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UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ

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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

LICENCIATURA EM HISTÓRIA

GISLENE APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS

PORTFÓLIO:

AS CIDADES ANTIGAS E AS CIDADES MEDIEVAIS


4º SEMESTRE

Araçuaí
2019
GISLENE APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS

AS CIDADES ANTIGAS E AS CIDADES MEDIEVAIS


4º SEMESTRE

Trabalho aparesentado ao curso de Licenciatura em


História da Unopar, como requisito de obtenção de
Média bimestral nas disciplinas: historiografia,
História Antiga, Fundamentos Filosóficos, História
Medieval e Práticas Pedagógicas em Ciências Hamanas.

Professores: Igor Guedes Ramos, Fabiane Tais Muzardo,


José Adir Lins Machado,Patricia Graziela Gonçalves e
Sérgio Aparecido Nabarro

Araçuaí
2019
SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO ...........................................................................................

2- DESENVOLVIMENTO ...............................................................................

3- CONCLUSÃO ............................................................................................

4- REFERÊNCIAS .........................................................................................

Araçuaí
2019
1. INTRODUÇÃO

No presente trabalho iremos relatar um pouco sobre como surgiu a cidade


medieval, como se deu o seu desenvolvimento e suas caracteristicas. A cidade
medieval apresentou características distintas nos diferentes momentos
da Idade Média. Esse período iniciou-se, cronologicamente, em 476 e
encerrou-se em 1453. Dentro desse espaço de tempo, a cidade na Europa
Ocidental passou por um processo de esvaziamento, que caracterizou o início
da Idade Média, e, após o século XI, viveu um renascimento.
Por ser um período muito longo da história humana, o conceito de cidade
medieval muda de acordo com o período abordado. Com a desagregação do
Império Romano e consequente início da Idade Média, as cidades da Europa
Ocidental passaram por um período de esvaziamento, no qual ocorreu uma
migração da população dos centros urbanos para a zona rural. O esvaziamento
das cidades resultou da desagregação do Império Romano, pois as zonas
produtoras do império foram atacadas pelos povos germânicos em migração.
Isso causou uma diminuição da produção, afetando o abastecimento das
cidades e gerando fome. Além disso, as grandes cidades tornaram-se alvos
desses povos germânicos interessados no saque.
Assim, a população urbana migrou para a zona rural para estar próxima das
zonas produtoras de alimento e abastecimento e para fugir do saque e da
violência trazidos pelos povos germânicos. Essa transição iniciou o processo
de formação dos feudos medievais. Uma característica forte desse período foi
a quase inexistência de comércio e circulação de moeda. O pouco comércio
que existia, geralmente, acontecia entre feudos vizinhos e era realizado na
base do escambo (troca).

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2. DESENVOLVIMENTO

A cidade medieval surgiu da fragmentação do Império Romano do Ocidente. O


Império Romano, que se encerrou em 476 d.C., passou por um longo processo
de crise a partir do século II d.C. A crise econômica, aliada ao processo
de invasão dos povos germânicos, causou uma migração da população das
cidades para as zonas rurais.
A invasão dos povos germânicos aconteceu, principalmente, porque esses
povos procuravam terras melhores e, também, porque eles fugiam dos
povos hunos, que haviam migrado da Ásia e espalhavam terror pela Europa. À
medida que as invasões aconteciam, os povos germânicos realizavam saques
e traziam destruição para os centros de produção de alimentos do Império
Romano. A invasão dos povos germânicos também resultou
no enfraquecimento das rotas comerciais. Além da destruição, muitas fazendas
romanas foram abandonadas pelos camponeses temerosos com a chegada
dos germânicos. Assim, a diminuição da produção e o enfraquecimento do
comércio resultaram na falta de abastecimento das cidades. Nesse cenário,
a fome espalhou-se e contribuiu para o surgimento de doenças epidêmicas.
Além da falta de alimento, as cidades eram um excelente alvo para os povos
germânicos, que viam no saque das cidades romanas uma ótima maneira de
obter riquezas rapidamente. A cidade de Roma, capital do Império Romano,
por exemplo, foi saqueada em 410, 455 e 476 por diferentes povos
germânicos.
A violência, a destruição, a fome e as doenças resultaram, além da diminuição
da população na Europa Ocidental, em um processo de ruralização. A
população pobre passou a se abrigar próximo das residências rurais da elite
romana, que era dona das terras produtivas. Isso causou um grande processo
de isolamento. Nesse período, que abrangeu o século V ao século X, quase
não houve comércio.
A partir do século XI, inovações técnicas permitiram um desenvolvimento
agrário e houve um aumento populacional. Essas técnicas, como a melhoria
no uso do arado e a implantação do revezamento do cultivo do solo, ampliaram
a capacidade de produção. Além disso, ocorreu o aumento do solo utilizado
para cultivo agrícola, a partir do século VIII, com o uso do arroteamento na
derrubada de florestas.

