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MANUAL

DE SEGURANÇA
CONSTRUÇÃO, RESTAURO
ECONSERVAÇÃO DE EDIFíCIOS

ABEL PINTO

EDiÇÕES SíLABD
É expressamente proibido reproduzir. no todo ou em parte. sob qualquer
forma ou meio, nomeadamente fotocópia. esta obra. As transgressões
serão passíveis das penalizações previstas na legislação em vigor.

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Editor: Manuel Robalo

FICHA TÉCNICA:
Tftulo: Manual de Segurança - Construção, Restauro e Conservação de Edifícios
Autor; Abel Pinto
@ Edições Silabo. Lda.
Capa: Pedro Mota
3' Edição
Lisboa. 2008.
Impressão e acabamentos: Europress, Lda.
Depósito Legal: 273042108
ISBN: 978-972-S18-482-9

EDIÇÕES SíLABO. LDA.


R. Cidade de Manchester, 2
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íNDICE

íNDICE DE SIGLAS E ABREVIATURAS 15

INTRODUÇÃO 17

CAPíTULO 1
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA
1. EQUIPAMENTOS OE PROTECÇÃO CONTRA QUEDAS EM ALTURA 23
1.1. Introdução 23
1.2. Guarda-corpos 25
1.3. Redes de segurança 32
1.4. Tipos de redes contra a queda de pessoas 35

2. EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO CONTRA SOTERRAMENTO 41


2.1. Introdução 41
2.2. Informação prévia 41
2.3. Medidas de prevenção 42
2.4. Entivação 43
2.5. Disposições Legais 43
2.6. Sistemas de entivação 45
2.7. Execução de taludes 48
3. INSTALAÇÃO ELÉCTRICA DO ESTALEIRO 51
3.1. Introdução 51
3.2. Definições 52
3.3. Disposições regulamentares e normativas 54
3.4. Prolecção das pessoas 55
3.5. Projecto das instalações 55
3.6. Execução das instalações 60
3.7. Operação, verificação e manutenção das instalações 65
4. ANDAIMES 67
4.1. Introdução 67
4.2. Principais causas de acidenles com andaimes 68
4.3. Disposições regulamenlares e normativas 69
4.4. Classificação dos andaimes 70
4.5. Elementos conslituinles de um andaime 71
4.6. Medidas de prevenção a adoptar na construção dos andaimes 73

CAPíTULO 2
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL
1. INTRODUÇÃO 83
2. ESPECIFICAçõES TÉCNICAS DOS EPI(s) 84
3. OBRIGAÇÕES 88
3.1. Obrigações do empregador 88
3.2. Obrigações dos trabalhadores 88

4. MANUAL DE INSTRUÇÕES DO EPI 89


5. MODELO DE DECLARAÇÃO DE CONFORMIDADE CE 90
6. SELECÇÃO DOS EPI(s) 91
7. AQUISiÇÃO, RECEPÇÃO EARMAZENAGEM 94
8. PROGRAMA PARA A UTILIZAÇÃO DOS EPI(s) 95
8.1. Responsabilidades 95
8.2. Formação dos trabalhadores 96
8.3. Frequência de entrega 96
8.4. Distribuição dos EPJ(s) 97
8.5. Registos 97

9. CLASSIFICAÇÃO DOS EPI(s) 100


9.1. Protecção do crânio 101
9.2. Protecção da face e dos oihos 104
9.3. Protecção do apareiho auditivo 110
9.4. Protecção do apareiho respiratório 115
9.5. Protecção das mãos 123
9.6. Protecção dos pés 128
9.7. Protecção do tronco 132
9.8. Protecção individual contra quedas em altura 136

10. QUADROS DE ATRIBUiÇÃO DE EPI(s) POR FUNÇÃO ou CATEGORIA PROFISSIONAL 146


CAPíTULO 3
SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA
1. INTRODUÇÃO 163

2. CORES DE SEGURANÇA 164

3. FORMA GEOMETRICA 166

4. SINALIZAÇÃO LUMINOSA 167

5. SINALIZAÇÃO ACÚSTICA 168

6. SINALIZAÇÃO GESTUAL 169

7. SINAIS VERBAIS 173

8. SINAIS DE OBRIGAÇÃO 174

9. SINAIS DE PROIBiÇÃO 175


10. SINAIS DE AVISO 175

11. SINAIS DE SALVAMENTO OU DE SOCORRO 177


12. SINAIS DE COMBATE A INCÊNDIOS 178

13. SINAIS DE OBSTÁCULOS, LOCAIS PERIGOSOS E DE VIAS DE CIRCULAÇÃO 178


14. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 179

15. ERROS A EVITAR NA SINALIZAÇÃO DE ESTALEIROS 180

16. SINALIZAÇÃO RODOVIÁRIA 181

CAPíTULO 4
AVALIAÇÃO E CONTROLO DOS RISCOS
1. INTRODUÇÃO 187
2. AVALIAÇÃO DOS RISCOS 189
3. MÊTODO DAS MATRIZES 193

4. FORMAS DE ACIDENTES (RISCOS) 195

5. PLANO DE CONTROLO DOS RISCOS 201

6. EXEMPLO pRÁnco 205


CAPíTULO 5
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA
1. INTRODUÇÃO 219
2. ORGANIZAÇÃO DO ESTALEIRO E RESPOSTA A EMERGÊNCIAS 220
Resposta a emergências 220
Organização do estaleiro 225
Substâncias e preparações perigosas 238
Instalação eléctrica 240
Armazenagem de materiais 243
3. CONTEXTOS DE TRABALHO 245
Trabalhos de demolição 245
Trabalhos de escavação 250
Trabalhos de armação do ferro 256
Trabalhos de cofragem e descofragem 258
Trabalhos de betonagem 261
Trabalhos de montagem de pré-fabricados 265
Trabalhos de alvenaria 267
Trabalhos de reboco/estuque 269
Trabalhos em coberturas 271
Trabalhos de carpintaria de limpos 274
Trabalhos de serralharia 276
Trabalhos de montagem de envidraçados 277
Trabalhos de pinturalenvemizagem 278
Trabalhos de monlagem de instalações especiais 280
Trabalhos de aplicação de pavimentos e revestimentos 283
Trabalhos de pavimentação e assentamento de lanGis 285
Trabalhos em espaços confinados 287
Movimentação manual de cargas 288
4. FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS 291
Martelo pneumático 291
Ferramentas manuais e máquinas portáteis a motor 292
Escadas de mão e escadotes 295
Andaime fixo 299
Andaime móvel 303
Piataforma de trabalho 305
Andaime suspenso (bailéu) 306
Plataforma auto elevatória 309
Elevador de obra 311
Maçarico de soldadura e corte 313
Meios auxiliares de movimentação 317
Lingas 319
Acessórios de elevação 321
Aparelhos básicos de elevação 324
Bomba de betão 326
Central de betão 327
Máquina de massa pronta 328
Máquina de projectar estuque 328
Máquina de soldar eléctrica 329
Mini pá carregadora 331
Retroescavadora 333
Giratória e pá carregadora 335
Dumper 337
Cilindro 340
Multilunções 341
Camião 344
Camião grua 346
Autobetoneira 348
Betoneira móvel 348
Auto-bomba 351
Grua móvel 352
Grua torre 355
5. FUNÇÓES 359
Director de obra 359
Coordenador de segurança e saúde 360
Encarregado 362
Chefe de equipa 362
Pedreirosffrolhas 364
Armadores do lerro 366
Montadores de colragem 368
Carpinteiros 370
Serralheiros civis 372
Electricistas 374
Canalizadores 376
Soldadores 378
Pintores 381
Ladrilhadores e assentadores de revestimentos/isolamentos 383
Montador de andaimes 385
Fiel de armazém 386
Ferramenteiro 386
Manobradores de gruas torre 388
Manobradores de gruas móveis 390
Manobradores 392
Motoristas 394
Serventes 396
Calceteiros 398
Marteleiro 399
Trabalhador independente 401
Preparador, apontador, topógrafo 402
Técnico de SHST 404

CAPíTULO 6
AUDITORIAS
1. iNTRODUÇÃO 409
2. OEFINIÇ6ES 410
2.1. Conceitos 410

3. OBJECTIVOS 411
4. PERIODICIDADE 412
5. INTERVENIENTES 412
5.1. Requisitos dos auditores 413
5.2. Responsabilidade dos auditores 413
5.3. Responsabilidades do chefe da equipa de auditores 413

6. INCIDÊNCIA E TIPOS 414


6.1. Incidência 414
6.2. Tipos 415

7. MEIOS DOCUMENTAIS 415


7.1. Regulamentação 415
7.2. Listas de verificação 416
7.3. Relatório da auditoria 417

8. PLANEAMENTO/PROGRAMAÇÃO 419
9. CONDUÇÃO DA AUDITORIA 419
9.1. Entrevista 420
9.2. Reunião de apresentação de resultados 420
10. LISTAS DE VERIFICAÇÃO 420
Espaços, superflcies de trabalho e acessos 422
Escadas 426
Armazenagem e movimentação de materiais 428
Ferramentas manuais e máquinas portáteis a motor 432
Andaimes 434
Aparelhos de elevação 438
Gruas torre 440
Gruas móveis 445
Máquinas de estaleiro 448
Movimentação manual de cargas 452
Substancias e preparações perigosas 455
Equipamentos de protecção individual 459
Cargas de trabalho 461
Instalação eléctrica do estaleiro 463
Estaleiro do lerro 466
Carpintaria de toscos 468
Escavações e abertura de valas 470
Colragem/descolragem 475
Betonagem 477
Trabalhos de alvenaria 480
Trabalhos de soldadura 483
Instalações sociais 485

ANEXO 1 - LISTA NÃO EXAUSTIVA DE DIPLOMAS LEGAIS 499

ANEXO 2 - LISTA NÃO EXAUSTIVA DE NORMAS 527

ANEXO 3 - ENDEREÇOS INTERNET ÚTEIS 567

ANEXO 4 - CONTACTOS DA AUTORIDADE


PARA AS CONDiÇÕES DE TRABALHO 571

BIBLIOGRAFIA 579
íNDICE DE SIGLAS
E ABREVIATURAS

SHST - Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho


IGT - Inspecção-Geral do Trabalho
INRS - Institute Nationaf de Recherche et de Securité
EPI - Equipamento de Protecção Individual
EPC - Equipamento de Protecção Colectiva
PSS - Plano de Segurança e Saúde
FOPS - Estrutura de protecção de cabinas de máquinas
contra o risco de queda de objectos
ROPS - Estrutura de protecção de cabinas de máquinas
contra o risco de capotamento
FSS - Ficha de Segurança de Produto, deve acompanhar
todas as substâncias e preparações perigosas
ACT - Autoridade para as Condições de Trabalho (ex-ISHST)
INTRODUÇÃO

Devido à sua natureza muito fragmentada, o sector da construção não


investe suficientemente na formação, na pesquisa e na comercialização.
As pequenas empresas são muitas vezes mal geridas e algumas delas não
possuem as competências técnicas necessárias. Um número muito grande
de pequenas empresas escapa a qualquer controlo e não aplica as regu-
famenlaçdes em v;gor.

Comissão Europeia
- Estudo Estratégico sobre o Sector da Construção, 94

o cenário descrito pela Comissão Europeia, decorridos 12 anos, retrata de forma


quase perfeita o panorama actual do sector em Portugal. Na grande maioria dos
estaieiros, grande parte dos trabalhadores são estrangeiros (alguns não faiam nem
compreendem a iíngua Portuguesa) e não possuem quaiquer qualificação.
O engenheiro civil além de gerir a obra (Cassegura» igualmente a segurança e
saúde no trabaiho. Isto implica alguns problemas: o assegurar de tarefas incompatí-
veis, a falta de conhecimentos técnicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho
e o desconhecimento dos equipamentos de protecção existentes no mercado.
Particularmente, a construção. conservação. reparação, recuperação ou renova-
ção de edifícios é, quase na totalidade, assegurada por micro empresas familiares
que não dispõem de competência técnica na área da segurança e saúde no trabalho
nem, na sua maior parte, de apetência e meios financeiros que lhes permitam con-
tratar essas competências. Por consequência. as imposições legais em matéria de
Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho são ignoradas.
Em empresas deste tipo, a ocorrência de acidentes é facilmente encoberta dado
que os laços familiares dos trabalhadores tornam os problemas laborais em assun-
tos de famíiia.
E é, igualmente, neste tipo de empresa que as consequências dos acidentes
assumem, por vezes, proporções catastróficas, pois, além da perda de força de tra-
balho, implicam igualmente a perda de um familiar próximo que, em muito casos é
também a «cabeça» da firma, tendo por consequência o seu encerramento.
No ano de 2004, dos 1615' estaleiros visitados pela IGT (Inspecção Geral do
Trabaiho) só em 8%' não foram detectadas irregularidades. Foram detectados,
,. MANUAL OE SEGURANÇA

4772 1 ilícitos contra ordenacionais, que representaram 56% do total de ilícitos contra
ordenacionais (em 8H8T).
Também no ano de 2004, foram registados e objecto de inquérito 101 acidentes
'
mortais ocorridos no sector (51,3% do totai de acidentes mortais). Destes, 56 tive-
'
ram como causa quedas em altura (cerca de 55%), 7 1 foram devidos a soterramen-
tos (cerca de 7%), 24 resultaram de esmagamentos (cerca de 24%), 11 por elec-
' '
trocussão (cerca de 11 %) e 3 por queda ao mesmo nívet (cerca de 3%).
'
As quedas em altura, 8 (14,3%) ocorreram em trabalhos de montagem ou des-
'
mantelamento de gruas ou andaimes, 16 (28,6%) de coberturas de edifícios, 9
' '
(16%) de bordaduras de lajes, l (1,8%) de aberturas em paredes, 4 (7,15%) de
' '
aberturas no pavimento, 5' (8,9%) em escadarias, 6 (10,7%) de andaimes ou pla-
'
taformas montadas em escadas e 7 (12,5%) em outras situações não especifica-
'
das.
Os soterramentos, 7' (100%) ocorreram em valas.
Os esmagamentos, 13' (54,2%) ocorreram em máquinas de estaleiro, 4 (16,7%)
'
devidos a atropeiamento, 5' (20,8%) por objectos e 2 (8,3%) em demolições.
'
As electrocussões, 41 (36,4%) ocorreram por contacto com linhas aéreas eléctri~
cas, 2 (18,2%) em equipamentos ou ferramentas e 5' (45,5%) devido a outro tipo
'
de contacto não especificado.
O planeamento e acompanhamento da segurança de uma obra de construção
civil é um processo dinâmico e complexo que deve acompanhar todo o acto de cons-
truir (aqui e na sequência deste texto, considero construir no seu sentido mais lato,
englobando neste vocábuio não só o construir de raiz mas também, todos os traba-
lhos de conservação, reparação, recuperação ou renovação de edifícios, indepen-
dentemente da sua dimensão e complexidade).
A segurança do acto de construir deverá começar na fase do projecto, com a
recolha das informações pertinentes e necessárias à elaboração da análise dos ris-
cos. Nas obras de menor dimensão e compiexidade, deve começar na preparação
dos trabalhos.
O quadro resultante da publicação do Decreto-Lei n.' 155/95 (revogado pela
Decreto-Lei n.' 273/2003, de 29 de Outubro) que transpós para o direito interno a
Directiva Comunitária 92/57/CEE sobre estaleiros temporários ou móveis, criou
novos instrumentos: o Plano de Segurança e Saúde, a Comunicação Prévia e a
Compilação Técnica. O objectivo destes novos instrumentos é a prevenção dos ris-
cos profissionais nos estaleiros. Par tal, os diversos «actores" que intervêm desde o
projecto, a execução da obra e as intervenções ulteriores que a vida da edificação
demonstre necessárias, deveriam desenvolver um vasto conjunto de actividades que
lhes permitiriam avaliar os riscos envolvidos.

(1) Fonte: relatório de actividades da IGT, referente ao ano de 2004.


~1N:.:T::R:.:O:.:O:.:U:.:ç"Ã:.:O,- -,l.

Nas obras de pequena dimensão, muito raramente as imposições decorrentes


desta legislação são cumpridas, sendo as causas usualmente apontadas, o desco-
nhecimento da legislação por parte dos donos de obra (pequenos construtores ou
proprietários de prédios ou fracções), a falta de competências dos pequenos
empreiteiros e a desadequação das imposições legais a esta tipologia de obras.
A revisão da legislação sobre segurança e saúde no trabalho em estaleiros tem-
porários ou móveis estabelece de forma clara as obrigações dos diversos interve-
nientes no empreendimento e prevê que em obras de menor complexidade, em que
os riscos são normalmente mais reduzidos, não é obrigatório elaborar o Plano de
Segurança e Saúde. No entanto, se houver que executar nessas obras trabalhos
que impliquem riscos especiais, ou se a duração global da sua execução obrigar à
comunicação prévia da abertura do estaleiro (superior a trinta dias ou a utilização
simullãnea, em qualquer momento, de mais de vinte trabalhadores), o diploma esti-
pula que a entidade executante deve elaborar Fichas de Procedimentos de Segu-
rança que indiquem as medidas de prevenção necessárias para a execução desses
trabalhos.
Esta aproximação legislativa à realidade do sector em Portugal, não significa que
o nível de segurança exigível nestas obras seja menor, pretende é criar as condi-
ções para que as empresas cumpram os deveres legal e moral (dadas as conse-
quências dos acidentes de trabalho) e efectuem um esforço sério no sentido de se
equiparem para poder cumprir as suas obrigações em matéria de SHST. Este
manual procura contribuir para esse esforço, fazendo uso de uma linguagem que se
pretende acessfvel a todos os seus possíveis leitores, indo ao encontro de necessi~
dades concretas e reais e propondo medidas de prevenção ao alcance de todas as
empresas, independentemente da sua dimensão.
Aproveitando a ideia das Fichas de Procedimentos de Segurança, compilei num
formato que me parece de fácil leitura, um conjunto de regras e prescrições de pre-
venção aplicáveis aos trabalhos de construção, conservação, reparação, recupera-
ção ou renovação de edifícios. Para flexibilizar o seu uso prático, elaborei três tipos
de fichas: para trabalhos (demolições, escavações ), para equipamentos (gruas,
andaimes...) e para funções (encarregados, pedreiros ).
As primeiras contêm as prescrições a atender na execução das diversos activida~
des expectáveis neste tipo de obras, as segundas, as prescrições a atender na
montagem, utilização e manutenção dos equipamentos de estaleiro e as terceiras as
regras de actuação dos diversos profissionais que intervêm na obra.
Dada a diversidade e complexidade deste tipo de obras, decorrentes de factores
como: prazos de execução, localização, altura dos edifícios, estado de conservação,
tipo de construção, materiais empregues na construção, ãmbito da intervenção, nível
de fomnação e experiência profissional do pessoal, edifícios que se mantêm habita-
dos no decurso da intervenção, etc.; a aplicação destas fichas a uma obra concreta
deve ser precedida de uma análise de riscos da obra e da respectiva adaptação das
medidas de prevenção que constam destas fichas a essa obra especifica e, dada a
20, -"'M::::A::::N:::U::::A:::l:::D:::Ec:S:=E:=G:=U::::R::::A::"::::ÇA:.:

variabilidade dos contextos de trabalho na construção, devidos principalmente à


mobilidade dos factores de construção, essa análise deve ser repetida várias vezes
ao longo do período de construção, com a consequente actualização das fichas e
respectivas medidas.
Em algumas partes deste texto poderá parecer que há repetição de certas medi-
das ou considerações, isso é propositado e destina~se a evidenciar e dar maior
ênfase aos assuntos que me parecem mais importantes por, na prática. me ter con~
frontado com maior número de actos negligentes com eles relacionados.
Espero que este texto seja acessível e útil a todos os leitores que no seu dia a
dia necessitam de usar esta informação, independentemente da sua formação aca~
démica e função profissional, pelo que a minha preocupação foi no sentido da aces-
sibilidade do texto, em detrimento de um grande rigor científico e linguístico.
Tentei passar para este texto alguma da minha experiência prática, no sentido de
atingir os objectivos a que me propus quando me surgiu a ideia de elaborar este
manual: tapar uma lacuna que, na minha opinião, existe no panorama editorial em
Portugal, e elaborar um texto que responda às dúvidas de todos os que necessitam
de conhecimentos de SHST, aplicáveis à construção de edHícios.
EQUIPAMENTOS
DE PROTECÇÃO
COLECTIVA
EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO COLECTIVA _ _ _ _ _ _ _ _ _ 23

As maiores percentagens de acidentes mortais na construção civil ocorrem


devido a quedas em altura, soterramentos e electrocussões, daí que as medidas de
protecção colectiva que, seguidamente se abordam de forma breve só tenham em
atenção estes três perigos que são fáceis de prevenir e que, no seu conjunto, são
responsáveis por mais de 70% dos acidentes de trabaiho mortais que ocorrem em
obras de construção civil. A decisão de não aprofundar o assunto neste livro, espe-
cialmente no que se refere aos soterramentos, justifica-se por haver publicações, em
Portugal, que tratam esta matéria específica com a profundidade necessária e por-
que, a resolução da maior parte das situações práticas, requerer conhecimentos téc~
nicos de mecânica dos solos, sendo desaconselhável e até perigoso tentar encontrar
soluções standard sem um conhecimento profundo das suas implicações.

a
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO
CONTRA QUEDAS EM ALTURA

Os equipamentos de protecção colectiva contra quedas em altura têm por objec-


tivo evitar as quedas a nível diferente de pessoas que trabaiham, ainda que em ope-
rações ocasionais e de curta duração, ou circulam em locais elevados, nos seus
acessos ou na proximidade de taiudes ou negativos (buracos) existentes no piso. Se
tai não for possível, os equipamentos limitam as consequências da queda.
Os equipamentos que evitam a queda são os guarda-corpos, redes verticais e
redes tipo ténis, por exemplo. Os que limitam as consequências da queda são, por
exemplo, as redes horizontais e as redes inclinadas ou tipo forca.

1.1. INTRODUÇÃO
As quedas em altura são a causa de mais de metade das mortes que ocorrem na
construção civil em Portugal. Segundo a revista Prevenir, n.· 2, Abrii de 2004, ocor-
rem com maior frequência nas seguintes situações:
Na construção e demolição de edifícios - Por aberturas não protegidas nos
pavimentos e paredes, pelas bordaduras das lajes sem guarda-corpos, por traba-
lhos em coberturas devido ã fragilidade do material, pelos vãos de escadas e cai-
xas de elevador sem protecção;
24 r./fANUAL DE SEGURANÇA

No trabalho em andaimes e outras plataformas de trabalho - Por falta de


gua'da~corpose rodapés. por desmoronamento do andaime devido a deficiência
no dimensionamento ou na amarração, por rotura da plataforma devido a sobre-
carga, por tropeçamento ou escorregamento na plataforma devido a materiais
desarrumados e produtos derramados;
Nos acessos e saídas dos andaimes e outras plataformas de trabalho em
altura - Por falta de condições de segurança das escadas de acesso;
Na montagem e desmontagem de andaimes - Por falta de um plano adequado
ou por utiHzação de trabalhadores não especializados para o efeito;
Na utilização de escadas - Por não estarem devidamente apoiadas, posicio-
nadas e fixadas;

As principais causas das quedas são a falta ou ineficácia das protecções colecti-
vas em aberturas de paredes e pisos, nos acessos e andaimes assim como no perí-
metro de rampas e desníveis tais como bordos de tatudes e placas, escadas, etc. As
razões mais apontadas são:
- FALTA OE PROTECÇÃO - Devido à inexistência de equipamento de protecção no
estaleiro;
- PROTECÇÃO PARCIAL - Devido à quantidade insuficiente, não foi possívei prote-
ger todos os locais com risco de queda;
- PROTECÇÃO PARCIAL - Os trabalhadores retiraram uma parte da protecção que
não foi reposta;
- INEFiCÁCIA DA PROTECÇÃO - Devida à escolha incorrecta do equipamento ou
tipo de protecções;
- INEFiCÁCIA DA PROTECÇÃO - Devida à má montagem das protecções;
- iNEFiCÁCIA DA PROTECÇÃO - Devida ao mau estado das protecções.

Em muitos casos, as protecções são retiradas pelo pessoal para permitir ou


facilitar a execução de determinadas tarefas e, por desleixo e ignorância, não as
voltam a repor, deixando uma área desprotegida e de grande risco. Estes compor-
tamentos devem ser cccombatidos» com formação e sensibilização e o encarregado
deve estar constantemente atento à falta destas protecções, mandando corrigir, de
imediato, qualquer falha que detecte dada a provável gravidade das consequências
que resultam da falta destas protecções.
A escoiha dos equipamentos e métodos de trabalhos é, em muitos casos, dele-
gada nos subempreiteiros que utilizam em obra os seus próprios equipamentos
(escadas, andaimes e até protecções colectivas) e que por vezes são incompatíveis
com as operações a desenvolver ou com os equipamentos de outros subempreitei-
ros que efectuam operações adjacentes. É muito importante para a prevenção de
acidentes que os equipamentos sejam compatíveis e seleccionados de acordo com
as necessidades das operações que se vão desenvolver. Todos os subcontratados
devem ser informados previamente, tendo em conta o planeamento da obra, dos
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 25

tipos e quantidades dos equipamentos de protecção colectiva. andaimes. escadas,


platafonmas de trabalho...• que vão necessitar.
Noutros casos, as protecções existiam mas, quando foram solicitadas, a sua efi~
cácia não correspendeu ao que era esperado. Isto deve-se a deficiências de monta-
gem ou mau estado dos equipamentos de protecção.
As razões da má montagem são usuaimente, montantes mal apertados (no caso
de montantes com fixação por garra) ou bainhas demasiado largas (no caso de mon-
tantes introduzidas em bainhas) ou insuficiente cobertura em esquinas. ângulos,
redondos ... ou outros pontos difíceis de cobrir devido às dimensões e geometria dos
elementos horizontais. Para garantir a sua eficácia, estas protecções têm de cobrir a
totalidade da área a proteger, sem deixar espaços por onde seja possível passar um
corpo. Estes equipamentos só devem ser montados sob orientação de uma chefia
que conheça bem os requisitos de montagem destes equipamentos.
Os equipamentos devem ser mantidos em boas condições e deve existir sempre
um stock de protecções disponível para substituír, de imediato. os que se danifiquem
ou deteriorem.

1.2. GUARDA·CORPOS
São as protecções colectivas contra quedas em altura de utilização mais vulgar
em obras de construção de edifícios. São robustos e baratos, sendo constituídos por
diversos elementos montados no local e que, no seu conjunto, devem garantir a
estabilidade e resistência necessária e ter dimensões que assegurem o seu objec-
tivo (impedir a queda de pessoas). O parágrafo único do artigo 40" do Decreto n.º
41821. de 11 de Agosto de 1958, estabelece que:
Os 'guarda-corpos, com secção transversal de 0,30 m~ pelo menos, serão
postos à altura mínima de 1 m acima do pavimento, não podendo o vão abaixo
deles ultrapassar a medida de 0,85 m.
A altura dos guarda~cabeças nunca será inferior a O, 14 m.

O artigo 12.º da Portaria 53171, de 3 de Fevereiro (Estabelecimentos Industriais)


faz idêntica imposição:
As aberturas existentes nos pavimentos dos locais de trabalho ou de passa-
gem devem ser resguardadas com coberturas resistentes, ou com guarda~corpos
colocados à altura de 0,9 m e rodapés com a altura mfnima de 0, 14 m.

Estas imposições legais mantêm-se em vigor. apesar da sua desadequação


como medida preventiva eficaz pois, a abertura permitida de 85 cm (ou de 76 cm. no
caso da Portaria 53171) penmite facilmente a passagem de um corpo adulto de boa
constituição, em caso, por exemplo. de queda por escorregamento.
26 MANUAL DE SEGURANCA

Na prática, utiliza-se uma barreira intermédia colocada a uma aitura de 45 a 50


cm. Esta barreira intermédia é usualmente exigida peias entidades oficiais (iGT).
Uma outra omissão legisiativa importante é a não referência à resistência (e solidez)
mínima adequada para um guarda-corpo cumprir eficazmente a sua função, por
exemplo, a legisiação Espanhola impõe uma resistência mínima de 150 kg por metro
linear.

Na sua obra Plano de Segurança e Saúde na Construção, Aives Dias e Santos


Fonseca referem:
Os montantes dos guarda-corpos e respectivos suportes de fixação ao plano
de trabalho, são os elementos que têm a principal função de resistência, devendo
assim serem os elementos estruturais capazes de resistir às acções seguintes:
- força horizontal de 600 N aplicada superiormente, sem que se verifique
uma deformação superior a 5 mm após retirada a força;
- força horizontal de 900 N aplicada superiormente, sem que se verifique um
deslocamento superior a 15 cm após retirada a força;
- efeito dinâmico horizontal aplicado superiormente, correspondente à absor-
ção de uma energia de 180 J, sem que se verifique um deslocamento
superior a 50 cm após retirada a força (efeito correspondente a um corpo
de 900 N projectado no guarda-corpos à velocidade de 2 m.çl).

Os montantes são geralmente constituídos por tubos ou pertis de aço com


secções mínimas de diâmetros de 40 mm ou 33,7 mm, respectivamente com
espessuras de 2 e 2,9 mm, ou por perfis de 30 x 30 mm com espessura de 2 mm e
perfis de 28 x 28 mm com espessura de 2,6 mm. Sa/iente~se ainda que devem ser
protegidos contra a corrosão, bem como não reterem a água no seu interior.

Os montantes podem ser fixados de várias formas, a mais comum é com suporte
tipo "pinça ou garra» que fixa o montante por aperto ao bordo da laje (ver figuras 1.1
e 1.2). A «garra), normalmente, permite uma abertura máxima de 60 cm. Para lajes
com maior espessura, é necessário usar montantes de outro tipo que são introduzi-
dos em bainhas coiocadas na laje durante a betonagem (ver figuras 1.3 e 1.4), para
que este tipo de guarda-corpos não perca a sua eficácia preventiva, é necessário
que o montanle entre bem justo na bainha e esta tem de estar isenta de sujidades,
de forma que o montante entre, no mínimo, 15 cm. Os montantes, normalmente em
tubo, devem ter um diâmetro mínimo de 45 mm (em aço). A bainha não deve ser
colocada a menos de 30 cm do bordo da piaca. Depois de instalados os montantes
não devem oscilar. O espaçamenlo entre montantes é, usuaimente, de 2 metros (no
máximo).
Quanto aos elementos horizontais, devem ser colocados a 50 e 100 cm acima do
plano de trabalho, soiidamente fixados aos montantes, em encaíxes apropriados ao
tipo, geometria e secção do montante. Podem ser de constituição diversa: tubo, barra
ou perfil metáiico ou, usualmente, prancha de madeira. As pranchas de madeira devem
~QUIPAMENTOS DE PROTECcioo COLECTIVA 27

estar em bom estado, desempenadas e isentas de nós e pregos e com um empalme


minimo de 25 cm (ver figura 1.5).

FIGURA 1.1. MONTANTE DE GUARDA-CORPOS COM FIXAÇÃO POR .GARRA.

·------------T
1m

----O-r
SOem

-.-
I
15 em
I
.,---- --- -

---~---õ--

I
de 15a60cm
________1...
2. MANUAL DE SEGURANÇA

o rodapé (no Decreto n.' 41821 designado de guarda-cabeças) pode ser consti-
tuído por prancha de madeira com 15 cm de altura também solidamente fixada aos
montantes. O espaço entre o rodapé e o chão não deve permitir a passagem de
objectos mesmo de pequenas dimensões, o que a acontecer retira qualquer eficácia
ao rodapé.

FIGURA 1.2. MONTANTES COM FIXAÇÃO TIPO "PINÇA OU GARRA .. MAIS COMUNS
,,2 _

u
1m 1m

1m
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 29

FIGURA 1.3. MONTANTE OE GUARDA-CORPOS FIXADO EM BAINHA

1m

-]
SOem

minimo30cm
30 _ _ _ _ _ _ _"'M"'ANUAL De SEGURANÇA

FIGURA 1.4. PORMENOR DE FIXAÇÃO OE MONTANTE


DE GUARDA-CORPOS NA BAINHA

0,15 m
!
y.------
--,-~-
: I

~--":
13 46

FIGURA 1.5. PORMENOR OE EMPALME DE PRANCHAS


DE MAOEIRA EM GUARDA-COPOS
EQUIPAMENTOS DE PROT!:CCÃO COLECTIVA Jl

Quanto à solidez e resistência, os mesmos autores referem:


As dimensões mfnimas e vãos admissfveis dependem da natureza dos mate-
riais. tendo-se para perfis metálicos a secção de 26 x 34 mm com espessura de
2,65 mm e vão máximo de 2,20 m, e para pranchas de madeira as secções de
34 x 140 mm ou 40 x 100 mm e vão máximo de 1,50 m.

o erro mais vulgar na montagem de guarda-corpos é deixar aberturas (por onde


pode passar um corpo) em esquinas. remates e ãngulos.
A figura 1.5 exemplifica a forma correcta de montar um guarda-corpos a proteger
uma esquina, os montantes devem ser colocados a uma distância de cerca de 50 cm
da esquina, os elementos verticais devem ficar bem ajustados 8, os horizontais no
caso de serem constituídos por pranchas de madeira, devem ser fixados com um ou
dois pregos de forma a reforçar a solidez do conjunto. Se forem metálicos, devem
ser unidos com abraçadeiras apropriadas ou outro acessório que garanta a solidez
da fixação.

FIGURA 1.6. REMATE DOS ELEMENTOS HORIZONTAIS EM ESQUINA


32 MANUAL DE SEGURANÇA

1.3. REDES DE SEGURANÇA


São utilizados em estaleiros dois géneros distintos de redes:
a) REOES DE PRDTECÇÃO CONTRA QUEDAS - são concebidas e constituídas para
deter a queda de pessoas;
b) REDES DE PROTECÇÃO CONTRA A QUEDA DE ESCOMBROS - tém por finalidade evi-
tar que a queda ou projecção de escombros atinja trabalhadores. transeun-
tes, veículos ou instalações adjacentes.

As redes de protecção contra quedas são de utilização menos comum que os


guarda-corpos, sendo constituídas por uma rede de malha quadrada, conslituída por
cordas de fibras sintéticas. ligadas por nós e suportadas por corda perimetral amar-
rada a outros elementos de ancoragem.
São usadas para limitar as quedas em altura quer de pessoas, quer de materiais.
O desnívei máximo permitido para a queda de pessoas é de 6 m pois, para alturas
superiores, a eficácia da protecção não é garantida.
As redes devem ser instaladas por equipas especializadas ou por trabalhadores
com formação adequada.

FIGURA 1.7.

3 4 m

II
piso.-de trabalho

....... . I 1m

.[//'j 2m

3m

.. I. . 4m

~~W_H-H-I-------""'5m
.:::l\:r·f···j···j····l·.· 11. 6m

Fonte: InstitUle National de Recherche et de Securité.


EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÁO COLECTIVA 33

Como foi referido na introdução deste capItulo, existem vários tipos de redes
mas, para garantIrem a integridade ffsica dos trabalhadores que protegem, têm que
satisfazer alguns requisitos básicos:
a) Toda a queda deve ser amparada pela rede. A trajectória de queda de um
corpo é representada por uma parábola, devido ao efeito conjunto da força da
gravidade e da componente horizontal da velocidade inicial. O INRS (lnstitute
National de Recherche et de Securité, ver figura 1.7) desenvolveu uma curva
da dila trajectória. Assim, a rede tem de ficar saliente em tomo da área que
pretende proteger, com uma largura que é função da velocidade inicial e da
altura de queda;
b) A queda sobre a rede não provoque danos ffsicos. Para tal, é essencial
controlar os seguintes factores: que o conjunto da rede e dos suportes que a
sustentam consigam suportar e absorver a energia do impacto, que os male-
riais que vão caindo sobre a rede vão sendo retirados e que a rede (por
baixo) não esteja demasiado próxima de obstáculos, de forma a não permitir
o embate do corpo em qualquer objecto quando sofrer a deformação devida
ao impacto do corpo.

A utifização das redes é aconselhável quando não seja praticável a utilização de


guarda-corpos ou, como compiemento a estes, quando haja circulação de pessoas
ou veiculas nas zonas adjacentes. Neste último caso podem ser utilizadas redes de
escombros que são de concepção e fabrico menos exigentes.

1.3.1. NORMAS ECUIDADOS ATER


NA AQUISiÇÃO EUTILIZAÇÃO OE REDES
As redes de protecção contra a queda de pessoas devem estar devidamente
certificadas de acordo com os requisitos das normas:
EN 1263-1 Safety nets Part 1: Safety requirements, test methods;
EN 1263-2 Safety nets Part 2: Safety requirements for the positioning fimits.

Devido ao ambiente e condições em que são utilizadas (agressões ambientais e


projecções de materiais) devem ser conslanlemente vigiadas, devendo haver um
responsável designado para essa tarefa. As agressões ambientais são devidas à
temperatura (calor e frio) e principalmente aos raios ultravioleta que degradam as
fibras provocando a perda das suas características mecãnicas (perda de cerca 50%
da resistência de rotura à tracção no primeiro ano de uso, das fibras em poiiamida).
O envelhecimento devido aos raios UV é, normalmente, <cacompanhado" de perda
da cor.
Para utilizações em ambientes com atmosferas mais agressivas (fábricas, por
exempio) que possam afectar negativamente o desempenho das redes, devem ser
seleccionadas redes fabricadas com fibras que resistam a esses agentes.
34 MANUAL DE SEGURANÇA

o óxido de ferro é particuiarmente agressivo para este tipo de fibras pelo que
todas as peças metálicas de amarração e ancoragem que estejam em contacto com
as redes devem ser galvanizados (ou sujeitos a outros tratamentos anti oxidantes).
Dois outros tipos de agressões relativamente vulgares em obras de construção
são a queda de elementos (peças ou materiais) com arestas vivas e os trabalhos de
soldadura. O corte ou queima das fibras provocam perdas de resistência localizadas
mas que afectam o comportamento da rede podendo, em casos extremos, provocar
a perda total da eficácia protectiva.

De entre os factores mais usuais de má utilização das redes, destacam-se:


- Altura de queda excessiva;
- Não proteger toda a zona de trabalho;
- Não colocar rede nas esquinas;
- Deixar «buracos» na área protegida devidos a recortes nas fachadas;
- Deixar «buracos») na área protegida devidos a má união entre módulos;
- Materiais que caem e são deixados sobre a rede;
- Mau estado das redes;
- Mau estado da corda perimetral;
- Corda perimelral com emendas;
- Má fixação perimetral da rede;
- Ocupar o espaço de deformação, por debaixo da rede;
- Os trabalhadores que as colocam não usam EPI adequados.

Devem ser tomados os seguintes cuidados básicos para garantir a eficácia e a


vida útil expectável:
- Armazená-Ias em locais secos, protegidas da luz (preferencialmente dentro
de sacos opacos que as protejam da luz e poeiras) e afastadas do cimento de
produtos químicos;
- Os trabalhadores que as colocam devem usar arnês anti-queda;
- Colocá-Ias o mais próximo possível do plano de trabalho (de forma a diminuir
a altura da queda);
- Fechar todos os «buracos» atando os módulos entre si;
- Protegê-Ias das projecções de materiais incandescentes (com mantas ignífu-
gas, por exemplo);
- Retirar imediatamente todos os materiais caídos;
_ Deslocá-Ias acompanhando os trabalhos (antecipando-os);
- Substituir imediatamente o módulo de rede que apresente cortes ou sinais de
envelhecimento;
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 35

1.4. TIPOS DE REDES CONTRA AQUEDA DE PESSOAS


Procurando no mercado os equipamentos disponíveis, encontram·se basica~
mente quatro tipos de redes, para aplicação na construção de edifícios (sejam de
utilização residencial, comercial ou industrial).

1.4.1. REDES HORIZONTAIS


São utilizadas para proteger trabalhos que decorram em coberturas de naves
industriais ou comerciais ou outras operações em que seja necessário proteger uma
área extensa, usualmente no interior das edificações. Têm vulgarmente 8 m de lar-
gura e são fixadas aos pilares (ou outros elementos estruturais) pelo cabo perime-
trai, fixado a suportes próprios, espaçados entre si de 1 m. A ligação entre o cabo
perimetral e o suporte ê efectuada por mosquetões (ver figura 1.8).

FIGURA 1.8. REDE HORIZONTAL E PORMENORES DE ELEMENTOS DE FIXAÇÃO


36 MANUAL DE SEGURANÇA

Os mosquetões devem aguentar um peso de 400 kg (<l 1O mm) e o cabo de aço


deve ter diâmetro mínimo de 8 mm; em alternativa pode ser utilizada corda perime-
trai em poliamida com um diâmetro mfnimo de 12 mm (o cabo de aço tem uma vida
útil mais longa).

1.4.2. REDES HORIZONTAIS EINCLINADAS


São as de utilização mais comum e flexfvel, montadas em suportes metálicos
instalados no bordo da laje com recurso a um suporte de garra com uma abertura
máxima de 80 cm (ver figuras 1.9 e 1.10). A articulação do suporte permite adoptar
três posições de montagem:

FIGURA 1.9. REDE HORIZONTAL E INCLINADA


- PORMENOR DAS DIVERSAS POSiÇÕES DO SUPORTE

-----
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÀO COLECTIVA 37

- Posição A, com uma ligeira inclinação relativamente à posição vertical. Tem


por objectivo principal limitar a queda de materiais, cujo risco é superior nas
operações de cofragem/descofragem;
_ Posição a,
com uma inclinação de 40" a 45" relativamente à horizontal. Nesta
posição, a rede sobressai 2,5 m da estrutura. Tem por objectivo principallimi-
tar a queda de pessoas, cujo risco é superior nas operações de cofra-
gem/descofragem;
_ Posição C, com uma pequena inclinação de 10" a 15" relativamente à
horizontal. Nesta posição, a rede sobressai 3 m da estrutura. Tem por objec-
tivo principal limitar as consequências da queda de pessoas; tendo em consi-
deração a curva de queda definida pelo INRS (lnstitule National de Recher-
che el de Securile'), nesta posição a rede protege dois pisos.

FIGURA 1. la. REDE HORIZONTAL E INCLINADA

Esquema de montagem na fachada

Corda piremetral
Poliamlda, mínimo 012 mm

Cabo metálico
J. MANUAL DE SEGURANÇA

Elemento de fixação

_ _ Elemento de fixação

Rede

Saliência total::; 3,00 m


Escora telescópica....-/'

FIGURA 1.11. FASES DE MONTAGEM DA REDE INCLINADA


EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 3.

Para assegurar a eficácia deste tipo de rede é importante que a rede seja mon-
tada, de acordo com as instruções do fabricante, em todo o perlmetro da l ' iaje da
construção, quando se iniciarem os trabaihos ao nívei da 2' laje. A rede na primeira
laje protege os trabalhos que decorram na 2' e 3' lajes, sendo aconselhável que a
rede seja montada na 3' laje quando de iniciarem os trabalhos na 4' laje e assim
sucessivamente (ver figura 1.11).

1.4.3. REDES VERTICAIS


São redes de características idênticas às redes horizontais mas, montadas em
posição vertical. São indicadas para proteger aberturas em paredes, especialmente
em planos inclinados, onde os outros tipos de rede são menos eficazes. Para asse-
gurar a sua eficácia, devem ficar bem esticadas e cobrindo totalmente a abertura.
Tal como nas redes horizontais, são fixadas aos pilares (ou outros elementos estru-
turais) pela corda perimetral, fixada a suportes próprios, espaçados entre si de 1 m
(ver figura 1.12). A ligação entre a corda perimetral e o suporte é efectuada por
mosquetões.

FIGURA 7.72. REDE VERTICAL


40 MANUAL DE SEGURANÇA

1.4.4. REDES VERTICAIS TIPO FORCA


obordo superior é fixado em consolas tipo forca, e o inferior é fixado a um
suporte ancorado ii laje. O bordo superior deve exceder, no mínimo em 1 m, a altura
do plano de trabalho e o bordo inferior deve dispor de espaço livre que permita o
alongamento da rede devido ao impacto (ver figura 1.13).
É o tipo de rede mais adequado para proteger os trabalhos na laje de cobertura.
Existem outros tipos de redes cuja utilização é menos usual, devido talvez ii
menor flexibilidade da sua utilização ou por a protecção que proporcionam poder ser
assegurada por outro tipo de equipamentos (guarda-corpos, por exemplo). É o caso
das redes tipo ténis que são montadas na vertical, no piso que se pretende proteger,
em montantes semelhantes aos dos guarda-corpos e impedem a queda em altura.

FIGURA 1.13. REDES VERTICAIS TIPO FORCA


EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 41

EJ
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO
CONTRA SOTERRAMENTO
o solo é um material normalmente muijo heterogéneo e cujas propriedades podem
sofrer variações drásticas sob influência da variação ligeira de alguns factores.
Os soterramentos podem ocorrer logo no decurso da escavação mas é mais
usuat que ocorram no decorrer dos trabalhos efectuados dentro da escavação.
Acontecem devido aos movimentos do terreno, induzidos por factores como: chuva,
calor ou vibrações, que provoca deslizamentos e desprendimentos tendo, geral-
mente, consequências graves.

2.1. INTRODUÇÃO
A segurança nos trabalhos de escavação tem de começar antes de se dar inicio
ao trabaiho no terreno. Na verdade, quaiquer escavação destrói o equilibrio de for-
ças e tensões entre os vários componentes do soio (inertes, matéria orgânica, ar e
água) e, para que os trabalhos decorram sem surpresas nem problemas, devem ser
antecedidos de um estudo geotécnlco, ou seja, com o levantamento dos dados do ter-
reno em que se vai realizar a escavação. A análise destes dados possibilita que se
efectue a avaliação dos riscos inerente à realização dos trabalhos. Conhecendo o
tipo de riscos e a sua previsível dimensão, devem-se planear as acções preventivas
que os anulem ou controlem.

2.2. INFORMAÇÃO PRÉVIA


Há um conjunto de informações que é necessário recolher previamente ao início
dos trabalhos, a fim de conhecer a estabilidade do terreno. Algumas dessas informa-
ções já devem constar do projecto (estudo geotécnico, por exemplo), outras terão de
ser recolhidas e equacionadas por quem tiver a responsabilidade de gerir a segu-
rança, higiene e saúde na obra. Os dados mais importantes são:
- Características do terreno (constituição, nível freático, aterros anteriores ou
outras alterações, estratificações...);
- Existência de infra-estruturas enterradas (eiectricidade, água, gás, esgotos,
telefones, TV cabo...);
- Existência de linhas eléctricas aéreas (condicionam a escolha dos meios a
ulílizar na escavação);
42 MANUAL DE SEGURANÇA

- Proximidade de edificações e respectivas fundações;


- Tipo de cobertura vegetal (especialmente árvores de grande porte na zona de
influência da escavação);
- Proximidade de estradas e outras fontes de vibrações (fábricas. pedreiras...);
Outros factores importantes para a estabilidade dos taludes e que têm de ser
equacionados são:
- Modo de realizar a escavação (manual ou mecânica);
- Factores atmosféricos e climáticos (humidade. chuva. temperatura e ampli-
tude térmica);
- Sobrecarga do coroamento dos taludes;
- Duração (período de tempo em que a escavação vai estar aberta).

2.3. MEDIDAS DE PREVENÇÃO


As medidas de prevenção contra soterramento são, basicamente de dois tipos,
respeitar os taludes naturais e medidas de contenção.
O talude natural é o ângulo de maior inclinação que a parede escavada pode
manter indefinidamente sem que os materiais que compõem o terreno tenham ten-
dência a deslizar ou desmoronar (ver figura 1.14). A título indicativo, dado que os
valores reais dependem de factores como o grau de compactação. homogeneidade.
permeabilidade da camada superficial, vibrações, apresentam-se de seguida os
ângulos dos taludes naturais para os principais tipos de terreno:

QUADRO 1.1. TALUOES NATURAIS EM FUNÇÃO DO TIPO DE TERRENO

TERRENO VIRGEM ATEARO


ou ATERRO ANnGQ RECENTE

Seco Encharcado Seco Encharcado

Tipo de terreno A p A P A P A p

Rocha dura aDo a 90° 5/1 80' 5/1 - - - -

Rocha branda ou fissurada 55' 7/5 55' 7/5 - - - -


Entulhos, detritos de rocha e pedra 45' 1/1 40' 4/5 45' 1/1 40' 4/5

Terra forte ou terra vegetal 45' 1/1 30' 315 35' 7/10 30' 3/5

Argila 40' 5/6 20' 1/3 - - - -

Cascalho. areia grossa não argilosa 35' 7/10 30' 3/5 35' 7/10 30' 315
Areia fina não argilosa 30' 3/5 20' 113 30' 6/10 20' 1/3
A - Ãngulo; P - Pendente.
Fonte: Rousselel e outros.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 43

FIGURA 1.14. TALUDE NATURAL

2.4. ENTIVAÇÃO
Entivação é o revestimento de madeira ou painel metálico de paredes rochosas
ou terrosas, destinado a impedir desmoronamentos. A necessidade de entivar surge
principalmente em zonas urbanas onde, por falta de espaço, não é possível respeitar
os taludes naturais. Existem entívações de vários tipos, sendo factores de escolha: a
natureza do terreno, solicitações e profundidade.

2.5. DISPOSiÇÕES LEGAIS


o Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil, Decreto n'
41821, de 11 de Agosto de 1958, estabelece que:
44 MANUAL DE SEGURANÇA

A entivação de uma frente de escavação, como das trincheiras, compreende.


normalmente, elementos verticais ou horizontais de pranch6es que suportem o
impulso do terreno.
Estes impulsos podem ser transmWdos directamente pelos pranchões às esco-
ras ou por intermédio de outros elementos que os liguem entre si por cruzamento.
Conforme a natureza do terreno e a profundidade da escavação, assim os
elementos destinados a suportar directamente os impulsos serão mais ou menos
afastados entre si, terão maior ou menor secção e poderão ser de madeira ou
metálícos.

Quanto à estabifidade:

Ouando o terreno for escorregadio ou se apresentar sem grande coesão,


devem usar-se cortinas de estacas-pranchas que assegurem a continuidade do
suporte.
Havendo pressões hidrostáticas, a cortina garantirá uma vedação suficiente.
As escoras (estroncas) devem manter os outros elementos de entivação na
sua posição inicial e obedecer, para tanto, às seguintes condiç6es:
a) Possufrem resistência suficiente, para o que serão calculadas como colu-
nas, tendo em conta o efeito de varejamento;
b) Serem apertadas por meio de macacos, de cunhas ou de outro processo
apropriado;
c) Descansarem sobre uma base estável, quando transmitirem directamente
ao terreno as cargas que suportam;
d) Impedirem o escorregamento da sua extremidade inferior por meio de
espeques adequados, quando, na hipótese da alínea c), forem inclinadas;
e) Fazerem a ligação com os barrotes por meio de cunhas cravadas ou
aparafusadas, no caso de escavação manual, e de cunhas aparafusadas,
no caso de escavação mecânica.

Quanto à resistência:

A espessura mínima das estacas-pranchas será de 0,05 m e 0,08 m, respecti-


vamente, para protundidades de 1,20 m a 2,20 m e de 2,21 m a 5 m.
Para escavações com mais de 5 m de profundidade, as estacas-pranchas
terão de ser metálicas.

o mesmo Decreto, no seu artigo 72. g estabelece as características mínimas da


entivação de valas:

Na abertura de trincheiras com profundidades compreendidas entre 1,20 me


3 m consideram-se asseguradas as necessárias condiç6es de segurança contra
desmoronamentos perigosos quando as entivaçôes tenham como características
mínimas as seguintes:
EQUIPAM'ENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 45

OUADR01.2. CARACTERfST/CAS MfNIMAS DOS MATERIAIS PARA ENT/VAÇÃO DE VALAS

Prumos Cintas Estroncas

Natureza <n B <n B <n B B


c
"E -c2 .:=o~
c_ c_ c (ij _
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w "
.e w
~
"
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~
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Consistência
média
5)( 15 1.80 - - 10 x 15 1,20 1,80

Pouca
5 x 15 0,90 10 x 95 1,20 10 x 15 1,20 1,80
consistência

Sem Pranchada
5 x 15 10 x 15 1,20 10 x 15 1,20 1,80
consistência contínua

2.6. SISTEMAS DE ENTIVAÇÃO


A entivação pode ser efectuada por três processos básicos:
1. EM DUAS FACES OPOSTAS - Também denominada DUPLA FRENTE-A-FRENTE; é uli-
lizado na entivação de valas. Como os impulsos do terreno são transmitidos
na horizontal, as escoras são colocadas horizontalmente a conter as estrutu-
ras de suporte dos dois lados da vala. É importante que as escoras tenham
resistência suficiente para aguentar os esforços resultantes dos impulsos de
ambos os lados (ver figura 1,15);
2. NUMA FACE COM ESCORAMENTO - No caso de escavações que não sejam em
vala, o escoramento pode ser efectuado com escoras (dispostas para o inte-
rior da escavação) ou ancoragens (colocadas para o interior do terreno) (ver
figura 1.16);
3. NUMA FACE COM ELEMENTOS AUTOPORTANTES - No caso de escavações mais
profundas ou em que não seja admissivel o atravancamento causado pelas
escoras, cravam-se prumos metálicos que suportam pranchas horizontais
que contêm o terreno. Os prumos (elementos verticais) têm de ter rigidez à
flexão suficiente para resistir aos impulsos do terreno. Os prumos são crava-
dos por percussão por um bate-estacas (ver figura 1,17).

Não cabe aos técnicos de segurança propor sistemas e entivação e muito menos
calcular esses sistemas. Os técnicos devem conhecer os riscos e cuidados a ter com
a entivação de forma a poderem contribuir para o controlo e verificação das condi-
ções de segurança da entivação.
46 MANUAL DE SEGURANÇA

FIGURA 1.15. ENTlVAÇÃO EM OUAS FACES OPOSTAS

FIGURA 1.16. ENTlVAÇÃO CONTINUA SIMPLES SUPORTADA


POR ESCORAS INCLINADAS

~----- Prumo

~Eswras
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 47

FIGURA 1.17. CONTENÇÃO COM ELEMENTOS AUTOPORTANTES

Como principais cuidados a ter no planeamento e execução das entivações


podem-se destacar:
- A entivação deve acompanhar o avanço da escavação;
- Todo e qualquer sistema de enlivação com escoras ou elemenlos autoportan-
tes entra em colapso se a fundação não for estável (resultado de má avalia-
ção das características do terreno. Esta é uma das causas mais usuais de
colapso das entivações;
- Os esforços exercidos sobre as escoras são maiores que a força horizontal
produzida pelo impulso do terreno;
- As escoras obliquas, forçam os elementos de contenção (painéis) em con-
tacto com o terreno para cima (torça vertical ascendente);
- A ligação entre os elementos de escoramento e os de contenção tem de ter
resistência adequada aos esforços a que está submetida;
48 MANUAL DE SEGURANÇA

Existem no mercado equipamentos de entivação que respondem bem às situa-


ções que reúnam o seguinte conjunto de características:
- Valas com duas faces opostas;
- Profundidade inferior a 5 m;
- Largura da vala inferior a 4 metros:
- Solicitações do terreno inferiores a 43 KN/m2.

As vantagens de utilização destes equipamentos são:


- Maior segurança, pois não é necessário colocar trabalhadores dentro da área
escavada para efectuar a sua montagem;
- A montagem e desmontagem destes equipamentos é fácil e rápida;
- Os equipamentos são reutilizáveis inúmeras vezes;
- As retroescavadoras podem trabalhar entre estroncas sem comprometer a
estabilidade dos painéis de entivação.

2.7. EXECUÇÃO DE TALUDES


Embora o objectivo deste capitulo seja a de fornecer informação básica sobre
equipamento de contenção de terras, em muitas obras, especialmente fora dos cen-
tros urbanos, onde as áreas são mais folgadas, os directores de obra optam pela
execução de taludes como método de contenção de terras, devido, essencialmente,
ao seu menor custo. Assim, referem-se resumidamente, alguns cuidados a ter na
execução e manutenção de taludes.

Para assegurar a estabilidade de um talude, é essencial evitar desprendimentos


de materiais do talude e movimentos de escorregamento de massas rochosas ou
terrosas. Esses movimentos são, normalmente, devidos a um ou vários dos seguin-
tes factores:
a) Ângulo de inclinação do talude superior ao talude natural;
b) Infiltração de águas, provenientes de chuva ou da rotura de esgotos existen-
tes nas proximidades;
c) Sobrecarga dos coroamentos, usualmente devidas il deposição de terras
retiradas da escavação;
d) Vibrações, usualmente produzidas pela circulação de máquinas ou veículos
nas proximidades do coroamento;
e) Sobrecargas devidas a construções ou vegetação de grande porte nas
proximidades;
f) Falta de saneamento do talude, especialmente a retirada de materiais soltos.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 49

Da análise destes factores, pode-se concluir que para proceder à estabilização


de taludes deve-se:
a) Evitar vibrações e sobrecargas, criando uma zona de protecção ao coroa-
mento de, no mínimo, 2 melros, através da colocação de batentes que impe-
çam a aproximação de máquinas e viaturas - os materiais de escavação não
devem ser depositados a menos de 1 m do coroamento (ver figura 1.19);
b) Reduzir a inclinação do talude (ver figura 1.18A) ou alterar a sua geometria
(ver figura 1.188). Os materiais de escavação não devem ser depositados a
menos de 1 m do coroamento.

FIGURA 1.18. ESTABILIZAÇÃO DE TALUOE POR ALTERAÇÃO


00 SEU ÃNGULO OE INCLINAÇÃO (A) OU DA SUA GEOMETRIA (B)

8
50 MANUAL DE SEGURANÇA

c) Evitar as infiltrações de águas, tapando roturas (em redes de águas e esgo-


tos que existam nas proximidades) e executando canaletas drenanles que
encaminhem as águas superiiciais para locais onde não originem problemas
(ver figura 1.19). Em caso de chuva intensa ou em taludes que vão ficar abertos
durante um período mais prolongado, especialmente no Inverno, devem ser
revestidos com materiais impermeabilizantes (plásticos, por exempto);

FIGURA 1.19. ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES POR EXECUÇÃO


DE CANALETAS DRENANTES E COLOCAÇÃO DE BATENTES

Batente ~.-L Fita


T

~~I

Fita\.

---------r-----
90-100 cm
EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO COLECTIVA 51

d) Aumentar a resistência do corpo do talude, por projecção de betão (gonita-


gem), injecção ou adição de produtos, em função da constituição do solo.
Esta têcnica tambêm reduz a penneabilidade do solo e pennile uma boa
estabilização em solos constituídos por "materiais grossos».

II
INSTALAÇÃO ELÉCTRICA DO ESTALEIRO

3.1. INTRODUÇÃO
Como é do senso comum a electricidade se não for utilizada de forma correcta
pode ser a causa de acidentes causando grandes prejuízos materiais e humanos.
De acordo com o relatório da Inspecção-Geral do Trabalho, relativo ao ano de 2004,
ocorreram 11 (10,89%) mortes por electrocussão em estaleiros de construção civil e
obras públicas. Destas, 4 ocorreram por contacto com linhas eléctricas aéreas, 2 em
ferramentas ou equipamentos e 5 por outras causas não especificadas.
Embora não sendo um equipamento de protecção colectiva, o desrespeito e a
falta de cuidado generalizada que se verifica relativamente aos riscos eléctricos em
eslaleiros, justificam este subcapitulo.

A instalação eléctrica dos estaleiros temporários ou móveis, devido às condições


específicas inerentes ao ambiente e à forma como se desenvolve a actividade, com-
porta riscos agravados cujas causas importa conhecer e controlar devidamente.
Como causas principais destacam-se:
a) São instalações provisórias e expostas a intempéries;
b) O material eléctrico que as constitui é reutilizável e, por vezes, reutilizado em
más condições;
c) A maior parte da instalação é amovlvel;
d) São efectuadas cc reparações provisórias» por pessoal não qualificado;
e) As instalações são alteradas e/ou expandidas sem obediência a qualquer
projecto;
f) O nível de formação e sensibilização dos utilizadores é menor que nos outros
sectores (o que os leva a anular os dispositivos de protecção, nomeadamente
os disjuntares diferenciais);
52 MANUAL DE SEGURANÇA

É essencial conhecer e cumprir as disposições regulamentares e normativas


para o projecto, execução, exploração e manutenção de instalações eiéctricas provi-
sórias, bem como as prescrições de segurança para a prevenção de riscos eléctri-
cos. O objectivo deste subcapitulo é efectuar uma síntese das disposições reguia-
mentares e normativas, assim como, das prescrições de segurança aplicáveis a
instalações eiéctricas de 5.ª categoria (instalações alimentadas em baixa tensão por
uma rede de distribuição e que não ultrapassem os limítes de uma propriedade nem
estejam situadas em recintos, púbiícos ou privados, destinados a espectáculos ou
outras diversões), dos estaleiros temporários ou móveis.
Embora o projecto, execução, operação e manutenção da instalação eléctrica do
estaieiro sejam de extrema importância na prevenção de acidentes e devam ser
realizados tendo em conta as disposições regulamentares, normativas e as regras
técnicas apiícáveis; mais de metade das mortes por electrocussão (cerca de 63,6%)
ocorridas em estaleiros têm como causa o contacto com cabos ou iínhas (gerai-
mente iínhas eléctricas aéreas) da rede de distribuição pelo que é fundamental,
antes de iniciar a montagem do estaleiro de apoio, proceder ao levantamento em
planta das intra-estruturas de distribuição de energía eléctrica existentes no local e
que coiídam com a instalação do estaleiro ou com o posterior desenvoivimento da
obra.
A distância mínima de segurança relativamente a linhas eléctricas aéreas até
60 kV é de 3 m e de 5 m para as iínhas com tensão superior a 60 kV. Na prática, e
se não for conhecida a tensão da tinha, a distância de segurança a respeitar deve
ser os 5 metros.
Sempre que no decurso dos trabalhos não seja passivei respeitar estas distân-
cias de segurança, deve ser solicitado à empresa concessionária o desvio das linhas
ou, se tal for possível, o seu corte nos periodos em que os trabalhos vão decorrer.

3.2. DEFINiÇÕES
/NSTALAçAo OE UTlUZAçAo DE ENERGIA ELÉCTRICA - instalação eiéctrica destinada a
permitir aos seus utilizadores a aplicação da energia eléctrica pela sua transfor-
mação noutra forma de energia;
/NSTALAçAo PROVISÓRIA - Instalação destinada a ser utilizada por tempo limitado, no
fim do qual é desmontada, deslocada ou substitufda por outra detinitiva;
/NSTALAçAo DE TENSAo REDUZIDA - Instalação de baixa tensão cuja tensão nominal
não excede os 75 V em corrente continua, ou os 50 V em corrente alterna, entre
quaisquer condutores activos;
/NSTALAçAo DE BAIXA TENSAo - Instalação cuja tensão nominai não excede os 250 V
(em corrente alterna) entre qualquer condutor activo e a terra, se a ínstalação
tiver ponto neutro à terra;
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 53

CONOUTOR ACTlVO- Condutor afecto à condução de energia eléctrica;


DUPLO ISOLAMENTO - Isolamento compreendendo simultaneamente um isolamento
funcional e um isolamento suplementar (ver figura 1.20A);
CIRCUITO OE UMA INSTALAÇÃO - Conjunto de canaiizações e apareihos eléctricos,
incluindo os de utiiização, dotado do mesmo aparelho de protecção contra
sobreintensidades no quadro onde tem infcio;
CIRCUITO DE COMANDO - Circuito monofásico, eventualmente de corrente contínua e
que tem por função comandar, controlar, avisar, medir...os parãmetros de funcio-
namento da máquina e assegurar a protecção eléctrica do circuito de potência e
das pessoas;
APARELHO DE UTlLLZAÇÃO MÓVEL - Aparelho de utilização que, em virtude da sua natu-
reza ou utilização, é deslocado durante o seu funcionamento ou pode ser facil-
mente deslocado enquanto ligado ao circuito de alimentação (ex.: posto de solda-
dura...);
Aparelho de utilização que, em condições nor-
APARELHO DE UTILIZAÇÃO PORTÁTIL -
mais de funcionamento é empunhado ou suportado pelo utilizador (ex.: gam-
biarra, berbequim...);
CORRENTE NOMINAL - Corrente que pode percorrer o circuito, por tempo indetermi-
nado, sem lhe provocar danos;
CURTO-CIRCUITO -Ligação acidental entre pontos do mesmo circuito que se encon-
tram a tensões diferentes e entre os quais a impedância tem um valor muito
pequeno;
SOBRECARGA - Aumento para além do iimite admissível, da corrente que percorre o
circuito;
INSTALAÇÃO (OU CIRCUITO) ISOLADA - Instalação electricamente separada de todas as
possíveis fontes de alimentação, por meio de órgão que dêem garantias de sepa-
ração permanente;
INSTALAÇÃO (OU CIRCUITO) LIGADA A TERRA - Instalação ísolada e com todos os seus
condutores intencionalmente iigados à terra;
ELÉCTRODO DE TERRA - Conjunto de materiais condutores enterrados destinados a
assegurar boa iigação eléctrica com a terra e ligado num único ponto ao condutor
geral de protecção (ver figura 1.208);
RESISTÊNCIA DE TERRA - Resistência eléctrica de um eléctrodo de terra e do terreno
circundante;
MATERIAL éLÊCTRfCO - Utilizou-se, neste texto, a expressão c<material eléctrico» para
designar genericamente os componentes de uma instalação: condutores, tubos,
quadros, aparelhos de protecção, de comando, de corte e aparelhos de utilização.
54 MANUAL DE SEGURANCA

FIGURA 1.20. SIMBOLOGIA: OUPLO ISOLAMENTO (A) E LIGAÇÃO A TERRA (B)

Duplo isolamento Ugação à terra

A B

3.3. DISPOSiÇÕES REGULAMENTARES ENORMATIVAS


As referências legais constantes da legislação especffica aplicável aos estaleiros
temporários ou móveis, são de carácter geral e, em alguns pontos, enviam para o
Regulamento de Segurança de Instalações de Utilização de Energia Eléctrica
(Decreto-Lei n.' 740174, de 26 de Dezembro, alterado pelo Decreto-Lei n." 303176,
de 26 de Abril).

