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HIGIENE DO TRABALHO I

Autoria: Audennille Marinho de Almeida

1ª Edição
Indaial - 2020

UNIASSELVI-PÓS
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:


Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Jóice Gadotti Consatti
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2019


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.

AL447h

Almeida, Audennille Marinho de

Higiene do trabalho I. / Audennille Marinho de Almeida. – In-


daial: UNIASSELVI, 2020.

144 p.; il.

ISBN 978-85-7141-430-3
ISBN Digital 978-85-7141-431-0
1. Higiene do trabalho. - Brasil. Centro Universitário Leonardo Da
Vinci.

CDD 363.110981
Impresso por:
Sumário

APRESENTAÇÃO.............................................................................5

CAPÍTULO 1
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS
AMBIENTAIS INERENTES À SEGURANÇA E SAÚDE DO
TRABALHADOR...............................................................................7

CAPÍTULO 2
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO
NA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR.........................55

CAPÍTULO 3
CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL...............101
APRESENTAÇÃO
Estimado pós-graduando, seja bem-vindo à disciplina de Higiene do Trabalho
I! Uma definição simples de higiene do trabalho é que ela é a ciência e a arte do
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos à saúde do trabalhador (SESI,
2007).

Neste sentido, ao longo de toda a disciplina, você terá a oportunidade


de aprender a avaliar os locais de trabalho, a diagnosticar se as atividades
desenvolvidas pelos colaboradores são realizadas sob condições insalubres e/ou
perigosas e, a partir de tais observações e estudos, propor medidas de controle
para os riscos ambientais a que estejam expostos, sempre respeitando todos os
âmbitos legais que reagem a segurança e saúde do trabalhador.

É importante ressaltar que você, como Engenheiro de Segurança do


Trabalho, tem algumas atribuições de acordo com a Resolução nº 325, de 27
novembro 1987 do CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia.
Algumas delas são:

CONSIDERANDO, ainda, que tal Parecer nº 19/87 é expresso


em ressaltar que deve a Engenharia da Segurança do Trabalho
voltar-se precipuamente para a proteção do trabalhador em
todas as unidades laborais, no que se refere à questão de
segurança, inclusive higiene do trabalho, sem interferência
específica nas competências legais e técnicas estabelecidas
para as diversas modalidades da Engenharia, Arquitetura e
Agronomia (CONFEA, 1987, p. 1).

Art. 1º - O exercício da especialização de Engenheiro de


Segurança do Trabalho é permitido, exclusivamente:
2- Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho
e das instalações e equipamentos, com vistas especialmente
aos problemas de controle de risco, controle de poluição,
higiene do trabalho, ergonomia, proteção contra incêndio e
saneamento;
4- Vistoriar, avaliar, realizar perícias, arbitrar, emitir parecer,
laudos técnicos e indicar medidas de controle sobre grau de
exposição e agentes agressivos de riscos físicos, químicos
e biológicos, tais como: poluentes atmosféricos, ruídos, calor
radiação em geral e pressões anormais, caracterizando
as atividades, operações e locais insalubres e perigosos
(CONFEA, 1987, p. 1).

Logo, faz-se necessário e indispensável que você se dedique e estude todo


o conteúdo deste livro, como também realize todas as atividades propostas na
disciplina, de modo a tornar-se um expert nos assuntos apresentados.
Desejamos a você bons estudos e sucesso em seu curso!

Professora Audennille Marinho de Almeida


C APÍTULO 1
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO
E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
À SEGURANÇA E SAÚDE DO
TRABALHADOR

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

• ênfase nas definições, propriedades, classificação e conceitos em geral na


área da higiene do trabalho, de forma objetiva e contextualizada;
• compreender a importância da higiene ocupacional para a segurança e saúde
do trabalhador;
• aprender os fundamentos e elementos-chave desta matéria para futuramente
aplicar em sua vida profissional este conhecimento de forma eficiente e
sustentável;
• reconhecer os riscos ocupacionais a que estão expostos os trabalhadores;
• aplicar as medidas de controle dos mesmos;
• conhecer a Norma Regulamentadora – NR15, que versa sobre atividades e
operações insalubres.
HiGiENE Do TrABALHo I

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
A higiene do trabalho trata sobre a prevenção das doenças oriundas do
trabalho de forma a se antecipar, reconhecer, avaliar e controlar os agentes/riscos
ambientais (SESI, 2007).

De acordo com a Occupational Health and Safety Management Systems


Quidelines for the Implementation (OHSAS) – 18001 (2007), pode-se entender
risco como sendo a combinação da probabilidade da ocorrência de um
acontecimento perigoso ou exposição(ões) e da severidade das lesões, ferimentos
ou danos para a saúde, que pode ser causada pelo acontecimento ou pela(s)
exposição(ões). Podemos considerar como agentes/riscos ambientais aqueles
que estão presentes no ambiente de trabalho e que podem causar danos à saúde
do trabalhador, podendo ser de natureza física, química ou biológica (SESI, 2007).

O agente/risco ambiental físico nada mais é que uma forma de energia


liberada por máquinas e equipamentos no ambiente de trabalho, dentre eles ruído,
vibração, calor/frio, radiações ionizantes e não ionizantes e pressões anormais
(SESI, 2007). Em especial, vamos estudar o ruído.

O ruído é um dos riscos mais encontrados nos ambientes laborais, podendo


causar danos irreversíveis aos trabalhadores. Para melhor entendimento dos tipos
e de que forma podem ser analisados os níveis que um trabalhador pode se expor
ao ruído, é extremamente importante conhecermos a Norma Regulamentadora -
NR 15 e seu Anexo 1.

As normas regulamentadoras, de maneira geral, foram criadas pelo Ministério


do Trabalho para assegurar a saúde e segurança do trabalho nas empresas. A
NR 15 trata sobre as atividades e operações insalubres presentes no ambiente
laboral, sendo mais um instrumento utilizado para assegurar a saúde e segurança
dos empregados e empregadores, tendo em vista que temos também a CLT –
Consolidação das Leis Trabalhistas.

2 INTRODUÇÃO À HIGIENE DO
TRABALHO
A segurança do trabalho sempre esteve presente na vida do homem desde
os tempos primórdios, muito embora ele mesmo não tivesse o conhecimento
exato sobre tais riscos a sua saúde e a sua vida. Deste modo, ela surge como

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HiGiENE Do TrABALHo I

forma de proteção e acompanha a evolução do homem em todos os momentos


(BARSANO; BARBOSA, 2018).

Há registros egípcios que mostram as relações entre o ambiente de trabalho


e os riscos decorrentes dele, como também questões sobre insalubridade,
periculosidade e penosidade das profissões (MATTOS; MÁSCULO, 2011).

Outro registro muito importante sobre relações de trabalho seguro nos


tempos antigos é o Código de Hamurabi, o qual contempla questões de ordem
penal, civil e algumas referentes ao direito do trabalho etc. Podemos destacar
como fato importante no tocante à segurança do homem, a parte do Código em
que o Imperador Hamurabi sentencia com pena de morte o arquiteto que construir
uma casa que se desmorone e cause a morte de seus ocupantes (RODRIGUES,
1982).

Neste sentido, em 1919 foi criada a Organização Internacional do Trabalho


– OIT – sendo uma das agências do Sistema das Nações Unidas composta
por representantes do governo, dos empregadores e dos empregados. Suas
principais características são: definir e promover normas e princípios e direitos
fundamentais no trabalho; criar maiores oportunidades de emprego e renda
decentes para mulheres e homens; melhorar a cobertura e a eficácia da proteção
social para todos; e fortalecer o tripartismo e o diálogo social (OIT, 2019).

Em 1950, o Brasil passou a ser parte integrante da OIT, seja na elaboração de


programas e atividades voltadas ao interesse da Organização, seja na promoção
do trabalho decente, que envolve temas como o combate ao trabalho forçado,
ao trabalho infantil e ao tráfico de pessoas, assim como a promoção do trabalho
decente para jovens e migrantes e da igualdade de oportunidades e tratamento
(OIT, 2019).

Um dos focos da OIT no Brasil também é a promoção de igualdade trabalhista


de grupos discriminados pela sociedade, por exemplo, LGBTs, sobretudo mulheres
e homens transexuais e pessoas com deficiência. Neste sentido, foi realizada em
2016 e 2017 uma série de Diálogos Nacionais sobre o Futuro do Trabalho em
comemoração ao centenário desta que se dá agora em 2019.

É muito importante que você conheça um pouco mais esta


organização acessando na íntegra o site oficial da OIT no Brasil (OIT,
2019). Acesse: www.oit.org.br.

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

2.1 CONCEITO DE HIGIENE DO


TRABALHO
Existem diversos conceitos para a Higiene do Trabalho ou, simplesmente,
Higiene Ocupacional.

A Higiene do Trabalho ou Higiene Ocupacional, de acordo com a American


Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH – (2019), é a ciência
e a arte do reconhecimento, da avaliação e do controle de fatores ou tensões
ambientais originadas do/ou no local de trabalho e que podem causar doenças,
prejuízos para a saúde e bem-estar, desconforto e ineficiência significativos entre
os trabalhadores ou entre os cidadãos da comunidade.

Outra definição ainda bem mais simples é que a Higiene do Trabalho visa
à prevenção da doença ocupacional por meio da antecipação, reconhecimento,
avaliação e controle dos agentes ambientais (SESI, 2007).

Ainda de acordo com SESI (2007), a Higiene Ocupacional possui interação


com outras áreas, como Medicina Ocupacional, área de Gestão Ambiental e
Ergonomia.

Para aprimorar seus conhecimentos sobre os aspectos


abordados na higiene ocupacional, assim como conhecer algumas
técnicas de avaliação de agentes ambientais leia, o seguinte livro:
SESI. Técnicas de avaliação de agentes ambientais: Manual
SESI. Brasília, 2007.

2.2 ASPECTOS PRIMORDIAIS DA


HIGIENE DO TRABALHO
Vamos entender um pouco sobre antecipação, reconhecimento, avaliação e
controle dos riscos ocupacionais, ou seja, o papel de cada uma destas etapas.

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HiGiENE Do TrABALHo I

• Antecipação

Fase em que você deve desenvolver, com outras equipes, novos projetos
ou modificações ou até mesmo ampliações de projetos, objetivando à detecção
precoce de fatores de risco inerentes aos agentes ambientais e propondo
medidas de projeto que possam atenuar, controlar ou até eliminar estes riscos.
Uma boa forma de fazer valer a antecipação é desenvolver normas preventivas
para compradores, projetistas, contratadores de serviços, no intuito de evitar
exposições desnecessárias a agentes ambientais causadas pela má seleção de
produtos, materiais e equipamentos (SESI, 2007).

• Reconhecimento

Etapa em que são conhecidos os agentes ambientais que possam causar


algum tipo de dano à saúde dos trabalhadores. O sucesso desta fase vai
depender muito do seu conhecimento sobre o processo produtivo, dos métodos
de trabalho, do fluxo do processo, do arranjo físico das instalações, do número
de trabalhadores expostos, dentre outros fatores relevantes. Lembrando que
se você deixar de reconhecer um agente tóxico em qualquer processo, ele não
será avaliado e nem controlado. Desta forma, é de suma importância realizar um
levantamento detalhado de todos os aspectos acima citados, neste sentido, uma
excelente medida é ir a campo, observando tudo e tendo o devido cuidado com os
acidentes nesses locais (IFPR, 2013).

O item 9.3.3 da NR9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, relata


que riscos ambientais deverão conter os seguintes itens, quando aplicáveis:

a) a sua identificação;
b) a determinação e localização das possíveis fontes geradoras;
c) a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos
agentes no
ambiente de trabalho;
d) a identificação das funções e determinação do número de trabalhadores
expostos;
e) a caracterização das atividades e do tipo da exposição;
f) a obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível
comprometimento da
saúde decorrente do trabalho;
g) os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados,
disponíveis na literatura
técnica;
h) a descrição das medidas de controle já existentes.

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

• Avaliação

Nesta etapa é feita uma avaliação quantitativa (realizada através de


medições com equipamentos, por exemplo, avaliação de ruído com a utilização
de dosímetro) e/ou qualitativa (realizada através de observação do ambiente
de trabalho para verificar se há ou não a exposição de agentes que possam vir
causar danos à saúde e segurança do trabalhador) dos agentes físicos, químicos
e biológicos existentes nos postos de trabalho. Através da avaliação, podemos
detectar os contaminantes, fazer a coleta das amostras (quando cabível), realizar
medições e análises das intensidades e das concentrações dos agentes, realizar
cálculos e interpretações dos dados levantados no campo, comparando os
resultados com os limites de exposição estabelecidos pelas normas vigentes
(IFPR, 2013).

• Controle

Após reconhecer e avaliar os riscos ambientais no ambiente de trabalho,


você irá propor medidas sobre as fontes e trajetória do agente de forma a atenuar
ou eliminar os riscos presentes, por exemplo, a instalação de cabines acústicas;
definir ações de controle no indivíduo, o que inclui a adoção de proteção individual
(SESI, 2007).

A NR9 apresenta em seu item 9.3.5 como devem ser


consideradas as medidas de controle. Conheça melhor esta norma.

Por que deve-se atuar primeiro na fonte e trajetória ao invés


de disponibilizar logo o equipamento de proteção individual (EPI)?
Reflita!

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HiGiENE Do TrABALHo I

2.3 ENTENDENDO LIMITE DE


TOLERÂNCIA E NÍVEL DE AÇÃO
Conforme o item 15.1.5 da NR15 – Atividades e Operações Insalubres,
aprovada pela Portaria 3.214/78, Lei nº 6.514/77, entende-se por "Limite de
Tolerância", para os fins desta norma, a concentração ou intensidade máxima ou
mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não
causará dano à saúde do trabalhador durante a sua vida laboral.

No Anexo 1 desta norma, encontramos os limites de tolerância para ruído


contínuo ou intermitente; Anexo 2, ruído de impacto; Anexo 3, para limites à
exposição ao calor; Anexo 8, para vibração; Anexo 11, para agentes químicos
cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de
trabalho; Anexo 12, para limites de tolerância para poeiras minerais.

Conheça na íntegra a NR15 e seus anexos através do site:


www.trabalho.gov.br.

Vale ressaltar que nem todos os agentes agressivos têm limite de tolerância.
Na NR15 temos mais de 230 produtos químicos agressivos listados, enquanto na
ACGIH americana/2016 temos mais de 750.

Exemplo: Para um trabalhador que exerce suas atividades em


jornada de trabalho de 8 horas diárias numa serralheria, o nível de
ruído no setor de acabamento da serralheria é 95dB.

Porém, de acordo com o Anexo 1 da NR15 – Atividades e Operações


Insalubres, aprovada pela Portaria 3.214/78, Lei nº 6.514/77, o máximo permitido
é 85dB numa jornada de 8 horas. Neste caso, o nível de exposição ultrapassa
o Limite de Tolerância permitido, assim é imprescindível que o engenheiro ou
técnico em segurança do trabalho adote medidas de controle para eliminar ou

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

reduzir o ruído para evitar as doenças ocupacionais causadas por este agente
físico (BRASIL, 1978).

Com relação ao “Nível de Ação”, encontramos no item 9.3.6.1 da NR9,


que esta considera nível de ação o valor acima do qual devem ser iniciadas
ações preventivas, de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições
a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição. As ações devem
incluir o monitoramento periódico da exposição, a informação aos trabalhadores
e o controle médico. Este recurso evita as doenças ocupacionais, auxiliando
na prevenção e promovendo mais qualidade de vida para exercer as tarefas
profissionais (BRASIL, 1978).

Ainda de acordo com a NR 9 (BRASIL, 1978), no item 9.3.6.2 diz que


deverão ser objeto de controle sistemático as situações que apresentem
exposição ocupacional acima dos níveis de ação, conforme indicado nas alíneas
que seguem:

a) para agentes químicos, a metade dos limites de exposição ocupacional


considerados de acordo com a alínea "c" do subitem 9.3.5.1;
b) para o ruído, a dose de 0,5 (dose superior a 50%), conforme critério
estabelecido na NR15, Anexo I, item 6.

A NR9 define também o nível de ação (NA) como sendo 50% do valor
do limite de exposição ocupacional (LEO), ou seja, NA=0,5xLEO ou 50% da dose
no caso de ruído. Isto é, para o caso de a exposição do trabalhador ser maior do
que o “Nível de Ação”. Assim deve-se considerar o trabalhador como exposto e
adotar as medidas de controle. Em suma, podemos entender que: se o nível de
ação for excedido em um dia típico, existe uma probabilidade maior de 5% de que
o limite de exposição será excedido em outros dias de trabalho (BRASIL, 1978).

Enfim, são estabelecidos limites de tolerância para alguns agentes


ambientais, assim como um Nível de Ação. Os limites estabelecidos devem ser
respeitados e tomadas as devidas medidas de controle para atenuar ou controlar
tais riscos (BRASIL, 1978).

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HiGiENE Do TrABALHo I

Vamos revisar um pouco: Vimos neste subtópico que a higiene


ocupacional é a ciência e a arte do reconhecimento, da avaliação e
do controle de fatores que podem causar danos à saúde e segurança
do trabalhador e que todas essas etapas estão entrelaçadas. Vimos
também que existe uma diferença entre o limite de tolerância e o
nível de ação, ou seja, que o nível de ação serve para que possamos
tomar medidas preventivas, sejam elas coletivas, individuais ou
administrativas, evitando que os limites de tolerância possam ser
ultrapassados de acordo com a legislação vigente.

3 NR 15 – NORMA
REGULAMENTADORA 15
As normas regulamentadoras (NR) foram criadas pela Portaria nº 3.214, de
8 de junho de 1978, com a finalidade de regulamentar o Capítulo V, Título II, da
CLT, relativo à segurança e medicina do trabalho. Possuem extrema relevância
para o profissional da área de segurança do trabalho devido ao fato de tratar
sobre a prevenção de acidentes de trabalho nas mais diversas áreas (BARSANO;
BARBOSA, 2018).

A legislação vigente conta com 36 normas regulamentadoras que versam


sobre diversos aspectos trabalhistas. No caso da NR15, trata das Atividades e
Operações Insalubre.

3.1 CONCEITOS GERAIS SOBRE


INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE
De acordo com a NR15, são consideradas atividades ou operações insalubres
as que se desenvolvem:

• acima dos limites de tolerância previstos nos anexos nº 1, 2, 3, 5, 11 e 12;


• nas atividades mencionadas nos anexos nº 6, 13 e 14;
• que sejam comprovadas através de laudo de inspeção do local de
trabalho, constantes dos anexos nº 7, 8, 9 e 10.

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

A realização de trabalho em condições de insalubridade assegura ao


trabalhador a percepção de adicional, sobre o salário mínimo da região,
equivalente a:

• 40% (quarenta por cento) para insalubridade de grau máximo;


• 20% (vinte por cento) para insalubridade de grau médio;
• 10% (dez por cento) para insalubridade de grau mínimo.

No item 15.3, temos que em caso de incidência de mais de um fator de


insalubridade será apenas considerado o de grau mais elevado, para efeito de
acréscimo salarial, sendo proibida a percepção cumulativa.

Já no item 15.4, diz que a eliminação ou neutralização da insalubridade


determinará a cessação do pagamento do adicional respectivo.

A eliminação ou neutralização da insalubridade deverá ocorrer com a adoção


de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro dos
limites de tolerância, com a utilização de equipamento de proteção individual,
prevista no item 15.4.1 da NR15.

• Periculosidade

Com a sanção da Lei nº 12.740, de 8 de dezembro de 2012, o artigo 193


da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) passou a regular todos os tipos de
periculosidade previstos na legislação trabalhista, para as atividades que implicam
risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a inflamáveis,
explosivos, energia elétrica ou roubos, ou outras espécies de violência física nas
atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial (CLT, 1943).

Também devido à promulgação da Lei nº 12.740 foi revogada, expressamente,


a Lei nº 7.369/1985 e, consequentemente, o Decreto n° 93.412/1986 que a
regulamentava, passando a CLT a disciplinar a periculosidade diante do risco de
energia elétrica (CLT, 1943).

A nova redação do Art. 193 da CLT ficou da seguinte forma:

CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas


Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas,
na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do
Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou
métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de
exposição permanente do trabalhador:
I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica;
II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades
profissionais de segurança pessoal ou patrimonial.
§ 1º O trabalho em condições de periculosidade assegura
17
HiGiENE Do TrABALHo I

ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre


o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações,
prêmios ou participações nos lucros da empresa.
§ 2º O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade
que porventura lhe seja devido.
§ 3º Serão descontados ou compensados do adicional outros
da mesma natureza eventualmente já concedidos ao vigilante
por meio de acordo coletivo (CLT, 1943, s.p.).

A regulamentação a que o artigo 193 da CLT se refere é aquela estabelecida


pela Portaria nº 3214, de 8 de junho de 1978, e modificações posteriores, que
estabeleceu as Normas Regulamentadoras – NR, nesse caso, a NR16 –
Atividades e Operações Perigosas.

3.2 ENTENDENDO E ANALISANDO O


ADICIONAL DE INSALUBRIDADE E
PERICULOSIDADE
• Graus de Insalubridade

A NR15 define os seguintes graus de insalubridade, conforme cada caso:

QUADRO 1 – NR-15: GRAUS DE INSALUBRIDADE

Anexo Atividades ou operações que exponham o trabalhador Percentual


Níveis de ruído contínuo ou intermitente superiores aos limites de tole-
1 rância fixados no Quadro constante do Anexo 1 e no item 6 do mesmo 20%
Anexo.
Exposição ao calor com valores de IBUTG, superiores aos limites de
3 20%
tolerância fixados nos Quadros 1 e 2.
Radiações não ionizantes consideradas insalubres em decorrência de
7 20%
inspeção realizada no local de trabalho.
Frio considerado insalubre em decorrência de inspeção realizada no local
9 20%
de trabalho.
Umidade considerada insalubre em decorrência de inspeção realizada no
10 20%
local de trabalho.
Agentes químicos cujas concentrações sejam superiores aos limites de 10%, 20% e
11
tolerância fixados no Quadro 1. 40%
Poeiras minerais cujas concentrações sejam superiores aos limites de
12 40%
tolerância fixados neste Anexo.
Atividades ou operações, envolvendo agentes químicos, consideradas 10%, 20% e
13
insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. 40%
14 Agentes biológicos. 20% e 40%
FONTE: Brasil (1978, p. 82)

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

• Adicional de Periculosidade

De acordo com a NR-16, item 16.2, o exercício de trabalho em condições


de periculosidade assegura ao trabalhador a percepção de adicional de 30%
(trinta por cento), incidente sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de
gratificações, prêmios ou participação nos lucros da empresa (BRASIL, 1978).

No item 16.2.1, temos que o empregado poderá optar pelo adicional de


Insalubridade que porventura lhe seja devido.

E no item 16.3, versa que é responsabilidade do empregador a caracterização


ou a descaracterização da periculosidade, mediante laudo técnico elaborado por
Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, nos termos do
artigo 195 da CLT (BRASIL, 1978).

3.3 INSALUBRIDADE (ANEXOS 1, 3, 7,


10, 11, 12 E 13) E PERICULOSIDADE
(ANEXOS 1, 2 ,3 E 4)
Anexo 1 – Exposição ao Ruído Contínuo ou Intermitente

Conforme o Anexo 1 da NR15 – Atividades e Operações Insalubres, aprovada


pela Portaria 3.214/78, Lei nº 6.514/77, os tempos de exposição ao ruído não
devem exceder os limites de tolerância fixados no quadro a seguir, além de não
ser permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que
não estejam adequadamente protegidos:

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HiGiENE Do TrABALHo I

QUADRO 2 – LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO


CONTÍNUO OU INTERMITENTE – ANEXO 1 da NB15

Nível de Ruído dB(A) Máxima exposição diária permissível


85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 30 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
FONTE: Brasil (1978, p. 1)

De acordo com o Anexo 1 da NR15, os níveis de ruído contínuo ou


intermitente devem ser medidos em decibéis (dB), com instrumento de nível de
pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e circuito de resposta
lenta (SLOW).

Anexo 3 – Calor

Os parâmetros que regulamentam o trabalho com exposição ao agente Calor


encontram-se estabelecidos no Anexo 3 da NR15 – Atividades ou Operações
Insalubres, a qual estabelece limites de tolerância para a intensidade do agente
no ambiente de trabalho.

O parâmetro a ser aferido é o IBUTG – Índice de Bulbo Úmido Termômetro


de Globo –definidos o IBUTG para ambientes internos e o IBUTG para ambientes
externos com carga solar.
20
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

O IBUTG para ambientes internos sem carga solar é calculado a partir da


medição de duas temperaturas: Tbn e Tg.

IBUTG = 0,7 Tbn + 0,3 Tg

Para ambientes externos com carga solar, o IBUTG é calculado a partir de


três medições: Tbs, Tbn e Tg.

IBUTG = 0,7 Tbn + 0,2 Tg + 0,1 Tbs

Para a definição do Limite de Tolerância deverão ser levados em consideração:


a existência de descanso durante a realização das atividades e o local de sua
realização, sendo utilizados os seguintes quadros da NR15 do Anexo 3:

QUADRO 3 – LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR,


EM REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE, COM PERÍODOS DE
DESCANSO NO PRÓPRIO LOCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO

Regime de Trabalho Intermitente com Descan- Tipo de Atividade


so no Próprio Local de Trabalho (por hora) Leve Moderada Pesada
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0
45 minutos trabalho
30,1 a 30,6 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
15 minutos descanso
30 minutos trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos descanso
15 minutos trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
45 minutos descanso
Não é permitido o trabalho sem a adoção de
acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30
medidas adequadas de controle
FONTE: Brasil (1978, p. 1)

QUADRO 4 – LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO


CALOR, EM REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE COM PERÍODO
DE DESCANSO EM OUTRO LOCAL (LOCAL DE DESCANSO)

M (Kcal/h) Máximo IBUTG


175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0
FONTE: Brasil (1978, p. 2)

21
HiGiENE Do TrABALHo I

QUADRO 5 – TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE

TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h


SENTADO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia). 125
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir). 150
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços. 150
TRABALHO MODERADO
180
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.
175
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
220
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
300
Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar.
TRABALHO PESADO
440
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá).
Trabalho fatigante.
550
FONTE: Brasil (1978, p. 2-3)

Anexo 7 – Radiações Não Ionizantes

NR15 – Atividades e Operações Insalubres


1. Para os efeitos desta norma, são radiações não ionizantes as micro-ondas,
ultravioletas e laser.
2. As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações
não ionizantes, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres, em
decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho.

Anexo 10 – Umidade

NR15 – Atividades e Operações Insalubres


1. As atividades ou operações executadas em locais alagados ou
encharcados, com umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde
dos trabalhadores, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de
inspeção realizada no local de trabalho.

Anexo 11 – Exposição a agentes químicos cuja insalubridade é


caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho

A NR15 – Atividades e Operações Insalubres, através de seu Anexo nº 11,


determina que “nas atividades ou operações nas quais os trabalhadores ficam
expostos a agentes químicos, a caracterização de insalubridade ocorrerá quando
forem ultrapassados os limites de tolerância constantes do Quadro nº 1 deste
Anexo” (BRASIL, 1978, s.p.)
22
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

Esta norma cita ainda que:

A avaliação das concentrações dos agentes químicos através


de métodos de amostragem instantânea, de leitura direta ou
não, deverá ser feita pelo menos em 10 (dez) amostragens,
para cada ponto – ao nível respiratório do trabalhador. Entre
cada uma das amostragens deverá haver um intervalo de, no
mínimo, 20 (vinte) minutos.
O limite de tolerância será considerado excedido quando a
média aritmética das concentrações ultrapassar os valores
fixados no Quadro n° 1 (BRASIL, 1978, s.p.).

Para os agentes químicos que tenham "VALOR TETO" assinalado no Quadro


n° 1 (Tabela de Limites de Tolerância), de acordo com o Anexo nº 11, “considerar-
se-á excedido o limite de tolerância, quando qualquer uma das concentrações
obtidas nas amostragens ultrapassar os valores fixados no mesmo quadro”.

