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UFPR

Universidade Federal do Paraná


4.2.1.1 A Terra, um planeta em transformação, o homem e o meio ambiente. Aspectos naturais e sua
interação com a sociedade ● A Terra no espaço: características determinantes para a manutenção da
vida: Conceitos básicos de astronomia. ● Geologia: Tempo Geológico. Estrutura da Terra. Tectônica de
placas. Vulcanismo e abalos sísmicos. Minerais e rochas. Bens minerais, matéria-prima e fontes de
energia no Brasil e no mundo. Riscos geológicos no Brasil e no mundo. ● Relevo: Formas de relevo,
identificação, classificação, localização no Brasil e no mundo. Evolução do relevo: processos erosivos,
identificação, classificação e localização no Brasil e no mundo. Áreas de risco de ocupação no Brasil. ●
Tempo e clima: Características da atmosfera e implicações para a vida na superfície terrestre. Dinâmica
atmosférica e tipos de tempo. Ritmo climático. Clima urbano. Elementos e fatores climáticos. Escala
climática. Classificações climáticas e sua aplicação em nível local, regional e global. Variabilidade e
mudanças climáticas. ● A água na superfície terrestre: O ciclo da água. A distribuição da água no planeta
e características de seus diversos reservatórios. Recursos hídricos no Brasil e no mundo. ● O solo:
Processos de formação. Características, classificação e localização. Uso e ocupação dos solos no Brasil
e no mundo. ● A vegetação: Domínios e diversidade da vegetação. Classificação da vegetação brasileira.
Importância da vegetação para a manutenção da vida. Alteração da vegetação natural pela ação
antrópica. ● Gerenciamento dos recursos naturais: Recursos naturais e conflitos no Brasil e no mundo.
Recursos naturais e planejamento no Brasil. Legislação ambiental brasileira. Unidades de Conservação
no Brasil. .................................................................................................................................................. 1
4.2.1.2 População e estruturação socioespacial ● Teorias e conceitos básicos em demografia. ●
Estrutura demográfica e distribuição da população e novos arranjos familiares. ● Características da
população mundial e do Brasil. ● Movimentos, redes de migração e impactos econômicos, culturais e
sociais dos deslocamentos populacionais. ● Políticas demográficas no Brasil e no mundo. ● População,
meio ambiente e riscos ambientais. ● Transformação das relações de trabalho e economia informal. ●
Diversidade étnica e cultural da população. ● Geografias das diferenças: questões de gênero, sexualidade
e étnico-raciais. ● Espacialidades religiosas. ● Identidades territoriais. ● Direitos humanos, cidadania e
espaço.................................................................................................................................................... 89
4.2.1.3 Estrutura produtiva e a economia ● O espaço geográfico na formação econômica capitalista. ●
Exploração e uso de recursos naturais. ● O meio ambiente como condicionante da estrutura produtiva e
social. ● Estrutura e dinâmica agrárias. ● Industrialização, complexos industriais, concentração e
desconcentração das atividades industriais no Brasil e no mundo. ● Meio técnico-científico-informacional.
● Espacialidade do setor terciário: comércio, sistema financeiro. ● Redes de transporte, energia e
telecomunicações. ● Turismo, lazer e espaço. ● Produção dos espaços rurais e urbanos. ●
Regionalização do espaço brasileiro. ● Processos de urbanização no Brasil e no mundo. ● Produção e

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estruturação do espaço urbano. ● Planejamento e gestão urbano/metropolitano. ● A rede urbana:
hierarquia e funções. ● As relações rurais-urbanas no mundo contemporâneo. ● Espaço urbano e novas
ruralidades. ● Problemáticas socioambientais no campo e na cidade. ● Evolução da estrutura fundiária,
estrangeirização de terras, reforma agrária e movimentos sociais no campo. ● Agronegócio: dinâmica
produtiva, econômica e regional. ● Agricultura familiar e camponesa: heterogeneidade produtiva,
socioeconômica e regional. ● Povos e comunidades tradicionais e conflitos por terra e território no Brasil.
● Produção e comercialização de alimentos, segurança, soberania alimentar e agroecologia. ●
Metropolização e globalização. ● Globalização: características, impactos negativos e positivos.......... 152
4.2.1.4 Formação, estrutura e organização política do Brasil e do mundo contemporâneo ● Produção
histórica e contemporânea do território no Brasil. ● Federalismo, federação e divisão territorial no Brasil.
● Formação e problemática contemporânea das fronteiras. ● Estado-Nação: origem, desenvolvimento,
características e funções. ● Transformações geopolíticas do pós-guerra. ● Causas econômicas, políticas,
sociais e ambientais da crise do socialismo. ● Conflitos geopolíticos emergentes: ambientais, sociais,
religiosos e econômicos. ● Ordem mundial e territórios supranacionais: blocos econômicos e políticos,
alianças militares e movimentos sociais internacionais. ● Regionalização e elementos do espaço mundial.
● A organização do novo sistema mundial em centro e periferia. ● Fluxos comerciais interescalares. ●
Sistemas de comunicação e a sua atuação regional e mundial. ........................................................... 247
4.2.1.5 A representação do espaço terrestre ● A Terra no espaço (forma, dimensões, os principais
movimentos e suas consequências geográficas). ● A evolução das representações cartográficas e a
introdução das novas tecnologias para o mapeamento, através do sensoriamento remoto (fotografias
aéreas e imagens de satélite) e Dos Sistemas de Posicionamento Terrestre (GPS). ● As formas básicas
de representação do espaço terrestre e das distribuições dos fenômenos geográficos (mapas, cartas,
plantas e cartogramas). ● Escalas, reconhecimento e cálculo. ● Sistema de coordenadas geográficas e
a orientação no espaço terrestre. ● Projeções cartográficas. ● Identificação dos principais elementos de
uma representação cartográfica, leitura e interpretação de tabelas, gráficos, perfis, plantas, cartas, mapas
e cartogramas. ● Fusos horários. ......................................................................................................... 280

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4.2.1.1 A Terra, um planeta em transformação, o homem e o meio
ambiente. Aspectos naturais e sua interação com a sociedade

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todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
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FORMAÇÃO DA TERRA1

A Terra – Dinâmica, Estrutura, Forma e Atividades Humanas

Segundo os cientistas, a Terra surgiu há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, resultando da


agregação de poeira cósmica provocada pela atração gravitacional.

Agregação trata-se de uma das teorias mais atuais sobre a formação do universo, conhecida por
Teoria da Agregação.

Os choques entre essas partículas de poeira ocasionaram reações químicas explosivas, aquecendo o
planeta e transformando-o numa gigantesca massa incandescente. A partir desse momento, um longo
processo de resfriamento solidificou a parte mais externa da superfície terrestre.
De sua origem até o estágio atual, a Terra passou por diversas transformações, que são estudadas a
partir da disposição das camadas rochosas e dos fósseis nelas encontrados. Essas camadas
representam registros dos acontecimentos passados, e permitem compreender a evolução do planeta.

As Eras Geológicas
A Geologia (ciência que estuda o conjunto da origem, da formação e das contínuas transformações
da Terra, assim como dos materiais orgânicos que a constituem), divide a história da Terra em eras
geológicas, que correspondem a grandes intervalos de tempo divididos em períodos que, por sua vez,
são subdivididos em épocas e idades. Cada uma dessas subdivisões corresponde a algumas importantes
alterações ocorridas na evolução do planeta.

1GARCIA, Hélio Carlos; GARAVELLO, Tito Márcio. Geografia do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Anglo.
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. Elian Alabi Lucci; Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. 3ª edição. São Paulo: Saraiva.

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A Estrutura Interna da Terra

O conhecimento da estrutura interna da Terra é essencial ao entendimento dos fenômenos que se


manifestam em sua superfície, como o vulcanismo e os terremotos, responsáveis por modificações na
modelagem da superfície terrestre. Os terremotos, por exemplo, afetam a vida de milhões de pessoas e
provocam graves catástrofes naturais na Califórnia (Estados Unidos), no Japão, no Chile, na Turquia e
em diversos outros países. O vulcanismo, outro fenômeno natural causado pelas forças internas da Terra,
acarreta também graves desastres naturais.
A atividade mineradora também depende do conhecimento da estrutura interna da Terra. Os recursos
minerais são matérias-primas básicas para a produção das mercadorias e para a geração da maior parte
da energia consumida no mundo.
Os estudos do interior da Terra baseiam-se em observações indiretas, pois até o momento, o poço
mais profundo – o da península de Kola, na Rússia, perfurado em 1987 – atingiu apenas 13 km. Todo o
material que sai pelos vulcões vem de profundidade de, no máximo, 200 km. Essas medidas, se
comparadas com o raio da Terra – 6380 km -, são muito pequenas.
As observações indiretas são obtidas por meio da análise dos tremores que ocorrem no interior da
Terra, cujas ondas, chamadas sísmicas, propagam-se em diferentes direções, algumas atingindo o
núcleo do planeta. A intensidade destas ondas é registrada por sismógrafos, aparelhos que também
medem a sua velocidade e, portanto, o tempo que elas levam para se deslocar do hipocentro (local do
interior da Terra onde se origina o terremoto) até os locais onde essas ondas sísmicas se manifestam na
superfície terrestre - o epicentro.
A partir dessas observações, os cientistas chegaram à conclusão de que a Terra é formada
basicamente por três camadas: a crosta terrestre ou litosfera, o manto e o núcleo.
Na crosta terrestre – camada eterna – são encontradas rochas relativamente leves, constituídas
principalmente por silício e alumínio. Essa camada apresenta uma espessura variável: sob os continentes
varia de 20 a 70 km (a espessura máxima verifica-se nos locais sob as montanhas) e, sob os oceanos,
onde predominam o silício e o magnésios, varia de 5 a 15 km.
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O manto – camada intermediária – é formado por rochas mais pesadas, como os basaltos, constituídas
principalmente por magnésio, ferro e silício. Na parte externa do manto há uma região conhecida por
astenosfera, formada de um material pastoso chamado magma. Nela ocorrem movimentos de
convecção: o magma aquecido sobe das porções mais internas da Terra em direção à crosta e, depois,
volta para o interior à medida que se resfria. Os movimentos de convecção dão origem a terremotos e
erupções vulcânicas.
O limite máximo interior do manto é de, aproximadamente, 2900 km, onde começa a camada mais
interna: o núcleo.
O núcleo, que tem como limite máximo interior a medida do raio da Terra, é constituído por níquel e,
principalmente, por ferro. Ele se encontra subdividido em duas camadas: o núcleo externo, que parece
ser líquido e vai até 5100 km; e o núcleo interno, que é sólido.

A isostasia
Dá-se o nome de isostasia (do grego isso: igual; e stásis: equilíbrio) ao estado de equilíbrio dos blocos
continentais da crosta terrestre que flutuam sobre a camada do manto.
Segundo a teoria do cientista inglês George B. Airy (1801-1892), considerando a crosta terrestre
formada por blocos da mesma densidade e admitindo-se como correta a hipótese de que no manto existe
uma zona de material viscoso em estado de fusão, quanto mais alto for o bloco montanhoso ou
continental, maior será sua raiz mergulhada no manto.
Para termos uma imagem similar desse fenômeno basta apreciarmos alguns blocos de gelo boiando
na água. Quanto mais espessos forem, mais emergem e imergem. (Adaptado de Glossário de termos geológicos. Associação
Profissional dos Geólogos de Pernambuco. Em: www.agp.org.br/glossario-i.html).

As Rochas e Solos que Formam a Crosta Terrestre

A crosta terrestre é formada principalmente por rochas, como, por exemplo, a areia, o granito, o
mármore, o calcário e a argila. As rochas, por sua vez, são constituídas por um agregado de minerais ou
por um único mineral solidificado. Minerais são elementos ou compostos inorgânicos encontrados na
crosta terrestre. O granito, por exemplo, é composto por três minerais: quartzo, mica e feldspato.

Quanto à origem, as rochas classificam-se em magmáticas ou ígneas, sedimentares e


metamórficas.
As rochas magmáticas resultam da consolidação de material, em estado de fusão, proveniente do
manto. Elas constituem aproximadamente 80% da crosta terrestre e se subdividem em dois tipos:

Extrusivas ou vulcânicas – que se formaram na superfície (exemplo: basalto).

Intrusivas ou plutônicas – que se formaram internamente (exemplo: granito).

As rochas magmáticas intrusivas aparecem na superfície quando a erosão remove as outras rochas
que as encobrem. Sãos os afloramentos. O granito é muito utilizado no revestimento de pisos, em
paredes e na fabricação de tampos de pias. A decomposição do basalto, por sua vez, dá origem,
geralmente, a solos férteis, como a terra roxa, encontrada nos estados de São Paulo e Paraná.

As rochas sedimentares resultam da deposição de detritos de outras rochas e/ou de acúmulo de


detritos orgânicos (sedimentos). Normalmente a deposição ocorre em camadas horizontais. Quanto à
origem, as rochas sedimentares são classificadas em:

Detríticas – constituídas pela acumulação de fragmentos de outras rochas (magmáticas, metamórficas


ou mesmo sedimentares). Exemplos: areia, arenito, argila, folhelho, varvito, conglomerado e tilito.
Químicas – provenientes de transformações químicas que alguns materiais em suspensão sofrem na
água. Exemplo: o sal-gema, que corresponde a depósitos de cloreto de sódio, os quais são encontrados
em áreas onde possivelmente havia mar.
Orgânicas – formadas pela ação de animais e vegetais ou pela acumulação dos seus dejetos.
Exemplo: o calcário, resultante da acumulação de restos de conchas, corais, etc. Essa é uma das rochas
mais abundantes e mais utilizadas pelo ser humano. Outro exemplo é o carvão mineral, que formou-se
da decomposição de restos vegetais que permaneceram enterrados por milhões de anos.

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As rochas sedimentares têm grande importância econômica, pois nelas se encontram riquezas
minerais, como o carvão mineral e o petróleo. A areia, o varvito e o calcário também são muito utilizados
pelo setor de construção civil.

As rochas metamórficas resultam da transformação (metamorfização), em condições de pressão e


de temperatura bastante elevadas, de rochas preexistentes. As principais rochas metamórficas são: o
gnaisse, formado a partir da transformação do granito; a ardósia, resultado da metamorfose do xisto; e o
mármore, que resulta da transformação do calcário. A ardósia e principalmente, o mármore, são bastante
empregados não setor de construção civil.

São os principais tipos de solo e suas características2:

Latossolos – L
Formados sob ação de lavagens alcalinas em regiões quentes e úmidas florestadas. Parte da sílica
perde-se por eluvião, permanecendo os óxidos de ferro e de alumínio.

Podzólicos e podgolizados – P
Formados sob ação de lavagens ácidas, sobre material de origem arenoso em regiões úmidas e
florestadas. Como consequência de tais lavagens, as argilas são arrastadas para o horizonte B, ficando
as camadas superficiais mais arenosas.

Hidromórficos – Hi
Formados sob excesso de água, portanto, em condições de aeração deficiente.

Litossolos – Li
São solos geologicamente recentes. Pouco desenvolvidos e de pequena espessura, assentados
diretamente sobre as rochas consolidadas ou não. Os fatores de formação ainda não tiveram tempo para
diferenciar-lhe os horizontes.
Regossolos – R
São solos recentes, em início de formação. São profundos, arenosos, com drenagem excessiva.

Solos aluviais – Al
Recentes, ainda em formação, a partir de sedimentos aluviais. Distingue-se apenas o horizonte A1
sobre o horizonte C. São profundos, com perfil pouco diferenciado.

A Crosta Terrestre em Movimento

Em 1912, o cientista alemão Alfred Wegener elaborou a teoria da deriva dos continentes.
Observando a semelhança entre os contornos dos litorais da América, Europa e África, e também de suas
rochas, Wegener propôs que, há cerca de 200 milhões de anos, os continentes estariam todos unidos,
formando um único bloco, chamado Pangeia, rodeado por um único oceano, a Pantalassa, que teria
começado a se fragmentar com o aparecimento de fendas ou fraturas. Aos poucos, os fragmentos teriam
se afastado uns dos outros.
Observe a figura abaixo:

Essa teoria foi contestada pela maioria dos geólogos da época. Um dos poucos que a apoiaram, o
inglês Arthur Holmes, elaborou, em 1928, a hipótese da expansão dos fundos oceânicos, baseando-se

2 http://www.iqsc.usp.br/iqsc/servidores/docentes/pessoal/mrezende/arquivos/SOLO.pdf.

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nos movimentos de convecção do magma na atmosfera, camada situada logo abaixo da crosta. Para
Holmes, o movimento circulatório do magma empurraria os continentes.
Em 1967, Janson Morgan confirmou a hipótese de Holmes: os fundos oceânicos estão se deslocando
a partir das dorsais, que são cordilheiras situadas na porção central dos oceanos (meso-oceânicas).
Constatou-se também que as idades das rochas dos fundos oceânicos aumentam à medida que se
distanciam das dorsais, ou seja, quanto mais próximas dos continentes, mais antigas são as rochas.
A partir dessas constatações, chegou-se à conclusão de que o envoltório da Terra (crosta) é
descontínuo e fragmentado em vários blocos, os quais são formados por partes continentais e oceânicas
(o fundo ou assoalho dos oceanos). Cada bloco corresponde a uma placa tectônica (Ramo da Geologia
que estuda o dinamismo das forças que interferem na movimentação das camadas da crosta terrestre),
que se desloca pelos movimentos de convecção do magma. A teoria da deriva dos continentes foi
substituída pela teoria da tectônica de placas. Assim:

Ao mesmo tempo em que há o processo de afastamento (expansão) entre placas tectônicas, como,
por exemplo, nas cordilheiras meso-oceânicas, também chamadas zonas de divergência de placas,
verifica-se também o processo de fricção entre essas placas, pelo qual elas são pressionadas umas
contra as outras – são as chamadas zonas de convergência de placas. Nas zonas de convergência, o
contato entre as placas pode ser de dois tipos:

Subducção – as placas movem-se uma em direção a outra e a placa oceânica (mais densa)
“mergulha” sob a continental (menos densa). A placa oceânica entra em estado de fusão no manto.

Obducção ou colisão – choque entre duas placas na porção continental. Acontece em virtude da
grande espessura dos trechos nos quais estão colidindo. É o que ocorre entre a placa Indo-australiana e
a Euro-asiática Ocidental.

Por meio de raios laser emitidos de satélites artificiais, obteve-se a confirmação do movimento das
placas tectônicas, pois foi possível medir o afastamento dos continentes. A América do Sul, por exemplo,
afasta-se cerca de 3 cm por ano da África, levando a um alargamento do oceano Atlântico.

Terremotos
Nas áreas próximas aos limites entre as placas ocorrem muitos terremotos (abalos sísmicos) e a
atividade vulcânica é intensa. As grandes cadeias montanhosas da Terra, situadas nessas áreas,
surgiram por causa da colisão (ou obducção) de placas, como a cordilheira do Himalaia, ou pelo processo
de subducção, como a cordilheira dos Andes.
O atrito entre as placas tectônicas produz acúmulo de pressão e descarga de energia, que se propaga
em forma de ondas sísmicas. A propagação dessas ondas provoca a vibração das rochas e grande
impacto nas áreas de montanhas próximas à região de atrito.
O abalo sísmico recebe o nome de maremoto quando ocorre no fundo dos oceanos, provocando
ondas de movimento acelerado e grande altura ao se aproximarem da costa. Se a onda que se forma for
muito grande, recebe o nome de tsunami, como a que afetou diversas regiões da Ásia e da África no
final de 2004, matando mais de 280 mil pessoas, considerada uma das maiores catástrofes de origem
ambiental já registrada na história.

Terremotos no Brasil
O público leigo, de forma geral, aceita a ideia de que o território brasileiro está a salvo de terremotos.
No meio científico, porém, há relatos de abalos sísmicos no Brasil desde o início do século 20. Uma
pesquisa sobre o tema contribuiu para diminuir o fosso entre o senso comum e a realidade científica: uma
equipe coordenada pelo geomorfólogo Allaoua Saadi, professor da Universidade Federal de Minas
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Gerais, elaborou o Mapa neotectônico do Brasil e identificou a existência de 48 falhas-mestras no território
nacional. “É justamente ao longo do traçado dessas falhas que se concentram as ocorrências de
terremotos”, explica Saadi. (...)
Terremotos constituem uma resposta a rupturas da crosta terrestre provocadas pelo deslocamento dos
blocos (subdivisões das placas tectônicas) ao longo de uma falha. As rochas comportam-se como corpos
elásticos, deformando-se e acumulando energia proveniente do contato e do movimento entre os blocos.
“No momento da ruptura, a energia ‘represada’ durante o período de acumulação do stress anterior é
liberada de uma só vez ou em episódios mais ou menos próximos”, esclarece Saadi.
Os grandes abalos ocorrem principalmente na região de encontro entre as placas, onde se localizam
as falhas maiores de escala continental. O globo terrestre é constituído por (...) placas e o território
[brasileiro] está totalmente situado no interior da Placa Sul-Americana – daí a ideia de que não haveria
tremores de terra no país. No Brasil, os terremotos intraplacas, onde o tamanho das falhas tem dimensões
variadas, costumam ser mais brandos e dificilmente atingem mais de 4,5 graus de magnitude. Porém,
ainda precisam ser mais estudados. No início do século 20 um terremoto de grandes proporções – 8
graus – ocorreu na costa leste dos Estados Unidos, região de atividade sísmica semelhante à do Brasil.
“Comparados aos da região andina, situada exatamente na fronteira entre a placa de Nazca e a placa
Sul-Americana, os abalos sísmicos brasileiros são menos frequentes e intensos”, explica Saadi. Eles não
devem, no entanto, ser desprezados. Há registros no Brasil de terremotos com magnitude acima de 5
graus. Em 1986 a cidade de João Câmara (RN) foi palco de vários tremores que chegaram a destruir e
danificar cerca de 4000 casas. KUCK, Denis Weisz. Ciência Hoje on-line, 06/11/02.
Os terremotos podem ser medidos quanto à magnitude e à intensidade.
A magnitude é a quantidade de energia liberada no foco do sismo, sendo medida a partir de uma
escala estabelecida pelo sismólogo norte-americano Charles Richter. Essa escala – escala Richter –
começa no grau zero e, teoricamente, não tem um limite superior. Ela também é logarítmica, ou seja, um
terremoto de magnitude 5, por exemplo, produz efeitos 10 vezes maiores que um outro de magnitude 4.
Um dos terremotos mais violentos já registrado atingiu 9,2 graus, no Japão, em 1992, liberando um milhão
de vezes mais energia que a bomba atômica lançada sobre Nagasaki. Não houve mortes porque a região
atingida era desabitada.
A intensidade baseia-se na constatação dos efeitos provocados pelo terremoto na superfície, que,
provavelmente, vão ser menores à medida que se distancie do seu epicentro. A escala de intensidade
sísmica mais utilizada é a de Mercalli modificada, que varia de I (danos mínimos) a XII (danos máximos),
quando ocorre o desaparecimento quase que total de vestígio de construção humana; objetos são
lançados para o alto, formam-se grandes fendas no terreno e consideráveis transformações no relevo.
De todas as áreas sujeitas a terremotos no mundo, o Japão e a Califórnia (Estados Unidos) são as
mais bem preparadas para enfrentar sismos. Isso decorre do próprio nível de desenvolvimento desses
países, de suas condições econômicas, que possibilitam investimentos em pesquisas no setor de
construção civil, no treinamento da população, nos equipamentos para previsão de tremores, na
manutenção de cientistas, etc.

A Estrutura Geológica

Nas áreas emersas, a crosta terrestre é formada por três tipos de estruturas geológicas, as quais são
caracterizadas pelos tipos de rochas predominantes e o seu processo de formação, e pelo tempo
geológico em que surgiram. Essas estruturas geológicas são os dobramentos modernos, os maciços
antigos e as bacias sedimentares.
Os dobramentos modernos são os trechos da crosta de formação recente e, por essa razão,
compostos por rochas mais flexíveis e maleáveis, situadas relativamente próximas às zonas de contato
entre placas (zonas convergentes). Devido à pressão de uma placa sobre a outra, esta parte da crosta
dobra-se num processo lento e contínuo, dando origem às montanhas.
Os dobramentos modernos são denominados de tectonismo horizontal ou movimento orogenético.
(Orogênese: Resulta do movimento horizontal, responsável pela formação das montanhas. Esse
movimento provém do choque entre as placas em suas zonas de contato, que provoca a deformação da
crosta, formando dobras em alguns trechos dessas placas).
O deslocamento vertical dos blocos rochosos nas regiões de falhamento da crosta é denominado
movimento epirogenético. (Epirogênese: Resulta de movimentos verticais nas regiões de ocorrência
de “falhas”. Esses movimentos provocam soerguimento ou rebaixamento de blocos rochosos da crosta
terrestre, em regiões afastadas das zonas de contato e, consequentemente, em áreas em que são
encontradas rochas mais sólidas e estáveis).

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Os maciços antigos, também chamados escudos cristalinos, são os terrenos mais antigos da crosta
terrestre. Datam da era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica) e são constituídos basicamente por
rochas magmáticas e metamórficas. Nos maciços que se formaram na era Proterozoica ocorrem as
jazidas de minerais metálicos, como, por exemplo, as de ferro, ouro, manganês, prata, cobre, alumínio,
estanho.
A pressão do magma sobre estas estruturas antigas provoca fraturas ou falhas na litosfera e,
posteriormente, o deslocamento vertical de grandes blocos, soerguendo e rebaixando a superfície.
As bacias sedimentares começaram a se formar apenas na era Paleozoica. Resultam da acumulação
de sedimentos provenientes do desgaste das rochas; de organismos vegetais ou animais; ou mesmo de
camadas de lavas vulcânicas solidificadas. É nestas estruturas que se formam importantes recursos
minerais energéticos, como o petróleo e o carvão mineral.
As bacias sedimentares abrangem cerca de 64% do território brasileiro; os maciços (escudos) e os
dobramentos antigos respondem por carca de 36% dessa área, na qual 32% dos terrenos formaram-se
no período Arqueozoico, e apenas 4%, no Proterozoico. Nesses últimos, concentram-se, sobretudo,
rochas metamórficas, nas quais estão presentes as mais importantes jazidas de minerais metálicos do
país.

A Estrutura Geológica do Brasil


A estrutura geológica do Brasil apresenta maciços (escudos) antigos e bacias sedimentares, não se
verificando a existência de dobramentos modernos.
O território brasileiro encontra-se distante da zona de instabilidade tectônica – a mais próxima
encontra-se junto ao oceano Pacífico, nos países andinos. Nessa posição geográfica, está livre de
vulcanismo. Alguns tremores de terra já foram detectados, mas sem registro de destruição de edifícios,
pontes ou cidades, o que acontece na Colômbia, no Chile e Peru, situados próximo às regiões onde
ocorre o choque entre as placas Sul-americana e de Nazca.
O conhecimento da estrutura geológica do território brasileiro é de fundamental importância para se
compreender o modelado da superfície do país – o seu relevo – e atuar racionalmente sobre ele, tanto na
exploração dos recursos minerais e energéticos como na agricultura e na sua conservação, evitando-se
processos erosivos prejudiciais à economia e ao meio ambiente.
A estrutura geológica do Brasil é caraterizada por três tipos de terrenos:
a) Escudos cristalinos:
Terrenos de formação pré-cambriana, que afloram em cerca de 36% do território do país. Nos terrenos
arqueozoicos (32% do território), encontramos rochas como o granito e elevações como a serra do Mar.
Nos terrenos proterozóicos (4% do território), encontramos rochas metamórficas que formam jazidas
minerais, principalmente de ferro e manganês, como as localizadas na serra dos Carajás, no Pará.

b) Bacias sedimentares:
Formações recentes, que recobrem cerca de 58% do território brasileiro. Nas áreas de formação
paleozoica, o destaque são as jazidas carboníferas do sul, e nas áreas de formação mesozoica, os
depósitos petrolíferos do litoral.
Nos terrenos cenozoicos, destacam-se as planícies.

c) Terrenos vulcânicos:
Áreas que durante a era Mesozoica sofreram a ação de intensos derrames vulcânicos. Na bacia do
Paraná, particularmente, as lavas esparramaram-se por cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados e
originaram rochas como o basalto e o diabásio. Nas áreas de ocorrência dessas rochas, é comum a
presença de um dos tipos de solo mais férteis do Brasil: a terra roxa, formada da decomposição do
basalto.

Os agentes do relevo:
O relevo terrestre está em constante transformação, e os fenômenos naturais causadores dessa
dinâmica são agrupados em dois grandes conjuntos: agentes da dinâmica interna e da dinâmica externa.

Agentes da dinâmica interna:


Considerados agentes formadores do relevo, são fenômenos que atingem a superfície terrestre, mas
que têm origem nas altas temperaturas e pressões do interior do globo. São eles:

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* o tectonismo – movimentos da crosta terrestre que originam dois tipos de processos: dobramentos
(quando afetam rochas plásticas, características de áreas sedimentares) e falhamentos (quando afetam
rochas rígidas, características de áreas de formação cristalina do período Pré-Cambriano);

* o vulcanismo – rompimento da crosta terrestre pela ação da forte pressão feita pelo magma. Ocorre
quando, através de falhas ou fraturas, o magma em fusão sobe até a superfície terrestre, acompanhado
ou não de gases e cinzas;

* os abalos sísmicos (terremotos e maremotos) – tremores que afetam a superfície terrestre e que
se devem aos rápidos movimentos do interior do planeta causados pelo vulcanismo ou pelo tectonismo.

Agentes da dinâmica externa:


Considerados agentes modeladores do relevo, na maioria das vezes são fenômenos vinculados à
ação do clima. Dentre eles, destacam-se:

* as águas correntes – são os principais agentes modeladores externos da crosta terrestre. Abrangem
o trabalho dos rios (erosão, transporte e acumulação fluvial, das chuvas e enxurradas (erosão, transporte
e acumulação pluvial) e do mar (abrasão);

* a dinâmica glacial – o avanço ou o recuo de geleiras intensifica o processo de desagregação das


rochas, contribuindo para mudar as formas do relevo. O material rochoso erodido, transportado e
acumulado pela ação do degelo é denominado moraina ou morena;

* os ventos – são os agentes mais atuantes na modelação do relvo das áreas áridas ou semiáridas,
onde é comum a formação de dunas, devida ao trabalho eólico de erosão, transporte e acumulação e à
ausência de ação hídrica;

* o intemperismo – alteração do modelado terrestre por ação do clima sobre as rochas. Estas podem
sofrer degradação (quando a alteração é fundamentalmente produzida por processos físicos, ligados a
temperatura e pressão) ou decomposição (quando a alteração resulta de processos químicos, quase
sempre pela ação da umidade). Nos dois casos, a alteração é acelerada pela ação biológica,
particularmente de microrganismos.

A ação do homem:
Paralelamente aos fenômenos naturais internos e externos que interferem no relevo terrestre, um outro
agente modificador está em atuação constante: o homem.
Com recursos cada vez mais sofisticados, a ação humana acelera a erosão, sobretudo nas partes mais
altas do relevo, intensifica a sedimentação das partes mais baixas, particularmente nos vales fluviais, e,
o que é mais grave, acelera o processo de assoreamento dos rios, aumentando a frequência e a
intensidade das enchentes.
Entre as principais formas de atuação do homem que repercutem negativamente no relevo, estão:

* a derrubada de matas em áreas serranas ou de declives acentuados, que favorece o deslizamento


de terras e rochas – material que, transportado para o leito dos rios, causa o seu assoreamento, tornando-
se mais rasos e, assim, provocando enchentes;

* a derrubada de matas em áreas aplainadas, que favorece a infiltração excessiva de água no solo,
cujos componentes passam a ser dissolvidos com mais intensidade;

* as queimadas, que, além de eliminarem os nutrientes do solo, matam as raízes vegetais que o fixam,
favorecendo a erosão pela enxurrada;

* o uso inadequado do solo, com a utilização intensiva de máquinas agrícolas e o cultivo em áreas de
declive – ambas práticas que facilitam o processo erosivo, especialmente quando este é provocado pela
ação das águas pluviais;

* a ocupação inadequada dos solos para a implantação de moradias – nas áreas serranas, por exemplo
– e o uso econômico das áreas de cabeceira dos rios.

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Questões

01. (FUB – Geólogo – CESPE) Com relação às eras geológicas, julgue o item a seguir.
Os dinossauros viveram no período quaternário.
(....) Certo (....) Errado

02. (FUB – Geólogo – CESPE) Com relação às eras geológicas, julgue o item a seguir.
O supercontinente Pangeia começou a se desagregar no início da era mesozoica.
(....) Certo (....) Errado

Gabarito

01. Errado/02. Certo

Comentários

01. Resposta: Errado.


Período Quaternário:
* Dobramentos modernos (atuais montanhas);
* Surgimento de aves, mamíferos e primatas;
* Atuais continentes.

02. Resposta: Certo.


Era Mesozoica:
* Divisão do grande continente da Pangeia, em Laurásia e Gondwana (130 milhões de anos);
* Surgimento dos grandes répteis (como os dinossauros).

ESTRUTURA GEOLÓGICA E FORMAS DE RELEVO3

O relevo influencia as atividades agrícolas, os sistemas de transporte e a malha urbana. Em todos


esses casos se evidenciam a interação entre a sociedade e a natureza e a transformação do meio
ambiente pelo ser humano, também demonstrando como o conhecimento das características do relevo
são indispensáveis ao planejamento das atividades rurais e urbanas.

Geomorfologia

O relevo da superfície terrestre apresenta elevações e depressões de diversas formas e altitudes. É


constituído por rochas e solos de diferentes origens, e inúmeros processos o modificam ao longo do
tempo. A disciplina que estuda a dinâmica das formas do relevo terrestre é a geomorfologia. Observe o
planisfério e as imagens a seguir.

Planisfério físico

http://www.editoradobrasil.com.br/jimboe/galeria/imagens/index.aspx?d=geografia&a=5&u=4&t=mapa

3 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.

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Os mapas que indicam altitude de relevo são chamados mapas hipsométricos. A hipsometria é a
técnica que representa as diferentes altitudes da superfície por meio de uma variação de cores. Em alguns
mapas, o relevo submarino também é representado em diferentes tonalidades de azul.
A fisionomia da paisagem terrestre é extremamente variada. Abaixo, dois exemplos de formações de
relevo da superfície da Terra.

Cânion do rio São Francisco, na divisa entre os estados de Sergipe, Alagoas e Bahia

https://www.modices.com.br/dicas-de-viagem/canions-sao-francisco/

Região montanhosa na Patagônia

https://www.viajali.com.br/fotos-apaixonantes-patagonia/

O relevo é resultado da atuação de agentes internos e externos na crosta terrestre.

Agentes internos, também chamados endógenos, são aqueles impulsionados pela energia contida
no interior do planeta. Esses fenômenos deram origem às grandes formações geológicas existentes na
superfície terrestre e continuam a atuar em suas transformações.
Observe a imagem do Monte Osorno (Chile), originado pelo vulcanismo, um dos agentes internos que
alteram a paisagem terrestre.

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https://br.pinterest.com/pin/17592254764573916/

Agentes externos, também chamados exógenos, atuam na modelagem da crosta terrestre,


transformando as rochas, erodindo os solos e dando ao relevo o aspecto que apresenta atualmente. Os
principais agentes externos são naturais, a temperatura, o vento, as chuvas, os rios e oceanos, as
geleiras, os microrganismos, a cobertura vegetal, mas há também a ação crescente dos seres humanos.
Entre os agentes externos, destaca-se o ser humano. Mineração, aterramento, desmatamento,
terraplanagem, canalização e represamento são exemplos de ações humanas que alteram diretamente
as formas do relevo, como o que ocorreu com o pico do Cauê, em Itabira, em decorrência de intensa
mineração. Abaixo imagens de como era o pico na década de 1970, e como foi posteriormente
transformado em cratera.

http://somagui.blogspot.com/2015/11/itabira-e-um-retrato-na-parede.html

As forças externas naturais são, portanto, modeladoras e atuam de forma contínua ao longo do tempo
geológico. Ao agirem na superfície da crosta, provocam a erosão e alteram o relevo por meio de suas
três fases: intemperismo, transporte e sedimentação.

Intemperismo → é o processo de desagregação (intemperismo físico) e decomposição (intemperismo


químico) sofrido pelas rochas. O principal fator de intemperismo físico é a variação de temperatura (dia e
noite, verão e inverno), que provoca dilatação e concentração das rochas, fragmentando-as. Já o
intemperismo químico resulta, sobretudo, da ação da água sobre as rochas, provocando, com o passar
do tempo, uma lenta modificação na composição química dos minerais. Ambos os intemperismos atuam
concomitantemente, mas dependendo das características climáticas um pode atuar de maneira mais
intensa que o outro.

Transporte e sedimentação→ o material fragmentado pelo intemperismo está sujeito a erosão.


Nesse processo, as águas e o vento desgastam a camada superficial de solos e rochas, removendo
substâncias que são transportadas para outro local, onde se depositam ou se sedimentam. O relevo se
modifica tanto no local de onde o material foi removido como no local onde ele é depositado, que forma
ambientes de sedimentação: fluvial (rios), glaciário (gelo e neve), eólico (vento), marinho (mares e
oceanos) e lacustre (lagos), entre outros.

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A atuação do intemperismo é acentuada ou atenuada conforme características do clima, da topografia 4,
da biosfera, dos minerais que compõem as rochas e do tempo de exposição delas às intempéries5.
Os diferentes minerais apresentam maior ou menor resistência à ação do intemperismo e da erosão.
Em ambientes mais quentes e úmidos, o intemperismo químico é mais intenso, enquanto em ambientes
mais secos predomina o intemperismo físico.
As rochas que compõem os escudos cristalinos, por serem de idades geológicas remotas, sofreram
por mais tempo a ação do intemperismo e da erosão, o que se reflete em suas formas. As altitudes
modestas e as formas arredondadas, como nos montes Apalaches (Estados Unidos), nos alpes
Escandinavos (Suécia e Noruega), na serra do Espinhaço (Brasil) e nos montes Urais (Rússia), mostram
a ação desses processos modeladores nas formas do relevo.
A exposição ao sol aquece as rochas provocando sua dilatação. Com a chuva e a ação das marés, há
queda brusca de temperatura, o que provoca contração e desagregação mecânica de partículas.

Costão rochoso na ilha do Farol, em Arraial do Cabo (RJ)

https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g1056623-d1368438-i95639294-Prainhas_do_Pontal_do_Atalaia-
Arraial_do_Cabo_State_of_Rio_de_Janeiro.html

A erosão é resultado da ação de algum agente, como chuva, vento, geleira, rio ou oceano, que provoca
o transporte de material sólido. Na imagem abaixo, dunas nos Lençóis Maranhenses, em Barreirinhas
(MA), um exemplo de ação do vento (erosão eólica).

https://www.xapuri.info/ecoturismo/dunas-lagos-lencois-maranhenses/

Curvas de Nível
Refere-se à prática que consiste em arar o solo e semeá-lo seguindo as cotas altimétricas do relevo
(curvas de nível ou isoípsas6), o que por si só já reduz a velocidade de escoamento superficial da água
da chuva.

4 Topografia é a ciência que estuda todos os acidentes geográficos definindo a sua situação e localização na Terra.
5 Intempérie é o substantivo feminino que significa mau tempo ou tempestade.
6 Isoípsa ou ¨ curva de nível¨ é o nome que se dá à uma linha que em um mapa topográfico une os pontos que apresentam a mesma elevação ou cota. A isoípsa é

considerada uma “isolinha”. A representação da isoípsa é indispensável em um mapa topográfico. É muito usada também na agricultura moderna.

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https://www.gedtopografia.com/services/calculo-de-curva-de-nivel/

Classificação do Relevo Brasileiro

Em 1940, foi elaborada uma classificação dos compartimentos do relevo brasileiro considerada até
então a mais coerente com a geomorfologia do nosso território. Seu autor foi o geógrafo e geomorfólogo
Aroldo de Azevedo (1910-1974), que, considerando as cotas altimétricas7, definiu planaltos como
terrenos levemente acidentados, com mais de 200 metros de altitude, e planícies como superfícies
planas, com altitudes inferiores a 200 metros. Essa classificação divide o Brasil em sete unidades de
relevo, com os planaltos ocupando 59% do território e as planícies, os 41% restantes.
Em 1958, Aziz Ab’Sáber (1924-2012) publicou um trabalho propondo alterações nos critérios de
definição dos compartimentos do relevo. A partir de então, foram consideradas as seguintes definições:
Planalto → área em que os processos de erosão superam os de sedimentação.
Planície → área mais ou menos plana em que os processos de sedimentação superam os de erosão,
independentemente das cotas altimétricas.
Essa classificação divide o Brasil em dez compartimentos de relevo, com os planaltos ocupando 75%
do território e as planícies, 25%.
Em 1989, Jurandyr Ross (1947) divulgou a mais recente classificação do relevo brasileiro, com base
nos estudos e classificações anteriores e na análise de imagens de radar obtidas no período de 1970 e
1985 pelo Projeto Radambrasil, que consistiu em um mapeamento complexo e minuciosos do país. Além
dos planaltos e das planícies, foi detalhado mais um tipo de compartimento:
Depressão → relevo aplainado, rebaixado em relação ao seu entorno; nele predominam processos
erosivos.
O território brasileiro possui, ainda, uma grande diversidade de formas e estruturas de relevo, como
serras, escarpas, chapadas, tabuleiros, cuestas8 e muitas outras.

Diferença Entre Forma e Estrutura do Relevo Brasileiro


O território brasileiro é formado por estruturas geológicas antigas. Com exceção das bacias de
sedimentação recente, como a do Pantanal Mato-Grossense, parte ocidental da bacia Amazônica e
trechos do litoral nordeste e sul, que são do Terciário e do Quaternário (Cenozoico), o restante das áreas
tem idades geológicas que vão do Paleozoico ao Mesozoico, para as grandes bacias sedimentares, e ao
Pré-Cambriano (Arqueozoico-Proterozoico), para os terrenos cristalinos.
No território brasileiro, as estruturas e as formações litológicas9 são antigas, mas as formas do relevo
são recentes. Estas foram produzidas pelos desgastes erosivos que sempre ocorreram e continuam
ocorrendo, e com isso estão permanentemente sendo reafeiçoadas (mudando de forma). Desse modo,
as formas grandes e pequenas do relevo brasileiro têm como mecanismo genético, de um lado, as
formações litológicas e os arranjos estruturais antigos, de outro, os processos mais recentes associados
à movimentação das placas tectônicas e ao desgaste erosivo de climas anteriores e atuais. Grande parte
das rochas e estruturas que sustentam as formas do relevo brasileiro são anteriores à atual configuração
do continente sul-americano, que passou a ter o seu formato depois da orogênese andina e da abertura
do oceano Atlântico, a partir do Mesozoico.

7 Cota altimétrica é o número que exprime a altitude de um ponto em relação ao nível do mar ou a outra superfície de referência.
8 Cuesta é uma forma de relevo em que colinas e montes têm um declive não simétrico, ou seja, suave de um lado e íngreme do outro. A palavra tem origem no
idioma espanhol e significa encosta de uma colina ou monte.
9 O termo litologia pode se referir ao estudo especializado em rochas e suas camadas e que estuda os processos de litificação, ou às categorizações referentes a

esses mesmos processos e aos tempos geológicos em que ocorreram. Litologia está relacionada à rocha que irá formar o solo.

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Classificação de Jurandyr L. S. Ross

http://www.clebinho.pro.br/wp/?p=9992

Bacia Sedimentar x Planície

Não devemos confundir bacia sedimentar, denominação que se refere à estrutura geológica, com
planície, que se refere à forma do relevo.
A estrutura sedimentar indica a origem, a formação e a composição de parte da crosta, ocorrida ao
longo do tempo geológico. Durante sua formação, enquanto a sedimentação supera os processos
erosivos, a bacia sedimentar é sempre uma planície. No entanto, uma bacia sedimentar que no passado
foi uma planície pode estar atualmente sofrendo um processo de erosão, de desgaste, e, portanto,
corresponder a um planalto ou a uma depressão, com as da Amazônia. Em contrapartida, bacias
sedimentares que hoje ainda estão em processo de formação correspondem a planícies. Um exemplo: a
planície do Pantanal.
Na imagem abaixo pode-se observar um trecho do Pantanal, em Corumbá (MS), durante o período
das cheias. Este é um exemplo típico de planície em formação, uma vez que durante as inundações
anuais ocorre intensa sedimentação.

http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2015/10/decreto-define-criterios-de-uso-sustentavel-do-pantanal-para-o-car.html

Agora observe esse relevo de origem sedimentar que está sofrendo erosão e, portanto, é um planalto
sedimentar, localizado na Chapada dos Guimarães (MT).

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https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/chapada-dos-guimaraes/

Outras Formas do Relevo


Ao estudarmos as formas do relevo brasileiro, encontramos ainda outras categorias:
Escarpa → declive acentuado que aparece em bordas de planalto. Pode ser gerada por um movimento
tectônico, que forma escarpas de falha, ou ser modeladas pelos agentes externos, que geram escarpas
de erosão.
Cuesta → forma de relevo que possui um lado com escarpa abrupta e outro com declive suave. Essa
diferença de inclinação ocorre porque os agentes externos atuaram sobre rochas com resistências
diferentes.
Chapada → tipo de planalto cujo topo é aplainado e as encostas são escarpadas. Também é
conhecido com planalto tabular.
Morro → em sua acepção mais comum é uma pequena elevação de terreno, uma colina. Em sua
classificação dos domínios morfoclimáticos, Ab’Sáber destacou os “mares de morros”.
Montanha → os movimentos orogenéticos (enrugamento, dobra e soerguimento da crosta devido à
ação das forças endógenas) deram origem às grandes cadeias montanhosas do planeta. Os dobramentos
modernos do Cenozoico são o exemplo mais lembrado, pois são as maiores montanhas existentes, como
os Andes e o Himalaia. No Brasil não ocorreram dobramentos modernos, mas sim dobramentos mais
antigos que ao longo do tempo geológico foram modelados pelos processos exógenos, dando origem a
formas rebaixadas e desgastadas (montanhas antigas), como o monte Roraima e as elevações dos
planaltos e serras do Atlântico.
Serra→ esse nome é utilizado para designar um conjunto de formas variadas de relevo, como
dobramentos antigos e recentes, escarpas de planalto e cuestas. Sua definição e uso não são rígidos,
sofrendo variação de uma região para outra do país.
Inselberg → (do alemão, “monte ilha”), saliência no relevo encontrada em regiões de clima árido e
semiárido. Sua estrutura rochosa foi mais resistente à erosão do que o material que estava em seu
entorno.

Questões

01. (ENEM) Muitos processos erosivos se concentram nas encostas, principalmente aqueles
motivados pela água e pelo vento. No entanto, os reflexos também são sentidos nas áreas de baixada,
onde geralmente há ocupação urbana.

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Um exemplo desses reflexos na vida cotidiana de muitas cidades brasileiras é
(A) a maior ocorrência de enchentes, já que os rios assoreados comportam menos água em seus
leitos.
(B) a contaminação da população pelos sedimentos trazidos pelo rio e carregados de matéria orgânica.
(C) o desgaste do solo nas áreas urbanas, causado pela redução do escoamento superficial pluvial na
encosta.
(D) a maior facilidade de captação de água potável para o abastecimento público, já que é maior o
efeito do escoamento sobre a infiltração.
(E) o aumento da incidência de doenças como a amebíase na população urbana, em decorrência do
escoamento de água poluída do topo das encostas.

02. (ENEM) As áreas do planalto do cerrado – como a chapada dos Guimarães, a serra de Tapirapuã
e a serra dos Parecis, no Mato Grosso, com altitudes que variam de 400 m a 800 m – são importantes
para a planície pantaneira mato-grossense (com altitude média inferior a 200 m), no que se refere à
manutenção do nível de água, sobretudo durante a estiagem. Nas cheias, a inundação ocorre em função
da alta pluviosidade nas cabeceiras dos rios, do afloramento de lençóis freáticos e da baixa declividade
do relevo, entre outros fatores. Durante a estiagem, a grande biodiversidade é assegurada pelas águas
da calha dos principais rios, cujo volume tem diminuído, principalmente nas cabeceiras. Cabeceiras ameaçadas.
Ciência Hoje. Rio de Janeiro: SBPC. Vol. 42, jun. 2008 (adaptado).
A medida mais eficaz a ser tomada, visando à conservação da planície pantaneira e à preservação de
sua grande biodiversidade, é a conscientização da sociedade e a organização de movimentos sociais que
exijam
(A) a criação de parques ecológicos na área do pantanal mato-grossense.
(B) a proibição da pesca e da caça, que tanto ameaçam a biodiversidade.
(C) o aumento das pastagens na área da planície, para que a cobertura vegetal, composta de
gramíneas, evite a erosão do solo.
(D) o controle do desmatamento e da erosão, principalmente nas nascentes dos rios responsáveis pelo
nível das águas durante o período de cheias.
(E) a construção de barragens, para que o nível das águas dos rios seja mantido, sobretudo na
estiagem, sem prejudicar os ecossistemas.

Gabarito

01.A / 02.D

Comentários

01. Resposta: A
A erosão é um processo constituído por três etapas: intemperismo, transporte e sedimentação. As
partículas das rochas são transportadas pelos agentes erosivos (água das chuvas, rios, ventos e outros)
para as partes mais baixas do relevo e, quando o material sedimenta nos rios, provocam assoreamento
e maior ocorrência de enchentes.

02. Resposta: D
As diferenças de altitude entre a planície do Pantanal e as serras e planaltos que o circundam o tornam
uma área inundável. No tocante ao seu papel na manutenção do nível das águas, tanto no período
chuvoso quanto no de estiagem, as agressões ambientais que acontecem no entorno do Pantanal
causam impacto direito em seu interior, destacando-se a redução no volume de água disponível e o
assoreamento.

CLIMAS10

Tempo e Clima

Para entender o significado de clima, é importante distingui-lo de tempo atmosférico. O tempo


corresponde a um estado momentâneo da atmosfera numa determinada área da superfície da Terra, que
podem mudar em poucas horas ou mesmo de um instante para o outro por causa de fenômenos como
temperatura, umidade, pressão do ar, ventos e nebulosidade.
10 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.

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Já o clima corresponde ao comportamento do tempo em determinada área durante um período longo,
de pelo menos 30 anos. O clima é o padrão da sucessão dos diferentes tipos de tempo que resultam do
movimento constante da atmosfera.
Quando afirmamos “hoje o dia está quente e úmido”, estamos nos referindo ao tempo. Em
contrapartida, se ouvimos alguém, nos dizer que no noroeste da Amazônia “é quente e úmido o ano
inteiro”, a pessoa está se referindo ao clima da região.
É comum fazermos julgamentos sobre o tempo e clima. Por exemplo, “hoje o tempo está feio” ou “hoje
o tempo está bonito”. Porém, ambos são importantes para a reprodução dos seres vivos e o
desenvolvimento das atividades econômicas, principalmente as agrícolas.
Cada lugar ou região apresenta um clima próprio, porque cada um apresenta um conjunto distinto de
fatores climáticos, ou seja, características que determinam o clima: latitude, altitude, massas de ar,
continentalidade, maritimidade, corretes marítimas, relevo, vegetação e urbanização.
A conjugação desses fatores é responsável pelo comportamento da temperatura, da umidade e da
pressão atmosférica, que são os atributos ou elementos climáticos do local. Entretanto, ainda existe
uma variação considerável de ano para ano. Há, por exemplo, verões mais chuvosos ou menos chuvosos,
invernos rigorosos ou com temperaturas mais amenas.

Fatores Climáticos

São principais fatores que determinam o clima de um lugar ou de uma região:

Latitude
Por ser esférica, a superfície terrestre é iluminada de diferentes formas pelos raios solares, porque
eles a atingem com inclinações distintas. Essa diferença na intensidade de luz incidente sobre a superfície
faz com que a temperatura média tenda a ser menor quanto mais próximo aos polos. Observe a ilustração
abaixo.

SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018, p. 123.

Observe, nas linhas que representam os raios solares, que a área atingida por um mesmo feixe de
raios solares é maior quanto mais nos aproximamos dos polos.
Assim, a variação latitudinal é o principal fator de diferenciação de zonas climáticas, polar, temperada
e tropical. Porém, em cada uma dessas zonas encontramos variados tipos de clima, explicados pelas
diferentes associações entre os demais fatores climáticos.
A grande extensão latitudinal do território brasileiro é um importante fator de diferenciação climática. À
medida em que se aumenta a latitude, diminuem-se as temperaturas médias e aumentam-se a amplitude
térmica anual, que é a diferença entre a maior e a menor temperatura média mensal ao longo do ano.

Altitude
Quanto maior for a altitude, menor será a temperatura média do ar. Isso porque, quanto maior a
altitude, menor a pressão atmosférica, o que torna o ar mais rarefeito, ou seja, há uma menor
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concentração de gases, umidade e materiais particulados. Como há menor densidade de gases e
partículas de vapor de água e poeira, diminui a retenção de calor nas camadas mais elevadas da
atmosfera e, em consequência, a temperatura é menor. Além disso, nas maiores altitudes, a área de
superfície que recebe e irradia calor é menor.

Albedo
O tipo de superfície atingida pelos raios solares também exerce influência na diferença da temperatura
atmosférica. O índice de reflexão de uma superfície, o albedo, varia de acordo com sua cor.
Diferentes tipos de superfície refletem diferentes porcentagens da luz solar incidente.
A cor, por sua vez, depende de sua composição química e de seu estado físico. A neve, por ser branca,
reflete até 90% dos raios solares incidentes, enquanto a Floresta Amazônica, por ser verde-escura, reflete
até 20%. Quanto menor o albedo, maior a absorção de raios solares, maior o aquecimento e,
consequentemente, a irradiação de calor.

Massas de Ar
São grandes porções da atmosfera que possuem características comuns de temperatura, umidade e
pressão e podem se estender por milhares de quilômetros. Formam-se quando ao ar permanece estável
por um tempo sobre uma superfície homogênea (o oceano, as calotas polares ou floresta, por exemplo)
e se deslocam por diferença de pressão, levando consigo as condições de temperatura e umidade da
região em que se originaram. Elas se transformam pela interação com outras massas, com as quais
trocam calor e/ou umidade, e são chamadas de:
Oceânicas: são massas de ar úmidas.
Continentais: são massas de ar secas, embora haja também continentais úmidas, como as que se
formam sobre grandes florestas.
Tropicais e equatoriais: são massas de ar quentes.
Temperadas e polares: são massas de ar frias.

Continentalidade e Maritimidade
A maior ou menor proximidade de oceanos e mares exerce forte influência sobre a umidade relativa
do ar e sobre a temperatura. Em áreas que sofrem influência da continentalidade (localização no interior
do continente, distante do litoral), a amplitude térmica diária é maior do que em áreas que sofrem
influência da maritimidade (proximidade de oceanos e mares). Isso ocorre porque a água demora mais
para se aquecer e para se resfriar do que os continentes.

Correntes Marítimas
São grandes volumes de água que se deslocam pelo oceano, quase sempre nas mesmas direções,
como se fossem “rios” dentro do mar. As correntes marítimas são movimentadas pela ação dos ventos e
pela influência da rotação da Terra, que as desloca para oeste, no hemisfério norte, as correntes circulam
no sentido horário, e no hemisfério sul, anti-horário. Diferenciam-se em temperatura, salinidade e direção
das águas do entorno dos continentes. Causam forte influência no clima, principalmente porque alteram
a temperatura atmosférica, e são importantes para a atividade pesqueira: em áreas de encontro de
correntes quentes e frias, aumenta a disponibilidade de plâncton, que serve de alimento para cardumes.
A localização das áreas áridas e semiáridas está condicionada principalmente pela presença de
alguma corrente fria. É comum essas correntes provocarem nevoeiros e chuvas no oceano, fazendo com
que as massas de ar cheguem ao continente sem umidade.
A corrente do Golfo, por exemplo, é quente. Ela impede o congelamento do mar do Norte e ameniza
os rigores climáticos do inverno em toda a fixa ocidental da Europa. A corrente de Humboldt, no hemisfério
sul, e a da Califórnia, no hemisfério norte, são frias. Elas causam queda da temperatura nas áreas
litorâneas, o que provoca condensação do ar e chuvas no oceano, fazendo as massas de ar perderem
umidade e atingirem o continente secas. A imagem abaixo demonstra os efeitos da corrente de Humboldt.

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https://exercicios.brasilescola.uol.com.br/exercicios-geografia/exercicios-sobre-fatores-climaticos.htm

Na imagem podemos concluir que:


1 – Em direção ao continente, a massa de ar úmido resfria-se ao passar sobre a corrente marítima de
Humboldt, que é fria (aproximadamente 7ºC ou 8ºC inferior à temperatura média do oceano na mesma
latitude;
2 – Esse resfriamento da massa provoca condensação do vapor e chuvas;
3 – Continuando seu deslocamento, como massa de ar seco, porque descarregou a umidade sobre o
oceano.

Já as correntes quentes do Brasil (no leste da América do Sul), das Agulhas (no sudeste da África) e
a Leste-Australiana (passa pela costa lesta da Austrália e da Nova Zelândia) estão associadas a massas
de ar quente e úmido, que aumentam a pluviosidade e provocam fortes chuvas de verão no litoral, fato
que se acentua quando há presença de serras no continente, que retêm a umidade vinda do mar.

Vegetação
Os diferentes tipos de cobertura vegetal influenciam diretamente a absorção e irradiação de calor, além
da umidade do ar. Em uma região florestada, as árvores impedem que os raios solares incidam
diretamente sobre o solo, diminuindo a absorção de calor e a temperatura. As plantas, por sua vez, retiram
umidade do solo pelas raízes e a transferem para a atmosfera através das folhas (transpiração),
aumentado a umidade do ar. Isso ajuda a transferir parte da energia solar ao processo de evaporação,
diminuindo a quantidade de energia que aquece a superfície e, consequentemente, o ar. Quando ocorre
um desmatamento de grandes proporções, portanto, há acentuada diminuição da umidade e elevação
significativa das temperaturas médias.

Relevo
Além de a altitude do relevo influenciar o clima, o próprio relevo facilita ou dificulta a circulação das
massas de ar. Na Europa, por exemplo, as planícies existentes no centro do continente facilitam a
penetração das massas de ar oceânicas (ventos do oeste), provocando chuvas e reduzindo a amplitude
térmica anual. Nos Estados Unidos, as cadeias montanhosas do oeste (Serra Nevada, cadeias da Costa)
impedem a passagem das massas de ar vindas do oceano Pacífico, o que explica as chuvas que ocorrem
na vertente voltada para o mar e a aridez no lado oposto.
No Brasil, a disposição longitudinal das serras no centro-sul do país forma um “corredor” que facilita a
circulação da Massa Polar Atlântica e dificulta a circulação da Massa Tropical Atlântica, vinda do oceano.
Não por acaso a vertente da serra do Mar voltada para o Atlântico, em São Paulo, apresenta um dos mais
elevados índices pluviométricos do Brasil. Nessa região predominam as chuvas de relevo.

Atributos ou Elementos do Clima

Os três atributos climáticos mais importantes são a temperatura, a umidade e a pressão atmosférica.

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Temperatura
A temperatura é a intensidade de calor existente na atmosfera. O Sol não aquece o ar diretamente.
Seus raios, se não incidirem sobre uma partícula em suspensão (como poeira e vapor de água), atingem
a superfície do planeta, que, depois de aquecida, irradia o calor para a atmosfera.

Umidade
A umidade é a quantidade de vapor de água presente na atmosfera em determinado momento,
resultado do processo de evaporação das águas da superfície terrestre e da transpiração das plantas.
A umidade relativa, expressa em porcentagem, é uma relação entre a quantidade de apor existente
na atmosfera num dado momento (umidade absoluta, expressa em g/m³) e a quantidade de vapor de
água que essa atmosfera comporta. Quando esse limite é atingido, a atmosfera atinge seu ponto de
saturação e ocorre a chuva.
Se ao longo do dia a umidade relativa estiver chegando próximo a 100%, há grande possibilidade de
ocorrer precipitação. Para chover, o vapor de água tem de se condensar, passando do estado gasoso
para o líquido, o que acontece com a queda de temperatura. Em contrapartida, se a umidade relativa for
constante ou estiver diminuindo, dificilmente choverá.
É importante destacar que a capacidade de retenção de vapor de água na atmosfera também está
associada à temperatura. Quando a temperatura está elevada, os gases estão dilatados e aumenta sua
capacidade de retenção de vapor; ao contrário, com temperaturas baixas, os gases ficam mais adensados
e é necessária uma menor quantidade de vapor para atingir o ponto de saturação.
As condições de umidade relativa do ar também são importantes para a saúde e determinam a
sensação de conforto ou desconforto térmico. Nos dias quentes e úmidos, nosso organismo transpira
mais, enquanto nos dias secos se agravam os problemas respiratórios e de irritação de pele.
A precipitação pode ocorrer de várias formas, como a chuva, a neve e o granizo, dependendo das
condições atmosféricas.
A neve é característica de zonas temperadas e frias, quando a temperatura do ar está abaixo de zero.
Quando isso ocorre, o vapor de água contido na atmosfera se congela e os flocos de gelo, formados por
cristais, precipitam-se.
Já o granizo é constituído de pedrinhas formadas pelo congelamento das gotas de água contidas em
nuvens que atingem elevada altitude, chamadas cúmulos-nimbos, que também estão associadas aos
temporais com a ocorrência de raios. Esse congelamento acontece quando uma nuvem carregada de
gotículas de água encontra uma camada de ar muito fria.
De maneira geral, as maiores médias de precipitação ocorrem nas regiões mais quentes do planeta,
na Zona intertropical.
Os cúmulos-nimbos (do latim cumulus-nimbus, “nuvem carregada de chuva”) atingem uma altitude
aproximada de 10 mil metros, em que a temperatura do ar chega a ser muito baixa, em torno de 50ºC
negativos.

Pressão Atmosférica
A pressão atmosférica é a medida da força exercida pelo peso da coluna de ar contra uma área da
superfície terrestre. Por isso, a pressão atmosférica vai diminuindo com a maior altitude. Além disso,
quanto mais elevada a temperatura, maior a movimentação das moléculas de ar e mais elas se distanciam
umas das outras, como resultado, mais baixo é o número de moléculas em cada metro cúbico de ar e
menor se torna o peso do ar. Portanto, menor a pressão exercida sobre uma superfície. Inversamente,
quanto menor a temperatura, maior é a pressão atmosférica.
Por causa da esfericidade, da inclinação do eixo imaginário e do movimento de translação ao redor do
Sol, nosso planeta não é aquecido uniformemente. Isso condiciona os mecanismos da circulação
atmosférica do globo terrestre, levando à formação de centros de baixa e de alta pressão, que se alteram
continuamente.
Quando o ar é aquecido, ele fica menos denso e sobe, o que diminui a pressão sobre a superfície e
forma uma área de baixa pressão atmosférica, também chamada ciclonal, que é receptora de ventos.
Ao contrário, quando o ar é resfriado, ele fica mais denso e desce, formando uma zona de alta pressão,
ou anticiclonal, que é emissora de ventos. Esse movimento pode ocorrer entre áreas que distam apenas
alguns quilômetros, como o movimento da brisa marítima11, ou em escala regional, como o da Massa
Equatorial Continental, que atua sobre a Amazônia.
Já em escala planetária temos os ventos alísios, que atuam ininterruptamente, se deslocando das
regiões subtropicais e tropicais (alta pressão) para a região equatorial (baixa pressão), e são desviados
11Brisa marítima é o vento local que durante o dia sopra do oceano para o continente e, à noite, do continente para o oceano, em razão das diferenças de retenção
de calor dessas duas superfícies.

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para oeste pelo movimento de rotação da Terra. Com esse desvio, formam-se os ventos alísios de
sudeste no hemisfério sul e os ventos alísios de nordeste no hemisfério norte.
Quando ocorre o deslocamento provocado pela extensão de massas de ar quente e,
consequentemente, a formação de frentes quentes, temos uma situação na qual o ar se desloca das
áreas de maior temperatura para as de menor.

Tipos de Clima

As diferentes combinações dos fatores climáticos dão origem a vários tipos de clima. O planisfério
abaixo apresenta uma classificação por grandes regiões do planeta; portanto, não fornece informações
sobre as diferenças encontradas no interior de cada região, como as decorrentes das variações locais de
altitude e de outras características de relevo e dos graus diferenciados de urbanização.

https://www.sacratours.com/saiba-a-temperatura-esperada-em-seu-destino/

Clima Polar ou Glacial


Ocorre em regiões de latitudes elevadas, próximas aos círculos polares Ártico e Antártico, onde, por
causa da inclinação do eixo terrestre, os raios solares incidem de forma oblíqua e há grande variação na
duração do dia e da noite, e, consequentemente, na quantidade de radiação absorvida ao longo do ano.
É um clima de baixas temperaturas o ano inteiro, atingindo o máximo 10ºC nos meses de verão.

Clima Temperado
É apenas nas zonas climáticas temperadas e frias desta classificação que encontramos uma definição
clara das quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Há uma nítida distinção entre as
localidades que sofrem influência da maritimidade ou da continentalidade.

Clima Temperado Oceânico


A amplitude térmica é menor e a pluviosidade, maior.

Clima Temperado Continental


As variações de temperatura diária e anual são bastante acentuadas e os índices pluviométricos são
menores.

Clima Mediterrâneo
Regiões que apresentam esse clima têm verões quentes e secos, invernos amenos e chuvosos.

Clima Tropical
As áreas de clima tropical apresentam duas estações bem definidas: inverno, geralmente ameno e
seco, e verão, geralmente quente e chuvoso.

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Clima Equatorial
Ocorre na zona climática mais quente do planeta. Caracteriza-se por temperaturas elevadas (médias
mensais em torno de 25ºC), com pequena amplitude térmica anual, já que as variações de duração entre
o dia e a noite e de inclinação de incidência dos raios solares são mínimas. Quanto ao regime das chuvas,
o índice supera os 3000 mm/ano nas áreas mais chuvosas e cai para 1500 mm/ano nas áreas menos
chuvosas.

Clima Subtropical
Característico das regiões localizadas em médias latitudes, como Buenos Aires, por exemplo, nas
quais já começam a se delinear as quatro estações do ano. Tem chuvas abundantes e bem distribuídas,
verões quentes e invernos frios, com significativa amplitude térmica anual.

Clima Desértico ou Árido


Por causa da falta de umidade, caracteriza-se por elevada amplitude térmica diária e sazonal. Os
índices pluviométricos são inferiores a 250 mm/ano.

Clima Semiárido
Clima de transição, caracterizado por chuvas escassas e mal distribuídas ao longo do ano. Ocorre
tanto em regiões tropicais, onde as temperaturas são elevadas o ano inteiro, quanto em zonas
temperadas, onde os invernos são frios.

Climas no Brasil

Por possuir 92% do território na Zona Intertropical do planeta, grande extensão no sentido norte-sul e
litoral com forte influência das massas de ar oceânicas, o Brasil apresenta predominância de climas
quentes e úmidos. Em apenas 8% do território, ao sul do trópico de Capricórnio, ocorre o clima subtropical,
que apresenta maior variação térmica e estações do ano mais bem definidas.
Como podemos observar nos mapas abaixo, cinco massas de ar atuam no território brasileiro:

Brasil: Massas de Ar no Verão

https://suburbanodigital.blogspot.com/2016/02/mapa-das-massas-de-ar-que-atuam-no-brasil-no-verao.html

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Brasil: Massas de Ar no Inverno

https://suburbanodigital.blogspot.com/2016/02/mapa-das-massas-de-ar-que-atuam-no-brasil-no-inverno.html

Note que as massas de ar equatoriais e tropicais têm sua ação atenuada no inverno em razão do
avanço da Massa Polar Atlântica.

Massa Equatorial Atlântica (mEa): quente e úmida;


Massa Equatorial Continental (mEc): quente e úmida (apesar de continental, é úmida por se originar
na Amazônia);
Massa Tropical Atlântica (mTa): quente e úmida;
Massa Tropical Continental (mTc): quente e seca;
Massa Polar Atlântica (mPa): fria e úmida.

Existem vários mapas de classificação climática, elaborados com diferentes critérios. A classificação
climática representada no mapa a seguir foi elaborada pelo IBGE. Ela foi organizada com base na
medição sistemática da temperatura e nos índices pluviométricos em estações meteorológicas
espalhadas pelo país.

https://slideplayer.com.br/slide/3796349/

Questões

01. (DPE/AM – Assistente Técnico de Defensoria – FCC/2018) Em virtude do tamanho do território


brasileiro são identificados diversos tipos de climas. O tipo de clima que se caracteriza por temperaturas
elevadas em boa parte do ano, com média de 24 °C, amplitude térmica que oscila entre 5 °C e 6 °C ao

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ano e quantidade de chuvas gira em torno de 1.500 mm ao ano, com duas estações bem definidas: uma
seca (maio a setembro) a outra chuvosa (outubro a abril) é o clima
(A) Equatorial
(B) Tropical
(C) Tropical úmido
(D) Semiárido
(E) Subtropical

02. (CRQ/19R/PB – Coordenador Administrativo – Educa/2017) O extenso território brasileiro, a


diversidade de formas de relevo, a altitude e dinâmica das correntes e massas de ar, possibilitam uma
grande diversidade de climas no Brasil.
Dentre as características dos climas do Brasil é CORRETO afirmar que:
I. O Clima Semiárido está presente, principalmente, no sertão nordestino, caracteriza-se pela baixa
umidade e pouquíssima quantidade de chuvas. As temperaturas são altas durante quase todo o ano.
II. Clima Subtropical apresenta médias de temperaturas mais baixas que o clima tropical, ficando entre
15º e 22º C. Este clima é predominante nas partes altas do Planalto Atlântico do Sudeste, estendendo-se
pelo centro de São Paulo, centro-sul de Minas Gerais e pelas regiões serranas do Rio de Janeiro e Espírito
Santo.
III. Clima Equatorial encontra-se na região da Amazônia. As temperaturas são elevadas durante quase
todo o ano. Chuvas em grande quantidade, com índice pluviométrico acima de 2500 mm anuais.
Está(ão) CORRETAS:
(A) I apenas.
(B) I e II apenas.
(C) III apenas.
(D) I e III apenas.
(E) II e III apenas.

Gabarito

01.B / 02.D

Comentários

01. Resposta: B
O clima tropical influencia grande parte do centro do país, especialmente os estados do Centro-Oeste,
incluindo ainda partes do Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia e Minas Gerais. Em geral, as temperaturas são
elevadas em boa parte do ano, com média de 24°C, e a amplitude térmica oscila entre 5°C e 6°C ao ano.
A quantidade de chuvas gira em torno de 1 500 mm ao ano, com duas estações bem definidas: uma seca
(maio a setembro) e outra chuvosa (outubro a abril).

02. Resposta: D
O clima subtropical é o único domínio climático brasileiro que se encontra fora da faixa tropical, ou
seja, localizado ao sul do Trópico de Capricórnio. É possível encontrá-lo no sul do estado de São Paulo
e nos três estados da região sul do país.

BIOMAS E FORMAÇÕES VEGETAIS12

As formações vegetais são tipos de vegetação facilmente identificáveis na paisagem e que ocupam
extensas áreas. É o elemento mais evidente na classificação dos biomas. Estes, por sua vez, são
sistemas em que solo, clima, relevo, fauna e demais elementos da natureza interagem entre si formando
tipos semelhantes de cobertura vegetal, como as Florestas Tropicais, as Florestas Temperadas, as
Pradarias, os Desertos e as Tundras. Em escala planetária, os biomas são unidades que evidenciam
grande homogeneidade nas características de seus elementos.
Assim, há Florestas Tropicais na América, África, Ásia e Oceania que, embora semelhantes, possuem
comunidades ecológicas com exemplares distintos. Alguns desses exemplares são chamados de
endêmicos, ou seja, não ocorrem em nenhuma outra área do mundo. Entre outros fatores, isso se explica

12 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.

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pela separação dos continentes: o afastamento físico fez com que as espécies vivessem evoluções
paralelas, apesar de distintas, processo que é chamado especiação.
As plantas e os animais de um mesmo bioma não estão presentes, necessariamente, em diferentes
regiões do planeta. Exemplo: o chimpanzé é encontrado na Floresta Tropical de Uganda, mas não
compõe a fauna das Florestas Tropicais sul-americanas. Por outro lado, várias espécies endêmicas de
nosso continente não são encontradas nas florestas africanas, como é o caso do mico-leão-dourado,
originário da Mata Atlântica brasileira.

Principais Características das Formações Vegetais

A formação vegetal é o elemento mais evidente na classificação dos ecossistemas e biomas, por isso,
e dependendo da escala utilizada em sua representação, são feitas grandes generalizações.
Os elementos climáticos, em especial a temperatura e a umidade, são determinantes para o tipo de
vegetação de uma área. Eles definem diversas características das plantas, necessárias à adaptação aos
diferentes climas. Com base nessas características é possível classificar as plantas em:
Perenes (do latim perene, “perpétuo, imperecível”): plantas que apresentam folhas durante o ano todo;
Caducifólias, decíduas (do latim deciduus, “que cai, caduco”) ou estacionais: plantas que perdem
as folhas em épocas muito frias ou secas do ano;
Esclerófilas (do grego sklerós, “duro, seco, difícil”): plantas com folhas duras, que têm consistência
de couro (coriáceas);
Xerófilas (do grego xêrós, “seco, descarnado, magro”): plantas adaptadas à aridez;
Higrófilas (do grego hygrós, “úmido, molhado”): plantas, geralmente perenes, adaptadas a muita
umidade;
Tropófilas (do grego tropos, “volta, giro”): plantas adaptadas a uma estação seca e outra úmida;
Aciculifoliadas (do latim acicula, “alfinete, agulhinha”): possuem folhas em forma de agulhas, como
os pinheiros. Quanto menor a superfície das folhas, menos intensa é a transpiração e maior é a retenção
de água pela planta;
Latifoliadas (do latim lato, “lrgo, amplo”): plantas de folhas largas, que permitem intensa transpiração;
são geralmente nativas de regiões muito úmidas.
Os índices termopluviométricos, associados a outros fatores de variação espacial menor e que também
influem no tipo de vegetação, como maior ou menor proximidade de curso de água, os diferentes tipos de
solo, a topografia e as variações de altitude, determinam a existência de diferentes ecossistemas não
contemplados nos mapas-múndi. Todas as formações vegetais têm grande importância para a
preservação dos variados biomas e ecossistemas da Terra.

Cobertura Vegetal Original

Tundra
Vegetação rasteira, de ciclo vegetativo extremamente curto. Por encontrar-se em regiões subpolares,
desenvolve-se apenas durante os três meses de verão, nos locais onde ocorre o degelo. Um exemplo
disso é o rio na Groelândia que se forma nessa estação, com o derretimento da neve. As espécies típicas
são os musgos, nas baixadas úmidas, e os líquens, nas porções mais elevadas do terreno, onde o solo
é mais seco, aparecendo raramente pequenos arbustos.

Floresta Boreal (Taiga)


Formação florestal típica da Zona temperada. Ocorre nas altas latitudes do hemisfério norte, em
regiões de climas temperados continentais, como Canadá, Suécia, Finlândia e Rússia. Neste último país,
cobre mais da metade do território e é conhecida como Taiga. É uma formação bastante homogênea, na
qual predominam coníferas do tipo pinheiro. As coníferas são espécies adaptadas à ocorrência de neve
no inverno; são aciculifoliadas e com árvores em forma de cone, o que facilita o deslizamento da neve
por suas copas. Essa formação florestal foi largamente explorada para ser usada como lenha e para a
fabricação de papel e móveis. Atualmente, a madeira é obtida de árvores cultivadas (silvicultura).

Floresta Subtropical e Temperada


Esta formação florestal caducifólia, típica dos climas temperados e subtropicais, é encontrada em
latitudes mais baixas e sob maior influência da maritimidade. Estendia-se por grandes porções da Europa
centro-ocidental, mas por causa de atividades agropecuárias, atualmente subsiste na Ásia, na América
do Norte e em pequenas extensões da América do Sul e da Oceania. Na Europa, restam apenas
pequenas extensões, com a floresta Negra, na Alemanha, e a floresta de Sherwood, na Inglaterra.

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Floresta Equatorial e Tropical
Nas regiões tropicais quentes e úmidas, encontramos florestas que se desenvolvem graças aos
elevados índices pluviométricos. São, por isso, formações higrófilas e latifoliadas, extremamente
heterogêneas, que se localizam em baixas latitudes na América, na África e na Ásia. Nessas regiões
predominam climas tropicais e equatoriais e espécies vegetais de grande e médio portes, como o mogno,
o jacarandá, a castanheira, o cedro, a imbuia e a peroba, além de palmáceas, arbustos, briófitas e
bromélias. As Florestas Tropicais possuem a maior biodiversidade do planeta, com muitas espécies ainda
desconhecidas.

Mediterrânea
Desenvolve-se em regiões de clima mediterrâneo, que apresentam verões quentes e secos e invernos
amenos e chuvosos. É encontrada em pequenas porções da Califórnia (Estados Unidos, onde é
conhecida como Chaparral), do Chile, da África do Sul e da Austrália. As maiores ocorrências estão no
sul da Europa, onde foi largamente desmatada para o cultivo de oliveiras (espécie nativa dessa formação
vegetal) e videiras (nativas da Ásia), e norte da África.

Pradarias
Compostas basicamente de gramíneas, são encontradas principalmente em regiões de clima
temperado continental. Desenvolvem-se na Rússia e Ásia central, nas Grandes Planícies norte-
americanas, nos Pampas argentinos, no Uruguai, na região Sul do Brasil e na Grande Bacia Artesiana
(Austrália). Muito usada como pastagem, essa formação é importante por enriquecer o solo com matéria
orgânica.

Estepes
Nessas formações a vegetação é herbácea, como nas Pradarias, porém mais esparsa e ressecada.
As Estepes desenvolvem-se em uma faixa de transição entre climas tropicais e desérticos, como na região
do Sahel, na África, e entre climas temperados e desérticos, como na Ásia central. Essa vegetação foi
muito degradada por atividades econômicas, como o pastoreio.

Deserto
Bioma cujas espécies vegetais estão adaptadas à escassez de água em regiões de índice
pluviométrico inferior a 250 mm anuais, como nos desertos da América, África, Ásia e Oceania. Apresenta
espécies vegetais xerófilas, destacando-se as cactáceas. Algumas dessas plantas são suculentas
(armazenam água no caule) e não possuem folhas ou evoluíram para espinhos, reduzindo a perda de
água pela evapotranspiração. No Saara, em lugares em que a água aflora à superfície, surgem os oásis.

Savana
Em regiões onde o índice de chuvas é elevado, porém concentrado em poucos meses do ano, podem
desenvolver-se as Savanas, formação vegetal complexa que apresenta estratos arbóreo, arbustivo e
herbáceo. As Savanas são encontradas em grandes extensões da África, na América do Sul (no Brasil,
corresponde ao domínio dos Cerrados) e em menores porções na Austrália e na Índia. Sua área de
abrangência tem sido muito utilizada para a agricultura e a pecuária, o que acentuou sua devastação,
como tem ocorrido no Brasil central. No continente africano, esse bioma abriga animais de grande porte,
como leões, elefantes, girafas, zebras, antílopes e búfalos.

Vegetação de Altitude
Em regiões montanhosas há uma grande variação altitudinal da vegetação. À medida que aumenta a
altitude e diminui a temperatura, os solos ficam mais rasos e a vegetação, mais esparsa. Nessas
condições, surgem as florestas nas áreas mais baixas e, nas mais altas, os campos de altitude.

A Vegetação e os Impactos do Desmatamento

Impacto ambiental é um desequilíbrio provocado pela ação dos seres humanos sobre o meio ambiente
ou por acidentes naturais, como a erupção de um vulcão (que pode provocar poluição atmosférica), o
choque de um meteoro (destruição de espécies animais e vegetais), um raio (incêndio numa floresta),
etc.
Quando os ecossistemas sofrem impactos ambientais, geralmente a vegetação é o primeiro elemento
a ser atingido, pois é reflexo das condições naturais de solo, relevo e clima do lugar em que ocorre.

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Atualmente, todas as formações vegetais, em maior ou menor grau, encontram-se modificadas. Em
muitos casos, sobraram apenas alguns redutos em que a vegetação original é encontrada, nos quais,
embora com pequenas alterações, ainda preserva suas características principais. Essa devastação deve-
se basicamente a interesses econômicos.
A primeira consequência do desmatamento é o comprometimento da biodiversidade, por causa da
diminuição ou, muitas vezes, da extinção de espécies vegetais e animais, muitas delas ainda nem
descobertas e estudadas.
Na Floresta Amazônica, há uma grande quantidade de espécies endêmicas. Parte desse patrimônio
genético é conhecida pelas várias etnias indígenas que ali habitam. No entanto, a maioria dessas
comunidades nativas está sofrendo um processo de integração à sociedade urbano-industrial que tem
levado à perda do patrimônio cultural desses povos, dificultando a preservação dos seus conhecimentos.
Outro ponto importante que afeta os interesses nacionais dos países onde há florestas tropicais, incluindo
o Brasil, é a biopirataria, por meio da qual muitas empresas assumem práticas ilegais para garantir o
direito de explorar, futuramente, uma possível matéria-prima para a indústria farmacêutica e de
cosméticos, entre outras.
No Brasil, os incêndios ou queimadas de florestas, que consomem uma quantidade incalculável de
biomassa13 todos os anos, são provocados para o desenvolvimento de atividades agropecuárias, muitas
vezes em grandes projetos que recebem incentivos governamentais e, portanto, sob o amparo da lei.
Podem também ser resultado de práticas criminosas ou ainda de acidentes, incluindo naturais.
As consequências socioambientais das interferências humanas em regiões de florestas são várias.
Uma das principais é o aumento do processo erosivo, o que leva a um empobrecimento dos solos,
podendo ampliar ou formar áreas desertificadas em regiões de clima árido, semiárido e subúmido.
Biomas e Formações Vegetais do Brasil

Nosso país apresenta grande variedade de ecossistemas. Essa variedade relaciona-se à grande
diversidade da fauna e da flora brasileiras, das quais muitas espécies são nativas do Brasil, como a
jabuticaba, o amendoim, o abacaxi e a castanha-do-pará. No entanto, esses ecossistemas já sofreram
grandes impactos negativos desde o início da colonização, com o desenvolvimento das atividades
econômicas e a consequente ocupação do território, como se pode constatar ao comparar os dois mapas
abaixo.

Brasil: vegetação nativa

http://www.inf.furb.br/sisga/educacao/ensino/mapaVegetacao.php

Brasil: retratação da vegetação e da cobertura atual14

13 Biomassa é a quantidade total de matéria viva de um ecossistema, geralmente expressa em massa por unidade de área ou de volume.
14 Em geografia e ecologia, a antropização é a conversão de espaços abertos, paisagens e ambientes naturais pela ação humana.

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https://www.nerdprofessor.com.br/mapa-vegetacao-do-brasil/

Características das Formações Vegetais Brasileiras

As principais formações vegetais no território brasileiro são:


Floresta Amazônica (floresta pluvial equatorial): é a maior floresta tropical do mundo, totalizando
cerca de 40% das florestas pluviais tropicais do planeta. No Brasil, ela se estende por 3,7 milhões de km²
e 10% dessa área constitui unidades de conservação. Cerca de 15% da vegetação da Floresta Amazônica
foi desmatada, sobretudo a partir da década de 1970 com a construção de rodovias e a instalação de
atividades mineradoras, garimpeiras, agrícolas e de exploração madeireira. Em razão do predomínio das
planícies e dos planaltos de baixa altitude, a topografia não provoca modificações profundas na fisionomia
da floresta, que apresenta três estratos de vegetação:
→ Caaigapó (do tupi-guarani, “mata molhada”) ou igapó: desenvolveu-se ao longo dos rios, numa
área permanentemente alagada. Em comparação com os outros estratos da floresta é o que possui
menos quantidade de espécies e é constituído por árvores de menor porte, incluindo palmeias e plantas
aquáticas, destacando-se a vitória-régia;
→ Várzea: área sujeita a inundações periódicas, com a vegetação de médio porte raramente
ultrapassando os 20 m de altura, como o pau-mulato e a seringueira. Como se situa entre a matas de
igapó e de terra firme, possui características de ambas;
→ Caaetê (do tupi-guarani, “mata seca”) ou terra firme: área que nunca inunda, na qual se encontra
vegetação de grande porte, com árvores chegando aos 60 m de altura, como a castanheiro-do-pará e o
cedro. O entrelaçamento das copas das árvores forma um dossel que dificulta a penetração da luz,
propiciando um ambiente não exposto ao sol e úmido no interior da floresta.

Mata Atlântica (floresta pluvial tropical): originalmente cobria uma área de 1 milhão de km²,
estendendo-se ao longo do litoral desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul e alargando-se
para o interior em Minas Gerais e São Paulo. É um dos biomas mais importantes para a preservação da
biodiversidade brasileira e mundial, mas é também o mais ameaçado. Restam apenas 7%de sua área
original e, desses remanescentes, quatro quintos estão localizados em propriedades privadas. As
unidades de conservação abrangendo esse bioma constituem apenas 2%.

Mata de Araucárias ou Mata dos Pinhais (floresta pluvial subtropical): nativa do Brasil, é uma floresta
na qual predomina a araucária (Araucaria angustifolia), também conhecida como pinheiro-do-paraná ou
pinheiro brasileiro, espécie adaptada a climas de temperaturas moderadas a baixas no inverno, solos
férteis e índice pluviométrico superior a 1000 mm anuais. Nesse bioma é comum a ocorrência de erva-
mate, além de grande variedade de espécies valorizadas pela indústria madeireira, como os ipês.
Originariamente, essa floresta dominava vastas extensões dos planaltos da região Sul e pontos altos da
serra da Mantiqueira nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Foi desmatada,
sobretudo, para a retirada de madeira utilizada na fabricação de móveis.

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Mata dos Cocais: esta formação vegetal se localiza no estado do Maranhão, encravada entre a
Floresta Amazônica, o Cerrado e a Caatinga, caracterizando-se como mata de transição entre formações
bastante distintas. É constituída por palmeiras, com grande predominância do babaçu e ocorrência
esporádica de carnaúba; desde o período colonial, a região é explorada economicamente pelo
extrativismo de óleo de babaçu e cera de carnaúba. Atualmente, porém, vem sendo desmatada para o
cultivo de grãos destinados à exportação, com destaque para a soja.

Caatinga: vegetação xerófila, adaptada ao clima semiárido do Sertão nordestino, na qual predominam
arbustos caducifólios e espinhosos; ocorreram também cactáceas, como o xique-xique e o mandacaru. A
palavra “caatinga” significa, em tupi-guarani, “mata branca”, cor predominante da vegetação durante a
estação seca. No verão, em razão da ocorrência de chuvas, brotam folhas verdes e flores. Sua área
original era de 740 mil km², mas já teve 50% de sua área devastada e menos de 1% faz parte de unidades
de conservação.

Cerrado: originalmente cobria cerca de 2 milhões de km² do território brasileiro, mas cerca de 40% de
sua área foi desmatada. É constituído por vegetação caducifólia, predominantemente arbustiva, de raízes
profundas, galhos retorcidos e casca grossa (que dificulta a perda de água). Duas das espécies mais
conhecidas são o pequizeiro e o buriti. A vegetação próxima ao solo é composta de gramíneas, que
secam no período de estiagem. É uma formação adaptada ao clima tropical típico, com chuvas
abundantes no verão e inverno seco, desenvolvendo-se, sobretudo, no Centro-Oeste brasileiro e em
porções significativas do estado de Roraima. Nas regiões Sudeste e Nordeste do país aparecem em
manchas isoladas, cercadas por outro tipo de vegetação. Em regiões mais úmidas, essa formação se
torna mais densa e com árvores maiores, caracterizando o chamado “cerradão”.

Pantanal: estende-se, em território brasileiro, por 140 mil km² dos estados de Mato Grosso do Sul e
Mato Grosso, em planícies sujeitas a inundações. No Pantanal há vegetação rasteira, floresta tropical e
até mesmo vegetação típica do Cerrado nas regiões de maior altitude. Por isso caracteriza-se não como
uma formação vegetal, mas como um complexo que agrupa várias formações, com fauna muito rica. Esse
bioma vem sofrendo diversos problemas ambientais, decorrentes principalmente da ocupação em regiões
mais altas, onde nasce a maioria dos rios. A agricultura e a pecuária provocam erosão dos solos,
assoreamento e contaminação dos rios por agrotóxicos.
Campos Naturais: formações rasteiras ou herbáceas constituídas por gramíneas que atingem até 60
cm de altura. Sua origem pode estar associada a solos rasos ou temperaturas baixas em regiões de
altitude elevada, áreas sujeitas à inundação periódica ou ainda solos arenosos. Os campos mais
expressivos do Brasil localizam-se no Rio Grande do Sul, na chamada Campanha Gaúcha, apropriados
inicialmente como pastagem natural, atualmente são amplamente cultivados tanto dessa forma quanto
para a produção agrícola mecanizada. Destacam-se, ainda, os campos inundáveis da ilha de Marajó (PA)
e do Pantanal (MT e MS), utilizados, respectivamente, para criação de gado bubalino e bovino, além de
manchas isoladas na Amazônia, com destaque ao estado de Roraima, e nas regiões serranas do Sudeste.

Vegetação Litorânea: a restinga e os manguezais são consideradas formações vegetais litorâneas.