A Portaria n.' 101/96, de 3 de Abril, que regulamenta as prescrições mínimas de


segurança e saúde a aplicar nos estaleiros temporarios ou móveis, estipula que:
1. As instalações de distribuição de energia não podem comportar risco de
incêndio ou explosão e devem assegurar que a respectiva utilização não
constitua factor de risco para os trabalhadores, por contacto directo ou
indirecto;
2. A concepção, a realização e os materiais utilizados nas instalações devem
respeitar a legislação específica aplicável, nomeadamente o Regulamento
de Segurança de Instalações de Utilização de Energia Eléctrica;
3. As instalações de dislribuição de energia eléctrica existentes no estaleiro,
nomeadamente as que estão sujeitas a influências exteriores, devem ser
regularmente verificadas e conservadas;
4. As instalações existentes antes da implantação do estaleiro devem ser
identificadas, verificadas e claramente assinaladas;
5. Os cabos eléctricos existentes devem ser desviados para fora da área do
estaleiro ou colocados fora de tensão ou, sempre que isso não seja possí~
vel, devem ser colocadas barreiras ou avisos que indiquem o limite de cir-
culação permitido a veículos e o afastamento das instalações;
6. Se houver necessidade de fazer passar veículos por baixo de cabos
eléctricos, devem ser colocados avisos adequados, bem como uma pro~
tecção suspensa.
::.E:::O::.U::.'P-"A:::M::.:,E::N:.oT::.0c::S-,,0:.oE:.:P:..:R.::O:.:Tc::E::Cc::C:.::Ac::0:..:C::O::L::E::C::T.::'V:.oA'- --=55

3.4. PROTECÇÃO DAS PESSOAS


Os riscos originados nas instalações eléctricas, podem ser de dois tipos:
a) CONTACTOS DIRECTOS - São os riscos provenientes dos contactos com partes
activas (as que estão usualmente sob tensão) dos materiais ou aparelhos
eléctricos;
b) CONTACTOS INDIRECTOS - São os riscos a que as pessoas ficam sujeitas em
resultado de as massas (estruturas metálicas) ficarem acidentalmente sob
tensão;
A prevenção contra os contactos directos consiste em (.envolver» ou afastar
todas as partes activas, não permitindo o contacto com pessoas. As técnicas de pro-
tecção usuais são o isolamento (aparelhos e condutores, por exemplo) ou a inaces-
sibilidade (por exemplo, as linhas eléctricas aéreas são colocadas a uma altura ina-
cessível e certas partes de máquinas e equipamentos eléctricos são protegidos por
tampas ou portas dotadas de encravamentos que só permitem o acesso às partes
perigosas com o aparelho desligado.
A protecção contra os contactos indirectos é efectuada suprimindo o risco,
fazendo com que os contactos não sejam perigosos, impedindo o aparecimento de
diferenças de potencial perigosas (ligação das massas à terra e montagem de
aparelhos de protecção diferencial-residuaf, por exemplo).

O Art. 636.º do Decreto-Lei n.º 740/74, de 26 de Dezembro, referente à protec-


ção das pessoas contra os riscos específicos das instalações provisórias, estipula
que:
Em estaleiros de obras, a protecção das pessoas deverá ser efectuada pelo
emprego de aparelhos de protecção sensíveis à corrente diferencial-residual;
Os aparelhos de utilização portáteis deverão ser alimentados por instalações
de tensão reduzida de segurança ou por transformadores de isolamento ou ser da
classe II de isolamento;
Recomenda-se que as tomadas para alimentação dos diversos aparelhos de
utilização sejam concentradas em quadros e os aparelhos de protecção sensíveis
à corrente diferencia/~residual sejam de alta sensibilidade.

3.5. PROJECTO DAS INSTALAÇÕES


O artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 517/80, de 31 de Outubro, estipula que para ins-
talações provisórias pode, consoante a dimensão, duração e função a que se desti-
nam os recintos que fazem parte das instalações, ser dispensada a constituição do
projecto de licenciamento da instalação eléctrica. No entanto, tal não invalida que a
instalação seja devidamente dimensionada de acordo com as condições técnicas
56 MANUAL DE SEGURANÇA

fixadas pelo Decreto-Lei n.' 740/74, de 26 de Dezembro, tendo em vista a salva-


guarda das pessoas e equipamentos e outros bens.
Entre os aspectos a observar na gestão e organização geral do estaleiro de
apoio, a incluir no plano de segurança e saúde em projecto, previstos na alinea f} do
n.' 2 do Artigo 6.', do Decreto-Lei n· 273/2003, de 29 de Outubro (que revoga o
Decreto-Lei n.' 155/95, de 1 de Julho, na redacção dada pela Lei n.' 113/99, de 3 de
Agosto), consta no item 2 do anexo i .. Instalação e funcionamento de redes técnicas
provisórias, nomeadamente de electricidade, gás... )'; pelo que o projecto ou dimen-
sionamento da instalação eléctrica provisória do estaleiro deve ser devidamente
documentada e incluida no plano de segurança e saúde, devendo as alterações, que
se revelem necessárias efectuar posteriormente. no decurso da obra, ser devida-
mente dimensionadas e registadas.
Dado o ambiente agressivo dos estaleiros temporários ou móveis, a resistência
mecânica, a estanquidade dos invólucros dos equipamentos e o isolamento dos apa-
relhos de utilização são de fundamental importãncia na protecção dos utilizadores
contra contactos directos.
A norma NP EN 60529, codifica os graus de protecção proporcionados pelos
invólucros contra a penetração de elementos sólidos ou líquidos (código IP), a norma
EN 50102 codifica os graus de protecção proporcionados pelos invólucros contra os
impactos mecãnicos externos (código IK). O artigo 157.' do Decreto-Lei n.' 740/74,
de 26 de Dezembro define as classes de isolamento.

3.5.1. CÓDIGO IP
Como foi referido, o código IP utiliza-se para indicar o grau de protecção propor·
cionado pelos invólucros contra o acesso a partes perigosas, penetração de água e
corpos estranhos.
O código é composto pela sigla IP seguida de dois algarismos. O primeiro alga-
rismo indica (numa (c8scala) de O a 6) simultaneamente o grau de protecção contra
o acesso a partes perigosas e contra a penetração de sólidos, o segundo algarismo
indica (numa ..escala.. de O a 8) o grau de protecção contra a penetração de líquidos.
O grau de protecção mínimo recomendável para o material eléctrico instalado em
estaleiros, à intempérie, é o IP 55.
EQUIPAMENTOS DE PnOTECÇÃO COLECTIVA 57

QUADRO 1.3. CÓDIGO IP

Primeiro Algarismo Segundo Algarismo


Protecção contra Protecção contra
Protecção contra
IP contactos eléctricos a entrada de corpos IP
a entrada de água
directos sólidos

O Sem protecção Sem protecção O Sem protecção


1 Não deve poder Protecção contra 1 As gotas de água
peneirar uma grande a penetração de corpos de condensação caindo
superfície do corpo sólidos com diâmetro verticalmente
humano, a mão, superior a 50 mm. não devem ler
por exemplo. efeitos prejudiciais.

2 Protecção contra Protecção contra 2 As golas de água caindo


o contacto dos dedos a penetração de corpos segundo um ângulo inferior
com peças em tensão sólidos com diâmetro a 15° em relação à vertical,
(0) 12mme80mm superior a 12 mm. não deve ter efeitos
de comprimento). prejudiciais.

3 Protecção contra Protecção contra 3 A água caindo sob a forma


a penetração a penetração de corpos de chuva segundo um ângulo
de ferramentas. estranhos de diâmetro inferior ou igual a 60° em
superior a 2.5 mm. relação à vertical não deve
ler efeitos prejudiciais.
4 Prolecção contra Protecção contra 4 A água projectada
a penetração a penetração de corpos em qualquer direcção
de arame estranhos de diâmetro não deve ter
ou objectos análogos. superior a 1 mm. efeitos prejudiciais.

5 Protecção contra Protecção parcial contra 5 A água projectada


a peneiração a penetração de poeiras. em jactos segundo
de arame A quantidade de poeiras qualquer direcção
ou objectos análogos. que possa penetrar não não deve ter
deve prejudicar o bom efeitos prejudiciais.
funcionamento
do aparelho.

6 Protecção contra Protecção total contra 6 A água projectada em massa


a penetração a entrada de poeiras. segundo qualquer direcção
de arame não deve ter efeitos
ou objectos análogos. prejudiciais.

7 Não deve ser possível


a introdução de água
em quantidade prejudicial
no interior do invólucro.
sob uma pressão e durante
um tempo especificados.

8 Não deve ser passivei


a introduçao de água
em quantidade prejudicial
no interior do invólucro,
sob uma pressão e durante
um tempo indefinido.
5., _ MANUAL DE SEGURANC1't

3.5.2. CÓDIGO IK
o código IK utiliza-se para indicar o grau de protecção proporcionado peios invó-
lucros contra impactos mecânicos extemos.
O código é composto pela sigla IK seguida de dois algarismos (numa «escala»
de 00 a 10) que indicam a resistência a uma certa energia de impacto que o invólu-
cro consegue suportar sem sofrer deformações permanentes.

QUADRO 1.4. CÓDIGO IK

IK Energia de Impacto (em Joules)

00 Sem Protecção
01 Resiste a um impacto com energia de choque de 0,15 J
02 Resiste a um impacto com energia de choque de 0,20 J
03 Resiste a um impacto com energia de choque de 0,35 J
04 Resiste a um impacto com energia de choque de 0,50 J
05 Resiste a um impacto com energia de choque de 0,70 J
06 Resiste a um impacto com energia de choque de 1 J
07 Resiste a um impacto com energia de choque de 2 J
08 Resiste a um impacto com energia de choque de 5 J
09 Resiste a um impacto com energia de choque de 10 J
10 Resiste a um impacto com energia de choque de 20 J

O grau de protecção indicado no código IK respeita a todo o invólucro, se uma


parte do invólucro tiver um grau de protecção diferente, deve ser indicado em sepa-
rado.
O grau de protecção mínimo recomendável para o material eléctrico instalado em
estaleiros, no exterior, é o IK 08.

3.5.3. CLASSES OE ISOLAMENTO


O artigo 157.º do Decreto-Lei nº 740/74, de 26 de Dezembro define cinco clas-
ses de protecção dos aparelhos de utilização, de tensão nominal igualou inferior a
500 V, em corrente alternada (ou 750 V, em corrente continua), contra contactos
indirectos, vulgarmente designadas por classes de isolamento:
CLASSE O - aparelhos cujo isolamento corresponde a um isolamento funcional,
embora possam ter algumas das suas partes dotadas de um duplo isola-
mento ou de um isolamento reforçado, e não possuem Jigador de massa;
EQUIPAf,1Er"TOS OE PROTECCÃO COLECTIVA 59

CLASSE 01 - aparelhos que têm, pelo menos, um isolamento funcional em todas


as suas partes, possuem um ligador de massa e são dotados de um cabo ali-
mentador não contendo condutor de protecção e em que a ficha não tem con-
tacto de terra;
CLASSE I - aparelhos que têm, pelo menos, um isolamento funcional em todas
as suas partes, possuem um ligador de massa e são dotados de um cabo ali-
mentador contendo condutor de protecção e em que a ficha tem contacto de
terra, ou são alimentados por um cabo conector contendo condutor de protec-
ção e em que a ficha e a tomada móvel do conector têm contacto de terra;
CLASSE II - aparelhos que têm em todas as suas partes um duplo isolamento ou
um isolamento suplementar e não possuem ligador de massa;
CLASSE III - aparelhos previstos para serem alimentados a tensão reduzida e
que não têm qualquer circuito, interno ou externo, funcionando a outra tensão
que não seja uma tensão reduzida.

3.5.4. LIGAÇÃO ÀREDE PÚBLICA


o documento DIT-C14-100/E, que define as soluções técnicas normalizadas
relativas à ligação de Clientes a redes aéreas ou a redes subterrâneas de BT para
efeitos do disposto no Artigo 62 do Anexo I do Despacho 17573-A/2002 da ER8E, do
Gabinete de Normalização e Tecnologia da EDP, estipula que:

1. As ligações para obras devem limitar a sua duração ao estritamente


necessário:
2. Os pedidos de ligação para obras estão dependentes da exibição da
licença municipal de construção ou documento equivalente;
3. Para potências superiores a 10,35 kVA é legalmente obrigatória a entrega
de um termo de responsabilidade pela exploração conjuntamente com o
de responsabNidade pela execução:
4. A viabilidade da ligação está igualmente dependente da existência de
rede com disponibilidade no local e de uma vistoria prévia às instalações,
a realizar por pessoal da EDP Distribuição;
5. Não é autorizada a colocação dos Quadros Eléctricos de Obras nos apoios
da rede de distribuição nem nos da rede de IP (Iluminação Pública);
6. Os quadros devem ser locafizados, preferencialmente, no interior do esta-
leiro, em local acessível ao pessoal da EDP Distribuição e devem ser fixos
e sem possibHidades de remoção durante o perfodo de duração da obra;
7. Os quadros podem ficar no interior de uma construção, como um conten-
tor, ou no exterior, num pedestal de alvenaria ou num poste de cimento
devidamente arvorado e com resistência mecânica suficiente;
60 MANUAL DE SEGURANÇA

8. Este quadro deve possuir um invólucro construído em material isolante,


respeitar as condições regulamentarmente definidas para os locais
expostos e poeirentos e ter um índice de protecção mínimo de IP 44 e IK
07;
9. Deve alojar os órgãos de corte geral e de protecção das sardas, sendo a
protecção de pessoas contra contactos indirectos assegurada por dispo~
sitivo diferencial de alia sensibilidade (1M <; 30 mA);
10. Os cabos a utifizar nestas instalações devem ser adequados ao tipo de
local e aos riscos existentes;
11. Nos quadros eléctricos de obras, deve ser reservado espaço para a
colocação do disjuntor de controlo de potência, a instalar pela EDP D;stri~
buição quando da ligação do ramal;

3.&. EXECUÇÃO DAS INSTALAÇÕES


o material eléctrico deve ser seleccionado e instalado tendo em conta os requisi-
tos legais e normativos e as caracteristicas adequadas às condições de alimentação,
de ambiente e de utilização, nomeadamente: a tensão nominal, a intensidade nomi-
nal, a intensidade de curto-circuito, o isolamento eléctrico e as agressões expectá-
veis devidas ao ambiente e operações desenvoividas.

3.6.1. QUADROS GERAL EDE ENTRADA


o quadro de entrada deve alojar também o contador e o disjuntor de entrada. O
fornecimento e a colocação do contador e do disjuntor de entrada são da responsa-
bilidade da EDP Distribuição. Deve ser reservado espaço para coiocação do disjun-
tor de controlo de potência (instalado pela EDP Distribuição quando da ligação do
ramal), que têm 210 mm de altura, 70 mm de profundidade e 70 mm de largura, se
forem bipolares ou 105 mm de largura, se forem tetrapolares. Os quadros devem ser
localizados, preferencialmente, no interior do estaleiro, em local acessível ao pessoal
da EDP Distribuição e devem ser fixos e sem possibilidades de remoção durante o
periodo de duração da obra. Podem fícar no ínterior de uma construção, como um
contentor, ou no exterior, num pedestal de alvenaria ou num poste de cimento devi-
damente arvorado e com resistência mecânica suficiente.
O quadro geral de entrada deve alojar os órgãos de corte geral e de protecção
das saidas, sendo a protecção de pessoas contra contactos indirectos assegurada
por dispositivo diferencial de alta sensibilidade (I!ln <; 30 mA). Ambos os quadros
devem possuir um invólucro construído em material isolante, respeitar as condições
regulamentarmente definidas para os locais expostos e poeirentos e ter um índice de
protecção mínimo de IP 44 e IK 07. Deve estar dotado de porta com fechadura que
impeça o acesso às partes em tensão a pessoal não autorizado.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 61

3.6.2. QUADROS SECUNDÁRIOS


Os quadros secundários, fixos ou amovíveis, distribuídos pela obra, devem ter
invólucros com índices de protecção iguais, no mínimo, ao do quadro geral (aconse-
lham-se os índices IP 55 e IK 08). Os quadros amovíveis (vulgo pimenteiros) podem
ser metálicos desde que devidamente ligados à terra de protecção do estaleiro.
Todo o material encastrado na parte exterior do quadro (aparelho de corte e toma-
das de corrente, por exempio) devem possuir os mesmos índices de protecção do
quadro.
Estes quadros devem ser consmuídos pelos seguintes aparelhos: aparelho de
corte omnipolar, com capacidade de corte adequada à corrente de curto-circuito da
instalação; disjuntores de protecção contra sobreintensidades e curto-eircuitos (um
por circuito); interruptores diferenciais de alta sensibilidade (/6n'; 30 mA), um por cir-
cuito.
Os quadros eléctricos (fixos e amovíveis) devem ser instalados em locais acessí-
veis e protegidos das movimentações de máquinas e camiões. Nas tampas devem
ser colocados sinais «Perigo de Morte", com o pictograma de risco de electrocus-
são. Devem estar dotados de portas ou tampas que impeçam o acesso às partes em
tensão a pessoal não autorizado e que só possam ser abertas com chave ou ferra-
mentas especiais.

3.6.3. CABOS
O cabo mais indicado para a generalidade das utilizações em estaleiros, é o
designado H07RN-F. E constituído por uma aíma condutora multifilar, composta por
fios finos de cobre electrolítico estanhado ou polido, isolamento em borracha etileno-
-propileno (EPR) e revestido a polychloroprene preto.
Tem as seguintes características:
- Temperatura de serviço: - 20 a + SO';
- Tensão nominal: 450050 Volts;
- Tensão de ensaio: 2.000 Volts;
- Raio de curvatura: 15 x Diâmetro.

Existem no mercado cabos com secções desde 1,5 mm2 até 240 mm2 .
Os cabos para eléctrodos de soldadura eléctrica (ligação do porta-eléctrodos à
máquina de soldar) recomendados são os designados HOl N2-D e HOl N2-E. São
especialmente concebidos para a transmissão de elevados valores de corrente eléc-
trica, desde o transformador à pinça porta-eléctrodos, em condições de trabalho
severas, mantendo a sua alta flexibilidade mesmo quando sujeitos aos efeitos do
ozono, oxigénio, luz, gases inertes, óleos e condições atmosféricas adversas.
A bainha exterior é de Polychloroprene (Neoprene), o que proporciona notáveis
características, em especial no que se refere à flexibilidade, resistência à abrasão e
esmagamento, bem como resistência a óleos e massas minerais.
62 MANUAL DE SEGURANÇA

o traçado e a colocação dos cabos devem satisfazer as seguintes regras básicas:


- Todos os cabos devem possuir as características adequadas à carga a
alimentar e ao local onde estão inseridos. As protecções devem ser montadas
tendo em conta o critério de selectividade;
- Se houver necessidade de enterrar cabos, devem ser convenientemente
protegidos e sinalizados;
- Deve-se garantir que todas as massas metálicas (os carris da grua, por
exemplo) e todos os equipamentos e ferramentas são ligados à terra (com
excepção dos dotados de duplo isolamento);
- Os cabos de alimentação das máquinas devem ser montados afastados das
escadas, portas e locais de passagem onde possam ser pisados por máqui-
nas ou pessoas;
- A tensão deve estar sempre nas tomadas (fichas fêmea) a fim de evitar
contactos eléctricos directos;
- Deve ser rigorosamente proibido utilizar fio de terra (amarelo e verde), em
qualquer outra utilização que não seja efectuar ligações à terra de protecção;

3. &.4. TERRA DE PROTECÇÃO


A terra de protecção tem por função proteger as pessoas contra contactos indi-
rectos evitando os riscos de contacto com as massas da instalação acidentalmente
sob tensão.
Todos as «massas» melálicas devem ser ligadas à terra de protecção. Para que
cumpra essa função (protecção), tem de estar associada a um aparelho de protec-
ção de corte automático que desligue a instalação ou a sua parte defeituosa, de
forma a cumprir os seguintes requisitos:
- A corrente de defeito à terra produzida por um único defeito franco deverá
fazer actuar o aparelho de protecção em tempo não superior ao indicado no
quadro 1.5:
- Qualquer «massa,· não pode permanecer, em relação a um circuito de terra
electricamente distinto, a potencial superior a:
a) 50 V - Se a Instalação, ou parte da instalação, for prevista para alimentar
apenas aparelhos de utilização, fixos ou móveis que não possuam mas-
sas susceptíveis de serem empunhadas;
b) 25 V - Se a instalação ou parte, for prevista para alimentar aparelhos de
utilização fixos ou móveis que possuam massas susceptíveis de serem
empunhadas ou aparelhos de utilização portáteis com massas acesslveis.

- Todas as «massas» da mesma instalação deverão ser ligadas à mesma terra.


EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO COLECTIVA 63

A resistência de terra (resistência eléctrica do eléctrodo e do terreno circundante)


deve ter um valor que não permita que a tensão de contacto ullrapasse os 25 V.

QUADRD 1.5. TEMPO MÁXIMO DE ACTUAÇÁO DOS APARELHOS DE PROTECÇÁO

Tempo máximo de actuação


Tensão de contacto
do aparelho de protecção
previsível (em Volt)
(em segundos)

25 5

50 1

70 0.5

80 0,4

110 0.2

150 0.1

220 0,05

280 0,03

Os condutores de terra devem assegurar a continuidade eléctrica e mecânica ao


longo de todo o seu percurso, não devendo ter partes metálicas da instalação inter-
caladas em série. Os condutores de ligação ao(s) eléctrodo(s) de terra devem ser
dotados de terminal, amovível, que permita medir a resistência de terra. Devem ser
montados em local e por forma que não fiquem sujeitos a acções mecânicas, ou
serão protegidos por tubos, quando tal sujeição for inevitável (travessias, instalação
junto dos pavimentos, etc.).
Os condutores de terra que forem enterrados, deverão ser constituídos por cabo
de cobre de secção nominal não inferior a 25 mm. Se forem estabelecidos à vista
devem ser de cobre nu e ter a secção necessária às condições de protecção exigí-
veis; a sua secção mínima é de 16 mm 2.
As abraçadeiras devem permitir que os condutores fiquem afastados, pelo
menos. 5 mm das paredes ou estruturas onde se apoiam. quando situados - em
locais húmidos (locais do tipo HUM). locais molhados (tipo Mal) ou locais poeiren-
tos (tipo POE).
Os condutores de terra isolados devem ter o mesmo tipo de isolamento e de pro-
tecção que os condutores activos nas canalizações a que digam respeito, devendo
ficar montados nas mesmas condições destes e ser enfiados nos mesmos tubos
utilizados pelos outros condutores.
64 MANUAL DE SEGURANÇA

As secções nominais dos condutores de terra de protecção isolados devem ser


as indicadas no quadro 4.

QUADRO 1.6. SECÇÃO MíNIMA DOS CONDUTORES DE TERRA DE PROTECÇÃO

Secção dos condutores de terra de protecção em função


das secções dos condutores de fase e de neutro (em mm2)

Condutor Condutor Condutor de terra


de fase de neutro de protecção

1,5 1,5 1,5


2,5 2,5 2,5
4 4 4

6 6 6
10 10 10
16 10 10
25 16 16
35 16 16
50 25 25
70 35 35
95 50 50
120 70 70

Os eléctrodos de terra devem ser constituídos por elementos metálicos, tais


como chapas, varetas, tubos, perfilados, cabos ou fitas de cobre, ferro galvanizado
ou outro material condutor resistente à corrosão ou protegido contra ela por revesti-
mento de boa condutibilidade, e enterrados, verticalmente, em locais o mais húmidos
possível, de preferência em terra vegetal, lora de locais de passagem, devidamente
distanciados de depósitos de substâncias corrosivas susceptíveis de infiltrar-se no
terreno e a uma profundidade tal que entre a superfície do solo e o eléctrodo haja
uma distância minima de 0,80 m. O tipo de eléctrodo deve ser escolhido tendo em
conta as condições do terreno onde vai ser implantado,
As suas dimensões devem permitir o escoamento fácil das correntes de terra
previstas, de forma que o seu potencial e o gradiente de potencial à superfície do
solo sejam os menores possíveis. A área de contacto dos eléctrodos com a terra,
qualquer que seja o metal que os constitua, nâo pode ser inferior a um metro qua-
EQUIPAMENTOS OE PROTECÇÃO COLECTIVA 65

drado. As dimensões mlnimas dos eléctrodos de terra são as indicadas no quadro


seguinte:

QUADRO 1.7. DIMENSÕES MíNIMAS DOS ELÉCTRODOS DE TERRA

TIpo Material
de eléctrodo
Cobre Aço galvanizado

Chapa 2 mm de espessura 3 mm de espessura

15 mm de diâmetro 20 mm de diâmetro
Vareta
e 2 m de comprimento e 2 m de comprimento
25 mm de diâmetro exterior, 25 mm de diâmetro exterior,
Tubo 2 mm de espessura 3 mm de espessura
e 2 m de comprimento e 2 m de comprimento
3 mm de espessura,
60 mm nas dimensões
Perfilados -
transversais
e 2 m de comprimenlo
100 m~ de secçâo
Cabo 25 mrn2 de secção e diâmetro dos fios
maior ou igual a 1,8 mm

2 mm de espessura 3 mm de espessura
Fita
e 25 mm2 de secçâo e 100 mm2 de secção

3.7. OPERAÇÃO, VERIFICAÇÃO


EMANUTENÇÃO DAS INSTALAÇÕES
As instalações devem ser verificadas quando da sua entrada em serviço e sem-
pre que se realizem modificações importantes.
A operação das instalações é denominada, na gina dos eiectrotécnicos, de
exploração. O ponto 10, do anexo V, do Decreto-Lei n· 517/80, de 31 de Outubro,
estipula que as instalações de estaleiros de obras, de potência instalada superior a
10 kVA carecem de técnico responsávei pela exploração. Esse técnico deverá Ins-
peccionar a instalação. efectuando as verificações, ensaios e medições regulamen-
tares, com a frequência exigida pelas características de exploração. no mínimo duas
vezes por ano, uma nos meses de Verão e a outra nos meses de Inverno. Deverá.
anualmente, eiaborar o relatório de exploração, em modelo estipulado no anexo IV
do Decreto-Lei n. 2 517/80.
66 MANUAL DE SEGURANCA

Algumas regras básicas de operação são:


- Devem ser devidamente instruídos e treinados alguns trabalhadores do esta-
ieiro (encarregado e chefes de equipa), para operarem os apareihos de
comando e manobra da instalação. Esses operadores devem comunicar de
imediato qualquer meu funcionamento que detectem;
- Deve ser rigorosamente proibido interromper qualquer ligação à terra, ou utili-
zar máquinas que necessitem de ligação à terra, com fichas ou tomadas que
não possuam essa ligação;
- Os pimenteiros (quadros amovíveis) devem ser colocados a distãncias
superiores a dois metros dos bordos de taludes ou valas;
- Os pimenteiras não devem ser colocados muito próximos dos bordos das
lajes (a distância mínima aconselhável é de 1 metro);
- Devem ser colocados fora de serviço todos os troços de cabo que apresen-
tem defeitos (cortes ou rasgadelas) na bainha externa (vulgo isolamento);
- Deve ser rigorosamente proibido efectuar emendas nos condutores flexíveis,
mesmo que se proceda ao isolamento da união através de fita isoladora;
- Deve ser rigorosamente proibido efectuar qualquer trabalho sobre circuitos
em tensão. Antes de iniciar qualquer reparação, a máquina, equipamento ou
circuito deve ser desligado, isolado da instalação e sinalizado o aparelho de
corte, (no quadro) com uma placa «Desligado por motivo de trabalhos NÃO
LIGAR»;
- Deve ser rigorosamente proibido fazer fogo na proximidade de cabos eléctri-
cos;
- Todos os aparelhos de mão para iluminação (gambiarras) devem ser
alimentados a tensão reduzida, ter pega isolada e a lâmpada protegida contra
choques mecânicos;
- Quando o trabalhador tiver de se ausentar do seu local de trabalho, deve
desligar das tomadas, as máquinas ou ferramentas eléctricas. Uma máquina
nunca deve ser desligada da corrente enquanto estiver em carga;
- Deve ser proibido puxar os cabos de alimentação da corrente eléctrica para
desligar equipamentos ou ferramentas;
- As fichas e tomadas devem ser compatíveis. Deve ser rigorosamente proibido
efectuar ligações (entre fichas e tomadas incompatíveis) com recurso a
pequenas cunhas de madeira (ou qualquer outro processo de desenrasque);
- Deve ser evitado o uso de fichas triplas. Cada saída do pimenteiro ou quadro
só deve alimentar um único equipamento ou ferramenta;
- Deve ser competência exclusiva de electricistas devidamente habilitados a
montagem, modificação, e manutenção do bom estado de funcionamento da
instalação eléctrica;
_EQUIPM~ENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 67

- Deve ser verificado. semanalmente, o funcionamento dos disjuntores diferen-


ciais e o bom estado dos cabos eléctricos;
- Qualquer avaria que seja delectada deve ser imediatamente reparada. se tal
não for possível, o equipamento ou o circuito devem ser retirados de serviço;
- As reparações de carácter provisório só devem ser permitidas se assegura-
rem a segurança da instalação. dos trabalhadores e de terceiros;
- Todo e qualquer disparo dos disjuntares diferenciais deve ser comunicado ao
electricista, para averiguar a sua causa.

II
ANDAIMES

4.1. INTRODUÇÃO
Embora não sendo equipamento de protecção colectiva, os andaimes e similares
são estruturas essenciais para a realização segura de muitos trabalhos na construM
ção e. devido a má qualidade. má montagem ou má utilização. são frequentemente
a causa imediata de uma elevada percentagem dos acidentes que ocorrem no sec-
tor. devido a queda de pessoas em altura. queda de materiais, colapso da estrutura
e electrização da estrutura.
Os andaimes são construções provisórias auxiliares, e o seu conjunto é consli-
tuído por plataformas horizontais elevadas. suportadas por eslruturas de secção
reduzida. que se destinam a apoiar a execução de trabalhos de construção. manu-
tenção. reparação ou demolição de estruturas. tanto em altura como em profundi-
dade.
Estas construções provisórias são utilizadas desde há muito. tendo lido. ultima-
mente, uma grande evolução técnica. passando-se dos tradicionais andaimes de
madeira. actualmente em desuso. para os andaimes metálicos, mais leves (o que
facilita o seu transporte. bem como a montagem e a desmontagem). mais estáveis.
mais resistentes, mais facilmente adaptáveis à configuração dos locais onde são
montados e. se bem utilizados. muito mais seguros. São constituldos por tubos
metálicos de diferentes secções transversais e acessórios de junção adequados. ou
ainda por elementos pré-fabricados que formam estruturas do tipo pórtico. com pos-
sibilidade de regulação múltipla.
68 I'M\NUAL OE SEGURANÇA

Os riscos devidos à sua utilização (incluindo a montagem e a desmontagem), a


sua complexidade, o seu custo e, por consequência, a rentabilidade que deles se
espera, constituem factores que determinam a necessidade de se adoptarem méto-
dos adequados de planificação da sua montagem e utilização à qual se terá de
associar a formação específica do pessoal encarregado da sua preparação, manu-
tenção e desmonlagem.

4.2. PRINCIPAIS CAUSAS DE ACIDENTES COM ANDAIMES


As principais causas de acidentes de trabalho em andaimes são:
- Colapso da eslrutura (derrubamento ou desmoronamento):
• Ausência do número mínimo de travessas e de diagonais de contraventa-
mento;
• Ausência, insuficiência ou ineficácia das amarrações à construção quer o
andaime seja coberto por um toldo ou não;
• Abatimento das bases de apoio;
• Sobrecargas excessivas;
• Materiais em mau estado;
• Choque provocado por veículos.

- Queda de pessoas em altura, pode ter duas sub-causas:


• Rotura da plataforma provocada pelos seguintes motivos:
- Sobrecarga exagerada;
- Insuficiência da sua resistência ou dos seus suportes;
- Ausência de travessas de apoio intermédia;
- Materiais em mau estado.

• Perda de equilíbrio de trabalhadores provocada pelos seguintes motivos:


- Não utilização de um equipamenlo individual de protecção contra as
quedas, durante a montagem e desmontagem;
- Ausência ou utilização dos meios de acesso;
- Ausência ou ineficácia dos guarda-corpos;
- Plataforma de largura insuficiente ou espaço livre excessivo entre a
plataforma e a construção.

- Queda de materiais provocada pelos seguintes motivos:


• Queda de um elemento estrutural do andaime durante a montagem ou des~
montagem;
EQUIPAMENTOS De: PROTECCAO COLECTIVA 69

• Como consequência do derrubamento ou desmoronamento de um andaime;


• Rotura de uma plataforma;
• Ausência de rodapés.

- Electrização da estrutura (contacto com linhas aéreas) devido a:


• Desrespeito pelas distãncias de segurança;
• Ausência de protecções.

4.3. DISPOSiÇÕES REGULAMENTARES ENORMATIVAS


- O Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) aborda de uma maneira
superficial e desactualizada, a segurança dos trabaihadores e de terceiros
aquando da utilização de andaimes;
- O Regulamento de Segurança no Trabalho da Construção Civil (Decreto n.' 41821)
regulamenta, tecnicamente, a segurança dos trabalhadores e do público aquando
da montagem, utilização, modificação e desmontagem em andaimes, mas de
forma desajustada em relação as actuais preocupações de segurança e saúde e
ao tipo de andaimes usados, pelo que necessita de ser revisto e actualizado;
- O Decreto-Lei n' 50/2005, de 25 de Fevereiro, transpõe para a ordem jurídica
interna a Directiva n.' 89/655/CEE, do Conselho, de 30 de Novembro, alterada
pela Directiva n' 95/63/CE, do Conselho, de 5 de Dezembro, alterada, segunda
vez, pela Directiva 2001/45/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de
Junho, regulamenta os requisitos mínimos de segurança dos equipamentos de
trabalho, entre os quais, os andaimes, dando ênfase a formação dos trabalhado-
res que montam, desmontam e reconvertem os andaimes, bem como dos traba·
Ihadores que os utilizam, como um dos aspectos essenciais na segurança em
andaimes.

Não existe actualmente nenhum diploma ou nonma legal que regulamente, esta-
belecendo critérios actuais, as condições técnicas a que deve obedecer um andaime
de forma a assegurar a segurança e a saúde dos utilizadores (incluindo os trabalha-
dores que montam, desmontam e reconvertem andaimes), bem como de terceiros
expostos aos riscos destes equipamentos.
A nível internacional existem as Normas HD-1000; HD-1039 e HD-1004, aplicá-
veis a certos tipos de andaimes mas não são normas de aplicação obrigatória.
70 MANUAL DE SEGURANCA
------------------

4.4. CLASSIFICAÇÃO DOS ANDAIMES


oDecreto n.' 41821, de 11 de Agosto de 1958, divide os andaimes, quanto à
função, em dois tipos:
- ANDAIMES DE CONSTRUÇÃO - os que se destinam a possibiiitar a construção de
uma obra;
- ANDAIMES DE CONSERVAÇÃO - os que se destinam apenas a possibiiitar obras
de conservação.

E, quanto à sua constituição, em três tipos:


- ANDAIMES DE MADEIRA- constituídos no seu todo com materiais em madeira;
- ANDAIMES METÃLlCOS - constituídos no seu todo por materiais metáiicos;
- ANDAIMES MiSTOS - constituídos por partes metáiicas e partes de madeira_

A Norma CEN HD 1DOO, apiicável a andaimes de serviço e de trabaiho, pré-fabri-


cados e com altura até 30 metros, divide, quanto à sua utilização, os andaimes em 6
classes:
CLASSE 1 - Andaimes destinados a operações de controlo e trabalhos ligeiros
utilizando ferramentas e equipamentos leves e sem armazenamento de mate-
riais_ (Exempio: Acções de inspecção e ajuste)
CLASSE 2 e 3 - Andaimes destinados a trabalhos que não envolvam outros
materiais para além dos estritamente necessários, de imediato, à realização
da tarefa a executar. (Exemplo: Pinturas e iimpezas)
CLASSE 4 e 5 - Andaimes destinados a operações como as de fixação de com-
ponentes. (Exemplo: Trabaihos de aivenaria e reboco)
CLASSE 6 - Andaimes destinados à execução de grandes obras ou grandes tra-
balhos de construção, com armazenagem importante de materiais. (Exempio:
Trabalhos de aivenaria pesada)

Alguns autores referem outras formas de divisão:


- ANDAIMES DE SERVIÇO - destinam-se a satisfazer necessidades de circulação e
de trabaiho;
- ANDAIMES DE SEGURANÇA - destinam-se a minimizar os efeitos de possíveis
quedas de trabalhadores, ferramentas ou materiais;
- ANDAIMES DE CARGA ou SUSTENTAÇÃO - destinam-se a suportar o peso de eie-
mentos da obra (suportam o peso e o impulso das peças betonadas e a sua
concepção difere bastante dos outros tipos de andaimes).
EQUIPAMENTOS DE PROTECCAO COLECTIVA 71

4.5. ELEMENTOS CONSTITUINTES DE UM ANDAIME


Os andaimes são constituídos por vários elementos (ver figura 1.21), nomeada-
mente:
1. BASE NIVELADORA (ou DORMENTE) - descarrega a carga do andaime sobre o
solo e, se for regulável, permite o ajuste da altura do elemento vertical de
forma a assegurar o nivelamento do andaime;
2. PRUMO - elemento vertical que suporta os esforços transmitidos pelas outras
peças do andaime e as descarrega nas bases;
3. BARRA LATERAL ou TRAVE8SANHO - elemento horizontal que trava o prumo na
direcção perpendicular ao plano do andaime, ligando-o a outro prumo ou
amarrando-o a um elemento da construção. Também servem de apoio aos
estrados ou tábuas de pé;
4. DIAGONAL DE CONTRAVENTAMENTO - efectuam o principal travamento dos pru-
mos dispondo-se em cruz ou na diagonal, na face exterior do andaime;
5. BARRA HORIZONTAL - elemento horizontal que trava o prumo na direcção do
plano do andaime (longitudinal), geralmente ligando-o a outro prumo;
6. RODAPE FRONTAL - elemento horizontal colocado no plano do andaime e dis-
posto ao longo da plataforma de trabalho e que impede a queda de objectos
colocados sobre as piataformas;
7. RODAPE LATERAL - elemento horizontal coiocado no plano perpendicular ao
andaime, junto à piataforma de trabalho e que impede a queda de objectos
coiocados sobre as plataformas (em muitas obras a sua colocação é olvi-
dada);
8. PLATAFORMA DE TRAeALHO - servem de plano de circulação aos trabalhadores
e de apoio para a realização de trabalhos. Podem ser em madeira (sendo
designadas por tábuas de pé) ou metálicas (sendo designadas por estrados).
O seu estado de conservação e limpeza deve ser sistemática e regularmente
vigiado;
9. GUARDA-CORPOS - elementos horizontais dispostos paralelamente às platafor-
mas de trabalho e situados a 0,50 m e 1m de altura, cuja principal função é
proteger os trabalhadores da queda do andaime. Asseguram igualmente o
travamento iongitudinal do andaime;
10. ACESSÓRIOS - são vários (abraçadeiras, uniões, bases fixas e reguiáveis ...) e
com diversos fins (ver figura 1.22). Embora sejam considerados acessórios
são extremamente importantes para a segurança do andaime, pelo que o seu
estado de conservação deve ser verificado reguiarmente, peça à peça, espe-
cialmente nas fases de montagem e desmontagem.
MANUAL DE SEGURMICA

FIGURA 1.21. ELEMENTOS CONSTITUINTES DO ANDAIME

1. Nivelador de base
2. Prumo
3. Barra lateral ou travessanho
4. Diagonal de contravenlamento
5. Barra horizontal
6. Rodapé frontal
7. Rodapé laleral
8. Plataforma de trabalho
9. Guarda corpos
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA 73

FIGURA 1.22. EXEMPLOS DE ACESSÓRIOS

Chapa de base União de topo Braçadeira giratória Braçadeira lixa

4.&. MEDIDAS DE PREVENÇÃO AADOPTAR


NA CONSTRUÇÃO DOS ANDAIMES
Qualquer trabalho só é seguro quando é devidamente planificado tendo em vista
a prevenção. Assim sendo, a prevenção no uso de andaimes começa com um bom
planeamento nomeadamente:
- Considerar em que trabalhos é necessário utilizar andaimes;
- Definir o tipo de andaime mais adequado ao trabalho a realizar;
- Identificar e avaliar os condicionalismos existentes (linhas eléctricas, valas e
taludes próximos, caminhos de circulação...);
- Executar o projecto do andaime (se necessário);
- Definir plano de montagem/desmontagem;
- Utilizar a técnica de amarração mais adequada à obra, tipo de andaime e
condições de vento previsíveis (ver figura 1.23);
- Seleccionar equipas de trabalho formadas por pessoai competente, ou seja,
com formação e experiência adequadas às actividades que vão desenvolver;
- Certificar-se que as medidas de prevenção e os procedimentos de trabalho
adoptados garantem uma protecção eficaz. Quando isso não acontece há
que tomar, de imediato, medidas correctivas.
.-;.1 - _ -----------_...::::.:=:.===
MANUAL OE SEGURANC

FIGURA 1.23. FORMAS DE AMARRAÇÃO OE ANDAIMES

Braçadeira

Tubo \
EaUIPAr .ENTOS DE PROTECÇÃO COLECTIVA
76 MANUAL DE SEGURANÇA
EQUIP~MENTOS OE PROTECÇÃO COLECTIVA 77
76 .... _-_.__. _ . _ - - - - - - - MANUAL DE SEGURANCA

4.&.1. SEGURANÇA INTRíNSECA DOS ANDAIMES (ver também ficha 27, p. 299)
- Montagem, desmontagem e reconversão efectuadas por pessoal competente;
- Assegurar que o andaime é adequado para o trabalho a realizar (carga máxima,
dimensões...);
- Devem ser estruturados com diagonais todos os andaimes nas seguintes condi~
ções:
• Com altura superior a 6 metros;
• Com função estrutural;
- Todos os componentes materiais devem estar isentos de defeitos que possam
comprometer a sua resistência como por exemplo corrosão, ferrugem, etc.
- Em função da distãncia do andaime à parede de trabalho terá que se adoptar as
seguintes medidas:
• Se a d é < 25 cm não é necessária protecção interior;
• Se é 25 < d < 50 cm coloca-se uma barra de protecção a 1 m de aitura;
• Se d> 50 cm coloca-se dupia protecção interior;
- Os acessos devem ser efectuados peio interior do andaime;
- Devem existir sempre duas vias de acesso, tendo em conta a possível existência
de situações de emergência;
- As larguras mínimas de das piataformas de trabalho são as seguintes:
• 60 cm em zonas de trabaihos de reparação
• 80 cm em zonas de trabalhos de construção
- As pranchas de madeira devem ter a espessura mínima de 0,025m;
- No caso de utilização de pranchas de madeira:
• Não devem ter tábuas afastadas entre si;
• As tábuas devem ser devidamente presas por tubos ou abraçadeiras nas
extremidades;
• O vão livre das tábuas não poderá ser superior a 1,5 metros;

- Plataformas com piso antiderrapante e livres de obstáculos e detritos;


- Todos os andaimes com altura superior a 25 metros carecem de cálculos
apresentados por técnico credenciado e da posterior aprovação da IGT;
- Os andaimes deverão ser montados de maneira a que não sobrem excessos de
pontas dos tubos bem como das tábuas;
- Quando terminar a montagem, o técnico competente deve efectuar uma verifica-
ção final, após a qual aprova a utilização do andaime colocando o respectivo
sinal nos acessos (ver figura 1.24).
eQUIP.... .-tENTOS DE PROTECÇÃO COlECTIVA 79

FIGURA 1.24. PLACA TIPO PARA "ANDAIME APROVADO.

--
SCAffOLDING

APROVADO
APPROVED
U.I.dal.. p , ..
11.11 "lln~pc-{lI""

\~" tU"
~ltul.n,· '. IK _

(Fundo verde)

4.6.2. INSTRUÇÕES PARA A MONTAGEM OE ANDAIMES


(ver também ficha 27, p. 299)
- Elaborar um estudo prévio para o envio de materiais;
- O transporte de pequenos tubos, braçadeiras e outros acessórios deve ser efec-
tuado com o auxílio de um cesto metálico (não usar bidões vazios para esta acti-
vidade porque o fundo não aguenta);
~ Delimitar e isolar a zona de montagem, desmontagem ou reconversão do andaime;
- É proibido manusear abraçadeiras. uniões, etc., arremessando-as
- Verificar se as zonas de apoio do andaime são resistentes à pressão que sobre
elas se vai exercer;
- Proceder ao nivelamento da estrutura logo que se colocam as primeiras platafor-
mas e só depois continuar a montagem em altura;
- Proceder à montagem segundo o plano de montagem ou as instruções do fabricante;
- Verificar à correcta montagem das diagonais;
- Verificar a distância entre niveis de plataformas 2,0 m;
- A coiocação de lonas ou redes de protecção em aiguns casos requer estudos de
estabilidade;
- Qualquer dúvida em relação às zonas de apoio do andaime é motivo suficiente
para suspender os trabalhos até que chegue um técnico competente para resol·
ver o probiema;
- A subida de material na zona de montagem deve ser realizada com equipamento
específico e o seu manuseamento em altura é realizado com o máximo cuidado;
_~.~. .. ..:',""A''N''U:::A''L=--'D:::E=-S:::E:::G:::U:::R~A"N"Ç"'_A

- Qualquer modificação na estrutura do andaime só pode ser efectuada por pessoal


competente;
- Verificar sempre o cumprimento de todas as normas de segurança assim como
todos os equipamentos de protecção individual.

4.6.3. INSTRUÇÕES PARA AUTILIZAÇÃO OE ANDAIMES


(ver também ficha 27, p. 299)
Periodicamente (diariamente) o andaime deve ser inspeccionado, por pessoa
competente, para verificar se não existem:
- Tábuas (ou placas de piso) soltas;
- Falta de acessos;
- Falta de guarda corpos;
- Tábuas partidas ou em más condições;
- Excesso de peso;
- Limpeza e deficiente arrumação;
- Falta de guarda cabeças (rodapés);
- Falta de travamento;
- Se detectar qualquer anomalia, o andaime deve ser interditado colocando em
todos os acessos a sinalização que proíbe a sua utilização (ver figura 1.25).

FIGURA 1.25 PLACA TIPO ..ANDAIME REPROVADO..

(Fundo vermelho)
11..0

EQUIPAMENTOS
DE PROTECÇÃO
INDIVIDUAL
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO U.lDIVIDUAL 83

a
INTRODUÇÃO

Os equipamentos de protecção individuai têm a finaiidade de proteger o trabaiha-


dor face a ccagressões externas) dos tipos ffsico, químico ou biológico que derivam
do desenroiar de uma detenminada actividade laboral.
Apesar dos princípios fundamentais da prevenção privilegiarem os meios técni-
cos de prevenção à protecção colectiva ou à adopção de medidas de organização
do trabalho relativamente à utilização de Equipamentos de Protecção Individual
(EPI), é inegável que, na construção, muitas vezes a utilização de medidas técnicas
que diminuam o risco num detenminado posto de trabaiho ou que protejam um grupo
de trabalhadores é inviávei, especialmente devido à mobilidade dos factores de pro-
dução (construção), sendo necessário, nestes casos, recorrer aos EPi(s). Consti-
tuindo-se estes como um recurso importante para evitar lesões nos trabalhadores.
Os EPI(s) - Equipamentos de Protecção Individual. Constituem, portanto, a
última barreira entre o homem e o risco, sendo usados para proteger de situações
que atentem contra a segurança ou a saúde dos trabalhadores. isto não significa
que os EPI(s) constituam a soiução primeira ou ideal para a protecção do trabalha-
dor, bem pelo contrário, devem constituir sempre um complemento das medidas de
prevenção ou protecção colectivas e, nunca, um seu substituto, porque, sendo o
objectivo destas eliminar ou reduzir o risco para níveis aceitáveis, ou proteger um
conjunto de trabalhadores, são sempre mais eficazes que a protecção individual, o
que não elimina nem reduz os riscos, somente atenua os seus efeitos, isto é, as
consequências para a segurança ou a saúde dos trabalhadores, que derivam de
uma determinada situação de risco.
O uso de EPI(s) tem aiguns inconvenientes (comparativamente com as medidas
de prevenção ou de protecção colectiva), nomeadamente: protege somente uma
parte do corpo, a sua utilização é incómoda e o seu uso depende da vontade do tra-
balhador que, na maior parte dos casos, por razões culturais elou falta de lormação,
não aceita de bom grado o uso de EPI(s).

O Decreto-Lei n." 128/93, de 22 de Abril, define Equipamento de Protecção


individual como:
a) Qualquer dispositivo ou meio que se destine a ser envergado ou manejado
por uma pessoa para defesa contra um ou mais riscos susceptfveis de
ameaçar a sua saúde ou a sua segurança;
b) O conjunto constitu{do por vários dispositivos ou meios associados de
modo solidário pelo fabricante com vista a proteger uma pessoa contra um
ou vários riscos susceptiveis de surgir simultaneamente;
84 MANUAL DE SEGURANÇA

c) O dispositivo ou meio protector solidárío, dissociável ou não, do equipa-


mento indMdual não protector, envergado ou manejado com vista ao
exercício de uma aclMdade;
d) Os componentes intermutáveis de um EPI indispensáveis ao seu bom
funcionamento e utilizados exclusivamente nesse EPI.

Dado que a função de um EPI é evitar lesões corporais, deverá ter caracteristi-
cas e requisitos que assegurem essa função. Além disso, têm de ser funcionais,
cómodos, adequados ao utilizador e permitir a realização das tarefas que comportam
os riscos que pretendem proteger sem originarem novos riscos.
No entanto, os EPJ(s) mesmo que sejam bem seleccionados e utilizados
racionalmente, têm limitações que reduzem a sua eficácia pois somente protegem
uma parte do corpo e, geralmente, contra um tipo de risco especiJico.
Antes de proceder à escolha e selecção dos EPI(s) como solução para proteger
contra determinado risco, deve-se, em primeiro lugar, estudar a possibilidade de eli-
minar a situação de risco com recurso ao emprego de técnicas de protecção colecti-
vas. A necessidade do uso de EPI(s) é determinada por um conjunto de condiciona-
lismos de cariz técnico e económico.
Como condicionalismos do tipo técnico, salientam-se:
a) A impossibilidade de instalar protecções colectivas;
b) A existência de um risco residual após a instalação de protecções colectivas.

Como condicionalismos do tipo económico, salientam-se:


a) O elevado custo da instalação de protecções colectivas; 1
b) Situações de riscos ocasionais elou esporádicas;
c) Interferência das protecções colectivas com o ritmo de produção.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DOS EPI(S)

Para assegurar a qualidade dos EPI(s), ou seja que garantem efectivamente a


protecção do trabalhador contra os riscos que pretendem proteger, a União Europeia
estabeleceu um conjunto de exigências essenciais quanto à concepção e fabrico dos
equipamentos, consoante os riscos e a sua magnitude e definiu um sistema de con-

(1) Os EP1{s) só podem subsliluir os EPC(s) se, com os uso de EPI(s) se alcançar um nfvel de protecção
adequado.
EQUIPAMENTOS DE PROTECCAO lND1VIOUAL . H5

traio de qualidade. segundo o qual praticamente todos os EPI(s) para uso profissio-
nal são obrigatoriamente sujeitos a um «exame ce
de tipo» e, em alguns casos, a
uma supervisão durante a produção ou depois de fabricados. (Directiva 89/686/CEE
e Directiva 93168/CEE)
As especificações técnicas destinadas a garantir a conformidade dos EPI(s) com
as exigências essenciais de segurança e saúde estão regulamentados pela Portaria
n.· 1131/93. de 4 de Novembro e são definidas por Normas Europeias Harmoniza-
das (EN). A reiação das normas EN já adoptadas por Portu9al. figura no Despacho
26/96 do IPQ.
A directiva Comunitária distingue três categorias de EPI(s):
CATEGORIA 1 - Cobre o equipamento de protecção individual de concepção sim-
ples. em relação aos quais se presume que o utilizador pode por si próprio
julgar da eficácia contra riscos mínimos, cujos efeitos possam ser gradual-
mente percebidos pelo utilizador sem perigo (ex.: óculos de sol. luvas de jar-
dinagem. dedais para costura. etc.);
CATEGORIA 2 - Cobre o equipamento de protecção individual que não pode ser
classificado nas categorias 1 ou 3. É a categoria que engloba o maior número
de equipamentos. (ex.: caiçado de protecção);
CATEGORIA 3 - Cobre os EPI(s) supostos de proteger o utilizador contra perigos
mortais ou que possam prejudicar gravemente e de forma irreversível a
saúde do utilizador. (ex.: sistemas de protecção contra quedas em altura.
aparelhos de protecção respiratória filtrantes. contra aerossóis ou gases irri-
tantes. tóxicos....).

Nota: alguma documentação faz referência a uma «categoria O" para classificar
alguns equipamentos que não estão abrangidos pela Directiva Comunitária. (ex.:
vesluário de trabalho que não forneça qualquer protecção especial. ferramentas
manuais)

Consoante a categoria do EPI. a garantia da sua conformidade com as exigên-


cias das disposições aplicáveis é assegurada por:
EPI(s) DE CATEGORIA 1 - «Declaração CE do fabricante». na qual este declara
que o EPI em causa está em confonnidade com as exigências da Directiva
89/6861CEE e. se for caso disso. com a norma Europeia Harmonizada que se
lhe aplica. ou com a norma Nacional que a transpõe;

EPI(s) DE CATEGORIA 2 - «Declaração CE do fabricante» e «Exame CE de tipo".


pelo qual um organismo notificado. escolhido pelo fabricante. verifica e certi-
fica que o modelo de EPI satisfaz as exigências da Directiva 89/686/CEE e.
se for caso disso, com a norma Europeia Harmonizada que se lhe aplica, ou
com a norma Nacional que a transpõe;
86 MANUAL DE SEGURAt-.!ÇA

EPI(s) DE CATEGORIA 3 - Para além da «Declaração CE do fabricante" e do


«Exame CE de tipo". os equipamentos depois de fabricados são sujeitos a
um dos procedimentos (à escolha do fabricante):
a) Um sistema de garantia da qualidade "CE" do produto final;
b) Um sistema de garantia da qualidade «CE.. da produção com
acompanhamento.

Este processo pode ser resumido em fluxograma:

FLUXOGRAMA 2.1. PROCESSO DE APOSiÇÃO DA MARCA CE EM EP/(S)

Certificação CE

~
CATEGORIA 1 CATEGORIA 2 CATEGORIA 3

Riscos minimos Riscos médios Riscos graves

~ ~ ~
Conformidade com as exigências essenciais de segurança e saúde

1 1
O fabricante pede um exame CE
a um organismo notificado; com base:
• Um dossier técnico
• Algumas amostras do EPI

1 ~
O fabricante Se o EPI está em conformidade, o organismo notificado
compila o dossier passa um certificado CE de tipo
técnico e efectua a
aulocertilicação do EPI

Sistema Sistema
de garantia de garantia
de qualidade de qualidade
da produção de produto

.j,
Apar marca CE no EPl

Folheto ou manual de instruções em português

- de conformidade CE
Declaraçao

(1) Organismo notificado - Organismo com qualificação para o efeito. reconhecido no âmbito do Sistema
Português da Qualidade (Decreto-Lei n.!! 234193. de 2 de Julho).
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 87

Para assegurar ao comprador a conformidade com as exigências de concepção


e fabrico aplicáveis e o respeito pelos procedimentos de certificação e controlo
definidos nas normas EN, todos os EPI(s) colocados no mercado ou postos em ser-
viço depois de 1 de Janeiro de 1997, devem conter uma «Marcação CE» de confor-
midade.
A «Marcação CE» de conformidade foi estabelecida pela Directiva do conselho
93/6B/CEE e modificada pela Directiva 96/5B/CEE e é constituída por:
EPI(s) DE CATEGORIA 1 - Grafismo «CE»;
EPI(s) DE CATEGORIA 2 - Grafismo «CE»;
EPI(s) DE CATEGORIA 3 - Grafismo «CE», seguido dos quatro algarismos do
número distintivo atribuído ao organismo notificado envolvido no exame do
~(sistema de garantia da qualidade CE do produto final» ou do ((sistema de
garantia de qualidade da produção com acompanhamento».

Categoria do EPI 1 2 3

«Marcação CE" de conformidade CE CE CEXXXXX

A marcação "CE» (ver figura 2.1) deverá ser aposta em cada EPI, de forma visí-
vel, legível e indelével, durante o período de duração previsível ou de vida útil do
EPI, se tal não for possível devido às características do EPI, a marca «CE), deverá
ser aposta na embalagem. Cada símbolo da marcação não deverá ter uma dimen-
são vertícal inferior a 5 mm, admitindo-se excepções nos EPI(s) de pequenas
dimensões.
Se o utilizador for vítíma de um EPI defeituoso, o produtor, importador elou o
fornecedor são responsáveis pelo dano causado e a(s) vítima(s) terá direito à repa-
ração dos danos pessoais e materiais causados pelo EPI. Para obter a reparação
dos danos, o utilizador terá que provar o dano sofrido, o defeito do EPI e a relação
entre o defeito e o dano sofrido.

FIGURA2.1
UB t.1ANUAL DE SEGURAfJCA

II
OBRIGAÇÕES

o Decreto-Lei n.' 348/93, de 1 de Outubro, estabelece obrigações para os tra-


balhadores.

3.1. OBRIGAÇÕES DO EMPREGADOR


Constituem obrigações do empregador:
- Fornecer equipamento de protecção individual e garantir o seu bom funciona-
mento;
- Fornecer e manter disponível nos locais de trabalho infomnação adequada
sobre cada EPI;
- Informar os trabalhadores dos riscos contra os quais o EPI os visa proteger;
- Assegurar a fomnação sobre a utilização dos EPI(s), recorrendo, se necessá-
rio, a exercícios de segurança.

3.2. OBRIGAÇÕES DOS TRABALHADORES


Constituem obrigações dos trabalhadores:
- Utilizar correctamente o EPI de acordo com as instruções que lhe foram
fornecidas;
- Conservar e manter em bom estado os EPI(s) que lhe foram distribuídos;
- Participar de imediato todas as avarias ou deficiências do equipamento de
que tenha conhecimento.
:;;:aUIPA"'ENTOS OE PROTECClI.O INDIVIDUAL 89
-'=''--------

MANUAL DE INSTRUÇÕES DO EPI

o manual de informações, redigido em português, eiaborado e fornecido obriga-


toriamente pelo fabricante ou seu representante legal (o importador, por exemplo),
deve acompanhar os EPI(s) colocados no mercado e conter, além do nome e ende-
reço do fabricante e ou do seu mandatário estabelecidos na Comunidade, toda a
informação útil reiativa:
a) Às instruções de armazenamento, montagem (se for o caso), utilização, iim-
peza, manutenção, revisão e desinfecção. Os produtos de iimpeza, de
manutenção, de desinfecção ou de esterilização preconizados pelo fabricante
não devem ler, no que se refere ao seu modo de emprego, qualquer efeito
nocivo sobre os EPI(s) nem sobre o utilizador;
b) Aos resultados obtidos em ensaios de confonnidade efectuados para
determinar os níveis ou classes de protecção dos EPI(s);
c) Aos acessórios uliiizáveis com os EPI(s), bem como às caracterislicas de
peças sobresselentes apropriadas;
d) Às classes de protecção adequadas a diferentes níveis de risco e aos limites
de utilização correspondentes;
e) À data ou prazo de vaiidade dos EPI(s) ou de alguns dos seus componentes;
f) Ao tipo de embalagem apropriado ao transporte dos EPI(s);
g) Ao significado da marcação, quando exista;
h) Nome, direcção e número de identificação dos organismos notificados que
intervieram fase de projecto e fabrico.

Este foiheto deverá estar redigido de forma precisa e compreensível na(s) iin-
gua(s) oficial(is) do Estado Membro em que é utilizado. Algumas normas NP EN ou
EN estabelecem requisitos de marcação e/ou instruções de uso que deverão tam-
bém constar do manual de instruções.
90 MANUAL DE SEGURANÇA

MODELO DE DECLARAÇÃO
DE CONFORMIDADE CE

A declaração de conformidade CE deve obedecer ao seguinte modelo:

_ _ _ _ _ _ _-::- 1 declara que o EPI


;;-_-,--,--:----:,.--,;:::2 está conforme com as disposições do
Decreto-Lei n.2 128/93. de 22 de Abril, que transpõe a
Directiva n.2 89/686/CEE. com a norma Napionat _
que transpõe a norma harmonizada Europeia
(para os EPI(s) das categorias II e III deve ser completado
com O texto seguinte) é idêntico ao EPI que foi objecto do
certificado CE de tipo n,2 , emitido por

-;--:--:-_ _-,--:-:--:-_,3 foi submetido ao procedimento


referido nos n5! 3/44 do anexo II da Portaria n.!>! 1131/93, de 4
de Novembro. sob o controlo de 3

Feito em de _

AssinaturaS

(1) Nome e endereço completo, sendo mandatário, deve indicar igualmente o nome e
endereço do fabricante.
(2) Descrição do EPI: marca, modelo, número de série, etc.
(3) Nome e endereço do organismo notificado Que efectuou o exame.
(4) Riscar o Que não interessa.
(5) Nome e Junção do signatário com poderes para vincular o fabricante ou o seu manda-
tário.
EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO INDIVIDUAL 91

SELECÇÃO DOS EPI(S)

Os EPI(s) devem ser seleccionados tendo em conta factores de ordem jurídica,


técnica, económica e humanos.

Factores de ordem juridica:


a) A obrigatoriedade de fornecer EPI(s) adecuados e garantir o seu bom funcio-
namento;
b) Assegurar a formação sobre a sua utilização;
c) As disposições normativas legais, Nacionais e Comunitárias.

Factores de ordem técnica:


a) Riscos existentes no posto de trabalho;
b) Grau de protecção necessário para uma determinada situação de risco;
c) Grau de protecção proporcionado pelo EPI para aquela situação de risco
(eficácia);
d) Interferência do EPI com as tarefas do utilizador (adequação à tarefa);
e) Os limites de utiiização relacionadas com o ambiente do posto de trabalho
(ex.: temperatura ambiente);
f) Compatibilidade com outros tipos de EPI(s) (ex.: capacete e protectores
auriculares);
g) Frequência da exposição ao risco;
h) Fiabilidade, robustez e duração;
i) Factores que possam diminuir o nível de protecção oferecida pelo EPi;
j) Marcação CE;
k) Informação disponívei;
I) Critêrios de exclusão.

A Portaria n.· 988/93, de 6 de Outubro, tem no anexo i, um quadro (ver quadro


2.1) que permite estabelecer a correlação entre o risco a as partes do corpo poten-
cialmente afectadas. Este quadro permite sistematizar a informação necessária para
se proceder à selecção dos EPI(s).
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QUADRO 2,1, ESQUEMA INDICATIVO PARA O INVENTÁRIO DOS RISCOS COM VISTA Á UTILIZAÇÃO DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL ! ,~
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Riscos
Físicos Qulmicos Biológicos
Mecânicos Térmicos Radiações Aerossóis Uquidas

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Ouvidos I
Cabeça
Olhos I
Vias respiratórias
Rosto I
Cabeça inteira I
Membros
superiores
Mão I
Braço (partes) I
Membros Pé
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inferiores Perna (partes) I I Z
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Diversos
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Corpo inteiro "'"c:
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Factores de ordem económica:


a) Custo de aquisição e manutenção;
b) Prazos de entrega;
c) Assistência dos fabricantes/fornecedores.

Factores humanos:
a) Comodidade e facilidade de porte (tendo em conta os aspectos fisiológicos
da tarefa);
b) Possibilidade de adaptação às morfologias os utilizadores;
c) Comunicação (pel1Tlitir a comunicação e a audição/visão da sinalização);
d) Opinião dos utilizadores.

A título de exemplo, quais os «passos) a seguir para seleccionar umas luvas de


protecção tendo em conta, exclusivamente, os factores de ordem técnica?
1" PASSO - Qual o tipo de risco que se pretende proteger: químico, mecânico, bioló-
gico... (ou conjunto de riscos);
2· PASSO - Identificar o tipo de luva adequado: protecção química, protecção mecâ-
nica, protecção contra cortes, protecçâo contra radiações... (ou vários);
3Q PASSO - Determinar a importância de outros factores a ter em conta: resistência à
água, resistência a óleos e hidrocarbonetos, resistência mecânica e gama de
cores (no caso do vestuário ou dos capacetes, por exemplo). No caso de riscos
químicos ou radiações é necessário identificar o produto químico ou a gama da
radiação e, se o contacto é prolongado ou esporádico.
4· PASSO - Solicitar a fornecedores idóneos catálogos de equipamentos certificados;
5· PASSO - Utilizar as fichas técnicas para escolher a luva que combine os requisitos
definidos nos passos anteriores. Entre equipamentos que apresentem caracte-
rísticas de protecção equivalentes. deve-se seleccionar o que proporcionar
maior comodidade e sensibilidade e que permita melhor agarre;
611 PASSO -Pedir aos fornecedores dos equipamentos pré-seleccionados o envio de
amostras;
7" PASSO - Entregar as amostras a trabalhadores pré-seleccionados e solicitar a sua
opinião, após alguns dias de utilização;
8. PASSO- Seleccionar o equipamento que tenha sido de maior agrado.
94 r.1ANUAL DE SEGURANÇA

AQUISiÇÃO, RECEPÇÃO E ARMAZENAGEM

o serviço de Prevenção, baseado na análise de riscos, deve definir os critérios a


que os EPI(s) devem obedecer. Deverá ser elaborado um catálogo com a lista de
EPI(s) que são utilizados na empresa e respectivas características técnicas, normati-
vas e legais.
O serviço de compras deve proceder, anualmente, a consulta ao mercado,
pedindo o envio, junto com a proposta, de catálogos técnicos e amostras dos
equipamentos propostos.
Os catálogos e as amostras deverão ser entregues ao serviço de prevenção. O
serviço de prevenção deverá entregar as amostras para teste a alguns trabalhado-
res, preferencialmente a encarregados ou chefes de equipa, pelo efeito psicológico
de aceitação dos equipamentos pelos restantes utilizadores. Finda a fase de teste, o
serviço de prevenção deverá comunicar ao serviço de compras quais os equipamen-
tos que foram seleccionados, com vista à sua aquisição.
Com a recepção, devem der pedidas as -.Declarações de conformidade CE.., os
manuais de instruções a, por amostragem deverão ser verificadas as «marcações CE».
O armazenamento deverá ser feito por tipo de equípamento e com base numa
catalogação rigorosa. Os EPI(s) deverão ser colocados em prateleiras e ao abrigo do
pó ou de outros factores de sujidade, de forma a que quando forem entregues aos
utilizadores estejam em perfeitas condições de utilização.
O armazém deverá ter fichas de registo de distribuição dos EPI(s) consoante a
função, para todas as funções existentes na empresa (essas fichas deverão ser ela-
boradas peios serviços de prevenção). O trabalhador ao receber os EPI(s) assina a
ficha que deverá ser remetida ao serviço de prevenção para conhecimento, se for
caso, alteração da base de dados. Os serviços de prevenção devem dispor de uma
base de dados contendo os tamanhos dos EPi requisitados, de forma a auxiliar a
compra das quantidades correctas.
EQUIPAMENTOS OE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 95

PROGRAMA PARA
A UTILIZAÇÃO DOS EPI(S)

Não é fácil ..convencer.. os trabalhadores a usar os EPI(s), daí que seja impor-
tante elaborar um programa para tal propósito. O programa não é «mais uma buro-
cracia», mas, um documento que define as responsabilidades, a formação e a elabo-
ração e manutenção dos registos indispensáveis.