QUADRO 6 – DEMONSTRAÇÃO DO QUADRO Nº 1 DO ANEXO Nº 11 DA NR15

FONTE: Brasil (1978, p. 2)

Anexo 12 – Limites de Tolerância para Poeiras Minerais

NR15 – Atividades e Operações Insalubres


MANGANÊS E SEUS COMPOSTOS

O limite de tolerância para as operações com manganês e seus compostos


referente à metalurgia de minerais de manganês, fabricação de compostos de
manganês, fabricação de baterias e pilhas secas, fabricação de vidros especiais
e cerâmicas, fabricação e uso de eletrodos de solda, fabricação de produtos
químicos, tintas e fertilizantes, ou ainda outras operações com exposição a fumos
de manganês ou de seus compostos é de até 1mg/m3 no ar, para jornada de até 8
(oito) horas por dia.

Sempre que os limites de tolerância forem ultrapassados, as atividades


e operações com o manganês e seus compostos serão consideradas como
insalubres no grau máximo.

23
HiGiENE Do TrABALHo I

Anexo 13 – Exposição a agentes químicos cuja insalubridade é


caracterizada por inspeção realizada no local de trabalho

A NR15 – Atividades e Operações Insalubres, através de seu Anexo nº 13,


apresenta a relação de atividades e operações envolvendo agentes químicos,
consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de
trabalho.

É citado no referido anexo que não fazem parte dessa relação os agentes
químicos mencionados nos anexos nº 11 e 12 da NR15.

Como exemplo de agentes químicos enquadrados nesse anexo da NR15,


citam-se:

a) HIDROCARBONETOS E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO


Insalubridade de grau máximo:

• Destilação do alcatrão da hulha.


• Destilação do petróleo.
• Manipulação de alcatrão, breu, betume, antraceno, óleos minerais, óleo
queimado, parafina ou outras substâncias cancerígenas afins.
• Manipulação do negro de fumo.
• Fabricação de fenóis, cresóis, naftóis, nitroderivados, aminoderivados,
derivados halogenados e outras substâncias tóxicas derivadas de hidrocarbonetos
cíclicos.
• Pintura com pistola utilizando esmaltes, tintas, vernizes e solventes
contendo hidrocarbonetos aromáticos.

Insalubridade de grau médio:

• Emprego de defensivos organoclorados: DDT (diclorodifeniltricloretano)


DDD (diclorodifenildicloretano), metoxicloro (dimetoxidifeniltricloretano), BHC
(hexacloreto de benzeno) e seus compostos e isômeros.
• Emprego de defensivos derivados do ácido carbônico.
• Emprego de aminoderivados de hidrocarbonetos aromáticos (homólogos
da anilina).
• Emprego de cresol, naftaleno e derivados tóxicos.
• Emprego de isocianatos na formação de poliuretanas (lacas de
desmoldagem, lacas de dupla composição, lacas protetoras de madeira e metais,
adesivos especiais e outros produtos à base de poliisocianetos e poliuretanas).
• Emprego de produtos contendo hidrocarbonetos aromáticos como
solventes ou em limpeza de peças.
• Fabricação de artigos de borracha, de produtos para impermeabilização e
de tecidos impermeáveis à base de hidrocarbonetos.
24
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

• Fabricação de linóleos, celuloides, lacas, tintas, esmaltes, vernizes,


solventes, colas, artefatos de ebonite, guta-percha, chapéus de palha e outros à
base de hidrocarbonetos.
• Limpeza de peças ou motores com óleo diesel aplicado sob pressão
(nebulização).
• Pintura a pincel com esmaltes, tintas e vernizes em solvente contendo
hidrocarbonetos aromáticos.

b) OPERAÇÕES DIVERSAS
Insalubridade de grau máximo:
• Operações com cádmio e seus compostos, extração, tratamento,
preparação de ligas, fabricação e emprego de seus compostos, solda com
cádmio, utilização em fotografia com luz ultravioleta, em fabricação de vidros,
como antioxidante, em revestimentos metálicos e outros produtos.
• Operações com manganês e seus compostos: extração, tratamento,
trituração, transporte de minério; fabricação de compostos de manganês,
fabricação de pilhas secas, fabricação de vidros especiais, indústria de cerâmica
e ainda outras operações com exposição prolongada à poeira de pirolusita ou de
outros compostos de manganês.
• Operações com as seguintes substância:
o Éter bis (cloro-metílico);
o Benzopireno;
o Berílio;
o Cloreto de dimetil-carbamila;
o 3,3' – dicloro-benzidina;
o Dióxido de vinil ciclohexano;
o Epicloridrina;
o Hexametilfosforamida;
o 4,4' - metileno bis (2-cloro anilina);
o 4,4' - metileno dianilina;
o Nitrosaminas;
o Propano sultone;
o Betapropiolactona;
o Tálio;
o Produção de trióxido de amônio ustulação de sulfeto de níquel.

Insalubridade de grau médio:


• Aplicação a pistola de tintas de alumínio.
• Fabricação de pós de alumínio (trituração e moagem).
• Fabricação de emetina e pulverização de ipeca.
• Fabricação e manipulação de ácido oxálico, nítrico sulfúrico, bromídrico,
fosfórico, pícrico.
• Metalização a pistola.

25
HiGiENE Do TrABALHo I

• Operações com o timbó.


• Operações com bagaço de cana nas fases de grande exposição à poeira.
• Operações de galvanoplastia: douração, prateação, niquelagem,
cromagem, zincagem, cobreagem, anodização de alumínio.
• Telegrafia e radiotelegrafia, manipulação em aparelhos do tipo Morse e
recepção de sinais em fones.
• Trabalhos com escórias de Thomás: remoção, trituração, moagem e
acondicionamento.
• Trabalho de retirada, raspagem a seco e queima de pinturas.
• Trabalhos na extração de sal (salinas).
• Fabricação e manuseio de álcalis cáusticos.
• Trabalho em convés de navios.

Insalubridade de grau mínimo:


• Fabricação e transporte de cal e cimento nas fases de grande exposição
a poeiras.
• Trabalhos de carregamento, descarregamento ou remoção de enxofre ou
sulfitos em geral, em sacos ou a granel.

Seguem comentários referentes aos Anexos da NR16, que regulamentam as


atividades sob condições perigosas.

Periculosidade para Trabalhos com Inflamáveis e Explosivos

Entende-se por “Periculosidade”, para fins da NR16, aprovada pela


Portaria MTb/SIT nº 3.214/78, a exposição, mesmo que de forma intermitente,
relacionada com permanência em área de risco, conforme situação, consideradas
as atividades e operações perigosas constantes no Anexo 1 e 2, desta norma
regulamentadora, a saber:

• Anexo 1 – Atividades e Operações Perigosas com Explosivos

A redação do Anexo foi dada pela Portaria SSMT n° 2, de 2 de fevereiro


de 1979, na qual são consideradas atividades ou operações perigosas as
enumeradas no Quadro n° 1 do referido Anexo.

Já as áreas de risco consideradas para cada situação são definidas nos


quadros n° 2, 3 e 4 do referido Anexo.

• Anexo 2 – Atividades e Operações Perigosas com Inflamáveis

Segundo o Anexo, são consideradas atividades ou operações perigosas as


enumeradas no Quadro n° 1 do referido Anexo.

26
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

Já as áreas de risco consideradas para cada situação são definidas nos


quadros n° 2, 3 e 4 do referido Anexo.

Anexo acrescentado pela Portaria nº 3.393/1987 – Atividades com radiações


ionizantes ou substâncias radioativas

Anexo incorporado à NR16 em 2003, adotado da Portaria GM nº 518/2003,


no qual consta a relação das atividades e operações com radiações ionizantes ou
substâncias radioativas que se enquadram como perigosas e suas respectivas
áreas de risco.

Anexo 3 – Exposição a roubos ou outras espécies de violência física


nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial

Anexo incorporado à NR16 em 2013, adotado da Portaria MTPS nº


1.885/2013, no qual constam as definições quanto aos profissionais enquadrados
na referida regulamentação e a descrição das atividades que expõem os
empregados a roubos ou outras espécies de violência física.

Anexo 4 – Periculosidade para trabalhos com eletricidade

Conforme já citado, com a revogação da Lei nº 7.369/1985 e,


consequentemente, do Decreto nº 93.412/1986, a CLT passou a disciplinar a
periculosidade diante do risco de energia elétrica, induzindo a uma alteração da
NR16, o que ocorreu em 16 de julho de 2014, através da Portaria MTPS nº 1078,
com a inclusão do Anexo 4 da respectiva NR, referente à regulamentação do
inciso I do Artigo 193 da CLT, que trata da exposição à energia elétrica.

Dentre outros aspectos relacionados à concessão do adicional de


periculosidade para trabalhadores expostos à energia elétrica, cita a NR16, no
seu Anexo 4:

NR16 – ANEXO 4:

(Aprovado pela Portaria MTPS nº 1.078, de 16 de julho de 2014)


ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM ENERGIA ELÉTRICA

1. Têm direito ao adicional de periculosidade os trabalhadores:


a) que executam atividades ou operações em instalações ou
equipamentos elétricos energizados em alta tensão;
b) que realizam atividades ou operações com trabalho em proximidade,

27
HiGiENE Do TrABALHo I

conforme estabelece a NR-10;


c) que realizam atividades ou operações em instalações ou
equipamentos elétricos energizados em baixa tensão no sistema
elétrico de consumo – SEC, no caso de descumprimento do item
10.2.8 e seus subitens da NR 10 – Segurança em Instalações e
Serviços em Eletricidade;
d) das empresas que operam em instalações ou equipamentos
integrantes do sistema elétrico de potência – SEP, bem como suas
contratadas, em conformidade com as atividades e respectivas
áreas de risco descritas no quadro I deste anexo.

2. Não é devido o pagamento do adicional nas seguintes situações:


a) nas atividades ou operações no sistema elétrico de consumo em
instalações ou equipamentos elétricos desenergizados e liberados
para o trabalho, sem possibilidade de energização acidental,
conforme estabelece a NR-10;
b) nas atividades ou operações em instalações ou equipamentos
elétricos alimentados por extra-baixa tensão;
c) nas atividades ou operações elementares realizadas em baixa
tensão, tais como o uso de equipamentos elétricos energizados e os
procedimentos de ligar e desligar circuitos elétricos, desde que os
materiais e equipamentos elétricos estejam em conformidade com
as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes
e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais
cabíveis.

3. O trabalho intermitente é equiparado à exposição permanente para fins


de pagamento integral do adicional de periculosidade nos meses em que houver
exposição, excluída a exposição eventual, assim considerado o caso fortuito ou
que não faça parte da rotina.
4. Das atividades no sistema elétrico de potência – SEP.
4.1 Para os efeitos deste anexo entende-se como atividades de construção,
operação e manutenção de redes de linhas aéreas ou subterrâneas de alta e
baixa tensão integrantes do SEP:
a) Montagem, instalação, substituição, conservação, reparos, ensaios
e testes de: verificação, inspeção, levantamento, supervisão e
fiscalização; fusíveis, condutores, para-raios, postes, torres, chaves,
muflas, isoladores, transformadores, capacitores, medidores,
reguladores de tensão, religadores, seccionalizadores, carrier (onda
portadora via linhas de transmissão), cruzetas, relé e braço de
iluminação pública, aparelho de medição gráfica, bases de concreto
ou alvenaria de torres, postes e estrutura de sustentação de redes e

28
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

linhas aéreas e demais componentes das redes aéreas;


b) Corte e poda de árvores;
c) Ligações e cortes de consumidores;
d) Manobras aéreas e subterrâneas de redes e linhas;
e) Manobras em subestação;
f) Testes de curto em linhas de transmissão;
g) Manutenção de fontes de alimentação de sistemas de comunicação;
h) Leitura em consumidores de alta tensão;
i) Aferição em equipamentos de medição;
j) Medidas de resistências, lançamento e instalação de cabo contrapeso;
k) Medidas de campo eletromagnético, rádio, interferência e correntes
induzidas;
l) Testes elétricos em instalações de terceiros em faixas de linhas de
transmissão (oleodutos, gasodutos etc.);
m) Pintura de estruturas e equipamentos;
n) Verificação, inspeção, inclusive aérea, fiscalização, levantamento de
dados e supervisão de serviços técnicos;
o) Montagem, instalação, substituição, manutenção e reparos de:
barramentos, transformadores, disjuntores, chaves e seccionadoras,
condensadores, chaves a óleo, transformadores para instrumentos,
cabos subterrâneos e subaquáticos, painéis, circuitos elétricos,
contatos, muflas e isoladores e demais componentes de redes
subterrâneas;
p) Construção civil, instalação, substituição e limpeza de: valas, bancos
de dutos, dutos, condutos, canaletas, galerias, túneis, caixas ou
poços de inspeção, câmaras;
q) Medição, verificação, ensaios, testes, inspeção, fiscalização,
levantamento de dados e supervisões de serviços técnicos.

29
HiGiENE Do TrABALHo I

QUADRO I
ATIVIDADES ÁREA DE RISCO
I. Atividades, constantes no item 4.1, de a) Estruturas, condutores e equipamen-
construção, operação e manutenção de tos de linhas aéreas de transmissão,
redes de linhas aéreas ou subterrâneas subtransmissão e distribuição, incluin-
de alta e baixa tensão integrantes do do plataformas e cestos aéreos usados
SEP, energizados ou desenergizados, para execução dos trabalhos;
mas com possibilidade de energização b) Pátio e salas de operação de subes-
acidental ou por falha operacional. tações;
c) Cabines de distribuição;
d) Estruturas, condutores e equipamen-
tos de redes de tração elétrica, incluindo
escadas, plataformas e cestos aéreos
usados para execução dos trabalhos;
e) Valas, bancos de dutos, canaletas,
condutores, recintos internos de caixas,
poços de inspeção, câmaras, galerias,
túneis, estruturas terminais e aéreas de
superfície correspondentes;
f) Áreas submersas em rios, lagos e
mares.
II. Atividades, constantes no item 4.2, a) Pontos de medição e cabinas de dis-
de construção, operação e manutenção tribuição, inclusive de consumidores;
nas usinas, unidades geradoras, subes- b) Salas de controles, casa de máqui-
tações e cabinas de distribuição em ope- nas, barragens de usinas e unidades
rações, integrantes do SEP, energizados geradoras;
ou desenergizados, mas com possibili- c) Pátios e salas de operações de su-
dade de energização acidental ou por bestações, inclusive consumidoras.
falha operacional
III.Atividades de inspeção, testes, en-a) Áreas das oficinas e laboratórios de
saios, calibração, medição e reparos testes e manutenção elétrica, eletrônica
em equipamentos e materiais elétricos, e eletromecânica onde são executados
eletrônicos, eletromecânicos e de segu-testes, ensaios, calibração e reparos de
rança individual e coletiva em sistemasequipamentos energizados ou passíveis
elétricos de potência de alta e baixa ten-
de energização acidental;
são. b) Sala de controle e casas de máquinas
de usinas e unidades geradoras;
c) Pátios e salas de operação de subes-
tações, inclusive consumidoras;
d) Salas de ensaios elétricos de alta ten-
são;
e) Sala de controle dos centros de ope-
rações
IV. Atividades de treinamento em equi- a) Todas as áreas descritas nos itens
pamentos ou instalações integrantes do anteriores.
SEP, energizadas ou desenergizadas,
mas com possibilidade de energização
acidental ou por falha operacional.
FONTE: Brasil (1978, p.11-12)

30
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

Quanto à expressão “Sistemas Elétricos de Potência”, utilizada no citado


Anexo da NR16, esta também é definida na NBR5460 – Sistemas Elétricos de
Potência – Terminologia, a seguir:

3.613 Sistema Elétrico (de potência)


3.613.1 Em sentido amplo, é o conjunto de todas as instalações
e equipamentos destinados à geração, transmissão e
distribuição de energia elétrica.
3.613.2 Em sentido restrito, é um conjunto definido de linhas
e subestações que assegura a transmissão e/ou a distribuição
de energia elétrica, cujos limites são definidos por meio de
critérios apropriados, tais como, localização geográfica,
concessionário, tensão, etc. (ABNT, 2019, p. 44).

4 RISCOS AMBIENTAIS
Antes de tudo, vamos ver a diferença entre perigo e risco. De acordo com a
Occupational Health and Safety Assessment Series – OHSAS 18.001 de 2007,
PERIGO é definido como “Fonte ou situação com potencial para provocar danos
em termos de lesão, doença, dano à propriedade, dano ao meio ambiente do local
de trabalho, ou uma combinação destes” e o RISCO é, segundo a mesma OHSAS
18.001 de 2007, definido como “Combinação da probabilidade de ocorrência e
da(s) consequência(s) de um determinado evento perigoso” (OHSAS, 2007, p. 4).
Simplificando, o perigo é um risco alto, que não é controlado, com ocorrência e
nocividade da lesão alta ou fatal.

Como exemplo, podemos citar uma pessoa dirigindo sem habilitação. Esta
situação é considerada um perigo, pois há um risco inaceitável.

Já o risco é a exposição ao perigo e pode ser avaliado tanto quantitativa


quanto qualitativamente.

4.1 CONCEITOS GERAIS DOS


RISCOS AMBIENTAIS
O ambiente de trabalho, ao interagir com o trabalhador, pode influenciar
direta ou indiretamente na saúde e segurança do colaborador, assim como nos
resultados do seu trabalho. Ao longo desta interação, alguns fatores poderão
não ser controlados e ultrapassarem, por exemplo, os níveis permitidos por lei
da concentração de agentes nocivos a sua saúde ou os tornar mais susceptível a
doenças do trabalho, podendo ser os acidentes de trabalho, doenças profissionais
ou doenças do trabalho (BARSANO; BARBOSA, 2018).
31
HiGiENE Do TrABALHo I

Tais acometimentos ocasionados no ambiente de trabalho terão graus de


comprometimento variados, uns com uma probabilidade maior de ocorrência,
outros com gravidades maiores, mas de alguma forma sempre teremos a
presença de agentes nocivos à saúde dos trabalhadores.

Assim, nossa intenção é que você desenvolva um olhar técnico, observando


os riscos presentes nas diversas situações que muito provavelmente uma pessoa
que não tem conhecimento sobre segurança do trabalho, mas que até realiza
aquela atividade, não consegue perceber os riscos ali presentes. E, desta forma,
poderá oferecer o máximo de proteção e satisfação ao ambiente de trabalho, que
por sua vez influenciará em aumento de produtividade, qualidade dos serviços,
redução do índice de absenteísmo e diminuição das doenças e acidentes de
trabalho (BARSANO; BARBOSA, 2018).

4.2 CLASSIFICAÇÃO E
RECONHECIMENTO DOS RISCOS
AMBIENTAIS
Os riscos no ambiente de trabalho são classificados em cinco tipos, de acordo
com a Portaria nº 3.214, do Ministério do Trabalho do Brasil, de 1978, sendo eles:
físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidente ou mecânicos (BRASIL,
1978).

De acordo com a NR9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, item


9.1.5, temos:

Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os


agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes
de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou
intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar
danos à saúde do trabalhador.
Já nos itens 9.1.5.1, 9.1.5.2 e 9.1.5.3, temos:
Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia
a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como:
ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas,
radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o
infrassom e o ultrassom.
Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos
ou produtos que possam penetrar no organismo pela via
respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas,
gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de
exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo
organismo através da pele ou por ingestão.
Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos,

32
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros (BRASIL,


1978, p. 1).

Já de acordo com a NR17 – ERGONOMIA, os riscos ergonômicos: são


considerados aqueles cuja relação do trabalho com o homem causam desconforto
ao mesmo, podendo causar danos a sua saúde, tais como esforço físico intenso,
postura inadequada, ritmos excessivos, monotonia e repetitividade e outros
fatores que possam levar ao estresse físico e/ou psíquico.

Com relação aos riscos de acidente (mecânicos), não há uma norma


específica, a descrição estará em diversas normas, como exemplo na NR12,
NR13, NR14, NR18 e NR23. Podemos considerar, como este tipo de risco,
aqueles que envolvem operação com máquinas, equipamentos, ferramentas,
dispositivos, produtos, instalações, proteções e outras situações de risco que
possam contribuir para a ocorrência de acidentes durante a execução do trabalho
devido ao uso, disposição ou construção incorreta.

Os riscos são separados por grupos e cada um é representado por uma cor.
Segue um quadro de representação dos riscos:

QUADRO 7 – CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS POR CORES

FONTE: <https://www.google.com/search?q=tabela+de+riscos+
ocupacionais&tbm=isch&source=univ&sa=X&ved=2ahUKEwj0oOPZzb_
iAhVbLLkGHVFzDcgQsAR6BAgHEAE&biw=1366&bih=667#imgrc=L6rkxkH
l2PZTfM:>. Acesso em: 10 ago. 2019.

33
HiGiENE Do TrABALHo I

As cores também são determinadas pela portaria com a finalidade da fácil


identificação destes riscos em uma representação gráfica chamada de Mapa de
Riscos.

FIGURA 1 – MAPA DE RISCOS

FONTE: <https://www.google.com/search?q=mapa+de+riscos&source=
lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiOmIz-zr_iAhXgILkGHWjDAj4Q_
AUIDigB&biw=1366&bih=667#imgrc=fxcF6Nha49VAcM:>. Acesso em: 10 ago. 2019.

O reconhecimento dos riscos ambientais também está contemplado na NR9,


mais especificamente no item 9.3.3, em que temos que o reconhecimento dos
riscos ambientais deverá conter os seguintes itens, quando aplicáveis:

a) a sua identificação;
b) a determinação e localização das possíveis fontes geradoras;
c) a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos
agentes no ambiente de trabalho;
d) a identificação das funções e determinação do número de trabalhadores
expostos;
e) a caracterização das atividades e do tipo da exposição;
f) a obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível
comprometimento da saúde decorrente do trabalho;
g) os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados,
disponíveis na literatura técnica;
h) a descrição das medidas de controle já existentes.

34
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

4.3 TIPOS DE AVALIAÇÕES DOS


RISCOS AMBIENTAIS
Segundo a Norma Regulamentadora nº 15, a caracterização dos riscos
ambientais é dada através de duas variáveis: concentração do agente e tempo
de exposição. A Concentração de cada agente se dará com a avaliação, que
pode ser quantitativa ou qualitativa (BRASIL, 1978).

Com relação ao tempo de exposição, podemos monitorá-lo através de


inspeção no ambiente onde são desenvolvidas as atividades dos trabalhadores, na
forma de entrevistas com as pessoas envolvidas na tarefa, fazendo observações
dos procedimentos e, em determinadas situações, realizar a contagem mesmo
do tempo desprendido para realizar aquela ação. Desta forma, teremos como
comparar através dos anexos da NR15 se os limites de tolerância para o agente
a ser avaliado foi ultrapassado ou não, e caso excedido o limite, iremos tomar as
medidas de controle necessárias (BRASIL, 1978).

A análise de risco envolve diversas questões como:

1) fonte geradora do risco, suas consequências e a possibilidade de


ocorrência;
2) ocorrendo a consequência do risco, quais fatores levaram ao fato;
3) relação entre as consequências e as suas ocorrências, levando
em consideração as medidas existentes, sejam elas: processos,
dispositivos ou práticas existentes, controles resultantes de
tratamentos de risco anteriores;
4) APR – Análise Preliminar do Risco, visando listar os riscos envolvidos
em determinada atividade.

A análise do risco visa identificar o perigo e estimar o risco. De modo geral,


a análise de risco serve também para mensurar o grau do risco, de modo a poder
tomar a melhor medida de controle em relação à situação de trabalho que foi
analisada, e verificar o quão este risco é tolerável ou não, ou seja, se está dentro
do limite de tolerância estabelecido por lei. A partir de então, deverá ser feita a
gestão do risco (ROMERO, 2004).

Como mencionado, a avaliação do risco pode ser quantitativa ou qualitativa,


dependerá do agente analisado e das circunstâncias. Normalmente, começamos
com a análise qualitativa, em que faz-se uma inspeção sobre determinado local de
trabalho, analisando as principais características do ambiente laboral, os agentes
ambientais que podem estar presentes, as atividades desenvolvidas e os cargos

35
HiGiENE Do TrABALHo I

existentes naquele local, desta forma podemos ter uma indicação do nível de
risco e assim definir a melhor forma de análise de risco, ou seja, qual seria o tipo
de análise aplicada (CARVALHO; MELO, 2013).

Na análise quantitativa é realizada inspeção em local de trabalho,


utilizando-se de equipamentos específicos de medição para a
quantificação dos agentes ambientais presentes naquele ambiente de
trabalho. Todos os equipamentos de medição devem estar calibrados
por empresas acreditadas pela INMETRO e pertencer à Rede Brasileira de
Calibração (RBC), conforme determina a NBR 17.025/2005.

4.3 CONCEITOS GERIAS E


OCORRÊNCIAS DO RUÍDO
• Som

Por definição, o som é uma variação da pressão atmosférica capaz de


sensibilizar nossos ouvidos (SESI, 2007).

• Como se propaga o som

O som é energia mecânica, energia que produz trabalho. Pode se propagar


em meio sólido, líquido ou gasoso e em velocidades diferentes dependendo do
meio, mas não se propaga no vácuo. O som se propaga mais rápido em meio
sólido porque as partículas estão mais próximas (IFPR, 2013).

• Qualidades fisiológicas do som

As qualidades fisiológicas do som são divididas em intensidade, altura e


timbre. A intensidade faz com que você diferencie um som forte de um fraco. Um
bom exemplo ocorre no trânsito com as buzinas dos veículos, normalmente, o
som que emitem é bem forte. A segunda qualidade, a altura, mostra quando o
som é alto e quando é baixo. O som alto é agudo e de alta frequência, já o baixo
é grave e de baixa frequência. Timbre nada mais é do que ouvir sons que vêm de
fontes diferentes e saber diferenciá-los. Por exemplo, ouvir instrumentos musicais.
Somos capazes de perceber o som vindo do piano e do violino, diferenciando um
do outro mesmo que estejam na mesma altura e na mesma intensidade (IFPR,
2013).

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

• A frequência sonora

Segundo o SESI (2007), frequência é o número de vezes que a oscilação


se repete em uma unidade de tempo e é expressa na unidade Hertz. Um ciclo
equivale a uma oscilação completa. Quando falamos em perda auditiva, falamos
que o processo de perda da audição se inicia nas frequências mais altas, isto é,
deixamos de ouvir inicialmente os sons mais agudos.

Ruído, de acordo com Brevigliero, Possebon e Spinelli (2012), é o fenômeno


físico vibratório que apresenta características indefinidas de variação de pressão
em função da frequência.

Outra definição para ruído é que ele é um agente físico presente nos ambientes de
trabalho, em diversos tipos de instalações ou atividades profissionais. Ele pode
causar diversos danos à saúde do trabalhador, inclusive danos irreparáveis (SESI,
2007).

Segundo o NIOSH – National Institute for Occupation Safety and Health


(2019), agência federal americana de pesquisa em saúde e segurança
ocupacional, há aproximadamente 30 milhões de trabalhadores expostos a ruído
no mundo e, conforme estatística de acidentes e doenças do trabalho, o Ministério
da Previdência Social demonstrou que a Perda Auditiva Induzida pelo Ruído –
PAIR – é a 2ª maior ocorrência de danos à saúde notificados pelos empregadores,
ficando atrás apenas de patologias musculoesqueletais relacionadas ao trabalho.

A Norma Regulamentadora nº 15, aprovada pela Portaria nº 3.214/78,


estabelece que as empresas que submetem os trabalhadores a níveis de ruído
elevados, sem a devida proteção adequada, devem fazer o pagamento de adicional
de 20% incidente sobre o salário mínimo da região aos funcionários. Também a
Instrução Normativa nº 11 de 03/06 da Previdência Social, que substituiu a IN 118,
permite a aposentadoria precoce, dita “especial”, aos trabalhadores expostos a
níveis de ruído elevados e esse fato obriga as empresas a pagarem um adicional
sobre o FAP – Fator Acidentário de Prevenção – sobre o valor pago do SAT –
Seguro de Acidente de Trabalho.

• Os efeitos do ruído na saúde do homem

Várias são as atividades desenvolvidas no ambiente de trabalho que podem


causar problemas de audição nos colaboradores que muitas vezes não utilizam
o protetor auricular, são elas: trabalho constante com serra circular, betoneira,
furadeira e outros equipamentos industriais. Muitos destes indivíduos não fazem o
uso dos protetores por falta de conhecimento, outros por simplesmente acharem
incômodo. Porém, a surdez ocasionada por ruído é uma doença irreversível
(IFPR, 2013).
37
HiGiENE Do TrABALHo I

Existem outros efeitos causados pelo ruído além da surdez profissional


(efeito auditivo) que provocam irritação, dores de cabeça, dificuldade de sono,
zumbido no ouvido e outros (efeitos não auditivos) (IFPR, 2013).