A restinga se desenvolve no cordão arenoso formado junto à costa, com predominância da vegetação
rasteira, chamada de pioneira por possibilitar a fixação do solo e permitir a ocupação posterior de arbustos
e algumas árvores. Os manguezais são nichos ecológicos responsáveis pela reprodução de grande
número de espécies de peixes, moluscos e crustáceos. Desenvolvem-se nos estuários, e a vegetação,
arbustiva e arbórea, é halófila (adaptada ao sal da água do mar), podendo apresentar raízes que, durante
a maré baixa, ficam expostas. As principais ameaças à preservação dessas formações vegetais são o
avanço da urbanização, a pesca predatória, a poluição dos estuários e o turismo desordenado,
incentivando a instalação de aterros.

Matas de Galeria (Ciliar) e Capão


Podemos encontrar pequenas formações florestais em meio a outros tipos de vegetação, tai como:
Mata de Galeria ou Mata Ciliar: tipo de formação vegetal que acompanha o curso de rios do Cerrado,
onde é muito frequente, e da Caatinga. Nas áreas próximas às margens dos rios perenes, o solo é
permanentemente úmido, criando condições para o desenvolvimento dessa mata, mais densa do que o
bioma onde está encravada.
Capão: em locais que correspondem a pequenas depressões, com baixos índices de chuvas, o nível
hidrostático (ou lençol freático) aflora ou chega muito próximo à superfície. Aí se desenvolvem os capões,
formações arbóreas geralmente arredondadas em meio à vegetação mais rala ou rasteira.

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Domínios Morfoclimáticos

Brasil: Domínios Morfoclimáticos

http://educacao.globo.com/geografia/assunto/geografia-fisica/dominios-morfoclimaticos.html

Em 1965, o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1924-2012) estabeleceu uma classificação dos domínios
morfoclimáticos brasileiros, na qual cada domínio corresponde a uma diferente associação das condições
de relevo, clima e vegetação. Assim, por exemplo, o domínio equatorial amazônico é formado por terras
baixas (relevo), florestadas (vegetação) e equatoriais (clima).

Legislação Ambiental e Unidades de Conservação

A expressão “meio ambiente” envolve todas as dimensões que tornam a vida das pessoas mais
saudáveis e equilibrada, como a qualidade do ar e o conforto acústico. Essa expressão, portanto, engloba
tanto o meio ambiente natural quanto o cultural.
A legislação brasileira relativa ao meio ambiente é ampla e bem elaborada. Os problemas ambientais
que observamos com frequência, amplamente divulgados pelos meios de comunicação, não resultam da
limitação da legislação, mas da ineficiência de ações educativas e de fiscalização.

Histórico das Leis Ambientais Brasileiras


Ao longo dos períodos colonial e imperial de nossa história, foram elaboradas algumas leis voltadas à
proteção do meio ambiente, mas elas tinham abrangência restrita, como a proteção ao pau-brasil e a
algumas espécies animais. Já no período republicano, em 1911, foi criada a primeira reserva florestal do
país, onde atualmente se encontra o estado do Acre; em 1921 foi criado o Serviço Florestal do Brasil, que
hoje é o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e em 1934 foi aprovada
a primeira versão do Código Florestal.
Durante o período da ditadura militar (1964-1985), foram criados projetos de ocupação humana e
econômica das regiões Norte e Centro-Oeste que provocaram grandes impactos negativos ao meio
ambiente. Esses projetos previam a expansão da agricultura e a criação de gado em áreas de floresta e
a prática de garimpo, mineração e extração de madeira, instituída com a abertura das rodovias de
integração.
Como os impactos, principalmente na Floresta Amazônica, trouxeram repercussão negativa em escala
mundial, em 1974 o governo brasileiro promoveu mudanças de estratégia, implantando ações de proteção
ambiental: combate à erosão, criação das Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental, metas
para o zoneamento industrial e criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente.
Em 1979, foi criado o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que instituiu, em 1981, a Política
Nacional do Meio Ambiente (PNMA, Lei nº 6.938). Essa lei promoveu um grande avanço ao apresentar
as bases para a proteção ambiental e conceituar expressões como “meio ambiente”, “poluidor”, “poluição”
e “recursos naturais”. A PNMA busca a preservação e a recuperação das áreas ambientalmente
degradadas, visando garantir condições de desenvolvimento social e econômico, e segurança nacional e
a proteção da dignidade da vida humana. A partir de sua publicação se instituiu que o meio ambiente é
um bem público a ser resguardado e protegido, em prol da coletividade.

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Em 1986, o Conama publicou uma resolução sobre o tema, em que se destaca a exigência de
elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), de caráter técnico e detalhista, e do seu respectivo
Relatório de Impacto Ambiental (Rima), menos detalhado e acessível aos que não são especialistas na
área. Esses dois documentos são necessários para o licenciamento e a autorização expedidos pelo Ibama
para a realização de qualquer obra ou atividade que provoque impactos ambientais.
Outro grande destaque na evolução do Direito Ambiental Brasileiro foi atingido com a Constituição
Federal de 1988, a primeira de nossa história a dedicar um capítulo ao esse tema e a incorporar o conceito
de desenvolvimento sustentável. Ela estabelece, no artigo 225, que “Todos tem direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
se ao poder público e à coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações”. O parágrafo terceiro desse mesmo artigo estipula que: “As condutas e atividades consideradas
lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”.
A previsão de sanções penais significa a criminalização das atividades prejudiciais ao meio ambiente,
o que foi regulamentado somente dez anos depois, em 1998, com a Lei nº 9.605. Conhecida como a Lei
dos Crimes Ambientais, ela define os crimes contra a fauna e aflora, além dos relacionados à poluição,
ao ordenamento urbano, ao patrimônio cultural e outros. Quem comete agressões ambientais como
desmatamento, poluição do ar ou de águas, ou falsificação de Relatório de Impacto Ambiental, é punido
com multa, proibição de exercício de certas atividades e até mesmo prisão.

Código Florestal
O Código Florestal foi criado em 1934 e reformulado duas vezes: em 1965 e em 2012 (Lei nº
12.561/12). Neste ano houve muitos embates entre ambientalistas, que queriam ampliar as áreas de
preservação e a obrigação de recompor o que foi desmatado irregularmente, e grandes proprietários, que
queriam autorização para ampliar as áreas de agricultura e pecuária sem recompor os biomas. Esta é
uma das mais importantes leis ambientais do país e estabelece a normas de ocupação e uso do solo em
todos os biomas brasileiros. Os incisos II e III do artigo 1º, parágrafo 2º, merecem destaque, pois definem
as áreas de preservação e as reservas legais:
Áreas de Preservação Permanente (APPs): só podem ser desmatadas com autorização do Poder
Executivo Federal e em caso de uso para utilidade pública ou interesse social, como a construção de uma
rodovia, por exemplo. São a margens de rios, lagos ou nascentes, várzeas, encostas íngremes, mangues
e outros ambientes. A principal função das APPs é preservar a disponibilidade de água, a paisagem, o
solo e a biodiversidade.
Reservas Legais: em cada um dos sete biomas brasileiros, os proprietários de terras são obrigados
a preservar uma parte da vegetação nativa. Na Amazônia, são obrigados a manter 80% da propriedade
com floresta nativa, índice que cai para 35% no Cerrado localizado dentro da Amazônia a 20% em todas
as demais regiões e biomas do país. É importante notar que o Código Florestal rege apenas as
propriedades que podem ser utilizadas para atividades agrícolas, e não se aplica, portanto, no interior das
unidades de conservação, como os parques e as reservas ecológicas.

As Unidades de Conservação
As unidades de conservação são doze áreas de preservação agrupadas conforme a restrição ao
uso. As unidades classificadas como de restrição total são denominadas Unidades de Proteção Integral,
como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, Rio de Janeiro, por exemplo. Aquelas
cujo nível de restrição é menor e têm uso voltado ao desenvolvimento cultural, educacional e recreacional
são denominadas Unidades de Uso Sustentável.

Unidades de Conservação conforme a Restrição ao Uso


Unidades de Proteção Integral Unidades de Uso Sustentável
Estação Ecológica Área de Proteção Ambiental
Reserva Biológica Área de Relevante Interesse Ecológico
Parque Nacional Floresta Nacional
Monumento Natural Reserva Extrativista
Refúgio de Vida Silvestre Reserva de Fauna
Reserva de Desenvolvimento Sustentável
Reserva Particular do Patrimônio Natural

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Existem unidades de conservação definidas pela Ibama em todos os biomas brasileiros, inclusive nos
biomas marinhos. Há também unidades de conservação mantidas por estados e até por municípios,
criadas por leis estaduais e municipais.
É importante destacar que a criação de leis, decretos e normas voltados à questão ambiental ao longo
da história brasileira é consequência do aumento da importância do tema no mundo e no Brasil. Essa
evolução deu-se de forma lenta, mas contínua. Esse processo foi influenciado pelas conquistas obtidas
em âmbito internacional nas diversas conferências mundiais voltadas ao meio ambiente, e parte da
sociedade civil brasileira cumpriu um importante papel ao pressionar os governos legisladores em aprovar
leis eficazes e incluir o tema na própria Constituição do país.

Objetivos das Unidades de Conservação


O Código Florestal, como várias outras leis que se seguiram, serviu de base para a criação do Sistema
Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, que têm como propósitos:
Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional
e nas águas jurisdicionais;
Proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;
Contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais;
Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
Promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de
desenvolvimento;
Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;
Proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica,
arqueológica, paleontológica e cultural;
Proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;
Recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;
Proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento
ambiental;
Valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;
Favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com
a natureza e o turismo ecológico;
Proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e
valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente.

Questões

01. (PC/ES – Perito – Instituto AOCP/2019) A respeito da caracterização ambiental dos biomas
brasileiros, é correto afirmar que
(A) as vegetações que mais caracterizam o bioma Mata Atlântica são a floresta ombrófila densa e a
floresta ombrófila aberta.
(B) o bioma pantanal possui formação vegetacional predominante do tipo savana, sendo um mosaico
de campos (31%), cerradão (22%), cerrado (14%), campos inundáveis (7%), floresta semidecídua (4%),
mata de galeria (2,4%) e tapetes de vegetação flutuante (2,4%).
(C) o bioma amazônico é composto por diversidade de formações florestais, como floresta ombrófila
(densa, mista e aberta), mata estacional semidecidual e estacional decidual, manguezais, restingas, entre
outros.
(D) o pampa é o segundo maior bioma do país e se caracteriza como uma formação do tipo savana
tropical, com destacada sazonalidade, apresentando fisionomias que englobam formações florestais,
savânicas e campestres.
(E) o bioma cerrado é um mosaico de arbustos espinhosos e florestas sazonalmente secas e, apesar
de ocupar uma região semiárida, é extremamente heterogêneo.

02. (PC/ES – Perito – Instituto AOCP/2019) Em relação à Legislação Ambiental Brasileira, assinale
a alternativa correta.
(A) Estação ecológica, reserva biológica, parque nacional e reserva de fauna são unidades de
conservação de uso sustentável.
(B) Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem em
ambiente natural ou cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros
naturais, são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou
apanha.

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(C) Entende-se por Amazônia Legal os Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá
e Mato Grosso.
(D) Considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas
do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas
que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as atividades
sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos
recursos ambientais.
(E) São instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos: o diagnóstico da situação atual dos
recursos hídricos, as prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos e as diretrizes e
critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos.

03. (ENEM) A Lei Federal nº 9.985/2000, que instituiu o sistema nacional de unidades de conservação,
define dois tipos de áreas protegidas. O primeiro, as unidades de proteção integral, tem por objetivo
preservar a natureza, admitindo-se apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, isto é, aquele que
não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais. O segundo, as unidades de uso
sustentável, tem por função compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela
dos recursos naturais. Nesse caso, permite-se a exploração do ambiente de maneira a garantir a
perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo-se a
biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável.
Considerando essas informações, analise a seguinte situação hipotética.
Ao discutir a aplicação de recursos disponíveis para o desenvolvimento de determinada região,
organizações civis, universidade e governo resolveram investir na utilização de uma unidade de proteção
integral, o Parque Nacional do Morro do Pindaré, e de uma unidade de uso sustentável, a Floresta
Nacional do Sabiá. Depois das discussões, a equipe resolveu levar adiante três projetos:
→ o projeto I consiste de pesquisas científicas embasadas exclusivamente na observação de animais;
→ o projeto II inclui a construção de uma escola e de um centro de vivência;
→ o projeto III promove a organização de uma comunidade extrativista que poderá coletar e explorar
comercialmente frutas e sementes nativas.
Nessa situação hipotética, atendendo-se à lei mencionada acima, é possível desenvolver tanto na
unidade de proteção integral quanto na de uso sustentável:
(A) apenas o projeto I.
(B) apenas o projeto III.
(C) apenas os projetos I e II.
(D) apenas os projetos II e III.
(E) todos os três projetos.

Gabarito

01.B / 02.D / 03.A

Comentário

01. Resposta: B
O Pantanal estende-se em planícies sujeitas a inundações. Há vegetação rasteira, floresta tropical e
até mesmo vegetação típica do Cerrado nas regiões de maior altitude. Por isso caracteriza-se não como
uma formação vegetal, mas como um complexo que agrupa várias formações, com fauna muito rica.

02. Resposta: D
Impacto ambiental é um desequilíbrio provocado pela ação dos seres humanos sobre o meio ambiente
ou por acidentes naturais.

03. Resposta: A
O projeto envolve apenas observação de animais por pequena quantidade de pesquisadores e não
provoca consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais, sendo, portanto, o único permitido
em Unidades de Proteção Integral. Os projetos II e III compatibilizam a conservação da natureza com o
uso sustentável de parcela dos recursos naturais, sendo permitidos apenas em Unidades de Usos
Sustentável.

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QUESTÕES AMBIENTAIS DO PLANETA15

Os Problemas Ambientais: A Degradação Ambiental e seus Impactos

Como introdução ao conteúdo de problemas ambientais mundiais, iniciemos observando a seguinte


manchete:
“As marcas da destruição do planeta - Nações Unidas radiografam em quinze fotos, a saúde da
Terra e advertem que os Estados não estão no caminho certo para cumprir os principais tratados
internacionais sobre meio ambiente”. (https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/13/album/1552476582_773089.html#foto_gal_5)
Vamos observar abaixo as fotos chocantes e suas legendas:

1) Caranguejo preso em um copo de plástico no mar na Passagem de Isla Verde, nas Filipinas, em 7
de março de 2019.

2) Algumas vacas atravessando a lagoa seca de Aculeo, em Paine (Chile), em 9 de janeiro de 2019.

3) Poluição causada por veículos em uma rua em Nova Delhi (Índia), em 14 de novembro de 2017.

4) Cão sobre uma montanha de lixo em Nova Delhi (Índia), em 5 de março de 2019.

15 TAMDJIAN, James Onning. Geografia: estudos para compreensão do espaço. 2ª edição. São Paulo: FTD, 2013.

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5) Casal junto a seus animais, resgatados de uma inundação em Burgaw, Carolina do Norte (Estados
Unidos), em 17 de setembro de 2018.

6) Chaminés de uma refinaria de petróleo no estado de Utah (Estados Unidos), em 10 de dezembro


de 2018.

7) Voluntários limpando a baía de lixo de Lampung em Sumatra, em 21 de fevereiro de 2019.

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8) Edifícios envoltos por uma nuvem de poluição em Seul (Coréia do Sul), em 6 de março de 2019.

9) Grupo de trabalhadores protegendo-se da poluição com máscaras durante uma manifestação em


Seul (Coreia do Sul) em 6 de março de 2016.

10) Vista aérea de uma área desmatada da floresta amazônica, no sudeste do Peru, causada pela
mineração ilegal, em 19 de fevereiro de 2019.

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11) Bombeiros tentando apagar um incêndio na aldeia grega de Kineta, em 24 de julho de 2018.

12) Vista aérea da ponte ferroviária derrubada por um deslizamento de terra após o colapso, em 25 de
janeiro de 2019, de uma barragem em uma mina de minério de ferro em Brumadinho, Minas Gerais.

13) Restos mortais de um urso polar morto como resultado da falta de comida devido à mudança
climática, fotografado em julho de 2013, no oeste de Svalbard (Groenlândia).

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14) Vista aérea do desaparecimento do mar de Aral em 2018, no Uzbequistão.

15) Mergulhadores nadando em uma cama de corais mortos na Ilha Tioman da Malásia, em 2018.

Feita a análise das fotos acima, podemos concluir que a humanidade está diante de uma terrível crise
ambiental.
O modelo de desenvolvimento econômico calcado no avanço do industrialismo, no consumismo
desenfreado e na exploração cada vez mais intensa dos recursos naturais do planeta tem levado tanto
ao agravamento quanto ao surgimento de novos problemas ambientais.
Diante dos problemas ambientais existentes no passado, os sintomas da crise ambiental
contemporânea adquiriram proporções jamais alcançadas, atingindo, inclusive, as áreas mais remotas e

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inóspitas do planeta, como as regiões polares, que já sofrem os efeitos das alterações climáticas
desencadeadas pela intensa poluição atmosférica.
Esse exemplo do derretimento das geleiras polares no Ártico, decorrente do aquecimento atmosférico
global, nos revela também outra face da problemática ambiental contemporânea, em que os problemas
ambientais deixaram de se restringir no âmbito local ou regional para se tornarem questões de ordem
planetária.

As Origens dos Problemas Ambientais

Desde a Antiguidade, o ambiente é um tema discutido pelas sociedades. Na Grécia antiga, por
exemplo, os filósofos já debatiam sobre qual era a essência de tudo o que existe no mundo, especialmente
da água, da terra, do fogo e do ar.
As poucas, mas significativas, descobertas feitas por eles levaram-nos a acreditar que a Terra era
perfeitamente harmônica, concebida por algo divino e de extrema inteligência.
Aristóteles (c. 485 a.C-420 a.C.), um dos maiores pensadores gregos, defendia que todas as coisas
na Terra, vivas e não vivas (como as rochas), tinham uma profunda ligação entre si e até mesmo uma
essência comum, sendo úteis para a sobrevivência. Pouco a pouco se desenvolveu a ideia de que a Terra
é um gigantesco ser vivo.
Na Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX), o ambiente passou a ser tratado isoladamente, como
se fosse um conjunto de elementos que não tinham nenhuma relação com a sociedade e existiam apenas
para atender às suas necessidades.
Dentro desse contexto histórico, com suas características sociais, econômicas e políticas, os
interesses econômicos privados tomaram-se explícitos e prevaleceram sobre qualquer alerta de
problemas ambientais que poderiam surgir em longo prazo.
De meados do século XIX até os nossos dias, ocorreu um verdadeiro saque aos recursos naturais e
uma destruição de muitos elementos da natureza.

A Sociedade de Consumo
Vivemos em uma sociedade marcada e dominada pela lógica do consumo. Todos os seus
componentes, jovens, adultos e idosos, sejam eles ricos ou pobres, estão inseridos nesse contexto.
Grande parte dos meios de comunicação faz uma ligação entre o consumo e o prazer. São centenas
de milhares de produtos apresentados como necessários para se alcançar a felicidade.
É cada vez mais comum observarmos que o ato de consumir é colocado como uma das formas que
permite ao cidadão ou ao indivíduo sentir-se inserido na sociedade.
A expansão acelerada do consumismo acarreta alta demanda de energia, minérios, água e tudo o que
é necessário à produção e ao funcionamento dos bens de consumo. Esse padrão vem se difundindo em
todo o globo, por uma espécie de globalização do consumo, que vem crescendo a cada ano.
Extensos estudos feitos pela ONU, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,
alertam para a velocidade de utilização dos recursos naturais, que já é muito maior que a capacidade de
regeneração da natureza, uma vez que a reposição de alguns elementos é impossível, pois a escala de
tempo para a sua formação é milhões de vezes maior que a da vida média dos seres humanos.

O Consumo e seus Impactos no Espaço Urbano


O consumo crescente também altera a paisagem urbana. As melhores áreas e as mais centrais, ou
ainda com melhor acessibilidade, normalmente são dominadas pelo setor comercial, gerando uma
hipervalorizarão dos imóveis em seu entorno.
Essa especulação imobiliária nos grandes centros urbanos empurrou e ainda empurra um grande
número de trabalhadores para locais distantes dos seus postos de trabalho. Quanto maiores forem os
deslocamentos, maiores serão os custos de transporte e a poluição gerada.
Um exemplo disso é a produção de veículos, que por sua vez está atrelada à produção de aço,
petróleo, ferramentas e máquinas. Em uma sociedade de consumo, o investimento em transporte deve
se manter vinculado à produção de mercadorias a serem transportadas. Portanto, mais consumo, maior
produção; maior produção, mais transportes; mais transportes, maior emissão de poluentes.
Por fim, a produção de energia deve também acompanhar o crescimento de todas essas atividades
econômicas, o que demanda também maior produção de equipamentos. Note, portanto, que estamos
praticamente em um ciclo vicioso.

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O Desenvolvimento Sustentável

Apesar de relativamente recente, a ideia de desenvolvimento sustentável vem ganhando espaço com
o desenvolvimento das relações internacionais intensificadas pelo aumento das trocas comerciais,
principalmente nos últimos 200 anos.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é que essas preocupações ganharam relevância.
Uma das principais razões para isso foi a tragédia das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki (1945),
que mataram centenas de milhares de pessoas. Ao deixar um rastro de radioatividade, as bombas
ampliaram muito as ocupações ambientais de uma considerável parcela da população mundial.
Com a criação da ONU, em 1945, as relações internacionais passaram por uma mudança que também
atingiu a questão ambiental. Em 1949 ocorreu a conferência das Nações Unidas para a Conservação e
Utilização dos Recursos (Unscur), em Nova York.
Em 1968, intelectuais, empresários e líderes políticos criaram uma organização voltada ao debate
sobre o futuro da humanidade, o chamado Clube de Roma, que financiava pesquisas para publicação de
relatórios importantes.
Em 1972 eles lançaram o relatório Limites do crescimento, em conjunto com cientistas do
Massachusetts Institute of Technology (MIT). Esse relatório gerou muita polêmica, pois basicamente
afirmava que, se continuassem os ritmos de crescimento da população, da utilização dos recursos
naturais e da poluição, a humanidade correria sérios riscos de sobrevivência no final do século XXI.

Um Novo Patamar de Discussões a partir de 1972


Em 1972, a ONU organizou a Conferência de Estocolmo, conhecida também como a Primeira
Conferência Internacional para o Meio Ambiente Humano.
Já se sabia que a economia do planeta consumia um volume cada vez maior de combustíveis fósseis
e recursos não renováveis, lançando bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, criando
assim, uma grande instabilidade climática.
Era preciso reduzir o impacto das atividades econômicas, mas, para isso, fazia-se necessário reduzir
o consumo e o desperdício. Começava, então, uma corrida para se atingir o desenvolvimento sustentável.
Efetivamente, poucos avanços foram conseguidos ao final desse encontro em 1972. Porém, a
sensibilização das lideranças da comunidade internacional acabou levando a ONU a criar, naquele
período, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, conhecida pela sigla Pnuma.
No entanto, tanto os países em desenvolvimento quanto os muito pobres não estavam interessados
em abrir mão das vantagens do desenvolvimento econômico em nome da preservação ambiental. Assim,
como havia muitas discussões sem solução, foi adotado um primeiro conceito chamado
“ecodesenvolvimento16”.
Somente em 1987 o Pnuma divulgou o relatório Nosso futuro comum, sendo o primeiro grande
documento científico que apresentou com detalhes as causas dos principais problemas ambientais e
ecológicos.
A grande contribuição desse documento foi a popularização do chamado desenvolvimento
sustentável, como um aperfeiçoamento do ecodesenvolvimento.
Para atingir o desenvolvimento sustentável seria necessário:
→ A implantação de projetos econômicos baseados em tecnologias menos agressivas ao ambiente
como uma forma de ajuda ao combate das instabilidades e do subdesenvolvimento, que representavam
um risco para o equilíbrio ecológico, justamente pela falta de recursos para implementar as mudanças
necessárias;
→ O combate da pobreza humana, uma vez que populações desempregadas e desamparadas tendem
a retirar recursos da natureza de forma descontrolada para sua sobrevivência, incluindo assim, o conceito
de desenvolvimento social;
→ A tomada de decisões sobre os caminhos a serem tomados, com ampla participação da sociedade,
para que fossem revertidos em resultados positivos ao equilíbrio ambiental, incluindo assim, a
democracia.
Assim, definiu-se o conceito de desenvolvimento sustentável:
Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da geração presente sem
comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.

16O ecodesenvolvimento é um conjunto de ideias e procedimentos que dão prioridade ao processo criativo de transformação do meio em que vivemos, porém, com
a ajuda de técnicas ecologicamente corretas e que sejam adequadas a da um dos lugares. São as populações desses lugares que devem se envolver, se
organizar, utilizar os recursos naturais de forma prudente e procurar soluções que em a um futuro digno.

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Eco 92

Em junho de 1992, a ONU organizou na cidade do Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cnumad), que ficou conhecida como Cúpula da Terra ou Eco
92.
Entre os objetivos principais dessa conferência, destacaram-se:
→ Examinar a situação ambiental mundial desde 1972 e suas relações com o estilo de
desenvolvimento vigente;
→ Estabelecer mecanismos de transferência de tecnologias não poluentes aos países
subdesenvolvidos;
→ Incorporar critérios ambientais ao processo de desenvolvimento;
→ Prever ameaças ambientais e prestar socorro em casos emergenciais;
→ Reavaliar os organismos da ONU, eventualmente criando novas instituições para implementar as
decisões da conferência.
Abaixo vamos conhecer algumas resoluções e documentos importantes da ECO-92.

A Convenção do Clima
A Convenção do Clima atribuiu aos países desenvolvidos a responsabilidade pelas principais emissões
poluentes, dando a eles os encargos mais importantes no combate às mudanças do clima. Aos países
em desenvolvimento, concedeu-se a prioridade do desenvolvimento social e econômico, mantendo,
porém, a tarefa de controlar suas parcelas de emissões de poluentes na medida em que se
industrializassem. As recomendações da convenção foram:
→ Adotar políticas que promovessem eficiência energética e tecnologias mais limpas;
→ Reduzir as emissões do setor agrícola;
→ Desenvolver programas que protegessem os cidadãos e a economia contra possíveis impactos da
mudança do clima;
→ Apoiar pesquisas sobre o sistema climático;
→ Prestar assistência a outros países em necessidade;
→ Promover a conscientização pública sobre essa questão.
Infelizmente os acordos da Eco 92 ficaram apenas no plano das boas intenções.

A Convenção da Biodiversidade
Nessa convenção, estava prevista a transferência de parte dos recursos ou lucros obtidos com a
exploração e comercialização dos recursos naturais para o seu local de origem, que receberia esse
volume de dinheiro para aplicar em programas de preservação e de educação ambiental.
Esse tratado visava a favorecer o diálogo Norte-Sul, ou seja, as relações entre os países desenvolvidos
e as nações em desenvolvimento. Porém, muito pouco foi feito.
A evolução dos estudos genéticos levou a biotecnologia a adquirir a capacidade de alterar e reproduzir
organismos, como plantas e seres vivos em geral. Esse fato dotou os países ricos da possibilidade de
explorar produtos naturais e modificá-los geneticamente, adquirindo o direito de patentear tais espécies.
Isso abriu espaço para a biopirataria.

A Agenda 21
Esse documento, assinado pela comunidade internacional durante a Eco 92, assumiu compromissos
para a mudança do padrão de desenvolvimento no século XXI. Ou seja, a Agenda 21 procurou traduzir
em ações o conceito de desenvolvimento sustentável.
O termo "agenda" teve, nesse caso, o sentido de intenções, isto é, de propostas de mudanças, visando
a criar um modelo de civilização pelo qual sejam possíveis a convivência e a simultaneidade do equilíbrio
ambiental com a justiça social entre as nações.
A Agenda 21 buscava:
→ Geração de emprego e de renda;
→ Diminuição das disparidades regionais e interpessoais de renda;
→ Mudança nos padrões de produção e consumo;
→ Construção de cidades sustentáveis;
→ Adoção de novos modelos e instrumentos de gestão.
No entanto, para alcançar essas metas, era preciso mobilizar, além dos governos, todos os segmentos
da sociedade.

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Uma Nova Etapa Pós Eco 92: o Protocolo de Kyoto

Como estava previsto na Convenção do Clima, assinada durante a Eco 92, deveria ocorrer um novo
encontro internacional para se discutir a redução da emissão de gases responsáveis pelo aumento da
temperatura do planeta.
Tal reunião ocorreu em 1997, em Kyoto, no Japão, onde líderes de 160 nações assinaram um
compromisso que ficou conhecido como Protocolo de Kyoto.
Esse documento previa, entre 2008 e 2012, um corte de 5,2% nas emissões dos gases causadores
do efeito estufa, em relação aos níveis de 1990.
Para entrar em vigência, o Protocolo de Kyoto deveria ser ratificado por, no mínimo, 55 governos, que,
se somados, representariam no mínimo 55% das emissões de CO ² produzidas pelos países
industrializados. Essa porcentagem foi adotada para que os Estados Unidos, um dos maiores poluidores
do planeta, não pudesse impedir, sozinho, a adoção dessas medidas.

A Rio+10

Em 2002, mais uma vez a ONU tentou estabelecer ações globais para a melhoria da qualidade de
vida. Tal medida ficou conhecida como Rio+10, a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável,
que se realizou em Johanesburgo, na África do Sul. Os principais temas então abordados foram:
Clima e energia: foi estabelecido o uso de energias limpas, mas não foram determinadas as metas.
Por isso, os ambientalistas protestaram, afirmando que o texto permitia a inclusão da energia nuclear, já
que incentivava as energias avançadas;
Subsídio agrícola: segundo muitos críticos, a superficialidade do texto fortaleceu a OMC, controlada
pelos países ricos, e esvaziou o papel mediador da ONU;
Protocolo de Kyoto: desde o protocolo, pouco mudou, pois os países que não haviam assinado até
então, apenas prometeram que estudariam o caso (exceto os Estados Unidos, que até mesmo abandonou
a reunião antes de seu final);
Biodiversidade: decidiu-se reduzir o ritmo de desaparecimento de espécies em extinção e repassar
os recursos obtidos pela exploração de produtos naturais para seus locais de origem;
Água e saneamento: foi decidido que se devia aumentar o número de pessoas com acesso à água
potável. Os críticos afirmaram, porém, que o texto poderia ser mais específico quanto aos procedimentos
conjuntos a serem adotados;
Transgênicos: foram objeto de polêmica, pois as organizações supranacionais recomendaram que
regiões com fome crônica adotassem esses alimentos. Por outro lado, o mesmo documento dizia que os
países teriam o direito de rejeitar os transgênicos até o surgimento de estudos mais conclusivos;
Pesca e oceano: o tema constituiu a maior conquista da reunião, já que previa a criação de áreas de
proteção marinha e a abolição imediata de qualquer subsídio à atividade pesqueira irregular.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)

No fim dos anos 1980, aumentou-se a percepção de que as atividades humanas eram cada vez mais
prejudiciais ao clima do planeta. A ONU convocou cientistas do mundo todo para acompanhar esse
processo e, com a colaboração de 130 governos, criou-se o Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC).
O principal papel desse organismo foi o de criar relatórios e documentos para acompanhar a situação
ambiental do planeta e também o de fornecer essas informações para a Convenção do Quadro das
Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, órgão responsável por essas discussões.
Em 2007, o IPCC recebeu, junto com o ex-vice-presidente estadunidense AI Gore, o prêmio Nobel da
paz, pelo trabalho de divulgação e busca de conscientização sobre os riscos das mudanças climáticas.
Veja os principais alertas do IPCC:
→ A temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, nas próximas décadas, o que aumentaria a
intensidade de tufões e secas, ameaçaria um terço das espécies do planeta e provocaria epidemias e
desnutrição;
→ O derretimento das camadas polares poderia fazer com que os oceanos se elevassem entre 18 e
58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e, assim, obrigando centenas de milhares de
pessoas a aumentar o fluxo dos chamados "refugiados ambientais".

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A Conferência de Copenhague

Em dezembro de 2009, realizou-se em Copenhague, Dinamarca, a Cop-15 (Conferência da ONU sobre


Mudanças do Clima), tendo como princípio norteador, as responsabilidades comuns, porém
diferenciadas. Mas o que seria isso?
Os países industrializados, que historicamente foram os primeiros a lançar uma quantidade maior de
CO² e outros gases de efeito estufa na atmosfera, teriam uma responsabilidade maior no corte de
emissões. Acreditava-se que eles fossem assumir plenamente uma meta de 25 a 40% de redução até
2020. Os países emergentes seguiriam o mesmo caminho, mas com outras metas.

A Rio+20

Em 2012, o Rio de Janeiro foi sede de um evento para marcar o 20º aniversário da Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento do meio Ambiente, realizada em 1992, conhecida como Rio 92.
O encontro foi popularmente chamado de Rio+20.
A meta principal foi fazer um balanço dos últimos anos na busca de um modelo econômico baseado
no desenvolvimento sustentável. Uma das principais resoluções foi transformar o Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência da ONU, como por exemplos, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) ou a Organização Mundial do Comércio (OMC), o que lhe daria mais poderes
e recursos.
Um exemplo de avanço na Rio+20 foram acordos para a redução da emissões de gases causadores
de efeito estufa.

Os Principais Problemas Ambientais do Planeta

Poluição Atmosférica
A poluição do ar consiste no lançamento e acúmulo de partículas sólidas e gases tóxicos que se
concentram na atmosfera terrestre alterando suas características físico-químicas.
De maneira geral, os poluentes atmosféricos podem ser produzidos por fontes primárias ou
secundárias.
Os poluentes primários são aqueles liberados diretamente das fontes de emissão, como os gases que
provém de queimadas em florestas ou da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão), lançados
do escapamento dos veículos automotores e também das chaminés das fábricas, entre eles, monóxido
de carbono (CO), dióxido de carbono (CO²), dióxido de enxofre (SO²) e metano (CH4).
Os poluentes secundários, por sua vez, são aqueles formados na atmosfera a partir de reações
químicas entre poluentes primários e componentes naturais da atmosfera, como o ácido sulfúrico
(H²SO4), ácido nítrico (HNO³) e ozônio (O³). A esses poluentes somam-se ainda materiais particulados
que abrangem um grande conjunto de poluentes formados por poeiras, fumaças, materiais sólidos e
líquidos, que se mantêm suspensos na atmosfera.
Desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, o nível de poluentes na atmosfera
terrestre vem aumentando exponencialmente com o avanço da industrialização, dos meios de transportes
e demais atividades econômicas que se desenvolvem apoiadas na queima de combustíveis fósseis.
Milhares de toneladas de gases poluentes são lançados todos os dias na atmosfera terrestre,
desencadeando uma série de problemas ambientais, com impactos que ocorrem tanto em escalas local
e regional (como o fenômeno das inversões térmicas e das chuvas ácidas) quanto em escala global (como
a diminuição da camada de ozônio e a ocorrência do efeito estufa).
A alta concentração de poluentes no ar forma uma camada de partículas em suspensão, parecida com
uma neblina, conhecida como smog, fazendo com que a visibilidade diminua. Também causa muitos
problemas de saúde, principalmente relacionados ao sistema respiratório e cardiovascular.
Em grandes centros urbanos dos países industrializados, é frequente os níveis de poluição do ar
ultrapassarem os limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses gases
poluentes são provenientes da queima de florestas e, em especial, de combustíveis fósseis (petróleo e
carvão). Os principais agentes poluidores são os veículos automotores e as indústrias, sobretudo as
termelétricas, siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e refinarias de petróleo.
Um exemplo disso é a população chinesa, que é aconselhada constantemente a usar máscara para
sair às ruas, evitar exercícios ao ar livre e, em dias críticos, é alertada a permanecer no interior de suas
casas, devido aos altos níveis de poluição do ar encontrados em diversas províncias do país. Foram
registradas milhares de mortes, principalmente na última década, decorrentes de problemas respiratórios
e cardiovasculares agravados pela poluição do ar.

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Inversão Térmica
Em condições normais, o ar presente na Troposfera 17 costuma circular em movimentos ascendentes,
o que ocorre em razão das diferenças de temperatura entre o ar mais aquecido e, portanto, mais leve,
nas camadas mais baixas, e o ar mais frio e mais denso, nas camadas mais elevadas.
Em regiões afetadas por intensa poluição atmosférica, como os grandes centros urbanos, a fuligem e
os gases poluentes lançados pelas chaminés das fábricas e pelo escapamento dos veículos automotores
tendem a se dispersar por meio dessas correntes ascendentes.
Em dias mais frios, com baixas temperaturas e pouco vento, típicos do outono e do inverno, a ausência
de corrente de ar dificulta a dispersão dos poluentes atmosféricos. Nessa situação, o ar em contato com
a superfície mais fria também se resfria, ficando aprisionado pela camada de ar mais quente acima, o que
impede a dispersão dos poluentes atmosféricos.

https://www.todamateria.com.br/inversao-termica/

Tem-se, assim, uma inversão da temperatura do ar atmosférico, a chamada inversão térmica,


fenômeno que pode ser observado na forma de uma faixa cinza-alaranjada no horizonte dos grandes
centros urbanos.

https://www.ecycle.com.br/4175-inversao-termica.html

Com a ausência dos ventos ascendentes, os poluentes atmosféricos deixam de dispersar e


concentram-se próximos à superfície, o que compromete a qualidade do ar e gera problemas de saúde
aos habitantes das grandes cidades.
Quando expostas aos altos índices de poluição, muitas pessoas apresentam sintomas como dores de
cabeça, coceira na garganta e irritação nos olhos, crises alérgicas e pulmonares, problemas que afetam
principalmente crianças e idosos, mais sensíveis à poluição.

As Mudanças Climáticas
A humanidade já passou por períodos mais quentes que o atual e por períodos muito frios também.
Dessa forma, muitos podem afirmar que as preocupações com o aquecimento são exageradas e que
a Terra vai passar por períodos de resfriamento tal qual já ocorreu.
Isso não é verdade. O problema está no fato de que se ampliou muito a emissão de CO ² na atmosfera
desde o início da Revolução Industrial.

17 A troposfera é a camada mais baixa da atmosfera terrestre, sendo a região em que vivemos e onde ocorrem os fenômenos meteorológicos.

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As fábricas e as indústrias usavam e ainda usam carvão mineral para gerar energia. Com o avanço
das tecnologias, o petróleo passou a ser usado também como matéria-prima e fonte de combustíveis para
muitos sistemas de transporte.
Apesar de a emissão de poluentes não ser igual em todos os países e de os mais industrializados
terem responsabilidade maior nesse processo, hoje já é possível afirmar que se trata de um problema
global.
Grandes quantidades de poluição produzidas em um lugar podem atingir outras localidades do planeta,
em função da circulação das massas de ar que transportam esses rejeitos.

O Desequilíbrio no Efeito Estufa


O principal problema causado pelo CO² e por outros poluentes é o desequilíbrio no efeito estufa.
Efeito estufa é um fenômeno natural, em que alguns gases funcionam como retentores de calor,
condição fundamental para manter a existência de vida no planeta.

https://www.grupoescolar.com/a/b/A6A65.jpg

As temperaturas médias no mundo subiram muito nos últimos 150 anos, e a explicação está no
acúmulo de gases causadores do efeito estufa.
O metano é outro gás muito agressivo. Sua capacidade de reter calor na atmosfera é 23 vezes maior
que a do gás carbônico. Cerca de 30% das emissões mundiais de metano estão ligadas à pecuária, mas
o metano é liberado também por outras fontes, como a queima de gás natural, de carvão e de material
vegetal e também por campos de arroz inundados, esgotos, aterros e lixões.
Entre os exemplos mais bem-sucedidos de combate à poluição atmosférica podemos citar a
estruturação de áreas urbanas com base na circulação de transporte público e bicicletas ao longo de
corredores e ciclovias, o que contribui para reduzir as emissões provenientes dos automóveis.
Promover o uso de combustíveis alternativos, como o etanol e o biodiesel, que emitem menos gases
poluentes do que a gasolina e o diesel convencional, além do desenvolvimento de carros elétricos,
também podem ser medidas válidas para minimizar a poluição; porém, elas não reduzem a dependência
da população em relação ao automóvel, objetivo que deve estar na agenda de qualquer sociedade
sustentável.

O Buraco na Camada de Ozônio


No final do século XVIII e início do século XIX, o cientista holandês Martin van Marum, descobriu um
gás com cheiro muito forte durante algumas experiências com reações químicas.
Anos depois, o cientista alemão Christian Friedrich Schönbein, chamou esse gás de ozônio, quando
percebeu que ele era liberado nos processos químicos de purificação da água.
Schönbein também notou que esse gás subia pelo ar rapidamente e adquiria uma cor azul bem pálida.
Ele acreditava então que o ozônio existia em grande quantidade nas altas camadas da atmosfera, fato
que veio a ser comprovado por Gordon Miller Bourne Dobson por volta dos anos 1920.
Por meio dessas pesquisas foi possível perceber que a camada de ozônio é um filtro natural para a
Terra. A constituição química do gás detém os raios solares nocivos à saúde humana, portanto, a camada
de ozônio é um dos elementos mais importantes para a manutenção da vida.
A destruição dessa camada tem relação direta com o modo de vida e o modelo produtivo adotado pela
economia mundial nos últimos tempos.
Para refrigerar os alimentos usavam-se, no início do século XX, gases extremamente perigosos, como
a amônia e o enxofre. No final dos anos 1920, Thomas Midgley Jr. descobriu um gás proveniente da

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combinação do carbono com o flúor e o cloro, trata-se do clorofluorcarboneto (CFC), depois registrado
pela empresa dona da patente como gás fréon.
Com inúmeras vantagens em relação aos outros gases, o fréon passou a ser usado largamente e
permitiu a popularização das geladeiras domésticas, que eram impensáveis quando se usavam os outros
gases.
As pesquisas também permitiram a fabricação de espumas, produtos de limpeza, sprays e uma
quantidade infinita de derivados desse gás.
Em meados dos anos 1980, descobriu-se a existência de uma falha nessa camada protetora da Terra.
Cientistas britânicos e estadunidenses anunciaram que havia um buraco de milhões de quilômetros
quadrados na atmosfera sobre a Antártida.
As pesquisas apontavam que esse buraco era causado pela emissão de gases fréon, que, quando
sobem às altas camadas, destroem o ozônio e permitem a passagem dos raios solares nocivos à vida. O
problema reside no fato de que esses gases duram na atmosfera entre 20 e 90 anos.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-45558884

Na imagem acima, observa-se a Camada de ozônio sobre o Polo Sul, em setembro de 2018. Em roxo
e azul estão as áreas que têm menos ozônio, enquanto em amarelo e vermelho, as que têm mais.
O buraco está principalmente sobre a Antártica, mas já se notam pequenas falhas também no
Hemisfério Norte. Sabe-se que existe um sistema mundial de circulação de ar que acumula os gases
fréon sobre a Antártica em quantidade máxima justamente nos meses mais frios, quando o ar fica mais
denso e circula somente nas proximidades dessa área. Quando os raios solares mais fortes chegam a
essa região no verão, as reações químicas quebram o ozônio e permitem a passagem dos raios nocivos.
A solução para esse problema está ligada à redução da emissão de gás CFC, fato que já foi registrado
muitas vezes por cientistas credenciados pela ONU. Para se chegar a esse pequeno avanço, foi assinado
em 1987 o Protocolo de Montreal (Canadá), que previa a erradicação gradual da produção de CFC.
Entre 1988 e 1995, o consumo do gás diminuiu quase 80% em escala mundial. Mesmo assim,
especialistas acreditam existir um mercado paralelo e ilegal de CFC que movimenta milhares de toneladas
de gás por ano.
Esse quadro influencia diretamente a saúde humana. Especialistas na área de medicina afirmam que
problemas como casos de catarata e câncer de pele vêm se avolumando em grande escala no planeta.

A Devastação das Florestas


As atividades agropecuárias, a urbanização e a industrialização podem ser caracterizadas de maneira
geral como os processos que iniciaram a devastação das florestas.
Com o desenvolvimento da tecnologia em todos os campos da ação humana, surgiram métodos que
aceleraram o desmatamento e acabaram afetando vastas áreas ricas em biodiversidade.
Como exemplos, podem-se citar extensas áreas florestais da Europa e dos Estados Unidos
praticamente extintas no final do século XIX e início do século XX. Esse processo esteve ligado ao
desenvolvimento e ao avanço das relações capitalistas que se materializavam no território.
Infelizmente esse processo de destruição continua até hoje e de forma cada vez mais preocupante. A
instalação de atividades econômicas sobre áreas praticamente intactas é resultado da expansão da
indústria madeireira, das atividades mineradoras, em especial as ilegais, e da corrida por novas áreas
pela agricultura comercial, fato que ficou conhecido como expansão das fronteiras agrícolas.
A partir dos anos 1980, principalmente, a consciência ecológica levou muitos países, em especial os
mais desenvolvidos, a realizar programas de replantio de espécies nativas, o que possibilitou a

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recuperação de antigas áreas devastadas. Em contrapartida, nos países mais pobres e nas nações em
desenvolvimento, essa tragédia natural tem crescido ano a ano.
A atuação de grandes empresas exploradoras que operam em regiões florestais do planeta gera outros
graves problemas. As populações das regiões florestais extremamente pobres viviam dos frutos das
florestas de forma racional, uma vez que o ritmo de exploração das matas permitia a sua regeneração.
Com a chegada das grandes empresas exploradoras, ocorreu uma radical mudança na vida dessas
pessoas.
Desprovidos de áreas para exercer suas atividades, os trabalhadores pobres empregam-se nessas
companhias, recebendo baixíssimos salários. Aqueles que não trabalham nessas empresas acabam
derrubando a mata para vender a madeira de forma ilegal e assim obter recursos para sustentar suas
famílias.
Nos últimos anos as preocupações estão cada vez maiores, pois mapeamentos detalhados mostram
que a devastação põe em risco principalmente as florestas localizadas em regiões úmidas do planeta.
São áreas de mata inundadas ou saturadas de água, como as várzeas dos rios, manguezais, florestas
em áreas costeiras e próximas de grandes bacias hidrográficas.
Na Ásia, a maior parte das terras úmidas florestadas estão ameaçadas pela expansão da agricultura
comercial do arroz e pela exploração de madeira, como no caso da Indonésia, que já perdeu grande parte
de sua cobertura florestal original.
Todos os relatórios e avisos feitos pelos cientistas alertam que essas áreas úmidas devem ser
preservadas, pois ajudam a regular o fluxo e o abastecimento de depósitos subterrâneos de água. Caso
essas regiões entrem em colapso natural, isso pode gerar um efeito desastroso para a sociedade, que
ficaria sem água.
Uma experiência que merece menção é a da Finlândia. Quase 80% do território finlandês é coberto
por florestas, o que é a maior taxa de ocupação florestal da Europa, em razão de as florestas terem sido
consideradas patrimônio ecológico, social, cultural e econômico do país. Nas últimas décadas, as áreas
plantadas vêm superando as áreas cortadas em 20 a 30% anualmente.
Um dos grandes segredos desse sucesso está no replantio de espécies nativas; na Finlândia somente
podem ser replantadas madeiras originais daquela região. Isso permite uma atividade econômica mais
sustentável e não tão agressiva ao solo, ao clima e aos animais que habitam essas matas.
Os defensores da silvicultura (atividade que se dedica ao manejo e estudo de florestas plantadas)
finlandesa afirmam que a estrutura do replantio é semelhante à das florestas naturais e que os seres
humanos a exploram desde sempre.
Dessa forma, a indústria florestal é um dos maiores setores da economia do país, e a comercialização
de madeira, papel, polpa de papel e outros derivados da celulose chega a representar cerca de 30% de
suas exportações.
Para combater o mercado clandestino de madeira e o desmatamento em todo o mundo, foi criada a
certificação florestal pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC), uma entidade ambientalista mundial.
Esse certificado garante ao consumidor final de madeira e de seus derivados que aquele produto é
fruto de um reflorestamento não agressivo ou mesmo de uma exploração sustentável, que preserva e
respeita o ritmo de regeneração da natureza. Já existem milhares de itens e produtos que contam com
essa certificação. Portas, pisos, móveis e até mesmo papel higiênico são certificados para comprovar que
não vieram de uma matéria-prima fruto da devastação.

A Destruição dos Recursos Hídricos


O modelo econômico que vigora em nossos dias é marcado por um consumo crescente de
mercadorias das mais variadas. No entanto, para se produzir nessa larga escala, estamos assistindo a
um desenfreado consumo de água.
Em função desse modelo econômico, o processo de industrialização e de urbanização dá origem a um
volume cada vez maior de esgotos domiciliares, lixo e outros resíduos, que são lançados nos rios e mares
cotidianamente. Isso afeta qualidade das águas, tanto as superficiais quanto as dos aquíferos, em vários
pontos do planeta.

Escassez de Água: Uma Crise Anunciada


Os rios e os lagos, que formam os ecossistemas de água doce, são considerados o meio de vida
natural mais ameaçado do planeta.
Embora ocupem apenas 1% da superfície terrestre, os ecossistemas de água doce abrigam cerca de
40% das espécies de peixes e 12% dos demais animais.
Para se ter uma ideia da diversidade desses ecossistemas, o Rio Amazonas, sozinho, possuiu mais
de 3 mil espécies de peixe.

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Todos os estudos feitos recentemente apontam que 34% das espécies de peixes de água doce
encontradas em todo o mundo correm o risco de extinção, ameaçadas, principalmente, pela construção
de represas, canalização dos rios e poluição.
Entre 1950 e os nossos dias atuais, o número de grandes barragens no mundo passou de 5.750 para
mais de 41 mil, fato que alterou radicalmente a dinâmica da vida aquática.
Esse cenário alarmante é agravado pela pequena disponibilidade de água para o consumo humano.
Embora 75% da superfície terrestre seja recoberta por água, os seres humanos só podem usar uma
pequena porção desse volume, porque nem sempre ela é adequada ao consumo.
É o caso da água salgada dos mares e oceanos, que representa cerca de 97% da quantidade total de
água disponível na Terra.
Dos cerca de 3% restantes, apenas um terço é acessível, em rios, lagos, lençóis freáticos superficiais
e na atmosfera. Os outros dois terços são encontrados nas geleiras, calotas polares e lençóis freáticos
muito profundos.
Além de ser um recurso finito, a água é cada vez mais consumida no mundo todo. Ao longo do século
XX, por exemplo, a população mundial cresceu três vezes, enquanto as superfícies irrigadas cresceram
seis vezes e o consumo global, sete vezes.
Esse aumento exponencial do consumo mundial de água está gerando um fenômeno conhecido como
estresse hídrico, isto é, carência de água. Segundo o Banco Mundial, essa situação ocorre quando a
disponibilidade de água não chega a 1.000 metros cúbicos anuais por habitante.

O Mal Uso da Água e a Salinização dos Solos


São consideradas regiões que sofrem com a salinização aquelas que perdem seu rendimento
econômico na agricultura.
Salinização é a concentração de sais, provocada pela evapotranspiração máxima ou intensa,
principalmente em locais de climas tropicais áridos ou semiáridos, onde normalmente existe drenagem
ineficiente.
Os solos apresentam sais em níveis diferenciados. Quando este nível se eleva, chegando a uma
concentração muito alta, pode prejudicar o desenvolvimento de algumas plantas mais sensíveis, ou
mesmo impedir o desenvolvimento de praticamente todas as espécies.
A salinização do solo pode ser causada pelo mau manejo da irrigação em regiões áridas e semiáridas,
caracterizadas pelos baixos índices pluviométricos e intensa evapotranspiração.
A baixa eficiência da irrigação e a drenagem insuficiente nessas áreas contribuem para a aceleração
do processo de salinização, tornando-as improdutivas em curto espaço de tempo.
Os solos mais sujeitos a esse problema são os que estão em regiões mais secas. Neles, qualquer tipo
de irrigação mal conduzida pode gerar uma forte salinização se não estiver presente um adequado
sistema de drenagem.
Abaixo seguem dois exemplos de solos salinizados.

https://alunosonline.uol.com.br/geografia/salinizacao-solo.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Saliniza%C3%A7%C3%A3o

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A Organização das Nações Unidas para Alimentação e agricultura estima que, dos 250 milhões de
hectares irrigados em todo o planeta, cerca de metade já tem problemas de salinização, e uma grande
parte é abandonada todo ano por esse motivo. Por isso, a irrigação precisa ser feita com muito cuidado.
Entendemos que a água está cada vez mais escassa em todo o globo. A combinação de fatores
naturais e socioeconômicos como pressão demográfica e uso irracional gera desertificação, salinização
e poluição desenfreada.
O aumento do estresse hídrico já reduziu de forma considerável as reservas hídricas disponíveis no
planeta. Em quase metade das localidades habitadas, já existem problemas de escassez, e cerca de 20
a 30% da população mundial não têm acesso a redes satisfatórias de água e esgoto. Esse quadro fica
ainda mais grave uma vez que a escassez desse recurso se soma a problemas políticos entre povos e
nações.
No Oriente Médio, por exemplo, há inúmeras disputas pela posse da água que se misturam a
rivalidades criadas por décadas de conflitos.
Israelenses e palestinos têm na água um dos maiores pontos de discórdia. Eles disputam as águas
oriundas da nascente do Rio Jordão e do Lago Tiberíades nas proximidades das Colinas de Golã. Além
disso, 90% dos canais de abastecimento de água são controlados por Israel.
Organismos internacionais afirmam que a disponibilidade per capita de água é quatro vezes maior em
Israel do que nos territórios palestinos, fato que potencializa epidemias, queda da produtividade agrícola
e tantos outros problemas.
Outro exemplo de tensão em razão da disputa pela água ocorre entre Síria, Turquia e Iraque. A Turquia
tem um plano de desenvolvimento que inclui a construção de mais de 20 barragens ao longo dos rios
Tigre e Eufrates.
Essas obras de grande porte alteram radicalmente a vazão de água dos rios e ameaçam o
abastecimento de grandes áreas em países vizinhos, como o Iraque e a Síria. Esses países discutem
hoje um estatuto comum para a administração desses rios, visto que não foram poucas as vezes que eles
entraram em alerta para uma possível guerra: um temendo perder o enorme volume de água, fundamental
para seu povo, outro temendo perder as barragens, fundamentais para seu desenvolvimento.

A Destruição dos Oceanos


A intensificação do comércio internacional nas últimas décadas tem deixado marcas negativas nos
oceanos.
Nos mares de quase todas as regiões do planeta existem gigantescas manchas de petróleo. Em parte,
essas manchas ocorrem por descaso e pelo uso de equipamentos obsoletos que causam vazamentos.
Além disso, muitos navios petroleiros chegam a lavar seus reservatórios nas costas de países pobres,
especialmente africanos, que não têm sistemas de vigilância eficientes para evitar esse crime.
Outro grave problema é a pesca predatória, que também contribui para o esgotamento dos estoques
de pescados oceânicos. Cerca de 90% das espécies comerciais, ou seja, pescadas, processadas e
vendidas, correm risco iminente de destruição em razão da pesca predatória.
Grandes grupos econômicos ligados direta e indiretamente ao setor alimentício são os responsáveis
por essa destruição. Eles permitem a prática da pesca predatória, que, na busca do lucro imediato, não
respeita, em muitos casos, o período de reprodução das espécies, fato que minimamente garantiria a
reposição dos estoques.
O mar também sofre a partir das terras costeiras. Grupos imobiliários promovem a ocupação irregular
de áreas litorâneas pela construção de casas, condomínios e hotéis em áreas de manguezal, alterando
o equilíbrio ambiental.
É importante lembrar que os oceanos são fundamentais para o equilíbrio ecológico de todo o planeta.
Eles concentram 97% das águas e produzem cerca de um sexto do oxigênio da atmosfera, além de serem
os principais responsáveis pela recomposição dos estoques de água doce, graças à umidade que geram.
Por todos esses fatores, os oceanos são fundamentais para a manutenção das características climáticas
do planeta.

A Degradação dos Solos (Desertificação)


A degradação do solo geralmente é causada pela associação de situações climáticas extremas, como
exemplos, a seca ou o excesso de chuvas, práticas predatórias, como o desmatamento de áreas
florestais, expansão das pastagens, utilização intensiva de agrotóxicos e a mineração descontrolada.
Essas atividades alteram e destroem a cobertura vegetal natural do solo, deixando-o exposto à ação
de ventos e chuvas, que gradualmente desgastam o solo desnudo de vegetação.

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Esse processo erosivo pode evoluir, e a rocha bruta, base do solo, chegar a ficar exposta. Quando
isso ocorre, está se iniciando o processo de desertificação.
O manejo agrícola inadequado é um dos grandes responsáveis pela degradação dos solos. Quase
metade das áreas agrícolas do planeta tem algum problema que afeta a sua produção de alimentos.
Esse problema está longe de ser somente ambiental. Ele tem profunda relação com a sociedade e a
economia, uma vez que a perda de grãos com a desertificação chega a mais de 20 milhões de toneladas,
cifra suficientemente grande para atenuar o problema da fome no mundo.
As consequências nefastas da degradação do solo afligem também grandes contingentes
populacionais. Calcula-se que 30 milhões de pessoas morreram, nas últimas décadas, de fome,
ocasionada pelo esgotamento de suas áreas naturais, e mais de 120 milhões realizaram o êxodo rural
nos últimos 50 anos.
As soluções para esse problema passam sempre pela alteração do modelo produtivo ou pela aplicação
de enormes recursos financeiros na recuperação de áreas.
Em 1994 foi assinada a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. A principal
decisão foi a aplicação de vastos recursos financeiros para promover a educação ambiental,
principalmente em sociedades agrárias, para que estas sejam reprodutoras das práticas e dos
conhecimentos voltados à conservação dos solos.

Resíduos Sólidos: Recurso e Problema


Diariamente milhões de toneladas de resíduos sólidos são lançadas no ambiente. A prática de
depositar resíduos ao ar livre, lançá-los na água, descartá-los em terrenos baldios e queimar os restos
inaproveitáveis teve início nas civilizações antigas, em que os métodos de lidar com os descartes
consistiam em depositá-los bem longe das moradias.
Essa solução vigorou durante muito tempo e se incorporou à cultura cotidiana de muitas populações.
Hoje é evidente que o crescimento populacional e o aumento do consumo levaram a humanidade a uma
enorme produção de resíduos, que causam graves problemas quando manipulados e depositados de
forma inadequada.
Após a década de 1950, iniciou-se uma mudança de mentalidade em relação ao resíduo sólido, a
princípio nos países mais ricos. Antes visto como desprezível e problemático, gradualmente ele passou
a ser encarado como energia, matéria prima e parte da solução para alguns problemas.
Atualmente, processos como a reciclagem reduzem o volume de resíduos sólidos descartado e
interferem no processo produtivo, economizando energia, água e matéria-prima, além de reduzir
sensivelmente a poluição da água, do ar e do solo. Mesmo assim, a quantidade de lixo reciclada é muito
pequena perante a total.
Uma das soluções que podem ajudar a solucionar esse problema é a coleta seletiva de lixo, ou seja,
o processo pelo qual se separam os materiais encontrados no lixo. Essa separação é fundamental para
o reaproveitamento dos resíduos, pois a coleta potencializa o reaproveitamento dos materiais. A
reciclagem passou a ser uma obrigação em função do enorme volume de resíduos que a sociedade
produz.

As Consequências das Mudanças Climáticas e Ambientais

A Chuva Ácida
A atmosfera, como vimos, vem sendo contaminada por compostos químicos como o enxofre e o
nitrogênio, que vão se concentrando no vapor de água e, consequentemente, nas nuvens. Estas, quando
muito carregadas, despejam uma chuva extremamente ácida.
Até a década de 1990, a chuva ácida era comum apenas nos países de industrialização mais antiga,
mas depois, com a expansão mundial do processo industrial, ela passou a ocorrer em grande quantidade
também na Ásia, em países como China, Índia, Tailândia e Coreia do Sul, que hoje são os grandes
responsáveis pela emissão de óxido nitroso (NO) e dióxido de enxofre (SO²).
Grande parte desse problema foi surgindo conforme a produção industrial se expandia. Isso significou
maior uso de termelétricas que geram energia por meio do carvão e do petróleo (combustíveis altamente
poluentes), maior circulação de carros e outros meios de transportes.
Nos últimos anos há incidência de chuva ácida praticamente em todo o mundo. Em alguns lugares
onde não existem atividades industriais poluentes, ela ocorre em razão do deslocamento das massas de
ar vindas de países emissores de poluição.

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https://escolakids.uol.com.br/geografia/chuva-acida.htm
Entre as consequências da chuva ácida, destacam-se:
→ Alteração da composição do solo e das águas, tanto dos rios quanto dos lençóis freáticos;
→ Destruição da cobertura florestal (No Brasil, isso é visível por exemplo, em trechos das encostas da
Serra do Mar nas proximidades de Cubatão, no litoral de São Paulo, importante polo industrial
petroquímico que já foi conhecido mundialmente pela péssima qualidade do ar);
→ Contaminação das lavouras;
→ Corrosão de edifícios, estátuas e monumentos históricos.
Abaixo, uma imagem de um grande impacto ambiental, com destruição dos galhos e folhas de árvores
de montanhas polonesas, causado pela chuva ácida.

https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/quimica/o-que-e-chuva-acida.htm

Poluição Atmosférica e Aquecimento Global: O Aumento da Temperatura do Planeta


As razões do aumento da temperatura do planeta ainda geram muitos debates entre os cientistas.
Causas naturais e provocadas pelos seres humanos têm sido propostas para explicar o fenômeno.
A principal evidência do aquecimento vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas
em todo o globo desde 1860. Os dados mostram que houve um aumento médio da temperatura durante
o século XX.
Para explicar essas mudanças, os cientistas usam ainda evidências secundárias, como a variação da
cobertura de gelo e neve em certas áreas, o aumento do nível dos mares e das quantidades de chuvas,
entre outras.
Diversas montanhas já perderam enormes áreas geladas e nevadas, e a cobertura de gelo no
Hemisfério Norte na primavera e no verão também diminuiu drasticamente.
O aumento da temperatura global pode levar um ecossistema a graves mudanças, forçando algumas
espécies a sair de seus habitats, invadindo outros ecossistemas, ou potencializando a extinção.
Outra situação que causa grande preocupação é o aumento do nível do mar, de 20 a 30 cm por década.
Algumas ilhas no Oceano Pacífico já sofrem com esse problema.
Deve-se lembrar que a subida dos mares ocorre principalmente por causa da expansão térmica da
água dos oceanos, ou seja, as águas dilatam. No entanto, as preocupações com o futuro incluem também
o derretimento das calotas polares e dos glaciares, que guardam enormes quantidades de água na forma
de gelo. Alguns cientistas afirmam que as mudanças podem ocorrer de forma sutil e mesmo imperceptível.

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Na imagem abaixo, um urso polar sofre com o derretimento das calotas polares.

http://meioambiente.culturamix.com/recursos-naturais/derretimento-das-calotas-polares

Tudo isso leva a uma situação preocupante. Previsões feitas pela ONU alertam que entre 50 e 100
milhões de pessoas podem abandonar suas casas temporária ou definitivamente por problemas
relacionados a questões ambientais nas próximas décadas, tornando-se refugiados ambientais.
Nesses números estão incluídos grupos humanos, comunidades inteiras que serão levadas a migrar
em razão da poluição das águas, de enchentes, do desgaste dos solos, do fim da disponibilidade de
peixes e da subida do nível dos oceanos.
É certo que essa situação exigirá uma legislação internacional, uma vez que países e regiões inteiras
vão ser evacuados, e os refugiados poderão ser levados em circunstâncias emergenciais a outros países.

Sustentabilidade18

A qualidade de vida das gerações atuais e futuras começou a se tornar preocupante, tendo em vista o
estilo de vida e a relação que temos com o meio ambiente, provedor de matérias-primas para a nossa
sobrevivência. Por causa disso, a sustentabilidade hoje é um tema bastante discutido em escolas,
universidades, redes sociais e países de modo geral.

O que é uma Sociedade Sustentável?


A defesa de uma sociedade sustentável baseia-se na ideia de o ser humano estabelecer uma relação
com o espaço que o rodeia de modo que seu estilo de vida não prejudique as futuras gerações. Ou seja,
a sustentabilidade tem como premissa uma exploração do meio ambiente que respeite os limites do
planeta e minimize os efeitos da ação do ser humano.
Atualmente, pensar sobre esses limites é uma tarefa cada vez mais importante e emergencial, pois se
o nível de consumo mundial dos recursos naturais continuar no mesmo patamar, será insustentável sua
manutenção para, consequentemente, usufruto das gerações futuras.
Mesmo garantindo nossa própria sobrevivência, a qualidade de vida de toda a população também deve
ser um motivo de preocupação. Nesse sentido, a própria desigualdade social pode ser considerada
insustentável, pois favorece uns em detrimento de outros.

As Construções Alternativas
As paisagens urbanas têm cada vez mais se distanciado da forma original da natureza, de modo que
não proporciona um vínculo entre a dinâmica das cidades e o meio ambiente. Atualmente, 60% dos
resíduos sólidos urbanos provêm da construção civil, o que também provoca grande demanda de
madeira, contribuindo para o desmatamento de áreas de floresta.
Inseridas no pensamento sustentável, as construções alternativas começam a ser disseminadas com
o intuito de minimizar a desarmonia entre o ambiente natural e o construído, reduzindo os impactos
ambientais envolvidos na construção civil.
Essas construções são baseadas em uma arquitetura que considera a necessidade de transformar
sem agredir o ambiente, promovendo a utilização de matérias-primas biodegradáveis e de maneira
proveniente de reservas extrativistas sustentáveis, além do emprego de tecnologias que reduzam o
desperdício de água e energia e que facilitem a reutilização.

18 FURQUIM JR, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição: São Paulo, editora AJS, 2015.

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Para que essas construções atendam a esses objetivos, os elementos do clima local devem ser
sempre considerados; assim, é possível executar um planejamento voltado à iluminação e ao
aquecimento natural, por exemplo.
A aplicação de coberturas verdes e o uso da energia solar, captada por painéis fotovoltaicos, são
exemplos que se encaixam na construção sustentável. No entanto, pelo fato de exigirem maior
investimento, essas construções não são tão comuns quanto deveriam.

Questões

01. (Transpetro – Técnico Ambiental Júnior – CESGRANRIO/2018) Conforme o Painel


Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, mais conhecido pelas iniciais em inglês — IPCC, o
aumento da temperatura média global nos últimos anos deve-se principalmente às emissões de Gases
do Efeito Estufa (GEEs), provocadas pelo homem.
A esse aquecimento é dado o nome de
(A) aquecimento global antropogênico
(B) aquecimento global dos mares
(C) aquecimento global primário
(D) aquecimento global devido à variabilidade natural
(E) potencial de aquecimento global

02. (Câmara de Natividade/RJ – Analista Legislativo – IDECAN/2017) “_________________ é


aquele que considera a preservação de recursos naturais e dos ecossistemas, bem como o bem-estar e
a melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral, a longo prazo.” Assinale a alternativa que
completa corretamente a afirmativa anterior.
(A) Impacto ambiental
(B) Aquecimento global
(C) Novo código florestal
(D) Desenvolvimento sustentável

03. (PC/RO – Delegado de Polícia Civil – FUNCAB) Em setembro de 2013, os cientistas do Painel
Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU divulgaram novo relatório sobre
aquecimento global. De acordo com esse relatório:
(A) o aquecimento global retrocedeu significativamente na última década, devido à maior absorção do
calor pelas águas dos oceanos.
(B) os países emergentes, como China e índia, são os mais afetados no mundo pelo aquecimento
global, e, portanto, os principais interessados em reverter esse processo.
(C) o aumento do aquecimento global é um processo natural, que não está relacionado às ações
humanas.
(D) o desmatamento das áreas de floresta, especialmente no Brasil, é a principal causa do
aquecimento global.
(E) as ações humanas estariam intensificando o efeito estufa e provocando aumento do aquecimento
global.

Gabarito

01.A / 02.D / 03.E

Comentários

01. Resposta: A
Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da
Terra causado por massivas emissões de gases que intensificam o efeito estufa, originados de uma série
de atividades humanas (daí o termo antropogênico), especialmente a queima de combustíveis fósseis e
mudanças no uso da terra, como o desmatamento, bem como de várias outras fontes secundárias.

02. Resposta: D
Desenvolvimento sustentável significa obter crescimento econômico necessário, garantindo a
preservação do meio ambiente e o desenvolvimento social para o presente e gerações futuras.

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03. Resposta: E
No fim dos anos 1980, aumentou-se a percepção de que as atividades humanas eram cada vez mais
prejudiciais ao clima do planeta. A ONU convocou cientistas do mundo todo para acompanhar esse
processo e, com a colaboração de 130 governos, criou-se o Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC).

HIDROGRAFIA MUNDIAL19

A Terra é quase toda coberta por uma imensa massa líquida (a hidrosfera), que compreende os
oceanos, mares e as águas continentais (rios, lagos e geleiras).
No entanto, apesar de cerca de 70% da superfície terrestre encontrar-se coberta por água, apenas
menos de 3% deste volume é de água doce, cuja maior parte está concentrada em geleiras (geleiras
polares e neves eternas20 das montanhas).
A grande preocupação é que restam menos de 1% de águas superficiais para as atividades humanas.
Os Oceanos

Mais da metade da população mundial vive numa faixa de cerca de 100 km junto ao litoral dos
continentes. Grandes e pequenas cidades, aldeias de pescadores e pequenas vilas desenvolvem
atividades relacionadas à vida marinha.
A biodiversidade dos ecossistemas marinhos, que fornece 90% do pescado mundial, pode ser
considerada equivalente à biodiversidade dos ecossistemas terrestres.
As águas oceânicas também constituem um meio fundamental para o transporte, as atividades
portuárias de importação e exportação de mercadorias (90% do comércio internacional), a navegação de
cabotagem, a aquicultura (criação de peixes, ostras, mariscos e crustáceos), a extração de minerais (sal
e petróleo), além de oferecer possibilidades para o desenvolvimento do turismo e do lazer.
É, portanto, um ambiente sujeito a múltiplas influências e perturbações, cujas causas são produzidas
principalmente no continente, de onde são lançados dejetos e resíduos produzidos pelas atividades
humanas, os quais podem ser provenientes de acidentes no próprio mar, como o derramamento de
petróleo.
Calcula-se que os dejetos urbanos residenciais e industriais sejam responsáveis por 80% da poluição
das águas do mar.

A Oceanografia
O estudo dos oceanos é realizado pela Oceanografia, ciência que estuda os diferentes aspectos
físicos, químicos e biológicos da água do mar. Além disso, estuda também a dinâmica geológica das
estruturas da litosfera21 oceânica, o relevo submarino e a exploração mineral.
A Organização Internacional de Hidrografia (lHO - International Hydrographic Organization) passou a
considerar, a partir do ano 2000, a existência de cinco oceanos: Pacífico, Atlântico, índico, Glacial Ártico
e Meridional (Antártico).

O Relevo Submarino
As características do relevo continental e submarino são semelhantes, embora no caso do submarino,
devido à predominância do trabalho de modelagem da água, exista uma maior suavidade nos contornos.
Para efeito de estudo, o relevo submarino pode ser dividido em:

Plataforma continental - prolongamento submerso dos continentes, com apenas algumas


modificações promovidas pela erosão marinha ou por depósitos sedimentares22. Sua profundidade varia
entre 10 e 500 m, sendo a média de 200 m.

19 LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e Geografia do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2014.
20 Neve eterna consiste em camadas de neve formadas no cume de montanhas muito elevadas. A baixa temperatura local faz com que elas não derretam, mesmo
durante os meses do verão, quando a radiação solar é mais intensa.
21 Litosfera é a camada exterior sólida da superfície da Terra, que inclui a crosta e a parte superior do manto terrestre.
22 Depósito sedimentar é o local onde os sedimentos se acumularam, gerando posteriormente a rocha sedimentar.

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https://www.infoescola.com/oceanografia/plataforma-continental/

São consideráveis as riquezas existentes na plataforma continental. Nesta unidade de relevo extrai-se
a totalidade dos recursos minerais e é realizada a maior parte das atividades pesqueiras.

Talude continental - inclinação mais aprofundada que a plataforma, chegando a até 3 mil metros de
profundidade.

https://conceitos.com/talude-continental/

Bacia oceânica - abrange a maior superfície e se estende a partir do limite do talude continental até
aproximadamente 5 mil metros de profundidade.

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/bacias-oceanicas/33452

É constituída por extensas bacias, de topografia23 mais ou menos plana, por vezes interrompida por
dorsais ou cordilheiras e também por fossas abissais.

23 Topografia é a descrição ou delineação exata e pormenorizada de um terreno, de uma região, com todos os seus acidentes geográficos.

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Dorsais - constituem as grandes cordilheiras e acompanham, em certos casos, o contorno dos
continentes. As dorsais encontradas nos oceanos Atlântico e Pacífico apresentam altitudes que variam
entre 2 e 4 km acima do fundo oceânico, emergindo em diversos pontos sob a forma e ilhas e
arquipélagos. O mais marcante exemplo de dorsal é a Meso-atlântica.

https://brasilescola.uol.com.br/geografia/dorsais-oceanicas.htm

Fossas abissais - localizam-se próximo continentes; formam as regiões de mais profundo relevo
submarino.

http://meioambiente.culturamix.com/natureza/fossas-oceanicas-ou-abissais

As Correntes Marinhas
As correntes marinhas, cujo fluxo deve ter velocidade superior a 12 milhas marítimas por dia, são os
movimentos mais importantes que as águas do mar apresentam. Elas podem ser comparadas a rios de
água salgada, com temperatura diferente da massa de água oceânica por onde passam.
Além disso, elas circulam em outra velocidade em função da diferença de temperatura e salinidade,
que modificam a sua densidade.
Essa diferença de densidade entre as águas que forma as correntes e as que circundam no oceano
faz que elas tenham velocidade própria e sigam sempre uma direção regular e relativamente precisa.
O movimento e a direção das correntes dependem de ventos regulares, destacando-se os alísios24, do
movimento de rotação da Terra e do contorno dos continentes.
A importância prática do estudo das correntes marinhas reside no fato de que nelas encontram-se os
alimentos necessários à vida marinha, pois são ricas em microrganismos (plânctons) e servem de base
para a alimentação dos peixes.
Por isso as correntes constituem lugares favoráveis ao desenvolvimento de grandes cardumes e,
consequentemente, à atividade pesqueira.
Além disso, as correntes, quando se aproximam do continente, influenciam o clima das regiões
situadas junto à costa litorânea.

Alimento Marinho25
Os recursos pesqueiros são renováveis. Portanto, podemos subtrair uma parte para consumo humano,
sem prejuízo do estoque. Porém, há uma limitação na capacidade de renovação desse estoque, que é

24 Os ventos alísios são, por definição, deslocamentos de massas de ar em direção à Zona de Convergência Intertropical do globo terrestre.
25 MATSUURA, Yasunobu. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 31/12/1995, p. D-3, Caderno 2.

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chamada de produção máxima sustentável. Se ultrapassado esse limite, o estoque entrará no colapso e
não poderá mais recuperar aquela parte perdida.
O fator complicador de recursos pesqueiros é que a produção máxima sustentável de um estoque varia
de acordo com a disponibilidade da população e apresenta uma variação anual bastante grande. Então,
a grande questão de exploração de recursos pesqueiros é saber o quanto podemos subtrair do mar, sem
prejuízo dos estoques existentes.

Salinidade e Temperatura das Águas Marítimas


Dos minerais encontrados nas águas marinhas, o mais abundante é o cloreto de sódio, comumente
conhecido por "sal de cozinha". Além dele, aparecem também outros sais em menor quantidade, como o
cloreto de magnésio, o sulfato de magnésio e o sulfato de cálcio.
A salinidade varia de um local para outro devido à temperatura, à evaporação, às chuvas e ao
desaguamento dos rios. O valor médio da salinidade é de 35, ou seja, 35 gramas de sais por 1.000 gramas
(1 litro) de água, o que equivale a 3,5%.
Nas áreas onde a evaporação é intensa e a quantidade de chuva é pequena, a salinidade apresenta-
se mais elevada.
Já nas regiões mais frias, a salinidade é menor, devido à pequena intensidade da evaporação e à
diluição da água do mar pelo derretimento das neves.
Os mares tropicais pouco profundos (onde a evaporação é mais intensa) são mais salgados que os
situados próximo aos polos, nos quais os gelos glaciares aportam. Também são menos salgados os
mares onde deságua um maior número de rios, cujas águas, carregando diversos materiais em
suspensão, reduzem o índice de salinidade.
A temperatura das águas depende da quantidade de insolação recebida pela superfície. Como a água
demora mais tempo do que a terra para aquecer e para resfriar, a temperatura dos oceanos é mais
uniforme.
Se a temperatura das águas marinhas depende da insolação, ela será mais elevada na superfície do
que em profundidades maiores e mais elevada também na linha do Equador do que nos polos.

Poluição Marinha
Grande parte da poluição marinha é provocada por fontes terrestres:
→ indústrias e residências que despejam toneladas de detritos e rejeitos nas águas dos rios;
→ cidades que utilizam a água do mar como emissário de esgotos;
→ uso de fertilizantes e agrotóxicos em atividades agrícolas, cujo excesso é transportado pelas águas
dos rios;
→ excrementos animais nas áreas de criação, cujo excesso também é transportado pelas águas dos
rios;
→ acidentes no transporte marítimo de mercadorias;
→ elementos tóxicos utilizados nas atividades mineradoras e rejeitos das áreas de extração de
minérios, etc.
O combate à poluição marinha inclui um conjunto de normas e atitudes que depende dos processos
de controle das atividades humanas realizadas nos continentes.

As Águas Continentais

Os rios são de grande importância para a organização do espaço, haja vista que as primeiras grandes
civilizações fixaram-se às margens de rios como o Tigre, o Eufrates, o Nilo, o Indo e outros.
Diversas regiões de elevada densidade demográfica, nas quais, em muitos casos, surgiram grandes
cidades, estruturaram-se às suas margens.
Os rios podem ser usados para a irrigação (inclusive de regiões em que há pouca ocorrência de
chuvas), para a geração de energia elétrica e como via de transporte. Além disso, a pesca constitui
importante fonte de alimentação.

Água como Recurso Renovável Limitado


A água é um recurso renovável; no entanto, a forma como vem sendo utilizada, com intenso nível de
poluição, por exemplo, pode impor limites à sua disponibilidade futura.
O ciclo da água é contínuo: inclui transpiração, evaporação, condensação, precipitação, escoamento
e infiltração. Tal processo ocorre da seguinte maneira:

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A água que abastece rios e lagos provém da evaporação dos oceanos, de águas no solo, da
transpiração da vegetação e dos próprios rios e lagos. Essa água se condensa e precipita-se, em forma
de chuva, neve ou granizo.
Ela então escoa pelos rios ou para debaixo da terra, preenchendo os lençóis freáticos26. Parte dela
retorna ao oceano, reiniciando o ciclo. Outra parte é absorvida, por exemplo, por plantas.

https://brasilescola.uol.com.br/biologia/ciclo-agua.htm

A distribuição do consumo mundial de água doce, de acordo com as atividades humanas, estrutura-
se, a grosso modo, da seguinte forma: a água consumida destina-se 20% às indústrias e 10% às
residências.
Nas indústrias, os ramos siderúrgico, químico e de papel são os grandes consumidores de água. Daí
a importância da reciclagem, ou seja, do tratamento e reaproveitamento da água feito pelas mesmas.
Na agricultura, a quase totalidade de água utilizada vai para a irrigação, cujo papel é importantíssimo,
pois, apesar de somente 15% das terras empregadas para a prática agrícola serem irrigadas, cerca de
metade da produção de alimentos é obtida das mesmas. A irrigação e o desperdício podem provocar
impactos ambientais irreversíveis.
Nas regiões onde a água doce é abundante, muitas vezes ela é desperdiçada, pois são poucos os que
têm consciência do quanto ela é essencial e dos limites de sua capacidade de renovação.
Causas como o desmatamento, a compactação do solo e a impermeabilização dos asfaltos e das
edificações das cidades dificultam a infiltração da água das chuvas e diminui o volume das águas das
fontes.
Áreas de mananciais27 são constantemente ocupadas e poluídas pelos esgotos domésticos (lixo de
todo tipo é lançado nas águas dos rios).
Além do mau uso da água, a demanda por recursos hídricos tem sido cada vez maior com a ampliação
das atividades econômicas e o crescimento populacional. Por outro lado, se a demanda por água tem
crescido, o mesmo não ocorre no ambiente, no qual se verifica a manutenção de sua quantidade ou
mesmo sua redução.
Portanto, apesar de renovável, a água é um recurso finito e muitos povos do mundo sofrem com a
escassez deste recurso vital à sobrevivência humana.

A Poluição dos Rios


Os rios são de grande importância para a organização do espaço geográfico, trazendo enormes
benefícios para a sociedade. No entanto, sofrem consequências bastante negativas, como por exemplo,
o lançamento de dejetos de diversos tipos em suas águas, transformando-os em verdadeiros esgotos a
céu aberto.

26 Lençóis freáticos são os reservatórios naturais de águas subterrâneas que se acumulam entre as rachaduras das rochas.
27 Mananciais são todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser usadas para o abastecimento público.

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Essa é a situação em que se encontra a grande maioria dos rios, os quais são muitas vezes
considerados subprodutos da sociedade urbano-industrial, que encara a natureza como fonte de matéria-
prima ou como depósito de resíduos.
Ao lado do lançamento de esgotos urbanos sem tratamento, a morte dos rios em diversos lugares do
mundo está basicamente relacionada a outros dois fatores principais: o lançamento tanto de produtos
utilizados na agricultura (como pesticidas e fertilizantes químicos), como de resíduos industriais.
Além do lançamento de resíduos, representados por diversos produtos químicos, como os metais
pesados (cobre, mercúrio, chumbo, cádmio), as indústrias são responsáveis pela chamada poluição
térmica, causada pelas usinas termelétricas que lançam nos rios água com temperatura muito superior à
existente neles.
Como os animais aquáticos são muito sensíveis à alternância brusca de temperatura, acabam
morrendo. Até porque a temperatura elevada também retira o oxigênio dos rios.
Um dos exemplos mais significativos de recuperação de rios é o da Grã-Bretanha, a pioneira na
Revolução Industrial e, por consequência, também na poluição fluvial. Foi realizado um controle rigoroso
nas indústrias, os esgotos urbanos passaram a ser tratados, e seus encanamentos foram trocados. Nas
áreas agrícolas, inspetores implementaram visitas a fazendas para impedir que pesticidas fossem jogados
nos rios.
Esse trabalho resultou na volta da vida aos rios, como o Tâmisa, que passou a ser frequentado por
focas, o Mersey, cujos afluentes recebem atualmente muitas lontras, e o Humber, cujo estuário é visitado
pela lampreia do mar, espécie de peixe bastante primitiva que só sobrevive em águas limpas.

Rio Tâmisa

https://escola.britannica.com.br/artigo/rio-T%C3%A2misa/482665

Rio Mersey

https://es.wikipedia.org/wiki/R%C3%ADo_Mersey

Rio Humber

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https://www.istockphoto.com/br/fotos/rio-humber?sort=mostpopular&mediatype=photography&phrase=rio%20humber

Água como uma Questão Geopolítica do Século XXI28


Em 2015, os países tiveram a oportunidade de adotar a nova agenda de desenvolvimento sustentável
e chegar a um acordo global sobre a mudança climática.
As ações tomadas nesse ano resultaram nos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS),
que no tocante à “água”, seguem os seguintes objetivos29:

Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas


e todos
6.1 Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo a água potável e segura para todos;
6.2 Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, e acabar
com a defecação a céu aberto, com especial atenção para as necessidades das mulheres e meninas e
daqueles em situação de vulnerabilidade;
6.3 Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando
a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas
residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e reutilização segura globalmente;
6.4 Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar
retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e reduzir
substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água;
6.5 Até 2030, implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, inclusive via
cooperação transfronteiriça, conforme apropriado;
6.6 Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas,
florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos;
6.a Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio à capacitação para os países em
desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água e saneamento, incluindo a coleta de
água, a dessalinização, a eficiência no uso da água, o tratamento de efluentes, a reciclagem e as
tecnologias de reuso;
6.b. Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da água e do
saneamento.

Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos
para o desenvolvimento sustentável
14.1 Até 2025, prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha de todos os tipos,
especialmente a advinda de atividades terrestres, incluindo detritos marinhos e a poluição por nutrientes;
14.2 Até 2020, gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros para evitar
impactos adversos significativos, inclusive por meio do reforço da sua capacidade de resiliência, e tomar
medidas para a sua restauração, a fim de assegurar oceanos saudáveis e produtivos;
14.3 Minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos, inclusive por meio do reforço da
cooperação científica em todos os níveis;
14.4 Até 2020, efetivamente regular a coleta, e acabar com a sobrepesca, ilegal, não reportada e não
regulamentada e as práticas de pesca destrutivas, e implementar planos de gestão com base científica,
para restaurar populações de peixes no menor tempo possível, pelo menos a níveis que possam produzir
rendimento máximo sustentável, como determinado por suas características biológicas;
14.5 Até 2020, conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas, de acordo com a legislação
nacional e internacional, e com base na melhor informação científica disponível;
28 https://nacoesunidas.org/pos2015/.
29 https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/.

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14.6 Até 2020, proibir certas formas de subsídios à pesca, que contribuem para a sobrecapacidade e
a sobrepesca, e eliminar os subsídios que contribuam para a pesca ilegal, não reportada e não
regulamentada, e abster-se de introduzir novos subsídios como estes, reconhecendo que o tratamento
especial e diferenciado adequado e eficaz para os países em desenvolvimento e os países menos
desenvolvidos deve ser parte integrante da negociação sobre subsídios à pesca da Organização Mundial
do Comércio;
14.7 Até 2030, aumentar os benefícios econômicos para os pequenos Estados insulares em
desenvolvimento e os países menos desenvolvidos, a partir do uso sustentável dos recursos marinhos,
inclusive por meio de uma gestão sustentável da pesca, aquicultura e turismo;
14.a Aumentar o conhecimento científico, desenvolver capacidades de pesquisa e transferir tecnologia
marinha, tendo em conta os critérios e orientações sobre a Transferência de Tecnologia Marinha da
Comissão Oceanográfica Intergovernamental, a fim de melhorar a saúde dos oceanos e aumentar a
contribuição da biodiversidade marinha para o desenvolvimento dos países em desenvolvimento, em
particular os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos;
14.b Proporcionar o acesso dos pescadores artesanais de pequena escala aos recursos marinhos e
mercados;
14.c Assegurar a conservação e o uso sustentável dos oceanos e seus recursos pela implementação
do direito internacional, como refletido na UNCLOS [Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
Mar], que provê o arcabouço legal para a conservação e utilização sustentável dos oceanos e dos seus
recursos, conforme registrado no parágrafo 158 do “Futuro Que Queremos”.

Questões

01. (COPASA – Engenheiro do Meio Ambiente – FUMARC/2018) É comum ouvir entre os leigos a
expressão “a água está acabando”, quando se noticia sobre o nível das barragens nos períodos secos.
Considerando os conhecimentos sobre o ciclo hidrológico e suas diversas etapas, podemos esclarecer
a esses leigos que
(A) as perdas de água ocorrem com o escoamento superficial, a erosão e a evaporação excessiva.
(B) a quantidade de água que circula no planeta é a mesma desde a consolidação do planeta Terra.
(C) é a monocultura que está acabando com a água, devido à exposição superficial do solo.
(D) o desmatamento e o preparo do solo para agricultura vêm reduzindo a água que circula na Terra.

02. (SEGEP/MA – Oceanógrafo – FCC) Oceanos e mares apresentam relevo submarino diverso e
peculiar contendo várias feições. A feição que se caracteriza por localizar-se na borda da plataforma
continental e apresentar inclinação acentuada, podendo atingir até três mil metros de profundidade,
denomina-se
(A) dorsais.
(B) bacia oceânica.
(C) plataforma continental.
(D) talude continental.
(E) fossas abissais.

03. (Prefeitura de Fortaleza – Ciências – Prefeitura de Fortaleza) A sequência de processos


envolvidos no ciclo da água é:
(A) precipitação – escoamento pelos rios – evaporação no mar.
(B) precipitação – evaporação no mar – escoamento pelos rios.
(C) escoamento pelos rios – precipitação – evaporação no mar.
(D) evaporação no mar – transpiração – escoamento pelos rios.

Gabarito

01.B / 02.D / 03.A

Comentários

01. Resposta: B
Estudos apontam que a quantidade de água hoje existente no planeta é a mesma existente há pelo
menos 600 milhões de anos passados.

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02. Resposta: D
Talude continental refere-se à inclinação mais aprofundada que a plataforma, chegando a até 3 mil
metros de profundidade.

03. Resposta: A
A água se condensa e precipita-se, em forma de chuva, neve ou granizo. Ela então escoa pelos rios
ou para debaixo da terra, preenchendo os lençóis freáticos. Parte dela retorna ao oceano, reiniciando o
ciclo.

HIDROGRAFIA DO BRASIL30

A distribuição das reservas de água no planeta é muito desigual. Enquanto em alguns desertos o índice
de chuvas chega próximo de zero, ele supera 3 mil milímetros por ano em algumas regiões tropicais.
Além disso, quase 96% da água está nos oceanos e mares e, portanto, só pode ser utilizada após
dessalinização, processo bastante caro. Em relação à água doce, somente cerca de 1/3 está disponível
na superfície e no subsolo; o restante é constituído por geleiras e neves, portanto, de difícil utilização.

