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Física I

6 ROTAÇÃO, MOMENTO
ANGULAR E EQUILÍBRIO
ESTÁTICO
Esta unidade irá aprofundar o estudo do movimento de rotação. Para tanto será defi-
nido, inicialmente, o momento de inércia, capaz de substituir a massa nos cálculos
envolvendo esse tipo de movimento. Em seguida, será utilizado o momento linear,
grandeza associada a corpos em movimento de translação, para definir o momento
angular, ressaltando a sua conservação e a aplicação desse conceito na análise dos
movimentos de rotação.

Por fim, você verá que a aplicação de uma força é capaz de gerar um momento, cujo
módulo depende da força e da distância de aplicação em relação ao eixo de rotação.
De posse dessas grandezas, será possível definir as condições necessárias para que
um corpo adquira o equilíbrio estático, considerando a sua translação e rotação, bem
como, nesse contexto, será aplicado o conceito no entendimento de uma das primei-
ras e mais importantes máquinas simples desenvolvidas pelo homem: as alavancas.

Vamos lá?

INTRODUÇÃO
Você já viu uma bola de futebol chutada “com efeito”? Ela parece ter um comporta-
mento impossível, girando e fazendo uma curva que, muitas vezes, parece desafiar
nosso senso comum. O comportamento de uma bola, nessas condições, está longe
de ser “simples”: ele envolve a resistência do ar, as ranhuras da bola, a velocidade
aplicada pelo jogador e, até mesmo, a temperatura do ar. Seu movimento pode ser
considerado uma combinação dos movimentos de translação e rotação, e cada um
desses movimentos pode ser estudado em separado.

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Na indústria, o mesmo acontece: desde o movimento de um braço mecânico, articu-


lado em torno de um eixo livre, até as rotações observadas, um sistema de engrena-
gens helicoidais, a análise de movimentos mais complexos é uma necessidade para
uma melhor compreensão de seu funcionamento para assim otimizar suas funções.
Nesta unidade, você estudará movimentos como esses, envolvendo a sua decompo-
sição em casos mais simples.

Bons estudos!

6.1 MOMENTO DE INÉRCIA

As partículas, corpos sem dimensões definidas, são bastante interessantes para a


descrição cinemática dos movimentos. No entanto, como não têm comprimento,
largura ou altura, elas são insuficientes para que se possa analisar os movimentos de
rotação e translação, principalmente quando ocorrem simultaneamente.

Define-se, para essa finalidade, o corpo rígido como sendo o conjunto de partículas
que se agrupam de tal maneira que a distância entre as partes que constituem o
corpo não se altere em relação a um referencial determinado. O corpo rígido pode
executar um movimento de rotação, de translação ou os dois, simultaneamente.

Quando um corpo rígido (ou, simplesmente, CR) gira em torno de um eixo, pode-se
determinar o seu movimento escolhendo um ponto P, pertencente ao corpo, e anali-
sar o seu movimento em relação ao eixo cartesiano considerado, cuja orientação será
mantida fixa (MARQUES, 2016). Como o corpo é rígido, pode-se descrever seu movi-
mento em função de um raio r (que será invariável) e de um ângulo θ, cuja variação
será acompanhada. Esse ângulo é a posição angular do corpo rígido e é representa-
da, no SI, por radiano (rad).

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O radiano (rad) é uma unidade de medida de ângulo que corresponde ao


ângulo central definido por um arco de circunferência com comprimento
igual ao próprio raio. Como referência, uma volta inteira na circunferência
equivale a um ângulo de 2π radianos.

Diz-se que um corpo sofreu um deslocamento angular (∆θ quando sua posição
angular sofre uma variação em função do tempo, o que nos permite definir, entre
outras grandezas, a sua velocidade angular (𝜔).

