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ADVOCACIA E CONSULTORIA JURÍDICA

DR. CLODOMIR FERREIRA PIMENTEL


OAB/GO. 16415

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ..... VARA CÍVEL DA COMARCA


DE ....., ESTADO DO .....

....., brasileiro (a), (estado civil), profissional da área de ....., portador (a) do
CIRG n.º ..... e do CPF n.º ....., residente e domiciliado (a) na Rua ....., n.º .....,
Bairro ....., Cidade ....., Estado ....., por intermédio de seu (sua) advogado(a) e
bastante procurador(a) (procuração em anexo - doc. 01), com escritório
profissional sito à Rua ....., nº ....., Bairro ....., Cidade ....., Estado ....., onde
recebe notificações e intimações, vem mui respeitosamente à presença de
Vossa Excelência propor

MANDADO DE SEGURANÇA C/ PEDIDO DE LIMINAR

em face de

....., brasileiro (a), diretor da universidade de ....., com endereço profissional na


Rua ....., n.º ....., Bairro ....., Cidade ....., Estado ....., pelos motivos de fato e de
direito a seguir aduzidos.

DOS FATOS

O IMPETRANTE cursa o terceiro ano do Ensino Médio na unidade do ............,


na cidade de .........., conforme se observa pelos documentos juntados a estes
autos.

Por questões alheias à vontade do impetrante, houve uma GREVE GERAL dos
servidores públicos (incluindo-se professores) daquela instituição, atingindo,
todo o Estado do ............, prejudicando, por conseguinte, todo o ano letivo,
uma vez que a recuperação das aulas que foram paralisadas pela greve se
estenderão até o dia .... de ........... de .........., data esta que será considerada
como término do ano letivo de ....... .

Esta malsinada greve teve repercussão nacional, como é fato notório. Contudo
os mais prejudicados foram sem sombra de dúvidas os estudantes, entre eles o
ora Impetrante.

Nobre magistrado, pelos documentos juntados, observa-se que o Impetrante


está acima da média, tanto que pelas notas trazidas em seu histórico escolar,

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em especial no último ano do ensino médio, onde vemos que ele está
praticamente "passado de ano" já no terceiro bimestre, o que leva a inevitável
conclusão de que seria, como será, aprovado, neste período letivo de .............,
que se estende até ...... de ....... .

O que não se pode é privar este Impetrante de um direito e um sonho que foi
alcançado com sua dedicação, esforço, competência, por um problema gerado
por fatos, como se disse alheio à sua vontade.

Não podemos esquecer que a conclusão do ensino médio pelo Impetrante é


uma questão de tempo, ou melhor, de dias, haja vista que pela sua colocação
no vestibular realizado pela entidade da autoridade coatora (sexto lugar geral)
como pelas suas notas, que denotam seu grau de inteligência.

Oportunamente, salienta-se que o impetrante, na mesma semana em que


começa as aulas na instituição de ensino da autoridade coatora, terá encerrado
o seu ano letivo, uma vez que duas semanas antes do término do ano letivo
de ........., que será em ..... de ........... de........., será dispensado apenas aos
estudantes em recuperação, o que não é o caso do Impetrante, como é
facilmente visível nos documentos juntados.

Diante deste inabalável entendimento, vemos que por alguns dias e por culpa
ou responsabilidade de terceiras pessoas, o Impetrante deixará de cursar o
almejado curso superior da prestigiada instituição de ensino.

À vontade do IMPETRANTE, que sempre foi o seu sonho, como também de


sua família, é seguir carreira de ............... . Capacidade para isto o mesmo tem,
sempre foi estudioso, conforme se prova por inúmeros documentos juntados a
este pedido, provando ser o IMPETRANTE um menino dedicado à sua
atualização e formação.

No seu histórico de vida, sempre pensou em cursar a ........., justamente por


sua tradição ( ..... anos de existência ) e qualidade indiscutível.