• Efeitos auditivos

A surdez profissional e a surdez temporária são caracterizadas como efeitos


auditivos. Temporária não quer dizer que a surdez seja reversível. Esse é um
detalhe bastante importante. Os efeitos imediatos do ruído são leves, mas um dos
mais graves, a surdez, aparece com o tempo e, ainda, pode trazer desequilíbrios
psíquicos e doenças físicas degenerativas (SOUZA, 1992).

Quando o indivíduo fica exposto por um longo período a altos níveis de ruído,
acontece o que chamamos de fadiga auditiva, mas que após o descanso cessa
essa fadiga, ou seja, ele se recupera. Neste caso, temos a surdez temporária
(BREVIGLIERO; POSSEBON; SPINELLI, 2012).

• Efeitos não auditivos

São aqueles que afetam o indivíduo fisiológica e psicologicamente, como


alteração do humor, doenças do coração, hipertensão. Todos estes são problemas
causados pelo ruído excessivo e que podem, sem dúvida, afetar a vida do
trabalhador não só momentaneamente (IFPR, 2013).

• Ruído contínuo ou intermitente

É aquele cuja variação de nível de intensidade sonora é muito pequena (<3


dB) em função do tempo. São exemplos: motor elétrico, ventiladores etc.

Como foi visto anteriormente, de acordo com a NR15, limite de tolerância é a


concentração ou intensidade máxima ou mínima relacionada à natureza e tempo
de exposição ao agente. Esta mesma norma define ruído contínuo ou intermitente
como o ruído que não é de impacto (IFPR, 2013).

A NHO01 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional ao


Ruído da Fundacentro – define como todo e qualquer ruído que não se classifica
como impulsivo ou de impacto (IFPR, 2013).

• Ruído de impacto

Para ruído de impacto, a NR15 e a NHO 01 dizem que é aquele que apresenta
picos de energia acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, e intervalos

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

superiores a 1 (um) segundo. São exemplos: rebitadeiras, prensas, explosões etc.

Seguem mais alguns conceitos importantes sobre o ruído de acordo com a


NHO 01:

a) Dose diária (D): dose referente à jornada diária de trabalho.


b) Incremento de duplicação de dose (q): expresso em decibéis e quando
adicionado a um determinado nível implica a duplicação da dose de exposição ou
a redução para a metade do tempo máximo permitido.
c) Limite de exposição (LE): é o parâmetro de exposição ocupacional que
mostra as condições sob as quais acredita-se que a maioria dos trabalhadores
possa ser exposta repetidamente, sem que isso traga efeitos negativos a sua
audição e a sua fala.
d) Nível equivalente (Neq): nível médio baseado na equivalência de energia
sonora.
e) Nível de Exposição (NE): nível médio representativo da exposição
ocupacional diária.

4.4 NÍVEL DE PRESSÃO SONORA,


GRANDEZAS E DEFINIÇÕES
ASSOCIADAS AO SOM
• Nível de Pressão Sonora – Decibel

Como o ouvido humano pode detectar uma gama muito grande de pressão
sonora, que vai de 20 μ Pa até 200 Pa (Pa = Pascal), seria totalmente inviável a
construção de instrumentos para a medição da pressão sonora. Para contornar
esse problema, utiliza-se uma escala logarítmica de relação de grandezas, o
decibel (dB). O decibel não é uma unidade, mas uma relação adimensional
definida pela seguinte equação:

L=

Sendo:
L = nível de pressão sonora (dB);
Po = pressão sonora de referência, por convenção, 20 μPa;
P = Pressão sonora encontrada no ambiente (Pa).

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HiGiENE Do TrABALHo I

• Grandezas e definições associadas ao som / ruído

Amplitude (A) – é o valor máximo considerado a partir de um ponto de


equilíbrio, atingido pela pressão sonora. A intensidade da pressão sonora é a
determinante do “volume” que se ouve.
Comprimento de Onda (‫ – )גּ‬é a distância percorrida para que a oscilação
repita a situação imediatamente anterior em amplitude e fase, ou seja, repita o ciclo.
Período (T) – é o tempo gasto para se completar um ciclo de oscilação.
Invertendo-se este parâmetro (1/T), se obtém a frequência (f).
Frequência (f) – é o número de vezes que a oscilação é repetida numa
unidade de tempo. É dada em Hertz (Hz) ou ciclos por segundos (CPS). As
frequências baixas são representadas por sons graves, enquanto as frequências
altas são representadas por sons agudos.
Tom Puro – é o som que possui apenas uma frequência. Por exemplo:
diapasão, gerador de áudio.
Ruído – é um conjunto de tons não coordenados. As frequências
componentes não guardam relação harmônica entre si. São sons “não gratos”,
que nos causam incômodo, desconforto. Um espectro de ruído industrial pode
conter praticamente todas as frequências audíveis (SESI, 2007).

• Audibilidade / Sensação sonora

O ouvido humano responde a uma larga faixa de frequências (faixa audível),


que vai de 16-20 Hz a 16-20 KHz. Fora dessa faixa, o ouvido humano é insensível
ao som correspondente. E para certas faixas de frequência ele é mais ou menos
sensível (SESI, 2007).

• Aspectos Práticos

o A cada 3 dB a mais ou a menos no nível significa o dobro ou a metade


da potência sonora.
o Fontes mais de 10 dB abaixo de outras (num certo ponto de medição)
são praticamente desprezíveis.
o A fonte mais intensa é a que "manda" no ruído total em um certo
ponto (SESI, 2007).

Segundo o SESI (2007), os medidores de ruído dispõem de um computador


para as velocidades de respostas, de acordo com o tipo de ruído a ser medido. A
diferença entre tais posições está no tempo de integração do sinal, ou constante
de tempo.

o “slow” – resposta lenta – avaliação ocupacional de ruídos contínuos


ou intermitentes, avaliação de fontes não estáveis;

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

o “fast” – resposta rápida – avaliação ocupacional legal de ruído de


impacto (com ponderação dB (C)), calibração;
o “impulse” – resposta de impulso – para avaliação ocupacional legal
de ruído de impacto (com ponderação linear).

4.5 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO,


PRÁTICAS E TÉCNICAS DE MEDIÇÃO
DE RUÍDO
Os fatores de riscos ambientais são avaliados conforme as metodologias de
cada tipo de riscos. Estas metodologias estão descritas nas NHO – Normas de
Higiene Ocupacional, que você encontra no portal da Fundacentro (2019).

Cada fator de risco tem uma regulamentação em que se estabelecem os


limites de exposição e as obrigações dos trabalhadores e empregadores (através
das NR), e uma normativa com o método a ser empregado na sua avaliação
(através das NHO). Por exemplo, o ruído contínuo ou intermitente é regulamentado
pelo anexo 01 da NR15, e sua metodologia de avaliação está determinada na
NHO 01 – Procedimento técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído.

Já no caso das poeiras minerais (agentes químicos), que fazem parte do


conjunto de substâncias que compõem as partículas insolúveis, tem seus limites
normatizados pelo Anexo 12 da NR15, e sua metodologia de avaliação no
ambiente descrita na NHO 08.

Estes dois fatores de riscos (ruído e poeiras) são avaliados quantitativamente,


e consequentemente, a legislação estabelece os limites de exposição para
proteção da saúde do trabalhador. Com isso, você deve entender dois importantes
conceitos: o Nível de Ação (NR09) e o Limite de Tolerância – LT (NR15).

Conheça na íntegra as Normas de Higiene Ocupacional – NHO


– em: http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-
ocupacional.

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HiGiENE Do TrABALHo I

QUADRO 8 – NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL (NHO)

NHO01 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído


NHO03 – Método de Ensaio – Análise Gravimétrica de Aerodispersoides Sólidos Coletados sobre
Filtros e Membrana
NHO04 – Método de Ensaio – Método de Coleta e a Análise de Fibras em Locais de Trabalho
NHO05 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional aos Raios X nos Serviços
de Radiologia
NHO06 – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor
NHO07 – Calibração de Bombas de Amostragem Individual pelo Método da Bolha de Sabão
NHO08 – Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho
NHO09 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional à Vibração de Corpo
Inteiro
NHO10 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional à Vibração em Mãos e
Braços
NHO11 – Avaliação dos Níveis de Iluminamento em Ambientes Internos de Trabalho
FONTE: A autora

• Dose

Dose é o parâmetro utilizado para caracterizar a exposição ocupacional ao


ruído. Expresso em porcentagem, tem por referência o valor máximo da energia
sonora diária admitida definida com base em parâmetros preestabelecidos
(FUNDACENTRO, 2001).

A exposição ao ruído é composta de dois ou mais períodos em diferentes


níveis de pressão sonora. Para essas situações serão considerados os efeitos
combinados, como está no Anexo 1 da NR15 (IFPR, 2013).

C1/T1 + C2/T2 + C3/T3 .............Cn/Tn ≤ 1

Em que:
Cn = tempo total de exposição a um nível específico;
Tn = duração total permitida a esse nível.

Normalmente, usamos um dosímetro para esse tipo de medição. O


resultado é muito mais preciso, não podendo ultrapassar 100%. Outro ponto a
ser considerado refere-se ao incremento de duplicação da dose “q”. De acordo
com a Fundacentro (2001), o incremento em decibéis, quando adicionado a um
determinado nível, implica a duplicação da dose de exposição ou a redução para
a metade do tempo máximo permitido. A Fundacentro (2001) utiliza q = 3 e a
NR15 q = 5.

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

• Avaliando o ruído

Dosimetria de Ruído

Na verdade, nunca existirá somente três ou quatro situações acústicas,


de forma que, com somente três ou quatro frações, será possível encontrar a
dose. O que se observará é uma exposição a níveis de ruído que oscilam muito
rapidamente, com difícil obtenção de dados relativos a tempos de exposição e
níveis de ruído. Para obter uma dose representativa, torna-se necessário o uso de
um dosímetro (SESI, 2007).

Em suma, o dosímetro é um instrumento que será instalado em determinado


indivíduo e fará o trabalho de obtenção da dose, acompanhando todas as
situações de exposição experimentadas por ele, informando em seu display o
valor da dose acumulado ao final da jornada, bem como vários outros parâmetros,
tais como Nível Médio (Lavg), Nível Máximo etc. (SESI, 2007).

Nível Médio (Lavg)

É o nível ponderado sobre o período de medição, que pode ser considerado


como nível de pressão sonora contínuo, em regime permanente, que produziria a
mesma dose de exposição que o ruído real, flutuante, no mesmo período de tempo.
No caso dos limites de tolerância NR15, a fórmula simplificada de cálculo é:

Lavg = 80+16,61 log (0,16 CD/TM)

Sendo:
TM = tempo de amostragem (horas decimais);
CD = contagem da dose (porcentagem).

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HiGiENE Do TrABALHo I

FIGURA 2 – FLUXOGRAMA DOS RISCOS AMBIENTAIS COM


IDENTIFICAÇÃO DOS QUE APRESENTAM LIMITES DE TOLERÂNCIA

Observe que o LT pode ser um valor máximo ou mínimo a depender da


natureza ou intensidade do agente. Por exemplo, para o ruído, a intensidade
máxima de exposição é de 85 dB, para o tempo de exposição de 8h. Já em
relação à presença de pessoas em ambientes com a presença de asfixiantes
simples, tem-se que controlar a concentração mínima de oxigênio de 18 ppm. Por
isso o LT pode ser um valor máximo, a não ser ultrapassado, ou um valor mínimo,
a ser respeitado!

Os fatores de riscos que você deve ficar atento aos LT são aqueles indicados
na NR15, item 15.1.1. Vá até lá e veja quais são.

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

Finalmente, você se pergunta: Devo proteger o trabalhador apenas quando


ele estiver exposto em função do LT? A resposta é não!

Lembre-se do NA. O Nível de Ação é exatamente o valor que dará margem de


segurança para agir antes que o trabalhador seja exposto aos riscos ambientais.

O valor do NA é definido na NR09, item 9.3.6.2, a saber:

9.3.6.2 Deverão ser objeto de controle sistemático as situações


que apresentem exposição ocupacional acima dos níveis de
ação, conforme indicado nas alíneas que seguem:
a) para agentes químicos, a metade dos limites de exposição
ocupacional considerados de acordo com a alínea "c" do
subitem 9.3.5.1;
b) para o ruído, a dose de 0,5 (dose superior a 50%), conforme
critério estabelecido na NR-15, Anexo I, item 6 (BRASIL, 1978,
p. 3).

Para você entender melhor, vamos lá. O LT do ruído é de 85 dB para oito


horas. A alínea “b” supracitada diz que o valor do NA é 0,50 (ou 50%) do LT. Como
a curva que constitui a dose de ruído é do tipo logarítmica, o NA para o ruído é de
80 dB para a o período de exposição de 8 horas.

Na prática, a avaliação funciona da seguinte maneira. Imagine que você foi


contratado para indicar se um serralheiro e seu ajudante precisam utilizar protetor
auricular, e em caso positivo, qual deve ser a atenuação do protetor em NRRsf
(Nível de redução do ruído).

Para isso, você deverá realizar a dosimetria do ruído na serralheria,


atendendo às instruções da NHO08. A dosimetria no local de trabalho dará a você
o resultado do Nível de Pressão Sonora no local em dB.

NPS = Nível de Pressão Sonora no local em dB

Ao aplicar a metodologia da NHO 08, você realizou os devidos cálculos e


chegou à dose de ruído de 98 dB, para as 8 (oito) horas de trabalho da dupla na
serralharia.

Ou seja:

NPS = 98 dB

Como você já consultou o Anexo 1 da NR15, sabe que o LT para 8h é de 85


dB.

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HiGiENE Do TrABALHo I

LT = 85 dB

Logo, se você calcular a diferença entre o Nível de Pressão Sonora no


ambiente e o Limite de Tolerância, verificará que a exposição ao ruído no ambiente
está acima do LT em 18 dB.

98 dB - 85 dB = 18

Assim, o serralheiro e seu ajudante estão expostos a 18 dB acima do limite


de tolerância durante um dia de trabalho.

• Equipamentos de medição de ruído

Dependendo do tipo de medição que você precise fazer, há sempre um


medidor de pressão sonora específico. O dosímetro, por exemplo, é um medidor
integrador de uso pessoal que fornece a dose da exposição ocupacional de ruído
(FUNDACENTRO, 2001).

Para essa avaliação utiliza-se a NHO 01 da Fundacentro, seguindo as


recomendações descritas na norma. A norma da Fundacentro recomenda a ANSI
SI.25-1991 ou as revisões posteriores.

FIGURA 3 – DOSÍMETRO DE RUÍDO DIGITAL - SONUS-2

FONTE: <http://www.centralbrasilinstrumentos.com.br/seguranca-do-trabalho/
dosimetros/dosimetro-de-ruido-digital---sonus-2>. Acesso em: 10 ago. 2019.

Outro equipamento de medição bastante usado é o medidor de pressão


sonora, portado pelo avaliador. Para medição dos níveis de ruído contínuo e
intermitente, deixamos o equipamento no circuito de compensação “A” e circuito
de resposta lenta, conhecido como slow. Se como resultado da medição você

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

obtiver um valor intermediário, ou seja, entre dois valores, deverá adotar o valor
da máxima exposição diária permissível, relativo ao nível imediatamente mais
elevado. Da mesma forma para ruído de impacto, se for encontrado um nível de
ruído intermediário, deve-se considerar a máxima exposição diária permissível
relativa ao nível imediatamente mais elevado (IFPR, 2013).

FIGURA 4 – MEDIDOR DE NÍVEL DE PRESSÃO SONORA (DECIBELÍMETRO)

FONTE: <https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1029072463-medidor-de-
nivel-de-presso-sonora-decibelimetro-_JM>. Acesso em: 10 ago. 2019.

4.6 MEDIDAS DE CONTROLE


• Hierarquia da implementação de proteções

Essencialmente, você adotará a seguinte hierarquia para implementação das


medidas de proteção na serralharia citada anteriormente:

o na fonte geradora do agente/fator de risco;


o na trajetória do agente/fator de risco;
o no trabalhador.

Seguindo esta sequência de raciocínio, quais seriam as ações a serem


tomadas para limitar a exposição do serralheiro e seu ajudante ao NPS igual a 98
dB?

Na FONTE: o ruído é gerado pela máquina de corte de chapas. Portanto,


a primeira intervenção é verificar as condições da máquina, se permite ser
enclausurada para reduzir a projeção do ruído pelo ambiente.

47
HiGiENE Do TrABALHo I

Na TRAJETÓRIA: ao avaliar o espaço onde está localizada a serralheria,


você percebeu que ela está em uma sala, com apenas uma porta e sem janelas.
Ao saber que o ruído se propaga pelo ambiente, e que ele pode ser dissipado com
a abertura de janelas, essa seria uma das opções para intervenção na trajetória
do ruído, para atenuação da dose no trabalhador.

No TRABALHADOR: fornecer equipamento de proteção individual – EPI –


e treiná-lo quanto à maneira adequada de uso, guarda e manutenção. Sempre
que você se deparar com um ambiente onde não estejam implementados
os equipamentos de proteção coletiva – EPCs – e os trabalhadores estejam
expostos a riscos, até que as medidas coletivas sejam implementadas, e tenham
sua eficácia devidamente comprovada, a medida de proteção individual deverá
ser mantida.

• Atenuação do protetor auricular

O Manual SESI (2007), item 5 do capítulo V, aborda os aspectos de controle:


na fonte e na trajetória, e a atenuação dos protetores auriculares.

Dê especial atenção à explicação sobre a atenuação do protetor auricular


pelo método NRRsf. Apesar de existirem outros métodos, como o longo, será
suficiente que você adote o método NRRsf na sua futura rotina de trabalho como
TST (SOBRAL, 2018).

O método NRRsf é simples e aceito para fins previdenciários, bem como os


métodos longo, NRR e NRRa.

Voltando ao nosso exemplo do serralheiro e do seu ajudante, você precisa


agora indicar o protetor auricular adequado para exposição ao ruído durante
a jornada de trabalho. Conhecido o NPS de 98 dB, e sabendo que a NR15
estabelece que para oito horas de trabalho eles podem estar expostos a 85 dB,
você terá que indicar um protetor com NRRsf igual ou superior à diferença entre o
NPS e o LT. Ou seja, um protetor com NRRsf igual ou maior que 18.

Ao adquirir um protetor auricular, você encontrará na sua embalagem o


número do NRRsf daquele protetor. Ao adquirir o abafador, você saberá qual é o
fator de atenuação que ele irá oferecer ao trabalhador.

Além de pesquisar o fator de atenuação nas embalagens dos EPIs,


você encontrará esta informação nos sites dos fabricantes e no Certificado de
Aprovação do protetor.

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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

1) Se temos uma dose de ruído igual a 105 dB [NPS = 105 dB], e um


protetor auricular com NRRsf igual a 25 [NRRsf = 25], qual a dose
de ruído em dB no ouvido do trabalhador [Nível de Proteção]?

2) A dose de ruído que o Sr. Antônio recebe diariamente na sua


serralheria é igual a 98 dBA [Nível de Pressão Sonora - NPS =
98 dB]. Qual é o fator de atenuação do protetor auricular [NRRsf]
que você escolherá para que o Sr. Antônio receba uma dose de
ruído abaixo do Nível de Ação – NA?

3) Considerando que a dose de ruído no setor de costura para


produção de fardamento escolar é igual a 87 dB [NPS = 87 dB],
os protetores auriculares devem possuir fator atenuador NRRsf
o suficiente para reduzir a dose de ruído abaixo do Limite de
Tolerância – LT – ou abaixo do Nível de Ação – NA? Qual o NRRsf
do protetor auricular para atender ao que estabelece a NR09?

5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Caro estudante, neste capítulo vimos que a Higiene do Trabalho trata da
prevenção das doenças oriundas do trabalho de forma a se antecipar, reconhecer,
avaliar e controlar os agentes/riscos ambientais, e que os riscos podem ser
classificados em físicos, químicos ou biológicos.

Vimos que cada um deles pode ser avaliado qualitativa ou quantitativamente


e, a partir de então, podemos, de acordo com a NR15, verificar se os agentes
avaliados estão dentro dos limites de tolerância estabelecidos pela Norma
Regulamentadora e se extrapolados, estabelecer medidas de controle para tal
exposição.

Na sequência há um breve resumo sobre o risco físico ruído e como podemos


calcular o fator de atenuação do mesmo.

Resumo – parâmetros importantes:

Para o fator de risco RUÍDO contínuo ou intermitente, para uma jornada de


trabalho (de exposição ao risco) de 8h:

49
HiGiENE Do TrABALHo I

LT = 85 dB
NA = 80 dB

Cálculo do fator de atenuação de ruído pelo método NRRsf:

NP = NPS – NRRsf
NRRsf = NPS – NP

Em que:
NPS = Nível de Pressão Sonora em dB;
NP = Nível de Proteção no ouvido em dB;
NRRsf = atenuação do ruído em dB.

REFERÊNCIAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5460 – Sistemas
Elétricos de Potência. Abr. 1992. Disponível em: https://www.normas.com.br/
autorizar/visualizacao-nbr/7989/identificar/visitante. Acesso em: 24 ago. 2019.

ACGIH – American Conference of Governmental Industrial Hygienists. Defining


the science of occupational and environmental health. 2019. Disponível em:
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CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

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52
CONHECENDO A HIGIENE DO TRABALHO E OS RISCOS AMBIENTAIS INERENTES
Capítulo 1
À SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR

SOUZA, F. P. A poluição sonora ataca traiçoeiramente o corpo. In: Associação


Mineira de Defesa do Meio Ambiente (AMDA). Apostila Meio Ambiente em
Diversos Enfoques. Projeto Jambreiro. AMDA – Secretaria Municipal do Meio
Ambiente. Secretaria Municipal da Educação - BH, p. 24-26, 1992.

53
HiGiENE Do TrABALHo I

54
C APÍTULO 2
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E
ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA E SAÚDE DO
TRABALHADOR

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

• conhecer definições, propriedades, classificação e conceitos que envolvem


vibrações, sejam elas de corpo inteiro ou localizadas (mão/braço);
• verificar a influência das cores sobre o trabalhador em suas atividades laborais,
no intuito de compreender a importância de monitorar/anteceder ações que
assegurem a segurança e saúde destes e adotar medidas de controle;
• aprender os fundamentos e elementos-chave dessas matérias para futuramente
aplicar esses conhecimentos de forma eficiente e sustentável em sua vida
profissional.
HiGiENE Do TrABALHo I

56
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Quando falamos em vibração, pensamos logo em nosso corpo tremendo
todo, não é? Porém, devemos entender que quando falamos em vibrações
estamos nos referindo a uma grandeza vetorial, isto é, não é apenas a magnitude,
mas também devemos considerar a direção de propagação dessa vibração.
Dessa forma, é importante levarmos em consideração parâmetros ocupacionais,
tendo em vista que os movimentos oscilatórios acontecem em torno de um corpo
de referência, no nosso caso, o trabalhador. Por isso é necessário, ao avaliar
vibrações, atentar para o particular eixo de orientação medido, sua magnitude,
e, ainda, fazer a avaliação no ponto de transmissão da vibração ao corpo, o qual
deve ser o mais próximo possível (SESI, 2007).

2 CONCEITOS GERAIS SOBRE


VIBRAÇÕES
As vibrações encontradas em indústrias podem ser ocasionadas por
inúmeros fatores e se classificam nas categorias de vibrações produzidas por um
processo de transformação; vibrações ligadas aos modos de funcionamento das
máquinas e materiais; e também pelas vibrações devidas a defeitos das máquinas
(RIPPER; DIAS, 2000).

É muito importante sempre estarmos atentos ao ambiente de trabalho, pois


as causas de vibrações em máquinas e equipamentos normalmente ocorrem
por folgas, desalinhamentos entre equipamentos ou componentes, atritos em
rolamentos e mancais, contatos de batimentos de dentes de engrenagem, forças
de desbalanceamento, flutuação de campo eletromagnético, variação de torque,
movimentos alternativos (motores, compressores). Outro fator que pode ocorrer
são as pequenas vibrações que afetam outras peças e chegam a transformar-se
em vibrações e ruídos indesejáveis para o homem (NEPOMUCENO, 1989).

Podemos citar também casos em que as vibrações são necessárias ao


funcionamento perfeito para algumas máquinas e equipamentos, como é o caso
de dispositivos alimentadores e componentes ou peças numa linha de produção,
em peneiras vibratórias, em banhos de limpeza ultrassônicos, em compactadores
de concreto, em perfuradores, em britadores e bate-estacas. Esses tipos de
equipamentos de vibração são bastante utilizados para transmitir níveis de
vibrações controlados durante os testes, pois se deve analisar as respostas físicas
e funcionais para assegurar a resistência à vibração ambiental (NEPOMUCENO,
1989).

57
HiGiENE Do TrABALHo I

De acordo com Thomson (1978), as vibrações podem ser divididas em duas


grandes classes:

• vibrações livres: quando um sistema vibra sem ação de forças


externas, nesse caso, o sistema vai vibrar a sua frequência natural
que depende das suas propriedades próprias (massa e rigidez);
• vibrações forçadas: nesse tipo de vibração, o sistema
sofre a intervenção de forças externas. Nesse caso, o
sistema vai vibrar com a frequência da força de excitação.

De acordo com Thomson (1978), a vibração pode ainda ser classificada


segundo diferentes critérios, como por exemplo, sob o ponto de vista físico, que
são:

• Vibrações senoidais: nesse caso, a vibração segue um perfil


conhecido, onde o sinal no momento futuro é previsível a partir do
histórico passado, seguindo uma relação matemática explícita.
Exemplo: excitação senoidal discretizada, varredura senoidal lenta,
varredura periódica rápida, impulso, relaxação.
• Vibrações periódicas: o sinal se repete depois de determinado
período de tempo, podendo ser representado por uma série de
Fourier.
• Vibrações aperiódicas: não existe uma caracterização da
repetitividade.
• Vibrações aleatórias: vibração que segue um perfil aleatório, ou
seja, a previsão no momento futuro não é possível a partir do histórico
passado, exceto por características estatísticas, como: média, desvio
padrão, variância etc. Exemplo: ruído aleatório puro, ruído aleatório
transiente.

A forma mais simples de um movimento vibratório é a forma senoidal ficando


perfeitamente caracterizada pela sua amplitude (de deslocamento, velocidade
ou aceleração) e pela frequência, ou pelo seu inverso, o período de oscilação
(THOMSON, 1978).

A Transformada Rápida de Fourier (FFT) é um método numérico que


possibilita transformar uma onda no domínio do tempo (Tempo × Amplitude)
em um espectro, ou seja, um gráfico no domínio da frequência (Frequência ×
Amplitude) (THOMSON, 1978).

Na prática, a exposição às vibrações é estudada de duas formas, isto é,


vibrações de corpo inteiro e vibrações localizadas (mão/braço) (SESI, 2007).

58
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

Podemos considerar vibrações de corpo inteiro aquelas em que todo o


corpo ou grande parte dele está exposta a movimentos vibratórios e ocorre
mais intensamente em veículos e equipamentos móveis, em que há um posto
de operação (em geral um assento) e a vibração do rolamento do veículo ou
equipamento é transmitida ao operador/motorista. Em menor escala observam-
se superfícies, pisos, plataformas industriais etc. que podem transmitir vibração
ao homem e que, na maior parte dos casos, têm menor importância ocupacional
(SESI, 2007).

Esse tipo de vibração localizada é transmitido às mãos e aos braços, em


geral, por meio de ferramentas vibratórias, sejam elas elétricas, pneumáticas
ou de outra forma de energia (lixadeiras, marteletes, motosserras). Podem,
também, ser transmitidas por equipamentos conduzidos manualmente, como por
exemplo, manipulando-se compactadores de solo ou segurando-se peças contra
equipamentos abrasivos ou de polimento fixos (SESI, 2007).

