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Física
ensino
médio 

física
2º ano

Organizadora:
Edições SM
Obra coletiva concebida,
desenvolvida e produzida
por Edições SM.
Editora responsável:
Ana Paula Souza Nani
Adriana Benetti Marques Válio
Ana Fukui
Bassam Ferdinian
Madson de Melo Molina
Venê

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Física
2 ensino
médio 
FÍSICA
2º ano

Organizadora:
Edições SM
Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida por Edições SM.

Editora responsável:
Ana Paula Souza Nani
• Licenciada em Matemática pela Universidade de São Paulo (USP).
• Editora de livros didáticos.

Adriana Benetti Marques Válio


• Livre-docente pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.
• Mestra em Astronomia pelo Instituto de Astronomia e Geofísica da USP.
• Doutora em Astronomia pela Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA.
• Bacharela em Física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP).
• Pesquisadora e professora universitária da rede particular de ensino.
Ana Fukui
• Mestra em Ciências - Ensino de Física pela USP.
• Licenciada em Física pela USP.
• Atuou como professora de Física em escolas das redes pública e particular de ensino e em projetos
de formação de professores.
• Pesquisadora em Comunicação da Ciência.
Bassam Ferdinian
• Graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP.
• Licenciado em Ensino de Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB).
• Professor de Física em escolas das redes pública e particular de ensino.
Madson de Melo Molina
• Graduado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP. 3a edição
• Licenciado em Ensino de Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB). São Paulo
• Professor de Física em escolas da rede particular de ensino. 2016
Venê
• Bacharel e Licenciado em Física pela Unicamp.
• Professor de Física em escolas das redes pública e particular de ensino e em curso pré-vestibular.
• Pesquisador em Ensino de Física e novas mídias em Educação.
• Autor de diversos materiais em divulgação científica e Ensino de Física.

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Ser protagonista – Física – 2
© Edições SM Ltda.
Todos os direitos reservados

Direção editorial Juliane Matsubara Barroso


Gerência editorial Roberta Lombardi Martins
Gerência de design e produção Marisa Iniesta Martin
Edição executiva Ana Paula Souza Nani
Edição: Andrezza Cacione, Danilo Yamaguti, Mateus Carneiro Ribeiro Alves,
Tomas Masatsugui Hirayama
Assistência editorial: Laura Stephano
Colaboração técnico-pedagógica: Marcia Maria de Moura
Coordenação de controle editorial Flavia Casellato Cunha
Suporte editorial: Alzira A. Bertholim Meana, Camila de Lima Cunha, Giselle Marangon,
Mônica Rocha, Talita Vieira, Silvana Siqueira, Fernanda D’Angelo
Coordenação de revisão Cláudia Rodrigues do Espírito Santo
Preparação e revisão: Berenice Baeder, Eliana Vila Nova de Souza,
Fátima Valentina Cezare Pasculli, Helena Alves Costa, Izilda de Oliveira Pereira,
Lourdes Chaves Ferreira, Mauricio Tavares, Sandra Regina Fernandes,
Marco Aurélio Feltran (apoio de equipe)
Coordenação de design Rafael Vianna Leal
Apoio: Didier Dias de Moraes
Design: Leika Yatsunami, Tiago Stéfano
Coordenação de arte Ulisses Pires
Edição executiva de arte: Melissa Steiner
Edição de arte: Vitor Trevelin, Elizabeth Kamazuka Santos
Diagramação: Selma Barbosa Celestino
Coordenação de iconografia Josiane Laurentino
Pesquisa iconográfica: Bianca Fanelli, Susan Eiko, Angelita Cardoso
Tratamento de imagem: Marcelo Casaro
Capa Didier Dias de Moraes, Rafael Vianna Leal
Imagem da capa Ponsulak/Shutterstock.com/ID/BR
Projeto gráfico cldt
Editoração eletrônica Setup Bureau Editoração Eletrônica
Ilustrações Setup Bureau Editoração Eletrônica. Hélio Senatore, Adilson Secco, AMj Studio, Luis Moura

Fabricação Alexander Maeda


Impressão

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Válio, Adriana Benetti Marques


Ser protagonista : física, 2o ano : ensino médio /
Adriana Benetti Marques Válio ... [et al.] ;
organizadora Edições SM ; obra coletiva
concebida, desenvolvida e produzida por Edições
SM ; editora responsável Ana Paula Souza Nani. –
3. ed. – São Paulo : Edições SM, 2016. –
(Coleção ser protagonista)
Outros autores: Ana Fukui, Bassam Ferdinian,
Madson de Melo Molina, Venê
Suplementado pelo manual do professor.
Bibliografia.
ISBN 978-85-418-1359-4 (aluno)
ISBN 978-85-418-1360-0 (professor)
1. Física (Ensino médio) I. Válio, Adriana Benetti
Marques. II. Fukui, Ana. III. Ferdinian, Bassam.
IV. Molina, Madson de Melo. V. Venê.
VI.Nani, Ana Paula Souza. VII. Série.

16-02554 CDD-530.07
Índices para catálogo sistemático:
1. Física : Ensino médio 530.07
3ª edição, 2016

Edições SM Ltda.
Rua Tenente Lycurgo Lopes da Cruz, 55
Água Branca 05036-120 São Paulo SP Brasil
Tel. 11 2111-7400
edicoessm@grupo-sm.com
www.edicoessm.com.br

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Apresentação
O progresso científico tem sido impressionante. Em
um curto intervalo de tempo (considerando o surgimento
do ser humano), fomos capazes de dominar diversos
aspectos da natureza, descobrir novos fenômenos, construir
instrumentos e propor invenções. Esse avanço se reflete em
nossas vidas, tanto que hoje não se concebe o mundo sem a
ciência. Muitas vezes, sem perceber, as pessoas utilizam no
dia a dia invenções oriundas do conhecimento científico —
por exemplo, geladeiras, micro-ondas e fogões elétricos (na
conservação e preparo das refeições); aviões, carros e trens
(para o transporte); videogames e aparelhos sonoros (para o
lazer); aparelhos cirúrgicos e de diagnóstico médico, como o
bisturi eletrônico e o ultrassom; televisão, telefone, internet
e rádio (para as telecomunicações); cartões eletrônicos
(usados em diversas transações comerciais).
Para compreender parte da complexidade do mundo
contemporâneo e, assim, agir com autonomia e desenvoltura,
é necessário que o ser humano entre em contato com
o conhecimento científico. Neste livro, esse contato é
intermediado pelo estudo da Física, uma das ciências
responsáveis por grandes transformações na História recente.
Articulando os conceitos mais importantes com a
emoção e a beleza próprias desse segmento da ciência,
esta coleção aborda a Física em sua relação com a
tecnologia e o mundo natural, destacando-se sua
contribuição à formação do pensamento moderno e os
impactos sociais e ambientais associados às descobertas
científico-tecnológicas.
Espera-se que este livro contribua para que o aluno
participe de alguma maneira da atividade humana de descobrir
e aprender sobre seu mundo, atitudes que estão na base da
ciência. Por essa razão, aprender Física significa aprender a ser
mais humano — este, o objetivo maior da coleção.
Equipe editorial
3

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A organização do livro
Pilares da coleção
Esta coleção organiza-se a partir de quatro pilares, cada qual com objetivo(s) próprio(s):

contextualização e
interdisciplinaridade compromisso visão crítica iniciativa

Relaciona o estudo dos Temas e questionamentos que Contribui para que você seja Incentivar a atitude proativa
conteúdos de Física a despertam a consciência da capaz de entender a realidade diante de situações-problema,
outras disciplinas, áreas do responsabilidade e incentivam que o cerca e refletir sobre para que você tome decisões
conhecimento e temas atuais, a reflexão e o entendimento do seu papel nessa realidade, e tenha participação ativa em
construindo, assim, uma mundo, para que você se torne desenvolvendo, dessa maneira, diversos contextos sociais.
visão ampla e integrada dos um cidadão responsável. sua visão crítica.
fenômenos estudados.

As seções e os boxes que se propõem a trabalhar esses eixos estão indicados pelos ícones que os representam.

Páginas de abertura
Abertura da unidade
A partir de um pequeno texto e de uma imagem,
você vai começar a refletir sobre o assunto da
unidade e a se questionar sobre o que já sabe
do assunto.
Abertura do capítulo
Uma imagem e perguntas introduzem e promovem
a reflexão sobre o assunto específico do capítulo.
capítulo

2 Processos de
transferência de
o que você
calor
vai estudar

Tipos

ck.com/ID/BR
de processos
de transferência
de calor.

Stepan Kapl/Shuttersto
Transferência
de calor
por condução.
Transferência
de calor
por convecção.
Transferência
de calor por
irradiação.

Os meios de comunicaç
humana no aumento ão utilizam imagens como a desta
da temperatura média fotomontagem para
da Terra, efeito conhecido alertar sobre
como aquecimento a responsabilidade
global.
Debate inicial
• Escreva um tex
to inspirado na
redação, um po fotomontagem
ema, a letra de e na legenda a
• A temperatura m uma música ou cima. Pode ser u
édia da Terra — uma história em ma
pelo calor do So que permite a v quadrinhos.
l. Mas esse aqu ida em nosso pla
indefinidamente ecimento natura neta — é mantid
a temperatura l, embora const a
relativamente em do planeta, que ante, não aume
equilíbrio. Com em condições n nta
• Constantemente o você imagina ormais se manté
, a mídia (jornal, que esse equilíb m
formam a respe rádio, televisão rio ocorre?
ito do chamado , internet) e os li
rendo pelo aum aquecimento glo vros didáticos in
ento da temper bal, fenômeno -
que permitem m atura média do que estaria oco
anter sua tempe planeta . Se a Terra tem r-
mento? Que impacto ratura média, o mecanismos
s são esperados que vem causan
global? no clima da Terra do esse aqueci-
• O que é possíve devido ao aquecim
l fazer para que ento
seja mantido? o equilíbrio das
condições climátic
as da Terra
Considere as res
postas obtidas n
1. Como a energia o debate e resp

Apresentação dos conteúdos


do Sol aquece onda no caderno
o planeta Terra? .
2. Na sua opinião, q Explique de for
uais fatores caus ma sucinta.
am o aquecimen
20 to global?

Não escreva no livro.


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20

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Velocidade das ondas sonoras Qualidades fisiológicas do som


A velocidade das ondas sonoras depende das características do meio em pArA refletir conceito em Questão
que se propagam. O ser humano é capaz de identificar certas características dos sons que ou-
Entre essas características, destacam-se o tipo de substância que compõe o ve. Essas características, denominadas qualidades fisiológicas do som, são a A altura do som e os
1. Quando se está parado numa
meio e sua densidade. No caso do ar, por exemplo, à temperatura de 15°C, a estação de trem ou metrô, é altura, a intensidade e o timbre (que será estudado no tópico “Sons musicais” cantores líricos
velocidade do som é de aproximadamente 340 m/s. possível ouvir um zumbido es- deste capítulo).
tridente trazido pelos trilhos
No meio musical, é usual
À medida que a temperatura aumenta, a velocidade do som no ar também atribuir termos específicos aos
aumenta. Isso ocorre porque, de acordo com o modelo cinético-molecular dos
quando o trem se aproxima da
estação. No entanto o trem só é
Altura do som cantores de acordo com a fre-
gases, quanto maior a temperatura, maior a velocidade média das partículas. ouvido diretamente segundos A comparação entre os sons de diferentes frequências permite que sejam quência das notas que costu-
Assim, se as moléculas do ar tiverem maior velocidade média, colidirão mais ve- depois que os zumbidos são classificados como sons de alta frequência, comumente denominados sons mam emitir.
zes umas com as outras, facilitando a propagação das ondas sonoras nesse meio. percebidos. Como explicar es- agudos, e sons de baixa frequência, geralmente chamados sons graves. Essa Observe a classificação para
se fenômeno? homens:
As tabelas a seguir mostram diferenças no comportamento da velocidade das on- classificação é feita pela comparação entre as frequências de dois sons distin-
das sonoras com base em três critérios: meios diversos; um único meio (o ar), mas tos, de modo que aquele de maior frequência será o agudo, e aquele de menor Baixo: voz grave.
em temperaturas variadas; um único meio (o ar), mas em diferentes altitudes. frequência será o grave. Podemos definir assim a altura do som: Barítono: voz intermediária.
Velocidade (m/s) das ondas sonoras em diferentes meios (0 °C, 1 atm)
Tenor: voz aguda.
Altura é a qualidade do som referente à frequência das ondas sonoras.
EO Hoppé/Corbis/Fotoarena

ar hélio (He) hidrogênio (H2) água borracha chumbo (Pb) aço


331 972 1 280 1 400 54 1 300 5 940 Como é feita por comparação, a classificação da altura de um som é relati-
Velocidade (m/s) das ondas sonoras no ar em diferentes temperaturas (1 atm)
va, dependendo do som referencial que se adota. Por isso, não há um limite
definido entre as duas classificações, som grave e som agudo.
10 °C 5 °C 0 °C 5 °C 10 °C 15 °C 20 °C 25 °C 30 °C
Na linguagem cotidiana, também é comum o uso das expressões “som
325,4 328,4 331,4 334,4 337,4 340,4 343,4 346,4 349,4
grosso”, para designar sons graves, e “som fino”, para designar sons agudos.
Velocidade (m/s) das ondas sonoras no ar em diferentes altitudes (m) Por exemplo, em relação à espécie humana, as vozes masculinas são conside-
0 (nível do mar) 1 600 m 3 200 m 4 700 m 9 300 m 13 900 m 16 500 m radas “grossas” (predominância de sons graves), enquanto as vozes femininas
343 335 329 323 304 295 295 são consideradas “finas” (predominância de sons agudos). Na linguagem mu-
sical, os tons graves recebem a denominação de baixos, enquanto os tons
Sensação sonora agudos são chamados de altos. O tenor italiano Enrico Caruso
(1873-1921), um dos maiores
Para os seres humanos, uma onda sonora qualquer só ganha significado Os gráficos a seguir representam duas ondas sonoras se propagando em cantores líricos de todos os tempos.
quando é percebida pela orelha e interpretada pelo cérebro. O processo de um meio, o ar, por exemplo. Foto, c. 1903.

captação e decodificação da onda sonora é denominado capacidade auditiva. E a classificação para mu-
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

A figura a seguir ilustra a recepção das ondas sonoras na orelha humana e Amplitude lheres:
alta frequência
explica, de forma simplificada, como se dá o processo de captação dos sons
Contralto: voz grave.
pelas orelhas e sua interpretação no cérebro – parte do processo que permite
Mezzosoprano ou meio-sopra-
compreender o que se ouve. no: voz intermediária.
orelha externa orelha média orelha interna Soprano: voz aguda.
Tempo
Estúdio Patellani/Corbis/Fotoarena

Imagem fora
de escala.
Gráfico representando um som alto (agudo).
Cores Os sons
Setup Bureau/ID/BR

fantasia
recebidos na
bigorna orelha interna Amplitude
baixa frequência
são convertidos
Sons (ondas martelo em impulsos
longitudinais elétricos.
se propagando Coletados pelo
no ar) atingem pavilhão nervo auditivo,
as orelhas auditivo os impulsos
humanas. são levados Tempo
ao cérebro, Gráfico representando um som baixo (grave)
onde são
A soprano estadunidense de
interpretados.
Os dois sons apresentam mesma amplitude mas diferentes frequências. ascendência grega Maria Callas
Capítulo 10 – Acústica

(1923-1977), uma das maiores


Comparando as duas representações, podemos classificar o primeiro som co- cantoras líricas da história. Foto de
cóclea mo agudo e o segundo como grave. 1956.

O conteúdo é apresentado de maneira


estribo
Uma nota musical é caracterizada principalmente por sua altura, ou seja,
A membrana timpânica, ao ser sensibilizada pela
por sua frequência. Quando se diz que um instrumento está emitindo notas
Recebidos pelo pavilhão auditivo,
os sons são conduzidos pelo canal pressão causada pelas ondas sonoras, aciona os diferentes, entende-se que ele está produzindo ondas sonoras de frequências

organizada. Ilustrações, esquemas e


auditivo para a orelha média. ossículos (martelo, bigorna e estribo), que amplificam diferentes. Veremos esse assunto com mais detalhes no tópico “Sons musi-
os sons mais tênues, levando-os à orelha interna.
cais” deste capítulo.

fotografias facilitam a compreensão.


164 Não escreva no livro. Não escreva no livro. 165

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outras duas se relacionam. Assim, teremos as seguintes transformações, que
serão estudadas nas próximas páginas:
• Transformação isotérmica: a temperatura permanece constante enquanto
a pressão varia em função do volume.
• Transformação isobárica: a pressão permanece constante enquanto a tem-
peratura varia em função do volume.
• Transformação isovolumétrica: o volume permanece constante enquanto
a pressão varia em função da temperatura.

Transformação isotérmica
Considerando que a massa do gás também permanece constante, as gran-
dezas físicas que variam em uma transformação isotérmica são o volume e a
pressão.
BoxesPêndulo simples
Uma transformação isotérmica pode ser obtida variando-se lentamente o
volume do gás. Nesse caso, o volume e a pressão variam, mas há tempo sufi-
ciente para que a temperatura do gás se mantenha em equilíbrio
É chamado pêndulo comsimplesa tem- todo sistema formado por um corpo preso a
sólido, líquidoperatura
e gasosodo requerem
ambiente energia
no qual parase encontra.eXPeriMeNtO
um fio (uma pedra na extremidade dereLeMBre um pedaço a deMaTeMÁTica
barbante, por exemplo) fatos e Personagens
moléculas. A quantidade de calor necessária pa-
É e queverificar
possível pode oscilar que a livremente quandoProporcionalidade
tem- suspenso. Galileu e o pêndulo simples
ça de estado depende da massa do corpo e da
Lei de Boyle-Mariotte
osto. Para cada substância, é constante o valor
Considere
peratura de um sistema não va- um pêndulo simples em repouso (o sistema
Duas grandezas podem ser está na direção ver- Ao observar a oscilação de um O texto principal é complementado por boxes
tical). Puxando o corpo para um dos lados diretaeou abandonando-o, o pêndulo pas-
nergia cedida pelo No corpo final
ou do
deleséculo
retirada para oso-físico eriaquímico
XVII, durante
sa
airlandês
a
mudança
oscilar
de estado.
Robert
verticalmente
Boyle (1627-
em torno de sua posição
inversamente propor-
central de equilíbrio.
candelabro suspenso na catedral que promovem a reflexão, ampliam, retomam
-1691) concluiu que, durante Para isso, termodinâmica,
(L):uma transformação misture alguns a pressão cionais, de acordo com as se- ___› de Pisa (Itália), Galileu Galilei
ossa. Esse valor de é denominado calor latente
um gás é inversamente proporcional cubos de gelo
ao volume.
O movimento
aAlguns
uma pequena oscilatório
anos___depois,

do pêndulo
o fí- guintes se deve definiçõesà atuação (nas dadefini-força peso P e (1564-1642) verificou que o pe- ou contextualizam o conteúdo
quantidade de aágua. Quando .oPara çõesmelhor abaixo,a atuação a representa os ríodo de oscilação não se altera-
azes
ade de interpretar
calor Q sico dois
necessária
francês sons como
por
Edme distintosde
unidade
Mariotte se
(1620-1684) da força
enunciou de que
lei tração regeT as transfor- compreender dessas
___› forças, de-
gelo começar a derreter, meça a valores da grandeza A, e b repre- va enquanto a amplitude do ba-
Qualidades fisiológicas do som senta osVelocidade valores da grandezadas B): ondas lanço sonoras
valos
tância demudar
tempomações
superiores
de estado. a 0,1 s. mais
isotérmicas, Se dois tarde compomos
ou chamada lei de Boyle-Mariotte, validando a a força peso em duas componentes: ___› a tangencial ( P t), que, como o
temperatura do candelabro diminuía.
em intervalos de tempo menores,
descoberta de Boyleserão paraperce-
transformações nomedoindica,
a temperatura
sistema. é tangente àOtrajetória,
constante. enun- e a normal (P A n), na mesma direção da tração,
omo continuação
Q O
ciado uns
ser dos
humano
dessa outros.
lei é
afirma Quanto
capaz que:de me-
identificar
Após
Ação
certas Microscópio
o início
como seda
E CidAdAniA
características vê fusão
no quadro dos
do ge-
sons óptico
a seguir,
que ou-quecomposto
mostra conceito
1. Dizemostrês momentos
velocidade
que duas em doQuestão
grandezas
das ondas
movimento. Ae =
sonoras depende Para
para das características
comprovar
debater essa obser- do meio em pArA refletir
L  __
os sons, maior a sensação de som único.
m ve. Essas características, denominadasmeça,
lo, a qualquer instante que se
O microscópio composto é assim chamado B são quediretamente
por
se propagam.
possuir proporcio-
dois conjuntos de
vação, Galileu fez um pêndulo
Aqualidadesa temperatura
importância fisiológicas
do do
pré-natal do som, são a
sistema A nais
altura Entre
quando,
do som essas
para
e os acaracterísticas,
Þ 0, te- destacam-se simples,
Como o tipo com
funcionade uma o pedra
substância amar-
que compõe o 1. Quando se está parado numa
as humanas, associada àsumreflexões lente, a Situação
ocular e aA objetiva, como no Situação
telescópio B refrator. Situação C
altura,
Quando a intensidade gás sofree das ondas
o timbre
uma (que será
transformação estudado
será a mesma, no
isotérmica,
Após
tópico
até que “Sons
a
todovariação
de o
musicais” da cantores bmeio
__ líricose sua Odensidade. radaexemplo,
No caso do ar, microscópio
por à extremidade de um bar-
à temperatura
eletrônico? de 15°C, a estação de trem ou metrô, é
de
omo calor latente
paredes em épressão
desteo joule
um por quilograma
ambiente
capítulo).
ocorre fechado,
de forma [Jinversamente
dá /kg
ori-], geloA derreta. Esse
ultrassonografia
proporcional tiposer de solto
microscópio
à–mudança
um tipo é usado O pêndulo
para passa
mos
observara 5 k,algo em que
que kpêndulo
é uma
está cons-
muito continua
perto do bante340 e colocou-o para oscilar. possível ouvir um zumbido es-
altura, o do vo- pelo ponto velocidade do som é dea aproximadamente
com mais frequência
a reverberação. lume; é a por
caloria por grama
exemplo, [cal/g]. a pressão
conforme de diagnóstico
diminui,
determinada
observador, opor
pêndulo imagem
mas
volume que,
oscila – suas diminutas
por
aumenta. mais baixo
No
tantemeio
dimensões, diferente não
oscilando
musical,
deé zero.
após
é usual
visível
passar
para
apela
direita
olhoposiçãonu. Por […] O m/s.
Considerando telescópio
os batimentosrefrator, de tridente trazido pelos trilhos
e fusão (L F ) deAltura atribuir termosÀ medida que
específicos a temperatura
aos aumenta, a velocidade do som no ar também
certa substânciado som é 50 cal/g sig- utiliza
quências
ondas sonoras
isso, a disposição
para a direita.
acimadedas
com fre-
das lentes nesse instrumento
audíveis não vêm do “infinito”,
da trajetória.
2. Dizemos
cantores
é diferente
aumenta.
de
que duas
acordo
da
Issocom
doequilíbrio.
de
grandezas
ocorre
telescópio,
a fre-
A e pois
porque, de acordo
também
seu próprio
comfoi
neta,
conhecido
o modelopulso,
aperfeiçoado
como
Galileu lu-
com-
cinético-molecular
peloasas- dos
quando o trem se aproxima da
estação. No entanto o trem só é
ma dessa substância, é necessário fornecer-lhe pV os raios luz captados B são isto é, de
inversamente distâncias
proporcio- colossais. provou que, à medida que os-
dessa
ondassubstância
so- AMatematicamente,
temcomparação
500 entre
g de massa,
podemos sonsescrever:
osa quan- de diferentes
pelo 5
ouvido constante
frequências
O humano
esquema permite
eabaixo
fornecemostraque sejam o caminho quência dos quando
nais das de
gases,
raios notasb 5que
quanto
a luz k,maior
em emumcostu- ak étemperatura, maior
quemicroscópio trônomo a velocidade médiaGalilei
e físico Galileu das partículas. ouvido diretamente segundos
cilações tornavam-se mais cur-
Ilustrações: AMj Studio/ID/BR

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


Como
classificados o produto
como da
sons pressão
de alta pelo volume
frequência,
informações durante
comumente em uma
tempo transformação
denominados
real da sonsiso- mam uma emitir.
Assim, sediferente
constante as moléculas de zero. do ar tiverem maior no velocidade
ano de 1610. média, colidirão
O telescópio mais ve- depois que os zumbidos são
fundi-lo
propagam éQ 500 g ? 50 cal/g  25 000 cal. desse tipo. tas, o intervalo de tempo de percebidos. Como explicar es-
térmica ée constante,
sons de abaixa representando ageralmente
pressão
estruturae dos ochamados
volume
órgãosiniciais ou outras por p 1 eEssa V e Observe a classificação para facilitando a propagação
enas
reções. Al- agudos,
à mudança de estado,
a pressão e oévolume
pois energiafrequência,
finais
para
por p2 e Ventre , temos: T
sons graves.
objetiva 1
homens:
zes umas com as outras, T
utilizado
cada oscilação das ondas
por Galileu sonoras
(o período) era um nesse meio.
per- se fenômeno?
classificação feita pela
pela comparação estruturas do corpodehumano.
as frequências dois sons distin- T As tabelas a seguir mostram diferençasinstrumento no comportamento
manecia da velocidade
de pequenas
o mesmo. di- das on-

Atividades
m urarapida-
de fusão deve ser calculada equação 2
Por meio de oum sensor no pró-de menor ocular
sando-se o calor
permitindo tos,sensível.
de modo que aquele de maior frequência será agudo, P e aquele Baixo: voz das grave.
sonoras com basePem t três
Pn
mensões
critérios: meios diversos;e constituído
Experimentando um único meio
objetos por de(o ar), mas
V1prio
5 passim
p1 definir aparelho
V2 a altura Pn de t ultrassom,
unidade frequência será o
de massa de uma substância é exata-grave. Podemos 2 do som: Barítono: em temperaturas
voz intermediária. variadas; um único meiouma(o objetiva
ar),
diferentes mas em
massas cromática
diferentes
presos a(ob-
altitudes.
bar-
utra parce- esses dados são registrados P
rar dela para provocar sua solidificação. Logo, P
Tenor: P voz aguda. jetiva
bantesformadade tamanhos por uma única
variados,
obstáculos Outra maneira de expressar por um computador. No  caso Velocidade (m/s) das ondas sonoras em diferentes meios (0 °C, 1 atm)
igual, em Altura é a qualidade
latente dedo soma referente
relação entre pressão edas
à frequência volume ondas durante
sonoras.umaF’ p lente
Galileuconvergente).
descobriu dois Este tipo
fatos
modo quemódulo, ao calor solidi- da ultrassonografia
p 3 V, omostrado
do útero F2 i1 /o2 ar hélio (He) F’2 hidrogênio (H2) apresenta água um gra- borracha chumbo (Pb) aço
EO Hoppé/Corbis/Fotoarena
A Vestibular
____› F1ao se e Enem
transformação isotérmica é por meio do gráfico componente
1
tangencial ao lado. 1
A componente tangencial A componente
Vestibular e Enem tangencial de objetiva
fundamentais:
de uma mulher grávida,
Não escreva no livro.