Mas, para a tristeza e decepção do Impetrante, este foi impedido de se


matricular, isto porque no momento de efetuar a matrícula (previstas para os
dias .../... de ..............) foi negado a mesma, tendo sido solicitado o
preenchimento de um REQUERIMENTO DE DOCUMENTOS DIVERSOS -
documento em anexo, solicitando matrícula.

No dia .... de ......... de ........., o IMPETRANTE novamente se dirigiu na


faculdade e recebeu um documento de INDEFERIMENTO DE MATRÍCULA,
nos seguintes termos:

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Analisando a documentação do(a) jovem, constatamos que o(a) mesmo(a) não


satisfaz os requisitos legais para matrícula e ingresso no ensino superior,
embora tenha sido aprovado(a) no concurso vestibular ........, primeiro
semestre, das .........

Vale salientar que a posição da Faculdade se fundamenta no fato do(a)


estudante não haver concluído o ensino médio, já que a documentação exibida
à Faculdade dá notícia de que o(a) estudante ainda está cursando a 3ª série do
ensino médio, onde irá concluir tal fase da educação apenas no final do mês de
fevereiro do corrente ano, se aprovado(a).

A decisão da Faculdade está respaldada pelas normas que regulamentam o


Concurso Vestibular Edital e Manual do Candidato - que expressamente
exigem para a matrícula, a documentação comprobatória do estudante já haver
concluído o ensino médio.

Além disso, a própria legislação vigente faz esta mesma exigência a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB - Lei nº 9394/96, em seu artigo
44, II, assim prescreve:

"Art. 44 - A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas:

I - ...

II - ... de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino


médio ou equivalente e tenham sidos classificados em processo seletivo":

Como está claro no texto legal, o(a) estudante já citado(a) satisfaz apenas à
exigência de haver sido classificado(a) em processo seletivo; entretanto, o
requisito de haver concluído o ensino médio, não se encontra atendido pelo(a)
candidato(a).

Nossa Faculdade adota o regime didático semestral, realizando 2 processos


seletivos por ano, ambos para ingresso imediato, de forma que, se o candidato
não atende aos requisitos estabelecidos em lei e no Edital do concurso público,
este está automaticamente desclassificado no concurso e sua vaga é destinada
a outro candidato.

A admissão de estudantes no concurso, sem que os mesmos tenham


concluído o ensino médio, é feita apenas para que eles possam se familiarizar
com o vestibular, prestado por tais estudantes na condição de "treineiros",
como está previsto no edital do Concurso e Manual do Candidato.

Pelos fundamentos expostos, indefere-se a matrícula.

Diretor Geral

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Diretor Acadêmico

Como visto foi simplesmente negado (indeferido) a matrícula, não dando o


prazo para regularizar a situação, uma vez que a ........ inicia as aulas de seu
curso de ........ somente em data de ...... de........... de......... .

Importante salientar que o ano letivo do ............. termina em ..... de ............. e


como já mencionado, para alunos que ficarão em recuperação, como é dito no
documento ora juntado, as duas últimas semanas serão destinados às aulas de
recuperação; pelo boletim juntado a este pedido, com referência ao
IMPETRANTE, não haverá para este recuperação, já que passou praticamente
em todas as matérias no 3º bimestre.

DO DIREITO

O "mandamus" investe contra a ilegalidade ou abuso de poder. Entendendo-se


em mandado de segurança, atos da autoridade, como os praticados pelas
pessoas elencadas no art. 1º § 1º da Lei 1.533/51, desde que tenham poder de
decisão e o façam em desempenho de sua função. Os IMPETRADOS
extrapolam a sua missão, pois é sabido que a GREVE do ........... houve, o
documento (requerimento de matrícula) mencionou isto, obviamente para este
caso especial e de outros que certamente há, deveria ser dado um prazo de
até o início das aulas para que fosse entregue documento comprovando que o
IMPETRANTE havia passado de ano. Não feito isto está caracterizado o
abuso.

