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Ordem do Real Segredo

Instrução de campo

2020
Instrução de campo

Legenda:
M.’. Temp.’. = Mestre do Templo
Com.’. Oc.’. = Comendador do Ocidente
Com.’. S.’. = Comendador do Sul
Pr.’. = Prior

M.’. Temp.’. (l): Para o que nos reunimos? E qual é o sentido dos nossos
trabalhos, meus irmãos? O que buscamos e quais os nossos
objetivos? Temos essas respostas lançadas à luz das nossas
consciências? Ou a resposta está na caminhada? Esta
instrução é uma missão de observação, uma operação de
reconhecimento de território, uma missão de sondagem dos
campos que estão sob os domínios do Real Segredo. Assim
sendo, te solicito irmão Comendador do Ocidente, o que tens
a nos dizer sobre os mistérios que esse campo encerra?

Com.’. Oc.’. (l): Mestre, os mistérios são inomináveis, a gnose que rege a
instância do sagrado não ganha forma na oralidade, nem na
escrita, não são passíveis de leitura nem podem ser
explicados por qualquer didática. Os campos sob os domínios
dessa sabedoria não estão sob os domínios do homem,
transcendem horizontes, transcendem a vã filosofia humana
e se estendem até os confins belicosos onde a luz trava sua
batalha constante contra as trevas, e jamais é vencida pela
escuridão.

M.’. Temp.’. (l): Como então será possível nossa evolução na jornada que
escolhemos trilhar? Afinal, se nada está escrito sobre os
mistérios que devemos conhecer e desvendar, parecemos
uma tripulação perdida no mar, sem cartas ou instrumentos
de navegação. Qual será a estrela a nos guiar? Qual será o
caminho a ser seguido? Qual será o farol que orienta estas
lideranças e as que virão?

Com.’. Oc.’. (l): Eis o grande desafio da construção do imaterial que


buscamos, amado irmão Mestre do Templo. A finalidade

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última das nossas ações terrenas, enquanto iniciados na
senda do Real Segredo, se coloca em um horizonte
inalcançável, do qual só conhecemos sua luminosidade e
benignidade. Ao mesmo tempo, abrigamos dentro dos nossos
corações uma centelha daquele mesmo esplendor que nos
serve de guia, e que faz da nossa vida parte de sua sabedoria.

M.’. Temp.’. (l): Irmão Comendador do Sul, tu que contemplas o caminho da


luz meridiana, te foi dado a conhecer o caminho que nos
conduz ao nosso sublime objetivo?

Com.’. S.’. (l): Sim, irmão Mestre do Templo, me foi dado a conhecer o
caminho!

M.’. Temp.’. (l): E qual é ele, no que consiste?

Com.’. S.’. (l): O caminho que leva ao nosso Sublime Objetivo é o caminho
da VIRTUDE, da disposição da alma à prática do que é justo,
equilibrado e nos conduz ao BEM. No entanto, não é um
caminho fácil de encontrar, nem fácil de trilhar após ser
encontrado. Demanda de nossa condição mortal o sacrifício
de muitos elementos que integram a nossa estrutura
imperfeita, à qual já estamos acostumados. Somos como uma
pedra no seu estado mais bruto, que para se transformar em
uma pedra polida reluzente de beleza precisa ter pedaços
arrancados e talhados constantemente. Esse é o verdadeiro
caminho da virtude, no qual jamais se pisa perfeito, e no qual
jamais se alcança a perfeição definitiva. A condição do
peregrino desta trilha não é de estagnação, nem tampouco
será de perfeição plena, mas sim de evolução constante.

