Você está na página 1de 406

ESD E

Estudo Sistematizado da
Doutrina Espírita
Lembretes:
- Inserir Apresentação sobre o curso, com origem, objetivo, estrutura, etc.

- verificar duplicidicade de tema:


. Módulo II - 5ª Unidade - Pluralidade das Existências
. Módulo IV - 7ª Unidade - Pluralidade das Existências

Allan Kardec
(1804 - 1869)

Federação Espírita Brasileira

Divulgação:
Luz Espírita – Canoas – RS
http://www.luzespirita.com/subpag/cursos.htm
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 2

Divulgação
A UTORES E SPÍRITAS C LÁSSICOS
www.autoresespiritasclassicos.com
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 3

Índice

MÓDULO I – Introdução ao estudo da Doutrina Espírita


1ª Unidade – Antecedentes da Doutrina Espírita
01 - Os precursores da Doutrina Espírita. ............................................................ 8
02 - Os fenômenos de Hydesville. As mesas girantes.......................................... 9
2ª Unidade – A Codificação Espírita
03 - Allan Kardec. O Professor e o Codificador. Método adotado..................... 12
04 - O caráter da Revelação Espírita. ................................................................ 14
05 - As obras básicas ......................................................................................... 16
3ª Unidade – Doutrina Espírita
06 - Tríplice aspecto: filosófico, científico, religioso. ....................................... 20
07 - O Consolador prometido por Jesus. A Terceira Revelação divina no
ocidente. ..................................................................................................... 21
4ª Unidade – Movimento Espírita
08 - Objetivo do Movimento Espirita: difusão doutrinaria. ............................... 23
09 - O Centro espirita – sua importância e o seu papel social. ........................... 24
10 - Organizações Federativas Estaduais. Organização Federativa Nacional:
a FEB e seu CFN........................................................................................ 26

MÓDULO II – Princípios básicos da Doutrina Espírita


1ª Unidade – Existência de Deus
01 - Provas da existência de Deus. .................................................................... 28
02 - Atributos da Divindade. ............................................................................. 29
03 - A Providência Divina. ................................................................................ 31
2ª Unidade – Existência e sobrevivência do Espírito
04 - Provas da existência e sobrevivência do Espirito. ...................................... 33
05 - Origem e natureza dos Espíritos. ................................................................ 35
06 - A alma humana. ......................................................................................... 37
3ª Unidade – Intervenção dos Espíritos no mundo corporal
07 - Influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos. ............................ 40
08 - Comunicabilidade dos Espíritos. ................................................................ 43
09 - Mediunidade: conceito e tipos. ................................................................... 45
10 - Mediunidade com Jesus. ............................................................................ 47
4ª Unidade – Justiça divina
11 - Penas e gozos futuros. Duração das penas.................................................. 49
12 - O principio de ação e reação. ..................................................................... 51
13 - O arrependimento e o perdão. .................................................................... 53
5ª Unidade – Pluralidade das existências
14 - Encarnação: união da alma ao corpo. Esquecimento do passado. ............... 57
15 - Objetivos da reencarnação. ........................................................................ 60
16 - Justiça e necessidade da reencarnação........................................................ 63
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 4

6ª Unidade – Pluralidade dos mundos habitados


17 - Diferentes categorias de mundos habitados. ............................................... 66
18 - Mundos transitórios.................................................................................... 69
19 - A Terra: planeta de provas e expiações. ..................................................... 71

MÓDULO III – As Leis Morais


1ª Unidade – Lei Divina ou Natural
01 - Caracteres da Lei Natural. .......................................................................... 74
02 - Conhecimentos e divisão da Lei Natural. ................................................... 75
03 - Reveladores e Revelações da Lei Divina.................................................... 77
04 - O bem e o mal. ........................................................................................... 79
2ª Unidade – Lei de liberdade
05 - A liberdade natural e a escravidão.............................................................. 83
06 - Liberdade de pensar e de consciência......................................................... 85
3ª Unidade – Lei do progresso
07- Conceito de evolução e estado de natureza. ................................................ 87
08 - Marcha do progresso. ................................................................................. 90
09 - Marcha do progresso – civilização. ............................................................ 91
10 - Influencia do Espiritismo no progresso. ..................................................... 93
4ª Unidade – Lei de sociedade
11 - Necessidade de vida social. ........................................................................ 95
12 - Vida de isolamento. Voto de silêncio. ........................................................ 98
13 - Vida em família e laços de família. ............................................................ 99
5ª Unidade – Lei do trabalho
14 - Necessidade do trabalho. .......................................................................... 103
15 - Limite do trabalho e do repouso. .............................................................. 104
6ª Unidade – Lei de destruição
16 - Destruição necessária e destruição abusiva. ............................................. 107
17 - Flagelos destruidores. Guerras. ................................................................ 108
7ª Unidade – Lei de conservação
18 - Instintos e meios de conservação. ............................................................ 111
19 - O necessário e o supérfluo. ...................................................................... 112
20 - Privações voluntárias. .............................................................................. 113
8ª Unidade – Lei de igualdade
21 - Igualdade natural e desigualdade de aptidões. .......................................... 116
22 - Desigualdades sociais e igualdade de direitos do homem e da mulher. .... 117
23 - Desigualdade das riquezas: as provas da riqueza e da miséria. ................ 119
9ª Unidade – Lei de reprodução
24 - Casamento. ............................................................................................... 122
25 - Celibato e poligamia. ............................................................................... 124
26 - Obstáculos à reprodução. ......................................................................... 126
27 - O aborto. .................................................................................................. 127
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 5

MÓDULO IV – Aspecto filosófico


1ª Unidade – Deus
01 - A existência de Deus. ............................................................................... 131
02 - O infinito e o espaço universal. ................................................................ 135
03 - Materialismo e panteísmo. ....................................................................... 137
2ª Unidade – Criação Divina
04 - Elementos gerais do Universo: espírito e matéria..................................... 141
05 - Formação dos mundos e dos seres vivos. ................................................. 147
06 - Os reinos da natureza: mineral, vegetal, animal, hominal. ....................... 154
07 - Pluralidade dos mundos habitados. .......................................................... 157
08 - Inteligência e instinto. .............................................................................. 159
3ª Unidade – Os Espíritos
09 - Diferentes ordens de Espíritos: escala espirita. ........................................ 163
10 - Progressão dos Espíritos. ......................................................................... 164
11 – Forma e ubiqüidade dos Espíritos. ........................................................... 165
4ª Unidade – Vida espírita
12 - Espíritos errantes. Sorte das crianças após a morte. ................................. 168
13 - Ensaio teórico das sensações e percepções dos Espíritos. ........................ 169
14 - Ocupações e missões dos Espíritos. ......................................................... 172
15 - Relações do além-túmulo: Almas gêmeas. ............................................... 173
16 - Simpatias e antipatias. .............................................................................. 176
17 - Escolha das provas. Estudo de casos. ....................................................... 178
5ª Unidade – Retorno à vida espiritual
18 - A alma após a morte: separação da alma e do corpo. ............................... 192
19 - Perturbação espiritual. .............................................................................. 194
6ª Unidade – Justiça divina
20 - Penas eternas – estudo crítico................................................................... 197
21 - O reino de Deus e o paraíso prometido. ................................................... 200
22 - Determinismo e fatalidade. ...................................................................... 202
23 - Livre-arbítrio. ........................................................................................... 208
7ª Unidade – Pluralidade das existências
24 - Os fundamentos da justiça da reencarnação. ............................................ 218
25 - As provas da reencarnação. ...................................................................... 220
26- Justificativas do esquecimento do passado. ............................................... 224
27 - Preludio da volta à vida corporal. ............................................................. 226
28 - A infância. ................................................................................................ 229
29 - Encarnação nos diferentes mundos........................................................... 231

MÓDULO V – Aspecto científico


1ª Unidade – Fluidos e perispírito
01 - Natureza e qualidade dos fluidos. ............................................................. 234
02 - Modificação dos fluidos e magnetismo. ................................................... 235
03 - Criações fluídicas e ideoplastia. ............................................................... 237
04 - Perispírito: formação, propriedade e funções (1ª parte). ........................... 239
05 - Perispírito: formação, propriedade e funções (2ª parte). ........................... 241
06 - Vestimenta dos Espíritos. ......................................................................... 243
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 6

2ª Unidade – Intervenção dos Espíritos no mundocorporal


07 - Influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos. Telepatia
e pressentimentos. .................................................................................... 249
08 - Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida. .............................. 251
09 - Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas. ..................................... 255
10 - Espíritos protetores. ................................................................................. 257
3ª Unidade – O fenômeno da intercomunicação mediúnica
11 - O fenômeno mediúnico através dos tempos. ............................................ 259
12 - Os médiuns precursores. .......................................................................... 261
13 - O mecanismo das comunicações: condições técnicas, afinidades e
sintonia. ................................................................................................... 264
14 - A natureza das comunicações: imperfeitas, serias e instrutivas. ............... 266
15 - Invocações: qualidade, linguagem e sua utilidade. ................................... 268
16 - Natureza das indagações aos espíritos comunicantes. .............................. 271
4ª Unidade – Os médiuns
17 - O médium: conceito e classificação. ........................................................ 275
18 - A categoria de médiuns especiais para efeitos físicos e intelectuais. ........ 277
19 - Espécies comuns a todos os gêneros de mediunidade. ............................. 280
20 - Mediunidade nas crianças. ....................................................................... 281
5ª Unidade – Exercício do mandato mediúnico
21 - Qualidades essenciais ao médium. ........................................................... 284
22 - Identificação das fontes de comunicação. ................................................ 286
23 - Contradições, mistificações e animismo (1ª parte). .................................. 288
24 - Contradições, mistificações e animismo (2ª parte). .................................. 291
25 - O exercício irregular: abusos, perigos e inconvenientes. .......................... 296
26 - Perda e suspensão da mediunidade. .......................................................... 297
6ª Unidade – O desenvolvimento mediúnico
27 - Necessidade de metodização: regras a observar. ...................................... 303
28 - Oportunidade do desenvolvimento. .......................................................... 305
29 - Adaptação psíquica. ................................................................................. 307
30 - Sinais precursores da mediunidade. Mediunidade como prova. ............... 310
31 - A educação mediúnica e a evangelização do médium. ............................. 315
32 - A influência do médium nas comunicações. ............................................ 317
7ª Unidade – Fenômenos de emancipação da alma
33 – Sono e sonhos. ......................................................................................... 319
34 - Letargia, catalepsia, mortes aparentes. ..................................................... 321
35 - Sonambulismo, êxtase e dupla vista. ........................................................ 329
8ª Unidade – Obsessão
36 - Conceito, causas e graus de obsessão ( 1ª parte). ..................................... 333
37 - Conceito, causas e graus de obsessão ( 2ª parte). ..................................... 334
38 - O processo obsessivo: o obsessor e o obsidiado ( 1ª parte). ..................... 339
39 - O processo obsessivo: o obsessor e o obsidiado ( 2ª parte). ..................... 347
40 - Obsessão e loucura. .................................................................................. 349
41 - Obsessão: profilaxia e terapêutica. ........................................................... 351
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 7

Módulo VI – Aspecto religioso


1ª Unidade – Evolução do pensamento religioso
01 - Politeísmo ou paganismo (1ª parte). ......................................................... 353
02 - Politeísmo ou paganismo (2ª parte). ......................................................... 356
03 - Moisés e a 1ª Revelação: Os Mandamentos da Lei de Deus. .................... 360
04 - Moisés: legislador e missionário. ............................................................. 363
05 - Cristianismo: origens e propagação - 1ª parte: o advento de Jesus. .......... 366
06 - Cristianismo: origens e propagação - 2ª parte: equipe espiritual da
missão de Jesus. ....................................................................................... 369
07 - Cristianismo: origens e propagação - 3ª parte: a missão de Jesus. ............ 372
08 - Cristianismo: origens e propagação - 4ª parte: a missão dos apóstolos. ... 374
09 - A moral Cristã e os Evangelhos. .............................................................. 378
2ª Unidade – Relação da criatura com o Criador
10 - Amor a Deus. Adoração. Vida contemplativa. ......................................... 385
11 - A fé e o seu poder. ................................................................................... 388
12 - A prece e sua eficácia. .............................................................................. 390
13 - Sacrifícios, mortificações e promessas. .................................................... 392
3ª Unidade – Amor ao próximo
14 - A caridade. ............................................................................................... 395
15 - Amor materno e amor filial. ..................................................................... 397
16 - Respeito às leis, às demais religiões e aos direitos humanos. ................... 399
4ª Unidade – A perfeição moral
17 - Caracteres da perfeição. Obstáculos à perfeição. ..................................... 401
18 - Cuidados com o corpo e com o espírito. .................................................. 403
19 - Conduta espirita e vivência evangélica. ................................................... 405
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 8

MÓDULO I
Introdução ao estudo da Doutrina Espírita

1ª Unidade
Antecedentes da Doutrina Espírita

01 - Os precursores da Doutrina Espírita.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Mencionar alguns precursores da Doutrina Espírita.
Citar fatos da vida destes precursores, relacionando-os aos fenômenos Espíritas.

IDÉIAS PRINCIPAIS
Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodi-
ram apenas numa data determinada. As interferências das forças exteriores inteligentes
têm ocorrido desde os tempos imemoriais, durante todo o curso da História até o adven-
to da Terceira Revelação no Ocidente, com Allan Kardec.
Um fato que merece destaque, como um marco precursor, são os fenômenos ocorridos
com sensitivos, quais o grande vidente Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson
Davis.

FONTES DE CONSULTA

01. DELLANE, Gabriel. O fenômeno espirita. Trad. por Francisco Raymundo Ewerton
Quadros. . ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. p.17-19
02. . p. 22
03. DOYLE, Arthur Conan. A história do Espiritismo. A história de Swendenborg. In: .
A historia do Espiritismo. Trad. de Julio Abreu Filho. São Paulo, Pensamento, 1978. p.
33.
04. p. 34
05. p. 36-37
06. O profeta da Nova Revelação. In: . A história do Espiritismo. Trad. de Julio Abreu
Filho. São Paulo, Pensamento, I978, p 59-61
07. p. 67, 69
08. PAULO, Corintios 14:1
09. PAULO, I Tessalonicenses, 5:19-21
10. JO4O, I 4:1-2
-
OS PRECURSORES DA. DOUTRINA ESPIRITA
0s fatos atinentes as revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam a
mais recuada antigüidade, sendo tão velhos quanto o nosso mundo; e sempre ocorreram
em todos os tempos e entre todos os povos, A História, a este propósito, está pontilhada
desses fenômenos de intercomunicação espiritual.
As evocações dos Espíritos não se situaram apenas entre os povos do Ocidente, ocor-
rendo com larga freqüência no Oriente, como se observa dos relatos do Código dos
Vedas e do Código de Manu. Esclarece-nos
Louis Jacolliot que, desde os tempos imemoriais, os padres iniciados nos mosteiros
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 9

preparavam os faquires para evocação dos mortos, com a obtenção dos mais notáveis
fenômenos (Le Spiritisme dans le Monde). O missionário Huc-, refere-se a grande
numero de experiências de comunicações com os mortos registradas na China. (I) Paulo,
o apóstolo, em suas cartas, reconhecia a prática dessas manifestações entre os cristãos
primitivos ao recomendar: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas
principalmente que profetizeis"; (8) "Não apagueis o Espírito; não desprezeis profecias;
julgai todas as coisas, retende o que e bom." (9) Q apóstolo João também se referia a
manifestações espirituais, alertando-nos igualmente quanto a procedência dessas comu-
nicações
Na Idade Media, destaca-se a figura admirável de Joana D’Arc, grande médium, recu-
sando sempre renegar as vozes espirituais. (02)
Numa época mais moderna e que podemos melhor situar a fase precursora do Espiritis-
mo, a Terceira Revelação, conhecida como 0 Consolador Prometido por Jesus à huma-
nidade. A diferença entre os fatos desta fase e os fenômenos da Pre-Histõria, como bem
acentua Artur C.Doyle, está em que estes últimos episódios eram esporádicos, ou diría-
mos melhor, sem uma seqüência metódica, enquanto aqueles "têm a característica de
uma invasão organizada" (3).É nesta época mais moderna e precursora que vamos
encontrar alguns notáveis antecessores, como 0 famoso vidente sueco, Emmanuel Swe-
denborg, engenheiro militar, insigne teólogo de valioso patrimônio cultural e dotado de
largo potencial de forças psíquicas. (4)
Desde a sua infância tiveram inicio as suas visões numa continuidade que se prolonga
ate sua morte, mas as suas forças latentes eclodiram com mais intensidade a partir de
abril de 1744, em Londres. Desde então, afirma Swendenborg, "(,,.) O Senhor abria os
olhos de meu espirito para ver, perfeitamente desperto, 0 que se passava no outro mun-
do e para conversar em plena consciência com os anjos e espíritos.(...)" (5)
Um outro notável precursor, digno de menção, foi Franz Anton Mesmer, medico, des-
cobridor do magnetismo curador. Em 1775, Mesmer reconhece o poder da cura median-
te a aplicação das mãos, ou seja, através
da fluidoterapia. Acredita que por nossos corpos transitam fluidos cura dores, preparan-
do o caminho para o Hipnotismo do Marques de Puységur.
Fatos precursores dignos de registro ocorreram com Andrew Jackson Davis, magnifico
sensitivo que viveu entre 1826 a 1910, sendo considerado por Artur Conan Doyle como
o profeta da Nova Revelação. Os poderes psíquicos de Davis começaram nos últimos
anos da infância, ouvindo vozes de Espíritos que lhe davam conselhos. A clarividência
seguiu-se a clariaudiência. "(...) Na tarde de 06 de março de 1884, Davis foi tomado por
uma força que o fez voar, em Espírito, da pequena cidade onde residia, e fazer uma
viagem ate as Montanhas de Castskill cerca de 40 milhas de casa. Swendenborg foi um
dos mentores espirituais de. Davls. (6)
O surgimento do Espiritismo foi predito por Davis no livro "Principio da Natureza".
Para nós, comenta Conan Doyle, "o que é importante é o papel - representado por Davis
- no começo da revelação espirita. Ele começou a preparar o terreno, antes que se inici-
asse a revelação. Estava fadado a associar-se, intimamente, com ela, de vez que conhe-
cia a demonstração de Hydesville". (7)

02 - Os fenômenos de Hydesville. As mesas girantes.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Dizer qual a importância dos fenômenos de Hydesville no surgimento do Espiritismo.
Determinar a posição do professor Rivail perante o fenômeno das "Mesas Girantes."
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 10

IDÉIAS PRINCIPAIS
Em março de 1848, no humilde vilarejo de Hydesville, estado de New York, surgiram fenôme-
nos mediúnicos que abalaram a opinião publica da época.
"Foram as mesas girantes, e depois falantes, que chamaram a atenção do professor Hyppolyte
Léon Denizard Rivail para os fenômenos espiritas." ( 9) p. 54
Depois das mesas surgiu a escrita com o lápis preso à cestinha de vime e, finalmente, com a
mão do médium. Servindo-se desses últimos meios, Rivail elaborou a grandiosa Codificação do
Espiritismo’! (9) p.54
FONTES DE CONSULTA
1 - KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 48. ed., Rio de Janeiro, FEB,
1979, itens 4 e 5, pag. cit. 19 a 23.
2 - KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 45. ed., Rio de Janeiro, FEB,
1982, 2ª parte, cap. II, pag. cit. 76 a 79.
3 - KARDEC, Allan - Obras Póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 13. ed. Rio de Janeiro, FEB, 197S,
pag. cit. 265 a 271.
4 - KARDEC, Allan - O que e Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 19. ed., Rio de Janeiro, FEB,
1977, pag. cit. 82 a 86.
5 - DOYLE, Arthur Conan - História do Espiritismo. São Paulo, Pensamento, s.d. , cap. IV, pag.
cit. 73 a 92. ~
6 - FRANCO, Pedro - Espiritismo Básico. Centro Brasileiro de Homeopatia, Espiritismo e Obras
Sociais, 1976. pag. cit. 45.
7 - FREIRE, Antônio J. - A Evolução do Espiritismo. Única ed., Porto, Portugal, Empresa Naci-
onal, 1952, pag. cit. 7.
8 - GIBIER, Paul - O Espiritismo ( ou Faquirismo Ocidental). 3. ed. -Rio de Janeiro, FEB, 1980,
cap. III, pag. cit. 34 a 43.
9 - WANTUIL, Z.; THIESEN, F. - Allan Kardec. Rio de Janeiro, FEB, 1980, vol. II, pag. cit. p .
56.
10 - WANTUIL, Z. - As mesas girantes e o Espiritismo. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, item 2.
Os memoráveis acontecimentos que, pela sua freqüência e intensidade, indicaram as manifes-
tações de forças inteligentes intervindo no plano físico, determinaram o nascimento do Espiri-
tismo através da fenomenologia mediúnica ainda incipiente e elementar, ocorrido exatamente
no ano de 1848 nos Estados Unidos da América do Norte, segundo autoriza dos pesquisadores
(4, 8). Eram as pancadas ou ruídos (rappings ou noises) que se iniciaram na aldeia de Hydes-
ville, condado de Wayne, Estado de Nova York.
Foi a 31 de março de 1848 que esses ruídos insólitos surgiram de maneira mais ostensiva, de
modo a atraírem a atenção publica, inclusive da imprensa, e a tornarem-se objeto de constata-
ção por numerosos observadores, a ponto de marcarem na América do Norte a data do nasci-
mento do que intitularam de Moderno Espiritualismo.
Tais fenômenos ocorreram numa tosca cabana, residência da família Fox. Os acontecimentos,
a partir do primeiro diálogo com o Espirito em 31 de marco de 1848, empolgaram a população
do vilarejo, surgindo depois as primeiras demonstrações publicas no maior salão de Rochester,
o Corinthian Hall, o que resultou na formação do primeiro núcleo de estudos. (8)
Descobriu-se que as revelações ruidosas partiam do Espirito de um mascate, de nome Charles
Rosma, que fora assassinado e sepultado no porão da casa da família dos Fox, adeptos da
igreja Metodista, cujas filhas, Margareth e Katherine, eram excelentes médiuns Na celebre
noite de 31 de março, registrou-se o primeiro diálogo entre as irmãs Fox e o Espirito do vende-
dor ambulante, tendo um dos presentes, o Sr. Isaac Post, usado, pela primeira vez, letras do
alfabeto para formação de palavras mediante convenção de que as letras corresponderia
determinado numero de pancadas. Estava, pois, descoberta a "telegrafia espiritual que foi o
processo adotado na utilização das "mesas girantes". (6)
Em 1850, "tamanha foi a repercussão dos fenômenos, tal a afluência dos curiosos, (...) que a
família Fox transladou-se para Nova York continuando as sessões publicas no Hotel Barrum.
Nessa época já somava vários milhares o numero dos espiritas norte americanos, apesar das
cerradas investidas da imprensa, onde qualquer cronista arvorava-se em critico para condenar
os fenômenos." (5)
A relevância do acontecimento pode ser assinalada ainda pela ressonância na esfera cientifica,
motivando as várias investigações por pesquisadores de alto nível cultural como Dale Owen,
William :Crookes, o Juiz Edmonds, etc.
O acontecimento de Hydesville repercutiu na Europa, despertando as consciências e ao lado
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 11

dos fenômenos das "mesas girantes" preparou o advento do Espiritismo. (6)


As mesas girantes não se limitavam a levantar-se sobre um pê para responder as perguntas
feitas, moviam-se em todos os sentidos, giravam sob os dedos dos pesquisadores elevando-se
no ar às vezes. Entre os anos de 1853 a 1855, os fenômenos das mesas girantes constituíam
verdadeiro passatempo, sendo diversão quase obrigatória nas reuniões sociais.(3) Segundo o
padre Ventura de Raulica, este fenômeno foi considerado como "o maior acontecimento do
século". (9)
A divulgação dessas experiências e "a seguir a conversão do Juiz Edmonds, materialista que
rira da crença dos Espíritos, pasmaram to dos os norte-americanos, aumentando ainda mais o
interesse pelas manifestações inteligentes". (10)
Paris inteira assistia, atônita e estarrecida, a esse turbilhão feérico de fenômenos imprevistos
que, para a maioria , só alucinadas imaginações poderiam criar, mas que a realidade impunha
aos mais céticos e frívolos (1)
A posição de Kardec diante dos fatos motivou o advento da Doutrina Espirita. O Codificador
não os contestou, reconhecendo a sua primeira ocorrência como verídica, mas constituindo
apenas uma fase inicial, em que tais fatos incipientes e rudimentares serviriam de alicerces do
que mais tarde seria o edifício da Doutrina Consoladora. Refere-se aos fenômenos físicos
como manifestações de forças inteligentes (1) que utilizaram, de inicio, as mesas segundo os
sinais previamente convencionados, mas proclama que este meio ainda grosseiro "era demo-
rado e incômodo". (1)
"Reconheceu-se mais tarde que a cesta e a prancheta não eram realmente, mais do que um
apêndice da mão; e o médium, tomando diretamente do lápis, se pôs a escrever por um impul-
so involuntário e quase febril. Dessa maneira as comunicações se tornaram mais rápidas mais
fáceis e mais complexas(1)
"O efeito mais simples, e um dos primeiros que foram observados, consiste no movimento
circular impresso a uma mesa. Este efeito igualmente se produz com qualquer outro objeto,
mas sendo a mesa o móvel com que, pela sua comodidade, mais se tem procedido a tais
experiências, a designação de mesas girantes para indicar esta espécie de fenômenos.(.,.)
Como quer que seJa, as mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da Doutrina
Espirita e, por essa razão, algumas explicações lhe devemos, tanto mais que, mostrando os
fenômenos na sua maior simplicidade, o estudo das causas que os produzem ficará facilitado
e, .uma vez firmada, a teoria nos fornecerá a chave para a decifração dos efeitos mais comple-
xos· (2)
QUESTÕES PARA O ESTUDO EM GRUPO
. Após a leitura atenciosa da síntese responda corretamente:
a) Qual a importância dos fenômenos de Hydesville no surgimento do Espiritismo?
b) Qual a posição do professor Rivail (Allan Kardec) perante o fenômeno das mesas girantes?
* Consulte a "síntese’ quantas vezes julgar necessário.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 12

2ª Unidade
A Codificação Espírita

03 - Allan Kardec. O Professor e o Codificador. Método adotado.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Citar dados biográficos sobre Allan Kardec.
Descrever a missão de Allan Kardec.
Explicar o método adotado por Allan Kardec na Codificação.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Nasceu Allan Kardec, "(...) aos 03 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho
ao Espiritismo, a grande voz do ConsoIador Prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus
Cristo". (5)
Kardec adota o método intuitivo - racional na codificação do Espiritismo, considerando o valor
da análise experimental, através da observação, e o uso do raciocínio na descoberta da verda-
de. Sustenta a necessidade de proceder do simples para o complexo, do particular para o
geral.
FONTES DE CONSULTA
01. BIOGRAFIA do Sr. Allan Kardec. Revista Espirita; jornal de estudos psicológicos, 5:128,
131-132, 1869.
02. KARDEC, Allan. Caráter da Revelação Espírita. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item, 14, p. 20.
03. SAUSSE, Henri. Biografia de Allan Kardec. In: KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 22.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. l0,
11-13, 18, 14-16, 18-19, 25, 22.
! 04 FLAMARION, Camille. Discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec. In:
KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. de Guillon Ribeiro 18. ed. Rio de Janeiro, FEB’ 1981.
p. 24.
| 05. WANTUIL, Zêus & THIESEN, Francisco . Esboço do sistema pestalozziano. In: Allan
Kardec; meticulosa pesquisa bio bibliográfica. Rio de Janeiro, FEB, 1979 vol., p 97
06 _H. L. D Rivail, educador, escuda os fatos. In: Allan Kardec; pesquisa bio bibliográfica e
ensaios de interpretação Rio de Janeiro, FEB, 1979. v.2, p 63
07. _. Princípios enunciados e seguidos pelo discípulo. In:. Allan Kardec, meticulosa pesquisa
bio bibliográfica. Rio de Janeiro, FEB’ 1979. v.1, p. 99.
Na cidade de Lião, na rua Sala 76 nasceu, no dia 3 de outubro de 1804, aquele que se celebri-
zaria sob o pseudônimo de Allan Kardec, de tradicional família francesa de magistrados e
professores, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail e de Jeanne Lonise Duhamel. Batizado pelo
padre Barthe a 15 de junho de 1805 na igreja de Saint Denis de la Croix-Rousse, recebeu o
nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail. (3)
Em Lião fez os seus primeiros estudos, seguindo depois para Yverdun, na Suíça, a fim de
estudar no Instituto do celebre professor Pestallozzi. O instituto desse abalizado mestre era um
dos mais famosos e respeitados em toda a Europa, reputado como escola modelo, por onde
passaram sábios escritores do Velho Continente. Desde cedo Hippolyte Léon tornou-se um dos
mais eminentes discípulos de Pestallozzi, um colaborador inteligente e dedicado, que exerce-
ria, mais tarde, grande influencia sobre o ensino da França. (3)
Declara a Revista Espirita, de maio de 1869, que dotado de notável inteligência e atraído por
sua vocação, desde os 14 anos ele ensinava, aos condiscípulos menos adiantados, tudo que
aprendia. (1)
Concluídos os seus estudos em Yverdun, regressou a Paris, onde se tornou conceituado
Mestre não só em letras como em ciências, distinguindo-se como notável pedagogo e divulga-
dor do Método Pestallozziano. Conhecia algumas línguas como o italiano, alemão etc.. Tornou-
se membro de várias sociedades cientificas.
Encontrando-se no mundo literário de Paris com a professora Amelie Gabrielle Boudet, culta,
inteligente, autora de livros didáticos, o professor Hippolyte Léon contrai com ela matrimônio,
conquistando uma preciosa colaboradora para a sua futura atuação missionária.
Como pedagogo, no primeiro período da sua vida, Rivail publica numerosos livros didáticos
Apresenta, na mesma época, planos e métodos referentes ã reforma do ensino [rances. Entre
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 13

as obras publicadas, destacam-se: Curso Teórico e Prático de Aritmética, Gramática Francesa


Clássica, Catecismo Gramatical da Língua Francesa, alem de programas de cursos ordinários
de física, química e astronomia e fisiologia. (3)
Ao termino desta longa atividade e experiência pedagógica, o professor Hippolyte estava
preparado para outra tarefa, a codificação do Espiritismo. (3)
Começa então a missão de Allan Kardec quando em 1854 ouviu falar pela primeira vez nas
mesas girantes, através do amigo senhor Fortier, um pesquisador emérito do magnetismo. A
principio Kardec revelou-se cético, apesar de seus estudos sobre magnetismo, mas não intran-
sigente, face a sua posição de livre pensador de homem austero, sincero e observador. Exigin-
do provas, mostrou-se inclinado a observação mais profunda dos ruidosos fatos amplamente
divulgados pela imprensa francesa.
Assistindo os propalados fenômenos, na casa da sonâmbula senhora Roger, depois na casa
de madame Plainemaison e, finalmente na casa da família Baudin, recebe muitas mensagens
através da mediunidade das jovens Caroline e Julie. Conclui, afinal, que eram efetivamente
manifestações inteligentes produzidas pelos Espíritos dos homens que deixaram a Terra. (3)
Recebendo depois dos senhores Carlotti, Rene Taillandier, Tiedeman-Manthèse, Sardou, pai e
filho, e Didier, editor, (...)cinqüenta cadernos. de comunicações diversas (...)" (3), Kardec se
dedica àquela ciclópica e desafiadora tarefa da Codificação Espírita, elaborando as obras
básicas em função dos ensinamentos fornecidos pelos Espíritos, sendo a primeira delas- "O
Livro dos Espíritos’’ --, publicada em 18 de abril de 1857, e tida como marco inicial da codifica-
ção do Espiritismo. (3)
Explicando a sua convicção, sustenta que a sua crença apoia-se em raciocínio e fatos. É do
seu feitio examinar antes, de negar ou afirmar a priori, qualquer tema. "(...) Foi, portanto, como
racionalista estudioso, emancipado do misticismo, que ele se pôs a examinar os fatos relacio-
nados com as "mesas girantes": "tendo adquirido, no estudo das ciências exatas, o hábito das
coisas positivas, sondei, perscrutei esta nova ciência (o Espiritismo) nos seus mais íntimos
refolhos; busquei explicar-me tudo, porque não costumo aceitar idéia alguma, sem lhe conhe-
cer o como e o porquê. (...)" (6)
Fundou Kardec em 1 de abril de 1858 a primeiro sociedade espirita com o nome de "Societe
Parisenne des Etudes Spirites" e no mesmo ano edita a Revista Espirita, primeiro órgão espirita
na Europa. No dia 15 de janeiro de 1861) lança "O Livro dos Médiuns" e depois, sucessivamen-
te, "O Evangelho Segundo o Espiritismo "O Céu e o Inferno" e "A Gênese". (3)
Recebe a primeira revelação da sua missão em 30 de abril de 1856, pela médium Japhet,
missão essa confirmada em 12 de junho de 1856, pela médium Aline, e finalmente a 12 de abril
de 1860 na casa do senhor Dehau, pelo médium Crozet. Kardec escreve que empregou nessa
laboriosa tarefa toda solicitude e dedicação que era capaz. (3)
Na Revista Espirita de maio de 1869, lê-se: "(...) trabalhador infatigável, sempre o primeiro e o
ultimo a postos. Allan Kardec desencarnou a 31 de março de 1869 (...)". "Nele, como em todas
as almas fortemente temperadas, a lamina gastou a bainha. (...)" (1)
Cumprida estava modelarmente a missão do expoente máximo da Terceira Revelação, abrindo
caminho ao Espiritismo (...) a grande voz do Consolador Prometido ao mundo pela misericórdia
de Jesus". (5)
No que tange ao método, Kardec adota o intuitivo - racionalista Pestallozzlano, como processo
didático defendido pelo fundador -do Instituto de Yverdun, considerando todavia o valor da
análise experimental. Sob tais diretrizes cultiva o espírito natural da observação, apregoando o
uso do raciocínio todavia, a atitude mecânica para que o aprendiz procure sempre a razão e a
finalidade de tudo. Sustenta a necessidade de proceder do simples para o complexo, do parti-
cular para o geral. Recomenda a utilização de uma memória racional, fazendo o uso da Razão,
para reter as idéias de modo a evitar o processo de repetição mecânica das palavras. Procura
despertar no estudo a curiosidade do observador de molde avivar a atenção e a percepção .(7)
O lastro contido no ensino basilar e sempre intuitivo, que Kardec considera ‘’(...) como o fun-
damento geral dos nossos conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver as forcas
do espirito humano, da maneira mais natural.(...)/(7)
Entendia Kardec que "(...)todo bom método devia partir do conhecimento dos fatos adquiridos
pela observação, pela experiência e pela analogia, para daí se extraírem por indução, os
resultados e se chegar a enunciados gerais que pudessem servir de base de raciocínios,
dispondo-se esses materiais com ordem sem lacuna, harmoniosamente. (...)" (5)
Pelo eficiente e racional método de sua dialética, Kardec foi saudado por Camille Flamarion
como "o bom senso encarnado". (4)
Em conclusão, a resplandecente missão do mestre de Lion, exercida com tanto estoicismo e
devoção, assegura-nos, desde agora, a convicção de sua retumbante vitória.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 14

04 - O caráter da Revelação Espírita.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Descrever e analisar os caracteres da revelação espirita.
Ressaltar a significação e o alcance da revelação espirita.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. (...)" (2)
"Por sua natureza, a revelação espirita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revela-
ção divina e da revelação cientifica. (...)
Numa palavra, o que caracteriza a revelação espirita é o ser divina a sua origem e da iniciativa
dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem". (2)
"O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, e
conseqüência direta da sua doutrina. (...) "Acrescenta a revelação da existência do mundo
invisível que nos rodeia e povoa o espaço. (...)" "Define os laços que unem a alma ao corpo.
(...)" "Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai , porque está na Terra, por
que sofre temporariamente e vê por toda par te a justiça de Deus. (...)" (2)
FONTES DE CONSULTA
01. KARDEC, Allan. Caráter da .revelação espírita In. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p. 13-52’l
02. Op. cit. - itens 03, 13, 30 , p 14, 19-20, 28-29.
03. Op. cit. - itens 02, 03, 30` 45,46, 50, 52, 54, 55, 13; p. 14,28-29,35-40,42-45,20
COMPLEMENTARES
04. DENIS, Léon. A Nova Relevação. A Doutrina dos Espíritos. In: Cristianismo e Espiritismo,
Trad. de Leopoldo Cirne. 7ª ed., 1978, FEB, p. 210-213,228.

O CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA


"Definamos primeiro o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim revelação, cuja raiz,
velum véu, significa literalmente descobrir de sob o véu e, figuradamente, descobrir, dar a
conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. (...)". (3)
"A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo
e tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por conseqüência, não existe revela-
ção. (...)" (3) O caráter essencial da revelação divina é pois o da eterna verdade. Toda revela-
ção eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus.
"O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo , como este partiu das de Moisés, e
conseqüência direta da sua doutrina. A idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da
existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença,
dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade a idéia. Define os laços que unem a alma ao
corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. (...)"
(3)
"A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segundo no Cristo, a terceira não
a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva; aí está um
caráter essencial de grande importância. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada
como privilegio a pessoa alguma; ninguém, por conseqüência, pode inculcar-se como seu
profeta exclusivo ; foi espalhada simultaneamente , por sobre a Terra, a milhões de pessoas,
de todas as idades e condições, desde a mais baixa ate a mais alta da escala, conforme esta
predição registrada pelo autor dos Atos dos Apóstolos: " Nos últimos tempos, disse o Senhor,
derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mance-
bos terão visões e os velhos sonhos (Atos, cap. II, v 17, 18). Ela não proveio de nenhum culto
especial, a fim de servir um dia a todos, de ponto de ligação." (3)
"As duas primeiras revelações sendo fruto do ensino pessoal, ficaram forçosamente localiza-
das, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual} a idéia se propagou pouco a pouco;
mas, foram precisos mui tos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem
mesmo o invadissem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada
em um só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se torna-
ram centros ou focos de irradiação.(...)’ (3)
"A terceira revelação, vinda numa época de emancipação e madureza intelectual, em que a
inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo; em que o homem
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 15

nada aceita as cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada
coisa - tinha ela que ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da
pesquisa e do livre exame. Os Espíritos não ensinaram senão justamente o que é mister para
guia-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por
si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão,
deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência a sua custa. Fornecem-lhe o principio,
os materiais; cabe-lhe a ele aproveitá-los e pô-los em obra". (3)
"Alem disso, convém notar que em parte alguma o ensino espírita foi dado integralmente; ele
diz respeito a tão grande numero de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhe-
cimentos e aptidões mediúnicas especiais, que impossível era acharem-se reunidos num
mesmo ponto todas as condições necessárias. Tendo o ensino que ser coletivo e não individu-
al, os Espíritos dividiram o trabalho, disseminando os assuntos de estudo e observação como,
em algumas fabricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos
operários.
A revelação fez-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediá-
rios e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado Cada centro
encontra nos outros centros o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de
todos os ensinos parciais que constituíram a doutrina espirita.(...)" (3)
"Nenhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem. Todas, sem
exceção de nenhuma, são fruto de observações sucessivas, apoiadas em observações prece-
dentes, como em um ponto conhecido, para chegar ao desconhecido. Foi assim que os Espíri-
tos procederam, com relação ao Espiritismo. Dai o gradativo ensino que ministram.(...)" (3)
"Um ultimo caráter da revelação espírita a ressaltar das condições mesmas em que ela se
produz, e que, apoiando-se em fatos, tem que ser. e não pode deixar de ser. essencialmente
progressiva, como to das as ciências de observação. (...)"
"Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias
descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que se-
jam, desde que hajam assumido o estado de verdade prática,: e abandonado o domínio da
utopia. (...) "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado. (...)"
(3)
"Por sua natureza a revelação cristã tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação
divina e da revelação cientifica. (...)"
"Numa palavra, o que caracteriza a revelação espirita e o ser divina a sua origem e da iniciativa
dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem". (3)
A revelação cristã havia sucedido à revelação mosaica; a revelação dos Espíritos vem comple-
tá-la. O Cristo a anunciou, e pode acrescentar-se que ele próprio preside a esse novo surto do
pensamento. (...)’
"A nova revelação manifesta-se fora e acima das igrejas. Seu ensino dirige-se a todas as raças
da Terra. Por toda parte os Espíritos proclamam os princípios em que ela se apóia. Por sobre
todas as regiões do globo perpassa a grande voz que convida o homem a meditar em Deus e
na vida futura. Acima das estéreis agitações e das discussões fúteis dos partidos, acima das
lutas de interesse e do conflito das paixões, a voz profunda desce do espaço e vem oferecer a
todos, com o ensinamento da palavra, a divina esperança e a paz do coração.
É a revelação dos tempos preditos. Todos os ensinos do passado, parciais, restritos, limitados
na ação que exerciam, são por ela ultrapassados, envolvidos. Ela utiliza os materiais acumula-
dos; reúne-os, solidifica-os para formar um vasto edifício em que o pensamento, a vontade,
possa expandir-se. (...)’’
"As Inteligências superiores, em suas relações mediúnicas com os homens, vem completar
essas indicações. Confirmam os ensinos ministrados pelos Espíritos menos adiantados; ele-
vando-se à maior altura, expõem o seu modo de ver, as suas opiniões sobre todos os grandes
problemas da vida e da morte, a evolução geral dos seres, as leis superiores do Universo.
Todas essas revelações concordam e se unem para constituir uma filosofia admirável. (...)2
"Por isso, o moderno espiritualismo não dogmatiza nem se imobiliza. Não alimenta pretensão
alguma a infalibilidade. Posto que superior aos que o precederam, o ensino espirita é progres-
sivo como os próprios Espíritos. Ele se desenvolve e completa a medida que, com a experiên-
cia, se efetua o progresso nas duas humanidades, a da Terra e a do espaço humanidades que
se penetram mutuamente e das quais cada um de vos deve, alternativamente, fazer parte (...)’’
"O ensino dos Espíritos, por toda parte, nos mostra a unidade da lei e substância. Em virtude
dessa unidade, reinam na obra eterna a ordem e a harmonia. (...)" (4)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 16

05 - As obras básicas
OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Preencher uma ficha bibliográfica sobre uma obra da codificação.
Capacitar-se da necessidade do estudo aprofundado das obras da codificação.
IDÉIAS PRINCIPAIS
O Livro dos Espíritos trata da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e de suas rela-
ções com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do; porvir da humani-
dade. (4)
0 Livro dos Médiuns contem o ‘Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêne-
ros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da
mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo
constituindo o seguimento do Livro dos Espíritos Evangelho Segundo o Espiritismo a explica-
ção das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações as
diversas circunstancias da vida." (2)
O Céu e o Inferno apresenta um exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida
corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e de-
mônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma
durante e depois da morte." (1)
Em A Gênese consta que "A Doutrina Espirita há resultado do ensino coletivo e concordante
dos Espíritos. A ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza.
Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela abrogação
delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente. "(3)
FONTES DE CONSULTA.
01. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29 ed. Rio ale
Janeiro, FEB, 1982.
02. - O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 33. ed. Rio de Janeiro, FEB
~ 1982.
03. - A Gênese. Trad. de (Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro, FEB’ 1982.
04. - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.
05 - O Livro dos Médiuns Trad. de Guillon Ribeiro, 42. ed. Rio de Janeiro , FEB " l980 .
Texto.
01. As obras básicas da Codificação Kardequiana são as seguintes por ordem cronológica de
edição:
1.1 - O Livro dos Espíritos. Lançado em Paris, França, em 1ª. edição, aos 18 de abril de 1857,
sob o título de "Le Livre des Esprits"
1.2 - O Livro dos Médiuns , 1ª. edição em Paris, França, em janeiro de 1861. Titulo do original
francês: "Le Livre des Médiuns ou Guide des Médiuns et des Invocateurs"
1.3 - O Evangelho segundo o Espiritismo 1ª. edição em Paris, França em abril de 1864 sob o
titulo "L ‘Evangile selon de Spiritisme".
1.4 - O Céu e o Inferno, lançado em Paris, França, em 1ª edição, no ano de 1865. Titulo do
original francês: "Le ciel et lénfer ou La justice Divine selon le Spiritisme".
1.5 _ A Gênese 1ª. edição em Paris, França, em janeiro de 1868 , sob o titulo "La Gènese. Les
Miracles et les Prèdctions Selon le Spiritisme ".
02. Os conteúdos das obras básicas, em resumo, expõem e consolidam os princípios e os
elementos constitutivos da Doutrina Espirita, em sua totalidade, segundo o ensino dos Espíri-
tos, a sistematização e a codificação desses ensinos, por Allan Kardec.
2.1 - O primeiro dos cinco livros que integram a referida codificação, O Livro dos Espíritos, trata
dos seguintes assuntos:
"Princípios da doutrina espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas
relações com os homens , as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humani-
dade(...)", abordados esses princípios em quatro partes, a saber: |
PARTE PRIMEIRA: Das causas primárias, com quatro capítulos:
De Deus;
Dos elementos gerais do Universo;
Da criação;
Do principio vital).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 17

PARTE SEGUNDA :Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos, com onze capítulos:
Dos Espíritos;
Da encarnação dos Espíritos
Da volta do Espirito extinta a vida corpórea, a vida espiritual ;
Da pluralidade das existências;
Considerações sobre a pluralidade das existências;
Da vida espirita;
Da volta do Espirito a vida corporal;
Da emancipação da alma;
Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal;
Das ocupações e missões dos Espíritos;
Dos três reinos.
PARTE TERCEIRA: Das leis Morais com doze capítulos.
Da lei divina ou natural,
Da lei de adoração
Da lei do trabalho;
Da lei de reprodução;
Da lei de conservação
Da lei de destruição;
Da lei de sociedade;
Da lei do progresso::
Da lei de igualdade;
Da lei de liberdade;
Da lei de justiça, de amor e de caridade
Da perfeição moral
PARTE QUARTA: das esperanças e consolações com dois capítulos.
Das penas e gozos terrenos
Das penas e gozos futuros
2.2 - O segundo livro, por ordem cronológica de lançamento, O Livro dos Médiuns no seu
frontispício, apresenta o subtítulo Guia dos Médiuns e evocadores, e resume assim o seu
conteúdo;
Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios
de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e
os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo, constituindo o seguimento do
Livro dos Espíritos.
Esses temas acham-se expostos através das seguintes partes:
PRIMEIRA PARTE. Noções preliminares com quatro capítulos;
Há espíritos ?
Do maravilhoso ao sobrenatural
Do método
Dos sistemas
PARTE SEGUNDA, Das manifestações espíritas, com trinta e dois capítulos;
Da ação dos Espíritos sobre a matéria;
Das manifestações físicas
Das mesas girantes;
Das manifestações inteligentes ;
Da teoria das manifestações físicas
Das manifestações físicas expontâneas;
Das manifestações visuais,
Da bicorporeidade e da transfiguração;
Do laboratório do mundo invisível ;
Dos lugares assombrados;
Da natureza das comunicações
Da sematologia e da tiptologia;
Da pneumatografia ou escrita direta, e da pneumatofonia;
Da psicografia
Dos médiuns;
Dos médiuns escreventes ou psicógrafos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 18

Dos médiuns especiais;


Da formação dos médiuns;
Dos inconvenientes e perigos da mediunidade
Do papel dos médiuns nas comunicações espíritas;
Da influência do médium
Da influência do meio
Da mediunidade nos animais
Da obsessão
Da identidade dos espíritos.
Das contradições. E das mistificações.
Do charlatanísmo e do embuste
Das reuniões e das sociedades.
Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Dissertações espíritas
Vocabulário espírita. (5)
2.3 - 0 terceiro livro, O Evangelho Segundo o Espiritismo tem em sua folha de rosto a síntese
do seu conteúdo.
. "A explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas
aplicações as diversas circunstâncias da vida". O seu estudo se desdobra em uma introdução e
vinte e seis capítulos, assim enunciados:
Não vim destruir a lei
Meu reino não e deste mundo
Há muitas moradas na casa de meu Pai
Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo
Bem-aventurados os aflitos
O Cristo Consolador
Bem-aventurados os pobres de espirito
Bem-aventurados os que .têm puro o coração
Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos
Bem-aventurados os que são misericordiosos
Amar o próximo como a si mesmo
Amai os vossos inimigos
Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita
Honrai a vosso pai e a vossa mãe
Fora da caridade não há salvação
Não se pode servir a Deus e a Mamon
Sede perfeitos
Muitos os chamados, poucos os escolhidos
A fé transporta montanhas
Os trabalhadores da ultima hora
Haverá falsos Cristos e falsos profetas
Não separeis o que Deus juntou
Estranha morai
Não ponhais a candeia de baixo do alqueire
Buscai e achareis
Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes
Pedi e obtereis
Coletânea de preces espiritas. (2)
2.4 O Céu e o Inferno é o quarto livro do Pentateuco Kardequiano; tem como subtítulo: "A
Justiça Divina segundo o Espiritismo". Contem, segundo o resumo constante em sua folha de
rosto, o: "Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual,
sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e os demônios, sobre as penas,
etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da mor
te". Sua matéria desdobra-se da seguinte forma:
PARTE PRIMEIRA: Doutrina, com onze capítulos:
O porvir e o nada
Temor da morte
O céu
O inferno
O purgatório
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 19

Doutrina das penas eternas


As penas futuras segundo o Espiritismo
Os anjos
Os demônios
Intervenção dos demônios nas modernas manifestações
Da proibição de evocar os mortos
PARTE SEGUNDA : Exemplos, com oito capítulos;
O passamento
Espíritos felizes
Espíritos em condições medianas
Espíritos sofredores
Suicidas
Criminosos arrependidos
Espíritos endurecidos
Expiações terrestres. (1)
2.5 - O quinto e ultimo livro tem no respectivo frontispício o titulo completo A Gênese, os Mila-
gres a as predições Segundo o Espiritismo , e mais este resumo "A Doutrina Espirita há resul-
tado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos.
A Ciência e chamada a constituir a Gênese de acordo com leis da Natureza.
Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela abrogação
delas.
Para Deus, o passado e o futuro são o presente".
Esta obra se divide nas seguintes partes:
01. Introdução
02. A Gênese, com doze capítulos, a saber
Caráter da revelação espírita
Deus
O bem e o ma
Papel da Ciência na Gênese
Antigos e modernos sistemas do mundo
Uranografia geral
Esboço geológico da Terra
Teorias sobre a formação da Terra
Revoluções do globo
Gênese orgânica
Gênese espiritual
Gênese mosaica.
03. Os milagres, com três capítulos, a saber:
Caracteres dos milagres
Os fluidos
Os milagres no Evangelho.
04. As predições, também com três capítulos:
Teoria da presciência
Predições do Evangelho
Os tempos são chegados. (3)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 20

3ª Unidade
Doutrina Espírita

06 - Tríplice aspecto: filosófico, científico, religioso.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conceituar doutrina espírita em seu tríplice aspecto .
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.
Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos;
como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas
relações. (...)"(2)
Não é o Espiritismo uma religião constituída, isto porque não tem culto, nem rito, nem cerimo-
niais e entre seus adeptos nenhum tomou ou recebeu o titulo de sacerdote. Todavia, o Espiri-
tismo é nitidamente religioso quando estabelece um laço moral entre os homens e os une como
conseqüência da comunhão de vistas e sentimentos ~ fraternidade e solidariedade, indulgência
e benevolência mutuas.
FONTES DE CONSULTA
01. KARDEC, Allan. Não vim destruir a lei. In:O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de
Guillon Ribeiro
83 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 5, p. 59
02. - O que é o Espiritismo. 19 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Preambulo. P. 50.
COMPLEMENTARES
03. BARBOSA, Pedro Franco. O Espiritismo filosófico. In:_ .Espiritismo Básico. s./l., Centro
Brasileiro de Homeopatia, Espiritismo e Obras Sociais, 1976. Pp. 93--94.
04, Op. cit. Pp. 95-96.
05. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1980. Definição, p. 19
06. Op. cit., Pp. 19-20.
07. Op. cit. pergunta 292, pp. 171-172
08. Religiões. In: Palavras de Emmanuel. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1978, p.164
l
"O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observarão e uma doutrina filosófica. Como
ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como
filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações.
Podemos defini-lo assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como
de suas relações com o mundo corporal.', (2) Em ;vista disto, constituindo a Doutrina Espírita
um sistema de princípios filosóficos e éticos, de comprovação científica, apresenta três notórios
aspectos: o filosófico, o científico e o religioso
"(...) Quando o Homem pergunta, interroga, cogita, quer saber o "como" e o "porque" das
coisas, dos fatos, dos acontecimentos, nasce a FILOSOFIA, que mostra o que são as coisas e
porque são as coisas. (...)
O caráter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo, que faz, do Homem, sobretudo
Espirito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinacão. Esse estudo leva ao conheci-
mento do mecanismo das relações dos Homens, que vivem na Terra, com aqueles que já se
despediram dela, temporariamente, pela morte, estabelecendo as bases desse permanente
relacionamento, e demonstra a existência. inquestionável, de algo que tudo cria e tudo coman-
da inteligentemente DEUS..
Definindo as responsabilidades do Espírito - quando encarnado (Alma) e também quando
desencarnado o Espiritismo é filosofia, uma regra moral de vida o comportamento para os
seres da Criação, dotados de sentimento, razão e consciência. (...)(3)
O Espiritismo não se constitui de uma religião a mais, visto que não tem cultos instituídos, nem
igrejas, nem imagens, nem rituais, nem dogmas, mitos ou crendices, nem tão pouco hierarquia
sacerdotal. Podemos, porém considerá-lo em seu aspecto religioso, quando estabelece um
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 21

laço moral entre os homens, conduzindo-os em direção ao Criador, através da vivência dos
ensinamentos morais do Cristo... É no seu aspecto religioso que (...) repousa a sua grandeza
divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus, estabelecendo a renovação definiti-
va do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. ., )'` (6)
"(...) Espiritismo passa de Filosofia à Ciência, quando confirma, pela experimentação, os co-
nhecimentos filosóficos, que prega e dissemina. (...)
"Como filosofia trata do conhecimento frente a razão, indaga dos princípios, das causas, pers-
cruta o Espirito, enfim, interpreta os fenômenos; como ciência, prova-os.
Os fatos ou fenômenos espiritas, isto é, produzidos por Espíritos desencarnados, são a subs-
tancia mesma da Ciência Espirita e seu objeto é o estudo e o conhecimento desses fenôme-
nos, para fixação das leis que os regem.(...)" (4)
"(...) No seu aspecto científico e filosófico, a doutrina será sempre um campo nobre de investi-
gações humanas, como outros movimentos coletivos de natureza intelectual, que visam o
aperfeiçoamento da Humanidade. (...)" (5)
ANEXO I
A Doutrina Espirita apresenta três aspectos: o filosófico, o cientifico e o religioso.
No aspecto filosófico do Espiritismo, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e da
desatinação do homem, bem como o da existência de uma inteligência suprema, causa primá-
ria de todas as coisas.
No aspecto cientifico, demonstra experimentalmente a existência da alma e sua imortalidade,
principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e os desencarnados.
O Espiritismo não se constitui em uma religião a mais, visto que não tem cultos, nem ritos, nem
cerimoniais e que entre seus adeptos nenhum tomou ou recebeu o título de sacerdote. Pode-
mos, porem, considera-los em seu aspecto religioso, quando estabelece um laço moral entre
os homens, conduzindo-os a uma ascensão espiritual em direção ao Criador, através da vivên-
cia das máximas morais do Cristo.
O Espiritismo é, pois, "(...) a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas
irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as relações com o mundo corpó-
reo, (...)'' (1) "(...) É ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica (...)",
compreendendo "todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações" (2)
Através dos ensinamentos espíritas pode-se fazer uma diferença entre Religião, propriamente
dita, e religiões no sentido de seitas humanas. "Religião, para todos os homens, deveria com-
preender-se como sentimento divino que clarifica o caminho das almas e que cada espirito
aprenderá na pauta do seu nível evolutivo. Neste sentido, a Religião é sempre a face angusta e
soberana da Verdade; porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os
homens se dividiram em numerosas religiões como se a fé também pudesse ter fronteiras (...)
'"(...) A Religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organi-
zações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento
pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, mistu-
rados com os elementos da Terra em que caíram. (...)'' (8)

07 - O Consolador prometido por Jesus. A Terceira Revelação divina no ocidente.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Dar o significado de "O Consolador prometido por Jesus". Explicar a relação existente entre o
Espiritismo e o Consolador Prometido (ou Terceira Revelação no Ocidente).
=
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro
Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espirito de Verdade que o mundo
não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, co-
nhece-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. - Porem, o Consolador que é o Santo
Espirito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar
tudo o que vos tenho dito". (1)
FONTES DE CONSULTA
01. KARDEC Allan. O Cristo Consolador. In:_ . O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de
Guillon Ribeiro. 84. ed. Rio de Janeiro 3 FEB, 1982, Cap. VI, Item 03, p. 134.
02. Op. cit., item 04, p. 134.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 22

03. KARDEC, Allan. Predições do evangelho. In: _. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed.
Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 37, p. 386.
04. Op. cit., item 40, p. 387.
COMPLEMENTARES.
PIRES, J. Herculano. A falange do Consolador. In: . O Espirito e o tempo. São Paulo, Pensa-
mento, 1964. Item 017 p. 137.
06. Op. cit., item 04, p. 138.
~ O Consolador prometido por Jesus, também designado pelo apóstolo João (1) como o Santo
Espirito, seria enviado à Terra com a missão de consolar e lidar com a verdade. "(...) Sob o
nome de Consolador e de Espirito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de
ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera'', ressalta Kardec. (3).
O Consolador , como O Espirito de Verdade, dará aos encarnados o conhecimento de sua
origem, da necessidade de sua estada na Terra e do seu destino, bem como espalhará a
consolação pela fé e pela esperança. (2)
Constitui o Espirito Consolador, portanto, a Terceira Revelação de Deus aos povos no ociden-
te, e procede de Espíritos sábios e bondosos, que, do Alem, enviaram os seus ensinamentos
através dos instrumentos mediúnicos, num verdadeiro derramamento da mediunidade na
carne.
A revelação Cristã sucedeu a revelação Mosaica; a revelação dos Espíritos veio completá-la.
Várias são as razões que justificam a promessa do Cristo, do aparecimento do Espirito de
Verdade, como o Consolador. Uma delas seria a inoportunidade de uma revelação total e
completa pelo Cristo, numa época em que o homem não estaria amadurecido para compreen-
de-la. Outra razão é a do esquecimento dos homens das verdades apregoadas no seu Evange-
lho. Mais do que isto, destacam-se, como outra razão ainda, as distorções premeditadas que a
mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos. Foram "(...) dois mil anos de fermentação
(...), de criminosas deformações da mensagem cristã". (3)
A relação entre o Espiritismo e o Consolador está no fato de a Doutrina Espírita conter "(...)
todas as condições do Consolador que Jesus prometeu"; (4) ou seja, "(...) o Espiritismo vem
abrir os olhos e os ouvidos, pois fala sem figuras, sem alegorias, levantando o véu intencional-
mente lançado sobre certos mistérios; vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos
deserdados da Terra e a todos os que sofrem (...)(2)
Finalmente, se de um lado o Espirito de Verdade se apresentava aos homens a frente de
elevadas entidades espirituais, que voltaram a Terra para completar a Obra do Cristo, de outro
lado Kardec se coloca a postos, à frente de criaturas espiritualizadas, dispostas a colaborarem
na imensa tarefa. "(...) O que então se cumpria era uma promessa do Cristo, através de todo
um imenso processo de amadurecimento espiritual do homem (...)".
Kardec foi o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem do Cristo; que Ele
mesmo havia prometido
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 23

4ª Unidade
Movimento Espírita

08 - Objetivo do Movimento Espirita: difusão doutrinaria.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Distinguir doutrina espírita de movimento espírita. conceituar movimento: espírita, indicar o
objetivo do movimento espírita. descrever o processo de divulgação doutrinária, indicando os
seus principais veículos.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Movimento Espirita "(...) é o conjunto de atividades desenvolvidas organizadamente pelos
Espiritas, para por em prática a Doutrina Espirita, através de instituições, encontros fraternos,
congressos , palestras, edições de livros, etc. O Movimento Espirita é, portanto, um meio para
se aplicar a Doutrina Espirita em todos os sentidos, para se divulgar os seus princípios e se
exercitar a vivência de suas máximas. (...)" (2) Atingiu o seu alto estágio pela Unificação no
plano nacional através do Pacto Áureo celebrado em 05 de outubro de l949.
O processo de divulgação doutrinária se efetiva através da tribuna, da imprensa espírita e das
escolas de evangelização espírita infanto-juvenis e de estudos sistematizados da Doutrina.
Como veículo de maior penetração publica, o Livro Espirita é o de maior alcance, levando a
mensagem a todos os recantos do mundo.
FONTES DE CONSULTA
01. KARDEC, Allan. O Livro dos ,Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1982. Item 348, p. 432.
02. MOVIMENTO e Doutrina. Reformador, 95(1782):258, setembro, 1977
COMPLEMENTARES.
03. GRANDE Conferencia Espirita realizada no Rio de Janeiro, Reformador, 97(1979):311,
setembro, 1979.
04. 75 anos depois das "Bases de Organização Espirita". Reformador,. 97 (1798) :40 - 50,
janeiro, 1979
05. UNIFICAÇÃO. Reformador, 94 (1765): 110, abril, l976.
06 XAVIER, Francisco Cândido. Pátria do evangelho. In: . Brasil, coração do mundo pátria do
evangelho. Pelo Espirito Humberto de Campos. 12 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 237.
MOVIMENTO ESPIRITA
O Movimento Espirita é uma organização dinâmica e federativa que congrega as atividades de
várias associações, dentro de um clima de confraternização com diretrizes comuns e o propósi-
to, não só de difusão coordenada dos princípios basilares da Doutrina Espírita, como de vivên-
cia de uma Ética Racional, com vistas ao progresso espiritual da Humanidade.
Movimento Espírita, como sugere o próprio nome, e algo dinâmico e sua unificação implica em
convivência dentro de uma unidade de pensamento e ação, na qual está implícito o reconheci-
mento da existência de uma diretriz, visando o ajustamento a princípios de ordem doutrinária e
a um sistema dinâmico global.
Não se trata, entretanto, de um Sistema de Coordenação por diretrizes impostas, mas de uma
movimentação espontânea, fruto de certa conscientização ou de amadurecimento histórico.
Movimento livre, aberto, tanto de instituições como de pessoas, sem hierarquias rígidas, à
maneira das demais religiões existentes, sem obediência cega ou dogmática, mas de compre-
ensão harmoniosa, de auto disciplina, objetivando apenas a maior fidelidade e segurança dos
postulados fundamentais da Doutrina, o que implica em vigilância pertinaz do adepto e devo-
tamento à Causa.
Como previa o próprio Kardec, um dos maiores obstáculos ao Movimento seria "a falda de
unidade" (4), acrescentando que "os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho
superexcitado, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender".
Para superar tais obstáculos, consolidando e intensificando o Movimento Espirita Nacional,
foram envidados todos os esforços para edificar uma inabalável unidade, substancialmente
decisiva para a missão do Brasil, como "Pátria do Evangelho", Começou por um certo aconte-
cimento, nos albores do século XX, a merecer destacado relevo, documento este conhecido
como "Bases de organização Espírita", de 1904. Previu-se nesse documento o advento das
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 24

Federações nas capitais dos Estados, nos moldes da Federação do Rio de Janeiro e aderindo
ao programa da Federação Espírita Brasileira. (4)
Foi, contudo, o Pacto Áureo, o ponto magno '"(...) o alto estágio atingido pelo Movimento Espiri-
ta no âmbito nacional, ao longo das lutas, vicissitudes e testemunhos dos espíritas que recebe-
ram e cumpriram obrigações nobilitantes nas esferas da Unificação.
Das "Bases" de 1904, ao Conselho Federativo Nacional, em 1950, a distância, no tempo, e de
quase meio século. (...)" (4)
Os signatários do Pacto Áureo (ad referendum das Sociedades que representavam) acordaram
em aprovar, entre outros, ~ item 1º segundo o qual cabe aos Espiritas do Brasil porem em
pratica a exposição contida no livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", de ma-
neira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo. Outrossim, pelo item 2º, ficou estabelecido
que a FEB criaria um Conselho Federativo Nacional permanente com a finalidade de executar,
desenvolver e ampliar os planos da sua atual (1949) Organização Federativa. (3)
O objetivo do Movimento consiste na propagação e aplicação da Doutrina Espirita, pela vivên-
cia do Evangelho redivivo, capaz de operar a renovação do homem, a benefício da própria
Humanidade. Da excelência e amplitude do objetivo, deflui toda a sua notável importância,
tanto mais quando percebemos os benefícios resultados alcançados com a expansão da
Doutrina, carreando o progresso moral e espiritual dos povos na Terra. A importância da ação
programática do Movimento Espirita pode ser aquilatada pela conquista gradual de suas metas
na realização da paz, da concórdia, da redenção individual e do progresso coletivo.
No Brasil, a importância do Movimento Espírita está ligada à sua missão de "Pátria do Evange-
lho", como nos transmite Humberto de Campos, Espirito, na obra mediúnica " Brasil, coração
do mundo Pátria do Evangelho", visando, dentro do ideal cristão e pelo exemplo, "(...) espiritua-
lizar o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios as sementes produtivas na
construção da sociedade do futuro. (...)" (6)
Finalmente, no processo dessa dinâmica, não se contenta apenas com as publicações da
Imprensa Espírita, ou mesmo dos seus livros, veículos de maior penetração popular, que
projetam a mensagem espirita para os mais longínquos recantos da Terra. Desenvolve-se,
ainda, o Movimento através dos cursos de evangelização espirita infanto-juvenil e dos de
estudos sistematizados da Doutrina, para adultos, como também através da assistência mate-
rial e espiritual aos encarnados e da espiritual aos desencarnados.
O Movimento Espirita realiza, pois, um programa amplo e intensivo de irradiação de Amor e
Luzes Divinas prometido pelo Espírito Consolador.
ANEXO
QUESTIONÁRIO
01. 0 que é "Movimento Espirita" ?
02. O que distingue o "Movimento Espirita" de Doutrina Espirita?
03. Qual o objetivo do Movimento Espírita?
04. Quais os principais veículos de Divulgação Doutrinária?
05. O que significou o "Pacto Áureo" para o Movimento Espírita?

09 - O Centro espirita – sua importância e o seu papel social.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Definir a função do centro espírita.
Enumerar as principais atividades do centro espírita,
Descrever o papel social do centro espírita, destacando a sua importância.
IDÉIAS PRINCIPAIS
O Centro Espirita constitui-se em abençoada escola de almas, em lar de solidariedade humana,
em "templo de corações." (53
Através dele são divulgados os ensinamentos da Doutrina Espirita Estes ensinamentos, trans-
formando o homem, transformarão o grupo social, atingindo a toda humanidade.
" (...) Para bem atender às suas finalidades, o Centro Espírita deve ser núcleo de estudo, de
fraternidade, de oração e de trabalho, com base no Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina
Espírita. (...)" (1)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 25

FONTES DE CONSULTA.
01. FEB. A adequação do Centro Espirita para o melhor atendimento de suas finalidades. In:
Orientação ao Centro Espírita. .Rio de Janeiro, FEB, 1980, p.13.
02. Opus cit. p. 14
03. Opus cit. p. 14~15
04. KARDEC, Allan. O livro dos médiuns ;ou guia dos evocadores .Tradução de Guillon Ribeiro
46. ed. Rio de Janeiro, FEB, 198Z Item '334.p 422 .
COMPLEMENTARES.
05. O Centro Espirita. Reformador, 94(1769) :229-270, agosto, 1976.
06. SOUZA, Juvanir Borges de. O Centro Espirita. Reformador (181 7): 231, agosto, 1980.
O CENTRO ESPÍRITA
E uma unidade basilar, como verdadeira célula da ação programática do Movimento Espirita,
constituindo-se não só como um educandário de espíritos, mas também como um atuante
templo de orações e de fraterna vivência evangélica, através de uma conjugação de atividades
beneméritas. É a abençoada instituição de cultivo do amor entre as criaturas encarnadas e
desencarnadas, um santuário de reeducação espiritual.
Podemos imaginar este núcleo educativo e posto de socorro "(...) na complexidade de uma
usina e laboratório, hospital e escola, núcleo de pesquisas e célula de experiências valiosas,
onde o coração e o cérebro se entreguem a inadiáveis tarefes de abnegação e fraternidade, de
equilíbrio e união, de estudo e luz. (...)(5)
É também um "(...) posto de socorro, espiritual e material (...)" acolhendo "(...) desde a criança,
ate os velhos, necessitados ou não de assistência e fraternidade. É templo, e casa de oração,
e recanto de paz, acolhendo os desesperados, os revoltados. (...)"
É uma alegria constatar que, no Brasil, o idealismo, o anseio da prática da caridade em seus
multiformes aspectos e a firme vontade de propagar a Doutrina tem sido as alavancas propul-
soras da fundação e sustentação das instituições espiritas. (...)" (6)
O papel que o Centro Espírita deve desempenhar e primordialmente o de operar a propagação
da Doutrina Espirita para a renovação do homem, integrando-o no grupo familiar, com vistas ao
progresso moral e espiritual da sociedade. "(...) Como escolas de formação espiritual e moral
que devem ser. desempenham papel relevante na divulgação do Espiritismo e no atendimento
a todos os que neles buscam a orientação e amparo. (...)" (1)
Cabe ao Centro Espírita, ainda, a responsabilidade "(...) de mobilizar todos os recursos possí-
veis à instrução, orientação, alertamento e educação dos encarnados, seja na madureza ou na
velhice, a fim de que se suas tarefas. (...)" (5)
Incumbe-lhe mais a atribuição de promover, em clima de harmonia, a Unificação. Recomenda o
opúsculo "Orientação ao Centro Espírita", que todo o Centro deve se unir com o propósito de
confraternização, permutando experiências para o aprimoramento das próprias atividades e
das realizações comuns. (2) A este propósito, estarão os Centros observando a própria orien-
tação sugerida por Kardec ao escrever. "(...) Esses grupos, correspondendo-se entre si, visi-
tando-se , permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família
espírita, que, um dia. consorciará todas as opiniões e unira os homens por um único sentimen-
to: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã. (...)" (4)
Da relevância de suas atribuições, da magnitude da sua missão, através de suas múltiplas
atividades atuais, ressalta toda a imensurável e notável IMPORTÂNCIA de seu papel no Mundo
Contemporâneo, tão envolto em graves crises e tormentosas convulsões sociais.
Em verdade, ao aplicar a doutrina, ensinando e promovendo a sua prática pelo exercício conti-
nuo da lei de amor, atendendo aos necessitados, o Centro Espirita estará realizando o que de
mais edificante e altaneiro podia alcançar: a evolução moral e espiritual do homem e da huma-
nidade, conduzindo ambos ao reino de luz, de paz e de bem-estar geral. Por tudo isso, bem se
pode aquilatar de sua inestimável e insuperável importância.
O Centro Espírita desenvolve múltiplas realizações agrupadas em atividades básicas, adminis-
trativas, de comunicação e de unificação. As atividades que se relacionam com o objetivo da
Doutrina são as básicas, discriminadas atualmente em "Orientação ao Centro Espírita" (obra
citada) na seguinte ordem:
01. Promover o estudo metódico e sistemático da Doutrina Espirita e do Evangelho ã luz do
Espiritismo.
02. Promover a evangelização da criança à luz da Doutrina.
03. Incentivar a orientação da juventude na teoria e na prática doutrinária, integrando-a em
suas tarefas.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 26

04. Divulgar a Doutrina Espirita através do Livro.


05. Promover o estudo da mediunidade, orientando as atividades mediúnicas.
06. Desenvolver atividades de assistência espiritual, mediante a utilização dos recursos ofere-
cidos pela Doutrina, inclusive reuniões privativas de desobssessão.
07. Manter um trabalho de atendimento fraterno, pelo diálogo com orientação e esclarecimento
as pessoas que buscam o Centro.
08 Promover o serviço de assistência social espírita, assegurando suas características benefi-
centes, preventivas e promocionais.
09. Incentivar e orientar a instituição do Culto do Evangelho no Lar.
Alem destas, mais as atividades de ordem administrativa; através do trabalho de equipe, as
atividades de comunicação inclusive divulgação do Esperanto e, afinal, as atividades de Unifi-
cação, conjugando esforços e somando experiências com as demais instituições congêneres
da mesma localidade ou região, de modo a evitar paralelismo ou duplicidade de realizações.
ANEXO
QUESTÕES PARA ESTUDO
01. Defina a função do Centro Espirita.
02. Cite as principais atividades do Centro Espirita.
03. Descreva em linhas gerais, o papel social do Centro Espirita.

10 - Organizações Federativas Estaduais. Organização Federativa Nacional: a FEB


e seu CFN.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Dizer da composição e das finalidades das federativas estaduais.
Determinar a razão da existência da FEB e do seu CFN destacando a sua atuação no movi-
mento espírita.
1
IDÉIAS PRINCIPAIS
A principal tarefa das Federações Espirita e de contribuir para que seja atingida e mantida a
unidade doutrinária, objetivo esse que se consegue através do estudo das obras da Codifica-
ção, fundamentalmente. Para isso, estão sempre em contato com as suas federadas, envidan-
do, numa ação conjunta, todos os esforços para que o Espiritismo guarde sua integridade e
possa ser divulgado com a fidelidade desejável.
"(...) A ação Federativa far-se-á sempre no sentido de aproximação fraterna das Instituições
Espiritas que mantenham atividades doutrinarias de conformidade com a Codificação do Espiri-
tismo, objetivando a troca de experiências e. acima de tudo, o fortalecimento do Movimento
Espirita." (8)
"A Federação Espirita Brasileira, (...) é uma sociedade civil religiosa, cultural, filantrópica (...)
que tem por objeto e .fins o estudo teórico, experimental e prático do Espiritismo, a observância
e a propaganda (...) dos seus ensinos (...). A prática da caridade espiritual, moral e material (...)
A união solidária das sociedades espíritas do Brasil (...).' (6)
"(...) O Conselho Federativo Nacional é o órgão, permanente, com a finalidade de executar,
desenvolver e ampliar os planos da organização Federativa da Federação Espírita Brasileira."
(4)
FONTES DE CONSULTA.
01. FEB. DA organização Federativa. In: . Estatuto da Federação Espírita Brasileira. Rio de
Janeiro, 1980. Art. 102, p. 30-31.
02. . Art. 103, p. 32.
03.. Disposições transitórias. In: . Estatuto da Federação Espirita Brasileira. Rio de Janeiro,
1980. Art. 125, p. 38.
04. Do Conselho Federativo Nacional. In:. Estatuto da Federação Espírita Brasileira. Rio de
Janeiro, 1980. Art. 110-111, p. 34. -
05. . Art. 112, p. 34 -
06. . Do nome, objeto e sede da Sociedade. In:. Estatuto da Federação Espirita Brasileira. Rio
de Janeiro, 1980. Art. 1° itens I - III , p.01.
07. Atividades de Unificação do Movimento Espirita. In: Orientação ao Centro Espírita. Rio de
Janeira 1980
p.56
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 27

09. 75 anos depois das Bases de Organização Espirita. Reformador, 97 (1798):49-50, janeiro,
1979.
10 .Idem . p.50
"Os espíritas do Brasil, tendo em vista a conveniência e oportunidade de uma organização
geral de propaganda, sobre bases homogêneas, (...) "resolvem: Empregar (. .)" "todos os
esforços -para a criação, na capital de cada Estado da União Brasileira, de um Centro calcado
nos moldes da Federação do Rio de Janeiro, tendo por fim promover a organização e filiação
de associações de estudo e propaganda em todo o Estado. Tais instituições, aderindo ao
programa da Federação Espirita Brasileira, a ela se filiarão com as respectivas associações
subsidiárias, sem nenhuma relação de dependência disciplinar, mas unicamente com intuitos
de confraternização e unidade de vistas. (...)" (10)
As Federações Espíritas Estaduais, embora com organizações administrativas diferentes, têm
todas as mesmas finalidades e as mesmas funções e estão participando do programa do Plano
Superior em relação à difusão do Espiritismo no Brasil.
"A execução do programa da Federação (...)", "consistirá na integração das Sociedades espíri-
tas dos Estados, dos territórios e do Distrito Federal no seu organismo, por ato federativo ou de
adesão de modo a constituírem com ela um todo homogêneo, em o qual, com o único objetivo
de confraternização, concórdia e solidariedade, se verifique completa harmonia de vistas e
unidade de programa, moldado este pelas "Bases de Organização Espírita"(...) de 1904. (1)
"(...) O resultado, portanto, dessa aproximação e conivência fraterna, acarretará, inevitável e
forçosamente, o progresso das Instituições Espiritas e, em conseqüência, o fortalecimento do
movimento de Unificação. (...)" (7)
A integração e união das instituições espiritas em torno de um mesmo ideal doutrinário, ou
sela, o da Codificação do Espiritismo, leva-nos a afirmar ser "O Pacto Áureo (...) o alto estágio
atingido pelo Movimento Espírita no âmbito nacional, ao longo das lutas, vicissitudes e teste-
munhos dos Espiritas que receberam e cumpriram obrigações nobilitantes nas esferas da
Unificação (...)" (10)
"Art. 1º. Federação Espírita Brasileira, fundada a 2 de janeiro de 1884, na cidade do Rio de
Janeiro, onde tem sua sede e foro, é uma sociedade civil religiosa, cultural e filantrópica com
personalidade jurídica e que tem por objeto e fins
I- O estudo teórico experimental e prático do Espiritismo, a observância e a propaganda ilimita-
da de seus ensinos, por todas as maneiras que oferece a palavra escrita e falada.
II- A pratica da caridade espiritual, moral e material por todos os meios ao seu alcance.
III - A união solidária das Sociedades espiritas do Brasil. (...)"(6)
"(...) Fica determinada a data de 2 de janeiro de 1984 para a transferencia da sede central e
foro da Federação Espirita Brasileira para Brasília (DF), salvo razão de força maior reconhecida
pelo Conselho Superior, a pedido da Diretoria." (3)
"Art. 103 A Federação Espírita Brasileira incumbe a representação do Espiritismo, por parte do
Brasil, em todos os atos e solenidade internacionais concernentes à organização espírita
Mundial, assim como nos congressos que se efetuarem e cujas conclusões serão submetidas
ao Conselho Federativo Nacional," (2)
"Art. 110. Como complemento da organização federativa(...) e meio de estreitarem as relações
entre a Federação e as Sociedades federadas, o Conselho Federativo Nacional é o órgão
permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da Organização
Federativa da Federação Espírita Brasileira.
"Art. 111. Cada sociedade de âmbito estadual (federada) indicará um membro da sua Diretoria
para fazer parte do Conselho Federativo Nacional. Se isso não for possível, a Sociedade fede-
rada enviará ao presidente do Conselho uma lista triplico de nomes, a fim de que este escolha
um desses nomes para membro do Conselho. (...)" (4)
"Art. 112. O Conselho Federativo Nacional reunir-se-á, ordinariamente, pelo menos uma vez
por ano; e, extraordinariamente quando for necessário, só podendo funcionar com a presença
de metade e mais um dos seus membros. (...)" (5)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 28

MÓDULO II
Princípios básicos da Doutrina Espírita

1ª Unidade
Existência de Deus

01 - Provas da existência de Deus.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Relatar a evolução da idéia de Deus ao longo da história humana.
Identificar Deus como Pai e Criador ( citando provas )
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) A história da idéia de Deus mostra-nos que ela sempre Foi relativa ao grau intelectual dos
povos, e de seus legisladores, correspondendo aos movimentos civilizadores, à poesia dos
climas, às raças, à florescência de diferentes povos; enfim, aos progressos espirituais da
Humanidade. (...)" (5) -
"(...) Pela Obra se reconhece o autor. (...)
Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano
criar o que a Natureza traduz, a causa primária é, consequentemente, uma inteligência superior
a Humanidade. (...)" (2)
"(...) Deus é um ser vivo, sensível, consciente. Deus é uma realidade ativa. Deus é nosso Pai,
nosso guia, nosso condutor, nosso melhor amigo . _
"(...) Por Ele e nEle somente nos sentiremos felizes e verdadeiramente irmãos. (...) (3) -
FONTES DE CONSULTA.
DENIS, Léon. Ação de Deus no mundo e na história. In: . O grande enigma. 6. ed. Rio de
Janeiro, FEB,
SÍNTESE 1
PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Allan Kardec colocou logo no início de "O Livro dos Espíritos" um capítulo que trata exclusiva-
mente de Deus. Com isso pretendeu significar que o Espiritismo se baseia em primeiro lugar na
idéia de um Ser Supremo. Os Espíritos definiram Deus como "(...) a Inteligência Suprema,
causa primária de todas as coisas." (1) Ora, nesse conjunto imenso de mundo se coisas que
constituem o Universo, tal é a grandeza, a magnitude, e são tais a ordem e a harmonia, que,
tudo isso, pairando infinitamente acima da capacidade do homem, só pode atribuir-se a Onipo-
tência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio, Criador necessário de tudo que
existe. Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Mesmo
depois de desencarnado, dispondo de faculdades perceptivas menos materiais, não pode
ainda o Espírito imperfeito perceber totalmente a natureza divina. Pode, entretanto o homem,
ainda no estagio de relativa inferioridade, em que se encontra, ter convincentes provas de que
Deus existe, mas advindas por dois outros caminhos, que transcendem aos dois sentidos: o da
razão e o do sentimento. Racionalmente, não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando
o Universo imenso, a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia a que obedece a mar-
cha dos mundos inumeráveis; olhando ainda os seres da Natureza', os minerais com suas
admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal em sua exuberância, numa variedade de plantas
quase infinita, os animais com seus portes altivos ou a fragrância de certas flores e as miríades
de insetos", sondando também o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares;
toda essa imensidão, profusão e beleza nos obriga a crer em Deus, como causa necessária.
Mas se preferirmos contemplar apenas o que é o nosso próprio corpo, quanta harmonia tam-
bém divisaremos na nossa roupagem física, nas funções que se exercem à revelia de nossa
vontade num ritmo perfeito. Nas maravilhas que são os nossos sentidos; os olhos admiravel-
mente dispostos para receber a luz refletida nos corpos, condicionando no plano físico a per-
cepção dos objetos e das cores; o ouvido, adredemente estruturado à percepção de sons,
melodias e grandiosas sinfonias; o olfato, o gosto, o tato, outros tantos sentidos que nos permi-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 29

tem instruir-nos sobre a objetividade das coisas. Toda essa perfeição, a harmonia da natureza
humana e ao mundo exterior ao homem, só pode ser Criarão de um Ser Supremamente Inteli-
gente e sábio, o qual Chamamos Deus. É pelo sentimento, mais do que pelo raciocínio, que o
homem pode compreender a existência de Deus. Porém, há no homem, desde o mais primitivo
até o mais civilizado, a idéia inata da existência de Deus. Acima, pois, do raciocínio lógico
prova-nos a existência de Deus a intuição que dele temos. E, Jesus, ensinando-nos. a orar no-
Lo revelou como o Pai: "Pai Nosso, que estás no Céu, Santificado seja o teu nome" (...)
(2)O Espiritismo, portanto, tem na existência de Deus o princípio maior, que está na base
mesma desta Doutrina. Sem pretender dar ao homem o conhecimento da Natureza íntima de
Deus, permite-se argumentar que prova a Sua existência a realidade palpitante e viva do
Universo. Se este existe, há de ter um divino Autor.
BIBLIOGRAFIA
01. KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro, FEB, 57.
ed., 1983. Perg. 1
02, Op. cit., perg. 09.

