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ADMINISTRAÇÃO DO

CAPITAL DE GIRO

Autoria: Jose Alfredo Pareja Gomez De La Torre

UNIASSELVI-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:


Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Cristiane Lisandra Danna
Norberto Siegel
Camila Roczanski
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Bárbara Pricila Franz
Marcelo Bucci

Revisão de Conteúdo: Bárbara Pricila Franz


Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2018


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.

L358a

La Torre, José Alfredo Pareja Gomez De

Administração do capital de giro. / José Alfredo Pareja Gomez


De La Torre – Indaial: UNIASSELVI, 2018.

153 p.; il.

ISBN 978-85-53158-47-8

1.Capital de giro – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 658.15244
José Alfredo Pareja Gomez de La Torre

Educação: Graduado em Administração de


Empresas, e Ciências Políticas e História; Pós-
Graduação em Finanças; Pós-Graduação em
Gestão Educacional a Distância: e Pós-Graduação em
Gestão Ambiental. Mestrando: programa de mestrado
Massachusetts Institute of Technology (MIT) em Estadística e
Desenvolvimento Econômico. Experiência nas seguintes áreas:

• Sete anos de vivencia como professor de ensino superior


nos curso de administração, nas áreas de Finanças,
Comércio Exterior e Economia, no Grupo Uniasselvi, www.
grupouniasselvi.com.br.
• Publicações, livros técnicos nas seguintes áeras:
Análise de Balanço e Concessão de Crédito, Análise
de Projetos. Comércio Exterior, Economia, Gestão de
Custos no Setor Público, Gestão de Projetos Públicos,
Matemática Financeira e Comercial, Prática Cambial,
Processos de Exportação e Importação. Currículo Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.
do?id=K4491670E7
• Cinco anos na gestão bancaria comercial na área de
leasing financeiro e empréstimos para empresas.
• Cinco anos na gestão administrativa e financeira na área
agroindustrial.
• Três anos na gestão nos processos de exportação e
vendas de produtos frescos perecíveis, para os mercados
de Estados Unidos e da Europa.
• Sete anos na representação de embalagens para
agro- indústria de produtos perecíveis, no mercado
exportador de flores e espargos da Colômbia
e do Equador. Assim como: desenvolvimento
de embalagem especial para exportação de
perecíveis aos Estados Unidos.

Língua materna Espanhol, fluente em Inglês


e Português.
Sumário

APRESENTAÇÃO...........................................................................07

CAPÍTULO 1
Recurso Operativo de Curto Prazo.........................................09

CAPÍTULO 2
Ciclo do Capital de Giro.............................................................45

CAPÍTULO 3
Gestão do Capital de Trabalho..................................................79

CAPÍTULO 4
Fontes do Capital de Giro........................................................ 111
APRESENTAÇÃO
O sucesso das operações empresariais muitas vezes depende de uma boa
gestão da liquidez operacional, o que em outras palavras é conhecido como
gestão do capital de giro. Essa boa gestão da liquidez depende de diversos
fatores, entre eles: a dinâmica dos tempos operacionais das atividades, o correto
planejamento da necessidade de recursos financeiros para essas atividades e o
correto planejamento de caixa operacional.

Um fator importantíssimo na gestão do capital de giro é saber identificar os


ciclos operacionais e seu aprimoramento, assim como a qualidade do gasto. Isso
envolve conhecer bem a estrutura de custos e a capacidade de gerar vendas em
função da dinâmica de entrada e saída de caixa operacional. Todos esses temas
irão ser estudados ao longo deste livro de estudos, levando em consideração:

• Diferenciar o uso de recursos operativos entre sua classificação como


custo e despesa, variável e fixa, em função da dinâmica das vendas e
em função do nível crítico operacional.
• Identificar a dinâmica do Ciclo Operacional em função à Conversão de
Caixa.
• Reconhecer a dinâmica da Conversão de Caixa conforme às
necessidades de custos e de vendas.
• Ponderar a relação entre Ativo e Passivo Circulante desde o ponto de
vista da liquidez operacional.
• Definir políticas de Estoques, de Contas a Receber e de Contas a Pagar
conforme as necessidades operativas e de caixa.
• Discernir como a capacidade de gerar rentabilidade pode ser influenciado
pela correta gestão do Capital de Giro.
• Vincular o Fluxo de Caixa com as necessidades de Capital de Giro.
• Fazer uma correta gestão entre necessidades de liquidez e tesouraria.

Lembre-se que os conhecimentos a serem adquiridos ao longo desta


disciplina serão de grande ajuda para enriquecer suas competências, aliás,
essenciais para suas projeções profissionais, seja no âmbito privado, de serviços
ou inclusive no setor público.

Caro acadêmico! Seja vindo e fique à vontade para ler, estudar e perguntar
ao longo de seus estudos. Desejo-lhe sucesso no estudo desta disciplina.
Temática que com certeza poderá lhe ajudar na construção de seu conhecimento
e aprimoramento de competências.

Bons estudos!
C APÍTULO 1
RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Identificar o uso de recurso variável, seja como custo ou despesa.

 Estabelecer a dinâmica das vendas e seu vínculo com a geração de custos e


despesas variáveis.

 Identificar a dinâmica da Margem Operacional.

 Estabelecer o nível crítico operacional, ou Ponto de Equilíbrio Operacional.

 Aplicar exemplos para entender melhor a dinâmica dos custos e despesas


variáveis.

 Análisar a estrutura do Ponto de Equilíbrio.


ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Em termos financeiros, o capital de giro é o valor de investimento necessário
para fazer andar as atividades operacionais de um negócio, isto é, o capital de
giro é o valor de quanto capital monetário é necessário para: comprar matérias-
primas, insumos, gastos diversos (energia elétrica, telefone, combustível etc.),
salários, entre outros. Ao longo deste capítulo, estudaremos a dinâmica do
consumo desses recursos, seu registro, como custos e despesas, conforme suas
implicações na gestão do capital de giro.

2 RECURSO FINANCEIRO PARA O GIRO


OPERATIVO
O que você consegue visualizar como capital de giro? O primeiro pensamento
é que ele seria o ciclo de quantas vezes o capital consegue girar. Nessa lógica,
pode-se estar considerando todo o “capital” que faz parte da empresa, porém,
o capital de giro considera somente a necessidade de recurso monetário para
fazer acontecer as operações, isto é, a liquidez que serve para financiar as
operações do dia a dia das atividades organizacionais, ou seja, o investimento
nas necessidades operacionais.

O objetivo do capital de giro é dar conta das operações, das vendas


e de fazer produzir os bens de capital (infraestrutura, equipamentos, O capital de
giro envolve a
caminhões etc.), ou seja, o capital de giro envolve a gestão financeira
gestão financeira
das atividades operacionais em um horizonte de curto prazo. Existem das atividades
diversas maneiras de observá-lo como uma organização economicamente operacionais em um
ativa, isso dependerá da estratégia operativa a se executar e do tipo de horizonte de curto
empresa, ou seja, se ela é industrial, comercial e/ou de serviço. prazo.

Para se ter um melhor entendimento da dinâmica do capital de giro,


A gestão de capital
neste capítulo estudaremos quais recursos produtivos são consumidos
de giro vem a ser
por meio do investimento no capital de giro, sempre em termos de curto a “Administração
prazo. Em contrapartida, em termos de longo prazo, no investimento Financeira de Curto
em bens de capital, uma empresa realiza investimentos em galpões, Prazo” dentro de um
equipamentos, patentes, veículos, entre outros, que serão consumidos marco de condições
ao longo de sua vida útil, isto é, por vários anos. e processos
operacionais,
envolvendo a
No capital de giro, o investimento é feito no uso de recursos que análise do nível
serão consumidos em sua totalidade, ao longo de um ciclo do processo ótimo entre Ativo
produtivo a ser registrado nas movimentações tanto do ativo como do Circulante e Passivo
passivo circulante. Em uma perspectiva financeira, a gestão de capital Circulante.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

de giro vem a ser a “Administração Financeira de Curto Prazo” dentro de um marco


de condições e processos operacionais, envolvendo a análise do nível ótimo entre
Ativo Circulante e Passivo Circulante. Esse nível ótimo é medido pelo capital de giro
e o capital de giro líquido.

O Ativo Circulante, comumente chamado de capital de giro,


representa a porção do investimento que circula, de uma forma ou
outra, na condução normal dos negócios. Esse conceito abrange
a transição recorrente de caixa para estoques, destes para os
recebíveis e de volta para o caixa (GITMAN, 2010, p. 547).

Assim, o capital de giro reflete um processo de geração de caixa desde a ordem


do pedido, passando pelos estoques e pelo processo de produção, para chegar
às vendas e, finalmente, à cobrança dos recebíveis. Esse processo de geração de
caixa é conhecido como o Ciclo Operacional e Financeiro das operações de um
negócio que possui vínculo direto com o capital de giro, conceito que será estudado
no próximo capítulo. Esse ciclo operativo, em termos monetários, será refletido nos
registros dos saldos tanto do Ativo Circulante como do Passivo Circulante. Essa
relação entre contas é definida como capital de giro líquido.

O capital de giro líquido é, normalmente, definido como a


diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante de
uma empresa. Quando o Ativo Circulante supera o Passivo
Circulante, a empresa tem capital de giro líquido positivo.
Quando o primeiro é inferior ao segundo, tem-se capital de giro
líquido negativo (GITMAN, 2010, p. 547).
A fonte do capital
de giro está na
conversão de Quais as fontes do capital de giro líquido? A fonte do capital de giro
estoques, em está na conversão de estoques, em produto terminado, em vendas e em
produto terminado, recebíveis, para, então, serem convertidos em caixa. Essa é a fonte de
em vendas e em recursos que servirá para liquidar as obrigações do Passivo Circulante
recebíveis, para, e as obrigações de curto prazo. Assim, neste capítulo, estudaremos os
então, serem
recursos consumidos por meio do financiamento do capital giro.
convertidos em
caixa.

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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Figura 1 - Capital de giro e seu ciclo

CAIXA FORNECEDORES

DUPLICATAS
A ESTOQUE
RECEBER

VENDAS

Fonte: Disponível em: <https://www.industriahoje.com.br/o-que-e-e-


como-calcular-o-capital-de-giro>. Acesso em: 8 jan. 2018.

3 RECURSO VARIÁVEL E FIXO


Para entender a estrutura do capital de giro, devemos revisar a relação que
existe entre o uso de recurso variável com o do fixo, ou seja, a gestão de custos
nas operações de uma organização. Como o próprio nome sugere, o recurso
variável vai mudando e se incorporando ao processo produtivo de maneira direta,
à medida que a produção aumentar ou diminuir. Isso acontece com a matéria-
prima, os insumos, as embalagens, a mão de obra direta, o consumo de energia
no processo de transformação, entre outros.

O custo fixo faz parte do uso de recursos essenciais à produção, mas que
não são incorporados “fisicamente” ao produto. Exemplo: para produzir pão,
você precisará de forno, de equipamento e de um local onde operar. Esses bens
de capital são o custo fixo, pois o registro de custos não muda à medida que a
produção aumentar, o gasto de aluguel, a depreciação do equipamento, o salário
do supervisor, entre outros, são registrados como fixos de maneira mensal.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

De todos esses gastos fixos mencionados, a depreciação não faz parte do


capital de giro, pois ela é um registro que vai apurando o desgaste de um bem de
capital ao longo de sua vida útil. Portanto, ela não faz parte do financiamento das
operações no curto prazo (capital de giro), mas é uma provisão registrada como
“gastos” do desgaste dos bens de capital investidos nas operações. Exemplo:
em um veículo que foi adquirido pelo valor de R$ 100.000,00, o seu uso não
será “consumido” em um ciclo operacional (tal como o uso de insumos), mas se
desgastará ao longo de sua vida útil, desgaste registrado gradativamente como
custo de depreciação.

Assim, podemos observar, com exceção do custo em depreciação, que todos


esses custos, sejam variáveis ou fixos, devem ser financiados ao longo do ciclo
produtivo por meio de capital de giro.

Curiosidade: entende-se como atividade e/ou processo


operativo qualquer atividade e ações necessárias para ter a
capacidade produtiva de oferecer um produto e/ou serviço.

Atividade de Estudos:

1) A empresa Camisetas do Alto Vale Ltda. vem incorrendo no


consumo (gasto) dos itens expostos a seguir. Assim, determine
os custos, as despesas e os valores totais:

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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

4 CUSTO DIRETO E INDIRETO


Os gastos necessários às atividades operacionais podem ser de uso direto
ou indireto. Neste sentido, tanto o consumo de recursos variáveis como fixos
podem ser classificados como custos ou despesas, mas de uso direto ou indireto.
Os custos vêm a ser todo o consumo de recursos essenciais ao processo de
transformação. Por exemplo: insumos, mão de obra no processo de transformação,
aluguel da fábrica, gasto de energia no processo de transformação, depreciação
do equipamento industrial etc. Entretanto, as despesas são o uso de recursos
que servem de apoio ao processo de transformação. Por exemplo: gastos
administrativos e financeiros, salários da área administrativa, de marketing, de
logística, da financeira; consumo de telefone e serviço de banda larga, gastos
de deslocamento, entre outros. Quando esse gasto é classificado como custo ou
despesa, ele deve ser considerado como direto ou indireto.

• Custo direto: são os custos variáveis que vão se incorporando


diretamente ao custo dos produtos, tais como insumos, embalagens e
mão de obra direta, ou seja, é o material aplicado direto no processo
de transformação: matéria-prima, insumos e material secundário. Todos
eles possuem uma dose específica que é incorporada a cada unidade a
ser produzida.

• Custo indireto: representam o consumo de recursos que possuem um


vínculo essencial com o processo produtivo e/ou elaboração do serviço,
mas que não são dosificados de maneira física ao produto. Por exemplo:
depreciação de fornos industriais, de equipamentos para a fabricação;
mão de obra indireta (supervisores de produção); aluguel de galpão (onde
o processo de fabricação acontece); entre outros. Esse tipo de custo não
pode ser incorporado diretamente aos produtos, mas são essenciais ao
processo de transformação e devem ser rateados e incorporados aos
produtos e/ou serviços a serem fabricados.

Nesse sentido, os salários são gastos que podem confundir. Assim, no


contexto da mão de obra, devemos identificar se eles são custos diretos ou
indiretos do uso de recurso humano. “Às vezes, é difícil discernir e identificar se,
efetivamente, a mão de obra é direta ou indireta” (MARTINS, 2010, p. 133).

O operário que movimenta um torno, por exemplo, trabalhando um produto


ou componente de cada vez, tem seu gasto classificado como mão de obra direta.
No entanto, se outro operário trabalha supervisionando quatro máquinas, cada
uma executando uma operação num produto diferente, inexistindo possibilidade
de se verificar quanto cada um desses produtos consome do tempo real daquela
pessoa, temos aí um tipo de mão de obra indireta.
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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Qual será a mão de obra direta em uma empresa de TI? O


programador, pois ele é o responsável direto do serviço prestado
pelas atividades de serviço de TI, ou seja, os aplicativos, para
empresas ou para uso do consumidor.

a) Investimento operativo e aplicação dos recursos como custos ou


despesas

Dentro do contexto do uso de capital de giro, é importante entender bem


a diferença entre investimento, custos e despesas. Lembre-se de que qualquer
aquisição que uma organização faz é considerada investimento, podendo ser
classificada da seguinte maneira:

• Se a compra for consumida no processo produtivo, tipo matéria-prima,


insumos, embalagens, entre outros, ela é considerada um investimento a
ser incorporado no capital de giro. Essa compra será registrada no Ativo
Circulante para fazer parte do ciclo operacional, tendo vínculo contábil
com o capital de giro.

• Se a compra for usada como bem de capital (veículos, equipamento


industrial etc.), ela é considerada um investimento em bens de capital
e não faz parte do capital de giro. Essa compra fará parte do Ativo Não
Circulante de longo prazo, registrando seu desgaste como custo de
depreciação.

No quadro a seguir, há um comparativo entre investimento, custos e gastos,


detalhando a classificação de uso de recursos, conforme seu destino:

Quadro 1 - Diferença entre investimento, custos e gastos (despesas)


Ativo Circulante - Capital de Giro: estoque de Insumos,
Orçamento de Investimento embalagens, etc.
(Ativo fixo, insumos etc.) Ativo Fixo - Bens de Capital: infraestrutura, móveis e
equipamentos.
Uso de recurso produtivo no processo de transformação:
Custos insumos (saída do estoque), energia, recurso humano,
depreciação etc.
Despesa Consumo de recurso de apoio ao processo produtivo.

Fonte: O autor.

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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Por meio do quadro observe que tanto os custos como as despesas são uma
consequência do uso de recursos investidos em um negócio. Exemplificando, o
investimento em ativo circulante, tal com os estoques, vira custos de produção
no momento que esses estoques são aplicados nos processos de transformação.
Assim, o investimento em equipamentos e veículos serão transformados em
custos e/ou despesas por meio de sua depreciação.

Quadro 2 - Classificação de consumo e de compras/investimento

Fonte: O autor.

Observe que, dependendo da finalidade, os diferentes valores serão


classificados como custos, gastos e investimentos. A compra de matéria-prima
pelo valor de R$ 24.000,00 é classificada como investimento em estoques (capital
de giro). Agora, quando essa matéria-prima em estoques for consumida, ela
fará parte dos custos de produção, como mostrado no quadro pelo valor de R$
21.000,00, registrado como consumo de matéria-prima.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Qual a diferença entre matéria-prima e insumo? A matéria-


prima é o produto extraído diretamente da natureza, e os insumos
são todo e qualquer tipo de material utilizado para a produção de um
determinado tipo de produto. Exemplos: grão de trigo (matéria-prima)
e farinha de trigo (insumo); petróleo (matéria-prima); Polipropileno/
Termoplástico (insumo).

Atividade de Estudos:

1) A seguir, classifique os itens como: custo direto, custo indireto,


custo de mão de obra direta, custo de mão de obra indireta,
despesa e investimento.

ITENS CLASSIFICAÇÃO
Malha consumida
Aluguel de escritório e lojas
Depreciação/equipamentos
Serviço de segurança/instalações
Combustível veículos para entrega
dos produtos
Salário costureiras
Depreciação galpão/fábrica
Material de escritório consumido
Salário vendedores
Malha comprada
Salário supervisor de produção
Salário de auxiliar contábil
Energia elétrica fábrica
Material de escritório consumido
Compra equipamento

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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

b) Custo total e unitário

Outro conceito importante para conseguir entender a dinâmica do Ao apurar tanto


capital de giro é a diferenciação entre custo total e unitário. Ao apurar o custo unitário
tanto o custo unitário como total, podemos desenhar estratégias de uso como total,
de capital de giro conforme os centros produtivos nos processos de podemos desenhar
estratégias de
transformação de um negócio.
uso de capital de
giro conforme os
O Registro de Custo Total é, relativamente, mais simples que o centros produtivos
custo unitário, pois para o custo total simplesmente vão se somando nos processos de
cada um dos custos registrados. No custo unitário, devemos registrar transformação de
todos os custos para cada produto conforme os objetos de custos, um negócio.
conforme os processos operacionais de cada um desses objetos de
custos ou centro de custos.

Para registrar os custos indiretos nos centros de custos, deve-se ter critérios
de rateio para, assim, conseguir incorporar os custos que abrangem vários produtos
durante o processo de transformação. Com isso, consegue-se obter o custo unitário
respectivo em função dos objetos de custos. Vamos ver um exemplo?

Vamos supor que desejamos apurar o custo unitário na fabricação de dois


tipos de móveis, poltronas e sofás: Produto 1 e Produto 2. No quadro a seguir,
apresentam-se os Custos Diretos de Fabricação, o Custo Indireto de Fabricação
(CIF) e o critério de rateio a se utilizar.

Quadro 3 - Incorporação do CIF ao custo unitário de fabricação

Fonte: O autor.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

O quadro apresenta os custos diretos totais para os dois produtos, isto é:


R$ 47.000,00 e R$ 36.100,00, respectivamente; o CIF total pelo valor de R$
79.000,00; as unidades produzidas para esses produtos; o critério de rateio para
se aplicar; e uma série de espaços em branco para se preencher, visando obter o
custo unitário de fabricação.

Assim, o CIF pelo valor de R$ 79.000,00 deverá ser incorporado aos produtos
conforme o critério de rateio exposto ao final do quadro, isto é, horas-máquina.
No entanto, para usar esse critério de rateio, devemos aplicar a ponderação
respectiva dessas “horas-máquina”, consumidas no processo de fabricação,
conforme é apresentado a seguir:

Quadro 4 - Horas-máquina consumidas na fabricação

FABRICAÇÃO HORAS-MÁQUINA PORCENTAGEM

250
Produto 1 250 40%  x 100
620
370
Produto 2 370 60%  x 100
620

Total Horas-Máquina 620 100%

Fonte: O autor.

Agora, com essas proporcionalidades, aplica-se o rateio dos CIF na


incorporação dos custos aos produtos, da seguinte maneira:

• Produto 1: 250 horas, representando 40% do total de horas-máquina, isto


é, 250 horas das 620 horas totais. Portanto, há consumo de 40% do total
de horas-máquina utilizadas para produzir esse tipo de produto. Rateio:

o R$ 79.000 x 40% = R$ 31.600, considerando que o processo de


fabricação desse produto usou 40% das horas-máquina.

• Produto 2: 370 horas-máquina, representando 60% do total de horas-


máquinas (620), isto é, 370 das 620 horas totais. Portanto, há consumo de
60% do total de horas-máquina utilizadas para produzir esse tipo de produto.

o R$ 79.000 x 60% = R$ 47.400, considerando que o processo de


fabricação desse produto usou 60% das horas-máquina.

Uma vez feito isso, e com essas porcentagens, pode-se incorporar esses CIF
no registro de custos por produto, conforme a seguir:
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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Quadro 5 - Incorporação do consumo de recursos ao custo unitário

Fonte: O autor.

Qual é o custo unitário do Produto 1 e do Produto 2? O custo unitário deles é


R$ 604,62 e R$ 439,47, respectivamente, sendo que:

o Produto 1 – custo unitário de R$ 604,62, isto é: Custo Unitário =


Custos Indiretos + CIF
Unidade Produzidas
 Custo Unitário, Produto 1 = 47.000+31.600
130
= R$ 604,62

o Produto 2 – custo unitário de R$ 439,47, isto é: Custo Unitário =


Custos Indiretos + CIF 36.100+47.400
 Custo Unitário, Produto 2 =
Unidade Produzidas 190
= R$ 439,47

Qual é a necessidade de incorporar os CIF ao custo do


A apuração de
produto? É uma análise de custos fundamental, por meio da custos unitários
incorporação dos CIF ao produto identificam-se os custos referenciais é essencial para
por unidade produzida. A apuração de custos unitários é essencial para analisar a margem
analisar a margem operativa e a necessidade de capital de giro, assim, operativa e a
essa definição de custos unitários e seus respectivos preços de venda necessidade de
capital de giro,
permite as empresas identificar o potencial de gerar lucros para cada
assim, essa
um dos produtos a serem ofertados. Lembre-se de que para conseguir definição de custos
apurar o custo unitário, deve-se: unitários e seus
respectivos preços
1. Separar custos diretos dos indiretos. de venda permite as
2. Apropriar, por algum meio de rateio, os Custos Indiretos de empresas identificar
o potencial de gerar
Fabricação - CIF.
lucros para cada
3. Identificar a produção em termos de unidades produzidas um dos produtos a
para cada um dos produtos e/ou serviços. serem ofertados.
4. Determinar o custo unitário de cada um dos produtos.
21
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

5 SISTEMA VARIÁVEL E MARGEM


OPERACIONAL
Pelo Método
Por meio da análise de custos do sistema variável, permite-se
Variável, separa-se
todo consumo de avaliar a dinâmica de consumo de recursos à medida que aumenta
recursos em dois ou diminui a produção, como também permite analisar a necessidade
grandes grupos: os de capital de giro conforme o volume produzido e conforme o ciclo
custos e despesas operacional dos processos produtivos. Pelo Método Variável, separa-
de comportamento se todo consumo de recursos em dois grandes grupos: os custos
variável e os custos
e despesas de comportamento variável e os custos e despesas de
e despesas de
comportamento fixo. comportamento fixo.

Independentemente de que sejam custos ou despesas, o foco é quebrar os


gastos pelo seu comportamento, isto é, entre gastos variáveis e fixos. Assim,
será em função desse comportamento que se executa a análise de receitas e
custos. Por meio desse método, as empresas analisam o impacto dos custos
e despesas variáveis à medida que aumentarem ou diminuírem o volume
de vendas. É importantíssimo observar isso, dado que os custos e as despesas
variáveis têm vínculo diretamente proporcional ao volume de vendas e ao capital
de giro necessário para fazer acontecer essas vendas. Segundo Crepaldi (2002,
p. 222), “[...] são os gastos que oscilam proporcionalmente ao volume de produção
ou venda, ou seja, existe uma relação diretamente proporcional ao aumento da
produção”. Esses gastos podem ser tanto custos quanto despesas.

Levando em consideração essa proporcionalidade e vínculo “variável”, o


método possui duas etapas de apuração:

• Primeiro: identifica-se quais são os custos e despesas de


comportamento variável, isto é, consumo de recursos que vão
mudando à medida que aumentar ou diminuir as receitas. Para fazer
essa análise, de variabilidade, é necessário identificar todos os fatores
do ciclo operacional da empresa, fatores que possuam vínculo com a
variabilidade das receitas. Exemplos:
o Insumos, embalagens, consumo de energia na produção, no caso de
custos.
o Comissões de venda, no caso das despesas.

• Segundo: identifica-se todos os custos e despesas que sejam fixas, isto é,


custos e despesas que, independentemente do nível de produção, ficam
sempre iguais sob um horizonte de produção predeterminado. Exemplos:
o Seguro do galpão (chão de fábrica), no caso de custos fixos; e salários
administrativos e aluguéis dos escritórios, no caso das despesas.

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Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Nesse método, é importante sempre fazer a divisão de todos os fatores de


produção (custos e despesas) entre variáveis e fixos. Lembre-se: o grande foco
desse método é a análise das receitas conforme a dinâmica dos custos, tanto
variáveis como fixos. Assim, o valor agregado do Método de Custeio Variável é
a observação do peso, tanto do uso de recursos variáveis como dos fixos nos
processos operacionais à medida que aumenta ou diminui a produção.

Essa análise de custos, à medida que muda a produção, permite, entre outras
coisas, definir o nível mínimo de vendas necessárias para não entrar no prejuízo
operativo, conhecido como o ponto de equilíbrio, permitindo também analisar a
necessidade de capital de giro em função das perspectivas de produção e vendas
desejadas. Agora, para ter a capacidade de analisar o método de custeio variável,
é necessário conhecer a dinâmica da Margem de Contribuição.

a) Margem de contribuição

A ferramenta-chave do Método de Custeio Variável é a determinação da


margem de contribuição. O método analisa a diferença entre receitas e consumo
de recursos de comportamento variável, isto é, receitas menos custos e despesas
de comportamento variável. Os custos e as despesas, neste método, não serão
separados, no entanto, será separado qualquer tipo de gasto conforme o seu
comportamento variável e fixo. Segundo Silva e Lins (2013, p.129):

Por definição, o conceito da Margem de Contribuição


representa o valor que cada produto entrega para a empresa
depois de cobertos todos os custos que efetivamente ocorrem
num processo de produção e venda. Essa contribuição é
calculada pela diferença entre o preço e os custos e as
despesas variáveis.

Deste modo, a margem de contribuição fica em função de três elementos-chave:

• As receitas: ligadas ao volume de vendas, isto é, preço unitário de


vendas multiplicado pelas unidades vendidas.
• Os custos e as despesas variáveis: ligados aos recursos consumidos
de maneira direta no processo produtivo multiplicado pelo volume
produzido.
• As despesas variáveis: ligadas aos recursos variáveis consumidos nos
gastos de apoio, tais como: comissões de vendedores e de agentes. No
caso de comércio exterior, uma despesa variável seria a despesa gerada
pela movimentação de mercadoria na alfândega, a qual liga-se em função
direta à quantidade de mercadoria comercializada internacionalmente.

23
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Conseguindo estabelecer esses três dados, calcula-se a Margem de


Contribuição, que possui a seguinte base de cálculo:

Margem de Contribuição = Receitas – Custo Variável – Despesas Variáveis

A análise do Método de Custeio Variável possui toda uma dinâmica de


cálculo, conforme veremos no seguinte fluxograma:

Figura 2 - Método de custeio variável

Variável Estoque

Custos de RESULTADO
Produção
Próprio Vendas
Fixo
e Geral ( - ) CP.V
( - ) Despesa Variável

Margem Contribuição

Variável ( - ) Custo Fixo


Despesas ( - ) Despesa Fixa
Administrativas
Próprio
e Vendas Fixo ( = ) Lucro Operacional
e Geral

Fonte: Knuth (2012, p. 41).

Na figura anterior, a sigla CPV significa Custo do Produto Vendido. Essa


nominação aplica-se para processos industriais. Para as empresas comerciais,
aplica-se o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) e, para empresas de serviços,
aplica-se Custo do Serviço Prestado (CSP). Esse fluxograma de custos demonstra
claramente a separação entre custos em função de seu comportamento variável
ou não, conforme a seguinte lógica de apuração:

• Separa-se o consumo de recursos na produção entre os custos variáveis


e fixos, encaminhando-os para serem incorporados ao valor dos
estoques. Valor de estoques que vai se convertendo em CPV à medida
que vão acontecendo as vendas.
• Separam-se as despesas entre variáveis e fixas, encaminhando-as para
serem incorporadas ao valor de estoques.
• Determina-se o volume de estoques que foram encaminhados para
efetivar vendas, assim, essa saída de estoques converte-se em CPV
(Custo do Produto Vendido).
• Apura-se a Margem de Contribuição, isto é, o valor das vendas
(receitas) menos o CPV.

24
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

• Apura-se o Lucro Operacional, que é o resultado da Margem de


Contribuição menos os custos fixos e despesas fixas.

A margem de contribuição é fundamental para qualquer análise de foco


operacional/financeiro e servirá também para fazer a apuração da necessidade
de capital de giro. Conhecendo a margem de contribuição e o peso dos custos e
despesas fixas, as empresas conseguem identificar níveis críticos da capacidade
de produção e de capital de trabalho (de giro).

b) A DRE e a dinâmica na análise dos custos variáveis e fixos

No método por custeio variável, existem muitos elementos de cálculo. No


entanto, se fizermos esse cálculo de maneira sistemática, veremos que não é tão
difícil assim. Lembre-se: no Método de Custeio Variável, a chave é determinar a
Margem de Contribuição e o valor total dos Custos Fixos e Despesas Fixas. A
seguir, montaremos o passo a passo deste método utilizando um exemplo prático.

Quadro 6 - Análise de custos pelo seu comportamento: 1º semestre


Consumo Pro- Volume
Custo Unitário
dução Produção
Custos Variáveis R$ 94.990 R$ 4,13
Despesas Variáveis R$ 32.890 23.000 R$ 1,43
Variável Total R$ 127.880 R$ 5,56

Fonte: O autor.

Você pode observar no quadro anterior que no custo unitário do produto ficam
incorporados somente os custos e os gastos de comportamento variável. Qual é
o objetivo de incorporar as despesas variáveis ao custo unitário e à Margem de
Contribuição se as despesas são consideradas “gastos de apoio”?

• O objetivo é vincular todos os gastos (sejam custos ou despesas) que


vão mudando à medida que a produção aumentar ou diminuir e, assim,
medir a necessidade de recursos de curto prazo (capital de giro).

Fazendo essa separação, entre consumo de recursos variáveis e fixos, pode-


se facilmente analisar qualquer mudança nos volumes de produção e seu impacto
no incremento do uso de recursos para conseguir essa produção. Vamos voltar
para a situação exposta anteriormente, mudando a produção de 23.000 para 29.000
durante o segundo semestre. É obvio que esse aumento representará um acréscimo
praticamente proporcional dos custos e despesas variáveis, mas de quanto?

25
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 7 - Análise de custos pelo seu comportamento: 2º semestre

Volume
Consumo Produção Custo Unitário
Produção

Custos Variáveis R$ 119.770 R$ 4,13

Despesas Variáveis R$ 41.470 R$ 1,43


29.000
Variável Total R$ 161.240 R$ 5,56

Fonte: O autor.