QUADRO 1 – EXPOSIÇÃO A VIBRAÇÕES EM ATIVIDADES ECONÔMICAS

Principais Fontes
Atividade Tipo de Vibração
de Vibração
agricultura corpo inteiro operação de tratores
fabricação de caldeiras localizada ferramentas pneumáticas
corpo inteiro operação de veículos pesados
construção civil
localizada perfuratrizes/marteletes
corte de diamantes localizada ferramentas manuais
corpo inteiro operação de trator/off-roads
florestagem
localizada motosserra
fundição localizada equipamentos pneumáticos
fabricação de móveis localizada cinzel pneumático
ferro e aço localizada ferramentas manuais
motosserras/ferramentas
serraria localizada
manuais
fabricação de máquinas
localizada ferramentas manuais
operatrizes
corpo inteiro veículos pesados/off-road
mineração
localizada perfuratrizes
rebitagem localizada ferramentas manuais
borracha localizada ferramentas manuais
estampagem localizada ferramentas manuais
estaleiro localizada ferramentas manuais
trabalhos em pedra localizada ferramentas manuais
têxtil localizada máquinas de costura/teares
veículos – motorista e passa-
transportes corpo inteiro
geiro
FONTE: Taylor e Pelmear (1975 apud SESI, 2007, p. 160)
59
HiGiENE Do TrABALHo I

Para representarmos as amplitudes de vibrações ou frequências, podemos


utilizar dois tipos de escalas: a logarítmica e a linear. Então, caro estudante, é
primordial você entender esses princípios descritos a seguir.

De acordo com Sesi (2007), as escalas lineares de amplitude e frequência


são usadas em medidas de vibração quando uma alta resolução é necessária.
A escala linear ajuda a separar componentes em frequência próximos entre si,
e facilita a visualização de componentes harmônicos em frequência de um sinal.
Já as escalas logarítmicas podem ser importantes para interpretação de sinais
com grande faixa dinâmica e amplo espectro de frequência, que é o caso dos
acelerômetros piezelétricos. A escala logarítmica de frequência expande as mais
baixas e comprime as mais altas, criando uma resolução relativamente igual
ao longo do eixo de frequência. Quando a amplitude é representada de modo
logarítmico, utiliza-se o decibel (dB), que é o logaritmo da razão entre a amplitude
medida e um valor de referência.

Outro ponto extremamente importante quando estudamos sobre vibrações


são os efeitos e ações que elas podem acarretar ao corpo humano. Durante
nossa vida diária estamos expostos a vibrações de uma ou mais fontes, como:
carros, ônibus, elevadores. Algumas pessoas estão expostas a outros tipos de
vibração em seus trabalhos, como ferramentas manuais, veículos de operação
(tratores, guindastes etc.). Esse tipo de situação ocorre quando há, normalmente,
alta transmissividade (e mesmo ressonância) produzida pelas frequências de
excitação da fonte de vibração (veículos, equipamentos etc.) em certos órgãos
ou sistemas do corpo humano. Dessa forma, a energia é transmitida ao indivíduo,
podendo explicar em grande parte os efeitos nocivos observados (SESI, 2007).

Retornado um pouco sobre o que estudamos no Capítulo 1 sobre o ruído


e seus efeitos, vimos que, assim como o som pode ser uma música agradável
ou um ruído incômodo, as vibrações no corpo humano podem ser agradáveis
ou desagradáveis. Então, há certo tempo, estudos têm sido desenvolvidos para
avaliar os efeitos da vibração no ser humano, especialmente no seu ambiente de
trabalho, dentro dos padrões e Regras/Normas internacionais.

Para uma melhor compreensão de como o corpo humano reage de forma


mais ou menos sensível a determinadas faixas de frequências, de acordo com
segmentos corporais utiliza-se um modelo mecânico simplificado, que mostra
as faixas de frequências naturais de partes importantes do corpo (SESI, 2007).
Observe a figura a seguir:

60
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

FIGURA 1 – FAIXAS DE FREQUÊNCIAS DE VIBRAÇÕES NO CORPO HUMANO

FONTE: <https://www.google.com.br/search?q=FAIXAS+DE+FREQU%C3%8
ANCIAS+DE+VIBRA%C3%87%C3%95ES+NO+CORPO+HUMANO&sxsrf=
ACYBGNTfaCdekO4ULB2TiZAOFV46DcGMSg:1572994362285&source=
lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj6icrRlNTlAhV6GbkGHYx
0CiwQ_AUIESgB#imgrc=P_Hj5a5UKP1bvM:>. Acesso em: 6 nov. 2019.

• Quantificação e instrumentação utilizada para medição da vibração

Como mencionado anteriormente, para quantificar um


movimento oscilatório podemos utilizar vários parâmetros, entre
eles, o deslocamento, a velocidade e a aceleração. No caso de
vibração para efeitos de higiene industrial, avalia-se a aceleração, em m/s2, ou,
opcionalmente, em dB (SESI, 2007). Para aceleração de vibração, o decibel é
assim obtido:

dB =

Em que:
a = aceleração avaliada;
a0= aceleração de referência (10-6 m/s2).

Você agora pode estar se perguntando como fazer para medir essa
aceleração, não é? Não se preocupe!

Vamos lá, existem diferentes sistemas que podem ser utilizados para
medições de vibrações dependendo do propósito do estudo, das características
e o conteúdo das informações desejadas. A medição é possível por meio da

61
HiGiENE Do TrABALHo I

utilização de um equipamento de medição chamado acelerômetro. Ele é um


transdutor que transforma o movimento oscilatório num sinal elétrico, enviado a
um medidor-integrador. Os valores medidos de aceleração, da mesma maneira
que no ruído, podem ser globais (todo o espectro) ou por faixas de frequências.
As medidas globais podem ser lineares ou ponderadas, como se faz com ruído
(circuitos A, B e C), porém, no caso de vibração, as curvas de ponderação são
específicas, segundo as normas, e não recebem nomes especiais ou letras.
Ocupacionalmente falando, há um ponto ou região de interface pela qual é
transmitida ao corpo humano (SESI, 2007).

Os acelerômetros podem ser conectados ao medidor de níveis de vibrações


ou diretamente a um registrador de armazenagem de dados para medição futura
ou referência. Muitas vezes é necessário que o nível de vibração em determinado
sistema seja quantificado ou analisado quanto ao seu conteúdo em frequência.
Quando o interesse se tratar de ensaio vibratório ou calibração, geralmente tem-
se que gerar a vibração mecânica com excitadores de vibração que são baseados
em diferentes princípios de funcionamento (RIPPER; DIAS, 2000).

Vamos entender melhor como funciona um sistema para medições de


vibrações através do esquema montado a seguir:

FIGURA 2 – COMO FUNCIONA UM SISTEMA DE MEDIÇÃO DE VIBRAÇÃO

FONTE: Adaptada de Ximenes e Mainier (2005)

Os tipos mais comuns de acelerômetros são: piezoelétricos; piezoelétricos


com eletrônica integrada (ICP); piezoresistivo; capacitância variável;
servoacelerômetro. Os condicionadores de sinais são definidos como os
elementos responsáveis pela adequação do sinal fornecido pelo transdutor aos
requisitos da instrumentação de registro e/ou análise. São alguns exemplos
de condicionadores de sinais: amplificadores diferenciais para acelerômetros
piezoresistivos; amplificadores de tensão e amplificadores de carga para
acelerômetros piezoelétricos etc. Os filtros de ponderação de frequência são
usados para comparar a vibração medida com as normas, sendo só permitida a
passagem de certos componentes de frequência pela função passa-bandas. Os

62
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

medidores e analisadores de frequência são os instrumentos mais utilizados na


prática para aquisição registro e análise de vibrações (RIPPER; DIAS, 2000).

Você já pensou de que forma podemos fazer essas medições


levando em consideração a resposta humana?

Ainda sob os conceitos apresentados por Ripper e Dias (2000), a maioria


das sensações humanas são um tanto quanto complexas, por isso não é
possível projetar uma vibração objetiva através de equipamentos e instrumentos
que servem para apresentar resultados comparáveis, para todos os tipos de
vibração, como se fossem observados por seres humanos. Porém, devemos ter
o cuidado em utilizar uma instrumentação que permita condições bem próximas
das definidas por normas, de forma que os resultados obtidos por usuários de
tal instrumentação sempre sejam o mesmo e dentro das tolerâncias declaradas.
A norma internacional ISO 8041 (2005), na cobertura da instrumentação
especificada, mostra que há a necessidade de ter pelo menos um dos métodos de
medição recomendados pelas normas ISO 2631(1997) e ISO 5349 (2001).

As medidas de resposta humana são realizadas na interface entre a pele


e a fonte de vibração. Há dois tipos de sensores de vibração: os sem contato
(capacitivo e indutivo) e os com contato (eletromagnético e piezoelétrico);
enquanto os primeiros permitem a medição fora do sistema vibratório, os outros
são obrigatoriamente fixados no sistema vibratório. Métodos sem contato, por
exemplo, laser, são preferidos, mas não são normalmente utilizados em avaliações
ocupacionais (RIPPER; DIAS, 2000).

As vibrações podem ser medidas tanto no corpo humano como em


edificações, por exemplo. Vejamos alguns casos em que trabalhadores estão
expostos a vibrações por utilizarem máquinas e ferramentas como martelos
pneumáticos, marteletes, compactadores, motosserras etc. (RIPPER; DIAS,
2000).

Quando falamos em vibrações em sistemas ambientais, estamos falando, por


exemplo, em vibrações em edificações, as quais se não monitoradas podem trazer
graves danos à própria edificação como também danos à saúde das pessoas que
ali estão (RIPPER; DIAS, 2000).

63
HiGiENE Do TrABALHo I

A tecnologia tem avançado muito no campo dos aparelhos de medição


de vibração, os quais chegam a ter capacidade de medir as mais complexas
situações que envolvem tanto vibrações de corpo inteiro como de mãos e braços.
Eles possuem uma maior capacidade de memorização de valores, o que faz com
que esses equipamentos sejam apropriados para qualquer situação e ambiente
de trabalho. Seus resultados são de fácil compreensão e interpretação, pois são
enviados rapidamente para uma impressora e logo analisados (RIPPER; DIAS,
2000).

Os medidores de vibração no homem possuem tecnologia capaz de realizar


medições simultâneas, como medir a exposição do trabalhador à vibração na
palma e na mão, no braço, no corpo inteiro etc. Além disso, podemos utilizar o
mesmo aparelho em diferentes funcionários e ao final obter os resultados como
sendo um só. Também podemos aplicar esse mesmo conceito para medições
em edificações, máquinas e ferramentas, por exemplo, nesses casos podemos
utilizar entre 1 a 3 acelerômetros simultaneamente. Outro ponto importante a
ser considerado é que eles permitem o cálculo de "doses de vibração" a que um
trabalhador esteja exposto ao longo do seu período de trabalho (RIPPER; DIAS,
2000).

Veja agora como realizar a calibração dos equipamentos.

• Calibração de transdutores e medidores de vibração

De acordo com o Vocabulário Internacional de Metrologia – VIM


(2000), calibração é um conjunto de operações que estabelece, sob
condições especificadas, a relação entre os valores indicados por
um instrumento de medição ou sistema de medição e os valores
correspondentes das grandezas estabelecidas por padrões.

Caro pós-graduando, você deve entender que calibração e medição são


coisas distintas. Por exemplo, para fazer a calibração de um equipamento,
temos que ter o cuidado de escolhermos pessoal qualificado, que domine todo o
processo e os equipamentos utilizados; equipamento específico para calibração;
um método que garanta a repetitividade e a reprodutividade dos resultados;
rastreabilidade a padrões nacionais, direta ou indiretamente e incerteza conhecida
dos equipamentos e do método utilizado (ISO 16063-1, 1998).

64
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

O produto final de uma calibração é o certificado de calibração, que será


a referência para todas as futuras medições do instrumento. Essas calibrações
podem ser classificadas quanto ao método aplicado como absoluto e comparativo.
As calibrações operacionais são verificações de um instrumento ou sistema de
medição, ou ainda, como processo de ajuste ou determinação da sensibilidade
de um sistema feita normalmente em campo, antes ou durante uma medição,
como por exemplo, excitador manual de vibrações, calibrador portátil, simulador
de transdutor etc. (ISO 16063-1, 1998).

As calibrações básicas definem as principais características do instrumento


ou sistema, aquelas que normalmente são levantadas para cada transdutor,
individualmente. Essas características são: sensibilidade (fator de calibração) –
relação entre saída elétrica e entrada mecânica; sensibilidade de carga (pC/ms-
2
); sensibilidade de voltagem (mV/ms-2); resposta em frequência do acelerômetro
montado (ressonância); impedância elétrica (resistência, capacitância ou
indutância).

Já as calibrações suplementares definem características que não são


medidas individualmente, mas apresentadas como características de um modelo
de produto, como sensibilidade transversal, sensibilidade à temperatura, a campos
magnéticos, acústica, a torque de montagem, a choques etc. A abrangência da
calibração envolve um elemento da cadeia de medição (ex.: transdutor) ou até a
própria cadeia, de forma global (ISO 16063-1, 1998).

Segundo Ripper et al. (1995), a importância de se calibrar o equipamento está


ligada a fatores como: estabelecer relação do fenômeno a medir com grandezas
físicas conhecidas; rastreabilidade da medição; condições contratuais ou legais e
recomendações pelas normas técnicas; verificação de valores especificados pelo
fabricante em carta de calibração; levantamento de características especificadas
em carta; verificação de alteração de características de desempenho devido ao
uso; confiabilidade e repetitividade dos dados; garantia de intercambiabilidade de
transdutores; checagem de erros de montagem de vários componentes em uma
cadeia. Alguns motivos contribuem de forma importante para o crescimento da
demanda por calibração, como os programas de manutenção preventiva, redução
de custos da instrumentação, redução de perdas, conforto, segurança e saúde
ocupacional, competitividade de mercado, concorrência devido à abertura de
mercado (barreiras técnicas internacionais), a evolução de normas de gestão de
negócios e sistemas de gestão apoiados em estratégias de controle baseadas na
Metrologia.

Caro aluno, segue um resumo das normas que estabelecem parâmetros de


calibração para os equipamentos de medição de vibração, mas você deve acessar
o seguinte link para ter acesso completo às referidas normas: http://www.iso.org.

65
HiGiENE Do TrABALHo I

A parte 1 – ISO 16063-1 (1998) apresenta os conceitos básicos relativos


à calibração de transdutores de vibração e as diretrizes relativas ao cálculo de
incerteza, que são válidos para todas as demais partes.

A parte 11 – ISO 16063-11 (1999) especifica a instrumentação e os


procedimentos para a calibração de acelerômetros somente ou com condicionador,
abrangendo a obtenção da magnitude e o atraso de fase da sensibilidade
complexa, empregando excitação senoidal e interferometria a laser. Ela descreve
três métodos interferométricos para calibração de acelerômetros de referência.

A parte 21 – ISO 16063-21 (2003) descreve a calibração de transdutores de


vibração por comparação. Embora ela descreva principalmente a calibração por
comparação direta a um padrão calibrado por métodos primários, os métodos
descritos também podem ser aplicados em outros níveis da hierarquia metrológica.

A parte 22 – ISO 16063-22 (2005) especifica a instrumentação e os


procedimentos a serem usados para a calibração secundária de transdutores de
vibração, empregando excitação por choque.

No âmbito nacional temos, por exemplo, no Anexo 8 da NR 15, contemplada


na Portaria nº 3.214/1978, revogada pela Portaria nº 12/1983 que:

• As atividades e operações que exponham os trabalhadores, sem


a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo inteiro
serão caracterizadas como insalubres, através de perícia realizada
no local de trabalho;
• A perícia, visando à comprovação ou não da exposição, deve
tomar por base os limites de tolerância definidos pela Organização
Internacional para a Normalização — ISO, em suas normas ISO
2.631 e ISO/DIS 5.349 ou suas substitutas.
• Constarão obrigatoriamente do laudo de perícia:
a. o critério adotado;
b. o instrumental utilizado;
c. a metodologia de avaliação;
d. a descrição das condições de trabalho e o tempo de exposição às
vibrações;
e. o resultado da avaliação quantitativa;
f. as medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade,
quando houver.
• A insalubridade, quando constatada, será de grau médio.

66
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

• Efeitos na saúde do homem

Vamos mostrar algumas reações que ocorrem no organismo devido à


exposição a vibrações. Como você viu, existem dois tipos de vibração que devem
ser analisadas do ponto de vista da saúde ocupacional. Dessa forma, cada uma
delas tem consequências diferentes para a saúde.

Existem vários efeitos conhecidos da exposição excessiva às vibrações,


sendo os mais comuns e mais danosos (SESI, 2007):

1- Perda do equilíbrio, simulando uma labirintite, além de lentidão de reflexos.


2- Manifestação de alteração no sistema cardíaco, com aumento da
frequência cardíaca.
3- Efeitos psicológicos, tal como a falta de concentração para o trabalho.
4- Apresentação de distúrbios visuais, como visão turva.
5- Efeitos no sistema gastrointestinal, com sintomas desde enjoo até gastrites
e ulcerações.
6- Manifestação do mal do movimento (cinetose), que ocorre no mar, em
aeronaves ou veículos terrestres, com sintomas de náuseas, vômitos e mal-estar
geral.
7- Comprometimento, inclusive permanente, de determinados órgãos do
corpo.
8- Degeneração gradativa do tecido muscular e nervoso, especialmente para
os submetidos a vibrações localizadas, apresentando a patologia, popularmente
conhecida como dedo branco, causando perda da capacidade manipulativa e o
tato nas mãos e dedos, dificultando o controle motor.

No caso de motoristas, eles estão mais predispostos ou propensos ao


desenvolvimento de síndromes dolorosas de origem vertebral, deformações da
espinha, estiramentos e dores musculares, apendicites, problemas estomacais
e hemorroidas. Todavia, posturas forçadas, manuseio de cargas e maus hábitos
alimentares não devem ser descartados como causas das desordens (SESI,
2007).

Ainda, segundo Sesi (2007), outros estudos em laboratório mostraram


grande relação causal com desordens gastrintestinais (testes com animais) e uma
cadeira vibratória usada como simulador em testes com motoristas revelou que a
vibração causa desconforto e pode interferir na destreza de comando manual e na
acuidade visual.

Com relação aos efeitos causados pelas vibrações de mãos e braços


(VMB), eles são mais severos. Com ferramentas motorizadas atingem-se altas
acelerações oscilatórias nas mãos e articulações dos pulsos. Trabalhadores

67
HiGiENE Do TrABALHo I

que usam há anos ferramentas motorizadas (ex.: motosserras ou martelos


pneumáticos) e são submetidos a vibrações localizadas podem apresentar diversas
patologias nas mãos e braços, tais como: "dedos mortos" – doença de Raynaud.

A exposição diária a vibrações excessivas durante vários anos pode originar


danos físicos permanentes que resultam normalmente na Síndrome dos dedos
brancos, ou em lesões dos músculos e articulações do pulso e/ou do cotovelo.
Elas manifestam-se através da degeneração gradativa do tecido muscular e
nervoso. Com isso alguns dedos, normalmente o dedo médio, ficam brancos e
até azulados, frios e "sem sentidos". Após algum tempo, os dedos voltam a ficar
vermelhos e doloridos. Essa doença tem por base a contração espasmódica dos
vasos sanguíneos e é conhecida também como doença de Raynaud. Essas
doenças são observadas nos trabalhadores em minas, que utilizam perfuradoras
leves a ar comprimido com altas frequências. Além disso, os trabalhadores
florestais também são atingidos por essas doenças, pois trabalham muito com
motosserras com frequências de 50 a 200 Hz. Os "dedos mortos" surgem
no máximo após seis meses de trabalho com uma ferramenta vibratória. Para
isso, o frio parece ter uma grande importância. A doença surge mais nos
países nórdicos do que nos países quentes. Supõe-se que o frio aumenta
a sensibilidade dos vasos sanguíneos às vibrações e promove a constrição
dos vasos. Em trabalhadores que usam ferramentas motorizadas com
altas frequências são observadas também perturbações da circulação e da
sensibilidade. Como exemplo dessas máquinas temos as polidoras, com 300 a
1.000 Hz. Surgem inchaços dolorosos com perturbações da sensibilidade nas
mãos, que muitas vezes não são passageiras (GEMNE et al., 1987).

Por não apresentar ou interferir diretamente em suas atividades laborais, os


pacientes acometidos com essa síndrome tendem a ignorar seus sintomas, os
quais se apresentam normalmente com formigamento ou adormecimento leve
e intermitente, ou ambos, das mãos, e com isso há uma evolução da doença
em função da exposição diária, quando mais tarde o paciente pode apresentar
ataques de branqueamento de dedos, começando pelas pontas. Entretanto, com
a continuidade da exposição, os ataques podem se estender à base do dedo.
O frio frequente provoca os ataques, mas há outros fatores envolvidos como
mecanismo de disparo: a temperatura central do corpo, taxa metabólica, tônus
vascular (especialmente de manhã cedo) e o estado emocional. Os ataques
usualmente duram de 15 a 60 minutos, mas nos casos avançados podem durar
1 ou 2 horas. A recuperação se inicia com um rubor, uma hiperemia reativa,
usualmente vista na palma, avançando do pulso para os dedos.

Nos casos avançados, devido aos repetidos ataques isquêmicos, o tato e


a sensibilidade à temperatura ficam comprometidos. Há perda de destreza e
incapacidade para a realização de trabalhos finos. Prosseguindo a exposição,

68
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

o número de ataques de branqueamento reduz, sendo substituído por uma


aparência cianótica dos dedos. Finalmente, pequenas áreas de necrose da pele
aparecem na ponta dos dedos (acrocianose).

A Figura 3 mostra os efeitos das doenças causadas pela exposição excessiva


das mãos às vibrações. O Quadro 2 indica as etapas consideradas de forma geral
na progressão dos sintomas, assim como a influência do grau de severidade nas
atividades laborais e sociais, bem como a adaptação das escalas de classificação
de Taylor-Pelmear da proposta no Workshop de Estocolmo (1986), relativas
ao grau de desenvolvimento do fenômeno Raynaud produzido por vibrações
transmitidas nas mãos e braços (GEMNE et al., 1987).

FIGURA 3 – DEDOS BRANCOS

FONTE: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/
d5/Raynaud-hand2.jpg>. Acesso em: 25 out. 2019.

QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO DE VIBRAÇÃO-INDUZIDA


PELOS ESTÁGIOS DE TAYLOR-PELMEAR

Classificação de vibração induzida – dedo branco (Raynaud) pelos estágios


de Taylor-Pelmear
Estágio Grau Sinais e Sintomas Interferência nas Atividades
0 Nenhum Nenhum
OT Formigamento intermitente Nenhum
ON Entorpecimento intermitente Nenhum
OTN Formigamento e entorpecimento Nenhum
Empalidecimento de uma ou mais pontas
1 Médio dos dedos com ou sem formigamento e Nenhum
entorpecimento
Empalidecimento de um ou mais dedos Interferência leve com atividades
2 Moderado com entorpecimento, normalmente doméstica e social; nenhuma
somente durante o inverno interferência no trabalho
Branqueamento extenso com efeitos Interferência clara nas atividades
3 Severo
frequentes durante o verão e o inverno doméstica e social
69
HiGiENE Do TrABALHo I

Branqueamento extenso da maioria dos


Mudança ocupacional é
Muito dedos; efeitos frequentes durante o
4 necessária para evitar exposição
severo verão
de vibração adicional
e o inverno; ulceração do dedo
FONTE: Ximenes e Mainier (2005, p. 51)

3 VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO


(VCI)
As vibrações de afetam o corpo inteiro (VCI) são de baixa frequência e
alta amplitude, e situam-se na faixa de 1 a 80 Hz, mais especificamente 1 a 20
Hz. A VCI acontece quando há uma vibração dos pés (posição em pé) ou do
assento (posição sentada). Essas vibrações ocorrem mais particularmente nas
atividades de transporte e vibrações transmitidas por máquinas industriais e são
normatizadas pela ISO 2631-1 (1997).

A vibração no corpo humano se propaga em vários eixos, dessa forma é


transmitida causando efeitos parciais ao corpo. Uma exposição prolongada a essa
ação conjunta de vibração pode adversamente afetar diretamente as condições
de conforto, a eficiência com a diminuição da capacidade motora (ISO 2631-1,
1997).

Observe a seguinte figura, assim você compreenderá melhor como ocorre a


direção e o sentido das vibrações de acordo com os eixos X, Y e Z:

FIGURA 4 – SISTEMA DE COORDENADAS

FONTE: IFPR (2013, p. 4)

70
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

3.1 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO,


PRÁTICAS E TÉCNICAS DE MEDIÇÃO
DE VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO
Como já mencionado anteriormente, existem alguns critérios a serem
considerados para realizar qualquer tipo de medição de vibração, sejam medições
de corpo inteiro ou localizadas (mãos e braços).

De acordo com Sesi (2007), para realizar as medições de corpo inteiro,


devemos nos ater aos seguintes critérios:

• Devem ser feitas o mais próximo possível do ponto ou área onde há


vibração.
• Na presença de material resiliente entre a estrutura do banco e a
pessoa, é permissível interpor suportes rígidos para o transdutor,
como folhas metálicas finas adequadamente conformadas (hoje em
dia utilizam-se acelerômetros especiais, de assento, não sendo
necessário “fabricar” montagens como cita a norma).
• O parâmetro a ser medido é a aceleração, em m/s2, rms. O
equipamento de medição deve ser devidamente calibrado por meio
de um calibrador apropriado.
• Podem ser feitas medições em faixas de terços de oitava ou medições
ponderadas em frequência.
• Os limites de tolerância definidos correspondem, aproximadamente,
à metade do limiar de dor ou tolerância voluntária de pacientes
saudáveis em pesquisas de laboratório (sexo masculino).
• A avaliação deve levar em conta períodos de amostragem maiores
que um minuto.
• Ao se desejar um número único para a quantificação em um único
eixo, recomenda-se utilizar o método ponderado. É o que se faz
habitualmente. O equipamento deve possuir a curva correta de
ponderação.

Sabendo agora quais são os critérios para se realizar uma boa medição de
vibração, você deve se ater também aos parâmetros legais, como o Anexo 8 da
NR 15 – Atividades e Operações Insalubres, aprovada pela Portaria 3.214/78,
Lei nº 6.514/77, que diz que as atividades e operações que exponham os
trabalhadores, sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo
inteiro, poderão ser caracterizadas como insalubres, a depender do resultado da
inspeção e avaliação quantitativa realizada no local de trabalho, tudo isso para
que você possa fazer a análise dos resultados obtidos e tomar as medidas de
controle necessárias (BRASIL, 1978a).
71
HiGiENE Do TrABALHo I

Como estamos tratando de avaliação quantitativa, essa norma (NR 15)


determina que devem ser tomados por base os limites de tolerância definidos pela
Organização Internacional para a Normalização – ISO, em suas normas ISO 2631
e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas (BRASIL, 1978a).

A NR 15, em seu Anexo 8, regulamenta:

NR 15 – Anexo 8:
1. As atividades e operações que exponham os trabalhadores,
sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de
corpo inteiro, serão caracterizadas como insalubres, através
de perícia realizada no local de trabalho.
2. A perícia, visando à comprovação ou não da exposição,
deve tomar por base os limites de tolerância definidos pela
Organização Internacional para a Normalização - ISO, em suas
normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas.
2.1. Constarão obrigatoriamente do laudo da perícia:
a) o critério adotado;
b) o instrumental utilizado;
c) a metodologia de avaliação;
d) a descrição das condições de trabalho e o tempo de
exposição às vibrações;
e) o resultado da avaliação quantitativa;
f) as medidas para eliminação e/ou neutralização da
insalubridade, quando houver.
3. A insalubridade, quando constatada, será de grau médio.

Mais recentemente foi aprovado pela Portaria MTE nº 1.297, de 13 de agosto


de 2014, o Anexo 1 – Vibração, da NR 09 – Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais, o qual determina os critérios para prevenção de doenças e distúrbios
decorrentes da exposição ocupacional às Vibrações em Mãos e Braços – VMB –
e às Vibrações de Corpo Inteiro – VCI –, no âmbito do Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais (BRASIL, 2014).

Para VCI – Vibração de Corpo Inteiro, a NR 09 determina os seguintes limites


para nível de ação e limite de exposição ocupacional diária:

72
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

QUADRO 3 – LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO (VCI)

Valor de Aceleração Valor da Dose de Vibração


Limites de Tolerância
Resultante (aren) Resultante (VDVR)
Nível de Ação Diária 0,5 m/s2 9,1 m/s1,75
Limite de Exposição Ocupacional Diária 1,1 m/s2 21,0 m/s1,75
FONTE: Adaptado de Brasil (2014)

3.2 MEDIDAS DE CONTROLE PARA


VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO
As principais formas de controle dessas exposições são, segundo Sesi
(2007):

• Melhoria nos equipamentos, reduzindo a vibração transmitida ao


trabalhador (em geral será o motorista do equipamento, trator,
caminhão etc.). Isso implica reprojeto do equipamento.
• Melhoria nos assentos, incluindo projetos de suspensão
hidropneumática regulável. Existem equipamentos modernos em que
isso é uma realidade.
• Redução do tempo líquido diário de exposição.
• A vibração produzida pelo equipamento está intimamente ligada
ao solo (piso) sobre o qual ele trafega; portanto, onde esse fator
puder ser gerenciado, será fundamental. Um bom exemplo é a
pavimentação das vias de empilhadeiras, evitando-se os pisos de
bloquetes e paralelepípedos.
• Finalmente, há também a influência do modo de conduzir. Essa é
uma questão comportamental a ser gerenciada.