As Águas Subterrâneas

No estudo das águas correntes, paradas, oceânicas e subterrâneas, é importante considerar, de início,
a água que provém da atmosfera. Ao entrar em contato com a superfície, a água das chuvas pode seguir
três caminhos: escoar, infiltrar no solo ou evaporar. Por meio da evaporação, ela retorna à atmosfera. Já
a água que se infiltra no solo e a que escoa pela superfície dirigem-se, pela ação da gravidade, às
depressões ou às partes mais baixas do relevo, alimentando córregos, rios, lagos, oceanos ou aquíferos 31.
Nos períodos mais chuvosos, o nível freático32 dos aquíferos se eleva, e, na época de estiagem,
abaixa. Ao cavar um poço, encontra-se água assim que o nível freático é atingido.
Quando o nível freático atinge a superfície, aparecem as nascentes dos rios. Em algumas regiões,
principalmente nas tropicais semiúmidas e nas temperadas, o lençol freático abastece os rios em época
de estiagem (nesse caso, os rios são chamados efluentes). Em outras, como nas regiões semidesérticas,
são os rios que abastecem de água o solo quando chega a época da estiagem (rios influentes).
A água subterrânea é muito importante para a vegetação e para o abastecimento humano. Em regiões
de clima árido e semiárido, ela pode ser o principal recurso hídrico disponível para a população e, às
vezes, o único. Estima-se que metade da população mundial utilize a água subterrânea para suas
necessidades diárias de consumo.
Por exemplo, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a população da Arábia Saudita, Dinamarca
e Malta é abastecida exclusivamente por águas subterrâneas, enquanto França, Itália, Alemanha, Suíça,
Áustria, Holanda, Marrocos e Rússia têm 70% de seu abastecimento obtido dessa forma. Em diversos
municípios do Brasil, como Ribeirão Preto (SP), Maceió (AL), Mossoró (RN) e Manaus (AM), entre outros,
as águas subterrâneas são amplamente utilizadas.
O aquífero Grande Amazônia é um reservatório de água subterrânea que ocupa áreas do Brasil, do
Equador, da Colômbia e do Peru. Tem uma extensão de 3950000 km² e engloba os aquíferos Solimões,
Içá e Alter do Chão, com uma extensão três vezes maior que o aquífero Guarani e, segundo estimativas,
com mais que o dobro de seu volume de água.

Poços e Fossas
Onde não há saneamento básico (água encanada e sistema de coleta de esgotos), as residências
costumam ser abastecidas com água de poços e o esgoto é despejado em fossas. Os poços são
cavidades circulares construídas para atingir um aquífero, podendo ser cavados manualmente ou por
meio de equipamentos que atinjam grandes profundidades. Quando a água do poço chega à superfície
do solo sem necessidade de bombeamento, esse poço é chamado artesiano.
Podemos encontrar três tipos de fossas: a fossa negra, a fossa seca e a fossa séptica. Das três, a
fossa séptica, graças às suas paredes impermeabilizadas, é a mais salubre, pois é a que oferece menos
risco de poluir os aquíferos. As paredes impermeabilizadas das fossas sépticas evitam a contaminação
dos solos e dos aquíferos, o que só acontece em casos de vazamentos.

30 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.
31 Aquífero é a zona encharcada do subsolo, ou seja, camada de solo cujos poros encontram-se saturados de água. Os aquíferos podem ser profundos ou mais
próximos da superfície.
32 Lençol freático, também chamado de nível freático, é uma reserva subterrânea de águas provenientes das chuvas que se infiltram entre as fissuras da superfície.

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A fossa negra é a mais condenável, pois geralmente é aberta a pequenas distâncias (entre 1,5 m e 20
m) dos lençóis freáticos ou dos poços, permitindo a contaminação da água. A fossa seca tem as mesmas
características da fossa negra, mas é construída a uma distância superior a 20 metros em relação ao
lençol freático.
As fossas sépticas constituem um aparelho sanitário por meio do qual os microrganismos presentes
nos desejos humanos transformam a matéria orgânica em substâncias minerais. Essas substâncias
podem, então, entrar em contanto com o solo e com o lençol freático sem o risco de contaminação.
Os poços até podem ser abertos próximos às fossas, mas eles devem ser perfurados em um local do
terreno mais alto, e a distância entre o poço e a fossa deve ser de, no mínimo, 10 m. Quando a fossa é
negra ou seca, ou, ainda, se é uma fossa séptica que apresenta vazamento, a água da chuva infiltra no
solo, atravessa a fossa e depois atinge o poço, poluindo-o.

Redes de Drenagem e Bacias Hidrográficas

Os maiores rios são pequenos córregos nas proximidades de suas nascentes. À medida que avançam
para a foz, isto é, de seu alto curso (ou montante) para o baixo curso (ou jusante), vão recebendo água
de seus afluentes. Com isso, ocorre um aumento gradativo no volume de água, aprofundando e/ou
alargando o leito do rio.
O leito do rio é o trecho recoberto pelas águas, sendo sua largura variável conforme a quantidade de
água existente no canal ao longo do ano. As margens são as partes laterais que demarcam o leito fluvial.
Tomando-se o sentido do escoamento das águas, ou seja, olhando em direção à jusante, distinguimos a
margem direita e a margem esquerda.
A variação na quantidade de água no leito do rio ao longo do ano recebe o nome de regime. Quando
o nível de água do rio está baixo, é a chamada vazante; quando o volume de água é elevado, ocorre a
cheia; e, se as águas subirem muito, alagando áreas no entorno do rio, ocorrem as enchentes.
Se a variação do nível das águas depende exclusivamente da chuva, dizemos que o rio tem regime
pluvial; se depende do derretimento de neve, o regime é nival; se depende de geleiras, é glacial. Muitos
rios apresentam regime misto ou complexo, como no Japão, onde são alimentados pela chuva e pelo
derretimento da neve das montanhas. No Brasil, apenas o rio Solimões-Amazonas tem esse regime, pois
uma pequena quantidade de suas áreas provém do derretimento de neve da cordilheira dos Andes, no
Peru, onde se localiza sua nascente. Todos os demais rios brasileiros possuem regime pluvial simples,
associado aos tipos climáticos regionais.
No período das cheias, a calha de muitos rios não suporta o escoamento de um volume maior de
chuvas e as águas passam a ocupar um leito maior, a várzea, também chamada planície de inundação.
A várzea pertence ao rio tanto quanto suas margens. Portanto, ocupar uma área de várzea significa
construir sobre uma parte integrante do rio onde podem ocorrer inundações periódicas.
As porções mais altas do relevo, sejam regiões serranas, planálticas, sejam simples colinas, funcionam
como divisores de águas, que delimitam as bacias hidrográficas. Por elas converge toda a água das
chuvas que escoa ao longo das vertentes (encostas do relevo) em direção aos seus pontos mais baixos,
os fundos dos vales, onde se localizam os córregos e os rios. Assim, as bacias hidrográficas são
constituídas pelas vertentes e pela rede de rios principais, afluentes e subafluentes, cujo conjunto forma
uma rede de drenagem33.
O volume de água de uma bacia hidrográfica depende dos solos, das rochas e principalmente do clima
da região. Na Amazônia, por exemplo, onde as longas estiagens são raras, os rios de maior porte são
perenes ou caudalosos, o que significa que nunca secam, porque possuem grande volume de água. Em
áreas de clima semiárido, os rios muitas vezes são intermitentes (ou temporários), secando no período
de estiagem.
Há, ainda, principalmente nos desertos, os cursos de água efêmeros, que se formam somente durante
a ocorrência de chuvas; quando as chuvas cessam, tais rios secam rapidamente.
Se um rio atravessa um deserto e é perene, isso indica que chove bastante na região de sua nascente
e em seu alto curso, e que a captação de sus águas ocorre fora da região árida. O rio Nilo, por exemplo,
nasce no lago Vitória, na região equatorial africana, onde chove muito; por esse motivo consegue
atravessar o deserto do Saara e desembocar no mar Mediterrâneo.
No Brasil, o rio São Francisco nasce na serra da Canastra (MG), uma área de clima tropical com
significativa captação de água, que permite ao rio atravessar o Sertão nordestino, onde o clima é
semiárido, e desembocar no oceano Atlântico.

33 Rede de Drenagem é o traçado dos rios e demais cursos de água sobre o relevo.

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A inter-relação existente entre os elementos da natureza é bastante evidente no interior das bacias
hidrográficas. Qualquer modificação que ocorra nessas bacias, como escorregamentos de terra, sulcos
ou outras formas de erosão nas vertentes, desmatamento, aumento das manchas urbanas, etc., altera a
quantidade de água que se infiltra no subsolo e alimenta os aquíferos, e altera também a quantidade de
sedimentos que são transportados para o leito dos rios. Como resultado, o processo de assoreamento
pode ser intensificado ou reduzido e as superfícies de inundação podem ser ampliadas ou diminuídas.
Outro problema que pode afetar os rios é a contaminação de suas águas por minérios, como aconteceu
com o rio Doce, no município de Mariana (MG), em 2015, por exemplo, após o rompimento de duas
barragens utilizadas para reter rejeitos sólidos e água durante o processo de mineração.
As bacias hidrográficas não são importantes apenas para a irrigação agrícola e o fornecimento de água
potável à população. Os rios de planalto que apresentam grande desnível ao longo de seu curso também
podem ser aproveitados para a produção de hidroeletricidade, com a construção de barragens. Caso se
queira propiciar a navegação nesses rios, é preciso construir eclusas para que as embarcações possam
passar de um nível a outro.
Os rios de planície, bem como os lagos, são facilmente navegáveis, desde que não se formem bancos
de areia em seu leito (comum em áreas onde o solo está exposto à erosão) e não ocorra grande
diminuição do nível das águas. Essas condições desfavoráveis podem impedir a navegação de
embarcações com maior calado (a parte da embarcação que fica abaixo do nível da água).
Os lagos são depressões do relevo preenchidas por água. Podem ser temporários ou permanentes e
ter diversas origens: movimentos tectônicos provocado o surgimento de depressões, movimento de
geleiras escavando vales, meandros que ficaram isolados do curso de um rio, pequenas depressões de
várzeas, crateras de vulcões, etc. em regiões de estrutura geológica antiga, como no território brasileiro,
a maioria das depressões já foi preenchida por sedimentos e tornaram-se bacias sedimentares.
Ao fim de um período de glaciação, as depressões escavadas pelo lento movimento das geleiras são
preenchidas pelas águas da chuva e dos rios, formando lagos glaciais, muito comuns no Canadá e nos
países escandinavos.

Bacias Hidrográficas Brasileiras

Em razão de sal grande extensão territorial e da predominância de climas úmidos, o Brasil possui uma
extensa e densa rede hidrográfica. Os rios brasileiros têm diversos usos, como o abastecimento urbano
e rural, a irrigação, o lazer e a pesca. O transporte fluvial, embora ainda pouco utilizado, vem adquirindo
cada vez mais importância no país, sobretudo na Bacia Platina, onde foi construída a hidrovia Tietê-
Paraná. Em regiões planálticas, nossos rios apresentam um grande potencial hidrelétrico (capacidade de
geração de energia).

Características da Hidrografia Brasileira


→ O Brasil não possui lagos tectônicos. Há somente lagos de várzeas (temporários, muito comuns no
Pantanal) e lagunas ou lagoas costeiras (formadas por restingas), além de centenas de represas e açudes
resultantes da construção de barragens.
→ Todos os rios brasileiros, com exceção do Amazonas, possuem regime simples pluvial.
→ Todos os rios do país são exorreicos (do grego exo, “fora”), ou seja, possuem drenagem que se
dirige ao oceano, para fora do continente. Mesmo os rios endorreicos (do grego endo, “dentro”), que
correm para o interior do continente, têm como destino final de suas águas o oceano, com acontece com
o Tietê, o Paranaíba e o Iguaçu, entre outros afluentes do rio Paraná, que desaguam no mar (no estuário 34
do rio da Prata, entre o Uruguai e a Argentina). Observe a imagem abaixo da Foz em estuário do rio
Jucuruçu, em Prado (BA). A maioria dos rios brasileiros possui esse tipo de foz, ou seja, deságua
livremente no mar.

34Estuário é a foz de rio em encontro com o mar aberto, ocorrendo influência das marés e mistura de água salina do oceano com a água doce proveniente do
continente; a foz em estuário é livre, sem formação dos braços que caracterizam os deltas.

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http://naturezadabahia.blogspot.com/2011/

→ Considerando-se os rios de maior porte, só encontramos regimes temporários no Sertão nordestino,


onde o clima é semiárido. No restante do país, os grandes rios são perenes.
→ Predominam os rios de planalto, muitos dos quais escoam por áreas de elevado índice
pluviométrico.
→ Em vários pontos do país há corredeiras, cascatas e, em algumas áreas, rios subterrâneos
(atravessando cavernas), o que favorece o turismo. Quedas d’água de grande porte desapareceram nos
últimos cinquenta anos com a construção de represas de hidrelétricas, como as cataratas de Sete
Quedas, no rio Iguaçu, que foram inundadas com a construção da usina de Itaipu.
→ Na região amazônica, os rios têm grande importância como vias de transporte, com destaque aos
rios Solimões/Amazonas, Madeira, Tapajós e Araguaia/Tocantins.

O mapa abaixo apresenta as principais bacias hidrográficas brasileiras. Elencamos suas


características mais importantes.

Bacias Hidrográficas Brasileiras

https://www.ana.gov.br/aguas-no-brasil/panorama-das-aguas/copy_of_divisoes-hidrograficas

Bacia do rio Amazonas (ou Amazônica)


A maior bacia hidrográfica do planeta. Ocupa mais da metade do território brasileiro e tem suas
vertentes delimitadas pelos divisores de água da cordilheira dos Andes, pelo planalto das Guianas e pelo
planalto Central. Seu rio principal nasce no córrego Apacheta, no Peru, onde o curso de água recebe
ainda outros nomes; passa a ser denominado Solimões da fronteira brasileira até o encontro com o rio
Negro e, a partir daí, recebe o nome de Amazonas. É o rio mais extenso (6.992 km no total, segundo o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE) e de maior volume de água do planeta. Sua vazão
representa cerca de 18% da água doce que todos os rios do planeta lançam no oceano. Esse fato é
explicado pela presença de afluentes nos dois hemisférios (norte e sul), o que permite dupla captação
das cheias de verão.
Os afluentes de planalto do rio Amazonas possuem o maior potencial hidrelétrico disponível do país,
com destaque aos rios Madeira e Tapajós. Ao atingirem as terras baixas, tornam-se rios navegáveis. O
rio Amazonas, que corre no centro da planície, é inteiramente navegável. Segundo o INPE, em território
brasileiro, da divisa com o Peru até a foz, o rio Amazonas tem um desnível de apenas 1 centímetro por
quilômetro.
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Na figura abaixo visualiza-se o encontro das águas dos rios Solimões e Negro, em Manaus (AM). Ao
se juntarem, eles formam o rio Amazonas.

https://www.imgrumweb.com/hashtag/conhecaaamazonia
Bacia do rio Tocantins-Araguaia
No Bico do Papagaio, região que abrange parte dos estados do Tocantins, do Pará e do Maranhão, o
rio Tocantins recebe seu principal afluente, o Araguaia, onde se encontra a ilha do Bananal, a maior ilha
fluvial do mundo. O rio Tocantins é utilizado para escoar parte da produção de grãos (principalmente soja)
das regiões próximas e nele foi construída a usina hidrelétrica de Tucuruí, uma das maiores do país.

Bacias do Paraná, Paraguai e Uruguai


São subdivisões da bacia do rio da Prata (ou Platina), a segunda maior bacia hidrográfica do planeta.
Seus rios mais importantes são:

Paraná: Principal rio da bacia Platina, é formado pelos rios Grande e Paranaíba, na junção dos estados
de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Possui o maior potencial hidrelétrico instalado do país.
Cerca de 600 km a jusante, delimita a fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Deságua no oceano Atlântico,
no estuário do rio Prata. Observe a imagem abaixo.

Rio Paraná em Foz do Iguaçu (PR). As bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai formam a bacia Platina.

Paraguai: Segundo dos grandes rios da bacia Platina, nasce em Mato Grosso, atravessa o relevo
plano do Pantanal e avança pelo Paraguai até encontrar o rio Paraná. O Paraguai e o trecho final do
Paraná formam uma via naturalmente navegável.

Uruguai: Percorre a fronteira Brasil-Argentina e a Uruguai-Argentina até desembocar no rio da Prata.

Bacia do rio São Francisco: o rio São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais,
atravessa o sertão semiárido e desemboca no oceano Atlântico, entre os estados de Sergipe e Alagoas.
Tem poucos afluentes e é aproveitado para irrigação e navegação (entre Pirapora-MG e Juazeiro-BA),
além de gear grande quantidade de energia hidrelétrica.

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Bacia do rio Parnaíba: como parte dessa bacia está localizada em região de clima semiárido,
apresenta pequena vazão média ao longo do ano. Possui afluentes temporários e, em seu baixo curso,
alguns são perenes.

Bacias atlânticas ou costeiras: o Brasil possui cinco conjuntos, ou agrupamentos de rios, chamados
bacias hidrográficas do Atlântico: Nordeste Ocidental, Nordeste Oriental, Leste, Sudeste e Sul. As bacias
que compõem cada um desses conjuntos não possuem ligação entre si; elas foram agrupadas por sua
localização geográfica ao longo do litoral. O rio principal de cada uma delas tem sua própria bacia
hidrográfica. Por exemplo, as bacias do Sudeste são formadas pelo agrupamento das bacias dos rios
Paraíba do Sul, Doce e Ribeira de Iguape.

Questões

01. (Enem) O Aquífero Guarani se estende por 1,2 milhão de km² e é um dos maiores reservatórios
de águas subterrâneas do mundo. O aquífero é como uma “esponja gigante" de arenito, uma rocha porosa
e absorvente, quase totalmente confinada sob centenas de metros de rochas impermeáveis. Ele é
recarregado nas áreas em que o arenito aflora à superfície, absorvendo água da chuva. Uma pesquisa
realizada em 2002 pela Embrapa apontou cinco pontos de contaminação do aquífero por agrotóxico,
conforme a figura:

Considerando as consequências socioambientais e respeitando as necessidades econômicas, pode-


se afirmar que, diante do problema apresentado, políticas públicas adequadas deveriam
(A) proibir o uso das águas do aquífero para irrigação.
(B) impedir a atividade agrícola em toda a região do aquífero.
(C) impermeabilizar as áreas onde o arenito aflora.
(D) construir novos reservatórios para a captação da água na região.
(E) controlar a atividade agrícola e agroindustrial nas áreas de recarga.

02. (Enem) O artigo 1º da Lei Federal nº 9.433/1997 (Lei das Águas) estabelece, entre outros, os
seguintes fundamentos:
I. a água é um bem de domínio público;
II. a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III. em situações de escassez, os usos prioritários dos recursos hídricos são o consumo humano e a
dessedentação de animais;
IV. a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas.
Considere que um rio nasça em uma fazenda cuja única atividade produtiva seja a lavoura irrigada de
milho e que a companhia de águas do município em que se encontra a fazenda colete água desse rio
para abastecer a cidade. Considere, ainda, que, durante uma estiagem, o volume de água do rio tenha
chegado ao nível crítico, tornando-se insuficiente para garantir o consumo humano e a atividade agrícola
mencionada.
Nessa situação, qual das medidas adiante estaria de acordo com o artigo 1º da Lei das Águas?
(A) Manter a irrigação da lavoura, pois a água do rio pertence ao dono da fazenda.

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(B) Interromper a irrigação da lavoura, para se garantir o abastecimento de água para consumo
humano.
(C) Manter o fornecimento de água apenas para aqueles que pagam mais, já que a água é bem dotado
de valor econômico.
(D) Manter o fornecimento de água tanto para a lavoura quanto para o consumo humano, até o
esgotamento do rio.
(E) Interromper o fornecimento de água para a lavoura e para o consumo humano, a fim de que a água
seja transferida para outros rios.

Gabarito

01.E / 02.B

Comentários

01. Resposta: E
O aquífero Guarani estende-se por diferentes províncias e estruturas geológicas. Consequentemente,
suas águas apresentam grande variação de composição química, sendo potáveis em algumas áreas e
impróprias para abastecimento ou irrigação em outras. Além das diferenças naturais em sua composição,
as águas do aquífero podem ser contaminadas pelas aguas das chuvas que nele infiltram, daí a
necessidade de controle das condições ambientais, evitando a contaminação dos solos por atividades
agrícolas, industriais, instalação de lixões e quaisquer outras fontes e polução.

02. Resposta: B
Segundo o inciso III da Lei das Águas, em situações de escassez os usos prioritários dos recursos
hídricos são o consumo humano e a dessedentação 35 de animais. Portanto, em caso de estiagem deve-
se priorizar o abastecimento humano em detrimento da produção agrícola.

ROCHAS E SOLOS

Rochas - Material de Origem de Formação dos Solos

O material de origem depende da classificação genética das rochas. Classificar as rochas significa
usar critérios que permitam agrupá-las segundo características semelhantes.
Uma das principais classificações é a genética, em que as rochas são agrupadas de acordo com o seu
modo de formação na natureza. Sob este aspecto, as rochas dividem-se em três grandes grupos:
- Ígneas ou magmáticas;
- Sedimentares;
- Metamórficas.

Rochas Ígneas ou Magmáticas


Resultantes do resfriamento de material rochoso fundido, chamado magma. Exemplo:

35 Suprir necessidades de água para contingentes animais.

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São chamadas de rocha ígnea intrusiva, quando o resfriamento ocorrer no interior do globo terrestre,
e de rocha ígnea extrusiva ou vulcânica, se o magma conseguir chegar à superfície.
Para reconhecer se a rocha é intrusiva ou extrusiva, é necessário avaliar sua textura.
O resfriamento dos magmas intrusivos é lento, dando tempo para que os minerais em formação
cresçam o suficiente para serem facilmente visíveis. Alguns cristais podem chegar a vários centímetros.
O resfriamento dos magmas extrusivos é muito mais rápido. Muitas vezes, não há tempo suficiente
para os cristais crescerem muito. A rocha extrusiva tende a ter, portanto, uma textura de granulação fina.

A cor das rochas ígneas é muito variável, podendo ser classificadas como:
- Máficas – são as rochas ígneas escuras ricas em minerais contendo magnésio e ferro;
- Félsicas – são claras, mais ricas em minerais, e contêm sílica e alumínio (siálicas), que incluem os
feldspatos e o quartzo ou sílica.
Rochas Sedimentares
Parte das rochas sedimentares é formada a partir da compactação e/ou cimentação de fragmentos
produzidos pela ação dos agentes intempéricos e pedogênese sobre uma rocha preexistente, após serem
transportados pela ação dos ventos, das águas que escoam pela superfície ou pelo gelo, do ponto de
origem até o ponto de deposição. Exemplo:

As rochas sedimentares, quanto a sua textura, podem ser classificadas como:


a) Clástica – quando a rocha sedimentar é constituída por partículas preexistentes. A litificação ocorre
em condições geológicas de baixa pressão e baixa temperatura e, por isso, as rochas clásticas não têm,
salvo raras exceções, a mesma consistência dura das rochas ígneas.
b) Químicas ou Não-Clásticas – são formadas pela precipitação dos radicais salinos, que foram
produzidos pelo intemperismo químico e agora se encontram dissolvidos nas águas dos rios, lagos e
mares.
c) Orgânicos – são acúmulos de M.O. (material orgânico) tais como restos de vegetais, conchas de
animais, excrementos de aves etc. que, por compactação, acabam gerando, respectivamente, turfa,
coquina e guano. São pseudorrochas porque as suas partículas não são minerais.

Rochas Metamórficas
Resultam da transformação de uma rocha preexistente no estado sólido.
O processo geológico de transformação se dá por aumento de pressão e/ou temperatura sobre a rocha
preexistente, sem que o ponto de fusão dos seus minerais seja atingido. Exemplo:

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O metamorfismo pode ser regional, local e dinâmico. O regional ocorre em grandes extensões da
superfície do globo terrestre, em consequência de eventos geológicos de grande porte como, por
exemplo, edificação de cadeias de montanhas.
Dependendo dos valores alcançados pela variação de pressão e temperaturas, têm-se os
metamorfismos regionais de baixo, médio e alto grau.
Muitas rochas metamórficas são reconhecidas graças a sua estrutura de foliação, ou seja, a orientação
preferencial que os minerais placoides assumem, bem como a sua estrutura de camadas dobradas,
devido às deformações que acompanham o metamorfismo regional.
O metamorfismo local restringe-se a domínios de terreno que variam entre centímetros e dezenas de
metros de extensão. O metamorfismo termal ou de contato ocorre quando o aumento de temperatura
predomina.
O metamorfismo dinâmico ocorre quando predomina o aumento de pressão no fenômeno da
transformação das rochas como em zonas de falhas.
Quando a temperatura do metamorfismo ultrapassa um certo limite, determinado pela natureza
química da rocha e pela pressão vigente, frequentemente na faixa de 700 - 800º C, as rochas começam
a se fundir, produzindo novamente um magma.

Solos - Gênese e Classificação do Solo

De modo geral, os solos vêm sendo formados há milhões de anos. São frutos de um processo contínuo
que se iniciou com o processo de decomposição de uma rocha matriz, que também pode ser chamada
de rocha-mãe.
À medida que a rocha matriz vai sofrendo a ação do intemperismo (ação da água, vento e seres vivos),
ocorre a liberação de fragmentos de rocha que, por sua vez, se misturam a outros sedimentos, como
restos de animais e plantas, e, portanto, dão origem a um determinado tipo de solo36.

Introdução à Pedologia e seus Conceitos Básicos


As bases da Pedologia, ramo do conhecimento relativamente recente, ou Ciência do Solo como
também é chamada, foram lançadas em 1880 na União Soviética por Dokuchaiev, ao reconhecer que o
solo não era um simples amontoado de materiais não consolidados, em diferentes estágios de alteração,
mas resultava de uma complexa interação de inúmeros fatores genéticos: clima, organismos e topografia,
os quais, agindo durante certo período de tempo sobre o material de origem, produziam o solo 37.
A preocupação inicial de Dokuchaiev, de cunho pedológico - explicar a formação dos solos e
estabelecer um sistema de classificação - era, sem dúvida, uma preocupação oportuna em definir uma
nova área de estudo e delimitar lhe o espaço dentro do contexto do campo da Ciência. A expansão dos
estudos pedológicos decorreu, em grande parte, da necessidade de:
- corrigir a fertilidade natural dos solos, depauperada ao longo dos anos de exploração agrícola e
agravada pela erosão;
- elevar a fertilidade natural de solos originalmente depauperados;
- neutralizar a acidez do solo;
- agrupar solos apropriados para determinadas culturas;

36 <http://www.universiaenem.com.br/sistema/faces/pagina/publica/conteudo/textohtml.xhtml?redirect=51704978228430979754772414673>
37 IBGE. Manual Técnico de Pedologia. 2ª Edição. Rio de Janeiro. 2007.

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- preservar os solos contra os perigos da erosão.

Intemperismo
Meteorização ou intemperismo é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e
solos, e seus minerais constituintes, por ação dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da
sua exposição aos agentes externos.
Esses agentes podem ocorrer simultaneamente na natureza e acabam por se complementarem no
processo de formação das rochas. Isso fica demonstrado quando analisamos o efeito da temperatura e
da água nas rochas.
Variações climáticas podem levar ao trincamento das rochas e, por conseguinte, a água irá penetrar
essas trincas atacando quimicamente os minerais. Pode ocorrer também, que o congelamento da água
nas trincas leve ao fissuramento da rocha devido às tensões geradas.
Ressalta-se38 que os processos de intemperismo físico reduzem o tamanho das partículas,
aumentando sua área de superfície e facilitando o trabalho do intemperismo químico. Já os processos
químicos e biológicos podem causar a completa alteração física da rocha e alterar suas propriedades
químicas39.

O Intemperismo físico não altera a composição química da rocha. Os principais tipos são:
- Variações de Temperatura: da física sabemos que todo material varia de volume em função de sua
temperatura. Estas variações de temperatura ocorrem entre o dia e a noite e durante o ano, e sua
intensidade será função do clima local. Acontece que uma rocha é geralmente formada de diferentes tipos
de minerais, cada qual possuindo uma constante de dilatação térmica diferente, o que faz a rocha
deformar de maneira desigual em seu interior, provocando o aparecimento de tensões internas que
tendem a fraturá-la. Mesmo rochas com uma uniformidade de componentes não têm uma arrumação que
permita uma expansão uniforme, pois grãos compridos deformam mais na direção de sua maior
dimensão, tendendo a gerar tensões internas e auxiliar no seu processo de desagregação.
- Repuxo coloidal: é caracterizado pela retração da argila devido à sua diminuição de umidade, o que
em contato com a rocha pode gerar tensões capazes de fraturá-la.
- Ciclos gelo/degelo: as fraturas existentes nas rochas podem se encontrar parcialmente ou
totalmente preenchidas com água. Esta água, em função das condições locais, pode vir a congelar,
expandindo-se e exercendo esforços no sentido de abrir ainda mais as fraturas preexistentes na rocha,
auxiliando no processo de intemperismo (a água aumenta em cerca de 8% o seu volume devido à nova
arrumação das suas moléculas durante a cristalização). Vale ressaltar também que a água transporta
substâncias ativas quimicamente, incluindo sais que ao reagirem com ácidos provocam cristalização com
aumento de volume.

- Alívio de pressões: irá ocorrer em um maciço rochoso sempre que da retirada de material sobre ou
ao lado do maciço, provocando a sua expansão, o que por sua vez, irá contribuir no fraturamento,
estricções e formação de juntas na rocha. Estes processos, isolados ou combinados (caso mais comum)
"fraturam" as rochas continuamente, o que permite a entrada de agentes químicos e biológicos, cujos
efeitos aumentam o fraturamento e tende a reduzir a rocha a blocos cada vez menores.

Por outro lado, o intemperismo químico irá provocar alterações na estrutura química das rochas. A
hidrólise, hidratação (responsável pela expansão da rocha) e carbonatação (principalmente em rochas
calcárias) são os exemplos clássicos de intemperismo químico.

- Hidrólise: dentre os processos de decomposição química do intemperismo, a hidrólise é a que se


reveste de maior importância, porque é o mecanismo que leva a destruição dos silicatos, que são os
compostos químicos mais importantes da litosfera. Em resumo, os minerais na presença dos íons H+
liberados pela água são atacados, reagindo com os mesmos. O H+ penetra nas estruturas cristalinas dos
minerais desalojando os seus íons originais (Ca++, K+, Na+, etc.) causando um desequilíbrio na estrutura
cristalina do mineral e levando-o a destruição.

- Hidratação: é a entrada de moléculas de água na estrutura dos minerais. Alguns minerais quando
hidratados (feldspatos, por exemplo) sofrem expansão, levando ao fraturamento da rocha.

38 MACHADO, S. l. (2002) – “Apostila Mecânica dos Solos” – Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Departamento de Geotécnica da Escola Politécnica de
Engenharia.
39 PAULO CÉSAR LODI. Mecânica dos Solos. Volume I. UNESP.

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- Carbonatação: o ácido carbônico é o responsável por este tipo de intemperismo. O intemperismo
por carbonatação é mais acentuado em rochas calcárias por causa da diferença de solubilidade entre o
CaCO3 e o bicarbonato de cálcio formado durante a reação.

O intemperismo biológico é resultante da ação de esforços mecânicos induzidos por raízes de


vegetais, escavação de roedores e, até mesmo, a própria ação humana.
Enfatiza-se40 que o conjunto desses processos ocorre mais frequentemente em climas quentes e que,
consequentemente, os solos serão misturas de partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e
pela composição química.
Analisando a formação dos solos face aos tipos de intemperismo, verifica-se que os solos resultantes
de intemperismo físico irão apresentar composição química semelhante à da rocha que lhes originou.
Por outro lado, o intemperismo químico irá formar solos mais profundos e mais finos do que os solos
formados onde há predominância do intemperismo físico.

Produtos do Intemperismo
O solo é o principal produto resultante da ação do intemperismo, no qual as ações em torno dele como
a erosão também são consequências.
Conforme definição do Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná, o solo é “Produto do
intemperismo físico e químico das rochas, situado na parte superficial do manto de intemperismo.
Constitui-se de material rochoso desintegrado e decomposto41”.

Fatores Pedogenéticos
Os principais fatores ligados à formação dos solos são:
- O relevo na formação dos solos42

A ação do relevo reflete diretamente sobre a dinâmica da água, tanto no sentido vertical (infiltração)
como lateral (escorrimentos superficiais – enxurradas – e dentro do perfil); e indiretamente sobre o clima
dos solos (temperatura e umidade), através da incidência diferenciada da radiação solar, do decréscimo
da temperatura com o aumento das altitudes, e sobre os seres vivos – os tipos de vegetação natural
importantes na formação dos solos.
A água que cai sobre um terreno e não evapora tem apenas dois caminhos: ou penetra no solo ou
escorre pela superfície.
Geralmente, segue concomitantemente ambos os caminhos, com maior ou menor participação de um
ou outro, dependendo das condições do relevo (declividade e comprimento da vertente); da cobertura
vegetal; e de fatores intrínsecos do solo.
Em terrenos declivosos, a quantidade de água que penetra no solo é, em igualdade de incidência de
precipitação pluvial, normalmente menor que nos menos inclinados.
Na coexistência de ambas as situações, compartilhando uma porção da paisagem, as áreas menos
declivosas recebem o acréscimo de água do escoamento superficial e subsuperficial proveniente das
áreas mais altas.
Os solos de relevo íngreme são submetidos ao rejuvenescimento, através dos processos erosivos
naturais e, em geral, apresentam clima mais seco do que aqueles de relevo mais suaves.
Os solos rasos e pouco profundos das vertentes declivosas são naturalmente coabitados por matas
mais secas do que as dos terrenos contíguos menos íngremes.
Disso resultam solos menos profundos e evoluídos do que os situados em condições de relevo mais
suave, onde as condições hídricas determinam ambiente úmido mais duradouro.
Em terrenos aplainados, a eliminação da água pelo escorrimento superficial é diminuta; assim, há um
acentuado fluxo de água através do perfil, favorecendo a lixiviação (extração ou solubilização dos
constituintes químicos de uma rocha, mineral ou solo) em sistema de drenagem livre.
Nos terrenos de relevo subaplainado ou deprimido, em ambiente de drenagem impedida, determinando
sistema fechado, as condições são ideais para os fenômenos de redução, devido ao prolongado
encharcamento, resultando em solos particulares, denominados hidromórficos.
Outra implicação importante do relevo é sobre a taxa de radiação e, consequentemente, sobre o clima
do solo em diferentes situações de exposição dos terrenos à ação solar.
Em regiões montanhosas, por exemplo, dependendo da orientação das encostas, a variação de
incidência da radiação solar é significativa.

40 PINTO, C. S. (2000). Curso Básico de Mecânica dos Solos em16 Aulas, 247 págs., Oficina de Textos, São Paulo.
41 <http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/glossario/conteudo.php?conteudo=S>
42 Geografia Física II / Fernando Moreira da Silva, Marcelo dos Santos Chaves, Zuleide Maria C. Lima. – Natal, RN: EDUFRN, 2009.

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O Clima na Formação dos Solos
O clima constitui um dos mais ativos e importantes fatores de formação do solo.
De seus elementos, destacam-se, em nosso país, pela ação direta na pedogênese:

- a temperatura;
- a precipitação pluvial
- a deficiência e o excedente hídrico

A latitude influi diretamente nos regimes térmicos regionais. É muito importante no desenvolvimento
dos solos, pois a velocidade das reações químicas que neles se processam é maior e diretamente
proporcional ao aumento da temperatura.
Além da temperatura, a quantidade de água de chuva que atinge, penetre, permaneça ou escorra na
superfície é um fator igualmente importante no processo de formação do solo.
Regiões com farta disponibilidade de água excedente apresentam, normalmente, solos mais evoluídos
do que regiões secas.
O enorme volume de água que flui através dos solos nas regiões úmidas promove a hidratação de
constituintes e favorece a remoção dos cátions liberados dos minerais pela hidrólise, acelerando as
transformações de constituintes e, consequentemente, o processo evolutivo do solo.
Da conjugação de variados regimes de temperatura e umidade, resulta essencialmente a ocorrência
de climas distintos ao longo do território brasileiro e, por conseguinte, de ações formadoras de solo
também diferenciadas.
Entre os baixos platôs amazônicos quentes e úmidos, o sertão nordestino quente e semiárido e os
planaltos sulinos frios e úmidos, há diferenças apreciáveis no que concerne à formação de solos, em
consequência das disparidades de condições pedoclimáticas.
Na região amazônica, a conjunção de alta temperatura e alta precipitação pluvial, ao longo do ano,
favorece a efetivação das reações químicas que se processam nos solos. Por exemplo: solos bastantes
intemperizados, profundos, essencialmente cauliníticos, muito pobres quimicamente, com reações
bastante ácidas.
No Nordeste semiárido, a escassez de umidade contribui para diminuição da velocidade e intensidade
dos processos pedogenéticos, resultando em solos pouco desenvolvidos, rasos ou pouco profundos,
cascalhentos ou pedregosos e/ou com relativa abundância de minerais primários pouco alterados e
minerais de argila de elevada atividade coloidal. Por exemplo: solos pouco lixiviados, quimicamente ricos,
pouco ácidos e ligeiramente alcalinos ou mesmo com altos teores de sais solúveis e de sódio trocáveis.
Nos planaltos sulinos, as baixas temperaturas e a constante umidade favorecem a formação de solos
com espessas camadas superficiais escuras e ricas em M.O (Molibdênio), conferindo-lhes particular
morfologia, além de influenciar mais ativamente os processos de transformações e neoformações. Por
exemplo: solos não muito desenvolvidos, pouco profundos, por vezes pedregosos, quimicamente pobres,
muito lixiviados, de reação bastante ácida e consideravelmente ricos em constituintes orgânicos.

Os Organismos na Formação dos Solos


Os organismos – microflora e macroflora, microfauna e macrofauna – pelas suas manifestações de
vida, quer na superfície quer no interior dos solos, atuam como agentes de sua formação.
O homem também faz parte desse contexto, pois, pela sua atuação, pode modificar intensamente as
condições originais do solo.
Dos organismos, sobressai por sua intensa e mais evidente ação como fator pedogenético a
macrofauna.

Qual a importância da cobertura vegetal para o solo?


A cobertura vegetal tem uma ação passiva como agente atenuante do clima; porém, é como agente
ativo na formação do solo que ela se destaca. Sua ação protetora depende de sua estrutura e tipo. Por
exemplo: na Amazônia, a cobertura vegetal é eficaz (protege o solo contra a ação das chuvas).
Na região de caatinga semiárida do nordeste, o efeito protetor é pouco efetivo na proteção do solo,
resultando em acentuadas enxurradas de forte poder erosivo.
O anteparo da cobertura vegetal exerce efeito atenuador na temperatura da parte mais superficial dos
solos, repercutindo na diminuição da evapotranspiração.
A ação pedológica passiva da cobertura vegetal desempenha ainda outras funções protetoras,
intervindo na fixação de materiais sólidos, como nas dunas ou nas planícies aluviais.
A vegetação tem participação ativa nos processos de TC (condições de drenagem através do tempo)
no material do solo, pela ação do contato direto das raízes com as superfícies coloidais além da relevante

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participação no estoque de nutrientes do sistema, os quais retornam aos solos devolvidos pelos resíduos
vegetais.
A ação mais importante da cobertura vegetal ocorre, nos fenômenos de adição, tanto na superfície,
através dos resíduos vegetais aí depositados, como no interior do solo, mediante restos que se
decompõem.
A macrofauna tem importância como agente homogeneizador dos solos. Nessa situação em particular,
são muito citados os efeitos dos cupins, das formigas, dos tatus e de muitos roedores que cavam buracos.
As minhocas, abrindo galerias, melhoram a aeração dos solos. Os micróbios, por sua vez, têm ação
marcante na decomposição dos compostos orgânicos, na fixação de nitrogênio e em processos de
oxidação e/ou redução.
E o homem? Constitui um elemento perturbador da constituição e arranjo das camadas dos solos,
através das modificações que imprime na paisagem, como:
- desmatamento,
- reflorestamento,
- abertura de estradas,
- aplainamento
- escavações,

Ou através de alterações que realiza diretamente no solo, como:


- aplicação de corretivos e fertilizantes,
- arações,
- irrigação,
- drenagem e deposição de restos da sua fauna diária.

O Tempo na Formação dos Solos


Dos fatores de formação, o tempo é o mais passivo: não adiciona, não exporta material nem gera
energia que possa acelerar os fenômenos de intemperismo mecânico e químico, necessário à formação
de um solo
Contudo, o estado do sistema solo não é estático: varia no transcorrer das transformações, transportes,
adições e perdas que têm lugar na sua formação e evolução. O conhecimento da duração do período de
gestação dos solos é, contudo, muito complexo.
A Geomorfologia ensina que, no Brasil, é possível encontrar desde materiais de origem recente até os
mais velhos de que se têm notícias na Terra. Onde são encontrados exemplos de solos de cronologia
recente? Nas planícies aluviais que ainda recebem, através das inundações, adições periódicas de
material.
Onde são encontrados exemplos de solos de cronologia mais antiga? Nos planaltos que constituem
os divisores dos grandes sistemas hidrográficos, como por exemplo o Planalto Central Brasileiro. Seu
início se deu há milhões de anos.
Qual a diferença entre idade e maturidade dos solos? A idade (cronologia) é a medida dos anos
transcorridos desde seu início até determinado momento, enquanto a maturidade (evolução) é expressa
pela evolução sofrida, manifestada por seus atributos em dado momento de sua existência.
Assim, alguns solos podem apresentar idade absoluta relativamente pequena e serem bem mais
maduros que outros com idade absoluta bem maior.

Questões

01. (IGP/SC – Perito Criminal Ambiental – IESES/2017) No tocante à formação dos solos, assinale
a alternativa correta:
(A) O solo é formado a partir de processos internos do planeta Terra, como o vulcanismo e o movimento
das placas tectônicas.
(B) Os solos se formam com mais facilidade em áreas com pouca ação dos ventos, da chuva, das
variações climáticas e interferência dos seres vivos.
(C) O solo se forma a partir dos processos de intemperismo, que aceleram a decomposição das rochas
de origem.
(D) Os solos do planeta Terra formaram-se há milhares de anos a partir do acúmulo de sedimentos
que caíram no planeta Terra oriundos dos meteoros.

02. (FUNAI – Engenheiro Agrônomo – ESAF/2016) Os solos são um importante recurso natural
renovável suportando a vida e as atividades humanas economicamente, com notável importância nas

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práticas agropecuárias com vistas à geração de alimentos. Os solos são formados a partir da
decomposição das rochas de origem, que daí adquirem morfologia variada e oportunizam diferentes
classificações. Considerando pois, a origem, morfologia e classificação dos solos, assinale a opção
correta.
(A) Os termos aluviais e eluviais permitem classificar os solos quanto à origem: aluviais são os solos
formados por rochas encontradas no mesmo local da formação, isto é, a rocha matriz que foi decomposta
e se alterou para a formação do solo e se encontra no mesmo local do solo; enquanto os eluviais são os
solos formados por transporte e sedimentação do material de rochas localizadas em outros lugares,
graças à ação das águas e dos ventos.
(B) O Intemperismo físico, mediado por variações de temperatura, calor ou pelo congelamento de água
em fissuras, não promove alteração na composição da rocha.
(C) A classificação dos solos discrimina os horizontes em um perfil a partir da rocha mãe, ou material
de origem que, por isso, recebe a denominação de horizonte O; a partir deste, em sentido ascendente,
denominam-se outros horizontes numa sequência alfabética sucessiva: A, B, C.
(D) Quanto mais velho é o solo, maior é o tempo de atuação dos fatores de formação e dos processos
resultantes, bem como maior é a relação deste solo com o material de origem.
(E) Todo material de origem animal ou vegetal incorporado ao solo, independente do estado de
decomposição, é caracterizado como matéria orgânica que contribui para melhorar a textura do solo,
aumentar a aeração e a taxa de infiltração via aumento de sua densidade.

Gabarito

01.C / 02.B

Comentários

01. Resposta: C.
Meteorização ou intemperismo é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e
solos, e seus minerais constituintes, por ação dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da
sua exposição aos agentes externos.

02. Resposta: B.
O Intemperismo físico não altera a composição química da rocha.

ENERGIA MUNDIAL

A Infraestrutura Energética no Mundo43

Um Mundo Carente de Energia


As transformações verificadas no decorrer da Revolução Técnico-científica, ou Terceira Revolução
Industrial, foram acompanhadas por uma demanda acelerada de energia. Além disso, o crescimento
econômico e a urbanização crescente na Ásia e na América Latina ampliaram a necessidade de fontes
energéticas. O crescimento do número de automóveis em circulação, um aspecto marcante das
sociedades que se industrializam, também passou a exigir maior volume de combustíveis fósseis
(originados de restos de seres vivos que habitaram a Terra há milhões de anos. Exemplos: petróleo,
carvão mineral, gás natural, xisto pirobetuminoso), (petróleo e gás natural), apesar de os veículos
produzidos atualmente, consumirem, em média, 50% menos combustível do que os modelos de 30 anos
atrás.
Dessa forma, a ampliação dos recursos energéticos é um dos principais problemas das sociedades
contemporâneas. Mas essa ampliação deve considerar a degradação do ambiente, utilizando fontes
menos poluidoras e renováveis. Trata-se de uma tarefa difícil, considerando que a principal fonte
energética para os transportes no mundo inteiro ainda é petróleo.
Os combustíveis fósseis representam praticamente 85% da matriz energética mundial; ou seja,
considerando-se todas as fontes utilizadas no mundo e todas as modalidades de energia – elétrica,
mecânica, térmica -, o petróleo, o carvão mineral e o gás natural são responsáveis por 85% da energia
gerada.
Energia, Desenvolvimento Econômico e Condições Sociais
43TAMDJIAM, James Onnig. Geografia Geral e do Brasil: estudos para compreensão do espaço: ensino médio/volume único. James & Mendes. São Paulo: FTD,
2013.

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O desenvolvimento econômico e social está intimamente ligado ao desenvolvimento das fontes de
energia. Pode-se dizer que há uma interdependência: o progresso econômico e social resulta da ativação
de fontes de energia, que, por sua vez, ocorre em consequência das demandas da economia e da
sociedade.
Assim, os países mais desenvolvidos são grandes consumidores de energia e precisam importar
recursos energéticos para suprir suas necessidades. Em geral, esse alto consumo exige também a
utilização de diversas fontes.

As Fontes de Energia e Suas Origens


As fontes de energia podem ser divididas em renováveis e não-renováveis, primárias e secundárias.
A primeira se relaciona à capacidade da fonte em se recompor ou não. O petróleo, gerado através de
decomposição do material orgânico, ao longo de milhares de anos, é uma fonte não-renovável. A
velocidade com que o combustível é produzido pela natureza não permite recompor as quantidades dele
retiradas pela sociedade contemporânea. O álcool, pelo contrário, é um combustível renovável, pois
provém do processamento de matéria orgânica viva, a cana-de-açúcar. O ritmo de crescimento da cana
acompanha o consumo do combustível.
A segunda divisão se refere à utilização das fontes. Ela é primária quando a energia fornecida é usada
diretamente para um trabalho ou geração de calor. O uso da lenha para cozinhar alimentos é um exemplo
de energia primária. Mas se se usa lenha ou carvão para alimentar uma caldeira, que por sua vez gera
energia elétrica, esta última é uma energia secundária.
Há ainda uma terceira divisão: a energia pode ser convencional ou alternativa. São consideradas como
convencionais aquelas usadas em grande quantidade e de forma difundida na sociedade contemporânea.
Por exemplo: o petróleo. São energias alternativas aquelas utilizadas em menor quantidade, e que se
encontram ainda em fase de pesquisas. Por exemplo: a energia solar. (Revista Ecologia e Desenvolvimento, ano 2, nº 31,
setembro de 1993, p.10).

As fontes de energia primária mais utilizadas no mundo atual são, respectivamente, o petróleo, o
carvão mineral, o gás natural, o urânio e a hidráulica (da água). Sendo recursos naturais, as fontes de
energia podem ser classificadas em renováveis, como o sol, a água dos rios, o vento, etc.; e não-
renováveis, como o petróleo, o carvão mineral e o urânio.
As fontes não-renováveis podem se esgotar, ao contrário das fontes renováveis.

Energia Hidrelétrica
A utilização da água como fonte de energia é muito antiga e remonta aos tempos dos moinhos movidos
pelas rodas d’água. Atualmente, o movimento natural das águas é utilizado principalmente para a
produção de energia elétrica, a qual é obtida em usinas hidrelétricas. Essas usinas utilizam basicamente
o mesmo princípio empregado nas antigas rodas d’água.

A Energia das Águas


Barragens para o represamento de água e seu uso na movimentação de rodas que acionam moinhos
datam da Idade Média. Pelo que se sabe através de documentos do geógrafo Estrabão (século I a.C.),
moinhos movidos pela força d’água já existiam, pelo menos, nos anos 60 a. C. Porém, a primeira notícia
de barragem com a finalidade de regularizar as vazões para uma série de moinhos industriais refere-se
a instalações construídas no século XII, no rio Garone, sul da França.
As rodas d’água ainda hoje existem nos engenhos de pequenos sítios por todo o nosso país e
desempenharam importante papel, nos séculos passados, em relação a todos os processos de produção
de farinha e açúcar. Ao girar, pela força d’água, movimentam mós de pedra – conjunto de martelos-pilões
-, para socar o milho ou a mandioca, ou ainda pesados cilindros de ferro para esmagar a cana, extraindo
o precioso caldo açucarado com o qual são fabricados o melado, a rapadura, o açúcar, a aguardente e o
álcool. (BRANCO, Samuel Murgel. Energia e Meio Ambiente. São Paulo, Moderna, 1990, p.37).

A energia hidrelétrica é o resultado de uma série contínua de transformações de energia. A energia


inicial é a força da água em movimento encontrada na própria natureza e conhecida como energia
potencial. Por essa razão, a usina deve ser construída em rios que tenham um determinado volume de
água e apresentem desníveis em seu curso.
A barragem construída para a formação de represa garante maior acúmulo de agua e aumenta o
desnível do rio. Dessa forma, a água entra pelas tubulações da usina com maior velocidade e força, o
que acarretará a movimentação das turbinas. Essa movimentação das turbinas pela água constitui a

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primeira etapa de transformação de energia – a energia potencial da água é transformada em energia
mecânica (movimento das turbinas).
As turbinas, por sua vez, estão ligadas a um gerador, que transforma a energia mecânica em energia
elétrica, caracterizando a segunda etapa do processo.
As usinas hidrelétricas suprem 18% das necessidades de energia elétrica do mundo, mas apenas em
pouco mais de vinte países as hidrelétricas são responsáveis pela quase totalidade de eletricidade gerada
(mais de 90%), como é o caso do Brasil.
Os países que possuem grande potencial hidráulico são: Estados Unidos, Canadá, Brasil, Rússia e
China. Os Estados Unidos constituem o país que mais aproveita esse potencial, sendo responsável pela
produção de praticamente 1/5 do total da hidroeletricidade produzida no mundo. Mesmo assim, as usinas
hidrelétricas norte-americanas suprem apenas 5% das necessidades energéticas do país. A China
construiu a maior hidrelétrica do mundo – Três Gargantas, no rio Yang-tsé-kiang, que gerou, em 2009, 18
milhões de kwh, suprindo cerca de 10% das necessidades energéticas dos chineses. A usina de Itaipu,
no Brasil, gera 12,6 milhões de kwh e é, a segunda maior hidrelétrica do mundo.
O fato de ser renovável e de não poluir a atmosfera, ao contrário do que ocorre com os combustíveis
fósseis (carvão mineral, petróleo e mesmo gás natural), são duas grandes vantagens a utilização de
energia hidrelétrica. Além disso, o tempo de vida das usinas é bastante longo e o custo de manutenção
é relativamente baixo.
Porém, a construção de usinas hidrelétricas costuma causar grande impacto socioambiental. Com o
represamento do rio, as barragens formam um grande lago.
A inundação destrói extensas áreas de vegetação natural, comprometendo a vida animal naquele
habitat modificado pela ação humana. Até mesmo pequenas barragens provocam danos ambientais,
como a destruição das matas ciliares, o desmoronamento das margens e o assoreamento do leito dos
rios. Outra consequência da modificação do ciclo natural da água é o comprometimento da vida aquática
e da reprodução dos peixes.
Uma hidrelétrica também pode afetar a vida das pessoas que moram na região em que a usina for
construída. O represamento da água, que acarreta a formação de imensos lagos artificiais, pode
desabrigar populações ribeirinhas, povos indígenas, pequenos agricultores e inundar completamente
vilas, povoados e até pequenas cidades.

As Fontes Alternativas
A enorme participação das fontes não-renováveis na oferta mundial de energia coloca o mundo diante
de um desafio: a busca por fontes alternativas de energia. E isso é urgente, pois o mundo pode,
literalmente, entrar em colapso se forem mantidos os atuais modelos de desenvolvimento
socioeconômico, com base no consumo de petróleo.
As resoluções estabelecidas pela maioria dos países as conferências sobre o clima do planeta, como
o Protocolo de Kyoto (segundo esse protocolo, que os Estados Unidos se negaram a ratificar, alegando
que isso traria prejuízos para a sua economia, os países industrializados, entre 2008 e 2012, deveriam
reduzir em 5,2% as emissões de gases-estufa, principalmente o dióxido de carbono, em relação ao que
lançavam na atmosfera em 1990), que envolvem questões ligadas ao aumento das temperaturas médias
do ar na Terra, exigem uma nova postura por parte dos governos em relação à produção de energia. Isso
só pode ser conseguido com investimentos em tecnologias para a geração de energia limpa.
É preciso considerar também o fato de que um terço da população mundial não tem acesso à energia
elétrica e que o fornecimento de eletricidade é uma condição básica para a melhoria da qualidade de vida
das pessoas, sobretudo no contexto da Terceira Revolução Industrial, em que a informática dinamizou o
acesso à informação, via Internet, e traz novas exigências para a inserção no mercado de trabalho.
Há diversas fontes alternativas disponíveis, exigindo desenvolvimento tecnológico para que possam
ser rentáveis e, consequentemente, utilizadas em maior escala. Entre elas, destacam-se o sol, o álcool,
o vento, o calor da Terra, o carvão vegetal e o biogás.

O Sol
O aproveitamento da energia solar oferece grandes vantagens: não polui, é renovável e existe em
abundância. Entretanto, pelo fato de a sua utilização em larga escala (grandes usinas) para a geração de
energia elétrica estar em fase relativamente inicial de desenvolvimento tecnológico, a energia solar ainda
não é viável economicamente, ou seja, os custos financeiros para sua obtenção superam os benefícios.
A geração de energia elétrica tendo o sol como fonte pode ser obtida de forma direta ou indireta.
A forma direta de obtenção acontece por meio de células fotovoltaicas (trata-se de dispositivos que
desempenham força eletromotriz pela ação da luz. As células fotovoltaicas só produzem corrente elétrica
quando estão iluminadas), geralmente feitas de silício, um dos elementos mais abundantes na crosta

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terrestre. A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertida em eletricidade. Apesar de o preço
dessas células estar caindo nos últimos anos, elas ainda são caras.
Para obter energia elétrica a partir do sol de forma indireta, constroem-se usinas em áreas de grande
insolação (áreas desérticas, por exemplo), onde são instaladas centenas de espelhos côncavos (coletores
solares) direcionados para um determinado local, que pode ser uma tubulação de aço inoxidável, como
ocorre no deserto de Mojave, na Califórnia (EUA), ou um compartimento contendo simplesmente ar, como
ocorre em Israel.
No caso das usinas da Califórnia, pela tubulação de aço inoxidável circula um tipo de óleo, que é
aquecido pelo calor do sol concentrado. O óleo aquece a água que circula em outra tubulação. A água
vira vapor, que irá mover as turbinas e acionar os geradores elétricos.
Na usina de Israel, o calor aquece o ar existente no compartimento até 1300ºC, quando este aciona
uma turbina e gera eletricidade.

O Álcool
O álcool é produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, do eucalipto e da beterraba. Como
fonte de energia, pode ser utilizado para fazer funcionar motores de veículos (álcool etílico, da cana -de-
açúcar, e da beterraba; e metanol, do eucalipto) ou para produzir energia elétrica.
Como combustível para automóveis, o álcool tem a vantagem de ser uma fonte renovável e menos
poluidora que a gasolina, além de ter possibilitado, no caso brasileiro, o desenvolvimento de uma
tecnologia nacional de produção de motores. Mas o álcool nunca suprirá a necessidade total de
combustível dos veículos automotores. Para se ter ideia, os EUA possuem uma frota de quase 200
milhões de veículos; se quisessem utilizar apenas o álcool para abastece-los, necessitariam de uma área
de plantio de cana-de-açúcar de 1 000 000 km², aproximadamente, o que representaria mais de 10% de
todo o território norte americano.

Energia Eólica
Como o sol e a água, o vento também é um recurso energético abundante na natureza. Quando intenso
e regular, pode ser utilizado para produzir energia a preços relativamente competitivos. Este custo poderá
cair ainda mais quando a energia dos ventos estiver mais difundida.
A tecnologia atualmente empregada na construção dos cata-ventos que geram eletricidade é bastante
sofisticada e consegue explorar a força de ventos que sopram a mais de 10 metros por segundo. As
imensas pás dos rotores, com até 100 metros de comprimento, são agora construídas em fibra de vidro
(as primeiras, de aço, deterioravam rapidamente), giram a frequências que não interferem nas
transmissões de rádio e TV e são controladas por computadores.
Alguns países europeus já projetam rotores com potência e até 4 mil quilowatts, enquanto a NASA,
nos EUA, pensa em atingir a potência de muitos megawatts, em colaboração com o Departamento de
Energia.

Vantagens de uma boa ventania


“A energia eólica é uma das melhores alternativas para gerar muita energia em curto prazo”, afirma
Everaldo Feitosa, diretor do Centro Nacional de Energia Eólica (CNEE). “Nossas jazidas de vento são as
melhores do Brasil e do mundo”, explica ele, referindo-se ao potencial eólico da região Nordeste, que é
de 10 mil MW. Segundo o Cepel, o potencial dos ventos brasileiros é cerca de 60 mil MW, e a estimativa
é de que mais de 25% poderiam ser efetivamente aproveitados. "A “capacidade instalada poderia chegar
a 20 mil MW, mas hoje há apenas 20,3 MW”, relata Feitosa. “Se o governo definisse um preço para que
o investidor pudesse colocar a alternativa no mercado e adotasse uma resolução para obrigar as
distribuidoras a comprar essa energia, poderíamos ter 2 mil MW em dois anos”. O diretor do CNEE ainda
lembra que a instalação de uma turbina é rápida e tem baixo impacto ambiental, deixando a área livre
para a agricultura ou pecuária.
“A tecnologia está dominada e tem um custo totalmente compatível com o das usinas térmicas”,
ressalta o engenheiro Augustin Woelz. Segundo o CNEE, o custo desse tipo de geração está na faixa de
US$ 60 a US$ 80 por MWh. A primeira turbina brasileira, de 75 kw, foi instalada em Fernando de Noronha,
em 1992. Hoje, instalações eólicas de grande porte concentram-se nos estados do Ceará, Pernambuco,
Minas Gerais e Paraná. MULLER, Rafaela. Problemas brasileiros. São Paulo, Senac, julho/agosto de 2001, nº 346, p.17).

O Calor da Terra
Outra fonte alternativa de energia é representada pelas centrais geotérmicas, que transformam o calor
do interior da Terra em fonte de energia.

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A principal vantagem da energia geotérmica é a escala de exploração, que pode ser adequada ás
necessidades, permitindo o seu desenvolvimento em etapas, à medida que aumenta a demanda.
Uma vez concluída a instalação, os seus custos de operação são baixos.
Já existem algumas dessas centrais encravadas em zonas de vulcanismo, onde a água quente e o
vapor afloram à superfície ou se encontram a pequena profundidade.
Costa Rica, Guatemala e, principalmente, a Islândia, já utilizam esse tipo de energia.
Atualmente a exploração da energia geotérmica estende-se a outras regiões, além das vulcânicas,
cuja superfície apresenta claros indícios de vapores subterrâneos.

O Biogás
O biogás, constituído principalmente pelo gás metano, é obtido a partir de reações anaeróbicas (sem
oxigênio) da matéria orgânica existente no lixo, que é recolhido nas cidades e depositado nos aterros
sanitários energéticos. Ele tem sido utilizado para gerar gás combustível de uso doméstico ou combustível
de veículos, solucionando ainda um sério problema, especialmente para as metrópoles: a destinação do
lixo.
O biogás também pode ser obtido por meio de aparelhos chamados biodigestores, nos quais se
processa a fermentação de esterco, folhas de árvores e outros compostos orgânicos, constituindo-se uma
excelente alternativa para as áreas rurais.
A Sociedade de Consumo e o Consumismo

O modelo de acumulação capitalista calcado na obtenção de lucros se reproduz, em grande parte, no


aumento crescente dos níveis de produção e de consumo de bens e serviços. Mas essa expansão da
sociedade de consumo em escala também crescente pode ser apontada como uma das causas
estruturais da degradação ambiental contemporânea promovida pelo capitalismo.
A cultura do consumo, que se coloca como condição básica para a manutenção do mercado, depende
do aumento da produção, o que, por sua vez, aumenta a pressão sobre os recursos naturais, acarretando
os mais avariados impactos e problemas ambientais. Embora o consumo seja condição vital para que as
pessoas satisfaçam suas necessidades básicas de sobrevivência (alimentos, roupas, medicamentos,
moradias, escolas, hospitais, etc.), o modelo econômico e a lógica do mercado têm estimulado as pessoas
a consumir exageradamente, o que nos permite dizer, portanto, que estamos vivendo em um mundo cada
vez mais consumista.
Associado a um conjunto de práticas sociais, culturais e econômicas, esse comportamento consumista
está inserido na lógica mercantil, sendo motivado por causas múltiplas. Na disputa pelo domínio de fatias
cada vez maiores do mercado, os segmentos produtivos utilizam inúmeros mecanismos e estratégias de
venda. Por meio do marketing, por exemplo, anúncios publicitários veiculados na mídia (rádio, televisão,
jornais, revistas, outdoors, etc.) procuram estimular o consumo, despertando nas pessoas o desejo de
adquirir mais e mais produtos).
A rapidez com que as inovações tecnológicas ocorrem também contribui para o aumento do consumo.
Com as empresas lançando produtos cada vez mais sofisticados e avançados do ponto de vista
tecnológico, as pessoas tendem a substituir produtos ainda novos pelos que acabam de chegar às lojas
do comércio. Estrategicamente planejado pelas empresas, o lançamento de novos produtos que inundam
as lojas do comércio aumenta em muito suas vendas gerando, portanto, novos hábitos consumistas.
Mas, para garantir essa expansão do consumo e estimular as pessoas a comprar cada vez mais, o
mercado também se encarregou de criar inúmeras estratégias de venda. Os estabelecimentos
comerciais, sobretudo as grandes redes, apostam na realização de promoções e liquidações e oferecem
formas de pagamento “facilitadas” como crediários, prestações, parcelamento em cartões de crédito, etc.
as instituições financeiras, por outro lado, oferecem linhas de crédito, como financiamento e empréstimos
que permitem a aquisição de produtos sem que o consumidor tenha de fazer o pagamento imediato da
compra. Embora essas opções facilitem o acesso ao consumo, elas induzem ao consumismo,
aumentando também o endividamento individual, uma vez quem muitos consumidores acabam tendo
dificuldades de efetuar o pagamento dos compromissos assumidos no ato da compra.

Desigualdade e Consumo no Mundo


Ainda que o nível de consumo da sociedade contemporânea continue se expandindo, ele ocorre de
maneira bastante desigual entre os países do mundo. Como o consumo de uma população é determinado
em grande parte pelo nível de sua renda, pode-se concluir que existem grandes diferenças de consumo
entre os países ricos e desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Nos países ricos, a renda per capita
anual da população está, em média, em 40 mil dólares, como ocorre nos Estados Unidos, Canadá,

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Alemanha, França, Bélgica, Japão e Austrália. Já em países mais pobres, essa mesma renda não chega
a 800 dólares ao ano, caso do Haiti, Bangladesh, Afeganistão, Serra Leoa, Níger e Ruanda.

Recursos Naturais: Escassez e Abundância x Riqueza e Pobreza


Faz-se hoje uma grande comparação entre o crescimento econômico de um país e suas implicações
sobre a oferta de recursos naturais. Não é difícil notar que um país desenvolvido consome muito mais
produtos, inclusive descartáveis, aumentando a pressão sobre os recursos naturais. Vejamos um exemplo
simplificado de um estudo publicado nos Estados Unidos.

Os países desenvolvidos, tendo um maior poder aquisitivo, são os responsáveis pelo maior consumo
no planeta, muitas vezes de maneira impulsiva e desnecessária.
Esse estilo de vida baseado no “consumo como forma de obter felicidade” foi mais uma estratégia
capitalista de ampliação de negócios que, nos Estados Unidos, recebeu o nome de American Way of Life.
Basta mensurar tal comportamento pelo lixo produzido:
. Produção de lixo mundial por dia: 2 milhões de toneladas;
. Média mundial/dia por habitante de áreas urbanas: 700 g;
. Média de produção de lixo por habitante/dia na cidade de Nova York (EUA): 3 KG.

Os países industrializados apresentam menos de 25% da população mundial, mas consomem 75% da
energia global, 80% dos combustíveis comercializados e cerca de 85% dos produtos madeireiros.
Em contrapartida, nos países subdesenvolvidos, a renda média equivale a apenas 5% da obtida em
países industrializados, indicando que o consumo nesses países se restringe ao necessário ou a menos
que isso. Mesmo assim, a pobreza também exerce pressão negativa sobre o meio ambiente, uma vez
que, em muitos casos, o comportamento de quem vive na miséria e na pobreza é predatório. Poderíamos
citar como exemplos de comportamentos predatórios contra o meio ambiente:
. a coivara – queimada -, técnica primitiva de agricultura;
. o garimpo ilegal e a contaminação de rios com mercúrio;
. a ocupação irregular das margens de mananciais pelas favelas em expansão, nos países pobres.
Mananciais são fontes de água doce, superficiais ou subterrâneas, que podem ser utilizadas para
consumo humano ou desenvolvimento de atividades econômicas. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente).

O Despertar da Consciência Ecológica


A preocupação com o agravamento dos problemas ambientais levou, a partir das décadas de 1960 e
1970, ao surgimento de movimentos ambientalistas organizados pela sociedade civil como forma de
protestar, alarmar e cobrar mudanças para reverter o preocupante cenário de degradação da natureza
promovido pela sociedade.
A emergência dos movimentos ambientalistas eclodiu juntamente com um conjunto de outras
manifestações de caráter social, das quais fazem parte o movimento das mulheres, dos negros e dos
pacifistas, por meio de determinados segmentos sociais engajados na luta por melhores condições de
existência e de vida no planeta. Uma característica singular dos movimentos ambientalistas ecológicos,
em comparação com outros movimentos sociais, reside no fato de que, na prática, nenhum outro
movimento passou a questionar, de maneira tão ampla, temas tão distintos quanto aqueles que
perpassam pela questão ambiental.
Os movimentos ambientalistas começaram a se fortalecer primeiro na Europa e nos Estados Unidos a
partir de alguns grandes desastres ambientais ocorridos antes d década de 1970, tais como: a
contaminação do ar nas cidades de Nova York e Londres, entre 1952 e 1960; a intoxicação por mercúrio
nas baías de Minamata e Niigata, entre 1953 e 1965, no Japão; o acidente com o navio superpetroleiro
Torrey Canyon, ocorrido no canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, em 1967; a redução da vida
aquática em alguns dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos; a morte de aves causada pelos efeitos de
pesticidas, como o DDT. Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, esses movimentos chegaram um
pouco mais tarde, já no final da década de 1970 e início dos anos 1980.

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Paralelamente a acontecimentos como esses que despertaram a opinião pública, a questão ambiental
também se tornou alvo de maior preocupação da comunidade científica, sobretudo com os avanços da
ecologia e ciências correlatas, como a biologia, por exemplo. Uma nova literatura começou, então, a
questionar os imites da degradação ambiental no planeta, que, no plano político internacional, também
se tornaram alvo de maior preocupação.
Em 1968, especialistas de diversos países se reuniram em Roma, Itália, a fim de formularem projeções
sobre o futuro do planeta, alertando para os riscos ambientais promovidos pelo modelo econômico
vigente, baseado na exploração dos recursos naturais. Esse acontecimento assinalou a fundação do
Clube de Roma que, em 1972, publicou o estudo intitulado Os limites do crescimento. Ao apontar os
limites da exploração do planeta, algo até então inquestionável, esse estudo estimulou a consciência da
sociedade e da tomada de atitude de governos de diferentes países a respeito da problemática ambiental.
Foi nesse contexto que a temática ambiental adquiriu projeção e ganhou espaço nas grandes
discussões internacionais. Ainda em 1972, a ONU realizou em Estocolmo, Suécia, a I Conferência das
Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente. Contando com representantes de mais de 100 países
e outras centenas de instituições governamentais e não governamentais, foram discutidas questões como
o controle da poluição do ar, a proteção dos recursos marinhos, a preservação e o uso dos recursos
naturais, entre outras.
Na década de 1980, a ONU deu continuidade ao debate da questão ambiental com a Comissão
Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada para estudar a problemática ambiental. Em
1987, esses estudos foram concluídos com a elaboração do documento Our Common Future (Nosso
futuro comum), conhecido como Relatório Brundtland. Como forma de conciliar o crescimento
econômico com a preservação do meio ambiente, o documento trouxe à tona a necessidade de se
promover um novo modelo de crescimento, o chamado “desenvolvimento sustentável”, como sendo
aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras
atenderem as suas necessidades.
Em 1992, vinte anos após o encontro em Estocolmo, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Eco-92 ou Rio-92.
Além de reafirmar a importância do desenvolvimento sustentável, como meta para conciliar o crescimento
econômico, com justiça social e conservação ambiental, o encontro contribuiu para ampliar a
conscientização sobre os problemas ambientais, fortalecendo ainda maios os movimentos ambientalistas
e ecológicos.
Em 1997, na cidade japonesa de Kyoto, foi formalizado um protocolo que instituiu metas para a redução
progressiva na emissão de gases poluentes, sobretudo daqueles que agravam o efeito estufa, como o
dióxido de carbono (CO²). De acordo com esse documento, os países mais ricos e industrializados
deveriam se comprometer a reduzir a emissão desses gases. Embora aceito pela grande maioria dos
países, o protocolo foi recusado pelos Estados Unidos (que respondem por cerca de 25% da emissão
total de CO² na atmosfera) enquanto outros países se opõem a ratificar o tratado que prevê cortes ainda
maiores nas emissões desses gases.
Em 2002, foi realizada em Johanesburgo, na África do Sul, a Conferência da Cúpula Mundial para o
Desenvolvimento Sustentável, a Rio +10, com o objetivo de fazer um balanço das ações realizadas e dos
resultados obtidos com base nos acordos firmados entre os países que participaram da Rio-92. Além das
questões relacionadas à conservação ambienta, também foram discutidas temáticas em âmbito social,
como a meta de redução do número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Nesse encontro,
entretanto, houve pouco comprometimento das nações envolvidas em assumir realmente ações que
tivessem como resultado a melhoria socioambiental, como o cancelamento da dívida externa de países
subdesenvolvidos, a substituição de parte da energia provinda de combustível fóssil por fontes
energéticas renováveis (como a eólica, a solar, etc.).
Em junho de 2012, objetivando um encontro entre representantes do governo, ONGs, empresas
provadas e setores da sociedade civil em geral de grande parte dos países do mundo, foi realizada, no
Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Nesse
encontro, fez-se um balanço do que foi efetivamente realizado nos últimos vinte anos sobre as questões
ambientais, em especial, as estratégias mais eficientes para se promover a sustentabilidade ambiental e
também para se combater e eliminar a pobreza extrema no mundo.

Questões

01. (Transpetro – Economista – CESGRANRIO/2018) A matriz energética de um país, de uma


região, ou mesmo do mundo, mostra a importância relativa das diversas fontes de energia.
O exame das matrizes, brasileira e mundial, sugere que, quantitativamente, a (s)

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(A) mais importante fonte de energia no mundo atual é a hidroelétrica.
(B) energia nuclear no mundo é menos importante do que no Brasil.
(C) energia do petróleo é a mais importante fonte no Brasil.
(D) energia do carvão é mais importante no Brasil do que no mundo.
(E) fontes fósseis de energia (petróleo, gás natural e carvão) são mais importantes no Brasil do que
no mundo.

02. (Prefeitura de Venda Nova do Imigrante – ES – Assistente Social – CONSULPLAN) Petróleo,


gás natural e carvão mineral suprem mais de 80% da demanda mundial de energia, mas o
desenvolvimento de novas tecnologias tem ampliado as alternativas de geração energética a partir de
fontes renováveis e menos poluentes. Com base nessas informações, associe corretamente o tipo de
energia à sua fonte geradora.
1. Energia eólica.
2. Energia geotérmica.
3. Energia solar.
4. Energia maremotriz.
( ) Obtida do calor proveniente do interior da Terra.
( ) Do vento.
( ) Do movimento (ondas, marés e correntes).
( ) Do sol.
A sequência está correta em
(A) 2, 3, 4, 1
(B) 2, 1, 4, 3
(C) 2, 1, 3, 4
(D) 2, 4, 1, 3

Gabarito

01.C / 02.B

PRODUÇÃO BRASILEIRA DE ENERGIA44

O crescimento populacional, o desenvolvimento de novas tecnologias e a elevação do padrão de


consumo têm levado a uma maior demanda por energia e à consequente necessidade de aumentar sua
produção mundial.
Isso agrava alguns impactos ambientais, como poluição, chuva ácida, mudanças climáticas globais,
desmatamento e deslocamento ou extinção de diversas espécies de seres vivos.
Essas questões têm gerado uma maior discussão sobre a imperativa busca de novas fontes de energia
que atendam tanto às necessidades econômicas quanto às sociais e ambientais.
O Brasil se destaca no cenário mundial por apresentar importante participação das fontes renováveis
em sua matriz energética.

Panorama do Setor Energético no Brasil

O potencial energético no Brasil é privilegiado se comparado ao de muitos outros países. A utilização


de fontes renováveis, como o aproveitamento hidrelétrico, e a obtenção de energia a partir da biomassa
são expressivas. Além disso, a produção de petróleo e gás natural, fontes não renováveis, tem aumentado
gradualmente.
Entretanto, o país ainda importa energia. Para que o Brasil atinja a autossuficiência energética, são
necessários investimentos na produção, na transmissão e na distribuição de energia, além da
modernização industrial e dos sistemas de transporte, urbano e de cargas, visando a diminuição de
consumo de energia nesses setores.
Em 2016, 41,5% do consumo total da energia gerada no Brasil foi obtido de fontes renováveis:
hidráulica, lenha, carvão vegetal, produtos da cana-de-açúcar, além de outras, como gás obtido em
aterros sanitários, subprodutos de plantações diversas, eólica, solar, etc.

44 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.

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Combustíveis Fósseis
Petróleo e Gás Natural
Somente dez anos após a formação do cartel das “sete irmãs”, em 1938, foi perfurado o primeiro poço
de petróleo em território brasileiro, no bairro de Lobato, em Salvador (BA).
Esse fato motivou o governo de Getúlio Vargas a criar o Conselho Nacional de Petróleo (CNP) para
planejar, organizar e fiscalizar o setor petrolífero.
Em 1953, apoiado por um grande movimento popular e com o slogan “O petróleo é nosso”, Varas criou
a Petrobras e instituiu o monopólio estatal na extração, no transporte e no refino de petróleo no Brasil.
Em virtude da crise do petróleo de 1973, foi necessário aumentar a produção nacional, que, naquela
época, era de apenas 14%do consumo, para diminuir a quantidade do recurso importado e a
vulnerabilidade do país em relação às oscilações internacionais do preço do barril.
Com a intenção de aumentar a produção, o governo brasileiro firmou contratos de risco com grupos
privados, autorizando que realizassem prospecções no território nacional. Inicialmente, foram
selecionadas e abertas para exploração dez áreas nas quais poderia haver petróleo. Caso a empresa
incumbida da prospecção encontrasse o recurso, os investimentos feitos seriam reembolsados e ela se
tornaria sócia da Petrobras naquela área. Caso não encontrasse, a empresa arcaria com os prejuízos da
prospecção. Com a promulgação da Constituição de 1988, esses contratos foram proibidos, e a Petrobras
voltou a exercer o monopólio de extração até 1995.
Além disso, nas décadas de 1970 e 1980, o governo passou a incentivar, por meio de vultosos
empréstimos a juros subsidiados, indústrias que substituíssem o petróleo por energia elétrica. A
participação percentual do petróleo na matriz energética nacional diminuiu de 1979 a 1984, mas depois
voltou a apresentar crescimento. Em 2006, a produção brasileira de petróleo (1,8 milhão de barris por dia,
naquele ano) passou a abastecer 100% das necessidades nacionais de consumo, em meados de 2017,
a produção diária média foi de 2,6 milhões de barris.
A revisão constitucional de 1995 fez romper o monopólio da Petrobras na extração, no transporte, no
refine e na importação de petróleo e seus derivados. O Estado passou a ter o direito de realizar leilões e
de contratar empresas privadas ou estatais, nacionais ou estrangeiras, que quisessem atuar no setor.
Em 1977, foi criada a Agência Nacional do Petróleo (ANP), uma autarquia 45 vinculada ao Ministério de
Minas e Energia com a atribuição de regular, contratar e fiscalizar as atividades ligadas ao petróleo e ao
gás natural no Brasil. Licitações, exploração, importação, exportação, transporte, refino, política de
preços, reajustes e controle de qualidade, entre outras atribuições, passaram a ser conduzidas pela ANP,
cujo presidente é indicado pelo ministro de Minas e Energia e empossado após seu nome ser aprovado
pelo Congresso Nacional.
Para economizar em gastos com o transporte, o petróleo é refinado preferencialmente próximo dos
centros industriais e grandes polos consumidores. Isso explica a concentração de refinarias no Centro-
Sul (mais de 80% da capacidade de refino do país, que em 2017 era de 2,2 milhões de barris por dia).
Embora abrigue importantes centros industriais, até o início de 2017, no Nordeste, havia uma única
grande refinaria, localizada na região metropolitana de Salvador (BA). Naquele ano, porém, a Petrobras
estava construindo uma em Suape (PE) e ampliando a capacidade de outra menor, no Polo Industrial de
Guamaré (RN).
O aumento da produção interna nas últimas décadas, se deve à descoberta de uma importante bacia
petrolífera, na plataforma continental de Campos, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, que
começou a ser explorada em 1976.
Até por volta de 1999, o Brasil apresentou grande dependência do petróleo importado, em razão do
aumento do consumo, apesar da crescente produção. Como já mencionado, em 2006 a produção superou
o consumo, por causa do crescimento da população interna.
No Brasil, predomina a produção na plataforma continental, sob as águas do oceano Atlântico, apesar
de essa extração representar mais custos. No continente, destaca-se a extração em Mossoró (RN),
seguida do Recôncavo Baiano. Em 1986, foi descoberta uma pequena jazida continental em Urucu (AM),
a sudoeste de Manaus, onde há grandes reservas de gás natural. O gás se tronou importante fonte de
energia para o parque industrial da Zona Franca de Manaus.
Em 2008, dirigentes da Petrobras anunciaram a descoberta de enormes reservas de petróleo e gás
natural a mais de 5 quilômetros de profundidade e a 300 quilômetros da costa, na camada pré-sal da
bacia de Santos (SP). Segundo estimativas, essa camada pode conter mais de 30 bilhões de barris,
atribuindo ao país a posição de detentor de uma das maiores reservas mundiais de petróleo de boa
qualidade. A patamar dos grandes produtores mundiais.

45 Autarquia é a empresa criada pelo governo para exercer alguma atividade pública.

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O forte crescimento da produção nessa região colocou o Brasil na 13ª posição mundial de nações
produtoras. O Rio de Janeiro se destaca como o estado de maior produção (bacia de Campos).
A camada pré-sal é uma formação geológica de aproximadamente 150 milhões de anos, que se
constituiu com a separação dos continentes africano e sul-americano ao longo das bacias de Santos,
Campos e Espírito Santo. As maiores reservas petrolíferas conhecidas em área pré-sal no mundo
ocorrem no litoral brasileiro, onde passaram e a ser conhecidas como “petróleo do pré-sal”.
O gás natural é a fonte de energia que vem apresentando grande taxa de crescimento na participação
da matriz energética brasileira. O Rio de Janeiro é o maior produtor, seguido por São Paulo e Amazonas,
e há uma parcela variável que é importada, principalmente da Bolívia.

Carvão Mineral
A queima do carvão mineral enriquecido aquece os altos-fornos onde ocorre a depuração do minério
de ferro. Nessa etapa, se produz o ferro-gusa, matéria-prima a partir da qual se fabricam o ferro fundido
e o aço.
Até 1990, as companhias siderúrgicas brasileiras eram legalmente obrigadas a utilizar uma mistura de
50% de carvão nacional com 50% de carvão importado. Com a renovação dessa obrigação, as empresas
passaram a consumir somente o carvão importado, cuja qualidade é superior, e desde 2010 não há mais
produção nacional de carvão metalúrgico.
A oferta de energia elétrica por carvão mineral e derivados no Brasil representa apenas pouco mais
de 4% do total. Em 2016, 58% do carvão térmico (usado em usinas termelétricas) e 100% do carvão
metalúrgico consumidos no país eram importados. Da produção nacional, 33% são consumidos em
usinas termelétricas, e o restante em indústrias de celulose, cerâmica, cimento e carboquímicas.
A região Sul do Brasil responde por 100% da produção nacional desse recurso energético por
apresentar jazidas com viabilidade econômica, sendo Rio Grande do Sul e Santa Catarina os maiores
produtores.

Combustíveis Renováveis

Os biocombustíveis são derivados de biomassa, como cana-de-açúcar, oleaginosas, madeira e outras


matérias orgânicas. Os mais comuns são o etanol (álcool de cana, no caso brasileiro) e o biodiesel
(oleaginosas), que podem ser usados puros ou adicionados aos derivados de petróleo, como gasolina e
óleo diesel.
Os biocombustíveis apresentam vantagens em relação aos combustíveis fósseis no que diz respeito à
sustentabilidade econômica, social e ambiental. O aumento de sua produção reduz o consumo de
derivados de petróleo e consequentemente a poluição atmosférica, gera novos empregos em toda a
cadeia produtiva, promove a fixação de famílias no campo, aumenta a participação de fontes renováveis
na matriz energética brasileira e ainda pode se tornar importante produto da pauta de exportações do
país.
O crescimento da demanda por biocombustíveis no mercado mundial e a expansão da área cultivada
no Brasil e em outros países, entretanto, têm gerado preocupação. Especula-se que, com o aumento das
áreas de monocultura de vegetais para a produção de biocombustíveis, haveria diminuição do cultivo de
alimentos e o consequente aumento nos preços. Além disso, critica-se o fato de ocorrer maior
desmatamento de vegetação nativa, o que traria grandes prejuízos socioambientais.
Em 2016, a biomassa (principalmente derivados da cana-de-açúcar e lenha) foi a segunda fonte de
energia mais consumida no Brasil, com participação de cerca de 25% na nossa matriz energética,
superada apenas por petróleo, com 42,6%. O Brasil apresenta condições muito favoráveis para a
produção de etanol e biodiesel, pois tem grande extensão de áreas agricultáveis, com solo e clima
favoráveis ao cultivo de oleaginosas e cana.

Biodiesel
O Brasil cultiva várias espécies de plantas oleaginosas que podem ser usadas na produção de
biodiesel, com destaque para mamona, palma (dendê), girassol, babaçu, soja e algodão, além de ser o
segundo maior produtor mundial de etanol. Nos Estados Unidos, maior produtor mundial desse
combustível, utiliza-se o milho na produção a um custo superior ao da cana no Brasil.
A utilização de biodiesel no mercado brasileiro foi regulamentada pela lei nº 11.097, de 2005, que
instituiu a obrigatoriedade da mistura do produto ao diesel de petróleo em percentuais crescentes. Em
2013, 5% (meta alcançada já em 2009); 6% em julho de 2014; 7% em novembro do mesmo ano; e, em
março de 2018, foi sancionada nova lei que elevou a mistura para 10%. Por causa dessa lei, a produção
de biodiesel tem aumentado em ritmo acelerado.

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Também foi criado o Selo Combustível Social, um programa de transferência de renda para a
agricultura familiar dedicada ao biodiesel, com incentivos fiscais e subsídios para pequenas propriedades
familiares do Norte e Nordeste, principalmente na região do Semiárido.
Entretanto, até 2017, ainda era limitada a possibilidade de a produção de biodiesel colaborar para a
melhoria das condições de vida dos agricultores familiares. Naquele ano, 72% do biodiesel produzido no
Brasil foi obtido da soja, e 12%, da gordura animal.
Além de abastecer o mercado interno, parte da produção nacional de biodiesel é exportada,
principalmente para a União Europeia.

Etanol (Álcool)
O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi criado em 1974 como uma tentativa de amenizar a
dependência do Brasil em relação ao petróleo. A partir de fins do século XX, o álcool combustível passou
a ganhar destaque também por causa de seus benefícios ambientais.
O Proálcool levou a alterações na organização espacial do campo, agravando os problemas
relacionados à concentração de terras, como o aumento do número de trabalhadores diaristas, o incentivo
à monocultura e o êxodo rural. Embora o etanol seja uma fonte de energia eficiente, o programa foi
implantado, em escala nacional, em uma época em que a produção e o consumo apresentavam custos
maiores o que os da produção da gasolina, por isso houve a necessidade de subsídios.
A partir de 1989, o governo reduziu os subsídios para a produção, e o consumo de álcool combustível
diminuiu, levando o setor a uma crise. A falta de álcool no mercado levou à consequente perda de
confiança dos consumidores, que deixaram de comprar veículos com motor a álcool (em 2002, menos de
1% dos veículos fabricados eram movidos a álcool, enquanto em 1982 esse percentual chegou a 90%).
Após o grande desenvolvimento tecnológico obtido no setor e os diversos aumentos no preço do barril
de petróleo a partir de 1997, o álcool tornou-se economicamente viável. Depois de 2003, com o
lançamento de veículos bicombustíveis, ou flex, que funcionam tanto com etanol como com gasolina, ou
com ambos misturados, houve novo impulso à produção desse biocombustível no país. A adição de etanol
à gasolina também levou a uma maior demanda do produto.
A produção de veículos bicombustíveis contribuiu muito para o aumento do consumo de etanol. Em
2017, 95% dos carros zero-quilômetro vendidos no mercado nacional eram flex.
Em 2018, por determinação do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), o etanol é
misturado à gasolina na proporção de 20% a 27%, o que garante a manutenção de sua produção. Se
esse procedimento não fosse adotado, a qualidade do ar nos grandes centros urbanos pioraria muito.

Energia Elétrica

Produção de Energia e Regulação Estatal


Segundo o banco de informações de geração de energia da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), em maio de 2018 o Brasil apresentava 6674 usinas para produção de energia elétrica em
operação, com capacidade de 158956 MW. Desse total, 1320 eram hidrelétricas de diversos tamanhos;
3008 eram térmicas que utilizavam gás natural, biomassa, óleo diesel e carvão mineral; 522 eram eólicas;
1881 eram solares; e duas, nucleares.
Desde o início desta década o Brasil está passando por um lento, mas contínuo crescimento da
produção de energia eólica, com destaque para o Ceará e o Rio Grande do Norte. Em 2018, as usinas
eólicas do Brasil respondiam por 8% (12790 MW) da eletricidade produzida no país.
Entretanto, o uso de fontes de energia limpa e renovável tende a crescer: no início daquele ano, havia
115 usinas eólicas em construção no país, com potência total de 2596 MW.
As usinas hidrelétricas, que têm a maior capacidade instalada de produção no país, produzem energia
mais barata e com menos impactos ambientais, quando comparadas às usinas termelétricas e
termonucleares.
Até o fim da década de 1980, as hidrelétricas produziam aproximadamente 90% da eletricidade
consumida no país, mas em 2018 essa participação tinha recuado para cerca de 63%, principalmente por
causa da construção de usinas termelétricas movidas a gás natural e biomassa.
O marco potencial hidrelétrico brasileiro está na bacia do rio Paraná, da qual, em 2018, cerca de 70%
da disponibilidade já havia sido aproveitada. Já nas bacias do Amazonas, somente 1% é aproveitado. Em
Rondônia, no rio Madeira, duas usinas de médio porte estavam em construção em 2018: Santo Antônio
(licitada em 2007) e Jirau (licitada em 2008), cada uma com cerca de 3 mil MW de potência. Nesse mesmo
ano estava sendo construída a usina de Belo Monte, no rio Xingu, a maior delas, com potência de 11233
MW (cerca de 2/3 da capacidade de Itaipu).

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O setor elétrico brasileiro (envolvendo geração, transmissão e distribuição de eletricidade), que era
quase totalmente controlado por empresas estatais federais e estaduais, começou a ser privatizado a
partir de 1995. Naquele ano, o Governo Federal iniciou a privatização de parte das empresas controladas
pela Eletrobrás por intermédio do Programa Nacional de Desestatização, criado em 1990. Em 1996 foi
criada a Aneel, órgão regulador e fiscalizador do setor. Após o processo de privatização, as empresas de
energia elétrica, incluindo algumas estatais não privatizadas, como a Cemig (cujo sócio majoritário é o
governo de Minas Gerais), competem entre si para vender a energia produzida.

