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Prefácio

O material que o estimado leitor tem em mãos consiste no registro de uma


série de sermões proferidos na Primeira Igreja Presbiteriana Independente do
Tatuapé por ocasião do ciclo pascal de 2011. Nosso objetivo foi conduzir a igreja
e, agora, conduzir você, leitor, à maior e mais empolgante das viagens: o interior
do coração de Jesus. Nossa jornada percorrerá sete momentos singulares na vida
de Cristo: suas últimas palavras na cruz.

Neste trabalho, veremos que os solenes pronunciamentos de Cristo na cruz


não foram declarados de modo fortuito ou tampouco foram vociferados como
fruto da alucinação de uma mente agonizante em meio a mais terrível das
torturas. “As Sete Palavras da Cruz” reservam significados inteiramente
aplicáveis a todas as gerações, pois expressam a mesma força de quando foram
declarados pelo Senhor no Calvário. Eles nos fornecem lições eternas sobre
perdão, compaixão, resignação e vitória. Revelam a plena humanidade de Cristo
e seu exemplo em cumprir a vontade do Pai até o último momento de vida.

Prezado leitor, os bramidos vindos da cruz foram tão intensos que ainda
ecoam em nossos dias. Mais ainda, bradam ao coração do homem e querem
conquistá-lo. Por isso, permita que as últimas palavras de Cristo toquem,
surpreendam e transformem sua vida. Espero que, ao concluir essas reflexões,
você entenda melhor o que a cruz representou para o Filho de Deus,
compreendendo, então, o que ela deve significar para você.
A Cruz: uma solução eficaz para o pecado
“Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas
próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.” (Mt 27.31)

As perspectivas humanas acerca da Cruz estão repletas de engano. Podemos


comprovar isso pelo fato de ser quase impossível encontrar alguém que diga algo
negativo a respeito dela, por exemplo. Das tradições culturais às religiosas
existem as mais curiosas e diversas leituras sobre este que era um dos mais
ignominiosos objetos de tortura da antiguidade, carregada por Cristo no ato do
cumprimento de sua pena. Poucas expectativas, no entanto, correspondem à
realidade bíblica sobre aquilo que a cruz significou para Cristo e para a história
da humanidade.

A cruz, há muito tempo, é usada como pingente e como objeto decorativo das
mais variadas formas – nada mais. Atualmente, tem sido utilizada como símbolo
de união, tolerância e espiritualidade de todo tipo. No entanto, o que realmente
aconteceu com a mensagem original da cruz, conforme prevista pelo puro
Evangelho? Qual é a sua verdadeira mensagem? É possível resgatá-la?

É interessante observar como a mensagem da cruz foi reinterpretada para se


adequar à mente moderna e o quanto, hoje, as pessoas estão longe daquilo que é
a mensagem essencial da salvação. Observe:

1. Alguns interpretam a cruz como o mais alto tributo divino ao valor


humano:

Muitos raciocinam da seguinte forma: “Já que Deus dispôs em seu coração
enviar seu filho para morrer por nós, isso significa que somos “o máximo”! Uma
declaração como esta reforça a autoestima de qualquer um, mas, por outro lado,
pode conduzir muitos à conclusão de que existe um “direito” inerente às pessoas
de serem abençoadas por Deus pelo simples fato de serem “humanas”. Mas olhar
para a cruz dessa forma é baratear demais a sua mensagem. Captar a mensagem
da cruz nesses termos é ignorar completamente as reais intenções de Deus.
Mas o que era a cruz, então?

A cruz não era simplesmente uma forma cruel de assassinar pessoas: ela
humilhava suas vítimas. Era utilizada para executar pessoas consideradas
amaldiçoadas. O procedimento acabava com a vítima nua, sem direitos e sem
refúgio algum. Assim, se, por um lado, a cruz demonstra o insondável amor de
Deus pelos seres humanos; por outro, mostra a intensidade de nosso pecado e o
nível de rebeldia que nutrimos em nosso coração contra Deus. A cruz era uma
pena para “malditos”.

A cruz, quando corretamente compreendida, não exalta ninguém que não


tenha sido humilhado primeiro. A cruz expõe, na verdade, a futilidade de nosso
sentimento humano de superioridade moral e nos faz recordar que somos
pecadores, incapazes de efetuar por conta própria nossa reconciliação com Deus.

Diante disso, cabe-nos, antes, uma atitude de ponderação e quebrantamento


diante do madeiro. A menos que nos vejamos merecedores do veredicto que
Pilatos deu a Jesus e a menos que nos compreendamos naturalmente dignos do
inferno, jamais entenderemos a cruz.

Ao contrário da crença popular, a mensagem central do cristianismo não é o


Sermão do Monte (a despeito de sua sabedoria e beleza sacras) nem as parábolas
de Cristo que versam sobre o amor. A mensagem que vem transformando
centenas de milhares de vidas por séculos é que “os seres humanos são
irremediavelmente culpados por pecados que não podem ser compensados por
eles mesmos”. Assim, a cruz destrói todo o orgulho e aniquila os pilares do
sentimento de autojustiça humano para revelar a monstruosidade do pecado
humano e do que somos capazes. Por outro lado, demonstra o mais assombroso
fenômeno salvífico da parte de Deus, provando seu grande amor para conosco
“sendo nós ainda pecadores”.

2. Outros interpretam a cruz como uma bandeira a ser defendida.

Hoje, estamos afundados naquilo que bem pode ser chamado de


“cristianismo cultural”. Essa “doutrina” embrulha a cruz de Cristo na bandeira
de qualquer nação ou causa direta e indireta da paz, da moral e dos bons
costumes. O resultado disso é que hoje poucos sabem que a doutrina central do
cristianismo é, na verdade, a afirmação de que Cristo morreu substitutivamente
na cruz para salvar os pecadores, que não podem se justificar diante de Deus, da
destruição eterna.

Se deslocarmos a nossa fé deste centro, estaremos “pondo o prego no caixão


da igreja”. A Igreja só pode viver se respirar os ares da cruz. Sem isso, não há
vida e nem razão para existir como Igreja. Ora, somente a cruz é “o poder de
Deus para a salvação”.

3. Outros pensam na cruz com profundo sentimentalismo, mas sem espírito


de arrependimento.

Imagine uma senhora em uma capela qualquer, chorando pelos ferimentos de


Cristo na cruz e lamentando-se por que Cristo teria sofrido “por umas poucas
mentiras que dizemos e por algumas coisas que fazemos de errado”... Esse
sentimento é muito comum e domina a mente religiosa de muitas pessoas. No
entanto, sejamos honestos: as pessoas cometem muito mais delitos que “proferir
poucas mentiras” ou “fazer algumas coisas erradas”.

Seguindo o critério vicário ou substitutivo de Cristo em nosso favor na cruz,


podemos concluir que o sofrimento de Cristo foi terrível pelo simples fato de
que nosso pecado é terrível. Nesse caso, devemos ter em mente que o sofrimento
de Cristo não foi apenas no campo físico (o que já seria suficientemente cruel),
mas também houve o pior dos sofrimentos: o de ordem espiritual, em que todo o
peso dos pecados dos filhos de Deus foi depositado sobre Ele, e, por alguns
momentos houve a perda da comunhão plena com o Pai.

Jesus bebeu do Cálice da Ira de Deus na cruz em nosso lugar.

Na cruz, o que importa é o contato entre a santidade de nosso salvador e a nossa


iniquidade humana.

Como Deus “enxerga” a cruz?

Para Deus, a cruz sempre esteve acima de qualquer coisa. Na época do


Antigo Testamento, Deus aproximou-se de homens como Abraão, Moisés e Davi
com base no sacrifício expiatório, simbólica e provisoriamente oferecido pelo
derramamento do sangue de animais. Só assim, Deus conseguia “entrar” em
comunhão com esses homens e com o povo que estava debaixo da Aliança.

O sangue dos animais não podia salvar nem substituir a carga pecaminosa
das pessoas, mas apontava para uma realidade definitiva: o sacrifício de Cristo, o
“Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.

E por que Cristo, o Filho de Deus, deveria morrer? Não poderia ser outra
pessoa?

É simples: este foi o modo que Deus escolheu para se certificar de que
ninguém questionaria Sua justiça. Ele não tomou a vida de nenhum outro em
substituição dos homens para pagar a dívida do pecado, mas tomou a Dele
mesmo. Assim:

- a obediência de Cristo como Cordeiro de Deus foi preciosa para o Pai;

- Deus agradou-se e aceitou o sacrifício do Filho;

- Deus ofereceu uma solução eficaz para o pecado humano: Deus é Santo e
não poderia deixar de lado o passado pecaminoso do homem (justiça) – Deus
não pode negar a Si mesmo – como ficariam Suas leis? Como poderia Deus
fazer calar sua vontade e justiça, mantendo o mundo e o universo em
funcionamento pleno? E a dinâmica interna criadora, recriadora e
mantenedora

de Deus? Haveria um abalo tão intenso que Deus deixaria de ser Deus! Neste
caso, haveria uma descaracterização e uma despersonalização divinas.

Ao mesmo tempo, o que faria um Deus de amor com sua estimada e


“teimosa” criação? Diante do pecado, que ofende a santidade de Deus e que não
permite qualquer contato entre as partes, seria prudente acabar com a vida na
terra? Acabar com o homem e criar outro ser? Isso não seria possível, até porque
a Bíblia se refere a Deus pelo sinônimo da palavra “amor”, em muitos casos.

A cruz seria a única solução. Nela, encontram-se plenamente a justa ira de


Deus pelo pecado (justiça) e o amor do Pai para não permitir que nossa história
terminasse no inferno.

Não sei se sou muito romântico, mas vejo essa realidade expressa até no
“desenho” da cruz, com uma barra horizontal, simbolizando o benefício de Deus
oferecido aos homens (terra), e uma barra vertical, apontando para os céus
(intervenção de Deus).

A verdade é que a justiça de Deus e o amor se encontraram em uma pessoa:


Jesus Cristo. E este encontro ocorreu, definitivamente, em uma cruz, há pouco
mais de dois mil anos.

Jesus era filho de Maria (humano) e sobrenaturalmente gerado por obra do


Espírito Santo (divino) – 100% homem e 100% Deus. Só Ele podia ser o
“mediador”, então – estar no meio do caminho entre Deus e os homens.
Representava Deus aos homens e os homens diante de Deus. Assim, foi um
legítimo substituto e sacerdote. Ofereceu-se. Doou-se. Conduziu-nos de volta ao
coração do Pai. A lacuna entre santidade e pecado estava removida. “O véu que
separava já não separa mais”.

Atualmente, são muitas as propostas para se chegar até Deus através de rotas
alternativas. Mas não se engane!

Existem muitos “cristos” no mercado da satisfação humana. Boa parte deles


nos diz como obter uma vida mais feliz e produtiva, nos ensinam a entrar em
contato com as profundezas do nosso ser e que o que vale é o exercício de uma
espiritualidade harmoniosa, mas nenhum deles menciona a cruz. A mensagem da
cruz é impopular à mente pós-moderna!

O que nos leva de volta para casa é a obra da cruz, corretamente


compreendida e vivida por cada um de nós e executada por um homem-Deus
que ainda conserva a marca dos pregos em Suas mãos. PROCURE PELAS
MARCAS DOS PREGOS!

As pessoas não querem servir a um Deus com feridas! A um Deus que nos
lembra da palavra “sofrimento”. No entanto, a cruz é o ato imutável de Deus
para a redenção do homem. Vá a ela! Conheça-a melhor. É lá que sua história se
transforma!

Um alerta: ninguém experimentará o favor eterno de Deus caso se desvie


dela.