Em alguns casos, as vibrações também podem ser eliminadas por meio


de lubrificações e manutenções periódicas das máquinas e equipamentos, ou
colocando-se calços de borracha como amortecedores de vibrações. O controle
de vibrações na origem é geralmente eficiente, mas pode não ser realizável se
requerer novo projeto do equipamento ou mesmo uma modificação ergonômica
que venha a ser onerosa. Quando não for possível eliminar a fonte de vibração,
esta pode ser isolada para que o trabalhador não entre em contato direto com
ela. Esse isolamento pode ser feito pela distância, afastando a fonte ou usando
algum tipo de material isolante para redução do efeito gerado pela fonte de
vibrações. Uma forma parcial de isolar a fonte é conseguida evitando-se as pegas
(manoplas) muito apertadas, sempre que não for necessário evitar transmitir força
para as ferramentas manuais (XIMENES; MAINIER, 2005).
73
HiGiENE Do TrABALHo I

Ainda de acordo com as observações de Ximenes e Mainier (2005), quando


não se pode agir sobre os esforços excitadores é necessário atuar sobre a
transmissão e a regra fundamental é combater prioritariamente o estado de
ressonância. É possível conseguir o controle de vibrações através de alterações
no percurso da transmissão, basicamente por três processos:

• redução das vibrações na origem;


• diminuição da transmissão de energia mecânica a superfícies
potencialmente irradiantes;
• redução da amplitude de vibração das superfícies irradiantes já
citadas.

• Proteção do trabalhador

Se as providências anteriores não forem suficientes, pode-se proteger


o trabalhador individual com certos equipamentos, como calçados, luvas,
proteção de punho, isoladores de vibração, sistemas de suspensão e
assentos antivibratórios, que ajudam a absorver as vibrações. O uso
desses equipamentos de proteção individual deve ser cuidadosamente
considerado, pois a maioria dos trabalhadores não gosta de usá-los e eles
costumam ser eficientes apenas em determinadas frequências de vibrações.
Os EPIs são projetados para reduzir a transmissão da vibração ao corpo inteiro
ou ao sistema mão-braço. É importante considerar que é recomendável, em
alguns casos, a utilização desses equipamentos, porque ainda não há projetos
adequados que garantam a eliminação do risco (XIMENES; MAINIER, 2005).

4 VIBRAÇÕES DE MÃOS E BRAÇOS


Também chamadas de vibrações de extremidades, as vibrações localizadas
são transmitidas somente às mãos e aos braços por meio de marteletes
pneumáticos, rompedores, lixadeiras e motosserras, por exemplo (SESI, 2007).
A frequência desse tipo de vibração está na faixa de 6,3 a 1250 Hz e é a mais
estudada devido às consequências na saúde do trabalhador.

Veja a seguir como acontecem as coordenadas das vibrações de


extremidades:

74
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

FIGURA 5 – COORDENADAS DE VIBRAÇÃO LOCALIZADA

FONTE: IFPR (2013, p. 3)

4.1 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO,


PRÁTICAS E TÉCNICAS DE MEDIÇÃO
DE VIBRAÇÕES DE MÃOS E BRAÇOS
A norma ISO 5.349 (1986) trata da exposição humana à vibração localizada.
Dessa forma, seguem algumas considerações importantes sobre ela:

• A faixa de frequências considerada é de 5 Hz a 1500 Hz.


• Considera um sistema de coordenadas triortogonal, sendo que
existem duas opções para posicionamento dos eixos: basicêntrica,
que toma como referência a interface da transmissão de vibração em
uma pega cilíndrica, e a outra, biodinâmica, que toma como referência
a cabeça do terceiro metatarso. A norma produz um critério (guia)
para relacionamento da aceleração ponderada da vibração com o
tempo diário de exposição; porém não define os limites de exposição
segura (isso é deixado para os países-membros, como é praxe na
ISO).
• É feita a observação de que métodos atuais de avaliação se
baseiam no componente de máxima aceleração ponderada (eixo
predominante).

75
HiGiENE Do TrABALHo I

• O parâmetro a ser medido é a aceleração, em m/s2, rms. O


equipamento de medição deve ser devidamente calibrado por meio
de um calibrador apropriado.
• Prevê o uso de medidores integradores, com integração linear.
• Para sinais com picos de aceleração muito elevados, poderá haver
erro por sobrecarga. Dessa forma, será preferencial o uso de um filtro
mecânico passa-baixas, com função de transferência linear calibrada,
cortando os componentes acima de 3.000 Hz.
• Muitas outras variáveis da situação são citadas como importantes
para reporte.
• A avaliação se baseia na exposição diária; será expressa em termos
da aceleração ponderada equivalente para quatro horas.
• Acredita-se que o tempo total de transmissão efetiva de vibração
(tempo líquido diário) não exceda a quatro horas por jornada (como
mostrado pelos estudos nos quais se baseou a norma). Entretanto,
para transformar outros períodos de medição contínua ou de ciclos
característicos de operação, o valor pode ser corrigido para o
nível ponderado equivalente para quatro horas.

Ficam definidos, para VMB – Vibração de Mãos e Braços – os seguintes


limites para nível de ação e limite de exposição ocupacional diária:

QUADRO 4 – LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA VIBRAÇÃO DE MÃOS E BRAÇOS (VMB)

Limites de Tolerância Valor de Aceleração (aren)


Nível de Ação 2,5 m/s2
Limite de Exposição Ocupacional Diária 5 m/s2
FONTE: Adaptado de Brasil (2014)

4.2 MEDIDAS DE CONTROLE PARA


VIBRAÇÕES DE MÃOS E BRAÇOS
De acordo com Sesi (2007), as principais formas de controle dessas
exposições são:

• Projetos adequados de ferramentas vibratórias, reduzindo-se a


aceleração transmitida à mão. As motosserras suecas são, hoje, por
exemplo, muitas vezes menos severas, em termos de vibrações, do
que há 50 anos.
• Redução do tempo líquido de exposição diário.

76
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

• Uso de luvas especiais para vibrações (não devem ser confundidas


com simples luvas acolchoadas). Elas já existem no mercado
nacional. Ressalta-se que cada caso de exposição pode ter uma
luva que melhor reduza a vibração, o que pode ser descoberto por
tentativas. Em alguns casos, mesmo as luvas específicas podem
reduzir minimamente a vibração. Em outras palavras, a melhor
maneira é a medição da aceleração “antes” e “depois” das luvas,
tentando-se vários modelos, para ter certeza da proteção oferecida.

• EXEMPLO

Como forma de fixação do aprendizado sobre as causas, efeitos e critérios


de avaliações sobre vibrações, vejamos um típico laudo de insalubridade para
uma função de motorista que tem como atividades diárias as seguintes:

• conduzir veículos tipo carreta da unidade fabril até um depósito para


o descarregamento;
• na fábrica, o motorista conduz o veículo tipo baú, vazio, até as docas
da área de expedição, aguarda o carregamento do veículo na área
de motoristas, fora da expedição, sem contato com os produtos ou a
área de produção e depois dirige-se para pegar o veículo;
• ao chegar no galpão, estaciona na doca do galpão e aguarda o
descarregamento por parte dos funcionários. Após isso, conduz o
veículo até o pátio da empresa e finaliza seu expediente.

Desta forma, caro aluno, veremos os procedimentos que devem ser


tomados para realizar a medição da vibração à qual está exposto o motorista,
assim como caracterizar o possível grau de insalubridade para essa atividade.

1º Procedimento a ser considerado por você:

a) A caracterização da Insalubridade por Exposição a Vibrações


(Vibrações de Corpo Inteiro – VCI)

• Você deve considerar o exercício de suas atividades. Neste caso,


estamos considerando que o motorista conduz o veículo de grande
porte, tipo carreta, com motor instalado na frente do veículo,
expondo-se a vibrações do tipo VCI – Vibração de Corpo Inteiro
gerado por esse equipamento, conforme os termos da NR15 -
Atividades e Operações Insalubres do MTE e NR09 - Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais.
• Deve conhecer os Limites de Tolerância definido na NR15 do MTE
para VCI - Vibração de Corpo Inteiro.

77
HiGiENE Do TrABALHo I

• Deve ter conhecimento que a exposição continuada a vibrações


acima dos Limites de Tolerância estabelecidos na legislação pode
acarretar sérios efeitos ao trabalhador, dentre eles: perda do
equilíbrio, alterações no sistema cardíaco, efeitos psicológicos,
distúrbios visuais, como visão turva, efeitos no sistema
gastrointestinal, degeneração gradativa do tecido muscular e
nervoso, especialmente para os submetidos a vibrações localizadas,
apresentando a patologia, popularmente conhecida como dedo
branco etc.
• Deve ter conhecimento que, para a aferição da intensidade das
vibrações às quais está exposto o motorista, deve ser realizada no
mínimo uma avaliação quantitativa.

2º Procedimento a ser considerado por você:

• Agora que você seguiu as prerrogativas do 1º procedimento, pode


de fato iniciar e realizar a medição da vibração.
• Apresentamos para você um exemplo considerando as atividades
desse motorista, em que foi realizada 01 (uma) avaliação quantitativa
por meio de dosimetria, sendo o acelerômetro instalado no assento
do motorista, durante a condução do veículo tipo carreta, por tempo
suficiente para contemplar as principais atividades do seu ciclo de
trabalho. O acelerômetro foi instalado no motorista e resultou em
0,71m/s2 (aren) e 16,53m/s1,75 (VDVR).
• Veja a seguir as imagens desse motorista realizando sua atividade
laboral e as medições oriundas do acelerômetro:

FOTO 1 – MOTORISTA SOBRE ASSENTO DO VEÍCULO E DO ACELERÔMETRO

FONTE: O autor

78
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

FOTO 2 – MEDIDOR DE VIBRAÇÕES ACOPLADO AO


ACELERÔMETRO, SOB O MOTORISTA

FONTE: O autor

FIGURA 3 – RECORTE DO RELATÓRIO DE MEDIÇÃO DE VIBRAÇÕES

FONTE: O autor

79
HiGiENE Do TrABALHo I

• Agora que você obteve os resultados da mediação através do


acelerômetro, pode ver que a vibração à qual está exposto o
motorista é inferior ao Limite de Tolerância estabelecido na NR15
– Atividades e Operações Insalubres e NR09 – Programas de
Prevenção de Riscos Ambientais, de 1,10m/s2 (aren) e 16,53m/s1,
75 (VDVR), com base no resultado da medição realizada, de 0,71m/
s2 (aren) e 16,53m/s1, 75 (VDVR).
• Verifique também se existem registros de fornecimento de EPI
para neutralização da ação da vibração ao qual o motorista possa
estar exposto, pois dará a você um parecer favorável ou não ao
fechamento do laudo pericial.
• Para finalizar o parecer técnico do seu laudo pericial, depois de ter
realizado e considerado todos os procedimentos acima citados,
você pode chegar à seguinte conclusão: mesmo na hipótese de
não utilização de qualquer EPI por parte do motorista, a condição
de trabalho permanece salubre, tendo em vista a intensidade das
vibrações à qual está exposto o motorista ser inferior ao Limite
de Tolerância estabelecido na NR15. Nesse exemplo, vimos que
os valores obtidos foram todos inferiores ao limite estabelecido
na norma, então conclui-se que, de acordo com a NR09 e NR15,
aprovada pela Portaria nº 3.214 de 08 de Junho de 1978, da Lei
nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, tendo por enquadramento
o Anexo nº 08 da NR 15, chega-se à conclusão de que o motorista
NÃO LABOROU em condições insalubres durante o exercício das
atividades mencionadas.

1) Um indivíduo, diariamente exposto à vibração de corpo inteiro,


poderá sofrer danos físicos permanentes ou distúrbios no sistema
nervoso. Quais são esses possíveis danos? Se a exposição for
contínua, pode agravar?

80
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

5 COR E ILUMINAÇÃO: CONCEITOS


GERAIS, SEUS SIGNIFICADOS E
EFEITOS NA SEGURANÇA E SAÚDE
DO TRABALHADOR
Os ambientes laborais, assim como as atividades desenvolvidas pelo
homem, são influenciados sob vários aspectos inerentes ao ser humano, como
físico, cognitivo e psíquico. Nesse sentido, para que possamos projetar ambientes
seguros, confortáveis e eficientes é importante levarmos em consideração a
integração de todos esses aspectos.

O uso correto das cores no ambiente de trabalho contribui não só para a


segurança dos trabalhadores, mas para a ordenação do auxílio de orientação
organizacional (princípio de organização pela aplicação da cor), também para a
saúde e bem-estar dos trabalhadores (devido a sua influência psicológica). Esses
fatores muitas vezes não são vistos com muita importância pelos engenheiros e
arquitetos, então, estimado aluno, vamos tomar consciência de que esse fator
ambiental torna-se mais uma ferramenta para que possamos ter uma melhor
concepção dos espaços de trabalho.

Além de aspectos de sensibilidade ocular estudados na visão das cores,


podemos estender este estudo a outras tantas áreas, como fisiologia, psicologia,
engenharias e, mais especificamente, a ergonomia (FOGLIA, 1987).

Pensando nos diferentes aspectos que as cores podem influenciar/contribuir


para as relações que envolvem o ser humano, levamos você a acreditar que a
coloração não deve ser concebida só por características estéticas, mas que deve
levar em consideração as diversas funções de um espaço, tanto no que se refere
a sua usabilidade quanto pelas exigências psicológicas do meio e do trabalhador,
assim como avaliar alguns dos conceitos relacionados ao emprego da cor na
concepção de um espaço adaptado ao usuário, numa discussão e reflexão que se
pretende interdisciplinar. Nesse sentido, você já se perguntou qual é o papel das
cores em nossa vida? Até que ponto elas podem influenciar os ambientes, nossa
alimentação, vestuário e sobre os nossos sentimentos?

Se você parar um pouco para pensar, já deve ter percebido ou até passado
por situações em que ocorreram alterações no funcionamento do seu organismo,
como por exemplo, alterações de humor, apetite, algumas emoções diferentes,
então, tudo isso pode sim estar relacionado às cores, pois elas transmitem
mensagens e podem influenciar ou modificar nosso comportamento.

81
HiGiENE Do TrABALHo I

Os nossos olhos são os responsáveis pela informação da cor. É através dos


sentidos, especificamente o da visão, pela luz, que somos informados sobre o
meio externo. Ele nos dá a configuração espacial, permitindo-nos o equilíbrio
postural, possibilitando-nos reconhecer objetos quanto a sua forma, cor, tamanho,
mobilidade e luminosidade (FOGLIA, 1987).

Temos visto, ao longo dos anos, inúmeras pesquisas sobre a atuação das
cores na espécie humana, não só pelo canal perceptivo da visão, mas também
na transmissão de mensagens aos quais atribui-se significados, através da luz,
pelas ondas de energia e, portanto, eletromagneticamente, o que chamamos de
cromoterapia (FOGLIA, 1987).

Ainda, segundo Foglia (1987), podemos dividir a cor em quatro planos: físico,
químico, sentidos e psíquico, estando cada um desses aspectos associados a leis
e fenômenos específicos.

Veja no quadro a seguir de que forma as cores estão envolvidas em cada


plano:

QUADRO 5 – QUATRO PLANOS PELOS QUAIS SE PODE


ESTUDAR A APLICABILIDADE DAS CORES

QUÍMICO FÍSICO SENTIDOS AFETO


Envolve significados
Envolve pigmentos e Envolve a luz, a Abrange a fisiologia que variam de cultura
combinações luminosidade e a psicologia para cultura,
atribuídos a cada cor
FONTE: Adaptado de Azevedo, Santos e Oliveira (2011)

As nossas interações com as cores podem ser através de nossos sentidos


e pelo sentido “simbólico” também. Elas podem ser definidas através de
comprimentos de onda, vibrações, energias ou sentimentos. É importante termos
em mente que todos estamos sujeitos a sua ação, seja pela sensibilidade a
determinados estímulos luminosos ou pela representação psíquica que damos a
elas (AIRES, 1986).

Ainda de acordo com Aires (1986), é através dos órgãos de recepção


(cones), localizados na fóvea, que o homem percebe e identifica as cores que
são refletidas. As radiações que dão origem à luz chegam ao olho, originando
sensações coloridas diferentes de acordo com o comprimento de onda,
intensidade e misturas realizadas entre si.

82
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

Sabendo que podemos diferenciar os padrões de luz, e que luz é energia


radiante, visualmente avaliada para medir as cores, devemos analisar as
combinações físicas dos comprimentos de onda com informações sobre
como o observador percebe as cores. Medidas da energia radiante são
de ordem física, enquanto a avaliação desta pela percepção humana é de
ordem psicológica. Palavras-chave na descrição da percepção das cores
são: matiz, saturação e claridade. Matiz é a proporção de cada uma das cores
percebidas: vermelho, amarelo, verde e azul. Claridade é o atributo segundo o
qual uma área aparenta emitir mais ou menos luz. Saturação é a proporção de
croma de uma cor em relação a sua claridade (mais ou menos cinza) (AIRES,
1986).

De acordo com os comprimentos de onda no espectro luminoso podemos


reconhecer cada cor. Vejamos a seguinte figura:

FIGURA 6 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

FONTE: <https://www.google.com/search?q=Espectro+eletromagn%C3
%A9tico& source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi3n5X46ubjAhUQJLk
GHSnTDAoQ_AUIESgB&biw=1366&bih=664#imgrc=oCWUUBbbukKZ7M:>.
Acesso em: 25 out. 2019.

O efeito psicológico das cores é determinante, sendo estudado há muito


tempo por psicólogos e também por ergonomistas, os quais verificaram que
em determinadas profissões o efeito psicológico das cores é determinante. Na
propaganda, por exemplo, percebeu-se que o uso da cor é fundamental na
apresentação e aceitação do produto por parte dos consumidores. Na arquitetura,
através da concepção e da organização de espaços, o uso das cores destaca-se
como um importante complemento ambiental e de satisfação. Nos consultórios

83
HiGiENE Do TrABALHo I

médicos e psicológicos, elas auxiliam na cura de enfermidades e nos sentimentos


de chegada e saída do paciente (LACY, 1989).

Ainda segundo Lacy (1989), a cor está muito ligada aos nossos sentimentos,
ajudando-nos em nossas atividades e influenciando em nossa sociabilidade,
introversão e extroversão.

Na sequência estão listados os significados mais comuns atribuídos pelos


estudiosos às cores: primárias (amarelo, vermelho e azul) e secundárias (laranja,
violeta, verde e rosa).

QUADRO 6 – SIGNIFICADOS DAS CORES

Vermelho: é uma cor estimulante, associada a emoções explosivas, como paixão e raiva. É a cor
do sangue, por isso simboliza força, vitória e liderança. Por outro lado, por ser tão intensa, também
é associada à agressividade e aos conflitos.
Laranja: é símbolo de coragem, gentileza e otimismo. Costuma ser associada à gentileza e
equilíbrio de emoções.
Amarelo: transmite luz, energia e calor. É símbolo de criatividade e juventude, além de irradiar
alegria. Torna os ambientes leves e descontraídos. É culturalmente associada à prosperidade ma-
terial.
Verde: cor da esperança. Devido a sua inevitável associação com a natureza, simboliza vida, saú-
de e fartura. Fertilidade, crescimento e renovação também são significados atribuídos à cor verde.
Azul: é a cor dos sonhos, da imaginação. O azul é associado à sinceridade, tranquilidade, fideli-
dade e ternura. Também expressa conhecimento, cultivo do intelecto, segurança e paz de espírito.
Violeta: associada à magia, essa cor representa intuição e espiritualidade. Simboliza também
dignidade, respeito e nobreza.
Rosa: a cor rosa é uma espécie de vermelho atenuado pela presença do branco. Representa
beleza e romantismo. Culturalmente associada ao feminino, simboliza delicadeza.
Marrom: representa disciplina, obediência e responsabilidade. Também expressa maturidade,
segurança e consciência.
Cinza: por ser um misto de preto e branco, a cor cinza simboliza equilíbrio. Entretanto, seu exces-
so transmite indecisão e falta de vigor.
Preto: cor associada ao mistério. Culturalmente simboliza luto e introspecção, mas também ex-
pressa qualidades como sobriedade e sofisticação.
Branco: Expressa sinceridade. Também representa inocência, espiritualidade e paz.
FONTE: <http://www.tabeladecores.org/significado-das-
cores.php>. Acesso em: 6 nov. 2019.

De posse de todos os conceitos abordados até o presente momento sobre


as cores, caro aluno, e ainda sob as observações de Verdussen (1978), podemos
usar as cores para tornar mais agradáveis os ambientes de trabalho ou amenizar
condições menos favoráveis, como a monotonia de certas tarefas. Dessa forma,

84
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

o estado de ânimo, ao fim de uma jornada, dependerá muito da influência do


ambiente. Uma sala de repouso, um gabinete de reuniões, salas de aulas de
uma escola, um hospital ou uma indústria deverão obedecer a predominâncias ou
combinações de cores que melhor possam condicionar o homem às solicitações
ou características de seu trabalho. Estados de depressão, de melancolia ou de
fadiga são consequências comuns à permanência prolongada ou à realização de
atividades em ambientes em que, entre outros motivos, a escolha das cores não
atendeu à observação de seus possíveis efeitos.

Dica! Veja a seguir algumas considerações importantes no uso


das cores no ambiente laboral, segundo Azevedo, Santos e Oliveira
(2011):

• aliar à funcionalidade dos projetos, aspectos agradáveis,


convidativos e acolhedores que visem aos ambientes adequados de
trabalho;
• fugir das linhas frias, agressivas, muito exploradas em
instalações tradicionais, que destacavam a figura do homem como
elemento secundário;
• optar por uma construção alegre, clara e limpa, que considere
também aspectos relativos à iluminação, à ventilação, espaços
abertos e áreas de circulação, que favoreçam o espírito do
trabalhador;
• lembre-se de que o uso das cores pode representar não só
um aumento de produtividade, mas também a redução da taxa de
acidentes e de abstencionismo nas empresas. Podendo suavizar
problemas de estrutura física, ao modificar a percepção do ambiente,
tornando-o aparentemente: maior, mais alto, mais claro etc.;
• tenha muito cuidado na seleção de cores para que possa
atingir os resultados desejados. Neste sentido, atente-se ao fato de
que a dosagem adequada de seu emprego e a escolha das demais
cores terão que coexistir e, por sua vez, refletirão no efeito desejado;
• considere ainda fatores como: idade, sexo, cultura e raça,
que podem influenciar nas preferências por cores ou até nos efeitos
destas.

85
HiGiENE Do TrABALHo I

Acesse o link para entender melhor que cores devemos utilizar


de acordo com ambiente de trabalho: https://oglobo.globo.com/
economia/emprego/as-cores-que-caem-bem-no-trabalho-14427974.

Na sequência, estudaremos sobre iluminação e sua influência no ambiente


de trabalho.

De acordo com a Norma Regulamentadora NR 15 e seu Anexo 4, já extinto,


a iluminação era considerada um agente físico e também uma condição de
insalubridade. Porém, com a atualização das normas regulamentadoras, a
iluminação passou a ser uma condição de conforto, tratada hoje como agente
ergonômico, regido pela NR 17, que trata de ergonomia (IFPR, 2013).

Desta forma, no mapa de risco é imprescindível o risco decorrente de


iluminação inadequada aparecer com a cor amarela, que caracteriza o risco
ergonômico, e não com a cor verde, que caracteriza o risco físico. Mesmo essas
mudanças ocorrendo em 1990, observa-se que alguns mapas de riscos ainda são
pintados com a cor verde para iluminação inadequada (risco ergonômico) (IFPR,
2013).

Um fato bem importante que você deve saber, futuro engenheiro de segurança
do trabalho, é que em virtude dessas mudanças alguns profissionais vinculam
o estudo da iluminação apenas com a Higiene Ocupacional, apesar de ela ser
tratada num tópico da disciplina de Ergonomia relacionado ao estudo do conforto
ambiental. Mas como muitos profissionais da ergonomia são fisioterapeutas,
enfatizam mais os assuntos voltados à biomecânica e deixam de tratar da
iluminação. Então, este tópico continua sendo explicado por alguns Higienistas
Ocupacionais, por esse motivo vamos abordar a iluminação nesta disciplina. Mas
não se esqueça de que iluminação não é risco físico e sim ergonômico!

Pensando pelo lado da segurança do trabalho, devemos nos preocupar com


qual é a sua ação da iluminação nos postos de trabalho, ou seja, analisar se os
níveis de iluminamento para os pontos de trabalho estão de acordo com o que as
normas estabelecem para as atividades realizadas nesses locais, de forma que
não haja excesso ou falta de iluminamento (IFPR, 2013).

Outro ponto importante a se observar é que o excesso de iluminamento,


também chamado de ofuscamento, tanto quanto a falta podem interferir muito

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VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

sobre as atividades do trabalhador, vindo acometer sua saúde, como por


exemplo: dor de cabeça, forçamento da vista, cansaço mental e visual, queda
da produtividade, maior risco de acidentes e doenças (por exemplo, cataratas,
devido ao excesso de iluminamento) (IFPR, 2013).

Com relação às avaliações de iluminação, elas têm por objetivo quantificar


a iluminância nos postos de trabalho, para que possamos fazer uma posterior
comparação com os valores mínimos estabelecidos pela legislação brasileira, bem
como fornecer recomendações gerais para se obter a adequação das condições
de iluminação às atividades desenvolvidas nesses locais (SESI, 2007).

5.1 TIPOS DE ILUMINAÇÃO


De acordo com a Norma Regulamentadora NR 17, os locais de trabalho
devem possuir iluminação adequada – natural ou artificial, geral ou suplementar
apropriada à natureza da atividade (BRASIL, 1978b). Sobre isso, Brevigliero,
Possebon e Spinelli (2012) destacam:

a) Iluminação natural: é a iluminação feita pela luz solar que atravessa


vidraças, portas, janelas, telhas de vidro etc.
b) Iluminação artificial: é a iluminação feita por lâmpadas elétricas que
podem ser fluorescentes, incandescentes, de mercúrio, de sódio etc.
A iluminação artificial pode ser geral ou suplementar.
c) Iluminação geral: é aquela que ilumina todo o local de trabalho,
não objetivando uma única operação. Está geralmente afastada dos
trabalhadores, como é o caso das lâmpadas ou luminárias colocadas
no teto.
d) Iluminação suplementar: é aquela que, além da iluminação
existente no local, é colocada próxima ao trabalhador com o objetivo
de melhor iluminar a operação, como luminárias de mesa.

Veja na figura a seguir um posto de trabalho com iluminação artificial geral e


iluminação artificial suplementar:

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HiGiENE Do TrABALHo I

FIGURA 7 – ILUMINAÇÃO GERAL E ARTIFICIAL SUPLEMENTAR

FONTE: IFPR (2013, p. 85)

Segundo Brevigliero, Possebon e Spinelli, 2012, além dos tipos de iluminação


anteriormente aprendidos, podemos ter outras classificações, como:

a) Iluminação direta: o fluxo luminoso é dirigido diretamente para a


superfície.
b) Iluminação semidireta: o fluxo luminoso é obtido pelo direcionamento
da lâmpada e parte do reflexo do teto, paredes e maquinaria.
c) Iluminação semi-indireta: a maior parte do fluxo luminoso é
transmitida da reflexão do teto e das paredes.
d) Difusa: decorrente do uso de lâmpadas difusoras.

5.2 NÍVEIS DE ILUMINAMENTO


Nível de iluminamento mínimo (E) é o valor abaixo do qual não convém
que a iluminância de uma tarefa específica, um ambiente ou uma atividade de
trabalho seja reduzida. A unidade de medida utilizada para expressar o nível de
iluminamento de um ambiente é o lux (FUNDACENTRO, 2018).

