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Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010 http://sisejufe.org.

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2 http://sisejufe.org.br Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010
Í N D I C E
Editorial Comissão da Verdade
Texto da jornalista Ana Helena Tavares so- Apesar da chororô dos militares, o presi-
bre a criação da Comissão da Verdade abre dente Lula assinou decreto que cria o Pro-
a 1ª edição de Ideias em Revista de 2010. grama Nacional dos Direitos Humanos e
Página 4 implementa a Comissão da Verdade.
Sindicais Página 24
Confira ações e processos administrati-
PNDH
vos que o Departamento Jurídico deu
O jornalista Luiz Carlos Azenha debate a
entrada, como o pedido para reincorpo-
polêmica do Plano Nacional de Direitos
rar reajuste de 11,98%.
Humanos. CUT e a ABGLT são favoráveis
Página 5
ao programa.
Revisão Salarial Página 25
Seguindo orientação da Fenajufe, sindica-
to volta a carga na mobilização para pres- Reforma Agrária
sionar deputados a aprovarem projeto da Nosso cartunista Carlo Latuff conta a ex-
revisão salarial. periência de estar num acampamento da
Páginas 6 e 7 Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no
interior de Rondônia.
Salário Congelado Páginas 26 e 27
Além da campanha pela revisão salarial,
servidores em geral se preparam para en- Confecom
frentar a luta contra o projeto que conge- Os repórteres Vinícius Souza e Maria Eu-
la salários do funcionalismo público. gênia Sá relatam os bastidores da I Con-
Páginas 8 e 9 fecom realizada na segunda quinzena de
dezembro de 2009.
Justiça do Trabalho Páginas 28, 29, 30, 31 e 32
O representante sindical do TRT David Cor-
deiro participa de reunião do Conselho de Fulgêncio Pedra Branca
Gestão Estratégica e defende propostas Apesar de Rubro-Negro, Fulgêncio reve-
que refletem na vida dos servidores. la provas irrefutáveis de que os times abri-
Página 10 ram as pernas para o Mengão ser Hexa.
Congrejufe FSM Página 33
A Fenajufe e os sindicatos filiados, entre O Fórum Mundial Social (FMS) acontece
em Porto Alegre, após dez anos ,entre 25 Nacional
eles, o Sisejufe, nos preparativos para rea-
a 29 de janeiro. Jeansley Lima desnuda a tentativa da CNA
lização do 7º Congresso Nacional da Fe-
Página 18 de manipular pesquisa de opinião e ten-
najufe (7º Congrejufe). Página 11
tar desmoralizar o MST.
Dicas Culturais Direitos Humanos Página 34
Trabalhadores sindicalizados de entidades Sob a bênção dos Orixás, o cantor e com-
cutistas terão 50% de desconto para ver o filme Internacional
positor Lucio Sanfilippo revela como re-
“Lula, o filho do Brasil”. Outra dia é peça “Até Eduardo Galeano aponta “os pecados do
nasce de um iaô. Página 19
que a sogra nos separe”, em que o servidor do Haiti”, país arrasado por terremoto que
TRE Daniel Müller atua no Teatro Ipanema. matou pelo menos 200 mil pessoas.
Entrevista Idéias Página 35
Página 12 Num bate-papo, com Roberto Ponciano
Oficina Literária e Max Leone, Lucio Sanfilippo conta sua Internacional
Nossa fiel colaboradora Marlene de Lima trajetória na música e como a religião in- Ideias em Revista faz merecida homena-
descreve como um sujeito pode se trans- fluencia seu trabalho e revela o precon- gem à médica Zilda Arns, que morreu no
formar, largando a esbórnia e as raparigas. ceito por cantar samba. Páginas 20 e 21 terremoto do Haiti.
Página 13 Página 36
Marighella vive
Polêmica A servidora Edileuza Lima da Justiça Fede- Nacional
O apresentador Boris Casoy mostra mais ral colabora com texto sobre os 40 anos Artigo da procuradora regional da Re-
uma vez todo seu preconceito de direita. do assassinato de Carlos Marighella. pública Janice Ascari critica as manifes-
ao insultar dois garis que desejavam Feliz Página 22 tações em defesa dos investigados pela
Natal aos telespectadores. Operação Satiagraha. É por essas e ou-
Páginas 14 e 15 Mensalão do DEM
tras que a Justiça está na UTI.
Dinheiro na meia, pagamento de propinas, Página 37
Mulheres
deputados orando agradecendo o esque-
O livro de Simone Beauvoir, o “Segundo
ma de suborno. É a marca da gestão do Latuff
Sexo”, completou 60 anos em 2009. Artigo
governador José Roberto Arruda, no Dis- Nosso cartunista expõe os dois lados da
de Nalu Faria, mostra a atualidade do texto
trito Federal. tortura: o torturador e o torturado.
da feminista francesa. Páginas 16 e 17
Página 23 Página 38
Página 18

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Editorial Luta armada contra ditadura não pode ser classificada como terrorismo

Uma página infeliz de nossa história


Ana Helena Tavares* quem viveu o horror e resistiu a
ele, a memória de seus familia-
res e dos familiares dos mortos.
A ditadura foi aqui. A dita bran- Será que alguém poderá ser ca-
da que povoa a fantasia dos que paz de me dizer que é justo que
hoje têm medo da verdade. Da- um sujeito que era conhecido
queles que hoje têm medo de que como “Tenente Mata Rindo”
seus netos e bisnetos saibam le- continue rindo por aí, sabe-se lá
tra por letra o que eles fizeram rindo de que, mas solto – livre,
no milênio passado. Aristóteles leve e solto? É este tipo de gente
dizia que “o homem é um ani- que os comandantes militares de
mal político”, mas até que pon- hoje são contra a “Comissão da
to pode chegar o ser humano Verdade?”
em nome de ideologia, acho que
nem Freud em seus maiores de- Luta armada, num regime de
lírios seria capaz de entender. E exceção, contra uma ditadura
as atrocidades de determinados (que de branda nada teve), não
militares na época da ditadura pode de modo algum ser classi-
foram, certamente, documenta- ficada como terrorismo. Seria
das de forma bastante vasta. quase como dizer que Tiraden-
Dentro da caserna, havia pesso- tes e os inconfidentes eram ter-
as com a única função de regis- roristas porque pegaram em ar-
trar aquela horrenda realidade mas para lutar contra a monar-
em sabe-se lá quantas laudas. quia portuguesa. (…)

Muitos destes arquivos foram, Eu tive parente torturado bru-


provavelmente, destruídos ou talmente e quase morto. (…) Ele
pela ação do tempo ou pela ação ficou cinco dias desaparecido.
humana, ambas implacáveis. Encontrava-se nu, trancafiado
Mas, seja nas mãos de militares numa cela com luz constante.
ou de civis, não tenho dúvidas Apanhou muito e conta que im-
de que ainda hoje esta “página plorava para que não batessem
infeliz de nossa história”, que em sua cabeça. Vão apelo de um
Chico e outros tantos narraram inocente que recebeu choque
em prosa, verso e música, per- elétrico e lavagem cerebral, agra-
manece também legível em ano- vando os problemas neurológi-
tações das mais diversas e docu- cos que já tinha. A família moveu
mentos oficiais. céus e terras e conseguiu encon-
trá-lo graças, primeiramente, à Brasil tem que fazer justiça e ofe- grande mídia sempre escon-
Vale lembrar que a grande intuição de sua mãe que pediu recer um mínimo de paz a todos de. (…) Enquanto nosso país
imprensa da época não publicou para que o procurassem no Dops. os sobreviventes dos porões da não acertar contas com sua
só versos de Camões e receitas (...)Só quem viveu o inferno e tem ditadura, aos seus familiares e história, tal como já fizeram
de bolo. É claro que houve os até hoje a sensação de impuni- aos familiares dos mortos. outros países da América Lati-
que preferiram emprestar car- dade sabe as razões pelas quais na, não poderá se dizer um
ros de reportagem para tortu- ainda não consegue se sentir se- Tenho certeza de que quem país democrático. Hoje perce-
radores, mas, seja em jornalões guro nas ruas deste país. estivesse no meu lugar tam- bo que Lula já deveria ter fei-
ou publicações alternativas, é bém iria morrer pedindo jus- to isso há bem mais tempo.
considerável o número de jor- Quem agora é capaz de me tiça. E este sentimento é ain- Agora que começou não dá
nalistas que conseguiu driblar convencer que aqueles militares da maior por eu saber que não pra deixar para o próximo
bravamente a censura notician- que em nenhum momento de- foi só com ele. Se tem algo que milênio.
do os fatos e opinando sobre ram chance de defesa a um ino- salta aos olhos neste país é
eles de forma corajosa e com- cente e fizeram com ele tudo o que nós ainda vivemos numa
petente. Além disso, outra coisa que fizeram merecem ser hoje ditadura, uma ditadura disfar-
* Escritora, poeta, jornalista e
que ainda nos resta - e isto para vovôs que levam impunemente çada de democracia. Ainda há, colunista da “Revista Médio Paraí-
ser apagado precisaria muita os seus netos à pracinha?!?! ?! sim, torturas. Torturas no ba” e editora/administradora do
gente morrer - é a memória de Pelo amor de Deus, algum dia o campo, por exemplo, que a blog “Quem tem medo do Lula?”

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Sindicais Parecer do Jurídico atribui escolha ao funcionário

Jornada de trabalho no TRT de 7 horas Sisejufe ajuíza ação


para pagamento do
é opção do servidor e não da chefia auxílio-saúde no TRT
Parecer do Departamento Jurí- da Lei 8.112/1990 e a transposi- sões do CNJ que consideraram A direção do Sisejufe entrou
dico do sindicato avalia que a jor- ção de vários empregados públi- válidas as fixações dos tribunais com ação coletiva para seus fili-
nada de trabalho no TRT de 7 cos (celetistas) para cargos esta- superiores e conselhos em 8 ho- ados, exigindo repasse mensal
horas é opção do servidor do tri- tutários. O Poder Judiciário afir- ras com intervalo, 7 horas inin- dos valores pelo TRT do auxílio-
bunal e não da chefia. A escolha mou que os servidores estatutá- terruptas ou 6 horas ininterrup- saúde e a cobrança dos valores
entre 8 horas com intervalo e 7 rios não estão submetidos às re- tas, bem como a autonomia para atrasados, retroativos aos últi-
horas ininterruptas cabe ao ser- gras da CLT sobre jornada de tra- escolher o melhor regulamento. mos cinco anos. Segundo o De-
vidor. A resolução do TRT permi- balho, tendo em vista que a Lei Conclui ser possível fixar 7 horas partamento Jurídico, o servidor
te apenas a fiscalização pelo su- 8.112 (Artigo 19) e os regulamen- ininterruptas, assim como é pos- tem direito ao auxílio para cus-
perior. A matéria foi objeto de tos dos tribunais (Artigo 96, I, b, sível a inclusão de intervalo. teio de despesas com assistên-
questionamentos na implantação CF/88). O parecer lembra deci- cia à saúde. No Rio, a cota-parte
de responsabilidade do TRT é
paga se o servidor aderir à ope-
Protocolado pedido para reincorporar reajuste de 11,98% radora contratada pelo tribunal.
Requerimentos administrativos foram feitos antes do recesso em no instituído pela Lei 11.416/ No entanto, o procedimento é
foram protocolados em todos os dezembro passado. A medida se 2006, não trataram do percen- contrário à lei. Para o diretor do
tribunais para exigir o restabele- justifica por não ter havido limi- tual em questão. Há precedentes sindicato Roberto Ponciano, nos
cimento, na folha de pagamento tação temporal para pagamento administrativos específicos dos últimos cinco anos, os servido-
dos sindicalizados, do reajuste de do reajuste, uma vez que os pla- TREs do Ceará, do Maranhão e res que optaram ou desejaram
11,98%, extinto pelas Leis 9.421/ nos de carreira dos servidores, do Amapá, reconhecendo o di- têm outras operadoras de pla-
1996 e 10.475/2002. Os pedidos seja na versão da Lei 10.475 ou reito à reincorporação. nos de saúde foram obrigados a
desistir de suas pretensões ou
ficaram sem a co-participação.
Recurso contra decisão para devolver valores de FC e CJ integrais Os servidores que quiserem po-
dem se sindicalizar para serem
No em 17 de dezembro, o Sise- O pagamento é resultante da cu- to Jurídico diligenciará para sus-
beneficiados pela ação.
jufe protocolou recurso adminis- mulação da remuneração do car- pensão dos procedimentos de
trativo com pedido de efeito sus- go efetivo com a VPNI dos quin- cobrança, em regime de urgên-
pensivo contra decisão do CJF, re- tos e o valor integral da FC cheia. cia. Os atingidos devem agendar Reajuste anual do
ferente ao processo administrati- O TRF encaminhou notificações atendimento no sindicato. As mi- Plano de Saúde
vo 2009.16.1137/CJF, que deter- às vésperas do recesso de final de nutas de defesa estão prontas. A
mina cobrança de valores pagos ano, informando que o servidor entidade sindical poderá buscar
Sisejufe/Unimed
a servidores do TRF da 2ª Região. deve se defender. O Departamen- a suspensão na esfera judicial. será de 8,85%
O reajuste do plano de saúde do
Sindicato denúncia avaliação de desempenho feita de forma subjetiva sindicato será de 8,85% para quem
está no contrato novo, ou seja, a
Em 15 de outubro de 2009, o de entre o denunciado e o servi- objetivos e, em nenhuma hipó- partir de dezembro de 2008, quem
sindicato protocolou represen- dor, anulando a avaliação de de- tese ser realizada por quem te- permaneceu no antigo será rea-
tação no TRT, envolvendo sus- sempenho e nomeando outro nha razões meramente subjeti- justado somente em julho, no ven-
peição de avaliador que teria re- avaliador. Entre os princípios vas para reprovar um desafeto. cimento daquele contrato. A dire-
lação de inimizade com avalia- constitucionais que devem ser Nesse contexto, os filiados de- ção do Sisejufe informa que em
do. O episódio foi confirmado observados pela administração vem procurar o sindicato e evi- função de problemas nos prazos
pelo tribunal que, após vários re- pública, estão os da moralidade tar que a avaliação de desempe- de fechamento das folhas dos tri-
cursos interpostos pelo subor- e da impessoalidade, logo, a ava- nho se transforme em ferramen- bunais e da corretora o desconto
dinado, reconheceu a inimiza- liação deve respeitar critérios ta de assédio moral. se dará a partir de fevereiro.

SEDE: Avenida Presidente Vargas 509, 11º andar – Centro – Rio de Janeiro-RJ – CEP 20071-003
TEL./FAX: (21) 2215-2443 – PORTAL: http://sisejufe.org.br
ENDEREÇO ELETRÔNICO: imprensa@sisejufe.org.br
Filiado à Fenajufe e à CUT

DIRETORIA: Angelo Canzi Neto, Dulavim de Oliveira Lima Júnior, Gilbert de Azevedo Silva, João Ronaldo Mac-Cormick da Costa, João Souza da Cunha, José Fonseca
dos Santos, Leonardo Mendes Peres, Lucilene Lima Araújo de Jesus, Luiz Carlos Oliveira de Carvalho, Marcelo Costa Neres, Marcio Loureiro Cotta, Marcos André Leite
Pereira, Maria Cristina de Paiva Ribeiro, Mariana Ornelas de Araújo Goes Liria, Moisés Santos Leite, Nilton Alves Pinheiro, Og Carramilo Barbosa, Otton Cid da
Conceição, Renato Gonçalves da Silva, Ricardo de Azevedo Soares, Roberto Ponciano Gomes de Souza Júnior, Valter Nogueira Alves, Vera Lúcia Pinheiro dos Santos
e Willians Faustino de Alvarenga. ASSESSORIA POLÍTICA: Márcia Bauer.

IDEIAS EM REVISTA – REDAÇÃO E EDIÇÃO: Max Leone (MTb/RJ 19.002/JP)


DIAGRAMAÇÃO: Kamilo – ILUSTRAÇÃO: Latuff – CAPA: arte de Carlos Latuff
CONSELHO EDITORIAL: Roberto Ponciano, Henri Figueiredo, Max Leone, Márcia Bauer, Valter Nogueira Alves, Nilton Pinheiro
IMPRESSÃO: Gráfica e Editora Minister (8,6 mil exemplares)
As matérias assinadas são de responsabilidade exclusiva dos autores. As cartas de leitor estão sujeitas a edição por questões de espaço.
Demais colaborações devem ser enviadas em até 2 mil caracteres e a publicação está sujeita a aprovação do Conselho Editorial. Todos os Impresso em
textos podem ser reproduzidos desde que citada a fonte. Papel Reciclato

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Sindical

Sisejufe pressionará deputados de comissões.