A cruz é a dobradiça sobre a qual a porta da salvação se abre, é o eixo que


sustenta unidos os raios dos propósitos de Deus. Ela põe fim a qualquer
iniciativa de vida egoísta, de religiosidade barata que tenta cooperar com Deus
para a salvação.

A cruz é a demonstração da graça operante de Deus a nosso favor. Nela,


somos comprados pelo sangue de Cristo.

A Cruz e o Peregrino
Havia um peregrino que seguia sua jornada rumo à Terra Prometida. O
homem carregava com alegria uma cruz nos moldes do madeiro cruento
utilizado para a crucificação de Jesus. Todavia, notou que, com a passar dos dias
de caminhada, mais e mais pesada se tornava a cruz de sua peregrinação.
Sentindo-se fatigado, sentou-se à beira do caminho para um breve descanso,
quando notou a quase irônica companhia de um marceneiro.

Sem titubear, o peregrino perguntou ao marceneiro se poderia usar seu


serrote por um momento, ao que foi pronta e educadamente atendido. Ao ser
indagado, contudo, pelo marceneiro quanto ao serviço a ser executado com a
ferramenta empresada, disse o peregrino: “preciso encurtar a minha cruz, a fim
de que se torne mais leve”. E assim o fez.

O peregrino seguiu seu caminho, agora progredindo pela estrada mais


rapidamente. A cruz havia sido “encurtada” e sua carga estava mais leve. Assim,
mais rápido do que aquilo que havia programado para sua andança, o peregrino
avistou a cidade Santa. No entanto, ao se aproximar das últimas curvas, deparou-
-se com um extenso e profundo abismo que o separava das glórias a serem
alcançadas na entrada na Terra Prometida. Não havia uma ponte sequer que o
pudesse fazer ultrapassar o obstáculo. Foi quando percebeu que, se fosse
possível colocar o madeiro entre as duas faces do abismo, poderia vencer sua
derradeira barreira. Lançando-se ao duro desafio de ajustar a cruz ao abismo,
notou com tristeza que, para o êxito de seu trabalho, faltava-lhe exatamente o
pedaço da cruz que havia sido cortado no caminho a fim de ver seu fardo
aliviado. Naquele momento, o peregrino acordou. Era tudo um sonho. Então,
com os olhos cheios de lágrimas, abraçou sua cruz e partiu. Ela estava tão pesada
quanto antes, mas, agora, ele a suportaria com alegria até que chegasse a seu
destino final.
Eis aqui uma parábola moderna sobre uma profunda realidade do
cristianismo: ao sermos chamados à redenção, somos desafiados a carregar nossa
própria cruz até a chegada definitiva no Reino Celestial (Lc 14.25-17). São bem-
aventurados aqueles que carregam com alegria e fé todo o fardo que lhes
pertence. Contudo, estava certo A.W. Tozer quando dizia: “aquela parte que
resgatamos da cruz é o cerne de nossos problemas”. Ou seja, precisamos vigiar
para não sucumbirmos à tentação de recusarmos carregar alguma “parte” da cruz
que nos diz respeito. A parte da cruz que recusamos carregar será justamente o
que nos tornará inúteis para o Reino de Deus. Quanto mais leve a “nossa” cruz,
mais fraco será nosso testemunho e menor o poder de identificação com Cristo
em nossa busca por santidade de vida.

Querido irmão, lembre-se dessa pequena parábola quando suas cargas lhe
parecerem pesadas demais. Caminhe confiando inteiramente em Cristo,
identificando-se com suas lutas e dores. Não se intimide. Aprenda a vencer
obstáculos aparentemente intransponíveis pela cruz, mas não subtraia nada dela.
Não perca de vista a vitória final e vença “no Senhor e na força de seu poder” –
pela cruz!
Uma Palavra de Perdão
“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

(Lucas 23.34)

O perdão soa de modo sublime e poético aos ouvidos até que tenhamos que
perdoar. Como perdoar pessoas que falham constantemente conosco e continuam
quebrando suas promessas? Por que perdoar alguém que erra e nunca pede
perdão? Por que deveria ser você a perdoar, quando você foi o ofendido? Deve-
se perdoar alguém determinado a destruí-lo?

Certamente, não há lugar melhor que a cruz para que nossas dúvidas sobre o
perdão sejam respondidas com tamanha clareza. O primeiro brado de Jesus na
cruz foi por perdão divino para os inimigos. Temos muito a aprender com Cristo
sobre esse assunto em suas derradeiras horas. Acompanhe-me...

No exercício de seu ministério terreno, Jesus frequentemente aplicava o


perdão sobre aqueles que precisavam de misericórdia. O Senhor fazia isso
usando suas prerrogativas divinas, o que quase enlouquecia os judeus legalistas.
Na cruz, todavia, Jesus abre mão de seus direitos como Filho de Deus e suplica
ao Pai que perdoe os pecados de seus algozes. Como Jesus lidou com isso?

Esta é a chave para a compreensão de como devemos agir perante a


“necessidade” de oferecermos perdão como cristãos.

Talvez alguém pudesse indagar: perdoar como Deus, do alto do patamar da


divindade, é uma coisa, em meio à miséria e à limitação humana, é outra. Mas
quando o homem deu o pior de si, Jesus orou não por justiça, mas por
misericórdia. Implorou para que seus inimigos não sofressem as consequências
de seus atos de crueldade. Ele orou não após suas feridas terem sarado, mas
enquanto estavam sendo abertas. Orou a Deus por perdão “em feridas” e não de
um “Alto e Sublime Trono”.

Como Jesus conseguiu isso?

Jesus conseguiu agir dessa forma porque tinha plena consciência de que,
naquele momento, estava tratando dos negócios de Seu Pai.

Será que podemos dizer “Pai” enquanto estamos sendo crucificados? Será
que podemos orar pelo perdão daqueles que estão tentando nos destruir? Será
que temos fé o suficiente para deixarmos o juízo nas mãos de nosso Pai
Celestial?

A Bíblia diz: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a
ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor’” (Rm
12.19).

Na cruz vemos o autocontrole do Homem que tinha o poder para destruir e


subjugar tudo a seu redor, mas, em vez disso, optou pelo perdão. Na declaração
que agora examinamos está nossa esperança para uma vida repleta de paz, sem
abrir mão da justiça divina.

Respostas às nossas inquietações

Na oração de Jesus, podemos encontrar algumas respostas às nossas


inquietações sobre o pecado, especialmente quando somos frontalmente
atingidos por ele.

De acordo com o próprio Cristo, o único pecado que não tem perdão é a
“blasfêmia contra o Espírito Santo” (Mc 3.29).

A “blasfêmia” é uma atitude ofensiva com relação a Deus e Seu Cristo que
promove a incredulidade com relação à obra redentora de Deus entre os homens.

Sendo assim, há que se questionar a eficácia da oração de Cristo: “Pai,


perdoa-lhes...” Não estavam todos blasfemando contra Ele no momento da
crucificação? Na verdade, nem todos...

A Bíblia diz que muitos, ao verem Jesus pendurado no madeiro,


blasfemaram: líderes religiosos, transeuntes e até um dos companheiros de
execução. No entanto, devemos admitir que boa parte dos “atores” da
crucificação o faziam por ignorância. Nesse aspecto, a Bíblia diz: “Ora, não
levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos
homens que todos, em toda a parte, se arrependam” (At 17.30).
A verdade é que muitos ali ignoravam o real papel de Cristo na “trama da
salvação”. É verdade também que muitos se arrependeram diante de outros
eventos simultâneos e miraculosos comparados à morte de Cristo. Estes foram
perdoados.

Tudo isso nos leva a crer que a oração de Cristo por perdão foi eficaz àqueles
a quem se destinava: aos que se arrependessem e cressem.

Veja o que o Senhor fez: Cristo apresentou seus algozes à apreciação


Daquele que “julga retamente”.

Um conhecido pastor conta em um de seus livros que, certa feita, recebera


uma carta de um preso que dizia ser o estuprador de quatro mulheres. A pergunta
daquele homem era direta: “Posso ser perdoado pelos meus crimes?” O primeiro
impulso do pastor foi lhe responder: “no que depender de mim, não!”, mas a
reposta bíblica correta é “sim”.

Você pode ficar boquiaberto com essa questão, mas a verdade é que, se ele se
arrepender, em Cristo, de seus pecados, ele pode ser perdoado por Deus, ainda
que as pessoas que tiveram suas vidas por ele destruídas jamais o perdoem.

Aqueles que se achegam a Cristo clamando por perdão serão perdoados.


Apenas os blasfemos e irremediavelmente incrédulos para com a obra de Cristo
serão rejeitados.

Pontes

Com essa oração proferida na cruz, Jesus construiu uma “ponte de perdão”,
em que os torturadores arrependidos poderiam (e podem) chegar ao Pai.

A cruz é a ponte de amor do Redentor. Nela, atravessamos o abismo que nos


separa de Deus. Se não compreendermos isso, não entenderemos o Evangelho.

Então devo orar por aqueles que falharam comigo e não pedem o meu
perdão? Sim, Jesus orou por seus inimigos antes que eles se tornassem amigos.
Obviamente, desconhecemos a reação daqueles por quem oramos. Não sabemos
se buscarão o perdão de Deus ou o nosso (algum dia...). Jesus ensinou a seus
discípulos: “Orem por aqueles que vos perseguem” (Mt 5.44).
Mais ainda, devo perdoar aqueles que não pedem perdão?

Sim, porque, ao conceder perdão, ainda que não tenha sido pedido,
entregamos nossos ofensores a Deus (o reto Juiz), depositamos aos Seus pés
benditos nosso amargor e descansamos. Mantemos, assim, um importante eixo
de paz interior dominando todo o nosso ser em Cristo.

Observe: o objetivo do perdão é sempre a reconciliação (interior e exterior).


Nos relacionamentos humanos, mesmo quando se pede perdão, a reconciliação
jamais é uma certeza. Assim, mesmo que a parte ofendida não seja procurada
por seu ofensor, o ofendido pode, em paz, perdoar, desde que a injustiça seja
“passada” para Deus. Caso contrário, a mágoa, a dúvida e a dor poderão intentar
seriamente contra o bem-estar da alma humana diante de Deus.

Note que os ofensores já causam dor o suficiente ao ofendido. Por que, então,
retê-los? Remoer a ofensa é ter o ofensor sempre consigo. A única forma de se
livrar de sua contínua influência é perdoando e entregando a causa a Deus.

Deixe-me ser mais claro: apenas aqueles que são capazes de perdoar,
deixando o “acerto de contas” a cargo de Deus é que serão recompensados com
saúde e estabilidade emocional. Assim é o espírito de Jesus.

Mais de dois mil anos se passaram e podemos contemplar quão inesgotáveis


são as fontes de refrigério que brotam das declarações de Jesus na cruz.

O primeiro “brado” de Jesus na cruz ecoa a única palavra sem a qual


ninguém poderá ser salvo: PERDÃO.

Tanto naquele tempo como hoje, o perdão é concedido livremente por Deus a
todos aqueles que o buscam por meio de Cristo.

Foi a morte de Jesus na cruz que abriu o caminho para a Sua oração “Pai,
perdoa-lhes...” tornar-se uma realidade a todos os que se achegam a Ele. E foi
nesse mesmo evento que Jesus nos ensinou, ao mesmo tempo, como obtemos
perdão e como o oferecemos. Basta seguirmos Suas pegadas.