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VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

Na NHO 11, da Fundacentro, você encontrará no Quadro


1 todos os níveis mínimos de iluminamento em função do tipo de
ambiente, tarefa ou atividade. Para isso, acesse o link a seguir: http://
www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/
publicacao/detalhe/2018/8/nho-11-avaliacao-dos-niveis-de-
iluminamento-em-ambientes-internos-de-trabalho.

Veja a seguir alguns níveis de iluminamento para uma edificação:

QUADRO 7 – NÍVEIS DE ILUMINAMENTO PARA UMA EDIFICAÇÃO

FONTE: Fundacentro (2018, p. 19)

Um aspecto bem relevante quando tratamos de iluminação é a influência das


cores, pois algumas delas possuem grande capacidade de refletir luz, enquanto
outras a absorvem mais do que as refletem. A cor branca, por exemplo, tem a
capacidade de refletir a luz, enquanto que a cor preta a capacidade de absorver.

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HiGiENE Do TrABALHo I

Assim, existe um índice que mede essa capacidade de refletância, chamado de


índice de refletância das cores. É importante o conhecimento desse índice, pois as
cores das paredes do local de trabalho influenciarão a avaliação do iluminamento
(IFPR, 2013).

QUADRO 8 – ÍNDICE DE REFLETÂNCIA DAS CORES

FONTE: IFPR (2013, p. 11)

5.3 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO,


PRÁTICAS, TÉCNICAS E
EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO DE
ILUMINAÇÃO
Até agora, você aprendeu que a NR 17 é a Norma que estabelece os
requisitos de segurança para a iluminação. Em seu item 17.5.3.3, ela define que
os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho
são os valores de iluminâncias estabelecidos pela NBR 5413. Assim, esta NBR,
que trata da iluminância de interiores, deve ser utilizada como referência na
avaliação do iluminamento. Você viu também que iluminação é uma condição de
conforto, ou seja, um agente ergonômico regido pela NR 17 e não um agente
físico. Percebeu ainda que uma iluminação incorreta pode prejudicar o trabalho e
as pessoas que o executam.

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VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

Agora vamos aprender qual é o instrumento utilizado para fazer a medição do


iluminamento e quais as técnicas corretas para isso. Você também vai aprender
como realizar essa avaliação de acordo com o que estabelece a NBR 5413.

• Equipamentos de medição

O equipamento empregado na avaliação do iluminamento é o luxímetro,


instrumento que possui uma fotocélula que deve estar corrigida para a
sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência, conforme
estabelece a NR 17. Como existe no mercado uma grande diversidade de marcas
e modelos, é previsível que a qualidade e a adequabilidade também variem.
Durante a medição, a luz incide sobre a fotocélula que funciona como um sensor.
O estímulo gerado por esse sensor é lido pelo medidor que fornece, então, o nível
de iluminância na unidade de medida lux. Na figura a seguir, podemos visualizar
dois modelos diferentes de luxímetro (IFPR, 2013).

FIGURA 8 – LUXÍMETRO DIGITAL

FONTE: <https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-107149557
1-luximetro-digital-c-certificado-de-calibraco-akrom-kr812-_JM?matt_
tool=60151816&matt_word&gclid=Cj0KCQjwhJrqBRDZARIsALhp1WTAZn
ibZ6A7fRc1cRhVSOMK4Tp_2qR4Z4v5LjrxX6SDfVLRMolUXXAaAjOBEALw_
wcB&quantity=1> e<https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1244301230-luxi
metro-digital-mlm-1011-minipa-c-nf-e-original-_JM?matt_tool=60151816&matt
_word&gclid=Cj0KCQjwhJrqBRDZARIsALhp1WSRZh-P9VFQshwcuT315M7
D8XJXMCIiCd8W5rIb4DllO9ikLtVkkTEaAvBFEALw_wcB&quantity=1>.
Acesso em: 25 out. 2019.

91
HiGiENE Do TrABALHo I

• Calibração

Como já vimos anteriormente, os equipamentos de medição precisam


ser calibrados. No caso dos medidores de iluminância, eles devem ser
periodicamente calibrados e certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia,
Qualidade e Tecnologia (Inmetro), por laboratórios acreditados pelo Inmetro
para essa finalidade ou por laboratórios internacionais, desde que reconhecidos
pelo Inmetro. A periodicidade de calibração deve ser estabelecida com base nas
recomendações do fabricante; em dados históricos da utilização dos medidores,
que indiquem um possível comprometimento na confiabilidade do equipamento;
e em critérios que venham a ser estabelecidos em lei. A calibração também deve
ser refeita sempre que ocorrer algum evento que implique suspeita de dano nos
medidores (FUNDACENTRO, 2018).

• Técnicas de medição

Segundo Brevigliero, Possebon e Spinelli (2012), alguns cuidados devem ser


tomados para se obter uma leitura correta dos níveis de iluminamento, para isso
devemos obedecer a algumas técnicas de medição. Vejamos algumas delas:

• A célula fotoelétrica deve ser exposta à luz por cinco ou quinze


minutos antes de se iniciar o trabalho, para que o equipamento possa
estabilizar.
• A fotocélula deve ficar paralela à superfície onde se desenvolve a
tarefa visual.
• O operador não deve criar sombras sobre a fotocélula e deve se
posicionar de forma a não interferir na leitura.
• As leituras devem ser feitas na pior situação, ou seja, em dias
nublados ou em dias ensolarados, caso haja muita reflexão de luz
sobre os campos de trabalho, ou em ambientes sem a interferência
de luz solar, para serem consideradas no levantamento as piores
condições de iluminamento. Quando existirem atividades no ambiente
analisado, as medições deverão ser realizadas à noite.
• A NR 17 define que quando não puder ser definido o campo de
trabalho, este deverá ser um plano horizontal a 0,75 m do piso, de
forma que a leitura deverá ser realizada nesta posição.

• Avaliação conforme NBR 8995-1

Caro estudante, neste momento, ensinaremos a você os procedimentos


adotados para fazer a avaliação de iluminamento, eles têm por objetivo quantificar
a iluminância nos postos de trabalho, visando a sua posterior comparação com
os valores mínimos estabelecidos pela legislação brasileira, bem como fornecer

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VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

recomendações gerais, para se obter a adequação das condições de iluminação


às atividades desenvolvidas nesses locais. Para ter acesso ao conteúdo na
íntegra sobre como devem ser todos os procedimentos adotados para avaliação
de iluminamento, consulte a norma NBR 8995-1, a qual tem por título Iluminação
de ambientes de trabalho Parte 1: Interior.

Confira Iluminação de ambientes de trabalho Parte 1: Interior:


https://www.abntcatalogo.com.br.

De acordo com a norma NBR 8995-1, a iluminância deve ser medida no


campo de trabalho. Quando este não for definido, entende-se o nível como
referente a um plano horizontal a 0,75 m do piso. Entende-se por campo de
trabalho toda a região do espaço em que, para qualquer superfície nela situada,
exigem-se condições de iluminação apropriadas à tarefa visual a ser realizada
(SESI, 2007).

As medições devem ser feitas por amostragem, visando recolher dados


de alguns pontos de tarefas visuais para avaliar a eficiência e adequação do
sistema de iluminação, não sendo necessário o levantamento de todos os pontos
existentes, mas amostralmente de todos os tipos de tarefas visuais e áreas de
circulação ou passagem. É importante que se evidenciem as tarefas inadequadas
quanto à iluminância (SESI, 2007).

Veja a seguir os recursos/características mínimos que um equipamento deve


possuir para permitir uma medição adequada e representativa:

93
HiGiENE Do TrABALHo I

QUADRO 9 – CARACTERÍSTICAS DOS

FONTE: Sesi (2007, p. 86)

Ao fazer um projeto de iluminação para ambientes de trabalho, podemos


consultar alguns manuais fornecidos pelos fabricantes que são de simples
entendimento. Deve-se apenas ressaltar que não se busca apenas uma boa
iluminância média, mas o respeito ao valor recomendado em todos os pontos de
trabalho. Valores muito mais altos que a média devem ser obtidos com iluminação
suplementar (SESI, 2007).

• Fatores para uma iluminação adequada

Para buscar uma iluminação adequada e eficaz não devemos estar somente
fixados no aspecto de maior número de lâmpadas ou maior potência. A adequação
vai resultar da combinação dos seguintes fatores:

QUADRO 10 – FATORES QUE INFLUENCIAM UMA ILUMINAÇÃO ADEQUADA

Reprodução de cores
Aplicações especiais
Tipo de lâmpada
Carga térmica
Eficiência luminosa
Difusão
Tipo de luminária Diretividade
Ofuscamento/reflexos
Quantidade de luminárias Valor adequado de iluminância
Homogeneidade
Distribuição Contrastes
Sombras
Reposição
Manutenção
Limpeza
Refletância
Cores
Ambiência
FONTE: Sesi (2007, p. 90)
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VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

No livro Técnicas de avaliação de agentes ambientais – manual


SESI (2007), você encontrará um modelo de roteiro de campo com
os cuidados que devem ser tomados ao realizar uma avaliação de
iluminamento.

• EXEMPLO

1) Aqui você verá um exemplo real, em que foi realizada uma avalição de
níveis de iluminamento num hospital.

Equipamento Utilizado: Luxímetro Digital – LD 550.


Técnica utilizada: Avaliações realizadas ponto a ponto, nas diferentes
tarefas realizadas nos postos de trabalho, e comparação com os valores mínimos
exigidos da iluminância “E” (lux) (Quadro 1 da NHO 11 – Norma de Higiene
Ocupacional 11 da Fundacentro) com tolerância permitida de 10% abaixo dos
respectivos valores.

QUADRO 11 – RESULTADOS DAS AVALIAÇÕES DOS NÍVEIS DE ILUMINAMENTO

Identificação Nível de Ilumina-


Local/ Posto de Trabalho Resul-tado
(Cód. Máquina / -mento Mínimo Conclusão
Pavimento / Setor Aferido (Lux)
Função ou Nome) (Lux)
Supervisão - 500¹ 940 Atende
Pós-venda - 500¹ 800 Atende
Gerência - 500¹ 950 Atende
Sala ADM Cód. 9879 500¹ 690 Atende
Sala ADM Cód. 9192 500¹ 890 Atende
11º andar
Sala ADM Cód. 13378 500¹ 888 Atende
Sala ADM Cód. 6763 500¹ 1300 Atende
Sala ADM Cód. 11200 500¹ 650 Atende
Encarregada - 500¹ 1500 Atende
Recepção Cód. 20315 300² 494 Atende

95
HiGiENE Do TrABALHo I

Identificação Nível de
Local/ Posto de Tra- Resul-tado
(Cód. Máquina / Ilumina-mento Conclusão
Pavimento balho / Setor Aferido (Lux)
Função ou Nome) Mínimo (Lux)
Recepção Cód. 7113 300² 460 Atende
Consultório 1 Cód. 10964 500¹ 302 Não Atende - Abaixo
11º andar Consultório 2 Cód. 10075 500¹ 345 Não Atende - Abaixo
Consultório 3 - 500¹ 358 Não Atende - Abaixo
Arquivo - 200³ 718 Atende
FONTE: Adaptado de Fundacentro (2018)

• Conclusões dos resultados obtidos

Atende: Nível aferido em conformidade com os níveis de iluminamento


mínimo estabelecidos na NHO 11.
Não Atende – Abaixo: Nível aferido abaixo dos níveis de iluminamento
mínimo estabelecidos na NHO 11. Nesta situação faz-se necessária uma
intervenção por parte da empresa para melhoria da condição atual, o que pode
ser alcançado através de manutenções mecânicas, substituição de equipamentos
ou medidas administrativas.

NOTA:
( 1 ) Limite estabelecido no Quadro 1 do item 9 da NHO 11 – Avaliação dos
níveis de iluminamento em ambientes internos de trabalho / item 22.Escritórios –
Escrever, teclar, ler e processar dados da Fundacentro.
( 2 ) Limite estabelecido no Quadro 1 do item 9 da NHO 11 – Avaliação dos
níveis de iluminamento em ambientes internos de trabalho / item 22.Escritórios –
Recepção da Fundacentro.
( 3 ) Limite estabelecido no Quadro 1 do item 9 da NHO 11 – Avaliação dos
níveis de iluminamento em ambientes internos de trabalho / item 22. Escritórios –
Arquivo da Fundacentro.

1) Considerando que um empresário pretende abrir seu próprio


negócio, e para isso decide empreender no ramo alimentício,
quais cores você indicaria para esse cliente a fim de tornar o
ambiente um local atrativo e confortável?

2) Considerando que um empresário pretende abrir seu próprio


negócio, e para isso decide empreender abrindo uma clínica

96
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

pediátrica, quais cores você indicaria para esse cliente a fim de


tornar o ambiente um local atrativo e confortável?

REFERÊNCIAS
AIRES, M. de M. Fisiologia Básica. São Paulo: Guanabara Koogan, 1986.

AZEVEDO, M. F. M.; SANTOS, M. S.; OLIVEIRA, R. O uso da cor no ambiente


de trabalho: uma ergonomia da percepção. [Artigo]. Universidade Federal de
Santa Catarina, PPGEP. Campus Universitário, Trindade, Florianópolis-SC, 2011.

BRASIL. Normas Regulamentadoras. NR 09 – Programa de Prevenção de


Riscos Ambientais. 1978a. Disponível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/
images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-09.pdf. Acesso em: 21 fev. 2019.

BRASIL. Normas Regulamentadoras. NR 15 – Atividades e Operações


Insalubres. 1978b. Disponível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/index.
php/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-menu/sst-normatizacao/sst-nr-
portugues?view=default. Acesso em: 21 jan. 2019.

BRASIL. Normas Regulamentadoras. NR 17 – Ergonomia. 2014. Disponível em:


https://enit.trabalho.gov.br/portal/index.php/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-
menu/sst-normatizacao/sst-nr-portugues?view=default. Acesso em: 21 jan. 2019.

BREVIGLIERO, E.; POSSEBON, J.; SPINELLI, R. Higiene ocupacional:


agentes biológicos, químicos e físicos. 6. ed. reimpressão. São Paulo: Editora
Senac São Paulo, 2012.

FOGLIA, V. G. Visão. In: Fisiologia humana. São Paulo: Guanabara Koogan,


1987.

FUNDACENTRO. Norma de Higiene Ocupacional. NHO 11 – Procedimento


técnico. Avaliação dos níveis de iluminamento em ambientes internos de
trabalho. São Paulo, 2018.

GEMNE, G. et al. The Stockholm Workshop scale for the classification of cold-
induced Raynaud's phenomenon in the hand-arm vibration syndrome (revision of
the Taylor-Pelmear scale). Scand J Work Environ Health. Aug 1987.

97
HiGiENE Do TrABALHo I

IFPR – Instituto Federal do Paraná. Educação a Distância. Higiene no Trabalho,


e-Tec Brasil, Curitiba, 2013.

ISO 16063-1: Methods for the calibration of vibration transducers, Part 1: Basic
concept. Geneva, 1998.

ISO 16063-11:1999. Methods for the calibration of vibration and shock


transducers – Part 11: Primary vibration calibration by laser interferometry.

ISO 16063-21:2003. Methods for the calibration of vibration and shock


transducers – Part 21: Vibration calibration by comparison to a reference
transducer.

ISO 2631-1: Mechanical Vibration and Shock - Evaluation of Human Exposure to


Whole-Body Vibration - Part 1: General Guidelines. Geneva, 1997.

ISO 5349-1: Mechanical Vibration - Measurement and Evaluation of Human


Exposure to Hand-Transmitted Vibration - Part 1: General Guidelines. Geneva,
2001. 24 p.

ISO 8041: Human Response to Vibration - Measuring Instrumentation, Geneva,


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LACY, M. L. Conhece-te através das cores. São Paulo: pensamentos, 1989.

NEPOMUCENO, L. X. Técnicas de manutenção preditiva. São Paulo: Blücher,


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RIPPER G. P.; DIAS R. S. Técnicas de medição e calibração, curso de vibrações,


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SIMPÓSIO BRASILEIRO DE ACÚSTICA VEICULAR. Anais... SIBRAV, São
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THOMSON, W. T. Teoria das vibrações com aplicações. 6.ed. Rio de Janeiro:


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98
VIBRAÇÕES E A INFLUÊNCIA DA COR E ILUMINAÇÃO NA SEGURANÇA
Capítulo 2 E SAÚDE DO TRABALHADOR

VERDUSSEN, R. Ergonomia: a racionalização humanizada do trabalho. Rio de


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VIM – Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia.


2 ed. Brasília: INMETRO, SENAI/DN, 2000. 75 p.

XIMENES, G. M.; MAINIER F. B. Programas de proteção de saúde e segurança


de exposição às vibrações. In: XXV ENEGEP, Porto Alegre. Anais... ABEPRO.
2005. 1 CD-ROM.

99
HiGiENE Do TrABALHo I

100
C APÍTULO 3
CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO
INDUSTRIAL

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

• ênfase nas definições, propriedades, classificação e conceitos em geral


que envolvem conforto térmico, trocas térmicas e calor, de forma objetiva e
contextualizada;
• ênfase nas definições, propriedades, classificação e conceitos em geral que
envolvem ventilação industrial, de forma objetiva e contextualizada;
• compreender e analisar a importância dos efeitos do calor ao corpo humano no
ambiente de trabalho;
• verificar os principais componentes e variáveis que influenciam um sistema de
ventilação industrial;
• aprender os fundamentos e elementos-chave abordados neste capítulo a fim de,
futuramente, aplicar em sua vida profissional de forma eficiente e sustentável;
• sugerir medidas preventivas e ações corretivas decorrentes do calor.
HiGiENE Do TrABALHo I

102
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Prezado pós-graduando, damos início neste momento ao nosso terceiro
capítulo. Nele, abordaremos os conceitos e técnicas inerentes ao conforto térmico
e ventilação industrial.

Todavia, nos capítulos anteriores você teve a oportunidade de conhecer os


agentes ambientais como ruído, vibrações, como realizar as avaliações para que
possam ser tomadas as ações preventivas, chamadas também de medidas de
controle, necessárias para eliminarmos, minimizarmos ou paralisarmos os riscos
no ambiente de trabalho.

Assim, daremos continuidade neste enfoque, porém tratando agora sobre as


questões relacionadas à temperatura.

2 CONFORTO TÉRMICO
De um modo geral, podemos dizer que conforto térmico pode ser entendido
como a sensação de bem-estar de um indivíduo, proveniente de uma combinação
satisfatória nesse ambiente, da temperatura, umidade relativa e velocidade
relativa do ar com a atividade realizada e a vestimenta utilizada (RUAS,
1999). Vejamos a seguir alguns conceitos e aspectos condizentes com o conforto
térmico.

2.1 CONCEITOS GERAIS SOBRE


CONFORTO TÉRMICO
O conforto térmico tem como finalidade principal analisar as condições
térmicas adequadas para ambiente laboral capaz de ocupação humana, assim
como o bom desempenho de suas atividades. De acordo com Borré (2013), dessa
forma, ao estudar o conforto térmico devemos levar em consideração alguns
aspectos, como:

• A sensação de conforto do ser humano, ou seja, o quão ele está


satisfeito.
• O desenvolvimento do indivíduo no seu ambiente laboral.
• A conservação da energia.

103
HiGiENE Do TrABALHo I

Ainda segundo Borré (2013), o conforto térmico envolve muitas características


as quais podem ser de ordem: físicas ou ambientais e também variáveis subjetivas
ou pessoais, assim, mesmo que as pessoas estejam em um mesmo ambiente
ao mesmo tempo, não é possível que elas apresentem a mesma satisfação em
relação ao conforto térmico, tendo em vista as características pessoais de cada
uma.

Com relação às variáveis ambientais de uma edificação, estas dependerão


das suas características construtivas; nesse sentido, o clima é fator decisivo
na determinação dessas características de modo que o desconforto térmico
não venha a ocorrer por esse motivo e, com isso, o consumo de energia para
ventilação, refrigeração e/ou aquecimento seja o mínimo possível. Além do clima,
a adaptação do indivíduo as suas atividades e equipamentos utilizados contribuem
para as condições satisfatórias de conforto térmico de uma edificação (RUAS,
1999).

Ruas (1999) afirma ainda que questões como o conforto térmico e a


conservação de energia não são levadas tanto em consideração ao se projetar
uma edificação, sendo esse fato mais influenciado por questões estéticas ou de
produção. O autor fala ainda que existe mais a preocupação de evitar o estresse
térmico para aqueles trabalhadores que estão expostos às condições mais
extremas do que o próprio conforto térmico.

Em contrapartida, algumas empresas demonstram uma grande preocupação


de fazer uma análise bem detalhada do ambiente laboral levando em consideração
a questão mais humanitária e, nesse sentido, há uma maior identificação e análise
de problemas e necessidades que hoje são ignorados, mas que certamente
influenciam a eficiência e produtividade do trabalhador por afetarem a sua
segurança e motivação. Assim, ao avaliar o conforto térmico em conjunto com
programas que simulam o desempenho térmico do ambiente é possível uma
melhor adequação de um projeto de uma determinada edificação ao clima e aos
trabalhos executados (RUAS, 1999).

Como mencionado anteriormente, o conforto térmico envolve muitas


variáveis, dessa forma levam às pessoas a apresentarem sensações térmicas
diferenciadas. Em virtude desse e de outros fatores, surgiu a necessidade de se
desenvolver determinados índices de conforto térmico, que nada mais é que um
parâmetro utilizado para representar o efeito combinado dessas variações. Logo,
por meio dele, podemos conhecer o conforto térmico de um ambiente, assim
como propor medidas que contribuam para melhorar a sensação térmica que são
inerentes às necessidades humanas (RUAS, 1999).

104
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

No Brasil, a Norma Regulamentadora NR 17 – Ergonomia, leva em


consideração alguns parâmetros sobre conforto térmico, porém para atividades
realizadas em ambiente administrativo. Veja:

17.5.2. Nos locais de trabalho onde são executadas atividades


que exijam solicitação intelectual e atenção constantes,
tais como: salas de controle, laboratórios, escritórios, salas
de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros,
são recomendadas as seguintes condições de conforto:
a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152,
norma brasileira registrada no INMETRO;
b) índice de temperatura efetiva entre 20 oC (vinte) e 23 oC
(vinte e três graus centígrados);
c) velocidade do ar não superior a 0,75 m/s;
d) umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento
(BRASIL, 1978, p. 2-3).

As atividades constantes no item 17.5.2 da NR 17 normalmente são


realizadas sob aclimatação através de sistema de ar-condicionado, em que na
maioria das situações de trabalho não há o emprego de fontes de calor radiante
para a execução das atividades (BRASIL, 1978).

Para verificar as condições de conforto térmico em determinado ambiente


laboral, faz-se necessária primeiro uma abordagem exploratória, em que é feita
a observação da situação de trabalho complementada por entrevistas com os
trabalhadores a respeito do conforto térmico (BRASIL, 1978).

Neste contexto, faz-se necessário conhecer outros parâmetros, como já


mencionados anteriormente: temperatura efetiva, velocidade do ar e umidade
relativa e a estratégia de medição para verificar a conformidade ou não com a
legislação sobre conforto térmico. E complementando ainda esses parâmetros,
devemos também conhecer a carga de trabalho e o tipo de vestimenta utilizado
(BRASIL, 1978).

Vale ressaltar que você, como futuro profissional da segurança e saúde


ocupacional, deve sempre priorizar um conjunto de ações ao invés de se ater a
uma única solução para reduzir ou atenuar a exposição do trabalhador, aumentar
o seu grau de satisfação no desempenho de suas atividades, sendo por meio da
reorganização do trabalho ou por meio de medidas técnicas.

Para avaliarmos as condições de conforto térmico de um trabalhador,


devemos levar em consideração a atividade realizada por ele e essa medição deve
ser realizada na altura do tórax do trabalhador. Tal medição pode ser realizada
através de alguns equipamentos, como termo-higrômetro e o termoanemômetro,
mas há instrumentos que permitem a leitura de todos os parâmetros (BRASIL,
1978).

105
HiGiENE Do TrABALHo I

Conheça um pouco sobre o Termo-higrômetro. Acesse: https://


it.instrutemp.com.br/termohigrometro-o-que-e-e-para-que-serve/.

O parâmetro “temperatura” a ser considerado é o que chamamos de


temperatura efetiva, que é um índice utilizado para avaliar o conforto térmico e
não a temperatura do ar. Ela é definida como a temperatura ambiente com ar
tranquilo, saturado em vapor d’água que produz a mesma sensação térmica
do ambiente avaliado. Três parâmetros são utilizados para a determinação da
temperatura efetiva por meio da introdução em ábaco específico: temperatura do
ar, temperatura de bulbo úmido e velocidade do ar (BRASIL, 1978).

É importante para o profissional que realizará as avaliações de conforto


térmico ter conhecimento de que fatores externos podem influenciar os valores das
medições, como por exemplo, ineficiência do sistema de ventilação, diminuição
da umidade relativa a valores inferiores ao recomendado pela NR 17 no período
da tarde, geralmente com temperaturas externas superiores (BRASIL, 1978).

Com relação à velocidade do ar, se verificado um aumento inclusive do que


é estabelecido pela norma (0,75 m/s) no local de saída do ar situado sobre a
cabeça e o tronco do trabalhador, muito provavelmente há um acúmulo de poeira
nessa saída (BRASIL, 1978).

Ressaltamos aqui que, conhecendo esses parâmetros do ambiente,


o tipo de vestimenta, sexo do trabalhador e a carga de trabalho é possível
calcular os índices do conforto térmico através de normas estrangeiras que
são norteadoras nessa avaliação, nesse caso, a norma internacional ISO 7730
(2005), que por sua vez tem como base os estudos realizados pelo professor
dinamarquês Ole Fanger e publicado em Fanger (1970). Através de algumas
experiências com indivíduos, ele desenvolveu duas técnicas, as quais
possibilitam avaliar o conforto térmico através dos índices Predict Mean Vote –
PMV e Percentage of People Disatisfied – PPD. O método PMV faz a análise
da sensação de conforto em função de sete variáveis (LAMBERTS et al.,
2005), mostradas no quadro a seguir (escala sétima ou escala térmica) e utilizada
por Fanger.

106
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

QUADRO 1 – ESCALA TÉRMICA DE FAGNER

Escala Sensação
+3 Muito quente
+2 Quente
+1 Levemente quente
0 Neutro
-1 Levemente frio
-2 Frio
-3 Muito frio
FONTE: Lamberts et al. (2005, p. 18)

O antigo Ministério do Trabalho – MTB, anterior Ministério


do Trabalho e Emprego – MTE, é hoje denominada Secretaria de
Inspeção do Trabalho. Essa Secretaria instituiu a Escola Nacional
da Inspeção do Trabalho – ENIT, em que você pode acompanhar
todas as questões relativas à SST em debate no governo, inclusive a
atualização das Normas Regulamentadoras.

Para saber mais, acesse https://enit.trabalho.gov.br/portal/.

Um aspecto relevante é o fato de que esse método foi desenvolvido através


de experiências em laboratório, logo, não pode ser garantido para as variáveis
pessoais nas aplicações de campo devido aos recursos técnicos necessários.
Assim, essas variáveis têm que ser subjetivamente estimadas e isso pode gerar
erros consideráveis na avaliação do conforto térmico (RUAS, 1999).

107
HiGiENE Do TrABALHo I

2.2 TROCAS TÉRMICAS –


INTERAÇÕES DO CALOR COM O
CORPO HUMANO E O AMBIENTE DO
TRABALHO
Nosso corpo é um sistema termodinâmico, ou seja, um sistema onde há troca
de calor do sistema/corpo humano com o meio exterior. O corpo humano produz
calor e interage de forma contínua com o ambiente para conseguir o balanço
térmico necessário para a vida. Essas trocas são regidas pelas leis da física e
influenciadas por mecanismos de adaptação fisiológica, por condições ambientais
e por fatores individuais (RUAS, 1999).

No nosso organismo, a sobrecarga térmica é resultante de duas parcelas


de carga térmica: uma carga externa (ambiental) e outra interna (metabólica),
sendo a carga externa proveniente das trocas térmicas com o ambiente e a carga
metabólica proveniente da atividade física que exerce (SESI, 2007).

De acordo com SESI (2007), dessa forma, existem alguns mecanismos


básicos de troca térmica do corpo humano com o ambiente: condução, convecção,
radiação e evaporação.