Diversificação da Matriz Energética


A instalação de termelétricas visa diversificar a matriz energética brasileira e evitar novas crises, como
as que ocorreram em 2001, 2009, 2011 e 2013, que provocaram diversos “apagões” em várias regiões
do país. As usinas hidrelétricas, que produzem energia mais barata e menos poluente, permanecem
prioritárias no abastecimento, mas as termelétricas podem ser acionadas em períodos de pico no
consumo ou quando é necessário preservar o nível de água nas represas.
A instalação de usinas termelétricas ocorre principalmente próximo a gasodutos.
A opção pela diversificação da matriz energética que priorizava as usinas menores difere bastante da
política adotada durante a década de 1970 e o início da de 1980, quando foi dado um grande impulso ao
setor energético por meio da construção de grandes usinas. Depois das crises do petróleo de 1973 e
1979, a produção de hidroeletricidade passou a receber numerosos investimentos, por se tratar de uma
fonte mais barata e que provoca menor impacto ambiental que o petróleo.
Na década de 1970, o governo estabeleceu como prioridade a construção de usinas com grandes
represas, pois à época não era exigida a aprovação dos projetos pelos órgãos ambientais, o que passou
a existir somente a partir de 1986. É o caso de Itaipu, a maior usina hidrelétrica brasileira, no rio Paraná
(localizada na fronteira do Paraná com o Paraguai). No Norte, as principais usinas são Tucuruí, no rio
Tocantins, e Balbina, no rio Uatumã, ao norte de Manaus. No Nordeste, merecem destaque Sobradinho
e Xingó, no rio São Francisco.
A construção dessas hidrelétricas apresenta aspectos técnicos questionáveis, porque exigiu que
grandes áreas fossem alagadas, o que causou danos sociais e ambientais irreversíveis, como extinção
de espécies endêmicas (que são nativas de áreas específicas), inundação de sítios arqueológicos,
alteração da dinâmica de erosão e sedimentação do solo, desalojamento de populações que vivem em
cidades, em reservas indígenas ou em comunidades quilombolas, entre outros.
Atualmente, as grandes hidrelétricas em construção na Amazônia (Jirau, Santo Antônio e Belo Monte,
em 2018) utilizam tecnologia em suas estruturas que dispensa a construção de grandes barragens e,
consequentemente, há redução de área inundada. São conhecidas como usinas a fio d’água. Entretanto,
como a quantidade de água represada é pequena, a produção de energia nessas usinas pode ficar
comprometida em caso de período prolongado de seca.
O provável esgotamento das possibilidades de construção de grandes usinas hidrelétricas na região
Sudeste e os investimentos feitos no Sistema Interligado Nacional levaram à descentralização da geração
de energia para regiões que estiveram marginalizadas ao longo do século XX. Esse fato tem favorecido
o investimento em novas fontes de energia e o desenvolvimento das atividades econômicas em regiões
historicamente desprovidas de infraestrutura básica. Está ocorrendo uma desconcentração do parque
industrial, principalmente em direção às regiões Sul, Nordeste e Norte.

Questões

01. (Prefeitura de Divinópolis/MG – Técnico de Enfermagem – IBFC/2018) Brasil, nos últimos anos,
vem se destacando na produção de energias renováveis, dentre elas a energia eólica, estando entre os
maiores produtores no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica. A região brasileira que
é a maior produtora de energia eólica no país é a região:
(A) Sudeste
(B) Nordeste
(C) Centro Oeste
(D) Norte

02. (DEMAE/GO – Técnico Operacional – CS/UFG/2017) A produção de energia é fundamental para


o desenvolvimento e crescimento econômico de um país ou região. Atualmente, a principal matriz
energética brasileira, em produção total de eletricidade, é a
(A) eólica.
(B) solar.

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(C) hidráulica.
(D) térmica.

Gabarito

01.B / 02.C

Comentários

01. Resposta: B
O Nordeste é a região do País com a maior incidência de vento. Os pontos mais favorecidos ficam no
Ceará e Rio Grande do Norte.

02. Resposta: C
A principal fonte de energia elétrica do Brasil é a energia hidráulica. Ela é bastante utilizada na geração
de eletricidade.

POLÍTICAS AMBIENTAIS NO BRASIL

Políticas Ambientais são um conjunto de ações ordenadas e práticas tomadas por empresas e
governos com o propósito de preservar o meio ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável do
planeta. Esta política ambiental deve ser norteada por princípios e valores ambientais que levem em
consideração a sustentabilidade.
Estas políticas são, portanto, importantes instrumentos para a garantia de um futuro com
desenvolvimento e preservação ambiental. São também fundamentais para o combate ao aquecimento
global do planeta (verificado nas últimas décadas), redução significativa da poluição ambiental (ar, rios,
solo e oceanos) e melhoria na qualidade de vida das pessoas (principalmente dos grandes centros
urbanos).
A Lei nº 6.938/81 dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e institui o Sistema Nacional
do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formação e aplicação, e dá outras providências. Essa é a
mais relevante norma ambiental depois da Constituição Federal da 1988, pela qual foi recepcionada, visto
que traçou toda a sistemática das políticas públicas brasileiras para o meio ambiente.
Com o advento da Lei nº 6.938/81 o país passou a ter formalmente uma Política Nacional do Meio
Ambiente, uma espécie de marco legal para todas as políticas públicas de meio ambiente a serem
desenvolvidas pelos entes federativos. Antes disso, cada Estado ou Município tinha autonomia para
eleger as suas diretrizes políticas em relação ao meio ambiente de forma independente, embora na prática
poucos realmente demonstrassem interesse pela temática.

Código Florestal
O Código Florestal Brasileiro dispõe sobre a proteção da vegetação nativa e estabelece normas gerais
sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal.
Trata também de temas acerca da normatização geral da proteção da vegetação do Brasil, com
destaque à Áreas de preservação permanente; Áreas de reserva legal; Áreas de uso restrito; Áreas verdes
urbanas; Uso sustentável dos apicuns e salgados; Exploração florestal; Suprimento de matéria-prima
florestal; Controle da origem dos produtos florestais; Controle e prevenção de incêndios florestais;
Programa de Apoio e Incentivo à Preservação e Recuperação do Meio Ambiente; Instrumentos
econômicos e financeiros para a proteção florestal.

Unidades de Conservação
Através da Constituição de 1988 adveio a Lei nº. 9.985 de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema
Nacional de Unidades de Conservação, bem como regulamentou o § 1º, I, II, III e VII, do art. 225 da
Constituição Federal de 1988.
A Lei nº. 9.985/2000 aduz objetivos que garantem a sustentabilidade do espaço territorial destinado à
proteção, bem como diretrizes que se voltam para a constituição e funcionamento das unidades de
conservação, busca-se, no entanto, vislumbrar a identidade dos ecossistemas brasileiros. Tanto os
objetivos quanto as diretrizes, estão respectivamente apresentados pelos artigos 4º e 5º da lei 9.985/2002.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) é o conjunto de unidades de
conservação (UC) federais, estaduais e municipais. É composto por 12 categorias de UC, cujos objetivos
específicos se diferenciam quanto à forma de proteção e usos permitidos: aquelas que precisam de

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maiores cuidados, pela sua fragilidade e particularidades, e aquelas que podem ser utilizadas de forma
sustentável e conservadas ao mesmo tempo.

Corredores Ecológicos46
Corredores Ecológicos são áreas que possuem ecossistemas florestais biologicamente prioritários e
viáveis para a conservação da biodiversidade na Amazônia e na Mata Atlântica, compostos por conjuntos
de unidades de conservação, terras indígenas e áreas de interstício.
Sua função é a efetiva proteção da natureza, reduzindo ou prevenindo a fragmentação de florestas
existentes, por meio da conexão entre diferentes modalidades de áreas protegidas e outros espaços com
diferentes usos do solo.
A implementação de reservas e parques não tem garantido a sustentabilidade dos sistemas naturais,
seja pela descontinuidade na manutenção de sua infraestrutura e de seu pessoal, seja por sua concepção
em ilhas, ou ainda pelo pequeno envolvimento dos atores residentes no seu interior ou no seu entorno.
Integrante do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, o Projeto atua em
dois corredores: O Corredor Central da Mata Atlântica (CCMA) e o Corredor Central da Amazônia (CCA).
A implementação desses Corredores foi priorizada com o propósito de testar e abordar diferentes
condições nos dois principais biomas e, com base nas lições aprendidas, preparar e apoiar a criação e a
implementação de demais corredores.
A participação das populações locais, comprometimento e conectividade são elementos importantes
para a formação e manutenção dos corredores na Mata Atlântica e na Amazônia.

Objetivos do projeto:
Reduzir a fragmentação mantendo ou restaurando a conectividade da paisagem e facilitando o fluxo
genético entre as populações.
Planejar a paisagem, integrando unidades de conservação, buscando conectá-las e, assim,
promovendo a construção de corredores ecológicos na Mata Atlântica e a conservação daqueles já
existentes na Amazônia.
Demonstrar a efetiva viabilidade dos corredores ecológicos como uma ferramenta para a conservação
da biodiversidade na Amazônia e Mata Atlântica.
Promover a mudança de comportamento dos atores envolvidos, criar oportunidades de negócios e
incentivos a atividades que promovam a conservação ambiental e o uso sustentável, agregando o viés
ambiental aos projetos de desenvolvimento.
Para atingir este objetivo, o Projeto Corredores Ecológicos desenvolve uma abordagem abrangente,
descentralizada e participativa, permitindo que governo e sociedade civil compartilhem a responsabilidade
pela conservação da biodiversidade, podendo planejar, juntos, a utilização dos recursos naturais e do
solo; envolvendo e sensibilizando instituições e pessoas, criando parceiras em diversos níveis: federal,
estadual, municipal, setor privado, sociedade civil organizada e moradores de entorno das áreas
protegidas.

Zoneamento Ecológico e Econômico47


As novas demandas postas pelo desenvolvimento com inclusão econômica e diminuição das
disparidades sociais lançam um grande desafio para o ordenamento e a gestão ambiental territorial em
bases sustentáveis. Por consequência, surge a necessidade premente de obter uma visão geral sobre a
ocupação territorial brasileira, ressaltando, em particular, as especificidades do uso dos recursos naturais,
os conflitos relacionados e as potencialidades regionais do país, em seus diversos ecossistemas.
Porém, a ocupação do território brasileiro, como um todo, apresenta um caráter predominantemente
extensivo. Com efeito, a despeito dos excepcionais ganhos de produtividade observados em
determinados setores nos últimos anos e do aumento relativo da adoção de técnicas de produção
sustentáveis, a expansão da economia nacional continua a incorporar novos espaços, resultando, com
diferentes níveis de intensidade, na alteração dos ecossistemas submetidos à influência da ação dos
vetores de ocupação do território.
Como agravante, a ausência de um sistema integrado de planejamento territorial contribuiu para
configurar um quadro de planos, programas e projetos marcados por trajetórias relativamente autônomas
e fragmentadas, pautadas por visões distintas – e, por vezes, conflitantes – dos problemas existentes e
das medidas necessárias para sua solução, comprometendo, assim, a eficácia e efetividade das ações
empreendidas e o uso e gestão racional do espaço.

46 http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/programas-e-projetos/projeto-corredores-ecologicos.html
47 http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-territorial/estrutura-e-funcionamento.html.

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Contudo, a percepção de que no cerne dos obstáculos postos ao desenvolvimento do País está a falta
de uma abordagem integrada dos problemas que atingem a sociedade brasileira tem resultado na
emergência de um novo modelo, baseado na revalorização da temática territorial, no orquestramento das
ações dos diferentes níveis e esferas de governo e no monitoramento constante das ações desenvolvidas,
representando uma agenda estratégica calcada em uma concepção de desenvolvimento que tem como
pilares a inclusão social dos grupos mais vulneráveis, a sustentabilidade do crescimento econômico e a
conservação dos recursos naturais.
Nesse âmbito, o Zoneamento Ecológico-Econômico tem sido percebido por vários setores dos
governos federal, estaduais e municipais e da sociedade civil como o principal instrumento de
planejamento ambiental territorial em implementação. Seu papel ganha força e legitimidade na medida
em que cresce a percepção de que o meio ambiente está submetido a pressões que comprometem a
base de recursos naturais do próprio desenvolvimento e da qualidade de vida.
Em síntese, o ZEE tem como objetivos:
- Subsidiar a elaboração de planos, programas e políticas e propor alternativas para a tomada de
decisões, segundo o enfoque da compatibilização entre as atividades econômicas e o ambiente natural;
- Identificar incongruências e afinidades entre as políticas nacionais de meio ambiente e de
desenvolvimento;
- Reunir esforços de sistematização de dados e informações para subsidiar, por exemplo, o
licenciamento ambiental e a ação governamental de controle do desmatamento;
- Identificar oportunidades de uso dos recursos naturais, estabelecendo os parâmetros necessários
para sua exploração;
- Identificar e analisar problemas ambientais, tais como áreas degradadas, usos inadequados e
exploração irregular;
- Propor diretrizes legais e programáticas de caráter conservacionista e de desenvolvimento
sustentável.
Para o alcance desses objetivos, torna-se fundamental a integração do ZEE com os demais
instrumentos de planejamento ambiental territorial (como a Agenda 21, os planos diretores municipais e
os planos de recursos hídricos) e a sistematização e disponibilização das informações referentes às
diversas iniciativas de zoneamento e gestão ambiental territorial existentes, de acordo com os parâmetros
estabelecidos pela Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde), com o intuito de se consolidar um
banco de dados compartilhado que atenda a demandas estratégicas, como, por exemplo, a orientação a
determinadas linhas de financiamento baseadas nas categorias estabelecidas pelo ZEE, conforme
entendimento firmado através de Resolução do Conselho Monetário Nacional. Com efeito, ainda não há
no Brasil uma base de informações territoriais integradas que subsidie de forma adequada a tomada de
decisões, contribuindo para a desarticulação e sobreposição de diversas ações governamentais sobre
um mesmo território.
Ao mesmo tempo, é cada vez maior o número de atores interessados nas informações e dados
relacionados ao ZEE. Assim, a capacitação de técnicos e gestores e a disponibilização de uma
infraestrutura de informações capaz de contribuir para o atendimento dos distintos perfis de usuários de
ZEE tornam-se indispensáveis para que a consideração das diretrizes de uso e ocupação do território
apontadas pelo ZEE na implementação das políticas públicas ocorra.
O enfrentamento dos desafios associados ao ZEE é feito com o apoio constante de duas instâncias
de caráter interinstitucional. Como órgão técnico, é notável a atuação do Consórcio ZEE Brasil, composto
por quinze instituições públicas (como IBGE, Embrapa, Incra, Ibama e Inpe) com experiência acumulada
que atua tanto na frente de cooperação com os estados quanto nas ações de ZEE a cargo do governo
federal. Além disso, como instância política responsável por planejar, coordenar, acompanhar e avaliar a
execução dos trabalhos de ZEE, há a Comissão Coordenadora do Zoneamento Ecológico-Econômico do
Território Nacional (CCZEE), que se reúne periodicamente duas vezes ao ano. Por fim, de modo a ampliar
o comprometimento dos diversos atores na adoção das estratégias propostas pelo ZEE, estados,
municípios e sociedade civil também são mobilizados e envolvidos durante todo o processo de execução
dos projetos.

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4.2.1.2 População e estruturação socioespacial

POPULAÇÃO MUNDIAL

Crescimento Populacional no Mundo

População é o conjunto de pessoas que reside em determinada área. Ela pode ser caracterizada de
acordo com vários aspectos, como gênero, faixa etária, religião, etnia, idioma, local de moradia, atividade
econômica praticada, entre outros.
As condições de vida e o comportamento da população, no entanto, são retratados por meio de
indicadores sociais, ou seja, taxas de natalidade e mortalidade, expectativa de vida, índices de
analfabetismo, participação na renda, etc.
A dinâmica da população varia bastante entre os países. Nas economias desenvolvidas o crescimento
demográfico é inexpressivo, sendo até mesmo negativo em alguns locais.
Nos países em desenvolvimento e emergentes ocorrem as mais variadas situações: em algumas
nações, o elevado crescimento populacional compromete a busca pelo desenvolvimento sustentável; em
outras, a população tende a se estabilizar nas próximas décadas, como é o caso do Brasil.
Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em 2017, o planeta Terra era habitado
por 7,5 bilhões de pessoas, distribuídas de maneira distinta pelos países e pelas regiões.

População Mundial
Em 2013, segundo o relatório World Development Indicators 2017, do Banco Mundial,
aproximadamente 11% da população vivia em condições de pobreza extrema. A maior parte estava em
países em desenvolvimento da África subsaariana e da Ásia meridional.
Muitos países apresentaram um expressivo crescimento econômico e as condições de vida de suas
populações melhoraram, principalmente durante a segunda metade do século XX e o início do século
XXI.
De acordo com o Banco Mundial, em 1990 cerca de 1,9 bilhão de pessoas viviam em condições de
pobreza extrema (com menos de US$ 1,90 por dia). Esse número foi reduzido quase pela metade, apesar
do crescimento populacional do período.
No período de 2010 a 2020, segundo o UNFPA, nos países desenvolvidos a esperança de vida média
era de 76 anos para os homens e 82 anos para as mulheres; na América Latina e no Caribe, 72 e 79; e
na África ocidental e na África central, 56 e 58 anos.
Tais diferenças se explicam pela deficiência ou, muitas vezes, pela completa falta de acesso a ´[agua
potável; a coleta e tratamento de esgoto; a alimentação, educação e condições de habitação adequadas
e, principalmente, a bons programas de saúde destinados à população, incluindo campanhas de
vacinação, hospitais e maternidade de qualidade, entre outros.

As Taxas – Fundamentos Básicos para a Leitura dos Dados Demográficos

Taxa de natalidade: número de nascidos vivos em um ano por mil habitantes. É a relação entre os
nascimentos e a população total, expressa por mil habitantes.

Exemplo:
Nascimentos anuais: 775 000;
População total: 55 173 000 habitantes;
Taxa de natalidade: 775 000 x 1000 = 14%
Ou seja, para cada grupo de 1000 habitantes, nasceram 14 crianças vivas num ano.

Taxa de mortalidade: número de óbitos em um ano por mil habitantes. É calculada a partir da relação
entre óbitos anuais, multiplicados por mil, e a população total.

Exemplo:
Óbitos anuais: 335 000;

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População total: 55 173 000 habitantes;
Taxa de mortalidade: 335 000 x 1000 = 6%
Ou seja, para cada grupo de 1000 habitantes, morreram 6 pessoas num ano.

Obs.: As taxas de natalidade e de mortalidade também são expressas em porcentagem. Assim,


baseando-se nos dados dos exemplos anteriores: taxa de natalidade, 1,4%; taxa de mortalidade, 0,6%.

Taxa de crescimento vegetativo: diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade.


Conforme os exemplos de taxas de natalidade e mortalidade anteriores:

Taxa de natalidade: 14%;


Taxa de mortalidade: - 6%;
Crescimento vegetativo: 8% ou 0,8%

Obs.: A taxa de crescimento vegetativo é também denominada taxa de crescimento natural.

Taxa de fecundidade: número médio de filhos por mulher em idade de procriar, entre 15 e 49 anos.

Taxa de mortalidade infantil: é o número de óbitos de crianças com menos de u mano de vida, a
cada mil nascidas vivas, considerando-se o período de um ano.

A Revolução Industrial e o Crescimento Demográfico

A Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, teve forte repercussão na organização socioespacial.
Passaram a ocorrer um intenso processo de migração do campo para as cidades, mudanças de hábitos
e novas relações de trabalho. As condições de vida nas áreas industriais eram inicialmente precárias,
mas aos poucos nas cidades foram ocorrendo melhorias sanitárias significativas e a população urbana
passou a ter maior acesso aos serviços de saúde. A Revolução Industrial, enfim, não foi apenas uma
transformação no modo de produzir mercadorias, mas uma transformação tecnológica e cientifica que
atingiu todas as áreas do conhecimento, entre as quais a medicina.
A solução de problemas sanitários e o avanço na medicina contribuíram para a diminuição da
mortalidade infantil e da mortalidade da população em geral. A elevação da média de vida provocou o
aumento do número de habitantes nos países que primeiramente se industrializaram. A vacina contra a
varíola, entre o final do século XVIII e o início do XIX, foi a descoberta médica mais importante para o
crescimento populacional, já que houve redução das taxas de mortalidade e a natalidade permaneceu
por longo tempo ainda em patamares elevados.
Alguns pesquisadores do período da Revolução Industrial consideram outros fatores também
responsáveis pela elevação do crescimento populacional nos países industrializados do século XIX. Por
exemplo, a utilização generalizada da mão-de-obra infantil nesse período pode ter estimulado o aumento
do número de filhos para ampliar a renda das famílias. Assim, o crescimento populacional teria resultado
não apenas da diminuição da mortalidade, mas também do aumento da natalidade.

Crescimento da População e a Primeira Teoria Populacional – o Malthusianismo


A Grã-Bretanha, pioneira na Revolução Industrial, tinha pouco mais de 5 milhões de habitantes por
volta de 1750. A partir daí o processo de crescimento populacional foi rápido. Em 1840 haviam atingido
mais de 10 milhões de habitantes. Meio século depois passou a marca dos 20 milhões. Essa tendência
generalizou-se nos demais países europeus que acompanharam a primeira fase da Revolução Industrial.
Foi justamente a partir da observação da etapa inicial desse processo que surgiu a primeira e mais
polêmica teoria sobre o crescimento populacional.
Em 1798, Thomas Robert Malthus, um pastor protestante, escreveu a obra Ensaio sobre o Princípio
da População. Malthus acreditava que a população tinha um potencial de crescimento ilimitado enquanto
a natureza tem recursos limitados para alimentar a crescente população. Afirmava que as populações
humanas cresciam em progressão geométrica (2, 4, 16, 32 ...), enquanto a produção de alimentos crescia
em progressão aritmética (2, 4, 6, 8, 10 ...).
Colocava-se assim a fatalidade de a humanidade ter que conviver no futuro com subnutrição, fome,
doenças, epidemias, infanticídio, guerras por disputas de terras para ampliar a produção de alimentos e,
consequentemente, com a desestruturação de toda a vida social.

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Para evitar a tragédia anunciada, Malthus defendia o “controle moral”. Descartava a utilização de
métodos contraceptivos para limitar o crescimento populacional, conforme a sua formação religiosa. Do
ponto de vista prático, pregava uma série de normas de conduta que incluíam a abstinência sexual e o
adiamento dos casamentos, que só deveriam ser permitidos mediante capacidade comprovada de renda
para sustenta a provável prole. É evidente que tais normas atingiam apenas os pobres, que Malthus
considerava os grandes responsáveis pela própria pobreza, devido à tendência de se casarem cedo e se
reproduzirem em excesso.
A principal refutação às ideias malthusianas foi elaborada por Karl Marx, para quem o grande
responsável pela fome e pela carência da população era o sistema capitalista. As injustiças sociais e a
má distribuição de riquezas entre as classes sociais seriam os verdadeiros responsáveis pela fome e pela
miséria. Argumentava que os empresários capitalistas mantinham estrategicamente certo número de
desempregados (Exército Industrial de Reserva) para manter baixos os salários, e que manipulavam
esses desempregados de acordo com as necessidades do mercado de trabalho.
Para Marx, Malthus subestimava a capacidade da tecnologia em elevar a quantidade de alimentos
produzidos no mundo. De fato, a validade desse argumento foi comprovada pela própria história. A fome,
que condena quase 1 bilhão de seres humanos nos dias atuais, não se deve à incapacidade de produção
de alimentos e sim à má distribuição dos alimentos produzidos, devido às desigualdades sociais e
econômicas.

O Baby Boom
A partir do final da Segunda Guerra Mundial, a população dos países desenvolvidos teve um rápido
surto de crescimento. Esse fenômeno ficou conhecido como Baby Boom e foi o resultado do grande
número de casamentos, adiados durante o período da guerra. Esse fenômeno atingiu principalmente os
países europeus, o Japão, os Estados Unidos e outros diretamente envolvidos no conflito. Depois de dois
ou três anos as taxas de crescimento voltaram a declinar.

A Estabilização Demográfica no Mundo Desenvolvido


As migrações em massa da população europeia em direção à América e a outros continentes, e a
Revolução Agrícola, que elevou a produção de alimentos, diluíram os efeitos do grande crescimento
populacional na Europa do século XIX.
O estágio de desenvolvimento europeu no final do século XIX e início do XX refletiu na demografia. As
taxas de natalidade e mortalidade começaram a cair devido à urbanização de parcela significativa da
sociedade, ao atendimento médico e hospitalar, ao aumento das possibilidades de acesso à informação
e às mudanças no papel da mulher, que passou a participar ativamente do mercado de Trabalho industrial.
As taxas de crescimento entraram em declínio na Europa e continuaram caindo durante todo o século
XX.
Nos últimos 50 anos, o mundo desenvolvido, em geral – sobretudo os países europeus -, entrou num
processo de crescimento lento, com a efetivação do modo de vida urbano para a maioria de seus
habitantes.
Nas cidades, o custo de criação dos filhos é maior do que no campo; os jovens ingressam mais tarde
no mercado de trabalho; o trabalho feminino extradomiciliar leva à necessidade do cuidado dos filhos por
outras pessoas ou instituições, gerando outros gastos para as famílias. Nesse contexto, a invenção da
pílula anticoncepcional, em 1960, e a consolidação de algumas conquistas femininas – como a ampliação
de sua participação no mercado de trabalho e nas relações familiares – foram fundamentais nesse
processo.
No final do século XX, as duas taxas (mortalidade e natalidade) estavam praticamente em equilíbrio,
determinando taxas de crescimento vegetativo em torno de 0% ao ano e inaugurando uma nova fase,
conhecida como estabilização demográfica. Essa situação também foi denominada por alguns
demógrafos de implosão demográfica.
A partir da década de 1980, vários países do continente europeu registraram, em alguns anos,
crescimento natural negativo, pois as taxas de mortalidade superaram as taxas de natalidade.
Como visto, o processo de urbanização, interligado a outros fatores, como a presença marcante da
mulher no mercado de trabalho, a redefinição de seu papel na família e o modo de vida baseado na
preservação da individualidade são questões incorporadas pela cultura europeia ao longo do tempo.
Muitos filhos significam, nesse sentido, abrir mão dessa individualidade e, no caso das mulheres, podem
constituir uma barreira às suas perspectivas profissionais.

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Explosão Demográfica e Novas Teorias Populacionais

A explosão demográfica do século XX foi um fenômeno do mundo subdesenvolvido, que a partir da


década de 1950 passou a registrar elevadas taxas de crescimento demográfico. Alguns países
subdesenvolvidos chegaram a dobrar a sua taxa de crescimento em menos de uma geração.
É importante ressaltar que a expressão explosão demográfica é criticada por alguns demógrafos,
pois sugere um crescimento descontrolado da população, o qual tornaria caótica a vida humana na Terra.
Foram esses países que mais contribuíram para o crescimento da população mundial no século XX.
Atualmente concentram mais de 80% da população do planeta e esse índice tende a ampliar-se.
Muitas doenças infecciosas que assolavam principalmente os países subdesenvolvidos foram
derrotadas com a descoberta de novas vacinas e dos antibióticos. Esses avanços na medicina obtidos
nos países desenvolvidos foram estendidos a várias regiões do mundo e provocaram um declínio
significativo nas taxas de mortalidade, com consequente crescimento da população.
Com o avanço do processo de urbanização em vários países do mundo subdesenvolvido, sobretudo
nos que industrializaram, as taxas de crescimento vegetativo também têm se mostrado declinantes nas
últimas duas décadas.
No continente africano, onde a maioria dos países ainda se verificam índices de população urbana
inferiores a 50%, as taxas de crescimento vegetativo permaneceram superiores a 2% ao ano.
A taxa de fecundidade nos países subdesenvolvidos é praticamente o dobro da registrada nos países
subdesenvolvidos. No entanto, se na África o número médio de filhos por mulher está próximo de 5, na
América Latina, onde a urbanização tem sido intensa, essa taxa é praticamente a metade da africana.

As Teorias Antinatalistas da Segunda Metade do Século XX


O fenômeno da explosão demográfica contribuiu para que surgissem novas teorias relacionadas ao
crescimento populacional. As primeiras teorias associavam o crescimento demográfico à questão do
desenvolvimento e propunham soluções antinatalistas para os problemas econômicos enfrentados pelos
países subdesenvolvidos. Ficaram conhecidas como teorias neomalthusianas, por serem catastrofistas
e por apontarem o controle populacional como única saída. Mas, ao contrário de Malthus, os
neomalthusianos eram favoráveis ao uso de métodos anticoncepcionais e propunham a sua difusão em
massa nos países do mundo subdesenvolvido.
Argumentavam que os países que mantêm elevadas taxas de crescimento veem-se obrigados a
investir doa parte de seus recursos em educação e saúde, devido à grande porcentagem de jovens que
abrigam. Essas elevadas somas de investimentos poderiam ser aplicadas em atividades produtivas,
ligadas à agricultura, à indústria, aos transportes, etc., que dinamizariam a economia do país.
Os neomalthusianos ressaltavam ainda que o crescimento acelerado da população de um país
acarretava a diminuição da sua renda per capita. Portanto, para aumentar a renda média dos habitantes,
era necessário controlar o crescimento populacional.
Os argumentos convincentes dos neomalthusianos foram desfeitos pela dinâmica demográfica real.
Os países que tiveram quedas acentuadas em suas taxas de natalidade foram aqueles cujas conquistas
econômicas estenderam-se à maioria dos habitantes, na forma de maior renda e melhoria do padrão
cultural. A história comprovou que havia uma inversão no pensamento neomalthusiano. A redução do
crescimento populacional não é o ponto de partida para a conquista do desenvolvimento social e
econômico, mas o ponto de chegada.
Essa dinâmica demográfica já havia sido apontada pelos reformistas, que destacavam as conquistas
socioeconômicas como responsáveis pela redução das taxas de crescimento populacional. Para os
reformistas, uma melhor distribuição de renda e o maior acesso à cultura e à educação podem modificar
os padrões de crescimento e promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Outra visão antinatalistas surgiu com alguns ecologistas já no final da década de 1960, com a
publicação do livro A bomba populacional de Paul Ehrlich. Mas esses ecologistas não se limitaram à
questão demográfica para discutir as ameaças dos problemas ambientais. Ressaltaram o papel negativo
do consumismo da população dos países desenvolvidos e, portanto, a necessidade de transformação do
modelo econômico do mundo atual.

O Método para os Estudos de População


As características de uma determinada população mudam em função de condições socioeconômicas,
políticas e territoriais, submetidas a múltiplas determinações culturais.
A análise da orientação, do ritmo e da natureza do crescimento dessa população, a par dos
deslocamentos, permite entender seu comportamento e fazer projeções para o futuro.

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O termo técnico mais comum para designar esse comportamento populacional é dinâmica
demográfica.
Em geral, a análise da dinâmica demográfica considera um período de tempo predeterminado.

Crescimento, Composição Etária e Impactos Sociais


Os padrões demográficos gerais de um país ou região (natalidade, mortalidade, migrações)
determinam a distribuição da população por faixas de idade.
Essa distribuição, ao mesmo tempo que resulta do estágio de desenvolvimento, causa impacto na
economia e na distribuição dos recursos em saúde, educação, formação profissional e outros.
Não existe um único critério para a distribuição da população por faixa etária, mas o mais utilizado e
adotado (inclusive pelo IBGE atualmente) divide a população em jovens (0-14 anos), adultos (15-65 anos)
e idosos (acima de 65 anos).
Essa divisão tem por base a população ligada ao mercado de trabalho (pessoas de 15 a 65 anos),
empregada ou não, e as pessoas que são consideradas fora desse mercado (com menos de 15 anos e
com mais de 65 anos).
É evidente que tal critério não atende ás condições de diversos países em que, entre as camadas
sociais pobres, o trabalho infantil é um fato comum e os idosos veem-se, em muitos casos, obrigados a
trabalhar até morrerem ou se tornarem incapazes de qualquer atividade por motivo de doença ou de
incapacidade física.
Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2000, quase três milhões de
crianças entre cinco e 14 anos trabalhavam no Brasil.
O subemprego é uma forma precária de complementação de renda para os idosos que não conseguem
reingressar no mercado de trabalho formal.

Fundamentos Básicos para a Análise de um Histograma de Distribuição Etária e Sexual e as


Fases de Crescimento Demográfico
A pirâmide etária é uma representação da população por sexo e idade em um gráfico conhecido como
histograma. Deve ser analisado a partir dos percentuais de homens e mulheres em cada faixa etária com
relação à população total. O tamanho de cada barra corresponde à proporção de cada grupo de idade,
conforme o sexo: masculino, cujas barras estão no lado esquerdo da pirâmide; ou feminino, cujas barras
estão no lado direito.
No eixo horizontal do gráfico (base) está registrado o percentual da população por sexo. No eixo
vertical estão indicadas as diferentes faixas etárias da população. Por meio das pirâmides etárias é
possível analisar algumas alterações demográficas dos países e as tendências dessas alterações.

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Como as barras da base da pirâmide correspondem às faixas de idade, uma pirâmide de base larga
com formato piramidal (triangular) representa um país de população jovem acentuada e menor
expectativa de vida, como os países subdesenvolvidos, que ainda permanecem em fase de crescimento
acelerado, ou na primeira fase da transição demográfica.

As pirâmides que apresentam pequeno estreitamento na base mas o restante da pirâmide triangular,
como as de alguns países subdesenvolvidos industrializados (Brasil, México, Argentina) ou de nível
sociocultural mais elevado (Chile, Uruguai, Costa Rica) estão na segunda fase da transição
demográfica.
As pirâmides com formas irregulares e topo largo correspondem aos países com predomínio de
população adulta e população envelhecida, caso dos países desenvolvidos que atingiram a fase de
estabilização demográfica.

A Questão Etária nos Países Subdesenvolvidos de Elevado Crescimento Demográfico


Nos países subdesenvolvidos que ainda mantêm um elevado padrão de crescimento populacional, o
número de jovens é superior às demais faixas etárias da população. Os custos de manutenção e de
formação da população na faixa etária dos jovens são um sério problema nos países onde o Estado, além
de desprovido dos recursos necessários, está mal estruturado para atender às necessidades de saúde e
educação.
Além disso, o grande número de jovens coloca as populações dos países mais pobres numa situação
desfavorável. A necessidade de sustentar um número maior de filhos limita a formação da poupança
familiar e dificulta oferecer a educação necessária à ascensão social e ao progresso econômico. De um
ponto de vista mais amplo, os países subdesenvolvidos são impedidos de aproveitar seu melhor recurso,
o humano.
No estágio atual da globalização econômica e transformações tecnológicas, os trabalhadores menos
qualificados têm sido os mais afetados pelo desemprego, e a tendência é de que as inovações dos
processos de produção os afastem ainda mais do mercado de trabalho. O baixo investimento na formação
educacional dos jovens, que ainda por algumas décadas constituirão a parcela maior da população do
planeta, aponta questões difíceis de serem resolvidas a curto e a médio prazos.

A Questão Etária nos Países Desenvolvidos


Nos países desenvolvidos o crescimento da população que não trabalha decorre basicamente do
aumento da população idosa, pois as baixas taxas de fecundidade não contribuem para a formação de
um grupo etário numeroso. Enquanto a média mundial de fecundidade da mulher situa-se em torno de
2,6 filhos, nos países desenvolvidos é de 1,5 e nos países subdesenvolvidos é de 2,8 filhos. Para que um
país mantenha a sua população em volume constante é preciso que a taxa seja de 2 filhos para cada
mulher, necessária para a reposição da população que morre.
O processo de aumento na participação dos idosos no conjunto total da população é denominado
envelhecimento da população, o qual obriga os países desenvolvidos (cuja população com mais de 65
anos, a maioria fora do mercado de trabalho, é superior à 15% da população total) a destinarem um
volume crescente de recursos ao sistema de previdência. No Japão, na Itália, Alemanha e Grécia, por
exemplo, 1 em cada 5 pessoas tem mais de 65 anos de idade.
Nos países classificados pela ONU como “emergentes”, caso do Brasil, a situação também é
preocupante. Nesses países, embora o índice de crescimento populacional venha diminuindo (e,
consequentemente, o número de jovens), o índice da população idosa vem aumentando.
Envelhecimento Populacional e Previdência Social
A questão da previdência social pode, segundo alguns economistas – sobretudo os de orientação
neoliberal -, acarretar consequências negativas para os orçamentos dos governos e ter repercussões
também ruins no mercado financeiro mundial quando o número da população idosa for bem superior ao
de contribuintes inseridos no mercado de trabalho. Esse problema ameaça tanto os países desenvolvidos
quanto os subdesenvolvidos, nos quais é ainda mais grave. É o que ocorreu com o Brasil no começo
deste século. Os países desenvolvidos enriqueceram e depois “envelheceram”, mas alguns países
subdesenvolvidos estão “envelhecendo” antes de enriquecerem.
Se, por um lado, a elevação da expectativa de vida prolongou o tempo de recebimento dos benefícios
da aposentadoria, por outro lado, a redução da fecundidade provocará, a médio e longo prazos, a
diminuição do número de contribuintes ao sistema previdenciário.

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Distribuição da População por Sexo
Há pouco mais de um século havia equilíbrio entre o número de homens e o de mulheres na
composição da população mundial.
Porém, desde o final do século XIX, os recenseamentos vêm acusando um aumento progressivo no
número de mulheres.
Ocorre que até o século XIX as principais causas de mortalidade eram as doenças infectocontagiosas,
que atingiam proporcionalmente homens e mulheres.
A partir do século XX, gradativamente, aumenta o número de mortes resultantes de doenças
cardiovasculares, que afetam especialmente os homens.
Assim, há um número um pouco maior de mulheres na faixa etária dos idosos.
Naquela época, o IBGE registrou uma expectativa de média de vida de 71 anos, no Brasil.
Para os homens era de 67,3 anos, enquanto a das mulheres chegava a 74,9.
Atualmente, a média está entre 75,2 anos, no geral.
No caso brasileiro influi significativamente o fato de que os homens são as principais vítimas da
violência.
Os homicídios e acidentes atingem principalmente os homens na faixa de idade entre 15 e 35 anos.
A alteração do papel da mulher na sociedade, ao mesmo tempo que representa uma conquista, tem
elevado a taxa de estresse da população feminina.
São comuns, também, os casos em que mulheres separadas são obrigadas a assumir sozinhas a
responsabilidade de cuidar dos filhos e garantir os custos de subsistência e de formação.
Os países ou regiões que atraem imigrantes apresentam um predomínio da população masculina.
Ocorre o contrário nos países ou regiões de emigração, onde há predomínio de mulheres.
No caso brasileiro, esse fator manifesta-se por um número superior de população feminina e mesmo
de mulheres “chefes de família” na região Nordeste, devido à emigração da população masculina para
outras regiões.

ASPECTOS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA48

A população do Brasil foi formada após a ocupação portuguesa, principalmente de povos nativos ou
indígenas, africanos e europeus. Nesse período, a maior parte dos africanos tinha origem etnolinguística
banto e ioruba, enquanto os europeus eram oriundos especialmente de Portugal, mas, em menor número,
também da França, dos Países Baixos, do Reino Unido, entre outros.
Desde meados do século XIX até os dias atuais, a população brasileira teve influência de variados
povos que imigraram em épocas diferentes para o país em busca de melhores condições de vida. São
exemplos os europeus, como italianos, espanhóis, alemães e poloneses; os asiáticos vindos do Japão,
da Coreia do Sul e de países do Oriente Médio; os latino-americanos vindos principalmente da Bolívia,
do Chile e do Haiti; além dos africanos de distintas nacionalidades, como moçambicanos, guineenses,
angolanos e cabo-verdianos.

Primeiros Habitantes

A quantidade de indígenas que ocupava o que é hoje o território brasileiro antes da chegada dos
portugueses ainda não é consenso entre os pesquisadores. As etnias com maiores populações e que
ocupavam as maiores extensões territoriais eram a jê e a tupi-guarani.
É inquestionável, entretanto, que, de 1500 aos dias atuais, os indígenas sofreram intenso genocídio.
No passado, as causas principais foram as doenças trazidas pelos europeus, para as quais os nativos
não tinham imunidade, e os conflitos com os colonizadores. Havia ainda as guerras entre diferentes
nações indígenas, que se intensificavam quando alguns grupos fugiam das regiões ocupadas pelos
europeus em direção a terras de outros povos, ou quando alguns grupos se aliavam militarmente a
portugueses, franceses e holandeses para lutar contra nações inimigas. Muitos povos também sofreram
etnocídio49, pois passaram a adotar hábitos dos colonizadores, como falar outra língua, professar uma
nova religião e alterar o próprio modo de vida, como a vestimenta e a alimentação.
De acordo com a Funai e o Censo demográfico do IBGE, em 2010, a população de origem indígena
estava reduzida a 817 mil indivíduos (0,4% da população total do país), distribuídos entre 505 terras
indígenas e algumas áreas urbanas e concentrados principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Essas estimativas revelaram também que há pelo menos 107 referências de grupos isolados, isto é, que
não estabeleceram contanto com a sociedade brasileira.
48 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.
49 Etnocídio é a destruição da cultura de um povo.

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Somente a partir da metade do século passado verificou-se uma tendência de aumento desse
contingente, principalmente em razão da demarcação de terras indígenas que em 2018 ocupavam 12,5%
do território brasileiro.
A Constituição Federal assegura aos indígenas o direito à terra: “Art. 231. São reconhecidos aos índios
sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras
que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarca-las, proteger e fazer respeitar todos os seus
bens”. Apesar disso, a invasão de terras indígenas é uma realidade que esses povos continuam
enfrentando até os dias atuais.
Em 2010, 39% dos indígenas viviam em áreas urbanas e 61%, na zona rural. A taxa de crescimento
da população indígena, de 3,5% ao ano, era bem superior à média da população não indígena, de 0,8%.
Entre as 305 etnias existentes no país, os Yanomami ocupavam a terra indígena mais populosa, com
25,7 mil habitantes, distribuídos entre os estados do Amazonas e de Roraima. A etnia ticuna (AM) é a
mais numerosa, com 46 mil pessoas distribuídas por várias terras esparsas, seguida dos Guarani Kaiowá
(MS), com 43 mil membros. Os grupos indígenas isolados não foram contabilizados no Censo 2010 em
razão da política de preservação cultural.

Povos Indígenas: Condições de Vida

Brasil: Terras Indígenas 2017/2018

http://brasildebate.com.br/demarcacao-e-disputa-pelas-terras-indigenas/

A criação de parques e terras indígenas, onde ficam asseguradas as condições de vida em


comunidade dos povos nativos, constitui o reconhecimento do direito de existência de culturas distintas,
com valores e costumes próprios. O princípio que embasa a demarcação dessas terras é o fato de que
os indígenas foram os primeiros habitantes desse território.
Esse tipo de garantia é importante por causa da visão de mundo de diversas nações indígenas. A terra
é considerada a base do grupo por ser o lugar onde reproduzem a cultura, desenvolvem sua organização
social e jazem seus ancestrais.

Formação da População Brasileira

Desde o século XVI, início da colonização, os portugueses foram se fixando no Brasil. Entre 1532 e
1850, os africanos foram trazidos forçadamente para o território brasileiro. Depois de 1870, a imigração
de europeus, asiáticos e latino-americanos foi ampliada e, com isso, o país foi sendo povoado e novas
famílias se formaram. Os descendentes de todos esses povos compõem o povo brasileiro atual.

Como a População Brasileira se Identifica

Segundo o IBGE, o percentual de pessoas que se consideram brancas tem caído e o número das que
se consideram pretas caiu de 1950 a 1980 e voltou a aumentar em 2010. Já a auto identificação como
parda está crescendo desde a década de 1950. Isso pode indicar que o processo de aceitação e de

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valorização da identificação afrodescendente da população brasileira tem se ampliado nas últimas
décadas.
Os dados levantados pelo IBGE refletem a forma como as pessoas se identificam. Nem sempre os
pardos se declararam como tal, havendo muitos que se declaravam como brancos. Além disso, o Censo
2010 foi o primeiro a oferecer a opção “indígena” como auto identificador. Existem ainda muitas pessoas
que, por particularidades culturais, não se identificam com nenhuma das cindo opções oferecidas para
enquadramento da resposta (branca, preta, amarela, parda e indígena).
A espécie humana é única, não existem raças. O conceito de raça (além do de cor, que seria expressão
fenotípica de um indivíduo), como aparece nas pesquisas e relatórios do IBGE, não tem embasamento
biológico; ele corresponde a uma construção social ao longo da história.

Imigração Internacional (Forçada e Livre)

Como a Coroa portuguesa não fazia registros oficiais do tráfico de pessoas escravizadas, não existem
dados precisos sobre o número de africanos que ingressaram no Brasil, quais foram os anos de maior
fluxo, por qual porto entraram e de que lugar da África vieram. Segundo estimativas, ingressaram no país
pelo menos 4 milhões de africanos entre 1550 e 1850, a maioria proveniente do golfo de Benin e das
regiões que atualmente compreendem os territórios de Angola (ao sul do continente, costa ocidental) e
Moçambique (também ao sul, costa oriental).
A participação brasileira no total de escravizados por destino mundial é muito grande, o mesmo
ocorrendo com o Rio de Janeiro e São Paulo em relação à quantidade de escravizados para o Brasil.
Entre as correntes migratórias livres a mais importante foi a portuguesa, que se estendeu até os anos
1980 e voltou a acontecer depois da crise econômica mundial iniciada em 2008, com a vinda de
profissionais qualificados em busca de empego. Além de serem numericamente mais significativos, os
imigrantes portugueses espalharam-se por todo o território nacional.
Até 1883, a segunda maior corrente de imigrantes livres foi a italiana, que nessa época se dirigiu aos
cafezais do Sudeste; a terceira, a alemã, que se concentrou no Sul, em colônias; e a quarta, a espanhola,
que se dirigiu a várias cidades do Sudeste e Sul do país. A partir de 1850, a expansão dos cafezais pelo
Sudeste e a necessidade de efetiva colonização da região Sul levaram o governo brasileiro a criar
medidas de incentivo à vinda de imigrantes europeus para substituir a mão de obra escravizada. Algumas
das medidas adotadas e divulgadas na Europa foram o financiamento da passagem e a suposta garantia
de emprego, com moradia, alimentação e pagamento anual de salários.
Embora atraente, essa propaganda governamental revelou-se enganosa e escondia uma realidade
perversa: a escravidão por dívida. A saída do imigrante da fazenda somente seria permitida quando a
dívida fosse quitada. Como não tinha condições de pagar o que devia, ele ficava aprisionado no latifúndio,
vigiado por capangas. Essa prática, de escravidão por dívida, é comum até hoje em vários estados do
Brasil, sobretudo na região Norte.
Além dos cafezais da região Sudeste, outra grande área de atração de imigrantes europeus, com
destaque para portugueses, italianos e alemães, foi o Sul do país. Nessa região, os imigrantes ganhavam
a propriedade da terra, onde fundaram colônias de povoamento.
Os espanhóis não fundaram colônias; em vez disso espalharam-se pelos grandes centros urbanos de
todo o Centro-Sul brasileiro, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 1908, aportou em Santos a primeira embarcação trazendo colonos japoneses. O destino de quase
todos foram as lavouras de café do oeste do estado de São Paulo e do norte do Paraná; alguns se
instalaram no vale do Ribeira (SP) e ao redor de Belém (PA). Da década de 1980 até 2008/2009, porém,
alguns descendentes de japoneses passaram a fazer o caminho inverso de seus ancestrais, emigrando
em direção ao Japão como trabalhadores, e a ocupar postos de trabalho menos procurados por cidadãos
japoneses, geralmente em linhas de produção industrial. Essas pessoas são conhecidas como
decasséguis (do japonês deru, “sair”, e kasegu, “para trabalhar”). Com a crise econômica mundial que se
iniciou em 2008 e o aumento do desemprego no Japão, esse fluxo se estagnou, e muitos decasséguis
retornaram ao Brasil.
As correntes imigratórias de menor expressão numérica incluem judeus, espalhados pelo Brasil e
oriundos de diversos países, principalmente europeus; árabes, sírios e libaneses, também distribuídos
pelo país; chineses e coreanos, mais concentrados em São Paulo; eslavos, sobretudo poloneses, lituanos
e russos, mais concentrados em Curitiba e outras cidades paranaenses. Há também sul-americanos, com
argentinos, uruguaios, paraguaios, bolivianos, venezuelanos e chilenos, a maioria na Grande São Paulo;
e haitianos e pessoas de vários países africanos, com destaque para Angola, Cabo Verde e Nigéria.

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Migração (Movimentos Internos)

Segundo dados do IBGE, em 2015, 38% dos habitantes do Brasil não eram naturais do município em
que moravam, e cerca de 15% deles não eram procedentes da unidade da federação em que viviam.
Esses dados revelam que predominam os movimentos migratórios dentro do estado de origem.
Atualmente há um crescimento dos fluxos urbano-urbano e intrametropolitano, isto é, aumenta o número
de pessoas que migram de uma cidade para outra no mesmo estado ou em determinada região
metropolitana em busca de melhores condições de vida. Analisando a história brasileira, percebemos
que, desde o século XVI, os movimentos migratórios estão associados a fatores econômicos. Quando o
ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste decaiu, por exemplo, se intensificou o do ouro em Minas Gerais, e
muitas pessoas foram atraídas para este estado. Esses grandes deslocamentos provocam um intenso
processo de urbanização na nova centralidade econômica do país.
Mais tarde, com o ciclo do café e o processo de industrialização, o eixo São Paulo-Rio de Janeiro se
tornou o grande polo de atração de migrantes, que saíam da região de origem em busca de emprego ou
de melhores salários. Somente a partir da década de 1970, por causa do processo de desconcentração
da atividade industrial e da criação de políticas públicas de incentivo à ocupação das regiões Norte e
Centro-Oeste, a migração para o Sudeste começou a apresentar significativa queda.
Se determinada região do país começa a receber investimentos produtivos, públicos ou privados, que
aumentam a oferta de emprego, em pouco tempo ela se torna polo de atração de pessoas. É o que
acontece atualmente com os municípios de médio porte em vária regiões do país.
Municípios médios e grandes do interior do Estado de São Paulo, como Campinas, Ribeirão Preto,
São José dos Campos, Sorocaba e São José do Rio Preto, e alguns menores apresentam índices de
crescimento econômico maiores do que os da capital, o que gera atração populacional. Isso de deve ao
desenvolvimento dos sistemas de transporte, energia e telecomunicações.

Emigração

Os movimentos de população sempre estão associados a fatores de repulsão e de atração e, muitas


vezes, os emigrantes saem contrariados de seu país de origem. A partir da década de 1980, o fluxo
imigratório do Brasil começou a se tornar negativo, ou seja, o número de emigrantes tornou-se maior do
que o de imigrantes.
Do início da década de 1980 até a crise mundial que começou em 2008, muitos brasileiros se mudaram
para Estados Unidos, Japão e países da Europa (sobretudo Portugal, Reino Unido, Espanha e França),
entre outros destinos, em busca de melhores condições de vida. Os principais motivos para a evasão
eram os salários muito baixos pagos no Brasil, comparados aos desses países, e os índices elevados de
desemprego e subemprego no país.
Enquanto perdurou a crise econômica mundial iniciada em 2008, o Brasil passou a receber muitos
imigrantes de países latino-americanos, com destaque para a Bolívia, Peru e Paraguai. Além disso,
muitos brasileiros que moravam no exterior voltaram para o país. Dessa forma, naqueles anos, o Brasil
deixou de ser um país onde predominava a emigração e passou a receber imigrantes em maior número,
mesmo durante o período recessivo entre 2014 e 2017 e a crise econômica que se seguiu a ele.
Há também um grande número de brasileiros estabelecidos no Paraguai, quase todos produtores
rurais que para ali se dirigiram em busca de terras baratas e de uma carga tributária menor do que a
brasileira.

Aspectos da População Brasileira

Nas últimas décadas o Brasil vem passando por significativas mudanças estruturais em sua
composição demográfica, com uma tendência ao envelhecimento populacional. Isso ocorre, sobretudo,
em razão da redução da taxa de fecundidade e do aumento da expectativa de vida. Essas transformações
que provocam grandes impactos na sociedade e economia.

Crescimento Vegetativo da População Brasileira

A sociedade brasileira vem passando por expressivas mudanças em seu perfil demográfico. Até a
década de 1990, as taxas de fecundidade eram altas, o que contribuía para que a maior parte da
população brasileira fosse jovem. Nos últimos anos, a quantidade de filhos por mulher diminuiu de forma
expressiva gerando reflexos diretos no crescimento populacional.

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Segundo os Indicadores de desenvolvimento sustentável 2017 do IBGE, em 2016 a taxa de
fecundidade da mulher brasileira era de 1,7%, inferior aos 2,1% considerados pela ONU como nível de
reposição. Essa é a média de filhos por mulher necessária para manter a população estável.
Essa redução do número de filhos por mulher é consequência de uma série de fatores, como
urbanização, desenvolvimento de métodos contraceptivos, melhoria de índices de educação, adoção de
políticas públicas visando o planejamento familiar, maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho,
e mudanças nos valores socioculturais, com destaque para a emancipação feminina.
Entre 1950 e 1980, a população brasileira cresceu em média 2,8% ao ano, índice que projetava sua
duplicação a cada 25 anos. Já de 2010 para 2015, o crescimento populacional caiu para 0,8% ao ano, e
a projeção para a população duplicar aumentou para 87 anos.
Da década de 1940 para a de 2010, o número médio de filhos por mulher diminuiu de 6,2 para 1,8.
Paralelamente à redução acentuada da natalidade, a esperança de vida ao nascer tem aumentado.
Esse aumento se dá em razão da melhoria das condições de vida da população e dos avanços na área
da medicina e da saúde pública. Assim, por causa desse movimento paralelo, o Brasil encontra-se em
um período de transição demográfica, que se intensificou a partir dos anos 1980.
O número de crianças no total da população brasileira tem diminuído, enquanto o de jovens, adultos e
idosos tem aumentado, em consequência da redução da fecundidade e do aumento da esperança de
vida. Nas próximas décadas, o número de idosos continuará crescendo, enquanto o de crianças e jovens
cairá.
Essas alterações na composição etária da população indicam que o Brasil ingressou num período
especial conhecido como janela ou bônus demográfico.
Ele ocorre quando há predomínio de adultos no conjunto total da população em relação a crianças (0
a 14 anos) e idosos (65 anos ou mais). Isso aumenta o número de pessoas em idade produtiva e diminui
a quantidade de dependentes, favorecendo o desenvolvimento econômico.
Entretanto, o país não está aproveitando esse período de bônus demográfico de forma eficiente.
Setores de saúde pública e educação básica, por exemplo, que poderiam criar condições estruturais
melhores para o crescimento econômico, recebem poucos investimentos. O mesmo ocorre em setores
de infraestrutura, como o de transportes. Estima-se que o percentual de brasileiros em idade produtiva
deva aumentar até por volta de 2020 e depois comece a diminuir.
O crescimento vegetativo no Brasil vem diminuindo, especialmente por causa do menor número de
nascimentos. Em termos percentuais, a taxa de mortalidade brasileira já atingiu um patamar equivalente
ao de países desenvolvidos, próximo a 6%. Isso significa que seis habitantes morrem a cada grupo de
mil ao ano. Segundo as projeções, a partir de 2042 a população brasileira deverá parar de crescer e
passará a sofrer redução, porque o número de óbitos provavelmente será maior do que o de nascimentos.
Conhecer essas mudanças no comportamento demográfico possibilita aos governos estabelecer
planos de investimentos em áreas essenciais, como educação, saúde e previdência social, adequados
ao perfil populacional. Por exemplo, saber que a população idosa vai aumentar expressivamente em
relação à PEA leva à necessidade de o governo monitorar as regras da previdência social, uma vez que
haverá menos trabalhadores contribuindo e um número maior de pessoas utilizando o sistema
previdenciário (aposentados e pensionista). Além disso, o crescimento da população com idade acima de
60 anos exige, cada vez mais, maiores investimentos no sistema de saúde, pois em geral os idosos
requerem mais cuidados médicos.

Esperança de Vida e Mortalidade Infantil


A esperança de vida ao nascer e a taxa de mortalidade infantil são importantes indicadores da
qualidade de vida da população de um país. Essas taxas podem revelar como está a qualidade do ensino,
do saneamento básico e dos serviços de saúde, como campanhas de vacinação, atenção ao pré-natal,
aleitamento materno e nutrição, entre outros.

Brasil: Esperança de Vida ao Nascer - 2016


Regiões Total (em anos)
Norte 72,2
Nordeste 73,1
Sudeste 77,5
Sul 77,8
Centro-Oeste 75,1
Brasil 75,7

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É importante observar que, no Brasil, os contrastes regionais são muito acentuados. Em 2016, na
região Sul, a expectativa de vida ao nascer era 4,7 anos maior do que na região Nordeste. Embora tenha
caído de 115% para 13% entre 1970 e 2016, a mortalidade infantil no Brasil ainda é alta se comparada
com a de outros países com nível de desenvolvimento semelhante. Segundo o Banco Mundial, em 2015,
na Argentina essa taxa era de 11% e no Chile, 7%. Com relação aos países desenvolvidos, a distância é
ainda maior: Luxemburgo e Japão, 2%. Nesses países, os fatores da mortalidade infantil independem de
políticas de infraestrutura social; já no caso do Brasil, o percentual de mortes associadas à carência de
serviços públicos essenciais ainda é elevado.
Apesar da grande queda no índice de mortalidade infantil nas regiões Nordeste e Norte, elas continuam
a apresentar as maiores taxas do país.
Os avanços nos serviços públicos de saúde contribuíram para a diminuição da mortalidade infantil. Um
exemplo disso é a campanha de vacinação contra a poliomielite.

Estrutura da População Brasileira

O aumento da esperança de vida da população brasileira ao nascer e a queda das taxas de natalidade
e mortalidade vêm provocando mudanças na pirâmide etária. Está ocorrendo um significativo
estreitamento em sua base, que corresponde aos mais jovens, e o alargamento do meio para o topo, por
causa do aumento da participação percentual de adultos e idosos.
Quanto à distribuição da população brasileira por gênero, o país se enquadra nos padrões mundiais,
nascem cerca de 105 homens para cada 100 mulheres. No entanto, a taxa de mortalidade infantil e juvenil
masculina é mais elevada, e a expectativa de vida dos homens é mais baixa do que das mulheres.
Em razão disso, é comum as pirâmides etárias apresentarem uma parcela ligeiramente maior de
população feminina. Segundo o IBGE, em 2015, o Brasil tinha 99,4 milhões de homens (48,5%) e 105,5
milhões de mulheres (51,5%).

Mortalidade de Jovens e Adultos


Um aspecto demográfico da população brasileira que se torna cada vez mais preocupante é o aumento
das mortes de adolescentes e adultos jovens do sexo masculino por causas violentas, como assassinatos
e acidentes automobilísticos decorrentes de excesso de velocidade, imprudência ou uso de drogas. Isso
provoca impactos na distribuição etária da população e na proporção entre os sexos, além de trazer
implicações socioeconômicas, com a diminuição da qualidade de vida da população em geral (em
decorrência da insegurança generalizada) e o aumento de gastos com prevenção e coibição da violência,
vigilância à venda de drogas, entre outros.
Segundo o IBGE, se não ocorressem mortes prematuras da população masculina, a esperança de
vida média dos brasileiros seria maior em dois ou três anos. O predomínio de mulheres na população
total vem aumentado. Em 2000, havia 98,7 homens para cada grupo de 100 mulheres. Em 2010, esse
índice reduziu para 97,9 homens para cada grupo de 100 mulheres.

PEA50 e Distribuição de Renda no Brasil

Relativo à distribuição da população economicamente ativa no Brasil em 2015, observou-se que 13,9%
da PEA trabalha na agropecuária. Embora esse número venha diminuindo em razão da modernização e
da mecanização do campo em algumas localidades, as atividades agrícolas também são praticadas de
forma tradicional e ocupam significativa mão de obra nas regiões mais pobres do país.
O setor industrial brasileiro, incluindo a construção civil, absorve 21,6% da PEA, número comparável
ao de países desenvolvidos. Após a abertura econômica, iniciada na década de 1990, o parque industrial
brasileiro se modernizou e algumas empresas ganharam projeção internacional.
O setor terciário, embora ocupe mais da metade da PEA no Brasil, apresenta os maiores níveis de
subemprego, uma vez que muitos dos trabalhadores exercem atividades informais, sem garantia de
direitos trabalhistas, além de não contribuírem para a previdência social.
No Brasil, 64,5% da PEA exercem atividades terciárias, somando-se serviços, comércio e manutenção.
No setor formal de serviços (como escolas, hospitais, repartições públicas, transportes, etc.), as
condições de trabalho e o nível de renda são muito variáveis: há instituições avançadas administrativa e
tecnologicamente, ao lado de outras bastante tradicionais. Por exemplo, ao compararmos o ensino
oferecido em escolas públicas, percebemos diferenças significativas de qualidade entre as unidades.
Essa discrepância ocorre também no setor da saúde.

50 PEA refere-se à população economicamente ativa.

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O comércio ambulante é uma atividade informal, pois não são recolhidos impostos e os trabalhadores
não usufruem de direitos trabalhistas.

Participação das Mulheres


Quanto à composição da PEA por gênero, é possível notar certa desproporção: em 2015, 43% dos
trabalhadores eram do sexo feminino. Nos países desenvolvidos, essa participação é mais igualitária,
com índices próximos aos 50%.
O aumento da participação feminina na PEA ganhou impulso com os movimentos feministas a partir
da década de 1970, que passaram a reivindicar igualdade de gênero no mercado de trabalho, nas
atividades políticas e em outras esferas da vida social. Além disso, muitas mulheres passaram a prover
o sustento da família, inserindo-se cada vez mais no mercado de trabalho formal.
O percentual de mulheres que são empregadas com baixa remuneração é mais alto do que o de
homens.
Apesar de, no Brasil, as mulheres apresentarem médias mais elevadas de anos de estudo em relação
aos homens, ainda hoje muitas vezes elas recebem salários menores. Em 2015, as trabalhadoras
recebiam, em média, 76,1% dos rendimentos dos trabalhadores do sexo masculino. Além disso, há
predominância feminina em empregos de menor qualificação e salários mais baixos, como o trabalho
doméstico e a operação de telemarketing.
Nas sociedades em que a democracia está mais consolidada, e a cidadania, mais desenvolvida, existe
maior igualdade de oportunidades de trabalho entre homens e mulheres. A redução da discriminação por
gênero é um importante fator de combate à pobreza.

Participação dos Afrodescendentes


Para a avaliação do nível de desenvolvimento de um país, não basta considerar o crescimento
econômico. É fundamental ponderar também como se dá a distribuição das riquezas entre sua população.
Segundo o IBGE, em 2015, as pessoas que se declaravam pretas ou pardas recebiam cerca de 59%
a menos do que aquelas que se classificavam como brancas, revelando uma grave distinção social entre
grupos de cor ou raça no país, além da falta de equidade entre gênero.
Embora as desigualdades entre gêneros e entre cor ou raça tenham sido reduzidas desde a década
de 1970, elas ainda são muito acentuadas, e combatê-las é uma das ações fundamentais para diminuir
a pobreza no país.
A diferença na taxa de frequência escolar dos adolescentes brancos e pretos ou pardos caiu cerca de
6,4% para 3,1% entre 2004 e 2015. E a melhora do índice foi crescente para todas as cores ou raças da
população brasileira.

IDH do Brasil

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2016, publicado pelo Pnud em 2015, o Brasil
possuía um índice de Desenvolvimento Humano elevado, ocupando a 79ª posição mundial. O país
mantém o nível elevado de desenvolvimento humano desde 2005.
Das três variáveis consideradas no cálculo do IDH (educação, renda e longevidade), a que apresentou
maior contribuição para a melhora do índice brasileiro, nas últimas décadas, foi a educação. Em
contrapartida, a renda foi a variável que menos contribuiu nesse período. No item longevidade, que
permite avaliar as condições gerais de saúde da população, os avanços também foram bastante
significativos.
Apesar de ter apresentado o maior avanço nas últimas décadas, o índice de educação é o mais baixo
dos três, o único que se localiza abaixo de 0,700%. Em 2010, era de 0,637%, na faixa de médio
desenvolvimento humano.

Avanços na Educação
De acordo com os dados do Relatório de Desenvolvimento Humano 2016 em comparação aos dados
de 1990, observa-se que:
→ Entre 1990 e 2015, a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais de idade aumentou
de 82% para 92,6%;
→ No mesmo período, a esperança de vida ao nascer cresceu de 67,6 para 77,5 anos;
→ A renda per capita subiu de US$ (PPC) 7349 para US$ (PPC) 14145;
→ De 1990 a 2015, a taxa de matrícula no Ensino Fundamental de crianças entre 7 e 14 anos
aumentou de 86% para 98%.

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Questões

01. (AFAP – Assistente Administrativo – FCC/2019) Criado pelo Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento (Pnud), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é atualizado anualmente, visando
permitir o conhecimento sobre as condições de vida das nações avaliadas. Este índice possui uma
variação de 0 até 1, sendo que quanto mais próximo for de 1 a avaliação do país, melhor classificado ele
será no IDH, ou seja, melhores condições de vida aquela população terá.
Analise o IDH do Brasil mostrado na tabela abaixo.

Os dados apresentados e os conhecimentos sobre o contexto socioeconômico brasileiro indicam


(A) os elevados déficits em setores de importância socioeconômica, como é o caso da Previdência.
(B) que, atualmente, o país tem apresentado significativa redução das desigualdades sociais.
(C) que as condições de vida da população brasileira tiveram reduzida evolução.
(D) o esforço do governo para manter políticas públicas destinadas às crianças e jovens.
(E) a posição do Brasil como o país de maior IDH da América do Sul, superando a Argentina.

02. (ABIN – Oficial de Inteligência – CESPE/2018) Acerca dos movimentos migratórios internos, da
estrutura etária da população brasileira e da evolução de seu crescimento no século XX, julgue o item a
seguir.
A dinâmica da estrutura etária da população brasileira tende ao equilíbrio quanto à quantidade de
crianças, jovens, adultos e idosos: a população de idosos com maior expectativa de vida cresce tanto
quanto a população em idade infantil e jovem.
(....) Certo (....) Errado

03. (IFB – Professor de Geografia – IFB/2017) Há cerca de 50 anos, apenas 15% dos postos de
trabalho no Brasil eram ocupados por mulheres. Atualmente, elas representam mais de 43% da
População Economicamente Ativa (PEA). Esse dado mostra que o contingente de mulheres responsáveis
pela renda familiar aumentou significativamente nas últimas décadas. A redução do tempo de convivência
familiar em razão da permanência no trabalho, além dos altos custos com alimentação, saúde, lazer e
educação; e os programas de planejamento familiar desenvolvidos pelo Estado por meio do Ministério da
Saúde, fizeram com que ocorresse na dinâmica demográfica brasileira:
(A) um aumento da expectativa de vida;
(B) a queda gradual da taxa de natalidade;
(C) o predomínio da população idosa;
(D) a queda das taxas de mortalidade;
(E) um aumento na renda per capita.

Gabarito

01.C / 02.Errado / 03.B

Comentários

01. Resposta: C
Apesar de ter apresentado o maior avanço nas últimas décadas, o índice de educação é o mais baixo
dos três, o único que se localiza abaixo de 0,700%. Em 2010, era de 0,637%, na faixa de médio
desenvolvimento humano.

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02. Resposta: Errado
Nas próximas décadas, o número de idosos continuará crescendo, enquanto o de crianças e jovens
cairá.

03. Resposta: B
A redução do número de filhos por mulher é consequência de uma série de fatores, como urbanização,
desenvolvimento de métodos contraceptivos, melhoria de índices de educação, adoção de políticas
públicas visando o planejamento familiar, maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho, e
mudanças nos valores socioculturais, com destaque para a emancipação feminina.

MOVIMENTOS POPULACIONAIS51

Movimentos Migratórios

Movimentos migratórios referem-se aos diversos tipos de migração, a qual, por sua vez, é entendida
como os deslocamentos de determinada população de um lugar para outro. Portanto, qualquer migração
possui dois movimentos: o de saída de um lugar e o de entrada em outro.
As migrações são muito variadas. Podem ocorrer dentro do mesmo território ou de um país para outro.
Quando são realizadas dentro do mesmo país, são chamadas de migrações internas. Quando ocorrem
de um país para outro, são chamadas de migrações externas. Observe a imagem a seguir:

Migrantes nordestinos no Terminal Rodoviário do Tietê. Este é um grande fluxo de migração interna que existe no Brasil. São Paulo, SP, 2010.

As migrações externas são caracterizadas por dois movimentos: emigração e imigração.


O movimento de entrada de estrangeiros em um país é chamado de imigração. O movimento de saída
de indivíduos de um país é chamado de emigração.
Por exemplo, imagine que uma família está se mudando da Colômbia para o Equador. Em seu país
de origem, a Colômbia, eles são considerados emigrantes. Já no país de destino, o Equador, eles são
considerados imigrantes. Observe a imagem a seguir:

Família de imigrantes espanhóis, São Paulo, cerca de 1890.

Por que as Pessoas Migram?


As migrações podem acontecer de forma forçada ou espontânea. A migração forçada é aquela em que
a pessoa não migra por vontade própria, como foi o caso dos africanos que vieram para cá escravizados
durante o período colonial. A ocorrência de fenômenos naturais, como grandes terremotos, tsunamis,
explosões vulcânicas ou inundações, por exemplo, também pode provocar a migração forçada. Grandes

51 FURQUIM JUNIOR, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição. São Paulo: Editora AJS, 2015.

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guerras e perseguições políticas ou religiosas também são motivos que levam as pessoas a saírem de
seu lugar de origem.
A migração espontânea ocorre quando as pessoas migram por vontade própria. Ou seja, decidem
deslocar-se de um lugar a outro em busca de melhores condições de vida.
No entanto, devemos perceber que essa migração espontânea está baseada em um movimento de
expulsão e atração. Ou seja, de alguma maneira, as pessoas sentem-se repelidas por um lugar e atraídas
por outro.
As condições econômicas e sociais de um país podem fazer que uma pessoa decida buscar melhores
condições de vida em outro. A falta de emprego, a escassez de terras para os agricultores, a precarização
das condições de trabalho, a mecanização da produção e outros processos similares são fatores que
muitas vezes dificultam a vida do trabalhador, levando-o a se mudar.

Migração Temporária e Migração Pendular


A migração temporária é o deslocamento populacional que ocorre por determinado período. Por
exemplo, no caso da construção de uma grande obra de engenharia, milhares de pessoas são atraídas
para um lugar onde antes não havia oportunidades de emprego. Quando a construção terminar, essas
pessoas retornarão ao seu lugar de origem ou irão procurar emprego em outros lugares.
Outro exemplo de migração temporária é a que acontece em determinados períodos do ano, como na
época da colheita de certos produtos agrícolas, que atrai pessoas de diferentes regiões para trabalhar
durante esse período.
Já a chamada migração pendular consiste no movimento diário da população que se desloca de um
lugar a outro para estudar ou trabalhar. Geralmente, ocorre entre municípios vizinhos.

Imigração no Brasil
Com o processo de colonização, iniciou-se um período de atração de diferentes povos para as novas
terras. Uma boa parte da atual população brasileira é formada por imigrantes e seus descendentes.
Os primeiros a chegar aqui foram os portugueses, seguidos pelos africanos trazidos na condição de
escravos. Séculos depois, com o fim da escravidão, muitos outros imigrantes vindos da Europa e da Ásia
estabeleceram-se no Brasil, principalmente a partir de meados do século XIX, para substituir a mão de
obra escrava.
Estudaremos a seguir alguns dos povos que vieram para o Brasil em períodos específicos. São
milhares de pessoas que saíram de seus países de origem e vieram para cá, influenciando a cultura e os
hábitos do povo brasileiro.
Além deles, muitos outros povos vieram para o Brasil, como os libaneses, os poloneses e os russos,
porém em quantidades menores e durante períodos mais curtos.

Portugueses
Os portugueses foram os colonizadores das terras que vieram a se tornar o Brasil. Sua entrada foi
constante e contínua durante todo o período colonial. A migração dos portugueses trouxe sérios impactos
para os povos indígenas que já habitavam aqui. Eles foram perseguidos, mortos e escravizados. Houve
também uma intensa imigração portuguesa para o Brasil entre os anos de 1881 e 1967.

Africanos

Gravura que retrata o embarque de escravos em um navio negreiro.


Negros no fundo do porão de navio, Johann Moritz Rugendas, Brasil, séc. XIX.

Entre os séculos XVI e XIX, de 2 a 4 milhões de africanos foram forçados a vir para o Brasil na condição
de escravos. Eles pertenciam a diferentes povos, principalmente da região da África Central, cada um

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com costumes, língua e fisionomia diferentes. Contudo, as culturas desses povos não só influenciaram
um a outro, mas também todos os demais que viviam na Colônia, como os próprios portugueses e até os
indígenas.
Todas essas pessoas que vieram para cá sofreram com as duras condições de vida, trabalhando em
situações precárias - isso para dizer o mínimo - e privadas de sua liberdade. Desenvolveram diferentes
tipos de trabalho, ligados principalmente à agricultura.

Alemães

Tradicional festa alemã em Blumenau (SC), 2013

Os alemães começaram a chegar ao Brasil de forma expressiva em meados do século XIX. O primeiro
grupo de imigrantes alemães chegou ao Brasil em 1824, mas o período mais intenso de imigração ocorreu
entre 1848 e 1933.
A grande maioria desses imigrantes estabeleceu-se nas serras dos estados do Sul do Brasil, formando
as chamadas colônias, onde preservavam os hábitos e sua terra natal, inclusive muitas vezes sem falar
o português.
Dedicaram-se principalmente à agricultura e à criação de animais.

Italianos
Os imigrantes italianos chegaram ao Brasil após os alemães. Assim como eles, vieram em busca de
promessas de uma vida melhor, fugindo das duras situações em que viviam na Europa. Dirigiram-se
principalmente para os estados de São Paulo - a fim de trabalhar nas lavouras de café e, posteriormente,
nas indústrias paulistas - e do Rio Grande do Sul, onde também formaram colônias. Observe a imagem
a seguir.

Embarque de italianos para o Brasil, Itália, 1910

Japoneses
A imigração maciça de japoneses teve início no século XX. Em 1908, aportou em Santos o primeiro
navio de imigrantes japoneses, chamado Kasato Maru. A grande maioria deles estabeleceu-se no estado
de São Paulo, trabalhando nas lavouras de café e, posteriormente, no cultivo de hortaliças e frutas.
Observe a imagem a seguir.

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Imagem do Kasato Maru, navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. Santos, 1908

Migração Interna
No Brasil, há uma grande mobilidade da população de região para região. Isso significa que existem
milhares de pessoas que não moram no lugar em que nasceram. De acordo com dados do Censo de
2010, a cada 100 brasileiros, 37 não nasceram no município onde estão estabelecidos atualmente.

Êxodo Rural
O processo de urbanização no Brasil teve início no século XX, a partir do processo de industrialização,
que atraiu milhares de pessoas da área rural em direção à urbana. Esse deslocamento do campo para a
cidade é chamado de êxodo rural. Atualmente, mais de 80% da população brasileira vive em áreas
urbanas. Observe o gráfico a seguir, que mostra a taxa de urbanização brasileira entre 1940 e 2010.

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E Estatística, [s.d.] apud GOBBI,


Leonardo Delfim. Urbanização brasileira. Globo. com, [s.d.]. Educação. Geografia.

No gráfico acima, podemos observar progressivamente, os anos 1940, 1950, 1960, 1970, 1980, 1991,
2000, 2010. A parte cinza representa a população urbana, e a parte verde, a população rural.

O êxodo rural está ligado a um movimento tanto de expulsão dessa população do campo quanto de
atração pela cidade. As condições de vida para a população rural tornaram-se cada vez mais difíceis, já
que muitos trabalhadores perderam seus empregos e suas terras com a modernização da agricultura - a
mão de obra de muitos trabalhadores do campo foi substituída por máquinas e tratores sofisticados.
Por outro lado, as cidades surgem como uma grande oportunidade de melhoria de vida, ainda que
muitas vezes isso não aconteça na prática. Na maioria dos casos, esses migrantes são obrigados a
enfrentar situações muito precárias.

Fluxos Migratórios Inter-Regionais


A migração inter-regional, ou seja, entre as diferentes regiões do Brasil, começou a ser estudada com
mais precisão a partir do estabelecimento da regionalização brasileira, em meados da década de 1930.
A grande disparidade entre as regiões estimulou a continuidade de um fluxo regular de migrantes em
diferentes períodos do século XX.

Décadas de 1930-1940
O principal fluxo inter-regional estabeleceu-se do Nordeste para o Sudeste. Milhares de migrantes
dirigiram-se ao Sudeste em busca de melhores condições de vida, fugindo das secas que assolavam a
região Nordeste.

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Décadas de 1950-1970
Nesse período foram realizadas grandes obras de integração regional, como a construção da nova
capital do país, Brasília, inaugurada em 1960 no governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-
1961), e da Rodovia Transamazônica no início da década de 1970 durante o período militar, sob o governo
do general e presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). A construção de Brasília atraiu migrantes
de todas as partes do Brasil para a região Centro-Oeste. A rodovia, por sua vez, estabeleceu um fluxo de
trabalhadores do Nordeste para o Norte que se dirigiram principalmente às áreas de extração do látex
para a fabricação de borracha nos chamados seringais.

Décadas de 1970-1990
O fluxo entre Nordeste e Sudeste se manteve. Além disso, muitos migrantes do Sul dirigiram-se para
outras áreas da região Norte, como o Acre, e também para o Centro-Oeste, graças ao auxílio do governo,
que estimulava esse Fluxo por meio do oferecimento de facilidades, como pequenos lotes de terra. Na
década de 1990 intensificaram-se os fluxos no interior do país e inicia-se uma corrente de migração do
Sudeste para o Nordeste.
Observe abaixo os mapas que demonstram os principais fluxos migratórios entre os períodos de 1950
a 1990.

Fonte: Disponível em: <http://www.padogeo.com/atividade-migracoes.htrnl>

A Migração Atual
Nos últimos anos, houve uma profunda mudança no padrão das migrações internas brasileiras. As
regiões ainda apresentam muita disparidade entre si. No entanto, a saída de migrantes da região Nordeste
em direção ao Sudeste diminuiu significativamente.
Isso se deve principalmente à redução das ofertas de emprego nas indústrias e no setor de serviços
no Sudeste e também à recente industrialização do Nordeste. Além disso, muitos migrantes estão votando
para as suas regiões de origem, em um movimento conhecido como migração de retorno.
Entre os grupos de imigrantes que se dirigem atualmente ao Brasil, podemos destacar os haitianos e
os bolivianos. O Haiti sofre historicamente com a pobreza e a miséria.
Em 2010, um terremoto dizimou o país, o que afetou a vida de milhões de habitantes e deixou milhares
de mortos. Isso contribuiu para a decisão de vários cidadãos de buscar no Brasil trabalho e melhores
condições de vida. A maioria dos haitianos entra no Brasil pelo estado do Acre, de onde se dirige para as
demais regiões do país.
Os bolivianos, por sua vez, também migram para o Brasil em busca de melhores condições de vida e
ofertas de emprego. Como a Bolívia faz fronteira com o nosso país, o caminho mais comum é entrar pela
cidade de Assis Brasil, também localizada no Acre.
É importante destacar que esses imigrantes muitas vezes entram de foram ilegal no Brasil. Com isso,
acabam tendo maiores dificuldade para arranjar emprego e bons salários, sendo obrigados, muitas vezes,
a trabalhar em troca de salários muito baixos ou até em condições mais precárias, semelhantes à
escravidão.

Questões

01. (DER/CE – Geografia – UECE/CEV) Sobre as migrações internas no Brasil, é correto afirmar que
(A) houve um fluxo de nordestinos para o Sudeste, atraídos pela expansão industrial, e para a
Amazônia, atraídos pelos projetos agropecuários, minerais e industriais.

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(B) o maior fluxo migratório interno se deu dos estados da região Norte para a região Sul do Brasil,
devido à expansão da soja e da cana-de-açúcar.
(C) os movimentos migratórios internos ocorreram numa escala muito pequena e de forma isolada nas
regiões metropolitanas das grandes metrópoles do Sudeste.
(D) ocorreram apenas nas décadas de 1940 e 1950 do Nordeste para o Sudeste por causa das secas
que castigavam a região.

02. (IF/SP – Professor de Geografia – FUNDEP) Analise este gráfico:

Brasil e regiões: participação relativa das regiões no total populacional do país


(1960 – 2000)

Considerando-se que, no Brasil, a quase totalidade dos movimentos migratórios ocorridos em sua
história estiveram relacionados com condições socioeconômicas, a região brasileira que tem sido lugar
de partida de grandes movimentos migratórios é
(A) o Centro-Oeste.
(B) o Nordeste.
(C) o Norte.
(D) o Sul.

03. (IBGE – Pesquisa e Mapeamento – CESGRANRIO) No Brasil, durante muito tempo, as migrações
internas, do Norte para o Sul e do mundo rural para as cidades, constituíram uma tentativa de resposta
individual à extrema pobreza de algumas regiões. Fator de diversificação do tecido social e de
desenvolvimento de associações e ONG, essa mobilidade contribuiu para a riqueza do Sul, assim como
para a expansão das favelas urbanas. A esses efeitos devem-se acrescentar, hoje, fluxos populacionais
mais diversificados. DURAND, M-F. et al. Atlas da mundialização. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 130. Adaptado.
Na atual realidade brasileira, ocorre um novo e recente fluxo populacional denominado
(A) movimento pendular
(B) êxodo rural
(C) migração de retorno
(D) transumância
(E) transmigração

Gabarito

01.A / 02.B / 03.C

O MUNDO DO TRABALHO52

As Novas Relações de Trabalho – Profissões e Inovações Tecnológicas

Vivemos o período pós-fordista. As relações de são agora "flexíveis". O que significa isso?
O modelo atual exige que os funcionários disponham do seu tempo de acordo com as necessidades
da empresa. Dessa forma, em períodos de grande demanda, os horários serão ampliados e, em períodos

52MARTINI, Alice de. Geografia. /Alice de Martini; Rogata Soares Del Gaudio. 3ª edição. São Paulo: IBEP, 2013. PNLD – 2015 a 2017 – FNDE – Ministério da
Educação.

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de menor produção, as jornadas serão reduzidas, sem que essa dinâmica implique perdas ou ganhos
salariais.
Os funcionários integram-se à empresa, numa relação de responsabilidade com a produção e os
prazos. A satisfação dos clientes garante a manutenção dos seus empregos.
A flexibilização também se estende para as contratações. Com a anuência do Estado e com o
enfraquecimento dos sindicatos, os contratos de trabalho não obedecem mais às leis trabalhistas.
Segundo os neoliberais, desonerar as empresas de encargos trabalhistas traz benefícios a todos. Mas
quem são todos?
O empregado fica sem nenhuma estabilidade e garantia legal, mas os preços não estão baixando em
decorrência disso. Ao contrário, com o monopólio de mercado, a lei da oferta e da procura é coisa do
passado.
Novamente, observa-se que a flexibilização atende somente aos interesses de maior acumulação de
capital por parte dos grupos empresariais em detrimento da qualidade de vida e bem-estar dos
trabalhadores. E ainda assim, grande parte da população mundial pleiteia esses empregos, porque não
há outra perspectiva, apenas o desemprego e a diminuição das políticas públicas de amparo aos
desempregados.
O método de produção atualmente empregado chama-se toyotismo devido à empresa que o criou e
colocou em prática - a japonesa Toyota.
Para desenvolver um produto dentro do prazo prometido ao cliente, a empresa é obrigada a contar
com a pontualidade dos fornecedores e com a flexibilização dos seus funcionários. Estes são altamente
capacitados e suprem qualquer ausência de um colega; eles têm a noção completa da produção e não
apenas de um segmento do produto.
Com a expansão da rede mundial de computadores, muitas vezes não é preciso nem mesmo se fazer
um novo pedido. À medida que um produto é vendido numa loja, por exemplo, a empresa fornecedora
recebe um relatório e entende que precisa fabricar um novo produto para suprir o que foi comercializado.
Dentro de uma linha de produção, esse sistema é chamado de kanban, palavra japonesa que significa
cartão.
Através desse método, um kanban é criado com a descrição de um determinado número de peças
produzidas. A produção e o kanban são enviados para o próximo setor de montagem. Quando todas as
peças forem utilizadas, o kanban volta para o seu local de origem, indicando que há necessidade de
confecção de novas peças.
Esse sistema evita que determinados componentes sejam fabricados em demasia, o que, por sua vez,
regula os fluxos de estoque.
A tecnologia permite que o cartão kanban seja substituído por controles virtuais. Dentro de uma
empresa de montagem de automóveis, por exemplo, o esquema kanban funciona eletronicamente.

Áreas Industriais e Empregos

Até as primeiras décadas do século XX, os imigrantes saíam da Europa Ocidental em busca de
melhores condições de vida na América, África e Ásia. Aos europeus desprovidos de bens, restava a
emigração, muitas vezes incentivada pelos seus governos como forma de diminuir as tensões sociais da
época.
Esse movimento é considerado como o primeiro grande fluxo migratório da Era Moderna e aconteceu
aproximadamente entre os anos de 1870 a 1920.
Posteriormente, entre a Segunda Grande Guerra e o início dos anos 1970, uma nova onda de
migrações se instalou no mundo, ligada ao trabalho. Os países europeus incentivaram as imigrações
objetivando o preenchimento de vagas de menor qualificação, que não eram ocupadas pelas populações
nativas.
Predominantemente, eram imigrantes que se deslocavam de colônias ou ex-colônias de cada país da
Europa. Tais movimentos se deram em um contexto em que a economia nos países centrais do
capitalismo estava mais estável e existia a presença de um "Estado de Bem-Estar" para uma parte da
população nativa.
Vejamos a seguir alguns exemplos de áreas economicamente importantes e a relação com a mão de
obra empregada.

Vale do Ruhr - Alemanha


As regiões industriais tradicionalmente atraem trabalhadores de diversas regiões e países. À medida
que a política do Welfare State era introduzida nos países desenvolvidos, a política do pleno emprego e
as condições de vida satisfatórias despertaram o interesse de trabalhadores de áreas mais pobres.

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A perspectiva de melhoria de vida atraiu multidões, aumentando a oferta de mão de obra e reduzindo
os salários. Uma das regiões europeias da indústria pesada tradicional é o Vale do Ruhr, na Alemanha.
O Vale do Ruhr agrega mineradoras, siderúrgicas, metalúrgicas e indústrias químicas. Diversos
trabalhos braçais mal remunerados eram executados por imigrantes, sobretudo turcos.
A antiga Alemanha Ocidental mantinha uma relação diplomática muito próxima com a Turquia,
facilitando a imigração. Os imigrantes exerciam funções que os alemães não desejavam. Na década de
1980, noticiou-se que, em muitas funções, os trabalhadores imigrantes eram submetidos a situações que
colocavam em risco a sua saúde e a sua vida, como inalação de produtos e resíduos químicos, contato
com substâncias nocivas e até radioatividade em usinas nucleares.

Grandes Lagos - EUA


O Nordeste dos EUA, também conhecido como manufacturing belt, é a mais tradicional área industrial
daquele país. A união do carvão dos Montes Apalaches com o ferro dos Grandes Lagos possibilitou a
formação de uma importante indústria pesada. A mão de obra imigrante, sobretudo da Europa, nos
séculos XVIII e XIX, foi decisiva para o crescimento e desenvolvimento dos EUA.
Os dizeres presentes na Estátua da Liberdade nos reportam àquela época: “Dê-me seus exaustos,
seus pobres; suas massas desordenadas ansiando por respirarem livres ... eu erguerei minha lâmpada
ao lado da porta de ouro”.
Com a consolidação do Nordeste como a principal área econômica dos EUA, as relações de trabalho
também foram se aprimorando na medida em que as leis trabalhistas se aperfeiçoavam e os sindicatos
ficaram mais atuantes.
No século XX, buscando uma nova geografia de expansão econômica, os EUA se voltam também para
a Ásia, a princípio estreitando relações com o Japão e os Tigres Asiáticos e, mais tarde, com a China. A
costa do Pacífico ganha atenção como área de entrada e saída de produtos para o Oriente, fato que se
traduziu no desenvolvimento de um novo parque industrial na Califórnia, o Vale do Silício, especializado
na indústria da informática, de última geração.
As vantagens da costa oeste não paravam aí. Com sindicatos menos atuantes e mão de obra mais
barata, não tardou para que conglomerados do Nordeste se transferissem para lá.
O número estimado de imigrantes nos EUA é de 12 milhões, a maior parte de latino-americanos ilegais.
A fronteira do México com os EUA, particularmente com a Califórnia, é uma das principais rotas de acesso
ilegal aos EUA.
A cidade mexicana de Tijuana encontra-se junto à fronteira, facilitando a passagem para os EUA. Nem
mesmo os desertos, as cercas e o muro ali existente têm conseguido evitar a entrada de milhares de
pessoas aos EUA todos os anos. Os imigrantes anseiam por perspectivas de trabalho, ainda que em
situações precárias.

Austrália
A Austrália é o mais importante país da Oceania, não apenas pela vantagem territorial, mas pelo
desenvolvimento econômico e social.
Embora cerca de 50% do país, a porção oeste, seja ocupado por desertos, a parte leste apresenta um
crescimento contínuo.
Os ramos industriais de destaque são o alimentício, o têxtil, a mineração, a siderurgia, a química e
uma ampla oferta de serviços e comércio.
Ocupa papel de destaque em IDH e na boa qualidade de vida da população. Esse perfil
socioeconômico atrai trabalhadores de países subdesenvolvidos como Filipinas, Indonésia e mesmo
Vietnã.
Nos últimos anos, o governo australiano tem demonstrado preocupação com o fluxo crescente de
imigrantes clandestinos que se utilizam de embarcações simples para chegar à Austrália.
Em 2005, foi veiculada uma propaganda que alertava para o risco que esses imigrantes corriam ao
tentar, inadvertidamente, alcançar a costa australiana. Segundo ela, diversos imigrantes haviam sido
atacados pelos crocodilos que habitam a costa nordeste e leste. A finalidade disso era exatamente de
intimidar futuras incursões ilegais.