02 - Atributos da Divindade.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Enumerar alguns atributos de Deus. Esclarecer o significado desses atributos.
IDÉIAS PRlNClPAlS
"Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. (...) Se lhe supuséssemos um começo
ou fim poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e
assim por diante, ao
infinito."
Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que
regem o Universo.
Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro
modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria (...)
Deus é Onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre poderia conceber uma entida-
de mais poderosa (...).
Deus é soberanamente justo e bom." (...) a soberana bondade implica a soberana justiça (...).
Deus é infinitamente perfeito . O impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições
Deus é único A unicidade de Deus é conseqüência do fato de serem infinitas as suas perfei-
ções. (..)" (1).
FONTES DE CONSULTA.
01. KARDEC, Allan. Deus. In:. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24º ed., Rio de Janeiro, FEB
1982, itens 10-16.
02 -Op. cit., O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio e Janeiro, , perg. 10.
03 -Op cit., perg. 11
04 -Op cit., perg. 13
05 -Op cit., perg. 14
06 -Op cit., perg. 15
07 -Op cit., perg. 16
ATRIBUTOS DA DIVINDADE
Apenas muito imperfeita idéia pode fazer o homem dos atributos da Divindade. Atributos são
qualidades que caracterizam o ser e, estão, evidentemente, em relação com a sua íntima
natureza. Para que tivéssemos, portanto, idéia completa dos atributos divinos deveríamos
conhecer integralmente a sua pura essência. Pode o homem compreender Deus através da
razão, bem como do sentimento inato que lhe dá a intuição da Sua existência mas não pode
percebe-lo como se percebem as coisas materiais. Argüidos por Allan Kardec à respeito da
possibilidade de compreender o. homem a natureza. íntima de Deus, os Espíritos responderam
categoricamente: "Não: (falta-lhe. para isso o sentido" Não podendo o homem abarcar, na sua
carência perceptiva, todos os atributos divinos de absoluta perfeição, pode , entretanto, fazer
idéia de alguns, exatamente àqueles de que Deus não pode prescindir Nesses atributos, que
vamos a seguir enumerar, Ele tem de ser perfeito, possuir em grau supremo todas as perfei-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 30

ções e ser em todas infinito." (...)--A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau
supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, ;já Ele não
seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus.
Deus é Espírito – o Supremo Espírito! Absolutamente perfeito, não é comparável a quaisquer
outros seres, estando infinitamente acima de todos: possuindo sabedoria e poder infinitos,
paira, onipresente, sobre todo o Universo, e a tudo comunica, onipotente, o seu influxo e a sua
vontade.
01. Deis é eterno, não tem princípio, existe e existiu sempre. Afigura-se-nos difícil conceber
algo que não tenha tido princípio. Mas isso é em se tratando das criaturas. Deus é o Criador de
tudo, independente e absoluto. A criatura é finita, ’ Deus é infinito. Se Deus "(...) tivesse tido
princípio, teria saído do nada (...)" (3) o que é absurdo, pois do nada não pode sair coisa algu-
ma –, " ou, então, também teria sido criado por um ser anterior. (3) Deus já não seria, então, o
Absoluto. "O assim – diz Kardec – que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e a
eternidade.
02 Deus é imutável. Não fosse assim, nenhuma estabilidade teria o Universo, porque estariam
sujeitas a variações as leis que o regem. O contrário, porém, é o que se verifica – por toda
parte e em tudo, a estabilidade e a harmonia.
03 Deus é imaterial. Sua natureza difere de tudo o que conhecemos como matéria. Por isso é
absolutamente invisível, intangível, enfim, inacessível a qualquer percepção sensória. "(...) De
outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito as transformações da matéria.
04 Deus é único Não há deuses, 'mas um Deus somente, soberano do Universo, criador abso-
luto e incriado, infinito e eterno. Se muitos deuses houvesse, não haveria unidade de vistas,
nem unidade de poder na ordenação do Universo. (...)" (3).
05 Deus é Onipotente. Sua vontade é: soberana e prevalecem sempre seus desígnios sábios e
justos." (...Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais
poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não
houvesse feito seriam obra de outro Deus. (...)" (3).
06 Deus é Soberanamente Justo e Bom Em tudo e em toda parte aparecem a bondade e a
justiça de Deus na providência com que, através de leis perfeitas, assiste às suas criaturas;
desde que estas se submetam aos seus desígnios sábios e não se insurjam contra essas leis
reguladoras do ritmo do Universo, tanto quanto ao funcionamento da vida do homem. "(...) A
sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas
maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus." (3)
Entre os atributos acima ressalta a imaterialidade. Por considerar Deus como absolutamente
imaterial é que o Espiritismo repele "in totum" o Panteísmo, doutrina que – em vez de um ser
distinto e onipresente no Universo, pelo seu infinito poder de irradiação – considera-o como (...)
a resultante de todas as forças e de todas as .inteligências do Universo reunidas (...)" (4) Tam-
bém segundo a mesma doutrina"(...) todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os
globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divinda-
de. (...)" (5)
A razão repele tal absurdo e Kardec argumenta a respeito dela com grande lucidez:
Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria
em ponto grande o que somos em ponto peque no. Ora, transformando-se a matéria incessan-
temente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as
vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade ; faltar-lhe-ia um dos atributos
essenciais da Divindade: a imutabilidade.
A inteligência de Deus se revela em suas abras como a de um pintor no seu quadro; mas, as
obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é pintor que o concebeu e execu-
tou." (6)
Deus e Espírito, repitamos. Afirmou-o Jesus em seu colóquio com a Samaritana, quando
acrescentou também que em Espírito e Verdade é que O devem os homens adorar . Sua
essência íntima não pode o homem perceber, porque lhe falta o sentido para isso, conforme a
resposta dos Espíritos à argüição de Kardec.
Entretanto o Codificador, mostrando uma alta inspiração que em si vibrava e uma lúcida espe-
rança, redargüiu ainda;
"Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?" (2)
A que os Espíritos, solícitos, responderam:
"guando não mais tiver o Espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se
houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá. (...)" (2)
Então, na própria idéia de Deus, como essência puramente espiritual, e na possibilidade de um
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 31

dia chegar a vê-lo e compreende-Lo – quando se tornar Espírito puro e perfeito – está delinea-
da para o homem, toda uma perspectiva de trabalho e de esperança: de degrau em degrau ele
progredirá e, evoluindo espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos até
conquistar um puro sentido espiritual que lhe permitirá por-se em relação com Deus, vendo-O,
ouvindo-O e compreendendo-Lhe a Divina Vontade.
Jesus, em cujo testemunho devemos crer, quando Ele afirmou que tudo o que fazia, ou dizia,
não o era de si mesmo, mas refletia a vontade do Pai, Espírito pura e perfeito que e, tem essa
incomparável felicidade de auscultar a vontade divina através de delicadíssimo sentido espiri-
tual, que lhe outorgam a sua pureza e a sua perfeição
BIBLIOGRAFIA
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57º ed.. Rio de Janeiro
1983 Perg. 10.
03 -Op cit., perg. 11
04 -Op cit., perg. 13
05 -Op cit., perg. 14
06 -Op cit., perg. 15
07 -Op cit., perg. 16

03 - A Providência Divina.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conceituar Providência Divina.
Explicar como se realiza a ação providencial Deus sobre todas as Criaturas.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo
vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.
(... )" (1)
"(...) Para estender; a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do
alto da imensidade. As nossas preces, para que Ele as ouça, não precisam transpor o espaço,
nem ser dita com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos
pensamentos repercutem nEle. Os nossos pensamento são como os sons de um sino, que
fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente." (2)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Deus. In: . A gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982. Item 20.
02. Op. cit., item 24
COMPLEMENTARES.
03. DENIS, Léon. Livre-arbítrio e providência In: . Depois da morte. Trad. de João Lourenço de
Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. pg.. 243-244.
PROVIDÊNCIA DIVINA
Providência é, neste mundo, tudo o que se faz dispondo as coisas de modo que se realizem
objetivos de ordem e harmonia, visando o bem e a felicidade das criaturas, com a plena satis-
fação das suas reais necessidades, sejam físicas ou espirituais.
Deus, em relação às suas criaturas, e a própria Providência, na sua mais alta expressão,
infinitamente acima de todas as possibilidades humanas. Manifesta-se a Providência Divina em
todas as coisas, está imanente no Universo e se exerce através de leis admiráveis e sábias.
Tudo foi disposto pelo amor do Pai, soberanamente bom e justo, para o bem de seus filhos,
desde as mais elementares providências para a manutenção da vida orgânica e a sua trans-
missão, garantido a perpetuação da espécie, ate a dispensão da faculdade superior do livre-
arbítrio, que dá ao homem o mérito da conquista consciente da felicidade, pela prática voluntá-
ria do bem e a livre busca da verdade. Deus tudo fez e faz o bem de suas criatura. Imprimiu-
lhes na consciência as leis morais de trabalho, reprodução, conservação e destruição _ esta
não abusiva, mas equilibrada; como também a lei de sociedade, obedecendo a qual devem
organizar-se em famílias ou em mais amplas comunidades sociais, em cujo seio vão cumprir
deveres, ligados todos aquelas leis morais e ainda às de progresso, igualdade e liberdade, em
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 32

seu justo e mais elevado sentido e, sobretudo à lei de justiça, amor e caridade. Propicia Deus,
assim, ao homem construir a própria facilidade pela livre observância dessa leis e o cumpri-
mento dos correspondentes deveres, e ele só e infeliz quando os descumpre ou com elas se
desarmoniza. Faz o homem tudo o que quer, utilizando-se do livre-arbítrio que a Divina Provi-
dência lhe confere para construir ativa e meritoriamente o seu destino; mas e também plena-
mente responsável pelos atos praticados, devendo arcar com todas as conseqüências deles
decorrentes, sejam estas felizes ou infelizes. Parece, então, que se opõem a Providência
Divina e o livre-arbítrio humano. Mas não! Deus concede o livre-arbítrio ao homem para que ele
acrescente a sua felicidade o mérito da iniciativa e espontaneidade, no trabalho, na busca do
próprio bem na livre escolha do caminho reto para o conseguir. A tudo Deus realmente provê,
mas não quer inativa a sua criatura, recebendo passivamente a graça divina, e sim que a
busque por si mesma, conquistando através de perseverantes esforços a felicidade e o pro-
gresso.- "(...) Pelo uso do seu livre-arbítrio, a alma fixa o próprio destino, prepara as suas
alegrias ou dores. Jamais, porém, no curso de sua marcha na provação amargurada ou no seio
da luta ardente das paixões —, lhe será negado o socorro divino. Nunca deve esmorecer, pois,
por mais Indigna que se julgue; desde que em si desperta a vontade de voltar ao bom caminho,
a estrada sagrada, a Providência dar-lhe-á auxilio e proteção.
A Providência é o espírito superior, e o anjo velando sobre o infortúnio, e o consolador Invisível,
cujas Inspirações reaquecem o coração galado pelo desespero, cujos fluídos vivificante susten-
tam o viajor prostrado pela
fadiga; é o farol aceso no melo da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestu-
oso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a luz sobre
suas criaturas. Que solicitude, que previdência nesse amor (...)
A alma é criada para a felicidade, mas, para poder apreciar essa felicidade, para conhecer-lhe
o justo valor, deve conqulistá-la por si própria e, para isso, precisa desenvolver as potências
encerradas em seu intimo. Sua liberdade de ação e sua responsabilidade aumentam com a
própria elevação, porquê, quanto mais se esclarece, mela pode e deve conformar o exercício
de suas forças pessoais com as leis que regem o Universo.
A liberdade do ser se exerce, portanto, dentro de um círculo limitado: de um lado, pelas exigên-
cias da lei natural, que não pode sofrer alteração alguma e mesmo nenhum desarranjo na
ordem do mundo; de outro, por seu próprio passado, cuias conseqüências Ihe refluem através
dos tempos, ate à completa reparação. Em caso algum o exercício da liberdade humana pode
obstar à execução dos planos divinos; do contrario, a ordem das coisas seria a cada Instante
perturbada. Acima de nossa percepções limitadas e variáveis, a ordem imutável do Universo
prossegue e se mantém. Quase sempre julgamos um mal aquilo que para nós é o verdadeiro
bem. Se a ordem natural das coisas tivesse de amoldar-se aos nossos desejos, que horrível
alterações daí não resultariam?
O primeiro uso que o homem fizesse da liberdade absoluta seria para afastar de si as causas
de sofrimento e pata se assegurar, desde logo, uma vida de felicidade. Ora, se há males que a
Inteligência humana tem o dever de conjurar, de destruir — por exemplo, os que são proveni-
entes da condição terrestre—, outros há, Inerentes a nossa natureza moral que somente dor e
compressão podem vencer; tais são os vícios. Nestes casos, torna-se a dor uma escola; ou,
antes, um remédio indispensável: as provas sofridas não são mais que distribuição eqüitativa
da justiça infalível (3)
Mas a Providencia Divina, em relação à humanidade terrestre, ainda se manifestou quando
Deus nos confiou a Jesus, como discípulos a um Mestre e como ovelhas a um Pastor. Com
que solicitude e paciência infinita Ele nos vem, desde então, ensinando e conduzindo, através
de séculos e milênios! Não estamos em momento algum desamparados ou à nossa própria
sorte abandonados.
Divina Providência, que nos acompanhas através de vidas sucessivas, objetivando o nosso
progresso e a nossa ascensão, mesmo quando nos fazes sofrer _ pois, se por nossa culpa e o
mau exercício do livre-arbítrio, estivermos, de fato, sofrendo, por forca da Lei, as conseqüên-
cias dos nossos desmandos, pela própria Lei seremos devolvidos à paz e a felicidade, benefi-
ciados pela dor redentora, enriquecidos de experiência e de sabedoria , desde o momento em
que te reconhecemos e nos conscientizamos da tua imanência numa Lei sábia e soberana, que
estabelece tudo para o nosso bem, louvamos Aquele de quem emanas, na imensidão da Sua
Justiça e do Seu amor !
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 33

2ª Unidade
Existência e sobrevivência do Espírito

04 - Provas da existência e sobrevivência do Espirito.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS;
Citar provas da existência e sobrevivência do Espírito.
Nomear pesquisadores que comprovaram a existência e a sobrevivência do espírito.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"Os fenômenos físicos se apresentam sob as mais variadas formas(...) Sob a ação de uma
vontade poderosa, conseguem decompor e recompor a matéria mais compacta. B o que de-
monstra o fenômeno dos "apports", ou transportes, de flores, frutos e outros objetos através
das paredes, em aposentos fechados. (...)" (2)
"De todas as manifestações espiritas, as mais simples e freqüentes são os ruídos e pancadas.
(...)" (1). Porém a escrita direta, a levitação de pessoas e objetos, o fenômeno de voz direta, as
materializações são outras tantas manifestações de efeitos físicos que provam a existência e
sobrevivência dos Espíritos.
Vários pesquisadores existiram (e existem) que através de trabalho sério e disciplinado, prova-
ram a imortalidade do Espirito. Entre eles citamos William Crookes (materializações), Alexandre
Aksakof e F. Zollner (desmaterialização), Arthur Findlay (voz direta), Paul Gibier ( levitação),
etc.
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. ed. Rio de Janeiro, FEB,
item 83.
COMPLEMENTARES
02. DENIS, Léon. Fenômenos espontâneos. Casas mal-assombradas. -Tiptologia. In: . No
invisível. Trad. de Leopoldo Cirne. 9. ed. Rio de Janeiro, PER, 1981. p. 202 - 203.
PROVAS DA EXISTÊNCIA E DA SOBREVIVÊNCIA , DOS ESPÍRITOS
Aparentemente seriamos apenas o corpo com que vivemos neste mundo. Ora, tudo indica - e a
analise química o comprova - que o nosso corpo é formado exclusivamente de matéria, como
os demais corpos da Natureza. ~ verdade que essa matéria recebe a mais o influxo energético
de uma substancia organizadora sutilíssima - o princípio vital -, absorvida naturalmente pelo
organismo e que lhe comunica o dinamismo em virtude do qual se realizam todas as funções
vitais; principio que existe, aliás, também nos outros seres vivos, vegetais e animais.
Mas a análise consciente e uma observação mais profunda mostram que no homem existe algo
mais que matéria e princípio vital. O homem pensa e tem consciência plena de sua existência;
relaciona idéias, estabelece conceitos, elabora juízos, constrói raciocínios, tira conclusões e,
servindo-se de um instrumento maravilhoso, que é a linguagem, comunica tudo isto aos seus
semelhantes Nada que a isto, sequer, se pareça, ocorre no mineral bruto, na rocha inerte,
como em nenhum vegetal, na mais esplêndida e frondosa arvore, no mais belo e florido
"flamboyant"; como não existe nos animais, mesmo naqueles em que já aparecem alguns
vislumbres de inteligência e afetividade, mas nos quais em realidade só existem sensações,
vagas percepções,
atividades puramente instintivas e uma inteligência muito rudimentar. No homem, porém, é a
inteligência elaborada, cultivada, plenamente desenvolvida, superior; ele pensa; e nele brilha a
luz da razão.
"Cogito, ergo sum." - escreveu Descartes - ; Penso, logo existo ( em tradução rigorosamente
literal). Entretanto, o que devia estar no raciocínio do grande filósofo não pode deixar de ser o
seguinte: - Penso; ora, a matéria por si mesma não pensa; logo, existe em mim, alem do corpo
material, algo mais, que é o :agente do meu pensamento; em virtude do qual, portanto, existo
como ser inteligente e tenho plena consciência da minha existência. É um raciocínio perfeita-
mente lógico e conforme a mais pura razão humana. Deveria bastar para que nenhuma duvida
existisse no homem a respeito de que nele vive essencialmente um Espírito, isto é, um ser
imaterial, porém , real, independente do corpo e a ele sobrevivente, e somente ao qual são
inerentes as faculdades superiores da inteligência e da razão. Outras faculdades existem ainda
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 34

no homem, que nada têm a ver com a matéria, e que são funções de uma consciência indivi-
dual superior, a todas sobrelevando o senso moral. Entretanto, muitos há que não crêem na
realidade da própria existência, em Espírito imortal. Sim, há descrentes, que vivem na negação
ou, tal vez, apenas em duvidas, pois no fundo do seu ser hão de ter a mesma aspiração, natu-
ral, de toda criatura: não morrer. Então Deus, em sua infinita bondade e amor, como Divina
Providência, concedeu ao homem, com as manifestações espíritas, as provas cabais de que
nele vive um Espirito, e que esse Espírito sobrevive a morte.
Manifestações de Espíritos ocorreram em todos os tempos, desde a mais remota antigüidade,
mas em caráter excepcional, ou consideradas de origem sobrenatural.
Em sua verdadeira causa, só eram conhecidas dos iniciados, nos chamados mistérios, dos
templos de antigas civilizações. As Escrituras Sagradas estão cheias desses fatos. Indivíduos
excepcionais - os profetas - serviam de intermediários entre os Espíritos e os homens e muitas
coisas anunciavam como expressões da vontade de Deus; e uma das coisas então anunciadas
foi que viria o tempo em que essa faculdade de intermediação se generalizaria, dando lugar a
manifestações que ocorreriam, insopitáveis, por toda parte, a sacudir as consciências e os
corações dos homens, despertando-os para a grande realidade de um mundo espiritual. A
profecia cumpriu-se e, após alguns casos isolados de uns poucos precursores, que não tiveram
ampla repercussão, ocorreram nos Estados Unidos da América do Norte frutos notáveis que
chamaram rapidamente a atenção. Ocorridos inicialmente no vilarejo de Hydesville, rapidamen-
te se propagaram a cidade de Rochester e a outras importantes cidades da América do Norte;
dali espalharam-se por toda a Europa, chegando primeiro a Inglaterra, a França, a Alemanha;
em toda parte ocorreram, desde então, insopitáveis os fatos espíritas.
Que fatos são esses? - Antes de tudo são fenômenos consistindo em efeitos físicos diversos:
ruídos, dando a impressão de arranhões, estalidos, pancadas, ou de passos, produzidos em
portas, paredes, assoalhos, sem causa física conhecida; projeção ou trazimento (transportes)
de objetos de diversas for mas e naturezas - pedras, roupas, utensílios domésticos, jogais,
moedas, alimentos e ate flores -, através de paredes, portas e janelas fechadas; movimentos
de objetos sem contato visível, tanto leves como pesados, incluindo móveis, mesas, cadeiras,
armários, balcões, etc.
A simples produção desses efeitos físicos nada provaria, em si mesmos , quanto a existência
dos Espíritos, porquanto poderiam ser produzidos por forças outras, naturais e desconhecidas.
Mas o fato singularíssimo de que e causa produtora dos mesmos se revela estar associada
uma inteligência, que dirige a ação, e que essa inteligência e capaz de mostrar que e a alma de
um morto, dando iniludíveis sinais de sua identificação, mostra que a sua verdadeira causa são
os Espíritos. Hoje a sobrevivência da alma humana, outra coisa não é senão um Espirito en-
carnado, está amplamente demonstrada pelos fatos espiritas, investigados, ao contrário, com
todo rigor cientifico por numerosos e eminentes sábios e investigadores do século passado e
deste século. Após criteriosas investigações, céticos a principio, renderam-se os sábios ã
evidência de que a vida continua além-túmulo e de que podem as almas daqueles que morre-
ram neste mundo vir comunicar-se com os homens, com os seres queridos que deixaram na
Terra, e, outrossim, com Espíritos especialmente prepostos, -por superiores desígnios de Deus,
à missão de trazer-lhes a revelação dessa verdade. -
A tal ponto ficou isso demonstrado nas experimentações dos sábios que um deles - entre os
mais eminentes do século passado, Alfred Russell Wallace fez esta afirmativa categórica: " O
Espiritismo está tão bem demonstrado como à lei da gravitação." ~
; Em sua difusão rápida por todo o mundo, a notícia dos fenômenos surgidos em Hydesville
chegaram também a França e ali se generalizaram, assumindo; sobretudo a modalidade das
chamadas mesas girantes, ou sejam: mesas que se moviam sem causa física aparente, mas
sob a influência de uma força desconhecida, parecendo emanada de certas pessoas, especi-
almente dotadas. Mas as mesas eram também falantes, no sentido de que respondiam inteli-
gentemente, por meio' de suspensões, seguidas de certo numero de batidas convencionais de
um dos pés as perguntas formuladas por pessoas presentes ao fenômeno. Foi exatamente
esse caráter inteligente assumido pelo fenômeno que levou o Prof. Hippolyte Léon Denizard
Rivail a interessar-se e, logo depois, dedicar-se profunda mente ao seu estudo, como dos
demais fenômenos espiritas, deduzindo deles todas as conseqüências filosóficas, morais e
religiosas que eles comportam, com o auxilio dos próprios Espíritos, cujos ensinos, por ele
ordenados e codificados, vieram a constituir o admirável corpo da Doutrina Espirita, consubs-
tanciada em "O Livro dos Espíritos", por ele publicado em 1a edição a 18 de abril de 1857,
como se sabe, adotando, então, o pseudônimo de Allan Kardec. '
Allan Kardec escreveu um outro livro, complementar do primeiro - " O Livro dos Médiuns" cuja
Segunda Parte - Das Manifestações Espiritas é totalmente dedicada ao estudo circunstanciado
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 35

dessas manifestações, isto é, de toda a fenomenologia espírita. É " O Livro dos Médiuns " a
primeira obra sua que se deve consultar sobre esse importante assunto e, como obra geral,
nenhuma outra existe que a supere, vindo logo depois o livro de Léon Denis, "No Invisível".
Seguem-se-lhes numerosas obras, quer gerais, tratando de toda a fenomenologia, quer particu-
lares, quer dizer, tratando de determinados fenômenos, Sob este ultimo aspecto, vale citar,
apenas como exemplos, os livros: de William Crookes - " Fatos Espíritas " em que são estuda-
dos fenômenos de efeitos físicos e especialmente o fenômeno de materialização do Espirito
Katie King, com o auxílio, respectivamente, das mediunidades de Daniel D. Home e de Floren-
ce Cook; de Friedrich Zöllner - "Provas Cientificas sobre a Sobrevivência", em que esse sábio
físico e astrônomo alemão relata suas experiências com a médium Henni Slade, inclusive o
extraordinário fenômeno de desmaterialização da mateira, tornando possível a penetração de
corpos materiais par outros e a escrita direta sobre uma lousa, sem intermediário material
algum; de Arthur Findlay - "No limiar do etéreo" , onde são relatados admiráveis de voz direta
por intermédio de Johan C. Sloan, finalmente, o livro de Oliver Lodge - " Raymond " em que
esse sábio físico inglês descreve experiências com diversos médiuns através das quais pode,
com toda a evidencia, constatar a manifestação de seu filho Raymond Lodge, jovem engenhei-
ro, morto em 1915, aos 26 anos, numa trincheira, em Flandres, Bélgica, durante a guerra de
1914;1918, tendo fornecido claros sinais de identificação de sua personalidade individual.
Vaga e confusa a principio, nos fenômenos das casas mal assombradas , a personalidade
oculta começa a afirmar-se na tiptologia e depois na escrita; a adquire caracteres determinados
na incorporação mediúnica e torna-se tangível nas materializações. Nessa ordem é que se tem
desenvolvido os fatos, multiplicando-se, de modo a atrair a atenção dos indiferentes, a forcar a
opinião dos céticos e a demonstrar a todos a sobrevivência da alma humana. - Essa ordem, a
que se poderia chamar histórica:, e a que por nossa parte adotaremos em nosso estudo dos
fenômenos espíritas.
Embora incompleta, a classificação acima e muito prática, porque também muito simples; aliás,
o grande autor que foi Léon Denis, no estudo que fez na obra citada, considera outras modali-
dades de fenômenos nas classes que lhes são afins. Assim, por exemplo, no fenômeno da
escrita considera tanto a escrita direta, que ele chama psicografia, enquanto Kardec pneuma-
tografia , como a que ele chama escrita mediúnica, que, para Kardec, e a verdadeira psicogra-
fia .
Mas Denis continua: "Poder-se-ia igualmente dividir este - quer dizer, o estudo dos fenômenos
espíritas - em duas categorias: os fatos de natureza físicas os fatos intelectuais. Nos primeiros,
o médium desempenha papel passivo, é o foco de emissão, de que emanam os fluídos e as
energias- com cujo concurso os invisíveis atuarão sobre a matéria e manifestarão sua presen-
ça. Nos outros fenômenos, o médium exerce função mais importante. É ele o agente transmis-
sor dos pensamentos do Espírito; e (...) seu estado psíquico, suas. aptidões, seus conhecimen-
tos influem, as vezes, de modo sensível nas comunicações obtidas. (...)" (*) .
(*) DENIS, Léon. Fenômenos espontâneos. Casas mal assombradas, tiptologia. In No Invisível.
Trad. De Leopoldo Cirne, 9º ed. Rio de Janeiro FEB, 1981 p. 185-186

05 - Origem e natureza dos Espíritos.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS;
Estabelecer a diferença entre princípio espiritual e princípio vital, conceituando-os.
Citar hipóteses sobre origem e natureza dos espíritos.
IDÉIAS PRINCIPAIS . _ .. . . . . . ~
"(...) Desde que a matéria tem vitalidade independente do Espirito e que o Espírito tem uma
vitalidade independente da matéria, evidente se torna que essa dupla vitalidade repousa em
dois princípios diferentes." (1)
"(...) há, na matéria orgânica, um principio especial, inapreensível e que ainda não pode ser
definido: 0 principio vital. Ativo no ser vivente, esse principio se acha extinto no ser morto
(..~.~." (3)
"(...) Individualizado, o elemento espiritual constitui os serres chamados Espíritos (...)." (2)
A espécie humana tem origem "entre os elemento orgânicos contidos no globo terrestre (...) e
veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo da
Terra." (5)
"Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que
conhecemos, sob o nome de .matéria .(...) "sendo uma criação, o Espirito há de ser alguma
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 36

coisa. É a matéria quintessenciada (...)." (6)


FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Gênese espiritual. In: . A gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1982. Item 5.
02. Op. cit. item 6.
03. Gênese orgânica. In: _ . A gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982. Item 16.
04. Op. cit. item 18.
05. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 47
06. Op. cit. perg. 82.
COMPLEMENTARES
07. FRANCO, Divaldo Pereira. Espirito. In: . Estudos espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 33.
08. XAVIER, Francisco Cândido. Evolução e corpo espiritual. In: . Evolução em dois mundos. 6
Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 31 - 32. .
09. Op. cit. p. 35.
10. . Existência da alma. In: . Evolução em dois mundos. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p.
79~
Na pesquisa da origem da vida a biologia oferece-nos vasto campo de es tudo através de
várias hipóteses. Estudaremos aqui aquela ensinada pelos Espíritos Superiores e que e quase
o consenso geral da ciência oficial.
"Procurando fixar idéias seguras acerca do corpo espiritual, será preciso remontarmos, de
algum modo, aos primórdios da vida na Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas,
pelas quais os Ministros Angélicos da Sabedoria Divina, com a Supervisão do Cristo de Deus,
lançaram os fundamentos da vida no corpo ciclópico do Planeta." (.., ) (8)
Apôs a formação da Terra, a partir de uma matéria elementar existente, os Espíritos Superiores
operam sobre o planeta recém formado, favorecendo o surgimento de extensas superfícies de
mares mornos ou quentes e de "(...)gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisa-
gem primitiva. (...)
Dessa geléia cósmica, verte o principio inteligente, em suas primeiras manifestações... (...)".
Este princípio inteligente ou Mônadas celestes no transcurso dos milênios, são trabalhadas e
magnetizadas pela espiritualidade maior, ate se manifestarem em "(...) rede filamentosa do
protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído. ;
Aparecem os vírus e, com eles, surge o campo primacial da existência, formado por núcleo
proteínas e globulinas, oferecendo clima adequado aos princípios inteligentes ou mônadas
fundamentais, que se destacam da substancia viva -(...)" (8) originando-se assim as formas
primitivas de microorganismos, evoluindo sucessivamente, através de milênios e milênios, para
os minerais, . os vegetais (inferiores e superiores), os animais (esponjas: crustáceos , peixes,
anfíbios, repteis, aves e mamíferos) ate chegar no período quaternário com o aparecimento da
forma hominal. ~
"(...) Compreendendo-se, porém, que o principio divino aportou na Terra, emanando da Esfera
Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, (...) não podemos cir-
cunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto, através do
nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se mani-
festa (...)" (9). Dai, considerarmos, que a evolução das formas de vida no nosso planeta não
evoluiu apenas na sua manifestação no campo físico, mas também no extra físico; justificando,
assim a ignorância em que a ciência ainda se mantém ante os chamados "elos perdidos" da
evolução. Se a ciência considerasse a evolução para alem da matéria física, compreenderia o
processo lento, porém continuo e gradual, da vida e não se deteria nas buscas infrutíferas, de
encontrar tais elos perdidos.
O fato de uma linhagem de antropóides erguer a coluna vertebral em sentido vertical, tido pela
biologia como um grandioso e glorioso marco evolutivo, tem igualmente, elevadas implicações
em se tratando do homem como ser espiritual: a conquista da razão. A partir dai, já não se fala
mais em elemento espiritual mas numa individualidade organizada, destinada à perfeição,
chamada Espirito. `
Ao lado da evolução da forma emparelhou-se a evolução moral. O aprimoramento do corpo
físico gerou o acrisolamento dos sentidos, e, aumentando a percepção exterior, a orientação
direta exercida pelos Espíritos Superiores, foi diminuindo gradualmente, deixando o homem
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 37

progredir pela aquisição do livre-arbítrio.


Antes de tecer alguns comentários à respeito da natureza dos Espíritos e importante estabele-
cer a diferença entre principio espiritual e principio vital. '
"(...) há na matéria orgânica, um principio especial, inapreensivel e que ainda não pode ser
definido: o principio vital. Ativo no ser vivente, esse princípio se acha extinto no ser morto (...)"
(3) Os seres orgânicos assimilam o principio vital, para realizarem todas as funções vitais. Os
seres inertes como por exemplo, os minerais, não assimilam este principio, e as estruturas
químicas tais como hidrogênio, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc., combinariam entre si for-
mando os diversos tipos de corpos inorgânicos, amplamente distribuídos na natureza.
O principio vital modifica a constituição molecular de um corpo, dando-lhe propriedades especi-
ais.
"A atividade do principio vital e alimentada durante a vida pela ação do funcionamento dos
órgãos (...). Cessada aquela ação, - por motivo da morte, o princípio vital se extingue (...)". (4)
A partir da extinção do principio vital, a matéria e decomposta em seus elementos constitucio-
nais (oxigênio, carbono, nitrogênio, etc.), os quais poderão se agregar para for mar corpos
inertes ou inorgânicos ou, se manterão dispersos ate a formação de novas combinações.
O principio espiritual "tem existência própria (...) Individualiza do, o elemento espiritual constitui
os seres chamados Espíritos (...)" (2) Espíritos são, portanto "Individualidades inteligentes,
incorpóreas, que povoam o Universo, Criados por Deus, independente da matéria.. Prescindin-
do do mundo corporal, agem sobre ele e, corporificando-se através da carne, recebem estímu-
los, transmitindo impressões, em intercâmbio expressivo e continuo. (...)" (7)
A natureza dos Espíritos e algo do qual pouco ou nada sabemos. A pergunta 82 de "O Livro
dos Espíritos" sobre a imaterialidade dos Espíritos , assim nos diz: (...) "Imaterial não e bem o
termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo criação, o Espirito há
de ser alguma coisa. ~ matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão
etérea que escapa inteiramente ao alcance de vossos sentidos.(.. )"(6)
Na mesma pergunta, logo abaixo Kardec completa: "Dizemos que os Espíritos são imateriais,
porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um
povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. (...) nos outros somos
verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. (...)" (6)

06 - A alma humana.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Enumerar os diversos conceitos existentes sobre
Conceituar alma do ponto de vista espirita.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A alma humana e considerada pelos materialistas como efeito e não causa, vendo nos fenô-
menos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema
nervoso do homem. Os Espiritualistas, de uma maneira geral, dizem ser a alma um ser imateri-
al, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda, erroneamente,
criada com o corpo e para esse corpo exclusivamente." (ver síntese do assunto).
Alma, na definição dada pelos Espíritos, é "Espirito encarnado ". (l)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC. Allan. O Livro dos Espíritos . Trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983, reg. 134
COMPLEMENTARES
02 - LEMBRANDO Kardec. Reformador, 98 (1819) 10-11, outubro 1980
A ALMA HUMANA ~
Antes do Espiritismo, errônea ou muito imprecisa, vaga e confusa era a idéia que se fazia da
alma humana.
Erradamente considerada como efeito e não causa pelos materialistas estes viam nos fenôme-
nos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema
nervoso do homem. Um de cantado, mas mal compreendido paralelismo psico-fisiológico
parecia justificar esse modo dever, porquanto, de fato, lesado o cérebro, ou a medula espinhal,
ou os nervos, perturbam-se as funções superiores da consciência, o pensamento lógico, o
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 38

juízo, o raciocínio, a memória, as sensações e percepções, bem como a efetividade e a morta-


lidade voluntária, instalando-se a demência, os delírios, as alucinações, a amnésia, as desco-
ordenações motoras, a disartria, as paralisias, a afasia, a insensibilidade e mesmo o coma.
Foram, assim, os homens de ciência, principalmente os fisioIogistas e os psicólogos, os médi-
cos e os psiquiatras, levados a um erro fundamental, que foi inverterem os papais do corpo e
da alma, dando primazia àquele que, entretanto, e apenas instrumento desta para suas ativi-
dades, enquanto encarna da.
Seria a alma, então, mero efeito do funcionamento do corpo material.
Ainda erradamente foi confundida a alma com o principio da vida orgânica pelos vitalistas, os
quais, dando embora à alma vital o caráter de causa da vida, não explicam o atributo essencial
da alma humana, que é a consciência individual, resultante da faculdade cognitiva ou inteligen-
te do ser humano. A inteligência nada tem a ver com a matéria orgânica, nem tão pouco com o
principio vital, que ainda é substância material, embora sutil e dinâmica, donde emana a força
vital, mas não a inteligência e, muito menos, a razão lógica, a efetividade e o senso moral,
todas faculdades superiores, inexistentes nos outros seres vivos e organizados, vegetais ou
animais, pelo menos no grau em que esplendem no homem racional e moral.
Finalmente, foi; a alma considerada como um ser real e distinto, causa e não efeito de toda
atividade psicológica e moral do homem, pelos espiritualistas. Estes compreendem-na como
um ser imaterial, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda,
erroneamente, criada com o corpo e para es se corpo exclusivamente, ao, qual se liga durante
a vida física e dele se desprende quando morre, para seguir um destino do qual se fazem
idéias muito vagas, mas por tradição do que pelo convencimento da razão ou qualquer espécie
de comprovação. "(...) "Esta concepção se aproxima um pouco da verdade, porque dá a alma
humana a qualidade e o papel que ela realmente tem , de causa espiritual de toda a vida
psicológica e moral do homem, concebendo-se ainda como eterna e imortal, portanto, sobrevi-
vente ao corpo material perecível; mas ela peca por um erro fundamental, que só por si tem
gravíssimos e danosas conseqüências, especialmente no que tange à vida moral: limita o
horizonte da alma a uma só existência corporal, condicionando seu patrimônio intelectual e
moral a essa existência única, sem levar em conta o acervo de aquisição do passado dessa
alma, uma vez que a não constituição do passado dessa alma, uma vez que a não considera
preexistente ao corpo atual, vinda de passar por numerosas outras existências em outros
tantos corpos, nas quais acumulou variadas experiências pretéritas valiosíssimas . Fixa , em
conseqüência, o seu destino feliz ou desgraçado, neste mundo e no outro, de uma maneira
irrevogável e na mais estrita dependência de condições que são muito mais pessoais para um
indivíduo, extraordinariamente variáveis e aparentemente fora de qualquer lei de casualidade
justa e equânime (...).
Com Allan Kardec, porem, e a codificação do Espiritismo que foi a sua obra missionaria— raiou
no mundo a aurora de uma Nova Era, a era do Espirito, e a conceituarão de alma humana
recebeu, então, brilhante luz. Sim, depois da demonstração experimental da existência de um
mundo espiritual primitivo e dos Espíritos, que são os seus habitantes,. pela própria manifesta-
ção desta através dos fenômenos mediúnicos, depois que os próprios Espíritos, pois, vieram
revelar o que eles verdadeiramente são, qual a sua natureza, como podem manifestar-se e se
comunicar com os homens, qual é também o seu destino e como se realiza esse destino que é
progredir através de sucessivas encarnações em mundos materiais e em corpos carnais ~
depois desses admiráveis conhecimentos sobre o Espírito, pôde ser dada a verdadeira defini-
ção de alma humana. Essa definição, embora extremamente simples, pode considerar-se
magistral. Vamos apreciá-la nas próprias palavras do Codificador, citando os textos correspon-
dentes de "O Livro dos Espíritos":
"134. Que é a alma?
"Um Espirito encarnado." ( . . . )
b) —Que seria o nosso corpo se não tivesse alma ?
"Simples massa de carne sem inteligência, tudo o. que quiserdes, exceto um homem."
Admira-se nestes textos a limpidez da Doutrina Espirita a respeito do que seja a alma do ho-
mem.
A alma humana é um Espírito encarnado.
É incrível que em definição tão simples possa encerrar -" tão grande verdade Com efeito, a ela
se aplica tudo o que os próprios Espíritos ensinaram a respeito do Espirito. Pelos textos pode
concluir-se que a sua essência ~ puramente espiritual, pois até o perispírito, segundo os mes-
mos textos, e simples invólucro semi material que a acompanha nas suas diversas encarna-
ções neste mundo, mas que ela despirá, também, um dia quando, por ter-se mais altamente
graduado, puder encarnar em um mundo mala evoluído, trocando-o por outro menos denso,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 39

formado com os fluidos ambientes desse mundo melhor. Encarnando e reencarnando num
mundo material e em sucessivos mundos cada vez menos materiais e mais elevados, tem a
alma por objetivo supremo o seu progresso espiritual até atingir total libertação da matéria e da
necessidade da encarnação.
É, pois, a alma humana um ser real, individual, independente e autônomo, de natureza pura-
mente espiritual e que tem por destino grandioso progredir sempre, alteando-se cada vez mais
em conhecimentos e em virtudes, realizando-o através de múltiplas existências corporais, nas
quais se depura e se eleva gradualmente até que, por fim, se liberta totalmente da necessidade
de encarnar, por ter-se tornado Espirito puro, atingindo o topo da Escala Espirita, passando a
fruir uma felicidade incomparável e inimaginável pelo homem terreno.
Com Allan Kardec, pois, e a Nova Era do Espirito que ele iniciou - abriram-se perspectivas
novas para o Espirito humano. Com a sua conceituação da alma tornou-se a Doutrina Espírita
a doutrina da esperança, pois descerrou aos olhos dos homens um futuro verdadeiramente feliz
e promissor.
Ela é bem o Consolador que Jesus prometeu a Humanidade! (...) (2)
;
BANCO DE PALAVRAS
MOTILIDADE - Faculdade de se mover, de obedecer ao impulso de uma força motriz.
AMNÉSIA - Diminuição ou perda total da memória.
DISARTRIA Dificuldade na articulação ou na pronúncia das palavras.
AFASIA - Distúrbio ou perda total ou parcial da fala.
RESTRITO - Limitado, sentido mais específico
ESTRITO - Restrita, exata, rigorosa, precisa.
ESPLENDEM - Resplandecem, brilham.
PARALELISMO - Correspondência entre duas coisas ou situações.
FISIOLOGIA - Ciência que trata das funções orgânicas pelas quais a vida se manifesta.
FISIOLOGISTA- Especialista da Fisiologia
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 40

3ª Unidade
Intervenção dos Espíritos no mundo corporal

07 - Influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Explicar a natureza das influências que os Espíritos exercem sobre as pessoas.
Fazer distinção entre um pensamento próprio e um sugerido pelos Espíritos.
Identificar os meios de neutralizar uma influência i ~ negativa provocada por Espirito atrasado.
IDÉIAS PRINCIPAIS
A influência exercida pelos Espíritos em nossos pensamentos e atos, tanto para o bem quanto
para o mal, é tão extensa que, a este respeito, foi dito a Kardec: influem "muito mais do que
imaginais. influem a tal ponto, que de ordinário, são eles que nos dirigem." (2)
"Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geral-
mente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de
grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibas fazê-las
(...)"(3)
Podeis neutralizar a influência dos maus Espíritos " Praticando o bem e pondo em Deus toda a
vossa confiança, repelireis a influencia dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que
desejam ter sobre vós (...)." (6)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983. Perg 107.
02. Op. cit., Perg. 459.
03. Op. cit., Perg. 461.
04. Op. cit., Perg. 462.
05. Op. cit., Perg. 464.
06. Op. cit., Perg. 46g.
COMPLEMENTARES
07. CALLIGARIS, Rodolfo. Somos o que pensamos. In: _ . Paginas de Espiritismo Cristão. 2.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.
08. FRANCO, Divaldo Pereira. Perturbadores" In: _. Glossário Espirita cristão. 3. ed. Salvador
BA, Alvorada, 1976. p. 106,
09. XAVIER, Francisco Cândido. Dominação-telepática. In:! . Nos domínios da mediunidade.
Ditado pelo Espirito André Luiz. 11. Ed. , Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 186.
CASO 01
Quando reencontrei o meu amigo Custódio Saquarema na Vida Espiritual, depois da efusão
afetiva de companheiros separados desde muito, a conversa se dirigiu naturalmente para
comentários em torno da nova situação.
Sabia Custódio pertencente a família espírita e, decerto, nessa condição, teria ele retirado o
máximo de vantagens da existência que vinha de largar. Pensando nisso, arrisquei uma per-
gunta, na expectativa de sabe-lo com excelente bagagem para o ingresso em estancias Supe-
riores. Saquarema, contudo, sorriu, de modo vago, e informou com a fina autocrítica que eu lhe
conhecia no mundo:
—Ora, meu caro, voce não avalia o que seja uma , obsessão disfarçada, sem qualquer mostra
exterior. A Terra me devolveu para ca, na velha base do "ganhou mas não levou ". Ajuntei
muita consideração e muito dinheiro; no entanto, retorno muito mais pobre do que quando parti,
no rumo da reencarnação...
Percebendo que não me dispunha a interrompê-lo, continuou:
-—Você não ignora que renasci num lar espirita, mas, como sucede à maioria dos reencarna-
dos, trazia comigo, jungidos ao meu clima psíquico, alguns sócios de vícios e extravagancias
do passado, que, sem o veículo de carne, se valiam de mim para se vincularem as sensações
do plano terrestre, qual se eu fora uma vaca, habilitada a cooperar na alimentação e condução
de pequena família... Creia que, de minha parte, havia retomado a charrua física, levando
excelente programa de trabalho que, se atendido, me asseguraria precioso avanço para as
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 41

vanguardas da luz. Entretanto, meus vampirizadores, ardilosos e inteligentes, agiam à socapa,


sem que eu, nem de leve, Ihes pressentisse a influência... E sabe como?
—Através de simples considerações íntimas prosseguiu Saquarema, desapontado. —Tão logo
me vi saído da adolescência, com boa dose de raciocínios lógicos na cabeça, os Instrutores
amigos me exortaram, por meus i pais, a cultivar o reino do espírito, referindo-se a estudo, a
abnegação, aprimoramento, mas , dentro de mim , as vozes de meus acompanhantes surgiam
da mente, como fios d’água fluindo de minadouro, propiciando-me a falsa idéia de que eu
falava comigo mesmo: " Coisas da alma, Custódio? Nada disso. A sua hora é de juventude,
alegria, sol... Deixe a filosofia para depois..., Decorrido algum tempo, bacharelei-me. As adver-
tências do lar se fizeram mais altas, conclamando-me ao dever, entretanto, os meus seguido-
res, até então invisíveis para min, revidavam tambérn com a zombaria inarticulada: " Agora?
Não é ocasião oportuna. De que maneira harmonizar a carreira iniciante com assuntos de
religião? Custódio, Custódio!... Observe o critério das maiorias, não se faça de louco!..." .
Casei-me e, logo após, os chamados à espiritualização recrudesceram, em torno de mim. Meus
solertes exploradores, porém, comentaram, vivazes: " Não ceda, Custódio ! E as responsabili-
dades de família ?
preciso trabalhar, ganhar dinheiro, obter posição, zelar por mulher e filhos...". A morte subtraiu-
me os pais eu, advogado e financista, já na idade madura, ainda ouvia os Bons Espíritos, por
intermédio de companheiros dedicados, requisitando-me à elevação moral pela execução dos
compromissos assumidos; todavia, na casa interna se empoleiravam os argumentos de meus
obsessores inflexíveis: " Custódio, você tem mais quefazeres. Como diminuir os negócios? E a
vida social? Pense vida social... Você não esta preparado para seara fé.... Em seguida, meu
amigo, chegaram a velhice e doença, essas duas enfermeiras da alma , que vivem de
mãos dadas na Terra. Passei a sofrer e desencantar-me. Alguns raros visitantes de minha
senectude, transmitindo -me os derradeiros convites da Espiritualidade Maior, insistiam comigo,
esperando que eu me consagrasse às coisas sagradas da alma; no entanto; dessa vez, os
gritos de meus antigos vampirizadores se altearam, mais irônicos, assoprando-me sarcasmo,
qual se fora eu mesmo ridicularizar-me: " Você, velho Custódio?! Que vai fazer você com
Espiritismo? E' tarde demais... Profissão, fé, mensagens de outro mundo... Que se dirá de você
meu velho ? Seus melhores amigos falarão em loucura senilidade... Não tenha dúvida... Seus
próprios filhos interditarão você, como sendo um doente mental, Inapto à regência de qualquer
interesse econômico... Você não. está mais no tempo disso..
Saquarema endereçou-me significativo olhar e matou:
—Os meus perseguidores não ma seviciaram o corpo, nem me conturbaram a mente. Acalen-
taram apenas o meu comodismo e, com isso, me impediram qualquer passo renovador. Volto
da Terra, meu caro, imitando lavrador endividado e de mãos vazias que regressa de um campo
fértil, onde poderia ter amealhado inimagináveis tesouros... Sei que você ainda escreve para os
homens, nossos irmãos. Conte-lhes minha pobre experiência, refira-se, junto deles, à obsessão
pacífica, perigosa, mascarada... Diga-lhes alguma coisa acerca do valor tempo, da grandeza
potencial de qualquer tempo na romagem humana!...
Abracei Saquarema, de esperança voltada para tempos novos, prometendo atender-lhe a
solicitação. E aqui lhe transcrevo o ensinamento pessoal, que poderá servir a muita gente,
embora guarde a certeza de que, se andasse agora reencarnado na Terra e recebesse de
alguém semelhante lição, talvez estivesse muito pouco inclinado a aproveitá-la. ( 1 )
CASO 02
...
Marques, o ex-presidente do templo espírita, falava ao companheiro:
—Teremos assembléia geral depois de amanhã e estou colecionando os documentos. Vere-
mos quem pode mais. Desmoralizarei os mandriões.
E Osório, o amigo fiel, ponderava;
—Mais calma. O senhor foi presidente por muitos anos. Sempre respeitado. Sempre querido.
Recordemos nossas reuniões. Nosso Dias da Cruz, que o senhor conheceu tão bem quando
neste mundo, prometeu ajudá-lo até o fim...
—Sei que estou protegido — dizia Marques, beliscando, nervoso, a barba branca, mas vou
colocar a coisa em pratos limpos. A diretoria foi tomada de assalto. É muita gente querendo
transformar a casa em gamela gorda.
—Marques, a ironia é veneno.
.;—Tenho fotocópias, retratos, informações e muito: papel importante para mostrar o passado
desses oportunistas, Todo o material será exibido na assembléia. Alguns desses companheiros
transviados são passíveis de xadrez.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 42

—Medite, Marques, medite! — pedia Osório — O que passou, passou... Agitar o fundo de um
poço é fazer lama. Ore. Peça o amparo do Alto
E, a convite do amigo, os dois se puseram em prece, rogando proteção espiritual.
Em seguida, tornaram à casa de Marques, onde Osório observaria como adoçar o calhamaço.
Ao procurar o libelo escrito, o dono da casa ouviu da arrumadeira, que entrara na véspera,
estranha explicação:
—Senhor Marques, todos os papéis que o senhor deixou espalhados nas cadeiras, com retra-
tos e jornais velhos, eu entreguei ao lixeiro, quando caminhão da Prefeitura por aqui passou.
—Meu Deus! —gritou o velhinho, entrelaçando as mãos na cabeça, ante Osório sorridente —
era serviço de oito meses!
E a jovem inexperiente replicou, sem saber que fazia a definição moral:
—Mas era muita sujeira! . . .
CASO 03
Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:
-—Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de
pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do mal se impacien-
taram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lha armarem os mais
perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gênio das Trevas, a fim de
ouvi-lo a respeito.
Um companheiro de consciência enrijecida recebeu a incumbência e partiu.
O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo Menor que
apresentasse sugestões.
O subordinado falou, com ênfase:
Não poderíamos despoja-lo de todos os bens? Isto, não —disse o perverso orientador—; para
um servo dessa têmpera, a perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil
meios diferentes para aumentar suas contribuições à Humanidade.
—Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-Ihe os filhos a enchê-lo
de opróbrio e ingratidão...— aventou o pequeno perturbador, reticencioso.
O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:
—Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a multidão?
O embaixador, desapontado, acentuou:
—Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; crive-lo-emos de feridas e aflições.
~ Nada disto —acrescentou o gênio satânico —, ele acharia meios de afervorar-se na confian-
ça e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita gente, pelo exercício da
paciência e da serenidade na dor.
—Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele! — clamou o
emissário.
—Para quê? —tornou o Espirito das Sombras. —Transformar-se-ia num mártir, redentor de
muitos. Valer-se-á de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante do Céu.
Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:
—Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...
Que dizes? —redargüiu a Inteligência perversa. —A morte ser-lhe-ia a mais doce benção, por
conduzi-lo as claridades do Paraíso.
E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez expressivo movi-
mento de olhos e aconselhou, loquaz:
—Não sejas tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que não passa de
mesquinho verme desconhecido... Impõe-lhe o conhecimento da própria pequenez, a fim de
que jamais se engrandeça, e veras...
O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido.
Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida insignifi-
cância, e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: "como te atreves a admitir algum valor
em tuas obras destinadas ao pó? não te sentes simples joguete de paixões inferiores. da
carne? não te envergonhas da animalidade que trazes no ser? Que pode um grão de areia
perdido no deserto? não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?"
O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e, depois de escutar
longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa começa no grelo frágil, e
deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação, para despertar somente na hora
em que a morte lhe descortinava o infinito da vida -. ·
Silenciou Jesus, contemplando a noite calma..;
Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos demais, se
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 43

despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços. (2)


*
NEIO LÚCIO.
BIBLIOGRAFIA
01. XAVIER, Francisco Cândido. obsessão pacífica - In: _. Cartas e crônicas. Ditadas pelo
Espirito Irmão X. 4 ed. Rio de janeiro, FEB,19. p. 38-42.
02 . O poder das trevas. In: . Idéias e ilustrações. diversos Espíritos 2. ed. Rio de janeiro, FEB,
1978. p. 111-113.
03. & VIEIRA , Waldo. Proteção espiritual, In: . Almas em Desfile Ditado pelo Espirito Hilário
Silva. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. p.32-33.

08 - Comunicabilidade dos Espíritos.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Identificar nas comunicações espiritas um meio de progresso humano.
Interpretar, à luz do Espiritismo, a proibição de intercâmbio mediúnico existente no Velho
Testamento (Levítico, 19:31 e 20:27; Deuteronômio, 'S2:1;~; a 12).
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo
físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da natu-
reza, causa eficiente de uma multidão, de fenômenos ate então inexplicados ou mal explicados
e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo. (...)"(5)
A mediunidade e tão antiga quanto o homem, mas como o seu uso exige discernimento, Moi-
sés a proibiu no seio do seu povo por precaução. "~...) e preciso .aprender os motivos que
justificavam essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria
que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações
estavam em uso e facilitavam os abusos (...)".(1)
"A proibição de Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não se originava nos
sentimentos de respeito, atenção ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para
adivinhações (...)." (2)
"Repelir as comunicações do além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já
pela iniciação dos conhecimentos da vida futura já pelos exemplos que tais comunicações nos
fornecem.(...)." (4
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS -
01. KARDEC, Allan. Da proibição de evocar os mortos. In: - . O Céu e o Inferno. Trad. de
Manoel Justiniano Quintão, 30ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 3.
02. OP. cit., item 4.
03. OP. cit., item 15.
04. Intervenção dos demônios nas modernas manifestações. In: . O Céu e o Inferno. Trad. de
Manoel Justiniano Quintão. 30ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item
05 O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Introdu-
ção, item 6, p.25.
COMPLEMENTARES
06. Deuteronômio, 18:10 - 12.
07. Levítico, 19:31.
08. Levítico, 20:27,.
09. FRANCO, Divaldo Pereira. Mediunidade. In: _ . Estudos Espiritas . Pelo Espírito Joanna de
Ângelis. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 138.
A Comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados não e um fato recente, mas antiquíssimo'
com a única diferença que no passado era apanágio dos chamados iniciados e na atualidade;
com o advento do Espiritismo, tornou-se fenômeno generalizado a todas as camadas sociais.
A possibilidade dos Espíritos se comunicarem é uma questão muito bem estabelecida, resul-
tante de observações e experiências rigorosamente realizadas por eminentes pesquisadores.
Os Espiritas não tem duvidas a este respeito, -porém, determinados companheiros que abra-
çam correntes religiosas diferentes da Doutrina Espírita, procuram criticá-la chamando a aten-
ção, entre outras coisas, sobre a proibição mosaica de evocar os mortos.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 44

Na lei mosaica esta escrito: (...) Não vos virareis para adivinhadores e encantadores, não os
busqueis, contaminando-vos com eles: Eu sou o Senhor vosso Deus.(...)" (7)
"(...) Quando pois algum homem ou mulher em si tiver um espirito adivinho , ou for encantador,
certamente morrerão: com pedras se apedrejarão; o seu sangue é sobre eles." (8)
"(...) Não achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinha-
dor, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
Nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito advinhante, nem mágico,
nem quem consulte os mortos;
Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor: por estas abominações o Senhor
teu Deus as lança fora de diante dele.
"Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força e que o seja
igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e mais em
outras de suas partes? (...)Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo
com a nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de
que tratamos.
Demais, e preciso expender os motivos que justificavam proibição e que hoje se anularam
completamente. 0 legislador hebreu que ria que o seu povo abandonasse todos os costumes
adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos(...)." (1).
"A proibição de Moisés foi mais para conter um comercio grosseiro e prejudicial com os desen-
carnados. Os Israelitas necessitavam de uma ação mais disciplinadora porque, alem do
mais"(...) a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou
piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e
presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição.(...) " (2)
Naquela época, aliada a prática pura e simples de evocar os mortos, havia um verdadeiro
comercio com os adivinhadores'(...) associadas às praticas da magia e do sortilégio, acompa-
nhadas ate de sacrifícios humanos.(...)"(2) A proibição, tinha, pois, razão de ser. Nos dias
atuais o ser humano adquiriu novas conquistas, o progresso se fez pelo predomínio da razão e,
a prática de intercâmbio espiritual ou mediúnica, defendida pelo Espiritismo tem outras finalida-
des: moralizadora, consoladora e religiosa.
"(...) A verdade e que o Espiritismo condena tudo que motivou a interdição de Moisés;(...)"(2) os
espiritas não fazem sacrifícios humanos. não interrogam astros, adivinhos e magos para infor-
marem-se de alguma coisa, não usam medalha, talismã, fórmulas sacramentais ou cabalísticas
para atrair ou afastar Espíritos.
O Espirita sincero sabe que"(...) O futuro e vedado ao homem por principio, e só em casos
raríssimos e excepcionais é que Deus faculta a sua revelação. Se o homem conhecesse o
futuro, por certo negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade.(...)"(4)
A evocação dos Espíritos exercidas na prática espirita tem o fito de receber conselhos dos
Espíritos superiores, de moralizar aqueles voltados para o mal e continuar com as relações de
amizades e amor entre entes queridos que partilharam, ou não, a vivência reencarnatória
Pelas orientações instrutivas e altamente moralizadoras forneci das pelos benfeitores espiritu-
ais, pelo valioso aprendizado oferecido pelos desencarnados sofredores, conclui-se que a
prática mediúnica, e um fator de progresso humano pelos benefícios que acarreta.
"(...) Sem duvida, poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de perturbarão,
tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso. :
Não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do Médium libera-o da
influência dos Espíritos inferiores perversos que se sentem, então, impossibilitados de maior
predomínio por faltarem os vínculos para a necessária sintonia.(...)" (9)
"Repelir as comunicações do além-túmulo é repudiar o meio mas poderoso de instruir-se, já
pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos
fornecem. A experiência nos ensina, alem disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal
os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria a se aperfei-
çoarem. Interditar as comunicações e, portanto, privar as a mas sofredoras da assistência que
lhes podemos e devemos dispensar.(...)
(3) -
ANEXO
.~
Examinando a mediunidade
TEMA — Mediunidade a serviço do próximo.
Aspiras ao desenvolvimento da mediunidade para mais fácil intercâmbio com o Plano Espiritu-
al. Isso é perfeitamente possível; entretanto, é preciso lhe abraces as manifestações, compre-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 45

endendo que ela te pede amor e dedicação aos semelhantes para que se transforme num
apostolado de bênçãos.
Reconhecerás que não reténs com ela um distrito de entretenimento ou vantagens pessoais e
sim um templo-oficina, através do qual os benfeitores desencarnados se aproximem dos ho-
mens, tão diretamente quanto lhes é possível, apontando-lhes rumo certo ou lenindo-lhes os
sofrimentos, tanto quanto lhe utilizarás os recursos para socorrer desencarnados, que esperam
ansiosamente quem lhes estenda uma luz ao coração desorientado,
Receberás com ela não apenas a missão consoladora de reerguer os tristes, mas também a
tarefa espinhosa do suportar, corajosamente, a incompreensão daqueles que se comprazem
sob a névoa do materialismo, muita vez interessados em estabelecer a dúvida e a negação
para obterem, usando o nome da filosofia e da ciência, livre trânsito nas áreas de experiência
física, em que a fé opõe uma barreira aos abusos de ordem moral.
Nunca Ihe ostentarás a força com atitudes menos dignas, que te colocariam na dependência
do mal, e, ainda mesmo quando ela te propicie meios com os quais te podes sobrepor aos
perseguidores e adversários, tratá-los-ás com o amor que não foge à verdade e com a verdade
que não desdenha o equilíbrio, admitindo que não te assiste o direito de te antepores à Justiça
da vida. ;
Terás a mediunidade por flama de amor e serviço, abençoando e auxiliando onde estejas, em
nome da Excelsa Providencia, que te fez semelhante concessão por empréstimo. E nos dias
em que esse ministério de luz te pese demasiado nos ombros, volta-te para o Criisto — o
Divino Instrumento de Deus na Terra — e perceberás, feliz, que o coração crucificado por
devotamento ao bem de todos, conquanto pareça vencido, carrega em triunfo a consciência
tranqüila do vencedor. ( * )
XAVIER., Francisco Cândido. Examinando a mediunidade. In. Encontro marcado. Pelo espírito
Emmanuel. 3 ed. Rio de Janeiro FEB. 1978, p. 93 94.

09 - Mediunidade: conceito e tipos.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conceituar Médium e Mediunidade
Citar os principais tipos de mediunidade dando as suas características.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium.
Essa faculdade e inerente ao homem, não constitui, portanto, um privilegio exclusivo.(...) Toda-
via, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem
caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de
uma organização mais ou me nos sensitiva. (...)"(1)
"(...) Geralmente, os médiuns tem uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela
ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas as espécies de manifestações.
As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos audientes. a dos videntes, a dos
sonâmbulos, a dos curadores, a dos pneumatógrafos, a dos escreventes ou psicógrafos. " (1)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Dos Médiuns. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro, 45ª ed..
Rio de Janeiro, FEB, 1 . item 159. -
02. Op. cit., item 160.
03. Op. cit., item 164.
04. Op. cit., item 165.
05. Op. cit., item 166.
06. Op. cit., item 167.
07. Op. cit., item 172.
08. Dos médiuns escrevente, ou psicógrafos. In: _ . O Livro dos Médiuns. trad. de Guillon
Ribeiro.45ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 198Z. item 178
09. Das manifestações espíritas. In: . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio
de Janeiro,- FEB, 1982. item 90.
COMPLEMENTARES :
10. XAVIER, Francisco Cândido. Estudando a mediunidade. In:- Nos domínios da mediunidade.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 46

Ditado pelo Espírito André Luiz. 11 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982.p.18.
11. .Mediunidade. In: Mecanismo da mediunidade. Pelo Espirito André Luiz. 6ª ed.. Rio de
Janeiro, FEB, 1982. p.13.
Todo aquele que sente, num grau qualquer a ''influência dos Espíritos é, por esse fato, médium.
Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilegio exclusivo. Por isso
mesmo, rara são as pessoas que delas não possuam alguns rudimentos. (...) Todavia, usual-
mente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem carac-
terizada e se traduz por efeitos patentes e de certa intensidade, o que então depende de uma
organização mais ou menos. sensitiva.
É importante considerar que a percepção de influencias; espirituais são detectadas pelo fenô-
meno mental da sintonia. Nossa mente, sendo um núcleo de forças inteligentes, gera pensa-
mentos plasmados que, ao se exteriorizarem entra ( a mente ) em comunhão com as faixas de
.idéias do mesmo teor vibratório, estabelecendo-se, assim, a sintonia mediúnica.
"(...) Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se
é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, indiscutível é que cada
um recebe de acordo com aquilo que dá."
Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas (...) é imprescindível
enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais (...)" (10)
A mediunidade, pois, não basta por si. Sendo uma faculdade própria da espécie humana, ela
existe desde as épocas pregressas, encontrando, porem, na Doutrina um sentido mais elevado
e disciplinado.
Os discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito ao amigo invisível que o
acompanhava constantemente.
Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um dos seus perseguidores desen-
carnados, a visita-lo em pleno campo.
Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenada a morre: de fome, passou a viver,
em Espírito, (...), aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados,
durante largo tempo. ;
Sabe-se que Nero-, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de
Agripina e de Otávia, sua genitora e esposa, . ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pres-
sagiarem a queda no abismo. (...)" (11)
Com o surgimento do Cristianismo, a mediunidade atinge a sublimação com as manifestações
provocadas por Jesus e, mais tarde, pelos apóstolos.
Na idade Media, a mediunidade prossegue vitoriosa nos feitos de Francisco de Assis, nas
visões de Lutero ou nos desdobramentos de Tereza D'Àvila, para culminar, nos tempos moder-
nos, nas prodigiosas manifestações de Swedenborg.
O dom mediúnico, por ser uma conquista evolutiva da forma hominal, não deverá se limitar a
mera produção dos fenômenos. O médium, deve buscar disciplina e iluminação intimas , afim
de se tornar um instrumento de progresso para felicidade própria e coletiva.
" Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela
ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifesta-
ções. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos audientes. a dos videntes, a
dos sonâmbulos, a dos curadores, a dos pneumatógrafos, a dos escreventes ou psicógrafos. "
(1)
" Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais,
como os movimentos dos corpos inertes ou ruídos, etc. (...) (2) A mediunidade de efeitos físicos
foi muito comum na nascente do Espiritismo, e, surgiu com a finalidade maior de chamar aten-
ção dos encarnados sobre as manifestações do Alem. Estão incluídos neste gênero de mediu-
nidade os fenômenos ocorridos em Hydesville (USA: e as mesas girantes e falantes, notada-
mente na França, no século passado.
Os Espíritos que se prestam a estes tipos de manifestações, ou seja, ruídos, pancadas, deslo-
camento de objetos, vozes diretas, materializações, transportes, geralmente são de pouca
evolução. Na realidade, "(...) São Espíritos mais levianos do que maus, que se riem dos terro-
res que causam e das pesquisas inúteis que se empreendem para a descoberta da causa do
tumulto .
Agarram-se com freqüência a um indivíduo, comprazendo-se em o atormentarem e persegui-
rem de casa em casa. Doutras vezes, agarram-se a um lugar por mero capricho. (...)
Em alguns casos, mais louvável é a intenção a que cedem: procuram chamar a atenção e por-
se em comunicação com certas pessoas, quer para lhes mandarem um aviso proveitoso, quer
com o fim de lhes pedirem qualquer coisa para si mesmos. (...)" (9)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 47

Médiuns sensitivos, ou impressionáveis: "Chamam-se assim as pessoas suscetíveis de sentir a


presença dos Espíritos por uma impressão vaga. É uma espécie de leve roçadura sobre todos
os seus membros, sensação que elas não podem explicar. Esta variedade não apresenta
caráter bem definido (...) (4) A impressionabilidade é mais um caráter geral do que especial, já
que todos os médiuns são mais ou menos sensitivos." (...) É a faculdade rudimentar indispen-
sável ao desenvolvimento de todas as outras (...). Esta faculdade desenvolve pelo hábito e
pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, (...) não só a natureza, boa ou
ma, do Espirito que está ao lado mas até a sua individualidade, como o cego reconhece, (. .) a
aproximação tal ou tal pessoa. (...)" (3)
Os médiuns audientes ouvem a voz dos Espíritos. "E, (...) algumas vezes uma voz interior, que
se faz ouvir no foro íntimo, doutras vezes, e uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma
pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, travar conversação com os Espíritos. (...)
Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons (...).Assim, entre-
tanto, já não e, quando um Espírito mau se lhe agarra, fazendo ouvir a cada instante as coisas
mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes": (4)
Os médiuns falantes transmitem a mensagem espirita através da fala "(...) Neles, o Espírito
atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre mão dos médiuns escreventes. (...)" (5)
"Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa
faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembrança preci-
sa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo.
Raro é que esta faculdade se mostra permanente; quase sempre é efeito de uma crise passa-
geira. (...) A possibilidade de ver em sonho os Espíritos resulta, sem contestação, de uma
espécie de mediunidade, mas não constitui, propriamente falando, o que se diz médium viden-
te. (...)" (6)
Médium sonambúlico é aquele "que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora
dos limites dos sentidos. (...) Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descre-
vem com tanta precisão, como os médiuns videntes. Podem confabular com eles e transmitir-
nos seus pensamentos. (...)
Os médiuns curadores são aqueles que têm o dom de curar pelo simples toque, olhar ou impo-
sição de mãos, sem o uso de medicação. É, sem duvida ação do magnetismo animal, que
produz a cura, porem, deve ser classifica como mediunidade porque as pessoas que tem este
dom, não agem sozinhos, mas pela intervenção dos Espíritos desencarnados.
Médiuns pneumatógrafos são os médiuns que produzem escrita direta sem tocarem no lápis ou
papel. Já os médiuns escreventes ou psicógrafos transmitem a mensagem espiritual, utilizando
lápis e papel.
"De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e,
sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se
estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem
entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto e por ele que os Espíritos reve-
lam melhor a sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento ou de sua inferioridade. (...)" (8)

10 - Mediunidade com Jesus.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Enumerar as características da mediunidade com Jesus
Citar o papel dos médiuns na renovação social.
Constatar a importância da vivência evangélica na prática mediúnica.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"Restitui a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios.
Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido." (1)
" O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. (...) Sócra-
tes era dirigido por um Espirito que lhe inspirava os admiráveis princípios de sua filosofia; ele
lhe ouvia a sua voz Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana D'Arc não
eram mais do que as vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam. (...)". (3)
Deus quer (...) que os Espíritos sejam reconduzidos aos interesses da alma. Quer que o aper-
feiçoamento do homem moral se torne o que
deve ser. isto e, o fim e o objetivo da vida.
Todo o progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a humanidade. (...)" (3).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 48

Neste sentido a prática da mediunidade com Jesus e o grande instrumento de renovação


social.
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes. In. O Evangelho Se-
gundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 1.
02. Op. cit. item 2.
03. . Dissertações espiritas. In: . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1982. Item 11.
COMPLEMENTARES.
04. FRANCO, Divaldo Pereira. Mediunidade. In: Estudos Espiritas. Rio de Janeiro, FEB, 1982.
p. 141.
05. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1980. Per. 382.
06. Op. cit., per. 389.
07. Estudando a mediunidade. In: . Nos domínios da mediunidade. Ditado pelo Espírito André
Luiz. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 19-20.
.
"Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios.
Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido." (1). Foi esta a recomendação de
Jesus a seus discípulos e com isto querendo dizer "(...) que ninguém se faça pagar daquilo que
nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar doentes e
de expulsar os demônios, isto e, os maus espíritos. Esse dom Deus lhos dera gratuitamente,
para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes
que não fizesse dele objeto de comercio, nem de especulação, um meio de vida."(2).
Esta orientação dada por Jesus continua mais atual do que nunca, porque a mediunidade
evangelizada jamais poderá ser transformada em profissão ou fonte de rendas. "(...) sendo luz
que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espirito, patrimônio da alma imortal, elemento
renovador da posição moral dá criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capitu-
lo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na
sua trajetória pela face do mundo." (5)
Deve-se compreender que a mediunidade só existe pelo concurso dos Espíritos. 'Os atributos
medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino e desviado de seus
fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da Seara da verdade do amor.
Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas;
todavia, se sofrem o insulto do egoísmo, do orgulho, da vaidade ou da exploração inferior,
podem deixar o intermediário do invisível entre as sobras pesadas do estacionamento, nas
mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos."
(ó)
"(...) Mediunidade não basta só por si.
É imprescindível saber que tipo de onda mental ; assimilamos para conhecer da qualidade de
nosso trabalho e ajuizar de nossa direção.(...)" (7)
O médium moralizado, que encontra na vivência evangélica a conduta de vida, e uma pessoa
de bem, que procura ser humilde, sincero, paciente, perseverante, bondoso, estudioso e traba-
lhador. Cumpre o mandato mediúnico com amor
(...) Ao exercício da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a
beneficio da criatura, em nome da Caridade, e que o ser atinge a plenitude das suas funções e
faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos
diversos terrenos da vida humana, na Terra. (...)" (4)
Ai está, como a prática mediúnica exerce um papel de renovação social. "(...) O Espirito huma-
no segue em marcha conveniente, imagem da graduação que experimenta tudo o que povoa o
Universo visível e invisível. Todo progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a
Humanidade. (...)" (2) E o médium evangelizado, exercendo o mandato com amor e espirito de
serviço em beneficio do próximo, contribui em grande escala para o progresso geral.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 49

4ª Unidade
Justiça divina

11 - Penas e gozos futuros. Duração das penas.


OBJETIVOS BÁSICOS
Conceituar céu e inferno de acordo com os ensinamentos espíritas.
Explicar o sentido de penas e recompensas com base no "Código Penal da Vida Futura", de
Allan Kardec
(~0 Céu e o Inferno", 1ª parte, cap. 7)
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"Nessa imensidade ilimitada, onde está o céu? Em toda parte: Nenhum contorno lhe traça
limites. Os mundos adiantados são as ultimas estações do seu caminho, que as virtudes fran-
queiam e os vícios interditam. (...)" (1)
"O dogma da eternidade absoluta das penas e, (...) incompatível com o progresso das almas,
ao qual opõe uma barreira insuperável. (...) Segundo a Doutrina Espirita (...) o homem e o filho
de suas obras, durante esta vida e depois da morte, nada devendo ao favoritismo: Deus o
recompensa pelos esforços e pune pela negligência, isto por tanto tempo quanto nela persistir."
(2) -
O código penal da vida futura, de Allan Kardec, "(...) pode resumir-se nestes três princípios:
1ª - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2ª - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada traz consigo o próprio castigo
nas conseqüências naturais e inevitáveis. (...)
3ª - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente
anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. ( )" (5) -
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O céu. In. O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed.
Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 18, 1a parte.
02. Doutrina das penas eternas. In: . O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão.
29ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 item 21, 1a parte.
03. As -penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano
Quintão. 29ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 tens 1° - 5°, p. 90-9l.
04 Op. Cit. Itens 11º, 16°, 17°, p. 92-94.
05. Op. Cit. Itens 33°, p. 100-101 '
06. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg.
1014.
COMPLEMENTAR ES
07. XAVIER, Francisco Cândido. Céu. In: . Justiça divina. Pelo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio
de Janeiro, FEB, 1980. p. 66.
08. . Corrigir e pagar. In: Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro,' FEB,
1080. p. 104.
JUSTIÇA DIVINA
O conceito de céu e de inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina Espíri-
ta. Não se traduz mais por regiões circunscritas de beatifica felicidade ou de sofrimentos atro-
zes e eternos,. respectivamente.
'"(...)De existência a existência, entretanto, aprendemos hoje que a vida se espraia, triunfante,
em todos os domínios universais do sem fim; que a matéria assume estados diversos do fluidez
e condensação; que os mundos se multiplicam Infinitamente no plano cósmico; que cada
espírito permanece em determinando momento evolutivo, e que, por isso, o céu, em essência,
é um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um (...) ' (7)
"(...) Inferno se pode traduzir por uma vida de provações extremamente dolorosa, com a incer-
teza de haver outra melhor. (...)"(6)
Portanto, a felicidade ou infelicidade após a desencarnação é inerente ao grau de aperfeiçoa-
mento. moral de cada Espírito e, também, a categoria de mundo que habita. As penas ou
sofrimentos que cada um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos prati-
cados. Não existe, pois, uma recompensa ou sofrimento gratuito, obtido sem mérito, mas
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 50

manifestado através da Lei de Causa e Efeito


'`(...) A alma ou Espirito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que
não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu
grau de pureza ou impureza.
(...)A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda
imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que
toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.
(...)Não há uma única imperfeição da alma que não importe em funestas e inevitáveis conse-
qüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de um gozo,
A soma das penas é, assim, proporcionada à soma das imperfeições, como a dos gozos a das
qualidades.(...)
(...) Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que
lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios,
temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos,
antes recebe-os em seu selo a medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito
das suas obras. ( ...)
(...)O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde
houver alma(...)(3)
A cada espirito Deus faculta meios de melhoria, oferecendo em cada reencarnação um plane-
jamento coerente, de amor e justiça, onde cada um terá chances de progredir e de expiar as
faltas cometidas em existências anteriores. " (...) A expiação varia segundo a natureza e gravi-
dade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as
circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.(...)
O arrependimento, conquanto sela o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só;
são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias
para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos
da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode
anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrario, o perdão seria uma graça, não uma anula-
ção.
O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o
culpado sofre por mais tempo. (...)
(...)A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não
repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existên-
cia ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições
voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem
quanto mal lhes tenha feito(...)(4)
Compreendendo, assim, o significado de penas e recompensas, devemos nos esforçar para
reparar as faltas cometidas em vidas anteriores e aproveitar ao máximo a experiência na carne,
buscando incessantemente o progresso moral.
(...) Toda conquista na evolução é problema natural do trabalho, porque todo progresso tem
preço; no entanto, o problema crucial que o tempo te impõe é débito do passado, que a Lei te
apresenta à cobrança
Retifiquemos a estrada, corrigindo a nós mesmos.
Resgatemos nossas dividas, ajudando e servindo sem distinção.
Tarefa adiada é luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora no
mal de amanhã (8)
Concluindo, "em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos
imperfeitos, o código penal da vida futura ( elaborado por Allan Kardec com base nos ensina-
mentos dos Espíritos- Superiores)
pode resumir-se nestes três princípios:
1.°—O sofrimento é inerente à Imperfeição,
2.°—Toda Imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo
nas conseqüências naturais e Inventáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade
nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3.°—Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode Igualmente
anular os mates consecutivos e assegurar a futura felicidade.
A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: —tal é a lei da Justiça Divina."(5)
ANEXO
Em matéria de prêmio e castigo, a se definirem por céu e inferno, suponhamo-nos à frente de
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 51

um pai amoroso, mas justo, dividindo a sua propriedade entre os filhos, aos quais se associa,
abnegado, para que todos eles se prestigiem e cresçam, de maneira a lhe desfrutarem os bens
totais.
O genitor, compassivo e reto, concede aos filhos, em regime de gratuidade, todos os recursos
da fazenda
Divina:
a vestimenta do corpo;
a energia vital;
a terra fecunda;
o ar nutriente;
a defesa do monte;
o refúgio do vale,
as águas circulantes;
as fontes suspensas:
a submissão dos vários reinos da natureza;
a organização da família:
os fundamentos do lar;
a proteção das leis;
os tesouros da escola;
a luz do raciocínio;
as riquezas do sentimento;
os prodígios da afeição;
os valores da experiência;
a possibilidade de servir...
Os filhos recebem tudo isso, mecanicamente, sem que se lhes reclame estorço algum, e o pai
apenas lhes pede para que se aprimorem, pelo dever nobremente cumprido, e se consagrem
ao bem de todos, através do trabalho que lhes valorizará o tempo e a vida.
Nessa Imagem, simples embora, encontramos alguma notícia da magnitude do Criador para
nós outros, as criaturas.
Fácil, assim, perceber que, com tantos favores, concessões e doações, facilidades e vanta-
gens, entremeados de bênçãos, suprimentos, auxílios, empréstimos e moratórias, o céu come-
çará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada
XAVIER, Francisco Cândido. Céu e inferno. In: . Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 4ª ed..
Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 143-5Z4.

