleitoraes !
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 73

lato, senhores, ha de cahir em poder dos tes co-proprietarios ou herd iros ? Como ó que
advogrados de aldeia ; o pensam os nobres au- ha de se avaliar, si cada herdeiro tem o seu
tores deste codigo que fizeram alguma cousa ? formal de partilhas ?...
Não fizeram nada. (Riso.) Isto cahindo nas O Sr. Fausto de Aguiar : — Ha o titulo de
mãos dos advogados de aldeia, é uma t da de cada um.
aranha, não vale nala ; est-jam os nobres O Sr. Silveira da Motta : — V. Ex. está
membros da cüinmissão eertos de que por esta
fôrma o negocio peiora para as fraudes ; ha de fugindo da questão ; mas não ha de fugir, não,
haver mais fraudes de que havia até agora... senhor.
Quero mostrar-lhe o precipício, o perigo
O Sr. Jose' Bonifácio : — E mais finas desta disposição. Tr.ta-se de cidadãos quo têm
até. o direito de ser eleitores, e quo têm uma pro-
O Sr. Silveira da Motta: —... convençam-se pri dade, que no juizo do inventario foi de-
desta verdade os honrados membros da cora- clarada ser delles ; quero saber como hão do
missão mista, e, portanto, também o nobre mi- provar que têm a ronda legal, si é com o valor
nistro do império, como membro desta com- collectivo ou si, segun lo o valor de cada uma
missão ; convençam-se dequ í este seu traba- das partes, terão a renda da lei para ser elei-
lho, c ihin lo nas mã s dos rabulas do aldeia, tores.
não valerá de nada, oll «j hão do achar meios de Veja-se, senhores, quando esta disposição
destruir tudo isto ! cahir nas mãos dos intirpretadoros do leis no
E o que fizeram VV. EEx. ? Foi somente es- nosso interior, que mina ha ahi para se com-
torvar o exor icio do um direito legitimo. mettorem fraudes maiores do que estas que se
O Sr. FàÜSto de Aguiar : — As fraudes. estãe fazendo agora!? Os rábulas de aMoia pódem
demorar a oxtraeção do formal de partilhas de
O Sn. Silveira da Motta : — O direito le- modo quo o cidadão não possa provar o seu di-
gitimo, porque'ostab >lec",-vérbi rjratia, maio- reito ; o juiz encolhe-s •, pôde fazer com
res r zos ; nara que ? Para aqáelles -ue não que os outros herdeiros não tenham o titulo.
têm prop "iedad ; imraovel, o é pr ciso i ara esses Já se vê que isto fornece nova matéria para
passarem três annos da data do titulo... abusos. (Apoiados.)
O Sr. Fausto de Aguiar : — Não apoiado ; Os nobres senadores estiver un gastando a
isto o só no caso de arrendamento. qua penetração, a sua intelligenoia debalde ;
tudo quanto fizeram ó p rdido, o ha dó produ-
_0 Sr. Silveira Martins :—O. argumento ! zir effeito contrario áquello que tiveram em
ainda ó procedente ; é pr .ciso que o arrcn a- vista. Em logar dessas fraudes, ha do haver o
mento tenha sido foito com anteced nci; de tres
annos ; ó um impedimento ao exercício de um dobro.
direito legitimo. (Ha outros apartes.) O Sn. José Bonifácio dá um aparte.
O Sn. Sn. veira da Motta :—Tenho ficado, .0 Sr. Silveira da Motta:—E creio que o
senhoro.s, lendo esta: novas providencias cora codigo dos nobres senadores vai dar este resul-
quo a illustradá coramissão quer prevenir as tado : é que olle vai ser estudado lá no inte-
fraudes nos arrendamentos, tenho ficado per- rior, em todas as aldoias e os rabulas hão de
turbado, porque também sou legista ; e não po- completar o embaraço desta já complicada le-
derei presumir até onde irá a' al 'himia dos ad- gislação. ..
vogados de aldeia. Acho,' porém, que, pela Assim, t mdendo o projecto a restringir o di-
maneira por quo estão redigidas estas providen- reito eleitoral...
cia <, nellas se acham os germens do todo: os O Sr. Fausto de Aguiar:—Não apoiado.
recursos, que se hão de inventar para illudir a O Sr. Silveira da Motta;—... não só o
lei. restringe, mas estabelece providencias quo hão
Ora, voja o nobre relator da commissão, o que de facilitar mais as fraudes... o
poderá fazer a alchimia da aldeia, tendo diante
de si esto artigo (lê): O Sr. Paes de Mendonça;—Apoiado.
« Quando tenha sido alienado parte somente O Sr. Silveira da Motta:—... porque vai
de uma propriolado, que consista em terrenos aguçar o gênio da fraudo, porque é uma pro-
do lavoura ou criação, o valor desta parte para vocação á fraude...
prova de renda legal do cidadão que a houver 0 Sr. José Bonifácio:—E'o que acontece
adquirido, será verificado onão só pelo titulo com as leis contra o contrabando.
de que trata o n. 2 do § I desto artigo (e o
titulo d 'vo ter a data de tres anuos, e já se vê O Sr. Silveira da Motta :— Isto ó um de-
que não ó só do arrendamento que se trata, ó safio que estão fazendo aos cabalistas :—agora
também do alienação)... vejâm si são capazes de frustrar isso !
Já dei uma das razões por quo voto contra o
O Sr. Fausto de Aguiar:— E' uma parto da projecto : porque ó restrictivo do voto eleitoral,
propriedade. e quem quer a maior extensão do voto não pôde
O Sa. Silveira da Motta : — E' boa ! Pois acompanhar medida alguma restriotiva.
uma parte não ò propriedade ? ! Agora, senhores, como eu entendo que o legis-
lador não devia aceitar essa tarefa de reforáiar
O Sr. Fausto de Aguiar dá um aparte. uíná lei muito defeituosa, querendo unicamente
O Sr. Silveira da Motta Ora, isto ó ap- reformar um ou outro artigo, segundo meus
plicavel quando o immovel pertence a differon- princípios ainda devo votar pontra a lei, por-
v. iv,—10
74

quo entendo que esta commissão mixta devia O Sr. Fausto de Aguiar : — Este projecto ó
ter aceitado essa incumbência para fazer um sobro o alistamento unicamente; as altribui-
grande trabalho de que a lei precisa. ções da commissão eram limitadas.
O Sr. Fausto de Aguiar:—Não foi encarre- O Sr. Silveira da Motta : — A commissão
gada disso. ó quo limitou-se, porque o requerimento do
O Sr. Silveira da Motta:—Não foi, porque nobre senador por Minas foi para que a com-
VV. EEx. assentaram de fazer isso por partes e missão tratasse do todas as condições que ob-
aos bocados ; é a velha historia do milho que staram á boa execução da ultima reforma elei-
enche o papo da gallinha. Os próprios membros toral .
da commissão reconhecem que sua tarefa está 0 Sr. Fausto de Aguiar ; — Quanto ao modo
deficiente... da execução, á pratica da lei, vão envolvendo
alterações das bases.
O Sr. Fausto de Aguiar:—Não apoiado.
O Sr. Silveira da Motta : — Por conse-
O Sr. Silveira da Motta:—Já nos disseram qüência, não havia de comprehender só o modo
que o trabalho não está completo. de execução do alistamento.
O Sr. Fausto de Aguiar :—Todo não está
completo, porque a commissão ainda está con- O Sr. Fausto de Aguiar : — Não, senhor ;
tinuando o seu trabalho e ha de apresentar outro pois si ella está preparando outro trabalho ?
projecto. V. Ex. ó que não me quer entender.
O Sr. Silveira da Motta ;—Ei do que me O Sr. Silveira da Motta : — Eu queria que
queixo ; o que digo é exactamente que a com- V. Ex. não estivesse preparando taes trabalhos;
missão não devia apresentar um trabalho incom- queria que isto já estivesse preparado, porque
pleto. aliás obriga-nos a estar discutindo somente as
condições do alistamento. (Apoiados.)
O Sr. Fausto de Aguiar : — Apresentou O assumpto da lei; o virão outros trabalhos
apenas uma parte. que pódem estar em opposição com isto quo es-
O Sr. Silveira da Motta :—Ninguém man- tamos discutindo.
dou que apresentasse por partes (riso)... O Sr. Fausto de Aguiar;— Todos esses as-
O Sr. Fausto de Aguiar ;—Também ninguém sumptos fazem parte da lei, mas são diíferentes;
estabeleceu regra sobre isso. o alistamento não tem nada com o censo elei-
O Sr. Silveira da Motta ;— ... pelo con- toral .
trario, o corpo legislativo, creando uma com- O Sr. Silveira da Motta;— Sr. presidente,
missão mixta composta de membro? do ambas as os apartes não mo incommodam, mas perturbam
cimara?, não podia ter em vista fazT trabalhos o fio da discussão. .. Entretanto, ahi estão as
truncados.como este que a commissão foz ; o tão declarações que tornam explicito o meu pen-
truncados, que a commissão começou pelo fim samento. Voto contra o projecto pela razão da
e deixou o principio! A primeira cousi que restricção do voto e também porque o projecto
devia a commissão fazer, já eu o disse, era dar devia ser amplo, conter todas as medidas de
seu parecer sobre o regulamento do governo : reforma que a lei carece, para que pudesse ser
si elle estava ou não conforme com a lei. discutido isto com alguma unidade de sys-
O Sr. Fausto de Aguiar;—O projecto tema ; aliás, daqui a dou? dias uma outra opi-
apresentou providencias relativas ao alista- nião dominante pódo impôr um soguimonto do
mento de eleitores, e nessa parte está com- reforma, que esteja inteiramente em opposição
pleto. (Ha outros apartes.) com o que se está fazendo agora sobro o alista-
mento.
O Se. Silveira da Motta:—E'do quo me Ha grandes inconvenientes neste systema do
ostou^queixando: o corpo legislativo,nomeando legislar; pelo monos dá a entender quç tudo
uma commissão mixta para examinar os de- quanto não se reforma d bom. Entretanto os
feitos da lei, incumbiu a essa commissão de nobres senadores, que têm se occupado das
rever o regulamento, e a commissão não o quiz condições que obstaram a boa execução da lei,
rever. deviam olhar para outros defeitos quo a lei
Que o trabalho da nobre commissão está in- tem.
completo não ha a menor duvida... A nobre coraraissão julgou remediar as frau-
A nobre commissão, tratando da condição da des todas do alistamento nesta disposição quo
eleição por pluralidade de votos, porque não estabeleceu aqui; mas o modo de votar e os
estabeleceu neste mesmo projecto a condem- districtos em que so pôde dar o voto, tudo isto
nação do voto uninominal ?... não era matéria que exigia mais providencias
O Sr. Fausto de Aguiar:—Isto d questão do quo estas que aqui estão no projecto?
de apreciação. Pois os senhores pensam que em matéria
Pôde ser condemnado quanto á eleição mu- eleitoral ha alguma disposição que não possa
nicipal, e não quanto á eleição provincial. Não ser accessivel á fraude.
foi condemnado absolutamente pela commissão,
mar somente em relação á eleição municipal. Não vêm quo sondo tão expresso o que diz a
O Sr. Silveira da Motta ; — Por que razão lei a respeito da verificação do poderes, não se
6 ro eoto verificou em tantos casos que reconhecida a
J®.
havia Pdo jcomprehender
.que se discute,
isto ? a commissão não nullidade do uma eleição, deixou-se de mandar
proceder a nova eleição ?
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 75

0 Sr.' Paes de Mendonça:—A camara esta- O Sr. Silveira da Motta :—Pergunte lá


beleceu até um terceiro escrutínio. por cima...
0 Sr. Silveira da Motta:—A commissão O Sr. Fernandes da Cunha:—Pergunte aos
devia rever-se neste espelho, e ahi ver de que presidentes de conselho e ao parlamento que
servem as cautellas contra a fraude. votou e desvotou.
Quando ha disposição expressa da lei, que O Sr. Silveira da Motta :—Pergunte pelo
diz que, reconhecida a nullidade de urna elei- telephone a alguém.
ção, deve-se proceder a outra, tem-se menos-
cabado essa disposição, dando o tirando di- O Sr. Castro Carreira :—Isso óacto do par-
plomas ! lamento.
O Sa. Fernandes da Cunha:— Legalisaram- O Sr. Silveira da Motta :—Não sei do
se fraudes horrorosas contra expressa dispo- quem é.
sição de lei, o faliam contra a fraude ! Fraudes, O Sr. Fernandes da Cunha i—Tenham
commette-as o proprio parlamento. mais sinceridade de convicções e força de von-
O Sr. Paes de Mendonça :—Foi quem des- tade ; ó o que falta.
moralisou mais a lei. O Sr. Silveira da Motta O que sei é
O Sa. Fernandes da Cunha :—E entretanto que o nobre senador pela província das Ala-
goas, quando insistiu nesta casa pela efficiencia
occupa-se todo o tempo do parlamento com re- dos meios constituoionaes, disse daquelle logar
mas sobre reformas... Para que ? Para con- «Aconteça o que acontecer, esta lei ha de
summar o descrédito das instituições. Refor- passar.»
memo-nos primeiro. O Sr.Cansansão de Sinimbu': —Que havia de
O Sr. Silveira da Motta :—Sr. presidente, empregar esforços para que passasse. Aconte-
tenho dado as razões por que voto contra este ceu que não passasse.
projecfco e as por que, tendo-me afistado das dis-
cussões, por motivo de enfermidade, fui levado 0 Sr. Silveira da Motta :— Essa ó que é a
ao esforço de entrar nesta, pala importância que grande responsabilidade.
ligo ao assumpto, importância para mim maior O Sr. Correia :—De quem ?
ainda do que para qualquer outro, por causa de O Sr . Silveira da Motta :— De quem fez
minha opinião a respeito da in onstitucionali- passar a reforma pelos meios ordinários. En-
dade da lei eleitoral »m vigor. tretanto julga-se que foi isso um serviço mui-
Essa ferida da lei fundamental do estado não to grande ao paiz, quando desmoralisou-se o
ha de ter sido feita impunemente; os que a fi- paiz tirando ao seu poder constituinte o direito
zeram hão de tragar os amargores dessa res- de fazer a lei eleitoral, que não podia ser feita
ponsabilidade. pelo senado.
Já estamos vendo que a lei eleitoral, promul- O Sr. Fernandes da Cunha :~E aquelles
gada como um grande triumpho libera 1; em
menos de dous annos está condemnada c mio im- que entendiam que a reforma não podia ser fei-
perfeita, como não servindo para os fins a que ta senão pelos tramites constitucionaes, por-
foi destinada ! que a votaram logo em seguida pelos meios or-
dinários.
O chamado autor da lei do 9 de Janeiro, o O Sa. Silveira da Motta:—Assim senho-
Sr. Saraiva, julga talvez que prestou ao paiz res, tenho de dar meu voto contra o projecto, 0
um grande serviço transigindo, como transigiu, fiz o sacrifício de tomar parte no debate.
com o partido adverso para fazer passar por Este assumpto para mim ó muito grave. Te-
meios ordinários uma lei que só pelos trâmites nho opiniões a sustentar, tenho coherenoia a
conatitucionaes podia passar... guardar, acho que ó o thesouro mais pocioso
O Sr. Fernandes da Cunha : — Apoiado. do homem publico a coherenoia política e a
O Sr. Silveira da Motta : — .. .pensa por- sinceridade com que se subordina ás maximas
ventura que essa responsabilidade não lhe ha moraes que devem reger não só a consciência
do pesar, o que não lhe ha do ainda custar dis- individual, mas a consciência dos povos e a
sabores esse passo falso que deu... consciência de seus governos.
O Sr. Fernandes da Cunha ; — Apoiado ; e E' por isso, senhores, que, ainda nesses
faliam depois em princípios. ultimes dias o Sr. Bright, retirando-se do
ministério do Sr. Gladstone, seu amigo e um
_ O Sr. Silveira da Motta : — .. .de sugge- dos primeiros estadistas da Gran Bretanha;
rir o modo artifioioso de obter a reforma eleitoral o Sr. Bright, o radical que se associou ã
direota, por um meio illegal, como o que se política do Sr. Gladstone, retirando-se de ga-
empregou ? binete por causa do bombardeio do Alexan-
O resultado, senhores, será que hei de ver, dria, disse : « Meu amigo, retiro-me porque
mesmo esses chamados autores da lei, contra- entendo quo os princípios moraes devem re-
riados pelas tendências do poder legislativo ger, não só ao indivíduo, mas aos ^ governos
ordinário para annullar tudo quanto elíes fize- e aos estados. » Eu não posso dizer como
ram inconstitucionalmente, esta ha do ser a elle dizia : « Ha 40 annos que ensino as dou-
sancção. trinas do Cobden, e portanto não devo mos-
O Sr. Castro Carreira :—Por que não se trar áquelles que me têm escutado e seguido,
realizou a reforma pelos trâmites constitu- que posso continuar em um .governo que pra-
cionaes ? ticou o acto de bombardeio de Alexandria.
76 ANNAES DO SENADO

Pela minha parte, senhores, eu, que não sociedades commanditarias; mas ainda assim
tenho neste paiz outra nenhuma vantagem,que acredita que ainda carece do estudo matéria
sou um homem impossível para o governo (te- tão importante.
nho até prazer em ropetil-o, por causa das Na discussão pas :ada fez o orador sentir que
minhas opiniões políticas) posso, ao monos dea- o projecto só abrangia sociedades anonymas,
vanecer-me de querer ser coherente com as quando segundo a pratica de outras legislações
minhas opiniões. devera abranger também as associações coope- ,
Os meus princípios a respeito da constituinte rativas, as em nome collectivo, as commandi-
subsistem, Eu os defendi e não os renego. Não tarias o outras. Si era aceitável a idca, devia
quero em um dm sustentar que se devia fazer ser aproveitada totalmente, e não inserirem-se
a reforma segundo a constituição, e no dia se- disposições relativas sômente ás sociedades oom-
guinte declarar que a reforma só podia ser manditari is, e isto á ultima hora, quando so-
feita por lei ordinária. bre estas disposições eça preciso que houvesse
Isto fica para outros; para mim, não. discussão pelo menos tão larga como a que
{Apoiados.) houve sobre as associações anonymas.
Tenho concluído. {Muito hem ! Muito bem ! Demais as emond w, algumas das quaos aliás
0 orador è comprimentaào.) consagram a bôa doutrina, são numerosas o
complex s; o quando o grande estudo quo
Fiocu a discussão adiada pela hora. houve na camara dos deputados não bastou
para evitar c rrecções importantes, o que não
SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA será c m um systema de emendas que refundem
o projecto e lhe accrescentam parte intdra-
SOCIEDADES ANONYMAS mente nov.a ?
Era seguida procedo o orador ao estudo com-
Continuou a 3a disou-são da proposição da parativo das diversas emendas ag. ra offerecidas
camara dos deputados n. 221 do 1879 relativa pelas honradas commissões cora as quo já f rara
às sociedad s anonymas, com as emendas offj- aceitas pelo senado.
recidas. Entende que a emenda ao art. S3 § Io esta-
Foram lidas, apoiadas e postas conjuncta- belece uma doutrina aceitável; mas deseja quo
mente em discussão as seguintes se torne claro o pensamento prohibindo quo as
descobertas, os privilégios, façam parte do ca-
Emendas pital social.
Não contesta igualmonto a disposição da
Art. 1° §§2": emenda ao art. 9° ; mas pensa quo não está
ciar i a responsabilidade dos agentes peto man-
As sociedades anonymas estrangeiras que dato recebido.
tenham sua sede no i aiz, ou tora para funccio- AcoiU a doutrina das emendas aos arts. 11 o
naram, ficam sujeitas ás leis brazileiras. 13 ; porém desejaria fici.sse explicito o quo são
As disposições legislativas applicadas ás so- op ^rações offoctivamonte coneluidas.
ciedades anonymas n xionaes são extensivas ás Para evitar duvid s, tornando evidente a que
sociedades estrangeiras. as nobres commissões tiveram em vista o ora-
Sala das sessões, em 23 de Agosto de 1882.— dor organizou emendas que lê e justifica, mos-
Castro Carreira. trando entre outras considerações, que os lo-
Ao art. 27, n. 3:— Em logar de altas falsas das gares de fiscal não dovem ser mais bom remu-
acções, diga-se cotações falsas das acções.— nerados do que os do direo toros, para que não se
Affonso Celso. transformem era sinecuras,e quo ha em um pro-
projcct) di ordem do que se discute um doa
" O ''Sr*. Josó Uoniíi rcio começa pontos o soncia -s para evitar fraudes ó o quo
levantando uma questão regimental. Toda a so prende áavaliação do capital.
parte do projecto qu ) concerne ás sociedades Entro os meios do que se servem as compa-
commanditarias ó nova, e ainda que o orador nhias para aparentar valores quo não possuem
não tivesse tomado a palavra, o projecto não ó a apreciação inexacta do seus balanços.
passaria hoje, porque deveria na fôrma do re- Ha certas regras, bem o sabe o orador, que
gimento ser votado no dia seguinte. Não se devem caber antes nos estatutos de que nas
perde, portanto, tempo algum com as pondera- leis ; mas ninguém ignora que, quando essas
ções que o orador vae oxponder. regras pertencem aos estatutos, os administra-
Domais, e sem querer reclamar por fôrma dores que aos organizam não as executam. Por
alguma contra a disposição das matérias na isso o orador apresentará uma emenda consig-
ordem do dia, observa que o projecto sobre so- nando uma regra que figura em quasi todos os
ciedades anonymas está como que entalado estatutos, embora não tenha tido execução, o
entre o da reforma eleitoral e o orçamento da que também se encontra em leis modernas,
agricultura. Isto parece indicar que, segundo como o coligo da Suissa, emenda a que junta-
a mesa, em cuja opinião o orador se louva, ta- rei outro considerando no relativo á parte da
manha não ó a urgência do projecto quo se dis- amortização que se faz.
cute. 0 deposito das acções com 15 dias do antece-
Sk6 j8te naProultima
Je<;'0 tenha sido consideravel- dência ó o único melo do tornar uma realidade
melhorado discussão o orador não todas as prescripções da loi quanto á assembloa
contesta; nem tão pouco põe em duvida a im- geral. Assim mosm-i ó possível illuJir, mas ao
portância da parte que accresceu, relativa a menos é uma restricção.
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 77

A disposição que propõe existe hoje em quasi tura, industria, e o mais que^ se refere ao des-
todos os estados. Não ha companhia que não envolvimento deste vasto paiz.
exija, mesmo tratando de acções ao portador, o E' certamente um assumpto merecedor de
deposito ; algumas exigem um mez de antece- nossas cogitações; e tomando agora a palavra,
dência ; o orador contenta-se com 15 dias. O não tenho em vista fazer um discurso com pre-
quo quer ó que haja uma sancção de lei para tençõei de rethorica, como hoje se diz, porque
esse facto. o assumpto realmente não se presta a isto: é
Outra emenda que pr 'tende offerecer ó refe- eminentemente pratico: desejo simplesmente
rente aos eífeitos da lei no que toca ao passado. entreter uma convorsação com o nobre ministro
Já discutiu largamente este assurapto, mos- da agricultura.
trando as difficuídad 's que ha na applicação da P »r este ministério dispendo-se mais de
lei, desde que se sahe do terreno da theoria e si um terço ou quasi metade da renda do Estado.
entra no campo das hypotheses. Póde-se objectar que, olhando-se para o orça-
Mostrando o grande inconveniente do modo mento não se vê esta proporção; mas realmente
por que a commis<ão resolve este ponto,proporá si se considerar tudo quanto se gasta pelo mi-
que tudo quanto ella dispõe a esse respeito se nistério da agricultura, veremos que o que digo
substitua pelo seguinte : «As sjciedades actual- é oxacto; que esta sorarna vai chegando ao
mento existentes regulam-se pela legislação computo de 50.000:0008, o até mais.
anterior, salvo aqu dias que se reorganiz irem Ji' por isto quo julgo que os serviços, que
do conformidade com a presente lei : » Não correm por sta repartição, devem merecer toda
exige prazos, e dá toda a lioerdadí ; só o quo a attenção da parte do legislador.
exige ó quo Ml is roo-ganizando-se, o façam d j Com relação ao orçamento, actualmente pro-
conformidade com a n >va lei. posto, acha-se, coraparando-o com os elaborados
Chama cm seguida a attenção d i nobre com- alguns annos passados, qma grande differença
missãopira a parte criminal, isto o, para o para mais. Não me d claro om absoluto contra
modo de definir os delictos, desenvolvendo lar- esta diflerença, porque ella indica de certo modo
gament • essa m t ria, em face dos artigos o progresso do pa z; e não ó possível que não
do projecto que lé e analy a, mostrandias du- desejem es que os melhoramentos materiaes do
vidas ;ue lhe offerocem, e conclue reservando- nosso paiz augmonlem; não é possível que quei-
so para em out- occaaião tratar d is - omman- ramos que as dasp z is | or este ministério se-
ditas, afim de não d unora • a discussã ) do orça- jam as mesmas, que se faziam ha vinte annos
mento da agricultura. {Muito bem ; muito p issados.
bem.) Mas, est modus in rebus. Querendo todos os
A's 2 horas da tardo o Sr. presidente deixou possíveis e urgentes melhoramentos materiaes,
a cadeira dt prosil ncia que passou a ser oc- nã posso acompanhar sem receio este movi-
cupadt p ilo Sr. vice-presidente. mento rápido o ás vezes vertiginoso, que se quer
Ficou a discussão aliada pela hora. esta i lecer, a resp -ito de certos serviços.
A pro losta do governo já consid rava, a meu
ver com su Hcioncia, a dotação de algumas
TERCEIRA PARTE da ordem do dia verbas ; a camara dos deputados elevou muitas
destas dotações e a h -nrada commissão dos or-
ORÇAMENTO no MINISrERIO DA AGRICULTURA çamentos do senad) manifesta-se contra al-
gumas destas elevações, e no meu entender,
Achando-se na sala imm 'diata o Sr. ministro com justiça ; mas upez tr do apresentar algumas
da agricultura, foram s rtoados para a dépu- em meias no sentido de reduzir certas verbas
tação que o devi i roceb r os Srs. 0'taviano, pie f iram elevadas, a honrada commissão não
Paes de Mendonça e Junqueira, e sendo o mes- foi ato onde era razoável ir.
Feço licença a is meus nobres c Alegas para
mo senhor intru luzi 11 n / salão com as forma- dizer quo, no seu tnoalho, aliás muito impor-
lidades do es yl i, tomou assento na mesa á tante o conscioncioso, vejo nm certo espi-
direita do Sr. vice-presidente.
Entrou oin Z' discus ão o orçamento da des- rite le capitulação com as «grandes d'spezas
peza do mini te.-io da agricultura no exercício que tem sido feitas o que se querem fazer;
de 1882—1883, com as emendas approvaias vejo, por assim diz t, a bandeira branca arvo-
pela camara dos deputados e as oiferocidas pela rada entre as arcas do thesouro. Não e isto
commissão de orçamento do senado. qu ■ nós queremos; des 'javaraos que os honrados
collegas membros da commissão de orçamento,
O Sir. Junqueira: —Era outros enviassem emendas sobre todas as verbas, cuja
orçamentos, Sr. pr sidonto, nós já discutimos dotação fosse elevada ; combatessem ate o fim...
questões de alta importância, umas, relativas á O Sr. Barros Barreto:—Temos sido tantas
política geral, outras, ao ensino publico, outras, vezes vencidos!...
á administração da justiça, aos nogocios mili-
tares de terra o mar e ás relações exteriores, e O Sr. Junqueira : —... o si por acaso fos-
a outros assumptos; hojo vamos encarar as semos derrotados, si os nossos esforços não con-
grandes questões, quo se prendera á pasta con- seguissem resultados, a nossa c mscipncia fi-
fiada aos cuidados do digno ministro, e pela caria tr.inqúilla, pois que tínhamos feito todo
qual correm principalmente os melhoramentos o osforço, afim de que não so gastasse mais um
matoriaesdo paiz, como estradas de ferro, telo- real, além do que se devia gastar, com esses
graphos, navegação, orroio, obras de todo o melhor imentos o serviços que correm pela pasta
genero, o também tudo que concerne á agricul- da agricultura, commercio e obras publicas.
78 ANNAES DO SENADO

Meu voto é que devemos reduzir a despeza ao cumstancias,fazerem desapparecer cortando por
que for unicamente de necessidade ; não dar- todas as despezas não urgentes, e hoje a Italia
mos um passo além. apresenta um orçamento com sobras ?
Realmente neste andar a que ficaria redu- Porque razão, nós que estamos marchando
zido o nosso orçamento ? Já disse hontem, fat- para esse abysmo, não havemos de ter a co-
iando em um requerimento, que hoje podíamos ragem e o patriotismo de fazer o mesmo? Porque
deixar um pouco de parte, todos esses pro- não havemos de dizer aos directores desses ser-
grammas bonitos e apparatosos, que pódern ser viços, assim como no exercício de 1881—1882
muito bons, mas que não têm grande aotua- se pôde fazer a despeza com essa verba, porque
lidade. Neste momento a grande necessidade não se pôde no seguinte exercício fazer com a
é restabelecermos a ordem e restabelecermos mesma ? Todos comprehendem que uma pe-
as finanças (apoiados) ; a ordem, porque quena alteração ninguém disputaria, si apenas
vemos o crime alçado por toda a parte ; e o se tratasse de 50 ou 60:000$ ; mas, Sr. presi-
cidadão não tendo segurança individual, não dente, trata-se de milhares de contos.
pôde entregar-se ao trabalho da industria, do Ora, tomando a questão assim, não posso dei-
commercio e da agricultura, porque não conta xar de pronunciar-me contra o modo por que
com a segurança precisa ; e as nossas finanças está orgrnizado o orçamento, já porque consa-
vão-se aggravando de anno a anno ; é preciso gra essas e outras despezas excessivas e injusti-
um paradeiro a isso, restabeleçamos a ordem ficáveis, já porque vai seguindo a trilha do que
e as finanças, sem o que não podemos cami- já se tem feito de certos annos para cá ; systo-
nhar com passo seguro á realização de muitos ma que tenho sempre condemnado e que deve-
outros melhoramentos. Não sou adverso áolles, mos condemnar, si quizermos ter o caracter de
desejo o melhoramento moral e material, no um povo verdadeiramente civilisado, e que seu
sentido que muitos apregeam ; mas quero que, orçamento seja a expressão verdadeira do que
em primeiro 1 igar, estabeleçamos base solida se passa entre nós.
para firmar-se a nossa sociedade brazileira. O orçamento como está organizado, principal-
Quand ) vemos que o nobre ministro da agri- mente esse da agricultura, é uma onormo
cultura vai na trilha de seus antecessores, não mystificação. Pede-se na proposta do governo
temos motivo para grande regosij®. ã3.238;506$551 e acaraara dos Srs. deputados
Tomando uma verba ao acaso, verbi pratia, elevou essa quantia a 25.717:498$551 ; mas o
a verba da estrada de ferro D. Pedro 11, para a senado quer saber quanto é que realmente se
qual se votaram 5.409:000$ para o pessoal e pede para os gastos desse ministério ?
material, para to lo o custeio, vê-se que pede-se Pede-se 51.077;617$302. Temos, pois, um
agora mais d ■ 7.000;000$000 ! Dá-se, portanto, orçamento ordinário e um extraordinário ; o
um salto mortal do perto de 2.000:000$00001 agora, o governo, não sei porque motivo, na-
Isso foi homologado pela camara dos Srs. depu- turalmente levado pela necessidade das cousas,
tados e provavelmente com a approvação do go- não teve remedio senão collocar no orçamento
verno. que discutimos em seguida ao art. 8°, a nomen-
Note o senado, que não se trata do prolonga- clatura dos créditos especiaes.
mento dessa estrada, porque para isso se deter- Quando se tratou a pii da di scussão do minis-
mina a quantia de mais de 4.000:000$; ó só tério do império, o qual também tem nas tabellas
para despeza ordinária. Pergunto : como se correspondentes créditos especiaes para o tombo
ha de justificar semelhante elevação? Pois até o das terras de Suas Altezas e para continuação
anno ultimo se fez a despeza com 5.400:000$, da construcção do matadoure, não os vimos fi-
e de repente se pede quasi mais 2.000:000$000 ? gurar nesse orçamento. Nao sei porque, si os
Não se trata também dos estragos das chuvas deixou para serem discutidos com as tabellas B
torrenciaes do principio deste anno, porque ou C, conforme a denominação que so lhe der.
para isso se pediu credito especial; não se trata Agora, o nobre ministro da agricultura, to-
do prolongamento dessa via-ferrea, trata-se mado de uma especie de remorso, de occultar
unicamente da despeza ordinária; e como se ao parlamento o verdadeiro estado da questão
explica esse salto mortal ? que quando se pediu vinte sete mil o tantos
Consultando as tabellas do orçamento, ahi contos para as despezas que correm com os cré-
acho tudo englobado ; ó uma resposta de sy- ditos especiaes, e que chamei, por convenção,
billa que serve para tudo, mas não explica ordinária, porque ordinárias todas ellas são.
nada. Ahi está o nosso mal, é nessa elevação Votou 23.000 o tantos contos, que, com 27.000 o
rapida das despezas; si fosse um augmento tantos contos dos créditos especiaes temos o
que pesasse sobre um ou dous exercícios ainda computo de 51.000 e tantos contos.
isso era supportavel, mas essa despeza perma- O ministro não quiz occultar isso, o ó digno
nente que se eleva em progressão geométrica, do louvor esse procedimento.
ha de necessariamente levar-nos ao desequilíbrio Mas conjuro ao nobre ministro a dar um
do orçamento. passo adiante, e ó fazer collocar entre os para-
Porque não havemos de fazer como na Italia., graphos do seu orçamento todas as quantias re-
cujos exercícios alli se fechavam sempre com lativas á essas despezas que têm corrido até hojo
grandes deficits, depois da grande guerra em créditos especiaes ; assim concorrerá S.Ex.
para sua independência, por causa das despezas para um orçamento verdadeiro.
que fizera com armamentos, deficits que E' de nossa lealdade votarmos um orçamento
eram horrorosos, mas que seus homens de Es- por essa fôrma.
tado e camaras legislativas, tiveram a coragem O senado quer vèr do que so trata com esses
e patriotismo de, elevando-se á altura das cir- chamados créditos especiaes, que figuravam
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 79

escondidamento quasi em tabellas especiaes, Estradas de ferro são obras importantes, que
annexas ao orçamento, e que pesavam o pesam correm pelo ministério da agricultura, que não
enormemente sobre o thesouro publico, como se fazem em um anno, que vão se fazendo na
que não fazendo parte do orçamento, como que successão dos annos, 0 que nunca pararão,
sendo apenas um appendice tolerado ! porque nós nunca pararemos, mercê de Deus
Esses créditos andam em 27.291:952|860. espero, com a construcção de vias-ferreas, e
Destinados a que? outros melhoramentos semelhantes.
Poder-se-á dizer : estes créditos são espe- Pois isto não ó o que constitue, por assim
ciaes, porque são despezas passageiras, despe- dizer, o nervo, a essencia do ministério do
zas que não devem ter assento propriamente obras publicas ? Isto ha de estar encapotado
no orçamento ordinário do ministério da agri- em tabellas annexas como fugitivamente se
cultura. encarta ? Não; isto não se deve fazer.
Mas o senado, ouvindo expôr a nomenclatura Isto se fez em alguns piizes, em épocas
desses créditos, conhecerá perfeitamente que o anormaes. Isto se fez na França, nos últimos
seu assento único e verdadeiro, é entre os pa- annos do Império decadente.
ragraphos do art. 8o. das despezas do ministé- Então era preciso illudir aquella grande e
rio da agricultura. illustrada nação com os orçamentos simulados ;
Eil-a (lê) : era preciso dizer que os orçamentos estavam
Créditos especiaes equilibrados e então se foz esta distincção de
30. Lei n. 1953 de 17 de orçamento ordinário e orçãmontj extraordi-
Julho de 1871, art. 2», nário.
§2o : Os créditos especiaes, todos comprehendem,
quo deviam ser deixados para os casos ox-
Prolongamento da estrada cepoionaes e passageiros.
do ferro do Recife aô S. Mas nos casos normaes para que o paiz ha
Francisco, com a parte de ter um orçamento ordinário e outro extra-
substituído da estrada da ordinário ?
Victoria e da estrada de
ferro da Bahia, sendo O Sr. F. Octaviano:—V. Ex. tora razão;
3.937:711$471 para a pri- mas isso cabe ao parlamento.
meira e 3.000:000$ para a O Sr. Junqueira:—Eu vou mandar a este
segunda 6.937:711$471 respeito um additivo, que tora por fim resta-
31. Lei n. 2397 de 10 de belecer a verdadeira pratica. Eu o tenho aqui,
Setembro de 1873 . e o enviarei opportunamente á mesa.
Construcção da estrada de O nobre ministro não teve remedio senão in-
ferro de Porto Alegre a 1
troduzir em seu orçamento, debaixo de nú-
Uruguayana 6.512:106$908 meros, como créditos especiaes, estas des-
32. Lei n. 2450 de 24 de pezas.
Setembro de 1873 :
Garantia de juros, não exce- O Sr. Ministro da Agricultura:—Já en-
dentes de 7 °/o, ás compa- contrei no orçamento.
nhias que construem ou O Sr. Junqueira:—O que quero ó que todo
construírem vias ferreas. . 5.168:993$890 o serviço de obras publicas entre no corpo do
33. Lei n. 2639 de 22 de orçamento com seus paragraphos, e que nós
Setembro de 1875 : quando dermos o voto final sobre o assumpto
Obras para o ab.istocimento que discutimos, saibamos e saiba o paiz inteiro
d'agua á capital do impé- que não são 23.0000:000$, que so votou, mas
rio 3.700:000$000 que são'51.000:000$, isto é, mais da terça
34. Lei n. 2670 de 20 de parte da renda, suppondo que ella,,possa at-
Outubro de 1875, art. 18 : tingir a 130.000:000$000.
Prolongamento da estrada O Sr. Silveira da Motta:—Quasi metade
do ferro D. Pedro II 4.500:0001000 da renda ; a outra metade para págamento de
35. Lei n. 2687 de 6 de juros. j.
Novembro de 1875 ;
Garantia de juros ás compa- O Sr. Junqueira : — Era toda a parte, Sr.
nhias que estabelecerem presidente, se vai deixando isso. Si o nobre
engenhos centraes 167:OO0$OOO ministro folhear, como naturalmente fará, um
36. Lei n. 2940 de 31 de livro recente sobre finanças do ex-ministro
Outubrodo 1879 : francez, o Sr. Mathieu Baudet, verá que foi
Obras de estrada de ferro de um dos primeiros cuidados da republica fran-
Paulo Affonso 853:298$490 ceza, após os desastres de 1870, acabar com
esse systema, e que depois o orçamento frahicez
27.839:110$759 tornou-se só ordinário; desde 1871 que aca-
Eis aqui, portanto, a lista dos assumptos que baram-se com os orçamentos extraordinários,
têm constituido os créditos especiaes para o eliminando-se ontão mais do 120 milhões de
ministério da agricultura ; pergunto a qualquer francos, que figuravam, como orçameiito ex-
— estas matérias não deviam estar incluídas traordinário.
no proprio corpo do orçamento do ministério Contribua o nobre ministro para isto, que terá
da agricultura ? prestado ás nossas finanças um bom serviço ;
80 ANNAES DO SENADO

