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INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA

ARTHUR DANIEL REPOLHO VALENTE SOBRAL

CARACTERIZAÇÃO ESPAÇO-SAZONAL DA QUALIDADE DA ÁGUA NA LAGOA


DE IBIRAQUERA - SC

Florianópolis
21 de dezembro de 2020
ARTHUR DANIEL REPOLHO VALENTE SOBRAL

CARACTERIZAÇÃO ESPAÇO-SAZONAL DA QUALIDADE DA ÁGUA NA LAGOA


DE IBIRAQUERA - SC

Dissertação apresentada ao
Mestrado Profissional em
Clima e Ambiente do
Campus Florianópolis do
Instituto Federal de Santa
Catarina para a obtenção do
diploma de Mestre em Clima
e Ambiente.

Orientador: Dr. Eduardo


Cargnin Ferreira

Co-orientadora: Dra. Renata


El-Hage Meyer de B. Osório

Florianópolis
21 de dezembro de 2020
ARTHUR DANIEL REPOLHO VALENTE SOBRAL

CARACTERIZAÇÃO ESPAÇO-SAZONAL DA QUALIDADE DA ÁGUA NA LAGOA


DE IBIRAQUERA - SC

Este trabalho foi julgado adequado para obtenção do título de Mestre em Clima e
Ambiente, pelo Instituto Federal de Santa Catarina, e aprovado na sua forma final
pela comissão avaliadora abaixo indicada.

Florianópolis, 21 de dezembro de 2020.

__________________________
Prof. Mário Francisco Leal de Quadro, Dr.
Instituto Federal de Santa Catarina

___________________________
Prof. Marcelo Renno Braga, Dr.
Instituto Federal de Santa Catarina

__________________________
Profa. Sabrina Moro Villela Pacheco, Dra.
Instituto Federal de Santa Catarina
AGRADECIMENTOS

À minha mãe, Acácia Tavares Repolho, por ter me apoiado e incentivado a


mudar de estado e a seguir meus sonhos.
Ao meu orientador, Eduardo Cargnin Ferreira, e à minha co-orientadora, Renata
El Hage Meyer, por toda articulação, orientação, instrução e investimento financeiro
para a elaboração deste trabalho.
Ao meu amigo Eduardo Kevin Aguiar, por me receber em sua casa nas noites
de viagem a Imbituba.
À minha querida amiga, Maria José dos Santos Silva, por ter me recebido tão
prestativamente em sua casa durante meses.
À minha amiga e companheira de laboratório, Amanda Carvalho Barreiros, e
aos seus amáveis pais, Nilsa Barreiros e Manoel Barreiros, por me tratarem como da
família enquanto me hospedei em sua casa durante as estadias em Imbituba para a
realização das coletas.
Às queridas técnicas dE laboratório do IFSC Campus Garopaba, Sarita
Wisbeck e Danielli Loss, por todo o auxílio nas análises e pelas saídas de campo para
coletas.
Ao senhor Batista, motorista do IFSC, Campus Garopaba, por toda a segurança
e aptidão ao dirigir a caminhonete durante as coletas.
À minha amiga de curso, Deise Barcellos, por todas as conversas de
consolação e por toda prestatividade na troca de informações.
Aos profissionais do Cisam-Sul e da Prefeitura de Imbituba, por todo o suporte
tecno-científico e financeiro na execução deste projeto.
À EPRAGI/CIRAM, pela disponibilidade em fornecer dados meteorológicos que
foram de extrema importância para o andamento dessa pesquisa.
Ao Programa de Mestrado em Clima e Ambiente do IFSC pela oportunidade de
fazer parte deste curso enriquecedor.
Ao meu ex supervisor, Keoma Pereira, pelas incontáveis vezes em que me
permitiu faltar ou chegar mais tarde ao trabalho por conta das atividades do mestrado.
Ao meu parceiro de casa, Bruno Rorrato Martins pelas incontáveis vezes que
não o ajudei nas tarefas domésticas por estar atarefado com o mestrado.
Por fim, e não menos importante, a toda a comunidade de Ibiraquera, pela
possibilidade de atuar e fazer ciência em uma região tão espetacular!
O castigo de quem pratica atos contra a natureza é que,
quando quiser ser natural,
já não o conseguirá.
(Cesare Pavese)
RESUMO

Os ecossistemas costeiros sofrem constante deterioração de suas


características naturais devido às fortes alterações antrópicas em regiões litorâneas,
ocasionadas especialmente pela urbanização e pelo adensamento populacional. As
lagunas costeiras são sistemas importantes que ligam o oceano à porção continental.
A Lagoa de Ibiraquera, entre Imbituba e Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina,
sofre pela urbanização de suas margens e pelos impactos ocasionados pelo aporte
populacional na região. Portanto, visou-se caracterizar as águas da referida laguna,
entre julho de 2019 a junho de 2020 através, em 14 pontos amostrais, abordando
aspectos como a influência de variáveis climáticas e da sazonalidade das estações e
a dinâmica de abertura e fechamento da barra que a conecta ao mar. As análises dos
parâmetros pH, temperatura, turbidez, DBO., condutividade elétrica, salinidade,
oxigênio dissolvido, coliformes totais, E. coli, fósforo total, potássio, nitrogênio
amoniacal, nitrito, nitrato, sílica, sulfeto, detergentes (LAS) e fosfato foram realizadas
in situ e em laboratórios do IFSC campus Garopaba e do CISAM-Sul; a obtenção de
dados de temperatura do ar e da precipitação foi feita remotamente, através do
EPAGRI/CIRAM. Empregou-se estatística descritiva, correlação de Pearson, e
estatística multivariada para analisar o comportamento dos mesmos. Os resultados
obtidos apontaram grandes variações dos parâmetros de qualidade da água; as
variáveis meteorológicas, especialmente a temperatura do ar, tiveram influência sobre
o comportamento deles; contudo foi a dinâmica de abertura e fechamento da barra
influenciou bastante as características da água. Concluiu-se que em períodos de barra
fechada, a laguna teve maior deterioração de suas águas, especialmente quanto aos
parâmetros microbiológicos coliformes totais e E. coli. Quanto à sazonalidade, os
meses de verão apresentaram maiores valores de coliformes totais, E. coli, nitrito,
nitrato, nitrogênio amoniacal e fosfato na Lagoa de Ibiraquera, justificando-se pelo
elevado aumento de contingente populacional devido ao turismo na região, e,
denotando assim a grande quantidade de lançamento de efluentes clandestinos no
corpo hídrico. Se aplicou o índice de Qualidade de Águas Costeiras – IQAC visando
sintetizar informações da qualidade da água, que a classificou como ruim. Assim,
sugeriu-se um monitoramento que abranja melhor as características do complexo
lagunar, bem como mais atenção quanto aos parâmetros que podem oferecer risco
aos banhistas; também se enfatizou que o entorno da laguna merece mais atenção
quanto à regularização estrutural, a fim de evitar maiores prejuízos ao corpo hídrico.
A dinâmica de abertura e fechamento da barra deve ser pauta na gestão da Lagoa de
Ibiraquera, ponderando-se prós e contras sobre a mesma.

Palavras-Chave: Imbituba. Laguna Costeira. Qualidade da Água. Sazonalidade.


Ibiraquera.
ABSTRACT

Coastal ecosystems suffer a constant deterioration of their naturals chacacteristics due


to Strong anthropogenic changes inn coastal regions, caused especially by
urbanization and population density. Coastal lagoons are importante systems that
connect ocean to the mainland. As a result, Lagoa de Ibiraquera, between Imbituba
and Garopaba, on the southern coast of Santa Catarina, suffers for urbanization of its
banls and the impacts caused by he population inflow in the region. Therefore, the aim
of this study was to characterize the Waters of that lagoon, between July 2019 and
June 2020, through 14 sample points, addressing aspects such as the influence oc
climatic variables and seasonality and the dynamics of opening and closing the bar
that connects it to the sea. The analyzes of the parameters ph, temperature, turbidity,
BOD, electrical conductivity, salinity, dissolved oxygen, total coliforms, E. coli, total
phosphorus, potassium, ammoniacal nitrogen, nitrite, nitrate, silica, sulfide, detergents
(las) and phosphate were carried out in situ and in IFSC campus Garopaba and
CISAM-Sul laboratories; air temperature and precipitation data was obtained remotely,
by EPAGRI/CIRAM. Descriptive statistics, Pearson's correlation, and multivariate
statistics were used to analyze their behavior. The results obtained showed great
variations in water quality parameters; the meteorological variables did not have a
strong influence on their behavior; the dynamics of opening and closing the bar greatly
influenced the parameters. It was concluded that in periods of closed bar, the lagoon
had greater deterioration of its waters, especially regarding the microbiological
parameters, as total coliforms and E. coli, which presented alarming values. About the
seasonality, the summer months showed higher values of total coliforms, E. coli, nitrite,
nitrate, ammoniacal nitrogen and phosphate in the Ibiraquera Lagoon, justified by the
high increase in the population contingent due to tourism in the region, and denoting
thus the large amount of discharge of clandestine effluents into the water body. The
Coastal Water Quality Index - CWQI was applied in order to synthesize information on
water quality, which classified it as bad. Thus, it was suggested a monitoring that better
covers the characteristics of the lagoon complex, as well as more attention as to the
microbiological parameters that may offer risk to bathers; it was also emphasized that
the lagoon surroundings deserve more attention regarding structural regularization, in
order to avoid further damage to the water body. The dynamics of opening and closing
the bar should be an issue in the management of the Ibiraquera Lagoon, weighing the
pros and cons of it.

Keywords: Imbituba. Coastal Lagoon. Water Quality. Seasonality. Ibiraquera.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Simbiose entre bactérias decompositoras e algas. .................................. 35


Figura 2 – Processo de autodepuração de um rio. ................................................... 40
Figura 3 – Processos de eutrofização de acordo com a ocupação do solo em área
de corpo hídrico......................................................................................................... 45
Figura 4 - Localização da Lagoa de Ibiraquera e pontos de coleta. ........................ 51
Figura 5 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo da área da Lagoa de Ibiraquera. ...... 62
Figura 6 - Comparação de valores de precipitação acumulada de 15 dias anteriores
às coletas e precipitação total mensal. ...................................................................... 70
Figura 7 - Valores de médias de temperatura do ar. ................................................. 73
Figura 8 – Variação de pH. ....................................................................................... 76
Figura 9 – Comportamento de pH em todos os pontos. ........................................... 76
Figura 10 – Variação de temperatura ....................................................................... 79
Figura 11 – Comportamento da temperatura em todos os pontos............................ 79
Figura 12– Variação de turbidez. .............................................................................. 83
Figura 13 – Comportamento da turbidez em todos os pontos .................................. 83
Figura 14 – Variação de oxigênio dissolvido............................................................. 86
Figura 15 – Comportamento do oxigênio dissolvido em todos os pontos. ................ 87
Figura 16 – Variação de salinidade. ......................................................................... 89
Figura 17– Comportamento da salinidade em todos os pontos................................ 90
Figura 18 – Variação da condutividade elétrica ........................................................ 91
Figura 19 – Comportamento da condutividade elétrica em todos os pontos. .......... 91
Figura 20 – Variação da DBO. .................................................................................. 94
Figura 21 – Comportamento da DBO em todos os pontos. ...................................... 94
Figura 22 – Variação de sólidos dissolvidos totais. .................................................. 96
Figura 23 – Comportamento de sólidos dissolvidos totais em todos os pontos........ 97
Figura 24 – Variação de nitrogênio amoniacal.......................................................... 99
Figura 25 – Comportamento de nitrogênio amoniacal em todos os pontos .............. 99
Figura 26 – Variação de nitrito ................................................................................ 101
Figura 27 – Comportamento de nitrito em todos os pontos .................................... 102
Figura 28 – Variação de nitrato ............................................................................... 104
Figura 29 – Comportamento de nitrato em todos os pontos. .................................. 104
Figura 30 – Variação de coliformes totais. .............................................................. 106
Figura 31 – Comportamento de coliformes totais em todos os pontos ................... 106
Figura 32 – Variação da E. coli ............................................................................... 109
Figura 33 – Comportamento de E. coli em todos os pontos ................................... 109
Figura 34 – Variação de fósforo total. .................................................................... 113
Figura 35 – Comportamento de fósforo total em todos os pontos ......................... 113
Figura 36 – Variação de potássio. .......................................................................... 115
Figura 37 – Comportamento de potássio em todos os pontos ............................... 115
Figura 38 – Variação de sílica ................................................................................ 117
Figura 39 – Comportamento de sílica em todos os pontos .................................... 118
Figura 40 – Variação de sulfeto .............................................................................. 121
Figura 41 – Comportamento de sulfeto em todos os pontos. ................................. 121
Figura 42 – Variação de detergentes/Las .............................................................. 123
Figura 43 – Comportamento de detergentes(Las) em todos os pontos. ................. 123
Figura 44 – Variação de fosfato. ............................................................................. 126
Figura 45 – Comportamento de fosfato em todos os pontos .................................. 126
Figura 46 – Dendograma resultante da análise de cluster. .................................... 128
Figura 47 - Biplot de ACP dos setores lagunares e das variáveis de qualidade da
água abordadas nesta análise. ............................................................................... 136
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Pontos de coleta, suas coordenadas geográficas e elevação do terreno.53


Tabela 2– Valores de pH obtidos durante o período de coletas. ............................... 74
Tabela 3 – Valores de temperatura obtidos durante o período de coletas. ............... 78
Tabela 4 – Valores de turbidez obtidos durante o período de coletas. ...................... 82
Tabela 5 – Valores de oxigênio dissolvido obtidos durante o período de coletas. .... 85
Tabela 6 – Valores de salinidade obtidos durante o período de coletas. .................. 88
Tabela 7 – Valores de condutividade elétrica obtidos durante o período de coletas. 90
Tabela 8 – Valores de DBO obtidos durante o período de coletas. ........................... 93
Tabela 9 – Valores de sólidos dissolvidos totais obtidos durante o período de
coletas. ...................................................................................................................... 95
Tabela 10 – Valores de nitrogênio amoniacal obtidos durante o período de coletas
(mg/L). ....................................................................................................................... 98
Tabela 11 – Valores de nitrito obtidos durante o período de coletas, em mg/L. ..... 100
Tabela 12 – Valores de nitrato obtidos durante o período de coletas...................... 103
Tabela 13 – Valores de coliformes totais obtidos durante o período de coletas. ..... 105
Tabela 14 – Valores de E. coli obtidos durante o período de coletas. ..................... 107
Tabela 15 – Valores de fósforo total obtidos durante o período de coletas. ............ 112
Tabela 16 – Valores de potássio obtidos durante o período de coletas. ................. 114
Tabela 17 – Valores de sílica obtidos durante o período de coletas. ...................... 116
Tabela 18 – Valores de sulfeto obtidos durante o período de coletas. .................... 119
Tabela 19 – Valores de detergentes obtidos durante o período de coletas. ........... 122
Tabela 20 – Valores de fosfato durante o período de coletas. ................................ 125
Tabela 21 – Variações de parâmetros mais notáveis em detrimento da sazonalidade
e da dinâmica de fechamento da barra. .................................................................. 127
LISTA DE QUADROS

Quadro 1– Classes de uso da água de acordo com a Resolução 375/2005 do


CONAMA (BRASIL, 2005) ......................................................................................... 25
Quadro 2– Classes de uso da água de acordo com a Resolução 375/2005 do
CONAMA (BRASIL, 2005) ......................................................................................... 28
Quadro 3 ̶ Parâmetros e métodos analíticos utilizados. ........................................ 57
Quadro 4 - Matriz de correlação de Spearman entre as variáveis em estudo.
Conteúdo das células: Rô de Spearman (superior) e Valor-p (inferior). .................... 67
Quadro 5 ̶ Correlações significativas entre variáveis meteorológicas e variáveis de
qualidade da água. .................................................................................................... 68
Quadro 6 ̶ Valores de precipitação durante o período amostral. ............................ 70
Quadro 7 - Valores de temperatura do ar durante o período amostral. ................... 72
Quadro 8 - Valores de dissimilaridade entre os pontos medidos através da distância
euclidiana (m). ......................................................................................................... 129
Quadro 9 - Valores de máxima, média, mínima e desvio padrão de todos os
parâmetros dos grupos obtidos por análise em cluster. .......................................... 131
Quadro 10 - Valores de máxima, média, mínima e desvio padrão de todos os
parâmetros dos grupos obtidos por análise em cluster. .......................................... 134
Quadro 11 ̶ Valores de variância e de autovalor para cada componente............. 135
Quadro 12 - Correlação entre as variáveis e respectivos fatores extraídos da ACP.
................................................................................................................................ 135
Quadro 13 - Categorias de qualidade da água do IQAC. ....................................... 137
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRAPPESQ – Associação Brasileira de Pisicultores e Pescadores


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ACP – Análise de Componentes Principais
APHA – American Public Health Association
APP – Área de Preservação Permanente
ANA – Agência Nacional de Águas
Cfa - Clima Subtropical
CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente
CCME – Canadian Council of Ministers of the Environment
CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
CPTEC – Centro de Previsão ee Tempo e Estudos Climáticos
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
CRQ – Conselho Regional de Química
DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz De Queiroz
FAPESP – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo
FUNASA – Fundação Nacional da Saúde
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IFSC – Instituto Federal de Santa Catarina
INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
IQAC – Índice de Qualidade da Água Costeira
K – Potássio
N. A. – Nitrogênio Amoniacal
MMA – Ministério do Meio Ambiente
NMP – Número Mais Provável
O.D. – Oxigênio Dissolvido
pH – Potencial Hidrogeniônico
PNRH – Política Nacional de Recursos Hídricos
P.T. – Fósforo Total
SES – Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo
SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
S.D.T. – Sólidos Dissolvidos Totais
VMP – Valor máximo permitido
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 15
2. OBJETIVOS........................................................................................................ 22
2.1. Objetivo geral .................................................................................................. 22
2.2. Objetivos Específico ........................................................................................ 22
3. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................... 23
3.1. Qualidade da Água .......................................................................................... 23
3.2. Aspectos Legais sobre a Qualidade das Águas no Brasil ............................... 24
3.3. Balneabilidade de Corpos Hídricos ................................................................. 27
3.4. Parâmetros de Qualidade das Águas .............................................................. 29
3.5. Eutrofização..................................................................................................... 44
3.6. Índices de Qualidade da Água......................................................................... 46
3.7. Variáveis Meteorológicas ................................................................................ 47
4. MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................. 50
4.1. Área de Estudo ................................................................................................ 50
4.3. Delineamento Experimental ............................................................................... 53
4.2. Obtenção de Dados......................................................................................... 54
4.3. Procedimentos em Campo .............................................................................. 55
4.4. Análises dos Parâmetros ................................................................................. 56
4.5. Análise Estatística ........................................................................................... 60
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................ 62
5.1. Uso e Ocupação do Solo ................................................................................. 62
5.2. Correlação de Parâmetros Estudados ............................................................. 65
5.3. Variação espaço-sazonal dos parâmetros estudados ..................................... 69
5.4. Compilação de variações mais relevantes .................................................... 126
5.5. Análise de Cluster ou Análise de Agrupamento ............................................ 128
5.6. Análise dos Componentes Principais – ACP ................................................. 134
5.7. Índice de Qualidade das Águas Costeiras – IQAC ........................................ 137
6. PRODUTO DESENVOLVIDO ........................................................................... 141
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 142
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 144
ANEXO 1 – Declarações de Recebimento de Produto deste Estudo...................... 154
ANEXO 2 – Relatório Técnico de Qualidade da Água .......................................... 1577
15

1. INTRODUÇÃO

Devido à localização privilegiada que provê recursos naturais e econômicos, os


ambientes costeiros tem sido alvo de grande pressão populacional em processos de
ocupação tanto pela obtenção de matéria prima (pesca, maricultura e carcinicultura,
por exemplo), quanto pelo usufruto de paisagismo, do turismo, da balneabilidade das
praias, e da localização estratégica para o escoamento de produção. Tal fenômeno
vem propiciando alterações das paisagens costeiras em um ritmo elevado nos últimos
40 anos a nível mundial (SHI; SINGH; 2003), resultando em impactos ambientais de
origem antropogênica que afetam diretamente essas áreas, e que tem como causas
corriqueiras o uso e ocupação do solo, a navegação, o despejo de efluentes, dentre
outros. Assim, as planícies litorâneas têm sua paisagem natural afetada, inclusive
seus ecossistemas, como lagunas, rios, campos de dunas, estuários, vegetação de
restinga, dentre outros. Segundo Moura (2009), esse fato ocasiona a
descaracterização ecológica, a deterioração de corpos hídricos e o desconforto
climático, e ainda leva a uma desvalorização dos recursos que serviram de atrativos
para a ocupação inicial dessas áreas.

No Brasil, o litoral foi a primeira porção a ser colonizada, cujo processo de


ocupação se deu de maneira diferente em diversos trechos do país devido a
circunstâncias naturais, geográficas, econômicas e sociais distintas, variando
bastante ao longo do espaço e tempo (MORAES, 2007). Esse processo segue até
atualmente em acelerado adensamento populacional, o que põe a zona costeira e
seus ecossistemas em maiores riscos de impactos ambientais.

De acordo com Cohenca (2017), o litoral de Santa Catarina, estado localizado


na região sul do Brasil, vem sendo ocupado principalmente devido a fatores como a
especulação imobiliária, o aumento no número de indústrias, a ampliação da
infraestrutura, dentre outros. Vale ressaltar que o turismo é um grande contribuinte
desses fatores. E, tendo isso em vista, faz-se necessária devida atenção quanto ao
processo de ocupação para se tomarem medidas cautelosas para com os ambientes
costeiros, dentre os quais está o ambiente lagunar.

Sabendo-se que lagunas são corpos de águas calmas e de baixas


profundidades que mantém comunicação com o mar (SUGUIO et al. 1985), elas estão
16

suscetíveis aos processos antropogênicos ocasionados pela ocupação no litoral.


Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005) afirmam que os sistemas lagunares da região sul
do Brasil são formados especialmente por águas salobras que se comunicam com a
região costeira por meio de canais relativamente estreitos. Muito mencionado na
literatura acerca do tema, Kjerfev (1994) também conceitua lagunas, como:

Corpos d’água continentais, encontrados em todos os continentes, geralmente


paralelos à costa, separados do oceano por uma barreira e ligados a ele por uma
ou mais entradas restritas que permaneçam abertas pelo menos
intermitentemente e com profundidades de água que raramente excedam alguns
metros. Uma laguna pode ou não estar sujeita à mistura de marés, e a salindade
pode variar de água doce costeira até hipersalina, dependendo do balanço
hidrológico.

As lagunas são bastante suscetíveis à poluição e à alteração dos parâmetros


de qualidade de suas águas, especialmente, por reterem compostos de origem
orgânica e inorgânica e demais materiais carreados por contribuintes fluviais ou por
drenagem, onde atuam como “filtros” desses componentes, como coloca Kjerfev
(1994), e retém, por elevado período de tempo, sedimentos, poluentes e matéria
orgânica provindos de suas adjacências. O autor também menciona que esses
sistemas costeiros geralmente apresentam altas taxas de produtividade primária e
secundária, agregando valores para atividades econômicas, como a aquicultura.

Os impactos resultantes de atividades antrópicas no entorno de uma laguna


refletem diretamente na qualidade de suas águas, e, tendo por base o conceito de
qualidade da água como relacionado ao uso que se faz desse recurso, o grau de
qualidade é obtido através de uma série de parâmetros físico-químicos e
microbiológicos mínimos necessários para se caracterizar determinada água como
própria para um uso ou atividade específica (EMBRAPA, 2015). Os padrões
estabelecem valores que cada parâmetro deva ter para se enquadrar um corpo de
água em classes predeterminadas pela legislação vigente, de acordo com os seus
usos preponderantes: segundo a Resolução 357 do Conselho Nacional de Meio
Ambiente – CONAMA (2005), as águas doces, salobras e salinas do Território
Nacional são classificadas em treze classes de qualidade de água; a Resolução
274/2000 (CONAMA, 2000), por sua vez, estabelece padrões para usufruto de água
para balneabilidade. Neste entendimento, os parâmetros físico-químicos e
microbiológicos são importantes para a caracterização da qualidade da água de um
corpo hídrico, para fins de balneabilidade, para fins de enquadramento de padrões, e
17

para manejo adequado do ambiente.

Com isso, os complexos lagunares, especialmente os presentes em áreas


urbanas, estão vulneráveis a diversas alterações de suas características,
corroboradas pelo uso e ocupação do solo de maneira inadequada em seus arredores.
Grandes alterações nos estados naturais e a deterioração desses ambientes lênticos
têm como principais causas o lançamento de efluentes não tratados e o despejo
inadequado de resíduos sólidos, que se configuram em impactos variados, como a
aceleração do processo de eutrofização, alterações nos recursos tróficos e reflexos
negativos na qualidade dos habitats e na biota (MARQUES, MORAES e MAURAT,
2002).

Concomitantemente, vale salientar que a precipitação atua diretamente nos


processos químico-físicos e biológicos que envolvem um corpo d’água. Como
abordado por Pinheiro et al. (2014), ela se constitui como um importante fenômeno do
ciclo hidrológico, promovendo alterações significativas no ambiente por meio da
erosão do solo, transporte de poluentes de origem difusa, carreamento de material
particulado e de nutrientes, em diferentes escalas espaciais de acordo com o uso e
ocupação do solo. Em se tratando da região sul do Brasil, onde o alvo desse estudo
se localiza, Rao e Hada (1990) afirmam que a precipitação na área é bem distribuída
e com totais pluviométricos elevados (1050-1750 mm/ano) ao longo do ano; Monteiro
(2001) também enfatiza que o estado de Santa Catarina é um dos estados da
federação que apresenta melhor distribuição pluviométrica por sua localização
geográfica e ainda cita que eventos extremos como tempestades são comuns em
qualquer época do ano. Com isso, o regime de chuvas pode influenciar diretamente
nas características da água de um corpo lagunar e deve ser levado em consideração
em estudos de qualidade da água.

A temperatura do ar é um dos principais elementos climáticos que está ligado


a processos químico-físicos e biológicos que interferem na qualidade da água. Oliver
e Ribeiro (2014), ao estudarem a proliferação de algas em corpos hídricos na região
metropolitana de São Paulo, verificaram que a temperatura do ar, juntamente com a
precipitação, são os elementos climáticos que mais atuam no comportamento de
parâmetros de qualidade da água. Segundo a Associação Brasileira de Piscicultores
e Pesqueiros – ABRAPPESQ (2003), a temperatura do ar tem efeito direto na
18

temperatura da água, e por sua vez, altera as taxas cinéticas das reações químicas,
na estrutura proteica e nas funções enzimáticas dos organismos. Sabe-se também
que a temperatura altera a solubilidade de gases, o consumo de oxigênio e até a
toxicidade de substâncias (CETESB, 2017; FUNASA, 2014; ABRAPPESQ, 2003).
Assim, também é um parâmetro climático que se faz importante nas análises de
qualidade da água.

A Lagoa de Ibiraquera, situada entre as cidades de Imbituba e Garopaba, na


mesorregião sul do estado de Santa Catarina, se constitui de uma laguna (apesar do
nome popular “Lagoa”) por ter ligação com o mar através da abertura esporádica de
sua desembocadura. Dentre os seus usos, estão a atividades turísticas e recreativas,
a pesca e o valor paisagístico, o que a caracteriza como um corpo estuarino
importante para a biota local e para a população que faz uso dos seus recursos. Pelo
entendimento de Kjerfev (1994), a Lagoa de Ibiraquera é classificada como “choked
coastal lagoon”, em português, laguna estrangulada, baseado no grau de troca de
águas entre o sistema lagunar e o mar pela sua única desembocadura. Ainda de
acordo com estudos de Bonetti e colaboradores (2005), a desembocadura é aberta
esporadicamente de maneira não natural de modo com que o excesso de água no
interior da laguna, em épocas de cheia, extravase e que haja o fluxo de espécies de
interesse econômico/social entre os distintos ambientes. A entrada de água do mar,
além de propiciar o trânsito de organismos, eleva a salinidade da água do corpo
lagunar. Frisa-se que não há nenhum grande rio que deságue nela, mas há riachos
que fornecem água doce a mesma (BONETTI; BONETTI; BELTRAME; 2005).

No entorno da Lagoa de Ibiraquera vivem comunidades pesqueiras que fazem


uso comercial e para subsistência até os dias atuais. Os pescadores da região
apontam quatro espécies principais de camarão, três de siri e uma de caranguejo, e,
pelo menos, vinte e quatro espécies de peixes marinhos, com foco para a tainha e
carapicu, e peixes de água doce, como o cará e a traíra, e ainda há moluscos, como
o berbigão e ostra, segundo Bonetti e colaboradores (2005). Assim, percebe-se a
abundância de recursos pesqueiros, que se fez e se faz importante para o processo
de ocupação no entorno do complexo lagunar. Além disso, a área conta com
atividades de agricultura, aquicultura e criação de bovinos em pequena escala,
conforme os estudos de Beltrame e Freitas (2012).
19

É importante frisar que a laguna está situada em área de grande potencial


turístico, que vem sendo explorado desde meados de 1970 (SEIXAS, 2010). Destaca-
se o valor paisagístico, o potencial para o ecoturismo, e para esportes náuticos, como
windsurfe, kitesurf, Stand Up Paddle, canoagem, e pesca esportiva. Assim, o local
atrai pessoas e empresas dos setores turístico, hoteleiro, gastronômico, e esportivo,
resultando em maior infraestrutura no entorno da laguna a fim de se comportar tal
demanda. Também vale salientar que a cidade de Imbituba é a Capital Nacional da
Baleia Franca (BRASIL, 2010) e parte da Lagoa de Ibiraquera está inserida na Área
de Proteção Ambiental da Baleia Franca, criada sob decreto federal s/n° em 14 de
setembro de 2000, com o objetivo de proteger a baleia franca austral e ordenar e
garantir o uso racional dos recursos naturais da região, incluindo o uso e ocupação do
solo (BRASIL, 2000).

Especialmente durante os meses de verão e em feriados, como no carnaval,


há um aumento considerável da população das duas cidades no qual a Lagoa de
Ibiraquera se situa, devido principalmente às suas diversas praias e demais atrativos
turísticos. Segundo Freitas e Beltrame (2012), quase dois terços (2806 residências de
um total de 4694) do total de residências no entorno da laguna são de ocupação
sazonal, o que resulta em um aumento três vezes maior da população durante a
temporada de verão. Além disso, considera-se uma taxa de crescimento anual de 8,32%
no número de residências da região (FREITAS; BELTRAME; 2012). Esse aporte
populacional acaba resultando em maior despejo de efluentes e maior geração de
resíduos resultante da demanda de pessoas acima da média na região. Segundo a
CETESB (2017), a população flutuante de municípios litorâneos é um dado importante
a ser considerado no monitoramento de qualidade das águas.

De acordo com a Revisão do Plano de Saneamento Básico Participativo de


Imbituba, realizado pela Prefeitura Municipal de Imbituba (2015), que usou dados
relativos à população flutuante das cidades de Garopaba e de Laguna, ambas
situadas na mesma região, a estimativa da população flutuante para a cidade de
Imbituba em 2020 seria de 33.490 habitantes, o que corresponde a um incremento de
aproximadamente 72% em relação à população fixa da cidade, o que evidencia o
aporte populacional que a região recebe em meses de alta temporada.

Devido à crescente especulação imobiliária e ao adensamento populacional


20

nas suas bordas, motivados pelo potencial turístico da região, a laguna se encontra
em estado de vulnerabilidade a diversos impactos ambientais que podem resultar do
inadequado uso e ocupação do solo, da falta de sistemas de drenagem urbana, do
depósito inadequado de resíduos sólidos, da supressão de vegetação, de
lançamentos clandestinos de efluentes, do assoreamento, da presença de fossas
sépticas mal estruturadas/localizadas, dentre outros. Sendo assim, é fundamental
atentar-se quanto à maneira em como o entorno de Ibiraquera é urbanizado, para se
garantir a qualidade de suas águas, de forma com que a exploração e uso dos seus
recursos não sejam afetados pela deterioração ambiental, salientando-se ainda o
artigo 255 da Constituição Federal (BRASIL, 1988), na qual a coletividade e o poder
público têm o dever de defender o meio ambiente e preserva-lo para presentes e
futuras gerações.

Um outro problema pertinente quanto à região é a carência de monitoramento


ambiental eficiente da laguna, já que o único ponto monitorado pelo Instituto de Meio
Ambiente de Santa Catarina – IMA (FATMA, 2019) se situa na desembocadura da
Lagoa de Ibiraquera, enquanto que a maior parte do corpo d’água não é monitorada.

Felizmente, graças à crescente preocupação social com os aspectos


ambientais do desenvolvimento e à necessidade de utilizar cada vez mais parâmetros
de qualidade de água para coleta de informações acerca de corpos hídricos, foram
criados métodos que se constituem de índices indicadores ambientais, através de
processos que requerem uma quantidade cada vez maior de informações em
diferentes graus de complexidades, e que sejam sintetizadas de maneira sistemática
e acessível (CETESB, 2015). Deste modo, nasceram os diversos Índices de
Qualidade de Água como fortes aliados na tomada de decisões e no gerenciamento
ambiental de recursos hídricos. A CETESB já utiliza desde 1975 o IQA – Índice de
Qualidade de Água para a gestão de unidades de gerenciamento de recursos hídricos
do estado de São Paulo. Contudo, no caso do corpo lagunar em questão, em se
tratando de águas salobras, pode-se aplicar o Índice de Qualidade de Águas Costeiras
– IQAC, elaborado pelo Conselho Canadense de Ministros do Meio Ambiente em 2001
(CETES, 2015) para sintetizar informações obtidas durante a elaboração deste estudo,
o qual também é utilizado pela CETESB para monitoramento de águas costeiras do
litoral paulista.
21

Assim, o presente trabalho visa analisar e monitorar a qualidade das águas da


Lagoa de Ibiraquera no decorrer de um ano (julho de 2019 a junho de 2020),
considerando a influência de variáveis meteorológicas nas diferentes estações e a
sazonalidade populacional da região. Objetiva-se também o uso de técnicas
estatísticas e o Índice de Qualidade de Água Costeira (IQAC) para elucidar
informações da qualidade da laguna. A partir dos resultados, pretende-se elencar
sugestões ao poder público e à comunidade em geral, a fim de se obter medidas de
conservação do ambiente.
22

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo geral

Analisar a qualidade das águas da Lagoa de Ibiraquera em um período de um


ano, em conjunto com elementos climáticos e com a sazonalidade da região, a fim de
caracterizar as alterações e suas causas.

2.2. Objetivos Específico

▪ Analisar parâmetros físico, químicos e biológicos de qualidade da água;


▪ Analisar parâmetros meteorológicos;
▪ Gerar Índice de Qualidade de Água Costeira;
▪ Caracterizar o uso e ocupação do solo às margens da laguna;
▪ Analisar comportamento dos parâmetros de qualidade da água em relação
à dinâmica de abertura e fechamento da barra da laguna;
▪ Analisar a qualidade da água em relação aos meses de alta temporada na
região.
23

3. REVISÃO DE LITERATURA

3.1. Qualidade da Água

Como abordado pela EMBRAPA (2015), o grau de qualidade da água é dado


através de uma série de padrões físicos, químicos e biológicos necessários para se
estabelecer se um corpo d’água é apropriado a determinado uso ou atividade. Assim,
claramente, nem todo tipo de água é adequado para qualquer fim e cada tipo de uso
exige diferentes níveis da qualidade da água. Neste quesito decorrem alguns fins
para o uso das águas, como estabelece a resolução CONAMA n° 357/2005 (BRASIL,
2005): abastecimento para consumo humano, preservação das comunidades aquáti-
cas, recreação de contato primário e secundário, pesca, irrigação de culturas arbóreas
e/ou hortaliças, a navegação, e a harmonia paisagística. Logo, os requisitos de quali-
dade da água devem ser atendidos de acordo com seus variados usos, caso contrário,
representam um fator limitante para o seu aproveitamento e gestão, conforme a Agên-
cia Nacional de Águas – ANA (2012).

De acordo com Sperling (2005), a qualidade da água é resultante de fenômenos


naturais e de fenômenos provenientes da atuação antrópica. A qualidade de determi-
nado corpo hídrico se dá em função do uso e ocupação e do estado do solo da bacia
hidrográfica na qual ele está inserido. Deste modo, em meio a condições naturais e
mesmo que a bacia hidrográfica esteja preservada, a qualidade das águas é afetada
por escoamento superficial e subsuperficial, pela precipitação e pela infiltração no solo
(SPERLING, 2005). Tais fenômenos incorporam características às águas, como
aporte de sólidos em suspensão, alterações de pH de acordo com a constituição do
solo e de material presente nas áreas adjacentes, alterações no aporte de nutrientes,
dentre outros. Já de maneira antrópica, as alterações na qualidade das águas de uma
bacia hidrográfica podem resultar de atividades pontuais, como a emissão de efluen-
tes domésticos e industriais ou de atividades dispersas, como da aplicação de defen-
sivos agrícolas, contribuindo com o aporte de compostos em um corpo hídrico. As
condições do solo também influenciam na qualidade dos corpos no que tange a fenô-
menos como assoreamento e lixiviação das áreas adjacentes.
24

3.2. Aspectos Legais sobre a Qualidade das Águas no Brasil

Quanto aos aspectos legais sobre a qualidade das águas e a gestão de recur-
sos hídricos no Brasil, ao decorrer do tempo, foram elaboradas e implementadas nor-
mativas e leis que tratam do assunto. Já em 10 de julho de 1934, foi decretado o
Código das Águas – Decreto n° 2.4643 (BRASIL, 1934), que tratou de assuntos rela-
cionado ao direito de uso das águas, previu os usos comuns e particulares dos recur-
sos hídricos. O código engloba os usos comuns e públicos de qualquer água corrente
provida por recursos hídricos nacionais para atendimento a necessidades primordiais
da vida, bem como em áreas assoladas pela seca, correntes navegáveis e flutuáveis,
e fontes de reservatórios públicos. São determinadas pelo decreto como particulares
todas as águas situadas em situações não públicas e em terrenos privados. De acordo
com Lopes (2007), este foi, durante muito tempo, uma das únicas legislações a tratar
do assunto no país.

Em 8 de janeiro de 1997 foi instituída a Lei n° 9.433 que trata da Política Naci-
onal de Recursos Hídricos - PNRH (BRASIL, 1997), seus fundamentos, objetivos, di-
retrizes e instrumentos que visam a preservação e uso adequado dos corpos d’água.
Assim, a lei estabeleceu que a água em território nacional como bem público e recurso
limitado, objetivando a assegurar seu uso à atual e às futuras gerações.

Um dos pontos importantes trazidos pela PNRH foi o uso dos Planos de Recur-
sos Hídricos, que são planos diretores que visam orientar o gerenciamento dos usos
da água geralmente delimitados por bacias hidrográficas, bem como a implementação
de enquadramento dos corpos hídricos em classes de usos preponderantes da água,
como já citado acima, e o estabelecimento de outorgas de uso de água (BRASIL,
1997), que são autorizações sob regime de controle dadas pelo órgão competente a
usuários de águas de acordo com a quantidade e uso pretendido.

Em meio ao tema, a Resolução CONAMA n° 357 de 2005 dispõe sobre a clas-


sificação dos corpos d’água e diretrizes ambientais para o enquadramento dos mes-
mos, seguindo condições e padrões de parâmetros estabelecidos pelo órgão (BRASIL,
2005), servindo como base jurídica para o enquadramento dos corpos hídricos e re-
forçando a PNRH. Esta Resolução classifica os corpos d’água em classes diferentes,
às quais são estabelecidas padrões e valores máximos permitidos para os parâmetros
25

físicos, químicos e biológicos. Ao todo, são treze classes estabelecidas no artigo 3°


da resolução, englobadas para águas doces, salobras e salgadas, tal como mostra o
quadro 1 a seguir:

Quadro 1– Classes de uso da água de acordo com a Resolução 375/2005 do CONAMA (BRASIL, 2005)
Usos Preponderantes
Classes Águas doces Águas Salgadas Águas Salobras
Classe a) Abastecimento para con- a) Preservação dos ambi- a) Preservação dos am-
Especial sumo humano com desinfec- entes aquáticos em unida- bientes aquáticos em
ção; des de conservação de unidades de conserva-
b) Preservação e equilíbrio na- proteção integral; ção de proteção inte-
tural das comunidades aquáti- b) Preservação do equilí- gral;
cas; brio natural das comunida- b) Preservação do equi-
c) Preservação dos ambientes des aquáticas. líbrio natural das comu-
aquáticos em unidades de con- nidades aquáticas.
servação de proteção integral;
Classe 1 a) Abastecimento para con- a) Recreação de contato a) Recreação de con-
sumo humano, após trata- primário; tato primário, conforme
mento simplificado; b) Proteção das comunida- Resolução CONAMA
b) Proteção das comunidades des aquáticas; no 274, de 2000;
aquáticas; c) Aquicultura e a atividade b) Proteção das comu-
c) Recreação de contato primá- de pesca. nidades aquáticas;
rio. c) Aquicultura e a ativi-
d) Irrigação de hortaliças que dade de pesca;
são consumidas cruas e de fru- d) Abastecimento para
tas que se desenvolvam rentes consumo humano após
ao solo e que sejam ingeridas tratamento convencio-
cruas sem remoção de pelí- nal ou avançado;
cula; e) Irrigação de hortali-
e) Proteção das comunidades ças que são consumi-
aquáticas em Terras Indíge- das cruas e de frutas
nas. que se desenvolvam
rentes ao solo e que se-
jam ingeridas cruas
sem remoção de pelí-
cula, e a irrigação de
parques, jardins, cam-
pos de esporte e lazer,
com os quais o público
possa vir a ter contato
direto.
Classe 2 a) Abastecimento para con- a) Pesca amadora; a) Pesca amadora;
sumo humano, após trata- b)Recreação de contato b) Recreação de con-
mento convencional; secundário. tato secundário.
b) Proteção das comunidades
aquáticas;
c) Recreação de contato primá-
rio;
d) Irrigação de hortaliças, plan-
tas frutíferas e de parques, jar-
dins, campos de esporte e la-
zer, com os quais o público
possa vir a ter contato direto;
e) Aquicultura e à atividade de
pesca.
26

Classe 3 a) Abastecimento para con- a) Navegação; a) Navegação;


sumo humano, após trata- b) Harmonia paisagística. b) Harmonia paisagís-
mento convencional ou avan- tica.
çado;
b) Irrigação de culturas arbó-
reas, cerealíferas e forrageiras;
c) Pesca amadora; d) Recrea-
ção de contato secundário;
e) Dessedentação de animais.
Classe 4 a) Navegação;
b) Harmonia paisagística.
Fonte: Adaptado da Resolução Conama 357/2005 (BRASIL, 2005)

Atrelado à preservação dos corpos hídricos, a Lei n° 12.651, de 25 de maio de


2012 institui o Novo Código Florestal, que dispõe e estabelece normas sobre a prote-
ção de vegetação nativa, de áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal,
objetivando o desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2012). Em seu Artigo 3°, pará-
grafo II, o texto aborda as Áreas de Preservação Permanentes – APP, como sendo
áreas de vegetação nativa ou não que devem ser protegidas visando a função ambi-
ental de preservação dos recursos hídricos, dentre outros. Assim, é delimitada uma
faixa marginal aos corpos d’água de acordo com a largura ou área de lâmina d’água.
No caso dos rios, por exemplo, sejam eles intermitentes, isto é, que secam ou que
não correm durante todo o ano, ou perenes, que mantém seu curso sempre, é esta-
belecida a proteção de uma faixa de 30 m de vegetação para rios de menos de 10 m
de largura. O tamanho da APP aumenta à medida que mais largo for o rio. Também é
garantido zonas de APP para os entornos de lagos naturais, sendo de 30 m em zonas
urbanas e 100 m em zonas rurais; e para o entorno de nascentes ou olhos d’água é
garantida APP de 50 m. Tais medidas, quando respeitadas, possibilitam a manuten-
ção da biota aquática, a fixação geológica das áreas adjacentes e a infiltração da água
das chuvas, abastecendo o lençol freático, além de impedirem o assoreamento dos
corpos d’água e a lixiviação de nutrientes, sólidos e poluentes aos rios e lagos.

Em se tratando de qualidade da água para Potabilidade, a Portaria de Consoli-


dação n° 5, de 28 de setembro de 2017 (BRASIL, 2017), consolida normas sobre as
ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde e aborda aspectos qualita-
tivos da água para potabilidade. Nestes instrumentos legislativos, se encontram pa-
drões de parâmetros físico-químicos e microbiológicos para águas de consumo hu-
mano submetida a tratamentos, bem como instruções quanto a trâmites para outorga
27

e uso de água em sistemas e soluções alternativas de abastecimento coletivo desti-


nadas ao consumo humano.

3.3. Balneabilidade de Corpos Hídricos

A balneabilidade está intimamente ligada ao manejo do corpo hídrico, ao sane-


amento e uso do solo da região adjacente. Em regiões litorâneas, por exemplo, onde
há um incremento demográfico em altas temporadas, atrelado à falta de saneamento
básico para atender tal demanda, a carga de efluentes domésticos aumenta proporci-
onalmente à população, modificando a qualidade das águas e afetando a balneabili-
dade sazonalmente (CETESB, 2003). Assim, se faz necessário ainda uma atenção
maior em tais regiões em épocas de veraneio, a fim de amenizar o comprometimento
da balneabilidade e garantir a saúde de banhistas.

De acordo com a CETESB (2020), a balneabilidade se refere à qualidade das


águas destinada à recreação de contato primário, em atividades que demandem con-
tato direto e prolongado com a água, como natação, esqui-aquático, mergulho, surfe,
dentre outros, nas quais há a possibilidade de ingestão de quantidades relevantes de
água. Assim, o uso da água para fins recreativos de contato primário, tal como para
outros fins, como de potabilidade, se baseia em indicadores a serem monitorados, de
forma que atendam padrões de qualidade pré-estabelecidos.

Segundo a Resolução CONAMA n° 274 de 29 de novembro de 2000 (BRASIL,


2000), as águas doces, salobras e salinas tem suas condições avaliadas nas catego-
rias própria e imprópria para fins de balneabilidade, ou seja, de contato primário. O
principal indicador para essa classificação é a quantidade de bactérias fecais encon-
tradas nas análises dos corpos hídricos, tendo três indicadores microbiológicos pre-
vistos na legislação: coliformes termotolerantes, Escherichia coli e enterococos.

Dentre as águas classificadas como próprias, ainda há uma subdivisão de ca-


tegorias: a) Excelente: quando 80% ou mais das amostras coletadas em 5 semanas
apresentem, no máximo, 250 coliformes fecais ou 200 E. coli ou 25 enterococos por
100 mL; b) Muito Boa: quando 80% ou mais das amostras coletadas em 5 semanas
apresentem, no máximo, 500 coliformes fecais ou 400 E. coli ou 50 enterococos por
100 mL; c) Satisfatória: quando 80% ou mais das amostras coletadas em 5 semanas
28

apresentem, no máximo, 1000 coliformes fecais ou 800 E. coli ou 100 enterococos


por 100 mL (BRASIL, 2000).

Ainda, de acordo com a mesma normativa, as águas são consideradas impró-


prias, quando, no local avaliado, ocorrer: o não atendimento dos critérios estabeleci-
dos para águas próprias; o valor obtido na última amostragem for acima de 2500 coli-
formes fecais ou 2000 E. coli ou 400 enterococos por 100 mL; incidência elevada ou
anormal de enfermidades transmissíveis por via hídrica na região; presença de resí-
duos ou despejos sólidos e líquidos prejudiciais à recreação; pH menor que 6 ou maior
que 9, floração de organismos potencialmente prejudiciais; outros fatores que contra-
indiquem a recreação.

As presenças de micro-organismos patógenos em águas destinadas à recrea-


ção de contato primário possibilitam infecções e uma série de doenças, em sua mai-
oria, diarreicas e gastroenterites, de acordo com a Secretaria do Estado de Saúde de
São Paulo – SES/SP (2009). Vale frisar, que algumas doenças são causadas não
somente pela ingestão de água contaminada e sim também pelo contato com a pele
ou olhos.

Sperling (2005), em seu livro Introdução à Qualidade da Água e ao Tratamento


de Esgotos, elenca as principais doenças de veiculação hídrica, dentre as quais des-
tacam-se as passíveis de contaminação através da recreação de contato primário no
quadro 2:

Quadro 2– Classes de uso da água de acordo com a Resolução 375/2005 do CONAMA (BRASIL, 2005)
Doença Agente Causador Sintomas
Ingestão de Água Contaminada
Desinteria Bacilar Bactéria (Shigella dysente- Forte diarréia
riae)
Cólera Bactéria (Vibrio cholerae) Forte diarreia, desidratação
Leptorspirose Bactéria (Leptospira) Icterícia, febre
Salmonelose Bacteria (Salmonella) Febre náuse, diarréia
Febre Tifóide Bacteria (Salmonella typho) Febre, diarreia, ulceração do
intestino delgado
29

Desinteria Amebi- Protozoário (Entamoeba his- Diarréia com sangramento,


ana tolytica) abscessos no fígado e intestino
fino
Giardiase Protozoário (Giardia lamblia) Diarréia, náuse, indigestão, fla-
tulência
Hepatite Infecci- Vírus (vírus da hepatite A) Icterícia, febre
osa
Gastroenterite Vírus (enterovírus, parvoví- Diarréia
rus, rotavírus)
Paralisia Infantil Vírus (Poliomielites vírus) Paralisia
Contato com Água Contaminada
Escabiose Sarna (Satcoptes scabiel) Úlceras na pele
Tracoma Clamídia (Chlamydia traco- Inflamação dos olhos, cegueira
matis)
Fonte: Adaptado de Sperling (2005)

3.4. Parâmetros de Qualidade das Águas

Como já abordado, a qualidade da água se dá em função de uma série de


parâmetros físicos, químicos e biológicos que expressam características importantes
quanto ao uso que se dá à mesma. Tais parâmetros são selecionados de acordo com
o programa de monitoramento qualitativo necessário e com os objetivos almejados
para seu uso (LOPES, 2007). O conjunto de parâmetros abordados a seguir, conside-
rando sua factibilidade financeira, se configuraram como importantes no monitora-
mento sazonal da qualidade da água da Lagoa de Ibiraquera.

3.4.1. Parâmetros Físicos

a) Temperatura

De acordo com a Fundação Nacional da Saúde - FUNASA (2014), a


temperatura é a expressão de energia cinética das moléculas de um corpo, com o seu
gradiente responsável pela transferência de calor, comumente expressa em °C no
país. Sua alteração se dá tanto por causas naturais, como a variação do tempo e de
30

incidência solar em determinada região durante o dia e no decorrer dos meses, quanto
por causas antrópicas, como pelo despejo de efluentes, pelo uso da água para
resfriamento de máquinas ou para outros processos produtivos. É um parâmetro
extremamente importante pois rege a velocidade de reações químicas em um corpo
hídrico, bem como influencia nas atividades metabólicas dos organismos e na
solubilidade de substâncias no meio (FUNASA, 2014).

Em consonância com a CETESB (2017), a variação da temperatura da água


dos corpos hídricos, dentre eles as lagunas, faz parte do regime climático normal das
regiões onde se situam, o que inclui as variações diurnas e sazonais. Além de
condicionar uma série de parâmetros físico e químicos de qualidade da água, a
variação de temperatura ainda está ligada ao conforto térmico e ao limite de tolerância
térmica inferior e superior dos organismos aquáticos (CETESB, 2017). Assim, há
influência no comportamento das espécies que impactam em seus hábitos de
migração, desova, incubação e acasalamento, bem como em reações biológicas
(CETESB, 2017).

Sperling (2005) define temperatura como intensidade de calor e suas origens


através de processos físicos de transferência de calor (radiação, condução,
convecção) e frisa que o aumento da temperatura diminui a solubilidade dos gases, o
que pode afetar a taxa de oxigênio dissolvido em uma laguna, por exemplo, bem como
aumentar a taxa de transferência dos mesmos, possibilitando a liberação de mal
cheiro no meio.

b) Turbidez

A turbidez, por sua vez, está ligada à quantidade de partículas em suspensão


presentes na água e é definida como o grau de interferência que a luz sofre ao passar
pela mesma (FUNASA, 2014; SPERLING, 2005). Segundo a CETESB (2017), o grau
de atenuação que um feixe de luz sofre ao passar pela água é resultante da absorção
e espalhamento causados por partículas e sólidos em suspensão presentes em meio
líquido, que podem ser de origem orgânica, como algas, bactérias, plâncton, ou de
origem inorgânica, como partículas de silte e argila.

Ressalta-se que a turbidez pode se dar de maneira natural em um corpo hídrico


31

em função das características das áreas adjacentes, do uso e ocupação do solo e das
características geomorfológicas da área. Sendo causada de maneira natural, a ela
não traz inconvenientes sanitários tão intensos quanto se causada de maneira
antrópica, contudo é esteticamente desagradável (SPERLING, 2005). Além disso, as
partículas em suspensão podem servir de abrigo para micro-organismos patógenos
(FUNASA, 2014) e a turbidez elevada pode reduzir a passagem de luz e diminuir as
taxas de fotossíntese no meio, suprimindo a produtividade de peixes e afetando as
comunidades biológicas aquáticas. Quando causada de maneira antrópica, além dos
pontos já citados, a turbidez pode estar atrelada à carga de compostos tóxicos
provenientes de efluentes não tratados (SPERLING, 2005).

A turbidez pode ser reduzida por sedimentação, já que ela é causada por
partículas em suspensão e não por substâncias dissolvidas (FUNASA, 2014). Assim,
em corpos hídricos com menor velocidade de escoamento da água, como lagos e
lagunas, ela tende a ser menor do que em rios, riachos e córregos. A unidade de
medida adotada para a turbidez mais usual no Brasil é a unidade de turbidez ou
unidade nefelométrica de turbidez (NTU).

O uso e ocupação do solo em uma bacia hidrográfica que implique em


diminuição da vegetação ciliar e da cobertura do solo pode contribuir para processos
erosivos causados pelo arraste de material para o corpo lagunar, especialmente pela
ação das chuvas, alterante sua turbidez e sua dinâmica fotossintética.

c) Condutividade Elétrica e Salinidade

Segundo a CETESB (2017), a condutividade elétrica expressa numericamente


a capacidade de um líquido de conduzir eletricidade, dependendo das concentrações
iônicas e da quantidade de sais presentes na coluna d’água. Quanto maior for a
concentração iônica da água, maior é a capacidade de ação eletrolítica, e, por
consequência, maior é condução elétrica (FUNASA, 2014).

Frisa-se ainda que a condutividade elétrica está relacionada indiretamente à


concentração de poluentes no meio hídrico. Conforme a CETESB (2017), a ela
aumenta à medida que mais sólidos dissolvidos são adicionados na água, indicando
modificações na sua composição; valores acima de 100 µS/cm podem indicar ainda
32

ambientes impactados.

Intimamente ligada à condutividade elétrica, a salinidade é utilizada para se


caracterizar se um corpo hídrico possui águas doces, salinas ou salobras, o que se
dá de acordo com a quantidade de sais presentes no meio, ou seja, é a relação da
massa de sais dissolvidos (cloreto de sódio, em sua maioria) na água por massa de
solução (PEREIRA; CAMPOS; D’INCAO, 2011). Ela ainda pode ser definida a partir
da condutividade elétrica.

De acordo com a Resolução CONAMA 274 (BRASIL, 2000), as águas doces


são definidas com a salinidade igual ou inferior a 0,5 %o (por mil); as águas salobras
são definidas com salinidade entre 0,50%o e 30%o; e as águas salgadas, por sua vez,
possuem salinidade igual ou superior a 30%o. A salinidade é importante para a biota
aquática e para a dessedentação, de acordo com os níveis de tolerância de sais aos
quais os organismos estão habituados.

d) Sólidos Dissolvidos Totais

Os sólidos totais presentes em água podem ser classificados de duas formas:


de forma física, em suspensos, sendo eles sedimentáveis ou não sedimentáveis, e
dissolvidos; e de forma química, em voláteis ou fixos (FUNASA, 2014). Eles podem
estar associados não somente às características físicas do meio, mas também podem
ser resultado de atividades químicas e biológicas que resultem em partículas
presentes na água. Conforme a CETESB (2017), os sólidos correspondem a toda
matéria que permanece como resíduo após evaporação da água de uma amostra a
uma temperatura pré-estabelecida, medidos posteriormente através de métodos
gravimétricos. Ou seja, todos os resíduos em água, com exceção dos gases
dissolvidos, contribuem para as frações de sólidos.

Os sólidos dissolvidos correspondem à fração de partículas que, mesmo após


filtragem, não ficam retidas em filtro, ou seja, possuem diâmetros inferiores a 10−3 µm,
enquanto que os sólidos em suspensão ficam retidos no processo (SPERLING, 2005;
FUNASA, 2014). Além da classificação quanto às suas características físicas, os
sólidos também podem ser classificados quanto às suas propriedades químicas: os
sólidos fixos ou não voláteis são geralmente constituídos de material inorgânico,
33

especialmente mineral, que não entram volatilizam após elevação de temperatura


(aprox. 550 C°), ao passo que os sólidos voláteis representam uma estimativa de
matéria orgânica, já que entram em combustão (SPERLING, 2005). Ressalta-se ainda
que, apesar de as frações de sólidos presentes na água estarem associados com a
turbidez, eles não são equivalentes, tendo em vista, por exemplo, que uma pedra em
uma porção de água resulta em alto valor de sólidos dissolvidos totais, mas pode
resultar em nada de turbidez. Por isso, para a análise deste estudo, serão levados em
consideração os sólidos dissolvidos totais voláteis e não voláteis.