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O aumento das terras cultivadas e da população resultou no surgimento de
novas aldeias, e algumas das cidades existentes ganharam novos habitantes a
partir de um processo de migração populacional. O historiador Hilário Franco
Júnior dá os indícios em estatísticas do aumento populacional e urbano do
período. Enquanto por volta do ano 1000 talvez não existisse na Europa
católica nenhuma cidade com uma população de 10.000 habitantes, no século
XIII, havia 55 cidades com um número de habitantes superior àquele: duas na
Inglaterra, seis na Península Ibérica, oito na Alemanha, 18 na França e Países
Baixos, 21 na Itália.
Além disso, Hilário Franco Júnior mostra várias cidades italianas que podem ter
tido mais de 100.000 habitantes: Milão, Florença, Veneza e Gênova. Já o
historiador Jacques Le Goff diz que a cidade de Paris teve por volta de 200.000
habitantes e que muitas outras cidades apresentaram populações menores,
mas ainda bastante expressivas para o século XIII. O crescimento das cidades
ganhou impulso com a construção das muralhas, que permitiam o
desenvolvimento delas e traziam um sentimento de segurança contra eventuais
saques realizados por povos invasores, como aconteceu com os normandos e
húngaros. A partir do século XIV, a Europa passou por um novo processo de
redução demográfica e esvaziamento das cidades em virtude da proliferação
da peste negra. A doença era contraída das pulgas presentes nos ratos e foi
trazida por navios vindos da Ásia. Na Europa, proliferou-se de maneira
fulminante e, ao final do século XIV, pelo menos um terço da população havia
morrido.

Quando do capitalismo mercantil, período da acumulação primitiva de capital, o


comerciante se tornou o grande "herói" da história europeia.  E o comerciante
morava na cidade.  Progressivamente, os senhores feudais foram permitindo
que as cidades ficassem livres, por meio da concessão de "cartas de
franquia".  As cidades agora livres receberam diversas denominações,
conforme os países onde elas estavam situadas: na Alemanha eram chamadas
de  burgos; na França, comunas; por sua vez, na Itália eram denominadas
de  repúblicas  e na Península Ibérica   existiam os  concelhos.  A medida que
o comércio foi se desenvolvendo, as cidades foram se espalhando por toda a
Europa. Importantíssimas foram as cidades comerciais da Itália, principalmente
Gênova e Veneza, onde surgiu uma prósperaburguesia comercial e financeira. 
Na Alemanha, Hamburgo era o centro de uma rede comercial que chegava até
a Rússia, rede esta conhecida pelo nome de Hansa Teutônica ou Liga
Hanseática. Na extremidade ocidental da Europa, onde se formou a rota
comercial de Champagne,  proliferaram cidadesde grande importância: Paris,
Bruxelas, Antuérpia e Amsterdã, dentre outras.