creia que, quando no principio desta sessão se de Baturitó e Sobral, o mesmo para algumas
annunciou que tinhamos um saldo, isto echoou obras d 'ssas estradas, porque ellas não es-
sympáthieamente por todo o mundo; não só tão totalmente concluídas.
todas as pessoas que se interessam pelo bem O Sr. Viriato de Medeiros :— Uma está.
estar de um paiz civilisado, como os nossos cre- O Sr. Junqueira:—Bom, mas outra tom.
dores exult.ram, pensando que o Brazil tinha obras.
um saldo. Mas neste mesmo orçamento figuram crédi-
M s, realmente, esse saldo era enganoso, era tos especiais avultados para outras est radas,
f illaz (a expressão própria), e. a mentiroso; quando, segundo o systema em voga todas de-
d 'pois quando reconheceram que não havia esse vem ir para os créditos espeoiaes.
saldo o que, ao entraria, o eaercioio havia d^ Si todos forem para o corpo do orçamento
fechar-se com um déficit de m tis da 20.000:000,•J, cessarão essas anomalias. Não sei como se dão
tod.s quantos se imerassam palas cousas ao essas contradicções de figurar in umas no cor-
Brazil, e os credores, um primeiro logar, se po do orçamento e outras serem tra idas para
arrepellaram. essa longa lista de créditos ospaoiaes.
Veja o nobre ministro o que se diz em uma cor- Isto mostra falta do systema, mostra mesmo
r •spondoncia bem lançada, ácerc i dess • n ■go- que o governo está hesitando, não tem assen-
cio, e da qual lorei apenas o trecho relativo a tado no que tem de fizer; estamos om ura i es-
• ess; assumpto, para não fatigar a attenção do pecie de embryão, precisamos s ihir dolle ; e eu
sanado ; ó a correspondeucia para o Jornal do pedirei ao nobre ministro quo, estudando a
Conimercio, escripta do Londres por pessoa qu stão, examinando o meu aiditivo, voja si
abalisada. e tratando do ss impto, isto é, do cllo pôde ser acceit >, si é cousa digna du aco-
nosso duplo orçamento (lê): lhimento.
<í A divisão do orçamento da despoza em or- Não t ;nho preoccupação partidiria.
dinário e extraordinário ó um systema enge- E'um meio de melhor irmos o orçamento.
nhoso de contibilidad ; que mal pode enganar Embora ell i saia logo com um déficit decla-
os credor m e oa contribuintes lo aiz, desde rado, é melhor isso do que sahir om utn déficit
que e imposs v 1 traçar uma linha divis iria en- encapotado ; e as caraaras legislativas, si co-
tro despeza i ordinárias e ex raoriinarias, so- nhec rem que o de fie t ha de s o' muito grande
bretudo quando está entendido que todos os terão nisso um incentivo para não autorizarem
annos haverá o mesma orçamento extraordiná- novas despozas.
rio. Quando mesmo, porém, seja subtileza da Tenho ouvido dizer:—« Agora se pôde alargar
escri turação commer, ial que dá do estudo da as despezas, eorquo o orçamento tem saldo,»
c iixa uma ide : muito eu;: nadora, seja p t- m ts, si os reprosentantes da nação conhecorem
feitamento justificável, pouco importa aos po ;- quo o orçamento, em v z do ter saldo, ha de of-
suidures d i titules razil i r^s s.b r i ó com lerocor um déficit, serão muito mais c ■ ut l isos
despezas extraordinárias ou ordinárias que an- na décr taç.ão d i novas despez is ; o depois, do-
nualmente o exercicio financeiro fecha com vemos ao paiz o a nós mesmos a verdade, não
déficit, que é pago com empréstimo de um devimos estar aqui fazendo papel de sicrifi-
typj ou de outro. O certo ó que os orçamentos cadores da antigüidade, que tinham tudo em
são discutidos, fixado , rninj idos até c m ura mysterio, e quando se encontravam uns com
pequano soldo o que no fim o que apparece ó o os outros, riam-se ; não somos augures, devo-
déficit. E* com esses de fiei ts que não -ão ra as ser hom ms leaes, devemos dizer ao pu-
mais intermittenfes, mas constantes, que o blico a verdade ; o mais ó mystificição indigna
total da divida publica a ig uenta, absorvendo do pirlamento.
cada v z mais o r ondimento na úonal. A satis-
fação que o governo imperial sente de que a Annunciar saldos, em relação ás despezas
receita bisti para a lespezi ordinari i hão pode chamadas ordinárias. ó mystiflear o pa:z.
s;r pois p(^tilhad pulos ontribuintes, du.sdo Ora, veja o senado. No exercicio do 1879—
^uo ha alom desse orçam uto ordinário ura ou- 188J foi votada a quantia de 19.124:000$ para
tro chamado extraordinário, e que o dinheiro as despezas do ministério da agricultura, o
para ambos tem de aahir das mersmas algi- gastou-se, como consta de b danço já publicado
beiras.» a. quantia de 41 717.000$, isto é, a despeza
Isto ó evidente. Nós precisamos sahir por- paga foi do 22.593:000$ mais do que a despezar
tanto deste estado cr ada ha alguns anaos a votada.
esta parte. Nos credites ospeciaes votados nessi lei do
Não duvido que a principio a intenção fossa do Outubro de 1879, vè-se a quintia de
boa ; acredito que o foi; não foi a d ■ crear um 13.400:000$, o que elevaria a despeza legal a
systema enganador ; suppunhi-se que uma ou 32.524:000$ ; donde se segue que o ministério
da agricultura no exercicio do 1879—1880,além
outra despeza seria p ssag ira ; mas hoje ollas das quantias votadas no chamado orçimonto or-
entraram no ciminho ordinário, são obras pu- dinário, além das quantias votadas no chamado
bli as, seu assento natural é no ministério, orçamento extraordinário, ainda gastou mais
que superientende sobre ellas. 9.197:000$.
E depois, olhando para este trabalho que
examinamos, nós vemos que uma contradicção Temos por conseguinte tres orçamentos, —o
immensíi se manifesta mesmo sobre esse as- orçamento ordinário, o orçamento extraordi-
sump to. nário e o orçamento ministerial ou arbitrário.
No coipo do orçamento estão os dinhorios Ora, tu lo isso elevou a despeza paga a mais
necessários para o custeio das estradas de ferro 41.000:000$, mas quem compulsar nossos docu-
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 81
mentos officiaes e ver que votamos 19.124:000$ Um jornal de Berlim, o Berlim Tayehlatt,
para as despezas desse ministério, quem com- tratando desse assumpto, diz o seguinte (lê.)
pulsar o balanço definitivo organizado polo « Durante o mez de Março deste anno sahi-
thesouro em vista dos documentos de despeza e ram do porto de Hamburgo 14,598 pessoas para
conhecer que gastamos mais 41.000:000$, ha os Estados Unidos, para o Brazil e para outros
do dizer: —O parlamento do Brazil se occupa paizes da America. Nunca a emigração foi tão
em decretar leis para serem desvirtuadas ; na considerável, nem mesmo em 1880.
pratica duplica-se a despeza, como si fosse « Nesse anno de 1880, o numero dos emigran-
questão do um nonada o gravame do imposto tes pareceu fabuloso, sendo, entretanto, de
de onde sahe esse augmenfo. 100,190 pessoas apenas. No anno passado o nu-
Tudo isso cessará, si o ministério da agri- mero dos emigrantes chegou a 210,547. Neste
cultura tiver em seu orçamento as verbas com anno, conta-se que emigrarão de 350.000 a
as dotações precisas o denominação própria. 400.000 allemães ! »
_ Fique ao governo a faculdade de abrir cré- Emigrarão 400.000 allemães e nós não re-
ditos extraordinários para occorrer a despezas ceberemos senão uma parte minima. Eu po-
urgentes, indispensáveis e não previstas ; o deria portanto ao nobre ministro que estudasse
proprio ministério da agricultura o pôde fazer essa questão, procurando meios indirectos do
para outros casos ; os créditos supplementares obtermos immigração.
também estão determinados ; nelles bavia an- Estou longe de aconselhar os meios directos
tigamente grande facilidade, mas hoje ha res- que tem dado negativos resultados; mas ha
tricções ; tudo mais tinha os fundos decretados meios indirectos, a propaganda tem grando
na respectiva lei. força, e por isso peço a S. Ex. que auxilie o
Parece-me que isso é um melhoramento. mais que puder a exposição que se pretende
Encarando certas questões, que correm pelo fazer em Berlim de produotos brazileiros, o que
ministério da agricultura, vejo tantas impor- resolverá muita gente a vir para o Brazil; ó
tantes, que nem sei mesmo como providencie uma despezi que será altamente produetiva.
pela prioridade de umas ou do outras. Os paizes prooccupam-se hoje muito com
Não pretendo fazer desenvolvimentos ; só esta questão de emigração, porque realmente
quero apontar idéas, porque, realmente, aqui são paizes pequenos, que não podem conter
não podemos senão tratar em synthese de cer-.- grando população e precisam espalhal-a e ex-
tas questões. pandir-se.
Temos a questão de immigração, que é O que devemos ver ó si podemos chamar
muito importante. para o nosso paiz essa exhuberanoia do vida,
No relatório de Janeiro se diz que o governo de capitães e de braços da Europa, e que aqui
venham nos ajudar facilmente na senda do pro-
proporia alguma providencia ; no entretanto, gresso verdadeiro.
não propoz cousa alguma até agora. O Brazil será um grando paiz, mas precisa
No relatório de Maio se disse a mesma cousa de homens para dar-lhe desenvolvimento. Esta
o que se achava necessário a construcçãode questão preoccupa hoje todos os governos, que
uma hospediria para primeiro estabelecimento não estão, aliás, na nossa urgente posição.
de iramigrantes espontâneos, o algumas outras Somos um paiz novo, de uma grande ex-
providencias pequenas. tensão ; mas precisamos de braços, de uma cor-
Votou-se um credito do 1.332:483$420, para rente de homens intelligentes, fortes e enér-
a emancipação das colonias; perguntarei ao gicos, para sermos uma grande nação.
nobre ministro em que pó está esta questão, si Homens notáveis, como por exemplo, o Sr.
ainda restam algumas colonias por entrar no Paulo Lo-roi Boulieu, estão agora voltando as
regimen coramura, porque o ultimo relatório vistas para a colonisação.
apresenta algumas, como vivendo ainda no A Colonisação dos povos modernos ó o ti-
regimen excepcional, o que ó desanimador para tulo de um notável livro daquelle grande eco-
o futuro da immigração para o Brazil. nomista.
Conheço que não podemos ter a corrente do EUe deseja que a França assuma a sua po-
immigração que tem os Estados Unidos por tência expansiva, porque dahi ó que virá a
certos motivos especiaes que seria longo de- grandeza futura daquelle paiz.
monstrar ; mas podemos aspirar a ter alguma E' o meio que terá a França de poder lutar
corrente espontânea. com outros paizes, como a Inglaterra e a Alle-
Vejo com satisfação quoella, comquanto ainda manha, de fazer crescer mais facilmente a sua
tenuo o diminuta tende a engrossar, porque, população europóa ou colonial.
segundo os relatórios últimos no período de- Mas nós não podemos aceitar essas idéas
corrido de l" de Julho de 1880 a 30 do Junho de omos as cousas debaixo de outro ponto de,
1881 entraram 29,729 immigrados, e de 1 de vista.
Julho a 31 de Dezembro de 1881 entraram no Devemos chamar para o nosso paiz os colonos
porto do Rio de Janeiro 11,103, das quaes 4,537 que queiram fazer vida comnosco. Mesmo entre
italianos 3,793 portuguezes. os inglezes ha diversas ospecies de coloni-
Já a immigração italiana sobrepuja a portu- sação .
gueza. Parece que da patria do Danto podemos Elles consideram certas colonias, de sjmples
esperar alguma cousa. Os habitantes da alta exploração, como as da índia, Antilhas e
Itália são bons lavradores. outras, ou como dignas de serem povoadas á
Nos Estados Unidos a corrente ó assombrosa; imagem da metrópole, como a Austraiia o o
veja o nobre ministro essa noticia, Canadá.
v. iv.—11
82 ANNAES do senado

Ha outras colonias mistas, como as da Ar- O Sr. Silveira da Motta ; — Não ha,
gélia, que não são de exploração, nem de po- O Sr. Junqueira : — A conseqüência seria
voação propriamente. uma grande corrente do asiáticos, que viriam
Nós não podemos aceitar, para conviver com- trabalhar na nossa lavoura, mediante salario e
nosco, e para formar um grande povo, senão prasos pequenos.
os que queiram engrandecer a patria brazi- O Sr. Viriato de Medeiros ;—Isso é do que
leira, assimilando-se oomnosco, e com as nossas precisamos.
instituições e destinos. O Sr. Junqueira:—Mas peço ao nobre senador
Precisamos para o nosso paiz de uma cor- que, restricto a este ponto, deixando de parte
rente de immigração espontânea. as questões do desenvolvimento nacional o do
Entre nós, em que a lavoura ó a principal futuro do msso paiz, ainda mesmo reduzindo a
industria, como se costuma dizer, podemos questão a esse ponto, qual seria o resultado'(
appellar para a colonisação; mas esta deve Está hoje provado que o trabalhador asiatico,
vir brandamente, como uma corrente, que para chegar ao nosso paiz, ha de custar cerca
avoluma sempre as suas aguas, sem trasbor- de mil francos, o tom de ganhar por anno cerca
dar, mas cresce constantemente. de 250$ da nossa moeda ; e que,alóm disso, tem
Nesta questão, Sr. presidente, prooccupo- direito á passagem do volta.
me muito com o futuro do paiz. O presente Segundo o trabalho, que achei excellente, e
nos merece muito ; devemos empregar todos resultado de uma conferência de um homem
os meios de tornal-o mellior ; mas o futuro illustrado, o Sr. Dr. Couty, vejo que o Brazil,
deve ser o nosso grande pharol. Si puder- si quizesse introduzir em sua lavoura 500.000
mos conjurar as dificuldades do presente com
certos remédios, mais ou menos palliativos, trabalhadores chins, que parece serem neces-
não nos alliviariamos do peecado de termos sários, porque temos mais de 1.000.000 do es-
descurado as questões do porvir. cravos, esses trabalhadores importariam em um
Eu antes quero que marcbemos pausada- bilião de francos, ou 400.000:000$, em certo pe-
mente, que a corrente de immigração euro- ríodo. Ora, roalmentc, para trabalhadores, que
péa venha vindo para aqui, paulatinamente, têm de estar pouco tempo no paiz, viriam a
mas que creemos uma base solida, uma socie- custar-nos sommas fabulosas, e não poderia isto
dide forte e estável para o futuro. Antes quero dar proveito á lavoura.
que leguemos a nossos descendentes uma pa- Está demais provado pelos factos dos Esta-
tria com 15 ou 20 milhões de habitantes, porém dos-Unidos e de outras partes que são consumi-
estável, e segura, do que com maior numero dores em escala minima, e que um grande nú-
de habitantes sem cohesão entro si. cleo desses trabalhadores pouco despende. São
Para que possamos garantir melhor o futuro ensaccadores de dinheiro para leval-o para sua
do nosso paiz, é preciso que se vá pouco a terra. São sobrios, porém pouco aceiados ; são
pouco creando uma população do intelligoncia fanáticos, de physico feio em geral. Não tra-
elevada, robusta, de espirito alevantado,de bons zem mulheres. São naachinas de ganhar e pou-
dotes physicos e moraes. par dinheiro para mandal-o para fóra do paiz.
Uma raça, que tenha autonomia, e que não Da Califórnia sahom todos os annos cerca do
seja destinada a ser explorada. Homens livros 40 milhões de dollars. Elles têm depauperado
em um paiz livre, e nosso interesse está em esse Estado.
fazer com que a lavoura não pereça; porém O Sr. Cansansão de Sinimbu'dç nm
não perecerá porque, mesmo com os elementos aparte.
nacionaes, que já possuímos, vai-se fazendo a
transformação do trabalho escravo para o tra- O Sr. Junqueira : — Ó nosso fim, como pa-
balho livre ; e o europeu ha de ir chegando, triotas e legisladores, não deve ser tanto sup-
ainda que paulatinamente, com os seus me- prir a actual carência de braços ; ó estabelecer
^Ihores pfocessos, e irá augmentando a nossa no paiz bases sólidas para o seu futuro : in-
agricultura. A grande lavoura pôde ir se stituições agrícolas permanentes.
transformando : paciência; mas não nos lan- O Sn. Jaguaribb:—Apoiado.
cemos ne perigo de trabalhadores adventicios,
incapazes de assimilação eomnos o ; não appel- O Sr.. Junqueira: —Por que razão estamos
lemos para a immigração asiatica. nós hoje lutando com a dificuldade do elemento
servil o cora a transformação do trabalho es-
O Sr. Cansansão de Sinimbú:—São duas cravo para o livre ? E' porque os nossos avós
questões distinctas. (não façamo-lhes grande carga disto) não re-
O Sr. Junqueira : — Não sei qual ó a opinião solveram a questão em tempo e com vistas de
do honrado ministro; mas vou dizer o que penso futuro.
para justificar a minha opinião. O Sr. Jaguaribe :—Apoiado.
Me parece que não é ahi que está a nossa so- O Sr. Junqueira : — Nunca se deveria ter
luçãa.
Podemos deixar de parte todas as questões empregado em tal escala a colonisação de escra-
de typo, de organização, de tendências, de re- vos. E depois, uma vez que cila infelizmente
ligião, de inferioridade absoluta desta raça, em existia, podia-se ter resolvido na época da inde-
relação a outras ; podemos deixar de parte mes- pendência essa magna questão, e hoje a nossa
mo o que se havia de dar no futuro ao paiz, si situação financeira e social seria muito di-
porventura essa raça se misturar (de que não ha versa.
perigo), segundo dizem... O Sr . Jaguaribe : — Apoiado.
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 83
0 Sr. Junqueira:—Mas agora, levados pelas O Sr. Junqueira;—Os nobres senadores hão
condições de momento, não deveremos cuidar de permittir que lhes diga que,si o corpo legis-
do futuro real, verdadeiro e solido do paiz, que lativo dos Estados-Unidos se deixasse influenciar
consiste no trabalho das raças que temos, au- por motivo tão mesquinho 6 injusto,aquelle paiz
gmontado com o novo contingente de eur ipeus, não poderia ter a proeminencia, que se lhe tem
raças intelligentes, robustas, christãs ? Pois dado.
havemos do introduzir uma raça,que todos reco-
nhecem inferior, que não vem cá ssnão de pas- O Sr. Cansansão de Sinímbú:— Não se quer
sagem,para operar o levantamento de capitães, amesquinhar.
e que só vem obter recursos, e pouco ou quasi O Sr. Junqueira :— A prohibição da intro-
nada consome ? Pelo lado economico mesmo, é ducçãodos chins passou no congresso ameri-
muito duvidoso que os gastas de producção não cano, depois de muito pensada, depois de muita
fiquem absorvidos pelos salários, pelas despezas meditação.
de ida e volta. O Sr. Viriato de Medeiros:—Foi uma ques-
O Sr. Cansansão de Sinimbú Os factosde- tão política.
monstram inteiramente o contrario. O Sr. Junqueira:— O nobre senador sabe
O Sr. Junqueira :—Respeito muito a opinião que esta lei foi primeiramente votada, o o pre-
do nobre senador pelas Alagôas ; reconheço-o sidente Arthur não a sanecionou; voltando ao
como meu nvstre em semelhantes assum- congresso, foi de novo votada, e em vez de ser
ptos. prohibida a introducção por 20 annos, reduziu-
se o prãzo a 10 annos ; foi, então sanccionada.
O Sr. Cansansão de Sinimbú ; — Não, O Sk, Cansansão db Sinimbú ;— EUes hão de
senhor. continuar a entrar pelo México.
O Sr. Junqueira: —Sem duvida; mas o
nobre senador ha de ter-se deixado levar de- O Sr. Junqueira:— Este aparte do nobre se-
mais pelas narrativas do alguns, que contam nador não prova cousa alguma; prova apenas
cousas fabulosas a respeito de colonias fran- que a lei, prohibindo a introduoção de chins
cezas, inglezas, hespanholas, em que têm es- nos Estados-Unidos , pôde ser illudlda pela
tado. fraude.
As cousas contadas assim pódem produzir uma é que O Sa. Cansansão de Sinimbú:—A necessidade
corta impressão. exige esta introducção.
Mas estabeleça-se um inquérito, e ver-se-á O Sr. Junqueira:— Faço mais justiça aos
si porventura nesses logares tao? factos se dão legisladores dos Estados-Unidos da America.
realmente assim. Não sou tão enthusiasta, como alguns, das in-
O Sr. Viriato de Medeiros : —Como na Ca- stituições exageradamente democráticas.
lifórnia. O Sr. Silveira da Motta:—Antes fosse.
O Sr. Junqueira:— Compram-se fielmente O Sr. Junqueira:—... mas não posso fazer
os contratos e estipulações, e os lucros não se- a injustiça de suppor que os legisladores repu-
rão os dessas narrativas. O motivo do alguns blicanos se influenciaram por estas idóas, quo
lucros será porquo tratam esses coolies como apenas poderiam prevalecer em algumas loca-
escravos. Mas, si os nobres senadores querem, lidades, de fazer com quo os yankees e os irlan-
como ou, fadar este paiz para o futuro, como dezes não fossem prejudicados pelo salario
hão de confiar a esta raça adventicia a nossa baixo, dos trabalhadores asiáticos.
agricultura 1 Depois que olles se retirarem ou Não; acredito que tiveram um fim mais alto,
faltarem, quem supprirá o vácuo ? E esse o intuito mais nobre que ó possível; foi o do
vácuo será tanto mais penoso, porque o brazi- que, em todo o território da União, cerca
leiro terá perdido o habito dó trabalho e do ma- de 50.000.000 de homens em grande maio-
nejo da agricultura, a fonte principal da nossa ria de raça caucasica, raça que tem realizado
riqueza. Como se pode confiar o futuro de nossi melhoramentos extraordinários, que tem sido o
lavoura a uma raça inferior, que não deixa assombro do mundo, não soffresse a influencia
vestígios, que não tem interesso nenhum no do uma raça inferior,que iria, por assim dizer,
progresso do nosso paiz ? quebrar a harmonia daquelle todo.
Façam a experiência, e se desenganarão. Não foi por esta questão mesquinha do sala-
A não serem tratados esses coolies como es- rio, porque teriam outros meios de ôbviar este
cravos pouco lucro deixarão. resultado. Façamos mais justiça aos senti-
O Sr. Cansansão de Sinimbú:—Veja o que mentos dos outros.
acontece emCeylão. Um Sr. Senador:— Não se esqueça de que_ a
SO r. Junqueira:—Si os nobres senadores ao construcção das estradas de ferro, do Atlântico
querem argumentar com a autoridade, não po- Pacifico, foi realizada pelos chins.
dia offorecer-lhes uma autoridade maior do que O Sr. Junqueira:— Si o nobre senador traz
seja o poder legislativo dos Estados Unidos da o exemplo da estrada do ferro inter-oceanica,
America. feita em pouco tempo e com pouco dispendio,
poderei perguntar si está provado que os ame-
O Sr. Cansansão de Sinimbú:— E' por esta ricanos não poderiam realizar esta grande obra
mesma razão. no mesmo tempo o dispendendo os mesmos mi-
O Sr. Viriato de Medeiros:— Foi pela bara- lhões que com os chins ; e entretanto os lucros
teza do salario; não quizeram a luta. deste trabalho ficariam no paiz, não seriam le-
84 ANNAES DO SENADO

vados pára a China, como aconteco com os Paulo Le-roy Beaulleu, diz que na índia ha
obtidos pelos trabalhadores chinezes. apenas 100,000 inglezes para reinarem sobre
(Ha vários apartes.) 290.000.000 de habitantes, e que nas ilhas de
Esta immigração. Sr. presidente,é,e não pôde Sonda ha apenas 25,000 hollandezes, ao passo
deixar de ser, um elemento passageiro, e, si os que ha mais de 10.000.000 de naturaes em todo
nobres senadores sustentarem e provarem que aquello archipelago.
è uma instituição solida, verdadeira, real, de Para estes pontos ó que a Inglaterra e outros
futuro, calo-ms... paizes enviam colonos chins ; áo passo que
O Sr. CansansÃo de Sinimbu': — São ques- para outras localidades, que chamarei prolon-
tões muito distinetas. gamentos da mãi patria, não envia senão immi-
grantes de raça distineta.
O Sr. Junqueira:—Havemos de entregar a Destas localidades, os seus paizes não querem
estes trabalhadores a cultura do café, da canna, sómente recursos; não os considera como a
para, no fim do 10 ou 20 annos, a industria Hespanha outr'ora o mesmo Portugal consi-
brazileira achar-se em condições contrarias deravam suas colonias, das quaes só queriam
áquollas que nós todos desejamos? E' esta a que viessem numerosos galeões pejados de ouro.
immigração de que precisamos? Não,Sr. presi- (Muito bem.)
dente; é da emigração europea, de homens que Ora, podemos nós neste tempo fazer o mesmo
venham trabalhar, embora por ura salario mais para o nosso paiz ? Si os nobres senadores se
alto, mas que se fixem no paiz. soccorrem do que so faz era outros logares,
O Sr. Virxato de Medeiros;—Pois declaro posso me soccorrer ás condições do nosso paiz,
que não hei de concorrer para que se gaste com condições que mudam, era confronto com as dos
a immigração. outros chamados coloniaes.
O Sr. Junqueira : — O nobre senador com- Quero dizer que, depois de termos caminhado
prehende que não quero a immigração official, na senda de um progresso, não muito accole-
quero que so attraiam immigrantes por meios rado, mas sempre tendo feito algum caminho,
indirectos, como faz á Republica Argentina, si precisamos de colonisação não devemos ser
como fazem outros paizes, para onde vai grande confundidos nem considerados como uma An-
quantidade de europeus. tilh.a miserável, o sem futuro.
Havemos agora, depois de tantos annos de in-
O Sr. Silveira da Motta:—Alguns destes dependência o de estarmos mais illustrados, a
meios indirectos S. Ex. não ha de querer. respeito da marcha dos negocios do mundo,vol-
O Sr. Junqueira:—Não estou,Sr. presidente, tarmos para traz , e havemos de introduzir
expondo esta opinião agora pela primeira nova raça, choia do vicios, de physico ames-
vez. Desde moço, logo que comecei a minha quinhado, de moral abatido, que não tem nada
vida politica, como membro da assembléa pro- de commum aqui, que não tem em vista formar
vincial da Bahia em 1853 ou 1854,apresontando- uma patria o um futuro ? Havemos do intro-
se um projecto para promover a entrada de tra- duzir semelhante raça, sómente para termos
balhadores asiáticos, eu me oppuz; e hoje não daqui a alguns annos um pouco mais de café ?
teria de corrigir nada em minhas idéasde O Sr. Yiriato de Medeiros dá ura aparte.
moço a este respeito.
O Sr. Junqueira:— O nobre senador pelo
O Sr . CansansÃo de Sinimbu':—Pois faz mal. Ceárá,que se mostra tão entendido nestas ques-
O Sr. Junqueira :—Ha muito tempo, pois, tões ; S.Ex. que ó um homem de trabalho, um
que tenho a convicção de que esta colonisação engenheiro distineto, como é que se arrepella
não pôde servir de nada, será apenas transitó- assim contra a immigração européa ?
ria. Invejo mesmo que se faça a experiência
para nos desenganarmos. Estimarei ser conven- O Sr. Viriato de Medeiros:— Venha, mas
"> cido dó'erro. não gastando dinheiro pára isso.
E, por ventura, os inglezes que querem fizer O Sr. Junqueira;— O que estou dizendo ó
do suas colonias da Austrália e do Canadá, que, por meios indirectos de propaganda, haja
novas Grã-Bretanhas, mandam para alli colo- uma certa facilidade.
nos asiaticas ? Ella que quer transplantar para O Sr. Viriato de Medeiros:— E' preciso o
alli o seu sangue, as suas instituições livres, casamento civil; o V. Ex. o quer ?
o seu self-c/overnement, manda para lá china ?
Não ; a Inglaterra tem colonias da exploração ; O Sr. Silveira da Motta:— E liberdade de
para estas, como a Mauricia, a ilha de Bour- cultos.
bon, algumas das Antilhas, é que ella os envia, O Sr. Viriato de Medeiros:— E V. Ex. quer
porque são colonias de exploração. São fazen- também liberdade do cultos ?
das de lavoura, só para dar lucro, sem futuro O Sr. Junqueira:— E quem ó que não quer
social ou politico. liberdade do cultos ?
Vejam a distineção que fez, ha pouco, o
Sr. Gambetta, em um discurso na camara dos O Sr. Silveira da Motta :—Acabe-se com
deputados, fallando a respeito da questão do a escravidão, que teremos colonisação livre!
Egypjo; elle dizia que a Inglaterra faz dis- emquanto houver escravidão, não ha coloni-
tineção do raças, tem colonias, que são de or- sação.
dem elevada, como a Austrália ; mas, também, O Sr. Junqueira;— Liberdade de cultos
tem outras colonias de exploração,ás quaes elles nós tomos na fôrma da constituição. Eu quero
nao concedem grande dóse de livre exame. que se faça na Europa a devida propaganda.
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 85

afim da saber-se o que é o Brazil, porque lá nos cousas pressurosas porque entendo que não são
apontam em situação muito peior do que aquella convenientes ; mas não havemos também de
em que estamos, porque suppõe-se que somos ficar parados como marcos miliarios. O formar
um povo do bárbaros, quando não ó assim. uma raça varonil, e que tenha grande desen-
' O nobre ministro tem uma grande missão, e volvimento e expansão é hoje uma questão que
ó a de fazer-nos conhecidos na Europa, o ó por está occupando os estadistas em toda parte do
isso que digo essas palavras que são modestas,, mundo.
m^s que servirão de ulgum alento para o nobre Citei, ha pouco, o Sr. Le-roy Beaulieu, que
ministro. Façamos isso. muito se impressiona com o futuro da raça
Não são palavras perdidas; não é preciso franceza. Aconselha grande colonisação nas
lançar dinheiro fóra ; gaste-se na propaganda margens africana.! do Mediterrâneo, para que
alguma cousa, o aqui dè-se apenas hospedagem daqui a alguns annos haja nessas paragens
por poucos dias aos immigrantes; oncami- grandes núcleos dessa raça,que contrabalancem
nhe-se-os; ha escriptorios de informações, como o cruzamento das raças germânica e slava.
ha nos Estados Unidos; isso está longe de fazer Si o nobre senador consultar o excellente
contratos onerosos para mandar buscar colonos artigo que vem inserto em ura dos últimos nú-
na Europa, porque sei que nestes casos os es- meros da Revista dos Dous Mundos, ha de
peculadores só nos mandam para cá o refugo ver que ó essa a constante preoceupação, ó
da população da Europa. a questão do futuro ; mas não ó futuro egois-
0. Sr. Viriato de Medeiros dá um aparte. tico.
Si não tratarmos de dar expansão e de aug-
O Sn. Junqueira:— E' por isso que ou dizia mentarmos a nossa população, o que se segue
que a immigração asiatica, longo de trazer para ó que no fim de 50 annos havemos de estar
o paiz vantagens, em relação aos capitães, pelo rodeados de vizinhos, mais poderosos, mais ri-
contrario,nos tira; entretanto que a colonisação cos, e mais numerosos, que nos hão de ab-
européa nos trará alguma cousa. sorver.
Segundo um calculo feito pelo governo prus- Portanto, não ó uma cousa de ser assim
siano, cadá immigrante, termo médio, leva negligenciada, ó preciso alguma attenção : não
447 florins, e bem se vè que em 200.000 immi- tenho nem conheço todos os meios, mas percebo
grantes, temos cerca de 220 milhões de francos que tornando mais conhecido o nosso paiz o em-
que entraram como capital para a União- ame- pregando certos meios indire-tos, podemos ob-
ricana no anno ultimo. Não podemos aspirar ter algum resultado si o Brazil apparscer em
por ora a tão elevadas cifras, mas alguma certas partes, sem grande dispendio, mas de
cousa podemos obter. Virá algum capital de modo que mostre os nossos productos, isto
intelligencia, de industria, de braços, e até ca- trará certamento o augmento da corrente de
pital era numerário para o nosso paiz. immigração.
Houve tempo, e os nobres senadores se hão O Sr. Viriato de Medeiros ;— Os nossos
de recordar, que era moda fallar em colonisação productos são muito conhecidos em toda parte,
o immigração por meio directo, e era uma não precisamos mais de apparecer.
forma do gastar-se mal muito dinheiro ; depois
chegou-se á conclusão contraria de não gas- O Sr. Junqueira :—O nobre senador me
tar-se absolutamente nada. Essas soluções ex- sorprende ! O nobre senador pela Bahia ex-
tremas não são boas ; não quero que se gaste ministro da justiça, julgará V, Jíx. muito
nada senão com propaganda e meios indirootos; áquem de seu tempo ! Nas questões de in-
não é dar subvenções, o por isso ainda ha pouco strucção publica,que aqui tiveram logar, e nas
pedi informições ao nobre ministro a respeito quaes se queria só arranjar bonitos ramalhetes,
das colonias do Estado, que desejo emancipadas, assim fui por S. Ex. qualificado. Eu não acho
porque não comprehendo colonias que conti- esses ramalhetes maus.... ó preciso ir com a
nuem no regimen especial, por 15 o 20 annos; onda.... „
isso não ó colonia, é peso, ó ônus. Eu, porém, não faço ao nobre senador pelo
O Sr. CansansÃo de Sinimbu' dá um aparte. Coará essa increpação. A'quem de seu tempo
não ha ninguém; todos somos contemporâ-
O Sr. Junqueira :—Pelo contrario,digo que neos e lutamos, uns de um modo, outros de
o nobre senador pelas Alagôas bem consultou outro.
os interesses do paiz ; foi no ministério de S. Mas o nobre senador pelo Ceará parece estar
Es. que iniciou-se essa idéa da emancipação muito prevenido contra a immigração eu-
de colonias ; mas ainda existem algumas vi- ropéa.
vendo no regimen especial, e por isso pedi in- O Sr. Viriato de Medeiros:—Estarei áquem,
formações ao nobre ministro e mesmo para mas repetindo sempre que na Europa conho-
animal-o. ce-se todos os nossos productos, e o mais e que-
Não sei si, no credito de 1.240:000^ votado, rer gastar-se dinheiro.
ha alguma quantia para emancipar essas ou-
tras. Nessa questão, eu tenho uma opinião O Sr. Junqueira : — Isso diz V. Ex., mas
média , mas sobretudo impressiono-mo pelo não dizem os jornaes e os homens que se occu-
futuro ; não quero chegar ao enthusiasmo de pam com esses negocies, e nem os nossos pa-
1857 ou 1858, de votar-se grandes quantias para tricios viajantes.
isto, nem chegarmos á posição inactiva do pre- Os nossos productos não são bem conhecidos,
sente, porque não podemos ficar atraz dos e V. Ex. tem prova no café, que era um dos
outros; sou conservador e opponho-rae a muitas productos do Brazil que mais devia ser conho-
86 ANNAES DO SENADO

cido, porque produzimos três quartos do que poli tico, como no mundo moral, como no
se consome. Na França apparece elle como mundo economico.mais adiantado está no termo
café de Moka. médio, está no equilíbrio.
Por conseqüência esta restricção completa de Estou no verdadeiro equilíbrio; o nobre
não querer contacto com a Europa, é uma po- senador pela Bahia e outros vão por ahi além,
litica ultra-americana. Eu me recordo que nos vão precipitando-se. Eu fico no logar em que
Estados Unidos houye um presidente, o Sr. colloquei-me, só dou um passo para diante com
Monroe, que estabeleceu a politica americana e segurança ; não retrogrado ; estou mais adian-
a não intervenção européa ; mas o nobre senador tado que elles.
vai além da politica desse presidente, porque, Tenho fallado despretenciosamente, porque
si elle não queria que a Europa se intromet- realmente ó isto mais uma conversação com o
tesse nas questões da America, não impedia nobre ministro; estas questões precisam ser
comtudo a immi.qração, antes animava-a por elucidadas, assim como que em commissão
todos os modos. geral.
Mas o nobre senador vai além, não quer con- Não tenho por fim pôr o menor obstáculo aos
tacto, não quer exigência nenhuma, não quer intuitos do governo neste assumpto, e poço
que, por seus seus productos, o Brazil se habi- desculpa aos nobres senadores si porventura,
lita a entrar nessa liça das nações civili- por alguma digressão, me afiasto propriamente
sadas. do orçamento.
O Sr. Silveira da Motta dá um aparte. O Sr. Viriato de Medeiros:—Vai indo
perfeitamente.
O Sr. Junqueira:—Por essas,e outras
razões, que sei, e logo direi... O Sr. Silveira da Motta:—Nós apenas fa-
zemos alguma reclamação.
O Sr. Silveira da Motta : — E pelos di-
reitos prohibitivos. O Sn. Junqueira ; — Vou fallar em um ponto
em que acho que os nobre senadores me apoia-
O Sr. Octaviano dá um aparte. rão. Tratamos de povoar o nosso paiz, porque
O Sr. Junqueira ; — O nobre senador não realmente . ó isso necessário, mas ha certas
sabe que se tem feito em Pariz exposição de café causas internas, que impedem esse deside-
brazileiro, o que tem dado muito bons resul- ratum.
tados, até por patrícios nossos, porque ha Já clamei muito e por fim quasi cansei;
pouco li que no grande hotel de Pariz se pre- declaro-me contra esse costumo de nos consir-
parava o café brazileiro ? doramos em pó do inferioridade, em relação a
O Sr. Silveira da Mutta dá um aparto. outras nações.
O Sr. Junqueira : — Mas digo que é uma A nossa legislação resente-se muito do certas
propaganda neste sentido, é uma propaganda faltas ; mas que nós queiramos por nossas mãos
pacifica da industria, e não sei por que razão nos desacreditar, e que apresentemos o nosso
os nobres s nadores, que se dizem tão libera- paiz, como indigno de commungar com outros
es, que todos os dias... prendem nossas atten- mais civilisados, é o que nunca pude tolerar.
ções com suas idéas liberaes, hão do querer Refiro-mo ás convenções consulares, e chamo
declarar guerra a este certamen, a esta propa- para ellas a attenção do nobre ministro. Estas
ganda, a esta luta pacifica. Os nobres senado- convenções, em meu fraco entender, são obstá-
res querem reduzir o Brazil ás suas plagas. culos à immigração, porque são os próprios
O Sr. Silveira da Motta :— O que não poderea públicos que declaram urbi et orbe que
quero ó dar dinheiro para passear-se na Europa; nossa legislação, que nossa magistratura, nossa
e para o que servem as propagandas. justiça, não têm a suííiciencia precisa para_ad-
O Sr. (Junqueira :— Não se trata de passeio, ministrar provisoriamente oa bens dos indiví-
duos estrangeiros, que para aqui venham, o
" e alguns que tem passeado á Europa, á Asia, tenham a infelicidade do falleoor.
e a outros paizss,não são meus protegidos.
Estas convenções sô se podem admittir nos
O Sr. Silveira da Motta:— O que se diz é paizes, que não estão na altura constitucional
que as propagandas não têm esse eíleito que a que ternos chegado. São próprias para as an-
V. Ex. attribue. tigas regências barbaroscas.
O Sr. Junqueira : — Eu estou sorprendido Eu desejaria que todas as convenções, as que
de -que, tendo as idéas um pouco comedidas, e existem, fossem denunciadas, porque não po-
não aventurosas, sendo cauteloso de mais, como demos esperar receber grande quantidade do
o nobre senador pela Bahia empre mo argúe, immigranles, si elles não tiverem cm vista fir-
hoje esteja fazendo o papel de verdadeiro apos- mar aqui o seu futuro e o futuro de seus filhos.
tolo, de grande advogado da civilisação e do Mas, domittirmos nossa justiça, declararmos
progresso, no sentido moderno, e os nobres se- perante o mundo que não temos capacidade
nadores, que são realmente, ao menos em para semelhante fim, é cousa que me faz ad-
nossa nomenclatura official, mais liberaes do mirar.
que eu, mostrem-se tão atrazados, em relação a Antigamente fizeram-se algumas convenções,
esta questão. {Apartes.) Eu me julgo no ver- mas hoje devemos ser muito cautelosos ; uma
dadeiro terreno em todas as questões que nos ou outra, como fez o nobre senador pelo Pa-
dividem; julgo-me mais adiantado do que mui- raná, quando regeu dignamente a pasta de
tos, que disso blazonam, pois que no mundo estrangeiros.
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 87