Salvação Garantida
Ninguém há que possa negar que a salvação de um dos ladrões crucificados
ao lado de Jesus fora algo surpreendente. Mais que surpreendente, a salvação
daquele homem foi “certa” e “garantida”. Jamais alguém ousou tratar a salvação
daquele condenado sob a ótica do “talvez” ou do “possível”. Ouça novamente o
que Jesus disse naquele dia àquele sentenciado: “Em verdade te digo que hoje
estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Como aquele pobre condenado poderia ver repousar tranquilamente sua


alma? Como poderia saber ele que sua salvação estava garantida? Simples: pela
mesma garantia que ecoa pelos séculos na Palavra de Deus e que continua válida
em nossos dias: pois “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At
2.21). “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus
não tem a vida” (1 Jo 5.12). Ora, a Palavra de Deus é confiável e

está firmada no céu para sempre.

Ainda hoje, muitas dúvidas pairam no ar a respeito da certeza da salvação do


crente. Alguns até acreditam que não podemos saber se somos salvos até que
morramos, mas as Escrituras não apontam nessa direção. Ninguém precisa
“correr riscos” com relação à eternidade. É possível saber antes de nossa morte
física se estamos indo para o céu. O apóstolo Paulo ponderou sobre isso:
“Porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para
guardar o meu depósito até aquele dia” (2 Tm 1.12). João também afirmou:
“Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós
outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1 Jo 5.13).

O malfeitor às portas da morte sabia que tinha a vida eterna e que estaria com
Jesus no céu, a despeito das blasfêmias e dos escárnios que tentavam
desacreditar a obra salvífica do Mestre no instante da crucificação. Aquele
homem era um pecador sem mérito algum, um condenado; no entanto, sabia que
havia sido alvo de um ato definitivamente salvífico da parte de Deus em Cristo.
Ele sabia, sem dúvida alguma, que estava indo para o céu. Como sabia disso?
Jesus lhe afirmara! A Boa Nova contida nessa passagem é que você também
pode descansar nessa verdade. E se, porventura, você ainda não entregou a sua
vida inteiramente aos cuidados de Cristo, faça-o agora. Não perca essa chance.
Inspire-se nessa alvissareira mensagem e alegre-se em Deus por tão grande e
“segura” salvação!
Uma Palavra de Garantia
“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”

(Lc 23:43)

Tenho certeza absoluta de que se você fosse o centurião romano responsável


pela crucificação de Jesus, você teria colocado os dois ladrões próximos um do
outro e Jesus razoavelmente afastado deles.

Os soldados romanos não tinham a menor ideia do motivo pelo qual


arranjaram as cruzes naquela posição, mas, na realidade, eles estavam
cumprindo uma antiga profecia sobre o Messias que dizia: “Ele (...) foi contado
entre os transgressores” (Is 53.12).

Deus decretara que Ele, o mais Santo, deveria morrer entre os mais profanos.
Jesus não apenas morreu entre os criminosos, mas foi considerado um deles.
Nisso está um dos pontos essenciais do Evangelho: Deus queria demonstrar a
intensidade da ignomínia (vergonha) que Seu Filho estava disposto a suportar.

Aquele que nascera em um estábulo e cercado de animais, agora, na morte,


estava cercado de criminosos. Lembre-se disso quando alguém se atrever a lhe
dizer que Deus se manteve alheio à ruína de nosso mundo decadente. Jesus veio
até nós (desceu) para que pudéssemos com Ele “subir” em novidade de vida.

Bem, agora nossa atenção deve estar voltada para os dois homens
crucificados ao lado de Cristo. Um deles, em particular, merece uma
consideração toda especial por ter recebido a promessa da qual devemos todos
participar – aqueles que vão morar no céu com o Senhor.

Nessa história, encontramos esperança para aqueles que estão morrendo,


vítimas de enfermidades que dia a dia fazem minguar a vida, e também para o
forte e saudável que pode se encontrar repentinamente com a morte. A história
da conversão do “ladrão” crucificado ao lado de Cristo traz esperança a todos.

Fico pensando na intensidade do dia vivido por aquele ladrão! Pela manhã,
era um ladrão condenado à pior das execuções, sendo sentenciado com justiça à
crucificação. Ao anoitecer, recebido no Paraíso pelo próprio Cristo!

Quanta esperança nessas benditas linhas do Evangelho! Pensemos nessa


história e nos apropriemos dessa tão rica promessa.

A situação do ladrão da cruz

O contexto que envolveu a condenação do “ladrão” indica que o réu tratava-


se de um criminoso profissional.

No início da narrativa sobre a crucificação, damos conta, por meio do relato


contido em Mateus (27.44), de que nosso personagem se juntou aos inimigos de
Jesus para ridicularizá-lo.

O que ele tem de notório até aqui? Simples. Sendo tão perverso, ele
representa todos nós. Você pode até argumentar que não é ladrão, que nunca
assaltou um banco, nem qualquer guarda-chuva da entrada da igreja em um dia
de chuva. No entanto, a honestidade exige a admissão da culpa de que todos nós
defraudamos Deus em muitas coisas.

Deixe-me ser mais claro. O que você me diria diante da seguinte afirmação:
Deus lhe dá vida, talentos, habilidade de ganhar dinheiro, amigos e, no fim das
contas, em vez de vivermos para glorificar a Deus, vivemos para a “glória” de
nós mesmos. Viu? “Está” roubando de Deus ou não? Portanto, veja que não
somos muito melhores que o ladrão que se juntou a seus amigos para zombar de
Jesus.

Além disso, aquele homem já não nutria mais nenhuma expectativa de vida.
Era tarde para um novo começo. Tarde demais para achar que boas ações, agora,
sobrepujariam as más.

Arthur Pink comenta sobre esse fato: “Ele não tinha, por si só, como trilhar
as veredas da virtude – agora, tinha um prego fincado nos pés. Não tinha como
realizar nenhuma boa ação – agora, tinha um prego atravessando suas mãos. Não
tinha como virar a página da vida, pois estava morrendo”.

No entanto, sua história com Cristo demonstra que nenhuma impossibilidade


humana deve ser vista como uma maldição se nos atrairmos pelo único que pode
nos ajudar nessas condições. Na verdade, muitas vezes precisamos nos encontrar
completamente indefesos para nos rendermos.

Foi nessas condições que aquele homem viu sua história mudar. E nessas
mesmas condições, pelos séculos dos séculos, histórias têm mudado e tido um
final diferente daquele que seria o julgamento do senso comum.

Sua fé

Ao que tudo indica, o ladrão não havia tido nenhum contato anterior com
Jesus. O que o faria, então, mudar de ideia com relação a Cristo?

Ao participar da cena da crucificação, aquele homem passou a perceber que


estava ao lado de alguém que as pessoas diziam ser Deus, mesmo em meio aos
escárnios de toda a sorte. O homem que estava morrendo ao lado de Jesus ouviu
o Senhor orar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).
Aquela oração penetrou em sua consciência. Ali, aquele homem reconheceu que
precisava de perdão também. Além disso, ouviu afirmações como: “Salvou os
outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo” (Mt 27.42). Salvou os outros?
Pensou: “posso ser salvo também!” Naquele momento, Deus lhe semeia a fé
salvífica no coração e, ao olhar para Cristo, nota que logo acima da cabeça do
Salvador havia uma placa com as seguintes inscrições: “Este é o Rei dos
Judeus”. O homem, então, sente desabrochar em seu coração algo novo, uma
confiança inexplicável na salvação advinda das mãos de um “rei” cuja
majestade, aos olhos humanos, estava reduzida a nada, mas que ao seu coração
era a única esperança de redenção. O homem clama: “Jesus, lembra-te de mim
quando entrares no teu Reino” (Lc 23.42), ao que foi prontamente atendido.

Veja que coisa maravilhosa a qualidade da fé do “ladrão da cruz” e o quanto


podemos aprender sobre a graça de Deus com ela:

- Ele acreditou antes que as trevas cobrissem a terra, antes do grande


terremoto, antes que o véu do templo se rasgasse em duas partes, antes da
ressurreição, antes da ascensão de Jesus Cristo. Ele creu sem ter visto Jesus
operar milagres como andar sobre as águas ou transformar água em vinho – Ou
seja, ele “viveu (foi vivificado) por (em nome da) sua fé, e não por vista (por ter
visto) – Tornou-se bem-aventurado por “crer sem nunca ter visto” (Jo 20.29).
Incrivelmente e contra qualquer expectativa humana, aquele homem se tornou
um justo.

- Observe sua jornada de fé: começou escarnecendo ou, ao menos, sendo


cúmplice do escárnio. A seguir vem o silêncio e a repreensão ao companheiro de
crime: “Você não teme a Deus nem estando sob a mesma sentença? Nós estamos
sendo punidos com justiça...” (Lc 23.40-41). Sua consciência estava despertada
para Cristo! Um temor santo apoderou-se dele; teve ele consciência de que o
julgamento estava próximo e admitiu que estava sofrendo “com justiça”. Não se
justificou nem apresentou desculpas. Diante disso, arrependeu-se e até esperou a
mesma atitude “sensata” de seu companheiro. Arrependeu-se e creu em Cristo,
colocando sua confiança inteiramente no Senhor. Não pediu para ser honrado,
pediu apenas para ser lembrado. Era o suficiente. Aquele homem foi salvo.

- Sua fé foi corajosa. Sua fé foi contra o consenso de que Cristo era um
impostor. Rechaçou com veemência aquilo que poderia tê-lo desviado do
caminho. Suportou o escárnio ao lado do Mestre. Não é à toa que o inferno está
cheio de covardes e incrédulos! Em Cristo, o “ladrão da cruz” viu que seu
sofrimento era suportável, pois seu terrível dia logo teria um fim, e um fim
glorioso. Eis aqui a instalação bendita da ESPERANÇA no coração daquele
homem.

Preciosas Lições

Na cruz, Jesus não apenas orou ao Pai pelo perdão de seus algozes, como
também recebeu, ao menos, duas orações advindas de seus companheiros de
execução: um afirmou arrogantemente: “Você não é o Cristo? Salve-se a si
mesmo e a nós! (Lc 23.39); o outro, cuja vida estudamos agora, simplesmente
clamou para que Cristo se lembrasse dele.

Qual a diferença da petição dos dois ladrões? O que isso nos ensina?

Tendo visto até aqui os desdobramentos da petição do “ladrão arrependido”,


permita-me conduzi-lo a discernir, então, o que estava no coração do “outro
ladrão” e o que teria acontecido se Jesus o atendesse:

- Primeiro, sua perspectiva de salvação foi totalmente equivocada: ele se


preocupava apenas com esta vida e mais nada. Se Jesus, em um ímpeto heróico,
houvesse descido da cruz para operar uma salvação nos moldes da mente
daquele homem, estaria cancelado o plano de salvação e ninguém mais herdaria
os céus! Por isso, nutra a perspectiva correta sobre salvação! Este é um passo
importantíssimo para aqueles que desejam herdar os céus.

- Segundo, ele não sentia qualquer arrependimento por seus pecados. Sentia
apenas a péssima sensação de estar morrendo e queria se livrar daquilo o mais
rápido possível. Não confunda arrependimento com remorso e nem tente nutrir
qualquer oportunismo barato diante da bondade de Cristo! Os pensamentos de
Deus sobre a nossa vida são mais profundos do que a tabula rasa de nossos
interesses humanos e finitos.

- Terceiro, ele perdeu sua grande oportunidade. Vale notar que ambos os
ladrões estiveram expostos às mesmas chances: viram Jesus orar por perdão,
ouviram as declarações da multidão, puderam inclusive dialogar com Cristo no
ato da crucificação – Que oportunidade! O que você diria para Cristo se
estivesse diante Dele naquele momento?

Na dinâmica dessa história, vemos o fim de toda a humanidade.