éetornando
positivo na fusão (o calor é fornecido ao cor- ____›p1 331 ____
› 972 ve problema
1 280 queoscilação
é1 400
a aberração 54 1 300 5 940
Inicialmente,
Como é feita por o gás tem um volume
comparação, V1 e está da
a classificação
propagarem a nouma
altura
útero,pressão
peso (Pas
de )um psom . Lentamen-
é relati- •O período de depen-
(o
ão calor
da pes- é retirado do corpo). da força t ondas
tem1 a da força peso (P t) é nula, e da força peso (P t) atua 1. (Enem) A adaptação dos integrantes da seleção A partir do esquema são feitas as seguintes afir-

Uma seleção isso,e,ede questões corpo,de


cromática.
(m/s) das de
As
do comprimentodiferentes
sonoras no ardo
cores
pêndu-
brasileira de futebol à altitude de La Paz foi muito mações:
te, dependendo
va, mantendo-sedo a temperatura
som referencial constante,
que se oadota.
refletem-se volume
mesma noPor bebêdesse
direção gás
não
quandoaumenta
sentidohá um limite o para por inércia, mantém no isoterma
sentido contrário Velocidadeao ondas em
comentada em 1995, por ocasião de um torneio,
diferentes temperaturas (1 atm)
I. A energia liberada na reação é usada para fer-

sde algumas
cer- substâncias ao nível do mar: como pode ser lido no texto abaixo.
após V2 e a pressão diminui para p2, de modo que odaproduto doumaevolume parapela opres- y’ para a direita. quelo formam
– quantoamais luz comprido
branca sãofor
ver a água que, como vapor a alta pressão, acio-
na a turbina.

definido entre as duas classificações, som grave evelocidade,


som agudo. atuafoto- movimento da velocidade, até que a
A seleção brasileira embarca hoje para La Paz, ca-

captadas, produzem
Avestibulares do país eàdeem domo-Enem para i2 p2 10 °C °C seja 0 °C 5 °Cmaiorfazendo
pital da Bolívia, situada a 3 700 metros de altitude, II. A turbina, que adquire uma energia cinética de

do instante amplitude 5 será10o°C de15 °C 20 °C 25 °C 30 °C rotação, é acoplada mecanicamente ao gerador


Esquema
onde disputará o torneio Interamérica. A adaptação

lor latente sãoNapermanece


Calor linguagemconstante.
latente cotidiana,
Calor latente curva dografia
também égráfico
comum levar
ao ouso
olado,
oumicroscópio
uma pêndulo
imagem denominada
das posição
expressões dehipérbo-
A velocidade
“som atinge seu valor máxima foc decompostas
o fio, com que
período deverá ocorrer em um prazo de 10 dias, aproximada- para produção de energia elétrica.
Setup Bureau/ID/BR

mente. O organismo humano, em altitudes elevadas, III. A água depois de passar pela turbina é pré-
óptico 325,4atingida, momento 328,4 em que331,4 334,4 337,4 340,4 343,4 346,4 349,4
tervalo for maior que 0,1 s, a pessoa interpre-
Integre o
necessita desse tempo para se adaptar, evitando-se,
equilíbrio.eM questãO máximo. a oscilação do pêndulo.
-aquecida no condensador e bombeada de vol-

k cONceitO os diferentes componentes


__ kvocê e se
vimentofamiliarizar
em um monitor. decom Entre os exames
assim, risco de um colapso circulatório.
vaporização de solidificação de liquefação
ta ao reator.

grosso”,
le, é dada para
pordesignar
p = , em sonsquegraves,
é uma “som
constante fino”,diferente
compara duas designar
lentes zero. sons Nesteagudos. caso, velocidade é nula. Integre o aprendizado
Adaptado de revista Placar, fev. 1995.
Dentre as afirmações acima, somente está(ão)
Não escreva no livro.

o(cal/g)
recebido) como (cal/g)
Por
distintos, percebendo-os V (cal/g) se- outros asdados, omasculinas
exame pode
convergentes. Velocidade (m/s) • Adas
cromáticos
massa
ondas interceptem
dosonoras
corpo não no oarinflui
eixo A adaptação da equipe foi necessária principalmen-

em diferentes altitudes (m)


correta(s): eXeRcício Resolvido

porexemplo, em relação à espécie humana, vozes sãoé chamada


conside-
16 500 m aprendizado
te porque a atmosfera de La Paz, quando compara-

descrever V1 V2 V
a) I c) III e) II e III

eco. uma transformação isotérmica, derevelar


ingresso essa curva
ao Ensino também
Superior.
da à das cidades brasileiras, apresenta:
8. A figura a seguir apresenta um peixe nadando em vador vê uma imagem virtual do peixe formada 16. O sistema de aquecimento solar tem sido cada vez 21. Quando um corpo recebe irradiação, a quantidade

enômeno denominado A tabela a seguir


o Oenquanto
tamanho apresenta
do bebê,ofemininas óptico da objetiva
no período em pontos
de oscilação. Por a) menor pressão e menor concentração um lago,
de seguido
b) II
oxi- pelo olhar de um observador.
d) I e II pelo prolongamento dos raios de luz, sem que mais utilizado, na tentativa de reduzir o consumo de energia absorvida está relacionada à cor desse

substância radas
Calor“grossas”
retirado (predominância
da substância de sons graves), asobjetovozes 0 chegam
(nível do àmar) 1 600 m 3 200 m 4 700 m 9 300 m 13 900 m
gênio. a) Descreva fisicamente o problema apresenta- seja percebido
de bloco o desvio ao mudar de meio de de energia elétrica. O esquema a seguir ilustra o corpo. Quanto mais escura, maior a absorção de
pequeno emite raios de luz que objetiva do micros-
3. (Enem) O esquema mostra um diagrama

de isoterma.
do som no ar como aproximadamente 340 m/s as
suatemperaturas Observando de fusão e va- as figuras ____ acima, é possível deduzir que a componente exemplo, Assim
diferentes. um pêndulo de 2 kg
um obser-
b) maior pressão e maior quantidade de do.oxigênio. de uma estação geradora de eletricidade propagação.
abasteci- Por causa disso o peixe parece es- funcionamento de um sistema desse tipo. calor, motivo pelo qual se aconselha o uso de rou-

deposição e movimentos e,
tar acima de onde realmente está. pas escuras durante o inverno e de cores claras no
1 c) maior pressão e maior concentração b) de
O índice de refração
gás car- dadopor combustível
meio 2 é 1,00, efóssil.
o índi-

reservatório de verão. Mas os beduínos (nômades que vivem em

Ao final de cada capítulo,


ce de refração do meio 1 é 1,35. Calcule a ra- b) Dados: n1 5 1,35; n2 5 1,00
são consideradas “finas” (predominância sons
cópio.deagudos).
Agás, primeira Na linguagem
imagem (Pit1for)mu-
forma-se próxima à ocular.
bônico. coletor solar

343 335 seme- 329 323 304 295 295


água quente
desertos) usam roupas compridas e escuras.
LSObserve
menorque, para uma mesma quantidade dealgumas atédaquanto maior a como
zão entre d e D.
V  539,2  LL  2539,2 algumastangencial
porização o forçasexo peso
substân- atua força restauradora, de maneira temque
vador exatamente
utiliza este o mesmo
tipo de pe-
o 279,6
gases da Nesse caso pode ser escrita a equação:

àExercícios resolvidos
d) menor pressão e maior temperatura.
vezes, da
Explique como esse traje, sendo escuro, consegue
(ida e volta) como intervalo para uma item b.
c) Interprete o resultado obtido no combustão caixa-d'água
e) maior pressão e menor temperatura. nar
___d 5 ______ da residência minimizar os efeitos
eletricidade
D nágua
sical, os tons graves recebem a denominação
pV Quando
de
lhante baixos,
àdos 1osatm
força raios
enquanto
elástica luminosos
noos tons
a sistema passam pela ocular,
massa-mola. Essa ocorre
é uma umadas segundarazões refra- pelas ríodo de oscilação
percebe que outro
turbina gerador da radiação no deser-

podemostemperatura, maiorLLmínimaserá o produto e mais longe eixos ficará curva


2. (Enem) A energia térmica liberada em processos de
cias pressão de (pres-
vapor

instrumento algumas
to. Sugestão: lem-
criança.
Substituindo valores, temos:
Lrito,
V  5,0 LS  21,2
calcular a distância en- há um conjunto de
fissão nuclear pode ser utilizada na geração de va-
 25,0 bre-se das corren-

Sensação sonora
£2
caldeira 1,00 ___d
___d 5 _______
O tenor italiano Enrico Caruso
por para produzir energia mecânica que, por sua ä 5 0,74
ção edoforma-se
mar). ouma segunda de imagem (i2), que será visualizada pelo observa-
tes de convecção.
agudos são chamados de altos.
meio 2: ar
D 1,35 D
são ao nível de 5 kg,coloridas
desde queem ambos te-
vez, será convertida em energia elétrica. Abaixo saída H2O quente

isoterma. quais também movimento um pêndulo é interpretado como um MHS. manchas volta
H O meio 1: água

Apresenta a interpretação,
resolução de alguns
está representado um esquema básico de uma usi- d £1 2

expressão da velocidade de um movimento:


Ou, ainda, d 5 0,74 D.

O ondas
acompanhamento (1873-1921), um dos maiores
se pré-na-
condensador

Setup Bureau/ID/BR
LV  48,0 LS  26,1 LL  248,0 na de energia nuclear. D
Setup Bureau/ID/BR

Beduíno com traje

dor,Tal de tal maneira que a imagem i1 será, ao mesmo tempo, um segundouma ob-
c) O resultado obtido indica que a distância da

exercícios que integram os


água quente

Os gráficos a seguir representam duas sonoras propagando emé válida nham oqualquer
mesmo comprimento

Claudiad/iStock/Getty Images
típico em Israel.

nas ondados astros.


entrada H2O imagem à superfície é menor que a distância
Adilson Secco/ID/BR

água fria

contudo, apenas para


Paradepequenas
os seres oscilações,
humanos, sonora só ganha significado
líquido

cantores líricos todos os tempos. fria Foto de 2011.


entre o objeto e a superfície, mostrando que
Setup/Bureau/ID/BR

combustível bomba sistema auxiliar

tal é essencial T para T garantir 1 a imagem formada está acima da posição do

exercícios jeto
quais(o2a(°C) com
). A imagem estratégias final (i2) é que invertida Foto,em relação ao objeto observado. O
elétrico para

um79,6 meio,cal/g,
o ar,isto
poré,exemplo. e que seja pelodesprezada
cérebro. Oa processo re-
ar

c. 1903. objeto.
lago Esse resultado confirma uma regra ge-

Substância […]
quando o tempo
fusão vaporização
trajetória e doum pêndulo é aproximadamente quando éretilínea. E pela isso orelha
ocorre
vapor

nte de ? dmín)vale
(2 fusão a cada 79,6 percebida 77 e interpretada de
Resolução ral quando se observam objetos imersos em estiver frio

0 5 ________0,1 äQuando
Nãodescreva no livro. uma gestação saudável (°C) assuntos do capítulo. a) O problema evidencia que, devido ao desvio água: eles parecem estar a uma profundidade

mín 5 17 m aumento
quando odoângulo microscópio é calculado entre apela relação: sistência do ar.
Hinrichs, R. A.; Kleinbach, M. Energia e meio ambiente. São Paulo:
dos raios de luz causado
Pioneirapela refração, o 2003
obser- menor do que realmente estão. O coletor de luz solar apresenta uma serpentina

da onda sonora Atualmente temos outras auditiva. 22. Leia a tira.


de oscilação direção do fio ee decodificação
a vertical é pequeno,
Thomson Learning, (adaptado).
apoiada em uma superfície de cor preta. Através
elo é derretido. se retira da água líqui- captação é denominado capacidade
podem servir como queinspiração para a
gerador dessa serpentina, circula a água a ser aquecida.
parto seguro e também para es- E a classificação para mu-

Stuart Carlson © 2015 Carlson/Dist. by Universal Uclick


turbina
água

Fundamentaiscomplexas para o estudo


Se fosse necessário melhorar o rendimento dessa Todo o sistema é coberto por uma placa de vidro.
hélio menor
A figura a seguir ilustra a recepção objetivas das ondasmais co-humana e
2269,6 5°.2268,9
usina, que forneceria eletricidade para abastecer Justifique a opção pelo vidro e pela cor preta nesse
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

pilhas

r, 79,6 calorias, 1 grama de água se solidifica.


Amplitude
clarecer as dúvidas das futuras A 5 Alheres: A sonoras na orelha nucleares
condensador
uma cidade,eXeRcícios pRopostos
qual das seguintes ações poderia re- sistema de aquecimento de água.

dos movimentos, essas desco-


sultar em alguma economia de energia, sem afetar

resolução dos Exercícios2210,0 2195,8propostos.


17. A água, ao contrário da maioria das substâncias, so-
alta frequência 9. Uma piscina tem profundidade igual a 3 m. Um ob- 11. Observe a imagem a seguir.

explica, de forma simplificada, como mo asoapocromáticas e asse- dos sons


bomba de a capacidade de geração da usina? fre diminuição da densidade ao solidificar-se e flu-
nitrogênio oc ob
se dá processo
servador do lado de fora tem a sensação de que a

Galileude captação
água
tua sobre a parte líquida. Por isso, nos lagos de paí-
David Trood/Uppercut DC/Latinstock

bombapiscina
de a) Reduzir
é mais rasa. A água a quantidade
com cloro tem índicededecombustível fornecido à

mães. [...] bertas de são válidas


cópica de calor latente Período Ade 78 um pêndulo simples
usina para ser queimado. ses muito frios ocorre a formação de gelo somente

Contralto: voz grave.


água
refração 1,40, e o ar tem índice de refração 1,00.
miapocromáticas, ambas for- permite a) Desenhe a situaçãob)descrita.
Reduzir o volume de água do lago que circula no
na camada superior, enquanto abaixo dela a água

epelas orelhas erespectivamente.


sua interpretação noPMcérebro
apenas–por parteoscilações
do processo de que
permanece no estado líquido. Explique por que o
álcoolBrasil.
etílicoAqui, Aocem:e <http:// ob são os aumentos da ocular da objetiva,
condensador de vapor.
rio
SP_FIS2_PNLD18_LA_U2_C06_072A081 77 Portal 2114
Disponível 5/14/16 9:08 para pe-
b) Calcule a posição da imagem do fundo da pisci- lago não congela por inteiro.

Mezzosoprano ou meio-sopra- madas três lentes. Encon-


na vista pelo observador.
c) Reduzir o tamanho da bomba usada para devol-
mente fechados, como uma sala, algumasrígida,ondas
De volta para
ver a água 18. Na Lua, a amplitude térmica é muito elevada. Um
podelíquida à caldeira.

tão ordenadas formando uma estrutura www.brasil.gov.br/sobre/saude/ compreender o que se ouve.


c) Explique como uma pessoa enganar-se a astronauta que esteja na face lunar voltada para o

quena amplitude.
Exercícios
mercúrio Para239 um ângulo
propostos
357 pequeno, o período Tvozdeintermediária.
um pêndulo simples pode ser
respeito de alguémd)poder permanecer
Melhorar em pé
a capacidade dos dutos com vapor con- Sol encontra temperaturas acima de 100 °C, en-

no: tramos também diversos tipos


com a cabeça fora da duzirem
água nessa piscina.
calor para o ambiente.
ezes e outras ondas mais vezes. Por conseguinte, maternidade/
projetores ópticos
quanto na face oposta, sem a incidência de raios
10. Um aluno desatento fez e) oUsar
seguinte desenho repre- solares, estaria a até 280 °C. Explique, fisicamen- Muito tem se falado sobre o aquecimento global. Há
ordenação das partículas está associada uma
o calor liberado com os gases pela chaminé

calculado pela expressão:


o começo
sentando um dioptro plano. para mover um outro gerador. te, por que ocorre essa variação tão ampla. um seriíssimo debate envolvendo grupos de cien-
gestacao/a-importancia-do-pre-natal>.
assólido,
ondas essasonoras, provenientes de diferentes re- enxofre 119 444,6 Soprano: voz aguda. de objetivas acromáticas e a média
orelha externa orelha orelha interna 19. Quando um corpo recebe radiação, nem sempre sua
tistas com opiniões opostas. O primeiro afirma que
a Terra está passando por uma elevação de tempe-

configuração precisa ser alterada,


119 temperatura se eleva. Apresente uma possível explica-
Acesso em: 21 abr. 2016.
Reúne exercícios com diferentes
ratura média global, provocada pela ação humana,

vido uma característica de “continuidade”: mes- Em linhas Tempo gerais, a câmera fotográ- Imagem fora io objetiva tipo Clairaut é a mais
ção para tal ocorrência.
20. Explique por que os pássaros eriçam suas penas em
enquanto o outro defende que o fenômeno é natu-
ral. Qual é a sua opinião sobre o assunto? Que fato-

T 5 2 ? p ? _gº de escala.
ár
d
chumbo 327,3 1 750
Estúdio Patellani/Corbis/Fotoarena

cristalina fornecendo energia paraGráfico as partícu- XX dias frios. res você considerou para chegar à sua conclusão?

conceito em questão Promove a retomada do


Setup Bureau/ID/BR

somfica e(agudo).
um projetor
colegas: óptico têm funcio- nd
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

utilizada em binóculos e teles-


SP_FIS2_PNLD18_LA_U2_C07_116A123.indd 119 imagem do peixe 5/16/16 9:37 AM

representandoEm umgrupo com


alto dois cu
o aumenta
pela fonte,o ainda é possível ouvir
espaço entre as partículas, desfa- uma níveis1.ácido
“conti- de dificuldade
Pesquisenamento se no 16,7 semelhante,
posto de e118 demas
saúde aplicação
invertido. Cores lho
s e
cópios refratores destinados Os sons a) Aponte os erros na representação dos raios de
posição do peixe
a) Deduza qual era a posição da máquina fotográ-
fica ao tirar essa fotografia.
De volta para o começo
1. Retome as respostas que você deu às questões propostas na abertura deste capítulo. Que alterações você

sse porcristalina).
alguns instantes no ambiente. fantasia spe
debate inicial da abertura
faria naquelas respostas?

Setup Bureau/ID/BR
luz da imagem.
etanoico A câmera fotográfica produz, para
b) Explique por que a parte do corpo e do rosto
(rede Enquanto a configuração da e 1. Considere
amadores.dois pêndulos, um
dos conceitos estudados no capítulo.
2. Explique como alguns equipamentos, tais como o balão de ar quente, a asa-delta e os planadores, atingem
de sua região são realizados aos recebidos na b) Refaça o desenho representando corretamente abaixo do nariz parece desproporcional em re-
grandes alturas mesmo sem possuir motor.

º
os raios e a posição da imagem do peixe. lação à parte da cabeça que está fora da água.

ue a pessoa ouve as últimas ondas


é alterada, a temperatura não aumenta. Quan- sonoras,
Amplitude que exames
em que g é a aceleração da gravidade e é o comprimento do fio. de 1 kg e 2 metros de compri- bigorna orelha interna
3. Cite dois exemplos de aplicação da tecnologia de irradiação, explicando-os brevemente.

umdeobjeto, ultrassom.
1 535uma Se a re- real e reduzi-
imagem
são convertidos do capítulo.
ferro
baixa frequência 2 800 Telecóspios. Disponível em: Não escreva no livro. 219

aredes doligeiramente
ambiente. Aumas esse fenômeno
em relaçãochama- nãoAnalisando
obtida poraesse expressão, podemoslente chegar àsSons seguintes conclusões: mento e outro de 2 kg e 1 me- 29

e mover às ou- gião da, disponibiliza meio ti-de uma lente (ondas <http://www.telescopiosastronomicos.
Relacione
po deconvergente.
exame, em procure seuO caderno
saber on- denão tro de comprimento. Se postosmartelo
com.br/refratores.html>. em impulsos
SP_FIS2_PNLD18_LA_U4_C12_212A221 219 5/16/16 10:40 AM

líquido. • O período de oscilação


sistema depende da massa
projeção convergente do pêndulo.
longitudinais tela a oscilar na2016.
superfície da Lua, elétricos.
SP_FIS2_PNLD18_LA_U1_C02_026A032.indd 29 5/14/16 5:56 PM

Seções especiais
emde queeleestado
pode ser físico
feito.cada uma Acesso em: 5 mar.
cria, a partir de um se propagando Coletados pelo
nsição de fase de uma substância, pois o calor delas se • Quanto
encontra àmaior
temperatu- é o objeto
comprimento pequeno, do pêndulo,nomaior é o período da oscilação.
ar) atingem qual deles apresentará maior
pavilhão Por quê? nervo auditivo,
do em energia cinética (agitação das moléculas) 2. Entrevisteuma um
imagem médicoreal do posto
e ampliada, proje- 1. amplitude?
Debata com seus colegas a res-
ra ambiente decomo 25 °C. as orelhas os impulsos
ção espacial das moléculas). e pergunte• Em
tando-a emTempolugares é onde
feita a a
ul-
um anteparo. O esquema aceleração da gravidade é alta,
humanas. o período é pequeno. peito
auditivo
da seguinte questão: atu- são levados
trassonografia. almente são gastas enormes ao cérebro,
Gráfico representando um som ao baixo lado (grave) exemplifica um desses siste-
3. Compare mas esse
de projeçãotipo de exame somas de dinheiro na constru- 135 onde são
no livro.– o retroprojetor. interpretados.Física tem história
Laboratório
Não escreva A soprano estadunidense de
ção de telescópios (refletores
Capítulo 13 – Lentes esféricas

Não escreva transparência


Os dois sons apresentam mesma Laboratóriocom outro
amplitude Amas exame
luz comumnoem
proveniente
diferentes
livro.
da lâmpada é ascendência grega Maria Callas
frequências. em terra ou mesmo espaciais)
Capítulo 10 – Acústica

práticas médicas como raio X, (1923-1977), uma das maiores lente de


Para incluir esta página
no sumário, clicar + shift +

refletida focalpor o um lenteespelho côncavo cantoras líricas da história. Foto de


Comparando as duas representações, podemos classificar primeiro se- som co- Experimentos que
cada vez maiores. Em que me- Discute o contexto em que algumas das
command na caixa com texto
Determinação da distância
ressonância, etc.delistando
uma Fresnel
transparente abaixo

(primário) e condensada por uma 1956. lâmpada


mo agudo e o segundo como grave. Objetivo
melhanças, diferenças e cuida-
3. Para tanto, o aluno 1 deve deslocar a lâmpada e o an- dida você considera que tais cóclea
ideias científicas foram construídas e
teparo até que se forme uma imagem nítida, e então

contribuem para estribo


Realizar uma montagem experimental para determinar

o controlada é desejável, Uma nota musical


principalmente é caracterizada
em salas de principalmentelente (lente
dos devido pordesua
à periculosidade
SP_FIS2_PNLD18_LA_U3_C08_134A143.indd Fresnel)
a distância focal de uma lente e discutir a validade das
doCiência,
altura, que
135 ou se tecnologia
seja,locali- e sociedade
medir as distâncias p (objeto-lente) e p’ (anteparo-
gastos são justificáveis? 5/16/16 2:49 PM
aproximações utilizadas, utilizando materiais de custo -lente). Repetir esse procedimento ao menos três ve-
5/14/16 6:36 PM
zes e anotar os dados. espelho primário
za abaixo daestá bandeja deque vidro onde
acessível.
es. Fora de controle,
porporém, esse fenômenoQuando pode gerarse diz que um exame.
sua frequência. instrumento emitindo notas propõe pelaquestões que estimulam a discussão.
4. O aluno 2 deve movimentar apenas a lente, com as

diferentes, entende-se que ele está produzindo


Material
se ondas
colocasonoras a transparência
• lentes de vidro ou acrílico. Na falta de uma lente
por
enviar gelo
de frequências
cientistas
(película
querem
posições da lâmpada e do anteparo fixas. Há duas
para a antártica?
posições da lente para as quais uma imagem nítida
Esquema do funcionamento
Recebidos pelo pavilhão
de um
entender auditivo, o conteúdo A membrana timpânica, ao ser sensibilizada
De Agostini/Getty Images

pressão causada pelas ondas sonoras, aciona os


se formará no cartão. Ao identificar cada uma, o alu-
os sons são conduzidos pelo canal
apropriada para experimentos ópticos, pode-se Com o intuito
no deve anotar a posição da lente e depois medir as de preservar, para pesquisas futuras, amostras de glaciares de mon-

estudado no capítulo.
usar uma lente de óculos

diferentes. Veremos esse assunto com mais em que há noalgum tópicoconteúdo impres- retroprojetor.
distâncias a e e, conforme o esquema tanha abaixo.ameaçados pelo aquecimento global, cientistas estão planejando enviar um
• cartolina
detalhes
• suportes para fixação da lente e do anteparo “Sons musi-
posição 1
anteparo
posição 2 imagem 1 e 2
auditivo para a orelha
navio repleto de gelo para a Antártica.
média.
O objetivo é manter ali, um dos locais mais frios da Terra, um novo depósito de
ossículos (martelo, bigorna e estribo), que amplificam Física tem história
so). ApósNão atravessar
escreva no alivro.
• lâmpada de baixa potência, com suporte para fixação objeto
transparência, exemplares dessas geleiras.[… ]
Para usar a equação os sons mais tênues, levando-os à orelha interna.
cais” deste capítulo. • cartão com seta recortada para cobrir a medir
O novo
de Bessel,
as
depósito será construído em uma caverna de gelo na estação de pesquisa
devem-se
distâncias
Concordia, uma base na Antártica operada em conjunto por cientistas italianos e As contribuições de Pitágoras para a Física do som
a luz passa por uma lente convergente, reflete-se em um espelho plano (secun-
lâmpada e simular o objeto luminoso
• fita métrica ou régua
a e e ao lado. As
franceses.
posições

para
1 e 2 da
Armazenadas
lente são aquelas
as quais a
dentro de um fosso congelado, as amostras poderão simplesmente “Um certo Pitágoras, numa de suas viagens, passou por
acaso numa oficina onde se batia numa bigorna com cinco
• Ao dividir uma corda ao meio, percebeu-se que se produz
um som harmônico similar àquele produzido pela corda
dário) e projeta em uma tela a imagem ampliada do objeto inicial.
e ficar guardadas em bolsas seladas a cerca de 10 metros abaixo da superfície, onde as
imagem foi martelos. Espantado pela agradável harmonia que eles inteira. Propôs-se, então, que uma oitava (diferença en-
Procedimento temperaturas
projetada com médias são da ordem de 50 ºC negativos.[…]

164
produziam, o nosso filósofo aproximou-se e, pensando 1.
tre duas notas iguais) esteja associada à fração __
165
a nitidez.
O gelo glacial se forma na terra e é composto por camadas de neve sobrepostas 2
Não escreva no livro.
1. Com a cartolina, confeccio-
Não escreva no• Aslivro.
inicialmente que a qualidade do som e da harmonia estava
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

Ciência, tecnologia e
ao longo de milhares de anos. “Entre os cristais de neve, há bolhas de ar que fica-
ne um cilindro que envolva Depois do experimento nas diferentes mãos, trocou os martelos. Assim feito, cada combinações de sons entre frações simples de uma
ram presas. Essas bolhas contêm amostras atmosféricas de quando o gelo se for-
a lâmpada e permita fixar o Interpretação dos resultados mou”, afirma o oceanógrafo polar Mark Brandon, da Open University, no martelo conservava o som que lhe era próprio. Após ter oitava soam sempre agradáveis. Por exemplo, ao se en-
cartão com corte em forma 1. O aluno 1 deve calcular a distância Reino focal da lentePor isso, as amostras permitirão aos cientistas viajar de volta no retirado um que era dissonante, pesou os outros e, coisa 2 de seu comprimento, o som
curtar uma corda para __
Unido.
242 5/16/16 9:18 AM
de seta, simulando o obje- admirável, pela graça de Deus, o primeiro pesava doze, o 3
usando a equação de Gauss, dada portempo. 1__ 5 1 __ As 1 ,
___
bolhas vão mostrar como era o clima em diferentes períodos da
p1
Não escreva no livro. produzido formará um intervalo de uma quinta em re-

sociedade
to luminoso. Use uma folha f
história p’
da Terra. segundo nove, o terceiro oito e o quarto seis de não sei
em que p e p’ são, respectivamente, as posições qual unidade de peso.” lação ao som original; ao se encurtar para __ 3 , o som
de cartolina como anteparo “Sabemosdo que, hoje, a taxa de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera é mais 4
para projeção. Posicione a objeto (lâmpada) e da imagem. Discutaalta comdoseus
que co-
nos últimos 3 milhões de anos”, explica Brandon. “O gelo contém Essa história, muitas vezes tratada como lenda, está in- produzido se encurtará em um intervalo de uma quar-
fonte de luz (com o cartão legas como focalizar a imagem da lâmpada no ante-
um registro absolutamente único de nosso clima.” A coleta do gelo de glaciares serida no Micrologus, um tratado sobre música de Guido ta do som original – e assim por diante.
Ilustração de como deve Para explorar
com seta acoplado), a lente ficar o cartão com a seta paro de cartolina. permitirá que cientistas criem um modelo computacional para demonstrar como D’Arezzo (990-1050 – data imprecisa). O fato é que é in-
• A soma dos intervalos de uma quarta e de uma quinta
A seguir são dadas sugestões de leitura para ampliar seu conhecimento sobre temas desta unidade.
e o anteparo de modo que recortada. 2. Em seguida, o aluno 2 deve obtero clima a distância
mudou no passado e ter uma noção melhor das alterações que ocorrerão no discutível a importância de Pitágoras no estudo sistemáti-

Apresenta um texto com detalhes,


3 5 ___
2 ? __
é resultado da relação aritmética: __ 6 5 __ 1 , em
SP_FIS2_PNLD18_LA_U3_C10_162A169.indd 165 fiquem alinhados. focal por meio da equação de Bessel, dada] por
futuro.[… SP_FIS2_PNLD18_LA_U3_C10_162A169.indd 164 5/17/16 2:35 PM co da música ocidental utilizando a Matemática, desde a
Antiguidade. Foi ele quem estabeleceu a primeira teoria
3 4 Leia5/17/16 3:40 PM
12 2
f5 1  e2 , em que a representa a distância
___ a__________
( ) O gelo polar têm centenas de milhares de anos de idade, enquanto o gelo de 2 3
2
2. O aluno 1 realizará medidas para calcular a distância a en- que __ 5 fração associada à quinta; __ 5 fração associa-
Jorge Zahar/Arquivo da editora

4 montanha mais antigo foi encontrado há 18 mil anos, porque os glaciares matemática para a música. Devido a essas e outras inicia- 3 4 A ciência no cotidiano: como aproveitar a ciência nas atividades do dia a dia, de Len Fisher.
focal da lente usando o método de Gauss; o aluno 2 tre o objeto e a imagem e e representa a distância se encontram mais próximos de áreas mais habitadas, sendo uma
de montanhas tivas, os pitagóricos são considerados por muitos estudio- 1
__ São Paulo: JZE, 2004.
da à quarta; 5 fração associada a uma oitava.

pontos de contato entre a Física e


realizará medidas visando calcular a distância focal entre as duas posições da lente para as fontequais foramde informação para rastrear a origem de poluentes desde a Revo-
valiosa sos da Ciência (como Bernall) como os criadores da 2 Obra que mostra de maneira muito bem-humorada como alguns conceitos físicos podem ser