O Art. 1º da Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1.951, é claro:

"Art. 1º Conceder-se-á Mandado de Segurança para proteger direito líquido e


certo, não amparado por habeas corpus, sempre que, ilegalmente e com abuso
de poder, alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for, ou sejam quais forem às funções que
exerça.

§1º Considera-se autoridades para os efeitos desta lei os administradores ou


representantes das entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas
com funções delegadas do poder público, somente no que entender com essas
funções.

A ....... tem funções delegadas do poder público; neste sentido há decisões:

Mandado de segurança cabe contra estabelecimento de ensino privado


superior".

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VOTO

"... Senhor Presidente, entendo que cabe o mandado de segurança contra


qualquer estabelecimento particular de ensino. São entidades de direito público
que substituem o Estado. Se o Estado pudesse prover, totalmente, o ensino,
penso que não daria licença às entidades particulares para fazê-lo. Mas, se as
faculdades particulares exercem esse munus, a elas cabe tudo quanto cabe ao
Estado...". (Trecho do Ac. No Recurso de Mandado de Segurança número
10.173, Tribunal Peno do Supremo Tribunal Federal, Rel. Min. Ary Franco, in
Ver. Trim. Jurisp. Vol. 23, p. 138 e 139, janeiro de 1963).

Ao transcrevermos a jurisprudência com relação à competência judiciária fica


claro o cabimento de mandado de segurança contra pessoas com poder de
decisão em faculdades particulares.

"COMPETÊNCIA - Mandado de segurança contra o diretor de estabelecimento


de ensino superior - Justiça Estadual.

O conhecimento de mandado de segurança contra diretor de estabelecimento


de ensino superior particular é da competência da Justiça estadual". (Ap.
10.474-1 (reexame) - Santos - 4ª C. - recte.: Juízo de Direito - apte.: Sociedade
Visconde de São Leopoldo - apdo.: Sérgio de Carvalho Samek - j. 10.9.81 - rel.
Des. Carvalho Neves - v. u.)

"COMPETÊNCIA - Mandado de segurança impetrado contra fundação


municipal e diretor de estabelecimento de ensino particular por ela mantido -
intervenção da União no feito - Inexistência - Julgamento afeto à Justiça
estadual.

Não tendo a União ingressado nos autos na condição de ré, assistente ou


opoente, compete à Justiça estadual o julgamento de mandado de segurança
impetrado contra fundação municipal e diretor de estabelecimento de ensino
particular por ela mantido." (Ap. 17.970-1 (reexame) - Bauru - 4ª C. Recte.
Juízo de Direito - aptes.: Fundação Educacional de Bauru e Direito da
Faculdade de Engenharia de Bauru - apdo.: Sérgio Eduardo Amâncio Ramalho
- j. 18.2.82 - rel. Des. Alves Braga - m. v.).

Ademais, é clara a:

Súmula 510 do STF: "Praticado o ato por autoridade, no exercício de


competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida
judicial".

No mesmo sentido:

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"Art. 1º: 54. É hoje pacífica a admissibilidade de mandado de segurança contra


diretor de estabelecimento particular de ensino superior, no exercício de função
delegada do poder público" (RT 496/77, 497/69, 498/84, 499/82, 499/97,
502/55, 504/95).

De tal sorte que há um abuso de poder por parte do sujeito passivo do


Mandado de Segurança, os Diretores antes mencionados, da Instituição de
Ensino igualmente mencionada que age no exercício de uma função delegada
do Estado.

A jurisprudência dispõe do seguinte modo:

"A segurança é o remédio constitucional destinado a afastar os efeitos de atos


de autoridades que lesem direitos líquidos e certos dos cidadão. Falando a lei
em atos, implicitamente está cogitando de procedimento executório, não das
disposições legais regulamentadoras ou resultantes de simples normas de
conduta administrativa" (Ac. 6ª Câm. Cív., do Tribunal de Justiça de São Paulo,
no Mandado de Segurança nº 35.833, Rel. Des. Dimas de Almeida, im Ver.,
dos Tribs., vol. 375, p. 177).