A velocidade escalar, v, de um corpo rígido é dado pela equação a seguir:

v = 𝜔 .r Equação 1

Quando se tenta retirar um corpo de sua posição, seja em repouso ou movimento,


esbarra-se em uma certa “dificuldade”. Você já deve ter reparado que é mais difícil
retirar do seu estado de repouso ou de movimento um grande objeto, como um
armário, do que um de pequenas dimensões, como uma bola de tênis. Essa dificul-
dade se associa a uma grandeza física chamada inércia. Ao se colocar um objeto em
movimento de rotação, a inércia será provocada não apenas por sua massa, mas pela
distância que essa massa se encontra em relação ao eixo de rotação. Assim, tem-se
uma grandeza, o momento de inércia (I) capaz de indicar a resistência ao movimen-
to de rotação (MARQUES, 2016).

Para sistematizar essa grandeza, observe o caso a seguir, que representa uma massa
m girando em torno de um eixo O, a uma distância d do mesmo.

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FIGURA 72 - PARTÍCULA GIRANDO EM TORNO DE UM EIXO

Fonte: Elaborada pelo autor.

O momento de inércia da partícula será dado por:

I = m.d2 Equação 35

A unidade do momento de inércia, no SI, é o kg.m2.

O momento de inércia de um corpo é a medida de sua resistência ao movimento de


rotação.

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Uma bola de 200 g encontra-se na extremidade de um barbante de 1,5 m,


colocado para girar com velocidade constante. Determine o momento de
inércia desse corpo.

Resolução:

m = 200 g = 0,2 kg

d = 1,5 m

I = m.d2

I = 0,2.(1,5)2

I = 0,45 kg.m2

Para calcular o momento de inércia dos corpos rígidos mais complexos, deve-se consi-
derar que cada fragmento apresenta um momento de inércia próprio. Assim, por
exemplo, se fosse possível representá-lo como formado por três partículas, o momen-
to de inércia do corpo será a soma dos três momentos de inércia das partículas que
o compõem, ou seja:

IC = I1 + I2 + I3

Mas e se tiver uma distribuição contínua, de maneira que não seja possível individua-
lizar os fragmentos? Nesse caso, deve-se dividi-los em pedaços discretos, de massa
dm, e realizar uma operação de integração sobre todo o seu volume. Assim:

I = ∫ x 2 dm Equação 36

A resolução dessa integral possibilita expressar dm em função de x, a distância desse


elemento de massa até o eixo de rotação.

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Diversos corpos rígidos apresentam um momento de inércia definido, como se pode


ver na figura a seguir. Para esses casos, não é necessário realizar o cálculo por meio da
integral, bastando substituir suas dimensões.

FIGURA 73 - MOMENTO DE INÉRCIA PARA DIVERSOS CORPOS RÍGIDOS

Fonte: LISBÔA, 2015.

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Você já deve ter reparado que uma bola, quando chutada em alta velocida-
de, pode apresentar uma trajetória completamente inesperada. O mesmo
fenômeno ocorre se a deixarmos cair de uma grande altura e dificulta
bastante a determinação do local de impacto. Esse fenômeno é conhecido
como Efeito Magnus, e deve seu nome ao físico e químico alemão Gustav
Magnus. Conforme observado por esse cientista, o movimento de rotação de
um corpo é alterado pela presença de um fluido (termo utilizado para indi-
car gases ou líquidos). A justificativa desse fenômeno envolve a diferença de
pressão observada em pontos dos fluidos sujeitos a diferentes velocidades e
conhecida como Princípio de Bernoulli. Assim, quando se chuta uma bola, o
ar arrastado por ela pode estar na mesma direção do seu movimento, geran-
do uma menor pressão (e uma maior velocidade), ao passo que o ar que se
movimenta em direção contrária apresenta maior pressão e menor veloci-
dade. O efeito resultante é a modificação da trajetória esperada, o chamado
de Efeito Magnus.