12 - O principio de ação e reação.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Estabelecer relação entre livre-arbítrio e responsabilidade.
Explicar a manifestação do princípio de ação e reação (ou lei de causa e efeito).
Conceituar fatalidade.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Se o homem "tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o
homem seria máquina" (4) e (...) há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas
primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o
desenvolvimento das faculdades.(...)" (5)
"A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu
destino. (...)
A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a
responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais
do que um autômato, um joguete das forcas ambientes: a noção de moralidade e inseparável
da de liberdade. (...)" (9)
"De duas espécies são as vicissitudes da vida, (...) umas têm sua causa na vida presente;
outras, fora desta vida. (...)" (1)
"Os sofrimentos devidos a causas anteriores a existência presente, como as que originam de
culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta cometida, isto é, o homem, pela ação
de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer os outros. (...)" (3)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 52

(...) Fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daque-
la prova para sofrer. (...)" (6)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. In:O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad.
de Guillon Ribeiro. 8-7-. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 4.
02. Op. cit., item 6.
03. Op. cit., item 7.
04. O Livro dos Espíritos. Trad, de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio ]5 - Janeiro, T- B9 1 . Perg. 843.
05. Op. cit., perg. 844.
06. Op. cit., perg. 851.
.
COMPLEMENTARES
07. CALLIGARIS, Rodolfo. O livre-arbítrio. In: As leis morais. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.
p. 151
08. DENIS, Léon. O livre-arbítrio. In: O problema do ser, do, destino e da dor. 2ª ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1979. p. 342-.
09. Op. cit., p. 346.
A liberdade é a condição necessária da alma humana que sem ela, não poderia construir seu
destino. (...) (8)
Apesar da liberdade do homem parecer, a primeira vista, muito restrita pelas próprias limita-
ções das condições físicas, sociais ou interesses de cada um, na realidade, sempre podemos
contornar tais obstáculos e agir da maneira que mais nos pareça acertada.
"(...) A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação, é
a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais
do que um autômato, um joguete das forcas ambientes. (...)" (8)
Quando resolvemos fazer ou deixar de fazer alguma coisa, a nossa consciência sempre nos
alerta a respeito, aprovando-nos ou censurando-nos. Apesar da voz íntima nos alertar, sempre
usamos o que foi decidido pela nossa vontade ou livre-arbítrio. Nada nos coage nos momentos
de decisões próprias, daí ser correto afirmar que somos responsáveis pelos nossos atos.
Somos os construtores do nosso destino.
Livre-arbítrio é, pois, definido como "a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua
própria conduta", ou, em outras palavras a possibilidade que ele tem de, "entre duas ou mais
razões suficientes de querer ou agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as ou-
tras.(...)" (7)
Aceitar a vida guiada por um determinismo onde todos os acontecimentos estão fatalmente
pre-estabelecidos, é raciocinar de uma maneira muito ingênua senão simplória; porque, se
assim fosse, o homem não seria um ser pensante, batalhador, capaz de tomar resoluções e de
interferir no progresso, seria apenas uma máquina robotizada, irresponsável, a mercê dos
acontecimentos.
"(...) Fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espirito faz, ao reencarnar, desta ou
daquela prova para sofrer. (...)" (6)
"( ) O livre-arbítrio, a livre vontade do Espírito exerce-se principalmente na hora das reencarna-
cões. Escolhendo tal família, certo meio social, ele sabe de antemão quais são as provações
que o aguardam, mas compreende, igualmente, a necessidade destas provações para desen-
volver suas qualidades, curar seus defeitos, despir seus preconceitos e vícios. Estas provações
podem ser também conseqüência de um passado nefasto, que é preciso reparar, e ele aceita-
as com resignação e confiança.
O futuro aparece-lhe então, não em seus pormenores, mas em seus traços mais salientes, isto
é, na medida em que esse futuro é a resultante de atos anteriores, Estes atoa representam a
parte de fatalidade ou "a predestinação" que certos homens são levados a ver em todas as
vidas. (...)
Na realidade, nada há de fatal e, qualquer que seja o peso das responsabilidades em que se
tenha incorrido, pode-se sempre atenuar, modificar a sorte com obras de dedicação, de bonda-
de, de caridade, por um longo sacrifício ao dever. (...)" (9)
Os acontecimentos diariamente observados na categoria de dores, que desarticulam o modo
de viver, antes tão feliz; ou sob forma de tragédias, que produzem crises de angustia e de
desespero; a doença que chega sem avisar, abatendo o ânimo e a coragem; as decepções
com amigos ou as esperanças frustradas; a pobreza material a retratar-se na desnutrição, na
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 53

orfandade, nos assaltos, tanta coisa, a se traduzir como aflições e _ infortúnios, poderá levar o
homem, que desconhece as verdades espirituais, à loucura ou ao suicídio. Por isto, a Doutrina
Espirita vem esclarecer que "de duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem,
promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas tem causa na vida
presente; outras fora desta vida.
Remontando-se ~ erigem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são conseqüência
natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa l Quantos são vítimas de sua imprevidência, de
seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se arruinam por falta de ordem, da perseverança, pelo mau proceder, ou por não
terem sabido limitar seus desejos! ( . )
Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhos combateram desde o princípio as
más tendências!(...)
A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si d mesmo?
O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios (...) " (
1)
No entanto, sabemos que existem males que ocorrem sem que o homem tenha diretamente
culpa. São dores que tem origem em atos praticados noutras existência "(...) Tal por exemplo, a
perda de entes queridos e a dos que são amparo da família. Tais ainda os acidentes que
nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustam todas as precauções
aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as
que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia,
o cretinismo, etc.
Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para merecer,
sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar (...)(2)
Não resta a menor duvida que constituímos hoje, o produto das experiências vividas no passa-
do. Não há sofrimento sem uma causa e a lei de ação e reação, rege o nosso destino porque,
se somos livres na semeadura, seremos escravos da colheita. :
Deus nos permite, pelo livre-arbítrio, a responsabilidade de praticar o bem ou o mal, porem, a
partir do momento que decidimos o que fazer, esta ação gera uma reação característica, que
virá, mais tarde sob a forma de colheita.
"(...) Assim se explicam pela pluralidade das existências e pela desatinação da Terra, como
mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da ventura e da desventura entre
os bons e os maus neste planeta. ( ..)" (3)
EXERCÍCIO.
QUESTIONÁRIO A SER RESPONDIDO DEPOIS DA LEITURA DAS QUESTÕES DE 843 A
852 DO LIVRO DOS ESPÍRITOS .
01. Não sendo o determinismo inflexível, os rumos da nossa existência terrena podem ser
alterados, aliviando ou agravando as nossas dores? Justifique.
02. Explique, à luz do principio da Ação e Reação, o que parece ser fatalidade.
03. Conceitue " livre-arbítrio " e " fatalidade " usando as informações do livro-texto.
04. Justifique de acordo com os conceitos de " livre-arbítrio " e " fatalidade ", as desencarna-
ções inesperadas, as epidemias, as hecatombes, os flagelos naturais (secas, enchentes,
pragas).
05. O " livre-arbítrio ", faculdade concedida por Deus ao homem, pode sofrer alterações? Em
outras palavras, o livre-arbítrio, isto é, capacidade de decidir, de escolher, pode aumentar,
diminuir ou é estacionária?
06. Qual a relação entre " livre-arbítrio " e " responsabilidade "?

13 - O arrependimento e o perdão.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Dar o significado espírita de perdão.
Citar e caracterizar as três condições necessárias ã reparação dE uma falta cometida.
IDÉIAS PRINCIPAIS J
"Há, porém' duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramente
generosa' sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor próprio e a susceti-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 54

bilidade do adversário, ainda quando este ultimo nenhuma justificativa possa ter; a segunda e a
em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz
sentir o poso de um perdão que irrita, em vez de acalmar (...)" (1)
"(...) Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessá-
rias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os
travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contu-
do, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não
uma anulação. (...)" (4)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS.
01. KARDEC, Allan. Bem aventurados os que são misericordiosos. In: O Evangelho Segundo o
Espiritismo. Trad.. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, Item 4.
02 - O Livro dos Espíritos, Trad., de Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg.
991
03. Op. Cit. Perg. 998
04. . As penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O Céu e o Inferno. Trad. Manuel Justiniano
Quintão. 29. ed. Rio de .Janeiro, FEB, 1982. Item 16.
05. Op. cit., itens 16, 17.
06. Op. cit., item -17, pg. 93-94
COMPLEMENTARES
-
07. FRANCO, Divaldo Pereira. Considerando o arrependimento. In: As leis morais da vida. Pelo
Espirito Joana de Ângelis. Salvador, Alvorada, 1976. item 11, p. 38
08. VINÍCIUS. Perdão. In: Na seara do Mestre. 4ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 172 173
09. Op. cit., p. 174
.
10. XAVIER, Francisco Cândido. Efeito do perdão. In: Alma e coração. Pelo Espirito Emmanuel.
São Paulo, Pensamento, 1960. p. 41
11. Perdão na intimidade:. In: . Alma e coração. Pelo Espirito Emmanuel. São Paulo, Pensa-
mento, 7569. p. 57.
O ARREPENDIMENTO E O PERDÃO
"(...) Muito freqüentemente interpretamos o perdão como sendo simples ato de virtude e gene-
rosidade, em auxílio do ofensor, que passaria a contar com absoluta magnanimidade da viti-
ma(...).
Urge perceber, no entanto, que, quando conseguimos desculpar o erro ou provocação de
alguém contra nós, exoneramos o mal de qualquer compromisso para conosco, ao mesmo
tempo que nos desvencilhamos de todos os laços suscetíveis de apresar-nos a ele.(...)(10)
A mágoa retida e doença para o Espírito, que lhe coroe as forças físicas e envenena a alma. É
necessário, para a própria paz, ante quaisquer ofensas, perdoar sempre.
Evidentemente, não aquele perdão proveniente apenas dos lábios, a se traduzir por mera
fórmula social. O ato de perdoar deve ser um ato carregado de sentimento; deve ser puro, pois
que proveniente do coração.
sobretudo, uma forma de reconciliação. É necessário perdoar incessantemente, por isto Jesus
disse a Pedro (Mateus, 18:15, 21, 22) que não se deveria perdoar apenas sete vezes mas
setenta vezes sete vezes. ·
(...) Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramen-
te generosa, sem
pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do
adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter; a segunda, é a em que o
ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o
peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com
benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a toda gente: vede como sou genero-
so! Nessas circunstancias, é impossível uma reconciliação sincera de parte a parte. Não, não
há aí generosidade; há apenas uma forma de satisfazer ao orgulho, (...) (1)
No convívio familiar somos constantemente chamados a perdoar. Isto porque estamos diante
de antigos desafetos de outras experiências reencarnatórias, a se apresentarem hoje, sob a
forma de cônjuges, filhos ou familiares próximos. "(...) Precisamos muito mais de perdão,
dentro de casa, que na arena social, e muito mais de apoio reciproco no ambiente em que
somos chamados a servir, que nas avenidas rumorosas do mundo.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 55

Em auxílio a nós mesmos, todos necessitamos cultivar compreensão e apoio construtivo no


amparo sistemático a familiares e vizinhos, chefes e subalternos, clientes e associados, respei-
to constante à vida particular dos amigos íntimos, tolerância para os entes amados, com paci-
ência e olvido diante de quaisquer ofensas que assaltem os corações.(...)" (11)
Assim agindo,, teremos condições de entender o perdão de Deus para com todos nós.
"(. ..) Ele perdoa concedendo ao devedor ou culpado prazo ilimitado, e facultando-lhe meios e
possibilidades de resgatar o débito.
Ora, que maio, pode desejar um devedor honesto e probo ?
Seria, acaso , preferível que Deus dispensasse os devedores do pagamento de suas dividas ?
Certamente que não, por dois motivos, ponderáveis
Primeiro, porque é muito mais digno e nobre para o devedor, pagar o seu débito, do que eximir-
se desse dever por complacência, misericórdia ou compaixão do credor.(...) Outra razão não
menos, digna de nota é a seguinte: Na luta empregada para reparar a culpa cometida, o Espíri-
to desenvolve seus poderes de maneira que, no fim da refrega, se sente com suas faculdades
aumentadas e não raro desdobradas em novas capacidades.(...) (8)
Deus está sempre disposto a nos perdoar e, "(...) a sua maneira de perdoar consiste em con-
ceder prazo largo, e, ao mesmo tempo, proporcionar ao devedor todas as possibilidades e
meios de pagamento. (...)" (9)
Devemos, porem compreender que o perdão não é uma graça concedida por Deus. Há neces-
sidade de uma atitude sincera e efetiva de arrependimento com a conseqüente rogativa do
perdão.
O arrependimento é o reconhecimento verdadeiro pelo próprio infrator do mal ou erro cometido.
É a confissão íntima e constrita da violação das leis morais, revelando-se não só pela insatisfa-
ção do ato, como o empenho de repara-lo e não mais incidir no mesmo cometimento.
"O arrependimento sempre se manifesta na consciência em debito para com a vida.
A princípio, ei-lo como lembrança da falta cometida de que já se não supunha existir qualquer
sinal; posteriormente, a recordação do momento infeliz que se estabelece, mais tarde, a idéia
rediviva dominante e por fim a obsessão do remorso, avassaladora." (7)
"(...) O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si
só; são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e reparação constituem portanto, as três condições necessárias
para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos
da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode
anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anula-
ção.
O arrependimento pode dar-se por toda parte em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpa-
do sofre por mais tempo. (...)(5)
Respondem os Espíritos a Kardec (questão 991 de "O Livro dos Espíritos") que o efeito do
arrependimento é o de'(...) desejar o arrependido uma nova encarnação para se purificar. O
Espirito compreende as imperfeições que o privam de ser feliz e por isso aspira a uma nova
existência em que possa expiar suas faltas." (2)
A concessão renovadora para o infrator, traduzindo o perdão divino, somente se efetiva com a
aceitação da programação cármica pelo perdoado.
"(...) A expiação se cumpre durante a existência corporal, mediante as provas que o Espirito se
acha submetido e, na vida espiritual], pelos sofrimentos morais, inerentes ao estado de inferio-
ridade do Espírito." (3)
Após a expiação dos erros passados, vem finalmente, o resgate. "A reparação consiste em
fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara numa existência, os seus
erros por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as
mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de
modo a demonstrar-lhas reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.
(...) Praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se se
tem sido orgulhoso, amável se se foi austero, caridoso se se tem sido egoísta, benigno se se
tem sido perverso, laborioso se se tem sido ocioso, útil se se tem sido inútil, frugal se se tem
sido intemperante, trocando em suma, por bons os maus exemplos perpetrados. E desse modo
progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado."(6)
ANEXO
TEXTO PARA DISCUSSÃO CIRCULAR
l
Tivemos oportunidade de conhecer, num hospital da nossa cidade, uma criança de 8 a 10 anos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 56

de idade, portadora de uma seria doença deformante. Os seus membros eram todos retorcidos,
apresentava-se em magreza extrema, debilitada, e sentia dores atrozes, que não cessavam
mesmo após uso de analgésicos maIs potentes. Esta doença tivera início logo após o primeiro
ano de vida.
Devido ao longo aleitamento, trazia por todo corpo, feridas que lhe aumentava mais ainda o
sofrimento.
Esta criança despertava grande compaixão naqueles que a conheciam, porque, a despeito do
mal-estar que a doença provocava, era um menino de notável inteligência e demonstrava
extrema delicadeza de trato e uma candura de espírito fora do comum. Nunca alguém o viu em
desespero ou reclamando das dores. Demonstrava, a todos que o cercavam, grande resigna-
ção ante o mel que o acometera.
Após a sua desencarnação, ele se manifestou num grupo mediúnico, onde havia' pessoas que
o conheceram quando encarnado, e relatou as causas dos sofrimentos vividos.
Numa determinada existência terrestre, viera belo, rico, poderoso e bajulado. Tivera sob suas
ordens inúmeros serviçais, porém fora uma pessoa fútil e orgulhosa. Renegara a Deus e preju-
dicara bastante os seus semelhantes.
Quando no plano espiritual, após a desencarnação, conseguira perceber a enormidade dos
erros cometidos, envolveu-se em terríveis remorsos e sofreu muito. Retornou, duas vezes
sucessivas, ao plano físico para redimir e saldar suas dívidas para com a Lei.
Pela comunicação mediúnica dava para se perceber que, agora, se encontrava feliz, numa
situação espiritual boa, mostrando que as lições retiradas da experiência na carne evidenciam
sempre a manifestação da justiça divina. "
ROTEIRO PARA DISCUSSÃO
01. Onde, no trecho lido, se encontram os processos de arrependimento e expiação?
02. Que faltava ao personagem do fato para completar o ato de resgate das faltas perante a Lei
Divina?
03. E como poderia realiza-lo?
* Texto elaborado com base nas idéias contidas em:
KARDEC, Allan . Expiações terrestres In: _ . O céu e o inferno Trad. de Manuel Justiniano
Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 378-381
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 57

5ª Unidade
Pluralidade das existências

14 - Encarnação: união da alma ao corpo. Esquecimento do passado.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Definir qual o momento da união da alma com o corpo
Relatar em que condições se encontra o Espirito a partir do momento da concepção ate
o nascimento.
Identificar no esquecimento do passado a manifestação da misericórdia divina.
,
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A união (da alma com o corpo) começa na concepção, mas só se completa por ocasião
do nascimento (...)" (1)
"(...) A partir do instante da concepção, começa o Espirito a ser tomado de perturbação,
que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa
perturbação cresce de continuo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado e quase
idêntico ao de um Espirito encarnado durante o sono. (...)" (2) `
"(...) Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a
voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acres-
centemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente
nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos
efeitos para as relações sociais. (...)" (3)

FONTES DE CONSULTA.

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Bem~avent,rados os que são misericordiosos. O Evangelho Se-
gundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, item 4
02. Idem O Livro dos Espíritos605 Esr'~rito;. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de
Janeiro ,FEB, 1983, perg. 991
03. Op. cit. perg. 998
04. Idem . As penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O Céu e o Inferno. Trad. Manu-
el Justiniano Quintao. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 16
05. Op. cit., itens 16 -17.
06. Op. cit., item 17, pg. 93-9 l

COMPLEMENTARES
07. FRANCO, Divaldo Pereira. Considerando o arrependimento. In: ~ As leis morais da
vida. Pelo espírito Joana de Ângelis . Salvador, Alvorada, 1976, item 11, pg. 38
08. VINICIUS. Perdão. In: . Na seara do Mestre. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. Pg.
172-173
09. Op. cit., p. 174
10. XAVIER, Francisco Cândido. Efeito do perdão. In: Alma e coração. Pelo Espírito
Emmanuel. São Paulo, Pensamento, 1969. p. 41
11. Perdão na intimidade. In: Alma e coração. Pelo Espirito Emanuel. São Paulo, Pen-
samento, 1969, p. 57.

FONTES DE CONSULTA.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 58

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro.57. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1983. Perg. 121.
02. Op. cit., perg. 344
03. Op. cit., perg. 351
04. Op. cit., perg. 394.
.
COMPLEMENTARES
05. DENIS, Léon.Reencarnação. In: .Depois da morte. Trad. de João Lourenço de Sou-
za. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB; l978. p. 247.
06. . As vidas sucessivas. As crianças prodígios e a hereditariedade de. In: O problema
do ser. do destino e da dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 185.
07. XAVIER, Francisco Cândidos Reencarnação. In: . Missionários da luz. Ditado pelo
Espírito André Luiz. 14. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 206.
08. Op. cit., p. 207.

Deus criou os Espíritos "(...) simples e ignorantes, isto e, tendo tanta aptidão para o bem
quanto para o mal (...)" (1) O destino de todos é a perfeição espiritual e, para atingi-lo
devem passar por experiências e adquirir conhecimentos, fortalecendo-se no exercício
do bem e desenvolvendo em si o amor sublime.
A vida na matéria propicia o aperfeiçoamento do Espírito. Ao assumir um corpo, ou
seja, ao encarnar, os Espíritos são submetidos a situações e provas necessárias ao seu
adiantamento moral. Quando erram e não atingem os objetivos propostos em determi-
nada encarnação, voltam a sofrer as vicissitudes da vida corporal, reencarnando em
tarefa expiatória. A vida na matéria possibilita, ainda, a cooperação de cada Espirito
com a Obra Divina, no mundo em que habita.
Como todos os fenômenos da vida, a encarnação está sujeita a leis imutáveis. Os pro-
cessos de encarnação, embora obedecendo aos princípios gerais estabelecidos pelas leis
divinas, variam de caso para caso.
A união da alma ao corpo é planejada previamente, tendo como principal determinante,
no nosso Orbe, as provas ou expiações pelas quais o Espirito deverá passar, com o
objetivo de sua redenção. O encarnante poderá cooperar ou trabalhar ativamente nesse
planejamento. De acordo com o grau evolutivo em que se encontre, o Espirito poderá
facilitar ou dificultar o processo do renascimento. Os que se detém no desamor e no
desequilíbrio reclamam cooperação muito maior dos benfeitores que se encarregam das
tarefes de renascimento. Os Espíritos rebeldes ou indiferentes tem sua encarnação com-
pletamente a cargo dos trabalhadores divinos, que escolhem as condições sob as quais
deverão renascer e as experiências a que deverão se submeter. "(...) A maioria dos que
retornam a existência corporal na esfera do Globo é magnetizada pelos benfeitores
espirituais, que lhe organizam novas tarefas redentoras (...)" (7) Muitos encarnam em
estado de inconsciência.
Os processos de encarnação são operações graduais: `iniciam-se na concepção e se
completam no nascimento. A união da alma com o corpo efetua-se por meio do perispí-
rito, envoltório fluídico, que servirá de ligação entre o Espirito e a matéria. Em meca-
nismo extremamente variado e complexo, quer pela ação do próprio reencarnante, quer
pela ação dos benfeitores espirituais, o perispírito é reduzido, condensado e se assimila
as moléculas materiais.
O perispírito torna-se um molde fluídico que age sobre o corpo em formação, juntamen-
te com as condicionantes hereditárias, a influência mental materna e a atuação dos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 59

benfeitores que colaboram no processo reencarnatório. ''(...) A modelagem fetal e o


desenvolvimento do embrião obedecem a leis físicas naturais, qual ocorre na organiza-
ção de formas em outros reinos da Natureza, mas, em todos esses fenômenos, os ascen-
dentes e cooperação espiritual coexistem com as leis, de acordo com os planos e evolu-
ção ou resgate (...)" (8). Pelas necessidades de expiação ou de provas, o corpo em for-
mação poderá apresentar deficiências ou qualidades, que se constituirão em oportunida-
des de redenção ou reequilibro.
No período que se estende da concepção ao nascimento o estado do encarnante asseme-
lha-se ao do Espirito encarnado durante o sono. Os Espíritos mais evoluídos gozam de
maior liberdade. Contudo, desde o momento da concepção, o Espirito sente as conse-
qüências de sua nova condição. Começa a se sentir perturbado. Uma espécie de torpor,
agonia e abatimento o envolvam gradualmente, intensificando-se ate o termino da vida
intra-uteina. "( . ) Suas faculdades vão-se velando uma após outra, a memória desapare-
ce, a consciência fica adormecida, e o Espirito como que e sepultado em opressiva
crisálida." (7). Esse fenômeno se deve a constrição do perispírito e a sua limitação pelo
corpo, que fazem com que a existência o Plano Espiritual e a consciência das vidas
pregressas volvam ao inconsciente.
O esquecimento do passado não é absoluto. Durante o sono, libertado parcialmente dos
laços corporais, o Espírito pode ter a consciência do pretérito. Em muitas pessoas o
passado manifesta-se sob a forma de impressões e em algumas poucas sob a forma de
recordações, umas nítidas, outras vagas e imprecisas. As reminiscências do passado
podem manifestar-se com tendências instintivas, simpatias inexplicáveis e súbitas,
ideias inatas, etc. Isso acontece pelo fato de que "(...) o movimento vibratório do peris-
piritual, amortecido pela matéria no decurso da vida atual, é excessivamente fraco para
que o grau de intensidade e a duração necessária à renovação dessas recordações pos-
sam ser obtidas durante a vigília (...)" (6)
A oclusão da memória espiritual também não é definitiva. Com a desencarnação, liberto
das contingências materiais, o Espirito poderá retomar a consciência de seu passado.
Esse mecanismo, que faz com que o homem possa esquecer suas experiências anteriores
ao nascimento, e prova irrefutável da Sabedoria Divina. O conhecimento total da vida
passada, em outras encarnações e no Plano Espiritual, apresentaria grandes inconvenien-
tes para a reeducação dos indivíduos e para o progresso da Humanidade. Implicaria em
maiores dificuldades ao Espirito na tarefa de transformação de sua herança mental e
talvez no prolongamento, através dos séculos, de idéias falsas, teorias errôneas e pre-
conceitos, que geralmente são tanto mais ativos quanto mais presentes na memória do
ser.
Na sua vida de relações, o homem teria de conviver com antigos adversários, com o
objetivo da reconciliação. Se os reconhecesse, encontraria dificuldades para estabelecer
os vínculos afetivos necessários ao entendimento mutuo. Na qualidade de ofensor pode-
ria se sentir humilhado e, na qualidade de ofendido, magoado ou irado.
Por outro lado, o conhecimento de um passado faustoso poderia avivar o orgulho huma-
no, enquanto que um passado de miséria ou de erros terríveis, poderia causar desneces-
sária humilhação e talvez o remorso viesse a paralisar todas as iniciativas no bem.
Para que o homem progrida espiritualmente e cumpra o programa de trabalho que as-
sumiu ao renascer no corpo físico, não é necessária a lembrança das experiências anteri-
ores. Na forma de intuições e impressões, o Espirito encarnado tem por advertência, a
não reincidir no erro, as lições do passado, impressas na própria consciência, bem como
as bons resoluções que tomou no sentido de sua melhoria interior
As tendências instintivas e, em alguns casos, o tipo de vicissitudes e provas que sofre
também podem esclarecer o homem sobre seu passado e sobre a natureza dos esforços
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 60

que tem de envidar para sua evolução. A observação de suas más inclinações e das
dificuldades por que passa permitirá que saiba o que foi, o que fez e o que necessitará
fazer para se corrigir.

ANEXO
ROTEIRO PARA O ESTUDO EM GRUPO
APÓS A LEITURA REFLEXIVA DA SÍNTESE DO ASSUNTO, RESPONDA AS
SEGUINTES QUESTÕES:
01. A vida na matéria propicia o aperfeiçoamento do espírito através das provas neces-
sárias ao seu adiantamento moral

Exemplifique em que situação um Espírito poderá não se adiantar moralmente (manten-


do-se estacionário) apesar de ser submetido à provas expiatórias.

02. Segundo o Código Penal Brasileiro e a medicina oficial, aborto e considerado crime
a partir do segundo ou terceiro mês de gestação, conforme o caso. ;

Qual a posição do Espiritismo a este respeito? Justifique a resposta.

03. A união da alma com o corpo efetua-se por meio do envoltório fluídico e semi-
material, o perispírito, o qual servirá de ligação entre o Espirito e a matéria. Pela ação
dos benfeitores espirituais e do Espírito reencarnante o perispírito é reduzido, condensa-
do e se assimila às moléculas materiais.
Com base no texto lido, relate em que condições se encontra o Espirito entre o momento
da concepção e o nascimento.

04. 0 esquecimento do passado não e absoluto. Em algumas pessoas as reminiscências


se avivam através do desligamento parcial pelo sono ou pelas manifestações das tendên-
cias instintivas. A recordação de existências pretéritas poderia apresentar grandes in-
convenientes para a reeducação dos indivíduos e para o progresso da Humanidade.

De que maneira o esquecimento do passado representaria a manifestação da misericór-


dia divina?

15 - Objetivos da reencarnação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Identificar na reencarnação a manifestação da justiça divina.
Citar alguns fatos que comprovem experimentalmente a reencarnação.
Relatar os benefícios da idéia reencarnacionista para a humanidade. ~
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcança-la,
proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça' porem lhes concede realizar,
em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova. (...)" (1)
.
A doutrina da reencarnação é "(...) a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas espe-
ranças, pois que oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A
razão no-la indica e os Espíritos a ensinam. (...)'' (1)
.
Vários são os fatos que comprovam a reencarnação: as comunicações mediúnicas, as experi-
ências de regressão de memória e a manifestação das personalidades múltiplas, verificáveis
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 61

através de documentos (históricos, bíblicos, científicos).


FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983. Perg. 171.
COMPLEMENTARES
02. DENIS, Léon. A lei dos destinos. In: _ . O problema do ser. do destino e da dor. 11. ed. Rio
de Janeiro, FEB, 1979. p. 299. -
03. Idem - As vidas sucessivas. Provas históricas. In: O problema do Ser. do destino e da dor.
11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, ~.
04. Op. cit., p. 269.
05. XAVIER, Francisco Cândido. Reencarnação. In: Missionários da luz. Ditado pelo Espirito
André Luiz. 14. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 223.
06. . Reencarnação. In: . Religião dos Espíritos. pelo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1978, p.61.
OBJETIVOS DA REENCARNAÇÃO
A reencarnação revela a Justiça divina porque não permite que sejamos condenados eterna-
mente por erros que a ignorância nos fez cometer. Abre-lhes, Deus, ao contrario, uma porta
para o arrependimento.
Haveria grande injustiça, daquele que é o nosso Pai e Criador, se não nos desse chances de
reparar as faltas cometidas muitas vezes em momentos impensados, frutos da nossa cegueira
e imperfeição espiritual.
( .,, ) Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre os egoístas se encontram a Iniqüida-
de, o ódio implacável e os castigos sem remissão."
Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus Ihes faculta os meios de alcançá-la, pro-
porcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua Justiça, porém, Ihes concede realizar, em
novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.
Não obraria Deus com equidade nem de acordo com a sua bondade, se condenasse para
sempre os que talvez hajam encontrado, oriundos do próprio meio onde foram colocados e
alheios à vontade que os animava, obstáculos ao seu melhoramento. (...) ( 1 )
A razão rejeita a unicidade da existência humana porque vai contra a justiça bondade e sabe-
doria de Deus. Ao contrário, a idéia reencarnacionista, isto é, a que consiste em admitir para o
Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia que formamos da
justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral interior; a única que
pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resga-
tarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.
(...)" (1)
Alem do mais, a doutrina da reencarnação é enormemente consoladora, pois faz com que o
homem veja em seu Criador, não um Deus vingador e parcial, mas um Pai amigo e justo. A
criatura se envolve em esperanças de viver dias futuros de felicidade, após a quitação das
dívidas contraídas perante a Bondade Suprema.
Não obstante o renascimento físico ser um recurso sublime que auxilia a evolução do homem,
"reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expres-
sa punição.
Suor na oficina é acesso a competência.
Esforço na escola e aquisição de cultura.(...)" (6)
" (...) Ao renascermos na Crosta do Mundo, recebemos com o corpo uma herança sagrada,
cujos valores precisamos preservar, aperfeiçoando-o. As forças físicas devem evoluir como as
nossas almas. Se nos oferecem o vaso de serviço para novas experiências de elevação, de-
vemos retribuir, com o nosso esforço, auxiliado-as com a luz de nosso respeito e equilíbrio
espiritual , no campo de trabalho e educação orgânica. O homem do ,futuro compreenderá que
as suas células não representam apenas segmentos de carne, mas companheiras de evolução,
credoras de seu reconhecimento e auxilio efetivo . (...) " ( 5 )
A crença nas vidas sucessivas, não é coisa nova, criada pela Doutrina Espírita."(...) Esta dou-
trina domina toda a antigüidade. Vamos encontrá-la no âmago das grandes regiões do Oriente
e nas obras filosóficas mais puras e elevadas. Guiou na sua marcha as civilizações do passado
e perpetuou-se de idade em idade.(...)
Oriunda da Índia, espalhou-se pelo mundo. Muito antes de terem aparecido os grandes revela-
dores dos tempos históricos, era ela formulada nos Vedas e notadamente no "Bhagava Gita". O
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 62

Bramanismo e o Budismo nela se inspiraram (...)" (3).


"(...) O Egito e a Grécia adotaram a mesma doutrina. A sombra de um simbolismo mais ou
menos obscuro, esconde-se por parte a universal palingenesia (...)" doutrina reencarnacionista
. (4)
A reencarnação foi provada através de experiências realizadas por eminentes sábios e pesqui-
sadores de renome.
Citaremos, a seguir, alguns fatos extraídos de diversas obras.
No livro "O Fenômeno Espírita", Gabriel Dellane, entre outras, relata no capítulo 2, a manifesta-
ção do Espírito Abraham Florentino ocorrida numa sessão mediúnica organizada pelo professor
Stainton Moses, da universidade de Oxford. O referido Espírito não só provou sua existência e
sobrevivência após a morte, como citou o local (Nova Yorque), a data (5 de agosto de 1874), a
idade (83 anos, 1 mês e 17 dias) da desencarnação e sua participação na guerra de 1812.
Feita uma pesquisa no quartel-general do estado de Nova Iorque, comprovou-se a veracidade
das afirmações do Espirito.
No capítulo 4 da obra citada, destacam -se as experiências realizadas pelo famoso sábio inglês
William Crookes: as materializações espirituais, ocorridas através da médium Florence Cook ,
permitindo a materialização do Espírito Kate King, são, particularmente, extraordinários. Este
espírito mostrou-se, ao longo de três anos, aos olhos dos encarnados e se submeteu a discipli-
nadas experiências do professor, como instrumento do Plano Elevado, numa missão importan-
tíssima de provar a imortalidade da alma e a doutrina das vidas sucessivas.
A recordação de existências passadas têm-se mostrado um meio, senão o melhor, pelo menos
um dos mais completos, para provar a reencarnação. Léon Denis, na obra "O problema do Ser,
do destino e da dor", capitulo 14, 2a parte, nos transmite as experiências de regressão da
memória, ocorridas sob efeitos hipnóticos ou através de estados mórbidos, como por exemplo
nas doenças. Neste livro, há o relato de um caso feito por Dr. Henri Frieborn - e publicado na
famosa revista medica inglesa "Lancêt'' , onde uma mulher de 70 anos de idade, gravemente
enferma por uma bronquite, entra num estado de delírio e alem de falar numa língua desco-
nhecida (indostânica), recita versos de uma antiga cantiga hindu para adormecer crianças,
revelando, assim, existência anterior na Índia.
Muito interessante, no entanto, e a experiência narrada no Congresso Espirita de Paris, em
l900, por experimentadores espanhóis e também constante na obra anteriormente citada:
Fernandes Colavida, presidente do Grupo de Estudos Psíquicos de Barcelona, magnetiza um
determinado médium, o qual, alem de regredir ã juventude e infância, conta como foi sua vida
no Espaço e sua morte, na ultima reencarnação. Neste estado consegue regredir quatro en-
carnações anteriores.
O Espiritismo mantém, nos seus -arquivos, um numero surpreendente de fatos que comprovam
experimentalmente a reencarnação. Recomendamos a leitura das seguintes obras, alem das
citadas: A Reencarnação e suas provas de Carlos Imbassahy e Flãrio Cavalcante de Melo,
publicada pelo Livraria da Federação Espirita do Paraná; " 20 casos sugestivos de reencarna-
ção", de Ian Stevenson, publicada pela Editora Difusora Cultural, São Paulo, l970 e Reencar-
nação Imortalidade ", de Hermínio Miranda, FEB, 1976.
A teoria reencarnacionista, comprovada experimentalmente, só tem trazido benefícios para
todos aqueles que a aceitam.
(...) A alma vê claramente seu destino, que é a ascensão para a mais alta sabedoria, para a luz
mais viva. A equidade governa o mundo; nossa felicidade está em nossas mãos; deixa de
haver falhas no Universo, sendo o seu alvo a Beleza, seus meios a justiça e o amor. Dissipa-
se, portanto, todo temor quimérico, todo o terror do Alem. Em vez de recear o futuro, o homem
saboreia a alegria das certezas eternas. Confiado no dia seguinte, multíplicam-se-lhe as forças;
seu esforço para o bem será centuplicado. (...)" (2)
ANEXO
ROTEIRO PARA O TRABALHO EM GRUPO
01. A razão rejeita a unicidade da existência humana, por que vai contra a justiça, bondade e
sabedoria de Deus. Ao contrário, o ensino reencarnacionista e o único que corresponde a idéia
de justiça de Deus para com os homens, que se acham em condição moral inferior.
COM BASE NAS AFIRMAÇÕES ACIMA, E NA LEITURA DA SÍNTESE, IDENTIFIQUE O QUE
A REENCARNAÇÃO EVIDENCIA COM TODA A PROPRIEDADE,
02. As da comunicações mediúnicas, os fenômenos de regressão memória e a manifestação
das personalidades múltiplas comprovam experimentalmente a teoria reencarnacionista.
QUE OUTRO MOTIVO (E INDEPENDENTE DOS FATOS COMPROBATÓRIOS) PODERIA
NOS PROVAR A REENCARNAÇÃO?
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 63

03. A crença nas vidas sucessivas, não e coisa nova, criada pela Doutrina Espirita. Esta doutri-
na tem origem na mais remota antigüidade, principalmente entre os povos do Oriente.
Hoje toma o Ocidente, graças a Doutrina Espírita que a tem como um dos seus princípios
básicos.
CONSIDERANDO SUA LONGA TRAJETÓRIA, ASSINALE QUAIS OS BENEFÍCIOS QUE A
TEORIA REENCARNACIONISTA TROUXE E TRARÁ AINDA PARA A HUMANIDADE.

16 - Justiça e necessidade da reencarnação.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Estabelecer diferença entre ressurreição e reencarnação.
Comentar o diálogo ocorrido entre Jesus e Nicodemos (João, 3: 1-12).
Citar as características das encarnações nos mundos superiores e inferiores.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) A ressurreição da idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demos-
tra ser materialmente impossível(...). A reencarnação é a volta da alma ou Espirito à vida corpó-
rea, mas em outro corpo formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. (...)" (3)
"(...) Sob o nome de ressurreição, o principio da reencarnação era ponto de uma das crenças
fundamentais dos judeus , ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde
se segue que negar a reencarnação e negar as palavras do Cristo ( ..)" (4)
A encarnação nos diferentes mundos do universo guarda relação com o grau evolutivo de tais
mundos. No entanto, "a bem dizer, a encarnação carece de limites precisa mente traçados, se
tivermos em vista apenas o envoltório que constitui o corpo do Espírito, dado que a materiali-
dade desse envoltório diminui a proporção que o Espirito purifica. Em certos mundos mais
adiantados do que a Terra, já ele e menos compacto, menos pesado e menos grosseiro e, por
conseguinte, menos sujeito a vicissitudes. (...)" (5)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983. Perg. 172.
02. Op. cit., perg. 182.
03. . Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo. In: O Evangelho Segundo o
Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 4.
04. Op. cit., item 16.
05. Op. cit., item 24.
COMPLEMENTARES
06. DENIS, Léon. As vidas sucessivas. A reencarnação e suas leis. In: O problema do ser. do
destino e da dor. 11.- ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p 163.
07. Op. cit., p. 165.
08. Op. cit., p. 166.
09. Op. cit., p. 167
"A alma, depois de residir temporariamente no Espaço, renasce na condição humana, trazendo
consigo a herança, boa ou má, do seu passado; (...) reaparece na cena terrestre para (...)
pagar as dívidas que contraiu, conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a ascen-
são, acelerar a marcha para a frente.
A lei dos renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade. (6)
Não se pode compreender que o Espírito , -destinado à perfeição, consiga realizar toda sorte
de progresso numa só existência física. Os próprios fatos do dia-a-dia rejeitam tal idéia.
"(...) Devamos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária de sua educação e
seus progressos. É à custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela
se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau em degrau,(...)"
caminho das inúmeras habitações do Universo.
(...) Cada um leva para a outra vida e traz, ao nascer, a semente do passado, (...)" (7) Somos
hoje, o resultado das experiências vividas no passado, como seremos amanhã, o produto das
nossa ações de boje.
"(...) Nem todas as almas tem a mesma idade, nem todas subiram com o mesmo passo seus
estados evolutivos. Umas percorreram ma carreira imensa e aproximaram-se já do apogeu dos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 64

progressos terrestres; outras mal começam o seu ciclo de evolução no seio das humanidades.
Estas são as almas jovens, emanadas há menos tempo do Foco Eterno. (...) Chegadas à
humanidade, tomarão lugar entre os povos selvagens ou entre as raças bárbaras que povoam
os continentes atrasados, as regiões deserdadas do Globo. E. quando, afinal, penetram em
nossas civilizações ainda facilmente se deixam reconhecer péla falta de desembaraço, de jeito,
pela sua incapacidade para todas as coisas e, principalmente, pelas suas paixões violentas.
(...),'(87
"(...) Assim, no encadeamento das nossas estações terrestres, continua e completa-se a obra
grandiosa de nossa educação, o moroso edificar de nossa individualidade de mossa personali-
dade moral. ~ por essa razão que a alma tem de encarnar sucessivamente nos meios mais
diversos, em todas as condições sociais;" (9) e passando alternadamente pelas vidas de po-
breza ou riqueza, pelas experiências de renuncias e de trabalho, que irá compreendendo a
transitoriedade dos bens materiais e desenvolvendo valores espirituais superiores. "(...) São
necessárias as existências de estudo, as missões de dedicação, de caridade, por via das quais
se ilustra a inteligência e o coração se enriquece com a aquisição de novas qualidades; virão
depois as vidas de sacrifício pela família, pela pátria, pela Humanidade.(...)" (9) Ocorrerão por
certo, existências onde o orgulho e o egoísmo serão abafados através das provas dolorosas de
resgate do passado de erros.
Assim se define, pois, a pluralidade das existências, ou reencarnação ou palingenesia :É uma
lei natural, necessária ao aperfeiçoamento humano.
"A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os sadu-
ceus (seita judia, formada por volta do ano 248 A.C., cujo fundador foi Sadoc , cuja crença era
a de que tudo acaba com a mor te, não acreditavam nisso.(...)" (3)
Os judeus não tinham idéias precisas a respeito do mecanismo da ligação da alma ao corpo e
mesmo sobre a imortalidade do Espírito.
" ( . . . ) Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de
que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo,
mais judiciosamente chama de reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à
vida o corpo que já esta morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível,
sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e
absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou espírito à vida corpórea, mas em outro corpo
especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurrei-
ção podia assim apllcar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas.
''A idéia de que João Batista era o Espirito de Elias reencarnado, tornou-se tão firme nos discí-
pulos de Jesus, que não admitiam absolutamente duvida a respeito. E é de notar que o Senhor
não dissuadiu seus discípulos desse pensamento; ao contrário' confirmou-o, categoricamente:
"Se vós quereis compreender João Batista é o Elias que há de vir" (Mateus ll, 14 e 15)' (10)
Quando Jesus disse a Nicodemos: "Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o
reino de Deus se não nascer de novo" e ante a estranheza do senador dos judeus de como tal
situação poderia ocorrer, Jesus replicou como que surpreendido:" Como pode isso fazer-se?
Pois que' es mestre em Israel e ignoras estas coisas? Digo-te em verdade, que não dizemos
senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto,
não aceitas o nosso testemunho -- Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da
Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu ? (João, 3: 1 a 12), quis mostrar
que a crença na reencarnação é um ensinamento obvio, natural, inerente ã evolução do próprio
homem.
Jesus ensinou a Doutrina das vidas sucessivas a Nicodemos, pregando-a a toda a Humanida-
de, porque somente através da reencarnação, o homem sabe quem e, donde veio e para onde
vai.
"Não há, pois, duvidas de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era
ponto de umas das crenças fundamenteis dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirma-
ram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo.
(...)" (4)
Não encarnamos e reencarnamos apenas no planeta Terra; "não; vivemo-las em diferentes
mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as ultimas; são, porem, das mais
materiais e das mais distantes da perfeição."(4)
" A bem dizer, a encarnação carece de limites precisamente traçados, se tivéssemos em vista
apenas o envoltório que constitui o corpo do Espírito, dado que a materialidade desse envoltó-
rio diminui à proporção que o Espírito se purifica. Em certos mundos mais adiantados do que a
Terra, já ele é menos compacto, menos pesado e menos grosseiro e , por conseguinte, menos
sujeito a vicissitudes. Em grau mais elevado, é diáfano e quase fluídico. Vai desmaterializando-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 65

se de grau em grau e acaba por se confundir com o perispírito. (...)(5)


A constituição do perispírito está em função da natureza de cada mundo.
"(...) O próprio perispírito passa por transformações sucessivas. Torna-se cada vez mais eté-
reo, até ã depuração completa, que e a condição dos puros Espíritos.(...)"
A encarnação, tal como ocorre na terra é a mesma que se observa nos mundos inferiores. Nos
mundos superiores, onde só imperam o sentimento de fraternidade e estando os seus habitan-
tes livres das paixões grosseiras que ocorrem em mundos atrasados, os Espíritos gozam de
uma encarnação bem mais feliz e nenhum temor têm da morte.
"(...) A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de
superioridade física e moral de cada um, o que e perfeitamente racional. Quanto menos mate-
rial o corpo, menos sujeito as vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espirito,
menos paixões a dominá-lo. É essa uma graça da Providencia, que desse modo abrevia os
sofrimentos." (2)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 66

6ª Unidade
Pluralidade dos mundos habitados

17 - Diferentes categorias de mundos habitados.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Interpretar o significado da expressão evangélica: "Há muitas moradas na Casa do Pai". (João,
14: 1 a 3)
Citar as diferentes categorias de mundos habitados, caracterizando-os.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A Casa do Pai é O Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço,
infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adianta-
mento dos mesmos Espíritos.(...)" (1)
"Do ensino dado pelos Espíritos. Resulta que muito diferentes uma das outras são as condi-
ções dos mundos, quanto ao grau d adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes.
Entre eles há os que estes últimos são inferiores aos da Terra, física e moralmente; da mesma
categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos,
(...)(2)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS.
01. KARDEC, Allan. HÁ muitas Moradas na casa do Pai. In: . O Evangelho Segundo o Espiri-
tismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 2.
02. Op. cit., item 3.
03. Op. cit., item 4.
04. Id - em O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.
perg. 55.
COMPLEMENTARES
05. CALLIGARIS, Rodolfo. Na casa de meu Pai há muitas moradas. In: Páginas de Espiritismo
Cristão. 2. ed., Rio de Janeiro, FEB,
06. Op. cit., p.17
07. Op. cit., p.18, 19.
A Doutrina Espírita ensina que todos os globos do Universo são habitados, apesar da não
comprovação da Ciência Oficial.
(...)Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo
final da Providência Acreditar que só os haja no planeta que habitamos tora duvidar. da sabe-
doria de Deus, que não fez coisa alguma Inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma
desatinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Alias, nada há, nem na posição,
nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir suposição de que ela
goze do privilégio de ser habitada. com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos
semelhantes. (4 )
Quando Jesus disse: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Há muitas moradas na casa de meu Pai ; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou
para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, volta-
rei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós ai estejais" (João, 14: 1
a 3), estava nos ensinando o princípio da pluralidade das existências, de uma maneira cristali-
na, para não deixar dúvidas.
"(...) A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espa-
ço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adian-
tamento dos mesmos Espíritos. (...)" (1)
Em função disto, diversa é a constituição física de cada mundo e, consequentemente, dos seus
habitantes. Cada mundo oferece aos seus habitantes condições adequadas e próprias a vida
planetar. As necessidades vitais num planeta poderão não ser as mesmas, e ate opostas
noutro.
"O mundo que habitamos faz parte de um séquito de planetas e asteróides que acompanham o
sol em sua viagem pela vastidão incomensurável do espaço.(...)" (5) Mesmo assim, as distan-
cias entre estes planetas, que formam o nosso sistema planetário, são imensas. Para se ter
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 67

idéia, enquanto a Terra gesta aproximadamente 365 dias para promover uma volta ao redor do
sol, existem planetas que gastam para completar uma -revolução ao redor do sol entre 88 dias
e 25 anos terrestres. (5)
"Nosso sistema planetário, todavia, não ocupa senão um ponto ínfimo no universo. Haja visto
que ele pertence a um agrupamento estelar, ou galáxia, chamada Via-Láctea, onde existem
mais ou menos 40 bilhões de estrelas, algumas das quais tão grandes, mas tão grandes, que
uma só toma espaço igual ao ocupado pelo sol e quase todos os planetas que este arrasta
consigo. (...)"(6) Vale a pena considerar que o nosso sistema planetário não é somente um
ponto pequeníssimo na Via Láctea mas está colocado quase no seu final. Uma das galáxias
mais próxima, da Terra é "(...) denominada Nebulosa de Andrômeda, dista do nosso sistema
solar cerca de 680 mil anos-luz.(...).
Ora, se o universo tem tais dimensões e se o numero de planetas que nele existe deve contar-
se pela ordem de trilhões ou mais, não constitui uma ingenuidade, ou pior, uma falta de inteli-
gência, supor que apenas a Terra seja habitada por seres racionais ?
Teria Deus criado tudo isto, apenas para recrear a vista dos terrícolas ?
Claro que não, pois Deus nada faz sem um fim útil.
Os mundos que gravitam no espaço infinito, tal o ensino do Espiritismo, são as diferentes
moradas da casa do Pai celestial (João, 14:2), onde outras Humanidades, em vários graus de
adianta. mento, encontram habitação adequada ao seu avanço . ( .,, ) " ( 7 )
Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições
dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre
eles há os que são inferiores a Terra, física e moralmente; outros. da mesma categoria que o
nosso e outros que Ihe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos
inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida
moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influencia da matéria, de tal maneira que,
nos mundos mala adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.
Evidentemente que não podemos fazer uma classificação absoluta das categorias dos mundos
habitados mas Kardec nos oferece uma que nos permite uma visão geral sobre o assunto:
"(,..) Mundos primitivos, destinados as primeiras encarnações da alma humana; mundos de
expiação e provas; onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda
tem o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos ditosos, onde
o bem sobrepuja o mal, mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde
exclusivamente reina o bem. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas,
razão por que ai vive o homem a braços com tantas misérias."(3)
"(...) Mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana, a vida, toda
material, se limita à luta pela subsistência, o senso moral é quase nulo e, por isso mesmo, as
paixões reinam soberanamente.
Nos mundos intermediários, seus habitantes caracterizam-se por uma mescla de virtudes e de
defeitos, e dai a alternância de mementos alegres e felizes com horas de amargura e de sofri-
mento.
Já noa mundos superiores, o bem sobrepuja o mal, e, nos mundos celestes ou divinos, morada
de Espíritos depurados, a felicidade é completa, de vez que todos hão alcançado o cume da
sabedoria e da bondade" (7)
ANEXO
ESTUDO DIRIGIDO
APÓS A LEITURA REFLEXIVA DA SÍNTESE DE .ASSUNTO, FAÇA 0 QUE SE PEDE (VOLTE
A CONSULTAR A SÍNTESE SE JULGAR NECESSÁRIO)
I - ASSINALE A ASSERTIVA VERDADEIRA:
01. A Ciência Oficial vê na pluralidade dos mundos habitados uma:
( ) Hipótese com fundamentos teóricos e já comprovados.
( ) Hipótese não comprovada experimentalmente.
( ) Hipótese comprovada experimentalmente.
( ) Hipótese sem fundamentos teóricos.
( ) Hipótese cuja comprovação não está a cargo da Ciência atual
( ) Todas as assertivas são falsas
02. A crença na pluralidade dos mundos habitados e um princípio básico da Doutrina Espírita
fundamentada nos ensinamentos:
( ) De Moisés.
( ) De Allan Kardec.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 68

() Dos Espíritos.
() De Jesus.
() Do Consolador Prometido.
() Todas as assertivas são verdadeiras.
03. O Sistema Solar, do qual a Terra faz parte, e constituído de asteróides, 09 planetas (*) uma
estrela de 5ª grandeza _ o sol , de onde se recebe luz e calor, e está situado na via-láctea. Em
função disto:
( ) bem provável que haja vida nos planetas vizinhos ao nosso.
( ) pouco provável que não haja vida nos planetas do Sistema Solar.
( ) Havendo vida na Terra e nos demais planetas do Sistema Solar, e provável que haja vida
nos diversos Sistemas
( ) Todas as alternativas estão corretas.
( ) Só a primeira assertiva e verdadeira.
04. O nosso planeta e um mundo:
( ) Destinado as primeiras encarnações humanas.
( ) A caminho da categoria de regeneração.
( ) Onde o bem e o mal estão em pé de igualdade.
( ) Somente as duas primeiras assertivas estão corretas.
( ) Somente a 2ª e 3ª. assertivas estão corretas.
Ver "Astronomia e Astronáutica" de Ronaldo R. F. Mourão (Rio , 1978, Livraria Francisco Alves
Editora, 1a. edição), pp. 104 -106, artigo "O décimo planeta é apenas um astro, e muito peque-
no"
I I - RESPONDA:
01. Ante os ensinamentos espíritas, o que Jesus quis dizer com: "Na casa do Pai há muitas
moradas''?
02. Citar as diferentes categorias de Mundos habitados, descrevendo-os:
03. Por que as condições físicas e morais dos seres que habitam os diferentes mundos não
são as mesmas
04. Qual terá sido a finalidade maior de Deus ao ter criado incontáveis mundos e formas de
vidas no Universo?
Ill - ENUMERE A COLUNA DA DIREITA, DE ACORDO COM A DA ESQUERDA:

1 Mundos Primitivos ( ) Mundos onde o bem sobrepuja o mel.

Mundos nos quais as almas, que ainda


2 Mundos ditosos ( )
tem o que expiar, haurem novas forcas.

3 Mundos de expiações e provas ( ) Mundos intermediários

4 Mundos de regeneração ( ) Mundos superiores ou ditosos.

5 Mundos celestes ou divinos ( ) Mundos primitivos .

Mundos onde as paixões reinam sobera- Destinados as primeiras encarnações


6 ( )
nas da alma humana.

Mundos onde há uma mescla de defeitos e


7 ( ) Habitações de Espíritos depurados.
virtudes

Mundos onde domina o mal. É a cate-


8 Mundos onde o bem sobrepuja o mal . ( )
goria a que pertence a Terra.

Gabarito.
I - 1b, 2d, 3d , 4b
II -
01- Enunciou o princípio da pluralidade dos mundos habitados. "Muitas moradas" são
as diferentes categorias de mundos habitados . "Casa do Pai" e o Universo.
02. Mundos primitivos: Destinados as primeiras encarnações humanas.
Mundos de Expiação e provas: Onde domina o mal
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 69

Mundos de Regeneração: Nos quais as almas, que ainda têm o que expiar, haurem
novas forças, repousando das fadigas da luta.
Mundos Ditosos: Onde o bem sobrepuja o mal .
Mundos Celestes ou divinos: habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente
reina o bem.
03. As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão cie
ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver " (L.E. pergunta 58) .
04 Para o objetivo final da Providencia Divina.
III - 2, 4, 7, 8, 6, 1, 5, 3

18 - Mundos transitórios.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Conceituar mundos transitórios.
Esclarecer a finalidade da existência de mundos transitórios.
Estabelecer a diferença entre colônias espirituais e mundos transitórios.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) HÁ mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos dos que lhes podem
servir de habitação temporária (...). São, entre os outros mundos, posições intermediárias,
graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a eles podem ter acesso e onde eles
gozam de maior ou menor bem.- estar. (...) (1)
"(...) Os que vão a tais mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais facilmente
obter permissão para passar a outros lugares melhores e chegar à perfeição que os eleitos
atingem." (2)
As regiões espirituais, também denominadas zonas, colônias ou esferas, correspondem às
coletividades desencarnadas existentes nos planos dos Espíritos e vinculados a este ou aquele
planeta.
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS.
01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983. Perg. 234.
02. Op. cit., perg. 235.
03. Op. cit., perg. 236.
COMPLEMENTARES
04. MARTINS PERALVA. Mundos habitados. In: . O pensamento de Emmanuel 2. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1978. p. 23-24.
05. Op. cit., p. 26-27.
06. XAVIER, Francisco Cândido. A chegada. In: . Voltei. Ditado pelo Espirito Irmão .Jacob. 7.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 979. p.82-83.
07. Idem - . 0 Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8ª ed. Rio de janeiro, FEB, 1980.
perg. 244
08. Idem - . No mundo maior. Ditado pelo Espirito André Luiz. 8 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979.
p. 15.
09. Idem - . Nova moradia. In: . Voltei. Ditado pelo Espírito Irmão Jacob 7. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1979. p. 102-103.
10. Idem - . Numa cidade estranha. In: . Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1980. p. 52-53.
No capítulo 06, de "o Livro dos Espíritos", intitulado "Da vida Espírita, existem 3 questões (234,
235 e 236) que se referem aos mundos transitórios assim especificados
São (.. )mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir
de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasi-
ada longa erraticidade, estrado este sempre um tanto penoso. São entre outros mundos, posi-
ções Intermediárias. graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a elas podem ter
acesso e onde eles gozam de maior ou menor bem estar.(...)" (11)
Os mundos transitórios não se prestam a encarnação de seres corpóreos porque "(...) estéril e
neles a superfícies os que os habitam de nada precisam.(...)" (3) E mesmo esta esterilidade é
igualmente transitória. A Terra, por exemplo, já foi mundo transitório durante a sua forma-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 70

ção".(3) Hoje é classificado como planeta de expiações e provas, prestando-se, portanto, à


encarnação e reencarnação de Espíritos necessitados de passarem pelas vicissitudes que o
planeta oferece. Circunvizinhando a Terra, no plano extra-físico, existem regiões ou esferas
espirituais de diferentes graus evolutivos, caracterizando-se desde simples postos a verdadei-
ras cidades espirituais.
Essas regiões se dividem gradativamente em lugares de sofrimento e ignorância até aqueles
onde o Espírito, em estado de maior entendimento, e feliz. "Considerando a penitência em sua
feição expiatória, existem numerosos lugares de provações na esfera para vós invisível, desti-
nados à regeneração e preparo de entidades perversas ou renitentes no crime, a fim de conhe-
cerem as primeiras manifestações do remorso e do arrependimento, etapas iniciais da obra de
redenção. (...)" (7) Estas fazem parte das chamadas zonas inferiores.
A série "André Luiz" nos esclarece a respeito destas diversas regiões espirituais. Na obra
"Libertação", cap. 4, há referência sobre uma cidade situada "no vasto domínio das trevas"
limítrofe com a Terra, assim descrita por André Luiz.
:' ( ., . } A claridade solar jazia diferençada.
Fumo cinzento cobria o céu em toda a sua extensão.
A volitação fácil se fizera Impossível.
A vegetação exibia aspecto sinistro e angustiado. As árvores não se vestiam de folhagem farta
e os galhos, quase secos, davam a idéia de braços erguidos em suplicas dolorosas.
Aves agoureiras, de grande tamanho, de urna espécie que poderá ser situada entre os corví-
deos crocitavam em surdina. semelhando-se a pequenos monstros alados espiando presas
ocultas.
O que mais contristava, porém , não era o quadro desolador, mais ou menos semelhante a
outros
de meu conhecimento, e, sim, os apelos cortantes que provinham dos charcos. Gemidos tipi-
camente
humanos eram pronunciados em todos os tons (...)(10)
parei aqui.
No Livro "No Mundo Maior" da mesma serie, André Luiz nos traz noticias sobre uma ''organiza-
ção de assistência em zona intermediária atendendo a estudantes relativamente espiritualiza-
dos, pois ainda jungidos ao círculo carnal e a discípulos recém libertos do campo físico.
A enorme instituição,"(...) regurgitava de almas situadas entre as esferas inferiores (...)" (8) e as
superiores, gente com imensidão de problemas e de indagações de toda a espécie.
No livro '' Voltei ", do Irmão Jacob, o autor nos fala sobre uma colônia espiritual, situada em
esferas mais elevadas: "(...) A estrada que percorríamos marginava -se de flores, algumas
delas como que talha das em radiosa substância, o que convertia a paisagem numa cópia do
firmamento. Arvores próximas pareciam cobertas de estrelas.(...)
A que país, afinal, fora eu arrebatado pela morte? Teria subido a Terra ao Céu ou teria o Céu
baixado para a Terra? (...)"(6)
(...) Vi desdobrar-se ante meus olhos enlevados a paisagem flórida e brilhante de um burgo
feliz. (...) Atravessávamos extensas e formosas avenidas marginadas por vegetação caprichosa
e linda, quando tive o contentamento de ver alguns pássaros marcados por peregrina beleza.
Cantavam estáticos, (...) glorificando a Divindade." (9)
Seriam os mundos transitórios, que a respeito deles tão pouco os Espíritos Superiores falaram
a Kardec, estas mesmas colônias ou regiões espirituais que André: Luiz nos fala? E evidente
que tais locais são destinados aos Espíritos desencarnados, ainda necessitados de reencarna-
ções (portanto, Espíritos errantes) e, intimamente ligados ao nosso planeta pelas ações come-
tidas no pretérito. O fato de os Espíritos, que fizeram "O Livro dos Espíritos", terem afirmado
que a Terra foi um mundo transitório na sua formação planetária levou Kardec a dizer que:
" (...) Assim, durante a dilatada sucessão dos séculos que passaram antes do aparecimento do
homem na Terra, durante os lentos períodos de transição que as camadas geológicas atestam,
antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, naquela massa informe, naquele
árido caos, onde os elementos se achavam em confusão, não havia ausência de vida. Seres
isentos das nossas necessidades das nossas sensações físicas, lá encontravam refúgio. Quis
Deus que, mesmo assim, ainda imperfeita, a Terra servisse para alguma coisa. Quem ousaria
afirmar que entre os milhares. de mundos que giram na Imensidão um só, um dos menores,
perdido no selo da multidão infinita deles, goza do privilégio exclusivo de ser povoado ? Qual
então a utilidade dos demais ? Tê-los-ia Deus feito unicamente para nos recrearem a vista ?
Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que esplende em todas as suas obras e
inadmissível desde que ponderemos na existência de todos os que não podemos perceber.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 71

Ninguém contestará que, nesta idéia da existência de mundos ainda impróprios para a vida
material e, não obstante já povoados de seres vivos apropriados a tal meio, há qualquer coisa
de grande e sublime, em que talvez se encontre a solução de mais de um problema (3)
Diante dessas afirmações e da compreensão de que os Espíritos das regiões espirituais em
limites com Terra necessitam voltar novamente ou encarnar pela primeira vez no nosso plane-
ta, as colônias espirituais, descritas por André Luiz, não nos parecem ser os mesmos mundos
transitórios anunciados em "O Livro dos Espíritos".
Parece-nos que a obra " O Pensamento de Emmanuel" reforça esta nossa suposição quando
diz:
Podemos conceituar de três maneiras, para efeito de estudo, a palavra "moradas'', mencionada
no Evangelho:
a ) Os mundos que formam o Universo, onde outras humanidades realizam a marcha evolutiva.
b ) As diversas zonas Espirituais, superiores ou inferiores, além das fronteiras físicas, onde a
vida palpita com a mesma intensidade das metrópoles humanas.
c ) Os vários departamentos da Mente , onde se demoram pensamentos e reações, drainas e
tragédias, anseios e realidades do Espírito.
Ninguém poderá imaginar quantos mundos realmente existem, habitados; mas, nenhum espíri-
ta põe dúvida em que inúmeras humanidades vivem nesses mundos, felizes, uns, infelizes,
outros.
Os departamentos da Mente são, a nosso ver, outras tantas "moradas individuais", como
repositório das reações mais ou menos felizes das inteligências encarnadas ou desencarnadas.
No que toca as diversas regiões espirituais, sabemos' que comunidades redimidas habitam
zonas mais elevadas da espiritualidade, às quais obreiros dedicados são periodicamente
conduzidos em processo estimulante do esforço pessoal.
Em faixas vibratória mais ligadas à Terra, estacionam, temporariamente, almas ainda vincula-
das às sensações e problemas da vida física, uma vez que o peso especifico de suas organi-
zações perispirituais, apresentando certa densidade, Ihes não permitem as grandes ascensões.
(...)" (5) ~
Esses mundos, como o nome indica, não teriam a superfície física eternamente estéril; como
tudo no Universo evolui, eles e os Espíritos são submetidos ã lei do progresso. "(...) Os Espíri-
tos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir.
Figurai-os como bandos de aves que pousam numa ilha, para ai aguardarem que se lhas
refaçam as forcas, a fim de seguiram seu destino". (1)
Concluímos, dizendo que os mundos transitórios possivelmente fazem parte dos corpos celes-
tes, espalhados pelo Universo, podendo ser um planeta, um satélite ou algo similar.
Já regiões espirituais, também denominadas zonas, colônias ou esferas, correspondem às
coletividades desencarnadas existentes nos planos dos Espíritos e vinculadas a este ou aquele
planeta.
* BIVAQUE:
ACAMPAMENTO PROVISÓRIO

19 - A Terra: planeta de provas e expiações.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
Explicar porque a Terra e um planeta de provas e expiações.
Inferir acerca da desatinação da Terra.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Chamam-se "(...) mundos de expiação e provas, onde domina o mal (...). A Terra pertence à
categoria dos mundos de expiação e provas, razão porque ai vive o homem a braços com
tantas misérias." (1)
"(...) A situação material e moral da Humanidade terrena nada tem que espante, desde que se
leve em conta a destinação da Terra e natureza dos que a habitam." (2)
"Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons,
encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. (...)
A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que
aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do
mesmo modo(...)" (6)
"A época atual é de transição (. .).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 72

Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue pela inteligência e
razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e as crenças espiritualistas
(...)". (7)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS.
01. KARDEC, Allan. HÁ muitas moradas na casa de meu Pai. In: O Evangelho segundo o
Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 4, p. 77.
02. Op. cit; item 6, p. 78.
03. Op. cit; item 13, 14, p. 82-83.
04. Revoluções do globo. In:. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982. Item 1, p. 177.
05. . São chegados os tempos. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1982, item 2, p. 401-402
06. Op. cit; item 27, p. 418.
07. Op. cit; item 28, p. 419.
COMPLEMENTARES
08. XAVIER, Francisco Cândido. O ConsoIador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1980. Perg. 240.
Dentre os mundos inferiores, a Terra pertence à categoria dos de expiação e provas porque
aqui existe predominância do mal sobre o bem. Aqui o homem leva uma vida cheia de vicissi-
tudes por ser ainda imperfeito havendo para seus habitantes, mais momentos de infelicidade
do que de alegrias.
Tal qual ocorreu com a física da Terra, a evolução caminhado gradualmente, sem descontí-
nuos. "Os períodos geológicos marcam as fases do aspecto geral globo, em conseqüência das
suas transformações. "
Mas, com exceção do período diluviano, que se caracterizou por uma subversão repentina (foi
época de grandes cataclismos no planeta), todos os demais transcorreram lentamente, sem
transições bruscas. Durante todo o tempo que os elementos constitutivos do globo levaram
para tomar posições definitivas, as mutações houveram de ser gerais(...)" (4) -
Assim também vem ocorrendo com a parte moral e intelectual dos espíritos que habitam a
Terra.
É bem verdade que pelo fato do nosso planeta ser um mundo inferior não é caracterizado
como primitivo, ou seja, destinado as primeiras encarnações dos Espíritos. Os habitantes da
Terra são Espíritos possuidores de um determinado progresso espiritual.
"(...) Mas, também, os numerosos vícios a que se mostram propensos constituem o índice de
grande imperfeição moral. Por isso, os colocou Deus num mundo ingrato, para expiarem ai
suas faltas, mediante penoso trabalho e mi serias da vida, ate que hajam merecido ascender a
um planeta mais ditoso.
Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças
a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na
Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato
com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semi civilizadas, constituídas desses
mesmos Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças Indígenas da Terra,
que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão
podido chegar ao aperfeiçoamento Intelectual dos povos mais esclarecidos.
Os Espíritos em expiação (...) são exóticos na Terra; já viveram noutros mundos, donde foram
excluídos em conseqüência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais
mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram que ser degredados, por algum tempo,
para o meio de Espíritos atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois
que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram.
(...)" (3)
("...) à felicidade não pode existir, por enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade,
as criaturas humanas se encontram intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das
paisagens exteriores que as cercam no planeta. Contudo, importa observar que e no globo
terrestre que a criatura edifica as bases da sua ventura real, pelo trabalho e pelo sacrifício, a
caminho das mais sublimes aquisições para o mundo divino de sua consciência." (8)
A Terra sairá do estágio de expiação e provas e passará para planeta de regeneração. Nosso
planeta está submetido a lei do progresso, como tudo na Natureza. "(...) Ele progride, fisica-
mente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 73

Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam


paralelamente, porquanto o melhoramento
da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimen-
tado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitá-
vel por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desen-
volvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. (...)" (5)
"Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso e que somente a povoem Espíritos bons,
encarnados e desencarnados , que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o -
tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal,
ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transfor-
mado, serão excluídos porque (...) lhe constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o
endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda
atrasa das (...). Substituí-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a
paz e a fraternidade.
A Terra no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que
aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do
mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.
(...) Em cada criança que nascer. em vez de um Espirito atrasado e inclinado ao mal, que antes
nela encarnaria virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem (.~.)." (6)
A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações colocados no
ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada
uma, no mundo, pelos caracteres que Ihes são peculiares.
Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e
razão geralmente precoces, juntas Ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o
que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusi-
vamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham
predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento de
regeneração. (...)'' (7)
Eis pois a destinacão imediata da Terra: planeta de regeneração. Continuando, porém, no seu
progresso ininterrupto, ascendera a planos cada vez mais altos até a perfeição a que estamos
todos predestinados.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 74

MÓDULO III
As Leis Morais

1ª Unidade
Lei Divina ou Natural

01 - Caracteres da Lei Natural.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Definir Lei Divina ou Natural
2) Citar leis gerais que decorrem da Leis de Deus, caracterizando-as.
3) Explicar por que a Lei Divina não é passível de mudanças.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A Lei Natural é a Lei de Deus. É a 'única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o
que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta." (03)
"(...) Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria: as leis físicas
As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas
relações com Deus e com os seus semelhantes Contêm as regras da vida do carpo, bem como
as da vida da alma: são as leis morais." (05)
A Lei de Deus é "eterna e imutável como o próprio Deus." (4)
FONTES DE CONSULTA.
Básicas
01 -KARDEC ,Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB ,
1983, perg. 111
02 -Op. citada , perg. 112
03 -Op. citada , perg. 614
04 -Op. citada , perg. 615
05 -Op. citada , perg. 617
Complementares
06 -CALLIGARIS, Rodolfo. As leis Morais .2 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 , pg. 09
07 -Op. citada , pg. 11
LEI DIVINA OU NATURAL
A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que
deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta"(3).
Todos os fenômenos , físicos ou espirituais são regidos por leis soberanamente justas e sábias
no nosso mundo , fora dele e em todo Universo.
Todas estas leis , reunidas , formam o que conhecemos como Lei Divina ou Natural. Esta Lei é
" eterna e imutável como o próprio Deus" (4)
Através de uma análise superficial , supomos , as vezes , que a Lei de Deus sofre transforma-
ções , que ela é mutável. Na realidade , as leis humanas é que são imperfeitas e passíveis de
modificações por força do progresso.
A medida que um ser humano vai evoluindo quer moralmente quer intelectualmente, compre-
ende melhor a Lei de Deus e passa a reformular antigos conceitos; para isto , fazem-se neces-
sárias inúmeras existências corporais , até que chegando a categoria de Espíritos Superiores,
"(...) em si reúnem a ciência , a sabedoria e a bondade (...)"(1) ou a de Espíritos puros quando
possuem "(...) superioridade intelectual e moral absoluta , com relação aos Espíritos das outras
ordens"(2).
A Lei Divina ou Natural abrange dois tipos principais de leis: as que "(...) regulam o movimento
e as relações da matéria bruta ; as leis físicas , cujo estudo pertence ao domínio da Ciência.
As outras dizem respeito principalmente ao homem considerado em si mesmo e nas relações
com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo , bem como as da vida
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 75

da alma ; são as leis morais."(5)


Apesar da Lei de Deus compreender tudo o que existe na criação a maioria dos homens , no
estágio evolutivo em que nos encontramos , não a conhece bem. Em todas as épocas da
história humana , Deus tem enviado ao nosso planeta Espíritos missionários, nas diversas
áreas do saber , para no-la ensinar.
"Desde os tempos imemoriais , a Ciência vem se dedicando exclusivamente ao estudo dos
fenômenos do mundo físico , susceptíveis de serem examinadas pela observação e experimen-
tação , deixando a cargo da Religião o trato das questões metafísicas ou espirituais.(...)(6)
Com o progresso intelectual que vem ocorrendo intensivamente nestes últimos tempos , nota-
se um distanciamento pronunciado entre a Ciência e a Religião ; fato que não deveria ocorrer
,porque ambas são expressões da Lei Divina a qual estamos submetidos.
"(...) Quanto mais o homem desenvolve suas faculdades intelectuais e aprimora suas percep-
ções espirituais , tanto mais vai-se inteirando de que o mundo material , esfera de ação da
Ciência , e a ordem moral, objeto especulativo da Religião , guardam íntimas e profundas
relações entre si , concorrendo , uma e outra para a harmonia universal , mercê das leis sábias,
eternas e imutáveis que os regem , como sábio , eterno e imutável é o Seu Legislador.(...)"(7)

02 - Conhecimentos e divisão da Lei Natural.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Citar o mecanismo que propicia ao homem o conhecimento da Lei Natural.
2) Enumerar as qualidades necessárias ao homem para ser revelador da Lei de Deus.
3) Fornecer a divisão das Leis Morais, caracterizando a mais importante.
IDÉIAS PRINCIPAIS
O conhecimento da lei natural ou divina é dada ao homem através das reencarnações sucessi-
vas. "(...) Todos podem conhecê-las, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os
que se decidem a investigá-las são as que melhor a compreenderão. Todos', entretanto, a
compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue." (02)
Os "Espíritos Superiores encarnam com o fim de fazer progredir a humanidade." (05)
"(...) o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas
virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras, a missão
de que se diz portador.(...)" (01)
São Leis Morais as de : adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade,
progresso, igualdade e liberdade, e a de justiça, amor e caridade.
"(...) A última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida
espiritual, visto que resume todas as outras." (05)
FONTES DE CONSULTA.
Básicas
01 -KARDEC ,Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB ,
1983, perg. 111
02 -Op. citada , perg. 112
03 -Op. citada , perg. 614
04 -Op. citada , perg. 615
05 -Op. citada , perg. 617
Complementares
06 -CALLIGARIS, Rodolfo. As leis Morais .2 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 , pg. 09
07 -Op. citada , pg. 11
CONHECIMENTO E DIVISÃO DA LEI NATURAL
O conhecimento da Lei Divina ou Natural faz parte do progresso espiritual do homem e ocorre-
rá após incontáveis reencarnações ; em uma só existência é totalmente impossível tal aprendi-
zado.
Por outro lado , não basta que apenas nos informemos a respeito da existência dela . É neces-
sário que a compreendamos no seu verdadeiro sentido para que possamos vivencia-la . "(...)
Todos podem conhece-la , mas nem todos a compreendem . Todos , entretanto , a compreen-
derão um dia , porquanto é forçoso que o progresso se efetue .
A justiça das diversas encarnações do homem é uma conseqüência deste princípio , pois que ,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 76

em cada nova existência, sua inteligência se acha mais desenvolvida e ele compreende melhor
o que é bem e o que é mal . (...)"(2)
"(...) A verdade (...) ,para que seja útil , precisa ser revelada de conformidade com o grau de
entendimento de cada um de nós . Daí não ter sido posta , sempre , ao alcance de todos ,
igualmente dosada . (...)
Kardec , instruído pelas vozes do Alto , diz-nos que em todas as épocas e em todos os qua-
drantes da Terra , sempre houve homens de bem (profetas) inspirados por Deus para auxilia-
rem a marcha evolutiva da Humanidade. (...)"(6)
Os profetas , legisladores e sábios tem sido os maleáveis instrumentos de que se utilizou o Pai
Amantíssimo através dos tempos , afim de que o homem , no ergástulo carnal , pudesse en-
contrar a rota segura para atingir o reino venturoso que o espera .
Dentre todos , porém , foi Jesus o protótipo da misericórdia divina , " o tipo mais perfeito que
Deus tem oferecido ao homem , para lhe servir de guia e modelo . (...)
Modelo a ser seguido , ensinou pelo exemplo e pelo sacrifício , selando em testemunho supre-
mo a excelência do seu messianato amoroso , através da doação da vida, incitando-nos a
incorporar no dia-a-dia da existência a irrecusável lição de seu auto-ofertório santificante .
(...)(8)
Estes profetas , sábios e legisladores que Deus enviou (e envia) à Terra "são Espíritos Superio-
res , que ,encarnam com o fim de fazer progredir a humanidade".
(3) São Espíritos missionários que podem até falir na missão que abraçaram por força da
influência da matéria "(...) todavia , como eram , afinal , homens de gênio , mesmo entre os
erros que ensinaram grandes verdades muitas vezes se encontram". (4) No entanto , vale a
pena considerar que grandes missões são confiadas ao Espírito com os quais a possibilidade
de falência é muito reduzida. São Espíritos que já possuem uma certa bagagem espiritual , que
vivenciaram inúmeras experiências e que , ao se comprometerem com tal ou qual tarefa , a ela
se dedicam em regime de intensa preparação antes de mergulharem na existência corporal "
(...) . Por isso , para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados , que fize-
ram suas provas noutras existências , visto que , se não forem superiores ao meio em que tem
de atuar , nula lhes resultaria a ação.
Isto posto , haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar-se pela
sua superioridade , pelas suas virtudes , pela grandeza , pelo resultado e pela influência mora-
lizadora de suas obras , a missão de que se diz portador.
Tirai também esta conseqüência se pelo seu caráter , pelas suas virtudes , pela sua inteligência
, ele se mostra abaixo do papel com que se apresente , ou da personagem sob cujo nome se
coloca , mais não é do que um histrião (*) de baixo estofo , que nem sequer sabe imitar o
modelo que escolheu.
Outra consideração ; os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmo , e em sua
maior parte desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem ,
secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado , mas sem desígnio
premeditado.
Numa palavra , os verdadeiros profetas se revelam por seus atos , são advinhos , ao passo que
os falsos profetas se dão , eles próprios , como emissários de Deus. O primeiro é humilde e
modesto , o segundo , orgulhoso e cheio de si , fala com altivez e , como todos os mendazes
(*) , parece sempre temeroso de que não lhe dêem crédito. (...)"(8)
As leis morais são uma subdivisão da Lei Divina ou Natural . " São de todos os tempos as leis
morais da vida , estabelecidas pelo Supremo Pai.
Invioláveis , constituem o roteiro de felicidade pelo rumo evolutivo , impõem-se , paulatinamen-
te , à inteligência humana achando-se estabelecidas nas bases da harmonia perfeita em que
se equilibra a Criação. (...)" (7)
As leis morais que a Codificação Kardequiana expressa , são as seguintes: (...)leis de adoração
, trabalho , reprodução , conservação , destruição , sociedade , progresso , igualdade , liberda-
de e por fim a de justiça , amor e caridade. (...)
A última lei é a mais importante , por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida
espiritual , visto que resume todas as outras . " (5)
GLOSSÁRIO.
Ergástulo cárcere , prisão , masmorra
histrião bobo , saltimbanco , palhaço , homem vil que se expõe em publico de modo grosseiro e
ridículo
mendazes mentirosos , falsos
estofo classe social, laia, condição moral, jaez, feitio.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 77

03 - Reveladores e Revelações da Lei Divina.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Citar nomes de reveladores nos diversos campos do conhecimento humano.
2) Nomear aquele que é considerado o mais perfeito revelador da Lei de Deus.
3) Relacionar revelações feitas por Jesus com os princípios da Doutrina Espírita.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"Os grandes missionários que, de tempos em tempos renascem no orbe terrestre, com o fim de
ativar o progresso e a evolução das criaturas e do mundo, em todas as áreas do conhecimento
humano,(...) são homens comuns (...) Nada havia em Sócrates, Arquimedes, Demócrito, Gali-
leu, Francisco de Assis, Teresa D'Avila, Vicente de Paulo, Newton, Kepler, Mozart, Allan Kar-
dec que os diferençasse dos demais', senão a responsabilidade e a fidelidade com que se
desincumbiram das suas missões." (07)
(...)Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra. Deus
no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura
da lei do Senhor (...). (01)
As citações: "Há muitas moradas na casa de, meu pai" (João 14:1-3)
"ninguém pode. Ver o reino de Deus se não nascer de novo" (João, 3: 1-12),
"bem-aventurados os que choram, pois serão consolados."( Mateus , 5:4)
são algumas das revelações feitas por Jesus e que se relacionam, respectivamente, com os
ensinamentos espiritas: Pluralidade dos mundos habitados, a reencarnação e a lei de Causa e
Efeito.
FONTES DE CONSULTA
Básicas
01 -KARDEC ,Allan .O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro .57 ed. Rio de Janeiro , FEB
, 1983 ,Perg. 625.
Complementares
02 -ASIMOV ,Isaac .Gênios da humanidade. Rio de Janeiro , Bloch Ed. 1972 , Vol. I ,pg. 01.
03 -Op. citada , p. 02
04 -Op. citada , p. 04
05 -Op. citada , p. 13
06 -Op. citada , p. 65
07 -FRANCO ,José B. Identificação .O Espírita. Brasília . 6 (31):14, dez/jan. 1983/84
REVELADORES E REVELAÇÕES DA LEI DIVINA
A Lei Natural , é a Lei Divina que rege toda a criação do Cosmo Infinito ,nos seus múltiplos e
diversificados planos , sendo ela substancialmente verdadeira e eficaz , por ser a única que
conduz a criatura humana para o aperfeiçoamento e a felicidade.
A desventura humana é , portanto um desvio ou infração dessa lei.
As Leis naturais significam a projeção do Pensamento Divino e a expressão fidedigna de sua
vontade , consistindo sempre de um preceito normativo que regula todos os fenômenos da vida
universal.
As leis naturais são eternas , imutáveis , infalíveis , adaptando-se aos mais variáveis planos
evolutivos da vida , de acordo com as diversas categorias de mundos.
As leis naturais , como se sabe , dividem-se em leis físicas e leis morais. As primeiras discipli-
nam os fenômenos da matéria em seus diversos estados e são estudadas pela Ciência. As
segundas regem as relações da criatura com os seus semelhantes e demais seres da nature-
za.
O conhecimento da Lei Natural é dado à humanidade de uma gradual porém constante manei-
ra , através de Espíritos colocados na conta de filósofos ou benfeitores humanos , os quais
reencarnam na categoria de autênticos catalisadores de reformas nos diversos campos do
conhecimento.
Os Espíritos que aportam no seio da sociedade com estes valores são chamados reveladores
da Lei Natural.
O maior e mais perfeito revelador que desceu ao nosso planeta foi Jesus Cristo. A doutrina de
que ele veio imbuído é altamente moralizadora e mostra aos homens os caminhos a serem
seguidos para a conquista da verdadeira felicidade.
Em todas as épocas da humanidade , existiram reveladores da Lei Divina nos diversos campos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 78

do conhecimento humano, Citaremos , a seguir alguns , na tentativa de exemplificar a bondade


e misericórdia de Deus , que nunca nos deixou a mercê das nossas imperfeições.
No antigo Egito , perto de Mênfis , nos anos 2980 a 2950 A.C. viveu um erudito egípcio chama-
do Imotep. " Imotep é notável por haver sido o primeiro exemplo histórico , conhecido pelo
nome , daquele que hoje entendemos por cientista. E nenhum outro se conhece ao longo dos
dois séculos que se lhe seguiram. (...)" (2)
Imotep , foi o arquiteto construtor da pirâmide dos degraus ou de Sacaré , que é a mais antiga
pirâmide do Egito. provavelmente foi médico; "(...) os médicos egípcios gozavam de grande
prestígio , já que sua ciência os colocava quase em igualdade com os próprios deuses. (...)"
(2). Tamanho era o poder de cura de Imotep que os gregos o igualavam ao seu próprio deus
da medicina.
Tales de Mileto , filósofo grego que viveu entre 624 e 546 A.C. , foi considerado pelos gregos ,
"(...) como o fundador da Ciência , da Matemática e da Filosofia gregas , creditando-lhe a
paternidade da maior parte do saber. (...)" (3).
Pitágoras , outro filósofo grego viveu no período de 582 a 546 A.C. " foi filósofo , astrônomo ,
matemático. Em todas essas atividades , apresentou sempre idéias novas , claras , originais
Foi o primeiro a afirmar que a Terra era esférica , o primeiro a descobrir que a harmonia univer-
sal também podia ser expressa através de números, o primeiro a descobrir a relação entre o
comprimento das cordas musicais e a altura do som ".(4)
Sócrates , filósofo grego , viveu em Atenas entre os anos 470 e 399 A.C. , "teve uma vida
nobre como as verdades que ensinava. Nunca houve quem o pegasse em erro , falha ou
contradição . No entanto ,este homem a quem todos consideravam o mais sábio dos gregos
(Ora , se sou o mais sábio é simplesmente porque sei que nada sei") - não conseguiu provar
sua inocência diante das acusações de traição e corrupção que contra ele se levantavam por
toda parte , estimuladas pela inveja de seus patrícios . (...)"(5) Para nós , espiritas , Sócrates foi
um dos precursores do Cristianismo.
Na era cristã , entre os anos 130 e 200 A.C. viveu GALENO Galeno , médico grego que , pelos
seus conhecimentos , é cognominado o "pai da anatomia".
O criador da aritmética , o matemático Muhammad Ibumus Al Khwarizmi , nascido no ano 780 ,
revolucionou a arte de calcular. Em 1473 nasce em Torum o grande Nicolau Copérnico que
"(...) chegou a perigosa conclusão de que a terra não era o centro do universo (...)"(6). Isto
quase o levou a morte pelos senhores da igreja católica.
Perto de Nápoles , na cidade de Nola , chega ao nosso mundo físico no ano de 1548 , o filóso-
fo Giordano Bruno , condenado e morto pela inquisição , por defender a infinitude do espaço os
movimentos da terra , entre outras idéias.
Avançando no tempo , em 1791 , nasce em Charlestown , Estados Unidos , Samuel Finley
Breese Morse , que se notabilizou pela invenção do telégrafo inalgurando o campo das comu-
nicações modernas.
Charles Robert Darwin , naturalista inglês que viveu entre 1809 e 1882 causou grande impacto
na biologia com a sua "Teoria das origens das espécies" , realizando estudos sobre as origens
do homem.
Antes de avançarmos no tempo , é importante recordar a presença em nosso planeta dos
gênios das artes , notadamente na pintura , escultura e música. Quem consegue esquecer o
papel desempenhado por um Rafael Sânzio, Um Leonardo da Vinci ou um Mozart, entre tantos
que vieram até nós ?
Se no século XIX a Ciência sofre um grande impulso , principalmente pelos trabalhos de Pas-
teur ,Robert Koch e Lister que abriram nova era no combate as infeções , as idéias filosóficas
sofrem abalo com a codificação Espírita , lançada no mundo por Kardec através dos Espíritos
Superiores.
O Mundo recebe com impacto o renascimento do cristianismo e a partir daquele momento a
humanidade confundida , alertada , crédula ou incrédula , nunca mais seria a mesma. A era da
espiritualidade chegara! Daquelas primeiras sementes que foram lançadas por Moisés , na
crença de um Deus único , semeadas por Jesus na sua elevada Missão de amor ao próximo e ,
esporadicamente recrudescidas , germinadas por emissários de todos os tempos , tais como :
os apóstolos e seguidores do cristianismo , Francisco de Assis , Vicente de Paula , Buda ,
Maomé , Gandhi ,na citação de apenas alguns nomes , compreendemos que o homem dirige-
se a caminho da sua mais alta destinação : a perfeição.
Jesus , o Cristo de Deus , porém , não pode ser nivelado entre tais reveladores , por maior que
tenha sido a contribuição deles . Ele , o Cristo , estabeleceu um grandioso marco nas conquis-
tas evolutivas do homem. Ele , a verdade e o amor encarnados , não se limitou apenas a
ensinar e esclarecer , mas representou o exemplo vivo , provocando uma verdadeira revolução
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 79

social , que apesar de quase vinte séculos de sua vinda entre nós , ainda precisa de muita
evolução espiritual da humanidade para compreender a sua mensagem integralmente.
Muitas das verdades anunciadas no Espiritismo encontram na doutrina Cristã as sua bases.
Por exemplo , as citações evangélicas : " Há muitas moradas na Casa do Pai (João ,14:1-3).
"Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo". (João ,3:1-12). "Tudo o que vós
quereis que vos façam os homens , fazei-o também a eles , porque esta é a Lei dos profetas".
(Mateus ,7:2) e " Bem-aventurados os que choram pois que serão consolados ".(Mateus 5:5)."
Curai os enfermos , ressuscitai os mortos , limpai os leprosos , expeli os demônios , dai de
graça o que de graça recebestes " (Mateus ;10:8) , etc. são ensinamentos de Jesus que se
correlacionam com os seguintes princípios de Espiritismo : Pluralidade dos mundos habitados,
reencarnação ou pluralidade das existências corpóreas , lei de causa e efeito ou ação e reação
e mediunidade.
Devido a esta correlação existente entre os ensinamentos de Jesus e os ditados pelos Espíritos
que orientaram Allan Kardec na codificação espírita , não é em vão quando se diz que o Espiri-
tismo é o Cristianismo redivivo; e , se por um lado Jesus disse ser o mandamento maior o amor
a Deus e ao próximo , a Doutrina Espírita afirma que fora da caridade não há salvação , por
outro nos mostra que ninguém poderá intitular-se espírita se primeiramente não for Cristão.