Portanto, o princípio da legalidade exige que a escola que age com poder
delegado da ordem pública faça somente aquilo que a lei determinar. Seus atos
devem submeter-se sempre aos preceitos de lei.

Conforme o preceito de CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO:

"No exercício do controle legítimo cabe ao judiciário verificar se o agente


serviu-se do poder que dispunha para implementar a finalidade abstrata da lei
ou se desnaturou-lhe a finalidade buscando satisfazer um móvel pessoal alheio
ao interesse público, hipótese em que terá desdobrado da discricionariedade e
praticado 'abuso de poder' ou colimado uma finalidade estranha à finalidade
específica do ato que praticou, caso em que, igualmente, haverá incorrido no
vício assinalado" (in Elementos de Direito Administrativo, 2ª ed. Revistas dos
Tribunais, 1991, p. 297).

Todo o desvio de poder no ato discricionário transforma-se em ato arbitrário,


passível de controle do Judiciário.

Do direito líquido e certo:

O IMPETRANTE buscou desde os primeiros dias de sua vida escolar, estudar


com prazer e entender que aquilo (o estudar) era seu desejo e alicerce para um
futuro brilhante. A toda prova está nos documentos juntados, desde seu
currículo escolar de primeiro grau até o Ensino Médio - junta-se o boletim

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escolar do .............. dos três primeiros bimestres do ano escolar que se finda,
fazendo questão de transcrever suas notas.

Matéria 1ºBim. 2ºBim. 3ºBim. Média

Economia e Adminstração 9.5 - 10.0 - 9.5 - 7.2

Estatística básica 9.4 - 10.0 - 9.6 - 7.2

Educação física III 7.8 - 8.5 - 8.5 - 6.2

Física III 9.0 - 9.0 - 9.0 - 6.7

História 8.3 - 8.8 - 8.8 - 6.4

Inglês III 9.0 - 9.0 - 9.0 - 9.0

Matemática III 9.8 - 9.5 - 5.6 - 6.2

Português III 9.5 - 9.2 - 9.2 - 6.9

Química III 9.0 - 10.0 - 9.3 - 7.0

Saúde 9.0 - 9.0 - 8.5 - 6.6

Sociologia 8.5 - 9.0 - 8.5 - 6.5

Com relação à matéria de ...... a nota do terceiro bimestre a nota está abaixo
do normal porque o Impetrante não fez a última prova, pois estava prestando
vestibular na faculdade das autoridades coatoras, fará a prova final no reinicio
das aulas. Com relação a ..... a nota final é ...... porque o mesmo tem curso
completo no ..... e fez o teste de suficiência no início do ano letivo.

Ainda, em anexo o histórico escolar do ..... relativo ao primeiro e segundo ano,


bem como da ......, relativo ao ENSINO FUNDAMENTAL; como pode ser visto
não tirou notas inferior a ...... .

Por outro turno, junta-se uma DECLARAÇÃO emitida pelo Professor ........, que
é Coordenador do Curso de Ensino Médio - ......, que tem o seguinte teor:

Declaramos, para os fins que se fizerem necessários, que ......., filho de ...... e
de ......, é aluno do ....... Unidade de ........ , matriculado sob o nº ........ na .......
Série do Curso de Ensino Médio, cuja conclusão está prevista para o dia ....
de....... de........., sendo que, as duas últimas semanas destinam-se à
recuperação de conteúdos para alunos que necessitam deste recurso.

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Se o aluno retro nomeado for atendido em seu pleito de realizar matrícula em


Curso Superior, esta Escola compromete-se a transferi-lo para o turno da noite,
segundo as necessidades e o turno do Curso Superior em questão.