8.1. RESPONSABILIDADES
A utilização de EPI{s) é responsabilidade de todos.

8.1.1. DIRECTORES DE OBRA EENCARREGADOS


- O seu exemplo e empenho é fundamental. Devem ter as seguintes atribui·
ções:
- Assegurar a disponibilidade em estaleiro dos EPI(s) adequados;
- Assegurar a distribuição dos EPI(s) adequados às funções;
- Assegurar que todos os trabalhadores têm formação sobre o uso, conserva-
ção e limpeza dos EPI(s);
- Manter os registos da formação e atribuição dos EPI(s);
- Garantir o uso, conservação e limpeza dos EPI(s) por parte dos trabalhado-
res;
- Assegurar que os EPI(s) danificados são de imediato substiluídos;

8.1.2. TRABALHADORES
- Utilizar, limpar e conservar os EPI(s), de acordo com as instruções e a forma-
ção que lhe foi ministrada;
- Assistir às acções de formação;
- Informar o encarregado da necessidade de substituir um EPI que não se
encontre em bom estado;
'0 .::M::A::.:N::U:.:A::Lc.:D::E:.:S:::E::G::U::"::AN=C:.:.A

8.1.3. TÉCNICO OE SHST


- Proceder à avaliação dos riscos e manter registos actualizados dessas avalia-
ções;
- Seleccionar os EPI(s) apropriados;
- Proceder à fonnação sobre o uso, conservação e iimpeza de EPI(s);
- Efectuar inspecções no estaleiro, de forma a comprovar a correcta utiiização
e conservação dos EPI(s),

8.2. FORMAÇÃO DOS TRABALHADORES


A fonnação e a infonnação dos trabalhadores que vão utiiizar os EPI(s) são de
primordial importância para a aceitação e o bom uso dos equipamentos e constituem
uma obrigação legal do empregador. A fonnação deve abordar os seguintes pontos
que são fundamentais:
a) Porquê e quando é necessária a utilização de um determinado EPI, quais os
riscos que protege e que protecção garante;
b) Quais são as limitações do EPI, que protecção é que ele não assegura;
c) Como utilizar e ajustar o EPI, de forma a que garanta a protecção esperada.
No caso de EPI(s) complexos (ex.: sistemas de protecção anti-queda), deverá
ser efectuada uma acção de demonstração, em situações típicas, devendo
ser explicada a função de cada acessório e em que condições devem ou não
ser utilizados;
d) Que manutenção é necessária e qual a vida útil esperada, finda a qual
deverá ser requisitado um novo EPI.
e) Cuidados de higiene e que produtos devem ser usados na iimpeza do EPI.

8.3. FREQUÊNCIA DE ENTREGA


É importante que exista a fonnalização quanto à frequência da entrega dos
vários EPi(s). Por exemplo, manter um registo de entrega de um protector auricular
de inserção (vulgo tampão auditivo) descartável a um trabalhador que labora em
área hostil (sujidades, calor, etc.) por ano, gera uma evidência negativa, ou seja,
uma prova da total falta de critérios na gestão da segurança, higiene e saúde no
estaleiro. Neste aspecto, o bom senso deve falar mais alto, pois embora não esteja
definida e normaiizada a duração deste tipo de EPI, uiiiizado como exemplo, sendo
descartável, é de construção pouco robusta, e portanto, o uso de um qualquer EPI
descartável por um período muito grande implica a nulidade dos seus efeitos de
protecção devido à sua rápida degradação. Cabe ao técnico de segurança ou ao
EQUIPAMENTOS OE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 97

director de obra definir, com base em criférios fécnicos o tempo de duração de cada
EPI, tendo por critérios, o rigor do trabalho, as condições ambientais onde se desen-
volve e as instruções do fabricante.
Após acordo com o Director de obra, devem ser indicados a duração de cada
equipamento para cada categoria profissional dado que o desgaste dos EPI(s} pode
não ser igual em todas as funções, dado que as solicitações a que estão sujeitos
também são diferentes.

8.4. DISTRIBUIÇÃO DOS EPI(S)


A Indicação ou Detenminação do EPI deve ser escrita e formal. Existem vários
modelos, o mais simples é o indicado no quadro 2.2 e que deve estar afixado no
armazém (ou ferramentaria), de fonma que o fiel de anmazém saiba quais os EPI(s)
que deve entregar consoante a função do trabalhador.
Estes modelos podem ser mais ou menos completos. Devem ter como informa-
ção mínima, um cabeçalho com o nome da empresa promotora e a designação do
estaleiro. Um ponto imporiante destes documentos é a assinatura do técnico de
segurança que "prescreve.. os EPI(s), assegurando a sua adequação e do director
de obra, assegurando a provisão dos equipamentos no estaleiro.
No corpo do documento devem constar as operações com os respectivos EPí(s)
a serem usados e a frequência de entrega de cada equipamento, bem como
observações que se considerem relevantes para garantir o uso correcto e eficaz do
EPI.

8.5. REGISTOS
É necessário, por imposição legal, haver a evidência que o trabalhador recebeu
os EPI(s) necessários e compatíveis aos riscos de seu trabalho. Esta evidencia é,
geralmente, efectuada por uma Ficha de Registo de Entrega de EPI (ver quadro
2.3), que deve ser mantida sem rasuras, com todas as entregas datadas - dia, mês
e ano, sem possibilidade de espaços em branco e com cada entrega assinada pelo
trabalhador.
Alguns tipos de EPI(s) não devem ser entregues com uma descrição simples e
generalista. Cito, como exemplos, o grau de atenuação da protecção auricular - nos
casos mais «(simples) (níveis de ruído entre os 82 e os 85 db) a mera descrição de
«protector auricular" é satisfatória, nos restantes casos é necessário mencionar o
nivel de atenuação do protector.
96 MANUAL DE SEGURANÇA

QUADRO 2.2. RESUMO DE DISTRIBUiÇÃO DOS EQUIPAMENTOS


DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL POR FUNÇÃO

Obra
Têcníco de segurança
Director de obra
daIB_'_'_
,,
dala

CATEGORIA (i @ () (i 8 O @ ~ @ --.. F'"


PROflSSlONAl.
"""", "'""""" """"" Viseira ...- .....F•• ...., " - """"
óaD
Director de obra P T T T T P T T T T -
Coordenador de p
-
T T T T P P T T T
segurança e saúde

Preparador de obra -
p T T T T P P T T T
Apontador
TopOgrafo P T T T T P P T T T -

Encarregado P T T T T P P T T T -
Cheles de equipa P T T T T P P T T T -
Montador p
-
T T T T P P T P T
de colragens
Armadores de Jerro P T T T T P P T P T -
Vibradorislas P P P T P P T T P T -
Pedreiro p T T T T P P T P T -
Montador -
p T T T T P P T P T
de telhados

Carpinteiro P T T T T P P T P T -
Electricista p T T T T P P T P T -
Canalizador p T T T T P P T p T -
Estucador p T T T T P P T P T -

Ladrilhador P T T T T P P T P T -

",""
Motorista T T T T T P P T T T
""".
c,""
Manobrador T T T T T P P T T T
"",,'"
Pintor P T T T T P P T P T -
Serralheiro p T P T T P P P P T -

---
...
Colete
Marteleiro P P T T T P P P P T

Soldador p T T P T P P P P T A_
OperadOr limpeza p
-
T P P T P P T P T
com jacto de areia
MooladOf andaime p T T T T P P T P T -

Servente P T T T T P P T P T -

Calcetesro

Trab. independente
P

p
T

T
T

T
T

legenda: P - Uso permanente; T - Uso quando necessário.


T

T
P

P
P

P
T

T
T

T
T

T --
...
coo..

-
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 99

QUADRO 2.3. MDDELD OE REGISTO OE DISTRIBUiÇÃO OE EPI(S)

Espaço reservado
para colocar logótipo I REGISTO DE DISTRIBUiÇÃO DE EPI(S)
Obra Data I I

IDENTIFICAÇÃO DO TRABALHADOR

Nome: NY
Função: Empresa:

11 Entrega 2' Entrega 3' Entrega 4' Entrega


Calça n.2 _ _ _ _LL _ '_L _L/_ _'_1-
Camisa n. 1I I I I I I I I I
Blusão nO
--- _ I_L _L/_ _LL _LL
Fato impermeável 0.'2 I I I I I I I I
Bota clbiQ. e pal. de aço 0.11 _ _ _ _1_1- _1_1- _ 1_1- _L/_
Bota impermeável n.2 I I I I I I I I
Capacele Cm - - - _I_L _I_L _LL _L/_
Luva n.ll Prol. I I I I I I I I
Luva n. 1I Prol. I I I I I I I I
Luva n.1) Prol. I I I I I I I I
Úculoslipo_ Mod.
-- Fab. -- _I_L _LL _LL _LL
Óculos tipo_ Mod.
-- Fab.
-- _I_L _L/_ _LL _LL
Viseira Mod. - - Fab. -- _I_L _'_1- _I_L _I_L
Viseira Mod. -- Fab.
-- _I_L _ 1_1- _L/_ _LL
Proteclor auricular _I_L _ LL _L/_ _I_L
Tipo Alenuação

Protector auricular _L/_ _LL _1_1- _1_1-


Tipo

Arnês anti Queda


Atenuação

n \I de sérre - - - _I_L _,_,- -I_L _LL


Corda de sujeição n. 1I de série - - -

Sist. pára·quedas n.1I de série - - -

Outro acessório
n.!! de série
Prolecção respira. Mod. __ Fab. - - _I_L _ 1_1- _L/_ _I_L
Pmlecção respira. Mod. __ Fab. - - -LI- _LL _LL _LL
Declaro que recebi os EquJpamenlos de Protecção Individuai acima rubricados, comprometendo·me a utilizá·los cor-
rectamente de acordo com as instruções recebidas, a conservá·los e mantê-los em bom estado e a participar todas as
avarias ou deficiências de que tenha conhecimento.

Assinatura Oata: I I
100 MAT'JUAl DE SEGURANCI\

o mesmo tipo de cuidado deve ser tomado com EPi(s) para protecção das vias
respiratórias, protecção contra contactos eléctricos e protecção das mãos visto que
cada modelo ou tipo tem uma protecção especifica. Além disto há necessidade de
manter um arquivo de Certificados de Conformidade e cópias das facturas que com-
provem a aquisição dos equipamentos.
A formação deve igualmente ser registada, com indicação da data de realização,
duração, matérias abordadas, nome e rubrica (atestando a presença) dos trabalha-
dores que assistiram, identificação e assinatura de formador.
Como já foi referido, a entrega deve ser acompanhada de formação ou informa-
ção para o uso, esclarecendo quais os riscos a proteger, nivei de protecção e limita-
ções do EPt, regras de utilização e manutenção e duração do EPI.
É comum que no rodapé destes registras, sejam inscritos textos que constituem
uma declaração do trabalhador asseverando que recebeu a formação necessária
para o uso dos EPi recebidos. É uma prática que para ser eticamente aceitávei,
deverá ser rigorosamente cumprida, ou seja, o trabalhador deverá de facto receber a
formação necessária. Os registos mais completos contêm, no verso, informação
sucinta quanto ao uso e manutenção dos equipamentos (mas que não substitui a
formação mais completa).
Todos os registos devem ser mantidos em bom estado de forma a serem
perfeitamente legíveis na ferramentaria (ou armazém ou apontadoria. consoante a
organização interna do estaleiro).
Apresenta-se, na página seguinte, um modelo simples de registo de entrega de
Equipamentos de Protecção Individual. Os equipamentos cuja distribuição não é
usual e que não constam das fichas de registo (aventai, manguitos e polainas de
soldador, fato de alta visibilidade, cinto dorsal. ..) podem ser acrescentados nas cos-
tas do documento, mencionando os dados fundamentais: fabricante e modefo.

CLASSIFICAÇÃO DOS EPI(S)

Há vários critérios para classificar EPI(s). A portaria n.' 988193, de 6 de Outubro,


classifica-os de acordo com as partes do corpo ou sistema que protegem.
101

QUADRO 2.4. RESUMO DOS vARlOS EPI(S) PARA PROTECÇÃO


DE VARIAS PARTES E SISTEMAS CORPORAIS

Parte do corpo Equipamentos de protecção

• Capacetes de Segurança.
1. Cabeça • Bonés, barretes e chapéus.
• Capacetes para usos especiais (fogo, produtos químicos).

• Protectores de inserção (tampões) para os ouvidos de uso


2. Ouvidos múltiplo ou descartáveis.
• Abafadores.

• Óculos de protecção.
• Viseiras faciais.
3. Olhos e face
• Viseiras para soldadura (de mão. de cabeça, acoplâveis ao
capacete).

• Máscaras filtrantes contra poeira e gases.


4. Vias respiratórias • Equipamentos isoladores com aprovisionamento de ar.
• Aparelhos e material para mergulhadores.

• Luvas (com e sem dedos);


5. Mãos e braços
• Manguitas

• Sapatos e botas de segurança.


6. Pés e pernas • Sapatos e botas de protecção (frio. calor. vibrações, etc.).
• Polainas, palmilhas

7. Pele • Cremes de protecção.

• Coletes, aventais contra agressões mecânicas e qulmicas.


• Coletes térmicos e salva·vidas.
8. Tronco e abdómen
• Cintos de protecção lombar.
• Aventais contra raios X.

• Equipamentos e dispositivos de protecção contra quedas.


9. Corpo inteiro arneses e cintos.
• Vestuário de protecção.

9.1. PROTECÇÃO DO CRÂNIO


Os capacetes destinam-se a proteger o crãnio de riscos mecânicos (ex.: queda
de objectos, golpes ou projecções), riscos térmicos devidos a metais fundidos, calor
e frio e riscos eléctricos em manobras elou operações em alta, média ou baixa ten-
são. São constituídos basicamente pelo casco e pelo arnés (ver figura 2.2.).
102 MANUAL DE SEGURANCA

Recentemente começaram a aparecer no mercado os bonés anli-choque; estes


bonés protegem o utilizador unicamente contra choques com objectos imóveis e só
devem ser utilizados em recintos fechados. Não protegem contra a queda de objec-
tos pelo que o seu uso não substitui o capacete de protecção. Não devem ser usa-
dos em estaleiros de obras.

FIGURA 2.2. PARTES CONSTITUINTES 00 CAPACETE DE PROTECÇÃO

~-- Precinlas

Calole - - - ,
.Jil.,--- Suspensor
Arnês
Casco Pala
Banda
anti-suor
Cerra~nuca
Goteira ------1
' - - - - - Francalete
(acessório que amarra
o capacete pelo queixo,
impedindo a sua queda)

Nas obras de construção, a sua utilização é indispensável em todas as zonas de


trabalho em que exista o risco de queda de objectos ou choque de objectos com o
crânio. Existem no mercado diversos modelos de capacetes, sendo recomendáveis
os que sejam mais leves, pois o seu uso será mais confortável. Quanto a materiais
que os constituem, deslacam-se: Os termoplásticos (podem deformar-se por acção
do calor) - de uso geral na construção civil, e os de plásticos endurecidos - acon-
selháveis para operações de soldadura ou para trabalhos com exposição prolongada
ao sol (de Verão e em climas quentes).

As normas aplicáveis são:

TABELA 2.1. NORMAS APLlCÃVEIS E EPI PARA PROTECÇÃO OA CABEÇA

Referência Título Comissão técnica

EN 812:1997/A Bonés de protecção para a indústria TC-158


1:2001 (Ed. 1)

NP EN 397:1997 (Ed. 1) Capacetes de protecção para a indústria CT -42


EQUIPAMENTOS DE PROTECçAo Jr-.lDIVIDUAL 103

Devem ostentar as seguintes marcações:


a) Marca CE;
b) Número da norma Europeia: NP EN 397;
c) Identificação do fabricante;
d) O ano e trimestre de fabrico;
e) O tamanho ou gama de tamanhos (em cm);
f) O modelo do capacete (denominação do fabricante);
g) Escala de dimensões (em centímetros);
h) 51mbolos adicionais.

Todos os capacetes são de categoria 2, excepto:


a) Capacetes concebidos e fabricados para utilização em ambientes com altas
temperaturas, comparáveis aos do ar a uma temperatura igualou superior a
lOD ...C e que podem ou não ser caracterizados pela presença de radiação
infravermelha, chamas ou projecção de grandes quantidades de material em
fusão: categoria 3;
b) Capacetes e capuzes concebidos e fabricados para dar protecção contra ris-
cos eléctricos: categoria 3;
c) Toucas, redes para cabelo, capacetes, etc., concebidos e fabricados para
protecção contra os riscos de arrastamento pelos cabelos (equipamento anti-
-zescalpe): categoria 1.

9.1.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO OE CAPACETES OE PROTECÇÃO


O conforto na utilização é um factor essencial para a aceitação do uso de capa-
cetes por parte dos trabalhadores.
Os trabalhos de construção civil decorrem, em grande parte, ao ar livre, sob con-
dições climáticas por vezes adversas (chuva, frio, calor) pelo que o capacete deve
ter características que tomem cómodo o seu uso, nomeadamente:
- Pala e goteira (para que a água não escorra pela cara);
- Banda anti-suor em material absorvente, de fácil limpeza e facilmente
substitulvel;
- Cerra nuca ajustável (para que o trabalhador possa ajustar o capacete à sua
cabeça de forma a que não fique apertado - desconfortável - nem largo -
para não cair quando move a cabeça;
- Precintas em material têxtil (mais leves e cómodas porque se adaptam ao for-
mato da cabeça).
104 MANUAL OE SeGURANCA

Sendo fabricados em materiais plásticos. os cascos têm um envelhecimento


natural que, no caso da construção civil, é acelerado pela exposição à radiação UV.
O perlodo de vida útil deve ser definido pelo fabricante, no entanto, não é comum
ser superior a 5 anos (a contar da data de fabrico).
Os capacetes não devem ser pintados nem modificados, devendo ser, de ime-
diato, substituídos quando apresentarem fissuras ou deformações no casco ou no
arnês.
A banda anti-suor deve ser substituída, no máximo, de 6 em 6 meses (e lavada,
mensalmente, com água e sabão).
Os capacetes devem ser atribuídos individualmente e não devem ser reutiliza-
dos.
Devem ser armazenados em locais secos l protegidos do pó e da exposição à luz
solar.

9.2. PROTECÇÃO DA FACE EDOS OLHOS


Os olhos são os órgãos mais sensíveis do corpo humano e uma das partes mais
expostas pois, como é sabido, para se efectuar qualquer trabalho é necessário fixar
os olhos na operação que se está a executar, daí que quando existem projecções os
olhos sejam afectados e, na maioria dos acidentes envolvendo os olhos resultem
lesões graves no sistema ocular.
A perda de visão é das deficiências mais incapacitantes e traumáticas pois é
pelos olhos que nos entra a maior parte da informação externa que é processada no
cérebro. Para a protecção dos olhos ou da face utilizam-se óculos (ver figura 2.3) ou
viseiras transparentes ou com filtros (ver figura 2.4), consoante o tipo de protecção
requerido. As causas mais frequentes das lesões ópticas são; projecção de poeiras,
aparas ou limalhas, exposição a radiações e contacto com substâncias ou prepara-
ções perigosas...
Existem diversos tipos de equipamentos: óculos com aros clássicos, com ou sem
escudos laterais, óculos de lobo e óculos máscaras, estes dois últimos tipos são
completamente estanques. As viseiras protegem simultaneamente os olhos e o rosto
(ver figura 2.5).
EQUIP:'M:EtnOS OE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 105

FIGURA 2.3. PRINCIPAIS CONSTITUINTES OOS ÓCULOS DE PROTECÇÃO

Hastes:
mantêm os ôculos de protecção
na posição correcta e impedem eventuais
quedas dos óculos de prolecção
devidas a movimentos bruscos.

Protecção lateral:
er.mina os riscos laterais

Armação:
Oculares: • segura e liga as oculares
protegem contra os riscos
• segura os õculos protecção no nariz
frontais e propocionam a visão

FIGURA 2.4. PRINCIPAIS CONSTITUINTES DA VISEIRA (ECRÃ FACIAL)

Regulador
(precinta ou dispositivo
de fixação ao capacete
Protecção de protecção)
adicional de fronte

Viseira em material sintético


(transparente ou impermeável
às radiaçães),rede,
paliester, fibrolite
106 MANUAL DE SEGURANÇA

FIGURA 2.5. MODELOS DE ÓCULOS E VISEIRAS DE PROTECÇÃO

a) Óculos de protecção com uma ocular

i§~::ii=ii~~~~------Dispositivo móvel
:: de fixação à cabeça
Arejamento para evitar
o embaciamento

~------Arosem material
macio e flexível
(óculos adaptáveis à face)

b) Óculos de protecção com duas oculares

Óculos com protecção lateral

" " ' - - - " - - - Aberturas para arejamento

c) Viseira de soldador

/ - - - - Estrutura de fixação do filtro


e de uma ocular adicional
(fixa ou móvel)

' - - - - - Material impermeável às radiações


(fibrome, fibra de vidro, paliester, etc.)

d) Viseira de protecção contra projecção de partículas


(para trabalhos de desmatação, por exemplo)

~--- Viseira em rede


EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 107

As nonnas aplicáveis são (ver tabela 2.2):

TABELA 2.2. NORMAS APL/CAVEIS A EP/(S)


PARA PROTECÇÃO DA FACE E DOS OLHOS

Comissão
Referência Título
técnica

EN 16B:2oo5 (Ed. 2) Personal eye·protection. Vocabufary. TC-BS

EN 166:2001 (Ed. 2) Prolecção individual dos olhos. TC --85


Especificações.

EN 169:2002 (Ed. 2) Prolecção individual dos olhos. Rltros TC --85


ultravioletas. Requisitos do factor de
transmissão e recomendações de uso.

EN 170:2002 (Ed. 2) Protecção individual dos olhos. Filtros TC --85


ultravioletas. Requisitos do factor de
transmissão e utilização recomendada.

EN 171 :2002 (Ed. 2) Protecção individual dos olhos. Filtros TC-B5


infravermelhos. Requisitos de
transmissão e recomendações de uso.

EN 172:1994/A 2:2001 (Ed. 1) Protecção individual dos olhos. Filtros de TC-B5


protecção solar para uso industrial.

EN 172:1994/A 1:2000 (Ed.1) Personaf eye-protection. Sunglare filters TC-BS


for industrial use.

NP EN 172:1997 (Ed. 1) Protecção individual dos olhos. Filtros de CT -42


protecção solar para uso industrial.

NP EN 175:2000 (Ed. 1) Protecção individual. Equipamentos de CT-42


prolecção dos olhos e da cara durante a
soldadura e processos afins.

Marcação de oculares:

,"_00." ~
Identificação do fabricante
~~Jr'
Classe óptica
Símbolo de resistência mecânica
Símbolo de não aderência de metal fundido
e da resistência à penetração de sólidos quentes - - - - - - - '
Símbolo de resistência à abrasão
(deterioração da superfície por partículas finas) - - - - - - - - '
Símbolo de resistência ao nevoeiro - - - - - - - - '
.~~~ .:c',:::'A:C":::U:.:.A:::L:.:D:::E:.S=E=G=U::R::;A:::N:.:'C::.:.A

Significado das marcações mais usuais:

l ' Dígito - Número de escala


1: Sem protecção contra radiações
2: Protege contra radiação Ultravioleta;
3: Protege contra radiação Ultravioleta, sem alteração das cores;
4: Protege contra radiação infravermelha;
5: Protege contra a luz solar sem especificação no infravermelho
6: Protege contra a luz solar com especificação no infravermelho
3' Dígito - (Classe óptica) Indica o nível de protecção (relativamente à
frequência da radiação indicado no primeiro dígito)
1.2: 74,4% < transmissão luminosa < 100%;
1.7: 43,2% < transmissão luminosa < 58,1%;
2.5: 17,8% < transmissão luminosa < 29,1%;
3.1: 8,0% < transmissão luminosa < 17,8%;
4' Digito - Resistência mecânica
Nenhum símbolo: Robustez mínima;
S: Rebustez reforçada;
F: Impacto de baixa energia;
B: Impacto de média energia;
A: Impacto de média energia
5' Dígito - Símbolo de não aderência e metal fundido e resistência à penetra-
ção de sólidos
Nenhum símbolo: Uso geral;
3: Estanque à projecção de gotas;
4: Estanque à projecção de partículas sólidas (pó grosso);
5: Estanque à projecção de gases e partículas finas;
8: Estanque de projecções resultantes de arco eléctrico de curto-
-circuito
9: Estanque à projecção de metal fundido e outros sólidos em fusão;
6R Dígito - Resistência à abrasão
K: Resistente à abrasão
P- Dígito - Resistência ao nevoeiro
N: Resiste ao embaciamento provocado por nevoeiro
EOUIPAr .:=r:TOS DE PROTECr:ÀO INDIVIDUAL '09

Marcação das armações:

'"~'".",oo",_ ~Jr
Número da norma EN 166)

Campo de uso
Símbolo de resistência ao impacto -..l
de partículas de alta velocidade

Todos os equipamentos são de categoria 2, excepto:


a) Capuzes concebidos e fabricados para utilização em ambientes com altas
temperaturas, comparáveis aos do ar a uma temperatura igualou superior a
100°C e que podem ou não ser caracterizados pela presença de radiação
infravermeiha, chamas ou projecção de grandes quantidades de material em
fusão: categoria 3;
b) Filtros ou protectores dos olhos concebidos e fabricados para utilização em
ambientes com altas temperaturas, comparáveis aos do ar a uma tempera-
tura igualou superior a 100°C e que podem ou não ser caracterizados peia
presença de radiação infravermelha, chamas ou projecção de grandes
quantidades de material em fusão: categoria 3;
c) Filtros ou protectores dos olhos concebidos e fabricados para garantir protec-
ção contra radiação ionizante: categoria 3;
d) Capuzes concebidos e fabricados para utilização em ambientes a baixas
temperaturas cujos efeitos sejam comparáveis aos do ar a temperaturas
iguais ou inferiores a - 50°C: categoria 3;
e) Óculos de sol e filtros concebidos e fabricados exclusivamente para protec-
ção contra a luz safar (não correctivos). para utilização privada ou profissio-
nai: Categoria 1.

9.2.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


Os óculos e viseiras protegem, consoante os modelos, contra riscos mecânicos
(pancadas, projecção de estilhaços ou partículas. poeiras, gotlculas. salpicas. etc.).
qulmicos, radiações (soldaduras. radiação solar. etc.).
Os óculos devem ser leves, cómodos e bem arejados a fim de evitar embacia-
mento. Dada a ímportância da qualidade da informação vísual para uma correcta
percepção dos factores do trabalho, os óculos e as viseiras devem manter-se sem-
pre bem limpos e sem defeitos que perturbem a visão.
A selecção dos equipamentos adequados às características do risco, não é, em
alguns casos. muito simples, pelo que deve ser efectuado por um técnico de SHST
110 MANUAL DE SeGURANçA

ou, em alternativa, pelo director de obra, ajudado pelo vendedor, se este tiver
conhecimentos técnicos para tal.
O uso da protecção ocular requer um período de aprendizagem e adaptação
(após a formação). Durante esse período é normal surgirem queixas, tais como:
diminuição da visibilidade (devido ao embaciamento ou sujidade das oculares), dimi-
nuição dos ângulos de visão, alteração das cores, transpiração e deliciente compati-
bilidade com outros equipamentos ou com os óculos de correcção. Para evitar a
sensação de desconforto, os óculos devem ajustar-se bem à cara, não devem limitar
mais de 20% o campo de visão e devem dispor de dispositivos de arejamento que
evitam o embaciamento.
As oculares devem ser limpas, diariamente, com água corrente e sabão, salvo
indicações do fabricante e secas com um pano macio, sem esfregar.
Quando não estão em uso, devem ser guardados em estojo adequado, ao abrigo
de óleos, massas, poeiras ou outra sujidade, da exposição directa aos raios solares
e das agressões mecânicas. Devem ser substituídas no fim da vida útil, indicada
pelo fabricante, ou quando apresentarem deficiências, tais como: envelhecimento
(coloração amarelada), abrasão ou arranhadelas, fissuras, etc.

9.3. PROTECÇÃO DO APARELHO AUDITIVO


Multas dos trabalhos de construção são efectuados com recurso a máquinas e,
durante a maior parte da obra, decorrem vários trabalhos em simultâneo e num
espaço reduzido pelo que os níveis sonoros são normalmente superiores aos valo~
res máximos legalmente penmitldos (85 dB(A)). O ruído excessivo, a longo prazo,
provoca surdez e é irreversível. Os protectores auriculares destinam-se a proteger o
aparelho auditivo de ruídos perniciosos, atenuando-os. Para a sua selecção é
necessário conhecer as características do ruído (nível sonoro e frequências predomi-
nantes), bem como o tempo de exposição. A selecção do equipamento adequado ao
ruído reveste-se de alguma complexidade, pelo que se deve procurar a colaboração
de um técnico de segurança ou, em alternativa, do vendedor, se este tiver conheci-
mentos técnicos. O protector deve atenuar o ruído para níveis aceitáveis mas a ate-
nuação não deverá ser excessiva para não se tornar incómoda devido à sensação
de Isolamento e dificuldade da percepção de sons.
Existem no mercado dois tipos de protectores: abafadores (vulgo auscultadores)
e protectores auriculares para inserção no canal auditivo, vulgo tampões auditivos
(ver figura 2.6).
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 111

FIGURA 2.6. PROTECTORES AUDITIVOS

a) Protectores tipo abafador

'----- Calole _ _J

b) Protectores tipo tampão

b) Protectores tipo tampão com banda

Os tampões auditivos podem ser: descartáveis se forem destinados a serem uti-


lizados uma única vez, ou reutilizáveis, se forem destinados a serem utilizados
várias vezes. Alguns modelos são fornecidos com uma banda ou cordão de ligação,
cuja função é evidenciar o seu uso (ver figura 2.6c).
O quadro seguinte apresenta, a título indicativo, os níveis de pressão sonora (em
decibéis) de alguns dos equípamentos de obra.
112 MANUAL DE SECURANCA

QUADRO 2.3. NlvEL DE PRESSÃO SONORA DE ALGUNS EQUIPAMENTOS DE OBRA

Nível de pressão
Equipamentos
sonora (dB)

Martelos pneumáticos (ar livre) 103a110

Serras circulares (carpintaria) 90 a 105

Serras de disco, martelos, etc. (serralharias) 98 a 110

Máquinas de escavação 85 a 110

A legislação Nacional aplicável é:


- Decreto-Lei n' 18212006, de 6 de Setembro, os valores limite e respectivas
obrigaçães legais estão resumidas no quadro 2.4.

QUADRO 2.4. VALORES DE ACÇÃO E VALORES UMITE DE EXPOSiÇÃO

Nível de ruído Obrigação por parte do empregador

• Nível de acção inferior para 8 horas de trabalho diário:


• Uso do E.P.r. (recomendado);
80 dB(A) ou 135 dB(C) • Formação dos trabalhadores expostos;
• Audiometria de monitorização de dois em dois anos;
• Manter. durante 30 anos. os registos.

• Nível de acção superior para 8 horas de trabalho diário:


• Avaliação (medição) anual;
• Estabelecer e aplicar um programa de medidas técnicas para
85 dB(A) ou 137 dB(C) redução da exposição ao ruído;
• Uso E.P.l. (obrigatório);
• Audiometria de monitorização anualmente;
• Verificação anual da função auditiva.

• Limite de exposição pessoal diário para 8 horas, corresponde a


1 dose de 100%:
• Toma medidas imediatas para redução da exposição;
87 dB(A) ou 140 dB(C)
• Identifica as causas do excesso de ruido;
• Corrige as medidas de prevenção e protecção assegurando a
não repetiçâo da situação.
EQUIPAMENTOS OE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 113

As normas aplicáveis são:

TABELA 2.3. NORMAS APL/cAVEIS A EPI(S) PARA PROTECÇÃO


DO APARELHO AUDITIVO

Comissão
Referência Titulo
técnica

EN 352-1:2002 (Ed. 2) Protectores auditivos. Requisitos gerais. TC -159


Parte 1: Protectores auriculares.

EN 352-2:2002 (Ed. 2) Protectores auditivos. Requisitos gerais. TC-159


Parte 2: Tampões auditivos.

EN 352-3:2002 (Ed. 2) Protectores auditivos. Requisitos gerais. TC -159


Parte 3: Protectores auriculares montados num
capacete de protecção para a indústria.

NP EN 352-4:2003 (Ed. 1) Protectores auditivos. Requisitos de segurança CT-42


e ensaios. Parte 4: Protectores auriculares
dependentes do nivel sonoro.

NP EN 352-4:2003/A Protectores auditivos. Requisitos de segurança CT-42


1:2006 (Ed. 1) e ensaio. Parte 4: Protectores auriculares
dependentes do nível sonoro.

EN 352-5:2oo2/A 1:2005 Hearing protec(ors. Safety requirements and TC -159


(Ed.1) restingo Part 5: Active noise reduction ear·muffs.

EN 352-5:2002 (Ed. 1) Protectores auditivos. Requisitos de segurança TC-159


e ensaios. Parte 5: Protectores auriculares com
atenuação acliva do ruída.

EN 352-6:2002 (Ed. 1) Protectores auditivos. Requisitos de segurança TC -159


e ensaios. Parte 6: Protectores auriculares com
entrada áudio eléctrica.

EN 352-7:2002 (Ed. 1) Protectores auditivos. Requisitos de segurança TC-159


e ensaios. Parte 7: Tampões auditivos
dependentes do nível sonoro.

NP EN 458:2006 (Ed. 2) Protectores auditivos. Recomendações relativas CT -42


à selecção, à utilização, aos cuidados na
utilização e à manutenção. Oocumento guia.

Todos os equipamentos são de categoria 2.


Deverão ostentar as seguintes marcações (no aparelho tipo abafador):
a) Identificação do fabricante;
b) Número da norma correspondente;
c) Identificação do modelo;
d) Indicações apropriadas ao uso, se necessário (ex.: ..frente", "parte supe-
riorl', «esquerda", ndireita»).
___________________=='-'=.=.0==
114 MANUAL DE SEGURANÇA

Deverão ostentar as seguintes marcações (na embalagem do protector de inserção):


a) Identificação do fabricante;
b) Número da norma correspondente;
c) Identificação do modelo;
d) Instruções para colocação e uso adequado;
e) Tamanho nominal;
f) Indicação no caso de serem descartáveis.

9.3.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


Não havendo critérios normalizados para a escolha de um ou outro tipo, deve-se
por isso utilizar regras de ordem prática, as funções que tenham a obrigatoriedade
do uso permanente de protecção auricular e cujo trabalho decorra em ambiente
normalmente sujo (marteleiros, por exemplo) devem usar protectores do tipo abafa-
dor, pois os tampões auditivos têm de estar bem limpos quando são introduzidos no
ouvido, devido ao perigo da sujidade provocar infecções. No entanto, para trabalha-
dores que usem barba ou cuja morfologia da face seja irregular, é mais aconselhável
o uso dos protectores tipo tampão, pois a barba e as irregularidades faciais fimitam a
eficácia dos protectores do tipo abafador.
Em ambos os tipos é importante manter os equipamentos em bom estado de
higiene dado que a sujidade nos protectores do tipo tampão pode provocar infecções
no ouvido externo e médio (vulgo olites), e nos do tipo abafador pode provocar der-
malites na pele que está em contacto com a almofada do protector.
Qualquer que seja o tipo de protector escolhido, tem de haver um período de
adaptação a aprendizagem (após a formação). Durante esse período é vulgar surgi-
rem queixas, tais como: dificuldades de comunicação, dores de cabeça, calor e
aumento da transpiração (especialmente no caso dos abafadores) e dificuldades na
audição de sinais e avisos.
A sensação de conforto na utilização é variável pelo que, quando possível (se
tecnicamente for indiferente), deve-se deixar o ulifizador seleccionar o tipo de pro-
tector que considere mais confortável.
Os equipamentos de protecção auditiva devem ser acompanhados de informa-
ção (complementar às marcações), precisa e compreensível, em português, sobre:
atenuação acústica às várias oitavas de frequência. compatibilidade com outros
equipamentos, gama de temperaturas de utilização, avisos, indicações para regula-
ção/ajustamento, indicações para limpeza e manutenção.
A atenuação indicada pelo fabricante só é obtida com um ajuste correcto do
protector. Os tampões devem ser correctamente introduzidos no canal auditivo, nos
abafadores, as calotes deverão ficar bem ajustadas a pressionar a face. Os protecto-
res, independentemente do seu tipo, devem ser usados durante todo o tempo de
exposição ao ruído.
eQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO INDiVIDUAL 115

Os vários modelos de protectores auriculares têm vidas úteis muito diversas, na


formação deve ser claramente indicado o prazo de utilização dos modelos dos pro-
tectores, o qual deve ser estabelecido tendo em atenção as indicações dos fabri-
cantes, bem como as condições e o ambiente de trabalho.
Os protectores auriculares devem ser, independentemente do seu tipo, de utili-
zação estritamente pessoal.
Devem ser, diariamente, no final da jornada de trabaiho revistos e limpos, pelos
utilizadores, que devem ter as mãos bem limpas quando os manuseiam. Após a lim-
peza, devem ser devidamente secos e arrumados ao abrigo da sujidade, calor (ou
frio) e exposição directa aos raios solares.
Os protectores devem ser substituídos quando findar o prazo de utilização ou
quando apresentarem qualquer deficiência: deformação ou fissura das calotes,
deformação ou perda de pressão das bandas, endurecimento ou fissura das almofa-
das, etc.

9.4. PROTECÇÃO DO APARELHO RESPIRATÓRIO


Das vias de entrada de contaminantes no organismo, a via respiratória é o cami-
nho mais rápido e directo. Os contaminantes atmosféricos mais usuais em obras de
construção são as poeiras, durante toda a obra e, em algumas operações, contami-
nantes químicos na forma de gases ou aerossóis.
Esta classe de EPI(s) destinam-se a proporcionar aos trabalhadores que laborem
em ambientes contaminados ou com deficiência de oxigénio, o ar necessário e em
condições higiénicas adequadas. Os mais usuais são as máscaras filtrantes, utiliza-
das para filtrar o ar necessário à respiração em atmosferas poluídas que contenham
um mínimo de 17% de oxigénio (ver figura 2.7.), existindo outros tipos, como por
exemplo, equipamentos com adução de ar (ver figura 2.8.).

FIGURA 2.7. APARELHOS FILTRANTES

a) Aparelho filtrante descartável

/ ' - - - - - - - Pinça nasal

~ ; - Precinla

Válvula de expiração

Filtro -'----.."...J'
116 MANUAL DE SEGURANÇA

b) Semi~máscarafiltrante

1. Corpo da peça facial


2 2. Precintas
3. Pinça nasal
~-----r-5
4. Fillro
5. Caixa do filtro
6. Válvula de expiração
7. Válvula de inspiração
8. Prefillra

c) Máscara filtrante (também designada máscara completa)

11
5 1. Corpo da peça facial
2. Vedante da peça facial
3. Ocular
4. Máscara interior
3 5. Precintas
4
6. União
8 ---1''-1 7. Válvula de expiração
8. Válvula da máscara interior
6 9. Filtro
1Q. Vibrafone
9 11. Bandoleira de transporte

FIGURA 2.8. APARELHOS DE PROTECÇÃO RESPIRATORIA


INDEPENDENTES DO MEIO AMBIENTE

a) Aparelho autónomo

~
5
1. Peça laeial
2. União de equipamento
3. Tubo de respiração
\
I. 4. União e lomeira de regulação de débito contínuo
5. Cinto ou arnês
6. Alimentação de ar comprimido
7. Garrafa de ar comprimido
1 2 8. Redutor com avisador sonoro
9. Manâmetro

2
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 117

A não protecção das vias respiratórias pode ter como consequência o apareci-
mento de doenças profissionais (vulgarmente nos pulmões), cujos sintomas só se
manifestam alguns anos após o começo da exposição e com efeitos irreversíveis.
A selecção do equipamento adequado às características do risco é, em aiguns
casos, bastante complexa pelo que deverá ser efectuada por um técnico de 8H8T,
ou, em alternativa, pelo vendedor dos equipamentos, se este tiver conhecimentos
técnicos para tal.
As principais normas aplicáveis são:

TABELA 2.4. NORMAS APLICÁVEIS A EPI(S) PARA PROTECÇÁO


DAS VIAS RESPIRATÓRIAS

Comissão
Referência Título
técnica

NP EN 132:2004 Aparelhos de protecção respiratória. CT-42


(Ed 3) Definição de termos e pictogramas.

NP EN 133:2004 Aparelhos de protecção respiratória. CT -42


(Ed.3) Classificação.

NP EN 134:2004 Aparelhos de protecção respiratória. CT-42


(Ed.4) Nomenclatura de componentes.

NP EN 135:2004 Aparelhos de protecção respiratória. CT -42


(Ed.3) Lista de termos equivalentes.

NP EN 136:1999 Aparelhos de protecção respiratória. Máscaras completas. CT -42


CEd.2) Características, ensaios e marcação.

EN 137:2006 Aparelhos de protecção respiratória. TC-79


(Ed.3) Aparelho de protecção respiratória isolante autónomo
de circuito aberto de ar comprimido, com máscara
completa. Requisitos, ensaios, marcação.

NP EN 138:1997 Aparelhos de protecção respiratória. CT -42


(Ed.1) Aparelhos de protecção respiratória de ar fresco
com máscara completa, semi-máscara ou corpo
do conjunto bucal. Requisitos, ensaios e marcação.

NP EN 140:2000 Aparelhos de protecção respiratória. Semi~máscaras CT -42


(Ed.1) e quartos de máscara. Requisitos, ensaios, marcação.

NP EN 141:2000 Aparelhos de protecção respiratória CT -42


- filtros antigás e filtros mistos.

EN 142:2002 Aparelhos de protecção respiratória. Corpos TC-79


(Ed.2) de conjunto bucal. Requisitos, ensaios e marcação.
"' MANUAL DE SEGURANCA

Comissão
Referência TItulo
técnica

EN 143:2000/A Respiratory protective devices. TC-79


1:2006 (Ed. 2) Partíele filters. Requiremenls. testing, marking.

EN 143:2000 Aparelhos de protecção respiratória. TC-79


(Ed.2) Filtros de partículas. Requisitos, ensaios. marcação.

EN 144-1 :2000/A Aparelhos de protecção respiratória. TC-79


2:2005 (Ed. 1) Válvulas para garrafas de gás. Parte 1: Ligações
da rosca para inserção de peça de ligação.

NP EN 144- Aparelhos de protecção respiratória. Válvulas para garrafas CT-42


2:2000 (Ed. 1) de gás. Parte 2: Peças de ligaçao de salda.

EN 144·3:2003 Aparelhos de protecção respiratória. TC-79


(Ed.1) Válvulas para garrafas de gás. Parte 3: Ligações externas
para gases de mergulho Nitrox e Oxigénio.

NPEN Aparelhos de protecção respiratória. CT -42


145:2000/A Aparelhos autónomos de circuito fechado
1:2005 IEd. 1) tipo oxigénio comprimido ou oxigénio-nitrogénio
comprimido. Requisitos, ensaios, marcação.

EN 148-1 :1999 Aparelhos de protecção respiratória. Uniões roscadas para TC-?9


IEd.2) peças faciais. Parte 1: União roscada normal.

EN 148-2:1999 Respiratory protectíves. Threads for facepieces. TC-79


(Ed.2) Part 2: Centre thread connection.

EN 148-3:1999 Aparelhos de protecção respiratória. UniOes roscadas para TC-79


(Ed.2) peças faciais. Parte 3: União roscada tipo M 45x3.

EN 149:2001 Aparelhos de protecção respiratória. Serni-máscaras TC-79


(Ed.2) filtrantes de partículas. Requisitos, ensaios, marcação.

NP EN 269:1998 Aparelhos de protecção respiratória. Aparelhos CT -42


(Ed. 1) de protecção respiratória de ar fresco de ventilação
assistida com capuz. Requisitos, ensaios e marcação.

EN 402:2003 Aparelhos de protecção respiratória. Aparelho de protecção TC-79


(Ed.2) respiratória de alimentação governada pela respiração.
isolante autónomo de circuito aberto de ar comprimido com
máscara completa ou conjunto bocal, para evacuação.
Requisitos. ensaios e marcação.

NP EN 403:2006 Aparelhos de protecção respiratória para evacuação. CT -42


(Ed.1) Aparelhos filtrantes com capuz para evacuação
do local de incêndio. Requisitos, ensaios, marcação.

EN 404:2005 Aparelhos de protecção respiratória para evacuação. TC-79


(Ed.2) Aparelhos finrantes com conjunto bocal para evacuação
contra monóxido de carbono. Requisitos, ensaios, marcação.

EN 405:2001 Aparelhos de protecção respiratória. Serni·máscaras TC-79


(Ed.2) filtrantes com válvula de gases ou gases e partículas.
EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO INDIVIDUAL 119

Os equipamentos de protecção das vias respiratórias mais usuais em construção


são os filtros anti-aerossóis, do tipo semi-máscaras de contacto, que cobrem o nariz,
a boca e o queixo. Os elementos filtrantes são classificados em 3 classes, função da
sua eficácia de filtragem:

CLASSE 1 - filtro para poeiras grossas, como poeiras resultantes de trabalhos


em madeira, por exemplo, e que são referenciados por FFP1;
CLASSE 2 - filtro para aerossóis sólidos elou líquidos (referência no filtro S, L
ou SL) perigosos ou irritantes, como a sílica, por exemplo, e que
são referenciados por FFP2;
CLASSE 3 - filtros para aerossóis sólidos e/ou líquidos tóxicos, como o amianto,
por exemplo, e que são referenciados por FFP3.

A duração destes filtros depende da sua colmatagem, ou seja, da quantidade de


poluentes na atmosfera e do ritmo de respiração do utilizador. Devem ser substitui-
das assim que o filtro estiver colmatado. Alguns modelos destes aparelhos têm uma
válvula que facilila a libertação do ar na expiração tomando mais cómodo o seu uso.

Deverão ostentar as seguintes marcações:


a) Ano de obtenção da conformidade;
b) Número do organismo que efectuou os ensaios de conformidade;
c) Identificação do fabricante;
d) Número da norma correspondente;
e) Categoria ou classe do aparelho.

9.4.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


A selecção dos equipamentos de protecção respiratória deve ser iniciada pela
identificação dos contaminantes presentes na atmosfera, e o seu estado (gás, vapor,
fumo, poeira, etc.), de seguida deve-se averiguar a(s) sua(s) toxicidade, determinar
a(s) concentração e o tempo de exposição dos trabalhadores. Além destes aspectos
técnicos, devem-se também atender a alguns critérios de conforto da utilização:
baixo peso, materiais inodoros e macios (os que estão em contacto com a pele) e
que não sejam susceptíveis de causar irritação cutânea; os equipamentos seleccio-
nados devem ser compatlveis com os outros EPI(s) e não devem dificultar a visão, a
audição l nem a respiração. Deve~se ter igualmente em atenção algumas caracterís~
ficas pessoais do utilizador, dado que as irregularidades faciais (rugas, por exemplo)
e pilosidade (barba ou bigode) limitam a eficácia das semi-máscaras.

• FILTROS OE PARTíCULAS
São filtros mecânicos. A norma EN 143:2000 (filtros para partlculas) e a norma
EN 149:2001 (máscaras auto filtrantes de partículas) classificam os filtros, quanto à
sua eficácia, em três classes por ordem crescente de protecção, em P1 , P2 e P3. Se
120 MANUAL DE SEGURANÇA

a semi-mascara for auto-filtrante, a classificação da eficácia é antecedida de FF (ver


quadro 2.5). Nas classes P2 e P3, acrescenta-se a letra .S" se o filtro só tem capa-
cidade para filtrar partfculas sólidas ou as letras ..SL" se tiver capacidade de filtrar
partículas sólidas e líquidas.

QUADRO 2.5. CLASSIFICAÇÃO DOS FIL mos

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0." üu
"'C :;:::
:!uCl$~ "'
w

Aerossóis sólidos e outros


particulas inertes, incluindo
Partículas
Pl FFPl Fraca 4 x V.LE~ poeiras com um teor de sílica
sólidas livre inferior a 1% em peso
(V.L.E. = 10 mg.m3 )

Particulas 15 x V.L.E.
(máscaras Aerossóis nocivos
FFP2..S.. sólidas,
completas) para a saúde
P2 parUculas Média (de toxicidade média),
FFP2..SL.. sólidas e 10 x V.L.E. incluindo fibras de amianto
liquidas (semi·máscaras)

400 x V.L.E. Aerossóis perigosos


Partículas
(máscaras (tóxicos e muito tóxicos),
sólidas,
FFP3.S. completas) incluindo poeiras e outras
P3 partículas Alta partículas cancerígenas
FFP3..SL.. sólidas e 30 x V.L.E. (excepto de amianto)
líquidas (semi-máscaras) (V.L.E. ~ 0,10 mg. m3 )

• FILTROS OE GASES EVAPORES


Para refer gases e vapores, o filtro utiliza processos qufmicos. É normalmenle
constituído por carvão com um tratamento químico destinado a reter determinada
famflia de subsfâncias. São, por isso, filtros ..especializados... A norma EN141:2000
define as especificações a que estes filtros devem obedecer. Estão divididos em três
classes, de acordo com a capacidade de apreensão (ver quadro 2.6) ou em quatro
grupos, consoante o seu campo de utilização (ver quadro 2.7).

(1) Valor limite de exposição: concentração (de um determinado poluente) a Que os trabalhadores podem
eslar expostos de forma prolongada sem eleitos prejudiciais para a sua saúde.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 121

QUADRO 2.6. CLASSES DE FIL TROS, CONFORME A CAFACIDADE DE APREENSÃO

Classes de filtros Testados de acordo com a norma EN 141, em concentrações de:

1 0,1 por cento de volume:: 1000 ppm

2 0,5 por cento de volume:: 5000 ppm

3 1,0 por cento de volume:: 10000 ppm

QUAORO 2. 7. GRUPOS DE FIL TROS CONFORME O TIPO DE CONTAMINANTE


PARA O QUAL CONFEREM PROTECÇÃO

Grupos Cor Aplicação Exemplos de aplicação

Contra certos gases Acetatos, ácidos (acético + P2,


e vapores orgânicos álcoois, benzeno, butano!, elano,
em que o ponto de tolueno, essências aromáticas, etanol.
Grupo A Caslanho
ebulição é > à 65°C isopropanol, querozene. metilos,
(solventes e fenois, estireno, terebentina,
hidrocarbonetos) tricloroelileno, tolueno

Contra certos Ácidos (cianídrico, nftrico + P2,


gases e vapores sulfídrico + P2), aminopropano,
inorgânicos, bromo, brometo de hifrogênío, cloro
Grupo B Cinzento
especificados (+P3), cianetos, dióxido de cloro,
pelo produtor, flúor, isocianetos, nitroglicerina,
salvooCO sulfureto de carbono

Contra o dióxido Ácidos (bromídrico + pa, clorídrico +


de enxofre + P2, fluorídrico, fórmico), anídrido
e alguns gases sulfuroso, dióxido de enxofre, gás
Grupo E Amarelo
e vapores ácidos hidroclorldrico
(especificados
pelo prodular)

Contra o amoníaco e Butilamina, dielilamina,


derivados aminados disopropilamina, dimetilamina,
Grupo K Verde
(especificados pelo elilamina. hidrazina, isopropilamina,
produtor) metilamina

A duração (de utilização) de um filtro depende da sua capacidade de apreensão,


da concentração de contaminantes na atmosfera, do ritmo respiratório do utilizador e
da temperatura e humidade ambiente; deve ser substituído quando fica saturado, ou
seja, quando perde a capacidade de apreensão (ver fig. 2.9).
122 _ _ _ _ _ _ _ _-'MANUAL DE SEGURANCA

FIGURA 2.9. SATURAÇÃO DOS FIL TROS

Filtro uHlizâveJ Filtro saturado

A saturação do filtro pode ser sentida pela presença do contaminante na boca


(paladar) ou no nariz (olfacto) ou em casos mais extremos pela sensação de verti-
gem ou atordoamento.
Quando são distribuídos, os trabalhadores devem receber formação sobre a sua
correcta utilização (ver fig. 2.10) manutenção e substituição, de acordo com as indi-
cações do fabricante. Deve ser chamada a atenção para que não tentem limpar os
filtros com sopragem de ar ou por qualquer outra forma.

FIGURA 2. 10. COLOCAÇÃO OE UM EQUIPAMENTO


DE PROTECÇÃO RESPIRATÓRIA

'~
f~
v
~. "
!t.: .' .
\,. -<i
. ~

"
-
1 2 3

4 5 6
EQUIPAMENíOS OE Pr.;,OTECC;'O nmlVIOUAL 123

• AJUSTE
Só uma máscara bem ajustada protege eficazmente o seu utilizador. Devem ser
considerados os seguintes factores:
- O tamanho deve ser o adequado;
- A forma do rosto, a barba, etc., pode impedir um bom ajuste;
- As tiras do respirador devem estar bem ajustadas, para que a peça facial se
ajuste perfeitamente.
- Prova negativa de ajuste: Consiste em tapar a parte filtrante do respirador
com as mãos e inalar durante 10 segundos. A máscara deve colapsar.
- Prova positiva de ajuste: Consiste em exalar com as mãos sobre a válvula de
exalação. Sente-se a pressão na peça facial.

Todos os trabalhadores que utilizarem regularmente protecção respiratória


devem ser submetidos (pelo médico do trabalho) a exames da função pulmonar,
com a periodicidade definida pelo médico do trabalho.
Os filtros para gases e vapores têm um tempo de vida, independentemente da
sua utilização, pelo que antes de entregar um filtro deste tipo deve-se verificar a sua
data de validade.
Estes equipamentos devem ser armazenados protegidos de poeiras, luz solar,
calor, humidade, etc. Após cada utilização, o bocal deve ser limpo e todo o equipa-
mento inspeccionado.

9.5. PROTECÇÃO DAS MÃOS


As mãos são a parte do corpo que mais lesões regista em acidentes de trabalho,
o que não é de admirar já que são as mãos que estão mais perto do risco, seja a
manipular objectos ou ferramentas, seja em contacto com produtos agressivos, físi-
cos ou químicos, tais como:
- Riscos mecânicos: abrasão, corte, entaladela, espetadela, vibrações;
- Riscos eléctricos: contacto com partes activas ou descargas electrostáticas;
- Riscos térmicos: contacto com objectos quentes ou frios;
- Riscos qufmicos: solventes, óleos e massas, detergentes ácidos ou bases;
- Riscos biológicos: contaminação ao manipular substâncias contaminadas com
vectores biológicos (desentupimento de fossas ou esgotos, etc.).

Os equipamentos para protecção das mãos são as luvas. Existem de diversos


tipos: de cinco dedos, de palma e dedo (aconselhável para operações onde exista o
risco de entalamento entre peças móveis) (ver figura 2.11). Algumas têm manguitos
124 MANUAL DE SEGURANÇA

que cobrem também o antebraço. São constituídas por diversos materiais consoante
os riscos que pretendem proteger. Para os riscos mais usuais em obras de constru~
ção de edifícios, é aconselhavel o uso de luvas em couro quando se pretende pro-
tecção mecãnica e térmica, de algodão ou nylon revestidos (na palma e nos dedos)
a látex, nitrilo ou poliuretano quando se pretende protecção mecânica e de neopreno
ou algodão revestido a PVC quando se pretende protecção mecânica e qufmica (ver
figura 2.12).

FIGURA 2.11. TIPOS OE LUVAS DE PROTECÇÃO

a) Luva com 5 dedos b) Luva de palma e dedo

FIGURA 2.12. ESTRUTURA BÃSICA DE UMA LUVA OE PROTECÇÃO

Os punhos compridos
protegem o antebraço

o revestimento exterior protege


contra produtos químicos,
líquidos, material biológico,
frio, calor, atritos, rasgões,
radiações, golpes, etc.
o forro ou a parte interna
das luvas protege contra o frio,
o calor, as vibrações
e absorve a transpiração
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 125

As principais normas aplicáveis para luvas são:

TABELA 2.5. NORMAS APLICÁVEIS A EP/(S) PARA PROTECÇÁO DAS MÃOS

Comissão
Referência Tflulo
Técnica

NP EN 374-1:2005 Luvas de protecção contra produtos qufmicos CT -4


(Ed.2) e microorganismos.
Parte 1: Terminologia e requisitos de desempenho.

NP EN 374-2:2005 Luvas de protecção contra CT -4


(Ed.2) produtos químicos e microorganismos.
Parte 2: Determinação da resistência à penetração.

NP EN 374-3:2005 Luvas de protecção contra produtos químicos CT-4


(Ed.2) e microorganismos.
Parte 3: Determinação da resistência
à permeação por produtos químicos.

NP EN 388:2005 Luvas de protecção CT-4


(Ed.2) contra riscos mecânicos.

NP EN 407:2006 Luvas de protecção contra riscos térmicos CT -4


(Ed.2) (calor elou fogo).

NP EN 420:2005 Luvas de protecção. CT-4


(Ed. 2) Requisitos gerais e métodos de ensaio.

EN 511:2006 Luvas de protecção contra o frio. TC -162


(Ed.2)

NP EN 659:2005 Luvas de protecção para bombeiros. CT -4


(Ed.1)

NP EN ISO 10819:2001 Vibração e choque mecânicos. CT-4


(Ed. 1) Vibração mão-braço. Método para a medição
e a avaliação da transmissibilidade da vibração
das luvas na palma da mão (ISO 10819:1996).

NP EN 12477: 2oo3/A Luvas de protecção para soldadores. CT-4


1:2007 (Ed. 1)

EN ISO 20345:2004 Equipamento de protecção individual. TC -161


(Ed.1) Calçado de segurança (ISO 2345:24).

EN ISO 20345: 2oo4/A Equipamento de protecção individual. TC - 161


1:2007 (Ed. 1) Calçado de segurança.
Emenda 1 (ISO 20345:2004/Amd 1:2007).

EN ISO 20346:2004/A Equipamento de protecção individual. TC -161


1:2007 (Ed. 1) Calçado de prolecção.
Emenda 1 (ISO 20346:2oo4/Amd 1:2007).
126 MANUAL DE SEGURANÇA

Comissão
Referência Título
Técnica

EN ISO 20346:2004 Equipamento de protecção individual. TC -161


(Ed.1) Calçado de protecção (ISO 2346:24).

EN ISO 20347:2004/A Equipamento de protecção individual. TC -161


1:2007 (Ed. 1) Calçado ocupacional.
Emenda 1 (ISO 20347:2004/Amd 1:2007).

EN ISO 20347:2004 Equipamento de protecção individual. TC -161


(Ed. 1) Calçado ocupacional (ISO 2347:24).

As luvas devem oslentar as seguintes marcações:


a) Marca CE;
b) Número da norma, pictogramas associados aos riscos que protege e respec-
tivo nívei de desempenho!;
c) Identificação do fabricante;
d) O modelo (denominação do fabricante);
e) Tamanho.

As embalagens devem ostentar as seguintes marcações:


a) Nome e morada do fabricante;
b) Marca CE;
c) Número da norma, pictograma(s) apropriado(s) e níveis de desempenho' (de
acordo com a sequência definida na norma);
d) Frase «(SÓ para riscos mínimos») quando aplicável;
e) O modelo (denominação do fabricante) e tamanho;
f) Período de vaiidade (se a protecção for afectada peio enveihecimento).

As luvas de protecção contra perigos mortais ou que possam prejudicar grave e


irreversivelmente a saúde dos utilizadores, devem estar conforme as normas para
cada tipo de risco. Devem ter oposto o respectivo pictograma de risco bem como o
nivel de desempenho associado. O quadro 2.8 fornece a iista de pictogramas, res-
pectivos significados e a norma associada.

(1) Nível de desempenho - Número que corresponde à classificação obtida no ensaio de desempenho
EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO IfJPIVIOUAL 127

QUADRO 2.8. PICTOGRAMAS USADOS EM LUVAS

81mbolo Indicação

0
NPEN 407- Protecção contra riscos térmicos (calor e fogo)

~
NP EN 421 - Protecção contra radiações ionizantes
e/ou contaminação radioactiva,

," l

== NP EN 374 - Protecção contra riscos qufmicos

~
C!J j,

NP EN 374-2- Protecção contra contaminação bacteriológica

l§J

EN 374-2 - Protecção contra riscos micro-biológicos

[5J
NP EN 388 - Protecção contra riscos mecânicos

0
NP EN 388 - Prolecção contra riscos de corte por impacto

~
NP EN 388 - Protecção contra riscos de electricidade estática

NP EN 511 - Protecção contra riscos por frio

@
128 MANUAL DE SEGURANÇA

Durante o período de aprendizagem e adaptação, as queixas mais usuais são


devidas a desconforto (usuaimente por rigidez dos materiais de que a luva é consti-
tuída ou por costuras demasiado grossas e que comprimem os dedos) e diminuição
da destreza manual.

9.5.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


As iuvas devem dar protecção adequada para o risco que pretendem proteger
mas sem embotar o tacto e diminuir em demasia a flexibiiidade dos dedos. Devem
ter o tamanho adequado à mão do utilizador - luvas grandes embotam o tacto, e as
luvas pequenas diminuem a protecção e dificuilam a circuiação sanguínea.
Devem ser inspeccionadas diariamente, antes do início da jornada de trabaiho,
verificando se apresentam cortes, rasgões, furos ou qualquer outro defeito susceptí-
vel de diminuir a sua eficácia.
Devem ser limpas de acordo com as instruções do fabricante 8 1 estando molha-
das, devem ser secas à sombra (de forma a não endurecerem). É aconselhável lavar
as mãos com água corrente e sabão após a utilização das luvas (qualquer que seja
o tipo e material de que são constituídas).

9.6. PROTECÇÃO DOS PÉS


Os pés são uma parte frágil do corpo, devido à sua estrutura óssea complicada e
protegida por tecidos musculares pouco volumosos. São muito importantes, particu-
larmente os dedos, para o equilíbrio do corpo, especialmente na locomoção. Por não
estarem dentro do campo normal da visão, estão mais sujeitos a embater em obstá-
culos e a pisar objectos aguçados, cortantes, quentes ou corrosivos.
O perigo que dá origem a mais acidentes com iesões nos pés é a queda de
objectos em manipulação. O caiçado de segurança tem como elementos de protec-
ção: a biqueira de aço, a palmilha de aço e o rasto anti-derrapante (ver figura 2.13.).
Para trabalhos em locais húmidos ou molhados e enlameados, muito vuigares na
construção, usam-se as botas de borracha de cano aito, que devem ter palmilha e
biqueira de aço.
O calçado de protecção não deve ser pesado porque se torna desconfortável e
deve permitir uma ventilação adequada a fim de evitar a transpiração excessiva dos
pés. Há três tipos básicos de calçado: sapato, protege o pé abaixo do artelho, bota,
protege o pé e parte da perna ao nível do artelho e botim, protege o pé e parte da
perna acima do arteiho.
129

FIGURA 2.13. CONSTITUiÇÃO 00 CALÇADO OE SEGURANÇA


(REOUISITOS FUNDAMENTAIS)

r---- Fole

, - - - - - - Reforço

Contraforte , - - - - - - Almofada

Protecção do salto
contra os choques

Palmilha anti-fúngica - - - - - ' Biqueira de protecção


(protecção contra
Sola os choques e o esmagamento
Sola e raslro - - - - - / de desgaste da ponta do pé)
(protecção contra
os riscos químicos, Palmilha de aço
térmicos e quedas (protecção contra os riscos
por escorregamento) de perluração da planta do pé)

A norma EN 344: 1992/A1:1997 define três categorias de calçado para uso pro-
fissional:
- CALÇADD DE SEGURANÇA - O que tem biqueira CDm capacidade de protecção
contra uma energia de impacto de 200 J;
- CALÇADO DE PROTECÇÃO - O que tem biqueira com capacidade de protecção
contra uma energia de impacto de 100 J;
- CALÇADO DE TRABALHO - O que não tem biqueira.

Estes tipos de calçado podem ser de tipo I ou tipo II, em função do material de
que são constituídos e do processo de fabrico.
O calçado de tipo II é constituído por borracha natural vulcanizada ou por políme-
ros moldados, o de tipo I é constituído pelos restantes materiais.
100 MANUAL DE SEGURANÇA

As principais normas aplicáveis são:

TABELA 2.6. NORMAS APL/CAVEIS A EPI(S) PARA PROTECÇÃO DOS PÉS

Comissão
Referência Tftulo
técnica

EN ISO 20345:2004 Equipamento de protecção individual. TC - 161


lEdo 1) Calçado de protecção (ISO 2345:24)

EN ISO 20345:2004/A 1:2007 Equipamento de protecção individual. TC - 161


(Ed.1) Calçado de segurança.
Emenda 1 (ISO 20345:2004/Amd 1:2007)

EN ISO 20346:2004/A 1:2007 Equipamento de protecção individual. TC -161


(Ed.1) Calçado de segurança.
Emenda 1 (ISO 20346:2004/Amd 1:2007)

EN ISO 20346:2004 Equipamento de protecção individual. TC - 161


(Ed.1) Calçado de protecção (ISO 2346:24)

EN ISO 20347:2oo4/A 1:2007 Equipamento de protecção individual. TC - 161


(Ed.1) Calçado ocupacíonal.
Emenda 1 (ISO 20347:2oo4/Amd 1:2007)

EN ISO 20347:2004 Equipamento de protecção individual. TC -161


(Ed.1) Calçado ocupacional (ISO 20347:24)

Deverão ostentar as seguintes marcações:


a) Marca CE
b) Número da norma Europeia;
c) Idenlificação do fabricante;
d) O modelo (denominação do fabricante);
e) Modelo;
I) Trimestre e ano de produção;
g) Símbolos adicionais (sigla «CE», seguida dos dois últimos algarismos do ano
de certificação, símbolo ou categoria referente ao nlvel de protecção).

O quadro 2.9 apresenta as exigências da nomna para as várias categorias de


calçado do tipo I.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 13'

QUADRO 2.9. EXIGÊNCIAS DA NORMA PARA CALÇADO DO TIPO I

Norma Tipo de calçado Categorias

EN ISO Calçado de segurança para uso


SB S1 S2 S3
20345 profissional com biqueira até 200 J

EN ISO Calçado de protecção para uso


PB P1 P2 P3
20346 profissional com biqueira até 100 J.

EN ISO Calçado ocupacional (não tem biqueira). 01 02 03


20347

Riscos cobertos

Símbolos
Características
adicionais

ORO Sola resistente a hidrocarbonetos. Ob Ob Ob Ob


A Calçado anti-estático. Op Ob Ob Ob
E Calçado com absorção de energia no salto, Op Ob Ob Ob
WRU Resistência à absorção e penetração de água. Op Ob Ob
P Resistência à perfuração, em N. Op Op Ob
Sola anti-derrapante. Op Op Op Ob
C Calçado condutor. Op Op Op Op
HI Isolamento contra o calor. Op Op Op Op
CI Isolamento contra o frio. Op Op Op Op
HRO Sola resistente ao calor. Op Op Op Op
SM Protecção do metatarso. Op Op Op Op
CR Resistência ao corte. Op Op Op Op
Ob - Obrigatório; Op - Opcional.

Todo O calçado é de categoria 2, excepto:


a) Calçado especialmente concebido para ser condutor eléctrico: categoria 3;
b) Calçado normal, sem protecção especial como biqueira e palmilha e que se
destina a proteger a pele de riscos mínimos' e ambientais: categoria 1.

(1) Consideram-se riscos mínimos: as agressões mecànicas superficiais, os produtos de manutenção e


limpeza pouco agressivos, temperatura ambiente inferior a 50° C, mau tempo almosférico, pequenos
choques ou vibrações e radiação solar.
132 • .• ",J\NUAL DE SEGURJ,NC..

9.6.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


No sector da construção é recomendá.vel o uso de botas em detrimento dos
sapatos de protecção mecânica, porque oferecem uma zona de protecção maior,
nomeadamente na zona dos tornozelos.
Contrariamente ao senso comum. os sapatos não são necessariamente mais
cómodos que as botas. A sensação de comodidade do calçado deve-se a factores
como: o formato, adaptar-se à morfologia do pé, os materiais permitirem a nonmal
transpiração do pé, a existência de palmilha antifúngica (evita maus cheiros e pro-
blema na pele do pé) e a zona do tomozelo almofadada.
Os pés devem ser lavados diariamente, após a jomada de trabalho e as peúgas
devem ser mudadas.
A vida útil do calçado depende das condições de utilização e da forma como é
mantido. O calçado de protecção deve de ser limpo no mínimo semanalmente com
graxa ou cera hidrófuga.
Quando estão molhados ou húmidos, devem ser secos à sombra, não devem ser
expostos ao sol nem colocados junto de fontes de calor.
Deve ser estabelecido um tempo de vida. tendo em conta as condições de utili-
zação (aconselha-se um ano) de forma a (lobrigar l' o trabalhador a cuidar do seu
calçado.
A reutilização de calçado por outro trabalhador ou a utilização colectiva de cal-
çado de protecção (por exemplo: botins impermeáveis) deve ser abolida e rigorosa-
mente proibida.