SP_FIS2_PNLD18_LA_U4_C13_238A247.indd 242
pela equação de Bessel, explicada adiante. obtidas imagens nítidas. lução Industrial. 5/16/16 6:01 PM Física-Matemática.
aplicados ao cotidiano,
• O tom pitagórico – frequência tida como referência por melhorando a vida das pessoas. Destaque especial para o fato de o autor
brincar com a própria figura do cientista.
Comparar o gelo das montanhas com o dos polos permitirá aos cientistas deter- Pitágoras – era obtido encurtando-se a corda em uma
quESTõES 8 de seu comprimento inicial. Das luzes ao sonho do doutor Frankenstein (séc. XVIII), de Marco Braga et al.
James Steidl/Shutterstock.com/ID/BR

minar quais mudanças climáticas foram geradas por influência humana e quais são fração de __ Rio de Janeiro: JZE, 2005. v. 3 (Coleção Breve História da Ciência Moderna).
9

outras disciplinas e outras áreas


Nos últimos anos a
1. Quais as principais dificuldades nas tomadas de medidas nos dois métodos? alterações naturais. frequência de notícias do Pitágoras propôs a primeira escala musical dodaocidente
Parte série Breve História da Ciência Moderna, que apresenta os caminhos do
2. Dos dois métodos, qual apresenta menor erro nas tomadas dessas medidas? Explique. No entanto, isso só ocorrerá se os dados coletados forem confiáveis.[… ] desprendimento de desenvolvimento do pensamento científico em diferentes contextos históricos, este volume
– a escala pitagórica, baseada nas relações entre quintas e
grossas camadas de gelo aborda, entre outros temas, a Revolução Industrial e o surgimento da máquina a vapor,
3. Os valores calculados pelos dois métodos são iguais? Qual a diferença percentual entre uma medida eOoutra? maior problema é, no entanto, o dinheiro necessário para a empreitada. Normal-
na Antártica vem quartas. Essa escala é chamada de ciclo de quintas
enfatizandoe oestá
diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Inclui sugestões de leitura e
mente, as agências de pesquisa financiam projetos porque buscam retorno científico a aumentando muito. na base da chamada escala diatônica de sete notas. de No
4. Qual dos dois métodos é considerado mais confiável? Faça uma pesquisa e descubra. Discuta com seus indicações manifestações artísticas (pinturas, filmes e livros) ilustrativas do período e das
curto prazo. Mas investir em missões caras para coletar o gelo pode não gerar resultados

de conhecimento e questões
Antártica. Foto de 2016. questões
quadro a seguir, essa escala é relacionada aos nomes estudadas.
das
colegas o resultado de sua pesquisa e o que torna um método mais confiável que o outro.
por décadas, o que torna a proposta menos atraente. notas conforme são conhecidas hoje.
5. Uma aproximação utilizada na abordagem desse experimento é considerar a lente delgada, desprezando BBC Brasil, 31 maio 2015. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150526_
sua espessura. Pesquise sobre a abordagem utilizada quando a lente é espessa.
Atual/Arquivo da editora

antartica_gelo_rb>. Acesso em: 7 maio 2016. A Revolução Industrial, de Letícia Bicalho Canêdo. 23. ed. São Paulo: Atual, 2009
Fatores multiplicativos de frequência
(Coleção Discutindo a História).
6. Pesquise sobre outros métodos experimentais de determinação da distância focal de uma lente. Elabore

que estimulam a reflexão e o


um cartaz com o resumo dessa pesquisa e divulgue-o para sua sala. Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si
A história daDóRevolução Industrial trata também dos primórdios da termodinâmica aplicada.
As máquinas térmicas revolucionaram a estrutura socioeconômica do planeta, acelerando e
para disCutir 9
___ 81
____ 4
___ 3
__ 27
____ 243
______
barateando a2produção de bens de consumo e de meios de transporte. Será que isso representou
1
8 64 3 2 16 128 uma melhora na qualidade de vida das pessoas? Quais foram as fases dessa revolução
mesmo
1. Explique o que
247 está acontecendo com os glaciares, nas montanhas ao redor do mundo. e como elas se relacionam com as diferentes fontes de energia? A obra trabalha essas e outras
2. De que forma o aquecimento global atua no derretimento dos glaciares? Mas, diante da riqueza de sons possíveis, aquestões ligadas ao tema.
escala pitagó-

posicionamento sobre assuntos


Foto de uma lira,
3. O texto afirma que o motivo do degelo é o aquecimento global. Reflita se isso está relacionado com instrumento de rica foi reformulada seguidas vezes, culminando com a cria-
cordas conhecido Navegue
equilíbrio térmico. desde a Antiguidade. ção da escala temperada. À época de sua criação, já haviam
SP_FIS2_PNLD18_LA_U4_C13_238A247 247 5/16/16 11:25 AM
4. Faça uma pesquisa sobre o que está acontecendo com a calota polar do hemisfério Sul, ou Antártica. sido propostas 12 divisões da oitava. Por isso,O acaos e a ordem, de Adilson de Oliveira, Revista Ciência Hoje. Coluna Física sem mistério, 2006.
ideia foi di-
Os adeptos da escola pitagórica estudaram as relações vidir uma oitava em 12 meios tons. Para tanto,O que é a entropia? Como esse conceito aparece na nossa vida cotidiana e no Universo? A
era necessá-
5. Opine sobre a dificuldade dos pesquisadores em obter financiamento para pesquisas científicas dessa

relacionados ao tema do capítulo.


entre os comprimentos de cordas de uma lira e a frequên- degradação da energia é um processo importante dentro dos estudos da Física e o artigo
natureza, que não geram um retorno financeiro de curto prazo aos seus investidores. rio propor um intervalo que, somado 12 vezes, resultasse
aprofunda a reflexão sobre o tema, trabalhando mais um pouco sobre a segunda lei da
cia de vibração de suas cordas. Perceberam, então, que a na oitava, com um número que, multiplicadotermodinâmica.
12 vezes porDisponível em: <http://linkte.me/o876t>. Acesso em: 8 abr. 2016.
frequência de vibração é inversamente proporcional ao 1 (mantendo-se assim a
comprimento das cordas, além de outras propriedades, ele mesmo, resultasse na fração __
54 2 1
__
Não escreva no livro. como as relacionadas a seguir. proposição inicial de Pitágoras). Esse número é dXX 2 ou 22.
Fonte de pesquisa: rodrigues, J. F. A Matemática e a música. Disponível em: <http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2000/icm34/index1.htm>. Acesso em: 21 abr. 2016.

SP_FIS2_PNLD18_LA_U1_C04_050A055.indd 54 5/16/16 2:05 PM Compreender e relacionar


1. Com base apenas na leitura do texto e no que você aprendeu até aqui, como você definiria o que foi
chamado de Física Matemática?

182

Projeto 2 Não escreva no livro.

Física, Medicina e saúde


SP_FIS2_PNLD18_LA_U3_C10_178A185 182 5/16/16 9:18 AM

Grupo 4
Ressonância magnética. Pesquisar o que é; como é produzida; quais são os seus principais usos na
O que você vai fazer

Para explorar
Medicina; os principais cuidados para quem vai ser submetido a esse exame; as precauções para quem lida
Você e sua classe vão organizar um painel para apresentar os benefícios que os conhecimentos de diariamente com aparelhos de ressonância magnética. Um profissional da saúde pode ser entrevistado ou
Física Médica podem trazer à vida das pessoas. Para o evento, podem ser convidadas pessoas do convidado a participar da apresentação.
entorno da escola.
A Física Médica trabalha com modelos, métodos e procedimentos técnicos específicos da Física
que podem ajudar na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças, bem como no Grupo 5
desenvolvimento de instrumentos médicos. Algumas de suas contribuições são amplamente
difundidas, como as que estão apresentadas no tema de cada grupo.
Radioterapia. Pesquisar o que é; quais são as principais radiações envolvidas; quais são os principais usos
na Medicina; seus efeitos colaterais; os principais cuidados para quem vai se submeter a esse tratamento;
as precauções para quem lida com o aparelho (pode-se consultar a legislação sobre o tema). Um médico
oncologista, um radiologista ou um físico nuclear podem ser entrevistados ou convidados a participar da
Indicações de livros, sites ou Não escreva no livro. 121

Objetivo

filmes para você continuar


apresentação.
• Ampliar os conhecimentos da interface entre Física e Medicina.
SP_FIS2_PNLD18_LA_U2_C07_116A123.indd 121 5/17/16 2:12 PM

Procedimento Dicas de sites

explorando o assunto.
Associação Brasileira de Física Médica. Disponível em:<http://linkte.me/dikbm>.
1. Formação dos grupos temáticos Acesso em: 29 abr. 2016.
De acordo com a orientação do professor, a turma vai ser dividida em 5 grupos. Cada grupo vai Instituto de Radioproteção e Dosimetria. Disponível em: <http://linkte.me/y8rd6>.
pesquisar um tema, ajudar na organização do painel e preparar sua apresentação sobre o assunto. Acesso em: 29 abr. 2016.

Conhecimentos de Física a serem utilizados pelos grupos Cada grupo deve escolher um coordenador, que ficará responsável pela elaboração do cronograma
O grupo 1 vai aplicar o que foi estudado em óptica geométrica: lentes, formação de imagens, das atividades de cada grupo. O cronograma deve prever o tempo de duração de cada etapa. Com ele,
distância focal, ponto remoto, ponto próximo (PP), refração, etc. o coordenador gerencia e controla o andamento das tarefas, além de também participar delas. É
Os grupos 2, 3, 4 e 5 vão aplicar o que foi estudado em ondas: frequência, comprimento, energia, igualmente importante ter um redator, que, além de ser responsável pela documentação das atividades,
deve participar das demais atividades do grupo.

Projeto
intensidade, ressonância, etc.

Grupo 1
Luz visível e olho humano. Pesquisar os principais defeitos e doenças da visão; apresentar os possíveis
2. Organização do painel de apresentação
• Marcar a data do evento.
• Escolher o local e organizá-lo para as
• Escolher, com o professor, uma comissão para
avaliar as apresentações. Para compor essa
No final do livro, você terá acesso ao
Glossário, que apresenta a explicação de
apresentações. comissão podem-se convidar profissionais da

Dois projetos propõem a


tratamentos e instrumentos ópticos que podem corrigir esses problemas; se é possível preveni-los e como,
• Divulgar o evento. área da saúde, professores de Biologia, líderes
etc. Um médico oftalmologista ou um físico especializado em óptica podem ser entrevistados ou convidados a
comunitários e pais ou responsáveis).
participar da apresentação. • Elaborar e distribuir os convites.
• Registrar o evento por meio de fotografias,

termos de Física e o Apêndice que traz


Providenciar infraestrutura (cadeiras,
filmagens, publicações com os documentos

realização de atividades
aparelhagem de som, recursos audiovisuais, etc.).
Grupo 2 produzidos, etc.
• Determinar a duração do evento e o tempo de
Ultrassom. Pesquisar o que é; como funcionam os aparelhos de ultrassonografia; seus principais usos apresentação de cada grupo.
na Medicina; que cuidados se deve ter com o descarte e o manuseio de peças dessas máquinas (pode-se
consultar a legislação sobre o tema, ver dicas de sites); principais cuidados para quem vai ser submetido ao
exame e para os profissionais de saúde que lidam com o aparelho. Um profissional da saúde, um físico ou
um médico podem ser entrevistados ou convidados a participar da apresentação.
Apresentação
Para a apresentação, procure contemplar, sempre que possível, alguns dos itens destacados a seguir.
• Faça uma breve introdução de como foi pensado o projeto. que envolvem a algumas informações adicionais, como
Grupo 3
Raios X. Pesquisar o que são; sua presença na natureza; seus diversos usos na Medicina; os principais
cuidados para quem vai ser submetido a um exame de raios X; os principais cuidados que os técnicos devem
• Apresente algumas justificativas quanto à importância de cada tema pesquisado para a vida das
pessoas.
• Utilize, na apresentação oral, imagens, cartazes explicativos, vídeos, entre outros recursos. comunidade escolar em a tabela com as unidades de medida do
Avaliação da atividade
ter ao lidar com máquinas de raios X (pode-se consultar a legislação sobre o tema), etc. Um radiologista ou um
físico especializado em radiação podem ser entrevistados ou convidados para participar da apresentação. 1. Avalie: a organização do trabalho, a divisão de tarefas, as estratégias adotadas; se o público
compreendeu as informações transmitidas.
busca de um bem coletivo. Sistema Internacional de Unidades (SI).
266 267

SP_FIS2_PNLD18_LA_U4_C14_263A267.indd 266 5/17/16 2:53 PM SP_FIS2_PNLD18_LA_U4_C14_263A267 267 5/16/16 11:44 AM

SP_FIS2_LA_PNLD18_LA_INICIAIS_003A005.indd 5 5/17/16 6:05 PM


Sumário
 Unidade 1  Calorimetria 8 Integre o aprendizado ................................... 52
Física tem história:
Capítulo 1 Temperatura e calor ........................................ 10 Em busca da era glacial ................................... 53
Conceitos básicos .......................................................... 11 Ciência, tecnologia e sociedade:
Medidas de temperatura ........................................ 13 Por que cientistas querem
Integre o aprendizado ................................... 17 enviar gelo para a Antártica? ...................... 54
Física tem história: Laboratório:
As primeiras medições de calor .............. 18 Medida das curvas de fusão e
Ciência, tecnologia e sociedade: de solidificação do gelo ................................... 55
Aplicações para o Capítulo 5 Dilatação.............................................................................56
termômetro digital ................................................ 19 Dilatação e contração térmica ......................... 57
Dilatação dos sólidos ................................................. 58
Capítulo 2 Processos de Dilatação dos líquidos .............................................. 62
transferência de calor ................................. 20 Dilatação dos gases ..................................................... 64
Tipos de processos de Integre o aprendizado ................................... 66
transferência de calor ................................................ 21 Física tem história:
Transferência de calor Latas para Napoleão ........................................... 67
por condução ...................................................................... 22 Ciência, tecnologia e sociedade:
Transferência de calor Dilatação nas grandes obras ...................... 68
por convecção .................................................................... 25 Laboratório:
Transferência de calor Experimentos de dilatação .......................... 69
por irradiação ..................................................................... 27 Vestibular e Enem ............................................................................................ 70
Integre o aprendizado ................................... 29
Para explorar ......................................................................................................... 71
Física tem história:
A relação entre a temperatura  Unidade 2  Termodinâmica 72
do Universo e a formação da
Capítulo 6 Estudo dos gases................................................... 74
matéria .............................................................................. 30
O que é um gás .................................................................. 75
Ciência, tecnologia e sociedade:
Por que respeito os céticos do Transformações termodinâmicas .................. 76
aquecimento global ............................................. 31 Equação de estado dos gases ideais ......... 81
Laboratório: Integre o aprendizado ................................... 85
Física tem história:
Termômetro de bulbo ......................................... 32 A descoberta que mudou
Capítulo 3 O calor e a variação a humanidade ............................................................. 87
de temperatura.......................................................... 33 Ciência, tecnologia e sociedade:
Pressão atmosférica —
Variação de temperatura ....................................... 34
o peso do ar .................................................................. 88
Capacidade térmica ..................................................... 34
Laboratório:
Calor específico ................................................................ 35
Constante universal dos gases (R) ....... 89
O calor específico da água ................................... 37
Capítulo 7 Leis da termodinâmica................... 90
Equilíbrio térmico e a A termodinâmica e a
variação de temperatura ........................................ 39 Revolução Industrial .................................................. 91
Integre o aprendizado ................................... 41 A primeira lei da termodinâmica .................. 94
Ciência, tecnologia e sociedade: A segunda lei da termodinâmica ............... 104
O calor específico e seu uso na Ciclo de Carnot .............................................................. 107
conservação de alimentos ................................ 42 Entropia ................................................................................ 109
Laboratório: Máquinas térmicas .................................................... 111
Construção de um calorímetro ................. 43 Integre o aprendizado ............................... 115
Capítulo 4 O calor e a mudança
Física tem história:
de estado........................................................................... 44 A chegada da luz ................................................. 117
Os estados físicos da matéria ........................... 45 Laboratório:
Entropia ........................................................................ 118
Calor latente ........................................................................ 46
Vestibular e Enem ........................................................................................ 119
Equilíbrio térmico e
mudanças de estado ................................................... 48 Para explorar ..................................................................................................... 121
Curvas de aquecimento e de Projeto 1: Calor, meio ambiente
resfriamento ........................................................................ 50 e qualidade de vida ...................................................................................... 122

SP_FIS2_LA_PNLD18_LA_INICIAIS_006A007.indd 6 5/23/16 9:55 PM


 Unidade 3  Oscilações, Capítulo 12 Refração da luz....................................................... 212
ondas e acústica 124 O que é refração da luz ........................................ 213
Capítulo 8 Oscilações...................................................................... 126 Leis da refração da luz .......................................... 214
Movimento oscilatório Reflexão total .................................................................. 220
e vibratório ....................................................................... 127 Dispersão da luz .......................................................... 223
Movimento harmônico Integre o aprendizado ............................... 226
simples (MHS) ................................................................ 129 Física tem história:
Pêndulo simples .......................................................... 135 A grande evolução da óptica – os
Análise energética de séculos XVII e XVIII ......................................... 227
um sistema massa-mola ...................................... 137 Ciência, tecnologia e sociedade:
Movimento oscilatório amortecido ......... 139 Aplicações da fibra óptica ........................ 228
Integre o aprendizado ............................... 141 Laboratório:
Física tem história: Observando a refração.................................... 229
A Terra gira! .............................................................. 142 Capítulo 13 Lentes esféricas................................................... 230
Laboratório: Lentes ...................................................................................... 231
Determinação de g por meio do Distância focal de uma lente .......................... 234
período de um pêndulo simples ......... 143 Formação de imagens com
Capítulo 9 Ondas................................................................................... 144 lentes esféricas ............................................................. 236
Pulso e onda .................................................................... 145 Equações das lentes ................................................ 239
Características das ondas ................................. 146 Alguns instrumentos ópticos ......................... 241
Representação de ondas Integre o aprendizado ............................... 244
bidimensionais ............................................................. 148 Física tem história:
Fenômenos ondulatórios ................................... 151 As descobertas astronômicas
de Galileu .................................................................... 245
Integre o aprendizado ............................... 157
Ciência, tecnologia e sociedade:
Física tem história:
O senhor microscópio .................................... 246
O rádio no mundo .............................................. 159
Ciência, tecnologia e sociedade: Laboratório:
Terremoto atinge estados do Determinação da distância
Sudeste e Sul do Brasil ................................. 160 focal de uma lente ............................................. 247
Laboratório: Capítulo 14 O olho humano..................................................... 248
Fazendo onda .......................................................... 161 O olho humano como
Capítulo 10 Acústica............................................................................. 162 instrumento óptico ................................................... 249
Ondas sonoras ............................................................... 163 Defeitos da visão ........................................................ 254
Qualidades fisiológicas do som .................. 165 A percepção das cores .......................................... 258
Efeito Doppler-Fizeau ............................................ 171 O olho humano e a máquina
Sons musicais ................................................................. 174 fotográfica .......................................................................... 259
Integre o aprendizado ............................... 180 Integre o aprendizado ............................... 261
Física tem história: Ciência, tecnologia e sociedade:
As contribuições de Pitágoras Um fotógrafo cego ............................................. 262
para a Física do som ....................................... 182 Vestibular e Enem ........................................................................................ 263
Ciência, tecnologia e sociedade: Para explorar ..................................................................................................... 265
Perigo nos decibéis .......................................... 183 Projeto 2: Física, Medicina e saúde .......................................... 266
Vestibular e Enem ........................................................................................ 184
Apêndice .................................................................................................................. 268
Para explorar ..................................................................................................... 185
Glossário ................................................................................................................. 270
 Unidade 4  Óptica 186 Respostas dos exercícios .................................................................... 274
Capítulo 11 Reflexão da luz....................................................... 188 Siglas dos exames e das universidades ............................ 286
Modelos para a luz .................................................... 189 Referências bibliográficas ................................................................. 286
Reflexão da luz: tipos e leis ............................ 191
Espelhos ............................................................................... 192
As cores ................................................................................. 206
Jon Hicks/Corbis/Fotoarena

Integre o aprendizado ............................... 208


Física tem história:
A magia dos espelhos .................................... 210
Laboratório:
Lei da reflexão ....................................................... 211

SP_FIS2_LA_PNLD18_LA_INICIAIS_006A007.indd 7 5/17/16 6:02 PM


unidade

1 Calorimetria

Primeiras ideias
Nesta unidade
Energia. Essa palavra vem do termo grego
enérgeia, que significa “ação” ou “estar em
1 Temperatura e
calor
atividade”. De fato, nenhuma ação ocorre sem
que haja transformação de energia. Seja para
2 Processos de um espermatozoide mover-se em direção ao
transferência de óvulo, seja para impulsionar uma espaçonave
calor para fora da Terra, alguma forma de energia
sempre está envolvida.
3 O calor e a
variação de Grande parte dessa energia provém
temperatura diretamente das reações nucleares que ocorrem
no Sol e geram ondas que atravessam o espaço,
4 O calor e a chegando à Terra. Estima-se que a energia
mudança de produzida pelo Sol e que atinge a Terra por
estado
segundo equivale à energia produzida por
5 Dilatação 10 bilhões de usinas de Itaipu (a potência de
Itaipu é 14 000 MW e é responsável por atender
a 17% da demanda de energia elétrica do Brasil).
A imagem do Sol que abre esta unidade faz
pensar em calor, tema de nosso estudo nos
próximos capítulos.
Vamos estudar o que é calor e o que é
temperatura. Veremos também como ocorre
a troca de calor entre os corpos, por qual
motivo nós suamos e como os alimentos são
cozidos em uma panela, por exemplo.
Imagem da página ao lado:
Imagem do Sol, feita pelo satélite SOHO
(do inglês Observatório Solar e da
Heliosfera), em 2013.

SP_FIS2_PNLD18_LA_U1_C01_008A013.indd 8 5/20/16 11:09 AM


NASA/SDO

SP_FIS2_PNLD18_LA_U1_C01_008A013.indd 9 5/31/16 11:08 AM


capítulo

1 Temperatura e calor

Garfield, Jim Davis © 2002 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. Universal Uclick
o que você
vai estudar

Conceitos
básicos.
Medidas
de temperatura.

Garfield, de Jim Davis.


O humor da tira enfatiza dois extremos térmicos.

Debate inicial
• A temperatura ambiente a que se refere a tirinha acima é alta ou baixa? E a tempe-
ratura do corpo de Garfield?

• Em sua opinião, a temperatura do café está alta ou baixa?

• Fundamente-se nas respostas anteriores e explique por que Garfield sente que o
café está frio.

• Supondo que a história se passasse em um dia muito frio, isso influenciaria a tem-
peratura de Garfield? Como?

• Cite uma maneira de determinar mais precisamente qual temperatura está mais
alta: se a do café, se a do ambiente ou se a do corpo de Garfield.

Considere as respostas obtidas no debate e responda no caderno.


1. Procure semelhanças e diferenças entre os seguintes conceitos: temperatura alta,
temperatura baixa, quente e frio. Quais desses conceitos dependem exclusivamente
das características do objeto considerado? Quais desses conceitos dependem dos
sentidos e dos contextos?
2. Considere a temperatura média do corpo dos gatos, a temperatura do café que a
maioria dos brasileiros aprecia e a temperatura do ambiente na situação da tirinha.
Existem unidades de medidas para temperatura? Quais?

10 Não escreva no livro.

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Conceitos básicos
Alguns termos comuns na linguagem cotidiana têm um significado especí- conceito em questão
fico na linguagem científica. Exemplo disso é a palavra “calor”, frequentemen-
te associada à temperatura elevada dos corpos. No uso informal, quando Energia cinética média
queremos dizer que a temperatura ambiente está elevada, é comum a frase A energia cinética de cada
“Hoje está fazendo muito calor!”. átomo ou molécula é dada por
A calorimetria é a área da Física que estuda o calor, sua medida e seus pro- metade do produto de sua mas-
cessos de transferência. Para iniciar esse estudo, vejamos o significado cientí- sa m pelo quadrado da veloci-
fico dos termos básicos associados a essas ideias. dade v:
​E​  c​ 5 ​ m ? v 2
________
 ​   
Temperatura 2
Como a quantidade de partí-
Para compreendermos o conceito de temperatura, devemos entender o
culas (átomos, moléculas, íons)
comportamento microscópico dos corpos. Para isso, existe a teoria cinético- que constituem os corpos é
-molecular da matéria, segundo a qual todos os corpos são formados por par- muito grande, e elas se movem
tículas microscópicas (moléculas e átomos principalmente) em permanente com velocidades diferentes,
movimento. Essas partículas têm, portanto, energia cinética. A soma da ener- trabalha-se com um valor mé-
gia cinética de translação média (veja o boxe ao lado) de todas as partículas dio de velocidade e, portanto,
de um corpo é denominada energia térmica. Macroscopicamente, essa ener- de energia cinética.
gia está relacionada diretamente à temperatura. Quanto maior a energia ciné-
tica média das partículas, maior a temperatura do corpo.
conceito em questão
Essa associação entre a temperatura de um corpo e o movimento de suas
partículas constituintes evidencia a seguinte relação: maior temperatura indi- Hipotermia e hipertermia
ca movimento microscópico mais intenso; menor temperatura indica movi-
O organismo transforma a
mento microscópico menos intenso. Em outras palavras, quanto maior for a
energia química dos alimentos
agitação das partículas que compõem um corpo, maior será sua temperatura. em outros tipos de energia. Um
A experiência cotidiana mostra que dois corpos a diferentes temperaturas deles é a energia térmica. O cor-
sofrem alteração de temperatura quando colocados em contato. Essa alteração po humano é capaz de regular a
ocorre até que o sistema formado pelos dois corpos entre em equilíbrio tér- temperatura corpórea, manten-
mico, que é a situação na qual todos os corpos que compõem um sistema es- do-a aproximadamente cons-
tão à mesma temperatura. tante no intervalo de 36 a
36,5 graus Celsius.
Calor Mas, dependendo da situa-
Considere o exemplo: quando se coloca uma lata de refrigerante à tempe- ção, a temperatura do corpo hu-
ratura ambiente em contato com gelo em um recipiente de isopor, a intenção mano pode passar por variações,
é resfriar a bebida. Em consequência, o gelo começa a aquecer e pode derreter. tanto para mais (hipertermia ou
Isso ocorre porque há transferência espontânea de energia entre corpos febre) quanto para menos (hipo-
que se encontram em diferentes temperaturas. O corpo mais quente perde termia).
energia, e o corpo mais frio recebe energia, até que a temperatura de ambos As razões dessa variação são
seja a mesma – ocorre, então, o equilíbrio térmico. Daí podemos definir calor: muitas. A febre, por exemplo,
pode estar associada a uma
A transferência espontânea de energia entre os corpos é provocada pela di- infecção. A febre alta deve ser
ferença de temperatura, e essa energia em trânsito é denominada calor. combatida, para que não cause
danos irreversíveis em enzimas
O sentido natural da transferência de calor é sempre do corpo de maior que atuam diretamente no me-
temperatura para o corpo de menor temperatura, o que ocorre até que os cor- tabolismo. E, mais importante,
deve-se tratar a causa da febre.
pos atinjam o equilíbrio térmico. Considere o exemplo ilustrado a seguir:
O oposto da hipertermia é a
hipotermia, na qual a temperatu-
Setup Bureau/ID/BR

Corpo 1 Corpo 2
lata porção
calor
ra corpórea fica abaixo de 35 °C.
calor
T1 . T2
de gelo
A hipotermia pode ser decorrên-
cia de doenças metabólicas, es-
T1 T2 T T
tresse por exposição a tempera-
turas muito baixas sem a devida
proteção, desnutrição, queima-
Inicialmente a lata Durante o contato, o Quando eles atingem a duras ou ingestão de drogas (in-
está à temperatura ​T1​ ​, corpo mais quente mesma temperatura T, o cluindo-se álcool e sedativos), e
maior que a da porção transfere energia para sistema se encontra em também deve ser tratada.
de gelo, ​T​2​. o corpo mais frio. equilíbrio térmico.

Não escreva no livro. 11

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Energia interna
Além de energia potencial química e de energia cinética de translação, as partículas de um
corpo também apresentam energia cinética de vibração e rotação.
A soma das energias cinética e potencial de todas as partículas de um corpo é chamada de
energia interna, assim definida:

Energia interna é a soma da energia decorrente dos movimentos das partículas de um cor-
po (energia cinética) com a energia de ligação (energia potencial) entre átomos e moléculas.

Essa definição de energia interna decorre da teoria cinético-molecular. Já vimos que, nessa
teoria, a matéria é entendida como composta de minúsculas partículas, as quais, dependendo
do estado físico do corpo, podem interagir entre si ou movimentar-se com maior ou menor liber-
dade. O quadro abaixo ilustra essa análise para três estados da matéria: sólido, líquido e gasoso.

Estado sólido Estado líquido Estado gasoso

Setup Bureau/ID/BR
No estado sólido, as partículas Em líquidos, o grau de liberdade das No estado gasoso, as partículas apresentam
encontram-se próximas e apenas vibram partículas é maior que nos sólidos, pois força de coesão quase nula, pois não
em torno de uma posição média, como se as forças de coesão que as unem são há contato entre elas, a não ser quando
cada uma estivesse ligada às outras por menores. Além do movimento vibracional, colidem entre si; as moléculas e os átomos
uma espécie de mola. Uma certa quantidade as partículas têm movimento de translação, apresentam maior liberdade para se
de matéria de uma mesma substância tem o que possibilita aos líquidos a capacidade moverem. Porções iguais de determinada
menor energia interna no estado sólido do de escoar, de fluir. Considerando-se matéria têm maior energia interna quando
que no estado líquido. massas iguais, um corpo no estado líquido estão no estado gasoso do que nos estados
apresenta mais energia interna que no sólido ou líquido.
estado sólido.