E, para constar, lavrou-se esta Declaração em duas vias com igual teor e
forma.

......, .... de ......... de .........grifamos

Como evidente e visto pelo incluso boletim escolar o IMPETRANTE jamais


precisará de recuperação, pois já passou na metade das matérias e as que
faltam não necessita mais de 1 (um) ponto para obter seu intento.

Assim, se o curso de ..... na faculdade que ora se reclama , inicia em ......


de ....... de ........, as aulas do ....... terminam, para quem necessite de
recuperação em ... de ......... de ........, ........., Impetrante, quando do início das
aulas na faculdade já terá terminado com tranqüilidade sua participação no
Ensino Médio.

Desta maneira, está sendo ferido o direito líquido e certo do IMPETRANTE,


uma vez que o ATO DE INDEFERIR A SUA MATRÍCULA não levou em conta
os fatos acima.

O seu DIREITO de matrícula é LÍQUIDO E CERTO, conforme reiterada


jurisprudência:

"ENSINO SUPERIOR - Não apresentação de certificado de conclusão do 2º


grau - CASO FORTUITO - GREVE de professores - ESTUDANTE habilitado
em exame VESTIBULAR - MATRÍCULA - Admissibilidade.

Tribunal: TRF/2ª. Reg. Órgão Julgador: 3ª. T. Relator: Valmir Peçanha

"Ensino superior - Matrícula - Conclusão do 2º grau - caso fortuito - Greve dos


professores. I - A não apresentação do certificado de conclusão do 2º grau em
razão de greve dos professores da escola do Impetrante, que retardou a
conclusão do ano letivo, não pode prejudicar o candidato habilitado em exame
de vestibular, e já matriculado por força de liminar; II - Remessa oficial
conhecida, mas desprovida" (TRF/2ª. Reg. - Remessa EX Offício n.
91.02.09473-8 - Rio de Janeiro - Ac. 3ª. T. - unâm. - Rel: Juiz Valmir Peçanha -
j. em 18.05.94 - Fonte: DJU II, 20.10.94, pág. 60103).

"ENSINO SUPERIOR - UNIVERSIDADE - MATRÍCULA indeferida - Impetrante


aprovada em VESTIBULAR - Não apresentação de certificado de revalidação
de 2º grau cursado no exterior - Apresentação de DOCUMENTO
posteriormente - Possibilidade.

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Tribunal: TJ/PR Órgão Julgador 3ª. Câm. Cív. Relator: José Vidal Coelho

"Impetrante aprovada no concurso vestibular - indeferimento da matrícula pela


não apresentação da revalidação do certificado fornecido pela instituição de
ensino estrangeira na qual cursou o Ensino Médio a impetrante - Denegação
em primeiro grau - Documento que pode ser apresentado posteriormente -
Provimento. Embora se aceite que a revalidação do curso de Ensino Médio
feito no exterior deve ser apresentada no ato da matrícula, se não foi ela feita
por problemas burocráticos invencíveis, a impetrante, não pode ser prejudicada
no acesso a Universidade, depois de vencida a etapa do concurso vestibular"
(TJ/PR - Ap. Cível n. 0022938-3 - Comarca de Londrina - Ac. 9750 - maioria -
3ª. Câm. cív. - Rel: Juiz José Vidal Coelho - conv. - Apte: Adriana Apdo:
Universidade Estadual de Londrina - Advs: Antonio Bacarin e outros - j. em
29.06.94 - Fonte: DJPR, 08.08.94, pág. 12).

"VESTIBULAR - Certificado de conclusão do 2º grau - Ausência - comprovação


de conclusão em liminar - Situação consolidada - MATRICULA -
Admissibilidade".