Foto: Henri Figueiredo
Seguindo orientação da Fenajufe, a direção do Sisejufe arregaçará
as mangas e começará 2010 na luta pela aprovação do projeto de
revisão salarial dos servidores do Judiciário Federal. A federação
deliberou que os sindicatos filiados pressionem os deputados fede-
rais de seus estados para debater o PL 6.613/2009, que trata do
assunto, mesmo durante o recesso parlamentar. Assim, os direto-
res do Sisejufe vão procurar os parlamentares fluminenses que
fazem parte das comissões em que o projeto tramitará na Câmara
Federal. A linha de trabalho será agendar, inicialmente, audiências
com os deputados das comissões de Trabalho, Administração e
Serviço Público (CTASP), cuja titular é Andreia Zito (PSDB) e os su-
plentes Carlos Santana (PT), Filipe Pereira (PSC) e Vinicius Carvalho
(PT do B). A CTASP é a primeira comissão que analisará o projeto.
“Além desse trabalho, temos que manter a mobilização, como fize-
mos na greve do ano passado, para retomar a luta pela aprovação
da revisão salarial”, afirma Valter Nogueira, diretor do Sisejufe e da
Grande passeata: demonstração de força da categoria Fenajufe, referindo-se à mobilização que culminou numa passeata
Foto: Max Leone
com cerca de 1,1 mil servidores no Centro do Rio.
A segunda comissão a receber o projeto será a de Finanças e Tribu-
tação (CFT), onde o deputado Eduardo Cunha (PMDB) é suplente. Em
seguida é a vez da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania
(CCJC) analisar a proposta. Lá são titulares Antônio Carlos Biscaia (PT),
Eduardo Cunha (PMDB), Fernando Gonçalves (PTB), Geraldo Pudim
(PR), Arolde de Oliveira, Índio da Costa (DEM) e Marcelo Itagiba (PSDB).
Como suplentes atuam Hugo Leal (PSC), Jair Bolsonaro (PP), Paulo
Rattes (PMDB), Solange Amaral(DEM), Chico Alencar (PSOL) e Eduar-
do Lopes (PRB). Ao passar por essas etapas, o projeto seguirá ao
Senado. Entretanto, a proposta tramita em caráter terminativo e pode
ser aprovada sem passar pelo plenário das duas casas.
PRIMEIROS PASSOS – No dia 14 de janeiro, representantes do Si-
traam-AM, do Sinjeam-AM e da Assejuf-AM se reuniram com o pre-
sidente da CTASP, deputado Sabino Castelo Branco (PTB/AM), em
Manaus. Os servidores entregaram ao parlamentar cópia do PL
6.613 e explicaram a necessidade da aprovação imediata. Segundo
Servidores do TRF Acre participam de assembleia
Foto: Henri Figueiredo Foto: Max Leone

No TRT da Lavradio, a mobilização foi crescente A greve na Venezuela teve a participação do funcionalismo
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Fenajufe e sindicatos retomam mobilização
Foto: Henri Figueiredo
o diretor do Sitraam-AM Hélder Vieira, o parlamentar disse ser favo-
rável à reivindicação da categoria e se comprometeu a ser o relator
na Comissão de Trabalho. Sabino Branco fez contato com a Câmara
oficializando que assumirá a função.
O assessor parlamentar da Fenajufe, Antônio Augusto Queiroz, in-
formou que, embora a composição da Comissão de Trabalho seja
alterada logo após o retorno dos trabalhos do Congresso Nacional,
em 2 de fevereiro, o atual presidente pode avocar a relatoria antes
mesmo de passar o cargo para o seu sucessor. A coordenadora da
federação Lúcia Bernardes afirmou que assim que o Legislativo vol-
tar ao trabalho em 2 de fevereiro, a diretoria da Fenajufe pedirá
audiência com o deputado Sabino Castelo Branco para tratar da
tramitação do PL 6.613.
“O contato com todos os parlamentares de imediato será válido,
uma vez que vamos enfrentar outras etapas da tramitação, além da
Comissão de Trabalho e Serviço Público”, ressalta Lúcia.
Servidores do TRE demonstraram como se faz greve
* Da Redação, com informações da Imprensa da Fenajufe Foto: Henri Figueiredo

Veja os representantes do Rio nas comissões:


Comissão de Trabalho, Admi- titulares: Antônio Carlos Bis-
nistração e Serviço Público caia (PT), Eduardo Cunha
(CTASP) - Andreia Zito (PSDB) (PMDB), Fernando Gonçalves
titular e suplentes Carlos San- (PTB), Geraldo Pudim (PR),
tana (PT), Filipe Pereira (PSC) e Arolde de Oliveira, Índio da
Vinicius Carvalho (PT do B); Costa (DEM), Marcelo Itagi-
ba (PSDB); suplentes: Hugo
Comissão de Finanças e Tribu- Leal (PSC), Jair Bolsonaro
tação (CFT) - Eduardo Cunha (PP), Paulo Rattes (PMDB),
(PMDB) é suplente; Solange Amaral (DEM), Chi-
Comissão de Constituição e co Alencar (PSOL) e Eduardo
Justiça e Cidadania (CCJC) - Lopes (PRB).

Na Justiça Federal Rio Branco, a mobilização também foi forte


Foto: Max Leone Foto: Henri Figueiredo

No TRF, os servidores resolveram fazer paralisação Categoria tomou a avenida Rio Branco, no Centro
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Sindical

Todos na luta contra projeto que congela


salários dos servidores por uma década
Foto: Henri Figueiredo
Os desafios no início de 2010
são muitos para os servidores do
Judiciário Federal. Além de atu-
ar para garantir que os projetos
que revisam os Planos de Car-
gos e Salários (PCSs) sejam apro-
vados de imediato, a Fenajufe,
os sindicatos de base, entre eles
o Sisejufe, a Central Única dos
Trabalhadores (CUT) e outras
entidades sindicais trabalharão
em conjunto para impedir que
o PLP 549/2009, que passou no
Senado como PLS 611/2007 seja
aprovado na Câmara dos Depu-
tados. A proposta, de autoria do
senador Romero Jucá (PMDB-
RR), líder do governo no Sena-
do, se aprovada, acarretará no
congelamento dos salários de
Ponciano: “A aprovação ameaça a implementação de propostas que valorizem o funcionalismo”
todo o funcionalismo público fe-
deral até 2016. Também impedi-
rá que a administração pública
uma das campanhas prioritári- A proposta inviabiliza deração dos Trabalhadores do
as dos trabalhadores no mo- Serviço Público Federal (Cond-
invista mais em serviços e possa
mento. “A aprovação ameaça
várias das reivindicações sef) critica a medida e avalia que,
contratar novos servidores.
qualquer possibilidade de imple- históricas, como o direito na prática, ficam congelados in-
O projeto estabelece que nos mentação de propostas que va- vestimentos públicos o que vai
próximos dez anos o aumento lorizem as carreiras do funcio-
à negociação coletiva, a contra o próprio Programa de
anual da folha de pagamento dos nalismo público federal”, afirma definição de diretrizes Aceleração do Crescimento (PAC)
servidores públicos não poderá do governo. A confederação en-
ultrapassar a correção do Índi-
Para a federação e o sindicato, de plano de carreiras, tende que com o teor altamente
a proposta inviabiliza várias das recomposição das desfavorável os servidores preci-
ce Nacional de Preços ao Con-
reivindicações históricas da ca- sam se mobilizar para derrubar
sumidor Amplo (IPCA) acrescida perdas e substituição
tegoria, como o direito à negoci- a proposta. A partir de 1º de fe-
de 2,5% ou da taxa de crescimen-
ação coletiva, a definição de di- dos terceirizados por vereiro, quando deputados vol-
to do PIB, o que for menor. É
retrizes de plano de carreiras, re- tam do recesso, a Condsef vai re-
importante ressaltar que esses concursados.
composição das perdas salariais tomar o trabalho de pressão, jun-
índices se referem à folha salari-
e substituição dos terceirizados tamente com os demais repre-
al de forma global, incluindo, sos públicos com a contratação
por servidores concursados. sentantes de servidores, tanto
por exemplo, as despesas com mais do que necessária de novos
novas contratações de servido- A direção da Central Única dos servidores, comprometendo contra o PLP 549 quanto o PLP
res. As restrições valerão do pe- Trabalhadores (CUT) considera qualquer processo - real e efeti- 01/07 que ainda tramita no Con-
ríodo de 2010 a 2019. Nesse um grave retrocesso a aprovação vo - de valorização e melhoria dos gresso e têm mesmo conteúdo
sentido, de nada adiantará a do projeto que pode eliminar serviços. Em nota, a direção da de limitação a investimentos pú-
aprovação dos PLs 6.613/2009 qualquer possibilidade de recu- central sindical reitera “que a re- blicos. “Não podemos de forma
e 6.697/2009, caso o PLP 549 peração salarial e material do ser- lação entre a Despesa com Pes- alguma deixar que isso aconteça
passe na Câmara, uma vez que viço público brasileiro, sucatea- soal e a Receita Corrente Líquida ou ficaremos até 2016 a mercê
os limites impostos por ele im- do até o limite durante os gover- mostra que os gastos com o fun- de interesses políticos que não
pedirão a implementação da re- nos de FHC. Na avaliação da CUT, cionalismo estão longe de repre- necessariamente são os mesmos
visão salarial do Judiciário Fede- sentar o grande problema para interesses do povo brasileiro”, re-
sua implementação significará
ral e do MPU. as contas públicas”. sumiu Sérgio Ronaldo da Silva, di-
somente a manutenção do cres-
retor da Condsef.
O diretor do Sisejufe Roberto cimento vegetativo da folha de
Outras entidades também es-
Ponciano avalia que a luta con- pessoal, inviabilizando as nego- tão na luta contra a aprovação Da Redação, com informa-
tra o PL 549 deve ser também ciações e a realização de concur- do projeto. A direção da Confe- ções da Fenajufe e da Condsef

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Senado aprova proposta que restringe
gasto do governo com folha de pessoal

tar, ficará impedido: de criar projeto cuida de limitar a expan- conclusiva do PLS 611 no Sena-
Antônio Augusto de Queiroz*
cargos, empregos ou funções, são da despesa, que é influenci- do, que ainda será submetido à
de alterar a estrutura de car- ada pela remuneração e pelos Câmara dos Deputados, conge-
reira que implique aumento de encargos, mas também pela lará a capacidade governamen-
Em sessão realizada dia 16 de despesa, de fazer o provimen- quantidade de servidores em ati- tal de corrigir distorções exis-
dezembro, os senadores apro- to de cargo público, admissão vidade, dificultando a reposição tentes na estrutura remunerató-
varam, por 48 votos favoráveis ou contratação de pessoal a de quadros em decorrência de ria dos servidores, tornando
e nenhum contrário, o Projeto qualquer título, ressalvado morte, aposentadoria ou de de- proibitiva a continuidade da
de Lei (PLS) 611/2007 (comple- educação, saúde e segurança, mandas da sociedade, tanto na Mesa de Negociação com os ser-
mentar), de autoria dos então de conceder vantagens, au- área de fiscalização (trabalhista, vidores na União, além de dei-
líderes do Governo, Romero mento, reajuste ou adequações tributária, previdenciária e sani- xar o governo na dificílima con-
Jucá (PMDB/RR); do PT, Ideli Sal- de remuneração a qualquer tí- tária) e regulação por força do dição de ter que escolher entre
vatti (SC); do Congresso, Rosea- tulo, salvo sentença do Judici- crescimento dos negócios, a reposição do poder de com-
na Sarney (PMDB/MA); e do ário ou revisão geral, e de con- quanto do atendimento direto à pra dos salários ou a mínima
PMDB, Valdir Raupp (RO), que tratar hora extra. população, notadamente nos expansão dos serviços públicos.
acrescenta dispositivo à Lei setores de Educação, Saúde, Se-
Complementar 101, de 4 de A proposição, a bem da verda- gurança e Justiça. Trata-se de uma cópia do PLP
maio de 2000 (Lei de Responsa- de, não trata da limitação da 1/2007, de autoria do governo
bilidade Fiscal), para congelar o despesa com pessoal e encar- Ao congelar a despesa com pes- federal, encaminhando à Câ-
valor gasto com pessoal e en- gos, pois esse limite já existe e soal e encargos, permitindo ape- mara como uma das proposi-
cargos sociais no exercício de está longe de ser atingido, mas nas a reposição da inflação mais ções integrantes do PAC, que
2009, autorizando apenas a re- da expansão dos gastos. Atual- de 2,5% de aumento real, o pro- não prosperou na Casa, onde
posição da inflação e mais 2,5% mente, a União pode gastar com jeto não leva em consideração o aguarda deliberação. A dife-
ou a taxa de crescimento do PIB, pessoal e encargos até 50% da aumento populacional, o cres- rença entre o PLS - complemen-
o que for menor, até 2016. Nos receita líquida corrente (2,5% cimento das demandas pela am- tar do Senado e o PLP da Câ-
três níveis de governo – União, para o Legislativo, inclusive TCU; pliação dos serviços de Saúde, mara, é que o primeiro amplia
estados e municípios – o poder 6% para o Judiciário; 0,6% para Educação, Justiça nem tampou- de 1,5% para 2,5% o aumento
ou órgão público que exceder o MPU; 3% para DF e ex-territó- co o crescimento ou a diversifi- real, além da inflação.
os novos limites, seja com rees- rios e 37,9% para o Poder Exe- cação do processo econômico,
truturação, contratação ou cutivo), e os estados, o Distrito que terão efeito direto sobre
mesmo com a nova despesa Federal e os municípios até 60% serviços de fiscalização, regula- * Jornalista, analista político e di-
com previdência complemen- da receita corrente líquida. O ção, controle etc. A aprovação retor de Documentação do Diap

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TRT CGE debate temas polêmicos que geraram divergências que refletem diretamente na vida dos servidores

Conselho discute índice de produtividade e


diminuição de licenças de saúde no tribunal
Henri Figueiredo
Max Leone* os magistrados devem ser obri-
gados a julgar, dentro de um ano,
o mesmo número de processos
A última reunião do Conselho distribuídos mais 20% desse to-
de Gestão Estratégica (CGE) do tal. “Se uma vara recebe por ano
Tribunal Regional do Trabalho 1.500 processos, por exemplo, o
(TRT) em 2009 discutiu assuntos magistrado terá de julgar esses
polêmicos que geraram divergên- 1.500 mais 300, que são os 20%,
cias entre os participantes como: o que dará 1.800 sentenças ao
a implementação de índices de ano”, exemplificou Cordeiro.
produtividades para os magistra-
dos e a proposta de redução das O representante fui o único a
ausências de servidores do tribu- defender percentual menor (10%).
nal por motivos de doenças ocu- Ele ressaltou que a se políticas da
pacionais. O CGE é responsável Fundação Getúlio Vargas (FGV) e
pela elaboração do Planejamento do Conselho Nacional de Justiça
O representante sindical David Codeiro participou da reunião
Estratégico do Tribunal Regional (CNJ) visam elevar a produtividade
bro do conselho. No ponto que sim, mas os servidores também
do Trabalho (TRT) 2009-2013. A dos órgãos, que sejam implemen-
tratou da fixação de índices de de- estão sobrecarregados. Aumen-
reunião aconteceu no dia 17 de tadas de outra forma e não com
sempenho para juízes, Cordeiro tando o trabalho dos magistra-
novembro. O representante sin- aumento de trabalho. David Cor-
avaliou que essa medida teria re- dos aumentará o nosso também.
dical de base David Batista Cor- deiro também defendeu a reali-
flexos diretos sobre as atividades No final das contas vamos ter
deiro da Silva participou do en- zação de concursos, tanto para
dos servidores. que cumprir essas metas de pro-
contro em nome do Grupo de contratação de novos servidores,
dutividade”, afirmou.
Trabalho (GT) do Sisejufe. A dire- “Muitos servidores acabam fa- quanto para juízes.
tora do sindicato Vera Lúcia Pi- zendo as sentenças e os acór- A proposta aprovada pela mai-
nheiro dos Santos também é mem- dãos. Os juízes trabalham muito oria do conselho determina que Da Redação*

Redução de afastamentos recebe críticas de representante


Outro tema que provocou De acordo com ele, ficou es- identificar o servidor. Essa No final do mês de novem-
polêmica diz respeito à redu- tabelecido que o índice não atitude mostra que o tribunal bro, o Órgão Especial do TRT
ção das ausências de servido- deve ser relativo ao afasta- não está preocupado com a aprovou as propostas enca-
res por motivos de doenças mento por doenças, mas por saúde do seu trabalhador”, minhadas pelo conselho. A
ocupacionais. Em princípio, a qualquer motivo. Mais um ve- afirmou o representante. partir de agora começa a
proposta do tribunal era re- zes David se contrapôs, di- fase das ações a serem im-
duzir as licenças em 10%. O zendo que “cabe identificar No final, a questão foi re- plementadas, ou seja, a polí-
representante criticou a pro- a causa das doenças, caso solvida da seguinte maneira: tica do tribunal para alcan-
posta devido a falta de critéri- contrário não se saberá o haverá um índice genérico çar as metas. “Aí defendere-
os para implementação. “Pois que a provocou se as condi- sobre os afastamentos e o mos a nossa política em fa-
é, em relação ao trabalho só ções de trabalho ou outro percentual de redução será vor dos servidores, a não ser
querem aumento, mas, em re- motivo”. Propôs então que de, no mínimo, 30% até 2014. que tentem nos retirar do
lação às doenças ocupacio- fossem criados índices espe- Segundo David Cordeiro, ou- conselho, que fará reuniões
nais, contentavam-se com mí- cíficos para esses casos. Mas tros dois temas ficaram para trimestrais para fiscalizar o
seros 10% de redução. Defen- disseram que não seria pos- o período das “ações” que cumprimento do plano”, dis-
di o aumento do percentual sível, pois o serviço médico são: as remoções e o proces- se, ressaltando que a reso-
para 50%, alegando que o tri- não identifica os motivos dos so seletivo. Segundo o repre- lução que implementará o
bunal precisa ter uma políti- afastamentos. “Isso era sim- sentante, os pontos serão plano dará poderes ao con-
ca agressiva contra as causas ples de resolver. Basta deter- objeto de pesquisa de opinião selho acima do presidente
dos afastamentos”, explicou. minar que fazer a perícia, sem da categoria. do tribunal.