Além de estarem relacionados às características composicionais do meio


aquático, segundo a FUNASA (2014), os sólidos podem causar danos biota aquática,
podendo sedimentar em leitos de rios e lagunas e danificar o habitat ou de local de
desova para espécies. Outro fator importante é que os sólidos podem servir de
substrato para bactérias, oferecendo riscos sanitários a quem tem contato com o meio,
ou ainda promovendo a decomposição anaeróbica da matéria e aumentando a
geração de gases prejudiciais e que geram maus odores.

3.4.2. Parâmetros Químicos

a) pH (Potencial Hidrogeniônico)

O pH é uma representação da concentração de íons de hidrogênio (H + ) na


água, indicando condições de acidez, alcalinidade ou neutralidade, sendo
representado em uma faixa de 0 a 14, onde 0 é mais ácido, 7 é neutro e 14 é mais
básico, como aponta Sperling (2005). O autor ainda aponta causas naturais de
alterações de pH relacionadas à dissolução de rochas, à absorção de gases da
atmosfera, e a processos de decomposição de matéria orgânica e de fotossíntese.
Contudo, a ação antrópica também provoca alterações deste parâmetro. Os despejos
de efluentes contendo diferentes substâncias químicas (ácidas ou básicas)
provenientes de atividades antrópicas, por lixiviação, por erosão por chuvas e demais
fatores também podem atuam alteração do pH.

O pH é um parâmetro extremamente importante em corpos hídricos, pois influi


na distribuição das formas livre e ionizada de diversos compostos químicos, além de
interferir no grau de solubilidade das substâncias e no potencial de toxicidade de
34

vários elementos (FUNASA, 2014). Ele é um parâmetro determinante para a biota,


atuando na fisiologia das espécies, já que espécies diferentes são adaptadas a níveis
diferentes de pH no ambiente. Fixam-se critérios de proteção para a vida aquática um
pH de 6 a 9 (CETESB, 2017).

Além disso, o pH atua na toxicidade de substâncias químicas presentes no


meio, atenuando ou magnificando: a amônia, por exemplo, em temperaturas elevadas,
se torna altamente tóxica em pH básico acima de 9, enquanto que alguns metais em
ambientes ácidos abaixo de pH 4 tem sua toxicidade também magnificada (CETESB,
2019). Ainda em conformidade com afirmações da CETESB (2019), os níveis de pH
podem diminuir devido à decomposição anaeróbica que ocasionalmente ocorre no
fundo dos corpos d’água em baixos níveis de oxigênio, já que esse processo produz
ácidos e gases tóxicos; o pH pode aumentar em decorrência de elevada atividade
fotossintética, já que o gás carbônico presente no meio é consumido durante o
processo, diminuindo sua conversão em ácido carbônico. Com isso, valores elevados
de pH podem estar associados com a proliferação de algas (SPERLING, 2005).

Apesar da faixa ideal de pH para a manutenção da vida aquática ser entre 6 e


9, e a faixa estabelecida pela Resolução CONAMA 357/2005 para corpos de água
salobra 1 ser de 6,5 a 8,5 (BRASIL, 2005), a Fundação Nacional da Saúde – FUNASA
(2014) afirma que existe uma série de corpos d’água que naturalmente fogem dessa
regra, principalmente em decorrência da decomposição de matéria vegetal que resulta
em disponibilização de ácido húmico no meio, baixando o pH.

b) Oxigênio Dissolvido (O2 )

Um dos parâmetros químicos mais importantes para se caracterizar a qualidade


da água de um corpo hídrico é o oxigênio dissolvido (OD), que é a concentração de
O2 contido em meio aquoso, e se dá de acordo com os processos físicos, químicos e
biológicos que ocorrem no corpo d’água (FUNASA, 2014). Segundo a CETESB (2017),
em águas naturais, o OD é resultado da aeração atmosférica e da atividade
fotossintética de organismos autótrofos, contudo, quando ocorre lançamento de
matéria orgânica e nutrientes na água, a decomposição aeróbica na superfície pode
resultar em alto consumo de oxigênio nas reações químicas realizadas pelos
35

decompositores. Como afirma a CETESB (2017), a concentração de OD na água rege


uma cooperação entre organismos autótrofos, que produzem oxigênio durante a
fotossíntese, e heterótrofos, que consomem oxigênio durante os processos de
oxidação de matéria orgânica, produzindo gás carbônico, que, por sua vez, serve de
matéria-prima para os processos fotossintéticos. A figura 1 demonstra esse processo
de simbiose entre estes os organismos.

Figura 1 - Simbiose entre bactérias decompositoras e algas.

Fonte ̶ CETESB (2017)

Elevadas quantidades de matéria orgânica resultam em maior consumo de OD


já que, na estabilização desses compostos, as bactérias utilizam oxigênio em
processos de respiração. Dependendo da magnitude de tal fenômeno, a redução de
oxigênio no meio pode levar à mortandade de peixes e de outros seres aquáticos e,
caso seja consumido todo o oxigênio, leva a condições anaeróbias, resultando na
geração de maus odores (SPERLING, 2005). Além do consumo para a oxidação da
matéria orgânica, o OD se perde também para atmosfera pela interface água-ar, pela
respiração de organismos aquáticos, e pela oxidação e íons metálicos, como o ferro,
afirma Esteves (1998).

Sperling (2005) cita que a concentração de saturação de OD em corpos d’água,


ao nível do mar e a 20°C, é de 9,2 mg/L, sendo que valores acima indicam altas taxas
de fotossíntese e valores muito abaixo indicam contaminação por matéria orgânica,
especialmente por despejo de efluentes. Sabe-se ainda que, para a manutenção da
vida aquática aeróbica, são necessários teores mínimos de 5 mg/L, variando pela
exigência de cada organismo: para a maioria dos peixes é de 4 mg/L (FUNASA, 2014),
já para peixes mais exigentes, esse valor se torna insuficiente (SPERLING, 2005);
conforme Braga et al. (2005), valores mínimos de 2 mg/L são necessários para a
36

sobrevivência de seres menos exigentes, enquanto que os mais exigentes necessitam


valores em torno de 4 mg/L. Com níveis muito baixos ou ausentes de oxigênio, há
predominância de seres anaeróbios que, ao realizarem a decomposição da matéria
orgânica, liberam gases que trazem odores característicos e desagradáveis aos
corpos d’água.

Vale ressaltar que em ambientes aquáticos, o gradiente de OD varia muito de


acordo com a profundidade e com incidência de luz solar: na superfície (epilíminio),
há alta produção resultante da fotossíntese da camada de algas superficiais, enquanto
que no fundo (hipolíminio) ocorre uma depressão de OD já que a radiação solar é
barrada na superfície, não propiciando a vida de organismos vegetais (CETESB,
2019). A concentração de OD é diretamente proporcional à pressão e inversamente
proporcional à temperatura (FUNASA, 2014), já que quanto maior a pressão da coluna
de ar sobre a lâmina d’água, maior é a injeção de oxigênio atmosférico nas camadas
de água superficiais, assim como quanto maior a temperatura do ar, menor é a
pressão exercida pela camada de ar devido ao maior grau de agitação das partículas.

c) Série de Nitrogênio

Sperling (2005) afirma que o nitrogênio se apresenta em diversas formas


durante seu ciclo na biosfera. Vamos nos ater às formas abordadas neste estudo, são
elas nitrito (NO− −
2 ), nitrato(NO3 ) e nitrogênio amoniacal (NH3 − N). Segundo a CETESB

(2017), as fontes de nitrogênio em corpos d’água são diversas, sendo a principal delas
o lançamento de efluentes em corpos hídricos, já que estes contêm proteínas e
nitrogênio amoniacal proveniente da hidrólise da uréia na água. A matéria orgânica
fecal e os detergentes em pó empregados em larga escala domesticamente consti-
tuem também grande participação em fontes de despejo industrial e doméstico . Em
áreas agrícolas se nota ainda uma maior carga devido ao escoamento da água em
solos fertilizados. Outra fonte é a atmosfera, que provê nitrogênio assimilado por
micro-organismos presentes na água, como bactérias e algas (CETESB, 2017).

Dentre os compostos nitrogenados, o nitrogênio amoniacal é a forma menos


oxidada e menos decomposta, ou seja, mais reduzida do nitrogênio, seguido por nitrito
– forma intermediária – e nitrato, forma mais oxidada e mais decomposta e, segundo
37

a CETESB (2017) e Sperling (2005), pode-se associar tais formas às etapas de


degradação da matéria orgânica advinda da poluição nos corpos hídricos. Ou seja, se
nas amostras de água obtiverem-se maiores concentrações de nitrato, pode-se indicar
que não há fontes de poluição próximas, contudo, caso se constate maiores
concentrações de nitrogênio amoniacal ou nitrito, pode-se entender que há fontes de
poluição recentemente despejadas.

O nitrogênio é classificado como um macronutriente que pode reger processos


de eutrofização em um corpo hídrico, tendo em vista que ele é o elemento mais exigido
por células vivas, depois do carbono (CETESB, 2017). Assim, quando grandes
quantidades de nitrogênio em suas diversas formas atingem um corpo hídrico, como
uma laguna, podem provocar o enriquecimento do meio, e resultar na eutrofização do
mesmo. Os compostos nitrogenados também se fazem presentes devido à biofixação
promovida por algas e bactérias em corpos hídricos (CETESB, 2017). As formas em
que os compostos nitrogenados se apresentam possuem seus efeitos em seres vivos:
o nitrato em concentrações maiores que 10 mg/L, por exemplo, pode ser letal para
crianças, causando a doença chamada Metaemoglobinemia (ESALQ, 2004) e o
nitrogênio amoniacal pode ser letal para muitas espécies aquáticas em concentrações
acima de 5 mg/L, segundo a CETESB (2017).

Segundo Bertucci et al. (2016), a frequência de lançamento de resíduos e


efluentes no ambiente aquático gera aumento expressivo na disponibilidade de
nutrientes, podendo torna-lo em um ambiente eutrófico. Quando a concentração
desses nutrientes aumenta expressivamente, podem ocorrer diversos problemas no
sistema lagunar, como o desequilíbrio entre os processos de fotossíntese e
decomposição, gerando a diminuição da diversidade de espécies, deterioração da
qualidade da água, e, principalmente, o aumento da biomassa de algas, resultando
um boom desses organismos que leva à diminuição do oxigênio dissolvido em
camadas mais profundas da coluna d’água, onde a luz solar não chega, e à
mortandade de peixes (MOREIRA, 2017). Frisa-se ainda que, nos processos de
oxidação para a conversão de nitrogênio amoniacal em nitrato, ocorre o consumo de
oxigênio do meio, o que reduz ainda o OD disponível para outras espécies
(SPERLING, 2005). Apesar disso, o nitrogênio é um elemento indispensável para o
crescimento de micro-organismos responsáveis pelo tratamento de esgotos, como
afirma Sperlig (2005) em seu livro “Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento
38

de Esgotos”.

d) Fósforo (P)

Outro macronutriente muito importante em processos bioquímicos que ocorrem


em um corpo d’água é o fósforo, que pode se apresentar em três formas diferentes,
segundo a CETESB (2017): fosfatos orgânicos, compondo moléculas orgânicas;
ortofosfatos ou fosfatos inorgânicos, que são radicais que se ligam a cátions gerando
sais inorgânicos e cuja assimilação por seres vivos os convertem em fosfatos (UFRRJ,
2004); e os polifosfatos, que são uma combinação de ortofosfatos ou fosfatos
condensados. Os polifosfatos não são tão significativos em estudos de corpos hídricos
pois sofrem hidrólise facilmente, resultando em ortofosfatos. Neste estudo vamos nos
ater aos fosfatos (PO₄³⁻), que podem compor moléculas de detergentes em pó e
moléculas orgânicas nos organismos, e ao fósforo total, que engloba todas as formas
de fósforo presentes na água.

Conforme APHA (2005), os fosfatos inorgânicos são amplamente utilizados


como fertilizantes em áreas cultiváveis na agricultura, e são carreados para os corpos
d’água pela ação das chuvas e do escoamento superficial. Por serem a forma mais
assimilável pelos vegetais aquáticos, esse fenômeno pode resultar em maior
proliferação de tais organismos. Os fosfatos orgânicos, por sua vez, são resultado de
processos biológicos que ocorrem nos sistemas da biota aquática que o assimila ou
são provenientes de despejos de efluentes contendo resíduos alimentares (APHA,
2005). Segundo Esteves (1998), em lagos e lagunas tropicais, com o aumento do
metabolismo e das reações químicas e biológicas devido às temperaturas elevadas,
o fosfato inorgânico é mais rapidamente assimilado e incorporado à biomassa dos
vegetais, resultando em menores concentrações de fosfatos disponíveis no meio.

Assim como o nitrogênio, o fósforo está associado à dissolução de matéria


orgânica e está presente em efluentes contendo detergentes, fertilizantes e
excrementos animais (SPERLING, 2005) e, normalmente, os esgotos domésticos
brasileiros apresentam entre 6 a 10 mg/L de fósforo total. Como já citado, o fósforo
também se faz um elemento indispensável para o crescimento de algas e também
pode ser responsável por processos de eutrofização em um corpo lagunar quando
39

despejado em grandes quantidades, bem como atua no crescimento de micro-


organismos responsáveis pela estabilização da matéria orgânica, como aponta
Sperling (2005). O autor também elenca valores que podem acusar o estado trófico
do meio em lagos: P<0,01-0,02 mg/L: não eutrófico; P entre 0,01-0,02 mg/L: estágio
intermediário de eutrofização; P>0,05 mg/L: ambiente eutrófico. Porém, ressalta que,
para áreas tropicais, essas faixas podem ser um pouco mais elevadas.

e) Potássio (K)

Assim como os outros nutrientes, fósforo e nitrogênio, o potássio também é


utilizado amplamente na indústria de fertilizantes para aplicação na agricultura em
formas de sais, podendo ser carreados pela ação de escoamento superficial e ação
das chuvas (CETESB, 2017). Quanto à sua origem natural, é resultado de dissolução
de rocha, contudo geralmente se apresenta naturalmente em pequenas quantidades
em corpos hídricos, já que as formações rochosas que contém esse elemento são
resistentes a intempéries, como afirma a CESTEB (2017). O potássio também pode
estar naturalmente presente nos solos, e pode ser carreado por lixiviação aos corpos
hídricos, que, após ser assimilado pelos vegetais, retorna ao meio após a
decomposição da biomassa e consequentemente das células que continham potássio
em sua forma iônica (ESTEVES, 1998).

Ainda de acordo com a CETESB (2017), os sais de potássio são bastante


solúveis e, assim, são facilmente incorporados à biota aquática e a estruturas minerais,
o que o torna um nutriente essencial. Assim, suas concentrações em águas naturais
geralmente são da ordem de 10 mg/L.

f) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)

A CETESB (2017) define a Demanda Bioquímica de Oxigênio de um corpo


hídrico como a quantidade de oxigênio necessária para ser consumida em processos
de oxidação da matéria orgânica presente no meio por decomposição microbiana para
uma forma inorgânica estável. Sperling (2005) aborda a DBO como a quantidade de
oxigênio necessária para estabilizar a matéria orgânica por processos bioquímicos.
40

Para tanto, adota-se um período de tempo em que a matéria será decomposta e o


oxigênio será consumido, a uma temperatura de incubação. Assim, geralmente se
define a DBO como DBO5,20, ou seja, 5 dias para a decomposição a uma temperatura
de 20 °C. Segundo Sperling (2005), a DBO retrata de maneira indireta o teor de
matéria orgânica presente no corpo hídrico, de forma que indica o potencial de
consumo de oxigênio e é extremamente importante quanto à caracterização do grau
de poluição do meio. A partir da DBO também se pode avaliar o grau poluidor de um
efluente, mesmo que ele seja constituído de diversas formas de matéria orgânica
diferentes, refletindo no impacto que ele pode vir a causar em um corpo lagunar
(BRAGA et al, 2005).

Na figura 2, percebe-se o comportamento da DBO e do OD após despejo de


efluente em um corpo hídrico. Percebe-se que, quanto mais recente é o despejo, mais
oxigênio é utilizado, logo maior é a DBO para decompor e estabilizar os compostos
do despejo.

Figura 2 – Processo de autodepuração de um rio.

Fonte – Braga et al. (2005).

g) Enxofre (S)

O elemento enxofre pode se apresentar sob diversas formas nos corpos d’água,
são elas: como íons sulfeto (S 2− ), sulfito (SO2− 2−
3 ), e sulfato (SO4 ), gás sulfídrico (H2 S),
41

dióxido de enxofre (SO2 ), ácido sulfúrico (H2 SO4 ) e enxofre molecular associado a
elementos metálicos, segundo Esteves (1998). Ainda de acordo com autor, os sulfatos
e gás sulfídrico são formas mais comuns, sendo os primeiros a principal fonte de
enxofre para os organismos produtores primários. Neste estudo será utilizado o
parâmetro sulfeto, o menos oxidado, por questões de factibilidade da pesquisa.

Em conformidade com Esteves (1998), assim como o potássio, o enxofre em


ambientes aquáticos pode ser resultado da dissolução de rochas e da aplicação de
fertilizantes contendo tal elemento. Além disso, ele está presente na atmosfera
também, o que a torna uma das fontes de enxofre através da precipitação. Ainda
segundo o autor, o transporte de gases, através de movimentação atmosférica, e de
material particulado contendo enxofre de áreas mais industrializadas para áreas mais
remotas tem sido a principal fonte de contaminação de ambientes lagunares e
lacustres em áreas distantes dos centros urbanos e industriais.

Conforme Piveli (2001), os sulfatos em água variam em concentrações de 2 a


80 mg/L em condições naturais, e podem exceder 1000 mg/L em áreas áridas onde
predominam sulfatos minerais, como o gesso (CaSO4 ). Já em áreas onde ocorrem
depósitos de matéria orgânica em condições de anaerobiose, as bactérias atuam
reduzindo os sulfatos a sulfetos e liberando gás sulfídrico.

As atividades de micro-organismos relacionadas ao enxofre se dão de duas


maneiras distintas: em processos de redução, onde ocorre formação de gás sulfídrico
e outras formas reduzidas, e em processos de oxidação, gerando sulfato a partir de
sulfetos ou gás sulfídrico (ESTEVES, 1998). Ainda segundo a CETESB (2017) e Piveli
(2001), em áreas onde ocorrem depósitos de matéria orgânica em condições de
anaerobiose, a redução de sulfatos a sulfetos libera gás sulfídrico, exalando odores
característicos (de ovo podre), processo realizado por bactérias geralmente
encontradas na superfície de sedimentos e denominadas de dessulfurantes. Esse
processo predomina em meio ácido. Além disso, os gás sulfídrico (H2 SS) é gerado
através da decomposição, por bactérias saprofíticas, de compostos orgânicos
contendo enxofre (ESTEVES, 1998). Ressalta-se se ainda que em lagunas
eutrofizados, há maior concentração destas bactérias, em comparação com corpos
hídricos oligotróficos.
42

h) Detergentes/Las

A CETESB (2017) define tais substâncias, de acordo com a metodologia


analítica das mesmas, como substâncias que reagem com o azul de metileno a
condições especificadas, e que estão presentes em esgotos sanitários em faixas de
concentração de 3 a 6 mg/L. São um dos principais responsáveis pela geração de
espuma em corpos hídricos, causando prejuízos estéticos e afetarem a biota aquática
por apresentarem características tóxicas aos organismos (CETESB, 2017).

Um ponto muito importante a se destacar a respeito dos detergentes, como já


citado, é que eles atuam em processos de eutrofização por apresentarem fósforo e
outros nutrientes em sua composição, além de que afetam toxicamente o zooplâncton,
que se constitui de predadores naturais de algas resultantes de processos eutróficos,
segundo a CETESB (2017).

De acordo com Esteves (1998), os detergentes sintéticos tem como principal


função solubilizar gorduras e impurezas e possuem agentes de limpeza compostos
por polifosfatos, carbonatos e silicatos, cuja degradação influi em cargas de nutrientes
no corpo hídrico, como já explanado em outros tópicos. Braga e colaboradores (2005)
também identificam os detergentes como atuadores na produção de espuma e na
alteração de sabor nas fontes de captação de água para consumo humano. Além
disso, Sperling (2005) menciona os detergentes como fontes de nutrientes em corpos
hídricos, assim como os demais autores citados na explanação de nutrientes, ainda
elenca a redução da transferência de oxigênio como um possível efeito poluidor dos
mesmos.

i) Sílica

A sílica é um dos principais nutrientes consumidos por diatomáceas e algas


unicelulares, cujas quais a utilizam na composição de suas paredes celulares, e estas
são responsáveis por parte da oxigenação resultante de atividade fotossintética, como
indicado por Bonetti e colaboradores (2005). Ademais, Esteves (1998) define os
silicatos como principal nutriente controlador da produtividade de diatomáceas. As
fontes de sílica estão ligadas à drenagem continental e às características do solo e de
rochas. Segundo Esteves (1998), a sílica presente em ambiente aquático é resultado,
43

principalmente, da decomposição de minerais de silicato de alumínio, que são


frequentemente encontrados em rochas sedimentares. Em água, ela se apresenta em
forma solúvel de íon SiO4 , forma coloidal e forma particulada, incorporada ao
fitoplâncton (UFRRJ, 2004).

A sílica pode estar associada à turbidez em um corpo lagunar e pode ser


utilizada para avaliar a drenagem de descargas sólidas propiciadas pela precipitação,
e, como está relacionada aos principais produtores primários de um lago ou laguna,
estabelece estreita relação com o estado trófico do ambiente. Também é incorporada
por outros organismos, como protozoários heliozoários para uso em sua carapaça
(UFRRH, 2004). Ainda, como aponta a UFRRJ (2004), os solos tropicais são
abundantes em sílica, o que resulta em valores quase sempre elevados deste
elemento em águas interiores tropicais. Esteves (1998) aponta silicatos como agentes
de superfície presentes em detergentes, auxiliando no processo de limpeza.

3.4.3. Parâmetros Microbiológicos

De acordo com a FUNASA (2014), coliformes totais são bactérias do grupo


coliforme que se caracterizam como bacilos gram-negativos aeróbios ou anaeróbios
facultativos, que não formam esporos, e são capazes de fermentar a lactose à
temperatura de 35 °C em média, produzindo ácidos, gases e aldeído, no período de
24 a 48 horas. Além disso, apresentam atividade enzimática da ß – galactosidase.
Estão incluídos neste grupo vários gêneros de bactérias e o subgrupo coliformes
termotolerantes. Este, por sua vez, inclui organismos capazes de fermentar a lactose
a temperaturas em média de 44,5 C° em um período de 24h e são representados
principalmente pela Escherichia coli (FUNASA, 2014). Os coliformes estão presentes
em fezes de animais de sangue quente e estão relacionados diretamente com o grau
de contaminação de um corpo hídrico. Por isso, este estudo aborda os parâmetros
Coliformes Totais e E. coli.

De maneira geral, Sperling (2005) afirma que o grupo de coliformes são


perfeitos indicadores de contaminação fecal, mas que nem todos são patogênicos e,
devido a isso, não há uma relação quantificável entre Coliformes Totais e micro-
organismos patogênicos. Assim, segundo a CETESB (2017), com exceção da E. coli,
44

os demais micro-organismos que compõem o grupo dos coliformes termotolerantes


podem ocorrer em corpos hídricos com elevados teores de matéria orgânica, como
efluentes industriais e material vegetal em decomposição, mas, a presença deles não
exclui a possibilidade de presença de organismos patógenos, que, por sua vez, podem
acarretar em doenças como gastroenterites, diarreias e infecções intestinais.

A E. coli tem origem exclusivamente fecal e está presente em número elevado


em fezes humanas (SPERLING, 2005), por isso é uma excelente indicadora deste tipo
de contaminação e é parâmetro fundamental para análises de água para
balneabilidade e potabilidade, abordado pelas Resoluções CONAMA n° 274/2000 e n°
357/2005 e pela Portaria n° 5 de 2017 do Ministério da Saúde, além disso, é
considerada o indicador mais adequado de contaminação fecal em águas doces, pela
CETESB (2017).

3.5. Eutrofização

Segundo Esteves (1998), o processo de eutrofização se dá com o aumento da


concentração de nutrientes, especialmente os já citados, como fósforo e nitrogênio,
em corpos d’água, que resulta em um “boom” de algas e no aumento da produtividade
no meio. Tal processo altera as condições do meio lagunar, podendo transforma-lo de
oligotrófico 1 ou mesotrófico 2 em eutrófico 3 ou hipereutrófico 4 . O autor menciona
também que o termo eutrofização é atribuído a “aumento de fertilidade”. Ressalta-se
ainda que a eutrofização de um sistema lagunar pode-se dar de forma natural ou
artificial/antrópico. Quando de forma natural, está atrelada ao envelhecimento do
corpo hídrico, resultante do aporte de nutrientes carreados por processos naturais,
como o escoamento superficial ocasionado pelas chuvas; quando de forma artificial,
está atrelada ao despejo de efluentes de diferentes origens, resultando um
“envelhecimento precoce” do ambiente (ESTEVES, 1998).

Como já explanado em tópicos acima, o aumento do aporte de nutrientes no


meio aquático altera as condições do mesmo em relação a diversos parâmetros, como

1
Pobres em nutrientes.
2
Nível intermediário de nutrientes
3
Elevado enriquecimento de nutrientes
4
Enriquecimento máximo de nutrientes
45

turbidez, oxigênio dissolvido, DBO, dinâmicas biogeoquímicas, e até mesmo na


incidência de iluminação solar, que passa a ser barrada pela grande quantidade de
algas e macrófitas5 presentes na superfície. Tais efeitos modificam a dinâmica das
espécies, trazendo uma série de prejuízos às mesmas.

Claramente, a evolução nos processos eutróficos está diretamente ligada ao


uso e ocupação do solo nas margens do corpo lagunar, incluindo os processos de
assoreamento e lixiviação de áreas pela retirada de vegetação, despejo de efluentes
domésticos e industriais, uso de fertilizantes e adubos na agricultura, produção de
excrementos animais na pecuária, dentre outros. Tais processos ainda mantém
relação direta com a precipitação e escoamento da chuva na área onde está inserida
o corpo lagunar, já que estes são grandes atores, senão os principais, no carreamento
dos nutrientes. A figura 3 demonstra como se dá o processo considerando o uso e
ocupação do solo e atividades na área adjacente a um lago/laguna.

Figura 3 – Processos de eutrofização de acordo com a ocupação do solo em área de corpo hídrico.

Fonte – Sperling, 2005.

5
Plantas aquáticas
46

3.6. Índices de Qualidade da Água

Segundo a CETESB (2015), os índices e indicadores de qualidade ambiental


resultam da necessidade de organizar o montante de dados ambientais, que são cada
vez maiores, especialmente devido à crescente preocupação ambiental. Estes são
utilizados a fim de nortear o processo de tomada de decisões públicas e no resultado
das mesmas acerca da conservação e preservação ambiental. Devido a tal crescente
quantidade de informações, visa-se, por meio destas ferramentas, uma maneira de
sintetizar e refinar a complexidade dos dados, tornando-os mais acessíveis.

Assim, se destacam como vantagens desse modelo de apresentação de


informações: a) a comunicação com o público; b) maior importância ou status na
compilação de informações em detrimento de informações de variáveis isoladas; e c)
o fato de ser uma “média” de informações de diversas variáveis (CETESB, 2015).

Em meio aos índices e indicadores ambientais de qualidade das águas,


destacam-se o IQA – Índice de Qualidade das Águas, que foi gerado a partir de um
estudo realizado pela National Sanitation Foundation (Fundação Nacional de
Saneamento dos Estados Unidos) e incorporado pela CETESB para uso no
abastecimento público do Estado de São Paulo (CETESB, 2015); IET- Índice do
Estado Trófico, com o intuito de avaliar os graus de trofia do meio aquático, levando
em consideração a variável clorofila a e fósforo total (CETESB, 2015) (Ressalta-se
que no presente estudo, seria utilizado este índice, porém não foi possível devido à
falta de aparato laboratorial para a análise do parâmetro clorofila a); IVA – índice de
Qualidade das Águas para a Proteção da Vida Aquática e de Comunidades Aquáticas,
que se constitui de um índice para avaliar as condições para a biota, já que leva em
consideração uma série de parâmetros que refletem toxicidade para a vida aquática;
e o ÍQAC – Índice de Qualidade das Águas Costeiras, que sintetiza informações de
parâmetros em relação aos padrões estabelecidos por legislação vigente.

O IQAC é utilizado atualmente pela CETESB para monitoramento ambiental da


qualidade das águas costeiras do estado de São Paulo. Este é um índice criado pelo
Conselho de Ministros do Meio Ambiente do Canadá, por base em uma fórmula
desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente, Terras e Parques da Columbia
Britânica (CCME, 2001). O índice, que será empregado neste estudo, sintetiza três
47

tipos de informações de variáveis no que se refere às conformidades dos valores em


relação a padrões estabelecidos por legislação (CCME, 2001; CETESB, 2015):
a) Escopo ou Abrangência (F1) - elenca a quantidade de parâmetros que
apresentam não conformidades, expresso pela fórmula:
F1 = (Vnc/Vt) x 100, onde Vnc é o número de variáveis não conformes, Vt é o
número total de variáveis que apresentam valores de referência.
b) Frequência das Desconformidades (F2) - elenca a quantidade de não
conformidades como um todo sem distinguir parâmetros entre si, expresso pela
seguinte fórmula:
F2 = (Anc/At) x 100, onde Anc é o número total de análises não conformes e At
é o número total de análises.
c) Amplitude da desconformidade (F3) - elenca a quantidade de análises não
conformes e o quanto elas desviaram em relação ao padrão, ou seja, é o desvio
em relação ao padrão de referência imposto pela legislação. Está expressa nas
seguintes fórmulas:
D1 = (NC1/R1) - 1; D2 = (R1/NC1) - 1; S = (∑𝑛𝑖=1 𝐷1)/At, onde D1 é o desvio em
relação ao valor de referência máximo, D2 é o desvio em relação ao valor de
referência mínimo, NC1 é o resultado das análises em não conformidade, R1 é
o valor de referência para o parâmetro analisado, e S é a somatória dos desvios
dividida pela número total de análises. Assim, F3 = S/(0,01S+0,01).

Ao se obter valores de F1, F2 e F3, procede-se à equação:

√(𝑭𝟏𝟐 + 𝑭𝟐𝟐 + 𝑭𝟑³)


𝑰𝑸𝑨𝑪 = 𝟏𝟎𝟎 − [ ]
𝟏, 𝟕𝟑𝟐

3.7. Variáveis Meteorológicas

Para se definir as variáveis meteorológicas abordadas neste estudo, primeiro é


necessário entender dois conceitos fundamentais para a climatologia e meteorologia.
Cavalcanti e colaboradores (2009) definem clima como a média das condições do
tempo ao longo do período de algumas décadas, e o tempo se refere ao estado
momentâneo da atmosfera.
48

Mendonça e Danni-Oliveira (2007) também corroboram com os conceitos para


tempo e clima, definindo tempo atmosférico como estado momentâneo da atmosfera
em um dado instante e lugar, definido por um conjunto de atributos, como radiação,
nebulosidade, precipitação, temperatura, etc, chamados de elementos climáticos.
Cavalcanti et al. (2009) ainda mencionam que o clima é regido por dois fluidos: o ar e
a água, que possuem dinâmica própria e interação mútua com a terra e seus
ecossistemas, e há ainda o combustível fundamental que atua nessa dinâmica: a
energia solar.

Segundo Monteiro (1973), a variação dos elementos climáticos, tais como


temperatura do ar, precipitação, umidade, pressão atmosférica, velocidade dos ventos,
englobados no tempo, definem o clima e seu dinamismo. Tais elementos variam de
acordo com o local, já que as características de cada região estabelecem fatores
climáticos, como a morfologia geográfica e a configuração do espaço pelo homem,
que influem na dinâmica do tempo e, assim, no clima (OLIVER; RIBEIRO; 2014). No
estudo, vamos nos ater à precipitação e à temperatura do ar.

a) Precipitação

De acordo com Oliveira (2020), a precipitação é o processo em que a água


presente na atmosfera precipita e atinge a superfície terrestre. A quantidade da
precipitação é normalmente expressa na medida da espessura da camada de água
que se depositaria em uma superfície horizontal, plana e impermeável de 1 m² de área
(ANA, 2012). Ou seja, é a altura que a lâmina de água teria nesta superfície, expressa
em mm por tempo, geralmente mm/hora. Vale ressaltar que a água pode precipitar
sob diversas formas, como granizo, flocos de neve, gotículas de diversas espessuras,
contudo neste trabalho tratamos da precipitação pluviométrica. A precipitação ainda
pode ser caracterizada pela sua duração e intensidade. Em conformidade com a ANA
(2012), o regime de precipitação de uma região se dá de acordo com suas
características físicas, topográficas e geológicas.

Parte da chuva precipitada que atinge o solo infiltra nele, de acordo com a
saturação da umidade e com o tipo de solo, parte evapora e parte escoa
superficialmente, sendo este último um dos processos mais importantes atuantes no
49

clico hidrológico (ANA, 2012), já que está ligado ao aproveitamento de água superficial
e a efeitos de tal processo, como erosão, inundações, lixiviação, dentre outros. Além
disso, o escoamento superficial pode ser responsável pela alteração da qualidade da
água de corpos hídricos, já que ele possibilita o arraste de nutrientes, de solo, de
resíduos e poluentes, que são carreados a um manancial. De acordo com estudos de
Vidal e Neto (2014), a quantidade de nutrientes em um reservatório tem grandes
possibilidades de aumentar consideravelmente durante o período chuvoso, podendo
favorecer a proliferação de algas e alterar as características tróficas dele. O mesmo
vale para lagos e lagunas.

b) Temperatura do ar

A temperatura do ar está direta e indiretamente ligada à qualidade das águas


por diversos fatores, especialmente pela troca de energia em forma de calor entre os
corpos hídricos e a atmosfera. Segundo Elias (2014), as trocas de calor ocorridas
entre um lago ou laguna com o entorno são regidas por processos físicos como
absorção de radiação solar, emissão de radiação térmica, trocas de calor com o
sedimento, trocas de calor com o ar circundante, processos evaporativos, dentre
outros. Portanto, tais processos estão estritamente ligados com os ganhos de calor
pela entrada de água por precipitação e vazões de entrada e saída em sistemas
lagunares abertos, como é o caso da Lagoa de Ibiraquera, em dadas épocas do ano.

A maneira como o calor e a temperatura do ar agem nos corpos hídricos influi


na temperatura da água e, assim, influenciam no comportamento dos parâmetros
físico-químicos, através das reações que são aceleradas ou atenuadas de acordo com
a temperatura (FUNASA, 2014), bem como no comportamento biológico da biota que
ocupa o meio, tanto vegetais como animais. Com isso, a temperatura do ar influi na
temperatura da água que, por sua vez, influi nos processos ocorrentes em um corpo
hídrico.
50

4. MATERIAIS E MÉTODOS

4.1. Área de Estudo

A Lagoa de Ibiraquera se situa no litoral da região centro-sul do estado de Santa


Catarina, sendo sua maior parte situada no município de Imbituba, ao sul, e parte em
Garopaba, ao norte, entre as coordenadas 28º05’05’’ e 28º11’42’’de latitude Sul e
48º37’24’’ e 48º42’06’’de longitude Oeste. Os dois municípios, ao todo, totalizam uma
população estimada de cerca de 67 mil pessoas (IBGE, 2019). A Lagoa de Ibiraquera
se insere na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão, dentro da Sub-bacia do Rio D’una e
Complexo Lagunar, de acordo com Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e
Complexo Lagunar (2008). Ressalta-se que a Lagoa de Ibiraquera está em processo
de enquadramento junto à bacia a qual pertence. Logo, de acordo com seus usos
preponderantes e com a Resolução CONAMA 357, em seu art. 42, que cita que:
“Enquanto não aprovados os respectivos enquadramentos, as águas doces serão
consideradas classe 2, as salinas e salobras classe 1” (BRASIL, 2005), ela pode ser
considerada como de água salobra classe 1 para este estudo.

A lâmina de água da laguna cobre uma área de aproximadamente 869 ha e


possui profundidade média de 2 m, atingindo profundidade máxima de 4 m em alguns
pontos (SEIXAS, 2002; BONETTI, BONETTI, BELTRAME, 2005).

A estrutura geomorfológica da Lagoa de Ibiraquera é evidenciada na figura 4,


cuja qual é subdivida em quatro partes/setores chamados localmente de Lagoa de
Cima, Lagoa do Meio, Lagoa de Baixo e Lagoa do Saco.
51

Figura 4 - Localização da Lagoa de Ibiraquera e pontos de coleta.

Fonte ̶ Imagens do Google Earth.

4.1.1 Clima e Geologia

Segundo Cavalcanti e colaboradores (2009), o clima na região apresenta


grandes contrastes de temperatura e precipitação principalmente devido à sua
condição geográfica, situada em meio a uma transição entre trópicos e em latitudes
médias. Além disso ainda há um relevo marcante na região.

A região é regida sob o clima subtropical úmido (cfa), e tem temperaturas


médias/ano entre 19 e 20 °C, com médias mínimas anuais de 8°C durante o inverno
e médias máximas anuais de 27 °C durante o verão, e sua precipitação média/ano
varia de 1500 a 1700 mm (PANDOLFO et al, 2002). Essas grandes variações se
devem ao fato de se tratar de região subtropical, suscetível a alterações de
temperatura do ar e de incidência de radiação ao longo do ano, dependendo da
estação. Segundo Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005), os ventos que predominam ne
região são os de quadrante nordeste com 12 Km/h de intensidade média e ainda há
incidência de ventos de sul mais intensos, embora menos frequentes. Tal regime de
52

ventos é regido pelo sistema de Alta do Atlântico Sul (ASAS). Rodrigues, Franco e
Sugahara (2004) evidenciaram uma climatologia com médias de 3 a 4 frentes frias por
mês que atingem o litoral de Santa Catarina, com predominância de padrão de
movimento de sudoeste para nordeste, com maiores intensidades na primavera e no
inverno. As baixas profundidades da Lagoa de Ibiraquera propiciam forte influência de
agentes climatológicos na lâmina d’água, promovendo flutuações nos parâmetros de
qualidade de suas águas, como afirmam Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005), em estudo
realizado na mesma laguna.

A geologia da área onde se situa a Lagoa de Ibiraquera foi formada a partir de


transgressões marinhas ocorridas durante o período Quaternário, que compreende
desde 2,6 milhões até 10 mil anos atrás, especialmente da época holocênica (10 mil
anos atrás), conforme Lalane e Marimon (2009). O terreno no entorno da laguna é
composto especialmente por depósitos praiais marinhos e eólicos constituídos de
areias marinhas quartzosas, recobertas por sedimentos carreados pela ação dos
ventos; bem como por depósitos fluviolagunares constituídos de areias e lamas
lagunares mesclados com detritos orgânicos e cascalhos, de acordo com informações
obtidas a partir de carta geológica (CPRM - Serviço Geológico do Brasil, 2000). Ainda
de acordo com o documento, o terreno mais próximo à desembocadura e à Lagoa do
Saco se constitui de Granito Paulo Lopes. Em relação ao seu fundo, na maior parte é
arenoso, segundo estudos de Seixas (2002).

As autoras Lalane e Marimon (2009) também enfatizam a característica de


solos mais recentes na microbacia da Lagoa de Ibiraquera e seus arredores,
principalmente constituídos de depósitos eólicos, depósitos turfáceos e deltáticos
intralagunares, depósitos de cordões intralagunares e ambientes deposicionais
colúvio-aluvionares. Por tais características, o ambiente se constitui de uma área
recente e, por sua vez, pouco consolidada, sendo assim suscetível a alterações
naturais e antrópicas.

4.1.2. Aspectos Socioeconômicos

A cidade de Imbituba possui uma população estimada em 2019 de 44.853


pessoas (IBGE, 2019), com uma densidade demográfica de 219,59 hab/km², sendo
53

que o município abrange uma área de 186,787 km² e apenas 61% das residências
possuem esgotamento sanitário adequado e somente 21,2% das residências urbanas
são situadas em vias com urbanização adequada (IBGE, 2019). Além do setor turístico
e hoteleiro, e do comércio varejista, Imbituba também conta com um porto importante
para a região sul, com importações e exportações variadas. Segundo o SEBRAE
(2010), o setor de serviços está primeiro lugar em Imbituba, seguido pela indústria e,
e pela agropecuária.

Já o município de Garopaba, por sua vez, possui uma população estimada para
2019 de 23.078 habitantes, com densidade demográfica de 157,17 hab/km² e uma
área territorial de 114,773 km² e o esgotamento sanitário atendendo somente 46% das
residências, sendo que apenas 39,5% das residências estão situadas em ruas com
infraestrutura adequada (IBGE, 2019).

4.3. Delineamento Experimental

Um conjunto de 14 pontos foi considerado nesse estudo (figura 4), nos quais
foram realizadas as coletas das amostras de água e análises de parâmetros in situ,
mensalmente, de julho de 2019 a junho de 2020, com exceção do mês março de 2020,
devido a restrições impostas pela pandemia de Corona Vírus. Os pontos foram
selecionados de modo a abranger de forma bem distribuída todo o perímetro marginal
da laguna, observada em vistorias in situ e através de sensoriamento remoto por
imagens de satélites, levando-se em consideração o uso e ocupação do solo nas
margens vizinhas: presença ou ausência de vegetação, área urbanizada, solo exposto,
canais, desembocadura, criação de pescado, áreas lodosas. Os pontos de coletas,
suas coordenadas geográficas e a elevação em relação ao nível do mar estão listados
na tabela 1. Devido à sua pequena área, a Lagoa do Saco teve somente um ponto
analisado. Ressalta-se ainda que a desembocadura da barra da Lagoa de Ibiraquera
fechou antes da coleta de agosto e abriu antes da coleta de junho.

Tabela 1 - Pontos de coleta, suas coordenadas geográficas e elevação do terreno.


Pontos de Coleta Coordenadas Geográficas Elevação (m)

P1 28º 09' 48 6" S, 48º 39' 57.9"O 2


54

P2 28º 09' 15.8"S, 48º 39' 13.3"O 3


P3 28º 09' 23.3"S, 48º 40' 48.2"O 2
P4 28º 09' 02.5"S, 48º 41' 01.3"O 1
P5 28° 08' 38.7"S, 48° 40' 39.1"O 2
P6 28° 08' 16.8"S, 48° 41' 14.5"O 0
P7 28° 07' 55.2"S, 48º 40' 44.8"O 0
P8 28° 07' 18.6"S, 48° 40' 51.4"O -1
P9 28° 06' 33.2"S, 48° 40' 27.5"O 0
P10 28° 06' 33.5"S, 48° 40' 03.7"O 2
P11 28° 07' 02.3"S, 48° 39' 38.0"O -2
P12 28° 07' 31.3"S, 48° 40' 03.2"O 2
P13 28° 09' 16.5"S, 48° 39' 56.6"O 0
P14 28° 08' 20.3"S, 48° 39' 33.9"O 0

Em todos os pontos foram feitas coletas de amostras de água para análises


pontuais (somente temperatura e pH) e laboratoriais de um total de 19 parâmetros
físico-químicos e microbiológicos: pH, temperatura, turbidez, salinidade,
condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, DBO, sólidos dissolvidos totais, nitrogênio
amoniacal, nitrito, nitrato, fósforo total, fosfato, potássio, sílica, sulfeto, detergentes
(LAS), coliformes totais e E. coli. Tais parâmetros foram selecionados pois refletem
características naturais do corpo hídrico que podem ser alteradas por atividades
antrópicas, por constituírem indicadores de despejos não tratados em um corpo
hídrico, e pela factibilidade e a viabilidade financeira de tais análises. Em paralelo,
foram estudadas as variáveis meteorológicas precipitação e temperatura do ar, que,
como já abordado, têm influência na dinâmica das águas em uma laguna, a fim se
verificar a possível relação entre elas e o comportamento dos parâmetros estudados.
Os parâmetros de qualidade da água foram considerados variáveis dependentes e as
variáveis meteorológicas foram consideradas variáveis independentes.

4.2. Obtenção de Dados

Os dados deste estudo foram obtidos de duas maneiras: in situ, através de


coletas de amostras de água diretamente na Lagoa de Ibiraquera, e remotos, cedidos
pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidrometeorologia de Santa
Catarina – CIRAM/EPAGRI, além de ferramentas de geoprocessamento.

Os dados meteorológicos relevantes para o estudo foram precipitação e


55

temperatura do ar, os quais foram registrados pela Estação Meteorológica n° 1055


(Porto de Imbituba) e cedidos pelo CIRAM/EPAGRI e, posteriormente, tratados e
organizados através dos softwares Microsoft Excel (por Microsoft v. 2016) e MatLab
(desenvolvido por MathWorks Inc, 2015). A solicitação dos dados foi realizada em três
fases: após 6 meses de início das coletas, após 8 meses e após 12 meses. A obtenção
de dados relativos aos parâmetros de qualidade da água foi realizada através de
análises laboratoriais posteriores às coletas realizadas, o que será melhor descrito
mais adiante.

Os dados de imagens de satélite para elaboração de mapas foram obtidos


através do site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, na ala da Divisão
de Geofísica Espacial. Foi utilizada imagem com resolução espacial de 10 metros do
Satélite CBERS 4, datada de 28 de Agosto de 2019, com o uso das bandas 4,3 e 2.
Empregou-se o uso do Software QGis (por QGis Development Team, v. 3.14 “Pi”) para
processamento da imagem, utilizando-se as bandas 6,5 e 4, para elaboração de mapa
de uso e ocupação do solo, a fim de se verificar como está a ocupação aos arredores
da Lagoa de Ibiraquera. O complemento Dzetsaka foi utilizado para classificação da
cobertura de solo.

4.3. Procedimentos em Campo

As visitas à Lagoa de Ibiraquera foram realizadas, a princípio, para a


identificação dos melhores pontos para coletas de acordo com sua relevância,
acessos, e abrangência do perímetro lagunar. Após a definição dos pontos, eles foram
georreferenciados com auxílio de GPS da marca Garmin, modelo Etrex 10.
Posteriormente às idas para reconhecimento da área, deram-se início às coletas
mensais. O veículo utilizado foi cedido pelo IFSC Campus Garopaba, com a presença
de um motorista, de uma estagiária do curso de Gestão Ambiental e de uma técnica
de laboratório.

As coletas foram realizadas de julho de 2019 a junho de 2020, contudo, vale


salientar que, no mês de março de 2020, não houve coleta devido ao fechamento de
fronteiras municipais e barreiras sanitárias a fim de contenção da Pandemia de
Coronavírus, como já mencionado. A partir do mês de abril/2020, devido ao
56

encerramento das atividades dos Institutos Federais, a prefeitura de Imbituba


disponibilizou veículo para a realização das coletas faltantes, cujas quais foram
acompanhadas pelo secretário de saneamento da cidade e de seu assessor.

A coleta, o acondicionamento e o transporte das amostras seguiram os


procedimentos preconizados pelo Guia Nacional de Coleta e Preservação de
Amostras (CETESB, 2011). As coletas foram realizadas em uma profundidade de
aproximadamente 30 cm, com a devida cautela para que não houvesse revolvimento
do fundo, com frascos de vidro âmbar de um litro de volume para análises físico-
químicas e frascos de 200 mL para análises bacteriológicas, devidamente
esterilizados e ambientados e, posteriormente, acondicionados em caixas isotérmicas
com bolsas de gelo. Elas foram encaminhadas para os laboratórios obedecendo ao
prazo máximo de até 24 h após o momento da coleta (CETESB, 2011).

Cada amostra foi identificada com o número do ponto ao qual pertence, e dados
como data, hora, pH e temperatura, e anotações relativas ao ambiente e condições
do tempo foram registradas em ficha de campo. Após as coletas, as amostras foram
encaminhadas para o Laboratório de Bioquímica Ambiental do IFSC Campus
Garopaba. Elas foram acondicionadas e refrigeradas para a realização das análises,
sendo 6 parâmetros (Nitrito, Nitrato, Sílica, Sulfeto, Detergentes/LAS e Fosfato),
analisados no mesmo dia e os 13 restantes foram analisados no Laboratório de Águas
e Efluentes do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Ambiental do Sul – CISAM-
Sul – na cidade de Orleans, cujas quais foram encaminhadas no mesmo dia.

4.4. Análises dos Parâmetros

Todos os procedimentos para as análises laboratoriais dos parâmetros


seguiram os métodos preconizados pelo Standard Methods For The Examination Of
Water And Wastewater (APHA, 2012) e adaptações do guia de Metodologia Analítica
Alfakit Ltda (ALFAKIT LTDA, 200?), bem como HACH Company (2013). Estes
métodos estão listados no quadro 3.

Os parâmetros medidos in situ foram determinados a partir das leituras


realizadas por sondas e eletrodos presentes no equipamento multiparâmetros da
marca Akso modelo Combo Basic, que geram voltagens na amostra, resultando em
57

respostas nos aparelhos. As análises de parâmetros físico-químicos nitrogênio


amoniacal, nitrito, nitrato, fosfato, detergentes/las e sulfetos foram realizadas em
laboratório, com o emprego de kits analíticos AlfaKit Ltda, através do guia de
Metodologias Analíticas AlfaKit Ltda (adaptações dos métodos de APHA, 2012) e com
uso do aparelho Fotocolorímetro modelo AT 10P da mesma empresa, no Laboratório
do IFSC Campus Garopaba. As demais análises seguiram o preconizado por APHA
(2012) no laboratório do CISAM-Sul. Todas as análises foram realizadas em ambos
os laboratórios, seguindo instruções do Guia de Laboratório para Ensino de Química
(CRQ-IV, 2007), fazendo-se uso de equipamentos e vestes de segurança corretas
(luvas, máscaras, jaleco) e atentando-se para os riscos operacionais. O parâmetro
salinidade foi medido a partir da condutividade elétrica, no qual foi realizada a
conversão de valores, levando-se em consideração a temperatura, preconizado por
APHA (2005). O quadro 3 elenca todos os parâmetros e o métodos de análises
utilizados.

Quadro 3 ̶ Parâmetros e métodos analíticos utilizados.


Parâmetro Unidade Método Analítico - Código
pH Unidades 4500-H B (APHA) – Potenciométrico
de pH
Temperatura C° 2550 B (APHA) – Medição de campo
Turbidez NTU 2130 B (APHA) – Método nefelométrico
Condutividade Elétrica mS/m 2510 B (APHA) – Método eletrodo de platina
Salinidade %o 2520 B (APHA) – Método da C.E.
Oxigênio Dissolvido mg/L 4500-O G (APHA) – Método do Eletrodo de
Membrana
DBO mg/L 5210 B – DBO de 5 dias
Nitrogênio Amoniacal mg/L 10205 (HACH) – Método do Salicilato
Nitrato mg/L 352.1 (EPA, adaptado Alfakit) – Método
colorimétrico – Brucina
Nitrito mg/L 4500-NO2 B (APHA, adaptado AlfaKit) – Método
colorimétrico - Naftilamina
Fósforo Total mg/L 3120 B (APHA) – Espectrometria (ICP-EOS)
Fosfato mg/L 4500-P E (APHA, adaptado Alfakit) – Método do
Ác. Ascórbico
Sulfeto mg/L 4500-S D (APHA, adaptado Alfakit) – Método do
Azul de Metilento
Sílica mg/L 4500-SiO2 E (APHA, adaptado Alfakit)
Potássio mg/L 3120 B (APHA) – Espectrometria (ICP-EOS)
Sólidos Dissolvidos Totais mg/L 2540 C (APHA) – Sólidos dissolvidos secos à
180°C
Detergente/Las mg/L 5540 C (APHA, adaptado Alfakit) – Azul de
metileno
58

Coliformes Totais NMP/100 9223 (APHA) B – Substrato enzimático


mL
Escherichia coli NMP/100 9223 (APHA) B – Substrato enzimático
mL
Fonte ̶ autor. (*Milisiemens; **Unidade Nefelométrica de Turbidez; ***Número Mais Provável; APHA
– American Public Health Association – 22° ed; HACH – Water Analysis Guide – 1° ed)

Os parâmetros medidos in situ são analisados por base nas respostas obtidas
através de equipamentos analíticos portáteis. Para o pH, o método potenciométrico
resulta em leituras realizadas através de sondas e eletrodos presentes nos
equipamentos, que geram voltagem nas amostras, resultando em respostas nos
aparelhos. Para a temperatura, foi utilizado termômetro de mercúrio perfeitamente
acondicionado durante o transporte, cujos quais foram submergido em água à mesma
profundidade das coletas por, no mínimo, um minuto. O mercúrio se expande ao se
aquecer, atingindo a marcas indicativas de temperatura no termômetro.

O parâmetro turbidez foi medido através de turbidímetro de bancada, onde o


princípio do método consiste na comparação da intensidade de luz espalhada pela
amostra através de um diferencial da luz emitida e da luz recebida por detectores
fotoelétricos.

A condutividade elétrica foi medida através de condutivímetro com eletrodos de


platina que são imersos na amostra, entre os quais se passa uma corrente elétrica
que gera informações da capacidade de condutividade da amostra. A salinidade foi
calculada a partir da condutividade elétrica, obedecendo cálculos estabelecidos por
APHA (2012).

Para o parâmetro oxigênio dissolvido, a sonda medidora conta com uma


membrana permeável ao gás, cuja parte interna possui um cátodo e um ânodo que,
ao interagir com o oxigênio se gera uma corrente elétrica que será proporcional à
concentração de O.D. presente no meio.

O método de determinação de DBO de 5 dias consistem em encubar as


amostras em frascos apropriados durante o período de 5 dias a uma temperatura
constante de 20 °C. O oxigênio dissolvido é medido antes e após o método, e, assim,
tem-se a quantidade de oxigênio consumida para decomposição da matéria orgânica.
59

Para as análises de nitrogênio amoniacal, a amônia livre reage com o salicilato


e ocorre reação formando um composto de coloração verde. Este, por sua vez, é
medido e, espectrofotômetro específico da marca HACH, com comprimento de onda
655 nm (HACH COMPANY, 2013). Enquanto que, para as análises de nitrato, o
composto é lido em faixa de comprimento de onda de 415 nm, através da reação de
nitrato e brucina, em meio ácido, cuja qual gera uma coloração amarela proporcional
à concentração de nitrato. Para o nitrito, por sua vez, as leituras são feitas em
fotocolorímetro a uma faixa de comprimento de onda de 520 nm, nas quais são
submetidas amostras de coloração rósea proporcionais à concentração e nitrito,
resultantes da reação de nitritos com ácido sulfanílico e com cloridrato de alfa-
naftilamina.

As concentrações de fósforo total e potássio foram determinadas através de


Plasma por Acoplamento Indutivo ou ICP, que funciona usando um plasma de argônio,
onde amostra é ionizada, gerando íons que emitem espectros distintos. Tais íons são,
por sua vez, medidos por espectrômetro de massa através da razão de sua carga,
obtendo-se as concentrações de diversos metais, o que se aplica também ao fósforo
(APHA, 2012).

Para o fosfato, a leitura ocorre por meio da digestão da amostra em meio ácido
resultante da adição do ácido ascórbico e reagindo com molibdato de amônio e
tartarato de antimônio e potássio, sob aquecimento, o que resulta em uma coloração
azul. A amostra é então submetida à leitura em fotocolorímetro a uma faixa de
comprimento de onda de 650 nm (APHA, 2012). Além deste, as concentrações de
sulfetos também são determinadas através da coloração azul resultante da reação de
cloreto férrico e dimetil-p-fenilenodiamina em meio ácido, lida à faixa de 660 nm
(ALFAKIT, 2019); bem como as de sílica, que reagem com molibdato de amônio e
resultam em coloração azulada medida à mesma faixa.

Conforme APHA (2012), a determinação de sólidos dissolvidos totais se dá


através da filtragem da amostra através de filtro de fibra de vidro. Após este processo,
a mesma é submetida ao aquecimento em estufa a 180 °C sobre prato pesado e seco.
A quantidade de peso sobressalente ao do prato é a concentração de SDT.

Por fim, para os parâmetros microbiológicos, as culturas são cultivadas em


60

substratos onde se observam a coloração resultante da ação enzimática de bactérias


coliformes, bem como a luminescência à luz UV. Para a contagem, utilizou-se a tabela
Quanty-Tray, verificando-se o número mais provável de bactérias que se
desenvolveram em meio às cavidades da tabela. As cores e a luminescência indicam
os grupos de coliformes encontrados nas amostras.

A partir das análises laboratoriais, os resultados obtidos foram analisados e


comparados segundo a legislação vigente, com a Resolução CONAMA 357 (BRASIL,
2005), que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais
para o seu enquadramento, e com a Resolução CONAMA 274 (BRASIL, 2000), que
define os critérios de balneabilidade para as águas brasileiras. Esta última legislação
serviu de embasamento apenas comparativo para o VMP de E. coli, visto que a
periodicidade das coletas não obedeceu tal normativa.

