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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – CAMPUS PRESIDENTE VARGAS

Alunas: Ana Carolina Mazzoli e Ana Rachel Bucar – M3 2020.2


Disciplina: Imunologia Médica
Evasão da Resposta Imune por patógenos conseguiu entrar na célula infectando a mesma.
Célula epitelial humana, nucleada e
Mecanismos de resistência de patógenos à
contaminada.
resposta imune celular e à resposta imune
humoral Ex: se fosse o COVID, sabe-se hoje quais as
moléculas de integração para que o coronavírus
Assim como o sistema imunológico evoluiu
invada uma célula epitelial, sendo ela a proteína
para combater os patógenos, os mesmos
Spike (proteína S) se ligando a um receptor de
evoluíram para não serem reconhecidos,
angiotensina 2 presente em várias células
evadir-se do sistema imune.
humanas. Como ela é nucleada, o mecanismo de
controle seria a apresentação do MHC de classe
I, TCD8 reconhece e por consequência induziria
a apoptose (morte programada) dessa célula.

Os microrganismos intracelulares FAGÓCITOS


são as bactérias (micobactérias, listeria
monocytogenes), fungos (cryptococcus) e
protozoários; enquanto as células NÃO Então vamos relembrar aqui um vírus
FAGOCÍTICAS são os vírus, riquétsias e alguns contaminando uma célula. Como que essa
protozoários. célula se defende, do ponto de vista
imunológico? Como que ela ativa a resposta
Na imagem A, pode-se ver o fagócito imune do organismo?
(macrófago) reconheceu via receptores de
reconhecimento de padrões (RRPs) os PUMPs Na imagem acima, o vírus entrou na célula. Há
de maneira inata e realizou a fagocitose. a presença de um complexo enzimático
Englobou o patógeno no interior de uma chamado de proteassoma, localizado no
vesícula fagocítica. Logo, essa infecção está interior das células nucleadas. O que esse
controlada. complexo enzimático faz? Ele quebra as
proteínas virais em peptídeos. Esses peptídeos
Agora, alguns tipos de patógenos conseguem dentro do citoplasma das células contaminadas,
escapar das vesículas fagocíticas (fagossoma, vão ser jogados para dentro do retículo
fagolisossoma) indo em direção ao citoplasma. endoplasmático por meio de uma enzima
Com isso, esse macrófago que estava chamada TAP (transportador ativo). Uma vez
controlando a infecção, acabou virando uma dentro do retículo, esse peptídeo vai se ligar à
célula contaminada. (O patógeno saiu da molécula de MHC classe I. Dessa união, vai se
vesícula e consequentemente contaminou o formar/brotar uma vesícula para o exterior da
citoplasma). Os mecanismos de defesa, de célula. Sendo assim, terá uma molécula sendo
controle dessa infecção se tornam ineficazes. expressa na superfície dessa célula.
Na imagem B, tem-se uma célula não fagocítica, Tem-se a molécula de MHC classe I com seu
como por exemplo uma célula epitelial cujo peptídeo viral, indicando para o meio externo
receptor específico reconheceu um PUMP do que a mesma se encontra contaminada,
vírus. De maneira inespecífica, o vírus
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apresentando um pedaço do vírus, sendo classe I. Logo, o linfócito TCD8 não vai enxergar
reconhecida pela célula TCD8. a célula contaminada e a infecção pode
perpetuar.
Linfócito TCD8 tem um TCR específico que
reconhece o peptídeo mais o MHC classe I. O
TCD8 reconheceu que a célula está
contaminada, não tendo salvação para a
mesma. Ele secreta as perfurinas que são
capazes de abrir poros e as granzimas que
acabam entrando, induzindo então a apoptose