6.1.1 ENERGIA CINÉTICA DE ROTAÇÃO

Pode-se perceber que a relação entre a velocidade escalar e a velocidade angular em


um corpo rígido é dada pelo seu raio, r. Ao se considerar que ele seja formado por
um conjunto de pontos Pi, com massa mi e velocidades vi, tem-se que sua energia
cinética será o somatório das energias cinéticas de seus pontos constituintes, ou seja:

1 2 2


mi ri vi Equação 37
i =1
2
1 2
Como o produto ω se repete em todos os termos do somatório, pode-se reescrever
2
a expressão como:

1 2
Ec = Iω Equação 38
2
Onde a grandeza I é dada por:

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I = ∑ i =1 mi di2

Equação 39

É o momento de inércia do corpo em relação ao eixo de rotação. É importante ressal-


tar que o momento de inércia depende, sempre, do eixo de rotação escolhido, o que
deve estar explícito na situação analisada.

Tem-se que observar que a equação apresentada permite calcular a energia cinética
de um corpo que tenha apenas o movimento de rotação. Será analisado, posterior-
mente, o que ocorre se o movimento de translação estiver associado ao de rotação.
Note que a expressão da energia cinética é análoga ao seu caso mais conhecido
 mv 2 
 Ec = , sendo o momento de inércia análogo à massa. Se o corpo rígido estiver
 2 
em translação, seu momento de inércia e velocidade angular irão corresponder,
nessa ordem, à massa do corpo e à sua velocidade de translação, uma vez que, nesse
momento, todos os pontos apresentam a mesma velocidade.

Uma esfera de massa igual a 2,5 kg encontra-se presa na extremidade de


uma corda de 0,2 m, girando com velocidade angular constante de 18 rad/s.
Calcule sua energia cinética.

Resolução:

m = 2,5 kg

𝜔 = 18 rad/s

d = 0,2 m
I = m.d 2 → I = 2, 5.0, 22 → I = 0,1kg .m 2
1 1
Ec = I ω 2 → Ec = .0,1.182 → Ec = 16, 2 J
2 2

O caso analisado anteriormente é válido se o corpo apresenta apenas movimento de


rotação, de forma que seu centro de massa não varia sua posição ao longo do tempo.
No entanto, se o corpo também translada (ou seja, se seu centro de massa se desloca
ao longo do tempo), tem-se que considerar também a energia cinética de translação.
Assim, tem-se:

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EC = EC(rotação) + EC(translação) Equação 40

Como a energia cinética de rotação é mais bem expressa em função do momento


de inércia, e a energia cinética de translação diz respeito ao movimento do centro de
massa do corpo, pode-se reescrever a equação anterior como:

1 2 1 2
Ec = mv + I ω Equação 41
2 2

Uma bola de boliche, de massa igual a 2,5 kg e raio 0,2 m, rola sem escor-
regamento ao longo de uma pista, girando com velocidade angular de 18
rad/s enquanto seu centro de massa se desloca a 20 m/s. Calcule sua energia
cinética total.

Resolução:
1 2 1
Ec = mv → Ec = 2, 5.202 → Ec = 500 J
2 2

O momento de inércia da esfera, conforme apontado na figura apresentada,


é dado por:
2 2 2
I= mr → I = .2, 5.0, 22 → I = 0, 04kg .m 2
5 5

A energia cinética de rotação será dada por:


1 2 1
Ec = I ω → Ec = 0, 04.182 → Ec = 6, 48 J
2 2

A energia cinética total será dada por:

EC = EC(rotação) + EC(translação)

EC = 6,48 + 500 = 506,48 J

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6.1.2 TEOREMA DOS EIXOS PARALELOS

Quando se observam os momentos de inércia apresentados em tabelas, como apre-


sentado, percebe-se que os eixos de rotação sempre passam pelo centro de massa.