Tribunal: STJ Órgão Julgador: 1ª. T. Relator: Garcia Vieira

"Concurso vestibular - Certificado de conclusão do 2º grau. Comprovada a


conclusão do 2º grau ainda na vigência da liminar e, com o passar do tempo
consolidada a situação, deve ser concedida a segurança, tornando-se definitiva
a matrícula. Precedentes do extinto TFR e deste Colendo Tribunal. Recurso
provido" (STJ - Rec Especial n. 46.197-9 - Rio de Janeiro - Ac. 1ª. T. - unâm. -
Rel: Min. Garcia Vieira - J. em 02.05.94 - Fonte: DJU I, 06.06.94, pág. 14246).

Portanto, o primeiro elemento do MANDADO DE SEGURANÇA, aliás, o


principal e inafastável, e a presença de ilegalidade que se verifica tão somente
por ação ou omissão da autoridade com poder delegado.

Entende o IMPETRANTE, com base em preceitos, jurisprudências já descritos -


de lei e constitucionais - e no descumprimento de regras elementares do
DIREITO, que os atos praticados pelos IMPETRADOS/DIRETORES, em não
cumprir as normas legais, infringe aos princípios da Constituição, além da
legislação em si e desrespeita o direito do IMPETRANTE, lesionando a
inviolabilidade dos direitos e garantias individuais previstas na carta magna, e é
um afronta a observância à norma jurídica.

Assim, EMÉRITO JUIZ, tanto na atitude e o agir da autoridade máxima daquela


INSTITUIÇÃO DE ENSINO lesa direito líquido do IMPETRANTE, que quer ver

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seu direito preservado, com todas as garantias constitucionais, legal e


regimental só restabelecido pelo remédio do MANDADO DE SEGURANÇA.

Como já frisamos, o requisito fundamental do MANDADO DE SEGURANÇA é


o direito líquido e certo. O conceito de direito líquido e certo, é, como nos
ensina CELSO AGRÍCOLA BARBI, lição que também é de LOPES DA COSTA
e SÁVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, o seguinte:

"Quando acontecer um fato que der origem a um direito subjetivo, esse direito,
apesar de realmente existente, só será líquido e certo se o fato for indiscutível,
isto é, provado documentalmente e de forma satisfatória. Se a demonstração
de inexistência do fato depender de outros meios de prova, o direito subjetivo
surgido dele existirá, mas não será líquido e certo, para efeito de MANDADO
DE SEGURANÇA. Neste caso, sua proteção só poderá ser obtida por outra via
processual".- VELOSSO, Carlos Mário da Silva, do MANDADO DE
SEGURANÇA E INSTITUTOS AFINS NA CONSTITUIÇÃO DE 1.988 - In
Mandados de Segurança e de Injunção ( Coordenador Sálvio de Figueiredo
Teixeira), São Paulo, Saraiva, 1.990.

SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA em estudos sobre o MANDADO DE


SEGURANÇA, aborda a questão da comprovação do direito líquido e certo,
nos seguintes termos:

"Como decorrência da imprescindibilidade de comprovar-se de plano o direito


líquido e certo, que, como visto, pressupõe fatos incontroversos, induvidosos, o
MANDADO DE SEGURANÇA apresenta-se como um procedimento de
natureza documental, no qual o autor deverá apresentar suas provas já com a
inicial, ressalvada a hipótese de o documento encontrar-se em repartição
pública ou em poder da autoridade, fora do alcance do requerente (Lei nº
1.535/51, art. 6º., parágrafo único). -TEIXEIRA, Sálvio de Figueiredo.
MANDADO DE SEGURANÇA: UMA VISÃO DE CONJUNTO in Mandados de
Segurança e de Injunção (Coordenador Sálvio de Figueiredo Teixeira) São
Paulo, Saraiva, 1990.

Portando, há direito líquido e certo do IMPETRANTE sendo violado. Junta-se


neste ato, documentos, tudo para provar e dar guarida à decisão do
MANDADO.

