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SUMÁRIO
FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA ....................................................................................................................... 2
NOÇÕES GERAIS............................................................................................................................................. 2
MINISTÉRIO PÚBLICO .................................................................................................................................... 2
COMPOSIÇÃO ............................................................................................................................................ 2
PRINCÍPIOS................................................................................................................................................. 3
FUNÇÕES INSTITUCIONAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO ............................................................................... 4

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FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA


NOÇÕES GERAIS
O capítulo IV da CF (Art. 127 a 135) traz as instituições que são consideradas como
essenciais à justiça, elas são elencadas pelo constituinte como sendo: a) o Ministério Público; b)
a Advocacia Pública; c) Advocacia Privada; e d) a Defensoria Pública.
Note que tais instituições não são parte do Poder Judiciário, mas são a ele essenciais. Isso
porque uma das principais características da atuação jurisdicional do Estado é a inércia.
Significa dizer que o Poder Judiciário, como regra, não pode agir de ofício, sem provocação,
tendo como consequência direta a manutenção de sua imparcialidade.
As instituições elencadas funcionam junto ao Poder Judiciário, provocando-o a decidir e
aplicar o direito ao caso concreto, cada qual com sua área de atuação e atribuições estabelecidas
no texto constitucional.

MINISTÉRIO PÚBLICO
Nos termos do Art. 126 da CF, o Ministério Público é instituição permanente, essencial à
função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
A atual carta constitucional outorgou a importante missão de fiscal da ordem jurídica ao
MP, além de lhe dar posição de destaque no nosso ordenamento e lhe atribuir diversas funções,
em especial na defesa da coletividade.
Para a maior parte da doutrina, o Ministério Público não é vinculado a qualquer dos
Poderes da República (Legislativo, Judiciário ou Executivo), ocupando posição autônoma e
independente. Contudo, não se trata de um quarto poder.
COMPOSIÇÃO
A composição do MP está expressa no Art. 128:
Art. 128. O Ministério Público abrange:
I - o Ministério Público da União, que compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II - os Ministérios Públicos dos Estados.
Observe que assim como no caso do Poder Judiciário, no qual temos uma divisão entre
órgãos Federais e Estaduais, bem como órgãos especializados, há tal divisão com relação ao
Ministério Público.
A maneira mais fácil de assimilarmos é pensar que sempre onde houver atuação do Poder
Judiciário haverá o respectivo membro do Ministério Público.
Chamo atenção à colocação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios como
sendo parte do Ministério Público da União. Isso se dá pelo mesmo motivo que temos no caso
do Poder Judiciário. Por força do Art. 21, XIII da CF 1, é atribuição da União manter e organizar
tais órgãos.

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Art. 21. Compete à União: XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos
Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios.

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MPF
MPT
MPU
MP MPDFT
MPE
MPM
Com relação ao MP que atua junto à Justiça Eleitoral, não há uma carreira exclusiva para
tal justiça, assim como ocorre com o Poder Judiciário. Nesse sentindo, sua composição acaba
sendo mista, com membros do Ministério Público Federal (a partir do segundo grau) e
membros do Ministério Público Estadual (em primeira instância).
PRINCÍPIOS
Dada a alta importância das atividades exercidas pelo MP, o constituinte elencou
taxativamente no § 1º do Art. 128 alguns princípios a ele aplicáveis, quais sejam:
a) a unidade;
b) a indivisibilidade; e
c) a independência funcional. Vamos analisar cada um deles.
 Unidade
Dizer que o MP é uno significa que os membros a ele pertencentes integram um só órgão,
dirigidos por um único procurador-geral. Tal unidade não ocorre quanto tratamos de membros
de carreiras distintas, como um Procurador da República e um Promotor de Justiça, ou
membros de órgãos distintos no âmbito do MPU.
 Indivisibilidade
O MP é indivisível, pois cada um dos seus membros não se vincula aos processos que
atuam, podendo ser substituídos entre si, sem prejuízos processuais.
Isso ocorre porque quando um membro se manifesta, ele o faz em nome do próprio órgão.
Assim sendo, a atuação do MP é considerada una e indivisível.
 Independência Funcional
O princípio da independência funcional é uma das balizas da atuação do MP. Trata-se de
órgão independente no exercício de suas funções e, como dito, não está subordinado a nenhum
outro Poder.
Mesmo no âmbito interno, os membros de MP devem gozar de plena independência em
suas atividades, não podendo haver ingerências nem mesmo de seu superior hierárquico ou
chefe da instituição. Isso porque a hierarquia existente no órgão é meramente administrativa e
não funcional, ou seja, o membro tem toda liberdade de atuação, devendo se subordinar apenas
às Leis, à Constituição e à sua própria consciência.
Fora do § 1º do Art. 128 também encontramos outros princípios aplicáveis ao MP.