Para resolver outras situações, nas quais isso não ocorre, recorre-se ao Teorema de
Steiner, também conhecido como Teorema dos Eixos Paralelos. Sua ideia é bastante
simples e permite calcular os momentos de inércia para quaisquer eixos de rotação
definidos. Se se sabe o momento de inércia (I) de um corpo em torno de um eixo
definido, seu momento de inércia em relação a outro eixo será dado pela expressão
abaixo (NUSSENZVEIG, 2013):

I = ICM + m.x2 Equação 42

Nessa equação, ICM é o momento de inércia conhecido, que atravessa o centro de


massa (CM) do corpo, m é a sua massa, e x é a distância entre o eixo no centro de
massa e o eixo desejado. É importante observar que o novo eixo deve ser paralelo ao
eixo original, para que o teorema possa ser aplicado.

FIGURA 74 - EIXO PASSANDO PELO CENTRO DE MASSA (1) E EIXO PARALELO (2)

d
m

Fonte: Elaborada pelo autor.

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Uma casca esférica, de raio igual a 50 cm e 3 kg de massa, apresenta um


eixo que passa por seu centro de massa e por onde ela pode ser rotacionada.
Outro furo foi feito nessa casca e um novo eixo foi introduzido, paralelo ao
anterior e com distância de 5 cm em relação a ele. Determine a variação o
momento de inércia nos dois casos.

Resolução:

O momento de inércia considerando o eixo que passa pelo centro de massa


será dado por:
2 2 2
I CM = mr → I CM = 3.(0, 5) 2 → I CM = 0, 50kg .m 2
3 5

Repare que o momento de inércia de uma casca esférica é tabelado. Agora, veja os
cálculos quando é inserido um novo eixo:

I = ICM + m.x2

I = 0,50 + 3.(0,05)2

I = 0,5075 kg.m2

6.2 MOMENTO ANGULAR E SUA CONSERVAÇÃO

Na Física, têm-se certas grandezas que se conservam, ou seja, mantêm-se constantes


durante um certo processo. Isso ocorre com a energia mecânica, cujo valor permane-
ce inalterado se não existirem forças dissipativas, como o atrito.

Todo corpo em movimento apresenta uma grandeza associada chamada de momen-


to linear (p).

p = m.v Equação 43

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Durante as colisões, essa grandeza é conservada. Agora, associa-se uma grandeza


semelhante, mas relacionada ao movimento de rotação: o momento angular (L).
Para determinar essa grandeza, é preciso substituir a massa pelo momento de inér-
cia, e a velocidade, pela velocidade angular. Assim:

L = I.𝜔 Equação 44

Sabe-se que:

I = m.r2 Equação 45
v
ω= Equação 46
r

Rearranjando a expressão do momento angular, tem-se que:

mr 2 v
L= → L = mrv Equação 47
r
A unidade do momento angular será o produto das grandezas da equação apresen-
tada: kg.m2/s. Observe, na figura a seguir, a relação vetorial entre as grandezas envol-
vidas no movimento de rotação.

FIGURA 75 - MOMENTO ANGULAR DE UMA PARTÍCULA EM ROTAÇÃO

d=R
V= R s

O
P R

mv

Fonte: EDITORA MODERNA, 2011.

O vetor momento angular apresenta direção perpendicular ao plano do movimento,


e sentido dado pela regra da mão direita. O dedo polegar indicará o sentido do vetor
L, ao passo que os dedos se dobram na direção de r para mv. Observe a aplicação
dessa regra, na figura a seguir:

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FIGURA 76 - REGRA DA MÃO DIREITA APLICADA AO MOMENTO ANGULAR.

r
O

mv

Fonte: EDITORA MODERNA, 2011.

Veja um exemplo prático, a seguir.

Determine o momento angular de uma partícula de 2 kg realizando um


movimento circular uniforme de raio 3,8 m e velocidade de 15 m/s. Determi-
ne também sua velocidade angular.