Quanto mais intensa for a agitação das partículas de um corpo, maior será a energia interna
desse corpo e, consequentemente, maior será sua temperatura.

fatos e personagens
Movimento browniano
y (mm)
No início do século XIX, o inglês Robert Brown (1773-1858) observou 60
Fac-símile/ID/BR

que grãos de pólen se moviam caoticamente dentro da água e imaginou que


50
Capítulo 1 – Temperatura e calor

isso acontecia porque o pólen é um organismo vivo. No entanto, o mesmo


movimento ocorria com pó de granito. 40
Esse movimento caótico, que desde então passou a ser conhecido como 30
movimento browniano, ficou sem explicação até que, em 1905, o então jovem
cientista Albert Einstein (1879-1955) concluiu, por meio de cálculos, que a 20

causa desse movimento aleatório eram as colisões entre um número enorme de 10


moléculas de água e os grãos em suspensão no líquido.
0
O trabalho de Einstein permitiu determinar quantidades microscópicas,
estabelecendo um elo entre seu trabalho e o de Avogadro. Por exemplo, em 210
250 240 230 220 210 0 10 20 x (mm)
1  grama de gás hidrogênio, existem 6,0 · 1023 átomos de hidrogênio. Esse Gráfico ilustrando o movimento browniano
número é denominado constante de Avogadro. de uma partícula em suspensão na água.

12 Não escreva no livro.

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Medidas de temperatura
Atribui-se ao italiano Galileu Galilei (1564-1642) a construção, no século
XVI, do primeiro termoscópio (veja o boxe ao lado), instrumento destinado a
comparar temperaturas. O fundamento desse equipamento está na observação
da expansão das substâncias quando aquecidas (tema que será abordado no
capítulo 5) e na consequente variação na altura da coluna do líquido que é co-
locado no termoscópio. No termoscópio de Galileu em geral usava-se água; ele
não possuía escala graduada, portanto, não fornecia valores quantitativos.

As escalas termométricas
Nos anos seguintes, o princípio do termoscópio evoluiu para aparelhos
com escalas graduadas, e outros modelos apareceram, com uso de mercúrio
ou álcool, mais comum atualmente.
conceito em questão
Com o tempo, criaram-se várias escalas de medida de temperaturas – ca-
da uma adotando diferentes valores de comparação – e diversas atualizações Termoscópio
foram feitas no instrumento, tais como fechar a outra extremidade do bulbo, O termoscópio é um instru-
para evitar a evaporação do conteúdo, e substituir o líquido, até encontrar mento constituído de um bulbo
aquele que indicasse com mais precisão as variações de temperatura. de vidro prolongado por um tu-
O líquido que se mostrou mais adequado para preencher o bulbo do ins- bo, também de vidro; a extremi-
trumento conhecido como termômetro foi o mercúrio, substância bastante dade aberta do tubo é
sensível às variações térmicas, pois pequenas elevações ou quedas de tempe- mergulhada em um recipiente
ratura causam aumento ou redução de volume perceptíveis a olho nu, além contendo uma porção de líqui-
do volume do mercúrio variar linearmente com a temperatura. No entando, do, geralmente água.
seu uso é restrito ou proibido devido a suas propriedades tóxicas. Em tempera­tura ambiente, a
pressão atmos­férica atua sobre
As escalas Celsius e Fahrenheit a superfície da água que está
no recipiente e empurra parte
Atualmente, as escalas termométricas Celsius e Fahrenheit são as mais dela para dentro do tubo, for-
utilizadas no dia a dia. mando uma coluna. Quando se
O alemão Daniel Fahrenheit (1686-1736) propôs uma escala em que aquece o bulbo com as mãos, o
adotou como referência temperaturas já utilizadas pelo dinamarquês Olaf ar em seu interior sofre expan-
Roemer (1644-1710): as temperaturas do corpo humano, da ebulição da são, e empurra a coluna de
água e da fusão do gelo. Ao criar sua escala, Roemer queria abranger, so- água para baixo.
mente usando valores positivos, a menor temperatura que pudesse ser me-
Hélio Senatore/ID/BR
dida; além disso, constituiu um sistema sexagesimal, com o valor de 60 graus
para a temperatura de ebulição da água. As modificações introduzidas por
Fahrenheit limitaram-se a alterar o intervalo adotado por Roemer e também a
temperatura mais baixa do termômetro.
Na escala Fahrenheit (°F), o ponto de fusão do gelo ocorre em 32 graus
Fahrenheit (32 °F), e o ponto de ebulição da água, em 212 °F. Essa escala
termométrica foi a primeira largamente empregada por médicos e cientistas.
Fahrenheit também realizou trabalhos mostrando a influência da pressão
atmosférica na temperatura. Sua escala ainda é utilizada em alguns países de
língua inglesa, como os Estados Unidos.
Em 1742, o sueco Anders Celsius (1701-1744) propôs uma escala em que
o ponto zero correspondia à temperatura de ebulição da água, e o ponto 100,
à temperatura de fusão do gelo (ambos à pressão atmosférica de 1 atm ao nível
do mar), dividindo o intervalo em 100 partes iguais. Em 1743, esses números
foram invertidos, e a escala Celsius (°C) passou a ser amplamente adotada.
À época da criação das escalas Fahrenheit e Celsius, a teoria cinético-mo-
lecular ainda não fora desenvolvida. Por isso, elas se baseiam em compara-
ções, como o ponto de fusão do gelo ou a temperatura corpórea humana.
Somente no século XIX, o escocês William Thomson (1824-1907) – mais co-
nhecido como lorde Kelvin – criou uma escala com base nessa teoria, a esca- Ilustração de um tipo de termoscópio.
la kelvin, que será apresentada a seguir.

Não escreva no livro. 13

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A escala kelvin para debater
No início do século XIX, vários cientistas, entre eles Kelvin, realizaram
experimentos com amostras de gases variados, para medir a variação da pres- Não faz muito tempo que
são com a mudança de temperatura. um grupo de cientistas do La-
boratório Nacional Brookha-
Colocando os dados obtidos de ensaios com gases diferentes em um gráfico
ven, nos Estados Unidos, en-
p 3 T (pressão versus temperatura, na escala Celsius), Kelvin verificou que a trou para o [livro dos recordes]
variação da pressão é diretamente proporcional à variação da temperatura. depois de registrar a maior
Prolongando-se as retas obtidas para cada gás, todas são concorrentes no temperatura já alcançada pela
ponto correspondente à pressão zero e à temperatura 2273,15 °C. humanidade, ao bater a marca
p de 4 trilhões de graus Celsius.
Entretanto, de acordo com
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

gás 1 uma notícia publicada pelo


site Nature, agora foi a vez dos
cientistas do CERN – Orga-
gás 2 nização Europeia para a Pes-
quisa Nuclear – conseguirem
produzir a temperatura mais
gás 3
alta já registrada, que chegou a
Gráfico p 3 T de três gases 5,5 trilhões de graus Celsius.
estudados por Kelvin e o Mega curioso. Disponível em: <http://
encontro das três curvas em www.megacurioso.com.br/fisica-e-
2273,15 2200 2100 0 100 200 T (°C) 2273,15 °C. quimica/28447-cientistas-batem-novo-
recorde-de-maior-temperatura-ja-
Segundo essa observação, Kelvin propôs uma escala que associa a tempe- produzida-pelo-homem.htm>. Acesso
em: 22 fev. 2016.
ratura à energia cinética média das partículas constituintes do corpo. Com is-
so, adequou a medição de temperatura à teoria cinético-molecular da matéria. As altas temperaturas são mais “fá-
Na escala kelvin (K), o valor zero foi atribuído ao ponto em que não há agi- ceis” de serem alcançadas do que as
tação das moléculas (ao menos teoricamente), ou seja, situação em que as temperaturas mais baixas. O limite
partículas estão em repouso. Isso ocorre à temperatura de 2273,15 °C, me- inferior para a temperatura é o zero
absoluto, porém, na prática, esta
dida que passou a ser denominada zero kelvin ou zero absoluto (para essa temperatura nunca foi atingida.
escala, aboliu-se o uso do termo “grau”).
A escala kelvin manteve a graduação da escala Celsius, ou seja, a variação 1. Discuta com os colegas quais
são as diferenças para alcançar
de 1 grau na escala Celsius corresponde à variação de uma unidade kelvin. temperaturas muito altas e tem-
Portanto, as temperaturas de 0 °C e 100 °C correspondem, respectivamente, peraturas muito baixas (próxi-
a 273,15 K e a 373,15 K. mas do zero absoluto).
O zero absoluto não é observado na natureza. Temperaturas próximas disso
são observadas no espaço sideral ou produzidas em laboratório.

Conversão entre escalas termométricas


Celsius e kelvin
de ebulição da água

°C K
Para converter os valores de uma escala termométrica para outra, é preciso
temperatura

conhecer os valores de ao menos duas temperaturas, indicados em cada esca- 100 373
la, denominados valores de referência. O esquema ao lado mostra os dois
valores de referência usados para as escalas Celsius e kelvin: as temperaturas
de fusão do gelo e de ebulição da água.
Note que a temperatura medida por dois termômetros – um graduado na TC TK y
Capítulo 1 – Temperatura e calor

escala Celsius, e o outro, na escala kelvin – é a mesma; o que muda é o valor


x
indicado em cada instrumento. Assim, a temperatura em Celsius (TC ) mostra-
temperatura de
fusão do gelo

da no esquema tem um valor diferente da mesma temperatura em kelvin (TK).


0 273
Observe também que a relação entre os intervalos menores e maiores das
escalas Celsius e kelvin é a mesma. Por isso, podemos construir uma relação
para comparar as amplitudes mostradas no esquema:
Esquema que evidencia as relações entre
TC 2 0
x ​  5 _______ TK  273  TC  ​ 5 ​ ________
TK  273
​ __
y ​ 100 2 0  5 ​ __________
 ​  ä ​ ____
 ​  ä
 ​ 
  dois valores de referência das escalas
373  273 100 100 Celsius e kelvin.
Essas são temperaturas obtidas ao nível
ä do mar, com arredondamento de
TC 5 TK  273 ou TK 5 TC 1 273 273,15 K e 373,15 K.

14 Não escreva no livro.

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Celsius e Fahrenheit
Para mostrar a conversão entre as escalas Celsius e Fahrenheit, serão adota- fatos e personagens
dos os mesmos valores de referência usados para as escalas Celsius e kelvin. kelvin: a unidade de
Porém, devemos observar que, na escala Celsius, o intervalo entre as tempe- temperatura do sistema
raturas de fusão do gelo e de ebulição da água é de 100 graus, enquanto na internacional
escala Fahrenheit o mesmo intervalo se estabelece entre 32 °F e 212 °F, ou se- A unidade kelvin foi introduzi-
ja, corresponde a 180 graus. Isso significa que a conversão não ocorre como na da em 1954, na 10a Conferência
comparação entre Celsius e kelvin, em que as variações são de 1 para 1 (1 °C Geral de Pesos e Medidas, e era
para 1 K). Observe o esquema abaixo e acompanhe o desenvolvimento. chamada de “grau kelvin” (°K).
Em 1967, o Sistema Interna-
°C °F cional de Unidades (SI) adotou a
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

unidade kelvin como uma das


100 212 Comparação entre as sete unidades que compõem sua
escalas Celsius e Fahrenheit. base, e o uso da palavra “grau”
Em um termômetro, a altura foi abolido, bem como seu sím-
y
TC TF da coluna do líquido
determina a temperatura; o
bolo (°), já que não se tratava
x
número lido, porém, mais de uma escala termométri-
0 32 depende da escala. ca (como Celsius e Fahrenheit),
mas de uma unidade de medida
Chamando de TC a temperatura lida na escala Celsius e de TF a correspon- ligada diretamente à energia in-
dente temperatura na escala Fahrenheit, podemos estabelecer a seguinte terna de um corpo.
expressão matemática para conversão entre as duas escalas:
TC 2 0 TF 2 32 TC TF 2 32
​ __xy ​ 5 ​ _______  5 ​ _________
 ​    Æ ​ ____
 ​    ​ 5 ​ _______
 ​
  
100 2 0 212 2 32 100 180
Para simplificar os denominadores, dividimos as duas frações pelo máximo
divisor comum, que é o número 20. Obtemos então a seguinte expressão:
T
___ TF 2 32
​  C ​ 5 ​ _______
 ​ 

5 9

Outra informação importante a extrair da análise das duas escalas é a equi-


valência entre a variação de grau em uma escala e a variação na outra escala.
Você já viu que, enquanto a escala Celsius tem 100 divisões, a Fahrenheit
tem 180. Podemos expressar essa equivalência da seguinte maneira:
DT DT
​ ____F    ​ 180 
​ 5 ____  ​ Æ ​ ____F   
​5 1,8 Æ
DTC 100 DTC

Æ DTF 5 1,8  DTC


°C °M
A expressão acima evidencia que uma variação de temperatura de 1 °C
equivale a uma variação de 1,8 °F. 100 30

Escalas arbitrárias
É possível fazer a conversão entre quaisquer escalas termométricas, bastan- y
TC TM
do seguir o mesmo raciocínio das conversões mostradas aqui: a temperatura
medida é a mesma, portanto a elevação da coluna de mercúrio será a mesma x
em qualquer termômetro, uma vez que o fenômeno físico não depende da
unidade escolhida para as medidas. 0 10
No esquema ao lado, comparamos a escala Celsius com uma escala fictícia M. Esquema representando as relações entre
Os valores de referência informados para essa escala fictícia são as temperaturas valores de referência (no caso, as
temperaturas de fusão e de ebulição da
de fusão do gelo e de ebulição da água, 10 °M e 30 °M, respectivamente. Para en- água) na escala Celsius e em uma escala
contrar uma relação de conversão entre as escalas Celsius e M, basta proceder co- fictícia M. Para converter os valores
mo explicado na conversão entre as escalas mais usuais. medidos em uma escala aos da outra,
basta proceder como nos exemplos
É importante observar que os valores de referência podem ser quaisquer, e não anteriores (conversões kelvin e Celsius e
somente os valores dos exemplos apresentados nesta página e na anterior. Celsius e Fahrenheit).

Não escreva no livro. 15

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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

1. A embalagem de um alimento importado dos 2. A curiosidade de um jovem sobre as diferentes


Estados Unidos contém a seguinte instrução: escalas termométricas o leva a criar um desafio: “Se-
“Conservar à temperatura mínima de 23 °F e rá que existe uma medida de temperatura na qual se
máxima de 50 °F”. Descubra se esse alimento leia o mesmo valor em ambas as escalas, Celsius e
deve ser conservado na geladeira ou fora dela. Fahrenheit?”. Descubra a resposta do desafio.
Justifique sua resposta.
Resolução
Resolução A leitura feita na escala Fahrenheit (TF) deve ser
No Brasil, a escala termométrica adotada é a a mesma da escala Celsius (TC). Assim, chamando
Celsius. Assim, é mais simples transformar para essa incógnita de x (TF 5 TC 5 x) e substituindo-a na
grau Celsius os dados apresentados. expressão de conversão, obtemos:
•• Para TF = 23 °F, temos: ___ T TF 2 32
​  C ​  5 ​  ___________
 ​  

T
___ TF 2 32 (23 2 32) 5 9
​  C ​  5 ​  ___________
 ​   ä TC 5 5 ∙ ​ ______________
 ​   ä x 2 32
5 9 9 ​  x  ​ 5 ​  __________
__  ​   
(29) 5 9
ä TC 5 5 ∙ _______  ä TC 5 25 °C
​   ​  9(x) 5 5(x 2 32)
9
•• Para TF 5 50 °F, temos: 9x 5 5x 2 160
T
___ TF 2 32 (50 2 32) 4x 5 2160
​  C ​  5 ​  ___________
 ​   ä TC 5 5 ∙ ​ ______________
 ​   ä
5 9 9
_________
x 5 ​ 2160  ​   
ä TC 5 5 ∙ ​ 18 ____ ​ ä T 5 10 [ T 5 10 °C 4
9 C C
x 5 240
Logo, o alimento deve ser conservado na gela-
deira (na qual a temperatura média é de 7 °C) ou Portanto, existe uma temperatura em que se lê o
no congelador (onde a temperatura varia entre mesmo valor tanto na escala Celsius quanto na
24 °C e 210 °C). Fahrenheit, e seu valor é 240°.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

3. A fotografia ao lado mostra parte de 7. Um grupo de estudantes criou uma escala termo-
BurAnd/Shutterstock.com/ID/BR

um termômetro. Supondo que ele es- métrica, medida em grau B (°B). A relação com as
teja em equilíbrio térmico com o am- medidas em Celsius não foi obtida experimental-
biente, descubra qual é a escala desse mente; apenas imaginou-se o gráfico abaixo, rela-
termômetro. Justifique sua resposta. cionando as duas escalas.
4. A amplitude térmica de um local é a
diferença entre a temperatura máxima TB (°B)
e a mínima, ambas registradas ao lon-
go de um dia ou ano. O clima semiári-
do que predomina na Região Nordeste
Setup Bureau/ID/BR

do Brasil apresenta amplitudes térmicas anuais


em torno de 5 °C. Indique que resultado seria obti- 0 20 TC (°C)
do se essa amplitude fosse medida em Fahrenheit 210
e, depois, em kelvin.
Capítulo 1 – Temperatura e calor

5. Uma pessoa diz: “A maior temperatura que a) Escreva uma regra de conversão entre as duas
suportei foi um valor que, medido na escala escalas.
Fahrenheit, é 2,6 vezes o valor obtido na escala
Celsius”. Calcule o valor dessa temperatura. b) Indique a temperatura cuja leitura é a mesma
em ambas as escalas.
6. Podem-se medir temperaturas entre 35  °C e
42  °C com um termômetro clínico, enquanto c) Escreva a relação entre a variação de tempera-
alguns termômetros usados em laboratório tura nas duas escalas.
apresentam graduação que vai de 210  °C a d) Calcule a temperatura em grau B na qual a água
110 °C. Explique por que existe essa diferença entra em ebulição, considerando que isso ocor-
entre as duas amplitudes. ra a 100 °C.

16 Não escreva no livro.

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Integre o aprendizado
Não escreva no livro.

8. Cotidianamente, as palavras temperatura e calor 13. A temperatura no interior da Terra aumenta aproxi-
são utilizadas como se representassem a mesma madamente 1 °C a cada 30 m de profundidade. Su-
coisa. Na linguagem cientificamente correta, qual é ponha que essa variação seja constante.
a diferença entre ambas?

Christian Darkin/SPL/Latinstock
9. Descreva, sob o ponto de vista microscópico, a rela-
ção entre energia cinética e temperatura.
10. A frase: “Temperatura é a energia cinética média
das partículas de um corpo” é correta? Justifique.
11. A maioria dos termômetros de bulbo contém mercú- Esquema do interior da Terra
(fora de escala, cor artificial). O
rio ou álcool. núcleo, localizado a 2 900 km
a) Explique por que essas duas substâncias são as da superfície, é sólido,
mais usadas. constituído de ferro e níquel.
b) Pesquise as principais razões por que não se uti- a) Construa uma escala termométrica que relacione a
lizam termômetros de bulbo contendo água. temperatura do interior da Terra, medida na escala
Celsius, com a profundidade, medida em metros.
12. A máxima temperatura registrada na Terra foi de
58 °C, e a menor, de 289 °C; a temperatura média b) Da escala construída no item anterior, calcule a
é de aproximadamente 15 °C. Considere uma escala profundidade em que se pode encontrar ferro
que estabeleça o valor zero para a menor medida fundido, sabendo que a temperatura em que se
anotada e 100 para a máxima e determine a tempe- pode encontrar ferro derretido é de 1 500 °C.
ratura média da Terra nessa escala. Calcule tam- c) Calcule a temperatura do centro da Terra, locali-
bém, nessa escala, a temperatura do corpo de al- zado a 6 400 km da superfície.
guém com febre de 40 °C. d) Faça uma pesquisa sobre os valores das temperatu-
ras encontradas no interior da Terra, conforme os
itens b e c. Compare com os valores calculados. Se
Corbis/Fotoarena

houver diferenças, pesquise as possíveis causas.


14. Justifique por que as escalas termométricas Celsius e
Fahrenheit não são chamadas de absolutas.
15. A temperatura ambiente é influenciada, entre ou-
tros fatores, pela pressão atmosférica: quanto me-
nor a pressão atmosférica local, menores são os
valores de temperatura medidos. A pressão atmos-
férica diminui com a altitude. Por exemplo, um
avião comercial voa a uma altitude de 11 000 m.
Nessa altitude, a pressão atmosférica é um quarto
da pressão ao nível do mar e a temperatura é da
ordem de 234 °C.
a) Estime a temperatura de uma cidade localizada no
litoral e crie uma escala termométrica que relacio-
ne a temperatura ambiente (em °C) com a altitude
(em km), considerando que a variação de tempe-
ratura seja constante em função da altitude.
b) Construa uma tabela apresentando lugares famo-
Estação russa meteorológica e de pesquisas científicas de sos, localizados em diferentes altitudes, com as
Vostok, local onde foi registrada a menor temperatura respectivas temperatura e pressão atmosférica
ambiente no nosso planeta. Foto de 2013. locais. (Não se esqueça do monte Everest.)

De volta para o começo


1. Retome as respostas que você deu na abertura deste capítulo. Que alterações você faria naquelas
respostas?
2. Ainda em relação à abertura do capítulo, considere: a temperatura do corpo de Garfield, a temperatura do
ambiente e a temperatura do café. Determine a maior e a menor temperatura.

17

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Física tem história
As primeiras medições de calor
As primeiras explicações sobre o calor surgiram da ganhou força com Sadi Carnot (1796-1832), que fez a se-
tentativa de compreender o fogo. Segundo a mitologia guinte analogia: a realização de trabalho de uma queda de
grega, o rei Prometeu roubou o fogo dos deuses do céu água ao empurrar uma roda de água é semelhante à trans-
para entregá-lo à humanidade a fim de que pudesse se ferência de calórico da fonte quente para a fonte fria.
aquecer, cozinhar, forjar armas, etc. Julius Robert Mayer (1814-1878), trabalhando com
No século VI a.C., filósofos gregos definiam o fogo gases, propôs o cálculo do equivalente mecânico do ca-
como um dos quatro elementos naturais que, em pro- lor, ou seja, quanto de trabalho devia ser realizado para
porções diferentes, compunham todas as coisas. Os ou- produzir uma quantidade de calor que viria a aumentar
tros elementos seriam terra, água e ar. a energia interna das partículas de um corpo e conse-
No século XVII, o alemão Georg Ernst Stahl (1659- quentemente elevar sua temperatura. Ele enunciou que
-1734) sugeriu uma substância que chamou de “flogísti- a queda de um corpo de uma altura de 365 m provoca-
co”, à qual atribuiu o poder de combustão dos corpos, ou ria um aumento de 1 °C numa determinada quantidade
seja, materiais combustíveis possuíam bastante flogístico; à de água, estabelecendo assim uma relação entre energia
medida que queimavam, essa substância era consumida. A potencial e variação de temperatura.
ideia do flogístico não era a única para descrever o calor. O

Setup Bureau/ID/BR
manivela roldana
filósofo Francis Bacon (1561-1626) pensou na hipótese de
que o calor era composto de partículas em movimento.
As ideias de Bacon e Stahl foram rejeitadas pelo cientista roldana
francês Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) no século
XVIII, quando ele descobriu que a combustão é uma reação
com o oxigênio presente no ar. Para Lavoisier, o calor gerado
era devido a um fluido imponderável, ou seja, sem massa, água
peso
que mais tarde foi denominado por ele como calórico, essa pá
substância, segundo Lavoisier, seria transferida de um corpo
peso
para outro, mas a quantidade total de calórico se conserva-
ria, ou seja, haveria uma lei da conservação do calórico. Até
então, havia duas linhas de pensamento entre os cientistas: Reprodução do experimento de Joule para a determinação do
uma que considerava o calor como substância e outra que o equivalente mecânico do calor, em 1845.
associava ao movimento das partículas do corpo. O inglês James Prescott Joule (1818-1889), no século
A proposta da existência do calórico foi superada no sé- XIX, criou a teoria do princípio da conservação da energia
culo XIX, quando o filósofo Rumford (1753-1814), então
mecânica – era o fim da teoria do calor como substância.
ministro da guerra da Grã-Bretanha, ao inspecionar uma
Além disso, coube a ele a elaboração de um experimento
fábrica de canhões, observou que o atrito da broca com o
para calcular o valor do equivalente mecânico do calor. O
metal esquentava-o mesmo quando resfriado continua-
mente com água. O atrito entre a broca e o canhão sugeria mecanismo (esquema acima) consistia em um reservatório
que o calórico poderia ser criado sempre, de maneira ilimi- de água dentro do qual foram introduzidas pás que gira-
tada – e isso violava o princípio da conservação do calórico vam quando impulsionadas pela queda de dois corpos de
proposto por Lavoisier. O argumento, utilizado pelos de- massas conhecidas. A rotação das pás aumentava a agitação
fensores dessa teoria, de que todo o calórico já estava pre- das moléculas de água, acarretando um aumento de tem-
sente antes do atrito era falho, pois parecia que a fonte de peratura. O famoso mecanismo permitiu concluir que uma
calor gerado por atrito nessas experiências era inesgotável. caloria é a energia necessária para elevar a temperatura de
Após o surgimento das primeiras máquinas a vapor, 1 grama de água de 14,5 °C para 15,5 °C, sendo equivalen-
que funcionavam pela transferência de calor de uma fonte te a um trabalho de 4,186 newton-metro (unidade que,
quente para outra fria, a ideia de calor como substância após a morte do cientista, recebeu o nome de joule).

Compreender e relacionar
1. Descreva a diferença entre a definição de calor dada por Lavoisier e a adotada pela Física atualmente.
2. Explique o que levou a teoria do calórico ao declínio.
3. Ao confrontar as teorias atuais às primeiras tentativas de explicar algum fenômeno, muitas vezes se pensa
que a aceitação das ideias iniciais é absurda. Em sua opinião, explique se a ideia da existência do calórico,
para a época, era irreal.

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Não escreva no livro.

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Ciência, tecnologia e sociedade
Aplicações para o termômetro digital
A quantidade de equipamentos eletrônicos no mundo atual é muito grande. São TVs, computadores, micro-
processadores, rádios, aparelhos de som, etc. Muitos desses instrumentos são extremamente sensíveis ao aumento
de temperatura provocado durante o uso.
Controlar a temperatura é fundamental para o funcionamento correto desses aparelhos e para o aumento de sua
vida útil. O monitoramento da temperatura é realizado por meio de termômetros digitais – quando ocorre um au-
mento excessivo de temperatura, um processador transforma essa informação em um comando para ligar o sistema
de refrigeração.
Outra aplicação para termômetros digitais – em particular os de infravermelho – é determinar a temperatura a
distância, ou seja, sem necessidade de haver contato entre o corpo e o termômetro.
No século XIX, Kelvin observou que, ao se aquecer um corpo, sua cor se modificava com o aumento de
temperatura. Assim, criou uma escala que relacionava a cor emitida por um objeto à sua temperatura. Ele fez uma
analogia com um bloco de ferro que, ao ser aquecido até virar “ferro em brasa”, começava a emitir, inicialmente, luz
da cor vermelha, passando para amarela, verde e azul.
Com base no raciocínio de que a cor está relacionada à temperatura, foi elaborada uma escala de cores para es-
timar a temperatura da superfície de estrelas – informação importante para que os cientistas classifiquem esses as-
tros e determinem sua composição.
A tabela a seguir enumera algumas estrelas, suas cores e suas temperaturas superficiais.

Temperatura da estrela
Cor Faixa de temperatura (K) Exemplo de estrela
do exemplo (K)
vermelha 3 000 Betelgeuse 3 000

alaranjada 4 000 Aldebaran 4 000

amarela 5 000 Capella 6 000

branco-amarelada 7 000 Prócion 7 000

branca 9 000 Sírius 10 000

branco-azulada 15 000 Rigel 20 000

azul 35 000 Mintaka 30 000

Fonte de pesquisa: Astronomia no Zênite. Disponível em: <http://www.zenite.nu/as-cores-das-estrelas/>. Acesso em: 21 abr. 2016.

Esta tabela foi elaborada para fins didáticos e mostra como os astrônomos classificam as estrelas de acordo com a cor e a
temperatura.

A tabela de dados mostra a relação entre cores e temperatura: as estrelas de cor vermelha são as de temperatura
“mais amena”, e as azuis são as de maior temperatura.

PARA DISCUTIR
1. Explique se para medir a temperatura de um corpo é necessário o contato físico entre o termômetro
e esse corpo.
2. Explique como são medidas as temperaturas de objetos localizados a uma grande distância em relação ao
observador.
3. Descreva o que é possível descobrir, indiretamente, ao se medir a temperatura de uma estrela.
4. Com o avanço da tecnologia, os aparelhos de observação e medida têm-se tornado cada dia mais
precisos. Um exemplo disso é o envio de telescópios para além da atmosfera terrestre com o objetivo,
entre outros, de investigar a constituição de estrelas para se ter uma ideia da formação do Universo.
Escreva um pequeno texto expressando sua opinião sobre os benefícios e riscos para a sociedade de se
desenvolverem instrumentos cada vez mais precisos para se medir a temperatura.