9.7. PROTECÇÃO DO TRONCO


A protecção do tronco pode ser encarada a dois níveis. As agressões ··normais»
devidas ao ambiente de trabalho e que afectam todo o corpo e a protecção contra
quedas em altura (ver secção 9.8).
O tronco deve ser protegido das agressões externas através de vestuário apro-
priado para cada função. O vestuário de protecção cobre ou substitui o vestuá.rio
pessoal com a finalidade de proteger de um ou vários perigos, nomeadamente:
mecãnicos (cortes, perfurações), térmicos (contacto com frio ou calor, chamas ou
faiscas e projecções de material incandescente), químicos (contactos com produtos
corrosivos, irritantes, etc.), eléctricos (contacto com peças em tensão, descargas
electrostáticas), radiações (ultravioletas, infravenmelhas, etc.) e intempéries.
O vestuário de trabalho deve ser justo ao corpo mas de modo a não prender os
movimentos. Pode ser de diversos tipos: fato de uma peça (fato de macaco), fato de
duas peças (blusão e calça), avental, colete, jardineiras... A escolha do tipo de ves-
tuário deve ter em conta a natureza do trabalho, por exemplo, para trabalhos em
locais com atmosferas muito sujas (muita poeira no ar. por exemplo) é aconselhável
o fato de uma peça pois protege melhor do contacto com poluentes, especiaimente
na zona da cintura. Em certas operações (soldadura, por exempio) devem ser usa-
dos equipamentos suplementares, tais como: aventais, coletes...• cujo material de
que são constituídos varia em função do agente agressor.
É aconselhávei que os trabalhadores troquem de roupa no estaleiro, de forma a
evitar possíveis contaminações.

As normas principais aplicáveis para o vestuário são:

TABELA 2.7. NORMAS APL/CAVEIS A EPf(S) PARA PROTECçAo DO TRONCO

Comissão
Referência Título
técnica

NP EN 340:2005 Vestuário de protecção. Requisitos gerais. CT -4


(Ed.2)

NP EN 342:2005 Vestuário de protecção. Conjuntos CT -4


(Ed.1) e peças de vestuário para protecção contra o frio.

NP EN 343- Vestuário de protecção. CT -4


+A1:2007 (Ed. 1) Protecção contra a chuva.

NP EN 369:1998 Vestuário de protecção. Protecção contra produtos CT-4


(Ed 1) qulmicos líquidos. Método de ensaio:
Resistência dos materiais à permeação por líquidos.

NP EN 381-1:2001 Vestuário de protecção para utilizadores CT-4


(Ed 1) de moto-serras manuais. Parte 1: Dispositivo de ensaio
para o ensaio de resistência ao corte por uma moto-serra.

NP EN 381-2:2001 Vestuário de protecção para utilizadores CT -4


(Ed. 1) de moto-serras manuais.
Parte 2: Métodos de ensaio para protectores de pernas.

NP EN 381-3: 1999 Vestuário de protecção para utilizadores de moto-serras CT -4


(Ed 1) manuais. Parte 3: Métodos de ensaio para calçado.

NP EN 381-4:2001 Vestuários de protecção para utilizadores CT -4


(Ed. 1) de moto-serras manuais. Parte 4: Métodos
de ensaio de luvas de protecção para moto-serras.

NP EN 381-5:2001 Vestuário de protecção para utilizadores de moto-serras CT -4


(Ed.1) manuais, Parte 5: Requisitos para protectores de pernas.

NP EN 381-7:2001 Vestuário de protecção para utilizadores CT-4


(Ed.1) de moto-serras manuais. Parte 7: Requisitos
para luvas de protecção para moto-serras.

NP EN 381-8:2000 Vestuário de protecção para utilizadores de moto-serras CT-4


(Ed 1) manuais. Parte 8: Métodos de ensaio para polainas
de protecção para a utilização de moto-serras,

I
134 MANUAL DE SEGURANÇA

Referência Titulo Comissão


técnica

NP EN 381-9;2000 Vestuário de protecção para utilizadores de molo-serras CT-4


(Ed.1) manuais. Parte 9: Requisitos para polainas de protecção
para a utilização de moto-serras.

EN 381-10:2002 Vestuário de protecção para utilizadores de molo-serras TC -162


(Ed. 1) manuais. Parte 1: Método de ensaio para protecções
superiores do corpo.

EN 381-11;2002 Vestuário de protecção para utilizadores de moto·serras TC -162


(Ed.1) manuais. Parte 11: Requisitos para protectores superiores
do corpo.

EN 471-;2003 Vestuário reflector de presença para uso profissional. TC -162


+A1;2007 (Ed. 1) Requisitos e métodos de ensaio.

NP EN 471;2004 Vestuário de sinalização de grande visibilidade CT-4


(Ed.2) para uso profissional.

NP EN 510;1998 Especificação de vestuário de protecção CT -4


(Ed. 1) para utilização quando existe risco
de entrelaçamento com partes em movimento.

NP EN 531;1997 Vestuário de protecção para trabalhadores expostos ao CT -40


(Ed.1) calor (excluindo vestuário para bombeiros e soldadores).

NP EN 531;1997/A Vestuário de protecção CT -4


1;2000 (Ed. 1) para trabalhadores expostos ao calor.

EN 1149-1 ;2006 Vestuário de protecção. Propriedades electrostáticas. TC -162


(Ed.2) Parte 1: Método de ensaio para medição
da resistividade superficial.

NP EN 1149- Vestuário de protecção. Propriedades electrostáticas. -


2;2002 (Ed. 1) Parte 2: Método de ensaio para medição da resistência
eléctrica através de um material (resistência vertical).

NP EN 1149- Vestuário de protecção. CT-4


3;2006 (Ed. 1) Propriedades electrostáticas. Parte 3; Métodos
de ensaio para medição de queda de carga.

NP EN ISO Vestuário de protecção para uso contra partículas CT -4


13982-1 ;2007 sólidas. Parte 1; Requisitos de desempenho para
(Ed.1) vestuário de protecção contra produtos qulmicos
oferecendo protecção a todo o corpo contra partfculas
sólidas transportadas pelo ar (vestuário tipo 5)
(ISO 13982-1:2004).

NP EN ISO Vestuário de protecção para uso contra partículas sólidas. CT-4


13982-2;2007 Parte 2: Método de ensaio para a determinação
(Ed.1) de fugas internas, para dentro do fato.
de aerossóis de partículas finas (ISO 13982-2:2004).

NP EN 14058:2006 Vestuário de protecção. CT -4


(Ed.1) Vestuário para protecção contra ambientes frescos.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÁO INDIVIDUAL 135

o vestuário de protecção deve proteger o corpo conlra diversos tipos de riscos


ou condições ambientais: mecânicos, químicos. radiações, calor ou frio, poluentes
da atmosfera da trabalho...• e satisfazer requisitos de conforto e saúde: alergias.
transpiração. peso, adaptação ao corpo...
O vestuário de trabalho deverá ostentar as seguintes marcações:
a) Identificação do fabricante;
b) Designação do produto;
c) Designação da dimensão;
d) Número da norma correspondente;
e) Pictograma relativo ao risco que protege (quadro 2.10) e nível de desempenho;
f) Instruções de lavagem.

OUADRO 2.10. PICTOGRAMAS UTILIZADOS EM vEsruARIO OE PROTECÇÃO

Símbolo Significado

~ Protecção conlra riscos mecânicos

~ Protecção contra riscos químicos

~ Protecção contra o calor e o fogo

t) Protecção contra o frio

"1
Protecção contra contaminação radioactiva

Protecção contra descargas electrostáticas

bJ Utilizar em situações de visibilidade reduzida

f' Utilizar para protecção contra intempéries

a.i- Utilizar nos Irabalhos com moto-serras


136 MAtmAL DE SEGURANCA

o nível de desempenho corresponde aos resultados de ensaios laboratoriais que


avaliam os efeitos de um detenninado risco, é quantificado por um número, numa
escala de 1 a 5, em que ao nível 5 corresponde o melhor desempenho.

9.7.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


o vestuário de protecção deve assegurar a melhor protecção possível, assim
como o conforto do utilizador e assegurar a liberdade de movimentos.
Os factores de incomodidade normalmente apontados são devidos ao calor e
transpiração (principalmenle devida à falta/deficiente ventilação), peso (excessivo),
deficiente adaptação à morfologia do utilizador, diminuição da liberdade de movi-
menfos, incompatibilidade (com outros equipamenlos ou com algumas operações)
ou reacções alérgicas.
Na selecção deste tipo de equipamento é importante ter em atenção os riscos a
proteger, os factores de incomodidade apontados, a morfologia dos utilizadores (os
tamanhos das peças de vestuário devem ser adaptados aos ulilizadores) e escolha
de vestuário que não conlenha materiais susceptíveis de provocar reacções alérgi-
cas.
A duração do vestuário depende de vários factores, nomeadamente: desgaste,
sujidade, (poeiras, 6leos, etc.) frio, humidade, radiações, etc. Deve ser substituido
quando não oferecer protecção adequada devido a cortes, desgastes, rasgões, etc.,
ou apresentar sinais de envelhecimento (perda da cor, por exemplo).
Para conservar o vestuário e evitar riscos para a saúde, o vestuário de protecção
deve ser lavado com frequência (no mínimo semanalmente). O vestuário de alta
visibilidade perde as suas características fluorescentes quando está sujo, e ao fim de
algumas lavagens, pelo que deve ser lavado ou substituído com maior frequência
que o restante vestuário.

9.8. PROTECÇÃO INDIVIDUAL CONTRA QUEDAS EM ALTURA


As quedas em altura são a principal causa de morte devido a acidentes de tra-
balho.
Considera-se trabalho em altura todo o trabalho executado a dois ou mais metros
de altura (quer em altura, quer em profundidade).
Em casos excepcionais em que não seja de todo possível adopiar medidas de
protecção colectiva contra quedas em altura ou em trabalhos de curta duração,
devem ser utilizados equipamentos de protecção individual que impeçam o trabalha-
dor de sofrer uma queda livre superior a 1,5 m, a menos que esteja amarrado por
dispositivos de pára-quedas que limitem os efeitos de uma queda a maior altura.
EO~ 1õ'_h<_"_EN_TO~~ PROTEC::.C.::A::O-'-''''N::O,,'V''''O'''U'''A:::L'- _ 137

Existem vários sistemas anti-queda e diversos acessórios, no entanto, todos são


constituídos pelos seguintes dispositivos básicos:
a) ARNÊS - elemento de suporte do corpo conslituido por um conjunto de cor-
reias primárias e secundárias (tiras), fivelas e acessórios, ajustáveis ao
tronco e pernas (ver figura 2.14) Retêm a queda transferindo a força para
várias partes do corpo que a absorveu e mantêm o corpo numa posição pró-
xima da vertical (ver figura 2.15);
b) CORDA DE SUJEiÇÃO OU AMARRAÇÃO - elemento de amarração, em material
sintético (usualmente em fibras de poliamida ou poliéster), com um mosque-
tão em cada extremidade, para amarrar ao amês e ao ponto de ancoragem.
Pode ler dispositivo de ajuste do comprimento (ver figura 2.16);
c) AMORTECEDOR (também conhecido como pára-quedas) - para alturas de
queda livre superiores a 1,5 m, é obrigatório que a amarração se efectue por
dispositivo que absorva a energia da queda. Existem diferentes tipos: retrác-
teis com vários comprimentos (de 6 a 20 m), de cinta têxtil com absorção...
(ver figuras 2.16 e 2.17);
d) ACESSÓRIOS - são elementos (mosquelões, fivelas anilhas...), geralmenle
metálicos, que permilem a amarração, ligação ou regulação enlre os dife-
rentes dispositivos ou suas partes (ver figura 2.18);

FIGURA 2.14. ARNESES DE SEGURANÇA

Anel de fixação

Anel de fixação
à frenle

~""--- Correia dorsal

'r1,J\--- Fecho central

Anêis de suporte

Tira do peiro

Correia de assento

Tira das pernas


138 MANUAL DE SEGURANÇA

FIGURA 2. 15. POSiÇÃO APÓS OUEOA

a) Amês com anel b) Arnês com anel


de fixação à frente de fixação atrás

FIGURA 2.16. COROA OE AMARRAÇÃO OU SUJEiÇÃO

• ~ 'I • ,~-,. ' . \ \ .... , .


~
'.. \\---<0':'-) ..
Amortecedor de queda
Com colchete
Com mosquetão de amarração
ou sujeição

FIGURA 2.17. AMORTECEDOR OE QUEDA

Amortecedor
de queda

"----Cabo
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 139

FIGURA 2.18. DISPOSITIVOS DE SEGURANÇA DOS ACESs6RIOS

Bloqueamento

. '0
~
~ Dispositivo de segurança
com travagem (destrava-se

~ Dispositivo
virando e desaparafusando)

de segurança

Um sistema anti-quedas básico deve ser composto por um elemento de amarra-


ção com absorsor de energia, que une o amês envergado pelo trabalhador ao ponto
de ancoragem (ver figura 2.19)
O sistema deve estar amarrado a um ponto de ancoragem acessível e que tem
de ser resistente para suportar uma força estática de 10 KN, sem apresentar defor-
mações permanentes.

FIGURA 2. 19. SISTEMA ANTI-QUEDAS BAslCO


1":0 nAHUf<l 0= SEGURAtJCt.

É frequente, em obras de construção, observar trabalhadores que embora


envergando o amês anti-queda, trabalham desprotegidos. As razões para tal devem-
-se à ignorância sobre o uso correcto deste tipo de protecção, nomeadamente:
1. Pontos de ancoragem desadequados;
2. Acessórios mal utilizados;
3. Acessórios em mau estado de conservação.

Quanto à primeira, os pontos de ancoragem devem, obrigatoriamente, cumprir o


seguinte conjunto de requisitos:
a) Ter uma resislência mecânica mínima de 10 KN;
b) Ser rígido
c) Estar situado por cima do trabalhador;
d) Estar no eixo vertical ao plano de trabalho (são permitidos desvios máximos
de 40' em relação ao eixo de trabalho);
e) Estar isento de arestas, rebarbas ou revestimento susceptível de danificar o
mosquetão (ou outro conector de ligação);
f) Estar afastado de qualquer tonte de energia susceplivel de alterar a sua
resistência.

A determinação dos pontos de ancoragem deve ser responsabilidade do técnico


de SHST ou, em sua substituição, do director de obra.
Pontos de fixação como: caixilhos de portas ou janelas, varandins, corrimãos,
condutas, radiadores e outros elementos cuja resistência e solidez seja duvidosa,
não são adequados. Os pontos de ancoragem devem ser constituídos por cavilhas
estruturais solidamente fixadas a elementos construtivos devidamente consolidados.
(ver fig. 2.20)
Quanto ao segundo item (acessórios mal utilizados), o técnico de segurança ou,
em alternativa o director de obra, devem solicitar a aquisição dos acessórios ade-
quados às actividades que vão ser desenvolvidas no estaleiro.
Por exemplo, quando o trabalhador necessita de mobilidade para executar a
tarefa, muitas vezes as cordas de sujeição são acrescentadas de forma a aumentar
a referida mobilidade, o que retira por completo toda a eficácia da protecção porque,
em caso de queda, o trabalhador pode ter uma queda livre que, pela energia que
atinge, pode-lhe provocar lesões ou quebrar o ponto de ancoragem. Neste casos,
deve-se utilizar um dispositivo anti-queda de retomo automático que consiste num
cabo enrolado num tambor e com um mecanismo cujo funcionamento é semelhante
aos dos cintos de segurança dos automóveis, devagar, enrola e desenrola de forma
automática consoante as necessidades do utilizador, se a solicitação for violenta, em
caso de queda, bloqueia e não desenrola.
Existem no mercado variadíssimos acessórios que cobrem a quase totalidade
das necessidades específicas das tarefas que se desenvolvem numa obra de cons-
trução pelo que não é necessário (nem legalmente possível) «inventar» acessórios.
i:.QUIP.....ENTOS o:: PtiOTECCAO nlDl\'lDUAl..

FIGURA 2.20. PONTOS OE ANCORAGEM

Cavilhas para fixação em superfícies verticais,


horizontais e inclinadas: paredes, pilares, vigas, colunas, placas...

~PonlOde CavIlha
estrutural
amarração

Dispositivo para fixação Dispositivos de ancoragem


em telhados inclinados provisórios

Sendo equipamentos cuja utilização pode ser relativamente complexa. é essen·


cial que todos os utilizadores recebam formação especifica sobre a correcta utiliza·
ção e limitações dos equipamentos e respectivos acessórios, bem como da sua
armazenagem e manutenção, antes da sua primeira utilização. Esta formação deve
ser personalizada, de forma a garantir que o utilizador compreendeu bem as instru-
ções que lhe foram transmitidas. Periodicamente devem ser efectuadas acções de
reciclagem para assegurar que os trabalhadores não esquecem as instruções.
Quanto ao terceiro item (acessórios em mau estado), tendo em consideração
que a conservação do arnês anti-queda e respectivos acessórios é fundamental para
garantir a integridade física do seu utilizador, aconselha-se:
a) Estar armazenados em local limpo e seco;
b) Devem ser de atribuição individual (ao invés do que acontece usualmente em
que, devido ao seu custo, existe na ferramentaria do estaleiro um número
limitado de equipamentos que são entregues diariamente a quem deles
necessita);
142 MANUAL DE SEGURANÇA

c) Quando não for passivei proceder à atribuição individual, o ferramenteiro


deve verificar o equipamento e respectivos acessórios, nomeadamente,
existência de deformações e marcas de desgaste, sempre que lhe são devol-
vidos e antes de os entregar a um novo utilizador;
d) Nenhum equipamento ou acessório deve ser modificado, aiterado ou repa-
rado, no estaleiro, por pessoai não competente;
e) Sempre que tenham sido utilizados para parar uma queda (arnês e respecti-
vos acessórios) devem ser inspeccionados por pessoal qualificado;
f) Quando usados à intempêrie, devem ser secos, à sombra, em local limpo e
arejado;
g) Os equipamentos e respectivos acessórios devem ser controlados e verifica-
dos, de acordo com as instruções do fabricante. Todos os equipamentos e
acessórios devem ter, no estaleiro uma Ficha Descritiva de Equipamento de
Protecção Anti-Queda onde são registados os dados relevantes reiativos ao
equipamento;

Ficha descritiva de equipamento de protecção anti-queda

Fabricante Data de aquisição _1_1-


Referência Data da primeira _1_1-
corocação em serviço

N.1l de série Atribuído a _1_1-


Ano de _1_1-
fabrico

Inspecção/verificação

Data Organismo ou pessoa competente Resultado

1 _1_1-
2 _1_1-
3 _1_1-
4 _1_1-
5 _1_1-
Comentários
"E"Q"U"';.;P;.;A.::M:.:E;:.N,,T-,O-,S,-O,-E,,-,-P;.;R.::O;:.T.::EC.=CA:.:-.::O-,';.;N.::O;.;'V:.:'.::O-'U;:.A:.:L'- ...:'43

o técnico de segurança ou o director de obra devem verificar se a armazena·


gem, atribuição e verificação dos equipamentos são efectuados de forma correcta.
O fabricante é obrigado a fornecer com o equipamento e respectivos acessórios,
instruções de uso que têm de conter como mínimo:
a) Instruções detalhadas para o uso correcto do acessório ou sistema. As instru-
ções escritas podem ser complementadas com desenhos se necessário;
b) Instruções sobre o tipo de ancoragem adequada e respectiva resistência
mínima;
c) Instruções sobre os procedimentos a efectuar antes do uso;
d) Aviso se o componente for de uso pessoal;
e) Reccmendações de ccnservação e limpeza;
f) Outras instruções tais como: secagem após limpeza ou utilização, armazena-
mento, verificações periódicas...;
g) Registo com a seguinte informação: Identnicação e endereço do fabricante,
marca, número de série, ano de fabrico, adaptabilidade a outros sistemas de
protecção, data da compra, data de colocação em serviço, nome do utilizador
e espaço para comentários.

As normas aplicáveis para os sistemas de protecção contra quedas em altura são:

TABELA 2.8. NORMAS APLICÁVEIS A EP/(S) PARA PROTECÇÁO


CONTRA OUEDAS EM ALTURA

Comissão
Referência Título
técnica

EN 353-1 :2002 Equipamento de protecção individual para prevenção TC-160


(Ed.2) de quedas em altura. Parte 1: Anti-quedas do tipo guiado
incluindo um cabo rígido de ancoragem.

EN 353-2:2002 Equipamento de protecção individual para prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Parte 2: Anti-quedas do tipo guiado
incluindo um cabo flexlvel de ancoragem.

EN 354:2002 Equipamento de protecção individual para prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Chicotes (cabos curtos).

EN 355:2002 Equipamento de protecção individual para prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Absorsores de energia.

EN 360:2002 Equipamento de protecção individual para prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Anti-quedas do tipo retráctil.

EN 361:2002 Equipamento de prolecção individual para prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Arneses anti·queda.
MANUAL DE SEGURAtlCA

Comissão
Referência Titulo
técnica

EN 362:2004 Equipamento de protecção individual para a prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Ligações.

EN 363:2002 Equipamento de protecção individual para prevenção TC -160


(Ed.2) de quedas em altura. Sistemas de bloqueio anli-quedas.

EN 364:1992 Equipamento de protecção individual para a prevenção TC - 160


(Ed.l) de quedas em altura. Métodos de ensaio.

EN 365:2004 Equipamento de protecção individual para a prevenção TC-160


(Ed.2) de quedas em altura. Requisitos gerais de utilização,
manutenção, exames periódicos, reparação,
marcaçáo e embalagem.

EN 795: 1996/A Protecção contra as quedas de altura. TC -160


1:2000 lEdo 1) Dispositivos de amarração. Requisitos e ensaios.

NP EN 795:1999 Protecção contra as quedas de altura. CT -42


(Ed.1) Dispositivos de amarração. Requisitos e ensaios.

Cada componenle destacável do sistema deverá ostenlar as seguinles marcações:


a) Marca CE;
b) Últimos dois digitas do ano de fabrico;
c) idenlificação do fabricante;
d) Número de série do componente ou lote de fabrico.

9.8.1. SELECÇÃO EUTILIZAÇÃO


Este tipo de EPI (como qualquer outro) não deve limitar a liberdade de movi-
mentos do utilizador. No entanto, o comprimento do elemento de amarre não deve
exceder 2 m, de forma a deter a queda eficazmente. Quando for necessária uma
mobilidade superior ao comprimento da corda de sujeição, existem acessórios (anli-
-quedas retráctii) que funcionam de forma semelhante aos cintos de segurança dos
automóveis; estes acessórios devem de ser usados com muita prudência de forma a
não se criarem siluações em que o trabalhador fique desprotegido (ver figura 2.21).
O amês deve permanecer ajustado ao corpo do utilizador e todo o sistema,
incluindo o ponto de ancoragem deve ser de utllização individual, ou seja, não se
devem amarrar dois trabalhadores a um mesmo ponto de ancoragem (ao mesmo
tempo).
Os dispositivos de amarração não devem passar por bordos com arestas cor-
tantes.
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 145

FIGURA 2.21. EXEMPLO OE BOM USO DO SISTEMA ANTl-OUEOA

Os arneses e os elementos de amarração devem ser guardados em locais secos


e frescos e protegidos dos raios solares' Quando molhados ou húmidos, devem ser
secos ii sombra e afastados das fontes de calor. Não devem ser expostos ao con-
tacto com produtos agressivos; ácidos, óleos, massas lubrificantes, cimento, etc.
Diariamente, antes de iniciar a jornada de trabalho, o conjunto deve ser inspec-
cionado (inspecção visual) a fim de detectar desgastes ou defeitos e no final da jor-
nada devem ser limpos, quando necessário.
Todos os trabalhadores devem receber formação e treino, antes de começarem
a utilizar este tipo de EPI(s). A formação deve conter instruções (e treino) detalhadas
sobre a forma de utilização do sistema e de cada um dos seus componentes, instru-
ções para verificação e inspecção, manutenção, limpeza e armazenagem.
Os trabalhadores que realizem trabalhos em fachadas, enverguem vestuário de
protecção contra intempéries ou andem com equipamento às costas, devem usar
ameses com anel de fixação ii frente.

(1) Exlslem no mercado caixas e bolsas apropriadas para arrumação e transporte deste tipo de EPI(s) (ver
figura 2.22).
146 MANUAL DE SEGURAf.JCA
------------------------"===-===

FIGURA 2.22. MODELOS OE CAIXAS E BOLSAS PARA ARRUMAÇÃO


E TRANSPORTE OE ARNESES E SISTEMAS ANTl-QUEDA
EXISTENTES NO MERCADO

"

QUADROS DE ATRIBUiÇÃO DE EPI(S)


POR FUNÇÃO OU CATEGORIA
PROFISSIONAL

Os quadros que se apresentam a partir da página 147 sugerem os EPI(s) que


devem ser atribuídos a cada função ou catagoria profissional. Os EPI(s) indicados na
coluna Permanente são de uso obrigatório durante a permanência do trabalhador no
estaieiro. O uso dos indicados na coiuna Eventual dependem da operação que o
trabaihador desempenha ou do local onde a desempenha.
E~~~A_,_!._E_N_T~S...E~ PRO=-~.=E=C~C=Á~O:....:'~"~D=I~V~ID=U=A=L=- '47

QUADRO 1. DIRECTOR TÉCNICO DE OBRA


(Trabalhador que dirige. gere e coordena as actwidades das empreitadas que lhe estão atribuidas e repre-
senta a Empresa perante o dono de obra e as en/idades externas relacionadas com a obra)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicação Ou substituir
Capacete x do fabricante quando danificado

Ver indicação Limpar sempre


Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar

Subslituir SubslJtulr há mlnima


Semi-mâscara FFP2S x quando colmalado delarioração
Luvas de proteçção em algodão Substituir
revestido a Iáte)(. para fiscos m/nlmos
x quando danificado

SubshtUlf quando Limpar sempre


Óculos de prolecÇatl 3-1 2 D 1F x dificuttar a visão anles de utilizar

Ver indicaçãO SubstilUlr


Botas de segurança - calegofla 53 x do fabncanle quando dafllficado
Subshtuir
fato impermeável x quando danificado
Para intempérte

Subsbtulr
Bola lmpermeâvel- categoria 55 x Para intempéne
quando danificado

QUADRO 2. ENCARREGADO
(Trabalhador que chefia uma obra de grande dimensão e complexidade)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicação Ou substitUir
Capacete x do fabricante quando danificado

Ver Indlcaçao Limpar sempre


Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar

Substiluir quando Substituir hã minima


Semi-máscara FFP2SL x colmatado detenoraçAo

luvas de protecçao mecànlca. Ver indicação Substituir quando


x do fabricante danificado
nivel2122 e química
Ver Indicação Subs!ilu,r quando
Botas ele segurança - categorl8 53 x do fabricante danifICado
Substiluir quando Limpar sempre
Oculos de ptOlecção3-1.2 01f x ddicullar a visão antes de utilizar

Conjunto de amês anli.quada com corda


Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm, com 2 m de comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquetões em aço galvamzado
Subsliluir quando
Fato de trabalho x danificado
Substiluir quando
Fato Impermeável x danificado
Para inlempérle

Substituir quando
Bola impermeável - categoria S5 x danificado
Para intempérie
149 MANUAL DE SEGURANÇA

QUADRO 3. CHEFE DE EQUIPA


(trabalhador que chefia um grupo da mesma função ou de indiferenciadas)

DuraÇão
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicaç110 Ou substituir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar
Substituir quando Substituir há mIníma
Sarni-máscara FFP2SL x colmatado delerioraçi1o
Luvas de protecçêo mecânica, Ver indicação Substituir quando
X
nive12122 e qulmica do fabricante danificado
Ver indicação Substituir quando
Bolas de segurança - categoria 83 x do fabricante danificado
Substituir quando Limpar sempre
ÓCulos de protecção 3-12 D1F X
dificultar a visão anles de utilizar
Conjunto de arnês enU-queda com crnda
Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm, com 2m de comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquetóes em aço galvanizado
Substituir quando
Fato de trabalho x danificado
Substituir quando
Fato impermeável x danificado
Para intempérie

Substituir quando
Bota impermeável- categoria S5 x danificado
Para Inlempérie

QUADRO 4. APONTADOR
(Trabalhador que controla as entradas, saídas e imobilizações dos meios humanos,
dos equipamentos, das ferramentas e dos materiais)

Duração
Equipamento Permanente Eventual ObsetvaçOOs
do equipamento
Ver indicação Ou subsliluir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar
Substituir quando SubslítlJir há mlnima
Seffii..máscara FFP2S x colmatado deterioraçao
Luvas de protecção em algodão revestido a látex. Substituir quando
para riscos m1nimos
x danificado
Ver indicação Substituir quando
Botas de segurança - categoria 53 x do fabricante danificado
SubsUlulr quando Limpar sempre
ÓCulos de protecção 3-1.2 D1F x dificultar a visão antes de utilizar
Substituir quando
Fato de trabalho x danificado
Substituir quando
Fato impermeável X Para intempérie
danificado
Substituir quando
Bota Impermeável - categoria S5 x danificado
Para intempérie
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO JNDIVIDUAL 149

QUADRO 5. PREPARADOR DE OBRA


(Trabalhador que efectua o estudo do projecto visando a preparação/apoio técnico da obra)

Equipamento Duração
Pennanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicaçao Ou substih.Jir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver Indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar

Substituir quando Substituir há minima


Semi·máscara FFP2S x colmatado deterioraçao
Luvas de protecção em algodão reveslido a látex. Subsliluir quando
para riscos mínimos x danificado
Ver indicação Substituir quando
Bolas de segurança - categoria 53 x do fabricante danificado
SUbstituir quando ÜITlpar sempre
ÓCulos de protecção 3·1.2 D1F x edicullar a visão anles de utnlZo1T
SubstitUIr quando
Fato de trabalho x
daniricado
Substituir quando
Fato impermeável x danilicado
Para intempérIe

Substituir quando
Bota impermeável - calegoria 55 x danifiCado
Para intempérie

QUADRO 6. TOPÓGRAFO
(Trabalhador que concebe, prepara, estuda, orienta, e executa todos os trabalhos topográfi-
cos necessários à elaboração de planos, cartas, mapas, linhas longitudinais
e transversais)

Duração
Equipamento Permanente Eventual
do equipamento ~

Ver indiCação Ou subslitUlf


Capacete x do fabricante Quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do ratxicante antes de utilizar
SUbstituir quando SubslJlUir há míOOnél
Semi-máscara FFP2S x coImataÓCl deterioração
Luvas de protecçao em algodao revestido a látex, Subslitu~ quando
pala riscos minimos
x danificado
Ver indicaçAo Subslituir quando
Botas de segurança - categoria 83 x do fabricante danificado
Substituir quando Umpar sempre
ÓCulos de protecção 3-1.2 01F x dificultar a ".isao antes de utilizar
Substituir quando
Fato de trabatho x danificado

Para trabalhos na
Ver indicaçllo
Colete da aUa visibilidade AV x do fabricante
via pública ou junto
da máquina
Subslituir quando
Fato impermeável x danificado
Para intempérie

Subslituir QUando
Bola impermeável- categona 55 x danificado
Para intempérie
15::.0 _ MANUAL DE SEGURANCA

QUADRO 7. ARMADOR 00 FERRO


(Trabalhador que executa e monta estruturas de ferro armado)

Equipamento DuraçIio
Permanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicação Ou substituir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante anles de utilizar

Subshluir quando Substituir há mínima


Semi-máscara FFP25L x colmatado delerioraÇêo
Ver indicação Subslilulf há mínima
Luvas de protecção mecanica. nfvel2223 x do fabricante deterioração
Ver indicação SuDsUluir quandO
Bolas de segurança - categoria S3 x do fabricante darnficado
Substituir quando limpar sempl"e
Oculos de protecçao5-1.7 01F x difICultar a visao antes de U1irlZar
Conjunto de ames anli·queda com OOfda
Ver: illdicaçll.o Verifrcar sempre
de sujetÇão de 16 rTrn. com 2 m de comprimento x do fabricanlo anles de utilizar
e 2 mosquelôeS em aço galvanizado

Subslituu Quando
Fato de trabalho x danificado
Substitui, quando
Fato Inlpermeável x danilicado
Para Intempérie

Substituir quando
Bota Impermeável - categoria 55 x danrt'icadO Para intempérie

QUADRO 8. MONTADOR OE COFRAGENS/CARPINTEIRO


(Trabalhador que efectua operações de manobra. aprumo, acerto e ajuste de moldes ou
outros elementos que constituirão as cofragens metálicas ou de madeira)

Duração
Equipamento Permanenle Eventual ObseIVações
do equipamenlo
Ver indicaç<lo Ou SUbslitUJf
capacete x do fabricanle quando daniIJcado
Vet indicação limpar sempre
Protectores aunculares x do labncante antes de utiltzar
Substituir Quando Substituir há m'nima
Semi-máscara FFP25L x colmatado deterioraçao

Luvas de protecção macan'ca, Ver lnálCaçAo Substituir há mfnlma


nfvel2122e qulmica- nlvel4
x do labricante deterioraç<lo
Ver indicaçao Substituir quando
Botas de segurança - categoria S3 x do fabricante danificado
Substituir quando Limpar sempre
Óculos de protecção 3-1.2 D1F x dificultar a visilo antes de utilizar
Conjunto de arnês anU-queda com corda
Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm, com 2 m de comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosqueloos em aço galvanizado

Substiluir quando
Falo de trabalho x danifICado
Substiluir quando
Falo Impermeável x darnflCado
Para inlempérie

Subsliluir quando
BOla lmpermeávet- categofla S5 x danifICado
Para inlempéne
EQUIPAr lENTOS DE PROTECCÃO INDIVIDUAL '51

QUADRO 9. CARPINTEIRO DE TOSCOS


(Trabalhador que executa e monta estruturas de madeira em moldes para fundir betão)

Equ!pamento Oulação
Permanente Eventual ObservaÇÕes
do equipamento

V9r indicaçAo Ou substituir


Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicaç!lo Limpar sempre
Protectores auricu~res x do fabricanle antes de utiilzar
Substituir quando Substituir há mlnima
Sarni-máscara FFPiS x colmatado deterioração

luvas de protecçllo mecânica, Excepto nos traba·


Subsliluir quando
nlvel2122e qulmica- nfvel4 x danIficado
lhos com méqUIMS
rolativas
Ver indlcaÇâo Subslltuir quando
Botas de segurança - categoria 53 x do fabricante danirlcado
SubstItuir quando Lmpar sempre
ÓCulos de protecçao 5--1 7 01 F x difIcultar a vlsao antes de utilizar
Contunto de amês anli-queda com corda
Ver indicação Verificar semp<e
de sujeição de 16mm, com 2 mdecompnmenlo x do fabricante antes de utmzar
e 2 mosqustoes em aço galvanizado

SubstItuir quando
Fato de trabalho x danilicaclo

SubstItuir quando
Fato Impermeável x danificado
Para intempérIe

Substituir quando
Bota impermeável - calegorra S5 x d811ificado
Para IOtempérie

QUADRO 10. VIBRADORISTA


(Trabalhador que homogeneíza e compacta maSSa de betão fresco transmitindo vibrações ao
material por meio de dispositivos mecânicos que maneja)

Equipamento Permanenle Eventual Oumção


Observações
do equipamento

Vef indicação Ousubstitutr


Capacete x do fabricante quando darllfle3c1o
Ver ind;caçao limpar sempre
Protectores aurrculares x do fabricante anles de utilizar
Substiluír quando Subslitufr há mínima
Semi-máscara FfP25l x coImataclo deterioração
luvas de prolecçào mecânica, Ver indicaçAo Substituir há mínima
nível 2122 e quiffirca - nlvel 4 x do fabficante delerioraçAo
Ver ímJícaçAo Substituir quando
Botas de segurança - categorIa 83 x do fabricante danificado
Substiluir quando limpar sempre
Óculos de protecção integral 01 B x dilicullar a vis!lo anles de utilizar
Ver indicaçao Verificar sempre
ClOto de segurança com arnês x do fabricante anles de utilizar
Conjunto de arnês anti-queda com corda
Ver indícaçao Verificar sempre
de sujeiçao de 16 mm, com 2 m de complírnenlo x do labrlcante antes de ulilizar
e 2 mosquelões em aço galvanizado

Substituír quando
Fato impermeável x danificado
Para Intempérie

SUbslnuir quando
80la impermeável - categoria 85 x danificaclo
Para Intempérie
152 MANUAL DE SEGURANÇA

QUADRO 11. PEDREIRO/CANTEIRO


(Trabalhador que aparelha pedra em grosso e executa alvenarias de tijolo, pedra ou bloco)

Duração
Equipamento Permanente Eventual do equipamento
Observações

Ver indicação Ou substituir


Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicação limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante anles de utilizar
Substituir quando Substituir há minima
Semi-máscara FFP2S x colmatado deterioração
Luvas de protecção mecânica. Ver indicação Substituir quando
nlvel2122 e química x do fabricante danificado
Ver indicação Substituir quando
Botas de segurança - categoria 83 x do fabricante danificado
Substituir quando limpar sempre
ÓCulos de protecção 3-1.2 D1F x dificultar a visão antes de utilizar
Conjunto de arnês anti-queda com corda
Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm, com 2 m de comprimento X
do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquslões em aço galvanizado
Subsliluir quando
Falo de trabalho x dan~icado

Subsliluir quando
Falo impermeável x danificado
Para inlempérie

Substituir quando
Bota impermeável- categoria 85 x Para intempérie
danificado

QUADRO 12. SERVENTE


(Trabalhador maior que 18 anos, sem qualquer qualificação ou especialização profissional,
que trabalha em qualquer local que se justifique a sua presença para auxilio no trabalho
de qualquer oficial)

Dureçio
Equipamento Permanente Eventual do equkWn-enlo ODservaçôes
Ver indicação Ou substituir
Capacete x do fabricante Quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de ulilizar
Serni-máscara FFP2SL (ou FFP35L, Subslituir quando Substituir há minima
consoante Otrabalho
x colmatado deterioracão
Luvas de protecção mecãnica, Ver indiCaç!l.O Substituir quando
nivel 2122 e qufmica x do fabricanle danificado
Ver indicação SubstittJir quando
Botas de segurança - categoria S3 x do fabricante danificado
Subsliluir quando Limpar sempre
Óculos de protecção 3-1.2 D1F X
difleultar a visão antes de utilizar
Conjunlo de arnês anti·queda com corda
Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm, com 2 m de comprimenlo x do fabficante antes de ulitlZar
e 2 mosquetões em aco oalvanizado
Subsliluir quando
Fato de trabalho x danificado
Para trabalhos na
Ver indicação
Cotete de alta visibilidade x do fabricante
via pública ou junto
de máquinas
Substituir quando
Falo impermeável x danificado
Para intempérie
Substituir quando
Bota impermeável- calegoria S5 x danificado
Para intempérie
Ver indicação Usar nos trabalhos
Calça ~anti·corle~ x do fabricante com moto-serra
Ver indicação Para lrabalhos da
Viseira de protecçáo em rede x do fabricante corte e desmatação
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDlVIDUAL 153

QUADRQ 13. MONTADOR DE ANDAIMES


(Trabalhador que procede à montagem de andaimes)

Duração
Equipamento Permanenle Eventual Observações
do equipamento
Ver indicaç!io Ou substih.Jir
Capacete x do labricante quando danificado

Ver indicaçAo Limpàr sempre


Prolectores auriculares x do fabricante antes de utilizar

Luvas de protecção maGanice. Ver indicação Subsliluir quando


nJver 2122. com bom agarre
x do fabricante danificado
Ver indicação Substituir quando
Bolas de segurança - calegoria S3 x do fabricanle danificado
Substituir quando limpar sempre
Óculos de prolecção 5-1.7 01 F x dificultar a vis30 antes de utilizar

ConJUnlo de amês anti-queda com coreia


Ver iodicaçAo VerifICar sempre
de 5Ujelçao de 16 mm. com 2 m de comprimenlo x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquetÕ8s em aço galvanizado
Substituir QUando
Falo de trabalho x danifICado

SubsUtuir quando Para intempérie


Falo impermeável x danificado Nl'io usar capa
SUbstituir quando
Bola impermeável- categoria S5 x danificaoo
Para intempérie

QUADRO 14. MANOBRADOR OU MOTORISTA DE PESADOS


(Trabalhador que opera máquinas (ou gruas) e/ou conduz camiões)

Equipamento Permanente Eventual D"mção Observações


do~nto

Vet indicaç30 Ou substituir


Capacete x do fabricante quando danificado
Ver mdicaçao Linparsempre
PrOleclOles aurtculares x do fabricante antes de utilizar
Substituir há miníma
deterioração
SUbstrtuir quando Usar quando
8emi·máscara FFP2S x coknatado a cabine do veIculo
nllio for estanque
a poeiras
Para manutenção
Luvas de protecção em algodM reveslloo a fátex. Substituir quando exceplo
para riscos mfnimos
x danificado nos trabalhos
com peças rotativas
Ver indicaçêo Subsliluir quando
Botas de segurança - calegoria S3 x do fabricante danificado

Substituir quando Umpar sempre


ó<:uros de protecç!1o 5-1.7 D1F x dilicuitar a visão antes de utilizar
Subsliluir quando
Falo de trabalho x danificado
Ver indicação
Cinla de apoio abdominal dorsal x Para manobradores
do fabricante
Subslltuir quando
Falo mpermeável x danificaoo
Para intempérie

SubsUtuir quando
Bola impetmeávat - categoria 55 x danificado
Para IOtempéf19
154 MANUAL DE SEGURANCA

QUADRO 15. ELECTRICISTA


(Trabalhador que executa todos os trabalhos da sua especialidade (electricidade e telecomu-
nicações) e assume a responsabilidade dessa execução)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equlpamenlo
Ver indicação Ou substituir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante anles de utilizar

Excepto nos
Substituir quando
Luvas de protecção mecânica - nlvel2122 x danilicado
trabalhos com
peças rotativas

Para trabalhos ou
manobras em
Luvas dieléctricas - classe 00 (para baixa tensão) x Um ano presença de lensi'íO
Substituir há mínima
deterioração
Subslíluír quando
Botas de segurança - categona 83 x danificado
Para trabalho
Substituir quando em tensão
Viseira x dificultar a visão Limpar sempre
antes de ulilizar
Conjunto de arnês anti-queda com corda
Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm. com 2 m de comprimento x do fabricante antes de ulilizar
e 2 moSquetÕ8S em aço galvanizado
Substituir quando Em tecido
Fato de trabalho x danificado 100% algodão
Para intempérie
Substituir Quando Usar sempre
Fato impermeável x danificado por cima do fato
de trabalho
100% algodão
Substituir Quando
80ta impermeãvel- categoria S5 x danificado
Para intempérie

QUADRO 16. CANALIZADOR/MONTADOR DE AR CONDICIONADO


(Trabalhador que executa todos os trabalhos da sua especialidade e assume a responsabHi~
dade dessa execução)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicaçaD Ou substituir
Capacete x do fabriCante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar
Subsliluir quando Substituir há mlnima
Semi·máscara FFP2SL x colmatado deterioração
Ver indicação Substituir quando
Luvas de protecção mecánica- nlvel2122 x do fabricante danificado
Subsliluir quando
Botas de segurança - categoria S3 x danificado
Substituir quando Umpar sempre
Óculos de protecção 3-1.2 D1F x dificultar a visão antes de utilizar
EQUIPAMENTOS DE PROTECCÃO INDIVIDUAL 155

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento
Conjunto de arnês anti-queda com corda
Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm. com 2 m de comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquetões em aço galvanizado
Substituir quando
Fato de trabalho x danificado

Substituir quando
Fato Impermeável x danificado
Para intempérie

Substrtuir quando
Bola impermeável- categoria S5 x danificado
Para intempérie

QUADRO 17. PINTOR/ENVERNIZADOR


(Trabalhador que executa todos os trabalhos da sua especialidade e assume a responsabi'i~
dade dessa execução)

Duração
EquIpamento Permanente Eventual Observações
do equipamento

Ver indicação Ou substituir


Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicaçêo Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante anles de utilizar
Subsliluir quando Substituir há miníma
Meia-máscara com filtro A2 x deterioraçao
colmatado
Luvas de protecção mecânica - n!vel 2122 e Ver indicação Substituir quando
quimica - nível 4
x do fabricante danificado
Substituir quando Limpar sempre
Óculos de protecção 3-1.2 D1F x dificultar a visão antes de utilizar

Subslíluir quando
Botas de segurança ~ categoria 83 x danificado

Conjunto de arnês anlí-queda com corda


Ver indicação Verdicar sempre
de StJjeição de 16 mm, com 2 m de comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquet6es em aço galvanizado
Substituir quando
Fato de trabalho x danificado

Subsliluir quando
Fato impermeável x danificado
Para intempérie

Substituir quando
Bola impermeável - categoria S5 x danificado
Para intempérie

QUADRO 1B. MARTELEIRO


(Trabalhador que manobra martelos perfuradores ou demolidores)

Duração
Equipamento Permanente Eventual ObservaÇÕes
do equIpamento
Ver indicação Ou substituir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicaçao Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar
Substituir quando Substrtuir há mlnima
Semi-máscara FFP3S5L x colmatado deterioração
Ver indicação Substituir quando
Luvas de protecçao mecânica - nive12122 x do fabricante danificado
156 MANUAL DE SEGURANÇA

Equipamento Permanente Eventual OU.-


do eql.ipamento ""'"""'-
Substituir quando
Bolas de segurança - categoria 53 x danilicado
Substituir quando Umpar sempre
Óculos da protecção integral 018 x difICultar a visão antes de ut~izar

SUbstituir quando
Falo de trabalho x danHicado
Para trabalhos na
Ver indicação
Colele de alta visibilidade AV x do fabricanto
via pública ou junto
de máquinas
Substiluir quando
Falo impermeável x danifICado
Para intempérie

Substrtuir quando
Bola impermeável - categoria 55 x danificado
Para intempérie

QUADRO 19. SOLOAOOR/SERRALHElRO


(Trabalhador que executa todos os trabalhos da sua especialidade e assume a responsabili-
dade dessa execução)

Equipamento Pennanent. e....luaI ou.-


do equipamento Obso..-s
Ver indicaç30 OUsubslituir
Capacete x do fabricante quando danifICado
Ver Indicaçao Umpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante antes de utilizar
Substituir quando
Vlseira para soldador com filtro 5 D1F x danificado
SUbstituir quando Substituir há mlnima
Semi-máscara FFP2Sl x colmatado deterioração
Ver lndicaçao Substituir quando
Luvas de prolecção mecânica - nlvel2122 x do labricanl.e danificado
Substiluir quando
Luvas de soldador x danificado
&JbstitlJir quando
Manguitas de soldador em crute x danificado
Substitui" quando
A....ental de soldador em erute x danifJCado
Subslilu.'r quando
BOlas de segurança - categoria 53 + Polainas x danificado
ConJuoto de amês anU-queda com corda Ver indicaçao Verificar sempre
de sujeição de 16 mm. com 2 m de comprimoolo x do fabricanle anles de utilizar
e 2 mosquetoes em aço gawanizado
Substituir quando
Fato de trabalho x danificado
Substituir quando
Fato impermeável x denificado
Para intempérie

Substituir quando
Bota impermeáveJ - categoria S5 x danrlicado
Para intempérie
EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL 157

QUADRO 20. OPERADOR DE EQUIPAMENTO DE LIMPEZA POR JACTO DE AREIA


(Trabalhador que executa os trabalhos limpeza de estruturas, por jacto de areia)

Duração
Equipamento Permanente Eventual ObseNaçóes
do equipamento
Ver indicação Ou substilulr
Capacete x do fabricante quando danfficado
Ver indicação Ln1par sempre
Protectores aurictllares x do fablicante antes de uliflzar

De acordo
Ver InlflCaçào com a norma
Aparelho isolante x do fabricante NPEN 138
ou NP EN 139
Luvas de protecção meCânica- nivel3122 Ver indicação SUbstituir quando
e quírruca
x do fabricante danificado
Substituir quando
Botas de segurança - categoria S3 x danificado

Substituir quando Limpar sempre


VISeira de protecção 5 018 x dificultar a visao anles de utilizar
Conjunto de arnês anti-queda com corda
Ver indicação Venlicar sempre
de sujeição de 16 mm. com 2 m de comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 mosquetõe$ em aço galvanizado
Substituir quando
Fato de trabalho x danrlicado
Substituir quaodo
Fato impermeável x danificado
Para intempérie

Substituir quando
Bota impermeâvel- categoria S5 x danificado
Para intempérie

QUADRO 21. MONTADOR DE TELHADOS


(Trabalhador que executa e monta estruturas com planos inclinados,
para cobertura de edifícíos)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Obse<VOÇÓe'
do equipamento
Ver indicação Ou substituir
Capacete x do fabricante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auncutares x do fabricante antes de utilizar
Substituir quando Substituir há mínima
Serni-máscara FFP2SL x colmatado deterioraçao

Ver indicação Sobstituir quando


luvas de protecção mecânica - n[ve12122 x do fabricante danificado
SubslJtu!r quaodo
Botas de segurança - categoria S3 x danificado

Substituir quando Umpar sempre


Óculos de protecção5-J.1 01f x difICultar a visão antes de utilizar

ConÍlJOlo de arnês anti-queda com corda


Ver indicaçao Verificar sempre
de. sujeição do 16 TTITl. com 2 m do comprimento x do fabricante antes de utilizar
e 2 roosquet~ em aço galvanizado
Substituir quando
Fato de trabalho x damficado

Substituir quando Para intempérie


Fato impermeável x danificado NBo usar capa

Substituir quando
Bota impermeállel- categoria S5 x danificado
Pera intempérie
.58 MANUAL OE SEGURANCA

QUADRO 22 ESTUCADOR
(Trabalhador que efectua o revestimento de paredes e tectos com massas apropriadas)

Equipamento Duração
Permanente Eventual Observações
do equipamento
Ver indicação Ou subsliluir
Capacele x do labricante quando danificado
Ver indicação Limpar sempre
Protectores auriculares x do fabricante anles de utilizar

Substituir quando Substituir há mlnima


sarni-máscara FFP2SL x colmatado deterioração
Luvas da protecçao mecAnica - 0lvel2122 Ver inCllcação Substituir quando
equlmica x do labticante danificado
SubstiluU quando
Bolas de segurança - categoria 53 x danificado

Substituir quando Umpar sempre


ÓCulos de protecção 5-1.2 Olf x dIficultar a VISão aoles de ulllizar
Cooju"llo de amêS anlJ.queda com corda
Ver lIldicaçao Verificar sempre
de SUjeição de 16 mm. com 2 m de comprimento x do fabricante anles de ulJ1iZar
e 2 mosquetões em aço galvanizado

Substituir quando
Falo de trabalho x danificado

SubstitUir quando
Fato Impermeável x danificado
Para Inlempérie

Substituir quando
Bota Impermeável- categoria S5 x danillcado
Para Inlempérie

QUADRO 23. LADRILHADOR


(Trabalhador que executa revestimentos em tijoleira cerâmica, azulejo ou pedra)

Equlpam9fllo Permanente Eventual


O""",. Observações
do equipamento

Ver indic&çao OU substituir


Capacete x do fabrlcanle quando danilicado

Limpar semPfe
ProtectQ(cs auriculares x 6 meses
antes de utilizar
SubstItuir quando SUbsliluir há m/nlma
Semi-máscara FFP2SL x colmatado delElfioraçâo

Luvas de protecçao mec<'lr\Jca - nlvel2122 Ver Indicaçao Substituir quando


equfmica
x do labncante danifICado

Substituir quando
Botas de segurança - categoria S3 x danifIcado

Subsliluir quando limpar sempre


Óculos de protecçil:o 5-1,2 D1f x dificu!lar a visao anles de utilizar

Conjunto de arnês anil-queda com corda


Ver indicação Verificar sempre
de sujeição de 16 mm, com 2 m de comprimenlo x do fabricante anles de ulilizar
e 2 mosqueloos em aço galvanizado

Subsliluir quando
Fato de trabalho x danlficado

Substlluir quando
falo impermeável x danificado
Pme intempérie

SubslJ1Ulr quando
Bota tmpermeável- calegorra 55 x danificado
Para inlempéne
l:?:aUlPAMEnTO~ OE PROTECCAO I~JDlVIDUAL
----._-----. 159

QUADRO 24. CALCETEIRO


(Trabalhador que aparelha pedra e executa a pavimentação de passeios e calçadas)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento
V81 Indicação Ou subslltUlr
Capacete x do fabricante quando daJllfiCado
Luvas de protecçao em algodao revestido a látex, Substituir quando
para nscos mlromos x darullcado

Protectores aUriculares

Substituir quando
Botas de segurança - categona 53 x danúteado

SubstrtUlr quando Limpar sempre


ÓCUlos de prolecção5-12 01F x dÚlCullar a VlSêo antes de utilizar
SubstitUir quando
Fato de trabalho x danlflcado

Subslituir quando
Fato Impermeável x danificado
Para intempéne

SubstitUir Quando
Bota Impermeável - categoria S5 x danificado
Para IOlempélle

Ver indicaçilo Para utilização


Colete de alta viSIbilidade x do fabricante fkl via pública

QUADRO 25. TRABALHADOR INDEPENDENTE


(~ a pessoa singular que exerce uma actividade por conta própria.
Projectista e Fiscal de obra, por exemplo)

Duração
Equipamento Permanente Eventual Observações
do equipamento

Ver indicaçao Ou substituir


Capacete x do fabflcante quando danificado

limpar sempre
Protectores aunculares x antes de utilizar
Ver indicação Subslfluir quando
Luvas de prolecção mecânica - nivel2122 x do fabricante danificado
Subslltulr quando
Botas de segurança - categoria 53 x damflcado

Substituir quando limpar sempre


Óculos de protecção 5-1.2 01F x dIficultar a visao antes de uWlZSJ'
Substituir QUando
Fato de lfabalho x danilíCado
Subsliluir quando
Falo mpermeável x danJflCado
Para Intempérie

SubstitUlr Quando
Bola impefmeável- categorta S5 x danllicaclo
Para írllempéne
SINALIZAÇÃO
DE SEGURANÇA
SINALIZAÇÃO OE SeGURANçA 163

a
INTRODUÇÃO

No ambiente laborai dos estaieiros existem situações de perigo, advertências ou


obrigações de segurança e/ou higiene que é necessário «(tornar visíveis.. informando
os circunstantes. Esta «(técnica» denomina-se sinalização de segurança.
Sinalização é o conjunto de estímulos que condicionam a actuação dos que a
recebem face a uma situação que se pretende ressalvar.
A sinalização de segurança e de saúde é aquela relacionada com um objecto,
uma actividade ou uma situação determinada, que fornece uma indicação ou uma
prescrição relativa a segurança ou a saúde no trabalho, ou a ambas, por intermé-
dio de uma placa, uma cor, um sinal luminoso ou acústico, uma comunicação ver-
balou um sinal gestual. 1

A sinalização de segurança é uma ((técnica complementar de segurança.., pois


não elimina nem atenua o risco (informa da sua presença) e, a sua aplicação não
dispensa a adopção de medidas de prevenção e controlo adequadas aos riscos em
presença. Assinala, de forma rápida e inteligivel os objectos e situações susceptíveis
de constituir perigo. Como qualquer informação, deve ser clara, simples e completa,
uliiizando o canal mais adequado e de forma que todos a compreendam.
Deverão ser sinalizadas todas as situações perigosas (queda de objectos, por
exemplo), com o objectivo de aiertar os trabalhadores e, eventuaimente terceiros, da
iminência de uma situação de perigo e da consequente e urgente necessidade de
actuar de forma determinada, sempre que não possam ser evitados ou suficiente-
mente limitados os riscos através da utilização de meios de protecção colectiva ou
de medidas, métodos ou processos de organização do trabalho.
Deverão ser igualmente sinalizadas, as vias e caminhos de circulação, as tuba-
gens, recipientes e áreas de armazenamento de substâncias e preparações perigo-
sas, os equipamentos de protecção contra incêndios e os meios e equipamentos de
salvamento e socorro e as zonas onde é obrigatório o uso de EPI(s) específicos.
Devem ainda ser identificados os Jocais de apoio à obra (escritório, ferramenta-
ria, armazéns, oficinas, etc.), o estaleiro social, os locais de estacionamento autori-
zados e indicadas as saídas, normais e de emergências.
164 MANUAL DE SEGURANÇA

Os sinais devem:
- Atrair a atenção dos trabalhadores;
- Estar localizados em local vlslvel;
- Dar a conhecer o risco ou a informação que pretende transmitir;
- Ser claros, só permitindo uma única interpretação:
- Ser retirados imediatamente logo que a situação que os justificava deixe de
se verificar.

A sinalização de segurança subdivjde~se em cinco classes 1:


a) Proibição - o sinal que profbe um comportamento;
b) Aviso - o sinal que adverte de um perigo ou de um risco;
c) Obrigação - o sinal que impõe certo comportamento;
d) Salvamento ou socorro - o sinal que dá indicações sobre saídas de
emergência ou meios de socorro ou salvamento;
e) Indicação - o sinal que fornece indicações não abrangidas por sinais de
proibição, aviso, obrigação e de salvamento ou socorro.

o
código utilizado nos sinais de segurança baseia-se em três elementos: carl
forma e símbolo.

EJ
CORES DE SEGURANÇA

A cor de segurança é a cor à qual é atribuído um determinado signíflcado As


'
cores são parte íntegrante da sinalização de segurança. A tabela seguinte resume o
significado e as indicações das distíntas cores, de acordo com o Artigo 3' da Portaria
n.' 1456-N95, de 11 de Dezembro.

(1) Definição do Decreto-Lei n..\! 141/95, de 14 de Junho.


.~_'N_ALlZ_A_Ç_A_O_~~.!~"G"U"R"A.cN-'.C".Ae- ,,'6,,6
C

QUADRO 3.1. RESUMO DAS CORES DE SEGURANÇA

Cor Significado Indicações /Prescrições

Vermelho Proibição Comportamentos perigosos.

Alarme Paragem, válvulas de emergência,


evacuação.

Material e equipamento de luta Identificação e localização.


contra incêndios.

Amarelo Advertência Atenção, precaução, verificação.

Azul Obrigação Comportamento ou acção


especifica;
Uso de determinado EPI.

Verde Salvamento ou auxilio Portas, saídas, passagens, material.


postos de socorro, locais seguros.

Situação de segurança Reposição da normalidade.

Para facilitar a percepção ou leitura da informação de segurança, usam-se cores


de contraste.

QUADRO 3.2. CORES DE CONTRASTE

Cor de segurança Cor de contraste

Vermelho Branco

Amarelo Preto

Azul Branco

Verde Branco
166 MANUAL DE SEGURANCA

II
FORMA GEOMÉTRICA

A sinalização deve ser facilmente percebida por todos os trabalhadores, mesmo


por aqueles que devido a daltonismo, tenham dificuldade ou impossibilidade em dis-
tinguir as cores. Para tal, os sinais assumem formas definidas que, tal como as
cores, assumem determinados significados.
O símbolo ou pictograma é uma imagem que descreve uma situação ou impõe
um determinado comportamento e que é utilizada numa placa ou superfície luminosa~
Embora os pictogramas procurem ser intuitivos (e deva haver formação acerca
da sinalização), alguns trabalhadores revelam desconhecimento quanto ao signifi-
cado dos pictogramas pelo que é aconselhável adquirir sinais que complementem o
pictograma com legenda indicativa do significado do sinal.

QUADRO 3.3. SIGNIFICADO DAS FORMAS DOS SINAIS

Forma Significado Contraste

Triangular Aviso (Perigo) Pictograma negro sobre fundo amarelo,


com margem negra. O amarelo deverâ cobrir
um minimo de 50% da superficie do sinal.

Circular Proibiçao Pictograma negro sobre fundo branco,


margem e faixa diagonal descendente.
da esquerda para a direíta, atravessando
o piclograma a 45° em relação à horizontal,
vermelhas. O vermelho deverá cobrir um mínimo
de 35% da superfície do sinal.

Obrigação Pictograma branco sobre fundo azul. O azul deverá


cobrir um mínimo de 50% da superfície do sinal.

Rectangular Luta contra Pictograma branco sobre fundo vermelho.


ou quadrada incêndios O vermelho deverá cobrir no mínimo 50%
da superflcie do sinal.

Salvamento Pictograma branco sobre fundo verde. O verde


ou socorro deverá cobrir no mínimo 50% da superfície do sinal.

Tabela resumo das características da sinalização. eSlipuladas pelo artigo 5.\1 da Portaria n.9 1456-A/9S. de
11 de Dezembro.

(1) Definição do Decrelo-Lei 0.\1141195, de 14 de Junho.


SINALlZAÇAO DE SEGURANÇA 167

Para sinalização de estaleiros, existem no mercado sinais em alumínio termola M

cado extra duro de 2 mm de espessura que apresenta boa robustez mecânica e são
leves. As dimensões aconselháveis são:
- Sinal simples, pictograma e legenda: 600 x 1000 mm;
- Painel de dois ou três pictogramas e respectivas legendas: 1200 x 600 mm.

Os sinais que não cumpram as formas, cores e pictogramas normalizados não


devem ser utilizados pois podem originar confusão e mal entendidos.

II
SINALIZAÇÃO LUMINOSA

Entende-se por sinalização luminosa, o sinal emilido por um dispositivo com-


posto por materiais transparentes ou translúcidas, iluminados a partir do interior ou
pela retaguarda, de modo a transformá-lo numa superfície luminosa.1
A sinalização luminosa deverá ser utilizada sempre que, em situações normais
ou de emergência, a sinalização não luminosa não seja facilmente percebida.

Os dispositivos de sinalização luminosa deverão possuir as seguintes caracterís-


ticas, de acordo com o Ariigo 11° da Portaria nO 1456-N95, de 11 de Dezembro:

a) Contraste luminoso adequado, sem provocar encandeamento por excesso


nem má percepção devido a insuficiência;
b) A superfície luminosa que emite o sinal poderá ser de cor informativa ou
levar um pictograma sobre uma determinada cor de fundo;
c) A cor informativa e os pictogramas deverão ser os que estão normalizados
para a sinalização em painéis;
d) Se o dispositivo emitir um sinal intermitente, significará um maior grau de
risco ou de urgência;
e) Os dispositivos deverão possuir alimentação de emergência, salvo se o
risco que sinalizam cessar com o corte de energia;
f) Não deverão ser usados, em simultâneo, dois sinais luminosos que pos-
sam originar confusões.

(1) Definição do Decreto-Lei n.º 141/95, de 14 de Junho.


168 MANUAL DE SEGURANCA

SINALIZAÇÃO ACÚSTICA

Entende-se por sinalização acústica, todo e qualquer sinal sonoro codificado,


emitido e difundido por um dispositivo apropriado, sem intervenção de voz humana
ou sintetizada,' que possibilita uma interpretação inequívoca, originando um compor-
tamento ou uma acção determinados pela mensagem contida no som.

Os dispositivos de sinalização acústica deverão possuir as seguintes característi-


cas, de acordo com o Artigo 11 Q da Portaria n.· 1456-N95, de 11 de Dezembro:
a) Um nível sonoro claramente superior ao nível do ruído ambiental, de modo
que seja claramente audfvel. sem ser molesto. N30 deverá ser utilizada
sinalização acústica quando o (urdo ambiental for intenso;
b) Ser facilmenle reconhecível, seja pela duração dos impulsos, pelo inter-
valo entre os mesmos ou por grupos de impulsos;
c) Se um dispositivo emitir sinais de frequência variável e estável, a primeira
indicará, por contraste com a segunda, um maior nfvel de risco ou uma
maior urgência;
d) O som do sinal de evacuação deverá ser contínuo;
e) Nunca se deverão utilizar, em simultâneo, dois sinais sonoros.

Qualquer sinalização luminosa ou acústica indicará. ao ser accionada, a necessi-


dade de realizar uma acção determinada e, manter-se-á enquanto essa necessidade
persistir.
Logo após o término da emissão de um sinal luminoso ou acústico, dever-se-ão
tomar de imediato as medidas que permitam a sua utilização quando voltar a ser
necessário.
A eficácia e bom estado de funcionamento dos sinais luminosos e acústicos
deverá ser testada antes da sua entrada em serviço e periodicamente.

(1) Definição do Decreto·Lei n.g 141195. de 14 de Junho.


SINALIZAÇÃO DE SEGURANCA 169

SINALIZAÇÃO GESTUAL

Entende-se por sinal gestual o movimento ou uma posição dos braços ou das
mãos. ou qualquer combinação entre eles, que. através de uma forma codificada,
oriente a realização de manobras que constituam um risco para os trabalhadores~
Os sinais gestuais deverão ser efectuados de acordo com o Artigo 11' da Porta-
ria n.' 1456-N95. de 11 de Dezembro. com as seguintes características:
a) Deverão ser precisos, amplos, simples, fáceis de efectuar e de compreen-
der;
b) Deverão ser feilos simultaneamente com os dois braços em posição simé-
trica;
c) Deverão ser distintos de quaisquer outros gestos relativos â execução das
tarefas (utilizar sinais gestuais normalizados);
d) Não deverão ser efectuados dois sinais ao mesmo tempo.

O trabalhador que emite os sinais. denomina-se sinaleiro e o destinatário é o


operador ou. correntemente. manobrador ou gruista (no caso de gruas). O sinaleiro
deverá acompanhar a peça durante todo o seu percurso.
O sinaleiro dever-se-á poder distinguir facilmente entre os restantes trabalhado-
res (com um capacete de cor diferente dos demais. com um blusão de cor viva....).
O operador deverá suspender as manobras sempre que não consiga executar as
instruções recebidas em condições de segurança.
É usual em estaleiros de construção civil observar trabalhadores a emitir sinaliza-
ção gestual para comandar a movimentação de cargas. desconhecendo os gestos
normalizados originando. por isso. muitas situações de confusão por falta de
entendimento do operador da máquina. Por estas situações poderem facilmente
originar situações de risco elevado. é muito importante dar formação aos trabalhado-
res sobre sinalização gestual. Apresentam-se, de seguida. os gestos normalizados
que constam da Portaria n.' 1456-N95. de 11 de Dezembro.

(1) Definição do Decreto-Lei n. o 141/95, de 14 de Junho.


170 MANUAL DE SEGURANÇA

QUADRO 3.4. SIGNIFICADO DOS SINAIS GESTUAIS

Significado Descrição Figura

Início (atenção; Ambos os braços


comando assumido). abertos
horizontalmente.
palmas das mãos
voltadas para a frente. ...
A
,, ,,
Stop (interrupção; fim Braço direito
do movimento). levantado,
palma da mão direita
para a frente.

Fim (das operações). Mãos juntas


ao nível do peito.

Subir. Braço direito estendido


para cima. com a
palma da mão virada
para a frente
descrevendo
um círculo lentamente.
SINALlZAÇAO DE SEGURANÇA 17'

Significado Descrição Figura

Descer. Braço direito estendido


para baixo. com a
palma da mão virada
para dentro
descrevendo
um círculo lentamente.