• Condução: essa troca pode ocorrer de duas formas. Na primeira, a


troca térmica acontece entre dois corpos em contato e a temperaturas
diferentes. Na segunda maneira, a troca ocorre dentro de um mesmo
corpo cujas extremidades encontram-se a temperaturas diferentes.
Esse tipo de troca térmica acontece normalmente por contato do
corpo do trabalhador com ferramentas e superfícies (SESI, 2007).
• Convecção: troca que acontece entre um corpo e um fluido
(substância que apresenta capacidade de fluir/escoar). Ao aumento
de temperatura, esse fluido se movimenta devido à diferença de
densidade. Portanto, junto à troca de calor existe uma movimentação
do fluido, chamada de corrente natural convectiva. Se o fluido se
movimenta por impulso externo, diz-se que se tem uma convecção
forçada. No caso de um trabalhador, essa troca térmica ocorre com o
ar a sua volta (SESI, 2007).
• Radiação: nesse tipo de troca, a energia radiante é
transmitida da superfície quente para a fria por meio de
ondas eletromagnéticas que, ao atingirem a superfície
fria, transformam-se em calor. Na radiação, uma pessoa num
ambiente está sempre emitindo e recebendo energia radiante, e o

108
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

diferencial entre a energia recebida e a emitida é que define se o


corpo é aquecido ou resfriado por radiação. Então, podemos dizer
que uma pessoa que está em um ambiente onde a temperatura é
menor do que a de sua pele, ela perderá calor por radiação. E que,
se as paredes estiverem mais quentes que a sua pele, a temperatura
do corpo aumentará por efeito da radiação (RUAS, 1999).
• Evaporação: de forma resumida, é a troca de calor produzida
pela evaporação do suor, por meio da pele (SESI, 2007). Se por
questões ambientais as perdas de calor do corpo humano não são
suficientes para regular a sua temperatura interna, o organismo
passa a aumentar a atividade das glândulas sudoríparas e com isso
perde calor pela evaporação da umidade (suor) que se forma na pele
(RUAS, 1999). O suor recebe calor da pele, evaporando e aliviando o
trabalhador. A troca por evaporação pode ser o único meio de perda
de calor para o ambiente, na indústria. Um aspecto limitante para a
evaporação do suor é quantidade de água presente no ar; ou seja,
quando a umidade relativa do ambiente é de 100%, não é possível
evaporar o suor, e a situação pode ficar crítica (SESI, 2007).

• Vejamos agora como chegar ao equilíbrio térmico

Para SESI (2007), o organismo ganha ou perde calor para o meio ambiente
segundo a equação do equilíbrio térmico:

M±C±R–E=Q

Em que:
M = calor produzido pelo metabolismo, sendo um calor sempre ganho (+).
C = calor ganho ou perdido por condução/convecção.
R = calor ganho ou perdido por radiação (+/-).
E = calor sempre perdido por evaporação (-).
Q = calor acumulado no organismo (sobrecarga).
Q>0 = acúmulo de calor (sobrecarga térmica).
Q<0 = perda de calor (hipotermia).

• Correlacionando as trocas térmicas do trabalhador com as variáveis


físicas do ambiente e da tarefa

Como vimos, as trocas térmicas podem acontecer de várias formas. Vamos


estudar um pouco de como podemos saber se existe ou não uma sobrecarga
térmica durante a realização de uma atividade laboral, ou seja, numa exposição
ocupacional. Para isso, devemos conhecer as trocas térmicas envolvidas, que por
vezes não são fáceis de se obter na prática na maioria dos casos. Porém, uma

109
HiGiENE Do TrABALHo I

boa medida é correlacionar tais trocas com as variáveis mensuráveis no ambiente


e com o conhecimento da tarefa realizada pelo trabalhador. Observe no Quadro
2 como cada troca se correlaciona com as variáveis do ambiente e com a tarefa
(SESI, 2007).

QUADRO 2 – CORRELAÇÃO ENTRE AS TROCAS


TÉRMICAS E AS VARIÁVEIS DO AMBIENTE

Carga Umidade
Parâmetro Temperatura Velocidade
radiante do relativa do
troca do ar do ar
ambiente ar
Convecção xxx xxx ---------- ----------
Radiação ---------- ---------- xxx ----------
Evaporação xxx xxx ---------- xxx
Metabolismo (*) ---------- ---------- ---------- ----------
xxx = interfere na troca.
---------- = não interfere na troca.
(*) o metabolismo se relaciona diretamente com a atividade física da tarefa.
FONTE: SESI (2007, p. 36)

Vejamos agora quais são os parâmetros do ambiente e da tarefa que devem


ser obtidos, segundo SESI (2007):

• temperatura do ar;
• velocidade do ar;
• carga radiante do ambiente;
• umidade relativa do ar;
• metabolismo, por meio da atividade física da tarefa.

2.3 EFEITOS DO CALOR


Como visto no Capítulo 1, o calor é um agente ambiental físico e pode causar
aos trabalhadores efeitos que vão desde a desidratação progressiva e cãibras
até ocorrências bem mais sérias, como a exaustão por calor e o choque térmico.
Normalmente, as pessoas que sofrem os efeitos mais severos são aquelas não
aclimatadas, ou seja, as “novatas” no ambiente termicamente severo (SESI,
2007).

Como mencionado, os efeitos do calor podem ser negativos, mas também


positivos, definindo as condições nas quais a produtividade, a saúde, a energia
física e mental do homem são eficientes. A inter-relação dessas situações
estabelece as condições térmicas ideais (RUAS, 1999).

110
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

• Agora, vamos dar uma pausa para falar um pouco sobre


aclimatação

A aclimatação é a adaptação fisiológica a longo prazo ao clima. Quando um


trabalhador se expõe ao calor intenso pela primeira vez, tem sua temperatura
interna significativamente aumentada, aumentando assim o ritmo cardíaco e
apresentando baixa sudorese. Dessa forma, o indivíduo começa a suar pouco
e pode perder muito cloreto de sódio nesse suor. Uma série de fatores acontece
quando uma pessoa está sob condições aclimatizadas, como por exemplo,
sua mais, consegue manter a temperatura do núcleo do corpo em valores mais
baixos e perde menos sal no suor, mantendo também os batimentos cardíacos
normalizados. Para que haja aclimatação deve ocorre três fenômenos, que SESI
(2007) nos descreve a seguir:

1. Aumento da sudorese.
2. Diminuição da concentração de sódio no suor (4,0 g/l para 1,0 g/l),
sendo que a quantidade de sódio perdido por dia passa de 15 a 25
gramas para 3 a 5 gramas.
3. Diminuição da frequência cardíaca por meio do aumento do
volume sistólico, devido ao aumento da eficiência do coração no
bombeamento em valores mais aceitáveis. A aclimatação é iniciada
após quatro a seis dias e tende a ser satisfatória após uma a duas
semanas. É o médico que deve avaliar se a aclimatação está
satisfatória.

O afastamento do trabalho por vários dias pode fazer com que o trabalhador
perca parte da aclimatação, após três semanas a perda será praticamente total
(SESI, 2007).

Entendido o que é aclimatação, voltemos a falar sobre os efeitos que o calor


pode causar ao trabalhador. Veja alguns deles na sequência.

• Golpe de calor (hipertermia ou choque térmico)

Acontece quando o indivíduo deixa de produzir suor devido a uma alteração


no mecanismo de dissipação do calor causado pelo aumento contínuo da
temperatura interna, que por sua vez aumenta devido a uma falha no sistema
termorregulador por uma sobrecarga térmica (SESI, 2007).

O golpe de calor produz sintomas como: confusão mental, colapsos,


convulsões, delírios, alucinações e coma, sem aviso prévio, parecendo-se o
quadro com uma convulsão epiléptica (SESI, 2007).

111
HiGiENE Do TrABALHo I

Os sinais externos do golpe de calor são: pele quente, seca e arroxeada.


A temperatura interna sobe a 40,5 °C ou mais, podendo atingir 42 °C a 45 °C
no caso de convulsões ou coma. O golpe de calor é frequentemente fatal e, no
caso de sobrevivência, podem ocorrer sequelas devido aos danos causados ao
cérebro, rins e outros órgãos (SESI, 2007).

Diversos fatores podem desencadear o golpe de calor, como a realização


de tarefas físicas pesadas em condições de calor extremo, quando não há a
aclimatação e quando existem certas enfermidades, como o diabetes mellitus,
enfermidades cardiovasculares e cutâneas ou obesidade (SESI, 2007).

Nesses casos, o profissional de saúde e segurança deve acionar o médico


imediatamente e o pessoal responsável pelos primeiros socorros deve tomar
ações para que o corpo do trabalhador seja resfriado imediatamente (SESI, 2007).

• Exaustão pelo calor

A perda dos sentidos pelo calor é resultado da tensão excessiva do sistema


circulatório, associado à perda de pressão e sintomas como enjoo, palidez, pele
coberta pelo suor e dores de cabeça (SESI, 2007).

À medida que a temperatura do corpo aumenta, há uma reação no nosso


organismo em que os vasos sanguíneos se dilatam com o intuito de aumentar
a quantidade de sangue nas áreas de troca. Logo, há uma diminuição de fluxo
sanguíneo nos órgãos vitais, podendo ocorrer uma deficiência de oxigênio nessas
áreas, comprometendo particularmente o cérebro e o coração (SESI, 2007).

Em atividades que demandem um esforço físico maior, por exemplo, é


normal ocorrer esse tipo de situação, pois há a necessidade de um fluxo maior
de sangue nos músculos. Uma medida que pode ser adotada nesse caso, para
a recuperação momentânea, é pedir que o trabalhador se deite durante a crise
ou se sente com a cabeça baixa. Porém, a recuperação total acontece com o
repouso em ambiente frio (SESI, 2007).

112
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

FIGURA 1 – TRABALHADOR SOFRENDO OS EFEITOS DO CALOR

FONTE: <https://areasst.com/wp-content/uploads/2016/06/img-header-protegildo-
calor-excessivo-504x510.jpg?x78714>. Acesso em: 31 nov. 2019.

• Prostração térmica por desidratação

Quando o indivíduo não ingerir água suficiente para compensar a perda pela
urina ou pelo suor e pelo ar exalado, ele desidratará (SESI, 2007).

Ao desidratar, uma pessoa pode perder de 5% a 8% do peso corpóreo e


atrelado a isso pode ocorrer uma série de fatores, como diminuição do rendimento
no trabalho, sinais de desconforto, sede, irritabilidade e sonolência, além de pulso
acelerado e temperatura elevada. Quando essa perda chega a 10% do peso
corpóreo é incompatível com qualquer atividade, e com uma perda de 15% pode
ocorrer o choque térmico ou golpe pelo calor. Logo, nesses casos é indicado
colocar o trabalhador em local frio e fazer a reposição hídrica e salina (SESI,
2007).

• Prostração térmica pelo decréscimo do teor salino

Acontece quando a ingestão de sal é insuficiente para compensar as perdas


por sudorese. As pessoas mais suscetíveis são as não aclimatizadas.

A prostração térmica é caracterizada pelos seguintes sintomas: fadiga,


tonturas, falta de apetite, náuseas, vômitos e cãibras musculares (SESI, 2007).

• Cãibras de calor

Caracterizada por dores musculares, em particular os músculos abdominais,


coxas e aqueles sobre os quais a demanda física foi intensa. Elas ocorrem por
falta de cloreto de sódio, perdido pela sudorese intensa sem a devida reposição
e/ou aclimatação. O tratamento consiste no descanso em local fresco, com a
reposição salina por meio de soro fisiológico (solução a 1%). A reposição hídrica

113
HiGiENE Do TrABALHo I

e salina deve ser feita com orientação e acompanhamento médico (SESI, 2007).

• Enfermidades das glândulas sudoríparas

As glândulas sudoríparas podem sofrer alterações devido a um longo tempo


de exposição ao calor e ao clima úmido e com isso deixar de produzir o suor.
A não produção do suor pelo indivíduo agrava o sistema de trocas térmicas e
pode levá-lo à intolerância ao calor. Nesse caso, os trabalhadores acometidos
com esse problema devem receber tratamento dermatológico e, em alguns casos,
devem ser transferidos para tarefas em que não haja a necessidade de sudorese
para a manutenção do equilíbrio térmico (SESI, 2007).

• Edema pelo calor

Consiste no inchaço das extremidades, em particular os pés e os tornozelos.


Ocorre comumente em pessoas não aclimatizadas, sendo muito importante a
manutenção do equilíbrio hídrico-salino (SESI, 2007).

• Efeito na produtividade e na incidência de acidentes

De acordo com Wasterlund (1998), os efeitos causados pelo calor vão


além de efeitos fisiológicos, podendo afetar o desempenho, a vigilância e a
produtividade no ambiente de trabalho.

Alguns estudos foram realizados em campo no sentido de determinar os


efeitos das condições severas de temperatura e umidade nos trabalhadores. Veja
um pequeno resumo desse estudo segundo Auliciems (1973, p. 11):

As taxas de acidente em fábricas de munição aumentaram


30% em temperaturas acima de 23,8 ºC (75 ºF) e abaixo de
10 ºC (50 ºF) ... em minas de carvão, as ausências devido a
acidentes mostraram uma incidência substancialmente alta em
filões quentes... quando a temperatura efetiva (ET) é de 27,8
ºC (82 ºF), menos tubos de carvão foram produzidos e foram
dadas mais pausas para descanso que a 18,8 ºC (66 ºF). Em
produção de placas de vidro e em indústrias metalúrgicas...
mostraram uma diminuição significante da produção durante
os meses mais quentes do ano, e em indústrias têxteis... a
produção de tecelagem de algodão e linho diminuíram acima
de temperaturas de 21,1 a 22,7 ºC (70 a 73 ºF).

O clima afeta a capacidade para o trabalho físico e mental. Veja através


dos gráficos 1 e 2, segundo Leite (2002), que há uma relação entre o aumento
sazonal das temperaturas ambientes e a frequência de acidentes relacionados ao
trabalho.

114
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

De acordo ainda com o mesmo autor, o número de acidentes sobe,


acompanhando o crescimento da temperatura dos meses do ano. Quando a fonte
de calor é controlada, o número de acidentes decresce comparado com o número
de acidentes da fonte de calor sem controle. A média ponderada encontrada foi de
123 acidentes por mês. Em ambientes quentes, o trabalhador é mais vulnerável a
acidentes, isso devido às condições ambientais de desconforto e a diminuição da
concentração no exercício da atividade.

GRÁFICO 1 – RELAÇÃO ENTRE O AUMENTO SAZONAL EM TEMPERATURAS


AMBIENTES E A FREQUÊNCIA DE ACIDENTES RELACIONADOS AO TRABALHO

FONTE: Leite (2002, p. 12)

115
HiGiENE Do TrABALHo I

GRÁFICO 2 – FREQUÊNCIA DOS ACIDENTES EM RELAÇÃO À TEMPERATURA


E À IDADE DE TRABALHADORES NA PRODUÇÃO DE CARVÃO

FONTE: Leite (2002, p. 12)

O clima afeta a precisão do desempenho, particularmente quando atividades


perceptivas e psicomotoras estão envolvidas (LEE, 1963). O calor pode provocar
cansaço que, em parte, pode aumentar o índice de acidentes no trabalho
(KAMON, 1978).

Trabalhadores que estão expostos a um ambiente muito quente produzem


menos e estão mais suscetíveis a cometer erros, sofrer acidentes ou realizar
uma quantidade menor de trabalho. Outro estudioso nesse assunto é Leite
(2002), que afirmou que há relação entre a temperatura externa e a produção
dos trabalhadores e que a inclinação de um indivíduo para o trabalho mental
tende a diminuir em ambientes quentes. Outro aspecto levantado é que o mau
desempenho pode estar associado à insônia, devido ao calor.

Ainda de acordo com os estudos de Leite (2002), nos meses de julho, agosto
e setembro, na estação do verão europeu, a produtividade do trabalhador atinge
os menores valores, sendo que, à medida que a temperatura externa diminui, a
produtividade aumenta.

116
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

Quando as atividades desenvolvidas pelo trabalhador envolvem fontes


artificiais de calor é notória a sua influência na produtividade do trabalho, pois
essa exposição pode levar o trabalhador a picos de pouca produtividade quando
estão associados fatores como temperatura externa alta (LEITE, 2002).

2.4 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO,


PRÁTICAS, TÉCNICAS E
EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO DE
CALOR
No Capítulo 1, tivemos uma breve explicação de como se caracteriza uma
determinada atividade insalubre pelo agente calor, agora vamos detalhar um
pouco mais esse agente físico, tendo em vista que ele necessita ser quantificado
para possibilitar sua avaliação quanto à presença nos processos, ambientes de
trabalho e à nocividade ao homem trabalhador. Para quantificarmos a sobrecarga
térmica a que estão expostos os trabalhadores, podemos utilizar algumas
metodologias nacionais ou estrangeiras, porém nos ateremos às nacionais,
uma delas é Norma de Higiene Ocupacional NHO 06 – Avaliação da Exposição
Ocupacional ao Calor.

O critério de avaliação da exposição ocupacional ao calor adotado pela


NHO 06 tem por base o Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo (IBUTG)
relacionado à Taxa Metabólica (M).

O índice de Temperatura de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo é um índice


empírico e de fácil determinação em um ambiente industrial. Ele é baseado por, no
máximo, três parâmetros: temperatura de bulbo úmido natural (tbn), temperatura
de globo (tg) e temperatura bulbo seco (tbs) (SESI, 2007).

Para isso, vamos entender um pouco sobre os sensores desse índice


(IBUTG) que nos interessa, os quais são apresentados na sequência.

Termômetro de bulbo seco (tbs) – é um termômetro comum, cujo bulbo fica


em contato com o ar, ou seja, a partir dele medimos a temperatura do ar. Outros
termômetros que podem substituir esse tipo de sensor são os termopares (SESI, 2007).

Sensor de temperatura com amplitude mínima de medição de +10,0 °C a


+100,0 °C, exatidão igual ou melhor que ± 0,5 °C e permitir leituras a intervalos
de, no mínimo, 0,1 °C (FUNDACENTRO, 2001).
117
HiGiENE Do TrABALHo I

Termômetro de bulbo úmido natural (tbn) – termômetro em que o bulbo


fica recoberto por um pavio hidrófilo (que tem afinidade/poder de absorção com a
água), e que sua extremidade fica imersa em água destilada. Existem outros tipos
de sensores com a mesma finalidade, porém com configurações diferentes, mas
que devem preservar uma boa aeração do bulbo e pelo menos 25 mm de pavio
livre de qualquer barreira, desde o início da parte sensível do termômetro (SESI,
2007).

O sensor deve ter diâmetro externo de 6 mm ± 1 mm, com amplitude mínima


de medição de +10,0 °C a +50,0 °C, exatidão igual ou melhor que ± 0,5 °C e
permitir leituras a intervalos de, no mínimo, 0,1 °C (FUNDACENTRO, 2001).

Uma das extremidades do pavio deve revestir todo o sensor e de forma


perfeitamente ajustada. A outra extremidade do pavio deve estar inserida no
interior do reservatório cheio com água destilada de forma a atingir seu fundo.
O pavio deve cobrir, além do sensor, mais duas vezes o seu comprimento
(FUNDACENTRO, 2001).

A utilização de pavio folgado ou apertado sobre o sensor poderá interferir nos


resultados da medição (FUNDACENTRO, 2001).

FIGURA 2 – TERMÔMETRO DE BULBO ÚMIDO NATURAL

FONTE: FUNDACENTRO (2001, p. 33)

Termômetro de Globo (tg) – consiste num sistema constituído por um


termômetro (ou sensor de mesma finalidade) localizado no centro de uma esfera
oca de cobre de diâmetro de seis polegadas. O interior dessa esfera é preenchido
naturalmente com ar e a abertura é fechada pela rolha do termômetro. A esfera

118
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

é pintada externamente na cor de preto fosco e com um acabamento altamente


absorvedor da radiação infravermelha (SESI, 2007).

Esse sensor deve ter amplitude mínima de medição de +10,0 °C a +120,0


°C, exatidão igual ou melhor que ± 0,5 °C e permitir leituras a intervalos de, no
mínimo, 0,1 °C (FUNDACENTRO, 2001).

FIGURA 3 – TERMÔMETRO DE GLOBO

FONTE: FUNDACENTRO (2001, p. 32)

Segue um instrumento de medição contendo os três tipos de sensores


estudados anteriormente.

FIGURA 4 – MEDIDOR DE STRESS TÉRMICO

FONTE: <http://www.cursosegurancadotrabalho.net/2013/07/Calculando-temperaturas-
Instrumentos-de-medida-de-calor-e-umidade.html>. Acesso em: 31 nov. 2019.

119
HiGiENE Do TrABALHo I

De acordo com a NHO 06, item 5.3.3, o tempo mínimo de estabilização dos
termômetros é de 25 minutos.

Atente-se ao quadro a seguir e tome conhecimento dos principais princípios


e parâmetros que devem ser observados em cada tipo de sensor.

QUADRO 3 – PRINCÍPIOS DOS PRINCIPAIS SENSORES E PARÂMETROS QUE


AFETAM SUA LEITURA

Parâmetro
do ambiente
Sensor Princípio Peculiaridades e observações
que afeta sua
leitura
Estabiliza com a
Termômetro Temperatura
temperatura do
de bulbo seco do ar.
ar que circunda o bulbo.
A temperatura do tbn será
sempre menor ou igual à
Temperatura
temperatura do termômetro bulbo
A evaporação da água do ar;
Termômetro seco;
destilada velocidade
de bulbo será igual quando a umidade relativa
presente no pavio refrige- do ar;
úmido natural do ar for de 100%, pois o ar saturado
ra o bulbo. umidade
não admite mais evaporação de
relativa do ar.
água; Sem evaporação, não há
redução da temperatura.
A temperatura de globo
A absorção
será sempre maior que a
da radiação
Calor radiante temperatura de bulbo seco, pois
infravermelha
no ambiente sempre há uma carga radiante no
aquece o globo,
(fontes ambiente; quando muito pequena, a
que aquece o
Termômetro radiantes); diferença pode ser mascarada pela
ar interno, que
de globo temperatura precisão dos sensores,
aquece o bulbo;
do ar; podendo ser numericamente
Possui um tempo de
velocidade igual; a esfera perde calor por con-
estabilização
do ar. vecção; portanto,
de 20 a 30 minutos por
seu diâmetro deve ser
essa razão.
padronizado.
FONTE: Adaptado de SESI (2007)

120
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

Vejamos agora, de fato, como realizar a avaliação ambiental para o calor.

A sobrecarga térmica pode ser avaliada, entre outros, pelo índice chamado
IBUTG (Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo), que também é o índice
legal, conforme previsto na NR-15 (SESI, 2007).

Esse índice deve ser medido pelos sensores que discutimos:

Tbs = Termômetro de bulbo seco em °C.


Tbn = Termômetro de bulbo úmido natural em °C.
Tg = Termômetro de globo em °C.

Considera-se carga solar direta quando não há nenhuma


interposição entre a radiação solar e o trabalhador exposto, por
exemplo, à presença de barreiras como: nuvens, anteparos, telhas
de vidro etc. (FUNDACENTRO, 2001).

O IBUTG para ambientes internos sem carga solar é calculado a partir da


medição de duas temperaturas: Tbn e Tg.

IBUTG = 0,7 Tbn + 0,3 Tg

Para ambientes externos com carga solar, o IBUTG é calculado a partir de


três medições: Tbs, Tbn e Tg.

IBUTG = 0,7 Tbn + 0,2 Tg + 0,1 Tbs

Um outro aspecto levado em consideração é o tipo de atividade desenvolvida


(LEVE, MODERADA e PESADA), nesse caso, pode ser avaliada por classe ou
por tarefa desempenhada (quantificando a tarefa em kcal/h) (SESI, 2007).

Há dois tipos de situações previstas em lei com relação ao regime de trabalho


(Trabalho/Descanso) atrelados ao valor do IBUTG e do tipo de atividade para duas
situações: regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio
local e regime de trabalho intermitente com descanso em outro local (SESI, 2007).

121
HiGiENE Do TrABALHo I

Quando se fala em tempo de descanso, considera-se período


de trabalho para todos os fins legais.

Veja agora como calcular o IBUTG para um regime de trabalho intermitente


com descanso em outro local.

Nessa situação, é necessário fazermos dois cálculos. Um para o IBUTG do


ambiente de trabalho e o outro para o IBUTG do ambiente de descanso e, com
esses valores, calculamos o IBUTG médio da atividade analisada, ponderado no
tempo. Devemos sempre levar em consideração que esses tempos de trabalho e
de descanso devem sempre somar 60 minutos (uma hora), devendo ser essa hora
a mais crítica da jornada, ou seja, a pior hora de trabalho. É necessário também
calcular o metabolismo médio e, para isso, usa-se o Quadro 4 (adiante), que nos
fornece o máximo valor do IBUTG médio ponderado admissível correspondente
ao metabolismo médio ponderado da situação (SESI, 2007).

M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora, determinada


pela seguinte fórmula (BRASIL, 1987b, p. 1):

M = Mt x Tt + Md x Td
60

Sendo:
Mt = taxa de metabolismo no local de trabalho.
Tt = soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho.
Md = taxa de metabolismo no local de descanso.
Td = soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso.

Já o IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para uma hora, determinado


pela seguinte fórmula:

IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd xTd


60

Sendo:
IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho.
IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso.
Tt e Td = como anteriormente definidos.

122
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

Os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo


de trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos.

Vamos agora lembrar alguns conceitos/conteúdos abordados no Capítulo 1,


mas que são necessários neste novo contexto.

Para caracterizarmos as atividades exercidas pelos trabalhadores, devemos


levar em consideração a existência de descanso durante a realização das
atividades e o local de sua realização, sendo utilizados os seguintes quadros da
NR 15 do Anexo 3:

QUADRO 4 – CLASSIFICAÇÃO DO TIPO DE ATIVIDADE EM REGIME DE


TRABALHO INTERMITENTE, COM DESCANSO NO PRÓPRIO LOCAL

Regime de Trabalho Intermi- Tipo de Atividade


tente com Descanso no Próprio
Leve Moderada Pesada
Local de Trabalho (por hora)
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0
45 minutos trabalho
30,1 a 30,6 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
15 minutos descanso
30 minutos trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos descanso
15 minutos trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
45 minutos descanso
Não é permitido o trabalho sem
a adoção de medidas adequa- acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30
das de controle
FONTE: Brasil (1978b, p. 1)

Logo, faz-se uma avaliação do ponto de trabalho, que é o mesmo local físico
do ponto de descanso. Com os valores de Tbn e Tg, calculamos o IBUTG e,
considerando o tipo de atividade, verificamos como nos situamos no Quadro 4.
Pode ser possível trabalho contínuo ou um regime de trabalho – descanso, ou
não ser permitido trabalho sem medidas de controle. É importante esclarecer que,
utilizando-se a Tabela I do Anexo III da NR 15, temos (SESI, 2007):

• A aplicabilidade para “descanso no próprio local” deve ser entendida


como esse descanso ocorre no MESMO PONTO FÍSICO EM QUE
OCORRE O TRABALHO, e não no “mesmo recinto”. Significa que o
trabalhador estará submetido ao “mesmo IBUTG” de quando trabalha.
Quando há fontes radiantes, diferenças pequenas de posição (0,5 m
a 1,0 m) podem mudar dramaticamente a temperatura de globo e o
IBUTG (SESI, 2007).
123
HiGiENE Do TrABALHo I

• Se houver alteração do IBUTG, por alteração da posição física do


trabalhador, a Tabela I não se aplica.

Para a determinação dos tipos de atividade por classes ou a quantificação de


calor metabólico, utilizamos os dados da Tabela 1, da NR 15, Anexo III.

TABELA 1 – IBUTG MÉDIO PONDERADO MÁXIMO PERMISSÍVEL,


SEGUNDO O METABOLISMO MÉDIO PONDERADO (NR 15)
M (kcal/h) Max IBUTG (oC)
175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 25,5
500 25,0
FONTE: BRASIL (1978b, p. 1)

QUADRO 5 – TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE (NR 15)

TIPO DE ATIVIDADE kcal/h


SENTADO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco; exemplo:
125
datilografa.
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas; exemplo: dirigir. 150
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, principalmente com os
150
braços.
TRABALHO MODERADO
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas. 180
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 175
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma
220
movimentação.
Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. 300
TRABALHO PESADO
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar peso; exemplo:
440
remoção com pá.
Trabalho fatigante. 550
FONTE: BRASIL (1978b, p. 1)

Segue um fluxograma de como você deve proceder para realizar a avaliação


do agente calor.

124
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

FIGURA 5 – AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO CALOR

FONTE: A autora

Acesse o link indicado e tome conhecimento de como proceder


na prática uma avaliação de calor: https://www.youtube.com/
watch?v=_rYPmy7BEWU.

