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Universidade Estadual do Piauí – UESPI

Campus Dom José Vásquez Díaz


Curso: Letras/Português – Bloco 5
Disciplina: Literatura Brasileira Modernista – 90 h/a
Prof. Adriano Drumond
Aluna: Kellyane Pereira

1)Com base na leitura dos poemas "Ode ao burguês", "Lundu do escritor difícil", de
Mário de Andrade, e "Poética", de Manuel Bandeira, como se poderia caracterizar o
modernismo brasileiro na década de 1920? Faça referências a esses três textos, citando
passagens, e explore as informações contidas no artigo "O modernismo brasileiro e o
contexto cultural dos anos 20", de Aracy Amaral. É conveniente (mas não obrigatória) a
fundamentação em outras fontes.

Em Ode ao Burguês, Mário de Andrade atacou as elites retrógradas. O poema


caracteriza uma fase do Modernismo marcada pelo empenho na destruição de um
passado literário, político e cultural que mantinha a sociedade brasileira atada a modelos
e comportamentos que vigoraram em fins do século XIX.

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,


  o burguês-burguês!
  A digestão bem-feita de São Paulo! 
O homem-curva! O homem-nádegas! 
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, 
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

No contexto revolucionário do modernismo, o termo “burguês” tem um campo


semântico bem caracterizado. Com ele designa-se geralmente o inimigo, ou seja, o
indivíduo que, indiferente às propostas de modernização estética e social, permanece
preso ao passado. O próprio de seu comportamento é isolar-se do mundo por não querer
se sujar. Insensível aos clamores da vida, o burguês refugia-se numa redoma asséptica e
ali permanece, contemplando narcisicamente o próprio umbigo – “satisfeito de si”.
O poema Ode ao burguês, de Mario de Andrade, foi lido durante a Semana de
Arte Moderna de 1922 e apresenta um conjunto de características tipicamente
modernistas. Do ponto de vista formal, os versos livres, as estrofes heterogêneas e uma
linguagem coloquial, marcada pela irreverência, agressividade e um humor demolidor das
convenções burguesas, exemplificam o caráter de antidote e ironia que ela possui. Pois a
ode é uma palavra que em grego significa “canto”, poema lírico em geral que exalta
alguém ou algo, caracterizando-se por um tom alegre e entusiástico.
A ode faz a caricatura do burguês com imagens e cortes que quebram a
linearidade do texto, aproximando-o da linguagem cinematográfica.
A esses elementos da estrutura formal, acrescenta-se um conteúdo crítico no qual o traço
fundamental é a postura radicalmente contrária à burguesia, classe social que ascendeu ao
poder a partir da Revolução Francesa, no final do século XVIII.

Em Lundu do escritor difícil, Mário defende, com bom humor e ironia, a


importância da cultura popular na formação de uma identidade genuinamente brasileira,
uma das mais importantes pautas do Modernismo em sua primeira fase.
O poema e refere ao modo como as pessoas encaram os escritores e não avaliam
da forma certa suas obras literárias. Para o autor, ele é um escritor difícil, pois não tenta
se adequar aos padrões impostos pela sociedade. apresenta uma reflexão sobre a criação
de uma expressão literária brasileira, envolvendo questões que passam pela busca e
imitação de modelos estrangeiros, pelo desconhecimento da língua portuguesa utilizada
no Brasil e pela construção da identidade nacional.

Eu sou um escritor difícil Cortina de brim caipora,

Que a muita gente enquizila, Com teia caranguejeira

Porém essa culpa é fácil E enfeite ruim de caipira,

De se acabar duma vez: Fale fala brasileira

É só tirar a cortina Que você enxerga bonito

Qe entra luz nesta escures. Tanta luz nesta capoeira


Tal-e-qual numa gupiara. (...)”

No poema “Poética” de Manuel Bandeira, pode-se observar a forte influência da


estética modernista, que é um período de radicalidade, de rompimento com as estruturas
até então utilizadas no processo de criação de poemas. É uma época que mostra a
necessidade que acabar com as regras, metrificações e o rebuscamento das palavras,
como se utilizavam os parnasianos, dando mais valor ao léxico e à sintaxe do português
Brasileiro, um português corriqueiro, a língua falada pelo povo nas ruas. Em “Poética”
(um metapoeta, pois é um poema que fala de poesia) são claras essas características que
descrevem o momento literário que o Brasil estava passando. A vontade de criar uma
poesia nacional, com vocabulário simplificado, musicado, sem rimas e métricas e a
preferência pelo uso direto na disposição das palavras no verso.

Estou farto do lirismo comedido


Do lirismo bem-comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

"O modernismo brasileiro e o contexto cultural dos anos 20" nesse artigo
modernismo brasileiro visto em análise comparativa com outros movimentos
modernistas de países do Mercosul. Influências de tendências como o art déco em
artistas modernistas brasileiros. Nacionalismo na arte e características da produção das
principais figuras do movimento nos anos 20 e 30. Modernismo brasileiro constitui
interessante intermediação entre os dois polos do modernismo latino- -americano,
representados pelo México e pela Argentina, no panorama das artes plásticas nos anos
1920 em nosso continente. No Brasil, internacionalismo e nacionalismo foram
simultaneamente as características básicas do movimento modernista ocorrido nas letras
e artes a partir de meados da segunda década do século passado.

A glorificação do modernismo no Brasil é um processo que perpassa todo o


século XX e que envolve um conjunto de agentes – críticos, historiadores, curadores de
arte – e diversas práticas sociais, como o mercado de arte, as aquisições realizadas pelos
museus e, ainda por vezes, uma política cultural explicita levada a cabo pelo Estado, em
sua dimensão nacional ou regional. Em linhas gerais, pode-se dividir esse processo em
três fases.

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