A convenção que fez com a Inglaterra pôde poder do governo, ou serem vendidas em hasta
ser feita em pó d; reciprocidade, não se dá in- publica, estão em poder dos particulares o talvez
tervenção na jurisdicção territorial. dos próprios que as venderam.
O Sn. Correia:—Eu notifijuei a cessação A pasta de V. Ex. se chama da agricultura
de todas as convenções consulares que en- principalmente, porque em verdade a agricul-
contrei ; si ainda existem não tenho respon- tura neste paiz... (tenho já acanhamento de
sabilidade ; o regimen commum é o que con- dizer)...
vém ; mediante reciprocidade podem os côn- O Sr. Viriato de Medeiros : —Essencial-
sules ter algumas faculdades sem oífensa da mente agrícola.
jurisdicção territorial. O Sr. Junqueira:—.. .requir séria attonção
O Sr. Junqueira;—E por fallar ainda nesta do nobre ministro; o pergunto: quaes suas vis-
questão de colonisação, farei ao nobre mi- tas, seus intuitos a respeito dessa magna ques-
nistro uma pergunta : é relativa á colonisação tão? Quer V. Ex. executar a lei do 1875, que
dos russos allemães. estabeleceu a craação de bancos de credito real ?
Sabe-se que grande quantidade dessa gente Que pens.imento tem o governo a tal res-
não se achando bem na Europa, procurou o peito ? Esta questão tem sido muito debatida,
Brazil e foi estabelecer-se na província do Pa- tem entrado em programmag ministeriaes e
raná, onde o governo mandou comprar terras. não tem tiJo solução.
Essa colonisação não teve bom êxito, retiraram- Em França, a solução a que se chegou ulti-
se quasi todos os immigrantes, e o governo mamente ó de abstenção completa do Estado.
ainda se viu obrigado a pagar a passagem de Fez-sj alli ultimamente um grande inquérito
volta ; isto é o cumulo da não colonisação. sobre a questão de auxílios á lavoura, mas em
Levantou-se grande questão dizendo-se que conclusão a commissão foi de parecer que a
as terras não são boas ; mas a somma por que agricultura ficasse collocada ao nivel dos outros
o governo as comprou foi avultada. e pergunto ramos da producção; e no terreno do direito
ao nobre ministro ; em que mãos param commum.
ellas ? Essa foi em França a solução, mas o nobre
Informam-me que estão invadidis todas, ministro bem vê que ha grande diíferença
talvez em poder daquelles que as venderam e entre o estado da agricultura naquelle paiz e o
que ahi tenham sua criação. estado da agricultura no Brazil. Entre nós
ella precisi de algum auxilio ; não vou até ao
Paliando nesse assumpto ha dous annos, ponto de querer estabelecer uma espeoie do so-
aconselhei ao gov Tno que vendesse essas ter- cialismo ; porém ha muitos meios de auxiliar
ras até pela quarta ou quinta parte da quantia a lavoura.
que ellas custaram ; mas isso não se fez, de A creaçao de engenhos centraes poderia
maneira que gastámos dous ou três mil contos fazer á lavoura do assucar muito beneficio ;
para estabelecer alli os russos-allemães, que mas tenho uma objecção, e vem a s«r que esse
fugiram de lá espavoridos como de uma terra beneficio, é muito restrioto, isto ó, aproveita
de maldição, e ainda em cima os particulares uma pequena zona, um pequeno numero de
estão de posse dessas terras. lavradores, de sorte que os engenhos centraes
O Sr. Correia ; — O nobre ministro. deve são uma especie de privilégios.
prestar séria att mção a esse aasumpto. Em uma província como a Bahia, quo tem
700 ou 800 engenhos de assuoar, 10 ou 12 en-
O Sr . Ministro da Agricultura : — Sim, genhos centraes podem servir a 40 ou 50 pro-
senhor. prietários de engenhos, mas os outros ficam
O Sr. Junqueira : — Isso dá a medida d13 desprotegidos ; feliz aquelie em cuja zona se
certas administraçõe* do nosso paiz. Não quer0 estabelece um engenho central, desgraçado
dizer que a culpa seja propriamente dos minis- daquelle que não tem em sua zona um engenho
tros ; acredito na boa vontade e integridad; de desses.
todos ; mis os elos da administração vão que- A lavoura do assucar tambe n precisa de
brando a força inicial, de modo que, quanto aos animação, debaixo de outros aspectoâ. Tenho
negocios da província d ) Paraná, d este o re- aqui um quadro da producção do assucar em to-
sultado : que as terras, em vez de estarem em do o mundo. (LI:)
88 ANNAES DO SENADO

1881—1882 1880—1881 1879—1880 1878—1879 1877—1878


Toneladas
Assucar de canna :
java 230,000 205,000 214,000 206,000 237,000
Cuba." 600,000 512,000 556,000 685,000 530,000
Mauricia 120,000 118,000 87.000 135,000 139,000
Reunião 27,000 27,000 21,000 33,000 40,000
Pernambuco e Bahia 180,000 218,000 161,000 123,000 131,000
Manilha 180,000 220,000 180,000 134,000 118,000
Luiziana 75,000 88,000 107,000 112,000 71,000
Ecrypto 33,000 28,000 40,000 30,000 35,000
Porto-Rico 55,000 43,000 53,000 76,000 83,000
Beterraba :
Allemanha 575,000 569,223 411,625 420,684 383,828
França 365,000 333,614 277,912 432,636 398,132
Áustria 450,000 498,082 406,375 405,907 330,792
Rússia 220,000 200,000 225,000 215,000 220,000
Bélgica 70,000 68,626 58,017 69,926 63,075
Hollanda, etc 30,000 30,000 25,000 30,000 25,000

Vè-se que esse quadro não é inteiramente tos são modicos, o consumo do café é muito
desanimador, porque mostra que a procedência maior. Perguntava ou aos nobres senadores
do assucar de canna entre nós, si em alguns si o governo não podia tentar alguma cousa a
annos decrcsceu pouco, em geral augmenta. este respeito ; si não podia entender-se com o
Comquanto os preços não sejam remunerado- governo francez ; abrir uma negociação no
rescomtudo a producção do assucar entre nós sentido de diminuir-se o direito sobre a entra-
vai apresentando um augmento, em tres annos, da do café em França.
bem notável. O nobre senador sabe que o assucar na en-
Por conseguinte, si o nobre ministro tem trada em França pagava direitos exhorbitan-
algumas idéas a r.:speito desse credito real, tos. ^ Dizia-se que não se devia diminuir esses
quo possa servir a nossa lavoura, do assucar, á direitos porque o orçamento soífria uma grande
do café, á do algodão, seria muito conveniente depressão. Diminuiram-se porém ossas direi-
que as externasse, e que mesmo o governo tos^ o resultado foi que,o que se cobrava de di-
dissesse em que havemos de ficar, porque tem- reitos alfandegados deste genero,foi além do quo
se agitado varias questões sobre a execução da so cobrava anteriormente.
lei de 1875. Convém que saibamos si o governo Tenho aqui presente um artigo muito bem
entende que se devem crear os bancos, mesmo lançado a respeito desta questão no jornal Le
sem garantia de juros, ou si o governo está Brèsil, publicado em Pariz por patrícios nos-
disposto a conceder essa garantia a algum esta- sos. O artigo intitula-se O imposto sobre o
belecimento. café c diz o seguinte (é) :
O café ó realmente a principal industria « Avant 1877 le cafe du Brésil était bien
brasileira, mas está lutando em alguns paizes connu dans PAmérique du Nord, oú Timpor-
com uma concurrencia grande e também com tation de Tompire brósilien atteignait 1,400,000
pesadqs direitos de entrada. saes de 70 kilos, et la consommation do toutos
Eis aqui o ponto a que eu queria chegar sortes decafÓ3,2,000,000 de saes du mêmo poids.
quando mo referi ao nobre senador por Goyaz. A 1'époquo dont nous parlons, plusieurs
O café em França paga direitos exorbitantes. speculateurs reconnurent que le café du Brésil
Uma sacca de café, que vale 60 a 70 francos, pouvait rivaliser et même Temporter sur les
paga em França, na sua entrada, 93 francos.
Tenho aqui um quadro da entrada do café autres ; ils montérent des établissements publi-
em França desde 1850 até 1879.' A progressão cs qni portaiont pour onseigne ; « Café du
é pequena. O consumo está muito reduzido. Brésil, » et oú Ton ne servait, cn eífet, que du
Os nobres senadores querem ver a proporção café de cette région. II y eutune grande afílu-
do consumo do café nos diíferentes paizes do once de consommatours ; et par co moyen. qui
mundo em relação aos direitos de impor- fut aidé, à vrai dire par le grand mouvement
tação ? (Lê)'. dTmmigration qui so produisit, Timportation
des cafés s'élève aujourd'hui à 3,200,000 saes,
Na Ilollanda 8k. 57 com direitos de fr. 9 dont les trois quarts viennent du Brésil. Les
» Bolgica 4—'61 . 13,S chiffres de la dernióre recolto prouvent ample-
» Suissa..... 3 — 93 3
> Allemanha........ 2—81 > 50. ment ce que nous avançons ;
• 1'alia 0—35 . 60.
» Áustria 0 — 96 . 60. Du 1" juillet 1880, au 31 juin 1881, TAmó-
» França 1—58 » 136. riquo du Nord a achetó au Brésil plus de
Nos Eslados-Unidos... 3 — 67 0. 2,400,000 saes, et cette année, du 1" juin au
Portanto, já se vê que no paiz em que não 31 aoút, la quantité exportee, de Rio de Ja-
ha direito de importação ou em que esses direi- neiro et Santos, atteint dejá 440,000 saes.
SESSlO EM 23 DE AGOSTO 89

En France, la consommation du café n'est nuição dos direitos aduaneiros, pois que a
que d'un million de sacs ; elle pourrait être du quantidade importada augmentava.
double; mais les droits d'importation sont si A França consome, como mostrei, relati-
élovés qu'il ne pormettent ni aus classes ou- vamente uma quantidade pequena de café :
vrières ni aux populations agricoles Fusage a Hollanda consome mais ; a America muito
d'une boisson aussichère. Avant la guorrj de mais ; a Bélgica, a Inglaterra e muitos ou-
1870, un sac de café du poids do 60 kil. ne tros povos consomem ainda maior quantidade
payait que 31 francs do droit. Mais, au mo- do que a França.
ment d'eiitror ou campagne, le gouvernemont Pois o governo do Brazil não podia,por meio
de Napoleon III a ólovó ces droits à 93 francs. do uma negociaçio, cuidar deste negocio?
Cest dono là un impôt excoptionnel, dit impôt Estou persuadido de que esta questão tem
do guerre, qui n'a été établi qu'en des circon- sido descorada, que temos necessidade urgente
stauces três graves et qui no pout durer on de entendermo-nos com aqú dle governo, fa-
tomps normal. Depuis, les dégrèvements votes zer-lhe ver a necessidade que ha do desenvol-
par les Chambr :s ont porte spécialment sur les vimento do consumo do café, tanto mais quanto,
mtaièrosimposóes après la guerre, et l'on n'a ainda ha pouco, o chefe do governo inglez o
pas songé á amélioror, jour les cafés, une si- Sr. Gladstone, reconheceu o inconveniente que
tuation que FEmpireavait créé. Aussi la con- havia nas falsificações quo se davam nesse
sommation, en France, au lieu decroitre, com- genero, e preconizou o seu uso; e era fácil
me aux Btats-Unis, est-elle restée stationnairo. fazer com que se abrandasse um pouco os di-
Lo budget de Fouvrier ne peut faire face à uno reitos quasi prohibitivos da França ; e si fosse
consommation aussi coutouse quecello du café, conseguido um resultado real, poderia dahi
ot le prix de 3 fr. par demi-kilo, n'e3t pas en vir um grande beneficio para a nossa agri-
rapport avoc les dépenses permisos aux labou- cultura.
reurs. Or, nousne parlons pasici de Falimen- Si o consumo do café cm França duplicasse,
tation de luxe; le café est reconnu par tous, (e o jornal Brèsil diz que triplicaria), si du-
cornmo une boisson ossentiellement hygiénique plicasse apenas, acredito que esta industria
etnourrissanto. Le gouvernement lui-mêmo Fa havia de levantar-se immediatamente entre
reconnu, on le rópandant dans son armée et nós, do um modo extraordinário ; e os produ-
dans sa marine. ctores, os lavradores, os negociantes, os inte-
Nous no croyons pas nous tr imper, en disant ressados nesta industria, todos, haviam de
que Ia consommation du café triplerait en lucrar muito.
France, aprês Fabaissement dos droits. L'Etat E o nosso orçamento também, porque si ti-
ne perdrait aucunement au chango, puisque vermos uma diminuição da nossa ronda no
le chiffro de son rovenu ne changerait pas et exercício quo corre, será por causa da depre-
la population pou fortunée bénéficierait d'une ciação do nosso café. Felizmente,as alfandegas
mesure, dontelle ne connait pa? la portée. Un do Norte tem rendido mais, e ó uma cousa
sac de cafe, du prix de reviont de 60 à 70 fr., providencial, que o Norte soccorra ao Sul, o
paye 93 fr. k Fentróo, ce qui motlo sac a 150 que o Sul soccorra ao Norte ; o que mostra bem
ot 160 fr. Ces chilfres parlent assez d'0ux, a necessidade da união.
mèmes, et les consóquences en sont assez fa- Por conseqüência chamarei a attenção do
ciles à tirer, pour quo nous n'insistions pas et nobre ministro para ver si, entendendo-so com
pour que nous demourions persuadés cjue les os seus collegas, podemos fazer alguma cousa
nouvoaux législateurs, animés d'un voritable do util, sem estes apparatos, sem estes ouro-
esprit dómocratiquo et économique, feront peis ephemeros; mas por meio da diplomacia,
cesser un ótat de choses aussi peu rationnel. modesta e séria, entendendo-se com o governo
francez, fazer uma tentativa para que abaixe
Lo gouvernemont des Btats-Unis a si bien re- um pouco estes direitos,verdadeiramente prohi-
connu Futilitó du café, surtout pour les classes bitivos, mostrando-lhe que deste modo serve ao
ouvrièros et agricoles, soumises à un rude seu paiz.
travail, ([ubl a supprimó les droits dentrée sus
ces produits. En agissant ainsi, le legisla- O Sr. Silveira da Motta:—Alli ha muito
teur a ponsó que le café n'ótait pas aussi proteccionlsmo.
facile à falsifler qu 3 les vins et autres boissons O Sr. Junqueira:—Nao creio que para sa-
fiibriquóos qui ne soutieBnent le travailleur tisfazer aos seus plantadores da Martinica, ou
quArtificiellement. Les diversos cxpertises de outro pequeno ponto, o governo francez
faite i par le laboratoiro de la Préfecturo de deixe de attender aos interesses de toda a popu-
polioo ont, du reste, édifió le gouvernement lação da França, de perto de 40.000.000. Acre-
do la Republique sur la nature des boissons dito que o governo francez não pódo ter em
vendues à Fouvrier; aussi nous ne doutons attenção EÓraonte meia dúzia de plantadores nas
pas, nous lo repetons, qu'il n'acompli.s3e une poucas colonias que possue_.
oeuvre utilitairo, on se faisant lo promoteur Não sei si o nobre ministro da agricultura
d^ne réduction qui no lèso en rion ses inté- viu uma representação que o jury da exposição
rèts. » nacional dirigiu ao governo a respeito da pro-
Portanto, o nosso governo podia entender- tecção á nossa industria. Queixa-se principal-
se com o govarno francez a esto respeito. Não mente d;is tarifas. Não ó uma questão propria-
seria difflcil doraonstrar-se que o abaixaraento mente pira o ministério da agricultura, pois
do preço do café em França produziria muito não tomos uma verba em que a assentemos
maior consumo, e duo isto não trazia dimi- nesta discussão.
v. ÍV.-Í2
90 ANNAES DO SENADO

Na proposta do ministério da fazenda é que governo, ha um luxo da intervenção e de fis-


se pode considerar este assumpto, como questão calisação, para o quái chamaria a attenção do
de tarifa, cemo questão aduaneira. -Mas o pela província do Ceará, dis-
pensamento geral, que domina a questão, é o tincto profissional. Vejo qua no prolongamento
do ministério do fomento, a industria naoional- dá estrada de ferro da Bahia, onda ha práticos
Não sei si o nobre ministro pensa entender-se muito idaneos, o governo, para fiscalizal-os,
com o seu collega da fazenda neste sentido. A tem o seguinte pessoal (lendo):
tarifa apresentada e ãpprovada, em fins do anno 26 engenheiros 138:652^000
passado", creio que deixou um pouco desprote- 12 auxiliares 24:0848000
gida a industria nacional. E é necessário fazer 3 desenhistas 8:100|000
alguma cousa a este respeito, e chamarei por- 4 escripturarios 5:940$000
tanto a attenção de S. Ex. para este ponto. 6 amanuenses 5;040$000
Não quero uma protecção demasiada; não 3 contínuos • 1:8005000
sou proteccionista quand même, sou protec- 1 chefe de trem 1:4408000
cionista do meio termo, naquellas cousas em 2 offlciaes de trem 1:2008000
que devemos ser. Os Estados Unidos fizeram-se 1 chefe de estação 2;160$000
assim, e na industria, hoje, estão dando leis a 2 fieis de dita 4:32.j§000
Europa.
Ora, nós, que dispomos de tantos recursos 1 agente do estação de l.a
naturaes, si deixarmos, por falta de uma legis- clissa...; 1:440$000
lação adequada, morrerem certas industrias, 2 agentes da estação de 3.a
será realmente pena. classe 2:1608000
Chamarei, pois, a attenção do nobre ministro 1 fiel de armazém 1:440$000
para esta exposição do jury a, que me referi. 4 telegraphistas 1:6208000
Sem alguma protecção muitas industrias nossas 1 secretario 3:000,8000
não podem prosperar. 1 contador.., 3:0008000
Não insistirei neste ponto agora ; tenho ain- 1 guarda-livros 3:0008000
da de tratar de outros assumptoss ainda que li- 1 thesouroiro 3:840,8000
geiramente. Vamos á questão das estradas de 1 fiel de dito 1:9808000
ferro. 1 almoxarife 2:160,8000
Já disse, no começo desta conversação, que a Ganham 220:0968 por anno. Esse é o pes-
estrada de ferro D. Pedro II, me parecia re- soal do governo; no entretanto a obra é dada a
clamar a attenção do governo. empreiteiros, cidadãos conhecidos, que estão
Quanto aos gastos immensos que se está fa- construindi a estrada, e o governo para flsoa-
zendo em ralação a outras estradas, não tenho lisal-a tem o~so possoal immenso ganhando
grandes objscções a levantar; mas não sei si o 220:000? por anno. Não faço censura alguma
systema adoptado para continuação ou prolon- a esses distinotos engenheiros do governo ;
gamento das differantes estradas de ferro é censuro o crescido numero.
o melhor. O Sn. João Alfredo;—E muitos sem obri-
O systema adoptado pira o prolongamento da gações definidas, mandados para lá como depo-
edrada de ferro da Bahia e Pernambuco, é um sito ; ó o quo se passa na de Pernambuco.
systema que chamarei mixto, isto é, ha em- O Sa. Junqueira :—Eu vejo em documentos
preiteiros que tomaram as obras, mediante uma oSoiaes que no anno ultimo gastou-se nesse
certa concurrenoia que se abriu, mas ha fisoa- prolongamento da estrada de ferro da Bahia
lisação immediata do governo que se reserva 1.300:000$; tinham-so votado 3,000:000§;
também o fornecimento de certos materiaes.
Os empreiteiros executam as obras e fornecem o resultado é a obra: andar devagar. Ainda em
outros materiaes; isso tudo fôrma uma duali- cima se tem de t rar dessa cifra a parte des-
ffcde que ríão soi si é a melhor; comprehondo-so tinada a pagar o pessoal technico o burocrá-
que o Estado faça administrativamente as obras tico, que ó numeroso.
de uma estrada de ferro ; comprehende-se Ora nas grandes estradas de ferro o governo
também que o Estado dê por contrato ou por apenas tem um fiscal e ura ajudante, que
arrematação uma estrada de ferro a ura indi- ganham juntos menos de 10:000$000.
víduo ou a uma companhia para executar as Eu queria quo nessa estrada houvesse por
obras, segundo o plano adoptado, mas esse parto do governo um oscriptorio com as pre-
systema mixto da intervenção particular, o de cisas proporções e um pessoal indispensável,
intervenção do governo, o ponto sobre que não mas não em numero tão avultado. Posso estar
tenho um juizo bem formado. em erro: estimarei ser convencido.
Na Bahia, para o prolongamento da estrada
do Alagoinhas á S. Francisco, é esta o systema O Sr. Correia:—E investigue V. Ex. as
que tara vigorado; tem havido o ha de haver leis quo autorizaram essas creações o essas
uma carta demora nas obras, e ha o ha de haver despezas; o principio da legalidade anda sempre
quasi sempre essa luta dos empreiteiros com assim.
os agentes do governo, e apezar da boa von- O Sr. Junqueira: — Chamarei a attenção
tade doj empreiteiros que se mostrara solí- do nobre ministro para este ponto, porque
citos o tem a precisa actividada, uão tem a es- eu desejo que em minha província haja
tra'U da Bahia caminhado com a desejada estradas de ferro; desejo que a ostra la de
celeridade ; era todo o caso, noto por parto do Alagoinhas a S. Francisco caminhe.
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 91
A estrada da Bahia a Alagoinhas, chamada « Campos a Carangola.— Na província do
ingleza, á qual o governo garante 7 <>/„ de Rio do Janeiro, com 155,450 metros de ex-
juros, tem só tres empregados do Estado; nessas tensão. Juros de 7 % afiançados por 20 annos
outras, em que o govern é por asiim dizer o garantidos por mais 10, sobre o capital de
fiscal, tem esse pessoal numeroso. 5.500:000$.(Decreto n.5.822do 12d0 Dezembro
A estrada de ferro D. Pedro II, segundo de 1874), mais tarde elevado a 6.000:000$. (De-
documentos officiaes, está importando em creto n. 6.148 de 9 da Fevereiro de 1876.)
91.000:000$; percorro 682 kilometros.
Ora, si o Estado tem obrigação de abrir mão « Natal a Nova Crus.— Na provincia do
do juro dessa qumtia elevada, para estar todos Rio Grande do Norte, com0 120,5 kilometros de
os annos augmentando o custeio e diminuindo extensão. Juros de 7 /o garantidos por
a tarifa, é questão que o governo deci 30 annos sobre o capital máximo do
dirá. 5.496;052$544. (Decreto n. 5.877 da 20 de Fe-
Mas, não podemos malbaratar assim esse ca- vereiro de 1875.)
pital enorme de 91.000:000$, empregados na « Paranaguá a Coritiba.— Na província do
estrada de ferro ; o seu custeio e o seu prolon- Paraná, com 109 kilometros de extensão. Juros
gamento absorvem hoje sua renda, porque o de 70/0 garantidos por 30 annos sobre o capital
seu custeio vai subindo em pulos de nuasi de 2,000:000$.- (Decreto n. 5,912 de 1 de Maio
2.000; ;00$ em cada anno. de 1875), mais tardo el ;vado a 11.492:042$707.
Para isto ó que chamo a attenção do nobre (Decreto n. 7.035 de 5 do Outubro de 1878.)
ministro. « Rio Verde.—Na provincia do Minas Geraes,
Esta estrada está muito cara ; mas, si vai com0 163435 metros de extensão. Fiança de
auxiliar muito a lavoura, pôde também dar um 4 o/ durante 30 annos, sobre 14.000:000$ e ga-
certo juro, porque estamos pagando prêmio rantia de mais 3 0/o sobre o mesmo capital
alto do dinheiro que tomamos p ira eila. e durante o mesmo prazo (decretou. 5952 de
V. Ex. sabe que ultimamente tem-se exage- Junho de 1875), sendo mais tarde elevado o
rado muito, fora daqui, as garantias prestadas capital a 16.150:000$. (Decreto n. 6683 do
pelo governo brazileiro a engenhos centraes e 12 de Setembro de 1877.)
a estradas de ferro. « Recife a Limoeiro—Na provincia do Per-
Isto nos tem feito algum mal no estrangeiro ; nambuco, com a extensão do 92 kilometros.
o era conveniente que se publicass > perfeita- Juros de 7 ''/o, durante 30 annos, sobre o capital
mente na Europa a quanto mont im e isas ga- máximo de 5.000:000$ para a linha principal o
rantias. um ramal para Nazareth. (Decreto n. 6746 de
Tenho aqui uma lista de todas as estradas 17 de de Novembro do 1877.)
de ferro, a que o governo concedeu garantia «Central de Alagoas—Na provincia dai Ala-
de juros {Lê)\ goas,
0
com 88 kilometros de extensão. Juros de
7 /0, durante 30 annos, sobre o capital máximo
A LEI N. 2.450 DE 24 I)B SETEMQUO DE 1873 de 4.553:000$. (Decreto n. 7895 de 12 do No-
Por esta lei foi autorizado o governo a con- vembro de 1880.)
ceder subvenção kilometrica ou garantia de « Itaqui a Quarahim.—Na provincia de S.
juros não excedente de 7 o/0 ao anno, até ao má- Pedro do Sul, com cerca de 190 kilometros de
ximo capital de 100.000:000$, ás companhias extensão. Juros de 6 0/o, durante 30 annos,
que se propuzessem construir forro-vias nas sobre o capital máximo de 6.000:000$.(Decreto
províncias.Em virtude desse acto têm sido feitas n. 8312 de 19 de Novembro de 1881.)
as seguintes conce-sões do ferro-vias: « Reoapitulando as concessões feitas em vir-
«S. Paulo e Rio de Janeiro.—Na provín- tude da sobredita lei, teremos :
Ferro-vias com fiança dejuros
cia do S. Paulo, com 231 kilometros de exten- de 70/0 58.446:052,$544
são. Juros de 7 °/o garantidos durante 30 annos Idem com garantias de juros
sobre o capital máximo de 10.650;000$000. de 7 0/0 33.346:051$607
(Decreto n. 5707 do 25 de Abril de 1874.) Idam com garantia dejuros
«Conde d'Eu.—Na província da Parahyba, de 6 % 6.000:000$000
com 121 kilometros de extensão. Juros de 7 0/o
garantidos por 39 mnos sobre o capital má- Total 89.792:104$ 151
ximo de 5.000:000$000 (decreto n. 5.608 de « A maxima despezl annual, cuja responsa-
25 de Abril de 1874), mais tarde elevado a
6.000:00ü$000. (Decreto n. 5.974 de 4 de bilidade pesa sobre o Estado, em virtude das
Agosto do 1875.) pr© lilás cone-siSes, ó a eguinte :
com 302 kilometros de ext nsão. Juros de 7 0/o Fiança de juros de 70(o---. 3'1H:224$000
garantidos por 30 annos sobre o capital má- Garantia do juros de 7 "/o... 2.754:223,$000
ximo de 13.000:000$. (Decreto n. 5.777 da IJem de juros d; 6 % 360:000$000
28 Outubro de 1874.) 6.225:447,$000
« D. Thereza Christina.—Na província de « O credito pedido pelo governo para esta
Santa Catharina,comI12 kilometros de extensão. rubrica de despeza, no exercido de 1872—1873,
Juros de 7 0/c, garantidos por 30 annos sobre o é de 5.168:993$890.
capital de 3.300;000$(Decreto n. 5.771 de 21 de
Outubro do 1874), mais tarde elevido a A extensão total, representada por estas con-
5.451:000$. (Decreto n. 7.049 de. 18 de Ou- cessões, é de cerca de 1.685 kilometros, donde
tubro de 1878.) resulta o preço médio de cerca de 53:200,$ por
92 ANNAES DO SENADO

construcçao do Mlometro, ou a garantia esta hora. V. Ex. sabe o histórico dessa ques-
annual de cerca de 3:7005 por kilometro. tão : houve ura contrato, foi para a camara,
soffreu na camara modificação, veiu para aqui
Temos por consequnoia juros de 7 e juros de e não entrou em discussão; mas este estado de
6«/„ ; são 6.225.4475000. oousas não pôde continuar, é preciso uma solu-
Um Sr. Senador : — A de S. Paulo até dá ção. Os próprios nobres senadores que fizeram
lucro. parte do ministério, que celebruu esse contrato,
O Sr. Junqueira Eu estou referido-aie conhecem que com effeiio é preciso uma so-
ás estradas feitsts em virtude da lei de 24 de lução.
Setembro de 1873. O Sr. Cansansão de Sinimbu', ; — Sem du-
O Sr. Viriato de Medeiros : — Faltou uma, vida nenhuma.
que é a da Victoria. O Sr. Junqueira ; -- Não podemos como
O Sr. Junqueira :— Nestes documentos não poder legislativo fazer contratos com oste nem
se inclue á estrada contratada ha pouco tempo. com aquello, e consta-mo que existe aqui uma
Isto quer dizer que os 100 mil contos da lei proposta de cidadãos importantes, capitalistas,
de 24 de Setembro estão applicados, ou quasi offereoendo maiores vantagens.
applicados. Parecia-me que, tendo já passado mais de
O Sr. Viriato de Medeiros dá um aparte. tres annos depois do contracto, o que mais con-
vinha era que ô governo assumisse a si o ne-
O Sr. Junqueira ; — O estado tem de pres- gocio, abrindo nova concurrencii e fazendo o
tar juros de 6 e 7%, o que anda em mais de contracto com quem melhores condições offe-
6 mil contos, além dos relativos ás estradas recer.
chamadas inglezas, de Pernambuco, Bahia o
S. Paulo. AdeS. Paulo0 já dá para o custeio, A coinmPsão respectiva deu um parecer,
dá para o juro de 7 /o e ainda fica uma que importi quasi a mesma cousa que, ncabo do
quota, que se tem repartido entre os accionistas dizer, porque propoz o adiamento da questão
e governo brazileiro. até que o governo resolvesse ; mas o governo
Mas, si em Pernambuco ainda não se pôde sem uma autorisação legislativa não pôde avocar
attingir a isto, e na Bahia m noq ainda assim do novo a questão, porque existe um projecto.
se vê que as garantias do governo brazileiro O Sr. Cansansão de Sinimbu' :— Só se pode
podem subir a 8.000;000$,e é neste sentido que abrir nova coucurrenoia depois que o contrato
eu pedi ao nobre ministro que fizesse esclare- existente fôr reprovado.
cer a opinião, porque tem-se rep tido que esta- O Sr. Junqueira:— Não vejo ossa necessi-
mos gravad)S com essas garantias, quando ellas dade. A camara dos deputados foz nesse con-
para n ssos recursos não são de assustar. trato modificações profundas e no seu projeote
B' neste sentido que desejava providencias disse ; « O governo ra indará abrir nova con-
do governo, porque tenho lido muita oousi no currencia, si a actual companhia não con-
senUdo do deprunir-so nossos créditos, pare- cerdir », mas o senado pôde entender que essa
cendo que as obrigaçõe: do governo imperial providencia não ó a melhor a aconselhar, ao go-
são de tal ordem, que elle não pôde aolvel-as verno, quemanle abrir nova concurronoia com
facilmente. certas bases.
Tenho vários assumptos cm que fallar,
mas estou vendo approxiraar-se a hora, e não Querer obrigar o senado ou a ap rovar ou a
quero concluir sem referir-me a um ponto do rojeitir o contrito existente é colloeal-o sem
orçamento, em que discordo da commissão. precisão, de uma maneira violenta, entre a es-
w A compjissão desejava pro ôr muitos córtes, pada e a parede.
mas declarou que não tinha animo de fazel-o, O Sr. Viriato de Medeiros: —Não temos
porque não queria encetar urna luta, não sei conhecimento desse contrato.
contra que gigante.
Será o governo ? O Sa. Junqueira:— Eis aqui a mais solemne
Não sei quem. Mas, emfim, respeitemos as prova!
intenções. Eis aqui o decreto n. 7255 de 26 de Abril do
M s ha um córte que eu acho que é desorga- 1879. (Lê.)
nisador. Não ha notoriedade maior; ó um decreto que
O corro de bombeiros está realmente uma está nas collecções das leis.
instituição, que faz honra ao nosso paiz, tem
chegado a uma altura digna ie nós. O regu- O Sr. Viriato de Medeiros:— E' outra
lamento por que sa rege é de 1860, e querer ap- questão.
plicar aquello regulamento ao anno da graça O Sr. Junqueira:—Assim está o contrato
de 188S órealmente impossível. com todas as suas cláusulas, e V. Ex. dizia que
Portanto, votarei pelo que passou na camara; não era conhecido!
é uma quantia pequena e necessária para que
a cidade do Rio do Janeiro fique mais tran- O Sr. Viriato de Medeiros:— O senado não
quilla. tem conhecimento delle legalmente. O contrato
Outro assumpto em que não quero deixar de chegou a 21 discussão.
tocar é a questão da illuminação a gaz, a que Elle só está publicado nos jornaes e um con-
não posso dar grande desenvolvimento, porque trato quo só está publicado o senado não tem
não quero reter aqui os nobres senadores, a conhecimento dolle.
SESSÃO EM 23 DE AGOSTO 93