04 - O bem e o mal.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Elaborar um conceito de moral.
2) Estabelecer distinção entre o bem e o mal.
3) Relacionar a prática do bem com o grau de responsabilidade do homem.
IDÉIAS PRINCIPAIS
A moral e a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. (...)" I033
"O bem é tudo o que é conforme a lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. (...)" (043
"(...) O mal depende da vontade. Pois bem! tanto mais culpado e o homem, quanto melhor
sabe o que faz." (05)
"(...) O mal existe e tem uma causa.
Os males de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a Humanidade, formam duas catego-
rias que importa distinguir: a dos males que o homem pode evitar e a dos que lhe independem
da vontade, (...)" (01)
FONTES DE CONSULTA
Básicas
01 - KARDEC ,Allan. O bem e o mal. :A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro 24 ed. Rio de Janeiro,
FEB , 1982. Item 3.
02 - Op. citada ,itens 6-7
03 - O livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983 perg. 629
04 - Op. citada, perg. 630
05 - Op. citada, perg. 637
Complementares
06 - DENIS, Léon. Justiça e responsabilidade. O problema de mal. ;O problema do ser , do
destino e da dor.. II ed. Rio de Janeiro , FEB < 1979 .pg.293-294
07 - FRANCO ,Divaldo Pereira. Moral .IN; Estudos Espíritas. Pelo espírito Joanna de Ângelis .
Rio de Janeiro , FEB , pg. 163
08 - Op. citada ,pg. 164
O BEM E O MAL
Moral , sendo um "conjunto de regras que constituem os bons costumes ,(...)" consubstancia os
princípios salutares de comportamento de que resulta o respeito ao próximo e a si mesmo.
Decorrência natural da evolução , estabelece as diretrizes seguras em que se fundam os
alicerces da Civilização , produzindo matrizes de caráter que vitalizam as relações humanas ,
sem as quais o homem , por mais avançado nos esquemas técnicas , poucos passos teria
conseguido desde os estados primários do sentimento. (...)" (7)
Moral é , no dizer dos Espíritos que participam da Codificação Espírita, "(...) a regra de bem
proceder , isto é , de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da Lei de Deus. O
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 80

homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos , porque então cumpre a Lei de
Deus."(3)
Melhor conceito do que este anunciado é difícil de se elaborar. De uma maneira objetiva e
simples , os Espíritos superiores revelam-nos que a moralidade se fundamenta no processo
espiritual das pessoas ,adquirido paulatinamente ,através das diversas experiências reencarna-
tórias ,isto porque sua observância tem como base ,ou alicerces , o conhecimento e prática da
Lei de Deus , esclarecendo , sobretudo , que o progresso moral está intimamente ligado à
prática do bem.
A partir do momento que o relacionamento humano se expandiu pelas necessidades de vivên-
cias comutativas , sentiu o homem desejo de elaborar leis que estabelecessem organizações
sociais mais apropriadas ao meio em que vivia. Neste período evolutivo , os seres humanos
começaram a fazer distinção entre o bem e o mal. "(...) Somente a partir de Sócrates passou a
moral a ser considerada pela filosofia .(...)" (8) Até então a moral era exercida arbitrariamente ,
de acordo com o equilíbrio ,ou desequilíbrio individuais.
O sentido de moralidade é um só ,ou seja ,é a norma de bem proceder em quaisquer circuns-
tâncias , independentemente do estado sócio-econômico do indivíduo; devemos cuidar para
não confundirmos conveniências sociais , as quais podem gerar dissolução dos costumes ,
com a verdadeira prática da moral.
Em qualquer época, o homem que conhece e pratica a Lei de Deus é um ser moral. É um ser
que não se prende as superficialidades das convenções e dos modismos da chamada socie-
dade ou civilização moderna.
A medida que vamos aprendendo distinguir o bem do mal , vamos nos moralizando. Isto por-
que fazer o bem é agir "(...) conforme a Lei de Deus ; o mal é tudo que lhe é contrário. Assim ,
fazer o bem é proceder de acordo com a Lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la ".(4) Pela inteli-
gência e acreditando em Deus pode o homem distinguir o que é certo e o que é errado.
"Deus promulgou Leis plenas de sabedoria , tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo
encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota ,
a Lei divina lhe está gravada no coração e , ao demais , Deus lhe lembra constantemente por
intermédio de seus messias e profetas , de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão
de esclarecer , moralizar e melhorar ,e nestes últimos tempos pela multidão dos Espíritos
desencarnados que se manifestam em toda parte.
Se o homem se conformasse rigorosamente com as Leis divinas , não há dúvida de que se
pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim não procede , é por virtu-
de do seu livre-arbítrio: sofre então as conseqüências do seu proceder ".
Entretanto , Deus , todo bondade , pôs o remédio ao lado do mal , isto é , faz que do próprio
mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e
impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência , ele se sente
compelido a procurar no bem o remédio , sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma
melhor caminho ,é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A neces-
sidade , pois , o constrange a melhorar-se moralmente , para ser mais feliz , do mesmo modo
que o constrangeu a melhorar as condições da sua existência". (2)
A prática do bem está , pois , relacionada com o grau de responsabilidade do homem . Com o
progresso o mal decrescerá automaticamente. " (...). O mal (...) tem um caráter relativo e pas-
sageiro ; é a condição da alma ainda criança que se ensaia para a vida. Pelo simples fato dos
progressos feitos , vai pouco a pouco diminuindo , desaparece , dissipa-se , a medida que a
alma sobe os degraus que conduzem ao poder , a virtude , a sabedoria.
Então a justiça patenteia-se no Universo ; deixa de haver eleitos e réprobos; sofrem todos as
conseqüências de seus atos , mas todos reparam ,resgatam e ,cedo ou tarde , se regeneram
para evolverem desde os mundos obscuros e materiais até a Luz Divina(...).
O mal não tem , pois , existência real , não há mal absoluto no Universo , mas em todas parte a
realização vagarosa e progressiva de um ideal superior (...). Por toda parte , a grande lida dos
seres trabalhando para desenvolver em si , a custa de imensos esforços , a sensibilidade , o
sentimento , a vontade , o amor ! (...)" (6)
ANEXO 01
Lição Incompreendida (*)
O carro deslizava velozmente sobre a estrada movimentada.
As linhas arrojadas garantiam-lhe estabilidade perfeita
As rodas bem calibradas mantinham segurança adequada
O modelo esportivo emprestava-lhe aspecto ousado.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 81

Ia ultrapassando todos os veículos que encontrava pela frente


Nenhum deles 'era rival perigoso para sua alta velocidade.
Numa lombada, porém, teve que diminuir a marcha, atrás de grande caminhão, que se arrasta-
va pesadamente
Era impossível ultrapassar sem transgredir as regras do trânsito.
Ambos subiam em marcha mínima.
O chofer do carro esporte resmungava e lamentava-se.
Quase no. final do trecho, contudo, salta uma roda dianteira com grande estrondo. A custo o
carro foi dominado.
Compreendeu o afoito volante que o acidente seria inevitável, se estivesse em alta velocidade.
O vagaroso caminhão salvara-lhe a existência.
Companheiro da romagem terrestre, não se desespere diante das surpresas que a vida lhe
apresenta.
Tenha fé em Deus e sustente a confiança nos desígnios da Providência.
Muitas vezes, o noivado desfeito, a derrocada financeira e a enfermidade irreversível são os
recursos com que a Bondade Divina procura alcançar-nos evitando desastres maiores.
BADUY FILHO, Antônio. Historias da vida. Pelos Espíritos Hilário Silva e Valérium.
2.ed. Uberaba, MG), CEC, 1976. p. 25-26.
ANEXO II
Mensagem breve (*)
Realmente você tem razão quando afirma que o mundo parece modificado e que precisamos
imenso desassombro para viver dentro dele.
Os últimos cinqüenta anos operaram gigantesca reviravolta noa costumes da Terra.
A casa patriarcal que havíamos herdado do século XIX transformou-se no apartamento a
dependurar-se nos arranha-céus; a locomotiva enfumaçada é quase uma jóia rara de museu à
frente do avião que elimina distancia; a gazeta provinciana foi substituída pelos jornais da
grande imprensa; e os saraus caseiros desapareceram, ante a invasão do rádio, cuja progra-
mação domina o mundo.
O automóvel, o transatlântico, o cinema e a televisão constituem outros tantos .fatores de
informe rápido, alterando a mente do povo em todos os climas.
E a garantia dos cidadãos? Em quase todos os países há leis de segurança para empregados
e patrões, homens, mulheres, jovens e crianças.
Ha direito de greve, licença, litígio e descanso. remunerado.
Existem capitães da indústria e comércio, acumulando riquezas mágicas de um dia para outro,
desde que não soneguem o imposto relativo aos monopólios que dirigem contra a harmonia
econômica.
Temos operários desfrutando inexplicável impunidade, na destruição das casas em que traba-
lham, com a indisciplina protegida em fundamentos legais.
Ha jovens amparados na difusão da leviandade e da mentira, sem qualquer constrangimento
por parte das forças que administram a vida pública.
Não estamos fazendo pessimismo.
Sabemos que o mundo permanece sob o governo místico das rédeas divinas e não ignoramos
que qualquer perturbação é fenômeno passageiro, em função desajusta da própria região onde
surge o desequilíbrio.
Com as nossas observações, tão somente nos propomos reconhecer que a criatura humana de
nossa época está mais livre e, por isso, mais destacada em. si mesma.
Nos grandes períodos de transição, qual o que estamos atravessando, somos como que cha-
mados pela Sabedoria Divina a provar nossa, madureza interior, nossa capacidade de auto
direção.
Dai resulta a desordem aparente, em que somos compelidos à revelação da própria individuali-
dade.
Na organização coletiva, no grupo social, na equipe de trabalho ou no reduto domestico, vê-se
o homem de hoje obrigado a mostrar-se tal qual é, classificando-se, de imediato, pela própria
conduta.
As dissensões, os conflitos, as lutas e os embates de todas as procedências oferecem s im-
pressão de caos, provocando a gritaria dos profetas da decadência, e, por isso mesmo, as
almas que não se armaram de fé e que não se sustentaram fiéis às raízes simples da vida
sofrem pavorosos desastres psíquicos, que as situam nos escuros domínios da alienação
mental.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 82

Cresce a loucura em todas as direções.


O hospício é a última fronteira dos enfermos do espirito, de vez que se agitam eles em todos os
setores de nosso tempo, à maneira de consciências que, impelidas ao auto-exame, tentam
fugir de si mesmas, humilhadas e estarrecidas.
Em razão disso, creia que o melhor caminho para não cair nas mãos dos psiquiatras é o ajus-
tamento real de nossa personalidade aos princípios cristãos que abraça-mos, porque o proble-
ma é da alma e não da carne.
Não precisaremos discutir.
A hora atual da Terra é inegavelmente dolorosa, mas a tempestade de hoje passará, como as
de ontem.
Refugiemo-nos em Cristo.
O Senhor é a nossa fortaleza.
Se tivermos bastante coragem de viver o Cristianismo em sua feição pura, na condição de
solitários carregadores de nossa cruz, poderemos encarar valorosamente a crise e dizer-lhe
num sorriso confiante: - «vamos ver quem pode mais».
(*) XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e crônicas. Pelo Espirito Irmão X. 4. ed. Rio de
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 83

2ª Unidade
Lei de liberdade

05 - A liberdade natural e a escravidão.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Conceituar Liberdade
2) Conceituar escravidão e relacionar as suas conseqüências.
3) Estabelecer uma relação entre liberdade e livre-arbítrio
IDÉIAS PRINCIPAIS
Liberdade é saber respeitar os direitos alheios. "(...) Desde que juntos estejam dois homens, ha
entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar (...)". (0l)
"E contrária ã lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é
um abuso da força.
É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem
ao irracional e o degrada física e moralmente." (02)
"Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio o homem
seria máquina." (03)
FONTES DE CONSULTA
Básicas
01 - KARDEC ,Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB
,1983 ,perg. 833
02 - Op. citada ,perg. 837
Complementares
03 - CALLIGARIS ,Rodolfo . A Lei de liberdade . In: As leis naturais.. 2 ed. Rio de Janeiro , FEB
, 1983 , pg. 149
04 - DENIS ,León. A disciplina do pensamento e a reforma do caráter. In; O problema do ser
,do destino e da dor. II ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1979 , pg. 361
05 - O livre-arbítrio. In : O problema do ser ,do destino e da dor. II ed. Rio de Janeiro ,FEB ,
1979 , pg. 347
06 - FRANCO , Divaldo Pereira. Direito de liberdade. In: As leis morais da vida. Pelo espírito
Joanna de Ângelis , Salvador , Alvorada . 1976.
A LIBERDADE NATURAL E A ESCRAVIDÃO
A liberdade é a condição básica para que a alma construa o seu destino. A princípio parece
limitada as necessidades físicas , condições sociais , interesses ou instintos. Mas ao analisar-
mos a questão mais profundamente , vemos que a liberdade é sempre suficiente para permitir
que o homem rompa este círculo restrito e construa pela sua vontade o seu próprio futuro.
" Intrinsecamente livre , criado para vida feliz , o homem traz , no entanto , inscritos na própria
consciência , os limites da sua liberdade.
Jamais devendo constituir tropeço na senda por onde avança o seu próximo , é-lhe vedada a
exploração de outras vidas sob qualquer argumentação , das quais subtraia o direito de liber-
dade. (...)
(...) A liberdade legítima decorre da legítima responsabilidade , não podendo triunfar sem esta.
A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais
, que são a questão matriz , fomentadoras dos lídimos direitos humanos.
Pela lei natural todos os seres possuem direitos que , todavia não escusam a ninguém dos
respectivos contributos que decorrem do seu uso.
A toda criatura é concedida a liberdade de pensar , falar e agir , desde que essa concessão
subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.(...)(7).
Ser livre ,portanto , é saber respeitar os direitos alheios , porque "(...) desde que juntos estejam
dois homens , há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar (...)" (1)
Vivemos num planeta que se caracteriza pela predominância do mal sobre o bem; ë um planeta
inferior , onde os seus habitantes estão submetidos a provas e expiações ; daí ser muito co-
mum que muitos Espíritos não possuam o discernimento natural para o emprego da liberdade
que Deus concedeu. A ocorrência de abusos do poder , manifestada nas tentativas do homem
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 84

escravizar o próprio homem , nas mais variadas formas e intensidade ,é exemplo típico do mau
uso desta lei natural.
A medida que o ser humano evolui , cresce com ele a responsabilidade sobre seus atos , sobre
suas manifestações verbais e , até mesmo sobre seus pensamentos . Neste estágio evolutivo ,
passa a compreender que a liberdade não se traduz por fazer ou deixar de fazer determinada
coisa irresponsavelmente . Passa a medir a sua linha de ação da maneira que esta não atinja
desastrosamente o próximo. Compreende , enfim que sua liberdade termina onde começa a do
seu próximo.
A vontade própria ou livre-arbítrio é ,então ,exercitada de uma maneira mais coerente , mais
responsável. O livre-arbítrio é definido como " a faculdade que tem o indivíduo de determinar a
sua própria conduta , ou em outras palavras , a possibilidade que ele tem de , entre duas ou
mais razões suficientes de querer ou de agir , escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre
as outras".(6)
Sem o livre-arbítrio , o homem não teria mérito em praticar o bem ou evitar o mal , pois a von-
tade e a liberdade do espírito não sendo exercitadas, o homem não seria mais do que um
autômato. Pelo livre-arbítrio , ao contrário , passa o indivíduo a ser o arquiteto de sua própria
vida , de sua felicidade ou infelicidade , da sua maior ou menor responsabilidade. Em qualquer
ato que pratique.
A liberdade e o livre-arbítrio têm uma correlação fundamental na criatura humana e aumentam
de acordo com a sua elevação e conhecimento. Se por um lado temos a liberdade de pensar,
falar e agir, por outro lado, o livre-arbítrio nos confere a responsabilidade dos próprios atos por
terem sido eles praticados livremente e por nossa própria vontade.
A sujeição absoluta de um homem a outro homem é um erro gravíssimo de conseqüências
desastrosas para quem o pratica. A escravidão, seja ela física, intelectual, sócio-econômica, é
sempre um abuso da força e que tende a desaparecer com o progresso da humanidade ... E
um atentado à Natureza onde tudo e harmonia e equilíbrio. Quem arbitrariamente desfere
golpes cerceando a liberdade dos outros, escravizando-os pelos diversos processos que mun-
do moderno oferece, sofre a natural conseqüência, e essa é a vergasta da dor, que desperta e
corrige, educa e levanta para os tirocínios elevados da vida.
A nossa liberdade não é absoluta porque vivemos em Sociedade, onde devemos respeitar os
direitos das pessoas. Baseando-se neste preceito, torna-se absurdo aceitar qualquer forma de
escravidão: física, social, econômica, ideológica, religiosa, etc.
"(...) Durante muito tempo aceitou-se, como justa, a escravização dos povos vencidos em
guerras, assim como foi permitido pelos códigos terrenos que os homens de certas raças
fossem caçados e vendidos, quais bestas de carga, na falsa suposição de que eram seres
inferiores e, talvez, nem fossem nossos irmãos em humanidade.
Coube ao Cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie de homens e que,
mais ou menos puros e elevados , eles o são, não pela cor da epiderme ou do sangue, mas
pelo espírito, isto e, pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela
bondade que imprimam em seus atos. (...)" (4)
Com a abolição da escravatura, todos nós podemos dispor livre mente das nossas vidas.
"(...) Sem dúvida, estamos ainda muito distantes de uma vivência mundial de integral respeito
às liberdades humanas ; todavia já as aceitamos como um ideal a ser atingido, e isso é um
grande passo, pois tal concordância há de elevar-nos, mais dia, menos dia a esse estado de
paz e de felicidade a que todos aspiramos." (s)
ANEXO 1
LIBERDADE
Para ser livre da mundana escória
E alcançar a amplidão rútila e bela
Vence os rijos furores da procela
Que te freme na carne transitória.
Despe os adornos da ilusão corpórea
E abraça a estranha e rígida tutela
Da aflição que te humilha e te flagela
Por teu caminho de esperança e glória.
Agrilhoado à cruz do próprio sonho,
Vara as trevas do báratro medonho
Nos supremos martírios da ansiedade!...
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 85

E, ave distante dos terrestres limos,


Celebrarás na pompa de Áureos Cimos,
A conquista da Eterna Liberdade.
CRUZ E SOUZA
XAVIER, Francisco Cândido. Poetas Redivivos. Diversos Espíritos.
Rio de Janeiro, FEB, 1969. p. 47.

06 - Liberdade de pensar e de consciência.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Conceituar liberdade.
2) Conceituar escravidão e relacionar as suas conseqüências
3) Estabelecer uma relação entre liberdade e livre arbítrio.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) No pensamento goza que não há como por-lhe peias. aniquilá-lo." (1)
o homem de ilimitada liberdade, pois Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não
"(...) Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é fazê-
los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do
progresso."
(2)
"(...) Um povo só ë verdadeiramente livre, digno de liberdade, se aprendeu a obedecer a lei
interna, lei moral, eterna e universal, que não emana nem do poder de uma casta, nem da
vontade das multidões, mas de um Poder mais alto. (...)" (5)
FONTES DE CONSULTA
Básicas
01 - KARDEC, Allan. o livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB
, 1983 perg. 833
02 - Op. cit., perg. 837
Complementares
03 - CALLIGARIS, Rodolfo. A lei da liberdade. :As leis morais. 2ª ed. Rio de Janeiro , FEB ,
1983 ,p.149.
04 - DENIS, Léon. A disciplina do pensamento e a reforma do caráter. In: O problema do ser ,
do destino e da dor. II ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1979 , p.361
05 - O livre-arbítrio . :O problema do ser , do destino e da dor . II ed. Rio de janeiro , FEB , 1979
. p.347
06 - FRANCO , Divaldo Pereira. Direito de Liberdade. :As leis morais da vida. Pelo Espírito
Joanna de Ângelis . Salvador . Alvorada 1976. p.134
LIBERDADE DE PENSAR E DE CONSCIÊNCIA
A liberdade de pensamento ,como a de agir ,constituem atributos essenciais do Espírito
,outorgadas por Deus ao cria-lo.
A liberdade de pensar é sempre ilimitada ,porquanto ninguém pode domar o pensamento
alheio ,aprisionando-o. Assim ensinam os Espíritos ao responderem a questão 833 de "O Livro
dos Espíritos" ,esclarecendo que "(...)no pensamento goza o homem da liberdade ilimitada
,pois não há como por-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo ,porém não aniquilá-lo".(1) Quando
muito ,ainda pela inferioridade e imperfeição de nossa civilização ,tenta-se muitas vezes ,
conter a manifestação exterior do pensamento ,ou seja ,a liberdade de expressão.
Se há algo que escapa a qualquer opressão é a liberdade de pensamento. Somente por ela
pode o homem gozar de liberdade absoluta. Ninguém consegue aprisionar o pensamento de
outrem ,embora possa entravar-lhe a liberdade de expressão.
Pela ação da lei do progresso ,a liberdade ,em todas as suas modalidades ,evolui
,especialmente a liberdade de pensar ,pois atualmente já não vivemos na época do "crer ou
morrer" ,como acontecia nos tempos da inquisição ou santo ofício.
Na verdade ,"(...) de século para século ,menos dificuldade encontra o homem para pensar
sem peias e, a cada geração que surge , mais amplas se tornam as garantias individuais no
que tange a inviolabilidade de foro íntimo(...)"(3).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 86

Evidencia-se bem distinta a liberdade de pensar e de agir ,pois , enquanto a primeira exerce
com maior amplidão ,sem barreiras , a última padece de extensas a profundas limitações.
Apesar da liberdade de pensar ser ilimitada ,ela depende do grau evolutivo de cada Espírito ,na
sua capacidade de irradiação e discernimento . A medida que um Espírito progride , desenvol-
ve-lhe o senso de responsabilidade sobre os seus atos e pensamentos.
Qualquer oposição exercida sobre a liberdade de uma pessoa é sinal de atraso espiritual. "(...)
Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é faze-los
hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e progres-
so".(2)
A toda criatura é concedida a liberdade de pensar , falar e agir , desde de que esta concessão
subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.
Desde de que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem ,incide-se
em crime passível de cerceamento daquele direito ,seja por parte das leis humanas ,sem
dúvida nenhuma através da Justiça Divina.
Graças a isso ,o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa , que
gera para si mesma o cárcere de sombra e dor ,a prisão sem barras em que expungirá mais
tarde , mediante o impositivo da reencarnação ,ou as asas de luz para a perene harmonia".(6)
O limite de nossa liberdade está ,portanto ,determinado onde começa a do próximo. "(...) Em
todas as relações sociais ,em nossas relações com os nossos semelhantes , é preciso nos
lembrarmos constantemente disto : Os homens são viajantes em marcha ,ocupando pontos
diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Por conseguinte ,nada devemos
exigir ,nada devemos esperar deles ,que não esteja em relação com seu grau de adiantamen-
to. (...)"(4)
Logo ,"(...) o Espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis
universais , que lhe são externas ,se tornem internas e conscientes pelo próprio fato de sua
evolução. No dia em que ele se compenetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações ,terá
atingido o ponto moral em que o homem se possui ,domina e governa a si mesmo.
Dai em diante já não precisará de constrangimento a da autoridade sociais para corrigir-se. E
dá-se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. Um povo só é verdadeiramente livre
,digno de liberdade se aprendeu a obedecer a lei interna ,lei moral ,eterna e universal ,que não
emana nem do poder de uma casta ,nem da vontade das multidões , mas de um Poder mais
alto. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo as liberdades não passam
de um logro ; tem-se a aparência ,mas não os costumes de um povo livre (...).
Tudo o que se eleva para a luz eleva-se para a liberdade. (...)"(5)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 87

3ª Unidade
Lei do progresso

07- Conceito de evolução e estado de natureza.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Conceituar estado de natureza.
2) Explicar qual a finalidade da lei de evolução ( ou de progresso ) e os meios empregados
para atingi-la
3) Esclarecer porque o homem não pode regredir.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvol-
vimento, intelectual e moral. (...3" (02)
"(...ì O objetivo da evolução, a razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos
erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento
devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas de alegrias e de
dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. (...)"
(053
"(...) A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na
hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Em suas diferentes existências
corporais, podem descer como homens, não como Espíritos. (...)" (01)
FONTES DE CONSULTA
01. KARDEC, Allan. 0 Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983. Perg. 194.
02. Op. cit., perg. 776.
03. Op. cit., perg. 778.
COMPLEMENTARES
04. DELLANE, Gabriel. A Evolução Anímica. Trad. de Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1976. Introdução pag. 16-17:
05. DENIS, Léon. Evolução e finalidade da alma. In:- . 0 problema do ser , do destino e da dor.
11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 119-120.
06. Op. cit., p. 120.
07. Op. cit., p. 122-123.
EVOLUÇÃO E ESTADO DE NATUREZA.
O homem desenvolve sua caminhada evolutiva a partir de um estado primitivo ou estado de
natureza. "(...) O estado de natureza e a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu
desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu
aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza,
como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que
dele sai por virtude do progresso e da civilização. (...)" (2)
E necessário que o ser humano desenvolva-se intelectual e moralmente e, através da lei de
progresso, regula-se a evolução de to dos os seres, encarnados ou desencarnados, e de todos
os mundos do Universo.
O Espírito só se depura com o tempo, pelas experiências que as reencarnações facultam.
"(...) O homem tem que progredir incessantemente e não pode volver ao estado de infância.
Desde que progride, é parque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar a sua primitiva
condição fora negar a lei do progresso". (3)
No estado de natureza o homem tem menos necessidades, a sua vida e mais simples e meno-
res são as atribulações. Ele se atem mais à sobrevivência 'e às necessidades fisiológicas. No
entanto, "(...) há em nós uma surda aspiração, uma íntima energia misteriosa que nos encami-
nha para as alturas, que nos faz tender para destinos cada vez mais elevados, que nos impele
para o Belo e para o Bem. É a lei do progresso, a evolução eterna, que guia a Humanidade
através das idades e aguilhoa cada um de nós, porque a Humanidade são as próprias almas,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 88

que, de século em século, voltam para prosseguir com auxílio de novos corpos, preparando-se
para mundos melhores em sua obra de aperfeiçoamento.
A lei do progresso não se aplica somente ao homem; é universal. Há, em todos os reinos da
Natureza, uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todos os tempos. (...) Na
planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e
torna-se consciente. (...) (7)
O homem ascende a planos mais alto através do "(...) trabalho, do esforço, de todas as alterna-
tivas da alegria e da dor (...)" (06)
"(...3 As reencarnações constituem, destarte, uma necessidade inelutável do progresso espiri-
tual. Cada existência corpórea não comporta mais do que uma parcela de esforços determina-
dos, após os quais. a alma se encontra exausta. A morte representa, então, um repouso, uma
etapa na longa rota da eternidade. Depois é a reencarnação novamente, a valer um como
rejuvenescimento para o Espírito em marcha.
Paixões antigas, ignomínias, remorsos, desaparecem, o esquecimento cria um novo ser, que
se atira cheio de ardor e entusiasmo no percurso da nova estrada. Cada esforço redunda num
progresso e cada progresso num poder sempre maior. Essas aquisições sucessivas vão alte-
ando a alma nos inumeráveis degraus da perfeição,
Somos, assim, o árbitro soberano de nossos destinos; cada encarnação condiciona a que lhe
sucede e, mau grado a lentidão da marcha ascendente, eis-nos a gravitar incessantemente
para alturas radiosas, onde sentimos palpitar corações fraternais, e entrarmos em comunhão
sempre mais e mais íntima com a grande alma universal - A Potência Suprema(...) (04)
ANEXO 1
MÃOS ENFERRUJADAS
Quando Joaquim Sucuplra abandonou o corpo, depois dos sessenta anos, deixou nos conhe-
cidos a impressão de que subiria incontinente ao Céu. Vivera arredado de mundo, na conforto
precioso que herdara dos pais. Falava pouco, andava menos, agia nunca.
Era visto invariavelmente em trajes impecáveis. A gravata ostentava sempre uma pérola de alto
preço, pequena orquídea assinalava a lapela, e o lenço, admiravelmente dobrado, caía, irre-
preensível, do bolso mirim. 'O rosto denunciava-Ihe o apurado culto às maneiras distintas.
Buscava, no barbeiro cuidadoso, cada manhã, renovada expressão juvenil. Os cabelos bem
postos, embora escassos, cobriam-lhe o crânio com o esmero possível.
Dizia-se cristão e, realmente, se vivia isolado, não fazia mal sequer a uma formiga. Assegura-
va, porém, o pavor que o possuía, ante os religiosos de todos os matizes. Detestava os padres
católicos, criticava as organizações protestantes e categorizava os espiritistas no rol doe lou-
cos. Aceitava Jesus a seu modo, não segundo o próprio Jesus.
As facilidades econômicas transitórias adiavam-Ihe as lições benfeitoras do concurso fraterno,
no campo da vida.
Estudava, estudava, estudava...
E cada vez mais se convencia de que as melhores diretrizes eram as dele mesmo. Afastamen-
to individual para evitar complicações e desgostos. Admitia, sem rebuços, que assim efetuaria
preparação adequada para a existência depois do sepulcro. Em vista disso, a desencarnação
de homem tão cauteloso em preservar-se, passaria por viagem sem escalas com destino à
Corte Celeste.
Dava aos familiares dinheiro suficiente para aventuras e fantasias, a fim de não ser incomoda-
do por eles ; distribuía esmolas vultosas, para que os problemas de caridade não Ihe visitas-
sem o lar ; afastava-se do mundo para não pecar. Não seria Joaquim - perguntavam amigos
íntimos - o tipo do religioso perfeito? Distante de todas as complicações da experiência huma-
na, pela força da fortuna sólida que herdara dos parentes, seria impossível que não conquis-
tasse o paraíso.
Contudo, a realidade que o defrontava agora não correspondia à expectativa gerai.
Sucupira, desencarnado, ingressara numa esfera de ação, dentro da qual parecia não ter
percebido pelos grandes servidores celestiais. Via-os em movimentação brilhante, nos campos
e nas cidades. Segredavam ordena divinas aos ouvidos de todas as pessoas em serviço digno.
Chegara a ver um anjo singularmente abraçado a velha cozinheira analfabeta.
Em se aproximando, todavia, dos Mensageiros do Céu, não era por eles atendido.
Conseguia andar, ver, ouvir, pensar. No entanto - desventurado Joaquim! - as mãos e os
braços mantinham-se inertes. Semelhavam-se a antenas de mármore, irremediavelmente
ligadas ao corpo espiritual. Se intentava matar a sede ou a fome, obrigava-se a cair de bruços,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 89

porque não dispunha de mãos amigas que o ajudassem.


Muito tempo suportara semelhante infortúnio, multiplicando apelos e lágrimas, quando foi
conduzido por entidade caridosa a pequeno tribunal de socorro, que funcionava de tempos a
tempos, nas regiões inferiores onde vivia compungido.
O benfeitor que desempenhava ali funções de juiz, reunida a assembléia de Espíritos peniten-
tes, declarou não contar com muito tempo, em face das obrigações que o prendiam noa círcu-
los mais altos e que viera até ali somente para liquidar os casos mais dolorosos e urgentes.
Devotados companheiros do bem selecionaram a meia dúzia de sofredores que poderiam ser
ouvidos, dentre os quais, par último, figurou Sucupira, a exibir os braços petrificados.
Chorou, rogou, lamuriou-se. Quando pareceu disposto a fazer o relatório geral e circunstancia-
do da existência finda, o julgador obtemperou;
Não, meu amigo, não trate de sua biografia. O tempo é curto. Vamos ao que interessa.
Examinou detidamente e observou, passados alguns instantes :
- Sua maravilhosa acuidade mental demonstra que estudou muitíssimo.
Fez pequeno intervalo e entrou a argüir :
- Joaquim, você era casado T
- Sim.
- Zelava a residências?
- Minha mulher cuidava de tudo.
- Foi pai?
- Sim.
- Cuidava dos filhos em pequeninos?
- Tínhamos suficiente número de criados e amas.
- E quando jovens ?
- Eram naturalmente entregues aos professores.
- Exerceu alguma profissão útil ?
- Não tinha necessidade de trabalhar para ganhar o pão
- Nunca sofreu dor de cabeça pelos amigos?
- Sempre fugi, receoso, das amizades. Não queria prejudicar, nem ser prejudicado.
O julgador interrompeu-se, refletiu longamente e prosseguiu
- Você adotou alguma religião ?
- Sim, eu era cristão - esclareceu Sucupira.
- Ajudava os católicos?
- Não. Detestava-os os sacerdotes.
- Cooperava com as Igrejas reformadas?
- De modo algum. São excessivamente intolerantes.
- Acompanhava os espiritistas?
--Não. Temia-lhes a presença.
-- Amparou doentes, em nome do Cristo?
- A Terra tem numerosos enfermeiros.
- Auxiliou criancinhas abandonadas?
- Ha creches por toda parte.
- Escreveu alguma página controladora?
- Para quê ? o mundo está cheio de livros e escritores.
- Utilizava o martelo ou o pincel?
- Absolutamente.
- Socorreu animais desprotegidos'.
- Não.
- Agradava-Ihe cultivar a terra?
- Nunca.
- Plantou árvores benfeitoras?
- Também não.
- Dedicou-se ao serviço de condução das águas, protegendo paisagens empobrecidas'?
Sucupira fez um gesto de desdém e informou:
- Jamais pensei nisto.
O instrutor indagou-lhe sobre todas as atividades dignas conhecidas no Planeta. Ao fim do
interrogatório, opinou sem delongas:
- Seu caso explica-se: você tem as mãos enferrujadas
Ante a careta do interlocutor amargurado, esclareceu :
- É o talento não usando, meu amigo. Seu remédio regressar a lição. Repita o curso terrestre.
Joaquim, confundido, desejava mais amplas elucidações.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 90

O juiz, porém, sem tempo de ouvi-lo, entregou-o aos cuidados de outro companheiro.
Rogério, carioca desencarnado, tipo 1945, recebeu-o de semblante amável e feliz e, após
escutar-lhe compridas lamentações, convidou, pacientemente:
- Vamos, Sucupira. Você entrará na fila em breves dias.
- Fila ? interrogou o infeliz, boquiaberto.
- Sim acrescentou o alegre ajudante -, na fila da reencarnação.
E, puxando o paralítico pelos ombros, concluía, sorrindo:
- O que você precisa, Joaquim, é de movimento
* XAVIER, Francisco Cândido. Luz Acima. Pelo espírito Irmão X 4 edição Rio de Janeiro FEB.
1978, pag. 17-21.

08 - Marcha do progresso.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Apontar os dois principais tipos de progresso.
2) Justificar porque nem sempre o progresso moral acompanha o intelectual.
3) Caracterizar os maiores obstáculos ã marcha do progresso.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Há duas espécies de progresso, que uma a outra se prestam mutuo apoio, mas que, no
entanto .não marcham lado a lado: o progresso intelectual e o progresso moral. (...3" (06)
O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. "Decorre deste, mas nem
sempre o segue imediatamente." (04)
"(...) O Espirito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso no se efetua
simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período da sua existência ele se adianta
em ciência; durante outro, em moralidade." (01)
"Os maiores obstáculos ao progresso são o orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso
moral, porquanto o intelectual se efetua sempre (...)(05)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC, Allan. o livro dos Espíritos. Trad. e Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB ,
1983 perg. 365 ,P. 203-204
02 - Op. Citada , perg. 751
03 - Op. Citada , perg. 779
04 - Op. Citada , perg. 780, p.363
05 - Op. Citada , perg. 785, p.365
06 - Op. Citada , perg. 785, p.366
07 - Op. Citada , perg. 785, p.366
07 -__. São chegados os tempos In. A Gênese .Trad. Guillon Ribeiro . 24 ed. Rio de Janeiro ,
FEB ,1982 item 19 ,p.414
COMPLEMENTARES
08 - CALLIGARIS .Rodolfo. A lei do progresso. In: As leis morais. 2º ed. Rio de Janeiro ,FEB
,1983 , p.120
09 - FRANCO ,Divaldo Pereira. Diante do Progresso .In As leis morais da vida . Salvados ,
Alvorada ,1976. item 37 ,p.107
10 - Progresso. In:__ Estudos espíritas. Pelo Espirito Joanna de Ângelis. Rio de Janeiro ,FEB
,1982 . p.79_
A MARCHA PARA O PROGRESSO
"(...) O progresso pode ser comparado ao amanhecer. Mesmo demorando aparentemente
culmina por lograr êxito.
A ignorância ,travestida pela força e iludida pela falsa cultura ,não poucas vezes se há levanta-
do ,objetivando criar embaraços ao desenvolvimento dos homens e dos povos (...).
Inevitavelmente ele chega ,altera a face e a constituição do que encontra pela frente e desdo-
bra recursos ,fomentando a beleza, a tranqüilidade ,o conforto , a dita. (...)" (10)
Esta é a marcha do progresso: Inexoravelmente erguerá o homem do solo das imperfeições
que ainda se detém para a sua gloriosa destinação: a perfeição.
Há dois tipos de progresso : o intelectual e o moral ;"(...) O homem se desenvolve por si mes-
mo ,naturalmente. Mas ,nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se ,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 91

então , que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros , por meio do contato soci-
al.(...)" (3)
O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. Geralmente os indivíduos
e os povos adquirem maior progresso científico e , mais lentamente , se moralizam. Com o
aumento do discernimento entre o bem e o mal , pelo desenvolvimento do livre arbítrio cresce
no ser humano a noção de responsabilidade no pensar, falar e agir "(...) O desenvolvimento do
livre arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos".(...)(4)
"(...) O desenvolvimento intelectual não implica a necessidade do bem. Um Espírito , superior
em inteligência ,pode ser mau. Isto se dá com aquele que muito tem vivido sem se melhorar :
Apenas sabe ".(2) Por isso encontramos entre nações tecnicamente adiantadas tantas injusti-
ças sociais: Falta a moralização dos seus componentes humanos.
"Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na terra, refreando as
paixões más ; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reine a concórdia , a
paz , a fraternidade.(...)" (7)
No século que vivemos houve grandes avanços nos diversos campos do conhecimento huma-
no , mas o "(...) progresso moral se acha muito aquém do fabuloso progresso intelectual a que
chegou , e daí porque prevalece , em nossos dias ,uma ciência sem consciência , valendo-se ,
não poucos , de suas aquisições culturais , apenas para a prática do mal. (...)" (8)
Mais cedo ou mais tarde os resultados do mau uso do livre arbítrio e da inteligência recairão
sobre os homens , através da lei de causa e efeito e , trabalhados pela dor , os homens ganha-
rão experiência e entendimento , para se equilibrarem e continuarem suas jornadas evolutivas.
O amor e o conhecimento são as asas harmoniosas para o progresso do homem e dos povos ,
progresso que , não obstante as paixões nefastas ainda predominantes na natureza animal do
homem , será impossível de não ser alcançado". (9)
Os maiores obstáculos á marcha do progresso moral são , sem sombra de dúvida , o orgulho e
o egoísmo. "(...)A primeira vista ,parece mesmo que o progresso intelectual reduplica as ativi-
dades daqueles vícios , desenvolve a ambição e o gosto das riquezas , que , a seu turno inci-
tam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espírito. Assim é que tudo se
prende , no mundo moral como no mundo físico , e que do próprio mal pode nascer o bem.
Curta porém é a duração desse estado de coisas , que mudará a proporção que o homem
compreender melhor que . além da que os gozo dos bens terrenos proporciona , uma felicidade
existe maior e infinitamente mais duradoura(...)" (5).

09 - Marcha do progresso – civilização.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Estabelecer a diferença entre civilização completa e povos esclarecidos intelectualmente.
2) Relacionar os indícios de uma civilização evoluída.
3) Explicar a necessidade da existência das leis humanas
IDÉIAS PRINCIPAIS
Uma civilização é completa ou evoluída "(...) pelo desenvolvimento moral.
Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravi-
lhosas invenções porque vos alojais e vestis melhor que os selvagens. Todavia, não tereis
verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houver-
des banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos praticando a caridade
cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos que hão percorrido a primeira fase da
civilização. (...)" (03)
"(...) A civilização criou necessidades novas para o homem, necessidades relativas à posição
social que ele ocupe. Tem-se, então, que regular, por meio de leis humanas, os direitos e
deveres dessa posição. (...) (04)
FONTES DE CONSULTA
Básicas
01 - KARDEC, Allan .O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57, Rio de Janeiro , FEB,
1983 . perg. 789
02 - Op. citada , perg. 790
03 - Op. citada , perg. 793
04 - Op. citada , perg. 795
05 - Op. citada , perg. 796
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 92

Complementares
06 - FRANCO ,Divaldo Pereira . Lei. ;Estudos Espíritas. Pelo espírito Joanna de Ângelis , Rio
de Janeiro ,FEB, 1982. pg. 87
07 - Op. citada ,pg. 87-88
08 - Diante do progresso. As leis morais da vida.. Salvador , Alvorada , 1976. Item 37, pg.106-
107_
A MARCHA DO PROGRESSO , CIVILIZAÇÃO
O progresso , para ser legítimo , não pode prescindir da elevação moral dos homens que se
haure do Evangelho sempre atual.
As conquistas da inteligência , embora valiosas , sem a santificação dos sentimentos condu-
zem ao desvairo e a destruição.
Para serem autênticas , as aquisições humanas devem alicerçar-se nos valores éticos , sem os
quais o conhecimento se converte em vapor tóxico que culmina por aniquilar quem o detém."
(08)
"(...) A humanidade progride por meio dos indivíduos que , pouco a pouco se melhoram e se
instruem. Quando estes preponderam pelo número , tomam a dianteira e arrastam os outros.
De tempos em tempos surgem no seio dela , homens de gênio que lhe dão impulso ; vem
depois ,como instrumento de Deus , os que tem autoridade e , nalguns anos , fazem-na adian-
tar-se de muitos séculos.(...)" (01)
A marcha do progresso é ascensional , quer intelectual , quer moralmente falando. Porém , o
fato de uma nação progredir cientificamente mais do que outra , não significa que seja moral-
mente mais adiantada. Civilizar quer dizer progredir , mas é um "(...) progresso incomple-
to.(...)"(02)
Para se chegar a um estado de civilização completa , de humanidade moralmente evoluída
,muitas conquistas deverão ser realizadas , tanto no campo moral quanto no intelectual.
Há diferenças entre civilização ,civilização completa ou evoluída e povos esclarecidos. Quando
um povo sai do estado selvagem ou de barbárie e ,por força do progresso adquire novos co-
nhecimentos, inicia-se o processo de civilização ; mas esta civilização é ainda incompleta
porque incompleto é o seu progresso."(...) A civilização , como todas as coisas , apresenta
gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado transitório , que gera males
especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso entretanto , constitui
menos um progresso natural necessário , que traz consigo o remédio para o mal que causa. A
medida que a civilização se aperfeiçoa , faz cessar alguns dos males que gerou, males que
desaparecerão todos com o progresso moral.
De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social , somente pode considerar-se
a mais civilizada , na legítima acepção do termo , aquela onde exista menos egoísmo , menos
cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais ;
onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade ; onde haja mais bondade , boa
fé , benevolência e generosidade recíprocas ; onde menos enraizados se mostram os precon-
ceitos de casta e de nascimento, isso porque tais preconceitos são incompatíveis com o verda-
deiro amor ao próximo;(...) enfim , onde todo homem de boa vontade esteja certo de não lhe
faltar o necessário."(03)
Na pergunta 793 de "O Livro dos Espíritos" , os Espíritos superiores esclarecem perfeitamente
a respeito das diferenças assinaladas acima; uma civilização completa ,"(...) reconhece-la-eis
pelo desenvolvimento moral. Crede que estais muito adiantados porque tendes feito grandes
descobertas e obtido maravilhosas invenções ;porque vos alojais e vestis melhor do que os
selvagens.
Todavia , não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados , senão quando de vossa
sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos ,
praticando a caridade cristã. Até então , sereis apenas povos esclarecidos , que hão percorrido
a primeira fase da civilização.(...)"(03) "(...) No que diz respeito a evolução dos códigos da
justiça humana , a Hamurabi se deve o mais antigo conjunto de leis conhecidas pela humani-
dade. (...)no qual se tem uma visão de equidade avançada para a época em que predominava
o poder sobre o direito, a supremacia do vencedor sobre o vencido.
Posteriormente , as civilizações ,pela necessidade de estabelecerem códigos destinados a
regerem seus membros , ora subordinados a diretrizes religiosas ,ora aos impositivos éticos
sobre que colocavam suas bases , formaram seus estatutos de justiça e ordem , nem sempre
felizes. (...)"(06)
"(...) Dos primeiros moralistas da escola ingênua , aos grandes legisladores , ressaltam as
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 93

figuras de Moisés , instrumento do Decálogo , a Jesus , excelso paradigma do amor , que


consubstanciaram as necessidades humanas, ao mesmo tempo facultando os meios liberativos
para o ser que marcha na direção da imortalidade. (...)
Do Direito Romano aos modernos tratados , as fórmulas jurídicas evoluem , apresentando
dispositivos e artigos cada vez mais concordes com o espírito de justiça do que com as ambi-
ções do comportamento individual e grupal.(...)"(07)
"(...) A civilização criou necessidades novas para o homem , necessidades relativas a posição
social que ele ocupa. Tem-se então que regular por meio de leis humanas , os direitos e deve-
res dessa posição.(...)"(04)
Quanto menos evoluída for a sociedade , mais duras são as sua leis. Uma sociedade deprava-
da certamente precisa de leis severas. Infelizmente essas leis mais se destinam a punir o mal
depois de feito , de que lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens ,que
então , não precisarão mais de leis tão rigorosas."(05)
ANEXO
QUESTIONÁRIO
01. Qual a diferença entre civilização completa e povos esclarecidos intelectualmente?
02. Por quais indícios se identifica uma civilização evoluída?
03. Por que é necessária a existência de leis humanas para regerem a nossa sociedade?
04. A civilização poderia ser, como querem alguns filósofos, um estado de decadência da
Humanidade?
05. Por que a civilização atual não pode ser regida somente pelas leis naturais?
06. Por que as leis humanas são passíveis de mudanças?
07. Em qual código de moralidade deverá o homem se basear para construir uma civilização
evoluída ou completa?

10 - Influencia do Espiritismo no progresso.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Explicar como o Espiritismo tornar-se-á a crença comum no futuro.
2) Analisar a influência do Espiritismo no progresso humano.
3) Citar o meio mais seguro que Deus dá ao homem para encaminhar-se no bem.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
O Espiritismo "(...) certamente que se tornará crença geral e mar cara nova era na história da
humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os co-
nhecimentos humanos." (...)" (03)
O Espiritismo, ao contribuir para o progresso, "(...) destruindo o materialismo, que é uma das
chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadei-
ros interesses.(...) (04)
"(...) Não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade, Ele
lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão." (05)
FONTES DE CONSULTA
Básicas.
01 - KARDEC, Allan =Caráter da revelação espírita. :A Gênese .Trad. de Guillon Ribeiro .24 ed.
Rio de Janeiro , FEB , 1982 Item 46. p.36
02 - Op. citada , item 47
03 - O Livro dos Espíritos .Trad. Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983 . perg. 798
04 - Op. citada , perg. 799
05 - Op. citada , perg. 802
06 - Predições do Evangelho . In A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro 24 ed. Rio de Janeiro
,FEB , 1982. item 40, p.387-388
07 - Teoria da presciência . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro 24 ed. Rio de Janeiro ,FEB ,
1982. item 40, p.363-364
Complementares
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 94

08 - CALLIGARIS , Rodolfo. Influência do Espiritismo no progresso da Humanidade. As Leis


Morais. 2 ed. Rio de Janeiro , FEB ,1983.p.132-133_
INFLUÊNCIA DO ESPIRITISMO NO PROGRESSO
A primeira revelação personificada em Moisés , como a segunda em Jesus , foram produtos de
um ensino individual , tornando-se forçosamente localizadas , isto é, apareceram num só ponto
, em torno do qual a idéia se propagou pouco a pouco ; mas , foram precisos muitos séculos
para que atingissem as extremidades do mundo , sem mesmo o invadirem inteiramente. A
terceira tem isto de particular : não estando personificada em um só indivíduo , surgiu simulta-
neamente em milhares de pontos diferentes , que se tornaram centros ou focos de irradiação.
Multiplicando-se esses centros , seus raios se reúnem pouco a pouco ,como os círculos forma-
dos por uma multidão de pedras lançadas na água de tal sorte que , em dado tempo , acabarão
por cobrir toda a superfície do globo (...)" (1)." Esta circunstância (...) ,lhe dá força excepcional
e irresistível poder de ação.(...). Ainda mais : se a ferirem num só indivíduo , não poderão feri-la
nos Espíritos , que são a fonte donde ela se promana. Ora , como os Espíritos estão em toda
parte e existirão sempre , se , por um acaso impossível , conseguissem sufocá-la em todo o
globo , ela reapareceria pouco tempo depois , porque repousa sobre um fato da natureza e não
se podem suprimir as leis da Natureza. Eis aí o de que se devem persuadir aqueles que so-
nham com o aniquilamento do Espiritismo".(2)
"Quanto ao futuro do Espiritismo , os Espíritos , como se sabe , são unânimes em afirmar o seu
triunfo próximo a despeito dos obstáculos que lhe criem. Fácil lhes é esta previsão , primeira-
mente , porque a sua propagação é obra pessoal deles : Concorrendo para o movimento , ou
dirigindo-o , eles naturalmente sabem o que se deve fazer; em segundo lugar , basta-lhes
entrever um período de curta duração: vêem , nesse Período , ao longo do caminho , os pode-
rosos auxiliares que Deus lhe suscita e que não tardarão a manifestar-se.(...)"(7)
"(...) A doutrina de Moisés , incompleta , ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus , mais
completa , se espalhou por toda a terra , mediante o Cristianismo , mas não converteu a todos ;
o Espiritismo . ainda mais completo , com raízes em todas as crenças , converterá a Humani-
dade".(6)
O progresso da Humanidade , sem dúvida é lento , muito lento mesmo , mas constante e
ininterrupto.
Ainda quando pareça estar regredindo , o que ocorre em certos períodos transitórios , esse
recuo não é senão prenúncio de nova etapa de ascensão.
O que conduz sempre para a frente são as novas idéias , as quais , via de regra , são trazidas
a terra por missionários incumbidos de lhe ativarem a marcha.
Acontece entretanto que a "Natureza não dá saltos", e qualquer princípio mais avançado , que
fuja aos padrões culturais estabelecidos , só ao cabo de várias gerações logra ser aceito e
assimilado pelos que seguem na retaguarda.
Essa resistência as concepções modernas , sejam elas políticas , sociais ou religiosas , parece
um mal , mas em verdade é um bem , porque funciona como um processo de seleção natural ,
fazendo que as destituídas de real valor desapareçam e caiam no olvido , para só vingarem
aquelas que devam contribuir ,efetivamente ,para o aperfeiçoamento das instituições.
O Espiritismo é um desses movimentos e se destina não apenas a abrir um campo diferente de
pesquisas a ciência , mas principalmente a marcar uma nova era na História da Humanidade,
pela profunda revolução que provoca em seus pensamentos e em seus ideais, impulsionando-
a para a sublimação espiritual , pela vivência do Evangelho.
Talvez nos perguntem: se é assim , se o Espiritismo está fadado a exercer grande influência no
adiantamento dos povos , porque os Espíritos não desencadeiam uma onda de manifestações
ostensivas , patentes , de modo que todos , até mesmo os materialistas e os ateus , sejam
forçados a crer neles e nas informações acerca do que nos espera do outro lado da vida?
(...)"(8)
"(...) Desejaríeis milagres ; mas , Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e ,
no entanto , ainda há homens que o negam. Conseguiu , porventura , o próprio Cristo conven-
cer os seus contemporâneos , mediante os prodígios que operou? Não conheceis presente-
mente alguns que negam os fatos mais patentes , ocorridos as suas vistas? Não há os que
dizem que não acreditariam mesmo que vissem? Não , não é por meio de prodígios que Deus
quer encaminhar os homens. Em sua bondade , Ele lhes deixa o mérito de se convencerem
pela razão".(5)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 95

4ª Unidade
Lei de sociedade

11 - Necessidade de vida social.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Explicar porque é necessário ao homem viver em sociedade.
2) Identificar, no intercâmbio social, um meio de progresso humano.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"(...) Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as
outras faculdades necessárias à vida de relação." (0l)
"A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no
qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas." (05)
"(...) Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas
às outras se completam, para lhes assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que,
precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados."
(02)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC , Allan. O livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de janeiro, FEB,
1983, perg. 766
02 - Op. citada, perg. 768
COMPLEMENTARES
03 - CALLIGARIS, Rodolfo. Sociabilidade. In As leis morais. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983,
pg. 107-108.
04 - FRANCO ,Divaldo Pereira. Intercâmbio social In As leis morais da vida Salvador , Alvorada
, 1976 pg. 91
05 - Op. citada, pag. 92
NECESSIDADE DE VIDA SOCIAL
A sociabilidade é uma lei da Natureza a que o homem não pode se esquivar , sem prejudicar-
se , pois é por meio do relacionamento entre os semelhantes que ele desenvolve as suas
potencialidade. Deus lhe deu a fala e outras faculdades para que , através da vida em socieda-
de, pudesse evoluir. O insulamento priva o homem das relações sociais que lhe garantem o
progresso. "(...) A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do
progresso que rege a Humanidade.
É que Deus, em seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, fez perfectíveis; assim, para
atingirmos a perfeição a que estamos destinados todos precisamos uns dos outros , pois não
há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social
nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte do
nosso espírito seria o embrutecimento e a estiolação.
Sendo o fim supremo da sociedade promover o bem estar e a felicidade de todos os que a
compõem, para que tal seja alcançada há necessidade de que cada um de nos observe certas
regras de procedimento ditadas pela justiça e pela moral, abstendo-se de tudo que possa
destruir.(...)"(03)
"(...) Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas
as outras se completam , para lhe assegurarem o bem estar e o progresso. Por isso é que,
precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insula-
dos."(02)
"O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em
sociedade.
O seu insulamento a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência à lei natural, caracteri-
zando-se por uma fuga injustificável as responsabilidades do dia-a-dia."(04)
" A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade,
no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas.
Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições,
sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspiran-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 96

do-o ao despertamento e a mudança de conduta de motu próprio.(...)


Isolar-se , portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o ego-
ísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói santos da abnegação e da carida-
de."(05)
ANEXO I
SOCIABILIDADE (*)
"O homem é um animal social", $á o dizia, com acerto, famoso pensador da Antigüidade,
querendo com isso significar que ele foi criado para viver, ou melhor, conviver com seus seme-
lhantes.
A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege
a Humanidade.
É que Deus, em Seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, fêz-nos perfectíveis; assim, para
atingirmos a perfeição a que estamos destinados, todos precisamos uns dos outros, pois não
há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio
social, nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte
de nosso espirito seria o embrutecimento e a estiolação.
Sendo o fim supremo da sociedade promover o bem-estar e a felicidade de todos os que a
compõem, para que tal seja alcançado ha necessidade de que cada um de nós observe certas
regras de procedimento ditadas pela Justiça e pela Moral, abstendo-se de tudo que as possa
destruir.
Com efeito, a boa ordem na sociedade depende das virtudes humanas. À medida que nos
formos esclarecendo, tomando consciência de nossos deveres para com nós mesmos (amor
ao trabalho, senso de responsabilidade, temperança, controle emocional, etc.) e para com a
comunidade de que somos parte integrante (cortesia, desprendimento, generosidade, honra-
dez, lealdade, tolerância, espírito público, etc.), cumprindo-os à risca, menores e menos fre-
qüentes se irão tornando os atritos e conflitos que nos afligem ; mais estável será a paz e mais
deleitável a harmonia que devem reinar em seu seio.
A par disso, para que a sociedade funcione e possa corresponder à sua finalidade, um outro
principio existe que precisa, também, ser observado: o da autoridade.
No menor tipo de sociedade que se conhece, o lar, por exemplo, se aquele que a deve exercer,
o chefe de família, não recebe da parte da mulher e dos filhos o acatamento e a obediência
devidos, a anarquia toma conta da casa, com sérios prejuízos para, todos os familiares.
Na sociedade civil acontece o mesmo. Se os indivíduos e os grupos não derem correto atendi-
mento às normas traçadas pelo governo (que deles recebeu delegação de poderes para dirigir
os destinos do Estado), antes as infrinjam ou desobedeçam, a desordem não tardará a fazer-se
senhora da situação, resultando nulas as medidas propostas no sentido do progresso social.
Um e outro - chefe de família e governo - não devem, porém, exorbitar de suas funções, seja
impondo uma sobrecarga de obrigações aos que estejam subordinados à sua jurisdição, seja
frustrando-lhes o gozo de seus direitos individuais, porque isso, então, já não seria autoridade,
e sim tirania, despotismo.
Estes conceitos, ampliados, são válidos igualmente para a sociedade natural, formada pelo
concerto das nações, cujos membros devem respeitar-se e auxiliar-se mutuamente, tudo fa-
zendo pela concórdia entre os povos e a prosperidade universal, porque, interdependentes que
são, sempre que alguns componentes do cosmo social entrem em guerra ou se vejam a braços
com crises econômicas, todos haveremos, de uma forma ou de outra, de sofrer-lhes as dano-
sas conseqüências.
Uma vez que a vida social é uma necessidade geral, que pensar daqueles que se isolam
completamente, fugindo (segundo dizem) ao pernicioso contato do mundo?
Pela Doutrina Espirita, tal procedimento revela forte dose de egoísmo e só merece reprovação,
visto que "não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a
ninguém".
Já aqueles que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranqüilidade reclamada
por certa natureza de ocupação, assim os que se recolhem a determinadas instituições fecha-
das para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, obviamente, embora
afastados da convivência social, prestam excelentes serviços à sociedade, adquirindo duplos
méritos, porquanto, além da renúncia às satisfações mundanas, têm a seu favor a prática das
leis do trabalho e da caridade cristã.
RESPONDA;
1) Que conceito de isolamento pode-se retirar do texto
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 97

2) Por que é necessário ao homem viver em sociedade.


3) Exemplifique situações em que o isolamento físico é manifestação de amor ao próximo
ANEXO II
INTERCÂMBIO SOCIAL
O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em
sociedade.
O seu insulamento, a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência a lei natural, caracteri-
zando-se por uma fuga injustificável a responsabilidades do dia-a-dia.
Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as antigas incursões ao isolacionismo, seja nas
regiões desérticas para onde o homem fugia a buscar meditação, seja no silêncio das clausu-
ras e monastérios onde pensava poder' perder-se em contemplação.
O Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar ' uma sociedade equilibrada, na qual
todos os seus membros sejam solidários entre si.
"Negar o mundo" do conceito evangélico, não significa abandoná-lo, antes criar condições
novas, a fim de modificar-Ihe as estruturas negativas e egoísticas, engendrando recursos que o
transformem em reduto de esperança, de paz, perfeito símile do "reino dos céus", a que se
reportava Jesus.
A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no
qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas
Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições,
sem constituir-ihe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspiran-
do-o ao despertamento e à mudança de conduta de motu próprio,
A reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o meio e renova os
cômpares com quem cada um se afina.
Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o ego-
ísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da carida-
de.
Criaturas bem intencionadas sonham com comunidades espiritualizadas, perfeitas, onde se
possa viver em regime da mais pura santificação.
Assim tocadas, programam colmeias, organizam comitês para tal fim, e os mais ambiciosos
laboram por cidades onde o mal não exista e todos se amem...
Em verdade, tal ambição, nobre por enquanto impraticável senão totalmente irrealizável, repre-
senta uma reminiscência ancestral das antigas comunidades religiosas onde o atavismo criou
necessidades de elevação num mundo especial, longe das realidades objetivas entre os ho-
mens em evolução.
Jesus, porém, deu-nos o exemplo.
Desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições, a fim de ajudar.
Não convocou os privilegiados, antes convidou os infelizes, os rebeldes e rejeitados, suportan-
do suas mazelas e assim mesmo os amando.
No Colégio íntimo esteve a braços com as sistemáticas dúvidas dos amigos, suas ambições
infantis, suas querelas frívolas, suas disputas...
Não se afastou deles, embora suas imperfeições, não se rebelou contra eles.
Ajudou-os, incansavelmente, até os momentos extremos, quando, sofrendo, no Getsemani,
surpreendeu-os, mais de uma vez, a dormir...
E retornou ao convívio deles, quando atemorizados, a sustentá-los e animá-los, a fim de que
não deperecessem na fé, nem na dedicação em que se fizeram mais tarde dignos do seu
Mestre, em face das testemunhos libertadores a que se entregaram...
Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os
irmãos mais inditosos do que tu mesmo.
Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha.
Nada esperes dos outros.
Se tu quem ajuda, desculpa, compreende.
Se eles te enganam ou te traem, se censuram-te ou exigem-te o que te não dão, ama-os mais,
sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões.
Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás
logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio
social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.
(*) FRANCO, Divaldo Pereira. Leis Morais da Vida. Salvador, Alvorada, 1976. p. 91-93.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 98

Responda;
1) Qual o significado da expressão de Paulo de Tarso, " lutar o bom combate "?
2) Identificar no intercâmbio social um meio de progresso humano.

