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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO TOCANTINS

CAMPUS GURUPI
Aluno(a): Tallita Barbosa Ribeiro Carvalho
23 de ago. de 2021

POLARIDADE DAS MOLÉCULAS

O que é polaridade das moléculas?

A polaridade de uma molécula está relacionada com a tendência dos átomos


atraírem elétrons (eletronegatividade ou eletroafinidade) e com a geometria da
molécula. Podemos prever a eletronegatividade dos átomos de acordo com sua
posição na tabela periódica, sendo o flúor o elemento mais eletronegativo. Em uma
família a eletronegatividade aumenta de baixo para cima e no período da esquerda
para a direita.

Ordem decrescente de eletronegatividade

A polaridade de uma ligação e de uma molécula está relacionada à distribuição dos


elétrons ao redor dos átomos. Se essa distribuição for simétrica, a molécula será
apolar, mas se for assimétrica, sendo que uma das partes da molécula possui maior
densidade eletrônica, então se trata de uma molécula polar.

A polaridade das moléculas pode ser visualizada quando a sua substância


constituinte é submetida a um campo elétrico externo. Se as moléculas se
orientarem na presença desse campo, ou seja, se uma parte for atraída pelo polo
positivo e a outra parte da molécula for atraída pelo polo negativo, então, elas são
polares. Do contrário, se elas não se orientarem, elas são apolares.

Por exemplo, quando atritamos bastante um bastão de vidro com uma flanela, ele
fica carregado positivamente. Se o aproximarmos de um filete de água que cai de
uma torneira, veremos que a água não continuará caindo na trajetória retilínea na
vertical, mas ela será atraída pelo bastão, sofrendo um desvio. Isso mostra que a
água é polar. Mas se fizermos essa mesma experiência com um filete de óleo, ele
não sofrerá desvio na sua trajetória, mostrando que suas moléculas são apolares.

Ao analisarmos as estruturas das moléculas, podemos determinar se elas são


polares ou não, levando em consideração dois fatores importantes: a diferença de
eletronegatividade entre os átomos e a geometria da molécula.

Eletronegatividade entre os átomos:

Se a molécula for formada por ligações entre átomos dos mesmos elementos
químicos, isto é, se forem substâncias simples, tais como O2, H2, N2, Cℓ2, P4, S8, etc.,
elas serão apolares, porque não há diferença de eletronegatividade entre os seus
átomos. A única exceção é a molécula de ozônio (O3), que será vista mais adiante.
Se a molécula for diatômica e formada por elementos de eletronegatividades
diferentes, então, a molécula será polar. Exemplos: HCℓ, HF, HBr e HI.

Determinação da polaridade das moléculas a partir do número de nuvens e átomos


iguais:

a) Molécula polar:

Uma molécula é polar quando o número de nuvens eletrônicas no átomo central é


diferente do número de átomos (do mesmo elemento químico) ligados a esse
átomo.

Exemplos:

→ Molécula de água (H2O)

Fórmula estrutural da água

O oxigênio apresenta seis elétrons na camada de valência e utiliza esses elétrons


em cada uma das ligações simples com os átomos de hidrogênio. Logo, sobram
quatro elétrons não ligantes no oxigênio, os quais formam duas nuvens eletrônicas
(par de elétrons).

Como a molécula de água apresenta no seu átomo central 4 nuvens eletrônicas e


há 2 átomos do mesmo elemento (hidrogênio) ligados a ele, ela é polar.

→ Molécula de triclorometano (CHCl3)

Fórmula estrutural do triclorometano

O carbono apresenta quatro elétrons na camada de valência e utiliza esses elétrons


em cada uma das ligações simples com os átomos de cloro e com o átomo de
hidrogênio, não sobrando elétrons não ligantes no átomo central (carbono).

Como a molécula de triclorometano apresenta no seu átomo central 4 nuvens


eletrônicas (4 ligações simples) e 3 átomos do mesmo elemento (cloro) ligados a
ele, ela é polar.

b) Molécula apolar

Uma molécula é apolar quando o número de nuvens eletrônicas no átomo central é


igual ao número de átomos (do mesmo elemento químico) ligados a esse átomo.

Exemplos:

→ Molécula de gás carbônico (CO2)

Fórmula estrutural do gás carbônico


O carbono apresenta quatro elétrons na camada de valência e utiliza dois desses
elétrons em cada uma das ligações duplas com os átomos de oxigênio, não
sobrando elétrons não ligantes no átomo central (carbono).

Como a molécula de gás carbônico apresenta no seu átomo central 2 nuvens


eletrônicas (2 ligações duplas) e 2 átomos do mesmo elemento (oxigênio) ligados a
ele, ela é apolar.