O Sr. Junqueira:—Temos perfeito conhe; annos, pelo menos, e revisão do preço da illu-
cimento ; o contrato de 21 de Abril do 187- minação .
feito pelo nobre senador pelas Alagoas, o « IV. Salvo ajuste em contrario, só é res-
senado conhece como as palmas de sua mao- ponsável pelo custo da illuminação quem delia
em 1879 e em 1880 discutiu-se aqui essa ques se utilizar.
tão, o nobre senador pela provincia do Rio de « § 2.° Feita a revisão sem nenhum outro
Janeiro e outros a discutiram, está ella em
todos os relatórios. encargo para o estado ou para os particulares
O Sr, Viriato de Medeiros : —Não é conhe- além do que de mais consta do citado contrato
de 21 de Abril, considorar-se-á este approvado.
cido pelos tramites legaes.
« Art. 2." Na falta de accôrdo com a men-
O Sr. Junqueira : —Está na collecção das cionada companhia, o governo poderá mandar
leis. abrir concurrencia para a celebração de novo
Faça-me o favor, Sr. presidente, de mandar contrato.
a collecção de 1879. « Neste caso, fica o governo igualmente au
O nobre senador está em grande equivoco ! torizado a indemnizar a Rio de Janeiro Gas
O contrato está, não só publicado nos jor- Company do valor do material da illumi-
na s, como nos relatórios ; o contrato foi sujeito nação, conforme o que de direito lho competir,
á apreciação do senado. E finalmente está na e de accôrdo com a avaliação já feita, ou que
collecção das leis! se fizer por peritos do mesmo governo.
O Sr. Cansansão de Sinimbü :— A' apre- « Para execução deste artigo o governo po-
ciação, sim. dará realizar as necessárias operações do cre-
dito.
O Sr. Junqueira:— A' discussão. « Paragrapho único. Emquanto novo con-
O Sr. Cansansão de Sinimbú:—Também não trato não for celebrado, o governo poderá fazer
porque ainda não houve 3a discussão sobre isto quaesquer ajustes provisórios com a Rio de
O Sr. Junqueira:—Mas o contrato está aqui, Janeiro Gas Company para a continuação do
no senado. serviço de iluminação da cidade.
O Sr. Silveira da Motta;—No senado está. « Art. 3.° Ficam revogadas as disposições
O Sr. Dioqo Velho :— Mas a camara dos em contrarioc »
de lutados não o approvou, nem reprovou. O Sr. Viriato de Medeiros dá um aparte.
O Sr. Viriato de Medeiros: — Esta é que O Sr. Junqueira:—Não digo-que approva ou
ó a verdade. rejeita; o que digo ó que precisamos sahir
O Sr. Cansansão de Sinimbú:— A camara deste miu passo. {Apoiados•)
o approvou em 2a discussão e o ministro obteve Quando ha utaâ companhia que se propõe a
uma resolução, em virtude da qual veiu para fazer o s -rviço barato não ó licito dizer quo se
aqui e aqui está. o vá fazer com outra.
O Sr. Junqueira : — Mas essa resolução de- Vou mandar, com o nobre senador pelo Rio
clara quo fica approvad > esse contrato. de Janeiro, um additivo sobre esta matéria, e
O Sr. Viriato de Medeiros : — Não declara cada um vote como quizer.
tal. Podemos dar qualquer solução á questão ; não
O Sr. Junqueira ER aqui o projecto que estamos adstrictos a approvar o contrato que
está no senado, vindo da camara dos depu- veiu da camara, nem a rejeital-o ; proponhamos
tados (lê) : uma solução, e cada um faça o que entender.
« A assembléa geral resolve : Sr. presidente, peço desculpa a V. Ex. e aos
« Art. I.0 O governo fica autorizado a rever meus nobres collegas pelo precioso tempo que
o contrato de 21 de Abril de 1879, cel brado com lhes tomei. {Muito bem, muito bem.)
a—Rio de Janeiro Gas Company—para o ser-
Ficou a discussão adiada pela hora, Retirou-
viço de illuminação desta capital. o Sr. ministro com a mesma formalidade com
« § 1.0 A revisão far-se-á, tendo-se em vista que fôra recebido.
as seguintes bases : O Sr. Vice-presidente deu para ordem do
« I. Reducção no preço do metro cúbico de dia 24, a mesma já designada a saber :
gaz.
« II. Findo que seja o praso do contrato, Ia parte {até uma hora da tarde)
todo o material da companhia reverterá para o
Estado. Esta base poderá ser substituída pela Continuação da 2a discussão da proposição
roducçãe do prazo do contrato. da camara dos deputados n 78, do corrente
« III. Obrigação, para a companhia, de sub- anno, alterando algumas disposições da lei
stituir, sem novo ônus para o Estado, o n. a 3.029, de 9 de Janeiro de 1881.
actual' systema de illuminação pela luz ele- 2 parte {a uma hora ou antes, ate as duas)
ctrica( ou qualquer outro systema provado, Continuação da 3a discussão da proposição da
que, por arbitamento, for considerado pre- mesma camara n. 221, de 1879, relativa as so-
ferível. A substituição só se fará eílectivasi ciedades anonymas.
o governo a exigir, precedendo aviso de tres^
94 ANNAES DO SENADO

3a parte (ás duas horas ou antes, até as mento tem ainda de funccionar, o andamento
quatro) das leis de fixação do forças de terra e mar,
contentando-se com as que foram votadas e têm
2.a discussão do orçamento das despezas do do vigorar até 1 de Julho de 1883.
ministério da agricultura no exeroicio de Terá, portanto, a assemblóa geral, em sua
1882—1883. próxima r união, do ver-se atropellada, logo
om começo, com a importante discussão das lois
Lovantou-so a sessão ás 4 horas da tarde. annuas, que deverão ficar votadas antos de 1
de Julho.
A lei do orçamento terminará também no
ultimo de Junho ; e a camara dos deputados o
04a sessão o senado terão, nos mezes de Maio o Junho, do
resolver sobre leis urgentes, cuja execução
EM 24 DE Agosto DE 1882 deve começar .em Julho. Uma resolução proro-
gativa do orçamento não poderá deixar de ser
Presidência do Sr. Barão de Cotegipe apresentada; as sessões, que devem ser apro-
veitadas na discussão regular do orçamento,
SUMMARIO--Armamento para o exercito. Discurso c re- serão absorvidas com esta medid i provisória ; e
querimento do Sr. Correia. Adiado para ser apoiado na o tempo, já restricto, dos trabalhos legisla-
sessão seguinte.—Pr.iMEinA paute da ordem do dia.—A tivos, ainda mais insufficiente será para tantas
lei de 9 de Janeiro do 1881. Discurso o requerimento de
adiamento do Sr. Christiano Otloui Redacção. Adia- e tão importantes necessidades publicas, cuja
mento da discussão do projecto—Sego.nua p. iite da solução depende da a semblóa geral.
ordem do dia.— Sociedades anonymas. Emendas do As nnticias quo correm são que o ministério
Sr. José Bonifácio. Discurso do br. Castro Carreira.
Adiamento da discussão.— I erceira parte da onoeM do não pretende senão obter a lei do orçamento
dia. —Orçamento do ministério da agricultura. Emen- noi restantes dias da sessão. Habilitado com
das do Sr. Junqueira. Discurso do br. Pa nua 1'loury esta loi, dispensará o concurs i do parlamento
(ministro da agiicultnra) e Ribeiro da Luz.
o preparará os seus apregoados tnbalhos para
As 11 horas da manhã, acharam-se presentes a sessão de 1883, cujos primeiros rnezos, terão,
32 senhores senadores, a saber : Barão do Co- entretanto, de ser absorvidos com a imprescin-
tegipe, Cruz Machado, Barão de Mamangoape, divol discas ão e votação das leis annuas.
Leitão da Cunha, Jaguari )e, Visconde de Abae- Que t mpo restará para as reformas que o go-
té, Diniz, Fausto de Aguiar, Correia. Viriato verno p ojecta e tem annunciado? A esterilidade
de Medeiros, Antão, José Bonifácio, Faula Pes- que,com pozar o digo,tem assignalado a situação
soa, Castro Carreira, Lafiyette, Leão Volloso, liberal terá de continuar, com a perspectiva
Luiz Carlos, Cbristiano Ottoni, Conde de Bae- que desde já nos oíferece a sessão de 1883.
pendy, Nunes Gonçalves, Barro ■ Barreto, Vis- Não ó possiv d tratar, nos dons primeiros
conde de Muritiba, Aífonso Celso, Junqueira, mezes de sessão, senão da resolução proroga-
Barão da Laguna, Visconde de Bom Retiro, tiva do orçamento, das leis de fixação do forças
Barão de Souza Queiroz, Saraiva, Delamare, do torra emar e da resposta á falia do throno.
Visconde de Jaguary, Paes de Mendonça o Terminada a discussão da resolução proroga-
Dantas. tiva, pois que não ó possível que a nova lei do
Deixaram de comparecer com causa partici- orçamento seja votada até 1 do Julho de
pada os Srs. Uchôa Cavalcante, Chichorro, Ba- 1883, começará a discussão do novo e regular
rão de Maroim, Octaviano, Silveira Lodo, Tei- orçamento.
xeira Júnior, Go loy, Vieira da Silva, Martinho O senado bem vê que não ó possível apro-
Campos, Visconde de Paranaguá, Visconde de veitar as horas por modo que, em uma sessão
Nictheroy, e Visconde de Pelotas. da quatro mezes, se possa cuidar do reforma
algum i.
O Sr. Presidente abriu a sessão. Como opposicionista, faço esta advertência
Leu-so a acta da sessão antecedente o, não em tempo. Si a esterilidade tem de continuar,
havendo quem sobre ella fizesse observações, aggrava-se com as observações que estou fa-
deu-se por approvada. zendo. Não se dirá que foi por falta de incita-
Compareceram depois de aberta a sessão os mento quo as cousas não tora iram melhor
Srs. Carrão, Cunha e Figueiredo, Silveira da rumo.
Motta, Henrique d'Avila, João Alfredo, Luiz Nem sequer lois, pelas quaes o paiz insta,
Felippe, Franco da Sá, Diogo Velho, Silveira quo já passaram no senado, qui dependem sim-
Martins, Fernandes da Cunha, Sinimb i e Ri- plesmente de uma discussão na camara dos de-
beiro da Luz. putados, puderam ainda ser votadas.
lista persp ctiva dolorosa da sessão do 1883
O Sr. 1° Secretario declarou que não havia pôde ser lançada á custa da opposição na ca-
expediente. mara o senado ?
Si tal pensamento pudessa apparecer, soria
ARMAMENTO PARA O EXERCITO da maior injustiça.
Ahi estão os ministérios que se têm sucoe-
O Sr. Correia, :—Sopponho que não dido dotde Janeiro de 1878. Appcllo para os
terei mais occasião, na pres nte se^sio, de ininist.a- os do 5 de Janeiro de 1878, do 28 do
occupar-me com assumptos mil tar s. Março d 1880, de 21 de Janeiro de 1882 ode
Parece que o governo não tem nenhuma in- 3 do mez passado, pera que digam si já houve
tenção de promover, nos dias em quo o parla-. a menor protelação na discussão das medidas
SESSÃO EM 24 DE AGOSTO 95

que o governo tem apresentado, que possa ser acquisição do rewolvers que julgava melhores
imputada á opposição conservadora. contra o carecer dos outros membros da com-
Ü Sn. Jaguaribb : — Apoiado. Até a res- missão, que demais invocaram em seu auxilio
posta á falia do throno passou sem discussão as experiências feitas.
esto anno. Assim se realisou. O nobre ex-ministro da
guerra, confirmando todos os factos por mim
O Sr. Correia :— Como já tinha passado expostos, acrescentou que não se demorara em
no anterior. expedir ordens ao oíRoial que se acha em com-
A opposição tem-se abstido o mais possivel missão na Europa, para não realizar a compra
da discussão de política geral. Nenhumi cul- de rewolvers do systema Gerard, si isto ainda
pa lhe cabe pela esterilidade do passado, nem fosse possível.
lhe pode caber pela do futuro, quando desde Voltando o nobre ex-ministro a esta casa,
já olla solicita a attenção do governo para o inqueri de S. Ex. si a ordem de que dera no-
que mais convém. ticia ao senado havia sido cumprida, o o nobre
Si encerrar-se a sessão deste anno, logo ex-ministro declarou que até aquelle momento
depois de votada a lei do orçamento, que tal é, não tinha obtido resposta.
segundo consta, o pensamento do gabinete, si O que hoje consti é que o contrato realizou-
ficarem reservados serviços urgentes para as se o que o Estado fez despeza, que com a dis-
sessões de Maio e Junho futuro, os mantene- cussão que provoquei pretendi impedir, para
dores do principio da legalidade não podemos a acquisição do um armamento condemnado
deixar do sobresaltar-nos ante a idéa de que pelos profissionaes competentes.
seja possivei, marchando as cousas a sim, que Os rewolvers que a commissão de melhora-
no 1" de Julho do 1883 se cobrem impostos mento deseja para o nosso ex rcito são, creio
ou se exija o serviço das armas sem leis ante não estar enganado, os do systema Mauser,
riores que o determinem. p da superioridade praticamente demonstrada.
E, si chegarmos a presenciar isso, não sei o Ora não é cousa de prim dra intuição que,
que restará da verdade do systema repre- tendo-se do comprar armamento novo para o
sentativo ! exercito e estando provada a superioridade de
Si tal não fosse rainha supposição, si ainda um sobre o outro, devia ser positivamente
pudesse esperar occupar-me este anno com as autorizada a compra do armamento mais aper-
leis em cuja discussão me fosse pprmittido feiçoado ? Como em taes condições deixar ar-
tratar de assumptos militares, eu deixaria de bítrio ao official para contratar a acquisi-
formular o requerimento, que entretanto se ção daquelle armamento que julgasse prefe-
torna indispensável nas circumstancias pre- rível ? Não se sabia que ora elle o único que
sentes. Ou t .ria de abster-me completamente defendia a preferencia de um armamento que
do assumpto que o motiva, o que não devo fazer, todos os seus collegas do commissão con-
ou mo veria na necessidade de incluir esse as- demnavam, e não por capricho, mas fundados
sumpto em alguma discussão em que não em experiências feitas ? Não podia ser me-
cabe, como na matéria que está dada pari a lhor applicado o dinheiro gasto com a acqui-
Ia parte da ordem do dia, na qual parme-me que sição de rewolvers Gerard ?
poderia tratar deste ponlo, pois até já tratou-se E' indispensável que o senado tenha conhe-
nella do incidente havido na escola militar cimento do parecer dado ao governo pela com-
entre o marechal do exercito, o Sr. Conde d'Eu, missão de melhoramentos do material do exer-
c o professor de historia, ede outros assumptos, cito.
que considero estranhos. Em presença desses documentos, as obser-
Quando este anno tive de dirigir-me pela vações que o facto suscita poderão ser feitas
primeira vez ao ex-ministro da guerra, ^per- com mais segurança.
guntei-lhe por um contrato para acquisição cio Conheceremos assim si ha alguma attenuante
rewolvers para o exercito feito por um official para a ordem que foi dada o de que resultou o
enviado em commissão á Europa. facto á que estou me referindo.
Constando-me que nas instrucções dadas a Não costumo fazer ao governo senão a cen-
esse official era ello autorizado para comprar sura que justamente decorre de sua real re-
os rewolvers que julgasse melhores, pedi es- sponsaoilidade; e não posso estar bem seguro
clarecimentos, desde que estava informado de de não fazer injustiça, o que de maneira al-
que a commissão de melhoramentos do material guma desejo, sem apreciar a questão diante dos
do exercito se havia pronunciado contra a documentos que foram presentes ao ministro
acquisição de rewolvers do systema Gerard, quando teve de tomar a sua resolução.
contra a opinião única do oíiicial mandado em
commissão á Europa. E como assegura-se que, além do parecer da
Si a commissão de molhoramontos do ma- commissão de melhoramentos do material do
terial do exercito, composta dos mais compe- exercito, ha no ministério da guerra outros
tentes officiaes, se manifestara contra a acqui- documentos e esclarecimentos preciosos para o
sição para o nosso exercito dos rewolvers exame do assumpto, pedirei que sejam igual-
Gerard, por não terem provado bem em expe- mente enviados ao senado•
riência a que foram sujeitos ; si somente um Como as cousas têm sido referidas ao parla-
dos membros da commissão divergira desse mento, de que modo poderá o governo eximir-se
parecer; encarregar-se esse official de fazer de censura pelo seu procedimento na questão
contratos para a acquisição de armam -nto con- do que me occtxpo ? Si houvesse motivo para
formo o sen alvitre era permiUir-lhe que fizesse suspeitar ou da competência dos membros «la
96 ANNAES DO SENADO

commissão de melhoramentos do exercito ou da O Sr. Christiano Ottoni :—... 6 sem sem


exactidão com que procederam no desempanho duvida um recurso que não deve ser barateado;
de seus deveres, o governo teria tomado al- mas não pôde ser negado em absoluto. Si ó por-
gurpa providencia contra elles ; oonservan- mittido votar em silencio, como votaram os doüs
do-os, poróm( na commissão em que pe acham, partidos na camara temperaria, uma medida de
o governo demonstra que elles têm procedido maxima importância, porque se refere aos di-
hem ; e, assim sendo, não compr ?heudo como reitos políticos do grande numero de cidadãos ;
atirou para o lado o trabalho de auxiliires, si é permittido, porque se julga a medida boa e
creados justamente para aconselhar o ministro util, que a camara dos deputados a vote por
em questões technicas de sua repartição, resul- acclamação...
tando dahi o dispendio de dinheiros públicos, 0 Sn. Silveira da Motta : — Tendo votado
quo podiam ter sido melhor aproveitados. antes em contrario.
O requerimento que vou sujeitar á delibera- O Sr. Christiano Ottoni.-—... si é permittido,
ção da casa é este (le): reconhecer a illustra commissão mixta que o
« Requeiro que, pelo ministério da guerra, se projecto precisa do retoques e addial-os para
peça ao governo cópia do parecer da commissão 3a discussão ; si lhe é permittido não dar pare-
de melhoramentos do material do exercito sobre cer sobre as emendas que foram á mesa; si o
a acquisição do novo armamento para o mesmo permittido a um dos membros da commissão, o
exercito e de (juaesquer documentos e esclare- nobr; senador por Minas, o Sr. Ribeiro da Luz,
cimentos relativos a encommendas para essa que sinto não esteja presente, vir á tribuna
acquisição. assignalar defeitos radicaes no projecto, afi-
Ficou sobre a mesa para ser apoiado na ses- ançar que passa a entender-se com a commissão
seguinte, visto já ter dado a hora designada para corrigil-os e depois reduzir-se ao si-
para a apresentação do requerimentos. lencio ; si é permittido ao ministério dizer
ao senado : osta medida ó urgente, e não dar os
PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA motivos da urgência, reconhecer que o projecto
precisa do revisão, porque declarou que aceita
algumas das emendas...
A LEI DE 9 DE JANEIRO DE 1881 0 Sr. Leão Velloso {ministro do império):
— Que votaria por ollas.
Continuou a 2a discussão do art. 1° da propo- O Sr. Christiano Ottoni :—... e nem ao menos
sição da camara dos deputados, n. 78, do cor- dizer quaos aquellas por que vota e quaes as
rente anno, alterando algumas disposições da que recusa ; si ó permittido tudo isto aoj que
lei de 9 de Janeiro de 1881, com as emendas julgam o projecto cousa boa, util e urgente ;
offerecidas. porque em contraposição não será permittido
A 1 i/2 hora da tarde o Sr. presidente deixou áquelles que reputam a medida prejudicial, in-
a cadeira da presidência, que passou a ser oc- justa, attentatoria dos direitos dos cidadãos
cupada pelo Sr. vice-presidente. brazileiros, oppor á tactica da pressa a tactica
da demora '{
O Sr. José Bonifácio; — Quando o artigo
O Sr. Clirintiano Ottoni tem tantos paragraphos ?...
Não venho protelar a discussão ou, segundo a
phrase irlandesa que está entre nós parlamen- O Sr. Christiano Ottoni : — Portanto, re-
tarisada, fazer obstrucção. pito, com a declaração de que não venho pro-
Dei prova de que tal não é minha intenção, telar a discussão, não pretendo unir-me aos que
por duas maneiras : sou dentre os quo algumas condemnam em absoluto o recurso da obstrucção
veífes tomam parte nos debates um dos que dentro de certos limites, assumindo cada um a
occupam menos tempo a attenção do senado ; responsabilidade que lhe compete perante o
e em segundo logar allego que nesta mesma paiz.
discussão, quando fallei pela primeira vez, ter- Confesso ao senado que algumas vezes, si
minei 15 ou 20 minutos antes da hora, sabendo deixo de obstruir, ó porque não sei.
quo não havia outro senador inseripto. Bom Quando a discussão é demorada por um dis-
que me achasse fatigado, a fadiga não era curso, c uno o que o senado ouviu, ha quatro ou
tão extrema que me tornasse impossivol preen- cinco dias, do nobre senador por S. Paulo, que»
chera hora, o recusei fazel-o. Si então não se tratando a questão de ponto do vista elevado
votou, foi porque outro senador no ultimo mo- e seientifleo, apreciou dessa altura os dados
mento resolveu pedir a palavra. estatísticos que têm relação com o assumpto á
Não venho, pois, protelar ou obstruir ; mas, luz dos princípios do direito publico...
fazendo esta declaração e protesto, eu não tenho O Sr. Fausto de Aguiar : — Som applicaçã"
em vista unir-me áquelles que condemnam em ao assumpto de que se trata.
absoluto o recurso parlamentar do occupar a O Sr. Christiano Ottoni;—... discursoq110
tribuna para embaraçar que passe um pro-
jecto que se julga máu. lamento não tenha sido publicado inlegr®''
E certamente uma responsabilidade grave, mente o que também não tem sido refutado j
assumida perante o paiz... quando occupa a tribuna quem tem os ridote^
O Sr. Silveira da Motta :— E' ura re- oratorios do nobre senador pelo Rio G \nc
curso de consciência. do Sul, que outro dia revelou ainda uma m0in
especial de sou talento, demonstrando c
SESSÃO EM DE AGOSTO 97
i —
nteira procedência o nexo entre assumptos O Sr. Silveira da Motta Acabaram-se
de que tratou, apparentemente tão diversos ; esses escrúpulos.
quando ao serviço desta causa, não de protela- O Sr. Christiano Otxoni ;—Eu não os tinha.
ção, mas de protesto contra a precipitação Então sendo o programma do partido liberal
os tão a vastidão de conhecimentos cspeciaes a eleição directa, auxiliei-o como pude, fazen-
sobre a matéria do .nobre senador pelo Marq- do votos do minha obscuridade pelo triumpho
nhãe, ex-ministro de estrangeiros, e o radica- da causa e algumas vezes ajud indo-a com pe-
lismo illustrado e severo do nobre senador por quenos escriptos publicados : mas, auxiliando
Goyaz, osses bem desempenham o preceito do assim o partido liberal quando o via adiantar-
qui miscuit utile dulci, deleitim e instruem, se, tinha sempre em vista deixal-o ir-se,
não enfastiam o auditório.
Eu, porém, não tendo dotes semelhantes, quando retrogradasse.
tenho consciência de que, si quizesso verdadei- Assim procedendo, eu procurava salvar um
mente protelar, encher tempo, havia de abor- sentimento que o finado senador Nabuco cha-
recer a quem me ouvisse ; por isso apenas mava o pwífor da coherencia. Tem sido este
venho á tribuna dizer muito singelamente os o meu escrúpulo nestes 14 annos, o pudor da
porquês do meu procedimento e do meu voto. coherencia. Interesses pesseaes não me demove-
Passam-se discussões da maior importância rão desse proposito.
em que me limito a ouvir attentamente e votar Em 1878 annunciou-me o presidente do di-
conscienciosamonte ; mas em debates do gê- rectorio liberal de Ouro Preto que meu nome
nero deste, que entendem directamento cora seria incluído na chapa para deputados que ia
a posição especial em que, ha cerca de 14 esse directorio organizar; respondi agrade-
annos,me acho collocado entre os partidos mo- cendo, mas no agradecimento escrevi esta phrase
narchicos, ha casos em que entendo não poder que era exigida pelo pudor da coherencia :
deixar do vir á tribuna. « Si fòr contemplado na lista, estou resolvido
Seja-me permittido justificar esta proposição (ó textual) a collaborar em tudo o que for com-
definindo muito perfunctoriamente a posição po- patível com a fidelidade (is minhas crenças,
litica a que acabo do alludir. com o partido que dellas mais se aproxima » re-
De 1848 até 1868 fui membro arregimentado salva que talvez contribuio para não se levar a
effeito aquelle intento de contemplar meu nome
do partido liberal monarchista, tinha os mes- na chapa do partido liberal monarchis ta, fac to
mos compromissos que tinham os outros mem-
bros eleitos em ohapas do partido e defendendo de qui não me estou queixando.
na camara os direitos dos co-religionaries e Continuei no mesmo proposito. Depois de
nossas opiniões. tomar assento nesta casa, em 1880, vendo o mi-
Em 1868 modifiquei a minha posição, por- nistério empenhado em levar a effeito aquella
que entendi que a bandeira da nova opposição, idéa antiga, que foi sempre minhà, da eleição
que começava a formar-se perante o minis- directa, procurei pela primeira vez o então
tério de Julho desse anno devia ser—reforma presidente do conselho, que me faz a honra de
constitucional para abolição do poder mode- ouvir e oífereci-lhe o contigente de meu pequeno
rador. Achando-me só e hasteada a bandeira esforço para o triumpho da causa que S. Ex.
diversa da minha, não rompi absolutamente advogava, mas acrescentei « acompanharei o
com meus antigos companheiros ; mas reas- ministério, salvando de minha parte o pudor da ■
sumi minha liberdade, julguei-me livre de coherencia.»
compromraissos anteriores; entendi que podia O Sr. Silveira da Motta :—Ha ministros
acompanhal-os quando seu procedimento me quo não o salvaram.
parecesse em harmonia com meus sentimentos, O Sn. Christiano Ottoni :—Votou-se a lei,
e que me ora livre afastar-me em outros casos. salvei o pudor da coherencia vindo á tribuna
Seguiu-se o programma da eleição directa, protestar contra a severidade do provãs que il-
o que estabelece nexo entro o que estou dizendo ludiam a garantia constitucional dos direitos do
e a matéria em discussão, eleição directa de cidadão e sophismavara a própria promessa da
cuja necessidade estive sempre convencido. lei : pôde votar quem tem 2Ü0$. Pôde votar
Está na camara um illustre deputado que era quem tem 200$ ; mas organizou-se um systema .
ministro do império em 1860, o Sr. conselheiro de provas tal que tornou impossível ao maior
Almeida Pereira, quando se tratava da reforma numero dos que têm 200$ o exercício desse
eleitoral, que reuniu os círculos três a três. direito ; pareceu-me isso um sophisma que uma
formando districtos ; S. Ex. teve a bondade de lei não devia empregar, protestei ; mas, como
querer ouvir-me sobre esta reforma, ainda não me parecia capital a idéa da eleição directa,
apresentada á camara ; apontando-me defeitos votei pela adopção do projecto na esperança de
do systema em vigor, da eleição por círculos melhoramentos futuros.
com aquella oloição de supplentos que, com
oífoito, provou mal; quiz saber minha opinião nelles Vêm hoje ao senado uns retoques dessa lei;
sobre esto ponto—si a projectada reforma cor- muito boa enxergo (si estou em erro, estou em
companhia), enxergo nesses retoques
rigiria, os defeitos ; o minha resposta foi em mais um requinte"
transumpto : «Nem esta reforma, nem nenhuma ção do direito do voto, de severidade, maior restric-
maior limitação do elei-
outra ha de extirpar os abusos das eleições sem torado, já tão lamentavelmente mesquinho, da
a eleição directa. » S. Ex. me disse :«Ah ! Mas lei de 9 de Janeiro.
isso depende de reforma da Constituição » e ou
acrescentei. «Pois, si ò preciso, reforme-se.» O Sr. Silveira da Motta: — Sem duvida.
v. iv.—13
98 ANNAES DO SENADO

O Sr. Christiano Ottoni: — Sendo este um O Sr. Christiano Ottoni:—Teremos depois


dos casos em que o pudor da cohorencia me "remessa á commissão de redacção, depois á ca-
impelle para a tribuna, não me posso resignar mara dos deputados, approvação por ella, sanc-
a deixar passar o projecto sem o meu protesto. ção e promulgação.
O nobre Sr. ministro do império, não tendo O Sr. Fausto de Aguiar:—A matéria está
ainda proferido nem as poucas palavras que ha vencida.
dous dias lhe ouvimos, disse em aparte :
« Ò governo julga o projecto urgente.» O Sr. José Bonifácio:— São tantas as emen-
Mas, senhores, um projecto que se refere á das, que ninguém sabe o que ó.
matéria tão importante, como é o direito do ci- O Sr. Christiano Ottoni ;—Far-se-á tudo isto
dadão brazileiro de intervir nos negocies do seu em dias de Agosto? Ninguém o dirá. O pro-
paiz ; um projecto desta ordem, é razoável que jecti ha de entrar necessariamente pelo mez do
seja declarado urgente pelo governo, convi- Setembro e só lá pelo meiado delle ó que po-
dando-nos assim a abster-nos da palavra, sem derá ser lei.
ao menos dizer-nos qu d o motivo da urgência ? No Io de Setembro começa o direito de serem
Porque ó urgente este projecto ? apresentados os requerimentos para o alista-
O Sr. Silveira da Motta : — Só si querem mento: começa então o direito de cada um ser
dissolver a camara ; é a única urgência que eu alistado. Nem para todos os districtos ha tele-
vejo. grapho e também não é este o meio regular da
promulgar uma lei. Portanto, para a maior
O Sr. Christiano Ottoni:—A urgência só parte dos municipios é preciso tempo de via-
pôde referir-se ao proximo alistamento elei- gem, e para alguns esse tempo será de um mez
toral. Mas este, é claro que não se poderá e mais. Si, pois, a lei só chegará a muitos
fazer pela lei nova. pontos no fim de Outubro, como regular por
O Sr. Fausto de Aguiar:—Não apoiado; ella um processo que começou no l» de Setem-
póde-se fazer perfeitamente. bro ?
O Sr. Gruz Machado;—Pódo-se. O Sr. Fausto de Aguiar;— Perfeitamente.
O Sr. José Bonifácio:—Não ha tempo de O Sr._ Christiano Ottoni: — Si a alguns
se discutir aqui e na camara. municipios pôde chegar a reforma a tempo de
O Sr. Fausto de Aguiar:—Ha tempo mais ser formulado por ella o alistamento, em muitos
que suficiente. outros, antes da promulgação, estarão muitos
eleitores alistados , o eleitores que a reforma
O Sr. Silveira da Motta:—E* impossivel. talvez excluiria ; serão prejudicados os direitos
O Sr. Christiano Ottoni:—Estamos a 24 le adquiridos na fôrma da lei vigente ?
Agosto, dia do famoso S. Bartholomeu, que O Sr. Fausto de Aguiar :— Podem as pro-
successos recentes no Rio do Janeiro tornaram videncias chegar a tempo em toda parte.
mais famoso ; é o fi.u do mez de Agosto.
O projecto está em 2» discussão no senado. O -Sr . Christiano Ottoni :— Mas, si desde
Pôde ser que esteja prestes a encerrar-se, visto o Io de Setembro o juiz de direito pôde despa-
que os que votam pelo projecto querem votal-o char os requerimentos...
como a cimara o votou — sem apreciar da O Sr. Cruz Machado;—O juiz de direito só
tribuna as emendas... despacha do Io de Outubro em diante.
O Sr. Silveira da Motta:— O que é muito O Sr. Christiano Ottoni:—Bem ; mas até
commodo... o Io de Outubro a lei não pôde ter che-
O Sr. Christiano Ottoni : — ... mas, ainda gado a muitos dos municipios; por ella,pois, não
que passe, temos o intersticio para a 3a discus- ó possivel fazer o alistamento. (Ha diversos
»sao. Poder-se-á dispensir o intersticio... apartes.)
O Sr. Silveira da Motta :—E é natural Qual é, pois, a urgência ? Ha dous mezes nos
isso. veiu da camara um projecto, que mandava
adiar o proximo alistamento eleitoral, em vista
O Sr. Christiano Ottoni:— ... mas será a desta reforma.
precipitação mais caracterisada que tenho visto
no parlamento. O Sr. Silveira da Motta : — E cahiu
Não creio que a tanto chegue a pressa ; não aqui.
creio que nos privem da reflexão a que dará O Sr. José Bonifácio :— Não cahiu : de-
logar este intervallo entro a 2a e a 3a dis- clarou-se que não era urgente nem uma
cussão. cousa nem outra.
Teremos depois a 3a discussão. Virá ella O Sr. Christiano Ottoni : — Por essa occa-
quando ainda temos de discutir os orçamentos sião os quo propunham o adiamento, a camara
da agricultura, da fazenda e da receita. quo o approvou, os senadores que por elle vota-
A sessão está a findar ; o tempo ó apertado e ram reconheciam ijue só adiando este alista-
escasso, o que fez recorrer-se ao expediente, mento se lhe poderia applicar a nova lei.
inaugurado ha dous dias, de dividir a ordem do
dia em tres partes. Portanto, não se deve ad- O Sr. Silveira da Motta : — Sem duvida.
mirar quo a 3a discussão consuma alguns O Sr. Fausto de Aguiar dá um aparto.
dias, tocando só uma hora a cada matéria.
O Sr. Christiano Ottoni : — A camara vo-
O Sr. Silveira da Motta :— Sem duvida. tando aquelle projecto, reconheceu que para
SESSÃO EM 24 DE AGOSTO 99

applicar os novos preceitos ao alistamento, era chefes conservadores e liberaes, na mais edifi-
necessário adial-o. O senado não approvou o cante entente cordiale, accrescento eu.
adiamento. Ora, si assim é, póde-se justificar a altitude
O Sr. Fausto de Aguiar : — Porque reco- do partido conservador, que está no seu papel,
nheceu que era possivel a approvaçãoda medida nesta questão de restricção do voto ; mas
sem adiamento. quanto de partido liberal, em vez de marchar,
recua, e então eu não posso seguil-o.
O Sr. Christiano Ottoni : — Não, porque o Que o projecto ó restriclivo suffragio, que
senado não podia prever aquella votação na ca- tornará ainda mais deploravelmente acanhado o
mara sem debate. corpo eleitoral do que o fez a lei de 9 de Ja-
Ninguém o previu ;e o senado não podia deixar neiro, é o que me parece levado á ultima evi-
de contar com um mez de debates na camara, dencia ; mas, contestando-se, julguei-me obri-'
com algumas semanas aqui, com emendas, re- gado a insistir, citando algarismos da estatística
messa a outra camara, sancção... que apresentou o nobre senador por S. Paulo e
O Sr. Fausto de Aguiar dá um aparte. que illustre relator da commissão acabou de
O Sr. Christiano Ottoni: —...e tempo para chamar alheia ao caso.
promulgar-se a lei era todo o império. E para Observei que os 145.000 eleitores, produzi-
tudo isto eram pouca cousaos dous mezes. Por- dos pelo primeiro ensaio da lei de 9 de Janeir o,
tanto o voto do senado não tem a significação representav im 1 1/2 "/c da população, e que ora
que o nobre senador lhe dá, significa somente certamente lastimável tivéssemos um parla-
que não julgou urgente a reforma; nem acre- mento recebendo delegação de 1 1/2 "/o da nossa
ditou que fosse applicavel ao proximo alis- associação política e não dos 98 1/2 0/o.
Respondeu-nos um membro da commissão, o
tamento. nobre Sr. 1° secretario, que esta proporção era
O Sr. Fausto de Aguiar : — Ha tempo para errada ou sem signíicação e procurou proval-o
chegar a lei a todos os pontos. com cálculos de estatística,pelos quaes tom lou-
0 Sr. Christiano Ottoni : — Passarei a vável gosto.
a outro ponto. Observou que metade da população é de mu-
Disse que não podia dei?ar de protestar por lheres que não exercem direitos políticos. Con-
ver n ste projecto o sacrifício de direitos polí- fessarei queest i primeira deducção é correota—
ticos de meus concidauãos e filiei este protesto Talvez não o seja permanentemente ; a ideada
ao meu proceuimento anterior de 14 annos : emancipação da mulher ganha terreno todos
acrescentarei que não me refiro ao partido os dias, e já se fez representar na camara
conservador, mas ao liberal, especialmente dos deputados por uma voz autorizada. Tive
a s que têm neste momento a dirècção offlcial sempre certa simpathia por esta propaganda ;
do partido. mas confesso que fiquei um tanto intibiado,
Votada a lei de 9 de Janeiro, parecia-me que depois que tive noticia de um facto que não
uma das suas conseqüências políticas seria es- conhecia.
tabelecer como ponto de divergência entre os Lendo, ha cerca de dous mezes, um artigo da
partidos a extensão e a restricção do suffragio. Revista dos Dous Mundos, que se occupava
Parecia-me que ia ver o partido liberal na da emancipação das mulheres, vi citado e te
estacada, visto que muito d s seus membros não facti: No c 'ntro da Asia, em um pequeno paiz
estavam satisfeitos com as disposições da lei e cujo nome nãome occorre, limitrophe da China
votaram-na sómente para conquistar a eleição e on Je domina a religião de Buddha, que iguala
dir !cta... em direitos poli ticos e civis ambos os sexos,
as mulheres adquiriram a preponderância que
O Sr. Franco de SÁ:—Apoiado. têm os homens em outres paizes. Mas a sua
O Sr. Christiano Otoni:—.. • contava ver o primeira reforma consistiu, horresco referens,
partido liberal na estacada pedindo a extensão em decretar a pluralidade dos maridos ! (Riso.)
do suffragio, e os conservadores oppondo-se, O Sr. Cruz Machado;—Era o reinado da
sustentando e conservando a lei. Crinoline!
Entretanto vejo com sorpreza que um projecto
a meu ver de evidente restricção do voto, con- O Sr. Christiano Ottoni; —C nfesso que
fessado pela commissão mixta... este facto entibiou um pouco (riso) a minha
tendência para emanei ação do sexo amavel.
O Sn. Fausto de Aguiar:— De direitos, não Mas, como dizia, est i deducção feita pelo
apoiado ; não confessou tal cousa ; restricção nobre 1° secretario é correcta actualmente ; em
de abusos o de fraudes. quasi todos os núcleos de populaçã) os sexos
O Sr. Christiano Ottoni:—Mostrarei... vejo se acham mais ou menos equilibrados.
que este projecto é approvado sil nciosamente Fe ta a deiucção, dizii o nobre senador, a
na cantara pelos dous partidos e quer-se que o população masculina é de 4.400.000.
votemos calados ! Desta o nobre senador deduz ainda metade
Um deputado conservador cujo nome não de- para as que não têm a idade da lei. Desta
clino, porque não pedi autorização p ira isto, segunda deducção nao examinei a exacti lao
dizia-me ainda hontem : Vocês no senado estão , estatística ; não sei si ó bem exacto que os
cheios de razão contra esta lei ; na camara quiz m mores de 25 annos ou de 21, sendo casados,
oppor-me a ella, mas os meus amigos cerca- bacharéis, etc., compoem a metade do alga-
ram me e impuzer im-me silencio, dizendo que rismo da população ; mas aceito a estimação.
era a expressão dos desejo, dos principaes 1 Restam dous milhões, dos quaes ainda o
100 ANNAES DO SENADO

nobre senador deduziu os criminosos, os criados O Sr. Jose Bonifácio dá um aparte.