O vírus EBV além de inibir o proteassoma, ele
dessa célula para que o vírus não seja capaz de
também produz uma proteína que é muito
se perpetuar. Sendo assim, vai se dando o
parecida com a IL10 (inibe a produção de
mecanismo de resposta imune adaptativa
macrófagos). O macrófago é uma célula
antiviral.
importante no combate à patógenos,
Alguns vírus criaram estratégias para principalmente os intracelulares.
impedir/bloquear todo o processo mencionado
anteriormente.
O vírus EBV e o CMV, atuam inibindo o
proteassoma de pegar as proteínas do vírus e
quebrar em pequenos fragmentos, ou seja,
acaba atrapalhando o processo de apresentação
viral pela molécula de MHC classe I.
Poxvírus (vírus tipo do molusco contagioso)
O vírus HSV inibe o transportador ativo (TAP)
que faz uma pápula, verruga. Eles secretam
que joga a proteína viral para dentro do
receptores solúveis para citocinas, como se
citoplasma. Se esse TAP está
fossem iscas. Secreta receptores para IFN γ
bloqueado/inibido, não tem a proteína
(produção de macrófago) ou IL1 impedindo
entrando no citoplasma, não tendo assim
então o processo inflamatório. Se você tem a
apresentação de antígeno.
produção de um receptor que se liga ao IFN γ,
O vírus CMV inibe a expressão, remove as você bloqueia esse IFN antes que o mesmo
moléculas de MHC classe I do retículo chegue ao macrófago ativando-o.
endoplasmático, impedindo então que essa
molécula seja expressa na superfície da célula.
Como consequência, não se vai ter MHC classe
I, não tem o peptídeo expresso e com isso a
célula infectada não será enxergada pelo
linfócito TCD8. Com isso, o vírus vai se
proliferando e se espalhando para as demais
células.
Pergunta: qual célula do sistema imune que
seria capaz de reconhecer essa célula
infectada? NK, é uma célula da imunidade
inata e a ausência do reconhecimento de
MHC classe I faz com que seja ativada e Então o patógeno intracelular, muitos deles
induza a apoptose dessa célula. sobrevivem no interior de macrófagos.
É importante saber que qualquer que seja o
Mycobacterium leprae – ele é responsável por
vírus ou o tipo de mecanismo de escape, a
inativar substâncias microbicidas, como as
consequência é não terei expressão do MHC
espécies reativas de oxigênio (ROS). O
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macrófago vem e fagocita as micobactérias, Esse vírus escapou, migra, dissemina para o
ficando então no interior de uma vesícula neurônio sensorial e fica em estagio de latência.
fagocítica. Logo, essas vesícula ativa a produção Quando se tem uma queda do sistema imune,
de enzimas e de espécies reativas de oxigênio um estímulo (luz solar), esse vírus consegue
que vão causar a destruição dessas migrar, viaja pelo axônio do neurônio sensitivo
micobactérias. No entanto, essa micobactéria e reinfecta de novo o tecido epitelial.
produz substâncias que impedem a ativação
Os neurônios são um sitio imuno privilegiado
dessas espécies reativas de oxigênio.
porque possuem baixa expressão no MHC
As mesmas micobactérias, Legionella classe I. Se você não tem esse MHC, o linfócito
pneumophila, Coxiella burnetti, elas inibem a TCD8 não vai reconhecer a célula infectada.
fusão do fagossomo com o lisossomo. Tem-se
mecanismos químicos ali presentes que inibem
de tal maneira essa fusão e consequentemente
permitem que essas micobactérias continuem
sobrevivendo no interior do fagossomo.
Listeria monocytogenes, Trypanosoma cruzi
fazem muito bem o escape do fagossomo,
caindo no citoplasma, se proliferando e
sobrevivendo.