M.’. Temp.’. (l): Irmãos comendadores, os ensinamentos que acabam de


proferir talvez estejam absolutos de sentido e significado
somente após experimentados, e cogito que a impossibilidade
dos mistérios desta filosofia serem escritos, lidos ou falados
reside justamente no fato da única forma de percebê-los ser
mediante a vivência e a experiência da peregrinação que nos
faz imergir em nós mesmos, em busca dessa centelha que
nos une ao sagrado que nos aguarda. Ainda assim, me
questiono, meus irmãos, que ponto luminoso é este que nos

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habita? Que clarão é este que cintila com ainda mais força
nos adeptos das nossas tradições? Irmão Comendador do
Ocidente, tu que dedicadamente tens assento junto ao sol que
encerra o dia e prenuncia as alvoradas da eternidade, sabes
nos dizer que chama é esta que brilha nos homens?

Com.’. Oc.’. (l): Meu caríssimo Irmão Mestre do Templo, a luz de que falas é
uma das coisas mais valiosas que o ser humano pode
carregar, e da qual anda tão esquecido. A centelha de luz que
irradia nosso âmago é a presença da fonte de toda vida, do
princípio organizador de tudo o que existe. Algumas pessoas
chamam de Deus, outras de “Ser supremo”, outras de “Pai
Celestial”, “força superior”, outros lhe dão nomes diversos
variando de religião para religião, e até mesmo considerando
a existência de diversas “forças” ou “divindades”. Este ponto
luminoso que nos ilumina o íntimo é, em definitiva, a nossa
unidade divina, traduzida no potencial que temos para o
conhecimento, a integridade, a bondade, a pureza, as boas
ações, a justiça, a candura, a sinceridade, a coragem, a
amizade, a fraternidade, a fé, a esperança e o AMOR.
Muitas doutrinas religiosas corromperam a imagem e a ideia
que as pessoas tem sobre a divindade. A unidade divina se
tornou algo obsoleto para os jovens, passou a ser algo
exclusivo para frequentadores de cerimônias religiosas e
reduziu o campo do sagrado somente até onde chegam os
limites do campo dos sacerdotes dessas doutrinas, os quais
passaram a apresentar a divindade de maneira complexa e
dogmática.
Foi dessa maneira que chegamos a tempos tão distantes do
sagrado, nos quais não se compreende a divindade, e por
conseguinte se conhecem tão pobremente as potencialidades
humanas para a prática do bem, da vida equilibrada e do
amor.

(Alguns segundos de silêncio)

M.’. Temp.’. (l): A mensagem que ouvimos do ocidente por um lado nos
alegra, ao nos relembrar que a luz que habita o interior da
nossa alma é uma centelha de divindade. Por outro lado, nos
entristece ao fazer-nos entender o tempo que vivemos, devido
ao nosso afastamento da vida sagrada, da vida que nos faz

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compreender o verdadeiro significado e sentido de nossa
rápida passagem pela face deste mundo.
A distância daquilo que nos faz ser luz na escuridão, faz com
que pernoitemos no vale da insensibilidade, no vale das
sombras da ignorância, do desafeto, da falta de
companheirismo e amor ao semelhante. Manter distância da
nossa unidade divina não significa que somos “pecadores” ou
não receberemos lugar em um imaginário paraíso, mas sim
significa o desperdiço de vida por perdermos a oportunidade
de transfigurar um mundo tão necessitado das nossas
potencialidades.
Diante disso, Irmão Comendador do Sul, o que nos ensinas
sobre vivermos sob as asas da divindade?

Com.’. S.’. (l): Meus irmãos, quem habita na proteção do Altíssimo pernoita
à sombra da divindade. Ela é a nossa fortaleza, o nosso
refúgio e nela podemos confiar. É o divino e o sagrado que
nos livra do laço do caçador que só se ocupa em destruir. É
na divindade que nos habita que encontramos abrigo, e nossa
fidelidade a ela será sempre nosso escudo e couraça. Jamais
temeremos o terror da noite nem a flecha que voa de dia, nem
a peste que caminha na escuridão, nem a epidemia que
devasta ao meio-dia. Cairão mil ao nosso lado e dez mil à
nossa direita, mas nada nos atingirá. Com os nossos próprios
olhos veremos a recompensa àqueles que profanam, mas aos
que reconhecem e alimentam a centelha que habita no seu
íntimo, a desgraça jamais atingirá e nada os aviltará... Pois os
antigos já nos disseram: “...em seu favor ele ordenou aos seus
anjos que o guardem em seus caminhos todos, eles o levarão
em suas mãos, para que seus pés não tropecem em nenhuma
pedra, e pisem o leão e a serpente... Ele me invocará e eu
responderei: _ na angústia estarei contigo, te livrarei e te
abençoarei, saciando-te com longos dias e mostrando-te a
minha salvação_.