Observe que não houve aumento nem dos custos, nem das despesas variáveis
em termos unitários, porém, houve aumento dos valores totais. Isso acontece
simplesmente porque o volume de venda e produção aumentou, mas, de maneira
proporcional, ao gasto unitário. Assim, o custo total passou de R$ 128.880,00 para
R$ 161.240,00, mas o custo variável unitário manteve-se igual em R$ 5,56. O
aumento proporcional desses custos e despesas variáveis é recorrente do aumento
no uso de insumos e despesas diretas (tipo comissões de vendas), os quais
aumentam diretamente em função do aumento da produção e vendas.

Em termos de Em termos de projeções, esses custos e despesas variáveis são


projeções, esses a dose exata de consumo de recursos por cada unidade produzida
custos e despesas multiplicado pelo volume de produção durante um período determinado,
variáveis são sendo um dos elementos para analisar necessidade de capital de
a dose exata giro. Agora, tendo em mãos esses valores de custos registrados na
de consumo de produção, iremos usá-los na apuração da Margem de Contribuição e,
recursos por cada logo, no seguinte capítulo, na análise do capital de giro.
unidade produzida
multiplicado pelo A margem de contribuição total é vinculante à produção de um
volume de produção
período específico? Ou existe a possibilidade de vender mais do que foi
durante um período
produzido? Na dinâmica de volumes de venda e volume de produção,
determinado, sendo
um dos elementos sempre se apresentam vendas maiores ou menores do que realmente
para analisar foi produzido, refletindo-se nos saldos de mercadoria a ser vendida.
necessidade de Vamos supor que foram vendidas 33.000 unidades, mas foi produzido
capital de giro. no mesmo período 29.000, isto é, 4.000 unidades a mais de vendas,
puxando essas 4.000 unidades do saldo de estoques. Lembre-se: o
consumo de recursos no processo de fabricação alimenta os valores dos estoques
de produto terminado. Assim, se a empresa vendeu mais do que ela produziu
nesse semestre, quer dizer que tinha saldo de mercadoria produzida do semestre
anterior. Agora, se essa mercadoria foi vendida por R$ 7,50 a unidade, de quanto
será a margem de contribuição?

26
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Lembre-se de que:

Margem de Contribuição = Receitas - Custo Variável - Despesas Variáveis

Quadro 8 - A margem de contribuição


APURAÇÃO DAS VENDAS
Preço Unitário Volume de Vendas Valor Vendas
Produto R$ 7,50 33.000 R$ 247.500

APURAÇÃO DOS CUSTOS E GASTOS VARIÁVEIS


Custos e Despesas Volume
Custo Unitário
Variáveis Vendido
Custos Variáveis R$ 136.290 R$ 4,13
33.000
Despesas Variáveis R$ 47.190 R$ 1,43
Variável Total R$ 183.480 R$ 5,56

APURAÇÃO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO


Custos e
Volume Valor
Despesas Porcentagem
Vendido Unitário
Variáveis
Receitas R$ 247.500 R$ 7,50 100,00%
Custos e Despesas 33.000
R$ 183.480 R$ 5,56
Variáveis 74,13%

Margem de Contribuição R$ 64.020 R$ 1,94


25,87%

Fonte: O autor.

Dessa apuração, consegue-se ver que existem três informações


fundamentais:

• Valores Totais: vendas de R$ 247.500; Custos e Despesas Variáveis de


R$ 183.480; e Margem de Contribuição de R$ 64.020.
• Valores Unitários: preço de venda unitário de R$ 7,50; Custos e
Despesas Variáveis unitárias de R$ 5,56; e uma Margem de Contribuição
unitária de R$ 1,94.
• Porcentagens em função das vendas totais: vendas 100%; Custos e
Despesas Variáveis 74,13%; e Margem de Contribuição de 25,87%.

Para objetivos de análise, os valores mais importantes são os unitários do


preço de venda, os custos e as despesas unitárias, a margem de contribuição

27
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

unitária e as porcentagens de proporcionalidade desses valores unitários,


visando visualizar o potencial de lucro por tipo de mercadoria e o capital de giro
necessário ao processo operacional.

Esses dados são importantes porque, em função deles, o gestor consegue


analisar vários cenários de produção e vendas para a tomada de decisão
gerencial e o volume de investimento e capital de giro. Assim, para efeitos de
análise, apresentam-se:

• Valores monetários totais da margem de contribuição: observando


a entrada (receitas) e o gasto (custos e despesas variáveis) de recursos
monetários do processo produtivo.
• Valores Unitários: observando como vai se comportando a margem de
contribuição em termos unitários. É a chave para analisar precificação,
ou seja, definir o preço unitário de venda e a potencial geração de lucro.
• Valores em porcentagens: observando a dinâmica em termos de
proporcionalidade, fundamental para a análise sem precisar entrar nos
detalhes monetários de custos individuais. Isso ajuda muito a análise
gerencial.

A Margem de Contribuição é uma das ferramentas de gestão mais importantes


da análise de custos e de recursos a serem usados no curto prazo (capital de giro).
Segundo Lunkes (2004, p. 121), “[...] margem de contribuição é a quantia de receita
que permanece depois de deduzir os custos e despesas variáveis”.

c) Análise da DRE pelo método de custeio variável

A análise da DRE pelo Método de Custeio Variável serve somente para fins
gerenciais, para fins contábeis. Conforme as normas contábeis, deve-se usar o
método por absorção. O foco do custeio variável é observar a dinâmica das contas,
ou seja, quais destas são fixas e quais são variáveis. É em função dessa dinâmica
que vamos “quebrar” a DRE em duas grandes fases: na primeira, consideram-
se as receitas menos todos os custos e despesas que sejam variáveis; e, na
segunda, consideram-se todos os custos e despesas que sejam fixas.

Quadro 9 - Demonstração do Resultado do Exercício - DRE - pelo método


variável, visando à análise do comportamento dos custos e despesas

28
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Fonte: O autor.

No cálculo exposto, entre as coisas importantes a se observar, é que a


DRE, convertida ao método variável, possui uma estrutura de análise tanto de
percentuais como de valores unitários, considerando que:

• As vendas representam 100% e os custos variáveis representam 37,60%


673.380 74,82
do volume vendido, ou seja: 37,60%= , ou 37,60%= .
1.791.000 199,00

• As comissões pagas aos vendedores representam 5% do valor total das


89,550 114,23
vendas, ou seja: 5,00%= , ou 5,00%= .
1,791.000 199,00
• A margem de contribuição gerada foi de 57,40% do total das vendas, ou
1,028.070 114,23
seja: 57,40%= , ou 57,40%= .
1,791.000 199,00
797.850
• Os custos e gastos fixos foram de 44,55%, ou seja: 44,55%= ,
88,65 1,791.00
ou 44,55%= .
199,00

• A geração de lucro representa 12,85% do total das vendas, ou seja:


230.220 25,58
12,85%= , ou 12,85%= .
1,791.000 199,00

Nesta análise, o foco é observar o comportamento dos custos fixos e


variáveis, o que será a base para determinar o ponto de equilíbrio, em função
da margem de contribuição unitária e dos custos fixos totais.

29
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Atividades de Estudos:

1) Tanto o método de custeio por absorção como o custeio variável


possuem como objetivo analisar o resultado da Demonstração
do Resultado do Exercício (DRE), mas por sistemas de apuração
diferentes. A seguir, desenvolva o cálculo da DRE em função
destes dois métodos, levando em consideração os seguintes
valores e formato da DRE:

30
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

2) Uma empresa de comercialização de doces pretende adotar um


controle de custos. O Método de Custeio por Absorção e o Método
de Custeio Variável são os indicados para tais necessidades.
A tabela a seguir resume as informações necessárias para as
decisões a serem tomadas.

Nesse caso, o lucro mensal da empresa, calculado pelo Método


de Custeio por Absorção e pelo Método de Custeio Variável, é igual,
respectivamente, a:

a) ( ) R$ 100.000,00 e R$ 180.000,00.
b) ( ) R$ 150.000,00 e R$ 130.000,00.
c) ( ) R$ 210.000,00 e R$ 240.000,00.
d) ( ) R$ 240.000,00 e R$ 220.000,00.
e) ( ) R$ 244.000,00 e R$ 234.000,00.

31
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

6 PONTO DE EQUILÍBRIO OPERACIONAL


E SUA DINÂMICA
O Ponto de Equilíbrio Operativo (PEO) é mais um aprofundamento do
Método de Custeio Variável, e seu objetivo é determinar o ponto crítico de
produção, dentro de uma estrutura operativa. Observe que, para identificar o PEO,
é necessário saber a Margem de Contribuição (Receitas – Custos e Despesas
variáveis), os custos e as despesas fixas.

Toda gestão de custos eficiente precisa identificar o ponto de equilíbrio de


suas operações, por meio dele, enxerga-se o ponto de ruptura, ou seja, seu
divisor de águas. A partir do PEO, a empresa começa a ter geração de lucro se o
volume de vendas aumentar ou prejuízo se o volume de vendas diminuir. Assim,
o Ponto de Equilíbrio é o nível onde o total das receitas deverá ser igual ao
total de todos seus custos e despesas, gerando lucro zero.

• Acima desse nível crítico, as receitas superam o total de custos e


despesas, ou seja, há geração de lucro.
• Abaixo desse nível crítico, os custos totais superam as receitas, ou seja,
há prejuízo.

O conceito parece simples, mas o importante é saber como identificar esse PEO!

a) Exemplificação do ponto de equilíbrio

Para identificar o ponto de equilíbrio, devemos ter os elementos de análise


da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), feito pelo método de custeio
variável. Nele estudamos sobre o comportamento da DRE em função do nível
de vendas, os custos variáveis e os custos fixos. Nessa análise, foi observado
o comportamento dos custos quando o nível de vendas estava em um patamar
referencial de 9.000 unidades, gerando lucro de R$ 230.220,00.

No entanto, se mudarmos o volume de vendas para 6.985 unidades, o que


vai acontecer com a geração de lucro? Óbvio que será menor, pois se apresentam
vendas menores e os custos fixos ficam iguais, conforme se apresenta a seguir.

32
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Quadro 10 - DRE (Método Variável) e lucro zero (Ponto de Equilíbrio)

Fonte: O autor.

Assim, nesse nível de vendas de 6.985 unidades, o lucro gerado será de zero!
Isto é, esse nível de vendas representa o ponto crítico das operações, ou seja,
o Ponto de Equilíbrio Operativo (PEO). Acima de 6.985 unidades vendidas,
a empresa gera lucro; e abaixo dessas 6.985 unidades, a empresa começa a
gerar prejuízo. Sabendo o valor do PEO, a empresa consegue estabelecer um
ponto referencial crítico de suas operações. Por isso a importância de saber a
dinâmica do Método de Custeio Variável.

São essenciais ao PEO tanto a margem de contribuição unitária como os


custos fixos. Em função disso, devem-se seguir os seguintes passos para apurar
o PEO, identificando:

1. O valor da venda unitário e o valor dos custos e despesas variáveis.


2. O valor da Margem de Contribuição Unitária.
3. O valor dos custos e despesas totais fixas.
4. A divisão entre os custos e despesas fixas totais e o valor unitário da
Margem de Contribuição.

A seguir, exemplificaremos o PEO do nosso exercício anterior conforme os


passos expostos.

33
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 11 - Apuração do Ponto de Equilíbrio Operacional (PEO)


Margem de Contribuição Venda Unitária – Custo Variável Unitário – Despesas
Unitária Variáveis Unitárias
Margem de Contribuição
R$ 199,00 – R$ 74,82 – R$ 9,95
Unitária
Margem de Contribuição
R$ 114,23
Unitária

Custos e Despesas Fixas


Ponto de equilíbrio Operacional (PEO)
Margem de contribuição Unitária
R$ 797.850
Ponto de equilíbrio Operacional (PEO)
R$ 114,23
Ponto de equilíbrio Operacional (PEO) 6.984,59  6.985
Fonte: O autor.

Se aplicarmos esse nível de vendas, de 6.985 unidades em função do preço


de vendas e a estrutura de custos, veremos que o lucro do exemplo será de zero.
A dinâmica do PEO é simples, acima dele, a empresa começa a gerar lucro e
abaixo dele, a empresa começa a gerar prejuízo operacional, conforme podemos
observar na dinâmica do gráfico exposto na figura a seguir.

Figura 3 - Dinâmica do Ponto de Equilíbrio (PEO)

Fonte: Disponível em: <http://financas-em-foco.blogspot.com.


br/2012/02/ponto-de-equilibrio.html>. Acesso em: 8 jan. 2018.

b) O peso e sua dinâmica

Um dos elementos-chave do Ponto de Equilíbrio Operacional (PEO) é a


proporcionalidade dos custos variáveis e o peso dos custos fixos. Tanto os custos
como as despesas variáveis sempre manterão uma mesma proporcionalidade,
conforme o volume de vendas, porém, o peso dos custos fixos vai ficando mais
34
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

leve, ou mais pesado à medida que mudar a produção. Na estrutura de custos do


exemplo exposto, apresenta-se:

Os custos e as despesas variáveis ficam sempre em 42,60% sobre o preço de


venda unitário, isto é, a somatória do custo variável é de 37,60%, R$ 74,82 x100 ,
mais as comissões de vendedores de 5,00%, R$ 9,95 x100 . R$ 199
R$ 199

A porcentagem da Margem de Contribuição fica estável em 57,40%,


R$ 114023
x100 . Fica estável em termos proporcionais, seja se a empresa
R$ 199
vender pouco ou muito. Se a empresa vender pouco essa proporcionalidade fica
igual em 57,40%; assim, mesmo se vender muito, fica igual em 57,40%.

Os custos e as despesas fixas não mudam, eles ficam sempre em R$


797.850. Se a empresa vender mais, o peso dos custos fixos será menor, todavia
se vender menos, o peso será maior.

Dessa estrutura de custos, consegue-se definir que o PEO é apurado da


seguinte maneira:

Custo e Despesas Fixas Totais


PEO
Margem de Contribuição Unitáriia

c) Deslocamento do PEO para um novo patamar

As empresas não são estáticas, elas possuem uma dinâmica própria que
fica em função de diversas variáveis que acontecem continuamente, tais como:
comportamento do consumidor (clientes), variação dos preços dos insumos
(variação dos custos), aprimoramento de processos produtivos, aumento dos gastos
administrativos etc. Assim, o PEO é mais uma representação de análise gerencial
que de fato pode mudar, mudança que depende de dois grandes determinantes:

• Valor total dos custos e despesas fixas.


• Valor da margem de contribuição unitária.
o Ponto de Equilíbrio
Com esses dois componentes é que se consegue apurar as Operacional pode
unidades mínimas de produção para cobrir pelo menos os custos fixos, mudar se a margem
ou seja, o PEO. No entanto, o Ponto de Equilíbrio Operacional pode de contribuição
mudar se a margem de contribuição sofrer alguma alteração ou se os sofrer alguma
valores totais dos custos fixos mudarem, assim, com certeza, haverá alteração ou se
os valores totais
um novo nível de análise do PEO, isto é, acontece se houver:
dos custos fixos
mudarem

35
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Mudanças no preço de venda unitário.


• Mudança nos custos e/ou nas despesas variáveis.
• Mudança nos custos e nas despesas fixas.

O PEO muda automaticamente quando se apresentam mudanças na


dinâmica de custos.

A fórmula de PEO é:

Custo e Despesas Fixas


Margem de Contribuição Unitária

Portanto, é suficiente que qualquer um desses dois componentes apresente


alteração para que o ponto de equilíbrio mude de patamar. Isso poderia vir a
acontecer, entre outras coisas, se houver:

• Mudança no preço unitário de venda em função das condições do


mercado, comportamento e capacidade de compra do consumidor.
• Mudança no custo variável em função de:
o Novos custos de quaisquer dos insumos do processo produtivo,
impactando no custo variável unitário.
o Aumento do custo da hora-homem na produção, que também faz
parte do custo variável unitário.
o Aumento do custo da energia do processo produtivo.
• Mudança das despesas variáveis, uma comissão mais alta para
aumentar as vendas, por exemplo.
• Mudança de qualquer um dos gastos que fazem parte do custo e
gasto fixo: aumento do aluguel da fábrica, aumento no salário mínimo,
novo equipamento, entre outros.

Voltando para o nosso exemplo, observe como muda o PEO para um novo
patamar, utilizando a DRE previamente estudada. O que pode acontecer com o
PEO se houver um aumento de 3,9% no custo variável? A lógica nos fala que
haverá uma mudança desse PEO, conforme quadro a seguir:

36
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

Quadro 12 - Mudança no PEC quando houver variação no custo e gasto fixo


Detalhe PEO Inicial PEO Novo
Preço de Venda Unitário R$ 199,00 = 100,00% R$ 199,00 = 100,00%
Custo Variável Unitário R$ 74,82 = 37,60% R$ 77,74 = 39,07%
Despesa - Comissões R$ 9,95 = 5,00% R$ 9,95 = 5,00%
Margem de Contribuição R$ 114,23 = 57,40% R$ 111,31 = 55,93%
Custos Fixos R$ 797.850,00 R$ 797.850,00
Ponto de Equilíbrio Contábil PEC 6.985 Unidades 7.168 Unidades
Fonte: O autor.

Assim, o novo PEO é de 7.168 unidades, ou seja, para atingir o mínimo


de vendas necessárias, para não gerar prejuízo, esse PEO aumentou de 6.985
unidades para 7.168 unidades vendidas. Isto porque agora existem custos
variáveis maiores, recorrentes, por exemplo, de um aumento nos insumos. No
entanto, o que acontece se os custos e as despesas fixas aumentarem também?
Da mesma maneira, haverá um nível de PEO maior e, portanto, uma nova análise
gerencial da geração de lucro e de necessidade de capital de giro. Esse capital de
giro possui vínculo direto com o ciclo produtivo, na qual estudaremos no próximo
capítulo.

A seguir, um case do uso de recursos na perspectiva de curto prazo e seu


peso na gestão do capital de giro de AT&T, empresa dos Estados Unidos do ramo
das comunicações.

AT&T
A Terceirização é Inevitável
A AT&T está entre as principais empresas de comunicação
de voz, vídeo, e dados do mundo, atendendo a pessoas
físicas e jurídicas e ao governo. Com respaldo na capacidade
de pesquisa e desenvolvimento da AT&T Labs, a empresa
administra a maior e mais sofisticada rede mundial de
comunicação.
Um de seus serviços é o de cartão telefônicos pré-pagos.
Apesar da especialização na prestação de serviços de
telecomunicação, a empresa tinha pouca experiência na
administração dos processos da cadeia de suprimentos
necessários para levar bens tangíveis e acabados a canais
como lojas de conveniência e varejo de massa. A AT&T tomou
a decisão estratégica de terceirizar as funções de gestão da
cadeia de suprimentos de seu cartão pré-pago. Para isso,
contratou a Accenture, uma empresa global de serviços de
consultoria empresarial e tecnologia.
A Accenture uniu-se à AT&T para desenvolver uma cadeia
de suprimentos voltada para o cliente, que se integra todos
os processos empresariais necessários - compras, produção,

37
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

programação, serviços de contas, armazenagem, atendimento,


estoque, cobrança e administração de sistemas. Usando sua
experiência em administração da cadeia de suprimentos, a
consultoria transformou os processos de tomada de decisões
de compras e estoque. Juntas, a AT&T e a Accenture reduziram
os custos de produção em 15%, melhoraram a produtividade
dos armazéns em 25% e reduziram o estoque de matérias-
primas em 25%.
Reduzir o estoque de matérias-primas por meio da terceirização
o de conversão para produção just-in-time pode diminuir a
necessidade de capital de giro líquido, a diferença entre o
ativo circulante de uma empresa – inclusive estoques – e seu
passivo de capital para que seja, então, mais bem empregado
pela empresa.
Satisfeita com a parceria com Accenture, a AT&T recorreu
novamente a ela para desenvolver e levar ao mercado uma
oferta nova e exclusiva chamada Prepaid WebCentsSM
Service, uma alternativa segura para compras de conteúdo on-
line com cartões de crédito (GITMAN, 2010, p. 546).

É interessante observar no artigo a importância da cadeia de suprimentos


(supply chain) na gestão do capital de giro. Quanto mais eficiente ela é, menor
será o capital de giro necessário às atividades operacionais de um negócio. Uma
cadeia de suprimentos eficiente depende de muitos fatores, no entanto, para
se analisar o estado atual dessa cadeia de suprimentos, deve-se é observar a
dinâmica do Giro Operacional (OP) e o Giro Financeiro (GF), quesito a ser
estudado no próximo capítulo.

Atividades de Estudos:

1) As empresas consomem recursos para executar suas tarefas.


Quando esse uso de recursos é usado diretamente nos centros
de produção, é registrado como custo. Diferencie e cite exemplos
entre Custo Direto e Custo Indireto de Fabricação (CIF).
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

38
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) A empresa de Madeira do Alto Vale Ltda., fornecedora de


tábuas para diversas fábricas de móveis, deseja classificar os
seguintes gastos (consumo de recursos), como Mmatéria-prima
e/ou insumos, MP/insumos; mão de obra direta - MOD; Custos
Indiretos de Fabricação (CIF); e as despesas.

Itens Valores em R$ Classificação


Depreciação de equipamento 800,00
Troncos de madeira 18.550,00
Parafusos e porcas 1.350,00
Mão de obra, corte das tábuas 65.000,00
Supervisor de produção 7.800,00
Salários pessoal administrativo 15.780,00
Cola consumida 3.500,00
Depreciação galpão 3.700,00
Suprimentos centro de produção 2.600,00
Aluguel local de vendas 6.000,00
Depreciação máquinas e 5.550,00
equipamento de produção
Depreciação equipamento 900,00
administração
Combustível caminhões 3.800,00
distribuição

3) Na execução das atividades de qualquer tipo de negócio existe


a necessidade do uso de recurso. Esse consumo (ou gasto) de
recursos, dependendo do objeto de custos, poderá ser custo ou
despesa. A seguir, determine a sentença correta com relação ao
uso de recursos:

a) ( ) O uso de recursos considerado como despesa é utilizado


com a finalidade de satisfazer as necessidades de gasto
geral durante as atividades dos centros de produção. Nesta
situação, podemos considerar o aluguel e o gasto da energia
de um galpão usado no processo de transformação.

39
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

b) ( ) O uso de recursos considerado como despesa é utilizado


com a finalidade de satisfazer as necessidades de apoio
para fazer acontecer as atividades dos centros de produção.
Nesta situação, podemos considerar o aluguel de várias lojas
nos shoppings.

4) Os custos indiretos devem ser alocados ao custo unitário, eles


refletem o consumo de recursos nos processos de produção.
Assim, o rateio é um sistema viável para incorporar os custos
indiretos. Conforme os valores do quadro a seguir, incorpore os CIF
ao custo dos dois produtos, e determine o custo unitário destes.

5) Uma parte importante da dinâmica dos custos é observar o


comportamento dos custos em função de sua estrutura entre
custos fixos e variáveis. Assim, uma empresa poderá identificar
custos totais e unitários em diferentes níveis de produção. Diante
disso, assinale a alternativa correta:

a) ( ) A diferença essencial entre custo variável e fixo é que o


variável pode mudar em cada período de análise de custos,
pois há alguns recursos em que seus preços de compra
aos fornecedores mudam mês a mês. Exemplo: o quilo de
tomate para produzir molho concentrado muda de preço
todas as semanas.
b) ( ) Entretanto, o custo fixo é aquele que possui um preço de
compra aos fornecedores estável mês a mês, este não
muda de preço. Por exemplo: o aluguel da fábrica de molho
de tomate, este possui contrato de custo fixo por um ano.
40
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

c) ( ) A diferença essencial entre custo variável e fixo é que o


variável vai mudando em função das unidades produzidas,
ou seja, é diretamente vinculado e dosificado ao volume
produzido, exemplo: quanto mais quilos de pão produzir
uma padaria, maiores serão os custos variáveis. Entretanto,
os custos fixos são um custo indireto que não aumenta à
medida que aumenta a produção, estes se mantêm fixos,
exemplo: o aluguel da padaria, esse custo será pago cada
mês independentemente se a padaria produzir 300 quilos
ou 3.000 quilos de pão ao mês.

6) Uma das peças-chave do método de custeio variável é a apuração


da Margem de Contribuição. Nesse sentido, assinale a alternativa
correta:

a) Margem de contribuição define-se como a margem bruta entre


receitas menos os custos de produção, considerando o rateio de
custos.
b) Margem de contribuição é a diferença entre as receitas menos os
custos e despesas de comportamento variável.
c) Margem de contribuição vem a ser a contribuição logo dos
custos unitários (diretos e indiretos) dos processos produtivos na
capacidade de gerar lucro operativo antes das despesas.

7) As instituições utilizam o Ponto de Equilíbrio para definir o ponto


crítico de suas operações. Considerando isso, a seguir, defina
o que é Ponto de Equilíbrio, e o que acontece com o resultado
quando as vendas estão abaixo deste ponto de equilíbrio?
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____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

8) Para poder identificar o Ponto de Equilíbrio Operativo (PEO), deve


ser identificado a margem de contribuição e os custos e despesas
indiretos. Nesse contexto, a seguir, defina o PEO, considerando
os seguintes dados:

41
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Preço unitário de vendas  R$ 160,00


• Custo de Produção Variável unitário  R$ 64,11
• Despesa Variável unitária  R$ 8,00
• Custos e despesas fixas  R$ 674.400,00

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7 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, abordamos alguns conceitos importantes de custos para
visualizar melhor a dinâmica do capital de giro, assim, identificamos quais custos
são variáveis e quais são fixos.

Um aumento ou uma diminuição da atividade operacional causará um


impacto direto no custo variável e uma mudança no peso do custo fixo, e isso terá
repercussões na dinâmica capital de giro.

Essas mudanças, tanto na estrutura como no próprio volume de produção e


vendas, mexem no equilíbrio operacional de qualquer negócio e na necessidade
de capital de giro, que pode ser medida por várias perspectivas.

42
Capítulo 1 RECURSO OPERATIVO DE CURTO PRAZO

REFERÊNCIAS
CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade de custos. 2. ed. São Paulo:
Atlas, 2002.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2010.

KNUTH, V. Orçamento empresarial. Indaial: Uniasselvi, 2012.

LUNKES, Rogério João. Manual de contabilidade hoteleira. São Paulo: Atlas,


2004.

MARTINS, E. Contabilidade de custo. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MOREIRA, T. Setor de cartões propõe acabar com o parcelado sem juros.


2018. Disponível em: <http://www.valor.com.br/financas/5287067/setor-de-
cartoes-propoe-acabar-com-o-parcelado-sem-juros#>. Acesso em: 2 abr. 2018.

SILVA, R. N. S.; LINS, L. S. Gestão de custos: Contabilidade, controle e análise.


2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.

43
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

44
C APÍTULO 2
CICLO DO CAPITAL DE GIRO

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Incorporar a dinâmica do Ciclo Operacional aos custos e despesas variáveis.

 Incorporar a dinâmica do Ciclo Financeiro aos prazos de pagamento aos


fornecedores.

 Identificar o capital de trabalho em função do ciclo financeiro e da geração


de custos.

 Estabelecer a sequência de giro do capital de trabalho.

 Utilizar os critérios do Ciclo Operacional.

 Avaliar o Ciclo Financeiro conforme a geração de custos.

 Relacionar a dinâmica da estrutura do Capital de Trabalho e o Ciclo Financeiro.


ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

46
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Qual é o elo entre Capital de Giro e os processos operativos de uma
organização? Basicamente, financiar o abastecimento de recursos produtivos
para viabilizar as operações. Diante disso, um dos objetivos do capital de giro é
saber identificar as necessidades de liquidez dos ciclos operacionais de cada um
dos objetos de custos, que precisam de matéria-prima, insumos, mão de obra,
entre outros.

Uma empresa produtora de laticínios precisa identificar necessidades de


recursos para cada um dos ciclos produtivos de seus produtos, isto é, processos
produtivos do leite integral pasteurizado, do leite semi-integral pasteurizado, de
seus diversos tipos de queijos, de seus iogurtes etc. Quais recursos operativos
são necessários neste exemplo? A matéria-prima, o leite cru; os insumos diversos;
a mão de obra, tanto direta como indireta; a manutenção do equipamento; o
consumo de energia; os gastos administrativos; entre outros.

2 CICLO OPERACIONAL
A base do capital de giro é determinada pelo fluxo das operações e
consumo de recursos das atividades operacionais em função dos objetos de
custos, isto é, todos os processos de ordens de compra, estocagens, processos
de transformação da matéria-prima, insumos, salários, entre outros gastos. O
consumo de recurso produtivo objetiva dar continuidade à produção constante
apurada por meio dos tempos de consumo destes recursos.

Voltando ao exemplo da indústria de laticínios e sua relação entre consumo de


recursos e objetos de custos, esses objetos de custos poderiam ser visualizados
como cada um dos produtos a serem ofertados pela empresa de laticínios. Embora
complementares, cada um destes produtos pode ser identificado como objeto de
custos diferenciados com seus respectivos ciclos operacionais. Por exemplo, o
leite integral pasteurizado terá um ciclo produtivo de, no máximo, uma hora, a
produção de soro de leite mais uma hora, e a produção de queijo prato pode
demorar alguns dias, ou semanas, até o queijo madurecer no ponto desejado.

Para ilustrar, observe a seguir um fluxograma do processo de produção de


dois produtos de laticínios 100% complementares, ou seja, os dois nascem do
mesmo processo: a fabricação de soro de leite e o queijo prato, sendo que o
queijo continua com mais um passo, o processo do amadurecimento.

47
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Figura 1 - Processo de produção de soro de leite e queijo


Adição do
Adição de coalho
Recepção de leite cru cloreto de
cálcio

Pasteurização (65
°C/30 minutos)

Resfriamento (35 ºC)

Repouso/coagulação
(45 minutos)

Corte da
coalhada/mexedura

Dessoragem Soro de leite

Fonte: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_


arttext&pid=S0101-20612009000100006>. Acesso em: 2 abr. 2018.

Figura 2 - Processo de Maturação de Queijos

Fonte: Disponível em: <http://www.lilies-diary.com/unterwegs-der-emilia-


romagna-der-himmel-des-gaumenfreunds/>. Acesso em: 2 abr. 2018.
48
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

No exemplo exposto anteriormente, podemos visualizar a Todos esses


complexidade dos processos de fabricação de uma indústria, no caso processos
de uma indústria de laticínios de uma só matéria-prima (leite cru), que demandam de
capitais de giro
consegue produzir diversos produtos com processos de produção
específicos em
específicos, sendo que todos esses processos demandam de capitais função de seus
de giro específicos em função de seus objetos de custos. Agora, objetos de custos.
imagine uma indústria que produz diversos produtos derivados do
plástico, observe que a maioria dos produtos que você consume possui plástico.

Devemos observar que, apesar de a maioria das empresas possuir mais de


um objeto de custos, neste capítulo, para facilitar o aprendizado, estudaremos
como se existisse um só objeto de custos. Os ciclos operativos de qualquer
processo operativo são diretamente dependentes do giro de capital necessário para
conseguir dar conta de todas as atividades envolvidas nas atividades operacionais,
que começam com o momento da compra, a estocagem de insumos, o processo de
transformação, venda, a distribuição nos pontos de consumo e os clientes.
Todo esse vínculo,
Todo esse vínculo, entre os ciclos operacionais e suas respectivas entre os ciclos
necessidades de caixa, pode ser visualizado, financeiramente, por meio operacionais e
das contas do Ativo Circulante, e sua contrapartida de financiamento suas respectivas
necessidades
por meio das obrigações geradas no Passivo Circulante, tema a
de caixa, pode
ser estudado no Capítulo 3. Assim, podemos observar que há um ser visualizado,
vínculo entre a análise inicial dos índices de liquidez e seu respectivo financeiramente, por
aprofundamento nos ciclos operacionais para gerar o capital de giro meio das contas do
essencial às necessidades do negócio. Como se consegue analisar Ativo Circulante, e
o capital de giro, além dos índices de liquidez? Por meio dos ciclos sua contrapartida de
financiamento por
operacionais, conforme estudaremos a seguir.
meio das obrigações
geradas no Passivo
a) Tempos do ciclo operacional Circulante

Uma maneira para determinar esses tempos de consumo de recursos é através


do ciclo operacional das atividades operacionais. Para isso, devem ser definidos os
seguintes prazos médios das atividades durante o processo operacional:

• PME: o Prazo Médio de Estoques, que é definido em dias. O PME define


os estoques necessários para manter o fluxo contínuo da produção.

• PMP: Prazo Médio de Produção, que é estabelecido em dias. O PMP


depende do tempo médio de transformação do processo de produção.