França
A França, outra potência econômica da Europa, possui vários centros econômicos importantes, mas a
capital, Paris, é o maior e o mais dinâmico.
Paris é um centro multicultural. Pela sua condição socioeconômica, atrai pessoas do próprio país, do
Leste Europeu e das ex-colônias francesas na África em busca de trabalho.

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Esse movimento populacional contínuo gerou uma estratificação social que também tem origem étnica.
Existem os franceses, os franceses descendentes de imigrantes, os imigrantes legais e ilegais.
A hierarquia social se consolidou pelas oportunidades oferecidas de maneira desigual. Os subúrbios
parisienses contrastam com o "glamour” da área central e turística. Lá, a infraestrutura é precária.
Milhares de famílias vivem à margem do progresso e da Política do Bem-Estar Social, em sua maioria de
imigrantes ou de filhos de imigrantes.
Entre outubro e novembro de 2005, a França viveu uma onda de violência civil. O incidente envolveu
os jovens do subúrbio que são filhos, netos e bisnetos de imigrantes, grande parte de origem africana,
mais precisamente das antigas colônias francesas naquele continente.
Os jovens incendiaram cerca de 9 mil automóveis em 20 dias. Os policiais, mais de 10 mil, não
conseguiam manter a ordem porque as ações ocorriam em vários pontos ao mesmo tempo.
O episódio que desencadeou essas ações foi a morte de dois jovens, filhos de imigrantes que, ao
tentarem fugir da polícia, esconderam-se em uma estação de energia elétrica e morreram eletrocutados.
A violência não foi encarada como um fato específico e isolado. Os distúrbios dos subúrbios
parisienses mostraram os contrastes sociais, o racismo e a xenofobia. Ficou evidente a ação do Estado
como repressor, ineficiente como articulador de políticas públicas que atendam às necessidades de todas
as camadas sociais do país.
A abordagem superficial dos fatos leva a conclusões errôneas e precipitadas. Os jovens dos subúrbios
não fazem parte de organizações criminosas organizadas, eles manifestaram a sua indignação com o
descaso com que são tratados. A maior parte desses jovens está desempregada e sem perspectivas,
vivendo diariamente a realidade do preconceito e sendo tratados como “indesejáveis”.
Os distúrbios não ocorrem devido às diferenças étnicas ou religiosas, mas sim devido ao apartheid
social, presente até nos maiores centros europeus.

As Mulheres no Mercado de Trabalho

“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas;


Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas;
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas”. (BUARQUE, Chico, BOAL, Augusto. Mulheres de Atenas. In: Chico Buarque. Meu Caro Amigo, CD Universal, 1983).

Embora a letra da música retrate o papel subserviente da mulher grega no passado, tem-se notícia da
luta feminina pela igualdade de direitos desde 195 d.C. Foi quando um grupo de mulheres reivindicou,
junto ao Senado Romano, o direito das mulheres de utilizar o transporte público, uma vez que este era
um privilégio masculino.
Muitos séculos se passaram para que as mulheres conseguissem direitos equiparados aos dos
homens. As Revoluções Industriais e as Guerras Mundiais impeliram as mulheres ao mercado de
trabalho, tornando-as arrimos de família. Porém, o trabalho fora de casa não significava que as mulheres
tivessem equiparação de salários e direitos iguais aos dos homens, pelo contrário, a contratação de
mulheres tinha como objetivo reduzir os custos para o empresariado dos séculos XIX e XX.

Dia 8 de Março: Dia Internacional da Mulher


Em 1857, 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova York, entraram em greve por redução
da jornada de trabalho de aproximadamente 14 horas. O movimento foi duramente reprimido pela polícia,
obrigando essas mulheres a se refugiarem nas dependências da empresa.
No dia 8 de março daquele ano, policiais trancaram as portas e atearam fogo no estabelecimento,
carbonizando todas as operárias.
A partir de 1910, a ativista Clara Zetkin propôs que o dia 8 de março fosse considerado o Dia
Internacional da Mulher em memória das tecelãs e como bandeira de luta pela igualdade de direitos para
todas as mulheres do mundo.

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A Posição da Mulher Hoje

Na China
A China tem um contingente masculino superior ao feminino, explicado pela preferência dos casais por
filhos homens. Abortos motivados pelo sexo da criança, infanticídio e abandono de meninas não são
atitudes legalmente admitidas, mas são culturalmente aceitas.
Na faixa etária adulta, já faltam mulheres, o que significa que diversos homens não constituirão uma
família.
O paradoxo é que, mesmo vivenciando tal situação, a mulher chinesa não tem valorização social. É
encarada por muitos como uma serviçal e procriadora. Dentre as muitas histórias individuais sobre as
mulheres chinesas, destacam-se as de estupro na própria família, além de rapto e escravização.

No Brasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstra, a partir da sua pesquisa sobre
domicílios, que o papel da mulher no mercado de trabalho está crescendo exponencialmente ao longo
das últimas décadas. Na década de 1970, 18% das mulheres em idade produtiva trabalhavam fora; hoje
esse percentual subiu para 50%.
Em meados da última década do século passado, 20,81% dos lares tinham como chefe uma mulher.
Em 2000, houve o acréscimo desse percentual para 26,55%. Em 2011, a Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílio revelou que esse índice aumentou para 37,4%. Isso indica que em mais de um terço das
famílias brasileiras, as mulheres são as responsáveis pelo orçamento.
Segundo dados da Fundação Carlos Chagas e do IBGE, no início do século XXI, 25 dos chefes de
família brasileiros eram do sexo feminino.

Onde as mulheres brasileiras são chefes de família:


→ A maior taxa encontra-se na região Norte, 28,7%;
→ O estado do Amapá lidera a taxa de mulheres que sustentam as famílias no Brasil, com percentual
de 40,7%;
→ A maioria recebe rendimentos de até 3 salários mínimos;
→ Nos últimos dez anos quadruplicou a proporção de famílias chefiadas por mulheres (em relação aos
casais sem filhos, o índice passou de 4,5% para 18,3% desde o início da primeira década do século XXI,
enquanto entre casais que têm filhos subiu de 3,4% para 18,4%).

Outro dado refere-se à cor das mulheres chefes de família: na maior parte dos estados elas são negras
ou pardas. Com relação aos rendimentos, eles são menores que os masculinos, o que ajuda a manter a
situação de pobreza e desigualdades sociais, especialmente nos países mais pobres ou emergentes.
Em relação à proporção de trabalho, as mulheres estão sujeitas a uma jornada mais longa que os
homens. Isso ocorre pela sobrecarga de trabalho doméstico acumulado ao profissional. Enquanto os
homens gastam, em média, 9,2 horas com trabalhos domésticos, as mulheres dedicam 20,9 horas no
mesmo período.
Relatório divulgado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) em 2010 demonstrou que
permanece no Brasil, a desigualdade de gênero.
De acordo com esse relatório, o desemprego entre as mulheres ainda é superior ao dos homens e, a
despeito de sua escolaridade média ser maior que a dos homens (em média três anos a mais de estudo),
elas encontram maiores dificuldades em conseguir trabalho.
O mesmo relatório da OIT apontou crescimento do número que mulheres que são chefes de família
(responsáveis pela manutenção de filhos, netos, sobrinhos, pais): de 25,9% em 1998 para 34,9% em
2008.
Associando-se as atividades do trabalho às tarefas domésticas, as mulheres trabalham, em média,
57,1 horas por semana na atualidade.
Políticas de equiparação salarial e de oportunidades de trabalho para homens e mulheres tenderiam
a reduzir a pobreza. Desse modo, a busca pela equidade social de gênero implica não apenas em ganhos
econômicos e sociais, mas também em maior solidariedade e melhoria geral da condição humana para
homens e mulheres.

Trabalho Escravo na Atualidade

Relatório publicado pela OIT em 2005 calculou que, em todo o mundo, cerca de 12,3 milhões de
pessoas estariam submetidas a trabalhos forçados.

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A OIT pretendia recuperar, aproximadamente, 6 milhões de pessoas que estão submetidas a trabalho
escravo em todo o mundo, até 2015. Para isso, pretendeu gastar cerca de 25 milhões de dólares em
ações na América Latina, Ásia, África e Oriente Médio, principalmente.
Para atingir esse objetivo, a Organização adotou uma estratégia dividida em três prioridades que vai
da pesquisa e administração do conhecimento sobre o trabalho forçado, passa pela eliminação desse tipo
de trabalho das cadeias produtivas, chegando à implementação de intervenções nacionais.
Os tipos mais comuns de trabalho forçado estão relacionados à exploração econômica, seguida pelo
trabalho compulsório imposto pelo Estado e exploração sexual.
A OIT considera que o trabalho forçado corresponde a "todo trabalho ou serviço exigido de uma pessoa
sob a ameaça de sanção e para o qual ela não tiver se oferecido espontaneamente". Considera ainda
que a escravidão é um tipo de trabalho forçado, que assume diversas formas na atualidade: escravidão
por dívida, rapto ou sequestro, comércio de pessoas, coação psicológica, engano ou falsas promessas
de trabalho, confinamento no local de trabalho, retenção ou não pagamento de salários, retenção de
documentos de identidade, entre outros, praticados por Estados (prisões, por exemplo), por agentes
privados para exploração sexual ou econômica.
São mulheres e crianças as principais vítimas desse tipo de exploração, enquanto mulheres e meninas
representam 40%, de pessoas submetidas a formas de trabalho escravo, no tocante à exploração sexual
esse índice sobe para 98%.
Os casos mais comuns de escravidão são a de mulheres enganadas com promessas de emprego ou
raptadas para servirem à prostituição. As crianças também são alvo fácil. Em países subdesenvolvidos,
elas são retiradas das famílias ou compradas por traficantes, alegando que darão a elas uma vida melhor
e uma profissão.
Normalmente, são levadas para oficinas ou casas de família e submetidas a trabalhos forçados, com
longas jornadas e cerceamento de liberdade. Muitas vezes são, ainda, submetidas à violência física,
psicológica e sexual.
A escravidão do século XXI cresce na proporção da miséria e da impunidade. A seguir apresentamos
alguns países nos quais a prática do trabalho escravo foi detectada no século XXI:

China → Trabalho forçado na indústria de tijolos, minas de carvão e na construção civil;


Índia → Presença de servidão por dívida em olarias, moinhos de arroz e na agricultura;
Suécia → Trabalho forçado de mulheres na prostituição, serviços domésticos, restaurantes, estradas
e jardinagem. País apresenta elevado índice de ameaças e abuso sexual;
Estados Unidos → Trabalho forçado em serviços domésticos, agricultura, indústria e construção civil.
Ocorre recrutamento das vítimas em outros países, principalmente da América Latina;
Mianmar → Trabalho forçado para homens e mulheres da etnia cristã Chin que são usados para limpar
campos minados e construir templos.

Peonagem no Brasil
Peonagem refere-se à uma reedição da "escravidão por dívida" que existiu no século XIX no Brasil,
com os imigrantes que vieram trabalhar nas fazendas de café.
Devido à miséria que assola grande parte da população brasileira e à falta de perspectivas, os
aliciadores de trabalhadores rurais, chamados de "gatos", contratam jovens desempregados de áreas
pobres para serviços temporários em fazendas, sobretudo do Pará e de Mato Grosso.
Após um período de trabalho, o indivíduo é informado que tem dívidas com o dono da propriedade. As
dívidas referem-se à alimentação e moradia que sempre ultrapassam o valor a ser recebido. Dessa forma,
enquanto a dívida não for quitada, o trabalhador não pode deixar a propriedade.
Os fiscais do Ministério do Trabalho, com ajuda policial, já conseguiram desmantelar dezenas de
propriedades que mantinham trabalho escravo, mas acredita-se que existam outras dezenas ainda
praticando o trabalho escravo.
Como exemplo dessa prática, observemos o caso de Unaí, em Minas Gerais: Em janeiro de 2004, três
fiscais e o motorista da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) foram mortos, em meio a investigações
de denúncias de trabalho escravo na zona rural daquela cidade.

Trabalho Infanto-Juvenil e Políticas Públicas

O trabalho infanto-juvenil (entre 5 e 16 anos), apesar de ser condenado e passível de punição,


representa, de um lado, a possibilidade de sobrevivência para as famílias ou grupos muito pobres; de
outro, mão de obra farta e barata para fazendeiros e empresários.

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Historicamente, desde a primeira Revolução Industrial, no século XVIII, utiliza-se trabalho infanto-
juvenil, por ser mais barato, pelo fato de as crianças e jovens serem mais ágeis e por não existir uma
legislação reguladora desse tipo de trabalho até recentemente.
No Brasil, a inserção de crianças e adolescentes no mundo do trabalho é decorrência do baixo
rendimento salarial de seus pais. O trabalho infanto-juvenil, dessa forma, é considerado complemento da
renda familiar.
Desde 1891, existem tentativas de regulamentação do trabalho infanto-juvenil. Em 1927, o primeiro
Código de Menores limitava a idade mínima para ingresso no mercado de trabalho em 12 anos e proibia
o trabalho noturno para crianças e adolescentes.
Em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) regulamentou as normas especiais de tutela e
proteção do trabalho infanto-juvenil e, em 1969, a Emenda Constitucional número 1 fixou a menoridade
trabalhista de 12 a 18 anos de idade.
Em 1988, a nova Constituição brasileira fixou em 14 anos a idade mínima para ingresso no mercado
de trabalho, exceto na condição de "aprendiz" (que não foi regulamentada nem esclarecida).
Em 1990, com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei passou a prever proteção integral às
crianças e adolescentes, inclusive no caso daqueles que estavam ingressando no mercado de trabalho.
Recentemente, o Brasil ratificou acordo internacional junto à OIT, prevendo como idade mínima para
ingresso no mercado de trabalho os 16 anos.
No entanto, por ser uma atividade "invisível", uma vez que a exploração do trabalho infanto-juvenil é
ilegal, e no caso das meninas que trabalham, essa atividade pode ser realizada no lar (o emprego
doméstico), fora da ação de fiscais, os dados sobre trabalho infanto-juvenil não são exatos.
Os dados apontam para um contingente de 3,8 milhões de crianças e adolescentes com idades entre
5 e 16 anos trabalhando no Brasil atualmente. Todavia, esses valores não são exatos e variam conforme
as grandes regiões brasileiras e entre o meio rural e urbano.
O trabalho em idade precoce dificulta o pleno desenvolvimento do ser humano, incidindo sobre sua
escolaridade que, por sua vez, influenciará seus salários. Quanto maior for o nível de escolaridade de
uma pessoa, maiores serão suas chances de ingressar no mercado de trabalho formal e obter bons
ganhos salariais.
Por sua vez, crianças e jovens que começam a trabalhar muito cedo logo abandonam a escola (em
média, os jovens brasileiros possuem 7,4 anos de estudo) e recebem uma baixa remuneração por seu
trabalho (em torno de 1,46 salário mínimo).
Em razão desses problemas, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura) preparou e divulgou em 2007 um relatório sobre o índice de Desenvolvimento da Juventude
(IDJ - que considera jovens na faixa etária dos 15 aos 25 anos), semelhante ao IDH para os estados
brasileiros.
O IDJ varia de O a 1%. Próximo de zero (O) são encontrados os piores resultados, ao passo que,
quanto mais próximo de 1%, melhores são os indicadores sociais para a juventude. Os estados brasileiros
foram classificados, portanto, de acordo com sua melhor posição no ranking (Distrito Federal, Santa
Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, com os melhores indicadores - entre 0,673 e 0,622%). O tipo
de atividade desenvolvida por crianças e adolescentes também varia conforme a região
De acordo com o Unicef, o trabalho infanto-juvenil prejudica o desenvolvimento físico, intelectual e
emocional desses jovens trabalhadores. Desse contingente de crianças trabalhando, estima-se que 20%
não frequentem escolas e, entre os adolescentes que trabalham, somente 25,5% conseguiram concluir
oito anos de escolaridade.
No ano de 2007, o IBGE calculou um elevado índice de exploração do trabalho infantil no território
brasileiro, apesar de a legislação brasileira proibir qualquer tipo de trabalho para menores de 14 anos.
A partir de ações associadas à geração de renda e assistência às famílias mais pobres implantadas
pelo Estado brasileiro, o IBGE também avaliou que houve uma queda do trabalho infantil, de 4,5% em
2006, para 4% em 2007. A exploração do trabalho infantil também demonstra as desigualdades do Brasil,
pois o perfil médio do trabalhador mirim é constituído principalmente por crianças oriundas de famílias de
baixa renda (até um salário mínimo).
Muitas dessas crianças e jovens que trabalham, enfrentam, além de irregularidades trabalhistas,
atividades aviltantes: carvoarias, atividades potencialmente mutilantes como quebra de pedras ou corte
de sisal, entre outras, redes de prostituição e tráfico de drogas, semi-escravidão ou escravidão.
E como observado pela análise do IDJ, a entrada precoce no mundo do trabalho pode ser prejudicial
ao desenvolvimento posterior desse contingente populacional, afetando sua escolaridade e sua renda.
Mas segundo resultados do Censo 2010, a exploração do trabalho infanto-juvenil diminuiu em várias
regiões do Brasil.

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Trabalho e Lazer

As atividades de lazer com as quais nos envolvemos representam, na atualidade, uma das mais
importantes fontes de geração de emprego e riquezas. A maior "disponibilidade de tempo livre" para
aqueles trabalhadores formalmente inseridos no mercado de trabalho significou, efetivamente, a
transformação desse tempo em fonte de riqueza e consumo.
A discussão sobre trabalho e lazer na contemporaneidade está relacionada à forma como trabalhamos
e produzimos riquezas.
Toda tecnologia é, em si, poupadora de mão de obra. No entanto, historicamente, à medida que
máquinas e equipamentos eram incorporados ao trabalho, houve, inicialmente, um aumento das horas
trabalhadas: com a Revolução Industrial, passou-se a trabalhar 14 a 16 horas nas fábricas. Por isso,
durante a Primeira Revolução Industrial, os trabalhadores ingleses procuraram resistir às mudanças em
seu modo de vida quebrando as máquinas, considerando-as responsáveis pelo desemprego, pelos baixos
salários e pelas péssimas condições de trabalho então vigentes.
Aos poucos, os movimentos organizados dos trabalhadores conquistaram melhores condições de
trabalho, inclusive com redução da jornada para algo entre 10 e 8 horas, que predominou no mundo da
produção até a década de 1970.
Novamente, uma outra revolução tecnológica permitiu aumentar o "tempo livre" a partir da
incorporação da robótica e da cibernética na linha de produção. Porém, ao invés de "tempo livre",
podemos observar o crescimento do desemprego e a captura desse tempo livre: não mais o "ócio criativo",
dedicado ao aprimoramento pessoal ou à convivência, mas um tempo em que também nos inserimos no
consumo: consumo de viagens, de bares e restaurantes da moda, de passeios nos shoppings (eles
mesmos, grandes centros de consumo), de idas e vindas aos teatros, cinemas, etc. Por isso, uma das
indústrias que mais cresce atualmente no mundo é a indústria do entretenimento.
A indústria do entretenimento ocupou o tempo livre duramente conquistado e transformou o lazer em
consumo, envolvendo milhares de empregos no setor terciário: a criação, execução e exibição de filmes,
vídeos, novelas implicam a produção, comercialização e exibição que, por sua vez, implicam o famoso
merchandising, ou seja, a divulgação de marcas e ideias nas películas.
Além da produção associada à imagem (caso do cinema e da televisão), observamos o grande
desenvolvimento da indústria do turismo, que também emprega milhares de trabalhadores e gera bilhões
de dólares em todo o mundo.
O turista, ao viajar, necessita dos meios de transporte e locomoção, de hospedagem para visitar,
fotografar, filmar. Nessa atividade, geradora de empregos e, ao mesmo tempo, transformadora do "tempo
livre" em "tempo de consumo" há o "consumo de paisagens, locais históricos, locais sagrados".
É tão grande a pressão social para que realizemos em nossas "férias" e "feriados" essas atividades
que nossos colegas estranham quando dizemos que não fizemos nada, que optamos por ficar em casa
e conviver com a família, ler um bom livro, ouvir nossas músicas preferidas.
Em outras palavras, nosso tempo não é realmente livre: ou estamos ocupados produzindo, ou estamos
ocupados consumindo e mantendo os mecanismos da produção.
As áreas preferenciais para os turistas são aquelas que detêm maior infraestrutura, localizadas nos
países centrais. Ao mesmo tempo, a porcentagem maior de turistas circulando no mundo também é
oriunda dessas regiões e circula entre elas.
No entanto, essa "indústria do entretenimento" e o consumo do "tempo livre" somente é possível para
aquelas parcelas populacionais integradas ao mercado consumidor, ou seja, aquelas pessoas
formalmente integradas ao mercado de trabalho.
Como pudemos perceber anteriormente, o aumento do desemprego tem levado, na realidade, ao
aumento das horas de trabalho, à precarização das condições de trabalho e a uma maior concentração
de renda em escala global. Desse modo, ao lado desse crescimento do consumo, observamos,
proporcionalmente, um aumento da miséria e da violência.
Se ser cidadão nessa sociedade do futuro é ser incluído como consumidor e, se para ser consumidor
é necessário ter renda; se, para ter renda, é necessária uma atividade econômica capaz de gerar
excedentes em dinheiro, inclusive pessoais, como é possível aos milhões de desempregados se inserirem
neste contexto? Como é possível aos 550 milhões de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia
se integrar ao "sistema"?
Não é possível. Logo, é provável apontarmos para um aumento da violência global: são hordas de
pessoas desterritorializadas (expatriadas, refugiadas, clandestinas) em todos os países, prontas para
integrarem gangues, grupos terroristas, grupos paramilitares. São grupos de pessoas em busca de uma
identidade, de um grupo, de uma sociedade e sociabilidade que Ihes permita existir.

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Ao longo dessa história do trabalho e dos trabalhadores, podemos dizer também que houve uma
dissociação entre trabalho e vida: o trabalho é realizado em um espaço público, fora de casa. A vida -
pessoal, sobretudo, e do âmbito privado.
Mais uma vez, as mudanças no mundo do trabalho vêm modificar um pouco esse quadro: existem
inúmeros trabalhadores que realizam suas atividades produtivas em seu espaço privado, porém sem
conseguir reassociar trabalho e lazer. Todo o tempo disponível é utilizado na produção, ainda que esta
se realize no espaço das próprias residências.
E o "tempo livre" é gasto nas viagens, compras intermináveis, bares, restaurantes da moda, carros etc.
Nesses casos, compramos a ideia de que o produto em si basta.
Trabalho, Consumo e Violência

Para compreendermos essa associação, é preciso considerar um pouco de sua historicidade. Na


década de 1970, no Brasil, havia quase uma associação imediata entre pobreza e violência: as regiões e
populações mais pobres eram consideradas mais violentas, e esta violência era provocada principalmente
pela necessidade de sobrevivência.
Assim, a violência era associada quase que somente a um problema estrutural do capitalismo: por ser
concentrador de renda, impossibilitava o acesso a melhores condições de vida, em alguns casos, impedia
inclusive a sobrevivência, e isto era a causa maior das manifestações violentas. Valia aquela ideia de
que, quanto maior a pobreza, maior a violência.
No entanto, a partir do final da década de 1980, essas ideias passaram a ser muito criticadas, uma vez
que, se por um lado havia trabalhadores super explorados ou desempregados que se tornavam violentos,
de outro, centenas de trabalhadores nas mesmas condições não apelavam para a violência como forma
de sobrevivência. E mais: inúmeras pesquisas constataram a expansão da violência para áreas
consideradas nobres, atingindo populações de maior poder aquisitivo.
Atualmente, acredita-se que as causas do aumento da violência sejam múltiplas: pobreza; maiores
dificuldades de acesso aos bens públicos (saúde, educação, lazer); desemprego e/ou trabalho precário;
características pessoais como necessidade de autoafirmação (para integrar gangues, por exemplo);
necessidade de consumir drogas; problemas psíquicos (como as psicoses e esquizofrenias); necessidade
de atender às demandas do consumo (associado não necessariamente à pobreza, mas à vaidade e à
autoafirmação); participação em grupos ultrarradicais (caso dos skinheads, por exemplo, que praticam
violência gratuita contra grupos raciais ou sexuais).
Porém, uma constatação pode ser feita: a violência é, em geral, maior nas áreas ocupadas por
populações de menor poder aquisitivo e menor acesso aos bens públicos, apesar de ocorrer em todas as
classes sociais.
Outra constatação que pode ser feita, observando a realidade atual, é o aumento da violência
associada aos diversos tipos de tráfico: drogas, armas, pessoas, órgãos humanos. Esse aumento do
tráfico não é um fenômeno isolado, mas está presente em todo o globo. Assim, se falamos de globalização
econômica, é preciso considerar que houve também uma globalização da violência, com difusão global
das máfias (italianas, japonesas, russas etc.).
Um exemplo de violência relacionada à baixa renda é constatado em um estudo que mostra a chance
de sobrevivência de crianças carentes. As crianças que recebem exclusivamente alimentação oferecida
pelos pais de baixa renda têm mais chance de desenvolver qualquer tipo de subnutrição do que aquelas
que saem das suas casas quando os pais estão trabalhando e pedem esmolas ou alimentos nas ruas.
Estas acabam ingerindo uma quantidade maior de proteínas do que as que se mantiveram em casa.
Em resumo, a precariedade dos baixos salários e o desemprego impelem as crianças para a rua.
Soma-se a isso a violência doméstica, e temos um contingente de crianças e adolescentes vivendo à
margem da sociedade, extremamente suscetíveis ao aliciamento de grupos criminosos.
O consumo também é um gerador de violência na medida em que ele demarca o “status” social do
indivíduo. Quando o consumo ocorre frequentemente num ritmo além da necessidade, ele sinaliza uma
necessidade pessoal de autoafirmação, de sublimação do ego, de relativizar carências pessoais ou,
ainda, da necessidade de se sentir aceito por um determinado grupo ou esfera social. A propaganda
trabalha com esses vínculos para produzir novos consumidores.
Dessa forma, existem violência e auto violência em nome do consumismo.
A sujeição de jovens de todas as classes aos apelos do consumo reflete o poder da mídia e a mudança
de valores. Quando as relações humanas são “coisificadas”, temos uma sociedade doente e insensível a
qualquer tipo de responsabilidade, seja de natureza ambiental ou social.
O grau de individualismo desemboca no "consumo alienado", em que se vislumbra apenas a satisfação
pessoal, ainda que efêmera. Vive-se numa situação de isolamento social, em que nada do que ocorre

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fora do círculo individual de relacionamentos interessa. Essa alienação também se constitui numa forma
de violência.
O trabalho alienado, o consumo alienado são traços da globalização econômica, em que tudo é
padronizado e criteriosamente desenvolvido, para que as pessoas com potencial de consumo se sintam
especiais, usando artefatos de massa, que mesmo assim, sejam diferenciadas da massa, não pelo estilo
próprio ou ideias, mas pela marca.
Os efeitos da padronização e da "necessidade" de consumo de bens, que definem o status quo,
atingem todas as classes sociais. Eles são nocivos porque têm o poder de dividir e de discriminar. E uma
sociedade "apartada", com discriminação social, só poderá gerar todo tipo de violência.
Logo, apesar de a violência não poder ser associada exclusivamente à pobreza ou à concentração de
renda, o estímulo ao superconsumo nas sociedades atuais acaba por estimulá-la, principalmente quando
consideramos o aumento global do desemprego.
É preciso considerar que a violência não se refere apenas à agressão física, mas a humilhações,
discriminação (racial, sexual), menosprezo do outro, indiferença. Essas são consideradas formas
"invisíveis" da violência, por isso mesmo, as estatísticas sobre o tema abordam sua manifestação
material: assassinatos, roubos, estupros, sequestros.
A legislação atual tem procurado coibir ações violentas no âmbito doméstico (violência familiar,
geralmente envolta em um manto de silêncio) e mesmo no trabalho (assédio sexual e/ou assédio moral).
No entanto, essas formas de violência, por serem "invisíveis" e constrangedoras, são, muitas vezes,
subdimensionadas.

Assédio Moral

Corresponde a perseguições, pressão psíquica, humilhações a que os trabalhadores podem ser


submetidos em seu trabalho. De difícil detecção, o assédio moral é responsável por crises de depressão,
queda da produtividade, demissão (solicitação própria ou iniciativa da empresa), podendo ser cometida
por um chefe contra seus subordinados e/ou entre colegas de trabalho.
Nessa nova ordem mundial, determinada peça expansão dos negócios em escala global, máfias
recrutam, entre trabalhadores pobres, desempregados e subempregados, mão de obra farta e disponível
para atuarem no mercado ilegal (de drogas, armas, venda de órgãos, crianças, mulheres).
E assim se alimentam as estatísticas e as notícias sobre a violência, miséria, consumo, degradação
ambiental em todo o globo.
Caetano Veloso traduziu ironicamente essas contradições na canção: “Alguma coisa está fora de
ordem, fora da nova ordem mundial”.

Questões

01. (TJ/DFT – Titular de Serviços de Notas e Registros – CESPE/2019) Acerca de aspectos


relacionados ao impacto da tecnologia no mercado de trabalho, julgue os itens que se seguem.
I Os impactos da tecnologia no mundo do trabalho não são necessariamente imediatos, mas, a longo
prazo, podem implicar no desaparecimento de determinadas profissões.
II Projeções sobre o futuro do mercado de trabalho dão destaque às profissões de índole criativa no
mercado de trabalho dominado pela tecnologia.
III As revoluções tecnológicas demandam capacidade de inovação para estimular a competitividade,
aspecto que tem sido explorado por políticas públicas brasileiras que elevaram a posição do Brasil no
ranking internacional de competitividade.
IV Devido aos impactos resultantes da tecnologia no mercado de trabalho, a maioria das escolas
brasileiras da rede privada e pública já tem em seus currículos disciplinas relacionadas a programação e
robótica.
Estão certos apenas os itens
(A) I e II.
(B) I e IV.
(C) III e IV.
(D) I, II e III.
(E) II, III e IV.

02. (IF/TO – Professor de Geografia – IF/TO/2019) A Revolução Industrial inaugurou um ciclo de


inovações tecnológicas que permeiam as atividades humanas desde o século XVIII. O uso disseminado
das máquinas, advindas dessas inovações, modificou as relações de trabalho, como satirizado na charge

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seguinte, ampliou a produção e a produtividade, impulsionou a urbanização e assim reestruturou a
organização do espaço no mundo.

Analise as alternativas seguintes sobre a Revolução Industrial, suas fases e os reflexos econômicos e
sociais no espaço mundial e brasileiro e assinale a correta:
(A) Como estratégia para promover o crescimento econômico e o desenvolvimento industrial, a Grã-
Bretanha, nos primórdios da Revolução Industrial, adotou uma postura protecionista, executando medidas
tanto para impedir transferência de tecnologia para os principais concorrentes, como reduzindo ou
abolindo as tarifas alfandegárias de importação de matérias-primas importantes para sua atividade
industrial, além de conceder subsídios para a exportação de seus produtos industriais. Essa política de
fomento de sua atividade industrial durou até meados do século XIX.
(B) A 2ª Revolução Industrial, iniciada em meados do século XIX, também denominada de Revolução
Técnico-Cientifico-Informacional, ampliou a industrialização para além do continente europeu, abarcando
o continente americano como um todo e parte do continente asiático.
(C) Os fatores locacionais para a instalação de unidades industriais configuram-se como vantagens
competitivas de um lugar em detrimento de outro. Para as indústrias de alta tecnologia, os fatores
locacionais mais importantes são, em ordem decrescente: amplo mercado consumidor, incentivos fiscais,
disponibilidade de matéria-prima e mão de obra altamente qualificada.
(D) A importância alcançada pelas empresas transnacionais no mercado global possibilitou a
descentralização industrial e, por meio da fragmentação do processo produtivo, favoreceu o
desenvolvimento industrial de países não industrializados como o Brasil e a Rússia. Nestes países, desde
o início de seu desenvolvimento industrial, o consumo foi ampliado por meio da obsolescência
programada.
(E) Na 1ª Revolução Industrial a exploração dos trabalhadores foi intensa. Cargas horárias de trabalho
excessivas, poucos ou nenhum direito trabalhista, baixas remunerações e condições insalubres de
trabalho foram e são enfrentadas por todos os trabalhadores do setor secundário até a atualidade nas
economias emergentes.

03. (Câmara de Petrolina /PE – Agente Administrativo – IDIB/2019) Sobre o tópico “Desemprego”,
assinale a alternativa incorreta:
(A) As inovações tecnológicas introduzidas nas indústrias aumentaram a produtividade; por outro lado,
reduziram os empregos, o que implica em sérias questões sociais.
(B) Os computadores e as novas tecnologias pouco diminuem a participação humana no processo
produtivo.
(C) As inovações tecnológicas do passado acabaram com alguns postos de trabalho, mas deram
origem a outros, em novos setores da economia.
(D) Dentre as principais causas do desemprego podemos apontar o desaquecimento da economia,
que provoca demissões em larga escala.

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Gabarito

01.A / 02.A / 03.B

ETNIA E MODERNIDADE NO MUNDO E NO BRASIL53

Países e Territórios: Diferentes Povos e Nações

Ao analisar o mapa político do mundo, você perceberá que os países do mundo têm tamanhos muito
diferentes. Enquanto China, Rússia, Brasil, Canadá, Austrália e Estados Unidos possuem uma grande
extensão, os países europeus restringem-se, de modo geral, a áreas menores do que a maior parte dos
estados brasileiros.
Com exceção da Antártida, os continentes são divididos em países. Cada país é organizado em torno
de um Estado, uma instituição soberana que cria as leis e define as políticas dentro de um limite territorial.
Em outras palavras, um Estado não existe se ele não possuir um território.

Povos sem Estado


Por mais que a existência de um país nos remeta à ideia de que ele representa um único povo ou
nação, é preciso ter cuidado com esse tipo de associação. Em outras palavras, uma população nem
sempre possui vínculos históricos e culturais comuns, que se manifestam geralmente por meio da mesma
língua, etnia e/ou religião.

Geração é um termo com origem no latim (generatĭo) e que tem diversos significados e usos. Pode ser
usado para fazer referência à ação e ao efeito de engendrar (procriar) ou à ação e ao efeito de gerar
(produzir, causar ou criar algo).54

Gênero: pode ser definido como aquilo que identifica e diferencia os homens e as mulheres, ou seja,
o gênero masculino e o gênero feminino.55
De acordo com a definição “tradicional” de gênero, este pode ser usado como sinônimo de “sexo”,
referindo-se ao que é próprio do sexo masculino, assim como do sexo feminino.
No entanto, a partir do ponto de vista das ciências sociais e da psicologia, principalmente, o gênero é
entendido como aquilo que diferencia socialmente as pessoas, levando em consideração os padrões
histórico-culturais atribuídos para os homens e mulheres.
Por ser um papel social, o gênero pode ser construído e desconstruído, ou seja, pode ser entendido
como algo mutável e não limitado, como define as ciências biológicas.
Nos estudos biológicos, o conceito de gênero é um termo utilizado na classificação cientifica e
agrupamento de organismos vivos, que formam um conjunto de espécies com características
morfológicas e funcionais, refletindo a existência de ancestrais comuns e próximos.
Por exemplo, o “homo sapiens” é o nome da espécie humana a qual pertence ao gênero “homo”.

Identidade de Gênero
Consiste no modo como determinado indivíduo se identifica na sociedade, com base no papel social
do gênero e no sentimento individual de identidade da pessoa.
O conceito da identidade de gênero não está relacionado com os fatores biológicos, mas sim com a
identificação do indivíduo com determinado gênero (masculino, feminino ou ambos).
Por exemplo, uma pessoa que biologicamente nasceu com o sexo masculino, mas que se identifica
com o papel social do gênero feminino, deve ser socialmente reconhecida como uma mulher.
Esta pessoa é denominada transgênera, pois possui uma identidade de gênero diferente da biológica.
É incorreto, no entanto, relacionar a identidade de gênero com a orientação sexual. Existem pessoas
transexuais, por exemplo, que podem ser heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, assim como
acontece com as pessoas cisgênero.

53 CATELLI Junior, Roberto. Conexão histórica – volume 3. 1ª edição. São Paulo: Editora AJS, 2015.
FURQUIM Junior, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição. São Paulo: Editora AJS, 2015.
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Editora Saraiva, 2013.
54 http://conceito.de/geracao
55 https://www.significados.com.br/genero/

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Raça é uma categoria das espécies de seres vivos, utilizada pela biologia como forma de classificação.
Em termos sociais, o uso do termo raça é usado enquanto senso comum para determinar grupos étnicos
a partir de suas características genéticas.56

Etnia é o grupo de pessoas que se diferenciam de outros por traços específicos de cultura, hábitos,
religião e língua, entre outros fatores.
Da mesma forma, a delimitação da sua área não respeita necessariamente como critério a área
ocupada por um povo.
Como consequência, existem povos que não possuem Estado e são separados pela fronteira de
diferentes países.
Os curdos, por exemplo, são um povo que vive no Oriente Médio e que totaliza mais de 25 milhões
de habitantes, sendo a maior etnia sem Estado do mundo. A região ocupada por eles é conhecida como
Curdistão.
Ocupando uma área de cerca de 500 mil quilômetros quadrados (um pouco menor do que o Estado
da Bahia), o território curdo abrange quatro países, sendo a maior parte localizada na Turquia. O restante
encontra-se na Síria, na Armênia, no Iraque, na Geórgia e no Irã.
Ao longo do século XX, os curdos foram perseguidos de diferentes formas nos países em que vivem:
proibição do uso do idioma, direitos políticos limitados; impedimento da adoção de nomes de origem
curda; e substituição de nomes de lugares públicos em curdo.
Devido à falta de direitos políticos e culturais nos países onde vivem, os curdos lutam até hoje pela
criação de um Estado próprio. Essa luta resultou em diversos conflitos, principalmente no Iraque e na
Turquia, onde os Estados reprimiram violentamente os movimentos curdos.
O Estado iraquiano, por exemplo, foi responsável pelo assassinato de centenas de milhares de civis
curdos na década de 1980.
Existem outros povos que não possuem um Estado, como o basco e o cigano

Etnicidade é um conceito que se refere a uma cultura e estilo de vida comuns, especialmente da forma
refletida na linguagem, maneiras de agir, formas institucionais religiosas e de outros tipos, na cultura
material, como roupas e alimento, e produtos culturais, como música, literatura e arte. O conjunto de
pessoas que têm em comum a Etnicidade é frequentemente denominado grupo étnico. (JOHNSON, Allan G.
Dicionário de Sociologia. Rio de Janeiro, Zahar, 1997, p. 100).

Os Outros e o Sentimento de Pertencer a um Grupo


Nos meios de comunicação cresce, a cada dia, o número de notícias relacionadas a “conflitos étnicos”,
“discriminação racial”, “preconceito”, “xenofobia”.
Para entendermos a incidência cada vez maior desses conflitos, precisamos questionar a ideia que
alguns povos têm de superioridade em relação a outros. Essa suposta superioridade baseia-se em uma
série de justificativas relacionadas a aspectos religiosos, econômicos, culturais, etc.
E quem são os “outros”?
Para muitos russos, os “outros” são os chechenos; para algum cidadão branco norte-americano, os
“outros” podem ser os negros, os mexicanos, os cubanos; para muitos britânicos, são os irlandeses, os
indianos, os paquistaneses; para alguns franceses, são os argelinos, os marroquinos; para alguns
alemães, os turcos; para muitos judeus, são os palestinos (sendo a recíproca verdadeira); para muitos
brasileiros que habitam na região Sul e Sudeste, por exemplo, “os outros” são os nordestinos ou,
independentemente da região do país, os que moram em favela.

A Diversidade Cultural

Cultura é o conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, dos valores morais e materiais,
dos conhecimentos passados de geração em geração ou adquiridos de outros povos. Embora haja grande
diversidade cultural entre os povos, todas as sociedades (ou grupo humano) dispõem de algum
equipamento tecnológico que lhes permite a transformação da natureza, a manutenção de sua
sobrevivência e de um padrão de relações sociais e religiosas.

Cultura Brasileira
A cultura brasileira é muito diversa. As cinco regiões de nosso país são perceptivelmente diferentes
culturalmente. Nossa cultura é influenciada pela herança de índios nativos, por colonizadores portugueses
e também pela tão presente cultura africana advinda da África.
56 https://www.significados.com.br/raca/

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Cultura Material
A cultura material nada mais é que a importância que determinados objetos possuem para determinado
povo e sua cultura. É também através da cultura material que se ajuda a criar uma identidade comum.
Esses objetos fazem parte de um legado de cada sociedade. Cada objeto produzido tem um contexto
específico e faz parte de determinada época da história de um país. A cultura material se aplica a quase
toda produção humana.
Cultura Imaterial
Todo povo possui um patrimônio que vai além do material, de objetos. Esse patrimônio é chamado de
cultura imaterial. Ou seja, cultura imaterial é uma manifestação de elementos representativos, de hábitos,
de práticas e costumes. A transmissão dessa cultura se dá muitas vezes pela tradição. Os maiores
exemplos de cultura imaterial no Brasil são o folclore, a capoeira, etc.
Todos somos parte integrante na cultura de nosso país e por isso devemos respeitar qualquer forma
de manifestação cultural.

Nos primórdios da história da sociedade humana, o indivíduo se identificava basicamente com a


família, o clã e a aldeia. Havia, portanto, uma possibilidade restrita de identificação grupal, além de
reduzidas chances de conhecer grupos com valores e características diferentes dos seus, dada a pouca
frequência de contato.
O relativo isolamento do ser humano levou cada grupo a criar mecanismos próprios de sobrevivência,
formas específicas de relacionamento, de transformação da natureza e de vivência em comunidade.
Estas condições determinaram que os diversos grupos desenvolvessem diferentes crenças e costumes,
formas de comunicação, idiomas, manifestações artísticas, tipos de alimentos e de métodos e
equipamentos de produção diferentes: enfim, o surgimento de diversas culturas.
Os contatos esporádicos entre os grupos propiciaram contribuições para diversos povos, ocasionando
tanto choques como assimilações culturais. Com o tempo, essas assimilações e choques intensificaram-
se em virtude das migrações, das guerras, do desenvolvimento e do crescimento da atividade comercial.
Esses contatos possibilitaram, ainda, o surgimento de novas culturas, pois certos povos, ao migrarem,
também ocupavam áreas desabitadas.

O Choque Entre Culturas e o Etnocentrismo


Do encontro de uma cultura com outra decorre, de modo geral, a avaliação recíproca, ou seja, traz o
julgamento do valor da cultura do “outro”.
Normalmente esse julgamento é feito a partir da cultura do “eu”. Assim, a análise da outra cultura tende
a considerar a sua própria como a ideal, a perfeita, a mais avançada. Passa-se, então, a desprezar os
valores, o conhecimento, a arte, as formas de comunicação, as técnicas, enfim, a cultura do “outro”, e até
mesmo os atributos físicos desse “outro”, como cor de pele, altura, tipo de cabelo, etc.
Com isso, estão lançadas as bases para o etnocentrismo, ou seja, os outros são julgados baseados
em nossos valores e modelo de vida. Não conseguimos entender as diferenças culturais existentes em
relação a um outro grupo étnico, o que pode provocar sentimentos de medo e de hostilidade. Em casos
extremos de etnocentrismo, cultiva-se a ideia de que o povo do qual se faz parte, aliado à sua cultura
particular, é superior aos “outros”.
O etnocentrismo remonta aos primórdios da história e foi um elemento básico do processo de
identificação de um grupo sociocultural. É um traço natural de todas as culturas e corresponde a uma
forma de legitimação de determinada realidade, a qual é construída socialmente. No entanto, o
etnocentrismo transforma-se em problema quando utilizado para oprimir uma outra comunidade étnica ou
para conquistar povos e territórios.

Relativismo Cultural e Tolerância


No início do século XX, surgiram novas concepções antropológicas que se contrapuseram à questão
da superioridade ou inferioridade dos povos. O alemão Franz Boaz foi o primeiro a ressaltar a importância
do estudo das diversas culturas dentro de seu próprio contexto, a partir das suas peculiaridades, ou seja,
considerando os fatores históricos, naturais e linguísticos que influenciavam o desenvolvimento de cada
uma delas.
Franz Boaz rompeu, assim, com a Teoria Evolucionista. Em seus trabalhos, ele ressaltou não haver
cultura superior ou inferior a outra. Essa concepção abriu caminho para várias vertentes de análise, pelas
quais o estudo das diferentes comunidades étnicas passou a ser feito a partir das características de cada
comunidade. Essa nova visão ficou conhecida por Relativismo Cultural.
As diversas ideias que se apoiaram no conceito do Relativismo Cultural buscavam uma visão imparcial
do mundo, evitando análises preconceituosas. Elas partiam do princípio de que não existem valores

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culturais universais. Os valores de uma cultura não podem, portanto, ser julgados externamente, tendo
como referência os valores de outras culturas.

Civilização Ocidental e Modernidade

Contatos entre culturas fazem parte da história da humanidade. O desenvolvimento técnico permitiu
ao ser humano deslocar-se para regiões cada vez mais distantes. Algumas eram geograficamente
favoráveis às trocas culturais entre povos, como o Oriente Médio – rota de passagem entre a Ásia e a
Europa -, e como o mar Mediterrâneo – situado entre os três continentes: Europa, África e Ásia. O
Mediterrâneo foi, ao mesmo tempo, região de disputa pelo controle de rotas comerciais e de intenso
intercâmbio comercial e cultural. Egípcios, gregos, fenícios, romanos e turco-otomanos formaram
importantes civilizações nessa região.
No entanto, nenhuma expansão se iguala, em amplitude e diversidade de contatos, à iniciada pelos
europeus no século XV. Os europeus dominaram povos em todo o mundo e os integraram a um mesmo
sistema econômico – o capitalismo comercial. A partir desse domínio, a cultura europeia, com seus
valores, suas normas, leis, crenças e sua estrutura de organização social e política, a qual se baseava no
Estado Nacional, foi sendo imposta aos povos da América, África, Ásia e Oceania.

Estado Nacional é a forma de Estado que se estruturou na Europa a partir do final da Idade Média e
que definiu a fisionomia territorial e política das modernas nações europeias. Corresponde ao período de
consolidação do absolutismo monárquico, quando os reis, apoiados pela burguesia, conseguiram firmar
seu poder perante o papado e os senhores feudais. A política econômica dos Estados Nacionais foi o
Mercantilismo, que favoreceu a acumulação primitiva de capitais, posteriormente aplicados na Revolução
Industrial (SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo, Best Seller, 1999, p. 221).

No seio da civilização europeia, num período caracterizado por grandes conquistas e de consolidação
dos Estados Nacionais europeus, encontra-se, de certo modo, a “origem” da civilização ocidental, que
se consolidou com a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, no século XVIII.
A Revolução Industrial deu grande impulso ao desenvolvimento e expansão capitalista, à acumulação
de capital e à difusão das relações de trabalho assalariado; introduziu a produção em massa, a
padronização das mercadorias; expandiu o comércio internacional.
A Revolução Francesa, por sua vez, com a difusão do lema “liberdade, igualdade e fraternidade”,
contribuiu para a generalização dos ideais do Iluminismo e dos valores democráticos de igualdade de
todos os indivíduos perante a lei.

Iluminismo é a doutrina formada por um corpo de ideias que, inicialmente divulgadas na Inglaterra,
no século XVII, tiveram desdobramentos na Europa, na América e em outras regiões do mundo.
Valorizava a razão, baseada na ciência – “a luz” – como forma de conhecimento do mundo. Os iluministas
acreditavam na possiblidade de convivência harmoniosa em sociedade; pregavam a liberdade individual;
negavam o absolutismo monárquico e defendiam a liberdade política, econômica e religiosa.
Com efeito, esses ideais, antes mesmo de eclodir a Revolução Francesa, em 1789, já haviam sido
colocados em prática com a Revolução Americana, que culminou com o processo de independência dos
Estados Unidos, em 1776.
Um dos aspectos marcantes da civilização ocidental é o individualismo, a valorização do indivíduo,
que, de certa forma, nasceu com os ideais da Revolução Francesa. O self-made man (expressão inglesa
que significa “homem que se fez por si”, ou seja, que o seu sucesso é devido a si próprio, é a expressão
mais bem acabada do individualismo, na qual se exalta a figura do homem que venceu na vida graças
aos seus próprios esforços. Um exemplo típico do self-made man é Henry Ford, fundador da Ford e
criador do sistema de produção em série.
Outra importante característica da civilização ocidental é o consumismo, que está, de certa forma,
alicerçado em dois princípios fundamentais da sociedade capitalista: a busca constante pela inovação e
o desejo de acumulação de bens. A sociedade norte-americana levou a noção do consumismo ao
extremo, sendo, por si mesmo, considerada a sociedade de consumo por excelência. Em nenhum outro
país o desejo por bens e serviços é tão voraz.

O shopping center reúne, num só local, os valores típicos da sociedade de consumo. Além de buscar
marcas e modas, o consumidor tem diversas opções de entretenimento e lazer: cinemas, bares,
restaurantes, livrarias, centros de diversões, eventos, entre outras. No shopping, também, a família

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ocidental de classe média pode fazer as compras do mês num supermercado, enquanto as crianças vão
ao cinema, jogam vídeo game ou observam as vitrines com os últimos lançamentos.

Nos séculos XIX e XX, principalmente, ocorreu a disseminação, para diversas regiões da Terra, de
instituições, de visões de mundo, de modos de vida e de valores construídos no interior da civilização
ocidental. Assim, sociedades da América, Ásia, África e Oceania passaram a ter formas de governo,
estruturas de organização social e política baseadas em Estados Nacionais; estruturas produtivas,
relações sociais e de trabalho, costumes, hábitos e valores moldados na Europa e nos Estados Unidos.
Sociedades coesas, de cultura milenar, não foram permeáveis às mudanças de valores. No entanto,
assimilaram técnicas, sistemas de produção e de gerenciamento, e inseriram suas economias nos
padrões do mercado mundial, como é o caso do Japão, da China, Coreia do Sul, Índia e de outros países.
Na realidade, o que essas sociedades assimilaram foi a modernidade, ou seja, a estrutura político-
administrativa própria dos Estados-Nações europeu e norte-americano, a sociedade urbano-industrial, a
produção e a geração de serviços em larga escala, os avanços tecnológicos que permitem a comunicação
instantânea, a agilidade dos meios de transportes, a dependência coletiva de algumas fontes energéticas
inanimadas (carvão mineral, petróleo, urânio e tório), a informação rápida sobre acontecimentos em
qualquer parte do globo, a valorização da posse de bens materiais.

Apesar de países como Coreia do Sul e Espanha terem raízes culturais muito diferentes, resultado de
evoluções históricas praticamente distintas até o final do século XIX, suas estruturas de governo e de
organização político-administrativa são, atualmente, muito parecidas. Essa semelhança é resultado da
capacidade da modernidade em se reproduzir em todo o mundo.

Além disso, há outro aspecto que permite separar os conceitos de civilização ocidental e de
modernidade, e que também reforça o caráter global deste último. É o fato de que várias sociedades se
modernizaram sem abrir mão dos traços culturais que forma a essência de sua cultura.
Dois agentes são responsáveis na difusão e reprodução da modernidade em vários lugares do globo:
as empresas multinacionais e a “indústria cultural” – televisão, cinema, jornais, revistas, rádio, publicidade.
São esses agentes os responsáveis pela mundialização e até padronização de hábitos alimentares,
modos de se vestir, formas de lazer, tipos de música, tipos de construções, etc. As empresas
multinacionais estruturam-se em redes mundiais de produção, distribuição e comercialização de bens e
serviços. A indústria cultural – além de exercer forte influência na opinião pública – é o principal meio de
atuação da publicidade e, consequentemente, da difusão do consumo de massa.

A Questão Étnica no Brasil: os Índios e os Negros

Não é possível falar em civilização e tampouco em etnia brasileira. O Brasil é formado por um mosaico
étnico bastante diferenciado, que teve início com o processo de colonização no século XVI, com a
chegada dos portugueses a um território ocupado por indígenas. A quase totalidade da população que
veio de Portugal era formada por homens, o que possibilitou um intenso processo de miscigenação com
as mulheres indígenas. Desse mosaico étnico constam também os povos africanos (que foram obrigados
a imigrar para o Brasil, com a exploração do trabalho escravo); os outros imigrantes de diversos países
europeus e também os árabes; os japoneses; os judeus e povos de diferentes regiões do mundo.
Assim, o Brasil é formado por grupos étnicos distintos, entre os quais ocorreu um intenso processo de
miscigenação e que, apesar de terem em comum a língua – um vínculo marcante -, não estão todos
ligados às mesmas tradições.

A Situação dos Índios


Dos índios que escaparam da escravidão – milhares deles recusaram o trabalho forçado – muitos
foram exterminados durante o processo de colonização e, posteriormente, em conflitos com fazendeiros,
garimpeiros e outros grupos econômicos que invadiam suas terras. Além das mortes em conflitos, grupos
inteiros de indígenas foram aniquilados ao contraírem doenças trazidas pelo colonizador, como, por
exemplo, a gripe, a catapora e o sarampo. Outros grupos tiveram sua cultura descaracterizada pelos
processos de cristianização e aculturação, pelos quais eram incorporados à sociedade branca.

Aculturação é o processo de assimilação cultural resultante de contato que pode ser ocasionado pela
imigração, por intercâmbios comerciais ou pela dominação de outros povos. Apesar de haver uma troca
de saberes e valores entre os grupos, a cultura que prevalece é a dominante.

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Cálculos aproximados indicam que mais de 4 milhões de ameríndios viviam no atual território brasileiro,
cada qual com seus costumes, suas crenças, sua forma de organização social e de sobrevivência.
Atualmente, pouco mais de 300 mil indígenas vivem no país.
Territórios Indígenas
São reconhecidos pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) 556 territórios indígenas no Brasil, dos
quais cerca de 70% estão localizados na Amazônia – a maior parte deles ainda não foi demarcada. A
demarcação é a única forma de garantir aos povos indígenas a decisão sobre a sua maneira de viver, o
respeito aos seus hábitos e tradições culturais, a defesa contra os invasores. De acordo com a lei, as
terras demarcadas são destinadas para uso exclusivo e posse das populações indígenas, que asseguram
para si o direito exclusivo sobre a exploração de recursos naturais de suas terras.
A Constituição brasileira de 1988 reconheceu os direitos dos povos indígenas como os primeiros
habitantes de suas terras e estabeleceu que estas seriam demarcadas até 1995. Entramos no século XXI
e este processo encontra-se ainda em andamento. Mas, apesar de tudo, o último censo registrou uma
elevação da população indígena, o que muitos atribuem à maior atenção à causa indígena e à
demarcação de algumas terras.
As terras indígenas são frequentemente invadidas pelas grandes empresas madeireiras, pelo garimpo
do ouro, pelas atividades agropecuárias, entre outras. Essas atividades, mesmo quando praticadas
próximas às terras indígenas, comprometem o meio ambiente e constituem uma ameaça à subsistência
desses povos.
O universo indígena brasileiro é bastante diferenciado. Algumas nações indígenas mantém a sua
identidade e as suas tradições, apesar de terem algum grau de contato com a sociedade. Há nações que
só falam o português e adquiram hábitos de consumo de produtos industrializados.
Estima-se que 50 grupos indígenas mantenham-se isolados em áreas próximas às fronteiras ou de
difícil acesso, sem nenhum contato com outras comunidades – a FUNAI reconhece apenas 12 grupos,
quase todos situados na Amazônia brasileira.

A Situação dos Negros


Os africanos eram trazidos principalmente da África Ocidental e a maioria pertencia a dois grupos
étnicos: os sudaneses e os bantos. No Brasil, trabalharam na lavoura de cana-de-açúcar, de algodão, de
café e na mineração.
No período colonial, o Brasil foi o país que mais recebeu africanos. Calcula-se que mais de 3,5 milhões
imigraram, à força, para realizar trabalho escravo. Foi, também, o último país ocidental a abolir a
escravidão, o que ocorreu há pouco mais de um século, em 1888. Escravos libertos foram deixados à
própria sorte numa época em que o Brasil estimulava a imigração. O grande número de negros que
compunha a população preocupava a elite branca brasileira e a imigração foi a forma encontrada para
“clarear” o país.
Atualmente, o Brasil é o país que abriga a maior população negra fora da África. Em 2000, de acordo
com dados divulgados pelo IBGE, a população brasileira apresentava a seguinte composição: 53,8% era
formada de brancos; 39,1% de pardos (pardo é o termo utilizado pelo IBGE para designar os diversos
grupos que resultaram da miscigenação entre negros e brancos); 6,2% de pretos (preto é o termo
utilizado pelo IBGE em suas classificações e pesquisas); 0,5% de amarelos e 0,4% de indígenas. Os
negros representavam, portanto, mais de 10 milhões de habitantes.

Racismo no Brasil
No Brasil, perdurou por muito tempo a ideia de que o país era o melhor exemplo de democracia racial
e de harmonia entre as raças. No entanto, os indicadores sociais demonstram o contrário. Os negros e
os pardos ganham menos que os brancos e têm menor escolaridade. Além disso, a origem racial dificulta
a colocação do indivíduo no mercado de trabalho. Negros e pardos são os grupos mais atingidos pelo
desemprego; dos que conseguem trabalho, a maioria exerce atividades de baixa qualificação e prestígio
social. Por essa razão, moram em lugares mais pobres e distantes do local de trabalho, não contam com
serviços públicos básicos (saúde, educação, saneamento, etc.) e dispõem de poucas opções de lazer.
Segundo a Constituição brasileira, o racismo é considerado crime, mas a punição às atitudes racistas
depende de testemunho de uma terceira pessoa e registro de ocorrência policial. Todavia, muitas vezes
o racismo não é manifestado abertamente. É difícil, por exemplo, comprovar que um emprego foi negado
a determinada pessoa por ela ser negra ou mestiça.
Ao negro e ao pardo é negado o princípio básico das sociedades democráticas, que é a igualdade de
oportunidades.
Propostas conhecidas por ações afirmativas, as quais foram empregadas na África do Sul pós-
apartheid (Apartheid significa separação. Na África do Sul, o apartheid transformou-se em lei que

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segregava oficialmente os brancos dos negros. Os negros tinham que frequentar ambientes e morar em
lugares diferentes. Foram confinados aos bairros mais miseráveis da periferia das grandes cidades. Não
podiam compartilhar dos mesmos serviços públicos. A lei proibia, inclusive, o casamento inter-racial. A lei
do apartheid vigorou na África do Sul, por 40 anos, de 1948 a 1990) e nos Estados Unidos, têm se
mostrado eficientes no combate à discriminação racial e na melhoria das condições de vida da população
negra. Dados recentes comprovam que, nos Estados Unidos, essas ações têm propiciado a ascensão
social da população negra. No Brasil, as ações afirmativas estão sendo discutidas e algumas têm sido
aplicadas lentamente, como, por exemplo, o estabelecimento de cotas para negros nas universidades,
nos serviços públicos, no exercício de cargos de chefia. Essas ações visam também estimular as
empresas particulares a terem maior número de negros em seu quadro de funcionários.

Afro-Brasileiros
Os brasileiros facilmente se reconhecem como herdeiros dos europeus. Primeiro dos portugueses,
depois dos franceses e ingleses. Além disso, com a imigração de europeus, principalmente para o estado
de São Paulo e o Sul do Brasil, passaram então a se reconhecer como descendentes de alemães,
espanhóis, italianos, etc. Sabemos também que descendemos dos povos indígenas.
E dos africanos? Em que medida a cultura brasileira é, também, uma cultura africana?
É comum, mas errôneo, nos referirmos aos africanos como um todo homogêneo, já que o continente
africano reúne culturas essencialmente diferentes.
O Egito, por exemplo, tem uma cultura muito particular, que não apresenta quase nenhuma relação
com a cultura e história brasileiras.
Então, com que parte da África estamos culturalmente relacionados? Com quais culturas africanas?
Buscaremos abaixo algumas raízes de nossa identidade, que é mais africana do que muitos supõem.
Reconhecer a diversidade cultural de nossa formação pode ser uma maneira de compreender nossa
riqueza cultural.
Contudo não podemos louvar a diversidade sem atentar para os conflitos e preconceitos que possam
surgir, pois esse encontro de culturas nunca se fez de maneira pacífica ou como uma soma de saberes.
Ao contrário, tentou-se eliminar as diferenças ou mostrar a superioridade de uma cultura sobre outra.
Muitas vezes, as relações de poder nasceram do reconhecimento da existência de diferentes culturas.
Para citar um exemplo, no processo de colonização do Brasil, os europeus julgavam possuir uma cultura
superior à dos povos indígenas e africanos. Assim, consideravam que dominar esses povos e impor-lhes
sua cultura e religião era algo nobre, era oferecer a salvação a que indígenas e africanos não teriam
acesso de outro modo.

Os Africanos no Brasil
Sabemos que cerca de 220 povos e 5 milhões de habitantes viviam no atual território brasileiro antes
da chegada dos portugueses em 1500. A partir daí os colonizadores começaram a se apossar das terras
e a escravizar indígenas. Na segunda metade do século XVI, com o desenvolvimento da economia
canavieira, o tráfico de escravos ganhou fôlego e começaram a vir as primeiras levas de africanos para a
colônia. Estima-se que cerca de 50 mil africanos chegaram ao Brasil no século XVI; no século seguinte
teriam sido 550 mil, e, no século XVIII, por volta de 1 milhão e 700 mil africanos. No total, teriam chegado
ao Brasil mais de 4 milhões de africanos, e, na América, mais de 10 milhões de seres humanos vindos
da África foram feitos cativos.
Devemos lembrar que não só a cana-de-açúcar havia começado a se desenvolver no Brasil, mas
também a criação de gado no interior, a extração de drogas do sertão no Norte e a cultura do fumo na
Bahia; enfim, iniciava-se a organização de uma sociedade colonial predominantemente rural, na qual
africanos escravizados e indígenas eram a mão de obra essencial para o funcionamento dessa economia.
Além disso, os escravos eram utilizados para tarefas domésticas e urbanas.
Ao longo do período colonial, a segregação racial foi ganhando contornos mais nítidos e o preconceito
foi se reafirmando a todo momento. Para as pessoas consideradas brancas, o trabalho manual era tarefa
destinada somente aos escravos.
Assim, para as famílias mais abastadas, tarefas como cuidar da casa, cozinhar, cuidar das crianças,
transportar cargas, fazer pequenos consertos ou até mesmo trabalhar como vencedor ambulante eram
destinadas aos escravos. A posse de escravos era um sinal de status, uma demonstração de riqueza.
Sinhás passeavam pelas ruas com várias escravas para acompanha-las. Além de lhes prestarem
serviços, eram a prova viva de sua abastança.
Uma vez no Brasil, os africanos eram genericamente chamados de boçais, termo que remetia à
inferioridade das culturas africanas para os portugueses.
Depois de capturados, eram trazidos nus ou seminus e acorrentados nos porões dos navios.

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Muitos morriam nesse percurso. Ao chegarem aqui, eram besuntados com banha para participarem
de leilões de venda de escravos nos marcados de cativos.
Tratados como animais que serviriam como ferramenta de trabalho, toda a sua história anterior era
desconsiderada. Seus proprietários desprezavam a origem, a língua, a religião e a história familiar dos
escravizados.
Quando estes aprendiam a língua portuguesa, os costumes do local e se mostravam obedientes as
senhores, passavam a ser chamados de ladinos. Os que nasciam no Brasil eram chamados de crioulos.
A maior parte dos africanos que vieram para o Brasil era procedente da África Atlântica. No século
XVI, vinham da região do Rio Gâmbia, no Golfo da Guiné, da região do Congo e de Luanda. No século
XVIII, muitos escravos vieram da Costa da Mina, ligada diretamente a comerciantes de Salvador e de
Luanda, que abastecia principalmente o Rio de Janeiro. Podemos considerar, então, que chegaram ao
Brasil mais africanos de origem sudanesa, vindos da região conhecida como Sudão ocidental, a qual
abrigava muitas etnias, dentre elas: os hauçás, os fulanis e inúmeros grupos iorubas.
Além desses, há os vários grupos bantos.
Com isso, uma variedade de línguas, religiões, enfim, uma variedade de culturas passou a conviver
na colônia.
Os africanos, no entanto, não puderam viver próximos de seus familiares, pois a lógica do comércio
fazia com que as pessoas fossem separadas, não respeitando as culturas locais.
Dessa forma, ao desembarcar no Brasil, o africano chegava a uma terra desconhecida e precisava
aprender a conviver com europeus, indígenas e africanos de outras etnias.
Em alguns casos, escravos de um mesmo senhor poderiam pertencer a povos tradicionalmente
inimigos. Nesses casos, tudo que tinham em comum era a condição de escravo.
No Brasil, os escravos tinham de aprender a língua portuguesa para se comunicar com outros escravos
e os senhores. Ocorria então um novo processo de socialização. Com sua identidade original negada
pelos europeus, eram chamados pelos traficantes conforme sua origem ou ponto de venda da África.
Poderiam ser conhecidos como João Mina, Manoel Benguela ou Maria Angola, por exemplo.
Contudo, os africanos escravizados não perdiam totalmente sua identidade original. Na escolha de
parceiros sexuais, por exemplo, levavam em conta a origem do outro, preferindo companheiros da
comunidade africana a que pertenciam.
A partir das relações de parentesco e de trabalho que iam se formando, foram recriadas comunidades
que mantinham tradições culturais africanas e acrescentavam novas práticas constituídas no Brasil.

A Presença Cultural Africana no Brasil


Podemos facilmente perceber a presença africana na origem da música brasileira e de algumas festas
populares nacionais. O batuque, dança originária do Congo e de Angola, era praticado no Brasil pelos
africanos e consistia em uma roda com uma dançarina ao centro e o acompanhamento de um violeiro.
Daí surgiu a expressão batucada para designar as rodas, que, mais tarde, seriam sinônimo de rodas de
samba. Durante o batuque, para sair da roda, a dançarina deveria encostar o umbigo no umbigo de outro
dançarino que entrava. No idioma banto-quimbundo isso é denominado semba, provável origem da
palavra samba.
Do Congo veio também a congada, dança dramática realizada entre as festas de Natal e de Reis.
Trata-se de uma mistura de ritmos africanos com elementos da cultura católica europeia, pois relaciona-
se com o calendário das festas cristãs.
Algumas congadas representam a luta dos povos negros, mas outras fazem referência às lutas entre
cristãos e mouros na Europa. Outra influência dos bantos de Angola e do Congo é a presença do lundu,
conhecido por ser uma dança sensual. Vale ressaltar que o lundu, de dança considerada indecente, se
transformou, a partir do século XIX, em dança de salão aceita pela população de pessoas livres e pela
elite.
Um caso típico das diferenças entre os grupos de africanos escravizados foi o que ocorreu na Bahia
do século XIX, quando muitos africanos hauçás foram trazidos após serem aprisionados na guerra contra
os iorubas. Esses hauçás, de tradição islâmica, distinguiam-se em muitos aspectos dos africanos de
outras regiões que habitavam a Bahia.
A religião é um exemplo dessas novas relações que foram se constituindo. Africanos capturados como
escravos podiam ser curandeiros, conhecedores de práticas mágicas, de adivinhações e intermediários
entre o mundo divino e dos seres humanos. Mesmo como escravos no Brasil, eles continuavam a realizar
essas tarefas. Jogavam pedras, praticavam danças de significado religioso ao som de tambores e
preparavam compostos para beber ou comer, que incluíam extratos de plantas, dentes e penas de
animais, cabelos e mesmo secreções do corpo. Poderiam ter finalidades variadas, que seriam alcançadas
ao cumprir o ritual. Esses ritos no Brasil eram chamados de calundus, palavra de origem banta.

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Os africanos também costumavam criar bolsas de mandinga, comuns ainda em algumas regiões do
Brasil. Elas eram feitas de pequenos sacos de pano ou couro que reuniam objetos variados, papéis com
orações muçulmanas, católicas e dizeres relacionados às culturas africanas. Expressavam a síntese
cultural e acreditava-se que ofereciam proteção aos que as usavam.
O candomblé, relacionado a cultos religiosos de origem ioruba e de Daomé (atual República de
Benin), evocava as entidades sobrenaturais que são os orixás, heróis divinizados em reinos africanos. No
entanto, essa prática religiosa era reprimida na colônia portuguesa, condenada pela Igreja Católica, que
a considera como força diabólica. Era permitido somente cultuar os santos católicos. A religião cristã era
apregoada aos escravos pelos colonizadores. Havia igrejas destinadas somente aos escravos. Nessas,
contudo, os escravos criaram uma correspondência entre os orixás do candomblé e os santos católicos.
Iansã era Santa Bárbara, Xangô era São João Batista, São Jerônimo ou São Judas Tadeu e Iemanjá era
Nossa Senhora da Conceição. Oxalufã era conhecido como o Senhor do Bonfim da Bahia, Oxóssi como
São Jorge (na Bahia) e São Sebastião (no Rio de Janeiro), Oxum como diversas Nossas Senhoras (da
Conceição, das Candeias, etc.) e Omulu como São Lázaro. Esse é um importante exemplo de como se
foi construindo o sincretismo cultural que deu origem à cultura afro-brasileira.
Deve-se destacar, ainda, a importância das chamadas irmandades de pretos. As irmandades
surgiram originalmente na Europa medieval e foram trazidas ao Brasil pelos colonizadores portugueses.
Como instituição laica, tinha por objetivo difundir o culto aos santos e garantir o esforço de evangelização.
Também havia no Brasil as ordens terceiras, que se submetiam a uma ordem religiosa específica.

Questões

01. (Prefeitura de Exu/PE – Professor – ADVISE) Segundo os estudos sobre a etnia brasileira o
“Cafuzo” corresponde a:
(A) miscigenação de negro com índio;
(B) miscigenação de índio com índio;
(C) miscigenação de negro com branco;
(D) miscigenação de negro com negro;
(E) miscigenação de índio com branco.

02. (Secretaria da Criança/DF – Especialista Socioeducativo – FUNIVERSA) Assinale a alternativa


que apresenta as etnias consideradas fontes para a música brasileira.
(A) tupinambá, aimoré e portuguesa
(B) africana, italiana e portuguesa
(C) portuguesa, espanhola e francesa
(D) indígena, africana e portuguesa
(E) italiana, indígena e portuguesa

Gabarito

01.A / 02.D

Comentários

01. Resposta: A
Cafuzo é a denominação dada no Brasil para os indivíduos gerados a partir da miscigenação entre
índios e negros africanos.
Normalmente, os cafuzos são caracterizados pela pigmentação da pele escura, quase negra, os lábios
grossos e carnudos e cabelos lisos.
Existem outras variações do nome cafuzo, que foram criadas durante a colonização do Brasil e
empregada ainda hoje em algumas regiões do país, como caburé, cafuz, carafuz, carafuzo, taioca, cafuçu
e cariboca.
Atualmente no Brasil, os cafuzos estão mais concentrados em regiões que tiveram maior influência da
população indígena e dos negros, como os estados do Maranhão e da Bahia, além de algumas regiões
do Pará e Amapá.
No período da colonização do Brasil, o homem branco estava no topo da cadeia hierárquica, sendo
considerado superior aos indivíduos de pele mais escura. Porém, com a intensa miscigenação entre as
várias etnias (brancos, negros e indígenas, principalmente), nasceu a necessidade de classificar as
pessoas em "sub-etnias", com a finalidade de ordená-las socialmente. Por exemplo, quanto mais aspecto

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ou características físicas um mestiço tivesse da etnia caucasiana (os brancos), mais privilégios recebia
perante a sociedade.
As principais "sub-etnias" que surgiram no Brasil foram:
Cafuzos: a miscigenação a partir dos índios com os negros africanos;
Mulatos: o resultado da mistura entre os brancos europeus e negros africanos, na época do Brasil
Colonial;
Mamelucos: mistura de indivíduos brancos com índios.

02. Resposta: D
A música do Brasil se formou a partir da mistura de elementos europeus, africanos e indígenas, trazidos
por colonizadores portugueses, escravos e pelos nativos que habitavam o chamado Novo Mundo.

MULTICULTURALISMO57

Pensar em multiculturalismo é se referir ao manejo das diferenças em nossas sociedades,


especialmente as diferenças culturais e étnicas.
Tal problemática está hoje muito presente nas chamadas sociedades multiétnicas, ou ainda, em
estados nacionais de forte imigração na atualidade, como os Estados Unidos e alguns países europeus
(Alemanha, Inglaterra, França, Bélgica e Holanda, por exemplo). Essa discussão faz-se também muito
presente no Canadá, neste caso, em virtude, sobretudo, de duas grandes comunidades culturais
presentes ali: a população de origem e língua francesa e a população de origem e língua inglesa.
A diversidade cultural e étnica é muitas vezes percebida como uma possível ameaça à nação.
O multiculturalismo procura enfatizar, então, a ideia de que as culturas minoritárias são discriminadas
e, para se consolidarem, devem ser protegidas pelo Estado.
Há de se considerar ainda que, além do Canadá (desde 1982), vários outros estados nacionais têm
constituições multiculturais, por exemplo, a Austrália, a África do Sul, a Colômbia e o Paraguai.
Discutir o multiculturalismo, na atualidade, significa nos colocarmos diante dos desafios do nosso
tempo:
→ Percebermos a diversidade humana;
→ Defrontarmo-nos com a desconstrução de algumas "verdades";
→ Começarmos a pensar em processos de integração e interação de diversos saberes;
→ Desierarquizarmos as diferenças e visões de mundo;
→ Desenvolvermos um profundo amor pela vida.
Desse modo, gênero, raça/etnia, orientação sexual, religião e classe social são algumas das variáveis
contemporâneas que colocam em evidência novos sujeitos políticos, que passam a exigir do Estado e da
sociedade reconhecimento e políticas inclusivas.

Definindo Multiculturalismo

O Multiculturalismo pode ser visto como um sintoma de transformações sociais básicas, ocorridas na
segunda metade do século XX, no mundo pós-Segunda Guerra Mundial. Pode ser visto também como
uma ideologia, a do politicamente correto, ou como aspiração, desejo coletivo de uma sociedade mais
justa e igualitária no respeito às diferenças.
Consequência das múltiplas misturas raciais e culturais, provocadas pelo incremento das migrações
em escala planetária, pelo desenvolvimento dos estudos antropológicos, do próprio direito e da linguística,
além de outras ciências sociais e humanas, o Multiculturalismo é, antes de mais nada, um questionamento
das fronteiras de todo tipo, principalmente da monoculturalidade.
Visto como militância, o Multiculturalismo implica reivindicações e conquistas por parte das chamadas
minorias. Reivindicações e conquistas muito concretas: legais, políticas, sociais e econômicas. (CHIAPPINI,
Lígia).

Multiculturalismo no Brasil
A diversidade é uma das principais características da cultura brasileira, causa imprescindível de nossa
riqueza cultural. (Hermano Vianna, antropólogo)
No Brasil, o discurso multicultural também é relativamente recente, tendo ganho projeção e tido
conquistas a partir da segunda metade da década de 1980, em um contexto de construção de um Estado
mais democrático.

57MARTINI, Alice de. Geografia. /Alice de Martini; Rogata Soares Del Gaudio. 3ª edição. São Paulo: IBEP, 2013. PNLD – 2015 a 2017 – FNDE – Ministério da
Educação.

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Em geral, as ações multiculturais no Brasil associam-se às ações afirmativas, que buscam a efetiva
igualdade de acesso a bens fundamentais como educação e emprego.
Ações Afirmativas
Ações Afirmativas são políticas focais que alocam recursos em benefício de pessoas pertencentes a
grupos discriminados e vitimados pela exclusão socioeconômica no passado ou no presente. Trata-se de
medidas que têm como objetivo combater discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero ou de
casta, aumentando a participação de minorias no processo político, no acesso à educação, saúde,
emprego, bens materiais, redes de proteção social e/ou no reconhecimento cultural. [ ... ]
A ação afirmativa se diferencia das políticas puramente antidiscriminatórias por atuar preventivamente
em favor de indivíduos que potencialmente são discriminados, o que pode ser entendido tanto como uma
prevenção à discriminação quanto como uma reparação de seus efeitos. Políticas puramente
antidiscriminatórias, por outro lado, atuam apenas por meio de repressão aos discriminadores ou de
conscientização dos indivíduos que podem vir a praticar atos discriminatórios. Fonte: Grupo de Estudos Multidisciplinares
da ação afirmativa. Disponível em: <http://gemaa.iesp.uerj.br/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&ld=1&lternid=217>.
Depois de muitas lutas e amplas e acaloradas discussões, a sociedade brasileira assiste ao
reconhecimento e à incorporação das chamadas "populações tradicionais" do Brasil, o que é mais uma
vitória dos movimentos sociais em sua luta por reconhecimento e igualdade.
A partir do Decreto Presidencial nº 6.040 de 2007, o governo brasileiro reconhece formalmente, pela
primeira vez na história do País, a existência formal de todas as chamadas populações "tradicionais" do
Brasil:

Decreto Presidencial Reconhece Existência Formal das Populações Tradicionais


Está em vigor o decreto presidencial que reconhece a existência formal e legal das populações
tradicionais do Brasil.
Com o decreto do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Decreto nº 6.040), publicado no Diário
Oficial da União, o governo reconhece formalmente, pela primeira vez na história do país, a existência
formal de todas as chamadas populações "tradicionais" do Brasil.
Ao longo dos seis artigos do decreto, que institui a PNPCT - Política Nacional de Desenvolvimento
Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, o governo estende um reconhecimento feito
parcialmente na Constituição de 1988 apenas aos indígenas e aos quilombolas. [ ... ]
Daqui em diante, todas as políticas públicas decorrentes da PNPCT beneficiarão oficialmente o
conjunto das populações tradicionais, incluindo ainda faxinais (que plantam mate e criam porcos),'
comunidade de "fundo de pasto", geraizeiros (habitantes do sertão), caatingueiros, vazanteiros,
pantaneiros, caiçaras (pescadores do mar), ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco
de babaçu, ciganos, quilombolas, povos indígenas, pomeranos, marisqueiros, dentre outras. [. .. ]
Segundo o artigo 32 do decreto, povos e comunidades tradicionais "são grupos culturalmente
diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que
ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social,
religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas geradas e transmitidas
pela tradição."
Tais populações - a maior parte sem documentos de identidade, totalmente à margem dos direitos civis
- habitam sobre um quarto do território brasileiro, em todas as regiões do país, formando um contingente
de cerca de 5 milhões de pessoas, equivalente à população de muitos países europeus. [ ... ]
Com base na Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades
Tradicionais, as várias instâncias do governo federal, de forma integrada entre si e com as lideranças das
comunidades tradicionais, poderão, juntas, desenvolver planos, projetos e ações destinados a promover
a inclusão daquelas populações. [. .. ]
Segundo Jorge Zimmerman (diretor de Agroextrativismo do Ministério do Meio Ambiente), são três as
diretrizes centrais da PNPCT. A primeira delas pretende assegurar todos os direitos civis, por meio do
reconhecimento legal dos habitantes daqueles lugares, inclusive com fornecimento de documentos de
identificação; a segunda diretriz diz respeito ao reconhecimento explícito do respeito à diversidade étnica,
ao direito à educação diferenciada e à prática religiosa específica. A terceira perna do tripé pretende
equacionar a regularização fundiária, já que muitas das comunidades tradicionais sofrem com o
desrespeito a sua referência geográfica, como é o caso dos quilombolas, que, em muitos casos, foram
incorporados pelas cidades, sofrendo achaques da especulação imobiliária. Segundo Zimmermann,
"havia uma ausência de marcos legais que garantissem direitos às populações tradicionais.
Agora, porém, com o decreto, temos uma situação em que, com amparo da PNPCT, podemos
transformar a realidade daqueles povos positivamente." Até porque, insiste ele, o País vive um momento
em que a especificação profissional e as novas tecnologias roubaram praticamente todos os espaços

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para a migração das populações tradicionais da zona rural para as cidades. Com o PNPCT, o governo
pretende criar condições para que aquelas pessoas encontrem maneira de viver em seu próprio meio
ambiente. Fonte: Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa. Disponível em: <http://www.capma.org.br/downloadlpub/cr200703.pdf>.
No entanto, se de um lado o multiculturalismo apresenta essa vertente de convivência, igualdade e
respeito às minorias e às diferenças, de outro, assistimos, na atualidade, ao acirramento de uma disputa
entre dois lados culturais e religiosos aparentemente opostos: o mundo "cristão-europeu" e o mundo
"islâmico", a partir do denominado "choque de civilizações".
Assim, as diversas crises que ocorrem atualmente no Oriente Médio são apresentadas como
consequência das diferenças profundas entre o islamismo - que seria "radical, retrógrado e arcaico",
rejeitando, ademais, os valores democráticos do "Ocidente" - e o mundo judaico-cristão ocidental - este
sim, "racional, progressista e democrático".

Na Origem de um Conceito
O choque de civilizações é visto como aspecto importante das relações internacionais modernas.
A crise no Oriente Médio [ ... ] não teve origem num conflito entre Estados, mas num choque de
civilizações." Ainda em 1964, um professor universitário britânico pouco conhecido lançou a fórmula que
ficaria famosa. Incontestavelmente, Bernard Lewis foi um precursor.
Passada despercebida durante a década de 1960, a fórmula foi relançada por ele vinte e cinco anos
depois na forma de um artigo, "The Roots of Muslim Rage" (As raízes da cólera muçulmana). Ali, ele
descreve o estado de espírito do mundo muçulmano e conclui: "Isto nada mais é do que um choque de
civilizações, uma reação talvez irracional, mas seguramente histórica, de um antigo adversário contra
nossa herança judaico-cristã, nosso presente secular e a expansão mundial de ambos." "Eu penso", dizia
ele em 1995, "que a maioria entre nós concordaria em dizer - e alguns já o fizeram - que o choque de
civilizações é um aspecto importante das relações internacionais modernas, embora poucos, en- tre nós,
chegassem ao ponto de dizer - como alguns já fizeram - que as civilizações têm políticas externas e
formam alianças."
A visão de um "choque de civilizações", contrapondo duas entidades claramente definidas, o "Islã" e o
"Ocidente" (ou a "civilização judaico-cristã"), está no centro do pensamento de Bernard Lewis, um
pensamento essencialista que restringe os muçulmanos a uma cultura petrificada e eterna.
"Esse ódio", insiste ele, "vai além da hostilidade em relação a alguns interesses ou ações específicas,
ou mesmo em relação a determinados países, tornando-se a rejeição da civilização ocidental enquanto
tal, não pelo que ela possa fazer, mas pelo que ela é e pelos princípios e valores que pratica e professa."
Os iranianos não se revoltaram contra a ditadura do Xá imposta por um golpe de estado fomentado
pela C IA, em 1953; os palestinos não lutam contra uma invasão interminável; e se os árabes odeiam os
Estados Unidos, não é porque o governo deste país apoia Ariel Sharon ou porque invadiu o Iraque. Na
realidade, o que os muçulmanos rejeitam é a liberdade e a democracia. Como seria possível compreender
os conflitos do Kosovo ou da Etiópia-Eritreia? Pela recusa, por parte dos muçulmanos, em serem
governados por infiéis, explica Bernard Lewis.
Foi em 1993 que Samuel Huntington retomou a fórmula do "choque de civilizações" num célebre artigo
que escreveu para a revista Foreign Affairs. Embora verbalmente rejeitado na França, o conceito se
instalaria, pouco a pouco, nas consciências. Quando, em dezembro de 2003, em Túnis, o presidente
Jacques Chirac mencionou o termo "agressão" ao se referir ao uso do véu islâmico, a jornalista Elisabeth
Schemla comemorou: "Pela primeira vez, Jacques Chirac reconhece que a França não é poupada do
choque de civilizações."
"Sem exagerar sua importância", escreveu Emmanuel Brenner num panfleto intitulado França, cuida
para que não percas tua alma (France, prends garde de perdre ton âme), "é preciso levar em consideração
ações culturais que explicitam conflitos entre concepções do mundo distintas, e até antagônicas. [ ... ]
Essa dimensão cultural está ausente em inúmeros observadores que deixam de levar em conta os
antecedentes históricos que influenciam nosso inconsciente. Antecedentes cuja natureza, por muito
tempo conflituosa, vem à tona com as atuais questões de identidade. Basta lembrar as cruzadas e o
confronto entre as duas margens do Mediterrâneo, basta lembrar o avanço do Islã no sudeste da Europa,
chegando às portas de Viena no século XVII, assim como basta lembrar o tempo do império turco, temido
e execrado e, em seguida, o tempo da colonização, com sua procissão de violência, e por fim o da
descolonização, que muitas vezes foi sangrenta. Esse enfrentamento, antigo e recorrente, está
sedimentado na consciência dos povos." E é por isso, conclui Brenner, que uma parcela de jovens
franceses originários do Magreb é "culturalmente" antisemita ... De Maomé ao cerco de Viena pelos
otomanos, da descolonização ao islamismo, do islamismo à AI-Qaeda, do véu islâmico ao antisemitismo
dos jovens magrebinos, fecha-se a roda do círculo, repete-se a história. E viva os sarracenos! ALAIN GRESH -
Tradução: Jô Amado. Fonte: Biblioteca Diplô. Disponível em: cwwwdiplo.org.br/imprima976>.

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Fundamentalismos Religiosos: Rumo a Novas "Guerras Santas"?

Antes de discutirmos especificamente sobre o fundamentalismo religioso, precisamos compreender


que existem outras formas de fundamentalismo, tais como: o político, o religioso, o cultural e o econômico,
ou ainda, o fundamentalismo "neoliberal" (política econômica seguida pelo FMI).
Todavia, para o fundamentalista religioso, o fiel deve seguir à risca as páginas dos textos sagrados da
sua religião, As Escrituras (sejam elas a Bíblia, o Talmude, o Corão, ou o Hadith dos hindus) foram
traçadas por Deus, logo devem ser interpretadas como a Sua vontade.
Desse modo, fundamentalismo é tomar as palavras sagradas em seus fundamentos, completamente,
sem nenhuma alteração, sem nenhuma concessão.
Os termos "fundamentalismo" e "fundamentalista" nasceram nos Estados Unidos, no início do século
XX, no contexto do Protestantismo.
Para os fundamentalistas estadunidenses, o texto bíblico devia ser assumido à risca e sua autoridade
estendia-se tanto ao domínio religioso quanto ao científico, histórico, filosófico. Desse modo, eles
rejeitavam as teorias evolucionistas de Charles Darwin.
Para eles, se a Bíblia afirma que os seres humanos foram criados à semelhança de Adão e Eva, essa
é uma verdade absoluta (daí o nome: "criacionismo").
Apesar das diversas comprovações científicas do evolucionismo, em muitas escolas dos Estados
Unidos era proibido ensinar a teoria da evolução.
Esse debate em torno do ensino da teoria evolucionista e da narração bíblica da criação continua ainda
hoje em várias escolas nos Estados Unidos.
No entanto, na atualidade, quando pensamos em fundamentalismo religioso, nossa primeira referência
são os povos islâmicos, erroneamente associados quase exclusivamente aos árabes.
Na realidade, o fundamentalismo é um movimento social, religioso e político bastante diversificado, e
muito além das fronteiras do Islã. Basta pensar que, ainda hoje, o estado nacional com maior contingente
de fundamentalistas religiosos é os Estados Unidos.

O Fundamentalismo Cristão
Como você observou, não existe apenas o fundamentalismo islâmico, mas várias formas de
fundamentalismo - seja católico ou protestante ou judaico. Observamos ainda que os fundamentalistas
ensejam uma interpretação "ao pé da letra" dos textos sagrados. Por isso, em geral, no Ocidente, eles
rejeitam importantes mudanças sociais, colocando-se contra o direito ao aborto, a emancipação feminina,
os direitos dos homossexuais, as pesquisas com células-tronco, o controle da natalidade, entre outros.
Nos Estados Unidos, os fundamentalistas ganharam muita projeção no governo de Ronald Reagan
(1981-1989). No entanto, foi no governo de George W. Bush que pudemos observar os efeitos mais
nefastos da chamada "guerra santa", traduzida como "guerra contra o terror".