19
Não escreva no livro.

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capítulo

Processos de
2 transferência de calor

Stepan Kapl/Shutterstock.com/ID/BR
o que você
vai estudar

Tipos
de processos
de transferência
de calor.
Transferência
de calor
por condução.
Transferência
de calor
por convecção.
Transferência
de calor por
irradiação.

Os meios de comunicação utilizam imagens como a desta fotomontagem para alertar sobre a responsabilidade
humana no aumento da temperatura média da Terra, efeito conhecido como aquecimento global.

Debate inicial
• Escreva um texto inspirado na fotomontagem e na legenda acima. Pode ser uma
redação, um poema, a letra de uma música ou uma história em quadrinhos.
• A temperatura média da Terra — que permite a vida em nosso planeta — é mantida
pelo calor do Sol. Mas esse aquecimento natural, embora constante, não aumenta
indefinidamente a temperatura do planeta, que em condições normais se mantém
relativamente em equilíbrio. Como você imagina que esse equilíbrio ocorre?
• Constantemente, a mídia (jornal, rádio, televisão, internet) e os livros didáticos in-
formam a respeito do chamado aquecimento global, fenômeno que estaria ocor-
rendo pelo aumento da temperatura média do planeta. Se a Terra tem mecanismos
que permitem manter sua temperatura média, o que vem causando esse aqueci-
mento? Que impactos são esperados no clima da Terra devido ao aquecimento
global?
• O que é possível fazer para que o equilíbrio das condições climáticas da Terra
seja mantido?

Considere as respostas obtidas no debate e responda no caderno.


1. Como a energia do Sol aquece o planeta Terra? Explique de forma sucinta.
2. Na sua opinião, quais fatores causam o aquecimento global?

20 Não escreva no livro.

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Tipos de processos de transferência de calor
Já vimos que corpos em temperaturas diferentes têm energias térmicas diferentes. Cor-
pos nessa condição apresentam tendência ao equilíbrio térmico, estabelecido pela transfe-
rência de calor entre eles: o corpo com maior temperatura transfere parte de sua energia
térmica ao corpo com menor temperatura. Há três maneiras possíveis de ocorrer transferên-
cia de calor.

Calor é a transferência de energia térmica entre corpos de diferentes temperaturas.


O fluxo espontâneo ocorre no sentido do corpo de maior temperatura para o de menor
temperatura.

Exemplo 1

Lauri Patterson/iStock/Getty Images


Ao assar um alimento em uma grelha, a ener-
gia liberada pela chama é distribuída por to-
da a extensão do metal, e parte dela é trans-
ferida diretamente para o alimento através
das frestas.

Exemplo 2

YinYang/iStock/Getty Images

deyangeorgiev/iStock/Getty Images
A B
O ar frio liberado por um aparelho de ar-con-
dicionado (A) tende a descer. Por isso, esses
aparelhos são instalados sempre na parte
mais alta dos ambientes. Já os aquecedores
(B) são instalados no chão, pois o ar aqueci-
do tende a subir.

Mel Yates/Digital Vision/Getty Images


Exemplo 3
O Sol está cerca de 150 000 000 km distante da
Terra. Mesmo assim, a energia liberada por suas
reações nucleares chega à Terra e mantém o clima
do planeta. Florianópolis (SC). Foto de 2014.

No exemplo 1, a transferência de calor ocorre principalmente pelo contato direto entre a


chama (fonte quente), o metal da grelha (fonte intermediária) e o alimento (fonte fria). Portan-
to, nessa situação, a ocorrência da transferência de calor depende de um meio material (a
grelha). O processo de transferência de calor com essas características é chamado condução.
No exemplo 2, a transferência de calor em um ambiente ocorre pela circulação do ar. Nesse
caso, também há a dependência de um meio material (o próprio ar) para ocorrer a transferência
de calor. O processo de transferência de calor com essas características é chamado convecção.
Em relação ao exemplo 3, entre o Sol e a atmosfera terrestre, há basicamente vácuo. Assim, a
energia proveniente do Sol, que atinge a Terra, não depende de um meio material para ser
transferida e não há contato direto entre a fonte quente (Sol) e a fonte fria (Terra). O processo
de transferência de calor com essas características é chamado irradiação.
Assim, entre outros fatores, interferem na transferência de calor: a existência ou não de contato
entre os corpos que trocam calor, a necessidade ou não de um meio material para ocorrer a transfe-
rência de calor, e a posição relativa entre os corpos. Em resumo, levando em conta essas característi-
cas, os processos de transferência de calor podem se dar por: condução, convecção ou irradiação.

Não escreva no livro. 21

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Transferência de calor por condução
Observe a imagem ao lado.
Nesse caso, os átomos e moléculas do fundo da frigideira recebem calor

ppart/Shutterstock.com/ID/BR
diretamente da chama do fogão e passam a vibrar mais intensamente. Essa
vibração é transferida para as partículas do metal que não estão em contato
direto com a chama, até que toda a frigideira se aqueça, aquecendo tam-
bém o alimento.
Esse é um exemplo de transferência de calor por condução, que pode
ser assim definida.

Condução é o processo de transferência de calor por contato direto en-


tre os corpos, em que a energia é transferida de partícula a partícula, des-
de o corpo que está em contato com a fonte quente (de maior tempera-
tura) até o corpo que está na região mais fria (de menor temperatura).
Portanto, a condução depende de um meio material.

No exemplo do alimento sendo assado na grelha, o processo é o mesmo: a conceito em questão


energia da chama sob a grelha é transferida para as partículas do metal, que
Bons condutores
passam a vibrar mais intensamente e, por sua vez, transmitem essa vibração
para as partículas do alimento, cozinhando-o. A liga nos metais caracteriza-
-se pela presença de cátions (no
esquema abaixo, bolinhas azuis)
envolvidos por um “mar” de elé-
Variáveis que influenciam a condução trons livres (bolinhas verme-
Entre os fatores que influenciam o processo de condução, destacamos os lhas) em movimento aleatório.
descritos a seguir. A movimentação desses elétrons
••Tipo do material envolvido: Alguns materiais conduzem bem o calor e, por livres torna os metais bons con-
isso, são chamados condutores térmicos. Por outro lado, os materiais que dutores de calor e de ­eletricidade.
conduzem mal o calor são chamados isolantes térmicos. De maneira geral,

Setup Bureau/ID/BR
os metais são considerados bons condutores de calor e isso se deve à grande 1 1 1 1

proximidade entre as partículas que os compõem. Nos metais, além de os 1 1 1 1


átomos e as moléculas estarem relativamente próximos entre si, existem elé-
trons livres, que podem vibrar mais. Isso garante que a transferência de calor 1 1 1 1
por condução seja mais fácil. Em outros materiais – como a madeira, o plás-
1 1 1 1
tico e a borracha –, além das características microscópicas de suas estruturas
(em que as partículas estão mais afastadas que nos metais), não há elétrons 1 1 1 1
livres, de maneira que a intensidade da condução de calor é menor. Esquema fora de escala e
••Área de contato: Uma maneira de perceber a influência da área de contato em cores-fantasia.
durante o processo de troca de calor é tocar uma superfície com baixa tem-
Capítulo 2 – Processos de transferência de calor

peratura, primeiro com o dedo e, depois, com toda a palma da mão. É pos-
sível perceber que, na segunda situação, ocorre maior perda de energia
térmica da mão para a superfície de menor temperatura. EXPERIMENTO
••Intervalo de tempo: Ganha-se ou perde-se maior ou menor quantidade de Escolha um corpo que tenha
calor para determinado corpo ou sistema conforme o tempo de contato uma parte de madeira e outra
com esse corpo. Por essa razão, um ferro de passar roupa aquecido pode ser de metal — uma porta, por
passado rapidamente sobre um tecido sem danificá-lo, ao passo que, se o exemplo.
contato com o ferro quente durar um tempo maior, o tecido pode queimar. Coloque, simultaneamente,
••Diferença de temperatura: Quanto maior for a diferença de temperatura en- uma das mãos na madeira e a
tre a fonte de calor e o corpo que receberá o calor, maior será a transferência outra mão no metal. Ainda que
de calor. as duas partes desse corpo este-
jam em equilíbrio térmico, cada
••Espessura: Considerando duas panelas de mesmo material, sendo uma uma produzirá uma sensação
mais espessa do que a outra, a troca de calor entre a chama do fogão e o ali- térmica diferente.
mento é mais rápida com a panela de menor espessura, e é mais lenta com
Por que isso acontece?
a panela mais espessa.

22 Não escreva no livro.

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Fluxo de calor e condutividade térmica
Se colocarmos uma colher de alumínio que esteja à temperatura ambiente
em uma xícara de café quente, em pouco tempo o cabo da colher fica aquecido.
O calor se propaga pela colher desde a extremidade em contato com o café
quente até a outra extremidade, que está fora dele. Isso acontece porque as par-
tículas que compõem a bebida transmitem energia para as partículas que com-
põem a colher, aumentando sua vibração. Inicialmente, a vibração
das partículas é aumentada na parte da colher que está em contato

Setup Bureau/ID/BR
L
direto com o café, seguindo em direção à parte que não está. fluxo de calor
Com o fim de quantificar a transferência de calor por condu-
T2 barra metálica T1
ção, o francês Joseph Fourier (1768-1830) realizou um experi-
mento pelo qual investigou o intervalo de tempo necessário para
que uma quantidade de calor fosse transferida por condução. corpo 2 A corpo 1
isolante
Basicamente, o experimento consistia em uma barra de metal,
de comprimento L e área de secção transversal A, cujas extremida- Se T2 . T1, haverá transferência de calor, através da
des ficavam em contato com dois corpos de temperaturas diferen- barra metálica, do corpo 2 para o corpo 1.
A barra está envolvida por um material isolante,
tes, T1 e T2, conforme o esquema ao lado: para que o fluxo de calor ocorra somente pela barra,
Fourier usou a noção de f luxo de calor (), definido como: evitando perdas para o meio ambiente.

Q
 5 ___
​     ​
Dt

em que Q é a quantidade de calor e Dt 5 t2 2 t1 é o intervalo de tempo


decorrido na transferência.
Com base nesse conceito e em seus experimentos, Fourier propôs esta
expressão para o fluxo de calor:
k ? A ? (T2 2 T1)
 5 ​  _____________
    ​  
L

A expressão acima mostra que o fluxo de calor  é diretamente proporcional


à área de contato A (quanto maior a área, maior o fluxo), diretamente propor-
cional à diferença de temperatura (T2 2 T1) e inversamente proporcional ao
comprimento L (quanto maior o comprimento do objeto pelo qual o calor se
propaga, menor o fluxo). A unidade do fluxo de calor é: []  J/s ou W (watt).
Nessa expressão, k é a constante de condutividade térmica, que varia
conforme o material de que o corpo é composto e cuja unidade, no SI,
é [k] 5 W/m ? K (com a temperatura em kelvin) e também pode ser medida
pela unidade mais usual J/s ? m ? °C.

para refletir
Ton Koene/Visuals Unlimited, Inc/SPL DC/Latinstock

O gelo como isolante térmico


O gelo é um bom isolante térmico.
Os inuítes – povo que habita regiões próximas ao polo
Norte – costumam se abrigar em iglus, casas de blocos de
gelo, pois este dificulta as trocas de calor entre o interior do
iglu e o ambiente externo, protegendo os moradores das
baixíssimas temperaturas polares, que chegam a 250 °C.
Dentro do iglu, parte do calor liberado pelo corpo das
pessoas e pela combustão para cozinhar os alimentos fica
ali “retida”, tornando a temperatura interna maior que a tem-
peratura de fora da habitação.
1. Pesquise outros exemplos de ambientes com temperaturas extre-
mas em que o ser humano consegue sobreviver por usar isolantes Inuítes próximos a iglu na região norte do Canadá.
térmicos. Foto de 2010.

Não escreva no livro. 23

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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

1. A tabela a seguir apresenta valores da condutividade c) Bons condutores térmicos, o alumínio, o cobre
térmica de materiais muito utilizados no dia a dia. e o aço são muito empregados na confecção de
panelas. Por serem maus condutores, a lã costu-
W
Material [k] 5 ​  ______
    ​ ma ser usada na confecção de roupas de inverno,
m·K
cobre 380
e o isopor, na fabricação de caixas que conser-
vam a temperatura de alimentos e bebidas.
alumínio 200
2. O projeto da estrutura de concreto de edifícios le-
aço 40
va em consideração vários fatores, entre eles a
cerâmica 3 condutividade térmica do concreto. Tal informa-
gelo 2 ção possibilita, por exemplo, determinar a eficiên-
água 0,6
cia do concreto como isolante térmico e estimar
quanto tempo a edificação resiste a um incêndio
madeira 0,2 antes de ruir, uma vez que, se o aço que faz parte
lã 0,04 das lajes e pilares atingir altas temperaturas, sua
ar 0,02 resistência diminui. Suponha que uma parede de
concreto de 20 cm (0,2 m) de espessura e área de
isopor 0,01
10 m² separe uma sala a 20 °C do meio externo,
a) Analise a tabela e indique os três materiais de a 15 °C. Calcule o fluxo de calor da sala para
maior condutividade térmica e interprete esses fora, sendo a condutividade térmica do concreto
índices. k = 0,5 J/s ∙ m ∙ °C.
b) Identifique na tabela quais são os três mate- Resolução
riais de menor condutividade térmica e inter-
prete esses índices. Dados:
c) Dê exemplos de aplicação de alguns dos mate- •• espessura da parede: L = 0,2 m
riais citados e relacione essas aplicações aos •• área da parede: A = 10 m²
índices de condutividade térmica. •• diferença de temperatura entre a sala e o meio
Resolução externo: T2 2 T1 5 20 °C 2 15 °C 5 5 °C
a) Na tabela, o cobre, o alumínio e o aço apresen- •• condutividade térmica do concreto:
tam os maiores valores de k. Isso indica que, k 5 0,5 J/s ∙ m ∙ °C
em relação aos demais materiais citados, eles O cálculo do fluxo de calor através da parede é
são bons condutores de calor. dado pela lei de Fourier:
b) Na tabela, a lã, o ar e o isopor apresentam os (T2 2 T1 ) 5 25
menores valores de k; por isso, em relação aos  5 k ∙ A ∙ ​ _____________
 ​  5 0,5 ∙ 10 ∙ ​ _____   ​ 5 ​  _____  ​ 

L 0,2 0,2
demais materiais, eles são isolantes térmicos.  5 125 J/s ou 125 W

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Capítulo 2 – Processos de transferência de calor

3. Para cozinhar um alimento que precisa ser mexi- Qual é a sua hipótese para justificar esse fato?
do por muito tempo, geralmente se usa colher de
pau. Para fazer um churrasco, normalmente a car-
ne é atravessada por um espeto de metal.
a) Justifique a diferença entre os materiais utiliza-
dos nas duas situações.
b) Escreva outros exemplos de usos de objetos
compostos de materiais isolantes. Faça o mes-
Miriam Cardoso de Souza/Fotoarena

mo para os condutores.
4. Na maior parte do Brasil, as habitações são feitas
de alvenaria (tijolo e cimento). Mas, no Sul, onde o
inverno é mais rigoroso, é comum construírem-se
casas de madeira, como esta ao lado, em Caxias do
Sul (RS). Foto de 2015.

24 Não escreva no livro.

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Transferência de calor por convecção
A ilustração a seguir mostra uma porção de água sendo aquecida pelo contato entre a chalei-
ra e a chama de um fogão.

Representação do aquecimento de água


em uma chaleira. Por ser menos densa, a
água quente sobe (setas vermelhas); sendo
mais densa, a água fria desce (setas azuis)
e ocupa o espaço da água quente.

De acordo com o modelo cinético-molecular, as moléculas de água localizadas na parte infe-


rior da chaleira são as primeiras a receber calor do recipiente, por condução. Ocorre então o
aumento da energia interna dessas moléculas, que passam a apresentar maior vibração. Com
o aumento da vibração, essas moléculas tendem a ocupar um espaço maior; em consequência,
a densidade média da camada inferior da água diminui. Por isso, as moléculas da parte inferior
trocam de lugar com as moléculas da parte superior, que, por estarem em uma camada de maior
densidade, descem e ocupam a parte inferior da chaleira. Assim, após algum tempo, a tempera-
tura de toda a água no interior do recipiente aumenta. Esse processo é chamado convecção.

Convecção é o processo de transferência de calor em que a energia é transferida pelo mo-


vimento de um fluido (líquido ou gás) provocado pela diferença de temperatura. O fluxo
formado é denominado corrente de convecção.

Na ilustração acima, as setas vermelhas e azuis representam as correntes de convecção dentro


da chaleira com água em aquecimento.
As correntes de convecção são geradas também pelo contato do fluido com uma fonte fria,
como ocorre no congelador de uma geladeira. Nesse caso, a camada de ar em contato com o
congelador perde calor, diminuindo sua energia interna. Isso reduz a agitação das moléculas
dessa camada de ar, e elas ficam mais próximas entre si; então a densidade do ar aumenta nessa
região, o que o faz deslocar-se para baixo. A ilustração abaixo mostra as correntes de convecção
dentro de uma geladeira.
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

As correntes de convecção em uma geladeira


garantem a temperatura baixa em seu interior.
O maior resfriamento do ar causado pela ação
do congelador, na parte de cima da geladeira,
provoca a descida do ar frio (setas azuis) e a
subida do ar quente (setas vermelhas).
Atualmente, existem geladeiras com ventilação
forçada, que garante a temperatura interna.

É por esse motivo que o congelador geralmente é colocado na parte superior da geladeira. O
ar frio desce, e a camada de ar localizada na parte inferior, que está a uma temperatura maior,
sobe, provocando um fluxo constante e garantindo que a temperatura do ambiente interno da
geladeira seja baixa.

Não escreva no livro. 25

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Os ventos e a convecção
Vários fenômenos climáticos podem ser explicados com base no processo de convecção, in-
cluindo os ventos e sua influência sobre o clima.
É chamado vento o deslocamento de uma massa de ar provocado pela diferença de densida-
de resultante da variação de temperatura. Uma massa de ar que entra em contato com uma super-
fície quente do planeta (pode ser terra ou água) é aquecida, torna-se menos densa e sobe. O espaço
deixado pela movimentação do ar quente é preenchido com uma massa de ar frio, que pode vir do
alto (visto que a pressão atmosférica e, portanto, a temperatura diminuem com a altitude) ou des-
locar-se de outras superfícies, mais frias.
Um exemplo desse fenômeno são as brisas que ocorrem nas praias. Durante o dia, a areia se
aquece mais rapidamente que a água do mar. Então, a camada de ar localizada sobre a areia
se eleva, e a massa de ar sobre a água ocupa esse espaço, provocando brisas marítimas, no sen-
tido do mar para o continente. À noite, o processo se inverte: a areia esfria mais rapidamente
que a água do mar, e o sentido da brisa terrestre é do continente para o mar.

Ilustrações: Hélio Senatore/ID/BR


ar quente
ar frio ar quente

ar frio
água fria água quente

solo
quente
solo frio

Movimentação da brisa marítima durante o dia: a brisa Movimentação da brisa terrestre durante a noite: a brisa
vai do mar (mais frio) para o continente (mais quente). vai do continente (mais frio) para o mar (mais quente).

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

5. Explique por que as prateleiras no interior das ge- 6. Explique como as correntes de convecção contri-
ladeiras de porta única são vazadas e por que não buem para a ocorrência de chuvas.
devem ser inteiramente cobertas. Resolução
Resolução A transferência de calor entre o solo e a atmosfera
O congelador, localizado na parte superior da ge- aquece a camada de ar mais próxima, que sobe, for-
ladeira, diminui a temperatura da camada de ar mando correntes de convecção. Por outro lado, quan-
próxima. Essa massa de ar frio fica mais densa e to mais distante do solo está a camada de ar, menor
desce, fazendo subir o ar localizado na parte infe- é sua temperatura. Quando o ar que sobe por cau-
rior. Com isso, forma-se um fluxo constante de ar, sa dos efeitos convectivos atinge grandes altitudes a
que mantém temperaturas baixas em todo o espa- baixas temperaturas, o rápido resfriamento provoca
Capítulo 2 – Processos de transferência de calor

ço interno da geladeira. Se não houver passagens a aglutinação das moléculas de água presentes no
de ar entre as prateleiras, o fluxo de calor e o fun- ar, até que a concentração atinja níveis altos e ocorra
cionamento do aparelho são prejudicados. a precipitação dessas moléculas em forma de chuva.

EXERCÍCIO PROPOSTO
Sérgio Dotta Jr./ID/BR

7. Durante uma aula prática de Física, um professor abre um cilindro


de aço e de dentro parece escapar uma “fumaça” branca que, em vez
de subir, desce para o chão. Para provocar os alunos, o professor diz
que algo está pegando fogo dentro do cilindro. Em seguida, explica
a brincadeira, dizendo que o conteúdo é nitrogênio líquido.
a) Elabore hipóteses para justificar por que a “fumaça” que parece es-
capar do nitrogênio não poderia ser proveniente de uma queima.
b) Explique por que a névoa desprendida pelo nitrogênio desce ao
invés de subir.

26 Não escreva no livro.

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Transferência de calor por irradiação ação e cidadania

Considere as situações descritas a seguir. Energia solar


Quando alguém se aproxima de uma fogueira, sente-se aquecido, mesmo sem

Gromushka/iStock/
Getty Images
entrar em contato direto com o fogo. Ocorre, portanto, uma transferência de ca-
lor que não é por condução. Convecção também não é o processo de transferên-
cia de calor nessa situação, pois as correntes de ar quente normalmente se movi-
mentam para cima, e não para os lados, e o ar é um isolante térmico.
No percurso da energia emitida pelo Sol até a Terra, praticamente não há Foto 1. Coletor Solar.
ar, exceto na atmosfera terrestre. Esse fato comprova que o Sol transmite ener-

Kiyoshi Ota/Bloomberg via


Getty Images
gia à Terra sem a necessidade de um meio material.
Nas duas situações apresentadas, a transferência de calor acontece pela ir-
radiação, que é assim definida:

Irradiação é o processo de transferência de calor em que a energia é Foto 2. Estacionamento com cobertura
transferida por radiação eletromagnética. A irradiação ocorre mesmo na feita de painéis fotovoltaicos.
Toyota. Japão. Foto de 2014.
ausência de um meio material, ou seja, no vácuo.
O Sol é em si grande produ-
Quando encontra algum obstáculo, a radiação eletromagnética pode atra- tor de calor e potência, propor-
vessá-lo, ser refletida (como em um espelho) ou absorvida. No último caso, a cionados pela radiação eletro-
radiação aumenta a vibração das partículas do corpo atingido e, com isso, magnética que ele libera, assim
a temperatura dele se eleva. As superfícies metálicas refletem quase toda a ra- o Sol, através de processos dis-
tintos, é responsável pela ge-
diação eletromagnética, enquanto os corpos escuros tendem a absorvê-la – es- ração de dois tipos de energia
sa é uma das razões para o uso de roupas claras no verão e escuras no inverno. elétrica, a energia térmica e a
Todos os corpos aquecidos emitem radiações que podem ser absorvidas energia fotovoltaica [...].
por outros corpos, provocando aumento da temperatura destes. A energia térmica é gerada
Entre as principais radiações eletromagnéticas, destacamos as ondas de: a partir de coletores solares
luz visível, rádio, micro-ondas, infravermelho, ultravioleta, raios X e raios ga- [Foto 1] que, ao captar a energia
ma. Nos processos térmicos do dia a dia, a principal radiação é a infraverme- provinda do Sol, transfere[-a]
à água, [e é] utilizada geral-
lha, que está envolvida no efeito estufa, fenômeno que garante a temperatura mente em chuveiros elétricos,
média do planeta. pois a água é totalmente aque-
cida quando recebe a energia
Exemplos de aplicação térmica.
tecnológica da irradiação Já energia fotovoltaica [...] [é
coletada] por painéis fotovoltai-
••Forno de micro-ondas cos, [...], compostos de um ma-
mphillips007/iStock/Getty Images

Nos fornos de micro-ondas, a irradiação é usa- terial que possui capacidade de


da para aquecer ou cozinhar alimentos. capturar a radiação liberada pe-
lo sol e produzir energia elétri-
As micro-ondas excitam as moléculas de água ca. A energia fotovoltaica possui
presentes nos alimentos (todo alimento tem mais um fator interessante, ela
certa quantidade de água em sua estrutura), pode ser utilizada diretamente
aumentando gradualmente seu estado de agita- ou então pode ser abrigada em
ção e, assim, elevando sua temperatura. Nesse tipo de forno, não se pode baterias para ser utilizada quan-
aquecer ou cozinhar alimentos em recipientes de metal, porque eles refle- do não houver sol.
tem as radiações emitidas pelo aparelho, prejudicando seu funcionamento A grande vantagem da ener-
gia provinda do sol, térmica ou
e, muitas vezes, danificando-o. fotovoltaica, é que é uma ener-
••Garrafa térmica gia limpa, isto é, não ocasiona
Esse utensílio mantém por mais tempo a tempera- tampa
a poluição, além de dispensar a
Setup Bureau/ID/BR

tura de líquidos em seu interior – café, leite, água paredes


utilização de turbinas e gerado-
ou sucos. espelhadas res, no entanto, os custos para
a realização desses processos
A garrafa térmica é um vasilhame constituído de ainda encontram-se elevados.
duas paredes de vidro, entre as quais há ar rare- ar rarefeito Educação. Disponível em: <http://www.
feito. Assim, dificulta-se a troca de calor por con- educacao.cc/ambiental/tipos-deenergias-
hidreletrica-eolica-nuclear-solar-termica-
dução. Para minimizar os efeitos da irradiação, o etc/>. Acesso em: 23 fev. 2016.
vidro é espelhado.

Não escreva no livro. 27

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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

8. Explique como ocorre o processo de transferência pela elevação da temperatura local, acentuada
de calor conhecido como irradiação e identifique quando comparada à temperatura de zonas fora
a principal diferença entre esse processo, a con- das cidades. Explique, com argumentos da Física,
dução e a convecção. por que ocorrem essas ilhas de calor.
Resolução

Rodolfo Buhrer/La Imagem/Fotoarena


Os processos de transferência de calor são carac-
terizados pelo modo como ocorre o fluxo de ener-
gia de um corpo com maior temperatura para outro
com menor temperatura. Na irradiação, essa transfe-
rência é feita por radiação eletromagnética, que se
propaga independentemente de haver um meio ma-
terial entre os corpos, sendo esta a principal diferen-
ça em relação aos outros dois processos — condução
e convecção —, que necessitam de um meio material
para ocorrerem.
Vista aérea da cidade de São Paulo. Quase toda a superfície
9. Desde a Antiguidade, os gregos já sabiam do bene- da cidade está impermeabilizada pela presença de
fício de pintar as casas de cor branca para deixá-las construções e de asfaltamento das vias de circulação, o que
mais frescas. Explique as razões físicas para esse contribui para a ocorrência do fenômeno das ilhas de calor.
costume. Foto de junho de 2015.

Resolução Resolução
A intensa impermeabilização do solo nas grandes
A incidência dos raios solares sobre a Terra provo-
cidades causa aumento da temperatura da superfí-
ca aumento da temperatura ambiental, já que parte
cie, pois o material usado nas construções e na pa-
dessa radiação é absorvida, elevando a energia in-
vimentação das vias públicas (em geral, concreto e
terna dos corpos. Entre outros fatores, a absorção
asfalto respectivamente) absorve mais calor que o
depende da cor dos objetos: quanto mais escura,
solo com vegetação. Assim, a camada de ar sobre a
maior a absorção, e quanto mais clara menor a ab-
superfície se aquece acima do normal, favorecen-
sorção. Pintando suas casas de branco, os gregos an-
do a formação das ilhas de calor. Além de tornar
tigos usavam uma cor que reflete a maior parte das
o ar mais quente e gerar desconforto aos habitan-
ondas eletromagnéticas provenientes do Sol, ameni-
tes, o aquecimento anormal promove rápida evapo-
zando a temperatura no interior das habitações.
ração da água e, como consequência, há formação
10. Entre os muitos problemas ambientais relaciona- de chuvas concentradas e em curtos intervalos de
dos à ocupação desordenada do solo, estão as cha- tempo. Esses temporais, associados ao solo imper-
madas “ilhas de calor”, fenômeno climático que meabilizado, favorecem a ocorrência de enchentes,
ocorre sobretudo nos centros urbanos, responsável eventos comuns nas grandes cidades.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Capítulo 2 – Processos de transferência de calor

11. Uma das sugestões para a preservação do meio fechados, constata que a temperatura interna está
ambiente é o aproveitamento do plástico e do alu- maior que a externa.
mínio das embalagens conhecidas como “longa 14. Muito se tem debatido sobre as recorrentes ações
vida” (das caixinhas de leite, por exemplo) para do ser humano que contribuem para a degradação
produzir telhas que, além de leves, resistentes e do planeta Terra. Se você tivesse um cargo na ad-
impermeáveis, são bons isolantes térmicos. Existe
ministração pública que lhe permitisse delegar
algum conceito físico que justifique tal desempe-
tarefas, quais ações adotaria para minimizar a
nho térmico?
ocorrência das chamadas ilhas de calor?
12. Muitas pessoas, ao deixarem seu automóvel ex- 15. O papel-alumínio pode ser utilizado para facilitar
posto ao sol, tapam as janelas com protetores de o cozimento de carnes. Pensando nos conceitos
cartão aluminizado, mantendo a parte espelhada de transferência de calor estudados até aqui, des-
voltada para fora. Justifique essa ação. creva a melhor maneira de aproveitar esse papel,
13. Explique por que, em dias quentes, uma pessoa ou seja, a parte mais refletora deve ficar voltada
dentro de um carro exposto ao sol, com os vidros para o alimento ou para o meio externo?