M.’. Temp.’. (l): A escuridão é a falta de luz, o frio falta de calor, a maldade é
falta de bem e a ignorância falta de saber. A salvação, meus
irmãos, sempre esteve ligada à saciedade dessas faltas, a
libertação sempre esteve relacionada à ideia de nos
desagrilhoarmos da escuridão e da ignorância, e assim,
buscando o homem a iluminação e sua salvação, se
conduziria a uma vida calorosa de conhecimento, sabedoria,
bondade e todas as coisas que protegem nossos pés das

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pedras que violam nosso caráter, pervertem nosso espírito e
subvertem nossos valores. Que os anjos nascidos da luz da
nossa centelha divina estejam sempre a proteger nossa
senda virtuosa em busca de uma existência cada vez mais
perfeita e mais justa. Irmão Comendador do Ocidente,
providencie uma oração ao Artífice de todas as coisas.

Com.’. Oc.’. (l): Caro Irmão Prior, conduzi-nos em nossas orações.

Pr.’. : Amados irmãos, abaixemos as nossas cabeças e


imediatamente deixemos nosso corpo tranquilo. Que este
seja um pequeno momento de acalmarmos o coração, e que
então possamos sentir o ar que oxigena e renova nosso
organismo enchendo os nossos pulmões profundamente!
Deus-Pai de todas as coisas, poucas coisas no mundo são
mais valiosas do que a gratidão, e ser profundamente grato
por algo. É por isso que agora quero te agradecer pelo
presente da vida, pelo presente de termos nossas famílias, e
pelo presente de poder colocar a vida à serviço do
aperfeiçoamento da obra dos homens.
Sei que muitas vezes erramos, sei que muitas vezes nossas
palavras podem ferir mesmo sem a intenção, sei que somos
frágeis diante de tudo o que nos limita enquanto seres
humanos, sei que muitas vezes podemos ter dificuldade em
pedirmos perdão ou até mesmo em parar de nos culparmos
por algo. Mas é por isso que, com estes irmãos, nos
colocamos todo sábado um pouco mais próximos de ti, para
melhorarmos sob a tua iluminação, porque sabemos que tu
habita em nós e entre nós, e sabemos que tens agido MUITAS
vezes por meio do abraço de um irmão, por meio das palavras
de apoio de um irmão e por meio de uma série de atitudes
que estão sempre presentes na nossa irmandade. É por isso
que também te agradecemos... por nos manter unidos, por
nos manter amigos, por nos manter no amor e no
companheirismo que nutrimos juntos.
Permiti, Senhor, que nossa causa prospere, que nossos
corações acolham o princípio do que é justo e verdadeiro, e
que sempre em união possamos viver na Fé que é sabedoria,
da Esperança que é força e no Amor que é beleza.
Assim Seja!

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Com.’. Oc.’. (l): Obrigado Irmão Prior!... Irmão Mestre do Templo, as suas
ordens foram cumpridas.

M.’. Temp.’. (l): Ilustres Irmãos Comendadores do Sul e do Ocidente e Ilustre


Irmão Prior, agradeço afetuosamente o seu auxílio e o
empenho na leitura deste período de instrução.
Irmãos Cavaleiros da Ordem do Real Segredo, jamais
esqueçamos o propósito dos nossos empenhos e o sentido
mais puro da nossa fraternidade! Assim, encerramos esta
instrução.
Ad Maiora et Meliora, Semper.

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