Distância vertical. Mãos colocadas


de modo a indicar
a distância.

Avançar. Ambos os braços


dobrados. palmas
das mãos voltadas
para dentro;
os antebraços
fazem movimentos
lentos em direcção
ao corpo

Recuar. Ambos os braços


dobrados. palmas
das mãos voltadas
para fora;
os antebraços
fazem movimentos
lentos afastando-se
do corpo
172 MANUAL DE SEGURAt'lCA

Significado Descrição Figura

Para a direita Braço direito estendido


(relativamente mais ou menos
ao sinaleiro). horizontalmente,
com a palma da mão
direita voltada
para baixo, fazendo
pequenos movimentos
lentos na direcção
pretendida.

Para a esquerda Braço esquerdo


(relativamente estendido
ao sinaleiro). mais ou menos
horizontalmente,
com a palma da mão
esquerda voltada
para baixo, fazendo
pequenos movimentos
lentos na direcção
pretendida.

Distância Mãos colocadas


horizontal. de modo a indicar
a distância.

Perigo Ambos os braços


(stop ou paragem estendidos para cima
de emergência). com as palmas
das mãos voltadas
para a frente.
o
O>
~
fi.
SINALIZAÇÃO OE SEGURANÇA 173

Significado Descrição Figura

Movimento rápido Os gestos


codificados
que comandam
os movimentos -
são efectuados
U> com rapidez
~
O Movimento lenlo Os gestos
codificados
que comandam
os movimentos -
são efectuados
muito lentamente

II
SINAIS VERBAIS

São pouco eficazes em estaleiros de construção devido aos nlveis de ruido, nor-
malmente elevados, consistem na transmissão de textos curtos, grupos de palavras
ou palavras Isoladas, eventualmente codificadas, tais como:
- "iniciar» ou «começar))
- "stop I)

- ,(fim>1
- "subir l )
- ',descer"
- "avançar»
- «recuarll
- "à direita»
- "à esquerda»
- "perigo»
- "depressa»

Os sinais verbais podem complementar os sinais gestuais.


174 MANUAL DE SEGURANÇA

SINAIS DE OBRIGAÇÃO
(Fundo: azul; pictograma: branco)

Protecção obrigatória
dos olhos
Protecção obfigatócia
da cabeça
o
Protecção obrigatõria
dos ouvidos

-~.
Protecção obrigatória
-
Protecção obrigatória Protecção obrigatória
das vias de respiração dos pés das mãos

-,.•
~.

t1
Protecção obrigatória Prolecção obrigatória Protecção individual
do corpo do rosto obrigatória contra quedas

_.~.
. . .. ,

.: i " , '. -,
, .. ~

Passagem obrigatória Obrigações várias (acompanhada


para peOes eventualmente de uma placa adicional)
SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA 175

SINAIS DE PROIBiÇÃO
(Fundo: branco; pictograma: preto; cor de contraste: vermelho)

Proibição de fumar Proibição de fazer lume Passagem proibida Proibição de apagar


e de fumar a peões com água

Agua não potável Proibida a entrada a Passagem proibida Não tocar


pessoas não a veículos de
autorizadas movimenlo de cargas

SINAIS DE AVISO
(Fundo: amarelo; pictograma e cor de contraste: preto)

Substâncias inflamáveis Substâncias explosivas Substâncias tóxicas Substâncias corrosivas


176 MANUAL DE SEGURANÇA

Substâncias Cargas suspensas Veículos de Perigo de electrocussão


radioactivas movimentação de
cargas

Perigos vários Raios laser Subslâncias Aadiaçàes não


comburentes ionizantes

Forte campo magnético Tropeçamento Queda com desnível Risco biolôgico

Baixa temperatura Substâncias nocivas


ou irritantes
SINALlZACÃO DE SEGURAN:C"A:o- -'-17:.:.-'
O

EU
SINAIS DE SALVAMENTO OU DE SOCORRO
(Fundo: verde; pictograma: branco)

.• 1-Jt.

I ~
Via/saída de emergência

Direcção a seguir (sinal de indicação adicional às placas apresenladas aclma)

'1+ - .~.+
....
••••
••••
Primeiros socorros Maca Duche de segurança Lavagem dos olhos

Telefone para salvamento e primeiros socorros


178 .;;:M::.;A;.:NU::.;A::.;L::.:D:.:E::.:S:.:E:.=Gc::U:.:;RA=N"'C::.;.A

SINAIS DE COMBATE A INCÊNDIOS


(Fundo: vermelho; piclograma: branco)

~lllllr '
~·'<;i._ . .

Agulheta Escada Extinlor Telefone para lula


de incêndio conlra incêndios

lO:':" ..
...
."""-
!," • ~.'~
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.' é'"'"'."'~:,
,.~_-_ ,".','.'."., . .:.~'.'.'
.• \'\.
-·~~-1.-'
,

r " '," , ~ >~'~:- .:t,-. ',: ", ,


"

Direcção a seguir (sinal de indicaçao adicional às placas apresentadas acima)

SINAIS DE OBSTÁCULOS, LOCAIS


PERIGOSOS E DE VIAS DE CIRCULAÇÃO

(FaIxas amarelas e negras ou vermelhas e brancas)


SINALlZACAO DE SEGURANCl\ 179

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

o Decreto-lei n' 141/95, de 14 de Junho, estabelece as prescrições mínimas


para a sinalização de segurança e de saúde no trabalho, cujo âmbito corresponde
ao estabelecido no artigo 2.' do Decreto-lei n.' 441/91, de 14 de Novembro.

No seu artigo 5', estabelece como obrigações do empregador:


a) O empregador deve garantir a existéneí8 de sinalização de segurança e
de saúde no trabalho adequada, de acordo com as prescrições deste
diploma, sempre que esses riscos não puderem ser evitados ou suficien-
temente diminuídos com meios técnicos de protecção colectiva ou com
medidas, métodos ou processos de organização do trabalho;
b) Na colocação e utilização da sinalização de segurança e saúde no traba~
lho deverá ter-se em conta a avaliação de riscos a que se refere o artigo
8' do Decreto-Lei n. Q 441/91, de 14 de Novembro:
c) Se for caso disso, deve ser utilizada, no interior do estaleiro, a sinalização
específica dos tráfegos rodoviário;
d) É proibida a utilização da sinalização de segurança e de saúde do traba-
lho que contrarie as regras técnicas estabelecidas na portaria:
e) Tendo o empregador ao seu serviço trabalhadores com capacidades
auditivas ou visuais diminuídas, ou quando o uso de equipamentos de
protecção individual implique a diminuição dessas capacidades, devem
ser tomadas medidas suplementares ou de substituição que tenham em
conta essas especificidades.

No seu artigo 8' estabelece as condições de eficiência da sinalização:


1. O empregador deve garantir que a acessibilidade e a clareza da mensa~
gem da sinalização de segurança e de saúde no trabalho não sejam
afectadas pela sua má concepção, pelo número insuficiente, pela locali-
zação inadequada, pelo mau estado de conservação ou deficiente funcio-
namento dos seus dispositivos ou pela presença de outra sinalização ou
de uma fonte emissora;
2. A colocação e utilização da sinalização de segurança e de saúde implica,
nomeadamente:
a) Evitar a afixação de um número excessivo de placas na proximidade
umas das outras:
b) Não utilizar simultaneamente dois sinais luminosos que possam ser
confundidos;
,.0 MANUAL DE SEGURANÇA

c) Não utilizar um sinal luminoso na proximidade de outra fonte luminosa


pouco nítida;
d) Não utilizar dois sinais sonoros ao mesmo tempo;
e) Não utiUzar um sinal sonoro, quando o ruído ambiente for demasiado
for/e.

A Portaria nº 1456-A/95, de 11 de Dezembro, regulamenta as prescrições míni-


mas de colocação e utilização da sinalização de segurança e de saúde no trabalho.

ERROS A EVITAR NA SINALIZAÇÃO


DE ESTALEIROS

Há aiguns erros de sínalização que se repetem em quase todos os estaleiros. Os


sinais, quando mal colocados, perdem grande parte da sua eficácia (ou perdem-na
por completo) pelo que é importante que sejam coiocados nos locais certos e de
forma correcta. Dos erros mais comuns destacam~se, pela sua frequência:
a) Falta de sinalização das vias e saidas de emergência e dos equipamentos de
combate a incêndio;
b) Colocar, em painei, todos os sinais de obrigação de uso dos diversos EPI(s)
no portão de entrada do estaleiro;
c) Sinalizar, também logo no portão de entrada do estaleiro, o perigo de queda
de objectos;
d) Não sinalizar as passagens de peões;
e) Não sinalizar os locais de armazenagem de substâncias ou preparações
perigosas;
f) A sinalização nâo acompanhar a dinâmica da construção;
g) Não conservar nem limpar os sinais;

Analisando mais detalhadamente os problemas que podem advir de cada um dos


erros anteriormente referidos. A falta de sinalização das vias e saídas de emergência
e dos equipamentos de combate a incêndio (a) dificulta a localizaçâo dos meios de
extinção em caso de incêndio, onde a rapidez de resposta é importante (em caso de
incêndio, um minuto é muito tempo) e a má sinalização das vias e saídas de emer-
gência pode provocar confusão e hesitações em caso de evacuação.
SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA ,.,

Colocar a sinalização da obrigação do uso de EPI(s) no portão de entrada, (b)


obriga a que lodos que entrem no eslaleiro, enverguem, a partir do portão, todos os
EPI(s) que lá eslão sinalizados, o que é um contra senso e cria o hábito de não res-
peitar as indicações impostas pela sinalização, perdendo esta a sua eficácia preven-
tiva.
Os riscos devem ser sinalizados nos perímetros dos locais onde realmente exis-
tem (c). Por exempio, só faz sentido colocar o sinal de perigo de queda de objectos
se as cargas suspensas sobrevoarem a entrada do estaleiro. O que, caso se verifi~
que, revela um mau lay-ouf (disposição) do estaleiro porque, o estaieiro social deve
ficar junto da entrada e, as cargas suspensas não devem passar por cima do esta-
leiro social devido à concentração de trabalhadores que, normalmente, se encontram
na zona do estaleiro social.
A sinalização da armazenagem de substãncias ou preparações perigosas (e)
deve ser efectuada na porta de acesso ao local de armazenagem.
As passagens de peões devem ser sinalizadas, (d) especialmente nas fases da
obra em que se verifique maior circulação de máquinas e veículos no estaleiro. Os
sinais devem acompanhar o desenvolvimento da obra.
É certo que, no decurso da obra, os riscos vão variando e a sua localização tam-
bém, (I) pelo que o piano de sinalização terá de acompanhar as diversas fases. Por
último, as obras decorrem em ambiente sujo, onde a quantidade de poeira no ar é
usualmente elevada pelo que a sinalização se suja rapidamente. (g) Por vezes
(muitas vezes) a falta de cuidado dos trabalhadores, especialmente na movimenta-
ção de cargas, leva a que alguns sinais sejam partidos ou amolgados. Por isso, o
encarregado da obra deve designar um responsável por, semanalmente, cedar uma
volta)) à obra a limpar os sinais e substituir os que estejam partidos ou que não
sejam facilmente legíveis.

SINALIZAÇÃO RODOVIÁRIA

Quase todas as obras interferem com a normal circulação na via púbtica, pelo
que os utentes. automobilistas e peões, deveriam ser avisados e informados dos
perigos e restrições à circulação. Usualmente isso não acontece. Somente quando é
necessário cortar a circulação ou por imposição da entidade camarária é que é colo-
cada sinalização rodoviária.
182 MANUAL DE SEGURANCA

As obras e obstáculos ocasionais na via pública devem ser delimitados por sina-
lização temporária, tendo em vista avisar os utentes para o perigo que representam.
Esta sinalização deve ser retirada logo após a conclusão das obras ou, mais usual-
mente no tipo de obras abordadas neste manual, quando da remoção das restrições
à circulação, devolvendo a via à sua condição normal.
Todo o pessoal que labora na zona regulada pela sinalização de carácter tempo-
rário deve envergar coletes de alta visibilidade.
A sinalização temporária pode ser efectuada com recurso a sinais verticais, hori-
zontais, luminosos ou com dispositivos complementares. Os sinais e marcas utiliza-
dos em sinalização temporária têm o mesmo significado e valor que os sinais e mar-
cas correspondentes previstos no código da estrada. Os sinais verticais devem ser
de material retrorreflector.

Os dispositivos complementares devem ser de material retrorreflector e são os


seguintes:
a) Raquetes de sinalização - Devem ter uma das faces de cor verde e na outra
o sinal de prescrição absoluta «sentido proibido). Podem ser luminosas;
b) Pórticos - São ulilizados na pré-sinalização para indicar a altura livre limitada,
a partir do solo;
c) Baias, balizas de alinhamento, cones e fitas - São utilizados para sinalizar a
posição dos limites dos obstácuios ocasionais ou dos trabalhos;
d) Baias direccionais - São utilizadas na sinalização de posição; indicando
mudança brusca de direcção;
e) Dispositivos luminosos de cor amarela, de luz fixa ou intermitente - São
utilizados para complementar a sinalização vertical e horizontal, de dia ou de
noite, sempre que a visibilidade for insuficiente, independentemente da exis-
tência de iluminação pública. Devem ser alimentados a tensão reduzida.

A sinalização de carácter tempcrário compreende três tipos:


a) Sinalização de aproximação - Antecede a zona onde se encontram as obras
ou os obstáculos na via pública, de forma a avisar os utentes com antece-
dência;
b) Sinalização de pcsição - Colocada na proximidade imediata da zona de
perigo, deve delimitar convenientemente o obstáculo ou zona de obras, bem
como as suas imediações, de forma bem definida, nas direcções paralela e
perpendicular ao eixo da via;
c) Sinalização final - Indica o término de todas as restrições anteriormente
imposta. A partir deste sinal a via volta à sua condição normal;
183

o sistema de sinalização deve ser coerente, de modo a transmitir a mensagem


adequada a todos os utentes da via. Não devem ser agrupados mais de dois sinais
no mesmo suporte ou lado a lado. Nas faixas de rodagem de largura igualou supe-
rior a 7 m e em todas as circunstâncias em que as características da via e a intensi-
dade do trânsito o exijam, a sinalizaçâo vertical deve ser repetida no lado esquerdo
da faixa de rodagem.
A distância mínima entre dois sinais ou dois grupos de sinais sucessivos, deve
ser de 50 m, para velocidades inferiores ou Iguais a 60 km/h ou de 100 m, para velo-
cidades superiores a 60 km/h e inferiores ou iguais a 80 km/h. Dentro das localida-
des, estas distâncias podem ser reduzidas até ao limite máximo de 30 m.
Sempre que haja condicionamento ao trânsito de peões, deve ser criado e devi-
damente sinalizado, um caminho obrigatório para peões com a largura mínima de 65
cm para cada 30 peões por minuto.
AVALIAÇÃO
E CONTROLO
DOS RISCOS
AVALIAÇÁO E CONTROLO DOS RISCOS '.7

a
INTRODUÇÃO

Como já foi referido e é do senso comum, o sector da construção é o que regista


índices de sinistralidade laboral mais elevados, essencialmente devido às suas
especificidades.
A construção (a reparação e recuperação desenvolve-se de igual forma) é defi-
nida como um «projecto" que é desenvolvido em três fases:
- Concepção, em que se define tecnicamente a edificação (ou se estabelecem
os trabalhos de reparação/recuperação necessários) e a sua implantação;
- Organização, em que se elaboram os cadernos de encargos e se processa a
negociação de propostas para a execução do projecto;
- Execução, em que se prepara o local, se instala o estaleiro e se realizam os
trabalhos.

A prevenção neste sector terá de ser desenvolvida segundo metodologias pró-


prias, uma vez que o processo produtivo decorre em função da dinâmica do projecto
e não em torno de uma máquina ou processo.
Outro aspecto a considerar são as próprias condições de trabalho - a movimen-
tação manual de cargas pesadas, a exposição a factores climatéricos agressivos e a
eventual manutenção de trabalhadores em situação de deslocação e em
alojamentos provisórios - e também outros factores de agravamento dos riscos pro-
fissionais, tais como, por exemplo, a sobreposição de tarefas, o curto espaço de
implantação dos estaleiros e a presença de equipamentos e produtos mal conheci-
dos. Em caso de deslocação, o afastamento da família pode provocar sentimentos
de solidão, que podem propiciar, por exemplo, o consumo excessivo de álcool, os
maus hábitos alimentares, falta de descanso, etc.
Existem também riscos, de algum modo, para terceiros, uma vez que normal-
mente a construção «colide» com as vias públicas e/ou espaços habitados.
A Directiva quadro estabelece, então, novos princípios de actuação a nível da
planificação da prevenção de riscos profissionais, novos instrumentos de acção pre-
ventiva, novos actores e define uma linha de responsabílidades.
Por um lado, como novo principio, a prevenção na concepção, ao ter particular
importância a escolha de soluções arquitectónicas e técnicas, com vista ã prevenção
de riscos profissionais na fase de construção e de utilização, incluindo as operações
de manutenção, reparação e demolição.
Por outro lado, a coordenação, como forma de garantir a compatibilização das várias
Intervenções que se sucedem quer na fase de projecto quer na fase de execução.
Estes princípios materializam-se na criação de novos instrumentos e novos actores.
188 MANUAL DE SEGURANÇA

Como novos instrumentos, há a Comunicação Prévia, documento em que é


comunicado à Inspecção do Trabalho a abertura do estaleiro, com elementos como
a identificação dos intervenientes, datas previsíveis de início e termo dos trabalhos,
estimativa do número máximo de utilização simultânea de trabalhadores e identifica-
ção das empresas sub-empreiteiras.
O Plano de Segurança e Saúde, como outro instrumento principal de acção pre-
ventiva, deve identificar os intervenientes, caracterizar a obra, descrever o local de
implantação e suas envolventes, descrever a organização do estaleiro, prever os ris-
cos e preveni-los.
O Plano de Segurança é, então, identificado legalmente como o principal instru-
mento de prevenção dos riscos nos estaleiros.
O plano identifica os riscos previsíveis e as principais medidas preventivas a
adoptar e deve ser elaborado em fase de projecto, tendo em consideração as defini-
ções arquitectónicas e as opções técnicas.
O plano deverá conter todos os elementos de informação necessários, como os
interlocutores, sua dependência hierárquica e respectivos canais de comunicação,
os intervenientes, os elementos da obra, o prazo dos trabalhos, os materiais e técni-
cas a empregar, informação relativa ao estaleiro, como os processos de armazena-
gem e de apoio à produção. sistemas de acesso, de circulação, de apoios sociais e
previsão relativa à evacuação de resíduos, o cronograma de operações, os equipa-
mentos a utilizar e deverá também ter em conta a organização do estaleiro e o pro-
cesso construtivo.
Outro instrumento é a Compilação Técnica, doss/erque deve reunir todos os ele-
mentos técnicos relevantes da obra, bem como as recomendações adequadas à
realização segura das intervenções posteriores.
Como novos actores, relatrvamente aos outros sectores de actividade, surgem os
Coordenadores de Segurança e Saúde que deverão coordenar a equipa de projecto
(Coordenador de Projecto) e a actividade das várias empresas intervenientes na
obra (Coordenador de Obra), de forma a garantirem os níveis de segurança ade-
quados, nas definições técnicas do projecto e também no desenvolvimento dos tra-
balhos em obra.
A nível da nova linha de responsabilidades, destaca-se a figura do dono-de-obra,
que terá de nomear os Coordenadores de Segurança e Saúde e promover a
elaboração dos novos instrumentos.

Uma "inovação" do Decreto-Lei n.· 273/2003, de 29 de Outubro, é a não obri-


gatoriedade do plano de segurança e saúde em obras de menor complexidade em
que os riscos são normalmente mais reduzidos. No entanto, se nessas obras se
executarem trabalhos que impliquem riscos especiais. a entidade executante (que é
o empretleiro da obra) deve dispor de fichas de procedimentos de segurança que
indiquem as medidas de prevenção necessárias para executar esses trabalhos. O
artigo 7.' indica quais são os riscos que, o legislador entende, que são especiais:
AVALIAÇÃO E CONTROLO DOS RISCOS 189

a) Que exponham os trabalhadores a risco de soterramento, de afundamento


ou de queda em altura, particularmente agravados pela natureza da acti-
vidade ou dos meios utilizados, ou do meio envolvente do posto, ou da
situação de trabalho, ou do estaleiro;
b) Que exponham os trabalhadores a riscos químicos ou biológicos susceptí-
veis de causar doenças profissionais;
c) Que exponham os trabalhadores a radiações ionizantes, quando for
obrigatória a designação de zonas controladas ou vigiadas;
d) Efectuados na proximidade de linhas eléctricas de média e alta tensão;
e) Efectuados em vias ferroviárias ou rodoviárias que se encontrem em
utilização, ou na sua proximidade;
f} De mergulho com aparelhagem ou que impliquem risco de afogamento;
g) Em poços, túneis, galerias ou caixões de ar comprimido;
h) Que envolvam a utilizaçáo de explosivos, ou susceptíveis de originarem
riscos derivados de atmosferas explosivas;
i) De montagem e desmontagem de elementos pré-fabricados ou outros,
cuja forma, dimensão ou peso exponham os trabalhadores a risco grave;
j} Que o dono da obra, o autor do projecto ou qualquer dos coordenadores
de segurança fundamenta/mente considere susceptíveis de constituir risco
grave para a segurança e saúde dos trabalhadores.

o ponto j) refere, mas não define, risco grave. Mas o que é um risco grave?
Embora não exista uma definição formal, entende-se como risco grave todo o risco
que tenha uma elevada probabilidade de ocorrência (que possa ocorrer muitas
vezes) ou que, caso ocorra (mesmo que a probabilidade seja baixa), as consequên-
cias expectáveis sejam graves (morte, lesões graves ou permanentes). Então, outra
questão surgirá: há riscos graves no ((meu estaleiro»?
Para responder a esta questão é necessário realizar uma avaliação dos riscos.

AVALIAÇÃO DOS RISCOS

E o que é uma avaliação dos riscos?


É um processo que pemnite identificar os perigos (situações que podem originar
danos à segurança ou à saúde), avaliar a probabilidade de ocorrência de um aci-
dente, devido a esse perigo, e estimar a probabilidade da sua ocorrência e as suas
190 MANUAL DE SEGURANÇA

possíveis consequências a, com base nos níveis de risco (o risco é a conjugação da


probabilidade de ocorrência do acidente e a estimativa das suas consequências
expectáveis) propor medidas que permitam minimizar elou controlar os riscos ava-
liados como não aceitáveis (ou graves, usando a terminologia da legislação).
Existem vários métodos para avaliar riscos. Determinados riscos específicos,
relativos a certos agentes físicos, químicos ou biológicos devem ser analisados e
j

quantificados de acordo com o estipulado em legislação própria e, na maior parte


dos casos com recurso a equipamentos e metodologias muito especificas, pelo que
têm de ser efectuadas por técnicos especializados.

• AGENTES FíSICOS
- Ruído no trabalho
• Decreto-Lei n.· 18212006, de 6 de Setembro, estabelece as normas de protec-
ção dos trabalhadores contra os riscos devidos à exposição ao ruído durante
o trabalho.
- Vibrações
• Decreto-Lei n' 46/2006, de 24 de Fevereiro, estabelece as normas de protec-
ção dos trabalhadores contra os riscos devidos à exposição a vibrações
durante o trabalho.
-Radiações
Decreto-Lei n.· 348/89, de 12 de Outubro, estabelece normas e directivas de
protecção contra as radiações ionizantes.
• Decreto Regulamentar n." 9/90, de 19 de Abril, estabelece a regulamentação
das normas e directivas de protecção contra as radiações ionizantes.
Decreto Regulamentar n." 3/92, de 6 de Março, altera o Decreto Regulamen-
tar nO 9/90, de 19 de Abril, relativo à protecção contra radiações ionizantes.
Decreto n· 26/93, de 18 de Agosto, aprova, para ratificação, a Convenção n'
115 da Organização Internacional do Trabalho.
• Directiva n' 96/29/Euratom do Conselho, de 13 de Maio, fixa as normas de
segurança de base relativas à protecção sanitária da população e dos traba-
lhadores contra os perigos resultantes das radiações ionizantes.
Decreto Regulamentar n.' 29/97, de 29 de Julho, transpõe para o ordena-
mento jurídico intemo a Directiva n· 90/641 /EURATOM, do Conselho, de 4 de
Dezembro, e estabelece o regime de protecção dos trabalhadores de empre-
sas externas que intelVêm em zonas sujeitas a regulamentação com vista à
protecção contra radiações ionizantes.
• Declaração de Rectificação n." 14-M/97, de 31 de Julho, de ter sido rectificado
o Decreto Regulamentar nO 29/97, do Ministério da Saúde, que transpõe para
o ordenamento jurídico interno a Directiva nO 90/641/EURATOM, do Conse-
lho, de 4 de Dezembro, e estabelece o regime de protecção dos trabalhado-
AVALIACÃO E COr-'TAOLO DOS RISCOS '91

res de empresas externas que intervêm em zonas sujeitas a regulamentação


com vista à protecção contra radiações ionizantes.
Decreto-Lei n.' 59/2000, de 19 de Abril, estabelece o novo regime jurídico de
instalação das infra·estruturas de telecomunicações em edifícios e respecti·
vas ligações às redes públicas de telecomunicações, bem como o regime da
actividade de certificação das instalações e avaliação de conformidade de
equipamentos, materiais e infra-estruturas.
• Decreto-Lei n.' 165/2002, de 17 de Julho, estabelece as competências dos
organismos intervenientes na área da protecção contra radiações ionizantes,
bem como os princípios gerais de protecção, e transpõe para a ordem jurídica
intema as disposições correspondentes da Directiva n.' 96/29/EURATOM, do
Conselho, de 13 de Maio, que fixa as normas de base de segurança relativas
à protecção sanitária da população e dos trabalhadores contra os perigos
resultantes das radiações ionizantes.
• Decreto-Lei n.' 174/2002, de 25 de Julho, estabelece as regras aplicáveis à
intelVenção em caso de emergência radiológica, transpondo para a ordem
jurídica interna as disposições do título IX, «lntelVenção», da Directiva n'
96/29/EURATOM, do Conselho, de 13 de Maio, que fixa as normas de base
de segurança relativas à protecção sanitária da população e dos trabalhado-
res contra os perigos resultantes das radiações ionizantes.
• Decreto-Lei n.' 38/2007, de 19 de Fevereiro, transpõe para a ordem juridica
interna a Directiva n? 2003/1221EURATOM, do Conselho, de 22 de Dezembro,
reiativa ao controlo de fontes radioactivas seiadas, incluindo as fontes de acti-
vidade elevada e de fontes Mãs, e estabelece o regime de protecção das
pessoas e do ambiente contra os riscos associados à perda de controlo, extravio,
acidente ou eliminação resultantes de um inadequado controlo regulamentar
das fontes radioactivas.

• AGENTES QUíMICOS
-Geral
• Decreto-Lei n.' 275/91 7 de Agosto, regulamenta as medidas especiais de
prevenção e protecção da saúde dos trabalhadores contra os riscos de expo-
sição a algumas substâncias químicas.
• Decreto-Lei n? 290/2001 16 de Novembro, transpõe para o ordenamento jurí-
dico interno a Directiva n.' 98/24/CE, do Conselho, de 7 de Abril, relativa à
protecção da segurança e saúde dos trabalhadores contra os riscos ligados à
exposição a agentes químicos no trabalho, bem como as Directivas n.QS
91/3221CEE, da Comissão, de 29 de Maio, e 2000/39/CE, da Comissão, de 8
de Junho, sobre valores Iimíte de exposição profissional a agentes quimícos.
• Decreto-Lei n.' 305/2007 24 de Agosto, transpõe para a ordem juridica interna
a Directiva n.' 2006/15/CE, da Comissão, de 7 de Fevereiro, que estabelece
uma segunda lista de valores limite de exposição profissional (indicativos) a
192 MANUAL DE SeGURANçA

agentes químicos para execução da Directiva n.' 98/24/CE, do Conselho, de 7


de Abril, alterando o anexo ao Decreto-Lei n.' 290/2001, de 16 de Novembro.
- Produtos cancerígenos
• Decreto-Lei n.' 479/8513 de Novembro, fixa as substâncias, os agentes e os
processos industriais que comportam risco cancerfgeno, efectivo ou potencial,
para os trabalhadores profissionalmente expostos.
Decreto-Lei n.' 301/2000 18 de Novembro, regula a protecção dos trabalhado-
res contra os riscos ligados à exposição a agentes cancerígenos ou mutagé~
nicas durante o trabalho.
-Amianto
• Resolução da Assembleia da República n.' 64198 2 de Dezembro, aprova,
para ratificação, a Convenção n.' 162 da Organização Internacional do Tra-
balho, sobre a segurança na utilização do arnianto.
• Resolução da Assembleia da República n.' 24/2003 2 de Abril, utilização do
amianto em edifícios públicos.
• Decreto-Lei n.' 266/2007 24 de Julho, transpõe para a ordem jurídica interna
a Directiva n.' 2003/18/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de
Março, que altera a Directiva n.' 83/477/CEE, do Conselho, de 19 de Setem-
bro, relativa à protecção sanitária dos trabalhadores contra os riscos de expo-
sição ao amianto durante o trabalho.
-Chumbo
• Decreto-Lei n.' 274/89 21 de Agosto, estabelece diversas medidas de protec-
ção da saúde dos trabalhadores contra os riscos de exposição ao chumbo.

• AGENTES BIOLÓGICOS
- Agentes Biológicos
• Decreto-Lei n.' 479/8513 de Novembro, fixa as substâncias, os agentes e os
processos industriais que comportam risco cancerígeno. efectivo ou potencial,
para os trabalhadores profissionalmente expostos.
• Decreto-Lei n.' 84197 16 de Abril, transpõe para a ordem jurídica Interna as
Directivas do Conselho n.' 90/679/CEE, de 26 de Novembro, e 93/88/CEE, de
12 de Outubro, e a Directiva n.' 95/30/CE, da Comissão, de 30 de Junho,
relativas à protecção da segurança e saúde dos trabalhadores contra os ris-
cos resultantes da exposição a agentes biológicos durante o trabalho.
• Portaria n.' 405/98 11 de Julho, aprova a classificação dos agentes biológicos
• Portaria n.' 1036/98 15 de Dezembro, altera a lista dos agentes biológicos
classificados para efeitos da prevenção de riscos profissionais, aprovada pela
Portaria n.' 405/98, de 11 de Julho.
AVALIACAO E CONTROLO DOS RISCOS 193

• Decreto-Lei n." 212001 4 de Janeiro, regula a utilização conlinada de micror-


ganismos geneticamente modificados. transpondo para a ordem jurídica
interna a Directiva n.' 98/81/CE, do Conselho. de 26 de Outubro. que altera a
Directiva n." 90/219/CEE, do Conselho. de 23 de Abril.
• Lei n' 35/2004 29 de Julho. regulamenta a Lei n.' 99/2003. de 27 de Agosto.
que aprovou o Código do Trabalho.

Mas. há outros riscos que resultam do desenvolvimento normal da actividade e


que têm de ser avaliados. Um método acessivel e expedito mas. que se for bem apli-
cado é eficaz. é o método descrito na norma B8 8800:2004. da B81 - British Standard
Institution, do Reino Unido. vulgarmente designado por método das matrizes.
Para efectuar a análise de riscos é necessário dispor de informação relativa a:
- Regulamentação e legislação sobre prevenção de riscos laborais (ver anexo 1);
- Normalização Nacional e Internacional (ver anexo 2);
- Riscos característicos do tipo de obra;
- Produtos, materiais e equipamentos utilizados;
- Dados de sinistralidade laboral e doenças profissionais do sector;
- Dados de sinistralidade laboral e doenças profissionais da própria empresa;

As informações podem ser obtidas:


- Na Autoridade para as Condições do Trabalho (ver anexo 4);
- Nas Estatísticas Oficiais (ver sites no anexo 3);
- Nas associações Empresariais do sector (ver sites no anexo 3);
- Nos manuais de instruções de equipamentos e fichas de segurança de produ-
tos fomecídas pelos fabricantes;
- Nas publícações técnicas (ver bibliografia);
- Nos próprios trabalhadores elou seus representantes;
- Na observação da forma como a actividade é desempenhada (processos e
métodos de trabalho).

A primeira etapa. e da qual depende em grande parte o atingir do objectivo da


avaliação dos riscos, é a identíficação dos perigos. É necessário identificar os peri-
gos relacionados com todos os aspectos relativos à actividade:
- Ambiente geral (espaço para executar as tarefas. tarefas sobrepostas (no
espaço e no tempo). ruido. poeira. condições climatéricas...);
- Equipamentos e ferramentas;
- Produtos químicos;
- Organização do trabalho (procedimentos e ínstruções de trabalho);
- Formação e experiência dos trabalhadores.

A metodologia que se apresenta de seguida corresponde a uma adaptação a


obras de construção do método das matrizes simplificado. É fácil de aplicar e per-
194'- -"M"A"N:::U"Ac::L:::c::D"E..:S::E::G::Uc::R::A::N::C",A

mite avaliar de forma qualitativa os riscos associados à grande maioria das activida-
des desenvolvidas em obras de construção.

II
MÉTODO DAS MATRIZES

A avaliação inicia-se pela escolha das actividades cujo risco se pretende avaliar,
preenche-se a segunda coluna do mapa - ver quadro 4.1 - (Actividade)', na página
seguinte, a primeira corresponde ao número de ordem (N.'), de seguida identificam-
-se as formas de acidente 1 (os factores que podem causar dano). Para tal, tem de se
tentar ~(adivinhar futuros acidentes)), ou seja, analisar a existência de possíveis fon-
tes de lesões (agentes materiais, máquinas, ferramentas, escadas, passadiços,
andaimes, aberturas em pavimentos, poeiras, gases, fragmentos projectados...), que
partes do corpo podem ser lesadas, previsíveis formas de acidente' (ver no ponto 4
deste capítulo) e quais as causas que determinam a ocorrência destes perigos.
Preenche-se a terceira coluna da tabela (N.' de Trab. Expostos) com o número de
trabalhadores que vão estar sujeitos a sofrer acidente, ou seja, que vão estar
expostos, a quarta, com as formas de acidente identificadas (Forma do Acidente) e a
quinta com as causas que lhes dão origem (Causas).
Quando se analisam os riscos das actividades, considera-se que os trabalhado-
res cumprem os procedimentos. instruções e demais prescrições em vigor no esta-
leiro, uliilzam ferramentas e equipamentos em bom estado de conservação e não
têm comportamentos de risco. Assegurar que os pressupostos anteriores são cum w

pridos, é missão da equipa dirigente do estaleiro (dono de obra, director de obra,


encarregado, coordenador e técnico de segurança...).
O passo seguinte é o cálculo - estimativa - do risco, para tal, é necessário esti-
mar quer a probabilidade de ocorrência do acidente, quer a sua gravidade. A proba-
bilidade «mede·) a maior ou menor possibilidade de que o acidente ocorra, tendo em
consideração as condições detectadas. A gravidade «mede» as consequências da
ocorrência do acidente, em termos de lesões humanas (que é a obrigação legal),
não são tidos em consideração os prejuízos materiais.

(1) Actualmente, ê mais comum classificar como riscos o que aqui designei como formas de acidente. A
designação que usei, nesta parte do manual, parece-me ser mais perceptível para leIgos e, por isso, mais
fãcil de entender e, o principal objecHvo que norteou a elaboração deste texto ê lomã-Io acessível e útil a
não especialistas em segurança na construção civíl.
QUADRO 4.1. MAPA DE AVALlAÇAO DE RISCOS
"<
~
"
;;
.e>
MAPA DE AVALIAÇÃO DE RISCOS
O
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ESTALEIRO: FOLHA _ ' _ m
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DIRECTOA DE OBRA DONO OE OBRA DATA I I
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ii
Avaliação do risco Classificação
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N.' Actividade trab.


expostos
Forma do acidente Causas Cálculo do risco Filtro ""
P G PxG lagis. A N/A "
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Elaborado por: _ Data _1_1_


Aprovado por: _ Oa'a _1_1_ ~

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196: --"M"A"'N"U"A"":cO::E=so:E"G"U,,R",A"N"C"A

A norma SS 8800:2004 define 4 categorias e respectivos critérios para estimar a


probabilidade (ver quadro 4.2) e 3 categorias para estimar a gravidade (ver quadro
4.3). Após estimar estas duas componentes, é possível estimar o risco, de forma
simplificada (ver quadro 4.4). No entanto, a norma refere que as empresas e organi-
zações devem adoptar as categorias e critérios às suas especificidades e necessi-
dades. Assim sendo, proponho 5 categorias e respectivos critérios para estimar quer
a probabiiidade, quer a gravidade (ver quadro 4.5). Tendo em conta as indicações
do quadro, estimam-se a probabilidade de que ocorra o acidente e, em caso de
ocorrência, quais as consequências espectáveis. Preenche-se a sexta coluna (P)
correspondente à probabilidade e a sétima (G) correspondente à gravidade no mapa
de avaliação dos riscos, com os respectivos números que foram estimados (1 a 5).

QUADRO 4.2. CATEGORIAS DA PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA DE DANOS

Tipicamente acontece pelo menos


Muito provável
uma vez por semestre a um indivíduo.

Tipicamente acontece pelo menos


Provável/possível
uma vez em cada 5 anos a um indivíduo.

Tipicamente acontece pelo menos


Pouco provável
uma vez na vida de trabalho de um indivíduo.

Menos de 1% de possibilidade de ocorrer


Muito improvável
na vida de trabalho de um indivíduo.

QUADRO 4.3. CATEGORIAS DE GRAVIDADE EM FUNÇÃO DOS DANOS

Domínio Ligeiros Moderados Extremos

Incómodo ou Perda parcial Doença aguda


perturbação e irritação de audição: dermatites; que provoque morte;
(ex.: dores de cabeça); asma; lesões doença terminal;
doença temporária que relacionadas com incapacidade
.""
"O provoque desconforto
(ex.: diarreia).
o trabalho nos membros
superiores;
permanente
significativa.
'"
(f)
doença passível
de provocar
incapacidade
permanente menor.

Lesões superficiais; Dilaceração; Lesões mortais;


'"
0-
e
feridas e cortes menores;
irritação ocular
feridas abertas ou cortes
profundos; queimaduras;
amputações;
lesões múltiplas;
~
"C> provocada por poeira. entorses e distensões fracturas graves.
"
(f) graves; concussões;
fracturas menores.
AVALlACÃO E CONTROLO DOS RIS.C:::O::S'- -"::9:.:-7

QUADRO 4.4. FORMA SIMPLIFICADA PARA ESTIMAR O RISCO

Possibilidade Gravidade do dano


de ocorrer dano
Ugeiro Moderado Extremo/elevado

Muito improvável
Risco muito baixo J3isco muito baixo Risco elevado
(raro)

Pouco provável Risco muito baixo Risco médio

Provável/possível Risco baixo Risco elevado

Muito provável
Risco baixo
(esperado)

QUADRO 4.5. ESTIMATIVA DA PROBABILIDADE E DA GRAVIDADE

Muito Já ocorreu nas ..suas .. obras.


5 provável (Duas ou mais vezes por ano).

Já ocorreu nas «suas» obras.


a> 4 Provável
"C (Uma vez por ano, ou menos que uma vez por ano).
;g'"
:õ Tem conhecimento que já ocorreu noulras obras.
e'"
D 3 Possível
(Mais que uma vez).
o..
Pouco Há referência de que já ocorreu
2 no seclor da construção.
provável

Não conhece nenhum relato de acidente


1 Remoia
nessas circunstâncias.
~a>
..
:E
u
5 Muito séria
Provoca a morte ou incapacidade
permanente absoluta

Provoca incapacidade permanente parcial


4 Séria ou incapacidade temporária
com duração superior a 90 dias.
a>
"C

'"
"O
.~ 3 Importante
Provoca incapacidade temporária
com duração entre 15 e 90 dias.
el

Provoca incapacidade temporária


2 Significativa
com duração inferior a 15 dias.

Lesões ligeiras que são tratadas


1 Moderada
com os meios existentes no estaleiro.
199 • -"M=A=N:.:U=A:.:L:.:D:.:E:.;S:;:E:;:G:;:U"R"A=N:.:C:.::A

Com as estimativas da probabilidade e gravidade, qualifica-se a dimensão do


risco (ver quadro 4.6). Todos os riscos acima de 15, inclusive e, devido à gravidade
o 5V e o 10V (vermelho por ser a cor associada aos riscos graves), são considera-
dos riscos eievados, os riscos qualificados entre 8 e 14 e, devido à gravidade o 4A
(amarelo) são considerados médios e os riscos com qualificação menor que 8 são
considerados baixos.
Todos os riscos acima de 8, inclusivé, e o 4A, 5V e o 10V, devem ser considera-
dos não aceitáveis (graves) e assinalados com (x) na décima primeira coluna (N/A),
todos os riscos abaixo de 8 e que não violem nenhuma disposição legal, são consi-
derados aceitáveis e assinalados com (x) na décima coluna (A).

QUADRO 4.6. ESTIMATIVA 00 RISCO

GRAVIDADE
NíVEL DO RISCO
2 3
2 3
w
o
<t 2 2 4 6
o
;j
CD 3 3 6 9
<t
CD
ocr 4 4 8 12
"-
5 5 10 15

FORMAS DE ACIDENTES (RISCOS)

,. QUEDA DE PESSOAS A NivEl DIFERENTE - Identifica-se este risco quando se efectuam


trabaihos, ainda que ocasionais e de curta duração, em iocais elevados, ou nos
seus acessos, em taludes ou junto a negativos (buracos) existentes no piso,
andaimes e plataformas e que não tenham a protecção adequada.

2. QUEDA DE PESSOAS AO MESMO NíVEL - identifica-se este risco quando existem no


piso obstácuios ou substâncias que podem provocar uma queda por tropeça-
mento ou escorregamento. Por exempio: ferramentas, materiais, entulhos, pavi-
mentos irregulares, cabos ou cordas cruzando os caminhos, podem originar que-
AVALlACAO E CONTROLO DOS RISCOS 199

das por tropeçamento; derrames de óleos, pavimentos molhados com água ou


detergente podem originar quedas por escorregamento.

3. QUEDA DE oeJECTOS POR DEsAeAMENTO OU DESMORONAMENTO - Identifica-se este


risco quando existe a possibilidade de desabamento ou desmoronamento de:
estruturas, estanterias, pilhas de materiais, tabiques ou alvenarias envelhecidas
ou mal consolidadas.

4. SOTERRAMENTO - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade de desaba-


mento ou desmoronamento de maciços terrosas ou rochosos.

5. QUEDA DE OeJECTos EM MANIPULAÇÃO - Identifica-se este risco quando existe a


possibilidade de queda de objectos ou materiais durante a execução de trabalhos
ou em operações de elevação ou transporte manual cargas. Exemplos: ferramen-
tas manuais, materiais, caixas, sacos...

6. QUEDA DE OBJECTOS DESPRENDIDOS - Identifica-se este risco quando existe a


possibilidade de queda de objectos que não estando a ser manipulados se sol-
Iam. Exemplos: materiais arrumados em estantes, lãmpadas ou outros aparelhos
suspensos, objectos ou ferramentas abandonados em locais elevados, guarda-
-corpos sem rodapés em zonas de trabalho ou de passagem...

7. MARCHA SOBRE OBJECTOS - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade


de ocorrerem lesões (fractura, luxação, entorse) por pisar ou tropeçar em objec-
tos abandonados, desniveis ou irregularidades do solo sem contudo originar
queda.

8. CHOQUES CONTRA OBJECTOS IMÓVEIS - Identifica-se este risco quando existe a


possibilidade de choque contra partes salientes de máquinas, instalações ou
materiais, estreitamento de locais de passagem, vãos de escadas, vigas ou con~
dutas a baixa altura, envidraçados recém montados...

9. CHOOUES ou PANCADAS POR OBJECTOS MÓVEIS - Identifica-se este risco quando


existe a possibilidade de receber gotpes ou pancadas por partes móveis de
máquinas que não estejam protegidas ou materiais em manipulação ou trans-
porte. Exemplos: partes móveis de equipamentos, portas, tampas móveis de
máquinas ou equipamentos...

10. PANCADAS E CoRTES POR OBJECTOS ou FERRAMENTAS - Identifica-se este risco


quando existe a possibilidade de ocorrerem lesões produzidas por objectos cor-
tantes, perfurantes ou abrasivos, ferramentas ou máquinas portáteis. Exemplos:
arestas vivas, vidros quebrados, berbequins, ventiladores...

11. PROJECÇÃO DE FRAGMENTOS ou PARTíCULAS - Identifica-se este risco quando


existe a possibilidade de ocorrerem lesões produzidas por peças, fragmentos ou
pequenas particulas de material projectadas por máquinas, ferramentas ou
outras acções mecânicas.
200 MANUAL DE SEGURANÇA

12. ENTALADELA OU ESMAGAMENTO POR OU ENTRE OBJECTOS - Identifica-se este risco


quando existe a possibilidade de entaladela ou esmagamento, de quaiquer
parte do corpo por peças móveis de máquinas ou entre objectos ou matenais.
Exemplos: rodas, cilindros, cargas pesadas...

13. ENTALADELA OU ESMAGAMENTO POR CAPOTAMENTO DE MÁOUINAS -Identifica-se este


risco quando existe a possibilidade de capolamento de máquinas que não têm
cabina ROPS (protecção ao manobrador) ou que na queda possam atingir
outros trabalhadores ou terceiros.

14. SOBRE-ESFORÇOS, POSTURAS INADEQUADAS OU MOVIMENTOS REPETITIVOS - Idenli-


fica-se este risco quando existe a possibilidade ocorrerem iesões músculo-
esqueléticas elou fadiga física devido a desequilíbrios entre as exigências da
tarefa e a capacidade física do indivíduo. Exempios: manipulação ou eievação
manual de cargas, assentos inadequados...

15. EXPosiçÃo A TEMPERATURAS AMBIENTAIS EXTREMAS - Identifica-se este risco


quando existe a possibilidade de ocorrerem iesões devido a permanência em
ambientes com calor ou frio excessivos.

16. CONTACTOS TÉRMICOS - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade de


ocorrerem queimaduras por contacto com superfícies ou produtos quentes ou
frios. Exemplos: estufas, caldeiras, escapes de vapor, radiadores de máquinas e
viaturas...

17. CONTACTOS ELÉCTRICOS - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade


de ocorrerem lesões devidas à passagem da corrente eléctrica em qualquer
parte do corpo. Exemplos: cabos, fichas e tomadas em mau estado, quadros de
distribuição sem tampa de protecção, consolas de comando, transformadores,
lâmpadas, linhas aéreas nuas...
18. EXPOSiçÃo A SUBSTÁNCIAS NOCIVAS OU TÓXICAS - Identifica-se este risco quando
existe a possibilidade de ocorrerem envenenamentos ou intoxicações devidos a
Inalação, contacto ou Ingestão de substâncias prejudiciais à saúde. A avaliação
deste risco é efectuada mediante a identificação da substância e medição dos
valores de concentração existentes no ambiente de trabalho (ver Norma Portu-
guesa NP-1796 (1988)). Exemplos: dissolventes, amianto, ozono, monóxido de
carbono, lixívias...

19. CONTACTO COM SUBSTÃNCIAS CÁUSTICAS OU CORROSIVAS - Identifica-se este risco


quando existe a possibilidade ocorrerem lesões devidas ao contacto com subs-
tâncias agressivas ou envenenamentos ou intoxicações devidas à sua presença
no ambiente. Exemplos: ácidos, bases, substâncias empregues em limpeza e
desinfecção, carga de baterias...
AVALIAÇÃO E CONTROLO DOS RiSCOS 201

20. ExPOSiÇÃO A RADIAÇÓES - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade


de ocorrerem lesões ou doenças devidas à acção das radiações. A avaliação
desle risco é efectuada por medição do nivel de radiação. Exemplos: raios X,
raios gama, raios ultravioleta, trabalhos de soldadura...

21. EXPLOSÃO - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade de produção


de misturas explosivas do ar com gases ou substâncias combustíveis ou rotura
de recipientes sob pressão. Exemplos: dissoiventes, pós combustíveis (serra-
dura...), caldeiras, recipientes de aerossóis, garrafas de gases comprimidos...

22. INCÊNDIO - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade de propagação


de incêndio devido a concentração de materiais combustíveis elou falta de equi-
pamentos adequados de extinção. Exemplos: papel, pláslicos, tecidos, madei-
ras, produtos químicos, carência ou inadequação de extintores...

23. DANOS CAUSADOS POR SERES VIVOS - Identifica-se este risco quando existe a
possibilidade de ocorrerem lesões ou doenças ocasionadas por contaminantes
biológicos ou outros seres vivos. Bactérias, fungos, parasitas, vespas, ratos...

24. ATROPELAMENTO ou CHOQUE DE vEicUlOS - Identifica-se este risco quando exisle


a possibilidade de ocorrerem lesões devido a atropelamento ou choque de vei-
culas (pertencentes ou não à empresa) durante a jornada de trabalho. Incluem-
-se nesle ponto os acidenles rodoviários ocorridos durante a jornada de trabalho.
Exemplos: multifunções, giratórias, pás carregadoras, camiões...

25. ExPOSiÇÃO AO RuiDO - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade de


ocorrerem lesões no aparelho auditivo por exposição a um nível de ruído supe~
rior aos limites admissiveis (ver DEC. Lei n.· 9/92 de 28 de Abril). A avaliação
deste risco é efectuada por medição e cálculo do nível sonoro equivalente.

26. EXPOSiçÃo A VIBRAçõES - Identifica-se este risco quando exisle a possibilidade


de ocorrerem doenças devidas a exposição prolongada a vibrações.
27. FADIGA VISUAL - Identifica-se este risco quando existe a possibilidade de ocorre-
rem lesões ou doenças devidas a fadiga ocular motivada por baixos ou excessi-
vos níveis dB iluminação. A avaliação desle risco é efectuada por medição do
nível de luminância e comparação com valores de referência.

28. CARGA MENTAL - Identifica-se este risco quando o trabalho exige uma elevada
capacidade de concentração, rapidez de resposta ou um esforço prolongado de
atenção a que o trabalhador não se consiga adaptar. Origina fadiga nervosa,
possibilidade de transtornos emocionais ou aiterações psicossomáticas. Exem-
plos de funções sujeitas a este risco: condução de veículos, introdução de
dados, controlo de processos automáticos...

29. RISCOS DEVIDOS A FACTORES PSICOSSOCIAIS OU ORGANIZACIONAIS - Identifica-se


este risco quando existe a possibilidade de ocorrerem lesões ou doenças devi-
202 MANUAL DE SEGURANÇA

dos à organização do trabalho ou às interacções individuo-condições de traba-


lho. Exemplos: jornada de trabalho (trabalho por turnos, nocturno, excesso de
horas), ritmo de trabaiho anormai, trabalho monótono, más relações interpes-
soais, má comunicação, estados alterados da consciência (embriaguez, dro-
gas), falta de formação/informação, falta de treino/experiência...

30. FENÓMENOS NATURAIS - incluem-se neste ponto todos os acidentes ou doenças


ocorridos no local de trabalho que não são consequência do próprio trabalho
mas são originados por fenómenos naturais. Exemplos: terramotos, queimadu-
ras solares, descargas atmosféricas...

31. OUTROS - Incluem-se neste ponto todos os riscos presentes no local e tempo de
trabalho e que não foram considerados nos pontos anteriores. Exemplos: afoga-
mento, asfixia por insuficiência de oxigénio...

32. lN ITíNERE - Este ponto contempla os riscos de acidente no trajecto de ida e de


regresso para e do local de trabalho. Exemplos: choque de viaturas (que provo-
que danos físicos ao trabalhador, atropelamento, quedas (nas escadas do pré-
dio, no passeio...), ataque de animais...

PLANO DE CONTROLO DOS RISCOS

Com os riscos estimados, o passo seguinte é definir quais são os que devemos
minimizar e com que prioridade e quais são aqueles com que podemos «conviver» e
tolerar. Novamente, a norma BS 8800:2004 define critérios de tolerabilidade (ver
quadro 4.7) e critérios para estabelecer prioridade de actuação (ver quadro 4.8).
De acordo com a matriz apresentada no quadro 4.6, os riscos não aceitáveis
(assinalados pelos dois tons mais escuros) têm de ser controlados com medidas
adequadas. Para conhecer os recursos necessários para controlar os riscos, tem de
se fazer um plano. Para tal, deve utilizar o mapa apresentado no quadro 4.9. A pri-
meira coluna corresponde ao número de ordem (N."), na segunda, deve ser mencio-
nado o risco (Risco) que foi considerado não aceitável, na terceira, as causas (Cau-
sas) que determinaram esse risco, na quarta, a prioridade (Prioridade) na tomada das
medidas de controlo.
AVALIAÇÃO E CONTROLO DOS RISCOS 203

A prioridade indica a ccurgência» na tomada de medidas e é determinada pela


dimensão do risco.
Devem existir três níveis de prioridade:
- NíVEL 1 - Prioridade imediata, as actividades com riscos cujo nível esteja na
zona mais escura (inaceitáveis), não devem ser iniciadas sem que se tomem
medidas que eliminem ou diminuam o risco. Se a avaliação estiver a ser
efectuada a trabalhos que eslejam a decorrer, a actividade deve cessar de
imediato e só deve ser retomadas após a adopção dessas medidas;
- NíVEL 2 - Prioridade elevada, para as actividades cujos riscos tenham níveis
na zona cinzenta média (elevados), devem ser tomadas medidas de controlo
no prazo máximo de 1 dia;
- NíVEL 3 - Prioridade média, para as actívidades cujos riscos tenham dimen-
são na zona cinzenta clara (médios), devem ser tomadas medidas de controlo
no prazo máximo de 3 dias.

Nas actividades cujos riscos têm níveis na branca (aceitáveis, não é necessário
tomar medidas adicionais mas devem-se manter as existentes.

QUADRO 4.7. CRITÉRIOS PARA DEFINIR A TOLERABILlDADE AO RISCO

Nfvel do risco Tolerabilidade

Muito baixo Aceitável

Baixo"
Riscos que devem ser reduzidos
Médio· de forma a serem considerados
toleráveis ou aceitáveis
Elevado"

Muito elevado Inaceitável

• Neste exemplo. estas 3 categorías são utilizadas de modo a permitir


diferentes tipos de acção ou diferentes escalas de tempo para
implementação das medidas que tenham de ser aplicadas. em fun-
ção do nlvel de risco.
204 MANUAL OE SEGURANÇA

QUADRO 4.8. CRITÉRIOS PARA DEFINIR PRIORIDADES PARA CONTROLO DO RISCO

Orientações para medidas correctivas


Nível
(com indicação do perlodo de tempo necessário
do risco
para a sua implementação)

Estes riscos são considerados aceitáveis.


Muito
Não são necessárias outras acções para além
baixo
daquelas que garantem que o controlo é mantido.

Não são requeridos controlos adicionais a não ser que os


mesmos possam ser implementados a muito baixo custo
(em termos de tempo, dinheiro e esforço). As acções para
Baixo
reduzir estes riscos são consideradas de baixa prioridade.
Devem existir disposições para garantir que o controlo é
mantido.

Deve ser equacionada a redução do risco para um nível


tolerável, e preferencialmente para um nível aceitável,
quando aplicável, mas os custos inerentes a medidas
adicionais devem ser tidos em conta, As medidas
Médio de redução do risco devem ser implementadas num
período de tempo definido, Devem ser estabelecidos
procedimentos para garantir que o controlo é mantido,
especialmente se os níveis de risco estão associados
a consequências com danos,

Devem ser desenvolvidos esforços substanciais para


reduzir o risco. As medidas de redução do risco devem
ser IMPLEMENTADAS URGENTEMENTE em período de tempo
definido; pode ser necessário considerar a suspensão ou
a restrição da actividade, ou aplicar medidas de controlo
interinas, até às primeiras estarem implementadas, Pode
Elevado
ser necessária a atribuição de recursos consideráveis
para a implementação das medidas adicionais de
controlo, Devem ser estabelecidos procedimentos para
garantir que o controlo é mantido, especialmente se os
níveis de risco estão associados a consequências com
danos extremamente graves ou muito graves.

ESTES RISCOS SÃO INACEITÁVEIS. São necessárias melhorias


substanciais no controlo do risco, de forma a que este seja
reduzido para um nlvel tolerável ou aceitável.
Muito
A ACTNIDADE DE TRABALHO DEVE SER SUSPENSA ATÉ ESTAREM
elevado
IMPLEMENTADAS AS MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA QUE O RISCO
DEIXE DE SER "MUITO ELEVADO». Se não houver possibilidade
de reduzir o risco, o trabalho não pode ser retomado.

Nota: quando o risco está associado a consequências com danos extremamente graves é
necessário aprofundar a avaliação para aumentar a confiança na plausibilidade da gravi-
dade (i.e., possibilidade efectiva do dano ser tão grave).
l~·in
QUADRO 4.9. PLANO OE CONTROLO OE RISCOS

PLANO DE CONTROLO DE RISCOS


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ESTALEIRO: FOLHA_'_ \Il
DIRECTOR DE OBRA DONQ DE OBRA OATA I I
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Risco c
Medidas de controlo Responsável Data limite Verificação \Il
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Forma de acidente
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Rub
_LL
I I
Rub
_'-L I I
Elaborado por: _ Data _1_1_
AprovadO por: _ Data _/_1_
l!i
'"
206 MANUAL OE SEGURANÇA

Pode parecer que o tempo indicado para a adopção de medidas de conlrolo é


muito curto, especialmente se comparado com o aconselhado em alguma literatura
geral ou de aplicação especitica noutros sectores. A construção civil tem uma dinâ-
mica própria, derivada da mobilidade dos factores de construção pelo que, em
alguns casos, um prazo de uma semana é suficiente para começar e concluir um
trabalho (por exemplo, numa semana é possível executar toda a cofragem de uma
laje de um piso), pelo que é aconselhável que as medidas de prevenção sejam exe-
cutadas rapidamente.
Na quinta coluna, deve(m)-se descrever a(s) medida(s) preconlzada(s) (Medidas
de controlo) para controlar - eliminar ou reduzir - o risco, na sexta, deve-se designar
o responsável (Responsável) por implementar as medidas, na sétima, a data limite
(Data limite) para concluir a execução da medida. Esta data limite não pode exceder
o prazo detinido, tendo em conta o nivel de prioridade. A oitava (Veriticação) deve
ser rubricada por um responsável do estaleiro, nomeado pelo dono de obra, ou, em
altemativa, pelo director de obra, após veriticação da correcta implementação da
medida de controlo.
Devido à sua maior eficácia, deve-se, sempre que possível prevenir os riscos, ou
seja, eliminar ou reduzir a probabilidade de que o perigo se materialize; se tal não for
possivel ou for economicamente inviável, devem adoptar medidas de protecção, pri-
vilegiando a protecção colectiva porque protege vários trabalhadores e, só se tal for
inviável e como último recurso é que se recorre aos EPI(s) que são o tipo de protec-
ção menos eficaz porque só protege uma parte do corpo de um único trabalhador e
o seu uso depende da «boa vontade,> dos trabalhadores.
Os riscos considerados aceitáveis e que não foram colocados no Plano de Con-
trolo de Riscos, não devem ser esquecidos. A sua não inclusão significa que estão
controlados mas é necessário ir assegurando (através de inspecções, auditorias,
manutenção dos equipamentos e ferramentas ...) que se mantêm controlados.

EXEMPLO PRÁTICO
Para concrelizar a metodologia, apresenta-se um exemplo prático.
Considere-se uma obra de substituição do telhado de duas águas, com 3D" de
inclinação, de um prédio com três pisos, duas fachadas e ao m2 de área coberta,
situado numa zona histórica. O telhado encontra-se em mau estado com o ripado e
fréxais bastante deteriorados. A viga mestra está em bom estado pelo que não vai
ser substituída, as asnas e as madres ainda apresentam resistência suficiente para
AVAlIACÃO E CONTROLO DOS RISCOS 207

aguentar o peso de um homem mas vão ser substituldas devido aos danos provoca-
dos pela humidade.
As actividades cujos riscos devem ser avaliados são:
- Desmantelamento do telhado;
- Descida dos entulhos;
- Construção da nova armação em madeira;
- Colocação das telhas;
- Construção de beirais e algeroz.

Vamos avaliar aqui a actividade de desmantelamento. A primeira questão que se


pode colocar é:

1. Quantos trabalhadores vão laborar em simultãneo no telhado?


O trabalho foi adjudicado a um empreiteiro especializado em trabalhos em
coberturas e vai ser executado por uma equipa de quatro trabalhadores com
experiência neste tipo de trabalho, um deles, é um encarregado com muita
experiência.

A segunda questão:
2. Que acessos tem o telhado? E são adequados para serem utilizados durante
os trabalhos?
O telhado não dispõe de nenhum tipo de acesso. Durante a obra está pre-
visto que o acesso seja efectuado por uma escada de mão com três lanços.

3. Como se vão efectuar as deslocações no telhado durante o desmantelamento?


Está previsto que os trabalhadores se desloquem sobre tábuas.

4. Como se vão elevar as ferramentas, equipamentos e materiais?


Vai ser instalado um guincho eléctrico na fachada.

5. Como se vão descer os entulhos?


Os entulhos «(miúdos» serão descidos através de manga plástica para um
contentor de entulho. Os materiais maiores, (restos de asnas e madres, por
exemplo) serão Iingados através do guincho eléctrico.

6. A largura da rua permite <cestacionar» o contentor em segurança?


A rua tem cinco metros e meio de largura.

7. A rua onde se situa o prédio é muito movimentada?


Não é muito movimentada mas a população é maioritariamente idosa.

8. A última placa encontra-se em bom estado?


É um prédio quase centenário com soalhos em madeira. O último soalho
apresenta alguns sinais de deterioração, ainda ligeiros, devido às infiltrações
do telhado, no entanto mantém-se resistente.
208 MANUAL DE SEGURANÇA

9. Que protecções colectivas contra quedas em altura estão previstas?


Não estão previstas protecções colectivas contra quedas em aitura porque
nos beirais deste teihado não é possível fixar os montantes dos guarda-cor-
pos, pelo mesmo motivo, não é possível colocar redes.

10. Não está prevista a montagem de uma escada metálica provisória, em torre,
para facilitar o acesso ao teihado?
O prédio está e vai continuar habitado durante a obra, pelo que o dono não
permite a montagem de escadas ou andaimes que possam facilitar o acesso
ao interior dos andares.

11. Quais as condições climatéricas previstas?


O trabalho vai decorrer na segunda quinzena de Maio e no mês de Junho,
pelo que não se prevê chuva ou vento forte.