de servir, as praças de pret, os _ interdictos, O Sr. Christiano Ottoni:—A commissão pro-
em summa, todos os comprehendidos nas ex- poz a revogação dessa disposição, revogação
cepções da Constituição, e, computando ainda que tirava o direito a todos os jurados da
em metade esta deducção, chegou o nobre se- pualificação de 1879 que se não tivessem apre-
nador ao algarismo de um milhão, e con- sentado no alistamento passado. O nobre sena-
cluio que os 145.000 eleitores não representam dor pelo Maranhão, que não combate o pro-
1 1/2 0/o, mas quasi 15 0/o. jecto, mas só quer modifical-o, propoz que se
Aceito todo este calculo, sem mo rosponsa- supprima o paragrapho que extingue aquelle
bilisar pela sua correcção ; mas tirarei delle os direito, e a commissão com uma boa fó a
corollarios que contém ; se do algarismo da po- que faço os meus comprimentos, aceitou a
pulação temos deduzido todos os comprehendidos emeada.
nas excepçbes da Constituição, o que é o milhão
restante, senão a massa dos cidadãos activos tomO importância
Sr. Cruz Machado : — Esa emenda não
numérica.
que a Constituição chama a tomar parte pelo
suffragio nos negocies do seu paiz ( E desta O Sr. Christiano Ottoni:—A commissão re-
massa, á qual a Constituição não concedeu, não conheceu que a sua idóa restringia e que não
outhorgou, mas reconheceu e garantiu 0o direito devia restringir.
do voto, a lei o respeita somente a 15 /o fican- O Sr. Cruz Machado:—Já ha noticia de
do os 85 o/0.esbulhados de seu direito. Eis a livros falsificados e ó o que a commissão quiz
onsequencia da estatística do nobre senador. evitar.
E devemos ficar contentes com a justiça feita O Sr. Jose' Bonifácio dá um aparto.
a 15 quando 85 ficam prejudicados ?
O Sr. Cruz Machado:—E quem votou pela O Sr. Christiano Ottoni:—O que pergunto
eleição directa sabia que essa massa não ómantém si a emenda do nobre senador pelo Maranhão
direito a esses juizes de paz c a esses
entraria toda. jurados.
O Sr. Christiano Ottoni Os que votaram O Sr. Nunes Gonçalves dá um aparte.
protestaram contra a exclusão, mas esperavam
que em tempo fosse se alargando o circulo dos O Sr. Christiano Ottoni;—Ahi está uma
privilegiados, já que desgraçadamente só pode- correcção ampla que a emenda faz ao projecto ;
mos ter um corpo eleitoral privilegiado. A portanto, ó claro que não é protellar vir aqui
Constituição diz : a massa dos cidadãos activos pedir mais reflexão.
elegerá, o essa massa eífectivaraente elegia na O Sr. Fausto de Aguiar:—E ó o quo a com-
eleição municipal; essa massa, pois, consta de missão deseja.
um milhão, segundo o nobre senador, mas desse
milhão apenas votam 145,000. O Sr. Cruz Machado :— A suppressão pro-
posta no projecto não tom importância numé-
O Sr. Cruz Machado:—A lei não os exclue: rica nenhuma ; ora só para evitar a fraude.
depende das condições da prova.
O Sr. Chistiano Ottoni :—Ouço a gregos o
O Sr . Christiano Ottoni—; Sim ; reconhece troyanos que a severidade da prova, tal qual
o direito de votar, mas com a condição de não veiu da camara dos deputados, daria o mais
votarem... triste dos resultados, causaria vexames aos
O Sr. Cruz Machado:— A porta está aberta; que tivessem votado pelo projecto, porque muito
estão apenas adstrictos a condições ou prova. mais mesquinho seria o eleitorado sem os
O Sr. Silveira da Motta: — A commissão jurados de 1879.
fechou a porta. Parecia sentimento geral, mas a emenda
v O Src Christiano Ottoni : — Ahi está a do nobre senador pelo Maranhão vem con-
iniqüidade da lei de 0 de Janeiro definida pela firmar esta idóa, oppondo-se á commissão e
pedindo que so mantenha o salvatorio, como
defesa do projecto ; só têm direito de votar
15 0/o dos cidadãos activos, E a ossa restricção, ello o chamou, para que a lei continue a ser
por elle salva.
não posso resignar-me.
Eu disse que as disposições do'projecto res- Mas, bem : o salvaterio foi uma medida trans-
tringem ainda mais o direito político dos ci- itória ; o systema de 1881 recahira nas mesmas
dadãos brazileiros, e, pois,que ainda o negam, severidades, amesquinhando mais o mais o
cumpre por os pingos nos ii. corpo eleitoral. B isto constitue uma demon-
A commissão aliás já reconheceu que o seu stração de que o primeiro cuidado da legislatura
projecto prejudicava direitos e precisava de ser devia ser ampliar o voto, alargar o circulo dos
revisto. alistados, o que tinha muitas vantagens : uma
Reconheceu em relação a
a diversas catego- dellas ó diminuir a porcentagem quo o funo-
rias do alistandos, a 'I das quaes ó a se- cionalismo representa no corpo eleitoral, por-
guinte : tanto diminuir a officacia, já disse e não
A lei mandou qualificar como eleitores os cessarei de repetir, da acção do governo, quo
juizes de paz do ultimo quatriennio e os jurados pôde ser nociva. Quanto ao funccionalismo
da qualificação de 1879. geralmente, ninguém deixou de qualificar-
E' sabido, ó notorio, que nem todos esses ão, e qualquer extensão do suffragio, que agora
cidadãos a quem a lei reconheceu tal direito, se decreto nada tem com ello : ficando con-
se apresentaram para usar delle. stante o seu numero o crescendo,o numero total
SESSÃO EM 24 DE AGOSTO 101
seru menor a porc ntagera que o fancciona- que tem um anno de data ; pela lei podiam vo-
lismo representa. tar; mas a commissão lhes diz, votareis d'aqui a
O Sr. Cruz Machado:— Fóra das capitães quatro annos.
o elemento do funccionalismo é de pouca im- Não lhes tira o direito por tres annos ?
portância. Diz agora ; votareis d'aqui a 2 annos:
O Sr . Christiano Ottoni : — Todos reco- Não lhes tirou o direito por dous annos, di-
nhecem hoje que sem a medida transitória reito que deriva de um documento julgado
da qualificação dos jurados, as restricções s legitimo, julgado probante ?
riam tantas que em muitos municípios do inte- Como então se diz que não ha restricção de
rior talvez se não alistassem dez eleitores voto ? !
O Sr. Franco dk Sá : — Ainda assim ha You aos contratos de locações simuladas, e
muitos em que ha pouco mais de dez. prosigo com a minha hypothese. Do 100 con-
tratos dejocação que se apresentam, admitíamos
O Sr. Cruz Machado dá um aparte. que 30 são simulados ; é conceder muito, não
O Sr. Christiano Ottoni ; —Agora, a maior me j)arece que seja tão profunda a desmorali-
parte das restricções propostas pesarão sobre sação do paiz, que em 100 documentos relativos
esses municípios desprotegidos, os muncipios a uma especie, 30 sejam falsos. Mas admitíamos
ruraes, como tive occasião do mostrar. 30 o/0 para conceder muito. A commissão diz:
Eis como se corrigem os defeitos da lei! « Não podeis vós 70 exercer o direito do voto
Portanto, o que me parece claro e" que a pri- porque ha 30 que se fundam em documentos
meira necessidade que o legislador deveria pro falsos. »
ver de remedio, era o alargamento do corpo Esta ó a justiça do projecto.
eleitoral, a extensão do sutiragio. Mas tenham os falsários a habilidade e a pa-
Si viesse a rostricção proposta por um par- chorra necessárias para conservar sua simu-
tido, combattida pelo outro, a cousa estaria em lação por dous annos; no fim dos dous annos
seus eixos ; mas a entente cordiale neste caso, votam como os que têm documentos legítimos;
não a comprehendo. justamente porque foram tratantes hábeis, con-
servando por dous annos o documento falso, este
A segunda confissão da commissão refere-se a se converteu em documento legitimo ; agora
exclusão dos sublocatarios dos prédios, cujos votam os 100, isto é, os 70 que ha dous annos
direitos restabelece a emenda do nobre senador tinham adquirido o direito, e os 30 que o fun-
pelo Maranhão. A confissão louvável, demons- dam muda em contraotos simulados !
trativa do boa fé, das boas intenções da com-
missão. .. Por isso, quando o nobre senador por Minas,
cuja ausência deploro, o Sr. ex-presidente do
O Sr. Franco de Sa':— Mas ainda ficou conselho, disse, fazendo rir e senado, que a
rostricção para um só pavimento. commissão não excluía a fraude, mas a queria
O Sr. Christiano Ottoni :— ... está paten- madura, pareceu isto uma faceoia, mas era um
te : como, pois, ainda se repete que o projecto argumento sério, porque o documento falso,
não restringia o suífragio ? alei não faz senão adi;ü-o ; no fim do praso
Ainda mais: o que provasse possuir esta- ficou documento verdadeiro !
belecimento commercial, industrial ou rural O Sr. José Bonifácio:—Está maduro...
era admittido pela lei ao exercício do voto; O Sr. Christiano Ottoni : — Isso não é
a commissão propoz que se exigisse 4 annos cousa... respeito muito a illustração dos mem-
da data do documento dessa propriedade, o bros de uma e outra camara que formam a com-
aceitou a emenda que reduz a 2 annos. missão mixta ; si alguma vez me exprimo com
O Sr. Cruz Machado ;— O projecto que vi uma certa vehemencia, peço que nunca a con-
nha da camara tinha 3; a commissão poz em 2 siderem como falta de respeito ás suas luzes,
annos. nem a seu caracter ; mas permittam-me liber-
O Sr. Christiano Ottoni :—Qual é o prazo dade de linguagem : parece-me que cousas
de quatro annos, que a emenda reduz a dous ? dessas não se escrevem sériamente em uma
O Sr. Cruz Machado : —B' sobre arrenda- lei.
mento do partes de fazendas que não têm valor O Sr. Franco de Sa' ; — Dizer que a idade
especifico. !e um documento faz presumpção de verdade...
O Sr. Christiano Ottoni;—Então equi- O Sr. Chistiano Ottoni:—E' uma especie
voquei-me; a especie é outra, mas minha pro- de applicação de uma maxima que apregoam
pqsição está em pó. O apontamento que tomei alguns ;—a verdade ó a mentira muitas vezes
foi resumido de mais, o illudiu-me : é arrenda- repelida. A primeira vez que se apregoou
mento de terrenos de lavoura ou de criação. essa maxima foi em uma ciroumstancia bem
Tendo um anno, segundo a lei, dava direito ao notável, de que mo recordo com certa satis-
exercício do voto ; a commissão exigiu quatro fação, porque me dá occasião de lembrar o
annos e agora reduz a dous. nome de um brazileiro illustre, com quem
Ora bem ; apresenta-se peranto o juiz, que tive a honra do nutrir relaço^ pessoaes e
preside ao alistamenio certo numero de cida- de quem fui collega na primeira legislatura
dãos, 100 supponhamos, apresentando como provincial do Rio de Janeiro em 1835, Evaristo
prova do renda esses arrendamentos. orreira da Veiga. A nossa chronica política tem
Esses 100 cidadãos apresentam documento rificado, a não deixar duvida, que era na
IO r-. c
102 ANNAES DO SENADO

extensão da palavra um homem de bem. (Apoia- Mas o nobre senador, com grande pezar meu,
dos). retrahiu-se ao silencio, e o facto de ser apre-
Entretanto houve certa época de exacerbação sentada a emenda dos 10 "/o por um membro da
de paixões políticas em que todos os jornaes commissão, mas com o protesto de que era indi-
conservadores, especialmente os de Minas, pro- vidual, esse facto parece provar que a idéa do
clamavam « Bvarislo tem uma fortuna colos- nobre senador por Minas Ger i es, o Sr. conse-
sal, » para ensinuar que era corrompido. Um lheiro Ribeiro da Luz, muito justa, muito rr-
inimigo pessoal de Evaristo que não nomearei zoavel, muito bem fundamentada, foi rejeitada
citando um acto seu censurável, homem aliás de pela commissão.
grande illustração, s rria-se quando lhe falla- O Sr, Fausto de Aguiar:—Não apoiado ;
vam dessa injustiça e dizia « deixe; hão de estamos do perfeito accôrdo.
finalmente acreditar que elle furtou, a ver-
dade não é senão a mentira muitas vezes re- O Sr. Christiano Ottoni:—Pensei que não,
petida. » porque o nobre senador disse que a emenda
E' cousa semelhante a disposição do projecto não era da commissão.
que considera falso um documento, mas se du- O Sr . Fausto de Aguiar ; — Referiu-se
rar quatro annos o considerará legitimo. E' a só á assignatura ; tornou saliente que não es-
mentira que se torna verdade com o tempo... tava assignada pela commissão ; mas não quer
Portanto, além de ser evidente que aquelie is-o dizer que a emenda não fosse aceita.
período de quatro annos era altamente injusto, O Sr. Christiano Ottoni:— Aceito a decla-
e que o de dous annos não é se não meia justiça, ração. Ouvi bem o nobre senador dizer que a
que as vezes dóe mais do que a injustiça in- emenda era sua, não da commissão, mas, si se
teira, porque a injustiça completa não exclue referiu sómente á assignatura, si a commissão
a boa intenção, a boa fé de quem a pratica, a aceita, tanto melhor. Entretanto, cessando a
ao passo que a meia justiça parece indicar que queixa que eu começava a formular contra o
se reconhece o erro e se faz concessão ao primeiro autor da idéa que eu suppunha tel-a
prejudicado ; além de ser isso evidente, fica abandonado, t ■mos comtudo mais uma demon-
provado mais uma vez que a commissão reo - stração dada pela commissão, de que o seu pro-
nhece não estar o seu projecto tão estudado que jecto privava dos direitos a muitos cidadãos, e
possa passar sem discussão. não estava tão estudado que pudesse passara
Esta matéria de locação de terrenos para es- galope.
tabelecimentos ruraes occupou muito a attenção
de um dos membros da cnmmissão. O nobre se- O Sr Fausto de Aguiar :— A commissão
nador por Minas, cuja ausência segunda vez nunca pretendeu que seu projecto não fosse
deploro, não porque eu tenha de pr iferir pala- susceptivel de ser aperfeiçoado.
vras que não lhe sej im respeitosas, mas por- O Sn. Christiano Ottoni :— O que parece
que eu queria instar com S. Ex. que venha indicar isso é o silencio da commissão.
á tribuna, e pedir-lhe este obséquio em nome O Sr. Fausto de Aguiar dá um aparte.
de muitos de nossos concidadãos, cujo direito
S. Ex. mesmo disse aqui que estava prejudicad , O Sr. Christiano Ottoni— Outra esoecie.
mas que depois não continuou a defender; > Segunlo a lei, o proprietário do immovel não
nobre senador, quando fallou a esse resp ito, sujeito á décima urbana, podia provar renda
disse com toda a razã t que os pequenos estabe- por duas maneiras, á sua escolha; ou pela
lecimentos ruraes estavam prejudicados pela apresentação do titulo que demonstrasse o valor
lei, não podendo muitas vezes seus donos provar da0 propriedade, que .rendesse 200|, á razão de
a renda. 6 I0 : ou nã > tendo este titulo, o que é o caso
S. Ex. sabe que essa observação é p rui la- de um grande numpro d ; proprietários, addu-
mente applicavel ao sul da província de Minas, zinlo um contrato de locação do immovel,
onde leside, e onde ha grmd) numero de cria- locação que lhe rendesse 20lt$ou mais.
dores que exportam toucinho o queijos, assim Em outro artigo as locações do terreno para
como de plantadores de fumo e de c sreaes que estabelecimentos ruraes davam também direito
estã > nesse caso ; e o nobre senad ir aventou a s loeatariis, e é justo qu ■ ambos o tivessem,
a idéa de ao menos na computação do valor de porque, si ou alugo a PeJr um terreno pari
sua propriedade, quando tiver isso logar d ■ cultival-o o pago por rste terreno 200$, não
conformidade com a lei, fazel-a na razão de podem duvidar de que tenho 200$ de renda; mas
10 0/o, para que o capital que essas proprie- tamb un, si Pedro recebo 200$, nâi so pôde du-
dades representam fosse menor e assim a quali- vidar de que a ronda de Pedro seja de 200$.
ficação abrangesse maior numero, Portanto, era justo admittir ao v ito ambos,
O Sr . Fausto de Aguiar Ha uma emenda locador e locatano.
nesse sentido. Mas o proj 'Cto, quanto ao pro riotario veda
O Sr. José Bonifácio:—Que é outra con- em absoluto a apresentação do contrato de loca-
fissão . ção, e quanto ao locatário exige simultanea-
mente uma avaliação.
O Sr. Christiano Ottoni:—Esta idéa fôra Observando eu a injustiça de privar do voto
apresentada por um membro da commissão, que o proprietário que aluqa seu immovel, foi-me
declarou haver sido nomeado recentement) e re-spondido, mas em aparte, porque discussão
que não se tem entendido ainda com seus colle- não se quer ;
gas prometteu fazel-o, trazendo a emenda na « Não, senhor ; esses proprietários têm o
cr discussão. meio da avaliação», quando a avaliação, a meu
SESSÃO EM 24 DE AGOSTO 103
ver, ó o maior de todos os defeitos deste proje- província,no primeiro reinado, da não reeleição
cto, como pretendo mostrar. de Lúcio Soares e conselheiro Maia; agora
Si assim não fosse, ainda assim o pro- que o governo não tem os mesmos meios de
prietário, que até ag-ora, por lei, pedia provar inlluencia ; as cousas estão mais apertadas, não
a renda, mostrando que alugou o immovel, haverá mais possibilidade de juiz municipal
agora terá do requerer uma avaliação, fazer que não jure bandeira na propaganda eleitoral
dospezas, com ella, pagar viagens a louvados, uo ministério e do partido que estiver no poder.
que vão examinar a propriedade, 0 assim são E deste modo a administração da justiça ha de
prejudicados todos os que não puderem ou não sotfrer, e vai ser sacrificada ; além do completo
quizerem sugeitar-se a esse novo ônus. Por- viciamento das urnas e da pureza das eleições.
tanto, aindi nesta especie a restricção é lamen- Quando 03 que nos oppomos a este projecto,
tável . queixamo-nos, tudo quanto se nos oppõe, resu-
Mas diz-se; «Têm o recurso da avaliação.» me-se nesta expressão: a commissão mixta não
Vou a este ponto, especie nova introduzida pelo teve missão para ampliar ou restringir o voto,
projecto, e que, segando me parece, nem oc- mas somente para propor correetivos a abusos
correu na discussão do anno passado e atra- que tiveram logar ou que se temem.
zado. Mas, temos provado, não tanto eu, como os
muito mais proficientes oradores que me pre-
. A idéa_ é completamente nova. Contra esta cederam na tribuna, temos provado que os
idea surgiram objecções de dous generos : mas correetivos que a commissão propõe, pretendem
parece que as primeiras erão mera questão de cortar os abusos, sacrificando o direito dos que
fôrma. não os praticam.
Dizia o nobre senador pelo Maranhao que, Não comprehendo este modo de prevenir e de
permittindo a lei ao terceiro lonvado, quando corrigir abusos.
os dous divergirem,dar voto diíferente de ambos, Os erazos, se difficultam um pouco mais, não
irião á presença dojuiz três laudo -, sem que um impedem as fraudes, assim como não as impo
delles tivesse maioria, que pudesse ser homolo- dirão quaesquer leis, emquanto se insistir em
gada por sentença. Parece que a questão aqui exigir prova de um facto que delle não de-
é meramente de fôrma : haver maioria ou não pende ; quem não morre do fome no lirazil
para o juiz homologar, sem prejuízo das regras tem de renda 200$000.
do fòro. Não ha meio de reprimir a fraude senão a
Esta especie de objecção está remediada pela repressão legal, a saneção; 6 ó esta que a
emenda, a que não me opponho. commissão devia organizar.
Para obrigar o terceiro arbitro a concordar E por que não evitar tantas complicações,
com um dos dous louvados, são estes obrigados, adoptando uma idéa tão simples, com a qual
não a dar valor pecuniário á propriedade, mas serão quasi impossíveis os abusos, a da única
só dizer si está abaixo ou acima do limite que categoria dos que sabem ler e escrever, o que
autoriza o exercício do voto. tom a vantagem do contribuir grandemente
Assim, com eífeito, haverá laudo vencedor para o desenvolvimento da instrucção publica,
para ser homologado ; mas a questão é de fór- e a vantagem de render antes homenagem aos
mulas, e a segunda ordem de objecções não está dotes da intelligencia do que aos recursos ma-
arredada. te riaes ?
Quer o projecto que um dos louvados saia Assustará o "numero, suppondo-se muito
dentre os quatro juizes de paz do quatriennio e alto ?
outro dentre os quatro immediatos em votos :
logo serão em regra de partid w oppostos, o por- Ha pessoas prevenidas contra a massa do
tanto em regra hão de divergir. povo, e que por este motivo assustam-se com a
Quem desempata ó o terceiro da nomeação do idéa de um corpo eleitoral numeroso.
juiz municipal, isto é, será o juiz municipal o Mas a estes direi que nem ha motivo para
qual ná maioria dos casos é homem político temer que o corpo eleitoral seja demais nume-
pertence a algum dos partidos, tem interesses, roso, porque nem esto perigo existe. Ficaria
tem sentimentos politcos, tem amigos. Será mais numeroso o eleitorado do que com 145.000
esto o meio a que se hão de recorrer os pro- eleitores ; mas não será cousa que assuste a
prietários desherdados de provar o seu direito ninguém.
pelo contrato de locação de seu immovel, será O ultimo relatório da commissão de estatís-
recorrer á amizade e omnipotencia do juiz mu- tica contendo o recenseamento da população do
nicipal para fazer os eleitores. Império em 1877, dá como numero de cidadãos
Ora, o juiz municipal ó de livre nomeação do do sexo masculino que sabem ler: 1.012.000.
' governo; e a conseqüência ha de ser que o Deduzamos deste algarismo os que não têm
juiz municipal se'-á um magnífico instrumento a idade legal; o nobre senador Io secretario
político nas mãos do governo. que é muito dado a estes estudos estatísticos,
Atô hoje estivesse quem estivesse no governo entende que elles representam a metade.
eram nomeados indistinctamente juizes muni- Temos pois cerca de 500.000 cidadãos; destes
cipaes de ambos os partidos ; não havia grande 500.000 temos que deduzir os interdiotos, os
exclusivismo. Mas então o governo tinha criados de servir, as praças de preí, os crimi-
outros meios fazer eleições. nosos, todos os que estão comprehendidos nas
Agora, porém, que se chegou ao ponto de ver excepções da constituição e da lei. Tudo isto
ministros derrotados e não reeleitos,facto de que poderá ser calculado na metade ou pouco me-
ou não vira ainda exemplo, além dos de minha nos ; e ahi temos quando muito 300.000.
104 .ANNAES DO SENADO

guNinem dirá que é muito, quando a massa . Concluo de tudo, que esse projecto de lei não
de cidadãos acfcivos éo de 1.000.000, segundo a faz senão restringir o já muitíssimo restricto
estimação do nobre I secretario. corpo eleitoral, produeto da lei de 9 de Janeiro,
Em que consisto a maioria dos abusos que que produziu contra grande numero de cidadãos
se diz ter sido praticados, e que se quer re- verdadeiro esbulho de seus direitos. (Apoia-
primir ? dos.)
Os abusos consistem, diz-se, na divisão da Concluo que si querem evitar fraudes o
propriedade territorial, no contrato de arrenda- meio ó organizar a repressão penal. (Apoiados.)
mento das porções, como recursos empregados Concluo também de tudo que ouço e de tudo
pelos grandes proprietários para alistar elei- que não ouço que este projecto não ó urgente
tores, em quem influam. como disse o nobre senador, porque não pôde
Eu ja notei que estes grandes proprietários, produzir effeito nem pôde ser executado senão
estes senhores de grandes fortunas hão de sem- no seguinte alistamento eleitoral, e para isso
pre influir o não ha lei que possa evitar. bem pôde ser votado em Maio ou Junho, dando
Mas no systema que proponho, e que antes tempo ao estudo e á reflexão. (Apoiados.)
de mim era apregoado pelo illustre juriscon- A conseqüência ó que o senado prestará um
sulto senadorpor Goyaz, como poderá o ricaço grande serviço á causa publica, adiando este
exercer sua influencia inevitável e incontras- debate para 1883 ; e nesse sentido peço licença
tavel ? para mandar á mesa um requerimento.
Os grandes fazendeiros, como sabem todos, O Sr. José Bonifácio:—Muito bom.
têm em roda de seu grande estabelecimento ag-
gados em uma, duas e tres gerações que são Ficou sobro a mesa para ser lido e apoiado na
aggregados de outras tantas gerações,e fundam sessão seguinte, visto já ter passado a hora
ás vezes propriedades muito valiosas que enri- designada para esta parte da ordem do dia,
quecera as familias que as possuem. A esses o um requerimento do Sr. Christiano Ottoni.
proprietário em vez de simular arrendamento de O Sr. 1° Secretario (pela ordem) declarou
terras,ofierecerá escolas e faoilitar-lhes-á apren- que se achava sobro a mesa e ia a imprimir-se
der a ler, aftm do que os aggregados e filhos no jornal da casa a seguinto
delles, possam ser eleitores.
Estes eífeitos benéficas hão de ainda estender- Redacção
se e desenvolver-se, depeis da evolução em que
nos achamos da transformação do trabalho. Emendas do senado àproposição do governo,
Mal de nós, si nessa occasião não engrossar que fixa a despeza do ministério da ma-
um pouco a corrente da colonisação espontânea; rinha para o exercido de 1882—1883 emen-
mal de nós também, si os escravos libertados dada pela camara dos deputados.
não comprehenderem seus verdadeiros inte- Ao § 1.° Substitua-se a emenda da ca-
resses, continuando a trabalhar o não se dando mara dos deputados pela seguinte : — dedu-
ã ociosidade. Pois bem, o que desejamos é que zida a quantia de 2:560$ dos logaros do
esses braços se convertam cm trabalhadores praticante o amanuenso addido, o a de 300$
livres, elles e os colonos que affluirem espon- para cavalgaduras a dous correios, que se
taneamente, e que futuro os espera na la- supprimera, e em vez de—H4;2õ0§ diga-se—
voura ? Hl;390$000.
Serão pequenos plantadores de canna, cer- Ao § 3.° Supprimam-se na emenda da ca-
cando os engenhos centraes para onde concor- mara dos deputados as palavras—desde—« pela
rerão com o produeto de sua cultura, o as razão de ser », até o fira do período.
grandes fazendas de café, se hão da também de Ao § 7.° Em voz de — 4:760$ diga-se —
dividir em pequenas fazendas, conservando as 4:910$, e olovando-se a 480$ o vencimento do
grandes machinas dos estabelecimentos exis- escrivão da auditoria.
tentes como fabricas centraes para preparo do Ao § 11. Era vez de —9:353$ diga-se —
café, e nada disso se obterá som uma grande 8:777$000.
e extensa locação de terras. O proprietário que Ao § 23. Em voz de —50:000$ diga-se —
as tem, si as quizer conservar, terá de dividil-as 1.030:000$000.
e arrendal-as ; parece que ó este o mais dese- Ao§26.Emvez do —1.009:000$ diga-se—
jável futuro economico deste paiz (apoiados) ; 1.300:000$, sendo 000:000$ para acquisição de
mal de nós si assim não fôr. canhoneiras apropriadas á navegação nas aguas
Pois bem, todos esses cidadãos que foram das províncias do S. Podro do Rio Orando do
escravos e a quem a lei reconheceu o direito de Sul, e de Mato Grosse. ,
votar, e todos os colonos que vierem prender-se Ao §§ 3.° (Additivo depois dos paragraphos
á terra, plantando e cultivando, todos esses eventuaos ), supprimam-se ostes paragraphos-
procurarão instruir-se, o quem quizer influir
em seu animo, tem de facilitar-lhes escolas. Acrescentem-se os seguintes additivos:
Essa pupulação rural não apresentará ao juiz Fica o governo autorizado para : 111
os seus contratos de locação, que podem ser 1.° Contratar no corrente exercicio, n01 '
simulados, allegará que sabe ler, o que ó de sim- rinhagom, nos termos da legislação em vig "'
plissima verificação. afim de servir nos navios do Estado, comtanto
Dobalde so procurará neste ou em quolquer que o numero de praças contratadas não ex-
outro systema de prova de renda igual sim- ceda ao das vagas existentes no corpo de io1'
plicidade . periaos marinheiros.
SESSÃO EM 24 DE AGOSTO 105

2.° Despender, no aotual exercioio, até administrador omisso ; e dado o aviso, no caso
600.'000| com a aoquisição de engajados e vo- de interv mção indevida, respondem solidaria-
luntários. mente os administradores o fiscaes.
3.° Reformar o regulamento das companhias Ao art. 14, § Io acrescente-se— si alguns
de aprendizes mirinheiros com o fim de con- dos fiscaes negar-se a assignarou dar voto em
solidar todas as disposições em vigor, podendo separado, communicado o faeto á assembléa
crear commandant s especiaos para as mesmas geral, será no omtanlo o parecer apresentado,
companhias comtanto que se não augmente a e a mesma assembléa nomeará quem o substi-
despeza que actualmento se faz. tua para aceitar ou requisitar o parecer, po-
4.° Despender no esercicio desta lei como dendi adiar a reunião para outro dia.
melhoramento do material da armada as sobras Ao art. 14, § 3o depois das palavras—tem o
que houver do credito de 0.000:000$ concedido direito—acrescente-se— em qualquer tempo—
para o mesmo fim pela lei n. 3030 de 9 de Ja- seguindo-se as mesmas do referido paragrapho.
neiro do 188Í. Ao art. 14 acrescente-se :
5.° Elevar os vencimentos dos pharoloiros,
comtanto que o augmento não exceda á somma § 5°. Os fiscaes respondem pessoal e solida-
consignada na verba—Pharòes—para a des- riamente por perdas e damnos si, com scioncia
peza com o pessoal e material. sua o convicção dos deveros de seu cargo,veri-
6." Supprimir o Asylo de Inválidos, conce- ficar-so a distribuição de dividendos não devi-
dendo aos que existirem pensão que, em caso dos, a compra e venda de acções prohibidas
algum, soja superior á importância do soldo e no art. 31, a partilha, rostituicção ou reducção
da r.iÇão do cada praça. do capital com infracção dás prescripções desta
Art. . Dos vencimentos dos professores da lei. Não podem ter maior remuneração do que
escola de marinha serão considerados dous os administradores.
terços como ordenado, e um terço como gratifi- Ao art. 15 § 6o supprimam-se as palavras—o
cação . numero de votos que compete a cada accio-
Sala das commissões era 24 de Agosto de nista na razão do numero de acções que pos-
1882.—Bom Retiro.—F. Octaviano.—Fausto suir—e augmentem-se estas—o voto ó igual
de Aguiar . para todas.
Ao art, 17 § 4o acrescente-se—ficando nesse
SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA período os associados soiidariamente respon-
sáveis.
SOCIEDADES ANONYMAS Ao art. 31, acresccnte-se, depois dai pala-
vras —fundos disponíveis—não podendo omit-
Continha a 3a discussão da proposição da ca- til-oi do novo na compra para crear o fundo do
mara dos Srs. deputados n. 221, de 1879, rela- reserva quando estabelecido pelos proprios es-
tiva a sociedades anonymas, com as emendas tatutos. ,
oíferecidas no novo parecer das commissões de Ao art. 34, supprima-se o substitua-se por
legislação e de fazenda. este ; — Não são applicaveis ás sociedades
Foram lidas, apoiadas e postas conjuncta- anonymas existentes as disposições d i presente
mente era discussão as seguintes lei, salvo reoonstituindo-so nos lermos de suas
disposições. Exceptuam-se as disposições pe-
Emendas naes por factos supervenientes strictamento
definidos na expressão do seu texto.
Ao art. 7° § Io em principio, depois das pa-
lavras—assemblea geral— augmente-se o se-
guinte : são prohibidos promessas ou certifi- Emendas additivas
cados provisórios de pagamentos parciaes.
Ao art. 1° § 1° ein seu final depois da palavra 'Nenhum accionista ou socio commanditario,
—capital — acrescentè-se : unicamente em qualquer que seja a natureza do seu titulo,
dinheiro ou bens, ficando o mais prejudicado. pôde votar nas assembléas geraes sem que de-
Ao art. 9° acrescento-se : Paragrapho posite as suas acções, pelo menos com antece-
ueico. A administração pode delegar a gestão dência de 15 dias.
diaria dos negocios da sociedade, nomeando di- Nos inventários e balanços os immoveis, ma-
rectoros ou outros quaesquer agentes e fazm- chinas e edifícios entrarão pelo preço que
do-se representar por terceiros socios ou não custaram, devendo ser este reduzido conforme
socios, regulaudo-so a responsabilidade de uns as circumstancias ; os valores de todos não
e de outros pelas regras geraes do mandato no excederão á média das cotações do mez ante-
que toca á delegação recebida, sem prejuízo da rior; a estimação das mercadorias será regu-
responsabilidade dos administradores perante a lada pelo seu preço corrente e as obrigações
sociedade. emittidas pela sociedade devem figurar pelo
Ao art. 10. Supprima-se o §3.° seu valor nominal inteiro no passivo.
Ao art. II. depois das palavras —terceiros B' licito, porém, levar á coilta do activo o
prejudicados—diga-se ; individual e solidaria- desconto do prazo da emissão, reduzindo-a an-
monte ; o mais como está. nualmente por uma somma proporcional á ne-
Ao art . 12, acrescente-se : Em falta de cessária amortização até o completo reem-
aviso responde por todas as perdas e damnos o bolso.
y. iv.—14
106 ANÍtAES DO SENADO