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Congrejufe Evento vai definir estratégias de luta da federação para os próximos anos

Congresso da Fenajufe acontece de


27 a 31 de março em Fortaleza Foto: Henri Figueiredo

Em uma grande assembleia, na avenida Rio Branco, a categoria no Rio elegeu a delegação fluminense com 45 delegados titulares
Além de lutar pela aprovação, do Judiciário Federal e do Minis- informou, também, que já nego- composta por 45 membros titu-
no Congresso Nacional, das pro- tério Público, como também ana- ciou com dois hotéis para abri- lares, 23 suplentes e cinco ob-
postas que revisam os Planos de lisar a prestação de contas da fe- gar o evento, que terá mais de servadores que representam to-
Cargos e Salários (PL 6.613 e deração referente ao período de 500 delegados. dos os tribunais federais no Rio.
6.697), a categoria do Judiciário abril de 2009 a fevereiro de 2010.
Federal em todo o país tem um Para poder participar, todos os
grande compromisso no mês de Também está prevista a revi- Rio elege 45 titulares sindicatos deverão realizar até o
março deste ano. É quando acon- são do estatuto e eleição da nova dia 27 de fevereiro, a assembleia
tece o 7º Congresso Nacional da diretoria executiva e do conse- E os servidores do Rio já estão geral, devidamente convocada
Fenajufe (7º Congrejufe), o prin- lho fiscal para a gestão 2010/ preparados para participar do 7º para eleger os delegados. No dia
cipal evento dos servidores em 2013. Um dos momentos de des- Congrejufe. Em uma grande As- 5 de fevereiro termina o período
2010, que é realizado a cada três taques será a votação da pauta sembleia Geral realizada dia 16 para inscrever as teses que serão
anos e reúne funcionários de de reivindicações e do plano de de dezembro do ano passado, debatidas no congresso. E no dia
todo o país. O congresso está lutas da categoria. Para a dire- em frente à Seção Judiciária do 3 de março acaba o prazo para
marcado para Fortaleza, no Cea- toria da federação, o congresso Rio de Janeiro, na avenida Rio os sindicatos confirmarem a par-
rá, de 27 a 31 de março. No Con- deste ano vai ser mais represen- Branco, a categoria no estado es- ticipação dos delegados e obser-
grejufe serão discutidas conjun- tativo dos últimos tempos, uma colheu a delegação fluminense vadores do Congrejufe.
turas nacional e internacional, vez que novos sindicatos se filia- para o evento. Os 149 participan-
será feita avaliação da atual ges- ram ou regulariza sua situação tes se credenciaram, receberam
tão da Fenajufe, traçados novos financeira com Fenajufe nesta crachás, votaram e elegeram, por *Da Redação, com informações
rumos para a luta dos servidores gestão. A diretoria da federação unanimidade, uma chapa única da Imprensa Fenajufe

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DICAS CULTURAIS

CUT dá desconto de 50% para sindicalizados


assistirem ao filme “Lula, o filho do Brasil”
Foto: Divulgação
Trabalhadores sindicaliza- Baseado no livro homô-
Confira as salas de
dos terão desconto para ver nimo escrito pela jornalis-
apresentação
o filme “Lula, o filho do Bra- ta Denise Paraná, o filme
Bay Market 1
sil”. A promoção foi fechada narra a história de Lula, Botafogo Praia Shopping sl.06
pela Central Única dos Tra- desde seu nascimento até Shopping Downtown sl.09 / sl.10
Carioca Shopping sl.03 / sl.05
balhadores (CUT). Desde o a morte de sua mãe, Dona UCI New York City Center sl.06 /
sl.07 / sl.09
dia 8 de janeiro, todo traba- Lindu, quando ele já é um Iguaçu Top 3
lhador associado a seu sin- líder sindical de 35 anos Iguatemi 7
Kinoplex Fashion Mall 3
dicato poderá comprar um detido pela ditadura mili- Kinoplex Grande Rio 4
Kinoplex N. América 4
ingresso inteiro com 50% de tar. O roteiro foi escrito Kinoplex Tijuca 3
Kinoplex Leblon 4
desconto sobre o preço da por Paraná, Fábio Barreto Art West Shopping 3
bilheteria. A promoção não e Daniel Tendler. Cinesystem Bangu sl.04 / 06
Recreio sl.01
é cumulativa e vale somente Arteplex Rio sl.06
para um ingresso. É preciso No elenco, destaque Rio Desing sl.03
Odeon
apresentar a carteirinha de para o ator Rui Ricardo Star Center Shop. Rio SL.04

filiação do sindicato e um Dias que interpreta Lula Ponto Cine


Cine Santa

documento de identidade na fase adulta. Os outros Art Unigranrio sl.01


Santa Rosa 1
com foto. nomes importantes do Madureira 2
Nilópolis Square sl.03
elenco principal são os Ilha Plaza sl.04
A direção da CUT orienta de Glória Pires, Cléo Pi- Cinebox sl.01
Gran Cine Bardot
os trabalhadores que ao res e Juliana Baroni, que Cinemagic Plaza Macaé sl.04
Cinemagic Campos Rio sl.03 / sl.05
comprar o bilhete, o espec- interpretam a mãe, a Cine Angra Shopping sl.1
tador deverá escolher a adquiridos com base nesta pro- primeira esposa de Lula e Cine Show Volta Redonda
Cine Show Friburgo
sl.04
sl.03
data e a hora da sessão em que moção não são passíveis de re- dona Marisa Letícia, respectiva- Mercado Estação sl.03
Rio Sul 3
pretende ver o filme, observan- embolso. A aquisição dos ingres- mente. O filme é produzido por Roxy 2
São Luiz 1
do o período de início das ses- sos está sujeita à lotação das sa- Luiz Carlos Barreto e Paula Bar- UCI Kinoplex Norteshopping 3 / 8
sões promocionais. Os bilhetes las de cinema. reto, pai e irmã do diretor. Via Parque 6

Servidor do TRE em cartaz no Teatro Ipanema Foto: Divulgação


A comédia “Até que a sogra (Anderson Oliveira), chega de
nos separe”, de Anderson Olivei- viagem e torna a vida da nora
ra, voltou ao Teatro Ipanema insuportável. Enquanto o casal
(Rua Prudente de Morais 824, tenta refletir sobre os desgas-
em Ipanema). A peça, que fez tes da vida a dois, Gioconda
temporada no mesmo espaço apronta mil confusões. A che-
no ano passado, conta a histó- gada do irmão caçula de Bia,
ria dos personagens Bia (Fer- Mauricinho (André Sobral) com-
nanda Zau) e Beto (Daniel Mül- pleta o cenário caótico de uma
ler) durante a primeira crise con- família que vai se revelando
jugal do casal. Além de ator, di- cada vez mais neurótica.
retor e produtor de teatro, Da-
niel Müller é servidor do Tribu- A peça pode ser vista às sex-
nal Regional Eleitoral (TRE) do tas-feiras, sábados de domingos
Rio de Janeiro. até o dia 28 de fevereiro. Sextas
e sábados começa às 21h30m e
Para enrolar ainda mais a re- nos domingos, às 20h30m. O
lação, a sogra, uma italiana ex- ingresso custa R$ 30 (6ªf) e R$
cêntrica chamada Gioconda 40 (sábados e domingos).

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Oficina Literária Estirado na lona desbotada, jazia o Zimba aqui, em carne e osso

Um xará na madrugada
Marlene de Lima*

Final dos anos quarenta. De-


sembarquei do cargueiro Rio
Tejo e voltei para casa, em São
Luiz.
Naquela época, eu vivia na
gandaia. Floriano, meu amigo e
compadre, aconselhava. “Lar-
gue a esbórnia, Zimba, cuide da
família.” Nem ligava. Gastava o
salário nos puteiros.
Sempre nos trinques, bem fa-
lante e cheiroso, eu não chegava
para as encomendas. Um dia me
enrabichei por uma novata do
Salão Grená. Ficamos de xodó,
até o embarcadiço da morena
chegar de viagem. Pra saber da
traição foi num instante.
Ele e os parceiros caíram em
cima de mim. Debaixo de socos
e pontapés, fui atirado escada
abaixo. Me apaguei no meio da
rua, na noite chuvosa.
Acordei com o apito do trem.
Os safados tinham me atraves-
sado na linha. Senti alguém me
arrastando. Era Floriano. Me
sentou num caixote. “É melhor
ir pra casa, Zimba.” Tirou um papel do bolso: Um frio na minha espinha: es- alguém abrir e não me enxer-
“Paf...Palf... Palfúrio. Horozimba- tirado na lona desbotada, jazia gar. Eu era o morto da rede. Ali
Caminhava penosamente, en- no Palfúrio. o Zimba aqui, em carne e osso. na calçada, só o espírito.
charcado e mancando, quando
vi os dois caras com a rede vin- “Que brincadeira é esta?” Meu nariz, o cabelo amarelo. A porta abriu. O rosto furioso
do em minha direção. Um olho verdão, meio aberto. O de Zefinha me mostrou que eu
“Brincadeira?” sinal no meio da testa. Fui pu- ainda estava entre os vivos. Jo-
Muitos pobres levavam o mor- “Porque este é o meu nome.” xando o cobertor puído. O pei- gado na cama, cheio de dor e
to, de madrugada, numa rede to liso, sem pelos. O dorso das febre, contei o ocorrido. Menos
velha, para enterrar nos fundos “Seu nome?” mãos sardento do sol. O dedão a queda puteiro abaixo, não é?
do cemitério. Esperei na clarida- menor que o segundo dedo do
“De batismo e de cartório.” “Te conheço, Zimba. Bebedeira
de do poste. “Quem é o cristão?” pé. O infeliz era eu, sem tirar
O homem respirou fundo. nem pôr. braba.” Eu não merecia crédito.
“Não se sabe, meu branco.” Um
respondeu de má vontade. “Quantas cachaças vosmecê já Pensei no susto deles me Mas virei outra pessoa. Lar-
bebeu hoje? Respeite o finado.” olhando, se não fosse a lama e a guei a esbórnia e as raparigas.
“Vai sem nome?” Quem acredita na minha histó-
cara inchada.
Nervoso, pedi que me deixas- ria é Marina – segunda mulher e
“O nome é... Como é, Justino?”
sem ver o morto. Quem mais se- Sem ação, vi a dupla levantar a companheira até hoje. E o cha-
Justino embolou as palavras: ria merecedor desse estrupício rede, ir em frente e dobrar na pinha Floriano, lá no Céu.
“Hori,Horoban,ah,Horozimbano.” de nome inventado por meu pai? curva. O poste apagou. Clareava.

Senti um baque no peito: “De Arriaram a rede e tiraram o Cheguei esbaforido. Esmurrei
quê?” pano do rosto do defunto. a porta de casa, com pavor de *Servidora aposentada do TRT

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Nacional

O destino acerta con


Celso Lungaretti*

As dezenas de postagens no
YouTube referentes aos co-
mentários que o apresentador
Boris Casoy inadvertidamente
fez sobre os garis no Jornal da
Band já haviam sido vistas qua-
se 1,2 milhão de vezes. A mais
assistida estava na casa de 850
mil hits. Se alguém ainda não
sabe, o noticioso levou ao ar
saudações de Ano Novo de dois
simpáticos garis: um senhor
branco já com cabelos bran-
cos e um negro na faixa de 40
anos. Causaram ótima impres-
são, com seu ar digno e uma
alegria que não parecia força-
da. Depois, enquanto eram exi-
bidas vinhetas, ouviu-se a voz
de Casoy no fundo, comentan-
do com a equipe: “Que merda!
Dois lixeiros desejando felici-
dades do alto das suas vassou-
ras... dois lixeiros... o mais bai-
xo da escala de trabalho!”
No dia seguinte Casoy pediu
“profundas desculpas aos ga-
ris e aos telespectadores da
Band” pelo que escutaram em
razão de um “vazamento de
áudio” (na verdade, só ouviram
isso porque ele disse...). Fê-lo,
entretanto, de maneira buro-
crática e pouco convincente,
não aparentando estar nem
um pouco arrependido do des-
prezo aristocrático que mani- vezes a mesma pessoa é brin- Mais: nos idos de 1964, Ca- gura agradável na telinha, por-
festou pelos trabalhadores hu- dada com a sorte grande num soy chegou a ser citado em re- tanto estava direcionado para
mildes. As postagens relativas momento e tira o azar grande portagem da revista Cruzeiro uma carreira mediana no jorna-
no YouTube não somavam hoje adiante. Ou vice-versa. Casoy é como membro destacado da lismo, não fosse uma moeda que
nem 100 mil exibições. Lem- elitista, racista, conservador e juventude anticomunista. A caiu em pé. Isto aconteceu quan-
brei-me da rainha Maria Anto- reacionário desde muito cedo. quartelada o beneficiou, claro: do o comando do II Exército
nieta recomendando aos po- Um velho companheiro que foi homem de imprensa de um aproveitou uma frase impruden-
bres que, se não tinham pães, com ele cursou Direito no Ma- ministro do Governo Médici e te do cronista Lourenço Diafé-
que comessem bolos. Perdeu a ckenzie me contou: aos 23 do secretário da Agricultura de ria (sobre mendigos urinarem na
cabeça. Casoy teve mais sorte, anos, Casoy era um dos líderes SP, Herbert Levy, outra figuri- estátua de Caxias) para intervir
só quebrou a cara... da ala jovem do Comando de nha carimbada da direita. na Folha de S. Paulo.
Caça aos Comunistas (CCC), que
Fiquei matutando sobre o tinha nessa faculdade um de Mas, nem tinha texto de quali- Os militares exigiram a des-
destino e seus contrapesos. Às seus focos principais. dade superior, nem era uma fi- tituição do diretor de redação

14 http://sisejufe.org.br Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010


ntas com Boris Casoy
Cláudio Abramo (trotskista his-
tórico), o afastamento de al-
Sua carreira deslanchou.
Depois de comandar a reda-
guns profissionais (demitidos ção da Folha por sete anos Nos idos de 1964, Casoy Federação de garis
ou realocados) e o abranda- (saiu para dar lugar ao filhi-
mento da linha editorial. O nho do patrão), voltou a edi-
chegou a ser citado em processa apresentador
proprietário Otávio Frias, que tar a coluna Painel, cuja im- reportagem da revista por declarações
sempre se definiu como co- portância crescera. Finalmen- Cruzeiro como membro
merciante e não jornalista, ne- te, tornou-se conhecido pelo
gociou. Servil, aceitou até subs- grande público como apre- destacado da juventude
tituir Abramo por um homem sentador do telejornal Brasil anticomunista. A
de absoluta confiança do regi- do SBT, entre 1988 e 1997.
me militar: Casoy, que editava
quartelada o
o Painel (coluna sobre os bas- Novamente os fados o bafe- beneficiou, claro: foi
tidores políticos), então um jaram. Numa emissora que in-
espaço dos mais secundários vestia pouco em jornalismo, homem de imprensa de
o jeito foi deixar crescer o es- um ministro do Governo A Federação Nacional dos
no jornal.
paço do apresentador. Casoy Trabalhadores em Servi-
Igualmente secundário era pôde, assim, atuar como um Médici e do secretário ço, Asseio e Conservação,
Casoy para os leitores da Fo- âncora à moda dos EUA, fa- da Agricultura de SP, Limpeza Urbana, Ambien-
lha e para os próprios militan- zendo comentários catárticos
tes/simpatizantes da esquerda. sobre episódios de corrupção
Herbert Levy, outra tal e Áreas Verdes (Fenas-
con) protocolou uma ação
Suas posições fascistóides política (principalmente) que figurinha carimbada da civil pública contra a Band
eram ignoradas pela maioria. eram concluídos com um ou direita. e Boris Casoy no fórum
Aí, como diretor de redação, outro de seus bordões habi-
calhou de ser ele o principal tuais: “Isto é uma vergonha!' João Mendes, em São Pau-
defensor do jornal num episó- é “É preciso passar o Brasil a lo. O processo foi motiva-
dio de reação à censura. Ou limpo!”. de pelo nome de capitalismo. do pela frase polêmica
seja, sob palco iluminado, o Servindo tão bem aos interes- dita por Casoy no “Jornal
lobo teve seu momento de cor- Ou seja, para telespectado- ses do sistema, Casoy atraves- da Band” dia 31 de dezem-
deiro, o caçador de comunis- res da classe C e D, ele passou sou as duas últimas décadas
a personificar o justiceiro que
bro. Para Moacyr Pereira,
tas maquilou sua imagem para como um aclamado populista presidente da Fenascon, o
a de defensor da liberdade de atirava a verdade na cara dos televisivo de direita.
poderosos. É um público que, jornalista deve se retratar
expressão!
em sua ingenuidade, valoriza Só teve alguns percalços ao na Justiça.
desmesuradamente essa justi- exagerar na dose contra o Go-
ça retórica e ilusória, sem per- verno Lula, mas seus pés de “O pedido de desculpa foi
Casoy é elitista, racista, ceber que, depois do desaba- barro continuaram, tanto meramente formal, por
conservador e fo, continua tudo na mesma... quanto possível, ignorados isso não aceitamos. Ele foi
Assim, por novo golpe do des- pelo grande público. Agora, preconceituoso”, afirmou
reacionário desde muito tino, um comunicador azedo um acaso revelou ao Brasil in- o presidente.
cedo. Um velho conquistou a simpatia dos po- teiro que indivíduo insensível
e preconceituoso é, na verda- Para Pereira, se a ação re-
companheiro que com bres e dos muito pobres, ao
expressar seu inconformismo de, Boris Casoy. Alguns viram sultar em prestação de
ele cursou Direito no impotente face às agruras que este episódio como um exem- serviços públicos, “seria
Mackenzie me contou: os atingem e eles são incapa- plo da justiça divina em ação. interessante que Bóris Ca-
aos 23 anos, Casoy era zes de compreender em toda Quem sabe? soy fosse condenado a
sua extensão. trabalhar algumas horas
um dos líderes da ala
como gari, para que ele
jovem do Comando de É fácil canalizar seu justo
sinta a importância da
ressentimento contra os polí-
Caça aos Comunistas ticos desonestos. Tanto quan- * Jornalista e escritor, man- função”. Outras duas
(CCC), que tinha nessa to é conveniente, para os po- tém os blogues http://naufra- ações devem ser protoco-
faculdade um de seus derosos, mantê-los na igno- go-da-utopia.blogspot com e ladas, sendo uma delas
rância de que o maior vilão em http://celsolungaretti- criminal.
focos principais. suas sofridas existências aten- orebate.blogspot.com

Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010 http://sisejufe.org.br 15


MULHERES
Reprodução/internet

Simone de Beauvoir:
os 60 anos de uma
obra referência
Nalu Faria*
Reprodução/internet
O livro “O Segundo Sexo”, escrito pela francesa Simone de
Beauvoir, foi lançado em 1949 e marcou um novo momento
para o debate sobre a condição das mulheres e a relação
entre os sexos. Publicado em dois volumes, é uma obra
minuciosa, escrita com todo o rigor que caracterizava a
autora, que utilizou conhecimentos de várias disciplinas tais
como história, filosofia, economia, biologia e também de
experiências de vida para compô-lo com o intuito de colocar
a nu a condição feminina. Beauvoir buscou mostrar que a
própria noção de feminilidade era inventada pelos homens e
tinha como intenção a auto-limitação das mulheres.
Questionava que, apesar de todo o avanço da humanidade
até o século XX, a construção das mulheres como inferiores e
sua posição de subordinação permaneciam, e eram poucas as
pessoas que aceitavam denunciar ou condenar essa situação,
mesmo entre as mulheres. Dizia que elas tinham que se
adequar aos ideais e interesses masculinos. Realizarem sua
feminilidade as convertia em objetos e presas.