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O renascimento urbano, fruto do renascimento comercial, foram sinais de que
estava nascendo um novo regime de produção: o capitalismo. O
desenvolvimento das cidades, que passaram a serem os motores do
progresso, acelerou o êxodo rural: todo mundo queria morar nas cidades para
se libertar da dominação feudal.  Um provérbio alemão da época dizia: "o ar da
cidade faz o homem livre".  Pouco a pouco, as cidades ficaram
superpovoadas.  Na Idade Média, os núcleos urbanos eram cercados por
muros; agora, eles começaram a se desenvolver fora dos muros, nascia a
especulação imobiliária.  O renascimento urbano teve também um impacto
cultural: durante a Idade Média, a Igreja Católica manteve o pensamento e a
filosofia no interior dos mosteiros rurais, agora, em razão do aparecimento da
burguesia, o clero foi obrigado a ir para as cidades: surgiu as  universidades,  já
que os burgueses tinham sede de conhecimentos.
A Revolução Industrial do século XVIII, que concentrou a mão de obra das
atividades fabris nas cidades, foi o grande fator do desenvolvimento urbano.  O
capitalismo não criou as cidades, surgidas ainda na Antiguidade, mas as tornou
o centro das atividades econômicas e culturais.   Em função do capitalismo, as
cidades passaram a ter inúmeras funções: portuárias, comerciais, industriais,
militares e político-administrativas.  Em resumo, o capitalismo industrial
precisou, pela necessidade de produzir com custos mínimos e concentrar os
operários em áreas reduzidas do espaço terrestre, criar as condições para que
as cidades se tornassem metrópoles e megalópoles.

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3. CONCLUSÃO

Se pararmos e analisarmos esse distanciamento do homem atual em relação


às suas raízes,isso gera uma crise profunda, um mal-estar social que
redesperta a necessidade de se voltar os olhos para a História. E em
significativa porção para a Idade Média. Por quê? Entende-se hoje que a
civilização medieval, apesar de limitada materialmente segundo os padrões
atuais, dava ao homem um sentido de vida. Ele se via desempenhando um
papel, por menor que fosse, de alcance amplo, importante para o equilíbrio do
universo.

Não sofria, portanto, com o sentimento de substituibilidade que atormenta o


homem contemporâneo. O medievo se sentia impotente diante da natureza,
mas convivia bem com ela. O ocidental de hoje se sente a ponto de dominar a
natureza, por isso se exclui dela. A fraqueza do homem medieval era sua força,
pois gerava desejos, motivações. A força do homem atual é sua fraqueza, pois
gera desilusões. Na verdade, foi conseguindo ao longo dos séculos satisfazer
aqueles desejos que o homem chegou à situação atual. Satisfação de desejos
que se deu mais no plano material do que no espiritual, daí certa sensação de
vazio, de falta de sentido das coisas, que a arte e a literatura contemporâneas
expressam fartamente. De certa forma, a crise da civilização ocidental devese
ao descompasso entre o externo (contemporâneo) e o interno (medieval).

E uma excessiva valorização do primeiro em detrimento do segundo. E uma


espécie de esquizofrenia coletiva e social. Em razão disso, os crescentes
prestígio e popularidade dos estudos sobre a Idade Média têm algo,
inconscientemente, de busca de reintegração dos dois planos.

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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

J. DELORME, Les grandes dates du Moyen Áge, Paris, PUF, 8a. ed. 1991; A.
VAUCHEZ (dir.), Dictionnaire encyclopédique du Moyen Âge, Paris, Cerf, 1997,
2 vols.

 "Peculiaridades sobre a sociedade feudal" em Só História. Virtuous Tecnologia


da Informação, 2009-2019. Consultado em 22/10/2019 às 20:53. Disponível na
Internet em http://www.sohistoria.com.br/ef2/medieval/p7.php

Cidade Medieval in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2019. [consult. 2019-10-22 21:41:09]. Disponível na
Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$cidade-medieval

FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média, nascimento do ocidente. São Paulo:


Brasiliense, 2006, p.23.

LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2011,


p.147.

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