Resolução:

O momento angular da partícula será dado por:

L=mrv

L = 2.(3,8).15

L = 114 kg.m2/s

A velocidade angular da partícula será calculada por:


v 15
ω= →ω = = 3, 95rad / s
r 3, 8

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Pode-se estender o conceito de momento angular a movimentos variados: basta


encontrar a distância da partícula ao eixo de rotação e determinar a projeção perpen-
dicular da velocidade. Assim:

L=mrvsen(θ) Equação 48

• Na expressão apresentada, θ é o ângulo formado entre a direção do raio r e a


direção do vetor velocidade.

O momento angular é uma grandeza conservada em sistemas isolados, ou seja,


formados por corpos rígidos que interajam apenas entre si. Dessa forma, pode-se
escrever essa conservação como:

Lfinal = Linicial Equação 49

Ao escrever o momento angular como L = I.𝜔 , tem-se que:

Ifinal. 𝜔final = Iinicial. 𝜔inicial Equação 50

Assim, pode-se perceber que modificações no momento de inércia causarão modi-


ficações na velocidade angular, e vice-versa. Um exemplo de fácil visualização é o de
uma patinadora executando um movimento de rotação em torno do seu próprio
eixo. Com os braços abertos, a patinadora tem uma velocidade angular 𝜔1 . Ao fechar
os braços, sua velocidade angular aumenta, passando para 𝜔2 , devido à redução de
seu momento de inércia.

FIGURA 77 - CONSERVAÇÃO DO MOMENTO ANGULAR

Fonte: EDITORA MODERNA, 2011.

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Veja um exemplo prático, a seguir.

Suponha que uma patinadora gire, com os braços abertos, com um momen-
to de inércia equivalente a 4 kg.m2 em uma pista de gelo (despreze o atrito).
Sua velocidade angular, nessas condições, é de 3 rad/s. Ao fechar os braços,
seu momento de inércia é reduzido para 2,5 kg.m2. Qual será a sua velocida-
de angular nessa nova configuração?

Resolução:

Como o atrito é desprezado, podemos considerar que há conservação do


momento angular. Assim:

Ifinal. 𝜔final = Iinicial. 𝜔inicial

2,5. 𝜔final = 4.3

𝜔final = 12/2,5

𝜔final = 4,8 rad/s

Conforme previsto, a velocidade angular aumentou em decorrência da diminuição


do momento de inércia da patinadora.

6.3 MOMENTO DE UMA FORÇA (TORQUE)

Ao abrir ou fechar uma porta, faça um experimento bastante simples: tente fazer esse
movimento aplicando força próximo às dobradiças e, depois, mantendo uma força
similar, repita o processo na posição mais distante, onde se localiza a maçaneta. Você
verá que, quanto mais distante do eixo de rotação, mais fácil será deslocar a porta.

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O mesmo acontece quando ao trocar o pneu de um carro. Uma chave de rodas gran-
de facilita muito o trabalho de desapertar e, posteriormente, apertar os parafusos. A
grandeza física responsável por esses fenômenos é o momento da força, bastante
conhecida nos meios profissionais como torque.

De acordo com a Segunda Lei de Newton, tem-se uma relação direta entre força,
massa e aceleração, dada por:

F = ma Equação 51

Ao aplicar uma força em um corpo na mesma linha de seu centro de massa, ele
poderá se deslocar, realizando uma translação. No entanto, se essa força for aplicada
em outra direção, uma parte dela (paralela ao seu centro de massa) induzirá a rota-
ção do corpo e, dessa força, produzirá um momento. Pode-se calcular esse momento
através da seguinte equação:

M = F.d.sen(θ) Equação 52

• Onde M é o momento da força (em N.m), F é a força aplicada (em N), e d o


braço da força (m), que equivale à distância entre seu ponto de aplicação e o
eixo de rotação.

Uma força F, de módulo 200N, é aplicada sobre a ferramenta representada a seguir.


Determine o momento dessa força em relação ao eixo de rotação do parafuso.

FIGURA 78 - APLICAÇÃO DA FORÇA

15cm

Fonte: Elaborada pelo autor.