Agora, aqueles dois homens (os companheiros de execução de Jesus) estão


separados para sempre. Cada um com seu destino. Um está na presença de Deus,
e o outro, no lugar do isolamento, do tormento e do terror. O que os separou não
foi a intensidade do mal que praticaram nesta vida. Interessante! Eles estão
separados porque, enquanto um pediu a ajuda de Cristo, o outro o ridicularizou e
desprezou a salvação que lhe era ofertada.

Diante dos registros bíblicos daquilo que se passou no Gólgota por ocasião
da memorável sexta-feira da paixão, concluímos que não podemos ser ingênuos
com relação à salvação. O mundo, para Deus, não é dividido como é para o
homem, geográfica, econômica ou racialmente. O mundo, para Deus, está
dividido pela cruz. De um lado, estão os que creem. Do outro, estão aqueles que
insistem em se autojustificar, que querem entrar no céu por esforço próprio e
desejam adiar suas decisões.

O céu e o inferno não são lugares tão distantes de nós. A questão não é física.
Tudo depende de como a obra da cruz é aplicada sobre nós! A Bíblia diz que
“hoje é o dia sobremodo oportuno. Este é o tempo da salvação!” (2Co 6.2) Não
negligencie isso! As repercussões de nossas decisões nesse campo sempre serão
eternas. Não adie ou deixe de ponderar e aplicar corretamente a obra da cruz em
sua vida!

Não perca tempo! Aquele companheiro de execução de Jesus soube


aproveitar a oportunidade de estar com Cristo. E você? Tem feito o mesmo?
Note que o ladrão não foi salvo na última oportunidade, e sim na primeira.

Não perca tempo! Ninguém aqui sabe quando estará na presença do Senhor.
Doentes e sãos... A morte é um fato e pode sobrevir de modo repentino. Como
está o seu coração? Onde ele está?

Não perca tempo! Não adie as coisas! Uma recente pesquisa mostra que as
pessoas que dizem que deixarão para seguir a Cristo em uma idade mais
avançada continuam rejeitando o Evangelho até a hora da morte!

A história do “ladrão arrependido” nos leva a compreender que a “pedra de


toque” na questão salvífica não está no tamanho de nosso pecado, mas na
disposição para crer. Isso é determinante para nosso destino! O perdão dado ao
“ladrão arrependido” nos faz lembrar de que há mais graça no coração de Jesus
do que pecado em nosso passado.

Ao olharmos para aquele que se perdeu, podemos ver refletida a preocupação


do autor de Hebreus, que, em 2.3, diz: “Como escaparemos, se negligenciarmos
tão grande salvação?” Ao olharmos para o “ladrão arrependido”, vemos que,
assim como ele, podemos ser bem recebidos na eternidade. Basta transferirmos
nossa confiança para Aquele que guarda as chaves do Paraíso.
Uma Palavra de Compaixão
“Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu
filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o
discípulo a tomou para casa.”

(João 19:26-27)

Se você estivesse em Jerusalém no exato momento da crucificação de Jesus,


a que distância você acompanharia os fatos? Jesus foi desprezado e rejeitado
pelos homens, perseguido, e seus seguidores passaram a ser vistos como
elementos suspeitos. Era preciso, portanto, uma boa dose de coragem para estar
junto à sua cruz no momento de Sua execução.

Historicamente, os cristãos expressam em sua musicalidade, textos e, nas


mais diversas linguagens, a proposta de “estar junto à cruz” como um clichê de
devoção que tenta descrever uma alta qualidade no campo da dedicação a Jesus.
Evidentemente, “estar junto à cruz” não é uma questão de geografia física.
“Estar junto à cruz”, “estar perto da cruz”, de acordo com a Bíblia, refere-se a
uma posição espiritual – um relacionamento especial de proximidade com Jesus.

Ficar junto da cruz não significa apenas se identificar com o sofrimento e


vitupério de Cristo - o que nos salva – mas é também assumir um lugar de
responsabilidade pela continuidade do trabalho de Cristo sobre a face da terra. É
o que o terceiro “brado” de Cristo na cruz nos mostra.

A túnica sem costura

Ao que tudo indica, na fase adulta de Jesus, José já havia morrido. Sendo o
filho mais velho da casa de uma viúva, Jesus tinha a obrigação de cuidar de sua
mãe e da economia (oiko+nomos – regras da casa) do lar.

No momento da crucificação, enquanto Jesus fazia seus últimos


pronunciamentos, lemos em Jo 19.23 que os soldados romanos “dividiram” as
vestes de Cristo em quatro partes, restando a túnica. Isso não quer dizer que eles
“rasgaram” as vestes, mas as dividiram entre si.

Veja que interessante: os homens judeus normalmente vestiam cinco peças de


roupa. Os homens adultos usavam com frequencia como a quinta peça uma
túnica diferenciada: a túnica sem costura. O que era isso? Essa túnica era
normalmente entregue ao filho, pela mãe, no momento de sua emancipação.
Uma tradição diz que Maria fez pessoalmente essa túnica para Jesus e entregou a
ele quando saiu de casa para cumprir seu ministério.

Charles Swindoll chama atenção para o fato de haver uma aparente


associação entre as palavras de Jesus e o que faziam os guardas. Imediatamente
após os soldados lançarem sortes sobre essa túnica, acontecem as cuidadosas
palavras de Jesus à Maria. Veja: enquanto os soldados lançavam sortes sobre as
outras peças de roupa, tudo bem, mas quando a túnica sem costura entra na
disputa, Jesus se compadece de Maria. Agora, os soldados haviam tocado em
algo muito próximo do Seu coração.

Nesse momento, João volta ao encontro do Mestre para estar também aos pés
da cruz e acompanhar a Cristo, sob qualquer circunstância e ameaça, em Seu
sofrimento e em Sua morte. Como os demais, João havia fugido no momento da
prisão do Senhor, mas, arrependendo-se e com uma enorme e incontida paixão
pelo Mestre ardendo em seu peito, resolve voltar e enfrentar tudo e todos para
afirmar seu discipulado fiel a Cristo.

Em meio à cena, Jesus volta-se à Maria e, referindo-se a João, diz: “Aí está o
seu filho” (Jo 19.26). Logo em seguida, voltando-se a João, como que
mentalmente fazendo a “transferência da túnica sem costura” a ele, diz: “Aí está
sua mãe” (Jo 19.27).

Assim, João recebe a incumbência, a responsabilidade de dar continuidade a


uma das mais importantes tarefas de Jesus: cuidar de Maria como se ela fosse
sua própria mãe.

João e a responsabilidade do discípulo

João recebeu de Jesus a “túnica sem costura”. Receberia Maria em sua casa e
cuidaria dela como se fosse seu filho legítimo. Em outras palavras, estaria
substituindo Jesus sobre a face da terra. Isso é discipulado! Diante do
arrependimento e da atitude corajosa de João em apresentar-se a Cristo,
posicionando-se “junto à cruz”, de modo sincero, Jesus restaurou-lhe e deu-lhe
por herança o nobre ministério de dar continuidade à Sua tarefa.

O Evangelho é brilhante em mostrar que podemos até nos desviar dos


caminhos de Deus. Podemos até desobedecer a Sua vontade. É possível até
negarmos a Cristo, como fez Pedro, mas sempre podemos voltar, sermos
perdoados e entrar em uma relação “nova” com Cristo, a qual nos conduzirá pelo
seguro caminho de um discipulado legítimo. Foi o que aconteceu com João, com
muitos outros e pode muito bem acontecer conosco.

O Calvário não era o lugar mais seguro para um discípulo estar, aos olhos do
mundo, mas era o melhor lugar para um discípulo estar. João teve esse
privilégio. Acredito até que fatos como este contribuíram para que, no futuro,
João escrevesse pérolas belíssimas como: “Se confessarmos os nossos pecados,
Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1
Jo 1.9).

Jesus não só restaurou João como o honrou. Era como se tivesse lhe dito:
“João, você está me substituindo!” Quais implicações isso tem para nós hoje?

Você e eu também somos herdeiros da “túnica sem costura” de Jesus. Você e


eu, toda a igreja, somos chamados para representar Cristo fielmente neste
mundo! “Segundo Ele é, também nós somos neste mundo” (1 Jo 4.17). É uma
responsabilidade tremenda representar Jesus neste mundo, mas só no poder do
Espírito Santo podemos fazê-lo de modo satisfatório. A boa notícia é que é
possível e desejável nos tornarmos testemunhas fiéis (At 1.8).

A cruz é um lugar de responsabilidade. Ficar próximo a ela e herdar a “túnica


sem costura” implica assumir o lugar de Cristo em um mundo que naturalmente
o rejeita. Mas aquele que “não carrega sua própria cruz e não O segue, não pode
ser Seu discípulo” (Lc 14.26-27). Agora, os discípulos de Cristo são Seu corpo,
suas mãos, seus pés.

Jesus quer que nos estabeleçamos junto à Sua cruz com a dignidade de
discípulos e herdemos sua túnica. Isso porque Jesus sabe que junto à cruz:

. encontramos redenção;

. nosso orgulho e egoísmo desaparecem;


. encontramos a recompensa destinada aos discípulos.

Se você faz parte deste ministério ou ainda não se decidiu por isso, preste
atenção: posicione-se, chegue mais perto, contemple, se entregue, herde tarefas e
ministérios, identifique-se com o Mestre em seus sofrimentos e em suas alegrias,
ocupe seu lugar como representante de Cristo (Sacerdócio Universal dos
Crentes). Passe para a história da igreja como alguém que honrou a herança da
“túnica sem costura” recebida diretamente do próprio Cristo e vinda diretamente
da cruz.

A Hora Nona e o Mistério das Trevas


A tradição judaica dispõe de um sistema de registro de horas bastante
diferenciado do mundo ocidental. Para os judeus, o dia começa às seis horas da
manhã e, por isso, é só a partir desse horário que o tempo passa a ser contado.
Então, quando lemos que Jesus foi crucificado à hora terceira, entendemos que
isso quer dizer nove horas da manhã. A Bíblia diz que “da hora sexta até a hora
nona houve trevas sobre toda a terra. Por volta da hora nona, Jesus clamou em
alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus
meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.45-46). No evento da crucificação de
Cristo, o mundo mergulhou em densas trevas do meio-dia até as três horas da
tarde. Após três horas de luz, vieram três horas de escuridão. E por que se fez
noite ao meio-dia?

Não se tratava de um eclipse, por mais que algumas especulações cientificas


se aproximem da constatação de algo parecido para aquele dia e aquela hora. Na
verdade, o sol se escondeu por um ato divinamente sobrenatural e repleto de
significado. Afinal, o Filho de Deus, que compartilhou a criação de todas as
coisas, agora estava “morrendo” na cruz, o que envolve um mistério somente
explicável por um ambiente envolto em trevas. E que trevas eram aquelas?

Eram “trevas de solidarização”, onde todas as forças dos céus e da terra


demonstraram plena solidariedade e respeito ao sofrimento do Salvador. É
interessante observar que tudo na criação se prostra em plena obediência e
admiração perante Deus (Rm 5.14-21), exceto o ser humano.

Eram “trevas solenes”. Naquele momento, o Justo morreu deliberadamente


pelos injustos e o cordeiro de Deus derramou definitivamente seu sangue pelos
pecadores culpados. Na primeira Páscoa, no Egito, houve trevas durante três
dias, antes de o cordeiro pascal ser imolado pela primeira vez na história (Ex
10.21-29). É como se Deus estivesse dizendo: “Esta é a hora do juízo solene,
muito maior que o juízo que enviei ao Egito”. Ao falar de sua morte, certa feita
Jesus disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu
príncipe (Satanás) será expulso” (Jo 12.31).