• PMR: o Prazo Médio das Duplicatas a Receber, que é estabelecido em


dias. O PMR é o tempo médio que demoram as vendas para se liquidar.

49
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

As empresas devem definir muito bem esses prazos médios, que são
estabelecidos pela gestão de estoques conforme a logística e processos de
transformação das operações das diversas atividades que uma organização
possa apresentar. Assim, uma vez estabelecidos esses prazos médios é que se
pode apurar o ciclo operacional, utilizando a seguinte fórmula:

Ciclo Operativo  CO = PME + PMR


CO  Ciclo Operacional

PME  Prazo Médio de Estoques

PMP  Prazo Médio de Produção

PMR  Prazo Médio de Duplicatas a Receber

A fórmula anterior é a representação mais simplificada possível do CO,


porém, atrás de cada um dos elementos que fazem parte do ciclo operacional,
existe todo um processo de produção com diferentes níveis de complexidade,
conforme as demandas da engenheira de produção, como foi visto no exemplo da
indústria de laticínios. Contudo, de quais elementos dependerá a apuração destes
prazos médios?

• PME: Prazo Médio de Estocagem. O PME depende da análise dos


processos produtivos e dos tempos logísticos de entrega dos insumos
necessários para o processo produtivo. Vamos supor que uma fábrica de
móveis, para garantir seus fluxos operativos, possui um PME de 25 dias,
logo, PME = 25 dias.

• PMP: Prazo Médio de Produção. O PMP depende dos processos de


transformação das matérias-primas e insumos em unidades de produto
acabado. Vamos supor que uma fábrica de móveis precisa de 12 dias de
processos de transformação, logo, PMP = 12 dias.

• PMEA: Prazo Médio de Estocagem Produto Acabado. O PMEA


depende do ciclo médio de saída da estocagem do produto acabado.
Vamos supor que a fábrica precisa de 10 dias para garantir a saída do
produto, logo, PMEA = 10 dias.

• PMR: Prazo Médio de Duplicatas a Receber. O PMR depende do prazo


de pagamento dos principais clientes, no caso da fábrica de móveis
poderia ser das diferentes lojas de varejo. Vamos supor que esse prazo
médio é de 60 dias, logo, PMR = 60 dias.

50
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Uma vez feita essa apreciação de prazos médios, temos os meios para
calcular o ciclo operativo (C0), sendo, neste caso:

CO = PME + PMP + PMEA + PMR  CO = 25 dias + 12 dias + 10 dias + 60 dias.

CO = 107 dias.

Qual seria sua apreciação desse CO de 107 dias? Esses 107 dias representam
o prazo médio que a empresa demora para recuperar os recursos investidos no
capital de giro de seu processo de produção. Ele é um “prazo médio” porque, de
modo geral, as empresas possuem uma margem de erro de alguns dias, assim,
esse prazo médio é uma média estatística. Segundo Gitman (2010, p. 549):

O ciclo operacional (CO) de uma empresa é o período de


tempo que vai do começo do processo de produção até o
recebimento de caixa resultante da venda do produto acabado.
O ciclo operacional abrange duas principais categorias de ativo
de curto prazo: estoque e contas a receber.

No exemplo com o qual estamos trabalhando, esses 107 dias representam


o tempo “médio” que demorará para o investimento no capital de giro ser
recuperado, isto é, desde a ordem de compra, a entrada dos estoques, até a
recuperação das vendas. Observe que qualquer aumento ou diminuição desses
prazos médios mudarão o CO, por exemplo:

• Se por questões de manutenção de equipamento o PMP mudar de


25 dias para 30 dias, logo o CO mudará de 107 para 112 dias. Isso
significa que a empresa precisará de maior capital de giro, isto é, maior
investimento nas suas necessidades monetárias para financiar suas
operações.

• Se por aprimoramentos e inovações dos processos produtivos (por


exemplo: compra de equipamento com tecnologia de ponta e que possa
demandar de menor tempo de manutenção) o PMP reduzir para 17 dias,
logo o CO mudará de 107 para 99 dias. Isso significa que a empresa
precisará de menor capital de giro, isto é, menor investimento nas suas
necessidades monetárias para financiar suas operações.

Nesta seção, foi observada a necessidade de liquidez para comprar os


materiais necessários à produção e a demora desse investimento para se tornar
caixa, desde o momento da compra até o momento da liquidação das vendas a
prazo. Nesta análise do ciclo de tempo, que demora em retornar o investimento
em capital de giro, falta ainda mais um elemento de análise operativo, o tempo de
financiamento por parte dos fornecedores a ser estudado no ciclo financeiro (CF)
ou conversão de caixa.
51
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

3 CICLO FINANCEIRO (CF)


O capital de giro, O ciclo financeiro (CF) ou ciclo de conversão de caixa,
tem a finalidade basicamente, é o CO menos os saldos das Contas a Pagar, ou seja,
de financiar os o Prazo Médio de Pagamento (PMP). Por que se deve descontar o
recursos produtivos, PMP? Se você observar o capital de giro, tem a finalidade de financiar
de curto prazo, os recursos produtivos, de curto prazo, a serem usados nos processos
a serem usados
de transformação, e, de fato, o Prazo Médio de Pagamento (PMP) é
nos processos de
transformação, e, de uma fonte de financiamento desse capital de giro, assim, ele reduz a
fato, o Prazo Médio necessidade de financiamento da liquidez.
de Pagamento
[...] O processo de produção e venda de um produto também
(PMP) é uma fonte
inclui a compra a prazo de insumos de produção (matérias-
de financiamento primas), resultando em contas a pagar a fornecedores. Estas
desse capital de reduzem o número de dias de recursos de uma empresa
giro, assim, ele comprometidos com o ciclo operacional. O tempo até a
reduz a necessidade quitação das contas a pagar a fornecedores, medido em dias,
de financiamento da é o prazo médio de pagamentos (PMP). O ciclo operacional
liquidez. menos o prazo médio de pagamento é chamado de ciclo de
conversão de caixa (CCC) e representa o prazo pelo qual os
recursos da empresa ficam aplicados (GITMAN, 2010, p. 549).

Nesse sentido, embora o capital de giro destine recursos monetários para


fazer acontecer esse ciclo operacional (CO), há um elemento contínuo de
financiamento de parte desse mesmo capital de giro, as Contas a Pagar aos
fornecedores. Por isso o nome ciclo financeiro (CF), porque considera o elemento
de financiamento dos fornecedores na Conversão de Caixa Operacional. Essa
conversão contínua de caixa vinda das operações pode ser apurada por meio de
cálculo matemático simples, da seguinte maneira:

Quadro 1 - Conversão de caixa


(+) Ciclo Operacional (CO) Como já vem se estudando, o CO mede o prazo mé-
dio de toda a cadeia produtiva para converter em
caixa as receitas vindas das operações.
(-) Prazo Médio de Pagamento O PMP depende dos prazos de pagamento negocia-
(PMP) dos com todos os fornecedores, prazo apurado por
meio dos saldos registrados no Passivo Circulante
durante o período da análise.
(=) Ciclo Financeiro (CF) Como o pagamento aos fornecedores é uma con-
stante operacional, vira elemento de redução da ne-
• Conversão de Caixa cessidade de Capital de Giro operacional.

Fonte: O autor.

52
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Para conseguir entender melhor o CF, pense no seguinte: se não houver


financiamento dos fornecedores, a compra de insumos será à vista, o que
acontecerá com o valor a ser pago do ciclo do capital de giro? Esse capital de
giro deverá ser pago dentro da média de dias apurada no ciclo operacional (CO).
Neste caso hipotético, como não há financiamento por parte dos fornecedores, as
compras devem ser pagas no momento da entrada desses insumos aos estoques.
No entanto, a maioria dos negócios possuem acordos de prazos de pagamentos
com seus fornecedores (pois são compras contínuas, só param se a empresa
parar de produzir). Esse prazo de pagamento é um elemento de financiamento
constante do capital de giro. É por isso que esse prazo médio de pagamento
(PMP) é descontado do CO, para assim conseguir apurar um referencial de
capital de giro operacional e seu ciclo de conversão de caixa, conforme você
pode observar na figura a seguir:

Figura 3 - Conversão de caixa operativa - ciclo financeiro (CF)

Fonte: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/1257043/3/images/11/Ciclo+de+


convers%C3%A3o+de+caixa.jpg%20N>. Acesso em: 2 abr. 2018.

53
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Na figura exposta, fica claro como funciona a dinâmica do ciclo financeiro


(CO) ou ciclo de conversão de caixa. Agora, devemos levar em consideração que,
na vida real, esse CF pode apresentar alterações nos seus prazos médios. Por
conta disso, as empresas, constantemente, estão fazendo gestão para aprimorar
os elementos que fazem parte do ciclo financeiro, isto é:

• (+) PME = Prazo Médio de Estocagem. O PME depende da análise dos


processos produtivos e dos tempos logísticos de entrega dos insumos
necessários para o processo produtivo. Vamos supor que uma fábrica de
móveis, para garantir seus fluxos operativos, possui um PME de 25 dias.
Logo, PME = 25 dias.
o Assim, aprimorar a gestão de estoques visa reduzir o Prazo Médio
de Estoques (PME). Se conseguir reduzir o PME, haverá um menor
CO, logo, menor CF e menor capital de giro.

• (+) PMP = Prazo Médio de Produção. O PMP depende dos processos


de transformação das matérias-primas e insumos em unidades de
produto acabado. Vamos supor que uma fábrica de móveis precisa de 12
dias de processos de transformação. Logo, PMP = 12 dias.
o Assim, aprimorar e inovar processos de transformação visa reduzir
o Prazo Médio de Produção (PMP). Tanto o PME como o PMP
estão interligados. Ao existir uma eficiente programação de produção
na área de estoques, pode-se planejar visando minimizar o volume
de estoques necessários.

• (+) PMEA = Prazo Médio de Estocagem Produto Acabado. O PMEA


depende do ciclo médio de saída da estocagem do produto acabado.
Vamos supor que a fábrica precisa de 10 dias para a saída do produto.
Logo, PMEA = 10 dias.
o Assim, aprimorar a necessidade de manter estoques de produto
acabado visa reduzir o Prazo Médio de Estocagem Produto
Acabado (PMEA). Muitos negócios têm que ter estoques de produto
acabado, para assim garantir e otimizar a saída de produto de suas
vendas, isso impacta na necessidade de capital de giro dentro da
análise do CO.

• (+) PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber. O PMR depende


do prazo de pagamento dos principais clientes. No caso da fábrica de
móveis, poderia ser das diferentes lojas de varejo. Vamos supor que
esse prazo médio é de 60 dias. Logo, PMR = 60 dias.

54
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

o Assim, reduzir e/ou aprimorar os prazos das contas a receber (crédito


clientes) visa reduzir o Prazo Médio de Duplicatas a Receber (PMR).

• Aqui, aprimorar é no contexto de reduzir a inadimplência dos clientes


a crédito. Se a empresa conseguir reduzir esse prazo (sem impactar o
volume de vendas), logo o CF será reduzido e haverá menor necessidade
de investimento de capital de giro dentro de um contexto operacional
desejado.

• (-) PMP = Prazo Médio de Pagamento. O PMP depende do prazo médio


a se pagar aos fornecedores.
o Assim, esticar os prazos médios de pagamento aos fornecedores
(financiamento de compras) visa aumentar o Prazo Médio de
Pagamento (PMP). A gestão financeira busca constantemente esticar
os prazos de pagamento aos fornecedores, mas sem aumentar o
preço destas compras. Assim, é uma constante negociação que vai
determinando esse PMP. Logo, quanto maior o prazo do PMO, menor
será a necessidade de capital de giro, pois será reduzido o CF.

Observe que em quase todos os elementos que fazem parte do


capital de giro têm o símbolo (+), isso significa que qualquer aumento O único elemento
nesses prazos médios aumentará a necessidade de investimento que possui o
em capital de giro. O único elemento que possui o símbolo (-) é o símbolo (-) é o
Prazo Médio de
Prazo Médio de Pagamento (PMP), isso significa que se a empresa
Pagamento (PMP),
conseguir aumentar o prazo médio desta conta, a necessidade de isso significa que
investimento em capital de giro será menor. Assim, o ciclo financeiro se a empresa
(CF) ou de conversão de caixa pode ser aprimorado: conseguir aumentar
o prazo médio
(1) por meio da diminuição no período de desta conta, a
conversão de estoque, processando e vendendo necessidade de
as mercadorias mais rapidamente, (2) por meio investimento em
da redução no período médio de recebimento,
capital de giro será
agilizando as cobranças, ou (3) mediante ao
prolongamento do período médio de pagamento menor.
a fornecedores, reduzindo o ritmo dos próprios
pagamentos da empresa. Desde que essas ações possam ser
tomadas sem aumentar os custos ou reprimir as vendas, elas
devem ser executadas (BRIGMHAM; EHRHARDT, 2010, p.
842).

É importante sempre lembrar-se deste detalhe no momento de analisar o capital


de giro de qualquer tipo de negócio. Para colocar em prática o que se vem aprendendo,
a seguir, faça o cálculo tanto do CO como do CF da situação apresentada.

55
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Atividade de Estudos:

1) Considerando que os indicadores de atividade são utilizados


na análise financeira de uma organização e servem para medir
a rapidez da conversão de várias contas em vendas ou caixa,
analise os seguintes resultados, obtidos pela empresa NC, em
março de 2015:

• Prazo Médio de Recebimento de Vendas: 70 dias.


• Prazo Médio de Renovação de Estoques: 40 dias.
• Prazo Médio de Pagamento de Compras: 30 dias.

Pelos valores apresentados, conclui-se que o ciclo operacional


e financeiro da empresa NC é, respectivamente, de:

a) ( ) 70 dias e 110 dias.


b) ( ) 70 dias e 100 dias.
c) ( ) 80 dias e 100 dias.
d) ( ) 80 dias e 60 dias.
e) ( ) 110 dias e 80 dias.

a) Ciclo de financiamento da produção

Conhecendo a dinâmica do ciclo financeiro, somos capazes de observar como


são, de fato, determinados esses prazos médios operativos tanto dos estoques
como dos processos de produção. É daí que se obtêm as necessidades essenciais
para dar conta do recado do setor de vendas e da produção. Esses prazos médios,
estatísticos, podem ser obtidos por meio dos saldos dessas contas, registradas no
Balanço Patrimonial dentro de um tempo determinado, ou seja:

• Se o Balanço Patrimonial é anual, esses prazos médios deverão levar


em consideração um tempo de 360 dias.
• Se o Balanço Patrimonial é semestral, esses prazos médios deverão
levar em consideração um tempo de 180 dias.

Assim sucessivamente para outros ciclos de tempos de análise. Observe que


esse prazo médio deve sempre levar em consideração a sequência de tempo dos
registros contáveis. Vamos supor que uma empresa possui os seguintes saldos
dessas contas ao final do período contábil anual:
56
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 2 - Cálculo dos ciclos de produção


Ciclos de Produção
Giro de Custo anual da mercadoria vendida por R$ 11.000.000 e saldo de estoques pelo
Estoques valor de R$ 672.371,64. Com esses dados, podemos obter:
R$ 11,000.000
• Giro de estoques, média de 16,36 vezes ao ano  16,36 =
R$ 672.371,64

360 dias
• Prazo Médio Estoques (PME) de 22 dias  22 dias = .
16,36 vezes

Giro de Contas Vendas anuais de R$ 20.000.000 e saldo de Contas a Receber pelo valor de
a Receber R$ 1.666.666,67. Assim, com esses dados, podemos obter:
(Duplicatas)
• Giro de Contas a Receber, média de 12 vezes ao ano  12 =
R$ 20.000.000
.
R$ 1.666.666,67
360 dias
• Médio de Duplicatas a Receber (PMR) de 30 dias  30 dias = .
12 vezes

Giro de Contas Custo anual de insumos por R$ 11.000.000 e saldo de Contas a Pagar pelo
a Pagar valor de R$ 1.375.000. Com esses dados, podemos obter:
(Fornecedores)
R$ 11.000.000
• Giro de Contas a Pagar, média de 8 vezes ao ano  8 = .
R$ 1.375,000
360 dias
• Prazo Médio de Pagamento (PMP) de 45 dias  45 dias = 8 vezes .

Fonte: O autor.

Observe que esses valores de custos, de vendas e de saldos das diferentes


contas expostas no quadro anterior são hipotéticos, dentro de um contexto da
média estatística das empresas. Agora, observe também que esses prazos médios
são o “objetivo ideal” das empresas, pois se analisar este exemplo, a empresa
está liquidando suas vendas aos 30 dias, mas está pagando aos fornecedores
aos 45 dias, ou seja, se não tivesse prazo médio de estoques, a empresa estaria
operando um capital de giro financiado 100% por parte dos fornecedores. Neste
caso, de quanto seria o ciclo financeiro ou conversão de caixa e seu valor?

CF = PME + PMR – PMP = 22 dias + 30 dias – 45 dias.


CF = 7 dias.

Se um capital de giro de “sonho” para qualquer empresa é de somente 7


dias, qual seria seu valor monetário?

57
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 3 - Capital de giro da produção com um CF de 7 dias

(+) Estoques 22,00489004 R$ 672.371,64.


R$ 11.000.000 x ( ).
360

(+) Contas a Receber 30 R$ 1.666.666,67.


R$ 20.000.000 x ( ).
360

(-) Contas a Pagar a 45


$ 11.000.000 x ( ). R$ 1.375.000,00.
fornecedores
360

Recursos Aplicados no Capital de Giro R$ 964.038,00.

Fonte: O autor.

Se a empresa, por questões de pressões de mercado e de seus fornecedores,


tivesse que negociar prazos maiores? Vamos supor que os novos prazos médios
são os seguintes:

CF = PME + PMR – PMP = 20 dias + 37 dias – 40 dias.


CF = 17 dias.

Qual seria o impacto desse novo CO no Capital de Giro Operacional do


processo de produção?

Quadro 4 - Capital de giro da produção com um CF de 17 dias

(+) Estoques 20 R$ 611.111,11.


R$ 11.000.000 x ( ).
360

(+) Contas a Receber 37 R$ 2.055.555,56.


R$ 20.000.000 x ( ).
360

(-) Contas a Pagar a 40


$ 11.000.000 x ( ). R$ 1.222.222,22.
fornecedores
360

Recursos Aplicados no Capital de Giro R$ 1.444.444,45.

Fonte: O autor.

58
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Essas pequenas mudanças dos prazos médios fizeram com que a


empresa tivesse que aumentar seu capital de giro de R$ 964.038,00 para R$
1.444.444,45. Apesar de que o prazo dos estoques foi reduzido para 20 dias,
visando exatamente amenizar essas mudanças externas, tanto do prazo de
pagamento aos fornecedores, como do aumento das contas a receber (aumento
da inadimplência, por exemplo).

Neste caso, esse aumento do CF representa R$ 480.406,00 a mais de


capital de giro que deverão ser financiados, seja por meio de capital de terceiros
(empréstimos) ou por meio de capital próprio (acionistas). Em outras palavras,
o aumento do CF de 7 dias para 17 dias fez com que a empresa tivesse que
aumentar seu investimento no capital de giro operacional.

Agora que já conhecemos a dinâmica do ciclo operativo (CO) e do ciclo


financeiro (CF), aplicaremos esses conceitos em um exemplo exposto por Gitman
(2010), no qual ele oferece situações de impactos de mudanças nos prazos
médios no capital de giro, inclusive, é o cálculo monetário dessas mudanças. O
autor usa termo “conversão de caixa” para referir-se ao ciclo financeiro.

O CICLO OPERACIONAL E A CONVERSÃO DE CAIXA

A MAX Company, fabricante de pratos descartáveis, tem vendas


anuais de $ 10 milhões, custo das mercadorias vendidas de 75% das
vendas e compras que correspondem a 65% do custo das mercadorias
vendias. A idade média dos estoques (IME) é de 60 dias, o prazo médio
de recebimentos (MPR) de 40 dias e o prazo médio de pagamentos
(PMP) de 35 dias. Logo, qual é o ciclo de conversão de caixa?

Ele é de 65 dias (60 + 40 - 35). A figura a seguir apresenta o ciclo


de conversão de caixa da MAX Company em uma linha do tempo.

59
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Os recursos investidos pela MAX nesse ciclo de conversão de


caixa (supondo-se um ano de 365 dias) são:

(+) Estoques 60 $ 1.232.877.


($ 10.000.000 x 0,75) x ( ).
365

(+) Contas a 40
$ 10.000.000 x ( ). $ 1.095.890.
Receber 365

(-) Contas a Pagar 35


($ 10.000.000 x 0,75 x 0,65) x ( ). $ 467.466.
a fornecedores
365
Recursos Aplicados $ 1.861.301.

Quaisquer alterações de prazo alterarão os recursos


comprometidos com as operações. Por exemplo, se a MAX pudesse
reduzir em cinco dias o prazo médio de recebimento de contas a
receber, reduziria a linha de tempo de conversão de caixa e, com
isso, o valor dos recursos investidos nas operações. Para a MAX,
uma redução de cinco dias no prazo médio de recebimentos reduziria
os recursos investidos no ciclo de conversão de caixa em $ 136.986
5
[$ 10.000.000 x ( )].
365

Fonte: Gitman (2010, p. 549).

60
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

No exemplo exposto por Gitman (2010) fica claro que qualquer mudança
nos ciclos de venda a prazo, dos estoques e/ou do prazo de pagamento aos
fornecedores refletirá no giro de capital e no valor do investimento. Por exemplo,
os recursos aplicados em capital de giro neste caso foram de $ 1.861.301, mas
se o número de dias das contas a receber mudar de 40 para 45 dias, o que
acontecerá com esse valor? Veremos a seguir:

40
• Contas a Receber antiga (40 dias)  $ 10.000.000 x ( ) = $ 1.095.890.
365
45
• Contas a Receber nova (45 dias)  $ 10.000.000 x ( ) = $ 1.232.877.
360
Acontecerá um aumento na necessidade de giro de capital de $ 136.987,00,
passando o valor de Recursos Aplicados de $ 1.861.301 para $ 1.998.288.

Atividade de Estudos:

1) A Companhia de Norte a Sul está querendo aumentar seu volume


de vendas usando a estratégia de ampliação do prazo concedido
aos clientes. O gestor financeiro menciona que isso impactará
na gestão do capital de giro, bem como na gestão eficiente do
caixa. O diretor da empresa solicita que a empresa encontre uma
solução sem que isso aumente o seu ciclo financeiro. Tomou-se
a decisão de melhorar a gestão dos estoques. Atualmente, as
matérias-primas permanecem 40 dias estocadas, antes de serem
consumidas no processo produtivo. São necessários 45 dias para
a fabricação dos produtos, e mais 60 dias para a sua venda.

Sabe-se que a empresa vem girando 12 vezes, em média,


suas duplicatas a receber e 24 vezes as de seus fornecedores. A
estratégia da empresa considera que é possível reduzir o período de
estocagem de matérias-primas em 10 dias, o período de fabricação
em 5 dias e o da estocagem de produtos acabados em 15 dias.
Considerando um ano com 360 dias, quantos dias de prazo adicional
podem ser concedidos aos clientes, preservando-se o mesmo ciclo
financeiro (caixa) anterior às mudanças?

a) ( ) 5.
b) ( ) 10.
c) ( ) 15.
d) ( ) 30.
e) ( ) 40.

61
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

4 CAPITAL DE TRABALHO
O capital de trabalho é sinônimo de capital de giro, que é o capital que
a empresa precisa para operar seus negócios. Até agora, visando entender o
conceito de capital de giro em si, ele foi estudado desde o ponto de vista do fluxo
operativo dos materiais que fazem parte do processo de transformação, ou seja, o
capital de giro operacional somente da perspectiva do processo de transformação
dos materiais a serem convertidos em mercadorias e em vendas pagas.

No entanto, será que só isso faz parte das necessidades de recursos


operativos? Além do ciclo operacional e financeiro dos estoques e sua respectiva
transformação em vendas, existem gastos de funcionários, gastos administrativos
e uma série de outros gastos que servem para dar apoio para esse ciclo
operacional das empresas.

Assim, a soma da saída de recursos financeiros de todos esses custos e


despesas, dentro de um contexto de ciclo operacional e financeiro, fazem
parte do capital de trabalho. Para conseguir entender essa soma de custos e
gastos, devemos entender a essência do fluxo operacional de um negócio, isto
é, o detalhamento das atividades operacionais e as obrigações geradas por
elas. Diante disso, há a necessidade de analisarmos os processos necessários
para dar conta da fabricação (ou de um serviço comercial). Para facilitar essa
compreensão, vamos expor um processo produtivo simples: a produção de pão e
a demanda de atividades para dar conta desse processo de transformação.

Quadro 5 - Processo produtivo para fazer pão francês


Insumos Engenharia Produto
Farinha 
Fermento  • Detalhe das atividades deste processo Pão francês ao
Água  produtivo. quilo vendido em
• Recursos necessários para dar conta da unidades.
Óleo  engenharia: insumos, infraestrutura e Objetivo: 50
Sal  equipamento, e mão de obra qualificada. quilos por dia.
Açúcar 
Fonte: O autor.

Neste quadro foram expostas as informações gerais do processo de


produção, pois é na descrição desse processo produtivo que determinaremos
quanto é necessário para dar conta do objetivo, ou seja, produzir 50 quilos de
pão francês ao dia. Assim, na descrição saberemos quanto será necessário de:
insumos, de uso de energia dos fornos, de padeiros, de auxiliar de caixa, de
gastos gerais, entre outros, conforme a produtividade destes.
62
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Uma vez feito o levantamento dessas particularidades, é que se poderá


definir o consumo de recursos produtivos conforme a produção projetada, no
caso do exemplo que estamos considerando, 50 quilos de pão ao dia. Observe
que todo negócio eficiente possui um fluxograma de produção, até um negócio
simples como a produção de 50 quilos de pão.

Agora, de uma perspectiva de produtos e/ou serviços semelhantes, será que


o processo produtivo para produzir um hambúrguer do McDonald’s será igual
ao processo produtivo do Burguer King ou da rede de comida rápida brasileira
Giraffas? A resposta é não, cada um destes negócios possui seu know-how (saber
como fazer) particular e sua própria dinâmica de capital de trabalho.

Todavia, quando uma empresa deste tipo deseja montar um novo restaurante
de sua marca, o parceiro investidor (dono do restaurante da localidade que usará
uma destas marcas de comida rápida) deverá desenvolver seu próprio esquema
e particularidades da logística e ciclos produtivos em função ao know-how da
franquia. Assim, antes mesmo de iniciar o empreendimento, a dona da franquia
exigirá ao dono do restaurante a apresentação de um projeto de negócio para
decidir a entrega dos direitos de montar o restaurante de comida rápida.

Neste sentido, podemos observar que existe uma grande diferença e opções
entre processos possíveis para dar conta da produção, inclusive, dentro do
contexto de uma mesma marca de comida rápida com vários parceiros locais
espalhados ao longo do país. É um exemplo disso:

• A entrega de insumos (que garantem a qualidade do produto) para


um parceiro da marca de comida rápida em Manaus poderia demorar
mais tempo do que para um restaurante da mesma marca na cidade
de São Paulo. Essas diferenças na logística fazem com que os ciclos
operacionais e a dinâmica do capital de giro sejam distintas.

Portanto, muitos fatores influenciam na escolha definitiva do processo


produtivo e seu capital de trabalho. Ela ficará em função do modelo de gestão de
cada empresa, do tipo e disponibilidade de insumos, da disponibilidade e custo
do recurso humano local, da disponibilidade de recursos financeiros, dos tipos de
tecnologia disponíveis, das normas ambientais, entre outros.

a) A análise do rendimento operativo

De que dependerá a avaliação e a escolha dos recursos produtivos a serem


usados no ciclo produtivo? Dependerá da opção que possa apresentar o melhor
rendimento por cada real investido, ou seja, a opção que possa gerar um maior

63
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

A opção do “melhor”
retorno ao capital de giro investido. A opção do “melhor” rendimento
rendimento
operativo dependerá operativo dependerá de vários fatores, mas todos eles deverão definir
de vários fatores, e ponderar cada um dos resultados e os custos respectivos para
mas todos eles diferentes alternativas tecnológicas, para assim decidir qual delas
deverão definir e permite maximizar os rendimentos dos recursos a serem usados.
ponderar cada um
dos resultados e os Muitas vezes, esses custos podem ser quantificados. Em outros
custos respectivos casos, como os dos problemas ambientais gerados por uma
para diferentes fábrica (poluição do ar, criação de resíduos químicos, etc.) são
alternativas difíceis de quantificar e são avaliados a critério dos preparadores,
tecnológicas empresários e avaliadores (BUARQUE, 1998, p. 85).

Os fatores que determinam os custos da engenharia operacional são


classificados em quatro grandes grupos:

1. Matéria-Prima e Insumos: deve-se determinar quanto de insumos


será necessário para dar conta da produção desejada. No exemplo do
pão, qual a quantidade de insumos necessários para atingir o objetivo
de produzir 50 quilos de pão francês ao dia? A resposta detalhada
dependerá do aproveitamento dos materiais, dos recursos disponíveis,
e do menor índice de desperdício das possíveis opções produtivas.
Observe que:

o No caso de pão, a disponibilidade destes insumos é quase imediata


(farinha, óleo, fermento, entre outros).

No entanto, para processos operacionais mais complexos, deve-se


determinar qual a disponibilidade dos insumos e qual o tempo de disponibilidade
destes, isto é, o tempo de entrega, desde o momento em que é feito o pedido até
a disposição destes no processo produtivo. Portanto, o nível de disponibilidade
será o referencial para determinar níveis de estocagem e tempos de ciclos
operacionais, isto é, diferentes níveis de investimento em capital de giro.

2. Materiais indiretos: são os que complementam o produto principal.


No caso do pão, pode ser a necessidade de determinar as quantidades
de sacolas para a venda do pão. No caso de uma fábrica que produz
lavadoras de roupa, quantas caixas de papelão serão necessárias para
dar conta da estimativa de produção e vendas.

3. Insumos de apoio: servem para apoiar o processo produtivo, tais como:


energia elétrica, combustíveis e óleo, material de escritório etc.

64
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

4. Mão de obra: esse recurso produtivo fica em função das atividades a


serem feitas no processo produtivo, assim, é fundamental determinar
a qualificação e a quantidade do recurso humano, assim como saber a
disponibilidade deste na região.

Com esses elementos de análise de todos os recursos operacionais é que a


empresa possui os elementos para determinar o valor do capital de trabalho e seu
respectivo ciclo. Esse processo produtivo e seu ciclo fica em função da descrição
do fluxo operativo do detalhamento das atividades da engenharia, observando-se
tanto os recursos, como as etapas destes no fluxograma operacional.

Quadro 6 - Comparativo entre necessidade de recursos e etapas produtivas


Recursos Produtivos Etapa e apoio produtivo
Insumos e outros materiais: • Definição da quantidade de produto
• Quantidades necessárias deste. terminado desejado, quantas
• Origem destes insumos. unidades deseja-se produzir.
• Custo de transporte. • Qual a necessidade de
infraestrutura e equipamento, em
função da produção desejada e
tecnologia disponível.
• Qual o nível mínimo de desperdício
determinado.
Insumos de apoio: • Que equipamentos são
• Necessidade de energia elétrica e necessários para encaminhar
combustível. esses insumos ao processo
• Necessidade de material de produtivo. Exemplo: instalação de
escritório, entre outros. transformadores de energia.
Recurso Humano: • Definição das atividades para cada
• Necessidade de qualificação. um dos processos de produção.
• Quantidade por atividade. • Definição da qualificação para cada
um destes processos.
Fonte: O autor.

b) Análise de custos operacionais e seu ciclo

O custo operacional de qualquer negócio, seja industrial, de serviços e/ou


comercial, vincula valores monetários ao consumo de recursos necessários nos
processos das atividades operacionais, objetivando oferecer mercadorias ou
serviços ao mercado. Para conhecer estes custos, ter controle deles e ter uma
estimativa de capital de giro, é necessário saber quais serão as quantidades de
produção, em unidades, durante períodos de tempo determinados, seja em dias,
semanas, trimestres, semestres e/ou ano.

65
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Um exemplo disso poderia ser o objetivo de produzir 140 quilos de pão


francês por dia. Neste caso, há um referente de produção, isto é, 140
quilos por dia. Essa estimativa de produção, se for referenciada em
meses, representaria, proporcionalmente, uma produção de 4.200 kg/
mês (140 kg x 30 dias), levando em consideração todos os custos e
despesas dentro desse período de tempo.