Por isso, as mulheres precisa- Segundo Sexo” influenciou de


vam superar o eterno feminino forma decisiva o surgimento da
que as engessava e formar o seu segunda onda do movimento fe-
próprio ser, escolher seu pró- minista, iniciada no final dos anos
prio destino, libertando-se das 60. Já foi traduzido para mais de
idéias preconcebidas e dos mi- 70 idiomas e continua uma refe-
tos pré-estabelecidos. O livro rência para novas gerações e o
buscou justamente desnaturali- feminismo atual, inclusive para
zar a construção da feminilida- aquelas que são criticas à visão
de e mostrar que esta é uma de Simone de Beauvoir.
construção social. Foi daí que se
tornou célebre a frase “não se A segunda onda do feminismo das mulheres, a desigualdade sa- va. Elas deveriam agir com liber-
nasce mulher, torna-se mulher”. teve como centralidade as rela- larial, a exclusão dos espaços de dade e autonomia para decidirem
ções entre o mundo público e o poder. Defendeu a construção de por si mesmas seu destino.
Simone de Beauvoir pode ser privado e trouxe para o debate um movimento autônomo, cons-
considerada herdeira da primei- que aquilo que se vive na vida pes- truído e dirigido por mulheres. Da
ra onda do movimento feminis- soal e familiar é político. Isso se mesma forma, colocou em deba-
ta, que teve nas francesas gran- deu tanto considerando as rela- te a necessidade da autoconsci- * Coordenadora da Sempreviva
des expoentes como Olympes de ções familiares, a sexualidade, o ência das mulheres como cami- Organização Feminista (SOF). Artigo
Gouges, Flora Tristan, Louise Mi- afeto, quanto em relação ao tra- nho para romper com o modelo originalmente publicado na “Folha
chel e tantas outras. O livro “O balho invisível e não reconhecido de feminilidade que as aprisiona- Feminista”, em novembro de 2009.

16 http://sisejufe.org.br Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010


A atualidade do pensamento da feminista francesa
Atualmente, é cada vez mais
comum ouvir que a vida das
Quando uma mulher beleza como norma a ser cum-
prida obrigatoriamente e que,
mulheres mudou muito, que já não se preocupa com supostamente, pode ser com-
conquistaram tudo. Mas jun-
to com isso, cresceu uma ou- a aparência, prada no mercado. Dessa for-
ma, são vendidas centenas de
tra idéia de que as mulheres considera-se que algo produtos e tecnologias que
são mais protetoras, acolhe-
doras, cuidadosas, éticas. Es- que está fora do lugar, prometem eterna juventude e o
corpo perfeito, ou seja, magro.
sas características, muitas ve-
zes, são usadas como argu-
é um desvio. Assim, Essa perspectiva de beleza
nação pelo HIV; há um incre-
mentos para dizer que as mu- podemos concluir que mento no tráfico e na prosti- está vinculada ao que se pode
lheres são mais eficientes ou, consumir. Ao lado da indústria
até mesmo, superiores. À pri- continuamos diante de tuição, etc. Há também um evi-
de cosméticos e da beleza, ou-
dente retrocesso ideológico.
meira vista, isso pode parecer um modelo de Entre os exemplos disso está a tro setor que aufere grandes
algo positivo, como se fosse expansão da mercantilização lucros com a mal-estar das mu-
um contraponto às idéias de feminilidade que da vida e do corpo das mulhe- lheres é a indústria de medica-
subordinação e inferioridade
das mulheres, e assim, as te-
aprisiona e nega a res, também marcada pela di- mentos. Esta também vende ilu-
sões de bem-estar e felicidade
mensão de classe.
ses de “O Segundo Sexo”, de liberdade e a enquanto invade o corpo e nega
Simone de Beauvoir, teriam De um lado, as privatizações sua autonomia. Mas, enfim, de-
sido superadas. No entanto, autonomia para dos serviços públicos e a di- vem ser agradáveis, flexíveis e
essa visão vincula as habilida- decidir. minuição do Estado de bem- bonitas, para mostrar que são
des construídas pelas mulhe- estar, sob o neoliberalismo, adequadas e femininas. Quan-
res à maternidade e conside- aumentaram o trabalho do- do uma mulher não se preocu-
ra que existe uma essência fe- Um pequeno número de mu- méstico e de cuidados. Ou pa com a aparência, considera-
minina, fixando-as em seu pa- lheres obteve ganhos expressi- seja, no mundo inteiro, foi so- se que algo que está fora do
pel tradicional. Portanto, se- vos. No entanto, elas são as bre os ombros das mulheres lugar, é um desvio. Assim, po-
gue não reconhecendo que mais pobres; a maior parte dos que recaiu enorme carga de demos concluir que continua-
elas são dotadas de inteligên- desempregados; cada vez mais trabalho, com a diminuição mos diante de um modelo de
cia e razão, ao mesmo tempo têm a responsabilidade de das políticas sociais. Do outro feminilidade que aprisiona e
em que relaciona as caracte- manter as famílias sozinhas; lado da mercantilização está nega a liberdade e a autonomia
rísticas à biologia. tem aumentado sua contami- a imposição de um padrão de para decidir. (Nalu Faria)

Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010 http://sisejufe.org.br 17


Nacional Edição deste ano terá programação descentralizada em diversas partes do país e do mundo

Fórum Social Mundial 2010 discute


dimensão da crise mundial
Reprodução/internet
Porto Alegre” terá atividades
autogestionadas na cidade e
região metropolitana (Canoas,
Sapucaia, São Leopoldo, Novo
Hamburgo, Campo Bom e Sa-
piranga). O Acampamento In-
ternacional da Juventude tam-
bém faz parte do evento.
AÇÕES NO RIO – Além dessas,
outras ações já estão progra-
madas para todo o ano como
parte das atividades da 10ª edi-
ção do FSM. Entre 22 e 26 de
março, o Rio de Janeiro será
palco das Ações pelo Direito à
Cidade, durante o Fórum Mun-
dial Urbano, da Organização
das Nações Unidas (ONU). Ou-
tros Fóruns Sociais também es-
tão programados em diversos
países, como o de Madri, na Es-
panha; o das Américas 2010, no
Paraguai; e o de Educação, na
Palestina. A ideia é promover
Índios caiapós participam da passeata de abertrua do fórum de 2009, em Belém do Pará
análises, propostas e experiên-
O Fórum Social Mundial crise mundial: econômica, po- cias dos participantes dos dife-
(FSM) voltou às origens. Após lítica, social, ambiental, alimen-
O evento contará com a rentes locais para reunir todas
dez anos de atividades, um dos tar, civilizatória e cultural. Para participação de no próximo evento centraliza-
eventos da 10ª edição será re- comemorar e debaterá os dez do, que acontecerá em 2011
pesquisadores e em Dacar, no Senegal.
alizado em Porto Alegre, no Rio anos de FSM, uma programa-
Grande do Sul, local do primei- ção diferente foi preparada. ativistas nacionais e
As centrais sindicais brasilei-
ro encontro. Lá, entre os dias Além do balanço de dez anos, internacionais, tais ras - CUT, CTB, FS, NCST, CGTB
25 e 29 de janeiro, acontece o o seminário debateu a atual
seminário internacional “10 conjuntura mundial, os ele- como: Boaventura de e UGT - preparam conferência
sobre práticas antissindicais no
Anos depois: desafios e pro- mentos de uma nova agenda e Souza Santos, de País, durante o Fórum Social
postas para um outro mundo a sistematização de questões e
possível”. No entanto, o FSM contribuições para o processo Portugal; David Harvey Mundial 2010, em Porto Ale-
gre. Para os sindicalistas, o FSM
deste ano terá uma programa- do FSM. Criado em 2001 como e Immanuel é um espaço importante para
ção descentralizada ao longo oposição ao fórum econômi-
de 2010 em diversas partes do co de Davos, o encontro se
Wallerstein, dos dar visibilidade às práticas an-
tissindicais ocorridas no Brasil,
mundo e do país. O fórum de consolidou como o principal Estados Unidos; e tais como perseguição, assas-
2010 tentará sanar as maiores ponto de debate dos movimen- Francisco Whitaker e sinatos e intervenção do Minis-
críticas recebidas até hoje, a de tos sociais e entidades da soci-
João Pedro Stédile, do tério Público com interditos
ser muito disperso e pouco edade civil do mundo.
proibitórios. Em dezembro, as
propositivo. Pela primeira vez,
O evento contará com a par- Brasil. entidades promoveram semi-
o evento se concentrará na dis-
ticipação de pesquisadores e nário sobre o tema no Pará,
cussão de suas perspectivas e
ativistas nacionais e internaci- tein, dos Estados Unidos; e estado e com um elevado índi-
estratégias.
onais, tais como: Boaventura de Francisco Whitaker e João Pe- ce de violências praticadas
As discussões tiveram como Souza Santos, de Portugal; Da- dro Stédile, do Brasil. O “Fó- contra lideranças sindicais e
ponto central as dimensões da vid Harvey e Immanuel Wallers- rum Social 10 Anos Grande trabalhadores.

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Direitos Humanos Tolerância religiosa, um direito inalienávvel

Feito um iaô Foto: Henri Figueiredo

Lucio Sanfilippo* A monografia de minha amiga/ Acabo de voltar da entrada de 3 Talvez, a solução para que o res-
orientanda Fátima sobre como o iaôs na minha casa de santo e, sem- peito à diferença invada os cora-
negro era retratado nos sambas pre, saio de lá envolto pela emo- ções seja a viagem do iaô de volta
“Todo fim de ano é fim de mun- de enredo dos anos 60 me faz ção da lembrança, do amor, da ao tempo da escravidão. Uma visi-
do e todo fim de mundo é tudo pensar em como é retratado hoje entrega, do sacrifício. O iaô é o ta ao hospital do câncer ou à Ilha
que já tá no ar, tudo que já tá. ainda, em tempos de internet, de que renasce. Renasce curado, sa- Grande, para perceber o quão frá-
Todo ano é bom, todo mundo é novas alternativas de vida. Como rado, livre de todos os males. Ex- gil é a vida humana à mercê das
fim. Você tem amor em mim”. nós negros, brancos, amarelos, perimentou uma vida e agora intempéries naturais ou patológi-
vermelhos nos vemos nas páginas, acorda renovado pelo desapego. cas e quão sem nexo é chutar a
Versos de Caetano Veloso em telas cada vez maiores e menores, santa do próximo. Lembrar o quão
Flor do Cerrado me vieram de Fica recolhido, tiram-lhe os cabe-
no dia a dia quase entrópico das los, amarram-lhe um chocalho ao grande pode ser essa vida, se to-
novo à cabeça na linda voz de Gal cidades que ainda desabam sob dos virarmos nossos braços tor-
Costa. Bahia, terra da felicidade, pé para que controlem seus pas-
fortes temporais. Na Bahia, roças tos e alimentarmos os estômagos
do Porto Seguro de entrada de sos. Come com as mãos aquilo
de candomblé derrubadas; no Rio, uns dos outros. E celebrarmos a
negros, brancos que, misturados que lhe dão como refeição. Ba-
a professora não pode utilizar o gratidão! Os diferentes, juntos,
aos habitantes naturais de Pindo- nha-se com a água e o sabão que
livro sobre Exu, recomendado não precisam ser desiguais. O
rama, deram origem a essa cultu- lhe cabem neste latifúndio. Vive
pelo MEC. Por outro lado, no Ins- caminho é feito para que todos
ra tão imensa quanto conturba- tituto Nextel aliado ao Cecip do o sofrimento pelo qual passaram trilhem e cheguem ao mesmo
da. O ano novo entrando com Rio, trabalho com liberdade – de incontáveis almas em corpos fim que se renova e se inicia, em-
força sob a bênção dos orixás, causar inveja, concordo – para maltratados desde a sua terra bebido de amor, saúde, paz e fe-
santos, duendes, e toda a sorte tratar dos temas e discutí-los com natal. Dorme e acorda novo, licidades tantas quantas mere-
de energias que se misturam so- os colegas de maneira democrá- outro. Porque valoriza a vida, çamos. Axé e feliz 2010!
bre o território rico, misturando tica e humana. É possível na atua- depois da sofreguidão e priva-
os ares e espalhando as diferen- lidade um diálogo em que as dife- ção e percebe o amor nos míni-
ças pelos subsolos sagrados. E o renças não precisem ser tolera- mos detalhes, quando lhe falta a * Cantor, compositor e pes-
amor em mim, em vós, em nós? das, mas respeitadas? família e nasce outra ali do lado. quisador cultural

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Músico e compositor que utiliza elementos do Candomblé em seu trabalho
Revisão Salarial diz que maior preconceito não é com a religião e sim no samba

“Eu optei pela senzala”


Max Leone e Roberto Ponciano*

Descendente de italianos católi-


cos, o cantor e compositor Lucio
Sanfilippo, de 38 anos, trocou a
“Casagrande” pela “Senzala”,
como ele mesmo diz, ao desco-
brir e assumir a religiosidade
oriunda da África. Branco, filho
de santo – seus pais no terreiro
são os Orixás Logum Edé e Oxum
– leva para a música todo o ritual
afro, utilizando batuque e danças.
Lança mão de dialetos e canções
do Candomblé. Em entrevista à
Ideias em Revista, Sanfilippo reve-
la, no entanto, que apesar de ma-
tar um “elefante” por dia e não
“um leão” para ter espaço na
grande mídia, não sofre precon-
ceito ao fazer a mistura com reli-
gião. Ele afirma que o problema Sanfilippo – Acontece porque co-
E como começou a tra- Santa Teresa: “Leve ele pra conversar
aparece ao cantar samba. “Eu so-
jetória na música? meço a detectar onde acho que falta com a moça de lá”. Lá, falaram que
fri preconceito quando comecei a
aparecer esse tipo de coisa para as pes- tinha que ser no Candomblé. Foi feito
cantar samba. É engraçado, né?”. Sanfilippo – Eu sempre gostei de
Sanfilippo conta relação com o Jon- soas poderem ter acesso. Quando co- trabalho e deu uma segurada até en-
cantar. A minha família é italiana e mecei a cantar não se ouvia Candeia trar na faculdade com 17, 18 anos.
go, com a Lapa, com a Educação e todos cantam, dançam. A Vanda Frei-
sua militância de esquerda. Ele cri- nem Geraldo Pereira. As pessoas me Começou de novo. Acabei frequen-
tas, uma amiga, e a Vita Paris me de- cobravam: “Você conhece aquela do tando e gostei.
tica a grande mídia que alega não
ram telefones de professores de canto. Lupicínio Rodrigues?” e eu tinha sorte
haver cantores na Lapa: “Como é
Eu comecei a fazer aulas. Nesse meio tempo você
que não tem cantor? Eu posso fa- porque conhecia. Meu pai tinha ban-
teve mais contato com o Can-
lar aqui uns dez.....” E a primeira experiên- ca de jornal. Eu ouvia discos que saí-
domblé?
cia na música... am nas bancas com compositores im-
O que você tem feito atu- portantes da MPB. Sanfilippo – Engraçadoacoisadaan-
almente? Sanfilippo – Vizinho e amigo de in- cestralidade. Eu gosto muito. Eu fazia
fância, falou: “Pô! Um amigo abriu E a descoberta da reli- aula de inglês e no curso sempre fiz tra-
Lucio Sanfilippo – Além de jorna-
barzinho em Santa Teresa e precisa de gião? balho sobre uma criolice. Fui fazer edu-
lista e professor de Educação Física,
canto às terças com o “Razões Africa- alguém pra cantar”. Foi em janeiro de cação física, na lição sobre folclore, fi-
Sanfilippo – Tem uma coisa que se
nas”, grupo formado por mim e três 94. Fiz um teste. Cantei 3 ou 4 músi- quei maluco com a Zezé do Folclore que
cas. Era um lugar pequeno. A maior chama ‘bolar’ no Candomblé. A pes-
cantoras do Jongo da Serrinha, a La- soa quando desmaia é aviso do Orixá éumanegonadehenê.Elafalou:“Senta
zir Sinval, a Dely Monteiro e a Luiza sensação. Eu fazia sambas antigos de aí no chão”, aquilo mudou minha vida.
Candeia, Geraldo Pereira, Noel Rosa, que você precisa ser iniciado. E eu tive
Marmello. E mais Marcello Mattos e Percebi que a escola emburrece...
Cartola, coisas que não se ouvia. Mis- isso com 8 anos de idade em casa. Mi-
Anderson Vilmar que tocam percus-
são. Tem o Maurício Abreu na viola e turava Mutantes, Secos & Molhados, nha mãe não sabia o que era, muito Tirou proveito?
cavaquinho, e o Adriano Furtado no Caetano. Era uma noite divertida. menos eu e o meu pai. Ninguém sabia.
violão 7 cordas. Sanfilippo – Acabei unido o útil ao
Porque está muito tem- Normalmente, o italia- agradável, a academia que me trouxe
E que tipo de música vo- po na estrada e sempre reman- no é muito católico.... o lúdico pra dentro da sala de aula, e o
cês tocam? do contra a maré? Sanfilippo – É. Lá em casa todos lúdico na realidade o meu trabalho
eram muito católicos. Comecei a fa- que é cantar. Peguei esses ritmos to-
Sanfilippo – A gente trabalha com Sanfilippo – Ao mesmo tempo em dos que eu tinha acesso e pesquisava e
música brasileira com inspiração que é matar um leão por dia, pra mim lar umas coisas. Minha mãe não en-
tendia, eu não me lembro. Ela se deses- levei pra noite também.
africana. Têm músicas africanas com é a felicidade. Eu não faço o menor es-
dialetos, canções de Candomblé. forço pra fazer esse tipo de coisa, gos- perou. Não sabia o que era. Me levou Você já foi hostilizado
Canto no Ernesto (bar), um trabalho to muito. É a minha vida que está ali. pra fazer eletro, terapia. Até que al- explicitamente?
antigo. Canto samba que é anfitrião guém da esquina falou: “Leva ele ali
dos ritmos brasileiros. E como acontece? na Umbanda”. Tinha uma aqui em Sanfilippo – Você levar Candomblé

Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010


pra um restaurante alemão, na Lapa... pensando: “Como é que não tem can- Sanfilippo – O Nestor teve ideia de Até que ponto a religião
(risos)... Não é propriamente a coisa tor?”, eu posso falar aqui uns dez: Mar- fazer o “Esposa da Antiga” dentro do influencia o seu trabalho?
mais comum de acontecer. Mas não cos Sacramento, Moisés Smart, Nuno, Antiquário. Lá na Rua do Lavradio. A
sou hostilizado porque canto coisas de Marta e Max, Alfredo, Pedro Paulo, Luciane Menezes que era cantora do Sanfilippo – As coisas todas se con-
Candomblé. Não sei se as pessoas se Pedro Holanda, Pedrinho Miranda, Dobrando a Esquina ficou grávida. Em fundem, por quê? O meu novo disco vai
surpreendem muito, porque eu sou novembro de 97 ela me ligou: “Lucio, se chamar “Flor do Velho Engenho”,
Edu, e eu né? Eu estou aí, e vou fazer 16
muito branco de pele. Na verdade, eu estou me sentindo mal, estou grávi- por exemplo, que faz uma referência
anos agora. E como é que não tem can-
nunca falaram comigo que acharam da. E eu não conheço ninguém que pos- ao Engenho Velho da Bahia, da 1ª casa
tor? Quer dizer, até nisso eles são pre- de Candomblé do Brasil, e de onde des-
estranho. As pessoas falavam que gos- sa ir lá cantar pra mim noite inteira de
conceituosos. Porque não tem cantor? cende a minha casa. Anitinha é a flor
tam muito de se surpreender, mas sem- samba”, e não tinha mesmo. Você pode
Umcaradejornalfalarissoévergonho- do velho engelho e personagem da mú-
pre para o bem. Eu sofri muito precon- irlá?Esódáotomqueosmeninosvão”,
ceito quando eu comecei a cantar o so. A minha aluna escreveu: “Você nun- sica era a minha avó de santo, mãe de
e foi o maior sucesso. Quando foi ter o
samba. É engraçado isso, né? ca foi na Lapa? Vai no Ernesto”. Tenho santo do meu pai de santo, que iniciou
neném, ela falou: “Lucio fica! - Claro”.
que pedir pro jornalista ir me ver pra sa- o meu pai de santo e que foi o que me
No samba tem mais pre- ber que eu existo há 15 anos. A Lapa voltou a ser um iniciou.ElapegouopovodeOrubáprin-
conceito? lugar de referência de cultura e cipalmente, e montou uma religiosida-
Sobre a parceria com o de resistência? de com todos esses Orixás... Eles convi-
Lucio Sanfilippo – É. Por ser branco Jongo, como você é recebido no vemnummesmoespaço.Oqueerauma
no meio daquele samba. Tem mais pre- quintal Tia Maria? Sanfilippo – Claro. Importante cidade inteira só pra cultuar o Oxossi,
conceito do que a religião. Mas até hoje também na criação do novo. Não adi- uma só pra Ogum, uma só pra Xangô,
tem gente que não me chama pra tra- Lucio Sanfilippo – O Jongo foi anta fica só “Vamos cantar a velha lá é cultuado no mesmo espaço. Quan-
balhar. Não sei se por eu ser branco ou amor à primeira vista. A gente se apai- guarda da Portela, da Mangueira”. do eu digo a Flor do Velho Engenho, só
pela voz que não é uma voz comum, é xonou. Aí, eu resolvi fazer uma mono- Mas você compõe... Tem muita gente pra falar um pouco do disco, eu digo
aguda. Eu sei que muita gente que co- grafia sobre o Jongo, me formei em hoje em dia fazendo música. As pesso- que a flor é a parte condutora...Fui des-
meçou depois de mim teve muito mais Educação Física. Peguei as letras e do- as conseguiram espaço ali, não exis- cobrir isso agora depois de estudar um
espaço na mídia. Isso que você diz, cumentei. A Serrinha me botou no colo
tia nada. pouquinho mais. A história religiosa, a
matar um leão por dia, vamos falar de desde o primeiro momento. Então, vou
percussão religiosa, é um negócio que
mídia. Eu não consigo até hoje. Não lá na Tia Maria, entro na casa dela e ela A mídia é cruel em ter- encanta. O tambor é uma coisa que vi-
tenhoumareportagemdessetamanhi- pergunta o que eu quero comer. A hora mos de qualidade? bra de tal maneira..Emociona. É uma
nho assim. Pra conseguir um tijolinho que eu quero: “Tia Maria vem fazer
Lucio Sanfilippo –Eu escolhi sofrer coisa do arrepio. Eu não consigo mais
no jornal, tenho que matar um elefan- uma participação aqui no Ernesto”,
nãotemumavezqueelanãová.Euche- com isso, na verdade, porque eu faço o separar isso do trabalho.
te, não é um leão. Noutro dia, uma alu-
na mandou uma resposta que ela deu go na Serrinha, ela fala: “Eu sei as suas meu trabalho lá dentro do restauran- No seu trabalho você fez
para o Joaquim Ferreira dos Santos, de músicas todas do seu disco”. Cantei em te alemão, e o meu disco é resultado um CD...
O Globo, que escreveu que não tem can- dezembro no Império Serrano, no ani- do meu trabalho. Acho que as pessoas
tornaLapa:“Cadêoscantores?”Eunão versário da Tia Maria, ela fez 89 anos. da Lapa, a Teresa Cristina que é a mais Sanflippo – Eu tenho um CD solo cha-
li porque eu não leio O Globo, não sou Ela falou: “quer que eu cante agora? sortuda de todos, que desde o início as mado “Canções de Amor ao léu”, é o
muito adepto de ficar lendo... Qual é que você quer que eu cante?” pessoas, e a mídia se aproveitam tam- meu 1º disco solo, com a participação
bém porque ela é negra. Não vão dar daLiadeItamaracá,comaTiaMaria...
É uma posição política? E o renascimento da espaço pra mim. Eu vou falar o quê? EtemoCDantesdessequechama“Cor-
Lapa? Como é que você se inse- Eles querem botar um negro que não- deldasFitas”,queeufuiconvidadopelo
Lucio Sanfilippo – É. A gente fica riu nisso? sei-o-quê, que fez, que veio do subúr- Lenildo Gomes do Dobrando a Esqui-
bio, e não-sei-o-quê,. na. Agora estou fazendo esse novo dis-
co que é “A Flor do Velho Engenho”, no
Você é uma pessoa que mesmo molde do outro disco, que é mi-
tem alternativa socialista. Isso nha vida mesmo, que é essa coisa mili-
se reflete no seu trabalho? tante, pedagógica, religiosa mistura-
da. Quis botar músicas de amigos que
Sanfilippo – O meu trabalho na edu-
são talentosos. Deve sair depois do car-
cação e o meu trabalho a noite, eles se
naval junto com um livro também que
confundem. Eu resolvi trabalhar com
eu vou lançar.
isso. Eu cismei que felicidade e amor são
as coisas mais importantes. E acho que O livro trata sobre...
vocêtemqueterconhecimento,eporque
não conhecimento se divertindo com a Sanfilippo –O livro é sobre interdis-
cultura e com a dança e com a música? ciplinaridade na escola. Chama “In-
Você pode falar do amassar o café no terdisciplinando a Cultura na escola
Jongo, você está falando da farinha de com o Jongo” e que é o que eu estava
café, eu acabei de falar aqui que o Jongo falando: Por que a gente não se diver-
veio da farinha de café. É o passo para te? Por que não aprende se divertin-
amassar o café, está se movimentando, do? A escola esquece que pode brin-
dançando, está se divertindo... car, cantar, dançar e aprender. Eu
faço essa proposta de dar uma aula
Você veio da casa gran-
de, você é descendente de euro- de Jongo. E as outras disciplinas que
peu, e mudou pra senzala? se integrassem e planejassem nas au-
las com conteúdos relacionados ao
Sanfilippo – Eu optei pela senzala, universo do Jongo. E no final de tudo
porque,naverdadeeunascinasenzala. tem sugestões dos professores de ou-
(risos...)Temligaçãoantiga.Porquenão tras disciplinas dizendo: eu posso tra-
é possível não ter, então, eu faço isso. balhar assim com conteúdo.

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Opinião Guerrilheiro recebe homenagens no Rio e em SP que reforçam importância de sua luta

Edileuza Pimenta Lima*

Carlos Marighella, um mulato baiano, como ele mesmo se definia, foi assassinado há 40 as poderiam contemplar aos
adeptos da Alternativa Bolivaria-
anos, em São Paulo, em 4 de novembro de 1969, durante emboscada armada pelo delega- na para as Américas, pois, segun-
do Sérgio Paranhos Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Filho de do enunciou em outro documen-
imigrante italiano com negra descendente de escravos, nasceu em 1911. Abandonou os to, o Chamamento ao Povo Brasi-
estudos de Engenharia quando tinha pouco mais de vinte anos e aderiu ao Partido Comunis- leiro, de dezembro de 1968, en-
ta Brasileiro (PCB). Foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte de 1946 após passar tre algumas das medidas estaria
mais de seis anos preso. Teve o mandato cassado em 1948, foi para clandestinidade da qual a seguinte: “Tornaremos efetivo
o monopólio estatal das finanças,
não mais saiu. Com o golpe de 1964, passou a discordar das teses de resistência pacífica do
comércio exterior, riquezas mi-
PCB. Em fins de 1967, fundou a organização guerrilheira Ação Libertadora Nacional (ALN). nerais, comunicações e serviços
fundamentais”.

Em novembro de 2009, Mari- em dezembro último no espa- Ele não poderia ser mais Após 40 anos de sua morte, o
ghella recebeu o título póstu- ço da Caixa Cultural. pensamento de Marighella perma-
mo de cidadão paulistano. A ci-
atual. Se tivesse nece vivo. Há décadas ele dizia que
dade de seus assassinos reco- Ao defender a luta armada, ele sobrevivido, analisaria o as elites brasileiras já tinham mos-
nheceu a importância de sua falava do perigo de os marxistas, trado seu fracasso, e que uma es-
seguindo estratégia pelo caminho fenômeno recente da
luta. Exposições sobre sua vida tratégia revolucionária deveria le-
ocorreram em São Paulo, no pacífico, “ajudarem a transformar guinada à esquerda da var em conta a separação entre o
o Brasil num país social democrá-
Memorial da Resistência; e em América Latina partido do proletariado e os par-
Salvador, no Teatro Castro Al- tico, exercendo em nome dos Es- tidos da burguesia. É justamente
ves. No Rio, na Caixa Cultural, tados Unidos o papel de freio do isso o que falta ao país. Marighe-
movimento de libertação da Amé- criticando o modelo brasileiro
na avenida Almirante Barroso, lla sempre soube que “o segredo
rica Latina”. Ele não poderia ser que, apesar das condições objeti-
a exposição terminou em 17 de da vitória é o povo” .
mais atual. Se tivesse sobrevivido, vas não consegue avançar em di-
janeiro. A vida de Marighella é
reção ao programa que ele pre-
contada por meio de cartas, li- analisaria o fenômeno recente da
conizava para o Brasil.
vros, depoimentos, fotos e tex- guinada à esquerda da América
Latina, por meio da ascensão do *Técnica judiciária da Justiça Federal
tos da autoria do próprio. Ele Se em 1967 Marighella aderiu Venezuela, historiadora e autora do
também recebeu o título de ci- nacionalismo revolucionário em à Organização Latino-Americana livro “Virgílio Gomes da Silva – De
dadão carioca “in memoriam” países como Venezuela e Bolívia, de Solidariedade, hoje suas idei- retirante a guerrilheiro”.

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Nacional Investigação da PF revela escândalo na administração no Distrito Federal

Mensalão do Democratas
marca gestão de Arruda
ras como ACM, Borhausen, Ma- nunciou ao mandato de sena-
luf, Sarney, etc. A partir de dor para evitar a perda dos di-
1979-80, o país voltou a ter vá- reitos políticos. Foi para o DEM
rios partidos. Assim, a Arena aumentando a longa ficha cor-
(Aliança Renovadora Nacional) rida de escândalos de corrup-
mudou de nome e passou a se ção do partido.
chamar PDS. Ouvia-se nas ruas
Flagrado pela operação Caixa
o coro popular: “o povo não es-
de Pandora, da Polícia Federal,
quece, abaixo o PDS!”. Foi pre-
que revelou ao país um possível
ciso mais uma vez mudar de
esquema de caixa dois e paga-
nome e o PDS rachou em dois mentos de propinas a políticos
novos partidos, o PP e o PFL. em Brasília, o Mensalão do DEM
Para aqueles que acompanham movimentaria milhões de reais e
um pouco da política, o PFL mu- já funcionaria, sem interrupção,
dou novamente de nome e ago- há dez anos. Em três dezenas de
ra se chama Democratas e é di- vídeos divulgados – há centenas
rigido pela segunda geração de outros ainda inéditos – foi
“daqueles” políticos: neto do possível ver o governador José
ACM, filho do Borhausen, filho Roberto Arruda receber R$ 50
do César Maia, etc. mil em caixa dois; o presidente
E o José Roberto Arruda, você da Câmara Legislativa, deputado
lembra dele? Pois é, quem acom- Leonardo Prudente (DEM), guar-
panha um pouco de política, dar dinheiro nas meias; deputa-
com certeza vai lembrar. Em dos orando a Deus em agradeci-
mento pela propina; e empresá-
2001, Arruda era senador pelo
Em 28 de junho de 2007, o Blog vice, de deputados e de secretári- rios, ora colocando maços de di-
PSDB do Distrito Federal e líder
Democrata, oficial do partido De- nheiro na cueca, ora pagando
os estarem envolvidos em falca- do governo FHC no Senado. O
mocratas (DEM), publicou um tex- propinas em troca de contratos
truas. Imagens gravadas mostram escândalo foi a violação do pa-
com o governo de Brasília. Além
to em que se referia ao PT. Na oca- até o presidente da Câmara Legis- inel da Casa. O presidente do
de Arruda, o vice-governador
sião, matéria foi veiculada em que lativa do DF, deputado distrital Senado era ACM (PFL) e houve
Paulo Octávio Pereira (DEM), oito
num trecho dizia: “O Globo de Leonardo Prudente, ex-DEM e um processo de cassação do
dos 24 deputados distritais de
hoje informa que 'passados mais atualmente sem partido, colocan- senador Luiz Estevão (PMDB-DF)
Brasília e a maioria dos secretári-
de dois anos do escândalo do do maços de dinheiro na meia. por quebra de decoro parla-
os do governo do DF são suspei-
mensalão...o PT está decidido a Uma liminar da Justiça determi- mentar naquele escândalo de
tos de se beneficiarem do esque-
esquecer o passado'. O Blog De- nou que Prudente fosse afastado desvio de recursos na constru-
ma. São investigados também de-
mocrata, porém, tem memória. E do cargo. ção do prédio do TRT. Lembra- sembargadores do Tribunal de
não esquece a “quadrilha do men- se do “Lalau”? Acontece que a
Para refrescar a memória de Justiça e promotores públicos.
salão que se instalou no governo votação da cassação no plená-
Lula”. Ao tentar posar de guardião quem sabe, ou pelo menos ten- rio do Senado era para ser se- Ao começar o governo no DF
da moralidade nacional, no ano ta esquecer, é bom relembrar creta, mas ACM e Arruda con- em 2007, Arruda tentou impri-
passado, veio à tona o Mensalão um pouco da história do Demo- seguiram a lista e o voto de cada mir a sua gestão a marca de um
do Democratas, capitaneado pelo cratas. Durante a ditadura mili- senador, e passaram a chanta- administrador moderno. Anun-
governador do Distrito Federal, tar, existiam apenas dois parti- gear aqueles que não votaram ciou corte de despesas, a revi-
José Roberto Arruda, então no dos. O da oposição era o MDB e como eles queriam. No início, são de contratos e a suspensão
DEM. No possível esquema inves- o que apoiava a ditadura era a fez um discurso na tribuna do de pagamentos. Mas ao que tudo
tigado pela Polícia Federal, exis- Arena. Naqueles tempos, desfi- Senado, negando os fatos. indica não será essa a marca que
tem indícios do governador, do lavam na política nacional, figu- Quando a coisa complicou re- deixará na política.

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Nacional “Se algum brasileiro se engajar na defesa do PNDH, a 'crise militar' terá valido a pena”

O que aprendi na polêmica do PNDH


Luiz Carlos Azenha* Folha, do Estadão, páginas da ta para o jato americano e de bron- tagem do Jornal da Band que jun-
Veja, Ali Kamel,Boris Casoy, Ives ze para o jato francês, justamente ta tudo o que pode haver de pior
Gandra Martins, Confederação o preferido do presidente. Some- no Jornalismo: deveria ser grava-
Definiu um leitor do Nassif que Nacional da Agricultura, OAB se a isso o descontentamento mi- da e mostrada nas salas de aula
“a montanha pariu um rato". Se- paulista (a mesma do “Cansei”), litar com o Plano Nacional dos pelos professores como exemplo
setores conservadores da Igre- Direitos Humanos, especificamen- de como não fazer.
ria uma boa imagem se, depois de
tantos litros de tinta, tantas pági- ja, José Nêumanne, Alexandre te com a Comissão da Verdade (...)Há que se investigar o pas-
nas de jornal, tantos minutos em Garcia e uma infinidade de ou- para apurar os crimes cometidos sado, punir os criminosos que
emissoras de rádio e televisão de- tros personagens menores. O pela “repressão política” durante cometeram seus crimes em nome
dicados à polêmica do Plano Na- leitor Gustavo Paim Pamplona o regime militar. e em defesa de um regime ilegíti-
cional de Direitos Humanos disse, em comentário, que o ter- mo. Ponto. De outra parte, se al-
(…) Resisto em acreditar em
(PNDH) não extraíssemos absolu- remoto no Haiti - e as trágicas gumas centenas de brasileiros se
maquinações que requeiram a engajarem na defesa dos princí-
tamente nada. Não foi o caso. Po- mortes de Zilda Arns e dos mili-
articulação de mais de meia dú- pios expressos no PNDH, a “crise
demos dizer que a polêmica pa- tares brasileiros - abortou a pri-
zia de pessoas. Mas o “modo de militar” terá valido a pena.
riu discussão sobre Direitos Hu- meira grande “crise” de 2010.
operação” é conhecido: os jor-
manos e renovou o ímpeto daque- (…) Dava para notar para onde nais repercutem notícias uns dos Descomprimir a imensa pane-
les que lutam para aprofundar a caminharia a “crise”, não fosse outros, que ganham perna nos la de pressão que é um país in-
democracia e fazer valer direitos pelo infortúnio caribenho: iria telejornais e...vira uma bola de justo como o Brasil requer paci-
não apenas aos latifundiários da bater às portas da Casa Civil e de neve. Vi isso nos tempos em que ência e cuidado, especialmente
terra e do espaço eletromagnéti- era repórter da TV Globo: sai na quando mudanças rápidas co-
Dilma Rousseff. Há quem diga que
co. Um leitor do Viomundo apon- Veja, ganha pernas no Jornal locam em xeque um modelo con-
foi tudo tramado por José Serra
tou o nexo entre esses dois gru- Nacional de sábado, sai nos centrador de renda, de terra e
ou assessores dele: a crise perfei- de poder. Nesse contexto, Direi-
pos por trás da polêmica. jornalões de domingo e segun-
ta. Presidente da República em tos Humanos representam uma
férias, a musa da febre amarela da-feira tem “crise”.
Não é por acaso que, do lado ameaça por serem exatamente
de lá, sustentando a teoria doi- vaza relatório que ainda não ti- (…) A falta de entendimento o que são: universais.
divanas de que o PNDH repre- nha chegado ao Ministério da De- ou a má fé - é difícil dizer quan-
senta algum tipo de “cobertu- fesa dando conta de que a FAB do é preguiça e quando é malícia * Jornalista – Leia a íntegra em http://
ra” a um “golpe autoritário” no montou pódium com medalhinha - resultou em abordagens inacre- www.viomundo.com.br/opiniao/o-
Brasil, estavam editorialistas da de ouro para o jato sueco, de pra- ditáveis, como a já famosa repor- que-aprendi-na-polemica-do-pndh/