→ Molécula de gás trióxido de enxofre (SO3)

Fórmula estrutural do trióxido de enxofre

O enxofre apresenta seis elétrons na camada de valência e utiliza dois desses


elétrons na ligação dativa e na dupla com o oxigênio, não sobrando elétrons não
ligantes no átomo central (oxigênio).

Como a molécula de trióxido de enxofre apresenta no seu átomo central 3 nuvens


eletrônicas (2 ligações dativas e uma ligação dupla) e 3 átomos do mesmo elemento
(oxigênio) ligados a ele, ela é apolar.

Determinação da polaridade das moléculas pelo vetor momento dipolar

Podemos determinar a polaridade de uma molécula utilizando a soma dos vetores


momento dipolar (μR). Um vetor momento dipolar é uma seta que indica para qual
átomo os elétrons de uma ligação estão deslocando-se (eletronegatividade).

● Quando a soma vetorial é zero, molécula apolar.

μR= 0

● Quando a soma vetorial é diferente de zero, molécula polar.

μR ≠ O
Exemplos:

Fórmula estrutural do ácido clorídrico

O HCl é uma molécula de geometria linear, e o átomo de cloro é mais eletronegativo


que o átomo de hidrogênio, logo, os elétrons da ligação entre eles tendem a se
aproximar do cloro, criando nele um polo negativo e, no hidrogênio, um polo
positivo. Como temos somente um vetor na molécula linear, a soma vetorial é
diferente de zero (μR ≠ O) e, por isso, a molécula é polar.

Fórmula estrutural do ácido clorídrico com vetor e polos.

Geometria molecular

Geometria molecular é a maneira como os os núcleos dos átomos que constituem a


molécula se acham posicionados uns em relação aos outros.

Abaixo estão representadas as geometrias moleculares mais importantes:


Observação: nas moléculas Lineares, Trigonais Planas e Tetraédricas não sobram
elétrons no átomo central; nas Angulares e Piramidais sobram elétrons no átomo
central.

CH2O – trigonal plana

HCl – linear

NH3 – piramidal

CO2 – linear
CH4 – tetraédrica

SO2 – angular

H2O – angular

Teoria da repulsão dos pares de elétrons da camada de valência (VSEPR)

A teoria ou método de VSEPR foi formulado em 1957 pelo cientista Ron Gillespie,
com o intuito de ser utilizada como uma ferramenta na predição da geometria das
moléculas, ou seja, a forma como a molécula está disposta no espaço. A sigla
inglesa VSEPR (pronuncia-se vésper) significa Valence Shell Electron Pair
Repulsion ou repulsão eletrônica entre os pares de elétrons na camada de
valência, também apresentada em alguns livros texto como TRPECV. Esta teoria
enfoca principalmente o que diz o seu nome. Em relação à máxima distância que os
pares solitários devem manter na organização da nuvem de elétrons ao redor do
átomo central. De acordo com os passos mostrados a seguir fica mais fácil fazer
esta predição:

Passos para determinação da forma de uma molécula no espaço:

1. Observar e desenhar a estrutura de Lewis para a molécula;


2. Contar o número de pares de elétrons ligados e isolados presentes na
molécula e determinar o número estérico (soma de todos os pares solitários
e ligados).
3. Fazer uma disposição arranjando dos pares de elétrons nos vértices de uma
figura geométrica, de forma a diminuir o máximo a repulsão entre os pares
solitários.

Vamos utilizar primeiramente como um exemplo a molécula de trifluoreto de cloro


ClF3.

Nesta estrutura observamos 2 pares solitários e 3 ligados, de posse disso somamos


2+3=5, ou seja, 5 é o número estérico.

Ao observar esta figura conclui-se que, apresentando o número estérico 5, a


molécula terá uma geometria chamada Bipiramidal Trigonal de acordo com a tabela
a seguir, e por possuir 2 pares solitários será enquadrada na subcategoria forma de
T, em virtude de este arranjo ser o que confere uma mínima repulsão entre os pares
de elétrons.

É importante salientar que a teoria VSEPR é eficiente na previsão de moléculas e


íons poliatômicos pequenos, uma das observações mais importantes consiste em
dar especial atenção aos pares solitários visto que estes exercem as forças que
influenciam nas ligações químicas, em virtude de o grande objetivo desta teoria ser
a determinação das formas moleculares que são de extrema importância para a
química no tocante a pontos de fusão e ebulição, energia de ligação e solubilidade.
Número Pares Geometria Figura
Estérico Solitários Geométrica

2 0 Linear

3 0 Trigonal
Plana

4 0 Tetraédrica

4 1 Pirâmide
Trigonal

4 2 Angular

5 0 Bipirâmide
Trigonal

5 1 Gangorra
5 2 T

5 3 Linear

6 0 Octaédrica

6 1 Pirâmide
Tetragonal

6 2 Quadrado
Planar

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