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Resolução:

M = F.d.sen(θ)

O ângulo entre a aplicação da força e a barra é de 90°, e sen90° = 1. Assim:

M = 200.(0,15).1

M = 30 N.m

A direção e o sentido do vetor torque (momento de uma força) podem ser determi-
nados pela regra da mão direita, conforme representado na figura a seguir:

FIGURA 79 - VETOR TORQUE

Fonte: HELERBROCK, s.d.

Quando um corpo é rotacionado no sentido horário, seu torque é negativo. Por outro
lado, se for rotacionado no sentido anti-horário, seu torque será positivo. Os dedos
abertos da mão direita acompanham a força e o braço da força, ao passo que o dedão
dará o sentido do vetor torque.

O torque provoca uma aceleração angular (α) , cujo módulo pode ser determinado ao
introduzir as grandezas angulares na sua expressão.

Considere a seguinte situação, na qual uma partícula encontra-se presa por uma
barra muito fina, de massa desprezível e comprimento d, enquanto uma força F é
aplicada sobre ela (NUSSENZVEIG, 2013).

F = ma Equação 53

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A aceleração angular e a aceleração escalar estão relacionadas pela distância da


partícula ao eixo de rotação, d.

a = d.α Equação 54

Substituindo, na Segunda Lei de Newton, tem-se que:

F = md α Equação 55

Retomando a expressão do torque:

M = F.d.sen(θ) Equação 56

Isolando a força na expressão acima, tem-se:

M
F= Equação 57
dsen(θ )
Igualando as duas expressões para a força que analisamos anteriormente, tem-se:

M
= mdα Equação 58
dsen(θ )
Considerando o ângulo reto, e sen(90°) = 1, obtém-se:

M = md2 α Equação 59

Porém, como visto, I = md2. Substituindo na expressão acima, obtém-se:

M = I. α Equação 60

Essa expressão é aplicável a qualquer corpo rígido, e demonstra a relação entre o


torque, a aceleração angular e o momento de inércia.

FIGURA 80 - RELAÇÃO TORQUE, ACELERAÇÃO E INÉRCIA

m
90º

Fonte: Elaborada pelo autor.

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Uma barra horizontal de 2,0 m de comprimento e 3 kg de massa está presa


por uma de suas extremidades em um suporte que permite a sua rotação.
Em certo momento, uma força de 80 N passa a atuar em um ponto a 0,5 m
do ponto de apoio, formando 45° com a barra. Calcule o torque e a acelera-
ção angular dessa barra.

Resolução:

O torque será dado por:

M = F.d.sen(θ)

2
=M 80
= .0, 5 28, 3 N .m
2
A aceleração angular pode ser obtida pela seguinte relação:

M = I. α

O momento de inércia de uma barra rígida girando a partir de sua extremi-


dade é:

1
I = md 2
3
1
I = 3.22 = 4kg .m 2
3
28, 3 = 4.α
α = 7,1rad / s 2

As equações obtidas anteriormente são aplicáveis a quaisquer movimentos circula-


res, uma vez que o momento pode ser escrito em função da aceleração angular.

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6.4 EQUILÍBRIO DE ROTAÇÃO DOS CORPOS


RÍGIDOS

No estudo dos corpos em movimento, foi visto que a determinação de sua veloci-
dade, aceleração e posição é essencial para a descrição desses fenômenos de forma
satisfatória. No entanto, nem sempre o movimento ocorrerá. Quando o engenheiro
projeta um edifício, por exemplo, ele deseja que ele permaneça em repouso, em uma
situação de equilíbrio (HALLIDAY; RESNICK; KRANE, 2003).

Para que um objeto se mantenha em repouso, sem translação, é necessário que a


soma das forças aplicadas sobre ele seja nula, conforme encontramos na Primeira
Lei de Newton. No entanto, mesmo sem sofrer translação ele pode, ainda rotacionar.
Para que tal fato não ocorra, deve-se garantir outra condição: que o torque resultante
sobre ele seja nulo.