Tendo por base estas informações, começa-se a preencher o Mapa de Avaliação


de Riscos:
N." (de ordem): 1;
Actividade: Desmanteiamento do telhado;
N." de Trab. Expostos: 4;

Que FORMA(s) do acidente é possívei ocorrer?:


1) Queda de pessoas a nível diferente;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Queda no acesso ao telhado, ao subir ou descer a escada de mão, ou por
resvalamento da escada;
- Queda, de cima do prédio, por escorregar no telhado, devido à humidade, à
inclinação, a desarrumação ou por locomoção no coroamento do prédio;
- Queda por desabamento do telhado, ou de parte dele, devido à deterioração
de alguns dos seus elementos ou por acumulação de entulhos;
- Queda devido a ofuscamento por reflexo da luz solar;

Que FORMA(s) do acidente é possível ocorrer?:


2) Queda de pessoas ao mesmo nível;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
_ Queda por escorregar no telhado, devido à humidade ou à inclinação ou por
usar calçado inadequado;
- Queda devido a ofuscamento por reflexo da luz solar;
_ Queda devido a desarrumação, má colocação de ferramentas ou equipamen-
tos ou acumulação de entulhos;
AVALIAÇÃO E CONTROLO DOS RISCOS 209

Que FORMA(S) do acidente é possível ocorrer?:


3) Queda de objectos por desabamento ou desmoronamento;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Deixar elementos da construção em situação instável;

Que FORMA(s) do acidente é possível ocorrer?:


4) Queda de objectos em manipuiação;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Elevar ou descer os equipamentos de forma inadequada;
- Descer os entulhos de forma inadequada;
- Guincho eléctrico mal instalado;

Que FORMA(s) do acidente é possível ocorrer?:


5) Choques contra objectos imóveis;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Deixar pontas de barrotes ou ripas salientes;

Que FORMA(S) do acidente é possível ocorrer?:


6) Projecção de fragmentos ou partículas;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Ao desfazer os encaixes entre eiementos;
- Na descida dos entulhos;

Que FORMA(S) do acidente é possível ocorrer?:


7) Sobre-esforços ou posturas inadequadas;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Na movimentação e assentamento de barrotes de maior dimensão (das
asnas ou da viga madre);

Que FORMA(S) do acidente é possível ocorrer?:


8) Contactos eléctricos;
Quais as CAUSAS que podem originar esta fonna de acidente?:
- Na utilização de ferramentas eléctricas e respectivas extensões;

Que FORMA(S) do acidente é possível ocorrer?:


9) Exposição a substâncias nocivas ou tóxicas;
Quaís as CAUSAS que podem originar esta forma de acídente?:
- Na aplicação de produtos de tratamento elou protecção das madeiras;
210 MANUAL DE SEGURANÇA

Que FORMA(s} do acidente é passiveI ocorrer?:


10) Explosão;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Devido à acumulação de poeiras finas de madeira na caixa-da-ar ou no sótão;

Que FORMA(s} do acidente é possível ocorrer?:


11) Incêndio;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Devido à acumulação de poeiras finas na caixa-da-ar ou no sótão e à pre-
sença de madeira velha e carcomida, o que potencia o risco de incêndio;

Que FORMA(S) do acidente é possível ocorrer?:


12) Exposição ao ruído;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Devido à utilização de máquinas;

Que FORMA(s} do acidente é possível ocorrer?:


13) Danos causados por seres vivos;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Mordeduras de ratos, pulgas... Devido à acumulação de sujidade e à rara pre-
sença humana, os sótãos são <chabitação l ) deste tipo de «bicharada);

Que FORMA(s} do acidente é possível ocorrer?:


14) Atropelamento ou choque de veículos;
Quais as CAUSAS que podem originar esta forma de acidente?:
- Devido à exígua largura da rua;

A próxima etapa é, tendo em consideração as possíveis causas que foram


detectadas, estimar a probabilidade e gravidade de cada uma das possíveis formas
de acidente. Isso é efecluado tendo por base as indicações do quadro 4.5.
De seguida, efectuam-se as estimativas de PxG obtidas, de acordo com o indi-
cado no quadro 4.6, considerando que se "aceitam» todos os riscos na zona e que
têm de ser controlados todos os que estejam em zonas cinzentas.
A etapa seguinte é estabelecer o plano de controlo dos riscos considerados não
aceitáveis. Para tal, preenche-se o mapa "Piano de Controlo de Riscos". Na pri-
meira coluna, o número de ordem (NQ) do risco, na segunda coluna, a forma do aci-
dente considerada (Risco) e na terceira coluna as causas (Causas) detectadas e que
contribuem para que esse risco seja não aceitável. Na quarta coluna estabelecem~se
as prioridades (Prioridades) de actuação, tendo em atenção as indicações dadas
anteriormente. Na quinta coiuna estabelecem-se medidas de minimização e controlo
dos riscos (Medidas de controlo). As medidas de controlo podem ser: Instalação da
AVALlAÇ~O E CONTROLO DOS RiSCOS 211

protecções colectivas, uso de protecções individuais, medidas organizativas, forma~


ção e sinalização. Para o estabelecimento das medidas de controlo, devem ser con-
sultadas as fichas de procedimentos de segurança aplicáveis e adaptadas à reali-
dade concreta da obra que está a ser analisada.
Na sexta coluna, designa-se nominalmente um responsável (Responsável), na
sétima estabelece-se uma data limite para a implementação da (ou das) medida de
controlo estabelecida, tendo em atenção a prioridade definida anteriormente e, por
último, a oitava coluna deve ostentar a rubrica de quem verificou a correcta imple-
mentação da medida. Esta verificação deve ser efectuada pelo dono de obra ou por
um seu representante (o fiscal da obra, por exemplo), se tal não for possível, o
director da obra deve assumir essa responsabilidade.
Atribuiu-se a responsabilidade da implementação de algumas das medidas,
nomeadamente a formação, ao técnico de segurança, no entanto, essa responsabili-
dade pode ser atribuída ao director de obra ou ao encarregado desde que tenham
formação especilica que lhes permita assegurar a correcta implementação das
medidas preconizadas.
Não se procurou neste exemplo uma análise muito exaustiva dos riscos ineren-
tes à actividade de desmantelàmento de um telhado, o objectivo principal foi o de
proporcionar um exemplo prático de aplicação do método, de forma a aclarar todas
as dúvidas que possam surgir aquando da aplicação prática do método.
Para finalizar esta breve introdução à análise de riscos da actividade, resta-nos
clarificar um último aspecto. O Decreto-Lei n.' 273/2003 atribui à entidade execu-
tante a obrigação de indicar medidas de prevenção (e indirectamente de efectuar
uma análise de riscos, pois só se podem prevenir os riscos que se conhecem), mas,
a entidade executante é uma organização. Quem, dentro da organização, deve efec-
tuar a análise de riscos? A resposta, referida no pcnto 3) do artigo 14") é, o coorde-
nador de segurança em obra que deve analisar a adequabilidade das fichas de pro-
cedimentos de segurança e propor à entidade executante as alterações adequadas.
No entanto, a 8H8T deve ser encarada como uma «(obrigação) moral de todos os
intervenientes no estaleiro pelo que o coordenador e os técnicos de segurança
devem ser ajudados na sua «missão», especialmente, pelo director da obra e pelos
encarregados e chefes de equipa.
Normalmente, as obras de menor dimensão, como é o caso da construção de
edifícios, são adjudicadas na sua totalidade a uma única entidade, pelo que, é o
director de obra que assume as funções de coordenador de segurança em obra.
~
MAPA DE AVALIAÇÃO DE RISCOS
'"
ESTALEIRO: Obra de substituição do telhado do prédjo sito na rua... FOLHA.L 1...2.-
DIRECTOR DE OBRA Eng.2 Xxxxxx OONOOEOBAA Sr. Q Yywywyv DATA 1 1

Avaliação do risco Classificação


N.1l de
N. Forma
Causas do risco
• Actividade trab.
expostos
do acidente Cálculo do risco Filtro
lagis.
P G PxG A N/A
1 Desmantelamento 4 Queda de pessoas Queda no acesso ao telhado, ao subir ou descer 3 5 X
do telhado a n['1a! dlferenta a escada de mão, ou por resvalamento da escada.
Queda, de cima do prédio, por escorregar no telhado, 3 5
devido à humidade ou à inclinação, por locomoção no
coroamento do prédio ou por usar calçado inadequado
Queda por desabamento do telhado, ou de parle dele, 2 4 8
devido à deterioração de alguns dos seus elemenlos ou por
acumulaçao da enlulhos.
Oueda devido a ofuscamento por reflexo da luz solar. , 5
Oueda de pessoas Quoda por escorregar no telhado, devido à humidade ou à 5 2 10 X
ao mesmo n!vel Inclinação ou por usar calçado inadequado,
Queda devido a ofuscamento por reflexo da luz solar. 1 2 2
Queda devido a desarrumação, má colocação de 5 2 10
ferramentas ou equipamentos ou acumulaçêo de entulhos.
Queda Deixar elementos de construção em situaçao instave!. 2 3 6 X
de objectos por ~
desabamento ou Z
desmoronamento l;,.
Queda de objectos Devido a elevar ou descer os equipamentos de forma 3 4 12 X O
em manipulaçAo inadequada. '"m
li>
Descer os entulhos de Jorma inadequada, 3 3 9 <>
§
Guincho eléctrico mal instalado. 12
3 4
"z
'0

"
Choques contra Deixar pontas de barrotes ou ripas salientes 3 2 6 X ~
objectos imóveis l>
r-
Projecça,o de Ao desfazer os encaixes enlre elementos, 2 3 6 X i>
·0
fragmentos ou l>,
Na descida dos entulhos. 3 3 9 O
partrculas m
Sobre-esforços ou Na movimentaçâo e assentamentO de barrotes de maior 3 3 9 X
o
posturas
inadequadas
dimensâo (das asnas ou da viga madre).
..
O
z

Contactos Devido à utilizaçAo de ferramentas eléctricas e respectivas 3 4 12 X


"o
5
eléctricos extensOes. o
Exposlçêoa Na apllcaçao de produtos de tratamento e/oo protecçao
o
3 2 6 X III
substAncias das madeiras.
nocivas ou tóxicas "ion
Explosao Devido à acumulação de poeiras finas de madeira na 2 4 12 X
o
III
caixa·da·ar ou no sótao.
Incêndio Devido à acumulaçAo de poeiras fmas na caixa-de-ar ou no 2 3 6 X
sótao e à presença de madeira velha e carcomida. o que
potencia o risco de incêndio.
Exposlçâo ao ruJdo Devido à utilizaçao de máquinas. X

Danos causados Mordeduras de ralos. pulgas... Devido à acumulaçao de 2 2 4 X


por seres vivos sujidade e à rara presença hUmana. os sótAos sAo
~habilaçAo .. deste tipo de .. bicharada~.

Atropelamento ou Devido à exlgua largura da rua. 3 3 9 X


choque de veiculas

Elaborado por. _ Dala _1_1_


Aprovado por: _ Data _1_1_

~
w
ESTALEIRO:
PLANO DE CONTROLO DE RISCOS
Obra de substituição do telhado do prédio sito na rua... FOLHA_'_
-
'"A

DIRECTOR DE OBRA Eng.!:! Xxxxxx DONO Dç: OBRA Sr.2 Yvvvvywy DATA I I

Risco
N.' Forma de Causas Prioridade Medidas de controlo Responsável Dala limite Verificação
acloente
1 Queda Queda no acesso 2 Jnstalar a escada com a inclinação correcta (4 para 1), Formação sobre _ f_f_ Rob ___
da pessoas ao telhado, ao subir bem travada e estabilizada. Os trabalhadores a utilização correcla {Um dia) _LL
a nival ou descer a escada devem subir e descer com as milos livres. da escada
dilerente de mão, a calçado deve ser adequado e eslar limpo de óleo - Técnico de Segurança
ou por resvalamento ou outros produtos que tornem a sola escorregadia. (ou eventualmente
da escada Formação. Deve ser montada uma linha de vida o encarregado)
Ver Ficha de Procedimento de Segurança
das Escadas de mão ou Escadotes.

Oueda, de cima 2 Deve ser rigorosamente proibida a circulação Colocar as pranchas _I_I-
do prédio, por no coroamento do prédio. Deve ser rigorosamente e linha de vida, controlar (Um dia)
escorregar no telhado, proibida a circulação directa sobre a cobertura. o correcto uso dos EPI(s)
devido à humidade Devem ser colocadas pranchas ou estrados de alumlnio, - Encarregado,
ou à inclinaç!l.o, fixadas aos pontos firmes da cobertura. As pranchas
por locomoção de madeira devem ter ripas pregadas, saiientes Providenciar a existência
no coroamento e as seguintes dimensões minimas: dos EPI(s), ferramentas
do prédio e equipamentos e verificar
• Comprimento 4m a sua adequação
ou por usar • Largura <lO cm
calçado inadequado - Director de obra
• Espessura 35mm
Formação sobre o uso
Deve ser montada uma linha de vida (cabo de aço de EPI(s) contra quedas
de 12 mm, na cumeeira do telhado. Os trabalhadores em altura.
devem usar amês anli queda com pára quedas retráctil.
~ Técnico de segurança
Ver Ficha de Procedimento de Segurança Trabalhos ;:
em Coberturas
i;
Oueda devido
a ofuscamenlo
por reflexo da luz solar.
2 Os trabalhadores devem usar óculos
de protecção com lentes 5-3.1 D1F
Controlar a exislência
e o uso - encarregado
_LI_
(Um dia) ..ii
O
·m
I",
~
c:
~
..
.~
Risco ~
N,' Causas Prloridade Medidas de controlo Responsável Datatimite Verificação l>
FonnB de
acIdente
C
l>
'o
Queda 3 O talhado deve ser desmantelado, de ambos os lados Elaborar Instruç!io _CL l>'
por desabamento e de forma progressiva. de forma a evitar desequlllbrios. de serviço O
(Três dias) m
do telhado. Os entulhos devem ser descidos à medida que vao sendo - Director de obra
O
ou de parte dele, retirados. de forma. a evitar a sua acumulaçao.
devido à delerioraç!io
de alguns dos seus
elemeolos ou por
..~
O
z

acumulação de entulhos ...O


Aub _ _ _ O
2 Queda
da pessoas
Queda por escorregar
no telhado. devido
3 Deve ser rigorosamente proibida a circutaçao direcla
sobre a cobertura. Devem ser colocadas pranchas
Inspecçao perióchca
- Encarregado
-'-'-
(Três dias) _f_f_
O

"'i"n
aomasmo à humidade ou à Ou estrados de alum!nio. fixadas em pontos /Irmes
nfvel inclinação ou por usar dEI cobertura.
calçado inadequado O
O
Queda devido
a desarrumação,
3 Os cabos das extensoes devem ser tixados o arrumados
de modo a que, nao provoquem tropeçOes e nao fiquem
Formaç40
e Inspecçao perlôdice
-'-'-
(Três dias)
'"
má colocação sujeitos a esforços que os possam danificar. Os entulhos - Técnico de Segurança
de lerramenlas devem ser descidos à medida que vão sendo fClirados. (ou eventualmente
ou equipamentos ou o encarregado)
acumulação de enlulhos

3 Queda
de objectos
,m
Devido a elevar
ou descer
os equipamentos
3 Os acessórios de elevação devem estar em bom eslado e,
os equipamentos e materiais devem ser elevados
e doscldOS cumprindo as prescrições de segurança.
Formaçlo
e inspecÇ<1O periódica
- Técnico do Segurança
_f_l_
(Três dias) _,_,-
Aub _ _ _

manipulação de forma inadequada Delimitar e sfnalizar, na rua, a área de inlluêncio (ou eventualmente
do guincho. o encarregado)
Delimitar - Encarregado

Descer os entulhos 3 Os entulhos miúdos devem ser descidos em calhas. Formaç40 _'-I-
de forma inadequaoa As peças maiores (restos de vigas) devem ser amarrados e inspecçto periódica (Três dias)
em molhos antes de serem fingadas. - Técnico de Segurança
(ou eventualmenle
o encarregado)

Guincho eléctrico 3 O guincho deve ser instalado de acordo Inspecç40 _/~f_


mal instalado com as instruções do fabricante. - Técnico de Segurança (Três dias)
(ou eventualmente
o encarregado)

~
~
216=--- "M"A=N"U"A"L:.D::.E""S"E:.:G:.U:.R"A"N"C:J.""A

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IJI n
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I~

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JJ
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.Z ~
FICHAS
DE PROCEDIMENTOS
DE SEGURANÇA
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 219

a
INTRODUÇÃO
As Fichas de Procedimentos de Segurança têm por objectivo prevenir os riscos
laborais das actividades desenvolvidas no estaleiro. Estas fichas foram introduzidas
no quadro legal pelo Decreto-Lei n.' 273/2003, de 29 de Outubro e, substituem o
plano de segurança e saúde nas obras em que este não é obrigatório.
O artigo 14· estipula o conteúdo mínimo das referidas fichas e, a obrigação do
coordenador de segurança em obra propor à entidade executante as alterações que
considere adequadas, às fichas por esta elaboradas. A entidade executante só pode
iniciar a montagem do estaleiro quando dispuser das fichas de procedimentos de
segurança, devendo o dono da obra assegurar que esta prescrição é respeitada.
As fichas de procedimentos de segurança Têm de estar acessíveis, no estaleiro,
a todos os subempreiteiros e trabalhadores independentes, bem como aos represen-
tantes dos trabalhadores para a segurança, higiene e saúde que nele trabalhem.
Neste manual as fichas estão organizadas por tipos:
- ORGANIZAÇÃO 00 ESTALEIRO E RESPOSTA A EMERGÊNCIAS - procuram dar res-
posta aos preceitos legais relativos à organização da segurança, higiene e
saúde nas instalações de apoio ao estaleiro e organizar as acções de socorro;
- CONTEXTOS OE TRABALHO - aconselham medidas preventivas para as tarefas e
operações mais usuais em estaleiros de construção de edifícios. Os perigos
indicados como mais frequentes em cada ficha, referem-se não só às opera-
ções necessárias à execução das tarefas mas, também, às operações de
recepção, armazenagem e movimentação dos materiais utilizados nessas
actividades. Devem ser adaptadas à realidade concreta do estaleiro;
- FERRAMENTAS E EOUIPAMENTOS - aconselham medidas preventivas relativas ao
uso e manutenção das ferramentas e equipamenlos de trabalho. Não substi-
tuem os manuais dos fabricantes de equipamentos. Todos os equipamentos
(abrangidos pela directiva máquinas) devem ter oposta a marca ..CE.. e o
fabricante ou importador deve entregar a respectiva ..declaração de confor-
midade CE.. ;
- FUNÇÕES - aconselham medidas preventivas gerais e especificas relativas às
categorias profissionais e funções mais usuais em estaleiros de construção
de edifícios. Pode ser entregue cópia aos trabalhadores no dia em que ini-
ciam o seu trabalho no estaleiro.

Mais uma vez, relembro os leitores que as fichas têm de ser adaptadas à reali-
dade do estaleiro.
220 MANUAL DE SEGURANÇA

Deve ser mencionada a data em que o coordenador de segurança efectuou a


adaptação e deve ser alterado o número de revisão de qualquer ficha de procedi-
mento de segurança sempre que seja sujeita a quaiquer adaptação a fim de evitar
que os subempreiteiros ou trabalhadores independentes estejam a utiiizar fichas
desactualizadas. O número pode ser sequencial, começa pelo zero «o» e, sempre
que se faça uma adaptação acrescenta-se um digito, primeira adaptação passa a
um «1), e assim sucessivamente.

B
ORGANIZAÇÃO DO ESTALEIRO
E RESPOSTA A EMERGÊNCIAS

Revisão n.1l
FICHA DE PROCEDiMENTO DE SEGURANÇA 0818_'-1_

Resposta a emerglincias

DEFINiÇÕES

RESPOSTA A EMERGt:NCIAS - Estabelece as medidas a adoptar em matéria de primei~


TOS socorros, combate a incêndios e evacuação de trabalhadores;

PRIMEIRO SOCORRO - Primeiro auxílío que se presta a uma vítima de acidente ou


doença súbita; habitualmente não possui carácter definitivo, procura apenas
afastar o perigo e evitar o agravar das lesões, até que a vítima seja observada
por profissionais da saúde;
HEMORRAGIA - Corrimento de sangue para fora do aparelho circulatório;
FERIDA - Esfoladela ou secção da barreira protectora constituída pela peje, com
estragos mais ou menos importantes em profundidade;
CONTUSÃO - Lesão corporal devida a pancada, usualmente sem ferida;
QUEIMADURA ~ Lesão nos tecidos provocada pelo calor, frio, electricidade, radiaç6es
ou substâncias químicas corrosivas, variando de gravidade consoante a pro~
fundidade da lesão e a área do corpo afectada;
TONTURA - Perda momentânea do equilíbrio. Pode cair mas não perde o sentido do
que aconteceu;
DESMAIO - Perda momentânea da consciência que não dura mais que alguns minutos;
LOMBALGIA - Dor súbita nas costas que surge habitualmente após esforço ou torção rápida;
TRAUMATISMO - Rotura dum osso em dois ou mais fragmentos.
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 221

DAR OAlfRTA DE ACIOEIITE COM VJnMAS

- Deve ligar o 112;


- Deve·se identificar indicando o nome e função:
- Deve indicar a localização do estaleiro;
- Deve indicar a natureza do acidente;
- Deve indicar o número de vflimas e lesões observadas:
- Deve. consoante a lesão observada, dar oulras indicações complementares;
- Não deve exagerar nas informações. Deve ser realista e conciso:
- Depois de desligar, deve mandar um trabalhador para a entrada do estaleiro de
forma a indicar à ambulância o caminho mais rápido até à(s) vitima(s).

REGRAS GERAIS DE AClUAÇÃO EM CASO DE ACI0EIITE

- Deve afastar o perigo da(s) vJtima(s) ou a(s) vitima(s) do perigo, de modo a evitar
novo acidente ou o agravamento do estado do sinistrado;
- Deve examinar a vitima e alertar, conservando o sangue frio, fornecendo as
informações necessárias de modo objectivo e conciso;
- Se houve queda do sinistrado. com provável traumatismo da coluna vertebral, não
deve movimentar a vitima;
- Se o acidente ocorreu num nível diferente do nivel da soleira e as vitimas apresen-
tam sintomas de lesão na coluna. prepare os meios de evacuação (grua ou outros
equipamentos) mas não desloque a vitima até à chegada dos bombeiros;
- O socorrista deve limpar" cuidadosamente as mãos (lavar com sabão e posterior-
mente desinfectar com álcool), antes de iniciar qualquer tratamento;
- se, quando se der a ocorrência do acidente não se encontrar no estaleiro nenhum
socorrista disponível, deve seguir as regras de actuação que se descrevem de
seguida.

NOÇÕES GERAIS DE PRIMEIROS SOCORROS

FERIDA UGEIRA
- Deve lavar a ferida do cenlro para a periferia;
- Deve desinfectar usando compressas (não utilize algodão) com água oxigenada,
que ajuda a estancar o sangue, e posteriormente com Bétadine;
- Deve cobrir a ferida com um penso ou com compressa (maior que a ferida e adesivo).

FERIO~ PROFUNDA
- Se hower algum objecto espetado prorundamente, não o deve retirar. Deve
proteger a ferida com um penso que exceda os seus limites;
- Se não parar de sangrar, deve colocar um penso de compressas e comprimir
com a mão. Se o primeiro penso encharcar de sangue, coloque o segundo penso
sem retirar o primeiro;
- Deve providenciar o transporte para o hospital;
- Algumas feridas que podem parecer benignas, devem ser observadas por profis-
sionais de saúde se estiverem localizadas, por exemplo:
222 MANUAL DE SEGURANÇA

• Sob as unhas;
• Ao nível das articulações;
• Picadelas profundas (pregos, espinhas .. );
• Nos olhos ou na sua proximidade;
• Nos lábios.

CONTUSÃO
- se a contusão é na cabeça, informar o 112: se a vitima perdeu 0$ sentidos, se a vitima
se encontra mal disposta ou se a vitima perdeu sangue pelo nariz, ouvidos ou boca;
- Acompanhar a vitima, falando com ela até à chegada da ambulância;
- Se a contusão não for Ião grave, deve colocar gelo dentro de um saco de plás~
tico. envolver num pano e colocar sobre a contusão durante cinco minutos (não
deve colocar gelo nas pontas dos dedos ou outras extremidades).

INTOXICAÇÃO DEVIDA À UTIUZAÇÃO DE SOLVENTES


- Se houve inalação, deve retirar a vítima da zona contaminada e conduzi-lo para o
ar livre;
- Se houve contacto com a pele. deve lavar a zona contaminada com água e
sabão;
- Se houve contacto com os olhos, deve lavar os olhos em água corrente durante
15 minutos;
- Se houve ingestão acidental, deve transportar a vítima de imediato ao hospital.
Não deve fornecer à vitima álcool ou gorduras nem provocar Ovómito.

QUEIMAOURA
- Deve deixar correr água fria (que seja potável) durante 5 a 10 minutos para
arrefecer a pele;
- Deve retirar anéis, relógios, pulseiras ou qualquer outra peça apertada da zona
antes que esta possa começar a inchar;
- Não deve rebentar bolhas nem relirar qualquer pedaço de pele;
- Não deve usar desinfectantes, pós, óleos ou outros produtos;
- Deve cobrir a queimadura com compressas esterilizadas;
- Consoante a gravidade da queimadura, deve recorrer ao posto de socorros mais
próximo ou ao hospital. As queimaduras requerem cuidados de profissionais da
saúde;
- No caso de queimaduras mais extensas. não deve retirar a roupa ao sinistrado.
Deve cobrir a queimadura com um lençol limpo e arrefecer com água ou soro
fisiológico. Transportar de imediato ao hospital;
- No caso da queimadura na face, deixar igualmente correr água ou lavar com o
frasco lava·olhos. Não deve deixar a vitima esfregar os olhos. Transportar de ime-
diato ao hospitaL

TONTURA OU DESMAIO
- Se a vitima lem falta de equilibrio, deve ajuda~la a sentar, inclinada para a frente
com a cabeça entre os joelhos;
- Deve aconselha-Ia a respirar fundo;
- Se estiver inconsciente (mas a respirar normalmente) ou não se equilibrar sen-
tada, deitar de costas com as pernas mais elevadas que o resto do corpo;
- Deve desapertar as peças de roupa justas ao corpo na cintura e pescoço;
- Quando recuperar, deve ajuda·la a sentar lentamente;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 223

- Deve dar bebida açucarada;


- Se a vitima não recuperar a consciência ou após um período de 20 minutos ainda
apresentar sinais de debilidade, deve recorrer ao hospital mais próximo.

CORPOS ESTRANHOS, SÓLIDOS ou LíaUIDOS, NOS OLHOS


- Não deve tentar remover poeiras ou outras impurezas;
- Deve lavar o olho com água corrente (potável) ou com o frasco lava-olhos,
- Consoante a gravidade aparente da vítima deve recorrer ao posto de socorros ou
hospital mais próximos.

LOMBALGIA
- Deve ajudar a vitima a voltar à postura erecta mas sem a forçar;
- Deve recorrer ao hospital mais próximo.

TRAUMATISMO DOS OSSOS OU ARTICULAÇÕES


- Deve imobilizar o membro traumatizado, de forma a diminuir a dor e evitar o agra-
vamento da lesão;
- A imobilização deve ser efectuada numa zona extensa, englobando as articula-
ções anterior e posterior da lona afectada, na posição menos dolorosa;
- A imobilização deve ser efectuada com recurso aos seguintes materiais:
• Talas da caixa de primeiros socorros;
• Cabo de ferramentas;
• Ramos de árvores;
• Ripas ou outros elementos de construção;
• Deve recorrer ao hospital mais próximo.

INSOLAÇÕES
- Deve ajudar a vitima a sentar-se, ao abrigo do sol e do calor, se possível num
local fresco e arejado;
- Deve ajudar a vilima a desapertar a roupa;
- Se a vitima estiver bem consciente, dar água fresca em pequenas quantidades;
- Aplicar compressas frias na cabeça e nas extremidades dos membros;
- Consoante a gravidade aparente da vitima deve recorrer ao posto de socorros ou
hospital mais próximos.

CONTEÚDO DA MALA DE PRIMEIROS SOCORROS


- A mala de primeiros socorros deve ser colocada em local limpo (na apontadoria,
por exemplo) e mantida em boas condições higiénicas. O seu conteúdo deve ser
verificado semanalmente e os materiais em falta imediatamente repostos. O
médico de trabalho deve definir O conteúdo da mala de primeiros socorros. A
titulo indicativo apresenta-se o conteúdo seguinte:

CONTEÚDO QT. CONTEÚDO ar.


Adesivo em banda 1 Penso adesivo 5 x 7 cm 2
Adesivo comum 1 Penso não aderente 6

Algodâo hidrófilo 1 Penso râpido 24


Compressas de gaze 24 Termómetro digital 1

Gaze hidrófila 2 Tesoura universal 1


224 MANUAL DE SEGURANÇA

CONTEÚDO OT. CONTEÚDO OT.


Gaze parafinada 2 Toalhetes de limpeza 24
Lençol urgência prateado 1 Soro fisiológico (emb. 60 ml) 2
Ligadura elástica 8 cm 1 8etadine (emb. 250 mi) 2
Ligadura compressiva 8 cm 1 Água oxigenada 10 vaI. (emb. 250 mi) 2
Ligadura triangular 1 Alcool etílico 90% vol. (8mb. 1000 mi) 2
Ligadura tubular dedo 1,5 cm 6 FenistH pomada 2
Ligadura tubular dedo 2,5 cm 6 luva de exame em látex tam. M 12
Ligadura elástica dedo 6 Penso absorvente 2

ACTUAÇÃO EM CASO OE OCORRÊNCIA OE INCÊNOIO

DAR O ALERTA DE INCÊNDIO:


- Deve ligar para o quartel de bombeiros mais próximo (ver lista de telefones de
emergência);
- Deve~se identificar indicando o nome e função;
- Deve indicar a localização do estaleiro;
- Deve indicar a localização e características do fogo (que materiais estão a arder e
em que quantidades);
- Deve indicar se há feridos (e, em caso afirmativo, o número de vitimas e lesões
observadas);
- Não deve exagerar nas informações. Deve ser realista e conciso;
- Depois de desligar, deve mandar um trabalhador para a entrada do estaleiro de
forma a indicar aos bombeiros o caminho mais rápido até ao incêndio.

REGRAS GERAIS DE ACTUAÇÃO


- Deve evitar o pânico e a sua propagação, actuando com calma e determinação;
~ Deve dar imediatamente o alarme, avisando todos os colegas que se encontrem
nas proximidades;
- Deve dar prioridade à evacuação relativamente ao combate ao incêndio;
- Deve alertar os bombeiros com a maior brevidade passivei;
- Deve dar inicio ao combate ao incêndio com os meios existentes no estaleiro,
sem correr riscos desnecessários;
- Deve retirar os materiais combustíveis das zonas adjacentes;
- Deve actuar em equipa, às ordens dos mais calmos e preparados;
- Após a chegada dos bombeiros deve colaborar com eles, obedecendo às suas
instruções;
- Não deve usar água para apagar fogos junto a equipamentos ou instalações eléc-
tricas;
- No caso de mangueiras maleáveis, nào deve abrir a água sem que as manguei-
ras estejam completamente esticadas;
- Não deve dirigir o jacto da água para o alto das chamas:
- O incêndio só se deve considerar extinto quando for essa a indicação dos
bombeiros.
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 225

REGRAS DE USO DOS EXTINTORES


- Deve certificar-se que o extintor é adequado e que sabe manejá~lo;
- Não deve desperdiçar a carga dos extintores. Tenha em conta que a carga de um
extintor de pó qufmico de 6 kg demora, aproximadamente, 10 a 14 segundos s
descarregar;
- Retíre o selo ou cavilha de segurança;
- Pegue no extintor com uma das mãos e no difusor com a outra;
- Aproxime-se de cosia para o vento e de modo progressivo e cauteloso;
- Dirija o jacto para a base das chamas, aproximando-se o mais possível das cha-
mas sem correr riscos. Não desperdice o agente extintor descarregando-o de
qualquer forma ou a grande distância;
- Deve abastecer-se de extintores de outras zonas, reunindo um número de extinto-
res que, no mínimo lhe permitam controlar a propagação do fogo até à chegada
dos bombeiros.

USTA DE TELEFONES DE SOCORRO

- Número Nacional de Socorro 112


- Quartel de Bombeiros mais próximo xxx xxx xxx:
- Esquadra de Policia mais próxima (PSP ou GNR) xxx xxx xxx
- Intoxicações 808250143
- Hospital mais próximo, xxx xxx xxx
- Concessionária da distribuição de energia eléctrica (EDP) 800 506 506
- Concessionária da distribuição de água . xxx xxx xxx
- Concessionária da distribuição de gás xxx xxx xxx
- Concessionária da distribuição de telefone (PT) 16208
- Director de Obra xxx xxx xxx
- Coordenador de Segurança e Saúde " " xxx xxx xxx
- Nomes dos socorristas (trabalhadores com curso de primeiros socorros) que
trabalham no estaleiro e respectivos contactos.

Revisão n. Q
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Oala_f_/_

Organização do estaleiro

DEFINIÇÕES

ESTALEIRO - Local onde se efectuam trabalhos de construção de ediffcios e de enge-


nharia civil, nomeadamente: escavação, terraplanagem, construção de edifícios,
ampliação de ediffcios, alteração de edificios, reparação de ediflcios, restauro
226 MANUAL DE SEGURANÇA

de edifícios, conservação de edificios, montagem e desmontagem de elementos


pré·fabricados, montagem e desmontagem de andaimes, montagem e des·
montagem de gruas e outros aparelhos elevalôrios, demoliçào, construção de
estradas, pontes e vias-férreas, obras de arte fluviais e marítimas, trabalhos
especializados no domínio da água (irrigação, drenagem e adução, redes e
tratamento de esgotos), canalizações (instalações de gás, água e equipamento
sanitário), instalações de aquecimento e de venlilaçao, isolamento térmico,
acústico, antivibraçÕ8s e impermeabilizaçOes, instalações eléctricas, de ante-
nas, de pára· raios, de telefones e outros trabalhos que possam ter de ser efec-
tuados em obras de construção de edifícios e de engenharia civil. bem como,
os locais onde se desenvolvem actividades de apoio directo a estes trabalhos:
ESTALEIRO TEMPORÁRIO OU MÓVEl- O mesmo que estaleiro;
SEGURO (de acidentes de trabalho) A PRÊMIO FIXO - A apâlice cobre um número pre-
determinado de pessoas com salários conhecidos. Este tipo de seguro pode
ainda ser, com ou sem especificaçAo de nomes. No primeiro caso, são garanti-
dos os salários declarados para cada uma das pessoas seguras que deverào
ser identificadas através dos respectivos nomes. No segundo caso, são garanti-
dos os salários de um conjunto de pessoas não identificadas pelos respectivos
nomes mas apenas o seu número distribuído por profissOSs. Nestes casos,
geralmente, o prémio é agravado;
SEGURO (de acidentes de trabalho) A PRÉMIO VAR1ÁVEl- A apólice cobre um número
variável de pessoas, bem como os respectivos salários. A empresa assume o
compromisso de enviar periodicamente (em geral, mensalmente) à companhia
de seguros uma cópia da folha de vencimentos entregue na segurança social.
Este tipo de apólice apenas cobre as pessoas e os salários identificados nessas
folhas de vencimentos;
SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVil - Deve cobrir os danos que possam ocorrer
durante a execução da obra, incluindo a montagem e desmontagem do esta-
leiro, e que não estejam cobertos por nenhum dos outros seguros obrigatórios;
ACIDENTE DE TRABALHO MORTAL- Tem por consequência a morte do trabalhador;
ACIDENTE DE TRABALHO GRAVE - Tem por consequência a incapacidade temporária
absoluta ou incapacidade permanente do trabalhador;
ACIDENTE DE TRABALHO SEM BAIXA - Tem por consequência incapacidade que não
ultrapassará o dia de trabalho no qual ocorreu o acidente;
VERIFICAÇÃO - Examinar o estado de um equipamento, ferramenta ... ;
VISTORIA - Examinar o estado de uma obra, etc.;
IMPERMEÁvEL - Qualidade de alguns corpos não se deixarem atravessar por líquidos.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS


(durante a montagem do estaleiro):

• Queda de pessoas a nível diferente; • Fatia de preparação do trabalho,


• Queda de pessoas ao mesmo nível: nomeadamente, existência de infra-
-estruturas enterradas e tipo de solo;
• Queda de objectos
por desabamento • Não respeitar os taludes nalurais;
ou desmoronamento; • Entivação inadequada
• Queda de objectos desprendidos: ou insuficiente;

• Marcha sobre objectos; • Não manter OS caminhos


de circulação em estado adequado
• Choque contra objeclos imóveis; para a circulação;
FICHAS DE PROCED1MENTOS DE SEGURANÇA 227

• Pancadas e cortes por objectos • Não delimitar e sinalizar as áreas


ou ferramentas; de trabalhos onde se procede
• Projecção de fragmentos à desmatação e corte de árvores;
ou partículas; • Não definir e sinalizar caminhos
• Entaladela ou esmagamento de circulação com largura suficiente
por ou entre objectos; para a circulação segura
de camiões e peoos;
• Entaladela ou esmagamento
por capotamento de máquinas; • Trabalhar em condições
atmosféricas adversas;
• Sobre-esforços ou posturas
inadequadas; • Utilização de meios mecãnicos
de forma inadequada
• Contactos eléctricos; (para arrancar elementos
• Explosão; construtivos ou vegetativos
• Incêndio; de grande porte);
• Exposição ao ruído; • Utilizar os equipamentos
para além das capacidades
• Exposição a vibrações;
indicadas pelo fabricante;
• Electrocussão.
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.

IDENTIFICAÇÃO DA OBRA

1. Dono de obra:
2. Tipo de obra;
3. Localização da obra:
4. Tipo de utilização:
5. Chefe de projecto
• Nome:
• Morada:
• Contacto telefónico:
6. Director de obra
• Nome:
• Morada:
• Contacto telefónico:
7. Coordenador de Seg. e Saúde no projecto
• Nome:
• Morada:
• Contacto telefónico:
8. Coordenador de 8eg. e Saúde na obra
• Nome:
• Morada:
• Contacto telefónico:
9. Número médio de trabalhadores previsto:
10. Data de início dos trabalhos:
11. Data de final da obra:
223 M.ANUAl OE SeGURANçA

CARACTERIZAÇÃO OA OBRA

1. Descrição sumária da obra;


2. Descrição sumária dos trabalhos previstos.

CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL

Os condicionalismos de ordem geográfica, a ocupação humana do local da obra,


confrontações e acessos devem ser devidamente analisados. No quadro seguinte
apresentam-se alguns prováveis aspectos da caracterização do local, salientando
passfveis riscos e respectivas medidas de prevenção.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO
INTERffI1OC. INTERffI1OC.
ASPECTOS RISCOS
COMESTAJ..EIRO COMOOM

Relevo Quedas a nlvel Estudo preliminar dos trabalhos;


diferente: Máquinas adaptadas ao terreno:
Capotamenlo de Manutenção do relevo das vias;
máquinas;
Sinalizaçâo e delimitação
Desabamento; de poços e despenhadeiros;
Sobrecargas: Verificação das implanlaçOes
Cotas erradas, topográficas;
Informação e formação.

Geologia Afundamento; ReconhecimenlofEstudo geotécnico;


Atolamento; Rebaixamento dos nlveis freáticos,
Capotamento de se necessário;
máquinas; Ancoragem de muros de suporte;
Sobrecargas; Contenção de taludes e valas;
Desmoronamento, Máquinas e viaturas adaptadas ao
Escorregamento; lerreno;
Sobre--esforços. Eliminação de elementos instáVeis;
Informação e formação.

Unhas Afundamentol Estudo prévio;


de água IDesmoronamento; Conservação das linhas de água;
Deslizamentol Desvio das linhas de água, se
IAfuimenlo: necessário;
Sobrecargas; Bombagem da água em excesso;
Inundações; lnformação e formação.
Subida rápida dos
níveis freálicos.

Eslradas Delerioraçi'1ol 8inalizaçao temporária (coerente,


IDesabamentos; credlvel e de fácil leitura);
Dificuldades de trânsito; Solicilar autorizações legais;
Colisão: Criar trajectos alternativos:
Atropelamentos. Definir zonas de circulação;
Informação e formação.

Rede Roturas de condutas: Identificar e demarcar redes;


de águas Inundações; Desviar condutas, se necessário;
Desabamentos; Sinalizar e proteger as condutas;
Electrocussão (na vizi- Desactivar rede;
nhança de inslalaçõés). Informação e formaçáo.

Rede de Inundações: fnfecçOBs: Identificar e demarcar redes:


esgotos Intoxicações; Sinalizar e proteger as condutas;
Roturas de condutas; Desviar condulas, se necessário:
Electrocussão (na vizi- Equipamentos de protecção individual,
nhança de instalações). fnformação e formação:
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA

ASPECTOS RISCOS MEDIDAS OE PREVENÇAO


,~.
COMEST~RO
,..-.
COMOBAA

Rede Contacto com linhas Identificar e demarcar redes enterradas:


eléctnca aéreas: Solicitar o corte. quando necessáuo:
Electrocussão: Verificar as distancias à rede;
Queimaduras; Proteger redes aéreas ou desviá·las;
InCêndios: Sinalilar e proteger cabos e rlnhas;
EquipamenlOS de protecçao indIviduai;
Informação e rormação:

"ode
de gás
Rotura de condulas.
Exptosao.
IdenllflCar e demarcar redes:
Sinaftzar e proteger as condutas;
Incêndios; Desviar condutas. se necessário;
Queimaduras; Ulilizaçllo de equipamento
Inloxica~es: de protecç3:o Individual:
Projecção de objectos. Informação e rormaçllo

Rede de Corte de comunicaçOes Sinalizar e proteger as condutas


telefones Idenlificar e demarcar redes;
0" Desvio da rede. se necessário:
TVcabo
Informação e formaçâo.

IDENTIFICAÇÃO DOS EMPREITE1RDS ESUBEMPREITEIROS

ENTllAóA SAl0AOO
SUBEMPR€JTERO SUBEMPRSTADA
EM ESTAlEIRO EsTAlEIRO

Iden~Hcaçllo:
-'-'- _I_L
Residência ou sede:
N.~ Iden. Fiscal'
Alvará:
Responsável:
Idenlilicaçao: _/_'- _/_'-
Residência ou sede-
N.!llden. Fiscal:
Alvará:
Responsável:
Identfficaçllo:
-'-'- _/_L
Residência ou sede·
N.lllden. Ascal:
Alvará:
Responsável:
IdentíHcaço!iO:
-'-'- _1_1-
Residência ou sede:
N,~ Iden. Fiscal:
Alvará:
Responsável:
IdentifICação: _L'- _L/-
ReSIdência ou s8de-
N.!llden. FIscal:
Alvará:
Responsável:
ldenlillcaçâo:
Residência ou sede_
N.lllden. Fiscal:
_LL
-'-'-
Alvará.:
Responsável:
Idenlificaçllo:
-'-'- _1_1-
Residência ou sede:
N,lIlden. Fiscal'
Alvará.
Responsável:
230 . -'-""'A"N"U=A"L"D:.:E=..=SCCE,,G:.:U:.:R.::A,,".:.C:.:A"

ENTRADA SAlDADO
SUBEMPREITEIRO SUBEMPREITADA
EM ESTALEIRO EsTALEIRO

Identificação: _1_'- _1_1-


Residência ou sede:
N.q Jden. Fiscal:
Alvará:
Responsável:
Jdenlrticação: _LL _I_L
Residência ou sede-
N? IOOn. FiscaL
Alvará'
Responsável:
Identificação' _1_'- _LL
Residência ou sede
N.~ Iden. Fiscal:
Alvará.
Responsável:

COMUNICAÇÃO PRÉVIA

- O dono da obra deve comunicar previamente a abertura do estaleiro à Inspec~


ção~geral do Trabalho (ver anexo 4) quando for previslve! que a execução da
obra envolva uma das seguintes situações:
• Um prazo total superior a 30 dias e, em qualquer momento, a utilização simultâ-
nea de mais de 20 trabalhadores;
• Um total de mais de 500 dias de trabalho, correspondente ao somatórIo dos
dias de trabalho prestado por cada um dos trabalhadores;
- A comunicação prévia deve ser datada, assinada e indicar:
• O endereço completo do estaleiro;
• A natureza e a utilização previstas para a obra;
• O dono da obra, o autor ou autores do projecto e a entidade executante, bem
como os respectivos domicílios ou sedes;
• O fiscal ou fiscais da obra, o coordenador de segurança em projecto e o coor~
denador de segurança em obra, bem como os respectivos domicílios;
• O director técnico da empreitada e o representante da entidade executante, se
for nomeado para permanecer no estaleiro durante a execução da obra, bem
como os respectivos domicílios, no caso de empreitada de obra pública;
• O responsável pela direcção técnica da obra e o respectivo domicilio, no caso
de obra particular;
• As datas previstas para início e termo dos trabalhos no estaleiro:
• A estimativa do número máximo de trabalhadores por conta de outrem e
independentes que estão presentes em simultâneo no estaleiro;
• A estimativa do número de empresas e de trabalhadores independentes a ope~
rar no estaleiro;
• A identificação dos subempreiteiros já seleccionados;
- A comunicação prévia deve ser acompanhada de:
• Declaração do autor ou aulores do projecto e do coordenador de segurança
em projecto, identificando a obra;
FICHAS DE PROCED1MENTOS DE SeGURANçA 231

• Declarações da entidade executante, do coordenador de segurança em obra,


do fiscal ou fiscais da obra, do director técnico da empreitada, do represen~
tante da entidade executante e do responsável pela direcção técnica da obra,
identificando o estaleiro e as datas previstas para início e termo dos trabalhos;

- O dono da obra deve comunicar à Inspecção-geral do Trabalho qualquer altera-


ção aos dados, nas 48 horas seguintes e dar, ao mesmo tempo conhecimento da
mesma ao coordenador de segurança em obra e à entidade executante:
- O dono da obra deve comunicar mensalmente a actualização dos subempreitej~
ros seleccionados:
- A entidade executante deve afixar cópias da comunicação prévia e das suas
actualizações, no estaleiro, em local bem visível.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Deve proceder ao levantamento de todas as infra-estruturas e, solicitar às entida-


des exploradoras o seu desvio, caso se encontrem na zona de influência da
escavação: se tal não for possível, deve-se efectuar um planeamento cuidado do
trabalho porque, nesta situação as concessionárias vão exigir datas e horas para
efectuar os cortes;
- No caso de surgir um cabo eléctrico ou uma tubagem de gás, não assinalados
nas plantas. os trabalhos devem ser suspensos, de imediato, até à chegada de
um responsável da entidade exploradora;
- Se existirem árvores na zona de influência da escavação, deve~se proceder ao
corte ou estabilização das que se encontrem junto ao coroamento dos taludes;
- Antes de iniciar os trabalhos de corte e desmatação, a zona de trabalhos deve
ser devidamente delimitada e sinalizada, impedindo a entrada dos trabalhadores
que não estejam afectos a essas tarefas. As moto-serras devem ter as protecções
operativas e os trabalhadores que as usam devem usar calças ..anti corte .. :
- Se existirem edificações. muros em alvenaria ou betão ou postes, devem-se esco-
rar ou recalçar todos os alicerces/maciços susceptiveis de serem afectados;
- Deve ser efectuado um estudo de circulação, do estaleiro e da envolvente;
- As entradas devem ser colocadas em locais de boa visibilidade e tendo em conta
o plano de circulação. Os portões devem ser largos de forma a evitar ângulos
mortos;
- Deve ser elaborado um plano de sinalização que inclua a sinalização de segu~
rança do estaleiro e a sinalização rodoviária da proximidade do estaleiro;
- Se o tráfego o justificar, devem ser utilizados «sinaleiros» nos entroncamentos
com as vias públicas;
- Oeve colocar. na via pública, sinalização rodoviária a alertar para a movimenta-
ção de viaturas pesadas;
- Deve ser assegurado o fornecimento de água potável em quantidade suficiente
para as necessidades do respectivo pessoal (poderá ser utilizada água não potá-
vel nas retretes e urinóis no caso de não ser passivei obter água potável em
quantidade suficiente). A água potável deve provir da rede de abastecimento
local;
- Devem ser criados acessos independentes para viaturas e peões;
- Em todas as entradas deve ser colocada sinalização de proibição de entrada a
pessoas não autorizadas;
232 MANUAL DE SEGURANCA

- Deve ser instalada vedação opaca, com uma altura mínima de 2 m, cobrindo todo
o perfmetro do estaleiro, O tipo de vedação deve ter em conta os seguintes facto-
res:
• Localização, dimensão e duração da obra;
• Estética;
• Custo, duração e resistência dos materiais;
• Segurança (interacções obra-envolvente e envolvente-obra);

- As vedações metálicas devem ser ligadas à terra de protecção (da instalação


eléctrica do estaleiro);
- No plano de circulação no interior do estaleiro. Devem ser evitados os cruzamen-
tos, as curvas fechadas e os declives acentuados (máximo 12%);
- Se a implantação do estaleiro originar o estrangulamento das passagens pedo-
nais, devem ser criados passadiços com largura mfnima de 60 cm, resguardados
lateralmente, com pala superior para protecção contra queda de objectos e bem
iluminados;
- Devem ser instalados vestiários localizados próximo dos alojamentos ou da
entrada da obra, com fácil acesso, sem ligação directa com o refeitório e separa-
dos por sexos;
- Devem ser instaladas retretes e urinóis, devidamente localizados e com fácil
acesso;
- Devem ser instalados balneários com acesso fácil e localização contígua aos dor-
mitórios e/ou vestiários;
- Deve ser instalada uma sala de refeições dotada de meios que permitam aquecer
refeições;
- As telhas, chapas e demais elementos das coberturas das instalações provisó~
rias, devem estar bem fixadas;
- Deve ser instalada uma portaria, para controlo dos movimentos de enlrada e
saída de pessoas, materiais e equipamentos no estaleiro;
- Todo o estaleiro social deve estar fora da zona de influência da grua:
- Os contentores metálicos devem estar equipotenclalizados e ligados à terra;
- Os lixos devem ser recolhidos em recipientes fechados e removidos, diariamente,
para fora do estaleiro (para aterro autorizado);
- Deve haver o cuidado de não deixar acumular materiais combustfveis.

REQUISITOS MíNIMOS ESSENCIAIS DAS INSTAlAÇÕ~,MÓVEIS

DORMITÓRIOS
- O volume mínimo por ocupante deve ser de 5,5 m 3 ;
- O pé direito deve ser, no mínimo, de 3 m;
- As paredes exteriores devem ser impermeáveis e garantir um bom isolamento tér-
mico;
- O pavimento deve ser lavável e construfdo de forma a evitar infiltraçoes;
- As portas devem abrir para o exterior e ter largura suficiente para evacuar rapida-
mente todos os seus ocupantes;
- A cobertura deve ser impermeável;
- A ventilação deve ser adequada, de forma a impedir condensações no interior;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 233

- A iluminação natural deve ser efectuada por janelas com superfície total superior
a l/lO da área do pavimento, com persianas (ou equivalente);
- Devem ter iluminação eléctrica;
- Devem ter instalado, equipamento de aquecimento que não provoque redução
dos nlveis de oxigénio;
- O espaço entre camas deve ser de 1 m (1.5 m entre beliches) e o espaço entre
as camas e a parede, de 1,50 m (2 m se houver 2 filas de camas);
- Devem ter extintores de incêndio em número adequado;
- Devem dispor de armários individuais. com alhetas de ventilação e fechadura;
- Devem ser desinfectados e desinfestados com periodicidade trimestral;
- Devem ser mantidos em boas condições de higiene e limpeza, sendo limpos
diariamente;
- Devem ser contíguos aos balneários e ligados por parede com porta.

BALNEÁRIOS
- Devem estar bem dimensionados e ler fácil acesso;
- Devem ter um lavatório por cada 5 ocupantes;
- Devem ter um chuveiro por cada 20 ocupantes;
- Devem ter um urinol por cada 25 ocupantes;
- Devem ter uma retrete, com sifão, por cada 15 ocupantes;
- Devem ter um pé direito mfnimo de 2,60 m;
- O pavimento deve ser de fácil lavagem;
- Devem ter ventilação natural suficiente para dissipar condensações e maus chei~
ros;
- Devem dispor de í1uminação natural e eléctrica;
- Devem dispor de água corrente em quantidade suficiente para todos os dispositi~
vos instalados se poderem manter limpos e em boas condições de funciona-
mento;
- A drenagem dos esgotos das instalações sanitárias deve ser efectuada para a
rede local de esgotos;
- A água dos lavatórios e chuveiros deve ser potável ou, em caso contrário, devem
ser afixados avisos;
- Os chuveiros devem dispor de água corrente. quente e fria e dispositivos de mis-
tura que permitam regular a temperatura da água;
- As bacias de retenção dos chuveiros devem ter piso anli-derrapante;
- As cabinas dos chuveiros devem ter antecãmaras para muda de roupa, equipa-
das com cabide e chão coberto por estrado em plástico;
- A instalação eléctrica deve ser do tipo estanque e estar protegida por disjuntor
diferencial de 30 mA de corrente de defeito;
- As tomadas de corrente devem ter pólos de terra e estar protegidas por disjuntor
diferencial de 10 mA de corrente de defeito ou por transformador de isolamento.

VESTIÁRIOS
- Devem eslar bem dimensionados para o número de utilizadores, ter fácil acesso e
estar equipados com assentos;
- Devem estar separados por sexos;
234 MANUAL DE SEGURANÇA

- Devem ter armários individuais em número suficiente. Estes devem possuir fecha~
dura com chave e permitir arrumar o vestuário de trabalho separado do vestuário
pessoal;
- Devem ser contíguos aos balneários, sendo ligados a estes por parede com porta.

REFEITÓRIO E COZINHA
- Devem apresentar um aspecto geral acolhedor e higiénico;
- A cobertura e as paredes exteriores devem ser impermeáveis;
- O pavimento deve evitar infiltrações e ser resistente aos detergentes fortes;
- As paredes interiores devem estar pintadas de cor clara e ser laváveis até cerca
de 2 m de altura;
- O pé direito deve ter, no minimo, 2,50 m de altura;
- As portas devem abrir para o exterior;
- Devem ter ventilação, natural ou forçada, suficiente para dissipar condensações e
maus cheiros;
- A iluminação natural deve fazer-se por janelas com superfície total de pelo menos
um décimo da área do pavimento e estar protegidas com redes para evitar a
entrada de insectos alados;
- Devem possuir iluminação eléctrica e aquecimento, quando necessário;
- Devem ser instalados dispositivos para controlo e exterminio dos insectos alados;
- As mesas devem ter tampos impermeáveis e de fácil lavagem;
- Os assentos devem ter uma altura entre os 40 e os 50 cm, 40 a 45 cm de largura
e 35 a 40 cm de comprimento;
- Devem ter, em instalação anexa, lavatórios com uma torneira por cada 10
ocupantes e instalações sanitárias em quantidade suficiente e equipadas com
doseadores de sabão líquido e toalhas descartáveis ou secadores de mãos;
- O refeitório e a cozinha devem ser contlguos e estar separados por parede com porta;
- A cozinha deve estar equipada com chaminés ou sistema de exaustão equipado
com filtro de retenção de gorduras;
- A cozinha deve dispor de água potável quente e fria;
- A zona de preparação de alimentos deve ter dimensão suficiente e estar equi-
pada com bancada facilmente higienizável;
- As instalações devem-se manter limpas e asseadas;
- As instalações devem ser desinfectadas e desinfestadas com periodicidade
trimestral;
- Deve haver um local destinado à auto-preparação de refeições dotado de todas
as condições e equipamentos necessários, para os trabalhadores que não fre~
quentam o refeitório;
- Deve ser expressamente proibido que o pessoal tome as refeições fora dos locais
destinados a esse fim;
- As garrafas de gás propano devem eslar instaladas no exterior e em telheiro adequado;
- Os contentores de recolha de lixo devem ter tampa ajustável;
- A recolha de lixo deve ser efectuada com periodicidade diária,

INSTALAÇÕES SANITÁRIAS
- As retretes devem estar convenientemente localizadas, resguardadas das vistas,
e na proporção de uma por cada 25 trabalhadores;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 235

- As retretes, se agrupadas. devem ler entre si divisórias com. no mínimo, 1,70 m


de altura;
- As retretes devem ser sifonadas e dispor de água em quantidade suficiente para
se manlerem limpas;
- Devem ter ventilação natural suficiente para dissipar condensações e maus cheiros.

ESCRITÓRIO DE OBRA
- O escritório de obra deve estar bem identificado e instalado junto da entrada do
estaleiro;
- O caminho que o separa da entrada do estaleiro deve estar permanentemente
desobstruído e em bom estado e possuir iluminação adequada;
- As portas devem abrir para o exterior;
- Devem ser tomadas medidas que garantam o conforto térmico dos trabalhadores.

CONTROLO ADMIIIISTIlATlVO

- Deve ser vedado o ingresso ou a permanência no estaleiro a trabalhadores sem


vínculo contratual;
- Antes do inicio das suas funções, os trabalhadores devem apresentar na apon-
tadoria um documento de identificação individual;
- Todas as empresas contratadas ou subcontratadas devem apresentar prova do
seguro de acidentes de trabalho do seu pessoal, entregando cópia da apólice e
respectivo recibo de pagamento válido e cópia da folha de pagamentos à segu-
rança social;
- Todas as empresas contratadas ou subcontratadas devem apresentar, diaria-
mente. relação actualizada do seu pessoal. Desta relação deverão constar os
nomes, categorias profissionais, número e data de validade do documento de
identificação e estar assinada pela respectiva enlidade patronal ou por um seu
representante;
- Deve haver um plano de distribuição dos equipamentos de prolecção individual;
- Deve haver registos da fonnação ministrada aos trabalhadores;
- Deve estar afixada na apontadoria cópia do horário de trabalho visada pelo IDleT
e, Quando aplicável, o dono de obra deve entregar cópia da comunicação prévia
para afixar junto ao horário de trabalho;
- Todos os acidentes de trabalho (com ou sem baixa) que ocorram no estaleiro
devem ser comunicados e devidamente investigados;
- Todos os acidentes de trabalho graves ou mortais devem ser comunicados ao
IDleT, no prazo máximo de 24 horas.

RESPONSABIUOADES

OBRIGAÇÕES DO DONO DE OBRA


- Nomear os coordenadores de segurança em projecto e em obra;
- Elaborar ou mandar elaborar o plano de segurança e saúde;
- Assegurar a divulgação do plano de segurança e saúde;
236 MANUAL De SEGURANÇA

- Aprovar o desenvolvimento e as alterações do plano de segurança e saúde para


a execução da obra;
- Comunicar previamente a abertura do estaleiro à Inspecção Geral do Trabalho;
- Entregar à entidade executante cópia da comunicação prévia da abertura do
estaleiro, bem como as respectivas actualizações;
- Elaborar ou mandar elaborar a compilação técnica da obra;
- Se intervierem no estaleiro duas ou mais entidades executantes, designar a que
deve tomar as medidas necessárias para que o acesso ao estaleiro seja reser~
vado a pessoas autorizadas;
- Assegurar o cumprimento das regras de gestão e organização geral do estaleiro
a incluir no plano de segurança e saúde em projecto;
- Comunicar à Inspecção Geral do Trabalho, os acidentes de trabalho de que
resulte a morte ou lesão grave do trabalhador, caso o empregador não proceda a
essa comunicação no prazo de 24 horas.

OBRIGAÇÕES DO AUTOR DO PROJECTO


- Elaborar o projecto da obra de acordo com os princípios gerais de prevenção de
riscos profissionais, e as directivas do coordenador de segurança em projecto,
designadamente nos seguintes domínios:
• As opções arquitectónicas;
• As escolhas técnicas desenvolvidas no projecto, incluindo as metodologias
relativas aos processos e métodos construtivos, bem como os materiais e
equipamentos a incorporar na edificação;
• As definições relativas aos processos de execução do projecto, incluindo as
relativas à estabilidade e às diversas especialidades, as condições de implantação
da edificação e os condicionalismos envolventes da execução dos trabalhos;
• As soluções organizativas que se destinem a planificar os trabalhos ou as suas
fases, bem como a previsão do prazo da sua realização;
• Os riscos especiais para a segurança e saúde no trabalho, podendo nestes
casos o autor do projecto apresentar soluções complementares das definições
consagradas no projecto;
• As definições relativas à utilização, manutenção e conservação da edificação.

- Colaborar com o dono de obra, ou com quem este indicar, na elaboração da


compilação técnica;
- Colaborar com o coordenador de segurança em obra e a entidade executante,
prestando informações sobre aspectos relevantes dos riscos associados à execu~
ção do projecto.

OBRIGAÇÕES DA ENTIDADE EXECUTANTE


- Avaliar os riscos associados à execução da obra e definir as medidas de preven~
ção adequadas e, se houver plano de segurança e saúde, propor ao dono da
obra o desenvolvimento e as adaptações do mesmo;
- Dar a conhecer o plano de segurança e saúde para a execução da obra e as
suas alterações aos subempreiteiros e trabalhadores independentes, ou pelo
menos a parte que os mesmos necessitam conhecer por razões de prevenção;
- Elaborar fichas de procedimentos de segurança para os trabalhos que impliquem
riscos especiais e assegurar que os subempreiteiros e trabalhadores indepen·
dentes e os representantes dos trabalhadores para a segurança, higiene e saúde
no trabalho que trabalhem no estaleiro tenham conhecimento das mesmas;
- Assegurar a aplicação do plano de segurança e saúde ou das fichas de procedi-
FIC!:,.:'S DE PROCEDIMENTOS DE SEGURAtJÇA 237

mentos de segurança por parte dos seus trabalhadores, de subempreiteiros e tra-


balhadores independentes;
- Assegurar que os subempreiteiros cumpram, na qualidade de empregadores, as
obrigações previstas como tal;
- Assegurar que os trabalhadores independentes cumpram as obrigações previs-
tas como tal;
- Colaborar com o coordenador de segurança em obra, bem como cumprir e fazer
respeitar por parte dos subempreiteiros e trabalhadores independentes as directi-
vas daquele;
- Tomar as medidas necessárias a uma adequada organização e gestão do esta-
leiro, incluindo a organizaçao do sistema de emergência;
- Tomar as medidas necessárias para que o acesso ao estaleiro seja reservado a
pessoas autorizadas;
- Organizar um registo actualizado dos subempreiteiros e trabalhadores indepen-
dentes por si contratados com actividade no estaleiro;
- Fornecer ao dono de obra as informações necessárias à elaboração e actualiza-
ção da comunicação prévia;
- Fornecer ao autor do projecto, ao coordenador de segurança em projecto, ao
coordenador de segurança em obra ou, na falia destes, ao dono de obra os ele-
mentos necessários à elaboração da compilação técnica da obra.

OBRIGAÇÕES DOS EMPREGADORES


- Comunicar, pela forma mais adequada, aos respectivos trabalhadores e aos
trabalhadores independentes por si contratados o plano de segurança e saúde
ou as fichas de procedimento de segurança, no que diz respeito aos trabalhos
por si executados, e fazer cumprir as suas especificações;
- Manter o estaleiro em boa ordem e em estado de salubridade adequado;
- Garantir as condições de acesso, deslocação e circulação necessária à segu~
rança em todos os postos de trabalho no estaleiro;
- Garantir a correcta movimentação dos materiais e utilização dos equipamentos de
trabalho;
- Efectuar a manutenção e o controlo das instalações e dos equipamentos de traba-
lho antes da sua entrada em funcionamento e com intervalos regulares durante a
laboração;
- Delimitar e organizar as zonas de armazenagem de materiais, em especial subs-
tâncias, preparações e materiais perigosos;
- Recolher, em condições de segurança, os materiais perigosos utilizados:
- Armazenar. eliminar, reciclar ou evacuar resfduos e escombros;
- Determinar e adaptar, em função da evolução do estaleiro, o tempo efectivo a
consagrar aos diferentes tipos de trabalho ou fases de trabalho;
- Cooperar na articulaçêo dos trabalhos por si desenvolvidos com outras activida-
des desenvolvidas no local ou no meio envolvente;
- Cumprir as indicações do coordenador de segurança em obra e da entidade exe-
cutanle;
- Adoptar as prescrições mínimas de segurança e saúde no trabalho revistas em
regulamentação especifica;
- Informar e consultar os trabalhadores e os seus representantes para a segurança,
higiene e saúde no trabalho sobre a aplicação das disposições legais.
2J. MANUAL DE SEGURANÇA

PERFIL MíNIMD DE APTIDÃO PARA OTRABALJIO NO ESTALEIRO

As condições de robustez física devem ser definidas pelo médico de trabalho. A


título meramente indicativo apresentam-se as seguintes.
- Idade superior a 18 anos;
- Robustez fisica;
- Compreensão da Ifngua Portuguesa;
- Integridade funcional respiratória, cardíaca, neurológica, renal e hepática;
- Fórmula sangulnea normal;
- Coagulação normal;
- Ausência de hérnias ou adenopatias palpáveis;
- Devem ser condições de exclusão:
• Epilepsia:
• Sindromas vertiginosos ou patologia neurológica (atauxia. descoordenação);
• Oligofrenia ou Psicopatia;
• Perda auditiva grave bilateral (ausência de audição à voz ciciada a 2 m);
• Perda visual grave (menos de 5110 da visão corrigido do melhor olho);
• Doenças infecto-contagiosas em actividade ou em convalescença;
• Bronquite crónica, asma ou enlisema;
• Hepatite em actividade:
• Alterações hepáticas graves;
• Insuficiência renal ou ausência de um rim;
• Dermatoses crónicas;
• Graves limitações asteo·articulares (hérnias discais, artroses, gota);
• Crises recentes de angar ou isquemia do miocárdio;
• Alcoolismo ou toxicodependência em fase de intoxicação;
• Incapacidade total de expressão verbal (mudez):
• Amputações de membros ou de mais de um dedo de uma das mãos;
• Diabetes descompensada.

Revisão n.V
FICHA DE SEGURANÇA E SAÚDE OalB._J_'_

Substâncias e preparações perigosas

DEFINiÇÕES

SUBSTÂNCIA - Elemento ou composto qufmico, quer no estado natural, quer produ-


zido industrialmente, com ou sem aditivos;
PAEPARAÇÃO - Mistura ou solução composta por duas ou mais substâncias;
SUBSTÂNCIAS ou PREPARAÇOES PERIGOSAS - As que possam ser consideradas como
explosivas, comburentes, inflamáveis, tóxicas, nocivas, corrosivas, irritantes,
carcinogénicas, teratogénicas, mutagénicas ou perigosas para o ambiente, con-
forme definido no Decreta--Lei n.!! 225/83, de 27 de Maio;
FiCHA DE SEGURANÇA DE PRODUTO - Ficha contendo as informações necessárias à
protecção do homem e do ambiente.
FiCHAS DE PROCEDJMENTOS DE SEGURANÇA 2J9

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Exposição a substâncias • Utilizar substâncias e preparações


nocivas ou tóxicas; perigosas, sem previamente ler
• Contacto com substâncias as instruções que constam
cáusticas ou corrosivas; da Rcha de Segurança do Produto
(ou no minimo, ler os rótulos
• Explosao; e etiquetas da embalagem);
• Incêndio. • Fumar ou ingerir alimentos nos locais
onde se manipulam substâncias
e preparações perigosas;
• Utilizar recipientes em mau estado;
• Utilizar recipientes impróprios
e sem etiquetagem adequada;
• Não utilizar os EP1(s) adequados;
• Trabalhadores sem formaçâo
e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSElHADAS

- Antes de iniciar o trabalho com uma substância desconhecida. deve ler atenta-
mente a etiqueta da embalagem. Se surgirem dúvidas, devem ser esclarecidas
com o encarregado ou com o director de obra;
- Somente devem ser usados produtos devidamente embalados e etiquetados. Se
for necessário vazar a substância para outro recipiente. este deve ser apropriado
(nunca deverá usar recipientes de bebidas ou outros susceptíveis de induzir em
erros) e devidamente etiquetado;
- Deve verificar o bom estado dos recipientes a fim de identificar e evitar as fugas,
antes de iniciar a manipulação de substâncias ou preparações perigosas;
- Devem existir no estaleiro, para consulta, as Fichas de Segurança das substân-
cias e preparações utilizadas. As fichas devem ser datadas e conter obrigatoria-
mente os seguintes dados:
• Identificação da preparação e da sociedade/empresa;
• Composição/informação sobre os componentes;
• Identificação dos perigos;
• Primeiros socorros;
• Medidas de combate a incêndios;
• Medidas a tomar em caso de fugas acidentais;
• Manuseamento e armazenagem;
• Controlo da exposição/protecção individual;
• Propriedades ffsicas e químicas;
• Estabilidade e reactividade;
• Informação toxicológica;
• Informação ecológica;
• Questões relativas à eliminação;
• Informações relativas ao transporte:
• Informações sobre regulamentação;
• Outras informações;
240 MANUAL DE SEGURANÇA

- Deve ser rigorosamente proibido, fumar ou ingerir alimentos durante a manipula-


ção de substâncias ou preparações perigosas;
- Deve evitar (procurando uma posição de trabalho adequada) a inalação dos
vapores produzidos durante a manipulação de solventes;
- Deve evitar o contacto de solventes com a pele. Não deve utilizar solventes para
lavar as mãos ou outras partes do corpo;
- Os solventes não devem ser utilizados em locais fechados e mal venlilados ou
perto de chamas ou fontes de calor:
- Os trapos e desperdlcios bem como resíduos resultantes da utilização de solven-
tes devem ser depositados em recipientes fechados e estanques. Esses reci-
pientes não devem ser deixados ao Solou junto a fontes de calor ou chama;
- A armazenagem de substâncias ou preparações perigosas deve ser efectuada
em locais com as condições indicadas, nomeadamente a humidade, a tempera-
tura e a luminosidade devem estar de acordo com a informação constante do
rótulo;
- Quando vazias, as garrafas de gás devem ser etiquetadas ou marcadas e
armazenadas em posição vertical (se necessário deverão ser amarradas para
impedir que caiam);
- Deve manter todas as fontes de ignição (fósforos, cigarros, motores eléclricos...)
longe dos líquidos inOamáveis;
- Ao transferir materiais inflamáveis (reabastecimento de uma máquina, por exem·
pio) deve efectuar as ligações à terra para equipotencializar as partes metálicas
do reservatório e do receptor, a fim de evitar incêndios devidos à libertação de
electricidade estática;
- Os materiais oxidantes devem ser armazenados afastados dos materiais inflamáveis;
- Devem ser rigorosamente respeitadas as regras de higiene pessoal, nomeada-
mente, lavar as mMs antes de comer, tratar e proteger imediatamente toda e
qualquer ferida e, no final do trabalho, despir o vestuário usado.