12 - Vida de isolamento. Voto de silêncio.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Justificar porque a vida de isolamento não é compatível com os ensinamentos Espíritas.
2) Especificar as conseqüências espirituais da vida de isolamento e do voto de silêncio.
3) Esclarecer como deve ser a conduta do homem no mundo.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a nin-
guém."(02)
O isolamento, "a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência ã lei natural, caracterizando-
se por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia-a-dia." (07)
"(...) O voto de silêncio absoluto, do mesmo modo que o voto de insulamento, priva o homem
das relações sociais que lhe podem facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do
progresso." (02)
"(...) Vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens.(...)"(04)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed., Rio de Janeiro, FEB,
1983, perg. 766
02 - Op. citada , perg. 769
03 - Op. citada , perg. 772
04 - Sede perfeitos. In. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro, 87 ed., FEB,
Rio de Janeiro, item 10
COMPLEMENTARES
05 - Amorim Deolindo, A Doutrina Espírita , pag. 147
06 - CALLIGARIS, Rodolfo. Sociabilidade. In: - . As leis morais. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983. P. 107
07 - FRANCO, Divaldo Pereira. Intercâmbio social. In: - As leis morais da vida, Salvador, Alvo-
rada, 1976. P. 91
VIDA DE ISOLAMENTO, VOTO DE SILÊNCIO
A criatura humana, pela sua estrutura ético-psicológica, é dotada por Deus de sentimentos e
emoções, que a obrigam e impelem para a vida social."(...) Deus fez o homem para viver em
sociedade(...)"(1); e para isso foi-lhe outorgado o atributo da palavra que é o veículo da comu-
nicação entre os encarnados.
O homem sendo, por excelência, um ser gregário, um animal social, como há milênios já apre-
goava a filosofia Aristótelica na velha Grécia, não pode, portanto, viver isoladamente.
A vida solitária por opção revela sempre uma fuga inconcebível, porque somente indica infra-
ção as leis divinas do trabalho e do amor. O isolamento é incompatível com o sentimento de
fraternidade que deve existir nos corações humanos. Não sendo o homem dotado, inicialmente,
de auto-suficiência, condição conseguida pelo trabalho e progresso, ele é dependente do seu
semelhante. As faculdades humanas não estão desenvolvidas no mesmo grau e, segundo
Deolindo Amorim, há "necessidade de viverem uns pelos outros e para os outros, tendo como
ponto convergente o bem comum".(5)
O isolamento é contrário a Lei da Natureza, e é por isso que pelo próprio instinto o homem
busca a vida comunitária de modo a concorrer para o progresso, através do auxilio recíproco. A
solidão torna o homem improdutivo e inútil para com os seus semelhantes e isto"(...) não pode
agradar a Deus".(2)
A insociabilidade gerando solidão atenta contra o próprio instinto de conservação e de perpetu-
ação da espécie, entravando o progresso, razão porque somente embrutece e enfraquece o
homem, que a ela se devota ou se agarra como fuga.
Os cultores da vida reclusa se estiolam pela improdutividade, pela estagnação quanto as
aquisições dos tesouros da sabedoria e da experiência. Segundo os ensinamentos espíritas,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 99

isto revela egoísmo e só merece reprovação."(...) Não há como desenvolver e burilar nossas
faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, nessa permuta constante de afeição,
conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte do nosso Espírito seria o embrutecimento e
a estiolação.(...)"(6)
O voto do silêncio adotado por alguns religiosos nada edifica, porquanto impede a comunica-
ção entre os seres vivos, o que, em última análise, como sustentam os Espíritos superiores, "é
uma tolice"(3). A palavra é uma faculdade natural"(3) concedida ao homem por Deus para "
facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a Lei do Progresso."(3)
Se Deus quisesse silenciar as suas criaturas, não teria conferido-lhes este dinâmico atributo da
palavra e maravilhoso veículo para expressar as idéias elaboradas pelas suas mentes.
Devemos considerar, no entanto, que existem ocasiões onde o silêncio é necessário. São
aqueles momentos de recolhimento espiritual, onde o Espírito, mais livre, entra em contato com
o seu Criador e com seus enviados; fora disto, a vida contemplativa é inteiramente improdutiva
e não há motivos que a justifiquem.
Neste sentido um Espírito protetor alertou-nos:"(...) Não julgueis, todavia, que exortando-vos
incessantemente a prece e a evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos
conserve fora das Leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não ; vivei com os ho-
mens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai as necessidades, mesmo as
frivolidades do dia, mas sacrificai com sentimento de pureza que as possa santificar.
Sois chamados a estar em contato com Espíritos de natureza diferentes, de caracteres opostos
: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. (...)
Não consiste a virtude em assumir severo e lúgubre aspecto, em repelirdes os prazeres que as
vossas condições humanas vos permitem. Basta reporteis todos os atos da vossa vida ao
Criador que vo-la deu.(...)"(4)

13 - Vida em família e laços de família.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Conceituar a vida em família .
2) Ressaltar a importância da vida em família.
3) Apontar a diferença entre parentesco pelos laços físicos e pelos laços espirituais.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"A família é uma instituição divina cuja finalidade precípua consiste me estreitar laços sociais
(...)".(03)
"(...) Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de
progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tor-
nam os primeiros. Eis porque os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por
essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos." (02)
"(...) Ha, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos
laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mun-
do dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria,
se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente já na existência atual.
(...)" (0l)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Honrai a vosso pai e a vossa mãe. In O Evangelho segundo o Espiritismo.
Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro , FEB, 1983, item 08
02 - O Livro dos Espíritos trad. Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio Janeiro, FEB, 1983, perg. 774.
COMPLEMENTARES.
03 - CALLIGARIS, Rodolfo. A família In. As leis morais. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 p.115
04 - Franco, Divaldo Pereira. Família. In Estudos Espíritas Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Rio
de Janeiro, FEB, 1982. p 176.
05 - Filhos ingratos . In Após a tempestade. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador,
Alvorada, 1977. p. 33
06 - XAVIER, Francisco Cândido. Família. In. Vida e sexo. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 6
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p 13.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 100

VIDA EM FAMÍLIA E LAÇOS DE FAMÍLIA


A vida familiar deve ser a vida de todo homem integrado na unidade social, denominada famí-
lia. Esta palavra, família, pode ser conceituada num sentido mais restrito - constituído pelos
nossos familiares consangüíneos - como num sentido mais amplo, o representado por grupa-
mentos de espíritos afins, quer intelectual, quer moralmente.
"(...) A família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se
lapidam caracteres; laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspira-
ções, refinam idéias, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elabo-
ração de misteres santificante. (...)"(05)
A família é pois, o mais prodigioso educandário do progresso humano. A sua importância não
se mede apenas como uma fonte geratriz de seres racionais, mas como oficina de onde se
projetam os homens de bem, os sábios, os benfeitores em geral."(...)A família é mais do que
um resultante genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os
sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da
concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da eleva-
ção espiritual na Terra.
Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo
do malogro...(...)"(04)
A vida em família, para que atinja suas finalidades maiores, deve ser vivenciada dentro dos
padrões de moralidade e solidariedade. A família é uma instituição divina cuja finalidade precí-
pua consiste em estreitar os laços sociais, ensejando-nos o melhor modo de aprendermos a
amar-nos como irmãos.(...)"(03)
Por tão incontestáveis razões, a vida em família, de todas as associações é, talvez, a mais
importante em virtude da sua função educadora e regenerativa.(06)
Existem duas modalidades de família e , em conseqüência, duas categorias de laços parentes-
cos; as que procedem da consangüinidade e as que procedem das ligações espirituais.
Os laços de sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do
corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o espírito já existia antes da formação
do corpo. Não é o pai quem cria o espírito de seu filho; ele mais não faz que lhe fornecer o
invólucro corpóreo, cumprido-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do
filho, para faze-lo progredir.
Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são as mais das vezes,
Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações que se expressam por uma afeição recí-
proca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos
outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem
na Terra por mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüini-
dade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais
prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.(...)"
Há ,pois , duas espécies de família; as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços
corporais. Duráveis , as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos
Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se
extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atu-
al.(...)"(01)
ANEXO I
Solução natural (*)
Os espíritos benfeitores já não sabiam como atender k pobre senhora obsidiada.
Perseguidor e perseguida estavam mentalmente associados à maneira de polpa e casca no
fruto.
Os amigos desencarnados tentaram afastar o obsessor, induzindo a jovem senhora a esquecê-
lo, mas debalde.
Se tropeçava na rua, a moça pensava nele...
Se alfinetava um dedo em serviço, atribuia-Ihe o golpe...
Se o marido estivesse irritado, dizia-se vítima do verdugo invisível...
Se a cabeça doía, acusava-o...
Se uma xícara se espatifasse, no trabalho doméstico, imaginava-se atacada por ele...
Se aparecesse leve dificuldade econômica, transformava a prece em critica ao desencarnado
infeliz...
Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação, por teimosia, os instrutores espiri-
tuais ligaram os dois - a doente e o acompanhante invisível - em laços fluídicos mais profundos,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 101

até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e de compaixão.
Os benfeitores descansaram.
O obsessor descansou.
A obsidiada descansou.
O esposo dela descansou.
Transformar obsessores em filhos, com a bênção da Providência Divina, para que haja paz nos
corações e equilíbrio nos lares, muita vez é a única solução.
HILÁRIO SILVA
(*) XAVIER, Francisco Cândido, Luz no Lar. Diversos autores espirituais. 3 ed.
Rio de Janeiro, FEB, 1978, p. 82-83
ANEXO II
TEXTO PARA ESTUDO INDIVIDUAL E EM GRUPOS
(TÉCNICA DE RUMINAÇÃO)
Família
Há, pois, duas espécies de famílias: as família pelo laços espirituais. e as famílias pelos laços
corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos
Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se
extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem moralmente, já na existência atual.»
Do item 8, no Cap. XIV, de "O Evangelho SEGUNDO O ESPIRITISMO "
De todas as associações existentes na Terra - excetuando naturalmente a Humanidade -
nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa: a constituição da
família.
De semelhante agremiação, na qual dois seres se conjugam, atendendo aos vínculos do afeto,
surge o lar, garantindo os alicerces da civilização. Através do casal, ai estabelecido, funciona o
principio da reencarnação, consoante as Leis Divinas, possibilitando o trabalho executivo dos
mais elevados programas de ação do Mundo Espiritual.
Por intermédio da paternidade e da maternidade, o homem e a mulher adquirem mais amplos
créditos da Vida Superior.
Dai, as fontes de alegria que se lhes rebentam do ser com as tarefas da procriação.
Os filhos são liames de amor conscientizado que lhes granjeiam proteção mais extensa do
Mundo Maior, de vez que todas nos integramos grupos afins.
Na arena terrestre, é justo que determinada criatura se faça assistida por outras que lhe respi-
ram a mesma faixa de interesse afetivo. De modo idêntico, é natural que as inteligências domi-
ciliar das nas Esferas Superiores se consagrem a resguardar e guiar aqueles companheiros de
experiência, volvidos a reencarnação para fins de progresso e burilamento,
A parentela no Planeta faz-se filtro da família espiritual sediada além da existência física,
mantendo os laços preexistentes entre aqueles que lhe comungam o clima.
Arraigada nas vidas passadas de todos aqueles que a compõem, a família terrestre é formada,
assim, de agentes diversos, porquanto nela se reencontram, comumente, afetos e desafetos,
amigos e inimigos, para os ajustes e reajustes indispensáveis, ante as leis do destino.
Apesar disso, importa reconhecer que o clã familiar evolve incessantemente para mais amplos
conceitos de vivência coletiva, sob os ditames do aperfeiçoamento geral, conquanto se erija
sempre em educandário valioso da alma.
Temos, dessa forma, no instituto doméstico uma organização de origem divina, em cujo seio
encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação
do Mundo Melhor. ( 1 )
(01) XAVIER Francisco Cândido. Vida e Sexo. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de
Janeiro,- FEB, 1982. p. 13-15.
Pais e filhos
«A ingratidão é um dos frutos mais diretos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos,
Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso. »
Do item 9, do Cap. XIV, de "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO"
Trazida a reencarnação para os alicerces dos fenômenos sócio-domésticos, não é somente a
relação de pais para filhos que assume caráter de importância, mas igualmente a que se verifi-
ca dos filhos para com os pais.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 102

Os filhos não pertencem aos pais; entretanto, de igual modo, os pais não pertencem aos filhos.
Os genitores devem especial consideração aos próprios rebentos, mas o dever funciona bi-
lateralmente, de vez que os rebentos do grupo familiar devem aos genitores particular atenção.
Existem pais que agridem os filhos e tentam escravizá-los, qual se Ihes fossem objeto de
propriedade exclusiva; todavia, encontramos, na mesma ordem de freqüência, filhos que agri-
dem os pais e buscam escravizá-los, como se os progenitores Ihes constituíssem alimárias
domésticas,
A reencarnação traça rumos nítidos ao mútuo respeito que nos compete de uns para com os
outros.
.Entre pais e filhos, há naturalmente uma fronteira de apreço recíproco., que não se pode
ultrapassar, em nome do amor, sem que o egoísmo apareça, conturbando-lhes a existência,
Justo que os pais pão interfiram no futuro dos filhos, tanto quanto justo que os filhos não interfi-
ram no passado dos pais.
Os pais não conseguem penetrar, de imediato, a trama do destino que os princípios cármicos
lhes reservam aos filhos, no porvir, e os filhos estão inabilitadas a compreender, de pronto, o
enredo das circunstâncias em que se mergulharam seus pais, no pretérito, a fim de que pudes-
sem volver, do Plano Espiritual ao renascimento no Plano Físico. Unicamente no mundo das
causas, após a desencarnação, ser-lhes-á possível o entendimento claro, acerca dos vínculos
em que se imantizam. Invoque-se, à vista disso, o auxílio de religiosos, professores, filósofos e
psicólogos, a fim de que a excessiva agressividade filial não atinja as raias da perversidade ou
da delinqüência para com os pais c nem a excessiva autoridade dos pais venha ;s violentar os
filhos, em nome de extemporânea ou cruel desvinculação.
Pais e filhos são, originariamente, consciências livres, livres filhos de Deus empenhados no
mundo à obra de auto-burilamento, resgate de débitos, reajuste, evolução. As leis da vida
englobam-lhes a individualidade no mesmo alto gabarito de consideração.
Nunca é lícito o desprezo dos pais para com os filhos e vice-versa.
Não configuramos no assunto qualquer aspecto lírico na temática afetiva. Apresentamos,
sumariamente, princípios básicos do Universo,
A existência, terrestre é muito importante no progresso e no aperfeiçoamento do Espirito; no
entanto, ao mesmo tempo, é simples estágio da criatura. eterna no educandário da experiência
física, à maneira de estudante no internato.
Os pais lembram alunos, em condições mais avançadas de tempo, no currículo de Lições, ao
passado que os filhos recordam aprendizes iniciantes, quando surgem na arena de serviço
terrestre, com acesso na escola, sob o patrocínio dos companheiros que os antecederam, por
ordem de matricula e aceitação. E que os filhos jamais acusem os pais pelo curso complexo ou
difícil em que se vejam no colégio da existência humana, porquanto, na maioria das ocasiões,
foram eles mesmos, os filhos, que, na condição de Espíritos desencarnados, insistiram com os
pais, através de afetuoso constrangimento ou suave processo obsessivo, para que os trouxes-
sem, de novo, à oficina de valores físicos, de cujos instrumentos se mostravam carecedores, a
fim de seguirem rumo correto, no encalço da própria emancipação.(2)
02 ) Op. Citada, pag. 77-80
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 103

5ª Unidade
Lei do trabalho

14 - Necessidade do trabalho.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Identificar no trabalho, uma lei divina ou da natureza.
2) Explicar porque o trabalho é um meio de progresso humano
3) Traçar um paralelo entre a natureza do trabalho nos mundos inferiores e nos superiores
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização
obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos." (04)
O trabalho no "(...) homem visa duplo fim: a conservarão do corpo e o desenvolvimento da
faculdade de pensar, o que também é uma necessidade e o eleva acima de si mesmo. (...)"
(06)
Nos diversos mundos do Universo, "a natureza do trabalho está em relação com a natureza
das necessidades. Quanto menos materiais são estas, menos material e o trabalho. Mas, não
deduzais daí que o homem se conserve inativo e inútil. A ociosidade seria um suplício, em vez
de ser um benefício." (07)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01 - KARDEC ,Allan. Há muitas moradas na casa de meu pai In: O Evangelho segundo o
Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983, item 8 , pg. 79
02 - Op. citada, item 9,pg. 79
03 - Op. citada, item 12,81-82
04 - O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro 58 ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983 ,perg. 674
05 - Op. citada, perg. 676
06 - Op. citada, perg. 677
06 - Op. citada, perg. 678
Complementares
07 - FRANCO, Divaldo. A bênção do trabalho. In As leis morais da vida, ditado pelo Espírito
Joanna da Ângelis. Salvador ,Alvorada, 1976 ,pg. 31-32.
08 - Trabalho In; Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis .Rio de Janeiro ,FEB,
1982, pg. 91
09 - Op. citada, pag. 95-96.
NECESSIDADE DO TRABALHO.
"Genericamente o vocábulo trabalho pode ser definido como: 'ocupação em alguma obra ou
ministério ; exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa'.
O trabalho porém ,é lei da natureza mediante a qual o homem forja o próprio progresso desen-
volvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa , ampliando os recursos de
preservação da vida , por meio das suas necessidades imediatas na comunidade social onde
vive.(...).
O trabalho, no entanto, não se restringe ao esforço de ordem material , física , mas, também
intelectual pelo labor desenvolvido , objetivando as manifestações da Cultura , do Conhecimen-
to , da Arte , da Ciência. (...)"(9)
"(...) Mediante o trabalho remunerado o homem modifica o meio , transforma o habitat , cria
condições de conforto.
Através do trabalho-abnegação , do qual não decorre troca nem permuta de remuneração , ele
se modifica a si mesmo , crescendo no sentido moral e espiritual.
Por um processo ele se desenvolve na horizontal e se melhora exteriormente ; pelo outro ,
ascende no sentido vertical da vida e se transforma de dentro para fora.
Utilizando-se do primeiro recurso conquista simpatia e respeito , gratidão e amizade. Através
da auto doação consegue superar-se , revelando-se instrumento da Misericórdia Divina na
construção da felicidade de todos.(...)(10)
"(...)Sem o trabalho , o homem permaneceria sempre na infância , quanto a inteligência . Por
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 104

isso é que seu alimento , sua segurança e seu bem estar dependem do seu trabalho e da sua
atividade. Ao extremamente fraco de corpo outorgou Deus a inteligência em compensação.
Mas é sempre um trabalho".(05)
"(...)O trabalho é , ao lado da oração , o mais eficiente antídoto contra o mal, porquanto con-
quista valores incalculáveis com que o espírito corrige as imperfeições e disciplina a vontade.
O momento perigoso para o cristão é o do ócio , não o do sofrimento nem o da luta áspera.
Na ociosidade surge e cresce o mal. Na dor e na tarefa fulguram a luz da oração e a chama da
fé. (...)(08)
Nos mundos mais evoluídos quanto nos inferiores, a natureza do trabalho não é a mesma. " A
natureza do trabalho está em relação com a natureza das necessidades. Quanto menos mate-
riais são estas , menos material é o trabalho. Mas, não deduzais daí que o homem se conserve
inativo e inútil. A ociosidade seria um suplício em vez de ser um beneficio" (07)
Nos mundos primitivos os seus habitantes são mais rudimentares "(...) A força bruta é , entre
eles , a única lei. Carentes de indústrias e de invenções , passam a vida na conquista de ali-
mento.(...)"(01)
"Nos mundos que chegaram a um grau superior , as condições da vidas moral e material são
muitíssimo diversas das da vida na terra.(...)"(02)
Entretanto , os mundos felizes não são orbes privilegiados , visto que Deus não é parcial para
qualquer dos seus filhos;(...) todos são acessíveis as mais altas categorias; apenas lhes cum-
pre , a eles , conquista-las pelo seu trabalho , alcança-las mais depressa , ou permanecer
inativo por séculos no lodaçal da Humanidade" (03)
ANEXO I
Com base nas perguntas lidas em o "Livro dos Espíritos, responda
01. O que se deve entender por trabalho?
02. Em que situação o trabalho pode ser considerado uma expiação?
03. Qual o grande objetivo do trabalho? Justifique.
04. Por que a natureza do trabalho varia de mundo para mundo?
05. Como explicar o problema de pessoas que são física e intelectualmente impedidas de
trabalhar?
06. Qual a diferença do trabalho realizado nos mundos superiores e aos inferiores?
ANEXO II
Com base nas perguntas lidas em o "Livro dos Espíritos, responda.
01. Por quê o trabalho se impõe como uma necessidade humana?
02. De que maneira uma pessoa portadora de sérias deformidades físicas poderia trabalhar ?
03. Qual a diferença entre o trabalho realizado pelos animais e aquele realizado pelo homem?
04. Uma pessoa, ricamente dotada de bens mate riais, deve estar isenta do trabalho? Justifi-
que.
05. Em que situações está o homem impedido de trabalhar?
06. Por quê a ociosidade seria um suplício?

15 - Limite do trabalho e do repouso.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Tecer comentários sobre o limite do trabalho e a necessidade do repouso.
2) Interpretar a luz do espiritismo, as citações bíblicas constantes do êxodo, 20;08 a 11 , Mar-
cos 2;27 e Lucas 13;14-17
IDÉIAS PRINCIPAIS.
O limite do trabalho e "o das forças. Em suma, a esse respeito Deus deixa inteiramente livre o
homem.'" (02)
"(...) O repouso serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário para dar
um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria." (01)
A guarda do sábado, recomendada por Moisés, foi para fazer cumprir o terceiro mandamento
do DECÁLOGO.
Jesus mostrou, através das palavras do evangelista Marcos, que o sábado foi feito em contem-
plação do homem e não o homem em contemplação do sábado. (04)
FONTES DE CONSULTA
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 105

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983. Perg. 682.
02 - Op. cit., perg. 683.
COMPLEMENTARES
03 - A BÍBLIA SAGRADA. Antigo e Novo Testamento. Trad. por João Ferreira de Almeida.
Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, 1982. Êxodo, 20:9-10. 04. Op. cit., MARCOS, 2:27. 05.
Op. cit., MARCOS, 3:01-06. 06. Op. cit., LUCAS, 13:11-17
07 - FRANCO, Divaldo Pereira. Trabalho. In: -. Estudos Espíritas Pelo Espirito Joanna de
Ângelis. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 91.
08 - Op. cit., p. 93-94.
09 - SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações Evangélicas. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. LUCAS,
13:14-17, p.152
10 - Op. cit., MATEUS, 1':1-12, pp. 273-274.
LIMITE DO TRABALHO E DO REPOUSO
"Genericamente o vocábulo TRABALHO pode ser definido como ocupação em alguma obra ou
ministério ; exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa.
O trabalho porém , é lei da natureza mediante a qual o homem forja o próprio progresso, de-
senvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa, ampliando os recursos de
preservação da vida, por meio das suas necessidades imediatas na comunidade social onde
vive. (...)
O trabalho, no entanto, não se restringe apenas ao esforço de ordem material, física, mas
também intelectual, pelo labor desenvolvido, objetivando as manifestações da Cultura, do
Conhecimento, da Arte, da Ciência. (...)"(07)
"(...) Apresenta-se ao homem como meio de elevação e como expiação de que tem necessida-
de para resgatar o abuso das forças, quando entregues a ociosidade ou ao crime, na sucessão
das existências pelas quais evolui. Não fora o trabalho, o homem permaneceria na infância
primitiva, sendo por Deus muitas vezes facultado ao fraco de forças físicas, os inapreciáveis
recursos da inteligência, mediante a qual granjeia progresso e respeito, adquirindo indepen-
dência econômica, valor social e consideração, contribuindo poderosamente para o progresso
de todos. (...)
Do trabalho mecânico, rotineiro, primitivo, puro e simples à automação, houve um progresso
gigante que ora permite ao homem o abandono das tarefas rudimentares, entregues a máqui-
nas e instrumentos que ele mesmo aperfeiçoou, concedendo-lhe tempo para a genialidade
criativa, a multiplicação das atividades em níveis cada vez mais elevados. (...)(08)
O trabalho, portanto, é uma necessidade econômica e social, veículo de renovação, colocado
na direção da criatura para construir a sua própria felicidade. Como nos ensinam os Espíritos, o
limite do trabalho é o das nossas forças; isto deixa claro que sendo, como é, fonte de equilíbrio
físico e moral, o trabalho deve ser exercido por quanto tempo nos mantenhamos válidos.
Sendo o trabalho uma lei natural, o repouso é conseqüente conquista a que o homem faz juz
para refazer as forças e continuar em rítimo de produtividade.
O repouso se lhe impõe como prêmio do esforço despendido, sendo-lhe facultado o indispen-
sável sustento nos dias da velhice, quando diminuírem o poder criativo, as forças e a agilidade
na execução das tarefas ligadas a subsistência.
Na tentativa de fazer cumprir a lei de Deus contida no terceiro mandamento ("lembrai-vos de
santificar o dia de sábado") , Moisés recomenda a santificação do sábado não só no sentido
restrito do termo, mas num sentido bem mais amplo. "Seis dias trabalharás e farás toda a tua
obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu,
nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem a tua serva, nem teu animal, nem o forasteiro
das tuas portas para dentro " (03). O sábado é visto , pois, como dia especial da semana onde
a ninguém é permitida qualquer atividade. Ora, acontece que Jesus, o mesmo Jesus que disse
não ter vindo destruir a lei dos profetas, mas cumpri-la, trabalha, ensina, cura os males do
corpo e do espírito, mostrando-nos, a primeira vista, que estava revogando uma lei de Deus
recebida por Moisés no monte Sinai.
Na realidade, Jesus não revogou esta ou qualquer outra lei divina. Queria é que compreendês-
semos o verdadeiro sentido do terceiro mandamento.
O sábado foi feito em contemplação do homem e não o homem em contemplação do sábado",
como diz Marcos (04). Sua instituição representa uma medida útil, pois que destinada a prote-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 106

ger o corpo do esgotamento resultante do excesso de trabalho. (...)" (09)


Reservemos um dia para o descanso do corpo, mas consagremo-lo de modo especial a Deus,
santificando-o, ainda mais, se possível, do que os outro dias de nossa existência, pela prática
de obras que atestem o nosso amor aos homens e ao Pai Celestial (...)"(10)
Por esse motivo Jesus alimentou, pregou, curou a obsessão que uma mulher trazia "havia
dezoito anos" (06) ou a mão ressequida de um homem (05), entre tantos benefícios realizados,
mostrando que todo dia é dia para a prática do bem.
ANEXO I
Com base na leitura das questões 682 e 685 de "O livro dos Espíritos", responda:
Por que devemos considerar o repouso como uma lei da Natureza?
Qual a diferença entre repouso e ociosidade?
Por que o limite do trabalho varia de homem para homem?
O avançar da idade debilita o corpo físico e mesmo as faculdades intelectuais; no entanto,
homens como Benjamim Franklin, com 81 anos do idade contribuiu brilhantemente na elabora-
ção da Constituição Norte-Americana; Miguel Ângelo, aos 89 anos de idade, produziu obras de
arte de rara beleza; o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, com 92 anos de idade,
trabalhava intensamente nas matas brasileiras.
Como se explica isso?
ANEXO II
Com base nas explicações do orientador e nas passagens bíblicas Êxodo, 20:8 a 11; Marcos,
2:27 e Lucas, 13:11, responda:
Moisés recomenda, em Êxodo 20:8 a ll, que o dia de sábado deva ser santificado e que nin-
guém deva trabalhar neste dia. Como conciliar esta lei mosaica com as citações constantes em
Marcos e em Lucas, onde Jesus não só trabalha e realiza curas, como orienta seus discípulos
a fazerem o mesmo?
Se Jesus afirmou que não veio destruir a lei ou os profetas, mas cumpri-las (Mateus, 5:J7 e
183, o fato de ele curar nos sábados não estaria indo contra essa lei? Justifique.
O que Jesus quis dizer com esta expressão: "O sábado foi estabelecido por causa do homem,
e não o homem por causa do sábado?" ( Marcos, 3:27 ).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 107

6ª Unidade
Lei de destruição

16 - Destruição necessária e destruição abusiva.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Caracterizar o que é destruição.
2) Estabelecer a diferença entre destruição necessária e destruição abusiva.
3) Explicar porque, instintivamente, o homem tem medo da morte.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Por que, o que chamais destrui-
ção não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.
(...)" (04)
"(...) Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição esta que
obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se ex-
cessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição. (...)" (04)
Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. (...)" (06)
O homem teme, instintivamente, a morte porque "(...) Deus lhe deu o instinto de conservação,
instinto que o sustenta nas provas. A não ser assim,, ele muito freqüentemente se entregaria
ao desânimo. A voz intima, que o induz a repelir a morte, lhe diz que ainda pode realizar algu-
ma coisa pelo seu progresso. (...)" (05)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O bem e o mal. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de
Janeiro, FEB ,Item 20.
02 - Op. cit., item 23, p. 82-83.
03 - Op. cit., item 24, p. 83.
04 - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio e anexo, FEB, 1 3, perg. 728.
05 - Op. cit., perg. 730
06 - Op. cit., perg. 735
07 - Temor da morte. In: -. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio
de Janeiro, FEB, 1982. Item 2,3, p. 20-21. e
08 - Op. cit., item 4, p. 21-22.
COMPLEMENTARES
09. CALLIGARIS, Rodolfo. A lei de destruição. In: - As leis morais. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983. p. 91-92.
DESTRUIÇÃO NECESSÁRIA E DESTRUIÇÃO ABUSIVA
A destruição recíproca dos seres vivos é ,dentre as leis da Natureza ,uma das que a primeira
vista menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se porque lhes criou Ele a
necessidade de mutuamente se destruírem ,para se alimentarem uns a custa dos ou-
tros.(...)"(01)
Para aquele que enxerga apenas a matéria , que limita sua visão a vida presente, isto parece,
com efeito , uma imperfeição na obra divina. É que em geral os homens julgam a perfeição de
Deus pelo seu ponto de vista; sua própria opinião é a medida de sua sabedoria, e pensam que
Deus não poderia fazer melhor do que eles próprios o fazem . Como sua vista curta não lhes
permite julgar o conjunto , não compreendem que , de um mal aparente, pode resultar um bem
real. O conhecimento de princípio espiritual , considerado em sua verdadeira essência ,e da
grande lei de unidade , que constitui a harmonia da Criação, é o único que pode dar ao homem
a chave desse mistério, e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, precisamente
onde não via senão uma anomalia e uma contradição.
Uma primeira utilidade que se apresenta desta destruição , utilidade puramente física é verda-
de , é esta: os corpos orgânicos não se mantém senão por meio de matérias orgânicas , sendo
estas matérias as únicas que contém os elementos nutritivos necessários a sua transformação.
Como os corpos ,instrumentos da ação do princípio inteligente ,tem necessidade de ser inces-
santemente renovados , a providência os faz servir para sua manutenção mútua; é por esse
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 108

motivo que o corpo se nutre do corpo ,mas o Espírito não é nem destruído nem alterado, ape-
nas se despoja de seu envoltório.
Há , além disso, "(...)considerações morais de ordem elevada.
É necessária a luta para o desenvolvimento do Espírito . Na luta é que ele exercita suas facul-
dades. O que ataca em busca do alimento e o que defende para conservar a vida , usam de
habilidade e inteligência , aumentando em conseqüência , suas forças intelectuais. Um dos
dois sucumbe ; mas em realidade , o que foi que o mais forte ou mais destro tirou do mais
fraco? A veste de carne, nada mais; ulteriormente, o Espírito ,que não morreu ,tomará ou-
tra"(02)
Nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o sentido moral ,em os quais a
inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de
uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimen-
tação. Eles , pois ,lutam unicamente para viver, isto é, para fazer ou defender uma presa, visto
que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. É nesse primeiro período que a alma se
elabora e ensaia para a vida.(...)"(03)
"(...) Sob outro prisma, ao se destruírem uns aos outros, pela necessidade de se alimentarem,
os seres infra humanos mantêm o equilíbrio na reprodução, impedindo-a de tornar-se excessi-
va, contribuindo, ainda , com seus despojos, para uma infinidade de aplicações úteis à Huma-
nidade.(*)
Restringindo o exame desta questão apenas ao procedimento do homem, que é o que mais
nos interessa, aprendemos com a Doutrina Espírita que a matança de animais, bárbara sem
dúvida, foi , é e será por mais algum tempo necessária aqui na Terra , devido a suas grosseiras
condições de existência. A medida, porém , que os terrícolas se depurem , sobrepondo o
espírito à matéria , o uso de alimentação carnívora será cada vez menor, até desaparecer
definitivamente , qual se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
Aprendemos, mais , que em seu estado atual o homem só é escusado (da responsabilidade)
dessa destruição na medida em que tenha de prover ao seu sustento e garantir a sua seguran-
ça. Fora disso, quando , por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer de destruir,
ou em esportes mortíferos , como as touradas , o "tiro aos pombos" , etc., terá que prestar
contas a Deus por esse abuso , que revela, aliás , predominância dos maus instin-
tos.(...)"(*)(09)
O temor da morte "(...) é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto
de conservação comum a todos os viventes.(...)
Assim é que , nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde tornada simples
esperança e, finalmente ,uma certeza apenas atenuada por secreto apego a vida corporal.
A proporção que o homem compreende melhor a vida futura , o temor da morte diminui; uma
vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim , calma, resignada e serenamen-
te.(...)(07)
"Para libertar-se do temor da morte é mister poder encara-la sobre o seu verdadeiro ponto de
vista, isto é , ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma idéia tão
exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual desenvol-
vimento e aptidão para desprender-se da matéria.
No Espírito atrasado, a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se as aparências ,
o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real ; aniquilado
aquele, tudo se lhe afigura perdido , desesperado.(...)
O temor da morte decorre, portanto , da noção insuficiente da vida futura, embora denote
também a necessidade de viver e o receio da destruição total . Igualmente o estimula secreto
anseio pela sobrevivência da alma , velado pela incerteza.
Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta , e desaparece quando esta é com-
pleta.(...)(08)
(*) o grifo é nosso.

17 - Flagelos destruidores. Guerras.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Descrever os tipos de flagelos destruidores.
2) Interpretar a importância dos flagelos destruidores para a humanidade.
3) Analisar quais as conseqüências morais das guerras
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 109

IDÉIAS PRINCIPAIS.
Os flagelos destruidores são de dois tipos: os naturais e os provocados pelos homens "(...) Na
primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colo-
cados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem,
porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras arte, no aperfeiçoamento da agricultura,
nos afolhamentos e nas de irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir,
ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? (...) Que não fará o homem pelo seu bem-
estar material (...) quando souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus
semelhantes?"(03)
Deus fere a Humanidade com flagelos destruidores para (...) fazë la progredir mais depres-
sa.(...) (04)
O homem é impelido à guerra pela "predominância da natureza animal sobre a natureza espiri-
tual e trasbordamento das paixões (...) (04)
Providência torna necessária a guerra objetivando "a liberdade e o progresso". (03)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01 - KARDEC Allan. O Livro dos Espíritos. rad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1985, perg. 737
02 - Op. cit. perg. 738, p.349
03 - Op. cit. perg. 741
04 - Op. cit. perg. 742
05 - Op. cit. perg. 744
06 - São chegados os tempos. In A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982, item 9.
COMPLEMENTARES
07 - CALLIGARIS, Rodolfo. As expiações coletivas. In Páginas de Espiritismo Cristão. 2 ed. Rio
de janeiro, FEB, 1983, pp 47-50
08 - DENIS, Léon. A dor. In. O problema do Ser, do Destino e da Dor. 11 ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1979, pp 371-372.
FLAGELOS DESTRUIDORES: GUERRAS
Tudo o que vive neste mundo, natureza , animal, homem, sofre e, todavia, o amor é a lei do
Universo e por amor foi que Deus formou os seres. Contradição aparentemente horrível, pro-
blema angustioso, que perturbou tantos pensadores e os levou á dúvida a ao pessimismo.
O animal está sujeito a luta ardente pela vida. Entre as ervas do prado, as folhas e a ramaria
dos bosques, nos ares, no seio das águas, por toda parte desenrolam-se dramas ignorados.(...)
Quanto a humanidade, sua história não é mais do que um longo martirológio. Através dos
tempos, por cima dos séculos, rola a triste melopéia dos sofrimentos humanos.(...)
A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho. E diante
desta esfinge que o fita com seu olhar estranho, o homem faz a eterna pergunta: Por que
existe a dor?(...)
Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação.(...)"(08)
Neste sentido, os flagelos destruidores são permitidos por Deus para que a humanidade possa
"progredir mais depressa".(1) Aliás, apalavra flagelo geralmente é interpretada como algo
prejudicial, quando, na realidade, representa o meio pelo qual as transformações necessárias
ao progresso humano se realizam mais rapidamente.(01)
É bem verdade que existem outros processos, menos rigorosos, para fazerem os homens
progredirem e Deus "(...) os emprega todos os dias, pois deu a cada um os meios de progredir
pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Ne-
cessário portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se faça sentir a sua fra-
queza.(...)"(02)
E com o abatimento do orgulho"(...) a Humanidade se transforma, como já se transformou
noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise que é, para e gênero humano,
o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes,
penosas, dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas são sempre se-
guidas de uma fase de progresso material e moral. (...)"(06)
Quando os flagelos naturais, tais como cataclismos, enchentes, fome, epidemias de doenças e
de pragas em plantações, a seca, os terremotos e maremotos, as erupções vulcânicas, os
ciclones, etc., se abatem sobre a humanidade, muitos se revoltam com Deus, perdendo opor-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 110

tunidades valiosas de compreender o significado de tais acontecimentos.


"A lei do carma ou de Causa e Efeito exerce sua influência inelutável não só sobre os homens,
individualmente, como sobre os grupos sociais.
Assim, por exemplo, quando uma família, nação ou raça busca algo que lhe traga maiores
satisfações, esforça-se por melhorar suas condições de vida ou adota medidas que visem
acelerar o seu desenvolvimento, sem prejudicar ou fazer mal a outrem, está contribuindo, de
alguma forma, para a evolução da Humanidade, e isto é bom. Receberá, então novas e mais
amplas oportunidades de trabalho e progresso, conduzindo os elementos que a constituem a
níveis cada vez mais elevados.(...)"(07)<p>
Se, porém, procede ao contrário,"(...) mais cedo ou mais tarde sofrerá a perda de tudo aquilo
que adquiriu injustamente, em circunstâncias mais ou menos trágicas e aflitivas, segundo o
grau de malícia e crueldade que lhe tenha caracterizado as ações.(...)(08)
É assim que mais tarde, em outras existências planetárias, são chamados a expiações coleti-
vas ou individuais, sob a forma de flagelos destruidores.
Acontece , porém, que "(...) muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. A medida
que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe
pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter
geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou
menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser a submissão a vontade de
Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência.
Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser
colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais as produções da terra.(...)(03)
Enfrentando esses flagelos, o homem é impulsionado por força da necessidade, buscando
soluções para se libertar do mal que o ataca. É por isso que a dor torna-se um processo, um
meio de equilíbrio e educação, como assinalamos acima.
Mesmo as guerras, que nada mais representam do que a "predominância da natureza animal
sobre a natureza espiritual e transbordamento de paixões"(04), geram " a liberdade e o pro-
gresso"(05) da Humanidade.
Deus permite que haja a guerra e todas as suas funestas conseqüências, para que o homem,
ao contato com a dor, se liberte, por um lado, do seu passado de erros, e burile, por outro, as
tendências más que ainda o fazem manter-se em atraso moral.
QUESTIONÁRIO
01. De que maneira os flagelos naturais contribuem para a evolução da Humanidade?
02 Que benefícios, físicos e morais, os flagelos destruidores trazem para o homem."
03. Como pode o homem se precaver contra os flagelos?
04. Não haveria uma certa injustiça nos flagelos destruidores, já que neles sucumbem homens
bons e maus? Justifique.
05, Por que ainda existem guerras em nosso planeta?
06. Que contribuição podemos dar em prol da paz mundial?
07. Qual o significado espirita de dor?
08. Qual a diferença entre flagelos naturais e os provocados pelo homem?
09. Explique porque as expiações coletivas podem representar resgate de faltas passadas.
10. Justifique a afirmativa: "Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e
educação"
11. Além da dor, existem outros meios de progresso humano? Quais?
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 111

7ª Unidade
Lei de conservação

18 - Instintos e meios de conservação.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Conceituar instinto e inteligência
2) Estabelecer a diferença entre instinto e inteligência.
3) Explicar o que é instinto de conservação e qual a sua finalidade.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"(...) O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntá-
rios, tendo em vista a conservação deles. (...)" (01)
"A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados de acordo
com a oportunidade das circunstâncias. (...j" (02)
"É da lei da Natureza o instinto de conservação. (...) Todos os seres vivos o possuem, qualquer
que seja o grau de sua inteligência.
(03)
O instinto de conservação é necessário porque "(...) todos têm. que concorrer para o cumpri-
mento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver.
(...)" (04)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O bem e o mal. in. A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro, 25 ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1982, item 11.
02 - Op. cit., item 12.
03 - O Livro dos Espíritos. . Trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 702
04 - Op. cit., perg. 703.
INSTINTOS E MEIOS DE CONSERVAÇÃO
Em suas primeiras manifestações no plano físico, através de experiências sucessivas em
organismos progressivamente mais complexos, o Espírito automatizou reações aos impulsos
exteriores, gravando-as em seu perispírito, de modo a melhor adequar-se ao meio ambiente.
Essas ações reflexas incorporaram-se, dessa maneira, ao patrimônio perispiritual do ser e se
manifestam no vegetal, no animal e no homem através de atos espontâneos e involuntários,
que tem, em geral, uma finalidade útil tanto para o ser que os realiza quanto para sua espécie.
Podemos identificar esses atos no movimento da planta que se volta na direção dos raios
solares, na arte com que a aranha tece sua teia para capturar os insetos de que se nutre, ou no
ato da sucção através do qual o bebê se alimenta.
Esses atos inconscientes são o resultado, portanto, do mecanismo coordenado e cada vez
mais complexo das ações reflexas, a que denominamos instintos. No vegetal, a estruturação
desse mecanismo está em seus primórdios, no animal manifesta-se plenamente e no homem
sofre a ação da inteligência, que lhe altera e aperfeiçoa as manifestações.
Podemos, assim, traçar uma demarcação bem nítida entre instinto e inteligência: "(...) O instinto
é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em
vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem preme-
ditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e
para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessá-
rio(...) É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que
buscam, conforme a estação, os climas propícios(...). No homem, só em começo da vida o
instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos,
que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz,
que tenta falar e andar. No próprio adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos
expontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tal
ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para
respirar, etc. " (01)
Já "a inteligência se revela por atos voluntários, premeditados, combinados, de acordo com a
oportunidade das circunstâncias. (...)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 112

Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligen-
te. Um é livre, o outro não o é (...) (02)
Um dos mais perfeitos atos instintivos é o de viver. O instinto de conservação é, por isto mes-
mo, uma lei da Natureza. E "(...) todos os seres vivos o possuem. qualquer que seja o grau de
sua inteligência. Em uns, é puramente maquinal, raciocinado em outros".(03
O instinto de conservação é outorgado por Deus às suas criaturas "porque tem que concorrer
para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade
de viver. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instin-
tivamente, sem disso se aperceberem"(4).
O despertar da necessidade de viver tem por finalidade a manutenção da vida orgânica, ne-
cessária ao desenvolvimento físico e moral dos seres, bem como à realização das tarefas de
colaboração com a obra divina que Deus, em Sua sabedoria, concedeu a cada um como
oportunidade de crescimento para o Bem. O instinto de conservação, portanto, se constitui em
mais um dos eficientes instrumentos naturais que cooperam em favos do mecanismo evolutivo
dos seres da criação.

19 - O necessário e o supérfluo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Estabelecer uma comparação entre o necessário e o supérfluo para o homem.
2) Citar os meios utilizados pelo homem para preservar e/ou ampliar o bem estar social.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"(...) Não fora possível que Deus criasse para o homem a necessidade de viver sem lhe dar os
meios de consegui-lo. Essa a razão por que faz que a 'Terra produza de modo a proporcionar o
necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é " (02)
"(...) Graças aos louváveis esforços que, juntos, a Filantropia e a Ciência não cessam de des-
pender, para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao crescimento incessan-
te das populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande
parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum comparar aos de
outrora. (...)" (04)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
Q1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983. Perg. 703.
02. Op. cit., perg. 704, pp. 337-338.
03. Op. cit., perg. 705.
04. Op. cit., perg. 707, p. 339.
05. Op. cit., perg. 717.
O NECESSÁRIO E O SUPÉRFLUO
"(...)Todos tem que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que
Deus lhes deu a necessidade de viver (...)" .(01), já que a vida é essencial ao aperfeiçoamento
dos seres.
Ao lado da necessidade de viver, Deus deu, também, ao homem os meios para suprir esta
necessidade. "(...) Essa a razão por que faz que a terra produza de modo a proporcionar o
necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é."(02)
No entanto, em suas experiências evolutivas, os homens passam, muitas vezes, por privações
a situações difíceis , nas quais lhes falta até mesmo o essencial à sobrevivência. Devemos
considerar que tal situação extrema geralmente ocorre por imprevidência do homem. "(...) A
terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se.
Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o
que poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto. Acha sempre de que viver,
porque não cria para si necessidades fictícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos
produtos em satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada encon-
trar no dia seguinte e para se queixar de estar desprovido de tudo quando chegam os dias de
penúria? Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe
regrar o seu viver."(03)
"(...) Se é certo que a civilização multiplica as necessidades, também o é que multiplica as
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 113

fontes de trabalho a os meios de viver.(...). A desgraça, para muitos, provém de enveredarem


por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a inteligência
para o bom êxito. Para todos há lugar ao Sol, mas com a condição de que cada um ocupe o
seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização
social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.(...)"(04)
Vários são os meios empregados pelo homem para preservar ou ampliar o seu bem estar
social. Mesmo que para muitos pareça que não tem havido progresso, o certo é que a Humani-
dade tem evoluído."(...) Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a Ciência
não cessam de despender para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao
crescimento incessante das populações , a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo
menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo
algum comparar aos de outrora. A higiene pública , elemento tão essencial da força e da saú-
de, a higiene pública que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida solicitude.(...)
Por toda parte a Ciência contribui para acrescer o bem-estar.(...)"(04)
"(...) Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A civilização criou neces-
sidades que o selvagem desconhece (...) Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A
civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva
os homens a se prestarem mútuo apoio (...)(05)<p>
O gosto pelo supérfluo é, assim, prejudicial ao homem. Os desregramentos que provoca fazem
com que a natureza animal tenha preponderância sobre a natureza espiritual. Nessas condi-
ções, o atrativo dos bens materiais também funciona como prova para o espírito que vivência
as oportunidades do mundo físico. Para bem conduzir-se na esfera carnal, o homem deve
conhecer o limite entre o necessário e o supérfluo. Algumas pessoas ainda requerem seguidas
experiências e grande esforço para adquirir esse conhecimento. Outras o tem por intuição das
conquistas efetivadas em vidas pregressas.
Deve ser esclarecido, a esse respeito, que o limite do necessário não é exato e absoluto, pois,
em realidade, é relativo às condições de vida proporcionadas pelos avanços da Civilização,
que criam novas necessidades. Pode-se dizer, contudo, que são essenciais aos homens todos
os bens de relevância para sua sobrevivência, para que desfrutem de relativo conforto e pos-
sam participar da vivência social. São supérfluos todos os bens que servem a outras finalida-
des, tais como o luxo e a satisfação do orgulho, assim como os que acumulados, improdutivos,
nas mãos de poucos, fazem falta a muitos.
Cabe portanto, ao indivíduo, as instituições e aos Governos desenvolver esforços no sentido de
estender a todos, sem exceção, os benefícios decorrentes da melhoria do padrão de vida
humano, originados dos progressos de civilização, de modo a atenuar as desigualdades soci-
ais.
Para garantir o cumprimento dessa tarefa, assegurando o bem estar a todos os homens, são
necessários investimentos nos setores da saúde, alimentação, habitação, acesso aos meios de
comunicação e, em especial, educação - compreendida em seu sentido mais amplo de forma-
ção intelectual, social, moral e espiritual do ser, as conquistas da ciência e do conhecimento
humano, como um todo, possibilitando à humanidade ampliar o bem-estar social.

20 - Privações voluntárias.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Conceituar privação voluntária.
2) Citar as privações voluntárias meritórias ao progresso individual.
3) Tecer comentários acerca da importância ou não da alimentação animal para o homem.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
HÁ privações voluntárias que são meritórias, "(...) porque desprende da matéria o homem, e
lhe eleva a alma Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas
inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. (...)"
(02)
."Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde. (...)" (04)
A alimentação animal não é contrária ã lei da Natureza por que "dada a (...) constituição física,
a carne alimenta a carne, do contrario o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve,
como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele,
pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização." (05)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 114

FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad.
de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 26, pag. 126.
02 - O Livro dos Espíritos Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 720.
03 - Op. cit. perg. 721.
04 - Op. cit. perg. 722.
05 - Op. cit. perg. 723.
06 - "Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita" In O Evangelho Segundo
o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, Item 06.
COMPLEMENTARES
07 - FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua Portuguesa. Rio de
Janeiro, Nova Fronteira, s/d. pag. 1139.
08 - XAVIER. Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1980. perg. 129.
PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS
A palavra privação tem o sentido de "despojar, desapossar alguém de alguma coisa; destituir,
tolher, fraudar. (...)"(7) Já privação voluntária consiste em renúncia consciente a bens, favores,
gozos, facilidades ou direitos a que se tem acesso ou posse natural e legítima; mas a verdadei-
ra privação voluntária é a que se dá em benefício do próximo, quer para auxilia-lo materialmen-
te quer espiritualmente."(...) Há grande mérito quando os sofrimentos e as privações objetivam
o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício.(...)(01)
Porém é compreensível que mesmo a privação voluntária tenha um limite. "(...) Pelo que vos
respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus lhes manda e não lhe aumen-
teis o volume, já de si, por vezes tão pesado; aceita-las sem queixumes e com fé, eis tudo o
que de vós exige Ele. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações
sem objetivos, pois que necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa missão
de trabalhar na Terra. Torturar e martirizar voluntariamente o vosso corpo é contravir a lei de
Deus, que vos dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquece-lo sem necessidade é um
verdadeiro suicídio.(...)"(01)
Existem privações voluntárias que, no entanto, são meritórias ao progresso individual. É o
caso, por exemplo, daquela pessoa que se priva dos prazeres do mundo para auxiliar o próxi-
mo. Pelo seu trabalho, "(...) pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos
forma recursos para realizar seus generosos propósitos."(06) Essas privações são meritórias
por haver "a privação dos gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a
alma. Meritório é resistir a tentação que arrasta ao excesso, ao gozo das coisas inúteis; é o
homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. Se a privação não
passar de simulacro, será uma irrisão."(02)
Daí concluímos; são inúteis as privações ascéticas que observamos em vários religiosos. Com
relação a isso os Espíritos Superiores nos falam; "Procurai saber a quem ela aproveita e tereis
a resposta. Se somente serve a quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja
qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar a si mesmo e trabalhar para os ou-
tros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã."(03)
É notório que muitas pessoas quando passam a apreender um certo conhecimento espiritual
começam a abstenção de certos alimentos, principalmente a carne, por compreenderem ser
um comportamento contrário à lei da Natureza. A pergunta 723 de "O Livro dos Espíritos" traz
respostas a esse assunto: "Dada a vossa constituição física. a carne alimenta a carne, do
contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha
suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele pois, tem que se alimentar confor-
me o que reclame a sua organização."(05)
Porém, Emmanuel, nos alerta: "A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes
conseqüências, do qual derivam numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar seme-
lhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação
de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de
origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.(...)"(08)
Não há contradição na resposta dada pelos Espíritos a Kardec e na de Emmanuel. Entre
Kardec e os dias atuais, medeiam-se mais de cem anos. Na época da Codificação, talvez não
fosse possível dar outra resposta senão aquela. Há que considerar, também, o grau de evolu-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 115

ção da Humanidade de hoje e a do século passado. Á medida que o homem vai progredindo,
moral e intelectualmente, passa a ter horror ao sacrifício dos animais mesmo para sua alimen-
tação. O descobrimento de novas técnicas de produção, o aperfeiçoamento das existentes
culminam por fazerem desaparecer, gradativamente, os matadouros e os frigoríficos. Hoje em
dia, os recursos do solo, com o aperfeiçoamento da agricultura, são inumeráveis. Nas viagens
espaciais, por exemplo, os astronautas alimentam-se de substâncias condensadas em forma
de cápsulas, possuidoras de todos os nutrientes necessários à sobrevivência.
Na época de Kardec não havia uma indústria farmacêutica, como a existente hoje, capaz de
produzir vitaminas, proteínas e tantas outras substâncias necessárias não só a sobrevivência
humana e animal, como também no combate as doenças.
Por isso que, a medida que progredimos, que nos espiritualizamos, já não sentimos tanta
necessidade dos despojos sangrentos dos animais.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 116

8ª Unidade
Lei de igualdade

21 - Igualdade natural e desigualdade de aptidões.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Esclarecer porque os homens são iguais perante Deus.
2) Explicar a razão da desigualdade das aptidões humanas.
3) Ressaltar a importância da variedade das aptidões humanas.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
Perante Deus todos os homens são iguais porque "(...) tendem para o mesmo fim e Deus fez
suas Leis para todos (...)" (01)
"(...) Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela
morte: todos, aos seus olhos, são iguais." (1)
"Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes viuve há mais ou menos tempo, e,
conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está
na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que
ë o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que os outros, o que lhes da
aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concor-
rer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças
físicas e intelectuais. (...)" (02)
FONTES DE CONSULTA.
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983, perg. 803.
02 - Op. cit. perg. 804.
COMPLEMENTARES.
03 - CALLIGARIS, Rodolfo. A lei de igualdade. In. As leis Morais, 2 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983, pg. 136.
04 - Op. cit. p. 138.
05 - AGUAROD, Angel. O problema social, desigualdades sociais. In Grandes e Pequenos
Problemas. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, p. 174.
IGUALDADE NATURAL E DESIGUALDADES DE APTIDÕES
"Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da natureza. Todos nascem igualmente
fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus
a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte:
todos, aos seus olhos são iguais."(01)
Deus não tolera distinção de linhagem familiar, não confere honrarias extemporâneas e nem
favorece com privilégios qualquer de suas criaturas, mas proporciona a todos idênticas e inces-
santes oportunidades. Coloca em estado latente o mesmo poder, a mesma sabedoria e os
mesmos estímulos evolutivos para todos, no longo e fastidioso percurso para a Perfeição.
Atentos a essas considerações é que podemos perceber o sentido correto da lei de igualdade,
no seu aspecto natural, em contraposição à pretendida igualdade sócio-econômica, freqüente-
mente artificial, na vida de relação dos Espíritos encarnados.
Sendo todos da mesma essência divina e criados para os mesmos gloriosos destinos, o gênero
humano constitui uma única família. Dai, estarem todos os homens sujeitos às mesmas leis
naturais.
Deus não concede privilégios a ninguém, e, se há sofredores e felizes no nosso planeta, isto
não acontece à custa das preferências divinas, mas por força do mau ou bom uso do livre-
arbítrio dos seus habitantes. Todos fomos criados simples e ignorantes, porém destinados à
perfeição. Se ao longo da nossa trajetória evolutiva falimos ou nos elevamos, isso ocorre por
força da nossa livre vontade, As desigualdades sociais existentes são produto de opções
voluntárias dos homens e nunca devido às preferências de Deus.
As próprias aptidões humanas, tão diversas, resultam da variedade de experiências vividas nas
múltiplas encarnações. Por força do livre-arbítrio, cada pessoa decide qual o caminho a seguir.
"Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 117

consequentemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está
na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que
é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que os outros, o que lhes dá
aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concor-
rer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento das suas
forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu
papel útil a desempenhar.(...;)"(02)
Aliás, a variedade das aptidões, ao contrário da uniformidade, é um meio propulsor do progres-
so, já que cada homem contribui com sua parcela de conhecimento.
"(...)As dessemelhanças que apresentam entre si, quer em inteligência, quer em moralidade,
não derivam da natureza íntima deles (dos homens); resultam apenas de haverem sido criados
há mais ou menos tempo e do maior ou menor aproveitamento desse tempo, no desenvolvi-
mento das aptidões e virtudes que lhes são intrínsecas, consoante o bom ou o mau uso do
livre-arbítrio por parte de cada um (...)"(03)
As desigualdades naturais das aptidões humanas são os degraus das múltiplas experiências
que nos conduzirão aos mundos superiores e que nos propiciarão implantar o reino de Deus na
Terra. Essas diferenças constituem os "(...) agentes do progresso e preenchem uma necessi-
dade inapreciável, na economia da evolução, favorecendo-a, por mais que haja indivíduos que
detestem essas diferenças.(...) Enquanto tenham razão de ser, subsistirão e, enquanto subsisti-
rem, satisfarão a uma necessidade da própria natureza, favorecendo o progresso huma-
no.(...)"(05)
É provável que no estágio atual da nossa civilização, nem todos os homens estejam exercendo
a ocupação adequada às suas aptidões naturais. Mas"(...) quando o egoísmo e o orgulho
deixarem de ser os sentimentos predominantes na Terra; quando compreendermos que somos
todos irmãos, amando-nos realmente uns aos outros como preceitua a Religião; todo homem
de boa vontade achará ocupação adequada às suas aptidões, que lhe garanta o mínimo ne-
cessário a uma vivência compatível com a dignidade humana, e mesmo aqueles que não mais
possam manter-se em atividade, por doença ou velhice, terão a seu favor o amparo da lei, sem
que precisem humilhar-se, recorrendo à caridade pública.(...)(04)

22 - Desigualdades sociais e igualdade de direitos do homem e da mulher.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Explicar a causa das desigualdades sociais.
2) Dizer porque o homem e a mulher devem ser considerados iguais.
3) Identificar na diferença dos sexos a necessidade de experiência diversas para o espírito.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
As desigualdades sociais, tanto quanto as vicissitudes da vida promanam de duas fontes bem
diferentes, que importa distinguir. Umas têm causa na vida presente; outras, fora desta vida.
(...)" (01)
O homem e a mulher são iguais porque "(...) outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e
do mal e a faculdade de progredir." (03)
"(...) Deus apropriou a organização de cada ser às funções que Ihe cumpre desempenhar.
Tendo dado à mulher menor força física, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, em
relação com a delicadeza das funções maternais e com a fraqueza dos seres confiados aos
seus cuidados." (04)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS.
01 - KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos, In: . O Evangelho Segundo o Espiritismo t
Janeiro, Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro 1983. Item 04, p. 102.
02 - O Livro, dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro . FEB; 1983. Perg.
806.
03 - Op. cit., perg. 817.
04 - Op. cit., perg. 820.
05 - Op. cit., perg. 822.
COMPLEMENTARES
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 118

06 . AGUAROD, Angel. O problema social. Desigualdades sociais. In: Grandes e Pequenos


Problemas. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p., 174. '
07 - XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1980. Perg. 55.
08 - Op. cit., perg. 67.
DESIGUALDADES SOCIAIS E A IGUALDADE DE DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER.
As desigualdades sociais provenientes das mais variadas condições econômicas e espirituais
dos vários povos da Terra, são sempre "(...) obra do homem e não de Deus.(...)"(02) Deus, na
realidade, criou os espíritos iguais e destinados ao mesmo fim. mas os homens por força das
imperfeições morais que ainda possuem, criaram leis, muitas delas injustas e até mesmo
cruéis, para regular as relações na sociedade. Como conseqüência dessas leis, surgiram as
desigualdades sociais, mais ou menos pronunciadas em determinadas nações, conforme o
grau evolutivo dos seus constituintes humanos.
No entanto, o progresso segue o seu curso ascendente e ininterrupto e a desigualdade social,
como tudo que é inferior, "(...) dia a dia ela se apaga(...) Desaparecerá quando o egoísmo e o
orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade de merecimento. Dia virá em
que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de
sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da
posição social."(02)
Mesmo as desigualdades toleráveis ou normais para a categoria do nosso Planeta deixarão de
existir."(...) Não se abolirão tão de pronto, Quanto os unionistas desejariam e imaginam.(...)
Nem se suprirão "(...) com revoluções, nem com guerras, nem(...) com leis, decretos, ou dis-
cursos, distúrbios ou maldições."(06)
As desigualdades desaparecerão de modo lento e gradual, de acordo com o ritmo dos esforços
individuais e coletivos, pelo progresso moral, quando então, serão destruídos os privilégios de
casta, sangue, posição, sexo, raça, religião, etc.
Devemos compreender, porém, que com o banimento das desigualdades sociais não ocorrerá
um processo de uniformização dos homens. A espécie humana não se transformará em má-
quina, em um sistema robotizado. Os homens se orientarão pelas leis divinas, a fim de que
seus pendores naturais possam desabrochar e desenvolver normalmente, sem nenhuma
atitude de coerção por parte de quem quer que seja. Haverá, evidentemente, quem ocupe
cargos de maiores responsabilidades, mas, com o adiantamento espiritual, os seres humanos
não sofrerão os males do egoísmo, da inveja, do orgulho e do preconceito.
Do mesmo modo, numa sociedade moralizada, Não se compreenderá a diferença, que ainda
hoje se observa, entre o homem e a mulher. Neste sentido os Espíritos Superiores perguntam;
"Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?"(03)
Logo, perante os códigos divinos ambos possuem os mesmos direitos; a diferença de sexo
existe por força da necessidade de experiências específicas por que o espírito precisa passar.
Aliás, o Espírito, centelha divina, não possui sexo, conforme as denominações humanas.
Entre o homem e a mulher existe a igualdade de direito;"(...) das funções não. Preciso é que
cada um esteja no lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mu-
lher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser eqüitativa, deve consagrar
a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é
contrário a justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. Sua
escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na organização
física. " Visto que os espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma
diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos."(05)
Por mais que se acentuem as mudanças sociais no mundo, haverá sempre diversidade das
funções entre o homem e a mulher, por necessidade de planificação reencarnatória. "O homem
e a mulher, no instinto conjugal, são como o cérebro e o coração do organismo doméstico.
Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no sagrado colégio da família; e se a
alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é
que, desde cedo, o espírito masculino intoxicou as fontes da sua liberdade, através de todos os
abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas, em múltiplas
experiências seculares.
A ideologia feminina dos tempos modernos, porém, com as suas diversas bandeiras políticas e
sociais, pode ser um veneno para a mulher desavisada dos seus grandes deveres espirituais
na face da Terra.(...)"(08)
A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a
qual cada Espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Neste caso, considera-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 119

mos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são
enfermidades do organismo social, devido á situação de prova da quase generalidade dos seus
membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus Cristo,
a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos".(07)
ANEXO I
A MULHER ANTE O CRISTO (*)
Toda vez nos disponhamos a considerar a mulher em plano inferior, lembremo-nos dela, ao
tempo de Jesus.
Há vinte séculos, com exceção das patrícias do Império, quase todas as companheira do povo,
na maioria das circunstâncias, sofriam. extrema abjeção, convertidas em alimárias de carga,
quando não fossem vendidas em hasta pública.
Tocadas, porém, pelo verbo renovador do Divino Mestre, ninguém respondeu com tanta leal-
dade e veemência aos apelos celestiais.
Entre as que haviam descido aos vales da perturbação e da sombra,. encontramos em Mada-
lena o mais alto testemunho de soerguimento moral, das trevas para a luz; e entre as que se
mantinham no monte do equilíbrio doméstico, surpreendemos em Joana de Cusa o mais nobre
expoente de concurso e fidelidade,
Atraídas pelo amor puro, conduziam à presença do Senhor os aflitos e os mutilados, os doen-
tes e as crianças. E, embora não lhe integrassem o círculo apostólico, foram elas - representa-
das nas filhas anônimas de Jerusalém - as únicas demonstrações de solidariedade espontânea
que o visitaram, desassombradamente, sob a cruz do martírio, quando os próprios discípulos
debandavam.
Mais tarde, junto aos continuadores da Boa-Nova, sustentaram-se no mesmo nível de elevação
e de entendimento.
Dorcas, a costureira jopense, depois de amparada por Simão Pedro, fez-se mais ativa colabo-
radora da assistência aos infortunados. Febe é a mensageira da epistola de Paulo de Tarso
aos romanos. Lídia, em Filipos, é a primeira mulher com suficiente coragem para transformar a
própria casa em santuário do Evangelho nascituro. Lóide e Eunice, parentas de Timóteo, eram
padrões morais da fé viva.
Entretanto, ainda que semelhantes heroínas não tivessem de fato existido, não podemos
olvidar que, um dia, buscando alguém no mundo para exercer a necessária tutela sobre a vida
preciosa do Embaixador Divino,
o Supremo Poder do Universo não hesitou em recorrer à abnegada mulher, escondida num lar
apagado e simples...
Humilde, ocultava a experiência dos sábios; frágil como o lírio, trazia consigo a resistência do
diamante; pobre entre os pobres, carreava na própria virtude os tesouros incorruptíveis do
coração, e, desvalida entre os homens, era grande e prestigiosa perante Deus.
Eis o motivo pelo qual, sempre que o raciocínio nos induza a ponderar quanto à glória do Cristo
- recordando, na Terra, a grandeza de nossas próprias mães -,nós nos inclinaremos, reconhe-
cidos e reverentes, ante a luz imarcescivel 'da Estrela de Nazaré.
(*) XAVIER , Francisco Cândido, Religião dos Espíritos. Pelo Espírito Emmanuel, 4 ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1978, p. 131, 132

23 - Desigualdade das riquezas: as provas da riqueza e da miséria.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Esclarecer porque sendo a riquezas e a pobreza difíceis, a riquezas é a mais perigosa.
2) Analisar a luz do espiritismo, a citação evangélica : " É mais fácil um camelo passar pelo
buraco de uma agulha
do que entrar um rico no reino do céu. "Mateus 19;24
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"(...) A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes são
provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso
é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que
dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta
o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. (...)" (03)
"(...) A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos
afastam da perfeição espiritual. Por isso que Jesus disse: "Em verdade vos digo que mais fácil
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 120

é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos
céus." (03)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - Kardec, Allan. 0O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983, perg. 811.
02.- Op. cit. , perg. 814
03.- Op. cit. , perg. 816
04.- Não se pode servir a Deus e a Mamon. In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad.
Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, item 8, pp. 269-270
05 - Op. cit. , item 7, p. 267
06 - Op. cit. , item 7, p. 268
07 - Op. cit. , item 7, p. 269
COMPLEMENTARES
08 - MARTINS PERALVA. Espiritismo e pobreza. In - O Pensamento de Emmanuel.> 2. ed. Rio
de Janeiro, FEB, 1978, p. 50.
DESIGUALDADES DAS RIQUEZAS: AS PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA.
A igualdade das riquezas não é possível:"(...)A isso se opõe a diversidade das faculdades e
dos caracteres."(01)
Os homens não são iguais. Uns são mais previdentes, outros menos. Uns mais egoístas,
Outros menos. Uns mais inteligentes, ativos e trabalhadores, outros menos. Logo, se fosse"(...)
a riqueza repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente que,
supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversi-
dade dos caracteres e das aptidões: que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somen-
te com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concor-
rem para o progresso e para o bem estar da Humanidade: que, admitido desse ela a cada um o
necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às descobertas e aos empreen-
dimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quanti-
dade suficiente, de acordo com as necessidades.(...)(04).
Deus concedeu as provas da riqueza, a uns, e da pobreza a outros, "para experimenta-los de
modo diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios
Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência".(02)
Uma das provas mais difíceis, é a da pobreza, quanto o é a da riqueza.
Na primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta. Na segunda, a do abuso dos bens da
vida, deturpando-lhes os augustos objetivos.(...)
Espíritos realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito,
podem solicitar a prova da pobreza, como oportunidade para o acrisolamento de qualidade ou
a realização de tarefas.
Algumas vezes, o mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a pedir a
condição oposta, com o que espera ressarcir abusos cometidos e por-se a salvo de novas
tentações, para as quais não se sinta convenientemente forte.(...)
O livre-arbítrio do homem pode leva-lo à pobreza, sem que se evoquem precedentes espiritu-
ais, causas ligadas à pretérito.(...)(8). Como por exemplo, a falta de estímulo para enfrentar os
problemas da vida, a preguiça, a imprevidência, que são fatores que podem conduzir o homem
ao estado de dificuldades econômicas.
"(...)A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação: a riqueza é, para
os outros, a prova da caridade e da abnegação(...)(04)
"Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, con-
forme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não se-
gundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de
perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamen-
tos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui
uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho,
do egoísmo e da vida sensual. (...)"(05)
Quando Jesus disse:" É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que
entrar um rico no reino dos céus" (MATEUS, 19:24: MARCOS, 10:25, LUCAS, 18:25) estava se
referindo aos males, as tentações a que a riqueza pode conduzir o homem. É errôneo interpre-
tar que o rico não alcança a perfeição; não foi o que Jesus anunciou."(...) Se a riqueza somente
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 121

males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem faze-la
produzir bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso
elemento de progresso intelectual.(...)"(06)
Pela riqueza pode o homem melhorar a situação material do Planeta onde vive, melhorar a
produção através da relação entre os povos; criar maiores e melhores recursos sociais através
do estudo, pesquisa e trabalho. "(...) Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de
progresso."(07)
A riqueza favorece as maiores tentações, por isso ser difícil ao rico acesso ao reino dos céus,
mas não impossível, pois ele dispõe de inúmeros meios de fazer o bem. Mas, é justamente o
que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. (...)"(3). É por estes fatos que a
prova da riqueza, apesar de tão difícil quanto a da pobreza, é mais perigosa para o progresso
moral do homem.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 122

9ª Unidade
Lei de reprodução

24 - Casamento.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Identificar no casamento um dos meios do progresso humano.
2) Citar as principais finalidades do casamento.
3) Explicar as razões dos casamentos de provação e ou de resgate.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas,
porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em
condições diversas.(...)" (1)
"(...) Casamento e compromisso e compromisso gera, evidentemente
responsabilidade. Pelo reencontro de almas, que se endividaram entre si,
casamento e, sobretudo, ensejo de reabilitação e progresso. (...)" (73)
"(...) Na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos
os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus,
exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não
só pelos laços da carne, mas também pelos da alma (...)" (2)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC Allan, O Livro dos Espíritos Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983, Perg. 696
02- Não separeis o que Deus juntou. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribei-
ro, 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, item 03
03 - Op. cit. item 04
04 - Op. cit. item 05
COMPLEMENTARES.
05 - FRANCO, Divaldo. Considerando o casamento. In Florilégios Espirituais, Ditado pelo
Espírito Francisco do Monte Alverne. Araras (SP), IDE, 1981, p.117.
06 - Op. cit. p.118
07 - MARTINS Peralva, casamento e sexo. In O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1978, p.171.
08 - XAVIER, Francisco Cândido & VIERA, Waldo. .Estude e Viva. Pelos Espíritos Emmanuel e
André Luiz. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 68.
09 - Op. cit. p 92.
10 - Vida e sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel. 6 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982,p. 23.
11 - Op. cit. pp.33-35.
CASAMENTO
"O estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento constitui um dos
primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade
fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do
casamento seria , pois, regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo
de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes."(1)
"Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra
lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral; a lei de amor. Quis Deus
que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de
que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um
somente, a ama-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casa-
mento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a
afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as
mais das vezes, essa afeição se rompe. O de que se cogita, não é da satisfação do coração e
sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. (...)
(...) Nem lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do
amor, se esta não preside à união, resultando, freqüentemente, separarem-se por si mesmos
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 123

os que à força se reuniram(...). Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas,
dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não
abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor.(...)"(2)
"Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não,
decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de
acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser
previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada
absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da lei de Deus.(...)"(3)
Caracteriza-se o estado moral de um povo pelas uniões da sexualidade, que se fazem rápidas,
em decadência, ou demoradas, num processo de ascensão tipificando a emotividade que rege
a convivência ética das criaturas.
Nesse sentido, o matrimônio tem papel preponderante na formação da comunidade.(...)"(5)
Se a união das pessoas pelos laços do casamento é precedida por interesses materiais, pelo
furor das paixões ou pelo jogo das conveniências, é uma realidade destinada ao fracasso, visto
que a lei de amor não foi cogitada.
Tais ligações, com o passar do tempo, após as ilusões dos primeiros momentos, permitirão que
entre os consortes, se estabeleçam antipatias mútuas que, com o desgaste natural, cristalizar-
se-ão em relações inamistosas.
A satisfação pura e simples dos instintos, no matrimônio, leva os cônjuges a uma saturação
recíproca e a um isolacionismo que logo deterioram o relacionamento conjugal, fazendo que o
matrimônio decline e degrade.<p>
Indispensável construir uma consciência responsável por meio da educação moral, doméstica e
social das criaturas, para que o matrimônio mereça pelo menos um pouco mais de respeito,
antes de se assumir o compromisso, que logo, por leviandade, se dissolverá.(...)"(6)
"(...) Casamento é compromisso e compromisso gera, evidentemente, responsabilidade(...)"(7),
como nos fala Emmanuel. Antes de optarem em por um passo tão sério, o homem e a mulher
devem refletir maduramente, para que não venham a ser infelizes, fazendo, também, a infelici-
dade das pessoas a eles ligadas.
"(...)A grande vítima das uniões precipitadas (...) é a sociedade. E como a sociedade se consti-
tui dos membros que se unem em torno do lar, a família, os filhos são os vitimados indefesos
pela leviandade e precipitação dos adultos mal formados (...)"(6)
Os filhos necessitam de que seus pais dêem exemplos de moralidade, de devotamento e de
equilíbrio. É fundamental que os cônjuges se compenetrem dos deveres perante si mesmos,
perante a prole e perante Deus.
A lei de amor, que deve sempre reger as ligações matrimoniais, permite que as pessoas se
procurem e se escolham, mas exige, também, que se respeitem e que se apóiem ante as
provas e dificuldades da vida.
Portanto , ö casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime
de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma a outra, no campo da assistência mú-
tua.(...)
Imperioso, porém, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, de vez que na co-
munhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso mesmo, não deve
haver desconsideração entre si(...)
Os débitos contraídos por legiões de companheiros de Humanidade, portadores de entendi-
mento verde para os temas do amor, determinam a existência de milhões de uniões suposta-
mente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosos ajustes sexu-
ais, sejam eles ou não acobertados pelo beneplácito das leis humanas, o aspecto de ligações
francamente expiatórias, com base no sofrimento purificador.(...)(11)
"(...) Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação, nas bases da
família, com pleno exercício da lei do amor nos recessos do lar, para que o lar não se converta,
de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente rever-
síveis".(10)
É compreensível, repetimos, que "sem entendimento e respeito, conciliação e afinidade espiri-
tual, torna-se difícil o êxito no casamento (...)" pois, "(...)por muito se nos impessoalizem os
sentimentos, somos defrontados em família pelas ocasiões de provas ou de crises, em que nos
inquietamos, gastando tempo e energias para "ver nossos filhos ou parentes na trilha que
consideramos como sendo a mais certa.(...)"(9).
O divórcio é lei humana que tem por objetivo separar legalmente o que já, de fato, está separa-
do. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é
aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. Se fosse contrário a essa lei, a
própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 124

autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E
dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente
interesses materiais e não a satisfação da lei do amor.
Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele:
"Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas
mulheres?" Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única
determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porem:" no
principio não foi assim", isto é, na origem da humanidade, quando os homens ainda não esta-
vam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, deri-
vando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.(...)(4)

25 - Celibato e poligamia.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Especificar em que condições o celibato e ato de amor ao próximo.
2) Constatar na poligamia sinais de atraso social.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"(...) Mas, se o celibato, em si mesmo, não e um estado meritório, outro tanto não se dá quando
constitui, pela renuncia ás alegrias da família, um sacrifico praticado em prol da Humanidade.
Todo sacrifico pessoal, tendo em vista o bem e sem qualquer idéia egoísta, eleva o homem
acima da sua condição material." (02)
"A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as
vistas de Deus, tem que se fundar na a feição dos seres que se unem. Na poligamia não há
afeição real: há apenas sensualidade." (03) ;
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC, Allan. 0 Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio e Janeiro, EB,
1983. Perg. 695.
02 - Op. cit., perg. 699.
03 - Op. cit., perg. 701.
COMPLEMENTARES
04 - FRANCO, Divaldo Pereira. Sexo e compromisso. In:- Dimensões da Verdade. Ditado pelo
Espirito Joanna de Ângelis. 2.-ed.--Salvador, Livraria Espirita Alvorada, 1977. p. 170.
05 - Op. cit., p. 173.
06 - MARTINS, Peralva. Sexo e Mocidade. In:- . O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1978. p-. 9-6.
07 - XAVIER, Francisco Cândido. Abstinência e Celibato. In:- . Vida e Sexo Ditado pelo Espirito
Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro,
08 - Op. cit., p. 100.
09 - Casamento, In: - . Vida e Sexo. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982. p. 33.
10 - O Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Perg.
331.
11 - Sexo. In: - ; No Mundo Maior. Ditado pelo Espirito Emmanuel 8. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1979. p. 161.
12 - Op. cit., p. 162.
CELIBATO E POLIGAMIA
"(...) O casamento, isto é, a união permanente de dois seres(...) é um progresso na marcha da
humanidade".(1) Já a poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O
casamento segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem.
Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade.
Se a poligamia fosse conforme a lei da Natureza, devera ter possibilidade de tornar-se univer-
sal, o que seria materialmente impossível, dada a igualdade numérica dos sexos. Deve ser
considerada como um uso ou legislação apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamen-
to social fez que desaparecesse pouco a pouco" (3).
"(...) A construção da felicidade real não depende do instinto satisfeito. A permuta de células
sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas em processo
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 125

evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. Importa reconhecer


que o intercâmbio de forças simpáticas, de fluidos combinados, de vibrações sintonizadas entre
almas que se amam, paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto, sustentando
obras imperecíveis de vida e de luz, nas ilimitadas esferas do Universo. (...)"(12).
Apesar de, nos dias atuais, existirem povos que ainda adotam a poligamia, como as popula-
ções muçulmanas do norte da África e grande parte dos asiáticos, a tendência, por força do
progresso moral, é a total abolição dessa prática.
O casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime de vivência
pelo qual duas criaturas se confiam uma a outra, no campo da assistência mútua.
Essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um
companheiro para uma companheira, um coração para outro coração ou vice-versa, na criação
e desenvolvimento de valores para a vida. (...)"(9).
Entre a poligamia e a monogamia, existe uma distância muito grande, e a conquista desta
última revela inegavelmente um poderoso passo evolucionário da Humanidade na área dos
sentimentos.
A vida a dois, pelos laços do matrimônio, enseja oportunidade de progresso, pois a constituição
do lar não só permite a reencarnação dos Espíritos e, conseguintemente, resgate de faltas do
passado, como representa a célula da família universal, unidade primeira da educação espiritu-
al.
Devemos considerar, porém, que existem pessoas que deliberadamente optam pelo celibato.
"Abstinência, em matéria de sexo e celibato, na vida de relação pressupõe experiências da
criatura em duas faixas essenciais a daqueles Espíritos que escolheram semelhante posições
voluntariamente para burilamento ou serviço, no curso de determinada reencarnação, e a
daqueles outros que se vêem forçados a adotá-las, por força de inibições diversas.(...)
Os que consigam abster-se da comunhão afetiva, (...) com o fim de se fazerem mais úteis ao
próximo, decerto que traçam a si mesmos escaladas mais rápidas aos cimos do aperfeiçoa-
mento.(...)(7)
"Almas existem que, para obterem as sagradas realizações de Deus em si próprias, entregam-
se a labores de renúncia, em existência de santificada abnegação.
Nesse mister, é comum abdicarem transitoriamente as ligações humanas, de modo a acrisola-
rem os seus afetos e sentimentos em vida de ascetismo e de longas disciplinas materiais.
(...)(10)
"(...)Agindo assim, por amor, doando o corpo a serviço dos semelhantes, e, por esse modo,
amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas maneiras, convertem a existência,
sem ligações sexuais, em caminho de acesso a sublimação, ambientando-se em climas dife-
rentes de criatividade, porquanto a energia sexual neles não estancou o próprio fluxo; essa
energia simplesmente se canaliza para outros objetivos - os de natureza espiritual. (...)(7)
Paralelamente a esses seres "(...) que elegem conscientemente esse tipo de experiência,
impondo-se duros regimes de vivência pessoal, encontramos aqueles outros, os que já nasce-
ram no corpo físico induzidos ou obrigados a abstinência sexual, atendendo a inibições irrevo-
gáveis ou a processos de inversão pelos quais sanam erros do pretérito ou se recolhem a
pesadas disciplinas que lhes facilitem a desincumbência de compromissos determinados, em
assuntos do espírito. (...)"(7)
"(...) Empreendimentos filantrópicos, atividades religiosas ou culturais enobrecedoras constitu-
em valioso programa de superação de pensamentos torturantes, relacionados com o sexo,
favorecendo, outrossim, a transformação das forças criadoras em elementos de exaltação do
bem e do embelezamento da vida .(...)"(6)
"(...) Numerosos Espíritos recebem de Jesus permissão para esse gênero de esforços santifi-
cantes, porquanto, nessa tarefa, os que se fazem eunucos, pelos reinos do céu, precipitam os
processos de redenção do ser ou dos seres amados, submersos nas provas e, simultaneamen-
te, pela sua condição de evoluídos, podem ser mais facilmente transformados, na Terra, em
instrumentos da verdade e do bem, redundando o seu trabalho em benefícios inestimáveis
para os entes queridos, para a coletividade e para si próprios".(10)"(...) Vigoram para muitos
deles, temporariamente, os imperativos da prova benéfica, os deveres de estatuto expiatório,
as exigências do serviço especializado, em que estudantes, devedores e missionários se
obrigam a longas fases de fome e sede do coração. Isso, porém, não representa obstáculo ao
amor. (...)"(11)
"(...) Qualquer atitude extremista opera desarmonia e perturbação com lamentáveis conse-
qüências que se estendem após o decesso carnal, em processos de sombras e aflições indes-
critíveis. (...)"(4) Assim, se o exercício de renúncia a que certas pessoas se afervoram os faz
hipocondríacos e tristes, não devem vacilar em obedecer a prescrição do apóstolo Paulo, na
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 126

primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 7, versículo 9:"(...) Mas, se não podem conter-se,
casem-se. Porque é melhor casar do que abraçar-se.(...)"(5)
"(...) Tais considerações nos impelem a concluir que a vida sexual de cada criatura é terreno
sagrado para ela própria, e que, por isso mesmo, abstenção, ligação afetiva, constituição de
família, vida celibatária, divórcio, e outras ocorrências, no campo do amor, são problemas
pertinentes a responsabilidade de cada um, erigindo-se, por essa razão, em assunto não de
corpo para corpo, mas de coração para coração".(8)

26 - Obstáculos à reprodução.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1). Citar os principais obstáculos ã reprodução humana.
2). Analisar, ã luz da Doutrina Espírita, a indicação dos anticoncepcionais humanos no plane-
jamento familiar.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Homens ou mulheres que apresentam impedimentos naturais ã reprodução são Espíritos em
reajuste de erros cometidos no passado, provavelmente na área do sexo.
Há pessoas que adotam o uso de anticoncepcionais, justificando planejamento familiar. "(...)
Sem duvida, estamos diante de um problema de alta magnitude, que deve ser, todavia, estu-
dado ã luz do Evangelho e não por meio dos complexos cálculos frios da precipitação materia-
lista. (...)" (3)
(...) Obstar ã reprodução, para satisfação da sensualidade
(...), prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem e material". (2)
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos .trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1983, perg. 693.
02 - Op. cit., perg. 694
COMPLEMENTARES
03 - FRANCO, Divaldo Pereira, Anticonceptivos e Planejamento Familiar. Após a tempestade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2. ed. Salvador, Liv. Espírita Alvorada, 1977. pp. 58-59.
04 - XAVIER, Francisco Cândido, Anotações Oportunas. IN Ação e Reação. Ditado pelo Espíri-
to Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980, p. 210
05 - O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980, perg. 40
06 - Entrevistas, 3ª ed. Araras SP. ide, 1981, perg. 102, 142
OBSTÁCULOS A REPRODUÇÃO
Sabemos que, basicamente, existem dois tipos de obstáculos a reprodução humana: Os que
chamaremos de naturais ou cármicos, por serem postos pela Justiça Divina, ante faltas cometi-
das no passado e os artificiais, produtos da ação do homem e com o fim de impedir a reprodu-
ção humana. Estes últimos recebem o nome genérico de anticonceptivos ou anticoncepcionais.
A pergunta 693 de O Livro dos Espíritos =:"São contrários a lei da Natureza as leis e os costu-
mes humanos que tem por fim ou por efeito criar obstáculos a reprodução?"(1). Respondem os
Espíritos Superiores: "Tudo o que embaça a Natureza em marcha é contrário a lei geral"(1).
Diz-nos Joanna de Ângelis:"(...) Alegações ponderosas que merecem consideração vem sendo
arroladas para justificar-se a planificação familiar através do uso dos anticonceptivos de varia-
dos tipos. São argumentos de caráter sociológico, ecológico, econômico, demográfico, conside-
rando-se com maior vigor os fatores decorrentes das possibilidades de alimentação numa Terra
tida como semi-exaurida de recursos para nutrir aqueles que se multiplicam geometricamente
com espantosa celeridade.(...)
Sem dúvida, estamos diante de um problema de alta magnitude, que deve ser, todavia, estu-
dado à luz do Evangelho e não por meio de complexos cálculos frios da precipitação materialis-
ta.
O homem pode (...) programar a família que deseja e lhe convém ter: número de filhos, período
para a maternidade, nunca, porém, se eximirá dos imperiosos resgates a que faz juz, tendo em
vista o seu próprio passado.
Melhor usar o anticonceptivo do que abortar.(...)"(3)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 127

Melhor, ainda, seria não impedir a volta dos Espíritos ao corpo de carne, já que o espírita não
desconhece a seriedade da planificação reencarnatória. Antes de retomarmos as experiências
físicas é bem provável que nos tenhamos comprometido a receber, como filhos, um número
determinado de Espíritos. Logo, a reprodução humana estava naturalmente acertada numa
cota previamente estabelecida, quando ainda nos encontrávamos nos planos espirituais. É
nesse sentido que compreendemos a afirmação exposta anteriormente por Joanna de Ângelis
e as seguintes, enunciadas por Emmanuel e André Luiz, respectivamente nos livros Entrevistas
e Ação e reação.
"Não acreditamos que a coletividade humana esteja, por enquanto, habilitada espiritualmente a
controlar o renascimento na Terra sem prejudicar seriamente o desenvolvimento da lei de
provas purificadoras".(6)
"(...)Já que nos detemos, em matéria de sexologia, na lei de causa e efeito, como interpretar a
atitude dos casais que evitam os filhos, dos casais dignos e respeitáveis, sob todos os pontos
de vista, que sistematizam o uso de anticoncepcionais? (...)(4)
O orientador Silas, em face dessa questão, ponderou: "Se não descambam para a delinqüência
do aborto, na maioria das vezes são trabalhadores desprevenidos que preferem poupar o suor,
na fome de reconforto imediatista. Infelizmente para eles, porém, apenas adiam realizações
sublimes, as quais deverão fatalmente voltar, porque há tarefas e lutas em família que repre-
sentam o preço inevitável de nossa regeneração." Desfrutam a existência, procurando inutil-
mente enganar a si mesmos, no entanto, o tempo espera-os, inexorável, dando-lhes a conhe-
cer que a redenção nos pede esforço máximo. Recusando acolhimento a novos filhinhos,
quase sempre programados para eles antes da reencarnação, emaranham-se nas futilidades e
preconceitos das experiências de subnível, para acordarem, depois do túmulo, sentindo frio no
coração.(...)"(4)
Quanto aos obstáculos naturais (ou cármicos) à reprodução humana, diz Emmanuel em "O
ConsoIador " : No quadro de interpretações da Terra(...) podem indicar situações de prova para
as almas que se encontram em experiências edificadoras: todavia, se considerarmos a questão
no seu aspecto espiritual, somos obrigados a reconhecer que a esterilidade não existe para o
Espírito que, na Terra, ou fora dela, pode ser fecundo em obras de beleza, de aperfeiçoamento
e de redenção" (5)

27 - O aborto.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Explicar porque o aberto não terapêutico e um ato criminoso.
2). Relacionar as conseqüências físicas e espirituais do aborto.

IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma
criança antes do seu nascimento, por isso que impe
de uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava
formando." (01)
(...) A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito e constrangi-
da, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua
alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite,
vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os
quais, muita vez, desencarna, demandando o Alem para responder, perante a Justiça
Divina, pelo crime praticado. (...)" (09)
No caso do nascimento da criança por em risco a vida da mãe "(...) preferível e se sacri-
fique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe." (02)

FONTES DE CONSULTA.

OBRAS BÁSICAS
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 128

01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1983. Perg. 358.
02. Op. cit., perg. 359.

COMPLEMENTARES

03. FRANCO, Divaldo Pereira. Aborto Delituoso. In:_ . Após a Tempestade. Ditado
pelo Espirito Joanna de Ângelis. 2. ed. Salvador Livraria Espirita Alvorada, 1977. p. 67.
04. Op. cit., p. 68.
05. MARTINS PERALVA. Aborto Delituoso. In:_ . O Pensamento de Emmanuel. 2.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 p. 124.
06. Op. cit., pp.125-126.
07. XAVIER, Francisco Cândido. Aborto. In:_ . Vida e sexo. Ditado pelo Espirito
Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 76. ;
08. _ . Aborto Delituoso. In: _. Luz no Lar. Diversos autores espirituais. 3. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1978 pp. 54-55.
09. _ . Anotações Oportunas. In: _ . Ação e Reação. Ditado pelo Espírito André Luiz. 8.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 .pp. 210-211.

O ABORTO.

O aborto é "(.. ) doloroso crime. Arrancar uma criança ao materno seio e infanticídio
confesso. (...)" (9)

"(...) Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma
criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma de passar pelas provas a que
serviria de instrumento o corpo que se estava formando". (1) Dentre muitos, podemos
destacar três erros do procedimento dessas mães: Impedir que um Espirito reencarne e,
conseqüentemente, que progrida. Segundo erro, esse filho talvez represente o instru-
mento que Deus tenha dado aos pais para ajuda-los na jornada evolutiva, através dos
cuidados, das renuncias, das preocupações e trabalhos que teriam. Terceiro erro: trans-
gressão do mandamento divino "não matarás". E, nesse caso, um assassinato em que a
vitima se encontra em situação de desigualdade, sem a menor chance de se defender.

(... ) Fica inteiramente entregue à mãe - assassina, infeliz mulher que se transforma em
algoz e do pai que se converte, na cumplicidade irresponsável, em desvairado homicida.
(...)" (5)

(...) O aborto delituoso e a negação do amor. Esmagar uma vida que desponta, plena de
esperança; impedir a alma de reingressar no mundo corpóreo, abençoado cenário de
redentoras lutas; negar ao Espírito o ensejo de reajuste, representa, em qualquer lugar,
situa são e tempo, inominável crime.

Assassinato frio, passível, segundo as luzes da filosofia espirita, de prolongadas e dolo-


rosas conseqüências para o psiquismo humano. (...)" (6)

A Humanidade encontra-se, presentemente, atacada por uma serie de males. São homi-
cídios, assaltos, assassinos, doenças, fome, catástrofes, ignorância, fazendo com que o
mundo viva em constantes convulsões sociais.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 129

(...) Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que e prati-
cado, no silêncio do santuário domestico ou no regaço da Natureza...

Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços
robustos com que se confie aos movimentos da reação

Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes de terminam a morte dos


próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a benção da
luz. (...)" (8)

"(...) Não obstante, em alguns países, na atualidade, o aborto sem causa justa - e como
causa justa devemos considerar o aborto terapêutico, mediante cuja interferência medica
se objetiva a salvação da vida orgânica da gestante - se encontre legalizado, produzindo
inesperada estatística de alto índice, perante. as leis naturais que regem a vida continua
ser atentado criminoso contra um ser que se não pode defender, constituindo, por isso
mesmo, dos mais nefandos atos de agressão ã criatura humana. (...)" (3)

"(...) A vida e patrimônio divino que não pode ser levianamente malbaratado.

Desde que os homens se permitem a comunhão carnal e justo que se submetam ao


tributo da responsabilidade do ato livremente aceito. (...)" (4)

"(...) De acordo com a Doutrina Espírita, " o aborto não encontra justificativa perante
Deus, a não ser em casos especialíssimos, quando o médico honrado, sincero e consci-
ente sentencia que "o nascimento da criança põe em perigo a vida da mãe dela". Somen-
te ao medico - e a mais ninguém! - dá a Ciência autoridade para emitir esse parecer.
(...)" (6). Nesse caso, estando em jogo a vida da mãe, "(.-.) preferível e se sacrifique o
ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe." (2)

Devemos refletir em torno do aborto delituoso, "(...) para reconhecermos nele um dos
grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na
patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões." (7)

"(...) A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito e constrangi-
da, por leis irrevogáveis» a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua
alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite (*), o
vaginismo (*), a metralgia (*), o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses
com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Alem para responder, perante a
Justiça Divina, pelo crime praticado. . É, então, que se reconhece rediviva, mas doente e
infeliz, porque, pela incessante recapitulação mental do ato abominável, através do
remorso, reterá por tempo longo a degenerescência das forças genitais

A mulher que corrompeu voluntariamente o seu centro genésico, receberá de futuro


almas que viciaram a forma que lhes ê peculiar, e será mãe de criminosos e suicidas, no
campo da reencarnação regenerando as energias sutis do perispírito, através do sacrifí-
cio nobilitante com que se devotará aos filhos torturados e infelizes de sua carne, apren-
dendo a orar, a servir com nobreza e a mentalizar a maternidade pura e sadia, que acaba-
rá reconquistando ao preço de sofrimento trabalho Justos (...)" (9)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 130

Glossário.

METRITE - Inflamação do útero.

METRALGIA Dor no útero. O mesmo que uteralgia.

VAGINISMO - - Contração espasmódica do músculo constritor da vagina.

ESPASMÓDICA -- Da natureza do espasmo.

ESPASMO - Contração súbita e involuntária dos músculos. Convulsão.


ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 131

MÓDULO IV
Aspecto filosófico

1ª Unidade
Deus

01 - A existência de Deus.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Tecer considerações a respeito do axioma : (...) todo efeito inteligente tem que decorrer de uma
causa inteligente. (...) " (3)
Explicar a necessidade da idéia de Deus para o homem.
IDÉIAS PRINCIPAIS.
"Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras.
Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adianta-
mento dos que o executaram. (...) " (04)
"Pois bem! lançando o olhar cm torno do si, sobre as obras da Natureza, notando a providen-
cia, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver
nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde
que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à
Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa " (05)
"Deus é a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas." (07)
O conhecimento da verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais essencial,
de mais necessário, porque é Ele que nos sustenta, nos inspira e nos dirige, mesmo a nossa
revelia. (...)" (08)
FONTES DE CONSULTA
BÁSlCAS
01 - KARDEC, Allan, Deus. Existência de Deus. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. Z4. ed.
Rio de Janeiro, FEB, 1 . tem 01l.
02 - Op. cit., item 02
03 - Op. cit., item 03
04 - Op. cit., item 04
05 - Op. cit., item 05
06 - Op. cit., item 06
07 - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg.
01.
COMPLEMENTARES
08. DENIS, Léon. Necessidade da Idéia de Deus. In: O Grande Enigma. 6. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1980. p. 70.
09 . Notas complementares. Nº 01. In : O Grande Enigma. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p.
238.
A EXISTÊNCIA DE DEUS
Qualquer doutrina tem seus princípios básicos, dos quais derivam outros, que são decorrências
naturais ou lógicas dos primeiros. Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita é o da exis-
tência de Deus, como o Criador necessário de tudo o que existe. Outro, evidentemente funda-
mental, é o da existência dos Espíritos, como criaturas suas; e outro ainda - o da natureza
espiritual da alma humana, considerada como Espírito encarnado, que constitui a individualida-
de consciente, permanente e imperecível do homem. Tudo o mais que os Espíritos revelaram -
a pluralidade dos mundos habitados, a encarnação e as reencarnações, com à conseqüente
pluralidade das existências corporais, a lei de causa e efeito, o princípio da necessidade das
provações, como meio de progresso, e das cruciantes, mas redentoras expiações; tudo isso,
que revela suprema sabedoria, harmonizando bondade e indefectível justiça, é decorrência
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 132

natural daqueles princípios básicos. à frente de todos, porém, fulge, luminoso, o princípio da
existência do Eterno Criador.
Já fizemos notar, no Roteiro 01 do Programa II, o fato altamente significativo de ter Kardec
começado "O Livro dos espíritos" com um capítulo inteiramente consagrado a Deus, às provas
da sua existência, e aos atributos da Divindade.
Em "A Gênese", Allan Kardec - após explicar no Capitulo I, o Caráter da Revelação Espírita -,
novamente trata, logo na Capítulo II, da existência de Deus, mostrando que ela constitui o mais
fundamental princípio da Doutrina Espírita, conforme veremos a seguir.
1. - Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base
sobre que repousa o edifício da criação, é também o ponto que importa consideremos antes de
tudo
2. - Constitui principio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo
quando ela se conserve oculta.
Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil
atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário
vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se
chega ao conhecimento das causas.
3. - Outro principio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o de que
todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causo inteligente.
Se perguntassem qual o construtor de certo .mecanismo engenhoso, que pensaríamos de
quem respondesse
que ele se fez a ai mesmo? Quando se contempla. uma obra-prima da arte ou da indústria, diz-
se que há de te-la produzido um homem de gênio, porque só uma alta inteligência poderia
concebê-la. Reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem, por se verificar que não
está acima da capacidade humana; mas, a ninguém acudirá a idéia de dizer que saiu do cére-
bro de um idiota ou de um ignorante, nem, ainda menos, que é trabalho de um animal, ou
produto do acaso.
4. - Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos
homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio dos fósseis humanos: provou-a
também, e com muita certeza, a presença. nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados
pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo bastarão para
lhe atestar a presença. Pele grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de
inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos numa região
habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes uma estátua digna de Fídias, não hesita-
reis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência
superior à destes,
5. - Pois bem! lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a provi-
dência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não
haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana Ora,
desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior
à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa.
Considera em seguida Kardec a opinião dos que opõem a esse raciocínio tão lógico o de que
"(...) as obras ditas da Natureza são produzidas por forças materiais que atuam mecanicamen-
te, em virtude das leis de atração e repulsão, (...)" (06) sob cujo império tudo ocorre, quer no
reino inorgânico, quer nos reinos vegetal e animal, com uma regularidade mecânica que não
acusa a ação 4e nenhuma inteligência livre. "(...) O homem dizem esses opositores movimenta
o braço quando quer e como quer; aquele, porém, que o movimentasse no mesmo sentido,
desde o nascimento até a morte, seria um autômato. Ora, as forças orgânicas da Natureza são
puramente automáticas.
Tudo isso e verdade - redargüiu Kardec mas, essas forças são efeitos que hão de ter uma
causa (...). Elas são materiais e mecânicas ; não são de si mesmas inteligentes, também isso é
verdade; mas são postas em ação, distribuídas, apropriadas às necessidades de cada coisa
por uma inteligência que não é a dos homens. A aplicação útil dessas forças é um efeito inteli-
gente, que denota uma'. causa inteligente (...)
"Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras." (06)
O Espiritismo, portanto, dá ao homem uma idéia de Deus que, com a sublimidade da Revela-
ção, está conforme a mais perfeita e justa racionalidade. Convence-nos da Divina Existência
sem necessitar recorrer a outras provas que não as que provêm da simples contemplação do
Universo, onde Deus se revela através de obras admiráveis e de leis sábias, constituindo um
conjunto grandioso de tanta harmonia e onde há perfeita adequação dos meios aos fins, que se
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 133

torna impossível não ver por trás de tão portentoso mecanismo a ação de uma Suprema Inteli-
gência. Por isso, a pergunta do Codificador: "Que é Deus?" (07)
Os Espíritos responderam:
"Deus e a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas." (07)
Assim o compreendem, numa inata intuição de Sua existência e do seu poder todos os que
não se deixaram empolgar totalmente pelo terrível entorpecer da inteligência e do sentimento
humanos, que e o orgulho, e assim, reconhecem no harmonioso mecanismo que entretém os
movimentos universais, a existência imprescindível de um primeiro motor transcendente. "A
mecânica celeste não se explica por si mesma escreve Léon Denis , e a existência de um
motor inicial se impõe. A nebulosa primitiva, mãe do Sol e dos planetas, era animada de um
movimento giratório. Mas quem lhe imprimira esse movimento? Respondemos sem hesitar:
Deus." (11)
Assim como Léon Denis, já então iluminado pela radiosa luz do Espiritismo, o reconheceu, fê-lo
também Albert Einstein, com todo o rigor do seu raciocínio lógico, puramente matemático. Por
muito raciocinar em busca da verdade, Einstein adquiriu um alto grau de intuição que o levou
do mesmo modo que a muitas outras coisas também ao reconhecimento da existência de
Deus, como fonte necessária da energia que dá o primeiro impulso a tudo que se move no
Universo.
Muito antes de Einstein, também o não menos genial Issac Newton teve de reconhecer a
existência necessária de uma causa transcendente e um primeiro motor para explicar o movi-
mento dos planetas. Apesar de descobrir a grande lei da gravitação universal, que viria aparen-
temente resolver esse milenar problema, no fim de seu livro "Princípios matemáticos de filoso-
fia natural" declara-se impotente para explicar aqueles movimentes somente pelas leis da
Mecânica.
"(...) Em um transporte de entusiasmo, sua grande Alma se exalça Àquele que, por si só, pôde,
com sua poderosa mão, lançar os mundos sobre a tangente de sua órbita. Nunca a ciência
humana e o gênio do homem se elevaram mais alto do que nessa página célebre, digno coro-
amento desse livro grandioso (...)" (Conforme o que escreveu na Revue du Bien o professor
Bulliot, citado por Léon Denis em seu livro "O Grande Enigma ".
ANEXO I
MEÇA SEUS CONHECIMENTOS.
Assinale apenas uma alternativa em cada questão.
01) A idéia da existência de Deus e:
a) Inerente ao ser humano, independente do seu estado evolutivo ( ).
b) Inerente, somente no homem civilizado
c) Inerente, apenas nos religiosos de todos os tempos
d) Inerente no homem, após o advento do Espiritismo
02) Se Deus é "a Inteligência Suprema, causa primaria de todas as coisas" ("O Livro dos Espí-
ritos", pergunta n º 1), isso significa que:
a) Tudo o que existe no Universo origina-se em Deus
b) Deus preexiste à criação de todas as coisas ( ).
c) Deus é Criador e Pai de tudo que existe
d) Todas as respostas estão corretas
03) A idéia de Deus como Pai foi-nos transmitida;
a) Por Moisés
b) Por Jesus
c) Pelos Apóstolos
04) A crença na existência de Deus é:
a) O único principio do Espiritismo ( ).
b) Um dos princípios do Espiritismo de estudo secundária ( ).
c) Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita ( ).
d) Todas as alternativas estão erradas
05) A evolução da idéia de Deus ao longo da história humana revela que:
a) Está em função do livre-arbítrio humano
b) É relativa ao grau de evolução dos povos e dos seus legisladores
c) Ela acompanhou o progresso da ciência
d) As diversas seitas e/ou cultos religiosos melhor compreendem Deus ( ).
06) Para a Doutrina Espírita, Deus ë :
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 134

a) Uma abstração metafísica


b) Ideal distante e inatingível
c) Antropomórfico ( ).
d) Uma realidade ativa, viva, sensível e consciente
07) Com relação aos Seus atributos, Deus é:
a) Eterno, imaterial e soberanamente bom
b) Eterno mutável, imaterial o soberanamente bom ( ).
c) Eterno imutável, imaterial, único e soberanamente bom ( ).
d) Eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom ( ).
08) "A vontade de Deus é soberana e prevalecem sempre os seus desígnios sábios e justos ".
Esta frase revela o seguinte atributo divino:
a) Imaterialidade
b) Imutabilidade
c) Onipotência
d) Unicidade
09) Providência divina é:
a) A solicitude de Deus para com as criaturas humanas
b) A solicitude de Deus para com as suas criaturas
c) A solicitude de Deus para com todas as criaturas imperfeitas
d) A solicitude de Deus para com todas as criaturas que se submetem à sua vontade
10) A existência do micro e do macrocosmo, com suas leis perfeitas prova-nos:
a) Que há uma força soberana que a tudo comanda.
b) Que por maior que seja o conhecimento humano, não é possível o homem criar.
c) A existência de Deus.
d) Todas as respostas estão corretas.
Se você acertou 09 a 10 questões EXCELENTE
07 a 08 MUITO BOM
05 a 06 RELEIA A UNIDADE
01 a 04 RELEIA A UNIDADE E ESTUDE AS OBRAS BÁSICAS
CHAVE DE CORREÇÃO: 01. (a) ; 02. (d) ; 03. (b) ; 04. (c) ; 05. (b) ; 06. (d) ; 07. (d) ; 08. (c) ;
09. (b) ; 10. (d)
ANEXO 02
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO CIRCULAR
01) Fazer considerações a respeito do axioma:
Todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente." (02)
02) Citar alguns meios que identifiquem o grau de inteligência ou adiantamento espiritual de
alguém.
03) Justifique a afirmativa: "{...) O Conhecimento sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que
há de mais essencial porque é Ele que nos sustente, nos inspira e nos dirige, mesmo à nossa
revelia.(...)" 01
04) Por quê nem sempre se faz necessário ver uma coisa para saber que ela existe? Exempli-
fique.
05) Explique porque a idéia de Deus está conforme à mais perfeita e justa racionalidade.
06) Analise porque a idéia de Deus como Pai, revelada por Jesus, pode fazer as pessoas mais
felizes.
07) Que importância tem o conhecimento da existência de Deus, como Pai e Criador Supremo,
para a evolução espiritual dos homens?
BIBLIOGRAFIA
01. DENIS, Léon. Necessidade da idéia de Deus. In: O Grande Enigma 6. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1980. p. 70
02. KARDEC, Allan. Deus. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1982. item 3, p. 53.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 135

02 - O infinito e o espaço universal.


OBJETIVOS BÁSICOS
Conceituar: Infinito, Tempo e Espaço.
Estabelecer a diferença entre Tempo e Espaço.
Dizer porque não se deve confundir Deus com o Infinito.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Infinito é "o que não tem começo nem fim: o desconhecido(...)."(01)
"(...) O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade
não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo,
nem fim: tudo lhe é presente. (...)" (06a)
"(...) O tempo é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem
astro algum; se não houvesse sucessão de períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia
que criou o tempo.(...)" (07)
"(...) O espaço é a extensão que separa dois corpos (...)." (05)
"(...) Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite
qualquer. (...)" (06)
Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma (...)." (02)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeira. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983, Questão 02, p. 51.
02 - Op. cit., questão 03, p. 52.
03 - Op. cit., questão 13, p. 55.
04 - Op. cit., questão 35, p. 63.
05 - Uranografia Geral. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1
8 . Item 01, p. 103.
06 - Op. cit., p. 104.
06 - (a) Op. cit., p. 107.
COMPLEMENTARES
07 - FLAMARION, Camille. O Universo Ulterior. In: . Sonhos Estelares. Trad. de Arnaldo S.
Thiago. Rio de Janeiro, FEB, 1. p. 97.
08 - MIRANDA, Hermínio C. As Estruturas, Tempo e Espaço. In: . A Memória e o Tempo. São
Paulo, EDICEL, 1981. o. 28.
O INFINlTO E O ESPAÇO UNIVERSAL
No roteiro n º l falamos de Deus,, como causa necessária do Universo.
Mas o que é Universo? - É o conjunto de tudo o que existe e não é obra do homem. O universo
é a obra de Deus, de que faz par te o próprio homem, ser pensante e racional, mas que é
apenas uma criatura, um filho de Deus. Nesse Universo há de considerar-se desde logo o
espaço que ë a extensão onde tudo existe, e ligado a esse espaço deve considerar-se também
o tempo. Espaço e Tempo, porém,’ em termos universais, e., em relação a Deus, têm as di-
mensões do infinito e da eternidade.
É isso que nos ensina a Doutrina Espírita, exposta em "O Livro dos Espíritos". Ali, à pergunta
de Allan Kardec, de n º 35 - O espaço universal é infinito ou limitado ? os Espíritos responde-
ram:
"Infinito. Supõem-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão,
bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o
infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis com-
preendê-lo." (04)
O espaço ë, pois, infinito. Que se deve, entretanto, entender por infinito? Disseram-no também
os Espíritos, na resposta à pergunta n º 2 de "O Livro dos Espíritos ":
"O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito." (01)
E à pergunta seguinte: Poder-se-ia dizer que Deus é infinito ?" os Espíritos responderam:
"Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está
acima da linguagem dos homens.
Deus é infinito em suas perfeições - acrescenta Kardec em comentário próprio - mas o infinito é
uma abstração. Dizer que. Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma,
é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a pri-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 136

meira." (02)
Começando a enumerar os atributos divinos, .;explana magistralmente Kardec: "(...) Deus é
eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por
um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
(...)" (03)
Como se vê, apesar da lógica de Kardec, o assunto parece extremamente complexo e o pro-
blema aparentemente insolúvel. Entretanto tudo pode-se tornar extremamente simples e a
solução limpidamente clara, se se coloca o homem na condição de criatura imperfeita ainda,
mas perfectível, simples e ignorante em seu começo: pequena, podendo porém engrandecer-
se - e por desígnio divino - através de degraus sucessivos, cada vez mais altos, que o vão
tirando da ignorância, aumentando-lhe pouco a pouco o horizonte, dilatando-lhe a visão das
coisas e dando-lhe, enfim, maior intuição. É a grande lei do progresso.
Conforma-te, pois, oh! homem, com o teu degrau atual - sente-se vontade de clamar -, e esfor-
ça-te por subir os sucessivos degraus da escala! Sê humilde diante da grandeza do Criador e
confia na sua divina providência, que te criou para atingires um dia os píncaros do saber e
excelsas virtudes.
No capítulo VI de "A Gênese", de Allan Kardec, pag. 103 a 105 da 26. edição da FEB, há uma
mensagem do elevado Espírito Galileu, recebida na Sociedade Parisiense de Estudos Espíri-
tas, através da mediunidade de C. F. (a editora informa que essas são as iniciais de Camille
Flammarion) que satisfaz a razão no que toca às noções que estamos procurando adquirir
neste roteiro, è cujo texto vamos a seguir transcrever integralmente:
1. - Já muitas definições de espaço foram dadas, sendo a principal esta : O espaço é a exten-
são que separa dois corpos, na qual certos sofistas deduziram que onde não haja corpos não
haverá espaço. Nisto foi que se basearam alguns doutores em teologia para estabelecer que o
espaço é necessariamente finito, alegando que certo número de corpos finitos não poderiam
formar uma série infinita e que, onde acabassem os corpos, igualmente o espaço acabaria.
Também definiram o espaço como sendo o lugar onde se movem os mundos, o vazio onde a
matéria atua, etc. Deixemos todas essas definições, que nada definem, nos tratados onde
repousam.
Espaço é; uma dessas palavras que exprimem uma idéia primitiva c axiomática, de si mesma
evidente, e a cujo respeito as diversas definições que se possam dar nada mais fazem do que
obscurece-la. Todos sabemos o que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é infinito, a
fim de que os nossos estudos ulteriores não encontrem uma barreira opondo-se às investiga-
ções do nosso olhar.
(1) Este capitulo 6 textualmente extraído de uma série de comunicações ditadas à Sociedade
Espirita de Paris, em 1862 e 1863, sob o titulo - Estudos uranográficos e assinadas GALILEU.
Médium: C. F. Nota do Tradutor: Estas são as iniciais do nome de Camilo Flammarion.
Ora, digo que o espaço e infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qual-
quer. e porque, apesar da dificuldade com que topamos para conceber o infinito, mais fácil nos
é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, de-
pois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer.
Para figurarmos, quanto no-lo permitam as nossas limitadas faculdades, a infinidade do espa-
ço, suponhamos que, partindo da Terra, perdida no meio do infinito, para um ponto qualquer do
Universo, com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que percorre milhares de léguas
por segundo, e que, havendo percorrido milhões de léguas mal tenhamos deixado este globo,
nos achamos num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida estrela. Passado
um instante, seguindo sempre a mesma direção, chegamos a essas estrelas longínquas que
mal percebeis da vossa estação terrestre. Dei, não só a Terra aos desaparece inteiramente do
olhar nas profundezas do céu, como também o próprio Sol, com todo o seu esplendor, se há
eclipsado pela extensão que dele nos separa. Animados sempre da mesma velocidade do
relâmpago, a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas de mundos, ilhas
de luz etérea, estradas estelíferas, paragens suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma
profusão com que semeou as plantas nas pradarias terrenas.
Ora, há apenas poucos minutos que caminhamos e já centenas do milhões de milhões de
léguas nos separam da, Terra, bilhões do mundos nos passaram sob as vistas e, entretanto,
escutai! cm realidade, não avançamos um só passo que seja no Universo.
Se continuarmos durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes
seculares e sempre com a mesma velocidade do relâmpago, nern um passo igualmente tere-
mos avançado, qualquer que seja o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 137

para onde nos encaminhemos, a partir desse grãozinho invisível donde saímos e a que cha-
mamos Terra.
Eis ai o que é o espaço!
Estudemos, agora, o tempo.
Segundo Allan Kardec, "(...) O tempo é a sucessão das coisas.
Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito (...).
O tempo é apenas uma medida relativa de sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é
suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim:
tudo lhe é presente. (...) {08)
"(...) O espaço existe por si mesmo, passando-se o contrário com relação ao tempo.
É impossível supor a supressão do espaço. (...)Já não é as sim como relação ao tempo.
O tempo é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro
algum; se não houvesse sucessão de períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia que
criou o tempo. Suprimi-o universo, o espaço continuará a existir, mas o tempo cessará, desva-
necer-se-á, desaparecerá (...)." (07)
Einstein descartou-se do conceito de tempo absoluto - um fluxo universal inexorável de tempo,
firme, invariável, correndo de um passado infinito para um futuro infinito. Muito da obscuridade
que envolve a Teoria da Relatividade (...) procede da relutância do homem em reconhecer que
o senso do tempo, como o sendo de cor, é uma forma de percepção. Assim como não há tal
coisa como cor sem olhos para observá-la, da mesma forma, um instante, uma hora ou um dia
nada são sem um evento que os assinale. E como espaço é simplesmente uma ordem possível
de objetos materiais, o tempo é simplesmente uma ordem possível de eventos.
O tempo seria, então, um conceito meramente subjetivo, ou seja, estaria exclusivamente na
dependência de um observador para apreciá-lo em determinado ponto e, portanto, inescapa-
velmente subordinado à relatividade de sua posição quanto a tudo o mais no universo que o
cerca. (...)" (08)

03 - Materialismo e panteísmo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conceituar: materialismo e Panteísmo
Traçar um esboço histórico das idéias materialistas
estabelecer a relação existente entre panteísmo e materialismo
IDÉIAS PRINCIPAIS
Materialismo é a "doutrina segundo a qual toda a realidade das coisas se reduz à matéria e a
suas modificações." (11)
Panteísmo "Sistema que nega que Deus e o universo sejam realmente distintos. (...)" (12)
O materialismo foi criado pelo fundador da filosofia grega , Tales de Mileto, tendo, ainda, na
Antigüidade, as personalidades de Anaximandro, Anaxímenes, Leucipo, Demócrito de Adera,
Epicuro, entre outros, como adeptos e seguidores.
A escola Aristotélica destaca-se na Idade Média - a qual tenta conciliar O materialismo com a
teologia juntamente com as idéias de Galileu Galilei.
Nos tempos modernos, pessoas como Francis Bacon, John Locke, Descartes, La Mettrie,
Helvetius, Karl Marx, e outros, se sobressaem dos de mais. (2,.3, 4, 5 e 6)
O Panteísmo não está muito distante do materialismo porque, embora vendo em Deus um Ser
supremo, não ë , no entanto, um ser distinto, mas a reunião de todas as forças existentes.
FONTES DE CONSULTA PROGRAMA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983, perg. 16. p. 56.
COMPLEMENTARES
02 - ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo, Enciclopédia Britânica do Brasil, 1977,
Materialismo, item 3, v. 14, p.7329.
03 - Op. cit., item 4, p. 7329.
04 - Op. cit., item 5 , p 7329
05 - Op. cit., item 6 , p 7329
06 - Op. cit., item 9 , p 7329
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 138

07 - Op. cit., item 15.1 p. 7330


08 - FLAMMARION, Camille M Deus. In. Deus na Natureza. Trad. de M. Quintão. 4. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1979, p. 402 - 404
09 - Op. cit., p. 406 - 407
10 - JOLIVET, Régis . Vocabulário de Filosofia . Trad. de .Geraldo Dantas Barreto. Rio De
Janeiro, Agir, 1975. P. 139.
11 - Op. cit., p. 140
12 - Op. cit., p. 165
MATERIALISMO E PANTEÍSMO
Apesar de todas as razões que levam convictamente à crença de que Deus existe, como causa
transcendente necessária do Universo, com os atributos de suprema inteligência, onipotência,
bondade e justiça perfeitas, e infinito em todas as suas perfeições, há homens, e sempre os
houve, que negam a Divina existência. O seu ateísmo disfarçado ou sincero, mas que e sem-
pre conseqüência da arrogância, da presunção e do orgulho, leva-os a negar a existência de
todo Espírito no Universo, tanto o Espírito Divino como o que em si mesmo existe e é a sede da
própria inteligência e da consciência de cada um; isto é, negam a existência da alma humana
como individualidade independente da matéria corporal e a ela sobrevivente, considerando-a a
penas como resultante da organização cerebral altamente evoluída do "Homo Sapiens". São
ateus e materialistas, profitentes do mais radical materialismo.
Materialismo e a doutrina filosófica segundo a qual não existe essencialmente no Universo
coisa alguma além da matéria, quer como causa, quer como efeito. Implica um sistema dos
mundos em que o fundamento único é a matéria, incriada e eterna, isto é, existente por si
mesma, necessária e suficientemente, sem interferência alguma de Deus. Os que a professam
são filósofos, quer dizer, refletem sobre os conhecimentos adquiridos pelas experiências objeti-
vas, as realidades visíveis e palpáveis, suscetíveis de ser atingidas pela observação direta e a
experimentação, sobre os movimentos universais que animam todas as coisas ; já chegaram
ate as realidades invisíveis e impalpáveis como os átomos, as radiações energéticas, as vibra-
ções e as ondas que se propagam através do Cosmos, mas nada concebem para tudo isso
senão um substrato material submetido a leis cegas, não emanadas de uma inteligência direto-
ra e criadora. É muito antiga essa concepção, vem desde os primeiros filósofos gregos e pros-
segue em toda a antigüidade greco-romana.
Traçaremos, a seguir, um esboço das idéias materialistas ao longo da história humana, de
maneira que possamos entender o significado delas.
O materialismo, como doutrina, ensino ou escola nasce, pratica mente, com Tales de Mileto, na
Antiga Grécia, por. volta do século VI a.C. "O materialismo dos filósofos jônicos inclui algumas
teses que se tornarão características de todo o materialismo posterior :
1) a filosofia deve explicar os fenômenos não por meio de mitos religiosos, mas pela Observa-
ção da própria realidade;
2) a matéria, incriada e indestrutível, é a substância de que todas as coisas se compõem e à
qual todas se reduzem;
3) a geração e a corrupção das coisas obedecem a uma necessidade não sobrenatural, mas.
natural, não ao destino, , mas às leis físicas;
4) a matéria não é estática, mas se acha em constante movimento, em permanente metamor-
fose;
5) a experiência sensível é a origem do conhecimento
6) a alma faz parte da natureza e obedece às mesmas leis que regem o seu movimento." (02)
"Para Tales, a substância primordial é a água, para Anaxímenes o ar, e para Anaximandro a
matéria indeterminada. Todos os fenômenos da natureza consistem em transformações do
mesmo princípio material, independentemente de qualquer interferência divina (...). O pensa-
mento consiste em dizer a verdade após ter penetrado a natureza e suas leis, e a sabedoria
consiste em viver de acordo com essas leis.(...) (03)
"Para Anaxágoras, a natureza se constitui de homeomerias, unidades que contêm os elemen-
tos de todas as coisas em proporções infinitesimais (...) Demócrito, (...) sustenta que o princípio
de todas as coisas são os átomos. Tudo o que existe ë material, e a mateira que constitui os
átomos é qualitativamente idêntica, determinando os diferentes fenômenos da natureza em
função da diversidade quantitativa dos átomos (forma, dimensão e ordem). As transformações
que se observam na natureza consistem em associações e dissociações de átomos." (04)
"A alma humana, feita também de átomos, está sujeita à decomposição e a morte. (...) A natu-
reza se explica por si mesma, e os acontecimentos que hoje se produzem, dizia Demócrito, não
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 139

têm causa primeira, pois preexistem de toda a eternidade no tempo infinito, contendo, sem
exceção, tudo o que foi, é e será. (...)" (05)
Em tese, foram estas as idéias materialistas reinantes até o século XIII, havendo em contrapo-
sição as escolas espiritualistas - sobretudo a platônica e a neoplatônica - e aquelas que tenta-
vam conciliar o materialismo com a teologia, como a escola aristotélica.
No longo período que constituiu a Idade Média, o materialismo foi sofrendo algumas alterações,
porém sempre rejeitando a idéia de um Criador supremo para todas as coisas.
Segundo Francis Bacon (15611626), "(...) As ciências físicas e naturais constituem, a seus
'olhos, a verdadeira ciência.
Por sua vez Hobbes (15881679) cria um sistema materialista perfeita mente coerente. Conce-
bendo o mundo a maneira de Descartes, a geometria como paradigma do pensamento lógico e
a mecânica de Galilei como ideal da ciência da natureza, considera o mundo um conjunto de
corpos materiais, definidos geometricamente, por sua forma e sua extensão. O homem é um
corpo, como os demais, a alma não existe e os organismos não passam de engrenagem do
mecanismo universal." (06)
Vivendo no período de 16321704, John Locke nega as idéias inatas e afirma que todas as
idéias humanas têm origem na experiência.
No século XVIII, Julien Offroy de la Mettrie (17091751), filósofo sensualista, afirma que o prazer
e o amor-próprio são os únicos critérios da vida moral e, também, que os fenômenos psíquicos
resultam de alterações orgânicas no cérebro e no sistema nervoso. Outro filosofo da época,
considerado o precursor ideológico da Revolução Francesa, materialista e ateísta intransigente,
defende a tese de que todas as idéias são sensações provocadas pelos objetos materiais e a
personalidade ë produto do meio e da educação. Esse filósofo chamava-se Cloude Adrien
Helvétius (17151771).
Encerrando o século XVIII, Paul Henri Dietrich (17231789), francês de origem alemã, conside-
rava o Cristianismo como contrário à razão e à natureza. Nega as idéias inatas, a existência da
alma e de Deus. Vê no comportamento religioso um despotismo político. (07)
No século XlX, surge com Karl Marx (18181883) e Friedrich Engels (1820189S) o chamado
materialismo histórico e dialético. Marxismo é, pois, a doutrina "(...) segundo a qual as organi-
zações políticas e jurídicas, os costumes e a religião são estritamente determinados pelas
condições econômicas, pelo estado da indústria e do comércio, da produção e das vendas."
(10)
Só crêem na matéria! Mas não podem deixar os materialistas de ver a ordem existente no
Universo, entretanto, admitem uma ordem inteligente existindo sem uma causa inteligente, que
a preceda, conceba e a ela presida.
Vejamos o que nos fala Camille Flammarion, em sua obra "Deus na Natureza":
"(...) De resto, a que se reduz a negação materialista? Buscando o âmago. das coisas, perce-
bemos logo que essas negações não podem ser tão absolutamente negativas quanto o preten-
dem. O insensato não o será jamais impunemente e não é tão fácil, quanto possa parecer, uma
convicção profunda no ateísmo. Na maioria dos casos, o que ocorre é o deslocamento da
questão e nada mais. Em vez de chamar Deus à direção das forças que regem o mundo, os
convencidos de ateísmo deixam de o nomear, e, em vez de atribuir a um ser inteligente a
inteligência dessas forças, outorgam-na à própria matéria. Removem, assim, mas não resolvem
o problema, pois os fatos continuam irrevogáveis. Negam a Deus, mas não podem negar a
força. Apenas, em lugar de proclamarem a soberania dessa força, consideram-na escrava da
matéria inerte. (...) Todas as propriedades instintivas ou intelectivas que os nossos adversários
não podem deixar de atribuir à matéria para explicar a ação desta, sua tendência progressiva,
seu método seletivo; desde a formação do vegetal humilde à formação de um cérebro humano,
são atributos que eles extraem do Ignoto que nos denominamos Deus, e que eles homenagei-
am chamando-lhe matéria; (...) Parece-nos absurdo integral a crença de que o Espirito pudesse
surgir no cérebro humano e manifestar-se nas leis do Universo, se não existisse de toda a
eternidade. (...)'~ (08)
Não e só o materialismo que nega Deus e a existência do Espirito humano. Ha ainda a pante-
ísmo.. Para os que professam essa doutrina - entre os quais .avulta a mentalidade vigorosa de
Spinozza
Deus, sendo embora o Ser Supremo, não é, entretanto, um ser distinto, pois consideram-no
resultante da reunião de todas as forcas, todas as inteligências do Universo. Sente-se desde
logo a inconsistência de uma tal doutrina que, se verdadeira, derrogaria os mais necessários
dos atributos de Deus: ser eterno, infinito, imaterial, único, onipresente, soberanamente justo e
bom.
"(...) Esta doutrina - comenta Allan Kardec - faz de Deus um ser material que, embora dotado
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 140

de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, trans-
formando-se a matéria jncessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria;
achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade ;
faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as
propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que ele fique rebaixado ante a nossa compreen-
são e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza
íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de ser e o
sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele
confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa
máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou.
A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as
obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e execu-
tou. (...)" (01)
Materialismo e panteísmo se confundem, pois, na mesma negação de Deus como o Ser distin-
to, que é a Inteligência Suprema e a Causa Primária do Universo. "(...) Mas, - escreve Camille
Flammarion, na obra citada -, ainda bem que o ateísmo absoluto só pode ser uma loucura
nominal e o Espírito mais negativista não pode, realmente, atribuir à matéria senão o que
pertence ao Espírito, criando, assim, um deus matéria, à sua imagem e semelhança. Assim,
temos visto que, desde o panteísmo místico ao mais rigoroso ateísmo, os erros humanos a
respeito da personalidade divina não puderam, senão, velar, ou desnaturar a revelação do
Universo, sem aniquilá-la. Nosso Deus da Natureza permanece inatacável, no seio mesmo da
Natureza, força, intrínseca e universal, governando cada átomo, formando organismos e mun-
dos, princípio e fim das criações que passam, luz incriada a brilhar no mundo invisível e para a
qual, oscilantes, se dirigem as almas, como a agulha imantada, que não mais repousa enquan-
to não se encontra identificada com o plano do polo magnético." (09)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 141

2ª Unidade
Criação Divina

04 - Elementos gerais do Universo: espírito e matéria.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Estabelecer a diferença entre espírito, matéria e fluido universal
Citar as principais propriedades da matéria e os elementos que a constituem.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Há dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito"(...) e acima de tudo Deus, o
criador, o pai de todas as coisas. Deus, Espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que
existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que
desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por de-
mais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de
vista, seja lícito classifica-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades
especiais. (...) Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é mateira, e
suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob ação do Espirito, de produzir a
infinita variedade das coisas. (...)"(06)
Para a ciência oficial as principais propriedades da matéria são: possuir massa, ter extensão,
impenetrabilidade, inércia e divisibilidade.
Os principais elementos constitutivos da matéria são as moléculas e os átomos, os quais se
subdividem em partículas cada vez menores e que são objeto das mais recentes pesquisas na
ciência oficial.
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, .1983, Questão 17, p. 57.
02 - Op. cit., questão 18. pag. 57.
03 - Op. cit., questão 19, pag. 57.
04 - Op. cit., questão 20, pag. 58
05 - Op. cit., questão 22, pag. 58
06 - Op. cit., questão 27, pag. 5960.
07 - Op. cit., questão 30, pag. 61
08 - Op. cit., questão 31, pag. 61
09 - Op. cit., questão 33, pag. 62 63
10 - Op. cit., questão 34, pag. 63.
11 - O Livro dos Médiuns Trad. de Guillon Ribeiro, 45 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, item 74,
pag. 8586
COMPLEMENTARES
12. DUARTE, José Coimbra. Ciências Físicas e Biológicas. 26. ed. Rio de Janeiro, Nacional,
1975. pag. 17.
13. Op. cit., pag. 18.
14. Op. cit., pag. 19.
Dotado por Deus com o atributo superior da inteligência, tem buscado o homem conhecer o
mundo em que vive e o Universo de que é ínfima parte. Limitado, porem, é ainda o alcance de
sua inteligência, e o principio das coisas lhe e vedado. Em encarnações sucessivas, entretanto,
com a própria aplicação na busca incessante de novos conhecimentos, ele a vai desenvolven-
do e adquirindo também dignificantes virtudes morais, que lhe granjeiam merecimento a outor-
gas divinas cada vez mais altas. Assim progride o Espirito penetrando, pouco a pouco, os
segredos do Universo e aproximando-se dos mistérios das origens. ’Essa a perspectiva de
esperança que nos traz a consoladora Doutrina dos Espíritos:
Não é dado ao homem conhecer o princípio das coisas, ainda, porque "(...) Deus não permite
que ao homem tudo seja revelado neste mundo," (01) porém, é certo que "o véu se levanta a
seus olhos, à medida que ele se depura; mas para compreender certas coisas, são-lhe preci-
sas faculdades que ainda não possui." (02)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 142

Mesmo através dos grandes progressos da ciência, o homem ainda estará limitado. "A ciência
lhe foi dada para o seu adiantamento em todas as coisas; ele, porém, não pode ultrapassar os
limites que Deus estabeleceu. (...)" (03)
Além da Ciência, que é a fonte dos conhecimentos que ele deve adquirir com o próprio esforço
de pesquisa, aplicando a inteligência, a lógica dos raciocínios e os métodos experimentais, tem
o homem na Revelação outra fonte para acrescer os seus conhecimentos. Deus permite que
essa revelação lhe seja feita por intermédio de Espíritos Superiores, no domínio exclusivo da
Ciência Pura, isto e, sem quaisquer objetivos utilitaristas, aplicações práticas ou tecnológicas.
"Dado é ao homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de
ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos?
- Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à Ciência não é dado apreender." (04)
Que pode, pois, valendo-se dessas duas fontes de informação, já o homem saber sobre a
constituição do Universo? A Ciência limitou se a considerar como únicas realidades existentes
a matéria e a energia. Aprofundando-se, entretanto, no seu conhecimento chegou à conclusão
de que estão de tal modo e tão estreitamente relacionadas que representam, em verdade, duas
expressões de uma só e mesma realidade,
não sendo a matéria mais do que energia condensada ou concentrada, limitada em sua força e
dinamismo próprios, verdadeiramente escraviza da, encerrada em âmbitos restritos para formar
as massas densas dos corpos materiais. Inversamente, em determinadas condições e a maté-
ria atingida em sua massa, sofre desconcentrarão, descondensa-se, desintegra-se, libertando
energia em radiações diversas de natureza corpuscular. Ha sempre lado a lado, no Universo,
matéria densa e energia livre em interações recíprocas, que condicionam os dois processos
inversos de condensação e de libertação de energia. Enorme já é o acervo de conhecimentos,
que, sobre esse aspecto do Universo, a Ciência e a tecnologia permitiram ao homem acumular,
mas que escapa, evidentemente, aos objetivos deste Resumo. Entretanto - e é isto o que nos
cabe assinalar aqui -, não considerou a Ciência, na constituição do Universo, senão o elemento
material, quer em seu estado denso, quer em suas manifestações energéticas. Não procedeu
assim a Revelação. Esta ensina que ha fundamentalmente dois elementos gerais no Universo:
o elemento material - bruto e o elemento espiritual - inteligente. Mas com uma particularidade
importantíssima, referente ao elemento material: este não abrange somente as formas densas,
visíveis e tangíveis, dotadas de massa e ponderabilidade, extensão e impenetrabilidade, mas
também estados sutis, não acessíveis aos sentidos, em que desaparecem a massa tangível e a
ponderabilidade e surge a característica penetrabilidade, em relação à massa densa. Vejamos
o que responderam os Espíritos às indagações de Kardec:
"Define-se geralmente a matéria como sendo - o que tem extensão, o que e capaz de nos
impressionar os sentidos, o que e impenetrável. São exatas essas definições?
Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria
existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impres-
são vos
cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, ,não o seria.
"Que definição podeis dar da matéria?
- A matéria é o laço que prende o Espírito; e o instrumento de que este se serve e sobre o qual,
ao mesmo tempo, exerce sua ação. (...) (05)
"Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?
- Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria consti-
tuem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem
que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a
matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre
ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo como elemento material, ele se
distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria,
não haveria razão para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a
matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações
com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas
conheceis uma par te mínima. Esse fluido universal ou primitivo, ou elementar, sendo o agente
de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de
divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. (...)" (06)
Estas passagens de "O livro dos Espíritos", especialmente a ultima, de nº 27, são bastante
elucidativas, quando não se tem o espírito escravizado aos preconceitos científicos materialis-
tas. Tudo no Universo procede de Deus - suprema potência criadora. Deus criou o .fluido
universal ou matéria cósmica, que enche o espaço infinito e é, verdadeiramente, o elemento
primitivo, a partir do qual se forma tudo o que no Universo é material: os mundos e todos os
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 143

seres. Estes são a concretização das idéias divinas, por força da Sua onipotente vontade. Deus
criou também o espírito, elemento inteligente, o qual e submetido a longa elaboração através
dos diversos reinos da Natureza. No contato com minerais, vegetais e animais, o princípio
inteligente recebe impressões que, pela repetição, vão-se fixando, dando origem a automatis-
mos, reflexos, instintos, hábitos, memória, e acabam por integrar-se em individualidades cons-
cientes, dotadas de razão e vontade, livre-arbítrio e responsabilidade, destinadas a progredir
até que adquiram pureza e perfeição que as aproximam da Inteligência Suprema. Então, Espíri-
tos puros e perfeitos, que adquiriram com a perfeição um profundo conhecimento das leis
universais, possuindo também os mais elevados sentimentos e excelsas virtudes, detentoras
de sentidos e poderes espirituais superiores, as idéias divinas tornam-se-lhes perceptíveis,
são-lhes transmitidas e, executores que podem ser da Suprema Vontade, concretizam-nas em
formas materiais, elaborando mundos e presidindo neles ao desabrochar da vi da. Tornam-se,
assim, colaboradores de Deus na obra da Criação.
Portanto, a idéia criadora procede de Deus e pode surgir no Espírito. Só o Espírito pode con-
ceber idéias. A idéia toma forma pela ação da vontade divina ou do Espírito sobre o fluido
universal que, pela sua natureza intermediária entre o Espírito e a matéria, está apto a receber
a influência daquele, transmitindo-a a esta.
A importância desse fluido universal na constituição do Universo pode-se bem aquilatar nas
respostas dadas pelos Espíritos às indagações de Allan Kardec"., constantes umas em "O Livro
dos Médiuns", outras na obra básica ]á citada.
1º) O fluido universal não é uma emanação da divindade.
2º) É uma criação divina, como tudo que há na Natureza.
3º) Fluido universal é também um elemento universal; "(...) é o princípio elementar de todas as
coisas". (11)
4º) É o elemento do fluido elétrico.
5º) Para se encontrar o fluido universal na sua simplicidade absoluta, é preciso ascender aos
Espíritos puros. No nosso mundo, ele está mais ou menos modificado, para formar a matéria
compacta que
nos cerca.
6º) O estado de simplicidade absoluta que mais se lhe aproxima é o do fluido a que chamamos
fluido magnético animal. (11)
A Ciência considera as seguintes propriedades da matéria:
a) Massa "(...) quantidade de matéria de um corpo.(...) (13)
b) Extensão "(...) e a porção do espaço ocupada pela matéria. Toda matéria ocupa um deter-
minado lugar no espaço.
c) Impenetrabilidade "Duas porções de matéria não podem, ao mesmo tempo, ocupar o mesmo
lugar no espaço. (...)" (14)
d) inércia "Quando um corpo, formado naturalmente por matéria, está em repouso, é necessá-
rio uma força para colocá-lo em movimento. Se o corpo estiver em movimento, é necessário
uma força para
alterá-lo ou fazer o corpo parar. (...)" (13)
e) divisibilidade "(...) Podemos dividir um corpo ou pulverizá-lo ate certo limite. (...)" (14) As
partículas são formadas de partículas menores, chamadas átomos" (14)
É interessante definir, também, que "Matéria é tudo o que possui massa e extensão. Corpo é
uma porção limitada da matéria e Substâncias são as diferentes espécies de matéria. (...)" (12)
A matéria tal como e conceituada pela Ciência e ponderável, isto é, pode ser pesada.
O fluido universal, apesar de desempenhar "(...) o papel intermediário entre o Espírito e a
matéria propriamente dita (...)" (06) e podendo, "{...} de certo ponto de vista, ser lícito classificá-
lo com o elemento material (...)" (06), é imponderável. E uma das propriedades especiais de
que nos falam os Espíritos nos ensinos da Codificação.
Com relação a outra propriedade da matéria, vejamos o que Kardec nos apresenta em "O Livro
dos Espíritos":
"A matéria e formada de um só ou de muitos 'elementos?
De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elemen-
tos, são transformações da matéria primitiva."(07)
"Donde se originam as diversas propriedades da matéria?
- São modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas
circunstâncias." (08)
"A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir
todas as propriedades?
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 144

- Sim, e é isso que se deve entender, quando dizemos que tudo esta em tudo! {...)
Não parece que esta teoria dá razão aos que não admitem na matéria senão duas proprieda-
des essenciais : a força e o movimento, entendendo que todas as demais propriedades não
passam de efeitos secundários, que variam conforme a intensidade da força e a direção do
movimento?
- É acertada essa opinião. Falta apenas acrescentar: e conforme à disposição das moléculas,
como o mostra, por exemplo, um corpo opaco, que pode tornar-se transparente e vice-versa."
(09)
Finalmente, completando o assunto sobre as propriedades. da matéria, Allan Kardec pergunta
aos Espíritos superiores :
"As moléculas tem forma determinada?
- Certamente, as moléculas têm uma forma, porém, não sois capazes de apreciá-la.
Essa forma é constante ou variável?
- Constante a das moléculas elementares primitivas; variável a das moléculas secundárias, que
mais não são do que aglomerações das primeiras. Porque, o que chamais molécula longe
ainda esta da molécula elementar." (10)
Estas últimas afirmações dos Espíritos, que Kardec registrou com absoluta fidelidade, constitu-
em admirável antecipação das verdades sobre a descontinuidade da matéria e a sua unicida-
de, a primeira já totalmente provada experimentalmente pela Ciência e a segunda admitida por
ela como inteiramente provável. De fato, embora se considerem hoje, na base da constituição
da matéria - como conseqüência de notáveis investigações experimentais da Ciência - além
das moléculas e dos átomos, numerosas outras partículas, de modo que a nomenclatura apli-
cada a essas partículas ou corpúsculos incluem outras denominações, tais como hádrons e
léptens , subdivididos os hádrons em mésons e bárions ( incluindo os bárions os neutrons e
prótons dos núcleos atômicos) e os léptons em neutrinos, muons e elétrons, ao tempo em que
Kardec escreveu, entretanto, as partículas consideradas como às menores porções das subs-
tâncias chamavam-se mesmo moléculas, eram as moléculas constituintes das substâncias
simples, formadas pela união, dois a dois, dos átomos de um único elemento químico (como o
gás oxigênio representado pela fórmula O,, o gás hidrogênio H,, o gás cloro Cl,, etc. ). e as
moléculas integrantes, das substâncias compostas, por sua vez formadas pela combinação de
átomos de dois ou mais elementos, em determinadas proporções (como o gás clorídrico HCl, o
vapor de água H2O, o gás carbônico CO2, o ácido sulfúrico H2SO4, etc.). Allan Kardec não
podia, portanto, empregar outro termo senão moléculas para designar as menores partículas
das substâncias, tanto as que representam a matéria densa, como aqueles estados sutis da
matéria que derivam diretamente do fluido universal, que é o próprio fluido elementar primitivo.
Entretanto - sem a nomenclatura que fornece os termos de hoje, na era da. Atomística e da
quantificação da energia, da interação de partículas em campos de forças gerados por essas
mesmas partículas -, ele., Kardec, traduzindo o pensamento dos Espíritos, estabeleceu catego-
ricamente, em termos de generalização, as duas grandes verdades que a Ciência vem confir-
mando dia-a-dia: o da descontinuidade da matéria, em todas as suas modalidade, mais e
menos densas, e a da sua unicidade, de origem, isto é, de que a matéria é una; apesar de sua
aparente diversidade, todas as modalidades de substâncias, não sendo mais que modificações
da matéria cósmica ou substância elementar primitiva, elemento único de que deriva tudo o que
é material no Universo. Todo louvor, pois, a Kardec, cuja obra em vez de consignar um erro ou
um engano, muito ao contrário, registra, em termos de generalidade, uma admirável antecipa-
ção da verdade.
A N E X O ,0 1
TÉCNICA DE MÓDULOS INSTRUCIONAIS
"A palavra módulo, oriunda da arquitetura, assume em Educação, o significado de um instru-
mento que garante ao processo ensino aprendizagem um desenvolvimento lógico e sistemáti-
co. (...)
É um esquema de trabalho em que, partindo do conhecimento do que se espera dele" (*), a
pessoa "realiza alternativas de aprendizagem sob sua própria responsabilidade, avalia seu
desempenho e assim sucessivamente, até alcançar todos os objetivos previstos e estar em
condições de ser avaliada" (*) pelo dirigente ou orientador do trabalho naquele assunto estuda-
do.
"Estruturalmente, um Módulo Instrucional deve conter os seguintes elementos":(*)
- INTRODUÇÃO - E o local onde devem estar contidos a apresentação do assunto e os objeti-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 145

vos finais do módulo. Nessa introdução, poderá anexar-se um quadro que dê uma visão geral e
objetiva do trabalho a ser realizado
ATIVIDADES - Sob esse nome genérico, estão englobados os meios que servirão de base para
o estudo, propriamente dito, do módulo. Esses meios poderão ser representados por consultas
a textos e/ou livros textos, por entrevistas a especialistas, pela audição de palestras, exposi-
ções ou participações em debates sobre o assunto; pela realização de fichas, quadros sinópti-
cos, relatórios resumos, etc.
EXERCÍCIOS - É, na realidade, uma auto avaliação, que poderá ser feita através de respostas
a questionários, a complementação de frases, a enumeração de colunas, assinalação de certo
ou errado (ou falso e verdadeiro), etc.. Deverá haver correspondência do exercício com o
respectivo objetivo intermediário.
GABARITO DE RESPOSTA DOS EXERCÍCIOS - Trata-se de uma chave de correção onde o
estudante do módulo faz uma checagem das respostas dadas e contagem dos números de
acertos. Deve existir uma margem de acerto em torno de, no mínimo> 80 %. Abaixo disto, cabe
propor outras atividades sobre o mesmo assunto que constituía o módulo, como numa espécie
de recuperação. Só deverá ser encaminhado ao módulo seguinte quem atingiu 80%, ou mais,
de respostas certas.
PRETESTE - O estudante poderá solicitar um pré teste ao dirigente antes de executar um
módulo. O dirigente, porém, pode dispensar ou indicar, não só um pré teste como um pós teste.
Isto de conformidade com o nível do estudante e do assunto.
FICHA DE PONTOS - É a ficha onde o dirigente anotará o total de pontos (ou acertos) aos
exercícios de cada módulo realizados pelo estudante. (VER ANEXO 03)
(*) REIS, Ãngela 8 JOULLIÉ, Vera. Didática Geral Através de Módulos Instrucionais. Petrópolis,
Vozes, 1981. p. 0910.
ANEXOO2
MÓDULO 01
INTRODUÇÃO
Este e o Módulo instrucional nº.1, que inicia a 2ª unidade do programa IV - Criação Divina ~ e
que lhe proporcionará o domínio de vários conhecimentos com relação aos elementos gerais
do Universo, fornecidos pelos Espíritos superiores e constantes na Codificação Espírita. Estão,
em concordância com os conhecimentos da Ciência oficial do século passado e a dos tempos
atuais.
Esclarecemos que não é nosso objetivo aprofundar os ensinamentos da Ciência, mas, sim,
estudar as informações constantes na Doutrina Espírita.
O objetivo final deste Módulo - informar-se a respeito dos elementos gerais do Universo será
alcançado através de um conjunto de objetivos intermediários.
Para isso, leia cuidadosamente as instruções contidas no quadro seguinte, que lhe darão uma
visão geral e objetiva do trabalho a realizar.
Faça os exercícios e a correção deles, de acordo com gabarito de respostas em anexos, forne-
cendo, ao seu instrutor, no final da reunião, o total das respostas acertadas. Dependendo dos
resultados, você receberá o Módulo seguinte, ou realizará outras atividades que lhe permitirão
melhor compreensão deste módulo de número 1.
Tempo média necessário ao estudo do módulo 1 ; 1 a 2 reuniões

OBJETIVOS
TOTAL DE
INTERMEDIÁRI ATIVIDADES AUTO AVALIAÇÃO
ACERTOS
OS

1. Citar os dois
ele mentos 1. Leia em "O Livro dos
Resolva o exercício nº 01, do
gerais do univer- Espíritos ~ as questões 22
Módulo 1
so, caracterizan- a 27.
doos.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 146

2 Leia em "O Livro dos


Médiuns", na 1ª parte,
2. Explicar o que capítulo IV, item 74, subi- Resolva o exercício nº 02, do
é fluido universal. tens I a VIII e o item 75; ou Módulo l.
a Síntese do Assunto.
(Anexa)

3. Citar as princi-
pais proprieda-
3. Leia a Síntese do As- Resolva o exercício nº 03, do
des da matéria e
sunto. (Anexa) Módulo l.
os elemento que
a constituem.

TOTAL DE PONTOS OBTIDOS NESTE MÓDULO


MÓDULO 01 (EXERCÍCIO 01)
1. Cite os dois elementos gerais do Universo.
2. Indique qual o atributo essencial do Espírito.
3. Por que é necessária a união do Espírito e da matéria?
4. O perispírito pode ser considerado um tipo de matéria? Por quê?
5. Defina matéria, do ponto de vista espírita.
MÓDULO 01 (EXERCÍCIO 02)
1. Relacione as principais propriedades do fluido universal, conhecidas.
MÓDULO 01 (EXERCÍCIO 03)
Assinale a alternativa correta
1. Para a Ciência oficial, são propriedades da matéria:
a) Ter massa, extensão, inércia, impenetrabilidade, imponderabilidade;
b) Ter massa, extensão, inércia, impenetrabilidade, divisibilidade;
c) Extensão, inércia, divisibilidade, imponderabilidade.
2. Matéria, para os cientistas, é definida como :
a) Uma porção do fluido universal;
b) Tudo que ocupa lugar no espaço e possui massa e extensão;
c) Qualquer substância sólida.
3. Mateira, na definição espírita, é:
a) O instrumento sobre o qual o Espírito exerce sua ação;
b) A mesma dada pela Ciência;
c) Substância encontrada somente nos planos físicos.
4. Espírito é :
a) Princípio inteligente que existe só na Terra;
b) Único elemento geral do Universo, criado por Deus;
c) Princípio inteligente do Universo, criado por Deus e que age sobre
a matéria através do fluido universal.
5. A imponderabilidade, ou incapacidade de determinar peso, é uma das propriedades especi-
ais:
a) Da matéria orgânica;
b) Dos minerais;
c) Do fluido universal.
6. Uma das características fundamentais da matéria elementar primitiva e:
a) Não ser suscetível de modificação;
b) Ser suscetível de experimentar modificação; daí as diversas propriedades da matéria;
c) Ser ponderável.
7. Allan Kardec soube traduzir muito bem os ensinamentos dos Espíritos Superiores quando
enunciou verdades que somente hoje. estão em vias de confirmação pela Ciência oficial:
Duas dessas verdades são:
a) A existência de corpos simples e compostos na natureza;
b) A descontinuidade da matéria e a existência de uma única substância ou elemento que
origina todas as modalidades de matéria conhecida;
c) A inexistência de uma única substância primitiva geratriz de tudo o
que existe na Natureza.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 147

(*) GABARITO DE RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS:


Exercício 01
01. Espírito e matéria; 02. A inteligência; 03. Para intelectualizar a matéria (ou permitir a evolu-
ção do Homem); 04. Sim. É semimaterial; 05. Matéria é o instrumento de que se serve o Espíri-
to e sobre o qual exerce a sua ação.
Exercício 02.
02. É imponderável.
Elemento intermediário entre Espírito e matéria.
Criação e não emanação divina.
Princípio universal e elementar de todas as coisas.
É um dos elementos do fluido elétrico.
No nosso mundo ele está mais ou menos modificado para formar a matéria composta que nos
cerca.

MÓDULOS
TOTAL DE PONTOS ACERTOS
INSTRUC.

EXERC. 01 EXERC. 02 EXERC. 03 EXERC. 04 %

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

Exercício 03.= 01; b; 02. b; 03. a; 04. c; 05. e; 06. b; 07. B

05 - Formação dos mundos e dos seres vivos.


OBJETIVOS BÁSICOS
Explicar: corpos simples, compostos e matéria cósmica
Tecer comentários, à luz do Espiritismo, sobre a for mação dos mundos e dos seres vivos da
Terra.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Corpos simples (ou puros) são formados de urna só substância única. Corpos compostos são
formados de mais de uma substância.
Matéria cósmica é uma única substância "(...). primitiva, geradora de todos os corpos, mas
diversificada em suas combinações (...)" (11)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 148

"(...) A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os
universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade.(...)" (12)
"Sucedeu que, nurn ponto do Universo (...) a matéria cósmica se condensou sob a forma de
imensa nebulosa (...) (13)
"A nebulosa geratriz(...) pois, não terá dado nascimento a um só astro, mas a centenas de
mundos destacados do foco central (...) (14)
Com relação aos seres vivos, "a Terra lhes continha os germens, que aguardavam momento
favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou
a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos
(...)"( 5 ).
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Criação. In: . O Livro dos Espíritos Trad. de Guillon Ribeiro. 57. Rio de
Janeiro, FEB, 1983 P arte 1 p. 64.
02 - Op. cit., questão 38, p. 64.
03 - Op. cit., questão 39, p. 65.
04 - Op. cit. , questão 41, p. 65
05 - Op. cit. , questão 44 ,p. 65/66
06 - Op. cit. , questão 47 ,p 67
07 - Op. cit. , questão 49 ,p 67
08 - Uranografia Geral. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982. Item 04, p. 107108.
09 - Op. cit., item 06, p. 109.
10 - Op. cit., item 07, p. 109.
11 - Op. cit., item 10, p. 111112.
12 - Op. cit., item 17, p, 115/116
13 - Op. cit., item, 20, p. l18.
14 - Op. cit., item 22, p. 119.
FORMAÇÃO DOS MUNDOS E DOS SERES VIVOS
Tudo o que existe é obra de Deus. Par isso dizemos Criação Divina reportando-nos a esse
imenso Universo que, como diz Kardec," abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos
que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no
espaço, assim como os fluídos que o enchem.(1) Mas...como criou Deus o Universo? A respos-
ta a esta pergunta é ainda um mistério, como o é a própria existência do Criador e não será a
inteligência humana, no estado em que por enquanto se encontra, que irá penetrar tal mistério.
Temos de conformar-nos, portanto, a esse respeito, com o que disseram a Kardec os Espíritos
Superiores, por intermédio de um deles, e se encontra na resposta à pergunta 38 de "O Livro
dos Espíritos": "Como Deus criou o Universo"? "Para me servir de uma expressão corrente,
direi: Pela sua vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas
palavras da Gênese" - Deus disse: "Faça-se a luz e a luz foi feita".(2)
Sabemos, entretanto, também pela revelação dos espíritos superiores, que Deus criou funda-
mentalmente dois princípios diferentes, diametralmente opostos por suas qualidades essenci-
ais, que são os dois elementos gerais do Universo: o elementos material bruto e totalmente
inerte, e o elementos espiritual inteligente, suscetível de elaboração e desenvolvimento evoluti-
vo, objetivando à realização de individualidades conscientes, dotadas de razão e de vontade.
Com este segundo elemento criou Deus os Espíritos, que são os seres inteligentes, conscien-
tes e livres, por isso mesmo responsáveis, do Universo, sujeitos a leis morais. Com o primeiro -
o elemento material e bruto formou Deus os mundos que rolam no espaço, sujeitos apenas às
leis da Mecânica Celeste, bem como todos os seres que formam a Natureza desses mundos. E
deste elemento material que vamos especialmente tratar nesta síntese, ao mesmo tempo que,
à luz da Doutrina Espírita, procurar penetrar, por pouco que seja, na origem e formação dos
mundos. Chamemo-lo simplesmente de matéria a e tentemos defini-la.
Em um simples esboço de definição, podemos dizer que matéria é tudo e que existe constituin-
do o Universo físico, isto é, onde ocorrem os fenômenos que afetam os nossos sentidos, este-
jam eles desarmados ou armados com potentíssimos instrumentos óticos os telescópios,
espectroscópios, microscópios, os quais nos possibilitam observações muito além do alcance
natural dos nossos órgãos sensórios, levando-nos tanto aos gigantescos mundos, estrelas e
galáxias que enchem o espaço, como as mais íntimas estruturas dos seres e das coisas do
nosso mundo e de outros, relativamente próximos da Terra. Mas é infinita a extensão do Uni-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 149

verso Material e, para estudar a matéria, a fim de bem compreende-la e defini-la, tem necessa-
riamente o homem que reduzir suas observações. a porções limitadas da matéria que se en-
contre a seu alcance, verificando a possibilidade de generalizar os resultados das observações
assim feitas a toda a matéria do Universo.
Ora, os corpos embora tenham todos propriedades gerais que os identifiquem como materiais,
à mais simples e superficial observação, vê-se que diferem extraordinariamente uns dos outros,
podendo apresentar variedades de aspecto quase infinitas. Diferem em primeiro lugar pelo
estado físico, podendo apresentar-se no estado sólido, líquido ou gasoso, ou ainda em estados
intermediários, como o pastoso ou o de vapor. Se nos ativermos agora somente aos corpos
sólidos, veremos que eles diferem pela forma exterior, e é atendendo a essas diferentes formas
com que os designaremos: - cilindro, uma esfera, um cubo ou uma pirâmide; uma lâmina, uma
chapa, um fio ou um anel; uma grade, uma mesa, uma cadeira, uma estante; árvore, erva,
musgo, cogumelo, cão, gato, boi ou homem. Mas, além da forma, também podem distinguir-se
pelas dimensões, e ninguém confundira uma mesa de determinada forma e avantajado tama-
nho com uma mesinha exatamente da mesma forma, mas com as dimensões de um brinquedo
de criança.
Há, porém, uma terceira coisa que permite distinguir mais profundamente os corpos uns dos
outros. Vejamos: Consideremos cinco esferas (portanto da mesma forma) e exatamente das
mesmas dimensões. Distingui-las-emos perfeitamente pela constatação de que uma, por
exemplo, é de vidro, outra de madeira, mais outra é de ferro, ainda outra de cobre e a última de
marfim. Esta coisa que permite distinguir dois ou mais corpos, ainda que tenham a mesma
forma e as mesmas dimensões chama-se a substância do corpo. Dir-se-ia, assim, que cada
corpo tem a sua substância individual e unívoca, isto ë, constituída de partes absolutamente
iguais umas as outras, formando o que „ poderia chamar de corpo puro. Em realidade, entre-
tanto, as coisas não são bem assim. O estudo de diversas amostras de matéria provindas quer
da Natureza, quer da Indústria Humana, mostrou que somente algumas podem efetivamente
considerar-se substâncias puras, isto é, espécies individuais de matéria, caracterizadas por
propriedades específicas e invariáveis; enquanto que inúmeras outras, em imensa maioria na
Natureza, são constituídas de porções diferentes, separáveis por processos apropriados, ditos
de análise imediata, mostrando que são, em verdade, misturas de duas ou mais substâncias,
misturas que podem ser mais ou menos heterogêneas ou aparentemente homogêneas, con-
forme as dimensões das partículas em que se encontram divididas as substâncias misturadas.
Corpo puro, isto é, formados de uma só substância individual, isolada de qualquer outra, são
raríssimos na Natureza, podendo citar-se como um dos pouquíssimos exemplos, as amostras
de quartzo hialino ou cristal de rocha, constituídas de óxido de silício ou sílica, substâncias que
nessas amostras se encontra em estado puro. A obtenção de corpos puros ë obra da Indústria
Química, em quantidades consideráveis. Obtidos os corpos puros, verificou a análise Química,
entretanto, que nem todos são constituídos de princípios materiais indecomponíveis e unívo-
cos, revelando-se, ao contrário, a grande maioria, decomponíveis em outras substâncias, as
quais, por sua vez, podem ainda decompor-se ; ou não mais: Foram essas substâncias, assim
decomponíveis em duas ou mais outras, chamadas substâncias compostas. Ha, todavia, um
pequeno número substâncias simples, isto e, indecomponíveis, delas não se podendo extrair
outras substâncias, senão elas próprias, mostrando que constituem princípios elementares e
unos, pelo que foram também chamadas elementos químicos.
Cabe aqui, agora, uma observação elucidativa. Os químicos antigos diziam copos simples em
vez de substâncias simples, estendendo as propriedades das substâncias aos corpos que elas
formam. Abrangiam, assim, na mesma designação, corpo e substância, e que não apresentava
maior inconveniente, pois no corpo, quaisquer que sejam sua forma e dimensões, se refletem
evidentemente as propriedades inerentes à substância que o forma. E por isso que nos livros
escritos por Allan Kardec aparece freqüentemente a expressão copos simples e que em "A
Gênese", livro que ele publicou em 1868, pode ler-se, em comunicação oriunda do Espírito ~~
Galileu "A Química, cujos progressos foram tão rápidos depois da minha época, (...) fez tábua
rasa dos quatro elementos primitivos nos quais os antigos concordam em reconhecer a Nature-
za (...) Em compensação, fez surgir considerável número de princípios, ate então desconheci-
dos, que lhe pareceram formar, por determinadas combinações, as diversas substâncias (...)
que ela estudou (...) Deu a esses princípios o nome de copos simples, indicando de tal modo
que os considera primitivos e indecomponíveis e que nenhuma operação até hoje pôde reduzi-
los a frações relativamente mais simples do que eles próprios. (08)
Resumindo e atualizando pode dizer-se : A Química, até o momento, pôde estabelecer a exis-
tência de um certo numero de princípios materiais primitivos e indecomponíveis - os elementos
químicos, os quais formam, por si mesmos e isoladamente, ou combinados entre si, todas as
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 150

substâncias dos corpos. Em número de 92 (os elementos químicos naturais), escalonados


desde o Hidrogênio, que é o primeiro da escala, até o Urânio, que é o último, existem no esta-
do atômico, ou seja : de corpúsculos chamados átomos, tendo massa e volume ínfimos, variá-
veis conforme os elementos, mas fixos e característicos para cada elemento. É. pela agrega-
ção desses átomos que se formam todas as substâncias naturais ou Industriais ; Quando se
agregam átomos de um só elemento, formam-se substâncias simples ; quando se combinam
átomos de dois ou mais elementos, formam-se substâncias compostas. Eis o que, em brevís-
simo ressumo, os químicos puderem estabelecer. Mas onde os homens não podem ir com
seus mais poderosos instrumentos de análise, penetram os Espíritos Superiores e nos vêm
revelar que, além do estado denso, que conhecemos no nosso mundo, a matéria reveste
estados mais sutis, puramente fluídicos. Esses fluidos enchem todo o espaço, originários, por
sua vez, de uma substância elementar primitiva e única o fluído universal ou matéria cósmica,
que, em realidade, é a fonte de que, por modificações e combinações variadíssimas, provem
tudo no Universo, mesmo a matéria mais densa.
Dignas de toda consideração, pela beleza e verdade que encerram, são as afirmações de
Galileu Espírito, na comunicação já antes referida "A primeira vista, não há o que pareça tão
profundamente variado, nem tão essencialmente distinto, como as diversas substâncias que
compõem o mundo.(...) Entretanto, podemos estabelecer como princípio absoluto que todas as
substâncias, conhecidas e desconhecidas, por mais dessemelhantes que pareçam, quer do
ponto de vista da constituição íntima, quer do prisma de suas ações recíprocas, são, de fato,
apenas modos diversos sob que a matéria se apresenta; variedades em que ela se transforma
sob direção das forças inumeráveis que a governam. "(...) Há questões que nós mesmos,
Espíritos amantes da Ciência, não podemos aprofundar e sobre as quais não poderemos emitir
se não opiniões pessoais, mais ou menos hipotéticas
A com que nos ocupamos, porém, não pertence a esse número. Àqueles, portanto, que fossem
tentados a enxergar nas minhas palavras unicamente uma teoria ousada, direi: abarcai, se for
possível, com olhar investigador, a multiplicidade das operações da Natureza e reconhecereis
que, se se não admitir a unidade da matéria, impossível será explicar, já não direi somente os
sóis e as esferas, mas sem ir tão longe, a germinação de uma semente na terra, ou a produção
dum inseto." (09)
"Se se observa tão grande diversidade na matéria, é porque, sendo em número ilimitado as
forças que hão presidido às suas transformações e as condições em que estas se produziram
também as várias combinações da matéria não podiam deixar de ser ilimitadas. Logo quer a
substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto e, aos corpos impon-
deráveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não ha, em todo o
Universo, senão uma única substância primitiva: o cosmo ou matéria cósmica dos uranógra-
fos"(10)
A ciência moderna já se vai aproximando dessa grande verdade. O próprio átomo, considerado
a principio como partícula última da matéria, corpúsculo indivisível, uno, indissecável, sabe-se
hoje que é um complexo de partículas subatômicas, prótons, neutrons e elétrons - entre as
fundamentais, e que se estruturam, em número e modo diferentes, conforme cada elemento
químico.
Nos mundos como a Terra, ao lado dos corpos materiais que formam o substrato permanente
do solo ou crosta terrestre, das águas dos mares e dos gases da sua atmosfera, há seres que
apresentam um ciclo de existência, isto ë, que nascem, crescem, desenvolvem-se e reprodu-
zem-se, definham e morrem. São os seres vivos: vegetais e animais. Nos seus corpos não há a
estrutura simples e relativamente homogênea de um mineral, mas a heterogeneidade de uma
organização completa, órgãos que se associam em sistemas e aparelhos, com vistas à realiza-
ção das complexíssimas funções vitais. Os órgãos são formados por tecidos específicos, os
quais, por sua vez, resultam da associação de pequeninas células. Caracterizam-se, assim, os
seres vivos por sua organização celular, havendo-os também unicelulares, isto ë, formados por
uma só célula. A célula é a unidade vital e nela se realizam, apesar da sua pequenez, por
intermédio de orgânulos ou corpúsculos celulares, todas as funções que caracterizam o ciclo
da vida, desde o nascimento até a morte meramente material; a formação dos seres vivos
obedece ás mesmas leis químicas que regulam a formação das substâncias minerais, quer
dizer: as substâncias orgânicas, que entram na constituição dos corpos vegetais e animais, são
formadas dos mesmos princípios ou elementos químicos e obedecem, na sua formação, às
mesmas leis que regem a formação das substâncias orgânicas. Ora, sabemos como se formam
os com postos minerais: os elementos se combinam obedecendo, em primeiro lugar, às afini-
dades existentes entre eles e decorrentes das estruturas específicas de seus átomos; e, em
segundo lugar, às leis das combinações químicas, entre as quais sobrelevam a da conservação
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 151

das massas (de Lavoisier) e a das proporções definidas (de Proust).