O Caos Fundamentalista
Bush [. .. ] percebeu que a fraude era o caminho possível e mais fácil para chegar à presidência dos
Estados Unidos no final da década de 1990. O grupo do líder fundamentalista dos EUA percebeu que
nada melhor para os negócios que essa conversa de fundamentalismo.
A vida perde sentido, fica fácil vender para as pessoas a ideia do paraíso; logo, a morte é algo que
passa a ser desejado no fanatismo inconsequente dos milhões de puritanos made in USA.
Não vão questionar lucros nem negociatas, desde que adotados os programas moralistas do
fundamentalismo. Não ao aborto, condenação aos gays, nada de pesquisas com células-tronco e vai por
aí afora. [ ... ]
João Paulo II e sua obsessão anticomunista foi o principal responsável pelo retrocesso de setores da
Igreja Católica, abrindo espaços para que as seitas evangélicas e puritanas invadissem todo o continente
americano. O totalitarismo do Vaticano imposto à Teologia da Libertação foi um dos maiores desastres
religiosos num momento que religião começava a ter alguma lucidez. [. .. ]
A história do fundamentalismo coloca contra a parede com muito mais intensidade o fundamentalismo
cristão ou o fundamentalismo judaico, pois um precisa mais do outro, embora se odeiem, que o
fundamentalismo islâmico.
Maomé foi o responsável por unir tribos árabes e dar-lhes alguma consistência. O próprio Corão não
é necessariamente um livro religioso, mas um livro de poesias que, na crença muçulmana, foi ditado ao
profeta por Alá. Um código de conduta.
Os cristãos foram os cruzados nas carnificinas para libertar Jerusalém. Ou os verdugos da Inquisição.
Numa crônica memorável, o escritor Luís Fernando Veríssimo fala da destruição que os cristãos

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impuseram a regiões europeias onde os mouros estiveram por séculos, ao contrário da tolerância moura.
Veríssimo fala em predadores (os cristãos). Em lúcidos (os mouros). [ ... ]
O fundamentalismo judaico ganhou força após a Segunda Grande Guerra. É em nome do que está
escrito no Velho Testamento que matam palestinos e se apropriam de terras alheias. Tudo, lógico, a
mando de Deus. [ ... ]
É óbvio que Bin Laden é um terrorista. Tem a mesma convicção. O terrorista que jogou um dos aviões
contra o World Trade Center tinha a certeza de que sairia dali para o paraíso. [. .. ]
Bush é só um dos lados desse triângulo. Mas o lado mais perigoso. Cruel, perverso e assassino.
Terrorista na essência. O mais poderoso dentre todos os loucos que se acham enviados divinos.
O que aconteceu em Faluja ultrapassa os limites da sanidade. Uma barbárie sem tamanho, Genocídio.
Corpos espalhados pelas ruas, Homens, mulheres, crianças. Pessoas presas sem culpa formada e
deixadas sem alimento. Mesquitas destruídas. A imagem de um soldado do deus cristão executando um
soldado do deus muçulmano (mas que lutava por sua terra invadida e ocupada e seu povo brutalizado)
mostra o desprezo que o fundamentalismo tem pela vida.
É outra característica dessa doença. Quem não pensa como pensam é subgente. Preconceito é uma
realidade. [ ... ]
São os negócios, principal instrumento do fundamentalismo cristão, o mercado, regulando e
disciplinando seus interesses.
A vida nesse contexto é só um detalhe. O que conta são os balanços. A vida dos outros, a deles não.
[. .. ]
A tarefa dessa mistura cristã pagã é a de defender os negócios, assegurar como imaculada a
propriedade privada. Dane-se o resto.
O mundo de Bush é o mundo dos insanos. Só que nele não rasgam dinheiro, pelo contrário. Guardam,
saqueiam, tomam, matam, tudo em nome da moral, e do grande império norte-americano. Laerte Braga - Fonte:
Rebelión. Disponível em: <www.rebelion.org/noticia.php?id=7893>.

O Fundamentalismo Islâmico
Como afirmamos antes, o fundamentalismo está assentado sobre a crença na verdade dos textos
sagrados (sejam eles a Torá, a Bíblia ou o Corão). No caso do fundamentalismo islâmico, este sempre
existiu entre os povos muçulmanos. No entanto, somente ganhou visibilidade com a vitória dos aliados
ao Aiatolá Khomeini, no Irã, em 1979.
Para entendermos um pouco melhor esta questão, é necessário lembrar que, assim como o
cristianismo, o islamismo divide-se em diferentes grupos.
Dentre os vários grupos islâmicos ou muçulmanos (drusos, xiitas, sunitas etc.), dois se destacam: os
sunitas, maioria, e os xiitas.
Para um muçulmano, o vínculo fundamental não é a terra natal, mas sim a comunidade de fiéis em
que todos são iguais em submissão perante Alá, transcendendo as instituições do Estado, encarado como
fonte de divisão entre os fiéis. Os fundamentalistas islâmicos acreditam ainda que, para o crescimento da
comunidade, devem se engajar na luta contra a ignorância e falta de obediência aos ensinamentos de
Alá.
Os fundamentalistas pregam o radical e urgente rompimento com tudo o que Ihes pareça "ocidental".
Segundo eles, as mulheres devem voltar a usar o chador ou a burca, não devem receber instrução, nem
serem atendidas por médicos homens. O ensino em qualquer nível deve priorizar o religioso e as leis
comuns devem acolher as regras corânicas (açoite ou lapidação para os adúlteros, execuções públicas
acompanhadas de chibatadas etc.).
Podemos dizer, portanto, que o fundamentalismo islâmico é um movimento tradicionalista, que se
expande atualmente quase como resposta às políticas e imposições imperiais (século XIX e início do
século XX).

Fundamentalismo Econômico e Político


O fundamentalismo econômico caracteriza-se pela crença na "vitória final e irremediável" das doutrinas
neoliberais e se opõe a toda crença em "um outro mundo possível".
Com o "triunfo do capitalismo", o mercado ganha importância fundamental, e as ideologias neoliberais
passam a ditar o papel do estado: ser enxuto e eficiente. O estado passa, então, a ter menos cobranças
para exercer posturas marcadas por valores como solidariedade social e direitos humanos.
Tal processo, marcado pelo "pragmatismo do mercado", por sua vez, acaba por gerar reações de
grupos extremistas, religiosos ou laicos, que aumentam seu poder na era da globalização. Esses grupos
aproveitam de um recurso abundante na atualidade, uma mistura de sentimentos perigosa e instável:
ódio, desamparo, rancor e revolta.

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A partir de sentimentos como esses, os grupos extremistas organizam ações de cunho também
irracionais: ameaças, atentados e sequestros.

Xenofobia
Uma das questões de maior preocupação no mundo, hoje, é o crescimento do nacionalismo xenófobo
e do racismo.
O nacionalismo é um sentimento de pertencimento a um determinado estado nacional, ou a um grupo
dentro do estado nacional. O nacionalismo exacerbado gera a xenofobia, identificada como a "aversão
ao diferente" e, nos tempos modernos, traduzida como "aversão ao estrangeiro".

O nacionalismo pode ser legítimo, mas, em muitos casos, é algo forjado para manipular as pessoas a
aderirem a um movimento de interesse particular (de um líder ou partido político, por exemplo).

O Nacionalismo Alemão do Entreguerras


A Alemanha do entreguerras exemplifica bem o florescimento de um nacionalismo apoiado no racismo.
Derrotado na Primeira Guerra Mundial, o país se viu numa situação de recessão econômica, recaindo-
lhe, ainda, pesadas taxas como indenização de guerra. Esse foi o palco perfeito para Adolf Hitler sustentar
as bases do seu partido (nazista), pregando a reconstrução da Alemanha e sua afirmação como potência
mundial. Os ideais nacionalistas se exprimiram na forma da valorização da raça ariana e no desprezo e
eliminação das raças consideradas inferiores.

O Ressurgimento do Nacionalismo na Europa Central


Na Áustria, a extrema direita chega ao poder.
A ascensão de grupos de extrema direita no continente europeu tem despertado a atenção
internacional. Esse foi o caso do Partido da Liberdade, liderado por Joerg Haider, que venceu as eleições
austríacas de 1999 usando um discurso claramente xenófobo.

Joerg Haider - Líder da direita ortodoxa da Áustria, falecido em 2008. Seu partido tem ganhado muita
força no congresso, mediante discursos xenófobos contra os imigrantes.

Com uma postura preocupante, relembrando a xenofobia do período nazista, a extrema direita
conseguiu a sua ascensão na Áustria pela manipulação de um temor presente no eleitorado austríaco: o
desemprego.
Haider baseou a sua campanha eleitoral na afirmação de que a entrada de imigrantes no país iria tirar
vagas de trabalho dos austríacos "autênticos".
Essa campanha manipuladora é facilmente desmascarada quando analisamos a realidade da
imigração para a Áustria. A economia do país precisa dos imigrantes, pois eles tradicionalmente assumem
trabalhos rejeitados pela população local.
Contudo, aproveitando-se com habilidade dessa insegurança popular, Haider e seu partido tiveram
sucesso.
Com a vitória eleitoral desse partido de extrema direita, a Áustria entrou na sua maior crise de
relacionamento externo no âmbito do continente europeu. O país ficou politicamente isolado por uma
onda de protestos e ameaças de boicote econômico pelos outros países integrantes da União Europeia.
Devido às pressões europeias, Joerg Haider renunciou à presidência do partido, apesar de esse fato
não ter alterado em nada as características dessa organização.

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No ano de 2004, Joerg Haider se reelegeu como governador da província austríaca da Caríntia,
mostrando que o problema da ascensão do perigoso nacionalismo austríaco não é apenas um risco
potencial, mas um fato consolidado que, no futuro, pode se agravar.

No Caos da Unificação, Reaparece a Extrema Direita Alemã


Na Alemanha, a volta da extrema direita não tem sido feita através de partidos oficialmente
reconhecidos. Devido à questão do desemprego, cresce o número de grupos neonazistas no país,
denominados skinheads, que incitam a violência contra os estrangeiros estabelecidos naquele país.

Neonazistas - Novos adeptos à ideologia implantada por Hitler na Alemanha no período entre guerras.
Pregam a superioridade étnica e discriminam imigrantes pobres.

Após o entusiasmo com a queda do muro de Berlim, em 1989, e a unificação das Alemanhas, em
1990, a população da antiga Alemanha Oriental sofreu com o colapso da economia e um forte
desemprego. Com isso, a euforia do fim do regime socialista logo deu lugar a outro sentimento, que era
o de desamparo, causado pela falta de renda e de perspectiva em uma sociedade diferente, em que o
consumo é a realização pessoal do indivíduo. Com todos os produtos de consumo à sua frente, agora os
ex-alemães orientais não tinham dinheiro para adquiri-los.
Meses depois da festa da unificação, essa população já era vista com preconceito pelos alemães
ocidentais, como se fosse culturalmente inadequada ao capitalismo, sem iniciativa e derrotada.
Do ponto de vista do alemão oriental, parecia que o capitalismo, depois de seduzi-lo durante mais de
quatro décadas de Guerra Fria, de repente o menosprezava.
Na história da Europa, por vários momentos, as populações foram colocadas diante de graves crises
sociais e fortes humilhações como a do desemprego.
E quando isso acontece, o caminho para a expansão da extrema direita fica aberto. Normalmente, a
extrema direita elege um "inimigo" da pátria (outro país ou mesmo um grupo étnico dentro do próprio país)
- o melhor exemplo disso foi o surgimento do nazismo na década de 1930.
Voltando à década de 1990, na antiga Alemanha Oriental, os grupos neonazistas proliferaram e
escolheram um "inimigo" para derrotar e agredir: os estrangeiros de países subdesenvolvidos, que
sempre realizaram o trabalho braçal, mas que, agora, passaram a representar a comunidade que estaria
tirando dos alemães os seus empregos.
Também no setor ocidental da Alemanha, surgiram e proliferaram vários grupos neonazistas,
responsáveis por inúmeros ataques a estrangeiros, vários resultando em mortes.
As palavras de Lothar de Maiziére, primeiro e último presidente do Conselho de Ministros da ex-
República Democrática Alemã (ROA), expressam essa ideia:
O problema das pessoas da ex-RDA consiste no fato do velho sistema ter sido punitivo e protetor ao
mesmo tempo. A mão punitiva desapareceu e isso é muito bom. A mão protetora, que cuidava de tudo,
também desapareceu.

Novos muros estão sendo criados

O Muro de Berlim, que simbolizava a divisão entre o capitalismo e o socialismo, foi derrubado em 1989.
Na Nova Ordem Mundial, outros estão sendo erguidos, para evitar que pessoas "indesejáveis" entrem
nos países.

O muro americano
Em meio ao movimento da globalização, três países da América do Norte, os EUA, o Canadá e o
México assinaram um acordo de integração econômica, o Nafta.
No entanto, essa etapa da globalização suprimiu as fronteiras apenas para o capital e para os
interesses das empresas e corporações industriais, financeiras e de serviços. Não houve uma integração
ampla entre os três países, a exemplo do que ocorreu na União Europeia, por exemplo.
Ao contrário, o status da população do México ficou inalterado. Apesar de os EUA utilizarem
intensamente a mão de obra mexicana, a maior potência mundial se nega a liberar as fronteiras para
todos os habitantes do vizinho do sul.
Os EUA necessitam, todos os anos, de levas de braceros mexicanos para, em um regime de trabalho
temporário, fazer colheitas em áreas próximas às fronteiras.
Cidadãos e empresas de todo os EUA utilizam mão de obra mexicana irregular, e o trabalhador recebe
remuneração muito inferior ao estabelecido por lei, além de não contar com nenhuma garantia legal.

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Só esses fatos já constituem um muro invisível, separando os interesses dos países ricos da realidade
dos países pobres, marcado por grandes dificuldades e pobreza.
Esse muro, porém, não é apenas "virtual". Toda a extensão de 3 mil quilômetros de fronteiras entre
EUA e México é estritamente vigiada pela polícia de fronteira norte-americana, que procura barrar os 8
mil trabalhadores mexicanos que tentam, diariamente, alcançar o sonho dourado da prosperidade.
Esse muro é uma demonstração clara de que a integração econômica do Nafta não inclui a liberdade
para a circulação de pessoas. Ele mostra como, apesar de todas as barreiras, centenas de mexicanos,
movidos pelo desespero da falta de renda e trabalho, fazem o possível para chegar ao outro lado.
Onde as fronteiras não são demarcadas por rios profundos ou desertos mortais, foi construído um
muro, ou melhor, uma série de muros. As sequências do muro americano diferem de acordo com as
dificuldades naturais que os mexicanos encontram para chegar aos EUA.
Nos locais mais vulneráveis, aqueles onde as concentrações populacionais são maiores, existem
câmeras de vídeo e sensores elétricos para que os "desesperados" não passem. Em áreas mais
inacessíveis, foram erigidos apenas altos alam brados.
Nas áreas mais inóspitas, dezenas de mexicanos morrem por ano, como é o caso do "muro" natural
do deserto de Sonora, como é chamado no México, ou deserto do Arizona, como é denominado nos EUA.
O muro americano é a materialização das relações entre o Sul pobre e o Norte rico do nosso planeta.
Em abril de 2005, as questões do racismo e da xenofobia ganharam proporções ainda mais graves
nos EUA. Pela primeira vez, o Estado norte-americano aprovou uma iniciativa particular com o objetivo
de impedir a entrada de imigrantes ilegais. O Projeto Minuteman, amplamente divulgado pela mídia,
organizou milícias compostas por voluntários, muitos dos quais armados, que vigiaram a região da
fronteira do México no estado norte-americano do Arizona. Esta foi a primeira vez que uma organização
civil recebeu aprovação para efetuar uma ação de cunho estatal - a vigilância de fronteiras, e isso ganha
ainda mais gravidade pelo fato de essas, milícias não terem sido diretamente monitoradas por autoridades
federais, além de serem compostas por organizações abertamente racistas e xenófobas. O Projeto
Minuteman, claramente apoiado pela liderança conservadora do governador da Califórnia, Arnold
Schwarzenegger, foi reativado, apesar de manifestações contrárias da opinião pública global a esse
respeito.
O governo israelense iniciou, em 2003, a construção de um muro de 700 quilômetros para isolar a
população palestina da israelense. Essa iniciativa, feita com o desalojamento de assentamentos judaicos
instalados em territórios palestinos, faz parte da política unilateral iniciada pelo então primeiro-ministro
Ariel Sharon.
A vitória do partido Kadima, de Sharon, foi uma indicação da continuidade dessa política, que, do ponto
de vista dos palestinos, implica em maior controle sobre o seu território e comunidades.
Ante essa ação unilateral de Israel, as últimas eleições palestinas levaram ao poder uma das facções
mais radicais - o Hamas -, o que deverá causar mais dificuldades nas relações políticas do Oriente Médio.

Racismo
O maior exemplo de racismo declarado foi o apartheid na África do Sul. A segregação racial da minoria
branca sobre a maioria negra era "legitimada" por um aparato repressivo institucional que subvertia os
códigos de direitos humanos. De 1948, quando o Partido Nacional venceu as eleições, até início dos anos
1990, a África do Sul viveu sob esse regime, sendo que líderes negros eram presos, torturados e mortos.

Apartheid - Segregação racial declarada e amparada na forma da lei na África do Sul e que perdurou
por mais de 40 anos.

Leis do apartheid:
→ Os bairros são destinados aos brancos e áreas periféricas carentes aos negros (Soweto);
→ Proibição a uniões inter-raciais;
→ Locais públicos com separações entre brancos e negros (banheiros, bancos de praça, praias,
transporte coletivo);
→ Obrigatoriedade do aprendizado do dialeto africâner (dos bôeres);
→ Os negros não tinham direito ao voto;
→ Supressão dos direitos civis aos negros.

Mediante o boicote internacional, o regime foi desfeito no início dos anos 1990. O líder negro Nelson
Mandela foi solto e pôde concorrer à presidência nas primeiras eleições livres com a participação da
população negra, saindo vitorioso.

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Mesmo após anos de reclusão por um regime opressivo, Nelson Mandela governou visando à união
das diferentes etnias pelo futuro do país. Sua atuação no poder se caracterizou pelo fortalecimento da
democracia.
Os Estados Unidos também são um exemplo de discriminação racial. A população negra tem garantido
diversos direitos, graças à sua organização e à herança da manifestação pacífica criada pelo líder negro
Martin Luther King. Todavia, ainda hoje, a população negra é vítima do preconceito racial, criando também
a segregação social dentro dos Estados Unidos.

Segregação social - Discriminação de acordo com a classe social dos indivíduos. Tratamento desigual
entre ricos e pobres.

Guerrilhas
Guerrilha e terrorismo não são a mesma coisa. No caso da guerrilha, a adesão das pessoas, é em
decorrência de sua vinculação político-ideológica. Seus alvos são militares e pontos estratégicos, e não
a população civil. Como desejam tomar o poder, procuram obter a simpatia da população.
A guerrilha mais conhecida no continente americano foi liderada por Fidel Castro e Che Guevara em
Cuba, destituindo, na década de 1950, o governo corrupto de Fulgêncio Batista e implantando o
socialismo.
Ainda hoje, no continente americano, existem grupos guerrilheiros. Vejamos os exemplos da Colômbia
e do México.
Os dois grupos guerrilheiros de ideologia marxista na Colômbia são as Farcs (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional), ambos surgidos pela influência
da Revolução Cubana.

Marxista - Diz respeito a Karl Marx, formulador do socialismo científico.

Esses grupos desejam a reforma agrária, uma política social e econômica que acabe com os
problemas de moradia, saúde pública e desemprego.
O financiamento desses grupos vem dos sequestros, do pagamento por proteção (as chamadas
"vacinas" por parte de comerciantes e empresários) e do "pedágio", que consiste na abordagem de
motoristas em estradas, tomando-Ihes seus pertences. Há, inclusive, indícios do envolvimento das Farcs
com narcotraficantes, vendendo proteção a eles.
Na Colômbia, existe também o grupo paramilitar de extrema direita (AUC), surgido na década de 1980
com o propósito de eliminar os guerrilheiros das Farcs e do ELN. Esse grupo é formado por ex-policiais
e ex-militares a serviço de fazendeiros contrários à reforma agrária e empresários conservadores. Foi
responsabilizado pelos assassinatos de diversas pessoas, inclusive de três candidatos à presidência.

México
A região de Chiapas, ao sul do México, sempre se destacou pela tensão social. Desde que os
espanhóis conquistaram o México, as comunidades indígenas foram dizimadas por guerras e epidemias
e também tiveram os seus territórios tomados, circunscrevendo-se a espaços cada vez menores nas
florestas, em condições subumanas.
É nesse contexto que foi fundado, em 1993, o EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional), numa
união de grupos que há muito tempo faziam rebeliões.
O movimento zapatista de Chiapas ganhou projeção internacional ao se colocar contra a política
neoliberal e o Nafta. Argumentam que o bloco econômico da América do Norte só acentua a dependência
do México em relação aos Estados Unidos e condena ainda mais à miséria a população de Chiapas.

Terrorismo

Uma definição de terrorismo - Prática do terror como instrumento de ação política, procurando
alcançar pelo uso da violência objetivos que poderiam ou deveriam cometer-se ao exercício legal da
vontade política.
O terrorismo caracteriza-se, antes de mais nada, pela indiscriminação das vítimas a atingir, pela
generalização da violência, visando, em última análise, à liquidação, desativação ou retração da vontade
de combater do inimigo predeterminado, ao mesmo tempo que procura paralisar também a
disponibilidade de reação da população. Fonte: Terrorismo, in Polis - Enciclopédia Verbo do Direito e do Estado, V volume, cal. 1196.

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Atentado às Torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001

O terrorismo pode ocorrer por motivos político-nacionalistas, religiosos e étnico-culturais.


A história do terrorismo pode ser contada antes e depois de 11 de setembro, ocasião em que os EUA
foram atacados por grupos terroristas que sequestraram aviões comerciais e os lançaram sobre as torres
gêmeas do World Trade Center e sobre o Pentágono, dois símbolos dos EUA e do sistema capitalista.
O governo norte-americano apontou como suspeito o grupo AI-Qaeda, comandado pelo milionário
saudita Osama Bin Laden. Na versão oficial das agências norte-americanas, o grupo AI-Qaeda,
fundamentalista islâmico, vê os EUA como um mal a ser extirpado, principalmente pela sua posição
hegemônica mundial e por suas constantes interferências militares no Oriente Médio.
"Do estarrecimento para a sede de vingança", assim se posicionou o governo norte-americano de
George W. Bush, defendendo a posição de que os atentados terroristas de 11 de setembro representaram
"atos de guerra", não apenas contra os Estados Unidos, mas contra a "civilização ocidental".

Essa conotação de "atos de guerra" em vez de atentados terroristas permite que o país atacado
invoque o artigo nº 5 da Otan, que prevê o engajamento automático dos países-membros dessa
organização em sua defesa e contra o agressor.
Bush lança uma guerra contra um inimigo oculto - o terror, concebendo que os diversos grupos
terroristas formem um "sistema internacional de terror".
Dessa forma, todos os países devem apoiar os Estados Unidos na luta contra o terror: "Quem não
estiver conosco estará ao lado do terror”. Essa frase denota uma ideia de ajuda mútua, ao mesmo tempo
em que intimida os países que se colocarem contra as ofensivas norte-americanas.

A Operação Militar no Afeganistão


O governo norte-americano acreditava que Osama Bin Laden e membros da AI-Qaeda estivessem no
Afeganistão, acobertados pela milícia talibã, que havia tomado o governo daquele país em 1996.
Desde que a então União Soviética invadiu militarmente o Afeganistão, em 1979, as milícias contrárias
ao socialismo proliferaram com a ajuda dos Estados Unidos. Uma dessas milícias era o talibã e entre eles
havia um saudita - Osama Bin Laden.
A URSS deixou o território afegão em 1989, cedendo espaço para essas milícias confrontarem-se na
disputa pelo poder. Quando o talibã conseguiu, através da luta armada, chegar ao poder, impôs leis
extremistas naquele país:

→ Uso obrigatório da burca (um pano que cobre toda a cabeça e o corpo) para as mulheres;
→ Proibição de estudo e trabalho para as mulheres;
→ Pena de morte.

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O talibã já tinha sido acusado de esconder terroristas em seu território e, por isso, o Afeganistão já
passava por um boicote econômico internacional.
Quando os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, não havia clareza da sua intenção: prender ou
matar Bin Laden? Destituir o talibã?
Com ajuda de grupos locais paramilitares chamados Aliança do Norte, a coalizão internacional liderada
pelos Estados Unidos e Inglaterra destituiu o talibã do poder. Bin Laden foi morto em uma operação militar
dos EUA no Paquistão em 2011.

O “Eixo do Mal” e a Invasão do Iraque


Instituindo a política da "guerra ao terror", o governo de George W. Bush, após a ofensiva contra o
Afeganistão, lançou o discurso do "eixo do mal", que integraria o Iraque (até a sua invasão pelos EUA),
Coreia do Norte e Irã. A acusação de Bush ao "eixo do mal" era a de que esses países representariam
uma ameaça ao Ocidente por desenvolverem armas de destruição em massa (químicas, biológicas ou
nucleares), além de colaborarem com grupos terroristas.
Entre essas "acusações", o que não se pode descartar é a posse de armas nucleares por parte da
Coreia do Norte, bem como o desenvolvimento da tecnologia nuclear por parte do Irã. Este, sendo um
dos maiores produtores de petróleo do mundo, não necessita de usinas elétricas nucleares, indicando
que as suas pesquisas, provavelmente, têm como objetivo o desenvolvimento de armas nucleares para
a sua defesa.
É importante lembrar que a posse de artefatos nucleares por parte da Coreia do Norte foi um fator que
evitou uma intervenção direta dos EUA no país, e isso demonstrou ao Irã a importância desse ramo
tecnológico.
Por outro lado, em 2003, os EUA lideraram uma invasão ao Iraque de Saddam Hussein, sob a alegação
de que o país estaria produzindo armas de destruição em massa, bem como por supostamente ter
apoiado a AI-Qaeda de Osama Bin Laden.
Como foi provado após a invasão do Iraque, as "acusações" de Bush ao regime de Saddam Hussein
eram falsas.
A verdadeira motivação para a intervenção dos EUA, apoiados pelo Reino Unido, Espanha e outros,
de uma coligação condenada pela ONU, era outra: o controle das fontes de petróleo em um Oriente Médio
convulsionado, onde o regime da Arábia Saudita, o principal aliado dos EUA, tem se mostrado cada vez
mais ameaçado pela expansão interna do fundamentalismo islâmico.
Por outro lado, apesar de os EUA terem realizado eleições "democráticas" no Iraque em 2005, a
violenta resistência contra a invasão continua assolando o país.

Um Novo Conceito de Guerra


Na sua obra O choque de civilizações, Samuel Huntington analisa o cenário político atual dentro da
óptica de um conflito de civilizações, tendo, de um lado, a civilização ocidental e do outro, o Islã.
Voltamos, dessa forma, à velha fórmula maniqueísta do bem X mal que, na visão ocidental, representa
a América (bem) x islamismo e ajihad (mal).

Jihad ou Guerra Santa - É a batalha por meio da qual se atinge um dos objetivos do islamismo, que
é reformar o mundo. Qualquer muçulmano que morra numa guerra defendendo os direitos do islamismo
ou de Alá já tem sua vida eterna garantida.

Na concepção de grupos extremistas islâmicos, a batalha se dá no campo dos fiéis (muçulmanos)


contra os infiéis (civilização ocidental).
Ambas as concepções são igualmente simplistas e fundamentalistas.
Segundo o autor Jean Baudrillard, em sua obra O espírito do terrorismo, assiste-se a uma guerra de
âmbito mundial, tendo, de um lado, a própria mundialização e seu caráter monopolista e hegemônico e,
do outro, todos os que resistem a essa dominação. Ainda segundo o autor, se o Islã representasse a
dominação mundial, o terrorismo e a resistência se dariam contra ele.

Questões

01. (Unicamp) A "Guerra do Golfo", utilizada pelos meios de comunicação para referir-se ao conflito
entre o Iraque e o Kuwait, indica a existência de uma questão espacial estratégica.
a) Dê o nome desse golfo e a sua localização.
b) Caracterize a questão estratégica que envolve a região desse golfo, bem como os fatos que a
levaram ao destaque do noticiário internacional.

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02. (UFG) A segregação socioespacial na África do Sul, decorrente da colonização europeia, existe
desde o século XVII, quando a região foi ocupada por ingleses e holandeses. No entanto, o regime do
Apartheid data de 1948, quando se intensificaram a institucionalização e o processo de formação de
territorialidades da população negra segregada no território nacional e nos espaços urbanos de uma
mesma cidade.
Considerando o exposto,
a) caracterize o regime do Apartheid.
b) explique a relação entre a Lei de Criação dos Bantustões, de 1951, e a Lei de Reserva de
Amenidades Separadas, de 1953, quanto à institucionalização das territorialidades da população negra
segregada.

03. (Enem) A Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, inclui no currículo dos estabelecimentos de ensino
fundamental e sobre História e Cultura Afro-Brasileira e determina que o conteúdo programático incluirá
o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o
negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social,
econômica e política pertinentes à História do Brasil, além de instituir, no calendário escolar, o dia 20 de
novembro como data comemorativa do "Dia da Consciência Negra". Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em:
27 jul. 2010 (adaptado).
A referida lei representa um avanço não só para a educação nacional, mas também para a sociedade
brasileira, porque
a) legitima o ensino das ciências humanas nas escolas.
b) divulga conhecimentos para a população afro-brasileira.
c) reforça a concepção etnocêntrica sobre a África e sua cultura.
d) garante aos afrodescendentes a igualdade no acesso à educação.
e) impulsiona o reconhecimento da plural idade étnico-racial do país.

04. (UFV) Leia o artigo a seguir, originalmente publicado em um jornal de grande circulação dos EUA,
que ressalta a imagem negativa deste país no mundo árabe. Essa imagem, longe de ser gratuita, foi
construída tanto pelo apoio incondicional à política do estado de Israel como pelas duas guerras no Iraque
e pela intervenção no Afeganistão. SHOW DO HEZBOLLAH NA TV - Programa de perguntas irrita EUA:
BEIRUTE. Responda rápido: qual prédio foi construído em 1792 e se tornou símbolo da opressão
mundial? A questão, cuja resposta é a Casa Branca, faz parte do programa de perguntas “A missão", da
TV libanesa al-Manar, pertencente ao Hezbollah. O show, que faz sucesso entre os espectadores, está
irritando o governo americano.
Os participantes, dispostos num tabuleiro virtual, vão percorrendo as casas a cada pergunta
respondida corretamente. Quem chegar primeiro à última, que simboliza a tomada de Jerusalém, ganha
US$ 3 mil.
- Acho muito interessante este programa, pois ele sempre faz questão de lembrar, nas perguntas, que
a Palestina está sob ocupação – disse o professor de física Ihab Abi Nassif, um dos participantes do jogo.
A embaixada dos Estados Unidos em Beirute disse nesta semana estar monitorando o programa, que
"incita a formação de novos terroristas". O GLOBO. 3 maio 2004.
Considerando a situação atual no Oriente Médio, responda:
a) O que torna essa região estratégica para a geopolítica americana?
b) Por que um dos participantes do jogo no show da TV libanesa afirma que a Palestina está sob
ocupação?

05. (Enem) No mundo árabe, países governados há décadas por regimes políticos centralizado- res
contabilizam metade da população com menos de 30 anos; desses, 56 têm acesso à Internet. Sentindo-
se sem perspectivas de futuro e diante da estagnação da economia, esses jovens incubam vírus sedentos
por modernidade e democracia. Em meados de dezembro, um tunisiano de 26 anos, vendedor de frutas,
põe fogo no próprio corpo em protesto por trabalho, justiça e liberdade. Uma série de manifestações
eclode na Tunísia e, como uma epidemia, o vírus libertário começa a se espalhar pelos países vizinhos,
derrubando em seguida o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Sites e redes sociais - como o Facebook
e o Twitter - ajudaram a mobilizar manifestantes do norte da África a ilhas do Golfo Pérsico. SEQUElRA, C. D.;
VILLAMÉA, L. A epidemia da liberdade. Isto é Internacional 2 mar. 2011 (adaptado).
Considerando os movimentos políticos mencionados no texto, o acesso à internet permitiu aos jovens
árabes
a) reforçar a atuação dos regimes políticos existentes.
b) tomar conhecimento dos fatos sem se envolver.
c) manter o distanciamento necessário à sua segurança.
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d) disseminar vírus capazes de destruir programas dos computadores.
e) difundir ideias revolucionárias que mobilizaram a população.

06. (FGV-SP) Texto I A Corte Internacional de Justiça da ONU declarou, em julho de 2004, que a
barreira que Israel está construindo entre seu território e a Cisjordânia viola as leis internacionais. Essa
barreira é um muro de concreto de cerca de oito metros de altura, protegido por valas eletrificadas,
trincheiras e guaritas e deverá, se for totalmente edificado, chegar a ter 685 km de extensão. FOLHA DE S.
PAULO, 10 jul. 2004.
Texto II Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a população de Berlim padeceu uma experiência ímpar na
história moderna: viu a cidade ser dividida por um imenso muro. (Extraído e adaptado de
www.terra.com.brlvoltaire/mundo/muro.htm)FOLHADE S. PAULO, 10 jul. 2004).
Indique a natureza dos conflitos a que se referem os textos 1 e 2.

07. (Enem) Próximo da igreja dedicada a São Gonçalo, nos deparamos com uma impressionante
multidão que dançava ao som de suas violas. Tão logo viram o Vice-Rei, cercaram-no e o obrigaram a
dançar e pular, exercício violento e pouco apropriado tanto para sua idade quanto posição. Tivemos nós
mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não deixou de ser interessante ver numa igreja
padres, mulheres, frades, cavalheiros e escravos a dançar e pular misturados, e a gritar a plenos pulmões
"Viva São Gonçalo do Amarante”. (BARBINAlS, Le Gentil. Noveau Voyage autourdumonde. Apud: TINHORÃO, J. R. As festas no Brasil Colonial.
São Paulo: Ed. 34, 2000 - Adaptado.).
O viajante francês, ao descrever suas impressões sobre uma festa ocorrida em Salvador, em 1717,
demonstra dificuldade em entendê-la, porque, como outras manifestações religiosas do período colonial,
ela:
a) seguia os preceitos advindos da hierarquia católica romana.
b) demarcava a submissão do povo à autoridade constituída.
c) definia o pertencimento dos padres às camadas populares.
d) afirmava um sentido comunitário de partilha da devoção.
e) harmonizava as relações sociais entre escravos e senhores.

Comentários

01. (a) Golfo Pérsico. O Golfo Pérsico localiza-se entre a Ásia, África e Europa, por isso é considerado
um ponto estratégico.
(b) O Golfo Pérsico é uma passagem obrigatória a todos os navios petroleiros que navegam a região
para carregar petróleo nos países produtores. Em 1990, Saddam Hussein, então líder nacionalista e
autoritário do Iraque, tomou a decisão de invadir o Kuwait e controlar tato as rotas como grande parte das
jazidas da região.

02. (a) O regime do Apartheid caracteriza-se pelo controle político de um governo de minoria branca,
de origem europeia, sobre a maioria da população negra africana, impondo-lhes leis, regras e sistemas
de controle social. Esse regime definiu o que era permitido à população negra quanto à mobilidade, ao
uso de bens, aos serviços e equipamentos públicos e à ocupação de determinadas áreas no espaço
urbano.
(b) A Lei de 1951, que determinou a criação dos Bantustões, bairros (guetos) só para negros, instituiu
a segregação socioespacial ao definir as áreas nas cidades destinadas às territorialidades da população
negra agregada. – A Lei 1953, de Reserva de Amenidades Separadas, codificou o apartheid nas estações
de embarque e desembarque, cinemas, hotéis, praças, parques, praias, piscinas e outros locais de lazer.
O ensino também passou a ser separado para as dizentes origens étnicas, assim como qualquer
competição inter-racial foi proibida em todo o território nacional.

03. Resposta: E
A questão traz forte postura ideológica a respeito do Brasil. Ela parte de um novo ponto de vista de
que o Brasil foi formado por “raças” e que a junção dessas etnias formaria o Brasil contemporâneo. Nesse
caso, a palavra miscigenação foi substituída pela “pluralidade” étnico-racial”. Essa postura, contudo, é
amplamente questionada pela historiografia da segunda metade do século XX, quando se discute
inclusive o conceito de raça.

04. (a) O mosaico cultural, a posição estratégica como passagem entre a Europa e a Ásia, a ocorrência
de extensas jazidas petrolíferas.

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(b) Ele faz referência à questão Israel-palestina. Com o surgimento de Israel em 1948, os palestinos
que ali viviam viram-se deslocados e sem expressão territorial, daí a menção de ocupação dos territórios
por Israel.

05. Resposta: E
Por intermédio das redes sociais (facebook e twitter), fomentou ideias revolucionárias que tiveram
início no norte da África, desencadeando revoluções populares contra os governos ditatoriais (Primavera
Árabe).

06. No Oriente Médio, a construção da barreira tem por finalidade isolar e dificultar a circulação da
população palestina entre os territórios da futura Autoridade Palestina, descontínuos, Faixa de Gaza e
Cisjordânia. Na Europa, o Muro de Berlim marcou o conflito geopolítico Leste-Oeste, ou seja, socialismo
– capitalismo.

07. Resposta: D
A questão alude a um aspecto das práticas católicas no período colonial, qual seja a integração dos
diversos segmentos sociais nas comemorações religiosas – embora, encerradas estas, as diferenciações
sociais voltassem a demarcar fortemente as diversas categorias da época.

CONFLITOS ÉTNICO-NACIONALISTAS58

A disputa pela soberania sobre territórios e pela definição de novas fronteiras tem ocasionado
numerosos conflitos pelo mundo. Muitos desses conflitos também são gerados pelas divergências entre
povos de culturas diferentes.
Essas questões geradoras de instabilidades têm estado cada vez menos isoladas, repercutindo
mundialmente e influenciando questões econômicas, políticas e militares no atual mundo globalizado.
Estudaremos alguns dos principais conflitos no mundo e sua repercussão internacional.

Um refugiado é uma pessoa que, “receando, com razão, ser perseguida em virtude da sua raça,
religião, nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do
país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, contar com a proteção
daquele país...” (ONU, Acnur – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. The 1951 Convention relating to the Status of Refugees. Em:
www.unhcr.ch).

Globalização e Fragmentação

Nas últimas décadas do século XX, ao mesmo tempo em que se intensificava o processo de
globalização, ampliavam-se os conflitos étnico-nacionalistas, muitos deles relacionados a movimentos
separatistas. A ampliação desses conflitos revela uma situação aparentemente contraditória, pois, ao
mesmo tempo em que a reprodução da modernidade, em nível global, tende a homogeneizar hábitos por
meio do consumo e da indústria cultural, e integrar mercados por meio das organizações supranacionais,
diversos povos lutam por sua autonomia, fragmentando o mundo num número cada vez maior de países.
No entanto, se por um lado, a busca pela independência, pela afirmação da identidade nacional e dos
valores culturais próprios pode ser vista como reação à globalização, por outro lado, a capacidade que a
modernidade tem de se reproduzir não depende do fato de existirem mais ou menos países no mundo.
Os conflitos étnico-nacionalistas estão relacionados, de modo geral, com a formação de Estados ou
países que abrigam diversas nações (multinacionais ou multiétnicas).

Estado e Nação
O conceito de nação está diretamente relacionado ao de cultura. Mas é importante ressaltar que, entre
os estudiosos, não há consenso em relação à definição de nação. Optamos por empregar a conceituação
que diferencia nação de Estado-nação.
Estado-nação é uma entidade político-administrativa, personificada por diversas instituições (Forças
Armadas; poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), que possui um território delimitado, sobre o qual
age soberanamente.
Nação é um conjunto de pessoas que têm em comum o passado histórico, a língua, os costumes, os
valores sociais, culturais e morais, e, quase sempre, a religião. Tudo isso confere à nação uma identidade

58
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. Elian Alabi Lucci; Anselmo Lazaro Branco; Cláudio Mendonça. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2014.
MARTINEZ, Rogério; GARCIA, Wanessa. Novo olhar: Geografia. 1ª edição. São Paulo: FTD, 2013.

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cultural, uma consciência nacional, que contribui para que os seus indivíduos compartilhem determinadas
aspirações, como, por exemplo, o desejo de permanecerem unidos, de se promoverem em termos sociais
e econômicos, e de preservarem sua identidade nacional (aspecto importantíssimo no conceito de nação).

No mundo, a maioria dos países é constituída por diversas nações, ou seja, os Estados são
multinacionais ou multiétnicos. As principais razões das lutas separatistas de cunho nacionalista são
explicadas pela não-aceitação das diferenças étnicas e culturais, pela existência de privilégios impostos
pela supremacia de um grupo sobre outro, pelos interesses econômicos de determinados grupos sociais
e pelo desejo de nações em constituírem seus próprios Estados.
Mas nem todo movimento nacionalista parte de interesses legítimos. Outra concepção de
nacionalismo prega o uso da força para defender seus interesses, e considera o outro, em função das
diferenças étnicas ou raciais, como inimigo e adversário. Nesta concepção o nacionalismo confunde-se
com o racismo e a xenofobia. Foi essa concepção de nacionalismo que Hitler colocou em prática na
Alemanha.
Portanto, as lutas étnicas e nacionalistas, que se multiplicaram nas duas últimas décadas do século
XX, devem ser analisadas a partir dos aspectos peculiares a cada uma delas e dos diferentes contextos
histórico-geográficos em que se desenvolveram.

O Fundamentalismo Islâmico
O Islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Conta, atualmente, com cerca de 1 bilhão e 200
milhões de fiéis espalhados, sobretudo, pelo Oriente Médio, norte da África e sudeste asiático, onde se
encontra a Indonésia, país com a maior população islâmica do mundo. Essa religião foi fundada por
Maomé, no século VII, e baseia-se no Corão ou Alcorão, também chamado de Livro de Deus (Kitab Alah).
Os seguidores do Islamismo são denominados muçulmanos.
Mas a interpretação do Corão não é a mesma para todos os muçulmanos. Para vários deles, certos
aspectos das sociedades ocidentais, como, por exemplo, a liberdade de expressão e de religião, e a
igualdade de direitos entre homens e mulheres, são incompatíveis com as leis do Corão.
Para os fundamentalistas, o Ocidente, com seus valores, constitui uma ameaça à sociedade
muçulmana. Superado o “perigo vermelho”, representado pela URSS, o fundamentalismo islâmico surge
como um dos grandes “vilões” do Ocidente. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, essa imagem
tem sido muito explorada pelos Estados Unidos, que relacionam os grupos fundamentalistas ao
terrorismo.
Além dos esforços de preservação cultural, o crescimento do fundamentalismo islâmico está
relacionado aos sucessivos fracassos econômicos e políticos dos governos de vários países muçulmanos
da Ásia e do norte da África, os quais, com o término da Segunda Guerra Mundial, conquistaram sua
independência e passaram a ter governos próprios.
Desde então, o caos econômico e social, aliado ao autoritarismo e à corrupção da classe política
dirigente, passou a representar um terreno extremamente fértil para a expansão do fundamentalismo
islâmico em alguns países. A população muçulmana foi depositando cada vez mais suas esperanças nas
próprias raízes religiosas e culturais, já que a chegada da modernidade só trouxe benefícios para uma
minoria – a elite econômica.
Além disso, a independência política conquistada por esses países também não significou a eliminação
das interferências externas das grandes potências mundiais. A posição das grandes potências mundiais
– sobretudo dos Estados Unidos – em relação aos governos dos países islâmicos, sempre foi ambígua.
No Oriente Médio, por exemplo, o petróleo foi o fio condutor que determinou o apoio norte-americano a
um ou outro governante, de acordo com as vantagens econômicas e estratégicas que pudessem ser
abertas nessa região.

Principais Conflitos Étnicos na Europa

Os conflitos no centro e leste da Europa estão relacionados ao fim dos governos socialistas de cunho
centralizador e autoritário, os quais foram implantados em diversos países dessa região após a Segunda
Guerra Mundial. No entanto, a história da diversidade e dos conflitos étnicos na região é antiga. Ela resulta
da expansão dos impérios Russo, Otomano e Austro-Húngaro, e da decomposição desses dois últimos
entre o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX. Esses impérios controlaram
diversas nações – praticamente as mesmas que foram submetidas aos regimes comunistas do pós-guerra
– e foram responsáveis pela instabilidade nas fronteiras dessa região europeia.
Os conflitos nacionalistas também estão relacionados, muitas vezes, à falta de perspectivas de
melhoria das condições de vida da população mais atingida pelas más condições socioeconômicas de

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determinado país. Soma-se, a tudo isso, o sentido nacionalista – a vontade de ver os símbolos da nação
não mais submetidos a outro poder. Esse sentimento, apesar de ser um elemento aglutinador, de criar
laços de solidariedade, pode ser facilmente manipulado por líderes inescrupulosos.

Conflito nos Bálcãs: Esfacelamento da Iugoslávia


Bálcãs é uma região peninsular localizada no sudeste da Europa, onde hoje estão situadas a Bulgária,
Albânia, Grécia, Turquia (trecho europeu), Iugoslávia, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Bósnia –
Herzegovina. O termo balcanização é uma referência aos diversos conflitos étnico-nacionalistas que
ocorreram e ocorrem na região, onde a instabilidade das fronteiras é uma marca. Esse termo é utilizado
para se referir aos movimentos separatistas que se alastram por todo o mundo.

Até 1991, a Iugoslávia era formada por seis repúblicas (Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-
Herzegovina, Macedônia, Montenegro) e duas regiões autônomas (Kosovo e Vojvodina) pertencentes à
Sérvia.
A população iugoslava compunha-se de várias nacionalidades (sérvios, croatas, eslovenos,
macedônios, albaneses, húngaros) e alguma delas encontravam-se espalhadas em praticamente todas
as seis repúblicas. Além disso, no país predominavam três religiões (muçulmana, cristã ortodoxa católica
romana) e falavam-se cinco idiomas (sérvio-croata, esloveno, albanês, húngaro, macedônio).
Essa complexa composição étnica manteve-se unida sob o governo de Josip Broz (marechal Tito),
líder de origem croata, que, devido ao carisma e habilidade política e apoio do aparato militar, conseguiu
congregar, num único Estado, toda a diversidade nacional, religiosa e étnica.
A morte de Tito, em 1980, comprometeu esta relativa estabilidade. Em 1990, o fim da URSS fortaleceu
os movimentos separatistas que desabrocharam em todas as repúblicas iugoslavas. O poderio militar da
federação iugoslava, em grande parte controlado pelos sérvios, tentou impedir a independência destas
repúblicas e, para isso, conto com o apoio dos sérvios que nelas viviam.
Em junho de 1991, a Eslovênia e a Croácia declararam independência, que foi reconhecida pela
Iugoslávia após breve período de violentos conflitos. A Macedônia seguiria o mesmo alguns meses
depois. Neste caso, não houve guerra com o governo central. Em abril de 1992, a Bósnia-Herzegovina
também declarou independência, dando origem ao mais violento e intenso conflito da região balcânica.

A Independência da Bósnia
A Bósnia-Herzegovina era a república iugoslava etnicamente mais heterogênea: 39,5% de
muçulmanos, 32% de sérvios, 18,4% de croatas.
Após ter sua independência reconhecida por diversos países europeus, pelos Estados Unidos e pela
ONU, croatas, muçulmanos e sérvios passaram a disputar fatias do território bósnio. A guerra civil da
Bósnia teve início em 1992 e tornou-se acirrada quando o líder sérvio, Radovan Karadzic, contrário à
separação, proclamou a formação da República Sérvia da Bósnia-Herzegovina, não reconhecendo a
independência do país. A guerra se estendeu até 1995, apresentando um saldo de mais de 200 mil mortos
e 2 milhões de refugiados muçulmanos. Essa guerra foi marcada pelo extermínio (“limpeza étnica”) dos
não-sérvios que viviam na ex-república iugoslava, o qual contou com o apoio do então presidente da nova
Iugoslávia, Slobodan Milosevic.

Limpeza étnica é a situação em que um Estado ou governante promove a expulsão e/ou extermínio
de um grupo étnico, geralmente minoritário, em seu território. Os métodos utilizados também envolvem
perversidades e atrocidades, como a morte indiscriminada de civis, estupro de mulheres, incêndio de
residências, etc. O objetivo é amedrontar a população e promover a fuga em massa do território. Busca-
se, desta forma, um equilíbrio étnico favorável ao grupo que detém o poder.

Em 1995, um acordo de paz selou o fim da guerra na Bósnia. Esse acordo dividiu o país em uma
Federação muçulmano-croata, que controla 51% do território bósnio, e uma República Sérvia da Bósnia,
que controla 49%. O governo é regido por uma presidência colegiada, com representantes das três etnias.
No entanto, a permanência de povos inimigos históricos e com ambições territoriais e nacionalistas no
mesmo país e as dificuldades de uma administração conjunta tornam a região bastante instável.
Apesar do acordo de paz ter sido assinado em Paris, ele ficou conhecido por Acordo de Dayton, nome
da cidade dos Estados Unidos em que está situada a Base Aérea de Wright-Patterson, local em que as
negociações foram realizadas.

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A Guerra de Kosovo
A partir de 1998, os conflitos passam a se desenrolar na região de Kosovo, habitada
predominantemente por população de origem albanesa (90% dos dois milhões de habitantes) e que,
desde 1989, tinha perdido parte da autonomia em relação ao poder central iugoslavo, como o direito ao
ensino em língua albanesa e a uma polícia própria.
Para fazer frente ao crescimento do movimento separatista armado, liderado pelo ELK (Exército de
Libertação de Kosovo), o então presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, contra-atacou com violência
a região de Kosovo. Alegando combater os separatistas e defender a integridade do país, promoveu um
massacre à população civil. Em 1999, a OTAN negociou com a Iugoslávia o fim do conflito e a volta da
autonomia de Kosovo. Diante da recusa iugoslava, as tropas da OTAN lançaram um intenso ataque ao
país. A guerra de Kosovo terminou após 78 dias de bombardeiros liderados pelos Estados Unidos. Essa
ação, classificada pelo governo norte-americano de “defesa humanitária”, não foi decidida no âmbito do
Conselho de Segurança da ONU, constituindo, portanto, um desrespeito às normas internacionais.
Num sinal claro de que a solução para os problemas étnicos era bastante complexa, o Parlamento da
Iugoslávia, com o acompanhamento da União Europeia, aprovou, em fevereiro de 2003, a Constituição
do novo Estado da Sérvia e Montenegro. Nesse novo Estado, a diplomacia e a segurança são conjuntas,
mas tanto Sérvia como Montenegro têm grande autonomia, a ponto de cada uma ter o seu Banco Central.
Sob pressão de Montenegro, que queria a independência total, acertou-se a realização de um referendo,
em 2006, para decidir se as repúblicas continuariam unidas.

A Questão Basca
Há cerca de cinco mil anos, o povo basco habita uma área de quase 21 mil Km² entre o norte da
Espanha e o sudoeste da França. Os bascos vivem espalhados em quatro províncias espanholas: Álava,
Biscaia, Guipúzcoa e Navarra; e três províncias francesas: Labourd, Baixa Navarra e Soule. Ao longo dos
séculos, os bascos receberam poucas influências culturais ou de miscigenação de outros povos,
preservando assim suas características biológicas, étnicas, culturais e linguísticas. O euskara, a língua
basca, é falado no cotidiano das famílias, nas escolas e no trabalho.
Assim como outras minorias étnicas espalhadas pelo mundo, os bascos alimentam um sentimento
nacionalista, ou seja, aspiram à conquista de soberania política e territorial em relação ao Estado ao qual
estão subordinados. A ideia de um país basco começou a surgir com o Partido Nacionalista Basco, criado
no final do século XIX. Havia um plano efetivo para a instituição do país basco em 1934, mas foi
interrompido pela ditadura (vigente entre 1939-1975) imposta na Espanha pelo governo do general
Francisco Franco. Nesse período, o Partido Nacionalista Basco foi considerado uma organização ilegal,
sofrendo censura e perseguição política, o que também se estendeu a povo basco, que foi impedido de
falar e ensinar sua língua nas escolas, assim como de hastear sua bandeira e promover manifestações
tradicionais de sua cultura.
Nesse contexto de forte repressão política, surgiu um movimento separatista em prol da libertação dos
bascos chamado Euskadi Ta Askatasuna ou “Pátria Basca e Liberdade”, mais conhecido como ETA,
criado em 1959 por dissidentes do Partido Nacionalista Basco. Nas décadas seguintes, o ETA passou a
defender a independência dos bascos por meio da luta armada, sobretudo com ações terroristas. Ao
longo de sua história, os ataques do ETA provocaram a morte de mais de 800 pessoas, entre políticos,
militares e civis, as maiores vítimas.
Em 2006, o ETA declarou cessar-fogo, mas a duração desse ato foi de poucos meses. Em dezembro
do mesmo ano, a organização promoveu o maior atentado terrorista de sua história. O episódio foi
marcado pela explosão de um carro-bomba em um dos terminais do aeroporto de Madri, que destruiu
parte das edificações e deixou dezenas de civis feridos e dois mortos. O uso da violência, no entanto,
comprometeu a imagem da organização perante a opinião PÚBLICA. O ETA perdeu prestígio e apoio
popular, enfraquecendo-se politicamente. Em 2011, a organização divulgou comunicado informando seu
fim definitivo. Ainda assim, a questão está longe de ser resolvida. Na Espanha, a esquerda nacionalista
continua se articulando para criar novas organizações supostamente comprometidas a usar apenas meios
pacíficos para atingir seus fins políticos. O governo espanhol, por sua vez, tem impedido a legalização de
tais organizações.

A Questão Irlandesa
A ilha da Irlanda foi dominada pela Inglaterra no século XII e, desde então, começou a receber grande
quantidade de imigrantes ingleses e escoceses. Em 1800, a Irlanda passou a pertencer ao Reino Unido
(formado, atualmente, pelos países da Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) e a Irlanda do
Norte), por decreto do rei da Inglaterra na época, dando início à organização da luta pela independência.

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Mas foi no início do século XX que os conflitos entre Irlanda e Inglaterra ganharam maiores proporções
com a criação do Sinn Fein, partido político representante do separatismo irlandês, e do Exército
Republicano Irlandês (IRA), que organizou a luta armada contra o domínio britânico.
Os conflitos obrigaram o Reino Unido a realizar uma consulta popular na Irlanda sobre a
independência. As províncias do centro e do Sul, de maioria católica e de população de origem irlandesa,
votaram pela separação do Reino Unido; as províncias do Norte (Ulster), de maioria protestante e de
população de origem inglesa, posicionaram-se contra essa separação.
Em 1921, assinou-se tratado pelo qual as províncias do centro e do Sul poderiam formar um Estado
independente. Esse processo de independência encerrou-se somente em 1937, quando foi instituída a
constituição do novo país, denominado República do Eire. O Reino Unido reconheceria essa
independência apenas em 1949. Em relação à independência das províncias do Norte, o Reino Unido até
hoje mantém-se intransigente em concedê-la.
A ação do IRA tornou-se mais intensa na segunda metade do século XX, através da realização de
atentados terroristas, os quais visavam, inicialmente, atingir as autoridades e instituições britânicas, mas,
num segundo momento, estendeu suas ações a toda população civil protestante. A reação dos britânicos
contra os irlandeses foi igualmente violenta, intensificando o conflito nas províncias do Norte.
Depois de anos de luta armada, os dois lados do conflito entraram em negociação e, em 1999,
assinaram um acordo de paz que determinou a deposição das armas pelo IRA e a instalação de um
governo compartilhado entre católicos e protestantes. A Irlanda do Norte permaneceu ligada ao Reino
Unido, mas o acordo admite a separação futura caso a população, em sua maioria, tome esta decisão.
Nem todos os irlandeses são favoráveis a este acordo de paz. A violência de ambas as partes, tanto
dos católicos separatistas como dos protestantes unionistas, tem alimentado, por décadas, o ódio entre
esses dois grupos. Por essa razão, muitos acreditam que novos conflitos poderão ressurgir a qualquer
momento.

Os Conflitos no Cáucaso
O Cáucaso, região montanhosa situada a sudeste da Europa, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio,
constitui uma da áreas de grande tensão geopolítica, mercada pela eclosão de uma série de guerras civis,
conflitos separatistas e étnicos, além de confrontos fronteiriços pela disputa de territórios entre países
vizinhos.
A região abrange o território de três países – Armênia, Geórgia e Azerbaijão -, além de várias
repúblicas russas, como Ossétia do Norte, Chechênia, Daguestão e Inguchétia, com uma população de
aproximadamente 21 milhões de pessoas, que se destaca pela grande diversidade étnico-cultural. São
mais de 100 grupos étnicos com costumes, línguas e dialetos próprios, que, em sua grande maioria,
seguem a região cristã ou islâmica. Essas diferenças étnico-religiosas estão na base da maioria dos
conflitos que eclodem na região.
Esses conflitos se tornaram mais intensos a partir da desintegração da União Soviética no início da
década de 1990. Até então, essa região esteve sob o domínio do governo soviético, que controlou com
mão de ferro, pelo uso da força, qualquer tipo de rebelião nessas suas repúblicas.
Com o fim da União Soviética, algumas dessas repúblicas se tornaram países independentes,
formando novos países, e outras passaram ao controle da Rússia, principal herdeira do império soviético.
Com o novo arranjo político-territorial e as diferenças étnico-religiosas existentes, foi praticamente
inevitável a eclosão de grandes conflitos na região.
No início da década de 1990, o fortalecimento de um movimento separatista levou a Chechênia, de
população majoritariamente muçulmana, a declarar sua independência em relação à Rússia. O governo
Russo, no entanto, não reconheceu a proclamação dos chechenos e respondeu com um violento ataque
militar aos separatistas, que deixou um saldo de aproximadamente 80 mil mortos, e ficou conhecido como
Guerra da Chechênia (1994-1996). Desde então, o conflito se encontra em estado latente, com os
separatistas chechenos promovendo ataques terroristas contra alvos russos, como ocorreu em 2004,
quando terroristas chechenos invadiram uma escola na república da Ossétia do Norte e detonaram
explosivos, causando a morte de 344 pessoas, sendo 186 crianças.
No Daguestão, outra república russa, grupos muçulmanos lutam para criar um Estado islâmico,
movimento também combatido pelas forças russas que buscam manter o controle da região, rica em
reservas de petróleo. Na Geórgia, os conflitos separatistas envolvem as repúblicas da Ossétia do Sul
(maioria persa e cristã) e da Abkházia (maioria muçulmana ortodoxa), que desde 1991 lutam contra os
georgianos (cristãos) para se tornar independentes. Em 2008, a Geórgia lançou uma ofensiva militar
contra os ossetas, o que levou à intervenção dos russos, que invadiram o território da Ossétia do Sul,
para desalojar tropas georgianas. A participação da Rússia no conflito, no entanto, provocou um
acirramento das tensões com os Estados Unidos, que têm a Geórgia como aliada na região.

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A região de Nagorno-Karabakn é alvo de disputa entre a Armênia e o Azerbaijão. Embora esteja
encravada no território do Azerbaijão, país de origem muçulmana, quase 80% de sua população é cristã
e de origem armênia. Assim, desde o início da década de 1990, quando os soviéticos saíram da região,
os armênios reivindicaram a posse do território, fato que já levou esses países a se confrontarem
militarmente entre 1992 e 1994. Apesar das negociações em curso desde o cessar-fogo, o impasse pelo
controle da região ainda persiste.

Territórios e Conflitos na África


Muitos dos conflitos existentes hoje no mundo envolvendo disputa por territórios, como aqueles que
ocorrem em várias partes do continente africano, têm origem histórica ligada ao processo de expansão
do capitalismo ao longo dos últimos dois séculos e suas implicações na delimitação das fronteiras dos
Estados nacionais.
Nas últimas décadas do século XIX, o continente africano, até então habitado por povos de diferentes
grupos étnicos, passou a ser mais efetivamente ocupado e exaltado pelas potências econômicas
europeias. Em plena Revolução Industrial, países como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Alemanha
necessitavam de matérias-primas em grande escala e a baixos custos para abastecer seus parques
industriais em expansão. Para assegurar seu suprimento esses países se apropriaram do vasto território
africano (e também de extensas regiões do continente asiático) como forma de explorar os recursos
naturais nele existentes e utilizar suas terras para o cultivo de grandes monoculturas tropicais, as
chamadas plantations. Para isso, estabeleceram a divisão ou partilha do território africano em um acordo
selado em 1885 durante a Conferência de Berlim.
As alterações resultantes dessa divisão desestruturaram a organização política, econômica e social da
maioria dos povos africanos. As fronteiras traçadas de maneira arbitrária elos europeus, por exemplo,
ignoraram as diferenças técnicas dos inúmeros reinos e grupos tribais existentes no continente. Assim,
em muitos casos, essa divisão colocou no território de uma mesma colônia antigos povos rivais, ou, ainda,
separou povos com a mesma identidade histórico-cultural. Os colonizadores também escravizaram
populações e impuseram suas línguas, costumes e valores morais e étnicos aos povos colonizadores.
Muitas vezes, os povos nativos sofreram intensa dominação cultural, sendo obrigados a aprender a língua
do colonizador, a mudar seus hábitos alimentares e a se vestirem como os europeus. Os povos que
tentaram resistir a colonização foram brutalmente reprimidos em violentos conflitos. Mais bem armados,
os soldados europeus massacraram os movimentos de resistência que, em certos casos, exterminaram
grupos tribais inteiros.
Somente a partir de meados do século XX, com o enfraquecimento político, econômico e militar dos
países europeus devastados pelos conflitos da Segunda Guerra Mundial é que a luta contra o colonialismo
no continente ganhou impulso. Surgiram movimentos de independência em praticamente todas as
colônias europeias na África, reivindicando a ruptura dos laços mantidos com as metrópoles.
Alguns desses rompimentos foram pacíficos, enquanto outros ocorreram por meio de violentos
conflitos que se arrastam por várias décadas, opondo a população local e os colonizadores. Os
movimentos de independência das colônias africanas (e também a Ásia) após a Segunda Grande Guerra
ficou conhecido, historicamente, como processo de descolonização.
Contudo, mesmo após a independência política, muitos desses países mantiveram praticamente os
mesmos limites territoriais traçados pelos colonizadores europeus.
A desorganização étnico-cultural herdada do traçado dessas antigas fronteiras tem sido a causa de
inúmeros conflitos territoriais e guerras civis que, ao longo da história, assolam muitos países africanos.

Conflitos Étnico-Nacionalistas na Ásia


Há uma grande quantidade de conflitos étnico-nacionalistas na Ásia. O continente abriga cerca de 60%
da população mundial e milhares de etnias. Nas duas últimas décadas do século XX, alguns desses
conflitos se destacaram pelo grande número de pessoas envolvidas e pela violência empregada.

Os Confrontos na Índia: Hindus e Muçulmanos


A tensão entre hindus (28% da população indiana) e muçulmanos (12%) iniciou-se com a chegada dos
árabes à região, no século VII, os quais difundiram o Islamismo no país. Essa religião conquistou muitos
adeptos nas camadas mais pobres da sociedade indiana, que viam nela um caminho para se
desvencilharem do sistema de castas da religião hindu (o Hinduísmo), que estrutura a sociedade indiana.
O sistema de castas, apesar de extinto por lei, tem ainda forte presença nas relações sociais na Índia.
Segundo esse sistema, cada indivíduo pertence a uma casta desde o nascimento, não é permitido o
casamento entre pessoas de castas diferentes nem existe mobilidade de uma casta para outra.

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A sociedade hindu divide-se basicamente em quatro castas ou ordens principais: os brâmanes
(monges), os xátrias (guerreiros), os vaixás (comerciantes e artesãos) e, na base da pirâmide, os sudras
(camponeses e serventes). Os indivíduos considerados impuros pelas outras castas denominam-se
párias e exercem profissões como coveiro e faxineiro.

Os Conflitos na Caxemira
Situada nas encostas da cordilheira do Himalaia, a região da Caxemira constitui um dos focos de maior
tensão geopolítica no Sul da Ásia, alvo de conflitos que se arrastam há mais de 60 anos. Desde que
deixaram de ser colônia do Império Britânico, em 1947, Índia e Paquistão disputam a posse da região,
que tem aproximadamente 220 mil quilômetros de extensão e abriga cerca de 12 milhões de pessoas.
Logo após a retirada dos britânicos, indianos e paquistaneses entraram em guerra pela posse da região.
O conflito terminou em 1948, quando o Paquistão ficou com um terço da Caxemira e Índia com dois
terços.
O Estado islâmico do Paquistão, no entanto, passou a reivindicar a anexação total da região ao seu
território, já que os muçulmanos compõem a grande maioria da população caxemire. Além de não estar
disposta a perder parte de seu território, a Índia ainda acusou o Paquistão de apoiar ações terroristas
realizadas por grupos extremistas islâmicos favoráveis ao separatismo. O governo indiano reprime a ação
de tais grupos para manter o controle sobre a região e também para evitar que uma eventual onda de
movimentos separatistas se espalhe em certas regiões do país também habitadas por outras minorias
étnicas, como a dos sikhs, que reivindicam autonomia sobre a província do Punjab.
A disputa pela região já levou esses países a se enfrentarem em outras duas guerras, ocorridas em
1965 e 1971. Assim como os conflitos entre grupos islâmicos paquistaneses e grupos hindus indianos,
essas guerras deixaram milhares de vítimas. A questão geopolítica na região tornou-se ainda mais
complexa com o envolvimento da China, que, desde 1962, também se apossou de parte da Caxemira,
após guerra travada com os indianos.
Assim, a disputa pela posse da Caxemira levou a uma crescente militarização da região, utilizada
inclusive para justificar a corrida armamentista que levou o Paquistão e a Índia a desenvolverem armas
nucleares, das quais a China já dispunha. A instabilidade política na região tem sido alvo de grande
preocupação internacional, já que a eclosão de uma nova guerra entre esses países poderia ter
consequências imprevisíveis.

Os Curdos e o Curdistão
Estimativas não muito precisas, pela falta de levantamentos estatísticos oficiais, sugerem que existam
entre 26 e 40 milhões de curdos espalhados pelo território de vários países do Oriente Médio. Esse povo
forma o maior grupo étnico sem Estado do mundo. O território ocupado pelos curdos, chamado Curdistão,
estende-se por uma região montanhosa com 530 mil quilômetros quadrados, que abrange áreas do Irã,
Iraque, Síria, Turquia, Armênia, Geórgia e Azerbaijão.
Na Turquia, onde vive a maioria dos curdos (cerca de 15 milhões, o que representa 20% da população
do país), surgiu o mais atuante grupo armado que luta pela formação de um Estado curdo independente:
o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Criado no final da década de 1970, tornou-se uma
organização separatista engajada na luta armada pela causa do povo curdo, que aspira a soberania
política e territorial do Curdistão. A luta por essa soberania vem sendo reprimida de maneira violenta pelas
forças governamentais, especialmente na Turquia, onde o governo considera o PKK uma organização
terrorista. Estima-se que somente no conflito curdo-turco tenham morrido mais de 37 mil pessoas.
A enorme resistência que os países da região colocam à criação de um Estado curdo não se justifica
somente por causa da perda de parte de seu território. Essa região dispõe de imensas reservas de
petróleo em seu subsolo. A Turquia extrai praticamente todo seu petróleo da região curda, enquanto cerca
de 40% das reservas petrolíferas iraquianas também estão em áreas curdas. Com o objetivo de conter a
luta dos curdos pela independência em seu território e de manter o controle sobre os campos de petróleo,
o governo iraquiano, no final da década de 1980, promoveu ataques que destruíram mais de duas mil
aldeias curdas e provocaram o massacre de milhares de pessoas, incluindo crianças e mulheres (as
estimativas oscilam entre 50 e 100 mil mortos).
A complexidade que envolve a questão curda está ligada à grande instabilidade política nessa
conturbada região do Oriente Médio, marcada pela presença de países com os mais diversos problemas
de ordem interna e externa. Com a eclosão da guerra civil na Síria, em 2011, grupos armados curdos
assumiram o controle das áreas no nordeste do país aproveitando-se da fragilidade das forças sírias,
recrutadas para conter os conflitos que s intensificaram no país.

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Os Conflitos no Oriente Médio
O domínio que o Império Turco-Otomano exercia sobre boa parte do Oriente Médio, o qual prevaleceu
até a Primeira Guerra Mundial, foi praticamente substituído pela ocupação inglesa e francesa, que se
prolongou até a década de 1940.
Durante esse último período, ocorreu um processo de grande fragmentação territorial desta região.
Após essa década, os ingleses e franceses foram afastados do Oriente Médio, o que consolidou o
processo de independência de vários países e favoreceu a criação do Estado de Israel, foco permanente
dos conflitos étnico-nacionalistas que opõem os árabes e palestinos aos judeus.
No entanto, a independência de diversos países não significou o fim dos conflitos na região. Pelo
contrário, após a Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio transformou-se no principal foco de tensão
mundial em função da criação do Estado de Israel, em 1948; dos interesses econômicos e estratégicos
das grandes potências, que buscam o controle das jazidas de petróleo; das disputas internas pelo poder
numa região marcada por regimes autoritários; dos conflitos religiosos e da má condição de vida da
maioria da população.
A herança da Guerra Fria é outro importante fator de instabilidade e de intensificação dos conflitos. Os
Estados Unidos e a URSS armaram exércitos e grupos de oposição, fortalecendo ditaduras e grupos
terroristas. Atualmente, cerca de 40% das vendas de armas dos Estados Unidos destinam-se a países
do Oriente Médio.

Israel e a Questão Palestina


Localizada no Oriente Médio, a região da Palestina tem sido palco de um dos conflitos de maior
repercussão em todo o mundo. Trata-se do confronto entre árabes e judeus pela posse dos territórios
ocupados por esses dois povos, cujas raízes são tão antigas quanto a própria ocupação daquelas terras.
Há cerca de 2000 anos a.C., os hebreus, que depois passariam a ser chamados de judeus, ocupavam
as terras da Palestina. Devido à sua posição geográfica, que a situa estrategicamente entre a Europa, a
Ásia e a África, essa região foi alvo de muitas disputas, e foi submetida ao domínio de vários reinos e
impérios. Os assírios e os babilônios, por exemplo, dominaram e escravizaram os hebreus séculos antes
da era cristã. Sob o domínio dos romanos desde o início da era cristã, os hebreus (judeus) foram expulsos
de suas terras e se dispersaram pelo mundo em um movimento conhecido como diáspora judaica.
Entre o século VII e o século XV, após a longa ocupação romana, a Palestina foi ocupada pelos povos
árabes, também chamados de palestinos, quase todos muçulmanos, que até o início do século XX
permaneceram na região sob o domínio do Império Turco-Otomano, quando passaram para o controle
do protetorado britânico.

O Movimento Sionista
Mesmo dispersos pelo mundo durante tanto tempo, os judeus preservaram sua identidade histórico-
cultural e sempre alimentaram o sonho de constituir um território judaico soberano e independente. No
final do século XIX, surgiu na Europa o movimento sionista, que defendia a imigração dos judeus para a
Palestina (antiga terra dos hebreus). Esse movimento propunha a criação de um Estado judeu nos
arredores do Monte Sião (daí a origem do nome sionismo), uma das colinas que cercam as terras da
cidade de Jerusalém, considerada santa para judeus, cristãos e muçulmanos.
Vítimas de perseguições e massacres sistemáticos, comunidades judaicas espalhadas em várias
partes do mundo se deslocaram, então, para aquela região, estabelecendo-se em colônias agrícolas e
em bairros judaicos. O movimento sionista se fortaleceu após a declaração de Balfour, em 1917, por meio
da qual os britânicos apoiaram o retorno dos judeus, caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império
Otomano eu, mesmo enfraquecido, ainda dominava a região.
Contudo, a imigração de judeus para a Palestina se intensificou ainda mais com a perseguição
promovida pelo regime nazista alemão, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial e nas décadas
seguintes.

A Formação do Estado de Israel


Em meados da década de 1940, quando os judeus somavam quase um terço da população Palestina,
os britânicos decidiram abandonar o plano de construção do estado judaico, deixando tal tarefa a cargo
da ONU, que também herdou o imbróglio entre judeus e palestinos, eu entraram em conflito para disputa
daquele território. Muito pressionada pela comunidade judaica internacional e também com o apoio dos
Estados Unidos, que buscavam ampliar sua influência política na região, a Assembleia Geral da ONU
aprovou em 1947 a partilha da Palestina, criando dois Estados: um árabe e outro judaico.
Os territórios foram divididos de acordo com a população predominante em cada região. A cidade de
Jerusalém, considerada sagrada por judeus e árabes, permaneceu sob controle internacional. O plano,

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porém, foi rejeitado pelos palestinos, que teriam de ceder parte de seus territórios para os judeus, o que
acirrou ainda mais os conflitos entre esses povos. Em 1948, os judeus declararam oficialmente a
independência do Estado de Israel, ocupando cerca de 56% de toda a Palestina.
A reação árabe foi praticamente imediata. Na tentativa de impedir a implantação do novo Estado, os
exércitos dos países árabes vizinhos (Egito, Jordânia, Iraque, Líbano e Síria) declararam guerra a Israel.
Mais bem preparado e equipado militarmente, Israel derrotou as forças árabes pondo fim à primeira guerra
árabe-israelense.
Com a vitória, Israel ampliou seus domínios sobre os territórios palestinos. A área da Faixa de Gaza
passou a ser controlada militarmente pelo Egito, e a Cisjordânia, assim como a parte oriental de
Jerusalém, passaram a ser controlados pela Jordânia. Assim, o território reservado no início aos
palestinos praticamente desapareceu, levando-os a se refugiarem em várias localidades no entorno da
região. Desde então, os palestinos lutam pela criação de seu Estado, uma luta que atualmente é chamada
de “questão palestina”.
Foi nesse contexto que surgiram movimentos e organizações político-partidárias em defesa da criação
de um Estado Palestino, a exemplo da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), formada por
vários grupos paramilitares controlados pelos países árabes. Com o fortalecimento dos grupos radicais
dentro dessas organizações, como a organização política e militar Fatah (“conquista” em árabe), criada
em 1964, seus membros passaram a cometer atentados terroristas contra Israel.
Em 1967, temendo uma nova reação dos países árabes, Israel organizou um grande ataque militar,
que tomou, em menos de uma semana, a Faixa de Gaza e a península do Sinai, do Egito; a Cisjordânia
e Jerusalém, da Jordânia; e as colinas de Golã, da Síria. Após a Guerra dos Seis Dias, como esse conflito
ficou conhecido, Israel ampliou significativamente seu domínio territorial.
Em 1973, o Egito e a Síria tentaram recuperar os territórios que haviam sido perdidos na Guerra dos
Seis Dias, dando início a uma nova ofensiva militar a Israel. No dia do feriado religioso judaico conhecido
como Yom Kippur (Dia do Perdão), tropas egípcias e sírias atacaram Israel de surpresa, conseguindo
grande vantagem nos primeiros dias de conflito, ao que parecia ser uma vitória fácil sobre o exército
israelense.
Contudo, Israel teve uma rápida recuperação, impedindo o avanço das tropas egípcias e sírias. A fim
de amenizar a tensão latente na região, a ONU aconselhou a devolução dos territórios árabes ocupados
por Israel. No entanto, o governo israelense se recusou a isso, fato que resultou numa crise diplomática
entre Israel e a ONU e desgastou a imagem daquele país perante a opinião internacional. No final da
década de 1970, Israel e os países vizinhos assinaram os primeiros acordos que marcaram o início do
processo de paz entre árabes e israelenses. Por meio desses acordos, Israel devolveu a península do
Sinai ao Egito, que em troca reconheceu formalmente o direito de existência do Estado judeu, e também
parte das colinas de Golã à Síria.
Desde o final da década de 1980, a OLP abandonou a luta armada e o terrorismo para se empenhar
na construção do Estado Palestino buscando uma solução para a coexistência pacífica entre árabes e
israelenses na região. A OLP reconheceu oficialmente a existência do Estado de Israel, e este reconheceu
a OLP como legítima representante do povo palestino. As negociações de paz iniciadas naquela época,
os Acordos de Oslo (1993 e 1995), previam a retirada dos soldados e a devolução da maior parte da
Faixa de Gaza e da Cisjordânia aos palestinos. Nessa ocasião, foi criada também a ANP (Autoridade
Nacional Palestina), uma instituição estatal com a atribuição de administrar o futuro Estado palestino.
Impasses e divergências nas negociações, como o fato de Israel não aceitar o retorno dos refugiados
que vivem nos países vizinhos e nem de reconhecer a parte oriental da cidade de Jerusalém como futura
capital palestina, impediram avanços mais promissores no processo de paz. As negociações se tornaram
ainda mais difíceis após a vitória da direita conservadora, representada pelo partido Likud, nas eleições
israelenses de 2001. Na tentativa de inviabilizar a devolução dos territórios aos palestinos, Israel retomou
a construção de colônias judaicas em áreas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
A partir de então, os grupos extremistas árabes retomaram suas ações terroristas, promovendo
ataques contra Israel. Com o argumento de se proteger desses ataques, o governo israelense iniciou a
construção de uma barreira de segurança para isolar as comunidades judaicas e palestinas na
Cisjordânia. Embora o controle da Faixa de Gaza tenha sido transferido para a Autoridade Nacional
Palestina em 2005, o governo israelense vem aumentando a construção de assentamentos judaicos na
Cisjordânia. Assim, o conflito entre árabes e israelenses, que já se arrasta por mais de seis décadas,
ainda parece longe de ser solucionado.

A Morte de Arafat e a Cúpula de Sharm El-Sheik


Em novembro de 2004, morreu o líder palestino Yasser Arafat. Nas eleições que ocorreram no mês
seguinte, Mahmoud Abbas foi escolhido presidente da Autoridade Nacional Palestina.

Apostila gerada especialmente para: kauany souza 095.822.709-85 150


No início de 2005, após quatro anos de conflitos (Nesse período ocorreram outras tentativas de acordo
de paz, mas sem sucesso, como a reunião realizada em Madri – 2003, patrocinada por EUA, Rússia,
União Europeia e ONU – Quarteto de Madri, que previa a criação de um Estado Palestino em 2005), e
cerca de 3 mil mortos de ambos os lados, abriu-se nova perspectiva de paz, com o encontro de Abbas e
Sharon, mediado pelos líderes do Egito e da Jordânia. No encontro, conhecido como a Cúpula de Sharm
el-Sheik (referência ao balneário egípcio onde ocorreu) ficaram acertadas a suspensão de ataques
mútuos, a libertação de prisioneiros, a retirada gradual de Israel de territórios palestinos, entre outros
aspectos. Mas ainda há vários impasses para um acordo de paz definitivo: a questão do “Muro de
Proteção”; a definição dos limites entre Israel e o futuro Estado Palestino; a situação de Jerusalém, cidade
que Israel declara como capital indivisível do país e os palestinos, por sua vez, não abrem mão de
incorporá-la ao seu Estado; a situação dos assentamentos judaicos em território da Autoridade Nacional
Palestina. Além dessas e outras questões, há sempre o risco da reação ao processo de negociação por
parte dos grupos extremistas judeus e palestinos e incertezas de como Israel e ANP irão controlar a
atuação desses grupos.

Questões

01. (USP) Leia o texto e observe a imagem.


Numa guerra não se matam milhares de pessoas.
Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma
acumulação de pequenas memórias....
Nós que aqui estamos, por vós esperamos. Direção de Marcelo Masagão. Brasil, 1999.

A partir do texto e da imagem, pode se afirmar corretamente que


(A) a história das guerras se resume a um teatro de combates travados no front por estadistas e
militares.
(B) os relatos que abordam os conflitos apenas com base nos tratados e armistícios são parciais e
limitados.
(C) o fim dos impérios, a xenofobia e a consolidação do projeto federativo garantiram a paz mundial.
(D) a banalização da morte e a experiência do exílio expressam a retração dos nacionalismos nos
séculos XX e XXI.
(E) as políticas de inclusão foram capazes de controlar os fluxos migratórios globais.

02. (USP) Cada vez mais pessoas fogem da guerra, do terror e da miséria econômica que assolam
algumas nações do Oriente Médio e da África. Elas arriscam suas vidas para chegar à Europa. Segundo
estimativas da Agência da ONU para Refugiados, até novembro de 2015, mais de 850 mil refugiados e
imigrantes haviam chegado por mar à Europa naquele ano. Garton Ash, Timothy. Europa e a volta dos muros. O Estado de S.
Paulo, 29/11/2015. Adaptado.
Sobre a questão dos refugiados, no final de 2015, considere as três afirmações seguintes:
I. A criação de fronteiras políticas no continente africano, resultantes da partilha colonial, incrementou
os conflitos étnicos, corroborando o elevado número de refugiados, como nos casos do Sudão e Sudão
do Sul.
II. Além das mortes em conflito armado, da intensificação da pobreza e da insegurança alimentar, a
guerra civil na
Síria levou um contingente expressivo de refugiados para a Europa.
III. A política do apartheid teve grande influência na Nigéria, país de origem do maior número de
refugiados do continente africano, em decorrência desse movimento separatista.

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Está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

03. (Prefeitura de Resende/RJ – Professor – CONSULPLAN) Apesar de estarmos longe de um


grande conflito internacional generalizado, como aconteceu em dois momentos no século XX, tornando-
se conhecidos como 1ª e 2ª guerras mundiais existem hoje, no planeta, diversos conflitos localizados que
muito preocupam as autoridades internacionais. Sobre estes conflitos, NÃO se pode afirmar que:
(A) Os separatistas bascos que habitam a região localizada entre a Espanha e a França organizaram
o ETA (Pátria Basca e Liberdade), que luta pela independência do país Basco, utilizando ações
consideradas terroristas por diversos povos.
(B) Com a dissolução da Iugoslávia – país multiétnico que tem hegemonia dos sérvios –, na década
de 90, eclodiram diversos conflitos, lutas por independência e por separação, envolvendo as seis
repúblicas e duas regiões autônomas (Kosovo, Voivodina) que compunham esse país.
(C) Considerada a maior etnia sem Estado do mundo, os curdos, que ocupam territórios da Turquia,
do Iraque, da Síria, do Irã e da Armênia lutam pela formação do Estado Curdo, o Curdistão.
(D) Na Federação Russa ocorrem diversos conflitos étnicos, como por exemplo, nas repúblicas da
Chechênia e do Daguestão, ambas, de maioria muçulmana, que exigem a formação de um Estado
islâmico independente.
(E) Confrontos decorrentes do expansionismo e de invasões estrangeiras, como por exemplo, os que
têm ocorrido no Oriente Médio, envolvendo Israel, Palestina, Síria, Líbano, Egito e Jordânia ocorrem
porque os libaneses lutam pelo reconhecimento e pela demarcação de fronteiras que configurem um
Estado independente.

Gabarito
01.B / 02.B / 03.E

4.2.1.3 Estrutura produtiva e a economia

SUBDESENVOLVIMENTO MUNDIAL

Capitalismo, Desigualdade e Exclusão59

Charge que retrata a distribuição da riqueza entre os países do mundo – O “bolo” da riqueza mundial

Como resultado do processo de mundialização do capitalismo em escala planetária, o avanço da


globalização ocorrido ao longo das últimas décadas se caracterizou pelo aumento das desigualdades no
mundo. E essas desigualdades têm se acentuado tanto entre as nações do mundo como no interior de
cada país.

59 MARTINEZ, Rogério; et. al. Novo olhar: Geografia. 1ª edição. São Paulo: FTD.

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Contudo, não significa que a desigualdade seja exclusiva da globalização, nesse caso trata-se de um
produto da atual fase do desenvolvimento capitalista, que se reproduz por meio de suas contradições.
Isto é, por um lado promove o crescimento econômico e por outro, a acumulação do capital.
O processo de globalização atualmente em curso amplia a forte tendência para a concentração da
riqueza, ou seja, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres ainda mais pobres. Comprovam essa
situação os seguintes números: na década de 1960, 20% das pessoas mais ricas do mundo concentravam
30% da renda mundial; em 2009, esse mesmo grupo de pessoas detinha cerca de 71% de toda a renda
do planeta.
Esse fato tem agravado a pobreza e a miséria existente no mundo. De maneira geral, a pobreza pode
ser considerada como a não satisfação de necessidades básicas (alimentação, saúde, educação,
habitação, etc.) que garantam ao indivíduo seu pleno desenvolvimento físico e psicológico.
Como não existe um conceito rígido para definir a condição de pobreza, o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud), mensura a pobreza a partir da renda, considerando
como extremamente pobres as pessoas que sobrevivem com menos de 1,25 dólares por dia. De acordo
com os levantamentos da ONU, dos mais de 7 bilhões de habitantes do nosso planeta, cerca de 1,3 bilhão
de pessoas (o que representa cerca de 18% da população mundial) encontra-se na condição de extrema
pobreza.
Os números da pobreza são ainda mais alarmantes nas regiões menos desenvolvidas do globo, em
especial nos países mais pobres da América Latina, da África e da Ásia. Nesses países, milhões de
pessoas vivem em condições muito precárias, privadas de seus direitos mais básicos, como o de ter uma
alimentação saudável, possuir uma moradia adequada, ter acesso aos serviços de educação e de saúde,
ao lazer, etc.
Embora o crescimento da renda mundial tenha promovido uma sensível diminuição da pobreza
extrema no mundo (que no período entre 1996 e 2008 recuou de 29% para 19%), os números dessa
redução variam muito de uma região para outra.

Linha da Pobreza
Existem outros critérios utilizados para definir a condição de pobreza. O Banco Mundial, por exemplo,
baseia-se em dois critérios:
→ limite de indigência: faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 1 dólar por dia
(renda suficiente para comprar apenas os alimentos necessários para repor os gastos energéticos);
→ limite de pobreza extrema: faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 2 dólares por
dia (renda considerada suficiente para satisfazer as necessidades mínimas dos moradores de um
domicílio).

É importante refletir também que, se houve uma queda nos índices de pobreza, ao contrário, registrou-
se também um aumento da população mundial. Portanto, embora os índices de pobreza tenham
decrescido, em relação a uma população maior, calcula-se que cerca de 1,3 bilhões de pessoas ainda
vivem em condições de extrema pobreza no mundo.

Desenvolvimento e Subdesenvolvimento

O termo subdesenvolvimento surgiu na literatura econômica e política a partir da segunda metade


do século XX, logo após o generalizado processo de descolonização que ocorreu na Ásia e na África.
Com a libertação política, promovida muitas vezes por meio de conturbadas guerras e conflitos, surgiram
novos países independentes, todos marcados por graves problemas socioeconômicos, quase sempre
associados à pobreza extrema: altas taxas de mortalidade, baixa expectativa de vida, analfabetismo,
subnutrição, fome crônica, etc. A partir dessa época, portanto, o mundo passou a notar ainda mais as
fortes desigualdades existentes entre os países, o que acabou se tornando tema de profundos estudos e
reflexões teóricas sobre as origens do subdesenvolvimento e também sobre as razões do
desenvolvimento.

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Desenvolvimento X Subdesenvolvimento

O desenvolvimento e o subdesenvolvimento são realidades opostas, porém, inseparáveis, resultantes


do processo de expansão do capitalismo em escala planetária.

Principais Diferenças entre Desenvolvimento e Subdesenvolvimento

Desenvolvimento
O desenvolvimento de um país ocorre quando há um crescimento de sua economia acompanhado
pela melhoria no padrão de vida da população. Sendo assim, os países desenvolvidos são aqueles que,
no plano econômico, se destacam pelo alto grau de industrialização e também pela supremacia
econômica e tecnológica, e que, no plano social, apresentam uma população que desfruta e melhores
condições de vida.

Subdesenvolvimento
O subdesenvolvimento, por sua vez, se expressa pelo atraso e dependência econômica e tecnológica
em que um país se encontra em relação às demais nações, associados às precárias condições de vida e
que está submetida grande parte de sua população.

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IDH: Indicador de Desenvolvimento

Na tentativa de medir o nível de desenvolvimento de cada país de maneira mais abrangente, a ONU,
por meio do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), passou a considerar um
conjunto de indicadores que retrata a situação econômica e social bem como as condições de vida de
suas populações, como o nível de renda, o grau de analfabetismo e escolarização, as taxas de
mortalidade, a expectativa de vida, entre outros.
A partir da combinação desses indicadores socioeconômicos foi possível verificar o nível de
desenvolvimento de um país, expresso por seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O cálculo
desse índice resulta um valor entre zero e um, e quanto mais próximo de zero for o IDH, menos
desenvolvido é o país, e quanto mais próximo de um for o IDH, mais desenvolvido é o país. Nas
publicações do Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud, os países são agrupados em quatro
categorias, conforme seja maior ou menor o valor de seu IDH: muito elevado, levado, médio e baixo.
O cálculo do IDH sintetiza os diversos índices de desenvolvimento humano, pois ele leva em
consideração três importantes dimensões necessárias para o desenvolvimento de um país. Observe:

Embora o IDH nos ajude a estabelecer comparações importantes sobre as diferenças de


desenvolvimento existentes entre os países do mundo, sendo inclusive de grande valia para o
estabelecimento de políticas voltadas para a promoção do desenvolvimento socioeconômico, é
necessário cautela ao analisar esses dados a fim de se evitar interpretações distorcidas, ou mesmo
equivocadas, a respeito da realidade de determinado país. Isso pode ocorrer, por exemplo, pelo fato de
o cálculo do IDH expressar apenas uma média não sendo capaz, por isso, de retratar as desigualdades
existentes no interior de um mesmo país. Isso fica claro ao verificar a realidade do nosso próprio país,
que tinha IDH calculado em 0,730 (segundo dados da ONU referentes a 2012). Esse número, no entanto,
não revela as profundas desigualdades socioeconômicas que marcam a sociedade brasileira ao longo de
sua história, fazendo com que uma expressiva parcela da população sobreviva em condições
extremamente precárias.

AGRICULTURA MUNDIAL60

Políticas Agrícolas no Mundo Desenvolvido

A agricultura é uma das atividades básicas da humanidade e provavelmente foi responsável pela
primeira grande transformação no espaço geográfico. Surgiu há cerca de 12 mil anos, no período
Neolítico, quando as comunidades primitivas passaram de um modo de vida nômade, baseado na caça
e na coleta de alimentos, para um modo de vida sedentário, viabilizado pelo cultivo de plantas e pela
domesticação de animais.

60 LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. Elian Alabi Lucci; Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2014.

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Inicialmente foi praticada às margens de grandes rios, como o Tigre e o Eufrates (antiga Mesopotâmia,
atual Iraque), o Nilo (no Egito), o Yang-tse-kiang (na China), o Ganges e o Indo (na Índia). Foi justamente
nessas áreas que se desenvolveram as primeiras grandes civilizações.
Com a evolução da agricultura começou a haver excedente de produção, o que possibilitou o
desenvolvimento do comércio, inicialmente baseado na troca de produtos. Nos locais onde ocorriam as
trocas, surgiram várias cidades.