Revisão n.l1
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_I-'_

Instalação eléctrica

DEFINiÇÕES

INSTALAÇÃO OE UTILIZAÇÃO OE ENERGIA ELÉCTRICA - Instalação eléctrica destinada a


permitir aos seus utilizadores a aplicação da energia eléctrica pela sua transfor-
mação noutra forma de energia;
INSTALAÇÃO PROVISÓRIA - Instalação destinada a ser utilizada por tempo limilado, no
fim do qual é desmontada, deslocada ou substitufda por outra definitiva;
INSTALAÇÃO DE TENSÃO REDUZIDA - Instalação de baixa tensão cuja tensão nominal
não excede os 75 V em corrente continua, ou os 50 V em corrente alterna, entre
quaisquer condutores activos;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 241

INSTALAÇÃO DE BAIXA TENSÃO - Instalação cuja tensão nominal não excede os 250 Ventre
qualquer condutor activo e a terra, se a instalação tiver ponto neutro à terra;
CONDUTOR ACTIVO - Condutor afecto à condução de energia eléctrica;
DUPLO ISOLAMENTO - Isolamento compreendendo simultaneamente um isolamento
funcional e um isolamento suplementar;
CIRCUITO DE UMA INSTALAÇÃO - Conjunto de canalizações e aparelhos eléctricos,
incluindo os de utilização. dotado do mesmo aparelho de protecção contra
sobreintensidades no quadro onde tem inicio;
APARELHO DE UTILIZAÇÃO MÓVEL - Aparelho de utilização que, em virtude da sua natu-
reza ou utilização. é deslocado durante o seu funcionamento ou pode ser facil~
mente deslocado enquanto ligado ao circuito de alimentação (ex.: posto de sol-
dadura...);
APARELHO DE UTILIZAÇÃO PORTÁTIL - Aparelho de utilização que. em condições nor·
mais de funcionamento é empunhado ou suportado pelo utilizador (ex.: gam~
biarra, berbequim ...);
INSTAlAÇÃO (ou CIRCUITO) ISOlADA - Instalação electricamente separada de todas as
possíveis fontes de alimentação, por meio de órgão que dêem garantias de
separação permanente;
INSTALAÇÃO (ou CIRCUITO) LIGADA À TERRA - Instalação isolada e com todos os seus
condutores intencionalmente ligados à terra;
MASSA - Qualquer elemento metálico susceptível de ser tocado, em regra isolado
das partes activas de um material ou aparelho eléctricos mas podendo ficar
acidentalmente sobre tensão.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Contactos eléctricos; • Inslalações provisórias


• Incêndio; e exposlas a intempéries;

• Explosões; • Reutilizar material eléctrico


em mau estado;
• Queda de pessoas a nlvel diferente;
• Utilizar circuitos ou equipamentos
• Queda de pessoas ao mesmo nível. defeituosos;
• Efectuar a manutenção
ou reparação com as instalações ou
circuitos ligados;
• Efectuar reparações provisórias
em instalações ou equipamentos;
• Anular os equipamentos
de protecção (nomeadamente
os disjuntares diferenciais);
• Posicionar cabos no chão.
em locais de acesso
e circulação, susceptíveis
de provocar tropeções
de pessoas e/ou desgaslar
o isolamento dos mesmos:
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.
242 MANUAL DE SEGURANÇA

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Todos os cabos devem possuir as características adequadas (especialmente a


secção) à carga a alimentar e ao local onde estão inseridos. As protecções
devem ser montadas tendo em conta o critério de selectividade;
- Deve ser instalada uma rede de terra com resistência máxima de 10 ohm;
- Deve~se garantir Que todas as massas metálicas (os carris da grua, por exemplo)
e todos os equipamentos e ferramentas são ligados à terra (com excepção dos
dotados de duplo isolamento);
- Deve ser rigorosamente proibido interromper qualquer ligação à terra, ou utilizar
máquinas que necessitem de ligação à terra, com fichas ou tomadas que não
possuam essa ligação;
- Os cabos eléctricos devem ter traçado adequado e estar devidamente fixados,
de forma a que não fiquem sujeitos a esforços mecânicos que os possam danifi~
car;
- Os cabos de alimentação das máquinas devem ser montados afastados das
escadas, portas e locais de passagem onde possam ser pisados por máquinas
ou pessoas;
- Todas as saídas dos quadros devem estar protegidas por disjuntares térmícos e
diferenciais de 30 mA;
- Deve ser verificado, semanalmente, o funcionamento dos disjuntares diferenciais
e o bom estado dos cabos eléctricos;
- Os quadros eléctricos devem ser instalados em locais acessíveis e protegidos
das movimentações de máquinas e camiões;
- Os quadros devem estar protegidos contra a entrada do pó (e água) e, possuírem
porta com chave;
- Os pimenteiros (quadros móveis) devem ser colocados a distâncias superíores a
dois metros dos bordos de taludes ou valas;
- Os pimenteiros não devem ser colocados muito próximos dos bordos das lajes
(distância mlnima de 1m);
- Deve ser competência exclusiva de electricistas devidamente habilitados a
montagem, modificação, e manutenção do bom estado de funcionamento da
instalação eléctrica, assim como o acesso a postos de transformação e cabinas
eléctricas;
- Deve ser rigorosamente proibida a utilização de arame e fio como elemento fusí~
vel. Devem ser usados fusíveis normalizados e de calibre adequado;
- Devem ser devidamente instruídos e treinados alguns trabalhadores do estaleiro
(encarregado e chefes de equipa), para operarem os equipamentos de comando
e manobra da instalação. Esses operadores devem comunicar de imediato qual~
quer mau funcionamento que detectem;
- Qualquer avaria que seja detectada deve ser imediatamente reparada, se tal não
for possível, o equipamento ou o circuito devem ser retirados de serviço. As repa~
rações de carácter provisório só devem ser permitidas se assegurarem a segu-
rança da instalação, dos trabalhadores e de terceiros;
- Devem ser colocados fora de serviço todos os troços de cabo que apresentem
defeitos (cortes ou rasgadelas) no isolamento;
- Deve ser rigorosamente proibido efectuar emendas nos condutores flexíveis,
mesmo que se proceda ao isolamento da união através de fita isoladora;
- Deve ser rigorosamente proibido efectuar qualquer trabalho sobre circuitos em
tensão. Antes de iniciar qualquer reparação, a máquina, equipamento ou circuito
FICHAS OE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 243

deve ser desligado da instalação, sinalizando a saída do quadro com uma placa
"DeSLIGADO POR MOTIVO DE TRABALHOS NÃO LIGAR .. ;
- Na ausência de instruções precisas, todos os equipamentos, instalações e condu-
tores devem ser considerados com estando em tensão;
- Se houver necessidade de enterrar cabos, devem ser convenientemente protegi-
dos e sinalizados;
- Deve ser rigorosamente proibido fazer fogo na proximidade de cabos eléctricos;
- Todos os aparelhos de mão para iluminação (gambiarras) devem ser alimentados
a tensão reduzida, ter pega isolada e a lâmpada protegida contra choques
mecânicos;
- Quando o trabalhador tiver de se ausentar do seu local de trabalho, deve desligar
das tomadas, as máquinas ou ferramentas eléctricas. Uma máquina nunca deve
ser desligada da corrente enquanto estiver em carga (funcionamento);
- Deve ser proibido puxar os cabos de alimentação para desligar a tomada de cor-
rente dos equipamentos, ferramentas ou extensões;
- As fichas e tomadas devem ser compativeis. Deve ser rigorosamente proibido
efectuar ligações (entre fichas e tomadas incompativeis) com recurso a pequenas
cunhas de madeira;
- A tensão deve estar sempre nas tomadas (fichas fêmea) a fim de evitar contactos
eléctricos directos;
- Todo e qualquer disparo dos disjuntares diferenciais deve ser comunicado ao
electricista, para averiguar a sua causa;
- Nas tampas dos pimenteiros e dos quadros eléctricos devem ser colocados
sinais de aviso "Perigo de Morte»;
- Deve ser evitado o uso de fichas triplas. Cada sarda do pimenteiro ou quadro só
deve alimentar um único equipamento ou ferramenta;
- Deve ser rigorosamente proibido utiliZar fio de terra (amarelo e verde), em qual-
quer outra utilização que não seja efectuar ligações à terra de protecção;
- A iluminação não portátil das zonas de trabalho deve ser efectuada com projecto-
res, colocados, no mínimo a 2 metros de altura, em suportes que garantam soli-
dez e estabilidade adequadas.

-
1~3
RevISão n.9
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Oata_'_'_

Armazenagem de materiais

DEFINiÇÕES

ARMAZENAGEM - Depósito de materiais em armazém.


244 MANUAL DE SEGURANÇA

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Armazenagem desordenada;


• Queda de pessoas ao mesmo nível; • Não engatar as cargas
• Queda de objectos por pelos pontos apropriados;
desabamento ou desmoronamento; • Não definir e sinalizar
• Atropelamento ou choque caminhos de circulação;
de verculos: • Não manter os caminhos
• Queda de objectos desprendidos; de circulação desimpedidos
e com piso em bom estado;
• Entaladela ou esmagamento
por capotamento de máquinas; • Sobrecarregar os pisos,
estantes. etc.;
• Choque contra objectos imóveis;
• Pilhas demasiado alias
• Incêndio; ou mal estabilizadas;
• Explosão: • Não utilizar os EPI(s) necessários;
• Contactos eléctricos: • Trabalhadores sem formação
• Exposição a substãncias nocivas e desconhecimento dos riscos.
ou tóxicas.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- A(s) zona(s) de armazenagem devem ser localizadas de forma a que o estaciona-


mento e manobra dos camiões de transporte não interrompa a normal circulação
no estaleiro;
- O terreno no local de armazenagem deve ser, previamente, devidamente regulari-
zado. Os materiais não devem ser depositados directamente sobre o solo. Os
materiais devem, consoante o caso, ser colocados sobre paletes, estrados, dor-
mentes ou barrotes, de forma a facilitar a movimentação mecânica e permitir o
escoamento das águas;
- As zonas de armazenagem devem ser demarcadas, separando a madeira, o
ferro, o cimento, os equipamentos e ferramentas, os combustíveis, as tintas e ver-
nizes e outras substâncias ou preparações perigosas;
- Os equipamentos de protecção, individual e colectiva, devem ser armazenados
em local e de forma apropriada, garantindo a sua disponibilidade para utilização
imediata:
- Todos os produtos, materiais ou equipamentos devem ser armazenados e conser-
vados de acordo com as instruções dos fabricantes, preferencialmente nas
embalagens originais;
- As encomendas deI/em ser entregues no estaleiro embaladas de forma a favore-
cer a sua movimentação segura com meios mecânicos;
- Os materiais mais pesados devem ser armazenados em locais facilmente acessl-
veis à grua ou a outros equipamentos de movimentação mecânica de cargas;
- Não deve sobrecarregar os pisos nem sobreocupar os espaços;
- A formação de pilhas deve ser efectuada de forma a garantir a sua estabilidade.
As pilhas de materiais nâo devem ter altura superior a 1.5m;
- As substâncias e preparações perigosas devem ser armazenadas nas suas
embalagens originais e com os rótulos visíveis. Não devem ser aceites no esta-
leiro embalagens que sejam entregues com os rótulos deteriorados e ilegíveis;
fiCHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 245

- Os produtos susceptíveis de reagir entre si devem ser armazenados separada-


mente. guardando entre si uma distância adequada (ver fSS);
- As tubagens devem ser devidamente amarradas ou travadas, consoante sejam
armazenadas na vertical ou na horizontal;
- A sobreposição de tubos não deve exceder as 10 camadas;
- Quando armazenados na horizontal, os tubos devem estar devidamente alinha~
dos, de forma a evitar quedas por tropeçamento.