28 Não escreva no livro.

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Integre o aprendizado
Não escreva no livro.

16. O sistema de aquecimento solar tem sido cada vez 21. Quando um corpo recebe irradiação, a quantidade
mais utilizado, na tentativa de reduzir o consumo de energia absorvida está relacionada à cor desse
de energia elétrica. O esquema a seguir ilustra o corpo. Quanto mais escura, maior a absorção de
funcionamento de um sistema desse tipo. calor, motivo pelo qual se aconselha o uso de rou-
pas escuras durante o inverno e de cores claras no
reservatório de verão. Mas os beduínos (nômades que vivem em
água quente coletor solar
desertos) usam roupas compridas e escuras.
caixa-d'água Explique como esse traje, sendo escuro, consegue
da residência minimizar os efeitos
da radiação no deser-
to. Sugestão: lem-
bre-se das corren-
tes de convecção.
Setup Bureau/ID/BR

água quente Beduíno com traje

Claudiad/iStock/Getty Images
típico em Israel.
água fria
Foto de 2011.
sistema auxiliar
elétrico para
quando o tempo
estiver frio

O coletor de luz solar apresenta uma serpentina


apoiada em uma superfície de cor preta. Através 22. Leia a tira.
dessa serpentina, circula a água a ser aquecida.

Stuart Carlson © 2015 Carlson/Dist. by Universal Uclick


Todo o sistema é coberto por uma placa de vidro.
Justifique a opção pelo vidro e pela cor preta nesse
sistema de aquecimento de água.
17. A água, ao contrário da maioria das substâncias, so-
fre diminuição da densidade ao solidificar-se e flu-
tua sobre a parte líquida. Por isso, nos lagos de paí­
ses muito frios ocorre a formação de gelo somente
na camada superior, enquanto abaixo dela a água
permanece no estado líquido. Explique por que o
lago não congela por inteiro.
18. Na Lua, a amplitude térmica é muito elevada. Um
astronauta que esteja na face lunar voltada para o
Sol encontra temperaturas acima de 100 °C, en-
quanto na face oposta, sem a incidência de raios
solares, estaria a até 280 °C. Explique, fisicamen- Muito tem se falado sobre o aquecimento global. Há
te, por que ocorre essa variação tão ampla. um seriíssimo debate envolvendo grupos de cien-
tistas com opiniões opostas. O primeiro afirma que
19. Quando um corpo recebe radiação, nem sempre sua
a Terra está passando por uma elevação de tempe-
temperatura se eleva. Apresente uma possível explica-
ratura média global, provocada pela ação humana,
ção para tal ocorrência.
enquanto o outro defende que o fenômeno é natu-
20. Explique por que os pássaros eriçam suas penas em ral. Qual é a sua opinião sobre o assunto? Que fato-
dias frios. res você considerou para chegar à sua conclusão?

De volta para o começo


1. Retome as respostas que você deu às questões propostas na abertura deste capítulo. Que alterações você
faria naquelas respostas?
2. Explique como alguns equipamentos, tais como o balão de ar quente, a asa-delta e os planadores, atingem
grandes alturas mesmo sem possuir motor.
3. Cite dois exemplos de aplicação da tecnologia de irradiação, explicando-os brevemente.

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Física tem história
A relação entre a temperatura
do Universo e a formação da matéria
Buscando descobrir o que houve no período inicial A seguir, uma escala com os principais eventos.
do Universo, os cientistas contam principalmente com
dois elementos para reproduzirem e validarem a teoria Tempo Evento
do Big Bang (explosão que pode ter dado início à forma- Entre zero
A temperatura do Universo é de cerca de 10 K e o Universo 32
(Big Bang) e
ção do Universo). 10 s
se expande rapidamente.
243

••Os telescópios que varrem o céu em busca de ra- A temperatura é da ordem de um ​10​  ​K. As partículas atômicas 12

diações de fundo, geradas logo depois da explosão Entre 10 s 243


surgem, mas são desintegradas rapidamente. Apenas um
inicial, que foram capturadas em 1965 pelo cientis- e 10 s segundo após esse início, a temperatura fica em torno de ​10​  ​K.
235 7

As primeiras partículas atômicas “sobrevivem”.


ta norte-americano de origem alemã Arno Penzias
9
(nascido em 1933) e pelo também norte-americano A temperatura está na ordem de ​10​  ​K. Prótons e nêutrons
3 min 42 s ligam-se formando núcleos de hélio. O Universo é composto
Robert Wilson (nascido em 1936), quando testa- de 20% de hélio e 80% de hidrogênio.
vam antenas de micro-ondas. Ambos perceberam A temperatura do Universo diminui ao ponto em que a maior
1 hora
que se tratava de uma radiação que estava em todas parte dos processos nucleares cessa (cerca de 300 000 K).
as partes do Universo e que foi gerada após o Big A temperatura ambiente é igual à do centro de uma estrela
1 ano
Bang, quando a temperatura do Universo era de​ (aproximadamente 15 000 K).
6
10​  ​ K. A temperatura baixa para algo em torno de 10 K, quando 3

ocorre a radiação cósmica de fundo. Elétrons livres combinam-


••Há uma relação direta entre o tamanho, a energia 1 milhão se aos núcleos, formando átomos estáveis. A partir de então,
de ligação e a idade das estruturas fundamentais de anos a matéria pôde começar a aglutinar-se, formando galáxias e
estrelas. Somente as estrelas conseguem quebrar os átomos e
da matéria. Isso porque uma molécula é mais fácil formar novas partículas.
de ser “quebrada” do que um átomo; este é mais fá-
cil de ser quebrado do que um núcleo atômico, que, Para uma melhor compreensão do texto, o restante
por sua vez, é mais fácil de ser quebrado do que as da história será contado considerando uma escala de
partículas atômicas. Estudos cosmológicos sugerem tempo regressiva.
que essa relação resulta de sua formação histórica:
conforme o Universo foi se expandindo, sua tempe- Tempo
Evento
ratura foi diminuindo gradativamente, possibilitan- (antes de hoje)
do a existência e a sobrevivência de partículas que 4,5 bilhões de
Temperatura da ordem de 300 K. Formação do Sol e dos
planetas do Sistema Solar (incluindo a Terra), formando um
até então surgiam e se desintegravam rapidamente anos
braço da Via Láctea.
devido às altas temperaturas. Assim, as primeiras
3,8 bilhões de A Terra resfria-se, criando a primeira crosta em sua
partículas atômicas, como prótons e nêutrons, uni- anos superfície. Formam-se as primeiras rochas.
ram-se primeiramente quando a temperatura do Uma imensa quantidade de vapor vai surgindo do interior
Universo ainda era extremamente alta, logo depois 3,2 bilhões de da Terra, formando chuva e, consequentemente, os
anos primeiros oceanos. Com eles, surgem as primeiras células
do Big Bang. Com a diminuição da temperatura, es- microscópicas vivas.
sas partículas aderiram umas às outras para formar
1,8 a 1,3 Surgimento das primeiras plantas. Organismos aeróbicos,
os núcleos dos átomos, os quais, por sua vez, atraí- bilhão de anos que precisam de oxigênio, proliferam-se.
ram elétrons e formaram os átomos, começando pe- 900 a 700
los mais leves, como hidrogênio e hélio, e chegando Surgimento da reprodução sexuada, que acelera o ritmo da
milhões de
evolução biológica.
aos mais pesados, principalmente carbono. Dimi- anos

nuições gradativas da temperatura associadas às 425 milhões de


Início da vida fora da água.
anos
formações de átomos estáveis permitiram a junção
entre eles, originando as moléculas, de forma que a 200 milhões de
Surgimento dos primeiros mamíferos.
anos
matéria foi surgindo gradativamente. Assim, quanto
70 milhões de
mais propriedades dessas partículas microscópicas anos
Surgimento dos pré-primatas.
forem descobertas, mais será possível saber o que
600 mil anos Surgimento do Homo sapiens.
havia no passado.
Fonte de pesquisa: Oliveira Filho, K. de S. O universo como um todo. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/#bigbang>. Acesso em: 16 maio 2016.

Compreender e relacionar
1. O que são radiações de fundo e qual a importância de analisá-las?
2. Em que a diminuição gradativa de temperatura implicou quanto à formação do Universo?
3. O que você espera a respeito do valor da temperatura do Universo em um futuro distante?

30
Não escreva no livro.

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Ciência, tecnologia e sociedade
Por que respeito os céticos do aquecimento global
Tenho grande respeito pelas pessoas que questionam o […]
aquecimento global. As vozes críticas são fundamentais, Os cientistas que estudam o clima também […] discor-
em um ambiente democrático, para manter os debates dam entre si. Se você visitar um blog como o Real Climate,
equilibrados. O ceticismo diante das mudanças climáticas acompanhará um pouco dos debates atuais dos climato-
é natural e saudável. Afinal estamos diante de novidades
logistas […].
que desafiam o que sabemos, envolvem conhecimentos
complexos, uma parcela de dúvida e podem envolver deci- Apesar das discordâncias, alguns conhecimentos
sões com custos e sacrifícios. adquiridos sobre o clima nos últimos 50 anos, desde que
Essas vozes críticas não são homogêneas. Expressam esses estudos começaram a ser feitos com mais intensi-
diferentes visões. O meteorologista Luiz Carlos Molion, dade, podem ser considerados relativamente consensu-
da Universidade Federal de Alagoas, diz que a Terra está ais na comunidade científica. Isso acontece quando os
esfriando [...]. O meteorologista Ricardo Augusto Felício, pesquisadores consideram que as teses já se apoiam em
da USP, diz que a Terra está esquentando, mas que é um um volume suficiente de dados coletados por fontes in-
fenômeno natural. O biólogo alemão Joseph Reichholf, dependentes e já sobreviveram a um número suficiente
do Zoológico de Munique, diz que a Terra está esquentan- de testes capazes de refutá-las. Um bom resumo desse
do, que pode ser por efeito da ação humana, mas que será consenso foi elaborado pela Royal Society, a academia
bom para nós. britânica de ciências. Outro bom resumo do conheci-
[…] O [cientista político] dinamarquês Bjorn Lomborg mento atual aceito pela ciência foi feito pela academia
já passeou por vários pontos de vista. Nos anos 90, dizia americana. Ambos são de 2010.
que não havia evidências de que a Terra estava esquen- Esse conhecimento foi adquirido por vários centros de
tando. Em meados dos anos 2000, passou a dizer que a
pesquisa do mundo, inclusive brasileiros, como o Inpe, a
Terra estava esquentando, mas não era um problema dos
Embrapa, a Coppe da UFRJ, a USP e a Fiocruz. Há esfor-
mais sérios. A partir de 2010, começou a afirmar que a
Terra está esquentando, que é um problema sério, mas ços para reunir tudo que se sabe, descartar as incertezas e
que a estratégia não deve ser cortar as emissões poluen- tentar chegar aos consensos. […]
tes, mas apenas investir mais em tecnologias limpas. […]
O que geralmente confunde as pessoas é que a ciência
Greg Baker/AFP

não trabalha com certezas absolutas. […] O método


do conhecimento científico […] progride em cima de hi-
póteses, teses e teorias com algumas propriedades. Pri-
meiro, elas ajudam a explicar algum mistério do mundo.
Segundo, elas sempre podem ser refutadas por alguma
evidência. […] A teoria do aquecimento global é assim. É
imperfeita. Mas é a melhor explicação para as mudanças
em curso, como encolhimento das calotas polares, re-
cordes de temperatura e mudanças nas chuvas. E a teo-
A queima de combustíveis de origem fóssil, realizada por veículos de ria vem sendo aprimorada graças aos saudáveis
transporte, é responsável por grande parte da emissão de poluentes.
A fotografia mostra a poluição em Pequim, China, 2015. questionamentos das vozes céticas.
Mansur, A. Revista Época. Disponível em: <http://colunas.revistaepoca.globo.com/planeta/2012/05/18/por-que-respeito-os-ceticos-do-aquecimento-global>.
Acesso em: 28 abr. 2016.

PARA DISCUTIR
1. Em que áreas da ciência trabalham os profissionais citados no texto? Pesquise e faça uma breve definição
de cada uma delas.
2. Quais os centros de pesquisa brasileiros mencionados no texto? Qual o significado da sigla de cada um
deles?
3. Identifique o principal assunto do texto e as diferentes visões apresentadas para justificá-lo.
4. Independentemente de você aceitar ou não o fenômeno do aquecimento global, o que pensa a respeito da
ação humana sobre o ambiente?

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Não escreva no livro.

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Laboratório
Termômetro de bulbo
Objetivo
Atenção
Compreender, com a prática, o princípio de funcionamento de um termômetro de
É proibido mergulhar o álcool
bulbo e fazer medidas de temperatura. em corpos a altas temperatu-
Material ras, como água fervente, já
que ele é volátil e inflamável.
•• tubo de ensaio ou algum tubo de vidro transparente e estreito
•• rolha e massa plástica, para vedar a abertura do tubo
•• canudinho de plástico transparente Este recado vale para
•• álcool líquido todas as seções
•• gotas de corante em pó diluído em álcool (pode ser substituído por tinta Laboratório deste livro.
solúvel em álcool)
•• duas vasilhas plásticas O caderno de laboratório
é fundamental em todos os
•• 1 termômetro comercial experimentos. Portanto, reserve
um caderno especialmente para as
Procedimento atividades desta seção. Organize
nele suas anotações e outros
1. Faça um furo na rolha de modo que o canudinho passe atra- registros acerca das atividades. Você
vés dele (se usar apenas a massa plástica, molde-a ao redor também pode usar folhas avulsas,

Setup Bureau/ID/BR
do canudo). Use a massa para vedar eventuais orifícios no ­organizadas em fichário. Os dados
de cada nova experiência devem
encaixe do canudo no furo da rolha. ficar no topo da página, para facilitar
a visua­lização das informações.
2. Encha totalmente o tubo de ensaio com álcool, já tingido com Comece destacando o ­título da
uma pequena quantidade de corante ou tinta, e vede-o com experiência, o capítulo e a página do
a rolha perfurada pelo canudinho, deixando uma porção do livro de que faz parte e, em seguida,
o(s) objetivo(s) do experimento.­
líquido invadir o canudinho conforme ilustrado ao lado. Se o álcool com Depois dessas anotações ­iniciais,
álcool não subir pelo canudinho, retire a vedação e preencha corante descreva em poucas palavras
o tubo com mais álcool. O termômetro está pronto. a montagem experimental. Um
desenho esquemático da situação
3. Para calibrar o termômetro, tome como referência temperaturas conhe- pode funcionar muito bem. Só
cidas. Por exemplo, mergulhe o termômetro em um recipiente contendo depois destaque os resultados
da ­experiência, suas impressões
água e muito gelo. Aguarde para que o equilíbrio térmico seja atingido. pessoais e as conclusões. Para ser
Marque com uma caneta a indicação referente a 0 °C na altura que a colu- bem-feita, a parte final deve basear-
na de álcool atingir. -se no respectivo conteúdo estudado.
Essa organização ajuda a fixar os
4. Outra referência pode ser a temperatura do corpo humano. Segure o ter- assuntos estudados e facilita a
mômetro envolvendo-o com as duas mãos. Aguarde o equilíbrio térmico busca do que ocorreu nas aulas.
Essa prática ­facilita a compreensão
para obter a indicação de 37 °C, fazendo então uma marca na altura atin- e a aplicação do que é tratado
gida pela coluna de álcool. nos exercícios teóricos e nos
textos de cada capítulo do livro,
5. Meça a distância entre as marcas 0 °C e 37 °C. Para fazer a correspondência aprofundando, assim, a noção de
entre a altura atingida pela coluna de álcool e a escala Celsius, divida por 37 ciência e de como ela se ­desenvolve.
o valor medido. Assim, cada intervalo corresponde a 1 °C. Complete então a
marcação da escala a cada 1 °C entre 0 °C e 37 °C.
6. Depois de marcada a escala, use as duas vasilhas plásticas. Na primeira, coloque água gelada; na segunda, água
morna.
7. Meça com seu termômetro e também com o termômetro comercial a temperatura da água em cada vasilha.
Depois do experimento
Interpretação dos resultados
1. Construa uma tabela com duas colunas, para comparar os valores obtidos pelos dois termômetros. Encontrando
diferenças entre as medidas, verifique se existe alguma regularidade nelas. Em caso afirmativo, procure criar
uma expressão que permita fazer conversões entre as medidas obtidas com os dois termômetros.
•• Expresse sua opinião a respeito da confiabilidade do termômetro que você construiu. Por exemplo, ele realmente
serviria para medir a temperatura de uma pessoa e saber se ela está com febre?

32

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capítulo

O calor e a variação
3 de temperatura

Andrey Rudakov/Bloomberg via Getty Images


o que você
vai estudar

Variação
de temperatura.
Capacidade
térmica.
Calor específico.
O calor
específico da
água.
Equilíbrio
térmico e
variação de
temperatura.

Barra de aço sendo cortada por fusão. O aço não é obtido diretamente da natureza, sendo produzido por
processo industrial em que fazem parte o ferro (um metal) e o manganês (um minério). Nesse processo são
usados os alto-fornos destinados a fundir a hematita (minério de ferro) em temperaturas de cerca de 1 500 °C.
Foto de 2015.

Debate inicial
• Compare a barra de aço da fotografia acima com o que pode acontecer quando se
deixa uma panela de ferro vazia por longo período sobre uma chama.
• Após ler a legenda da fotografia acima e sabendo que o preço da hematita é muito
menor do que o preço da barra de aço, dê sua opinião para explicar tal fato.
• A bauxita é outro minério que precisa ser aquecido em alto-forno industrial para
dele se obter um metal que, devido a suas qualidades particulares, é muito usado
tanto em construções como para a fabricação de utensílios domésticos. Você sabe
o nome desse metal? Uma dica: o Brasil é o país que mais recicla esse metal.

Considere as respostas obtidas no debate e responda no caderno.


1. Segundo a legenda acima, o aço é um produto composto por minério de ferro e
manganês, entre outros materiais. Em sua opinião, a temperatura de fusão do miné-
rio de ferro e do manganês é a mesma?
2. Em sua opinião, por que a obtenção de metais necessita de altas temperaturas?

Não escreva no livro. 33

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Variação de temperatura
Quando ocorre transferência de calor entre corpos,
uma das possíveis consequências é a variação da
temperatura. Por exemplo, uma panela que é co-
locada sobre a chama de um fogão tem sua tem-

Comstock/Getty Images
peratura aumentada, pois a chama fornece calor
a ela. Contudo, o tempo necessário para a panela
atingir determinada temperatura depende de fa-
tores como a intensidade da chama, a massa da
panela e o material de que ela é constituída.
Em certas situações, é preciso atingir uma tem-
peratura predeterminada, em um intervalo de tempo
também pré-estipulado. É o caso da pasteurização do lei-
te, necessária para esterilizar o alimento, eliminando certos microrganismos O aquecimento da água é obtido pela
transferência de calor entre a resistência
nocivos. Esse processo consiste em aquecer o leite a temperaturas entre 71 °C elétrica (no detalhe, o filamento metálico
e 75 °C durante 15 segundos e resfriá-lo rapidamente com água gelada, a espiralado) do chuveiro e a água fria.
temperaturas entre 2 °C e 3 °C. A quantidade de calor fornecida e, posterior-
mente, retirada depende da quantidade de leite a ser pasteurizado. Esse
exemplo evidencia por que é importante conhecer as propriedades que des-
crevem o quanto cada substância se aquece ao receber uma quantidade de ca-
lor e também o quanto precisa ser resfriada para perder essa quantidade.

Capacidade térmica
Para um corpo que não recebe trabalho externo, a variação de tempera- conceito em questão
tura DT relaciona-se diretamente com a quantidade de calor Q recebida ou
perdida por ele. Experimentalmente, observa-se que a variação de tempera-

Enrico Fianchini/iStock/Getty Images


tura é proporcional à quantidade de calor recebida ou perdida. Assim, po-
demos definir uma grandeza térmica característica do corpo denominada
capacidade térmica C:

Capacidade térmica C  de um corpo é a razão entre a quantidade de


calor transferida Q  e a variação de temperatura provocada DT.

Podemos, então, escrever a seguinte expressão matemática:

Q
C 5 ___
​    ​ 
DT
Capítulo 3 – O calor e a variação de temperatura

na qual Q, por ser uma forma de energia, é medida em joules ( J) ou calorias


(cal), DT é medido em grau Celsius (°C) ou kelvin (K); portanto, a capacida- Na fotografia acima, o ho-
de térmica é medida em J/ K ou cal / °C. mem não protegeu parte da ca-
Desse modo, se um corpo tem capacidade térmica igual a 500  cal / °C, beça ao esmerilhar uma peça
entende-se que, a cada 500 cal fornecidas a ele, sua temperatura se eleva de metal.
em 1 °C ou, no caso inverso, a cada 500 cal cedidas pelo corpo, sua tempera- Essa região de seu corpo po-
tura diminui em 1 °C. de ser atingida pelas fagulhas
geradas no processo de corte, as
Para calcular a quantidade de calor Q necessária para aquecer ou resfriar quais, no entanto, raramente
um corpo a partir de sua capacidade térmica C , podemos isolar Q na causam dano à pele porque,
relação acima, o que resulta na seguinte relação: apesar da alta temperatura, suas
partículas têm baixa capacidade
Q 5 C ? DT térmica. Quando atingem a pele
do operário, perdem calor e res-
••A quantidade de calor Q envolvida no aquecimento ou resfriamento de uma friam-se rapidamente, sem cau-
substância é denominada calor sensível. sar qualquer queimadura.
•• relação entre joule e caloria é 1,0 cal > 4,186 J.
A

34 Não escreva no livro.

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Calor específico
Imagine que um alimento – um caldo por exemplo – esteja sendo cozido em uma panela que
está sobre a chama de um fogão. Se a pessoa que mexer o caldo usar uma colher de aço ou alu-
mínio, sentirá a temperatura da colher aumentar rapidamente, e poderá até se queimar. Porém,
se a pessoa substituir a colher de aço por uma de madeira, não sentirá tão rapidamente a eleva-
ção de temperatura.
A capacidade térmica de dois corpos similares pode variar, ainda que sejam feitos do mesmo ma-
terial; basta, por exemplo, que suas massas sejam diferentes: o corpo de maior massa terá maior ca-
pacidade térmica.
Por essa razão, nem sempre a capacidade térmica é a grandeza mais adequada para
quantificar ou descrever as propriedades térmicas de um corpo. Para saber quanto varia a
temperatura de determinada substância, independentemente de sua massa, aplicamos a pro-
priedade denominada calor específico c, assim definida:

Calor específico c é a quantidade de calor que deve ser fornecida ou retirada para que a
massa unitária de uma substância sofra uma variação unitária de temperatura, para mais
ou para menos.

Para calcular o valor do calor específico de uma dada substância, dividimos o calor fornecido
à substância pela respectiva variação de temperatura e pela massa da substância:

Q
c 5 ______
​     ​  
m ? DT
Acompanhe os exemplos a seguir, em que três corpos, de 500 g de massa e constituídos de
substâncias diferentes, recebem de uma fonte de calor 1 000 calorias cada um. Em seguida, são
medidas as respectivas variações de temperatura e, com os dados obtidos, calcula-se o valor do
calor específico de cada substância.
••Mercúrio
videophoto/iStock/
Getty Images

Q 5 1 000 cal e DT 5 60 °C
1 000 cal
cmercúrio 5 ____________
  
​ 
500  
g ? 60 °C ​  cal   
 ​ 5 0,03 _____
g ? °C
 ​
Conclusão: para que 1 g de mercúrio tenha a temperatura elevada em 1 °C, é preciso 0,03 cal.
Evgeny Karandaev/
Shutterstock.com/ID/BR

••Alumínio
Q 5 1 000 cal e DT 5 9 °C
1 000 cal
calumínio 5 ___________
  
​ 
500 g ? 9 °C  ​  cal  ​ 
 ​ 5 0,22 _____
g ? °C
Conclusão: para que 1 g de alumínio tenha a temperatura elevada em 1 °C, é preciso 0,22 cal.
••Cobre
Brand X Pictures/
ID/BR

Q 5 1 000 cal e DT 5 22 °C
1 000 cal
ccobre 5 ____________
  
​ 
500  
g ? 22 °C ​  cal  ​ 
 ​ 5 0,09 _____
g ? °C
Conclusão: para que 1 g de cobre tenha a temperatura elevada em 1°C, é preciso 0,09 cal.
Diferentemente da capacidade térmica, que é uma propriedade do corpo como um todo, o
calor específico é atribuído à substância que compõe o corpo.
Assim, dizer que a capacidade térmica de um corpo é 100 cal / °C significa que, para elevar a
temperatura desse corpo em 1 °C, é preciso fornecer a ele 100 cal. Já dizer que o calor especí-
fico de uma substância é 0,8 cal /g ? °C significa que é necessário fornecer 0,8 caloria para elevar
a temperatura de 1 g dessa substância em 1 °C.
Uma caloria é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 g de água de
14,5 °C para 15,5 °C, sob condição normal de pressão (1 atm).

Não escreva no livro. 35

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Equação fundamental da calorimetria
A relação entre capacidade térmica e calor específico é definida pela seguinte expressão: c 5 __C  ​  
​ m
Considerando a definição de calor específico e a definição de capacidade térmica, já apresen-
Q
tadas, a expressão matemática para o cálculo do calor específico de uma substância é: c 5 ______
​     ​  
m ? DT
Pelo calor específico c, determinamos a equação fundamental da calorimetria, isto é, qual
quantidade de calor sensível Q deve ser fornecida a um sistema de massa m para se obter uma
variação de temperatura DT:

Q 5 m ? c ? DT

Assim, a quantidade de calor envolvida no aquecimento ou resfriamento de um corpo

Kuzmik_A/iStock/Getty Images
depende da sua massa, da substância da qual o corpo é constituído (propriedade forne-
cida pelo calor específico) e da variação de temperatura.
Por convenção, atribui-se sinal positivo para o valor da quantidade de calor recebida
por um corpo e sinal negativo para o valor da quantidade de calor cedida por um corpo.
Observe a imagem ao lado.
A tabela abaixo indica valores de calor específico para algumas substâncias conhecidas.
água vapor Para provocar aumento de
Substância gelo vidro ferro prata ouro madeira alumínio
líquida de água temperatura (T  0), o
corpo (no caso, uma chaleira
Calor com água) deve receber calor
específico 1,0 0,48 0,5 0,2 0,11 0,056 0,03 0,42 0,22 (Q  0).
(cal/g  °C)

EXERCÍCIO RESOLVIDO

1. Coloca-se 1 litro de água (ou seja, 1 000 g de Para o cálculo da quantidade de calor (Q) necessá-
água) com temperatura inicial de 25 °C em uma ria para aquecer a água, substituímos os valores for-
jarra de vidro refratário. A jarra é colocada den- necidos na equação fundamental da calorimetria:
tro de um forno elétrico que fornece calor à taxa
Q 5 mágua ? cágua ? DT 5 1 000 ? 1 ? 75 ä
de 150 calorias por segundo. Determine o inter-
valo de tempo, em minuto, necessário para a ä Q 5 75 000 π Q 5 75 000 cal
água entrar em ebulição. De acordo com o enunciado, são fornecidas
Para os cálculos, adote cágua 5 1,0 cal/g ? °C e tem- 150  cal/s de calor. Logo, o intervalo de tempo
peratura de ebulição da água Tebulição da água 5 100 °C. (Dt) necessário para a água receber as 75 000 cal
Despreze o calor necessário para aquecer a jarra. pode ser determinado pela razão:
75 000
Resolução Dt 5 ​  __________ ä Dt 5 500 π Dt 5 500 s
 ​ 
150
Capítulo 3 – O calor e a variação de temperatura

Primeiro calculamos a variação de temperatura Logo, nessas condições, o intervalo de tempo


(DT ) necessária para a ebulição: para a água entrar em ebulição é de 8 minutos e
DT 5 Táguaf 2 Táguai 5 100 °C 2 25 °C ä DT 5 75 °C 20 segundos.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

2. Um objeto de latão de 200 g de massa está inicial- que foi retirada do objeto ou fornecida a ele em
mente à temperatura de 30 °C. Foram realizados cada procedimento.
os dois procedimentos descritos a seguir.
I. A temperatura do objeto foi reduzida para 3. Uma pessoa retira de um congelador doméstico
26,2 °C. 12 cubos de gelo, todos com massa de 50 g, à
II. Em seguida, a temperatura do objeto foi ele- temperatura inicial de 25 °C. Calcule a quanti-
vada para 100 °C. dade de calor que o gelo recebe do ambiente
Sabendo que o calor específico do latão é igual antes de iniciar sua fusão (que ocorre a 0 °C).
a 0,09 cal/g ? °C, calcule a quantidade de calor Considere cgelo 5 0,5 cal/g ? °C.

