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Atividade individual

Matriz de análise

Disciplina: Agronegócios Módulo: Atividade individual


Aluno: Matheus Pezzini Backes Turma: 06-2021
Tarefa:

Introdução

Este trabalho visa responder às provocações deixadas pelo professor da

disciplina para a conclusão do curso. Basicamente se analisará questões decorrentes

e baseadas na situação econômica ocorrida no Brasil em 2016 quando a produção

brasileira de feijão foi seriamente comprometida devido a fortes chuvas na região Sul

e à seca na região Nordeste.

As questões são elencadas no corpo do texto e respondidas na sequencia

apresentada pelo professor.

Análise

1. Impactos na quantidade ofertada de feijão após a quebra da safra. Represente

graficamente essa situação por meio do diagrama de oferta e demanda;

Uma quebra de safra causa, inevitavelmente, uma diminuição da quantidade

ofertada do bem agrícola atingido. No caso da quebra da safra de feijão, houve uma

consequente diminuição da quantidade ofertada de feijão.

Além disso, os bens agrícolas possuem características peculiares. Neste caso é

necessário pontuar duas:

i. Inelasticidade da oferta no curto prazo. Isto é, a produção agropecuária possui

dificuldade de se ajustar em intervalos curtos de tempo, visto que seu

planejamento e a execução do plantio e manejo ocorrem meses ou anos antes da

entrega do produto. Assim, o produtor não consegue produzir mais do que o

planejado em tempos de alta de preços nem menos do que o planejado em

1
condições de queda dos preços;

ii. Baixa elasticidade preço da demanda. Por se tratar de bem essencial como

insumos ou como alimento, a variação do preço de uma comodity agrícola não

produz grande repercussão na quantidade demandada.

Dessa forma, a representação gráfica, por meio do diagrama da oferta e da

demanda, da consequência da quebra de safra de feijão será a seguinte:

Equilíbrio antes da
quebra de safra
Oferta

Equilíbrio depois da
quebra de safra

0 0,5 1 1,5 2 2,5


Demanda

Antes quebra de safra Após quebra de safra

Após período sazonal em que as safras de feijão voltem ao normal,

naturalmente a oferta de feijão também voltará. Além disso, pela característica dos

mercados do agro de uma alta elasticidade da oferta, se mantido o aumento do preço

do feijão no longo prazo, novos players vão entrar no mercado e os que se manterem

aumentarão sua produção, também contribuindo para o retorno do ponto de

equilíbrio da oferta e da demanda ao estágio anterior ao da quebra de safra.

2. Comportamento do preço do feijão nas prateleiras do supermercado;

Como referido na questão anterior, os produtos do agronegócio possuem baixa

elasticidade preço da demanda. Isso decorre da sua essencialidade, fazendo com que

independente da subida ou da descida dos valores desses produtos, o mercado

2
continua demandando uma quantidade muito parecida.

Dessa forma, uma vez que com a quebra de safra há uma queda na quantidade

de feijão ofertada e, em decorrência da baixa elasticidade, há manutenção da

demanda, o preço do produto deve subir.

Isso efetivamente aconteceu na quebra de safra do feijão em 2016 como

noticiado pelo G1: “De acordo com o IBGE, que mede a variação nas capitais, o preço

do feijão subiu 33,49% no ano até maio. No acumulado dos últimos 12 meses até

maio, a alta é de 41,62%”1.

3. comportamento da renda dos produtores de feijão considerando a combinação

das duas variáveis anteriores (quantidade e preço). Observe que há dois grupos

de produtores: os que tiveram quebra na safra e os que não tiveram;

Como decorrência direta da quebra de safra, os produtores que não

conseguiram colher suas plantações tiveram sua renda abruptamente reduzida.

Enquanto isso, de modo indireto, os produtores que saíram ilesos das intemperes

tiveram aumento da sua renda, beneficiando-se do aumento do valor do seu produto

causado pela escassez provocada pela quebra de safra dos outros produtores.

4. principais instrumentos de política agrícola utilizados no Brasil a serem adotados

para proteger a renda dos produtores de feijão que tiveram quebra em sua

safra;

Os principais mecanismos de proteção da renda dos produtores rurais no caso

de quebra de safras são o Seguro Rural, o qual é atrelado ao zoneamento rural, e o

crédito rural.

No Seguro rural no Brasil chama-se Programa de Garantia da Atividade

1
Temer anuncia importação de feijão para combater alta de preço. G1.com. 2016. Disponível em:
<http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2016/06/temer-anuncia-importacao-de-feijao-para-
combater-alta-de-preco.html>. Acesso em 12/08/2021.