Quando em dadas condições os elementos se combinam para formar um determinado compos-
to, as massas. que se combinam, não são quaisquer, mas guardam entre si e com a massa do
produto da reação, relações constantes. Por exemplo: o hidrogênio e o oxigênio apresentam
grande afinidade química e em condições apropriadas se combinam para formar água, também
chamada protóxido de hidrogênio ou, mais corretamente, monóxido de hidrogênio. Ao combina-
rem-se, as suas massas guardam entre si uma relação invariável que, expressa pelos menores
números inteiros, isto e, na sua expressão mais simples, ë 1 para 8 (1:8)
Poderíamos multiplicar os exemplos com as combinações binárias do oxigênio com os metais,
formando os óxidos metálicos, do flúor, cloro, bromo, iodo e astato, formando os fluoretos,
cloretos, brometos, iodetos e astatetos, respectivamente, do enxofre, formando os sulfetos, etc.
: poderíamos considerar outros tipos de reações químicas, como as de simples substituição de
elementos em substâncias compostas, as reações mutuas entre compostos, como poderíamos
considerar também outras leis das combinações química.
.O que queremos ressaltar é que os compostos orgânicos se formam a partir dos mesmos
elementos químicos que entram na composição dos compostos inorgânicos ou minerais e
obedecendo as mesmas leis de conservação e de proporcionalidade. Os compostos orgânicos
apresentam somente a particularidade de terem todos como elemento primordial o Carbono,
vindo depois, em importância, o hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio (azoto), em seguida o
enxofre, o fósforo, o ferro e outros metais, e muitos outros elementos. Dizendo, entretanto, que
os compostos orgânicos se constituem dos mesmos princípios elementares e obedecem às
mesmas leis que os compostos inorgânicos ou minerais, estamos nos referindo a esses com-
postos considerados em si mesmos, isoladamente ou apenas como substâncias individuais e
específicas; não, porém, como participantes dos conjuntos biológicos, nas células, nos tecidos,
órgãos e organismos, vegetais ou animais, porque aí essas substâncias estão conjugadas
numa integração funcional para constituírem uma unidade viva, o que reclama evidentemente
uma força integradora. Essa força existe e é inerente a uma substancia sutil e altamente hie-
rarquizada que se chama princípio vital. É este princípio que comunica aos vegetais e aos
animais a vida orgânica, possibilitando-lhes o exercício de todas as funções vitais.
O ser vivo, porem, nunca se mostra desde o início da sua existência como o conhecemos no
indivíduo adulto. Vegetal ou animal, procede sempre de um gérmen. Os germens são sistemas
orgânicos minúsculos, em que potencialidades funcionais se encontram em estado latente, a
espera de condições propícias de calor, umidade, meio nutritivo apropriado, para eclodirem,
determinando o crescimento, o desenvolvimento e a multiplicação celular, de modo que surja
do gérmen o embrião, e do embrião o ser completo.
Foi a partir desses germens que a vida apareceu na Terra. No começo, quando tudo era ainda
caos, os elementos se mantinham separados, em sutilíssimos estados de fluidez e dissemina-
dos na imensidão do Espaço. Pouco a pouco foram cessando as causas que os mantinham
afastados e eles se foram combinando, obedecendo às recíprocas afinidades, de acordo com
as condições que iam surgindo e conforme às leis das combinações químicas. Formaram-se,
assim, todas as modalidades de matéria e ate mesmo a matéria dos germens das diversas
espécies animais e vegetais. Só que neles a vida permanecia ainda latente. Como as sementes
e as crisálidas, que permanecem inertes até que condições propícias lhes proporcionem fluído
vital que lhes comuniquem o movimento da vida. Uma vez formados a partir dos seus germens,
os seres vivos traziam em si mesmos, absorvidos, os elementos que poderiam servir para a
própria formação e passaram a transmiti-los, plantas ou animais, segundo as leis da reprodu-
ção. Também a espécie humana ter O do mesmo modo surgido na Terra, que lhe conteria na
atmosfera ou na própria crosta os germens, é possível que aí tenhamos o significado da ex-
pressão : "E criou Deus o homem com o pó da terra". São também muito instrutivas, a esse
respeito, as respostas que os Espíritos deram a Kardec, quando lhes formulou as perguntas
seguintes, com as quais encerrou esta síntese. "44. Donde vieram para a Terra os seres vi-
vos?" "A Terra lhes continha os germens, que aguardavam momento favorável para se desen-
volverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que
os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. Estes germens per-
maneceram em esta do latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, ate o
momento propicio ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram, então,
e se multiplicaram. "47. A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos conti-
dos no globo terrestre?" "Sim, e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o
homem se formou do limo d« terra" (6) "49. Se o gérmen da espécie humana se encontrava
entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente homens,
como na origem dos tempos?" "O princípio das coisas esta nos . segredos de Deus. Entretanto,
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 152

pode dizer-se que os homens, uma vez espalhados pela Terra, absorveram em si mesmos os
elementos necessários a sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodu-
ção. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos" (7)
Sabemos, pela revelação dos Espíritos Superiores, que ao Criar Deus o cosmo ou matéria
primitiva, estabeleceu também leis, a ela inerentes, para reger as suas transformações. Essas
leis são em verdade meras diversificações de uma lei maior que a todas abrange e resume.
Tudo no Universo é atração e magnetismo. A gravitação universal governa os movimentos dos
mundos, mantendo-os em suas órbitas, como a gravidade condiciona o peso dos corpos,
inexoravelmente atraindo-os para o centro da Terra; a força de coesão atrai as moléculas das
substâncias, mantendo-as solidariamente unidas para for mar as massas dos corpos, e a de
afinidade química preside à atração entre os átomos dos diferentes elementos, mantendo-os
ligados, combinados nos compostos químicos.
Nada existiria, entretanto, nem o cosmos, nem as forcas cósmicas atuando na formação dos
mundos e dos seres, não fosse a Vontade Divina, por cuja ação soberana, tudo em realidade,
se criou. O começo absoluto das coisas - diz o Espirito Galileu remonta, pois, a Deus. As
sucessivas aparições delas no domínio da existência constitui a ordem da criação perpétua.
Nada mais podemos avançar se não que a matéria cósmica é a fonte eterna e imensa de onde
Deus, pelo seu pensamento e vontade faz surgirem os mundos e os seres. A matéria cósmica
primitiva continha e contém todos os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os mundos
que se formaram e continuam a formar-se, pois a criação continua sempre.
Kardec perguntou aos Espíritos prepostos a Codificação: "Poderemos conhecer o modo de
formação dos mundos? e eles responderam: "Tudo que a esse respeito se pode dizer e podeis
compreender é que os mundos se formaram pela condensação da matéria disseminada no
Espaço".(3) Mas ele perguntou também se os mundos uma vez formados podem desaparecer,
disseminando-se no espaço a matéria que os compõe, e foi esta a resposta: "Sim, Deus renova
os mundos como renova os seres vivos."(4)
Parece, pois, que os mundos têm seus ciclos de formação, de evolução para que se tornem
moradas apropriadas aos seres que os deverão habitar, e de desaparecimento - quando a
matéria condensada de que se constituíram se desagregará, voltando novamente ao estado
fluídicos, retornando, assim, à fonte primitiva de onde saíra o Cosmo.
ANEXO Nº 02
INTRODUÇÃO
Este ë o Módulo nº 02 para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita,. programa IV, 2ª
unidade Criação Divina , que trata da formação dos Mundos e dos seres vivos.
Ao final do estudo deste Módulo, você deverá saber como o Espiritismo explica a formação
geral dos Mundos principalmente da Terra - e. dos seres vivos
Execute seu trabalho, individualmente, orientando-se pelo quadro geral colocado, a seguir, à
sua disposição.
Observe que, para trabalhar com este Módulo, é importante que tenha dominado o Módulo 01.
Tempo médio necessário ao estudo do módulo nº 02 : 2 reuniões
QUADRO GERAL DO MÓDULO 02
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 153

OBJETIVOS AUTO- TOTAL DE


ATIVlDADES
INTERMEDIÁRIOS AVALIAÇÃO ACERTOS

1)Leia a Síntese do assunto


(em anexo).
I Definir corpos simples, Resolva o exer-
2). Faça, por escrito, um
compostos e matéria cício nº 01 do
resumo do que leu sobre
cósmica. módulo 2
corpos simples, com postos e
matéria cósmica.

1)Leia a Síntese do assunto


II Explique a formação (em anexo)
dos mundos e dos seres 2)Faça um resumo do que
Resolva o exer-
vivos. leu.
cício nº 02 do
III Dê o significado da 3)Leia em "O Livro dos Espíri-
módulo 2
expressão: " O homem se tos" as questões 43 a 49.
formou do limo da Terra". 4)Resuma, por escrito, as
respostas das questões lidas.

IV Relate a importância dos


corpos simples, dos com- Resolva o exer-
1. Releia cada resumo feito
postos e da matéria cósmi- cício nº 03 do
anteriormente.
ca para a formação dos módulo 2
mundos e dos seres vivos.

Número de pontos obtidos neste módulo à

Exercício 01
Assinale as alternativas verdadeiras:
01 ( ) Corpos simples são formados de uma única substancia individual
02 (...)As diferenças básicas entre os corpos materiais são: estado físico, forma, dimensão e a
substância que os constitui.
03.( ) Os corpos simples são comuns na natureza
04 ( ) O quartzo hialino é um exemplo de substância composta.
05 ( ) A obtenção de corpos puros é um trabalho da Química Industrial.
06 ( ) As substâncias simples são indecomponíveis.
07 ( ) As substâncias simples e elementos químicos são duas coisas distintas.
08 ( ) Os químicos do passado, até mesmo os que viveram à época da Codificação, chamavam
corpos simples o que hoje é conhecido como substâncias simples.
09 ( ) Corpos compostos são aqueles formados por mais de uma substância química.
10 ( ) Os corpos compostos podem ser homogêneos e heterogêneos
11 ( ) Os corpos simples (do passado) e as substâncias simples (da atualidade) são formados
por átomos de um mesmo elemento químico
12 ( ) Fluido universal e matéria cósmica são dois elementos diversos
13 (...)A matéria cósmica é uma substância elementar e única que origina todas as substâncias
que compõem o mundo.
14 ( ) Apenas as substâncias que pertencem aos fluidos, propriamente ditos, se originam na
matéria cósmica.
15 ( ) A ciência oficial está chegando à conclusão de que todo tipo de matéria existente provém
de uma única substância geratriz.
Exercício nº 02
RESPONDA
01. Quais são os chamados seres vivos da Terra?
02. E os seres chamados inertes (ou sem vida)?
03. Os corpos dos seres vivos são formados de substâncias simples ou com postas?
04. Que e necessário para a formação dos compostos minerais?
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 154

05. Que elemento químico ë primordial nos compostos orgânicos?


06. Por que é necessária a presença de um principio ou fluido vital nos seres vivos?
07; Que é gérmen?
08. As leis que foram obedecidas na formação dos compostos minerais poderão ser utilizadas
na formação dos mundos? Por quê?
09. Como apareceram na Terra os primeiros seres vivos?
10. Qual o significado da afirmativa : "O Homem se formou do limo da Terra?
Exercício 03
Enumere a coluna da direita de acordo com as afirmações contidas à esquerda

1. Substância única, primitiva e geratriz dos ( ) corpo ou substância simples.


.....corpos simples compostos e fluidos. ( ) forca de coesão molecular

2. Elemento que dá vida aos seres orgânicos. ( ) formam os seres vivos

3. Sílica (ou óxido de silício). ( ) germens da vida.

4. Substâncias ou corpos compostos ( ) fluido vital;

5. Mantém a massa dos corpos ( ) matéria cósmica.

6. Origem dos seres vivos. ( )corpos compostos

GABARITO DE RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS


EXERCÍCIO Nº 01- As alternativas verdadeiras são as seguintes: 01, 02, 05, 06, 08,09,11, 13,
15.
01 Animais e vegetais.
02 Os minerais.
03 Substâncias compostas.
04 Obediência às afinidades existentes entre seus elementos constitutivos (átomos) e às leis
de combinações químicas.
05 O carbono.
06 Porque, comunicando aos seres vivos a vida orgânica, possibilitará o exercício de todas as
suas funções vitais.
07 São sistemas orgânicos minúsculos, cujas potencialidade funcionais se encontram em
estado latente, aguardando o momento, meio e local adequados para eclosão, crescimento e
desenvolvimento. Os gérmens originam os embriões.
08 Sim, porém, em escala maior. Porque o que mantém os mundos solidários entre si resulta
das leis de afinidades químico-fisicas..
09 A partir dos gérmens existentes no nosso Planeta
10 Quer dizer que os gérmens da vida humana existiam em nosso Planeta e, pelas leis de
afinidade, absorveu as substâncias necessárias à sua própria formação.
Exercício Nº 03 - A enumeração correta é a seguinte: 03, 05, 04, 06, 2, 1.

06 - Os reinos da natureza: mineral, vegetal, animal, hominal.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Citar as principais características dos reinos da natureza.
Relacionar as diferenças essenciais entre o homem e os animais.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) A matéria inerte, que constitui o reino mineral, sé tem em si uma força mecânica. As
plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, tam-
bém compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso,
uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas
individualidades. O homem, tendo tudo o que ha nas plantas e nos animais, domina todas as
outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe da a consciência do seu futuro,
a percepção das coisas extra-materiais e o conhecimento de Deus" (1).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 155

(...) Tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o ultimo anel
da animalidade na Terra (...). (9) 0 homem "(...) pelo físico, e como os animais e menos bem
dotado do que muitos destes.(...) Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus"(5).
"(...) Há entre a alma dos animais e a do homem, distância equivalente te à que medeia entre a
alma do homem e Deus"(6)
A alma dos animais, após a morte, conserva sua individualidade, mas não a consciência do seu
eu.(7)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Dos Três Reinos. In: _. D Livros dos Espíritos Trad. de Guillon Ribeiro. 57.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 Questão 585, p. 291
02 - Op. cit., questão 586, p. 291.
03 - Op. cit., questão 587, p. 292.
04 - Op. cit., questão 590, p. 292293
05 - Op. cit., questão 592` p. 293
06 - Op. cit., questão 597, p. 296.
07 - 0p. cit., questão 598 p. 296.
08 - Op. cit., questão 600, p. 296.
09 - Gênese Orgânica. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982 Item 29, p. 204.
OS REINOS DA NATUREZA, VEGETAL, ANIMAL, E HOMINAL
Observando os seres da Natureza,. Classificaram-nos os naturalistas em três reinos: mineral,
vegetal e animal, neste último incluíram também o homem, considerando-o apenas do ponto de
vista físico, isto e, somente em seu corpo material. Este, realmente, e em tudo semelhante aos
dos animais superiores. Se considerado, porem, em sua integralidade, distingue-se evidente-
mente o homem de todos os outros seres pela sua inteligência e racionalidade. A inteligência,
que nele .se acha superiormente desenvolvida, possibilita-lhe uma atividade consciente alta-
mente elaborada, incluindo idéias e juízas,
raciocínio lógico e pensamento discursivo. No homem brilha, pois a luz da razão que não existe
no puro animal e lhe faculta o conhecimento das leis universais, e à qual se junta o senso
moral, que o eleva ainda mais acima dos outros seres, pela percepção também das leis morais
e a intuição de Deus. Destaca-se, portanto, dos animais nitidamente o homem por qualidades
que não pertencem à matéria, ao corpo do homem, sendo atributos do Espirito na Natureza um
quarto reino: o hominal.
Feita essa ressalva, e admitindo-se o homem como um ser à par te, podem, realmente, consi-
derar-se aqueles três reinos. Em outros termos: alem do homem racional e moral, existem no
nosso mundo as pedras ou minerais, as plantas ou vegetais e os animais irracionais. Essa
distinção entre os seres da Natureza, considerados os representantes mais evoluídos dos três
reinos, e de tal modo intuitiva que desde modo entrou no entendimento humano. Todavia, em
analise profunda e observando-se os seres mais simples dos extremos das três series naturais,
é-se obrigado a reconhecer formas de transição de tal modo sutis que entre elas se torna
ambígua a definição absoluta dos três reinos.
Há, porem, um caráter distintivo, que não padece duvida, entre os seres minerais e os dos
outros grupos: é a ausência de vida dos minerais e a presença dela nos vegetais e animais.
Por isso, prefere-se a divisão mais simples que considera, de um lado, os minerais, constituin-
do os seres brutos ou inorgânicos, e de outro, os vegetais e os animais reunidos para constituir
o grupo dos seres vivos ou orgânicos. A presença da vida traduz-se nos vegetais e animais
pela organização celular da matéria de seus corpos e o correspondente aparecimento das
grandes funções de nutrição e de reprodução
Há uma infinidade de seres constituídos de uma única célula. São seres unicelulares vegetais
os protófitos, e animais os protozoários. Mas em seres progressivamente evoluídos, ate os
vegetais e animais superiores (metáfitas e metazoários), as células microscópicas se reúnem
em tecidos, os tecidos em órgãos e estes em sistemas e apare lhos orgânicos.
A pergunta 585 de "O Livro dos Espíritos" "Que pensais da divisão da Natureza em três reinos,
ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos? Segundo alguns, a
espécie humana forma uma quarta classe. Qual destas divisões e preferível?"(...)" (1) os Espíri-
tos responderam:" (...) Todas são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material,
apenas há seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 156

graus.(...) (1)
Os seres que formam o reino mineral só manifestam uma forca mecânica, isto é, decorrente
unicamente da matéria de que são formados. Apenas existem, inertes e brutos, falece-lhes
inteligência e vontade, nem mesmo instintos revelam, o que prova que, se neles existe algum
principio diferente da matéria, está completamente abafado, dorme, em total estado de latência
e inatividade. Há belos e deslumbrantes minerais o quartzo hialino e as diversas variedades
coloridas o rubi, o topázio, a esmeralda; ha o ouro rutilante em pepitas ou em filões, sais diver-
sos dissolvidos nas águas dos mares e dos rios, ou em minas terrestres de sal gema, e outros;
há preciosos minérios donde o homem extrai economicamente os metais: rochas de belíssimo
aspecto; os gigantescos blocos de mármore branco de Carrara, como irisados em cores várias,
há o granito e o gnaisse, as argilas branca e vermelha. Que variedade enorme de rochas e de
terras, que abundância de cristais, pertencentes a sistemas diversíssimos, nos quais as leis da
cristalografia refletem , mesmo na Natureza assim inerte e bruta, a sabedoria divina e a divina
providência! Mas tudo isso, amorfo ou em facetadas formas fosco ou brilhante, dorme, não
dando o menor sinal de vida, muito menos de consciência ou sequer de instinto .Os seres que
formam o reino vegetal existem, de certo modo também inertes e brutos, sem inteligência nem
vontade ativa, mas já apresentando embora fixos e sem poderem por si mesmos deslocar-se, o
movimento interior da vida, realizando um completo ciclo vital: nascem. crescem, nutrem-se,
desenvolvem-se, reproduzem-se e morrem. É que alem da matéria densa, apresentam um
outro principio sutil e dinâmico o principio vital, de que deriva essa força prodigiosa que lhos
comunica a vida.
Tudo é maravilhoso nesse mundo das plantas, em seu conjunto admirável, desde os talófitos,,
cujo corpo vegetativo é um simples talo, sem raízes (podendo apresentar rizóides), sem verda-
deiro caule, sem folhas, sem flores nem frutos seres rudimentares, entre os quais se encontram
as bactérias, algas e cogumelos; passando pelos briófitos e os pteridófitos, estes já mais evolu-
ídos, como se pode ver nas belas cavalinhas e samambaias de múltiplos feitios e portes ate os
espermatófitos, que incluem, já no topo da escalada, os vegetais superiores, com raiz, caule,
folhas, flores e frutos . Que variedade, então, de cores e sabores, e de valores nutrientes,
nessa multidão de seres que vão desde as ervas pequeninas e os arbustos gracís até as
frondosas e gigantescas árvores, os coqueiros altivos e as araucárias, as figueiras copadas e
os jacatirões floridos, os carvalhos . . . Quanta manifestação de força e de vida!
Entretanto, esses seres não revelam também consciência alguma da sua existência, não
sentem prazeres ou dores, não têm verdadeiras percepções e sentimentos; só tem vida orgâni-
ca, que exatamente lhes é comunicada por sua união com o principio vital. O Espiritismo con-
firma essas idéias da Ciência, como podemos ver nas seguintes questões de "O Livro dos
Espíritos". "Têm as plantas consciência de que existem? (...) (2) "(...) Não, porque não pensam;
só têm vida orgânica (2) Experimentam sensações ? Sofrem quando as mutilam? Recebem
impressões físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm percepções. Conseguintemente,
não têm a sensação da dor". (3) "Não haverá nas plantas, como nos animais, um instinto de
conservação, que as induza a procurar o que lhes possa ser útil e a evitar o que lhes possa ser
nocivo? HÁ, se quiserdes, uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao
significado desta palavra. ~, porem, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações
químicas, observais que dois corpos se reúnem é que um ao outro convém; quer dizer, é que
há entre
eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome de instinto" (4;)
Os seres que formam o reino animal: existem e vivem como os vegetais, mas acrescentam-se-
lhes o movimento e as sensações, que os vegetais não têm, sendo que nos animais superiores
os movimentos são livres e obedecem nitidamente à vontade denotando também certo grau de
inteligência Todavia no animal ainda prevalece o instinto; a inteligência ainda não tem a capa-
cidade do raciocínio
Queremos, entretanto, lembrar que, se pelo seu corpo material o homem se assemelha aos
animais, deles se distingue totalmente pela sua natureza espiritual, pela sua alma, que lhe
confere razão e senso moral. Os Espíritos Superiores nos tem afirmado que há entre a alma do
homem e a do animal a mesma distancia que há entre o homem e Deus'
O homem não e um simples animal, porque nele vibra, como ser essencial, um Espirito, cons-
ciente, livre e responsável, destinado a realizar na sua plenitude a pureza, a justiça, o amor e a
caridade.
(...) Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão
todos em erro. O homem e um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode
também elevar-se muito alto. Pelo físico, e como os animais e menos bem dotado do que
muitos destes. A Natureza lhos deu tudo o que o homem e obrigado a inventar com a sua
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 157

inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação. Seu corpo se
destroi, como o dos animais, é certo, mas ao seu
Espirito está assinado um destino que só ele pode compreender porque só ele é inteiramente
livre.
(...) Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus" (5)
Há, ainda, uma diferença que gostaríamos de assinalar entre os animais e o homem : após a
morte do corpo físico, a alma dos animais "(...) conserva sua individualidade; quanto à consci-
ência do seu eu não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente" (7)
A alma do animal, após a destruição do corpo físico, (...)" fica numa espécie de erraticidade,
pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um espírito errante. O Espirito errante é
um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos ani-
mais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espirito. O do animal,
depois da morte. é classificado pelos Espíritos a quem incumbe esta tarefa e utilizado quase
imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. "(8)

07 - Pluralidade dos mundos habitados.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Esclarecer a respeito da diversidade das raças humanas
Justificar a afirmativa: "1...) Uma mesma família humana foi criada na universalidade dos
mundos e os laços de uma fraternidade que ainda não sabeis apreciar foram postos a esses
mundos (...)(06)
IDÉIAS PRINCIPAIS
A diversidade das rasas explica que "(...) não é admissível a doutrina segundo a qual todo
gênero humano procede de uma individualidade única. (...)'~5)
"De acordo com o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou, se quiserem,
uma dessas colônias de espíritos, vinda de outra esfera, que deu origem a raça simbolizada na
pessoa de Adão e, por essa razão mesma, chamada raça adâmica (...)." (4)
"(...) Se os astros que se harmonizam em seus vastos sistemas são habitados por inteligências,
não o são por seres desconhecidos uns dos outros, mas, ao contrário, por seres que trazem
marcado na fronte o mesmo destino, que se hão de encontrar temporariamente, segundo suas
funções de vida, e encontrar de novo, segundo suas mútuas simpatias. É a grande família dos
Espíritos que povoam as terras celestes (...) "
FONTES DE CONSULTA.
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Criação. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio
de Janeiro. FEB. 1983. Parte Questão 50, p. 67
02 - Op. cit., questão 53, pag. 68
03 - Gênese Espiritual. In: A Gênese Trad. de Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro, FEB,
1982. Item 37, p 226
04 - Op. cit. Item 38, pag. 226227
05 - Op. cit. Item 39, pag. 227
06 - Uranografia Geral. Id: A Gênese Trad. de Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro FEB, 1982
. Item 56, pag. 136
PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS
Ao lado da idéia básica da existência de Deus, como inteligência Suprema e causa primaria de
tudo o que existe; da alma humana, como essência do ser pensante, independente e autôno-
ma; da sua preexistência ao corpo físico, criada que foi por Deus simplesmente como Espirito,
o qual só posteriormente se une à matéria, tornando-se, então, um Espirito encarnado; da sua
sobrevivência à morte física voltando ao plano espiritual donde viera, ali permanecendo por
tempo mais ou menos longo, ate a nova encarnação; da pluralidade das existências corporais
em virtude da necessidade da reencarnação para os Espíritos errantes; da pureza espiritual e
da perfeição, como alvos supremos a atingir pelos Espíritos em sua marcha ascensional,
quando, uma vez após atingidas, eles não mais encarnarão; ao lado desses princípios básicos
do Espiritismo, encontra-se também o da pluralidade dos mundos habitados.
Na obra da Criação Divina, entre os mundos destinados à encarnação de Espíritos em estágios
probatório e expiatório, encontra se a Terra, como uma das habitações do homem. Sim dize-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 158

mos uma das habitações, porque muitos outros mundos existem que abrigam humanidades
semelhantes à nossa, não sendo o homem terreno o único ser corpóreo dotado de inteligência,
racionalidade e senso moral, no universo imenso. Homem e todo ser que assume em qualquer
mundo dupla natureza: corporal e espiritual, isto é, tem corpo e tem alma. Pelo corpo, em
qualquer mundo, o homem é transitório, participando da natureza dos outros seres vivos, que
são mortais nascem, crescem, desenvolvem-se, reproduzem e, envelhecem e morrem, mas
pelo Espirito e imortal e eterno, progride sempre, aproximando-se cada vez mais da perfeição,
que e o seu alvo supremo na escala dos seres e dos mundos.
Criado por Deus simples e ignorante, dotado de liberdade e livre-arbítrio, inclinado tanto ao
bem quanto ao mal falível por tanto, sujeita-se o Espirito a encarnar e a reencarnar, realizando
múltiplas existências corporais na Terra ou em outros mundos, tantas quantas necessárias
para ultimar sua depuração e seu progresso. Esse processo admirável que obedece a um
desígnio providencial de Deus, realiza-se através das emigrações e imigrações de Espíritos,
isto e, da alternância sucessiva e múltipla das existências humanas nos dois planos da vida: o
corpóreo e o espiritual. Todo espírito encarnado, enquanto o corpo vive, está fixado no mundo
em que encarnou. Desencarnado, pela morte do corpo, ele passa à condição de Espirito erran-
te, que é exatamente aquele ainda necessitado de reencarnar, para depurar-se e progredir. No
estado de erraticidade o Espirito ainda pertence ao mundo onde tem de encarnar, mas não
esta a ele fixado pelo corpo, é mais livre e pode até mesmo visitar outros mundos, com a
finalidade de instruir-se. Pois bem, essas emigrações e imigrações de Espíritos podem ocorrer
também entre mundos diferentes, isto é, podem os Espíritos emigrar de uns para outros mun-
dos. Alguns emigram por força do progresso intelectual e moral realizado, que os habilita a
ingressar em um mundo mais adiantado, o que é um prêmio para eles; outros; ao contrário, são
banidos do mundo a que pertencem, por não terem acompanhado o progresso moral atingido
pela humanidade desse mundo, onde, se ali permanecessem, constituiriam elementos de
perturbação e de desordem social, neste caso e um verdadeiro castigo. que a lei de justiça
impõe aos recalcitrantes no mal, escravizados ao orgulho e à sensualidade. Os Espíritos que
emigram de um mundo para outro vão primeiro para o plano espiritual do novo mundo, perma-
necendo algum tempo na erraticidade, posteriormente imergido na corporalidade, dentro das
condições e das leis próprias à Natureza do mundo para onde foram emigrados
O que acabamos de ver ajuda a compreender e a melhor explicar a diversidade das raças
humanas e sobretudo a existência na Terra de uma raça superior 9 se considerada em relação
às outras aqui existentes, algumas manifestando ainda notória inferioridade. Seria essa raça a
branca constituída de homens representando a reencarnação de Espíritos emigrados de um
planeta pertencente ao sistema de Capela, uma estrela 5.800 vezes maior que o nosso sol.
Tendo atingido es se mundo e a sua humanidade um estagio de progresso condizente com o
de um mundo regenerado e mais feliz' mas permanecendo nele, entretanto, uma legião de
Espíritos ainda recalcitrantes no orgulho e outros sérios defeitos morais, tiveram eles de ser
banidos daquele mundo regenerado e encaminhados para a Terra, onde vieram fazer parte do
rebanho de Jesus. Aqui, então, mais adiantados que os habitantes pertencentes às raças
autóctones ou indígenas, sobretudo intelectualmente vieram impulsionar o progresso dessas
raças , mesclando-se a elas e expandindo suas culturas por todos os recantos da Terra. Seri-
am os homens resultantes da encarnação desses Espíritos no nosso mundo os legítimos
descendentes de Adão (Haadam), tido como o primeiro homem, migrada, que deu origem, isso
sim, a uma rasa bem mais evoluída e superior às outras aqui preexistentes. Pode falar-se,
então, numa raça adâmica, cujos representantes, todos brancos, formaram os grupos de povos
mais evoluídos da Terra: os arianos ou indo-europeus, os egípcios, os israelitas e os indianos.
Fica, assim, mais bem compreendida a significação de Adão na origem da humanidade, bem
como a narrativa bíblica da sua expulsão do Paraíso a lenda do Paraíso Perdido como sendo
em realidade o banimento daquela legião de Espíritos de um mundo que, comparado à Terra,
para onde foram banidos, podia considerar-se mesmo um paraíso.
Em "A Caminho da Luz " , o Espirito Emmanuel dá informações muito interessantes e valiosas
sobre esse assunto. O capitulo terceiro dessa obra trata exatamente de "As raças adâmicas" O
Sistema de Capela. Na impossibilidade de transcrever os respectivos textos, enviamos o leitor
desta síntese a esse capítulo, e aos quatro seguintes, desse livro utilíssimo.
Mas, e Kardec? Háem suas obras algo que se relacione com as afirmativas precedentes e as
confirme? Sim, tudo isso está em "O Livro dos Espíritos " e, sobretudo em "A Gênese ". Trans-
creveremos apenas os trechos mais significativos, deixando ao leitor o cuidado de fazer nessas
duas obras as suas próprias pesquisas: "A espécie humana começou por um único homem?
Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra". (1) "O
homem surgiu em muitos pontos do globo? Sim e em épocas varias, o que também constitui
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 159

uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas
diversos e aliando-se os de uma aos de outra raça, novos tipos se formaram.
Em A Gênese, depois de dizer que a " (...) transfusão, que se efetua entre a população encar-
nada e desencarnada de um planeta, igualmente se efetua entre os mundos, quer individual-
mente, nas condições normais, quer por massas, em circunstancias especiais (...)", havendo,
pois, "(...) emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdu-
ção, na população de um deles, de elementos inteiramente novos (...)" (3) Depois disso Kardec
faz clara referência à raça adâmica no item 38 do capitulo 11: "De acordo com o ensino dos
Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou se quiserem, uma dessas Colônias de Espíri-
tos, vinda de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e, por essa
razão mesma, chamada raça adâmica . Quando ela aqui chegou, a Terra já estava povoada
desde tempos imemoriais, como a América, quando aí chegaram os europeus
Mais adiantada do que as que a tinham precedido neste planeta, a rasa adâmica e, com efeito,
a mais inteligente, a que impele ao progresso todas as outras. A Gênese no-la mostra, desde
os seus primórdios, industriosa, apta às artes e as ciências, sem haver passado aqui pela
infância espiritual, o que não se dá com as raças primitivas, mas concorda com a opinião de
que ela se compunha de Espíritos que já tinham progredido bastante. Tudo prova que a raça
adâmica não e antiga na Terra e nada se opõe a que seja considerada como habitando este
globo desde apenas alguns milhares de anos, o que não estaria em contradição nem com os
fatos geológicos, nem com as observações antropológicas, antes tenderia a confirmá-las" (4)

08 - Inteligência e instinto.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Exemplificar condições em que o instinto e a inteligência se revelam simultaneamente.
Analisar as hipóteses sobre o instinto, constantes em "A Gênese", cap. 03, itens 11 a 16.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) É freqüente o instinto e a inteligência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. No
caminhar, por exemplo, o movimento das pernas e instintivo; o homem põe maquinalmente um
pé à frente do outro, sem nisso pensar; quando, porem, ele quer acelerar ou demorar o passo,
levantar o pé ou desviar-se de um tropeço, há cálculo, combinação; ele age com deliberado
propósito. A impulsão voluntária do movimento é o ato instintivo; a calculada direção do movi-
mento é o ato (...)" (2)
" (...) Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente (...)". (1) "Segundo outros sistemas, o
instinto e a inteligência procederiam de um único principio (...) o que não e admissível. (...)" (2)
"Outra hipótese (...) ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto e concorda com o
que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo.
(...)" (3)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC, Allan. O Bem e o Mal. In: I, A Gênese. Trad de Guillon Ribeiro . 24 . ed. Rio de
Janeiro, FEB, 19B2~. Item 12, p . 75 76 .
02 - Op. cit. Item 13, p.76-77.
03 - Op. cit. Item 14, p.77-78.
04 - Op. cit. Item 15, p. 78-79.
05 - Op. cit. Item 17, p. 79-80
INTELIGÊNCIA E INSTINTO
Inteligência é o atributo essencial do Espirito, em virtude do qual ele toma conhecimento da sua
própria existência, bem como exerce atividade voluntária e livre. Quando o Espirito atinge o
grau de humanização, a inteligência adquire desenvolvimento superior, como o surgimento da
razão e do senso moral, que lhe facultam a capacidade de conceber e reconhecer a existência
de Deus.
Realizando múltiplos atos livres e voluntários, apresentando finalidades nítidas, e obedecendo
a juízos e raciocínios bem elaborados, por isso mesmo o homem se mostra como um ser que
afeta dupla natureza: material e espiritual. Mais uma vez cabe, pois, repetir: Há um Espírito
unido ao corpo do homem, que constitui a sua alma, somente à qual deve ele a sua inteligência
e racionalidade, seus conhecimentos e sentimentos, bem como sua vontade e liberdade.
Há outros seres, entretanto, que realizam atos em que se revela também nítida finalidade, mas
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 160

parecem obedecer antes a automatismos, que a impulsos provenientes de vontades livres. Tais
atos visam sobretudo à conservação do indivíduo e da espécie, objetivando as funções de
nutrição e de reprodução, provendo ao crescimento, ao desenvolvimento, a propagação, enfim,
à plena realização da vida dentro das características peculiares a cada espécie. Esses atos diz-
se, são devidos ao instinto, são atos instintivos. Existem já esboçados nos vegetais, mas são
bem mais evidentes nos animais. Atos instintivos são, aliás, ocorrentes também no homem, ao
lado dos atos inteligentes.
Pergunta-se, pois: Qual a diferença entre o instinto e a inteligência?
Será o instinto uma faculdade distinta, ou um atributo inerente apenas à matéria, como alguns
ainda pensam, atribuindo o instinto somente ao corpo. Se assim fosse, entretanto, ter-se-ia de
admitir que a matéria é inteligente, o que e evidentemente falso, e até mesmo mais inteligente
do que o Espírito, porquanto o instinto não se engana, ao passo que a inteligência, porque e
livre, pode enganar-se. Se ao ato instintivo falta, pois, o caráter principal do ato inteligente que
é ser deliberado, ele revela, entretanto, uma causa inteligente, porque apta a prever, de modo
a evitar o engano. Por isso, outros são levados a admitir que o instinto e a inteligência proce-
dem de um único princípio, que, de inicio, teria somente qualidades do instinto, mas depois se
desenvolveria, evoluiria e passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre.
Essa suposição não resiste a uma análise mais profunda, visto que freqüentemente o instinto e
a inteligência se encontram juntos no mesmo ser e, muitas vezes, se associam no mesmo ato.
No de caminhar, por exemplo, como lembra Kardec, é instinto o simples movimento das per-
nas, tanto no homem como no animal, e um pé vai adiante do outro maquinalmente; mas no
acelerar o passo ou retardá-lo,' bem como no levantar o pé para desviar-se de um obstáculo,
intervém a vontade livre, a deliberação e o cálculo. Também o animal carnívoro só pelo instinto
e levado a alimentar-se de carne, mas ele age com inteligência e mesmo astucia, ao tomar as
medidas para garantir a sua presa, medidas que variam conforme as circunstancias.
Assim, à pergunta ~ Que é o instinto e como se distingue da inteligência?, muitos. respondem
ainda: é uma espécie de inteligência. Outros opinam que é uma inteligência sem raciocínio
também há quem acrescente. Acha-se impossível estabelecer um limite nítido de separação
entre o instinto e a inteligência, porque muitas vezes se confundem e nunca se sabe onde
acaba um e começa a outra. A nosso ver, bem como de muitos que têm refletido sobre o as-
sunto, inteligência e instinto são, sim, manifestações do mesmo principio espiritual, e, por tanto,
inteligente, mas que obedecem a duas determinantes ou a dois motores diferentes: um que
está ligado a vontade e à liberdade do indivíduo, outro que escapa totalmente à vontade mes-
ma e à liberdade.. Nestas condições podem distinguir-se perfeitamente os atos que dependem
da inteligência, plenamente desenvolvida, daqueles que. decorrem estritamente do instinto.
Sendo a inteligência, em sua plenitude, a faculdade de pensar e agir racional e deliberadamen-
te, os atos inteligentes são conscientes,. voluntários, livres e calculados, obedecendo a um
planejamento. Acresce que são suscetíveis de variações para adaptações a circunstancias
ocasionais e a modalidades individuais. A inteligência, variável e individual por excelência, por
isso mesmo suscetível de progresso, de modo que os atos inteligentes 'decorrem da aprendi-
zagem e pela aprendizagem se aprimoram.
Não são assim os atos instintivos. Consideremos, por exemplo, o ato absolutamente instintivo
que !realiza o patinho, logo que rompe a casca do ovo, que o mantinha, antes encerrado; se vê
próximo um córrego ou um lago, corre alegremente para ele e lança-se na água, nadando
imediatamente com perfeição Onde aprendeu este animalzinho a nadar? Com quem, se nadou
logo em seguida ao nascer?
É instintivo também o ato do castor, que constrói sua casa ou cabaninha com terra, água e
galhos de árvore; dos pássaros, que constroem com perfeição seus ninhos; da aranha, que
tece com precisão a sua teia. É admirável como tudo isso se passa de maneira tão perfeita.
Vêem-se, já, por aí, alguns dos caracteres do instinto: é inato, perfeito e específico isto é, surge
espontaneamente, sem previa aprendizagem, em todos os indivíduos de uma mesma espécie,
e só dessa espécie, levando a atos completos, acabados perfeitos, desde a primeira vez que
são realizados. Note-se, entretanto, que esses atos continuam durante toda a vida do indivíduo
sem mudança alguma. Toda essa capacidade de nadar, de construir, de edificar, de tecer. Não
sofreu qualquer variação, através dos tempos, e o castorzinho constrói hoje a sua cabana
como o faziam seus ancestrais, e o farão os seus descendentes, com os mesmos materiais e
do mesmo modo. De igual maneira, as aves constroem seus ninhos e as aranhas tecem suas
teias, há séculos e milênios, sem variação alguma, sem progresso, sem mudança possível. Tão
diferente é isso do que fazem nossos nadadores, nas diversas formas de natação, nossos
construtores, os engenheiros e arquitetos Quanta variação através dos tempos, conforme as
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 161

circunstancias, indivíduos, os meios, as culturas! Quantas adaptações aos gostos, aos desejos,
aos pontos de vista e, sobretudo, aos objetivos que se têm em vista ! Nas construções dos
homens há inteligência, porque há atos sujeitos à vontade e à liberdade, variáveis de acordo
com as circunstancias, obedecendo a raciocínios, a cálculos, a planejamentos. Nada disso
existe nos atos que decorrem do instinto, que são perfeitos, mas sempre os mesmos, sem
variações, sem progressos; nem por isso são menos maravilhosos. É verdadeiramente maravi-
lhoso, o que se passa no mundo dos insetos, de certos Himenópteros, por exemplo, da família
dos Apídios ou abelhas, a ponto de terem merecido uma obra especial a respeito, de autoria de
Maurice Maeterlinck, poeta e dramaturgo belga, prêmio Nobel de Literatura em 1911, mas que
muito se interessou também pelas coisas da Natureza, tendo escrito "A Vida das Abelhas",
como aliás também "A Vida das Formigas" e "A Vida da Térmitas". Mas na própria vida do ser
humano ocorrem atos instintivos, visando à sua conservação e à sua procriação.
Citemos apenas o que acontece nos primeiros tempos após o nascimento, quando, do mesmo
modo como ocorre com as crias de outras espécies de animais mamíferos, a criancinha recém
nascida, assim que é levada ao seio materno, começa imediatamente a sugar e absorver assim
o seu primeiro nutrimento. Careceu, porém, de aprender a mamar ? Não a criancinha verdadei-
ramente nasceu sabendo mamar ! E para exercer esse ato, que ela pratica de maneira espon-
tânea e perfeita, reveladora de um conhecimento inato, basta sentir o contato do seio maternal.
quantas considerações e elucubrações poderíamos agora fazer sobre essa maneira misteriosa
de Deus conduzir as suas criaturas, de modo a realizarem atos espontâneos e perfeitos, ne-
cessários à própria preservação e da sua espécie ! Mas preferimos agora citar Kardec. Diz ele
no item 14 do Capitulo 03 de "A Gênese ": "Outra hipótese que, em suma, se conjuga perfeita-
mente à idéia da unidade de principio, ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto
e concorda com o que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o
mundo corpóreo.
Sabe-se agora que muitos Espíritos desencarnados têm por: missão velar pelos encarnados,
dos quais se constituem protetores e guias; que os envolvem nos seus eflúvios fluídicos; que o
homem age muitas vezes de modo inconsciente, sob ação desses eflúvios. (...)
Assim o instinto, longe de ser produto de uma inteligência rudimentar e incompleta, sê-lo-ia de
uma inteligência estranha, na plenitude da sua força, inteligência protetora, supletiva da insufi-
ciência, quer de uma inteligência mais jovem, que aquela compeliria a fazer, inconscientemen-
te, para seu bem, o que ainda fosse incapaz de fazer por si mesma, quer, de uma inteligência
madura, porem, momentaneamente tolhida no uso de suas faculdades, como se dá com o
homem na infância e nos casos de idiotia e de afeções mentais. (...)" (3)
Mas Kardec vai alem e, no item 15 do mesmo capitulo 03 da obra citada, diz: "Nesta ordem de
idéias, ainda mais longe se pode ir.( · )
Se observarmos os efeitos do instinto, notaremos, em primeiro lugar, uma unidade de vistas e
de conjunto, uma segurança de resulta dos, que cessam logo que a inteligência o substitui. (...)
A uniformidade no que resulta das faculdades instintivas e um fato característico, que forçosa-
mente implica a unidade de causa. (..)
Não se nos deparando nas criaturas, encarnadas ou desencarnadas, as qualidades necessá-
rias a produção de tal resultado, temos que subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos
reportarmos à explicação dada sobre a maneira por que se pode conceber a ação providencial
(cap. II, n° 24); se figurarmos todos os seres penetrados do fluido divino, soberanamente
inteligente, compreenderemos a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a
todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada indivíduo
Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos tem o indivíduo em si mesmo e na
sua inteligência. Por isso e que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres
inferiores, do que no homem. ,
Segundo essa teoria, compreende-se que o instinto seja um guia seguro. O instinto materno, o
mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atrativas da matéria, fica
realçado e enobrecido. Em razão das suas conseqüências, não devia ele ser entregue às
eventualidades caprichosas da inteligência e do livre arbítrio. Por intermédio da mãe, o próprio
Deus vela suas criaturas que nascem. "(4)
Finalizando:
"Todas essas maneiras de considerar o instinto são forçosamente hipotéticas e nenhuma
apresenta caráter seguro de autenticidade, para ser tida como solução definitiva. A questão,
sem duvida, será resolvida um dia. quando se houverem reunido os elementos de observa são
que ainda faltam. Ate lã, temos que limitar-nos a submeter as diversas opiniões ao cadinho da
razão e da lógica e esperar que a luz se faça. A solução que mais se aproxima da verdade será
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 162

decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto e, com a bondade suprema e a
suprema justiça. (...)" (5)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 163

3ª Unidade
Os Espíritos

09 - Diferentes ordens de Espíritos: escala espirita.


OBJETIVOS PRINCIPAIS
Justificar o método adotado na classificação dos Espíritos.
Enumerar as diferentes ordens da escala espirita, caracterizando-as.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já
adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Esta classificação, aliás,
nada tem de absoluta.
"(...) 0s Espíritos, em geral, admitem três categorias principais, ou três grandes divisões. Na
ultima, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela
predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão para o mal. 0s da segunda se
caracterizem pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os
bons Espiritas. A primeira, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau
Supremo da perfeição. (...) (2)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC, Allan. Dos Espíritos. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57.
ed. Rio de Janeiro, FEB , 1983 Parte 2ª. Item 100, p. 87.
02 - Op. Cit. p. 88.
03 - 0p. Cit. p. 89.
ESCALA ESPIRITA E PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS
Existe entre os Espíritos diferentes ordens, de acordo com o grau de perfeição que tenham
alcançado. Esse grau de perfeição pode ser maior ou menor, dependendo das qualidades que
os Espíritos já adquiriram e das imperfeições de que ainda não se despojaram.
Como não há linhas de demarcação definidas entre essas diferentes ordens, o seu numero e
ilimitado, podendo ser aumentado ou diminuído, conforme o critério adotado.
Considerando-se, todavia, os caracteres gerais dos Espíritos, pode-se classifica-los em três
ordens principais, a saber.
Primeira Ordem :Espíritos puros - os que já chegaram à perfeição;
Segunda Ordem. : Bons Espíritos.- aqueles nos quais o desejo do bem é predominante;
Terceira Ordem : Espíritos Imperfeitos - aqueles em que predomina a ignorância, o desejo do
mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso.
Esta classificação geral pode desdobrar-se em nuances que variam ao infinito. Existem, contu-
do, caracteres bem definidos que permitem agrupar os Espíritos de acordo com suas tendên-
cias e aptidões, constituindo-se numa escala ou num quadro que, no dizer do Codificador, "(...)
e, de certo modo, a chave da ciência espirita, porquanto só ele pode explicar as anomalias que
as comunicações apresentam, esclarecendo-nos acerca das desigualdades intelectuais e
morais dos Espíritos. (...)" (3)
Com base nessas considerações, Kardec subdividiu as três ordens supra citadas em dez
classes, como segue:
TERCEIRA ORDEM: ESPÍRITOS IMPERFEITOS
Caracteres Gerais : predomínio da matéria sobre o Espirito; propensão ao mal; têm a intuição
de Deus, mas não o compreendem; apresentam idéias pouco elevadas.
Esta ordem apresenta cinco classes principais:
Decima Classe : Espíritos Impuros - o mal é o objeto de suas preocupações; sua linguagem é
grosseira e revela a baixeza de suas inclinações;
Nona Classe : Espíritos Levianos - são ignorantes e inconseqüentes, mais maliciosos do que
propriamente maus; linguagem alegre, irônica e superficial; ~.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 164

Oitava Classe : Espíritos Pseudo-sábios - possuem grande conhecimento, mas julgam saber
mais do que sabem; sua linguagem tem caráter serio, misturando verdades com suas próprias
paixões e preconceitos;
Sétima Classe : Espíritos Neutros - apegados às coisas do mundo, não são bons o suficiente
para praticarem o bem, nem maus bastante para fazerem o mal;
Sexta Classe : Espíritos Batedores e Perturbadores - podem pertencer a todas as classes da
Terceira Ordem; sua presença manifesta-se por efeitos sensíveis e físicos, co mo pancadas e
deslocamento de .corpos sólidos; são agentes dos elementos do globo; deles se servem os
Espíritos Superiores para produzir esses fenômenos físicos do planeta.
SEGUNDA ORDEM: BONS ESPÍRITOS
Caracteres Gerais : predomínio do Espirito sobre a matéria; desejo do bem; compreendem
Deus e o infinito' mas ainda terão de passar por provas; uns possuem a ciência, outros a sabe-
doria e a bondade; os mais adiantados juntam ao seu saber as qual idades morais.
Esta ordem apresenta quatro classes principais:
Quinta Classe : Espíritos Benevolentes - seu progresso realizou-se mais no sentido moral do
que no intelectual; a bondade e a qualidade dominante;
Quarta Classe : Espíritos Sábios - amplitude de conhecimentos aplicados em beneficio dos
semelhantes; tem mais aptidão para as questões cientificas do que para as morais;
Terceira Classe : Espíritos de Sabedoria - elevadas qualidades morais e capacidade intelectual
que lhes permitem analisar com precisão os homens e as coisas;
Segunda Classe : Espíritos Superiores - reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade; buscam
comunicar-se com os que aspiram à verdade; encarnam-se na Terra apenas em missão de
progresso e caracterizam o tipo de perfeição a que podemos aspirar
PRIMEIRA ORDEM .: ESPÍRITOS PUROS
Caracteres Gerais: Nenhuma influência da matéria; superioridade intelectual e moral absoluta
em relação aos Espíritos das outras ordens.
Esta ordem apresenta apenas uma única classe:
Primeira Classe. Classe Única -" Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da
escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfei-
ção que é susceptível a criatura, não têm mais que sofrer provas nem expiações. Não estando
mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.
Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem às
vicissitudes da vida material. "Livro dos Espíritos", questão 113)

10 - Progressão dos Espíritos.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Explicar como os Espíritos, criados simples e ignorantes, poderão chegar a perfeição espiritual.
Ressaltar a importância do trabalho na progressão dos Espíritos. -
IDÉIAS PRINCIPAIS
. "(...) Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto e, sem saber. A cada um deu
determinada missão, com o fim de esclarece-los e de os fazer chegar progressivamente À
perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição e que eles
encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe e que os
Espíritos adquirem aquele conhecimento. (...)" (3)
. "(...) As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto e, sem conhecimentos nem
consciência do bem e do mel, porem, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho e o meio
de aquisição, e o fim que é a perfeição - é para todos 0 mesmo. Conseguem-no mais ou menos
prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços todos tem os
mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. (...)" (1)
. "(...) São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem
inferior para outra mais elevada." (2)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 165

"(...) O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espirito adquire a consciência de si mesmo.


(...) (4)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Os anjos. In: O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 1ª. Item 12, p. 112 - 113.
02 - Dos Espíritos. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1953. Parte 2ª. Item 114, p. 95.
03 - Op. cit., questão 115, p. 95-96.
04 - Op. cit., questão 122, p. 97-98.
PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS (1ª)
Todos os Espíritos que povoam o Universo foram criados por Deus, simples e ignorantes, sem
nenhum conhecimento e são destinados à perfeição. É nesse estado de perfeição que eles
encontram a pura e eterna felicidade, decorrente do pleno conhecimento das leis que regem a
vida e de sua plena vivência.
Entre estes dois extremos, a criação e a desatinação, existe um caminho que cabe a todos os
Espíritos trilhar e que representa a conquista gradativa desses conhecimentos. Deus propicia ~
todos os meios necessários para essa conquista, criando, inclusive, necessidades aos Espíritos
que, para atendê-las, precisam agir. através dessa ação que os Espíritos progridem, conquis-
tam os conhecimentos e desenvolvem os sentimentos, adquirindo, assim, gradativa mente, as
virtudes que lhes propiciarão chegar ao estado de perfeição.
Vê-se, assim, que essa ascensão do Espirito, do estado de ignorância para o estado de sabe-
doria, depende tão somente do seu trabalho. E é importante destacar este aspecto, já que o
trabalho e a parte que lhe cabe e que e intransferível, uma vez que os recursos necessários
Deus propicia a todos, em igualdade de condições.
"(...) Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto e justo, e, visto serem todos
seus filhos, não tem preleções.
Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao
fim; tudo que lhe for conforme é o bem, tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liber-
dade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis árbitros da vossa própria sorte. Conse-
guintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou
esse mal, divorciando-se dessas leis; se ele as observasse escrupulosamente, jamais se
'desviaria do bom caminho." (01) ; Por aí se observa a lei de liberdade regendo o progresso dos
Espíritos. Através de seu trabalho e com o uso do livre-arbítrio o Espírito vai, de forma voluntá-
ria e consciente, conquistando as virtudes que não possui e desfazendo-se das suas imperfei-
ções. É o que esclarecem os Espíritos Superiores: "(...) O livre - arbítrio se desenvolve à medi-
da que o Espirito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a
escolha fosse determinada por causa independente da vontade do Espirito. A causa não está
nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. o que se
contem na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam
a tentação, outros resistiram. (...)" (4)
E quando Kardec pergunta se as influências dos Espíritos imperfeitos só se exerce sobre o
Espirito em sua origem, os Espíritos Superiores respondem com clareza: "(...) Acompanha-o na
sua vida de Espírito, ate que haja conseguido tanto império sobre si mesmo, que os maus
desistem de obsidiá-lo." (4) Como se vê, só através da evolução moral e intelectual e que os
Espíritos, encarnados e desencarnados' se distanciam da influencia negativa dos Espíritos
inferiores.
Conclui-se, dai, que a plena e eterna felicidade está à nossa espera quando chegarmos a
condição de Espíritos puros. Os meios de alcançá-la, Deus no-los oferece. depende apenas de
nós, através do trabalho e do adequado uso do livre-arbítrio, abreviar essa chegada.

11 – Forma e ubiqüidade dos Espíritos.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Estudar o conceito existente em O Livro dos Espíritos Tos, questão 88, sobre a forma dos
Espíritos.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 166

Dar o significado de ubiqüidade.


Explicar qual a relação existente entre ubiqüidade e bicorporeidade.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Perguntando-se aos Espíritos Superiores, que coordenaram a Codificação Espirita, a respeito
de o Espirito ter forma determinada, limitada e constante, foi dada a seguinte resposta: `'(...)
Para vos, não; para nos, sim. O Espirito e, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma cente-
lha etérea.(...)" (2). "(...) Cada Espirito e uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar
seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione pala tal efeito. Nesse sentido
unicamente e que se deve entender 0 dom da ubiqüidade atribuído aos Espíritos. Dá-se com
eles o que se da com uma centelha, que projeta longe a sua claridade e pode ser percebida de
todos os pontos do horizonte. (...)" (3). "(...) Isolado do corpo, o Espirito de um vivo pode, como
o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade. Demais, (...) pode adquirir
momentânea tangibilidade. Este fenômeno, conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que
deu azo as historias de homens duplos, isto e, de indivíduos cuja presença simultânea em dois
lugares diferentes se chegou a comprovar. (...)" (1)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Das Manifestações Visuais. In: . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon
Ribeiro. 45. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 2g, item 119, p. 149-151
02 - Dos Espíritos. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1983. Parte 14, questão 88, p. 83-84.
03 - Op. cit., questão, 92, p. 84-85
COMPLEMENTARES
04 - DELANNE, Gabriel A Doutrina Espirita. In: . O Fenômeno Espirita. Trad. por Francisco
Raymundo Ewerton Quadros, 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Parte 4ˆ, p. 213.
05 - XAVIER, Francisco Cândido. Corpo Espiritual e Volitação. In: . Evolução Em Dois Mundos.
6 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. - Parte - 2ª p. 174
FORMA E UBIQÜIDADE DOS ESPÍRITOS
Diante da questão: "os Espíritos tem forma determinada, limitada e constante? (...)" os Espíritos
Superiores, que lançaram as bases da Doutrina Espirita, respondem: "(...) Para vós, não; para
nos, sim. O Espirito e, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea." (2) Em
face de outra indagação, complementar a primeira, "(...) essa chama ou centelha tem cor? (...)"
esclarecem; "(...) tem uma coloração que, para vos, vai
do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espirito e mais ou
menos puro. (...)"(2) Observa-se, nas duas respostas, que os Espíritos procuram estabelecer
uma comparação, embora pálida, do que existe no plano espiritual, quanto … forma e a cor dos
Espíritos, com as limitações do nosso mundo físico e dos nossos sentidos. Fica claro que os
Espíritos tem forma e cor, mas só por alto se pode comparar com a forma e a cor que estamos,
como seres encarnados, acostumados a observar. Gabriel Delanne, estudando a mateira,
esclarece: "(...) A Ciência ensina-nos que os nossos sentidos apenas nos fazem conhecer
ínfima parte da natureza, porem que, alem e aquém dos limites impostos às nossas sensações,
existem vibrações sutis, em numero infinito, que constituem modos de existência de que não
podemos formar idéia, por falta de palavras para exprimi-la.. A alma assiste, pois, a espetácu-
los que não temos meios de descrever: ouve harmonias que nenhum ouvido humano tem
apreciado, move-se em completa oposição as condições de viabilidade terrestre. O Espírito
libertado das cadeias do corpo não tem mais necessidade de alimentar-se, não se arrasta mais
pelo solo: a matéria imponderável de que e formado permite-lhe transportar-se para os mais
longínquos lugares com a rapidez do relâmpago, e, segundo o grau do seu adiantamento
moral, suas ocupações espirituais afastam-se mais ou menos das preocupações que nutria na
Terra. (...)" (4) Questionados sobre se os Espíritos tem o dom da ubiqüidade, isto é, se um
Espírito pode dividir-se, ou estar em muitos pontos ao mesmo tempo, os Orientadores Espiritu-
ais, que ditaram a Codificação, I respondem: "(...) Não pode haver divisão de um mesmo Espi-
rito; mas, cada um ‚ é um centro que irradia para diversos lados. Isso e que faz parecer estar
um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? é um somente. No entanto, irradia
em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide:" (3)
Observa-se, dessa forma, que os Espíritos são indivisíveis, constituem uma unidade que não
pode ser fracionada. Podem se. percebidos em mais de um lugar por efeito de seu poder de
irradiação, poder esse que pode ser maior ou .menor, dependendo "(...) do grau de pureza de
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 167

cada um. (...) (3) Isto nos permite compreender um fenômeno muitas vezes constatado, em que
se registra a presença de Espíritos Superiores em diversos lugares ao mesmo tempo. O fenô-
meno de ubiqüidade guarda, de uma certa forma, relação como de bicorporeidade. Sabe-se
que '~(...) isolado do corpo, o Espírito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com
todas as aparências da realidade. Demais, (...) pode adquirir momentânea tangibilidade. Este
fenômeno conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu azo as historias de homens
duplos, isto ‚, de indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a
comprovar. (...)" (1) O Fenômeno da bicorporeidade ocorre estando o Espirito encarnado. Uma
pessoa encontrando-se adormecida, ou num estado mais ou menos extático, pode o seu
Espirito, desligado do corpo, aparecer, falar e mesmo tornar-se tangível a outras pessoas. ~, de
fato, poder-se-á comprovar que estava em dois lugares ao mesmo tempo. Só que num lugar
estava o corpo físico, noutro o Espirito revestido pelo seu perispírito. No fenômeno de ubiqüi-
dade, como foi dito acima, o Espirito não se divide para estar em lugares diferentes. '~(...)
Irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se haver
fracionado. Dá-se o que se da com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos
espelhos. (...)" (1)~ verdade que, quanto mais elevado é o Espírito, maior é o seu poder de
irradiação, mais potente e o seu dom de ubiqüidade. De qualquer maneira parece-nos que
tanto na bicorporeidade como na ubiqüidade, Q perispírito desempenha um papel fundamental.
(,pois, necessário maior conhecimento do corpo perispiritual .Sobre este assunto, que estuda-
mos no roteiro 11, reproduziremos uma pergunta feita ao Espirito 'André Luiz, no livro "Evolu-
ção em dois mundos ", e a resposta do Espirito."- Quais os mecanismos das alterações de cor,
densidade, forma, locomoção e ubiqüidade do corpo espiritual?- A pergunta esta criteriosamen-
te formada; no entanto, para ela responder com segurança precisaremos dispor, na Terra, de
mais avançadas noções acerca da mecânica do pensamento." (5)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 168

4ª Unidade
Vida espírita

12 - Espíritos errantes. Sorte das crianças após a morte.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Citar a principal diferença que existe entre Espírito encarnado, errante e puro
Explicar como os Espíritos errantes progridem.
Justificar a desencarnação de crianças e dizer o que lhes acontece após o desenlace.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) No tocante as qualidades intimas, os Espíritos são de diferentes ordens, ou graus, pelos
quais vão passando sucessivamente, a medida que se purificam. Com relação ao estado em
que se acham, podem ser encarnados, isto é, ligados a um corpo. errantes, isto é, sem corpo
material e aguardando nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros, isto é, perfeitos
não precisando mais de encarnação.'' (2) Na erraticidade, os Espíritos '(...) estudam e procu-
ram meios de elevar-se. Vêem, observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ouvem os
discursos dos homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes
incute idéias que antes não tinham (3) 0 Espirito progride e ''(...) pode melhorar-se muito, tais
sejam a vontade e o desejo que tenha de consegui-lo. Todavia, na existência corporal e que
põe e pratica as idéias que adquiriu (4)"(...) A curta duração da vida da criança pode represen-
tar, para o Espirito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida
antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também' não raro, constitui provação
ou expiação para os pais(...) (1)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Pluralidade das Existências. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon
Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, l983. Parte 2a, questão 199, p. 133 134.
02 - Da " Vida Espirita. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1983. Parte 2 questão 226, p. 155
03 - Op. cit., questão 227, p. 155-156.
04 - Op. cit., questão 230, p. 156.
COMPLEMENTARES .
05. DELANNE, Gabriel. A Doutrina Espírita. In: - . O Fenômeno Espirita. Trad. por Francisco
Raymundo Ewerton Quadros. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Parte 4a. p. 217-218.
06. DENIS, Léon. A Erraticidade. In: - . Depois da Morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. Parte 4a. p. 217-218.
ESPÍRITOS ERRANTES: SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE
Separado do corpo físico, pela desencarnação, o Espirito, na maioria das vezes, reencarna
depois de intervalos mais ou menos longos. Esses intervalos podem durar de algumas horas a
alguns milhares de séculos, ano existindo, neste sentido, limite determinado. Podem prolongar-
se por muito tempo mas nunca perpétuos. Nesses intervalos fica no estado de Espirito errante,
estado em que espera nova reencarnação, aspirando a novo destino. O fato de estar desen-
carnado, porem, não coloca o Espirito, obrigatoriamente, na condição de errante. Errante só o e
o que necessita de nova encarnação para melhorar-se. O Espirito que não precisa mais encar-
nar para progredir já esta no estado de Espirito puro. Assim, quanto ao estado em que se
encontre., os Espíritos podem ser :(1) encarnados, que estão ligados a um corpo físico; 2)
errantes, que estão aguardando nova encarnação; e, 3) puros, que estão desligados da maté-
ria e sem necessidade de nova encarnação já que chegaram a perfeição.
Convém destacar que o estado de erraticidade não é, por si só, sinal de inferioridade dos
Espíritos, uma vez que ha Espíritos errantes de todos os graus. A reencarnação é um estado
transitório, já que o estado normal e quando esta liberto da matéria. Nesse estado de erratici-
dade, os Espíritos não ficam inertes: estudam, observam, buscam informações que lhes enri-
queçam o conhecimento das coisas, procurando o melhor meio de se elevarem. Como observa
Léon Denis: "(...) o ensino dos Espíritos sobre a vida de além-túmulo faz-nos saber que no
espaço não ha lugar algum destinado a contemplação estéril, a beatitude ociosa. Todas as
regiões do espaço estão povoadas por Espíritos laboriosos. (...)'' Assim, na condição de erran-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 169

te, o Espirito pode melhorar-se muito, conquistando novos conhecimentos' dependendo isso,
naturalmente, de sua maior ou menor vontade. Todavia' será na condição de Espírito encarna-
do que terá oportunidade de colocar em pratica as idéias que adquiriu e realizar, efetivamente,
o progresso que esta buscando. Gabriel Delanne nos lembra: "(...) Os Espíritos são os próprios
construtores do seu futuro conforme o ensino do Cristo: "A cada um segundo as suas obras..''
Todo Espirito que ficar demorado em seu progresso, somente de si próprio devera queixar-se,
do mesmo modo que aquele que se adiantar tem todo o mérito do seu procedimento: a felici-
dade que ele conquistou tem por esse fato mais valor aos seus olhos. A vida normal do Espirito
efetua-se no espaço, mas a encarnação opera-se numa das terras que povoam o Infinito; esta
é necessária ao seu duplo progresso, moral e intelectual: ao progresso intelectual, pela ativida-
de que ele e obrigado a desenvolver no trabalho; ao progresso moral, pela necessidade que os
homens tem uns dos outros. A vida social é a pedra de toque das boas e das mas qualidades.
(...)"(5) Como explicar, entretanto, a situação da criança, cuja vida material se interrompe? E
por que esse fato ocorre? Tal qual acontece com o de um adulto, o Espirito de uma criança que
morre em tenra idade volta ao mundo dos Espíritos. E, as vezes, é bem mais adiantado e bem
mais experiente que o de um adulto ,já que pode ter progredido em encarnações passadas. "A
curta duração da vida da criança pode representar, para o Espirito que a animava, o comple-
mento da existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar,
e sua morte também não raro, constitui provação ou expiação para os pais. "(1)
O Espirito cuja existência se interrompeu no período da infância recomeça uma nova existên-
cia. "(...) Se uma única existência tivesse o homem e se, extinguindo-se-lhe ela, sua sorte
ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de metade do gênero humano, da que
morre na infância, para gozar, sem esforços, da felicidade eterna e com que direito se acharia
isenta das condições, as vezes tão duras, a que se vê submetida a outra metade? Semelhante
ordem de coisas não corresponderia a justiça de Deus. Com a reencarnação, a igualdade é
real para todos. (...)" (1)
Com a experiência vivida pelo Espirito da criança, os seus pais são também provados em sua
compreensão para com a vida ou, então, resgatam débitos que assumiram no passado Com-
preendemos, assim, que "(...) O Universo inteiro evolui. Como os mundos, os Espíritos prosse-
guem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas.
Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a acalmar, amor, expiação,
devotamento, sacrifício, todas essas forcas, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os
precipitam na obra; e, essa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a
vida. A imobilidade, a inação e o retrocesso, e a morte. Sob o impulso da grande lei, seres e
mundos, almas e sois, tudo gravita e se move na orbita gigantesca traçada pela vontade divi-
na." (6)

13 - Ensaio teórico das sensações e percepções dos Espíritos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Identificar o papel do perispírito nas sensações e percepções de todos os fenômenos
espíritas.
Explicar como e por que certos Espíritos sentem dores, fome, frio ou calor após a de-
sencarnação. -

IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) O perispírito e o laço que a matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio
ambiente, do fluido universal
"(...) E o principio da vida orgânica, porem, não o da vida intelectual, que reside no
Espírito. E, alem disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servin-
do-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam ge-
rais. (...)" (2).
"(...) Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espirito por
intermédio do perispírito. (...). Ora, não sendo o perispírito, realmente, mais do que
simples agente de transmissão, pois que no Espirito e que esta a consciência, lógico será
deduzir-se que se pudesse existir perispírito sem Espirito, aquele nada sentiria, exata-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 170

mente como um corpo que morreu. (...)" (4)


"(...)O corpo e o instrumento da dor. Se não e a causa primaria desta e, pelo menos, a
causa imediata. A alma tem a percepção da dor: essa percepção e o efeito. A lembrança
que da dor a alma conserva pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física. (...)"
(2).
"(...) Liberto do corpo, o Espirito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, em-
bora não seja exclusivamente moral. (...)" (3)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Ação dos Espíritos sobre a Matéria. In: - . O Livro dos Mé-
diuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. Parte 2ª .tem 54, p. 71.
02 - Da Vida Espirita. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio
de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2 -.Item 257, p. 165.
03 - Op. Cit. p. 166.
04 - Op. Cit. p. 167.
05 - Op. Cit. p. 168.
06 - Op. Cit. p. 169-170.
07 - Dos Espíritos . In: Ä. O Livro dos Espíritos . Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio
de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2 .Questão 82, p. 81-82.

COMPLEMENTARES
08. XAVIER, Francisco Cândido. No Plano Carnal. In: Roteiro. 5. ed. Rio de Janeiro,
FEB, 1980. p. 15.

ENSAIO TEÓRICO DAS SENSAÇÕES E PERCEPÇÕES DOS ESPÍRITOS

Na questão nº 82 de O Livro dos Espíritos, Kardec formula a seguinte indagação: ' Será
certo dizer-se que os Espíritos são imateriais? "(...) Imaterial não e bem o termo; incor-
póreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espirito ha
de ser alguma coisa. ~ a mateira quintessenciada, mas sem analogia para vos outros, e
tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos. (...)" (7)Em face do
esclarecimento acima, deduz-se que as sensações e percepções dos Espíritos são dife-
rentes, conforme seu grau de evolução e o estado de encarnação ou de desencarnado em
que se encontram.
A - NO PLANO CARNAL
"(...) H no homem três componentes: 1º, a alma, ou Espirito, principio inteligente, onde
tem sua sede o senso moral; 2º, o corpo, invólucro grosseiro, material, de que ele se
revestiu temporariamente, em cumprimento de certos desígnios providenciais; 3º, o
perispírito, envoltório fluídico semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o cor-
po. (...)" (1)
"(...) Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espirito por
intermédio do perispírito (...~" (4). No entanto, as percepções e sensações ficam sensi-
velmente reduzidas conforme nos esclarecem os Espíritos Superiores.
"Isolado na concha milagrosa do corpo, o Espirito esta reduzido em suas percepções a
limites que se fazem necessários.
A esfera senhorial funciona, para ele, a maneira de câmara abafadora.
Visão, audição, tato, padecem enormes restrições.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 171

O cérebro físico e um gabinete escuro, proporcionando-lhe ensejo de recapitular e rea-


prender.
Conhecimentos adquiridos e hábitos profundamente arraigados nos séculos ai jazem na
forma estática de intuições e tendências. (...)''(8)
B - NO PLANO ESPIRITUAL
"(...) Ensina-nos a experiência que, por ocasião da morte, o perispírito se desprende
mais ou menos lentamente do corpo; que durante os primeiros minutos depois da desen-
carnação, o Espirito não encontra explicação para a situação em que se acha. Crê não
estar mor to, por isso que se sente vivo; vê a um lado o corpo, sabe que lhe pertence,
mas não compreende que esteja separado dele. Essa situação dura enquanto haja qual-
quer ligação entre o corpo e o perispírito. ( . . . ) " (~)
Este fato leva muitas vezes o Espirito a sentir sensações de dor, frio, calor e, algumas
vezes, ate os vermes corroerem o seu corpo físico em decomposição. Sabemos que os
vermes não lhe roem o perispírito, assim como ele não está sujeito as sensações físicas
de frio, calor, dor, etc. Não sendo completa a separação do corpo e do perispírito, há
uma repercussão moral que se reproduz e transmite ao Espirito ocorrências dessa or-
dem. Inúmeras vezes já não há ligação entre o corpo e o perispírito, pois o primeiro ate
já se decompôs, no entanto, a lembrança e a sensação do fato ocorrido, aliadas à dor e
ao remorso, repercutem por muitos anos, mantendo a impressão de que aquele fato se dá
na atualidade.
Por outro lado, os Espíritos com maior grau de evolução tornam-se inacessíveis às
sensações que vimos de relatar. Seu perispírito mais leve e as percepções mais apuradas
não permitem a repercussão de sensações tipicamente materiais, como nossos sons,
odores, etc. Para os Espíritos cujo perispírito ainda e denso, "(...) pode-se dizer que,
neles, as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o ser e lhes chegam assim ao
sensorium commune, que é o próprio Espírito, embora de modo diverso e talvez, tam-
bém, dando uma impressão diferente, o que modifica a percepção. Eles ouvem o som da
nossa voz, entretanto nos compreendem sem o auxilio da palavra, somente pela trans-
missão d`, pensamento. (...)" (5)
C - CONCLUSÃO
"(...) Objetarão, talvez: toda esta teoria nada tem de tranqüilizadora. Pensávamos que,
uma vez livres do nosso grosseiro envoltório, instrumento das nossas dores, não mais
sofreríamos e eis nos informais de que ainda sofreremos. Desta ou daquela forma, será
sempre sofrimento. Ah! sim, pode dar-se que continuemos a sofrer, e mui to, e por
longo tempo, mas também que deixemos de sofrer, ate mesmo desde o instante em que
se nos acabe a vida corporal.
Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muito mais vezes,
contudo' são devidos à nossa vontade. Remonte cada um à origem deles e verá que a
maior parte de tais sofrimentos são e feitos de causas que lhe teria sido possível evitar.
Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua am-
bição, numa palavra: às suas paixões? Aquele que sempre vivesse com sobriedade, que
de nada abusasse, que fosse sempre simples nos gostos e modesto nos desejos, a muitas
tribulações se forraria. O mesmo se dá com o Espirito. Os sofrimentos por que passa são
sempre a conseqüência da maneira por que viveu na Terra. Certo já não sofrerá mais de
gota, nem de reumatismo; no entanto, experimentará outros sofrimentos que nada ficam
a dever àqueles. Vimos que seu sofrer resulta dos laços que ainda o prendem à matéria;
que quanto mais livre estiver da influência desta, ou, por outra, quanto mais desmateria-
lizado se achar, menos dolorosas sensações experimentará. Ora, está nas suas mãos
libertar-se de tal influência desde a vida atual. Ele tem o livre-arbítrio, tem, por conse-
guinte, a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer. Dome suas paixões animais;
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 172

não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo
egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não liguei às coisas
deste mundo importância que não merecem; e, então, embora revestido do invólucro
corporal, já estará depurado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando deixar esse
invólucro, não mais lhe sofrerá a influência. (...) (6)

14 - Ocupações e missões dos Espíritos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Identificar a natureza das ocupações dos Espíritos
Constatar a importância de os Espíritos se manterem em ocupações incessantes.
Dar exemplos de ocupações e de missões dos Espirito encarnados e desencarnados.
.
IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Os Espíritos encarnados tem ocupações inerentes às suas existências corpóreas. No
estado de erraticidade, onde desmaterialização, tais ocupações são adequadas ao grau de
adiantamento deles.
Uns percorrem os mundos, se instruem e preparam para nova encarnação.
Outros, mais adiantados, se ocupam com o progresso (...)
Outros tomam sob sua tutela os indivíduos, as famílias, as reuniões, as cidades e os
povos, dos quais se constituem anjos guardiães, os gênios protetores e os Espíritos
familiares. Outros, finalmente, presidem aos fenômenos da Natureza(...)" (4) -
"(...) A vida espirita e uma ocupação continua, mas que nada tem de penosa, como a
vida na Terra, porque não há a fadiga corporal, nem as angustias das necessidades'.' (1)
"(...) São incessantes as ocupações dos Espíritos, atendendo-se a que sempre ativos são
os seus pensamentos (...). Essa mesma atividade lhe constitui um gozo pela consciência
que têm de ser úteis." (2)
"(...) As missões dos Espíritos têm sempre por objeto o bem. Quer como Espíritos, quer
como homens, são incumbidos de auxiliar o progresso da Humanidade, dos povos ou
dos indivíduos. (...)" (3)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Das ocupações e missões dos Espíritos. In: . O Livro dos Espíri-
tos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2a, questão 558,
p. 281.
02 - Op. cit., questão 563, p. 282.
03 - Op. cit., questão 569, p. 284-285.
04 - Op. cit., questão 584, p. 289-290.
05 - O céu. In:. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintao. 29 ed. Rio de
Janeiro, FEB, 1982. Parte 1a, item 1ª, p. 34. 1
06 - Op. cit., item 13, p. 34-35.
07 - Op. cit., item 14, p. 35. ;
08 - Op. cit., item 15, p. 35.

OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS.

Os Espíritos têm ocupações e missões a desempenhar. Alem do trabalho de se melhora-


rem pessoalmente, incumbe-lhes executar a vontade de Deus, concorrendo, assim, para
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 173

a harmonia do Universo. A ocupação dos Espíritos e continua. Essa ação continua,


contudo, nada tem de penosa, uma vez que não estão sujeitos à fadiga e às necessidades
próprias da vida terrena.
Os Espíritos inferiores e imperfeitos também desempenham função útil no universo,
embora muitas vezes não se apercebam disso, visto que todos têm deveres a cumprir.
Os Espíritos devem percorrer todos os diferentes graus da escala evolutiva para se aper-
feiçoarem. Assim, todos devem habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de
todas as coisas. Mas há tempo para tudo. Dessa forma, a experiência e o aprendizado
por que um Espirito está passando hoje, um outro já passou e outro ainda passará.
Existem Espíritos que não se ocupam de coisa alguma, conservando-se totalmente
ociosos. Todavia esse estado e temporário e cedo ou tarde o desejo de progredir os
impulsiona para uma atividade, tornando-os felizes por se sentirem úteis.
"(...) As missões dos Espíritos têm sempre por objetivo o bem. Quer como Espíritos,
quer como homens, são incumbidos de auxiliar o progresso da Humanidade, dos povos
ou dos indivíduos, dentro de um circulo de idéias mais ou menos amplas, mais ou me-
nos especiais e de velar pela execução de determinadas coisas. Alguns desempenham
missões mais restritas e, de certo modo, pessoais ou inteiramente locais, como sejam
assistir os enfermos os agonizantes, os aflitos, velar por aqueles de quem se constituí-
ram guias e protetores, dirigi-los, dando-lhes conselhos ou inspirando-lhes bons pensa-
mentos. Pode dizer-se que há tantos gêneros de missões quantas as espécies de interes-
ses a resguardar, assim no mundo físico, como no moral. O Espírito se adianta conforme
a maneira por que desempenha a sua tarefa." (3)
Os Espíritos se ocupam com as coisas deste mundo de acordo com o grau de evolução
em que se achem. Os superiores só se ocupam no que seja útil ao progresso. Já os infe-
riores se sentem ligados às coisas materiais, e delas se ocupam.
"A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa,
que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna e fastidiosa inutilidade.(...)"(5)
"As atribulações dos Espíritos são proporcionais ao seu progresso, às luzes que possu-
em, às suas capacidades, experiência e grau de confiança inspirada ao Senhor soberano.
Nem favores, nem privilégios que não sejam o prêmio ao mérito; tudo e medido e pesa-
do na balança da estrita justiça.
As missões mais importantes são confiadas somente àqueles que Deus julga capazes de
as cumprir e incapazes de desfalecimento ou comprometimento. (...)" (6)
"Ao lado das grandes missões confiadas aos Espíritos superiores, há outras de importân-
cia relativa em todos os graus, concedidas a Espíritos de todas as categorias, podendo
afirmar-se que cada encarnado tem a sua, isto e, deveres a preencher a bem dos seus
semelhantes, desde o chefe de família, a quem incumbe o progresso dos filhos, ate o
homem de gênio que lança às sociedades novos germens de progresso. nessas missões
secundárias que se verificam desfalecimentos, prevaricações e renuncias que prejudicam
o indivíduo sem afetar o todo". (7)
"Todas as inteligências concorrem, pois, para a obra geral, qual quer que seja o grau
atingido, e cada uma na medida das suas forcas, seja no estado de encarnação ou no
espiritual. Por toda parte a atividade, desde a base ao ápice da escala, instruindo-se,
coadjuvando-se, em mutuo apoio, dando-se as mãos para alcançarem o zênite. (...)" (8)

15 - Relações do além-túmulo: Almas gêmeas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Dar a diferença entre almas gêmeas e metades eternas .
Conceituar alma gêmea.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 174

Esclarecer por que nem sempre as almas gêmeas estão no mesmo grau evolutivo.

IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união
de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada ate na linguagem vulgar e
que se não deve tomar ao pé da letra (...)." (03)
A tese sobre almas gêmeas "(...) é mais complexa do que pareça ao primeiro exame, e
sugere mais vasta meditação (...), mesmo porque, com a expressão "almas gêmeas", não
desejamos dizer "metades eternas" (...)" (10)
"(...) Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A
união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível (...)". (08)
Pode ocorrer que as almas gêmeas não se encontrem no mesmo plano evolutivo. Isto
porque uma delas progrediu mais que a outra. Almas criadas na mesma era, iniciando
"(...) úteis peregrinações em mundos primitivos, e, depois, separadas em pontos diversos
do globo terrestre, conservam, umas das outras, reminiscências indeléveis.
As vezes, não se encontram em algumas de suas jornadas terrenas quando uma delas
comete delitos graves e retarda o seu cinzelamento psíquico (...)". (11)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. - Da Vida Espírita. In: - . O Livro dos Espíritos Trad. de Guillon
Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 .Parte 2ª, questão 298, p. 185.
02 - Op. cit., questão 299, p. 185.
03 - Op. cit., questão 303, p. 186.

COMPLEMENTARES.
04 - XAVIER , Francisco Cândido. Amor. União. In: - . O Consolador, pelo Espirito
Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, questão 323, p. 185 e 186.
05 - Op. cit., questão 325, p. 186.
06 - Op. cit., Nota p. 233.
07 - Sacrifícios to Amor. In: - . Renuncia, pelo Espirito Emmanuel, 4. ed. Rio de Janei-
ro, FEB, 1958, p. 15.
08 - Op. cit., p. 25.
09 - GAMA, Zilda. Almas Gêmeas. In: . Diário dos Invisíveis, por diversos Espíritos, 2.
ed. São Paulo, "O Pensamento", 1943, p.129 e 130.