Da Revolução Agrícola à Revolução Verde


Graças à Revolução Industrial, evoluíram as técnicas agrícolas, o que possibilitou aumento da
produção sem a necessidade de ampliar a área de cultivo, com base apenas no aumento da
produtividade. Esse desenvolvimento tecnológico aplicado à agricultura ficou conhecido como Revolução
Agrícola.
Esse aumento de produtividade foi necessário em decorrência do aumento da população em geral, da
elevação percentual da população urbana (cujas atividades de subsistência eram limitadas a alguns
gêneros apenas) e da diminuição proporcional da população rural, responsável pela produção agrícola.
As bases técnicas da Revolução Agrícola foram propiciadas pelas indústrias consumidoras de matérias-
primas ou fornecedoras de insumos para a agricultura (máquinas e fertilizantes, por exemplo).
Os períodos de expansão colonial constituíram fases importantes da expansão agrícola. Tanto nas
terras conquistadas pelos europeus na América, desde o século XVI, quanto naquelas tomadas durante
a expansão imperialista na África e na Ásia, no século XIX, os colonizadores implantaram um sistema
agrícola para a produção de gêneros alimentícios e de matérias-primas voltado ao abastecimento do
mercado europeu. Esse sistema ficou conhecido como plantation e era baseado na produção
monocultora de gêneros tropicais para fins de exportação, praticada em grandes propriedades
(latifúndios), com mão-de-obra barata (ou escrava).
Após a Segunda Guerra Mundial, com o processo de descolonização em marcha, os países
desenvolvidos criaram uma estratégia de elevação da produção agrícola mundial: a Revolução Verde.
Concebida nos Estados Unidos, objetivava combater a fome e a miséria nos países subdesenvolvidos,
por meio da introdução de um “pacote tecnológico”, contendo: novas técnicas de cultivo; equipamentos
para mecanização; fertilizantes; defensivos agrícolas e sementes selecionadas.
No entanto, essas sementes selecionadas, produzidas nos laboratórios dos países desenvolvidos, não
eram geneticamente capazes de enfrentar as condições climáticas típicas da região dos trópicos (clima
muito quente), algumas doenças e certas espécies de insetos. A solução consistia na utilização de
adubos, defensivos e fertilizantes, também importados dos países que haviam subvencionado essas
novas formas de cultivo, aumentando a dependência dos países subdesenvolvidos em relação aos países
desenvolvidos.
Nos países subdesenvolvidos, a Revolução Verde aumentou a distância entre os grandes agricultores,
que tiveram acesso ao “pacote tecnológico”, e os pequenos agricultores, que não tiveram condições de
competir com os novos parâmetros de produtividade. O aumento da produção abaixou o preço dos
produtos agrícolas a valores inviáveis para os pequenos agricultores.
Essas novas circunstâncias de mercado criadas pela Revolução Verde contribuíram para o abandono
e/ou a venda de pequenas propriedades, que foram sendo incorporadas pelos grandes latifúndios. Nesse
sentido, apesar de a Revolução Verde ter contribuído para um aumento significativo da produção de
alimentos no planeta, acentuaram-se ainda mais os problemas da concentração de propriedade agrícola
em vários países do mundo, como Índia, Paquistão, Indonésia e Brasil.

A Biotecnologia e a Nova Revolução Agrícola


A biotecnologia é o conjunto de tecnologias aplicadas à Biologia, utilizadas para manipular
geneticamente plantas, animais e micro-organismos por meio de seleção, cruzamentos naturais e
transformações no código genético. Ela teve grande desenvolvimento nas décadas de 1970 e 1980, mas
vem sendo estudada e aplicada desde os anos 1950, em vários países do mundo. A própria Revolução
Verde, que criou semente híbridas, foi uma das detonadoras da biotecnologia. Embora, em boa parte, ela
se associe à atividade agrícola, tem aplicabilidade também em outros setores. As suas atividades estão
ligadas à clonagem, à indústria farmacêutica (na manipulação de novas fórmulas de medicamentos, por
exemplo), à fabricação de plásticos biodegradáveis e de conservantes de alimentos e a outras aplicações
ainda em fase de desenvolvimento.
Uma das aplicações modernas da biotecnologia consiste na alteração da composição genética dos
seres vivos, quando se inserem, por exemplo, genes de outros organismos vivos no DNA (sigla em inglês
para ácido desoxirribonucleico) dos vegetais. Por esse processo pode-se alterar o tamanho das
plantas, retardar a deterioração dos produtos agrícolas após a colheita ou torna-los mais resistentes às

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pragas, aos herbicidas e aos pesticidas durante a fase do plantio, assim como possibilitar maior
adequação dos vegetais aos diferentes tipos de solos e climas. Os vegetais derivados da alteração
genética são chamados de transgênicos.
Nos produtos agrícolas criados através da engenharia genética, os traços genéticos naturais
indesejáveis podem ser eliminados, e outros implantados artificialmente para aprimorar a sua qualidade.
A biotecnologia utilizada para estimular o aumento da produtividade na agropecuária tem sido aplicada
já há algum tempo e a avaliação dos resultados é bastante controvertida. Na pecuária, são utilizadas
injeções de hormônios para aumentar a capacidade reprodutiva, o crescimento e o peso dos animais. O
uso de anabolizantes é outra técnica bastante utilizada na atividade criatória, inclusive no Brasil: eles
permitem maior absorção dos nutrientes pelo organismo do animal, promovendo uma elevação
substancial da massa, que pode atingir até 20% em relação ao processo de criação natural. Os efeitos
desses produtos alimentícios para a saúde humana estão sendo estudados.
Na agricultura, também há muitas controvérsias sobre os possíveis danos dos vegetais transgênicos
não só para a saúde das pessoas, mas também para os ecossistemas. De modo geral, os crítico ao uso
dos organismos geneticamente modificados (OGMs) apontam para a necessidade de se fazer testes mais
amplos e específicos, ou seja, para cada produto transgênico.
Além disso, as novas variedades genéticas são produzidas por grandes corporações multinacionais.
Essas novas variedades só podem ser utilizadas mediante o uso das patentes e do pacote tecnológico
necessário à sua produção. Com isso, é reduzida a quantidade de beneficiados por essa tecnologia, além
de acentuar a dependência tecnológica dos países subdesenvolvido em relação aos desenvolvidos.
Além disso, a biotecnologia não está totalmente isenta de danos generalizados na produção de
alimentos. Com ela, haverá uma homogeneidade cada vez maior das espécies cultivadas, pois os
agricultores optarão pela plantação das mais produtivas e mais resistentes.
Nos últimos tempos, o desafio da engenharia genética tem sido a criação de produtos sintéticos em
laboratórios. O impacto desses produtos deverá ser ainda mais intenso que aquele provocado pela
introdução de novas tecnologias nos setores industriais e de serviços.

A Agricultura Orgânica
Ao mesmo tempo em que a engenharia genética enfrenta desafios e a biotecnologia avança a passos
largos, a prática da agricultura orgânica ganha muitos adeptos não só nos países desenvolvidos,
sobretudo europeus, mas também em vários países subdesenvolvidos, com a utilização de métodos
naturais para correção do solo e controle de pragas, por exemplo.
Vários problemas – como carne bovina contaminada (“doença da vaca louca”, na Europa), verduras
com excessos de agrotóxicos, águas poluídas por pesticidas, esgotamento do solo por causa do uso
intensivo de irrigação – têm forçado as pessoas envolvidas no processo de produção agropecuária a
representarem os métodos utilizados. A agricultura orgânica é, desse modo, uma prática que pode
contribuir para a redução dos danos causados aos ecossistemas, muitos deles já bastante afetados pela
aplicação das técnicas próprias da agricultura moderna, que contribuem para a degradação dos solos, a
poluição dos lençóis freáticos, córregos e rios, a destruição de espécies vegetais e animais.
Os consumidores deste início do século XXI, por sua vez, estão cada vez mais conscientes em relação
aos problemas ecológicos e muitos têm optado por produtos naturais, que apresentam a desvantagem
de serem mais caros que os tradicionais, além de, n ocaso de frutas, verduras e legumes, terem menor
volume.

Política Agrícola e Mercado no Mundo Desenvolvido

A política agrícola da maior parte dos países ainda não se adaptou à economia globalizada e à
liberalização da economia mundial. De um lado, os países subdesenvolvidos não dispõem de recursos
financeiros volumosos para subvencionar seus agricultores. De outro, os países desenvolvidos, como
Japão, Estados Unidos e integrantes da União Europeia, mantêm uma política agrícola com subsídios
aos agricultores e protecionismo de mercado.
Entre os temas mais polêmicos na OMC (Organização Mundial do Comércio) estão as queixas dos
países subdesenvolvidos, que pedem redução dos subsídios para a produção agrícola e o fim da proteção
dos mercados internos (os países protecionistas impõem tarifas elevadas às importações de alimentos e
matérias-primas de origem agropecuária).
Essa elevada taxação, reforçada por uma redução nas cotas de importação por parte dos três
principais centros da economia mundial (EUA, Japão e União Europeia), agrava ainda mais os problemas
econômicos e sociais dos países que dependem da exportação agrícola e dificulta as importações de

Apostila gerada especialmente para: kauany souza 095.822.709-85 157


produtos fundamentais ao seu desenvolvimento, como máquinas, equipamentos industriais e
implementos agrícolas.
Do ponto de vista do consumidor que vive nos países desenvolvidos, as políticas agrícolas têm sido
duplamente prejudicais. Primeiro, porque os recursos (subsídios) destinados aos agricultores são pagos
indiretamente por todos os contribuintes. Segundo, porque as altas tarifas para as importações elevam
também o preço pago pelos consumidores no mercado interno desses países. Essa situação não pode
ser generalizada, mas ela atinge a maioria da população que vive nos países desenvolvidos.
Por fim, é preciso ressaltar também que os países subdesenvolvidos, de modo geral, exportam,
principalmente, gêneros que não são de primeira necessidade, ocorrendo o oposto em relação aos países
desenvolvidos. Costuma-se afirmar, com base nisso, que os países subdesenvolvidos exportam a
“sobremesa”, enquanto os desenvolvidos, “o prato principal”.

O Espaço Agrário no Mundo Subdesenvolvido

As Atividades Agrícolas no Mundo Subdesenvolvido


Os países subdesenvolvidos já foram caracterizados como exportadores de produtos agrícolas e de
matérias-primas. Apesar de tal caracterização continuar válida para a maioria dos países desse grupo,
são os países desenvolvidos que respondem pelo maior volume da produção e exportação de produtos
agrícolas.
Nos países desenvolvidos, a modernização da produção e os enormes incentivos destinados à
atividade agrícola têm gerado cada vez mais excedentes, colocando-os na liderança mundial das
exportações do setor. Além disso, as políticas protecionistas de seus mercados dificultam o acesso da
produção agrícola dos países subdesenvolvidos.
Desde a década de 1950, a participação dos produtos agrícolas no mercado mundial vem diminuindo
gradativamente. Em parte, isso se deve à expansão odo comércio mundial de mercadorias e à
diversificação dos produtos negociados internacionalmente, sobretudo nas últimas décadas com a
consolidação da globalização.
Para defender seus produtores, os países desenvolvidos utilizam subsídios e aplicam elevadas tarifas
de importação aos produtos agrícolas, contrariando as regras da OMC (Organização Mundial do
Comércio). Mas barreiras não-tarifárias, como barreiras zoossanitárias e fitossanitárias, são aplicadas
também, de forma indiscriminada e não raro injustificada (apesar de estar de acordo com as normas da
OMC), prejudicando as exportações do mundo subdesenvolvido que já são afetadas pelas barreiras
tarifárias e pelas cotas de importação.
Entre 1950 e 1973, a produção mundial de cereais duplicou, fazendo cair os preços no mercado
internacional. A partir de 1973, o crescimento da produção de cereais passou a atingir a média de 2% ao
ano, índice inferior ao crescimento da população mundial. No continente africano, por exemplo, onde a
população tem sido bastante afetada por problemas de subnutrição, o crescimento populacional
ultrapassa a média de 2,5% a.a. (ao ano), enquanto o aumento da produção de cereais gira em torno de
1% a.a. e até decresce em vários países.
A defasagem entre a produção de alimentos básicos e o crescimento demográfico aumentou o déficit
alimentar em vários países do mundo, em particular na África subsaariana (países que se situam ao sul
do deserto do Saara). Essa situação tem se agravado com o fato de que boa parte da produção agrícola
dos países subdesenvolvidos é destinada à exportação. Os produtos agrícolas (e também os minerais)
constituem a fonte de divisa básica dessa parte do mundo, sem as quais as importações tornam-se
inviáveis.

A Questão Agrária na América Latina


A questão agrária é um problema grave que afeta historicamente a população da maioria dos países
latino-americanos. A colonização da América Latina foi baseada na exploração mineral e na produção
agrícola de produtos de exportação, praticada em latifúndios monocultores e com utilização de trabalho
escravo. Esse modelo agrícola é denominado plantation. Após o processo de independência latino-
americana, no século XIX, a oligarquia rural escravocrata manteve o modelo colonizador.
Atualmente, a produção agropecuária ainda é praticada em grandes propriedades e concentra os
investimentos em produtos com ampla aceitação e competitividade no mercado internacional.
Em vário países da América Latina, mais da metade dos pobres e miseráveis habitam áreas rurais.
São milhões de trabalhadores sem terras e sem trabalho, que possuem alguma forma de renda apenas
nas épocas de plantio e colheita, como mão-de-obra contratada. É o caso do México, dos países da
América Central (Honduras, Guatemala, Nicarágua, entre outros), dos países andinos (Peru e Colômbia,

Apostila gerada especialmente para: kauany souza 095.822.709-85 158


entre outros), e do Paraguai. Também é o caso do Brasil, embora aqui exista a particularidade de os
pobres das cidades superarem numericamente os pobres das áreas rurais.
Em contraste com essa situação, na maioria desses países há abundância de terras, dominadas por
grandes fazendas comerciais que são responsáveis pelo maior volume de produção agrícola.
Os países andinos formam um grupo de seis países sul-americanos situados onde se estende a
cordilheira dos Andes: Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. A maioria da população é
de origem indígena e, desde as últimas décadas do século XX, tem se organizado contra a exclusão
social e pela reforma agrária.

Estrutura Fundiária nos Países Subdesenvolvidos


Do ponto de vista econômico, a produção de cana, soja, café, cacau, algodão e outros produtos típicos
da agricultura dos trópicos não se adapta à pequena propriedade. Essas culturas exigem solo, clima e
relevo adequados e grandes extensões cultivadas para que o empreendimento seja rentável e
competitivo. A concentração fundiária, explicada pelo passado colonial, ganhou um retoque de
modernidade com a Revolução Verde e a mecanização rural.
A Revolução Verde exclui ainda mais os pequenos proprietários, incapacitados financeiramente para
adquirir a parafernália tecnológica que ela trouxe consigo: herbicidas, pesticidas, adubos químicos,
máquinas e outros implementos agrícolas. Ela também não incentivou a agricultura voltada para o
mercado interno, que não gera dividas no Comércio Exterior. Na maior parte dos países subdesenvolvidos
do planeta, o desenvolvimento tecnológico da Revolução Verde resultou em concentração fundiária e
marginalização dos trabalhador rural.
Não foi por acaso que várias rebeliões e revoluções populares nas últimas duas décadas do século
XX tiveram como lema a reforma agrária. A necessidade de reformas na estrutura de produção agrícola
e de redistribuição da propriedade rural são aspectos que precisam ser atendidos simultaneamente e são
urgentes nos países subdesenvolvidos.

A Reforma Agrária consiste na adoção de medidas para melhorar a distribuição da terra, promovendo
a justiça social, criando condições de melhoria de vida do trabalhador rural, elevando a produção e a
produtividade agropastoris. A redistribuição das terras é apenas uma parte do processo de reforma
agrária, que deve incluir apoio técnico, infraestrutura adequada à produção, sistema de armazenamento
e transporte, garantia de preços mínimos, crédito ao pequeno agricultor, orientação para a criação de
cooperativas e de pequenas agroindústrias, entre outros aspectos.

A reforma agrária é um processo mais amplo que a simples redistribuição de terras. Criar as condições
para que o trabalhador rural torne-se proprietário e possa produzir sua própria subsistência é apenas o
primeiro passo de um conjunto de medidas que incluem assessoria técnica e administrativa, inclusive um
sistema de crédito especial. Cabe ao Estado, enfim, estimular e garantir a produção agrícola dos
pequenos agricultores e criar os mecanismos necessários para coloca-los no mercado. Aliás, muito mais
que isso já foi e é feito para os grandes proprietários e para as empresas rurais, mediante mecanismos
de crédito a juros mais baixos, outros subsídios e medidas protecionistas.

Reforma Agrária e Geração de Renda


Além dos conflitos e das convulsões sociais constantes, a concentração da propriedade da terra é
responsável por uma variedade de relações de trabalho no meio rural. O arrendamento (aluguel) e a
parceria (pagamento em espécie pelo uso da terra em cotas estipuladas entre o parceiro e o proprietário),
para citar duas modalidades bastante difundidas, obrigam o agricultor a dividir o resultado de seu trabalho
com o proprietário da terra.
Essas formas de relações de trabalho no mundo subdesenvolvido tornam pouco estimulante e
economicamente inviável o investimento em aprimoramento técnico, visando à melhoria da qualidade e
da produtividade agrícola, para aqueles que de fato trabalham a terra.
Assim, a reforma agrária também deve ser vista como geradora de ocupação de mão-de-obra nos
países subdesenvolvidos, principalmente naqueles que apresentam um percentual significativo da
população economicamente ativa no setor primário. Além de geradora de emprego e de renda, que
dinamiza o restante da economia, a reforma agrária constitui a única forma possível de diminuir o êxodo
rural, que pressiona o mercado de trabalho urbano e agrava a crise social das cidades.

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Questões

01. (SEDU/ES – Professor de Geografia – FCC) Considere o texto abaixo.


A. I.., como muitos chamaram a evolução da agricultura no terço final do século vinte, proporcionou
aumentos significativos de produtividade que garantiram, junto com a expansão das fronteiras agrícolas,
o abastecimento de alimento para uma população mundial em explosivo crescimento neste período.
Apesar disso, as técnicas convencionais e a expansão da área de terras agricultáveis chegando ao seu
limite, estamos correndo o risco de comprometer seriamente alguns recursos naturais, como flora, fauna
e mananciais de água. Portanto, é imperativo que se busque alternativas para uma maior oferta de
alimentos. É onde entra a. II. (Disponível em: www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/espaco-aberto/a-polemica-dos-transgenicos-no-brasil-5323/)
O conteúdo do texto destaca duas grandes transformações I e II que afetaram a produção agrícola em
escala mundial, desde a década de 1940 até dos dias atuais. Preenchem, correta e respectivamente, as
lacunas do texto em:
(A) Revolução Verde − biotecnologia
(B) Reforma Agrária − indústria.
(C) Modernização do Campo − agricultura orgânica.
(D) Globalização Produtiva − abertura econômica.
(E) Segunda Revolução Industrial − reforma agrária.

02. (IBGE – Agente de Mapeamento – CESGRANRIO) As atividades agrícolas estão em constante


processo de inovação para obter maior produtividade. Nesse contexto, durante a década de 1950, ocorreu
de forma mais intensa o processo de modernização da agricultura que envolveu um grande aparato
tecnológico provido de variedades de plantas modificadas geneticamente em laboratório, espécies
agrícolas que foram desenvolvidas para alcançar alta produtividade, uma série de procedimentos técnicos
com uso de defensivos agrícolas e de maquinários. Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias- -ensino/a-
modernizacao-agricultura.htm>. Acesso em: 31 maio 2016.
Nesse contexto histórico, o processo de modernização mencionado caracteriza, especificamente,
(A) as Reformas de Base
(B) a Revolução Verde
(C) o Milagre Econômico
(D) a Nova República
(E) o Estado Novo

Gabarito

01.A / 02.B

AGROPECUÁRIA61

Agropecuária é a denominação dada para as atividades que usam o solo com fins econômicos e que
são voltadas à produção agrícola associada à criação de animais.

Distribuição e Função Social da Terra no Brasil

No Brasil, a distribuição de terras é considerada historicamente desigual. Uma das características mais
marcantes das áreas de produção agropecuária é a concentração da propriedade de terras, também
chamada de concentração fundiária. Isso significa que há grandes propriedades de terra, conhecidas
como latifúndios, concentradas nas mãos de poucos indivíduos.
As propriedades rurais brasileiras apresentam não só tamanhos diferentes, mas também distintas
formas de organização do trabalho. Como a agricultura familiar, aquela em que a mão de obra
predominante é composta por integrantes da família proprietária da terra. Geralmente trata-se de
pequenas propriedades onde é praticado o policultivo, ou seja, o cultivo de diferentes espécies.
Já nas grandes propriedades, onde se pratica o agronegócio62, a mão de obra é contratada, e a
produção, altamente mecanizada. Além disso, uma característica marcante é o monocultivo, ou seja, o
cultivo de uma única espécie.

61FURQUIM Junior, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição. São Paulo: Editora AJS, 2015.
62Agronegócio é a denominação das atividades comerciais e industriais que envolvem a produção de alimentos em larga escala, desde o cultivo na propriedade
rural até a chegada aos consumidores.

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Embora as propriedades sejam menores, em termos gerais, na agricultura familiar trabalham mais
pessoas do que na agricultura não familiar.
Existem estabelecimentos rurais de propriedade familiar que vendem sua produção para grandes
empresas agrícolas. No entanto, é a agricultura familiar que produz uma parcela significativa dos
alimentos consumidos no Brasil.
Pode-se dizer que a agricultura familiar garante o abastecimento de produtos básicos. Estes, porém,
não geram muita renda aos produtores, motivo pelo qual não são cultivados pelos empresários do
agronegócio.
Os grandes latifúndios são destinados à produção em larga escala de mercadorias destinadas
principalmente ao mercado externo, como soja, algodão, milho e cana-de-açúcar.

Condições de Trabalho no Campo

Estrutura Agrária Brasileira


A propriedade de terras é uma questão importante no Brasil desde o período colonial. Devido ao papel
da agricultura em nossa economia, é por meio da terra que historicamente se produziu e acumulou
riquezas no país. Até hoje, é da agricultura e da pecuária que vem grande parte de nosso Produto Interno
Bruto (PIB).

Sesmarias no Período Colonial


O primeiro mecanismo oficial de distribuição de terras no território brasileiro foi o sistema de doação
de sesmarias, enormes parcelas de terra que eram concedidas pela Coroa Portuguesa ou pelo
governador-geral, visando promover a colonização de terras e implantar o sistema de plantation na
colônia. As sesmarias vigoraram no Brasil até 1822, ano de sua independência.
Obviamente, essa concessão de terras abrangia apenas as pessoas nobres ou ricas – que possuíam
algum tipo de relação com a Coroa portuguesa e teriam condições de desenvolver economicamente suas
propriedades. Nesse caso, as doações de sesmarias correspondiam às áreas produtivas e já exploradas
no litoral ou próximas dessa região.
Ao receber uma sesmaria na Colônia e produzir em suas terras, o proprietário tinha o direito de posse
por toda a vida, repassando-as para seus herdeiros depois da sua morte. Nesse contexto, a Colônia
assistia à formação de uma elite, composta por famílias que concentravam em suas mãos as maiores
terras e, consequentemente, a riqueza local oriunda da exportação do açúcar que produziam.
Apesar da necessidade de concessão por parte da Coroa ou do governador-geral para obtenção de
sesmarias, essa não era a única forma de se conseguir a posse de terras na Colônia. Devido à abundância
de áreas inexploradas no território e ao baixo número de habitantes europeus na Colônia, as terras do
interior não possuíam valor comercial.
Outro aspecto referente à propriedade de terras nesse período diz respeito à mão de obra disponível.
Para produzir em grande escala, era necessário o uso intenso de trabalhadores – os africanos
escravizados. Os maiores proprietários rurais eram aqueles que possuíam maior número de escravos.
Por isso, na condição de mais ricos da colônia, os maiores proprietários de terra eram aqueles que podiam
comprar mais escravos.
As pessoas que penetravam no interior do território e se mostravam dispostas a enfrentar indígenas e
a desbravar as áreas virgens podiam ocupar um pedaço de terra, no qual podiam produzir a fim de
conseguir a sua posse. Mesmo assim, apesar de ter a posse não contestada da terra, esses colonos não
possuíam a propriedade legal, uma vez que ela só era obtida por meio de uma concessão oficial.
A partir daí, surgiu no Brasil a figura do posseiro – pessoa que ocupa uma área territorial para obter a
sua posse, mas sem ter a sua propriedade. Geralmente, os posseiros eram colonos que não possuíam
capital para comprar escravos e, por isso, tinham uma produção de pequena escala voltada para a
subsistência ou para o abastecimento do mercado interno. Dessa forma, no período colonial, coexistiam
grandes latifúndios de famílias ricas ligadas ao poder local e pequenas propriedades pertencentes aos
camponeses locais.

Surgimento do Trabalho Assalariado e a Lei de Terras


No dia 4 de setembro de 1850 foi assinada a Lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos
no Brasil. Apesar de não ter surtido efeito prático imediato, a Lei Eusébio de Queirós foi um marco no
processo de abolição da escravidão no país. Ao criar uma perspectiva de término desse tipo de relação
de trabalho, ela estimulou o surgimento do trabalho assalariado no território brasileiro.
Nesse contexto, a Lei de Terras foi assinada no mesmo mês. Mesmo com a independência do Brasil
e a formação do Estado brasileiro, em 1822, não houve nenhuma política de regulamentação das

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propriedades rurais até a criação da Lei de Terras em 1850. Até então, deu-se continuidade ao processo
de obtenção de terras por meio da posse, sem a sua devida documentação.
Além de propor a regularização das propriedades não documentadas no país, a Lei de Terras buscou
criar uma política para regulamentar a apropriação das terras não exploradas. Com ela, estabeleceu-se
que as terras não exploradas passariam a pertencer ao Estado e só poderiam ser adquiridas por meio da
compra – e não mais pela ocupação e exploração do território.
Segundo a Lei de Terras, para realizar esse processo, os posseiros deveriam legalizar as suas terras
em cartórios localizados nas cidades, os quais, na época, eram de difícil acesso para a população rural,
pois não havia facilidades de deslocamentos como hoje em dia. Além disso, a maioria deles não possuía
recursos para pagar taxas de registro e oficializar sua propriedade.
Os proprietários não legalizados (os posseiros) deveriam registra-las em cartórios para regularizar a
sua documentação. Caso contrário, a propriedade da terra não seria reconhecida. Ao definir a compra
como a única forma de obtenção de terras, o Estado excluiu a possibilidade da população pobre como
posseiros, ex. escravos, tornar-se proprietário rural.
Em contrapartida, favorecia a minoria rica do país, que se via em condições de adquirir as maiores e
melhores terras. Isso resultou no monopólio das terras nas mãos de uma minoria a abundância de
trabalhadores livres necessária para substituir futuramente os escravos.
Além de alto número de terras ocupadas sem registro legal, suas demarcações eram feitas de modo
impreciso. Os limites das propriedades, eram, muitas vezes, vagamente definidos por elementos naturais
como rios, quedas d’agua ou morros. Esse cenário foi agravado pelo início de um intenso processo de
apropriação ilegal de terras no país denominado grilagem de terra.
Muitos apropriaram-se das facilidades políticas e dos conhecimentos legais que possuíam para
registrar terras que não lhes pertenciam – fossem elas ocupadas por posseiros, indígenas ou de
propriedade do Estado. Em um contexto no qual a grande maioria da população era analfabeta, os únicos
aptos a produzir tais documentos eram os integrantes da minoria letrada do país.
Em muitos casos, essas terras não foram incorporadas com fins produtivos. Ao se apropriarem delas,
os grileiros tinham como objetivo esperar a sua valorização para, posteriormente, vendê-las a um preço
alto. Devido ao seu caráter excludente com relação à distribuição de terras, a Lei de Terras resultou em
uma estrutura fundiária extremamente desigual e que se perpetua até os dias de hoje no Brasil.

Movimentos Sociais e a Reforma Agrária

A má distribuição de terras foi responsável por uma série de problemas nas zonas rurais brasileiras. A
difusão do processo de grilagem resultou na expulsão forçada de diversos posseiros de suas terras.
Naturalmente, os posseiros não costumavam aceitar passivamente a expulsão das terras que
ocupavam há anos, ou mesmo há gerações. Os conflitos envolvendo a disputa por terras costumavam
ser resolvidos por meio da intimidação e, principalmente, da violência física.
Outro aspecto relacionado à concentração fundiária no Brasil diz respeito à pobreza no campo. Esse
fenômeno é consequência da existência de uma massa de trabalhadores rurais conhecidos como sem-
terra, que, para sobreviver, dependem de trabalhos com salários significativamente baixos.
Além desse fator, as condições de vida do trabalhador rural são agravadas pelo desenvolvimento
tecnológico no campo. O uso cada vez maior de máquinas reduz a necessidade de contratação de muitos
trabalhadores, o que aumenta o desemprego no campo.

Debate sobre a reforma agrária no Brasil


Os problemas envolvendo a má distribuição de terras motivaram o debate sobre a necessidade ou não
de se fazer uma reforma agrária no país.

Reforma agrária consiste em uma proposta de mudança na política de distribuição de terras, feita
com o objetivo de diminuir ou acabar com a concentração fundiária – e assim reduzir os impactos sociais
negativos acarretados por ela.

A questão da reforma agrária é abordada na atual Constituição brasileira, de 1988. Nela, afirma-se que
as propriedades rurais que não cumprem sua função social, por serem improdutivas, devem ser
desapropriadas pelo Estado e distribuídas para trabalhadores sem-terra.
Com isso espera-se que haja diminuição da desigualdade social no campo e o aumento da
produtividade agrícola no país.
De fato, a concentração de terras pode acarretar em uma menor produtividade, já que, devido às suas
condições econômicas e ao tamanho de suas terras, os pequenos agricultores veem-se obrigados a

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produzir o máximo em suas propriedades de modo a garantir a maior renda possível. Em contrapartida,
muitos dos grandes produtores se dão ao luxo de não produzir em toda a área de suas propriedades.
Devido ao caráter mercadológico que a propriedade fundiária adquiriu após a Lei de Terras,
desenvolveu-se no país uma prática de especulação, por meio da qual grandes proprietários mantêm
vastas áreas improdutivas, com o intuito de revende-las quando estiverem valorizadas.
Ao garantir maior produtividade agrícola, a reforma agrária também implicaria no aumento da oferta
de alimentos no país e, com isso, poderia provocar uma diminuição do preço desses produtos. Enquanto
a produção dos latifúndios é voltada para o mercado externo, são os pequenos produtores os
responsáveis pela maior parte do abastecimento de alimentos no mercado interno nacional.

Polêmicas da Reforma Agrária


A vida e a economia no campo brasileiro carregam uma série de contradições. Por um lado, a produção
agrícola para exportação apresenta um alto grau de desenvolvimento tecnológico e uso de mecanização.
Essa atividade também possui grande participação na economia brasileira, sendo responsável por boa
parte das exportações.
Porém, é nas zonas rurais que se encontram as regiões mais pobres do país, onde as condições de
trabalho são as piores. Da mesma forma, existem muitos pequenos produtores que não têm condições
financeiras de desfrutar do desenvolvimento tecnológico nas suas produções, contrastando com os
grandes produtores.
A proposta de reforma agrária implica uma distribuição mais justa das terras que, espera-se, resultar
em um número maior de pessoas empregadas no campo. Como consequência, haveria uma diminuição
significativa do êxodo rural63.
Mesmo assim, apesar do alto número de terras improdutivas no país, pouco se fez pela reforma agrária
ao longo da História brasileira. Obviamente, mesmo com os benefícios sociais que seriam alcançados,
as políticas de distribuição de terras prejudicariam os interesses econômicos de diversos grupos.
Não se pode esquecer de que a exportação agrícola baseada no cultivo em latifúndios ainda é
responsável pela maior parte da economia brasileira. Por isso, alguns grupos defendem que a distribuição
de terras seria prejudicial ao país, pois diminuiria a arrecadação obtida por meio da economia
agroexportadora.
Outra questão polêmica envolvendo a reforma agrária diz respeito aos critérios de classificação do que
seriam terras improdutivas ou que produzem abaixo de sua capacidade. No caso da pecuária, por
exemplo, os defensores da reforma agrária argumentam que existem muitas terras subaproveitadas. De
fato, existe no Brasil um número alto de fazendas em que uma cabeça de gado ocupa, em média, uma
área maior do que um minifúndio ou uma pequena propriedade. Por outro lado, os proprietários alegam
que estão produzindo no local e, por isso, não deveriam perder sua terra.
No Brasil, a desigualdade social no campo está diretamente relacionada à concentração fundiária e,
assim como em outros lugares do mundo, tal desigualdade provocou uma série de mobilizações sociais.
O principal movimento social organizado de camponeses no mundo é a Via Campesina. Essa
organização internacional, criada em 1993, é composta por mais de 170 movimentos sociais ligados à
terra de países da América, Ásia, Europa e África. Entre os seus integrantes estão milhões de
trabalhadores rurais sem-terra, pequenos e médios proprietários, indígenas e migrantes que se opõem
ao agronegócio vigente em muitos países pobres ou emergentes.
Eles defendem o incentivo ao pequeno produtor e a distribuição de terras, de modo a atingir um modelo
de produção socialmente mais justo e menos impactante ao meio ambiente.
No Brasil, os movimentos sociais de luta pela terra foram historicamente combatidos tanto pelo Estado
como pelos grandes proprietários de terra. Esses movimentos abrangem tanto comunidades indígenas
como posseiros e trabalhadores rurais sem terra. Ao longo da história, as disputas por terra no país foram
marcadas pela violência e pela apropriação à força dos territórios.
Alguns dos primeiros expoentes dessa luta no Brasil foram as Ligas Camponesas, criadas pelo Partido
Comunista Brasileiro (PCB). Elas tiveram uma atuação política intensa ao Nordeste durante as décadas
de 1950 e 1960, período em que muitas de suas lideranças foram assassinadas. Com o governo militar
(1964 -1985) a perseguição contra as Ligas Camponesas se intensificou e suas atividades rapidamente
se extinguiram.
Porém, apesar do fim das Ligas Camponesas, a luta pela terra continuou durante o período da ditadura
militar. Nos anos 1970, os principais conflitos ocorreram na Amazônia, entre posseiros, indígenas e
grileiros. Eles se deram, em grande parte, devido às políticas do Estado brasileiro de incentivo ao

63Êxodo rural é o termo pelo qual se designa a migração do campo por seus habitantes, que, em busca de melhores condições de vida, se transferem de regiões
consideradas de menos condições de sustentabilidade a outras, podendo ocorrer de áreas rurais para centros urbanos.

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desenvolvimento da agropecuária na região, o que motivou o interesse de grandes empreendedores
sobre as terras locais.
Nessa época foram criadas importantes organizações sociais vinculadas à Igreja Católica, como a
Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – a primeira ligada aos
colonos e posseiros, e a segunda, aos indígenas.
Hoje em dia, a principal organização de camponeses do Brasil é o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST). Esse movimento social foi criado na década de 1980 e tem como principal
bandeira a luta pela reforma agrária no país.
A principal forma de ação do MST é a ocupação de terras. Essa prática costuma ocorrer em latifúndios
considerados improdutivos ou com histórico de grilagem. Por isso, essas práticas costumam ser mais
intensas na região Norte do país, onde os índices de grilagem e terras improdutivas são maiores.
Ao ocupar as terras, os integrantes do MST constroem acampamentos nas propriedades, podendo se
estabelecer lá por anos até conseguirem sua posse por meio do Estado ou serem expulsos pelos
proprietários.
Além das ocupações, o MST promove outros tipos de ações, como marchas, ocupações de prédios
públicos, acampamentos em cidades e manifestações. Por ser a sede do poder político brasileiro, Brasília
é geralmente escolhida para sediar esses atos.
As ações políticas do MST são alvo de muitas críticas por parte de diversos setores da sociedade
brasileira. A maior parte delas diz respeito às ocupações de terras que o movimento alega serem
improdutivas, condição tal negada pelos proprietários. Por isso, é comum os opositores do movimento
chamarem esses atos de invasões e não de ocupações.
A maior parte dos conflitos relacionados ao MST envolve os proprietários que tiveram suas terras
ocupadas, ou invadidas, e o Estado na busca da garantia e da defesa do direito à propriedade provada.
Esses conflitos costumam ser violentos e muitas vezes resultam em mortes.
Se, por um lado, os movimentos sociais estruturam organizações para reivindicarem seus direitos,
assim o fazem também os fazendeiros, chamados de ruralistas. Desde 1985 eles organizam-se na União
Democrática Ruralista (UDR), associação de fazendeiros que luta pelos direitos da propriedade privada
no campo. As entidades dos movimentos sociais e a UDR opõem-se declaradamente, pois seus objetivos
são conflitantes.

Interdependência entre Campo e Cidade

Muitas vezes, cidade e campo são concebidos como lugares opostos. Assim, a cidade seria o espaço
do desenvolvimento, das tecnologias e da modernização, onde se encontram as infraestruturas mais
modernas e as condições de vida são melhores. Em contrapartida, o campo muitas vezes é idealizado
como um lugar pouco desenvolvido, onde as infraestruturas e as tecnologias são menos avançadas e as
condições de vida são piores.
Porém, no campo, coexistem a riqueza e a pobreza, bem como a modernização associada ao
desenvolvimento tecnológico. O mesmo ocorre nas cidades, onde é possível notar uma grande
desigualdade social que se reflete nas condições de vida da população e nos tipos de serviços acessíveis
a ela.
Historicamente, zonas urbanas e zonas rurais sempre se relacionaram de alguma forma. Por serem
locais de prática do comércio, é nas cidades que se comercializa a produção agrícola do campo. Por outro
lado, elas dependem das regiões rurais para abastece-las com alimentos e outros tipos de produtos
agrícolas indispensáveis à vida e ao dia a dia das pessoas. Das zonas rurais são obtidas as matérias-
primas utilizadas na fabricação de produtos que são consumidos principalmente pela população urbana.

Áreas Produtivas e as Questões Ambientais

Se, por um lado, a estrutura da produção agropecuária moderna envolve o uso de máquinas e técnicas
com avançadas tecnologias, por outro implica em sérias questões ambientais. O modelo atual explora os
recursos naturais de tal forma que muitas vezes leva-os ao esgotamento.
O desmatamento é uma prática muito comum para a realização da agropecuária. A retirada da
cobertura vegetal resulta em inúmeras consequências: redução da biodiversidade, erosão e redução dos
nutrientes do solo, assoreamento dos corpos hídricos, entre outros.
No caso da pecuária, além da retirada da cobertura vegetal e de sua substituição por pastagens, o
pisoteio do rebanho de animais provoca a compactação dos solos, o que dificulta a infiltração de água no
terreno.

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Além do desmatamento, em algumas áreas também é comum a utilização de queimadas, o que pode
trazer inúmeros danos, como a perda de fertilidade do solo.
Outro agravante muito discutido é a utilização de insumos químicos – fertilizantes, inseticidas e
herbicidas, conhecidos como agrotóxicos -, que causam contaminação do solo e das águas.
Os insumos são conduzidos pelas águas da chuva: uma parte penetra no solo, atinge o lençol freático
e o contamina, e outra parte é levada até os mananciais.
Desde 2008, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no planeta.

Sistemas Agroflorestais
Com o crescimento dos danos ambientais provocados pelo modelo agrícola atual, muitas pessoas vêm
buscando criar e resgatar alternativas de produção de alimentos de forma a gerar menos impactos ao
meio ambiente. Uma dessas alternativas é chamada de agroflorestal.
Um Sistema Agroflorestal, também chamado de SAF, é um tipo de uso da terra no qual se resgata a
forma ancestral de cultivo, combinando árvores com cultivos agrícolas e/ou animais.
A agrofloresta busca utilizar ao máximo todos os recursos naturais disponíveis no local, sem recorrer
a agentes externos, como insumos químicos. Assim, torna-se um sistema extremamente benéfico ao
meio ambiente, além de muito mais barato para o agricultor, já que elimina os gastos com insumos
químicos.

Expansão da Fronteira Agrícola


O conceito de fronteira agrícola é utilizado para designar as áreas limítrofes entre o chamado meio
natural e o local onde se praticam atividades agropecuárias.
A tendência dessas áreas é a de se expandir constantemente, acompanhando o ritmo da produção
agrícola.
A expansão da fronteira agrícola traz uma série de mudanças no espaço geográfico, implicando uma
nova organização espacial. São ampliadas infraestruturas de transporte, comunicação e geração de
energia, o que eleva a concentração populacional e impulsiona o desenvolvimento econômico das regiões
em questão.
No Brasil, a partir da década de 1960, houve o avanço da fronteira agrícola para a Região Centro-
Oeste, estimulados pelos projetos do governo federal de ocupação e desenvolvimento do interior do país.
Nesse período, foram oferecidos diversos incentivos, como créditos agrícolas e vendas de lotes de
terra a preços baixos, com o objetivo de atrair agricultores do Sul, Sudeste e Nordeste para a região.
Atualmente, a fronteira agrícola expande-se em direção à Amazônia.
A expansão traz sérios danos ambientais, como o desmatamento e poluição dos solos e dos rios. Além
disso, como a expansão da fronteira agrícola geralmente é baseada na mecanização e na utilização de
insumos químicos, o que agrava o problema da questão fundiária, já que pequenos proprietários rurais
são obrigados a vender suas terras por não terem condições de arcar com os custos da produção.

Revolução Verde
A partir dos anos 1960, o espaço agrícola brasileiro passou por intensas mudanças, ligadas
principalmente à implantação de novas tecnologias na agropecuária. Essas transformações estão ligadas
a um processo mundial, conhecido como Revolução Verde.
A Revolução Verde iniciou-se na década de 1950, nos Estados Unidos, e consistia na aplicação da
ciência ao desenvolvimento de técnicas agrícolas com o objetivo de aumentar a produtividade da
agricultura e da pecuária.
Nas décadas seguintes, esse conjunto de mudanças foi implantado em vários países, inclusive no
Brasil, com o objetivo de erradicar a fome por meio do aumento na produção de alimentos.
A indústria química desenvolveu os agrotóxicos. Os laboratórios de genética criaram sementes
padronizadas e mais resistentes a doenças, pragas e aos próprios agrotóxicos. A indústria mecânica
desenvolveu tratores, colheitadeiras e outros equipamentos para o plantio, a colheita e a criação de
animais.
Esse conjunto de transformações tinha como objetivo aproximar a agricultura de um padrão industrial
de produção. Portanto, uma das propostas da Revolução Verde era a adoção do mesmo padrão de cultivo
em todos os lugares do mundo, desconsiderando as variações locais das condições naturais, como o
clima ou a fertilidade natural do solo, e as necessidades e possibilidades dos agricultores.
A adoção de monoculturas, largas propriedades de terra destinadas ao cultivo de uma única espécie,
foi outra medida imposta pela Revolução Verde, já que a eficiência dos insumos químicos e do maquinário
dependia da uniformidade do cultivo.

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No Brasil, a implantação da Revolução Verde foi estimulada por meio de políticas públicas que
promoviam o financiamento e a assistência técnica aos produtores rurais, oferecendo créditos e
subsídios. Houve um significativo aumento na produção, maior até que o aumento na área plantada. Isso
porque os cultivos tornaram-se mais produtivos.
No entanto, tal processo foi feito às custas de danos ao meio ambiente e de aumento de desemprego
no campo, já que muitos trabalhadores foram substituídos por máquinas.
Esse processo de modernização da agricultura não se deu de forma uniforme e igualitária ao longo do
território brasileiro. Além disso, gerou desemprego e concentração de renda, beneficiando somente os
grandes produtores.

Transgênicos, biotecnologia e agroindústria


Nas áreas onde se implantaram as técnicas agrícolas consideradas modernas, observou-se a
concentração de indústrias de equipamentos agrícolas e de agrotóxicos e também de estabelecimentos
comerciais. Além disso, houve a rápida instalação e expansão das chamadas agroindústrias, que têm
como objetivo transformar gêneros agrícolas e pecuários em produtos industrializados. Por isso,
geralmente, estão localizadas nas proximidades dos lugares onde se produz tais gêneros, o que reduz
significativamente o custo com transporte da matéria-prima.
Com o desenvolvimento e avanço da ciência, novas técnicas foram criadas e incorporadas às práticas
agrícolas. Uma das mais polêmicas é a biotecnologia, o desenvolvimento de técnicas voltadas à
adaptação ou ao aprimoramento de características de organismos vivos, animais e vegetais, visando
torna-los mais produtivos.
Por meio dessas técnicas é possível, por exemplo, cultivar plantas de clima temperado em lugares de
clima tropical, acelerar o ritmo de crescimento de plantas e animais, aumentar o tempo entre o
amadurecimento e a deterioração das frutas, entre tantas outras mudanças.
Em meados da década de 1990, surgiu um novo ramo dentro da biotecnologia, ligado à pesquisa dos
genes dos organismos, o qual gerou um dos campos mais controversos da agricultura moderna: a
produção e manipulação de transgênicos.
Eles são gerados por meio de técnicas que possibilitam a introdução de um gene ou de um grupo de
genes em um organismo. Esses genes podem ser de outra variedade, espécie, gênero, ou até mesmo de
até mesmo de outro reino.
Como por exemplo, a utilização de sementes transgênicas que está atrelada a um pacote tecnológico
que envolve a utilização de maquinários, agroquímicos e monocultura associada a grandes propriedades.
Os agricultores ficam condenados a utilizar esse pacote tecnológico no momento em que adquirem a
semente transgênica, justamente para garantir a sua produtividade.
Essas sementes modificadas são programadas para não se reproduzirem depois de determinada
geração, o que obriga o produtor a adquiri novas sementes constantemente. Além disso, os laboratórios
que desenvolvem tais técnicas fazem parte de grandes conglomerados agroindustriais que se fortalecem
a cada dia. Muitas vezes, os fabricantes de sementes transgênicas são os mesmos que fabricam
agrotóxicos e fertilizantes.
Não existem estudos conclusivos sobre os impactos dos transgênicos na saúde humana. Depois de
fortes pressões exercidas por movimentos sociais que lutam contra a difusão dos transgênicos, o governo
federal criou uma lei que obriga as agroindústrias a identificar as embalagens dos alimentos que contêm
transgênicos com um símbolo.

Questões

01. (IPERON/RO – Tecnologia da Informação – UERR/2018) O processo denominado de expansão


da fronteira agrícola possui diferentes fases históricas de ocorrência. Atualmente, a expansão da fronteira
agrícola promove diversas consequências, com maior ou menor impacto. Entre as alternativas a seguir,
a que melhor apresenta a principal consequência da expansão da fronteira agrícola é:
(A) ampliação das unidades de conservação ambiental para mais de 70% do território.
(B) diminuição das áreas agrícolas e aumento das áreas urbano-industriais.
(C) degradação ambiental com desmatamento das vegetações naturais.
(D) manutenção permanente das paisagens naturais da floresta amazônica.
(E) substituição da floresta amazônica pelas espécies típicas do cerrado.

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02. (IF/MT – Professor de Geografia – UFMT) Sobre a Geografia Agrária, assinale a afirmativa
INCORRETA.
(A) Dentre os agentes que compõem a questão agrária no Brasil, estão os latifundiários, os agricultores
familiares/camponeses.
(B) A Lei de Terras de 1850 possibilitou que o processo de acesso à terra no Brasil fosse facilitado
para os nativos do país.
(C) Dentro dos estudos da geografia agrária na geografia brasileira, muitos se concentram no
Paradigma da Questão Agrária (PQA) e no Paradigma do Capitalismo Agrário (PCA).
(D) A política fundiária brasileira assume que a função social da terra é produzir, portanto, se um
estabelecimento não cumprir essa função, poderá ser desapropriado.

03. (UNESP – Assistente em Engenharia Ambiental – VUNESP) O uso de agrotóxicos, sem dúvida,
foi um dos fatores que contribuiu para o aumento da produção agropecuária por meio do controle de
pragas e doenças. Hoje, porém, discute-se como aumentar a produção agropecuária orgânica, pois o uso
de agrotóxicos
(A) é uma tecnologia ultrapassada, somente utilizada em países subdesenvolvidos.
(B) sempre intoxica os seres humanos que utilizam produtos dessa cadeia alimentar.
(C) pode contribuir para contaminação ambiental em larga escala.
(D) estimula o desenvolvimento de outras metodologias mais caras para produção de alimentos.
(E) melhora a qualidade do solo e garante o aumento no número de empregos nas áreas rurais.

Gabarito

01.C / 02.B / 03.C

Comentários

01. Resposta: C
A expansão traz sérios danos ambientais, como o desmatamento e poluição dos solos e dos rios.

02. Resposta: B
Através da Lei de Terras a terra se transformava em uma mercadoria de alto custo, acessível a uma
pequena parte da população brasileira. Com isso, pessoas com condição financeira inferior, como ex
escravos, imigrantes e trabalhadores livres, tinham grandes dificuldades em obter um lote, legitimando o
desmando e a ampliação de terras dos grandes proprietários.

03. Resposta: C
Um agravante muito discutido é a utilização de agrotóxicos, que causam contaminação do solo e das
águas. Os mesmos são conduzidos pelas águas da chuva: uma parte penetra no solo, atinge o lençol
freático e o contamina, e outra parte é levada até os mananciais.

INDUSTRIALIZAÇÃO MUNDIAL

Indústria e Transformações no Espaço Geográfico

Não é exagero afirmar que o espaço geográfico contemporâneo é resultado, em boa medida, das
transformações promovidas pela Revolução Industrial em diferentes etapas. E o modo de vida atual é
reflexo, direta ou indiretamente, das inovações da tecnologia industrial.
A atividade industrial manifesta-se não só em sua ocorrência no espaço físico, mas também nos
produtos consumidos pela população local, nos meios de comunicação e nos meios de transporte.
A indústria foi responsável pelas grandes transformações urbanas, pela multiplicação de diversos
ramos de serviços que caracterizam a cidade moderna e pelo desenvolvimento dos meios de transporte
e comunicação que atualmente interligam todo o espaço mundial. Ela também foi responsável pelo
aumento da produção agrícola, graças à mecanização das atividades de criação, plantio e colheita, além
do uso de insumos de origem industrial. Enfim, por causa da indústria criou-se um novo modelo de vida,
com novos hábitos de consumo e novas profissões, ocorreu uma nova estratificação da sociedade e
modificou-se significativamente a relação da sociedade com a natureza.

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O que é Indústria?
A indústria consiste em um processo de produção de instalações, a fábrica, usando máquinas e o
trabalho humano, que transforma e combina as matérias-primas para produzir uma mercadoria. Nos dias
atuais a indústria utiliza tecnologias cada vez mais sofisticadas, como robôs (em trabalhos que eram
realizados pelo ser humano) e equipamentos de grande precisão.
As atividades industriais podem ser classificadas em:

1. indústria extrativa – extração de recursos naturais de origens diversas, principalmente de minerais;

2. indústria de transformação – produção de bens a partir da transformação de matérias – primas;


de acordo com o destino desses bens. Podem ser divididas em:

* indústrias de base ou de bens de produção – produzem matérias – primas para outras indústrias,
como alumínio (metalúrgica), aço (siderúrgica), cimento e derivados de petróleo (petroquímica), que serão
utilizadas para fabricação de outros produtos;

* indústrias de bens de capital – produzem máquinas, peças e equipamentos para outras indústrias;

* indústrias de bens de consumo – produzem mercadorias diretamente para o consumidor; os bens


de consumo podem ser duráveis (móveis, aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos, automóveis,
computadores, etc.) e não-duráveis (alimentos, bebidas, cigarros, vestuário, calçados, etc.).
As atividades industriais podem, ainda, ser individualizadas nos seguintes setores:

* indústria da construção civil – construção de edifícios, usinas para produção de energia, pontes,
etc.;

* indústria da construção naval – construção de navios;

* indústria aeronáutica – construção de aviões;

* indústria bélica – produção de armas, tanques, navios e aviões de guerra.

É possível considerar três estágios bem distintos na evolução do processo de modernização da


produção industrial fabril:
* a Primeira Revolução Industrial (1750-1870);
* a Segunda Revolução Industrial (1870-1945);
* a Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-científica (após 1945).

As Revoluções Industriais e o Perfil do Trabalhador

Com a Primeira Revolução Industrial, em meados do século XVIII na Inglaterra, houve uma
reestruturação da força de trabalho. Os cercamentos levaram à expulsão dos camponeses, que migraram
para as cidades, em busca de trabalho.
As manufaturas ofereciam empregos braçais e repetitivos para operários sem qualificação profissional,
pois nesse processo, os trabalhadores sofreram duas expropriações: do seu conhecimento e, ainda, dos
seus meios de subsistência. Os salários eram baixos e as jornadas de trabalho muito longas, fatos que
impeliam todos os membros da família ao trabalho.
A despeito das lutas dos trabalhadores, a exploração se acentuou com a entrada maciça de mulheres
no mercado de trabalho, que recebiam salários inferiores aos pagos aos homens.
Um século depois, diversas nações europeias e também dos EUA faziam parte da era industrial.
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A chamada Primeira Revolução Industrial resultou em várias alterações nas relações sociais de
produção.
Os artesãos perderam autonomia com as primeiras tecnologias e máquinas que apareceram no
processo produtivo. Tais máquinas eram propriedade de um pequeno grupo da burguesia que buscou
extinguir as condições anteriormente existentes de produção, baseadas no artesanato. Essa fase da
Revolução Industrial foi caracterizada também pelos seguintes fatores:
→ invenção do tear mecânico e do descaroçador de algodão, promovendo o desenvolvimento da
indústria têxtil e o aumento da produção de tecidos;
→ invenção da máquina a vapor, em substituição às tradicionais fontes de energia (eólica e hidráulica)
e à tração animal, o que possibilitou a expansão do mercado e das trocas;
→ uso do coque para a fundição do ferro e seu uso, por exemplo, nas estradas de ferro que
dinamizaram o transporte e a distribuição de mercadorias;
→ redefinição da urbanização possibilitando um adensamento da mão de obra nas grandes cidades,
que se consolidaram como o lugar da realização do capital, e ao mesmo tempo, a organização da classe
trabalhadora, que passou a lutar contra a exploração exacerbada da burguesia industrial.

A Primeira Revolução Industrial

A Revolução Industrial introduziu uma forma mais eficiente de produzir mercadorias; maior quantidade
em menor tempo e com menores custos. Isso foi possível com o agrupamento dos trabalhadores nas
fábricas e com a divisão do trabalho, de modo que cada trabalhador realizasse uma etapa do processo
produtivo. Essas mudanças foram introduzidas em meados do século XVIII, na Inglaterra, e logo
difundiram-se para outros países da Europa.
A primeira mudança foi, sem dúvida, a invenção da máquina a vapor, que utilizava a energia produzida
pela queima do carvão mineral, recurso abundante em vários países da Europa.
Com a utilização da máquina a vapor, as fábricas puderam se localizar perto das cidades. Antes, as
pequenas fábricas existentes se encontravam dispersas, pois utilizavam energia hidráulica e precisavam
ser instaladas próximo de rios.
As invenções voltadas para a produção de mercadorias refletiram em todas as instâncias da vida
social. Por exemplo, do ponto de vista das comunicações e transportes, ampliaram as relações entre
regiões distantes. Além disso, intensificaram a urbanização nos países industrializados.
Nas fábricas, os operários eram obrigados a trabalhar no ritmo definido pela necessidade de produção.
Devido à extenuante jornada de trabalho, que chegava a 16 horas por dia, os operários, na maioria das
vezes vindos do campo, preferiram ocupar habitações muito precárias junto das fábricas, formando
bairros miseráveis.
A industrialização ampliou a divisão social do trabalho dentro da unidade de produção (a fábrica) e
no interior da sociedade de cada país.
Ao mesmo tempo em que ampliou divisão social do trabalho, a Revolução Industrial estabeleceu uma
divisão internacional do trabalho entre os países industriais (que produziam e exportavam manufaturas)
e as regiões fornecedoras de produtos agrícolas e minerais (que produziam e exportavam matérias-
primas e alimentos).
O crescimento da população industrial na Inglaterra e a necessidade de ampliar o mercado para além
das próprias fronteiras deram origem ao liberalismo econômico, uma nova maneira de pensar a economia.
O liberalismo considerava nociva a intervenção do Estado na produção e na distribuição das riquezas e
defendia a livre concorrência entre as empresas e os países. Naquele momento, as ideias liberais
interessavam à Inglaterra, que não encontrava concorrentes devido ao seu avançado estágio de
desenvolvimento tecnológico e a sua grande capacidade de transporte propiciada por sua imensa frota
naval.

A Segunda Revolução Industrial e o Imperialismo

Novas tecnologias, novas fontes de energia e a expansão da atividade industrial marcaram uma nova
etapa do desenvolvimento capitalista, na segunda metade do século XIX. É o início da Segunda
Revolução Industrial. As hidrelétricas e o petróleo ampliaram a capacidade de geração de energia e
acrescentaram novas possibilidades à tecnologia de produção e, portanto, ao aparecimento de novos
produtos. Surgiram as grandes siderúrgicas e as indústrias químicas. A marinha mercante multiplicou a
sua frota em diversos países europeus, nos Estados Unidos e no Japão. As ferrovias se expandiram por
todo o mundo, como meio de transporte e como atividade empresarial. A evolução e a ampliação dos

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sistemas de transporte estimularam o desenvolvimento da atividade industrial e criaram novas
possibilidades em relação à localização geográfica de alguns setores industriais.
Nessa fase, a livre concorrência das pequenas e médias empresas da Primeira Revolução Industrial
foi praticamente substituída pelo monopólio praticado por empresas gigantescas, comandadas por
grandes bancos que passaram a investir, também, na produção. O empresário, isolado, não tinha como
realizar investimentos tão elevados.
O domínio econômico das grandes empresas intensificou as disputas comerciais entre os países e
ampliou as disputas territoriais para muito além de suas fronteiras. No final do século XIX, a Inglaterra,
que mantinha o maior império colonial do planeta, não era a única potência industrial. Os países que se
industrializaram nesse período incorporaram as tecnologias mais recentes e modernas, enquanto
algumas indústrias inglesas eram consideradas “velharias” da Primeira Revolução Industrial. Alemanha,
Itália, França, Japão e Estados Unidos competiam em pé de igualdade com a indústria inglesa e, em
diversos setores, até com superioridade. Todos queriam ampliar seus mercados e suas fontes de
matérias-primas.
Os Estados Unidos já exerciam domínio sobre o continente americano. A Itália, a Alemanha e o Japão
não tinham colônias para ampliar a base de sua produção industrial. O mundo industrializado criou um
vasto império colonial que se estendeu por todo o planeta com ocupação direta de territórios, guerras e
acordos econômicos com as elites das novas colônias. É a fase do imperialismo ou neocolonialismo.
A Segunda Revolução Industrial, no século XIX, trouxe novidades tecnológicas também nas relações
de trabalho. O carvão, componente energético da Primeira Revolução Industrial, foi sendo,
paulatinamente, substituído pelos derivados do petróleo. Os motores a explosão levaram ao
desenvolvimento dos automóveis que se tornaram gênero de produção em série.
Diversos postos de trabalho requeriam mão de obra com especialização, muito embora os salários
continuassem baixos.
Foram desenvolvidas as práticas do fordismo e do taylorismo com o objetivo de aumentar a
produtividade e, consequentemente, o lucro empresarial.

Tecnologias de Processo – Fordismo e Taylorismo


A evolução da produtividade não depende apenas das máquinas. Foi o que demonstraram os Estados
Unidos no início do século XX, em plena Segunda Revolução Industrial, com a introdução de novas
técnicas de produção industrial, que possibilitaram uma racionalização extrema no processo do trabalho
no interior da fábrica: o taylorismo e o fordismo.
O taylorismo, idealizado pelo inventor Frederick Winslow Taylor (1856-1915), partia da concepção de
que o trabalho fabril era um conjunto de tarefas totalmente independentes da profissão do trabalhador.
Para Taylor, o melhor operário não é nada mais que um operário. O conhecimento do processo produtivo
era uma tarefa exclusiva do gerente, que deveria determinar e fiscalizar cada etapa dos trabalhos a serem
feitos no menor espaço de tempo e sem perda de qualidade.
O fordismo foi implantado pelo empresário Henry Ford (1863-1947) na produção de automóveis, no
início do século XX. O modelo de produção fordista associada a linha de montagem às técnicas de
organização do taylorismo. O automóvel, em processo de montagem, deslocava-se no interior da fábrica
para a realização de cada etapa de produção. O trabalhador, especializado, realizava sua tarefa num
tempo determinado e o automóvel continuava a se deslocar até a instalação da última peça, do último
acabamento.
Método de otimização da produção, o fordismo baseava-se na linha de produção em série com os
funcionários desempenhando cada um uma única função em ritmo acelerado.
A produção era verticalizada, contando com uma rígida hierarquia de chefes e subchefes, com ordens
encaminhadas do alto para o baixo escalão.
Ao fordismo foi acoplado o taylorismo, método desenvolvido pelo engenheiro Frederick Winslow Taylor
em que o tempo de produção das máquinas e dos operários era rigidamente controlado para se obter a
máxima produtividade. O taylorismo era inflexível com horários e metas de produção.

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Chaplin em “Tempos modernos”, 1936: uma denúncia da alienação e da violência na produção industrial.

A produtividade aumentou e, com ela, o lucro. Essa equação era muito interessante para os
empresários da época, exceto por um aspecto: o mercado consumidor não acompanhava o ritmo da
produção, o que gerava estoques e capital estagnado.
Ao longo da década de 1920, a crise da superprodução e dos baixos salários gerou falências e
desemprego, fatos que colocaram o sistema capitalista em situação de colapso.
Em 1929, a crise deflagrou a quebra da bolsa de valores de Nova York.
A década de 1930 apresentou uma depressão econômica que motivou fortes insatisfações, que
contribuíram para a erupção da Segunda Guerra Mundial.

A Reestruturação do Sistema Capitalista

Com o final da Segunda Guerra Mundial, as nações europeias criaram o "Estado do Bem-Estar Social",
conhecido como Welfare State, para dar garantias de sobrevivência, moradia, saúde e educação aos
cidadãos de maneira indistinta. O programa do Bem-Estar Social foi se aprimorando ao longo das décadas
do século XX, criando o sistema previdenciário para gerar segurança para a população.
O Welfare State apoiou-se nas ideias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946).
Para Keynes, o Estado deveria ser o interventor e o articulador da economia. Os investimentos seriam
necessários para tirar os países da crise em que se encontravam e garantir, a longo prazo, a estabilidade
do emprego, o que resultaria na estabilidade da demanda e, consequentemente, evitaria novas crises.
Com mais de 20 milhões de desempregados, sendo 14 milhões nos EUA no pós-guerra, os países
centrais não tinham outra solução a não ser promover uma política de fortalecimento do Estado e das
bases sociais para garantir o funcionamento do próprio sistema.
Com as medidas do Welfare State, as populações da Europa e dos EUA passaram a desfrutar de
avanços sociais significativos. Obviamente, os custos empresariais se elevaram com o aumento dos
salários, as jornadas de trabalho reduzidas e os impostos mais altos.
Para as empresas, os países centrais viraram sinônimos de mercado consumidor e mão de obra
qualificada, pois agora contavam com escolarização, enquanto nos países periféricos, as políticas
públicas de bem-estar social não haviam sido implantadas.
Os países periféricos, dessa forma, tornaram-se interessantes como áreas de exploração da mão de
obra e dos recursos naturais. Mudava-se a concepção da função dos países centrais e periféricos na
chamada DIT (Divisão Internacional do Trabalho e da produção).
Diversos países periféricos, sobretudo da América Latina (Brasil, Argentina e México) e posteriormente
da Ásia (na época chamados de Tigres e Novos Tigres Asiáticos), industrializaram-se seguindo os
interesses das empresas transnacionais, que ansiavam por lucros mais expressivos.
Os governos dos países periféricos incumbiram-se de criar a infraestrutura necessária para a
implantação das indústrias estrangeiras, recorrendo a empréstimos internacionais.
Sabemos que o preço de um produto é fixado, primeiramente, pelo seu custo e valor agregado. Quanto
maior a tecnologia empregada, maior será o valor final. Dessa forma, o trabalho intelectual, o de criação
tecnológica, tem um valor muito maior do que o de ação mecânica, isto é, o da produção do gênero em
série. Assim, para equilibrar os valores gastos nas importações de tecnologia - produtos de alto valor
agregado e máquinas - os países periféricos são obrigados a produzir gêneros em quantidades cada vez
maiores.
Em última instância, o dinheiro é remetido, por meio do sistema financeiro internacional, para locais
mais seguros ou lucrativos, ou seja, nem sempre quem produziu ficará com o resultado para futuros
investimentos.

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É por isso que vemos a situação do PIB (Produto Interno Bruto) dos países de forma tão discrepante
no mundo.
A política do Bem-Estar Social incentivou a qualificação profissional e o desenvolvimento de novas
tecnologias. O mercado de trabalho passou a valorizar indivíduos que têm a noção do todo e não apenas
de uma parte da produção.
Se as condições de vida melhoraram, pode-se dizer o mesmo para a economia dos países centrais. A
nova DIT contribuiu para a acumulação de riquezas, explorando os países periféricos, além de também
ter gerado uma massa de consumidores de elevado poder aquisitivo, principalmente nos países
desenvolvidos.
Contudo, fatores de ordem econômica e tecnológica implicaram uma nova dinâmica de produção e
consumo, nas décadas de 1970 e 1980. Vejamos alguns destaques:
→ As crises do petróleo (1973 e 1979) aumentaram muito os preços dos combustíveis fósseis,
símbolos da Segunda Revolução Industrial;
→ O insucesso norte-americano da Guerra do Vietnã. Apesar dessa derrota, a indústria bélica norte-
americana, em decorrência do conflito, passou por um forte desenvolvimento do Complexo Industrial-
Militar.
A geração de novas tecnologias, sobretudo no campo da informática e da robótica, pelos países
capitalistas, aumentou a eficiência da economia ocidental. Sem essa eficiência, o bloco socialista ficou
em defasagem na produção industrial e militar, o que contribuiu para a sua crise, o desmoronamento e o
fim da Guerra Fria.

A Terceira Revolução Industrial e o Desemprego Estrutural

O fim do bloco socialista, a vitória do capitalismo e a chegada da Nova Ordem Mundial determinaram
o fim da disputa ideológica típica da Guerra Fria. E, sem a necessidade de mostrar o sistema capitalista
como o mais benéfico para os trabalhadores, as grandes empresas ficaram livres para reduzir os seus
custos, principalmente os de mão de obra.
A era da informatização ou Terceira Revolução Industrial trouxe agilidade, interligou o planeta por meio
dos sistemas de comunicação e transportes muito eficientes, incorporou máquinas e robôs na produção.
Postos de trabalho foram eliminados permanentemente, configurando o desemprego estrutural.
Nesse mesmo período, o neoliberalismo ganhou força, defendido, principalmente, pelos governos dos
EUA e da Inglaterra. Para estes, a economia se "autorregula" e, portanto, o Estado não precisa intervir
na economia.
Ora, o fim da "mão protetora do Estado" ficou muito evidente nos antigos países socialistas, quando o
socialismo real ruiu. Os neoliberais queriam mais. Mais abertura econômica e o fim dos benefícios sociais-
conquistados. Seria o fim do Welfare State?
E em países em que ele sequer foi implantado de forma significativa?
No plano da propaganda, o neoliberalismo prega que o bem-estar é uma conquista individual, adquirida
por meio da competência, em vez do paternalismo do Estado.
Dessa forma, o discurso se afasta do campo das "oportunidades" e se finca no aspecto da competência
individual. Assim, a responsabilidade sobre o sucesso ou o fracasso cabe, exclusivamente, ao indivíduo.
Com excesso de mão de obra no mercado, os processos seletivos são cada vez mais rigorosos,
enquanto os salários estão cada vez mais baixos.
O aprimoramento das técnicas e as novas relações de trabalho, avalizadas pelo Estado, trouxeram
uma acumulação de capital como nunca se tinha visto.
Se o poder econômico interfere no poder político, podemos concluir que os grandes conglomerados
ditam as normas mundiais.
O pensamento do historiador Immanuel Wallerstein resume a atual fase capitalista monopolista e de
concentração pessoal de renda: Acumula-se capital a fim de se acumular mais capital. Os capitalistas são
como camundongos numa roda, correndo sempre mais depressa a fim de correrem ainda mais depressa.

Terceira Revolução Industrial e Tecnopolos


Com a Terceira Revolução Industrial, ocorreu ainda a formação dos tecnopolos, a partir da
necessidade de acumulação capitalista em maior volume. São áreas onde a produção se faz com uso de
tecnologias de ponta e ocorre um controle sobre o trabalho mais eficaz, ora por omissão do Estado ora
por debilidade sindical.
Estes tecnopolos são produzidos em áreas onde podem se associar empregos especializados e
desenvolvimento por pesquisas. Os tecnopolos caracterizam-se por:

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→ Uma produção no modelo just-in-time, que produz de acordo com a demanda ou os pedidos.
Associado a isso pode ocorrer o just-in-case, que é a produção mediante existência de estoque mínimo;
→ Uma forte ligação entre fábricas e centros de pesquisa e universidades;
→ Estabelecimento de uma nova relação entre os oligopólios e as pequenas e médias empresas, que
arcam com os riscos e custos de pesquisas tecnológicas para o desenvolvimento das grandes empresas,
gerando uma alta competitividade.
A Terceira Revolução Industrial – ou Revolução Técnico-científica – começou a tomar forma no final
da Segunda Guerra Mundial, mas os seus efeitos têm se manifestado em todo o mundo, de forma mais
intensa, há cerca de duas décadas. Esse processo de desenvolvimento da atividade industrial vem
repercutindo fortemente nos demais setores econômicos, nas relações sociais e nas relações sociedade-
natureza. Uma das suas características mais importantes é a interação entre a informática e as
telecomunicações – a telemática -, mas podemos citar também outros de seus aspectos característicos:
* o avanço nos sistemas de telecomunicações (satélites artificiais, cabos de fibra óptica);
* o desenvolvimento da informática, tanto nos equipamentos (hardware) quanto nos programas e
sistemas operacionais (software);
* o desenvolvimento da microeletrônica, da robótica, da engenharia genética;
* a utilização da energia nuclear.
A Revolução Técnico-científica, ao mesmo tempo em que gera riquezas e amplia as taxas de lucros,
responde também pelo desemprego de milhões de pessoas em todo o mundo, pois vem permitindo
produzir mais mercadorias e gerar mais serviços com menor número de trabalhadores. E isso é válido
para a indústria, a agropecuária, o extrativismo, o comércio e os serviços.
A ciência, no estágio atual, está estreitamente ligada à atividade industrial e às outras atividades
econômicas: agropecuária, comércio, serviços. O desenvolvimento científico e tecnológico é um
componente fundamental para as empresas, pois é convertido em novos produtos e em redução de
custos, permitindo maior capacidade de competição num mercado cada vez mais disputado. As grandes
empresas multinacionais possuem seus próprios centros de pesquisa e tem sido crescente o investimento
na aquisição de novos conhecimentos científicos, em relação ao conjunto da atividade produtiva.
O Estado, por meio de universidades e de instituições de pesquisa, também estimula o
desenvolvimento tecnológico, preparando novos profissionais e capacitando-os para as funções de
pesquisa na área industrial ou agrícola, assim como no desenvolvimento de tecnologias, transferidas ou
adaptadas às novas mercadorias de consumo ou aos novos equipamentos de produção. Nesse sentido,
a pesquisa científica aplicada ao desenvolvimento de novos produtos tornou-se parte do planejamento
estratégico do Estado, visando ao desenvolvimento econômico.
Um exemplo desse apoio estatal ao desenvolvimento de novas tecnologias é o MITI (Ministério da
Indústria e Comércio Exterior), do Japão. Por intermédio do MITI – que recebe verbas das empresas e do
governo japonês -, desenvolvem-se pesquisas que serão aplicadas à criação e ao aperfeiçoamento de
produtos pela indústria. Outro exemplo é o MIT (Massachusetts Institute of Tecnology), situado no
nordeste dos Estados Unidos, considerado um dos principais centros de pesquisa do mundo, mantido
pelo governo norte-americano e por grandes empresas privadas.
Outro exemplo do desenvolvimento de novas tecnologias mediante parcerias entre empresas
industriais e universidades é o caso da Universidade de Stanford, em torno da qual surgiu o Vale do
Silício, onde se concentra o maior conjunto de indústrias de informática de todo o mundo. Nos países
capitalistas, sobretudo nos Estados Unidos, boa parte das conquistas tecnológicas foi adaptada e
estendida à criação de uma infinidade de bens de consumo, mesmo na época da Guerra Fria, quando o
investimento em tecnologia estava voltado para a corrida armamentista ou espacial.
Com a Revolução Técnico-científica, o tempo entre qualquer inovação e sua difusão, na forma de
mercadorias ou de serviços, é cada vez mais curto. Alguns produtos industriais classificados, em princípio,
como bens de consumo duráveis (especialmente aqueles ligados aos setores de ponta, como a
microeletrônica e informática), são cada vez menos duráveis e tornam-se obsoletos devido à rapidez com
quem são incorporadas novas tecnologias.

Tecnologia de Processo – Toyotismo


Foi no Japão que ocorreu a transformação do processo de produção de mercadorias na Terceira
Revolução Industrial. Por ser um país com um território pequeno, dependente da importação de matérias-
primas e com pouco espaço para estocar os seus produtos, nesse país a produção foi organizada de um
modo diferente do tradicional modelo fordista.
Essa nova organização da produção ficou conhecida pelo nome de just-in-time (literalmente, tempo
justo) e foi implementada pela primeira vez, em meados do século XX, na fábrica de motores da Toyota.
Depois, foi incorporada pelas principais indústrias do mundo.

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No interior da fábrica, as diferentes etapas de produção, desde a entrada das matérias-primas até a
saída do produto, são realizadas de forma combinada entre fornecedores, produtores e compradores. A
matéria-prima que entra na fábrica corresponde exatamente à quantidade de mercadorias que serão
produzidas. Essas mercadorias são feitas dentro do prazo estipulado e de acordo com o pedido dos
compradores. Além da eficiência, o sistema just-in-time permite diminuir o custo de estocagem e o volume
da produção fica diretamente relacionado à capacidade do mercado de consumo, evitando-se perdas de
estoque ou diminuição do preço, caso ocorra uma defasagem tecnológica do produto.
O trabalho especializado e rotineiro da linha de montagem do sistema fordista foi substituído por um
sistema flexível, em que o trabalhador pode ser deslocado para realizar diferentes funções, de acordo
com as necessidades da produção em cada momento.
Nesse novo sistema, a modificação e a atualização nos modelos das mercadorias podem ser feitas a
partir de pequenas reestruturações da mesma fábrica, utilizando-se os mesmos equipamentos. Os
recursos da microeletrônica, da robótica e da informática, intensivamente utilizados nesse sistema,
viabilizam essas frequentes mudanças.
Essa flexibilidade industrial tornou-se importante num mundo em que a evolução tecnológica acarreta
constante criação e modificação de produtos, com consequente diminuição da vida útil das mercadorias.
É preciso ressaltar, no entanto, que a difusão do toyotismo trouxe uma ampliação nos fluxos de
mercadorias, inclusive, num ritmo mais acelerado, demandando novas exigências ao setor de transportes.

A Sociedade da Informação
Os computadores invadiram a vida cotidiana. Apesar de não estarem presentes em todas as
residências do mundo, indiretamente atingem todas as pessoas. Eles coletam, armazenam e divulgam
informações de forma maciça e instantânea, ligando o mundo numa grande rede, e estão presentes em
diversos momentos do dia-a-dia. Por exemplo, o ato de usar o caixa eletrônico só é possível mediante
informações transmitidas a um computador central, que autoriza ou não a transação. No supermercado,
um terminal, no caixa, lê o código de barras do produto, informa o preço à máquina registradora, dá baixa
do produto no estoque e encaminha essa informação ao departamento de compras, para a reposição do
estoque.
Em muitas residências, o computador faz parte dos equipamentos básicos do dia-a-dia. Por
computador, usando a Internet, pode-se acessar informações em qualquer parte do mundo para realizar
pesquisas, pagar contas, transferir dinheiro de uma conta de banco para outra, ou comprar mercadorias
e serviços.
Tais atividades, já corriqueiras para uma pequena parcela da população mundial, dependem de um
complexo sistema de infra-estrutura que usa desde satélites artificiais de comunicação em órbita
permanente até fios telefônicos e cabos de fibra óptica que atravessam oceanos. Enfim, trata-se de um
novo modo de vida que combina mercadoria industrial com serviços. Aparelhos diversos – computadores,
telefones e televisores – têm que estar ligados a uma ampla rede de serviços para que possam ser
utilizados.
Foi essa Revolução Técnico-científica, caracterizada também pelo desenvolvimento dos meios de
transporte, que possibilitou a descentralização da produção industrial para os mais distantes recantos do
mundo.

Trabalho, sua Relação com o Meio Ambiente

O trabalho64 é um elemento transformador, não apenas do homem que trabalha, mas também da
natureza, fonte já não tão inesgotável de recursos, além de modificador também das relações que se
estabelecem na sociedade.
A ampliação do processo do trabalho ensejou que o trabalhador passasse a ter garantido, por meio de
leis e regulamentos, certos direitos frente ao tomador de seus serviços. Todavia, ainda que tenha havido
progressos nesse âmbito, visto que constantemente novos direitos vão sendo incluídos no rol dos já
existentes, nada ou quase nada foi feito para se garantir que os trabalhadores fossem capazes de tomar
ciência dos efeitos de seu trabalho sobre o meio ambiente, assim como pouco tem sido feito no sentido
de se procurar novas alternativas menos agressivas, no sentido de incluir o trabalhador na busca de
desenvolver atividades cada vez menos nocivas à integridade dos recursos naturais.
Primeiramente, porque a eles, na maioria das vezes, não cabe maior poder de decisão sobre a
administração da organização; segundo, porque a busca por novas alternativas demanda, inicialmente,
um dispêndio de valores que nem sempre as corporações estão dispostas a bancar.

64 https://repositorio.ucs.br/xmlui/bitstream/handle/11338/1010/Dissertacao%20Fabio%20Rodrigues.pdf?sequence=1&isAllowed=y

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Todos os avanços referentes ao trabalho do ser humano demandam uma nova adaptação frente à
degradação ambiental: é preciso uma educação ambiental para que ainda haja tempo de preservar o que
resta da natureza.
Desde a pré-história, o homem subsistia com aquilo que conseguia colher manualmente na natureza,
consumindo, principalmente, frutas, legumes, raízes, além da carne obtida por meio da caça e da pesca.
Sua atividade consistia, basicamente, em procurar e colher tais recursos da natureza, pouco
interferindo no meio ambiente.
Tal atuação não implicava em maior dano aos recursos naturais, visto que eram atividades
desempenhadas estritamente para manutenção do indivíduo, o qual se apossava de recursos renováveis
da natureza, produzidos de forma periódica e em decorrência de seu ciclo normal de reprodução.
Tal fato, no entanto, foi incapaz de garantir recursos suficientes para satisfazer as necessidades
alimentares de uma população que crescia constantemente, forçando, ao final, a busca por novos
recursos.
Aos poucos, o homem passa a desenvolver novas habilidades, tornando-se, então, um produtor de
alimentos e, de certa maneira, interferindo e modificando o meio em que vive. Disso, prosperam novas
alternativas, fazendo com que o processo produtivo acelere, assim como se constituam novas formas de
organização do indivíduo em sociedade.
Os modelos econômicos adotados, feudalista, capitalista, etc., exerceram grande influência nesse
processo, em razão de terem favorecido o aprimoramento do setor produtivo e da organização social.
No entanto, embora esse avanço, num primeiro instante, possa representar melhores condições de
vida para os seres humanos, também tem acarretado graves danos ao meio ambiente, face o aumento
da extração de recursos não renováveis, passível de levar ao seu consequente esgotamento.
Nesse enfoque, destaca-se o modelo capitalista de produção, que, mesmo significando um novo
estímulo à produção de bens e ao progresso econômico, tende a aprofundar ainda mais o fosso formado
entre o desequilíbrio ambiental e a geração e acumulação de riquezas, gerando riscos ao meio ambiente
e desigualdades sócio econômicas.
Esse modelo econômico tem proporcionado, de um lado, uma melhoria da produtividade,
desencadeada, predominantemente, pelos resultados alcançados em pesquisas tecnológicas e
científicas, pela competitividade, pela possibilidade de acumulação de bens materiais e, em alguns casos,
a criação de tipos novos de ocupação; enquanto, por outro lado, tem sido fonte, dentre outras coisas, da
precarização da qualidade de vida de uma parcela significativa da população, gerando mais desemprego,
menos oportunidade de acesso aos benefícios alcançados com o progresso, mais desequilíbrio na
distribuição das riquezas, além de um crescimento exagerado da exploração dos recursos naturais.
Cientes de que o planeta apresenta uma limitação na sua capacidade de gerar recursos, de fornecer
matéria-prima e que a capacidade de reprodução dos seres humanos continua crescendo, acarretando
um aumento da demanda por novos recursos, torna-se imperiosa a busca por alternativas capazes de
conciliar a satisfação dessas necessidades com progresso econômico e preservação ambiental, a fim de
que seja possível ter uma qualidade digna de vida.

Exploração do Trabalho e da Natureza65


Sendo o toyotismo um sistema de organização voltado para a produção de mercadorias,
paralelamente ao mesmo, se difundiram novas relações de trabalho, caracterizadas pelos salários baixos
e direitos trabalhistas restritos ou inexistentes.
A maioria desses empregos foram criados em países em desenvolvimento, onde ainda em grande
parte se mantinham o método de produção fordista66, baseado na super exploração dos trabalhadores.
No entanto, em muitos deles, como a China, a Índia e o Brasil, também há indústrias modernas e a
introdução do toyotismo.
Também em diversos países desenvolvidos a flexibilização da legislação trabalhista, com a redução
dos salários e dos benefícios sociais e previdenciários, tem levado ao enfraquecimento do movimento
sindical.
Vários fatores contribuem para tal situação: a competição das novas tecnologias e dos novos
processos produtivos, a desconcentração da produção industrial e a concorrência dos trabalhadores mal
remunerados, numerosos nos países em desenvolvimento.
Entretanto, para milhões de trabalhadores da periferia do sistema capitalista, que estavam fora do
processo de produção, as condições de vida melhoraram.

65SENE, Eustáquio de. Geografia Geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.
66O Fordismo é um modo de produção em massa baseado na linha de produção idealizada por Henry Ford. Foi fundamental para a racionalização do processo
produtivo e na fabricação de baixo custo e na acumulação de capital.

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A vida na cidade, em geral, é melhor do que na zona rural. Isso é particularmente verdadeiro na China,
cuja economia atraiu grande volume de investimentos estrangeiros por causa dos baixos custos de sua
mão de obra.
Segundo o Banco Mundial, o número de chineses que viviam na pobreza extrema caiu de 756 milhões
(67% da população total), em 1990, para 19 milhões (1,4% da população), em 2014.
Em menor escala, isso também ocorreu no Brasil, no México, na Índia e em outros países emergentes.
Além de permitir a exploração do trabalhador, durante muito tempo, a legislação ambiental dos países
em desenvolvimento era, em sua maior parte, frágil. Esse fato permitia produzir a custos menores e
contribuía para atrair indústrias poluidoras.
Embora isso ainda aconteça na atualidade, a crescente preocupação mundial com o desenvolvimento
sustentável tem pressionado os dirigentes das fábricas a desenvolver métodos de produção que causem
menos impactos ambientais.
Vem se firmando a ideia de que o desenvolvimento sustentável pode contribuir para aumentar a
produtividade das empresas e, consequentemente, a competividade e os lucros, além de reforçar a
imagem positiva resultante da certificação com um “selo verde”.

A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA67

No início do século XX era necessária uma grande quantidade de trabalhadores nas linhas de
produção e as indústrias impulsionaram grandes transformações no espaço geográfico. Como por
exemplo, o aumento dos fluxos migratórios, de produtos e de serviços, a construção de moradias, o
surgimento de novos bairros, o investimento em transportes coletivos, etc.
Para entendermos o atual estágio de desenvolvimento econômico brasileiro, é necessário conhecer o
contexto histórico do processo de industrialização e de desenvolvimento das atividades terciárias no país.
Desde o período colonial, o desenvolvimento econômico brasileiro, e consequentemente a
industrialização, foram comandados por grupos e setores que pressionaram os governos a atender a seus
interesses políticos e econômicos.
Assim, só é possível entender as etapas da industrialização brasileira se for analisada a conjuntura
econômica (brasileira e mundial) e política de cada momento histórico.
Como exemplo, podemos citar os investimentos em infraestrutura de energia, transportes e
comunicações, que impulsionaram diversos setores da economia. Entretanto, a construção de grandes
usinas hidrelétricas sempre envolve questões socioambientais, como inundações de pequeno ou grande
porte e deslocamento de povos indígenas e de moradores locais.

Origens da Industrialização

A industrialização brasileira teve início, embora de forma incipiente, na segunda metade do século XIX,
período em que se destacaram importantes empreendedores, como o barão de Mauá, no eixo São Paulo-
Rio de Janeiro, e Delmiro Gouveia, em Pernambuco.
Foi principalmente a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que o país passou por um
significativo desenvolvimento industrial e maior diversificação do parque fabril, pois, em virtude do conflito
na Europa, houve redução da entrada de mercadorias estrangeiras no Brasil. Observe a tabela abaixo.

Brasil: estabelecimentos industriais existentes em 1920, de acordo com a data de fundação


das empresas
Data de fundação Número de Valor da produção (%)
estabelecimentos
Até 1884 388 8,7
1885-1889 248 8,3
1890-1894 452 9,3
1895-1899 472 4,7
1900-1904 1080 7,5
1905-1909 1358 12,3
1910-1914 3135 21,3
1915-1919 5936 26,3
Data desconhecida* 267 1,6
*Corresponde a estabelecimentos industriais existentes em 1920 cuja data de fundação era desconhecida ou não informada.

67 SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.

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Em 1919, período posterior à Primeira Guerra Mundial, as fábricas brasileiras eram responsáveis por
70% da população industrial nacional e produziam tecidos, roupas, alimentos e bebidas (indústrias de
bens de consumo não duráveis, com predomínio de investimentos de capital privado nacional). No início
da Segunda Guerra Mundial (1939), essa porcentagem caiu para 58%, porque houve ingresso de
empresas estrangeiras em setores como aço, máquinas e material elétrico.
Apesar da importância dos setores industrial e agrícola na economia brasileira, as atividades terciárias
(como o comércio e os serviços) apresentavam índices de crescimento econômico superiores. Isso
porque é no comércio e nos serviços que circula toda a produção agrária e industrial.
A agricultura cafeeira, principal atividade econômica nacional até então, exigia a construção de uma
eficiente rede de transportes. Assim, as ferrovias foram se desenvolvendo no país para escoar a produção
do interior para os portos. Também se estabeleceram s]um sistema bancário integrado à economia
mundial e um comércio para atender às crescentes necessidades nas cidades.
Nessa época, as indústrias utilizavam muitos trabalhadores nas linhas de produção e impulsionaram
importantes transformações, como o desenvolvimento de transportes coletivos.
Embora tenha passado por importantes períodos de crescimento, como o da Primeira Guerra, a
industrialização brasileira sofreu seu maior impulso apenas a partir de 1929, com a crise econômica
mundial decorrente da quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Na região Sudeste do Brasil,
principalmente, essa crise se refletiu na redução do volume de exportações de café e na perda da
importância dessa atividade no cenário econômico, contribuindo para a diversificação da produção
agrícola brasileira.
Outro acontecimento que contribuiu para o desenvolvimento industrial brasileiro foi a Revolução de
1930, que tirou a oligarquia68 agroexportadora paulista do poder e criou novas possibilidades político-
administrativas em favor da industrialização, ema vez que o grupo que tomou o poder com Getúlio Vargas
era nacionalista e favorável a tornar o Brasil um país industrial. Apesar disso, a agricultura continuou
responsável pela maior parte das exportações brasileiras até a década de 1970.
A partir da crise de 1929, as atividades industriais passaram a apresentar índices de crescimento
superiores aos das atividades agrícolas. O colapso econômico mundial diminuiu a entrada de mercadorias
estrangeiras que poderiam competir com as nacionais incentivando o desenvolvimento industrial nacional.
É importante destacar que o cultivo do café permitiu o acúmulo de capitais que serviram para dinamizar
e impulsionar a atividade industrial. Os barões do café, que residiam nos centros urbanos, sobretudo na
cidade de São Paulo, aplicavam enorme quantidade de capital no sistema financeiro, para cuidar da
comercialização da produção nos bancos e investir na Bolsa de Valores. Parte desse capital aplicado
ficou disponível para montar indústrias e investir em infraestrutura. Todas as ferrovias, construídas, com
a finalidade principal de escoar a produção cafeeira para o porto de Santos, interligavam-se na capital
paulista e constituíam um eficiente sistema de transporte. Havia também grande disponibilidade de mão
de obra imigrante que foi liberada dos cafezais pela crise ou que já residia nas cidades, além de
significativa produção de energia elétrica.
A associação desses fatores favoreceu o processo de industrialização, que passou a crescer
notadamente na cidade de São Paulo, onde havia maior disponibilidade de capitais, trabalhadores
qualificados e uma infraestrutura básica, mas também em algumas regiões dos estados do Rio de Janeiro,
Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Na instalação de novas indústrias predominava, com raras exceções, o capital de origem nacional,
acumulado em atividades agroexportadoras. A política industrial comandada pelo governo federal era a
de substituir as importações, visando à obtenção de um superávit cada vez maior na balança comercial
e no balanço de pagamentos, para permitir um aumento nos investimentos nos setores de energia e
transportes.