Assim, foi verificado se os valores obtidos de concentrações de parâmetros se


enquadram nos padrões estabelecidos, para que, caso contrário, as medidas de
adequações necessárias fossem tomadas por parte dos órgãos competentes. Estes
foram informados através de reuniões e através do produto deste estudo, um relatório
da qualidade de água da Lagoa de Ibiraquera (Jul/2019 a jun/2020), em anexo I.

4.5. Análise Estatística

Valores de médias, máximas, mínimas e desvios padrão dos parâmetros foram


calculados através de planilhas do Microsoft Excel 2016 e tabulados na mesma para
posterior uso em outros softwares.

Foram utilizados gráficos de boxplot para elucidar informações de variância de


dados, de quartis e de outliers, e gráficos simples para elucidar o comportamento dos
pontos para cada parâmetro no decorrer das coletas. Essas etapas foram executadas
através dos softwares MiniTab Statistical Software (por MiniTab Inc, v. 18.1) e Past:
Paleontological Statistics Softwarer Package for Education adn Data Analysis (por
Paleontogia Electronica, v. 3.26).

Em relação ao teste de correlação, neste tipo de análise foi realizado para se


estudar as relações bivariadas entre cada uma das variáveis ambientais. Para tanto,
61

utilizou-se o coeficiente de correlação de Spearman (realizado através do Software


MiniTab), uma vez que é mais adequado na análise de dados que violam as premissas
exigidas pelos testes paramétricos. Os valores do Rô de Spearman variam de -1 a 1,
portanto quanto mais próximo de -1, as variáveis se apresentam inversamente
proporcionais e quanto mais próximo de 1, as variáveis se apresentam diretamente
proporcionais, conforme interpretações sugeridas pelo Suporte ao Software Minitab
(2019). Ressalta-se que os coeficientes de correlação são considerados medidas de
similaridade, ou seja, medem o quanto os dados se parecem, assim, quanto maior o
valor de correlação, maior a similaridade (CUNHA, 2017).

Os dados obtidos foram analisados através de análise estatística multivariada,


empregando-se dois métodos: Análise em Agrupamento ou Cluster Analysis e Análise
dos Componentes Principais (ACP), visando diminuir a dimensionalidade dos dados
e identificar o comportamento das variáveis em conjunto.

Para o emprego de estatística multivariada, utilizou-se a análise de cluster ou


análise de agrupamento através do software Past para se observar a relação entre as
estações de amostragem em relação aos 19 parâmetros analisados, resultando em
grupos com alta similaridade entre si, ou com alta similaridade interna e baixa
similaridade externa. O método utilizado para agrupar os pontos amostrais foi o
aglomerativo hierárquico, resultando em um dendograma demonstrando a hierarquia
de similaridade entre os pontos, e a medida utilizada para mensurar tal similaridade
foi a distância euclidiana, uma medida métrica utilizada em estudos com muitas
variáveis, aos moldes de estudos realizados por Rodrigues-Filho e colaboradores
(2015). Portanto, a associação entre os pontos amostrais se deu através de médias
ponderadas ou método clássico de análise de cluster. O algoritmo de agrupamento
empregado foi o ward’s method, cujo qual tem grande eficiência ao combinar o grande
número de dados referente a um pequeno número de pontos amostrais, e também foi
o que melhor elucidou os grupos resultantes, tal como utilizado em estudos de
Fernandes et al (2010).

Para a ACP, os dados foram agrupados por setores do complexo lagunar de


Ibiraquera (Lagoa de Cima, Lagoa de Baixo, Lagoa do Meio e Lagoa do Saco), visando
elucidar informações de cada setor em separado, de forma que o gráfico gerado seja
melhor compreendido especialmente pela comunidade de Ibiraquera.
62

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1. Uso e Ocupação do Solo

Antes de se discutir as características composicionais da água da Lagoa de


Ibiraquera, é necessário entender como se dá a ocupação na área. Para tanto, com o
uso de softwares de geoprocessamento e a manipulação de imagens de satélites
obtidas gratuitamente, obteve-se a figura 5. Nela são abordados 6 tipos de cobertura
do solo, suas porcentagens e suas áreas, dentro de polígono de aproximadamente
23,447 km² na área da laguna.

Figura 5 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo da área da Lagoa de Ibiraquera.

Fonte - autor, com uso de imagens do satélite CBERS4.


63

Com base nas análises de estudos de Freitas e Beltrame (2012), Veira (2015),
e Lalane e Marimon (2009), que utilizaram classificações de uso e ocupação do solo
a partir de imagens de satélites, geraram-se as porcentagens de áreas para uso do
solo ao redor da laguna. Assim tem-se em primeiro lugar, com aproximadamente
29,63%, a parte coberta por água, concentrada especialmente na porção lagunar.

Como segundo maior uso de solo predominante na região, tem-se uma área
dominada por vegetação rasa, com aproximadamente 23,56% da área total ao redor
da Lagoa de Ibiraquera, o que se encaixa como uma possível transição entre áreas
que antes eram descampadas ou de pasto e agora são utilizadas para outros fins,
bem como áreas onde a vegetação secundária está em processo de crescimento, com
gramíneas e espécies arbóreas de pequeno porte. Na figura 5, também se pode
observar que parte dessa vegetação rasa está em área de mata ciliar, onde se
enquadram como Áreas de Preservação Permanente, de acordo com o Novo Código
Florestal Brasileiro – Lei n° 12.651/2012 (BRASIL, 2012). Além disso, percebe-se que
parte dessa vegetação ciliar, classificada como uma vegetação mais rasa, faz limite
com cobertura do solo por areia, antes de chegar à área coberta pelas águas da
laguna, isso porque a vegetação se torna cada vez mais rasa e espaçada em solo
arenoso, devido às condições mecânicas entre as raízes e o solo arenoso
(BARCELOS et al, 2012). As condições desse tipo de solo arenoso também implicam
às espécies vegetais uma maior heterogeneidade, com espécies oriundas de áreas
de mata atlântica e espécies mais arbustivas, conforme Barcelos e colaboradores
(2012), o que pode justificar o solo coberto por vegetação menos densa.

Contudo, ao levar-se em conta a quantidade de terrenos com vegetação rasa


ao redor da laguna, observados durante o período de coletas, é possível afirmar que
muitos serão utilizados para fins imobiliários, já que grande parte deles estão em lotes
separados e demarcados, porém não abrigam animais para pasto e também não se
caracterizam como áreas para plantio. Freitas e Beltrame (2012), ao estudarem a
mudança no uso e ocupação de solo na região de Ibiraquera, no período de 1957 a
2011, evidenciaram a diminuição em áreas de cultivo e de pasto e aumento vertiginoso
da área urbana, processo que aparenta se intensificar atualmente.

Em terceiro lugar da classificação de uso do solo, com aproximadamente 20,47%


da área do polígono, estão as áreas descampadas e com solo exposto. Essas áreas
64

também corroboram com o crescimento do processo de urbanização da região,


apontado nos estudos de Freitas e Beltrame (2012) e de Lalane e Marimon (2009), já
que esse processo se deu de maneira desordenada ao redor da laguna e é possível
se verificar in loco a quantidade de invasões e ruas não planejadas, com a retirada de
vegetação e com solo exposto para a trafegabilidade. Ambos os usos, com cobertura
de vegetação rasa e de solo exposto, põem em risco a qualidade das águas da laguna,
especialmente pelo fato de que, com a incidência de precipitação, a falta de cobertura
vegetal contribui para o processo de erosão do solo, resultando no carreamento de
sólidos e na lixiviação de nutrientes. Tal processo pode resultar no assoreamento de
corpos d’água e são um dos principais problemas enfrentados em zonas rurais, como
aponta Vieira (2015).

A quarta maior área é constituída principalmente por areia, abrangendo 13,25%,


e que está concentrada em área de dunas e da margem da laguna. Salienta-se ainda
que o mapa de uso e ocupação de solo evidencia áreas rasas da laguna onde se
sobressai a tonalidade da areia sob a estreita coluna da água, especialmente nos
pontos P1, P2 P3, e P8, o que evidencia as baixas profundidades do corpo lagunar
apontadas por Seixas (2002), Bonetti, Bonetti, e Beltrame (2005). Nota-se também
que tal cobertura por areia reflete a grande quantidade de vias sem pavimentação na
área adjacente da laguna, especialmente as chamadas estradas de terra ou chão
batido. Tais áreas estão extremamente suscetíveis à lixiviação do solo e à
carreamento de sólidos para o corpo lagunar.

Lalane e Marimon (2009) em seus estudos caracterizaram o ambiente coberto


por areia como áreas de dunas que são naturalmente moldadas pelos ventos e pela
ação da água, mas, próximo ao P2, houve grande alteração de tais ambientes
principalmente por aplainamento e aterramento de terrenos para a construção de
casas e para trânsito em épocas onde a barra se encontra fechada. As autoras ainda
mencionam que esse tipo de cobertura apresenta baixa fertilidade e elevada erosão
(LALANE, MARIMON; 2009), o que pode refletir nas características da água,
principalmente relacionado a sólidos em suspensão e a concentrações de sílica e
matéria orgânica. Além disso, o grande contingente urbano concentrado próximo a
desembocadura, em P2, pode também atrelar cargas de efluentes que elevem as
concentrações de coliformes totais e detergentes. Segundo as autoras, este é um dos
locais mais urbanizados à margem da laguna.
65

Em quinto lugar, estão as áreas urbanas, com aproximadamente 7,6% da área


estudada. Ressalta-se que a cobertura de solo por área urbana abrange também as
vias pavimentadas na região. É evidente o crescente aumento da urbanização às
margens da Lagoa de Ibiraquera, especialmente por casas de veraneio, bem como o
preparo de terrenos para implantações imobiliárias e grandes condomínios. Em visita
in loco, é notável que muitas construções estão em áreas inadequadas como encostas
de morros e às margens da laguna, infringindo o Código Florestal (2012), por se
tratarem de áreas de APP. Tais construções, além de gerarem efluentes muitas vezes
não tratados, também contribuem para a eutrofização do corpo hídrico e para a
descaracterização do ambiente lagunar.

Por fim, estão as áreas de vegetação densa, com apenas 5,6% da área, que
se concentram em áreas mais preservadas, como a morraria ao lado da Lagoa do
Saco. Além de concentrarem compartimentos de mata atlântica, tais áreas são
responsáveis por garantir a manutenção hídrica e a consistência do solo, impedindo
também a lixiviação de contaminantes e a erosão na laguna. Percebe-se ainda que
às margens da Lagoa de Ibiraquera deveria existir faixa de vegetação mais densa ou
preservada de, no mínimo, 30 m (BRASIL, 2012), e que, ao se analisar o mapa de uso
do solo, em grande parte da área não há tal preservação.

5.2. Correlação de Parâmetros Estudados

5.2.1. Correlação entre todas as variáveis

A fim de embasar a maneira de como os parâmetros de qualidade da água e


as variáveis meteorológicas se portam neste estudo, procedeu-se a uma matriz de
correlação de Spearman. De acordo com interpretação sugerida pelo Software Minitab
(2019), essa correlação deve ser estabelecida quando as variáveis em estudo
apresentarem uma relação monotônica, isto é, não requerem a suposição de que a
relação entre elas é linear, quando os dados apresentam uma distribuição não normal
e podem mover-se na mesma direção relativa, mas não a uma velocidade constante.

O quadro 4 a seguir apresenta a matriz de correlação de Spearman entre todas


as variáveis analisadas, as de qualidade da água e as variáveis meteorológicas. Os
campos em amarelo evidenciam valores com p de significância abaixo de 0,05,
66

indicando correlação significativa, juntamente com seus respectivos valores de rô ( ρ)


de Spearman acima. Enfatiza-se que a intensidade das correlações foi classificada
conforme Shimakura (2006) em: muito fraca (0 a 0,19), fraca (0,20 a 0,39), moderada
(0,40 a 0,69), forte (0,70 a 0,89) e muito forte (0,90 a 1).

As 21 variáveis geraram 211 correlações, sendo 143 são estatisticamente


significantes (p<0,05), e todas as variáveis apresentaram ao menos uma correlação
significante com outra variável. As correlações serão comentadas adiante quando
forem explanadas individualmente e serão importantes para tal discussão.
67

Quadro 4 - Matriz de correlação de Spearman entre as variáveis em estudo. Conteúdo das células: Rô de Spearman (superior) e Valor-p (inferior).
pH Temp. Turb. DBO Sal. C. E. O.D. S.D. T. N.A. Colif. E. coli P.T. K Nitrito Nitrato Síl. Sulf. Las Fosfat Precip
T. o .
Temp. -0,448
0
Turb. -0,124 0,3
0,124 0
DBO -0,186 -0,013 0,157
0,021 0,87 0,052
Sal. 0,139 -0,543 -0,296 0,21
0,087 0 0 0,009
C.E. 0,138 -0,543 -0,296 0,211 1
0,087 0 0 0,009 0
O. D. 0,121 -0,378 -0,556 0,051 0,43 0,43
0,135 0 0 0,534 0 0
S.D.T. 0,087 -0,544 -0,349 0,209 0,864 0,864 0,582
0,285 0 0 0,009 0 0 0
N.A. -0,081 0,527 -0,077 -0,247 -0,511 -0,511 -0,253 -0,433
0,318 0 0,344 0,002 0 0 0,002 0
Coli. -0,164 0,325 0,353 0,012 -0,489 -0,489 -0,461 -0,438 0,285
T. 0,042 0 0 0,88 0 0 0 0 0
E coli -0,288 0,353 0,217 0,073 -0,464 -0,464 -0,431 -0,464 0,216 0,575
0 0 0,007 0,37 0 0 0 0 0,007 0
P.T. 0,079 0,19 -0,207 -0,527 -0,256 -0,256 -0,128 -0,165 0,699 0,169 0,073
0,332 0,018 0,01 0 0,001 0,001 0,114 0,041 0 0,036 0,371
K 0,12 -0,668 -0,272 0,324 0,831 0,831 0,442 0,73 -0,691 -0,465 -0,387 -0,508
0,139 0 0,001 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Nitrito -0,22 0,263 0,04 -0,083 -0,283 -0,283 -0,053 -0,225 0,248 0,21 0,176 0,18 -0,318
0,006 0,001 0,623 0,307 0 0 0,512 0,005 0,002 0,009 0,029 0,026 0
Nitrato 0,098 0,141 -0,099 -0,225 -0,263 -0,263 -0,133 -0,357 0,288 0,094 0,053 0,156 -0,18 0,14
0,227 0,08 0,222 0,005 0,001 0,001 0,1 0 0 0,244 0,514 0,053 0,025 0,082
Síl -0,178 0,492 0,421 0,062 -0,403 -0,403 -0,496 -0,503 0,121 0,227 0,306 -0,171 -0,35 0,122 0,066
0,027 0 0 0,446 0 0 0 0 0,135 0,005 0 0,034 0 0,131 0,415
Sulfet -0,139 0,469 0,163 0,113 -0,318 -0,318 -0,192 -0,257 0,243 0,231 0,189 0,053 -0,414 -0,036 0,007 0,312
o
0,086 0 0,043 0,162 0 0 0,017 0,001 0,002 0,004 0,019 0,511 0 0,66 0,933 0
Las 0,237 -0,402 -0,169 -0,231 0,224 0,224 0,331 0,278 -0,244 -0,136 -0,216 -0,058 0,174 0,106 -0,082 -0,26 -0,3
0,003 0 0,036 0,004 0,005 0,005 0 0 0,002 0,092 0,007 0,477 0,031 0,19 0,31 0,001 0
Fosfat -0,232 0,179 -0,144 -0,138 -0,128 -0,128 -0,07 -0,055 0,303 0,147 0,032 0,214 -0,221 0,05 -0,031 0,173 -0,029 0,061
o 0,004 0,027 0,075 0,089 0,114 0,114 0,388 0,496 0 0,069 0,693 0,008 0,006 0,535 0,704 0,032 0,724 0,45
Precip -0,117 0,176 -0,08 0,233 -0,04 -0,04 0,29 0,047 -0,027 -0,156 -0,091 -0,269 0,011 0,127 0,014 0,217 0,118 0,04 0,209
. 0,149 0,029 0,322 0,004 0,621 0,619 0 0,565 0,743 0,054 0,263 0,001 0,896 0,117 0,865 0,007 0,145 0,626 0,009
Temp. -0,509 0,933 0,228 -0,045 -0,554 -0,554 -0,398 -0,536 0,542 0,384 0,403 0,253 -0,702 0,224 0,095 0,482 0,504 -0,411 0,238 0,055
ar 0 0 0,005 0,582 0 0 0 0 0 0 0 0,002 0 0,005 0,239 0 0 0 0,003 0,502
Legenda: correlação muito fraca ; correlação fraca ; correlação moderada ; correlação forte ; correlação muito forte .
68

5.2.2. Correlações entre variáveis meteorológicas e de qualidade da água

Como se pode ver no quadro 4, nem todas as variáveis de qualidade da água


se correlacionaram significativamente com as variáveis meteorológicas. No quadro 5,
são listadas as correlações significantes (p<0,05) entre esses dois grupos de variáveis.
A variável meteorológica precipitação se correlacionou significativamente
somente com 6 variáveis de qualidade da água (em cinza), enquanto que a variável
meteorológica temperatura do ar se correlacionou significativamente com 17 variáveis
(em azul). As correlações estão organizadas em ordem decrescente do valor de Rô
de Spearman e serão abordadas posteriormente ao se discutir os resultados
específicos de cada variável.

Quadro 5 ̶ Correlações significativas entre variáveis meteorológicas e variáveis de qualidade da água.

Par de Variáveis Rô de Valor Par de Variáveis Rô de Valor de p


Spearman de p Spearman

Precipitação x Oxigênio 0,290 0,000 Temperatura do ar x 0,253 0,002


Dissolvido Fósforo Total

Precipitação x DBO 0,233 0,003 Temperatura do ar x 0,238 0,003


Fosfato

Precipitação x Sílica 0,217 0,007 Temperatura do ar x 0,228 0,005


Turbidez

Precipitação x Fosfato 0,209 0,009 Temperatura do ar x 0,224 0,005


Nitrito

Precipitação x Temperatura 0,176 0,029 Temperatura do ar x O.D. -0,398 0,000

Precipitação x Fósforo Total -0,269 0,001 Temperatura do ar x -0,411 0,000


Detergente/Las

Temperatura do ar x 0,933 0,000 Temperatura do ar x pH -0,501 0,000


Temperatura da água

Temperatura do ar x Nitrogênio 0,542 0,000 Temperatura do ar x -0,536 0,000


Amoniacal Sólidos Dis. Totais

Temperatura do ar x Sulfeto 0,504 0,000 Temperatura do ar x -0,554 0,000


Condutividade Elétrica

Temperatura do ar x Sílica 0,482 0,000 Temperatura do ar x -0,554 0,000


Salinidade
69

Temperatura do ar x E. coli 0,403 0,000 Temperatura do ar x -0,702 0,000


Potássio

Temperatura do ar x 0,384 0,000


Coliformes Totais

5.3. Variação espaço-sazonal dos parâmetros estudados

5.3.1. Parâmetros meteorológicos estudados

A precipitação pluvial foi um dos parâmetros que motivou o desenvolvimento


do trabalho, já que está intimamente ligada a qualidade de águas dos corpos hídricos,
seja através de sua influência no volume de água ao precipitar, seja pelo arraste de
sedimentos, nutrientes, cargas orgânicas e demais materiais ao escoar
superficialmente pelo solo. Segundo Tucci et al (2001), as águas pluviais são uma
fonte de poluição considerável e que afeta de maneira expressiva a qualidade da água
de bacias especialmente situadas próximo a malha urbana, onde sua carga de
poluentes pode chegar a até 80% da carga de esgoto doméstico.

Para este estudo, utilizou-se a precipitação acumulada de 14 dias anteriores


aos dias das coletas mais um dia referente ao dia da coleta, totalizando 15 dias de
precipitação acumulada. Ressalta-se que tal método visou salientar a influência da
pluviosidade anterior de modo com que abordassem o tempo para os efeitos da
mesma sobre os parâmetros, bem como sob as vazões dos afluentes que deságuam
na Lagoa de Ibiraquera, também quanto ao material carreado à mesma durante tais
períodos, assim como realizado nos estudos de Araújo e Silva (2017), ao analisarem
a qualidade da água de um córrego em sob influência da precipitação considerando
15 dias anteriores aos dias das coletas. Entretanto, com fins de comparação, também
se avaliou os totais mensais acumulados. Os valores para as precipitações durante o
período amostral estão evidenciados no quadro 6, bem como suas respectivas
estações nas datas das coletas.
70

Quadro 6 ̶ Valores de precipitação durante o período amostral.


Período de Precipitação Acumulada Precipitação Acumu- Estação
Coleta Mensal (mm) lada de 15 dias (mm)
11/JUL/19 94,8 77,20 Inverno
12/AGO/19 16,2 2,4 Inverno
26/SET/19 9,6 6,6 Primavera
29/OUT/19 51,2 44 Primavera
26/NOV/19 52,2 50,4 Primavera
9/DEZ/19 57 6,4 Primavera
20/JAN/20 132,2 32,2 Verão
17/FEV/20 57,2 35,6 Verão
22/ABR/20 24,6 2 Outono
18/MAI/20 7,8 5,2 Outono
29/JUN/20 79,8 10 Inverno

Fonte – Dados cedidos pela EPRAGI/CIRAM.

Para elucidar melhor a variação da precipitação durante o período de coletas,


elaborou-se o pluviograma da figura 6. Nele é possível observar a diferença de valores
considerados para análises conjuntas com os parâmetros de qualidade de água e os
valores mensais de precipitação.

Figura 6 - Comparação de valores de precipitação acumulada de 15 dias anteriores às coletas e


precipitação total mensal.

No pluviograma, percebe-se nitidamente que os dados de precipitação


acumulada tendem a acompanhar a variação de precipitação mensal, contudo nos
meses de dezembro/2019 e janeiro/2020, ocorre uma maior disparidade devido
71

especialmente à diferença de dias em que houve precipitação e não foram


considerados para avaliação junto aos parâmetros de qualidade da água. Pode-se
visualizar também o comportamento das chuvas na região, de acordo com as
mudanças sazonais. O mês de janeiro apresentou maior volume precipitado, referente
à estação do verão, com precipitação mensal total de 132,2 mm; seguido pelos meses
de agosto e setembro, referente ao fim do inverno e início da primavera, com valores
de 16,2 e 9,6 mm, respectivamente; o menor volume precipitado foi em maio, referente
à estação do outono, com somente 7,8 mm precipitados,

Conforme estudos de Pellegrin e colaboradores (2014), a precipitação em


Santa Catarina apresenta uma distribuição diferenciada de acordo alguns fatores,
como a orografia, a influência do mar, as frentes frias, dentre outros. Contudo, o
regime de precipitação nesta região tende a ter maiores volumes nos meses de verão,
como se evidenciou no pluviograma, em seguida tem-se a primavera, seguido pelo
inverno e, por fim, o outono (PELLEGRIN et al. 2014). Contudo, o mês de julho de
2019 não obedeceu tal comportamento, o que pode ser justificado pela presença de
frentes frias, que geralmente causam chuvas e instabilidades no tempo (RODRIGUES;
FRANCO; SUGAHARA; 2004) e pela influência, ainda que fraca, do El Niño, um
fenômeno atmosférico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do pacífico
e que causa precipitações abundantes na região Sul em períodos de inverno,
conforme o INPE (2020), tal como ocorreu em 2019, monitorado pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais.

Como se pode notar nos quadros 4 e 5, a precipitação só se relacionou


significativamente com cinco outros parâmetros: oxigênio dissolvido (0,290), DBO
(0,233), sílica (0,217), fosfato (0,209) e fósforo total (-0,269). Apesar de que tais
valores indicam correlações consideradas fracas, elas são significativas. O O.D. teve
maior correlação positiva com a precipitação, assim como evidenciaram Silva e
colaboradores (2008) em seus estudos no Rio Purus, na Amazônia. Tal fato pode ser
justificado especialmente pois as águas da chuva em elevadas altitudes e em
movimento descendente estão mais propícias à oxigenação, além de promoverem a
movimentação da lâmina superficial da água durante os períodos de chuvas intensas.
Além disso, a precipitação também pode ser responsável pelo carreamento de matéria
orgânica e dejetos para os corpos hídricos, o que pode resultar em aumento na
demanda biológica de oxigênio para consumir tal matéria.
72

A sílica está presente naturalmente em muitos solos, principalmente nos


compostos por granitos, conforme afirmam Blumberg e Azevedo Neto (1956), como é
o caso do terreno da lagoa. A chuva é um dos principais agentes responsáveis pelo
intemperismo em rochas e solos, lixiviando componentes dos mesmos, o que justifica
perfeitamente a sua correlação positiva com esse parâmetro. A correlação positiva
entre a precipitação e os valores de fosfato também se enquadram nesta justificativa,
já que os íons fosfatos podem estar ligados a elementos que compõem as rochas
sedimentares outrora atingida pelas chuvas, sendo carreados para o leito lagunar.
Contudo, é intrigante notar que os valores de precipitação se correlacionaram
negativamente com o fósforo total. Sabendo-se que o fósforo em água tem como sua
principal fonte a emissão de efluentes domésticos, os valores inversamente
proporcionais com as chuvas podem estar associados à diluição das cargas de
efluentes contendo fósforo no leito lagunar, propiciada pelo aumento do volume de
água.

Quanto aos valores de temperatura do ar, estes estão diretamente associados


à temperatura da água e a processos climáticos. Os valores médios, máximos e
mínimos de temperatura do ar observados nos dias de coleta estão no quadro 7, e na
figura 7 está o gráfico das temperaturas médias mensais e das temperaturas médias
nos dias das coletas.

Quadro 7 - Valores de temperatura do ar durante o período amostral.


Períodos de Temperatura Média Temperatura Mínima Temperatura
Coleta Diária (°C) Diária (°C) Máxima Diária
(°C)
11/JUL/19 16,78 13,24 20,14
12/AGO/19 19,37 16,52 23,62
26/SET/19 19,95 17,02 23,28
29/OUT/19 21,83 18,19 25,01
26/NOV/19 21,3 19,18 23,87
9/DEZ/19 23,01 21,29 26,10
20/JAN/20 24,48 22,36 27,20
17/FEV/20 23,27 21,08 26,27
22/ABR/20 21,51 17,38 26,72
18/MAI/20 19,08 15,05 24,34
29/JUN/20 15,83 11,91 18,71

Fonte - Dados cedidos pela EPRAGI/CIRAM.


73

Na figura 7, nota-se que, assim como a precipitação, os valores de temperatura


média do ar diárias seguiram a mesma tendência das temperaturas médias mensais,
e também acompanharam as variações sazonais de temperatura na região, com os
meses mais quentes sendo dezembro, janeiro e fevereiro, relativos ao verão no
Hemisfério Sul.

Ressalta-se que durante o período de coleta, a temperatura do ar variou no


com o passar do dia, já que os primeiros pontos foram amostrados nas primeiras horas
da manhã e, com o decorrer do dia, a temperatura do ar tendeu a aumentar, assim
aquecendo a água gradativamente.

Figura 7 - Valores de médias de temperatura do ar diárias e mensais.

5.3.2. Parâmetros de Qualidade da Água

a) pH

A tabela 2 a seguir elenca os resultados das análises para o parâmetro


Potencial Hidrogeniônico. Os valores em evidência estão em desconformidade com a
Resolução CONAMA 357/2005, que estabelece que o pH deve estar entre 6,5 e 8,5
para corpos de águas salobras classe 1. Na parte inferior da tabela, são elencados os
valores de máxima, média, mínima e desvio padrão referente ao parâmetro.
74

Tabela 2– Valores de pH obtidos durante o período de coletas.


Unidades de pH
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 7,76 7,39 7,57 7,51 7,05 7,51 7,56 7,13 7,76 7,95
7,74
P2 8,10 7,48 7,43 7,51 7,49 7,52 7,50 7,35 7,90 7,96
7,83
P3 7,89 7,40 7,45 7,56 7,38 7,54 7,47 7,32 7,84 7,97
7,85
P4 7,83 7,38 7,42 7,53 7,42 7,52 7,45 7,12 7,86 7,80
7,85
P5 8,00 7,35 7,49 5,53 7,46 7,55 7,50 7,46 7,94 7,91
7,94
P6 7,90 7,44 7,49 7,52 7,51 7,59 7,43 7,40 7,95 7,96
7,96
P7 8,80 7,47 7,46 7,51 7,42 7,58 7,42 7,37 8,00 7,97
7,96
P8 8,15 7,44 7,46 7,50 7,45 7,43 7,41 7,36 8,00 8,00
7,90
P9 8,25 7,42 7,47 7,44 7,46 7,49 7,43 7,31 7,58 7,89
7,81
P10 8,21 7,30 7,52 7,30 7,48 7,53 7,42 7,66 7,89 7,97
7,67
P11 8,16 7,36 7,48 7,34 7,46 7,54 7,41 7,47 7,95 8,00
7,71
P12 8,21 7,37 7,48 7,41 7,44 7,54 7,35 7,44 7,94 8,01
7,77
P13 8,12 7,36 7,49 7,50 7,55 7,60 7,42 7,66 8,06 8,06
7,92
P14 8,94 7,27 7,53 7,25 7,50 7,57 7,45 7,49 8,10 8,03
8,04
Máx 8,94 Méd 7,63 Mín 5,53 D.P. 0,34

Os valores de pH variaram de 5,53 em P5 na coleta de outubro de 2019, sendo


este o único valor caracterizado como ácido encontrado para todo o período amostral,
a 8,94 em julho de 2020. Apenas 3 amostras presentaram discordância com a
legislação (CONAMA 357/2005), sendo o valor máximo em P14 situado na Lagoa do
Saco, a menor porção do complexo lagunar da Lagoa de Ibiraquera. Durante as
coletas neste ponto, sempre foi evidenciado a presença elevada de lodo e material
sedimentado ao utilizar os recipientes de coleta e revolver camadas mais baixas da
coluna d’água.

Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005), ao estudarem o pH na laguna de Ibiraquera


encontraram valores variando de 7,01 a 9,15, com média de 8,33 na Lagoa do Saco.
A média encontrada neste estudo para este ponto foi de 7,71, variando 0,62 em
relação ao estudo de Bonetti e Colaboradores (2005), porém estando bem próximo ao
valor médio total de todos os pontos, de 7,69. Sierra et al (1999), ao estudarem a
Lagoa da Conceição, ambiente lagunar semelhante à Lagoa de Ibiraquera,
identificaram pH básico também, com média de 8,01.

Baseando-se nos demais pontos, em relação ao único valor ácido encontrado,


75

em P5 em outubro/2019, ressalta-se que o mesmo se encontra próximo ao canal mais


estreito que liga dois bolsões da laguna, a Lagoa de Baixo e a Lagoa do Meio. Assim,
é provável que o acumulo de matéria orgânica em decomposição proveniente da
vegetação ciliar tenha causado essa alteração, considerando o estrangulamento do
canal que liga os dois bolsões no qual o ponto se localiza. Oliveira (2006), ao estudar
uma laguna no estado do Ceará, constatou valores predominantemente ácidos e os
justificou devido ao processo de entrada de material alóctone e de matéria orgânica
em decomposição, o que possivelmente tem efeito também na Laguna de Ibiraquera,
ainda mais em se tratando de um ponto situado em um canal estreito, onde o material
alóctone advindo das margens tende a se concentrar mais ao escoar.

É importante notar que dois dos três resultados em discordância foram


encontrados em coletas realizada no mês de julho de 2019 e que este mês
especificamente apresentou valores médios acima em relação aos demais, com
média de 8,17, sendo 7,5% acima do valor médio para todo o período amostral, de
7,60, o que se observa o gráfico de variação de pH na figura 8. Neste gráfico também
é possível observador a forma de comportamento dos quartis, da mediana e dos
outliers. Os 3 valores em discordância com a Resolução CONANA 357/2005 são
simbolizados como outliers (ilustrados com asteriscos e círculos), já que possuem
valores muito acima ou baixo dos demais; as linhas em vermelho simbolizam os limites
mínimos e máximos de pH.

A figura 9 ilustra a maneira como todos os pontos se comportaram no decorrer


dos meses de coleta. Nota-se, através das linhas que interligam os valores, que, no
geral, os pontos apresentaram comportamento e variações semelhantes, tendo em
vista que as alterações causadas no ambiente lagunar o afetam como um todo.
76

Figura 8 – Variação de pH no decorrer das coletas.

Figura 9 – Comportamento de pH em todos os pontos no decorrer das coletas .

Oliveira (2006) atribui as variações de pH em ambientes lagunares naturais


especialmente à elevação nas concentrações de íons H + dissociados do ácido
carbônico presente em água e das reações de íons carbonato (CO2−
3 ) e bicarbonato

(HCO3 ) com as moléculas de água.

O pH se correlacionou significativamente de maneira inversa com a


temperatura (-0,448), com a DBO (-0,186), com coliformes totais (-0,164), com E. coli
(-0,288), com nitrito (-0,220), com sílica (-0,178), com fosfato (-0,232) e com o
77

parâmetro meteorológico temperatura do ar (-0,509). Sua única correlação positiva foi


com o parâmetro detergentes/las (0,237). De acordo com a CETESB (2019) o
aumento da temperatura propicia aumento da velocidade das reações químicas,
inclusive na decomposição de matéria orgânica, o que pode resultar em aumento nas
concentrações de gás carbônico e ácidos na água provenientes das decomposições
dos compostos orgânicos, fato que pode justificar a diminuição de pH em detrimento
da elevação da temperatura. Os valores de sílica, como já mencionado, podem estar
associados ao intemperismo em granitos, resultando em compostos de sílica e
bicarbonatos, sendo responsáveis pela elevação do pH, justificando assim a
correlação inversamente proporcional entre esses parâmetros (BLUMBERG;
AZEVEDO NETO, 1956). Os valores de fosfatos podem estar associados às reações
que ocorrem com compostos contendo fósforo, e que são impactados pelo pH da água.

Os valores de nitritos resultam da atividade de bactérias nitrificantes no meio


lagunar, já que estas são responsáveis pela transformação da amônia em nitrito.
Contudo, o pH afeta em seu desenvolvimento, sendo citada a faixa de 7,0 a 8,5 como
ideal para as mesmas e valores acima ou abaixo tendem a alterar os processos de
nitrificação, o que pode justificar a correlação negativa entre os parâmetros (XICA,
2017). Conforme Xica (2017) e Sperling (2005), outro fato interessante é que o nitrato
resultante da nitrificação atua no crescimento de macrófitas aquáticas que, por sua
vez, atuam na assimilação de gás carbônico no meio, impedindo a sua transformação
para ácido carbônico, o que aumenta o pH. Logo, indiretamente, a menor quantidade
de nitrito no meio pode indicar em sua maior conversão para nitrato, refletindo no
aumento de pH ocasionado pela assimilação de gás carbônico pelos vegetais
(Sperling, 2005), justificando os valores de correlação inversamente proporcionais.
Além disso, sabe-se que muitas substâncias tem sua solubilidade em água alterada
em função do pH (FUNASA, 2014), ou seja, quanto menor é o pH da água, maior é a
solubilidade dessas substâncias em meio líquido, podendo refletir diretamente nos
resultados analíticos para as substâncias estudadas.

Os valores de detergentes podem estar associados a cargas de efluentes


contendo demais substâncias de caráter básico, tendo em vista que muitos materiais
sanitizantes e saneantes são de caráter básico, como a própria soda cáustica. Tal fato
pode justificar as correlações diretamente proporcionais ente pH e detergentes.
78

b) Temperatura da água

A temperatura da água influencia na velocidade das reações químicas, em


processos físicos regidos pela variação de calor e no comportamento da biota. Os
valores de temperatura obtidos neste estudo, seus valores máximos, médios, mínimos
e seu desvio padrão estão elencados na tabela 3. O menor valor foi para o mês de
julho de 2019, referente ao inverno, em P1, de 13,60 °C. Ressalta-se que foi o primeiro
ponto amostrado e que isso pode justificar a temperatura mais baixa, já que essas
coletas eram realizadas nas primeiras horas com luz solar. O valor mais elevado
encontrado foi em fevereiro/2020, com a temperatura da água em P13 de 31 °C, sendo
um dos últimos pontos amostrados, refletindo na elevada temperatura da água,
aquecida no decorrer do dia.

Tabela 3 – Valores de temperatura obtidos durante o período de coletas.


Temperatura (C°)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 13,60 17,00 20,00 26,00 22,00 23,80 26,60 27,70 22,30 18,60 16,50

P2 15,70 17,00 21,00 25,00 23,60 24,40 28,50 28,30 21,60 17,60 15,00

P3 16,80 18,50 23,00 25,50 23,50 25,30 28,10 29,00 23,60 19,00 17,00

P4 18,10 19,00 22,00 28,00 24,70 25,80 28,50 30,50 23,90 19,70 17,50

P5 18,80 18,50 23,00 27,00 23,90 25,60 28,50 29,20 23,60 21,00 17,00

P6 17,50 19,00 23,00 28,00 24,30 27,00 28,40 29,40 24,60 21,00 17,80

P7 18,60 18,50 23,00 28,00 23,30 27,20 27,90 29,20 25,10 20,80 15,00

P8 21,00 19,70 23,00 28,00 24,70 24,20 29,10 27,60 25,00 21,50 16,00

P9 19,90 20,00 24,00 28,00 25,50 28,01 29,30 29,40 25,60 21,30 16,50

P10 20,30 20,30 25,00 28,00 25,00 27,40 29,00 29,60 25,00 21,50 17,00

P11 19,60 20,00 24,00 27,00 24,60 27,60 29,50 29,50 23,70 19,00 17,00

P12 20,90 20,90 24,00 27,00 24,00 27,20 29,50 29,70 24,70 20,30 17,00

P13 20,30 21,00 23,00 27,00 23,90 26,70 29,70 31,00 25,80 20,60 17,50

P14 20,90 21,50 24,00 26,50 25,20 27,90 29,60 30,10 25,80 21,90 18,00

Máx 31 Méd 23,45 Mín 13,60 D.P. 0,34 4,23

Na figura 10, é possível observar a variação de temperatura no decorrer das


coletas, englobando todos os pontos amostrais. O mês de jul/2019 foi o mês que
evidenciou maior amplitude térmica do corpo lagunar, possibilitada pela estação de
inverno. As demais temperaturas acompanharam a variação sazonal, tendo
fevereiro/2020 como o mês de maior valor médio. O mês de junho apresentou
79

menores valores médios de temperatura, com baixa amplitude, o que pode ser
justificado pela influência de frentes frias no período de coletas.

As figuras 10 e 11 mostram os gráficos que evidenciam o comportamento da


temperatura em cada ponto no decorrer do período amostral. Nota-se que todos os
pontos apresentaram comportamento similares, o que se embasa pelo efeito da
temperatura do ar sobre o corpo lagunar, regido pela variação das estações. Além
disso, tal fato mostra a baixa dinâmica de correntes com distintas temperaturas no
corpo lagunar, visto que o mesmo possui baixa profundidade e que durante grande
parte das coletas, o canal que o conecta ao mar estava fechado.

Figura 10 – Variação de temperatura no decorrer das coletas.

Os valores de temperatura da água se correlacionaram com turbidez (0,300),


salinidade e condutividade elétrica (-0,543), oxigênio dissolvido (-0,378), sólidos
dissolvidos totais (-0,544), nitrogênio amoniacal (0,527), coliformes totais (0,325), E.
coli (0,353), fósforo total (0,190), potássio (-0,668), nitrito (0,263), sílica (0,492), sulfeto
(0,469), detergente/las (-0,402), fosfato (0,179), precipitação acumulada de 15 dias
(0,176) e temperatura do ar (0,933).
80

Figura 11 – Comportamento da temperatura em todos os pontos no decorrer das coletas.

Segundo a FUNASA (2014) o O.D. é um dos parâmetros que mais se altera em


função da temperatura, já que quanto mais elevada a temperatura, maior é o grau de
agitação de moléculas da água, possibilitando assim que o oxigênio dissolvido na
mesma seja liberado para a atmosfera, o que justifica sua correlação inversa com a
temperatura. Tal fato também está atrelado especialmente à temperatura do ar, em
virtude da diminuição da pressão atmosférica sobre o corpo lagunar à medida que a
temperatura aumenta.

Quanto aos valores de condutividade elétrica e de salinidade, a correlação


negativa com a temperatura também foi evidenciada nos estudos de Rodrigues Filho
et al (2015), e pode ser justificada por fenômenos físicos nos quais o aumento da
temperatura diminui a capacidade de condução elétrica de um condutor (BARRETO,
2015). Além disso, os compostos nitrogenados e fosfatados se correlacionaram
positivamente com a temperatura. Fato justificado pela influência da temperatura no
aumento da velocidade das reações bioquímicas que envolvem tais compostos.

Os parâmetros microbiológicos E. coli e coliformes totais obtiveram correlações


significativas e positivas com a temperatura, o que preocupa, já que, de acordo com
a CETESB (2017), a presença de tais coliformes em águas de clima quente não exclui
a possibilidade de presença de micro-organismos patógenos. Além disso, a
temperatura é determinante para tais micro-organismos, já que a sua maioria se
81

desenvolve no intestino de animais em temperaturas de 35 a 45 °C, aproximadamente


(FUNASA, 2014), assim, quanto mais elevada a temperatura da água, melhores são
as condições para eles.

Os parâmetros sílica, nitrogênio amoniacal e sulfeto se correlacionaram


positivamente de maneira moderada com a temperatura da água. Em estudos de
Rodrigues Filho et al (2015), também se evidenciou correlação positiva entre
nitrogênio amoniacal e temperatura, tal efeito pode ser justificado pela diminuição de
oxigênio dissolvido na água devido ao aumento da temperatura, e com isso diminui
também a oxidação e a conversão de nitrogênio amoniacal em formais mais oxidadas,
como o nitrito e nitrato (SPERLING, 2005). Além disso, o aumento da temperatura
também favorece a solubilidade de diversas substâncias químicas na água, conforme
a FUNASA (2014), o que pode justificar correlações positivas entre a temperatura e
parâmetros químicos, como o nitrogênio amoniacal. Já os parâmetros potássio e
detergentes/las se correlacionaram negativamente de maneira moderada com a
temperatura da água, o que pode estar associado à maior agitação de moléculas da
água, alterando solubilidade dos mesmos.

c) Turbidez

Os valores de turbidez variaram de 0,61 NTU em P5 no mês de agosto a 22,40


NTU em P13 em janeiro. Ressalta-se que os pontos se situam em margens arenosas,
sendo que o P5 está presente próximo ao canal de conexão da Lagoa de baixo com
a Lagoa do Meio, e que P13 está situado no canal de deságua da Lagoa do Saco à
Lagoa de Baixo. A tabela 4 elenca os resultados de turbidez para todo o período
amostral, bem como seus valores máximos, mínimos, médios e de desvio padrão. A
média de 4,79 denota uma turbidez baixa, o que é evidente quando se visita a Lagoa
de Ibiraquera através da limpidez da água, bem como foi apontado nos estudos de
Bonetti et al (2005), ao evidenciarem valores relativamente baixos de turbidez (<10
NTU). Além disso, o valor máximo encontrado em P13 destoa de todos os demais
valores encontrados na mesma coleta, o que pode ser resultado de revolvimento de
sedimentos pontual por correntes de água ou até mesmo por influência antrópica, mas
não se caracteriza como um fato alarmante, já que este comportamento não foi
evidenciado nas demais coletas para o mesmo ponto.
82

Tabela 4 – Valores de turbidez obtidos durante o período de coletas.


Turbidez (NTU)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 1,19 2,93 4,23 4,33 4,34 4,68 1,60 3,43 3,81 4,46 2,24

P2 1,91 2,95 4,48 5,07 6,83 6,98 3,57 5,32 5,70 4,07 1,47

P3 0,89 0,75 4,86 4,93 5,85 5,51 3,20 4,23 7,41 5,77 1,17

P4 1,11 0,70 6,24 4,98 5,73 4,77 2,25 3,85 5,44 2,99 0,96

P5 2,32 0,61 3,80 5,11 5,84 5,14 3,13 3,00 5,80 3,70 1,14

P6 2,86 3,15 5,54 5,33 7,26 4,76 4,06 5,61 8,54 5,00 2,04

P7 3,26 3,05 6,51 4,63 7,22 5,40 3,92 4,79 9,03 4,68 4,43

P8 3,38 4,08 4,34 5,23 6,78 3,99 3,38 5,67 6,67 4,29 4,11

P9 5,14 4,28 10,70 5,80 6,02 4,05 3,25 3,66 7,31 4,71 4,24

P10 3,68 15,10 6,87 8,15 6,20 5,07 3,65 3,45 6,09 4,49 6,89

P11 5,07 6,82 5,43 6,98 7,39 4,62 3,52 4,54 8,57 5,68 4,48

P12 3,15 4,30 4,48 5,29 6,18 5,30 3,10 4,66 7,05 5,03 5,97

P13 2,69 2,62 4,86 6,31 7,15 5,34 22,40 3,45 3,96 4,29 1,71

P14 2,78 3,68 9,54 5,75 7,95 5,57 2,90 5,16 7,12 4,15 1,13

Máx 22,40 Méd 4,79 Mín 0,61 D.P. 2,52

Os valores de turbidez variaram conforme gráfico da figura 12. Percebe-se que


os valores mais elevados se situaram depois da coleta de agosto e antes da coleta de
junho. Ressalta-se que a barra foi fechada antes da coleta de agosto e abriu antes da
coleta de junho, o que pode refletir nos valores de turbidez, tendo em vista que, com
a conexão com o mar, o volume de água acumulado na lagoa pode extravasar, e assim,
permitir a saída de partículas acumuladas que pudessem estar causando a turbidez
elevada. Notou-se durante as coletas de campo que a água da laguna permaneceu
mais turva nos meses em que a barra estava fechada, tanto que nas últimas coletas
anteriores à sua abertura, a água apresentava uma coloração mais escura, com
partículas de matéria orgânica e detritos mais facilmente visualizados.

A figura 13, por sua vez, evidencia a variação de turbidez em cada um dos
pontos amostrais durante os períodos de coleta. Percebe-se facilmente o pico no mês
de janeiro referente ao P13 em amarelo com o valor máximo de turbidez de 22,40
NTU. Também chama atenção o segundo maior pico referente ao mês de agosto, em
P10, com valor de 15,10 NTU.
83

Figura 12– Variação de turbidez obtidos durante o período de coletas.

Figura 13 – Comportamento da turbidez em todos os pontos no decorrer das coletas.

A turbidez se correlacionou positivamente de maneira fraca com a temperatura


da água (0,300), com a temperatura do ar (0,228) e com a sílica de maneira moderada
(0,421). Tal correlação pode ser justificada pela presença de matéria orgânica de
restos vegetais, que seriam os responsáveis pela turbidez na água, já que estes
contêm sílica acumulada nas paredes celulares (FAPESP, 2007) e com elevadas
temperaturas associadas a períodos de maior insolação, maior é a produtividade
primária. Contudo, a turbidez se correlacionou negativamente com salinidade (-0,296),
condutividade elétrica (-0,296), diferente dos estudos de Rodrigues Filho et al (2015)
84

e sólidos dissolvidos totais (-0,349). Todos esses parâmetros podem se manifestar a


partir de partículas dissolvidas na água, sendo assim, o mais plausível era que se
correlacionassem positivamente com a turbidez, entretanto o comportamento desses
parâmetros pode se justificar especialmente porque a parcela de sólidos que
corresponde a partículas orgânicas (como as provenientes de vegetais mencionadas
anteriormente) é a de sólidos voláteis (CETESB, 2017) e geralmente representam
uma pequena parcela dos sólidos dissolvidos totais em processos de determinação
como aquecimento, tal como foi evidenciado por Lougon et al (2011).

A correlação positiva com coliformes totais (0,353) e E. coli (0,217) também


evidencia que as partículas de turbidez podem ser substratos para tais micro-
organismos, especialmente proveniente de matéria vegetal e orgânicos (CETESB,
2017). Além disso, foi observada correlação negativa com os parâmetros fósforo total
(-0,207), potássio (-0,272), e detergente/las (-0,169), o que pode estar associado ao
poder dispersante do potássio sobre as partículas de turbidez, bem como apontaram
os estudos de Matos et al (2013) e ao efeito tensoativo dos Las, alterando o
comportamento das partículas de turbidez em água; e correlação fraca e positiva com
sulfeto (0,163) pode estar associada a sedimentos revolvidos contendo sulfeto.

Por fim, a moderada correlação negativa com oxigênio dissolvido (-0,556)


também foi evidenciada por Rodrigues Filho e colaboradores (2015), e pode estar
associada ao elevado consumo de oxigênio para a degradação de matéria orgânica
causadora de turbidez na água.

d) Oxigênio dissolvido

Os valores de O.D. variaram de 2 mg/L em P1 e P3, em setembro, a 20,60 mg/L,


em P10, no mês de julho. Como já mencionado, de acordo com a Resolução CONAMA
357 (BRASIL, 2005), os valores estabelecidos para águas salobras classe 1 devem
ser de no mínimo 5 mg/L. Contudo, do total de amostras coletadas, 56 resultados se
apresentaram em desconformidade com a referida legislação. Apesar dessa
concentração mínima estabelecida pelo CONAMA, a CETESB (2019) afirma que há
uma variação de tolerância de espécie para espécie, como peixes que são tolerantes
a habitar águas com concentrações de 3 mg/L de O.D. A FUNASA (2014), por sua vez,
85

afirma que os valores mínimos exigidos para manutenção da vida aquática variam de
2 a 5 mg/L. Condições abaixo de 2 mg/L são consideradas de anoxia pela CETESB
(2019) e ainda assim há espécies de peixes que vivem sob essas condições. Todos
os valores encontrados durante as análises do parâmetro oxigênio dissolvido estão
elencados na tabela 5 abaixo, com valores em cinza desconformes com padrão
estabelecido pelo CONAMA (BRASIL, 2005).

Tabela 5 – Valores de oxigênio dissolvido obtidos durante o período de coletas.


Oxigênio Dissolvido (mg/L)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 8,70 7,70 2,00 5,70 4,30 3,90 8,10 5,00 3,80 2,10 7,20

P2 12,10 6,70 2,80 5,40 4,30 4,10 8,20 4,40 4,90 3,90 7,00

P3 13,90 7,90 2,00 6,00 4,60 4,10 8,50 5,00 3,50 4,40 7,80

P4 17,40 9,90 3,20 6,20 4,80 3,90 7,00 3,30 3,50 3,50 6,60

P5 17,80 10,10 3,60 5,80 5,00 4,20 7,00 5,80 3,90 5,00 6,70

P6 11,00 10,20 5,50 6,70 4,90 4,50 7,70 5,10 4,00 6,40 6,70

P7 16,80 9,20 8,50 6,90 4,60 4,70 6,30 4,80 4,00 6,30 6,40

P8 10,90 9,00 5,00 5,00 4,80 4,00 7,00 4,60 4,30 5,30 6,60

P9 19,00 8,80 5,20 4,40 6,70 4,80 6,60 6,00 2,90 4,40 6,90

P10 20,60 5,90 4,00 4,00 5,00 3,90 6,80 6,50 4,60 5,90 7,00

P11 12,60 10,50 6,60 4,80 5,10 4,10 6,30 4,90 4,00 5,40 7,10

P12 10,00 9,90 6,60 5,50 5,50 4,60 5,60 4,60 4,10 5,60 7,20

P13 9,90 9,50 6,70 5,50 5,80 3,90 6,60 6,50 5,30 5,90 7,50

P14 8,90 9,30 6,70 4,80 5,50 3,80 6,20 4,60 4,90 5,60 8,00

Máx 20,60 Méd 6,39 Mín 2 D.P. 3,05

O valor médio encontrado de 6,39 mg/L está abaixo dos valores encontrados
por Bonetti e colaboradores (2005) ao estudarem a Lagoa de Ibiraquera no passado,
e abaixo dos valores encontrados na Lagoa da Conceição, estudados por Pereira,
Gandra e Fonseca (2015). Assim para se analisar melhor o comportamento deste
parâmetro, elaborou-se os gráficos das figuras 14 e 15, com a linha em vermelho
demarcando o limite pela legislação (BRASIL, 2005). Nos gráficos, é possível
perceber que que os valores de oxigênio dissolvido podem estar associados com o
fechamento da desembocadura da Lagoa de Ibiraquera no mar (em agosto) e com a
sua abertura (em junho), tendo em vista que a entrada da água do mar promove maior
movimentação de correntes na laguna, bem como permite o escoamento de
86

potenciais elementos que atuem na diminuição de oxigênio na coluna d’água,


especialmente matéria orgânica em decomposição, cujo processo realizado por micro-
organismos demanda consumo de oxigênio do meio.

O mês de dezembro se apresentou em destaque dos demais, com todos os


pontos resultando em valores de O.D. abaixo de 5 mg/L. Ressalta-se que no mês de
dezembro, devido ao início do verão e aos feriados de final de ano, a densidade
populacional no entorno da laguna aumenta, e o nível da água já está bastante
elevado devido ao tempo que a barra permaneceu fechada (desde agosto). Assim, a
ocupação no entorno pode ser um dos fatores responsáveis pela diminuição do
oxigênio da laguna, especialmente devido ao aumento no volume de efluentes
domésticos e sanitários lançados no corpo hídrico nestas épocas, atrelado à subida
nas temperaturas do ar e da água. A matéria orgânica exige mais dos decompositores
e estes, por sua vez, exigem mais oxigênio para decompô-la.

Figura 14 – Variação de oxigênio dissolvido no decorrer das coletas.


87

Figura 15 – Comportamento do oxigênio dissolvido em todos os pontos no decorrer das coletas.

O pico do período de barra fechada, com elevação dos teores de O.D., em


janeiro, provavelmente está associado à elevada precipitação deste mês, o que
justifica a sua correlação positiva com a precipitação (0,290), tendo em vista que tal
fenômeno permite a dissolução de oxigênio atmosférico na coluna d’água, além de
permitir maior movimentação da mesma. Outro fato importante é sua correlação
negativa com a temperatura do ar (-0,398), já que o mês de julho apresentou as
temperaturas mais baixas de todo o período amostral e isso está ligado com pressão
atmosférica exercida pela cama de ar: quanto mais quente, mais agitadas estão as
moléculas, permitindo com que a pressão sobre a lâmina de água diminua. Nos meses
mais frios, a baixa temperatura mantém as moléculas presentes no ar menos agitadas,
amentado a pressão sobre a coluna d’água, o que permite maior oxigenação do meio
(FUNASA, 2014).

O O.D. se correlacionou significativamente com a temperatura da água (-0,378),


de maneira negativa, também justificável pelo mesmo motivo da correlação com a
temperatura do ar; também se correlacionou negativamente com turbidez, como já
citado anteriormente, positivamente com sólidos dissolvidos totais (0,582), potássio
(0,442), detergente/las (0,331) e com a precipitação acumulada de 15 dias (0,290).
Ressalta-se que os componentes contidos em detergentes e o potássio podem atuar
como nutrientes para macrófitas e algas, possibilitando assim maior oxigenação da
água advinda da fotossíntese de tais vegetais (CETESB, 2017).
88

e) Salinidade e Condutividade Elétrica

A condutividade elétrica e a salinidade se comportaram de maneira parecida,


especialmente pelo fato de se expressarem pela quantidade de sais dissolvidos na
água. Assim, estão intimamente e fortemente correlacionadas (1,00).

Os valores de salinidade variaram desde 1,40 a 27,13%o, com média de


15,59%o, e com grandes variações de valores, com desvio padrão de 4,04% o (tabela
6). O menor valor foi encontrado em P8, referente à coleta de dezembro, mês no qual
as precipitações mensais começaram a subir, aumentando o volume de água na
laguna que estava elevado, tendo em vista que a desembocadura estava fechada,
diluindo ainda mais os sais disponíveis no meio. O P8 está situado na Lagoa de Cima,
porção mais distante da conexão com o mar. Próximo a P8 também deságua um
córrego de água doce, o que pode ter influído na baixa salinidade.

O maior valor foi evidenciado em P4 na coleta de junho/2020. Este ponto se


situa na Lagoa de Baixo e os valores elevados se justificam pela recente abertura da
barra, em junho/2020, anterior à data da coleta. É interessante destacar que, conforme
Resolução CONAMA 357 (BRASIL, 2005), valores de salinidade abaixo de 0,5 % o
denotam corpo d’água com água doce; e corpos de água salobra devem possuir
salinidade de até 30%o. Assim, as águas da Lagoa de Ibiraquera são consideradas
salobras por estarem nesta faixa.

Tabela 6 – Valores de salinidade obtidos durante o período de coletas.