O risco do dano e a liminar:

O presente pedido de MANDADO DE SEGURANÇA deverá ter efeito


IMEDIATO, pois o IMPETRANTE, muito jovem, teve um esforço grande de
estudos para passar no vestibular, foi troteado pelos amigos (com corte de

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cabelo), alardeou a todos que tinha passado em ........ na ....... e de repente vê


seu sonho se esvair. Ele, um futuro ........ e quem sabe ........, se vê quase que
autômato na ânsia de que sua matrícula seja realizada ou ao menos garantida
para sua satisfação e relaxamento após anos de estudos diários.

Ademais, quase na certeza de que iria passar no vestibular e na faculdade que


queria, se inscreveu em ........ somente nesta faculdade, justamente por sua
tradição. Aliás, como foi muito bem colocado no exame do ENEM, tem o
IMPETRANTE uma vaga garantida na ........, mas em ...... que é um curso que
não lhe interessa.

De tal modo que está ocorrendo o mais evidente perículo in mora, o que enseja
a concessão LIMINAR DO MANDAMUS.

Neste prisma, o requerimento de liminar deve ser deferido, porque além de


relevante o fundamento invocado, a lesão ocorrida no direito do IMPETRANTE,
impossível ignorar que, sem a liminar a medida resultará ineficaz, caso venha a
ser concedida apenas pela sentença final, podendo resultar prejuízo de difícil
reparação para o IMPETRANTE; uma vez que a própria INSTITUIÇÃO DE
ENSINO diz na missiva que comunicou o indeferimento de matricula que: ELE
ESTÁ AUTOMATICAMENTE DESCLASSIFICADO NO CONCURSO E SUA
VAGA É DESTINADA A OUTRO CANDIDATO.

Obviamente é um comunicado que será feito a outra chamada e convocado


outro candidato para preencher a vaga do IMPETRANTE, assim, a liminar se
impõe.

Ademais, a lei admite, como provimento cautelar, que o juiz ordene, desde
logo, a suspensão ou a realização do ato que deu motivo ao pedido, quando for
relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da
medida, caso deferida (art. 7º, nº II).

Como ensina ULDERICO PIRES DOS SANTOS, em sua obra O MANDADO


DE SEGURANÇA NA DOUTRINA E NA JURISPRUDÊNCIA, pág. 233:

"Como se vê, para a concessão da liminar a lei exige a presença de dois


pressupostos: a) a possibilidade de impetrante vir a sofrer grave e irreparável
lesão em seu direito caso este seja reconhecido, afinal, como procedente.
Trata-se, pois, de medida acautelaria de alto alcance, com a qual é possível
evitar ao lesado grave perigo de ordem patrimonial, funcional ou moral".

Portanto, requer seja deferido a LIMINAR para que seja determinada a


imediata MATRÍCULA do IMPETRANTE no curso o qual se habilitou em
concurso vestibular.

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DOS PEDIDOS

Diante disto se requer:

Seja concedida liminarmente a ordem para que as ............ efetue a matrícula


do IMPETRANTE ........ , no curso de .......

Requer, ao final, seja com ou sem resposta da autoridade dita coatora, seja
declarado a matrícula almejada; declarando assim o DIREITO do
IMPETRANTE.

Outrossim, requer a notificação da Autoridade coatora para prestar informações


de praxe no prazo legal; após, seja concedida à segurança, e,
consequentemente assegurando-se definitivamente ao IMPETRANTE o direito
invocado.

Após, requer, seja dado vistas ao Representante do Ministério Público da


Comarca, para que tome conhecimento do aqui contido e possa emitir parecer.

Protesta por todo o meio de provas em direito admitidos, especialmente


documental, etc.

Assim. D.R. e A., esta com os inclusos documentos que o acompanham.

Dá-se à causa o valor de R$ .....

Nesses Termos,

Pede Deferimento.

[Local], [dia] de [mês] de [ano].

[Assinatura do Advogado]

[Número de Inscrição na OAB]

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