É, precisamente, com esses referenciais de produção, conforme as


vendas desejadas, que se consegue analisar o consumo de recursos, que será
enquadrado com a análise integral de toda a cadeia produtiva e vendas, apurando
assim o ciclo operacional e financeiro e, consequentemente, o capital de giro.
Temos que lembrar que cada negócio possui sua própria dinâmica e composição
específica de itens de insumos e outros recursos necessários para seu processo
de produção. Contudo, é possível ter um marco padrão de como podem ser
classificados o consumo de recursos, conforme podemos ver a seguir.

Quadro 7 - Necessidades referenciais de recursos produtivos no giro de capital


Matérias-primas e insumos: custo direto e variável que fica determinado em função da
programação de produção do projeto.
Mão de obra direta: folha de pagamento dos funcionários que trabalham no chão de
fábrica, no caso da padaria, o padeiro que trabalha diretamente na produção de pão.
Embalagens: custo direto e variável que fica determinado em função da programação de
produção do projeto.
Materiais indiretos: custo fixo em materiais de apoio ao processo de produção, tais
como combustíveis, lubrificantes, produtos químicos, material de limpeza etc.
Serviços: custo fixo e/ou variável em serviços básicos, tais como água, energia elétrica,
gás etc. Nesses casos, o custo do gás também pode ser variável, em função do uso dos
fornos da padaria, para citar um exemplo.

Fonte: O autor.

Esses são os tipos de custos que se apresentarão num processo produtivo


industrial. Quando se tratar de custos indiretos, a maneira de distinguir esses
custos entre os diferentes produtos é por meio de rateio. Lembre-se de que são
custos fixos e estes não apresentam um vínculo direto com o volume da produção,
mas possuem um vínculo indireto, e representam gastos a serem orçados e a
serem considerados no ciclo de capital de trabalho (capital de giro). Observe que
destes custos, a depreciação deveria ser excluída do capital de giro, pois ela não
representa uma saída efetiva de recursos operacionais.

66
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

b) Despesas como apoio às atividades operacionais

Até agora nosso estudo está focado no capital de giro com vínculo direto
no processo industrial. As despesas gerais também fazem parte da análise do
capital de giro, pois representam saída efetiva de recursos financeiros dentro do
ciclo operacional.
Entende-se como
despesa as
Entende-se como despesa as atividades de apoio o processo atividades de apoio
produtivo de uma empresa, tais como apoio administrativo, de vendas e o processo produtivo
logística, de gestão financeira/contável, entre outras. Esses processos de uma empresa,
de gestão são fundamentais para manter em andamento qualquer tais como apoio
empresa, seja ela industrial, comercial ou de serviços. Esses gastos, administrativo, de
vendas e logística,
classificados como despesas, podem ser vistos da seguinte maneira:
de gestão financeira/
contável, entre
outras.
Quadro 8 - Despesas de apoio ao processo produtivo
Salários: gasto fixo em folha de pagamento dos funcionários que apoiam o processo
produtivo, tais como gerentes, auxiliares etc. No caso da padaria, a funcionária de caixa,
por exemplo.
Gastos de gestão e comunicação: gasto em manutenção dos sistemas integrados de
gestão empresarial (SIGE), gastos de amortização dos aplicativos de TI, e gastos de co-
municação, internet, telefone fixo e celular.
Gastos gerais: gastos menores de apoio, como utensílios dos escritórios, limpeza, café etc.
Gastos de venda e logística: gastos que fazem parte da gestão operativa e administra-
tiva destes setores.

• Impostos sobre as vendas: impostos específicos que impactam no valor de ven-


da, tal como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

• Salários e comissões: gasto e folha pela gestão do pessoal de vendas.

• Propaganda: campanhas publicitárias, principalmente.

• Gastos de distribuição: gastos na depreciação dos veículos que fazem a dis-


tribuição dos produtos ao mercado, combustível e manutenção destes veículos,
salários do pessoal que trabalha nesta área, entre outros.
Gastos financeiros: são o custo do capital do investimento tanto em capital de giro como
em bens de capital, classificado como:

• Juros a serem pagos pelo capital de terceiros.

• Rendimento do capital quando se tratar de capital próprio. Apesar de este não ser
considerado como capital no DRE projetado do projeto, deve-se considerar no
fluxo de caixa projetado, objetivando assim a análise de viabilidade financeira das
operações.

Fonte: O autor.

67
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Observe que existem diversos custos e despesas para analisar. Inclusive,


algumas classificações, poderão mudar em função das características dos
próprios objetos de custos de uma mesma empresa.

Consegue identificar o que é objeto de custos? Ele é considerado


como um centro de custos individual que vai se agregando com
outros centros de custos, registrando todos os custos operacionais
dos diferentes negócios de uma empresa, por exemplo, as diferentes
filiais de um banco comercial poderiam ser consideradas como
objetos de custos.

Neste sentido, as empresas podem alocar vínculos entre


natureza das operações e a necessidade de registro dos custos,
objetivando avaliar a sua competividade no uso de recursos e futuras
tomadas de decisões eficientes.

Em geral, os custos são acumulados no subsistema de


contabilidade financeira para, posteriormente, serem alocados aos
objetos de custeio, via método de custeio. O seu nível de detalhe
deverá refletir a estrutura da organização, dos objetos de custos, dos
relatórios legais e gerenciais e do nível de informação demandada.

Fonte: Mauss e Souza (2008, p. 42).

Nesta seção, estudamos a relação entre necessidade de recursos e seu volume


monetário de investimento no contexto do capital de giro. Assim, há uma relação direta
entre o ciclo de conversão de caixa, em dias, e sua respectiva representatividade nos
recursos a serem aplicados nesse ciclo de capital de giro líquido.

5 VALOR DO CICLO DO CAPITAL DE


TRABALHO
Até neste ponto foi estudado como é a estrutura de capital de giro dentro de
um contexto operacional e de ciclos de tempos. Por isso o nome capital de giro,
pois ele está girando continuamente para dar conta das demandas da produção.
Daí a necessidade, em termos de análise de consumo de recursos monetários, de
determinar o montante desse capital e seu ciclo, conhecido como investimento em
capital de giro para fazer “girar” o negócio.

68
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Dentro da necessidade de capital de giro do ciclo operacional (C0) e do ciclo


financeiro (CF), existem vários elementos que fazem parte deles, como o volume
de vendas, os valores de custos, os prazos médios de estoques, de contas a
receber e de contas a pagar. Com a determinação de valores monetários e de
tempos desses elementos é que se consegue determinar o valor do capital de
trabalho, que será refletido na relação entre o Ativo Circulante e Passivo Circulante
do Balanço Patrimonial, conforme estudaremos no próximo capítulo.

a) Volume de custos e de vendas dentro no ciclo operacional

Os três elementos de valor monetário a serem observados, visando estruturar


o capital de giro, são as vendas, os custos e seus gastos de apoio dentro do
contexto do giro operacional ou ciclo operacional. A maneira mais fácil de observar
esses valores é por meio de um exemplo, assim, vamos tomar valores de custos
unitários do orçamento de um projeto de produção de geleia de maçã.

Neste empreendimento são considerados quatro diferentes tipos de geleias


de maçã: geleia de maçã e canela, geleia de maçã e canela light, geleia de maçã
clássica, e geleia de maçã clássica light. Os custos destes produtos são os seguintes:

Quadro 10 - Custo unitário por produto

Fonte: O autor.

A diferença dos custos entre os quatro tipos de geleias oscila conforme o


nível de complexidade no processo de transformação. Basicamente, os custos
mudam em função das horas-máquina utilizadas no processo e nos insumos que
fazem parte desses produtos. Dentro do contexto da necessidade de liquidez
nas operações, os custos por produto seriam um dos elementos para construir o
capital de giro e seu ciclo respectivo, o outro elemento importante será o volume
de vendas desses produtos. O volume de vendas a ser apurado em função da
demanda projetada e ao mark-up (marcação de custos), conforme apresentado
no quadro a seguir:

69
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 11 - Determinação do preço de venda dos produtos

Fonte: O autor.

Com essa estrutura de custos e esse mark-up definido, temos um referencial


por unidade que permite obter as ferramentas necessárias e assim ter os custos
e vendas gerais dentro de um período de tempo. Observaremos esse custo de
produção em termos anuais e todos os gastos operacionais a serem cobertos
pelo capital de giro, conforme exposto a seguir:

Quadro 12 - Consumo de recursos a serem considerados no capital de giro

70
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Fonte: O autor.

Em síntese, o orçamento de custos e vendas é um levantamento que deve


ser feito passo a passo, coletando todas as informações necessárias para ir
montando as diferentes peças do investimento em capital de trabalho. Agora, o
passo seguinte é determinar o ciclo operativo e sua relação com os volumes de
custos e gastos recentemente analisados.

b) Apuração do capital de giro

A apuração do capital de giro leva em consideração o valor de investimento


em liquidez, para dar continuidade às atividades operacionais, devendo definir os
prazos médios da produção a seguir, conforme o exemplo que estamos analisando
da produção de geleia de maçã.

• PME = Prazo Médio de Estoques. O PME depende da análise dos


processos produtivos e dos tempos de entrega dos insumos necessários
no processo produtivo da geleia. Assim, foi determinado pela área da
engenharia de produção e logística que o PME mínimo para garantir o
fluxo operativo das operações seja de 25 dias.
• PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber. O PMR depende do prazo
de pagamento dos principais clientes, neste caso dos supermercados,
sendo que é prática destes pagar aos fornecedores em um prazo de até
60 dias. Assim, foi definido que o PMR seja de 60 dias.
• PMP = Prazo Médio de Pagamento. O PMP depende dos prazos de
pagamento praticados no mercado para o pagamento dos diversos
insumos necessários ao processo produtivo. Assim, foi estabelecido
que este prazo médio é de 45 dias, mas para ser ter um amortizador de
liquidez, define-se o prazo médio de PMP de 30 dias.

Uma vez feita a análise da dinâmica destes prazos, consegue-se apurar o


ciclo operacional, sendo:

Ciclo Operacional (CO) = PME + PMR


• CO = 25 dias + 60 dias
• CO = 85 dias

71
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Esses 85 dias são O que significa esse CO de 85 dias? Conforme o que estudamos
o prazo médio, em anteriormente, esses 85 dias são esses 85 dias são o prazo médio,
dias, que demora em dias, que demora o processo de transformação, isto é, desde a
o processo de entrada dos insumos, sua estocagem, sua entrada ao processo de
transformação
transformação, sua venda e, finalmente, a cobrança das contas a
receber. O seguinte passo é definir o prazo médio financeiro (CO), ou seja, o prazo
médio operativo descontando o prazo médio de pagamento aos fornecedores:

CF = PME + PMR – PMP


• CO = 25 dias + 60 dias – 30 dias
• CO = 55 dias

Esse CF de 55 dias representa o saldo líquido em dias que demora para se


recuperar o dinheiro investido no processo de produção, o capital de giro operacional,
ou seja, o giro contínuo de produção a cada 85 dias de CO menos os 30 dias de
prazo médio de pagamento aos fornecedores, 85 dias – 30 dias = 55 dias.

Agora, como podemos convergir esse CF, em dias, em valor referencial de


investimento de capital de giro? Para conseguir fazer isso, devemos levar em
consideração os custos anteriormente analisados, sendo que os recursos usados
em insumos, energia e mão de obra direta estão estimados em R$ 3.844.578,00
por ano, conforme podemos observar a seguir:

Quadro 13 - Custo direto unitário e total


Unidade Custo Insumos Custo Insumos
Produto
Produção Unit. Ano
Maçã e Canela 241.920 R$ 3,95 R$ 955.584,00
Maçã e Canela Light 220.954 R$ 3,73 R$ 824.158,00
Maçã Clássica 340.301 R$ 2,96 R$ 1.007.291,00
Maçã Clássica Light 312.883 R$ 3,38 R$ 1.057.545,00
Total 1.116.058 R$ 3,44 R$ 3.844.578,00

Fonte: O autor.

Talvez você esteja se questionando, mas como o custo médio total é R$ 3,44, quando
a média dos quatro custos unitários é R$ 3,50? Isto é: ( 3,95 + 3,73 + 2,96 + 3,38 ).
Vamos analisar isso a partir de duas perspectivas: 4

• Custo Médio Unitário por produto e total. Se apurar o custo unitário de


cada um destes produtos, você obterá os valores expostos acima.

72
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Exemplo:

R$ 824.158,00
O custo médio unitário da “Maçã e Canela Light” é R$ 3,73 = .
220,954
R$ 844.578,00
O custo médio unitário do total é R$ 3,44 = .
1,116.058

• Custo Médio Unitário Total – Ponderado. Se apurar o custo unitário


por meio da ponderação do volume de produção, de quanto será o custo
unitário total? Exatamente o mesmo, isto é: R$ 3,44, vamos conferir?

Quadro 14 - Peso ponderado da produção no custo

Fonte: O autor.

Para apurar esse custo ponderado, devemos pegar cada um dos volumes de
produção e dividi-los para obter o volume total, por exemplo, qual a ponderação
340.301
da “Maçã Clássica”? 0,30491 = .
1.116.058

Assim, esse valor “ponderado em função ao volume total de produção” deve


ser multiplicado pelo custo unitário do produto. No caso da “Maçã Clássica” será
 R$ 0,90 = R$ 2,96 x 0,30491.

Para cada um dos quatro produtos, deve-se somar todos esses custos
ponderados, tendo como resultado o valor do Custo Médio de Produção. Neste
caso, R$ 3,44, conforme se pode conferir no quadro exposto anteriormente.

Agora que temos mais claro a questão dos custos unitários, incluíremos esse
valor referencial de consumo de recursos ao ciclo financeiro (CO) previamente
definido, conseguindo-se obter a necessidade referencial de liquidez, conforme o
seguinte quadro:

73
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 15 - Provisão de Liquidez Processo de Produção


Custos Dias Ciclo Valor Ciclo
Conta Dias Ano Custo Dia
Insumos Ano Financeiro Financeiro
Custo Insumo R$ R$ R$
360 55
Ano 3.844.578,00 10.679,00 587.366,00

Fonte: O autor.

Será que só esse valor de R$ 587.366 é suficiente como capital de giro para
dar conta de todas as atividades operacionais, inclusive as administrativas? Pela
simples análise comum diríamos que não, e é certo dizer isso. Assim, apesar de
que esse valor de R$ 587.366 é o valor do capital de giro da produção, ainda não
é o capital de giro total, devido à necessidade de acrescentar as despesas com:

Quadro 16 - Investimento total: Ativo Fixo + Capital de Giro Inicial


Mão de Custos Despesas Provisão Total
Conta Infraestrutura Insumos
Obra Indiretos Diversas Vários Investimento
R$ R$ R$ R$
Gasto Ano
3.844.577,92 243.000,00 66.510,00 520.900,00
55 dias de R$ R$ R$ R$
gasto 587.366,00 37.125,00 10.161,00 79.582,00
R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$
Investimento
3.013.512,00 587.366,00 37.125,00 10.161,00 79.582,00 194.791,00 3.922.537,00

Fonte: O autor.

R$ 3.922.537,00 é o valor necessário para que o negócio possa operar durante


um ano. Nesse valor, está considerado o valor de aquisição de matéria-prima,
insumos, mão de obra, despesas, entre outros, ou seja, todos os gastos da operação
menos a depreciação. Se levarmos em consideração o ciclo financeiro (conversão
de caixa) de 55 dias, teremos a necessidade de capital de giro, que será de R$
599.277,00 a cada 55 dias, isto é: R$ 599.277,00 = R$ 3.922.537,00 x 55 dias.
360 dias
Esses R$ 599.277,00 significam todos os custos e gastos a serem provisionados
para se ter um capital de giro inicial que possa bancar as saídas de caixa da operação
durante 55 dias. Estima-se que a partir de 55 dias após ter iniciado o ciclo financeiro,
termina o ciclo de caixa, recorrentes das vendas a prazo, ou seja, a partir do dia 55,
as entradas de caixa das vendas financiarão as necessidades operativas.

74
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Conforme foi visto ao longo deste capítulo, existem algumas maneiras de


melhorar a conversão de caixa, e assim, reduzir a necessidade de capital de giro,
desde que isso possa ser executado sem aumentar os custos ou reduzir o volume
de vendas. A seguir, um case sobre melhorar essa necessidade de capital de giro.

O melhor na administração de capital de giro


O que a Boeing, Guess, PepsiCo, Vulcan Materials, Cisco
Systems, Johnson Controls, McDonald´s, Nucor, Eastman
Kodak e Burlington Northern Santa Fe têm em comum? Cada
uma dessas empresas lidera o seu setor na pesquisa anual
da revista CFO sobre administração do capital de giro, que
abrange 1.000 empresas com vendas superiores a $ 500
milhões. Cada empresa é classificada com base no número de
dias, em seu ciclo de conversão de caixa e em sua eficiência
na conversão de caixa (ECC), definida como fluxo de caixa das
operações dividido pelas vendas.
De acordo com essa pesquisa, o número médio de dias do
ciclo de conversão de caixa é de aproximadamente 57,3, que
está 6,3 dias melhor que há 5 anos. A Burlington Northern
Santa Fe (BNSF) lidera o grupo, com um ciclo de conversão
de caixa de -57,2 dias, em comparação com a média de 24 do
setor. A BNSF atingiu esse índice por meio de reengenharia do
seu processo de contas a receber, começando com o número
de dias que a empresa levará para apresentar a fatura aos
clientes. Em 1997, ela tinha cerca de 50 mil faturas pendentes
por dia que ainda não haviam sido calculadas e encaminhadas
aos clientes. Trabalhando em seus sistemas de informação,
a BNSF conseguiu automatizar a maior parte do processo e
reduzir as faturas não processadas para cerca de 15 mil. A
BNSF, então, voltou sua atenção para o número de dias que
um cliente levava para pagar.
Descobriu que seus grandes clientes recebiam um lote
de faturas, mas não pagavam nenhuma delas se uma
única fatura divergisse do lote. Trabalhando em conjunto
com o departamento de marketing e de vendas, a BNSF
conseguiu diminuir significativamente o número de faturas
com divergências. O resultado líquido desses esforços foi
uma redução no período médio de recebimento de 50 para
29 dias. Aliado a um estoque bem reduzido e à sua própria
capacidade de adiar os pagamentos aos fornecedores, o ciclo
de conversão de caixa da BNSF chegou a -57,2 dias. Isso
aumentou o seu fluxo de caixa livre a tal ponto que a BNSF
conseguiu implementar um grande programa de recompra de
ações (BRIGMHAM; EHRHARDT, 2010, p. 842).

75
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Atividades de Estudos:

1) Explique o significado do impacto no capital de giro se o valor em


número de dias aumentar em cada um destes:

a) Conversão de Estoques.
b) Período Médio de Recebimento.
c) Período Médio de Pagamento (Fornecedores).
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Se o valor de vendas ao semestre fosse de R$ 13.000.000,


o custo da mercadoria vendida de R$ 9.300.000, as contas a
receber de R$ 1.850.000, as contas a pagar de R$ 1560.000, e
estoques médios de R$ 1.650.000, determine:

• Conversão de Estoques.
• Período Médio de Recebimento.
• Período Médio de Pagamento (Fornecedores).
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

3) Com relação ao exercício anterior, determine o valor do


investimento necessário para o ciclo de conversão de caixa e seu
número de dias:
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

76
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

4) Se o número de dias das contas a pagar aumentasse para mais


11 dias, e as contas a receber para mais 4 dias, determine em
quanto o capital de giro mudará:
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

5) O que significa ciclo financeiro ou conversão de caixa? Explique e


exponha sua fórmula.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

6) Qual é o objetivo da gestão de uma empresa no que tange ao


ciclo de conversão de caixa? Explique.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

7) Dentro do contexto de ciclo de conversão de caixa, exponha


algumas ações que uma empresa poderia utilizar para reduzir
o capital de giro, desde que isso possa ser executado sem
aumentar os custos ou reduzir o volume de vendas.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

77
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, estudamos a necessidade de caixa dentro da perspectiva
da análise dos tempos dos processos produtivos, conforme os objetos de custos
dentro de uma empresa. No contexto financeiro, a primeira análise a se observar
é a relação entre Ativo Circulante e Passivo Circulante, sempre levando em
consideração a natureza do negócio. Uma coisa bem diferente é observar essa
relação de Ativo Circulante e Passivo Circulante de uma empresa comercial de
atacado, e outra bem diferente é observar essa mesma análise de uma empresa
com processos de transformação industriais.

Dedicamos os primeiros dois capítulos deste livro de estudos à análise de


custos e ao ciclo operativo/financeiro do capital de giro, a fim de conseguirmos
entender a estrutura operativa do capital de giro antes de abordar a estrutura
financeira dele. Assim, nos próximos dois capítulos, nosso foco será a análise
financeira do giro de capital, mas sempre lembrando da natureza do negócio da
análise financeira a ser feita.

REFERÊNCIAS
BRIGMHAM, E. F.; EHRHARDT, M. C. Administração financeira: teoria e
prática. 10. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

BUARQUE, C. Avaliação econômica de projetos. São Paulo: Elsevier, 1998.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2010.

MAUSS, C. V.; SOUZA, M. A. de. Gestão de custos aplicada ao setor público.


São Paulo: Atlas, 2008.

PADOVEZE, C. L.; BENEDICTO, G. C. de. Análise das demonstrações


financeiras. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

78
C APÍTULO 3
GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Estabelecer a dinâmica entre o Ativo e o Passivo Circulante.

 Definir a política de estoques, conforme as necessidades operativas.

 Definir a política de Contas a Receber, conforme as necessidades operativas.

 Definir a política de Contas a Pagar, conforme as necessidades operativas.

 Avaliar o Capital de Trabalho em função da relação entre Ativo e Passivo


Circulante.

 Identificar a política de capital de giro e sua aplicação à gestão de estoques,


Contas a Receber e Contas a Pagar.
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

80
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Nos dois capítulos anteriores, estudamos a dinâmica operativa do capital de
giro sob uma perspectiva diretamente relacionada às operações dos negócios
que uma empresa possa vir a operar. Todavia, ainda não exploramos a estrutura
de capital de giro sob o viés da análise financeira do Balanço Patrimonial das
atividades de um negócio. Neste sentido, ao longo deste capítulo, estudaremos
como o capital de giro, sob uma perspectiva financeira, é analisado e como
essa análise possui um vínculo direto com a gestão de capital de giro operativo
estudado nos capítulos precedentes.

Como o capital de giro é visto na estrutura do Balanço Patrimonial? Ao


analisar o Balanço Patrimonial, podemos observar que o capital de giro é uma
relação dinâmica entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante.

2 RELAÇÃO ENTRE ATIVO E PASSIVO


CIRCULANTE
Como foi apresentado anteriormente, é por meio da relação contínua entre o
Ativo Circulante e suas diferentes contas (Caixa, Contas a Receber, estoques etc.)
e o Passivo Circulante (Impostos a Pagar, Salários a Pagar, Contas a Pagar etc.)
que há os meios para abrir a análise financeira do Capital de Giro e seus impactos,
tanto nas operações, quanto na capacidade de gerar lucro. A seguir, observaremos
algumas terminologias utilizadas na análise financeira do capital de giro.

Quadro 1 - Terminologia de capital de giro


Capital de giro Chamado como capital de giro bruto, simplesmente, refere-
se ao Ativo Circulante usado nas operações.
Capital de giro líquido Definido como o Ativo Circulante menos o Passivo
Circulante.
Capital de giro Definido como o Ativo Circulante operacional menos o
operacional líquido Passivo Circulante operacional. Geralmente, o CGOL
(CGOL) é igual à Caixa, Contas a Receber e Estoques menos
Fornecedores e Provisões.
Índice de liquidez Calculado pela divisão entre o Ativo Circulante e o Passivo
corrente Circulante, cujo objetivo é medir a liquidez geral do capital
de giro líquido.
Índice de liquidez seca Destinado, também, a medir a liquidez e é calculado
subtraindo-se os estoques do Ativo Circulante. O índice
de liquidez seca remove os estoques do Ativo Circulante
porque eles são os ativos circulantes menos líquidos.

81
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Orçamento de caixa Destinado a apurar os saldos de caixa, é o melhor e mais


completo retrato da posição de liquidez e é mostrado pelo
seu Orçamento de Caixa. Essa demonstração, que prevê
os fluxos de entrada e de saída de caixa, enfoca aquilo que
realmente conta.
Política de capital de giro Estabelecida para gerar políticas relativas (1) aos níveis-
alvo para cada categoria de Ativo Circulante e (2) à forma
como o Ativo Circulante será financiado.
Administração de capital Destinada ao envolvimento tanto da determinação da
de giro política de capital de giro, quanto da aplicação dessa
política nas operações diárias.

Fonte: Adaptado de Brigmham e Ehrhardt (2010, p. 836).

Observe que todos os termos expostos anteriormente possuem vínculo


direto com as contas do Ativo Circulante e com as do Passivo Circulante, bem
como o peso destas contas na gestão do Fluxo de Caixa e na administração das
atividades operacionais. A seguir, aprenderemos como analisar essas contas.

a) A análise vertical (AV) das contas do capital de giro

A análise vertical é uma comparação de elementos das contas do Balanço


Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) durante um
período de tempo determinado. No caso do capital de giro, será a análise da
relação das contas tanto do Ativo Circulante quanto do Passivo Circulante com
um valor base representado pelo 100% do valor dessas contas. Neste sentido,
os saldos das contas serão uma porcentagem representativa desse valor base.
Vamos supor que uma empresa possui o seguinte Passivo Circulante durante um
determinado período:

Quadro 2 – Passivo circulante


Conta Valor Porcentagem
Salários a Pagar R$ 12.000 22,22%
Contas a Pagar (fornecedores) R$ 20.000 37,04%
Impostos a Pagar R$ 7.000 12,96%
Obrigações bancárias de curto R$ 15.000 27,78%
prazo
Total Passivo Circulante R$ 54.000 100,00%

Fonte: O autor.

82
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

No quadro exposto, o valor base é R$ 54.000, que representa 100% dos


valores que fazem parte do Passivo Circulante. As contas a pagar (fornecedores)
R$ 20.000
representam 37,04% desse total de Passivo Circulante, isto é: 37,04% =
R$ 54.000
x 100. Seguindo essa linha de raciocínio, podemos apurar as demais porcentagens
das outras contas do Passivo Circulante, obtendo assim uma análise vertical do
passivo de curto prazo dessa hipotética empresa. Agora, assim como foi feita a análise
dessa conta, consegue-se fazer isso também com o Ativo Circulante, obtendo-se uma
Análise Vertical (AV) do capital de giro, conforme observa-se a seguir:

Figura 1 – Análise Vertical

Fonte: Adaptado de Fernandes e Pareja (2012, p.149).

Observando todas essas contas do Balanço Patrimonial, quais são as


que fazem parte da análise do capital de giro? O Ativo Circulante e o Passivo
Circulante, que possuem como base de cálculo os valores de Ativo Circulante
de R$ 134.140 no ano 2015 e R$ 157.589 no ano 2016, e no caso do Passivo
Circulante, os valores são de R$ 139.140 no ano 2015 e R$ 131.029 no ano
2016. Destas contas, permite-se observar o peso relativo de cada uma dessas em
função das necessidades de capital de giro.

Para ilustrar, observe a seguinte situação: uma empresa teve contas do Ativo
investidas no capital de giro pelo valor de R$ 157.589 (Ativo Circulante), que foram
financiadas pelas obrigações geradas e registradas como Passivo Circulante pelo
valor de R$ 131.029 no ano 2016. A diferença dessas duas contas é que gera o
capital de giro líquido de R$ 26.560. Agora, esses valores referenciais do capital
de giro em si não informam muita coisa, no entanto, é um primeiro olhar à liquidez

83
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

da atividade das operações de uma empresa. Assim, para se ter um critério real e
uma tomada de decisão sobre esse capital de giro, precisamos fragmentá-lo em
mais alguns passos, tanto da análise financeira do balanço quanto da análise dos
processos das atividades operacionais.

De modo geral, por meio da análise AV, podemos fazer uma série de
observações iniciais, conforme o foco das necessidades de avaliação da gestão.
Necessidade de avaliação que fica em função do tipo de negócio da empresa. É
muito diferente analisar o capital de giro de uma empresa industrial, comercial ou
de serviços, cada tipo de empresa possui sua própria dinâmica de capital de giro,
em função de sua atividade e de suas particularidades.

Por exemplo, se quisermos observar qual é o peso do capital de giro na


estrutura do Balanço Patrimonial exposto anteriormente, podemos observar que
o capital de giro (Ativo Circulante) possui um peso de 33,53% do total de Ativos
no ano de 2016, ou seja, um terço dos ativos da empresa pertencem ao capital
de giro das operações desta. Se a empresa for da área industrial, este seria
um valor relativamente encaixado em um padrão normal, no entanto, se fosse
uma empresa comercial, esse valor de um terço seria um valor muito baixo,
pois empresas comerciais (por exemplo, varejo) possuem grandes volumes de
estoques e menor peso de seus investimentos em bens de capital.

Observe que a análise vertical somente demonstra o peso relativo das contas
em questão para um valor absoluto escolhido previamente. Todavia, para uma
análise de comportamento e tendências de uma conta específica do capital de giro
em função da própria dinâmica desta, e entre períodos de tempo, é necessário
adicionar a Análise Horizontal (AH).

b) Análise horizontal

Como seu próprio nome sugere, ela faz uma análise horizontal entre os
valores e/ou saldos de uma mesma conta. Agora, para fazer essa análise, deve-
se obter os saldos da mesma conta, porém, entre períodos ao longo de uma linha
de tempo, vamos supor anual. Observe o exemplo a seguir:

Figura 2 – Saldos: contas a receber

Fonte: Adaptado de Fernandes e Pareja (2012, p.149).

84
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

Na Análise Horizontal (AH), faz-se uma análise comparativa do


comportamento de uma conta ao longo do tempo. Na figura anterior, observe que
as Contas a Receber aumentaram no período da análise:

• 6,25% entre os anos 2013/2014.


• 7,84% entre os anos 2014/2015.
• 18,18% entre os anos 2015/2016.

Como foi feito o cálculo dessa porcentagem? Simples, para isso devemos
pegar a porcentagem de crescimento dessa conta entre os anos 2015 - 2014:
R$ 55.000
7,84% = ( -1) x 100. Observe que há uma tendência de crescimento
R$ 51.000
dessas contas ao longo dos três anos observados, isso poderia ser reflexo do
aumento das vendas da empresa. Todavia, no ano 2016, o acréscimo dessa
conta dispara em 18,18%. Isso é um aumento drástico que fica fora da tendência
observada nos outros anos, mas qual poderia ser o motivo disso?

Existem diversas possibilidades, porém, esse drástico acréscimo poderia


ser reflexo de uma nova política para aumentar o prazo de pagamento para o
cliente, em outras palavras, um maior prazo para que os clientes possam pagar
suas compras. Poderia ser um aumento drástico da inadimplência e, por isso,
a empresa poderia estar passando por um aperto de liquidez. Assim, você viu
que podem existir diversos motivos para esse drástico aumento. Diante disso, o
passo seguinte seria conferir essas hipóteses com os gestores respectivos, tendo,
assim, as ferramentas para a tomada de decisão dos gestores.

Você viu, em uma leitura rápida dessa Análise Horizontal (AH),


que poderíamos tirar algumas hipóteses, certo? Eis o objetivo dela.
Observar, conferir, analisar correlações e tomar decisões. No exemplo
antecedente, qual seria o ano base da AH? É o ano 2013, pois ele é o
ponto de partida da análise de tendência da conta em questão.

A Análise Horizontal (AH) pode ser aplicada para diversas questões,


dependendo do foco da análise, pode ser aplicado para uma visão geral da
situação da empresa, para logo partir para os detalhes das contas que poderiam
ser mais críticas ou necessárias para se estudar. A seguir, poderemos observar
uma AH de todo o Balanço Patrimonial anteriormente exposto.