Salinidade (%0)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 10,62 20,90 14,31 14,29 6,24 12,82 6,10 6,86 14,34 13,51 24,95

P2 24,93 21,32 17,71 14,40 13,44 14,12 12,83 11,75 14,54 14,10 25,85

P3 22,26 19,99 17,29 14,14 11,69 13,95 11,18 8,20 14,35 14,30 25,90

P4 23,50 21,06 17,58 14,72 13,39 13,97 12,91 11,31 14,19 14,02 27,13

P5 20,43 20,92 17,99 14,83 13,95 14,11 13,06 12,06 14,25 14,04 26,05

P6 17,11 20,37 17,94 15,27 14,36 14,41 13,53 12,40 13,67 14,07 23,57

P7 16,05 20,39 17,70 15,40 14,99 14,85 14,16 12,93 13,78 13,99 16,80

P8 16,70 18,41 17,84 15,63 14,93 1,40 15,23 14,13 13,97 13,58 15,36

P9 16,21 18,09 18,05 15,34 15,24 15,22 15,16 11,10 13,53 13,38 14,02

P10 16,33 16,20 17,96 15,41 15,21 15,76 15,52 12,04 14,14 13,89 13,35

P11 16,25 17,51 18,09 15,27 14,97 15,72 15,27 13,94 13,68 13,63 13,99
89

P12 16,36 21,36 17,86 15,48 14,87 15,85 15,20 13,86 14,00 13,87 15,35

P13 20,61 17,26 17,66 14,61 13,73 14,16 12,78 12,04 14,37 14,22 25,45

P14 24,50 15,25 26,00 8,24 12,54 13,07 12,16 11,34 14,40 13,65 25,92

Máx 27,13 Méd 15,59 Mín 1,40 D.P. 4,04

As figuras 16 e 17 trazem gráficos para se entender melhor o comportamento


da salinidade no decorrer do período amostral. Como se observa na figura 16, é nítido
que durante os períodos em que a desembocadura para o mar esteve aberta -
julho/2019, metade de agosto/2019 e junho/2020 – os valores de salinidade tiveram
maiores variações nos segundo e terceiro quartis, bem como valores absolutos mais
elevados, o que também foi evidenciado por Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005) ao
estudarem as mudanças nas características da água da Lagoa de Ibiraquera após
abertura da desembocadura/barra.

Na figura 17, observa-se o comportamento da salinidade de todos os pontos


durante o período amostral. Verifica-se que P2 é o ponto que se situa no canal da
barra, por isso começa com valores bem acima dos demais. O ponto P8, que
apresentou menor valor der salinidade é local que apresentou maior variação negativa
em relação aos demais.

Figura 16 – Variação da salinidade no decorrer das coletas.


90

Figura 17– Comportamento da salinidade em todos os pontos no decorrer das coletas.

A condutividade elétrica se comportou da mesma maneira que a salinidade,


especialmente porque esta última foi determinada a partir da primeira, variando de
3,99 mS/m a 60,75 mS/m, com valor médio de 36,29 mS/m (tabela 7). Os valores
maiores foram evidenciados em todas as coletas com barra aberta. As figuras 18 e 19
mostram o comportamento deste parâmetro, similar ao da salinidade.

Tabela 7 – Valores de condutividade elétrica obtidos durante o período de coletas.


Condutividade Elétrica (mS/m)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 25,66 47,81 33,75 33,71 15,73 30,51 15,40 17,16 33,80 32,01 56,25

P2 56,22 48,68 41,05 33,94 31,85 33,34 30,52 28,16 34,25 33,29 58,11

P3 50,67 45,89 40,16 33,37 28,03 32,96 26,90 20,22 33,83 33,73 58,23

P4 53,26 48,14 40,77 34,64 31,74 33,00 30,70 27,18 33,49 33,12 60,75

P5 46,83 47,84 41,64 34,86 32,96 33,31 31,02 28,84 33,62 33,15 58,52

P6 39,79 46,69 41,54 35,82 33,85 33,97 32,06 29,58 32,35 33,23 53,38

P7 37,51 46,73 41,03 36,10 35,22 34,92 33,42 30,75 32,60 33,05 39,10

P8 38,90 42,55 41,32 36,59 35,08 3,99 35,74 33,36 33,00 32,17 36,01

P9 37,83 41,87 41,77 35,97 35,75 35,72 35,59 26,71 32,05 31,72 33,11

P10 38,11 37,83 41,58 36,12 35,69 36,87 36,37 28,80 33,38 32,83 31,65

P11 37,93 40,63 41,85 35,83 35,18 36,80 35,82 32,94 32,37 32,27 33,06

P12 38,16 48,77 41,36 36,27 34,95 37,08 35,67 32,77 33,07 32,80 36,00

P13 47,19 40,08 40,95 34,40 32,48 33,43 30,41 28,80 33,87 33,56 57,30

P14 55,31 35,77 37,73 20,31 29,88 31,05 29,06 27,24 33,94 32,31 58,26
91

Máx 60,75 Méd 36,29 Mín 3,99 D.P. 8,52

Figura 18 – Variação da condutividade elétrica no decorrer das coletas.

Figura 19 – Comportamento da condutividade elétrica em todos os pontos no decorrer das coletas.

Entre as correlações da salinidade e da condutividade elétrica com demais


parâmetros, destacam-se as correlações positivas e fortes com sólidos dissolvidos
totais (0,864) e potássio (0,831), este último especialmente por constituir sais na
coluna d’água. Rodrigues Filho et al (2015) também evidenciou uma correlação forte
entre potássio e condutividade elétrica em seus estudos, o que se justifica pela
92

presença de íons de potássio serem atuantes na condutividade da água. Os mesmos


estão presentes em variados tipos de solo, assim como o do terreno da Lagoa de
Ibiraquera, como já abordado anteriormente. Os sólidos dissolvidos totais dispersos
em água podem carregar grande quantidade de íons que atuam tanto na salinidade
quanto na condutividade, promovendo uma relação diretamente proporcional entre
esses parâmetros.

Ao mesmo tempo, a salinidade e a condutividade se correlacionaram


negativamente, de maneira moderada, com coliformes totais (-0,489) e E.coli (-0,464),
o que denota que o material orgânico ao qual esses micro-ogranismos estão
associados não interage bem com a condutividade elétrica e que tais micro-
organismos têm pouca tolerância à salinidade da água, conforme constataram
Marques, Barbieri e Doi (2014), ao estudarem a densidade colimétrica de um corpo
de águas salobras, sob influência de precipitação. Também se evidenciou correlação
negativa e moderada com nitrogênio amoniacal (-0,511), sílica (-0,403), e temperatura
do ar (-0,554), o que pode estar associado à intrusão de água salina no meio lagunar,
promovendo a ciclagem das massas de água.

Além destas, houve correlações positivas da salinidade e condutividade com o


oxigênio dissolvido (0,430), com detergentes (0,224); e negativas com fósforo total (-
0,256), nitrito (-0,238), nitrato (-0,263), e sulfeto (-0,318). Tais correlações também
podem ser justificadas pela ciclagem de massas e água promovida pela entrada de
água do mar.

f) Demanda Bioquímica de Oxigênio

Os valores de DBO variaram bastante, desde 0 em pontos distintos a 80 mg/L


em P5, com valor médio de 8,82 mg/L (tabela 8). Ressalta-se que valores elevados
podem resultar de grandes despejos de matéria orgânica no corpo lagunar (CETESB,
2017). Ao visualizar o mapa de uso do solo e através de visitas in loco para
amostragem, percebe-se que o P5 está situado justamente no canal de conexão entre
a Lagoa de Baixo e a Lagoa do Meio, o que pode justificar seu elevado valor em
setembro de 2019. Contudo, ao se comparar com demais meses, percebe-se que o
mesmo não apresentou valores muito elevados em relação à média, e que este foi um
93

mês atípico, possivelmente pelo lançamento de efluentes sanitários provindos de


residências às margens da laguna. Segundo a CETESB (2017), a DBO de efluentes
sanitários está na faixa de 100 a 440 mg/L, com valor típico de 220 mg/L. Os valores
elevados de DBO encontrados neste e em demais pontos podem representar tais
cargas de efluentes já diluídos no corpo lagunar.

Tabela 8 – Valores de DBO obtidos durante o período de coletas.


DBO (mg/L)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 5,40 24,00 18,00 2,30 0,20 2,50 3,20 2,70 1,70 1,00

P2 17,00 14,00 30,00 21,00 3,10 0,20 2,80 3,20 2,20 1,70 1,00

P3 59,40 0,90 35,00 34,00 2,60 0,50 2,30 0,60 2,50 1,80 1,00

P4 4,90 1,90 23,00 17,00 3,70 0,10 2,40 0,30 2,70 1,90 1,00

P5 33,81 0,00 80,00 17,00 1,40 0,30 2,40 0,80 2,20 1,60 1,00

P6 36,00 2,90 22,00 15,00 3,20 3,40 2,40 1,30 2,10 1,80 1,50

P7 18,66 8,00 24,00 15,00 3,30 0,10 5,00 0,60 2,30 2,10 1,00

P8 73,00 0,00 20,00 16,00 3,10 0,10 5,80 0,20 2,30 1,20 6,10

P9 0,00 2,10 30,00 14,00 3,80 0,10 5,70 0,40 2,60 1,90 1,00

P10 0,00 22,00 25,00 16,00 3,60 0,10 1,30 0,20 2,20 1,70 1,00

P11 0,00 5,80 41,00 48,00 3,40 0,10 5,50 0,20 2,40 2,00 6,80

P12 0,00 78,00 45,00 15,00 3,50 0,10 6,90 0,50 2,30 1,90 1,20

P13 2,90 1,00 29,00 25,00 3,90 0,10 6,40 0,20 1,70 2,30 1,00

P14 34,08 0,20 26,00 20,00 3,40 0,10 5,90 0,30 2,30 2,40 1,10

Máx 80 Méd 8,82 Mín 0 D.P. 14,84

De maneira geral, ao se analisar os gráficos das figuras 20 e 21, percebe-se


que no início das coletas, os valores encontrados foram bem mais elevados do que
ao final das coletas, ou seja, tendeu a diminuir no decorrer das mesmas. A justificativa
pode se dar devido ao volume de água da Lagoa de Ibiraquera que, com a
desembocadura fechada em agosto/2019, não teve como extravasar até sua próxima
abertura. Devido a isso, durante o período das coletas, era nítido o volume da laguna
em constante subida. Com mais volume de água, maior é a capacidade de diluição do
corpo hídrico, o que pode ter contribuído para a diminuição gradativa da DBO
Percebe-se também que após declínio das concentrações de DBO no mês de
novembro/2019, os valores só voltam a subir, de maneira leve, novamente em
janeiro/2020, mês em que há maior concentração de turistas na região de Imbituba e
94

Garopaba, o que pode refletir no volume de efluentes sanitários lançados em


Ibiraquera. Contudo, a tendência de diminuição de DBO no decorrer das coletas é
intrigante e contrapõe o aumento de efluentes em meses de barra fechada devido ao
aporte populacional especialmente no verão. Esse fato pode ser justificado por alguma
atividade de característica industrial ou algum evento que tenham lançado grande
quantidade de matéria orgânica nos meses mais elevados de DBO e que não tenha
seguido nos demais meses.

Figura 20 – Variação da DBO no decorrer das coletas.

Figura 21 – Comportamento da DBO em todos os pontos no decorrer das coletas.


95

A D.B.O se correlacionou positivamente com condutividade elétrica (0,211) e


salinidade (0,210), sólidos dissolvidos totais (0,209), potássio (0,324), e precipitação
acumulada de 15 dias (0,233); e de maneira negativa com pH (-0,186), nitrogênio
amoniacal (-0,247), fósforo total (-0,527), nitrato (-0,225) e detergente/las (-0,231).
Destacam-se os valores encontrados entre fósforo total e DBO, que divergem da
correlação positiva encontrada em Rodrigues Filho e colaboradores (2015) entre os
mesmos parâmetros. Como já mencionado, o fósforo é um dos principais nutrientes
assimilado pelos vegetais, o que pode resultar na maior proliferação dos mesmos, ou
seja, o consumo de fósforo em excesso pode gerar maior matéria orgânica advinda
da morte destes organismos, que demanda maiores concentrações de oxigênio para
decomposição bioquímica, elevando a DBO Assim, quanto maior o fósforo consumido,
maior pode ser a matéria orgânica necessária para ser decomposta.

g) Sólidos Dissolvidos Totais

Os valores de sólidos dissolvidos totais obtidos após aquecimento da amostra


em estufa a 180 °C variaram desde 8710 mg/L em P12 na amostra de out/2019 a
36370 mg/L em P6, na amostra de agosto de 2019. Todos os valores obtidos estão
elencados na tabela 9, bem como média, mínima, máxima e desv. pad. Ressalta-se
que os valores encontrados foram mais elevados do que valores encontrados por
Pereira e Mendonça (2006), ao estudarem uma lagoa costeira no estado do Espírito
Santo, contudo esta se encontrava com a barra fechada por obras de engenharia.

Tabela 9 – Valores de sólidos dissolvidos totais obtidos durante o período de coletas.


DBO (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 14640 26130 19290 18750 10350 16670 19236 11260 18050 17500 31830

P2 31170 27610 20420 19240 18560 18390 18990 15400 18470 18330 35370

P3 27080 26370 21930 19230 16650 18260 19523 15800 18500 18300 36160

P4 29700 27890 20650 19820 18670 18020 19250 14910 17800 18250 38580

P5 26520 26640 21900 19850 18830 18340 18800 16630 17830 18250 35450

P6 22160 36370 21550 19850 19070 18390 19120 16470 18140 17960 36890

P7 21160 26770 22160 20410 20400 19540 20080 16940 18560 18390 34930

P8 22330 24350 22640 20820 20540 20440 21340 18000 18830 18280 22200
96

P9 21790 23530 23630 20800 21070 21170 21460 14980 18830 18200 20230

P10 22330 21640 24010 20090 21250 9740 21600 15910 18700 15800 20850

P11 22050 23390 23260 21620 20830 20240 22280 17900 18280 17400 21980

P12 21450 23850 22929 8710 20030 19990 21190 18020 18260 18120 24420

P13 26130 27740 21550 20730 18750 17720 18770 15910 19040 18480 36300

P14 30790 19940 22080 14350 17970 16730 17700 15310 18900 17740 34400

Máx 36370 Méd 20016,91 Mín 8710 D.P. 6861,94

Ao se avaliar os gráficos das figuras 22 e 23, observa-se que os valores


estiveram mais elevados antes do fechamento após a abertura da barra, ou seja, os
valores se mantiveram mais baixos nos períodos em que a barra se manteve fechada,
o que claramente está relacionado com a influência das correntes marinhas e da
movimentação das massas de água entre a laguna e o Oceano Atlântico, tanto quanto
à entrada de água salina quanto à saída de água salobra da laguna. Tal movimentação
pode ser responsável pelo aporte de sólidos dissolvidos totais encontrados no corpo
lagunar.

Na figura 23, o P6 chama atenção por seu valor mais elevado em ago/19.
Ressalta-se que às margens deste ponto, durante todo o período amostral, houve a
construção de uma residência de dois pisos, à margem da Lagoa de Ibiraquera, o que
pode ter contribuído para a elevada quantidade de sólidos encontrados.

Figura 22 – Variação da sólidos dissolvidos totais no decorrer das coletas (mg/L).


97

Além disso, os sólidos dissolvidos totais obtiveram correlação positiva e forte


com o potássio (0,730), e devido ao mesmo estar relacionado com a composição do
solo e com a composição de fertilizantes, pode-se inferir ambas as situações, tendo-
se em vista os pequenos plantios domésticos que ocorrem em residências às margens
de Ibiraquera e a constituição de potássio presente em Granito Paulo Lopes e Granito
Garopaba, presentes no terreno da laguna.

Figura 23 – Comportamento da sólidos dissolvidos totais em todos os pontos no decorrer das coletas
(mg/L).

As correlações negativas mais significantes consideradas moderadas dos


S.D.T. aconteceram com nitrogênio amoniacal (-0,433), com coliformes totais (-0,434),
com E. coli (-0,464), com a temperatura da água (-0,544) e a temperatura do ar (-
0,536) e com a sílica (-0,503). Além disso, o S.D.T. apresentou correlações não tão
significativas com outros parâmetros, como fósforo total (-0,165), nitrito (-0,225),
nitrato (-0,357), sulfeto (-0,257), turbidez (-0,349), e com DBO (0,209). Segundo
Deorsola (2006), o Potássio tem efeitos coagulantes e adsorvativos quando em água,
o que permite a sedimentação de material associado à grande parte dos parâmetros
citados. A autora ainda obteve, como resultado em seus experimentos, os cátions de
potássio como os mais incorporados em matéria orgânica.

h) Nitrogênio Amoniacal, Nitrito e Nitrato


98

Os valores de nitrogênio amoniacal encontrados não foram muito relevantes,


tendo em vista que não foram próximos à concentração máxima permitida pela
legislação (BRASIL, 2005), de 0.4 mg/L, o que pode caracterizar boas condições
tróficas do corpo lagunar, bem como baixas emissões de efluentes domésticos
próximas aos pontos de coletas. Os valores resultantes variaram de 0,0 a 0,02 mg/L,
com média 0,01 e desv. pad. de 0,0047, o que remete à linearidade dos dados. Como
já mencionado por CETESB (2017), o nitrogênio amoniacal é o composto nitrogenado
com o estado menos oxidado em relação aos demais abordados neste estudo, o que
representa fontes de poluição recentes. Logo o resultado pode apontar que não houve
despejos recentes de efluentes domésticos contento amônia no corpo lagunar nos
dias das coletas, ou, os pontos escolhidos não coincidiram com lançamentos pontuais
de efluentes. Todos os valores obtidos, inclusive máxima, média, mínima e desvio
padrão estão elencados na tabela 10.

Tabela 10 – Valores de nitrogênio amoniacal obtidos durante o período de coletas (mg/L).


Nitrogênio Amoniacal (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,01 0,01 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P2 0,00 0,00 0,01 0,01 0,02 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P3 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P4 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P5 0,02 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P6 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P7 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P8 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P9 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P10 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P11 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P12 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P13 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P14 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

Máx 0,02 Méd 0,01 Mín 0 D.P. 0,0047

Ao se comparar os resultados adquiridos neste estudo com os resultados


obtidos por Rodrigues Filho et al (2015) em seus estudos em estações amostrais no
99

Rio Xingu, percebe-se uma grande discrepância nas concentrações de nitrogênio


amoniacal, sendo que este estudo apresentou valores muito abaixo dos obtidos
naquele. Contudo, ao se comparar os valores de nitrogênio amoniacal encontrados
neste estudo com os valores encontrados por Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005) no
mesmo complexo lagunar, nota-se que a Lagoa de Ibiraquera apresentou melhora em
relação à presença de nitrogênio amoniacal. Os valores médios encontrados por estes
estudiosos foram de 0 mg/L, 0,01 mg/L, 0,19 mg/L e 0,44 mg/L, para os bolsões da
Lagoa de Baixo, Lagoa do Meio, Lagoa de Cima e Lagoa do Saco, respectivamente.
As figuras 24 e 25 exibem melhor o comportamento dos dados para N.A.

Figura 24 – Variação de nitrogênio amoniacal no decorrer das coletas (mg/L).

Figura 25 – Comportamento de N. A. em todos os pontos no decorrer das coletas (mg/L).


100

O parâmetro nitrogênio amoniacal se correlacionou positivamente de maneira


mais significativa com a temperatura (0,527), com o fósforo total (0,699) e com a
temperatura do ar; e de maneira negativa com a condutividade elétrica (-0,511) e
salinidade (-0,511) e sólidos dissolvidos totais (-0,433). Os valores correlacionados
com o fósforo total podem estar ligados ao despejo de efluentes ou matéria orgânica
advinda de resíduos fecais, tanto de animais quanto de humanas, e tal correlação
pode ser justificada com base nisso. Percebe-se ainda que os valores com maiores
variações se mantiveram entre outubro e dezembro, o que pode estar associado com
o aumento da ocupação ao redor de Ibiraquera em meses de calor.

Quanto aos valores de nitrito, o composto intermediário de oxidação de


compostos nitrogenados estudados, os valores também se mantiveram bem baixos
de maneira geral, contudo houve resultados acima do máximo permitido pela
Resolução CONAMA 357/2005 (BRASIL, 2005), de 0,07 mg/L. Apenas em P12, P13
e P14 nas coletas de novembro de 2019 ocorreram concentrações acima do permitido,
com 0,10 e 0,13 mg/L (destacados em cinza na tabela 11). Ressalta-se que os pontos
se encontram próximos um do outro, sendo P14 na Lagoa do Saco e P13 próximo ao
canal onde esta desemboca na Lagoa de Baixo. Tal resultado pode denunciar
lançamentos pontuais de efluentes neste setor lagunar ou próximo a ele, tendo em
vista que o nitrito está em segundo estado de oxidação posterior à amônia. Contudo,
de maneira geral, os valores não foram alarmantes, se mantendo abaixo do valor limite
para a grande maioria das amostras. A tabela 11 elenca todos os valores obtidos par
ao parâmetro nitrito.

Tabela 11 – Valores de nitrito obtidos durante o período de coletas, em mg/L.


Nitrito (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,03 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00

P2 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,00

P3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,00

P4 0,00 0,00 0,03 0,00 0,03 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01

P5 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,00

P6 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P7 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,00 0,00

P8 0,00 0,00 0,07 0,00 0,03 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,01
101

P9 0,00 0,01 0,00 0,07 0,03 0,03 0,00 0,01 0,00 0,01 0,01

P10 0,00 0,02 0,00 0,00 0,03 0,03 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01

P11 0,00 0,00 0,00 0,03 0,03 0,00 0,02 0,01 0,00 0,00 0,00

P12 0,00 0,00 0,00 0,00 0,13 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,01

P13 0,03 0,00 0,00 0,00 0,13 0,00 0,01 0,00 0,00 0,01 0,00

P14 0,03 0,00 0,03 0,03 0,10 0,03 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01

Máx 0,13 Méd 0,01 Mín 0,00 D.P. 0,02

Um fato interessante ao se analisar as figuras 26 e 27, é que, a maior variação


de valores ocorreu nos meses de novembro e dezembro, assim como aconteceu para
o parâmetro nitrogênio amoniacal, o que denota a correlação positiva entre os dois
parâmetros (0,248), já que, como já mencionado, o nitrito é um resultado da amônia
em processo de oxidação. Nas figuras 26 e 27 observa-se a variação de valores de
nitrito em relação ao valor máximo permitido pela legislação, indicado pela linha em
vermelho. Nota-se que os valores de 0,13 mg/L para nov/19 em P13 e P14 foram
considerados como outliers, por se afastarem muito da média, e foram os únicos que
se apresentaram acima do limite estabelecido pela legislação de 0,07 mg/L. Portanto,
não são valores tão pertinentes pelo fato de não serem frequentes e podem indicar
alguma fonte de contaminação próximo ao local de coleta, porém já em estado de
oxidação.

Figura 26 – Variação de nitrito no decorrer das coletas.


102

Os valores de nitrito encontrados neste estudo se apresentaram maiores do


que os valores encontrados em estudo anterior na Lagoa de Ibiraquera por Bonetti e
colaboradores (2005). Estes encontraram valores médios de 0,01 mg/L em todos os
quatro bolsões do complexo lagunar, sem falar que o valor máximo encontrado por
eles foi de 0,02 mg/L, diferentemente dos valores encontrados neste estudo, que
alcançou 0,13 mg/L em novembro de 2019, indicando uma piora em relação a este
parâmetro, apesar de que este mês tenha sido o único a apresentar valores acima do
permitido pela legislação e em apenas dois pontos, o que não o caracteriza como uma
situação alarmante.

Figura 27 – Comportamento de nitrito em todos os pontos no decorrer das coletas (em mg/L).

O nitrito só teve correlações consideradas fracas, além do nitrogênio amoniacal,


com os parâmetros coliformes totais (0,210), E. coli (0,176), e temperatura do ar
(0,224), o que pode estar associado a fontes poluentes contendo matéria fecal animal
ou humana.

O nitrato, por sua vez, é o composto resultante da oxidação do nitrito, após


oxidação da amônia. Os valores de nitrato obtidos estão expressos na tabela 12,
variando desde 0 em vários pontos a 2,10 mg/L em P5 na coleta de julho/2019. Os
valores destacados em cinza estiveram acima do limite máximo permitido pela
legislação, de 0,4 mg/L. As figuras 28 e 29 apresentam gráficos sobre os valores de
nitrato obtidos.
103

Em comparação com as análises de Bonetti et al (2005), os valores


encontrados neste estudo se mantiveram, em sua maioria, mais elevados.

Tabela 12 – Valores de nitrato obtidos durante o período de coletas.


Nitrato (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,27 0,12 0,50 0,00 0,39 0,00

P2 0,00 0,07 0,00 0,18 0,00 0,23 0,00 0,63 0,00 0,28 0,00

P3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04 0,00 0,48 0,00 0,51 0,00

P4 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,49 0,00 0,93 0,00 0,33 0,00

P5 2,10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,94 0,00 1,40 0,00

P6 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,00 0,43 0,00 1,47 0,00

P7 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1,21 0,00 0,03 0,00

P8 0,71 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,82 0,89 0,00 0,40 0,00

P9 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04 0,42 0,00 0,00 0,18 0,00

P10 0,09 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,39 0,00

P11 0,38 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,16 0,00 0,29 0,00

P12 0,12 0,00 0,05 0,00 0,00 1,16 0,25 0,29 0,00 0,31 0,00

P13 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,43 0,00

P14 0,53 0,00 0,00 0,06 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,29 0,00

Máx 2,10 Méd 0,14 Mín 0,00 D.P. 0,32

É interessante notar que a maioria destes valores acima do valor de referência


da legislação se concentraram nas coletas de fevereiro/2020. Ao se comparar os
valores de nitrato e a temperatura média do ar no dia da coleta, percebe-se que eles
se correlacionam positivamente (0,224). Apesar de ser uma correlação considerada
fraca, destaca-se que o dia da coleta foi em uma segunda-feira com a segunda maior
temperatura média do ar (23,27 °C) durante todo o período amostral, conforme o
quadro 7, o que pode justificar maiores lançamentos de amônia em água proveniente
de efluentes domésticos advindos de casas de veraneio que recebem, em sua maioria,
contingentes de turistas especialmente durante os finais de semana de maiores
temperaturas, para usufruto da região praiana onde se situa a Lagoa de Ibiraquera.
104

Figura 28 – Variação de nitrato no decorrer das coletas.

Figura 29 – Comportamento de nitrato em todos os pontos no decorrer das coletas.

Além da correlação significativa com a temperatura da água, o nitrato se


correlacionou positivamente com o nitrogênio amoniacal (0,288), e negativamente
com a DBO (-0,225), com a salinidade e condutividade elétrica (-0,263), com O.D. (-
0,133), com potássio (-0,180) e com sólidos totais (-0,357). Este último chama atenção
pelo fato de que a concentração de sólidos em água pode estar relacionada com
partículas minerais e não com compostos nitrogenados. A correlação negativa com
compostos contendo sais, como potássio, e com salinidade e condutividade elétrica,
podem estar associados à capacidade adsorvativas destes íons em água, alterando a
disponibilidade de compostos nitrogenados (DEORSOLA, 2006).
105

i) Coliformes totais e E. coli

Os resultados de coliformes totais e E. coli apresentaram valores preocupantes,


especialmente por ambos terem atingidos os valores máximos de detecção para os
ensaios realizados, de 2419,60 NMP/100mL.

Os valores de coliformes totais variaram desde 140,3 (em cinza, em P14) ao


valor máximo de 2419,6 NMP/100mL (em vários pontos), conforme a tabela 13, sendo
que a legislação não estabelece valores máximos para esse parâmetro, contudo o
número de coliformes totais abrange a quantidade de E. coli, já que tais bactérias
estão contidas no grupo mais abrangente. Todos os meses amostrados apresentaram
o valor máximo de detecção para coliformes totais em pelo menos 5 pontos amostrais.
Destacam-se os meses de dezembro, fevereiro e abril resultaram em valores máximos
em todos os pontos amostrados, sendo que em ambos os períodos coletados foram
predominantemente meses de verão (exceto abril), onde aumenta o aporte
populacional de região devido aos turistas de veraneios. As figuras 30 e 31 elencam
gráficos onde se pode verificar melhor o comportamento do parâmetro coliformes
totais durante o período de coleta.

Tabela 13 – Valores de coliformes totais obtidos durante o período de coletas.


Coliformes Totais (NMP/100mL)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2419,60 1119,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1732,90
P2 1299,70 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 980,40

P3 2419,60 380,40 2419,60 770,10 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 920,80

P4 1986,30 214,20 2419,60 920,80 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 816,40

P5 866,40 1046,20 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 920,80

P6 2419,60 2419,60 2419,60 1046,70 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1732,90 235,90

P7 2419,60 1986,30 2419,60 1553,11 1732,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1986,30

P8 2419,60 2419,60 2419,60 410,60 2419,60 2419,60 1119,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P9 1203,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P10 1553,10 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1299,70 2419,60

P11 1732,90 2419,60 1299,70 2419,60 2419,60 2419,60 1203,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P12 1203,30 2419,60 1413,60 461,10 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P13 1986,30 1732,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1986,30 920,80

P14 866,40 2319,60 2419,60 2419,60 140,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60
106

Máx 2419,60 Méd 2112,70 Mín 140,3 D.P. 597,91

Figura 30 – Variação de coliformes totais no decorrer das coletas.

Figura 31 – Comportamento de coliformes totais em todos os pontos no decorrer das coletas.

Como se pode observar, os gráficos podem não ter demonstrados os


comportamentos reais do parâmetro devido à limitação analítica, o que pode implicar
em valores muito acima destes. Contudo, alertam quanto às concentrações elevadas
encontradas para tal grupo de microrganismos que englobam bactérias
potencialmente contaminantes advindas de contaminação fecal (VIEIRA, 2015).
Oliveira (2006) ressalta ainda que micro-organismos patogênicos são difíceis de se
107

encontrar isoladamente em corpos d’água poluídos, e, por isso, a presença de


coliformes pode indicar a presença de potenciais patógenos em água. Nesse quesito,
destaca-se a E. coli, cuja presença em água é um indicativo da presença de outros
micro-organismos intestinais com potencial patogênico, como vírus, protozoários e
outras bactérias, segundo o autor.

Portanto, os valores de E. coli se tornam ainda mais preocupantes,


especialmente pelo fato de essa bactéria ser a principal indicadora de contaminação
de origem fecal de animais, assim como o ser humano, e ser raramente encontrada
em ambientes não contaminados por fezes (VIEIRA, 2015; CETESB, 2017). A tabela
14 elenca os valores de E. coli encontrados neste estudo, variando de 29,90
NMP/100mL ao valor máximo de detecção estabelecido pelo ensaio, de 2419,6
NMP/100mL. Assim, se afirma o mesmo para coliformes totais, onde os valores de
detecção, limitados pelo método de análise, podem esconder resultados muito mais
preocupantes.

Na tabela 14, os valores destacados em cinza estiveram acima do valor de


referência determinado pela Resolução CONAMA 274 (BRASIL, 2000). Ressalta-se
que o valor máximo de concentração deste parâmetro para considerar satisfatória a
balneabilidade de um corpo hídrico, conforme a Resolução 274 (BRASIL, 2000), é de
800 NMP/100mL para uma análise de 6 semanas onde 80% ou mais das amostras
devem chegar a este valor ou menos para serem consideradas satisfatória. Como este
estudo realizou uma análise por mês, considerou-se o valor máximo de 2000
NMP/100mL, onde a referida resolução considera a qualidade da água insatisfatória
quando o valor obtido na última amostragem seja superior a esse. Entretanto, enfatiza-
se a necessidade da amostragem conforme a referida portaria.

Tabela 14 – Valores de E. coli obtidos durante o período de coletas.


Escherichia coli (NMP/100mL)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2419,60 178,00 2419,60 686,70 1299,70 866,40 290,90 1203,30 2419,60 2419,60 435,20

P2 184,20 378,40 2419,70 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1203,30 1553,10 1413,60 344,80

P3 307,60 410,60 2419,60 686,70 1119,90 344,18 1732,90 1203,30 613,10 727,00 307,60

P4 307,60 54,60 816,40 866,40 2419,60 1986,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 307,00

P5 143,00 67,00 770,01 2419,60 816,40 686,70 960,40 1299,70 1553,10 1299,70 88,60
108

P6 206,40 613,10 2419,60 920,80 866,40 1732,90 1413,60 1732,90 579,40 686,70 53,38

P7 517,20 727,00 980,40 1046,20 980,40 648,80 1046,20 1732,90 1203,30 1046,20 111,20

P8 290,90 920,80 365,40 275,50 517,20 547,50 488,4 479,40 1533,10 574,80 920,80

P9 75,40 1986,30 613,10 2419,60 547,50 1732,90 727,00 1553,10 2419,60 2419,60 1553,10

P10 29,90 2419,60 307,60 920,80 155,30 248,10 727,00 2419,60 84,90 75,20 435,20

P11 69,70 1203,30 162,40 2419,60 613,10 344,80 387,30 378,40 920,80 1119,90 325,50

P12 238,20 410,60 142,10 387,30 2419,60 1413,60 2419,60 1986,30 1119,90 1119,90 172,30

P13 488,40 378,40 2419,60 1732,90 866,40 727,00 513,10 2419,60 579,40 461,10 198,90

P14 195,60 1299,70 1413,60 1732,90 67,50 920,80 579,40 547,50 461,10 387,30 920,80

Máx 2419,60 Méd 1058,78 Mín 29,90 D.P. 795,42

O valor médio para E. coli esteve acima do valor de referência de 800


NMP/100mL para uma amostragem de 5 semanas conforme a legislação para
balneabilidade (BRASIL, 2005), com 1058,78 NMP/100mL. Sperling (2005) enfatiza
que valores elevados para este parâmetro são extremamente relevantes para a
caracterização sanitária do corpo hídrico e, ainda, podem afetar seus usos
preponderantes. Por isso entende-se que há urgência no enquadramento da Lagoa
de Ibiraquera pelo Comitê da Bacia do Rio Tubarão e o monitoramento com
amostragem correta conforme legislação.

Na figura 32, a linha vermelha indica o limite máximo de 2000 NMP/100mL


adotado para E. coli. Percebe-se que somente em julho de 2019, os resultados não
atingiram o valor máximo, exceto pelo outlier em P1, ponto próximo à desembocadura
e a contingentes de imóveis para usufruto da região da Praia da Barra de Ibiraquera,
o que pode refletir na concentração mais elevada. Os valores baixos no mês mais
representativo do inverno também apontam que o aporte de turistas baixo nesta época
contribui para a melhoria da qualidade da água, haja vista a diminuição no lançamento
de efluentes devido à menor ocupação de residências, principalmente destinadas a
veraneio. Junho de 2020 também teve comportamento parecido, especialmente por
ser um mês frio. Entretanto, além disso, frisa-se que estes dois meses foram períodos
em que a desembocadura esteve aberta, o que permite o escoamento de
contaminantes e a renovação das águas através das trocas de massas hídricas com
o oceano. Tal fato pode ser determinante para a manutenção da qualidade da água
no corpo lagunar.
109

Ao se analisar a figura 33, tem-se a mesma percepção do enunciado anterior.


Apesar de as linhas indicativas do comportamento do parâmetro, de modo geral,
observa-se que as concentrações de E. coli aumentaram subitamente após
fechamento da barra, no mês de agosto de 2019, e diminuíram abruptamente após
sua abertura, em junho anterior à coleta.

Figura 32 – Variação da E. coli no decorrer das coletas.

Figura 33 – Comportamento de E. coli em todos os pontos no decorrer das coletas.

Os valores encontrados para coliformes totais e E. coli neste estudo diferiram


expressivamente com os valores encontrados por Oliveira (2006) em laguna costeira
em condições de ocupação semelhantes no estado do Ceará. De maneira geral, a
110

Lagoa de Ibiraquera apresentou valores muito acima do encontrado pelo autor, o que
alarma ainda mais a situação.

A correlação negativa de intensidade moderada de coliformes totais com


condutividade elétrica e salinidade (-0,489) pode ser justificada especialmente pela
ciclagem das águas da lagoa promovida pela entrada de água do mar, bem como pela
menor tolerância dessas bactérias a águas salinas em relação a águas de menor
salinidade, como levantou Marques, Barbieri e Doi (2014). Além disso, a correlação
negativa com O.D. (-0,461) pode denotar que a matéria orgânica na qual grande parte
dos coliformes estão presentes necessita de oxigênio para ser decomposta por
demais micro-organismos. Ainda se evidenciou uma correlação moderada de maneira
inversamente proporcional entre coliformes toais e sólidos totais (-0,489), o que pode
ser reflexo da maior movimentação de sólidos em suspensão durante os períodos de
trocas de massa d’água através da desembocadura aberta, fato que também subsidia
correlação de igual teor com potássio (-0,465), embasado o que já foi mencionado
sobre esse elemento estar presente em material mineral na região, daí sua associação
com sólidos totais.

Em contrapartida, os coliformes totais se correlacionaram positivamente com a


turbidez (0,325), que pode ser gerada pela matéria orgânica a qual estão associados,
como enfatiza a CETESB (2017) ao mencionar que tais micro-organismos estão
presentes em águas com elevado teor de matéria orgânica. Houve também correlação
positiva com E. coli (0,575), que, como já dito, é um subgrupo contido no grupo de
coliformes totais. Destaca-se também a correlação fraca e positiva com a temperatura
do ar (0,384), que pode levantar justificativas acerca do usufruto da região em
períodos mais quentes, bem como para o melhor conforto térmico destes micro-
organismos.

O parâmetro E. coli se comportou de maneira parecida, com correlações


negativas com salinidade e condutividade (-0,464), com O.D. (-0,431), com potássio
(-0,387); e de maneira positiva e mais relevante com coliformes totais (0,575) e
temperatura do ar (0,403), justificando-se por motivos parecidos aos já mencionados
para o grupo de coliformes. A correlação negativa com O.D. também foi evidenciada
nos estudos de Rodrigues-Filho e colaboradores (2015), podendo estar associada à
carga de matéria orgânica de origem fecal presente na água e o consequente
111

consumo de oxigênio em seus processos de decomposição.

j) Fósforo total

O parâmetro fósforo total não teve valores muito relevantes, variando de 0 a


0,03 mg/L. Os valores máximos, médios, mínimo e de desvio padrão estão elencados
na tabela 15. As figuras 33 e 34 elencam o comportamento do parâmetro no decorrer
das coletas. O que mais se destaca é que os valores se comportam de maneira igual
em todos os meses, variando de 0 a 0,01 mg/L, com exceção do mês de dezembro,
onde atinge valores de 0,02 e 0,03 mg/L (marcados em cinza). Tal fato pode ser
justificado especialmente por ser o mês de abertura do verão e pode estar associado
a um aumento no aporte de pessoas na região e, por consequência, maior despejo de
efluentes. Os valores de fósforo total diferem bastante dos valores encontrados por
Rodrigues Filho et al (2015) em suas análises no rio Xingu e se mantiveram bem
abaixo.

A correlação representativa do parâmetro fósforo total com o potássio (-0,508),


de maneira inversamente proporcional, pode estar associada com a sua assimilação
por vegetais, visto que o fósforo é um dos nutrientes mais importantes para os
mesmos (Sperling, 2005), juntamente com o potássio, mas este retorna ao ambiente
após decomposição a biomassa que o assimilou (ESTEVES, 1998). Assim, pode se
dizer que quanto maior é o consumo de fósforo pela vegetação, maior será a
quantidade de vegetação apta a assimilar potássio e a se decompor, liberando-o ao
meio e aumentando a sua concentração em detrimento da diminuição de fósforo,
mesmo que não seja uma equação exata desta maneira e hajam outros fatores
atuantes. O mesmo vale para sua correlação com a DBO (-0,527), já que mais fósforo
contribui para o aumento de sua assimilação por vegetais e estes necessitam de
oxigênio para serem decompostos. Contudo, a correlação entre esses parâmetros
diferiu do valor encontrado por Rodrigues-Filho e colaboradores (2015).

Diferentemente do que se esperava, o nutriente fósforo se correlacionou


negativamente com a precipitação (-0,269), o que pode embasar ainda mais a
observação de que não houve uma influência relevante das chuvas no aporte de
nutrientes. Mas os valores inversamente proporcionais podem se associar com a
112

presença de turistas na região, que aumenta em épocas de tempo limpo e com menor
precipitação. Assim, a maior carga de efluentes gerados nesses períodos podem influir
na quantidade de fósforo encontrado na água. Esta observação se firma com a
correlação positiva entre o parâmetro e a temperatura do ar (0,253). Na figura 34, se
pode notar que nenhum valor de fósforo alcançou o limite máximo estabelecido pela
resolução CONAMA 357/2005, de 0,124 mg/L, e a figura 35 elenca o ocmportamento
de todos os pontos par ao parâmetro.

Tabela 15 – Valores de fósforo total obtidos durante o período de coletas.


Fósforo total (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P2 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P4 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P5 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P6 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P7 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P8 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P9 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P11 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P12 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P13 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P14 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

Máx 0,03 Méd 0,01 Mín 0,00 D.P. 0,008


113

Figura 34 – Variação de fósforo total no decorrer das coletas.

Figura 35 – Comportamento de fósforo total em todos os pontos no decorrer das coletas .

k) Potássio

Os valores potássio variaram de 7,47 a 659,22 mg/L, com desvio padrão de


147,9 mg/L (tabela 16). O valor elevado de desvio padrão indica grande variação no
resultado das análises obtidas. Ressalta-se que o P2 obteve o valor máximo na coleta
de julho de 2020 e que este ponto se situa na desembocadura, o que pode justificar a
quantidade deste mineral lixiviado e/ou erodido de solos e rochas no perímetro do corpo
lagunar, sendo carreado até o oceano por movimento do fluxo das águas, bem como
pela influência das águas salobras com aporte de sais de cloreto de potássio.
114

Em comparação com os valores obtidos por Rodrigues-Filho et al (2015),


considerando que seu valor máximo encontrado em análise no Rio Xingu foi de 3,14,
as concentrações obtidas para o parâmetro na Lagoa de Ibiraquera se mantiveram
extremamente elevadas. A CETESB (2017) afirma que as concentrações deste
parâmetro em águas naturais são, normalmente, menores do que 10 mg/L, o que
também não está em consonância com os resultados obtidos neste estudo.

Tabela 16 – Valores de potássio obtidos durante o período de coletas.


Potássio (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 308,57 582,29 461,58 335,23 198,56 197,81 109,41 125,97 190,03 212,58 351,04

P2 659,22 604,87 522,10 329,37 190,57 195,51 163,49 176,62 200,81 225,40 367,03

P3 590,00 574,32 549,21 314,24 210,57 197,97 147,18 146,45 193,98 223,13 367,28

P4 616,36 596,71 552,29 338,31 220,52 197,43 162,40 169,15 192,77 224,81 383,68

P5 564,37 596,09 533,73 314,27 205,65 200,70 168,80 175,87 195,79 229,29 366,79

P6 472,88 582,84 557,22 334,47 198,56 202,64 174,18 180,32 191,21 224,76 333,49

P7 443,97 590,23 541,32 346,98 215,44 210,44 180,91 187,96 193,20 226,79 248,29

P8 464,87 512,66 525,12 358,04 213,52 216,21 192,99 198,65 196,06 225,73 235,58

P9 454,19 500,88 437,08 338,00 214,63 214,99 196,27 161,09 192,91 217,56 220,44

P10 458,67 453,03 410,41 352,09 212,55 222,77 197,35 179,11 201,62 223,48 212,09

P11 456,71 500,70 512,81 342,25 225,64 223,27 198,70 7,47 194,09 226,31 221,62

P12 455,27 512,58 509,04 345,45 210,02 228,39 204,28 198,30 198,27 225,44 236,48

P13 544,03 589,35 520,52 333,86 204,24 207,55 175,45 179,11 201,20 235,64 374,29

P14 649,93 437,24 485,12 218,47 192,56 193,16 165,83 172,24 199,02 227,57 366,87

Máx 659,22 Méd 306,38 Mín 7,47 D.P. 147,9

Na figura 36, observa-se o comportamento do potássio no complexo lagunar. É


notável que os valores de potássio se mantiveram baixos especialmente nos meses
de maior pluviosidade e mais quentes, se correlacionando de maneira negativa e
moderada com a temperatura da água (-0,668) e forte com a temperatura do ar (-
0,702). Contudo, ao se analisar a figura 37, percebe-se que o potássio estava elevado
no mês de julho de 2019 em praticamente todos os pontos, mas, após a obstrução da
desembocadura, em agosto/2019, as concentrações caíram com o passar tempo, até
voltarem a subir em maio e junho de 2020. Tendo isto por base, Libes (2009) elencou
valores de minerais cálcio, potássio e sódio nas águas do mar, sob condições de 25
115

°C e 1 atm de pressão e o resultado para o parâmetro potássio foi de 400 mg/L, o que
faz sentido quando correlacionamos o parâmetro com a salinidade e condutividade,
resultando em uma correlação positiva e forte (0,831). Deduz-se assim que um dos
principais aporte de potássio no corpo lagunar se dá através do oceano.

As figuras 36 e 37 apresentam comportamento parecido com os dados de


salinidade e condutividade, debatidos no item 5.4.6. Tal correlação elevada entre o
potássio e essas variáveis (0,831) denota a quantidade de sais de cloreto de potássio
presentes na água salina do mar, o que também se observa em no valor de P2 em
julho, ponto mais próximo à desembocadura.

Figura 36 – Variação de potássio no decorrer das coletas.

Figura 37 – Comportamento de potássio em todos os pontos no decorrer das coletas.


116

Além das correlações já evidenciadas, o potássio se correlacionou se maneira


interessante com a DBO (0,324), com O.D. (0,442), com sólidos dissolvidos totais
(0,730), e que todos estes parâmetros estão atrelados à dinâmica e à ciclagem das
massas de água na Lagoa de Ibiraquera, promovidas pelas trocas com o oceano em
épocas de desembocadura aberta, como já foi abordado no itens referentes aos
parâmetros em questão.

Quanto a correlações negativas, o potássio se correlacionou de maneira


expressiva com nitrogênio amoniacal (-0,691), coliformes totais (-0,465), E. coli (-
0,387), sílica (-0,350) e sulfeto (-0,414). Os valores podem também estar associados
com a dispersão destes parâmetros promovido pela entrada e saída de água marinha
promovida pela abertura da barra.

l) Sílica

A tabela 17 aborda os valores obtidos nas análises do parâmetro sílica, que


variaram de 0 mg/L, em P7 e P13 no mês de agosto/19, a 2,92 em P1, no mês de
novembro/19 (marcados em cinza). Tais valores foram menores que os encontrados
por Bonetti e colaboradores (2005) ao estudarem o parâmetro na Lagoa de Ibiraquera.
Estes pesquisadores também avaliaram as mudanças nas características da água do
complexo lagunar após fechamento da barra e perceberam que os teores de silicatos
estiveram maiores enquanto a desembocadura com o mar esteve aberta (BONETTI;
BONETTI; BELTRAME; 2005).

Tabela 17 – Valores de sílica obtidos durante o período de coletas.


Sílica (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2,66 0,04 2,13 2,54 2,92 2,10 0,26 0,74 0,88 1,45 0,81

P2 1,08 0,01 1,60 2,14 2,13 2,36 1,73 1,73 1,46 1,09 0,53

P3 0,88 0,20 1,10 2,33 1,82 2,23 0,57 0,99 1,40 1,53 0,52

P4 0,62 0,00 0,88 2,67 1,80 2,15 1,15 1,04 1,46 1,25 0,52

P5 0,73 2,09 0,73 1,66 1,92 1,82 1,28 1,33 1,67 1,66 0,58

P6 0,78 0,68 2,18 2,09 1,83 2,35 1,35 1,22 1,60 1,63 0,57

P7 0,62 0,00 0,55 1,35 1,89 2,17 1,40 1,20 1,46 1,17 0,31
117

P8 0,67 0,40 0,70 1,46 2,25 2,18 1,47 0,95 0,82 0,96 0,39

P9 0,92 0,42 1,05 1,43 2,09 2,35 1,49 1,31 0,76 0,95 0,63

P10 0,67 0,63 0,60 1,80 2,06 2,41 1,48 1,06 0,81 0,78 0,7

P11 0,88 0,42 1,88 1,47 2,27 2,22 1,61 1,15 0,89 0,88 0,64

P12 0,71 0,48 0,61 1,87 2,10 2,17 1,48 1,02 0,80 0,80 0,36

P13 0,99 0,00 1,20 2,52 2,14 2,56 1,74 1,03 1,32 1,53 0,57

P14 1,20 1,07 1,40 2,21 2,08 1,94 1,44 1,50 1,44 1,74 0,56

Máx 2,92 Méd 1,30 Mín 0 D.P. 0,67

Ao se analisar as figuras 38 e 39, percebe-se que os valores de sílica


aumentaram em períodos de barra fechada (após agosto/19 e antes de junho/20), tal
fato pode estar associado à capacidade da laguna de receber cargas continentais
deste elemento e ao seu acúmulo em seu interior em períodos onde não haja o
extravasamento para o oceano, tal efeito foi abordado por Bonetti, Bonetti e Beltrame
(2005). Os dois gráficos apresentam valores mais elevados nos meses de outubro,
novembro e dezembro, meses estes que também tiveram elevadas precipitações, que
podem ter contribuído para lixiviação ou erosão deste mineral nos solos e rochas
presentes na microbacia da laguna, reforçando a ideia de que este elemento provém
da drenagem continental, resultando em uma correlação positiva, ainda que fraca,
com o parâmetro meteorológico precipitação. Além disso, a correlação positiva com a
turbidez (0,421) pode estar associada com a presença de sílica em partículas de
rochas e areias, em conjunto com demais minerais, que causam turbidez em água.

Figura 38 – Variação de sílica no decorrer das coletas.


118

Figura 39 – Comportamento de sílica em todos os pontos no decorrer das coletas.

Os valores de sílica também apresentaram relações diretamente proporcionais


com a temperatura da água (0,492) e do ar (0,482), o que se embasa nas questões
meteorológicas juntamente com o parâmetro precipitação, afinal os meses de maiores
precipitações se concentram na estação do verão, também com maiores temperaturas.
Ademais destas, chamaram a atenção as correlações entre sílica e
salinidade/condutividade elétrica (-0,403), perfeitamente justificado pela ciclagem de
águas e extravasamento possibilitado pela abertura da desembocadura; bem como
as correlações com O.D. (-0,496), sólidos dissolvidos totais (-0,503) e potássio (-
0,350), já que estes parâmetros se intensificam pela movimentação promovida pelo
fluxo de massas de água mediante desembocadura aberta. A correlação negativa
entre sílica e oxigênio dissolvido ainda pode estar associada ao fato de que a primeira
é um dos principais nutrientes que atuam na estrutura celular de seres fotossintéticos
responsável pela oxigenação advinda da fotossíntese, de acordo com Bonetti e
colaboradores (2005).

Resumidamente, os silicatos se apresentam em maiores concentrações em


períodos de laguna com maiores volumes de água e desembocadura fechada, tal
como se notou para os parâmetros bacteriológicos coliformes totais (0,227) e E. coli
(0,306), justificando também suas correlações diretamente proporcionais.

m) Sulfeto
119

O sulfeto apresentou grande relevância em seus resultados, especialmente


porque dos 154 resultados obtidos nas análises, 67 se apresentaram acima de 0,002
mg/L, limite estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005 (BRASIL, 2005) para
corpos de água salobra classe 1. Na tabela 18, pode-se visualizar todos as
concentrações de sulfeto obtidas durante as análises, variando de 0 em diversos
pontos, a 0,08 mg/L, em P14.

Segundo a CETESB (2017), a principal fonte de compostos contendo sulfeto


em águas superficiais é o despejo de efluentes sanitários. A redução de sulfato a
sulfeto produz gás sulfídrico (ESTEVES, 1998), que é altamente tóxico e possui odor
característico. Tal odor pode ser percebido durante as coletas, principalmente ao
caminhar em áreas mais lodosas, resultado do acúmulo de compostos contendo
enxofre nestas áreas.

Tabela 18 – Valores de sulfeto obtidos durante o período de coletas.


Sulfeto (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,00 0,02 0,06 0,01 0,03 0,02 0,00 0,00 0,00

P2 0,00 0,01 0,01 0,03 0,01 0,01 0,02 0,00 0,00 0,00 0,00

P3 0,00 0,00 0,00 0,07 0,01 0,03 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P4 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04 0,01 0,02 0,01 0,00 0,00

P5 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,00 0,00

P6 0,02 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P7 0,01 0,00 0,00 0,00 0,01 0,05 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P8 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P9 0,01 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,03 0,01 0,02 0,00 0,00

P10 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,00 0,01 0,00 0,01

P11 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,02 0,00 0,00

P12 0,01 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,02 0,00 0,00

P13 0,00 0,00 0,02 0,02 0,00 0,00 0,03 0,01 0,02 0,00 0,00

P14 0,02 0,00 0,00 0,08 0,00 0,00 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

Máx 0,08 Méd 0,01 Mín 0 D.P. 0,01

Mainier e Viola (2005) apontam que o gás sulfídrico ou sulfeto de hidrogênio


pode ser produzido naturalmente em zonas pantanosas, o que justifica o fato de P9
apresentar o maior número de análises contendo sulfetos acima do permitido durante
120

o período amostral. Esse ponto está situado em área lodosa, com a água turva, o que
justifica sua correlação positiva com turbidez (0,163) resultante da movimentação de
sedimento lodoso; com oxigênio dissolvido (-0,192), resultante da diminuição de taxas
fotossintéticas e do aumento do consumo de oxigênio em processos de degradação
de matéria orgânica; com coliformes totais (0,231) e E. coli (0,189), devido à área
apresentar características de acumulo de matéria de origem fecal, além de pequena
criação e bovinos na margem.

Nas figuras 40 e 41, percebe-se que todos os meses, com exceção de maio,
apresentaram concentrações de sulfetos acima do preconizado pela legislação
(BRASIL, 2005). De outubro a janeiro foi o período que apresentou maiores picos nas
concentrações de sulfetos e mês de janeiro se destaca por apresentar todos os pontos
acima do permitido, o que pode ser justificado pelo maior aporte de efluentes
sanitários ocasionado pelo aumento no número de turistas nesta época.

Além disso, percebeu-se que as concentrações de sulfetos se intensificaram


em proporções diretas com a temperatura (0,469) e temperatura do ar (0,504), o que
justifica Mainier e Viola (2005) ao apontarem as elevadas temperaturas como
mediadoras da geração de sulfeto de hidrogênio (H2S), bem como a concentração de
bactérias, que pode ser afetada pela salinidade em água, como já foi abordado por
Marques, Barbieri e Doi (2014), justificando sua correlação negativa com sulfeto (-
0,318). Além disso, a ciclagem de sedimentos promovida pela entrada de águas
salgadas também pode resultar na diminuição dos sulfetos. A degradação de
detergentes/las pode gerar sulfatos, carbono e água, (BONFIM, 2006), o que resulta
em correlações negativas (-0,300) de sulfeto com este parâmetro.
121

Figura 40 – Variação de sulfeto no decorrer das coletas.

Figura 41 – Comportamento de sulfeto em todos os pontos no decorrer das coletas.

n) Detergentes/Las

Os valores de detergentes variaram de 0 a 4,78 mg/L durante todo o período


amostral, sendo que, dos 154 resultados obtidos para os 14 pontos amostrais durante
os 11 meses de coletas, apenas 14 apresentaram concentrações iguais ou abaixo de
0,2 mg/L, limite máximo estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005 (BRASIL,
2005). Todos os resultados obtidos podem ser observados na tabela 19. Devido a isso,
122

tal parâmetro se apresentou de maneira alarmante no complexo lagunar. A CETESB


(2017) afirma que os esgotos sanitários possuem concentrações de 3 a 6 mg/L de
detergentes/Las e que estes são responsáveis pelas formações de espumas em
corpos hídricos, o que foi notado frequentemente durante as coletas.

Tabela 19 – Valores de detergentes obtidos durante o período de coletas.


Detergentes/las (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2,74 2,00 0,42 0,00 0,73 0,90 0,74 0,36 0,96 1,17 1,29
P2 1,20 1,84 0,25 0,00 1,23 0,89 1,11 0,18 0,41 1,34 1,56
P3 1,07 1,23 0,21 0,00 1,33 1,03 0,89 0,61 0,94 1,32 1,86
P4 2,07 1,04 1,08 0,57 1,55 0,98 1,10 0,53 0,71 0,95 1,76
P5 1,58 0,13 0,63 0,15 1,84 1,28 0,98 0,00 1,11 1,29 1,71
P6 3,84 0,00 0,47 0,43 2,86 1,16 1,16 1,09 0,62 0,68 1,52
P7 0,48 2,17 0,60 1,03 1,80 0,98 0,63 1,18 0,78 1,26 1,00
P8 2,68 2,72 0,73 0,88 1,77 1,41 1,21 0,83 1,12 1,33 1,69
P9 2,43 2,07 0,02 0,53 2,12 1,43 0,96 1,09 0,97 1,67 1,24
P10 0,28 2,33 0,01 0,00 1,84 1,32 1,20 1,51 1,31 1,30 1,37
P11 1,12 2,35 0,46 0,43 2,13 1,60 1,06 1,35 0,95 1,53 1,10
P12 1,68 1,45 0,15 0,00 2,05 1,26 0,90 1,52 1,12 1,21 1,49
P13 2,20 4,48 0,45 0,74 1,89 1,03 1,11 0,70 1,25 1,12 2,17
P14 4,78 1,68 0,00 0,75 1,44 1,25 0,77 0,69 1,28 1,03 1,98

Máx 4,78 Méd 1,19 Mín 0 D.P. 0,77

Ao se observar as figuras 42 e 43, percebe-se que os segundos e terceiros


quartis de todos os meses analisados se mantiveram acima da linha vermelha, e que
o comportamento deles variou bastante ao longo das coletas, o que pode-se notar a
partir do elevado desvio padrão de 0,77 elencado na tabela anterior. Tal variação pode
se justificar pelo rápido tempo médio de degradação dos detergentes produzidos
atualmente: segundo Larson e colaboradores (1995), o tempo médio de degradação
de detergentes em estuários varia de 1 a 3 dias. Assim, ocorre uma espécie de
renovação destas concentrações, à medida que são degradadas.
123

Figura 42 – Variação de detergentes/las obtidos durante o período de coletas.

