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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro -

IFRJ Bacharelado em Produção Cultural\

Alessandra Ramalho
Brenda Ribeiro
Bruna Lima
Matheus Beserra
Natálya Pascarillo
Wallace Custodio do Nascimento

Professor: Ricardo Moreno de Melo


Matéria: “Fundamentos da Música” e “Teoria da Comunicação”
Tema: Funk como folclore moderno e estereótipo.

O nosso trabalho deste semestre foi a continuação do podcast do semestre anterior


com novo apresentador e nova temática. A ideia foi utilizar os conceitos aprendidos em
fundamentos da música sobre folclore e juntamente com a matéria de Teoria da
Comunicação que aborda as bases de clichê, mito e estereótipo para estimular um debate
sobre o funk ser uma espécie de folclore moderno e os significantes que ele carrega.
O funk da forma conhecida hoje surgiu nos anos 80 pelo DJ Marlboro tendo como
referência o Soul e o Miami Bass (uma sonoridade eletrônica característica da região de
Miami na Flórida). O ritmo surge como um movimento natural da arte de periferia como uma
forma de se voltar às raízes do movimento negro estadunidense.
Durante todo o desenvolvimento do funk existiram peças chaves para determinar a
sua sonoridade. DJ Malboro já falado temos o Mc Marcinho, Bruno Ramos (diretor da liga
funk), entre outros. Hoje temos a figura do Renan da Penha que cria a sonoridade do funk
150 bpm trazendo uma batida mais rápida, mais forte e dando mais característica ao funk
carioca. Esse movimento do Renan junto com a Anitta e Ludmilla no pop-funk abriram as
portas do funk para o mundo, mas com isso abriu também os preconceitos e os estereótipos
que o funk carrega.
Desde o início do movimento do funk ele foi extremamente estigmatizado por conta
de onde ele vem e do que ele fala: a realidade da favela. Sendo assim, quando ele sai do
Brasil e começa a atingir o mercado mundial se tem o medo de como o mundo percebe e
trata tanto o movimento quanto os brasileiros. Sendo assim, vemos um espelhamento
histórico já que o samba tem tanto local de origem quanto origem da difusão mundial muito
similares à do funk, só que com uma diferença.
A ideia do tema surge com uma série de movimentos de reconhecimento do funk por
grandes artistas internacionais em momentos importantes como premiações e desfiles de
moda. Mesmo com uma preocupação a princípio sobre se de alguma forma o exterior veria
com maus olhos o funk, mas depois de pensarmos percebemos que sendo os brasileiro
exportando o funk os estigmas seriam bem menores, e isso faz toda a diferença.
O funk como movimento surge de forma orgânica passada de um para o outro sem
uma criação ou análise acadêmica, mas com muita técnica. Dotada da oralidade e do senso
de comunidade, o MC traz para a sua música todas as formas de fazer ritmo e batida dos
seus antecessores, sendo assim uma música mas também um identitário da sua
comunidade. Cada funk e cada favela é diferente entre si, ele vem de um movimento
orgânico, popular, oratório e carrega estética e cultura com sigo então não tem outra forma
de ser visto se não um folclore dos tempos modernos.
Falar de funk no Brasil hoje é falar do significado de raiz e identidade para milhões
de pessoas ao redor do país. É completamente único e rico a forma como ele se estruturou
e desenvolveu dentro de uma realidade impossível, deixando-a palpável para quem a
escute, mesmo que difícil. É um privilégio poder ter o controle da forma que o mundo vê
nosso folclore e não deixar que eles nos resumem a apenas um clichê.

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