85
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 3 - Análise Horizontal do Balanço Patrimonial


ATIVO 20x1 20x2 %AHBP PASSIVO 20x1 20x2 %AHBP
Circulante Circulante
Caixa 15.940 26.000 63% Fornecedores 25.140 27.728 10%
Aplicações financeiras 40.000 40.900 2% Salário a Pagar 39.000 41.301 6%
Clientes 55.000 65.000 18% Impostos a Recolher 15.000 16.000 7%
Estoques 23.200 25.689 11% Empréstimos 60.000 46.000 -23%
Total do Circulante 134.140 157.589 17% Total do Circulante 139.140 131.029 -6%
Não Circulante Não Circulante
Realizável a Longo Prazo 65.000 85.000 31% Realizável a Longo Prazo 65.000 55.000 -15%
Clientes 65.000 85.000 31% Títulos a pagar 25.000 20.000 -20%
Empréstimos 40.000 35.000 -13%
Imobilizado 161.000 170.000 6% Total do Não Circulante 65.000 55.000 -15%
Veículos 70.000 90.000 29%
Máquinas e Equipamentos 121.000 120.000 -1% Patrimônio Líquido
(-) Depreciação Acumulada -30.000 -40.000 33% Capital Social 100.000 110.000 10%
Reserva de Lucros 45.000 84.450 88%
Intangível 49.000 57.340 17% Reserva de Capital 60.000 89.450 49%
Total do Não Circulante 275.000 312.340 14% Total do Patrimônio Líquido 205.000 283.900 38%
Total do Passivo + Patrimônio
Total do Ativo 409.140 469.929 15% Líquido 409.140 470 15%

Fonte: adaptado de Fernandes e Pareja (2012, p.149).

Observe que do ponto de vista da Análise Horizontal, no balanço apresentado


anteriormente, apresenta-se o aumento de 14,86% no valor total de ativo, isto é:
14,86% = ( 469.929 -1) x 100. Em termos monetários, houve aumento real de
409.140
15% dos ativos da empresa. Isso poderia mostrar muitas coisas, cabe ao gestor se
aprofundar e conseguir entender o porquê desse crescimento. Essa é a primeira
análise do balanço. Em seguida, o gestor deve observar outros fatores, tais como
os indicadores de liquidez desse balanço, que é o segundo a ser avaliado. Para
tanto, observaremos tanto o Ativo Circulante como o Passivo Circulante. Por isso,
é importante o estudo do capital de giro, ver quanto é seu peso em função do total
de Ativos e Passivos da empresa.

c) Análise do ativo circulante

O Ativo circulante também pode ser conhecido como “Bens e Direitos


Realizáveis no Curto Prazo”. No Balanço exposto anteriormente, você pode
observar que esta conta teve aumento de 17%, puxado, principalmente, pelo
aumento do saldo em caixa. Quais outras subcontas do Ativo Circulante puxaram
esse acréscimo? Houve investimento nas vendas a prazo (contas x receber =
clientes) em 18%, assim como a empresa aumentou também o valor dos estoques.

Pode-se observar que o grupo Ativo Circulante teve um crescimento de 17%,


motivado, principalmente, pelo aumento de caixa. Referente aos investimentos

86
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

realizados no Ativo Não Circulante com relação ao período base, há um aumento


de 14%, principalmente, pelo aumento de créditos com clientes em longo prazo
e aquisições de veículos no imobilizado, ou seja, todas essas movimentações
financeiras do Ativo Circulante são um reflexo da dinâmica financeira do capital
de giro, é por isso que devem ser bem analisadas para ter um diagnóstico das
necessidades de caixa.

d) Análise do passivo circulante

Toda essa atividade gerada pelo Ativo Circulante deve ser financiada, ou seja,
gera obrigações a pagar no curto prazo (salários, fornecedores etc.). Sendo que
essas obrigações são refletidas no Passivo Circulante. Então, se você observar a
relação entre Ativo Circulante e Passivo Circulante é um parâmetro que reflete o
capital de giro.

Agora, com relação ao balanço exposto anteriormente, e a respeito das


obrigações de curto prazo, ou seja, Passivo Circulante, houve decréscimo de 6%,
em que, à primeira vista, é bom. Em termos gerais, isso significa que a empresa
teve menor necessidade de financiar seu Ativo Circulante. No entanto, qual
poderia ter sido o motivo dessa diminuição? Se observar, o valor dos empréstimos
de curto prazo diminui de R$ 60.000 para R$ 46.000, isto é, uma queda de 23%
conforme você pôde observar no quadro anterior.

Enquanto as outras obrigações de curto prazo aumentaram seu saldo, o que


faz sentido com o crescimento da empresa, pois quando há crescimento pelo
geral, as contas a pagar com fornecedores, salários a pagar e impostos a recolher
crescem também.

e) Análise do capital circulante líquido

Em termos financeiros, trata-se do “Capital Circulante Líquido”. Como se vem


observando, toda empresa precisa de capital de giro para poder operar, isto é,
ter recurso monetário para fazer os pagamentos: aos fornecedores, à folha de
pagamento (Recurso Humano), aos gastos de consumo de energia, aos impostos
a recolher, entre outros. Para conseguir pagar tudo isso, as empresas possuem
como recurso operacional as entradas de caixa vindas das vendas. Assim, o saldo
desse ciclo operativo é representado tanto pelo Ativo Circulante (Bens e Direitos
Realizáveis no Curto Prazo) como pelo Passivo Circulante. Agora, a diferença entre
Ativo Circulante e Passivo Circulante vem a ser o Capital Circulante Líquido. Se
aumentar o Ativo Circulante e manter ou diminuir o Passivo Circulante, o Capital
Circulante Líquido ou “capital de giro” da empresa apresentará um acréscimo,
o que significa que a empresa aumentou seu investimento neste, que pode ser
positivo ou negativo, dependendo de muitos fatores. Vamos supor que:

87
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Há aumento no volume de vendas, refletindo-se em um aumento


nas Contas a Receber, ou seja, acréscimo na necessidade de
“investimento em capital de giro”, mas com perspectivas positivas.
• Há uma nova política de aumento de prazo de venda aos clientes,
procurando aumentar o volume de vendas. Isso será refletido em um
aumento do saldo das Contas a Receber, assim, haverá acréscimo na
necessidade de “investimento em capital de giro”.
• Há uma crise econômica e isso está refletindo na inadimplência,
aumentando o saldo de contas a receber (vendas a serem pagas), ou
seja, acréscimo na necessidade de “investimento em capital de
giro”, mas com perspectivas negativas.
• Há uma nova política de aumento de prazo das contas a pagar aos
fornecedores, isso aumentará o valor do saldo das contas a pagar.
Assim, haverá decréscimo na necessidade de “investimento em
capital de giro”, mas com perspectivas positivas. Basicamente, a
empresa está fazendo com que os fornecedores financiem parte das
operações da empresa.
• Política de diminuição do volume de estoques (sem comprometer as
operações da empresa). Isso levará a ter menor valor de estoques, ou
seja, decréscimo na necessidade de “investimento em capital de
giro”, o que é positivo.

Como pudemos observar, as variações na necessidade de capital de giro


podem ter diversas origens, sendo algumas delas positivas e outras negativas.
A questão é ressaltar a necessidade de não só observar, simplesmente, se
o capital de giro aumentou ou diminuiu durante um período determinado, mas,
principalmente, o motivo disso acontecer. Anteriormente foi observado só alguns
exemplos, mas o ponto é sempre procurar o porquê do que se está analisando.

f) Análise cruzada vertical e horizontal

Será que com uma análise tanto vertical como horizontal podemos ter os
elementos necessários para uma boa análise? As duas análises são importantes
para se ter uma primeira visão sobre o capital de giro e seus saldos, mas para se
ter um entendimento mais crítico sobre o que está acontecendo, deve-se fazer
uma análise em conjunto, isto é, vertical, horizontal e assim obter uma série de
índices financeiros que serviram de ferramenta comparativa para se acrescentar
o fluxo de caixa e os processos operativos, e assim poder fazer a tomada de
decisão respectiva.

Daremos uma olhada no Balanço Patrimonial, considerando tanto a Análise


Vertical como a Horizontal.

88
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

Quadro 4 – Análise Vertical e Horizontal


2015 2016 2015 2016
ATIVO % PASSIVO %
Saldo % AVBP Saldo %AHPB Saldo % AVBP Saldo %AHPB
AVBP AVBP
Ativo Circu-
Passivo Circulante
lante
Contas a Pagar
Caixa 15.940 3,90% 26.000 63% 5,53% 25.140 6,14% 27.728 10% 5,90%
(Fornecedores)
Aplicações
40.000 9,78% 40.900 2% 8,70% Salário a Pagar 39.000 9,53% 41.301 6% 8,79%
financeiras
Contas a
Impostos a Recol-
Receber (Cli- 55.000 13,44% 65.000 18% 13,83% 15.000 3,67% 16.000 7% 3,40%
her
entes)
Estoques 23.200 5,67% 25.689 11% 5,47% Empréstimos 60.000 14,66% 46.000 -23% 9,79%
Total do Ativo Total do Passivo
134.140 32,79% 157.589 17% 33,53% 139.140 34,01% 131.029 -6% 27,88%
Circulante Circulante
Ativo Não Cir- Passivo Não Cir-
culante culante
Veículos 70.000 17,11% 90.000 29% 19,15% Títulos a pagar 25.000 6,11% 20.000 -20% 4,26%
Máquinas
e Equipa- 121.000 29,57% 120.000 -1% 25,54% Empréstimos 40.000 9,78% 35.000 -13% 7,45%
mentos
(-) Depre-
Realizável a Longo
ciação Acu- -30.000 -7,33% -40.000 33% -8,51% 65.000 15,89% 55.000 -15% 11,70%
Prazo
mulada
Total do Imobi- Patrimônio Líquido
161.000 39,35% 170.000 6% 36,18%
lizado
Capital Social 100.000 24,44% 110.000 10% 23,41%
Intangível 114.000 27,86% 142.340 25% 30% Reserva de Lucros 45.000 11% 84.450 88% 17,97%
Total do Não
275.000 67,21% 312.340 14% 66% Reserva de Capital 60.000 14,66% 89.450 49% 19,03%
Circulante
Total do Patrimônio
205.000 50,11% 283.900 38% 60,41%
Líquido
Total do Ativo Total do Passivo +
409.140 100,00% 469.929 1500% 100% 409.140 100,00% 469.929 15% 100%
Patrimônio Líquido

Fonte: adaptado de Fernandes e Pareja (2012, p.153).

No quadro anterior, há uma série de inter-relações interessantes para se


observar. De maneira geral, note que a empresa cresceu 15% entre os anos
de 2015 e 2016, todavia todos seus passivos decresceram. Como será que a
empresa consegue crescer quando a empresa diminui o peso de sua dívida?
A resposta vem de seu patrimônio, ele aumentou de 50% para 60%. Isto quer
dizer que esse crescimento em ativos veio do financiamento dos acionistas e da
geração de lucro do próprio negócio.

Assim como acabamos de fazer com a análise dos passivos, é possível


fazer uma série de argumentos das diversas contas do balanço e assim obter
uma primeira visão da análise tanto horizontal como vertical. Para obter maior
fundamento, é necessário criar uma série de índices financeiros que, aliás,
nascem da análise apresentada no quadro.

89
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Atividades de Estudos:

1) Uma empresa apresentou o Balanço Patrimonial a seguir para dois


anos subsequentes. São ferramentas de análise a Análise Vertical
(AV), que demonstram a participação de cada conta no total do
ativo ou passivo, e a Análise Horizontal (AH), que demonstra a
variação de cada conta, considerando-se um ano base.

Quadro 5 - Balanço Patrimonial

Fonte: O autor.

I- O Capital Circulante Líquido aumentou no Ano 2 em comparação


com o Ano 1.
II - A participação do Capital Próprio aumentou no Ano 2 em
comparação com o Ano 1.
III - O Capital de Terceiros aumentou no Ano 2 em comparação com
o Ano 1.
IV - Os Bens e Direitos realizáveis no curto prazo aumentaram no
Ano 2 em comparação com o Ano 1.

É correto apenas o que se afirma em:

a) ( ) I, III e IV.
b) ( ) II e III.
c) ( ) III e IV.
d) ( ) I, II e III.
e) ( ) I, II e IV.

2) Determinada empresa em 31/12/2011, apresentou o Balanço


Patrimonial a seguir:

90
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

Figura 4 - Resumo do Balanço Patrimonial

Fonte: O autor.

Com base nos dados apresentados, avalie as afirmações a seguir:

I- Pela análise horizontal, o passivo exigível em curto prazo no


balanço do ano de 2011 diminuiu em mais de 50% em relação
ao balanço do ano de 2010.
II - Em ambos os exercícios, a empresa foi financiada em mais de
50% por recursos de terceiros.
III - No ano de 2011, a empresa apresentou aumento no ativo
imobilizado em decorrência de capital por parte dos sócios.

É correto o que se afirma em:

a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
c) ( ) I e III, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.

91
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

g) Índices correntes e seu vínculo com o capital de giro

A liquidez das organizações é a fonte de recursos financeiros para que elas


possam realizar suas operações, por isso seu vínculo direto com o capital de
trabalho para executar as diversas atividades nas operações. Sabendo disso,
como podemos medir a liquidez de uma empresa? A primeira conta a se observar
é o saldo em caixa. O saldo em caixa é a primeira fonte, visível, de recurso
financeiro para que a empresa possa realizar suas atividades, mas, na verdade,
há uma série de outras contas que envolvem a liquidez das empresas.

Basicamente, a liquidez de uma empresa é uma dinâmica constante da


relação entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante. É, precisamente, dessa
relação que se pode tirar uma série de Índices de Liquidez que permite ter um
quadro mais criterioso da capacidade de gerar liquidez, para cobrir as obrigações
das operações.

• Índice de Liquidez Circulante

A primeira relação de liquidez a ser observada é entre o Ativo Circulante e o


Passivo Circulante. O Índice de Liquidez Circulante mede a capacidade de liquidar
todos os ativos de curto prazo para dar conta das obrigações de curto prazo, e
apura-se da seguinte maneira:

Ativo Circulantes
Índice de Liquidez Circulante = .
Passivo Circulante

Observando o Balanço Patrimonial do quadro anterior, teríamos o seguinte


Índice de Liquidez Circulante:

Quadro 6 - Índices de Liquidez


2015 2016
Saldo % AVBP Saldo % AVBP
0,96 - 1,20 25%

Fonte: O autor.

Esses valores foram apurados da seguinte maneira:


134.140
Índice de Liquidez Circulante (2015) = = 0,96.
139.140
Qual é a interpretação desses valores? À primeira vista, observa-se que no ano
de 2015 não há suficiente Ativo Circulante para cobrir as obrigações de curto prazo,
pois o índice é menor que UM (1). No ano de 2016, esse índice é de 1,20, o qual
permite-nos perceber uma melhora da capacidade de gerar liquidez pela empresa,
aliás, esse índice melhorou em 25%. Dessa melhora pode existir uma série de
hipóteses, tais como, o aumento das vendas a prazo (contas a receber) e aumento
92
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

dos estoques ou aumento dos clientes inadimplentes. Esses fatores poderiam


aumentar o saldo do Ativo Circulante, e não necessariamente a geração da liquidez.

Será que esse índice é suficiente para se ter uma visão mais criteriosa da
geração de liquidez?

A fim de exemplificar o que foi exposto, considere a situação da empresa


apresentada anteriormente: se ela tinha uma política de venda com prazo de
pagamento em 30 dias, um aumento desse prazo, suponha-se, de 45 dias,
poderia levar a um aumento das contas a receber, assim, um aumento do Ativo
Circulante e também ocorreria uma melhora aparente do Índice de Liquidez
Circulante. Portanto, devemos nos aprofundar mais um pouco nessas contas para
se ter uma melhor visão da liquidez, e se o seguinte índice a se observar, leva em
consideração os estoques.

3 GESTÃO DE ESTOQUES
Após ter revisado a relação de Ativo Circulante e Passivo Circulante, nos
aprofundaremos em uma subconta do Ativo Circulante, os estoques. Para
conseguir visualizar a importância dos estoques dentro do contexto do capital de
giro, devemos lembrar de que ele faz parte integral do Ciclo de Conversão de
Caixa (Ciclo Financeiro, “CF”), conforme a figura a seguir:

Figura 6 - Conversão de Caixa Operativa - Ciclo Financeiro (CF)

Fonte: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/1257043/3/images/11/


Ciclo+de+convers%C3%A3o+de+caixa.jpg>. Acesso em: 4 abr. 2018.

93
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

A gestão financeira Assim, um dos elementos-chave para a maximização da


não tem controle conversão de caixa são os estoques. Por isso, é importante obter o
direto sobre eles, maior giro de estoques possível dentro do contexto operacional e de
mas ela tem a
logística das operações a serem analisadas. No contexto financeiro,
responsabilidade
de fornecer dados a gestão financeira não tem controle direto sobre eles, mas ela tem a
relevantes do responsabilidade de fornecer dados relevantes do processo de gestão
processo de gestão destes para a tomada de decisão do nível ótimo do volume de estoques.
destes para a O primeiro dado a se observar na gestão de estoques é analisar seu
tomada de decisão impacto na liquidez, por meio do Índice de Liquidez Seca.
do nível ótimo do
volume de estoques.
a) Índice de liquidez seca

Os estoques serem O objetivo do índice de liquidez seca é excluir os estoques do


os ativos que mais
demoram para se índice de liquidez ( Ativo Circulantes ), visando ter um referencial
Passivo Circulante
tornar “caixa”, eles que é capaz de gerar caixa sem os ativos em trânsito dos estoques.
devem passar pelo
processo produtivo, Deste modo, este tira os estoques do cálculo. Isso é feito em razão dos
aguardar até a estoques serem os ativos que mais demoram para se tornar “caixa”,
venda acontecer eles devem passar pelo processo produtivo, aguardar até a venda
(estocados) e, acontecer (estocados) e, ainda, esperar até o pagamento da venda a
ainda, esperar até
prazo. Vamos ver como fica esse índice na empresa do exemplo que
o pagamento da
venda a prazo. temos observado?

Quadro 7 - Índices de Liquidez Seca


2015 2016
% %
Saldo Saldo
AVBP AVBP

26%
0,80 - 1,01

Fonte: O autor.

Ativo Circulantes - Estoques 134.140-23


3.200
Índice de Liquidez Seca (2015) = = = 0,80.
Passivo Circulante 139.140

O índice de liquidez seca é de fácil interpretação, quanto maior, melhor será


a capacidade de gerar a liquidez da empresa, no entanto, devemos observar
que em função do tipo de negócio (diferentes tipos de indústria ou diferentes
tipos de comércio), a sua proporcionalidade oscila bastante, entre diferentes
tipos de empresas, e mesmo entre empresas semelhantes. Por exemplo, um
supermercado, qualquer atacado e/ou varejo, seguramente, terá um índice de
Liquidez Seca bem maior do que o de uma empresa industrial. Isso acontece por
dois importantes motivos, entre eles, uma empresa comercial:

94
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

• Não possui processos de transformação.


• Possui um vasto valor de investimento em estoques de produto
terminado, eles fazem parte essencial de suas operações.

Lembre-se: para avaliar este índice e os demais referentes à liquidez, é


necessário primeiramente levar em consideração o tipo de negócio da empresa e,
em segundo lugar, deve-se considerar as particularidades do mesmo negócio em
si e assim ter uma visão mais criteriosa.

Além da análise básica do Índice de Liquidez Seca, existem diversos modelos


de gestão de estoques que agregam valor à gestão de estoques em função das
operações e das particularidades de cada negócio, sendo os mais conhecidos:
Sistema ABC, Modelo do Lote Econômico, Sistema Just-in-Time (JIT).

b) Sistema ABC
O Sistema ABC
Assim como o próprio nome sugere, o Sistema ABC classifica os classifica os
estoques em três grandes grupos, conforme o nível da importância estoques em três
grandes grupos,
econômica destes:
conforme o nível
da importância
As empresas que usam o sistema ABC de estoques
econômica destes
classificam seu estoque em três grupos: A, B
e C. O grupo A inclui os itens que exigem maior
investimento monetário, normalmente, compreende 20% dos
itens mantidos em estoques, mas requer 80% do investimento
monetário. O grupo B inclui os itens que respondem pelo
segundo maior investimento desse gênero. O grupo C consiste
em grande número de itens que exigem um investimento
relativamente pequeno (GITMAN, 2010, p. 553).

Na lógica do sistema ABC, conforme o peso econômico dos estoques, eles


serão incorporados a um destes três grupos. Em termos de análise de gestão,
isso pode ser visualizado por meio da Curva ABC. Neste sistema, estabelece-se
a seguinte lógica:

• Estoques itens A: material que possui valor econômico


importante e essencial ao processo de transformação. Neste
grupo, pode-se classificar: matéria-prima e insumos essenciais
ao processo de transformação. Como apresenta o autor Gitman
(2010, p. 549): “compreende 20% dos itens mantidos em
estoques, mas requer 80% do investimento monetário”.

• Estoques itens B: material de peso relativamente importante à


cadeia produtiva, possuindo um nível médio de essencialidade.
Podemos citar como exemplos: insumos secundários as
necessidades de fabricação, tais como a embalagem.
95
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Estoques itens C: material que serve de apoio tanto à produção


como à administração, possuindo valores menos representativos,
tais como: parafusos, folha de papel, lâmpadas e café em pó.

O grau de importância da classificação dos estoques nestes três níveis (A, B,


C) é analisado por meio da Curva Padrão ABC dos Estoques.

Figura 7 - Curva padrão ABC dos estoques

Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/cw6igk>. Acesso em: 21 fev. 2018.

Neste gráfico de tendências, é fácil para visualizar a lógica de classificação do


sistema ABC. Será que só classificando os estoques, o gestor terá suficiente nível de
eficiência sobre estes? Provavelmente não, muitas empresas optam por aprofundar
mais um pouco na gestão de estoques por meio do Modelo do Lote Econômico.

96
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

c) Modelo do lote econômico (EOQ)

A sigla EOQ é composta a partir das iniciais das palavras em inglês


“economic order quantity”, e significa ter como objetivo executar as ordens de
pedido conforme a importância econômica da mesma ordem. Neste sentido, o
EOQ visa determinar o tamanho ideal da ordem de compra para os fornecedores,
devendo minimizar-se a soma dos custos de pedido com seus custos respectivos
de carregamento, deste modo:

O EOQ supõe que os custos relevantes do estoque possam


ser divididos em custos de pedido e custos de carregamento (o
modelo exclui o custo do item propriamente dito). Cada um deles
tem determinados componentes e características. Os custos de
pedido incluem os custos administrativos fixos de colocação
e recebimento de pedidos. Os custos de carregamento são
os custos variáveis unitários de manutenção de um item em
estoque por um determinado prazo [...] (GITMAN, 2010, p. 553).

O EOQ leva em consideração, basicamente, dois tipos de custos dos


estoques (excluindo o custo do item em si), sendo eles: Custos de Pedido e
Custos de Carregamento. No que tange aos custos de carregamento, nestes
estão incluídos os custos de armazenagem, seguro, deterioração e obsolescência.

Destes dois custos, os Custos de Pedido em termos de unidade


o EOQ ponderará
de compra, ao serem fixos, vão diminuindo à medida que aumenta
a compensação
o tamanho da ordem de compra. Enquanto que os Custos de entre Custos de
Carregamento vão aumentando proporcionalmente ao volume da Pedido e Custos
ordem de compra. Observe queao comparar-se estes dois custos, o de Carregamento,
EOQ ponderará a compensação entre Custos de Pedido e Custos de objetivando definir
Carregamento, objetivando definir o tamanho ideal da ordem de compra o tamanho ideal da
ordem de compra
que possa minimizar o custo do estoque. Levando em consideração
que possa minimizar
essa linha de raciocínio, o EOQ considera os seguintes elementos: o custo do estoque.

Quadro 8 - Elementos do lote econômico (EOQ)


S= Consumo em unidades por período
O= Custo de pedido, vem a ser o custo fixo por cada pedido
C= Custo de carregamento por unidade de pedido
Q= Número de unidades do pedido
Fonte: Adaptado de Gitman (2010, p. 554).

97
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Segundo Gitman (2010, p. 554), o Custo do Pedido será: Custo de Pedido =


O x S/Q. Já o Custo de Carregamento é definido como o custo de carregamento
de uma unidade em estoque por período multiplicado pelo estoque da empresa,
logo, o Custo de Carregamento = C x Q/2. Se levar-se em consideração que o
custo total do processo de estoque é igual ao Custo de Pedido mais o Custo de
Carregamento, logo:

• Custo Total do processo de estoque: (O x S/Q) + (C+Q/2)

Conforme Gitman (2010, p. 554), “como o Modelo do Lote Econômico (EOQ)


é definido como a quantidade pedida que minimiza a função de custo total,
devemos solucionar essa função para EOQ”. A equação resultante é:

EOQ = 2 x 5 x 0 , em que  S = Consumo em unidades por período, e O


c
= Custo de pedido.

Neste momento, talvez, você esteja se perguntando: qual é o motivo de


minimizar-se os custos envolvidos no processo de compra, quando, pelo geral,
esses são relativamente menores? Pode ser que eles sejam menores, mas há
compras que envolvem custos de pedidos que são até mais do que 30% do custo
de compra do material. Especialmente, quando a empresa faz grandes volumes
de compras vindas do exterior, ou seja, importações diretas. De acordo com
Gitman (2010, p. 554), “o cálculo de EOQ ajuda a administração a minimizar o
custo total de estoque. Reduzir o custo de pedido leva a um aumento do custo
de carregamento e pode elevar o custo total. Da mesma forma, uma redução de
custo de carregamento pode resultar em uma diminuição do custo total”.

Para compreender melhor o que foi apresentado anteriormente, confira, a


seguir, um exemplo apresentado por Gitman (2010, p. 555):

A MAX Company tem um item de estoque do grupo A que é vital


para seu processo de produção. O item custa $ 1.500 e seu consumo
é de 1.100 unidades. A MAX deseja determinar a estratégia ideal de
pedido do item. Para calcular o EOQ, precisamos dos seguintes dados:

Custo de pedido, por pedido = $ 150

Custo de carregamento, por unidade por ano = $ 200


2xsx0
Substituindo na Equação EOQ = se tem
c

98
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

2 x 100 x 150
41 unidades =
200

O ponto de emissão de novo pedido da MAX depende do


número de dias em que a empresa opera por ano. Supondo-se
que opere 250 dias por ano e use 1.100 unidades do item, sua
utilização diária será de 4,4 unidades (1.1000 / 250). Se o prazo de
recebimento for de dois dias e a MAX desejar manter um estoque de
segurança de 4 unidades, o ponto de emissão de novo pedido para
o item em questão será de 12,8 unidades [(2x4,4) + 4]. Entretanto,
como os pedidos são feitos apenas em unidades inteiras, o pedido
será emitido quando o estoque atingir 13 unidades.

d) Sistema just-in-timE (JIT)

Provavelmente você já deve ter ouvido sobre o Just-in-Time. JIT em


português significa “ordem de compra bem na hora certa”. O objetivo do JIT
é otimizar o valor de investimento em estoques, ou seja, otimizar o capital de
giro. O foco deste sistema é ter uma logística otimizada e sincronizada no 100%
com produção para que os estoques possam chegar bem no momento de seus
consumos nos processos de transformação industrial.

Sendo o foco do sistema JIT minimizar ao máximo o investimento de


estoques, ele não pondera a necessidade de se ter estoques de segurança, ou
estoques mínimos. Neste sentido, deve haver uma ampla coordenação entre a
equipe da empresa, seus fornecedores e as transportadoras, para garantir que
os insumos cheguem a tempo, já que um atraso resultará na interrupção da
produção, até que o pedido seja entregue (GITMAN, 2010, p. 554).

Sem uma coordenação de logística perfeita na programação de produção,


o JIT não terá sucesso e trará muitos problemas à produção, às vendas e à
lucratividade. Portanto, o JOT precisa de uma coordenação perfeita e contínua
entre gestão de estoques (ordens de compra e manipulação destes), transporte e
disponibilidade dos fornecedores, ou seja, o JIT demanda de excelência e eficácia
entre a cadeia de suprimentos e produção.

99
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

4 GESTÃO DE CONTAS A RECEBER


Além da gestão de estoques, outro elemento importante do giro de capital
é otimizar as contas a receber, o volume e a rentabilidade das vendas. Uma
empresa poderia acrescentar suas vendas por meio de um aumento no prazo de
pagamento para seus clientes, mas isso possui três elementos negativos: aumento
da necessidade de Investimento no capital de giro, queda na rentabilidade das
vendas (valor futuro das vendas tem um custo em termos de valor presente delas),
e aumento do risco de clientes inadimplentes.

Quadro 9 - Impactos no aumento do prazo de pagamento aos clientes


Consequência Direção da Variação Impactos
Aumento do potencial de
Maiores vendas Positivo
produção
Aumento nas Contas a
Aumento do Ciclo de
Receber, maior Capital de Negativo
Operacional e Financeiro
Giro
Aumento na
inadimplência, maior
Aumento do risco de
Capital de Giro sem retorno Muito negativo
prejuízo
(investimento para cobrir o
prejuízo)

Fonte: O autor.

as empresas
devem ponderar Assim, as empresas devem ponderar esses elementos e o
esses elementos
aumento das vendas por meio do acréscimo no prazo de pagamentos,
e o aumento das
vendas por meio do ou seja, devem fazer uma análise de custo de oportunidade das vendas
acréscimo no prazo a prazo. Em termos financeiros, as contas a receber representam a
de pagamentos, frequência de prazo médio entre uma venda fechada e sua respectiva
ou seja, devem conversão em caixa. A gestão das contas a receber pode dividir-se em
fazer uma análise duas partes:
de custo de
oportunidade das
vendas a prazo. • Frequência de prazo entre o fechamento da venda e sua
conversão de caixa.
• A análise financeira do custo de oportunidade entre vender à
vista e a prazo, devendo-se observar as práticas do mercado e
os meios financeiros para financiar vendas a prazo.

100
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

a) Gestão do crédito das contas a receber

Levando em consideração o fato de fazer vendas a prazo, o risco de não


conseguir cobrar essas vendas está implícito. Embora esse risco possa ser baixo, ele
existe, pois está envolvendo valores futuros. Assim, as empresas que fazem vendas
a prazo precisam conhecer como fazer uma boa gestão das cobranças dessas
vendas. Apesar de hoje grande parte do varejo executar suas vendas a prazo por
meio de cartões de crédito (neste caso ainda há risco, mas é mínimo), ainda há um
certo volume de vendas realizadas com cheques, duplicatas, boletos, entre outros.
Caso leve-se em consideração as negociações entre empresas (B2B - business to
business ou empresa para empresa), grande parte delas acontecem a prazo.

Diante disso, as empresas devem se envolver com a gestão de crédito das


Contas a Receber, objetivando estabelecer padrões e políticas de crédito. Uma
das ferramentas básicas de análise de crédito são os 5 Cs de crédito, sendo eles:

• Caráter: determinado estatisticamente pelo histórico de cumprimento de


obrigações.
• Capacidade: a capacidade de gerar recursos para conseguir honrar a
obrigação.
• Capital: o peso da obrigação (neste caso a compra), seu patrimônio.
• Colateral: a garantia que por meio dos ativos do cliente, ele possa honrar
a obrigação.
• Condições: análise das condições econômicas da região, do setor
econômico da atividade do devedor (análise setorial), e qualquer
particularidade que possa envolver as condições de pagamento do devedor.

Entre os 5 Cs, as duas primeiras têm um peso maior, isto é, caráter e


capacidade, elas medem a real capacidade de honrar a obrigação. Caso uma
delas esteja reportando avisos de risco, poderá ser alta a justificativa para não
se fazer a venda a prazo. Assim, os outros três Cs servem para complementar
as duas primeiras. Como um todo, o gestor das contas a receber pode fazer uma
ponderação estatística destes 5Cs e por meio de índices e gestão de dados fazer
uma análise mais produtiva deles. Atualmente, isto é feito em grande escala por
meio de empresas fornecedoras de análise de dados, seja para as instituições
financeiras, setor comercial e até setor industrial.

101
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

b) Prazo médio das contas a receber

No capital de giro, é essencial determinar o prazo médio ponderado de todas


as vendas a prazo. Isso é recomendável fazer mês a mês, pois assim se consegue
ter dados estatísticos do histórico das contas a receber, seus impactos nas vendas
e no custo financeiro destas, e seu peso relativo no Ciclo de Conversão de Caixa,
ou ciclo financeiro (CF), objetivando determinar o capital de giro. Talvez você
esteja se perguntando, como determina-se o prazo médio das contas a receber?
Vamos supor que uma empresa tem os seguintes saldos no seu histórico de
contas a receber:

Figura 8 - Histórico de contas a receber

Fonte: O autor.