Eram “trevas de separação”. A escuridão sempre está associada ao castigo de


Deus por causa de um grande pecado. Além disso, a Bíblia afirma que “os
nossos pecados fazem separação entre nós e Deus” (Is 59.2). A separação
equivale à morte, e as trevas, em muitos casos, às dores infernais. Portanto, a
escuridão da hora nona apontava para o “peso infernal” suportado por nosso
meigo Redentor no lugar daqueles que “andavam na região das sombras da
morte” (Is 9.2). Isso nos lembra que o inferno é coisa séria: é lugar de solidão,
tormento, separação; lugar onde os pecadores sofrem as eternas penas por terem
rejeitado a Cristo. A boa notícia é que as “trevas” vividas por Cristo naquele dia
são capazes de livrar o pecador arrependido e entregue a Seus benditos pés das
densas trevas da rejeição divina.

Eram “trevas de segredo”, como se Deus pusesse uma cortina em torno da


cruz. Isso lembra aquilo que os antigos sacerdotes judeus faziam no Dia da
Expiação anual. Naquela ocasião, apenas o sumo sacerdote tinha permissão para
adentrar no Santo dos Santos, levar consigo o sangue do sacrifício e aspergi-lo
sobre o propiciatório diante da Arca da Aliança. Ninguém poderia acompanhá-lo
(Lv 16). Ele era o homem escolhido para representar seus semelhantes na
presença santa de Deus e, ao mesmo tempo, representar o favor divino perante
os homens. Era um momento particular entre o sacerdote e Deus. Durante
aquelas três horas de escuridão, Jesus manteve-se em silêncio e no segredo de
seu coração estava consumando a obra que viera realizar.

Note que as trevas que envolveram a crucificação do Senhor e se estenderam


da hora sexta até a nona foram estabelecidas por causa da culpa de todos nós.
Ali, vemos Cristo abandonado por Deus em nosso lugar. É triste ver que, ainda
hoje, são muitos os que continuam vivendo nas regiões sombrias de uma
existência à parte de Cristo, ignorando a obra da cruz. Muitas pessoas, por isso,
tornam-se completamente cegas para com as verdades das Escrituras, para com
seus pecados e para com o único e suficiente Salvador, que é Cristo. Que o grito
de Cristo na escuridão daquela memorável sexta-feira faça com que vivamos
sempre na luz!


Uma Palavra de Agonia e
o Silêncio de Deus
“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá
sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

(Mt 27:46)

“Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” Que diferença das
experiências anteriores com o Pai! O clamor de Cristo ecoa pelo céu silencioso.
Dois mil anos antes da experiência do Calvário, Deus solicitou a Abraão que
imolasse seu único filho Isaque no Monte Moriá. No entanto, quando o cutelo
foi erguido, veio a ordem do Alto: “Não toque no rapaz... Não lhe faça nada.
Abrãao, agora sei que você teme a Deus porque não negou seu filho, seu único
filho” (Gn 22.2). Agora no Calvário, que por sinal corresponde ao mesmo local
conhecido no passado como Monte Moriá, a Voz estava silenciosa. Por que o
Filho, motivo do deleite do Pai, fora abandonado naquelas condições? Que
pergunta incômoda! Que silêncio doloroso!

Os fariseus que estavam “rodeando” a cruz não poderiam respondê-la;


tampouco os soldados romanos. Os sacerdotes não poderiam compreender. E o
mesmo ocorre ainda hoje. Muitos não compreendem por que um Deus, que não
esqueceria quem quer que seja, esqueceria de seu próprio Cristo! É preciso haver
uma boa razão para isso. Ao compreendermos os detalhes desse momento vivido
pelo Senhor, poderemos alcançar um coração grato, feliz e seguro diante de Deus

Quero, assim, convidá-lo a uma breve jornada neste grande mistério da


salvação do homem. Venha...

A pergunta inquietante

Este clamor de Cristo é tão inquietante para nós, que muitos arriscam que o
Pai não abandonara realmente o Filho, mas que Jesus, em um momento de
extrema debilidade física, sentira-se abandonado pelo Pai. Ora, não devemos nos
furtar do verdadeiro significado das palavras de Cristo nesta quarta palavra da
cruz.

Acredito que Calvino tenha sido bastante oportuno ao comentar a passagem


afirmando que Cristo, segundo apontam as Escrituras, deveria sentir sobre si
todos os efeitos do juízo de Deus. Agora veja: se Cristo tivesse apenas
experimentado a morte física na cruz, seu sacrifício não teria alcançado os reais
propósitos de Deus para aquela hora. Se a alma Dele não tivesse sido afetada
também pelo castigo, Jesus teria sido, quando muito, salvador de corpos.
Entretanto, felizmente, Ele pagou um preço muito maior e mais levado ao sofrer
os terríveis tormentos de um homem condenado e abandonado. Por isso, não se
engane: tratava-se, sim, de abandono.

Eu sei que “abandono” é uma palavra forte. Você, que talvez já tenha passado
essa experiência um dia, sabe do que eu estou falando. Temos aqui um Filho
abandonado pelo Pai. E que Pai! O próprio Deus...

A Bíblia diz que o Filho era amado pelo Pai desde a eternidade. Para o Filho,
a presença do Pai era seu único prazer. Por isso, saiba que a ocultação da face do
Pai era o gole mais amargo do cálice da ira de Deus que Jesus precisava sorver.
Sofreu o Filho, mas sofreu também o Pai. Ambas as naturezas de Cristo
sofreram. A Trindade sofreu. Porém, não se espante com isso, pois um Deus
incapaz de sofrer seria um Deus incapaz de amar. Se Deus não pudesse sentir a
dor de seu povo, fatalmente seria Ele indiferente aos nossos problemas. Não se
esqueça, apenas, de que Deus não foi forçado a isso. Ele o fez por amor e porque
estava disposto a isso para nos resgatar, para nos redimir.

Se para nós, pecadores redimidos, é difícil pensar em um abandono da parte


do Pai, imagine o que pensava Cristo, que havia passado a eternidade a Seu lado!
É assim que, ainda hoje, Jesus é aceito por uns e rejeitado por outros.

Note que Jesus se angustiou, mas em nenhum momento perdeu a confiança


no Pai. Ele exclamou: “Deus meu!”. Apesar da dor, Jesus sabia que o Pai ainda
lhe pertencia. A retirada momentânea da presença do Pai não significava a
retirada de Seu amor.

O brado de Jesus era um clamor de agonia e não de desconfiança. Agonia


necessária para que a redenção fosse um plano perfeito.

O silêncio de Deus

O Pai abandonou o Filho porque Sua santidade o exigia. Certa feita, o profeta
Naum fizera uma pergunta que precisaria de resposta na plenitude do tempo:
“Quem pode resistir à Sua indignação? Quem pode suportar o despertar de Sua
ira? O Seu furor se derrama como fogo, e as rochas se despedaçam diante Dele”
(Na 1.6). Eis na cruz a resposta: somente Jesus poderia resistir à indignação de
Deus contra o pecado. Somente Ele poderia suportar a indignação de Deus
contra o pecado que nós tão amplamente merecíamos.

Lembre-se de que Deus olhou para Jesus na cruz e viu Nele alguém que
levava sobre os seus ombros os pecados de muitos. Assim, Ele foi amaldiçoado
em nosso lugar para fôssemos libertos de uma vez por todas. Não havia como
transferir os pecados sem transferir o justo castigo por eles.

Jesus tomou sobre Si o sofrimento do próprio inferno por mim e por você.
Ora, não é o inferno lugar de solidão e desamparo? Estar no inferno é ser
abandonado por Deus. Veja que o horror que Cristo experimentou está além de
nossa compreensão, o que não nos impede de nos aproximarmos dessa verdade e
extrair dela a paz e a segurança advindas da obra salvífica do Servo Sofredor por
nós.

Você compreende, agora, por que naquele dia o meio-dia se tornou meia-
noite? As trevas físicas simbolizavam a separação momentânea entre Cristo e o
Pai (que é Luz). Ali ocorreu uma interrupção momentânea no relacionamento do
Pai e do Filho, mas não uma ruptura na unidade fundamental entre os dois.

Lições Transformadoras

Na cruz, foram convergidas todas as forças no universo:

- O homem mostrou sua maldade, pregando na cruz o Filho de Deus.

- Satanás mostrou sua ridícula hostilidade contra Cristo, ferindo-lhe o


calcanhar.
- Jesus realizou sua obra, esmagando a cabeça da serpente e, como “Justo,
morreu pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” (1 Pe 3.18).

- Deus fez a parte Dele, mostrando Sua Justiça e Seu Amor ao derramar sua
ira sobre o Filho.

Por isso, sem dúvida alguma, devemos nos aproximar da cruz maravilhados!
A morte de Cristo foi um “sacrifício de aroma agradável a Deus” (Ef 5.2). Jesus
morreu para demonstrar que Deus é justo, mas ressuscitou ao terceiro dia para
demonstrar que Ele é também amor. O Senhor foi abandonado por Deus para que
fôssemos aceitos por Ele. Jesus atravessou as trevas para que estivéssemos na
Luz. O Filho de Deus foi amaldiçoado para que vivêssemos eternamente debaixo
da bênção de Deus. Jesus foi condenado para que nos tornássemos livres, sofreu
os tormentos do inferno para que ganhássemos o céu e bebeu o cálice da
angústia para que desfrutássemos do cálice da alegria.

Agora, “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm


8.1). Como disse Spurgeon: “sem a cruz, haveria uma ferida para a qual não há
curativo”.

Ou somos salvos pela rejeição de Cristo, ou seremos rejeitados para toda a


eternidade.

Se os que estão no inferno clamarem: “Por que me abandonaste?”, o céu


permanecerá em silêncio, pois estarão recebendo a justa recompensa por seus
pecados. Mas graças a Deus, podemos nos amparar atrás dos muros da graça de
Cristo e saber que estamos salvos da ira divina.

Viva confiando nisto: quem crê em Cristo como Senhor e Salvador jamais
vai para casa no escuro, pois “a vereda do justo é como a luz da aurora, que vai
brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).

Viva na luz!

Sede de Justiça
Como é possível admitir que o Criador de todos os rios, fontes e mares
existentes no planeta tivesse, na cruz, os lábios ressecados? Como é possível que
aquele que acalmou as estrondosas ondas do Mar de Tiberíades com o poder de
Sua Palavra ansiasse por algumas gotas de refrigério? Na cruz, Jesus recusara-se
a exercer qualquer processo criador e soberano com relação à água a fim de que
pudesse ter sua sede saciada. E por que isso?

A simples frase “tenho sede” possui uma riqueza singular de significado que
vale a pena ser explorada. Esse pronunciamento de Jesus diz respeito a todos
aqueles que têm desejos não realizados, que sentem a língua se apegando ao céu
da boca como um caco de barro e que anseiam por justiça. Na cruz, substituindo-
nos, Cristo sentiu sede para que, em Sua vitória, pudéssemos nos dessedentar
com as fontes de “água da vida”.