3
Agropecuária (Proagro). O garante a amortização ou liquidação de custeios agrícolas

financiados, na proporção das perdas apuradas, e permitir o recebimento dos

recursos. O programa esta atrelado à utilização do zoneamento agroclimático e a

adoção de técnicas específicas de acordo cm o clima e solo. Esse programa, contudo,

não é eficiente no caso de já ter ocorrido a quebra de safra e o produtor não o

utilizou pra se resguardar.

No crédito rural o governo brasileiro subsidia linhas de crédito para todos os

tipos e tamanhos de produtores rurais. Nesse programa os financiados ganham

prazos maiores para pagamento a taxas de juros mais baixas, facilitando o custeio,

investimento, comercialização e a industrialização no agronegócio. O programa pode

auxiliar na proteção da renda dos produtores rurais atingidos pela quebra de safra do

feijão na medida que ele os recapitaliza para realizarem as próximas safras.

5. ações do governo para aliviar a pressão sobre o preço do feijão.

Para proteger os consumidores de uma alta dos preços, o governo pode utilizar

a política de preços máximos. Dessa forma, mesmo com a queda na oferta com a

manutenção a demanda, os preços, em tese, permaneceriam os mesmos em vista da

fixação de uma pauta legal. Para garantir a efetividade dessa política, o governo pode

fiscalizar se os estabelecimentos estão respeitando esse preço máximo e aplicar

multas e punições aos que descumprirem a regra. Tal prática, contudo, não é

recomendada para manutenção de um mercado saudável, competitivo produtivo. O

aumento de preços não só onera os consumidores, mas manda uma importante

informação para os agentes econômicos, incentivando a produção do bem. Dessa

forma, no longo prazo, com a entrada de novos players, o mercado tenderá a

retornar a um equilíbrio de mercado com preços mais baixos e propícios aos

consumidores.

Na própria crise causada pela quebra de safra o governo brasileiro não adotou

tal política. Buscou uma alternativa: política fiscal. O Estado realizou a diminuição da

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taxação de feijão importado de outros países para incentivar um aumento da oferta

no curto prazo e reduzir a alta dos preços:

“Maggi deu detalhes da medida a jornalistas após reunião com Temer no

Palácio do Planalto. Ele informou que a prioridade será trazer o feijão do Mercosul, da

Argentina e do Paraguai, por exemplo, mas o Brasil já não cobra imposto das

importações vidas dos países do bloco.O ministro não explicou como será feito o

estímulo no caso do feijão produzido no Mercosul.2”

Tal política, além de mais pragmática, é mais republicana e eficiente, não

interferindo diretamente na dinâmica de formação de preços e mantendo as regras

mínimas da dinâmica de mercado.

Conclusão

Diante todo o exposto, conclui-se que a quebra de safra de feijão reduziu a

oferta do produto no curto prazo sem reduzir a demanda (questão 1),

consequentemente houve um aumento do preço do produto na prateleira do

supermercado (questão 2). Os produtores atingidos pela quebra de safra tiveram sua

renda diretamente atingida, enquanto os produtores de feijão que tiveram uma

colheita normal obtiveram um grande aumento de sua renda, que foi alavancada pela

alta do preço (questão 3). Para socorrer os produtores atingidos, o Estado brasileiro

deveria, antes do ocorrido, ter incentivado a utilização de seguros rurais, e após o

ocorrido, poderá realizar financiamentos subsidiados a esses produtores para

possibilitá-los se manterem na atividade e “recomeçarem” suas produções (questão

4). Por fim, quanto à proteção aos consumidores, havia a possibilidade de utilização

da política de preços máximos, mas, entende-se que corretamente, foi empregada

2
Temer anuncia importação de feijão para combater alta de preço. G1.com. 2016. Disponível em:
<http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2016/06/temer-anuncia-importacao-de-feijao-para-
combater-alta-de-preco.html>. Acesso em 12/08/2021.

5
uma política fiscal que estimulou a importação de feijão para “segurar” a alta de

preços e manter a segurança alimentar dos brasileiros (questão 5).

Referências bibliográficas
MENDES, J. T. G. e Padilha Junior, J. B. Agronegócio: Uma abordagem econômica. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2007.

SAVOIA, J. R. F. (Coord.). Agronegócio no Brasil: uma perspectiva financeira. São Paulo: Saint
Paul Editora, 2009.

PINDYCK, R. S. e RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1999.

VARIAN, H. Microeconomia: princípios básicos. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

NICHOLSON, W. Microeconomic Theory: basic principles and extensions. 9. ed. New York: South-
Western/Thomson, 2005.

Temer anuncia importação de feijão para combater alta de preço. G1.com. 2016. Disponível em:
<http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2016/06/temer-anuncia-importacao-de-
feijao-para-combater-alta-de-preco.html>. Acesso em 12/08/2021.

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