Exemplo da Mycobacterium leprae, o mesmo


patógeno pode em uma pessoa desenvolver a
forma grave (lepromatosa) e a forma mais leve
(tuberculoide). Como isso acontece?
De acordo com o padrão de reposta que a
pessoa desenvolve.
1. Infecta uma pessoa e ela desenvolve um
padrão de resposta Th1 que produz IFN
γ e TNF que acabam ativando
Outro exemplo de infecção por mecanismos de
macrófagos (ativação clássica do
escape, são por exemplo alguns vírus como o da
macrófago) e realiza a fagocitose da
herpes.
micobactéria. É ativado pelo IFN γ e
Herpes labial contamina o epitélio do lábio e consegue destruir a micobactéria. Tem-
causa então a infecção local, mas esse vírus se se então a forma mais branda da doença,
dissemina para os neurônios sensoriais como o conhecida como Hanseníase
trigêmeo. O neurônio entra no estado de tuberculoide.
latência, não fica se proliferando/replicando. 2. Se o paciente pelo mesmo patógeno
desenvolve um padrão de resposta Th2,
As células epiteliais contaminadas vão ser ele secreta IL4, IL10, IL13 que fazem a
destruídas pela sua resposta celular (TCD8). ativação alternativa do macrófago, ou
Célula epitelial contaminada, expressando MHC seja, foi induzido a fazer mais um reparo
classe I, tem reconhecimento pelo linfócito tecidual, tem uma ação mais anti-
TCD8 induzindo a apoptose celular formando inflamatória não tendo ação de combate
assim as úlceras (destruição tecidual). – ao patógeno desenvolvendo assim a
Combateu a infecção forma mais grave da doença, conhecida
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como Hanseníase lepromatosa. o anticorpo ligado, faz opsonização,
(contagem bacteriana elevada) ativação do sistema complemento,
citotoxicidade, neutralização. As
Resumindo: de acordo com o padrão de
moléculas de superfície passam por
resposta que é montado (Th1 ou Th2), tem-se
mutações e acabam mudando. Ex: vírus
uma resposta diferente e uma expressão da
da Gripe
doença de forma completamente diferente.

O vírus da gripe na sua superfície tem a


Mecanismos de escape da resposta imune neuraminidase e a hemaglutinina (que se liga
humoral pelos patógenos (antígenos criaram para infectar a célula epitelial humana). O
estratégias para escapar dos anticorpos) sistema imune produz anticorpos contra essas
proteínas. Se esse vírus está coberto de
1. Resistência à fagocitose – Pneumococo
anticorpos, o vírus encontra-se neutralizado e
tem uma capsula escorregadia, no qual o
consegue combater. Porém, o vírus sofreu uma
macrófago ao tentar fagocitar ele acaba
mutação e o que era H1N1 virou H3N2, logo
escorregando e escapando.
todo anticorpo que você tinha para a molécula
2. Inibição da ativação do sistema
anterior (para determinado sorotipo) não serve
complemento – como o complemento
para a que sofreu mutação (variação
age? O complemento são as proteínas
antigênica).
produzidas pelo fígado, que são ativadas
na superfície do patógeno, ativados na
cascata do complemento que termina no
MAC (complexo de ataque as
membranas) que forma o poro e então a
bactéria sofre uma lise osmótica.
Algumas bactérias produzem
substâncias que inibem proteínas do
sistema complemento de serem clivadas,
não tem continuação da cascata, nem
formação do MAC.
3. Variação antigênica – variação de
moléculas de superfícies de vírus e
bactérias na fase extracelular. Qual a
importância dessas moléculas que são A variação antigênica pode acontecer de duas
expressas ali na superfície da célula? maneiras:
Elas são os alvos do anticorpo. O 1. Deriva antigênica – é quando se tem
anticorpo vem, secreta e aí se ligam a mutações pontuais, alterando um pouco
essas moléculas de superfície. Uma vez as moléculas de superfície. Tem-se uma
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neutralização parcial, não causa danos
na população em geral, não é um vírus
novo (apresentam sorotipos diferentes).
2. Desvio antigênico – dois vírus que
podem contaminar simultaneamente a
mesma célula e podem trocar material
genético (na hora da replicação na
célula). Tem-se um vírus completamente
diferente ao original.

A cápsula polissacarídica e a proteína M que


inibem essa adesão para a fagocitose, pois é
escorregadia. Proteína M faz com que o fagócito
tente se encaixar, mas acaba se livrando da
fagocitose.
CHIPS – é uma proteína que inibe os receptores
da quimiocina dos neutrófilos que
consequentemente não migra para o gradiente
de concentração (passa direto).
Porque aconteceu um desvio antigênico
(rearranjo genômico) e acabou criando um
vírus completamente diferente/novo para a
humanidade e ninguém tinha anticorpo para
combater esse novo vírus. Todos estavam
susceptíveis.

Os helmintos produzem glicoproteínas que


agem sobre mastócitos inibindo a sua
degranulação e a liberação de quimiocinas.

Essa variação antigênica não acontece somente


em vírus, acomete também bactérias. As
bactérias podem modificar as suas moléculas
de superfície, criando assim outros tipos
(sorotipos) passando despercebido pelo
sistema imunológico, tendo que ativa-lo
novamente.

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