A jornada de Jesus na cruz pode ser representada por três cálices. O primeiro
lhe foi oferecido quando o Senhor chegou ao Gólgota e seu corpo foi pregado na
cruz. Deram-lhe vinho misturado com fel, mas ele, depois de prová-lo, recusou-
se a beber (Mt 27.33-34). O “fel” era uma erva venenosa que, ao ser misturada
com vinho, desenvolvia uma propriedade sedativa e razoavelmente anestésica.
Entretanto, Jesus sabia de seu papel como “servo sofredor” e havia se entregado
deliberadamente para morrer pelos pecadores. Assim, Cristo não queria que
nenhum de seus sentidos ficasse entorpecido, preferindo estar no perfeito
controle de suas faculdades até o cumprimento total de sua tarefa. Este era o
cálice amargo da fuga da sensibilidade pela dor e sofrimento humanos. O
segundo cálice lhe foi oferecido por um soldado romano que, ao ouvir seu brado
“tenho sede”, embebeu uma esponja em vinagre, espetou-a em uma vara e
alcançou os lábios do Mestre. Novamente, Jesus recusou. Vale lembrar que,
naquele tempo, o vinagre consistia em um vinho barato e de baixíssima
qualidade consumido pelos menos favorecidos e, no caso citado, pelos soldados
romanos do baixo escalão. Este era o cálice da compaixão barata e do ato
paliativo pelas necessidades do próximo, algo inaceitável a Cristo. Houve ainda
o terceiro cálice. Este, curiosamente, não tinha nenhum líquido dentro, mas Jesus
o aceitou de modo corajoso e decidido. Era o cálice da nossa iniquidade, que
Jesus bebeu até o fim para nossa salvação.

O “mistério” da sede do Senhor na cruz do Calvário mostra-nos que Cristo


suportou tamanha aflição para que eu e você recebêssemos de graça a água da
vida (Ap 22.17) e nunca mais tivéssemos sede: sede de Deus, sede de perdão,
sede de justiça, sede de compaixão. Creio que a melhor pergunta para hoje não
seja: Você está com sede? Ora, todo ser humano é naturalmente sedento em suas
razões mais profundas. Certamente, diante do memorável fato bíblico aqui
apresentado, a verdadeira pergunta é: “Por quanto tempo você ainda continuará
com sede?”. A obra da cruz está consumada, por isso não há mais motivo algum
para que muitos continuem vagando pelos desertos da existência em estado de
sequidão profunda. Lembre-se: a vitória conquistada por Cristo na cruz pode
perfeitamente aniquilar toda a sede da alma humana, e o melhor:
definitivamente. Assim, passe a confiar inteiramente em Cristo como seu
Salvador, considere mais esse aspecto da riqueza bíblica contida na obra da cruz
e nunca mais tenha sede!
Uma Palavra de Sofrimento
“Tenho sede!” (Jo 19.28)

“Tenho sede!” é a declaração mais curta feita pelo Senhor na cruz. Consiste
em apenas um vocábulo no grego e é a única declaração em que Jesus expressa
uma necessidade física.

Os estudiosos dizem que a sede da crucificação resulta de um longo processo


de desidratação. A começar pelo Getsêmani, onde Jesus suou a ponto de
derramar gotas de sangue, passando pela prisão e pelos julgamentos diante de
Anás e Caifás; uma noite passada em masmorras, seguida de uma nova série de
julgamentos pela manhã seguinte; o açoitamento e a obrigação de carregar a
própria cruz até o local da crucificação numa ladeira íngreme; a crucificação,
que expôs Seu corpo à total ausência de consumo de qualquer tipo de líquido e
que o fazia verter sangue em grande quantidade durante seis longas horas. Tudo
isso fez com que Cristo sentisse uma sede terrível e mortal.

Alguém disse que, em sueco, as palavras “sede” e “fogo” são palavras


análogas. Isso porque aqueles que já sentiram esta “sede da morte” contam que
ela pode queimar como fogo na boca.

Quero convidá-lo, agora, a uma breve reflexão sobre o que esta quinta
declaração de Cristo na cruz significou para Ele e o que significa para nós.

Jesus: Filho sofredor e Servo Obediente

Primeiramente, podemos destacar que o fato de Jesus ter sentido sede em


meio ao processo de crucificação afirma sua humanidade. Assim, não podemos
deixar de pensar que sua sede expressava um desejo físico por beber água. No
entanto, de modo complementar, a dura prova à qual Jesus estava sendo
submetido o afetava não apenas quanto à sequidão do corpo, mas também da
alma. Em Pv 17.22, lemos: “o espírito oprimido resseca os ossos”.

A.W. Pink dizia que “a sede de Cristo se intensificava como consequência da


agonia de sua alma, sob o calor ardente da ira de Deus”. A sede de Cristo, em
seu conjunto (apresentando efeitos vívidos na alma e no corpo), expressava o
desejo do Senhor em voltar a ter comunhão com o Pai, após três horas de terrível
separação. Davi salmodiou a esse respeito: “Como suspira a corça pelas
correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma
tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de
Deus?” (Sl 42.1-2)

A agonia de Cristo, como Filho sofredor e Servo Obediente, foi profetizada


por Davi nos seguintes termos: “Derramei-me como água, e todos os meus ossos
se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim.
Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da
boca; assim, me deitas no pó da morte.” (Sl 22.14-15)

Jesus sabe como ninguém o significado da palavra “dor”: não apenas como
um médico que conhece tecnicamente a doença, mas como um “homem de
dores”, que sabe o que é sofrer, com lacerações pelo corpo e com a boca
ressecada. Note que Jesus era submisso à vontade do Pai, não importando se
com isso vivesse momentos agradáveis ou de duras afrontas. Para Cristo, a
Glória do Pai ofuscava todo o sofrimento, toda a dor e todas as injustiças,
demonstrando que fazer a vontade do Pai estava acima do desejo de satisfazer a
vontade própria. Quanto temos de aprender com isso!

Talvez, muitos aqui já tenham sido privados de algo essencial: uma viúva,
que em determinado momento entendeu não ser possível prosseguir sem o
esposo amado, um homem que tenha perdido repentinamente sua fonte de
sustento, a pessoa que vê sua saúde se deteriorar de modo irremediável, mas
nada se compara às privações de Cristo, à sede do Senhor durante a crucificação.
Saiba que o que quer que você possa estar passando hoje, esteja certo de que
Jesus passou por tudo isso e ainda mais. Em Cristo, Deus entrou em nosso
sofrido mundo e nele encontrou suas dores, com um motivo nobre, porém para
nos redimir! Para nos libertar, pagando um preço e guardando-nos, livres e
salvos, para Si!

Pense nisso: assim como nos outros quesitos da cruz, em que Jesus sentiu as
dores da rejeição e da injustiça dos homens, a “dor da sede” ocorreu para que
fôssemos salvos da “sede eterna”.

A sede, o sofrimento e nós


As mães sabem melhor do que ninguém que a primeira necessidade básica da
vida de um bebê é a sede. Todos nós nascemos sedentos. No entanto, do mesmo
modo que chegamos a este mundo expressando uma sede física incontrolável,
também chegamos por aqui com uma sede espiritual embutida na alma.

A alma do homem traz consigo uma sede voraz e insaciável, mas que
ninguém se engane, somente quando nos entregamos a Deus essa sede pode ser
saciada. Temos dentro de nós sede de comunhão, não apenas com outras pessoas,
mas com Deus que nos criou – o que deveria ser plenamente compreensível,
afinal fomos criados para o Seu prazer.

Agora, o fato é que muitos decidem extinguir essa sede em fontes enganosas:
muitos trilham o caminho dos vícios, do sexo, do dinheiro e do poder. Outros
precisam viver à base de medicamentos porque não conseguem suportar a dor do
próprio vazio. Há aqueles que tentam preencher a vida com prazeres transitórios.
Enfim...

Precisamos compreender claramente que todos esses bebedouros conseguem


apenas nos fornecer uma falsa sensação de sustento, pois na verdade servem
exclusivamente para nos contaminar e nos afastar da verdadeira fonte de água da
vida. Veja o que diz Jeremias: “Porque dois males cometeram o meu povo: a
mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas
rotas, que não retêm as águas (Jr 2.13).

Cuidado: quanto mais abastada vive a sociedade, mais essas cisternas


rachadas seduzem os desatentos!

Agora, veja: se é fato que todos nós temos sede, então a questão a ser
levantada e que merece consideração para este momento é: até quando
continuaremos com sede?

Certa feita, Jesus contou uma história que em linhas gerais dizia o seguinte:
“Havia um homem rico que vestia roupas muito caras e todos os dias dava uma
grande festa. Havia também um homem pobre, chamado Lázaro, que tinha o
corpo coberto de feridas, e que costumavam largar perto da casa do rico. Lázaro
ficava ali, procurando matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do
homem rico. E até os cachorros vinham lamber as suas feridas. O pobre morreu e
foi levado pelos anjos para junto de Abraão, na festa do céu. O rico também
morreu e foi sepultado. Ele sofria muito no meio das chamas do inferno. Quando
olhou, viu lá longe Abraão e Lázaro ao lado dele. Então gritou: “Pai Abraão,
tenha pena de mim! Mande que Lázaro molhe o dedo na água e venha refrescar a
minha língua porque estou sofrendo muito neste fogo![1]

Sabe o que as pessoas que “moram” no inferno dizem o tempo todo? “Tenho
sede!”

Agora, deixe-me contar a Boa-Nova: os tormentos do inferno são


representados por uma violenta sede. Vemos isso na queixa do homem rico que
suplicava por uma gota de água fresca em sua língua. Estaríamos todos
condenados a essa sede eterna se Cristo não tivesse sofrido na cruz por nossas
aflições infernais da sede da morte.

A Bíblia nunca escondeu que o inferno é um lago de fogo, lugar de sede


eterna e inextinguível. Felizmente, Jesus sofreu com os lábios ressecados para
que pudéssemos beber das fontes da salvação.

Sobre os que estão nos céus, lemos: “Eles nunca mais terão fome nem sede.
Nem o sol nem qualquer outro calor forte os castigará.17 Pois o Cordeiro, que
está no meio do trono, será o pastor dessas pessoas e as guiará para as fontes das
águas da vida. E Deus enxugará todas as lágrimas dos olhos delas.” [2]

Jesus bebeu o cálice da morte para que bebêssemos o cálice da vida. Ele
sorveu o cálice da ira para que bebêssemos o cálice das bênçãos.

Una-se – una sua alma sequiosa – ao Cristo sedento na cruz! Esta é a única
forma de saciarmos definitivamente a sede de nossa alma.

Basta um único gole da “Água da Vida” para jamais voltarmos a sentir sede e
desfrutarmos de suas divinas benesses para sempre.

Jesus diz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as
Escrituras Sagradas: “Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em
mim”.39 Jesus estava falando a respeito do Espírito Santo, que aqueles que
criam Nele iriam receber “[3]

O contexto dessa passagem envolve o sétimo dia da Festa dos Tabernáculos.


Os israelitas celebravam essa festa quando terminava a colheita. Construíam
coberturas de ramos para recordar a vida dos seus antepassados no deserto
depois da saída do Egito. No sétimo dia da festa, havia uma grande
comemoração. (O oitavo dia era de "solenidade", Lev 23.36;. Num 29.35). Cada
manhã da festa, no momento do sacrifício, os sacerdotes iam buscar água em um
vaso de ouro a partir da piscina de Siloé e transportavam-na ao templo para ser
derramada no altar. Esse ato comemorava o abastecimento miraculoso de água
que Deus deu aos judeus no deserto. Esse sétimo dia era conhecido como "O
Grande Hosana" e clímax da festa. É preciso muita imaginação para entender o
que deve ter acontecido quando Jesus clamou: "Se alguém tem sede, venha a
mim e beba!" (V. 37) com os sacerdotes derramando a água no altar. No entanto,
ali, Cristo estava reivindicando seu direito, pois afinal Ele era a rocha na qual as
águas jorraram (Êxodo 17.1-7; 1 Coríntios 10.4). Ele foi ferido na cruz para que
o Espírito de vida fosse dado e para salvar os pecadores, satisfazendo
eternamente sua sede.

Até quando você continuará com sede?