2.5 MEDIDAS DE CONTROLE


Existem duas situações que envolvem o calor, uma pela estimação através
do IBUTG e o outro o metabólico, gerado pela atividade física (SESI, 2007).
Nesses casos, como proceder, ou seja, como se adequar à exposição?

Podemos seguir dois caminhos:

• Tornando o ambiente mais ameno.


• Tornando a tarefa menos crítica.

125
HiGiENE Do TrABALHo I

Nesse sentido, vejamos quais ações podemos realizar em relação ao


ambiente, de acordo com SESI (2007):

Atuando nas fontes de calor

• Blindando as fontes radiantes – as fontes radiantes podem ser


blindadas (encerradas), cuidando-se para que os revestimentos
sejam de baixa re-radiância. A superfície final que faz fronteira
com o ambiente deveria ser de um material de baixa emissividade
infravermelha. Os metais polidos fazem esse papel, sendo o alumínio
polido o mais prático. Dessa forma, as fontes emitem menos calor, e,
portanto, perdem menos calor para o ambiente; melhor ainda, gasta-
se menos energia nos processos. É uma economia para a empresa e
um benefício para o trabalhador.
• Reduzindo a área exposta da fonte – quanto menor a área exposta
da fonte radiante, menor a emissão para o ambiente.
• Reduzindo temperaturas de trabalho – quanto menor a temperatura
da fonte, menor a emissão. Essa é uma tarefa de difícil realização
prática, mas deve ser lembrada para os poucos casos em que é
possível.
• Eliminando toda perda ou geração desnecessária de calor para
o ambiente – em muitos ambientes industriais há perdas de calor
desnecessárias, que aumentarão a carga térmica existente, como
por exemplo, vazamentos de vapor, processos “não atendidos”
por pessoas que poderiam ser deslocados para o exterior e outras
situações semelhantes.

Atuando no meio de propagação do calor

• Instalando barreiras refletivas entre a fonte de propagação do calor e


o trabalhador, e uma ótima opção é o alumínio polido, tendo em vista
que ele possui refletância bastante elevada (maior que 95%) e os
resultados são muito bons.
• Aumentar a distância fonte-trabalhador, pois quanto maior a distância
até a fonte, menor a irradiação infravermelha. Poucos metros podem
fazer muita diferença.
• Avaliar a real necessidade de realizar tarefas próximas a fontes de
calor mais intenso, pois é normal que muitas tarefas sejam feitas
próximas de fontes desnecessariamente.
• Criar fontes de refrigeração para aumentar a velocidade do ar sobre
o trabalhador (idealmente, enquanto a temperatura de bulbo seco do
ambiente for menor que 35 °C).
• Criar meio de redução da umidade relativa do ar, por trocas de ar,

126
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

permitindo a evaporação do suor.

Tornando a tarefa menos crítica

• Reduzindo a carga metabólica envolvida:


o evitando trabalho braçal direto;
o mecanizando a tarefa;
o realizando tarefas em duplas;
o evitando o subir e descer de escadas;
o reduzindo o peso unitário das cargas;
o ajustando os tempos de exposição nas fases críticas;
o introduzindo pausas de descanso térmico.

Considerações além do IBUTG

• A ACGIH – American Conference of Governmental Industrial


Hygienists – ressalta a importância do monitoramento da sobrecarga
orgânica ou fisiológica, que levam à sobrecarga térmica.
• Já a NR 15 prevê apenas o IBUTG, mas o higienista deve atuar em
conjunto com a área médica na implementação das recomendações
gerais da ACGIH.
• O profissional responsável pelas medidas de saúde e segurança
do trabalho na empresa deve adotar uma rotina administrativa de
controle dos incidentes de calor nas atividades com sobrecarga
térmica severa (SESI, 2007).

Veja algumas considerações da ACGIH e de outras recomendações sobre o


calor.

Condições que exigem avaliação do Higienista, Supervisão Médica e


Práticas Especiais de Gestão (SESI, 2007):

• Quando o trabalhador estiver exposto à intensa atividade física e


carga radiante.
• Quando as atividades dos trabalhadores têm ritmo ditado pela
produção e tornam o trabalho extenuante.
• Quando as vestimentas dos funcionários impedem a evaporação do
suor.
• Quando determinado colaborador apresentar histórico pessoal de
doenças causadas pelo calor.

127
HiGiENE Do TrABALHo I

Reposição de Líquidos:

• Realizar campanhas de conscientização para consumo de líquidos


mesmo sem sede. Recomenda-se pequenas quantidades a cada
15/20 minutos.
• Uma boa saída é a distribuição de bebidas saborizadas, pois bebe-se
mais (maior quantidade) se as bebidas tiverem sabor do que apenas
água pura.
• Evitar café e bebidas gaseificadas (SESI, 2007).

Quando buscar de auxílio médico?

É extremamente importante que você, profissional de SST, repasse todas


as informações necessárias para a realização de determinada atividade ao seu
funcionário, nesse sentido, seguem algumas orientações para quando se trabalha
em atividades que envolvam calor:

• Aos primeiros sintomas de espasmos causados pelo calor, descansar


e tomar líquidos.
• Persistindo por mais de 15 minutos, buscar ajuda médica.
• Lembre-se: ninguém deve ser impedido de buscar ajuda médica se
desejar (SESI, 2007).

Condições limitantes e alerta de emergência:

Se o limite de exposição estiver ultrapassado ou estiverem em uso trajes


impermeáveis, interromper a exposição ao calor se:

• Fc (Fc - frequência cardíaca) > 160 para menores de 35 anos.


• Fc > 140 para maiores de 35 anos.
• Excreção de sódio urinário menor que 50 moles em 24 horas.
• Quando o grupo tem queixas de sudorese e fadiga severas, náuseas,
vertigem ou tontura (SESI, 2007).

Alerta de emergência médica:

• A pessoa aparenta estar desorientada e confusa.


• Irritabilidade, mal-estar.
• Se a sudorese parar e a pele se tornar seca e quente, deve-se
acionar o serviço médico, adotar primeiros socorros e providenciar
hospitalização (SESI, 2007).

128
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

1) Observando um operador de forno de uma empresa, verifica-se


que o mesmo gasta 3 minutos carregando o forno, aguarda 4
minutos para que a carga atinja a temperatura esperada sem,
no entanto, sair do local e, em seguida, gasta outros 3 minutos
para descarregar o forno. Esse ciclo de trabalho é continuamente
repetido durante toda jornada de trabalho.

Resultados da avaliação do ambiente:


tg = 35 ºC
tbn = 25 ºC

Verificar se o limite de tolerância foi excedido.

2) Um operador de forno carrega a carga em 3 minutos, a seguir


aguarda por 4 minutos o aquecimento da carga, sem sair do
lugar, e gasta outros 3 minutos para a descarga. Esse ciclo de
trabalho é continuamente repetido durante a jornada de trabalho.
No levantamento ambiental, obtivemos os seguintes valores:

tg = 35 ºC
tbn = 25 ºC

O tipo de atividade é considerado como moderado.

Seguem algumas dicas de como deve-se proceder um


profissional de SST ao realizar uma perícia trabalhista.

EM CASO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL:

• Selecionar local e condição térmica da hora mais desfavorável


na jornada do Reclamante (termo utilizado para designar o
funcionário).
• Confirmar se o trabalho era realizado em 1 (uma) ou mais
condições térmicas OU metabolismos distintos nessa hora.
• Em caso de condições térmicas distintas, medir o IBUTG em
cada uma delas.

129
HiGiENE Do TrABALHo I

• Em caso de metabolismos distintos, calcular o metabolismo


médio ponderado.
• Definir o Limite de Tolerância com base no metabolismo de
cada condição e comparar com o IBUTG obtido.

Veja através do seguinte vídeo como realizar os cálculos


do IBUTG com taxa de metabolismo: https://www.youtube.com/
watch?v=P8j6MsKzxHs.

3 CONCEITOS E ASPECTOS GERAIS


SOBRE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL
Começamos com uma simples pergunta: o que é ventilação? Pois bem,
caro estudante, ela pode ter uma definição bem simples, seria meramente o
deslocamento do ar, e para que isso ocorra é realizada através de mecanismos
que podem ser natural ou artificial, os quais têm a finalidade de retirar ou de
fornecer ar para o ambiente, ocasionando uma renovação neste (MACINTYRE,
1990).

Assim, a ventilação industrial é um meio utilizado para manter sob controle


aspectos relacionados ao ambiente laboral, como por exemplo: temperatura do
ambiente, umidade, distribuição do ar, além de poder eliminar determinados tipos
de contaminantes ou poluentes, aos quais podemos destacar os seguintes: gases,
vapores, poeiras, névoas, microrganismos e odores (MACINTYRE, 1990).

Quando instalado um sistema de ventilação, não existe só a preocupação


na eliminação dos agentes poluentes, mas também no controle destes depois
de captados, tomando medidas que possam dar destinação adequada, para que
não contaminem ou cheguem a oferecer danos à saúde do trabalhador, evitando
assim que tais elementos se dispersem na atmosfera, prejudicando pessoas e
influenciando o modo de vida dessas pessoas (MOREIRA, 2006).

Um aspecto extremamente importante é que existe uma diferença primordial


entre manter o conforto em um ambiente administrativo, por exemplo, só composto

130
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

por escritórios e um ambiente fabril. Pois, cada um deles se preocupa com


parâmetros diferentes para manter uma boa ventilação. No caso das indústrias,
elas se preocupam em controlar as concentrações de contaminantes e poluentes
que influenciam as condições térmicas, que pode ser realizada de maneira um
tanto simples, como injetando uma corrente de ar exterior, supostamente não
poluída, pelo interior do ambiente diminuindo dessa forma a concentração do
poluente, ou contaminante, a um nível tolerável ao organismo humano (BORRÉ,
2013).

Você, profissional da saúde e segurança do trabalho, deve saber que a


ventilação deve abranger todos os ambientes da empresa, sejam eles internos
ou externos. No caso do ambiente externo, a preocupação deve-se ao fato da
não emissão de contaminantes ou poluentes na atmosfera para não ocorrer
nenhum tipo de contaminação do ar e assim poder vir a causar danos à saúde
da população do entorno. Então, sabendo disso, você deve procurar mecanismos
que possam fazer esse controle (BORRÉ, 2013).

Um aspecto relevante é que na ventilação industrial, além da manutenção


térmica, os ventiladores são utilizados para a renovação de ar por insuflamento
ou por exaustão, ou pelos dois tipos. Essa renovação tem como fim primordial
a obtenção, no interior de um recinto dito fechado, de ar com grau de pureza e
velocidade de escoamento compatível com as exigências de saúde e bem-estar
humano (MOREIRA, 2006).

Podemos classificar os sistemas de ventilação em sistemas de ventilação


natural, ventilação geral e ventilação local exaustora (MOREIRA, 2006).

Veja a seguir, detalhadamente, os tipos de ventilação a que se destinam.

3.1 TIPOS DE VENTILAÇÃO


INDUSTRIAL
Segundo Macintyre (1990), os tipos de ventilação estão intimamente
relacionados a que se destina. Veja como ele fez essa distinção:

I. Ventilação para a manutenção do conforto térmico: renova


as condições atmosféricas num ambiente que foi modificado pela
presença do homem e pode ter duas funções: uma de refrigerar o
ambiente quando estiver na estação do verão; e a outra de aquecer o
ambiente quando a estação for inverno.
II. Ventilação para a manutenção da saúde e segurança
do homem: nesse caso, a preocupação está em minimizar as
131
HiGiENE Do TrABALHo I

concentrações no ar de gases, vapores, partículas em geral, capazes


de causar danos à saúde do trabalhador, até neutralizá-las, mantendo
assim essas concentrações de gases, vapores e poeiras, inflamáveis
ou explosivos controlados para que não tenham ação inflamável ou
explosiva no ambiente.
III. Ventilação para a conservação de materiais e equipamentos:
destinada a minimizar o aquecimento de equipamentos e locais
de armazenamento destes, como por exemplo: motores elétricos,
máquinas, armazéns ventilados com o fim de evitar assim a
deterioração.

Veja agora os tipos de ventilação que se enquadram em cada tipo de


finalidade a que se destinam.

• Ventilação natural

É o tipo de ventilação que não utiliza recursos mecânicos para proporcionar


o deslocamento do ar. É o simples movimento do ar num ambiente provocado
pelos agentes físicos, pressão dinâmica e temperatura, podendo ser controlado
por meio de aberturas no teto, nas laterais (janelas) e no piso (BORRÉ, 2013).

FIGURA 6 – SISTEMA DE VENTILAÇÃO NATURAL

FONTE: <https://sergionobre.files.wordpress.com/2013/07/
lanternim.jpg?w=584&h=236>. Acesso em: 31 nov. 2019.

Esse tipo de ventilação, por apresentar baixo custo de instalação,


manutenção e consumo de energia ainda é muito utilizado, mesmo sendo muito
arcaico. Possui inúmeras limitações por depender de forças naturais para regular
o clima interno de uma edificação por meio de uma troca de ar controlada pelas
aberturas (BORRÉ, 2013).

132
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

Ainda segundo Borré (2013), existem alguns fatores limitantes para a


ventilação natural, como:

• Movimento de ar devido à ação do vento.


• Movimento de ar devido à diferença de temperaturas.
• Movimento de ar pela ação combinada do vento e da diferença de
temperaturas.

Ao se projetar as entradas e saídas de ar devem ser tomadas algumas


precauções. No caso da entrada de ar, estas devem ser voltadas para o lado dos
ventos predominantes (zona de pressão positiva) (MACINTYRE, 1990).

Já as saídas de ar devem ser colocadas em regiões de baixa pressão exterior


(MACINTYRE, 1990), como por exemplo:

• Nas paredes laterais à fachada, que receba ação dos ventos


predominantes.
• Na parede oposta àquela que recebe a ação dos ventos predominantes.

Um fato que deve ser considerado quando se deseja instalar um sistema de


ventilação natural é que as condições do vento nunca são as mesmas, variando
em intensidade e direção ao longo do ano e ao longo do dia. Por isso, a ventilação
natural pela ação do vento, antes de instalada, deve ser bem estudada, pois
não oferece garantias de uniformidade, mas não quer dizer que não possa ser
aplicada, precisa apenas que o ar interno não contenha poluentes (MACINTYRE,
1990).

Além do que foi citado anteriormente referente à instalação de um sistema de


ventilação natural, se faz importante ressaltar que qualquer situação de ventilação
natural deve ser considerada já na concepção do projeto da edificação, em que
a diferença entre pressões existentes no interior e no exterior do prédio tenham
resistência à passagem do ar pelas aberturas, superfície iluminante natural do
ambiente, área de ventilação natural e diferença de elevação entre altura média
das tomadas e das saídas de ar (MACINTYRE, 1990).

Veja na figura a seguir mais um caso de ventilação natural.

133
HiGiENE Do TrABALHo I

FIGURA 7 – VENTILAÇÃO NATURAL COM DESLOCAMENTO


DE AR ATRAVÉS DE PORTAS E JANELAS

FONTE: https://www.google.com/search?biw=1366&bih=664&tbm=isch&sxsrf=
ACYBGNSvJfg2A9F09otcK7s03MguXZs9gw%3A1570751918516&sa=1&ei=rs
WfXbKAH-HY5OUP-dOY0Aw&q=a%C3%A7%C3%A3o+do+vento+na+ventila
%C3%A7%C3%A3o+natural+em+galp%C3%B5es&oq=a%C3%A7%C3%A3
o+do+vento+na+ventila%C3%A7%C3%A3o+natural+em+galp%C3%B5es&gs
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AY&uact=5#imgrc=F-OHs7S9dn1TkM:

Sempre que possível, deve-se priorizar a adoção do sistema de ventilação


natural, seja pelo seu baixo custo inicial ou outros. Quando não for possível a
instalação deste por fatores impeditivos, como por exemplo, características das
atividades a serem realizadas nessa indústria, pela presença de poluentes,
exigência de que o ambiente seja fechado, ou o próprio projeto arquitetônico
que não é capaz de conter aberturas, deve-se adotar a ventilação mecânica
(MACINTYRE, 1990).

• Ventilação geral

Podemos dizer que o sistema de ventilação geral é um sistema misto, que


combina a ventilação natural e a ventilação mecânica, podendo ser por insuflação
(Figura 8), exaustão (Figura 9), insuflação e exaustão combinadas (Figura 10),
fazendo com que ocorra troca de ar constante, um fluxo laminar suave, um
ambiente limpo e uma queda de temperatura considerável. É mais um método
que pode ser empregado num ambiente industrial. Nesse tipo de ventilação são
utilizados ventiladores que tanto têm a função de insuflar ar dentro do ambiente
laboral ou de exaurir o ar desse mesmo ambiente para o exterior, que nessa última
situação chamamos esse ventilador de exaustor. Tanto na insuflação quanto na

134
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

exaustão há variação de pressão. No caso da insuflação, a pressão é positiva e


na exaustão é negativa (MACINTYRE, 1990).

Ainda segundo Macintyre (1990), a ventilação geral pode ser fornecida pelos
seguintes métodos:

I. Insuflação mecânica e exaustão natural.


II. Insuflação natural e exaustão mecânica.
III. Insuflação e exaustão mecânica.

FIGURA 8 – VENTILAÇÃO POR INSUFLAMENTO

FONTE: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAhVfcAF-12.
jpg>. Acesso em: 31 nov. 2019.

Na Figura 8 podemos perceber que o ar injetado dentro do ambiente através


do ventilador gera um diferencial de pressão e isso faz com que o ar acabe saindo
pelas aberturas existentes no ambiente, permitindo um bom controle da incidência
de poluentes e um melhor controle da pureza do ar insuflado do que no caso da
ventilação natural.

É importante ressaltar que nas aberturas para tomada de ar exterior deve-


se instalar telas ou aparatos de proteção para evitar a penetração de corpos
estranhos e animais. Quando necessária, também pode ser feita a instalação
de filtros apropriados para a tomada de ar exterior, escolhidos em função das
condições estabelecidas para o ambiente (BORRÉ, 2013).

135
HiGiENE Do TrABALHo I

FIGURA 9 – SISTEMA DE VENTILAÇÃO POR EXAUSTÃO (EXAUSTOR EÓLICO)

FONTE: <http://exaustec-brasil.com.br/wp-content/uploads/2015/11/
sistemas-de-ventilacao-e-exaustao.jpg>. Acesso em: 31 nov. 2019.

Na Figura 9, observamos a existência de vários exautores para a remoção


do ar do ambiente para o exterior mecanicamente. O sistema de exaustão permite
que o ar contaminado do ambiente em questão passe para recintos vizinhos, mas
permite que, eventualmente, ocorra o contrário também.

FIGURA 10 – SISTEMA MISTO DE VENTILAÇÃO (INSUFLAMENTO E EXAUSTÃO)

FONTE: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAe9Y8AA-7.
jpg>. Acesso em: 31 nov. 2019.

136
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

Na Figura 10, o sistema de ventilação em questão é o misto, há um ventilador


que insufla o ar através de dutos, passando ainda por bocais de insuflamento e
depois o ar é removido do recinto passando primeiro pelos bocais de insuflamento,
logo em seguida pelos dutos e retirado pelo ventilador de exaustão. Consegue-
se, assim, um maior controle da ventilação tanto em relação à qualidade do ar
que entra, quanto à distribuição deste no ambiente. Trata-se, portanto, de uma
combinação de ventilação por insuflamento e por exaustão.

Como foi dito anteriormente, deve-se priorizar a ventilação natural,


mas sabemos que há acasos em que não podemos contar com ela. No
caso da ventilação mista, por se tratar de um sistema mais dispendioso que
os anteriores, ele só deve ser adotado quando a ventilação não puder ser
resolvida satisfatoriamente por um deles isoladamente (insuflação ou exaustão)
(MACINTYRE, 1990).

• Sistema de ventilação local exaustora (SVLE)

O papel principal da ventilação local exaustora é captar os poluentes de uma


fonte (gases, vapores ou poeiras tóxicas) de modo que eles não cheguem a entrar
em contato ou dispersar-se no ar do ambiente ocupacional (MACINTYRE, 1990).

O controle dos riscos ambientais, assim como questões relacionadas


ao bem-estar e saúde e segurança dos trabalhadores estão ligadas direta ou
indiretamente à ventilação de operações, processos e equipamentos, em especial
a ventilação local exaustora, por ser capaz de extrair do ambiente os poluentes
(MACINTYRE, 1990).

Veja alguns exemplos de como a ventilação local exaustora atua num


ambiente fabril: retira do ambiente certa quantidade do calor liberado por fontes
quentes (máquinas e equipamentos); os poluentes emitidos por essas fontes são
captados e tratados por filtros, lavadores etc., evitando assim a emissão destes
na atmosfera e prejudicando a população do entorno. Muitas vezes esse tipo de
sistema não é tão viável na prática, pois antes de se pensar em utilizá-lo, deve-
se atentar a certos aspectos, como: seguir os princípios básicos de engenharia
que atrele maior eficiência com menor custo possível, sem deixar de priorizar a
saúde e segurança do homem. Mesmo tomando os cuidados acima citados, a
instalação de um sistema de ventilação local exaustora nem sempre será perfeita,
pode apresentar falhas que a torne inoperante, pela não observância de regras
básicas na captação de poluentes na fonte (MACINTYRE, 1990).

Veja na figura a seguir um sistema de ventilação local exaustora.

137
HiGiENE Do TrABALHo I

FIGURA 11 – SISTEMA DE VENTILAÇÃO LOCAL EXAUSTORA (SVLE)

FONTE: <https://www.infosolda.com.br/biblioteca-digital/livros-senai/higiene-e-
seguranca-livros-senai/14-ventilacao-local-exaustora>. Acesso em: 31 nov. 2019.

Na Figura 11 ocorre a captura do contaminante no seu ponto de origem,


antes que atinja a zona respiratória do trabalhador, usando para isso a menor
quantidade de ar possível. O contaminante capturado é levado por tubulações ao
exterior ou ao sistema de coleta do contaminante.

3.2 COMPONENTES DE UM SISTEMA


DE VENTILAÇÃO LOCAL EXAUSTORA
Os principais componentes de um sistema de ventilação local exaustora
(SVLE) são: captor, dutos, coletor e ventilador. Veja a seguir como estão
distribuídos num SVLE, de acordo com Leoncio e Lima (2017).

FIGURA 12 – COMPONENTES DE UM SVLE

FONTE: <https://www.saudeesegurancanotrabalho.org/
ventilacao_industrial/>. Acesso em: 31 nov. 2019.

138
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

• Captor: equipamento instalado na fonte de emissão dos poluentes e


realiza a captura do ar contaminado.
• Sistema ou rede de dutos: realizam o transporte dos gases
capturados na fonte até o seu tratamento e/ou descarte.
• Coletor: retém os poluentes impedindo lançamento na atmosfera
(coletores de partículas, filtros, lavadores de gases e vapores,
precipitadores eletrostáticos – podem ser instalados antes ou depois
do ventilador).
• Ventilador: produz o deslocamento dos gases criando um diferencial
de pressão entre captor e a saída do sistema, também chamado de
exaustor.
• Chaminé: realiza o descarte dos gases para atmosfera.

A estrutura de um SVLE pode assumir diversas formas, dependendo da


atividade a ser realizada.

3.3 VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM O


DIMENSIONAMENTO DE UM CAPTOR
Como vimos no item anterior, o captor fica no ponto de entrada da emissão
dos poluentes no sistema de ventilação local exaustora.

Para o dimensionamento ou escolha de um captor são levados em


consideração dois aspectos, os fatores ambientais e o outro é de que forma será
realizada a atividade pelos trabalhadores (FUNDACENTRO, 1996).

Ainda de acordo com a FUNDACENTRO (1996), as variáveis de interesse


para o dimensionamento de um captor são:

• vazão de controle;
• velocidade de controle;
• velocidade de fresta;
• velocidade de transporte nos dutos;
• velocidade de face;
• correntes cruzadas.

Veja agora um exemplo e quais características devem ser levadas em


consideração para esse exemplo (FUNDACENTRO, 1996).

139
HiGiENE Do TrABALHo I

Especificação de captor para tanques de superfície aberta:

a. VELOCIDADE DE DUTO: qualquer valor adequado para o processo.


b. PERDA DE CARGA NA ENTRADA: varia de acordo com o formato
do captor.
c. VELOCIDADE MÁXIMA NO PLENUM = 1/2 da velocidade de fresta.
d. VELOCIDADE DE FRESTA: 10 m/s ou 2.000 pés/minuto.
e. DIMENSÕES DO PLENUM
f. Se L ≥ 1,83 m (6 pés) são desejáveis múltiplas tomadas de exaustão;
Se L ≥ 3,0 m (10 pés) são necessárias múltiplas tomadas de exaustão;
L = comprimento do tanque;
W = largura efetiva do tanque (da entrada do captor à borda oposta
do tanque).
g. Se W ≤ 0,5 m (20 pol.) é suficiente fresta apenas numa lateral do
tanque;
Se W > 0,5 m ≤ 0,9 m (20 a 36 pol.) são desejáveis frestas nas duas
laterais do tanque;
Se W > 0,9 m:5 1,2 m (36 a 48 pol.) são necessárias frestas nas duas
laterais do tanque;
Se W > 1,2 m, não é viável o uso de exaustão lateral. Melhor
enclausurar ou usar "Sopro-Exaustão" (Push-Pull).
h. O nível de líquido (banho) deve estar no mínimo 15 cm (6 pol) abaixo
da borda do tanque.
i. Captores com plenum são preferíveis porque o plenum age como
barreira contra correntes cruzadas. O captor tipo multifresta propicia
fluxo de ar que cobre as peças suspensas, exaurindo as emissões de
tal etapa.
j. Enclausuramentos, barreiras contra correntes cruzadas e tampas
parciais sobre os tanques aumentam a eficiência do controle dos
poluentes.
k. Os dutos, captores, ventiladores e filtros devem ser resistentes à
corrosão, devendo haver facilidades para a drenagem e limpeza
interna dos mesmos.

3.4 AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DE


UM CAPTOR
Para avaliarmos a eficiência de um captor, devemos observar se as
variáveis de interesse atendem às recomendações especificadas nos manuais de
ventilação industrial, se os valores estão de acordo com os cálculos do projeto,
e, principalmente, se o fluxo de ar imposto pela geometria do captor é adequado

140
Capítulo 3 CONFORTO TÉRMICO E VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

para a tarefa executada pelos trabalhadores (FUNDACENTRO, 1996).

Ainda de acordo com os estudos da FUNDACENTRO (1996), existem


outras formas de verificar a eficiência da captação, que é através das avaliações
ambientais, ou seja, se fazendo amostragem do ar em pontos específicos do local
a ser controlado.

É importante não só realizar a avaliação da eficiência de um sistema de SVLE


na sua instalação, mas também periodicamente, para verificar o funcionamento
correto deste (FUNDACENTRO, 1996).

Bom, estudante, como forma de fixação dos estudos sobre


ventilação, assista ao vídeo que a FUNDACENTRO preparou sobre o
Sistema de Ventilação Local Exaustora (SVLE): https://www.youtube.
com/watch?v=ALroiDldPDo.

1) Com os conhecimentos adquiridos ao longo desta disciplina,


preencha a APR – Análise Preliminar de Risco – que está
logo a seguir. Detenha-se a preencher os campos de efeitos/
consequências e recomendações/observações. Porém, saiba
que uma APR bem elaborada deve conter estes outros itens.

QUADRO – APR – ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO

APR - Análise Preliminar de Risco

TÍTULO Movimentação de cargas contendo Petróleo e Gás em área Industrial


PARTICIPANTES DA ANÁLISE:
EMPRESA:
CARGO:
RUBRICA:
Tarefa Perigos Causas Básicas Modo de Detecção
Vazamento em:
Visual
Movimenta- - Conexões e válvulas
Produto Perigoso - Produto
ção de cargas contendo Descarga Atmosférica ou Outras
Inflamável
Petróleo e Gás fontes de Ignição e Mistura Ar e Visual
Combustível

141
HiGiENE Do TrABALHo I

DATA:
PÁGINA:

Efeitos ou Recomendações Probabilidade Severi- Categoria Prioridade Responsável


Prazo Visto
Consequências / Observações de Ocorrência dade de Risco da Ação pelas Ações

FONTE: A autora

REFERÊNCIAS
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https://www.acgih.org/. Acesso em: 7 maio 2019.

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