Com esses dados, consegue-se obter o prazo médio. Para isso, deveremos
determinar a ponderação das datas dessas duplicatas. Observe que se apresenta
valores e prazos diferentes para cada uma dessas duplicatas. Diante desses
elementos, o cálculo ponderado do prazo médio pode ser feito seguindo os
seguintes passos:

1. Apurar o valor total dessas contas a cobrar. Nesse caso, o valor total
será R$ 126.670,00.

2. Determinar o peso, em porcentagens do valor de cada uma das


duplicatas em função desse valor total. Por exemplo, na duplicata de
número 2, devemos dividir esse valor de R$ 12.280 pelo valor total das
contas a pagar (desse lote de duplicatas), isto é: 9,69% = R$ 12.280
R$ 126.670
3. Somar cada um desses pesos ponderados. O total desses pesos deve
ser igual a UM, ou seja, 100%.

102
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

4. Pegar os prazos em dias da cada uma dessas duplicatas e multiplicar


esse número de dias vezes o peso da duplicata. Por exemplo, na
duplicata de número 2, temos 17 dias vezes a sua ponderação de 9,69%,
isto é: 1,65 = 0,0969 x 17 dias.

5. Somar cada um desses ponderados para nos identificar o prazo médio


desse bloco de contas a receber. Nesse caso, o valor do prazo médio
será de 28,24 dias.

Assim, após esse procedimento, saberemos que o valor total dessas contas
a receber e seu prazo médio são: R$ 126.670,00 com um vencimento médio de
28,24 dias. O detalhe desses valores podemos observar a seguir:

Quadro 10 - Prazo Médio das Contas a Receber


Ponderação
Vencimento em
Valor
dias
Peso Dias

R$ 21.400,00 9 16,89% 1,52

R$ 12.280,00 17 9,69% 1,65

R$ 28.350,00 19 22,38% 4,25

R$ 18.340,00 28 14,48% 4,05

R$ 23.700,00 40 18,71% 7,48

R$ 22.600,00 52 17,84% 9,28

R$ 126.670,00 28,24 100,00% 28,24

Fonte: O autor.

Uma vez conhecido o prazo médio das contas a receber e o saldo de seu
valor, sabe-se que sua média de liquidação de suas vendas a prazo é de 28 dias.
Isso quer dizer que há 28 dias, em média, para recuperar as vendas a prazo,
sendo que esse número de dias fará parte do Ciclo Financeiro (Conversão de
Caixa) do investimento em capital de giro. Se a empresa precisar levantar fundos
em função dessas contas a receber, ela poderia vender essas duplicatas para uma
instituição financeira e adiantar esse valor de vendas por meio de um desconto
financeiro, operação de gestão dos recursos de capital de giro conhecida como
Factoring, que estudaremos no último capítulo.

Vamos supor que esse valor de R$ 126.670 corresponde somente a um lote


de vendas, sendo que há mais outros. Como um todo, a empresa possui uma
política de vendas a prazo de até 30 dias. Nesse sentido, o lote analisado está
103
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

dentro do padrão, pois seu prazo médio é de 28 dias, mas cabe analisar o total
de lotes de vendas e assim conferir se a empresa está conseguindo cumprir sua
política de vendas a prazo. Assim:

Figura 9 - Resumo do prazo médio de pagamentos

Fonte: O autor.

Desse quadro, podemos ver que apenas 43% das contas a receber estão
dentro da política de prazo de vendas, existindo valores em estado de quase
inadimplência de 9% e contas a receber com alto risco de empiorar de 17%.
Assim, nesse caso, a empresa deverá entrar no detalhe e analisar se os valores
mais atrasados poderiam de fato não vir a se converter em caixa e se tornar em
perda permanente para a empresa.

5 GESTÃO DE CONTAS A PAGAR


Qual é o papel da gestão das contas a pagar em termos do capital de
giro? Tratando-se de investimento, qualquer empresa precisa financiar o Ciclo
Operacional de suas operações, isto é, desde a Ordem de Compra para se
abastecer dos insumos necessários ao processo de transformação; o investimento
no estoque recorrente dessas ordens de compra; os custos de recurso humano,
consumo de energia e mais outros envolvidos no processo de transformação,
gastos de apoio administrativos e de distribuição e vendas a prazo.

Todo esse processo operativo e contínuo é resumido no Ciclo Operacional


(CO) conforme estudamos no capítulo anterior. O CO é representado em dias
e logo é transformado em valores monetários, os quais representam o valor de
investimento no capital de giro em função desse ciclo. Esse valor de investimento
do capital de giro pode ter uma fonte operacional de financiamento, que são as
Contas a Pagar.

104
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

As Contas a Pagar representam, basicamente, o financiamento dos


fornecedores às ordens de compra executadas. Da mesma maneira que a empresa
executa vendas a prazo, é comum, no ciclo das operações das empresas, elas
conseguirem acordos de pagamentos de seus fornecedores, assim, quanto maior
o prazo de pagamento das contas a pagar, maior será também o financiamento ao
capital de giro, logo, menor será o investimento necessário neste.

Neste sentido, a meta de qualquer empresa deverá ser reduzir o prazo médio
de recebimento (contas a receber) e alongar as contas a pagar (fornecedores),
desde que isto não impacte no rendimento do preço de venda (receita), nem nos
preços de aquisição das compras feitas aos fornecedores (custos), para que não
prejudique os parceiros ao longo da cadeia valor. Seguindo esse raciocínio, sobre
a ética e a transparência no uso de financiamento dos fornecedores:

Alongamento do prazo de contas a pagar a fornecedores


– uma boa política?
Alongar as contas a pagar a fornecedores (C/P) é algo
frequentemente encarado como boa prática de administração
de caixa. Ao adiar ao máximo os pagamentos das contas,
sem causar danos a seu crédito, as empresas obtêm de seus
fornecedores empréstimos livres de juros. Algumas delas
alongam deliberadamente seu prazo de contas a pagar para
cobrir déficits temporários de caixa.
Essa prática tem duas consequências negativas. A primeira é
que a iniciativa pode ser levada longe demais e fazer com que
a empresa seja vista como procrastinadora de pagamentos.
Os fornecedores acabarão exercendo maior pressão sobre ela
para que efetue seus pagamentos com pontualidade.
A prática também levanta questões éticas. Em primeiro lugar,
pode levar a empresa a infringir o contrato firmado com seu
fornecedor ao comprar o produto. É, o que é mais importante
para os investidores, uma empresa pode alongar as C/P
para aumentar artificialmente o fluxo de caixa operacional
divulgado em um determinado período. Em outras palavras,
as empresas podem melhorar seus resultados publicados
de fluxo de caixa, graças, exclusivamente, a uma decisão
de adotar um ritmo de pagamentos mais lento. Infelizmente,
para os investidores, os melhores fluxos de caixa operacionais
podem ser insustentáveis, se os fornecedores obrigarem a
empresa a melhorar seu histórico de pagamentos; no mínimo,
os ganhos ano a ano em fluxo de caixa operacional podem ser
insustentáveis.
O retardamento das contas a pagar pode ser identificado por
meio do monitoramento dos dias de vendas a pagar (DVD),
calculado como o saldo de contas a pagar a fornecedores
no final do período de monitoramento dividido pelo custo das
mercadorias vendidas e multiplicado pelo número de dias
do período. Um aumento do DVP elava os fluxos de caixa
operacional.
Uma versão mais complexa do alongamento do prazo das contas
a pagar a fornecedores é o financiamento de obrigações, que
surge quando a empresa usa uma instituição financeira para

105
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

pagar o fornecedor no exercício corrente e quita a dívida com o


banco em um exercício posterior. Essa abordagem reclassifica
o valor das contas a pagar como empréstimos de curto prazo.
A reclassificação resulta em uma redução do fluxo de caixa
operacional no trimestre em questão e um aumento do fluxo
de caixa de financiamento. Normalmente, os desembolsos
de caixa referentes às contas a pagar a fornecedores são
incluídos nas atividades operacionais. Como o momento e o
volume do financiamento por fornecedores fica a critério da
administração da empresa, a tentação de manipular os fluxos
de caixa operacionais pode ser muito grande em alguns casos.
Deixando de lado as implicações éticas do alongamento do
prazo de contas a pagar, pode haver incentivos financeiros
para evitar a prática. Empresas que possam adotar um sistema
de C/P automatizado podem beneficiar-se de descontos por
pagamento antecipado que fornecem uma taxa de retorno livre
de risco muito melhor do que o alongamento. Por exemplo,
um desconto de 2/10 líquido 30 corresponde a um retorno
anualizado de cerca de 36%. Encarado por esse ângulo,
o saldo de C/P pode ser a dívida mais cara encontrada no
balanço patrimonial (GITMAN, 2010, p. 567).

Como expõe o autor, muitas vezes, as empresas para apresentar um fluxo de


caixa projetado que seja interessante tentam manipular as contas a pagar e assim
mostrar que possuem “bons resultados”, quando na verdade estão expondo uma
expectativa de caixa futura que está um pouco longe da realidade. Como diz o
ditado popular: “O papel aguenta tudo”.

Na teoria, as empresas tentam reduzir os prazos médios das contas a receber


e aumentar os prazos médios das contas a pagar, mas, muitas vezes, o próprio
mercado conduz para uma política de vendas e pagamentos aos fornecedores
muito rígida e sem poder de negociação. Um exemplo disso é a atividade comercial
entre os fornecedores e os supermercados, em que, na maioria das vezes, os
fornecedores têm que fazer vendas a prazo além de uma média razoável, e assim
as grandes cadeias de supermercados conseguem ofertar produtos com prazos
médios de pagamentos bem além dos 45 dias, prejudicando o capital de giro de
seus fornecedores.

Para agravar a situação, muitos destes fornecedores de supermercados


têm que pagar os seus próprios fornecedores praticamente à vista, ou seja, as
empresas pequenas fornecedoras dos supermercados têm que pagar suas ordens
de compra praticamente à vista (ou com pouco prazo de pagamento), no entanto,
para conseguir realizar vendas, são obrigados a vender com prazos maiores e
sem poder de negociação.

106
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

Observe que esse poder de negociação tem função direta do poder no


mercado do mesmo fornecedor em si, isto é, se o fornecedor possui várias marcas
de produtos (como uma multinacional da área de alimentos processados), é óbvio
que a relação dos supermercados com os fornecedores será bem diferente, se
comparar com um fornecedor local de queijos, verduras, entre outros.

Hoje, o tripé cliente, mercado financeiro (factoring) e fornecedores, é


dinâmico e contínuo. Esse fato é facilitado pelos grandes avanços da TI e análise
de dados em grande escala. No próximo e último capítulo, trataremos justamente
disso: a necessidade de caixa (fluxo de caixa) e seu vínculo direto com o capital
de giro e mercado financeiro.

Atividades de Estudos:

1) Qual é o objetivo de aumentar o giro de estoques o máximo


possível dentro da estrutura operativa e logística de um negócio
dado? Apresente um exemplo.
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____________________________________________________
____________________________________________________
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2) Suponha que uma empresa possui vendas de R$ 5.500.000 e um


estoque médio de R$ 620.000. Determine seu giro de estoques e
o prazo médio destes estoques.
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3) Explique qual é o foco do sistema ABC, do sistema EOQ e do


sistema JIT.
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107
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

4) Qual é o objetivo dos 5 Cs de crédito dentro da análise das


contas a receber e explique por que os dois primeiros Cs são
elementos-chave.
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5) Qual é o benefício de apertar as contas a receber e seu custo?


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6) Qual é a vantagem de aumentar as contas a receber e seu custo?


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7) Calcule o prazo médio das seguintes duplicatas recorrentes da


venda a prazo:

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108
Capítulo 3 GESTÃO DO CAPITAL DE TRABALHO

8) Qual é o benefício de ter que apertar as contas a pagar e o seu


custo?
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9) Qual é o benefício de aumentar as contas a pagar e seu custo?


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6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, conseguimos aprofundar a relação do capital de giro com a sua
gestão financeira, e analisar quais as contas do Balanço de Pagamento fazem parte
da análise financeira deste; e como essa análise pode ser vinculada com a gestão
operativa do giro de capital necessário para operar qualquer tipo de negócio. Para
isso, estudamos as contas do Balanço Patrimonial que fazem parte da gestão da
liquidez e da sua respectiva gestão, visando otimizar a conversão de caixa.

No final do capítulo, apresentamos um artigo muito interessante da revista


britânica The Economist, que contempla a gestão do capital de giro de um
fornecedor pequeno de alimentos para uma cadeia de supermercados. Nele
expõe-se as grandes mudanças que acontecem na maneira como as empresas
vêm financiando sua conversão de caixa e em como as grandes mudanças na
área da Tecnologia da Informação (TI) estão ajudando na dinâmica financeira da
gestão do capital de giro. Esse escrito serve também como uma ponte para o
nosso último capítulo, sobre a gestão dos recursos necessários no fluxo de caixa
operativo, objetivando conseguir acompanhar as necessidades operativas.

109
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

REFERÊNCIAS
BRIGMHAM, E. F.; EHRHARDT, M. C. Administração financeira: teoria e
prática. 10. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

FERNANDES, L.; PAREJA, J. A. Análise de balanço e concessão de crédito.


1. ed. Indaial: Uniasselvi, 2013.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2010.

110
C APÍTULO 4
FONTES DO CAPITAL DE GIRO

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Determinar a dinâmica da DRE e a necessidade de Capital de Giro.

 Vincular as projeções de cais com as necessidades de capital de giro.

 Estabelecer as necessidades de capital de trabalho com a gestão de tesouraria.

 Identificar os tipos de operações de desconto para levantar capital de giro.

 Analisar o fluxo de caixa de curto prazo e seu vínculo com o capital de giro.

 Avaliar a dinâmica do capital de giro com a gestão da tesoureira.

 Identificar as operações de desconto e seu cálculo.


ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

112
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Após ter estudado todas as ferramentas e temas que possam dar o Capital de Giro
uma visão do que é Capital de Giro, neste último capítulo focaremos possui um vínculo
nas necessidades de liquidez que possam vir a surgir na dinâmica das direto com a
necessidades dos recursos operativos de qualquer tipo de negócio. estrutura do Ciclo de
Lembre-se de que o Capital de Giro possui um vínculo direto com a Conversão de Caixa
(Estoques, Processo
estrutura do Ciclo de Conversão de Caixa (Estoques, Processo de
de Fabricação,
Fabricação, Vendas, Contas a Receber e Contas a Pagar), ou seja, Vendas, Contas a
esse giro de capital representa a liquidez necessária para executar Receber e Contas a
as diversas atividades. Em termos operacionais, onde é que se gera Pagar)
a liquidez de um negócio? Na própria dinâmica da geração de caixa
é que as empresas devem fazer a gestão das necessidades de liquidez a serem
analisadas pelo fluxo de caixa, é a partir dessa análise que a tesouraria faz gestão
da liquidez das empresas. Assim, é com foco nessa ideia de gestão da liquidez
que iniciaremos o Capítulo 4, vamos lá?

2 VENDAS E SAÍDAS OPERATIVAS


PROJETADAS DE CURTO PRAZO
O ponto de partida para observar a geração de liquidez operacional é a
entrada e a saída de recursos operacionais, que nascem das necessidades do
próprio negócio e que são refletidas na análise de custos. Essa análise de custos
serve também como ponto de referência para observar a necessidade de caixa
necessária para atingir a estrutura de custos e vendas dentro de um contexto de
curto prazo, isto é, máximo 12 meses.

Devemos levar em consideração que para conseguir desenvolver essa


projeção de curto prazo fica subentendido que a empresa em questão fez seu
orçamento das necessidades de recursos produtivos, levando em consideração os
respectivos volumes e preços de venda, assim como a estrutura de custos para as
diversas áreas operacionais. Com esses elementos em mãos, um dos primeiros
passos para determinar as entradas e as saídas é levantar as projeções de
vendas por mês e suas respectivas necessidades de gastos (custos e despesas).
Uma vez feito isso, com esses dados referenciais de vendas e de custos, faz-se a
projeção, seguindo os seguintes passos:

• Análise de mercados com seus respectivos volumes e preços de venda,


determinando preços de vendas por meio de sistemas de precificação,
tais como o Mark-up e os preços praticados no mercado.

113
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Análise da capacidade de produção com seu respectivo Ciclo


Operacional (CO) e Ciclo Financeiro (CF), conforme estudamos nos
capítulos anteriores.
• As despesas necessárias para dar conta desse Ciclo Operativo e
projeções de vendas.

Destes elementos expostos, é importantíssimo determinar preços de


venda que estejam dentro de uma margem de lucro razoável e tenham preços
competitivos com relação aos praticados pelas outras empresas do setor. Por que
isso é importante? Vamos exemplificar:

Suponha que uma empresa que vende sorvetes de 1/2 litro determinou o
preço de venda deste em R$ 12,00, logo, esse preço não deveria estar acima
do preço médio de mercado praticado por empresas semelhantes. Observe que
o preço poderia estar acima só se a empresa produz um sorvete diferenciado.
Agora, suponha que o sorvete não é diferenciado, logo:

• Se o preço de R$ 12,00 estiver acima do preço de mercado - vamos


supor que o preço médio no mercado seja de R$ 11,00 - logo, o produto
poderia ter pouca saída. Neste cenário, a empresa acumulará estoques
de sorvete, aumentando o Ciclo de Estoques e sua respectiva Conversão
de Caixa. Resultado? Maior necessidade de Capital de Giro para
financiar a falta de liquidez desse aumento de estoques. Soluções?
Reduzir o preço de venda para queimar estoques e assim reduzir a
necessidade de caixa; ou aumentar o investimento em Capital de Giro.

• Se o preço de R$ 12,00 estiver abaixo do preço de mercado - suponha


que o preço médio no mercado seja de R$ 13,00 - logo, o produto
poderia ter muita saída. Neste cenário, a empresa terá um menor volume
de estoque em produto terminado reduzindo a sua necessidade de caixa,
porém, estará desperdiçando a oportunidade de vender com preços
melhores. Soluções? Aumentar o preço de venda e assim conseguir
as empresas uma maior margem de lucro, ou aproveitar essa menor necessidade de
procuram um Capital de Giro para dinamizar a gestão de liquidez.
ponto referencial
para identificar a
dinâmica de seu Desta pequena simplificação, podemos observar o nível de
capital de giro, esse complexidade da gestão de liquidez das empresas e seu potencial de
ponto referencial rentabilidade, visando manter um capital de giro que seja adequado as
são as projeções suas operações. Lembre-se de que as empresas procuram um ponto
das atividades referencial para identificar a dinâmica de seu capital de giro, esse ponto
operacionais.
referencial são as projeções das atividades operacionais.

114
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

3 VOLUME DAS VENDAS


Na questão do volume de vendas, é necessário observar todos os dados
das vendas e seus preços respectivos, mas em períodos mensais, ou até sema-
nais. O objetivo é fazer uma corrida de valores conforme os preços dos produtos
a serem vendidos. Exemplificando, vamos retomar a análise dos vidros de maçã
observados no Capítulo 2, a perspectiva de venda destes produtos poderá nos
fornecer dados importantes para construir o capital de giro necessário para as pro-
jeções operativas de curto prazo. Os volumes a serem observados são:

Quadro 1 – Volume de anual e mensal

Fonte: O autor.

Com esses volumes de vendas, pode-se desenvolver toda a dinâmica do giro


de capital para dar conta dessas vendas, levando em consideração o prazo médio
de vendas (contas a receber), a estrutura de custos das operações, a gestão de
estoques, de contas a receber e de contas a pagar, e os dados históricos do próprio
balanço patrimonial dos últimos anos. Seguindo a lógica da necessidade de capital
de giro para dar conta desses volumes de venda expostos, vamos supor que esse
negócio possui os seguintes preços e custos referenciais dos seguintes produtos.

Quadro 2 – Definição de preços

Fonte: O autor.

115
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Observe que para levantar esses preços de vendas foi aplicado o mark-up
de 60,50%. No exemplo, o preço de venda da “Maçã e Canela Light” foi apurado
Custo base R$ 6,41
da seguinte maneira: R$ 16,24 = .= . Com esses valores
(1-Mark-up ) (1-0,605 )
de preços de venda, estamos na capacidade de projetar as vendas mensais,
conforme a seguir:

Quadro 3 – Vendas mensais por um ano

Fonte: O autor

Observe que no quadro anterior, com os valores de mark-up, aparecem os


custos médios unitários. É com esses custos médios, com o referencial tanto de
volumes de vendas e receitas, que se consegue obter as bases para apurar o capital
de giro necessário em função da conversão de caixa e seu fluxo de caixa respectivo.

4 CUSTOS E SAÍDAS OPERATIVAS


MENSAIS
Os custos mensais referenciais serão a base dos gastos para dar conta
dessa projeção de vendas exposta anteriormente. Pensando em facilitar nossa
análise, condicionaremos esse volume de produção para que seja igual ao volume
de vendas. Isso, na vida real, nunca será assim, esses valores se aproximam
sim, mas na movimentação real existe o fator estoques, sendo que eles servem
para manter as vendas até o ponto que a produção consiga repor estoques de
vendas. Assim, por questões de análise pedagógica, vamos supor que são iguais.
Exemplificaremos e analisaremos uma situação destas, por meio de uma corrida
de cálculo na planilha eletrônica, a projeção dos custos mensais, considerando os
custos médios previamente expostos.

116
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

Fica a dica! Se ainda não sabe a fundo como realizar cálculos


financeiros na planilha eletrônica, sugire-se fazer um curso de “como”
aproveitar ao máximo as ferramentas modernas para esses fins, tal
como cursos on-line do SEBRAE, disponível em: <http://www.sebrae.
com.br/sites/PortalSebrae/Busca?q=%20planilha>.

Quadro 4 – Projeção dos custos durante 12 meses

Fonte: O autor

Neste quadro, consegue-se observar que os custos mensais vão


acontecendo conforme as demandas de produção para dar conta dos volumes
de venda projetados, exemplificando: no mês de fevereiro, está previsto vender
15.000 vidros do produto “Maçã e Canela”, sendo que o custo dessa projeção de
venda será de R$ 76.800 = R$ 5,12 x 15.000, como podemos verificar no quadro.
E assim é feito para cada um dos produtos e para cada um dos 12 meses do ano.

Estamos quase lá para conseguir obter o referencial de capital de giro, porém,


falta ainda considerar as despesas e a análise de conversão de caixa. Neste sentido, o
seguinte passo será determinar as despesas para os 12 meses em questão. Lembre-
se de que no Capítulo 2 foi detalhado o mark-up destas quatro geleias? Nesse
mark-up foi definido em 60,50%, sendo que 20% foi considerado como margem de
rentabilidade. Logo, para projetar tanto os custos como as despesas devemos excluir
esse 20% de potencial de lucro, objetivando obter as saídas de caixa operativas dos
custos, das despesas e dos impostos, conforme o quadro a seguir:

117
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 5 – Saídas operativas

Fonte: O autor.

Uma vez considerado os custos, as despesas e os impostos, o seguinte


passo é determinar a saída destes valores por mês, conforme o seguinte quadro:

Quadro 6 – Projeção dos custos durante 12 meses

Fonte: O autor.

Com esses elementos em mãos, o seguinte passo será construir


a conversão do fluxo de caixa. Antes disso, vamos rever alguns pontos
importantes, sendo que foi feito:

• A projeção do volume de vendas, das receitas e seus custos de produção.


• A projeção tanto dos custos como das demais saídas operativas.

Antes de continuar com nossa análise, vamos praticar um pouco?

Atividade de Estudos:

1) Determine como podemos começar a montagem dos custos e


despesas projetadas?

118
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

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5 GESTÃO DO FLUXO DE CAIXA


OPERATIVO DE CURTO PRAZO
Nos últimos capítulos, você estudou sobre a determinação do capital de giro.
No momento de terminar o fluxo de caixa, esses conhecimentos são chaves para
se ter uma projeção da liquidez mais próxima à realidade, e assim conseguir ter um
referencial do investimento necessário em capital de giro, visualizando a sua dinâmica
e seu vínculo com o fluxo de caixa. Neste sentido, levaremos em consideração que o
empreendimento das geleias vai iniciar suas atividades sem prévio histórico operativo,
ou seja, empreendimento novo. Deste modo, deve-se definir o capital que será
investido na liquidez, ou seja, capital de giro. Diante deste contexto, o capital de giro
inicial será fundamentado por meio dos seguintes elementos:

• Projeção de volumes e preços de vendas.


• Projeção de volumes, custos de produção e despesas.
• Definição do Ciclo Operativo (CO) e Ciclo Financeiro (CF), ou seja,
determinar a conversão de caixa, por meio dos seguintes fatores:

o PME = Prazo Médio de Estoques. Ele depende dos processos


produtivos e dos tempos de entrega dos insumos à produção. No
caso de nossa análise da geleia de maçã, suponha que a área de
produção e logística determinou que esse PME seja de 40 dias.
Esses 40 dias incluindo o tempo que a mercadoria terminada fica em
estoques antes de ser comercializada aos clientes.
o PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber. Ele depende da
política de vendas, no nosso exemplo esse PMR será de 60 dias.
o PMP = Prazo Médio de Pagamento. Ele depende dos prazos de
pagamento médios da própria empresa e seu relacionamento com
seus fornecedores, no nosso caso esse PMP será de 45 dias.

119
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Uma vez definidos os parâmetros da conversão de caixa, consegue-se


apurar o ciclo da conversação de caixa:

• CO = PME + PMR.
• CO = 40 dias + 60 dias.
• CO = 100 dias.

Esse CO de 100 dias será o prazo médio que todo o processo produtivo demora
em gerar caixa, ou seja, todo o recurso operacional demorará 100 dias para se
recuperar. Além desse CO de 100 dias para determinar a real conversão de caixa,
devemos apurar o Ciclo Financeiro (CF), ou seja, considerar as contas a pagar.

• CF = 40 dias + 60 dias – 45 dias.


• CF = 55 dias.

Então, esses 55 dias serão os dias que demorará para o dinheiro investido
no capital de giro se recuperar, isto é, a conversão de caixa. E agora? O seguinte
passo será vincular essa conversão de caixa de 55 dias em valores monetários,
observando-se as saídas de caixa operativas (custos e despesas a serem pagas
por mês), convertendo para valores diários (médios) de saída de recursos. Logo
depois, multiplica-se esse valor médio diário de saída de recursos pelos 55 dias
de conversão de caixa, então teremos o valor necessário a ser investido em
capital de giro, conforme a seguir:

Quadro 7 – Conversão de caixa e capital de giro necessário

Fonte: O autor.

Deste quadro consegue-se obter o referencial para se apurar a saída de


caixa operativa ao dia, conforme a seguir:

120
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 8 – Previsão de liquidez processo de produção

Fonte: O autor.

Observe que o valor a ser gasto nesse capital de giro é de Todas essas saídas
R$ 1.204.883 a cada 55 dias, isto é, R$ 21.907 x 55 dias. Para de caixa deverão
ser bancadas até
conseguirmos visualizar o que significa esse valor, vamos imaginar
começarem a
que a empresa está iniciando suas operações, portanto, ainda não existir entradas de
há vendas a serem consideradas, só saídas de caixa operativas para caixa das vendas a
realizar compras de insumos, pagamento de funcionários, aluguel etc. prazo. Logo depois
Segundo a conversão de caixa, todas essas saídas de caixa deverão se apresenta a
ser bancadas até começarem a existir entradas de caixa das vendas recuperação desse
capital de giro, mas
a prazo. Logo depois se apresenta a recuperação desse capital de
deve-se continuar
giro, mas deve-se continuar com novas compras e vendas, ou seja, com novas compras
o ciclo de conversão de caixa é contínuo, nunca para. Observe que o e vendas, ou seja, o
capital de giro, ao longo da vida de uma empresa, só pode aumentar ou ciclo de conversão
diminuir em função da gestão do próprio giro do negócio, ele só cessa de caixa é contínuo,
se o próprio negócio parar de operar. nunca para.

6 FLUXO DE CAIXA OPERATIVO


A melhor maneira de visualizar a dinâmica do capital de giro é por meio do
fluxo de caixa operativo, nele podemos observar como a entrada líquida de caixa
vai acontecendo mês a mês, inclusive, há negócios que operam com fluxo de
caixa semanais e outros até diários. Por exemplo: um banco comercial precisa ter
uma dinâmica de fluxo operativo de sua liquidez de maneira diária.

Observe que nem todo negócio opera no positivo todos os meses, há negócios
que operaram no vermelho por vários meses até as vendas acontecerem, imagine
uma empresa que vende brinquedos, a maior parte de suas vendas acontecem
quando? Em outubro, no dia das crianças (12 de outubro); e dezembro, no
natal. No resto do ano, esse tipo de empresa só opera para produzir e estocar
mercadoria para suas vendas de temporada, claro, sempre haverá vendas, mas
não nesses volumes da temporada alta. O mesmo acontece na maioria dos
negócios, eles são cíclicos, por isso a importância de fazer uma boa gestão da
liquidez. Em termos padrão, qualquer fluxo de caixa operativo deve considerar:

121
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• O valor de investimento em capital de giro inicial, se as operações deste


são novas; ou seja, o saldo inicial em caixa do negócio no início das
atividades. Na nossa análise, foi considerado o simulado de um negócio
novo, com o foco em observar o investimento em liquidez operativa.
• O comportamento das entradas em caixa recorrentes das vendas,
levando em consideração o prazo das contas a receber.
• O comportamento das saídas operativas, levando em consideração o
prazo médio de pagamentos aos fornecedores e obrigações diversas,
por exemplo: gasto de energia, aluguel, folha de pagamento etc.

Observe que tanto o comportamento das entradas como das saídas


operativas, expostas anteriormente, estão considerados na análise de conversão
de caixa. Agora é só considerar os valores de conversão de caixa de 55 dias e
seu valor monetário nas projeções de fluxo de caixa, conforme observaremos
mais adiante.

Observação! No fluxo de caixa, ao considerar as saídas de


caixa recorrentes dos custos e despesas geradas, sempre devemos
excluir o gasto da depreciação do fluxo de caixa operativo, pois ele
não representa saída efetiva de caixa.

A seguir, podemos observar a dinâmica do fluxo de caixa como um todo,


observe que ele se divide em fluxo de caixa operacional, fluxo de investimentos
e fluxo financeiro. Aqui só analisaremos o fluxo de caixa operativo, para
se vincular ao nosso estudo do capital de giro, os outros dois fluxos de caixa
(de investimentos e financeiro) levam em consideração mais elementos de
investimento em ativos fixos, entrada e saída de empréstimos, pagamentos de
juros, comissões financeiras, entre outros, que não competem para nosso estudo
da gestão do capital de giro. Contudo, é importante lembrar do fluxo de caixa no
seu contexto geral, abrangendo as saídas dos investimentos e movimentações de
caixa financeira, conforme podemos ver a seguir:

122
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

Figura 1 – Dinâmica do fluxo de caixa projetado


Fluxo de Receitas Fluxo de Investimentos

Caixa
OPERACIONAL
Contas a Receber
Estoques FINANCEIRO
Vendas de Imobilizado
Títulos Diversos

Fluxo Operacional Fluxo de Caixa Fluxo Financeiro

Encargos Sálarios
Fornecedores e
Empréstimos
Tributos
Prestadores de Serviços Bancários
Manutenção Administração
Predial
Aplicações
Contas a Pagar
Manutenção Financeiras
Operacional Seguros

Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/MZEx7C>. Acesso em: 20 mar. 2018.

Observe que na figura anterior, no fluxo de caixa operativo, estão expostos


todos os elementos do capital de giro que vem se falando ao longo dos capítulos,
isto é, contas a receber, estoques, contas a pagar e títulos diversos, ou seja, a
conversão de caixa analisada de maneira continuada em um período determinado,
isto é, o fluxo de caixa operativo! Exemplificando, com os elementos de análise e
dados que vêm se apurando nas páginas anteriores. Agora construiremos o fluxo
de caixa operacional do empreendimento das galeias de maçã, vamos lá?

Quadro 9 – Fluxo de caixa projetado em R$, empreendimento: Geleia de maçã

Fonte: O autor.

123
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Parece difícil olhar para toda essa série de valores? É uma simples corrida
de todas as entradas e saídas de caixa operativo, levando em consideração tanto
o Ciclo Operacional de 100 dias e os 45 dias de contas a pagar. A média dessas
contas resume-se na conversão de caixa cíclica de 55 dias. Esse ciclo, colocado
no papel, quer dizer que:

• A entrada de caixa recorrente das vendas só começará a partir dos 100


dias desde iniciadas as operações, ou seja, as entradas de caixa serão a
partir do mês de abril, conforme o quadro anterior.
• As saídas de caixa recorrentes das compras dos fornecedores começam
a partir dos 45 dias que a empresa inicia operações, isto é, a partir de
meados do mês de fevereiro, conforme o quadro anterior.
• As saídas de caixa recorrentes dos demais gastos operacionais, aluguel,
energia elétrica, folha de pagamento, entre outros, começam bem no
início do processo operacional, isto é, no mês de janeiro, conforme está
no quadro.