Não é de admirar que possamos ler no último grande convite que existe na
Bíblia as seguintes palavras: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que
ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a
água da vida”.[4]

Vá as fontes e beba, sem dinheiro e sem preço. É de graça! Cristo comprou-


as para você na cruz. Beba e nunca mais tenha sede!

“TETELESTAI”: uma obra consumada


A palavra grega “tetelestai” encontra origens no verbo “teleo”, que significa
“completar, terminar, realizar” algo. “Tetelestai” refere-se à conclusão bem-
sucedida de um ato ou procedimento. Se fôssemos aplicá-la à língua portuguesa,
poderíamos utilizá-la ao término do pagamento completo de um carnê, por
exemplo, ou após completarmos uma corrida. Um empregado, ao comunicar a
seu patrão a realização completa de uma tarefa que lhe fora designada, poderia
muito bem valer-se do termo “tetelestai” para oferecer uma riqueza ímpar ao
significado de seu trabalho. Em resumo, “tetelestai” afirma que determinada
ação ou iniciativa foi cabalmente realizada.

O sexto brado de Cristo na cruz resume-se precisamente à expressão


“tetelestai”! Ou seja, uma palavra dita pelo Salvador sobre uma obra consumada.
Quando Jesus vociferou o “tetelestai” na cruz, todas as profecias messiânicas a
respeito de Sua obra salvífica estavam, então, cumpridas e terminadas. Desde Gn
3.15, onde Deus promete aos seres humanos um Salvador que derrotaria Satanás,
passando por todos os retratos proféticos a respeito de Cristo, os rituais, os
objetos do tabernáculo, o ministério sacerdotal, o sistema sacrificial, tudo
aguardava ansiosamente pelo “tetelestai” advindo da cruz. A partir daí, o véu do
templo rasgou-se em duas partes e o homem pode, finalmente, entrar na presença
de Deus.

“Está consumado” significa que o trabalho da salvação terminou. Não


podemos acrescentar ou remover nada a essa divina obra, tampouco substituí-la.
Deus oferece ao mundo perdido uma obra consumada e pronta. Tudo que o
pecador deve fazer, agora, é crer em Jesus Cristo para a salvação.

Você está certo de que Jesus é seu Salvador? Saiba que há uma obra salvífica
consumada na cruz e Deus espera que você a torne algo pessoal. Para isso, basta
ir à cruz e pedir que Jesus o salve, pois afinal de contas “todo aquele que invocar
o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).
Uma Palavra de Vitória
“Está consumado!” (Jo 19.30)

“Está consumado” é o sexto pronunciamento de Jesus na cruz. O Senhor


estava prestes a entregar seu Espírito ao Pai quando antes bradou: “Tetelestai”,
“está consumado!” Longe de ser um gemido frágil, agonizante, fruto de lábios
derrotados, os Evangelhos dão conta que Cristo bradou em alta voz: “Está
consumado!”

Aos 33 anos, enquanto normalmente as pessoas batem no peito e exclamam:


“É o começo...”, Jesus exclama: “Está consumado!” Mas note uma coisa: Jesus
não disse “Estou acabado!” Não se tratava do lamento de uma vítima vencida
pelas circunstâncias, mas do brado de um conquistador terminando sua
vencedora tarefa.

A flexão da palavra grega “tetelestai”, “está consumado!”, aponta para algo


consumado, que permanece consumado e assim ficará para sempre.

Sabe, quando olho para minha humanidade finita, lembro-me que já comecei
muitas coisas e boa parte delas nunca terminei. Alguns cursos, esboços,
pensamentos, mas tenho a impressão que ainda que terminasse algumas dessas
coisas ou mesmo que elas ficassem como estão não fariam uma diferença
marcante para ninguém. Assim é com todos nós.

Contudo, se Cristo não tivesse completado a tarefa salvífica designada pelo


Pai a nosso favor, simplesmente estaríamos perdidos! E dessa declaração advém
a segurança que hoje, eu e você, podemos nutrir a respeito de nossa salvação em
Cristo Jesus.

Quero, assim, convidá-lo a considerar alguns fatos e seus desdobramentos


sobre esta importantíssima palavra pronunciada na cruz do Calvário:
“Tetelestai”.

O Universo Imediato do Termo “TETELESTAI”

Mesmo no uso contemporâneo da língua grega, a palavra “tetelestai” não


produz as mesmas reações que nos dias de Jesus.

No decurso do tempo, os arqueólogos descobriram diversos documentos


gregos antigos que ajudam os leitores da Bíblia a compreender melhor a
profundidade de significado contido originalmente no pronunciamento de Jesus.

Nos dias de Jesus, as pessoas usavam “tetelestai” em várias situações da vida


diária, de modo que um rápido “passeio” pelas esferas sociais que articulavam o
termo em seu cotidiano pode nos ajudar a compor uma ideia mais clara do que
Jesus quis dizer na cruz ao afirmar “Está consumado!”. Vejamos:

Os servos

Os servos e os escravos utilizavam-se dessa palavra sempre que terminavam


uma tarefa designada por seu senhor. Ao terminar o serviço, feito exatamente
como pedido e entregue na hora solicitada, os trabalhadores comunicavam o fato
aos senhores por meio da expressão “tetelestai”.

Jesus Cristo é o Servo santo de Deus (Fp 2.5-11) e seu maior ato de serviço
foi entregar-se na cruz para morrer por nós. Ao completar cabalmente a obra
salvífica em nosso favor, comunicou a conclusão da tarefa com a expressão
“tetelestai”.

O apelo de Cristo a seus discípulos é que eles se tornem igualmente servos.


Por isso, saiba que, um dia, todos nós prestaremos contas de nosso serviço ao
Senhor (Rm 14.12). Espero que todos possam dizer ao fim dessa jornada diante
de Deus: “Tetelestai”. “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me
confiaste para fazer” (Jo 17.4).

Assim, procure descobrir como cristão, cuja vida em Cristo fora gerada pelo
“tetelestai” proferido pelo Senhor na cruz, qual o trabalho que Deus quer que
você faça e obedeça sem reservas. Ao final, apresente-o a Deus, dizendo:
“tetelestai”.

Os sacerdotes
Os sacerdotes judeus também utilizavam essa palavra em seu termo
equivalente no hebraico ou aramaico. Sempre que os adoradores apresentavam
suas ofertas no templo, os sacerdotes precisavam se certificar de que a oferta,
especialmente se fosse animal, era perfeita. Se o sacrifício fosse aceitável,
proclamavam: “tetelestai”, ou seja, “completo, aceitável, sem defeito, perfeito”.

O “tetelestai” pronunciado por Cristo na cruz comprova que Jesus foi o


sacrifício perfeito e imaculado de Deus. Até os inimigos do Senhor foram
obrigados a admitir que Ele era irrepreensível, uma vez que os mais íntimos
nunca encontraram sequer uma falta em Jesus (1 Pe 1.19).

Todos os que conhecem Jesus e que experimentaram tão grande salvação são
impulsionados pelo Espírito a dizer sobre a obra da cruz: “tetelestai” – este é o
sacrifício perfeito, santo, completo, impecável. Avalie-se, portanto, e busque
entender como se sente em relação a isso. Se sua percepção dos fatos estiver
biblicamente correta, você poderá viver seguro e com uma alegria interior
completamente (tetelestai) inabalável.

Os artistas

Quando os artistas completavam seu trabalho, eles davam um passo para trás,
olhavam para a obra e diziam: “Tetelestai” – “Está pronto!”

Para quem não conhece Jesus, a leitura do Antigo Testamento torna-se algo
sombrio e bastante difícil de entender. As cerimônias ali descritas, as profecias e
os símbolos parecem não se ajustar aos padrões lógicos que conhecemos. De
fato, não se consegue a “chave” para a compreensão de boa parte das Escrituras
sem que se conheça Jesus Cristo. Quando Jesus veio ao mundo, Ele completou
(tetelestai) o quadro e acendeu os refletores para que a obra salvífica fosse
contemplada. Nesse aspecto, a narrativa de Lucas sobre os discípulos a caminho
de Emaús é bastante instrutiva (Lc 24).

Em Cristo a obra da salvação a nosso favor está completa e amplamente


esclarecida. Não há mais sombras sobre a tarefa desempenhada pelo Senhor.
Agora, podemos ver o quadro completo “pintado” por Deus, contemplar a
grande obra de Jesus a nosso favor e tirar nossa vida das “sombras” da
ignorância e da existência.

Mercadores

Os mercadores também empregavam a palavra “tetelestai” em seu dia-a-dia.


Para eles, “tetelestai” significava que “uma determinada dívida estava
completamente quitada, paga”. Se, por exemplo, você comprasse algo a prazo,
quando fizesse o último pagamento, o negociante lhe daria um recibo escrito
“tetelestai”, “completamente pago”, “débito quitado”.

A Bíblia diz que os pecadores têm uma dívida com Deus e que não reúnem
qualquer condição de pagá-la – nem à vista, nem a prazo. Nascemos em pecado,
quebramos as leis de Deus, vivemos – sem Cristo – em estado de falência
espiritual e impossibilitados de quitar essa dívida (Lc 7.36-50). No entanto, Jesus
pagou-a para nós quando morreu na cruz.

“Tetelestai” significa, também, “dívidas pagas”. Na cruz, Jesus pagou por


nossos pecados de uma vez por todas e proporcionou um caráter eterno, imutável
e completo a essa quitação. Temos um débito cancelado de uma vez por todas
com Deus. Que alívio isso nos traz! Nada pago em prestações, com juros, etc.
Tudo está pago em definitivo. Louve a Deus e descanse nisso!

Um Apelo

Se você ainda não recebeu a Cristo como seu salvador pessoal, creio que, a
essa altura de nossa caminhada pelas “sete palavras da cruz”, seria importante
fazê-lo. Faça isso neste instante! Não adie mais esse ato!

O que as reflexões propostas até aqui colocam diante de você não é tanto a
proporção de seu pecado, mas o valor do sacrifício oferecido por Cristo em seu
lugar diante de Deus. Entenda que não há nada que você possa fazer pela
salvação, a não ser receber este dom gratuito de Deus para a vida eterna.

Não tente acrescentar algo à obra de Cristo: rituais, peregrinações,


penitências, promessas ou posturas legalistas. Ao fazer isso, você estaria apenas
diminuindo o valor do penoso trabalho da cruz.

Deus não quer nosso mérito, mas a simples disposição para aceitar o
pagamento completo realizado por Ele no Calvário a nosso favor. Lembre-se de
que Jesus fez em seis horas o que nós jamais conseguiríamos fazer mesmo que
tivéssemos a eternidade toda à nossa disposição. Você não precisa consertar sua
“roupa velha” de pecado para entrar no céu porque Jesus lhe dá “vestes novas”
de salvação. O sacrifício de Cristo é perfeito.

Ao crer em Cristo, descanse na certeza de que “tudo está consumado”


(tetelestai) a seu favor quando o assunto é “salvação”. Jesus completou a obra
diante do Pai e apresentou-lhe os resultados. Como discípulos, precisamos
proclamar isso e apresentar diante de Deus os efeitos dessa mensagem em nós e
nas pessoas que serão alvo de nossa tarefa.

Deixe de viver à sombra de realidades que foram plenamente reveladas por


Deus! Contemple a salvação de Deus em Cristo e viva na luz!

Suas dívidas estão pagas definitivamente.

“Tetelestai!” Amém.
A Entrega Final
Não quero parecer fúnebre, mas deixe-me lhe fazer uma pergunta: Se você
estivesse em seu leito de morte, quais seriam suas últimas palavras? Veja o que
disseram grandes personagens de nossa história ao enfrentar seus derradeiros
momentos neste mundo:

-David Hume gritou: “Estou nas chamas!” Dizem que seu desespero foi uma
cena terrível.