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 Autonomia Administrativa e Financeira


O MP goza de autonomia administrativa e financeira e pode propor ao Poder Legislativo
a criação e extinção de seus cargos, a remuneração. Além disso pode por iniciativa própria
prover os cargos e realizar sua organização administrativa.
Ademais, o MP pode elaborar sua própria proposta orçamentária, observados os
parâmetros legais, em especial a Lei de Diretrizes Orçamentária.
 Princípio do Promotor Natural
O Art. 5º, inciso LIII da CF prescreve que ninguém será processado senão pela
autoridade competente.
Tal mandamento constitucional se direciona mais diretamente ao julgador, vedado
a existência de tribunais de exceção, materializando o princípio do juiz natural. Contudo,
parte da doutrina advoga que esse princípio também se aplica ao órgão de acusação, ou
seja, ao membro do Ministério Público.
Desse modo, o princípio do promotor natural veda designações ou atuações casuísticas
do promotor em qualquer causa. A atuação do membro do MP deve ser definida previamente e
respeitar a legalidade. Essa garantia visa proteger tanto a independência e imparcialidade do
promotor, quanto a proteção do cidadão, que não será acusado “por encomenda”.
FUNÇÕES INSTITUCIONAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
As atribuições do MP estão dispostas, de maneira exemplificativa, no Art. 129 da CF:
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I - Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da
lei;
II - Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de
relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição,
promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a
proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de
outros interesses difusos e coletivos;
IV - Promover a ação de inconstitucionalidade ou representação
para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos
nesta Constituição;
V - Defender judicialmente os direitos e interesses das populações
indígenas;
VI - Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua
competência, requisitando informações e documentos para
instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei
complementar mencionada no artigo anterior;
VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de
inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas
manifestações processuais;
IX - Exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que
compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação
judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.
Aqui se aplica o que já dissemos com relação às competências judiciais: para concursos
alheios às carreiras jurídicas, basta a memorização do dispositivo legal.
Ponto interessante é a possibilidade ou não do MP exercer diretamente a atribuição de
investigação criminal.

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A polêmica em torno da possibilidade de o MP proceder a investigações criminais não é


novidade. Em uma análise estritamente do texto constitucional, vê-se claramente que o
constituinte quis outorgar a tarefa da investigação criminal às policias judiciárias (civil e
federal), como se depreende do inciso I do §1º e 4§ֻº do Art. 144 da CF. 2 1F

Já ao parquet foi conferida a titularidade da ação penal pública, bem como o controle
externo da atividade policial e a possibilidade de requisitar a instauração de investigação
policial, bem como diligencias investigatórias, conforme esculpidos nos incisos I, VII, VIII, do
Art. 129. 3
Dessa forma, restariam separadas as funções de acusar e investigar, guardando uma
esperada impessoalidade por parte do órgão acusador. Nesse particular, é importante ressaltar
que a investigação policial não se presta a “trazer elementos de informação ao MP”, mas sim de
buscar a verdade dos fatos, sem atender a acusação ou a defesa.
Todavia é recorrente a tendência dos Tribunais Pátrios em admitir a participação ativa
dos membros do MP na investigação criminal, invocando-se a chamada “teoria dos poderes
implícitos”, a qual, em linhas gerais, preconiza que ainda que não prevista expressamente no
texto constitucional a possibilidade de investigação direta pelo MP, esse poder estaria
implicitamente previsto, haja vista ser aquele órgão o titular da ação penal pública.
Isso é visto no texto da súmula em 243 do STJ.
Súmula 243-STJ: A participação de membro do Ministério Público na fase
investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o
oferecimento da denúncia

De mais a mais, em 2015, o STF sedimentou tal entendimento em sede de Recurso


Extraordinário, com efeito de repercussão geral 4, ocasião em que a Corte, inclusive, balizou
alguns ditames a serem seguidos pelo parquet quando na condução de investigação de natureza
criminal.

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§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União, e estruturado em
carreira, destina-se a: I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática
tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
3
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior;
VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas
manifestações processuais;
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STF, RE 593727, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 14/05/2015.

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