Agora, esse marco inicial de necessidade de liquidez representa um


investimento inicial em Capital de Giro de R$ 1.204.883,00 conforme foi
determinado anteriormente por meio da análise da conversão de caixa do negócio,
e que podemos conferir no ápice de necessidade de liquidez no mês de abril logo
após ter iniciado as operações, isto é, R$ 1.204.883,00. Logo, o próprio negócio
vai gerando liquidez para dar continuidade ao investimento em capital de giro em
função da conversão de caixa determinada de 55 dias.

Devemos observar que qualquer aprimoramento dos elementos


Em geral, ao iniciar que fazem parte dessa conversão de caixa definirá novos valores de
um novo negócio,
investimento em capital de giro. Em geral, ao iniciar um novo negócio, é
é recomendável ter
certa margem para recomendável ter certa margem para corrigir qualquer eventualidade de
corrigir qualquer prazos e valores projetados, uma vez que esses prazos e pagamentos
eventualidade de médios começam a se refletir no mesmo fluxo de caixa. Nesse
prazos e valores contexto, faz parte da administração do gestor financeiro aprimorar
projetados, uma vez essa conversão de caixa e fazer uma boa gestão desta, conseguindo
que esses prazos e
aprimorar o capital de giro do negócio. É fundamental enxergar que a
pagamentos médios
começam a se empresa precisa financiar esse capital de giro inicial, do contrário, não
refletir no mesmo haverá liquidez para operar, por isso o nome de investimento em capital
fluxo de caixa. de giro, ou seja, “liquidez” para operar.

Referente à dinâmica do próprio fluxo de caixa do quadro, nele devemos


observar que não há nem custo nem despesa de depreciação. Por que isso
acontece? A resposta é simples, no contexto de entradas e saídas, o capital

124
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

gasto com depreciação não representa uma saída efetiva de caixa, é mais um
jeito formal de provisionar valores monetários para reconhecer o próprio desgaste
dos equipamentos, veículos, e outros ativos fixos, gasto que vai se registrando
até eles cumprirem sua vida útil. No entanto, no momento de se fazer o fluxo de
caixa integral (operativo, investimentos e financeiro) em uma só corrida de análise
de caixa, aí sim será considerado a depreciação no fluxo, pois ele impactará no
cálculo do Imposto da Renda. Todavia, logo após ter feito esse cálculo, esse
gasto em depreciação será reintegrado à dinâmica de saldos líquidos. Em termos
gerais, o fluxo de caixa possui os seguintes termos importantes:

• Margem Operacional de Caixa: representa todas as entradas e saídas


recorrentes das operações do próprio negócio, produzindo um saldo
líquido sequencial em função do período a ser observado. No caso de
nossa análise de liquidez operacional, foi de 12 meses.
• Saldo de Caixa: representa o saldo líquido em caixa ao final de cada
sequência do período a ser analisado. Na corrida de fluxo de caixa, para
observar as saídas e entradas operativas expostas anteriormente, esse
saldo de caixa vem a ser o saldo líquido em caixa bem ao final de cada
mês.
• Saldo de Caixa Acumulado: será o saldo líquido de caixa ao final
do período da análise, no caso da análise do fluxo operativo exposto
anteriormente será o saldo em caixa ao final dos doze meses, isto é, 31
de dezembro.

Observe que na sua dinâmica, o fluxo de caixa é simples, mas possui


diversos detalhes a serem considerados e determinados. Eis a sua complexidade
e sua simplicidade. Resumindo, neste tópico, estudamos “como” o fluxo de caixa
operativo é uma ferramenta importantíssima para observar a própria dinâmica
do capital de giro no recorrer do tempo. O importante aqui é sempre se lembrar
de que o fluxo de caixa é mais um reflexo das políticas de gestão do capital de
giro colocadas na execução das operações de qualquer tipo de negócio. Assim,
qualquer mudança no ciclo de conversão de caixa, aumento/diminuição do preço de
venda, aumento/diminuição dos prazos médios, aumento/diminuição dos volumes
de venda, e aumento/diminuição dos custos, entre outros fatores, impactarão no
investimento do Capital de Giro e sua dinâmica a ser executada e representada no
fluxo de caixa. No seguinte tópico, estudaremos como as empresas fazem gestão
dos saldos líquidos do capital de giro por meio da gestão da tesoureira.

125
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

7 TESOURARIA DO CAPITAL DE GIRO


Nenhuma empresa Todo negócio possui nas suas operações alguns meses com saldos
opera sempre
operacionais positivos e meses com saldos negativos, isso faz parte do
no positivo, seria
a empresa dos próprio ciclo operacional, porém, nenhuma empresa opera sempre no
sonhos; ou sempre positivo, seria a empresa dos sonhos; ou sempre no vermelho, seria o
no vermelho, seria o seu fim. Assim, as empresas precisam projetar quando irão ter meses
seu fim. com saldos positivos de liquidez e quando elas irão ter meses no
vermelho. Observe que ficar no vermelho em caixa durante um tempo
curto não é sinônimo de lucro negativo (prejuízo), muitas vezes, isso faz parte da
própria dinâmica operativa dos negócios. Por enquanto, neste tópico, vamos nos
concentrar em quando elas estão no positivo, ou seja, quando há saldo em caixa.
Essa gestão dos saldos em caixa é conhecida como a Tesouraria.

8 A TESOURARIA ESTRATÉGICA
Ao longo de nossos estudos, focamos nas atividades operacionais e no seu
reflexo no capital de giro, ou seja, sempre no foco da gestão de capital de giro que
fica bem no “tempo presente”, isto é, hoje. No entanto, em um horizonte de tempo,
essa gestão da liquidez é um reflexo do que uma empresa fez, seu passado; e o
que ela pretende fazer e atingir no futuro.

• O que a empresa fez no seu passado, se ela conseguiu aprimorar


processos, investir em equipamento eficiente, fez investimento em
processos integrados, entre outros, isso será refletido em processos
operativos enxutos, de qualidade e competitivos, resultando em um
capital de giro otimizado que só traz créditos e saldos médios positivos
em caixa, certo? E se a empresa não fez tudo isso, ficou parada no tempo
sem executar investimentos em novos equipamentos, sem aprimorar
processos etc., ela poderá ter uma estrutura pesada, precisando de
maior capital de giro e pouca geração de caixa, ou seja, aos poucos ela
terá menores vendas, maiores ciclos de conversão de caixa, refletindo-se
em uma diminuição gradativa do patrimônio. Eis o reflexo de um passado
estratégico que pode trazer bons resultados no presente.

• O que a empresa pretende atingir no futuro, além de fazer uma boa


gestão de seu capital de giro, a empresa precisa tomar decisões que
envolvem planejamento de investimentos em novos equipamentos, em
novos processos operacionais, investimento em análise de mercados
(marketing), em aprimoramento de sistemas integrados, em investimento
em recurso humano etc. Se as empresas não fizerem isso, aos poucos,

126
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

perdem competitividade e, no futuro, terão um “presente” cheio de


problemas, um deles será capital de giro sempre no vermelho. No
entanto, essa análise estratégica demanda de capital, logo, a gestão
de liquidez das empresas precisa incorporar, na sua gestão de caixa,
esses elementos e fontes de capital para executar essas estratégias sem
atrapalhar o próprio capital de giro, ou seja, a liquidez para realizar suas
operações no “presente”.

Levando em consideração o exposto, as empresas precisam separar muito


bem quais entradas de caixa fazem parte do próprio processo operacional (como
foi demonstrado no fluxo de caixa operacional nas páginas anteriores), e quais
entradas de caixas fazem parte de seu fluxo de caixa de investimentos e de
necessidades financeiras. Todas essas necessidades de caixa convergem onde?
Na gestão da tesouraria.

Sem uma clara gestão de Tesouraria, as empresas podem vir a apresentar


um quadro em que a liquidez fica no vermelho, misturando fontes de liquidez
operativas para bancar grandes investimentos, sem necessariamente ter
problemas operacionais na geração de caixa, ou seja, no contexto de estar
utilizando recurso monetário de “curto prazo” para dar conta de seus planos de
investimentos que irão dar frutos no longo prazo, esse uso de recursos de suas
operações para bancar investimentos deixa as empresas expostas para diversos
riscos de cunho financeiro.

9 A TESOURARIA OPERATIVA
Agora que temos mais claro que a gestão da liquidez não envolve somente
a gestão das necessidades de recursos dos processos operacionais, mas todas
as necessidades de liquidez de uma empresa. Vamos ver a seguir quais são elas:

• Necessidades de liquidez operativa: é o consumo de recursos para


bancar as operações, em outras palavras, a gestão de fluxo de caixa
operativa e seu respectivo investimento em capital de giro.

• Necessidades de liquidez de investimentos: é a gestão estratégica na


aquisição de ativos, objetivando dar conta dos diversos investimentos
necessários para manter a empresa competitiva no futuro.

• Necessidade de liquidez financeira: é a gestão de todas as entradas


e saídas financeiras, ou seja, créditos financeiros dos próprios
investimentos da tesouraria, amortização de empréstimos, pagamentos
de juros/comissões financeiras, pagamentos de dividendos, entre outros.

127
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Assim, a gestão da tesouraria deve manter bem claro de onde vem os


recursos monetários sob sua responsabilidade, sendo que a sua primeira
responsabilidade será a gestão dos saldos em “caixa”.

10 GESTÃO DOS SALDOS EM CAIXA


As empresas em geral possuem várias contas correntes para administrar
seus negócios, porém, para manter o controle de todas elas, deve existir uma
gestão eficiente que possa concentrar todos os saldos em uma única conta,
conhecida como banco de concentração. Segundo Gitman (2010, p. 549), essa
conta de concentração apresenta três vantagens:

Primeiro, cria um grande volume de fundos que pode ser usado


na realização de investimentos de curto prazo. Como há um
componente fixo no custo de transação associado a esses
investimentos, investir em um só grupo de fundos reduz esse
custo. Um maior volume de fundos também permite à empresa
optar entre uma maior gama de investimentos de curto prazo.
Em segundo lugar, concentrar o caixa em uma só conta
melhora, o acompanhamento e o controle interno de caixa.
Finalmente, contar com um banco de concentração permite
que a empresa adote estratégias de pagamento que reduzem
os saldos de caixa ociosos.

Saldo em caixa Como expõe Gitman (2010), o encontro da liquidez em uma conta
é um recurso de concentração permite alavancar custos operacionais da própria
monetário “em gestão dos recursos monetários de curto prazo, que, em geral, são
transição”, que fica investidos em títulos financeiros negociáveis que possuem geração de
disponível por um juros a favor da empresa.
curtíssimo prazo,
títulos financeiros
negociáveis, ou Os papéis financeiros de curto prazo levam em consideração
papéis financeiros que o saldo em caixa é um recurso monetário “em transição”, que fica
de curto prazo, eles disponível por um curtíssimo prazo, assim, a área de tesouraria procura
são investimentos investir esse recurso onde? Em títulos financeiros negociáveis, ou
financeiros papéis financeiros de curto prazo, eles são investimentos financeiros
disponíveis
disponíveis no mercado monetário e geram rendimentos financeiros,
no mercado
monetário e geram a principal característica deles é que são convertidos em caixa no
rendimentos momento que for necessário.
financeiros,
a principal No contexto do ativo circulante, os títulos negociáveis são
característica classificados logo depois da subconta “caixa” e fazem parte do ativo
deles é que são
líquido das empresas, sendo que seu principal objetivo é gerar retorno
convertidos em
caixa no momento dos fundos que ficam temporariamente “ociosos”. As duas principais
que for necessário. características deste papel são: “(1) um mercado que minimize o prazo

128
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

necessário para sua conversão em caixa e (2) segurança do principal (capital),


o que significa apresentar perda nula ou baixa de valor ao longo do tempo”
(GITMAN, 2010, p. 549).

Todavia, quais são os tipos de títulos negociáveis disponíveis no mercado


monetário? Neste tipo de carteira de investimentos financeiros, as empresas
fazem investimentos em:

• Dívida do Governo (papéis do Tesouro) que possuem rendimentos baixos


em função do baixo risco que eles representam.
• Obrigações privadas, tais como Certificado de Depósitos (CDs)
negociáveis, notas promissórias etc. Estes papéis possuem um rendimento
melhor que as obrigações do Governo, mas possuem maior risco.

Existem diversos tipos de títulos negociáveis e seus rendimentos vão


melhorando conforme o risco aumenta, assim, cabe às empresas definirem o
perfil de risco desejado na gestão de tesouraria. A seguir, os principais papéis de
curto prazo disponíveis no mercado monetário.

Quadro 10 – Características e rendimentos de títulos


negociáveis com maior disponibilidade no mercado
Rendimento
Prazo de
Papel Emitente Descrição Risco e Retorno em
recebimento
23/07/2017
Títulos Públicos
Emitidas
semanalmente
Tesouro norte- em leilão, 4, 13 e 26 Mínimo, quase livre
Treasury Bills 4,97%
americano forte mercado semanas de risco
secundário (bem
líquidos)
Taxa de juros
declaradas,
juros pagos Risco baixo, um
Tesouro norte-
Treasury notes semestralmente, 1 a 10 anos pouco acima dos 5,03%
americano
forte mercado Treasury Bills
secundário (bem
líquidos)
Risco um pouco
Órgãos do Não fazem parte
Emissões de órgãos 9 meses a 30 mais elevado, mas
governo das obrigações 5,17%
federais anos ainda com pouco
federal do Tesouro
risco

129
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Títulos Privados
Valores e
Mais elevado
vencimentos
Certificados de Bancos 1 mês a 3 dos que o
ajustados. 4,95%
Depósitos (CDs) Comerciais anos risco de papeis
Elevado Mercado
governamentais
Secundário
Sociedade por
Notas Promissórias ações com Obrigações não Mais elevado de
3 a 270 dias 5,23%
Comerciais elevado nível garantidas que os CDs
de crédito
Garantia
bancária para
uma transição
comercial. Se Comparável aos
Aceites bancários Bancos 30 a 180 dias 5,31%
quitar desconto CDs
em relação
ao preço do
vencimento.
Depósitos Elevado por
em moeda causa da pouca
Depósitos em Bancos
estrangeira. 1 dia a 3 anos regulamentação, 5,36%
eurodólares Estrangeiros
Mercado e pelo risco de
secundário ativo câmbio
Variável, mas
Administração Inexistente, podendo ser
Gestão
Fundos Mútuos do profissional de dependo da mais elevado
professional 4,98%
mercado monetário carteiras. Liquide decisão do que os papeis
de carteira
imediata investidor governamentais e
de que os CDs
Acordos de Bancos e/ou Adequado às
Acordos de
recompra distribuidoras necessidades Variável 5,13%
recompra
(compromissadas) de valores do comprador
1) A taxa básica de juros nesse momento era de 8,25%.
2) Rendimentos obtidos para vencimentos de três meses de cada título.
3) Aqui foi usada uma emissão com três meses até o vencimento da National Mortage Association (Fannie Mae).
4) Foi usado o Fidelity Cash Resenves Fund com vencimento médio de 51 dias na assuencia de dados de
rendimento méadio.

Fonte: Gitman (2010, p. 571).

Apesar de esses títulos financeiros fazerem referência ao mercado de valores


dos Estados Unidos, aqui no Brasil, o nome destes são bem semelhantes, e na
essência e sua dinâmica, eles são parecidos. Neste quadro, devemos observar
que todos esses títulos possuem taxa de juros sem referência de frequência de
tempo. Por exemplo, as Notas Promissórias Comerciais possuem uma taxa de
5,23% sem especificar se ela é anual, semestral ou mensal. Qual a frequência de
tempo delas? Em termos financeiros, quando não está especificada a frequência
da taxa de juros, entende-se que ela é “nominal”, ou seja, em todos os exemplos
do quadro, todas essas taxas são nominais, isto é, taxas anuais.

130
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

Também é interessante observar que o rendimento financeiro desses papéis


vai aumentando em função do risco e de sua facilidade de se converter em “caixa”.
Os de menor rendimento são os títulos do tesouro norte-americano, e os que
possuem maior rendimento são os títulos privados. Isso é reflexo do risco desses
papéis, os de menor risco são os do tesouro e os de maior risco são os privados,
o mesmo acontece aqui no Brasil e em qualquer país do mundo que possua um
mercado financeiro bem estruturado. Um segundo fator de rendimento da taxa é a
facilidade destes papéis para se tornar caixa, quanto maior sua rapidez de se tornar
caixa, menor será também o rendimento da taxa, ou seja, uma maior taxa poderia
representar um maior desconto de juros para conseguir liquidar esse papel.

Até agora temos falado sobre a gestão da tesouraria considerando empresas


médias e grandes, mas no contexto de microempresas e inclusive no contexto
pessoal, como seria uma gestão da tesouraria a menor escala? Vamos ler um
pouco sobre finanças pessoais?

Megan Laure, uma enfermeira de 25 anos de idade, trabalha


em um hospital que efetua seu pagamento a cada duas semanas
por meio de depósito em uma conta corrente, que não paga juros
nem exige saldo mínimo. Ela recebe cerca de $ 1800 líquidos
quinzenalmente, ou cerca de $ 3600 por mês, e mantém em
contracorrente um saldo aproximado de $ 1500. Sempre que esse
valor é ultrapassado, ela transfere o excedente para a conta de
poupança, que, atualmente, paga juros anuais de 1,5%. Seu saldo
de poupança atual é de $ 17.000, e ela estima transferir cerca de $
600 por mês da contracorrente para a de poupança.

Megan paga suas contas assim que recebe. O total mensal


das contas é, em média, de $ 1.900 e as saídas mensais de caixa
com alimentação e gasolina totalizam aproximadamente $ 900. Uma
análise dos pagamentos de contas de Megan indica que ela paga com
oito dias de antecedência, em média. A maioria dos títulos negociáveis
rende, atualmente, juros anuais de aproximadamente 4,2%.

Megan está interessada em saber como poderia gerenciar


melhor seus saldos de caixa e conversa com a irmã, formada em
finanças. Juntas, as duas imaginam três maneiras de Megan
gerenciar melhor seu saldo de caixa:

131
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

1 Investir os saldos correntes. Megan pode transferir o saldo de sua conta


de poupança para um título negociável líquido, elevando a taxa de juros
recebida de 1,5% para cerca de 4,2%. Com isso, elevará, imediatamente,
seus ganhos anuais com juros em cerca de $ 460 [(0,042 – 0,015) x $
17000.

2 Investir os excedentes mensais. Megan pode transferir $ 600 mensais


de sua contracorrente para o título negociável líquido, elevando o ganho
anual sobre cada transferência em cerca de $ 16 [(0,042 – 0,015) x $
600], o que, para as 12 transferências, geraria ganho anual adicional de
aproximadamente $ 192 (12 meses x $ 16).

3 Retardamentos dos pagamentos. Em vez de pagar as contas assim que


as recebe, Megan poderia pagá-las na data de vencimento. Com isto, ela
ganharia oito dias de float por mês, ou 96 dias ao ano (8 dias por mês
x 12 meses) sobre uma média de $ 1900 em contas. Supondo-se que
possa receber juros anuais de 4,2% sobre os $ 1.900, o retardamento
dos pagamentos pouparia a ela cerca de $ 21 ao ano [(96/365) x 0,042 x
$ 1900].

Com base nessas recomendações, Megan aumentaria seus


ganhos anuais em um total de cerca de $ 673 ($ 460 + $ 192 + $ 21).
Evidentemente, ela pode ampliar seus ganhos, se gerenciar melhor
seus saldos de caixa.

Fonte: Gitman (2010, p. 569).

Neste exemplo, Gitman (2010) expõe que pequenos saldos que vão se
acumulando ao longo do ano na gestão do capital de giro podem representar uma
perda de custo de oportunidade de investir esses valores no mercado financeiro.
Eis aqui um claro exemplo da importância de se ter estratégias de gestão de
saldos em caixa, seja para microempresa, pequena ou grande empresa. Para
um microempresário, por exemplo, gerar réditos financeiros de mais de R$ 600
ao ano recorrentes da gestão de saldos “imperceptíveis” vem a ser um valor
representativo!

132
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

11 GESTÃO DE INVESTIR SALDOS EM CAIXA


VERSUS AUMENTAR O CAPITAL DE GIRO
Muitas vezes, as empresas ficam se perguntando se será melhor apertar o
capital de giro e assim ter maior saldo em caixa? Ou se será melhor:

• Aproveitar o crédito dos fornecedores, ou seja, aumentar o prazo médio


de pagamentos aos fornecedores e/ou fazer essas compras à vista?
• Reduzir o crédito aos clientes, ou seja, diminuir o prazo médio das contas
a receber e/ou vender a vista?
• Reduzir os estoques mínimos?

Todas essas decisões possuem impacto direto na conversão de caixa (Ciclo


Financeiro-CF) e no aumento ou diminuição do capital de giro. Se aumentar o
capital de giro, haverá menor saldo em caixa, entretanto, se diminuir, haverá
maior saldo em caixa, simples assim. Em termos financeiros, excluindo fatores
de decisões operativos e de vendas, a resposta para essas perguntas está na
Taxa Mínima de Atratividade (TMA). O que é essa TMA? É uma taxa referencial
para comparar diversos tipos de investimentos, vamos dar uma olhada?

TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE (TMA) E A


EXPECTATIVA DE RETORNO DO CAPITAL

Todo investidor procura uma taxa mínima de retorno de seu


investimento, acima dessa taxa, o investimento fica atrativo e ele
poderia ser escolhido. Assim, essa taxa mínima para tornar o
investimento interessante é a TMA. Isso quer dizer que se há uma
taxa menor dessa TMA, logo, esse investidor fará outra escolha.

• Vamos supor que um grupo de investidores está analisando a


compra de uma empresa de alimentos processados. Em função
de uma série de fatores, esses investidores desejam que esse
projeto (a compra de empresa) possa gerar uma TMA de pelo
menos 26%.

133
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

ο Se o Valor Presente Líquido do fluxo projetado desse projeto


representar uma taxa de retorno maior que dessa TMA de
26%, logo, o projeto se torna “interessante”, e se as projeções
apresentadas possuem fundamento, esses investidores
poderiam estar comprando a empresa em questão.
ο Se o Valor Presente Líquido do fluxo projetado desse projeto
representar uma taxa de retorno menor que dessa TMA de
26%, logo, esses investidores, simplesmente, procurarão outra
alternativa de investimento.

Observe que para existir uma TMA deve existir também, pelo
menos, mais uma (ou mais) alternativas de investimento. Isto quer
dizer que toda vez que há uma escolha de investimento, o investidor
abandona outra. Deste modo, a TMA representa a análise do Custo de
Oportunidade entre diversas opções de rendimentos financeiros.
No contexto da tomada de decisão dentro de uma empresa:

• Uma empresa tem a oportunidade de investir R$ 150.000,00


de seu patrimônio em diversos papéis financeiros, gerando
um rendimento de 14% ao ano. Entretanto, a empresa está
analisando também ampliar seu negócio para novos mercados.
O valor desta ampliação de mercado representa R$ 150.000,000
possuindo um retorno desse capital investido de 23%. Será que
a empresa faz as melhorias ou simplesmente coloca esse capital
em papéis financeiros? Tudo dependerá da TMA desejada.

Levando em consideração que o investimento em novos


mercados possui um risco bem maior que simplesmente fazer
investimentos em papéis financeiros, a TMA desejada deverá ser,
pelo menos, alguns pontos acima desse 14%. Assim:

ο Se a TMA, ponderando o risco desses mercados, fosse igual


ou menor que 23%, logo o projeto de novos mercados será
aceito, isto é: se rendimento financeiro >= 23%, o investimento
será aceito sim.

Para deixar ainda mais claro o conceito de TMA, os autores


Pilão e Hummel (2003, p. 89) afirmam que:

Ainda acerca da composição da TMA, podemos


afirmar que o denominado Custo de Oportunidade
é o seu ponto de partida, já que ele representa a
remuneração que teríamos pelo nosso capital caso não
o aplicássemos em nenhuma das alternativas de ação

134
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

analisadas. Ele pode ser, por exemplo, a renumeração


paga pela caderneta de poupança, ou por um fundo de
investimento, ou pelo ganho que poderemos obter com
determinado processo produtivo já existente em nossa
empresa etc.
Portanto, em função de onde aplicaríamos nosso
dinheiro, se não o colocássemos no novo negócio
analisado, começaríamos a montar nossa expectativa
de ganho mínimo, ou de pagamento máximo na
hipótese de financiamentos a serem analisados.

Em síntese, por meio do custo de oportunidade, da análise do benefício-


custo e da Taxa Mínima de Atratividade (TMA), é que a gestão financeira possui
suas ferramentas de trabalho, objetivando definir as rentabilidades e viabilidades
de retorno de diversos tipos de situações.

Fonte: O autor.

No contexto do Capital de Giro, como é que podemos aplicar a TMA?


Exemplificando, se o rendimento financeiro da alternativa de fazer aquisições
com desconto por compras à vista, fica acima da TMA, logo, será melhor
escolher executar compras à vista versus investir esse saldo em caixa em Títulos
Negociáveis. Assim, se a empresa decidir fazer suas compras à vista, ela entrará
em contato com os fornecedores e fechará acordos para ter um desconto financeiro
que seja mais atrativo que a TMA em questão. O mesmo podemos dizer sobre as
Contas a Receber (vendas a prazo). O que é melhor em termos financeiros, vender
a prazo ou vender à vista aplicando descontos? Qual será o valor desse desconto?
A resposta para isso depende, primeiramente, da TMA referencial.

Agora que conhecemos o que representa a TMA, podemos utilizá-la para


analisar escolhas de investimento na dinâmica das operações das empresas e
seu capital de giro, seja por meio das contas a receber, os estoques e/ou as contas
a pagar. Observe que existem empresas que pela sua alta geração de caixa
conseguem, em situações especiais, gerar maiores rentabilidades financeiras
através da gestão de seu capital de giro do que com seu negócio.

Em termos gerais, as empresas, por meio da própria margem de operações


do negócio, por meio da gestão de estoques, da gestão de contas a receber e
das contas a pagar, elas podem fazer rendimentos financeiros de seus saldos em
caixa, alavancando assim maior rentabilidade ao patrimônio destas. É por esse
motivo que muitas empresas possuem um departamento de tesouraria com metas
e objetivos de gestão, exemplo disso é o departamento de tesouraria de um banco
comercial, ou de uma grande empresa de atacado.

135
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

12 EXEMPLO DA ANÁLISE DE GESTÃO DE


CAPITAL DE GIRO E GESTÃO DE CAIXA
No dia a dia, as empresas devem tomar decisões sobre uma série de
situações, tais como:

• Será que vale a pena aumentar os estoques mínimos? Todavia, qual o


custo financeiro desse aumento do capital de giro?
• Será que aumentando o prazo das contas a receber consigo aumentar o
volume das vendas? No entanto, qual será o custo financeiro de se fazer
isso?
• Será que reduzindo o prazo de pagamento aos fornecedores consegue-
se descontos interessantes nos valores de compra das aquisições? E o
custo financeiro desse aumento no capital de giro?

Enfim, existem mais outros questionamentos que as empresas possuem


na sua gestão operativa e administração da liquidez, na verdade, as empresas
precisam de uma série de tomadas de decisões, algumas complexas e outras
mais fáceis. Para nosso foco de estudo, a seguir simplificaremos essa tomada de
decisão, analisando uma situação típica: comprar à vista ou a prazo? Qual seria o
custo de oportunidade de se fazer isso?

Suponha que uma empresa está analisando a opção de usar parte de seu
saldo em caixa de R$ 45.000,00, para aumentar seu investimento em Capital de
Giro, objetivando melhorar seus rendimentos financeiros. A empresa, entre suas
diversas contas a pagar aos fornecedores, possui um fornecedor com o qual poderia
conseguir um desconto financeiro, se pagar à vista. O prazo médio de pagamento
deste fornecedor é de 45 dias com um saldo a pagar médio de R$ 45.000,00.

A taxa equivalente que a empresa poderia obter no mercado financeiro em


títulos negociáveis é de 12,08% ao ano. Por outro lado, se a empresa realizar as
compras à vista, o fornecedor poderia lhe dar um desconto de 1,50% (negociável).
Diante disso, será interessante para a empresa aumentar seu capital de giro em
R$ 45.000,000 e assim obter o desconto do fornecedor? Para responder isto,
devemos, primeiramente, definir qual é a TMA desta análise, logo, essa TMA
deverá ser comparada à taxa de desconto.

ο Neste caso, a TMA é de 12,08% ao ano, devendo ser convertida para


uma taxa proporcional ao prazo das contas a pagar, isto é, 45 dias.
Assim, a taxa proporcional desta TMA é de 1.51% por cada 45 dias,
12,08%
isto é: 1,51% = x 45 dias.
360 dias

136
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

A princípio, esse 1,50% parece menor que a TMA de 1,51%, logo, para a
empresa, será melhor manter as compras a prazo e não aumentar o investimento
em capital de giro, e deixar esse saldo em títulos negociáveis. Será mesmo assim
que esse desconto de 1,50% gera um menor rendimento? Vamos conferir!

ο Se o fornecedor conceder um desconto de 1,5% nas compras à vista,


isso vai nos dar os seguintes valores da análise financeira:

• Valor Nominal ou Valor de Face (N): Neste caso R$ 45.000,00 em


duplicatas.
• Prazo da operação (N): 45 dias.
1,5%
• Taxa da operação (i): 1,5% a cada 45 dias  0,03333% = .
60 dias
• Desconto (?)

Desconto = N x i x n

d = R$ 45.000,00 x
0,03333% x 45
100
Desconto  R$ 675,00

• Valor Líquido (?)  R$ 44.325 = R$ 45.000,00 - R$ 675,00.

ο Agora, se o valor líquido é de R$ 44.325,00, logo, o rendimento do


investimento real em capital de giro não é R$ 45.000,00. Esse é
o valor a se pagar ao fornecedor daqui a 45 dias, ou seja, esse é o
valor nominal, ou “Face Value”. O valor do investimento comparativo
em capital de giro será de R$ 44.325,00, portanto, a taxa desse
investimento não é 1,50% em 45 dias, pela simples observação será
um pouco maior, mas de quanto?
ο Juros = Capital x taxa (i) x prazo (n). Neste caso:
ο Juros = R$ 675,00; Capital = R$ 44.325,00, Taxa (i) “?”; prazo (n)
= 45 dias. Então:
ο R$ 675,00 = R$ 44.325 x (i) x 45 dias, se fazer despeje nesta equação
temos que:
R$ 675,00
• =  ( i ) = 0,000338409
R$ 44,325 x 45 dias
• 1,52% = 0,000338409 x 45 dias x 100

• Assim, a partir de nossa análise, a empresa poderia entrar em


negociações com o fornecedor e solicitar um desconto no comprar à
vista. O importante desta análise é que:

137
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

ο A empresa deverá procurar um desconto que seja igual ou maior


que 1,50% pelas suas compras atuais que possuem 45 dias de prazo
de pagamento. Isto é:

desconto >= 1.5%, prazo 45 dias.

ο A empresa poderia fazer uma proposta de desconto de 2,5%. Sendo


que seu piso máximo de negociação será 1,5% abaixo disso. Para
a empresa será melhor continuar com suas compras atuais que
possuem prazo de 45 dias.