Sub-eraenda De 22 annos ó a sua existência, e para que


não venha a tutela do governo continuar a
pesar sobre estas associações, que nos pódera
Ao art. 3o § Io, n. 3,.depois das palavras — ser úteis, entendo conveniente a emenda que
direitos—autes das palavras —só serão admit- tive a honra do apresentar.
tidas — acrescente-se — não compreheiídendo O § Io do mesmo artigo sujeitou a creação
serviços, inventos e privilégios. dos bancos de emissão a acto legislativo.
Ao art. S0 § Io n. 4, depois das palavras— E' talvez uma temeridade de minha parto
serviços— e antes das palavras— para forma- dizer que esta disposição deve ser revo-
ção de companhias— acrescente-se—inventos gada.
ou privilégios. No estado actual de nossas cousas, com ef-
Ao paragrapho único additivo do art. 13 feito, seria um absurdo querer acreditar na
acrescente-se no final— consis'.entes em di- possibilidade de organizar bancos de emissão;
nheiro ou de prompta e segura realização. nem as ciroumstanoias do paiz, nem o seu meio
circulante pódem permittir essa instituição;
Sub-emendas additivas seria um absurdo.
Porém uma lei que se discute com todo o
esmero e cuidado, attendendo-se a todas as-
Só pôde ser dividido "em acções e estas nomi- conveniências presentes e futuras, é de espe-
nativas o capital dos aocios commanditarios. rar que por muito tempo, por muitos annos
E' prohibida a omissão de acções para re- mesmo, ella figure no catalogo das leis do paiz,
presentar a parte do eapital com que entrarem e por conseguinte talvez chegue a occasião em
os socios solidários, não podendo os mesmos que se possam crearos bancos de emissão, que
alienal-a salvo tornando-se socios comman- se faz dependente do acto legislativo,ordinaria-
ditirios.— José Bonifácio. mente moroso, si apparecer a opportunidade.
Infelizmente, Sr. presidente, não sou da-
O Si-. Castx-o Ca-x-i-eix-a : — Sr. quelles que acreditam na prompta conversão
preddonte, conheço a necessidade que ha do do meio circulante ; porém, sendo urna neoes-
apressar esta discussão, e por isso limitar-me- sidvie do paiz, acredito que é questão de tempo
eí a algumas consideraçõ-s para j istiflcar a mais ou menos proximo. Quanto a mim isto
emenda que tive a honra de apresentar á con- depende de üm governo, que, aproveitando as
sideração do senado, emenda que fiz ao § 2° circumstanoi s, se revista do firmo proposito do
do art. Io. re.dizar esta necessidade, que constituirá um
Acredito, Sr. pr- sidente, que vai ella de ac- dos actos mais patriot cos de sua admini-
còrdo com as disposições do projecto que se stnção.
acha em discussão. Ora de de o momento em que pudèrem ser
Tratando-se da lib rdad ■ das sociedad s ano- convertid s em metal precioso as notas do
nymas, ó justo qu\ sendo ella ampliada a b nco, qual o inconveniente de se croarem estes
todas as associaçõ s do forma ou caracter com- estab docimentos ?
mercial ou mercantil que se organizarem no Esta é a condição indispensável; desde que
paiz, soja igualmente extensiva ás sociedades pud r ser ella satisfeita, qual a necessidade de
anonvmas estrangeiras. embaraçar esta creação sujeitando-'» a acto le-
Desde que os capita es estrangeiros procuram gislativo ?
o nosso paiz, sujeitando-se ás regras e prescri- A creação das companhias ordinariamente
pções de nossas leis, não vejo razão plausivol depende da opportunidad >, a qual, sondo per
em embaraçar-lhes o seu ingresso. dida, fica iuutilisada a idóa; foi o que muitas
A prévia autorização do governo, cercada vezes aconteceu com as delongas da prévia au-
» daquelias difficnldaies d longas, qu ■ já conhe- torização do govorno recommendada pela lei de
cemos, sem duvida estorvará a protenção da- Agosto do 1860.
quelles que tiverem a intenção do trazer esse
auxilio para o paiz. Entendia pois, que no projecto que se dis-
Eu acredito tanto mais que não ha inconve- cute pediam ficar consignadas as regras o
niente na adopção d i emenda, quando vejo em p^escripções para essa creação.
q.iasi todos os paizes, especialmente n íieigica, Aotaalmeiite, Sr. presid nte, bem compre-
de uja le islação i nobre relator da commis- hendo que ó imeossivel a realização de taes
são não deixa de ser apol >gista, a lei s bro esta bancos ; mas, desde que desappareça o papel-
matéria consagrar este principio, aceitando as moeda do governo, a nota do banco ha de sub-
sociedades anonymas estrangeiras, sujeitando- stituil-o necessariamente, porque o commeroio
se ás prescripções estabelecidas. o a industria não pódem mais prescindir deste
O que diz a lei belga nos arts. 128, 129 meio de permuta.
e 130 satisfaz perfeitamente todas as indicações Ha no projecto um outro artigo, Sr. presi-
necessárias sobro o assumpto. dente, que acho um pouco deficiente, o para o
Portanto, aiém destas considerações, ainda qual, chamando a attenção do nobre relator da
accresco a necessidade que tomos de capitães, commissão, espero me daráa explicação.
e devemos facilitar áquolles que nos procura-' O art. 31 na sua segunda parte, diz que ó
rem,80m encontrar os embaraços,que conhece- permittida a compra de suas próprias acções
mos, o de que foi pródiga a lei de 22 do Agosto pelo fundo do reserva.
de 1860, contra a qual por muito tempo se Não sei do que acçõos se trata. Parece-me
clamou. que as acções de capital da companhia não po-
107
dem ssr resgatadas, mesmo pelo principio da nem polo numero de suas acções nem pela reti-
lei quo se discute ; esta lei, que se mostra tão rada do capital sob qualquer titulo.
escrupulosa, e exige que para a companhia Ha algumas companhias em que as suas ac-
ser difinitivamente organizada não só devo ções podem ser amortizadas pelo sorteio, fican-
ser subscriplo todo o capital, como depositar os do ao accionista o direito dos dividendos da
10 «/o do capital realizado das acções, não é companhia.
possível quo no curso do suas funcçõos, O Sr. Affonso Celso:—Acções de gozo.
chegue ocoasião de poder ser o seu capital des-
falcado pelo resgate de suas acções. O Sa. Castro Carreira : —São as acções de
O Sn. Affonso Celso:—Ahi não ha desfal- gozo ; mas não são estas de quo se trata ; para
ellas e preciso ter havido uma especie de con-
que, ha amortização do capital, que eqüivale a trato. eu me occupo das acçõos do capital, que,
um fundo de reserva. segundo a disposição, não clara, do artigo, po-
O Sr. Castro Carreira: — Não ha desfal- dem ser restringidas a um pequeno numero de
que de capital, porém diminue-se o numero das accionistas, que á custa dos interesses da com-
acções emittidas, e em vantagem, de quem ó panhia colhem as vantagens que lhes foram
essa amortização ? Dos accionistas que ficam ; proporcionadas por um grande numero de ac-
porém attendft V. Ex. ao abuso que isto pôde cionistas.
dar -; vou mostrar. Pode por conseguinte haver este abuso sinão
O Sr. Junqueira; — Fazem baixar de pro- houver explicações a respeito de quaes são as
pósito a cotação das acções. acçõos que podem ser resgatadas pela com-
panhia.
O S. AffoNso Celso;— Isto está previsto. Tem ainda esto proje.Cto algumas disposições
O Sr. Castro Carreira:—O [iodem fazer por que não me parecem convenientes; entre cilas
meio de terceiros. Tenho outra consideração, esta,—a que torna o accionista responsável
que supponho de mais gravidade. pelos dividendos quo os administradores fizeram
indevidamente.
Supponha-se que a directoria mancommuna-se O art. 13, que é corroborado polo § 4o do art.
com um certo numero do accionistas para esta 264 do Codigo Criminal, pune esto abuso dos
operação. A companhia está prospera e apre- administradores, e parece que assim deve ficar
senta um futuro lisongeiro, tendo um fundo dis- garantida essa malversação.
ponível avultado. Resolve-se a compra das ac- Acredito, Sr. presidente, que ninguém podo
ções; acontece que o capital não ó desfalcado, ou deve ser responsável por este acto, senão a
porque continua intacto no gyro das operações administração. Os accionistas recebem o divi-
da companhia, porém diminue o numero das dendo na melhor boa fé ; recebem muitas vezes
acções, que são amortizadas; os dividendos sem ter o menor conhecimento das transacções
dessas acções ou são acrescentados áqu dlas da companhia ; como é que, no fim de dous ou
que ficam ou vão reforçar o fundo de reserva, cinco annos, esse accionista lia de ser respon-
que, junto á quota que lhe ó destinada na dis- sável por um recebimento de dividendo, do qual
tribuição dos lucros,dá a directoria o direito para não teve conhecimento da transacção que o
fazer novas compras, e, á medida que se fôr tornou indevido ?
repetinio esta amortização, maiores serão os Si houvo abuso, foi da directoria; ella é a
lucros; o assim vai cila colhendo as vantagens única responsável por essa distribuição inde-
do um capital, que concorreu para a prosperi- vida.
dade da companhia, quo pôde iramoralmente ser Alem disto oita disposição da 2a parte do
restringido a poucos accionistas com um limi- art. 13 não pôde ser satisfeita, e, quando o seja,
tado numero de acções. não o poderá ser senão muito inconvenionto-
O Sr. Affonso Celso ; — Ella quem ? raente. Supponha-se que estes accionistas re-
luctam e não querem pagar, o que ha'de fazer
O Sr. Castro Carreira ; — A directoria ; a a companhia que está quebrada? Como ha de
administração. mandar accionar a cada um dos accionistas ?
O Sr. Affonso Celso ; — Mas a amortiza- Pois uma companhia, (pie não tem recursos,
ção é feita por conta da companhia. quo está insolvavel, ha de sustentar um sem nu-
mero de processos para obrigar a cada um dos
O Sn. Castro Carreira : —A companhia accionistas a pagar o dividendo quo recebeu,
vai se restringindo. algumas vozes menos do que a despezâ do
O Sr. Affonso Celso : — Está no seu di- processo, podendo dar-se ainda a ciroumstan-
reito. cia de não ter o accionista com que pagar ?
O Sr. Castro Carreira : — Ahi ó que está Acho quo fazer-so o accionista responsável
a minha duvida. por este abuso da directoria é abrir uma vál-
O Sr. Affonso Celso : — Não é acto da di- vula de responsabilidade para os directores, o
por isso melhor seria que elles não a tivessem,
rectoria, é da própria empreza e resolvida em e nem tivessem para onde appellar.
assembléa geral. Sr. presidente, folgo de ver consignada no
O Sr. Castro Carreira : —Não ha duvida; projeoto disposições a respeito das commanditas
para isto é que eu simulo o accôrdo. Eu acre- por acções ; e, direi como o meu nobre amigo,
dito que, grande numero de accionistas tendo conselheiro _ Alfonso Celso, lastimo quo não
concorrido com seus capitães para a prosperi- tenha merecido a mesma attenção da illustrada
dade da companhia, não deve ser restringido commissão algumas disposições relativas ás
108 ANNAES DO SENADO

socielados cooperativas, associações estas que 2.a Findo que seja o prazo do contrato, todo
nos paizes mais cultos vão obtendo os melhores o material da companhia ou empreza reverterá
resultados e prestando os mais importantes para o Estado sem indemnízação alguma. Esta
serviços, especialmente na classe operaria. base poderá ser substituída pela reducção do
Ppde ser que ainda não estejamos preparados prazoa do contrato.
para gozar dos seus benefícios, quo .porem 3. Obrigação, para a companhia, de substi-
talvez não esteja muito longe essa opportuni- tuir, sem novo ônus para o Estado, o actual
dade ; e, como já disse, estou na convicção de systema de illuminação pela do gaz estrahido
que est^ lei ha de ter uma longa vida pois, si de outra substancia,proferindo,em igualdade de
a lei da 22 de Agosto, que desde o primeiro anno
circumstaneias, a de producção nacional; ou
de sua existência levantou clamores contra si, pela luz electrica, ou por qualquer outro sy ;-
já dura ha 22 annos, esta, que faz honra ao tema provado, que se julgue preferível. A sub-
illustre relator da eommissão, o que tem sido stituição só so fará efiectiva si o governo a
discutida com tanto cuidado pelo senado, é de exigir, precedendo aviso de três annos, pelo
esperar que tenha longa duração. monos, o revisão do preço da illuminação.
O Sn. Junqueira ; — Talvez que por isto 4.a Salvo ajuste em contrario, só o consu-
mesmo não tenha. midor é responsável pelo custo da illuminação.
5.a A área da cidade do Rio de Janeiro o
O Sr. Castro Carreira : —Então será por— seus subúrbios poderá ser dividida, havendo
que o bom não dura. mais de um gazometro, si assim for conve-
O Sr. Junqueira dá outro aparte. niente, e podendo ser o contrato celebrado com
O Sr. Castro Carreira :— Pois eu auguro mais de uma companhia ou empreza.
que ella terá longa duração, o que ha de chegar § 1.° No caso de contratar-se com outra em-
ao ponto de que as sociedades cooperativas pos-preza ou companhia que não a actual Rio de
sam funccionar entro nós com as melhores Janeiro Gas Company Limited fica o governo
vantagens, como assim acontece om outros autorizad) a indemnizar do valor do mate-
paizes. rial da illuminação, conforme o que do direito
A discussão minuciosa o refleotida, Sr. pre-lhe compelir, o do accôrdo ccm a avaliação já
sidente, que tem havido sobre os demais artigosfeita.
do projecto, sujeita o meu voto a esta lei, sem Para isso o governo poderá realizar asn-
mais reflexão; aproveito,porém,a opportunidado cessirias operações do credito, caso não fique
para render á iilustrada commissão, especial- esse pagamento a cargo da nova, ou novas em-
mente ao seu distincto relator, as homenagens prezas, mediante as precisas garantias.
do meu respeito e admiração pelo importante § 2.° O contrato, ou contratos qne o governo
trabalho com que honrou o nosso paiz. {Muito celebrar de accôrdo com as bases supra" indica-
hem, muito iem.) das será provisoriamente posto em execução
dentro do prazo estipulado e sujeito á approva-
Ficou a discussão adiada pela hora. ção definitiva do poder executivo.
§ 3.» Emquanto novo contrato não fòr cele-
TERCEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA brado, poderá o governo fazer quaosquer ajus-
tes provisórios com a Rio de Janeiro Gas Com-
ORÇAMENTO DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA pany Limited para continuação do serviço da
illuminação da cidade.
Paço do senado em 23 de Agosto de 1882.—
Achando-so na sala immediata o Sr. ministro
di agricultura, foram sorteados para a depu- J.J. 0. Junqueira.—J. J, Teixeira Júnior.
tação que o devia receber os Srs. Barão da La- Additivo
guna, Antão e Barros Barreto, o sendo o mesmo
, senhor introduzido no salão com as formalida- Os créditos especiaes mencionados sob ns. 30,
dos de eslylo, tomou assento na mesa á direita 31, 32, 33, 34, 35 e 36, e que vêm inseridos no
do Sr. vice-presidente. fim do art. 2° (orçamento do ministério da agri-
Continuou a 2a discussão do orçamento das cultura, commercio e obras publicas) serão in-
despozas do ministério da agricultura no exer- corporados ao mencionado artigo, formando pa-
cício de 1882 a 1883 com as emendas dá camara ragraphos com os números correspondentes, o
dos deputados e as oíFerecida.s pela commissão addicionando-se a sua importância ao calculo
de orçamento do senado. gorai da despeza desse ministério e p"la fôrma
São lidas, apoiadas e postas conjuntamente se juinto :
em discussão as seguintes § 30 Prolongamento da es-
trada de forro do Recife
Emendas a S. Francisco, com a
parte substituída da es-
Additivo ao § 14 do art. 8° do orçamento; trada da Victoria o da es-
O governo, mediante concurrencia publica, trada de ferro da Bahia,
contrai irá, com quem melhores condições oífe- „ sendo....: 3.937:7118471
recer, o serviço da illuminação a gaz desta Para a primeira de
cfòrte, observando as seguintes bases : 3.000:000$, para segun-
l.a Reducção no preço do metro cúbico de da (lei n. 1953 de 17 da
gaz, tanto para a illuminação publica como Julho do 1871, art. 2°
para a particular.
§ 2°) 6.937:7111471
SESSÃO EM 24 DE AGOSTO 109

§ 31 Construcção da estrada suspensos os favores e auxílios determinados


de ferro de Porto Ale- no regulamento do 19 de Janeiro do 1867. Com-
gre a Uruguayana (lei prehende-se que depois de tudo isso haja certa
n. 2397 dc 10 de Setem- repugn meia em autorizar despezas com a co-
bro de 1873) 6.512:106$908 lonisação ; mas o que o governo quer não é
§ 32 Garantia de juros, não restaurar o systoma de colonisação directamente
excedentes de 7 o/0 ás protegida pelo Estado, e sim apenas obter re-
companhias que cons- cursos para indirectamente facilitar a vinda de
truem ou construírem vi- immigrantes, dando-lhes hospedagem e tran-
as férreas (lei n. 2450 de sporte do littoral para as terras do interior,
24 de Setembro de 1873. 5.i68:993$890 especialmente no Paraná, em Santa Catharina
§ 33 Obras para o abasteci- e Rio Grande do Sul.
mento d'agua á capitai do O honrado senador pela Bahia vai adiante,
Império, (lei n. 2639 do quer também a propaganda, e o orador neste
22 de Setembro de 1875). 3.700:000$00ü ponto acompanha aS. Ex. O Brázil carece de
§ 34 Prolongamento da es- ser conhecido, qual ó, na Europa, como o ora-
trada de Pedro II. dor faz ver enumerando alguns dos precon-
(Lei n. 2,670 de 20 de Outu- ceitos e idóas errôneas que correm nos paizes
bro de 1875, art. 18 4.500:000$000 europeus não só com relação a produetos do
§ 35 Garantia de juros ás com- Brazil, entre os quaes o café que alli é re-
panhias que estabelece- putado de procedência diversa, mas também
rem engenhos oentraes. relativamente ás nossas leis e costumes.
(Loi n. 2,687 de 6 de Novem- Muito luorariamos destruindo taes erros, e
bro de 1875) 167:000$000 isso não se obterá sem uma paciento e atu-
§ 36 Obras da estrada de ferro rada propaganda.
de Paulo Aífonso. Depois de variadas considerações sobro os
(Lei u. 2,940 de 31 de Outu- abusos a que deram logar alguns contratos do
bro de 1879) 853;298$490 colonisação, que, além de dispendiosos, lança-
ram no paiz homens ociosos e tirados da ulti-
27.839:110$795 ma camada das grandes cidades europóas,
Essa quantia se addioionará á da proposta o orador faz ver quão longo do antigo sys-
orçada em 23.238:5068551, e elevando á somraa toma está o modo de ver do governo, que
total o verdadeira da dita proposta a somente pretendo auxiliar o estabelecimento
51.077:617^276, alteravel segundo a definitiva ilos immigrantes que vierem para o Brazil,
votação. hospe.lando-os, dirigindo-os a seu destino,
Paço do senado, em 23 de Agosto do 1882.— evitando o desanimo em que cahiriam ao
/«ão José de Oliveira Junqueira. chegarem cm terra estranha, onde as despezas
de hospedagem, caríssimas, em breve lhes ab-
O tSr. Píidua. Fleuvy (ministro sorveriam os mingoados recursos.
da agricultura) toma a palavra para emittír Quanto á outra emenda da honrada commis-
opinião sobro as emendas apresentadas pela são, a relativa ao corpo do bombeiros, observa o
honrada coramissão do senado, e bem assim para orador quo o serviço desse corpo tem extra-
responder ao discurso do nobre senador pela ordinariamente melhorado nestes ultimosannos.
Bahia que iniciou o debate, e que em alguns Refere a impressão favorável que recebeu, visi-
■ pontos veiu ém auxilio do governo, motivo pelo tando o quartel de bombeiros e assitindo ás
qual o orador lhe dirije um voto de agradeci- manobras do seu adestrado pessoal. Não parece,
mento. portanto, justo que por amor de uma economia
do 40:000$, que era tanto raont i a diíFerenç.i,
Reconhece que é realmente o ministério da se entorpeça o desenvolvimento de um serviço
agricultura um dos que absorvem grande parte da'ordem deste. Assim agradece o valioso apoio
dos recursos do Estado, o que mais preocupam do nobre senador pela Bahia a essa parto da
o espirito de todos quantos estudam o orça- proposta.
mento no empenho de equilibrar a receita com Tamb un prOpoz a honrada commissão uma
adospeza; mas considerando que a honrada reducção na verba do§ 12—Jardim da Praça da
commissão do senado, depois d; longo e medi- Aoclamação.—Entende o orador que, depois de
tado exame, julgou em sua sabedoria que só tanto se haver despendido com este jardim,
devia reduzir a despeza em duas ou. trej verbas, ó preciso conserval-o. O serviço, qual está
bem patente ó que os serviços do ministério
reclamam urgentemente ser attendidos pelo le- seudo feito,é bom, e parece prudente mantel-o
gislador . até quo liasse a cargo da municipalidade.
O honrado senador pela Bahia estranhou que
A verba que soíireu reducção mais notável, á proposta acompanhassem vários créditos es-
foi a das—Terras publicas e colonisação. peciaes, opinando que este methodo merece ser
O orador não tem necessidade de desen- modificado, porque oooulta deficits. Si o sys-
volver o pensamento que dictou o pedido de toma não é bom, comtudo não disfarça ou es-
953:535S7õ0 para o serviço da immigração. Di- conde os deficits ; estes, quando os haja, ahi
versas tentativas se fizeram o infelizmente o ficam patentes a quem compulsar a receita e a
resultado não correspondeu aos sacrifícios, despeza do Império. E, em todo o caso, o sys-
tendo custado ao paiz enormes quantias até que teraa ó legal; está autorizado no art. 18 da lei
por decreto de 20 de Dezembro de 1879 foram n. 1248 de 15 do Agosto de 1873.
110 ANNAES DO SENADO

Passou depois o orador a tratar da ferro-via D. S. Ex. de onde espera haurir os recursos com
Pedro II, justificando o aecresçimo da vorbapelo que tem de fazer frente ás despezas quo crescem
desenvolvimento do trafego a que foram aber- de modo assustador.
tos mais 41,500 metros, de Barbacem a Caran- Observa que no orçamento em discussão
dahy, necessidade de augmentar o material muitas despezas foram votadas na outra camara,
rodante, e as offlcinas, estabeleciment) impor- as quaes só se justificam por interesses mera-
tantíssimo, viveiro de artistas e operarus na- mente locaes, sem que o honrado ministro, ge-
cionaes, que já vae prestando optimos serviços. nuíno representante do interesse geral da nação
Respondendo a um aparte, declara que a fa- o d 'f'ndesso, oppondo-se a medidas que hão de
brica de ferro de Ipanema será um estabele- onerar enormemento o thesauro.
cimento auxiliar da mesma estrada e dos nos- Passando ao exame de algumas verbas, per-
sos arsenaes, merece toda a attenção do gunta ao honrado ministro si aceita ou não, a
governo, Bm sua opinião, convém que con- emenda offore ida pela commissão do senado,
tinue sob a administração do Estado, e ainda relativamente á secretaria da agricultura.
quando autorizado a vender ou arrendar essa Igualmente deseja saber si S. Ex. annue á
fabrica, não se resolveria facilmente o fazel-o. suppressão da verba da sociedade Acclimação.
A este respeito expõe ao senado a conferên- A camara approvou uma verba nova para o
cia que teve com o zeloso director, o Sr. Mura, estabelecimento rural de S. Pedro de Alcantara
e declara-se resolvido a cooperar, nos limites e escolas praticas de agricultura. O orador,
que lhe facultar o parlamento, para a realisação recordando o que aconteceu com a escola agrí-
das bem fundadas esperanças depositadas na cola annexa á colonia D. Pedro II, e perten-
fabrica de Ipanema. cente outr'ora á companhia União e Industria,
Não tem conhecimento dos abusos que o nobre impugna a creação daquelles estabelecimentos,
senador pela Bahia diz terem sido commettidos a qual devia ser proposta em projecto especial
por particulares, que invadem as terras compra- e cujas despezas não comporta a nossa actual
das no Paraná para o estabelecimento dos im- situação financeira.
migrantos russo-allemães. Providenciará cora Pede ao nobre ministro mais extensas e com-
firmeza para que sejam mantidos os direitos pletas informações sobre as escolas que pre-
do Estado. tende crear. Estas questões não são imperti-
O honrado senador perguntou qual o pensa- nentes, como talvez ao nobre ministro se aífi-
mento do governo relativamente á lei de 1875. gure. Elias são ditadas pelo sentimento do
O governo entende que não deve conceder ga- daver, quo assiste aos membros do parlamento
rantia a bancos, tendo muito empenho em au- de minuciosamente verificarem as despezas do
xiliar a lavoura por meios indireot s, mas não estado.
garantindo especulações commerciaes. Desejaria também que o honrado ministro
Responde a varias questões formuladas pelo examinasse attentamente qual o pessoal em-
nobre senador pela Bahia em relação ao prolon- pregado no jardim da Praça da Accíamação 5 e
gamento de vias ferreas, promettendo serio es- sobre este ponto faz varias observações, opi-
tudo do plano de viação, que muito e muito ca- nando que o governo deve determinar o pes-
rece de ser bem fixado para que não aconteça soal administrativo empregado nesse serviço, o
desperdiçarem-se esforços e capitães por causa pessoal subalterno, o bem assim o material.
de traçados mal combinados, como se deu verbi Pondera mais que, segundo lhe consta, estão
gratia na provincia de Minas Geraes, onde esgotados alguns dos créditos quo vêm mencio-
correm quasi parallelas a estrada de ferro nados no orçamento.
D. PedroIIe a de rodagem União e Industria. Chama a attenção do nobre ministro para a des-
Certo é, porém, que não se pôde parar : as cres- peza de garantia de juros com estudos provin-
centes exigências do progresso e o natural de- ciaes a que se refere a lei do 1873. E' sabido que
senvolvimento do paiz não permittem esta- essas estradas foram feitas á custa do emprés-
cionar. timos, e entret mto vãe ser contrahidos outros
Sobre o excesso que affirma o nobre senador, para pagamento doi juros dos primeiros., Para
do pessoal empregado no prolongamento da o Estado, como para o particular, é tri te fazer
estrada da Bahia, pedirá informações e provi- op-rações de credito para pigar juros do di-
denciará convenientemente. nheiro que anterio mente pedira emprestado.
Não tem respondido ainda a muitas das ques-
tões aventadas pelo nobre senador que iniciou Como pretendo voltar á tribuna, não alon-
o debate ; mas como este provavelmente tem de gará estas ponderações.
continuar, em outra pccasião serão tomadas na Tem concluído. {Muitobem.)
muita consideração que merecem, as demais Ficou a discussão adiada pela hora.
reflexões produzidas por S. Ex.
Quanto á emenda ultima sobre o serviço do Retirou-se o Sr. ministro com as mesmas
gaz, o orador aguarda que cila seja impressa, e formalidades com quo fôra recebido.
opportunamente emittirá oseujuizo. {Muito 0 Sr. Yice-Presidentr deu para ordem do
bem ! muito bem !) dia 25 a mesma já designada, a saber :
O Sr. Rilboiro da depois de
Varias considerações sobre o desequilíbrio do f1 parte (até 1 hora da tarde)
orçamento e o estado pouco lisonjeiro das
finanças, lastima quo presente não esteja o Continuação da 2a discussão da proposição
honrado ministro da fazenda para perguntar a dá camara dos deputados, n. 78, dò corrento
SESSÃO EM 25 DE AGOSTO 111

anno, alterando algumas .disposições da lei O Sr. 1° Secretario deu conta do se-
n. 3029^6 9 do Janeiro de 1881. guinte
EXPEDIENTE
24 parte (d 1 hora ou antes, até ás 2)
Officio do ministério do império, de 24 do cor-
Continuação da 3a discussão da proposição da rente mez, remettendo em addítamento ao de
mesma caraara.n. 221, de 1879, relativa ás so- 17 de Julho ultimo, cópia da representação
ciedades anonymas. que, com referencia ao decreto n. 5.604 de 25
de Abril de 1874 lhe foi endereçada pelo es-
parte {ás 2 horas ou antes,até ás 4) crivão do juizo de paz da capital da província
da Bahia.—A' commissão de legislação.
a
Representação do centro di lavoura o com-
2 discussão do orçamento das desnezas do morcio, submettendo á apreciação do senado
ministério da agricultura no exercício de 1882 varias considerações sobre algumas das neces-
—1883. sidades da lavoura e do commercio, e offero-
Levantou-se a sessão ás 4 horas e 10 minutos cendo um projecto elaborado por uma commissão
da tarde. de jurisconsultos e homens práticos, afim de
melhorar-se a lei n. 1237 de 24 de Setembro de
1864.—A's commissões de legislação o de com-
mercio, industria e artes.
C!>a sessão Foi posta em discussão e sem debate appro-
vada a redacção das emendas do senado á
proposição do governo, qüe fixa a despeza do
EM 25 DE AGOSTO DE 1882. ministério da marinha para o exercício de
1882—1883, emendada pela camara dos depu-
Presidência do Sr. Barão de Cotegipe tados, a qual, na sessão anterior, foi a imprimir
no jornal da casa.
SUMiMARIO.— EXPEDIENTE.— Redacção. — Apoiamcnto o
apnrtmção do rü^uorímiiulo elo Sr. Corroía, (pio ficara Foi apoiado, posto em discussão e sem de-
sobro a uiosa.—Ordcin dos trabalhos. Discurso o rorpio- bate approvado o requerimento do Sr. Correia,
ririionto do Sr. José Bonifácio. UbsotyaçSes do Sr. que ficara sobre a rtiesa na sessão ante-
Brosidento.—poimeira caiiie da obdesi do dia.— A lei
do 9 do Janeiro do 1831.— Apoiaraeu o do reipiorinionto rior.
do Sr. ClirisUano Utloui, qüo ficara sobro a mesa. Dis-
curso do Sr. José Bonifácio. Adiauionlo da discussão.
sesdkda panTE da oRDE.ii do uiA.—Sociedades anony- ORDEM DOS TRABALHOS
luas.—Discurso do Sr. Lafayette.— tebceira parte da
ordeu DO dia.—Orcameu o do mioi.lorio da agricultura.
—Emenda. Disenfso do Sr. Visconde do Jaguary. O Sr. José lioixi AVivio vai for-
mular um requerimento, aliás sem o mínimo
A's 11 horas da manhã ach iram-se p esentes desejo de censura no quo toca á direcçao dos
35 Srs. sinad res, a saber; Barão de Cot'gipe, trabalhos da casa.
Cruz Machado, Barão de Mamantruape, Leitão Duas razões o obrigara á apresentação doste
da Cunha, Chichorro, José Bonifácio, Paula requer mentõ, uma das quaes ó pessoal ao ora-
Pessoa, Leão Velloso, Correia, Junqueira, dor, o a outra entenda com importantíssimos
Conde do Baepen ly, Lafayette, Diniz. Octa- interesses públicos.
viano, Barros Barreto, Visconde do Bom Ritmo, Simples é a primeira: o orador não deseja
Visconde do Muriliba, Jiguaribe, Aff mso Celso, ser accusado de haver concorrido para o atrazo
Castro Carreira, Luiz C trios, Fausto de Aguiar, da discussão da lei do orçamento, e, par conse-
Dantas, Christiano Ottoni, Visconiede Abieté. guinte, para a cobrança de impostos seíh lei.
Ribeiro da Luz, Silveira d i Motta, Saraiva, Quanto á segunda, o sonado logo comprehen-
Barão d » Laguna, Luiz Felippe, Paes de Men- derá qual s ja, apenas souber quo o requeri-
donça, Barão do Souza Queiroz, Visconie de mento do orador é para quo — se divida a ordem
Jaguary, Viriato de Medeiros e Cunha a Fi- do dia em duas partes, discutindo-se na pri-
gueiredo. meira o parecer sobre o contrato para a illu-
Deixaram de comparecer, com causa parti- minação a gaz da capital do Império, e na
cipada, os Srs. Uchôa Cavalcanti, B rão de segunda o orçamento da agricultura e outros
Maroim, Silveira Lobo, Carrão, Antão, Godoy, qüiiesquet1 que vierem da outra camara, guar-
Vieira da Silva, Martinho Campos, Visconde dados os tramites do regimento.
de Nictheroy e Visconde de Pelotus. A lembrança da preferencia p-ira a discüssão
O Sr. Presidente abriu a sessão. do contrato do gaz não occorreria ao orador Si
Leu-se a acta da sessão antecedente, e, não não fosse a emenda de alguns honrados sena-
havendo quem sobre ella fizesse observações, dores a respeito doste ramo do serviço.
deu-se por approvada. Existam na d^a dous pareceres importáh-
Compareceram, depois de aberta a sessão, os tes, embora opinando diversamente, sob tal as-
Srs. de Lamare, Visconde de Piranaguá, Hen- sumpto ; o o orador, comquanto esteja disposto
rique d'Avila, João Alfredo, Nunes Gonçalves, a votar pela emenda, quo manda abrir concur-
Silveira Martins, Fernandes da Cunha, Diogo rencia. não pôde deixar de notar que seria mais
Velho, Sinimbú, Franco do Sá, Teixeira Júnior regular discutirem-se primeiro os pareceres e
e Meira de Vasconcellos. não como se está para fazer—estabelecer o de-
112 ANNAES DO SENADO

bate englobadamente no orçamento da agri- em sessões de quatro a cinco horas, occupa-so


cultura. também com o projecto eleitoral e das socieda-
Accresce quo a importância do objeoto não des anonymas.
pode sor contestada. Por todos estes motivos nutre o orador a con-
Administrativamente trata-se do um contrato vicção do que ha uma idéa util o proveitosa no
feito pelo governo e sujeito á appprovação do seu requerimento, e vai envial-o á mesa.
governo. Muito bem !)
Economicamente trata-se de abrir concurren- Foi lido o seguinte
cia, chamando capitães, com o fim de obter,
para a população do Rio de Janeiro preço mais, Requerimento
barato do que aquelle pelo qual ella paga o gaz
que consome. « Requeiro que se divida a ordem do dia em
E constitucionalmente trata-se de uma des- duas partes, discutindo-se na primeira o pa-
peza admittida em o novo orçamento, quando a recer concernente ao contrato para a illumi-
matéria pende da approvação do corpo legisla- nação a gaz da cidado do Rio do Janeiro e na
tivo, que está obrigado a dar-lhe uma solução segunda o orçamento da agricultura e outros
qualquer.
Demais, considerado em si, o assumpto não é quaesquer que vierem da camara dos depu-
tam pouco de sõmenos importância.No relatório tados, guardados os tramites do regimento.—
de 1879 um dos nobres ministros da agricul- José Bonifácio. »
tura declarou que o preço do gaz do antigo O Sn. Presidente :— O requerimento apre-
contrato era caro, notando-se que as reclama- sentado pelo nobre senador ó para que se divida
ções são muitas e que até no senado existe uma a ordem do dia em duas partes, discutindo-se
petição em que se oíferece preço muito mais na Ia o parecer concernente ao contrato para
baixo. a illuminação aa gaz da cidade do Rio de Ja-
A importância do projecto accresce ainda por neiro, e na 2 o orçamento da agricultura e
outras circumstanicas. Na camara dos depu- outros quaesquer que vierem da camara dos
tados elle foi apresentado quasi que como uma deputados, guardados os tramites do regi-
proposta ministerial, sendo seu autor um il- mento.
lustre ex-ministro, hoje finado ejárecommen- O art. 2° do regimento diz « que o presidente
dado á gratidão nacional pelo seu talento, pelas ó o regulador dos trabalhos da camara e o fiscal
suas luzes e pelo seu zelo á causa publica, o da boa ordem. Compete-lhe abrir e fechar as
Sr. Buarque de Macedo. Vindo, porem, o pro- sessões, segundo os dias e horas estabelecidos ;
jecto para o senado,dividiram-se as opiniões. O fazer lor o assignar as actas; dar matérias
orador já disso que não escolhe entro ellas, para os trabalhos do dia seguinte; estabelecer o
inclinando-so á emenda que abre franca con- ponto da questão para a discussão ; dividir as
currencia ; mas isso não tira ao projecto a sua proposições ; propor a votação e declarar o re-
origem governamental, e o interesse que ins- sultado delia.»
pira matéria tão interessante. Portanto, a mim compete, na qualidade de
Naturalmente o projecto não tem sido dado pr sidente do senado, dar as matérias para a
para ordem do dia pela consideraçã) de que, ordem do dia: o requerimento do nobre sena-
talvez, o governo ainda não se tivesse prepa- dor usurpa essa attribuição, dividindo a ordem
rado para ter opinião sobre a matéria ; más do dia em duas partes, marcando o que deve
actualmente esta razão não prevalece. O go- ficar na Ia, e o que deve fica ■ na 2a ; para isso
verno tem já tido sobejo tempo para estudar ó necessário uma reforma do regimento ; por-
questões muito mais complexas, como a da tanto, si e nobre senador quer que assim so
» reforma eleitoral. Evidentemente de mais faça, deve mandar uma indicação reformando
tempo se carece para examinar um projecto o regimento.
que entende com o direito do voto, do que para O Sr. José Bonifácio : — Eu farei amanhã
estudar a questão do gaz. ou depois um requerimento separado de prefe-
O regimento do senado, além do mais, apoia rencia.
também aidéa do requerimento do orador, por- O Sr. Presidente : — Devo ainda, em defesa
quanto em seu art. 8o determina que— o pre- da mesa, embora não fosse a intenção do nobre
sidente na escolha das indicações, projectos senador censural-a, explicar o procedimento
e emendas para a discussão,observard,por via -que tenho tido na distribuição das matérias.
de regra, a antigüidade,a qual poderá ser pre- O Sr. José Bonifácio : — Para mim ó questão
terida segundo a gravidade da matéria,prece-
dendo resolução da camara. de preferencia.
No discurso do honrado senador pelo Paraná, O Sr. Presidente : — Posso me enganar a
fundamentando hontem um requerimento, ha respeito da importância das matérias que devem
também motivos que o oradorj^deria invocar ser preferidas ; não sigo a antigüidade porque^ o
para justificar seu requerimenro. Faltam pou- nobre senador sabe que esta disposição cahiu
cos dias para se acabar a S'issão, e urge appro- em desuso, ou nunca foi executada no rigor da
var os orçamentos. Ora, sendo assim, o tendo letra, mas tenho sempro preferido as matérias
as camaras não sómonle o direito, mas ainda o mais importantes,e do accôrdo com o governo :
dever de votar os impostos que a população quanto i ) contrato da illuminação a gaz,inque-
tam de pagar, não sabe o orador como poderá o ri dos nobres ministros quando queriam que en-
senado desempenhar-se dessa obrigação quando, trasse era discussão, o o nobre presidente do
SESSÃO EM 25 DE AGOSTO 113