EJ
CONTEXTOS DE TRABALHO

~~~Ql,
Revisao n II
-
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_'_'_

Trabalhos de demolição

DEFINiÇÕES

TRABALHOS DE DEMOLIÇÃO - Engloba as actividades de derrube de uma construção


(ou parte dela), de acordo com o planeado, transporte dos entulhos para aterro
apropriado e limpeza da área;
DEMOLIR - Destruir; derrubar um edifício ou uma construção;
DEMOLIÇÃO MANUAl - Demolição efectuada com recurso a ferramentas manuais ou
portáteis;
DEMOLIÇÃO MECÂNICA - Oemolição efectuada com recurso a equipamento pesado;
DEMOLIÇÃO COM EXPLOSIVOS - Demolição efectuada com emprego de substâncias
explosivas;
ELEMENTOS ESTRUTURAIS - Elementos componentes da estrutura: pilares, vigas. lajes....
ESCOMBROS - Entulho; fragmentos resultantes de uma demolição.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Falta de preparação do trabalho.


• Queda de pessoas ao mesmo nrvel; nomeadamente. não verificar
o estado de estabilidade e solidez
• Queda de objectos por dos elementos construtivos
desabamento ou desmoronamento;
e construções adjacentes;
MANUAL DE SEGURANCA.

• Queda de objectos desprendidos; • Não assegurar devidamente


• Marcha sobre objectos; o corte de todas as infra-estruturas;
• Choque contra objectos imóveis; • Trabalho desorganizado
(trabalhadores a laborar
• Pancadas e cortes por objectos em niveis distintos. demolição
ou ferramentas;
de elementos suportantes
• Projecção de fragmentos anles dos suportados... );
ou particulas; • Sobrecarga dos pisos com entulhos;
• Entaladela ou esmagamento • Não delimitar e sinalizar
por ou entre objectos; a zona de trabalhos e não controlar
• Entaladela ou esmagamento as entradas nessa zona;
por capotamento de máquinas; • Trabalhar em condições
• Sobre-esforços atmosféricas adversas;
ou posturas inadequadas; • Utilização de meios mecânicos de
• Contactos eléctricos; forma inadequada (para arrancar
elementos construtivos ou utilizar
• Explosão;
os equipamentos para além
• Incêndio; das capacidades indicadas
• Exposição ao ruido; pelo fabricante ...);
• Exposição a vibrações; • Utilização de andaimes indevidamente
• Danos causados por seres vivos; ancorados ou escorados;

• Outros (inundações • Não utilizar os EPI(s) necessários.


por ruptura de canalizações). nomeadamente. contra quedas
em altura;
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSElHADAS

- Deve ser elaborado um plano de trabalhos cuja memória descritiva contenha a


descrição das operações a executar. procedimentos. equipamentos e pessoal
necessário. Também devem constar planos de detalhe de elementos estruturais ou
construtivos que envolvam riscos especiais (amianto, betão pré·esforçado...);
- Antes de se iniciar qualquer trabalho, devem estar cortadas (garantidamente)
todas as infra-estruturas: água, gás, electricidade. telefone e TV cabo;
- Antes de iniciar qualquer trabalho, deve·se verificar o estado de estabilidade e solidez
de todos os elementos construtivos e decorativos. especialmente nos casos em
que a edificação sofreu catástrofes naturais, incêndio ou abandono prolongado;
ATENÇÃO: Após um incêndio, pode haver betão desligado das armaduras e, lajes
aparentemente intactas podem ter perdido resistência, deixando de aguentar
inclusive o peso dos trabalhadores:
- Devem ser colocados testemunhos em locais adequados (indicados por técnico)
e vigiada a sua evolução. quando efectuar demolição manual.

DEMOLIÇÃO MANUAL
- Deve desinfestar e desinfectar, onde seja necessário;
- Dentro de perímetros urbanos. deve tomar medidas de protecção contra as
projecções de materiais sobre a via pública;
- Devem ser desmontados e retirados todos os elementos frágeis antes do início da
demolição (parlas. janelas, clarabóias...);
FICHI\S DE PROCEDIMENTOS DE SEGURMlCA 2.ji

- Devem ser escorados. entivados e/ou saneados os elementos construtivos que


apresentem instabilidade ou falia de resistência. antes de iniciar os trabalhos de
demolição;
- Devem ser escoradas e/ou enUvadas as paredes~mestras das edificações
adjacentes. até uma altura que garanta a solidez das mesmas, caso seja
necessário;
- Deve ser delimitado e sinalizado todo o perlmetro da área em demolição;
- No inicio e no final da jornada de trabalho deve sanear todos os elementos
construtivos que estejam instáveis;
- Os andaimes (se forem necessários) devem ficar completamente desligados dos
elementos a demolir;
- A demolição deve ser efectuada piso por piso. de cima para baixo e, os
trabalhadores devem laborar todos no mesmo piso;
- Devem-se demolir primeiro os elementos suportados e só depois os suportantes;
- Os acessos aos postos de trabalho devem ser adequados (principalmente em
resistência e largura), exercendo-se vigilância constante sobre os mesmos;
- Os acessos devem--se manter permanentemente desobstruídos e limpos de entulhos;
- Devem ser montadas escadas exteriores à construção ou reforçadas as escadas
da edificação (se necessário). As escadas devem ser os últimos elementos a
demolir em cada piso, porque são necessárias à circulação dos trabalhadores;
- As tubagens, mangueiras e cabos devem ser fixadas e arrumadas de modo a que
não provoquem tropeções e não fiquem sujeitas a esforços que as possam dani-
ficar. No atravessamento de vias de circulação de veículos devem ser enterradas
ou protegidas;
- As tubagens e acessórios das redes de ar comprimido devem ser periodicamente
inspeccionadas a fim de evitar fugas de ar sob pressão;
- Deve ser proibido o estacionamento ou paragem de viaturas ou máquinas sobre
mangueiras e tubagens sobre pressão e sobre cabos eléctricos;
- As aberturas no pavimento do piso em demolição devem ser tapadas, excepto se
forem usadas para escoamento de entulhos. devendo nesse caso ser protegidas;
- Deve ser rigorosamente proibido alirar entulhos pelas janelas ou aberturas nos
pisos;
- Os entulhos devem ser regados e descidos em calhas devidamente vedadas e
com troços nunca superiores à altura de 2 pisos. A saída inferior de cada calha
deve ter uma comporIa para fazer parar o material. Deve ser rigorosamente proi-
bido que os trabalhadores retirem material das calhas usando as mãos;
- O material da cobertura deve ser retirado de forma progressiva e de ambos os
lados para evitar desequilíbrios (da estrutura);
- Os materiais da cobertura, à medida que são reI irados devem ser descidos atra-
vés de caleiras e/ou com o auxílio da grua ou guincho;
- As peças que vão ser soltas, devem ser deslocadas sem conduzirem os trabalha-
dores a movimentos bruscos, devendo ser retiradas com cuidado;
- As peças que vão ser soltas, não devem ser arrancadas com o auxflio da grua;
- As chaminés e varandas não devem ser puxadas para caírem como um todo,
nem devem ser deixadas em estado tal que possam ser derrubadas por acção do
vento (se necessário. deve montar andaime);
- As telhas. placas metálicas ou de fibrocimento, não devem servir de apoio aos
trabalhadores, devendo ser utilizadas tábuas de rejo;
- A demolição da laje só deve ser iniciada depois de se conhecerem os seus
apoios e deve ser efectuada na direcção paralela a esses apoios;
24"O -'M"A""""U"A"L..,D"O:cS"'E"'G"'U"R,,A"",,Ç~A

- As abóbadas ou arcos devem ser demolidos do centro para as extremidades. No


caso de haver abóbadas múltiplas, devem-se escorar as que não estão a ser
demolidas;
- Os trabalhadores não se devem apoiar nas paredes-mestras, que não apresen-
tem estabilidade e solidez adequadas, devendo executar o seu trabalho a partir
de plataformas ou andaimes externos;
- Devem ser referenciadas as paredes construldas com betão de resistência infe-
rior e avisados os trabalhadores envolvidos de que esses elementos irão opor
menos resistência à demolição do que seria suposto;
- As paredes devem ser reUradas e removidas em secções facilmente transportá"
veis, sem sujeitar os trabalhadores a esforços excessivos;
- As secções de parede não devem ser abaladas e deixadas ruir como uma massa
única;
- Deve-se escorar o soalho de madeira que não tenha estabilidade ou solidez ade-
quadas, devendo, nesse caso, os entulhos ser escoados de imediato;
- O corte de lajes ou elementos de estrutura construídos em betão pré-esforçado,
deve ser rigorosamente efectuado nos locais assinalados pelos técnicos e unica~
mente nesses locais;
- As escadas encastradas deverão demo1ir~se da ponta do balanço para o
encastramento;
- As escadas apoiadas em patamares deverão demolir-se do meio do vão para os
apoios;
- As escadas apoiadas lateralmente em vigas deverão demolir-se do centro do vão
para os lados;
- Os elementos a demolir devem ser molhados regularmente a fim de evitar o
levantamento de poeiras;
- As plataformas de trabalho devem ser estáveis, sólidas e horizontais;
- O ajudante de marteleiro, deve trabalhar a uma distância que evite ser atingido
por projecções;
- As roupas e a pele não devem ser limpas utilizando o ar comprimido;
- Os trabalhos devem ser suspensos em dias de chuva intensa.

DEMOLIÇÃO MECÂNICA
- Deve verificar se o braço da máquina tem alcance adequado à altura da edifica-
ção, Efectuar demolições com máquinas com braço curto pode dar origem a aci-
dentes graves devido à queda de materiais sobre a máquina;
- A área circundante à edificação deve ser vedada, com painéis metálicos, a uma
distância linear mínima de uma vez e meia a altura da edificação e, tendo em
atenção o espaço necessário às manobras da máquina e à possível projecção de
materiais;
- A cabina da máquina deve ser do tipo ROPS;
- Só deve entrar na área vedada o pessoal que procede à demolição. Antes de se
iniciar a jornada de trabalho, deve-se verificar a não existência de pessoas no
interior da edificação;
- Enquanto a operação de demolição estiver em curso, não deve ser permitida a
entrada na edificação a nenhum trabalhador;
- A operação da máquina não deve abalar prematuramente os alicerces da cons-
trução, a fim de evitar um desmoronamento descontrolado.
FiCHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANCA 249

DEMOLIÇÃO COM EXPLOSIVOS


- Tendo em conta a especificidade e riscos deste tipo trabalho, deve-se contratar
uma empresa que já disponha de um bom currículo de demolição de edifícios
com recurso a explosivos. Ainda assim, o contrato elaborado para efectuar o tra-
balho deve estabelecer as condiçOes que assegurem que o trabalho será execu-
tado com os riscos bem controlados. Como condições elementares aconselha-se:
• Protecção do público e tráfego de veiculas;
• Protecção das propriedades adjacentes;
• Garantia do abastecimento de água, electricidade, gás e telefones (às edifica-
ções anexas);
• Controlo do ruido:
• Controlo do pó:
• Seguros;
• Acabamento do trabalho - limpeza.
- Antes de empreender o trabalho de demolição devem ser investigados os seguin~
tes pontos:
• Propríedade e assuntos legais;
• Arredores;
• Árvores;
• Pavimentos inferiores;
• Arruamentos e acessos ao local;
• Infra-estruturas de abastecimento de energia, água e telefones;
• Precauções especiais - ligação com as autoridades;
• Ocupação da via pública;
• Encerramento ou desvio de ruas;
• Vedações;
• Operações no terreno;
• Propriedades adjacentes;
• Explosivos.
- Antes de iniciar os trabalhos, dever-se-á fotografar os arredores da obra, a fim de
registar alguns danos já existentes (vidros partidos, fissuras, etc.);
- Os explosivos só devem ser manuseados por pessoal devidamente encartado
com cédula.

DEMOLIÇÃO EM EDIFíCIOS COM AMIANTO


- Antes de iniciar os trabalhos que envolvam o desprendimento de flocos do
revestimento, com a consequente libertação de fibras, deve ser elaborado um
plano de lrabalhos (com a ajuda de um técnico de segurança) e isolada toda a
zona de trabalhos de forma a evitar a contaminaçáo das zonas adjacentes;
- A limpeza dos revestimentos de amianto deve ser realizada por via húmida, de
forma a conter a dispersão das libras. Os materiais que vão sendo desmontados
devem ser colocados em sacos de resíduos (tipo big bag) devidamente etiquetados;
- Deve ser limitado o acesso às zonas contaminadas exclusivamente aos trabalha-
dores indispensáveis à execução do trabalho;
- Durante a execução dos trabalhos, os trabalhadores devem usar EPls (determina-
dos por um técnico de segurança) para protecção das vias respiratórias;
- Tadas os trabalhadores envolvidos nestes trabalhos devem efectuar exames médicos
de acocdo com o exposto no art.2 122 do decreto-lei n.º 284/89, de 24 de Agosto.
~50 MANUAL OE SeOURANCA

CARGA, TRANSPORTE E DESCARGA DE ESCOMBROS


- Nas operações de carga, os trabalhadores devem manter~se fora do alcance das
máquinas e dos montes de escombro atacados por elas, de forma a não serem
atingidos por pedras ou outros materiais que se desprendam;
- Os escombros devem ser regados antes de iniciar as operações de carga e,
regularmente no decurso desta, de forma a evitar a formação de poeiras;
- Durante a noite, os locais de carga e descarga de escombros devem estar
devidamente iluminados;
- Os manobradores devem distribuir os escombros uniformemente na caixa de
carga do camião ou dumper, de forma a evitar desequílíbrios da carga e/ou do
veículo;
- Os escombros não devem ultrapassar os limites de altura da caixa de carga, de
forma a evitar a queda de materiais durante o percurso;
- Os manobradores não devem sobrecarregar os vefculos de transporte acima da
sua carga máxima;
- Nos dumpers (ou outros veículos sem cabina de protecção do condutor) o condu~
tor deve abandonar o posto de condução, deixando o veiculo bem travado,
durante as operações de carga;
- A circulação ou manobra dos veículos de carga em marcha~atrás deve ser auxi-
liada por sinaleiro, munido de rádio ou apito e envergando colete de alta visibili-
dade;
- Os motoristas dos veiculas de transporte devem adequar a velocidade ao estado
da via e terem em atenção a carga que estão a transportar;
- Nas operações de descarga em aterro a cota elevada, devem existir batentes ou,
em alternativa. a manobra de marcha~alrás para aproximação ao talude da
escombreira deve ser auxiliada por um sinaleiro.

Revisão n.'
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Dala_f-f_

Trabalhos de escavação

DEFINiÇÕES

TRABALHOS DE ESCAVAÇÃO - Engloba as actividades de desmonte, corte e reUrada de


camadas do solo, de acordo com o definido no projecto e transporte dos entu~
lhos para aterro apropriado:
ESCAVAÇÃO - Desmonte; corte; escavação feita no terreno para uma via de
comunicação (estrada ou via férrea); cavar terreno à superfície ou subterrâneo;
movimento de terras para formar caboucos, fundações, etc.;
VALA - Escavação em que o comprimento é muito maior que a largura;
ESCAVAR - Tirar ao solo parte da sua camada; fazer caboucos, desmontes, galerias,
poços, etc.;
FICtlAS DC! PROCEDIMENTOS DE SEGUt:l:ANCA '251

ENTIVAÇÃO - Revestimento de madeira ou painel metálico em poços ou galerias


destinado a impedir desmoronamentos;
TALUDe -Inclinação de um muro ou terreno;
TALUDE NATURAL - É o ãngulo de declive máximo que uma parede escavada, inde-
pendentemente da sua altura, pode manter-se indefinidamente, sem desliza-
mentos ou desmoronamentos de materiais. Depende, grosso modo, da consli-
tuiça.o do terreno;
ATERRAR - Cobrir com terra:
DECLIVE - Inclinação ou encosta do terreno:
PROFUNDIDADE cRinCA ~ É a profundidade mâxima que a escavação pode atingir, em
parede vertical. sem qualquer sistema de contenção. Depende. grosso modo,
do tipo de terreno e do processo de escavação utilizado;
DESMORONAMENTO - Derrocada de paredes rochosas ou terrosas;
FRENTE DE TRABALHO - Área de trabalho móvel e temporária. onde se desenvolvem
operações de apoio e execução de uma obra.
ESCORVA - Porção de pólvora para comunicar fogo a uma carga.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Falta de preparação do trabalho,


• Queda de pessoas ao mesmo nível; nomeadamente, existência
de infra-estruturas enterradas
• Queda de objectos por e tipo de solo;
desabamento ou desmoronamento
de estruturas vizinhas; • Não respeitar os taludes naturais;
• Queda de objectos desprendidos; • Sobrecarregar os topos dos taludes;

• Marcha sobre objectos; • Não vigiar e sanear os taludes;


• Soterramento; • Entivação inadequada
ou insuficiente;
• Choques ou pancadas
por objectos móveis; • Topo dos taludes sem protecção
(contra quedas em altura);
• Projecção de fragmentos
ou partículas; • Trabalho desorganizado;
• Entaladela ou esmagamento • Não manter os caminhos
por ou entre objectos; de circulação em estado adequado
para a circulação;
• Entaladela ou esmagamento
por capotamento de máquinas; • Não definir e sinalizar caminhos
de circulação com largura suficiente
• Sobre-esforços para a circulação segura
ou posturas inadequadas; de camiões e peões;
• Contactos eléctricos. • Trabalhar em condições
por interferência atmosféricas adversas;
com redes têcnicas;
• Não delimitar e sinalizar a zona
• Explosão. por interferência de trabalhos e não controlar
com redes técnicas; as entradas nessa zona;
• Atropelamento ou choque • Não respeitar as limitações
de veículos; das máquinas. indicadas
• Exposição ao ruido; pelos fabricantes;
252 MANUAL DE SEGURANÇA

• Exposição a substâncias tóxicas • Utilização de meios mecânicos


ou nocivas (poeiras e gases); de forma inadequada (para
• Exposição a vibrações. arrancar elementos construtivos
ou utilizar os equipamentos
para além das capacidades
indicadas pelo fabricante...);
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PIlfVENÇÃD ACONSElHADAS

- Antes de iniciar qualquer trabalho deve efectuar o levantamento de: tipo de ter-
reno (talude natural, coesão, níveis freáticos. teor de humidade, estratificações,
escavações ou aterros anteriores...), proximidade de construções (e suas funda-
ções) ou outras estruturas. proximidade de fontes de vibrações (eslradas, fábri-
cas...) e proceder ao levantamento de todas as infra-estruturas aéreas e subterrâ-
neas (localização e profundidade exactas) e, solicitar às entidades exploradoras
o seu desvio, caso se encontrem na zona de influência da escavação; se tal não
for possível, deve-se efectuar um planeamento cuidado do trabalho porque, nesta
situação as concessionárias vão exigir datas e horas para efectuar os cortes;
- No caso de surgir um cabo eléctrico ou uma tubagem de gás. não assinalados
nas plantas, os trabalhos devem ser suspensos, de imediato, até à chegada de
um responsável da entidade exploradora;
- Devem ser construidos acessos separados à escavação, para pessoal e para veícu-
los;
- Só deve utilizar máquinas homologadas;
- Os veiculas e máquinas usados devem ter a sinalização luminosa e acústica de
marcha-atrás em bom estado de funcionamento;
- Deve ser rigorosamente proibido todo e qualquer trabalho ou a permanência de
trabalhadores no raio de acção das máquinas;
- Devem ser rigorosamente respeitados os limites das máquinas e veículos de
transporte;
- Nos dumpers (ou outros veículos de transporte que não disponham de cabina de
protecção do condutor) o condutor deve abandonar o posto de condução, dei-
xando o veículo bem travado, durante as operações de carga;
- Devem ser definidos e devidamente sinalizados. caminhos de circulação com far-
gura suficiente para evitar o choque frontal de veículos;
- Os caminhos de circufação devem ser mantidos em bom estado, tapando covas
e irregularidades e compactando as zonas moles (se necessário, com toutvenant
ou detritos de pedreira);
- Devem ser devidamente enlivadas. todas as frentes de escavação cujo talude
lenha ângulo superior ao do talude natural;
- Devem-se impedir as infiltrações nos taludes atravês de covas e regueiras da superfí--
cie, construindo drenas; colmatando e compactando covas susceptíveis de se trans-
formarem em charcos e obturando fissuras superficiais com terra compactada;
- Deve, sempre que possível, evitar-se a acumulação de lamas;
- Se a escavação atingir o nivel freático. deve-se proceder ã drenagem permanente
das águas e à vigilância dos taludes;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 253

- Se a escavação for efectuada em zona de aterro, deve-se verificar o estado de


compactação dos solos e a escavação deve ser executada por pequenos lroços
(em extensão e profundidade);
- Se existirem árvores na zona de influência da escavação, deve-se proceder ao
corte ou estabilização das que se encontrem junto ao coroamento dos taludes;
- se exislirem edificações, muros em alvenaria ou betão ou postes, devem-se esco-
rar ou recalçar todos os alicerces/maciços susceptlveis de serem afectados;
- Deve ser vigiada, diariamente, a resistência dos taludes, especialmente se o solo
apresenta fissuras ou estratificações (descontinuidades) muito acentuadas ou se
estão previstas grandes amplitudes térmicas no decurso da escavação. Se for
necessário proceder ao seu saneamento, os trabalhadores que executarem a
tarefa devem usar amês anti-quedas;
- Se existirem eSlradas ou caminhos de circulação de veículos, próximas da frente
de escavação, deve-se exercer uma vigilância diária sobre a resistência do
talude e instalar sinalização rodoviária, a avisar da circulação e manobra de
máquinas e viaturas. Se a intensidade do tráfego o justificar devem ser eSludadas
limitações de velocidade;
- Se o tráfego o justificar, devem ser utilizados «sinaleiros» nos entroncamentos
com as vias públicas;
- Se existirem pedras de grandes dimensões encastradas nos taludes, devem-se
tentar desprender. Se parecerem estáveis, verificar diariamente as suas condi-
ções de equilíbrio;
- A altura das banquetas deve ter em conta os meios disponíveis no estaleiro para
executar o seu saneamento em segurança;
- Nos trabalhos de saneamento com alavancas ou escombreiras, os trabalhadores
°
devem usar prolecção anU queda, para caso da ferramenta escapar, ao exercer
a força, ou a pedra ceder inesperadamente;
- Na escavação de estacas, as terras devem ser depositadas em local previamente
definido, sem empatar o decorrer dos trabalhos;
- Se houver necessidade de aproximar máquinas ou camiões do coroamento dos
taludes (para carregar ou descarregar, por exemplo), devem ser colocados
batentes a uma distância mínima de 2 m;
- O coroamento dos taludes que se situem junto a caminhos de circulação (da obra ou
outros), devem ser protegidos com guarda-corpos, colocados a dois metros do bordo;
- Deve ser rigorosamente proibido trabalhar junto a taludes (especialmente na
parte de baixo) abertos recentemente e que ainda não tenham sido saneados;
- Deve dotar a escavação de meios de acesso adequados;
- Deve ter atençao à possfvel acumulação de gases dos escapes, mais pesados
que o ar, no interior da escavação;
- Sempre que a escavação impeça ou dificulte a normal circulação de terceiros,
devem ser instalados passadiços com largura adequada ao movimento de pes~
soas e dotados de guarda corpos. A zona deve ser sinalizada e iluminada
durante a noite.

ESCAVAÇÕES EM VALAS E TRINCHEIRAS


- Devem ser entivados todos os taludes de valas e trincheiras cuja profundidade
ultrapasse 1,BO m. A entivação deve ser adequada ao tipo e condições do solo,
grau de humidade e possfveis sobrecargas. As madeiras usadas nas enlivações
e escoramentos devem ser de boa qualidade, isentas de nós e fissuras e ter sec~
ção suficiente;
- A entivação deve ser reforçada em lodos os locais expostos a vibrações de trá-
25'; MAt..IUAL DE SEGURANÇA

fego ou onde exista o risco desmoronamentos, derrube de estruturas ou de


vegetação de grande porte;
- Não devem ser deixados vazios entre as tábuas de entivação e o terreno. As
tábuas devem ser bem apertadas por cunhas contra os prumos e as cintas. O
espaçamento entre as cintas deve ser adequado ao tipo e condições do solo;
- A desmontagem das enlivações em terreno pouco coeso deve ser efectuada com
os trabalhadores fora da zona de perigo, as peças devem ser atadas com cordas
e puxadas de fora da zona que vai ficar desprotegida;
- As escavações efectuadas em locais com infra-estruturas podem ser executadas
com meios mecânicos atê 1 m das condutas, com martelos pneumáticos atê
0,50 m das condutas e, a partir desta distância, devem ser executadas com ferra-
mentas manuais;
- Nas escavações com ferramentas manuais, os trabalhadores devem manter entre
si uma distâncía minima de 3 m;
- Em valas ou trincheiras com profundidade superior a 1,50 m devem ser instaladas
escadas de acesso espaçadas entre si de 15 m, no máximo;
- Os produtos de escavação não devem ser depositados a menos de 0,60 m do
bordo superior da vala. Neste espaço não deve ser permitida a deposição de
quaisquer materiais e deve ser interdito o trânsito de pessoas e veículos.

ESCAVAÇÕES EM ENCOSTAS
- Nos trabalhos de saneamento em encostas de inclinação acentuada, os traba-
lhadores devem usar protecção anli queda e não devem trabalhar a cotas dife-
rentes. Para este tipo de trabalhos devem ser escolhidos trabalhadores jovens e
ágeis;
- As escavaçOes devem frequentemente inspeccionadas e devem ser saneadas
sempre que se detectem materiais soltos;
- Nos trabalhos nocturnos deve ser instalada iluminação artificial em toda a área
que seja susceptivel de liberlar materiais que possam atingir a zona de trabalhos.

EXECUÇÃO DE ESTACAS
- Deve verificar se as máquinas de furação (de estacas) têm as inspecções periódi-
cas feitas e estão em bom estado de conservação. Deve ser delimitada uma zona
com um raio de 3 m superior ao raio de acção da máquina;
- Se for necessário interromper os trabalhos de furação ou, se por qualquer outra
razão o furo ficar aberto, dever ser protegido com guarda·corpos ou tampa.

ESCAVAÇÃO COM RECURSO A EXPLOSIVOS


- A segurança do uso de explosivos ..assenta.. no correcto cálculo e manuseio dos
explosivos. O pessoal deve ser habilitado com cédula de operador e, os furos, as
cargas e os disparos devem ser executados com precisão e de acordo com um
plano de fogo;
- Deve ser solicitada autorização à autoridade competente (PSP):
- Devem ser obtidas todas as licenças de compra, transporte e uso de explosivos;
- As zonas de explosão devem ser vedadas, num raio de 50 m dos locais de
rebentamento, e sinalizadas com cartazes "PROIBIDA A ENTRADA - Perigo de
Explosão» e o acesso condicionado ao pessoal especializado em explosivos.
Deve ser colocado um trabalhador com a função de vigiar a zona e impedir a
entrada a pessoal não autorizado;
- O pessoal de fogo deve efectuar um controlo rígoroso de todo o material expio--
sivo, de forma a evitar perdas ou desvios de material explosivo:
FICHAS DE PROCEDIMENTOS OE SEGURANÇA '55

- Os explosivos que se encontrem fora do prazo de validade ou que por qualquer


motivo, não se encontrem em perfeito estado de conservação, não devem de
modo algum ser utilizados;
- Não devem permanecer na frente de trabalho quantidades de explosivos e
detonadores que excedam as necessidades de cada utilização; deve ser
rigorosamente proibido armazenar explosivos na zona de trabalhos;
- As caixas contendo explosivos devem ser manuseadas com extremo cuidado de
forma a evitar quedas ou choques. Para as abrir apenas se devem utilizar cunhas
de madeira ou de fibra;
- A furação pneumática deve ser executada com injecção de água, a fim de evitar
a formação de nuvens de poeira;
- Os furos devem ser rigorosamente limpos antes de serem carregados;
- Após o rebentamento da pega, os furos devem ser sinalizados a fim de não se
proceder ao seu aprofundamento;
- Os furos nos cartuchos de explosivos, apertos e outras operações devem ser
realizadas com ferramentas feitas de materiais que não produzam faiscas
(madeira ou latão);
- Os cartuchos de explosivos devem ser guardados, fechados à chave, em paio--
Uns, separados dos paiolins destinados aos detonadores;
- A localização, tipo e demais características dos paióis e paiolins para armazena~
gem de explosivos e detonadores devem obedecer ao estipulado no Decreto--Lei
n' 139/2002, de 17 de Maio;
- Devem ser garantidas adequadas condições de transporte dos produtos explosi-
vos enlre o Jocal de armazenagem e de aplicação. Os cartuchos não devem ser
transportados na mesma viatura que os detonadores e, Iodas as caixas ou bolsas
devem estar devidamente identificadas;
- O transporte dos explosivos deve ser efectuado em caixas de madeira munidas
de correias de suspensão e fechaduras de segurança. Os cartuchos não escor-
vados podem ser transportados em bolsas de couro ou pano forte (também
devem ter fechadura e correias de suspensão);
- A salda dos produtos explosivos do paiol. a sua movimentação no exterior e a
reentrada no paiol dos produtos não utilizados deve ser acompanhada por pes-
soal devidamente instruído e conhecedor;
- Antes de iniciar o rastilho. que rebentará a carga explosiva, devem ser acciona-
dos os meios de aviso sonoro existentes (sirenes ou voz gritando «Fogo») e
visuais (bandeiras);
- Face à ocorrência de liros falhados, deve ser rigorosamente proibido voltar aos
locais de trabalho antes de decorrido um período m(nimo de 60 minutos. para
detonadores de rastilho, ou de 5 minutos, para detonadores eléctricos. Os traba-
lhos nos furos só devem ser retomados após autorização de um operador habili-
tado;
- O rastilho deve ter um comprimento minimo de 60 cm. fora do furo;
- Durante a operação de carga e ligação da pega, ccrn detonadores eléctricos, os
extremos da linha de liro. do lado onde se vai ligar o explosor. devem estar curto-
-circuitados, permanecendo assim, até que o pessoal se tenha retirado para local
seguro. De segUida deve~se abrir o circuito a fim de proceder à sua comprova-
ção, após a qual se ligará o explosor;
- A chave ou manípulo do explosor (detonadores eléctricos) deve ser guardada ou
permanecer na posse do encarregado de fogo. Em caso algum deverá ser dei-
xada no local de utilização.
256 MANUAL DE SEGURANÇA

~
Revisão n. Q
-
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_L/_

Trabalhos de armação do ferro

DEFINIÇDES

TRABALHOS DE ARMAÇÃO DO FERRO - Engloba as actividades de combinação dos


varões para formar armaduras e a sua montagem nos locais definidos no projecto;
ARMADURA - Combinação de varões de aço cuja missão é dar mais resistência ao
betão;
ELEMENTO MOLDADO - Peça pré-fabricada, em aço, para ser empregue na montagem
de armaduras;
ELEMENTO ARMADO - O mesmo que armadura (não confundir com betão armado).

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Lay-out do estaleiro


• Queda de pessoas ao mesmo nível; do ferro inadequado;

• Queda de objectos por • Desarrumação do estaleiro


desabamento ou desmoronamento; e do armazém do ferro;

• Queda de objectos • Retirar protecções às máquinas;


em manipulação; • Armazenamento incorrecto
• Queda de objectos desprendidos; do varão e elementos moldados;

• Marcha sobre objectos; • Falta de preparação do trabalho,


nomeadamente, não verificar o estado
• Choque contra objectos imóveis; de estabilidade e solidez dos
• Choque ou pancaçias elementos onde se vai montar o ferro;
por objectos móveis; • Trabalho desorganizado
• Pancadas e cortes por objectos (trabalhadores a laborar
ou ferramentas; em níveis distintos, sem protecções
• Projecção de fragmentos contra queda de objectos ...);
ou partículas; • Utilização de meios mecânicos
• Entaladela ou esmagamento de forma inadequada (utilizar
por ou entre objectos; os equipamentos para além
das capacidades indicadas
• Sobre-esforços
pelo fabricante...);
ou posturas inadequadas;
• Utilização de andaimes improvisados
• Contactos eléctricos;
ou indevidamente montados;
• Exposição ao ruído;
• Trabalhar em condições
• Exposição a vibrações. atmosféricas adversas;
• Não utilizar os EPI(s) necessários,
nomeadamente, contra quedas
em altura;
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 257

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSElHADAS

- O varão deve ser armazenados em local acesslvel à grua ou ao multifunçOes. O


armazenamento deve ser organizado por balas indicadoras de diâmetro, os
molhos devem ser depositados em cima de barrotes de madeira (e não directa-
mente no solo), correctamente alinhados e, a altura das pilhas não deve ultrapas~
sar 1.50 m;
- Os elementos moldados devem ser armazenados em local acesslvel à grua ou ao
multifunções. O armazenamento deve ser organizado por tipo de elemento, os
molhos devem ser correctamente alinhados e etiquetados e, a altura das pilhas
não deve colocar problemas de estabilidade;
- Os desperdícios (pontas, arames, recortes...) devem ser acondicionados em con~
tentar específico e, periodicamente, devem ser enviados para o exterior;
- A oficina deve estar suficientemente próxima do local de armazenagem, de forma
que os varões possam ser ripados das baias directamente para a tesoura mecâ~
nica. As pilhas de armazenagem não devem ultrapassar os 90 cm de aUura.
- As zonas de corte e moldagem devem ter área suficiente de forma a evitar interfe-
rências entre tarefas;
- O trabalho deve ser organizado de forma a evitar interferências entre tarefas com~
plementares, descarga, armazenagem, corte, moldagem, armação e movimenta-
ção dos elementos pré-fabricados (armados) para aplicação em obra e a aglome~
ração de pessoal em determinadas áreas (usualmente na moldagem);
- A bancada de trabalho deve ter dimensões suficientes para os elementos a mol-
dar e armar e altura adequada (entre 75 e 90 cm), de forma a evitar posturas de
trabalho incorrectas;
- Os postos de trabalho fixos devem ter uma cobertura tipo telheiro, montada de
forma a não interferir com as movimentações mecânicas do varão e dos elemen-
tos armados e assegurando a luminosidade e ventilação naturais;
- Deve ser proibido o trabalho junto aos bordos das placas, antes da instalação
das redes de protecção;
- A descarga dos molhos de varão deve ser realizada, suspendendCHJs por dois
pontos equidistantes e com resistência adequada, através de um pórtico indefor-
mável suspenso do gancho;
- Deve ser rigorosamente proibida a elevação de atados por um único ponto de
suspensão;
- Deve ser rigorosamente proibido efectuar a elevação dos molhos pelos atilhos
que envolvem os atados. A movimentação mecânica deve ser efecluada com os
estropos adequados e, preferencialmente, com correntes em vez de cabos de
aço ou cintas;
- Deve ser rigorosamente proibida a permanência de trabalhadores debaixo de
cargas suspensas;
- Deve ser efectuada, diariamente, a recolha de todos os desperdícios de ferro.
acondicionando-os no local para lal destinado:
- Os elementos armados devem ser Iransportados suspensos por lingas fixadas em
pontos cujo afastamento seja suficiente para evitar deformações ou deslocamen-
tos não desejados;
- Deve ser rigorosamente proibido trepar por elementos armados;
- Deve ser rigorosamente proibido caminhar sobre a cofragem de traves, vigas,
abóbadas e outras superficies curvas;
250 MANUAL DE SEGURANÇA

- Devem ser organizados caminhos de circulação e instaladas pranchas com uma


largura (± 30 cm) para circular em cima de armaduras de lajes;
- As manobras de colocação in situ dos elemenlos armados devem ser efectuadas por
equipas de 3 trabalhadores. Dois guiam a peça através de cordas, o terceiro dã indi-
cações aos colegas e ao manobrador da grua ou do mullifunções;
- As pontas dos ferros em espera devem ser cortadas ou devidamente protegidas.

~
Aevisao n. g _
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Dala_'_'-

Trabalhos de cofragem e descofragem

DEFINIÇÕES

TRABALHOS DE COFRAGEM E DESCOFRAGEM - Engloba as actividades de montagem e


desmantelamento dos painéis de cofragem. Podem ser muito diversificadas em
função do tipo de estrutura a ser construída, sendo por isso necessário, analisar
detalhadamente os riscos especificas de cada operação;
COFRAGEM - Armação de madeira ou outro material destinada a conter o betão até
ao seu endurecimento;
ALAVANCA - Barra inflexível, de várias formas, que, apoiada ou articulada num ponto,
serve para levantar pesos ou .. alavancar.. painéis;
ESCORAMENTO - Acto ou efeito de amparar ou suster;
DORMENTE - Trave ou travessa em que assenta parte de uma estrutura ou soalho.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Lay-ou! da carpintaria inadequado;


• Queda de pessoas ao mesmo nível; • Desarrumação da carpintaria, do
• Queda de objectos por armazém e do local de montagem;
desabamento ou desmoronamento; • Retirar protecções às máquinas;
• Queda de objectos • Armazenamento de tábuas
em manipulação; e painéis com pregos salientes;
• Queda de objectos desprendidos; • Trabalho desorganizado
• Marcha sobre objectos; (trabalhadores a laborar
em níveis distintos, sem protecções
• Choque conlra objectos imóveis; contra queda de objectos ...);
• Choque ou pancadas • Utilização de meios mecânicos
por objectos móveis;
de forma inadequada (utilizar
• Pancadas e cortes os equipamentos para além
por objectos ou ferramentas; das capacidades indicadas
pelo fabricante...);
FICHAS OE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 259

• Projecção de fragmentos • Utilização de andaimes


ou partículas; ou bancadas improvisados
• Entaladela ou esmagamento ou indevidamente montados;
por ou entre objectos; • Trabalhar em condições
• Sobre-esforços atmosféricas adversas;
ou posturas inadequadas; • Não utilizar os EPI(s) necessários.
• Contactos eléctricos: nomeadamente, contra quedas
em altura;
• Exposição ao rurdo:
• Trabalhadores sem formação
• Exposição a vibrações:
e desconhecimento dos riscos,
• Soterramento, por desabamento do
talude adjacente.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSElHADAS

- O tipo de cofragem a utilizar deve ser seleccionado tendo em conta o elemento a


ser construído e a envolvente do local onde vai ser construfdo;
- A madeira e/ou os painéis de corragem devem ser armazenados em local acessi-
vel aos meios mecânicos. O armazenamento deve ser organizado por dimensões,
os materiais devem estar correctamente alinhados e, a altura das pilhas não deve
colocar em causa a sua estabilidade;
- Devem ser usados meios mecânicos para elevação e transporte das cargas. As
suspensões não devem ser feitas por um único ponto e os elementos devem ser
conduzidos com recurso a cordas guia:
- Os pregos existentes em madeira usada devem ser retirados ou batidos;
- A equipa que vai executar os trabarhos deve conhecer bem o sistema a utrlizar;
- A zona de trabalho deve ser limpa, diariamente e, os desperdícios devem ser
acondicionados em local apropriado e enviados periodicamente para o exterior;
- A descorragam s6 deve ser executada por pessoal conhecedor e com experiên-
cia nestes trabalhos;
- A descofragem deve ser efectuada com recurso a «arranca pregos .. ou «pés de
cabra,. com dimensão suficiente para alavancar as tábuas ou painéis sem risco
de sobre-esforço para os trabalhadores;
- Deve ser colocada uma cobertura tipo telheiro na zona de trabalho com máqui-
nas, assegurando. no entanto. a luminosidade e a ventilação naturais e de modo
a pennilir a movimentação mecânica dos materiais;
- As bancadas devem ter dimensões que permitam uma correcta estabilização das
tábuas, especialmente nas tarefas de corte e uma altura entre os 75 e os 90 cm;
- O espaço da carpintaria de toscos deve ser dimensionado, de forma a que as
máquinas disponham, entre si, de espaço suficiente para manusear a madeira
sem interferências;
- Os espaços de circulação e operação junto às máquinas devem manter-se
desobstruidos, arrumados e limpos de serradura e desperdícios;
- Devem ser colocados extintores na carpintaria junto das máquinas;
- As folhas de corte das serras e serrotes devem ser inspeccionadas diariamente;
- Os painéis devem ter olhais cem resistência adequada ao peso dos painéis a movimentar,
devendo o seu estado de conservação ser verificado antes de iniciar a sua elevação;
- Na sua recepção, os painéis devem ser posicionados com recurso a cordas guia.
Deve ser rigorosamente proibido guiar os painéis com as mãos;
260 MANUAL DE SeGURANçA

- A recepção dos materiais deve ser organizada tendo em conta o espaço disponf-
vai e a resistência do escoramento;
- Deve ser proibida a permanência de trabalhadores nas zonas de passagem de
cargas suspensas;
- A zona de trabalhos onde se efectua a montagem (ou desmontagem) das cofra-
gens deve ser delimitada e sinalizada, de forma a que os restantes trabalhadores
não circulem num local onde possam, potencialmente, ser atingidos pela queda
de materiais;
- A subida e descida dos trabalhadores aos elementos cofrados deve ser efec-
tuada com recurso a escadas de mão normalizadas. Para alturas superiores a
6 m, deve ser montada uma escada com patamares intermédios e equipada com
guarda~costas e guarda-cabeças;
- As plataformas de trabalho devem ter uma largura minima de 80 cm, permitir a
mobilidade necessária para efectuar o trabalho em segurança e permitir a rápida
evacuação no caso de surgir uma situação de emergência;
- Os trabalhadores devem laborar sempre de frente para os vãos;
- Os ferros em espera deverão ser dobrados, cortados ou protegidos;
- O escoramento deve estar dimensionado para resistir aos esforços previstos, com
uma margem de segurança de 150%. As sapatas e calços devem ter solidez para
resistir aos esforços e os prumos devem estar bem verticais;
- A elevação e montagem de elementos e painéis de cofragem deve ser previa-
mente combinada com o gruista;
- A movimentação mecânica dos painéis deve ser suspensa sempre que sopre vento
com velocidade superior a 40 kmlh ou que o manobrador não consiga acompanhar.
visualmente, a carga durante todo o seu percurso (chuva ou nevoeiro);
- A montagem da cofragem deve ser realizada numa sequência tal que não permita
que fiquem "buracos para trás». Se for necessário deixar zonas por cofrar,
devem ser imediatamente protegidas com guarda-corpos ou redes. Ao descofrar,
os vãos e negativos devem ser imediatamente protegidos;
- A desmontagem das cofragens deve ser executada com as plataformas protegi-
das contra quedas em altura. Em situações não seja possível manter as protec-
ções colectivas, os trabalhadores devem usar arnês anti-queda, amarrado a um
ponto com solidez adequada:
- Desmontagem das cofragens deve ser realizada de forma que impeça a queda
livre de painéis, secções e escoramentos. A zona de trabalhos deve ser delimi-
tada e sinalizada;
- Antes de desapertar deve, previamente, verificar a sua estabilidade;
- Não deve mandar içar um painel antes que esteja completamente liberto.

ESCORAMENTO
- Os trabalhos devem ser organizados de forma a assegurar uma sequência lógica
na movimentação dos materiais;
- Antes de iniciar a montagem. deve ser verificado o estado de conservação e a
compatibilidade de todos os elementos do escoramento;
- Antes de iniciar a montagem, deve assegurar que o terreno aguenta o peso da
estrutura que vai ser montada;
- Os elementos de escoramento devem ser montados sobre dormentes adequados
à correcta degradação das cargas;
- O projecto do escoramento deve ser rigorosamente cumprido, garantindo a
geometria da malha do escoramento;
FICHAS DE PROCEDJMENTOS DE SEGURANÇA 2.,

- Não deve ser utilizado ferro de obra para efectuar o travamento dos prumos;
- A montagem deve ser executada com recurso a plataformas de trabalho, monta-
das sequencialmente de forma a acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos;
- Os trabalhadores devem envergar o arnês de segurança anti-quedas e devem-se
prender sempre que por circunstâncias do trabalho. tenham de se debruçar das
plataformas.

Revisâo n,~
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_I_I_

Trabalhos de betonagem

DEFINiÇÕES

TRABAlHOS DE BETONAGEM - Engloba as actividades de colocação do betão nos ele-


mentos de construção. de acordo com o definido no projecto;
BETONAGEM - Forma como se procede à colocação de betão numa obra;
BETÃO - Mistura de aglomerante, areia e pedra. Segundo a mistura, toma o nome de:
cimento. calou bastardo, quando entram ambos; - ARMADO: é reforçado com
armadura interior em ferro; - VIBRADO: o que durante a mistura se submete a
vibrações para aumentar a sua compacidade;
CIMBRE - Estrutura de escoramento e fixação da corragem.

PERIGOS MAIS FREQUEJlTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nfvel diferente; • Falia de acessos e plataformas


• Queda de pessoas ao mesmo nível; de trabalho inadequadas;
• Queda de objectos por • Não vigiar o comportamento
desabamento ou desmoronamento; das cofragens e respectivos
escoramentos;
• Queda de objectos
em manipulação; • Trabalho desorganizado
(trabalhadores a laborar
• Queda de objectos desprendidos; em níveis distintos. sem protecções
• Marcha sobre objectos; contra queda de objectos...);
• Choque contra objectos imóveis; • Iluminação inadequada;
• Choque ou pancadas • Utilização de meios mecânicos
por objectos móveis; de forma inadequada (utilizar
• Pancadas e cortes por objectos os equipamentos para além
ou ferramentas; das capacidades indicadas
pelo fabricante. embate violento
• Projecção de fragmentos
do balde com as cofragens ... );
ou partrculas;
• Trabalhar em condiçOes
• Entaladela ou esmagamento
atmosféricas adversas;
por ou entre objectos;
262 MANUAL DE SEGURANÇA

• Sobre-esforços • Utilização de andaimes


ou posturas inadequadas; ou bancadas improvisados
• Exposição a substâncias nocivas ou indevidamente montados;
ou tóxicas; • Não utilizar os EPI(s) necessários,
• Atropelamento nomeadamente, contra quedas
ou choque de veículos; em altura;

• Contactos eléctricos; • Trabalhadores sem formação


e desconhecimento dos riscos.
• Exposição ao ruído;
• Exposição a vibrações.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Oeve ser elaborado um plano de betonagem definindo os equipamentos, os


modos operatórios e os meios humanos necessários. Devem ser respeitados os
ritmos de betonagem estabelecidos no plano;
- O descofrante deve ser aplicado de costas voltadas ao vento. O pulverizador de
dorso só deve ser reabastecido quando pousado no chão. O reabastecimento
deve ser efectuado cuidadosamente de forma a evitar escorrimentos;
- O trabalhador que efectua a aplicação de descofragem deve envergar fato imper-
meável e luvas de protecção química (vulgo luvas de borracha);
- Nas betonagens efectuadas durante o período nocturno, deve ser garantida ilumi-
nação adequada (mínimo de 100 lux), com instalação protegida por disjuntor dife-
renciai de 30 mA e colocada de forma a não provocar encandeamento;
- Devem ser construídos acessos adequados a todos os locais de betonagem que
permitam a mobilidade necessária para efectuar o trabalho em segurança e a
rápida evacuação no caso de surgir uma situação de emergência;
- Antes do início dos trabalhos, o encarregado deve verificar o bom estado dos
equipamentos de protecção colectiva (guarda-corpos e/ou redes) e das platafor-
mas de trabalho;
- O comportamento da cofragem e do cimbre deve ser constantemente vigiado,
suspendendo a betonagem sempre que se detecte qualquer falha. O trabalho só
deve ser retomado depois de se restabelecer a estabilidade e solidez necessá-
rias;
- Deve ser rigorosamente proibida a aplicação de descofrante em tronco nu. Em
caso de contaminação acidental de qualquer parte do corpo, deve lavar abun-
dantemente a parte atingida com água e sabão;
- Os vibradores de betão, demais equipamentos eléctricos e respectivos cabos
devem estar em bom estado e protegidos por disjuntores diferenciais de 30 mA;
- Deve ser rigorosamente interdito o acesso à zona de escoramento enquanto
decorre a betonagem;
- O local de betonagem deve ser interdito, só permanecendo na zona os trabalha-
dores indispensáveis ao trabalho;
- Deve ser executada uma bacia para lavagem das betoneiras e baldes de betona-
gem. No final da obra, a bacia deve ser limpa e os resíduos encaminhados para
aterro adequado.
FICHAS DE PROCEDIMENTOS OE SEGURANÇA 2!l3

BETONAGENS COM BALDE


- Deve ser rigorosamente proibido carregar o balde acima da carga máxima
admissivel, do equipamento que o movimenta. Para evitar enganos e confusões,
deve ser pintado, no balde, com tinta amarela, o ponto de enchimento máximo de
forma a não ultrapassar a carga máxima permitida;
- As manobras do balde devem ser dirigidas pelo encarregado ou por um arvorado
com experiência do trabalho;
- Após a betonagem. os baldes de betão devem ser limpos e conservados, espe~
cialmente os dispositivos de abertura e fecho;
- Deve ser rigorosamente proibida a permanência de trabalhadores debaixo do
balde durante a sua movimentação;
- As manobras de aproximação devem ser executadas com recurso a cordas guias,
evitando embates do balde nas cofragens ou escoramentos;
- Os baldes devem ter dispositivos de segurança que impeçam a sua descarga
acidental.

BETa NAGENS COM BOMBA


- A tubagem da bomba deve estar bem apoiada e amarrada a elementos com soli~
dez adequada, de forma a evitar movimentos;
- As uniões das secções da tubagem devem ter dispositivos que impeçam a
separação quando a tubagem é colocada sob pressão;
- A mangueira de descarga deve ser guiada, no mínimo, por dois trabalhadores e, ter
um comprimento adequado. a fim de evitar o movimento incontrolado da mesma;
- A bomba só deve ser operada por trabalhadores especializados.

BETONAGEM DE SAPATAS OU MACIÇOS


- Para betonar sapatas ou maciços. devem ser colocados batentes no final do tra-
jecto das auto betoneiras (em frente das valas ou taludes);
- As autobetoneiras devem manter uma distância de segurança de pelo menos de
1 m aos bordos dos taludes;
- Deve ser proibida a permanência de trabalhadores no percurso da autobetoneira
durante a manobra de marcha à ré (deve ser assegurado o funcionamento do avi-
sador sonoro de marcha à ré);
- O encarregado deve ser verificar a estabilidade dos taludes antes do início da
betonagem. Deve também verificar as cofragens e escoramentos;
- Toda a zona da betonagem deve ser limpa de restos de madeira, pontas de fer~
ros e arames;
- Devem ser instalados passadiços com uma largura mínima de 30 cm (uma
tábua), sobre as armaduras das sapatas a betonar, para facilitar as movimenta~
ções dos trabalhadores;
- Se o diâmetro do furo (estacas) possibilitar a queda de um homem, o seu períme~
tro deve ser protegido antes do início da betonagem;
- Deve ser elaborado um plano de circulação na zona de betonagem (tendo em
conta os espaços lívres entre furos) a fim de evitar acidentes devidos a movi~
mentações anárquicas e manobras perigosas com as auto-betoneiras;
- A extracção da bentonite deverá ser realizada de forma lenta a fim de evitar derrames.
264 MANUAL DE SEGURANCA

BETONAGEM DE MUROS
- Antes do início da betonagem, o encarregado deve verificar as entivações ou o
estado do talude na zona a betonar a, mandar executar os reforços ou saneamen-
tos que julgar necessários;
- Deve ser proibida a permanência de trabalhadores no percurso da autobeloneira
durante a manobra de marcha à ré (deve ser assegurado o funcionamento do avi-
sador sonoro de marcha à ré);
- O acesso à parte traseira do muro (espaço compreendido entre a eofregem exte-
rior e o talude do declive) deve ser efectuado com recurso a escadas de mão.
Deve ser rigorosamente proibido .. escalar as cofragens,,;
- Na parte superior da corregem deve ser construída uma plataforma de apoio à
betonagem. do comprimento do muro, com uma largura mfnima de 60 cm,
sustentada em vigas com resistência suficiente e protegida por guarda-corpos;
- A betonagem deve ser efectuada a todo o comprimento do muro e por camadas
regulares, a fim de evitar sobrecargas pontuais.

BETONAGEM OE VIGAS E PILARES


- Deve ser rigorosamente proibido trepar pela corragem dos pilares ou permanecer
em equilíbrio sobre a mesma;
- A betonagem de vigas e traves deve ser realizada em cima de plataformas de tra~
balho com resistência e estabilidade adequadas e dotadas de guarda-corpos;
- Se não existirem plataformas de trabalho em número suficiente para todos os pila-
res, deve ser realizado um plano de betonagem de modo a que as plataformas
possam ser geridas e montadas previamente.

BETONAGEM DE LAJES
- A placa deve ser protegida em todo o comprimento do perímetro, bem como todos
os buracos (poços de elevadores e negativos), antes do início da betonagem;
- Deve ser proibida a utilização de pontas de ferro verticais como indicadores de
nível;
- Antes do início da betonagem. o encarregado deve verificar o bom estado das
cofragens. em especial: a verticalidade. o nivelamento e a resistência do escora-
mento;
- O acesso às lajes deve ser efectuado através da rampa da escada, que deverá
ser O primeiro elemento a ser betonado ou, em alternativa, através de escada
exterior;
- A circulação por cima da armadura da laje deve ser feita sobre pranchas com lar~
gura mínima de 30 cm (uma tábua);
- O belão deve ser despejado com suavidade, sem descargas bruscas e devida-
mente estendido de forma a evitar sobrecargas pontuais;
- Deverá ser proibido -carregar.. as lajes antes de decorrido o período mínimo de
cura do betão (lempo de secagem).
FICHAS DE PROCEDIMEt.ITOS DE SeGURANçA 265

FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA


Revisão 0.11
Oala_LL

Trabalhos de montagem de pré-fabricados


-
DI
DEFINiÇÕES

TRABALHOS DE MONTAGEM DE PRÉ-FABRICADOS -Engloba as actividades de armazena~


menta, movimentação e montagem de elementos de construção pré-fabricados,
de acordo com o planeado;
PRÉ-FABRICADOS - Elementos fabricados fora da obra, efectuando-se nesta apenas a
sua colocação.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Armazenamento desordenado;


• Queda de pessoas ao mesmo nível; • Trabalho desorganizado
• Queda de objectos (mal dirigido ou mal coordenado);
em manipulação; • Não controlar a qualidade
• Queda de objectos desprendidos; dos anéis de engate:
• Marcha sobre objectos; • Não manter os caminhos
de circulação em estado adequado
• Choque contra objectos imóveis; para a circulação;
• Choque ou pancadas • Não definir e sinalizar caminhos
por objectos móveis; de circulação com largura suficiente
• Pancadas e cortes para a circulação segura
por objectos ou ferramentas: de camiões e peões;
• Entaladela ou esmagamento • Utilização de meios mecânicos
por ou entre objectos; de forma inadequada (utilizar
• Sobre~esforços ou posturas os equipamentos para além
inadequadas; das capacidades indicadas
pelo fabricante...);
• Exposição ao ruído:
• Trabalhar em condições
• Exposição a vibrações;
atmosféricas adversas;
• Atropelamento
• Utilização de andaimes
ou choque de veículos.
ou bancadas indevidamente
montados:
• Não utilizar os EPI(s) necessários,
nomeadamente, contra quedas
em altura;
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.
266 MANUAL OE SEGURANÇA

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- A montagem de pré-fabricados deve obedecer a um plano de montagem que


contemple também o transporte para a obra e a respectiva armazenagem;
- Cada elemento deve ser movimentado. no mínimo por três homens. Dois a dirigir
o elemento, com recurso a duas cordas guias presas a cada lado do elemento e,
o terceiro, a dirigir as manobras da grua;
- Quando colocado no local, deve-se proceder à montagem definitiva do elemento.
antes de o desligar do ponto de suspensão e, sem largar as cordas guias;
- A recepção de vigas nos apoios. deve ser efectuada por duas equipas de três
homens cada, coordenadas por um encarregado. Cada equipa dirige um dos
extremos da viga, o terceiro homem da equipa dará indicações ao encarregado;
- Os trabalhadores a quem tenha sido atribuída a tarefa de receber os elementos
pré-fabricados nas bordaduras das lajes, devem obrigatoriamente usar arnês de
segurança, amarrado a elementos estruturais sólidos;
- Se o trabalho for realizado a mais de dois metros de altura, devem ser instaladas
redes anti-queda;
- Deve ser defínido e, devidamente compactado, um local para armazenagem dos
elementos pré-fabricados. Esse local. deve permitir acesso e manobra fácil aos
equipamentos de movimentação mecãnica;
- Os elementos armazenados na posição horizontal devem ser colocados sobre
dormentes de madeira e, de forma a não danificar os elementos de engate (para
a sua içagem);
- Os elementos armazenados na posição vertical, devem ser encostados e um ele-
mento que possua resistência suficiente, sobre dormentes de madeira, com um
ângulo que garanta a estabilidade e, de forma a não danificar os elementos de
engate (para a sua içagem);
- A circulação, dentro do eslaleiro, dos camiões de transporte dos elementos pré-
·rabricados deve ser realizada em trajectos que, se possível, não deverão
interferir com os outros trabalhos em curso (nomeadamente a circulação de
máquinas). O solo, nas zonas de trajecto dos camiões, deverá ser nivelado e
compactado a fim de facilitar a sua circulação;
- Devem ser criados trajectos alternativos para circulação de pessoal e de máqui-
nas, quando houver interferências com os trabalhos de movimentação ou coloca-
ção dos elementos pré-fabricados:
- O trabalho da(s) grua(s) deve ser organizado de forma a que as interferências
possam ser facilmente geridas. Se lal não for possível, devem ser instalados na(s)
grua(s) limitadores mecânicos de posição;
- Oeve ser rigorosamente proibido trabalhar ou permanecer sob os trajectos dos
elementos suspensos;
- As operações devem·se realizar de forma sincronizada. Os elementos pesados lêm
LUna grande inércia, pelo que, uma leve oscilação é suficiente para derrubar um hcmem;
- Os elementos prê·fabricados de grande dimensão só deverão ser içados com
recurso a pórticos;
- Se algum elemento começar a rodar sobre si mesmo, deve-se tentar controlar
com recurso às cordas guias. Deve ser rigorosamente proibido utilizar directa-
mente o corpo, para o seu controlo;
- A zona de trabalhos deve manter-se limpa de ferramentas ou materiais que pos-
sam dificultar as manobras de movimentação e montagem dos elementos pré-
·fabricados:
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 267

- Os trabalhos deverão ser suspensos sempre que se verifiquem ventos superiores


a 40 kmJh;
- O técnico de segurança (ou o encarregado) deve assegurar que o gruisla efectua
diariamente a inspecção ao bom estado de todos os aparelhos e acessórios de
elevação (pórticos. cabos, manilhas...) e, especialmente, os olhais dos elementos
pré-fabricados e regista essas inspecções num livro de registo.

,..,; ...
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA
Revisão n."
_
Data_l_L -nJf:i·
Trabalhos de alvenaria

DEFINiçõES

TRABALHOS DE ALVENARIA - Engloba as actividades de assentamento de tijolos, blocos


de betão ou pedra e o seu transporte para os locais de construção;
AssEt-rfAA - Colocar os materiais de uma construção no local onde ficarão a permanecer;
ALVENARIA - Obra de pedreiro; obra de pedra e cal. Qualquer construção, ou parte
dela, feita com pedra, tijolo ou blocos de cimento ou betão;
ARGAMASSA (VULGO CIMENTO) - Mistura de cal elou cimento, areia e água que se uti-
liza na construção;
ARGAMASSAR - Fazer argamassa: unir ou cobrir com argamassa materiais de constru-
ção.

PERIGOS MAIS fREQUEIlTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nivel diferente; • Falta de acessos e plataformas


• Queda de pessoas ao mesmo nível; de trabalho inadequadas;
• Queda de objectos por • Desarrumação;
desabamento ou desmoronamento; • Retirar protecções às mâquinas;
• Queda de objectos • Trabalho desorganizado (retirada
em manipulação; extemporânea de protecçOes
• Queda de objectos desprendidos; colectivas...);
• Marcha sobre objeclos; • Iluminação inadequada;
• Choque contra objectos imóveis; • Utilizaç13.o de meios mecânicos
de forma inadequada (utilizar
• Choque ou pancadas os equipamentos para além
por objectos móveís;
das capacidades indicadas
• Pancadas e cortes por objectos pelo fabricante. paleles
ou ferramentas; mal empilhadas ou desamarradas;
• Projecção de fragmentos • Utilização de andaimes
ou partículas; ou bancadas improvisados
ou indevidamente montados;
200 MANUAL DE SEGURANÇA

• Entaladela ou esmagamento • Trabalhar em condições


por ou entre objectos; atmosféricas adversas;
• Sobre-esforços • Não utilizar os EPI(s) necessários,
ou posturas inadequadas; nomeadamente, contra quedas
em altura;
• Exposição a substâncias nocivas
ou tóxicas; • Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.
• Contactos eléctricos;
• Exposição ao ruído;
• Exposição a vibrações.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Deve ser garantida a existência de plataformas de descarga de materiais, em


consola (em todos os pisos) com solidez e estabilidade adequadas às cargas a
movimentar a, dotadas de guarda-eorpos e guarda-cabeças e fecho na parte
frontal;
- Antes de iniciar os trabalhos, devem ser colocadas protecções nos poços dos
elevadores, coureftes e em todos negativos existentes nas placas. Se houver
interferência com vias públicas ou trabalhos em niveis inferiores devem ser prote~
gidos com anteparos. Deve ser proibido o trabalho junto aos bordos das placas.
antes da instalação de redes de protecção;
- Deve ser garantida a existência de condutas devidamente vedadas (para des-
carga dos entulhos) e com troços nunca superiores à altura de 2 pisos. A saída
inferior de cada calha deve ter uma comporta para fazer parar o material. Deve
ser rigorosamente proibido que os trabalhadores retirem material das calhas
usando as mãos;
- As paletes de material devem ser movimentadas com meios mecânicos e
distribuídas para próximo dos locais onde vão ser utilizadas, de forma a não
sobrecarregar as placas e não expor os trabalhadores a sobre~esforços;
- O perímetro das paredes exteriores deve ser demarcado e proibido o acesso a
pessoas durante os trabalhos de construção de alvenaria a até que decorram 48
horas. Se não for possível delimitar o perímetro, deve ser montada uma pala de
protecção com estabilidade e resistência adequadas;
- ATENÇÃO; Deve ser proibido qualquer trabalho junto a paredes exteriores recém
construídas antes de decorridas 48 horas (especialmente se estiver vento forte);
- As plataformas de trabalho com altura superior a 2 m devem ser dotadas de
guarda-corpos e guarda-cabeças;
- Os entulhos devem ser depositados em local específico e, periodicamente,
devem ser enviados para o exterior;
- Deve haver o cuidado de não romper o plástico de protecção das paletes de
tijolo, antes de as içar. Os tijolos soltos devem ser devidamente empilhados e
amarrados antes de ser içados;
- O trabalho da(s) grua(s) deve ser organizado de forma a que as interferências
possam ser facilmente geridas. Se tal não for possível, devem ser instalados na(s)
grua(s) limitadores mecânicos de posiÇão;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANCA 269

- Mesmo em trajectos curtos, o transporte de tijolos e sacos de cimento deve ser


efectuado com recurso a carros de mão;
- Deve ser rigorosamente proibido o assentamento de plataformas de trabalho
sobre tijolos;
- Deve ser proibido improvisar plataformas de trabalho com bidões, caixas,
escadotes... ;
- Deve ser garantida a limpeza diária das zonas de trabalho, de forma a evitar acu~
mutações de massa que solidificará;
- A deposição de paletes de material deverá ser realizada junto aos pilares para
evitar sobrecarregar as lajes em zonas de maior fragilidade;
- As rampas das escadas deverão ser protegidas com guarda·corpos;
- Oe forma a garantir o máximo de iluminação natural, o trabalho deve ser organi~
zado de forma a construir primeiro as paredes interiores. Deve ser assegurada
uma iluminação mínima de 100 lux (natural ou artificial) medida a 2 m do solo;
- Os trabalhadores não devem laborar em mãos nuas porque os ligantes são muito
agressivos para a pele.

ReVisão n.ll
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Oala_/_/_

Trabalhos de reboco/estuque

DEFINIÇÕES

TRABALHOS DE REBOCO/ESTUQUE - Engloba as actividades de doseamento e mistura


dos componentes e revestimento das paredes ou tectos;
REBOCO - Mistura de cal e/ou cimento e areia que serve de aparelho nas paredes e
tectos para depois serem pintadas;
ESTUCAR - Executar um estuque; cobrir uma parede com estuque depois de rebo-
cada adequadamente.
ESTUQUE - Mistura de cal fina, mármore em pó fino, gesso, areia e água com cota.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nfvel diferente; • Falta de acessos e plataformas


• Queda de pessoas ao mesmo nivel; de trabalho inadequadas;
• Queda de objectos • Desarrumação;
em manipulação; • Retirar protecções às máquinas;
• Queda de objectos desprendidos; • Trabalho desorganizado (retirada
• Marcha sobre objectos; extemporânea de protecções
colectivas...);
• Choque contra objectos imóveis;
• Iluminação inadequada;
270 MANUAL DE SEGURANÇA

• Choque ou pancadas • Utilização de andaimes


por objectos móveis; ou bancadas improvisados
ou indevidamente montados;
• Pancadas e cortes por objectos
ou ferramentas; • Movimentação manual de cargas
efectuada de forma indevida;
• Projecção de fragmentos
ou parUculas; • Não utilizar os EPI(s} necessários,
nomeadamente, contra quedas
• Sobre-esforços
em altura;
ou posturas inadequadas;
• Trabalhadores sem formação
• Exposição a substâncias nocivas
e desconhecimento dos riscos.
ou tóxicas;
• Contactos eléctricos;
• Exposição ao ruído;
• Exposição a vibrações.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- As bancadas de trabalho devem cobrir a totalidade do tecto, evitando espaços ou


buracos entre tábuas;
- Deve ser rigorosamente proibido o uso, como cavaletes, de escadotes ou esca-
das de mão, caixas, bidões, etc. As plataformas de trabalho com altura superior a
dois metros devem possuir guarda-corpos e guarda-cabeças;
- Para alturas superiores a seís metros, devem ser usados andaimes fixos. Para
estas alturas deve ser rigorosamente proibido o uso de plataformas de trabalho;
- Deve ser proibido o uso de plataformas de trabalho em varandas e varandins sem
protecção contra quedas em altura. A execução de trabalhos nestes locais só
deve ser iniciada após a montagem de redes de protecção;
- As zonas de trabalho devem ter uma iluminação mínima de 100 lux, medida a
uma altura de dois metros do solo e que não provoque encandeamento;
- As réguas devem ser transportadas ao ombro e, a frente, deverá estar a uma
altura superior ao capacete de quem as transporta, de forma a evitar ferimentos
na cara dos colegas;
- O transporte de sacos de cimento e areia deve ser efectuado com recurso ao
carrinho de mão, de forma a evitar sobre-esforços;
- A zona de trabalhos deve ser delimitada e sinalizada e, o acesso condicionado,
de forma a evitar acidentes devido a projecções;
- A deposição de sacos de cimento deve ser realizada junto aos pilares para evitar
sobrecarregar as lajes em zonas de maior fragilidade e, fora dos locais de circula-
ção;
- A superfície das plataformas de trabalho, bem como os caminhos de circulação,
devem ser mantidos limpos e arrumados a fim de evitar quedas;
- A cal virgem deve ser armazenada em local seco e arejado.
FICHAS DE PROCEDIMENTOS OE SEGURANÇA 271

Aevisãon g _
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Dala_'_'_

Trabalhos em coberturas

DEFINIÇÕES

TRABALHOS EM COBERTURAS - Engloba as actividades de construção, montagem e


desmantelamento dos elementos de suporte, conservação, reparação e lim-
peza. sobre coberturas planas ou inclinadas;
ASNA ~ Armação de madeira ou ferro. de forma triangular. destinada a suportar telha-
dos;
MADRE - Cada uma das vigas que se colocam horizontalmente sobre as pernas de
uma asna para assegurar a sua fixação.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nivel diferente; • Falta de preparação do trabalho.


• Queda de pessoas ao mesmo nível; nomeadamente. não verificar
o estado de estabilidade e solidez
• Oueda de objectos por das asnas, barrotes e telhas;
desabamento ou desmoronamento;
• Falta de acessos e plataformas
• Oueda de objectos de trabalho inadequadas;
em manipulação;
• Escorregamento em telhados
• Oueda de objectos desprendidos; húmidos, molhados
• Marcha sobre objectos; ou com inclinação acenluada;
• Choque conlra objectos imóveis; • Locomoção sobre o coroamento
• Choque ou pancadas dos prédios;
por objectos móveis; • Desarrumação;
• Pancadas e cortes por objectos • Quebra de telhas ou vigas
ou ferramentas; por baixa resistência mecãnica:
• Projecção de fragmentos • Retirar protecções às máquinas;
ou particulas;
• Trabalho desorganizado
• Entaladela ou esmagamento (sobrecarga com materiais. retirada
por ou entre objectos; extemporânea de protecções
• Sobre-esforços colectivas...);
ou posturas inadequadas; • Iluminação inadequada;
• Exposição a substâncias nocivas • Utilização de meios mecânicos
ou tóxicas; de forma inadequada (utilizar
• Contactos eléctricos; os equipamentos para além
das capacidades indicadas
• Exposição ao ruído;
pelo fabricante. paletes mal
• Exposição a vibrações. empilhadas ou desamarradas;
• Trabalhar em condições
atmosféricas adversas;
• Ofuscamento por reflexo
da luz solar;
272 mANUAL DE SEGURANÇA

• Utilização de andaimes
ou bancadas improvisadas
ou indevidamente montados;
• Não utilizar os EPI(s) necessários,
nomeadamente, contra quedas
em altura;
• Não delimitar e sinalizar as zonas
inferiores afectadas pelo trabalho;
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Antes de iniciar os trabalhos, deve fazer uma avaliação prévia do estado de


conservação da cobertura, devendo ser escoradas elou consolidadas a asna e
os barrotes que não apresentem a resistência necessária. Este trabalho deve ser
executado com muito cuidado e recorrendo a plataformas de trabalho;
- Antes de iniciar os trabalhos deve planear toda a inlervenção tendo em conta os
seguintes requisitos:
• Tipo de telha, o seu estado e resistência;
• Grau de inclinação do telhado;
• Materiais e equipamentos necessários à execução do trabalho;
• Definição de trajectos, lendo por objectivo deslocamentos racionais sobre o telhado;
• Delimitação e sinalização das áreas previstas para içar materiais, bem como de
outras áreas susceptíveis de serem afectadas;
• Condições climatéricas expectáveis;
• Necessidade de montar protecções colectivas;
• Caso seja necessário, definição dos locais de instalação das linhas de vida
para amarração do arnês anti~queda;
• Controlo médico e qualificação técnica dos trabalhadores;
- Antes de iniciar os trabalhos deve proteger todo o perlmetro da cobertura e outras
aberturas eventualmente existentes com guarda-corpos (ou redes). Se tal não for
possível, todos os trabalhadores devem usar arnês com pára~quedas auto-retráctil
amarrados a um elemento de construção que ofereça resistência suficiente. Se os
andaimes de construção estiverem montados, poderão ser acrescentados para
subirem um metro acima da cola da cobertura (se envolverem todo o perímetro);
- Oeve ser instalada uma escada de acesso adequada (principalmente em resis-
tência e largura), exercendo~se vigilância constante sobre a mesma. No início
deve colocar um sinal de proibido a acesso a pessoal não autorizado;
- Sempre que possível deve instalar redes anti queda (inclinadas a 45°) como com~
plemento às outras medidas de protecção;
- As paletes de telha. devem ser içadas para a cobertura, ao ritmo a que vão sendo
usadas, de forma a evitar sobrecargas. Devem ser depositadas, repartídas pelas
vertentes, de forma a evitar sobrecargas e movimentações desnecessárias do
pessoal sobre a cobertura;
- As paletes devem ser descarregadas sobre plataformas horizontais, montadas
sobre plintos em cunha que atenuem a pendente, de forma a evitar deslizamen-
tos;
FICHAS OE PROCEDIMENTOS OE SEGURANÇA 273

- O material das asnas, barrotes e ripado, só deve ser içado. de forma sequencial,
para ser montado de imediato;
- Os rolos de tela asfáltica devem ser repartidos uniformemente pela placa, calça-
dos com cunhas para evitar que rolem e distribuídos pelas zonas de trabalho;
- Durante a colocação da tela asfâHica deve ser colocado um extintor de 6 kg de
pó químico polivalente na frente de trabalhos;
- O cascalho de acabamento (ou outro acabamento qualquer) somente deve ser
içado. de forma sequencial, quando for necessário;
- Deve ser rigorosamente proibida a circulação directa sobre a cobertura. Devem
ser colocadas pranchas ou estrados de alumínio, fixadas aos pontos firmes da
cobertura. As pranchas de madeira devem ler ripas pregadas, salientes e as
seguintes dimensões minimas:
• COMPRIMENTQ 4 m
• lARGURA.. . .40 cm
• ESPESSURA 35 mm

- Deve circular horizontalmente seguindo as linhas de resistência e evitando os


beirados da cobertura;
- Não deve aplicar cargas ao beiral ou ao algeroz (nem sequer encostar escadas a
estes elementos);
- Se a zona interior da edificação tiver um pé direito superior a dois metros, devem
ser montadas redes de protecção anti-quedas;
- Os entulhos devem ser descidos em calhas devidamente vedadas e com troços
nunca superiores à altura de dois pisos. A saída inferior de cada calha deve ter
uma comporta para fazer parar o material. Deve ser rigorosamente proibido que
os trabalhadores retirem material das calhas usando as mãos. Deve ser vedado e
sinalizado todo o perimetro da área de descida dos entulhos;
- As peças que vão ser soltas (caso de reparações ou reconstruções), devem ser
desmontadas sem conduzirem os trabalhadores a movimentos bruscos, devendo
ser retiradas com cuidado. Não devem, em caso algum, ser arrancadas com o
auxílio da grua;
- O material da cobertura deve ser retirado de forma progressiva e de ambos os
lados para evitar desequilíbrios;
- Os materiais da cobertura, à medida que são retirados deve-se proceder à sua
descida atravês de caleiras e/ou com o auxflio da grua ou guincho;
- Os trabalhos de betonagem das pendentes deve ser realizado com recurso ao
balde. Se necessário, devem ser criados caminhos de circulação sobre o betão
durante a fase de cura;
- O trabalho deve ser suspenso quando soprar vento superior a 40 km/h ou quando
chover com intensidade;
- A zona da clarabóia deve ser protegida com rede anU-queda;
- Os elementos da clarabóia devem ser içados de forma sequencial, somente para
serem montados. As placas de vidro devem ser içadas no porta-paletes, nas
embalagens em que forem fornecidas e devidamente amarradas;
- A zona de trabalhos deve-se manter limpa de detritos e lixo (plásticos, cartões e
restos de embalagens). Para tal, deve ser limpa diariamente;
- Os acessos devem manter~se permanentemente desobstruídos e limpos de entulhos;
- No caso de ser necessário utilizar equipamento de protecção individual anti
queda, não deve ser permitido o uso de cordas de sujeição com comprimento
superior a 1,50 m. Devem ser usados dispositivos anti queda com enrolador pro-
gressivo (auto-retráctil). Todos os elementos (arnês, linhas de vida, cordas de
274 MANUAL OE seGURANçA

sujeição, mosquetões e outros dispositivos) devem ser revistos periodicamente e


mantidos de acordo com as instruções dos fabricantes;
- Não devem ser executados trabalhos em coberturas com linhas eléctricas aéreas
a menos de 5 m. Nesses casos deve solicitar ao concessionário o corte de ener~
gia ou a protecção das linhas.

Revisão n.~ _
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Dala_'-'-

Trabalhos de carpintaria de limpos

DEFINIÇÕES

TRABALHOS DE CARPINTARIA DE liMPOS - Engloba as actividades de fabrico e monta-


gem de portas e janelas (interiores ou exteriores), tectos falsos e outros elemen-
tos decorativos em madeira;
ARo - Cercadura geralmente de madeira em que se encaixa uma porta, janela, pin-
tura, etc.; bastidor.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Lay~out da carpintaria


• Queda de pessoas ao mesmo nível; inadequado;

• Queda de objectos por • Desarrumação da carpintaria,


desabamento ou desmoronamento; do armazém e dos locais de trabalho;

• Queda de objectos • Retirar protecções às máquinas;


em manipulação; • Armazenamento de tábuas
• Queda de objectos desprendidos; e painéis com pregos salientes;

• Marcha sobre objectos; • Trabalho desorganizado (atravanca~


menta de Jocais de passagem,
• Choque contra objectos imóveis; trabalhos que deviam ser
• Choque ou pancadas efectuados por dois trabalhadores
por objectos móveis; serem efectuados só por um, .. );
• Pancadas e cortes por objectos • Utilização de ferramentas
ou ferramentas; em mau estado de conservação;
• Projecção de fragmentos • Utilização de andaimes
ou partículas; ou bancadas improvisados
• Entaladela ou esmagamento ou indevidamente montados;
por ou entre objectos; • Não delimitar e sinalizar
• Sobre-esforços a zona de trabalhos;
ou posturas inadequadas; • Não utilizar os EPI(s) necessários,
• Contactos eléctricos; nomeadamente, contra quedas
em altura;
• Exposição ao ruído;
fiCHAS DE PAOCEDIMEN'O~'..:D::E=-=S~E~Gc:U..:R::A::N.:C".A=- --'2:::7CO
S

• Exposição a vibrações. • Trabalhadores sem formação


e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACDNSELNADAS

- Os aros, pré-aros e ripas de guarnição, devem ser armazenados em local acessi~


vel, sem interferir com as zonas de passagem. O armazenamento deve ser
organizado por dimensões, as peças devem ser correctamente alinhadas e, a
altura das pilhas não deve colocar em causa a sua estabilidade;
- As bancadas devem ter dimensões que permitam uma correcta estabilização das
tábuas, especialmente nas tarefas de carie e uma altura entre os 75 e os 90 cm;
- O espaço da oficina da carpintaria de limpos deve ser dimensionado, de forma a
que as máquinas disponham, entre si, de espaço suficiente para o manusea-
mento da madeira sem interferências;
- Os espaços de circulação e operação junto as máquinas devem manter-se
desobstruídos, arrumados e limpos de serradura e desperdlcios;
- Devem ser colocados extintores junto às máquinas;
- As folhas de carie das serras e serroles devem ser inspeccionadas antes de se
iniciar qualquer trabalho verificando se estão em bom estado de conservação e
se são adequadas ao material a cortar;
- Quando proceder ao corte de madeira molhada ou com nós, deve ler em atenção
à resistência ao avanço, desvios e passiveis projecções de materiais devidas à
prisão do disco;
- Quando proceder ao corte de aglomerado de madeira com resina, deve apertá-Ia
com maior firmeza pois a aderência ao disco tende a fazer rodar a peça;
- Deve fixar correctamente os discos das serras e nào deve utitizar discos
excessivamente desgastados, desequífibrados ou de diâmetro diferente do indi-
cado pelo fabricante;
- Deve verificar a ausência de corpos metálicos, nós duros ou outros defeitos nas
peças de madeira;
- Os desperdícios e serraduras devem ser acondicionados em locat apropriado e
semanalmente, devem ser evacuados para o exterior;
- As colas e vernizes devem ser armazenados em local fechado e ventilado, deve
ser colocado um extintor de pó quimico polivalente de 12 Kg junto da entrada,
assim como, sinalização de ..perigo de incêndio.. e ..proibido fumar ou foguear»;
- O estaleiro e o armazém das madeiras devem ficar afastados de fontes de calor e
de outros materiais combustíveis;
- As zonas de trabalho devem ter uma iluminação minima de 100 lux, medida a
uma altura de dois metros do solo e que não provoque encandeamento;
- As tábuas e ripas devem ser transportadas ao ombro por um mfnimo de dois
trabalhadores. Se tal não for possível, a frente deve estar a uma altura superior ao
capacete do trabalhador que as transporta, de forma a evitar ferimentos na cara
dos colegas;
- A montagem de aros de portas e janelas deve ser efectuado por um mlnimo de
dois trabalhadores;
- As escoras horizontais (para evitar deformações) devem ser colocadas a 60 cm
de altura e sinalizadas com um pedaço de fita plástica vermelha e branca.
27G MANUAL OE SEGURANÇA

Revisão n. 2
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_f_f_

Trabalhos de serralharia

DEFINiÇÕES

TRABALHOS DE COFRAGEM E DESCOFRAGEM - Engloba as actividades de fabrico e


montagem de portas e janelas metálicas, ou outros elementos construtivos ou
decorativos metálicos.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Desarrumação dos locais de trabalho;


• Queda de pessoas ao mesmo nível; • Retirar protecções às máquinas;
• Queda de objectos por desabamento • Trabalho desorganizado
ou desmoronamento; (atravancamento de locais de
• Queda de objectos em manipulação; passagem, trabalhos que deviam ser
efectuados por dois trabalhadores
• Queda de objectos desprendidos;
serem efectuados só por um...);
• Marcha sobre objectos;
• Utilização de ferramentas
• Choque contra objectos imóveis; em mau estado de conservação;
• Choque ou pancadas • Utilização de andaimes
por objectos móveis; ou bancadas improvisados
• Pancadas e cortes ou indevidamente montados;
por objectos ou ferramentas; • Não delimitar e sinalizar
• Projecção de fragmentos ou partículas; a zona de trabalhos;
• Sobre-esforços ou posturas • Não ulilizar os EPI(s) necessários,
inadequadas; nomeadamente, contra quedas
• Contactos eléctricos; em altura;
• Exposição a substâncias • Trabalhadores sem formação
nocivas ou tóxicas; e desconhecimento dos riscos,

• Incêndio
• Exposição ao ruido,

MEDIDAS OE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Os elementos metálicos, devem ser armazenados em local acessível, sem ínterfe~


rir com as zonas de passagem. O armazenamento deve ser organizado por
dimensões, as peças devem ser correctamente alinhadas e, a altura das pilhas
não deve colocar em causa a sua estabilidade;
- Os elementos devem ser içados em molhos devidamente atados;
- Deve delimitar e sinalizar a zona de trabalhos, especialmente em operações de
soldadura ou rebitagem;
- Deve colocar ventilação em locais com pouca venlilação natural e onde se efec~
tu em operações de limpeza e desengorduramento;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 277

- Deve existir um extintor nos locais onde decorrem trabalhos de soldadura;


- As sacadas. guardas de varandas. estendais e corrimãos devem ser colocados
por dois trabalhadores a fim de evitar desabamentos e quedas;
- Todos os elementos chumbados devem ser devidamente escorados até que o
cimento esteja devidamente seco;
- Os trabalhos de soldadura devem ser executados por trabalhadores com forma-
ção adequada (e devidamente registada) para a função:
- Em Jocais onde não seja passivei manter as protecções colectivas durante a
execução dos trabalhos devem ser instaladas linhas de vida;
- Os locais de trabalho devem manter-se limpos de recortes metálicos e limalha a
fim de evitar cortes e arranhões;
- Os discos devem ser substituidos sempre que apresentem desgaste superior a
1/5. fracturas ou empenas e devem ser correctamente fixados.

Revisao n.V
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Oata _,_,-

Trabalhos de montagem de envidraçados

DEFINIÇÕES

TRABALHOS DE MONTAGEM DE ENVIDRAÇADOS - Engloba as actividades de transporte e


montagem de painéis de vidro.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Oueda de pessoas a nível diferente; • Desarrumação


• Queda de pessoas ao mesmo nível; dos locais de trabalho;

• Queda de objectos por • Retirar protecções às máquinas;


desabamento ou desmoronamento; • Trabalho desorganizado
• Queda de objectos (atravancamento de locais
em manipulação; de passagem, trabalhos que
deviam ser efectuados
• Queda de objectos desprendidos; por dois trabalhadores
• Marcha sobre objectos: serem efectuados s6 por um...);
• Choque contra objectos imóveis; • Utilização de ferramentas
• Choque ou pancadas em mau estado de conservação;
por objectos móveis; • Utilização de andaimes
• Pancadas e cortes ou bancadas improvisados
por objectos ou ferramentas; ou indevidamente montados;
• Projecção de fragmentos • Não delimitar e sinalizar
ou partículas; a zona de trabalhos (especialmente
os vidros recém montados);
278 MANUAL DE SEGURANÇA

• Sobre-esforços • Trabalhar em condições


ou posturas inadequadas; atmosféricas adversas;
• Contactos eléctricos; • Não utilizar os EPI(s) necessários,
nomeadamente, contra quedas
• Incêndio;
em altura;
• Exposição ao ruído.
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- A montagem do vidro deve realizar-se, sempre que possível, a partir do interior do


ediffcio. Os trabalhadores que realizam esta tarefa devem, quando necessário,
usar arnês anti-quedas amarrado a elementos que apresentem resistência sufi-
ciente;
- A zona de trabalhos deve ser delimitada e sinalizada. Deve ser rigorosamente
proibido todo e qualquer trabalho por debaixo das zonas de movimentação e
instalação de vidro;
- Em fachadas. o trabalho deve ser suspenso quando soprar vento superior a 40
km/h, quando chover com intensidade ou com temperaturas inferiores a 0° C;
- Os vidros devem ser armazenados em local resguardado, sobre dormentes de
madeira, em posição quase vertical e contra uma base sólida. O local deve ser
delimitado, sinalizado e restringido o acesso;
- Os vidros quando acabam de ser instalados, devem ser de imediato, pintados com
uma tinta à base de cal (facilmente lavável), a fim de evidenciarem a sua presença:
- A movimentação manual dos envidraçados deve ser realizada com recurso a
ventosas e, na posição vertical. a fim de evitar acidentes por rotura;
- As placas de vidro devem ser içadas no porta-paletes, nas embalagens em que
forem fornecidas e devidamente amarradas;
- No caso de se quebrar um vidro, os fragmentos devem ser de imediato limpos a
fim de evitar cortes.

FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA

Trabalhos de pintura/envernizagem
Revisão n.~
Data_L/_
-

ln
DEFINiÇÕES

TRABALHOS DE PINTUANENVERNIZAGEM - Engloba as actividades de preparação das


superfícies e revestimento, com tintas ou vernizes, de elementos construtivos ou
decorativos;
DEMÃO - Camada de tinta ou verniz.
FICHAS OE PROCEDIMENTOS DE SEGURAUCA :!i9

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente: • Desarrumação


• Queda de pessoas ao mesmo nível; dos locais de trabalho:
• Queda de objectos por • Trabalho desorganizado
desabamento ou desmoronamento; (atravancamento
de locais de passagem...);
• Queda de objectos em manipulação;
• Utilização de andaimes
• Queda de objectos desprendidos;
ou bancadas improvisados
• Marcha sobre objectos; ou indevidamente montados;
• Choque contra objectos imôveis: • Não delimitar e sinalizar
• Choque ou pancadas a zona de trabalhos:
por objectos móveis; • Trabalhar em condiçOes
• Pancadas e cortes atmosféricas adversas;
por objectos ou ferramentas; • Não utilizar os EPI{s} necessários.
• Projecção de fragmentos nomeadamente, contra quedas
ou partículas; em altura;
• Sobre-esforços • Trabathadores sem formação
ou posturas inadequadas: e desconhecimento dos riscos.
• Contactos eléctricos;
• Exposição a substâncias nocivas
ou tóxicas:
• Incêndio;
• Exposição ao ruído.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Antes de iniciar o trabalho, devem ser devidamente protegidos (com guarda-cor-


pos. com estabilidade e resistência adequadas) os poços dos elevadores e tapa-
das as couretes;
- Durante a aplicação de tintas e/ou vernizes, deve ser criada uma corrente de ar,
suficiente para renovar constantemente o ar e. evitar intoxicaçOes;
- Na pintura à pistola. os trabalhadores devem usar equipamento de prolecção das
vias respiratórias;
- As plataformas de trabalho para a pintura em escadas ou rampas, devem ter super1í-
cies de trabalho horizontais e ser ladeados por guarda-corpos. Em escadas ou ram-
pas deve ser rigorosamente proibido o uso de escadas ou escadotes;
- Deve ser proibido o uso de plataformas de trabalho em varandas, varandins ou
terraços. sem protecção contra quedas em altura (a prolecção mais adequada
são as redes anti-queda);
- Quando os trabalhos decorram em corredores ou outros locais estreitos, a circula~
ção deve ser impedida;
- Os slocks devem ser geridos de modo que s6 exista em obra a quantidade
mínima indispensâvel de produtos com riscos associados:
- Devem ser rigorosamente respeitadas as instruções contidas nas fichas de segu-
rança dos produtos;
- Deve ser rigorosamente proibido o uso como cavaletes de escadotes, caixas,
latas. bidões. etc. As plataformas de trabalho com altura superior a dois metros
devem possuir guarda-corpos e guarda-cabeças;
280 MANUAL DE SEGURANÇA

- O misturador eléctrico deve ter duplo isolamento;


- Deverá ser rigorosamente proibido fumar e foguear nos locais onde estejam a ser
aplicadas tintas de base não aquosa;
- Se for necessário. as operações de transvaze ou mistura (vernjz com diluente ou
tinta com pigmentos. por exemplo), devem ser efectuadas em locais arejados,
sobre tabuleiros de retenção e lentamente e a baixa altura a fim de evitar derra-
mes ou salpicas e junto a um extintor de pó qulmico polivalente de 12 Kg;
- Ourante a aplicação de verniz ou tinias de base não aquosa. deve ser criada uma
corrente de ar, suficiente para renovar constantemente o ar e evitar intoxicações;
- Deve evitar (procurando uma posição de trabalho adequada) a inalação dos
vapores produzidos durante a manipulação de dissolventes;
- Deve evitar o contacto de dissolventes com a pele. Não deve utilizar dissolventes
para lavar as mãos ou outras partes do corpo;
- Os dissolventes não devem ser utilizados em locais fechados e mal ventilados ou
perto de chamas ou fontes de calor;
- Os trapos e desperdícios bem como resíduos resultantes da utilização de dissol-
ventes devem ser depositados em recipientes fechados e estanques. Esses reci-
pientes não devem ser deixados ao Solou junto de fontes de calor ou chama;
- Quando se parar ou suspender o trabalho (à hora de almoço, por exemplo) as
latas de tinta, verniz ou diluente, devem ser devidamente tapadas.

FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA


ReI/isSo n. g
-
Data_L/_

Trabalhos de montagem de instalações especiais


m
DEFINIÇOES

TRABALHOS DE MONTAGEM DE INSTALAÇOES ESPECIAIS - Engloba as actividades de


montagem de elevadores e escadas rolantes, instalação eléctrica, telefónica, de
intercomunicação, pára-raios, instalação de gás, instalação de água e esgotos e
instalação de ar condicionado e/ou aquecimento central.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas a nível diferente; • Desarrumação dos locais


• Queda de pessoas ao mesmo nível; de armazenamento e de trabalho;

• Queda de objectos por • Retirar protecções às máquinas;


desabamento ou desmoronamento; • Trabalho desorganizado
• Queda de objectos (atravancamento de k:lcais de
em manipulação; passagem, trabalhos que deviam ser
efectuados por dois lrabalhadores
• Queda de objectos desprendidos; serem efectuados só por um...);
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANCA 281

• Marcha sobre objectos; • Utilização de meios mecânicos


• Choque contra objectos imóveis; de forma inadequada (utilizar
os equipamentos para além
• Choque ou pancadas das capacidades indicadas
por objectos móveis; pelo fabricante. paletes
• Pancadas e cortes mal empilhadas ou desamarradas;
por objectos ou ferramentas;
• Utilização de ferramentas
• Projecção de fragmentos em mau estado de conservação;
ou particulas;
• Utilização de andaimes
• Sobre-esforços ou bancadas improvisados
ou posturas inadequadas; ou indevidamente montados;
• Contactos eléctricos; • Não delimitar e sinalizar
• Exposição a zona de trabalhos;
a substâncias nocivas ou tóxicas; • Não utilizar os EPI(s) necessários.
• Incêndio; nomeadamente. contra quedas
em altura;
• Exposição ao ruido.
• Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- As zonas de trabalho devem manter-se limpas de recortes e limalhas;


- As zonas de trabalho devem ser diariamente limpas, especialmente as bancadas
de corte e rebarbagem, e os entulhos depositados em Joca! indicado e, periodica-
mente, ser enviados para vazadouro;
- Oeve ser rigorosamente proibido soldar a chumbo em locais fechados e não ventilados;
- Deve ser rigorosamente proibido soldar cobre ou elementos que o contenham
usando acetileno;
- Os elementos ..pesados» (torres de refrigeração. extractores. compressores...)
devem ser içados com recurso a pórticos indeformáveis. Os elementos devem ser
pousados no solo. sobre uma superflcie preparada à priori com dormentes em
madeira e deste local serão içados para a sua localização;
- Os elementos de grandes dimensões devem ser armazenados em local acessivel,
plano e devidamente travados e/ou escorados. Não devem ser colocados em
zonas de passagem;
- As bobines devem ser armazenadas em local acessível. plano e devidamente
travadas. Na obra nunca devem ser deixadas perto de escadas ou rampas;
- A movimentação mecânica deve ser rigorosamente planeada tendo em atenção a
resistência dos locais onde serão descarregados os equipamentos;
- As cargas suspensas devem ser guiadas com cordas guias. sendo a manobra
dirigida pelo encarregado. Oeve ser rigorosamente proibido dirigir estas cargas
directamente com as mãos ou o corpo;
- Os troços de tubagem devem ser içados por lingas com pega ..boca a boca» e
passando pelo interior dos tubos. a fim de evitar o risco de queda da carga.
Devido ao peso ser muilo baixo. o trabalho de içagem destes troços de tubagem
deve ser suspenso sempre que se verifiquem ventos superiores a 15 Km/h;
- Os tubos devem ser armazenados em local acessível.. O armazenamento deve
ser organizado por balas indicadoras de tipo e diâmetro. os molhos deverão ser
depositados em cima de barrotes de madeira (e não directamente no solo),
correctamente alinhados e, a altura das pilhas não deve ultrapassar 1,5 metros;
MANUAL DE SEGURANCA

- O transporte horizontal com recurso a rolos deve ser executado com o pessoal
estritamente necessário a fim de evitar atropelos e confusões. A carga deve ser
empurrada pelas laterais a fim de evitar quedas nos rolos;
- A montagem de elementos nas cobertas sõ deve ser iniciada após a montagem
das protecções anli-queda no perímetro;
- As grelhas deverão ser montadas, tendo o trabalhador que executa o trabalho,
por apoio, plataformas de trabalho ou escadotes. Nunca deverão ser utilizadas
escadas de mão;
- Antes de se iniciarem os ensaios em elevadores, escadas rolantes ou aparelhos
de ar condicionado devem ser colocadas as protecções em todas as partes
móveis das máquinas;
- Para efectuar qualquer ajuste ou reparação nas partes móveis das máquinas
deve desligar o respectivo circuito eléctrico no quadro de alimentação. O circuito
desligado deve ser sinalizado com uma placa: «Desligado por motivo de traba-
lhos NÃO LIGAR,,;
- Antes de se iniciarem os trabalhos de montagem do elevador no interior do poço,
devem ser colocadas as portas nos vários pisos. Se tal não for possível, devem
colocar-se guarda-corpos em todas as aberturas existentes no poço;
- Antes de se iniciarem os trabalhos de montagem no interior do poço, devem ser
retiradas todas as torneiras de água prOVisórias. eventualmente existentes junto
aos poços dos elevadores. a fim de evitar escorrências e os riscos daí decorren-
tes;
- Não deve instalar a cabina de montagem, antes de decorrido o tempo de seca-
gem e cura dos elementos resistentes de betão. A cabina deve possuir sístema
de travagem em caso de descida brusca e, antes de ser usada deve ser testada,
carregando·a (posicionada a 30 cm do fundo do poço) com o peso máximo que
deverá suportar mais 40%. como medida de segurança. Se o espaço entre a
plataforma e as paredes do poço for superior a 30 cm, a plataforma deve possuir
protecções em todo o perimetro;
- Os componentes dos elevadores (portas, guias. motores. cabinas...) só devem
ser retirados da zona de armazenagem para serem montados de imediato. a fim
de evitar o risco de interferência com os locais de passagem;
- As portas dos pisos devem ser instaladas com os órgãos de segurança, impedindo a
sua abertura intempestiva. a fim de evitar quedas em altura no poço dos elevadores.
As portas em fase de acabamento que nao disponham dos ÓfgãOS de segurança
devem ser sinalizadas com placas ..Perigo de Queda em Altura..;
- As zonas de trabalho no poço do elevador devem ter uma iluminação mfnima de
200 lux e que não provoque encandeamento;
- Se existirem linhas eléctricas aéreas próximas da edificação, antes de iniciar os
trabalhos de montagem de antenas ou pára-raios, deve ser solicitado à empresa
concessionária da distribuição de energia eléctrica, o corte da corrente durante o
periodo de montagem. Se não for passiveI, a empresa concessionária deve colo-
car nas linhas anteparas isolantes;
- A montagem dos componentes das antenas e pára"raios deve electuar·se à .. cota
zero", só se devem efectuar em altura as montagens indispensáveis;
- As antenas e pára·raios devem ser montadas com recurso plataformas de traba-
lho, equipadas com guarda-corpos e guarda-cabeças. As escadas de mão só
devem ser utilizadas em tarefas rápidas. devendo ser solidamente amarradas ao
apoio superior e possuir base anti deslizante;
- A montagem do cabo de baixada do pára-raios deve ser efectuada paralelamente
à pintura ou revestimento da fachada. a fim de se utilizarem os meios auxiliares e
de segurança utilizados nesse trabalho;
FICH.,S OE PROCEDI.... ENTOS DE SEGURAf~CA 2.3

- O transporte manual de tubos deve ser efectuado por dois trabalhadores. Sendo
efectuado por um, deve ser ao ombro, inclinando a carga para trás de forma que
a parte dianteira seja superior à altura de um homem:
- Os troços de tubagem e as chapas metálicas devem ser retirados do local de
armazenagem por dois trabalhadores a fim de evitar desequilibrios e sobre-esfor-
ços;
- Os troços de tubagem devem ser retirados do estaleiro de montagem e montados
de imediato, a fim de evitar acidentes por aglomeração;
- Durante as operações de corte, as chapas e tubagens devem permanecer bem
apertadas nos tornos a fim de evitar movimentos indesejáveis;
- As prolecções das couretes só devem ser retiradas quando se vai executar o trabalho.
Após a conclusão do trabalho, as protecções devem ser repostas de imediato;
- O trabalho deve ser organizado de forma a evitar interferências enlre tarefas com-
plementares (electricidade e telefones, ar condicionado, águas. gás, elevadores)
e a aglomeração de pessoal em determinadas áreas;
- Nos trabalhos em altura, devem utilizar bolsas de ferramentas e, quando deixar
de ser usada, a ferramenta deve voltar para a bolsa e não ser depositada sobre a
plataforma de trabalho;
- Antes de executar ensaios em carga da instalação eléctrica, todos os trabalhado-
res devem ser avisados e, os lestes só serão efectuados após autorização do
encarregado;
- Devido ao seu formato e fragilidade, a içagem dos sanitários deve ser efectuada
com muito cuidado s, nas paletes em que chegaram à obra;
- O transporte manual de sanítários deve ser efectuado aos ombros. Os sanitários
partidos, bem como os fragmentos devem ser transportados em carrinho de mão;
- O assentamento de sanitários deve ser efectuado por dois trabalhadores.

RevISão n.\'! ."'"'--.


FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Oala_/_/_
-
PO..{OJ
~'!C"-

Trabalhos de aplicação de pavimentos e revestimentos

DEFINiÇÕES

TRABALHOS DE APLICAÇÃO DE PAVIMENTOS E REVESTIMENTOS - Engloba as actividades de


transporte e assentamento de revestimentos cerãmicos, em madeira ou mate-
riais sintéticos;
ARGAMASSA DE ASSENTAMENTO - Camada de argamassa sobre a qual se colocam os
ladrilhos ou azulejos ao revestir a superfície das paredes ou pavimentos;
LADRILHO - Peça quadrada ou rectangular de argila ou cimento muito utilizada no
revestimento de pavimentos.
264 MANUAL DE SEGURANÇA

PERIGOS MAIS FREQUENTES CA!!§M PRINCIP~

• Queda de pessoas a nível diferente; • Desarrumação dos locais


• Queda de pessoas ao mesmo nível; de armazenamento e de trabalho;

• Queda de objectos por • Relirar protecções às máquinas;


desabamento ou desmoronamento; • Trabalho desorganizado
• Queda de objectos (atravancamento
em manipulação: de locais de passagem ...);

• Queda de objectos desprendidos; • Utilização de meios mecânicos


de forma inadequada (utilizar
• Marcha sobre objectos; os equipamentos para além
• Choque contra objectos imóveis; das capacidades indicadas
• Choque ou pancadas pelo fabricante, paletes
por objectos móveis; mal empilhadas ou desamarradas;
• Pancadas e cortes • Utilização de ferramentas
por objectos ou ferramentas; em mau estado de conservação;
• Projecção de fragmentos • Utilização de andaimes
ou partículas; ou bancadas improvisados
ou indevidamente montados;
• Sobre-esforços
ou posturas inadequadas; • Não delimitar e sinalizar
a zona de trabalhos;
• Contactos eléctricos;
• Não utilizar os EPI(s) necessários,
• Exposição nomeadamente, contra quedas
a substâncias nocivas ou tóxicas;
em altura;
• Incêndio;
• Trabalhadores sem formação
• Exposição ao ruído. e desconhecimento dos riscos.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Antes de se iniciarem os trabalhos, os negativos existentes no piso devem ser


tapados de forma provisória, a fim de evitar quedas. Logo que possível, deverão
ser tapados de forma definíliva;
- Devem ser utilizadas ferramentas de corte com molha contínua ou, se tal não for
possível, o corte das peças deve ser efectuado ao ar livre para evitar a acumula-
ção de grandes quantidades de pó;
- Deve ser garantida a limpeza diária das zonas de trabalho, de forma a evitar acu-
mulações de massa que solidificará;
- Os entulhos devem ser retirados através de calhas devidamente vedadas e com
troços nunca superiores à altura de 2 pisos. A saída inferior de cada calha deve
ter uma comporta para fazer parar o material. Deve ser rigorosamente proibido
que os trabalhadores retirem material das calhas usando as mãos;
- A deposição das paletes de material deve ser realizada fora dos locais de circula-
ção;
- Deve ser rigorosamente proibido fumar na zona de trabalhos. Essa proibição
deve ser devidamente sinalizada à entrada da zona de trabalhos;
- Quando se parar ou suspender o trabalho (à hora do almoço, por exemplo), as
latas de cola devem ser devidamente tapadas. Devem ser colocados extintores
nestes locais de trabalho;
FiCHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 2as

- O transporte manual das placas de parquet ou dos rolos de alcatifa deve ser
efectuado, no mínimo, por dois trabalhadores, afim de evitar tropeções e cho-
ques. A sua deposição deverá ser realizada fora dos locais de circulação;
- As afagadoras devem possuir sistema de aspiração. Se, por avaria, houver
acumulação de pó de madeira. o local deve ser ventilado a fim de evitar uma
atmosfera nociva e/ou explosiva;
- A serradura produzida deve ser diariamente varrida e acondicionada em local
apropriado até a sua evacuação para o exterior;
- Durante a utilização de colas, deve ser criada uma corrente de ar, suficiente para
renovar constantemente o ar e evitar intoxicações;
- Deve ser rigorosamente proibido o uso de plataformas de trabalho em varandas
ou terraços, sem redes anti-quedas;
- Deve ser rigorosamente proibido, utilizar bidões, caixas, banheiras, etc., como
cavaletes para plataformas de trabalho. As plataformas de trabalho devem ter
uma largura mínima de 60 cm e, se tiverem mais de 2 m de altura, deverão pos-
suir guarda-corpos;
- Deve ser rigorosamente proibido abandonar sobre o solo, mesmo que por perío-
dos curtos. ferramentas cortantes;
- Devem ser rigorosamente respeitadas as instruções das fichas de segurança dos
produtos qulmicos;
- As zonas de trabalho devem ter uma iluminaçao mínima de 150 lux, medida a
uma altura de 2 m do solo e que não provoque encandeamento.

Revisão n.lI
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_I_I_

Trabalhos de pavimentação e assentamento de lancis

DEFINlçJiEs

TRABALHOS DE PAVIMENTAÇÃO E ASSENTAMENTO DE LANCIS ~ Engloba as actividades de


transporte e assentamento de lancis em pedra ou betão e execução de pavi-
mentos em calçada com cubos de granito ou peças de betão ou em asfalto;
LANCIL - Elemento de pedra ou betão que forma o bordo de um passeio;
CALÇADA - Parte da rua ou do caminho compreendida enlIe dois passeios e feita de
pedras justapostas.

PERIGOS MAIS FREQUEIITES CAUSAS PRINCIPAIS


(durante a montagem do estaleiro):

• Queda de pessoas ao mesmo nível; • Desarrumação dos locais


• Queda de objectos por de armazenamento e de trabalho;
desabamento ou desmoronamento; • Retirar protecçOes às máquinas;
~D6 MAtWAL DE SEGURANÇt.

• Queda de objectos • Trabalho desorganizado


em manipulação; (atravancamento
• Queda de objectos desprendidos; de locais de passagem...);
• Marcha sobre objectos; • Utilização de meios mecânicos
de forma inadequada (utilizar
• Choque ou pancadas os equipamentos para além
por objectos móveis;
das capacidades indicadas
• Pancadas e cortes pelo fabricante);
por objectos ou ferramentas;
• Trabalhar de costas voltadas
• Projecção de fragmentos para as máquinas;
ou partículas;
• Utilização de ferramentas
• Sobre-esforços em mau estado de conservação;
ou posturas inadequadas;
• Não delimitar e sinalizar
• Contaclos térmicos; a zona de trabalhos;
• Contactos eléctricos; • Não utilizar os EPI(s) necessãrios;
• Exposição • Trabalhadores sem formação
a substâncias nocivas ou tóxicas; e desconhecimento dos riscos.
• Atropelamento
ou choque de veículos;
• Exposição ao ruido;
• Fenómenos naturais (insolação).

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Em trabalhos na via pública, a zona de trabalhos deve ser devidamente deJimi~


tada e sinalizada. Todos os trabalhadores devem envergar vestuário de alta visi-
bilidade;
- A pedra e cantaria devem ser transportadas das zonas de depósito para os locais
de aplicação por meios mecânicos;
- Nos trabalhos de calcetamento, deve efectuar a rotação dos trabalhadores que
efectuam a compactaçáo com talochas vibratórias, de forma a diminuir os riscos
devidos às vibrações;
- Nos trabalhos com betuminoso, devem ser sinalizadas as misturas quentes e os
trabalhadores devem utilizar protecções das vias respiratórias;
- Tadas os trabalhadores devem trabalhar de frente para as máquinas;
- Não deve ser permitido que as máquinas manobrem em marcha-atrás na zona
onde decorram trabalhos de calcetamento ou assentamento de rancis;
- As operações de descarga devem ser devidamente orientadas. de forma que os
materiais não fiquem deposítados em zonas que colidam com o avanço dos tra-
balhos ou com a circulação de trabalhadores ou de terceiros.
FiCHAS DE PROCEDiMENTOS DE SEGURANCA 267

Revisão 0.11 _
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data I I

Trabalhos em espaços confinados

DEFINiÇÕES

ESPAÇO CONFINADO - Ê uma ârea de trabalho que reúna o seguinte conjunto de


caracterlsticas (conforme definido pela OSHA):
" É suficientemente grande e construído de forma a que um trabalhador aí se
consiga introduzir com o intuito de efectuar um determinado trabalho;
" Tem entradas e saídas limitadas ou com acesso difíceis;
" Não está concebida de forma a constituir um posto de trabalho permanente;
" Contem ou é passiveI que contenha uma atmosfera perigosa.

ATMOSFERA PERIGOSA - Os perigos atmosféricos mais comuns em espaços confina-


dos são:
" Deficiência de oxigénio;
" Enriquecimento de oxigénio;
" Presença de gases combustíveis;
" Presença de gases tóxicos.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

" Queda de pessoas a nível diferente; " Falta de preparação


" Queda de pessoas ao mesmo nivel; do trabalho, nomeadamente,
não avaliar previamente
" Queda de objectos desprendidos; a atmosfera do local;
" Marcha sobre objectos; " Trabalho desorganízado
" Choque contra objectos imóveis; (trabalhadores a laborar
" Pancadas e cortes em nfveis distintos...);
por objectos ou ferramentas; " Trabalho efectuado
" Projecção de fragmentos por um sê trabalhador;
OU partículas; " Não delimitar e sinalizar
" Entaladela ou esmagamento a zona de trabalhos e não controlar
por ou entre objectos; as entradas nessa zona;
" Sobre-esforços " Trabalhar em condições
ou posturas inadequadas; atmosféricas adversas;
" Exposição a substâncias " Não utilizar os EPI{s) adequados;
nocivas ou tóxicas; " Trabalhadores sem formação
" Contactos eléctricos; e desconhecimento dos riscos.
" Explosão;
" Incêndio;
" Exposição ao ruído;
" Exposição a vibrações.
288 MANUAL DE SEGURANÇA

MEDIDAS DE PREVENÇlio ACONSELHADAS

- Todos os espaços confinados devem ser considerados como espaços desco-


nhecidos e potencialmente perigosos:
- Sempre que possível, o trabalho deverá ser efectuado do exterior;
- Só deve ser permitido o acesso aos espaços confinados, aos trabalhadores que
vão efectuar o trabalho;
- O trabalho deve ser realizado, no mínimo, por dois trabalhadores;
- O trabalho deve ser cuidadosamente planeado, a fim de ser realizado no mais
curto espaço de tempo;
- Por serem locais com acesso difícil. deve ser efectuado um plano de emergência
e evacuação que contemple as acções de primeiros socorros e evacuação em
caso de acidente ou doença súbita;
- A lIuminação deve ser adequada às tarefas que vão ser desempenhadas (deverá
ter um mínimo de 100 lux) e não deverá provocar encandeamento;
- Antes de iniciar os trabalhos em esgotos que estejam em uso, deve ser efectuada
a avaliação prévia da atmosfera do esgoto, tendo particular atenção ao nfvel de
metano e à percentagem de oxigénio;
- O trabalho em esgotos, deve ser suspenso sempre que chova com intensidade;
- Quando se efectuarem trabalhos de pintura em espaços confinados, deve ser insta~
lado um sistema de ventilação forçada cujo caudal deve ser calculado tendo em conta
o "consumo" das tintas e dissolventes. O caudal não deverá ser inferior a 1 mls;
- Quando se efectuarem trabalhos de soldadura em espaços confinados, devem
ser instalados extractores junto aos locais de soldadura;
- Não devem ser utilizados motores de combustão interna dentro de espaços confj~
nados, se tal for mesmo necessário, deve ser instalado um sistema de ventilação
forçada com caudal calculado tendo em conta o "consumo» de oxigénio dos
motores e a densidade relativa das concentrações de dióxido e monóxido de car~
bano;
- Todos os trabalhadores devem laborar ao mesmo nível.

Revisão n.~
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Dala_I_I_

Movimentação manual de cargas

DEFINIÇÕES

MOVIMENTAÇÃO MANUAL DE CARGAS - Qualquer operação de transporte e sustentação


de uma carga, por um ou mais trabalhadores, que, devido às suas caracteristi~
cas ou condições ergonómicas desfavoráveis, comporte riscos para os mes~
mos, nomeadamente na região dorso-lombar.
FiCHAS OE PROCEDIMENTOS DE SeGURANçA 289

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Queda de pessoas ao mesmo nível; • Desarrumação dos locais


• Queda de objectos de armazenamento e de trabalho;
em manipulação; • Falta de capacidade física;
• Choque ou pancadas • Períodos de repouso insuficientes;
por objectos imóveis; • Trabalho desorganizado
• Pancadas e cortes (atravancamento de locais
com objectos ou ferramentas; de passagem, grandes distâncias
• Projecção de fragmentos de elevação ou transporte, ...);
ou partículas; • Não utilizar os EPI(s) necessários;
• Sobre-esforços • Trabalhadores sem formação
ou posturas inadequadas; e desconhecimento dos riscos.
• Entaladela.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Devem ser adoptadas as medidas de organização do trabalho adequadas ou


utilizados os meios apropriados, nomeadamente equipamentos mecânicos, de
modo a evitar a movimentação manual de cargas pelos trabalhadores;
- Sempre que não seja possível evitar a movimentação manual, o empregador deve
adoptar medidas que atenuem a penosidade do trabalho e evitem os riscos,
nomeadamente, os trajectos efectuados com cargas devem ser o mais curtos pas-
sIveI;
- Devem ser movimentadas por, no mínimo dois trabalhadores, as cargas com
peso superior a 30 Kg, em operações ocasionais ou a 20 Kg, em operações fre-
quentes, diflceis de agarrar, com arestas cortantes ou que tenham de ser mani~
puladas à distância do tronco;
- O empregador deve facultar períodos de descanso fisiológico que permítam a
recuperação do trabalhador;
- O empregador deve facultar aos trabalhadores expostos formação e informação
sobre os riscos potenciais para a saúde derivados da incorrecta movimentação
manual de cargas bem como acerca da forma correcta de movimentação;
- O empregador deve tomar assegurar que os locaís onde se movimentam cargas
tem espaço livre suficiente, piso regular e não escorregadio e temperatura, humi-
dade e ventilação de ar adequadas, de forma a não colocar os trabalhadores em
situações de risco;
- Os trabalhadores devem aquecer previamente os músculos que vão exercer força;
- Os trabalhadores devem utilizar luvas de protecçào mecânica em algodão ou
poliéster com cobertura em látex rugoso (nível de protecção mínimo 2122), por-
que permítem um melhor agarre que as de pele, e calçado de prolecção mecâ-
nica Classe S3;
- Ouando as cargas são movimentadas por dois trabalhadores. um deles deve diri-
gir as manobras.

ELEVAÇÃO OA CARGA
- Deve observar as características da carga antes de iniciar a sua elevação
(volume, centro de gravidade, peso, distribuição do peso, forma, etc.);
290 MANUAL DE SEGURANÇA

- Deve posicionar-se junto à carga, colocando um pé atrás da carga e outro lateral-


mente à mesma, de forma a manter o corpo equilibrado;
- Deve agachar-se dobrando os joelhos, com as costas direitas, de forma a colocar
o peito o mais próximo posslvel da carga;
- Deve segurar a carga com ambas as mãos, agarrando-a com as palmas das
mãos e os dedos para evitar que escorregue;
- Deve utilizar a força das pernas porque esses músculos são os mais fortes do
corpo. Para isso, deve baixar-se flectindo os joelhos sem se sentar nos calcanha-
res;
- Deve elevar a carga mantendo as costas direitas e a carga o mais próximo possl-
vel do corpo;
- A carga deve ser elevada e deslocada com os braços estendidos;
- Para pousar a carga, deve flectir os joelhos mantendo as costas direitas.

TRANSPORTE DA CARGA
- Deve transportar a carga mantendo ° corpo direito e em equilfbrio:
- Deve agarrar a carga de forma simétrica:
- Deve chegar a carga ao corpo:
- Deve transportar a carga com os braços estendidos, em tracção simples. Devem
suster a carga e não levantá-Ia;
- Deve procurar o equilfbrio tendo em conta a posição dos pés, afastados, um à
frente do outro. O centro de gravidade da carga deverá estar o mais próximo
possfvel do corpo;
- Deve transportar a carga numa posição que não dificulte a visão nem o andar:
- Deve colocar as mãos correctamente, usando as palmas das mãos e a base dos
dedos, de forma a que a superffcie de contacto com a carga seja a maior possí-
vel.

TRABALHO EM EQUIPA
- O encarregado ou alguém por ele designado deve, em função do peso e forma
°
da carga, determinar número de trabalhadores necessário:
- Deve planear toda a movimentação e explicar aos trabalhadores a sequência de
operações;
- Deve colocar os trabalhadores nas posições de trabalho, por ordem de estatura
com os mais baixos à frente.

CARGAS ESPECIAIS (DEVIDO À FORMA OU VOLUME)


- Para colocar um bidão (ou garrafa de gás) na posição vertical, deve colocar~se
junto ao topo superior do bidão, com os pés afastados: um ligeiramente à frente
do outro, abaixar~se flectindo os joelhos (até ficar na posição de «sentado» l,
agarrar o topo fortemente, com ambas as mãos e elevar-se mantendo as costa
direitas e exercendo a força com as pernas;
- Para transportar um tubo, deve colocá-lo na vertical (utilizando a técnica descrita
no item anterior) e pousá-lo sobre o ombro. Este tipo de carga deve ser transpor-
tada ao ombro, inclinado para cima e com a frente mais alta, de forma a não
embater na cara de quem circula;
- As escadas de mão e os escadotes também devem ser transportados ao ombro,
inclinados, com a frente mais alta.
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 29'

II
FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS

~
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA
RevisAo n. 1I
Dala_'_'-
-

Martelo pneumático

DEFINiÇÕES

MARTELO PNEUMÁTICO - Martelo demolidor, accionado a ar comprimido.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS -


• Queda de pessoas a n(vel diferente; • Utilizar inadequadamente o martelo
• Queda de pessoas ao mesmo nível; (em utilizações
para que não foi projectado);
• Pancadas e cortes por objectos
ou ferramentas; • Utilizar martelos (ou mangueiras)
com defeito, avaria,
• Projecção de fragmentos mal conservados ou mal instalados;
ou partlculas;
• Racords mal conectados;
• Entaladela ou esmagamento
por ou entre objectos; • Retirar protecções aos martelos
ou aos compressores;
• Sobre-esforços ou posturas
inadequadas: • Furar ou cortar cabos eléctricos
ou tubagens de gás ou esgotos;
• Exposição a substâncias
nocivas ou tóxicas; • Não utilizar os EPI(s) necessârios;
• Contactos eléctricos; • Trabalhadores sem formação
e desconhecimento dos riscos.
• Explosão;
• Incêndio;
• Exposição ao ruído;
• Exposição a vibrações.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO ACONSELHADAS

- Deve inspeccionar periodicamente as mangueiras. substituindo-as quando apre-


sentarem qualquer defeito;
- Os racords devem ser apertados às mangueiras com abraçadeiras. de forma a
evitar fugas de ar;
- ~ mangueiras não devem ser deixadas peJo chão em locais de circulação ou passa-
gem, onde possam ser pisadas por máquinas ou provocar quedas por tropeçamento;
292 ..:M;;;A;;;N..:U::A::L=-.=D"'E..:S::E::G::U::R::A::N::Ç=A

- O comando de accionamento não deve estar colocado de forma que o trabalha~


dor accione o martelo inadvertidamente;
- Para desconectar o martelo, deve primeiro fechar a válvula que corta a ar. Não
deve tentar cortar o ar dobrando a mangueira;
- Os marteleiros não se devem apoiar sobre o martelo, com o peso do corpo, por~
que o martelo pode resvalar, provocando-Ihe a queda;
- Os marteleiros devem procurar uma posição de trabalho que lhes permita
manipular as ferramentas sem estorvos e sem interferir com o trabalho dos col6*
gas mais próximos;
- Os marteleiros devem manobrar as ferramentas de cima para baixo. Se necessá-
rio devem ser montadas plataformas para melhorar a posição de trabalho;
- Os marteleiros devem manobrar a ferramenta com os braços e não com outras
partes do corpo. O martelo não deve ser utilizado como alavanca para despren~
der materiais, forçando-o;
~ Os guilhos (ou outras peças) devem ficar bem acoplados ao martelo;
- Deve ser proibido desacoplar os guilhos do martelo, usando a pressão do ar;
- Deve ser rigorosamente proibido soprar o pó da roupa (e dos cabelos) com ar
comprimido.

ReVIsão o.Q
FICHA DE PROCEDIMENTO DE SEGURANÇA Data_'_I_

Ferramentas manuais e máquinas portáteis amotor

DEFINIÇÕES

FERRAMENTA - Utensílio para artes e offeios, utilizado pelo trabalhador para a eXecu~
ção de tarefas;
CIRCUITO OE COMANDO - Circuito monofásico, eventualmente de corrente contínua e
que tem por função comandar, controlar, avisar, medir. ..os parâmetros de
funcionamento da máquina e assegurar a protecção eléctrica do circuito de
potência e das pessoas.

PERIGOS MAIS FREQUENTES CAUSAS PRINCIPAIS

• Pancadas e cortes • UtiliZar inadequadamente


por objectos ou ferramentas; as máquinas ou ferramentas
• Projecção de fragmentos (em utilizações
ou partlculas; para que não foram projectadas);

• Entaladela ou esmagamento • Utilizar máquinas ou ferramentas


por ou entre objectos; com defeito, avaria
ou mal conservadas;
• Sobre-esforços
ou posturas inadequadas; • Retirar protecções às máquinas;
FICHAS DE PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA 293

• Exposição a substâncias • Utilizar máquinas ou ferramentas


nocivas ou tóxicas; de má qualidade
• Contactos eléctricos; ou mal desenhadas;
• Explosão; • Abandonar ferramentas
em plataformas, andaimes
• Incêndio; ou locais de circulação
• Exposição ao ruído; ou passagem.
• Exposição a vibrações;
• Queda de pessoas a nível diferente;
• Queda de pessoas ao mesmo nível.

MEDIDAS DE PREVEIlçAD ACONSElHADAS

- Sempre que possível, as ferramentas manuais devem ser distribuídas individual-


mente, de forma que o trabalhador se responsabilize pelo seu correcto uso e con-
servação;
- As ferramentas manuais devem ser resistentes, apropriadas ao trabalho e manti-
das em bom estado de conservação e limpeza;
- Os trabalhadores devem ser informados sobre a utilização correcta de cada tipo
de ferramenta ou máquina portátil;
- As ferramentas devem ser inspeccionadas cuidadosamente no início da jornada
de trabalho, entregando na ferramentaria as que não se encontrem em bom estado;
- Os trabalhadores devem usar os EPI(s) apropriados, nomeadamente, óculos ou
viseiras de protecção quando houver projecção de partículas ou radiações e
luvas de protecção mecânica no uso de ferramentas cortantes, aguçadas ou
abrasivas;
- As ferramentas não devem ficar abandonadas sobre pavimentos, passagens,
escadas ou outros locais onde se trabalhe ou circule. nem colocadas em locais
elevados (relativamente ao pavimento) sem que se previna a sua queda;
- As ferramentas devem ser utilizadas de modo que. se resvalarem. não atinjam as
mãos ou outras partes do corpo do utilizador;
- A lâmina das chaves de fenda devem ter os cantos bem vincados e do tamanho
da fenda do parafuso. O ângulo entre a chave de fenda e o plano de trabalho
deve ser de 90°;
- As chaves de fenda não devem ser utilizadas como escopro, furador ou cinzel;
- Não deve utilizar limas sem cabo ou com o cabo em mau estado;
- Deve afiar os escopros regularmente e eliminar a cabeça de cogumelo (que se
forma devido ao uso do escopro). Deve ser agarrado junto da cabeça, com a
palma da mão, apertando-o com os dedos;
- Deve usar a chave de boca adaptada ao tamanho do parafuso ou porca e bem
assente. Não deve usar alicates para apertar ou desapertar parafusos ou porcas;
- Devem ser retiradas de serviço as chaves inglesas e de bocas que apresentem
desgastes;
- Os alicates devem ser utilizados exclusivamente para agarrar, dobrar e cortar. Não
deve tentar cortar ou dobrar peças ou materiais mais duros que Opróprio alicate;
- Os serrotes devem ler a tolha com a tensão correcta e do tipo adequado ao mate-
rial a cortar;

/
294 MANUAL DE SEGURANÇA

- Ao cortar peças metálicas, deve exercer pressão na tesoura só com uma mão,
segurando a peça com a outra, Não deve em caso algum utilizar os pés ou outra
ferramenta para exercer pressão;
- Deve fixar correctamente os discos das ferramentas e não deve utilizar discos
excessivamente desgastados, desequilibrados, lissurados ou empenados;
- Os cabos devem ser de madeira forte mas flexfvel, manter~se em bom estado
sem fissuras nem rebarbas, bem apertados (com cunhas de aço) e isentos de
óleos. massas ou lama;
- Deve pegar na extremidade do cabo do martelo com a palma da mão e aper~
tando-o com os dedos. A peça onde vai embater deve estar bem presa. Deve
segurar os pregos junto da cabeça;
- Deve ser proibido acrescentar os cabos das ferramentas com tubos, de forma a
aumentar o seu torque. Quando as porcas ou parafusos não cederem, devem ser
usados óleos penetrantes;
- Na utilização de enxadas, picaretas ou outras ferramentas semelhantes, deve~se
deixar uma distância de segurança mínima de 3 metros entre trabalhadores;
- As f