CUT e ABGLT são favoráveis ao programa


A Central Única dos Trabalha- xuais de lésbicas, gays, bissexu- verdade e da justiça sobre os cri- único país da América Latina
dores (CUT) divulgou nota, no ais, travestis e transexuais são di- mes de lesa-humanidade come- que ainda não julgou seus tor-
dia 11 de janeiro, em que de- reitos humanos e por isso funda- tidos por agentes de estado. Nos turadores.
fende a política de direitos hu- mentais a serem respeitados em países que têm essa mácula, isso
A CUT se soma aos diversos se-
manos desenvolvida pelo gover- uma sociedade democrática. é mais um direito, é um desejo
tores sociais e do governo fede-
no federal e pede a punição dos Confira a nota da CUT: legitimo da sociedade e deve ser
ral, especialmente, com o Minis-
responsáveis pelos crimes co- implementado pelo Estado.
Em defesa dos direitos huma- tro Paulo Vannuchi, na defesa
metidos por agentes do Estado da democratização da socieda-
nos, da verdade e da justiça Os defensores da tortura ale-
durante a ditadura militar. No gam que os dois lados em confli- de brasileira. Banalizar a tortu-
texto, a central acredita que a “O Programa Nacional de Di- to deveriam ser investigados. ra favorece a continuidade da vi-
iniciativa “é um desejo legítimo reitos Humanos do Governo Fe- Acontece que os opositores da olência dos agentes de Estado
da sociedade e deve ser imple- deral tem levantado um debate ditadura militar já foram puni- contra a população pobre e dos
mentado pelo Estado”. A Asso- importante na sociedade brasi- dos, com sequestros, cárceres movimentos sociais no país. Não
ciação Brasileira de Lésbicas, leira com suas propostas de de- clandestinos, estupros, mortes, à impunidade! Que a verdade e
Gays, Bissexuais, Travestis e mocratização e de aplicação dos “desaparecimentos”, prisões, justiça prevaleçam sobre os tor-
Transexuais (ABGLT) também direitos fundamentais para am- torturas, exílios forçados. Mesmo turadores!”
manisfestou apoio às resoluções plos setores sociais. Essas propos- dentro das leis do regime de ex-
presentes no Programa Nacional tas alteram o status quo de quem ceção, foram cometidos crimes
de Direitos Humanos. A entidade advoga a manutenção do silên- de lesa-humanidade que nunca Do portal Mundo
compreende que os direitos se- cio, pois suscita a investigação da foram investigados. O Brasil é o do Trabalho/CUT

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Nacional/Inter Apesar de chororô dos militares, Plano Nacional
dos Direitos Humanos sairá do papel

Lula cria grupo de trabalho para


elaborar Comissão da Verdade
Em decreto assinado dia 13 de um decreto presidencial. A pre-
janeiro deste ano, o presidente sidente do Chile, Michelle Bache-
Luiz Inácio Lula da Silva pôs fim let, também decidiu liberar os
nos desentendimentos entre se- arquivos da ditadura de Pino-
tores militares e a pasta dos Di- chet, que permaneceu no poder
reitos Humanos em torno do III até 1990.
Programa Nacional de Direitos
Humanos. Com a medida, Lula “Manter classificações de
cria o grupo de trabalho para segurança de caráter não pú-
elaborar o projeto de lei da Co- blico, em relação a informa-
missão da Verdade, suprimindo ções e documentação relati-
a expressão “repressão política” vas às ações das forças arma-
da parte que trata da apuração das durante a vigência do ter-
de casos de violação de direitos rorismo de Estado, vai con-
no contexto do regime militar. tra a política de memória, ver-
dade e justiça que o Estado
Em seu blog, o jornalista Pau- vem adotando desde 2003”,
lo Henrique Amorim, afirma que indicou o decreto assinado
Lula saiu vitorioso e enumera: Lula matasse a Comissão da Ver- classe média, que se viram im- pela presidente argentina,
dade e, com isso, fazer com que pedidos, pelos algozes, de pros- Cristina Kirchner.
“Vitória número 1 de Lula so- Lula capitulasse diante dos mili- seguir seus estudos nas escolas,
bre Jobim: a Comissão da Ver- tares como Fernando Henrique onde a liberdade de pensamen- Essa medida agilizará “a
dade vai existir; a finalidade da capitulou. Lula abriu a porta to não era permitida, que dirá a grande quantidade de reque-
comissão da verdade permane- para punir os torturadores”. de expressão!” rimentos judiciais de informa-
ce, ou seja, apurar os crimes dos ção” criados a partir da rea-
torturadores. O ministro serris- A também jornalista Hildegard Enquanto isso, nos bertura de centenas de cau-
ta Nelson Jobim tentou dinami- Angel, do Jornal do Brasil, não otros hermanos.... sas por violações dos direitos
tar a Comissão da Verdade e poupou críticas às reclamações Ao mesmo tempo em que os humanos após a anulação, em
botou um bode na sala. O bode dos militares contra o Plano Na- militares brasileiros reclamam 2003, das leis de anistia, se-
na sala era a utilização da ex- cional dos Direitos Humanos. da possibilidade de serem inves- gundo o decreto.
pressão “repressão política”. “Despertam como se fossem tigados, nossos vizinhos, que
Agora, Lula devolve o bode ao zumbis ressuscitados e vêm as- também sofrem os horrores da O material em questão - que
quintal do ministro traíra e ser- sombrar nosso cotidiano com ditadura, tomaram atitudes di- era acessível apenas ao Arqui-
rista. E a Comissão da Verdade elogios à ação sanguinária dos ferentes. O governo da Argenti- vo Nacional da Memória, que
passa a ser para apurar “viola- ditadores, os quais torturaram na tornou acessível toda a do- administra a documentação
ções dos direitos humanos”. e mataram nos mais sórdidos cumentação existente sobre as do Ministério da Defesa - não
porões deste país, com instru- ações das forças armadas du- podia ser publicado sem um
Ou seja, o golpe de Jobim e de mentos de tortura terríveis, bar- rante a última ditadura (1976- decreto específico em cada
Fernando Henrique Cardoso não baridades medievais, e trucida- 83), com exceção dos fatos re- caso, informou a secretaria
deu certo. Fernando Henrique ram nossos jovens idealistas, na gistrados durante a Guerra das de Direitos Humanos em um
Cardoso e Jobim queriam que grande maioria universitários da Malvinas de 1982, por meio de comunicado.

Bolívia será único país do mundo a eleger juízes por voto


O vice-presidente boliviano sistema judicial na qual os car- diu designar autoridades judici- se deve eleger as autoridades dos
Alvaro Garcia Linera anunciou gos da administração jurídica em ais por um ano e de maneira inte- órgãos Supremos da Justiça. Ele
que a Bolívia elegerá por voto diversos níveis hierárquicos serão rina, mediante lei transitória que mencionou que as mudanças do
seus juízes e magistrados. O ob- escolhidos com o voto do povo será a primeira norma a ser apro- Poder Judiciário requerem trans-
jetivo é melhorar o sistema judi- pela primeira vez na Bolívia e no vada pela nova Assembleia Legis- formação do próprio comporta-
cial na nação andina. “A Consti- mundo”, assinalou Linera. lativa Plurinacional. A Carta Mag- mento dos funcionários da Justi-
tuição Política do Estado (CPE) na, conforme explicou o vice-pre- ça para mais acessível, rápido, efi-
estabelece uma revolução do O presidente Evo Morales deci- sidente boliviano, estabelece que ciente e protetor do cidadão.

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Reforma Agrária

Palestinos da Amazônia vivem em Rondônia


Fotos: Carlos Latuff
Carlos Latuff*

A convite do Centro Brasileiro


de Solidariedade aos Povos (Ce-
braspo) passei uma semana na
companhia de lavradores nos
acampamentos da Liga dos Cam-
poneses Pobres (LCP), no interi-
or de Rondônia, em outubro do
ano passado. Ao lado dos alde-
ões, tive a honra de comer, par-
ticipar das conversas, da rotina,
tomar conhecimento das neces-
sidades, demandas e sonhos.
Povo forte, que sofre o diabo,
mas que não tem medo dele.
Passei as noites numa cabana de
palha, onde vivem seu Abel e sua
esposa Zilda. Reservaram uma
cama para mim, me receberam
com todo carinho e gentileza.
Mesmo na simplicidade da chou-
pana, havia extrema preocupa-
ção em me agradar.
Acordava-se bem cedo, ainda
escuro. “Bom dia, dormiu bem?".
Escova de dentes na mão, rumo
ao rio que beira a cabana. No Vista de um dos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres no coração de Rondônia
moedor à manivela, os grãos de
café eram preparados para o vidos, um rigor que não tem sido
desjejum. O leite fervia no fo- aplicado a latifundiários.
gão a lenha. A mesa posta, o si-
lêncio era discretamente inter- O histórico de violência naque-
rompido tanto por mim quan- la área já vem de longe. No Bra-
to pelos pássaros. Seu Abel se- sil Colônia, o vale do Guaporé
guia para a roça, para cortar foi palco de disputas imperialis-
lenha, capinar, irrigar mudas, tas entre Portugal e Espanha,
para transformar seu pequeno que só terminaram com o Tra-
pedaço de selva em lar. tado de Madrid em 1750. No
século XVIII, com o ciclo da mi-
Os lavradores humildes preci- neração e particularmente no Latuff entre os camponeses “Marcão” e seu Abel
sam de bem pouco para viver final do século XIX, com o ci- dônia em 1956, em homenagem de vontade poderosa, capaz de
uma vida digna. Com o argu- clo da borracha, grande leva ao marechal Cândido Rondon, enfrentar os rigores da Amazô-
mento do combate ao desmata- de migrantes de diversas par- militar que entre 1910 e 1940 nia Ocidental. O clima equatori-
mento, o Ibama persegue e apli- tes da Bolívia foi atraída, cau- comandou expedições de Cuia- al, extremamente quente e úmi-
ca multas altas aos que vivem da sando conflitos. Só foram re- bá até o Amazonas para instalar do, onde o sol castiga a carne,
agricultura de subsistência, usa solvidos em 1903 com o Trata- linhas telegráficas e levar a boa as doenças tropicais como a
a Polícia Federal, a Força Nacio- do de Petrópolis. e velha civilização branca aos leishmaniose e a malária, que
nal de Segurança e o Exército índios. Rondônia torna-se esta- por aquelas bandas são tão co-
para sufocar as comunidades, Em 1943, como resultado do do em 1982. muns quanto um resfriado, ani-
como no caso de Rio Pardo. Lá, desmembramento de áreas dos mais selvagens como onças, por-
barreiras foram erguidas nas estados do Amazonas e do Mato O que pude presenciar duran- cos-do-mato e serpentes vene-
entradas e saídas, pessoas e veí- Grosso, foi criado por Getúlio te minha visita foram trabalha- nosas, um risco sempre presen-
culos revistados, postos de com- Vargas o Território Federal de dores rurais e suas famílias ar- te, oculto pela densa vegetação.
bustível do acampamento remo- Guaporé, rebatizado para Ron- mados, isso sim, de uma força Operações constantes do Ibama

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Não são os rigores da
selva amazônica os
maiores inimigos do
povo do campo. São os
fazendeiros milionários
e seus exércitos
particulares formados
por assassinos de
aluguel e policiais,
cujas ações criminosas
são sustentadas por
políticos locais
Base da Força Nacional de Segurança em Rio Pardo (RO) e a imprensa
Maiores inimigos dos camponeses são os
fazendeiros e seus exércitos de assassinos
Não são os rigores da selva ama-
zônica os maiores inimigos do
povo do campo. São os fazendei-
ros milionários e seus exércitos
particulares formados por assas-
sinos de aluguel e policiais, cujas
ações criminosas são sustentadas
por políticos locais e a imprensa,
que alimentada com verbas pu-
blicitárias e mesmo matérias pa-
gas, tenta demonizar a justa resis-
tência dos pequenos agricultores.
Conceitos como direitos huma-
nos e cidadania inexistem nos
cantões de Rondônia. A pistola-
gem é instituição consagrada pela
No Brasil Colônia, o sociedade. Numa corrida de taxi
em Ariquemes, com mais três pas-
vale do Guaporé foi sageiros, ouvi animadas histórias
palco de disputas de fazendeiros, políticos e mortes
imperialistas entre encomendadas. Uma delas repro-
duzo aqui:
Portugal e Espanha,
Caminhando pela imensidão da selva amazônica
que só terminaram Um homem pescava num rio.
Conseguiu apanhar dois pintados. caso com o pessoal da LCP, me tivas, em mãos de ricos fazendei-
com o Tratado de Amarrou os peixes na garupa de disseram que ele teve sorte de não ros, servirão aos interesses do
Madrid em 1750 sua bicicleta e seguiu por uma ter sido simplesmente baleado. É agronegócio.
estrada. No meio do caminho foi somente uma das histórias que
e das polícias tentam tomar os parado por um fazendeiro e seu explicam a razão da revolta que o
armamentos rústicos das mãos jagunço numa caminhonete. camponês traz consigo no peito. "Dedico este ensaio a Elcio
dos lavradores, impedindo que Machado "Sabiá", que conhe-
“Onde você pescou isso?”, per- Historicamente, a reforma agrá- ci pessoalmente e Gilson Gon-
eles se defendam tanto de ani-
guntou o fazendeiro. ria no Brasil nunca se deu de ma- çalves, ambos sequestrados,
mais ferozes quanto de pistolei-
ros. O direito à legítima defesa neira espontânea pelos governos, torturados e assassinados
“Naquele rio logo ali”, respon-
também lhes é negado. Os cam- e sim pela pressão feita pelos mo- por pistoleiros em Buritis, no
deu o sujeito.
poneses seguem resistindo a es- vimentos populares de luta pela interior de Rondônia, no dia
tas agressões como podem. Não “Então pode deixar por aí mes- terra. No caso da LCP, sequer con- 9 de dezembro de 2009, dois
se entregam nunca. São os pa- mo, que aquele rio é meu”, disse o ta com o Incra para assentar as meses depois de ter produ-
lestinos da Amazônia. fazendeiro, no momento em que famílias. Para os integrantes da zido essas fotos".
o capanga já saía do veículo de LCP, não existe o conceito de “de-
*Cartunista e colaborador da forma ameaçadora. O pescador sapropriação de terras improdu- Carlos Latuff
Ideias em Revista teve de fugir. Ao comentar esse tivas”, visto que mesmo as produ-

Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010 http://sisejufe.org.br 27


Democracia da Mídia

A primeira luz numa nova era


I Conferência Nacional de Comunicação abre as portas e indica
os caminhos para a regulamentação e a democratização de um
dos mais importantes e oligopolizados setores do país

Plenária cheia: 20% dos participantes eram do poder público, 40% da sociedade civil, Ongs e sindicatos e 40% de empresários do setor
mente por apenas seis ou sete repórteres ao prédio da Assem- tórios e reuniões esparsas de in-
Texto e fotos
famílias, qual delas teria interes- bléia Legislativa de São Paulo, teressados no tema. Somente nas
Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá
se em divulgar com isenção as onde acontecia no final de no- etapas municipais e estaduais
iniciativas para a sua democra- vembro a etapa estadual da Con- da Confecom participaram ofi-
tização? fecom. Só depois do susto des- cialmente cerca de 30 mil pes-
Se perguntarem o que de mais cobrimos que ali seria velado o soas para que fossem eleitos os
importante aconteceu no Brasil em Mas num país em que há mais corpo do ex-prefeito da capital, 1.684 delegados (20% repre-
2009, não foi a vitória sobre a tão famílias com televisor do que com Celso Pitta. A comunicação, cla- sentantes do poder público,
alardeada “crise econômica mun- geladeira e quase mais celulares ro, estava fora da pauta dos noti- 40% da sociedade civil não-em-
dial”, nem a maior inserção do país do que cidadão, discutir como se ciários e nenhuma das câmeras presarial como ONGs, sindica-
no cenário mundial e tampouco a faz, se acessa e se distribui os pro- apontou para os debates. tos e movimentos sociais; e 40%
escolha do Rio de Janeiro para as dutos da comunicação é, para se dos empresários do setor).
Olimpíadas de 2016. O principal dizer, no mínimo, essencial. Es- Apesar de todas as dificuldades
evento do ano ocorreu no apagar pecialmente num mundo pós- e percalços para convocação e Ao todo, foram aprovadas 672
das luzes, na segunda quinzena de moderno de convergência e por- realização da I Confecom, a con- propostas, das quais somente 71
dezembro e recebeu cobertura tabilidade das mídias e tecnolo- ferência foi um grande sucesso. tiveram de ir à votação na plená-
pífia da Grande Mídia, especial- gias audiovisuais, mediando as Primeiro pela enorme mobilização ria final, por tratarem de temas
mente da televisão: a I Conferên- relações interpessoais e forma- que gerou durante todo o ano e divergentes, e 601 receberam
cia Nacional de Comunicação. tando as visões que temos desse pelas múltiplas oportunidades mais de 80% de aprovação ainda
Realmente não era de se estra- mundo! Estranho mesmo foi ver públicas para um debate que era nos grupos de trabalho, tornan-
nhar esse tratamento. Afinal, chegar os caminhões de todas as quase tabu no Brasil. Sem contar do desnecessária a votação (a lista
num setor dominado nacional- redes de TV e um batalhão de os inúmeros encontros prepara- completa pode ser baixada no