Figura 43 – Comportamento de detergentes(Las) em todos os pontos no decorrer das coletas.

Contudo, pode-se observar também em ambos os gráficos, que os meses de


julho e agosto de 2019 apresentaram maiores variações nas concentrações de
detergentes, que pode ter sido possibilitada pela influência da água do mar e pela
movimentação das moléculas de detergentes possibilitadas pela intrusão da água do
mar, já que a barra ainda se encontrava aberta. Além disso, P13 e P14 que se situam
na região da Lagoa do Saco apresentaram picos mais elevados do que os demais
nestes dois meses, o que também coincide com o fato de estarem situados próximos
124

à desembocadura e sujeitos às interferências da entrada de água salina. Resultaram-


se, assim, correlações positivas entre detergentes e salinidade/condutividade elétrica
(0,224), ainda que fracas.

Outro ponto importante é o fato de que julho e agosto são meses frios, de
inverno, e que as taxas de atividades microbianas estão menores. Sabendo-se que,
conforme Bonfim (2006), a biodegradação de detergentes ocorre por meio de reações
metabólicas de micro-organismos que os utilizam como fonte de carbono e enxofre, é
notável que a temperatura mais branda tenha desacelerado esse processo,
possibilitando a permanência de maiores concentrações destas substâncias em meio
lagunar, resultando assim em correlações negativas com a temperatura da água (-
0,402) e do ar (-0,411).

A correlação positiva e moderada com oxigênio dissolvido (0,331) pode ser


explicada pelo fato de que grande parte dos detergentes atuam de maneira tóxica
sobre o zooplâncton que se alimenta de fitoplâncton (fotossintéticos) (CETESB, 2017),
possibilitando assim maiores atividades fontossíntéticas por esses últimos, elevando
a oxigenação do meio, bem como através da limitação da movimentação do oxigênio
no meio (SPERLING, 2005).

Dentre as demais correlações expressivas, a que mais se destaca é a


correlação com sulfetos (-0,300). Como mencionado anteriormente, a degradação de
compostos contendo Las pode gerar produtos contendo sulfetos, assim, a diminuição
do primeiro por degradação bacteriana aumenta este último.

o) Fosfato

Os valores de fosfato variaram de 0, em vários pontos, a 12,40 mg/L, em P10,


no mês de novembro/2019. Todos os resultados obtidos estão listados na tabela 20,
onde os números marcados em cinza representam os valores acima do limite máximo
atribuído pela legislação (BRASIL, 2005), de 0,062 mg/L. Dos 154 resultados, 88
ultrapassaram tal limite. Destaca-se que, na coleta de fevereiro de 2020, todos os
pontos amostrais tiveram resultados acima do limite estabelecido, contudo, os meses
de dezembro e janeiro, respectivamente, obtiveram as maiores concentrações de
fosfato, como se pode observar na figura 44. Além disso, o valor médio de todas as
125

análises, de 0,86 mg/L, esteve 13,87 vezes mais elevado do que o limite máximo.

Tabela 20 – Valores de fosfato durante o período de coletas.


Fosfato (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 1,22 0,00 0,14 7,19 7,52 0,00 0,95 0,36 1,29 0,11 0,17

P2 0,49 0,06 0,09 0,02 3,99 0,00 0,65 0,62 0,00 0,35 0,08

P3 2,90 0,00 0,14 0,00 1,42 0,00 0,61 0,26 1,82 0,10 0,05

P4 0,37 0,87 0,12 0,00 0,48 0,00 0,91 0,34 0,13 0,56 0,22

P5 0,81 0,20 0,05 0,00 0,51 6,80 0,59 0,93 0,00 0,00 0,06

P6 0,00 0,18 0,83 0,00 0,47 6,82 0,72 0,94 0,00 0,00 0,18

P7 0,00 0,00 0,00 0,00 0,25 6,76 0,00 0,35 0,00 0,00 0,21

P8 0,00 0,00 0,10 2,14 0,28 6,73 0,25 0,52 0,00 0,00 0,13

P9 0,03 0,00 0,02 0,00 2,70 8,13 0,32 0,60 0,00 0,00 0,29

P10 0,00 0,00 0,11 0,13 12,40 8,11 0,43 0,29 0,32 0,00 0,19

P11 0,00 0,58 2,20 0,00 0,00 8,08 0,04 0,15 0,00 0,00 0,27

P12 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 8,05 0,33 0,69 0,00 0,00 0,10

P13 0,00 0,18 0,00 0,00 0,68 0,07 0,05 0,27 0,00 0,00 0,44

P14 0,03 0,11 0,23 0,00 0,12 0,02 0,00 0,97 0,00 0,00 0,24

Máx 12,40 Méd 0,86 Mín 0 D.P. 2,07

Em comparação com valores obtidos na Lagoa de Ibiraquera por Bonetti,


Bonetti e Beltrame (2005), com média de 0,10 mg/L, os valores obtidos neste estudo
se mantiveram acima, o que pode indicar maior deterioração do corpo hídrico por
fontes antrópicas em relação ao passado. Além disso, tais valores foram maiores que
os obtidos na Lagoa da Conceição (SC), e na Lagoa de Araruama (RJ), conforme os
mesmos autores. As correlações positivas com nitrogênio amoniacal (0,303) e fósforo
total (0,214) e precipitação acumulada (0,209) reiteram que as fontes poluidoras
podem ser os efluentes sanitários não tratados e resquícios de fertilizantes
empregados na agricultura, lavados e transportados pela ação das chuvas, cujos
quais contam com tais nutrientes (CETESB, 2017; SPERLING, 2005; APHA, 2005).
Em paralelo a isso, na figura 45, nota-se que P10 e P9 apresentaram maiores
concentrações de fosfato e ambos se situam em área descampada com criação em
pequena escala de bovinos, o que também pode contribuir para a elevação de tais
valores.
126

Figura 44 – Variação de fosfato no decorrer das coletas.

Figura 45 – Comportamento de fosfato em todos os pontos no decorrer das coletas.

5.4. Compilação de variações mais relevantes

A tabela 21 aborda, resumidamente, as alterações mais notáveis de parâmetros


mediante à dinâmica de fechamento da desembocadura da barra de Ibiraquera, bem
como as variações mais relevantes em períodos de verão, devido à sazonalidade da
região e propiciada pelo aumento do contingente populacional da região.
127

Tabela 21 – Variações de parâmetros mais notáveis em detrimento da sazonalidade e da dinâmica de


fechamento da barra.

Dinâmica da Barra

Parâmetro Alteração percebida Período Situação da barra

Turbidez agosto - maio fechada

Coliformes Totais agosto - maio fechada

E. coli agosto - maio fechada

Sílica agosto - maio fechada

Sulfeto agosto - maio fechada

pH agosto - maio fechada

Oxigênio Dissolvido agosto - maio fechada

Salinidade/Condutivida
agosto - maio fechada
de

S.D.T. agosto - maio fechada

Potássio agosto - maio fechada

Período de Verão

Parâmetro Alteração percebida Período Estação

Nitrogênio Amoniacal Dez-Fev Verão

Nitrito Dez-Fev Verão

Nitrato Dez-Fev Verão

E. coli Dez-Fev Verão

Coliformes Totais Dez-Fev Verão

Fosfato Dez-Fev Verão

Legenda: subida nos valores


baixa nos valores
128

5.5. Análise de Cluster ou Análise de Agrupamento

Visando analisar a similaridade entre os pontos amostrados, empregou-se a


Análise de Cluster ou Análise de Agrupamento, através de agrupamento hierárquico
dos dados das variáveis qualitativas de água. Essa técnica de estatística multivariada
vem sendo empregada em diversos estudos para análise de qualidade da água
(RODRIGUES FILHO et al, 2015; FERNANDES et al, 2010; PALÁCIO et al, 2009) e
tem como objetivo principal a identificação de similaridade e dissimilaridade entre os
dados estudados.

Segundo Palácio e colaboradores (2009), a técnica de análise de agrupamento


ou análise em clusters considera um conjunto de objetos aos quais são atribuídas
variáveis de valores distintos que possuem caráter classificatório, utilizado para definir
grupos de objetos similares entre si. Ou seja, neste caso, os objetos são os 14 pontos
amostrais da Lagoa de Ibiraquera, e as variáveis classificatórias são os parâmetros
de qualidade da água. Assim, ao se padronizar os dados de qualidade da água através
de técnica estatística na qual se subtraiu a média de cada valor e dividiu pelo seu
desvio padrão, aplicou-se a análise de cluster para se obter o dendograma da figura
46.

Figura 46 – Dendograma resultante da análise de cluster entre os 14 pontos amostrados.


129

O ponto de corte no dendograma foi realizado à distância euclidiana de valor


20, visando a formação de grupos representativos e baseou-se na técnica empregada
por Fernandes et al (2010), onde o ponto de corte acontece no momento em que a
distância apresenta maior variação, assim se originou um total de 4 grupos que
apresentaram maior similaridade ou, menor dissimilaridade entre si. A distância
euclidiana foi a medida utilizada para expressar a dissimilaridade entre os grupos.
Segundo Cunha (2017) ela atua como uma distância métrica entre dois pontos no
plano cartesiano e pode indicar o quanto ambos os pontos se relacionam, contudo,
diferentemente da correlação, esta é uma medida de dissimilaridade, o que significa
que quanto maior o seu valor, maior é a diferença entre os dados. Os valores das
distâncias euclidianas encontrados entre todos os pontos amostrados estão
elencados no quadro 8.

Quadro 8 - Valores de dissimilaridade entre os pontos medidos através da distância euclidiana (m).
P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14
P1 0
P2 13,23 0
P3 13,34 9,90 0
P4 14,54 9,62 10,41 0
P5 17,87 13,97 14,20 14,43 0
P6 15,34 12,02 11,42 12,53 14,27 0
P7 15,32 11,61 12,17 11,24 15,03 12,12 0
P8 16,11 14,29 14,12 14,46 15,88 13,70 11,78 0
P9 16,00 13,01 14,93 13,74 15,84 13,59 10,87 12,75 0
P10 17,66 15,01 16,66 17,10 18,04 16,27 13,64 15,38 11,37 0
P11 16,44 12,96 14,33 14,31 15,20 13,44 9,90 12,23 8,76 12,28 0
P12 17,75 14,23 15,65 13,97 17,16 14,62 12,70 13,49 12,43 14,32 11,7 0
P13 18,66 15,43 16,23 15,80 19,04 16,54 16,26 17,05 16,58 18,16 15,5 16,37 0
P14 18,56 15,09 14,84 16,45 17,38 15,80 16,48 16,11 15,84 18,48 16,1 16,94 14,30 0

Os grupos gerados pela análise de agrupamento foram elencados no quadro 9


a seguir, no qual foram discriminadas suas medidas de valores máximos, valores
mínimos, valores médios e desvio padrão para o conjunto de valores estudado,
conforme realizado por Rodrigues-Filho e colaboradores (2015). Tal discriminação
permitiu a análise dos pontos em conjunto, identificando os parâmetros qualitativos de
água, cujos quais permitiram as similaridades entre os pontos.
130

O grupo 1 é formado por P1, P2, P3, P4 e P6, situados majoritariamente na


Lagoa de Baixo, exceto P6 que está na Lagoa do Meio. O grupo 2 é formado
unicamente por e P5, que está no canal que conecta a Lagoa de Baixo à Lagoa do
Meio. O grupo 3 é formado por P13 e P14, que estão situados na região da Lagoa do
Saco. Por fim, o grupo 4 é formado por P7, P8, P9, P10, P11 e P12, sendo o maior
grupo e se situando majoritariamente na Lagoa de cima.

Assim, o grupo 1 se destacou por obter menores valores de temperatura, com


média de 22,52 C° e mínima de 13,60 C°; menor valor médio de DBO com 2,50 mg/L;
menores valores médios de salinidade (14,30%o) e condutividade elétrica (33,73
mS/m), menor valores médios de oxigênio dissolvido (5,10 mg/L); menor valor médio
de Fósforo Total; menor valor médio de Potássio (224,76 mg/L); menores valores
médios de nitrito (0 mg/L) e nitrato (0 mg/L); menor valor médio de Sulfeto (0 mg/L).

Notou-se que os pontos amostrais que representam o grupo 1 se encontraram


em locais com substrato estritamente arenoso e que, durante o período de coletas, se
observou pouco material particulado em suspensão em tais pontos e a coluna d’água
bastante límpida. Quatro dos cinco pontos deste grupo estão situados na Lagoa de
Baixo, porção que sofre bastante influência da maritimidade quando a barra se
encontra aberta. Contudo, tal grupo evidenciou valores médios abaixo dos demais
quanto à salinidade que pode ser justificado devido à influência de um canal que
deságua de uma lagoa de água doce ao sul da lagoa de baixo, o que pode ter alterado
a salinidade dos pontos amostrais nesta porção, tal como justificou Bonetti e
colaboradores (2005) em estudo realizado no mesmo sistema lagunar. Além disso,
maior parte do período amostral foi realizado com a desembocadura fechada.
131

Quadro 9 - Valores de máxima, média, mínima e desvio padrão de todos os parâmetros dos grupos obtidos por análise em cluster.
Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4
Parâmetros Méd Máx Mín Desv. Padrão Méd Máx Mín Desv. Padrão Méd Máx Mín Desv. Padrão Méd Máx Mín Desv. Padrão
pH 7,60 8,10 7,05 0,24 7,47 8,00 5,53 0,69 7,72 8,94 7,25 0,40 7,64 8,80 7,30 0,31
Temperatura
(°C) 22,52 30,50 13,60 4,44 23,28 29,20 17,00 4,12 24,45 31,00 17,50 3,93 23,92 29,70 15,00 4,10
Turbidez
(NTU) 4,03 8,54 0,70 1,91 3,60 5,84 0,61 1,78 5,48 22,40 1,13 4,32 5,38 15,10 3,05 1,98
DBO (mg/L)
2,50 59,40 0,00 12,20 12,77 80,00 0,00 24,61 7,69 34,08 0,10 10,99 9,11 78,00 0,00 16,10
Salinidade
(%) 14,30 27,13 6,10 4,96 16,52 26,05 12,06 4,31 16,09 26,00 8,24 5,13 15,18 21,36 1,40 2,50
Condutivi-
dade (mS/m)
33,73 60,75 15,40 10,65 38,42 58,52 28,84 9,16 36,52 58,26 20,31 9,88 35,58 48,77 3,99 5,54
OD (mg/L)
5,10 17,40 2,00 2,95 6,81 17,80 3,60 4,07 6,43 9,90 3,80 1,77 6,60 20,60 2,90 3,31
Sólidos To-
tais a 180 °C
(mg/L)
19070,00 38580,00 10350,00 6490,09 21730,91 35450,00 16630,00 5662,78 21228,64 36300,00 14350,00 6053,68 20498,77 34930,00 8710,00 3490,77
Nitrogênio
Amoniacal
(mg/L)
0,01 0,02 0,005 0,00 0,01 0,02 0,005 0,01 0,01 0,02 0,00 0,005 0,01 0,02 0,00 0,005
Coliformes
Totais
(NMP/100mL)
2419,60 2419,60 214,20 674,08 2017,29 2419,60 866,40 690,27 2102,12 2419,60 140,30 635,97 2175,13 2419,60 410,60 502,23
E coli
(NMP/100
mL) 1119,90 2419,60 53,38 871,31 918,56 2419,60 67,00 710,62 877,77 2419,60 67,50 679,65 918,15 2419,60 29,90 743,01
Fósforo
(mg/L) 0,01 0,15 0,00 0,04 0,02 0,15 0,00 0,04 0,02 0,15 0,00 0,04 0,02 0,15 0,00 0,04
Potássio
(mg/L) 224,76 659,22 109,41 163,18 322,85 596,09 168,80 166,84 312,42 649,93 0,15 156,80 294,38 590,23 7,47 129,88
Nitrito (mg/L)
0,00 1,47 0,00 0,29 1,06 9,30 0,00 2,77 0,15 2,35 0,00 0,50 0,19 3,14 0,00 0,49
Nitrato
(mg/L) 0,00 1,47 0,00 0,28 0,40 2,10 0,00 0,74 0,06 0,53 0,00 0,15 0,12 1,21 0,00 0,27
Sílica (mgL)
1,40 2,92 0,00 0,76 1,41 2,09 0,58 0,52 1,46 2,56 0,00 0,64 1,17 2,41 0,00 0,62
Sulfeto
(mg/L) 0,00 0,07 0,00 0,01 0,01 0,03 0,00 0,01 0,01 0,08 0,00 0,02 0,01 0,05 0,00 0,01
Deter-
gente/Las
(mg/L) 1,03 3,84 0,00 0,73 0,97 1,84 0,00 0,66 1,49 4,78 0,00 1,16 1,25 2,72 0,00 0,64
Fosfato
(mg/L) 0,22 7,52 0,00 1,70 0,90 6,80 0,00 1,99 0,15 0,97 0,00 0,25 1,10 12,40 0,00 2,62
132

O grupo 2, por sua vez, foi constituído unicamente pelo ponto amostral 5, que
se destacou por ter elevados valores de DBO, com a maior máxima (80 mg/L) e média
(12,77) em relação a todos os demais grupos, o que pode ser justificado
especialmente por sua posição no canal de comunicação entre a Lagoa de Baixo e do
Meio, um canal relativamente estreito e raso, onde há vegetação rasteira em suas
margens, como se vê no mapa de uso e ocupação do solo (figura 5). O escoamento
pelo canal de comunicação pode propiciar o depósito de matéria orgânica e nutrientes
advindo das margens, o que aumenta as taxas de DBO para consumo de tal material.
Além disso, a salinidade, a condutividade elétrica, o oxigênio dissolvido, os sólidos
dissolvidos totais também apresentaram valores médios acima dos demais pontos e
grupos, contudo não por uma diferença significativa. Por sua vez, o grupo 2
apresentou diferenças bastante significativas quanto ao seu desvio padrão para os
nutrientes fósforo total (0,04), potássio (166,84), nitrito (2,77) e nitrato (0,74).
Sabendo-se que o desvio padrão equivale à raiz quadrada da variância, e que tais
medidas indicam a dispersão dos valores em relação à média (FRANCISCO, 2013),
esse grupo apresentou uma maior dispersão de valores amostrados em relação aos
demais.

O grupo 3, composto pelos pontos amostrais P13 e P14, atingiu maiores


valores médios de pH (7,72), temperatura (24,45 °C), turbidez (5,48 NTU), sólidos
dissolvidos totais (21228,64 mg/L), sílica (1,46 mg/L) sulfeto (0,01 mg/L)
detergentes/Las (1,49 mg/L). Ressalta-se que o P14 está situado na menor porção
lagunar, a Lagoa do Saco, e que esse fato possivelmente possibilitou os maiores
valores observados. Durante os períodos de coletas, o P14 sempre apresentou
visualmente cargas elevadas de material e lodos sedimentados, o que pode ser
justificado também pela baixa circulação propiciada pelo menor perímetro do bolsão
lagunar nesta área. Tal característica justifica os elevados valores de turbidez e sólidos
dissolvidos totais, bem como quanto aos valores de sílica que pode constituir tal
material sedimentado. Além disso, quanto menos dinâmica é a movimentação de um
corpo d’água, menor a circulação do mesmo, permitindo maior aquecimento, o que
pode ser observado devido aos elevados valores de temperatura encontrados neste
grupo. O P13, por sua vez, se situa próximo ao canal que liga a Lagoa do Saco à
Lagoa de Baixo, fato que possivelmente corroborou para as características dos
parâmetros mencionados. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (2000), como
133

já citado anteriormente, o terreno próximo à Lagoa do Saco é constituído de Granito


Paulo Lopes, o que pode ser a causa de valores de pH mais elevados e da presença
de sílica, já que o intemperismo em granitos pode resultar em sílica e bicarbonatos,
sendo este último um dos principais responsáveis pela elevação do pH em água
naturais (BLUMBERG; AZEVEDO NETO, 1956).

O grupo 4 agrupou o maior número de pontos amostrais neste estudo – P7, P8,
P9, P10, P11, P12 – o que evidenciou características semelhantes entre os mesmos,
ressaltando-se que todos se situam na maior porção lagunar, a Lagoa de Cima.
Portanto esse grupo se destacou por apresentar elevados valores médios de fosfato
(1,09 mg/L), e menores desvios padrões para salinidade (2,5 %o), condutividade
elétrica (5,54 mS/m), sólidos dissolvidos totais (3490,77 mg/L), coliformes totais
(502,23 npm/100mL), potássio (129,88 mg/L), detergentes/Las (0,64 mg/L), e maior
desvio padrão para fosfato (2,62 mg/L).
134

5.6. Análise dos Componentes Principais – ACP

Para a aplicação da ACP, os pontos representativos de cada setor lagunar


foram agrupados visando a caracterização dos mesmos. Assim, foram formados
grupos tais como elencados no quadro 10 a seguir:

Quadro 10 – Pontos amostrais utilizados para setorização da laguna na ACP.

Setor Lagunar Pontos Amostrais

Lagoa de Baixo P1, P2, P3, P4

Lagoa do Meio P5, P6, P7

Lagoa de Cima P8, P9, P10, P11, P12

Lagoa do Saco P13, P14

Antes da análise, os dados passaram por uma padronização de valores, a fim


de diminuir a discrepância entre eles, já que possuem escalas de valores diferentes.
Assim, subtraiu-se a média e se dividiu o resultado pelo desvio padrão para a
padronização. Além disso foram desconsideradas duas varáveis: a variável salinidade
foi considerada redundante por apresentar elevada correlação com a condutividade
elétrica (1,00); e a variável nitrogênio amoniacal apresentou correlação insignificante
com os fatores obtidos na ACP, e, assim, foi desconsiderada também. Com isso, um
total de 17 variáveis foram consideradas para o emprego de ACP. Tal procedimento
também foi realizado por Rodrigues-Filho et al (2015) e Oliveira (2006) em suas
análises de qualidade da água em diferentes ambientes, visando a diminuição de
informações não relevantes ao estudo.

Assim, a ACP retornou dois primeiros fatores que representam 84,95% da


variância dos dados, cujos quais foram utilizados para análise dos dados, como se
pode observar no quadro 11. Os valores de correlações de cada variável investigada
com os respectivos fatores extraídos estão elencados no quadro 12.
135

Quadro 11 ̶ Valores de variância e de autovalor para cada componente.

CP autovalor % variância

1 5.07925 53.892

2 2.92703 31.056

Quadro 12 - Correlação entre as variáveis e respectivos fatores extraídos da ACP.


CP1 CP2
pH 0,33801 0,16166
Temperatura 0,4078 -0,14534
Turbidez 0,35595 -0,17193
D.B.O -0,031876 -0,17242
C.E. -0,042991 0,082134
O.D. 0,13539 -0,27031
Sólidos Totais -0,054417 0,13065
Coliformes Totais -0,026754 -0,29101
E. coli -0,24482 0,16167
F.T. -0,097055 0,23653
Potássio -0,087447 0,28248
Nitrito 0,48851 0,15567
Nitrato -0,053611 -0,14849
Sílica 0,090339 0,39633
Sulfeto -0,0044363 0,44989
Detergente 0,44387 -0,023564
Fosfato -0,21015 -0,37906

Como se pode observar, o fator 1 (CP1) se correlacionou positivamente de


maneira considerável com pH (0,33801), temperatura (0,4078), turbidez (0,35595),
nitrito (0,48851) e detergentes/las (0,44387), e de maneira negativa com E. coli (-
0,24482); o fator 2 (CP2) se correlacionou positivamente e fósforo total (0,23653),
potássio (0,28248), sílica (0,39633), sulfeto (0,44989), e, de maneira negativa, com
O.D. (-0,29101), Coliformes Totais (-0,29101) e fosfato (-0,37906).

Ao se analisar a figura 47, onde está elencado o gráfico de projeção das


variáveis de qualidade da água abordadas neste estudo juntamente com os pontos
agrupados por setores lagunares, verifica-se o comportamento das características de
cada região do complexo lagunar
136

Figura 47 - Biplot de ACP dos setores lagunares e das variáveis de qualidade da água abordadas nesta
análise.

Nota-se que a Lagoa de Cima e a Lagoa do Meio tiveram maiores correlações


com O.D. já que juntas se caracterizam como a porção lagunar com maior área,
permitindo melhores ações dos ventos e, com isso, maior oxigenação. A maior área
da Lagoa de Cima também possibilita maior número de casas às margens, bem como
criação de bovinos em áreas adjacentes, o que pode ter contribuído para a correlação
com coliformes totais que, consequentemente, afetou a Lagoa do Meio. Contudo, foi
a Lagoa de Baixo que apresentou maiores correlações com E. coli, o principal
indicativo de contaminação fecal, especialmente por ser o bolsão lagunar que se situa
mais próximo à praia, com grande conglomerado de residências e restaurantes às
margens.

A Lagoa do Saco foi o setor que mais se correlacionou positivamente com o


parâmetro detergentes/las e nitrito, o que pode ser justificado pela morfometria deste
bolsão, já que é o menor e mais isolado dos demais, possibilitando acúmulo dessas
substâncias advindas das residências às margens. Além disso, a correlação
representativa e positiva deste setor com pH e sílica pode ser justificada pela
composição do solo às margens do bolsão e pelos bicarbonatos associados a solos
com a presença de silicatos.
137

O parâmetro sulfeto se correlacionou com valores próximos entre os setores


Lagoa de Cima e Lagoa do Saco, que apresentaram grandes quantidades de lodo no
sedimento como se observou in loco.

5.7. Índice de Qualidade das Águas Costeiras – IQAC

Como já mencionado, o índice de qualidade da água utilizado foi baseado no


mesmo utilizado pela CETESB (2015) para avaliação da qualidade de águas costeiras,
o IQAC, proposto pelo Conselho de Ministros do Meio Ambiente do Canadá (CCME,
2001). Os resultados obtidos elencam valores de 0 a 100, conforme indica o quadro
13, através dos quais a qualidade da água costeira é classificada.

Quadro 13 - Categorias de qualidade da água do IQAC.


Faixa de valores Classificação da faixa
do índice
≥ 95 Excelente
<95 e ≥80 Boa
<80 e ≥65 Regular
<65 e ≥45 Ruim
<45 Péssima

Fonte ̶ adaptado de CETESB (2017) e CCME (2001).

Para chegar ao valor final do índice, aplicam-se as três fórmulas descritas no


item 3.6. Assim, para a Abrangência (F1), o cálculo foi desenvolvido da seguinte
maneira:

𝑁°S𝑑𝑒S𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠S𝑛ã𝑜S𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒𝑠
𝐹1 = ( ) S𝑥S100
𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙S𝑑𝑒S𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠S𝑞𝑢𝑒S𝑎𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎𝑚S𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠S𝑑𝑒S𝑡𝑜𝑙𝑒𝑟â𝑛𝑐𝑖𝑎

O número total de variáveis que apresentam valores de tolerância estabelecidos pela


Resolução CONAMA 357/2005 para corpos de águas salobras classe 1 adotados
neste estudo foram dez, a saber: O.D., pH, Nitrogênio Amoniacal, E. coli, Fósforo
Total, Nitrito, Nitrato, Sulfeto, Detergentes/Las e Fosfato. Porém, apenas sete destes
apresentaram desconformidade com a legislação: O.D., pH, E. coli, Nitrato, Sulfeto,
138

Detergentes/Las e Fosfato. Assim, obteve-se o seguinte valor para F1:


7
𝐹1 = ( ) S𝑥S100
10

𝐹1 = S70

Para a Frequência das Desconformidades (F2), dividiu-se o número total de


análises não conformes pelo número total de análises que apresentam valores de
referência, e o resultado foi multiplicado por 100, da seguinte forma:

𝑁°S𝑑𝑒S𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒𝑠S𝑛ã𝑜S𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒𝑠
𝐹2 = ( ) 𝑥S100S
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜S𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙S𝑑𝑒S𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒𝑠S𝑑𝑒S𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠S𝑐𝑜𝑚S𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠S𝑑𝑒S𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎

453
𝐹2 = ( ) 𝑥S100
1540

𝑭𝟐 = 𝟐𝟗, 𝟒𝟏

Para o terceiro passo, Amplitude da desconformidade (F3), foi necessário


realizar cálculos em separado para cada parâmetro. Primeiramente se obteve o
Desvio (D) de cada parâmetro em relação ao seu valor de referência, através da
seguinte fórmula:

𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜S𝑑𝑎S𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒S𝑛ã𝑜S𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒S𝑝𝑎𝑟𝑎S𝑜S𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜S𝑒𝑚S𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜
𝐷 =S( ) − S1 , para casos
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟S𝑑𝑒S𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎S𝑑𝑜S𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜S𝑒𝑚S𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜

em que o valor de referência era um valor máximo.

𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟S𝑑𝑒S𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎S𝑑𝑜S𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜S𝑒𝑚S𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜
𝐷 = S (𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜S𝑑𝑎S𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒S𝑛ã𝑜S𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒S𝑝𝑎𝑟𝑎S𝑜S𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜S𝑒𝑚S𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜) − S1 , para casos

em que o valor de referência é um valor mínimo (por exemplo, para o O.D.)

Portanto, a Somatória (S) dos desvios obtidos em cada um dos dez parâmetros
foi aplicada na fórmula seguinte:

∑𝑛𝑖=1 𝐷
𝑆=( )
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜S𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙S𝑑𝑒S𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒𝑠S𝑑𝑒S𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠S𝑐𝑜𝑚S𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠S𝑑𝑒S𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎
139

268,722
𝑆=( )
1540

𝑺 = 𝟎, 𝟏𝟕𝟒𝟒

Finalmente, com o valor de S, procede-se à fórmula para a obtenção e F3 -


amplitude, tal como exposto a seguir:

𝑆
𝐹3 = ( )
0,01𝑆 + 0,01

0,1744
𝐹3 = ( )
0,001744 + 0,01

0,1744
𝐹3 = ( )
0,011744

𝑭𝟑 = 𝟏𝟒, 𝟖𝟓

Com os valores de F1, F2 e F3, pode-se proceder à equação proposta pelo


CCME (2001) para resultar em um valor compilado que expresse a qualidade da água
costeira da Lagoa de Ibiraquera. Assim resultando em:

√(𝐹12 + 𝐹22 + 𝐹32 )


𝐼𝑄𝐴𝐶 = 100 − [ ]
1,732

√(702 + 29,412 + 14,852 )


𝐼𝑄𝐴𝐶 = 100 − [ ]
1,732

𝐼𝑄𝐴𝐶 = 100 − 44,67

𝑰𝑸𝑨𝑪 = 𝟓𝟓, 𝟑𝟑

Comparando com o quadro 13, o valor de IQAC encontrado para a Lagoa de


140

Ibiraquera se enquadrou como ruim, caracterizando águas em estados de


deterioração. Contudo, salienta-se que a Lagoa de Ibiraquera ainda não foi
classificada pelo comitê da Bacia do Rio Tubarão e a classificação como águas
salobras classe 1 parte do pressuposto legislativo da resolução CONAMA 357 que
trata os corpos d’água salobras não enquadrados como de classe 1 (BRASIL, 2005),
sendo esta a segunda classe mais restritiva, ou seja, com valores qualitativos mais
exigentes. Assim, os valores de referências acabam resultando em um IQAC muito
baixo. Portanto, faz-se necessário o enquadramento correto embasado em um estudo
sólido quanto aos usos da Lagoa de Ibiraquera.

Adotando-se a classificação como ruim obtida com este índice, se percebeu


que os parâmetros mais alarmantes e que contribuíram bastante para tal resultado
foram E. coli, fosfato, sulfeto e detergentes/Las. Os valores acima do valor de
referência podem denotar múltiplas fontes de contaminação, em especial resultante
da ocupação desordenada e da falta de tratamento dos efluentes sanitários do entorno
do corpo lagunar.
141

6. PRODUTO DESENVOLVIDO

O produto gerado a partir da elaboração deste trabalho se constituiu de um


relatório técnico intitulado Relatório da Qualidade da Água da Lagoa de Ibiraquera
– SC, no período jul/2019 a jun/2020, conforme declaração em anexo 1. Tal
documento apresenta os mesmos dados obtidos nesta pesquisa, porém expostos de
maneira menos densa, visando o melhor entendimento pela comunidade de Ibiraquera

Este documento foi entregue à Prefeitura de Imbituba com o fim de auxiliar na


gestão da Lagoa de Ibiraquera e na tomada de decisões a respeito do monitoramento
do corpo hídrico. Além disso, o trabalho será apresentado à Comissão da Agenda 21
Local que atua na região da Lagoa de Ibiraquera e ao Centro Comunitário de
Ibiraquera na primeira reunião de 2021.

O produto visa, desta forma, informar e sugerir medidas para melhorar as


condições ambientais da laguna, da mesma forma que as exposições e conversas
que norteiam o mesmo visa ouvir os relatos pela comunidade local e questionar o
poder público local acerca de melhorias que podem ser tomadas, especialmente
quanto à regularização das residências às margens da laguna e quanto ao
monitoramento frequente das características do corpo hídrico.
142

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O comportamento do sistema lagunar da Lagoa de Ibiraquera é complexo,


tendo em vista a pressão antrópica tanto por parte da ocupação urbana e uso de solo,
quanto pelas alterações de abertura e fechamento da barra que a conecta ao mar.

Os parâmetros microbiológicos foram os mais preocupantes, especialmente a


E. coli, que, de maneira geral, se apresentou em maiores concentrações na Lagoa de
Baixo. Os limites de detecção podem ter ocultado os dados reais para tais parâmetros.
Assim, sugere-se que um monitoramento contínuo e amostragem adequada conforme
Resolução CONAMA 274/2009, por parte dos órgãos públicos interessados, em
espacial à Prefeitura de Imbituba e ao Instituto de Meio Ambiente de SC, tendo em
vista que os coliformes podem comprometer a saúde de quem usufrui da Lagoa de
Ibiraquera para balneabilidade.

Os parâmetros turbidez, E. coli, coliformes totais, sulfeto e sílica se


apresentaram mais elevados em períodos de barra fechada. Em contrapartida, os
parâmetros pH, oxigênio dissolvido, salinidade e condutividade elétrica, sólidos
dissolvidos totais e potássio se apresentaram mais baixos no mesmo período. Tais
variações apresentaram respostas mais notáveis à dinâmica de abertura e
fechamento da barra, que pode ser considerada como a alteração antrópica de reflexo
mais rápido que implica em variações da qualidade da água na laguna.

Percebeu-se que em períodos de barra fechada ocorre um piora na qualidade


da água, especialmente elencando os parâmetros mencionados. Contudo, a questão
não está em abrir ou não a barra de Ibiraquera, porque mesmo que os resultados
apresentam melhoras em períodos de barra aberta, os lançamentos clandestinos
ocorrem em todo ano e essa melhora só mascara a verdadeira fonte do problema:
lançamentos clandestinos de esgoto. Portanto, sugere-se que a solução parta da
Prefeitura de Imbituba e de demais órgãos competentes, para implantar medidas
corretivas e de fiscalização e regularização de redes de esgoto, pelo menos, nas
residências às margens da laguna.

De maneira geral, percebeu-se que em meses de verão (dezembro a fevereiro),


a concentração de coliformes totais, E. coli, nitrito, nitrato, nitrogênio amoniacal e
143

fosfato é maior na Lagoa de Ibiraquera, o que pode ser propiciado pelo aumento de
contingente populacional, especialmente de turistas, nestas épocas.

Os parâmetros detergentes/las, fosfato, sulfeto e E. coli foram os parâmetros


que mais apresentaram valores desconformes com a legislação, em ordem
decrescente do número de amostras.

A precipitação apresentou baixa contribuição na variação de parâmetros de


qualidade da água, se correlacionando somente com o oxigênio dissolvido, com a
DBO, com o fosfato, com o fósforo total e com a sílica. Tal resultado está atrelado
principalmente à disposição e matéria orgânica inerente à precipitação, ou seja, a
pluviosidade na região influi de maneira branda no aporte de carga orgânica no leito
lagunar, além da erosão de sílica do solo.

O setor da Lagoa de Baixo apresentou maiores valores de E. coli, de fósforo


total e potássio; a Lagoa de Cima se destacou com maior concentração de coliformes
totais, DBO e fosfato; a Lagoa do Meio apresentou maiores valores de nitrato,
Condutividade Elétrica, de O.D., de Sólidos Totais; enquanto que a Lagoa do Saco
apresentou maiores valores de, Nitrito, Sílica, detergentes/las e pH mais básico; As
Lagoas de Baixo e do Saco apresentaram valores semelhantes de sulfetos, de modo
de geral, e mais elevados se comparado aos demais setores.

O IQAC empregado condenou uma qualidade de água considerada ruim. Assim,


de modo geral, faz-se necessário maior atenção por parte dos órgãos públicos quanto
ao monitoramento da qualidade do sistema lagunar e na adoção de medidas
emergenciais para frear a deterioração da Lagoa de Ibiraquera. Além disso, há certa
urgência quanto ao enquadramento do corpo hídrico por parte do comitê que gerencia
a Bacia do Rio Tubarão, para, de fato, se obter padrões exatos quanto aos seus usos
preponderantes.
144

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154

ANEXO 1 – Declarações de Recebimento de Produto deste Estudo


155
156
157

ANEXO 2 – Relatório Técnico de Qualidade da Água


RELATÓRIO TÉCNICO

CARACTERIZAÇÃO ESPAÇO-SAZONAL DA QUALIDADE DA ÁGUA


NA LAGOA DE IBRAQUERA – SC

Julho/2019 a Junho/2020

FLORIANÓPOLIS
OUTUBRO DE 2020
ARTHUR DANIEL REPOLHO VALENTE SOBRAL

CARACTERIZAÇÃO ESAÇO-SAZONAL DA QUALIDADE DA ÁGUA NA LAGOA DE


IBRAQUERA - SC

Produto tecno-científico
obtido a partir da parceria
entre o Instituto Federal de
Santa Catarina – Campus
Florianópolis e Garopaba –
com a Prefeitura Municipal
de Imbituba e o Consórcio
Intermunicipal de
Saneamento Ambiental
CISAM-Sul como resultado
do projeto de Mestrado
Profissional em Clima e
Ambiente.

Florianópolis
Outubro de 2020
Realização:

MESTRADO PROFISSIONAL EM CLIMA E AMBIENTE

INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA

PREFEITURA MUNICIPAL DE IMBITUBA

CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE SANEAMENTO


AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Eduardo Cargnin Ferreira, e à minha co-orientadora, Renata


El Hage Meyer, por toda articulação, orientação, instrução e investimento financeiro
para a elaboração deste trabalho.
Às técnicas do laboratório do IFSC campus Garopaba por todo o auxílio nas
análises e pelas saídas de campo para coletas.
Aos profissionais do Cisam-Sul e da Prefeitura de Imbituba, por todo o suporte
tecno-científico e financeiro na execução deste projeto.
À EPRAGI/CIRAM, pela disponibilidade em fornecer dados meteorológicos que
foram de extrema importância para o andamento dessa pesquisa.
Aos companheiros de laboratório por todo o suporte durante as análises.
Ao Instituto Federal de Santa Catarina e ao Programa de Mestrado Profissional
em Clima e Ambiente pela oportunidade de fazer parte deste curso enriquecedor e por
todo o aparato tecno-científico e financeiro para a realização desta pesquisa.
Por fim, e não menos importante, a toda a comunidade de Ibiraquera, pela
possibilidade de atuar e fazer ciência em uma região tão espetacular!
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 -- Localização da Lagoa de Ibiraquera e pontos de coleta. .................................. 18


Figura 2 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo da área da Lagoa de Ibiraquera. ................. 27
Figura 3 - Comparação de valores de precipitação acumulada de 15 dias anteriores às
coletas e precipitação total mensal. ..................................................................................... 34
Figura 4 - Valores de médias de temperatura do ar diárias e mensais. ............................... 37
Figura 8 – Variação de pH no decorrer das coletas. ............................................................ 40
Figura 9 – Comportamento de pH em todos os pontos no decorrer das coletas. ................ 40
Figura 10 – Variação de temperatura no decorrer das coletas. ........................................... 43
Figura 11 – Comportamento da temperatura em todos os pontos no decorrer das coletas. 44
Figura 12– Variação de turbidez obtidos durante o período de coletas. .............................. 47
Figura 13 – Comportamento da turbidez em todos os pontos no decorrer das coletas. ...... 47
Figura 14 – Variação de oxigênio dissolvido no decorrer das coletas. ................................. 50
Figura 15 – Comportamento do oxigênio dissolvido em todos os pontos no decorrer das
coletas. ................................................................................................................................ 51
Figura 16 – Variação da salinidade no decorrer das coletas. .............................................. 53
Figura 17– Comportamento da salinidade em todos os pontos no decorrer das coletas. .... 54
Figura 18 – Variação da condutividade elétrica no decorrer das coletas. ............................ 55
Figura 19 – Comportamento da condutividade elétrica em todos os pontos no decorrer das
coletas. ................................................................................................................................ 55
Figura 20 – Variação da D.B.O. no decorrer das coletas. .................................................... 58
Figura 21 – Comportamento da D.B.O. em todos os pontos no decorrer das coletas. ........ 58
Figura 22 – Variação da sólidos dissolvidos totais no decorrer das coletas (mg/L).............. 60
Figura 23 – Comportamento da sólidos dissolvidos totais em todos os pontos no decorrer
das coletas (mg/L). .............................................................................................................. 61
Figura 24 – Variação de nitrogênio amoniacal no decorrer das coletas (mg/L). ................... 63
Figura 25 – Comportamento de N. A. em todos os pontos no decorrer das coletas (mg/L). 63
Figura 26 – Variação de nitrito no decorrer das coletas. ...................................................... 65
Figura 27 – Comportamento de nitrito em todos os pontos no decorrer das coletas (em
mg/L). .................................................................................................................................. 66
Figura 28 – Variação de nitrato no decorrer das coletas...................................................... 68
Figura 29 – Comportamento de nitrato em todos os pontos no decorrer das coletas. ......... 68
Figura 30 – Variação de coliformes totais no decorrer das coletas. ..................................... 70
Figura 31 – Comportamento de coliformes totais em todos os pontos no decorrer das
coletas. ................................................................................................................................ 70
Figura 32 – Variação da E. coli no decorrer das coletas. ..................................................... 73
Figura 33 – Comportamento de E. coli em todos os pontos no decorrer das coletas. ......... 73
Figura 34 – Variação de fósforo total no decorrer das coletas. ........................................... 77
Figura 35 – Comportamento de fósforo total em todos os pontos no decorrer das coletas. 77
Figura 36 – Variação de potássio no decorrer das coletas. ................................................. 79
Figura 37 – Comportamento de potássio em todos os pontos no decorrer das coletas. ...... 79
Figura 38 – Variação de sílica no decorrer das coletas. ...................................................... 81
Figura 39 – Comportamento de sílica em todos os pontos no decorrer das coletas. ........... 82
Figura 40 – Variação de sulfeto no decorrer das coletas. .................................................... 85
Figura 41 – Comportamento de sulfeto em todos os pontos no decorrer das coletas.......... 85
Figura 42 – Variação de detergentes/las obtidos durante o período de coletas. ................. 87
Figura 43 – Comportamento de detergentes(Las) em todos os pontos no decorrer das
coletas. ................................................................................................................................ 87
Figura 44 – Variação de fosfato no decorrer das coletas. .................................................... 90
Figura 45 – Comportamento de fosfato em todos os pontos no decorrer das coletas. ........ 90
Figura 46 – Dendograma resultante da análise de cluster entre os 14 pontos amostrados. 92
Figura 47 - Biplot de ACP dos setores lagunares e das variáveis de qualidade da água
abordadas nesta análise. ................................................................................................... 100
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Pontos de coleta, suas coordenadas geográficas e elevação do terreno. ........... 20


Tabela 2– Valores de pH obtidos durante o período de coletas. .......................................... 38
Tabela 3 – Valores de temperatura obtidos durante o período de coletas. ........................... 42
Tabela 4 – Valores de turbidez obtidos durante o período de coletas. ................................. 46
Tabela 5 – Valores de oxigênio dissolvido obtidos durante o período de coletas. ................ 49
Tabela 6 – Valores de salinidade obtidos durante o período de coletas. .............................. 52
Tabela 7 – Valores de condutividade elétrica obtidos durante o período de coletas............. 54
Tabela 8 – Valores de D.B.O. obtidos durante o período de coletas. ................................... 57
Tabela 9 – Valores de sólidos dissolvidos totais obtidos durante o período de coletas. ...... 59
Tabela 10 – Valores de nitrogênio amoniacal obtidos durante o período de coletas (mg/L). 62
Tabela 11 – Valores de nitrito obtidos durante o período de coletas, em mg/L. ................... 64
Tabela 12 – Valores de nitrato obtidos durante o período de coletas. .................................. 67
Tabela 13 – Valores de coliformes totais obtidos durante o período de coletas. .................. 69
Tabela 14 – Valores de E. coli obtidos durante o período de coletas. .................................. 71
Tabela 15 – Valores de fósforo total obtidos durante o período de coletas. ......................... 76
Tabela 16 – Valores de potássio obtidos durante o período de coletas. ............................... 78
Tabela 17 – Valores de sílica obtidos durante o período de coletas. .................................... 80
Tabela 18 – Valores de sulfeto obtidos durante o período de coletas. ................................. 83
Tabela 19 – Valores de detergentes obtidos durante o período de coletas. ........................ 86
Tabela 20 – Valores de fosfato durante o período de coletas............................................... 89
Tabela 21 – Variações de parâmetros mais notáveis em detrimento da sazonalidade e da
dinâmica de fechamento da barra. ....................................................................................... 91
LISTA DE QUADROS

Quadro 1– Classes de uso da água de acordo com a Resolução 375/2005 do CONAMA


(BRASIL, 2005).................................................................................................................... 14
Quadro 3 ̶ Parâmetros e métodos analíticos utilizados. .................................................... 24
Quadro 4 - Matriz de correlação de Spearman entre as variáveis em estudo. Conteúdo das
células: Rô de Spearman (superior) e Valor-p (inferior)........................................................ 31
Quadro 5 ̶ Correlações significativas entre variáveis meteorológicas e variáveis de
qualidade da água. .............................................................................................................. 32
Quadro 6 ̶ Valores de precipitação durante o período amostral. ....................................... 34
Quadro 7 - Valores de temperatura do ar durante o período amostral. ............................... 36
Quadro 8 - Valores de dissimilaridade entre os pontos medidos através da distância
euclidiana (m). ..................................................................................................................... 93
Quadro 9 - Valores de máxima, média, mínima e desvio padrão de todos os parâmetros dos
grupos obtidos por análise em cluster. ................................................................................. 95
Quadro 10 – Pontos amostrais utilizados para setorização da laguna na ACP. ................... 98
Quadro 11 ̶ Valores de variância e de autovalor para cada componente. ......................... 99
Quadro 12 - Correlação entre as variáveis e respectivos fatores extraídos da ACP. ........... 99
Quadro 13 - Categorias de qualidade da água do IQAC. .................................................. 101
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRAPPESQ – Associação Brasileira de Pisicultores e Pescadores


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ACP – Análise de Componentes Principais
APHA – American Public Health Association
APP – Área de Preservação Permanente
ANA – Agência Nacional de Águas
Cfa - Clima Subtropical
CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente
CCME – Canadian Council of Ministers of the Environment
CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
CPTEC – Centro de Previsão ee Tempo e Estudos Climáticos
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
CRQ – Conselho Regional de Química
DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz De Queiroz
FAPESP – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo
FUNASA – Fundação Nacional da Saúde
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IFSC – Instituto Federal de Santa Catarina
INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
IQAC – Índice de Qualidade da Água Costeira
K – Potássio
N. A. – Nitrogênio Amoniacal
MMA – Ministério do Meio Ambiente
NMP – Número Mais Provável
O.D. – Oxigênio Dissolvido
pH – Potencial Hidrogeniônico
PNRH – Política Nacional de Recursos Hídricos
P.T. – Fósforo Total
SES – Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo
SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
S.D.T. – Sólidos Dissolvidos Totais
VMP – Valor máximo permitido
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 11
2. OBJETIVOS........................................................... Erro! Indicador não definido.
2.1. Objetivo geral ..................................................... Erro! Indicador não definido.
2.2. Objetivos Específico ........................................... Erro! Indicador não definido.
3. EMBASAMENTO LEGAL ................................................................................... 14
4. METODOLOGIA ................................................................................................. 17
4.1. Área de Estudo ................................................................................................ 17
4.2. Levantamento Bibliográfico ................................... Erro! Indicador não definido.
4.3. Delineamento Experimental ............................................................................... 20
4.3. Obtenção de Dados......................................................................................... 21
4.4. Procedimentos em Campo .............................................................................. 22
4.5. Análises dos Parâmetros ................................................................................. 23
4.6. Análise Estatística ........................................................................................... 25
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................ 26
5.1. Uso e Ocupação do Solo ................................................................................. 26
5.2. Correlação de Parâmetros Estudados ............................................................. 29
5.3. Variação espaço-sazonal dos parâmetros estudados ..................................... 33
5.4. Compilação de variações mais relevantes ...................................................... 90
5.5. Análise de Cluster ou Análise de Agrupamento .............................................. 92
5.6. Análise dos Componentes Principais – ACP ................................................... 98
5.7. Índice de Qualidade das Águas Costeiras – IQAC ........................................ 101
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 105
11

1. INTRODUÇÃO

Devido à localização privilegiada que provê recursos naturais e econômicos, os


ambientes costeiros tem sido alvo de grande pressão populacional em processos de
ocupação a nível mundial (SHI; SINGH; 2003). Tais processos resultam em impactos
ambientais de origem antropogênica que afetam diretamente essas áreas, e que tem
como causas corriqueiras o uso e ocupação do solo, a navegação, o despejo de
efluentes, dentre outros. No Brasil, o litoral foi a primeira porção a ser colonizada, cujo
processo de ocupação se deu de maneira diferente em diversos trechos (MORAES,
2007). Esse processo segue até atualmente em acelerado adensamento populacional,
o que põe a zona costeira e seus ecossistemas em maiores riscos de impactos
ambientais. De acordo com Cohenca (2017), o litoral de Santa Catarina, vem sendo
ocupado principalmente devido a fatores como a especulação imobiliária, o aumento
no número de indústrias, a ampliação da infraestrutura, dentre outros. Vale ressaltar
que o turismo é um grande contribuinte desses fatores. Assim, faz-se necessária
devida atenção quanto ao processo de ocupação para se tomarem medidas
cautelosas para com os ambientes costeiros, dentre os quais está o ambiente lagunar.

Sabendo-se que lagunas são corpos de águas calmas e de baixas


profundidades que mantém comunicação, pelo menos intermitente, com o mar
(SUGUIO et al. 1985), elas estão suscetíveis aos processos antropogênicos
ocasionados pela ocupação no litoral e à poluição e alteração dos parâmetros de
qualidade de suas águas, especialmente, por reterem compostos de origem orgânica
e inorgânica carreados por contribuintes fluviais, onde atuam como “filtros” da
drenagem continental, como afirma Kjerfev (1994). Concomitantemente, vale salientar
que a precipitação e a temperatura do ar atuam diretamente nos processos químico-
físicos e biológicos que envolvem um corpo lagunar, se constituindo como um
importantes fenômenos do ciclo hidrológico, promovendo alterações significativas no
ambiente por meio da erosão do solo, transporte de poluentes de origem difusa,
carreamento de material particulado e de nutrientes, em diferentes escalas espaciais
de acordo com o uso e ocupação do solo, e alterações nas taxas de reações químicas.
A Lagoa de Ibiraquera, situada entre as cidades de Imbituba e Garopaba, na
mesorregião sul do estado de Santa Catarina, se constitui de uma laguna (apesar do
nome popular “Lagoa”) por ter ligação com o mar através da abertura esporádica de
12

sua desembocadura. Dentre os seus usos, estão a atividades turísticas e recreativas,


a pesca e o valor paisagístico, o que a caracteriza como um corpo estuarino
importante para a biota local e para a população que faz uso dos seus recursos. Ainda
de acordo com estudos de Bonetti e colaboradores (2005), a desembocadura é aberta
esporadicamente de maneira não natural de modo com que o excesso de água no
interior da laguna extravase em épocas de cheia e que haja o fluxo de espécies de
interesse econômico/social entre os distintos ambientes.

Frisa-se que a laguna está situada em área de grande potencial turístico, que
vem sendo explorado desde meados de 1970 (SEIXAS, 2002). Destaca-se o valor
paisagístico, o potencial para o ecoturismo, e para esportes náuticos, como windsurfe,
kitesurf, Stand Up Paddle, canoagem, e pesca esportiva. Em meses de verão,
especialmente, a região atrai grande contingente populacional. Segundo a pela
Prefeitura Municipal de Imbituba (2015), a estimativa da população flutuante para a
cidade de Imbituba em 2020 seria de 33.490 habitantes, o que corresponde a um
incremento de aproximadamente 72% em relação à população fixa da cidade, o que
evidencia o aporte populacional que a região recebe em meses de alta temporada, no
verão.
Assim, o presente trabalho visa analisar e monitorar a qualidade das águas da
Lagoa de Ibiraquera no decorrer de um ano (julho de 2019 a junho de 2020),
considerando a influência de variáveis meteorológica nas diferentes estações e a
sazonalidade populacional da região.

Assim, o presente trabalho visa analisar e monitorar a qualidade das águas da


Lagoa de Ibiraquera no decorrer de um ano (julho de 2019 a junho de 2020),
considerando a influência de variáveis meteorológica nas diferentes estações e a
sazonalidade populacional da região. Objetiva-se também o uso de técnicas
estatísticas e o Índice de Qualidade de Água Costeira (IQAC) para elucidar
informações da qualidade da laguna. A partir dos resultados, pretende-se elencar
sugestões ao poder público e à comunidade em geral, a fim de se obter medidas de
conservação do ambiente.
13

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo geral

Analisar a qualidade das águas da Lagoa de Ibiraquera em um período de um


ano, em conjunto com elementos climáticos e com a sazonalidade da região, a fim de
caracterizar as alterações e suas causas.

2.2. Objetivos Específico

▪ Analisar parâmetros físico, químicos e biológicos de qualidade da água;


▪ Analisar parâmetros meteorológicos;
▪ Gerar Índice de Qualidade de Água Costeira;
▪ Caracterizar o uso e ocupação do solo às margens da laguna;
▪ Analisar comportamento dos parâmetros de qualidade da água em relação
à dinâmica de abertura e fechamento da barra da laguna;
▪ Analisar a qualidade da água em relação aos meses de alta temporada na
região.
14

3. EMBASAMENTO LEGAL

➢ Lei n° 9.433 , de 8 de janeiro de 1997 – institui a Política Nacional de Recursos


Hídricos (PNRH), cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídri-
cos.