-Thomaz Hobbes, filósofo inglês, exclamou: “Estou diante de um terrível


salto nas trevas!”.

-Sir Thomas Scott, o antigo presidente da Câmara Alta inglesa, ponderou:


“Até este momento, pensei que não havia nem Deus, nem inferno. Agora sei e
sinto que ambos existem e estou entregue à destruição pelo justo juízo do Todo-
Poderoso”.

-Goethe implorou: “Mais luz!”

-Nietzsche disse: “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável
dos homens”.

-Lênin morreu em confusão mental pedindo pelo perdão de seus pecados a


mesas e cadeiras.

Sabe o que todos esses homens tinham em comum? Eram ateus. Viveram
sem qualquer temor a Deus e, consequentemente, não souberam como morrer.
Warren W. Wiersbe afirmava que os seres humanos “não estão preparados para
viver até que estejam preparados para morrer”. Não há nada melhor do que
receber de Deus a dádiva de saber viver, advinda da esperança de que, ao “se
romper o fio de prata e o nosso cântaro se despedaçar junto à fonte” (Ec 12.6),
tenhamos a graça de saber morrer. Este é um privilégio exclusivo dos cristãos. A
sétima declaração de Cristo na cruz fala-nos sobre a morte e como o Senhor
morreu, a fim de que a morte não nos imponha mais qualquer terror. Já dizia o
apóstolo Paulo, com os olhos fitos nas venturas celestes: “Onde está, ó morte, a
tua vitória? Onde está, ó morte, o teu poder de ferir?” (1 Co 15.55).

Se colhermos as informações corretas sobre como Jesus morreu, nunca mais


veremos a morte com os mesmos olhos. Os tormentos da morte foram totalmente
superados em Cristo. Ele nos precedeu e construiu um caminho seguro de volta à
casa do Pai. Em Cristo, as trevas da morte foram dissipadas para sempre. Que a
“sétima palavra da cruz” lhe ofereça o conforto necessário para uma vida repleta
de sentido e paz, na certeza de que a morte não tem mais domínio algum sobre
aqueles que um dia depositaram sua fé Naquele que a subjugou definitivamente.
Uma Palavra de Submissão
“Pai, nas Tuas mãos entrego meu Espírito” (Lucas 23.46)

Jesus realmente morreu. Sua morte não foi uma ilusão. Ele morreu de
verdade. O Senhor Jesus possuía um corpo humano real e experimentou, sem
pecado, as dores da existência humana. Jesus sabia o que era ter fome, sede,
sono e, agora, passaria pela morte.

Jesus não “pareceu” morrer apenas para forjar o milagre da ressurreição três
dias mais tarde, como querem alguns. A experiência final de Jesus na cruz não se
tratava de um mero sono, mas de morte, conforme testificam sem rodeios os
Evangelhos e até os registros oficiais do Império Romano.

Jesus provou da morte por inteiro, inclusive em dimensões que, felizmente,


nem eu nem você, que cremos, conheceremos jamais. A morte foi o último
inimigo a ser vencido e a sétima declaração de Cristo na cruz mostra como essa
vitória ocorreu. O derradeiro clamor de Cristo na cruz nos ensina, de modo
prático, que a preciosa morte dos santos de Deus, em Cristo, não é o fim de uma
história, mas o alvorecer da bendita e inefável eternidade ao lado de Deus.

O convite que emana da “sétima declaração” solene de Cristo incentiva


aquele que crê no poder da cruz a viver de modo corajoso, sem qualquer temor
da morte, porque “a vara e o cajado de nosso Supremo Pastor nos consolam”.

Ao contrário do que muitos pensam, a “sétima palavra da cruz” é, antes, um


convite à vida, que alcança a excelência na força da esperança propagada pela
ressurreição. Vejamos o que essa declaração nos mostra:

A morte de Cristo sob a ótica dos evangelistas

Não devemos nos admirar do fato de que nenhum autor do Novo Testamento
se contenta em dizer simplesmente que Jesus morreu. Todos eles dizem que Seu
espírito foi para Deus. O que pretendem nos dizer com isso?

A ênfase nessa colocação recai na insistência em produzir nos leitores uma


compreensão de que a morte de Jesus não foi o fim, mas o início de um novo
relacionamento com Deus.

Jesus morreu confiando nas promessas de Deus, participou ativamente delas


e foi recompensado no fim. E note: apesar de saber com antecedência que “tipo”
de morte o aguardava, sabia que, ao adentrar pelos portais da eternidade, entraria
para sempre no gozo do Pai. Portanto, foi exatamente a perspectiva correta sobre
a morte que fez Jesus viver de modo belo e singular.

Isso é para nós também. Deus deseja que esta esperança seja “como uma
âncora da alma, firme e segura” (Hb 6.19-20).

Desde a antiguidade, os navios, quando se preparam para atracar em um


porto, exigem a presença de “pilotos” responsáveis pela chegada segura da
embarcação ao cais. Esses “pilotos” conhecem cada palmo da topografia
portuária, os ventos – se são favoráveis ou não, qual é o melhor ângulo de
manobra, etc. O “piloto” acompanha cada detalhe do trajeto da embarcação até
que, ao final das manobras, a ancora seja lançada às profundezas do mar de
modo firme e seguro.

Se compararmos a nossa vida com um barco singrando os mares da


existência e tivermos a certeza de que, ao chegarmos a nosso destino, poderemos
contar com um hábil e experimentado “piloto” chamado Jesus, poderemos nos
lançar à vida sem medo, realmente livres, pois sabemos como aportaremos.

Ainda que o “encapelado mar” sacuda a embarcação, que o casco ameace


romper, que os ventos e as tempestades tentem lhe tirar do curso: navegue. A
cada dia estamos mais próximos do porto onde nos encontraremos com aquele
que provou ser mais forte do que a morte e que pode nos oferecer total segurança
de um final feliz.

Na presença e sob os cuidados do Pai

Vale lembrar que a palavra “Pai” estava com frequência nos lábios do
Senhor. Para você ter uma ideia, em Seu discurso e em Sua oração no cenáculo,
conforme narrado pelo Evangelho de João entre os capítulos 13-17, Jesus refere-
se a Deus como Pai nada menos que cinquenta e três vezes. Vemos, aqui, uma
das razões pelas quais Jesus morreu confiante e porque tal confiança marcara
toda a Sua existência terrena: Jesus tinha plena noção de estar na presença do Pai
Jesus sabia que a presença do Pai o sustentaria e redundaria em uma alegria
sem igual a despeito das dores da existência humana. Assim, Jesus nos ensina
que viver e morrer na presença do Pai é ter a certeza de que Deus tomará conta
daquilo que nos confia. Além disso, Jesus viveu e morreu sob a perspectiva de
estar sob os cuidados do Pai. E isso faz toda a diferença.

No Antigo Testamento, a instrução sobre o sacrifício do cordeiro pascal


orientava que o animal deveria ser morto “ao pôr do sol”, o que significa algo
entre três e seis horas da tarde (Ex 12.6). Jesus foi crucificado exatamente no dia
previsto pela tradição judaica em que deveriam ser imolados os cordeiros pascais
e seu último brado obedeceu ao período conhecido como “crepúsculo” pelos
habitantes de Jerusalém. Tudo em conformidade com a Palavra de Deus. Jesus,
de fato, é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 18.28).

O que nos chama atenção em todo esse processo é que, notoriamente, tudo
estava sob o cuidado rigoroso do Pai, cada detalhe. Jesus não morreu em
decorrência de qualquer maquinação política ou religiosa de seu tempo. Ele não
morreu por causa da obstinação de homens maus. Jesus morreu de acordo com
os propósitos da providência divina. E, aqui, tenho uma boa notícia para você:
do mesmo modo como Jesus viveu e morreu na presença e sob os cuidados do
Pai, assim também aqueles que estão em Cristo vivem e morrem debaixo da
mesma realidade. Se você pertence a Cristo, saiba que toda a sua existência está
sob o domínio do Pai. É dessa maneira que vivemos e morremos.

Quando formos chamados à presença do Pai, saiba que não será pela vontade
de um infarto fulminante, nem por causa da descoberta arrasadora de um câncer
em alguma parte do corpo, nem pelas mãos de um motorista imprudente,
tampouco por uma árdua deficiência orgânica.

Guarde bem isso no seu coração: os que são de Cristo vivem e morrem sob a
zelosa providência de Deus. Amigo, você só passará para o outro lado do rio de
acordo com a agenda de Deus, e nunca de acordo com o cronograma de uma
agenda aleatória.

É bom viver sob o conforto de estarmos nas “mãos” de Deus. O último


clamor de Jesus na cruz nos mostra isso! Diante da poderosa mão de Deus, as
mãos dos homens nada podem.


Lições que podem transformar vidas

A “Sétima Palavra da Cruz” proferida por Cristo em seu derradeiro momento


mostra que, para aqueles que estão em Cristo, a morte não é o fim da linha, mas
apenas uma etapa do percurso.

A certeza “de partir para estar com Cristo” como algo qualitativamente
melhor do que qualquer coisa que já experimentamos nesta vida, conforme
pontificava o apóstolo Paulo, que já havia experimentado os inefáveis ares das
venturas celestes em um momento de êxtase espiritual, faz com que vivamos
com a exata noção do que significa estar na presença e sob os cuidados do Pai.
Isso faz toda a diferença para nós!

Ao vivermos sob este prisma, vivemos sob a ótica do “perfeito amor” do


Senhor, “e o perfeito amor lança fora o medo” (1 Jo 4.18). Só assim podemos
nos lançar corajosamente à vida, desfrutando do favor e cuidado do Senhor a
cada instante. Talvez isso não signifique uma passagem tranquila pela trilha da
morte humana (como não foi a Jesus), mas garante uma chegada segura.

Em seu último brado, Jesus já vislumbrava a ressurreição e isso lhe deu o


conforto para dizer seguramente: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”.

Que a ressurreição de Cristo e a nossa, que jaz às portas, motive você a um


processo de entrega imediata de seu espírito aos cuidados de Deus. Siga o
Mestre e prepare-se para morrer melhor, o que fará, especialmente, que você
viva melhor!
Considerações Finais
Espero que, ao findar este período de meditações em torno da cruz, o amado
leitor passe a enxergá-la como algo muito mais amplo que um importante
símbolo da fé cristã. Meu desejo é que a cruz passe a ser compreendida como “o
segredo” para uma vida cristã bem-sucedida.

Ela faz toda a diferença na vida do ser humano. Ao identificarmo-nos com a


cruz de Cristo e aplicarmos em nosso coração as realizações da morte e
ressurreição do Senhor, nunca mais permanecemos os mesmos. Assim, permita
que as verdades registradas neste pequeno trabalho ministrem vida a seu
coração.

Cruz: antes, um instrumento de vergonha; agora, fonte de bênçãos e motivo


de glória para aqueles que confiam em Cristo e nasceram de novo. Louvado seja
o Senhor pelas reveladoras Palavras da Cruz, que nos permitem unir nossas
vozes ao apóstolo Paulo e declarar: “mas longe de mim esteja gloriar-me, senão
na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para
mim, e eu, para o mundo” (Gl 6.14).

Soli Deo Gloria!

[1] Sociedade Bíblica do Brasil. (2000; 2010). Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Lucas 16.19–24).
Sociedade Bíblica do Brasil.

[2] Ibid, (Apocalipse 7.16–17).

[3] Ibid, (Jo 7.37–39).

[4] Ibid,(Apocalipse 22.17).