conselho declarou que o tempo mais conve- periencia. Esta experiência, que aconselha a
niente ora agora, em que vinha assistir á dis- reforma das leis, acaso já a teve a honrada com-
cussão do orçamento o nôbre ministro da agri- missão raixta com referencia á lei de 9 de Ja-
cultura. Essa é a razão por que já não foi dado neiro ?
para a discussão. O senado comprehende a utilidade dos inqué-
Quanto á importância das diversas matérias, ritos que na Inglaterra são abertos para veri-
notadas pelo nobre senador, ó questão de apre- ficação e estudo dos abusos antes de se legislar
ciação. para cohibil-o u
O projecto das sociedades anonymas, já em Na questão vertente houve algum inquérito?
terceira discussão, e a revisão de alguns artigos Apreciaram-se os factos ? Falla-se em cercear
da lei eleitoral, para a verdade do systema, não as fraudes... Mas deram-se fraudes? Quaes
são matérias sem importância. foram? Onde se deram ? Quem dollas se
Tomarei em consideração qualquer reclama- queixa ?
ção dos nobres senadores, sem preterir a ordem A honrada commissão não o diz ; tão so-
do dia já dada. mente, o de modo muito vago, dá a entender
O Sa. Jose' Bonifácio:—Eu farei um re- que têm havido abusos.
querimento de preferencia separado. Em que paiz do mundo se legisla sobro sup-
O Sr. Presidente:—O interesso da mesa ó posições tão pouco documentadas e positivas
o adiantamento dos trabalhos. como as da honrada commissão ?
A honrada commissão—o orador dil-o com
O Sr. Jose' Bonifácio:— Nem eu supponho todo o respeito devido aos talentos e boas in-
o contrario. tenções dos honrados senadores que a oompoem
O Sr. Presidente:— Passa-se á ordem do —a honrada commissão acha-se em uma posição
dia. deplorável. Tem ouvido os innumeros argu-
PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA mentos que suscita o seu projecto, e não açode
a olefendol-o Abandona-o em parto, em outras
A LEI DE 9 DE JANEIRO DE 1881 o deixa indefeso !
Para demonstrar a pouca base em que a
Continuou a 2a discussão do art. 1° da propo- honrada commissão fundou o sou trabalho,
sição da camara dos deputados, n. 78, do cor- basta ver que ella não ó capaz de responder a
rente anno, alterando algumas disposições da algumas questões, que o orador vai formular,
lei de 9 do Janeiro de 1881, com as emendas e cujo estudo devera aliás preceder a elabora-
oíferecidas. ção do parecer.
Qual é—e será esta a primeira perguhta
Requerimento do orador—o numero do eleitores qualificados
em virtude do § 1° do art. 3° da lei do 9
Foi lido, apoiado o posto om discussão o se- de Janeiro, separando-se em grupos, conforme
guinte requerimento, que havia ficado sobre a a classificação da prova era os números 1 o 2 do
mesa na sessão anterior. mesmo paragrapho ?
«Requeiro o adiamento para Maio do 1883.— A honrada commissão não respondo : e entre-
C. Oltoni.D tanto a relação numérica do total dos alistados
e dos grupos que deu cada uma das fontes do
O Sr, .Io—ó líou i Ílíoío diz que alistamento, era elemento indispensável para
no adiamento proposto pelo honrado senador deducçoos, pelo men s mais fundadas do que
pelo Espirito Santo, tão luminosa e correcta foi m ras hypotheses, relativamente á fraude elei-
a argumentação que ao orador, desaproveitado toral.
discipulo de tão illustre mostro, apenas resta o Segunda questão : Qual o numero dos cida-
acompinhar a S. Ex. Entretanto sempre oc- dãos inscriptos como eleitores,por ter -m provado
cupará a attenção do senado, p rque em tod ) o a ronda proveniente de industria ou profissão,
caso prefere a obstrucção da palavra á do si- do conformidade cora o § 2° do mesmo artigo,
lencio. e sop irando-se o eleitorado em classes, com re-
Os adiamentos fundamentam-se em conside- lação á natureza do imposto e ao exercício de
rações de varias ordens : neccssidad > de estudo profissão demonstrado polo respectivo registro?
da matéria, mudança d; circumstancias políti- Em terceiro logar, a honrada commissão ver-
cas, ou então prescripções regimentaés acon- se-ia embaraçada para responder — qual o nu-
selhadas pela prudência, para que os parlamen- m to dos funccionarios públicos arrolados como
tos exerçam suas attrib tiçõe- com proveito da eleitores, nos termos do art. 3°, g 3°, consti-
causa puolica. Ora, o adiamento de que se trata tuindo cada um d " s us números uma classe
tem por si todas essas razões. distineta, e com delaração da província a que
A necessidade de estudo é intuitiva. Já Riyer pertencem ?
Collard, em 1815, tratando do projecto que al- Quarta pergunta;— Qual o numero dos alis-
terava a carta constitucional no que tocara á tados no eleitorado, com a mesma9 declaração,
renovaçã') qüinqüenal do parlamento, dizia que em virtude dos §§ 4° e b" do art. 3 ?
— as leis só deviam fazer-se em caso de ne- Quinta Qual o numero doa eleitores in-
cessidade, a qual só se dava ou por não haver scriptos, independentemente de prova de renda,
lei sobre a especie, ou por ser viciosa,a lei de conformidade cora o art. 4o da lei citada, se-
existente, reconhecidos os seus vicios pela ox- parando-se por grupos, de modo a pertencerem
v. iv.—15
114 ANNAES DO SENADO

a cada grupo os qU3 entraram no alistamento a mesma nobre commissão não examinou e de
por força do cada um dos namoros desse artigo ? que só tem vago conhecimento !
Sexta:—Qual o numero de juize? de paz o Em seguida aponta o orador algumas dispo-
vereadores eífectivos do quatriennio de 1877 a sições de projecto, demonstrando a sua irapro-
1881 o dos seguintes, alistados em todo o Im- ficuidade e examina varias das emendas pro-
pério, com declaração das províncias ? postas, deplorando que a honrada commissão,
Justificando a necessidade deste esclareci- ou antes, separadamente alguns de seus mem-
mento faz o orador sentir quão severamente bros, tenham aceitado e ató proposto emendas
procedeu a commissão mixta eliminando do elei- sem esclarecerem pela discussão nem as idóas
torado os juizes de paz e vereadores o jurados que abandonam , nem as que adoptam ou
admittidos pela lei. Porque ? A honrada com- propoem.
missão nunca o explicou. Mas note-so que ella Opina que a illustrada commissão mixta ti-
já cedeu ao nobre senador pelo Maranhão, que nha por primeiro dever—a revisão do regula-
apresentou emenda suppressiva dessa res- mento que, segundo a lei,havia de.ser sujeito á
tricção. Ora, cedendo com relação a estes, em approvção das camaras logo no principio da
cujo alistamento já não receia fraudes, claro sessão seguinte á da promulgação da lei de 9
está que a honrada commissão obrigada também de Janeiro. Em voz da revisão da approvação
se acha pela lógica a ceder no tocante aos logo no começo da sessão legislativa, vera a
prazos das escripturas publicas, onde são me- restricção do voto no fim delia ! O numero, que
nores os receios de inclusões fraudulenta, no afinal ó a força,poderá assim decidir; mas cer-
eleitorado. tamente não levárá a convicção ao espirito pu-
Depois de varias considerações sobre a des- blico.
igualdade que ha em serem alistados os jurados Multas outras ponderações tinha o orador que
de 1879, e oxcluidos os de 1878, quando varias fazer ; mas, não desejando entrar na hora des-
relações do Império entenderam, e bem, que os tinada ao debate das sociedades anonymas, ter-
jurados deste e não os daquelle anno deviam ser minará hoje aqui raosmo, porque sobre esto as-
os alistados, s :gundo a lei, passa o orador a sumpto acredita que ainda terá muitas occa-
formular a sua sítima questão: siões de fallar {Muito bem l)
Quâl o numero dos jurados qualificados nas Ficou a discussão adiada pela hora.
revisões de 1878 e 1879, e qual o numero dos
eleitores provenientes dessas duas fontes, in- SEGUNDA PARTE DA ORDEM DO DIA
scriptos em cada uma das províncias do Im-
pério ? SOCIEDADES ANONVMAS
O o -ador, que não tem receio doss; phantasma
—o suffragio universal— que ó o da constitui- Continuou a 3a discussão da proposição da
ção do paiz e'o que nossos paes estabeleceram, camara dos Srs. deputados, n. 221 de 1879,
ha mais de 50 annos, tenciona apresentar uma relativa as sociedades anonymas, com as emen-
emenda, para que sejam considerados eleitores das oflerecidas,
todos os jurados e eleitores, pelo menos dentro A's 2 horas da tarde o Sr. presidente deixou
de um certo periodo. a cadeira da presidência, quo passou a ser
Oitava questão;—Qual o numero de recur- occupada pelo Sr. vice-presidente.
sos de inclusão ou exclusão por districtosde re-
lação, e com declaração das províncias ? O Sr. lAafliyette pronunciou um
A resposta a esta questão—resposta que a discurso.
nobre commissão não pode dar — seria um
grande meio para verificar ate que ponto exis- A discussão ficou adiada pela hora.
temat fraudes de cuja existência se suspeita
» sem provas. TERCEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA
Nona pergunta:—Qual o numero dos alista-
dos om virtude do art. 5.°, ospeciflcando-ae as ORÇAMENTO DO MINISTÉRIO DA AORICÜLTURA
cidades, villas e povoações, o a natureza da Achando-so na sala iramedi ita o Sr. ministro
prova, com referencia aos diversos números do da agricultura, foram sorteados para a depu-
mesmo artigo 2 tação' que o devia receber os Srs. Silveira
E, finalmente, desejaria o orador que a hon- Martins, Fernandes da Cunha e Diogo Velho o
rada commissão, para melhor corroborar o seu sondo o mesmo senhor introduzido no salão com
trabalho, exhibisse, tendo-a obtido do governo, as formalidados do estylo tomou assento na
cópia de quaesquer representações ou queixas mesa á direita do Sr. vice-presidente.
de cidadãos, e de quaesquer reclamações de au-
toridades, si existem, pedindo providencias Continuou a 2a discussão do orçamento do
para evitar escripturas simuladas, arrenda- ministério agricultura com as emendas da ca-
mentos phantasticos, sub-locaçães falsas, e mara dos deputados o as offere .idas pela com-
outros artifícios, ou accusando a pratica dessas missão de orçamento do sanado.
fraudes, com declaração especial,neste caso,das Foi lida, apoiada o pesta conjunctamente em
localidades em que se deram,das pessoas que os discussão a seguinte
praticaram e das circumstaneias especiaes que
revestiram os factos. Sub-emenda
^Eisas perguntas que a nobre commissão de-
vera ter tido sob os olhos antes de encetar um Sub-omenda á verba 12a—Jardim do Campo
trabalho cujo fim único é corrigir abusos, que da Acclamação—em vozdo 38:200§—diga-se—
SESSÃO EM 25 DE AGOSTO 115

40:560,S, o elimino-se as razoes explicativas das fundando-se era razões que parecem plausí-
emendas.—S. R.—Leitão da Cunha.—Diogo veis. Segundo estes, e apoiados igualmente cm
Velho.—Barão da Mamanguape. dados estatísticos, a baixa do café nos mercados
-
europeus provém de causas extraordinárias
O Sr . Viscoxulo d© Jaguary ; que sobrevieram, c consistem na accumulação
—Sr. presidente, como V. Ex. sabe, sou tam- deste geuero noi grandes depósitos, em conso-
bém lavrador, e, cab mdo na discussão do orça- quenoia da abertura do canal do Suez quo deu
mento do ministério da agricultura quaesquer fácil oomraunioação a Ceylão e Java e ás índias
reclamações em beneficio da lavoura, talvez os orientaes,nesses concurrentes, nesta producção,
outros lavradores censurassem o meu silencio com os mercados europeus.
nesta occasião. Gomo quer que seja,o mal existo, e o remedio
Não ó esta, porém, a razão por que tomo a efficaz, qualquer que seja a causa, consiste no
palavra; os lavradores de café vivem isolados e alargamento do consumo, e disto tem o governo
sem espirito de classe ; depositando immensa se descuidado.
confiança na protecção do governo, tudo es-
peram deste. O Sn. Viriato de Medeiros;—Apoiado.
Mas a leitura dos relatórios e o pequeno O Sr. Visconde de Jagüary :—Na França
debate havido sobre este orçamento fizeram-me raan tem-se um imposto sobre o café importado,
suspeitar que o governo não está bem infor- superior ao valor deste ; ó, portanto, um grande
mado das circumstancias da lavoura do café, e embaraço para a importação deste geuero
portanto impossibilitado de fazer-lhe os bene- naquelle paiz, que muitos consideram a capital
fícios'de quo carece, por maiores que sejam os do mundo civilisado. Além da diminuição do
seus desejos. consumo, tão elevado tributo cmtribue alli para
E' por isso que tomei a palavra para ex- a baixa do preço.
por minhas opiniões, e o farei som maior con- Afim de evitarem maior empate de capital,os
strangimento dirigindo-me ao nobre ministro, retalhadores sô effectuam as suas compras se-
que sabe o grande apreço em quo lenho sua gundo as exigências do consumo, resultando
elevada intolligencia, sou zelo polo bem pu- avolumarem-se os deposites, o que impossibi-
blico e outros dotes que o distinguem, e não le- lita a elevação do preço.
vará a mal qualquer observação que possa B', pois, manifesta a necessidade de provi-
ser desagradável ao governo. dencias a este respeito, o o governo nada tem
O governo está persuadido de que pesa sobro feito.
a lavoura de café um grave inconveniente,
qual o de não ser o nosso producto bem conhe- O Sn. Affonso Celso:—Que providencias
cido nos mercados da Europa, vindo dahi o podia o governo tomar ?
baixo preço em que ó cotado em comparação do O Sr. Visconde de Jagüary ; — Tratar com o
de outras procedências. governo francez para alcançar a diminuição
Para arredar este mal já foi expedida uma desse imposto. Si algum sacrifício fosse indis-
circular ás noss is legações com instantes re- pensável seria mais bem empregado que em
commendações e autorização para as despezas outras cousas que vêm neste orçamento, a pre-
que se fizessem necessárias. texto de benefícios á lavoura.
E' assumpto do que o governo deve re-
tirar sua attonção para applical-a a outros de nãoO sejaSr. Junqueira;—Masque a compensação
á custa do outro producto. Eu já disso
maior proveito a lavoura. quo se devia abrir negociação com o governo
E' verdade que nos mercados, europeus é francez ; mas tenho medo que a compensação
cotado o nosso café em inferiores preços cornos seja á custa do assuear.
nòmes do café da Santos o abaixo deste café
do Rio. mas isto se dá no commercio a retalho. O Sr. Visconde de Jagüary:—Não ind eo
O café do Brazil ó muito conhecido, e não meio : pertence ao governo usar do que mais
podia deixar de sel-o, quando a sua quanti- conveniente fòr ; ejá empregou algum?
tidado excedo á metade do café produzido em E' um descuido que merece reparos, occa-
todo o mundo. O nosso café entra para os sionado pela confiança illimitada na tutela do
grandes deposites da Europa com seu pró- governo, em quo descançam os lavradores.
prio nome o verdadeira procedência, obtendo Esta é a verdade. Si se unissem, si tomassem
o preço que lhe cabe, segundo sua qualidade. a altitude que outros prejudicados costumam
A mudança de nome no commercio a retalho tomar, seriam attondidos.
cm nada nos prejudica, seria quando muito
uma questão de amor proprio. O Sr. Affonso Celso dá um aparte.
O facto digno do attonção e de nossos oui- O Sr. Visconde de Jagüary:_—Não indico os
dados ó a baixa considoravol do artigo que meios : isso compete a sabedoria do governo ,
mais avulta na nossa exportação, o do que se mas o certo ó-que não pôde continuar esto es-
resenlem os cafés do outras procedências, su- tado do cousas som quo o governo de contas do
jeitos ao mesmo inconveniente que smtiraos. si o das providencias quo adoptou para minorar
O governo, como se vê dos relatórios do mi- ura mal quo vai se tornvindo muito sen-
nistério da agricultura, alfirraa que a baixa do sível .
preço do café provém do augmento de producção, O Sr. Junqueira dá um aparte.
superior ás necessidades do consumo.
Esta opinião não pôde ser acmta com tanta O Sr. Visconde de Jagüary ; — E' de suppor
segurança quando outros pensam diversamente, que uma reclamação tiu b mi fundada não dei-
116 ANNAES DO SENADO

xaria de ser attendida, principalmente porque não descansemos tanto no solfrimento o na pa-
a França consome grande quantidade de café. ciência dos lavradores, paciência admirável !
O Sr. Silveira da Motta;—Reexporta para O Sr. Viriato de Medeiros ;—E' oxacto.
todo o continente. O Sr. Riueiro da Luz :—Sorprende até.
O Sr. Junqueira: — Em relação a individuos O Sr. Affonso Celso :—E' verdade, sor-
ó quem consome menos. prende o que hoje tenho ouvido.
O Sr. Visconde de Jaguary:— A Inglaterra (Tia outros apartes.)
recebe grandes supprimentosdas suas colonias,
ao passo que as colonias da França não pro- O Sr- Visconde de Jaguarv :—Os lavradores
duzem o necessário para o sou consumo, e pois de assucar foram favorecidos com os engenhos
não tem o interesso de proteger esta industria centraei ; já obtiveram diminuição de impostos;
com a elevação do imposto sobre a importação. si mais não conseguem os da Bahia, Pernam-
Ainda agora dão os jornaes noticia de um buco o outras províncias é porque não pedem.
facto merecedor de nossa attenção. Não per-
gunto ao nobre ministro quaes as providencias O Sr. Silveira da Motta:—Si a Bahia pro-
tomadas a esto respeito, porque o facto é re- duzisse café ! Mas não é forte no café !
cente, e delle talvez não tenha ainda conhe- O Sr. Fernandes da Cunha :—Sem assucar
cimento. não se toma café.
Na Rússia acaba de ser augmentado com O Sr. Viriato de Medeiros :—Eu tomo.
50 «/o o imposto sobre o café, como objecto de 0 Sr. Visconde de Jaguarv :—Umdos maio-
luxo e supérfluo. res inimigos do nosso café ó a falsificação. Na
Ora a Rússia com os seus 80 milhões de ha- Inglaterra o primeiro ministro havia apresen-
bitantes seria suficiente para consumir todo o tado á caraara dos communs uma proposta que
nosso café i fosse ahi bem recebido o aceiio, parecia conter medidas efficizes contra a falsi-
para o que haviam as mais favoráveis dispo- ficação ; entretanto, po-teriormento consta que
sições, visto que na ultima guerra com a Tur- o novo secrT irio financeiro do thesouro o sub-
quia o exercito Russo fez grande uso do café. stituíra pr outro lançando apenas ura imposto
O S?.. Affonso Celso :—E podíamos fazer a sobre os artigos que imitam o café, o que con-
Rússia não lançar esse tributo ? stituo uma medida inteiramente ineficaz,porque
O Sr. Visconde de Jaguarv O nobre se- a falsificação está Ali tão apurada, que para
ella tudo servo, até talos de couve torrados e
nador, tão illustrado o discreto, como ó, dá-mo moidos, pó de tijollo o de telha, cinza de carvão
um aparte que me sorprende. do pedra, etc. etc., como consta de documentos
O Sr. Affonso Celso :—Como obrigarmos juntos ao relatório do ministério da agricul-
a Rússia a não lançar impostos sobre os nossos tura, mas parece que o governo não os lê.
produc tos ? A falsificação fôrma uma concurroncia te-
O Sr. Visconde de Jaguarv:—Não podiamos mível .
obrigar,mas podiams pela persuasão e por tantos O Sr. Ribeiro da Luz :—Augraentaa quan-
outros meios fazer cora que o café fosse alli tidade .
bem aceito e usado como já ia sendo; podiamos O Sr. Visconde de Jaguarv Augmenta a
promover os meios de alargar o seu consumo. quantidade, offereco por preço baixo e desacre-
^0 Sr. Affonso Celso.—O que me sorprende dita o producto, pois'que o café assim falsificado
são essas theorias ; isso não é missão do go- dará uma bebida repugnante e detestável.
verno.
Não só muitos comraerciantes de café e a
O Sr. Visconde de Jaguarv;—Um governo camara de commercio de Londres, mas nume-
que quer beneficiar a lavoura tem obrigação de rosos plantadores de Coylão fizeram respeitosa-
promover o consumo dos productos delia. mente cheirar ao conhecimento do governo as
O governo empenha-se na creaçãode escolas fraudes de que são victimas, o a insuficiência
agrícolas, sem duvida porque se julga obrigado da nova proposta. O nobre ministro dirá o que
a promover os meios de augmentar o melhorar se fez de nossa parto ; como interveiu a nossa
a producção ; como se ha de julgar desobrigado legação em assumpto que tanto nos interressa.
de promover os meios de augmentar-lhe o con-
sumo ? O Sr. Viriato de Medeiros; —Não foz
Os lavradores ainda não reclamaram pela ne- nada.
cessidade dessas escolas. O Sr. Correia:—Mas V. Ex. já disse que o
governo não lè os documentos.
O Sr. Viriato de Medeiros :—Então para o
café ?!... O Sr. Visconde de Jaguarv:—Si o governo
O Sr. Visconde de Jaguarv ;— As recla- deseja, como não duvido, proteger a lavoura do
mações que temos ouvido são principalmente café, de que, por ora, em grande parto depende
para a reducção dos impostos. a prosperidade das finanças do Estado, deve em-
penhar-se em alargar o consumo deste pro-
O Sr. Teixeira Júnior:—A escola ó para ducto.
augmentar o numero dos candidatos aos em-
pregos públicos. O Sr. Correia:—Atraz desse recurso, ''0
desenvolvimento do consumo do matte, ando ha
O.Sr. Visconde de Jaguáry :—Senhores, muito tempo.
SESSÃO EM 25 DE AGOSTO 117
O Sr. Visconde de Jaguary : — Aprendi O Sr. Visconde de Jaguary : — O finado di-
com os mestres da sciencia que a lavoura reotor Marianno Procopio,com o bom senso pra-
deve pedir ao Estado pouco, para não ser tico que todos lhe reconheciam, pretendia que
obrjgada a dar-lhe muito. E a lavoura do se melhorasse a tarifa neste sentido.
café pouco podo. O Sr. Cruz Machado:— Para exportar o que
Pede o alargamento do consumo, providencia
que não está a seu alcance, e depende dos po- temos no interior, taxa baixa; para importar,
taxi bem alta.
dores do Estado.
Como providencia connexa,pede a diminuição O Sr. Visconde de Jaguary :—E' de justiça
do elevado imposto de exportação, imposto con- reconhecer-se que de sua parte os lavradores do
demnado pela sciencia. Todavia, no estado café podem o devem fazer alguma cousa que
prospero da lavoura, podia ser tolerado. Ainda attenuará europeus.
o estado critico da nossa lavoura nos
agora poderia ser adiada esta medida si não se mercados
O café de Ceylão, Java e outras procedências
dessem circumstancias especiaes, que a tornam
indispensável. Parece-me que o iroverno não apresentam-se em sua totalidade melhor prepa-
terá a força e autoridade necessária para pedir rados do que o nosso,oiatendo assim
;
maior preço.
aos outros p izes a diminuição dos impostos de Isto pcooode, não da ignoranc a de nossos la-
importação sabre este artigo, conservando-se no pvradores, mas porque alli a cultura se faz em
quena, e aqui em grande escala, faltando
mesmo e-tado o elevado imposto de exportação, braços para a conveniente bonificação desto
que o sobrecarrega. genero, geralmente. .
Pede também transporte fácil e barato para Em Ceylão todo o café é despolpado: acre-
os seus productos. ditam alguns que esta operação deteriora o
E' verdade que se têm multiplicado os ca- genero; entretanto, ó assim que nos mercados
minhos do forro tanto quinto está em nossas europeus elle oblera o maior preço, e sendo o
forças, ou ainda além dollas; mas não basta comprador o juiz competente, não ha razão para
construir taes estradas, é de mais preciso ac- não nos subordinarmos ao seujuizo.
comi*odal-as ao maior proveito do publico, o Não ó todavia verdade que geralmente seja o
que depende de seu regimen e de suas tarifas.
Failarei sómento da tarifa da estrada de ferro onosso café inferior ao d quellas procedências :
processo é simples o conhecido, muitos dos
D. Pedro II.
Ha reclamações dos lavrídores a respeito nossos lavradores o praticam, obtendo preços
desta tarifa, mas limitar-me-ei a expor minh i que não podem ser inferiores aos obtidos por
opinião individual, deixando á sabedaria do go- aquelles nos mercados europeus. Acho-me neste
verno,auxiliada por conselhos mais competentes numero, o cora experiência própria aconselho
attender a taes reclamações. este melhoramento.
Esta estrada so acha em condições de prestar Entre os annexos do relatório ultimo, en-
valiosos serviços, sem sacrifício dos cofres contra-se uma informação do Sr. Dr. José
públicos. A sua tarifa não está bom combinada Maria da Silva Paranhos, cônsul geral em Li-
o sua revisão pode dar em resultado melhor verpool, com o titulo—O café na Gran-Bretanha
serviço com augmento de sua ronda. A demon- —que dá n dioias e instrucções valiosissimas
stração disto seria extensa e imprópria da oc- para os nossos lavradores. Este documento que
casião; bastam, porém, ligeiras observações para attesta a intelligencia e zelo de tão digno func-
ter-se uma idéa dos defeitos da tarifa em vigor. cionario (apoiados), merece ser divulgado :
O maior o mais importante serviço consista peço ao nobre ministro que o mando publicar
no transporto "de café para a estação central na no Diário Official.
corte, mas em certo t»mpo do anno, de Maio a O Sr. Teixeira Júnior:— Para ser lido era
Agosto, este transporte é diminuto; entretanto melhor publical-o no Jornal do Commercio.
as despezas do custeio não diminuem. O Sr. Visconde de Jaguary: — Como matéria
Creio que se poderia aproveitar esse tempo cõnnexa failarei da escola agrícola, para a
para o transporte, por uma taxa minima, dos qual p governo pediu 100:000$ e a camara dos.
productos da pequena lavoura, dos cereaes, deputados satisfazendo a aspiração geral con-
materiaes de construcção, etc. cedeu 150:000$000. •
Deste modo se animariam muitas industrias Coraquanto não esteja convencido da utili-
que por ora estão abandonadas. dade destas escolas no presente...
O Sn. Viriato de Medeiros: — Nós pode- O Sr. Teixeira Júnior; — O único prestimo
ríamos exportar cal ea compramos de Lisboa. ha de ser augraentar o funccionalismo.
O Sn. Visconde de Jaguary : — No regimen O Sr. Visconde de Jaguary;— ... comtudo
da tarifa actual aquelles artigos pagam uma nada dirm contra ellas, attendendo, que a pró-
taxa igual tanto para a importação como para a pria illustrada commissão, não julgou conve-
exportação. Transportam-se para o interior niente lutar contra a aspiração geral.
tijollos, telhas, madeiras, cal e outros artigos O Sr. Ribeiro da Luz : — Vou mandar uma
que deviam vir dalli. emenda, supprimindo.
O Sr. Cruz Machado : — Apoiado. O trans- O Sr. Visconde de Jaguary;— Decidida-
porto do calo tijollos para o interior deveria mente não me opponho ; mas direi ao nobre
ser bem forte para não importarem esses gêne- ministro que, com menor despeza, poderia
ros, porque lá os tora. fazer maior beneficio á lavoura.
118 ANNAES DO SENADO

O Sr. Fernandes da Cunha;—O ensino agrí- I do ensaccador para o exportador por intermédio
cola é util; como pôde o homem trabalhar bem ' do corretor que tem urna porcentagem ; o ex-
sem ter a sciencia do trabalho? As outras ca- portador devo necessariamente ter também al-
deiras da escola medica passaram aqui revolu- gum lucro.
cionariamente. Si o fazendeiro pudesse vender directa-
A Sr. Visconde de Jagüary:—O relatório mente o s >u genero no mercado consumidor fi-
deste anno expondo que na França,por occasião caria alliviado do muitas despezas. Isto não
de executar-se a lei de 1879 sobre o ensino seria impossível mas é de uma difficuldade
agrícola,em circular do ministro da agricultura talvez insuperável.
e commeroio, se lembrou aos professores que a Pode; -se-ia fazer a venda directamonte d ste
sua missão era prestar informações aos agri- modo :
cultores, pôr os cultivadores ao facto das moder- Uma companhia creada com avultado capi-
nas descobertas,e invenções de applicação eco- tal receberia aqui o café, o classificaria e co-
nômica e vantajosa,de modo a não ficarem igno- taria para adiantar ao fazendeiro, a juro rao-
rando cousa alguma util, de que, ás vezes, dico, uma parte do seu valor, si o exigisse.
se conservam alheios por viverem isolados, Esta companhia deveria ter agencias suas
acrescenta as seguintes obrervações: para a venda nos mercados consumidores. Os
« Não fòra possível tentar entre nós alguma cafés classificados com os nomosdos seus donos,
cousa neste genero? Não seria util que homens seriam exportados o vendidos por classes em
competentes, escolhidos pela rigorosa apre- leilão : reilizada a venda seria fácil fechar a
ciação das suas aptidões outro tanto fizessem conta cora o fazendeiro, que fóra das despezas
em nossos principaes municípios, após estudo indispensáveis do frete, seguro, sãccas, etc., só
das suas especiaes condições agricolas ? » toria de pagar á companhia a commissão devida
Já em 1860 o Imperial Instituto Fluminense ao consignatario, o os juros do que recebesse
de Agricultura sem excluir as escolas de agri- adiantado até ro acto da venda.
cultura onde se aprendam os princípios geraes Concebe-se que não seria difficil montir-se
e as noções especiaes indispensáveis para que aqui o estab decimento para a exportação, mas
o trabalho se torne mais suave, util e vanta- a organização das agencias para a venda não
joso, que reservou para occasião mais oppor- está no mesmo caso ; entretanto o governo
tuna , havia determinado nos estatutos que po iia por meio das nossas logaçõos auxiliar os
nos seus estabelecimentos normaes hajam agri- estudos dos que pretendessem tentar tão grande
cultores profissionaes que dêm as informações ompreza.
que forem pedidas, e que visitem, sendo pos- O nobre ministro com o critério c discrição
sível, os estabelecimentos particulares. que todos lhe reconhecem fallou-nos da nocos-
E, pois, a tentativa de que falia o relatório é sid ido do um plano de viação geral,antes do om-
idéa antiga entre nós, estando agora autorizada prehendermos a construcção do outras estradas
com a opinião do ministro da agricultura da de forro além das que estão decretadas. E* por
França, não pôde oíferecer duvidas para sua onde devíamos começar, mas mais vale tarde
execução. Tente o nobre ministro alguma cousa que nunca. Todavia creio quo não está na in-
neste sentido, e talvez dahi venha para a la- tenção do nobre ministro que sua opinião seja
voura melhor proveito. tomada em tanto rigor que exclua obras quo
Fique entretanto assentado que não meoppo- são complemento das começadas.
nho á creação de taes escolas, mas previno ao
nobre ministro que, devendo-se ao manos colher A companhia—Estrada de ferro Príncipe do
dessa despeza alguma experiência, ó provável Grão Pará,— que tom concessão para a con-
que em tempo opportuno se deseje sabor quanto strucção de uma estrada a partir da raiz da
se despendeu com este serviço,quantas alumnos serra da Estrolla até S. José do líio Preto, se-
freqüentaram taes escolas, o qual o seu apro- gundo sc vô do relatório ultimo da sua dira-
veitamento. ctoria, dirigiu ao governo imperial uma pe-
Tem-se dado como causa do prejuízos dos tição solicitando permissão para assentar tri-0
lavradores de café o depreciação deste genero a lhos na orla da estrada União & Industria, d
intervenção dos cnsac^dores o a mistura que Petropolis ao Aroal, a uai pende do despacho.
fazem das boas com as inferiores quali- Consta mais quo a mesma companhia pretendo
dades. levar a estrada até Entre-Rios, ontroncando abi
Em meu conceito não existe esto inconve- na estrada do ferro D. Pedro II, o que para0
niente : essa mistura não se faz,nem convinha- isso offorecera propostas aceitáveis era quo s
Ihes fazel-a desde que o café superior tem aqui rosalvam todos os interesses desta estrada.
bom preço, que conserva nos mercados estran- O competente par i julgar do mérito destas
geiros : a mistura se faz sômente nos cafés propostas, o o gov tuo a quem sobram meio; d"
baixos e di mesma qualidade. O único incon- informação,e ninguém o fará melhor que o nobre
veniente da intervenção dos ensaccadores, óo ministro com o critério o zelo pelo bem publico
do augménto dos intermedi irios, e portanto das que o distinguem. Não é este o ponto sobro qu®
despezas de exportação. peço a attenção do nobro ministro : tocando0
Ate chegar ao mercado consumidor o café nesto assumpto, o meu fim ó ponderar-lh
passa do fazendeiro para o consignatario que a necessidade de abrir-so uma comraunica-
percebe .1 0/0 do valor da venda; do consigna- ção directa entre a estação d • Entre-Rios o
tario para o ensaccador, que além do lucro da a bahía do Rio de Janeiro, passando por I e'
sacca e provável que tire outros da compra ; tropolis ou por onde mais convier.
SESSÃO EM 25 DE AGOSTO 119