➢ Resolução CONAMA n° 357 de 2007 – dispõe sobre a classificação dos corpos


de água e dá diretrizes legais para o seu enquadramento, bem como estabelece
as condições e padrões de lançamento de efluentes. Esta normativa classifica
os corpos d’água em trezes classes, a saber, no quadro 1:

Quadro 1– Classes de uso da água de acordo com a Resolução 375/2005 do CONAMA (BRASIL, 2005)
Usos Preponderantes
Classes Águas doces Águas Salgadas Águas Salobras
Classe a) Abastecimento para con- a) Preservação dos ambi- a) Preservação dos am-
Especial sumo humano com desinfec- entes aquáticos em unida- bientes aquáticos em
ção; des de conservação de unidades de conserva-
b) Preservação e equilíbrio na- proteção integral; ção de proteção inte-
tural das comunidades aquáti- b) Preservação do equilí- gral;
cas; brio natural das comunida- b) Preservação do equi-
c) Preservação dos ambientes des aquáticas. líbrio natural das comu-
aquáticos em unidades de con- nidades aquáticas.
servação de proteção integral;
Classe 1 a) Abastecimento para con- a) Recreação de contato a) Recreação de con-
sumo humano, após trata- primário; tato primário, conforme
mento simplificado; b) Proteção das comunida- Resolução CONAMA
b) Proteção das comunidades des aquáticas; no 274, de 2000;
aquáticas; c) Aquicultura e a atividade b) Proteção das comu-
c) Recreação de contato primá- de pesca. nidades aquáticas;
rio. c) Aquicultura e a ativi-
d) Irrigação de hortaliças que dade de pesca;
são consumidas cruas e de fru- d) Abastecimento para
tas que se desenvolvam rentes consumo humano após
ao solo e que sejam ingeridas tratamento convencio-
cruas sem remoção de pelí- nal ou avançado;
cula; e) Irrigação de hortali-
e) Proteção das comunidades ças que são consumi-
aquáticas em Terras Indíge- das cruas e de frutas
nas. que se desenvolvam
rentes ao solo e que se-
jam ingeridas cruas
sem remoção de pelí-
cula, e a irrigação de
parques, jardins, cam-
pos de esporte e lazer,
com os quais o público
possa vir a ter contato
direto.
Classe 2 a) Abastecimento para con- a) Pesca amadora; a) Pesca amadora;
sumo humano, após trata- b)Recreação de contato b) Recreação de con-
mento convencional; secundário. tato secundário.
b) Proteção das comunidades
aquáticas;
15

c) Recreação de contato primá-


rio;
d) Irrigação de hortaliças, plan-
tas frutíferas e de parques, jar-
dins, campos de esporte e la-
zer, com os quais o público
possa vir a ter contato direto;
e) Aquicultura e à atividade de
pesca.
Classe 3 a) Abastecimento para con- a) Navegação; a) Navegação;
sumo humano, após trata- b) Harmonia paisagística. b) Harmonia paisagís-
mento convencional ou avan- tica.
çado;
b) Irrigação de culturas arbó-
reas, cerealíferas e forrageiras;
c) Pesca amadora; d) Recrea-
ção de contato secundário;
e) Dessedentação de animais.
Classe 4 a) Navegação;
b) Harmonia paisagística.
Fonte: Adaptado da Resolução Conama 357/2005 (BRASIL, 2005)

➢ Lei n° 12.651, de 25 de maio de 2012 – institui o Novo Código Florestal, que dispõe
e estabelece normas sobre a proteção de vegetação nativa, de áreas de Preser-
vação Permanente e de Reserva Legal, objetivando o desenvolvimento sustentá-
vel (BRASIL, 2012). Em seu Artigo 3°, parágrafo II, o texto aborda as Áreas de
Preservação Permanentes – APP, como sendo áreas de vegetação nativa ou não
que devem ser protegidas visando a função ambiental de preservação dos recur-
sos hídricos, dentre outros. Assim, é delimitado uma faixa marginal aos corpos
d’água de acordo com a largura ou área de lâmina d’água. No caso dos rios, por
exemplo, sejam eles intermitentes, isto é, que secam ou que não correm durante
todo o ano, ou perenes, que mantém seu curso sempre, é estabelecida a proteção
de uma faixa de 30 m de vegetação para rios de menos de 10 m de largura. O
tamanho do APP aumenta à medida que mais largo for o rio. Também é garantido
zonas de APP para os entornos de lagos naturais, sendo de 30 m em zonas urba-
nas e 100 m em zonas rurais; e para o entorno de nascentes ou olhos d’água é
garantida APP de 50 m. Tais medidas, quando respeitadas, garantem a manuten-
ção da biota aquática, a fixação geológica das áreas adjacentes e a infiltração da
água das chuvas, abastecendo o lençol freático, além de impedirem o assorea-
mento dos corpos d’água e a lixiviação de nutrientes, sólidos e poluentes aos rios
e lagos.
16

➢ Portaria n° 2.914 de 12 de dezembro de 2011 do Ministério da Saúde – dispõe


dispõe sobre os procedimentos e controle de vigilância da qualidade da água para
consumo humano e seu padrão de potabilidade.

➢ Portaria de Consolidação n° 5, de 28 de setembro de 2017, do Ministério da Saúde


– consolida normas sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de
Saúde. Nestes instrumentos legislativos, encontram-se padrões de parâmetros fí-
sico-químicos e microbiológicos para águas de consumo humano submetida a tra-
tamentos, bem como instruções quanto a trâmites para outorga e uso de água em
sistemas e soluções alternativas de abastecimento coletivo destinadas ao con-
sumo humano.

➢ Resolução CONAMA n° 274 de 29 de novembro de 2000 – define os critérios de


balneabilidade em águas brasileiras. De acordo com esta normativa, as águas do-
ces, salobras e salinas tem suas condições avaliadas nas categorias própria e im-
própria para fins de balneabilidade, ou seja, de contato primário. O principal indi-
cador para essa classificação é a densidade de bactérias fecais encontradas nas
análises dos corpos hídricos, tendo três indicadores microbiológicos previstos na
legislação: coliformes termotolerantes, Escherichia coli e enterococos. Dentre as
águas classificadas como próprias, ainda há uma subdivisão de categorias: a) Ex-
celente: quando 80% ou mais das amostras colidas em 5 semanas apresentem,
no máximo, 250 coliformes fecais ou 200 E. coli ou 25 enterococos por 100 mL; b)
Muito Boa: quando 80% ou mais das amostras colidas em 5 semanas apresentem,
no máximo, 500 coliformes fecais ou 400 E. coli ou 50 enterococos por 100 mL; c)
Satisfatória: quando 80% ou mais das amostras colidas em 5 semanas apresentem,
no máximo, 1000 coliformes fecais ou 800 E. coli ou 100 enterococos por 100 mL.
Ainda, de acordo com a mesma normativa, as águas são consideradas impróprias,
quando, no local avaliado, ocorrer: o não atendimento dos critérios estabelecidos
para águas próprias; o valor obtido na última amostragem for acima de 2500 coli-
formes fecais ou 2000 E. coli ou 400 enterococos por 100 mL; incidência elevada
ou anormal de enfermidades transmissíveis por via hídrica na região; presença de
resíduos ou despejos sólidos e líquidos prejudiciais à recreação; pH menor que 6
ou maior que 9, floração de organismos potencialmente prejudiciais; outros fatores
que contra-indiquem a recreação.
17

4. METODOLOGIA

4.1. Área de Estudo

A Lagoa de Ibiraquera se situa no litoral da região centro-sul do estado de Santa


Catarina, sendo sua maior parte situada no município de Imbituba, ao sul, e parte em
Garopaba, ao norte, entre as coordenadas 28º05’05’’ e 28º11’42’’de latitude Sul e
48º37’24’’ e 48º42’06’’de longitude Oeste. Os dois municípios, ao todo, totalizam uma
população estimada de cerca de 67 mil pessoas (IBGE, 2017). A Lagoa de Ibiraquera
se insere na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão, dentro da Sub-bacia do Rio D’una e
Complexo Lagunar, de acordo com Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e
Complexo Lagunar (2008). Ressalta-se que a Lagoa de Ibiraquera está em processo
de enquadramento junto à bacia a qual pertence. Logo, de acordo com seus usos
preponderantes e com a Resolução CONAMA 357, em seu art. 42, que cita que:
“Enquanto não aprovados os respectivos enquadramentos, as águas doces serão
consideradas classe 2, as salinas e salobras classe 1” (BRASIL, 2005), ela pode ser
considerada como de água salobra classe 1.

A lâmina de água da laguna cobre uma área de aproximadamente 869 ha e


possui profundidade média de 2 m, atingindo profundidade máxima de 4 m em alguns
pontos (SEIXAS, 2002; BONETTI, BONETTI, BELTRAME, 2005).

A estrutura geomorfológica da Lagoa de Ibiraquera é evidenciada na figura 1,


cuja qual é subdivida em quatro partes/setores chamados localmente de Lagoa de
Cima, Lagoa do Meio, Lagoa de Baixo e Lagoa do Saco.
18

Figura 1 -- Localização da Lagoa de Ibiraquera e pontos de coleta.

Fonte ̶ Imagens do google Earth.

4.1.1 Clima e Geologia

Segundo Cavalcanti e colaboradores (2009), o clima na região apresenta


grandes contrastes de temperatura e precipitação principalmente devido à sua
condição geográfica, situada em meio a uma transição entre trópicos e em latitudes
médias. Além disso ainda há um relevo marcante na região.

A região é regida sob o clima subtropical úmido (cfa), e tem temperaturas


médias/ano entre 19 e 20 °C, com médias mínimas anuais de 8°C durante o inverno
e médias máximas anuais de 27 °C durante o verão, e sua precipitação média/ano é
de 1500-1700 mm (PANDOLFO et al, 2002). Essas grandes variações se devem ao
fato de se tratar de região subtropical, suscetível a alterações de temperatura do ar e
de incidência de radiação ao longo do ano, dependendo da estação. Segundo Bonetti,
Bonetti e Beltrame (2005), os ventos que predominam ne região são os de quadrante
nordeste com 12 Km/h de intensidade média e ainda há incidência de ventos de sul
mais intensos, embora menos frequentes. Tal regime de ventos é regido pelo sistema
19

de Alta do Atlântico Sul (ASAS). Rodrigues, Franco e Sugahara (2004) evidenciaram


uma climatologia com médias de 3 a 4 frentes frias por mês que atingem o litoral de
Santa Catarina, com predominância de padrão de movimento de sudoeste para
nordeste, com maiores intensidades na primavera e no inverno. As baixas
profundidades da Lagoa de Ibiraquera propiciam forte influência de agentes
climatológicos na lâmina d’água, promovendo flutuações nos parâmetros de qualidade
de suas águas, como afirmam Bonetti, Bonetti, e Beltrame (2005), em estudo realizado
na mesma laguna.

A geologia da área onde se situa a Lagoa de Ibiraquera foi formada a partir de


transgressões marinhas ocorridas durante o período Quaternário, que compreende
desde 2,6 milhões até 10 mil anos atrás (LALANE; MARIMON, 2009), especialmente
da época holocênica (10 mil anos atrás). Assim, o terreno no entorno da laguna é
composto especialmente por depósitos praiais marinhos e eólicos constituídos de
areias marinhas quartzosas, recobertas por sedimentos carreados pela ação dos
ventos; bem como por depósitos fluviolagunares constituídos de areias e lamas
lagunares mesclados com detritos orgânicos e cascalhos, de acordo com informações
obtidas a partir de carta geológica (CPRM - Serviço Geológico do Brasil, 2000). Ainda
de acordo com o documento, o terreno mais próximo à desembocadura e à Lagoa do
Saco se constitui de Granito Paulo Lopes. Em relação ao seu fundo, na maior parte é
arenoso, segundo estudos de Seixas (2002).

4.1.2. Aspectos Socioeconômicos

A cidade de Imbituba possui uma população estimada em 2019 de 44.853


pessoas, com uma densidade demográfica de 219,59 hab/km², sendo que o município
abrange uma área de 186,787 km² e apenas 61% das residências possuem
esgotamento sanitário adequado e somente 21,2% das residências urbanas são
situadas em vias com urbanização adequada (IBGE, 2017). Além do setor turístico e
hoteleiro, e do comércio varejista, Imbituba também conta com um porto importante
para a região sul, com importações e exportações variadas. Segundo o SEBRAE
(2010), o setor de serviços está primeiro lugar em Imbituba, seguido pela indústria e,
em seguida, pela agropecuária.

Já o município de Garopaba, por sua vez, possui uma população estimada para
20

2019 de 23.078 habitantes, com densidade demográfica de 157,17 hab/km² e uma


área territorial de 114,773 km² e o esgotamento sanitário atendendo somente 46% das
residências, sendo que apenas 39,5% das residências estão situadas em ruas com
infraestrutura adequada (IBGE, 2017).

4.2. Delineamento Experimental

Um conjunto de 14 pontos foi considerado nesse estudo (figura 4), nos quais
foram realizadas as coletas das amostras de água e análises de parâmetros in situ,
mensalmente, de julho de 2019 a junho de 2020. Os pontos foram selecionados de
modo a abranger de forma bem distribuída todo o perímetro marginal da laguna,
observada em vistorias in situ e através de sensoriamento remoto por imagens de
satélites, levando-se em consideração o uso e ocupação do solo nas margens vizinha:
presença ou ausência de vegetação, área urbanizada, solo exposto, canais,
desembocadura e criação de pescado. Os pontos de coletas, suas coordenadas
geográficas e a elevação em relação ao nível do mar estão listados na tabela 1. Devido
à sua pequena área, a Lagoa do Saco só teve somente um ponto analisado.

Tabela 1 - Pontos de coleta, suas coordenadas geográficas e elevação do terreno.


Pontos de Coleta Coordenadas Geográficas Elevação (m)

P1 28º 09' 48 6" S, 48º 39' 57.9"O 2


P2 28º 09' 15.8"S, 48º 39' 13.3"O 3
P3 28º 09' 23.3"S, 48º 40' 48.2"O 2
P4 28º 09' 02.5"S, 48º 41' 01.3"O 1
P5 28° 08' 38.7"S, 48° 40' 39.1"O 2
P6 28° 08' 16.8"S, 48° 41' 14.5"O 0
P7 28° 07' 55.2"S, 48º 40' 44.8"O 0
P8 28° 07' 18.6"S, 48° 40' 51.4"O -1
P9 28° 06' 33.2"S, 48° 40' 27.5"O 0
P10 28° 06' 33.5"S, 48° 40' 03.7"O 2
P11 28° 07' 02.3"S, 48° 39' 38.0"O -2
P12 28° 07' 31.3"S, 48° 40' 03.2"O 2
P13 28° 09' 16.5"S, 48° 39' 56.6"O 0
P14 28° 08' 20.3"S, 48° 39' 33.9"O 0

Em todos os pontos foram feitas coletas de amostras de água para análises


pontuais (somente temperatura e pH) e laboratoriais de um total de 19 parâmetros
físico-químicos e microbiológicos: pH, temperatura, turbidez, salinidade,
21

condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, D.B.O., sólidos dissolvidos totais,


nitrogênio amoniacal, nitrito, nitrato, fósforo total, fosfato, potássio, sílica, sulfeto,
detergentes (LAS), coliformes totais e E. coli. Tais parâmetros foram selecionados pois
refletem características naturais do corpo hídrico que podem ser alteradas por
atividades antrópicas, por constituírem parâmetros importantes indicadores de
despejos não tratados em um corpo hídrico, e pela factibilidade e a viabilidade
financeira de tais análises. Em paralelo, foram estudadas as variáveis meteorológicas
precipitação e temperatura do ar, que, como já abordado, têm influência na dinâmica
das águas em uma laguna, a fim se verificar a possível relação entre elas e o
comportamento dos parâmetros estudados. Os parâmetros de qualidade da água
foram considerados variáveis dependentes e as variáveis meteorológicas foram
consideradas variáveis independentes.

4.2. Obtenção de Dados

Os dados para este estudo foram obtidos de duas maneiras: in situ, através de
coletas de amostras de água diretamente na Lagoa de Ibiraquera, e remotos, cedidos
pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidrometeorologia de Santa
Catarina – CIRAM/EPAGRI.

Os dados meteorológicos relevantes para o estudo foram precipitação e


temperatura do ar, os quais foram registrados pela Estação Meteorológica n° 1055
(Porto de Imbituba) e cedidos pelo CIRAM/EPAGRI e, posteriormente, tratados e
organizados através dos softwares Microsoft Excel (por Microsoft v. 2016) e MatLab
(desenvolvido por MathWorks Inc, 2015). A solicitação dos dados foi realizada em três
fases: após 6 meses de início das coletas, após 8 meses e após 12 meses. A obtenção
de dados relativos aos parâmetros de qualidade da água foi realizada através de
análises laboratoriais posteriores às coletas realizadas, o que será melhor descrito
mais adiante.

Os dados de imagens de satélite para elaboração de mapas foram obtidos


através do site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, na ala da Divisão
de Geofísica Espacial. Foi utilizada imagem com resolução espacial de 10 metros do
Satélite CBERS 4, datada de 28 de Agosto de 2019, com o uso das bandas 4,3 e 2.
Empregou-se o uso do Software QGis (por QGis Development Team, v. 3.14 “Pi”) para
22

processamento da imagem, utilizando-se as bandas 6,5 e 4, para elaboração de mapa


de uso e ocupação do solo, a fim de se verificar como está a ocupação aos arredores
da Lagoa de Ibiraquera. O complemento Dzetsaka foi utilizado para classificação da
cobertura de solo.

4.3. Procedimentos em Campo

As idas à Lagoa de Ibiraquera foram realizadas, a princípio, para a identificação


dos melhores pontos para coletas de acordo com sua relevância, acessos, e
abrangência do perímetro lagunar. Após a definição dos pontos, eles foram
georreferenciados com auxílio de GPS da marca Garmin, modelo Etrex 10.
Posteriormente às idas para reconhecimento da área, deram-se início às coletas
mensais. O veículo utilizado foi cedido pelo IFSC Campus Garopaba, com a presença
de um motorista, de uma estagiária do curso de Gestão Ambiental e de uma técnica
de laboratório.

As coletas foram realizadas de julho de 2019 a junho de 2020, contudo, vale


salientar que, no mês de março de 2020, não houve coleta devido ao fechamento de
fronteiras municipais e barreiras sanitárias a fim de contenção da Pandemia de
Coronavírus. A partir do mês de abril/2020, devido ao encerramento das atividades
dos Institutos Federais, a prefeitura de Imbituba disponibilizou veículo para realização
das coletas faltantes, cujas quais foram acompanhadas pelo secretário de
saneamento da cidade e de seu assessor.

A coleta, o acondicionamento e o transporte das amostras seguiram os


procedimentos preconizados pelo Guia Nacional de Coleta e Preservação de
Amostras (CETESB, 2011). As coletas foram realizadas em uma profundidade de
aproximadamente 30 cm, com a devida cautela para que não houvesse revolvimento
do fundo, com frascos de vidro âmbar de um litro de volume para análises físico-
químicas e frascos de 200 mL para análises bacteriológicas, devidamente
esterilizados e ambientados e, posteriormente, acondicionados em caixas isotérmicas
com bolsas de gelo. Elas foram encaminhadas para os laboratórios obedecendo ao
prazo máximo de até 24 h após o momento da coleta, obedecendo o preconizado pela
CETESB (2011).
23

Cada amostra foi identificada com o número do ponto ao qual pertence, e dados
como data, hora, pH e temperatura, e anotações relativas ao ambiente e condições
do tempo foram registradas em ficha de campo. Após as coletas, as amostras foram
encaminhadas para o Laboratório de Bioquímica Ambiental do IFSC Campus
Garopaba. Elas foram acondicionadas e refrigeradas para a realização das análises
no dia posterior, sendo 6 parâmetros analisados no mesmo laboratório (Nitrito, Nitrato,
Sílica, Sulfeto, Detergentes/LAS e Fosfato), e os 13 restantes foram analisados no
Laboratório de Águas e Efluentes do Consórcio Intermunicipal de Saneamento
Ambiental do Sul – CISAM-Sul – na cidade de Orleans, cujas quais foram
encaminhadas no mesmo dia das coletas.

4.4. Análises dos Parâmetros

Todos os procedimentos para as análises laboratoriais dos parâmetros


seguiram os métodos preconizados pelo Standard Methods For The Examination Of
Water And Wastewater (APHA, 2012) e adaptações do guia de Metodologia Analítica
Alfakit Ltda (ALFAKIT LTDA, 201?), bem como HACH. Estes métodos estão listados
no quadro 3.

Os parâmetros medidos in situ foram determinados a partir das leituras


realizadas por sondas e eletrodos presentes no equipamento multiparâmetros da
marca Lovebond, que geram voltagens na amostra, resultando em respostas nos
aparelhos. As análises de parâmetros físico-químicos em laboratório, com exceção da
turbidez, que foi determinada com auxílio de turbidímetro, foram realizadas com o
emprego de kits analíticos AlfaKit Ltada, através do guia de Metodologias Analíticas
AlfaKit Ltda (adaptações dos métodos de APHA, 2012) e com uso do aparelho
Fotocolorímetro modelo AT 10P da mesma empresa, no Laboratório do IFSC Campus
Garopaba, e as demais seguiram o preconizado por APHA (2012) no laboratório do
CISAM-Sul. Todas as análises foram realizadas em ambos os laboratórios, seguindo
instruções do Guia de Laboratório para Ensino de Química (CRQ-IV, 2007), fazendo-
se uso de equipamentos e vestes de segurança corretas (luvas, máscaras, jaleco) e
atentando-se para os riscos operacionais. O parâmetro salinidade foi medido a partir
da condutividade elétrica, no qual foi realizada a conversão de valores, levando-se em
consideração a temperatura, preconizado por APHA (2005). O quadro 3 elenca todos
os parâmetros e o métodos de análises utilizados.
24

Quadro 2 ̶ Parâmetros e métodos analíticos utilizados.


Parâmetro Unidade Método Analítico - Código
pH Unidades 4500-H B (APHA) – Potenciométrico
de pH
Temperatura C° 2550 B (APHA) – Medição de campo
Turbidez NTU 2130 B (APHA) – Método nefelométrico
Condutividade Elétrica mS/m 2510 B (APHA) – Método eletrodo de platina
Salinidade %o 2520 B (APHA) – Método da C.E.
Oxigênio Dissolvido mg/L 4500-O G (APHA) – Método do Eletrodo de
Membrana
DBO mg/L 5210 B – DBO de 5 dias
Nitrogênio Amoniacal mg/L 10205 (HACH) – Método do Salicilato
Nitrato mg/L 352.1 (EPA, adaptado Alfakit) – Método
colorimétrico – Brucina
Nitrito mg/L 4500-NO2 B (APHA, adaptado AlfaKit) – Método
colorimétrico - Naftilamina
Fósforo Total mg/L 3120 B (APHA) – Espectrometria (ICP-EOS)
Fosfato mg/L 4500-P E (APHA, adaptado Alfakit) – Método do
Ác. Ascórbico
Sulfeto mg/L 4500-S D (APHA, adaptado Alfakit) – Método do
Azul de Metilento
Sílica mg/L 4500-SiO2 E (APHA, adaptado Alfakit)
Potássio mg/L 3120 B (APHA) – Espectrometria (ICP-EOS)
Sólidos Dissolvidos Totais mg/L 2540 C (APHA) – Sólidos dissolvidos secos à
180°C
Detergente/Las mg/L 5540 C (APHA, adaptado Alfakit) – Azul de
metileno
Coliformes Totais NMP/100 9223 (APHA) B – Substrato enzimático
mL
Escherichia coli NMP/100 9223 (APHA) B – Substrato enzimático
mL
Fonte ̶ autor. (*Milisiemens; **Unidade Nefelométrica de Turbidez; ***Número Mais Provável; APHA
– American Public Health Association – 22° ed; HACH – Water Analysis Guide – 1° ed)

A partir das análises laboratoriais, os resultados obtidos foram analisados e


comparados segundo a legislação vigente, com a Resolução CONAMA 357 (BRASIL,
2005), que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais
para o seu enquadramento, e com a Resolução CONAMA 274 (BRASIL, 2000), que
define os critérios de balneabilidade para as águas brasileiras. Assim, se verificou se
os valores obtidos de concentrações de parâmetros se enquadram nos padrões
estabelecidos, para que, caso contrário, as medidas de adequações necessárias
fossem tomadas por parte dos órgãos competentes. Estes foram informados através
de reuniões e do produto deste estudo, um relatório da qualidade de água da Lagoa
de Ibiraquera jJul/2019 a jun/2020).
25

4.5. Análise Estatística

Valores de médias, máximas, mínimas e desvios padrão dos parâmetros foram


calculados através de planilhas do Microsoft Excel 2016 e tabulados na mesma para
posterior uso em outros Softwares.

Foram utilizados gráficos de boxplot para elucidar informações de variância de


dados, de quartis e de outliers, e gráficos simples para elucidar o comportamento dos
pontos para cada parâmetro no decorrer das coletas. Essas etapas foram executadas
através dos softwares MiniTab Statistical Software (por MiniTab Inc, v. 18.1) e Past:
Paleontological Statistics Softwarer Package for Education adn Data Analysis (por
Paleontogia Electronica, v. 3.26).

Em relação ao teste de correlação, neste tipo de análise foi realizado para se


estudar as relações bivariadas entre cada uma das variáveis ambientais. Para tanto,
utilizou-se o coeficiente de correlação de Spearman (realizado através do Software
MiniTab), uma vez que é mais adequado na análise de dados que violam as premissas
exigidas pelos testes paramétricos.

Os dados obtidos foram analisados através de análise estatística multivariada,


empregando-se dois métodos: Análise em Agrupamento ou Cluster Analysis e Análise
dos Componentes Principais (ACP), visando diminuir a dimensionalidade dos dados
e identificar o comportamento das variáveis em conjunto.

Para o emprego de estatística multivariada, utilizou-se a análise de cluster ou


análise de agrupamento através do software Past para se observar a relação entre as
estações de amostragem em relação aos 19 parâmetros analisados, resultando em
grupos com alta similaridade entre si, ou com alta similaridade interna e baixa
similaridade externa. O método utilizado para agrupar os pontos amostrais foi o
aglomerativo hierárquico, resultando em um dendograma demonstrando a hierarquia
de similaridade entre os pontos, e a medida utilizada para mensurar tal similaridade
foi a distância euclidiana, uma medida métrica utilizada em estudos com muitas
variáveis, aos moldes de estudos realizados por Rodrigues-Filho e colaboradores
(2015) no Rio Xingu, Pará. Assim, a associação entre os pontos amostrais se deu
através de médias ponderadas ou método clássico de análise de cluster. O algoritmo
de agrupamento empregado foi o ward’s method, cujo qual tem grande eficiência ao
26

combinar o grande número de dados referente a um pequeno número de pontos


amostrais, e também foi o que melhor elucidou os grupos resultantes, tal como
utilizado em estudos de Fernandes et al (2010).

Para a ACP, os dados foram agrupados por cada setor do complexo lagunar de
Ibiraquera, visando elucidar informações de cada setor em separado, de forma que o
gráfico gerado seja melhor compreendido especialmente pela comunidade de
Ibiraquera, que receberá deste trabalho um relatório técnico como produto.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1. Uso e Ocupação do Solo

Antes de se discutir as características composicionais da água da Lagoa de


Ibiraquera, é necessário entender como se dá a ocupação na área. Para tanto, com o
uso de softwares de geoprocessamento e a manipulação de imagens de satélites
obtidas gratuitamente, obteve-se a figura 5. Nela são abordados 6 tipos de cobertura
do solo, suas porcentagens e suas áreas, dentro de polígono de aproximadamente
23,447 km² na área da laguna.

Com base nas análises de estudos de Freitas e Beltrame (2012), Veira (2015),
e Lalane e Marimon (2009), que utilizaram classificações de uso e ocupação do solo
a partir de imagens de satélites, geraram-se as porcentagens de áreas para uso do
solo ao redor da laguna. Assim tem-se em primeiro lugar, com aproximadamente
29,63%, a parte coberta por água, concentrada especialmente na porção lagunar.
27

Figura 2 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo da área da Lagoa de Ibiraquera.

Fonte - autor.

Como segundo maior uso de solo predominante na região, tem-se uma área
dominada por vegetação rasa, com aproximadamente 23,56% da área total ao redor
da Lagoa de Ibiraquera, o que se encaixa como uma possível transição entre áreas
que antes eram descampadas ou de pasto e agora são utilizadas para outros fins,
bem como áreas onde a vegetação secundária está em processo de crescimento, com
gramíneas e espécies arbóreas de pequeno porte. Na figura 5, também se pode
observar que parte dessa vegetação rasa está em área de mata ciliar, onde se
enquadram como Áreas de Preservação Permanente, de acordo com o Novo Código
Florestal Brasileiro – Lei n° 12.651/2012 (BRASIL, 2012). Além disso, percebe-se que
parte dessa vegetação ciliar, classificada como uma vegetação mais rasa, faz limite
com cobertura do solo por areia, antes de chegar à área coberta pelas águas da
28

laguna, isso porque a vegetação se torna cada vez mais rasa e espaçada em solo
arenoso, devido às condições mecânicas entre as raízes e o solo arenoso
(BARCELOS et al, 2012). As condições desse tipo de solo arenoso também implicam
às espécies vegetais uma maior heterogeneidade, com espécies oriundas de áreas
de mata atlântica e espécies mais arbustivas, conforme Barcelos e colaboradores
(2012), o que pode justificar o solo coberto por vegetação menos densa.

Contudo, ao levar-se em conta a quantidade de terrenos com vegetação rasa


ao redor da laguna, observados durante o período de coletas, é possível afirmar que
muitos serão utilizados para fins imobiliários, já que grande parte deles estão em lotes
separados e demarcados, porém não abrigam animais para pasto e também não se
caracterizam como áreas para plantio. Freitas e Beltrame (2012), ao estudarem a
mudança no uso e ocupação de solo na região de Ibiraquera, no período de 1957 a
2011, evidenciaram a diminuição em áreas de cultivo e de pasto e aumento vertiginoso
da área urbana, processo que aparenta se intensificar nos dias atuais.

Em terceiro lugar da classificação de uso do solo, com aproximadamente 20,47%


da área do polígono, estão as áreas descampadas e com solo exposto. Essas áreas
também corroboram com o crescimento do processo de urbanização da região,
apontado nos estudos de Freitas e Beltrame (2012) e de Lalane e Marimon (2009), já
que esse processo se deu de maneira desordenada ao redor da laguna e é possível
se verificar in loco a quantidade de invasões e ruas não planejadas, com a retirada de
vegetação e com solo exposto para a trafegabilidade. Ambos os usos, com cobertura
de vegetação rasa e de solo exposto, põem em risco a qualidade das águas da laguna,
especialmente pelo fato de que, com a incidência de precipitação, a falta de cobertura
vegetal contribui para o processo de erosão do solo, resultando no carreamento de
sólidos e na lixiviação de nutrientes. Tal processo pode resultar no assoreamento de
corpos d’água e são um dos principais problemas enfrentados em zonas rurais, como
aponta Vieira (2015).

A quarta maior área é constituída principalmente por areia, abrangendo 13,25%,


e que está concentrada em área de dunas e da margem da laguna. Salienta-se ainda
que o mapa de uso e ocupação de solo evidencia áreas rasas da laguna onde se
sobressai a tonalidade da área sob a estreita coluna da água, especialmente nos
pontos P1, P2 P3, e P8, o que evidencia as baixas profundidades do corpo lagunar
29

apontadas por Seixas (2002), Bonetti, Bonetti, e Beltrame (2005). Nota-se também
que tal cobertura por areia reflete a grande quantidade de vias sem pavimentação na
área adjacente da laguna, especialmente as chamadas estradas de terra ou chão
batido. Tais áreas estão extremamente suscetíveis à lixiviação do solo e à
carreamento de sólidos para o corpo lagunar.

Lalane e Marimon (2009) em seus estudos caracterizaram o ambiente coberto


por areia como áreas de dunas que são naturalmente moldadas pelos ventos e pela
ação da água, mas, próximo ao P2, houve grande alteração de tais ambientes
principalmente por aplainamento e aterramento de terrenos para a construção de
casas e para trânsito em épocas onde a barra se encontra fechada. As autoras ainda
mencionam que esse tipo de cobertura apresenta baixa fertilidade e elevada erosão
(LALANE, MARIMON; 2009), o que pode refletir nas características da água,
principalmente relacionado a sólidos em suspensão e a concentrações de sílica e
matéria orgânica. Além disso, o grande contingente urbano concentrado próximo a
desembocadura, em P2, pode também atrelar cargas de efluentes que elevem as
concentrações de coliformes totais e detergentes. Segundo as autoras, este é um dos
locais mais urbanizados à margem da laguna.

5.2. Correlação de Parâmetros Estudados

5.2.1. Correlação entre todas as variáveis

A fim de embasar a maneira de como os parâmetros de qualidade da água e


as variáveis meteorológicas se portam neste estudo, procedeu-se a uma matriz de
correlação de Spearman. De acordo com interpretação sugerida pelo Software Minitab
(2019), essa correlação deve ser estabelecida quando as variáveis em estudo
apresentarem uma relação monotônica, isto é, não requerem a suposição de que a
relação entre elas é linear, quando os dados apresentam uma distribuição não normal
e podem mover-se na mesma direção relativa, mas não a uma velocidade constante.

O quadro 4 a seguir apresenta a matriz de correlação de Spearman entre todas


as variáveis analisadas: as de qualidade da água e as variáveis meteorológicas. Os
campos em amarelo evidenciam valores com p de significância abaixo de 0,05,
indicando correlação significativa, juntamente com seus respectivos valores de rô ( ρ)
30

de Spearman. Estes últimos variam de -1 a 1, portanto quanto mais próximo de -1, as


variáveis se apresentam inversamente proporcionais e quanto mais próximo de 1, as
variáveis se apresentam diretamente proporcionais, conforme interpretações
sugeridas pelo Suporte ao Software Minitab (2019). Ressalta-se que os coeficientes
de correlação são considerados medidas de similaridade, ou seja, medem o quanto
os dados se parecem, assim, quanto maior o valor de correlação, maior a similaridade
(CUNHA, 2017). Enfatiza-se que a intensidade das correlações foi classificada
conforme Shimakura (2006) em: muito fraca (0 a 0,19), fraca (0,20 a 0,39), moderada
(0,40 a 0,69), forte (0,70 a 0,89) e muito forte (0,90 a 1).

As 21 variáveis geraram 211 correlações, sendo 143 são estatisticamente


significantes (p<0,05), e todas as variáveis apresentaram ao menos uma correlação
significante com outra variável. As correlações serão comentadas adiante quando
forem explanadas individualmente e serão importantes para tal discussão.
31

Quadro 3 - Matriz de correlação de Spearman entre as variáveis em estudo. Conteúdo das células: Rô de Spearman (superior) e Valor-p (inferior).
pH Temp. Turb. DBO Sal. C. E. O.D. S.D. T. N.A. Colif. E. coli P.T. K Nitrito Nitrato Síl. Sulf. Las Fosfat Precip
T. o .
Temp. -0,448
0
Turb. -0,124 0,3
0,124 0
DBO -0,186 -0,013 0,157
0,021 0,87 0,052
Sal. 0,139 -0,543 -0,296 0,21
0,087 0 0 0,009
C.E. 0,138 -0,543 -0,296 0,211 1
0,087 0 0 0,009 0
O. D. 0,121 -0,378 -0,556 0,051 0,43 0,43
0,135 0 0 0,534 0 0
S.D.T. 0,087 -0,544 -0,349 0,209 0,864 0,864 0,582
0,285 0 0 0,009 0 0 0
N.A. -0,081 0,527 -0,077 -0,247 -0,511 -0,511 -0,253 -0,433
0,318 0 0,344 0,002 0 0 0,002 0
Coli. -0,164 0,325 0,353 0,012 -0,489 -0,489 -0,461 -0,438 0,285
T. 0,042 0 0 0,88 0 0 0 0 0
E coli -0,288 0,353 0,217 0,073 -0,464 -0,464 -0,431 -0,464 0,216 0,575
0 0 0,007 0,37 0 0 0 0 0,007 0
P.T. 0,079 0,19 -0,207 -0,527 -0,256 -0,256 -0,128 -0,165 0,699 0,169 0,073
0,332 0,018 0,01 0 0,001 0,001 0,114 0,041 0 0,036 0,371
K 0,12 -0,668 -0,272 0,324 0,831 0,831 0,442 0,73 -0,691 -0,465 -0,387 -0,508
0,139 0 0,001 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Nitrito -0,22 0,263 0,04 -0,083 -0,283 -0,283 -0,053 -0,225 0,248 0,21 0,176 0,18 -0,318
0,006 0,001 0,623 0,307 0 0 0,512 0,005 0,002 0,009 0,029 0,026 0
Nitrato 0,098 0,141 -0,099 -0,225 -0,263 -0,263 -0,133 -0,357 0,288 0,094 0,053 0,156 -0,18 0,14
0,227 0,08 0,222 0,005 0,001 0,001 0,1 0 0 0,244 0,514 0,053 0,025 0,082
Síl -0,178 0,492 0,421 0,062 -0,403 -0,403 -0,496 -0,503 0,121 0,227 0,306 -0,171 -0,35 0,122 0,066
0,027 0 0 0,446 0 0 0 0 0,135 0,005 0 0,034 0 0,131 0,415
Sulfet -0,139 0,469 0,163 0,113 -0,318 -0,318 -0,192 -0,257 0,243 0,231 0,189 0,053 -0,414 -0,036 0,007 0,312
o
0,086 0 0,043 0,162 0 0 0,017 0,001 0,002 0,004 0,019 0,511 0 0,66 0,933 0
Las 0,237 -0,402 -0,169 -0,231 0,224 0,224 0,331 0,278 -0,244 -0,136 -0,216 -0,058 0,174 0,106 -0,082 -0,26 -0,3
0,003 0 0,036 0,004 0,005 0,005 0 0 0,002 0,092 0,007 0,477 0,031 0,19 0,31 0,001 0
Fosfat -0,232 0,179 -0,144 -0,138 -0,128 -0,128 -0,07 -0,055 0,303 0,147 0,032 0,214 -0,221 0,05 -0,031 0,173 -0,029 0,061
o 0,004 0,027 0,075 0,089 0,114 0,114 0,388 0,496 0 0,069 0,693 0,008 0,006 0,535 0,704 0,032 0,724 0,45
Precip -0,117 0,176 -0,08 0,233 -0,04 -0,04 0,29 0,047 -0,027 -0,156 -0,091 -0,269 0,011 0,127 0,014 0,217 0,118 0,04 0,209
. 0,149 0,029 0,322 0,004 0,621 0,619 0 0,565 0,743 0,054 0,263 0,001 0,896 0,117 0,865 0,007 0,145 0,626 0,009
Temp. -0,509 0,933 0,228 -0,045 -0,554 -0,554 -0,398 -0,536 0,542 0,384 0,403 0,253 -0,702 0,224 0,095 0,482 0,504 -0,411 0,238 0,055
ar 0 0 0,005 0,582 0 0 0 0 0 0 0 0,002 0 0,005 0,239 0 0 0 0,003 0,502
32

5.2.2. Correlações significativas entre variáveis meteorológicas e qualidade da água

Como se pode ver no quadro 4, nem todas as variáveis de qualidade da água


se correlacionaram significativamente com as variáveis meteorológicas. No quadro 5,
são listadas as correlações significantes (p<0,05) entre esses grupos de variáveis.
A variável meteorológica precipitação se correlacionou significativamente
somete com 6 variáveis de qualidade da água (em cinza), enquanto que a variável
meteorológica temperatura do ar se correlacionou significativamente com 17 variáveis
(em azul). As correlações estão organizadas em ordem decrescente do valor de Rô
de Spearman e serão abordadas posteriormente ao se discutir os resultados
específicos de cada variável.

Quadro 4 ̶ Correlações significativas entre variáveis meteorológicas e variáveis de qualidade da água.

Par de Variáveis Rô de Valor Par de Variáveis Rô de Valor de p


Spearman de p Spearman

Precipitação x Oxigênio 0,290 0,000 Temperatura do ar x 0,253 0,002


Dissolvido Fósforo Total

Precipitação x DBO 0,242 0,003 Temperatura do ar x 0,238 0,003


Fosfato

Precipitação x Sílica 0,217 0,007 Temperatura do ar x 0,228 0,005


Turbidez

Precipitação x Fosfato 0,209 0,009 Temperatura do ar x 0,224 0,005


Nitrito

Precipitação x Temperatura 0,176 0,029 Temperatura do ar x O.D. -0,398 0,000

Precipitação x Fósforo Total -0,269 0,001 Temperatura do ar x -0,411 0,000


Detergente/Las

Temperatura do ar x 0,933 0,000 Temperatura do ar x pH -0,501 0,000


Temperatura da água

Temperatura do ar x Nitrogênio 0,542 0,000 Temperatura do ar x -0,536 0,000


Amoniacal Sólidos Dis. Totais

Temperatura do ar x Sulfeto 0,504 0,000 Temperatura do ar x -0,554 0,000


Condutividade Elétrica

Temperatura do ar x Sílica 0,482 0,000 Temperatura do ar x -0,554 0,000


Salinidade
33

Temperatura do ar x E. coli 0,403 0,000 Temperatura do ar x -0,702 0,000


Potássio

Temperatura do ar x Coliformes 0,384 0,000


Totais

5.3. Variação espaço-sazonal dos parâmetros estudados

5.3.1. Parâmetros meteorológicos estuados

A precipitação pluvial foi um dos parâmetros que motivou o desenvolvimento


do trabalho, já que está intimamente ligada a qualidade de águas dos corpos hídricos,
seja através de sua influência no volume de água ao precipitar, seja pelo arraste de
sedimentos, nutrientes, cargas orgânicas e demais materiais ao escoar
superficialmente pelo solo. Segundo Tucci et al (2001), as águas pluviais são uma
fonte de poluição considerável e que afeta de maneira expressiva a qualidade da água
de bacias especialmente situadas próximo a malha urbana, onde sua carga de
poluentes pode chegar a até 80% da carga de esgoto doméstico.

Para este estudo, utilizou-se a precipitação acumulada de 14 dias anteriores


aos dias das coletas mais um dia referente ao dia da coleta, totalizando 15 dias de
precipitação acumulada. Ressalta-se que tal método visou salientar a influência da
pluviosidade anterior de modo com que abordassem o tempo para os efeitos da
mesma sobre os parâmetros, bem como sob as vazões dos afluentes que deságuam
na Lagoa de Ibiraquera, também quanto ao material carreado à mesma durante tais
períodos, assim como realizado nos estudos de Araújo e Silva (2017), ao analisarem
a qualidade da água de um córrego em sob influência da precipitação considerando
15 dias anteriores aos dias das coletas. Entretanto, com fins de comparação, também
se avaliou os totais mensais acumulados. Os valores para as precipitações durante o
período amostral estão evidenciados no quadro 6, bem como suas respectivas
estações nas datas das coletas.
34

Quadro 5 ̶ Valores de precipitação durante o período amostral.


Período de Precipitação Acumulada Precipitação Acumu- Estação
Coleta Mensal (mm) lada de 15 dias (mm)
11/JUL/19 94,8 77,20 Inverno
12/AGO/19 16,2 2,4 Inverno
26/SET/19 9,6 6,6 Primavera
29/OUT/19 51,2 44 Primavera
26/NOV/19 52,2 50,4 Primavera
9/DEZ/19 57 6,4 Primavera
20/JAN/20 132,2 32,2 Verão
17/FEV/20 57,2 35,6 Verão
22/ABR/20 24,6 2 Outono
18/MAI/20 7,8 5,2 Outono
29/JUN/20 79,8 10 Inverno

Fonte – Dados cedidos pela EPRAGI/CIRAM.

Para elucidar melhor a variação da precipitação durante o período de coletas,


elaborou-se o pluviograma da figura 6. Nele é possível observar a diferença de valores
considerados para análises conjuntas com os parâmetros de qualidade de água e os
valores mensais de precipitação.

Figura 3 - Comparação de valores de precipitação acumulada de 15 dias anteriores às coletas e


precipitação total mensal.

Na pluviograma, percebe-se nitidamente que os dados de precipitação


acumulada tendem a acompanhar a variação de precipitação mensal, contudo nos
meses de dezembro/2019 e janeiro/2020, ocorre uma maior disparidade devido
especialmente à diferença de dias em que houve precipitação e não foram
35

considerados para avaliação junto aos parâmetros de qualidade da água. Pode-se


visualizar também o comportamento das chuvas na região, de acordo com as
mudanças sazonais. O mês de janeiro apresentou maior volume precipitado, referente
à estação do verão, com precipitação mensal total de 132,2 mm; o menor volume
precipitado foi em maio, referente à estação do outono, com somente 7,8 mm
precipitados, seguido pelos os meses de agosto e setembro, referente ao fim do
inverno e início da primavera, com valores de 16,2 e 9,6 mm.

Conforme estudos de Pellegrin e colaboradores (2014), a precipitação em


Santa Catarina apresenta uma distribuição diferenciada de acordo alguns fatores,
como a orografia, a influência do mar, as frentes frias, dentre outros. Contudo, o
regime de precipitação nesta região tende a ter maiores volumes nos meses de verão,
como se evidenciou no pluviograma, em seguida tem-se a primavera, seguido pelo
inverno e, por fim, o outono (PELLEGRIN et al. 2014). Contudo, o mês de julho de
2019 não obedeceu tal comportamento, o que pode ser justificado pela presença de
frentes frias, que geralmente causam chuvas e instabilidades no tempo (RODRIGUES;
FRANCO; SUGAHARA; 2004) e pela influência, ainda que fraca, do El Niño, um
fenômeno atmosférico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do pacífico
e que causa precipitações abundantes na região Sul em períodos de inverno,
conforme o INPE (2020), tal como ocorreu em 2019, monitorado pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais.

Como se pode notar nos quadros 4 e 5, a precipitação só se relacionou


significativamente com cinco outros parâmetros: oxigênio dissolvido (0,290), D.B.O.
(0,242), sílica (0,217), fosfato (0,209) e fósforo total (-0,269). Apesar de que tais
valores indicam correlações consideradas fracas, elas existem. O O.D. teve maior
correlação positiva com a precipitação, assim como evidenciaram Silva e
colaboradores (2008) em seus estudos no Rio Purus. Tal fato pode ser justificado
especialmente pois as águas da chuva em elevadas altitudes e em movimento
descendente estão mais propícias à oxigenação, além de promoverem a
movimentação da lâmina superficial da água durante os períodos de chuvas intensas.
Além disso, a precipitação também pode ser responsável pelo carreamento de matéria
orgânica e dejetos para os corpos hídricos, o que pode resultar em aumento na
demanda biológica de oxigênio para consumir tal matéria, além de refletir nos níveis
de fosfatos e fósforo.
36

A sílica está presente naturalmente em muitos solos, principalmente nos


compostos por granitos, conforme afirmam Blumberg e Azevedo Neto (1956), como é
o caso do terreno da lagoa. A chuva é um dos principais agentes responsáveis pelo
intemperismo em rochas e solos, lixiviando componentes dos mesmos, o que justifica
perfeitamente a sua correlação positiva com esse parâmetro. A correlação positiva
entre a precipitação e os valores de fosfato também se enquadram nesta justificativa,
já que os íons fosfatos podem estar ligados a elementos que compõem as rochas
sedimentares outrora atingida pelas chuvas, sendo carreados para o leito lagunar.
Contudo, é intrigante notar que os valores de precipitação se correlacionaram
negativamente com o fósforo total. Sabendo-se que o fósforo em água tem como sua
principal fonte a emissão de efluentes domésticos, os valores inversamente
proporcionais com as chuvas podem estar associados à diluição das cargas de
efluentes contendo fósforo no leito lagunar, propiciada pelo aumento do volume de
água.

Quanto aos valores de temperatura do ar, estes estão diretamente associados


à temperatura da água e a processos climáticos. Os valores médios, máximos e
mínimos de temperatura do ar observados nos dias de coleta estão no quadro 7, e na
figura 7 está o gráfico das temperaturas médias mensais e das temperaturas médias
nos dias das coletas.

Quadro 6 - Valores de temperatura do ar durante o período amostral.


Períodos de Temperatura Média Temperatura Mínima Temperatura
Coleta Diária (°C) Diária (°C) Máxima Diária
(°C)
11/JUL/19 16,78 13,24 20,14
12/AGO/19 19,37 16,52 23,62
26/SET/19 19,95 17,02 23,28
29/OUT/19 21,83 18,19 25,01
26/NOV/19 21,3 19,18 23,87
9/DEZ/19 23,01 21,29 26,10
20/JAN/20 24,48 22,36 27,20
17/FEV/20 23,27 21,08 26,27
22/ABR/20 21,51 17,38 26,72
18/MAI/20 19,08 15,05 24,34
29/JUN/20 15,83 11,91 18,71

Fonte - Dados cedidos pela EPRAGI/CIRAM.

Na figura 7, nota-se que, assim como a precipitação, os valores de temperatura


37

média do ar diárias seguiram a mesma tendência das temperaturas médias mensais,


e também acompanharam as variações sazonais de temperatura na região, com os
meses mais quentes sendo dezembro, janeiro e fevereiro, relativos ao verão no
Hemisfério Sul.

Ressalta-se que durante o período de coleta, a temperatura do ar variou no


com o passar do dia, já que os primeiros pontos foram amostrados nas primeiras horas
da manhã e, com o decorrer do dia, a temperatura do ar tendeu a aumentar, assim
aquecendo a água gradativamente. Porém, de acordo com o ponto amostral, o valor
da temperatura do ar pode não refletir completamente na temperatura da água,
especialmente devido à presença de correntes de águas mais frias, ou pela ação dos
ventos.

Figura 4 - Valores de médias de temperatura do ar diárias e mensais.

5.3.2. Parâmetros de Qualidade da Água

a) pH

O pH é um parâmetro extremamente importante ao se estudar um corpo hídrico,


isso porque ele está associado ao comportamento de demais parâmetros através de
sua influência em processos bioquímicos e físicos que ocorrem na coluna d’água.
38

Esteves (1998) elenca o pH como uma das variáveis mais difíceis de se interpretar
devido ao elevado número de fatores que podem influenciá-lo.

A tabela 2 a seguir elenca os resultados das análises para o parâmetro


Potencial Hidrogeniônico. Os valores em evidência estão em desconformidade com a
Resolução CONAMA 357/2005, que estabelece que o pH deve estar entre 6,5 e 8,5
para corpos de águas salobras classe 1. Na parte inferior da tabela, são elencados os
valores de máxima, média, mínima e desvio padrão referente ao parâmetro.

Tabela 2– Valores de pH obtidos durante o período de coletas.


.pH
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 7,76 7,39 7,57 7,51 7,05 7,51 7,56 7,13 7,76 7,95
7,74
P2 8,10 7,48 7,43 7,51 7,49 7,52 7,50 7,35 7,90 7,96
7,83
P3 7,89 7,40 7,45 7,56 7,38 7,54 7,47 7,32 7,84 7,97
7,85
P4 7,83 7,38 7,42 7,53 7,42 7,52 7,45 7,12 7,86 7,80
7,85
P5 8,00 7,35 7,49 5,53 7,46 7,55 7,50 7,46 7,94 7,91
7,94
P6 7,90 7,44 7,49 7,52 7,51 7,59 7,43 7,40 7,95 7,96
7,96
P7 8,80 7,47 7,46 7,51 7,42 7,58 7,42 7,37 8,00 7,97
7,96
P8 8,15 7,44 7,46 7,50 7,45 7,43 7,41 7,36 8,00 8,00
7,90
P9 8,25 7,42 7,47 7,44 7,46 7,49 7,43 7,31 7,58 7,89
7,81
P10 8,21 7,30 7,52 7,30 7,48 7,53 7,42 7,66 7,89 7,97
7,67
P11 8,16 7,36 7,48 7,34 7,46 7,54 7,41 7,47 7,95 8,00
7,71
P12 8,21 7,37 7,48 7,41 7,44 7,54 7,35 7,44 7,94 8,01
7,77
P13 8,12 7,36 7,49 7,50 7,55 7,60 7,42 7,66 8,06 8,06
7,92
P14 8,94 7,27 7,53 7,25 7,50 7,57 7,45 7,49 8,10 8,03
8,04
Máx 8,94 Méd 7,63 Mín 5,53 D.P. 0,34

Os valores de pH variaram de 5,53 em P5 na coleta de outubro de 2019, sendo


este o único valor caracterizado como ácido encontrado para todo o período amostral,
a 8,94 em julho de 2020. Apenas 3 amostras presentaram discordância com a
legislação (CONAMA 357/2005), sendo o valor máximo em P14 situado na Lagoa do
Saco, a menor porção do complexo lagunar da Lagoa de Ibiraquera. Durante as
coletas neste ponto, sempre foi evidenciado a presença elevada de lodo e material
sedimentado ao utilizar os recipientes de coleta e revolver camadas mais baixas da
coluna d’água.
39

Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005), ao estudarem o pH na laguna de Ibiraquera


encontraram valores variando de 7,01 a 9,15, com média de 8,33 na Lagoa do Saco.
A média encontrada neste estudo para este ponto foi de 7,71, variando 0,62 em
relação ao estudo de Bonetti e Colaboradores (2005), porém estando bem próximo ao
valor médio total de todos os pontos, de 7,69. Sierra et al (1999), ao estudarem a
Lagoa da Conceição, ambiente lagunar semelhante à Lagoa de Ibiraquera,
identificaram pH básico também, com média de 8,01.

Baseando-se nos demais pontos, em relação ao único valor ácido encontrado,


em P5 em outubro/2019, ressalta-se que o mesmo se encontra próximo ao canal mais
estreito que liga dois bolsões da laguna, a Lagoa de Baixo e a Lagoa do Meio. Assim,
é provável que o acumulo de matéria orgânica em decomposição proveniente da
vegetação ciliar tenha causado essa alteração, considerando o estrangulamento do
canal que liga os dois bolsões no qual o ponto se localiza. Oliveira (2006), ao estudar
uma laguna no estado do Ceará, constatou valores predominantemente ácidos e os
justificou devido ao processo de entrada de material alóctone e de matéria orgânica
em decomposição, o que possivelmente tem efeito também na Laguna de Ibiraquera,
ainda mais em se tratando de um ponto situado em um canal estreito, onde o material
alóctone advindo das margens tende a se concentrar mais ao escoar.

É importante notar que dois dos três resultados em discordância foram


encontrados em coletas realizada no mês de julho de 2019 e que este mês
especificamente apresentou valores médios acima em relação aos demais, com
média de 8,17, sendo 7,5% acima do valor médio para todo o período amostral, de
7,60, o que se observa o gráfico de variação de pH na figura 8. Neste gráfico também
é possível observador a forma de comportamento dos quartis, da mediana e dos
outliers. Os 3 valores em discordância com a Resolução CONANA 357/2005 são
simbolizados como outliers (ilustrados com asteriscos e círculos), já que possuem
valores muito acima ou baixo dos demais; as linhas em vermelho simbolizam os limites
mínimos e máximos de pH.

A figura 9 ilustra a maneira como todos os pontos se comportaram no decorrer


dos meses de coleta. Nota-se, através das linhas que interligam os valores, que, no
geral, os pontos apresentaram comportamento e variações semelhantes, tendo em
vista que as alterações causadas no ambiente lagunar o afetam como um todo.
40

Figura 5 – Variação de pH no decorrer das coletas.

Figura 6 – Comportamento de pH em todos os pontos no decorrer das coletas .

Oliveira (2006) atribui as variações de pH em ambientes lagunares naturais


especialmente à elevação nas concentrações de íons H + dissociados do ácido
carbônico presente em água e das reações de íons carbonato (CO2−
3 ) e bicarbonato

(HCO3 ) com as moléculas de água.

O pH se correlacionou significativamente de maneira inversa com a


temperatura (-0,448), com a DBO (-0,186), com coliformes totais (-0,164), com E. coli
(-0,288), com nitrito (-0,220), com sílica (-0,178), com fosfato (-0,232) e com o
41

parâmetro meteorológico temperatura do ar (-0,509). Sua única correlação positiva foi


com o parâmetro detergentes/las (0,237). De acordo com a CTESB (2019) o aumento
da temperatura propicia aumento nas reações químicas, inclusive na decomposição
de matéria orgânica, o que pode resultar em aumento nas concentrações de gás
carbônico e ácidos na água provenientes das decomposições dos compostos
orgânicos, fato que pode justificar a diminuição de pH em detrimento da elevação da
temperatura. Os valores de sílica, como já mencionado, podem estar associados ao
intemperismo em granitos, resultando em compostos de sílica e bicarbonatos, sendo
responsáveis pela elevação do pH, justificando assim a correlação inversamente
proporcional entre esses parâmetros (BLUMBERG; AZEVEDO NETO, 1956). Os
valores de fosfatos podem estar associados às reações que ocorrem com compostos
contendo fósforo, e que são impactados pelo pH da água.

Os valores de nitritos resultam da atividade de bactérias nitrificantes no meio


lagunar, já que estas são responsáveis pela transformação da amônia em nitrito.
Contudo, o PH afeta em seu desenvolvimento, sendo citada a faixa de 7,0 a 8,5 como
ideal para as mesmas e valores acima ou abaixo tendem a alterar os processos de
nitrificação, o que pode justificar a correlação negativa entre os parâmetros (XICA,
2017). Conforme Xica (2017) e Sperling (2005), outro fato interessante é que o nitrato
resultante da nitrificação atua no crescimento de macrófitas aquáticas que, por sua
vez, atuam na assimilação de gás carbônico no meio, impedindo a sua transformação
para ácido carbônico, o que aumenta o pH. Logo, indiretamente, a menor quantidade
de nitrito no meio pode indicar em sua maior conversão para nitrato, refletindo no
aumento de pH ocasionado pela assimilação de gás carbônico pelos vegetais
(Sperling, 2005), justificando os valores de correlação inversamente proporcionais.
Além disso, sabe-se que muitas substâncias tem sua solubilidade em água alterada
em função do pH (FUNASA, 2014), ou seja, quanto menor é o pH da água, maior é a
solubilidade dessas substâncias em meio líquido, podendo refletir diretamente nos
resultados analíticos para as substâncias estudadas.

Os valores de detergentes podem estar associados a cargas de efluentes


contendo demais substâncias de caráter básico, tendo em vista que muitos materiais
sanitizantes e saneantes são de caráter básico, como a própria soda cáustica. Tal fato
pode justificar as correlações diretamente proporcionais ente pH e detergentes.
42

b) Temperatura da água

A temperatura da água influi na velocidade das reações químicas, em


processos físicos regidos pela variação de calor e no comportamento da biota. Os
valores de temperatura obtidos neste estudo, seus valores máximos, médios, mínimos
e seu desvio padrão estão elencados na tabela 3. O menor valor foi para o mês de
julho de 2019, referente ao inverno, em P1, de 13,60 °C. Ressalta-se que foi o primeiro
ponto amostrado e que isso pode justificar a temperatura mais baixa, já que essas
coletas eram realizadas nas primeiras horas com luz solar. O valor mais elevado
encontrado foi em fevereiro/2020, com a temperatura da água em P13 de 31 °C, sendo
um dos últimos pontos amostrados, refletindo na elevada temperatura da água,
aquecida no decorrer do dia.