28 http://sisejufe.org.br Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010


das comunicações no Brasil
endereço http:// em Porto Alegre, e seguir mobili-
www.confecom.com.br/ zados para garantir a implanta-
propostas_aprovadas ). O próprio ção, ainda esse ano, do Conselho
critério de votação foi uma vitória Nacional de Comunicação Social,
em si, já que no momento de aber- da regulamentação das rádios co-
tura dos trabalhos os grandes munitárias e da exigência de for-
empresários tentaram novamen- mação profissional em comunica-
te mudar o regimento interno ção”, afirma. “Além dessa pauta
para ter mais controle sobre os prioritária, devemos também ini-
chamados “temas sensíveis” antes ciar os preparativos para II Con-
da plenária. Com alguma flexibili- fecom em 2012”.
dade e muita maturidade as par-
tes conseguiram chegar a um Um dos coordenadores do Co-
acordo que garantiu a instalação letivo Intervozes, grupo atuante
e a continuidade da conferência. na luta pela democratização dos
meios de comunicação, João
“O grande saldo da Confecom Brant também acredita ser funda-
foi mesmo a pavimentação de uma mental manter e fortalecer a mo-
estrada de diálogo entre os dife- bilização conquistada na I Confe-
rentes seguimentos da comunica- com. “A conferência provou que
ção que certamente permitirá é possível debater os diferentes
novos avanços políticos no setor”, pontos de vista sobre a comuni-
acredita Renato Rovai, editor da cação e que apesar das divergên-
revista Fórum e um dos articula- cias, até por interesses comerci-
dores do grupo de “empresários ais ou de poder político, há um
progressistas” que participou do grande espaço para mudanças
evento. “Pode não ser tudo o que consensuais”, atesta. “Temos de
esperávamos, mas não se con- manter e ampliar esse saldo orga-
quista o céu por decreto e o pro- nizativo da sociedade civil não-
cesso democrático de fato deman- empresarial para batalhar pela
da tempo, organização e amplia- implementação das propostas e
ção dos campos de debate”. Nes- para isso já estamos começando
se sentido, segundo ele, foi fun- Brant: “É possível debater pontos de vista apesar de divergências” a organizar novas reuniões esta-
damental a atuação dos 20 “em- tuais”. Para Brant, as propostas
presários progressistas” paulistas descriminalização das rádios co- turidade, diálogo e negociação aprovadas por consenso repre-
e de mais cerca de 20 vindos de munitárias e a retirada do poder com os diversos setores da socie- sentam um enorme avanço e defi-
outros estados que estavam ideo- de fechamento pela Policia Fede- dade representados”, analisa. nem uma boa agenda para temas
logicamente mais alinhados aos ral, ou a melhor distribuição da “Mas mesmo propostas importan- como um novo marco regulató-
movimentos sociais. propaganda governamental em tes para nós que não foram apro- rio para as concessões e renova-
veículos regionais, ou ainda a pos- vadas na votação final, como por ções de concessões de rádio de
Entre as propostas importantes sibilidade dos Correios se torna- exemplo o ‘direito de antena’ para TV; para o fornecimento de ban-
aprovadas na Confecom, Rovai rem uma alternativa para distri- o movimento sindical garantir es- da larga de internet em regime
cita algumas que sequer precisam buição de jornais e revistas, que- paço dentro da programação das público; para o fortalecimento do
passar pelo Congresso para serem brando o quase monopólio da TVs privadas, tiveram mais de 55% sistema público de comunicação;
efetivadas. “Com o aval de mais de Abril no setor com a fusão das dis- dos votos, o que cria uma possibi- para o incentivo à produção naci-
80% de aprovação por parte de tribuidoras Dinap e Chinaglia”. lidade real de conquistarmos esse onal e regional (cujas propostas
empresários, ONGs e do próprio direito mais à frente”. Ela lembra ainda precisam ser melhor tra-
governo, propostas como a da A secretária de Comunicação da que na Argentina o povo teve de ir balhadas); a proibição da pro-
criação do Conselho Nacional de CUT Nacional, Rosane Bertotti, às ruas para o governo conseguir priedade cruzada de meios de
Comunicação Social, que neces- que fez parte do Comitê de Orga- aprovar a nova lei de comunica- comunicação; a imposição do
sita apenas de um despacho ou nização da Confecom, segue pela ções do país e que talvez isso tam- respeito ao Estatuto da Criança
decreto do Executivo, ganham mesma linha. “Foi uma conferên- bém seja necessário no Brasil. e do Adolescente na propagan-
condições políticas para virarem cia bem diferente das outras que “Mas para isso precisamos nos da; a garantia de tratamento
realidade rapidamente”, diz. “O tiveram participação da CUT, com rearticular já a partir do Fórum condigno para mulheres, ne-
mesmo pode acontecer com a necessidade muito maior de ma- Social Mundial, no final do mês gros e população LGBT; etc.

Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010 http://sisejufe.org.br 29


Democracia da Mídia

Uma conferência sempre na corda bamba.


A Confecom finalmente saiu do papel. Após grande pressão do movimento social, os recursos foram liberados para organizar a conferência

Texto e fotos mocratização da Comunicação Comunicações, a convocação ção da Confecom: a Secretaria


Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá (FNDC). Os debates, entretanto, oficial levaria mais três meses de Comunicação Social e a Se-
ficaram praticamente restritos para ser publicada, em abril, cretaria-Geral da Presidência da
Desde que o presidente Luiz ao meio acadêmico e a algumas com o tema “meios para a cons- República. Os prazos para reali-
Inácio Lula da Silva anunciou a entidades da sociedade civil e trução de direitos e cidadania zação das etapas municipais e
convocação da I Conferência sindicatos. Uma pressão maior na era digital”. estaduais, entretanto, eram mí-
Nacional de Comunicação, du- pela conferência, seguindo o nimos, levando mesmo entida-
modelo de outros setores como Em maio, R$ 6,5 milhões dos
rante o Fórum Social Mundial em des da sociedade civil a cogita-
o dos direitos humanos, saúde, R$ 8,2 milhões destinados ao
Belém, em janeiro de 2009, to- rem adiar a conferência para
dos que lutamos de alguma for- cultura, etc, só se instalaria após evento foram “contingenciados”
2010. E o próprio Lula mudou
ma pela democratização do se- a chegada do PT ao governo fe- e somente após muita pressão
mais tarde a agenda final (da pri-
tor sabíamos que essa seria uma deral e com mais força há cer- dos movimentos sociais a dota-
meira para a terceira semana de
batalha provavelmente de pou- ca de quatro anos (já foram re- ção foi recomposta por meio do
dezembro) de modo a poder fa-
cos resultados. Isso se a confe- alizadas 60 conferências no go- Projeto de Lei 27/2009, aprova-
zer o discurso de abertura.


rência afinal saísse do papel. verno Lula). Ainda assim, devi- do pelo Congresso Nacional em
Uma discussão mais séria desse do a resistências dentro do pró- agosto. A pendenga só foi deci- Um segundo grande impasse
setor reivindicada pela socieda- prio governo, em especial na- dida pela interferência direta do se deu na definição do regimen-
de pelo menos desde a Consti- quele que teoricamente deve- presidente e pela participação de to interno da Confecom, já em
tuinte de 1988, que levou à cria- ria ser o primeiro interessado mais duas secretarias com sta- agosto. No dia 13 daquele mês,
ção do Fórum Nacional da De- na Confecom, o Ministério das tus de ministérios na organiza- as seis principais entidades do

30 http://sisejufe.org.br Ano III – número 27 – janeiro e fevereiro 2010


Impasses quase inviabilizam o evento

Bancada dos empresários progressistas: o fiel da balança


táculo à confecção do regimen- definiriam um conjunto de pro- São Paulo. Diferente de outros
to interno e do documento-base postas-base. Sem representativi- estados em que os representan-
de convocação das conferênci- dade de todo o Brasil, a confe- tes da “sociedade civil empresa-
as estaduais, que precedem a rência estava novamente em pe- rial” eram quase que invariavel-
nacional”. rigo. Enquanto estados como mente empregados das Teles ou
Pará e Paraná deram todo apoio das retransmissoras da Band e da
Ainda assim, os grandes em- Rede TV!, jornalistas independen-
ao processo, no Rio Grande do
presários conseguiram uma re- tes que foram “terceirizados” nas
Sul, Santa Catarina e Tocantins,
presentação de 40% nos delega- redações e obrigados a montar
dos na conferência, muito mai- as conferências por pouco não
deixaram de acontecer. Um micro-empresas para continuar
or do que de fato o setor possui trabalhando se organizaram num
na sociedade brasileira. E en- exemplo claro é o governador/
candidato José Serra, que sim- grupo de “empresários progres-
quanto Globo, Record, SBT, Es- sistas” com posições mais próxi-
tadão, Folha e outros se recusa- plesmente “perdeu o prazo” de
15 de setembro para convocar mas da “sociedade civil não em-
vam a discutir, a Associação Bra- presarial” e conseguiram garan-
sileira de Radiodifusão (Abra), a etapa paulista da Confecom.
tir quase metade das inscrições
que reúne o Grupo Bandeiran-
tes e a Rede TV! e a Telebrasil, Sem representação na etapa estadual.

entidade de operadoras de tele- Com isso, a Assembléia Legis- Com isso, deveriam ter direi-
empresariado (representando fonia como a Tim, a Telefônica, lativa, a segunda na linha para a to a eleger cerca de 40 dos 84
praticamente todas as grandes a Vivo, a Claro, a Oi etc, perma- convocação, teve apenas cinco delegados do setor empresari-
famiglias do mercado), abando- neceram no debate com ainda dias para organizar o evento em al. As Teles, contudo, “ofereci-
naram o processo. Os represen- mais força, praticamente garan- São Paulo, atrás de 19 outros am” dez vagas, dizendo que
tantes da Associação Brasileira tindo um poder de veto para estados e do Distrito Federal. “estava bom demais”. Foi preci-
de Emissoras de Rádio e Televi- propostas fora dos interesses Outro problema foi o peso da so os pequenos empresários
são (Abert), da Associação Brasi- empresariais. Esse foi o preço representação estadual na con- ameaçarem entrar na justiça e
leira de Internet (Abranet), da inicial para se manter a repre- ferência nacional. Apesar de parar a conferência para que
Associação Brasileira de TVs por sentatividade de todos os seto- possuir cerca de 23% da popu- houvesse um acordo que ga-
Assinatura (ABTA), da Associação res da sociedade. Foram-se as lação do país, São Paulo foi o rantiu aos “progressistas” ape-
Nacional dos Editores de Revis- entidades, mas ficou o lobby. único a não ter uma representa- nas 20 delegados para a etapa
tas (Aner), da Associação dos ção proporcional à sua popula- final. Mas esse número, junto a
Jornais do Interior (Adjori) e da Ao mesmo tempo, estados go- ção, elegendo apenas 13% dos outros empresários “indepen-
Associação Nacional dos Jornais vernados pela oposição ao go- delegados da Confecom. dentes”, iria funcionar como
(ANJ) alegaram que “a defesa de verno federal e alguns no norte um fiel da balança e como pon-
princípios como liberdade de do país boicotavam ou tinham A última tentativa por parte to médio entre posições mais
expressão, direito à informação dificuldades em convocar as dos empresários de controlar o fechadas do governo, setores
e legalidade foi entendida por conferências municipais e esta- processo antes do encontro fi- mais radicais do movimento
outros interlocutores da comis- duais que elegeriam os delega- nal em Brasília, entre 14 e 17 de social e chantagens dos gran-
são organizadora como um obs- dos para a etapa nacional e dezembro, se daria também em des empresários.

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Grande mídia faz cobertura tendenciosa
A movimentação em torno da chamaram de “exumação de
Confecom foi tão intensa e os uma ameaça”.
resultados tão evidentes, que no
final não pôde ser ignorada pela Depois de toda a “polêmica”
Grande Mídia, apesar das abor- inventada pelos jornalões em
dagens “equivocadas”. Enquan- cima do Plano Nacional de Di-
to os mais raivosos como Diogo reitos Humanos, o próximo
Mainard e Reinaldo Azevedo alvo de acusações de “cercea-
(Veja) berravam que a conferên- mento da liberdade de expres-
cia seria um fracasso como to- são” deve ser a II Conferência
das as iniciativas anteriores do Nacional de Cultura, marcada
governo Lula de “censurar os para março. Afinal, o encontro
meios de comunicação”, o jor- deverá trazer novamente em
nal O Globo (e também o Jornal suas propostas expressões
Nacional da Globo com menos malditas para a direita conser-
ênfase) trazia editorial “infor- vadora como “controle social
mando” que as propostas apro- da mídia”, “quebra do mono-
vadas seriam todas “de vezo in- pólio dos meios de comunica-
ção”, “necessidade de uma
constitucional” e alertava sobre
programação regionalizada”,
outros processos bem sucedi-
“maior atuação do Estado”, etc.
dos também surgidos de “con-
ferências com tinturas demo- Num ano eleitoral em que a
cráticas” na Venezuela, Equa- oposição não tem uma proposta
dor e Argentina. alternativa de governo que pos-
sa seduzir o eleitorado, a Grande
Já o Estadão, chegou a louvar Mídia certamente continuará in-
as propostas de regulamenta- vestindo na desinformação e no
ção dos Artigos 220 e 221 da medo que parcelas da população
Constituição (que tratam respec- teriam do que eles denominam
tivamente da proibição de mo- de “autoritarismo populista” que
nopólios/oligopólios e da pro- viria de uma democracia mais di-
gramação de rádios e TVs) para reta, com maior participação efe-
em seguida gritar contra a nova tiva da população, como ocorre
proposta para um Conselho Fe- nas conferências nacionais.
Credenciamento: 1.684 delegados eleitos para a conferência deral de Jornalismo, que eles 2010 promete!

A comunicação como Direito Humano


Não importa o que digam Fo- humanos.” Ora, o acesso à co-
lhas, Globos, Bands e Vejas. Fa- municação como direito hu-
tos são fatos. E o fato é que toda mano, é uma das novas ban-
a “polêmica” com os militares deiras do movimento pela de-
em torno do lançamento do III mocratização nas comunica-
Plano Nacional de Direitos Hu- ções e foi exaustivamente de-
manos não levou a um recuo do batido nas reuniões prepara-
governo, mas sim a um grande tórias da Confecom e nas eta-
avanço na edição de um novo pas municipais e estaduais. E
decreto para a instalação do propostas nesse sentido foram
Grupo de Trabalho para orga- devidamente aprovadas ou por
nizar e instituir a Comissão da consenso (mais de 80% dos de-
Verdade, que deverá colocar em legados nos Grupos de Traba-
pratos limpos as violações dos Grupos de trabalho: 601 propostas receberam 80% de aprovação lho) ou na plenária final da con-
direitos humanos durante a di- decreto para sua modificação e Humanos já realizadas e estar ferência (por exemplo as pro-
tadura. A questão se torturado- reedição, o que não aconteceu. em sua terceira versão (enquan- postas 630 e 635 do GT-10). O
res e assassinos fardados serão to a Confecom ainda não pro- tema sem dúvida estará na pau-
finalmente julgados ou estão sob Exatamente ao contrário dis- duziu qualquer “plano nacional ta de outras conferências,
a proteção da Lei de Anistia, já so, o PNDH-3 representa, na ver- de comunicação”), o texto traz como a de Cultura a ser reali-
está nas mãos do Supremo Tri- dade, uma das primeiras vitóri- no título de sua diretriz 22: a zada em março, e está criando
bunal Federal, que deve decidir as concretas da Confecom. Afi- “garantia do direito à comuni- uma massa crítica que não o
em breve sob os olhos ainda mais nal, apesar de oriundo de um ou- cação democrática e ao acesso deixará ser ignorado nem pela
atentos da população. Recuo ou tro processo mais consolidado à informação para a consolida- Grande Mídia, nem pelo pró-
derrota seria a revogação do por 11 Conferências de Direitos ção de uma cultura de direitos prio Congresso Nacional.

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Fulgêncio Torcedor arco-íris denuncia conspiração para entregar Hexa de mão beijada ao Mengão

Flamengo ganhou um título arranjado

Além de escritor diletante, jor- foi arranjado para o Flamengo. - O Lúcio Flávio, do Botafogo, cutível, o Grêmio, time de pior
nalista desempregado, alcoóla- perdeu um pênalti só para aju- campanha como visitante (11
tra, hipocondríaco, bipolar e Vejamos os fatos: dar o Flamengo. derrotas e apenas 1 vitória em
mitômano, tenho outro vício: - O Flamengo teve a melhor 18 jogos), contrapondo sua óti-
sou torcedor fanático daquele - O Náutico perdeu em casa, ma campanha no Olímpico, jo-
campanha do 2º turno, alcan- aceitando assim, ser rebaixado,
time cuja torcida se chama Na- çando desta maneira a lide- gou com time misto, como o In-
ção. Mas, como sou um homem só para ajudar o Flamengo. ternacional fez no Maracanã,
rança.
sério, ciente de minhas obriga- - O Palmeiras, até então líder para ajudar o Flamengo.
ções, recebi uma denúncia anô- - O Flamengo teve a 2ª melhor do campeonato, perdeu em casa,
nima, de um agente da torcida defesa do campeonato. Concluímos, a partir dos da-
com gol olímpico de Pet, só para dos supracitados, que o Estado
arco-íris que prova por A mais - O Flamengo tem o artilheiro ajudar o Flamengo. E o Vagner
B que o Hexa foi armado para o do Rio Grande do Sul mancomu-
do campeonato e o craque do Love ainda ajudou chutando um nado com a CIA, o FBI, a Abin, a
Flamengo. São provas irrefutá- campeonato: Adriano e Pet. pênalti longe, já pensando em ir
veis! Na próxima coluna vou Anvisa, a CBF, a Fifa, o STF, a
para o Mengão. Nasa, o Obama e a Comunidade
provar que Elvis não morreu, - O Flamengo tem apenas 1
que Michael Jackson era agen- derrota nas últimas 16 rodadas - O Corinthians que vinha de Europeia conspiraram para dar
te da KGB e que Vinícius de Mo- (11 vitórias, 4 empates e 1 der- derrotas consecutivas para tima- o HEXA ao Flamengo”.
raes, na verdade, simulou ter rota) e está invicto nas 5 últimas ços como Náutico, Santo André Diante de fatos irrefutáveis
partido desta para melhor para (4 vitórias e 1 empate). e Avaí, só não ganhou do Fla- como este, só me resta denunci-
viver com suas nove esposas mengo para dar o título ao Ru- ar a marmelada que foi este mi-
- O Internacional perdeu de bro-Negro Carioca.
num protetorado muçulmano. lionésimo título para o único
4x0 no Maracanã com time mis-
Então vamos à carta recebida - E, até (pasmem) o São Paulo time que tem uma torcida que
to para ajudar o Flamengo.
com os fatos: Fashion Week perdeu pro Goiás se chama Nação.
- O Atlético-MG perdeu em de propósito, abrindo mão do
“Caro Fulgêncio, aqui vai de- casa, com gol olímpico de Pet, E que em 2010 venham mais
núncia muito séria sobre arma- tetra consecutivo, porque tinha "marmeladas" como esta!
diante de 65 mil torcedores, só em mente ajudar o Flamengo.
ção feita para o Flamengo ser para ajudar o Flamengo.
hexacampeão brasileiro, assi- c- Além disso o São Paulo
nado, Torcedor Arco-íris Can- - O Santos perdeu em casa só Fashion Week nos dois jogos Fulgêncio Pedra Branca
sado de ser Vice. pra dar o título para o Flamengo. com o Flamengo empatou o de é alcoólatra, hipocondríaco e
Aliás, no jogo do Maracanã, o SP e perdeu o jogo no Rio escreve de graça para esta
Senhor Fulgêncio, não adian- meia do Santos perdeu 2 pênal- página por falta de coisa mais
ta negar, mas este campeonato tis só para ajudar o Flamengo. - Para culminar esse HEXA dis- útil que fazer.