Esta obra pôáe-se cossiderar um complemento que aquellas que cultivamos; não sendo assim
indispensável para a estrada D. Pedro II Abre- em vez de adiantirmos atrazaremos, além da
viando a distancia virá d'ahi grande vantagem confusão que traz a multiplicidade de plantas
ao publico; além de quo, como ó sabido, esta da mesma especie. Ha ainda a observar quo
estrada nem sempre pode lazer o transporto das deve haver grande cuidado era admittirsómente
cargas com a presteza n 'cessaria. 6 não poucas plantas e sementes sãns; de outra sorte são
vezes tem-se visto interrompido o trafego por nocivas. Ouvi a pessoa muito competente, que
causa do desmoronamentos na serra, com gravo ha imprudência em introduzir, sem discrimi-
prejuízo di lavoura e do commorcio. nação, as plantas o sementes do café de Ceylão
No caso de não convir a proposta da compa- e Java, porque a exporieneia tinha já mostrado,
nhia—Príncipe do Grão-Pará,fique o nobre mi- que por esse modo pôde propagar-se o fungo
nistro certo de quo prestará um grande serviço (Jiemyleia vastatrix), que tem alli atacado os
substituindo es e meio por outro, que dê em re- cafeeiros.
sultado a realização de uma obra de reconhe- Os estatutos do Imperial Instituto Fluminense
cida utilidade. de Agricultura muito discretamente recommen-
No intuito de procurar mais um meio de fa- dam a distribuição das plantas e sementes
cilitar braços á lavoura negociou o governo par depois de experimentadas nos seus estabeloci-
seus agentes diplomáticos, h;i mais de um anno, mentcs. E' assumpto que merece a attenção do
um tratado de amizade, commercio o nav igação nobre ministro para qus essa distribuição seja
com a China, mas não sab unos que andamento rn lis eroveitoza do que tem sido até agora, se-
teve d'ahi em diante esta negociação. gundo informam os relatórios.
Resumindo, peço a attenção do nobre mi-
O Sr. Cansansão de Sinimbu':—Já se troca- nistro sobre o imposto prohibitivo a que está
ram as raotificações. sujeito o nosso café para a sua importação na
O Sn. Visconde de Jaguary:—Bem ; ó para França.
esta solução que eu pretendia chamar a atten- Peço sua attenção para a necessidade do em-
ção do governo. prego de todos os esforços ao alcance do go-
A importação de chins como colonos, para verno para o alargamento do consumo do mais
augmento da nossa população é geralmente re- importante artigo de nossa exportação.
Peço também sua attenção para a necessi-
provadi, o ou acompanho esta opinião. Quanto dade da revisão da tarifa da estrada de ferro
á sua utilidade,como simples trabalhadores, sem D. Pedro II—não com o fim de diminuir sua
ter opinião definitiva, entendo que se deve ov- renda, mas para tornal-a mais util, por meio de
perimontar. uma tarifa melhor combinada.
O Sr. Cansansão de Sinimbu';—Nunca foi Opportunamente hei de pedir quo o governo
outra a idéa ; sempre se pensou nisso como concorde na reducção de 2 o/0 no imposto de
elemento de trabalho. exportação do café.
O Sr. Visconde de Jaguary:— Como auxi- A isto limito os meus pedidos e já tive oc-
liaros dos braços que vão es.casseando, parece oasião de expôr ao senado a razão : estou de-
ser o meio mais prompto nas actuaes circum baixo da inüuenoia desta regra.—a lavoura deve
staucias. pedir pouco para não ser obrigada a dar muito.
{Muito bem, muito bem.)
O Sr. Cansansão de Sinimbu':— E' a espe-
rança hoje dos lavradores. Ficou a discussão adiada pela hora.
O Sn. Visconde de Jaguary :—Muitos con- Rctirou-se o Sr. ministro com as mesmas
fiam nollo ; e em todo o caso convém experl- formalidades com que fôra recebido.
mental-o com esforço, para lançar-se as vistas O Sr. Vice-Presidentb deu para ordem do
sobre outro quando este não satisfaça. dia 26;
O Sn. Cansansão de Sinimbu:—Os explora- Discussão doa requerimentos adiados pela or-
dores do ouro em Morro Velho já estão obtendo dem de sua apresentação, a saber;
bons resultados da primeira remessa ejá pe- Do Sr. Correia, pedindo cópia não sô do aviso
diram segunda. d) ministério da fazenda, n. 131 do mez findo,
O Sr. Visconde de Jaguary:—Vem no or- dirigido ao presidente do Paraná, como dos do-
çamento um i verba para acquisição de semen- cumentos quo o acompanharam.
tes e plantas. Esta verba jnstifica-se p lo seu Do Sr. Alfonso Celso, pedindo informações
fim ; mas ps relatórios dizem que são desco- sobre quantas escolas primarias e secundarias
nhecidos os resultados desfi d speza porque os ha na província do Paraná, qual a despeza que
agricultores recebem as plantas e sementes e oífectivamente cora ellas se faz.
depois nenhuma informação dão sobre o pro- Do Sr. Junqueira,pedindo informações acerca
veito obtido. dos últimos suooessos occorrid os na freguezia
Sobre isto exporei minha humilde opinião. da Baixa Grande do Caraizão na província da
O Sr. Cansansão de Sinimbu ;—Muito va- Bahia.
liosa. E si houver tempo
O Sb. Visconde de Jaguary;—E' por meio i» parte {até 1 hora da tarde)
de novas plantas e sementes que >e consegue
aperfe ço ,r a producção agrícola, m is está Continuação da discussão do requerimento de
visto quo ó necessário que sejam melhores do adiamento da discussão da proposição da ca-
120 ANNAES DO SENADO

mara dos deputados, n. 78, do corrente anno, resolução da assembléa gorai que approva as
alterando algumas disposições da lei n. 3.029, peRsões concedidas a D. Francisca Alves de
de 9 de Janeiro de 1881, e, si nSo for app^o- Lemos e a outros. — Ao archivo, communican-
yado, continuação da discussão da mesma pro- do-so a outra camara.
posição. Da camara municipal da cidade do Recife,
do 16 do mesmo mez, enviando cópia da acta da
2a parte (de 1 hora da tarde ou antes até sessão da apuração geral das authenticas das
ás 3 horas) mesas oleitoraes da provincia de Pernambuco,
na eleição a quo se procedeu para preenchi-
a
Continuação da 3 discussão da proposição mento da vaga de um senador pela mesma pro-
da mesma camara, n. 221 de 1879, relativa ás víncia.—A" oommissão do constituição.
sociedades anonymas.
IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO
Levantou-se a sessão ás 4 horas da tarde.
O Sr. Oorroia :—A leitura do discur-
so proferido hontem na camara dos deputados
pelo nobro presidente do conselho deixou-mo
60 sessão uma incommoda apprehensão, por parecer-me
quo S. Ex. procura caminho para retirar-se do
EM 26 DE AGOSTO DE 1882 poder.
Presidência do Sr. Barão de Cotegipe Por membros da maioria foram propostas
emendas reduzindo os impostos de exportação
SUíMMARIO.— expediente.— Imposto do exportação. sobre o café. O nobro presidente do conselho,
Biscuvso o roquorimento do Sr. Corroía. Approração não desejando orçamento des equilibrado, re-
do roquerimeuto—ordem do dia.—Negocios do Paraná.
Discursos dos Srs. José BoDifacio, Viscondo do Paia- jeitou completam ente esta emenda, pela qual,
naguâ ( presidente do conselho ) o Silveira Martins. segundo consta, votam os membros da opposição
Encerramento. — Inslrucção publica, no Paraná. Dis- conservadora.
cursos dos Srs. Correia o AÍTonso Ccíso. Encerramen-
to.— Negocios da Bahia. Discurso do Sr, Correia. O Sr. Affonso Celso :—Apezar de declara-
Encerramento. rem que a reducção nada importa.
A's 11 horas da manhã acharam-se presentes O Sr. Correia :—Não podendo obter mais,
30 senhores senadores, a saber : Barão de Cote- contentam-se com menos.
gipe, Cruz Machado, Leitão da Cunha, Henri- Os autores da emonda, membros da maioria,
que d'Avila, Chiohorro, Luiz Carlos, José Boni- naturalmente não a retiram.
fácio. Paula Pessoa, Teixeira Júnior, Condo de Posta a questão nos termos em quo a collo-
Baependy, Correia, B irros Barreto, Luiz Fe- cou o nobre presid -nte do conselho, fiquei ap-
lippe, Christiano Ottoni, do Lamare, Barão da prehensivo com o receio, que para mim ó
Laguna, Paes de Mendonça, Barão do Muriti- grande, do termos nova mudança ministerial
ba, Dantas, Visconde de Abaeté, Jaguaribe, nestes últimos dias de sessão.
Ribeiro da Luz, Affonso Celso, Meira de Vas- Ainda me fortaleci nesta mortifleante appre-
concellos, Castro Carreira, Lafayette, Viriato hensão, vendo que S. Ex. recusou também
do Medeiros, Diniz, Barão de Souza Queiroz e uma modesta em mda de um membro da maio-
Visconde de Jaguary. ria, representanto da provincia do Paraná.
Deixaram de comparecer, com causa partici- Esse illustro0 deputado timid uuente pediu a
pada, os Srs. Uchôa Cavalcanti, Nun s Gon- reducção do 2 /o ho imposto de exportação da
çalves, Barão de Mamanguap', Barão do Ma- herva-matte. O nobre presidente do conselho,
roim, Franco d ■ Sá, Octaviano, Silveira Lobo, temeroso de diminuição na renda publica coití
Sini.nbü, Carrão, Antão, Godoy, Cunha e Fi- esta reducção, nego i igualmente o sou a-son-
gueir do, Vieira da Silvo, Martinho Campos. timento á emenda.
Leão Velloso, Visconde de Bom Retiro,Visconde Desejo edir informações, que hão de levar o
de Nictheroy e Visconde de Pelotas. nobre presidente do conselho a modificar a sua
O Sn. Presidente abriu a sessão. opinião, na generalidade em que S. Ex. a ma-
nifestou.
Leu-se a acta da sessão antecedente, o, não Estas informações versarão sobro a importân-
havendo quem sobre ella fizesse observações, cia do imposto de exportação, arrecadado em
deu-se por approvada. conseqüência do d spacho do herva-matte para
C m areceram, depois de aberta a sess~o, o» os portos da Europa e dss EsUdoi Unidos.
Srs. Visconde de Paranaguá, Junqueira, Sa- Si as informações fi.rem que desta fonte
raiva, Silveira da M tta, Diogo Velho, Silveira não tem vind i renda, o nobro presidente do
Martins, Fernandes da Cunha, Fausto de conselho não terá fundamento para a sua opi-
Aguiar o João Alfredo. nião. pois quo não ha que temer diminuição.
O Sr. 1» Secretario deu conta do seguinto Quando orava hontem, na discussão do orça-
ra mto di desneza do ministério da agricultura,
EXPEDIENTE o nobre senador por Minas Geraes, Sr. Visconde
de Jaguary, censurando o governo por não
Offlcios : haver provocado modificação nas leis estrangei-
ras que gravara com impostos vexitorios a intro-
Do ministério do império, de 25 do corrente ducçâo d , café, procurando por osle meio novos
mez, remettendo, sanccionado, o autographo da mercados para o consumo do um genoro do
SESSÃO EM 26 DE AGOSTO 121
tanto valor na producção nacional, eu disse, em attenção do governo dos Estados Unidos e de
aparte, que, ha muito, busco concorrer, sem governos da Europa sobr ■ a conveniência d >
resultado, para que algum novo mercado se serem modificados seus impostos de importação
abra çara o principal genero do exportação da em referencia a um genero que não lhes
província do Paraná, a herva-matte. fornece presentemente renda alguma. São
_ B' um genero de producç .o limitada, e que, grandes os impostos de importação que na
si encontrar algum novo mercado na Europa Europa ferem a herva-matte, o que ó um ele-
ou nos Estados Unidos da America do Norte, mento contrario á introducção desse genero
trará não só grande beneficio áquella província, em novos mercados. Não seria diífloil, desper-
como abundante renda para os cofres públicos, tada a attenção desses governos para o ponto
que delia estão presentemente privados. de que me occupo, obter uma modificação nas
0 nobre senador por Minas Geraes pede a in- tarifas, justificável com o interesse fiscal dessas
tervenção do governo para com governos naçÕ!s,_ que hoje nada arrecadam de renda
estrangeiros, afim de que modifiquem as tarifas proveniente da importação da herva-matte.
alfandegaes em sentido favorável á introducção Si reduzirem os impostos de importação, ó
do café do Brazil. possível que venham a ter nova fonte do renda ;
Pelo que toca á herva-matte, tenho mais isto seduz ; e, com qualquer observação por
modestas aspirações : peço simplesmente uma parte de nossas leg.içõos sobre tal assumpto,
muito justifload i modificação na lei nacional. podem inolinar-so á adopção do uma medida
Digo muito justificada, porque não se trata que em nada as prejudica, antes lhes apresenta
senão de manter as cousis no estado em que perspectiva do novo rendimento.
se acham. Hoje nada se arrecada pela expor- E basta que se consiga o consumo do matte
tação do matte para os portos da Europa e dos em uma só das grandes nações da Europa ou
Estados Unidos da America'; e, prescindindo nos Estados Unidos, para se dar a este pro-
nós desse imposto durante ura ou dous exercí- ducto nacional importância extraordinária.
cios para favorecer a remessa de herva-matte O matte não é produzido senão em certas re-
para mercados novos, não modificamos ora giões ; a genoralisação do consumo importa
cousá alguma a situação financeira ; prepara- necessariamente o augmento do valor do ge-
mos, porém, uma fonte de renda que pôde no noro. Por que não ha.de o Brazil, grande pro-
futuro ser abundante, com grande proveito duetor do matte, trabalhar com afinco em vul-
para as províncias onde existe a herva-matte. garisal-o ?
K' ou não uma pretonção, além de modesta, A França aproveitou logo o matte para alli
muito justificada, como já disse ? O que perde remettido, julgando-o de grande vantagem
o thesouro consentindo na isenção de direitos, para o exercito que so achava em operações em
que não cobra, para abrir novos mercados a Argel.
uma producção nacional limitada, que não tem Pareceu-me, pois, que devia pedir ao go-
competência no estrangeiro e pôde ser um meio verno a informação de que Irata o meu requeri-
de grande prospe údade para algumas provín- mento, chamando assim a attenção do nobre
cias do Império ? presidente do conselho, ministro da fazenda,
Mais tarde, quando o consumo estiver intro- para uni ponto que S. Ex. não considerou no
dur.ido em qualquer das grandes nações euro- seu discurso de hontem. S. Ex. condoranou a
emenda da redução de 2 0/o na exportação da
péas, ou nos Estados Unidos, então se cobrará herva-matte ; mas referiu-se de certo ao im-
pela exportação aquillo que se julgar e quita- posto que actualmonto so cobra. O ponto es-
tivo. pecial do que trato é da isenção dos direitos do
O estado dos espíritos se acha na Europa pre- importação para o matte que fòr exportado
parado para a aceitação do matte, como bebida para mercados novos. Não se altera na minima
de grande utilidade. Os sábios, que alli têm es- parcell t a ronda publica ; mantem-se durante
tudado esseproducto brasileiro, estão de aecôrdo ura ou dous exorcicios o estatu guo, com a es-
na apreciação de suas vantagens ; e com algum perança de abrir nova fonte para a renda do
favor por parte dos pod res públicos, podor-se-á Estado nos exercícios futuros. Ha pretençSo
conseguir mais um elemento poderoso para a que se apresento cem mais títulos á aceitação
riqueza nacional. do parlamento o do governo ?
Ultimamente o governo encarregou o illus- Resta-me, porém, d enonstrar que não so tem
trado Dr. Couty do tratar, na Europa, da intro- arrecadado somma, apreciável ao monos, pela
ducção da herva-matte. O illustrado professor exportação do matte para os mercados da Eu-
publicou um livro a este respeito e nelle se ropa e dos Estados Unidos da America.
demonstra que não hi repugnância alguma era E' exactamente essa a informação que poço
aceitar em Fjança o uso do matte. Na Áustria no meu requerimento. Estimaria obtel-a com
encontra-se a mesma facilidade. E' necessário, tompo do ainda poder fazer uso na discussão
porém, que o producto ahi chegue por preço do orçamento, mas, era todo caso, basta que o
que convide ao seu uso. Si chegar por preço nobre ministro da fazenda a obtenha para si,
considerável,de certo que não poderá entrarem pois que assim verificará qu* a condemnação
concurrencia com outras bebidas a (que eatão era termos absolutos do assumpto tratado na
alli familiarisados. camara dos deputados pelo illustre represen-
Si eu não quizesse reduzir minhas solicita- tanto de minha província, não tem o funda-
ções a simples modificação de nossas leis fis- mento que S. Es invocou.
caes, acompanharia o nobre senador por Minas Esso fundamento foi o receio de diminuição
Geraes no podido ao ministério para chamar a da renda publica.
v.iv —10
122 ANNAES DO SENADO

Com a minha idéa não ha reducção alguma. ram, não se sente o orador com propensão de
censurar os nobres ministros.
0 Sr. Saraiva A diminuição ó certa. Vai, porém, considerar o acto sob outro ponto
O Sr. Correia:—Esse aparte do nobre pre- de vista, como resolução de ministros que exer-
sidente do conselho do ministério 28 de cem o poder executivo de quo é chefe Sua Ma-
Março não foi dado senão pela pressa que S. gestade o Imperador, em face do Acto Addicio-
Ex. tem de manifestar sua opinião sobre este nal, em relação ainda a outros pontos.
importante ponto, pois não tem applicação ao Nessa apreciação entra o orador era um largo
requerimento que estou fazendo, visto quo não desenvolvimento. Em primeiro logar mostra a
trato de diminuição nenhuma. illegalidade do acto do governo, mandando
Muito aprecio, entretanto, o aparte do n sbre suspender só parte de uma lei do orçamento ; o
senador. apoia a sua doutrina nas dispcsiçoei dos arts.16,
E' uma opinião autorizada em assumpto 17, 18, 19 e 20, do Acto Addicional ; era se-
o-rave ; e muito estimo ter fornecido ensejo gundo logar sustenta que o Acto Addicional
para que o senado e o paiz a conheçam: foram tem sido mal interpretado, quanto ao que dispõe
poucas palavras, mas valeram um discurso. felativameutó ás attribuiçõos das assemblóas
Está a terminar o tempo destinado á apresen- provinciaes no lançamento de impostos.
tação de requerimentos. Vou já enviar á mesa Aprecia a questão em uma desenvolvida
o quo tenho de sujeitar á deliberação do se- analyse, sustentando quo a regra geral estabe-
nado . lecida pelo acto addicional ó que « a assembléa
Foi lido, apoiado, posto em discussão e sem provincial tem o direito de lançar quaesquer
debate approvado o seguinte impostos com tanto qus não offenda os impostos
geraes-» Assim o orador entende que ella pôde
Requerimento lançar impostos, de consumo mesmo, sobro ge-
noros de importação; mas de modo que não em-
« Roqueiro que, pelo ministério da fazenda, barace a livre entrada. O quo ella não pôde ó
se peça ao governo a seguinte informação: impor á alfandega a obrigação do cobrar o im-
qual a importância ate agora arrecadada do posto ; pódo, entretanto, pedir que ella lhe dê
imposto de exportação sobre a herva-mate as informações do que houver entrado, para
despachada para os mercados da Europa o dos base da sua cobrança.
Estados Unidos.— 26 de Agosto de 1882.— O imposto de importação ó o que recahe
Manoel Francisco Correia. » sobre gonoros que dão entrada nas alfandegas,
ORDEM DO DIA e no momento do despacho ; o é isso o que as
assemblóas provinciaes não podem fazer, o si
NEGOCIOS DO PARANÁ exorbitara ó á assembléa geral que só com-
pete revogar os seus actos.
Continuou a discussão do requerimento do Depois de variadas considerações, concluo
Sr. Correia, pedindo cópia não só doa viso dizendo quo a respeito da assembléa conser-
do ministério da fazenda, n. 331, do mez fmdo, vadora de Uernambuco,protesta pelo seu direito
dirigido ao presidente do Paraná, como dos do impor, si o imposto foi, como pensa,lançado-
documentos que o acompanharam. sem quo impedisse a entrada do genero ; poi "
quo lançar o imposto não ó impedir.
O Si*. José Bonlfítcio começa
lendo o requerimento do nobre senador pelo O Sr. Vistiondo cie
Paraná, mostrando em seguida como elle dera g-uá, {presidente do conselho): — Sr. presi-
logar a um longo debate, passmdo todos os ora- dente, somente por deferencia ao nobre senador,
dores, insensivelmente, da província do Pa- cuja opinião muito respeito, ó que pedi a pala-
raná para de Pernambuco, o d'ahi para o ter- vra.
reno do acto addicional. Parece-lho, pois, que
a máteria do requerimento se resumo no se- O nobre senador declarou que não sontia-so
guinte ; o que ha de bom na doutrina do acto inclinado a censurar o acto do governo, f'00
addicional e o que deve ser revogado 'í porque, ha 50 annos, 1 ús provinciaes têm sm
Recordando as diífirentes opiniões, que se remettidas ao parlamento, notando-se defeitos
têm apresentado, diz que, a seu ver, a questão e incenstitucionalidades, o nenhuma providen-
é complexa: ou se considere o acto do governo cia tem partido do corpo legislativo.
ou se considere a doutrina em relação á decre- E, pois, podia haver caso urgente, como
tação de impostos. de Pernambuco, sobre o qual uma medida ex
traordinaria se tornasse necessária.
Quanto ao acto do governo, sem esposar a Portanto o nobre senador reconhece que
doutrina do ministério, não se sente disposto a governo, apreciando as circumstancias do
censural-o pelo modo como resolveu a questão, raento, devia tomar a responsabilidade do s
pois que ora natural que hesitasse cm tornar uma procedimento e providenciar como foz.
medida absoluta e^lecisiva, carregando com a Eu já expliquei a posição do governo
responsabilidade de todas as conseqüências da vista do t telegrammas recebidos do presu
medida, que porventura recommondasso. de Pernambuco ; o commercio estava pn raly
Nessa duvida o^governo não quiz dizer—a lei otiuu
sado ;, as
ti o v;ii?5aa
casas leüiuiu' inconstltucio nali'
fechadis»,; a uiaíuiio^ .,g0
é bòa, nem a lei ó má, e collocou-se era uma dade do imposto ora patente, porque tratava^
posição um tanto equivoca. Por conseqüência, de impostos de importação lançados com
conside'ado o acto nas intenções que o dicta- grante violação do acto addicional,art. l-i '
SESSÃO EM 26 DE AGOSTO 123
não podo ser mais explicito, não obstante a ar- nheço o inconveniente que dahi resulta,
gumentação do nobre senador. porque o orçamento ó um todo, é um systema
O Sr. Correia: — A explicação do nobre se- que dove equilibrar-se; ha despezas decretadas
nador por S. Paulo favorece a opinião de o recursos para faz T face a essas despezas.
V. Ex. De facto elle vê na palavra— impor- Alas a medida tomada pelo governo era uma
tação—do art. 12 do acto addicional, não só o necessidade urgente, e a questão levada ao co-
imposto como alguma cousa mais. nhecimento do corpo legislativo pode ser resol-
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente vida em poucos dias. Está sujeita á camara dos
do conselho)-.— O nobre senador disse que as deputados uma disposição que tem de ser ado-
assembléas provinciaes podem lançar sobre ptada no orçamento da receita. E, pois, parece-
tudo, só com a limitação de que não se ofíen- me que o meu procedimento nesta pirte está
dam os impostos gcraes. justificado.
Mas
o
o art. 12, além da clausula do art. 11, Tendo dado assim um testemunho da defe-
§ 5 , de não se offanderem os impostos geraes, rencia e respeito que consagro ao nobre se-
prohibe expressamente ás assembléas provin- nador, desde muitos annos, como S. Ex. sabe,
ciaes o decretarem impostos de importação. não quero tomar tempo porque vejo que o se-
Ora, diz o nobre senador, si a assembléa pro- nado tem muitos objeotos importantes de quo
vincial, lançando o imposto de consumo, fez oocupar-se,
dependente a entrada das mercadorias dá co-
brança do imposto, não ha duvida que ex- O Si-. ,Silveijra, Martins diz que,
orbita. si o governo não tivesse outra desculpa, senão
a que deu o nobre senador por S. Paulo, não
O Sr. José Bonikacio:—Sim, senhor. teria desculpa nonhuma, porque, segundo a
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente nossa maneira de praticar o systema represen-
do conselho)-.— E'justamente o que acontece. tativo, se tem entendido que o governo é uma
Esses impostos são cobrados na alfandega, e de commissão executiva do parlamento, não po-
lá não sahem os generos sem que mostre-se dendo, portanto, descarregar-se da sua respon-
realizado o pagamento. sabilidade no parlamento, visto que até hoje se
O Sr. José Bonifácio:— Isso é que não tem legislado nas províncias sobre a matéria,
podem fazer. quo se diz inconstitucional, e nem os governos
têm podido a revogação dessas leis, nem as com-
O Sr. Barros Barreto: — Os impostos são missões por si as têm revogado. Si nisso ha,
pagos no consulado. 'pois, responsabilidade, ellaé principalmente do
O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente governo.
do conselho)-.— Na Bahia, são cobrados na al- A prop sito entra o orador em considerações
fandega e em Pernambuco os empregados do sobre a forma de governo constitucional, mos-
consulado queriam exercer ingerência indébita trando algumas de suas vantagens, como ó a
nos despachos da alfandega, chamando-os a si, de poder conseguir-se a retirada de um presi-
pondo-lhes o seu visto, exercendo uma ospecie dente de conselho mais depressa do quo um pre-
de fiscalização sobro os empregados geraes. sidente de republica, passando aquelle que lera
Este estado anarchico 6 que não podia con- o prestigio d i opinião a dirigir, pela solução da
tinuar. Exigia-se nada monos que os generos crise, os destinos do Estado.
despachados ficassem retidos na alfandega até Este» princípios têm por conseqüência ne-
que os impostos provinciaes foss ;m cobra- cessária a supremacia do governo, que deve
dos. não só repremntar o imperante, mas ter a força
Òra isto não podia continuar ; devemos to- moral para tomar a iniciativa das medidas, que
mar uma posição franca neste negocio, pondo o paiz reclama para sua marcha regular.
de parte o sophisma que distingue os impostos Recorda algumas palavras que dirigiu ao mi-
de importação, de que se trata, do imposto de nistério transado e quo os fados vieram com-
consumo, porquanto no sentido em que foram provar, e não acha explicação paru o facto de
decretados idcm est quod idem valei. ver' o ex-presidente do conselho votar agora
contra as medidas que elle mesmo propunha
O Sr. José Bonifácio dá um aparte. era seu orçamento. Quando era então que esso
O Sr. Visconde de Paranaguá :— Os gene- ministério se inspirava da própria política ?
ros quo entram nas províncias ou são destina- Quando ora independente, no poder ou caindo
dos ao consumo ou passam em transito. Neste do poder? B do que poder era representante ?
caso ficam isentos de impostos, escapam até á Do legislativo ou do imperial ? Ora isto depois
imposição geral, não pagam impostos senão no do ^ annos de governo cojistitucional quer
logar para onde são destinados. Mas, si o im- dizer que esse systema ainda está por consti-
posto ó sobro generos que entram para ser con- tuir entre nós.
sumidos, entendo que não devemos distinguir o Depois de muitas considerações sobre este
imposto de importação do do consumo. ponto diz que aproveitou o ensejo de vir á tri-
Agora, quanto á suspensão em parte ou na buna para tornar saliente a necessidade da
totalidade da lei, eu digo ao nobre senador que, reforma pela qual clama todos os dias a orga-
não se tratando de revogação da lei, mas sim nização dos interesses provinciaes o dos inte-
do suspensão de arrecadação do imposto por resses muni ipaes ; só isso ó que pode manter o
um motivo urgente e todo especial, não me Brazil nação unida o grande.
cumpria ordenar ao presidente da província Desenvolve _ largamente esta these susten-
quo suspendesse a lei em sua totalidade; reco- tando os principio» da descentralisação e mos-
124 ANNAES DO SENADO

trando os inconvenientes das presidências dis- Não havendo mais quem pedisse a palavra,
tribuidas, como hoje, a médicos sem clinica ou nem numero para votar-se, encerrou-se a dis-
a advogados sem clientela. cussão.
Não quer que o governo representativo seja
inferior ao absoluto, seja impotente para fazer o INSTRUCÇÃO PUBLICA NA PROVÍNCIA DO PARANÁ
bem e evitar o mal. Isso seria a conderanação
dosystema. Por isso o governo deve ter a at-
tribuição suprema, de quousou o Sr. presi- Segue-se em discussão o requerimento do
dente do conselho, comtaato que depois venha Sr. Aífonso Celso, pedindo informações sobro
ao poder competente apresentar o seu acto, quantas escolas primarias e secundarias ha na
problema que tem uma solução natural, que é província do Paraná, qu il a despeza que effe-
ou asancção do acto, o apoio da maioria que o ctivamente com ellas se faz.'
sustenta, ou a sua reprovação, e portanto a sub-
stituição do gabinete. A questão devia, pois, O Si*. Oori*eia : — Levado por im-
cifrar-se nisto : era ou não urgente a medida pressão que não posso agora definir, causada
tomada ? pelas expressões com que o honrado autor do
Acha entretanto que o acto do nobre presi- requerimento o fundamentou, pedi então a pa-
dente do conselho devia ser acompanhado da lavra.
outro,, a demissão do presidente da província, Eu devia attender somente a que o nobre se-
que se tornara incomp Uivel, desde que sanc- nador deseja informações que não lhe podem
cionou a lei que foi revogada por ordem do ser recusadas, e cuja obtenção cumpria-me fa-
governo. cilitar, tanto mais quanto estou persuadido de
Quanto às questões de direitos de importação, que S. Ex. não levaria a mal o reservar eu
entendo com o nobre senador por S. Paulo para outra occasião o agradecimento que devo
que a importação não quer dizer senão a en- e manifesto a S. Ex. por me haver graciosa-
trada. mente permittido fazer, com o sou chapéu tão
Mas esses impostos cobram-se na álfandega, fino e tão da moda, um cortejo á provincia do
que é uma repartição geral, e ahi ninguém Paraná, áqual nenhum r muso pelo muito que
poderá entrar sem autorização do governo lhe devo.
geral. Voto pelo requerimento, quo ha de esclarecer
O imposto de consumo não quer, porém, dizer a verdade, a qual não é em desabono da pro-
imposto de im orlação, como passa a demon- víncia que tenho a honra, para mim muito
strar, concluindo da doutrina que sustenta preciosa, de representar ha 14 annos.
que não se devo tomar por base daquolle im- Termino com esse novo cortejo á provincia do
posto as importações da alfandega, porque assim Paraná, sentindo, porém, fazel-o com o meu
ferir-se-iam directamonte outras províncias a proprio chapéu, quo é do moldo antigo e não
que esses generos fossem destinados, quando pôde emparelhar com o do nobre autor do re-
as assembléas provinciaes só podem importar querimento.
dentro da própria prcvincia.
Proseguindo em suas considerações políticas, O Sr-. Al li o uso Oolso : — Sr. pre-
diz que os brazileiros gastam a sua actividade sidente, não discutirei si o meu chapéu ó mais
e energia fallando, gritando muito, o por isso bonito ou mais á moda do que o do honrado se-
tudo marcha de um modo irregular o anormal. nador polo Paraná...
Ped; ao nobre presidente do conselho que O Sr. Correia — Não pôde haver duvida
aproveite o intervallo das sessões em preparar
algumas medidas que possam transitar pelo perante a superioridade do de V. Ex.
parlamento na próxima sessão, afim de se mo- O Sr. Akkonso Celso:— ... mesmo porque o
Ihorarom os serviços o regular-se a admi- do honrado senador, como o senado tem visto, o
nistração. Esse deve ser o empenho do go- branco o do finíssimo castor...
verno. O Sn. Correia:— Ha quanto tempo, infeliz-
Partidário como ó da descentralisação admi- mente para mim, não uso chapéu branco
nistrativa e da administração doa interesses
provinciaes pela própria província, está de ac- O Sr. Afkonso Celso:— Não ha duvida
córdo com o honrado senador por S. Paulo, e que com seu bello chapéu podia o honrado se-
cem muito gosto apresentaria com S. Ex. um nador, muito melhor do qho com o meu, cor-
projocto nesse sentido, si isso o não collocasse tejar a sua provincia ; mas, si entende que
cm uma posição, que não quer por agora assu- com o meu pôde prestar-lhe mais esse serviço)
mir, por não ter razões para o fazer, a posição não serei quem o levo a mal.
do opposicionista do governo; pois entende que Apenas tive om vista dar uma explicação. O
iniciar uma medida dessa ordem significa de- nobre senador acompanhou um honrado repre-
clarar que o governo não está na altura da si- sentante pela provincia do Paraná na camara
tuação, opinião que aliás não fôrma do minis- dos deputados na contestação quo este oppoz a
tério. Reconhecendo a gravidade da medida to- algarismos aqui por mim apresentados.
mada polo nobre presidente do conselho, acha Nesta contestação o nobre deputado declarou
que S. Ex.,si entendeu que a providencia era ser desconhecida a fonte em que ou bobera os
ne- essaria, foz bem em us.ir delia, mas entende esclarecimentos do quo fiz uso; o o honrado so*
quo o Jogar proprio para o governo receber e nador abundou nas mesmas idéas. Era, po1?'
saneção do seu acto não ó o senado, mas a ca- dever meu provar ao senado que não improvi-
mafa dós deputados. sara, mas, muito polo contrario, mo tinha ser-
SESSÃO EM 26 DE AGOSTO 125

vido de dados fornecidos por documentos dignos O Sr. Correia: — Folgo muito com esta
do fé. informação.
O Sn. Correia :—Não podia attribuir a V.Ex O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
tal improviso. do conselho) :— Tenho aqui os telegrammas ;
O Sn. Affonso Celso : — Está, porém. Sr. si quizer, mostro-os.
presidente, preenchido o fim que tinha em vista O Sr. Correia :—Não duvido da informação
o peço a V. Ex. que consulte o senado si de V. Ex.; agradeço, e agradeço não só em meu
consente na retirada do meu requerimento. nome, mas, posso dizel-o, no de todos os cidadãos
Não havendo mais quem pediss > a palavra, pacíficos da comarca de Chique-Chique, que ha
nem numero para votar-se, encerrou-se a dis- tanto tempo reclamam providencias efficazes.
cussão . O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
do conselho) : — Annuncio mais que um juiz
NBOOCIOS DA DAH1A municipal letrado não tardará a seguir; o go-
verno já tom pessoa competente.
Seguiu-se a discussão do requerimento do O Sr. Correia :—Agradeço essa nova infor-
Sr. Junqueira, pedindo informações acerca
dos últimos successos occor.údos na freguesia mação, e estimaria completar o meu agradeci-
da Baixa Grande, comarca do Camisão, na pro- mento, dando-me o nobre presidente do conse-
víncia da Bahii. lho a segurança de que as providencias que
(A 1 hora e 40 minutos da tarde o Sr. pre- ainda faltam não serão demoradas.
sidente deixou a cadeira da presidência, que O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
passou a ser occupada pelo Sr. vice-presi- do conselho):— Sim, senhor, o complemento
dente.) irá.
O Sr. Correia;—Pois deixo por emquanto
O Sr. Correia,:—0 meu nobre amigo, a lamentável questão da comarca de Chique
autor do requerimento, disse que seria um Chique, e levantarei as mãos para o céu si,
programma muito justificado—o do restabeleci- dentro de algum tempo, tiver a satisfação, que
mento do império da lei. Com efleito seria um muito desejo, de vir da tribuna do senado diri-
programma muito applaudido pelo jsaiz, prin- gir ao nobre presidente do conselho os meus
cipalmente na parte que se ref;re á repressão sinceros agradecimentos...
do crime, que tio impunemente se vai prati- O Sr. Junqueira:—Apoiado.
cando na provinciá da Bahia, a de que trata o
requerimento. O Sti. Correia:—... pelo completo restabe-
Ha necessidade, mais que em qualquer outra, lecimento da paz em Chique-Chique, pela justa
do que cessem os attentados que alli se têm condemnaçãi dos criminosos, e pela garantia
ultimamente praticado. dada aos habitantes pacíficos, que por tanto
tempo tem implorado em vão a mão protectora
O Sr. Junqueira: —Apoiado. do governo !
O Sr. Correia : — Não fallo já na persegui- O Sr. Visconde de Paranaguá (presidente
ção desusada que solfreu uma parto da popu- do conselho):—Não pouparei meios; felizmente
lação da cidade dos Lençóes... conheço aquolles logares, e ligo a devida im-
O Sr. Junqueira : — Apoiado. portância a esto assumpto.
O Sr. Correia;—... intimada para deixar a O Sr. Jaguaribe;—Ninguém está mais ha-
ocalidade dentro de prazo curto e sob pena- biltado a providenciar com acerto, que V. Ex.
cruel. O Sr. Correia:—Eu disse a ultima vez que
O Sr. Junqueira : — Um verdadeiro êxodo. fallei sobre os tristes acontecimentos de Chique
Chique que julgava S. Ex. animado sincera-
O Sr . Correia : — Não vou recordar as las- mente do desejo de que o império da lei fosse
t maveis scenas de Macahubas, que com justiça uma realidade naquella comarca da Bahia.
e por tanto tempo occuparam a at.onção do pu-
blico edo senado. Providencias foram dadas neste sentido, e
eu só aguardo o momento o oportuno de dirigir
Não vou tão pouco, neste momento, tratar ao nobre presidente do conselho todas quantas
dos factos, reproduzidos com circumstancias as felicitações S. Ex. possa merecer por terresti-
mais dolorosas, na infeliz comarca de Chique- tuido á paz uma comarca da importante pro-
Chiquo, sobro os quaes, entretanto, não posso víncia da Bahia, ha tanto tempo indevida e
deixar de pedir ao governo informações que cruelmente flagellada.
esclareçam ao senado relativamente ás provi-
dencias promettidas para repressão dos malfei- O Sr. Jaguaribe :—Posta fóra da lei.
tores que ainda recentemente infestavam aquella O Sr. Correia :—Hoje tenho especialmente
comarca. do occupar-me com acontecimentos igualmente
Tinha do partir para alli uma força do linha, lugubres de que tem sido theatro a freguezia de
segundo as ultimas promessas do governo ; Baixa-Grande, na qual só houve interrupção das
seguramente esta ordem foi dada o está cum- scen is que me forçaram a pedir a palavra sobre
prida. esto requerimento, durante a administração do
O Sr. Visconde de Paranaikjá (presidente nobre senador pelo Piauhy, actual presidente do
do conselho); — Está cumprida. conselho.
126 ANNAES DO SENADO

O Sr. Junqueira:—Apoiado. policia especial ; mas elles se dão em toda a


província !
O Sr. Correia:— Antes de S. Ex. assumir | O Sr. Correia:—Tenho-me ocupado com
a administração, a26 de Fevereiro do anno pas-
sado, a freguezia de Baixa-Grande foi theatro a província da Bahia, porque alli os factos
de attentados inauditos, servindo-me de ex- são numerosos, seguidos, o interrompidos
pressões do nobre presidente do conselho. apenas por pouco tempo.
Nem quero agora recordar que famílias resi- O Sr. Junqueira:—E' onde a craveira tem
dentes na Baixa Grande foram intimadas para estado mais apertada, com pequenas intermit-
d'alli se retirarem dentro dos curtos prazos tencias.
de duas e tres horas ; intimação feita pela vio- O Sr. Correia :—Já com esse acontecimento
lência a mais caracterisada. A terrível ordem da Baixa Grande devia eu ter-me occupado
foi cumprida. B no Brazil, no anno da graça para proiligar os excessos praticad s em 26 de
de 1881, ainda habitantes pacíficos de uma Fevereiro do anno passado ; mas, como tinham
localidade do Império, som crime algum, sem alli serenado as terríveis scenas a que alludi,
fôrma nenhuma de processo, são eondemnados não queria e