Tabela 3 – Valores de temperatura obtidos durante o período de coletas.


Temperatura (C°)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 13,60 17,00 20,00 26,00 22,00 23,80 26,60 27,70 22,30 18,60 16,50

P2 15,70 17,00 21,00 25,00 23,60 24,40 28,50 28,30 21,60 17,60 15,00

P3 16,80 18,50 23,00 25,50 23,50 25,30 28,10 29,00 23,60 19,00 17,00

P4 18,10 19,00 22,00 28,00 24,70 25,80 28,50 30,50 23,90 19,70 17,50

P5 18,80 18,50 23,00 27,00 23,90 25,60 28,50 29,20 23,60 21,00 17,00

P6 17,50 19,00 23,00 28,00 24,30 27,00 28,40 29,40 24,60 21,00 17,80

P7 18,60 18,50 23,00 28,00 23,30 27,20 27,90 29,20 25,10 20,80 15,00

P8 21,00 19,70 23,00 28,00 24,70 24,20 29,10 27,60 25,00 21,50 16,00

P9 19,90 20,00 24,00 28,00 25,50 28,01 29,30 29,40 25,60 21,30 16,50

P10 20,30 20,30 25,00 28,00 25,00 27,40 29,00 29,60 25,00 21,50 17,00

P11 19,60 20,00 24,00 27,00 24,60 27,60 29,50 29,50 23,70 19,00 17,00

P12 20,90 20,90 24,00 27,00 24,00 27,20 29,50 29,70 24,70 20,30 17,00

P13 20,30 21,00 23,00 27,00 23,90 26,70 29,70 31,00 25,80 20,60 17,50

P14 20,90 21,50 24,00 26,50 25,20 27,90 29,60 30,10 25,80 21,90 18,00

Máx 31 Méd 23,45 Mín 13,60 D.P. 0,34 4,23

Na figura 10, é possível observar a variação de temperatura no decorrer das


coletas, englobando todos os pontos amostrais. O mês de jul/2019 foi o mês que
evidenciou maior amplitude térmica do corpo lagunar, possibilitada pela estação de
inverno. As demais temperaturas acompanharam a variação sazonal, tendo
43

fevereiro/2020 como o mês de maior valor médio. O mês de junho apresentou


menores valores médios de temperatura, com baixa amplitude, o que pode ser
justificado pela influência de frentes frias no período de coletas.

As figuras 10 e 11 mostram os gráficos que evidenciam o comportamento da


temperatura em cada ponto no decorrer do período amostral. Nota-se que todos os
pontos apresentaram comportamento similares, o que se embasa pelo efeito da
temperatura do ar sobre o corpo lagunar, regido pela variação das estações. Além
disso, tal fato mostra a baixa dinâmica de correntes com distintas temperaturas no
corpo lagunar, visto que o mesmo possui baixa profundidade e que durante grande
parte das coletas, o canal que o conecta ao mar estava fechado.

Figura 7 – Variação de temperatura no decorrer das coletas.


44

Figura 8 – Comportamento da temperatura em todos os pontos no decorrer das coletas.

Os valores de temperatura da água se correlacionaram com turbidez (0,300),


salinidade (-0,543), condutividade elétrica (-0,543), oxigênio dissolvido (-0,378),
sólidos dissolvidos totais (-0,544), nitrogênio amoniacal (0,527), coliformes totais
(0,325), E. coli (0,353), fósforo total (0,190), potássio (-0,668), nitrito (0,263), sílica
(0,492), sulfeto (0,469), detergente/las (-0,402), fosfato (0,179), precipitação
acumulada de 15 dias (0,176) e temperatura do ar (0,933).

Segundo a FUNASA (2014) o O.D. é um dos parâmetros que mais se altera em


função da temperatura, já que quanto mais elevada a temperatura, maior é o grau de
agitação de partículas atômicas da água, possibilitando assim que o oxigênio
dissolvido na mesma seja liberado para a atmosfera, o que justifica sua correlação
inversa com a temperatura. Tal fato também está atrelado especialmente à
temperatura do ar, em virtude da diminuição da pressão atmosférica sobre o corpo
lagunar à medida que a temperatura aumenta.

Quanto aos valores de condutividade elétrica e de salinidade, a correlação


negativa com a temperatura também foi evidenciada nos estudos de Rodrigues Filho
et al (2015), e pode ser justificada por fenômenos físicos nos quais o aumento da
temperatura diminui a capacidade de condução elétrica de um condutor (BARRETO,
2015). Além disso, os compostos nitrogenados e fosfatados se correlacionaram
45

positivamente com a temperatura. Fato justificado pela influência da temperatura no


aumento da velocidade das reações bioquímicas que envolvem tais compostos.

Os parâmetros microbiológicos E. coli e coliformes totais obtiveram correlações


significativas e positivas com a temperatura, o que preocupa, já que, de acordo com
a CETESB (2017), a presença de tais coliformes em águas de clima quente não exclui
a possibilidade de presença de micro-organismos patógenos. Além disso, a
temperatura é determinante para tais micro-organismos, já que a sua maioria se
desenvolve no intestino de animais em temperaturas de 35 a 45 °C, aproximadamente
(FUNASA, 2014), assim, quanto mais elevada a temperatura da água, melhores são
as condições para eles.

Os parâmetros sílica, nitrogênio amoniacal e sulfeto se correlacionaram


positivamente de maneira moderada com a temperatura da água. Em estudos de
Rodrigues Filho et al (2015), também se evidenciou correlação positiva entre
nitrogênio amoniacal e temperatura, tal efeito pode ser justificado pela diminuição de
oxigênio dissolvido na água devido ao aumento da temperatura, e com isso diminui
também a oxidação e a conversão de nitrogênio amoniacal em formais mais oxidadas,
como o nitrito e nitrato (SPERLING, 2005). Além disso, o aumento da temperatura
também favorece a solubilidade de diversas substâncias químicas na água, conforme
a FUNASA (2014), o que pode justificar correlações positivas entre a temperatura e
parâmetros químicos, como o nitrogênio amoniacal. Já os parâmetros potássio e
detergentes/las se correlacionaram negativamente de maneira moderada com a
temperatura da água, o que pode estar associado à maior agitação de moléculas da
água, alterando solubilidade dos mesmos.

c) Turbidez

Os valores de turbidez variaram de 0,61 NTU em P5 no mês de agosto a 22,40


NTU em P13 em janeiro. Ressalta-se que os pontos se situam me margens arenosas,
sendo que o P5 está presente próximo ao canal de conexão da Lagoa de baixo com
a Lagoa do Meio, e que P13 está situado no canal de deságua da Lagoa do Saco à
Lagoa de Baixo. A tabela 4 elenca os resultados de turbidez para todo o período
amostral, bem como seus valores máximos, mínimos, médios e de desvio padrão. A
46

média de 4,79 denota uma turbidez baixa, o que é evidente quando se visita a Lagoa
de Ibiraquera através da limpidez da água, bem como foi apontado nos estudos de
Bonetti et al (2005), ao evidenciarem valores relativamente baixos de turbidez (<10
NTU). Além disso, o valor máximo encontrado em P13 destoa de todos os demais
valores encontrados na mesma coleta, o que pode ser resultado de revolvimento de
sedimentos pontual por correntes de água ou até mesmo por influência antrópica, mas
não se caracteriza como um fato alarmante, já que este comportamento não foi
evidenciado nas demais coletas para o mesmo ponto.

Tabela 4 – Valores de turbidez obtidos durante o período de coletas.


Turbidez (NTU)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 1,19 2,93 4,23 4,33 4,34 4,68 1,60 3,43 3,81 4,46 2,24

P2 1,91 2,95 4,48 5,07 6,83 6,98 3,57 5,32 5,70 4,07 1,47

P3 0,89 0,75 4,86 4,93 5,85 5,51 3,20 4,23 7,41 5,77 1,17

P4 1,11 0,70 6,24 4,98 5,73 4,77 2,25 3,85 5,44 2,99 0,96

P5 2,32 0,61 3,80 5,11 5,84 5,14 3,13 3,00 5,80 3,70 1,14

P6 2,86 3,15 5,54 5,33 7,26 4,76 4,06 5,61 8,54 5,00 2,04

P7 3,26 3,05 6,51 4,63 7,22 5,40 3,92 4,79 9,03 4,68 4,43

P8 3,38 4,08 4,34 5,23 6,78 3,99 3,38 5,67 6,67 4,29 4,11

P9 5,14 4,28 10,70 5,80 6,02 4,05 3,25 3,66 7,31 4,71 4,24

P10 3,68 15,10 6,87 8,15 6,20 5,07 3,65 3,45 6,09 4,49 6,89

P11 5,07 6,82 5,43 6,98 7,39 4,62 3,52 4,54 8,57 5,68 4,48

P12 3,15 4,30 4,48 5,29 6,18 5,30 3,10 4,66 7,05 5,03 5,97

P13 2,69 2,62 4,86 6,31 7,15 5,34 22,40 3,45 3,96 4,29 1,71

P14 2,78 3,68 9,54 5,75 7,95 5,57 2,90 5,16 7,12 4,15 1,13

Máx 22,40 Méd 4,79 Mín 0,61 D.P. 2,52

Os valores de turbidez variaram conforme gráfico da figura 12. Percebe-se que


os valores mais elevados se situaram depois da coleta de agosto e antes da coleta de
junho. Ressalta-se que a barra foi fechada antes da coleta de agosto e abriu antes da
coleta de junho, o que pode refletir nos valores de turbidez, tendo em vista que, com
a conexão com o mar, o volume de água acumulado na lagoa pode extravasar, e assim,
permitir a saída de partículas acumuladas que pudessem estar causando a turbidez
elevada. Notou-se durante as coletas de campo que a água da laguna permaneceu
mais turva nos meses em que a barra estava fechada, tanto que nas últimas coletas
47

anteriores à sua abertura, a água apresentava uma coloração mais escura, com
partículas de matéria orgânica e detritos mais facilmente visualizados.

A figura 13, por sua vez, evidencia a variação de turbidez em cada um dos
pontos amostrais durante os períodos de coleta. Percebe-se facilmente o pico no mês
de janeiro referente ao P13 em amarelo com o valor máximo de turbidez de 22,40
NTU. Também chama atenção o segundo maior pico referente ao mês de agosto, em
P10, com valor de 15,10 NTU.

Figura 9– Variação de turbidez obtidos durante o período de coletas.

Figura 10 – Comportamento da turbidez em todos os pontos no decorrer das coletas.


48

A turbidez se correlacionou positivamente de maneira fraca com a temperatura


da água (0,300), com a temperatura do ar (0,228) e com a sílica de maneira moderada
(0,421). Tal correlação pode ser justificada pela presença de matéria orgânica de
restos vegetais, que seriam os responsáveis pela turbidez na água, já que estes
contêm sílica acumulada nas paredes celulares (FAPESP, 2007) e com elevadas
temperaturas associadas a períodos de maior insolação, maior é a produtividade
primária. Contudo, a turbidez se correlacionou negativamente com salinidade (-0,296),
condutividade elétrica (-0,296), diferente dos estudos de Rodrigues Filho et al (2015)
e sólidos dissolvidos totais (-0,349). Todos esses parâmetros podem se manifestar a
partir de partículas dissolvidas na água, sendo assim, o mais plausível era que se
correlacionassem positivamente com a turbidez, entretanto o comportamento desses
parâmetros pode se justificar especialmente porque a parcela de sólidos que
corresponde a partículas orgânicas (como as provenientes de vegetais mencionadas
anteriormente) é a de sólidos voláteis (CETESB, 2017) e geralmente representam
uma pequena parcela dos sólidos dissolvidos totais em processos de determinação
como aquecimento, tal como foi evidenciado por Lougon et al (2011).

A correlação positiva com coliformes totais (0,353) e E. coli (0,217) também


evidencia que as partículas de turbidez podem ser substratos para tais micro-
organismos, especialmente proveniente de matéria vegetal e orgânicos (CETESB,
2017). Além disso, foi observada correlação negativa com os parâmetros fósforo total
(-0,207), potássio (-0,272), e detergente/las (-0,169), o que pode estar associado ao
poder dispersante do potássio sobre as partículas de turbidez, bem como apontaram
os estudos de Matos et al (2013) e ao efeito tensoativo dos Las, alterando o
comportamento das partículas de turbidez em água; e correlação fraca e positiva com
sulfeto (0,163) pode estar associada a sedimentos revolvidos contendo sulfeto.

Por fim, a moderada correlação negativa com oxigênio dissolvido (-0,556)


também foi evidenciada por Rodrigues Filho e colaboradores (2015), e pode estar
associada ao elevado consumo de oxigênio para a degradação de matéria orgânica
causadora de turbidez na água.

d) Oxigênio dissolvido
49

Os valores de O.D. variaram de 2 mg/L em P1 e P3, em setembro, a 20,60 mg/L,


em P10, no mês de julho. Como já mencionado, de acordo com a Resolução CONAMA
357 (BRASIL, 2005), os valores estabelecidos para águas salobras classe 1 devem
ser de no mínimo 5 mg/L. Contudo, do total de amostras coletadas, 56 resultados se
apresentaram em desconformidade com a referida legislação. Apesar dessa
concentração mínima estabelecida pelo CONAMA, a CETESB (2019) afirma que há
uma variação de tolerância de espécie para espécie, como peixes que são tolerantes
a habitar águas com concentrações de 3 mg/L de O.D. A FUNASA (2014), por sua vez,
afirma que os valores mínimos exigidos para manutenção da vida aquática variam de
2 a 5 mg/L. Condições abaixo de 2 mg/L são consideradas de anoxia pela CETESB
(2019) e ainda assim há espécies de peixes que vivem sob essas condições. Todos
os valores encontrados durante as análises do parâmetro oxigênio dissolvido estão
elencados na tabela 5 abaixo, com valores em cinza desconformes com padrão
estabelecido pelo CONAMA (BRASIL, 2005).

Tabela 5 – Valores de oxigênio dissolvido obtidos durante o período de coletas.


Oxigênio Dissolvido (mg/L)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 8,70 7,70 2,00 5,70 4,30 3,90 8,10 5,00 3,80 2,10 7,20

P2 12,10 6,70 2,80 5,40 4,30 4,10 8,20 4,40 4,90 3,90 7,00

P3 13,90 7,90 2,00 6,00 4,60 4,10 8,50 5,00 3,50 4,40 7,80

P4 17,40 9,90 3,20 6,20 4,80 3,90 7,00 3,30 3,50 3,50 6,60

P5 17,80 10,10 3,60 5,80 5,00 4,20 7,00 5,80 3,90 5,00 6,70

P6 11,00 10,20 5,50 6,70 4,90 4,50 7,70 5,10 4,00 6,40 6,70

P7 16,80 9,20 8,50 6,90 4,60 4,70 6,30 4,80 4,00 6,30 6,40

P8 10,90 9,00 5,00 5,00 4,80 4,00 7,00 4,60 4,30 5,30 6,60

P9 19,00 8,80 5,20 4,40 6,70 4,80 6,60 6,00 2,90 4,40 6,90

P10 20,60 5,90 4,00 4,00 5,00 3,90 6,80 6,50 4,60 5,90 7,00

P11 12,60 10,50 6,60 4,80 5,10 4,10 6,30 4,90 4,00 5,40 7,10

P12 10,00 9,90 6,60 5,50 5,50 4,60 5,60 4,60 4,10 5,60 7,20

P13 9,90 9,50 6,70 5,50 5,80 3,90 6,60 6,50 5,30 5,90 7,50

P14 8,90 9,30 6,70 4,80 5,50 3,80 6,20 4,60 4,90 5,60 8,00

Máx 20,60 Méd 6,39 Mín 2 D.P. 3,05

O valor médio encontrado de 6,39 mg/L está abaixo dos valores encontrados
por Bonetti e colaboradores (2005) ao estudarem a Lagoa de Ibiraquera no passado,
50

e abaixo dos valores encontrados na Lagoa da Conceição, estudados por Pereira,


Gandra e Fonseca (2015). Assim para se analisar melhor o comportamento deste
parâmetro, elaborou-se os gráficos das figuras 14 e 15, com a linha em vermelho
demarcando o limite pela legislação (BRASIL, 2005). Nos gráficos, é possível
perceber que que os valores de oxigênio dissolvido podem estar associados com o
fechamento da desembocadura da Lagoa de Ibiraquera no mar (em agosto) e com a
sua abertura (em junho), tendo em vista que a entrada da água do mar promove maior
movimentação de correntes na laguna, bem como permite o escoamento de
potenciais elementos que atuem na diminuição de oxigênio na coluna d’água,
especialmente matéria orgânica em decomposição, cujo processo realizado por micro-
organismos demanda consumo de oxigênio do meio.

O mês de dezembro se apresentou em destaque dos demais, com todos os


pontos resultando em valores de O.D. abaixo de 5 mg/L. Ressalta-se que no mês de
dezembro, devido ao início do verão e aos feriados de final de ano, a densidade
populacional no entorno da laguna aumenta, e o nível da água já está bastante
elevado devido ao tempo que a barra permaneceu fechada (desde agosto). Assim, a
ocupação no entorno pode ser um dos fatores responsáveis pela diminuição do
oxigênio da laguna, especialmente devido ao aumento no volume de efluentes
domésticos e sanitários lançados no corpo hídrico nestas épocas, atrelado à subida
nas temperaturas do ar e da água. A matéria orgânica exige mais dos decompositores
e estes, por sua vez, exigem mais oxigênio para decompô-la.

Figura 11 – Variação de oxigênio dissolvido no decorrer das coletas.


51

Figura 12 – Comportamento do oxigênio dissolvido em todos os pontos no decorrer das coletas.

O pico do período de barra fechada, com elevação dos teores de O.D., em


janeiro, provavelmente está associado à elevada precipitação deste mês, o que
justifica a sua correlação positiva com a precipitação (0,290), tendo em vista que tal
fenômeno permite a dissolução de oxigênio atmosférico na coluna d’água, além de
permitir maior movimentação da mesma. Outro fato importante é sua correlação
negativa com a temperatura do ar (-0,398), já que o mês de julho apresentou as
temperaturas mais baixas de todo o período amostral e isso está ligado com pressão
atmosférica exercida pela cama de ar: quanto mais quente, mais agitadas estão as
moléculas, permitindo com que a pressão sobre a lâmina de água diminua. Nos meses
mais frios, a baixa temperatura mantém as moléculas presentes no ar menos agitadas,
amentado a pressão sobre a coluna d’água, o que permite maior oxigenação do meio
(FUNASA, 2014).

O O.D. se correlacionou significativamente com a temperatura da água (-0,378),


de maneira negativa, também justificável pelo mesmo motivo da correlação com a
temperatura do ar; também se correlacionou negativamente com turbidez, como já
citado anteriormente, positivamente com sólidos dissolvidos totais (0,582), potássio
(0,442), detergente/las (0,331) e com a precipitação acumulada de 15 dias (0,290).
Ressalta-se que os componentes contidos em detergentes e o potássio podem atuar
como nutrientes para macrófitas e algas, possibilitando assim maior oxigenação da
água advinda da fotossíntese de tais vegetais (CETESB, 2017).
52

e) Salinidade e Condutividade Elétrica

A condutividade elétrica e a salinidade se comportaram de maneira parecida,


especialmente pelo fato de se expressarem pela quantidade de sais dissolvidos na
água. Assim, estão intimamente e fortemente correlacionadas (1,00).

Os valores de salinidade variaram desde 1,40 a 27,13%o, com média de


15,59%o, e com grandes variações de valores, com desvio padrão de 4,04% o (tabela
6). O menor valor foi encontrado em P8, referente à coleta de dezembro, mês no qual
as precipitações mensais começaram a subir, aumentando o volume de água na
laguna que estava elevado, tendo em vista que a desembocadura estava fechada,
diluindo ainda mais os sais disponíveis no meio. O P8 está situado na Lagoa de Cima,
porção mais distante da conexão com o mar. Próximo a P8 também deságua um
córrego de água doce, o que pode ter influído na baixa salinidade.

O maior valor foi evidenciado em P4 na coleta de junho/2020. Este ponto se


situa na Lagoa de Baixo e os valores elevados se justificam pela recente abertura da
barra, em junho/2020, anterior à data da coleta. É interessante destacar que, conforme
Resolução CONAMA 357 (BRASIL, 2005), valores de salinidade abaixo de 0,5 % o
denotam corpo d’água com água doce; e corpos de água salobra devem possuir
salinidade de até 30%o. Assim, as águas da Lagoa de Ibiraquera são consideradas
salobras por estarem nesta faixa.

Tabela 6 – Valores de salinidade obtidos durante o período de coletas.


Salinidade (%0)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 10,62 20,90 14,31 14,29 6,24 12,82 6,10 6,86 14,34 13,51 24,95

P2 24,93 21,32 17,71 14,40 13,44 14,12 12,83 11,75 14,54 14,10 25,85

P3 22,26 19,99 17,29 14,14 11,69 13,95 11,18 8,20 14,35 14,30 25,90

P4 23,50 21,06 17,58 14,72 13,39 13,97 12,91 11,31 14,19 14,02 27,13

P5 20,43 20,92 17,99 14,83 13,95 14,11 13,06 12,06 14,25 14,04 26,05

P6 17,11 20,37 17,94 15,27 14,36 14,41 13,53 12,40 13,67 14,07 23,57

P7 16,05 20,39 17,70 15,40 14,99 14,85 14,16 12,93 13,78 13,99 16,80

P8 16,70 18,41 17,84 15,63 14,93 1,40 15,23 14,13 13,97 13,58 15,36

P9 16,21 18,09 18,05 15,34 15,24 15,22 15,16 11,10 13,53 13,38 14,02

P10 16,33 16,20 17,96 15,41 15,21 15,76 15,52 12,04 14,14 13,89 13,35

P11 16,25 17,51 18,09 15,27 14,97 15,72 15,27 13,94 13,68 13,63 13,99
53

P12 16,36 21,36 17,86 15,48 14,87 15,85 15,20 13,86 14,00 13,87 15,35

P13 20,61 17,26 17,66 14,61 13,73 14,16 12,78 12,04 14,37 14,22 25,45

P14 24,50 15,25 26,00 8,24 12,54 13,07 12,16 11,34 14,40 13,65 25,92

Máx 27,13 Méd 15,59 Mín 1,40 D.P. 4,04

As figuras 16 e 17 trazem gráficos para se entender melhor o comportamento


da salinidade no decorrer do período amostral. Como se observa na figura 16, é nítido
que durante os períodos em que a desembocadura para o mar esteve aberta -
julho/2019, metade de agosto/2019 e junho/2020 – os valores de salinidade tiveram
maiores variações nos segundo e terceiro quartis, bem como valores absolutos mais
elevados, o que também foi evidenciado por Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005) ao
estudarem as mudanças nas características da água da Lagoa de Ibiraquera após
abertura da desembocadura/barra.

Na figura 17, observa-se o comportamento da salinidade de todos os pontos


durante o período amostral. Verifica-se que P2 é o ponto que se situa no canal da
barra, por isso começa com valores bem acima dos demais. O ponto P8, que
apresentou menor valor der salinidade é local que apresentou maior variação negativa
em relação aos demais.

Figura 13 – Variação da salinidade no decorrer das coletas.


54

Figura 14– Comportamento da salinidade em todos os pontos no decorrer das coletas.

A condutividade elétrica se comportou da mesma maneira que a salinidade,


especialmente porque esta última foi determinada a partir da primeira, variando de
3,99 mS/m a 60,75 mS/m, com valor médio de 36,29 mS/m (tabela 7). Os valores
maiores foram evidenciados em todas as coletas com barra aberta. As figuras 18 e 19
mostram o comportamento deste parâmetro, similar ao da salinidade.

Tabela 7 – Valores de condutividade elétrica obtidos durante o período de coletas.


Condutividade Elétrica (mS/m)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 25,66 47,81 33,75 33,71 15,73 30,51 15,40 17,16 33,80 32,01 56,25

P2 56,22 48,68 41,05 33,94 31,85 33,34 30,52 28,16 34,25 33,29 58,11

P3 50,67 45,89 40,16 33,37 28,03 32,96 26,90 20,22 33,83 33,73 58,23

P4 53,26 48,14 40,77 34,64 31,74 33,00 30,70 27,18 33,49 33,12 60,75

P5 46,83 47,84 41,64 34,86 32,96 33,31 31,02 28,84 33,62 33,15 58,52

P6 39,79 46,69 41,54 35,82 33,85 33,97 32,06 29,58 32,35 33,23 53,38

P7 37,51 46,73 41,03 36,10 35,22 34,92 33,42 30,75 32,60 33,05 39,10

P8 38,90 42,55 41,32 36,59 35,08 3,99 35,74 33,36 33,00 32,17 36,01

P9 37,83 41,87 41,77 35,97 35,75 35,72 35,59 26,71 32,05 31,72 33,11

P10 38,11 37,83 41,58 36,12 35,69 36,87 36,37 28,80 33,38 32,83 31,65

P11 37,93 40,63 41,85 35,83 35,18 36,80 35,82 32,94 32,37 32,27 33,06

P12 38,16 48,77 41,36 36,27 34,95 37,08 35,67 32,77 33,07 32,80 36,00

P13 47,19 40,08 40,95 34,40 32,48 33,43 30,41 28,80 33,87 33,56 57,30

P14 55,31 35,77 37,73 20,31 29,88 31,05 29,06 27,24 33,94 32,31 58,26
55

Máx 60,75 Méd 36,29 Mín 3,99 D.P. 8,52

Figura 15 – Variação da condutividade elétrica no decorrer das coletas.

Figura 16 – Comportamento da condutividade elétrica em todos os pontos no decorrer das coletas.

Entre as correlações da salinidade e da condutividade elétrica com demais


parâmetros, destacam-se as correlações positivas e fortes com sólidos dissolvidos
totais (0,864) e potássio (0,831), este último especialmente por constituir sais na
coluna d’água. Rodrigues Filho et al (2015) também evidenciou uma correlação forte
entre potássio e condutividade elétrica em seus estudos, o que se justifica pela
56

presença de íons de potássio serem atuantes na condutividade da água. Os mesmos


estão presentes em variados tipos de solo, assim como o do terreno da Lagoa de
Ibiraquera, como já abordado anteriormente. Os sólidos dissolvidos totais dispersos
em água podem carregar grande quantidade de íons que atuam tanto na salinidade
quanto na condutividade, promovendo uma relação diretamente proporcional entre
esses parâmetros.

Ao mesmo tempo, a salinidade e a condutividade se correlacionaram


negativamente, de maneira moderada, com coliformes totais (-0,489) e E.coli (-0,464),
o que denota que o material orgânico ao qual esses micro-ogranismos estão
associados não interage bem com a condutividade elétrica e que tais micro-
organismos têm pouca tolerância à salinidade da água, conforme constataram
Marques, Barbieri e Doi (2014), ao estudarem a densidade colimétrica de um corpo
de águas salobras, sob influência de precipitação. Também se evidenciou correlação
negativa e moderada com nitrogênio amoniacal (-0,511), sílica (-0,403), e temperatura
do ar (-0,554), o que pode estar associado à intrusão de água salina no meio lagunar,
promovendo a ciclagem das massas de água.

Além destas, houve correlações positivas da salinidade e condutividade com o


oxigênio dissolvido (0,430), com detergentes (0,224); e negativas com fósforo total (-
0,256), nitrito (-0,238), nitrato (-0,263), e sulfeto (-0,318). Tais correlações também
podem ser justificadas pela ciclagem de massas e água promovida pela entrada de
água do mar.

f) Demanda Bioquímica de Oxigênio

Os valores de D.B.O. variaram bastante, desde 0 em pontos distintos a 80 mg/L


em P5, com valor médio de 8,82 mg/L (tabela 8). Ressalta-se que valores elevados
podem resultar de grandes despejos de matéria orgânica no corpo lagunar (CETESB,
2017). Ao visualizar o mapa de uso do solo e através de visitas in loco para
amostragem, percebe-se que o P5 está situado justamente no canal de conexão entre
a Lagoa de Baixo e a Lagoa do Meio, o que pode justificar seu elevado valor em
setembro de 2019. Contudo, ao se comparar com demais meses, percebe-se que o
mesmo não apresentou valores muito elevados em relação à média, e que este foi um
57

mês atípico, possivelmente pelo lançamento de efluentes sanitários provindos de


residências às margens da laguna. Segundo a CETESB (2017), a DBO de efluentes
sanitários está na faixa de 100 a 440 mg/L, com valor típico de 220 mg/L. Os valores
elevados de D.B.O. encontrados neste e em demais pontos podem representar tais
cargas de efluentes já diluídos no corpo lagunar.

Tabela 8 – Valores de D.B.O. obtidos durante o período de coletas.


D.B.O. (mg/L)
Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 5,40 24,00 18,00 2,30 0,20 2,50 3,20 2,70 1,70 1,00

P2 17,00 14,00 30,00 21,00 3,10 0,20 2,80 3,20 2,20 1,70 1,00

P3 59,40 0,90 35,00 34,00 2,60 0,50 2,30 0,60 2,50 1,80 1,00

P4 4,90 1,90 23,00 17,00 3,70 0,10 2,40 0,30 2,70 1,90 1,00

P5 33,81 0,00 80,00 17,00 1,40 0,30 2,40 0,80 2,20 1,60 1,00

P6 36,00 2,90 22,00 15,00 3,20 3,40 2,40 1,30 2,10 1,80 1,50

P7 18,66 8,00 24,00 15,00 3,30 0,10 5,00 0,60 2,30 2,10 1,00

P8 73,00 0,00 20,00 16,00 3,10 0,10 5,80 0,20 2,30 1,20 6,10

P9 0,00 2,10 30,00 14,00 3,80 0,10 5,70 0,40 2,60 1,90 1,00

P10 0,00 22,00 25,00 16,00 3,60 0,10 1,30 0,20 2,20 1,70 1,00

P11 0,00 5,80 41,00 48,00 3,40 0,10 5,50 0,20 2,40 2,00 6,80

P12 0,00 78,00 45,00 15,00 3,50 0,10 6,90 0,50 2,30 1,90 1,20

P13 2,90 1,00 29,00 25,00 3,90 0,10 6,40 0,20 1,70 2,30 1,00

P14 34,08 0,20 26,00 20,00 3,40 0,10 5,90 0,30 2,30 2,40 1,10

Máx 80 Méd 8,82 Mín 0 D.P. 14,84

De maneira geral, ao se analisar os gráficos das figuras 20 e 21, percebe-se


que no início das coletas, os valores encontrados foram bem mais elevados do que
ao final das coletas, ou seja, tendeu a diminuir no decorrer das mesmas. A justificativa
pode se dar devido ao volume de água da Lagoa de Ibiraquera que, com a
desembocadura fechada em agosto/2019, não teve como extravasar até sua próxima
abertura. Devido a isso, durante o período das coletas, era nítido o volume da laguna
em constante subida. Com mais volume de água, maior é a capacidade de diluição do
corpo hídrico, o que pode ter contribuído para a diminuição gradativa da D.B.O.
Percebe-se também que após declínio das concentrações de D.B.O. no mês de
novembro/2019, os valores só voltam a subir, de maneira leve, novamente em
janeiro/2020, mês em que há maior concentração de turistas na região de Imbituba e
58

Garopaba, o que pode refletir no volume de efluentes sanitários lançados em


Ibiraquera. Contudo, a tendência de diminuição de D.B.O. no decorrer das coletas é
intrigante e contrapõe o aumento de efluentes em meses de barra fechada devido ao
aporte populacional especialmente no verão. Esse fato pode ser justificado por alguma
atividade de característica industrial ou algum evento que tenham lançado grande
quantidade de matéria orgânica nos meses mais elevados de D.B.O. e que não tenha
seguido nos demais meses.

Figura 17 – Variação da D.B.O. no decorrer das coletas.

Figura 18 – Comportamento da D.B.O. em todos os pontos no decorrer das coletas.


59

A D.B.O se correlacionou positivamente com condutividade elétrica (0,211) e


salinidade (0,210), sólidos dissolvidos totais (0,209), potássio (0,324), e precipitação
acumulada de 15 dias (0,233); e de maneira negativa com pH (-0,186), nitrogênio
amoniacal (-0,247), fósforo total (-0,527), nitrato (-0,225) e detergente/las (-0,231).
Destacam-se os valores encontrados entre fósforo total e D.B.O., que divergem da
correlação positiva encontrada em Rodrigues Filho e colaboradores (2015) entre os
mesmos parâmetros. Como já mencionado, o fósforo é um dos principais nutrientes
assimilado pelos vegetais, o que pode resultar na maior proliferação dos mesmos, ou
seja, o consumo de fósforo em excesso pode gerar maior matéria orgânica advinda
da morte destes organismos, que demanda maiores concentrações de oxigênio para
decomposição bioquímica, elevando a D.B.O. Assim, quanto maior o fósforo
consumido, maior pode ser a matéria orgânica necessária para ser decomposta.

g) Sólidos Dissolvidos Totais

Os valores de sólidos dissolvidos totais obtidos após aquecimento da amostra


em estufa a 180 °C variaram desde 8710 mg/L em P12 na amostra de out/2019 a
36370 mg/L em P6, na amostra de agosto de 2019. Todos os valores obtidos estão
elencados na tabela 9, bem como média, mínima, máxima e desv. pad. Ressalta-se
que os valores encontrados foram mais elevados do que valores encontrados por
Pereira e Mendonça (2006), ao estudarem uma lagoa costeira no estado do Espírito
Santo, contudo esta se encontrava com a barra fechada por obras de engenharia.

Tabela 9 – Valores de sólidos dissolvidos totais obtidos durante o período de coletas.


D.B.O. (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 14640 26130 19290 18750 10350 16670 19236 11260 18050 17500 31830

P2 31170 27610 20420 19240 18560 18390 18990 15400 18470 18330 35370

P3 27080 26370 21930 19230 16650 18260 19523 15800 18500 18300 36160

P4 29700 27890 20650 19820 18670 18020 19250 14910 17800 18250 38580

P5 26520 26640 21900 19850 18830 18340 18800 16630 17830 18250 35450

P6 22160 36370 21550 19850 19070 18390 19120 16470 18140 17960 36890

P7 21160 26770 22160 20410 20400 19540 20080 16940 18560 18390 34930

P8 22330 24350 22640 20820 20540 20440 21340 18000 18830 18280 22200
60

P9 21790 23530 23630 20800 21070 21170 21460 14980 18830 18200 20230

P10 22330 21640 24010 20090 21250 9740 21600 15910 18700 15800 20850

P11 22050 23390 23260 21620 20830 20240 22280 17900 18280 17400 21980

P12 21450 23850 22929 8710 20030 19990 21190 18020 18260 18120 24420

P13 26130 27740 21550 20730 18750 17720 18770 15910 19040 18480 36300

P14 30790 19940 22080 14350 17970 16730 17700 15310 18900 17740 34400

Máx 36370 Méd 20016,91 Mín 8710 D.P. 6861,94

Ao se avaliar os gráficos das figuras 22 e 23, observa-se que os valores


estiveram mais elevados antes do fechamento após a abertura da barra, ou seja, os
valores se mantiveram mais baixos nos períodos em que a barra se manteve fechada,
o que claramente está relacionado com a influência das correntes marinhas e da
movimentação das massas de água entre a laguna e o Oceano Atlântico, tanto quanto
à entrada de água salina quanto à saída de água salobra da laguna. Tal movimentação
pode ser responsável pelo aporte de sólidos dissolvidos totais encontrados no corpo
lagunar.

Na figura 23, o P6 chama atenção por seu valor mais elevado em ago/19.
Ressalta-se que às margens deste ponto, durante todo o período amostral, houve a
construção de uma residência de dois pisos, à margem da Lagoa de Ibiraquera, o que
pode ter contribuído para a elevada quantidade de sólidos encontrados.

Figura 19 – Variação da sólidos dissolvidos totais no decorrer das coletas (mg/L).


61

Além disso, os sólidos dissolvidos totais obtiveram correlação positiva e forte


com o potássio (0,730), e devido ao mesmo estar relacionado com a composição do
solo e com a composição de fertilizantes, pode-se inferir ambas as situações, tendo-
se em vista os pequenos plantios domésticos que ocorrem em residências às margens
de Ibiraquera e a constituição de potássio presente em Granito Paulo Lopes e Granito
Garopaba, presentes no terreno da laguna.

Figura 20 – Comportamento da sólidos dissolvidos totais em todos os pontos no decorrer das coletas
(mg/L).

As correlações negativas mais significantes consideradas moderadas dos


S.D.T. aconteceram com nitrogênio amoniacal (-0,433), com coliformes totais (-0,434),
com E. coli (-0,464), com a temperatura da água (-0,544) e a temperatura do ar (-
0,536) e com a sílica (-0,503). Além disso, o S.D.T. apresentou correlações não tão
significativas com outros parâmetros, como fósforo total (-0,165), nitrito (-0,225),
nitrato (-0,357), sulfeto (-0,257), turbidez (-0,349), e com D.B.O. (0,209). Segundo
Deorsola (2006), o Potássio tem efeitos coagulantes e adsorvativos quando em água,
o que permite a sedimentação de material associado à grande parte dos parâmetros
citados. A autora ainda obteve, como resultado em seus experimentos, os cátions de
potássio como os mais incorporados em matéria orgânica.

h) Nitrogênio Amoniacal, Nitrito e Nitrato


62

Os valores de nitrogênio amoniacal encontrados não foram muito relevantes,


tendo em vista que não foram próximos à concentração máxima permitida pela
legislação (BRASIL, 2005), de 0.4 mg/L, o que pode caracterizar boas condições
tróficas do corpo lagunar, bem como baixas emissões de efluentes domésticos
próximas aos pontos de coletas. Os valores resultantes variaram de 0,0 a 0,02 mg/L,
com média 0,01 e desv. pad. de 0,0047, o que remete à linearidade dos dados. Como
já mencionado por CETESB (2017), o nitrogênio amoniacal é o composto nitrogenado
com o estado menos oxidado em relação aos demais abordados neste estudo, o que
representa fontes de poluição recentes. Logo o resultado pode apontar que não houve
despejos recentes de efluentes domésticos contento amônia no corpo lagunar nos
dias das coletas, ou, os pontos escolhidos não coincidiram com lançamentos pontuais
de efluentes. Todos os valores obtidos, inclusive máxima, média, mínima e desvio
padrão estão elencados na tabela 10.

Tabela 10 – Valores de nitrogênio amoniacal obtidos durante o período de coletas (mg/L).


Nitrogênio Amoniacal (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,01 0,01 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P2 0,00 0,00 0,01 0,01 0,02 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P3 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P4 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P5 0,02 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P6 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P7 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P8 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P9 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P10 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P11 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P12 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P13 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P14 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

Máx 0,02 Méd 0,01 Mín 0 D.P. 0,0047

Ao se comparar os resultados adquiridos neste estudo com os resultados


obtidos por Rodrigues Filho et al (2015) em seus estudos em estações amostrais no
63

Rio Xingu, percebe-se uma grande discrepância nas concentrações de nitrogênio


amoniacal, sendo que este estudo apresentou valores muito abaixo dos obtidos
naquele. Contudo, ao se comparar os valores de nitrogênio amoniacal encontrados
neste estudo com os valores encontrados por Bonetti, Bonetti e Beltrame (2005) no
mesmo complexo lagunar, nota-se que a Lagoa de Ibiraquera apresentou melhora em
relação à presença de nitrogênio amoniacal. Os valores médios encontrados por estes
estudiosos foram de 0 mg/L, 0,01 mg/L, 0,19 mg/L e 0,44 mg/L, para os bolsões da
Lagoa de Baixo, Lagoa do Meio, Lagoa de Cima e Lagoa do Saco, respectivamente.
As figuras 24 e 25 exibem melhor o comportamento dos dados para N.A.

Figura 21 – Variação de nitrogênio amoniacal no decorrer das coletas (mg/L).

Figura 22 – Comportamento de N. A. em todos os pontos no decorrer das coletas (mg/L).


64

O parâmetro nitrogênio amoniacal se correlacionou positivamente de maneira


mais significativa com a temperatura (0,527), com o fósforo total (0,699) e com a
temperatura do ar; e de maneira negativa com a condutividade elétrica (-0,511) e
salinidade (-0,511) e sólidos dissolvidos totais (-0,433). Os valores correlacionados
com o fósforo total podem estar ligados ao despejo de efluentes ou matéria orgânica
advinda de resíduos fecais, tanto de animais quanto de humanas, e tal correlação
pode ser justificada com base nisso. Percebe-se ainda que os valores com maiores
variações se mantiveram entre outubro e dezembro, o que pode estar associado com
o aumento da ocupação ao redor de Ibiraquera em meses de calor.

Quanto aos valores de nitrito, o composto intermediário de oxidação de


compostos nitrogenados estudados, os valores também se mantiveram bem baixos
de maneira geral, contudo houve resultados acima do máximo permitido pela
Resolução CONAMA 357/2005 (BRASIL, 2005), de 0,07 mg/L. Apenas em P12, P13
e P14 nas coletas de novembro de 2019 ocorreram concentrações acima do permitido,
com 0,10 e 0,13 mg/L (destacados em cinza na tabela 11). Ressalta-se que os pontos
se encontram próximos um do outro, sendo P14 na Lagoa do Saco e P13 próximo ao
canal onde esta desemboca na Lagoa de Baixo. Tal resultado pode denunciar
lançamentos pontuais de efluentes neste setor lagunar ou próximo a ele, tendo em
vista que o nitrito está em segundo estado de oxidação posterior à amônia. Contudo,
de maneira geral, os valores não foram alarmantes, se mantendo abaixo do valor limite
para a grande maioria das amostras. A tabela 11 elenca todos os valores obtidos par
ao parâmetro nitrito.

Tabela 11 – Valores de nitrito obtidos durante o período de coletas, em mg/L.


Nitrito (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,03 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00

P2 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,00

P3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,00

P4 0,00 0,00 0,03 0,00 0,03 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01

P5 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,00

P6 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P7 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,00 0,00

P8 0,00 0,00 0,07 0,00 0,03 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,01
65

P9 0,00 0,01 0,00 0,07 0,03 0,03 0,00 0,01 0,00 0,01 0,01

P10 0,00 0,02 0,00 0,00 0,03 0,03 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01

P11 0,00 0,00 0,00 0,03 0,03 0,00 0,02 0,01 0,00 0,00 0,00

P12 0,00 0,00 0,00 0,00 0,13 0,00 0,01 0,01 0,00 0,00 0,01

P13 0,03 0,00 0,00 0,00 0,13 0,00 0,01 0,00 0,00 0,01 0,00

P14 0,03 0,00 0,03 0,03 0,10 0,03 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01

Máx 0,13 Méd 0,01 Mín 0,00 D.P. 0,02

Um fato interessante ao se analisar as figuras 26 e 27, é que, a maior variação


de valores ocorreu nos meses de novembro e dezembro, assim como aconteceu para
o parâmetro nitrogênio amoniacal, o que denota a correlação positiva entre os dois
parâmetros (0,248), já que, como já mencionado, o nitrito é um resultado da amônia
em processo de oxidação. Nas figuras 26 e 27 observa-se a variação de valores de
nitrito em relação ao valor máximo permitido pela legislação, indicado pela linha em
vermelho. Nota-se que os valores de 0,13 mg/L para nov/19 em P13 e P14 foram
considerados como outliers, por se afastarem muito da média, e foram os únicos que
se apresentaram acima do limite estabelecido pela legislação de 0,07 mg/L. Portanto,
não são valores tão pertinentes pelo fato de não serem frequentes e podem indicar
alguma fonte de contaminação próximo ao local de coleta, porém já em estado de
oxidação.

Figura 23 – Variação de nitrito no decorrer das coletas.


66

Os valores de nitrito encontrados neste estudo se apresentaram maiores do


que os valores encontrados em estudo anterior na Lagoa de Ibiraquera por Bonetti e
colaboradores (2005). Estes encontraram valores médios de 0,01 mg/L em todos os
quatro bolsões do complexo lagunar, sem falar que o valor máximo encontrado por
eles foi de 0,02 mg/L, diferentemente dos valores encontrados neste estudo, que
alcançou 0,13 mg/L em novembro de 2019, indicando uma piora em relação a este
parâmetro, apesar de que este mês tenha sido o único a apresentar valores acima do
permitido pela legislação e em apenas dois pontos, o que não o caracteriza como uma
situação alarmante.

Figura 24 – Comportamento de nitrito em todos os pontos no decorrer das coletas (em mg/L).

O nitrito só teve correlações consideradas fracas, além do nitrogênio amoniacal,


com os parâmetros coliformes totais (0,210), E. coli (0,176), e temperatura do ar
(0,224), o que pode estar associado a fontes poluentes contendo matéria fecal animal
ou humana.

O nitrato, por sua vez, é o composto resultante da oxidação do nitrito, após


oxidação da amônia. Os valores de nitrato obtidos estão expressos na tabela 12,
variando desde 0 em vários pontos a 2,10 mg/L em P5 na coleta de julho/2019. Os
valores destacados em cinza estiveram acima do limite máximo permitido pela
legislação, de 0,4 mg/L. As figuras 28 e 29 apresentam gráficos sobre os valores de
nitrato obtidos.
67

Em comparação com as análises de Bonetti et al (2005), os valores


encontrados neste estudo se mantiveram, em sua maioria, mais elevados.

Tabela 12 – Valores de nitrato obtidos durante o período de coletas.


Nitrato (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,27 0,12 0,50 0,00 0,39 0,00

P2 0,00 0,07 0,00 0,18 0,00 0,23 0,00 0,63 0,00 0,28 0,00

P3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04 0,00 0,48 0,00 0,51 0,00

P4 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,49 0,00 0,93 0,00 0,33 0,00

P5 2,10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,94 0,00 1,40 0,00

P6 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,00 0,43 0,00 1,47 0,00

P7 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1,21 0,00 0,03 0,00

P8 0,71 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,82 0,89 0,00 0,40 0,00

P9 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04 0,42 0,00 0,00 0,18 0,00

P10 0,09 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,39 0,00

P11 0,38 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,16 0,00 0,29 0,00

P12 0,12 0,00 0,05 0,00 0,00 1,16 0,25 0,29 0,00 0,31 0,00

P13 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,43 0,00

P14 0,53 0,00 0,00 0,06 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,29 0,00

Máx 2,10 Méd 0,14 Mín 0,00 D.P. 0,32

É interessante notar que a maioria destes valores acima do valor de referência


da legislação se concentraram nas coletas de fevereiro/2020. Ao se comparar os
valores de nitrato e a temperatura média do ar no dia da coleta, percebe-se que eles
se correlacionam positivamente (0,224). Apesar de ser uma correlação considerada
fraca, destaca-se que o dia da coleta foi em uma segunda-feira com a segunda maior
temperatura média do ar (23,27 °C) durante todo o período amostral, conforme o
quadro 7, o que pode justificar maiores lançamentos de amônia em água proveniente
de efluentes domésticos advindos de casas de veraneio que recebem, em sua maioria,
contingentes de turistas especialmente durante os finais de semana de maiores
temperaturas, para usufruto da região praiana onde se situa a Lagoa de Ibiraquera.
68

Figura 25 – Variação de nitrato no decorrer das coletas.

Figura 26 – Comportamento de nitrato em todos os pontos no decorrer das coletas.

Além da correlação significativa com a temperatura da água, o nitrato se


correlacionou positivamente com o nitrogênio amoniacal (0,288), e negativamente
com a D.B.O. (-0,225), com a salinidade e condutividade elétrica (-0,263), com O.D. (-
0,133), com potássio (-0,180) e com sólidos totais (-0,357). Este último chama atenção
pelo fato de que a concentração de sólidos em água pode estar relacionada com
partículas minerais e não com compostos nitrogenados. A correlação negativa com
compostos contendo sais, como potássio, e com salinidade e condutividade elétrica,
podem estar associados à capacidade adsorvativas destes íons em água, alterando a
disponibilidade de compostos nitrogenados (DEORSOLA, 2006).
69

i) Coliformes totais e E. coli

Os resultados de coliformes totais e E. coli apresentaram valores preocupantes,


especialmente por ambos terem atingidos os valores máximos de detecção para os
ensaios realizados, de 2419,60 NMP/100mL.

Os valores de coliformes totais variaram desde 140,3 (em cinza, em P14) ao


valor máximo de 2419,6 NMP/100mL (em vários pontos), conforme a tabela 13, sendo
que a legislação não estabelece valores máximos para esse parâmetro, contudo o
número de coliformes totais abrange a quantidade de E. coli, já que tais bactérias
estão contidas no grupo mais abrangente. Todos os meses amostrados apresentaram
o valor máximo de detecção para coliformes totais em pelo menos 5 pontos amostrais.
Destacam-se os meses de dezembro, fevereiro e abril resultaram em valores máximos
em todos os pontos amostrados, sendo que em ambos os períodos coletados foram
predominantemente meses de verão (exceto abril), onde aumenta o aporte
populacional de região devido aos turistas de veraneios. As figuras 30 e 31 elencam
gráficos onde se pode verificar melhor o comportamento do parâmetro coliformes
totais durante o período de coleta.

Tabela 13 – Valores de coliformes totais obtidos durante o período de coletas.


Coliformes Totais (NMP/100mL)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2419,60 1119,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1732,90
P2 1299,70 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 980,40

P3 2419,60 380,40 2419,60 770,10 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 920,80

P4 1986,30 214,20 2419,60 920,80 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 816,40

P5 866,40 1046,20 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 920,80

P6 2419,60 2419,60 2419,60 1046,70 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1732,90 235,90

P7 2419,60 1986,30 2419,60 1553,11 1732,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1986,30

P8 2419,60 2419,60 2419,60 410,60 2419,60 2419,60 1119,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P9 1203,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P10 1553,10 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1299,70 2419,60

P11 1732,90 2419,60 1299,70 2419,60 2419,60 2419,60 1203,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P12 1203,30 2419,60 1413,60 461,10 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60

P13 1986,30 1732,90 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1986,30 920,80

P14 866,40 2319,60 2419,60 2419,60 140,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60
70

Máx 2419,60 Méd 2112,70 Mín 140,3 D.P. 597,91

Figura 27 – Variação de coliformes totais no decorrer das coletas.

Figura 28 – Comportamento de coliformes totais em todos os pontos no decorrer das coletas.

Como se pode observar, os gráficos podem não ter demonstrados os


comportamentos reais do parâmetro devido à limitação analítica, o que pode implicar
em valores muito acima destes. Contudo, alertam quanto às concentrações elevadas
encontradas para tal grupo de microrganismos que englobam bactérias
potencialmente contaminantes advindas de contaminação fecal (VIEIRA, 2015).
Oliveira (2006) ressalta ainda que micro-organismos patogênicos são difíceis de se
71

encontrar isoladamente em corpos d’água poluídos, e, por isso, a presença de


coliformes pode indicar a presença de potenciais patógenos em água. Nesse quesito,
destaca-se a E. coli, cuja presença em água é um indicativo da presença de outros
micro-organismos intestinais com potencial patogênico, como vírus, protozoários e
outras bactérias, segundo o autor.

Portanto, os valores de E. coli se tornam ainda mais preocupantes,


especialmente pelo fato de essa bactéria ser a principal indicadora de contaminação
de origem fecal de animais, assim como o ser humano, e ser raramente encontrada
em ambientes não contaminados por fezes (VIEIRA, 2015; CETESB, 2017). A tabela
14 elenca os valores de E. coli encontrados neste estudo, variando de 29,90
NMP/100mL ao valor máximo de detecção estabelecido pelo ensaio, de 2419,6
NMP/100mL. Assim, se afirma o mesmo para coliformes totais, onde os valores de
detecção, limitados pelo método de análise, podem esconder resultados muito mais
preocupantes.

Na tabela 14, os valores destacados em cinza estiveram acima do valor de


referência determinado pela Resolução CONAMA 274 (BRASIL, 2000). Ressalta-se
que o valor máximo de concentração deste parâmetro para considerar satisfatória a
balneabilidade de um corpo hídrico, conforme a Resolução 274 (BRASIL, 2000), é de
800 NMP/100mL para uma análise de 6 semanas onde 80% ou mais das amostras
devem chegar a este valor ou menos para serem consideradas satisfatória. Como este
estudo realizou uma análise por mês, considerou-se o valor máximo de 2000
NMP/100mL, onde a referida resolução considera a qualidade da água insatisfatória
quando o valor obtido na última amostragem seja superior a esse. Entretanto, enfatiza-
se a necessidade da amostragem conforme a referida portaria.

Tabela 14 – Valores de E. coli obtidos durante o período de coletas.


Escherichia coli (NMP/100mL)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2419,60 178,00 2419,60 686,70 1299,70 866,40 290,90 1203,30 2419,60 2419,60 435,20

P2 184,20 378,40 2419,70 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 1203,30 1553,10 1413,60 344,80

P3 307,60 410,60 2419,60 686,70 1119,90 344,18 1732,90 1203,30 613,10 727,00 307,60

P4 307,60 54,60 816,40 866,40 2419,60 1986,30 2419,60 2419,60 2419,60 2419,60 307,00

P5 143,00 67,00 770,01 2419,60 816,40 686,70 960,40 1299,70 1553,10 1299,70 88,60
72

P6 206,40 613,10 2419,60 920,80 866,40 1732,90 1413,60 1732,90 579,40 686,70 53,38

P7 517,20 727,00 980,40 1046,20 980,40 648,80 1046,20 1732,90 1203,30 1046,20 111,20

P8 290,90 920,80 365,40 275,50 517,20 547,50 488,4 479,40 1533,10 574,80 920,80

P9 75,40 1986,30 613,10 2419,60 547,50 1732,90 727,00 1553,10 2419,60 2419,60 1553,10

P10 29,90 2419,60 307,60 920,80 155,30 248,10 727,00 2419,60 84,90 75,20 435,20

P11 69,70 1203,30 162,40 2419,60 613,10 344,80 387,30 378,40 920,80 1119,90 325,50

P12 238,20 410,60 142,10 387,30 2419,60 1413,60 2419,60 1986,30 1119,90 1119,90 172,30

P13 488,40 378,40 2419,60 1732,90 866,40 727,00 513,10 2419,60 579,40 461,10 198,90

P14 195,60 1299,70 1413,60 1732,90 67,50 920,80 579,40 547,50 461,10 387,30 920,80

Máx 2419,60 Méd 1058,78 Mín 29,90 D.P. 795,42

O valor médio para E. coli esteve acima do valor de referência de 800


NMP/100mL para uma amostragem de 5 semanas conforme a legislação para
balneabilidade (BRASIL, 2005), com 1058,78 NMP/100mL. Sperling (2005) enfatiza
que valores elevados para este parâmetro são extremamente relevantes para a
caracterização sanitária do corpo hídrico e, ainda, podem afetar seus usos
preponderantes. Por isso entende-se que há urgência no enquadramento da Lagoa
de Ibiraquera pelo Comitê da Bacia do Rio Tubarão e o monitoramento com
amostragem correta conforme legislação.

Na figura 32, a linha vermelha indica o limite máximo de 2000 NMP/100mL


adotado para E. coli. Percebe-se que somente em julho de 2019, os resultados não
atingiram o valor máximo, exceto pelo outlier em P1, ponto próximo à desembocadura
e a contingentes de imóveis para usufruto da região da Praia da Barra de Ibiraquera,
o que pode refletir na concentração mais elevada. Os valores baixos no mês mais
representativo do inverno também apontam que o aporte de turistas baixo nesta época
contribui para a melhoria da qualidade da água, haja vista a diminuição no lançamento
de efluentes devido à menor ocupação de residências, principalmente destinadas a
veraneio. Junho de 2020 também teve comportamento parecido, especialmente por
ser um mês frio. Entretanto, além disso, frisa-se que estes dois meses foram períodos
em que a desembocadura esteve aberta, o que permite o escoamento de
contaminantes e a renovação das águas através das trocas de massas hídricas com
o oceano. Tal fato pode ser determinante para a manutenção da qualidade da água
no corpo lagunar.
73

Ao se analisar a figura 33, tem-se a mesma percepção do enunciado anterior.


Apesar de as linhas indicativas do comportamento do parâmetro, de modo geral,
observa-se que as concentrações de E. coli aumentaram subitamente após
fechamento da barra, no mês de agosto de 2019, e diminuíram abruptamente após
sua abertura, em junho anterior à coleta.

Figura 29 – Variação da E. coli no decorrer das coletas.

Figura 30 – Comportamento de E. coli em todos os pontos no decorrer das coletas.

Os valores encontrados para coliformes totais e E. coli neste estudo diferiram


expressivamente com os valores encontrados por Oliveira (2006) em laguna costeira
em condições de ocupação semelhantes à Ibriraquera no estado do Ceará. De
74

maneira geral, a Lagoa de Ibiraquera apresentou valores muito acima do encontrado


pelo autor, o que alarma ainda mais a situação.