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Nacional CNA encomenda pesquisa para tentar legitimar violência dos ruralistas

Falcatrua da senadora Kátia Abreu


Jeansley Lima*

Logo depois da aprovação do requerimento


de abertura de uma nova CPMI no Congresso
contra o MST, a Confederação Nacional de
Agricultura (CNA) encomendou pesquisa ao
Ibope, que ouviu 2.002 pessoas de todas as
regiões do país, entre 12 e 16 de novembro
de 2009. Para criar novo fato político e tentar
desmoralizar o MST, a pesquisa CNA/Ibope
contou com habitual complacência das
principais emissoras de TV e grandes jornais
impressos. O destaque dado foi que 60% dos
brasileiros desaprovariam o MST. Somente
20% afirmaram conhecer bem o MST,
enquanto 73% declararam conhecer pouco.

Não se sabe ao certo a defini-


ção do que é “conhecer bem o Os ruralistas se guém pode tomar”. Como a gran-
de maioria concordou, 77% e
é desfavorável ao MST, supe-
rado apenas pela mídia, 40%, e
MST”, contudo, podemos fazer 87% respectivamente, a CNA pre- o Congresso, 41%.
algumas suposições. A primeira defrontam com tende reiterar que a ocupação
Também pondera ao público
é que os entrevistados de algum de terra é crime.
modo estiveram em assentamen- a legitimidade sobre os objetivos do MST, que
segundo o Ibope são três: a luta
to conhecem o funcionamento
ou processos educativos e cul- da reforma Com os burros n’água pela terra; a distribuição de ren-
da e a busca por uma sociedade
turais desenvolvidos. Com isso,
teriam elementos para opinar. A
mais provável é que os entrevis-
agrária na Além de tratar questões polí-
ticas e sociais com uma pers-
mais justa e igualitária. A CNA
gostaria de saber se o seu dis-
pectiva dissimulada, tenta legi-
tados acompanham a cobertu-
ra da mídia, especialmente da
sociedade e que timar a violência dos proprietá-
curso conservador e contra os
pobres tinha ressonância, ou se
rios rurais. A pretensão deu com a causa do MST era vista como
televisão, sobre o MST. a maioria da os burros n’água. Cerca de 60% justa. E 88% dos entrevistados
A velhinha de Taubaté seria dos entrevistados não concor- concordam com os objetivos
capaz de prever os resultados de população dam que latifundiários utilizem descritos, enquanto 58% acham
pesquisa encomendada pela se- dos seus meios para evitar ocu- que o MST é legítimo porque são
nadora Kátia Abreu (DEM/TO), considera justa pações. Os contratantes da trabalhadores querendo terra
postulante a líder dos ruralistas. pesquisa devem ter ficado de- para trabalhar. Os ruralistas se
O caráter panfletário e manipu- a sua causa. sapontados. Há mais uma ten- defrontam com a legitimidade
lador são expostos em questões, tativa desesperada dos ruralis- da reforma agrária na socieda-
que revelam as verdadeiras in- tas de relacionar o Governo de e que a maioria da popula-
tenções. Exemplos foram as per- reito de escolher se quer ou não Lula ao MST, insinuando que ção considera justa a sua causa.
guntas, se o entrevistado con- produzir nela”, ou se o mesmo as ocupações são financiadas
corda ou discorda que “quem já está de acordo com a seguinte com recursos públicos. Porém, *Mestre em História Social
possui propriedade hoje tem di- frase: “o que lhe pertence nin- 35% acreditam que o governo pela Universidade de Brasília.

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Internacional Em 1803 os negros do Haiti deram tremenda sova nas
tropas de Napoleão e a Europa jamais perdoou esta humilhação

Os pecados do Haiti
Eduardo Galeano*

A democracia haitiana nasceu


há um instante. No seu breve tem-
po de vida, esta criatura faminta e
doentia não recebeu senão bofe-
tadas. Era uma recém-nascida,
nos dias de festa de 1991, quan-
do foi assassinada pela quartela-
da do general Raoul Cedras. Três
anos mais tarde, ressuscitou. De-
pois de haver posto e retirado tan-
tos ditadores militares, os Estados
Unidos retiraram e puseram o
presidente Jean-Bertrand Aristide,
que havia sido o primeiro gover-
nante eleito por voto popular em
toda a história do Haiti e que tive-
ra a louca ideia de querer um país
menos injusto.
Para apagar as pegadas da par-
ticipação estado-unidense na di-
tadura sangrenta do general Ce- mundo, os professores dão o O Haiti fora a pérola da coroa, a governo haitiano havia-lhe entre-
dras, os fuzileiros navais levaram exame por perdido”. colônia mais rica da França: uma gue sete nave e muitas armas e
160 mil páginas dos arquivos se- grande plantação de açúcar, com soldados, com a única condição
cretos. Aristide regressou acor- Em fins do ano passado, quatro mão-de-obra escrava. No “Espíri- de que libertasse os escravos, ideia
rentado. Deram-lhe permissão deputados alemães visitaram o to das leis”, Montesquieu havia que não havia ocorrido ao Liber-
para recuperar o governo, mas Haiti. Mal chegaram, a miséria do explicado sem papas na língua: “O tador. Bolívar cumpriu com este
proibiram-lhe o poder. O seu su- povo feriu-lhes os olhos. Então o açúcar seria demasiado caro se os compromisso, mas depois da sua
cessor, René Préval, obteve quase embaixador da Alemanha expli- escravos não trabalhassem na sua vitória, quando já governava a
90 por cento dos votos, e mais cou-lhe, em Porto-Príncipe, qual produção. Os referidos escravos Grande Colômbia, deu as costas
poder do que Préval tem qualquer é o problema: “Este é um país su- são negros desde os pés até à ca- ao país que o havia salvo.
chefete de quarta categoria do perpovoado”, disse ele. “A mulher beça e têm o nariz tão achatado (...)O Haiti já estava em mãos
Fundo Monetário ou do Banco haitiana sempre quer e o homem que é quase impossível deles ter de ditaduras militares carnicei-
Mundial, ainda que o povo haitia- haitiano sempre pode”. pena. Torna-se impensável que ras, que destinavam os faméli-
no não o tenha eleito nem sequer E riu. Os deputados calaram-se. Deus, que é um ser muito sábio, cos recursos do país ao paga-
com um voto. tenha posto uma alma, e sobretu- mento da dívida francesa. A Eu-
Nessa noite, um deles, Winfried
Wolf, consultou os números. E do uma alma boa, num corpo in- ropa havia imposto ao Haiti a
Mais do que o voto, pode o
comprovou que o Haiti é, com El teiramente negro”. Em contrapar- obrigação de pagar à França
veto. Veto às reformas: cada vez
Salvador, o país mais superpovo- tida, Deus havia posto um açoite uma indenização gigantesca, a
que Préval, ou algum dos seus
ado das Américas, mas está tão na mão do capataz. (…) modo de perdão por haver co-
ministros, pede créditos interna-
superpovoado quanto a Alema- metido o delito da dignidade.
cionais para dar pão aos famin- Em 1803 os negros do Haiti
tos, letras aos analfabetos ou nha: tem quase a mesma quanti- deram uma tremenda sova nas A história do assédio contra o
terra aos camponeses, não re- dade de habitantes por quilôme- tropas de Napoleão Bonaparte e Haiti, que nos nossos dias tem di-
cebe resposta, ou respondem tro quadrado. Durante os seus a Europa jamais perdoou esta mensões de tragédia, é também
ordenando-lhe: “Recite a lição. dias no Haiti, o deputado Wolf não humilhação infligida à raça bran- uma história do racismo na civili-
E como o governo haitiano não só foi golpeado pela miséria como ca. O Haiti foi o primeiro país livre zação ocidental. Este artigo en-
acaba de aprender que é preci- também foi deslumbrado pela ca- das Américas. (…) Então começou contra-se em http://resistir.info/
so desmantelar os poucos servi- pacidade de beleza dos pintores o bloqueio. (…) Nem sequer Si- galeano/haiti_18jan10.html
ços públicos que restam, últimos populares. E chegou à conclusão món Bolívar, que tão valente sou-
pobres amparos para um dos de que o Haiti está superpovoa- be ser, teve a coragem de firmar o
povos mais desamparados do do... de artistas. (...) reconhecimento do país negro. O *Jornalista e escritor uruguaio

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Internacional A pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e
1.407.743 de famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros.

Missão cumprida de Zilda Arns


Em seu último discurso, no cedidos diversos prêmios
Haiti, a médica Zilda Arns pe- pelo trabalho que vem desen-
diu que os agentes sociais lo- volvido desde a sua fundação.
cais se unissem na luta pela
proteção à infância e na co- Sua experiência fez com
brança de políticas públicas que, em 1980, fosse convida-
para saúde e educação. Fun- da a coordenar a campanha
dadora e coordenadora inter- de vacinação Sabin, para com-
nacional da Pastoral da Crian- bater a primeira epidemia de
ça, Zilda morreu no terremo- poliomielite, que começou em
to que arrasou o país caribe- União da Vitória, no Paraná,
nho dia 12 de janeiro, após criando um método próprio,
proferir uma palestra para depois adotado pelo Ministé-
cerca de 150 pessoas em uma rio da Saúde. Em 1983, a pe-
igreja de Porto Príncipe. A dido da CNBB criou a Pastoral
médica participava de uma da Criança.
conferência de religiosos, e No mesmo ano, deu início à
foi ao Haiti para motivar os experiência a partir de um pro-
agentes e voluntários da en- jeto-piloto em Florianópolis.
tidade no país caribenho. Em Após 25 anos, a pastoral acom-
nota, o senador Flávio Arns panhou 1.816.261 crianças
(PSDB-PR), sobrinho de Zilda, menores de seis anos e
informou que a médica foi 1.407.743 de famílias pobres
atingida na cabeça e morreu em 4.060 municípios brasilei-
na hora. Ela não ficou soter- ros. Neste período, mais de
rada – o restante do corpo 261.962 voluntários levaram
não apresentava qualquer solidariedade e conhecimento
tipo de ferimento. sobre saúde, nutrição, educa-
Médica pediatra e sanitaris- ção e cidadania para as comu-
ta, irmã de Dom Paulo Evaris- da Pastoral da Pessoa Idosa, diversas menções especiais e nidades mais pobres, criando
to Arns, foi também fundado- organismos de ação social da títulos de cidadã honorária no condições para que elas se tor-
ra e coordenadora internaci- Conferência Nacional dos Bis- país. Da mesma forma, à Pas- nem protagonistas de sua pró-
onal da Pastoral da Criança e pos do Brasil (CNBB). Recebeu toral da Criança foram con- pria transformação social.

CUT prepara campanha de solidariedade ao Haiti


A direção Executiva Nacio- delegação internacional pre- 3 conta corrente 956251-6 França e os EUA, sobre o
nal da CUT, reunida em São sente no 10º Concut, em agos- (SOS Sindical Haiti). A CUT na- país que se constituiu na pri-
Paulo, dia 19 de janeiro de to de 2009, a central foi infor- cional vai repassar as doações meira nação negra indepen-
2010, reafirmou sua solidarie- mada da verdadeira catástrofe às entidades haitianas. A dire- dente do mundo em 1804.
dade às vítimas do terremoto que se abateu sobre o povo. ção propõe também organizar
Muitos sindicalistas morreram, brigadas de trabalhadores para A CUT ressalta que o enor-
no Haiti. Decidiu começar me número de vítimas, esti-
campanha para ajudar na re- outros tantos tiveram casas e ajudar na reconstrução do Hai-
locais sindicais destruídos. A ti, que precisa de médicos, ma-se em até 200 mil, e mi-
construção daquele país, dan- lhões de desabrigados em um
do ênfase ao movimento sin- CUT assumiu o compromisso enfermeiros, engenheiros e
de reconstrução das organiza- não de tropas de ocupação, país de 8 milhões de habitan-
dical com o recolhimento de tes) e a amplitude da destrui-
ções dos trabalhadores e assis- seja dos EUA, seja da ONU.
fundos entre os sindicatos bra- ção é resultado das carências
tir às famílias no Haiti.
sileiros para serem remetidos Para a direção da CUT, a si- e precárias condições de in-
às organizações que a CUT A direção da CUT orienta tuação atual não é uma fata- fra-estrutura e habitações, em
mantém relações no país. Em que os sindicatos filiados con- lidade, é fruto da super ex- uma situação em que o de-
contato com sindicalistas hai- tribuam com depósitos no ploração e pilhagem das semprego atingia mais de 60%
tianos que fizeram parte da Banco do Brasil, Agência 3324- grandes potencias, como a dos trabalhadores.
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Nacional “O poder tornou vilões os que sempre se pautaram por critérios puramente jurídicos”

A Justiça está na UTI

Janice Ascari* locaram a questão no campo Iniciou-se um discurso lendá- A segunda foi a liminar dada
técnico, no cumprimento do rio, inconsequente e retórico pelo ministro Arnaldo Esteves
dever funcional. Pouco se fala para incutir, por repetição, a Lima (STJ,HC 146.796), na vés-
Após sucessivas intervenções dos crimes e dos verdadeiros ideia da existência de um terrí- pera do recesso. Por meio de
jurídicas incomuns encontra-se réus. Em julho de 2008, decre- vel “Estado policialesco” e da decisão pouco clara e de ape-
agonizando, em estado grave, tou-se a prisão dos investigados “grampolândia” brasileira, uma nas 30 linhas, apesar da robusta
um dos mais escabrosos casos pela possibilidade real de or- falação histriônica a partir de manifestação contrária da Pro-
de corrupção e crimes de cola- questração e destruição de pro- um “grampo” que jamais exis- curadoria-Geral da República,
rinho branco de que se teve no- vas. A prisão preventiva do ca- tiu. Alcançou-se o objetivo de todas as ações e investigações
tícia no Brasil. A Operação Sati- beça da organização foi criteri- afastar policiais experientes, de da Satiagraha foram suspensas
agraha surpreendeu o país. Nem osamente determinada em sóli- trabalho nacionalmente reco- e poderão ser anuladas, incluin-
tanto pelos crimes (corrupção, da decisão, embasada em docu- nhecido e consagrado: o então do o processo no qual já houve
lavagem de dinheiro e outros), mentos e em fatos confirmados diretor da Abin foi convidado a condenação por corrupção. A
velhos conhecidos de todos, mas nos autos, como a grande soma deixar o cargo; o delegado de alegação foi de suspeição do
sim pelas manifestações de au- de dinheiro apreendida com os Polícia Federal que presidiu o juiz, rechaçada há mais de um
toridades e de instituições pú- investigados, provando ser há- inquérito foi afastado e corre ano pelo TRF-3ª Região. O réu
blicas e privadas em defesa dos bito do grupo o pagamento de risco de exoneração. não recorreu naquela ocasião.
investigados. Nunca se viu tama- propinas a autoridades. Preferiu esperar dez meses para
No apagar de 2009, duas de-
nho massacre contra os respon- impetrar HC no STJ. As duas de-
Apesar de tantas evidências, cisões captaram a atenção da
sáveis pela investigação. Em vez comunidade jurídica. A primei- cisões são secretas. Não foram
o presidente do STF revogou a publicadas e não constam dos
do apoio à rigorosa apuração e ra, pelo ineditismo: na Reclama-
prisão por duas vezes em me- sites do STF e do STJ. Juntas, ful-
punição, buscou-se desacreditar ção 9.324, ajuizada diretamen-
nos de 48 horas. Os fatos cri- minam a megaoperação que
e desqualificar a investigação te no STF, alegou-se dificuldade
minosos, gravíssimos, foram de acesso aos autos. O juiz in- envolveu anos de trabalho sério.
criminal colocando em xeque,
ignorados. Pateticamente, o formou ter deferido todos os Reforçam a sensação de impu-
com ataques vis e informações
plenário do STF referendou o pedidos de vista. Sobreveio a inu- nidade para os poderosos, que
orquestradas e falaciosas, o sé-
“HC canguru” (aquele habeas sitada liminar: o ministro Eros jamais prestam contas à socie-
rio trabalho conjunto do Minis-
corpus que pula instâncias) e Grau determinou que todas as dade pelos crimes cometidos.
tério Público Federal e da Polí-
voltou-se contra o juiz, mas provas originais fossem desen-
cia Federal, bem como a atua-
sem a anuência dos ministros tranhadas do processo (!) e en-
ção da Justiça Federal.
Joaquim Barbosa e Marco Au- caminhadas a seu gabinete. * Procuradora regional da
O poder tornou vilões os que rélio, o único que leu e anali- Doze caixas de provas viajaram República e ex-conselheira
sempre se pautaram por critéri- sou minuciosamente as deci- de caminhão por horas a fio e do Conselho Nacional do
os puramente jurídicos e reco- sões de primeiro grau. repousam no STF. Ministério Público.
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