36 Não escreva no livro.

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O calor específico da água conceito em questão

Em áreas próximas a lagos, represas ou mar, a variação de temperatura do Espelhos de água

mtcurado/iStock/Getty Images
ambiente não é tão ampla quanto em regiões áridas e semiáridas, onde há
grande variação entre as temperaturas diurnas e noturnas. Esse fato pode ser
explicado pelas propriedades que as substâncias apresentam em relação à
transferência de calor.
A areia das regiões áridas tem calor específico relativamente baixo, isto é,
uma pequena quantidade de calor já é suficiente para fazer variar significati-
vamente sua tem­pera­tura. Assim, durante o dia, o calor fornecido pelo Sol
provoca grande aquecimento do solo desértico, elevando sua temperatura a
valores em torno de 50 °C. À noite, o fenômeno se inverte: a areia se resfria Já há muito tempo, a água é
rapidamente, provocando uma queda brusca da temperatura ambiente, que usada como substância termor-
pode chegar a valores abaixo de zero. A ampla variação de temperatura (ou reguladora. Para a água cum-
grande amplitude térmica) é um dos fatores para os desertos serem tão inós- prir essa função, alguns proje-
pitos à vida humana. tos arquitetônicos preveem a
A presença de água em uma região é de grande importância porque, além construção de espelhos de
de a água ser uma substância fundamental para a vida – já que participa da água, como o que aparece no
detalhe de projeto do Palácio
maior parte dos processos fisiológicos dos seres vivos –, ela é um regulador
do Itamaraty em Brasília (DF).
térmico, ou seja, impede grandes variações de temperatura ao longo do dia. Foto de 2014.
A água é um regulador térmico eficiente porque seu calor específico é um
dos mais altos de todas as substâncias conhecidas. Esse valor tão elevado se
explica pelo arranjo molecular da água (veja o esquema ao lado), organizado
por forte polaridade e, consequentemente, pouca mobilidade. Por isso, de

Setup Bureau/ID/BR
acordo com o modelo cinético-molecular, não há aumento significativo na A polaridade
d2 d1
energia cinética da água ao receber pequena quantidade de energia, ou seja, da água
sua temperatura não se eleva em demasia. d1
Grandes reservatórios de água – como lagos, rios e mares – podem absorver d1
quantidades significativas de energia sem sofrer aumentos consideráveis de ligação de H
temperatura. Onde há grandes reservatórios, à noite a água perde lentamente d2

o calor absorvido durante o dia, impedindo que ocorram quedas bruscas na


temperatura ambiente. Em desertos, porém, onde a quantidade de água é mui- d1
to escassa, não há como impedir as quedas bruscas de temperatura.
Representação em cores-fantasia e
sem proporção real de moléculas de
para refletir água em ligação de hidrogênio.
Devido à polarização da ligação oxigênio
Iain Masterton/Alamy/Latinstock

– hidrogênio, há nas moléculas de água a


formação de intensos polos positivos e
negativos. Essa polarização e a
disposição espacial dos átomos na
molécula possibilitam a interação de
átomos de hidrogênio (em cinza no
esquema) de uma molécula com átomos
de oxigênio (em vermelho) de moléculas
vizinhas, resultando em uma força
relativamente intensa entre as moléculas
de água – a ligação de hidrogênio.

Oásis em uma região do deserto do Saara situada na Líbia. Foto de 2015.


As regiões desérticas do planeta, embora abriguem algumas espécies de
fauna e flora, são, pela escassez de água característica, extremamente inóspi-
tas aos seres humanos.
1. A fotografia acima é de um oásis no deserto. Justifique o contraste observado en-
tre a existência de vegetação no entorno do lago e a falta de vegetação nas áreas
mais distantes, explicando o que torna possível a existência de oásis. Se neces-
sário, pesquise.

Não escreva no livro. 37

SP_FIS2_PNLD18_LA_U1_C03_033A037.indd 37 5/14/16 6:11 PM


Calorímetros e seus usos
Para medir a capacidade térmica de um corpo ou o calor es-

Sérgio Dotta Jr./ID/BR


pecífico da substância que o compõe, usa-se um instrumento
denominado calorímetro. Trata-se de um recipiente feito com
material isolante térmico, dentro do qual ocorrem transferên-
cias de calor sem haver perdas significativas para o meio exter- tampa
no. As paredes externas geralmente são feitas de isopor, para
reduzir a transferência de calor por condução. Internamente,
um recipiente metálico, espelhado, impede a transmissão de termômetro
calor por irradiação. Para que o calor se propague igualmente
entre os corpos colocados dentro do calorímetro e a tempera- agitador
tura no interior do instrumento seja uniforme, usa-se um agi-
tador. Veja, ao lado, um exemplo de calorímetro.
O funcionamento de um calorímetro baseia-se na transfe- recipiente
rên­cia de calor que ocorre quando se colocam em contato cor- de paredes
pos em temperaturas diferentes. Conhecidas as propriedades espelhadas
de um dos corpos, consegue-se determinar a capacidade térmi-
ca ou o calor específico do outro corpo por meio da verificação
das temperaturas inicial e final no interior do calorímetro.
Uma vez que o calorímetro é termicamente isolado, a soma revestimento
externo feito
das quantidades de calor transferidas é nula, isto é, a quan­ de material
tidade de calor que um corpo ou uma substância ganha é igual isolante
à quantidade que o outro perde. Isso se justifica pelo princí-
pio da conservação da energia:

Em um sistema termicamente isolado, não há perda de calor para o am- A superfície externa de um calorímetro é
adiabática (palavra de origem grega que
biente externo, de modo que a soma do calor recebido com o calor for- significa “impenetrável”), visto que ela
necido em seu interior é nula. dificulta transferências de calor com o
meio externo.

A fotografia ao lado é de uma caixa


termicamente isolada. Os produtos co-
locados em seu interior estão inicial-
Photodisc/ID/BR

mente em temperaturas diferentes.


Após algum tempo, os corpos com
maior temperatura cederão calor para
os corpos com menor temperatura,
até que todos atinjam o equilíbrio
térmico. A soma das quantidades
Capítulo 3 – O calor e a variação de temperatura

de calor trocadas no interior da


caixa é nula, já que não há perda
de calor para o meio externo.
No caso de uma lata de refrige-
gbrundin/iStock/Getty Images

rante em contato com gelo, se am-


para refletir
bos estiverem em um ambiente ter-
micamente isolado – uma caixa 1. Um copo descartável de plásti-
de isopor, por exemplo –, a co vazio queima-se rapida-
quantidade de calor que a lata mente quando colocado em
cede é transferida para o gelo. contato com o fogo. Porém, se
o copo estiver cheio de água, o
líquido é aquecido sobre a
chama por um intervalo de
tempo considerável, sem a
queima do copo. Sem realizar
o experimento, explique como
isso é possível.

38 Não escreva no livro.

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Equilíbrio térmico e a
variação de temperatura
Dois ou mais corpos colocados em contato e isolados do ambiente exter-
no estão em equilíbrio térmico quando as temperaturas medidas em quais-
quer partes desses corpos são as mesmas.
Em um ambiente termicamente isolado, como um calorímetro ideal, não
há perda de calor para o meio externo. Nos calorímetros reais, sempre ocorre
alguma perda. Considerando um calorímetro ideal, temos:

Setup Bureau/ID/BR
C QE E
SQrecebido 1 SQcedido 5 0
QC

Considere o calorímetro representado ao lado, contendo


B cinco
QB corpos di- D
ferentes, em contato entre si.
Para esse sistema, podemos reescrever a equaçãoAacima
Q
comoD C
A QD A B E

QA  QB  QC  QD  QE  0 Esquema representando o contato entre


cinco corpos em um calorímetro. As
sendo QA a quantidade de calor perdida ou recebida pelo corpo A; QB, a transferências de calor correspondentes a
quantidade de calor perdida ou recebida pelo corpo B, e assim por diante. cada corpo são representadas
matematicamente por QA, QB, QC, QD e QE.
Em alguns casos, o calor transferido ao calorímetro ou transferido por ele O somatório das transferências de calor é
não pode ser desprezado; então, a equação fica acrescida da parcela corres- nulo, pois o calorímetro é um sistema
pondente à quantidade de calor referente ao calorímetro Qcal, cuja capacidade isolado.
térmica é, em geral, conhecida. Assim:

QA  QB  QC  QD  QE  Qcal  0

A rigor, essa expressão só pode ser aplicada em condições ideais (sistemas


perfeitamente isolados termicamente). Em situações cotidianas, porém, ela
permite obter um resultado bem próximo do real.
É possível particularizar ainda mais a relação se a grandeza quantidade de
calor (Q) for substituída por seu equivalente em termos de massa, calor espe-
cífico e variação de temperatura, ou seja, por m ? c ? DT.
Exemplo
Vamos calcular o calor específico de uma substância x pela equação do
calor específico. Considere que 1 000 g dessa substância inicialmente a
80 °C foram misturados a 1 000 g de água (cujo calor específico vale
1 cal/g ? °C) a 20 °C dentro de um calorímetro ideal (cujas transferências
de calor podem ser desprezadas). Ao final do processo, a temperatura fi-
nal da mistura é 30 °C. Para calcular o calor específico cx dessa substân-
cia, aplicamos a equação do equilíbrio térmico:

SQrecebido 1 SQcedido 5 0 ä Qágua  Qx 5 0

Sejam mx a massa de x, Tf a temperatura final da mistura, Tágua i a temperatura


inicial da água, Tx  a temperatura inicial de x, cx o calor específico de x e cágua
i
o calor específico da água. Podemos substituir os dados na equação acima:
Qágua  Qx 5 0 ä mágua ? cágua ? (​ Tf 2 Tágua   )​  mx ? cx ? (​ Tf 2 Tx   )​ 0
i   i

1 000 ? 1 ? (30 2 20) 1 1 000 ? cx ? (30 2 80)  0


10 000 1 (250 000) ? cx 5 0 ä cx 5 0,2 π cx 5 0,2 cal/g ? °C
Então, o calor específico da substância x é 0,2 cal/g ? °C.
Por possibilitar a determinação do calor específico de várias substâncias,
esse procedimento é muito usado na identificação de substâncias.

Não escreva no livro. 39

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EXERCÍCIO RESOLVIDO

4. Ao preparar uma caneca de café com leite, uma •• massa do leite: mleite 5 100 g
pessoa coloca um pouco de leite frio sobre o café •• temperatura inicial do leite: Tleite   5 25 °C
i
que acaba de sair do fogão. Considerando 100 mL •• calor específico do leite: cleite 5 0,9 cal/g ? °C
de leite (100 g) a 25 °C e 150 mL de café (150 g) a Escrevendo a equação da transferência de calor em
90 °C, estime a temperatura final da bebida. Consi- sistemas termicamente isolados e fazendo as devi-
dere o calor específico do café igual ao da água, das substituições, temos:
ccafé 5 1 cal/g · °C, e o do leite, cleite 5 0,9 cal/g ? °C.
Qcafé 1 Qleite 5 0
Resolução
Desprezando a perda de calor para o meio externo mcafé ? ccafé ? DTcafé   1 mleite ? cleite ? DTleite   5 0
e considerando um pequeno intervalo de tempo, o 150 ? 1 ? (Tf 2 90) 1 100 ? 0,9 ? (Tf 2 25) 5 0
cálculo a seguir é uma boa aproximação da tempe- 150Tf 2 13 500 1 90Tf 2 2 250 5 0
ratura final da bebida.
240Tf 2 15 750 5 0 ä 240Tf 5 15 750
Dados:
15 750
•• massa do café: mcafé 5 150 g Tf 5 ​  __________
 ​ ä Tf ù 65,6 π Tf ù 65,6 °C

240
•• temperatura inicial do café: Tcafé  5 90 °C Logo, a temperatura final da mistura de café com
i
•• calor específico do café: ccafé 5 1 cal/g ? °C leite será de aproximadamente 65,6 °C.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

5. Dentro de uma garrafa térmica foi colocado 0,5 litro T (°C)


de água à temperatura de 0 °C e 1 litro de água à 80
temperatura de 25 °C. Calcule a temperatura final da
água, considerando que a garrafa seja perfeitamente
isolada termicamente e não participe do processo
de transferência de calor entre os líquidos.
40
6. Uma das etapas do processo de produção do aço

Setup Bureau/ID/BR
consiste em resfriá-lo rapidamente. Considere 20
uma barra de aço de 10 kg a 600 °C que é mergu-
lhada em um tanque com 1 000 litros de água a
20 °C. Desprezando a perda de calor para o meio, 0
10 t (s)
calcule a temperatura final do metal e da água
quando atingem o equilíbrio térmico. a) Calcule a razão entre a massa líquida quente e
a massa líquida fria.
Dados: caço 5 0,1 cal/g  ?  °C; cágua 5 1 cal/g ? °C;
b) Verifique se é possível determinar a capacidade
densidade da água: dágua 5 1 000 g/L. térmica e o calor específico dessa substância de
acordo com os dados do gráfico. Em caso afir-
7. Deseja-se determinar o calor específico de um peda- mativo, calcule-os.
Capítulo 3 – O calor e a variação de temperatura

ço de metal com massa de 1 500 g. Para isso, o metal


é aquecido até a temperatura de 100 °C. Em seguida, 9. Um pão de batata rechea-
Marcelo Parducci/ID/BR

é mergulhado em água fervente, à pressão atmosféri- do com requeijão acaba


ca ao nível do mar. Depois, é colocado em um calorí- de sair do forno. Após al-
metro com capacidade térmica de 100  cal/°C guns instantes, sua parte
contendo 200 mL (200 g) de água, inicialmente a externa esfria, mas o re-
20 °C. O equilíbrio térmico ocorre a 63 °C. cheio ainda poderá quei-
mar a boca de quem o
a) Calcule o calor específico do metal.
morder. Explique esse fa-
b) Determine a capacidade térmica do pedaço de to com conceitos da calo-
metal analisado. rimetria.
8. Observe o gráfico a seguir, que representa a varia- 10. Dois corpos, A e B, de massas diferentes (mA . mB),
ção da temperatura em função do tempo de duas inicialmente à mesma temperatura, recebem a mes-
massas de uma mesma substância líquida, mistu- ma quantidade de calor; no entanto, a temperatura
radas no interior de um calorímetro de capacida- final do corpo A é maior que a do B. Explique por
de térmica desprezível. que isso ocorre.

40 Não escreva no livro.

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Integre o aprendizado
Não escreva no livro.

11. Um bloco metálico de massa 200 g, feito de um ma- 15. Encha duas garrafas iguais com 1 L de água cada
terial desconhecido, recebeu 1 000 cal e teve uma uma, retirada da mesma torneira. Usando um termô-
elevação de temperatura de 20 °C para 40 °C. Nes- metro, meça a temperatura dessa água nas duas gar-
sas condições, faça o que se pede. rafas. Em seguida, coloque uma garrafa no refrigera-
a) Determine a capacidade térmica do bloco. dor e a outra, no congelador. Aguarde uma hora e
refaça a medida da temperatura de ambas.
b) Defina o calor específico do material do qual o
bloco é feito. a) De acordo com o conceito de calor específico, calcule
a quantidade de calor trocada pela água por unidade
c) Calcule a quantidade de calor necessária para ele-
de tempo em cada caso (refrigerador e congelador).
var a temperatura desse bloco de 20 °C para 350 °C.
b) Determine a razão entre o calor cedido no conge-
d) Construa um gráfico T 3 Q (temperatura versus
lador e no refrigerador.
quantidade de calor) para o aquecimento desse
bloco de 20 °C até 200 °C. c) Compare com os valores obtidos pelos seus cole-
gas. Justifique as diferenças encontradas.
e) Construa um gráfico T 3 Q (temperatura versus
quantidade de calor) para o resfriamento desse d) Ultimamente se tem falado muito sobre a preser-
bloco de 20 °C até 2200 °C. vação do meio ambiente. Um dos assuntos trata-
dos é o uso racional da energia elétrica. Formule
12. É muito comum expressar a capacidade térmica de hipóteses sobre a relação entre os valores encon-
um calorímetro por meio do seu equivalente em água. trados nos itens anteriores e o consumo de ener-
Trata-se de calcular a massa de água que tem a mes- gia elétrica.
ma capacidade térmica do calorímetro. De acordo
com essa definição, calcule a capacidade térmica de 16. Uma pessoa prepara o banho de seu bebê misturan-
um calorímetro cujo equivalente em água é 50 g. do em uma banheira 4 litros de água (4 000 g) fer-
vente (100 °C) com 20 litros de água (20 000 g) a
13. Em uma cidade localizada no litoral, onde a pressão 25 °C. Despreze as perdas de calor para o meio e
é de 1 atm, a água ferve a uma temperatura de calcule a temperatura final da água preparada para
100 °C. Devido à baixa pressão atmosférica, em cida- o banho do bebê.
des localizadas a grandes altitudes a temperatura de
ebulição da água é menor. Exemplo: a capital da Bo- 17. Suponha dois recipientes, um com água fervente
lívia, La Paz, fica 3 800 m acima do nível do mar; lá a (100 °C) e outro com água fria a 20 °C. Determine
água ferve a 88 °C. Com base nessas informações, quantos litros de água de cada recipiente devemos
comparando La Paz com uma cidade litorânea, iden- misturar para obter 10 litros de água a 80 °C. Des-
tifique em qual delas consome-se mais gás para que preze as perdas de calor para o ambiente.
a água atinja a temperatura de ebulição. Justifique
sua resposta. 18. Dois líquidos de massas idênticas encontram-se ini-
cialmente em temperaturas de 80 °C e 20 °C, res-
14. Em um calorímetro de capacidade térmica 200 cal/°C, pectivamente, e são colocados em um calorímetro
colocam-se 100 mL de água (100 g) a 20 °C e ideal. O conjunto atinge equilíbrio térmico a 50 °C.
uma barra de um metal de massa 100 g inicial­ Em seguida é acrescentado um terceiro líquido de
mente a 100 °C. Aguardam-se alguns instantes até massa igual à dos primeiros e temperatura de
que ocorra o equilíbrio térmico, quando o termô- 40 °C. Sabendo-se que o calor específico deste ter-
metro indica 25  °C. Nessas condições, calcule o ceiro líquido é igual à metade do calor específico
calor específico do metal. Dado: calor específico dos primeiros, calcule qual será a nova temperatura
da água 5 1 cal/(g ? °C). de equilíbrio térmico.

De volta para o começo


1. Retome as respostas que você deu na seção de abertura deste capítulo. Que alterações você faria naquelas
respostas?
2. Quando fornecemos a mesma quantidade de calor para a mesma quantidade de água nos estados sólido
(gelo) e líquido (água líquida), elas demoram tempos diferentes para variar sua temperatura. Você sabe por
que isso ocorre?
3. Imagine que você coloque diferentes alimentos frios com diferentes temperaturas no interior de uma caixa
térmica ou de um isopor. O que ocorrerá com as diferentes temperaturas desses alimentos? O que acontece
com a soma de toda a quantidade de calor transferida no interior da caixa térmica?

41

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Ciência, tecnologia e sociedade
O calor específico e seu uso na conservação de alimentos
A Terra tem mais de 6 bilhões de habitantes. Ali- ambiente externo a ela. Exemplos: tempo que as portas
mentar todas essas pessoas é uma tarefa que envolve ficam abertas, quantidade de água no seu interior, per-
mais que simplesmente plantar legumes, verduras, fru- da de calor através das paredes e fendas, etc. Alguns
tas ou abater animais. É necessário armazenar os ali- desses valores podem ser vistos na tabela abaixo.
mentos em ambientes apropriados até que cheguem ao
consumidor final. Calor específico de alguns alimentos
Muitas vezes, esses locais onde são estocados os ali- armazenados em ambiente refrigerado
mentos devem ser refrigerados para conservá-los por Produto Calor específico (cal/g ? °C)
mais tempo. Em lugares onde a energia elétrica não
pato 0,41
está disponível ou é muito cara, ainda são utilizadas
técnicas desenvolvidas muitos séculos atrás pelo ser frango 0,42
humano, como salgar a carne, ação que impede a oxi- carne bovina 0,43
dação do alimento e o mantém em condições de ser carne suína 0,33
consumido por um tempo mais longo.
peixes 0,44
Geralmente, açougues e supermercados possuem
câmeras de refrigeração dimensionadas de acordo com queijo prato 0,31
o produto a ser guardado e o tempo em que ficará es- manteiga 0,25
tocado até ser comercializado. No interior dessas câ- frutas 0,48
meras, a temperatura encontra-se abaixo da tempera-
tura ambiente. Carnes em geral, por exemplo, devem Destaca-se, assim, a importância do uso da definição
ser conservadas a uma temperatura em torno de 2 °C. de calor específico como propriedade diretamente liga-
O cálculo da quantidade de calor a ser removida pa- da ao cálculo do consumo de energia para o aqueci-
ra refrigerar as câmeras frigoríficas depende da massa mento – desde um simples ato de ferver água para cozi-
do alimento, da temperatura desejada no interior desses nhar até o mais complexo processo de produção de aço.
armazéns e do tipo de alimento a ser guardado neles. O conceito de calor específico também é importante
Existe uma dificuldade para se determinar o calor quando a finalidade é promover uma redução de tem-
específico nesses casos. Uma vez que os produtos ar- peratura (esfriar) gastando-se menos energia. Em apa-
mazenados – carne, frutas, legumes, etc. – não são relhos com essa finalidade (geladeiras, ares-condiciona-
substâncias puras, seus valores não são obtidos em dos, refrigeradores, etc.), são utilizados aparelhos que
uma tabela comum, mas por meio de uma tabela espe- possuem calor específico e condutibilidade térmica
cialmente adotada pelos técnicos que projetam tais câ- adequados para “roubar” uma determinada quantidade
meras. Os projetistas levam em consideração muitos de calor do produto a ser esfriado, em um menor inter-
fatores que interferem no cálculo, já que estão direta- valo de tempo e com o menor consumo de energia elé-
mente ligados às trocas de calor entre a câmera e o trica possíveis.

PARA DISCUTIR
1. O cálculo da quantidade de calor envolvida no aquecimento ou resfriamento de um corpo depende de
alguns fatores. Identifique-os.
2. Enumere os principais fatores que devem ser levados em consideração para se obter o calor específico
de alimentos.
3. Relacione a necessidade de se obter maior controle sobre o consumo de energia com a importância de se
conhecer o calor específico das substâncias.
4. Descreva a relação existente entre o cálculo da quantidade de calor necessária para aquecer e a
quantidade de calor necessária para resfriar dois corpos idênticos.
5. Países afastados da linha do Equador (como EUA, Canadá) apresentam baixas temperaturas durante boa
parte do ano, e por isso seus moradores possuem sistemas de aquecimento em suas casas e comércios.
O Brasil é um país tropical – as temperaturas medidas ao longo do ano são relativamente altas. No entanto,
a exemplo dos edifícios construídos em países em que há temperaturas baixas, aqui se observa a construção
de muitos edifícios com revestimento externo feito de vidro. Formule hipóteses sobre a consequência da
escolha do vidro como revestimento externo em relação ao consumo de energia dos edifícios.

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Não escreva no livro.

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Laboratório
Construção de um calorímetro

Fotos: Sérgio Dotta Jr./The Next/ID/BR


Objetivo
Compreender o fenômeno do equilíbrio térmico e determinar o calor especí-
fico de metais.

Material
•• g arrafa térmica com tampa rosqueável (não pode ser a que libera o líquido
quando pressionada)
•• adesivo epóxi
•• termômetro de laboratório graduado de 210 °C até 110 °C
•• prego um pouco mais largo que o termômetro
•• pinça para pegar corpos quentes
•• pedaços de corpos feitos de metais conhecidos (cobre, alumínio, ferro,
etc.)

Procedimento
1. O professor fará um furo com o prego na tampa da garrafa térmica para que
ali se introduza o termômetro. Vede o furo com epóxi. O calorímetro está
pronto.
A tampa da garrafa térmica deve ser
2. Primeiro é preciso calcular a capacidade térmica do calorímetro. Para isso, perfurada de modo a deixar o
encha-o com água fervente. Aguarde alguns instantes e leia a temperatura de termômetro passar pelo furo.
equilíbrio. O cálculo é feito por meio da equação:

  
mágua ? DTágua Questões
ccal 5 ​ ​ _________________
 ​    

DTcal 1. Verifique se a capacidade
térmica do calorímetro é
3. Cálculo do calor específico de algum metal. pequena e pode realmen-
•• Coloque uma quantidade determinada de água do calorímetro e aguarde te ser desprezada como
alguns instantes. Faça a leitura do termômetro. anunciam os exercícios
•• Mergulhe o metal em uma panela com água fervente. Aguarde alguns ins- propostos neste capítulo.
tantes e meça a temperatura da água. A temperatura do metal será a mes- 2. Para melhorar a precisão
ma, já que estarão em equilíbrio térmico. experimental dos resul-
•• Com o auxílio da pinça, retire o metal da água e mergulhe-o, com cuidado, tados, deve-se realizar
no interior da garrafa térmica. Agite levemente a garrafa e aguarde alguns a experiência com cada
instantes para que o equilíbrio térmico seja estabelecido. Faça a leitura metal várias vezes e cal-
do termômetro e calcule o calor específico do metal por meio da relação: cular a média entre os

 
valores encontrados. Ex-

mágua ? DTágua 1 Ccal ? DTcal
cmetal 5 ​ ​ __________________________________
       ​  ​ plique como esse proce-
mmetal ? DTmetal dimento influencia o re-
sultado da experiência.
O valor será dado na unidade cal/(g · °C).
3. Verifique se os valores
de calor específico en-
Depois do experimento contrados por você são
próximos dos que se
Interpretação dos resultados
encontram na tabela da
1. Faça um cartaz com uma tabela contendo os valores dos calores específi- página 36. Justifique as
cos encontrados e os informados nos livros. possíveis diferenças en-
contradas para cada um
2. Compare seus resultados com os obtidos por seus colegas.
dos materiais utilizados.
3. Exponha seu cartaz na classe para que outros estudantes vejam.

43

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capítulo

O calor e a mudança
4 de estado

Hélio Senatore/ID/BR
o que você O ciclo hidrológico
vai estudar

Os estados
físicos
da matéria.
Calor latente.
Equilíbrio
térmico e
chuva
mudanças de
estado.
Curvas de raios solares
aquecimento e
de resfriamento.
neve

transpiração
degelo

escoamento
evaporação
evaporação evaporação
infiltração

nível da lago
rio
água água
subterrânea subterrânea oceano
água
subterrânea

O ciclo hidrológico é a descrição do comportamento natural da água em torno do planeta Terra. Ele é composto
por três fenômenos principais: evaporação para a atmosfera, condensação em forma de nuvens e precipitação.
A forma mais frequente de precipitação é a chuva, que pode dispersar a água de diversas maneiras conforme a
superfície receptora, escoando, infiltrando-se no solo e evaporando-se.

Debate inicial
• O ciclo hidrológico ou ciclo da água mostrado acima é muito importante para nosso
planeta. Identifique em quais estados físicos podemos encontrar a água na Terra.
• Analise a figura e identifique como ocorre a evaporação da água.
• Em sua opinião, por que o uso racional da água é importante, uma vez que a mes-
ma sempre volta ao seu estado líquido pelo ciclo hidrológico?

Considere as respostas obtidas no debate e responda no caderno.


1. Neste capítulo você vai estudar o calor e as mudanças de estado físico da matéria.
O que você entende por estado físico da matéria?
2. O calor é um componente importante para que ocorra uma mudança de estado
físico da matéria. Em sua opinião, o calor seria o único responsável pelas mudanças
de estado físico da matéria?

44 Não escreva no livro.

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Os estados físicos da matéria
Em geral, a matéria é encontrada em um destes estados físicos: sólido, líquido e gasoso.
Em condições especiais de temperatura e pressão, manifestam-se os estados chamados con-
densado de bose-einstein e plasma, que não são objeto desta etapa do estudo da Física. Só
para se ter uma ideia, quase toda a matéria visível do Universo (mais de 99%) encontra-se no
estado de plasma, também conhecido como o quarto estado da matéria e que corresponde a
um gás ionizado e globalmente neutro. Os materiais que constituem as estrelas e as nebulosas
encontram-se na forma de gases ionizados. Isso significa que seus átomos perderam um ou mais
elétrons, mas que o número de partículas negativas (elétrons) permanece igual ao número de
partículas positivas (íons), o que torna o gás globalmente neutro.
É importante salientar que uma dada substância é sempre a mesma, independentemente do
estado em que se encontra. O que muda de um estado para outro é a organização das partí-
culas (moléculas ou átomos), sobretudo no que se refere à distância entre elas e à sua movimen-
tação. Por exemplo, a água, em qualquer estado, é sempre formada por dois átomos de hidro-
gênio e um átomo de oxigênio (H2O), e suas propriedades químicas permanecem as mesmas:
no estado sólido, as partículas vibram aproximadamente em torno da mesma posição; no estado
líquido, adquirem maior liberdade de movimento e, além da vibração, deslizam umas sobre as
outras; no estado gasoso (ou seja, vapor ou gás), as moléculas adquirem grande liberdade de
movimento, além de maior vibração.
O quadro abaixo apresenta as características dos três principais estados da matéria:

Estado sólido Estado líquido Estado gasoso

Ocupa todo o espaço do recipiente


Volume Bem definido. Bem definido.
que a contém.