Um corpo em equilíbrio de rotação terá um torque resultante nulo.

Uma barra homogênea, de comprimento total igual a 2,0 m, está engastada


pelo ponto P, sendo livre para girar em torno desse ponto, que se situa a 0,6
m de uma de suas extremidades, na qual se aplica uma força F1 = 30 N. Deter-
mine a força que deve ser aplicada na outra extremidade para que a barra
não apresente rotação.

Resolução:

Para que não ocorra rotação, o momento resultante sobre a barra deve ser
nulo. Note que a força F1 é capaz de produzir rotação no sentido anti-horário,
que, como convencionado, receberá um valor positivo, o mesmo ocorrendo
com F2. Assim:

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M1 + M2 = 0

F1.d1. sen(θ) + F2.d2. sen(θ) = 0

30.0,6.1 + F2.(1,4).1 = 0

F2 = - 12,86 N

(O sinal negativo indica que F2 tem sentido contrário em relação a F1.)

FIGURA 81 - APLICAÇÃO PRÁTICA

F1

d2 d1

F2

Fonte: Elaborada pelo autor.

Como observado, no exemplo apresentado, se o braço da força é maior, será deman-


dada uma força menor para obter o mesmo efeito. Esse princípio é utilizado na cons-
tituição das alavancas, máquinas simples que estão no centro de diversas aplicações
práticas, como os guindastes e muitas ferramentas. As alavancas são utilizadas desde
a Antiguidade, possibilitando o deslocamento de objetos pesados (NUSSENZVEIG,
2013).

Observe o esquema a seguir:

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Física I

FIGURA 82 - O EQUILÍBRIO EM ALAVANCA

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM, 2019.

Com a alavanca representada, é possível equilibrar um corpo de 100 kg com outro, de


5 kg. Suponha que a alavanca tenha um comprimento total de 10 m. A condição de
equilíbrio, conforme mostrado, será:

M1 = M2 Equação 61

A força aplicada em ambas as extremidades da alavanca será o peso dos corpos,


lembrando que P = mg. Assim:

m1ga = m2gb

100.g.a = 5.g.b

Como a + b = 10, pode-se representar a = 10 – b. Substituindo na expressão anterior,


tem-se que:

100(10 – b) = 5.b

1000 – 100b = 5b

-105b = -1000

b = 9,52 m e a = 0,48 m

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SUMÁRIO 185
Física I

Arquimedes e as alavancas

Arquimedes (287-212 a.C.) foi o maior sábio da Antiguidade, sendo respon-


sável pelas bases da Estática e da Hidrostática ao analisar fenômenos como o
empuxo e compreender o funcionamento das alavancas. É dele uma famo-
sa frase: “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo”.
Uma de suas descobertas, o parafuso de Arquimedes, é utilizada até hoje no
bombeamento de água e de grãos.

CONCLUSÃO
Foram vistos, nesta unidade, diversos conceitos de grande importância para trabalhar
com o movimento de rotação dos corpos, como o momento de inércia, o momento
angular e o momento de uma força. No seu cotidiano profissional, diversos mecanis-
mos se aproveitam dessas grandezas, como o deslocamento de cargas em balanço
por guindastes ou as engrenagens, nas quais a transmissão de torque é utilizada para
potencializar o trabalho realizado.

Durante os estudos, foi observado como a conservação do momento angular pode


ser utilizada no entendimento de fenômenos cotidianos, como a variação da veloci-
dade angular obtida ao se modificar o momento de inércia de um corpo. Também
foi visto como obter o equilíbrio de um corpo rígido, considerando não apenas a sua
translação, mas também sua rotação.

Por fim, ao aplicar os conceitos aprendidos na elucidação do funcionamento das


alavancas, foi possível compreender uma máquina simples cuja utilização, desde a
Antiguidade, possibilitou ao homem o desenvolvimento de máquinas mais comple-
xas, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da Engenharia nos
tempos modernos.

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