Resumindo nosso exemplo, a TMA de 12,08% será o ponto de partida


para analisar o Custo de Oportunidade desta situação. Se a empresa optar pelas
compras à vista:

o Seu custo será deixar de fazer o investimento em títulos negociáveis


e perder esse rendimento financeiro.
o Sua oportunidade será conseguir um desconto igual ou maior que
Ganhar uma 1,5% de seu fornecedor.
oportunidade,
“a escolha”, em Essa comparação é a essência da análise de Custo de Oportunidade,
detrimento da
ou seja: ganhar uma oportunidade, “a escolha”, em detrimento da outra
outra opção “não
escolhida”. É um opção “não escolhida”. É um conceito simples e básico de economia, mas
conceito simples e pode envolver análises bem complexas. Aliás, o Custo de Oportunidade
básico de economia, é aplicado em diversas situações financeiras, econômicas, comerciais,
mas pode envolver inclusive de nossa vida pessoal. A simples escolha de ir ao cinema ou sair
análises bem com os amigos para jogar futebol envolve este conceito. Se escolher ir ao
complexas.
cinema, você perderá a oportunidade de sair com seus amigos, mas poderá
ter a oportunidade de ir ao cinema com sua namorada, esposa e/ou filhos. Em resumo,
neste tópico você teve a oportunidade de estudar sobre:

• Como levantar um fluxo de caixa operativo projetado? Para isso, deve-se


levar em consideração as diferentes evoluções das entradas e saídas
de caixa, ano a ano, e inclusive mês a mês durante o período de vida
estimado do projeto.
• Como diferenciar as diferentes contas detalhadas no fluxo de caixa
operativo projetado de um projeto, onde temos: Investimento Inicial,
considerado a grande saída de caixa inicial; as Entradas Operativas, as
vendas a prazo cobradas; as Saídas Operacionais, os custos e gastos
efetivamente pagos?
• Como levantar o processo de avaliação de capital de giro e seu vínculo
com o fluxo de caixa, em função das necessidades operativas?
• A dinâmica da taxa mínima de atratividade (TMA) no contexto de custo
de oportunidade do dinheiro nas atividades operacionais.
138
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

13 FONTES DE FINANCIAMENTO DE
CURTO PRAZO
No tópico anterior, estudamos sobre como administrar saldos em caixa, ou
seja, a empresa tem seu capital de giro sob controle. Todavia, em situações que
o capital de giro fica escasso, como a empresa deverá operar? Observe que um
negócio pode adiar o investimento em um novo equipamento, pode adiar diversas
necessidades da gestão, mas o capital de giro é o que faz o negócio girar,
literalmente. Se uma empresa não conseguir capital de giro para operar, pelo
menos o mínimo necessário, simplesmente ela para de produzir e em um prazo
curto de tempo deverá liquidar suas operações, simples assim.

Analogicamente, é como nosso coração, se ele parar de bombear


sangue ao nosso corpo, todo nosso sistema sucumbe, e em questão Manter sob controle
o capital de giro é
de minutos estaremos tecnicamente mortos. O mesmo acontece com
essencial para uma
as empresas, quando elas estão com pouca geração de caixa, entram empresa continuar
em uma fase delicada, se a coisa se agravar, pode ter um infarto, e operando.
se piorar mais ainda ela terá uma parada cardíaca de liquidez e, por
último, se essa parada cardíaca durar além do tecnicamente viável, ela entra em
falência. Desta analogia podemos deduzir que manter sob controle o capital de
giro é essencial para uma empresa continuar operando. Existem experiências de
empresas com altos índices de rendimentos, e lucros, que por questões de má
administração do capital de giro tiveram que fechar suas portas. Observe que:

Os fluxos de entrada e saída de caixa são imprevisíveis, com


o grau de previsibilidade variando entre as empresas e os
setores. Desse modo, as empresas precisam manter algum
caixa de reserva para flutuações imprevistas e aleatórias nos
fluxos de entrada e de saída. Esses “estoques de segurança”
são denominados saldos de precaução, e quanto menos
previsíveis os fluxos de caixa de uma empresa, maiores
devem ser esses saldos. No entanto, se a empresa tiver
fácil acesso para tomar fundos emprestados – ou seja, se
consegue um empréstimo com curto prazo de aviso antecipado
-, sua necessidade de saldos de precaução será reduzida.
(BRIGHAM; EHRHARDT, 2010, p.845)

Conforme Brigham e Ehrhardt (2010), as empresas, em função do nível


oscilação de seu fluxo de caixa, devem ter um leque de possibilidades para
financiar necessidades de liquidez que possam comprometer seu capital de giro,
mas isso vamos estudar mais para frente, isto é, estratégias para levantar liquidez
nos momentos de necessidade. No entanto, será que muitas empresas poderiam
passar por uma situação destas? Algumas passaram por essa situação crítica,
mas em um contexto operativo do dia a dia, a maioria das empresas deve ficar de
olho, conforme as particularidades de cada negócio.
139
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Devemos observar que faz parte, dentro do contexto dos ciclos operacionais,
e de vendas, as empresas terem meses de geração de caixa negativo, são poucos
os negócios que mantêm “sempre” geração de caixa positivo recorrente de suas
operações. A chave disto é saber identificar quais são esses ciclos de geração
de caixa negativa, prevendo estratégias para que a empresa possa desenhar
alternativas de financiamento da gestão do capital de giro. Por isso a necessidade
de administrar bem o fluxo de caixa operacional dentro de uma conversão de caixa
(Ciclo Financeiro) ideal, assim, projetar quando a empresa terá saldos em caixa
e quando não. Neste tópico, estudaremos quais as fontes de financiamento para
manter esse capital de giro “vivo” e não deixar ele entrar em cuidados intensivos.

14 FONTES DE LIQUIDEZ DO MESMO


CAPITAL DE GIRO OU DE TERCEIROS
As fontes de capital de giro podem vir da própria conversão de caixa. Vamos
relembrar o ciclo financeiro (CO), estudado no Capítulo 2:

• Compras-Estoques: a empresa precisa adquirir todas as


matérias-primas, insumos e outros materiais para poder iniciar
seu processo de transformação desses materiais em mercadorias
e serviços para seus clientes. Esse processo gera o prazo médio
de estoques, o PME.

• Processo de transformação: as operações da empresa focam


na geração de mercadorias e serviços para serem vendidos.
Isso gera o Prazo Médio de Transformação, o PMT. Uma vez
que os próprios processos industriais determinam o PMT, fica
estabelecido um certo valor de dias da conversação de caixa
destinado para esse objetivo, daí a importância de manter
as máquinas/equipamento industrial em bom estado (horas-
máquina), e o recurso humano com uma boa produtividade
(horas-homem). E se uma empresa melhorar sua produtividade?
Seu PMT ficará mais curto, significando uma melhor conversão de
caixa e menor necessidade de capital de giro. Segundo Brigham
e Ehrhardt (2006, p. 838), “ [...] se uma nova tecnologia tornar
possível a um fabricante acelerar a produção de determinado
produto de dez para cinco dias, o seu estoque de produtos em
processo de fabricação pode ser reduzido pela metade”.

• Processo de venda: grande parte das vendas acontecem a


prazo, o que gera o prazo médio das duplicatas, o PMR.

140
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

• Prazo médio de pagamento: grande parte das compras aos


fornecedores acontecem a prazo, o que gera o PMP.

Desses prazos médios é que a empresa consegue obter seu Ciclo Financeiro,
e seus valores monetários serão determinados em função da própria dinâmica
das operações, gerando um saldo positivo dessa Conversão de Caixa. Nesse
sentido, podemos supor que a empresa compre seus insumos dos fornecedores
para gerar valor agregado sobre esses insumos e vender por um preço maior que
consiga cobrir custos e despesas e ainda deixar um “saldo” (lucro). Esse saldo
será produto da própria dinâmica da conversão de caixa. Por isso a primeira
fonte do capital de giro, objetivando cobrir o investimento feito neste e que possa
permitir acumular saldos em caixa que logo irão ser classificados como lucros na
DRE. Mas o que acontece quando a conversão de caixa é negativa? Observe que
ela pode ser negativa por diversos motivos, tais como:

• Aumento das vendas: esse aumento do volume de vendas gera


um aumento no investimento do capital de giro, o que gera uma
necessidade pontual de caixa, que logo será financiada pela
própria conversão de caixa.

• Aumento dos prazos médios tanto dos estoques como


das contas a receber: esse aumento gera maior investimento
em capital de giro, que também será financiado pela própria
conversão de caixa.

• Necessidades cíclicas do próprio negócio: o próprio volume de


vendas cíclico faz com que muitos negócios precisem fazer gestão
de caixa de meses negativos e logo de meses positivos. Imagine
uma fábrica de brinquedos, suas maiores vendas acontecem em
outubro (no dia das crianças) e no Natal. No entanto, essa fábrica
precisa ter os brinquedos prontos para essas duas altas épocas
de venda, ou seja, precisam de capital de giro para produzir,
estocar e aguardar que suas vendas possam vir a acontecer
dentro do esperado nessas duas datas.

Diante desses ciclos de caixa adversos, as empresas possuem uma segunda


fonte de capital de giro, a gestão dos passivos circulantes (capital de terceiros
de curto prazo), tais como empréstimos bancários de curto prazo, financiamento
de fornecedores, entre outros, neste tópico, focaremos na gestão dos passivos
circulantes. E a terceira fonte de capital de giro será de quem? Dos próprios
donos, ou acionistas, assim, se não houver outra alternativa, os donos irão
precisar financiar qualquer aumento do capital de giro.

141
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

15 PASSIVO CIRCULANTE COMO FONTE


DE CAPITAL DE GIRO
Dentro do passivo circulante existem contas necessárias da própria
conversão de caixa, que podem ser administradas para aumentar ou diminuir
o investimento em capital de giro, ou passivos espontâneos. Essas contas
são: contas a pagar aos fornecedores e despesas a pagar (salários e impostos
principalmente). Segundo o autor Gitman (2010, p. 582):

Os passivos espontâneos originam-se das atividades


rotineiras da empresa. As duas principais fontes espontâneas
de financiamento de curto prazo são contas a pagar a
fornecedores e as despesas a pagar. O aumento das vendas
de uma empresa provoca o crescimento de suas contas a
pagar, em reação ao maior volume de compras necessário
para atender aos maiores níveis de produção. As despesas a
pagar também aumentam em decorrência da elevação da folha
de pagamento e dos impostos devidos.

Esses dois tipos de conta normalmente não representam geração de custo


financeiro (juros), pelos menos explícito. A compra de insumos gera duplicatas
a serem pagas aos fornecedores, aí aparentemente não há custo financeiro
“explícito”, mas, e se a empresa conseguir pagar à vista pelas suas aquisições?
Provavelmente, o fornecedor concederá algum desconto, gerando uma redução
do preço de compra, essa diferença entre o valor das faturas a prazo e as
compras à vista, gera um custo financeiro implícito, porém, muitas vezes, por não
ser muito evidente, as empresas deixam passar. Lembra do nosso exemplo do
tópico anterior do desconto de 1,50% sobre as compras à vista? Eis um claro
exemplo disto!

16 CONTAS A PAGAR E CONTAS A RECEBER


COMO FONTES DE CAPITAL DE GIRO
Conforme vem se estudando, tanto as contas a pagar quanto as contas a
receber fazem parte da conversão de caixa. Exemplificando, se uma empresa tiver
necessidade de liquidez, uma alternativa poderia ser simplesmente dilatar o prazo
médio de pagamento aos fornecedores de 30 para 36 dias. Esses seis dias a mais
poderiam representar um saldo adicional em caixa. Suponha que essa empresa
possua R$ 150.000,00 dessas contas a serem pagas em 30 dias, logo, esses 6
dias a mais representaria um adicional em caixa pelo valor de R$ 30.000,00, ou
seja: R$ 30.000,00 = R$ 150.000 x 6 dias . Vamos ver um case sobre isto?
30 dias

142
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

A Max company tinha um prazo médio de pagamento de 35 dias


(sendo 30 dias até o envio do pagamento, mais cinco dias de float),
resultando em contas a pagar médias de $ 467.466,00. Assim, as
contas a pagar geradas diariamente pela MAX atingiram $13.356,00
($ 467.466,00/35). Se ela enviasse seus pagamentos em 35 dias em
vez de 30 dias, suas contas a pagar aumentariam em $ 66.780,00 (5
x $ 13.356,00). Com isso, seu ciclo de conversão de caixa diminuiria
em cinco dias e seu investimento em operações seria reduzido em $
66.780,00. É evidente que isso beneficiaria a MAX, desde que não
prejudicasse seu rating de crédito.

Fonte: Gitman (2010, p. 583).

Neste exemplo do autor Gitman (2010), podemos conferir, de maneira clara, o


que se pode fazer com as contas a pagar para aumentar o saldo em caixa. Esse jogo
de ampliar os prazos das contas a pagar também pode ser feito com as contas do
ciclo operativo do ativo circulante, ou seja, as contas a receber (vendas a prazo) e
os estoques, mas será que aumentando o prazo médio destas contas conseguimos
o mesmo efeito que com as contas a pagar com os fornecedores? A lógica dentro da
dinâmica da conversão de caixa é exatamente a mesma, mas no sentido contrário,
ou seja, para aumentar o saldo em caixa, a empresa deverá diminuir esses prazos
médios para assim girar mais rápido a cobrança das vendas a prazo.

Imagine uma empresa que possua um saldo médio de contas a receber


de 40 dias e um prazo médio de estoques de 15 dias, sendo que essa empresa
poderia diminuir esses prazos médios de 40 para 33 dias, e de 15 para 10 dias
respectivamente. Levando em consideração que os valores dessas contas são
de R$ 200.000,00 para as contas a receber e de R$ 60.000,00 para os estoques.
Nessas novas condições, qual seria o valor adicional em caixa?

• Contas a receber  o aumento no saldo em caixa seria por esses 7 dias a


menos seria de R$ 22.500,00, ou seja: R$ 35.000,00 = R$ 200.000 x 7 dias .
40 dias
• Estoques  o aumento no saldo em caixa seria por esses 5 dias a
menos seria de R$ 20.000,00, ou seja: R$ 20.000 = R$ 60.000 x 5 dias .
15 dias
Ao todo, neste exemplo, a empresa poderia conseguir levantar R$ 55.000,00
para suas necessidades de liquidez. Em resumo, se a empresa desejar aumentar

143
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

seu saldo em caixa, ela pode mexer nas suas contas que fazem parte de sua
conversão de caixa, conforme estudamos no Capítulo 2, isto é:

• Conversão de Caixa: Prazo Médio de Estoques + Prazo Médio do


Processos de Transformação + Contas a Receber – Prazo Médio das
Contas a Pagar.

Assim, no momento de precisar maiores saldos em caixa dentro de um


contexto operativo, a empresa pode mexer em uma ou em todas essas contas,
desde que não mexa nos custos operacionais.

17 CAPITAL DE TERCEIROS COMO FONTE


DE FINANCIAMENTO
Em função do custo de capital e das necessidades de recursos financeiros
de curto prazo, as empresas costumam optar por um mix de possibilidades para
levantar fundos de curto prazo, seja por meio da própria mudança dos prazos
médios das contas da conversão de caixa, e/ou seja pelo uso de empréstimos
de curto prazo. No caso dos empréstimos de curto prazo, as empresas possuem
várias opções, entre as principais: empréstimos de curto prazo sem garantias e
empréstimos com garantias conforme iremos estudar.

18 EMPRÉSTIMOS DE CURTO PRAZO


SEM GARANTIAS
As empresas podem obter empréstimos de curto prazo sem garantias por
meio das instituições financeiras e por meio de notas promissórias (commercial
papers). A grande diferença entre estas duas maneiras de financiamento é que
os empréstimos das instituições financeiras estão disponíveis para qualquer tipo
de empresa, seja empresa pessoal, microempresa, empresa pequena, média e/
ou de grande porte. Entretanto, os commercial papers são usados pelas grandes
empresas que atuam diretamente no mercado de valores, ou seja, as Sociedades
Anônimas (S.A.) de capital aberto que atuam em bolsa.

A modalidade de fonte de recursos de curto prazo mais comum ofertada


pelas instituições financeiras é o empréstimo autoliquidável de curto prazo,
cujo objetivo é ajudar nas necessidades de caixa de curto prazo. Segundo o autor
Gitman (2010, p. 587), esta modalidade de empréstimo:

144
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

[...] tem por objetivo simplesmente ajudar as empresas a


superar picos sazonais de necessidade de financiamento,
sobretudo decorrentes do acúmulo de estoques e de contas
a receber. À medida que os estoques e os recebíveis são
convertidos em caixa, geram-se fundos necessários para
liquidar esses empréstimos. Em outras palavras, o uso a que
são dedicados os fundos emprestados fornece o mecanismo
pelo qual o empréstimo é pago – daí o termo auto liquidável.

Assim, para que a empresa possa administrar bem esses recursos


emprestados, elas devem conhecer integralmente seu ciclo de capital de giro
representado pela dinâmica de conversão de caixa que você vem estudando
ao longo deste livro de estudos. Em resumo, existem três grandes grupos de
empréstimos sem garantia de curto prazo, sendo eles: notas promissórias de
pagamento único, linhas de crédito, créditos rotativos de capital de giro.

• Notas promissórias de pagamento único: este tipo de empréstimo é


utilizado para finalidades específicas de curto prazo. Nestes casos, a
empresa assina uma nota promissória com os detalhes e as condições
do empréstimo, especificando o valor emprestado, o prazo e os juros a
serem pagos. Os prazos deste tipo de empréstimos costumam ser entre
30 a 180 dias, sendo que os juros são atrelados à taxa básica Selic.

• Linhas de crédito: as linhas de crédito são contratos de empréstimos


pré-aprovados por um valor determinado que a empresa pode usar de
maneira rotativa, bem semelhante ao uso de um cartão de crédito que
possui um valor a ser utilizado pelo consumidor. Os prazos destas linhas
de crédito costumam ser de um ano, conseguindo ser renovados em
função das necessidades de cliente a da disponibilidade de fundos da
instituição financeira. Este tipo de crédito é utilizado pelas empresas para
solucionar necessidades de capital de giro, tais como linha de crédito
para compra de mercadoria importada e/ou de origem nacional.

A taxa de juros sobre uma linha de crédito costuma ser


estipulada como flutuante – a taxa básica mais um prémio. Se
a taxa básica mudar, a taxa de juros sobre novos usos da linha
e sobre o saldo devedor existente mudará automaticamente.
O valor cobrado do devedor acima da taxa básica depende de
sua qualidade de crédito (GITMAN, 2010, p. 590).

• Créditos rotativos de capital de giro: este tipo de crédito é feito por


meio de um contrato de crédito rotativo, o qual garante à empresa os
fundos até o valor aprovado, independente da escassez de dinheiro. É
um tipo de crédito bem semelhante às linhas de crédito, mas a diferença
é a garantia de fundos e os prazos que podem ser maiores de um ano.
“Como o banco garante a disponibilidade de fundos, os contratos de
crédito rotativo, normalmente, exigem o pagamento de uma taxa de
compromisso” (GITMAN, 2010, p. 590).

145
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Ao aumentar Um dos maiores usos deste tipo de empréstimo é nas


suas vendas elas necessidades de capital de giro utilizado nas importações e/ou nas
precisam de maiores
compras nacionais de matéria-prima, insumos, embalagens etc. Outra
volumes nas suas
ordens de compra, necessidade de liquidez que as empresas costumam ter, é quando elas
isso faz aumentar estão aumentando o volume de suas vendas. Observe que ao aumentar
tanto o saldo das suas vendas elas precisam de maiores volumes nas suas ordens de
contas a pagar compra, isso faz aumentar tanto o saldo das contas a pagar como o
como o saldo das saldo das contas a receber, resultado? Aumento no investimento do
contas a receber,
capital de giro, eis a procura de empréstimos de curto prazo por parte
resultado? Aumento
no investimento das empresas quando a economia entra em um ciclo de crescimento.
do capital de giro, O mesmo acontece ao contrário, quando as empresas observam queda
eis a procura de nas vendas, elas começam descapitalizando o Capital de Giro, pois
empréstimos de haverá uma menor necessidade de recursos na produção.
curto prazo por
parte das empresas
quando a economia
entra em um ciclo de 19 NOTAS PROMISSÓRIAS
crescimento.
COMERCIAIS (COMMERCIAL PAPERS)
O commercial papers é um tipo de financiamento de terceiros sem a
necessidade da intermediação de um banco. As empresas que levantam fundos
por este meio vão direto ao mercado de valores, conseguindo taxas bem mais
baixas. Todavia é um mercado para empresas de grande porte e solidez financeira
que seja comprovada por uma auditoria externa reconhecida, esse é o tipo de
empresa que consegue emitir Commercial Papers.

Os prazos destes fundos oscilam em curtíssimo prazo (a partir de 3 dias)


até 270 dias, e os valores a serem negociados costumam ser múltiplos de R$
100.000,00, ou seja, são títulos com valor muito alto que só empresas de grande
porte atuam. Empresas multinacionais, as maiores empresas brasileiras e as
instituições financeiras são os demandantes deste tipo de meio de financiamento.
A dinâmica dos juros do commercial papers funciona da seguinte maneira: “os
commercial papers são vendidos com deságio em relação ao seu valor de face. O
tamanho do deságio e o prazo até o vencimento determinam os juros pagos pelo
emissor dos títulos” (GITMAN, 2010, p. 592).

Curiosidade! Quer saber mais sobre esse interessante meio


de financiamento, os commercial papers e toda sua dinâmica no
mercado de valores? Acesse aqui: <https://goo.gl/t7Lcta>.

146
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

20 EMPRÉSTIMOS DE CURTO PRAZO


COM GARANTIAS - DESCONTO DE
CONTAS A RECEBER
Como vem se falando, as duplicatas a receber recorrentes das vendas
a prazo podem virar fontes de empréstimos para suprir necessidades de caixa
operativo. O desconto das contas a receber é uma das maneiras mais utilizadas
para conseguir fundos de curto prazo. O processo de empréstimo é simples,
primeiramente, a instituição financeira avalia a qualidade dessas duplicatas, logo,
faz uma ponderação de valores e prazos dessas duplicatas, e é cobrado uma taxa
de juros em função do risco da empresa, a qualidade das duplicatas e as taxas no
momento do empréstimo. Vamos ver um exemplo?

A empresa Queijo do Vale Alto possui um bloco de faturas com os seguintes


valores e prazos de vencimento. A empresa deseja vender essas duplicatas para
seu banco e assim, levantar fundos, o detalhe destas duplicatas são:

Quadro 11 – Prazo Médio das Contas a Receber, Queijo do Vale Alto

Fonte: O autor.

Então, agora sabemos que a empresa demorará, na média, 28 dias em


recuperar essas vendas a prazo, sendo que esses 28 dias fazem parte do Ciclo
Financeiro (Conversão de Caixa), ou seja, do investimento em Capital de Giro,
assim, se conseguir tirar esses valores da conversão de caixa, logo, a empresa
consegue levantar fundos. Nesse sentido, se o banco da empresa pode descontar
essas duplicatas a uma taxa de desconto de 2.5% ao mês, qual será o valor
líquido da operação? Em função dos dados apresentados, tem-se:

147
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Valor Duplicatas: R$ 126.670.


• Prazo Médio: 28,2366.
• Taxa de desconto: 2,5% ao mês.

Solução:

• Desconto = Valor Duplicatas x Taxa de Desconto x prazo.


2,5/100
• Desconto = R$ 126.670 x x 28,2366 dias = R$ 2.980,61.
30 dias
• Valor Líquido a Receber = Valor Duplicatas – Desconto.
• Valor Líquido a Receber = R$ 126.670,00 - R$ 2.980,61.
• Valor Líquido a Receber = R$ 126.670,00 - R$ 2.980,97 = R$ 123.689,39.
• Então, a empresa receberá R$ 123.689,39.

Se observar, esse valor líquido a se receber é referencial, recorrente da


venda dessas duplicatas. No entanto, no contrato desta operação financeira
deverá ficar todo o detalhe de desconto de cada uma dessas duplicatas, conforme
podemos observar a seguir:

Quadro 12 – Cálculo detalhado do desconto de duplicatas

Fonte: O autor.

O foco comparativo de se fazer os dois métodos de cálculo é de conferir


que, por meio da ponderação dos prazos, o gestor financeiro tem uma maneira de
calcular rapidamente o desconto financeiro deste tipo de operação financeira, sem
ter que entrar no detalhe do desconto de cada uma das duplicatas. Imagine uma
operação destas que possa envolver mais de 1000 faturas? Aí vai se complicar,
assim, é mais fácil pegar o prazo médio ponderado e analisar as alternativas para
levantar fundos.

148
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

Conforme estudaremos logo a seguir, no mercado financeiro, existe um tipo


de serviço financeiro específico para este tipo de compra de faturas, o factoring.
O factoring parte do mesmo princípio, mas a grande diferença é que, no caso
do factoring, a empresa, literalmente, vende as faturas, liberando-se de qualquer
risco de falta de pagamento dos clientes, se eles não pagarem será o banco que
deverá fazer a cobrança, eis a grande diferença conforme estudaremos a seguir.
Em termos financeiros, o factoring é um produto financeiro comum que mexe com
mercados futuros.

Curiosidades! No mundo financeiro existe toda uma dinâmica


para assegurar preços futuros, entre estes, a taxa de câmbio
futura, conhecido como swap cambial. Este tipo de produto oferece
garantias de preços estáveis de mercadorias comercializadas
internacionalmente às empresas, ajudando-lhes nas suas
necessidades da liquidez. Ficou curioso? O economista Fernando
Nogueira faz toda uma explicação de como funciona as operações
financeiras para cobertura do risco cambiário, no seguinte site:
<https://goo.gl/e415kt>.

21 FACTORING
O factoring é um sistema de financiamento que utiliza o desconto de faturas
futuras e/ou duplicatas, como fonte de financiamento às empresas industriais,
comerciais e até de serviços. A ideia do factoring é utilizar os valores das contas
a receber assim que as vendas vão acontecendo e não ter que aguardar até o
vencimento destas, isso faz uma grande diferença na conversão de caixa das
empresas. Em muitos detalhes, o factoring é semelhante aos descontos em
duplicatas, mas, no caso do factoring, a instituição financeira literalmente compra
as faturas da empresa que deseja levantar fundos.

Neste sentido, é de responsabilidade da instituição financeira fazer é de


responsabilidade da
a gestão de cobrança caso a conta a receber não seja paga na data
instituição financeira
de seu vencimento. Pelo geral, muitas instituições financeiras possuem fazer a gestão de
departamentos especializados em factoring, inclusive, existem empresas cobrança caso a
que seu único foco de negócio é o factoring, tanto nacional como conta a receber não
internacional, a instituição financeira que oferece o serviço de factoring seja paga na data
é conhecida como “factor”. No comércio internacional, tem-se diversas de seu vencimento.
instituições financeiras que trabalham com factoring, tais como:
149
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Tradeshift, <https://tradeshift.com/>.
• GT Nexus, <http://www.gtnexus.com/>.
• C2FO, <https://c2fo.com/uk-en/why-c2fo/opportunity/>.
• PrimeRevenue, <https://primerevenue.com/>.

Todas essas instituições financeiras atuam no mercado internacional de


factoring, ajudando as empresas fornecedoras ao redor do mundo na gestão de
seu capital de giro, desde as grandes empesas até as mais pequenas.

Curiosidade! A revista BCR publicações possui todas as


notícias sobre a gestão de capital de giro atual e os meios modernos
que as empresas conseguem levantar fundos para uma melhor
gestão de sua liquidez. Disponível em: <https://bcrpub.com/>.

Outra importante diferença entre factoring e desconto em duplicatas é o


contrato de factoring. Neste estipula-se todas as condições e os procedimentos
para que o factor possa comprar um bloco determinado das contas a receber de
uma empresa. No contrato de factoring, fica o detalhe de quais faturas o factor
considerará na compra de valores, selecionando as que o factor considerar
pertinente comprar e especificando os descontos a serem usados. Muitas vezes,
o factor possui uma base de dados muito completa do histórico de diversas
empresas, é por isso que ele tem a capacidade de comprar as contas a receber e
assumir todo o risco da cobrança. Entre nos sites citados anteriormente e dê uma
olhada no nível de informação destas empresas, aí você poderá observar o nível
de desenvolvimento e sofisticação da gestão da liquidez ao redor do mundo.

Que tipo de empresa pode sair beneficiada do factoring? Diversas,


e cada caso possui suas particularidades, mas podemos dizer que existem
empresas que realmente o factoring é de grande ajuda, desde as de pequeno porte
que são obrigadas a vender com prazos maiores de 45 dias até as cadeias de
supermercados, e claro, os exportadores. As grandes multinacionais que vendem
alimentos aos supermercados não se enquadram neste universo, mas imagine
uma empresa de porte pequeno fornecedora de legumes e frutas orgânicas
para uma cadeia de supermercados? Geralmente, esse tipo de empresa precisa

150
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

pagar a seus fornecedores praticamente à vista, mas seus grandes clientes


(supermercados) compram seus produtos a prazos maiores que 45 dias. Qual o
resultado disso? Uma grande necessidade de investimento em capital de giro para
conseguir operar, e é aí que o factoring é de grande ajuda. No Capítulo 3 deste
livro de estudos temos um case da revista britânica The Economist, precisamente
sobre uma história bem interessante de uma empresa britânica pequena que
vende seu produto a uma das maiores cadeias de supermercado britânicas.
Seria interessante você ler novamente esse artigo, ele tem importantes conceitos
estudados neste último capítulo também.

No exemplo deste tipo de empresa pequena, o factor compra as contas a


receber do supermercado e a empresa consegue levantar seu capital de giro.
Os exportadores também podem ser grandes demandantes de factoring, pois,
muitas vezes, eles têm pouco conhecimento do histórico de pagamentos de
seus clientes e das leis dos países de onde eles vendem, mas há empresas de
factoring atuantes em diversos países, elas possuem toda a base de dados para
reconhecer os clientes dos exportadores e as leis locais dos países, assim, elas
compram as vendas a prazo e o exportador consegue fundos praticamente à vista
de suas vendas ao exterior.

Em termos dos custos do factoring, além de possíveis descontos sobre a taxa


de juros conforme o mercado, existem mais outros custos que devem ser analisados
pela empresa interessada no factoring, segundo Gitman (2010, p. 596):

Os custos de factoring incluem comissões, juros pagos sobre


adiantamentos e juros recebidos sobre saldos excedentes. O
factor deposita na conta de uma empresa o valor de face das
contas recebidas ou devidas que tiver comprado, abatendo
desse valor suas comissões, que costumam ser de 1% a 3%
do valor face das contas a receber.

Podemos observar que na gestão de capital de giro é importantíssimo que as


empresas possam identificar sua própria dinâmica de sua conversão de caixa com
suas particularidades operativas e conhecer bem os médios internos e externos
para levantar fundos e assim dar conta da liquidez necessária para operar.
Lembre-se: sem capital de giro as empresas simplesmente param de operar.
A seguir, leremos dois artigos sobre as condições das fontes de capital de giro
no mercado financeiro. No Brasil, existem algumas fontes de liquidez operativa
e na conjuntura de retomada do crescimento econômica que vem acontecendo
desde 2017, as instituições financeiras vêm ajudando às empresas nas suas
necessidades de liquidez de curto prazo conforme veremos nos seguintes artigos.

151
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Veja algumas notícias relacionadas à gestão do capital de giro:

BNDES reduz juros para investimentos e capital de giro:


Disponível em: <https://goo.gl/CwgGLz>. Acesso em: 16 abr. 2018.

Trabuco aponta aumento da demanda por crédito nos últimos


meses: Disponível em: <https://goo.gl/prjsS3>. Acesso em: 16 abr. 2018.

Atividades de Estudos:

1) No momento de levantar o fluxo de caixa operativo, é necessário


levar em consideração alguns elementos importantes. Neste
contexto, determine quais são estes elementos a serem
considerados.
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2) Quais contas e valores devem ser consideradas no momento


de montar o fluxo de caixa. Destas contas, quais consideram-se
entrada de caixa, saída e saldos?
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152
Capítulo 4 FONTES DO CAPITAL DE GIRO

3) Um dos elementos fundamentais para a análise financeira é


saber de quanto será o capital de giro inicial. Determine, o que é
necessário para montar o valor desse capital de giro inicial.
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22 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
A equipe da Uniasselvi deseja que seus estudos tenham sido de muito
proveito para seu processo de aprendizado e geração de competências. Neste
último capítulo, você estudou a importância de se ter nas empresas um horizonte
de tempo bem definido para prever necessidades de capital de giro, levando
em consideração as oscilações de entrada e saída de recursos das operações
da maioria das empresas. Observe que existem poucas empresas que sempre
têm fluxos de caixa operacionais positivos, em algum momento de seus ciclos
de venda e gastos haverá alguma necessidade de financiar recursos financeiros
operacionais. É por isso que as empresas devem prestar muita atenção à gestão
do Fluxo de Caixa e a Tesouraria, temas que foram estudados ao longo do capítulo
com base nos conhecimentos adquiridos nos três primeiros capítulos.

REFERÊNCIAS
PILÃO, N. E.; HUMMEL, P. R. V. Matemática financeira e engenharia
econômica: a teoria e a prática da análise de projetos de investimentos. São
Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.

BRIGHAM, E. F.; EHRHARDT, M. C. Administração Financeira: teoria e prática.


10. ed. São Paulo: Cenage Learning, 2010.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2010.

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