Adquire a forma do recipiente que a Adquire a forma do recipiente que a


Forma Bem definida.
contém. contém.
As partículas (moléculas ou átomos) As partículas estão ainda mais
As partículas estão fracamente
Distância entre as estão bem próximas umas das outras, fracamente ligadas que no estado
ligadas entre si, de modo que ficam
partículas pois há uma força intensa de ligação
mais separadas que no estado sólido.
líquido, de modo que ficam ainda
entre elas. mais separadas.
As partículas deslizam umas sobre As partículas movimentam-se com
Movimento das A posição fixa das partículas
as outras, o que possibilita o grande liberdade e só interagem por
partículas determina a rigidez da estrutura.
escoamento do líquido. meio de colisões.
Água, óleo, mercúrio em temperatura Ar atmosférico, vapor
Exemplos Rochas, gelo, diamante.
ambiente. de água, gases em geral.

Ao receber ou perder calor, uma substância pode sofrer uma reorganização de suas
partículas de tal ordem que, macroscopicamente, perceba-se uma mudança em
seu estado.

Fases A B
São chamadas fases as diferentes for-
www.sandatlas.org/Shutterstock.com/ID/BR

mas em que as partículas de uma mesma


substância estão espacialmente ordena-
das. Para um mesmo estado físico da ma-
téria, pode haver diferentes fases. O grafi-
te e o diamante, por exemplo, são duas ag
es
Im
fases possíveis do carbono no estado sóli- /Ge
tty
ck
do (veja as imagens ao lado). Em ambas, M
/iS
to

oly
os átomos estão em um arranjo bem defi- An
at

nido, mas diferente para cada fase, o que


faz as propriedades físicas (como cor,
transparência e resistência) também se- Esquema, fora de escala e em cores-fantasia, representando duas fases do carbono
rem distintas. sólido: diamante (A) e grafite (B).

Não escreva no livro. 45

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Calor latente
As transições entre os estados sólido, líquido e gasoso requerem energia para EXPERIMENTO
a reorganização de átomos ou moléculas. A quantidade de calor necessária pa-
ra que um corpo sofra mudança de estado depende da massa do corpo e da É possível verificar que a tem-
substância da qual ele é composto. Para cada substância, é constante o valor peratura de um sistema não va-
da razão entre a quantidade de energia cedida pelo corpo ou dele retirada para so- ria durante a mudança de estado.
frer mudança de estado e sua massa. Esse valor é denominado calor latente (L): Para isso, misture alguns
cubos de gelo a uma pequena
Calor latente L é a quantidade de calor Q necessária por unidade de quantidade de água. Quando o
massa m para fazer uma substância mudar de estado. gelo começar a derreter, meça a
temperatura do sistema.
Após o início da fusão do ge-
Q
L  __
​  m ​  lo, a qualquer instante que se
meça, a temperatura do sistema
será a mesma, até que todo o
No SI, a unidade de medida de calor latente é o joule por quilograma [J / kg ], gelo derreta.
mas a unidade de medida usada com mais frequência é a caloria por grama [cal/g].
Dizer que o calor latente de fusão (L F ) de certa substância é 50 cal/g sig-
nifica que, para fundir 1 grama dessa substância, é necessário fornecer-lhe
50 cal. Se um corpo composto dessa substância tem 500 g de massa, a quan-
tidade de calor necessária para fundi-lo é Q 5 500 g ? 50 cal/g 5 25 000 cal.
Esse valor, porém, equivale apenas à mudança de estado, pois a energia para
a substância chegar à temperatura de fusão deve ser calculada pela equação
fundamental da calorimetria, usando-se o calor sensível.
A energia para fundir cada unidade de massa de uma substância é exata-
mente a mesma que se deve retirar dela para provocar sua solidificação. Logo,
o calor latente de fusão (L F ) é igual, em módulo, ao calor latente de solidi-
ficação (L S). Por convenção, Q é positivo na fusão (o calor é fornecido ao cor-
po) e negativo na solidificação (o calor é retirado do corpo).
Veja o valor do calor latente de algumas substâncias ao nível do mar:
Calor Calor latente Calor latente Calor latente
latente de de vaporização de solidificação de liquefação conceito em questão
Substância fusão (cal/g) (cal/g) (cal/g) (cal/g)
Calor fornecido à substância Calor retirado da substância
A tabela a seguir apresenta
as temperaturas de fusão e va-
água LF 5 79,6 LV 5 539,2 LS 5 279,6 LL 5 2539,2 porização de algumas substân-
hélio LF 5 1,2 LV 5 5,0 LS 5 21,2 LL 5 25,0 cias à pressão de 1 atm (pres-
são ao nível do mar).
nitrogênio LF 5 6,1 LV 5 48,0 LS 5 26,1 LL 5 248,0
Tfusão Tvaporização
No caso da água, o calor latente de fusão vale 79,6 cal/g, isto é, a cada 79,6 Substância
(°C) (°C)
calorias recebidas, 1 grama de gelo é derretido. Quando se retira da água líqui-
hélio 2269,6 2268,9
da a mesma quantidade de calor, 79,6 calorias, 1 grama de água se solidifica.
Capítulo 4 – O calor e a mudança de estado

nitrogênio 2210,0 2195,8


Interpretação microscópica de calor latente álcool etílico 2114 78
Nos sólidos, as partículas estão ordenadas formando uma estrutura rígida, mercúrio 239 357
em uma rede cristalina. A essa ordenação das partículas está associada uma
enxofre 119 444,6
energia potencial. Para fundir o sólido, essa configuração precisa ser alterada,
ou seja, deve-se desfazer a rede cristalina fornecendo energia para as partícu- chumbo 327,3 1 750
las. O fornecimento de energia aumenta o espaço entre as partículas, desfa- ácido
16,7 118
zendo seu ordenamento rígido (rede cristalina). Enquanto a configuração da etanoico
ligação entre as partículas não é alterada, a temperatura não aumenta. Quan- ferro 1 535 2 800
do todas as partículas podem se mover ligeiramente umas em relação às ou-
tras, está estabelecido o estado líquido. Relacione em seu caderno
em que estado físico cada uma
A energia se conserva na transição de fase de uma substância, pois o calor delas se encontra à temperatu-
fornecido (ou cedido) é convertido em energia cinética (agitação das moléculas) ra ambiente de 25 °C.
e/ou energia potencial (distribuição espacial das moléculas).

46 Não escreva no livro.

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EXERCÍCIO RESOLVIDO

1. Determine a quantidade de calor necessária para Depois calculamos o calor necessário para fundir
provocar a fusão total de um bloco de 200 g de o gelo até obter água a 0 °C:
gelo que está à temperatura inicial de 210 °C. Q 5 LF ∙ m 5 80 ∙ 200 5 16 000 [ Q 5 16 000 cal
Elabore um gráfico que ilustre a variação de tem- Calor total: Q 5 1 000 cal 1 16 000 cal 5 17 000 cal
peratura com o calor fornecido durante a mudan-
O gráfico solicitado é:
ça de estado. Dado: LF5 80 cal/g.
T (°C)
Resolução
Primeiro calculamos o calor necessário (calor sen-
sível) para levar o gelo de 210 °C até 0 °C:

Setup Bureau/ID/BR
fusão
Q 5 m ∙ c ∙ DT 0 Q (cal)
aquecimento
Q 5 200 ∙ 0,5 ∙ [0 2 (210)] 5 100 ∙ 10 5 1 000 1 000 17 000
210
[ Q 5 1 000 cal

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

2. Em um laboratório, um professor realizou dois ex- a) Calcule a quantidade de calor para fundir de
perimentos para fundir alumínio. Ele estimou que, 1,0 g a 4,0 g da substância desconhecida e
no primeiro experimento, quando foram fundidos complete a tabela.
20 g de alumínio que já estavam à temperatura de
fusão, foram utilizadas 1 900 cal. Massa da substância (g) Quantidade de calor (kcal)

a) No segundo experimento, nas mesmas condi- 1,0


ções do primeiro, foram fundidos 500 g de alu-
mínio. Considerando a estimativa do professor 2,0
para o primeiro experimento, qual foi a quanti- 3,0
dade de calor utilizada no segundo?
b) Com os dados anteriores, calcule a quantidade 4,0
de calor usada para fundir 1,0 g de alumínio.
b) Com os dados obtidos no item anterior, cons-
c) Analisando a pergunta e a resposta do item an- trua o gráfico da quantidade de calor, em quilo-
terior, responda: Qual é a constante de calor la- caloria, em função da massa da substância, em
tente de fusão (LF ) do alumínio? grama.
c) Com base no gráfico, calcule a constante de ca-
3. Sabendo que na queima de 1,0 kg de álcool são lor latente de fusão (LF ) dessa substância.
liberadas 7 000 kcal, um pesquisador selecionou
uma substância desconhecida e, usando uma cha- d) Calcule a quantidade de calor necessária para
fundir 500 g dessa substância.
ma de álcool, procurou derreter pequenas porções
dela. Ele anotou cuidadosamente as informações e) Calcule a massa de álcool necessária para rea-
obtidas em uma tabela como esta: lizar a atividade do item anterior.
4. Um veículo de 800 kg está à velocidade de 20 m/s.
Massa de álcool (g) Massa da substância (g) Em certo instante, é freado bruscamente. Se toda a
energia transformada pelo carro na frenagem fosse
10 1,0 usada para fundir gelo, qual seria a massa desse
gelo?
20 2,0
Considere: LF 5 80 cal/g e 1  cal  5 4 J (lembre-
30 3,0 -se  de  que a energia  cinética de um corpo é dada
1
pela expressão: EC 5 ​  __ 2
2  ​ m ? v  ).
40 4,0
5. Diferencie calor latente de calor sensível.
Com base nas informações do enunciado e nos da- 6. O que significa dizer que o calor latente de fusão
dos da tabela, resolva as questões a seguir. do gelo é aproximadamente 80 cal/g?

Não escreva no livro. 47

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Equilíbrio térmico e mudanças de estado
Quando os corpos estão em equilíbrio térmico, as ener-

Sérgio Dotta Jr./ID/BR


gias cinéticas médias de translação de suas moléculas são
iguais. Porém, durante a transferência de calor entre cor-
pos, podem ocorrer mudanças de estado.
Na situação mostrada na fotografia ao lado, uma quan-
tidade de massa de água, à temperatura inicial Tágua, entra
em contato com uma quantidade de gelo de massa mgelo, à
temperatura inicial negativa Tgelo.
A temperatura da água vai diminuir, e a do gelo, au-
mentar. Nesse caso, a situação de equilíbrio térmico (Teq )
pode apresentar as três possibilidades mostradas a seguir. Quando misturados, a água e o gelo,
originalmente em temperaturas
diferentes, atingem uma temperatura
Mistura de água e gelo de equilíbrio e podem mudar de estado
Situação
a temperaturas durante as transferências de calor.
inicial
diferentes.

Mistura de água e gelo.


Só gelo. Só água.
Possíveis Parte do gelo derreteu,
resultados Toda a água Todo o gelo
nenhuma massa de gelo derreteu
foi congelada. foi derretido.
ou parte da água se solidificou.

Temperatura de
equilíbrio térmico T < 0 °C T > 0 °C T 5 0 °C

Temperatura final de um sistema que passa por mudança de estado


Vejamos o cálculo da temperatura de equilíbrio Teq  para um caso em que a quantidade de calor
cedida pela água é suficiente para derreter todo o gelo.

Situação inicial Situação intermediária Situação final

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


• massa de gelo 5 mgelo • massa de água 5 mágua
• temperatura inicial • temperatura inicial
do gelo 5 Tgelo da água 5 Tágua Mistura de gelo e água, • massa total do sistema
i i
• calor específico do • calor específico da ainda em temperaturas M  mgelo 1 mágua
gelo5 cgelo água 5 cágua e estados diferentes. • temperatura final do sistema 5 Teq
Capítulo 4 – O calor e a mudança de estado

Se o sistema for termicamente isolado, consideramos que todo o calor recebido pelo gelo
foi cedido pela água. Calculamos, então, toda a quantidade de calor fornecida ao gelo para
que ele seja:
I. aquecido até a temperatura de fusão (Q1);
II. fundido (Q2 );
III. aquecido até atingir a mesma temperatura da água (Q3 ).
A quantidade de calor recebida pelo gelo é igual à quantidade de calor cedida pela água, de modo
que a soma da quantidade de calor de todo o sistema é nula.
Assim: Qágua 1 Q1 1 Q2 1 Q3 5 0

Fazendo as correspondentes substituições, temos:


mágua ? cágua(Teq 2 Táguai) 1 mgelo ? cgelo(Tfusão 2 Tgeloi) 1 mgelo ? Lfusão 1 mgelo ? cágua(Teq 2 Tfusão) 5 0
Para obter a temperatura de equilíbrio, isolamos Teq na expressão acima.

48 Não escreva no livro.

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EXERCÍCIO RESOLVIDO

7. Uma família, na praia, notou que em um copo havia A quantidade de calor Q1 necessária para isso é:
100 gramas de gelo. Para descongelá-lo, decidiram Q1 5 mgelo ? cgelo ? DTgelo
imergir o copo em um balde com água líquida a
25 °C. Sabendo que a temperatura do gelo no copo Q1 5 100 ? 0,5 ? 10 ä Q1 5 500 [ Q1 5 500 cal
estava a 210 °C, calcule a massa de água no balde
Como na mudança de fase do gelo a tempera-
necessária para que, na situação de equilíbrio térmi-
tura permanece constante em 0 °C, para fundir
co, o gelo dentro do copo tenha sido totalmente der-
100 g de gelo, é necessária a quantidade de calor
retido. Considere o sistema isolado termicamente.
Q2, que é calculada pela expressão do calor latente:
Dados:
Q2 5 mgelo  ? Lgelo 5 100 ? 80 ä Q2 5 8 000
•• calor específico do gelo: cgelo = 0,5 cal/g ? °C [Q2 5 8 000 cal
•• calor latente de fusão do gelo: Lgelo = 80 cal/g
Assim, a quantidade de água a ser misturada deve
•• calor específico da água: cágua = 1,0 cal/g ? °C ser suficiente para fornecer a quantidade total de
Resolução calor ao gelo:
Dados do enunciado: Qt 5 Q1 1 Q2 5 8 500 [ Qt 5 8 500 cal
•• massa do gelo: mgelo = 100 g (28 500 cal, pois a água cederá essa energia)
•• temperatura inicial do gelo: Tgelo = 10 °C
i
•• temperatura inicial da água: Tágua = 25 °C Então:
i
Primeiro é preciso elevar a temperatura do gelo Qt 5 mágua ? cágua ? DTágua 5 mágua ? 1,0 ? (0 2 25)
até 0 °C, que é a temperatura em que ele se funde
à pressão ao nível do mar. 28 500  mágua  (25)
A diferença de temperatura nesse processo é:
mágua 5 ___________
28 500
​   Æ mágua 5 340
 ​ 
Tgelo 5 Tgelo 2 Tgelo 225
f i Logo, serão necessários 340 g de água a 25 °C
Tgelo 5 0 2 (210) ä Tgelo 5 10 [ Tgelo 5 10 °C para derreter totalmente 100 g de gelo a 210 °C.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

8. Um recipiente isolado termicamente contém de- 10. Explique por que colocar uma criança com febre
terminada quantidade de gelo. Após algumas ho- em uma banheira com água morna (a aproximada-
ras, verifica-se que parte desse gelo derreteu, for- mente 30 °C) faz baixar a febre.
mando um pouco de água. Qual é a temperatura
final da mistura gelo-água? Explique como você 11. O ouro se funde a 1 063 °C. Para fazer certa joia,
chegou a essa conclusão. um ourives precisa derreter 10 g de ouro. Supondo
que o metal esteja à temperatura inicial de 27 °C,
9. Estime a quantidade de calor retirada por transpi- calcule a quantidade de energia (em caloria) que o
ração em um dia do corpo humano que está a ourives precisa fornecer ao ouro para fundi-lo.
37 °C. Para isso, considere que o corpo humano
Dados: Louro 5 15,7 cal/g; couro 5 0,032 cal/g ? °C
perde, em média, 600 g de água por dia pela trans-
piração e que o calor latente de vaporização a 12. Para derreter chocolate em um refratário, não
37 °C vale 580 cal/g (pouco mais do que o calor se deve levar o refratário diretamente à chama
latente de vaporização a 100 °C, ponto de ebuli- do fogão. O ideal é que o calor seja transferido
ção da água ao nível do mar). gradual e lentamente e que a temperatura final
atingida não seja muito elevada. Para conseguir
Ingram_Publishing/iStock/Getty Images

a consistência pastosa que permite manipular o


chocolate, os profissionais desse ramo costu-
mam empregar a técnica de banho-maria, que
consiste em dispor o chocolate sólido em uma
A transpiração é uma vasilha, a qual, por sua vez, é colocada em um
resposta do corpo humano recipiente com água sobre a chama do fogão.
que tem por finalidade
manter a temperatura do Explique como essa técnica atende às exigên-
corpo ideal. cias de preparo desse alimento.

Não escreva no livro. 49

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Curvas de aquecimento
e de resfriamento
Os fenômenos de transferência de calor podem ser representados na forma para refletir
gráfica por curvas de aquecimento ou curvas de resfriamento.
Essas curvas são determinadas pelas medidas de temperatura T em função
da quantidade de calor Q ou em função do intervalo de tempo Dt. Elas per-

NASA/JPL-Caltech/ASI/USGS
mitem estimar mais facilmente as temperaturas de fusão e de vaporização e os
calores específico e latente de uma substância.
Um exemplo é a curva de aquecimento da água, inicialmente a 250 °C, à
pressão ao nível do mar, dada neste gráfico:

T (°C)
F
Detalhe dos lagos de metano (região
escura da fotografia) no satélite Titã
do planeta Saturno. Imagem obtida
aquecimento pela sonda Cassini em 2006.
do vapor
A distância da Terra ao Sol é
100 tal que a temperatura na maior
D ebulição E
parte da superfície da Terra fa-
50 aquecimento da água
vorece a existência de água lí-

Setup Bureau/ID/BR
quida.
B fusão Imagens de radar de sondas
0 C Q próximas a Titã revelam a exis-
tência de lagos líquidos em sua
250 A
aquecimento do gelo superfície (são as manchas es-
280 gelo curas na fotografia). Esses la-
gos, porém, não são de água,
As diferentes etapas pelas quais a água passa, identificadas por letras no mas de hidrocarbonetos como
gráfico, são explicitadas na tabela abaixo. o etano e o metano, substân-
cias que aqui na Terra são en-
Etapa Estado Temperatura
contradas naturalmente ape-
A Sólido (gelo) 250 °C nas como gases.
A–B Sólido (gelo) Aumentando de 250 °C até 0 °C. Fonte de pesquisa: Pesquisa Fapesp.
Disponível em: <http://revistapesquisa.
Transição da fase de sólido (gelo) para a fase fapesp.br/2012/06/13/a-lua-tit%C3%A
B–C 0 °C 3-tem-lagos-tropicais-de-metano-l%C3%
de líquido (água)
ADquido/>. Acesso em: 18 jan. 2016.
C–D Líquido (água) Aumentando de 0 °C até 100 °C.
Transição da fase de líquido (água) 1. No caso de Titã, o maior satéli-
D–E 100 °C te de Saturno (com uma vez e
para a fase de gás (vapor de água)
meia o tamanho da nossa Lua),
E–F Gasoso (vapor de água) Aumentando para mais de 100 °C. a temperatura em sua superfí-
cie permanece em torno de
Capítulo 4 – O calor e a mudança de estado

Analogamente, a temperatura apresenta o comportamento inverso no caso 2180 °C. Você saberia explicar
de retirada de calor de certa massa de vapor de água a uma temperatura ini- o porquê de temperaturas tão
baixas?
cial maior que 100 °C.
Etapa Estado Temperatura
F Gasoso (vapor de água) Mais de 100 °C.
F–E Gasoso (vapor de água) Diminuindo até 100 °C.
Transição da fase de gás (vapor de água)
E–D 100 °C
para a fase de líquido (água)
D–C Líquido (água) Diminuindo de 100 °C até 0 °C.
Transição da fase de líquido (água)
C–B 0 °C
para a fase de sólido (gelo)
B–A Sólido (gelo) Diminuindo de 0 °C até 250 °C.

50 Não escreva no livro.

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EXERCÍCIO RESOLVIDO

13. O gráfico a seguir (fora de escala) representa o b) Consultando a tabela de temperaturas no


que acontece com uma massa de 200 g de certa boxe Conceito em questão da página 46, po-
substância enquanto perde calor. demos associar a temperatura de vaporização
(TV 5 444,6 °C) do enxofre à temperatura de
temperatura

Setup Bureau/ID/BR
(°C) gás condensação (TC 5 444,6 °C) da substância
do exercício, concluindo tratar-se do enxofre.

líquido ä sólido
gás ä líquido líquido c) No gráfico, identificamos que a transição da
444,6
fase gasosa para a líquida (condensação) de-
morou 52 minutos. Como a taxa de resfriamen-
sólido to é de 300 cal/min, então, em 52 minutos, foi
119 perdida a seguinte quantidade de calorias:
Q 5 300 ? 52 5 15 600 π Q 5 15 600 cal
6 min
Com isso, podemos calcular o calor latente de
52 min condensação:
tempo (min)
Q 15 600
a) Identifique a temperatura de condensação e a LC 5 ___
​    ​ ä LC 5 ​  __________
m  ​  
 5 78 π LC 5 78 cal/g
200
temperatura de solidificação dessa substância.
A transição da fase líquida para a sólida (solidi-
b) Descubra de qual substância se trata. Explique ficação) durou 6 minutos. Então, a quantidade
como você chegou a essa conclusão. de calor perdido foi:
c) Supondo uma perda de calor à taxa constante de
300 cal/min, calcule o calor latente de condensa- Q 5 6 ? 300 5 1 800 π Q 5 1 800 cal
ção e o calor latente de solidificação da substância. Substituindo o valor obtido na expressão do ca-
Dados: lor latente de solidificação, temos:
•• massa da substância: mS 5 200 g Q
•• taxa de resfriamento: R 5 300 cal/min ​    ​ Æ LS 5 ​ 1 800
LS 5 ___
m
________ ​  
5 9 π LS 5 9 cal/g

200
Resolução Em  suma, o gráfico  corresponde à curva  de 
a) Sabemos que a temperatura não varia durante resfriamento do enxofre, com TC 5 444,6 °C
as mudanças de estado. Observando o gráfico, e TS 5 119 °C. Com base nas transições de
notamos que a curva de resfriamento representa fase exibidas pela curva, foi possível calcular
duas mudanças de estado, durante os patama- para o enxofre o calor latente de condensa-
res de temperatura constante, em TC 5 444,6 °C ção de 78 cal/g e o calor latente de solidifi-
(condensação) e TS 5 119 °C (solidificação). cação de 9 cal/g.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

14. O gráfico a seguir representa o que ocorre com a a) cresce linearmente;


temperatura de uma substância em função da b) permanece constante.
quantidade de calor recebida.
15. No caderno, esboce a curva de aquecimento em
temperatura A
função do tempo, e não do calor, para a mesma
substância do exercício anterior, iniciando com
Setup Bureau/ID/BR

C B
estado sólido. Explique por que nela há intervalos
TE de tempo em que a temperatura:
a) permanece constante;
quantidade de b) cresce linearmente.
TF calor absorvido
E D 16. Explique por que soprar uma xícara de café quen-
F te ajuda a esfriá-lo. Pense na quantidade de molé-
culas do líquido cujas ligações são rompidas, fa-
Explique o que ocorre com a substância nos trechos zendo com que sejam liberadas para o ambiente,
da curva de aquecimento em que a temperatura: e na energia necessária para evaporá-las.

Não escreva no livro. 51

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Integre o aprendizado
Não escreva no livro.

17. Leia a seguinte notícia. 20. Calcule a quantidade de energia total cedida pelo
Um criador de renas encontrou o corpo de um ar ambiente para sublimar 200 g de gelo-seco (dió­
mamute de pouca idade em excelente estado de xido de carbono) até que este entre em equilíbrio
conservação na península de Iamal, norte da Rús- com a temperatura ambiente a 25 °C. A tempera-
sia […]. De acordo com a subdiretora [do museu], tura de vaporização do dióxido de carbono é
será criada uma comissão de paleontólogos, tal- 78 °C, seu calor latente é igual a 32,7 cal/g e o
vez internacional, para estudar o mamute, “que calor específico é 0,2 cal/g ? °C.
tem os olhos fechados, porque está morto há 10
mil anos, mas suas pequenas orelhas, sua trom- 21. A temperatura em que a água ferve em função da
ba, tudo está ali, perfeitamente conservado”, afir- altitude (h) pode ser descrita pela função:
mou. “Está congelado e o manteremos na neve em T(h)  a  b  h.
um congelador especial”, explicou. a) Sabendo que a temperatura de vaporização da
água é 100 °C ao nível do mar (h  0 m) e que

Vitaliy Ankov/RIA Novosti/AFP


essa temperatura diminui para 96,8  °C a
1 000 m, determine os coeficientes a e b da ex-
pressão anterior.
b) Calcule a temperatura em que a água ferve no Pi-
co da Neblina, o pico mais alto do Brasil, a apro-
ximadamente 3 000 m de altitude.

Ricardo Azoury/Pulsar Imagens


Mamute no museu de paleontologia de Vladivostok, Rússia.
Foto de 2014. Disponível em: <http://g1.globo.com/
Noticias/Ciencia/0,,MUL43301-5603,00-RUSSIA+ENCONT
RA+BEBE+MAMUTE+CONGELADO.html>.
Acesso em: 2 maio 2016.
a) Discuta por que os paleontólogos preferem man-
ter o mamute congelado.
b) Estime o peso do animal e a quantidade de calor
que precisaria ser fornecida para descongelar es-
se filhote de mamute. Pico da Neblina. Localizado no norte do Amazonas, é o ponto mais
alto do Brasil, com 2 993,78 metros de altitude. Foto de 2012.
18. Calcule a temperatura final de uma mistura de 150 g
de gelo a 15 °C e 300 g de água líquida a 30 °C. 22. Considere uma fonte de calor com taxa constante de
Dados: 2 kcal/min, que aquece 1 kg de ouro inicialmente a
25 °C, até que seja totalmente derretido.
Lfusão 5 80 cal/g; cágua 5 1 cal/g °C; cgelo5 0,5 cal/g °C.
a) Construa a curva de aquecimento, ou temperatu-
19. Para proteger a plantação da geada em noites ra em função do tempo, para 1 kg de ouro inicial-
frias, com temperaturas próximas de 0 °C, os agri- mente a 25 °C até que seja totalmente derretido.
cultores costumam regar as plantas com água. Ex- b) Calcule a quantidade total de calorias consumi-
plique por que essa ação ajuda a proteger as plan- das para derreter todo o ouro e o tempo gasto
tas. Pense no que ocorre com a água, e se há algum nesse processo.
tipo de energia liberada. 700 watts (1 W 5 14,33 cal/min).

De volta para o começo


1. Retome as respostas que você deu na abertura deste capítulo. Que alterações você faria naquelas respostas?
2. Quais são os processos de mudanças de estado físico ou transição de fase da matéria?
3. Qual a função da pressão atmosférica na formação das nuvens?

52

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command na caixa com texto
transparente abaixo

Física tem história


Em busca da era glacial
Cientistas menos otimistas pensam diferente. Para
AAAS/Arquivo da editora

eles, as atividades do homem elevaram tanto a concentra-


ção de gás carbônico que o bom clima vai acabar bem an-
tes da próxima idade do gelo.
O bloco retirado pelo Epica guarda informações sobre as
últimas oito eras glaciais que atingiram a Terra (ao todo fo-
ram 27). O gelo preserva grãos de poeira e pequenas bolhas
Cilindro de gelo extraído pelo de ar com amostras da atmosfera de cada época. Os cientis-
Projeto Europeu para Núcleos de tas retiraram o bloco em pedaços de cerca de 3 metros de
Gelo da Antártica, cujos resultados
foram assunto de capa da revista
comprimento e 10 centímetros de diâmetro. Os canudos
científica Science em 2005. de gelo foram guardados numa câmara frigorífera e levados
A história do clima no planeta Terra está guardada num para laboratórios na Europa, onde estão sendo estudados.
arquivo de gelo gigantesco – o solo glacial da Antártica. São
quase 1 milhão de anos literalmente congelados no tempo, Espécies extintas
que cientistas do Projeto Europeu para Núcleos de Gelo da Mesmo animais bastante resistentes, como os mamu-
Antártica (Epica, na sigla em inglês) estão escavando. O tes e os tigres-dentes-de-sabre, não suportaram o frio e
processo é muito parecido com o da arqueologia, mas trata- foram extintos.
-se de uma ciência com nome próprio: a paleoclimatologia.
[…] os pesquisadores retiraram da região uma coluna
Bem menos água
A água congelada ficou retida nas geleiras e ressecou o
glacial com 3,19 quilômetros de profundidade. O estudo
planeta. Diversas florestas tropicais diminuíram ou desa-
dela pode fornecer dados bastante precisos das condições
pareceram e grande parte do mundo era desértica. O nível
atmosféricas no mundo nos últimos 740 mil anos. E pode
do mar estava 140 metros abaixo do que está hoje […].
ajudar os cientistas a conhecer mais sobre as eras glaciais.
Há 2 milhões de anos, a Terra vem atravessando fases Homem morre de frio
de aquecimento e resfriamento constantes. Os períodos O homem de Neanderthal não tinha roupas para su-
gelados (chamados de eras glaciais) duram em média portar tanto frio e se extinguiu. Outros hominídeos con-
100 mil anos e são intercalados por eras temperadas (cha- seguiram desenvolver ferramentas mais sofisticadas para
madas de interglaciais), como a que vivemos atualmen- caçar e se proteger.
te. Sabe-se muito pouco sobre cada um desses períodos e