A correlação negativa de intensidade moderada de coliformes totais com


condutividade elétrica e salinidade (-0,489) pode ser justificada especialmente pela
ciclagem das águas da lagoa promovida pela entrada de água do mar, bem como pela
menor tolerância dessas bactérias a águas salinas em relação a águas de menor
salinidade, como levantou Marques, Barbieri e Doi (2014). Além disso, a correlação
negativa com O.D. (-0,461) pode denotar que a matéria orgânica na qual grande parte
dos coliformes estão presentes necessita de oxigênio para ser decomposta por
demais micro-organismos. Ainda se evidenciou uma correlação moderada de maneira
inversamente proporcional entre coliformes toais e sólidos totais (-0,489), o que pode
ser reflexo da maior movimentação de sólidos em suspensão durante os períodos de
trocas de massa d’água através da desembocadura aberta, fato que também subsidia
correlação de igual teor com potássio (-0,465), embasado o que já foi mencionado
sobre esse elemento estar presente em material mineral na região, daí sua associação
com sólidos totais.

Em contrapartida, os coliformes totais se correlacionaram positivamente com a


turbidez (0,325), que pode ser gerada pela matéria orgânica a qual estão associados,
como enfatiza a CETESB (2017) ao mencionar que tais micro-organismos estão
presentes em águas com elevado teor de matéria orgânica. Houve também correlação
positiva com E. coli (0,575), que, como já dito, é um subgrupo contido no grupo de
coliformes totais. Destaca-se também a correlação fraca e positiva com a temperatura
do ar (0,384), que pode levantar justificativas acerca do usufruto da região em
períodos mais quentes, bem como para o melhor conforto térmico destes micro-
organismos.

O parâmetro E. coli se comportou de maneira parecida, com correlações


negativas com salinidade e condutividade (-0,464), com O.D. (-0,431), com potássio
(-0,387); e de maneira positiva e mais relevante com coliformes totais (0,575) e
temperatura do ar (0,403), justificando-se por motivos parecidos aos já mencionados
para o grupo de coliformes. A correlação negativa com O.D. também foi evidenciada
nos estudos de Rodrigues-Filho e colaboradores (2015), podendo estar associada à
carga de matéria orgânica de origem fecal presente na água e o consequente
75

consumo de oxigênio em seus processos de decomposição.

j) Fósforo total

O parâmetro fósforo total não teve valores muito relevantes, variando de 0 a


0,03 mg/L. Os valores máximos, médios, mínimo e de desvio padrão estão elencados
na tabela 15. As figuras 33 e 34 elencam o comportamento do parâmetro no decorrer
das coletas. O que mais se destaca é que os valores se comportam de maneira igual
em todos os meses, variando de 0 a 0,01 mg/L, com exceção do mês de dezembro,
onde atinge valores de 0,02 e 0,03 mg/L (marcados em cinza). Tal fato pode ser
justificado especialmente por ser o mês de abertura do verão e pode estar associado
a um aumento no aporte de pessoas na região e, por consequência, maior despejo de
efluentes. Os valores de fósforo total diferem bastante dos valores encontrados por
Rodrigues Filho et al (2015) em suas análises no rio Xingu e se mantiveram bem
abaixo.

A correlação representativa do parâmetro fósforo total com o potássio (-0,508),


de maneira inversamente proporcional, pode estar associada com a sua assimilação
por vegetais, visto que o fósforo é um dos nutrientes mais importantes para os
mesmos (Sperling, 2005), juntamente com o potássio, mas este retorna ao ambiente
após decomposição a biomassa que o assimilou (ESTEVES, 1998). Assim, pode se
dizer que quanto maior é o consumo de fósforo pela vegetação, maior será a
quantidade de vegetação apta a assimilar potássio e a se decompor, liberando-o ao
meio e aumentando a sua concentração em detrimento da diminuição de fósforo,
mesmo que não seja uma equação exata desta maneira e hajam outros fatores
atuantes. O mesmo vale para sua correlação com a D.B.O. (-0,527), já que mais
fósforo contribui para o aumento de sua assimilação por vegetais e estes necessitam
de oxigênio para serem decompostos. Contudo, a correlação entre esses parâmetros
diferiu do valor encontrado por Rodrigues-Filho e colaboradores (2015).

Diferentemente do que se esperava, o nutriente fósforo se correlacionou


negativamente com a precipitação (-0,269), o que pode embasar ainda mais a
observação de que não houve uma influência relevante das chuvas no aporte de
nutrientes. Mas os valores inversamente proporcionais podem se associar com a
76

presença de turistas na região, que aumenta em épocas de tempo limpo e com menor
precipitação. Assim, a maior carga de efluentes gerados nesses períodos podem influir
na quantidade de fósforo encontrado na água. Esta observação se firma com a
correlação positiva entre o parâmetro e a temperatura do ar (0,253). Na figura 34, se
pode notar que nenhum valor de fósforo alcançou o limite máximo estabelecido pela
resolução CONAMA 357/2005, de 0,124 mg/L, e a figura 35 elenca o ocmportamento
de todos os pontos par ao parâmetro.

Tabela 15 – Valores de fósforo total obtidos durante o período de coletas.


Fósforo total (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P2 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P4 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P5 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P6 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P7 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P8 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P9 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P11 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P12 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

P13 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01

P14 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00

Máx 0,03 Méd 0,01 Mín 0,00 D.P. 0,008


77

Figura 31 – Variação de fósforo total no decorrer das coletas.

Figura 32 – Comportamento de fósforo total em todos os pontos no decorrer das coletas.

k) Potássio

Os valores potássio variaram de 7,47 a 659,22 mg/L, com desvio padrão de


147,9 mg/L (tabela 16). O valor elevado de desvio padrão indica grande variação no
resultado das análises obtidas. Ressalta-se que o P2 obteve o valor máximo na coleta
de julho de 2020 e que este ponto se situa na desembocadura, o que pode justificar a
quantidade deste mineral lixiviado e/ou erodido de solos e rochas no perímetro do corpo
lagunar, sendo carreado até o oceano por movimento do fluxo das águas, bem como
pela influência das águas salobras com aporte de sais de cloreto de potássio.
78

Em comparação com os valores obtidos por Rodrigues-Filho et al (2015),


considerando que seu valor máximo encontrado em análise no Rio Xingu foi de 3,14,
as concentrações obtidas para o parâmetro na Lagoa de Ibiraquera se mantiveram
extremamente elevadas. A CETESB (2017) afirma que as concentrações deste
parâmetro em águas naturais são, normalmente, menores do que 10 mg/L, o que
também não está em consonância com os resultados obtidos neste estudo.

Tabela 16 – Valores de potássio obtidos durante o período de coletas.


Potássio (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 308,57 582,29 461,58 335,23 198,56 197,81 109,41 125,97 190,03 212,58 351,04

P2 659,22 604,87 522,10 329,37 190,57 195,51 163,49 176,62 200,81 225,40 367,03

P3 590,00 574,32 549,21 314,24 210,57 197,97 147,18 146,45 193,98 223,13 367,28

P4 616,36 596,71 552,29 338,31 220,52 197,43 162,40 169,15 192,77 224,81 383,68

P5 564,37 596,09 533,73 314,27 205,65 200,70 168,80 175,87 195,79 229,29 366,79

P6 472,88 582,84 557,22 334,47 198,56 202,64 174,18 180,32 191,21 224,76 333,49

P7 443,97 590,23 541,32 346,98 215,44 210,44 180,91 187,96 193,20 226,79 248,29

P8 464,87 512,66 525,12 358,04 213,52 216,21 192,99 198,65 196,06 225,73 235,58

P9 454,19 500,88 437,08 338,00 214,63 214,99 196,27 161,09 192,91 217,56 220,44

P10 458,67 453,03 410,41 352,09 212,55 222,77 197,35 179,11 201,62 223,48 212,09

P11 456,71 500,70 512,81 342,25 225,64 223,27 198,70 7,47 194,09 226,31 221,62

P12 455,27 512,58 509,04 345,45 210,02 228,39 204,28 198,30 198,27 225,44 236,48

P13 544,03 589,35 520,52 333,86 204,24 207,55 175,45 179,11 201,20 235,64 374,29

P14 649,93 437,24 485,12 218,47 192,56 193,16 165,83 172,24 199,02 227,57 366,87

Máx 659,22 Méd 306,38 Mín 7,47 D.P. 147,9

Na figura 36, observa-se o comportamento do potássio no complexo lagunar. É


notável que os valores de potássio se mantiveram baixos especialmente nos meses
de maior pluviosidade e mais quentes, se correlacionando de maneira negativa e
moderada com a temperatura da água (-0,668) e forte com a temperatura do ar (-
0,702). Contudo, ao se analisar a figura 37, percebe-se que o potássio estava elevado
no mês de julho de 2019 em praticamente todos os pontos, mas, após a obstrução da
desembocadura, em agosto/2019, as concentrações caíram com o passar tempo, até
voltarem a subir em maio e junho de 2020. Tendo isto por base, Libes (2009) elencou
valores de minerais cálcio, potássio e sódio nas águas do mar, sob condições de 25
79

°C e 1 atm de pressão e o resultado para o parâmetro potássio foi de 400 mg/L, o que
faz sentido quando correlacionamos o parâmetro com a salinidade e condutividade,
resultando em uma correlação positiva e forte (0,831). Deduz-se assim que um dos
principais aporte de potássio no corpo lagunar se dá através do oceano.

As figuras 36 e 37 apresentam comportamento parecido com os dados de


salinidade e condutividade, debatidos no item 5.4.6. Tal correlação elevada entre o
potássio e essas variáveis (0,831) denota a quantidade de sais de cloreto de potássio
presentes na água salina do mar, o que também se observa em no valor de P2 em
julho, ponto mais próximo à desembocadura.

Figura 33 – Variação de potássio no decorrer das coletas.

Figura 34 – Comportamento de potássio em todos os pontos no decorrer das coletas.


80

Além das correlações já evidenciadas, o potássio se correlacionou se maneira


interessante com a D.B.O. (0,324), com O.D. (0,442), com sólidos dissolvidos totais
(0,730), e que todos estes parâmetros estão atrelados à dinâmica e à ciclagem das
massas de água na Lagoa de Ibiraquera, promovidas pelas trocas com o oceano em
épocas de desembocadura aberta, como já foi abordado no itens referentes aos
parâmetros em questão.

Quanto a correlações negativas, o potássio se correlacionou de maneira


expressiva com nitrogênio amoniacal (-0,691), coliformes totais (-0,465), E. coli (-
0,387), sílica (-0,350) e sulfeto (-0,414). Os valores podem também estar associados
com a dispersão destes parâmetros promovido pela entrada e saída de água marinha
promovida pela abertura da barra.

l) Sílica

A tabela 17 aborda os valores obtidos nas análises do parâmetro sílica, que


variaram de 0 mg/L, em P7 e P13 no mês de agosto/19, a 2,92 em P1, no mês de
novembro/19 (marcados em cinza). Tais valores foram menores que os encontrados
por Bonetti e colaboradores (2005) ao estudarem o parâmetro na Lagoa de Ibiraquera.
Estes pesquisadores também avaliaram as mudanças nas características da água do
complexo lagunar após fechamento da barra e perceberam que os teores de silicatos
estiveram maiores enquanto a desembocadura com o mar esteve aberta (BONETTI;
BONETTI; BELTRAME; 2005).

Tabela 17 – Valores de sílica obtidos durante o período de coletas.


Sílica (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2,66 0,04 2,13 2,54 2,92 2,10 0,26 0,74 0,88 1,45 0,81

P2 1,08 0,01 1,60 2,14 2,13 2,36 1,73 1,73 1,46 1,09 0,53

P3 0,88 0,20 1,10 2,33 1,82 2,23 0,57 0,99 1,40 1,53 0,52

P4 0,62 0,00 0,88 2,67 1,80 2,15 1,15 1,04 1,46 1,25 0,52

P5 0,73 2,09 0,73 1,66 1,92 1,82 1,28 1,33 1,67 1,66 0,58

P6 0,78 0,68 2,18 2,09 1,83 2,35 1,35 1,22 1,60 1,63 0,57

P7 0,62 0,00 0,55 1,35 1,89 2,17 1,40 1,20 1,46 1,17 0,31
81

P8 0,67 0,40 0,70 1,46 2,25 2,18 1,47 0,95 0,82 0,96 0,39

P9 0,92 0,42 1,05 1,43 2,09 2,35 1,49 1,31 0,76 0,95 0,63

P10 0,67 0,63 0,60 1,80 2,06 2,41 1,48 1,06 0,81 0,78 0,7

P11 0,88 0,42 1,88 1,47 2,27 2,22 1,61 1,15 0,89 0,88 0,64

P12 0,71 0,48 0,61 1,87 2,10 2,17 1,48 1,02 0,80 0,80 0,36

P13 0,99 0,00 1,20 2,52 2,14 2,56 1,74 1,03 1,32 1,53 0,57

P14 1,20 1,07 1,40 2,21 2,08 1,94 1,44 1,50 1,44 1,74 0,56

Máx 2,92 Méd 1,30 Mín 0 D.P. 0,67

Ao se analisar as figuras 38 e 39, percebe-se que os valores de sílica


aumentaram em períodos de barra fechada (após agosto/19 e antes de junho/20), tal
fato pode estar associado à capacidade da laguna de receber cargas continentais
deste elemento e ao seu acúmulo em seu interior em períodos onde não haja o
extravasamento para o oceano, tal efeito foi abordado por Bonetti, Bonetti e Beltrame
(2005). Os dois gráficos apresentam valores mais elevados nos meses de outubro,
novembro e dezembro, meses estes que também tiveram elevadas precipitações, que
podem ter contribuído para lixiviação ou erosão deste mineral nos solos e rochas
presentes na microbacia da laguna, reforçando a ideia de que este elemento provém
da drenagem continental, resultando em uma correlação positiva, ainda que fraca,
com o parâmetro meteorológico precipitação. Além disso, a correlação positiva com a
turbidez (0,421) pode estar associada com a presença de sílica em partículas de
rochas e areias, em conjunto com demais minerais, que causam turbidez em água.

Figura 35 – Variação de sílica no decorrer das coletas.


82

Figura 36 – Comportamento de sílica em todos os pontos no decorrer das coletas.

Os valores de sílica também apresentaram relações diretamente proporcionais


com a temperatura da água (0,492) e do ar (0,482), o que se embasa nas questões
meteorológicas juntamente com o parâmetro precipitação, afinal os meses de maiores
precipitações se concentram na estação do verão, também com maiores temperaturas.
Ademais destas, chamaram a atenção as correlações entre sílica e
salinidade/condutividade elétrica (-0,403), perfeitamente justificado pela ciclagem de
águas e extravasamento possibilitado pela abertura da desembocadura; bem como
as correlações com O.D. (-0,496), sólidos dissolvidos totais (-0,503) e potássio (-
0,350), já que estes parâmetros se intensificam pela movimentação promovida pelo
fluxo de massas de água mediante desembocadura aberta. A correlação negativa
entre sílica e oxigênio dissolvido ainda pode estar associada ao fato de que a primeira
é um dos principais nutrientes que atuam na estrutura celular de seres fotossintéticos
responsável pela oxigenação advinda da fotossíntese, de acordo com Bonetti e
colaboradores (2005).

Resumidamente, os silicatos se apresentam em maiores concentrações em


períodos de laguna com maiores volumes de água e desembocadura fechada, tal
como se notou para os parâmetros bacteriológicos coliformes totais (0,227) e E. coli
(0,306), justificando também suas correlações diretamente proporcionais.

m) Sulfeto
83

O sulfeto apresentou grande relevância em seus resultados, especialmente


porque dos 154 resultados obtidos nas análises, 67 se apresentaram acima de 0,002
mg/L, limite estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005 (BRASIL, 2005) para
corpos de água salobra classe 1. Na tabela 18, pode-se visualizar todos as
concentrações de sulfeto obtidas durante as análises, variando de 0 em diversos
pontos, a 0,08 mg/L, em P14.

Segundo a CETESB (2017), a principal fonte de compostos contendo sulfeto


em águas superficiais é o despejo de efluentes sanitários. A redução de sulfato a
sulfeto produz gás sulfídrico (ESTEVES, 1998), que é altamente tóxico e possui odor
característico. Tal odor pode ser percebido durante as coletas, principalmente ao
caminhar em áreas mais lodosas, resultado do acúmulo de compostos contendo
enxofre nestas áreas.

Tabela 18 – Valores de sulfeto obtidos durante o período de coletas.


Sulfeto (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 0,00 0,00 0,00 0,02 0,06 0,01 0,03 0,02 0,00 0,00 0,00

P2 0,00 0,01 0,01 0,03 0,01 0,01 0,02 0,00 0,00 0,00 0,00

P3 0,00 0,00 0,00 0,07 0,01 0,03 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P4 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04 0,01 0,02 0,01 0,00 0,00

P5 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,00 0,00

P6 0,02 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P7 0,01 0,00 0,00 0,00 0,01 0,05 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P8 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

P9 0,01 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,03 0,01 0,02 0,00 0,00

P10 0,00 0,00 0,00 0,01 0,01 0,00 0,01 0,00 0,01 0,00 0,01

P11 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,01 0,01 0,02 0,00 0,00

P12 0,01 0,00 0,00 0,01 0,00 0,00 0,02 0,01 0,02 0,00 0,00

P13 0,00 0,00 0,02 0,02 0,00 0,00 0,03 0,01 0,02 0,00 0,00

P14 0,02 0,00 0,00 0,08 0,00 0,00 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00

Máx 0,08 Méd 0,01 Mín 0 D.P. 0,01

Mainier e Viola (2005) apontam que o gás sulfídrico ou sulfeto de hidrogênio


pode ser produzido naturalmente em zonas pantanosas, o que justifica o fato de P9
apresentar o maior número de análises contendo sulfetos acima do permitido durante
84

o período amostral. Esse ponto está situado em área lodosa, com a água turva, o que
justifica sua correlação positiva com turbidez (0,163) resultante da movimentação de
sedimento lodoso; com oxigênio dissolvido (-0,192), resultante da diminuição de taxas
fotossintéticas e do aumento do consumo de oxigênio em processos de degradação
de matéria orgânica; com coliformes totais (0,231) e E. coli (0,189), devido à área
apresentar características de acumulo de matéria de origem fecal, além de pequena
criação e bovinos na margem.

Nas figuras 40 e 41, percebe-se que todos os meses, com exceção de maio,
apresentaram concentrações de sulfetos acima do preconizado pela legislação
(BRASIL, 2005). De outubro a janeiro foi o período que apresentou maiores picos nas
concentrações de sulfetos e mês de janeiro se destaca por apresentar todos os pontos
acima do permitido, o que pode ser justificado pelo maior aporte de efluentes
sanitários ocasionado pelo aumento no número de turistas nesta época.

Além disso, percebeu-se que as concentrações de sulfetos se intensificaram


em proporções diretas com a temperatura (0,469) e temperatura do ar (0,504), o que
justifica Mainier e Viola (2005) ao apontarem as elevadas temperaturas como
mediadoras da geração de sulfeto de hidrogênio (H2S), bem como a concentração de
bactérias, que pode ser afetada pela salinidade em água, como já foi abordado por
Marques, Barbieri e Doi (2014), justificando sua correlação negativa com sulfeto (-
0,318). Além disso, a ciclagem de sedimentos promovida pela entrada de águas
salgadas também pode resultar na diminuição dos sulfetos. A degradação de
detergentes/las pode gerar sulfatos, carbono e água, (BONFIM, 2006), o que resulta
em correlações negativas (-0,300) de sulfeto com este parâmetro.
85

Figura 37 – Variação de sulfeto no decorrer das coletas.

Figura 38 – Comportamento de sulfeto em todos os pontos no decorrer das coletas.

n) Detergentes/Las

Os valores de detergentes variaram de 0 a 4,78 mg/L durante todo o período


amostral, sendo que, dos 154 resultados obtidos para os 14 pontos amostrais durante
os 11 meses de coletas, apenas 14 apresentaram concentrações iguais ou abaixo de
0,2 mg/L, limite máximo estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005 (BRASIL,
2005). Todos os resultados obtidos podem ser observados na tabela 19. Devido a isso,
86

tal parâmetro se apresentou de maneira alarmante no complexo lagunar. A CETESB


(2017) afirma que os esgotos sanitários possuem concentrações de 3 a 6 mg/L de
detergentes/Las e que estes são responsáveis pelas formações de espumas em
corpos hídricos, o que foi notado frequentemente durante as coletas.

Tabela 19 – Valores de detergentes obtidos durante o período de coletas.


Detergentes/las (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 2,74 2,00 0,42 0,00 0,73 0,90 0,74 0,36 0,96 1,17 1,29
P2 1,20 1,84 0,25 0,00 1,23 0,89 1,11 0,18 0,41 1,34 1,56
P3 1,07 1,23 0,21 0,00 1,33 1,03 0,89 0,61 0,94 1,32 1,86
P4 2,07 1,04 1,08 0,57 1,55 0,98 1,10 0,53 0,71 0,95 1,76
P5 1,58 0,13 0,63 0,15 1,84 1,28 0,98 0,00 1,11 1,29 1,71
P6 3,84 0,00 0,47 0,43 2,86 1,16 1,16 1,09 0,62 0,68 1,52
P7 0,48 2,17 0,60 1,03 1,80 0,98 0,63 1,18 0,78 1,26 1,00
P8 2,68 2,72 0,73 0,88 1,77 1,41 1,21 0,83 1,12 1,33 1,69
P9 2,43 2,07 0,02 0,53 2,12 1,43 0,96 1,09 0,97 1,67 1,24
P10 0,28 2,33 0,01 0,00 1,84 1,32 1,20 1,51 1,31 1,30 1,37
P11 1,12 2,35 0,46 0,43 2,13 1,60 1,06 1,35 0,95 1,53 1,10
P12 1,68 1,45 0,15 0,00 2,05 1,26 0,90 1,52 1,12 1,21 1,49
P13 2,20 4,48 0,45 0,74 1,89 1,03 1,11 0,70 1,25 1,12 2,17
P14 4,78 1,68 0,00 0,75 1,44 1,25 0,77 0,69 1,28 1,03 1,98

Máx 4,78 Méd 1,19 Mín 0 D.P. 0,77

Ao se observar as figuras 42 e 43, percebe-se que os segundos e terceiros


quartis de todos os meses analisados se mantiveram acima da linha vermelha, e que
o comportamento deles variou bastante ao longo das coletas, o que pode-se notar a
partir do elevado desvio padrão de 0,77 elencado na tabela anterior. Tal variação pode
se justificar pelo rápido tempo médio de degradação dos detergentes produzidos
atualmente: segundo Larson e colaboradores (1995), o tempo médio de degradação
de detergentes em estuários varia de 1 a 3 dias. Assim, ocorre uma espécie de
renovação destas concentrações, à medida que são degradadas.
87

Figura 39 – Variação de detergentes/las obtidos durante o período de coletas.

Figura 40 – Comportamento de detergentes(Las) em todos os pontos no decorrer das coletas.

Contudo, pode-se observar também em ambos os gráficos, que os meses de


julho e agosto de 2019 apresentaram maiores variações nas concentrações de
detergentes, que pode ter sido possibilitada pela influência da água do mar e pela
movimentação das moléculas de las possibilitadas pela intrusão da água do mar, já
que a barra ainda se encontrava aberta. Além disso, P13 e P14 que se situam na
região da Lagoa do Saco apresentaram picos mais elevados do que os demais nestes
dois meses, o que também coincide com o fato de estarem situados próximos à
88

desembocadura e sujeitos às interferências da entrada de água salina. Resultaram-


se, assim, correlações positivas entre detergentes e salinidade/condutividade elétrica
(0,224), ainda que fracas.

Outro ponto importante é o fato de que julho e agosto são meses frios, de
inverno, e que as taxas de atividades microbianas estão menores. Sabendo-se que,
conforme Bonfim (2006), a biodegradação de detergentes ocorre por meio de reações
metabólicas de micro-organismos que os utilizam como fonte de carbono e enxofre, é
notável que a temperatura mais branda tenha desacelerado esse processo,
possibilitando a permanência de maiores concentrações destas substâncias em meio
lagunar, resultando assim em correlações negativas com a temperatura da água (-
0,402) e do ar (-0,411).

A correlação positiva e moderada com oxigênio dissolvido (0,331) pode ser


explicada pelo fato de que grande parte dos detergentes atuam de maneira tóxica
sobre o zooplâncton que se alimenta de fitoplâncton (fotossintéticos) (CETESB, 2017),
possibilitando assim maiores atividades fontossíntéticas por esses últimos, elevando
a oxigenação do meio, bem como através da limitação da movimentação do oxigênio
no meio (SPERLING, 2005).

Dentre as demais correlações expressivas, a que mais se destaca é a


correlação com sulfetos (-0,300). Como mencionado anteriormente, a degradação de
compostos contendo Las pode gerar produtos contendo sulfetos, assim, a diminuição
do primeiro por degradação bacteriana aumenta este último.

o) Fosfato

Os valores de fosfato variaram de 0, em vários pontos, a 12,40 mg/L, em P10,


no mês de novembro/2019. Todos os resultados obtidos estão listados na tabela 20,
onde os números marcados em cinza representam os valores acima do limite máximo
atribuído pela legislação (BRASIL, 2005), de 0,062 mg/L. Dos 154 resultados, 88
ultrapassaram tal limite. Destaca-se que, na coleta de fevereiro de 2020, todos os
pontos amostrais tiveram resultados acima do limite estabelecido, contudo, os meses
de dezembro e janeiro, respectivamente, obtiveram as maiores concentrações de
fosfato, como se pode observar na figura 44. Além disso, o valor médio de todas as
89

análises, de 0,86 mg/L, esteve 13,87 vezes mais elevado do que o limite máximo.

Tabela 20 – Valores de fosfato durante o período de coletas.


Fosfato (mg/L)

Jul/19 Ago/19 Set/19 Out/19 Nov/19 Dez/19 Jan/20 Fev/20 Abr/20 Mai/20 Jun/20

P1 1,22 0,00 0,14 7,19 7,52 0,00 0,95 0,36 1,29 0,11 0,17

P2 0,49 0,06 0,09 0,02 3,99 0,00 0,65 0,62 0,00 0,35 0,08

P3 2,90 0,00 0,14 0,00 1,42 0,00 0,61 0,26 1,82 0,10 0,05

P4 0,37 0,87 0,12 0,00 0,48 0,00 0,91 0,34 0,13 0,56 0,22

P5 0,81 0,20 0,05 0,00 0,51 6,80 0,59 0,93 0,00 0,00 0,06

P6 0,00 0,18 0,83 0,00 0,47 6,82 0,72 0,94 0,00 0,00 0,18

P7 0,00 0,00 0,00 0,00 0,25 6,76 0,00 0,35 0,00 0,00 0,21

P8 0,00 0,00 0,10 2,14 0,28 6,73 0,25 0,52 0,00 0,00 0,13

P9 0,03 0,00 0,02 0,00 2,70 8,13 0,32 0,60 0,00 0,00 0,29

P10 0,00 0,00 0,11 0,13 12,40 8,11 0,43 0,29 0,32 0,00 0,19

P11 0,00 0,58 2,20 0,00 0,00 8,08 0,04 0,15 0,00 0,00 0,27

P12 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 8,05 0,33 0,69 0,00 0,00 0,10

P13 0,00 0,18 0,00 0,00 0,68 0,07 0,05 0,27 0,00 0,00 0,44

P14 0,03 0,11 0,23 0,00 0,12 0,02 0,00 0,97 0,00 0,00 0,24

Máx 12,40 Méd 0,86 Mín 0 D.P. 2,07

Em comparação com valores obtidos na Lagoa de Ibiraquera por Bonetti,


Bonetti e Beltrame (2005), com média de 0,10 mg/L, os valores obtidos neste estudo
se mantiveram acima, o que pode indicar maior deterioração do corpo hídrico por
fontes antrópicas em relação ao passado. Além disso, tais valores foram maiores que
os obtidos na Lagoa da Conceição (SC), e na Lagoa de Araruama (RJ), conforme os
mesmos autores. As correlações positivas com nitrogênio amoniacal (0,303) e fósforo
total (0,214) e precipitação acumulada (0,209) reiteram que as fontes poluidoras
podem ser os efluentes sanitários não tratados e resquícios de fertilizantes
empregados na agricultura, lavados e transportados pela ação das chuvas, cujos
quais contam com tais nutrientes (CETESB, 2017; SPERLING, 2005; APHA, 2005).
Em paralelo a isso, na figura 45, nota-se que P10 e P9 apresentaram maiores
concentrações de fosfato e ambos se situam em área descampada com criação em
pequena escala de bovinos, o que também pode contribuir para a elevação de tais
valores.
90

Figura 41 – Variação de fosfato no decorrer das coletas.

Figura 42 – Comportamento de fosfato em todos os pontos no decorrer das coletas.

5.4. Compilação de variações mais relevantes

A tabela 21 aborda, resumidamente, as alterações mais notáveis de parâmetros


mediante à dinâmica de fechamento da desembocadura da barra de Ibiraquera, bem
como as variações mais relevantes em períodos de verão, devido à sazonalidade da
região e propiciada pelo aumento do contingente populacional da região.
91

Tabela 21 – Variações de parâmetros mais notáveis em detrimento da sazonalidade e da dinâmica de


fechamento da barra.

Dinâmica da Barra

Parâmetro Alteração percebida Período Situação da barra

Turbidez agosto - maio fechada

Coliformes Totais agosto - maio fechada

E. coli agosto - maio fechada

Sílica agosto - maio fechada

Sulfeto agosto - maio fechada

pH agosto - maio fechada

Oxigênio Dissolvido agosto - maio fechada

Salinidade/Condutivida
agosto - maio fechada
de

S.D.T. agosto - maio fechada

Potássio agosto - maio fechada

Período de Verão

Parâmetro Alteração percebida Período Estação

Nitrogênio Amoniacal Dez-Fev Verão

Nitrito Dez-Fev Verão

Nitrato Dez-Fev Verão

E. coli Dez-Fev Verão

Coliformes Totais Dez-Fev Verão

Fosfato Dez-Fev Verão

Legenda: subida nos valores


baixa nos valores
92

5.5. Análise de Cluster ou Análise de Agrupamento

Visando analisar a similaridade entre os pontos amostrados, empregou-se a


Análise de Cluster ou Análise de Agrupamento, através de agrupamento hierárquico
dos dados das variáveis qualitativas de água. Essa técnica de estatística multivariada
vem sendo empregada em diversos estudos para análise de qualidade da água
(RODRIGUES FILHO et al, 2015; FERNANDES et al, 2010; PALÁCIO et al, 2009) e
tem como objetivo principal a identificação de similaridade e dissimilaridade entre os
dados estudados.

Segundo Palácio e colaboradores (2009), a técnica de análise de agrupamento


ou análise em clusters considera um conjunto de objetos aos quais são atribuídas
variáveis de valores distintos que possuem caráter classificatório, utilizado para definir
grupos de objetos similares entre si. Ou seja, neste caso, os objetos são os 14 pontos
amostrais da Lagoa de Ibiraquera, e as variáveis classificatórias são os parâmetros
de qualidade da água. Assim, ao se padronizar os dados de qualidade da água através
de técnica estatística na qual se subtraiu a média de cada valor e dividiu pelo seu
desvio padrão, aplicou-se a análise de cluster para se obter o dendograma da figura
46.

Figura 43 – Dendograma resultante da análise de cluster entre os 14 pontos amostrados.


93

O ponto de corte no dendograma foi realizado à distância euclidiana de valor


20, visando a formação de grupos representativos e baseou-se na técnica empregada
por Fernandes et al (2010), onde o ponto de corte acontece no momento em que a
distância apresenta maior variação, assim se originou um total de 4 grupos que
apresentaram maior similaridade ou, menor dissimilaridade entre si. A distância
euclidiana foi a medida utilizada para expressar a dissimilaridade entre os grupos.
Segundo Cunha (2017) ela atua como uma distância métrica entre dois pontos no
plano cartesiano e pode indicar o quanto ambos os pontos se relacionam, contudo,
diferentemente da correlação, esta é uma medida de dissimilaridade, o que significa
que quanto maior o seu valor, maior é a diferença entre os dados. Os valores das
distâncias euclidianas encontrados entre todos os pontos amostrados estão
elencados no quadro 8.

Quadro 7 - Valores de dissimilaridade entre os pontos medidos através da distância euclidiana (m).
P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14
P1 0
P2 13,23 0
P3 13,34 9,90 0
P4 14,54 9,62 10,41 0
P5 17,87 13,97 14,20 14,43 0
P6 15,34 12,02 11,42 12,53 14,27 0
P7 15,32 11,61 12,17 11,24 15,03 12,12 0
P8 16,11 14,29 14,12 14,46 15,88 13,70 11,78 0
P9 16,00 13,01 14,93 13,74 15,84 13,59 10,87 12,75 0
P10 17,66 15,01 16,66 17,10 18,04 16,27 13,64 15,38 11,37 0
P11 16,44 12,96 14,33 14,31 15,20 13,44 9,90 12,23 8,76 12,28 0
P12 17,75 14,23 15,65 13,97 17,16 14,62 12,70 13,49 12,43 14,32 11,7 0
P13 18,66 15,43 16,23 15,80 19,04 16,54 16,26 17,05 16,58 18,16 15,5 16,37 0
P14 18,56 15,09 14,84 16,45 17,38 15,80 16,48 16,11 15,84 18,48 16,1 16,94 14,30 0

Os grupos gerados pela análise de agrupamento foram elencados no quadro 9


a seguir, no qual foram discriminadas suas medidas de valores máximos, valores
mínimos, valores médios e desvio padrão para o conjunto de valores estudado,
conforme realizado por Rodrigues-Filho e colaboradores (2015). Tal discriminação
permitiu a análise dos pontos em conjunto, identificando os parâmetros qualitativos de
água, cujos quais permitiram as similaridades entre os pontos.
94

O grupo 1 é formado por P1, P2, P3, P4 e P6, situados majoritariamente na


Lagoa de Baixo, exceto P6 que está na Lagoa do Meio. O grupo 2 é formado
unicamente por e P5, que está no canal que conecta a Lagoa de Baixo à Lagoa do
Meio. O grupo 3 é formado por P13 e P14, que estão situados na região da Lagoa do
Saco. Por fim, o grupo 4 é formado por P7, P8, P9, P10, P11 e P12, sendo o maior
grupo e se situando majoritariamente na Lagoa de cima.

Assim, o grupo 1 se destacou por obter menores valores de temperatura, com


média de 22,52 C° e mínima de 13,60 C°; menor valor médio de DBO com 2,50 mg/L;
menores valores médios de salinidade (14,30%o) e condutividade elétrica (33,73
mS/m), menor valores médios de oxigênio dissolvido (5,10 mg/L); menor valor médio
de Fósforo Total; menor valor médio de Potássio (224,76 mg/L); menores valores
médios de nitrito (0 mg/L) e nitrato (0 mg/L); menor valor médio de Sulfeto (0 mg/L).

Notou-se que os pontos amostrais que representam o grupo 1 se encontraram


em locais com substrato estritamente arenoso e que, durante o período de coletas, se
observou pouco material particulado em suspensão em tais pontos e a coluna d’água
bastante límpida. Quatro dos cinco pontos deste grupo estão situados na Lagoa de
Baixo, porção que sofre bastante influência da maritimidade quando a barra se
encontra aberta. Contudo, tal grupo evidenciou valores médios abaixo dos demais
quanto à salinidade que pode ser justificado devido à influência de um canal que
deságua de uma lagoa de água doce ao sul da lagoa de baixo, o que pode ter alterado
a salinidade dos pontos amostrais nesta porção, tal como justificou Bonetti e
colaboradores (2005) em estudo realizado no mesmo sistema lagunar. Além disso,
maior parte do período amostral foi realizado com a desembocadura fechada.
95

Quadro 8 - Valores de máxima, média, mínima e desvio padrão de todos os parâmetros dos grupos obtidos por análise em cluster.
Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4
Parâmetros Méd Máx Mín Desv. Padrão Méd Máx Mín Desv. Padrão Méd Máx Mín Desv. Padrão Méd Máx Mín Desv. Padrão
pH 7,60 8,10 7,05 0,24 7,47 8,00 5,53 0,69 7,72 8,94 7,25 0,40 7,64 8,80 7,30 0,31
Temperatura
(°C) 22,52 30,50 13,60 4,44 23,28 29,20 17,00 4,12 24,45 31,00 17,50 3,93 23,92 29,70 15,00 4,10
Turbidez
(NTU) 4,03 8,54 0,70 1,91 3,60 5,84 0,61 1,78 5,48 22,40 1,13 4,32 5,38 15,10 3,05 1,98
DBO (mg/L)
2,50 59,40 0,00 12,20 12,77 80,00 0,00 24,61 7,69 34,08 0,10 10,99 9,11 78,00 0,00 16,10
Salinidade
(%) 14,30 27,13 6,10 4,96 16,52 26,05 12,06 4,31 16,09 26,00 8,24 5,13 15,18 21,36 1,40 2,50
Condutivi-
dade (mS/m)
33,73 60,75 15,40 10,65 38,42 58,52 28,84 9,16 36,52 58,26 20,31 9,88 35,58 48,77 3,99 5,54
OD (mg/L)
5,10 17,40 2,00 2,95 6,81 17,80 3,60 4,07 6,43 9,90 3,80 1,77 6,60 20,60 2,90 3,31
Sólidos To-
tais a 180 °C
(mg/L)
19070,00 38580,00 10350,00 6490,09 21730,91 35450,00 16630,00 5662,78 21228,64 36300,00 14350,00 6053,68 20498,77 34930,00 8710,00 3490,77
Nitrogênio
Amoniacal
(mg/L)
0,01 0,02 0,005 0,00 0,01 0,02 0,005 0,01 0,01 0,02 0,00 0,005 0,01 0,02 0,00 0,005
Coliformes
Totais
(NMP/100mL)
2419,60 2419,60 214,20 674,08 2017,29 2419,60 866,40 690,27 2102,12 2419,60 140,30 635,97 2175,13 2419,60 410,60 502,23
E coli
(NMP/100
mL) 1119,90 2419,60 53,38 871,31 918,56 2419,60 67,00 710,62 877,77 2419,60 67,50 679,65 918,15 2419,60 29,90 743,01
Fósforo
(mg/L) 0,01 0,15 0,00 0,04 0,02 0,15 0,00 0,04 0,02 0,15 0,00 0,04 0,02 0,15 0,00 0,04
Potássio
(mg/L) 224,76 659,22 109,41 163,18 322,85 596,09 168,80 166,84 312,42 649,93 0,15 156,80 294,38 590,23 7,47 129,88
Nitrito (mg/L)
0,00 1,47 0,00 0,29 1,06 9,30 0,00 2,77 0,15 2,35 0,00 0,50 0,19 3,14 0,00 0,49
Nitrato
(mg/L) 0,00 1,47 0,00 0,28 0,40 2,10 0,00 0,74 0,06 0,53 0,00 0,15 0,12 1,21 0,00 0,27
Sílica (mgL)
1,40 2,92 0,00 0,76 1,41 2,09 0,58 0,52 1,46 2,56 0,00 0,64 1,17 2,41 0,00 0,62
Sulfeto
(mg/L) 0,00 0,07 0,00 0,01 0,01 0,03 0,00 0,01 0,01 0,08 0,00 0,02 0,01 0,05 0,00 0,01
Deter-
gente/Las
(mg/L) 1,03 3,84 0,00 0,73 0,97 1,84 0,00 0,66 1,49 4,78 0,00 1,16 1,25 2,72 0,00 0,64
Fosfato
(mg/L) 0,22 7,52 0,00 1,70 0,90 6,80 0,00 1,99 0,15 0,97 0,00 0,25 1,10 12,40 0,00 2,62
96

O grupo 2, por sua vez, foi constituído unicamente pelo ponto amostral 5, que
se destacou por ter elevados valores de DBO, com a maior máxima (80 mg/L) e média
(12,77) em relação a todos os demais grupos, o que pode ser justificado
especialmente por sua posição no canal de comunicação entre a Lagoa de Baixo e do
Meio, um canal relativamente estreito e raso, onde há vegetação rasteira em suas
margens, como se vê no mapa de uso e ocupação do solo (figura 5). O escoamento
pelo canal de comunicação pode propiciar o depósito de matéria orgânica e nutrientes
advindo das margens, o que aumenta as taxas de D.B.O. para consumo de tal material.
Além disso, a salinidade, a condutividade elétrica, o oxigênio dissolvido, os sólidos
dissolvidos totais também apresentaram valores médios acima dos demais pontos e
grupos, contudo não por uma diferença significativa. Por sua vez, o grupo 2
apresentou diferenças bastante significativas quanto ao seu desvio padrão para os
nutrientes fósforo total (0,04), potássio (166,84), nitrito (2,77) e nitrato (0,74).
Sabendo-se que o desvio padrão equivale à raiz quadrada da variância, e que tais
medidas indicam a dispersão dos valores em relação à média (FRANCISCO, 2013),
esse grupo apresentou uma maior dispersão de valores amostrados em relação aos
demais.

O grupo 3, composto pelos pontos amostrais P13 e P14, atingiu maiores


valores médios de pH (7,72), temperatura (24,45 °C), turbidez (5,48 NTU), sólidos
dissolvidos totais (21228,64 mg/L), sílica (1,46 mg/L) sulfeto (0,01 mg/L)
detergentes/Las (1,49 mg/L). Ressalta-se que o P14 está situado na menor porção
lagunar, a Lagoa do Saco, e que esse fato possivelmente possibilitou os maiores
valores observados. Durante os períodos de coletas, o P14 sempre apresentou
visualmente cargas elevadas de material e lodos sedimentados, o que pode ser
justificado também pela baixa circulação propiciada pelo menor perímetro do bolsão
lagunar nesta área. Tal característica justifica os elevados valores de turbidez e sólidos
dissolvidos totais, bem como quanto aos valores de sílica que pode constituir tal
material sedimentado. Além disso, quanto menos dinâmica é a movimentação de um
corpo d’água, menor a circulação do mesmo, permitindo maior aquecimento, o que
pode ser observado devido aos elevados valores de temperatura encontrados neste
grupo. O P13, por sua vez, se situa próximo ao canal que liga a Lagoa do Saco à
Lagoa de Baixo, fato que possivelmente corroborou para as características dos
parâmetros mencionados. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (2000), como
97

já citado anteriormente, o terreno próximo à Lagoa do Saco é constituído de Granito


Paulo Lopes, o que pode ser a causa de valores de pH mais elevados e da presença
de sílica, já que o intemperismo em granitos pode resultar em sílica e bicarbonatos,
sendo este último um dos principais responsáveis pela elevação do pH em água
naturais (BLUMBERG; AZEVEDO NETO, 1956).

O grupo 4 agrupou o maior número de pontos amostrais neste estudo – P7, P8,
P9, P10, P11, P12 – o que evidenciou características semelhantes entre os mesmos,
ressaltando-se que todos se situam na maior porção lagunar, a Lagoa de Cima.
Portanto esse grupo se destacou por apresentar elevados valores médios de fosfato
(1,09 mg/L), e menores desvios padrões para salinidade (2,5 %o), condutividade
elétrica (5,54 mS/m), sólidos dissolvidos totais (3490,77 mg/L), coliformes totais
(502,23 npm/100mL), potássio (129,88 mg/L), detergentes/Las (0,64 mg/L), e maior
desvio padrão para fosfato (2,62 mg/L).
98

5.6. Análise dos Componentes Principais – ACP

Para a aplicação da ACP, os pontos representativos de cada setor lagunar


foram agrupados visando a caracterização dos mesmos. Assim, foram formados
grupos tais como elencados no quadro 10 a seguir:

Quadro 9 – Pontos amostrais utilizados para setorização da laguna na ACP.

Setor Lagunar Pontos Amostrais

Lagoa de Baixo P1, P2, P3, P4

Lagoa do Meio P5, P6, P7

Lagoa de Cima P8, P9, P10, P11, P12

Lagoa do Saco P13, P14

Antes da análise, os dados passaram por uma padronização de valores, a fim


de diminuir a discrepância entre eles, já que possuem escalas de valores diferentes.
Assim, subtraiu-se a média e se dividiu o resultado pelo desvio padrão para a
padronização. Além disso foram desconsideradas duas varáveis: a variável salinidade
foi considerada redundante por apresentar elevada correlação com a condutividade
elétrica (1,00); e a variável nitrogênio amoniacal apresentou correlação insignificante
com os fatores obtidos na ACP, e, assim, foi desconsiderada também. Com isso, um
total de 17 variáveis foram consideradas para o emprego de ACP. Tal procedimento
também foi realizado por Rodrigues-Filho et al (2015) e Oliveira (2006) em suas
análises de qualidade da água em diferentes ambientes, visando a diminuição de
informações não relevantes ao estudo.

Assim, a ACP retornou dois primeiros fatores que representam 84,95% da


variância dos dados, cujos quais foram utilizados para análise dos dados, como se
pode observar no quadro 11. Os valores de correlações de cada variável investigada
com os respectivos fatores extraídos estão elencados no quadro 12.
99

Quadro 10 ̶ Valores de variância e de autovalor para cada componente.

CP autovalor % variância

1 5.07925 53.892

2 2.92703 31.056

Quadro 11 - Correlação entre as variáveis e respectivos fatores extraídos da ACP.


CP1 CP2
pH 0,33801 0,16166
Temperatura 0,4078 -0,14534
Turbidez 0,35595 -0,17193
D.B.O -0,031876 -0,17242
C.E. -0,042991 0,082134
O.D. 0,13539 -0,27031
Sólidos Totais -0,054417 0,13065
Coliformes Totais -0,026754 -0,29101
E. coli -0,24482 0,16167
F.T. -0,097055 0,23653
Potássio -0,087447 0,28248
Nitrito 0,48851 0,15567
Nitrato -0,053611 -0,14849
Sílica 0,090339 0,39633
Sulfeto -0,0044363 0,44989
Detergente 0,44387 -0,023564
Fosfato -0,21015 -0,37906

Como se pode observar, o fator 1 (CP1) se correlacionou positivamente de


maneira considerável com pH (0,33801), temperatura (0,4078), turbidez (0,35595),
nitrito (0,48851) e detergentes/las (0,44387), e de maneira negativa com E. coli (-
0,24482); o fator 2 (CP2) se correlacionou positivamente e fósforo total (0,23653),
potássio (0,28248), sílica (0,39633), sulfeto (0,44989), e, de maneira negativa, com
O.D. (-0,29101), Coliformes Totais (-0,29101) e fosfato (-0,37906).

Ao se analisar a figura 47, onde está elencado o gráfico de projeção das


variáveis de qualidade da água abordadas neste estudo juntamente com os pontos
agrupados por setores lagunares, verifica-se o comportamento das características de
cada região do complexo lagunar
100

Figura 44 - Biplot de ACP dos setores lagunares e das variáveis de qualidade da água abordadas nesta
análise.

Nota-se que a Lagoa de Cima e a Lagoa do Meio tiveram maiores correlações


com O.D. já que juntas se caracterizam como a porção lagunar com maior área,
permitindo melhores ações dos ventos e, com isso, maior oxigenação. A maior área
da Lagoa de Cima também possibilita maior número de casas às margens, bem como
criação de bovinos em áreas adjacentes, o que pode ter contribuído para a correlação
com coliformes totais que, consequentemente, afetou a Lagoa do Meio. Contudo, foi
a Lagoa de Baixo que apresentou maiores correlações com E. coli, o principal
indicativo de contaminação fecal, especialmente por ser o bolsão lagunar que se situa
mais próximo à praia, com grande conglomerado de residências e restaurantes às
margens.

A Lagoa do Saco foi o setor que mais se correlacionou positivamente com o


parâmetro detergentes/las e nitrito, o que pode ser justificado pela morfometria deste
bolsão, já que é o menor e mais isolado dos demais, possibilitando acúmulo dessas
substâncias advindas das residências às margens. Além disso, a correlação
representativa e positiva deste setor com pH e sílica pode ser justificada pela
composição do solo às margens do bolsão e pelos bicarbonatos associados a solos
com a presença de silicatos.
101

O parâmetro sulfeto se correlacionou com valores próximos entre os setores


Lagoa de Cima e Lagoa do Saco, que apresentaram grandes quantidades de lodo no
sedimento como se observou in loco.

5.7. Índice de Qualidade das Águas Costeiras – IQAC

Como já mencionado, o índice de qualidade da água utilizado foi baseado no


mesmo utilizado pela CETESB (2015) para avaliação da qualidade de águas costeiras,
o IQAC, proposto pelo Conselho de Ministros do Meio Ambiente do Canadá (CCME,
2001). Os resultados obtidos elencam valores de 0 a 100, conforme indica o quadro
13, através dos quais a qualidade da água costeira é classificada.

Quadro 12 - Categorias de qualidade da água do IQAC.


Faixa de valores Classificação da faixa
do índice
≥ 95 Excelente
<95 e ≥80 Boa
<80 e ≥65 Regular
<65 e ≥45 Ruim
<45 Péssima

Fonte ̶ adaptado de CETESB (2017) e CCME (2001).

Para chegar ao valor final do índice, aplicam-se as três fórmulas descritas no


item 3.6. Assim, para a Abrangência (F1), o cálculo foi desenvolvido da seguinte
maneira:

𝑁° 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠 𝑛ã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒𝑠


𝐹1 = ( ) 𝑥 100
𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎𝑚 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑡𝑜𝑙𝑒𝑟â𝑛𝑐𝑖𝑎

O número total de variáveis que apresentam valores de tolerância estabelecidos pela


Resolução CONAMA 357/2005 para corpos de águas salobras classe 1 adotados
neste estudo foram dez, a saber: O.D., pH, Nitrogênio Amoniacal, E. coli, Fósforo
Total, Nitrito, Nitrato, Sulfeto, Detergentes/Las e Fosfato. Porém, apenas sete destes
apresentaram desconformidade com a legislação: O.D., pH, E. coli, Nitrato, Sulfeto,
102

Detergentes/Las e Fosfato. Assim, obteve-se o seguinte valor para F1:


7
𝐹1 = ( ) 𝑥 100
10

𝐹1 = 70

Para a Frequência das Desconformidades (F2), dividiu-se o número total de


análises não conformes pelo número total de análises que apresentam valores de
referência, e o resultado foi multiplicado por 100, da seguinte forma:

𝑁° 𝑑𝑒 𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒𝑠 𝑛ã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒𝑠


𝐹2 = ( ) 𝑥 100
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎

453
𝐹2 = ( ) 𝑥 100
1540

𝑭𝟐 = 𝟐𝟗, 𝟒𝟏

Para o terceiro passo, Amplitude da desconformidade (F3), foi necessário


realizar cálculos em separado para cada parâmetro. Primeiramente se obteve o
Desvio (D) de cada parâmetro em relação ao seu valor de referência, através da
seguinte fórmula:

𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑎 𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒 𝑛ã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜


𝐷= ( ) − 1 , para casos
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜

em que o valor de referência era um valor máximo.

𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜


𝐷 = (𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑎 𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒 𝑛ã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑝𝑎𝑟â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒𝑠𝑡ã𝑜) − 1 , para casos

em que o valor de referência é um valor mínimo (por exemplo, para o O.D.)

Portanto, a Somatória (S) dos desvios obtidos em cada um dos dez parâmetros
foi aplicada na fórmula seguinte:

∑𝑛𝑖=1 𝐷
𝑆=( )
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑎𝑛á𝑙𝑖𝑠𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑒𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎
103

268,722
𝑆=( )
1540

𝑺 = 𝟎, 𝟏𝟕𝟒𝟒

Finalmente, com o valor de S, procede-se à fórmula para a obtenção e F3 -


amplitude, tal como exposto a seguir:

𝑆
𝐹3 = ( )
0,01𝑆 + 0,01

0,1744
𝐹3 = ( )
0,001744 + 0,01

0,1744
𝐹3 = ( )
0,011744

𝑭𝟑 = 𝟏𝟒, 𝟖𝟓

Com os valores de F1, F2 e F3, pode-se proceder à equação proposta pelo


CCME (2001) para resultar em um valor compilado que expresse a qualidade da água
costeira da Lagoa de Ibiraquera. Assim resultando em:

√(𝐹12 + 𝐹22 + 𝐹32 )


𝐼𝑄𝐴𝐶 = 100 − [ ]
1,732

√(702 + 29,412 + 14,852 )


𝐼𝑄𝐴𝐶 = 100 − [ ]
1,732

𝐼𝑄𝐴𝐶 = 100 − 44,67

𝑰𝑸𝑨𝑪 = 𝟓𝟓, 𝟑𝟑

Comparando com o quadro 13, o valor de IQAC encontrado para a Lagoa de


104

Ibiraquera se enquadrou como ruim, caracterizando águas em estados de


deterioração. Contudo, salienta-se que a Lagoa de Ibiraquera ainda não foi
classificada pelo comitê da Bacia do Rio Tubarão e a classificação como águas
salobras classe 1 parte do pressuposto legislativo da resolução CONAMA 357 que
trata os corpos d’água salobras não enquadrados como de classe 1 (BRASIL, 2005),
sendo esta a segunda classe mais restritiva, ou seja, com valores qualitativos mais
exigentes. Assim, os valores de referências acabam resultando em um IQAC muito
baixo. Portanto, faz-se necessário o enquadramento correto embasado em um estudo
sólido quanto aos usos da Lagoa de Ibiraquera.

Adotando-se a classificação como ruim obtida com este índice, se percebeu


que os parâmetros mais alarmantes e que contribuíram bastante para tal resultado
foram E. coli, fosfato, sulfeto e detergentes/Las. Os valores acima do valor de
referência podem denotar múltiplas fontes de contaminação, em especial resultante
da ocupação desordenada e da falta de tratamento dos efluentes sanitários do entorno
do corpo lagunar.
105

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O comportamento do sistema lagunar da Lagoa de Ibiraquera é complexo,


tendo em vista a pressão antrópica tanto por parte da ocupação urbana e uso de solo,
quanto pelas alterações de abertura e fechamento da barra que a conecta ao mar.

Os parâmetros microbiológicos foram os mais preocupantes, especialmente a


E. coli, que, de maneira geral, se apresentou em maiores concentrações na Lagoa de
Baixo. Os limites de detecção podem ter ocultado os dados reais para tais parâmetros.
Assim, sugere-se que um monitoramento contínuo por parte dos órgãos públicos
interessados, em espacial à Prefeitura de Imbituba e ao Instituto de Meio Ambiente de
SC, tendo em vista que os coliformes podem comprometer a saúde de quem usufrui
da Lagoa de Ibiraquera para balneabilidade.

A dinâmica de abertura e fechamento da barra de Ibiraquera pode ser


considerada como a alteração antrópica de reflexo mais rápido que implica em
variações da qualidade da água na laguna, especialmente no que tange a parâmetros
microbiológicos: coliformes totais e E. coli. Estes se apresentaram com maiores
concentrações em períodos da barra fechada. Contudo, a questão não está em abrir
ou não a barra de Ibiraquera, porque mesmo que os resultados apresentam melhoras
em períodos de barra aberta, os lançamentos clandestinos ocorrem em todo ano e
essa melhora só mascara a verdadeira fonte do problema: lançamentos clandestinos
de esgoto. Portanto, sugere-se que a solução parta da Prefeitura de Imbituba e de
demais órgãos competentes, para implantar medidas corretivas e de fiscalização e
regularização de redes de esgoto, pelo menos, nas residências às margens da laguna.

A precipitação apresentou baixa contribuição na variação de parâmetros de


qualidade da água, se correlacionando somente com o oxigênio dissolvido, com a
D.B.O., com o fosfato, com o fósforo total e com a sílica. Tal resultado está atrelado
principalmente à disposição e matéria orgânica inerente à precipitação, ou seja, a
pluviosidade na região influi de maneira branda no aporte de carga orgânica no leito
lagunar, além da erosão de sílica do solo.

De maneira geral, percebeu-se que em meses de verão, o aporte de sulfetos,


coliformes, E. coli, nitrito, nitrato, nitrogênio amoniacal, fosfato na Lagoa de Ibiraquera
é maior, justificando-se pelo elevado aumento de contingente populacional, e,
106

denotando assim a grande quantidade de lançamento de efluentes clandestinos no


corpo hídrico.

O setor da Lagoa de Baixo apresentou maiores valores de E. coli, de fósforo


total e potássio; a Lagoa de Cima se destacou com maior concentração de coliformes
totais, D.B.O. e fosfato; a Lagoa do Meio apresentou maiores valores de nitrato,
Condutividade Elétrica, de O.D., de Sólidos Totais, ; enquanto que a Lagoa do Saco
apresentou maiores valores de, Nitrito, Sílica, detergentes/las e Ph mais básico; As
Lagoas de Baixo e dp Saco apresentaram valores semelhantes de sulfetos, de modo
de geral, e mais elevados se comparado aos demais setores.

O IQAC empregado condenou uma qualidade de água considerada ruim. Assim,


de modo geral, faz-se necessário maior atenção por parte dos órgãos públicos quanto
ao monitoramento da qualidade do sistema lagunar e na adoção de medidas
emergenciais para frear a deterioração da Lagoa de Ibiraquera. Além disso, há certa
urgência quanto ao enquadramento do corpo hídrico por parte do comitê que gerencia
a Bacia do Rio Tubarão, para, de fato, se obter padrões exatos quanto aos seus usos
preponderantes.
107

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