RELAÇÕES DO ALÉM TÚMULO: ALMAS GÊMEAS

Ao estudarmos a teoria das almas gêmeas citaremos fontes bibliográficas para que o
assunto seja
mais: profundamente analisado.
A questão 298 de O Livro dos Espíritos nos informa que "(...) não há união particular e
fatal, de duas almas. A união que há e a de todos os Espíritos, mas em graus diversos,
segundo a categorias que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido.
quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. (...)" (01)
Devemos compreender que um Espirito não e a metade do outro ."(...) Se um Espirito
fosse a metade de outro, separados os dois, estariam ambos incompletos." (02)
"(.-..) A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união
de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 175

que se não deve tomar ao pê da letra. (...)"-(03-)


- Referindo-se ao assunto Emmanuel nos diz, às questões -323 a 328 do livro O Conso-
lador que: "(...) No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma
gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A
união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados
no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam,
como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras,
vemos sempre a atração eterna das aluas que se amam intimamente (...)!Quando se
encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para
os seus corações a da Ventura de sua união, (...) e a única amargura que lhes empana a
alegria e a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da
Nova Revelação veio dissipar (...)" (04)
Não sabemos ainda esclarecer a razão da atração existente entre dois Espíritos, tornan-
do-os almas gêmeas. "(...) Para todos nos. o primeiro instante da criação do ser está
mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda e inexplicável
que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências, e das
provas, no caminho infinito do Tempo (...)". (05)
Nem sempre, as almas gêmeas encontram-se no mesmo plano evolutivo. No livro Diário
dos Invisíveis de Zílda Gama, o Espirito Victor Hugo nos afirma que almas criadas na
mesma era, iniciando "(...) úteis peregrinações em mundos primitivos, e, depois, separa-
das em pontos diversos do globo terrestre, conservam, umas das outras, reminiscências
indeléveis.
As vezes, não se encontram em algumas de suas jornadas terrenas - quando uma delas
comete delitos graves e retarda o seu cinzelamento psíquico, outras há, porem, que, logo
nos primórdios de uma existência, se reúnem e se reconhecem, fitando-se longamente,
agrilhoadas, às vezes, pelo afeto de íntimo parentesco, nascidas sob o mesmo teto:
Então, na voz dos entes que vivificam, recordam um timbre familiar e muito amado. (...)
Quando compreendem que se revém enfim, que os seus Espíritos foram germinados no
mesmo instante, perlustraram o mesmo carreiro, tornaram-se gêmeos pelos laços perpé-
tuos da afinidade - um júbilo intenso irradia-se nos seus íntimos qual uma alvorada
espancando bruscamente as trevas de uma noite que parecia interminável...
Sim, as trevas em que jaziam antes de se reverem, pois as almas isoladas, incompreen-
didas, enquanto lhes falta a consócia que as deixou mutiladas, o lúcido fragmento que as
integra por um consórcio celeste - o Amor, o vinculo estelífero que as torna inseparáveis
por toda consumação dos séculos - ficam imersas em penumbra, asfixiadas em desalen-
to, envoltas em brumas polares... (...)." (09)
Em Renuncia, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espirito Emmanuel
conta-nos a história da luminosa entidade espiritual Alcione, que se afasta, temporaria-
mente, da elevada esfera onde residia para, entre outras coisas, auxiliar sua alma gêmea
Pólux que "(...) na luta consigo mesmo, as paixões subalternas sempre saiam vencedoras
em sinistros triunfos (...)" (07). Alcione, renasce no planeta Terra, oriunda de "(...)
portentosa esfera, inconfundível em magnificência e grandeza (...)" (08) em verdadeiros
sacrifícios do amor.
A maravilhosa historia de Alcione e Pólux e o exemplo, de Espíritos evolutivamente
muito distanciados um do outro, mas que, por serem almas gêmeas, mantém-se intima-
mente ligados.
~ importante, no entanto, que fique claro o conceito de almas gêmeas: "(...) a tese, (...), é
mais complexa do que parece ao primeiro exame, e sugere mais vasta meditação às
tendências do século) no capitulo do "divorcismo" e do "pansexualismo", que a ciência
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 176

menos construtiva vem lançando nos Espíritos, mesmo porque, com a expressão "almas
gêmeas", não desejamos dizer "metades eternas", e ninguém, a rigor, pode estribar-se no
enunciado para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola redentora do
mundo, sob a pena de aumentar os próprios débitos, com difíceis obrigações à frente da
lei. (...)" (06)pressão "almas gêmeas", não desejamos dizer "metades eternas", e nin-
guém, a rigor, pode estribar-se no enunciado para desistir de veneráveis compromissos
assumidos na escola redentora do mundo, sob a pena de aumentar os próprios débitos,
com difíceis obrigações à frente da Lei. (...)" (06)

ANEXO

01. Que idéia fornece a teoria das metades eternas, analisada à luz do Espiritismo?
02. Que se deve entender por "almas gêmeas"?
03. Qual a diferença entre os conceitos de alma gêmea e metades eternas?
04. Por que a tese de almas gêmeas e mais complexa do que parece à primeira vista?
05. Por que as almas gêmeas nem sempre permanecem juntas nas realizações de tarefas
ou programações espirituais?
06. As almas gêmeas possuem sempre O mesmo grau evolutivo? justifique a sua respos-
ta.
07. Analise a afirmação de Emmanuel, citada na Síntese do Assunto: as almas gêmeas
"quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felici-
dade real para os seus corações - a da ventura de sua união (...)".

16 - Simpatias e antipatias.

OBJETIVOS BÁSICO
Explicar como se estabelecem as relações de simpatia entre os desencarnados e encar-
nados
Evidenciar a pratica do amai os vossos inimigos (MI,-5:44) ensinada por Jesus

.IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da per feita concordância de
seus pendores e instintos (...)." (01)
"(...)Os inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência pelas obsessões e
subjugações com que tanta gente se vê a braços .( )." (03)
" (....) Amai o vosso inimigo não se circunscreve ao âmbito acanhado da Terra e da vida
presente; antes, faz parte da grande lei da solidariedade e da fraternidade universais."
(03)

FONTES DE CONSULTA.

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. - Da Vida Espirita. In: - . O Livro dos Espíritos, trad. de Guillon
Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 questão 301, p. 185.
02 - Op. cit., questão 298, p. 185.
03 - Os inimigos desencarnados. In: - . O Evangelho Segundo o Espiritismo, trad. de
Guillon Ribeiro, 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, capítulo 12. item 06, p. 207 a 208.
04 - Op. cit., item 05, p. 206.

SIMPATIAS E ANTlPATIAS
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 177

Como seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo material, os
Espíritos cultivam, entre si, a simpatia geral determinada pelas suas próprias semelhan-
ças. Alem desta simpatia de caráter geral, existem, também, as afeições particulares, tal
como as há entre os homens. Esta afeição particular decorre do principio de afinidade,
como resultado de uma "(...) perfeita concordância de seus pendores e instintos. (...)"
(01)

Assim como há as simpatias entre os Espíritos, há, também, as antipatias, alimentadas


pelo ódio, que geram inimizades e distensões. Este sentimento, todavia, só existe entre
os Espíritos impuros, que não venceram, ainda, em si mesmos, basicamente, o egoísmo
e orgulho. Como exercem influencia junto aos homens, acabam estimulando nestes os
desentendimentos e as discórdias, muito comuns na vida humana.
Desde que originada de verdadeira simpatia, a afeição que dois seres se consagram na
Terra continua a existir sempre no mundo dos Espíritos.
Por sua vez, os Espíritos a quem fizemos mal neste mundo poderão perdoar-nos se já
forem bons e segundo o nosso próprio arrependimento. Se, porem, ainda forem maus,
podem guardar ressentimento e nos perseguirem muitas vezes até em outras existências.
Como observam os Espíritos superiores: "(...) da discórdia nascem todos os males dos
humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.'' (02) E um dos objetivos da nossa
encarnação é o de trabalhar no sentido de nos melhorarmos interiormente e chegarmos à
perfeição espiritual.
Isto nos leva a compreender melhor a afirmação de Jesus, quando nos disse: Amai os
vossos inimigos , pois só há prejuízo para o Espirito que tenha inimigos por força do
mal que haja praticado, uma vez que os inimigos são obstáculos em sua caminhada e
essa inimizade sempre gera infelicidade e atraso em seu progresso espiritual.
Admitindo "(...) que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decor-
re de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos seus defei-
tos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom (...)" (04) compre-
endemos também que a nossa meta maior e superar a maldade que ainda existe em nós e
nos outros. E, neste sentido, só a manifestação de amor de nossa parte pode quebrar o
circulo vicioso do ódio que continua a existir, muitas vezes, mesmo depois da morte
flsica.
O período mais propicio a esse esforço é, sem duvida, quando estamos junto aos nossos
inimigos, convivendo com eles, na condição de encarnados e desencarnados, pois é
quando temos as melhores oportunidades de testemunhar nosso propósito de cultivar a
concórdia para com todos e, assim, substituir os laços de ódio que nos ligavam, pelos
laços de amor que passam a nos unir

QUEST1ONARIO

01. Por que os laços dos sentimentos são mais Fortes entre os Espíritos desencarnados?
02. Que pode favorecer a antipatia e mesmo inimizade entre os desencarnados? -
03. Por que razão permitiria Deus que um Espirito perseguisse outro após chegar ao
plano espiritual?
04. Por que o amar os inimigos e a mais sublime aplicação do principio da caridade? -
05. Que e necessário para um Espirito ser simpático a outro?
06. Em que condições pode haver simpatia perfeita entre dois Espíritos?
07. Quando um Espirito perde a simpatia por outro?
08. Por que devemos ser indulgentes com os nossos inimigos ou desafetos? ~
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 178

09. Justifique por que é falsa a expressão: o o ódio deve ser extinto com sangue.
10. Interprete, à luz da Doutrina Espirita, o amai os vossos inimigos ensinado por Jesus.
11. De que modo os inimigos desencarnados manifestam sua malevolência para com os
encarnados?
12. Por que ainda existem Espíritos maus no nosso Planeta?

GABARITO DE RESPOSTAS

01. Porque esses laços não estão sujeitos às vicissitudes das paixões - como o amor-
próprio - nem aos interesses materiais.
02. O ódio ou ressentimento de algum mal ou prejuízo que um Espírito fez a outro. ,
03. Como castigo ou provação que o Espirito do encarnado deva passar.
04. Porque a posse de tal virtude representa vitória sobre o orgulho e a vaidade.
05. Que haja perfeita concordância de pendores e instintos entre ambos
06. Quando dois Espíritos possuem igualdade de graus evolutivos.
07. Quando um deles e preguiçoso e, consequentemente, não acompanha o progresso do
outro.
08. Porque a maldade não sendo um estado permanente dos homens, e sendo decorrente
da imperfeição humana, o mau de hoje será o bom de amanhã.
09. Porque o Espirito sobrevivente à matéria continuará odiando, no além-túmulo,
aquele que o prejudicou. O ódio só não existirá se o desencarnado for um bom Espirito
e perdoar o agres sor.
10. Essa expressão de Jesus oferece um meio de se libertar do ódio e das perseguições
dos desencarnados. Estes se sensibilizarão à medida que notarem o bom comportamento
e o arrependimento sincero daqueles que o prejudicaram.
11. Através das obsessões e subjugações.
12. Porque ainda existem Espíritos imperfeitos que fazem o mal.

17 - Escolha das provas. Estudo de casos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Evidenciar a importância do livre-arbítrio na escolha de provas nas programações reen-
carnatórias.
Estabelecer a diferença entre provações e atribulações corriqueiras na vida dos encarna-
dos.

IDÉIAS PRINCIPAIS
O Espirito, "(. .) ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso
consiste o seu livre-arbítrio. (...) Cumpre se distinga o que e obra da vontade de Deus do
que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vos quem o criou e sim
Deus. Vosso, porem, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um
meio de progredirdes, e Deus o permitiu." (01).
No mundo espiritual, o Espirito tem a oportunidade de escolher o gênero de provas, mas
não escolheu nem previu tudo que ira acontecer com ele no mundo corporal. "(...) As
particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são, muitas vezes,
conseqüências das vossas próprias ações. (...) Sabe o Espírito que, escolhendo tal cami-
nho, terá que sustentar lutas de determinada espécie (...). Os acontecimentos secundários
se originam das circunstancias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos
principais, os que influem no destino. (...)"
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 179

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Vida Espirita. In. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon
Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 258, p. 171.
02 - Op. cit., questão 259, p. 171-172.
03 - Op. cit., questão 266, p. 174-176.

ESCOLHA DAS PROVAS.

"(...) Sob a influencia das idéias carnais, o homem, na Terra, só vê das provas o lado
penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de
vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porem, compara esses
gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde
logo nenhuma impressão mais lhe causam os passageiros sofrimentos terrenos. Assim,
pois, o Espirito pode escolher prova muito rude e, conseguintemente, uma angustiada
existência, na esperança de alcançar depressa um estado melhor, como o doente escolhe
muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar de pronto. Aquele que intenta
ligar seu nome a descoberta de um pais desconhecido não procura trilhar estrada florida.
Conhece os perigos a que se arrisca, mas também sabe que o espera a gloria, se lograr
bom êxito. ,, ~A doutrina da liberdade que temos de escolher as nossas existências e as
provas que devamos sofrer deixa de parecer singular, desde que se atenda a que os
Espíritos, uma vez desprendidos da matéria, apreciam as coisas de modo diverso da
nossa maneira de aprecia-las. Divisam a meta, que bem diferente e para eles dos gozos
fugitivos do mundo. Após cada existência, vêem o passo que deram e compreendem o
que ainda lhes falta em pureza para atingirem aquela meta. Daí o se submeterem volun-
tariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, solicitando as que possam fazer que
a alcancem mais presto. Não ha, pois, motivo de espanto no fato de o Espírito não prefe-
rir a existência mais suave. Não lhe é possível, no estado de imperfeição em que se
encontra, gozar de uma vida isenta de amarguras. Ele o percebe e, precisamente para
chegar a fruí-la, e que trata de se melhorar. Não vemos, alias, todos os dias, exemplos
de escolhas tais? Que faz o homem que passa uma parte de sua vida a trabalhar sem
trégua, nem descanso, para reunir haveres que lhe assegurem o bem-estar, se não de-
sempenhar uma tarefa que a si mesmo se impôs, tendo em vista melhor futuro? O mili-
tar que se oferece para uma perigosa missão, o navegante que afronta não menores
perigos, por amor da Ciência ou no seu próprio interesse, que fazem, também eles,
senão sujeitar-se aprovas voluntárias, de que lhos advirão honras e proveito, se não
sucumbirem? A que se não submete ou expõe o homem pelo seu interesse ou pela sua
gloria? E os concursos não são também todos provas voluntárias a que os concorrentes
se sujeitam, com o fito de avançarem na carreira que escolheram? Ninguém galga qual-
quer posição nas ciências, nas artes, na indústria, senão passando pela serie das posições
inferiores, que são outras tantas provas. A vida humana ‚, pois, cópia da vida espiritual;
nela se nos deparam em ponto pequeno todas as peripécias da outra. Ora, se na vida
terrena muitas vezes escolhemos duras provas, visando a posição mais elevada, por que
não haveria o Espirito, que enxerga mais longe que o corpo e para quem a vida corporal
‚ apenas incidente de curta duração, de escolher uma existência árdua e laboriosa, desde
que o conduza a felicidade eterna? Os que dizem que pedirão para ser príncipes ou
milionários, uma vez que ao homem e que caiba escolher a sua existência, se asseme-
lham aos míopes, que apenas vêem aquilo em que tocam, ou a meninos gulosos, que, a
quem os interroga sobre isso, respondem que desejam ser pasteleiros ou doceiros. ; O
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 180

viajante que atravessa profundo vale ensombrado por espesso nevoeiro não logra apa-
nhar coma vista a extensão da estrada por onde vai, nem os seus pontos extremos. Che-
gando, porem, ao cume da montanha, abrange com o olhar quanto percorreu do caminho
e quanto lhe resta dele a percorrer. Divisa-lhe o termo, vˆ os obstáculos que ainda terá
de transpor e combina então os meios mais seguros de atingi-lo. O Espirito encarnado e
qual viajante no sopé da montanha. Desenleado dos liames terrenais, sua visão tudo
domina, como a daquele que subiu a crista da serrania. Para o viajor, no termo da sua
jornada está o repouso após a fadiga; para o Espírito, esta a felicidade suprema, após as
tribulações e as provas. Dizem todos os espíritos que, na erraticidade, eles se aplicam a
pesquisar, estudar, observar, a fim de fazerem a sua escolha. Na vida corporal não se
oferece um exemplo deste fato? Não levamos freqüentemente, anos a procurar a carreira
pela qual afinal nos decidimos, certos de ser a mais apropriada a nos facilitar o caminho
da vida? Se numa o nosso intento se malogra, recorremos; a outra. Cada uma das que
abraçamos representa uma fase, um período da vida. Não nos ocupamos cada dia em
cogitar do que faremos no dia seguinte ? Ora, que sao para o Espírito as diversas exis-
tências corporais, se não fases, períodos, dias da sua vida espirita, que é, como sabemos,
a vida normal, vista que a outra e transitória, passageira?" (03)

ANEXO01
TECNICA DE ESTUDO DE CASOS

A técnica do estudo de casos consiste em propor aos participantes da reunião "(...) uma
situação real que já tenha sido solucionada, criticada ou apreciada, para, de novo, voltar
a ser focalizada" (*), no sentido de: "(...) aplicar conhecimentos teóricos em situações
reais (...) realizar trabalho de revisão, (...) de fixação e integração da aprendizagem;(...)
favorecer a correlação com o real e dar sentido de realidade "(...)(*) ao assunto estuda-
do; adquirir vivência de fatos que possam ser encontrados ao longo da experiência
humana; (..." habituar a analisar soluções sob seus aspectos positivos e negativos; forta-
lecer a atitude de tomar decisões depois de ponderada uma situação" (*), ajudar o estu-
dante (...)" a formar Juízos de realidade e de valor; desenvolver a capacidade de analise"
(*).DESENVOLVIMENTO DA TÉCNICA:
a- O dirigente da reunião cita a origem do caso em estudo e em que situações ele ocor-
reu.
b. Explica, a seguir, que e importante uma leitura reflexiva do caso.
c. Pede aos participantes que apontem soluções, apreciações ou críticas após discussão
entre os componentes da equipe e de acordo com a orientação dada no roteiro das tare-
fas a serem executadas.
d. O dirigente, em todo o trabalho, evitara dar a própria opinião sobre a solução ou
soluções do caso.
e. No final, depois da conclusão dos trabalhos dos participantes da reunião, o dirigente
apresenta a solução, apreciação ou critica que o caso em estudo já tenha recebido, po-
dendo, neste momento, opinar sobre o mesmo .Esta opinião do dirigente ou de outras
pessoas, sobre o caso, servirá para retificar ou não o que os participantes disseram.(*)
NERICI, G. Imideo. Metodologia o Ensino; Uma Introdução. 2. ed. São Paulo, Atias,
1981 p. 134.

1º CASO - A QUEDA DE OTÁVIO

A ausência de Aniceto deu ensejo a palestras interessantes.


ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 181

Formaram-se grupos de conversação amiga. Impressionado com as senhoras que havi-


am solicitado providencias para Otávio, pedi a Vicente me apresentasse a elas, não que
me movesse curiosidade menos digna, mas desejo de alcançar novos valores educativos
sobre a tarefa mediúnica, que a palavra de Telésforo me fizera sentir em tons diferentes.
O amigo atendeu de boamente.
Em breves momentos, não me achava tão só afrente das irmãs Isaura o Isabel, mas do
próprio Otávio, um pálido senhor que aparentava quarenta anos
- Também sou principiante aqui - expliquei - e minha condição é a do médico falido nos
deveres que o Senhor me confiou
Otávio sorriu e respondeu:
- Possivelmente, o meu amigo terá a seu favor o fato de haver ignorado as verdades
eternas, no mundo. O mesmo não ocorre comigo, ai de mim !
Não desconhecia o roteiro certo, que o Pai me designava para as lutas na Terra. Não
possuía títulos oficializados de competência; entretanto, dispunha de considerável cultu-
ra evangélica, coisa que, para a vida eterna,. é de maior importância que a cultura inte-
lectual, simplesmente considerada.
Tive amigos generosos do plano superior, que se faziam visíveis aos meus olhos, recebi
mensagens repletas de amor e sabedoria e, no entanto, cai mesmo assim, obedecendo à
imprevidência e à vaidade.
As observações de Otávio impressionavam-me vivamente. Quando no mundo , eu não
tivera contato especial com as escolas espiritistas e experimentava certa dificuldade para
compreender tudo quanto ele desejava dizer.
— Ignorava a extensão das responsabilidades mediúnicas—respondi.
— As tarefas espirituais— tornou o interlocutor, algo acabrunhado — ocupam-se de
interesses eternos e dai a enormidade de minha falta
Os mordomos de bens da alma estão invertidos de responsabilidades pesadíssimas. Os
estudiosos, os crentes, os simpatizantes, no campo da fé, podem alegar ignorância e
inibição; todavia, os sacerdotes não tem desculpa. E' o mesmo que se verifica na tarefa
mediúnica. Os aprendizes ou beneficiários, nos templos da Revelação nova, podem
referir-se a determinados impedimentos; mas o missionário é obrigado a caminhar com
um patrimônio de certeza tais, que coisa alguma o exonera das culpas adquiridas.
— Mas, meu amigo - perguntei, assaz impressionado - , que teria motivado seu martírio
moral? Noto-o tão consciente de si mesmo, tão superiormente informado ;sobre as leis
da vida , que me custa acreditar se encontre necessitado de novas experiências nesse
capitulo...
Arnbas as senhoras presentes mostraram estranho brilho no olhar, enquanto Otávio
respondia:
—Relatarei minha queda Vera como perdi maravilhosa oportunidade de elevação.
E, após mais longa pausa, continuou, gravemente:
—Depois de contrair dividas enormes na esfera carnal, noutro tempo, vim bater às
portas de "Nosso Lar", sendo atendido por irmãos dedicados, que se revelaram incansá-
veis para comigo. Preparei-me, então, durante trinta anos consecutivos, para voltar à
Terra em tarefa mediúnica, desejoso de saldar minhas contas e elevar-me alguma coisa.
Não faltaram lições verdadeiramente sublimes, nem estímulos santos ao meu coração
imperfeito. O Ministério da Comunicação favoreceu-me com todas as facilidades e,
sobretudo, seis entidades amigas movimentaram os maiores recursos em benefício do
meu êxito. Técnicos do Auxilio acompanharam-me à Terra, nas vésperas do meu renas-
cimento, entregando-me um corpo físico rigorosamente sadio. Segundo a magnanimi-
dade dos meus benfeitores daqui, ser-me-ia concedido certo trabalho de relevo, na
esfera de consolação às criaturas. Permaneceria junto das falanges de colaboradores
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 182

encarregados do Brasil, animando-lhes os esforços o atendendo a irmãos outros, igno-


rantes, perturbados ou infelizes. O matrimonio não deveria entrar na linha de minhas
cogitações, não que o casamento possa colidir com o exercício da mediunidade, mas
porque meu caso particular assim o exigia. Nada obstante, solteiro, deveria receber, aos
vinte anos, os seis amigos que muito trabalharam por mim, em "Nosso Lar", os quais
chegariam ao meu círculo como órfãos. Meu débito para com essas entidades tornou-se
muito grande e a providência não só constituiria agradável resgate para mim, como
também garantia de triunfo pelo serviço de assistência a elas, o que me preservaria o
coração de leviandades e vacilações, porquanto o ganha-pão laborioso me compeliria a
não aceder a sugestões inferiores nos domínios do sexo e das ambições incutidas. Ficou
também assentado que minhas atividades novas começariam com muitos sacrifícios.
para que o possível carinho de outrem não amolecesse a minha fibra de realização, e
para que se não escravizasse minha tarefa a situações caprichosas do mundo, distantes
dos desígnios de Jesus, e, sobretudo, para que fosse mantida a impessoalidade do servi-
ço. Mais tarde, então, com o correr dos anos de edificação, me enviariam de "Nosso Lar'
socorros materiais, cada vez maiores, à medida que fosse testemunhando renúncia de
mirn mesmo, desprendimento das posses efêmeras, desinteresse pela remuneração dos
sentidos, de maneira a intensificar, progressivamente, a semeadura de mor confiada às
minas mãos.
Tudo combinado, voltei, não só prometendo fidelidade aos meus instrutores, como
também hipotecando a certeza do meu devotamento às seis entidades amigas, a quem
muito devo até agora.
Otávio, nesse momento, faz uma pausa mais longa, suspirou fundamente, e prosseguiu:
- Mas, ai de mim, que olvidei todos os compromissos! Os benfeitores de "Nosso Lar"
localizaram-me ao lado de verdadeira serva de Jesus. Minha mãe era espiritista cristã
desde moça, não obstante as tendências materialistas de meu pai, que era, todavia, um
homem de bem. Aos treze anos fiquei órfão de mãe e, aos quinze, começaram para mim
os primeiros chamados da esfera superior. Por essa ocasião, meu pai contraiu segundas
núpcias, e, apesar da bondade e cooperação que a madrasta me oferecia, eu me colocava
num plano de falsa superioridade, a respeito dela. Em vão, minha genitora endereçou,
do invisível, apelos sagrados ao meu coração. Eu vivia revoltado, entre queixas e lamen-
tações descabidas. Meus parentes conduziram-me a um grupo espiritista de excelente
orientação evangélica, onde minhas faculdades poderiam ser postas a serviço dos neces-
sitados e sofredores; entretanto, faltavam-me qualidades de trabalhador e companheiro
fiel. Minha negação em matéria de confiança nos orientadores espirituais e acentuado
pendor para a critica dos atos alheios compeliam-me a desagradável estacionamento. Os
beneméritos amigos do invisível estimulavam-me ao serviço, mas eu duvidava deles
com a minha vaidade doentia. E como prosseguissem os apelos sagrados, por Lm inter-
pretados como alucinações, procurei um médico que me aconselhou experiências sexu-
ais. Completara, então, dezenove anos e entreguei-me desenfreadamente ao abuso de
faculdades sublimes. Desejava conciliar, à força, o prazer delituoso e o dever espiritual,
alheando-me, cada vez mais, dos ensinos evangélicos que os amigos da esfera superior
nos ministravam. Tinha pouco mais de vinte anos, quando meu pai foi arrebatado pela
morte. Com a triste ocorrência, ficavam na orfandade seis crianças desfavorecidas,
porquanto minha madrasta, ao se consorciar com meu genitor, lhe trouxera para a tutela
três pequeninos.
Em vão implorou-me socorro a pobre viúva. Nunca me dignei aceitar os encargos re-
dentores que me estavam destinados. Após dois anos de segunda viuvez' minha desven-
turada madrasta foi recolhida a um leprosário. Afastei-me, então, dos pequenos órfãos,
tomado de horror. Abandonei-os definitivamente, sem refletir que lançava meus credo-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 183

res generosos, de "Nosso Lar", a destino incerto. Em seguida, dando largas à ociosidade,
cometi uma ação menos digna e fui obrigado a casar-me pela violência. Mesmo assim,
porém, persistiam os chamados do invisível, revelando-me a inesgotável misericórdia
do Altíssimo. Contudo, à medida que olvidava meus deveres, toda tentativa de realiza-
ção espiritual figurava-se-me mais difícil. E continuou a tragédia que inventei para meu
próprio tormento. A esposa a que me ligara, tão somente por apetites inconfessáveis, era
criatura muito inferior à minha condição espiritual e atraiu uma entidade monstruosa,
em ligação com ela, para tomar o papel de meu filho. Releguei à rua seis carinhosas
crianças, cuja convivência concorreria decisivamente para minha segurança moral, mas
a companheira e o filho, ao que me pareceu, incumbiram-se da vingança. Atormenta-
ram-me ambos, até ao fim da existência, quando para aqui regressei, mal tendo comple-
tado quarenta anos, roído pela sífilis, pelo álcool e pelos desgostos... sem nada haver
feito para meu futuro eterno... Sem construir coisa alguma no terreno do bem...
Enxugou os olhos úmidos e concluiu:
—Como vê, realizei todos os meus condenáveis desejos, menos os desejos de Deus. Foi.
por isso que fali, agravando antigos débitos...
Nesse instante, calou-se como se alguma coisa invisível lhe constringisse a garganta.
Abracei-o com simpatia fraternal, ansioso de proporcionar-lhe estimulo ao coração, mas
Dona Isaura aproximou-se mais, acariciou-lhe a fronte e falou
—Não chores, filho! Jesus não nos falta com a benção do tempo. Tem calma e cora-
gem...
E Identificando-lhe o carinho, meditei na Bondade Divina, que faz ecoar o cântico
sublime do amor de mãe, mesmo nas regiões de além morte. (01 )

2º CASO - O DESASTRE DE ACELINO

Ia dirigir-me a Otávio novamente, quando alguém se aproximou e falou ao ex médium,


com voz forte:
— Não chore, meu caro. você não está desamparado. Além disso, pode contar com o
devotamento materno. Vivo em piores condições, mas não me faltam esperanças. Sem
dúvida, estamos em bancarrota espiritual; no entanto, é razoável aguardarmos, confian-
tes, novo empréstimo de oportunidades do Tesouro Divino. Deus não está pobre.
Voltei-me surpreendido e não reconheci o recém chegado.
Dona Isaura fez o obséquio das apresentações
Estávamos diante de Acelino, que partilhara a mesma experiência.
Fitando-o, triste, Otávio sorriu e advertiu:
— Não sou criminoso para o mundo, mas sou um falido para Deus e para "Nosso Lar "
— Sejamos, porem, lógicos - revidou Acelino, parecendo mais encorajado - , você
perdeu a partida porque não jogou, e eu a perdi jogando desastradamente. Tive onze
anos de tormento nas zonas inferiores, Sua situação não reclamou esse drástico. Mesmo
assim, confio na Providência.
Nesse instante, interveio Vicente, acrescentando:
— Cada um de nós tem a experiência que lhe é própria. Nem todos ganham nas provas
terrestres.
E voltando-se de modo especial, para mim, aduziu
— Quantos de nos. os médicos, perdemos lamentavelmente na luta?
Depois de concordar, trazendo à baila o meu próprio caso objetei:
— Seria, porém, muitíssimo interessante conhecer a experiência de Acelino. Teria
sofrido o mesmo acidente de Otávio ~ Creio de grande aproveitamento penetrar essas
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 184

lições. No mundo, não compreendia bem o que fossem tarefes espirituais, mas aqui a
nossa visão se modifica Há que cogitar do nosso futuro eterno.
Acelino sorriu e obtemperou:
— Minha história é muito diferente. A queda que experimentei apresenta características
diversas e, a meu ver, muito mais graves.

E, atendendo-nos a expectativa prosseguiu, narrando:

—Também parti de "Nosso Lar", no século findo, após receber valioso patrimônio
instrutivo dos nossos assessores. Segui enriquecido de bênçãos. Uma de nossas benemé-
ritas Ministras da Comunicação presidiu, em pessoa, as medidas atinentes a minha. nova
tarefa. Não faltaram providências para que me felicitassem a saúde do corpo e o equilí-
brio da mente. Após formular grandes promessas aos nossos maiores, parti para uma das
grandes cidades brasileiras, em serviço de nossa colônia. O casamento estava em meu
roteiro de realizações. Ruth, minha devotado companheira, incumbir-se-ia de colaborar
comigo para melhor desempenho das tarefas.

Cumprida a primeira parte do programa, aos vinte anos de idade fui chamado à tarefa
mediúnica, recebendo enorme amparo dos benfeitores invisíveis. Recordo ainda a since-
ra satisfação dos companheiros do grupo doutrinário. A vidência, a audição e a psico-
grafia, que o Senhor me concedera por misericórdia, constituíam decisivos fatores de
êxito em nossas atividades. A alegria de todos era inexcedível. Entretanto, Entretanto
apesar das maravilhosas lições de amor evangélico inclinei-me a transformar minhas
faculdades em fonte de renda material, Não me dispus a esperar pelos abundantes recur-
sos que o Senhor me enviaria mais tarde, após meus testemunhos no trabalho, e provo-
quei, eu mesmo, a solução dos problemas lucrativos. Não era meu serviço igual a ou-
tros? Não recebiam os sacerdotes católicos-romanos a remuneração de trabalhos espiri-
tuais e religiosos ? Se todos pagávamos por serviços ao corpo, que razões haveria para
fugir ao pagamento por serviços alma? Amigos, inscientes do caráter sagrado da fé,
aprovavam-me as conclusões egoisticas Admitíamos que, no fundo, o trabalho essencial
era dos desencarnados, mas também havia colaboração minha, pessoal, como interme-
diário, pelo que devia ser justa a retribuição.
Debalde, movimentaram-se os amigos espirituais aconselhando-me o melhor caminho.
Em vão, companheiros encarnados chamavam-me a esclarecimento oportuno. Agarrei-
me ao interesse inferior e fixei meu ponto de vista. Ficaria definitivamente por conta
dos consulentes. Arbitrei o preço das consultas, com bonificações especiais aos pobres e
desvalidos da sorte, e meu consultório encheu-se de gente. Interesse enorme foi desper-
tado entre os que desejavam melhoras físicas e solução de negócios materiais. Grande
número de famílias abastadas tomou-me por consultor habitual, para todos os problemas
da vida. As lições de espiritualidade superior, a confraternização amiga, o serviço re-
dentor do Evangelho e as preleções dos emissários divinos ficaram a distancia. Não
mais a escola da virtude, do amor fraternal, da edificação superior, e sim a concorrência
comercial, as ligações humanas legais ou criminosas, os caprichos apaixonados os casos
de policia e todo um cortejo de misérias da Humanidade, em suas experiências menos
dignas. Transformara-se complemente a paisagem espiritual que me rodeava. A forca de
me cercar de pessoas criminosas, por questões de ganho sistemático, as baixas correntes
mentais dos inquietos clientes encarceraram-me em sombria cadeia psíquica. Cheguei
ao crime de zombar do Evangelho de Nosso Senhor Jesus, esquecido de que os negócios
delituosos dos homens de consciência viciada contam igualmente com entidades perni-
ciosas, que se interessam por eles nos planos invisíveis. E transformei a mediunidade
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 185

em fonte de palpites materiais e baixos avisos.


Nesse momento, os olhos do narrador cobriram-se de súbita vermelhidão, estampando-
se-lhe fundo horror nas pupilas, como se estivesse revivendo atrozes dilacerações.
- Mas a morte chegou, meus amigos, e arrancou-me da fantasia - prosseguiu mais grave.
Desde o instante da grande transição, a ronda escura dos consulentes criminosos, que
me haviam precedido no túmulo, rodeou-me a reclamar palpites e orientações de natu-
reza inferior. Queriam noticias de cúmplices encarnados, de resultados comerciais, de
soluções atinentes a ligações clandestinas.
Gritei, chorei, implorei, mas estava algemado a eles por sinistros elos mentais, em vir-
tude da imprevidência na defesa do meu próprio patrimônio espiritual. Durante onze
anos consecutivos, expiei a falta, entre eles, entre o remorso é a amargura.
Acelino calou-se, parecendo mais comovido, em vista das lágrimas abundantes Funda-
mente sensibilizado, Vicente considerou:
- Que é isso? Não se atormente assim. Você não cometeu assassínios, nem alimentou a
intenção deliberada de espalhar o mal. A meu ver, você enganou-se também, como
tantos de nós.
Acelino, porém, enxugou o pranto e respondeu: - Não fui homicida nem ladrão vulgar,
não mantive o propósito íntimo de ferir ninguém, nem desrespeitei alheios lares, mas,
indo aos círculos carnais para servir as criaturas de Deus, nossos irmãos, auxiliando-os
no crescimento espiritual com Jesus, apensa fiz viciados da crença religiosa e delin-
qüentes ocultos, mutilados da fé e aleijados do pensamento Não tenho desculpas, porque
estava esclarecido; não tenho perdão, porque não me faltou assistência divina.
E, depois de longa pausa, concluiu gravemente:
- Podem avaliar a extensão da minha culpa?(02)

3º CASO - A EXPERIÊNCIA DE JOEL

Afastando-nos para um canto do salão, acompanhei Vicente que se dirigiu a um velhote


de fisionomia simpática.:
— Então, meu caro Joel, como vai? - perguntou, atenciosos
O interpelado teve uma expressão melancólica e informou;
—Graças a Bondade Divina, sinto-me bastante melhorado. Tenho ido diariamente: às
aplicações magnéticas dos Gabinetes de Socorro, no Auxilio, e estou mais forte.
— Cederam as vertigens? - indagou o companheiro, com interesse.
— Agora são mais espaçadas e, quando surgem, não me afligem o coração com tanta
intensidade
Nesse instante, Vicente descansou os olhos muito lúcidos nos meus, e disse, sorrindo:
— Joel também andou nos círculos carnais em tarefa mediúnica e pode contar experiên-
cia muito interessante.
O novo amigo, que me parecia um enfermo em princípios de convalescença, esboçou
melancólico sorriso e falou:
—Fiz minha tentativa na Terra, mas fracassei. A luta não era pequena e fui fraco demais
.
O que mais mo impressiona no caso dele, porém - interpõe Vicente em tom fraterno ·--,
é a moléstia que o acompanhou até aqui e persiste ainda agora. Joel atravessou as regi-
ões inferiores com dificuldades extremas, após demorar-se por lá muito tempo, voltando
ao Ministério do Auxílio perseguido de alucinações estranhas, relativamente ao pretérito
— Ao passado ? - perguntei, surpreendido.
—Sim - esclareceu Joel, humilde -, minha tarefa mediúnica exigia sensibilidade mais
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 186

apurada, e, quando me comprometi à execução do serviço, fui ao Ministério do Esclare-


cimento, onde me aplicaram tratamento especial, que me aguçou as percepções. Neces-
sitava condições sutis para o desempenho dos futuros deveres. Assistentes amigos des-
dobraram-se em obséquios, por me favorecerem, e parti para a Terra com todos os
requisitos indispensáveis ao êxito de minhas obrigações. Infelizmente, porém...
— Mas porque - indaguei - perdeu as realizações? Tão só em virtude da sensibilidade
adquirida?
Joel sorriu e obtemperou:
— Não perdi pela sensibilidade, mas pelo seu mau uso.
— Que diz ? - tornei, admirado.
— O meu amigo compreenderá sem dificuldades. Imagine que, com um cabedal dessa
natureza, ao invés de auxiliar os outros, perdi-me a mim mesmo. E' que, segundo con-
cluo agora, Deus concede a sensibilidade apurada como espécie de lente poderosa, que
o proprietário deve usar para definir roteiros, fixar perigos e vantagens do caminho,
localizar obstáculos comuns, ajudando ao próximo e a si mesmo. Procedi, porém, ao
inverso. Não utilizei a lente maravilhosa, no mister justo. Deixando-me empolgar pela
curiosidade doentia, apliquei-a tão somente para dilatar minhas sensações. No quadro
dos meus trabalhos mediúnicos, estava a recordação de existências pregressas como
expressão indispensável ao serviço de esclarecimento coletivo e beneficio aos seme-
lhantes, que me fora concedido realizar, mas existe uma ciência de recordar, que não
respeitei como devia.
Interrompendo um Instante a narrativa aguçava-me o desejo de conhecer-lhe a experi-
ência pessoal até ao fim. Em seguida, continuou no mesmo diapasão:
- Ao primeiro chamado da esfera superior, acorri, apressado. Sentia, intuitivamente, a
vívida lembrança de minhas promessas em "Nosso Lar". Tinha o coração repleto de
propósitos sagrados. Trabalharia. Espalmaria muito longe a vibração das verdeces eter-
nas. Contudo, aos primeiros contatos com o serviço, a excitação psíquica fez rodar o
mecanismo de minhas recordações adormecidas, como o disco sob a agulha da vitrola, e
lembrei toda a minha penúltima existência, quando envergara a batina, sob o nome de
Monsenhor Alejandre Pizarro, nos últimos períodos da Inquisição Espanhola. Foi, então
que abusei da lente sagrada a que me referi. A volúpia das grandes sensações que pode
ser tão prejudicial como o uso do álcool que embriaga os sentidos, fez-me olvidar os
deveres mais santos. Bafejaram-me claridades espirituais de elevada expressão. Desen-
volveu-se-me a clarividência, mas não estava satisfeito senão com rever meus compa-
nheiros visíveis e invisíveis no setor das velhas lutas religiosas. Impunha a mim mesmo
a obrigação de localizar cada um deles no tempo, fazendo questão de reconstituir-lhes as
fichas biográficas, sem cuidar do verdadeiro aproveitamento no campo do trabalho
construtivo. A audição psíquica tornou-se-me muito clara; entretanto, não queria ouvir
os benfeitores espirituais sobre tarefas proveitosas e sim interpelá-los, ousadamente, no
capitulo da minha satisfação egoística. Despendi um tempo enorme, dentro do qual
fugia aos companheiros que me vinham pedir atividades a bem do próximo, engolfado
em, pesquisas referentes a Espanha do meu tempo. Exigia noticias de bispos de autori-
dades políticas da época, de padres amigos que haviam errado tanto quanto eu mesmo.

Não, faltaram generosas advertências. freqüentemente, os colegas do nosso grupo espi-


ritista chamaram-me a atenção para os problemas sérios de nossa casa. Eram sofredores
que nos batiam à porta, situações que reclamavam testemunho cristão. Tínhamos um
abrigo de órfãos em projeto, um ambulatório que começava a nascer e, sobre tudo,
serviços semanais de instrução evangélica, nas noites de terças e sextas-feiras. Mas,
qual! eu não queria saber senão das minhas descobertas pessoais. Esqueci que o Senhor
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 187

me permitia aquelas reminiscências, não por satisfazer-me a vaidade, mas para que
entendesse a extensão dos meus débitos para com os necessitados do mundo e me entre-
gasse à obra de esclarecimento e conforto aos feridos da sorte. Contrariamente à expec-
tativa dos abnegados amigos que me auxiliaram na obtenção da oportunidade sublinhe,
não me movi no concurso fraterno e desinteressei-me da doutrina consoladora, que hoje
revive o Evangelho de Jesus entre os homens. Somente procurei, a rigor, os que se
encontravam afins comigo, desde o pretérito. Nesse propósito, descobri, com evidentes
sinais de identidade, personalidades outrora eminentes, em relação comigo. Reconheci o
senhor Higino de Salcedo, grande proprietário de terras, que me havia sido magnânimo
protetor, perante as autoridades religiosas da Espanha, reencarnado como proletário
inteligente e honesto mas em grande experiência de sacrifício individual. Revi o velho
Gaspar de Lorenzo, figura solerte de inquisidor cruel que me quisera muito bem, reen-
carnado como paralítico e cego de nascença. E desse modo, meu amigo, passei a exis-
tência, de surpresa em surpresa, de sensação em sensação. Eu, que renascera recordando
para edificar alguma coisa de útil, transformei a lembrança em viciação da personalida-
de. Perdi a oportunidade bendita de redenção, e o pior é o estado de alucinação em que
vivo. Com o meu erro, a mente desequilibrou-se e as perturbações psíquicas constituem
doloroso martírio. Estou sendo submetido a tratamento magnético, de longo tempo.
Nesse momento, porém, o interlocutor empalideceu de súbito. Os olhos, desmesurada-
mente abertos, vagavam como se fixassem quadros Impressionantes, muito longe da
nossa perspective.. Depois carnbaleou, mas Vicente o amparou de pronto, e, passando-
lhe a destra na fronte, murmurava em voz firme
— Joel! Joel ~ Não se entregue as impressões do passado! Volte ao presente de Deus!...
Profundamente admirado, notei que o convalescente regressava à expressão normal,
esfregando os olhos. (03).

4º CASO - BELARMINO O DOUTRINADOR

As lições eram eminentemente proveitosas. Traziam-me novos conhecimentos e, sobre-


tudo, com elas, admirava, cada vez mais, a bondade de Deus, que nos permitia a todos a
restauração do aprendizado para serviços do futuro. Muitos de nós havíamos atravessa-
do zonas purgatoriais de sombra e tormento intimo. Uns mais, outros menos. Bastara,
contudo, o reconhecimento de nossa pequenez, a compreensão do nosso imenso débito e
ali estávamos, todos, reunidos em "Nosso Lar", reanimando energias desfalecidas e
reconstituindo programas de trabalho. Eu via em todos os companheiros presentes o
reflorescimento da esperança. Ninguém se sentia ao desamparo. Observando que nume-
rosos médiuns prosseguiam, em valiosa permuta de idéias, referentemente ao quadro de
suas realizações, e ouvindo tantas observações sobre doutrinadores, perguntei a Vicente,
em tom discreto:
— Não seria possível, para minha edificação, consultar a experiência de algum doutri-
nador em trânsito por aqui ? Recolhendo notícias de tantos médiuns, com enorme pro-
veito, creio não deva perder esta oportunidade.
Vicente refletiu um minuto e respondeu:
— Procuremos Belarmino Ferreira. E' meu amigo há algum meses.
Segui o companheiro, através de grupos diversos. Belarmino lá estava a um canto, em
palestra com um amigo. Fisionomia grave, gestos lentos, deixava transparecer grande
tristeza no olhar humilde.
Vicente apresentou-me, afetuoso, dando inicio à conversação edificante. Após a troca de
alguns conceitos, Belarmino falou, comovido:
— Com que, então, meu amigo deseja conhecer as amarguras de um doutrinador falido?
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 188

— Não digo isso - obtemperei a sorrir -, desejaria conhecer sua experiência, ganhar
também de sua palavra educativa.
Ferreira esboçou sorriso forçado, que expressava todo o absinto que ainda lhe requei-
mava a alma, e falou:
— A missão do doutrinador é muitíssimo grave para qualquer homem. Não é sem razão
que se atribui a Nosso Senhor Jesus o título de Mestre. Somente aqui, vim ponderar
bastante esta profunda verdade. meditei muitíssimo, refleti intensamente e concluí que,
para atingirmos uma ressurreição gloriosa, não há, por enquanto, outro caminho além
daquele palmilhado pelo Doutrinador Divino. É digna de menção a atitude d' Ele , abs-
tendo-se de qualquer escravização aos bens terrestres. Não vemos passar o Senhor, em
todo o Evangelho, senão fazendo o bem, ensinando o amor, acendendo a luz, dissemi-
nando a verdade. Nunca pensou nisso? Depois de longas meditações, cheguei ao conhe-
cimento de que na vida humana, junto aos que administram e aos que obedecem, há os
que ensinam. Chego, pois, a pensar que nas esferas da Crosta há mordomos, cooperado-
res e servos. Muito especialmente, os que ensinam devem ser dos últimos. Entende o
meu irmão?
Ah! sim, havia compreendido perfeitamente. A conceituação de Belarmino era profun-
da, irrefutável. Aliás, nunca ouvira tão belas apreciações, relativamente à missão educa-
tiva.
Após ligeiro intervalo, continuou sempre grave:
— Há de estranhar, certamente, tenha eu fracassado, sabendo tanto. Minha tragédia
angustiosa, Porém. é a de todos os que conhecem o bem, esquecendo-lhe a prática.
Calou-se de novo, pensou, pensou, e prosseguiu:
— Faz rnuitos anos, sai de "Nosso Lar" com tarefa de doutrinação no campo do Espiri-
tismo evangélico. Minhas promessas, aqui, foram enormes. Minha abnegada Elisa
dispôs-se a acompanhar-me no serviço laborioso. Ser-me-ia companheira desvelada,
abençoada amiga de sempre. Minha tarefa constaria de trabalho assíduo no Evangelho
do Senhor, de modo a doutrinar, primeiramente com o exemplo, e, em seguida, com a
palavra.
Duas colônias importantes, que nos convizinham, enviaram muitos servos para a me-
diunidade e pediram ao nosso Governador cooperasse com a remessa de missionários
competentes para o ensino e a orientação.
Não obstante meu passado culposo, candidatei-me ao serviço com endosso do Ministro
Gedeão, que não vacilou em auxiliar-me. Deveria desempenhar atividades concernentes
ao meu resgate pessoal e atender à tarefa honrosa, veiculando luzes a irmãos nossos nos
planos visível e invisível. Impunha-se-me, sobretudo, o dever de amparar as organiza-
ções mediúnicas, estimulando companheiros de luta, postos na Terra a serviço da idéia
imortalista. Entretanto, meu amigo, não consegui escapar à rede envolvente das tenta-
ções. Desde criança, meus pais socorreram-me com as noções consoladoras e edifican-
tes do Espiritismo cristão. Circunstancias várias, que me pareceram casuais, situaram-
me o esforço na presidência de um grande grupo espiritista. Os serviços eram promisso-
res, as atividades nobres e construtivas, mas enchi-me de exigências, levado pelo exces-
sivo apego à posição de comando do barco doutrinário. Oito médiuns, extremamente
dedicados ao esforço evangélico, ofereciam-me colaboração ativa, contudo procurei
colocar acima de tudo o preceito científico das provas insofismáveis. Cerrei os olhos à
lei do merecimento individual, olvidei os imperativos do esforço próprio e, envaidecido
com os meus conhecimentos do assunto, comecei por atrair amigos de mentalidade
inferior ao nosso circulo, tão somente em virtude da falsa posição que usufruíam na
cultura filosófica e na pesquisa cientifica. Insensivelmente, vicejaram-me na personali-
dade estranhos propósitos egoisticos. Meus novos amigos queriam demonstrações de
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 189

toda a sorte e, ansioso por colher colaboradores na esfera da autoridade cientifica, eu


exigia dos pobres médiuns longas e porfiadas perquirições nos planos invisíveis. O
resultado era sempre negativo, porque cada homem receberá, agora e no futuro, de
acordo com as próprias obras. Isso me irritava. Instalou-se a dúvida em meu coração,
devagarinho. Perdi a serenidade doutro tempo. Comecei a ver nos médiuns, que se
retraiam aos meus caprichos, companheiros de má vontade e má fé. Prosseguiam nossas
reuniões, mas da dúvida passei à descrença destruidora.
Não estávamos num grupo de intercâmbio entre o visível e o invisível ? Não eram os
médiuns simples aparelhos dos defuntos comunicante ? Por que não viriam aqueles que
pudessem atender aos nossos interesses materiais, imediatos ? Não seria melhor estabe-
lecer um processo mecânico e rápido para as comunicações? Porque a negação do invi-
sível aos meus propósitos de demonstrar positivamente o valor da nova doutrina?
Debalde, Elisa me chamava para a esfera religiosa e edificante, onde poderia aliviar o
espírito atormentado

O Evangelho, todavia, é livro divino e, enquanto permanecermos na cegueira da verda-


de e da ignorância, não nos expõe seus tesouros sagrados. Por isso mesmo, tachava-o de
velharia. E, de desastre a desastre, antes que me firmasse na missão de ensinar, os ami-
gos brilhantes do campo de cogitações inferiores da Terra arrastaram-me ao negativis-
mo completo. Do nosso agrupamento cristão, onde poderia edificar construções eternas,
transferi-me para o movimento, não da política que eleva, mas da politicalha inferior,
que impede o progresso comum e estabelece a confusão nos Espíritos encarnados. Por
aí, estacionei muito tempo, desviado dos meus objetivos fundamenteis, porque a escra-
vidão ao dinheiro me transformara os sentimentos
. E assim foi, até que acabei meus dias com uma bela situação financeira no ,mundo e...
um corpo crivado de enfermidades; com um palácio confortável de pedra e um deserto
no coração. A revivescência da minha inferioridade antiga religou-me a companheiros
menos dignos no plano dos encarnados e desencarnados, e o resto o meu amigo poderá
avaliar: tormentos' remorsos, expiações...
Concluindo, asseverou:
— Mas, como não ser assim? Como aprender sem a escola, sem retomar o bem e corri-
gir o mal?
— Sim, Belarmino - disse, abraçando-o -, você tem razão. Tenho a certeza de que não
vim tão só ao Centro de Mensageiros, mas também ao centro de grandes lições. ( 04 )

5º CASO - A PALAVRA DE MONTEIRO

— Os ensinamentos aqui são variados.


Fora o amigo de Belarmino quem tomara a palavra. Mostrando agradável maneira de
dizer, continuou:
— Há três anca sucessivos, venho diariamente ao Centro de Mensageiros e as lições são
sempre novas. Tenho a impressão de que as bênçãos do Espiritismo chegaram prematu-
ramente ao caminho dos homens. Se minha confiança no Pai fosse menos segura, admi-
tiria essa conclusão.
Belarmino, que observava atento os gestos do amigo, interveio, explicando:
— O nosso Monteiro tem grande experiência do assunto.
— Sim — confirmou ele -, experiência não me falta Também andei as tontas nas seme-
aduras terrestres. Como sabem, é muito difícil escapar à influência do meio, quando em
luta na carne, São tantas e tamanhas as exigências dos sentidos, em relação com o mun-
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 190

do externo, que não escapei, igualmente, a doloroso desastre.


— Mas, como ? - indague interessado em consolidar conhecimentos.
— E' que a multiplicidade de fenômenos e as singularidades mediúnicas reservam sur-
presas de vulto a qualquer doutrinador que possua mais raciocínios na cabeça que sen-
timentos no coração. Em todos os tempos, o vício intelectual pode desviar qualquer
trabalhador mais entusiasta que sincero, e foi o que me aconteceu.
Depois de ligeira pausa, prosseguiu:
— Não preciso esclarecer que também parti de "Nosso Lar", noutro tempo, em missão
de Entendimento Espiritual. Não ia para estimular fenômenos, mas para colaborar na
iluminação de companheiros encarnados e desencarnados. O serviço era imenso. Nosso
amigo Ferreira pode dar testemunho, porquanto partimos quase juntos. Recebi todo o
auxilio para iniciar minha grande tarefa e intraduzível alegria me dominava o espírito no
desdobramento dos primeiros serviços. Minha mãe, que se convertera em minha devo-
tada orientadora, não cabia em si de contente. Enorme entusiasmo instalara-se-me no
espirito. Sob meu controle direto, estavam alguns médiuns de efeitos físicos, além de
outros consagrados à psicografia e a incorporação; e tamanho era o fascínio que o co-
mercio com o invisível exercia sobre mim que me distraí completamente quanto à es-
sência moral da doutrina. Tínhamos quatro reuniões semanais, às quais comparecia com
assiduidade absoluta. Confesso que experimentava certa volúpia na doutrinação aos
desencarnados de condição inferior. Para todos eles tinha longas exortações decoradas,
na ponta da língua. Aos sofredores, fazia ver que padeciam por culpa própria. Aos
embusteiros, recomendava, enfaticamente, a abstenção da mentira criminosa. Os casos
de obsessão mereciam-me ardor apaixonado. Estimava enfrentar obsessores cruéis para
reduzi-los a zero, no campo da argumentação pesada. Outra característica que me assi-
nalava a ação firme era a dominação que pretendia exercer sobre alguns pobres sacerdo-
tes católicos-romanos desencarnados, em situação de ignorância das verdades divinas.
Chegava ao cúmulo de estudar, pacientemente, longos trechos das Escrituras, não para
meditá-los com o entendimento, mas por mastigá-los a meu bel-prazer, bolçando-os
depois aos Espíritos perturbados, em plena sessão, com a idéia criminosa de falsa supe-
rioridade espiritual. O apego às manifestações exteriores desorientou-me por completo.
Acendia luzes para os outros, preferindo, porém, os caminhos escuros e esquecendo a
mim mesmo. Somente aqui, de volta, pude verificar a extensão da minha cegueira.
Por vezes, após longa doutrinação sobre a paciência, impondo pesadíssimas obrigações
aos desencarnados, abria as janelas do grupo de nossas atividades doutrinárias, para
descompor as crianças que brincavam inocentemente na rua. Concitava os perturbados
invisíveis a conservarem serenidade para, daí a instantes, repreender senhoras humildes,
presentes à reunião, quando não podiam conter o pranto de algum pequenino enfermo.
Isso, quanto a coisas mínimas, porque, no meu estabelecimento comercial, minhas
atitudes eram inflexíveis. Raro o mês que não mandasse promissórias a protesto público.
Lembro-me de alguns varejistas menos felizes, que me rogavam prazo, desculpas, pro-
teção. Nada me demovia, porem. Os advogados conheciam minhas deliberações impla-
cáveis. Passava os dias no escritório estudando a melhor maneira de perseguir os clien-
tes em atraso, entre preocupações e observações nem sempre muito retas e, à noite, ia
ensinar o amor aos semelhantes, a paciência e a doçura, exaltando o sofrimento e a luta
como estradas benditas de preparação para Deus.
Andava cego. Não conseguia perceber que a existência terrestre, por si só. É uma sessão
permanente. Talhava o Espiritismo a meu modo. Toda a proteção e garantia para mim, e
valiosos conselhos ao próximo Ao demais disso, não conseguia retirar a mente dos
espetáculos exteriores. Fora das sessões práticas minha .atitude doutrinária consistia em
vastíssimos comentários dos fenômenos observados, duelos palavrosos, narrações de
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 191

acontecimentos insólitos, crítica rigorosa dos médiuns


Monteiro deteve-se um pouco, sorriu e continuou:
— De desvio em desvio a angina encontrou-me absolutamente distraído da realidade
essencial. Passei para cá, qual demente necessitado de hospício. Tarde reconhecia que
abusara das sublimes faculdades do verbo. Como ensinar sem exemplo, dirigir sem
amor ? Entidades perigosas e revoltadas aguardaram-me à saída do plano físico. Sentia,
porém, comigo, singular fenômeno. Meu raciocínio pedia socorro divino, mas meu
sentimento agarrava-se a objetivos inferiores. Minha cabeça dirigia-se ao Céu, em sú-
plica, mas o coração colava-se a Terra. Nesse estado triste, vi-me rodeado de seres
malévolos que me repetiam longas frases de nossas sessões. Com atitude irônica, reco-
mendavam-me serenidade, paciência e perdão às alheias faltas; perguntavam-me,
igualmente, porque me não desgarrava do mundo, estando já desencarnado. Vociferei,
roguei, gritei, mas tive de suportar esse tormento por muito tempo.
Quando os sentimentos de apego à esfera física se atenuaram, a comiseração de alguns
bons amigos me trouxe até aqui. E imagine o irmão que meu Espírito infeliz ainda
estava revoltado. Sentia-me descontente.
Não havia fomentado as sessões de intercâmbio entre os dois planos? Não me consagra-
ra ao esclarecimento dos desencarnados ?
Percebendo-me a irritação ridícula, amigos generosos submeteram-me a tratamento. não
fiquei satisfeito. Pedi a Ministra Veneranda uma audiência, visto ter sido ela a interces-
sora da minha Oportunidade. Queria explicações que pudessem. atender ao meu capri-
cho individual. A Ministra é sempre muito ocupada, mas sempre atenciosa. Não marcou
a audiência, dada a insensatez da solicitação; no entanto, por demasia de gentileza,
visitou-me em ocasião que reservara a descanso. Crivei-lhe ouvidos de lamentações'
chorei amargamente e, durante duas horas, ouviu-me a benfeitora por um prodígio de
paciência evangélica. Em silêncio expressivo, deixou que me cansasse na exposição
longa e inútil. Quando me calei, à espera de palavras que alimentassem o monstro da
minha incompreensão, Veneranda sorriu e respondeu:
— "Monteiro, meu amigo, a causa da sua derrota não é complexa, nem difícil de expli-
car. Entregou-se, você, excessivamente ao Espiritismo prático, junto dos homens, nos-
sos irmãos, mas nunca se interessou pela verdadeira prática do Espiritismo junto de
Jesus, nosso Mestre."
Nesse instante, Monteiro fez longa pausa, pensou uns momentos e falou, comovido:
— Desde então, minha atitude mudou muitíssimo, entendeu ?
Aturdido com a lição profunda, respondi, mastigando palavras, como quem pensa mais,
para falar menos:
—Sim, sim, estou procurando compreender.(05)

Bibliografia

01 - XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros. Pelo espírito André Luiz, 15 ed.


Rio de Janeiro, FEB, p. 41-46.
02 - Op. cit. , p. 47-51
03 - Op. cit. , p. 57-61
04 - Op. cit. , p. 62-66
05 - Op. cit. , p. 67-71.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 192

5ª Unidade
Retorno à vida espiritual

18 - A alma após a morte: separação da alma e do corpo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

. Relatar como se realiza a separação da alma e do corpo.


. Citar fatores que aceleram ou retardam o desligamento espiritual.
. Dizer como se processa a separação da alma e do corpo. no caso dos suicidas

IDÉIAS PRINCIPAIS

A separação da alma e do corpo se dá porque "(...) rotos os laços que a retinham, ela se
desprende. (...)" (02)
"(...) A alma se desprende gradualmente, não se escapa como pássaro cativo a que se
restitua subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e confundem, de sorte
que o Espirito se solta pouco a
pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se desatam, não se quebram. (...) (02)
"(...) No instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamen-
te; que, ao contrario, se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável confor-
me os indivíduos. Em uns é bastante rápido (...). Em outros, naqueles sobretudo cuja
vida foi material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido.(...)"(02)
"(...) A afinidade, persistente entre a alma e o corpo, em certos indivíduos, é as vezes
muito penosa, porquanto o Espírito pode experimentar o horror da decomposição. Este
caso (...-) verifica-se com -alguns suicidas." (02)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Volta do Espirito, Extinta a Vida Corpórea, à Vida Espiritual.
In: - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.
Parte 2ª ,questão 154, p. 114. -
02 - Op. cit., questão 155, p. 114-115.
03 - O Passamento In: - O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29 ed.
Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 2a, item 0-2, p. 16Z-167.
04 - Op. cit. Item 08, p. 169.
05 - Op. cit. Item 09, p. 170.
06 - Op. cit. Item 14, p. 172-173.

A ALMA APÓS A MORTE: SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO.

A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à desencarnação: Há muitas


pessoas que temem não propriamente a vida futura, mas o momento da morte. Seria
doloroso esse momento? Como nos sentiríamos?
Tentando elucidar essas questões, Kardec inquiriu os Espíritos e deles recebeu o escla-
recimento de que "(...) o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no mo-
mento da morte; a alma nenhuma parte toma nisso. Os sofrimentos que algumas vezes
se experimentam no instante da morte são um gozo para os espíritos (...) (01).
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 193

No entanto e preciso que consideremos que a desencarnação não é igual para todos, há
uma variação muito grande, tão grande quanto as diferentes formas de viver adotadas;
pelos encarnados,
"Vendo-se a calma de alguns moribundos e as convulsões terríveis de outros, pode-se
previamente julgar que as sensações experimentadas nem sempre são as mesmas. (. .)"
(03)
A separação da alma e feita de forma gradual, pois o Espírito se solta pouco a pouco dos
laços que o prendiam, de forma que as condições de encarnado ou desencarnado, no
momento do desenlace, se confundem e se tocam, sem que haja uma linha divisória
entre as duas. Alguns fatores podem influir para que o desprendimento ocorra com
maior ou menor facilidade, fatores que estão relacionados com o estado moral do ho-
mem quando encarnado.
"(...) A afinidade entre o corpo e o perispírito e proporcional ao apego à matéria, que
atinge o seu máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusiva e unica-
mente à vida de gozos materiais. Ao contrário, nas almas puras que antecipadamente se
identificam com a vida espiritual, o apego e quase nulo (...)" (04) "Em se tratando de
morte natural resultante da extinção das forças vitais por velhice ou doença, o despren-
dimento opera-se gradualmente; para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos
pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes
da morte real, isto e, ao passo que o corpo ainda tem vida orgânica, já o Espírito penetra
a vida espiritual, apenas ligado por elo tão frágil que se rompe com a ultima pancada do
coração. (...) No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do Espi-
rito, e para o qual a vida espiritual nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento,
tudo contribui para estreitar os laços materiais, e, quando a morte se aproxima, o des-
prendimento, conquanto se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços.
As convulsões da agonia são indícios da luta do Espirito, que às vezes procura romper
os elos resistentes, e outras se agarra ao corpo do qual uma força irresistível o arrebata
com violência, molécula por molécula." (05)
O desconhecimento da vida espiritual faz com que o Espírito se apegue à vida material,
estreitando os seus horizontes e resistindo com todas as forças, conseguindo prolongar a
vida, e consequentemente sua agonia, por dias, semanas, meses. Nestes casos a morte
não é o fim da agonia, pois a perturbação continua, e ele, sentindo que vive, sem saber
definir o seu estado, sente e se ressente da doença que pôs fim aos seus dias, permane-
cendo com essa impressão indefinidamente, pois está ainda ligado à matéria através de
pontos de contato do perispírito com o corpo.
O contrário ocorre com o homem que se espiritualizou durante a vida. Apôs a morte
nem uma só reação o afeta. O despertar na vida espiritual é como quem desperta de um
sono tranqüilo, lépido, para iniciar uma nova fase de sua vida. Nas mortes violentas,
como nos acidentes, nenhuma desagregação há iniciado previamente a separação do
perispírito . Neste caso, o desprendimento só começa depois da morte e seu termino,
não ocorre rapidamente. O Espírito fica aturdido, não compreende o seu estado, perma-
necendo na ilusão de que vive material mente por período mais ou menos longo, con-
forme o seu nível de espiritualização.
A separação, nos casos de suicido, é extremamente dolorosa. Sendo o suicídio atentado
contra a vida, o sofrimento quase sempre permanece por período igual ao tempo em que
o Espírito ainda deveria estar encarnado.
As dores da lesão física provocada repercutem no Espírito. A decomposição do corpo,
sua destruição pelos vermes são sentidas em detalhes pelo Espírito desencarnado. Alem
disso há o remorso, gerando sofrimento moral para aquele que pensou desertar da vida.
"(...) O espirita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 194

raciocina; a vida futura é uma realidade que se desenrola incessantemente a seus olhos;
uma realidade que ele toca e vê, por assim dizer, a cada passo e de modo que a duvida
não pode empolgá-lo, ou ter guarida em sua alma. A vida corporal, tão limitada, ames-
quinha-se diante da vida espiritual, da verdadeira vida. Que lhe importam os incidentes
da jornada se ele compreende a causa e utilidade das vicissitudes humanas, quando
suportadas com resignação ? A alma eleva-se-lhe nas relações com o mundo visível; os
laços fluídicos que o ligam à matéria enfraquecem-se operando-se por antecipação um
desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação conse-
qüente à transição pouco perdura, porque, uma vez franqueado o passo, para logo se
reconhece, nada estranhando, antes compreendendo, a sua nova situação". (6)

19 - Perturbação espiritual.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Explicar o que é perturbação espiritual.
Relatar qual o estado do Espirito que desencarna através de morte violenta.
Esclarecer por que a perturbação espiritual varia de pessoa para pessoa

IDÉIAS PRINCIPAIS
A perturbação espiritual ocorre na transição da vida corporal para a espiritual (...). Nes-
se instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas facul-
dades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações. (...) A perturbação pode, pois,
ser considerada o estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo indetermina
do, variando de algumas horas a alguns anos. (...)" (03)

"O último alento quase nunca e doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em mo-
mento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos
estertores da agonia, e, depois, as angustias da perturbação. (...)" (04)

"Na morte violentas sensações não são precisamente as mesmas.(...) Nestas condições, o
desprendimento só começa depois da morte, e não pode completar-se rapidamente. O
Espirito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se
vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado. (...)" (05)

A perturbação apôs a desencarnação varia de Espirito para Espirito porquê -"(...) depen-
de da elevação de cada um.(...)" (01)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Da Volta do Espirito, Extinta a Vida Corpórea, à Vida Espiritual.
In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983.
Parte 2ª, questão 164, p. 117-118.
02 - Op. cit., questão; 165,;p. 118-119.
03 - O Passamento. In: - . O Céu e o Inferno.- Trad. de: Manuel Justianiano Quintão. 29.
ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 2ª, item 6, p. 158-169.
04 - Op. cit., item 7, p. 169.
05 - Op. cit., item 12, p. 171-172.
06 - Op. cit., item 13, p. 172.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 195

COMPLEMENTARES
07 - FRANCO, Divaldo Pereira. Vida no além-túmulo. In: No Limiar do Infinito. Pelo
Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1977. p. 102-
104.

PERTURBAÇÃO ESPIRITUAL

"(...) Por ocasião da morte, tudo, a principio, é confuso.


De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha
como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura
orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhes vol-
tam, a medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à
medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de
algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde
quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava,
são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posi-
ção em que se encontram (...)." (02)
''(...) O processo de desprendimento espiritual e lento ou ;` demorado, conforme o tem-
peramento, o caráter moral e as aquisições espirituais de cada ser.
Não ocorrem duas encarnações que sejam iguais.
Cada um desperta ou se demora na perturbação consoante as características próprias de
sua personalidade.
Nesse particular o comportamento religioso exerce uma fundamental importância.
Aqueles que se fixaram às ideais niilistas, materialistas, hibernam-se, não raro, como a
fugir da realidade num bloqueio inconsciente de longo porte que os atormenta em forma
de pesadelos infelizes, de que se não conseguem facilmente libertar. Tendo agasalhada a
idéia do nada, deperecem e se exaurem em agonia superlativa, sem que se permitam
alivio, nas regiões frias e temerosas a que são arrastados por natural processo de sinto-
nia mental, quando não acompanham, estarrecidos, a decomposição do corpo a que se
agarram, tentando restabelecer-lhe os movimentos, em luta inglória, avassaladora ...
'' Os que cultivaram as religiões simplistas, que prometiam os céus a golpes de facilida-
de e oportunismo, são surpreendidos por uma realidade bem diversa com que não con-
tavam...
Os que agasalhavam idéias esdrúxulas fazem-se vitimas de horrores e alucinações la-
mentáveis que os desnorteiam por tempo indeterminado.
Os suicida:, graças aos atenuantes ou agravantes que os se
lecionam automaticamente, descobrem em inditoso despertar a não existência da morte
(...).
Os que se converteram em destruidores da vida alheia, experimentam as faisões que
infligiram e expungem, em intérmina angustia, o acordar da consciência e a sobrecarga
dos crimes perpetrados (...) (07)
A perturbação espiritual ocorre, portanto, "na transição da vida corporal para a espiritual
(...). Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as
suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações. (...) A perturbação
pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo
indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos(...) (03)
"O ultimo alento quase nunca e doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em mo-
mento de inconsciência (...). (04) No entanto, "na morte violenta as sensações não são
precisamente as mesmas. (...) Nestas condições o desprendimento só começa depois da
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 196

morte e não pode completar-se rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica


como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até
que compreenda o seu estado. (...)" (05)
Finalmente, concluímos dizendo que "o estado do Espirito por ocasião da morte pode
ser assim resumido: tanto maior e o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento
do perispírito , a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento
moral do Espirito; para o Espirito desmaterializado, de consciência pura, a morte e qual
um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo'" (06)

NOTA: recomendamos aos interessados pelo assunto a leitura das seguintes obras, entre
outras:

Evolução em Dois Mundos, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelo Espirito
André Luiz.
A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano.
Voltei, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espirito Irmão Jacob.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 197

6ª Unidade
Justiça divina

20 - Penas eternas – estudo crítico.


OBJETIVOS BÁSICOS
Realizar um estudo critico das penas eternas, com base nas idéias contidas no capítulo 06 de
"0 Céu e o Inferno", de Allan Kardec.
Definir penas futuras do ponto de vista espirita

IDÉIAS PRINCIPAIS
"A doutrina das penas eternas teve sua razão de ser. como a do inferno material, enquanto o
temor podia constituir um freio para os homens pouco adiantados intelectual e moralmente.
(...)" (01)
Para homens que só possuíam da espiritualidade da alma uma idéia confusa, o fogo material
nada tinha de improcedente, mesmo porque já participava da crença pagã, quase universal-
mente propagada. Igualmente a eternidade das penas nada tinha que pudesse repugnar a
homens desde muitos séculos submetidos à legislação do terrível Jeová. (...)" (02)
O dogma da eternidade absoluta das penas é, portanto, incompatível com o progresso das
almas, ao qual opõe uma barreira insuperável.(...)" (04)
"(...) O Código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:
1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2° - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo
nas conseqüências naturais e inevitáveis(...) .
3° - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente
anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade (...)". (05)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Doutrina das Penas Eternas. In: O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel
Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Cap. 06, item 02, p. 68.
02 - Op. cit., item 07, p. 72.
03 - Op. cit., item 10, p. 74-75.
04 - Op. cit., item 21, p. 81.
05 - As Penas Futuras Segundo o Espiritismo. In: O Céu e o ; Inferno. Trad. de Manuel Justini-
ano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Cap. 07, item 33, p. 100-101

COMPLEMENTARES
06 - O NOVO TESTAMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O LIVRO DOS
SALMOS. Trad. por João Ferreira de Almeida. Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, 1974.
Mateus, 5:44-48, p. 15.`
07 - Op. cit., Mateus, 18:14, p. 52.
08. Op. cit., João, 6:39, p. 247.
09 - Op. cit., João, 10:16, p. 265.
10 - XAVIER. Francisco Cândido. Evolução. In O Consolador, .8 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980.
Parte 2ª. Cap. 05, questão 244,p. 146.

AS PENAS ETERNAS

As tradições de diversos povos registram a crença, muitas vezes intuitiva, de castigos para os
maus e recompensas para os bons, na vida de além-túmulo. Diante da imortalidade da alma,
com efeito, a razão e o sentimento de justiça levam à compreensão de que tratamento diferen-
ciado deve ser dado aos homens pelas leis divinas, de conformidade com a natureza das obras
que executaram durante a vida no corpo físico.
Todavia, a tese da eternidade das penas reservadas àqueles que infringem as leis do bem e do
amor, e, em conseqüência, a existência do inferno, não resistem À analise objetiva. `
O raciocínio lógico conduz a seguinte premissa: se o Espírito sofre em função do mal que
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 198

praticou, sua infelicidade deverá ser proporcional à falta cometida. O homem, dentro das limita-
ções que caracterizam sua vida, em especial se considerarmos a teoria te uma única experiên-
cia na matéria, não teria condições de perpetrar crimes cujas conseqüências se prolongassem
ao infinito, de modo a justificar a existência de tormentos eternos.
Cumpre considerar também que a condenação perpetua não se coaduna com a idéia cristã da
sublimidade da justiça e da misericórdia divinas. Jesus testemunhou a Bondade e o Amor de
Deus, ao afirmar que o "(...) Pai celeste (...)" não quer "(...) que pereça um só (...)" (07) de seus
filhos, e ao recomendar, em outra oportunidade:"(...) Amai os vossos inimigos e orai pelos que
vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o sol
sobre maus e bons, e vir chuvas sobre os justos e injustos. (...) Por tanto, sede vós perfeitos
como perfeito e o vosso Pai celeste." (06)
A razão, por outro lado, conduz à consideração de que Deus e um ser infinito em suas perfei-
ções. "(...) ~ impossível conceber Deus de outra maneira, visto como, sem a infinita perfeição,
poder-se-ia conceber outro ser que lhe fosse superior. Para que seja único acima de todos os
seres, faz-se mister que ninguém possa excedê-lo ou sequer igualá-lo em qualquer coisa.
Logo, e necessário que seja de todo Infinito. (...)" (03) Sendo, portanto, infinitamente sábio,
justo e misericordioso não se pode crer que tenha criado seres para serem eternamente des-
graçados, em virtude de uma falta passageira, conseqüência natural da imperfeição do homem.
A doutrina das penas eternas surgiu das idéias primitivas de um Deus irado e vingativo, a quem
o homem atribuiu as características de sua inferioridade. O fogo eterno e somente uma figura
de que o homem se utilizou para materializar a idéia do inferno, de modo a ressaltar sua cruel-
dade, por considerar o fogo como o suplício mais atroz e que produz o tormento mais efetivo.
Tal sorte de conceitos serviu, em certo período da historia da Humanidade, para controlar as
paixões da infância da razão. Porem, não serve ao homem do século da inteligência, que nela
não pode ver sentido lógico.
Jesus utilizou-se de figuras do inferno e do fogo eterno para colocar-se ao alcance da compre-
ensão dos homens da época. Valeu-se de imagens fortes para impressionar a imaginação de
homens que pouco podia entender das coisas do Espírito, e cuja realidade estava mais próxi-
ma da matéria e dos fenômenos que lhes impressionavam os sentidos físicos. Em muitas
outras oportunidades enfatizou o ensino de que o Pai e misericordioso e bom e de que a Sua
vontade e que, daqueles que foram confiados a Jesus, nenhum se perca. (08)
Desse modo, a Justiça Divina se manifesta na vida dos seres não para a mera punição, mas
com o objetivo maior do redirecionamento ao bem. Deus criou os seres para progredir continu-
amente em conhecimento e amor. Essa evolução se produz através de diversas experiências
no plano físico e no plano espiritual. A dor e o estimulo de que se vale a Providência divina
para despertar a vontade de renovação e, assim, impulsionar o progresso. A infelicidade e,
pois, conseqüência natural da imperfeição do Espírito e existe em virtude de suas necessida-
des de evolução.
O sofrimento não é eterno, pois o mal também não o é, de vez que todos foram criados para o
aperfeiçoamento maior. ~ medida que o ser progride em amor e sabedoria o sofrimento vai-se
atendo. "(...) Dia virá em que a consciência mais denegrida experimentará, no intimo, a luz
radiosa da alvorada (...)" (10) do amor de Jesus. `
Felicidade e infelicidade são proporcionais às realizações e conquistas efetivas pelos homens
em suas experiências evolutivas.
A consciência harmonizada com a Vontade Divina reflete o Amor Sublime e objetiva o Bem,
vivendo a paz interior e a felicidade em sua plenitude. O Homem em desequilíbrio interior, ao
contrário, ao se voltar para o mal, infringindo os códigos universais do amor, incorre nos meca-
nismos da Justiça Divina que, através da dor ou do sofrimento, o estimula ao reajuste e à
reparação de seus erros.
Do homem e que depende a duração de seu sofrimento. Quanto mais cedo se utilizar de seu
livre-arbítrio para evoluir, mais cedo ele se libertará do jugo da dor.
No Universo não há lugares reservados para o inferno, pois a dor opera a renovação do ho-
mem trabalhando em seu próprio coração. Há, no entanto, lugares de penitência no plano
invisível, em que o sofrimento se apresenta sob diversas formas e intensidades. São os locais
em que se reúnem Espíritos inferiores em evolução e que, pelo contato mútuo de seus vícios,
magoam-se reciprocamente, mais do que o faziam quando jungidos ao corpo físico, pois nestes
se vêem limitados pela matéria, e pelas regras da vivência social. Contudo, esses lugares não
se assemelham ao inferno em sua tradicional acepção, pois se constituem em agrupamentos
provisórios, sujeitos às modificações que lhes são impostas pelos mecanismos da reencarna-
ção e pela lei do progresso, e que se extinguirão com a evolução dos seres que os freqüentam,
quando, de acordo com as promessas de Jesus, "(...) ha verá um rebanho e um pastor." (09)
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 199

EXERCÍCIO DE ESTUDO DIRIGIDO

01. Assinale as opções corretas:


a) ( ) As seitas pagãs, como a grande maioria das cristãs pregam a existência de regiões de
torturas e sofrimentos para os maus, e beatitude para os bons.
b) ( ) A Lei de Causa e Efeito explica, em essência, a destinação espiritual do homem. ~
c) ( ) A condenação perpetua coaduna-se com a justiça e a misericórdia divinas. i
d) ( ) O perdão divino não se traduz por uma graça concedida aos homens.
e) ( )É provável que Deus tenha criado seres voltados eterna mente para 0 bem.
f) ( ) A dor e o sofrimento não são "castigos divinos ", porem mecanismos capazes de reajustar
o Espirito no caminho do bem.
g) ( ) Para o Espirito altamente individado perante as leis divinas, existe a sensação de eterni-
dade do sofrimento.
h) ( ) Os lugares de penitência no plano invisível - como o vale dos suicidas (*)são o inferno
anunciado por diversas seitas religiosas.
i) ( ) A dor opera a renovação do homem.
j) ( ) A doutrina das penas eternas imagina Deus como um ser antropomórfico.

NUMERE A COLUNA DA DIREITA DE ACORDO COM A COLUNA DA ESQUERDA.

01. Lei de Causa e Efeito. ( ) 'Amai as vossos inimigos".(Ma tens, 5:44-48 ).

02. Atributo divino ( )Figura usada por Jesus para os baldos de conhecimento espiritual.

03. Céu e inferno religiosos ( ) Infinitamente justo e misericordioso.

04. Fogo eterno. ( ) Perfeição espiritual.

05. Lei do perdão ( ) Liberdade de escolha entre o bem e o pal.

06. Destinação do homem. ( ) A dor.

07. A duração do sofrimento. ( ) Ocorre nos pianos físico e espiritual.

08. Evolução do Espírito. ( )Lugares circunscritos de bem-aventuranças e sofrimentos eternos.

09. Coopera na melhoria do homem ( ) Não é eterna.

10. Livre-arbítrio. ( ) Cada um colhe o que semeia.

( ) Causa da miséria moral humana

03. Responda:

a. Como devemos interpretar as palavras de Jesus, registradas em Mateus, 18:14:_ "(...) Não é
da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos''
b. Como õ Espiritismo contribuiu para eliminar a idéia das penas eternas? -
c. Por que a idéia da existência de um inferno não resiste a uma análise objetiva?
d. Que significado devemos dar às palavras inferno e satanás utilizadas por Jesus?

GABARITO DE RESPOSTAS DO EXERCÍCIO

01. As opções corretas são as seguintes: a, b, d, f, g, i, j.


02. A enumeração correta é esta: 05, 04, 02, 06, 10, 09, 08, 03, 07, 01.
03. a. Não há condenação eterna para os Espíritos que erram, nem mesmo para aqueles que
cometem graves crimes. A todos Deus dá a chance de reparar o mal cometido.
b. Ensinando e provando a imortalidade da alma, a lei de causa e efeito, a reencarnação e a
comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade.
c. Porque foge ao raciocínio humano e vai contra a idéia de justiça e misericórdia divinas.
ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (FEB) 200

d. Figuras alegóricas usadas como força de expressão e com a finalidade de impressionar


Espíritos distanciados de ensinamentos espirituais.

21 - O reino de Deus e o paraíso prometido.

O REINO DE DEUS E O PARAÍSO PROMETIDO

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Ler no livro mosaico, Gênesis os capítulos 2:9 -17 e 3:1 - 21.
Dar uma explicação espirita para as figuras de Adão, Eva, a serpente, a árvore da vida,
paraíso perdido, etc. que aparecem na leitura efetuada.

IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Adão personifica a Humanidade; sua falta individualiza a fraqueza do homem, em
quem predominam os instintos materiais a que ele não sabe resistir. (...)" (01)
"A árvore, como árvore de vida, e o emblema da vida espiritual, como árvore da Ciên-
cia, e o da consciência (...)"(01)
"(...) O fruto da árvore simboliza o objeto dos desejos materiais do homem (...)." (01)
"(...) A morte de que ele e ameaçado, caso infrinja a proibição que se lhe faz, e um aviso
das conseqüências inevitáveis, físicas e morais, decorrentes da viola