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Desde o início até dois seculos depois da Revolução

Industrial a sociedade ocidental se dizia definida pela


produção, o resultado das forças produtivas. Um exemplo claro
disso está na obra de Karl Marx, entendendo que existe uma troca
mútua entre o consumo e produção, se propôs a aprofundar mais
especificamente sobre o trabalho, a modificação da natureza pelo
homem.
A produção manteve sua predominância até o fim da Segunda
Guerra Mundial. A mudança foi precedida de momentos de grande
expansão, principalmente pelos EUA, durante a Segunda Guerra
Mundial ocorreu um crescimento industrial e de maquinários
(meios de produção) em decorrência da venda de material de
guerra. Ainda após a Guerra foi dedicada a produção de bens de
consumo, como geladeiras, automóveis, para abastecer um mercado
ascendente que ainda não possuía tais artefatos.
Ficou muito claro no início do sec XX as teorias
marxistas desenvolvidas no final do século anterior, uma visível
distinção social no capitalismo, de um lado os detentores de
meio de produção e do outro os que tinham que vender sua força
de trabalho. O que espantava Marx em sua época, continuava a
assombrar, era a incapacidade do trabalhador de desfrutar
daquilo que, muitas vezes ele mesmo, produz.
Isso se desenvolveu devido, segundo Marx, a uma disfunção
da forma valor, sendo segregada em dois tipos, o valor de uso e
o valor de troca. Aquilo para que o objeto realmente serve em
sua forma prática, valor de uso, sendo diferido do que é
agregado como discurso de venda, valor de troca. A predominância
do valor de troca sobre o de uso abstraiu as relações concretas
em mercadorias, formas de consumo, para se tornar possível a
acumulação de capital.
O que muitos marxistas acreditavam com o final da Segunda
Guerra era uma crise fatal ao capitalismo. Com tantos bens de
consumo sendo produzido por forças produtivas especializadas e
meios de produção aprimorados, o resultado era uma produção em
larga escala, maior muitas vezes que os próprios trabalhadores
poderiam consumir. Acreditava-se, e com viés de razão, que isso
geraria um colapso no valor de troca, uma crise da mercadoria em
si.
A crise de fato ocorreu, porém não do jeito esperado por
alguns marxistas. Ao invés de se esgotar a mercadoria, foi
esgotada a própria “sociedade do trabalho”. Só uma pequena parte
de trabalho ainda é necessária para suprir a produção.
A relação dada como fatal para o capitalismo entre o
trabalho e o consumo agora se demonstra como seu problema
central. O que fazer com a grande massa da humanidade que o
capitalismo não necessita mais como trabalho, devido ao grau de
automatização da produção.