O Governo Vargas e a Política de “Substituição de Importações”

Getúlio Vargas governou o país pela primeira vez de 1930 a 1945. Tomou posse com a Revolução de
1930, caracterizada pelo aspecto modernizador. Até então, o mundo capitalista acreditava no liberalismo
econômico, ou seja, que as forças do mercado deveriam agir livremente para promover maior
desenvolvimento e crescimento econômico. Com a crise, iniciou-se um período em que o Estado passou
a intervir diretamente na economia para evitar novos sobressaltos do mercado.
De 1930 a 1956, a industrialização no país caracterizou-se por uma estratégia governamental de
criação de indústrias estatais nos setores de bens intermediários e de infraestrutura de transportes e
energia. A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) foi uma das importantes indústrias que se destacaram
68Oligarquia é um regime político sob o controle de um pequeno grupo de pessoas pertencentes a um partido, classe ou família. O poder é exercido somente por
pessoas desse pequeno grupo.

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no período, na extração de minerais. Outras de grande destaque foram a Petrobras, para extração de
petróleo e petroquímica; a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN); a Fábrica Nacional de Motores (FNM),
que, além de caminhões e automóveis, fabricava máquinas e motores; e também a Companha
Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), para produção de energia hidrelétrica.
Foi necessário um investimento inicial muito elevado para o desenvolvimento desses setores
industriais e para a infraestrutura estratégica. Entretanto, por dar retorno a logo prazo, esse investimento
não interessava ao capital privado, seja nacional, seja estrangeiro. Por isso, o próprio governo o assumiu.
A ação do Estado foi decisiva para impulsionar e diversificar os investimentos no parque industrial do
país, combatendo os principais obstáculos ao crescimento econômico e fornecendo, a preços mais
baixos, os bens intermediários e os serviços de que os industriais privados necessitavam. Era uma política
de caráter nacionalista.
Embora a expressão substituição de importações possa ser utilizada desde que a primeira fábrica
foi instalada no país, foi o governo de Getúlio Vargas que iniciou a adoção de medidas cambiais e fiscais
que caracterizaram uma política industrial voltada à produção interna de mercadorias.
As duas principais medidas adotadas foram a desvalorização da moeda nacional (réis até 1942 e, em
seguida, cruzeiro) em relação ao dólar, o que tornava o produto importado mais caro (desestimulando as
importações), e a introdução de leis e tributos que restringiam, e às vezes proibiam, a importação de bens
de consumo e de produção que pudessem ser fabricados internamente.
Em 1934, Getúlio Vargas promulgou uma nova Constituição, que incluiu a regulamentação das
relações de trabalho, como a criação do salário mínimo, as férias anuais e o descanso semanal
remunerado, o que garantiu o apoio da classe trabalhadora. Com base no apoio popular, Vargas aprovou
uma nova Constituição em 1937, que o manteve no poder como ditador até ser deposto, ao fim da
Segunda Guerra, em 1945, período que ficou conhecido como Estado Novo.
A intervenção do Estado possibilitou um forte crescimento da produção industrial, com exceção do
período da Segunda Guerra. Durante os seis anos desse conflito, em razão da carência de indústrias de
base e das dificuldades de importação, o crescimento industrial brasileiro foi de 5,4%, uma média inferior
a 1% ao ano. Veja a tabela abaixo.

Brasil: taxas de crescimento da produção industrial (em %) – 1939/1945


Metalúrgicas 9,1
Material de transporte -11,0
Óleos vegetais 6,7
Têxteis 6,2
Calçados 7,8
Bebida e fumo 7,6
Total 5,4

Observe que houve um significativo crescimento na produção interna em diversos setores que
sofreram restrições durante a guerra, mas o setor de transportes, cuja expansão não poderia ocorrer sem
a importação de veículos, máquinas e equipamentos, sofreu forte redução.

Política Econômica e Industrialização Brasileira do Pós-Guerra à Ditadura Militar

O final da Segunda Guerra levou muitos países ao enfrentamento dos problemas que aconteceram
durante os anos do conflito e que prejudicaram o desenvolvimento de muitas atividades econômicas.
No caso brasileiro, entre o final da Segunda Guerra e o início da ditadura militar (1946-1964), houve
alternância de diretrizes na política econômica e de estratégias de desenvolvimento ao longo dos
governos que se sucederam nesse período: Dutra, retorno de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio
Quadros e João Goulart.

Políticas Econômicas

O Governo Dutra (1946-1951)


O general Eurico Gaspar Dutra assumiu a presidência em 1946 e instituiu o Plano Salte,
destinando investimentos ao setores de saúde, alimentação, transportes, energia e educação.
No decorrer do governo Dutra, as reservas de capital acumuladas durante a Segunda Guerra
foram utilizadas com:
a) importação de máquinas e equipamentos para as indústrias têxteis e mecânicas;

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b) reequipamento do sistema de transportes;
c) incremento da extração de minerais metálicos, não metálicos e energéticos.
Houve também abertura à importação de bens de consumo, o que contrariava os interesses da
indústria nacional.
Os empresários nacionais defendiam a reserva de mercado.

O Retorno de Getúlio e da Política Nacionalista (1951-1954)


Em 1951, Getúlio Vargas retornou à presidência eleito pelo povo e retomou seu projeto
nacionalista:
a) investiu em setores que impulsionaram o crescimento econômico, como sistemas de
transportes, comunicações, produção de energia elétrica e petróleo, e restringiu a importação de bens
de consumo;
b) dedicou-se à criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES
(1952) e da Petrobras (1953).
O projeto nacionalista de Getúlio acabou sendo derrotado pelos liberais, que argumentavam que:
a) com a economia fechada ao capital estrangeiro, a modernização e a expansão do parque
industrial nacional tornavam-se dependentes do resultado da exportação de produtos primários;
b) qualquer crise ou queda de preço desses produtos, particularmente do café, resultava em crise
na modernização e na expansão do parque industrial.
Em 1954, em meio à séria crise política, Vargas suicidou-se. Café Filho, seu vice-presidente,
assumiu o poder, permanecendo até 1956.

Juscelino Kubitschek e o Plano de Metas (1956-1961)


Durante o governo de JK foi implantado o Plano de Metas, com as seguintes estratégias:
a) investir em agricultura, saúde, educação, energia, transportes, mineração e construção civil para
atrair investimentos estrangeiros;
b) fazer o país crescer “50 anos em 5”;
c) transferir a capital federal do Rio de Janeiro (litoral) para Brasília (centro do país), buscando
promover a ocupação do interior do território;
d) direcionar 73% dos investimentos aos setores de energia e transportes;
e) facilitar o ingresso de capital estrangeiro, principalmente nos setores automobilístico, químico-
farmacêutico e de eletrodomésticos.
O parque industrial brasileiro passou a contar com significativa produção de bens de consumo
duráveis, o que deu continuidade à política de substituição de importações.
Ao longo do governo JK consolidou-se o tripé da produção industrial nacional, formado pelas
indústrias:
a) de bens de consumo não duráveis, com amplo predomínio do capital privado nacional;
b) de bens intermediários e bens de capital, que contaram com investimento estatal nos governos
de Getúlio Vargas;
c) de bens de consumo duráveis, com forte participação de capital estrangeiro.
Com a concentração do parque industrial no Sudeste, as migrações internas intensificaram-se e os
maiores centros urbanos registram crescimento desordenado.
O crescimento econômico acelerado e o aumento da dívida externa provocaram o aumento da
inflação.
A partir de 1959 foram criados diversos órgãos de planejamento com a estratégia de descentralizar
investimentos produtivos por todas as regiões do país.

O Governo João Goulart e a Tentativa de Reformas (1961-1964)


João Goulart, conhecido como Jango, então vice-presidente, assumiu a Presidência do Brasil após
a renúncia do presidente Jânio Quadros, empossado poucos meses antes.
A renúncia de Jânio agravou os problemas econômicos herdados do governo JK, como a elevada
dívida externa e a inflação.
A posse de Jango, em 7 de setembro de 1961, ocorreu após a instauração do parlamentarismo,
que reduziu os poderes do chefe do Executivo (presidente).
Durante o período parlamentarista do governo João Goulart (até início de 1963), a inflação e o
desemprego aumentaram, e as taxas de crescimento reduziram-se.
Em 6 de janeiro de 1963 houve o retorno ao presidencialismo e foram encaminhadas as reformas
de base, com as seguintes diretrizes:

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a) reforma dos sistemas tributário, bancário eleitoral;
b) regulamentação dos investimentos estrangeiros e da remessa de lucros ao exterior;
c) reforma agrária;
d) maiores investimentos em educação e saúde.
Tal política foi tachada de comunista pelos setores mais conservadores da sociedade civil e militar,
criando as condições para o golpe de 31 de março de 1964.

O Período Militar

Em 1º de abril de 1964, após um golpe de Estado que tirou João Goulart do poder, teve início no país
o regime militar, com uma estrutura de governo ditatorial. O Brasil apresentava o 43º PIB do mundo
capitalista e uma dívida externa de 3,7 bilhões de dólares. Em 1985, ao término do regime, o Brasil
apresentava o 9º PIB do mundo capitalista e sua dívida externa era de aproximadamente 95 bilhões de
dólares, ou seja, o país cresceu muito, mas à custa de um pesado endividamento.
O parque industrial se desenvolveu de uma forma bastante significativa, e a infraestrutura nos setores
de energia, transportes e telecomunicações se modernizou. No entanto, embora os indicadores
econômicos tenham evoluído positivamente, a desigualdade social aprofundou-se muito nesse período,
concentrando a renda nos estratos mais ricos da sociedade. Segundo o IBGE e o Banco Mundial, em
1960 os 20% mais ricos da sociedade brasileira dispunham de 54% da renda nacional; em 1970 passaram
a contar com 62% e em 1989, com 67,5%.
Entre 1968 e 1973, período conhecido como “milagre econômico”, a economia brasileira desenvolveu-
se em ritmo acelerado.
Houve um crescimento acelerado anual do PIB brasileiro entre 1967 e 1975. Esse ritmo de crescimento
foi sustentado por investimentos governamentais em infraestrutura, como energia, transporte e
telecomunicações. No entanto, várias obras tinham necessidade, rentabilidade ou eficiência
questionáveis, como as rodovias Transamazônica e Perimetral Norte e o acordo nuclear entre Brasil e
Alemanha. Além disso, muitos investimentos foram feitos graças à captação de recursos no exterior, com
taxa de juros flutuantes, o que levou a dívida externa.
Quanto à construção da rodovia Transamazônica, a mesma foi construída numa época em que não
existia preocupação com a sustentabilidade ambiental e sem planejamento eficiente para a promoção do
crescimento econômico com justiça social, um dos eixos do desenvolvimento sustentável.
O capital estrangeiro entrou em setores como o de telecomunicações, a extração de minerais metálicos
(projetos Carajás, Trombetas e Jari), a expansão das áreas agrícolas (monoculturas de exportação), as
indústrias química e farmacêutica e a fabricação de bens de capital (máquinas e equipamentos) utilizados
pelas indústrias de bens de consumo.
Como o aumento dos preços dos produtos (inflação) não era integralmente repassado aos salários, a
taxa de lucro dos empresários foi ampliada com a diminuição do poder aquisitivo dos trabalhadores.
Aumentava-se, assim, a taxa de reinvestimento dos lucros em setores que gerariam empregos,
principalmente para os trabalhadores qualificados, mas as pessoas pobres eram excluídas, o que deu
continuidade ao processo histórico de concentração da renda nacional.
Nesse contexto, pessoas de classe média com qualificação profissional viram seu poder de compra
ampliado, quer pela elevação dos salários em cargos que exigiam formação técnica e superior, quer pela
ampliação do sistema de crédito bancário, permitindo maior financiamento de consumo. Enquanto isso,
trabalhadores sem qualificação tiveram seu poder de compra diminuído e ainda foram prejudicados com
a degradação dos serviços públicos, sobretudo os de educação e saúde.
No final da década de 1970, os Estados Unidos promoveram a elevação das taxas de juros no mercado
internacional, reduzindo os investimentos destinados aos países em desenvolvimento. Além de sofrer
essa redução, a economia brasileira teve de arcar com o pagamento crescente dos juros da dívida
externa.
Diante dessa nova realidade, a saída encontrada pelo governo para honrar os compromissos da dívida
pode ser sintetizada na frase: “Exportar é o que importa”. Porém, em um país em desenvolvimento como
o Brasil, que quase não investia em tecnologia, era muito difícil tornar seus produtos internacionalmente
competitivos.
A frase do então ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, em resposta à inquietação dos
trabalhadores ao ver seus salários arrochados, ficou famosa: “É necessário fazer o bolo crescer para
depois reparti-lo”. O bolo (a economia) cresceu, o Brasil chegou a ser a 9ª maior economia do mundo
capitalista no início da década de 1980. No entanto, a renda permaneceu muito concentrada. Segundo o
Censo Demográfico de 1980, naquele ano 33,3% da população recebia até 1 salário mínimo e detinha
7,1% da renda nacional, enquanto 1,7% ganhava mais de 10 salários mínimos e detinha 34,3% da renda.
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As soluções encontradas, apesar de favorecerem a venda de produtos no mercado externo, foram
desastrosas para o mercado interno:
→ Redução do poder de compra dos assalariados, conhecida como “arrocho salarial”, para combater
o aumento dos preços;
→ Subsídios fiscais para exportação (cobrava-se menos imposto por um produto exportado do que por
um similar vendido no mercado interno);
→ Negligência com o ambiente, levando a diversas agressões ao meio natural;
→ Desvalorização cambial, ou seja, a valorização do dólar em relação ao cruzeiro (moeda da época)
facilitava as exportações e dificultava as importações.
Assim se explica o aparente paradoxo: a economia cresce, mas o povo empobrece.
Na busca de um maior superávit na balança comercial, o governo aumentou os impostos de importação
não apenas para bens de consumo, como também para os bens de capital e intermediários. A
consequência dessa medida foi a redução da competitividade do parque industrial brasileiro diante do
exterior ao longo dos anos 1980. Os industriais não tinham como importar novas máquinas, pois eram
caras, o que afetou a produtividade e a qualidade dos produtos. Com isso, as indústrias, com raras
exceções, foram perdendo competitividade no mercado internacional e as mercadorias comercializadas
internamente tornaram-se caras e tecnologicamente defasadas em relação às estrangeiras.
Os efeitos negativos dessa política se agravaram com a crise mundial, iniciada em 1979. As taxas de
juros da dívida externa atingiram, em 1982, o recorde histórico de14% ao ano. Durante toda a década de
1980 e início da de 1990, a economia brasileira passou por um período em que se alternavam anos de
recessão e outros de baixo crescimento, conhecido como ciranda financeira, na qual o governo imitia
títulos públicos para captar o dinheiro depositado pela população nos bancos. Como as taxas de juros
oferecidas internamente eram muito altas, muitos empresários deixavam de investir no setor produtivo, o
que geraria empregos e estimularia a economia aumentado o PIB, para investir no mercado financeiro.
Na época, essa “ciranda” criava a necessidade de emissão de moeda em excesso, o que levou os índices
de inflação.
O período dos governos militares no Brasil caracterizou-se pela apropriação do poder público por
agentes que desviaram os interesses do Estado para as necessidades empresariais. As carências da
população ficaram em segundo plano; as prioridades foram o crescimento do PIB e do superávit da
balança comercial. O objetivo de qualquer governo é aumentar a produção econômica; o problema é
saber como atingi-lo sem comprometer os investimentos em serviços públicos, que possibilitam a
melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Apesar do exposto, durante esse período, o processo de industrialização e de urbanização continuou
avançando, resultando em significativa melhora nos índices de natalidade, mortalidade e expectativa de
vida. Esse fato deve-se, sobretudo, ao intenso êxodo rural, já que nas cidades havia mais acesso a
saneamento básico, a atendimento médico-hospitalar, a remédios e a programas de vacinação em postos
de saúde, o que garantiu uma melhora da qualidade de vida de muitas pessoas que migraram para os
centros urbanos.
Em 1984, a campanha por eleições diretas para presidente contou com a realização de comícios
simultâneos em todas as capitais e grandes cidades brasileiras, reunindo milhões de pessoas.
O fim do período militar ocorreu em 1985, depois de várias manifestações populares a favor das
eleições diretas para presidente da República. Os problemas econômicos herdados do regime militar
foram agravados no governo que se seguiu, o de José Sarney, e só foram enfrentados efetivamente nos
anos de 1990.

Questão

01. (Enem) Os textos abaixo relacionam-se a momentos distintos da nossa história.


“A integração regional é um instrumento fundamental para que um número cada vez maior de países
possa melhorar a sua inserção num mundo globalizado, já que eleva o seu nível de competitividade,
aumenta as trocas comerciais, permite o aumento da produtividade, cria condições para um maior
crescimento econômico e favorece o aprofundamento dos processos democráticos. A integração regional
e a globalização surgem assim como processos complementares e vantajosos.” (Declaração de Porto, VIII Cimeira
Ibero-Americana, Porto, Portugal, 17 e 18 de outubro de 1998)
“Um considerável número de mercadorias passou a ser produzido no Brasil, substituindo o que não
era possível ou era muito caro importar. Foi assim que a crise econômica mundial e o encarecimento das
importações levaram o governo Vargas a criar as bases para o crescimento industrial brasileiro.” (POMAR,
Wladimir. Era Vargas – a modernização conservadora)
É correto afirmar que as políticas econômicas mencionadas nos textos são:

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(A) opostas, pois, no primeiro texto, o centro das preocupações são as exportações e, no segundo, as
importações.
(B) semelhantes, uma vez que ambos demonstram uma tendência protecionista.
(C) diferentes, porque, para o primeiro texto, a questão central é a integração regional e, para o
segundo, a política de substituição de importações.
(D) semelhantes, porque consideram a integração regional necessária ao desenvolvimento econômico.
(E) opostas, pois, para o primeiro texto, a globalização impede o aprofundamento democrático e, para
o segundo, a globalização é geradora da crise econômica.

Gabarito

01.C

Comentário

01. Resposta: C
O primeiro texto destaca a importância da integração regional entre os países e a globalização como
processos complementares e vantajosos, que criam condições para um crescimento econômico mais
intenso e valorização da democracia. Já o segundo texto destaca a importância da política de substituição
de importações para dinamizar o processo de industrialização brasileira, no contexto da crise econômica
que se iniciou em 1929.

ESTRUTURAS DOS TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES69

Os Transportes no Brasil

O desenvolvimento econômico dos países relaciona-se ao seu sistema de transportes. Quanto mais
desenvolvido, diversificado e eficiente o sistema de transportes, maiores são as possibilidades de
circulação rápida de pessoas e mercadorias, o que implica maiores ganhos para produtores e
consumidores. Por outro lado, um sistema de transportes pouco eficiente acaba por dificultar a circulação
de pessoas e mercadorias em países mais pobres, que, por sua vez, incide e aumenta suas dificuldades
econômicas.

Brasil – Redes de Transportes – IBGE/2014

http://atlasescolar.ibge.gov.br/images/atlas/mapas_brasil/brasil_redes_de_transporte.pdf.

69 MARTINI, Alice de. Geografia. Alice de Martini; Rogata Soares Del Gaudio. 3ª edição. São Paulo: IBEP, 2013.

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http://atlasescolar.ibge.gov.br/images/atlas/mapas_brasil/brasil_redes_de_transporte.pdf.

Tipos de Transportes Utilizados no Brasil

Brasil – Evolução das Redes Ferroviária e Rodoviária - IBGE

http://atlasescolar.ibge.gov.br/images/atlas/mapas_brasil/brasil_evolucao_das_redes_ferroviaria_e_rodoviaria.pdf.

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Transporte Ferroviário

O transporte ferroviário no Brasil começou a se expandir durante o Segundo Império, no final do século
XIX, associado à expansão do café. Esse tipo de transporte é, em geral, 50% mais barato que o transporte
rodoviário.
Uma característica importante da malha ferroviária brasileira é sua pequena conectividade, ou seja,
em geral, as ferrovias brasileiras foram construídas interligando as áreas produtoras aos portos, para
facilitar a exportação das mercadorias.
O maior adensamento dessa rede dessa rede de transporte também coincide com a principal região
brasileira produtora de café no início do século XX: o estado de São Paulo.
Mesmo ferrovias construídas recentemente mantêm essa característica de não se integrarem umas às
outras, lingando apenas as áreas produtoras aos portos.
A partir de 1996, as ferrovias brasileiras, sob o controle da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), foram
privatizadas.

Transporte Rodoviário

As rodovias constituem o principal meio de transporte utilizado no Brasil, correspondendo a 60,5% de


toda movimentação de cargas, apesar de seus elevados custos de manutenção.
A implantação das rodovias teve por objetivo integrar rapidamente o vasto território brasileiro, com o
intuito de consolidar o mercado consumidor interno, base para o modelo de industrialização adotado em
nosso país (substituição de importações).
Atualmente, são inúmeros os problemas enfrentados pelos trabalhadores do transporte rodoviário:
roubos constantes de carga, violência, estradas mal conservadas e mal sinalizadas, baixo preço do frete,
etc.
Os prejuízos, às vezes, também são elevados e estão associados às longas distâncias a serem
percorridas, ao péssimo estado de conservação das vias que, por sua vez, geram aumento do consumo
de óleo diesel, gastos com consertos dos veículos danificados em função de buracos e elevado número
de acidentes.
De acordo com o DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, a situação da malha
rodoviária federal brasileira em relação ao seu estado de conservação, em abril de 2003, era a seguinte:

A partir da década de 1990, o governo federal começou a fazer uma série de licitações com o objetivo
de estabelecer concessões para que a iniciativa privada explorasse e mantivesse as rodovias federais.

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A segunda etapa de concessões abrangeu 680,6 Km, composto de um lote:

Transporte Hidroviário

Brasil – Principais Hidrovias

O transporte hidroviário é o que apresenta menores custos, desde que existam condições favoráveis
à sua implantação, como rios potencialmente navegáveis, relevo mais ou menos plano e condições de
navegabilidade nos rios. Caso essas condições não existam, é possível estabelecer a navegação a partir
da construção de eclusas, como em Jupiá (SP) e Bom Retiro (RS).
O Brasil possui cerca de 42.000 Km de rios navegáveis, localizados, sobretudo, na Região Norte.
São vantagens do transporte hidroviário: transportar grandes volumes a grandes distâncias; preservar
o meio ambiente; implantação e frete mais baratos que os de outros meios de transportes.

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Bacias Hidrográficas Brasileiras

Principais Hidrovias Brasileiras

Hidrovia do Madeira
Localizada no Corredor Oeste-Norte, é navegável numa extensão de aproximadamente 1.056 Km,
entre Porto Velho e sua foz, no Rio Amazonas, permitindo, mesmo na época de estiagem, a navegação
de grandes comboios, com até 28.000 toneladas. Atualmente transporta cerca de 2 milhões de toneladas
ao ano.

Hidrovia do Guamá-Capim
Localizada no Corredor Araguaia-Tocantins, transportando principalmente minérios. Hoje observa-se
a formação de relevantes polos agropecuários, especialmente na região de Paragominas.

Hidrovia do São Francisco


Localizada no Corredor São Francisco, o Rio São Francisco é totalmente navegável em 1.371 Km,
entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) / Petrolina (PE), para a profundidade de projeto de 1,5 m, quando da
ocorrência do período crítico de estiagem (agosto a novembro). A partir da implantação do sistema
multimodal, o escoamento da produção agrícola do oeste da Bahia, com foco na cidade de Barreiras,
banhada por um dos seus principais afluentes, o Rio Grande, é realizado por rodovia até a cidade de
Ibotirama, na margem do São Francisco, descendo o rio pelo transporte hidroviário até Juazeiro/Petrolina,
e deste, por ferrovia, para o Porto de Aratu (BA). No quilômetro 42 acima de Juazeiro/Petrolina situa-se
a barragem de Sobradinho, cuja transposição é realizada através de eclusa. A movimentação anual fica
em torno de 60.000 toneladas por ano.

Hidrovia Tietê-Paraná
Localizada nos Corredores Transmetropolitano do Mercosul e do Sudoeste, a hidrovia Tietê-Paraná
permite a navegação numa extensão de1.100 Km entre Conchas, no rio Tietê (SP), e São Simão (GO),
no rio Paranaíba, até Itaipu, atingindo 2.400 Km de via navegável. Ela já movimenta mais de um milhão
de toneladas de grãos/ano, a uma distância média de 700 Km. Se computarmos as cargas de pequena
distância como areia, cascalho e cana-de-açúcar, a movimentação no rio Tietê aproxima-se de dois
milhões de toneladas.

Hidrovia do Paraguai
Localizada no Corredor do Sudoeste, essa hidrovia compõe um sistema de transporte fluvial de
utilização tradicional, em condições naturais, que conecta o interior da América do Sul com os portos de
águas profundas no curso inferior do Rio Paraná e no Rio da Prata. Com 3.442 Km de extensão, desde
Cáceres até o seu final, no estuário do rio da Prata, proporciona acesso e serve como artéria de transporte
para grandes áreas no interior do continente. As principais cargas transportadas no trecho brasileiro são:
minério de ferro, minério de manganês e soja. Os fluxos de carga na hidrovia vêm crescendo nos últimos
anos, respondendo à expectativa de interação comercial na região. No território brasileiro, a hidrovia
percorre 1.278 Km e tem como principais portos: Cáceres, Corumbá e Ladário, além de três terminais
privados com expressiva movimentação de carga. Entre 1998 e 2000, foram movimentadas mais de seis
milhões de toneladas de cargas no trecho brasileiro.

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Fazem parte das Hidrovias do Sul as Lagoas dos Patos e Mirim, o canal de São Gonçalo, que liga o
Rio Jacuí a seu afluente, o Taquari e uma série de rios menores, como Caí, Sinos e Gravataí, que
constituem o estuário do Guaíba. O Rio Jacuí foi canalizado com a construção das barragens eclusadas,
compreendo uma extensão de300 Km, para calados de 2,5 m. No rio Taquari foi implantada a barragem
eclusada de Bom Retiro do Sul, que vence um desnível máximo de 12,50 m, dando acesso ao Porto
Fluvial de estrela, para embarcações de 2,5 m de calado.

Hidrovias do Tocantins-Araguaia e do Tapajós


Importantíssimas para a viabilização da produção agrícola da região Centro-oeste, que será
encaminhada aos portos do Norte do país, com grandes reduções de custos.

As hidrovias, apesar de apresentarem um impacto ambiental menor que outros meios de transporte,
também afetam o meio ambiente.
Os principais impactos ambientais das hidrovias são de três ordens: impactos gerados a partir da
implantação das obras, impactos resultantes das operações e impactos nas áreas de influência
indireta (sobretudo nas áreas de mananciais).

Impactos Quando da Implantação das Obras Necessárias


A área de influência direta é, de fato, o próprio leito do rio, que é o local onde se efetuam as principais
intervenções necessárias. Uma pequena faixa de margem é utilizada para implantação da sinalização, de
forma pontual. As principais obras e de maior impacto são as dragagens de implantação e os
derrocamentos.

Impactos quando da operação

1. Dragagem de manutenção: feita com menores volumes e monitorada ambientalmente;

2. Risco de acidentes com cargas perigosas: exigência de casco duplo para embarcações, para
aprimorar as possibilidades de derramamento e aplicação de planos de emergência;

3. Contaminação de águas por lançamento de dejetos: programas de educação ambiental e


controle sanitário do sistema de coleta das embarcações.

Impactos na área de influência indireta


O impacto na área de influência indireta de uma infraestrutura de transporte é preocupação que
inquieta a maioria dos ambientalistas. Estudos já comprovaram que o grande degradador dos recursos
d’água é o mau uso da área de bacia de contribuição de manancial e não o seu uso como hidrovia. O
controle é de responsabilidade da implantação de uma Política Institucional de Racionamento e
Gerenciamento do Uso da Água. A dragagem tem por objetivo garantir uma profundidade mínima, para
que as embarcações possam circular sem agarrar no fundo do canal. Essa via imaginária possui uma
largura que varia de acordo com o tamanho da embarcação, e situa-se normalmente nos locais onde o
rio é mais fundo, pois quase sempre coincide com seu canal natural.

Sobre a hidrovia do Paraguai, há uma grande polêmica, uma vez que a realização de obras como o
aprofundamento do leito dos rios poderia afetar o Rio Paraguai e seus afluentes, alterando as condições
ecológicas do Pantanal Mato-grossense, considerado patrimônio ecológico da humanidade.
Apesar de os rios dessa bacia serem de planície e naturalmente navegáveis, há ao longo de seus
leitos bancos de areia e rochas, que tornam a navegação perigosa e atrasam a movimentação das cargas.
O projeto de aprofundamento do leito dos rios previa a dragagem dos bancos de areia e a detonação das
rochas, desimpedindo o fluxo das águas e aumento sua velocidade de escoamento.
Porém, muitos grupos ambientalistas posicionaram-se contrariamente ao projeto, pois isso significaria
a drenagem do Pantanal e o comprometimento do seu ecossistema.

Corredores de Exportação

Corredores de exportação são sistemas de circulação de mercadorias que integram hidrovias,


rodovias e principalmente ferrovias e portos equiparados para exportação de determinados produtos.

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No início do século XXI, o Brasil se estabeleceu como um dos maiores provedores de soja do mundo.
Em plena região amazônica, o arco do desmatamento funcionou como uma frente de expansão agrícola
em que milhares de quilômetros quadrados de florestas e cerrados deram lugar ás pastagens e à cultura
da soja. Desse modo, o Brasil entrou no segundo milênio incorporando vastas extensões de terras ao
imenso espaço econômico internacional, mantendo um modelo econômico agrário-exportador que, acima
de tudo, sustentou os pagamentos da dívida externa aos credores internacionais.
O intenso desmatamento da Amazônia foi concentrado em dois estados: Mato Grosso e Rondônia. No
primeiro, a área plantada de soja cresceu em 400% nos últimos dez anos.

O crescimento dessas novas regiões produtoras está apenas no seu início, pois, justamente nos
últimos anos, a iniciativa provada, juntamente com o Estado brasileiro, tem criado condições para o
escoamento dessas imensas safras agrícolas. O estabelecimento do corredor de exportação Madeira-
Amazonas, baseado no transporte dos grãos pelos citados rios amazônicos, proporcionou aos
agricultores do Norte e do Centro-Oeste do Brasil uma diminuição do custo do frete que se aproxima dos
50%. E, com o custo de transporte reduzido quase pela metade, a soja das novas regiões produtoras do
Brasil se tornou altamente competitiva (mais barata) no mercado internacional.
Uma das razões do baixo custo e eficiência do corredor Madeira-Amazonas é justamente o
aproveitamento do transporte fluvial, o mais competitivo que se conhece atualmente. Nesse contexto, os
produtos agrícolas de grande parte do Mato Grosso, estado do Tocantins e Rondônia, são transportados
por via terrestre até Porto Velho (RO), seguindo daí por embarcações até o porto flutuante de Itacoatiara
(AM) e, daí, para o mercado internacional.
A existência de portos bem equiparados e especializados é uma das características fundamentais da
implementação dos chamados corredores de exportação. Abaixo, veremos a relação dos principais
corredores de exportação do Brasil, juntamente com os principais produtos vendidos.
Entre todos esses corredores de exportação, o ligado ao porto de Santos é o que teve um grande papel
histórico vinculado tanto ao ciclo do café como ao processo de industrialização da década de 1950
(implantação da indústria automobilística na atual região metropolitana de São Paulo).
Na década de 1970, com um forte investimento do Estado, surgiram e se desenvolveram outros
corredores de exportação, ligados ao comércio de produtos agrários (porto de Paranaguá) ou de minérios
brutos e semi-industrilizados, como no caso do porto de Tubarão, no Espírito Santo.
O estabelecimento do porto de Itaqui, também como um exportador de produtos agrários, bem como
a instalação do porto flutuante de Itacoatiara, estão ligados à recente expansão do agronegócio em novas
áreas do Norte e Centro-oeste do Brasil.

Corredor de exportação/ Principais produtos escoados

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Transporte Aéreo70

Implantado no Brasil em 1927, o transporte aéreo é realizado por companhias particulares sob o
controle do Ministério da Aeronáutica no que diz respeito ao equipamento utilizado, abertura de novas
linhas, etc.
A rede brasileira, que cresceu muito até a década de 1980, sofreu as consequências da crise mundial
que afetou o setor nos primeiros anos da década de 1990.
Há dez anos, o Brasil vive uma verdadeira revolução no setor da aviação. Antes privilégio de poucos,
voar hoje é uma realidade para a grande maioria da população. Prova disso é que entre 2004 e 2014, o
desenvolvimento expressivo do transporte aéreo no país levou à redução de 48% do custo da passagem
aérea doméstica. A média anual de crescimento do setor foi três vezes o crescimento médio do PIB –
Produto Interno Bruto – para o mesmo período (3,4%). Paralelamente, o número de passageiros cresceu
170%, alcançando 117 milhões em 2014.
E a qualidade do serviço também melhorou. O índice de atrasos nos aeroportos brasileiros, por
exemplo, caiu 62% de 2007 a 2014, passando de 29,84% para 11,3%. Nesse mesmo período, a demanda
de passageiros cresceu 88%.
Nessa democratização do transporte aéreo, três fatores passaram a influenciar na escolha da forma
de viajar dos brasileiros: custo, tempo e conforto.
A infraestrutura aeroportuária também está passando por melhorias significativas. Entre 2011 e 2015,
foram investidos R$ 15,6 bilhões no setor.

Questões

01. (TRT/8R – Analista – CESPE/2016) A respeito da infraestrutura rodoviária brasileira e suas


implicações para o setor rodoviário nacional, assinale a opção correta.
(A) A flexibilização das rotas e a possibilidade de movimentação de pequenos volumes são algumas
das vantagens apresentadas pelo transporte de cargas rodoviário, se comparado aos demais tipos de
transporte de carga.
(B) A utilização do transporte rodoviário como meio de transporte complementar é inviabilizada devido
ao elevado custo de transposição de carga que o transporte rodoviário apresenta.
(C) O estado de conservação do pavimento das rodovias gera pouco impacto no custo total do
transporte de cargas rodoviário.
(D) O Brasil possui uma das malhas rodoviárias mais extensas do mundo, sendo grande parte dela
pavimentada.
(E) Em comparação com as rodovias de pavimento flexível, as rodovias de pavimento rígido acarretam
maior custo de manutenção, menor segurança e maior consumo de combustível pelos veículos.

02. (IPEA – Técnico – CESPE) Com relação à matriz brasileira de transportes e aos sistemas de
transporte, julgue os próximos itens.
Na competição entre os sistemas rodoviário e ferroviário de transportes, a ferrovia no Brasil perde
espaço no transporte a longas distâncias, mesmo apresentando condições econômicas mais
competitivas.
(....) Certo (....) Errado

Gabarito

01.A / 02.Certo

Comentários
01. Resposta: A
As principais vantagens do modal de transporte rodoviário:
Acessibilidade, pois conseguem chegar em quase todos os lugares do território brasileiro;
Facilidade para contratar ou organizar o transporte;
Flexibilidade em organizar a rota;
Pouca burocracia quanto à documentação necessária para o transporte;
Maior investimento do governo na infraestrutura das rodovias se comparada aos outros modais.

70 http://www.aviacao.gov.br/obrasilquevoa/cenario-da-aviacao-brasileira.php.

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As principais desvantagens do modal de transporte rodoviário:
Alto custo de frete, por causa do impacto direto que pedágios e alto valor do combustível geram;
Baixa capacidade de carga;
Menor distância alcançada com relação ao tempo utilizado para o transporte;
Maiores chances da carga ser extraviada, por causa de roubos e acidentes.

02. Resposta: Certo


Apesar de o transporte ferroviário possuir custo variável baixo (Lembrando custo fixo é o referente à
implantação → este é elevado; No entanto, para o transporte de mercadorias, importa o custo variável →
este é baixo, de fato), o transporte rodoviário é o mais utilizado, pelo fato de ter maior flexibilidade.

TEMPO LIVRE71

Considerações Sobre o Lazer

Uma Breve Introdução ao Estudo do Lazer


Nos últimos anos o lazer vem ganhando mais importância, seja como um problema social, na sua falta,
seja como objeto de reivindicação, devido à ausência de espaços públicos ou mesmo ao pouco espaço
destinado a esta atividade, ou ainda espaços inadequados para sua prática. Tudo isto está ligado à
qualidade de vida nas cidades e, muitas vezes, o descaso do poder público agrava esta situação.
Para que o lazer seja uma referência geral, é necessário fazermos algumas considerações:
a) é preciso que o lazer seja considerado como uma cultura a ser vivenciada no tempo livre dos
cidadãos, depois de cumpridas suas obrigações profissionais, escolares, familiares e sociais, desde que
cada um esteja livre para escolher o que melhor atenda às suas necessidades;
b) o indivíduo que pratica o lazer deve ter uma relação muito próxima com seu ambiente, pois ele é
influenciado por este último, como veremos mais adiante;
c) a prática do lazer deve ser exercida em um tempo livre que proporcione novas experiências às
pessoas envolvidas, contribuindo assim para a formação de um novo cidadão, mais alegre, mais
questionador e mais relaxado;
d) o lazer que esperamos é aquele que possua duplos fins, ou seja, que possibilite ao mesmo tempo
descanso, divertimento e desenvolvimento pessoal e social.
Resumidamente, devemos entender que para iniciarmos os estudos sobre o lazer e o entretenimento,
devemos observar as atitudes que os envolvem, os valores proporcionados aos indivíduos, seus aspectos
educativos, as barreiras para seu desenvolvimento e muitos outros elementos que vocês conhecerão de
agora em diante.
Muitas vezes deixamos de dar o devido valor para esta pequena palavra. No entanto, ela pode ser
estimuladora da participação dos indivíduos, exercício de cidadania, geradora de emprego e renda e,
também, propulsora do divertimento e do bem-estar.
A realização de qualquer atividade de lazer envolve satisfação de desejos, de aspirações dos
praticantes. Quem vai a um cinema ou a um teatro, a uma praça, a uma festa; quem toma banho em um
rio ou no mar, como também quem pratica um esporte, o faz por razões diferentes, mas certamente a
satisfação de ter feito o que gosta é bem semelhante!
Essa variedade existente na busca pelo prazer, que nos conduz ao lazer, nos possibilita classificar
seus conteúdos e distingui-los em seis áreas fundamentais: interesses artísticos, intelectuais, esportivos,
manuais, sociais e turísticos.

Interesses Artísticos
Abrangem todas as manifestações artísticas que mexem com o imaginário das pessoas, ou seja, com
os sentimentos, as emoções e as imagens – cinema, música, dança, museu (Figuras 1.1 e 1.2) são alguns
exemplos.

71 Simonetti, Susy Rodrigues. Lazer e entretenimento / Susy Rodrigues Simonetti. - Manaus: Centro de Educação Tecnológica do Amazonas, 2010.

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Interesses Intelectuais
Participar de um curso, ler um livro ou jornal são exemplos de atividades que buscam o contato com
informações objetivas, explicações lógicas, racionais, ou mesmo a satisfação de uma curiosidade ou o
desejo sincero de saber alguma coisa sobre algo.

Interesses Físicos Esportivos


Todas as atividades em que prevalece o movimento, o exercício físico, estão neste campo de interesse
e, como exemplo, podemos citar a pesca, os passeios, as caminhadas, a ginástica, todas as práticas
esportivas, incluindo suas diversas modalidades.

Interesses Manuais
Todas as vezes que trabalharmos com o artesanato ou que tivermos o prazer de explorar, manipular
e transformar a natureza através da jardinagem, cuidando de animais, manipulando terra, água, madeira,
metal, estaremos exercitando as atividades manuais de lazer.

Interesses Sociais
Trata-se de exprimir o interesse cultural centrado no contato com outras pessoas, face a face. Assim
podemos exemplificar os bailes, os bares, cafés, jogos, passeios com a família, visitas aos parentes e
amigos, frequência a grupos, associações e movimentos culturais.

Interesses Turísticos
O que motiva estes interesses é a mudança de paisagem, de rotina e de estilo de vida, pelo menos
por um curto período, quando se busca quebrar o ritmo de vida que se leva e se entra em contato com
novas situações, culturas, pessoas diferentes, novas paisagens mediante passeios e viagens, utilizando
o turismo como ferramenta para que isto venha a acontecer.
Conforme o que foi apresentado, uma das principais atividades realizadas em nível mundial, o turismo,
está relacionada ao lazer; e este último somente pode ser distinguido das demais atividades através de
dois aspectos: o que enfatiza a atitude e o que privilegia o tempo.

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Com base nesta informação, podemos notar que o lazer permite a um indivíduo equilibrar-se consigo
mesmo e com o ambiente onde vive, escolhendo o que deseja fazer em seu tempo livre, e isto favorece
seu bem-estar.
O que pode ser compreendido, então, é que a prática do lazer é essencial aos seres humanos, uma
vez que no tempo livre eles podem se ocupar de algo que lhes traga satisfação, crescimento e certo
equilíbrio pessoal.
Devemos esclarecer também que muitas diferenças quanto ao significado da palavra lazer podem ser
observadas, até mesmo nas conversas informais.
Grande parte da população associa o lazer às atividades recreativas ou aos eventos que reúnem
muitas pessoas, talvez pelo fato de que a palavra tenha sido bastante utilizada nas promoções de
instituições cujo interesse era despertar a atenção do grande público.
Nesse sentido, podemos então resumir que o lazer não possui um significado correto. Ele está
automaticamente relacionado a qualquer tipo de atividade que implique na fuga da rotina normal de uma
pessoa. Pode ser uma conversa com os amigos, uma partida de futebol, uma viagem ou outras atividades
que possam oferecer às pessoas um tempo de descanso.
O lazer é considerado um bem necessário para os seres humanos, uma maneira de relaxar, de
recompor as energias para o trabalho. Ao longo do tempo, passou a ser também um bem de consumo,
na medida em que foram criados equipamentos e atividades específicas para impulsioná-lo, havendo
então um mercado de consumo para suas atividades específicas.
A questão do “consumo do lazer no tempo livre” tornou-se assunto e também uma necessidade
constante entre as pessoas que possuem uma carga excessiva de trabalho. Para entender o significado
e a importância que o lazer tem na sociedade atual, é preciso rever alguns fatos que deram início ao
conceito, mas que serão melhor explorados mais à frente.
Na Grécia antiga os gregos denominavam ócio a atividade exercida pela classe dominante, os
cidadãos. Podia ser chamado de atividade porque era um momento dedicado ao pensamento, entre
outras coisas para dirigir os rumos da sociedade.
O que deve ser entendido é que o lazer é uma necessidade e uma manifestação que sempre esteve
presente na vida do ser humano. A vontade de praticar as diversas formas do uso do lazer, por sua vez,
pode variar no tempo e no espaço.
Muitas vezes estamos praticando alguma atividade de lazer e nem percebemos. Então, para que
possamos entender como isso acontece, precisamos estudar o tempo e o espaço de lazer.

O Tempo e o Espaço do Lazer


O tempo de lazer pode ser diário, semanal ou de longa duração. Diariamente podemos ter lazer, e ele
é representado, sobretudo, quando nos concentramos na leitura de um livro, assistimos à televisão,
conversamos com amigos, praticamos esportes, ginástica ou dança, quando vamos a uma sessão de
cinema, namoramos, assim como outros tantos exemplos do nosso dia a dia.
Nos finais de semana, quando nos reunimos para pescar, passear nos mais diversos lugares, brincar
nos parques de diversões, visitar um museu, o que geralmente só ocorre nesse tempo, é que praticamos
o chamado lazer semanal, o qual permite nos ausentarmos um pouco da vida urbana que muitos de nós
levamos, da nossa rotina que nos deixa cansados e estressados.
Já aquele lazer realizado em um tempo mais longo, tal como férias, licenças ou aposentadoria, permite
às pessoas viajarem a outras regiões, cidades, países diferentes daqueles em que vivem habitualmente.
É propiciado pela ação do turismo e, justamente nesse tempo itinerante de longa duração, o lazer pode
se desenvolver pelos seguintes meios: museus, bibliotecas, galerias, arquivos, academias artísticas e
literárias, parques ecológicos (Figura 1.3), de exposições, botânicos e zoológicos, feiras livres e cobertas,
salas de teatro, de concertos, de cinema, de dança, pistas de patinação, quadras desportivas, ginásios
aquáticos, pugilísticos, para competidores portadores de necessidades especiais, estádios de
competições, arenas olímpicas, salões com equipamentos de jogos de mesa, para eventos diversificados,
fazendas experimentais, instituições desportivas pesqueiras, instituições educacionais e profissionais
tradicionais, estúdios televisivos e cinematográficos.

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Mas, dependendo de como ocorre o desgaste físico, mental e psicológico de cada pessoa é que se
escolhe a forma preferida de lazer. Podemos exemplificar da seguinte forma: para um habitante de uma
pequena comunidade na Amazônia, o deslocamento para uma cidade como Manaus pode gerar inúmeras
oportunidades de praticar o lazer, mas isso também pode deixá-lo confuso, pois o ritmo da sua
comunidade certamente é bem diferente daquele vivido na cidade.
Para aqueles habitantes de uma cidade como Brasília ou Palmas, no Tocantins, o melhor lazer poderia
ser conhecer uma pequena vila de pescadores na beira do mar no Nordeste, uma vez que nos locais
citados não há mar.
No entanto, a função restauradora do lazer não atua somente no físico dos indivíduos; ou seja, não se
trata apenas de repouso, mas é necessário a pessoa restabelecer-se psicologicamente dos problemas
do dia a dia, das pressões dos diversos meios de comunicação e do trabalho.
Outro importante componente no contexto do lazer é o espaço onde podemos praticá-lo. Para o lazer
realizado no dia a dia, por exemplo, a nossa própria casa é o espaço ideal, pois muitos de nós
encontramos nela as condições adequadas para ler um livro, assistir à televisão e outras atividades já
citadas; podemos dizer que teremos privacidade ao escolhê-la.
Temos que lembrar que a paisagem urbana ou rural onde vivemos também pode ser considerada um
bom espaço para o lazer. Nas cidades podemos encontrar bibliotecas, cinemas, teatros, museus,
observatórios, mirantes e parques. Nas zonas rurais teremos rios, igarapés, cachoeiras, praças e muitos
outros locais.
No oferecimento de atividades de lazer, além dos espaços destinados a essas atividades, devem ser
levadas em consideração as funções básicas do lazer.

Funções do Lazer
As três funções básicas do lazer são assim definidas:
a) Função de descanso (resposta à fadiga) – acompanha a trajetória humana e é absolutamente
necessária. O descanso libera a fadiga. Nesse sentido, o lazer é um repassador do estresse físico e
nervoso provocado pelas tensões resultantes das obrigações cotidianas e, particularmente, do trabalho.
b) Função de divertimento, recreação e entretenimento (também é uma resposta à fadiga) –
divertimento confunde-se com entretenimento, algo que a sociedade moderna considera como uma quase
obrigação, algo que precisamos buscar em nosso tempo livre, sob qualquer pretexto e, principalmente, a
qualquer preço, já que é cada vez mais difícil dissociar tal função da dimensão do espetáculo e do
consumo. Exemplificamos esta função através das viagens, jogos e esportes, ou então, cinema, teatro e
romance.
c) Função de desenvolvimento (novas formas de aprendizagem) – tem importância fundamental para
incrementar a cultura popular com novas experiências de vida envolvidas. É capaz de desenvolver
personalidade, permite uma participação social maior e mais livre; a prática de uma cultura
desinteressada do corpo, adotando atividades ativas na utilização de fontes diversas de informações
tradicionais ou modernas como imprensa, filme, rádio, TV e computador.
As três funções são solidárias, estão sempre intimamente unidas umas às outras, mesmo quando
parecem estar em lados opostos. Às vezes estão de tal modo conectadas, interligadas, que se torna difícil
distingui-las. Estas funções do lazer também são conhecidas por 3ds (descanso, divertimento e
desenvolvimento). Porém há outras que podem ser representadas e se originaram das três anteriormente
apresentadas:
a) Função educativa – caracteriza-se pelo interesse de cada indivíduo direcionado para a ampliação
dos horizontes mentais, busca de novas experiências e de conhecimentos novos.
b) Função de ensino – caracterizada pela assimilação ou aprendizagem das normas culturais, de ideais
filosóficos ou políticos, das normas de convivência social ou de comportamentos.

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c) Função integrativa – tem por objetivo solidificar ou integrar os grupos, principalmente os familiares,
de amizade, de interesses comuns.
d) Função recreativa – compreende as atividades relacionadas com o descanso psicológico e físico.
e) Função cultural – refere-se à compreensão e assimilação dos valores culturais ou à criação de
novos.
f) Função compensadora – são as atuações que, de alguma forma, nivelam as insatisfações das outras
áreas da vida.
Após tudo que foi apresentado aqui sobre o lazer, que tal conhecermos um pouco mais sobre seu
desenvolvimento histórico!

As Origens do Lazer
Desde épocas bem primitivas é possível encontrar alguns sinais que indicam que o ser humano sempre
esteve em busca de atividades criativas e que pudessem oferecer prazer. Podemos citar como exemplo
a preocupação com os enfeites do corpo, a utilização da tecelagem dentre suas atividades principais, a
fabricação de artefatos como peças em cerâmica, cerimônias festivas que envolviam o fogo, a música e
a dança.
Além de todos os elementos citados, é importante destacar um, em especial, destinado às atividades
lúdicas, à recreação – o brinquedo.
Foram encontrados em túmulos, em ruínas de civilizações antigas, muitos brinquedos, como bolas de
couro com recheio de palha, bonecos feitos de madeira, pedra, tabuleiros de xadrez, bolas de gude, piões
e muitos outros tipos de brinquedos. Assim, mediante esses elementos encontrados na história da
humanidade, é importante registrar a existência da atividade recreativa.
A presença de brinquedos encontrados, como bolas de couro, indica que o jogo, uma atividade
descompromissada, em que homens e mulheres praticavam e praticam até hoje na forma de competição
ou não, também faz parte dos valores e costumes de várias sociedades. Sendo assim, não é uma
manifestação lúdica tão nova assim!
Nós podemos afirmar que o jogo é tão antigo quanto o trabalho! Não é interessante? E tem mais: os
jogos variavam de uma sociedade para outra, cada uma adaptava-os, criava suas formas. A atividade
lúdica do jogo também facilitava a inter-relação entre os indivíduos, isto é, a socialização.
Alguns exemplos de como algumas sociedades usavam sua criatividade em busca do prazer são
apresentados a seguir:
a) os egípcios – além de gostarem de música e escultura, eles divertiam-se com caçadas;
b) os cretenses – gostavam de danças, jogos e corridas de touro;
c) os chineses – apreciavam jogos, lutas corporais, andar a cavalo e pintura;
d) os gregos – davam valor significativo ao atletismo, à música, à poesia e ao teatro;
e) os romanos – deslocavam-se em busca de festivais, diversões em arenas, spas e outros lugares.
Ao começar a discutir lazer e entretenimento, é importante lembrar que as manifestações esportivas,
ou seja, atividades que ofereciam diversão e lazer surgiram com bastante representatividade, ainda sem
este nome, no país onde se originaram as Olimpíadas: a Grécia. Mas o povo romano também tem
importante participação nesse contexto, pois o ócio surge na Antiguidade Clássica: Grécia e Roma.
Os Jogos Olímpicos eram muito importantes para os gregos, não apenas por seu caráter esportivo,
mas também por sofrerem influência dos aspectos religioso, político e cívico. Quando os jogos
aconteciam, todas as outras atividades, e até mesmo as guerras, eram suspensas. Dá para imaginarmos
o significado disso!
Os gregos ainda não conheciam a palavra lazer, mas todo o tempo livre que eles tinham denominava-
se ócio. Os atenienses atribuíam mais valor ao ócio do que ao próprio trabalho!
Na Grécia clássica, o ideal de sabedoria que se cultivava tinha no ócio sua condição essencial, pois
era um momento dedicado ao pensamento, como já citado anteriormente. Havia nesse período uma
grande significação e exaltação das atividades ociosas em contraposição às de trabalho, pelo menos para
os atenienses, já que os espartanos eram guerreiros. O cotidiano deste povo acontecia fundamentalmente
nos ginásios, nas termas, no fórum e em outros lugares de reunião.
Não podemos deixar de mencionar que havia o culto aos deuses, o tempo também era usado com
este fim, pois os gregos entendiam que para se atingir a perfeição e obter sabedoria, a contemplação dos
deuses era fundamental.
Cronos é o deus do tempo. Desta palavra surgiram outras como cronômetro, cronometragem,
cronograma.
A origem da palavra ócio é grega; ócio, então, em grego é skole, em latim schola e em castelhano
escuela. Assim, entendemos que educação significava ócio, pois ao fazermos uma análise da palavra

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skole, constatamos que significa parar ou cessar, indicando ideia de repouso, paz, algo a ser alcançado
para ser desfrutado.
Aristóteles, um dos mais famosos filósofos da Antiguidade, dizia ser o ócio uma condição ou estado
de estar livre da necessidade de trabalhar. O filósofo discutia ainda naquele tempo a vida de ócio em
contraposição à de ação, entendendo por ação a atividade dirigida para obtenção de algum fim. Ele não
considerava a diversão (paidéia) ou recreio (anapáusis) como ócio, uma vez que eram meios necessários
para conduzir os indivíduos às atividades laborais.
Para Aristóteles as atividades de recreio e diversão estavam diretamente relacionadas com descanso
do trabalho. A capacidade de cada ser humano empregar devidamente o ócio era a base de um ser livre
e da felicidade humana.
Devemos ressaltar que a vida de ócio dos gregos foi possível devido à escravidão, pois, nessa fase,
havia duas classes de indivíduos: uma dedicada às artes, à contemplação ou à guerra; outra era obrigada
a trabalhar: a classe escrava.
Para o povo grego, o ócio não significava estar ocioso no sentido de nada fazer, mas estavam
presentes aspectos intelectuais e espirituais que se traduziam na contemplação da verdade, do bem e da
beleza, de forma não utilitária.
Para os gregos o ócio era considerado um estado de alma que consistia em o indivíduo sentir-se livre
do trabalho, que era uma obrigação dos escravos.
Já em Roma (Figuras 1.4 e 1.5), diferentemente, o conceito de descanso e de diversão era o que
importava, sendo um tempo necessário para o indivíduo revigorar-se e poder trabalhar em seguida: o
trabalho era visto como uma condição necessária para o exercício do ócio.
O povo romano, por outro lado, exaltava e vivia o otium, ou seja, com viagens e permanência à beira
do mar, por exemplo.

Agora que conseguimos situar as origens do lazer, podemos encontrar aspectos em comum nos
indivíduos da Antiguidade Clássica: eles valorizavam o tempo do não trabalho e atribuíam um grande
valor individual e social às atividades exercidas nesse tempo.
Mais tarde, na Idade Média, período histórico também conhecido como Idade das Trevas, as atividades
de lazer ficaram restritas às festividades religiosas e às comemorações referentes às vitórias nas guerras.

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Nessa fase a preocupação principal era com a salvação da alma; então, havia uma grande valorização
do trabalho e condenação do ócio, pois as normas vigentes referiam-se ao comportamento ético
(diligência, temperança, parcimônia, reserva, afastamento dos prazeres da carne e poupança).
No início do século XVIII, trabalho e lazer não eram separados. O trabalho estava inserido nos ciclos
naturais das estações e dos dias, e nas horas de repouso. Nesse mesmo século, o ócio, já com o conceito
um pouco modificado, era atribuído a uma classe específica e não considerado como a divisão do tempo
de todas as pessoas.
Havia duas classes sociais, uma que trabalhava em sua casa ou em sua terra, não havendo assim
distinção entre local de trabalho, tempo ou local de lazer.
A outra classe simplesmente não trabalhava; a classe ociosa gastava seu tempo em atividades
diversas, não produtivas, pois para esses indivíduos trabalhar era indigno, já que tinham dinheiro
suficiente e poderiam viver sem nada produzir, e isso era uma forma de demonstrar poder aos demais
indivíduos.
O que nós convencionamos chamar de lazer não existia, a classe ociosa utilizava seu tempo livre de
forma notável, compondo músicas, jogando, dançando, compondo declamações, aprendendo línguas que
naquela época não mais existiam. E não era somente assim, as atividades improdutivas incluíam caçar,
conseguir troféus, viajar e trazer lembranças. A essa classe que não precisava e nem deveria trabalhar,
o conceito de lazer não se aplica.
Ainda no século XVIII, aconteceu na Inglaterra a Revolução Industrial. Uma das consequências que
ela trouxe foi que o ócio como acontecia deixou de ser bem-vindo, os mais ricos passaram a dedicar-se
a obras beneficentes e, depois, a mudar seus costumes e pensamentos quanto ao trabalho.
Com o passar dos anos, houve uma diminuição nas horas da jornada de trabalho e os trabalhadores
puderam, assim, usufruir seu tempo livre nos domingos, nos feriados e, posteriormente, nas férias.
Somente no final do século XIX surge algo semelhante ao conceito de lazer e ele passa a ser entendido
como uma necessidade das pessoas e, em seguida, um bem de consumo, com equipamentos e
atividades específicas para todos os públicos.
É importante observar que dentre tudo que foi apresentado neste histórico, podemos considerar que
todos têm alguns elementos em comum: a ausência de qualquer atividade, o não fazer coisa nenhuma.
Mas se prestarmos bem atenção, é possível encontrar dois pontos de vista: há uma tentativa de definir
certo tempo que não é aquele em que estão inseridas as ocupações do nosso dia a dia, do nosso cotidiano
e um outro com o tempo das atividades cotidianas, diárias. Assim, precisamos identificar algumas
palavras a serem trabalhadas no contexto do lazer.

Conceitos e Definições Fundamentais em Lazer e Entretenimento


Para que possamos entender melhor as diferenças entre os termos trabalhados nesta disciplina, é
necessário apresentar algumas outras palavras que farão parte do nosso vocabulário.
Podemos iniciar chamando de tempo total o tempo integral de vida de um indivíduo, isto é, todas as
horas de todos os dias do ano. Este tempo subdivide-se em três partes – tempo de trabalho, tempo de
necessidades básicas vitais e tempo livre, os quais serão tratados a seguir:
a) Tempo de trabalho – tempo que uma pessoa utiliza para tratar de suas atividades ligadas à sua
produção, ou seja, compromissos, responsabilidades, obrigações ou mesmo retorno financeiro. Podemos
incluir também o tempo que nós levamos para chegar ao trabalho, ou ainda o tempo que seu professor
gasta corrigindo suas provas e trabalhos ou elaborando uma aula. Percebemos então que neste tempo
as atividades podem acontecer fora do ambiente ou do horário específico de trabalho.
O tempo de estudo, seja dentro ou fora da escola, também podemos considerar como tempo de
trabalho.
Tempo de trabalho e horário de trabalho são diferentes; nem tudo que eu ou você fazemos em função
da produção é feito no horário de trabalho, mas tudo isso será feito no tempo de trabalho.
b) Tempo das necessidades básicas vitais – este tempo é utilizado para que nós, seres humanos,
possamos realizar atividades sem as quais não poderíamos viver, tais como alimentação, sono, higiene
e necessidades fisiológicas
c) Tempo livre – se tomarmos o tempo total de um indivíduo e dele tirarmos o tempo de trabalho e o
das necessidades básicas vitais, tudo que sobrar é tempo livre. É justamente dentro deste tempo livre
que podemos praticar o lazer, isto é, alguma atividade voltada para o lúdico.
Então, exemplificando, nos momentos em que você está usufruindo do seu lazer, você está tendo
recreação. Ela não é a atividade, mas o fato de você estar concretizando seus anseios; ela é uma atitude.
A atividade que um indivíduo pratica e através dela ele consegue atingir sua recreação, denominamos
de atividade lúdica ou atividade recreativa.

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Há outros elementos importantes e que devemos ter bastante atenção ao tratarmos: se, por exemplo,
você tiver que ir a uma festa, a um evento social qualquer no seu tempo livre por obrigação, ou ainda ir a
um velório, fazer compras, coisas assim do dia a dia, isto não é lazer: são as chamadas obrigações
sociais.
Também devemos esclarecer o ócio, um estado de nada fazer de forma lúdica, que é uma opção
pessoal e até mesmo uma opção de lazer, mas é algo positivo. Diferente de ociosidade, o nada fazer de
forma negativa, quando o indivíduo não tem outra opção, podemos até afirmar que ele gostaria de estar
fazendo alguma coisa, mas é impedido, como já foi posto, pela falta de opção.
Após todas estas explicações, cabe agora tratar de conceituar o lazer, o entretenimento, a recreação
e a animação turística.
a) Lazer – podemos dizer que é o estado de espírito em que cada pessoa instintivamente se encontra,
ou se coloca, dentro do seu tempo livre, buscando diversão, alegria, entretenimento. Nesse tempo livre
são praticadas atividades que dão prazer, sem obrigação ou horários definidos, espontaneamente, são
escolhas livres, quase sempre individuais.
b) Entretenimento – esta palavra é a variação do verbo entreter, que significa divertir, distrair,
passatempo, entretimento e também é sinônimo de recreação
c) Recreação – é o momento, o fato ou ainda a circunstância que cada pessoa escolhe de forma
espontânea para saciar seus anseios voltados ao lazer; é o momento da interrupção do trabalho para
descanso e higiene mental, como costumamos dizer.
d) Animação turística – é um conjunto de programas elaborados com a finalidade de humanizar uma
viagem, tornando-a mais interessante para o turista, fazendo com que ele se integre e participe.

Lazer, Motivação e Qualidade de Vida

O Estudo do Lazer
A palavra lazer se origina dos termos latinos licere/licet. Estes termos foram criados pela civilização
romana na Antiguidade e significavam poder, ser lícito, ser permitido, ter o direito, considerando que era
o momento em que se davam por encerradas as obrigações, os deveres dos cidadãos. No entanto, este
lazer era permitido como concessão e não como direito desse mesmo cidadão.
O conceito mais aceito a respeito do lazer é de um sociólogo francês, renomado por escrever sobre
este tema, Joffre Dumazedier (1979, p.20), que o caracteriza como:
Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar,
seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação
desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou
desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.
No lazer os indivíduos ampliam seus contatos sociais, usam o tempo livre com novas experiências e
alargam seus horizontes com vivências inovadoras.
Isso possibilita o equilíbrio interno para continuarmos as obrigações sociais e o trabalho. Pelo que foi
exposto, é possível chegarmos à conclusão de que o ser humano após praticar atividades de lazer tem
uma compensação física e psíquica.
Algumas características específicas definem uma atividade de lazer e podem ser divididas em:
a) Liberdade de escolha – a atividade que estamos discutindo, o lazer, resulta de uma opção de
escolha das pessoas, as quais são livres para fazer sua opção. É bem verdade que o ambiente em que
o indivíduo vive influencia sobre suas escolhas. Por exemplo, ir ao encontro dos amigos tanto pode ser
uma sugestão de uma campanha publicitária ou pressão dos próprios amigos, mas de qualquer forma
esta liberdade de escolha é bem maior nessa relação do que nas escolhas que se faz no trabalho, o que
é normalmente determinado pelos chefes.
b) Uma atividade desinteressada ou gratuita – um bom exemplo para entendermos melhor esta
característica é imaginarmos que você acabou de escrever uma bela história, que ninguém vai ler, mas,
bem lá no seu íntimo, você deseja que em algum momento o que você escreveu possa chegar nas mãos
de um editor e milagrosamente sua história vire um livro ou mesmo um seriado famoso. O que podemos
perceber é que o lazer nunca é inteiramente gratuito. É uma atividade não lucrativa, é um exercício do
que poderíamos chamar de “fazer por fazer”, sem envolver ganhos financeiros. É mais do que um ato do
seu dia a dia profissional.
c) Atividade hedonista ou prazerosa – os indivíduos estão em busca de satisfazerem seus desejos,
mesmo que inicialmente tenham que fazer um esforço, ou sentirem-se chateados para posteriormente
relaxarem.

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Como exemplo, podemos citar torcedores de um time de futebol que inicia a partida perdendo e no
final vira o jogo, ou mesmo perde! De qualquer forma, o que vai ser lembrado é satisfação por ter assistido
ao jogo, o qual lhe proporcionou a satisfação dos sentidos.
d) Atividade pessoal e regida pela liberdade – o lazer é uma opção íntima, individual e de reposição
das energias para o trabalho. Assim, assistir a um filme pode fazer com que a rotina seja quebrada e nós
tenhamos mais disposição para o dia seguinte, assim como ocorre depois de uma viagem de férias, ao
se fazer turismo.
O lazer existe de qualquer forma, independente do turismo; porém, um não pode estar desvinculado
do outro, pois a maioria das pessoas que decide fazer turismo relaciona esta atividade com alguma
atividade de lazer.
Contudo, as formas, o modo e o tipo de lazer praticado variam de indivíduo para indivíduo, conforme
as suas ideias, tempo disponível, habilidades, recursos financeiros e o grau que se pretende chegar para
recuperar as energias, através do entretenimento. Os parques temáticos (Figuras 2.1 e 2.2) também são
espaços destinados ao lazer e entretenimento individual ou em grupo. Nesses locais podem ser
encontradas diferentes atrações criadas a partir de um tema específico, mas sua principal proposta é a
diversão!

A seguir são apresentados vários fatores que influenciam nas opções de lazer:
a) duração de tempo disponível;
b) situação física e/ou psicológica no momento da opção;
c) classe ou categoria socioeconômica;
d) nível de integração cultural e dos diversos tipos de entendimento pessoal;
e) qualidade das relações pessoais em família e/ou fora dela;
f) formação e/ou vivência religiosa;
g) integração pessoal em grupo eclesial ou de crença;
h) convicção filosófica;
i) solidariedade;
j) camaradagem;
k) grau do ato reconhecido como necessário;
l) desejo e/ou necessidade de promoção social, oportunidade.

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Partindo dessas considerações, devemos evidenciar algumas características bastante particulares que
permitem ao lazer satisfazer as necessidades a ele impostas.
A primeira é o grau de compulsão da sociedade. Nas atividades de lazer a obrigatoriedade é
significativamente mais baixa em relação às de não lazer, sem falar do trabalho. Dessa forma, o indivíduo
é livre e tem a oportunidade de experimentar emoções que são excluídas das pessoas, devido à vida
altamente rotineira. Nesse caso, a participação em atividades é voluntária e menos sujeita a
constrangimentos, proporcionando divertimento que pode ser experimentado em público, desde que o
lazer seja praticado em um ambiente ou situação apropriada.
Outro aspecto é o grau de pessoalidade. Isto significa dizer que a atividade de lazer a ser desenvolvida
deve gerar satisfação individual, agradar a você como praticante, ao grupo em que você está inserido e,
neste caso, o que menos importa é o interesse de outros, sendo que nunca devem ser esquecidos certos
limites socialmente preestabelecidos.
A última característica abrange a sociabilidade, a mobilidade e a imaginação, que estão presentes em
todas as atividades de lazer. A primeira pode proporcionar às pessoas uma satisfação agradável
experimentada pelo fato de elas estarem acompanhadas de outras pessoas sem qualquer obrigação ou
compromisso. A mobilidade está relacionada ao movimento do corpo, e o terceiro elemento indicado é a
imaginação, que permite ao praticante experimentar, sem correr perigo real ou ter que arcar com as
consequências, sentimentos intensos ou emoções perigosas. Exemplos podem ser assistir a um filme no
cinema, ir a um museu, assistir a uma ópera, ir à tourada ou jogar videogame.

O Tempo Livre
Tempo livre é todo tempo liberto das ocupações de trabalho. Nas sociedades como a nossa, somente
uma parte dele pode ser voltada às atividades de lazer. Podem distinguir-se cinco esferas diferentes no
tempo livre das pessoas, as quais se confundem e se sobrepõem de várias maneiras, mas que, todavia,
representam categorias diferentes de atividades, quais sejam:
a) Trabalho privado e administração familiar – aqui podemos encontrar as atividades relacionadas aos
cuidados com a família e também as atitudes tomadas em relação ao abastecimento da casa. Essas
tarefas dificilmente podem ser chamadas de lazer, mas podem ser consideradas como tal quando não
feitas de forma rotineiras.
b) Repouso – são caracterizadas aqui as atividades como dormir, tricotar, futilidades da casa e o não
fazer nada em particular. Somente algumas destas atividades podem ser consideradas como lazer,
quando não feitas diariamente.
c) Provimento das necessidades fisiológicas – necessidades como comer, beber, dormir e outras.
d) Sociabilidade – atividades como frequentar um clube, um bar, um restaurante, conversas informais
com os vizinhos ou mesmo estar com outras pessoas sem fazer nada demais, como um fim em si mesmo
estão incluídas nesta categoria.
e) Categoria das atividades miméticas ou jogo – são atividades de tempo livre que possuem caráter
de lazer. O participante pode tomar parte nelas como ator ou como espectador. Essas atividades estão
diretamente associadas à mudança da rotina.
É importante ressaltarmos que a utilização do termo tempo livre como sinônimo de lazer não é
verdadeira, isto é, uma parcela considerável do nosso tempo livre não pode ser considerada como lazer.

Motivações no Contexto do Turismo e do Lazer e Qualidade de Vida


Já sabemos que nenhum indivíduo consegue desenvolver sempre com segurança e com muita
qualidade seu trabalho profissional sem fazer uma pausa para repouso, seja para o lazer, para dormir um
pouco, a fim de descarregar toda a tensão acumulada.
Trabalho e lazer caminham juntos, em paralelo, acompanhando o desenvolvimento da humanidade.
Mas ainda nos deparamos com chefes, gestores que acreditam que o lazer interrompe a produtividade.
Sabemos não ser verdade, haja vista que quanto mais tempo livre e lazer forem ofertados às pessoas,
mais e melhor serão a produção e a produtividade delas.
O turismo e o lazer têm papel fundamental para as pessoas, que os praticam no tempo livre, como
reparadores e recondicionadores das energias. O divertimento é outro aspecto que revigora os indivíduos,
afasta o mau humor, quebra a rotina e os prepara para os novos enfrentamentos da jornada de trabalho
e das demais atividades rotineiras.
Mas para que tudo isso aconteça, para que as pessoas, tendo dinheiro e tempo livre, decidam, por
exemplo, optar pelo turismo como lazer, elas precisam de uma motivação.
Nesse momento é necessário refletirmos a respeito das motivações principais ou básicas que levam
as pessoas a deixar seu dia a dia, seu cotidiano, sua casa e viajar, fazer turismo. Homens e mulheres

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sempre procuram atender às motivações externas que os convidam ou mesmo os afastam de realizar
novas atividades, diferentes daquelas a que estão acostumados.
O cotidiano pode ser bom, proveitoso, mas, em geral, é extremamente cansativo e saturante; assim,
as pessoas buscam algo novo, que possa representar felicidade e divertimento, ainda que
temporariamente.
Entre os séculos XVI e XVIII, a principal motivação para as viagens era a aventura. A partir ainda do
século XVIII até metade do século XIX, o objetivo era educacional; e somente no final do século XIX o
conceito de lazer começa a ser explorado.
Assim, a intensa atividade humana e os desgastes dela decorrentes deixaram espaço para se procurar
novas alternativas, dentre as quais a prática do turismo e do lazer, cujas motivações podem ser pelo
desejo de viajar, de fazer coisas que implicam uma viagem, pelo desejo de viver novas experiências e
quebrar a rotina e, como sempre, pela busca da felicidade.
Alguns elementos são importantes neste estudo e podem fazer com que o indivíduo queira viajar.
Como as experiências vividas anteriormente por ele próprio, o relato entusiasmado de amigos pode
motivá-lo também, bem como há influência da mídia, de livros documentais ou de ficção, sem contar com
a imaginação criativa de cada um.
Mas as motivações também obedecem às necessidades humanas. Assim, teremos:
a) Necessidade de evasão – as pessoas sentem necessidade de trocar de ambiente físico, de
conhecer outras pessoas, de ampliar ou diminuir o número de amigos, o que para muitos pode ser uma
forma de preservar a saúde, melhorar os aspectos psicológicos que estão afetando suas vidas.
b) Necessidade de descanso – de relaxamento, bastante ligada à anterior, mas implica descanso
corporal, na busca por tranquilidade.
c) Necessidade terapêutica – é bastante controversa, pois, fazer turismo implica livre e espontânea
vontade. A viagem para tratamento é obrigatoriedade.
Mas uma pessoa pode escolher viajar para um determinado lugar se tiver informação, conhecimento
sobre ele, saúde, dinheiro e tempo disponíveis, liberdade e afinidades culturais com o ambiente
Já o núcleo receptor, ou a cidade ou local que irá receber o visitante, deverá estar preparado e oferecer
atrativos turístico, infraestrutura básica e turística de qualidade, uma boa política de preços, sem contar
aspectos como qualidade em serviços (bom atendimento, boa receptividade).
Cabe também esclarecermos: há pessoas que aceitam participar de alguma forma de lazer e/ou de
turismo apenas para não frustrar um amigo ou um familiar, mas o que importa afinal é entendermos que
deve haver um tempo para o lazer e este tempo contribui, significativamente, para a melhoria da qualidade
de vida de cada um de nós!

Lazer e Qualidade de Vida


Por muito tempo os trabalhadores lutaram e continuam lutando nos dias atuais pela redução da jornada
de trabalho e aumento do tempo livre. Mas somente tempo livre não basta, é necessário lazer,
relaxamento, entretenimento, diversão e, em consequência disso, melhoria da qualidade de vida.
O trabalhador ao qual nos referimos aqui não é somente aquele das indústrias, mas estão incluídos
todos aqueles que ocupam seu tempo de trabalho produzindo, de uma forma ou de outra, seja no
comércio, na indústria, a dona de casa e muitos outros mais que você conhece.
O lazer deve ser interpretado segundo o tempo, a atividade e a atitude; caso contrário, ele não será
proveitoso. Ele acontece em um determinado tempo e só pode existir se houver uma atitude positiva do
indivíduo, para o seu bem pessoal.
Assim, podemos dizer que o lazer relacionado ao tempo livre é uma oportunidade de repouso, de
enriquecimento pessoal, de desligar-se das obrigações impostas pelo trabalho ou problemas diversos
que venham a surgir.
Com relação ao tempo disponível para o repouso, o lazer constitui-se em saúde física e mental.
Na atualidade as empresas, os órgãos públicos, as instituições, os centros comunitários e outros têm
contribuído bastante com as pessoas no sentido de promover atividades que reflitam no bem-estar físico,
mental, social e cultural; ou seja, todos estão preocupados com a qualidade de vida.
Muitas vezes costumamos relacionar o lazer ao poder aquisitivo, mas é preciso entender que podemos
encontrar divertimento, entretenimento, em qualquer situação, a qualquer momento, pago ou não. Como
já citamos, praças públicas, praias (Figura 2.3), balneários, feiras culturais, shows oferecidos à
comunidade, são oportunidades que podemos aproveitar gratuitamente.

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Atividades de Lazer, Entretenimento e Animação na Hotelaria

Equipamentos de Lazer
Ao discutirmos o lazer e o entretenimento, não podemos esquecer da preocupação que se deve ter
com os equipamentos, que serão classificados segundo suas características físicas de construção,
aspectos físicos estéticos e dimensões proporcionais aos locais geográficos em que serão implantados.
Apresentaremos a seguir uma classificação dos equipamentos de lazer segundo suas características
físicas, sua demanda e o que eles podem oferecer aos indivíduos. A frequência de determinado
equipamento específico vai depender do local em que ele está situado e da demanda existente pela
facilidade de acesso. As formas de existência dos equipamentos podem ser visualizadas quanto à
dimensão física do espaço e sua finalidade programática, como segue:
a) Equipamentos especializados – são equipamentos destinados a atender a uma programação
especializada, ou uma faixa de interesses culturais específicos. A programação desses espaços
geralmente é voltada para um segmento dos interesses socioculturais da clientela. Tais equipamentos
geralmente localizam-se em áreas urbanas, de grande concentração populacional e seu público vai
frequentar de acordo com o interesse despertado ou ainda pela localização do espaço. Exemplos de
equipamentos especializados: teatros, auditórios, cinemas, academias de ginástica, centros esportivos
(de natação, de futebol, de tênis, ou de voleibol, ou seja, algo específico), bibliotecas, parques aquáticos,
campos de golfe e/ou de minigolfe.
b) Equipamentos polivalentes – são destinados a receber uma programação diversificada e podem
também atender a variados interesses socioculturais. Com dimensões e capacidade média, podem
atender até 2.500 pessoas/dia, nas atividades permanentes e até 5.000 pessoas simultaneamente, em
eventos especiais ou de fins de semana. A programação inclui atividades permanentes, temporárias e
eventuais, diversificadas, segundo público e interesses culturais, que pode ser de toda uma cidade ou de
uma região importante de uma grande cidade. Estes equipamentos localizam-se, preferencialmente em
áreas urbanas, próximas ao centro da cidade ou em regiões comerciais, ou ainda em regiões de grande
concentração populacional. Podem funcionar durante os dias da semana, em período integral e,
principalmente nos finais de semana. Os exemplos vão desde centros culturais em geral, quando
associam instalações diversificadas – teatro, áreas de exposição, bibliotecas até centro poliesportivo em
geral, parques urbanos e centros culturais e esportivos.
c) Equipamentos polivalentes grandes – são equipamentos destinados ao atendimento de um grande
público de toda uma cidade, ou de uma região do estado, que é capaz de consumir uma programação
diversificada, abrangendo variados interesses socioculturais. Estes equipamentos oferecem instalações
de grandes dimensão e capacidade. A programação pode ser permanente, temporária e de eventos,
amplamente diversificada. A localização destes equipamentos é em região importante de um estado ou
de uma grande cidade. Podem também se localizar em regiões da periferia das cidades, devido às
dimensões de terreno necessário; podem também utilizar espaços naturais. O atendimento ao público
ocorre, preferentemente, nos fins de semana, mas também há funcionamento durante a semana,
principalmente nos grandes eventos.
d) Equipamentos de turismo – destinam-se à programação turística em geral, associando hospedagem
e atividades recreativas. Instalam-se, preferencialmente, em áreas de interesse turístico, pelas
características geográfico-naturais e/ou histórico-culturais da região, atendendo em temporadas de férias,
em períodos determinados, em feriados e nos fins de semana ou quando há pacotes turísticos
programados. Podem atrair um público bastante amplo do estado, do país e do exterior. Como exemplo,
temos os hotéis de lazer, resorts, colônia de férias, grandes parques em escala regional, estadual e
nacional, quando têm unidades de hospedagem, camping, acampamentos, pousadas em locais retirados
(praias, montanhas, reservas ecológicas), pousadas em cidades turísticas.
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Já sabemos que a presença do profissional de lazer é importante para equipamentos do tipo centros
culturais, centros esportivos, clubes, museus, bibliotecas, parques e academias esportivas; agora vamos
discutir a presença desses profissionais no contexto de três categorias de hotéis que oferecem variada
programação de lazer.

Tipos de Hotel para Recreação


Hotéis de praia, de campo e de estância diferenciam-se em função da demanda que recebem, dos
equipamentos de lazer disponíveis e das atividades propostas.
Nos hotéis de praia são utilizadas quadras esportivas montadas na areia, campo de futebol, salão ou
áreas para ginástica, a praia e o mar, passeios, excursões e muitos outros elementos. Em geral são
pontos de encontro de jovens e isso exige mais movimentação e integração entre pessoas. É importante
ressaltar que a dinâmica nas atividades não é tão alta.
Os hotéis fazenda são considerados hotéis de campo e dispõem de grandes áreas livres, sendo que
os equipamentos e materiais de lazer são bastante sofisticados e os hóspedes, mais exigentes, querem
mais qualidade em serviços. Nesses empreendimentos predominam famílias formadas por casais e com
filhos pequenos ou adolescentes; o estímulo para participação nas atividades está naquilo em que o hotel
tem a oferecer e sua dinâmica é altíssima.
A terceira e última categoria são os hotéis estâncias, cujo espaço livre disponível é menor. As
atividades são mais internas ou o hóspede tem que sair da área do hotel para realizá-las. O público-alvo
tem uma faixa etária mais elevada e a melhor idade também está presente nesses empreendimentos.
As atividades são mais passivas e a dinâmica das atividades mais calma. Outros exemplos deste tipo
de empreendimento são os spas, que além de oferecerem tratamentos que favorecem a saúde, também
oferecem brincadeiras, jogos, gincanas, ou seja, uma programação diversificada de lazer aos hóspedes.
Há ainda os resorts e os lodges, que oferecem uma extensa programação na selva (Figura 3.1).

Ressaltamos que neste último as atividades não são tão passivas assim e o espírito de aventura está
sempre presente, com caminhadas na selva, por exemplo.

Animação Turística na Hotelaria


Verificamos que a animação turística tem o propósito de acentuar o interesse do visitante ou turista
pelo local visitado, é um tempo dedicado ao divertimento e à descontração. O turista se entrega de forma
salutar a este lazer que inclui jogos, brincadeiras e conhecimento de novos lugares e pessoas, implicando
diversas possibilidades culturais.
Nesse caso o animador é a pessoa que tem a responsabilidade de animar, distrair, ambientar e
também orientar os turistas.
A animação é oferecida em instalações, equipamentos de serviços ou atrativos turísticos específicos,
que podem ser em empreendimentos ou na localidade de destino do turista. Seus principais objetivos são
preencher o tempo livre dos turistas, ou do usuário do empreendimento ou ainda da população residente
que faz uso dele; assegurar maior aproveitamento do atrativo turístico principal que possa existir no local;
e aumentar a permanência e o consumo do turista ou usuário.
O animador deve respeitar aquelas características já bastante exploradas neste texto. Lembramos que
o turista deve ser bastante respeitado!
A animação pode acontecer nos meios de transporte de longo curso (navios, ônibus de excursão,
aviões, trens); em diversos equipamentos do receptivo (centros de convenções, associações, parques,

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clubes, restaurantes e outros); e em meios de hospedagem, tais como hotéis convencionais urbanos, de
instâncias climáticas, hotéis de lazer, pousadas, pensões, albergues da juventude e outros.
De forma geral, trabalhar com animação nesses equipamentos pode nos levar a encontrar alguns
problemas: a disponibilidade de espaço existente ou com a possibilidade de se desenvolver a animação
e a viabilidade econômica do serviço a ser implantado, considerando o prazo de retorno deste
investimento.
Devemos entender que o serviço de recreação engloba mais uma alternativa de lazer que a hotelaria
pode oferecer aos seus usuários. E como toda atividade atual, a qualidade dos serviços deve se fazer
presente. O administrador de um hotel deve ter o entendimento que o planejamento, o funcionamento, a
oferta maior de serviços, o nível de relações entre colaboradores e usuários devem ser pensados em
benefício do usuário.
Tudo o que foi citado, ou seja, a sintonia entre administração e demais setores e a articulação que
pode ser implementada, soma-se para fazer parte do que costumamos chamar de qualidade de serviços.
Ao planejar os serviços de recreação de um hotel, é preciso pensar antes quais demandas vai receber,
ou seja, qual é o público-alvo.
Então, os objetivos dos serviços na hotelaria fazem parte do planejamento das atividades que serão
oferecidas, e devem ser pensados nesse conjunto o espaço disponível, os materiais, a faixa etária dos
usuários de cada atividade.
Esses objetivos devem:
a) informar aos hóspedes as alternativas de lazer e recreação que o hotel oferece;
b) buscar a participação de livre e espontânea vontade dos hóspedes;
c) facilitar e ampliar a comunicação entre os indivíduos;
d) criar um clima descompromissado, lúdico, uma atividade inclusiva com credos, raças, idades e
gêneros diferentes;
e) permitir uma avaliação dos serviços prestados continuamente.
Em resumo, podemos dizer que uma boa programação dos serviços de recreação deve ser pensada
com um fim bem definido, ou seja, propiciar ao hóspede algumas formas de lazer ativo e outras de lazer
passivo.

Lazer Ativo
É o tipo de recreação que utiliza atividades motoras (exige-se o aspecto físico), como jogos infantis e
esportes em geral; atividades intelectuais (a mente é mais utilizada) como jogo de xadrez, quebra-cabeça;
atividades artísticas ou criadoras (exige aptidões pessoais, habilidades motora e intelectual) como a
pintura, o desenho, a escultura, o teatro, a música etc. (Figura 3.2); atividades de risco (nas quais muitas
vezes o participante corre riscos) como paraquedismo, mergulho em grandes profundidades, voo livre,
escaladas, rapel e muitas outras com características de aventura.

Lazer Passivo
É a recreação que trabalha com atividades sensoriais, como assistir a uma partida de futebol, de
basquete, a uma competição de judô e outras. Este tipo de recreação é apenas de observação, mas como
torcedor envolve participação emotiva e física com os movimentos utilizados ao se torcer. Além das
sensoriais, há as atividades transcendentais, que auxiliam no relaxamento do corpo, do espírito, iluminam
a mente. Como exemplo, temos a observação de obras em um museu (Figura 3.3), a apreciação de um
livro em uma biblioteca, de pinturas e esculturas em uma pinacoteca ou mesmo permanecer parado

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observando um pôr do sol no rio Negro (no Amazonas) ou em uma duna de areia no Mundaú (Ceará),
que fazem parte deste grupo de atividades.
Como já sabemos, é o recreador que vai lidar com os hóspedes e de acordo com o perfil deles vai
planejar algo que agrade a todos os gostos. A hotelaria também necessita de pessoas competentes,
responsáveis que estabelecerão relações com os demais colaboradores do hotel e, constantemente,
precisarão do apoio de muitos outros setores.

Atuação dos Profissionais no Lazer e no Entretenimento


Os serviços na área de lazer são baseados na oferta de experiências, sejam individuais ou coletivas,
vivenciadas pelas pessoas. Como podemos observar anteriormente, tais atividades somente são
possíveis de serem realizadas com a utilização de recursos físicos (os espaços), materiais (equipamentos
e materiais de uso) e recursos humanos.
O capital humano é o bem mais precioso, recurso fundamental de qualquer organização, mas,
evidentemente, sabemos que muitas atividades de lazer não necessitam da presença ou da atuação de
um profissional, como escutar música, fazer a leitura de um livro, assistir à televisão, conversar com os
amigos e muitas outras atividades. Então como vamos encaixar o profissional do lazer no contexto dessas
atividades?
Ora, a resposta também é simples. Observe as várias instâncias em que podemos situar o papel do
profissional: organizando atividades para as pessoas que elas próprias, por motivos diversos, não
conseguem organizar; liderando grupos e comunidades; acompanhando e iniciando as pessoas em
diferentes modalidades esportivas e artísticas; viabilizando e administrando recursos para que grupos e
comunidades possam usufruir as atividades de lazer sem esta preocupação.
A presença de um profissional também é muito importante nos equipamentos de lazer como centros
culturais, esportivos, clubes, museus, parques, academias esportivas, balneários (Figura 3.4), bibliotecas,
hotéis de lazer, parques temáticos, teatros e outros.

Podemos ainda registrar que os profissionais deverão atuar de acordo com o processo de gestão dos
equipamentos de lazer, que pode ser dividido em três:

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a) Administração – consiste em fazer a administração geral do equipamento de lazer e os serviços
administrativos em geral, tais como compras, controle de caixa, pessoas, contabilidade e outros serviços
relacionados com estes expostos aqui.
b) Programação e animação – neste processo cabe ao profissional planejar, realizar e cuidar da
animação de todas as atividades do local, que podem ser permanentes, temporários e eventos.
Lembramos que podem ser levados programas externos para os espaços da comunidade.
c) Manutenção – este processo envolve a verificação de quadras, salas, auditórios, piscinas, vestiários,
lanchonetes, sanitários e áreas de administração. Averiguando para que todos os sistemas estejam em
ótimas condições para receber o praticante.
Podemos chamar de liderança recreacional ao conjunto de profissionais que se empenham na
realização de programas na área do lazer. Em alguns países a profissão de recreador já está regularizada
e esses profissionais têm seu trabalho valorizado.
No Brasil, as profissões ligadas à educação física, aos esportes e à recreação e lazer foram
regulamentadas – Lei 9696, de 01 de setembro de 1998, e é importante esclarecer que só poderá exercer
a função o profissional habilitado.
As experiências nesta área têm demonstrado que a orientação das atividades recreativas, e, portanto,
a ação dos profissionais chega a ser, em alguns casos, mais importante que instalações, equipamentos
e material adequado; por esse motivo, o agente de recreação precisa desenvolver um conjunto de
conhecimentos teóricos e práticos, atitudes, técnicas e habilidades que lhes garantam êxito na orientação
dos programas, liderança de grupos e planejamento das atividades recreativas.
O profissional de recreação e lazer deve estar ciente de que o seu trabalho deve proporcionar alegria
e descontração aos envolvidos nas atividades. Ele deve estimular a participação dos indivíduos e
demonstrar interesse e respeito pelas pessoas. Assim, apresentamos a seguir algumas características
que devem pautar o trabalho do recreador:
a) Formação e autoformação permanente – a formação em um curso superior é necessária, mas não
imprescindível. Ela deve contribuir com a capacitação deste profissional. Alguns cursos que podemos
indicar são: Turismo, Educação Física, Sociologia, Educação Artística, Pedagogia. Por outro lado, o
profissional de lazer deve estar sempre querendo aprender coisas novas, fazendo cursos, participando
de eventos.
b) Informação e atualização – uma pessoa bem informada sabe tudo que está acontecendo ao seu
redor e pode conversar sobre diversos assuntos; assim, deve-se ler bastante (jornais, revistas
especializadas das diferentes áreas do conhecimento, revistas semanais), assistir aos noticiários e