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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE

EXECUÇÕES PENAIS DA CIDADE DE IMPERATRIZ-MA

KAIO OLIVEIRA FERNANDES SILVA, brasileiro, convivente, ajudante de


pedreiro, inscrito no CPF sob o n.º 607.764.103-00, portador da carteira de
identidade n.º 04182201220110, residente e domiciliado na Rua 03, n.º 29,
QD 13, recanto universitário, na cidade de Imperatriz/MA, por seus advogados
que a esta subscrevem (procuração em anexo), com endereço profissional no
rodapé desta, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência
apresentar:

PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA

Com fulcro no art. 316 do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de
direito a seguir expostas.

I- DA SÍNTESE DOS FATOS

O acusado foi preso no dia 30 de outubro de 2018 próximo à sua


residência, sob o argumento de estar envolvido na prática do tipo penal
tipificado no artigo 121, §2º, incisos II e IV do Código Penal praticados contra
Samuel Santos Silva e Danillo Pereira dos santos, ocorrido na noite de
29/09/2018
Segundo pleito da autoridade policial, ratificado pelo Ministério Público,
entenderam pela necessidade da prisão temporária no prazo 30 dias, haja vista
a complexidade na conclusão das averiguações.

O acusado foi preso próximo à sua residência, sendo solto,


posteriormente, em razão de estar em pleno gozo de seus direitos políticos e
tal encarceramento haver ocorrido às vésperas da eleição.

É breve a síntese dos fatos.

II – DO DIREITO

1. Da Presunção de Inocência e da Desnecessidade da Prisão Temporária no


caso em tela.

É sabido que a prisão no ordenamento jurídico brasileiro é tida como


medida excepcional, sendo a regra, portanto, a liberdade do indivíduo.

A norma legal, precisamente disposta no Código Processo Penal, no


entanto, autoriza a prisão como medida válida.

Neste sentido, A presunção de não culpabilidade é garantia


constitucional, prevista no art. 5º, inciso LVII: “Art. 5º. (...) LVII -  ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória”.

Apesar de ter sido preso pelas autoridades policiais, não existem


indícios de que o acusado tenha sido um dos responsáveis pelas execuções
investigadas, exceto pelo depoimento de testemunhas – que diga-se de
passagem são familiares e amigas das vítimas – que oportunamente lhe imputa
a autoria do crime.
Cumpre ressaltar que o acusado nem ao menos estava no local do fato,
uma vez que se encontrava em uma festa na Chácara do Jerusa, localizada no
bairro Alta da Boa vista, local distante cerca de 5kms do local do ato delituoso.

Desde o início das investigações policiais até a presente data, o acusado


nada fez para que justificasse uma decretação de prisão temporária, pois não
atentou contra a ordem pública, não tentou atrapalhar a instrução criminal, não
ofereceu qualquer resistência e sequer coloca em risco a integridade de
outrem.

Não há, portanto, preenchimento de requisito legal para a


manutenção de sua prisão.

Diante da desnecessidade de sua prisão, a revogação da prisão


preventiva é medida que se pede.

2. Da Vida Pessoal Do Acusado

O acusado possui residência fixa e pretende colaborar com toda a


persecução penal, no que couber. Não oferece risco à instrução criminal e
tampouco aos possíveis envolvidos na persecução penal, razão pela qual não
justifica a prisão temporária.

Além disto, após maioridade tenta ser cidadão exemplar, não possuindo
trabalho fixo, mas possuindo convivente que inclusive está gestante e que
necessita de seu par para proceder com seu sustento.

3. Da Aplicação de Medida Cautelar Diversa da Prisão

Por tudo o que foi exposto, e tendo como norte a presunção de


inocência como garantia constitucional e a consequente excepcionalidade da
prisão antes do trânsito em julgado, com fulcro no art. 319 do Código de
Processo Penal, tem-se que, no presente caso, revela-se suficiente a
aplicação de medida cautelar diversa da prisão ao requerente.

Não é de hoje que a jurisprudência vislumbra na prisão preventiva uma


medida excepcional, podendo ser decretada apenas quando devidamente
amparada pelos requisitos legais previstos no art. 312 do CPP, em
observância ao princípio constitucional da presunção de inocência, sob pena
de antecipar a reprimenda a ser cumprida quando da condenação.

Ora, Excelência, por tudo que foi exposto, revela-se suficiente as


medidas cautelares diversas da prisão, haja vista que qualquer das medidas
cautelares a serem aplicadas no caso em questão se mostrarão suficientes
para garantir o curso normal da instrução.

III- DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer a revogação da prisão preventiva decretada


contra o acusado, sendo-lhe aplicada medida cautelar diversa da prisão, entre
as insculpidas no art. 319 do CPP, permitindo àquele que responda ao
processo em liberdade, por ser medida de Justiça.

Nesses termos,

pede deferimento.

Imperatriz, 05 de outubro de 2018.

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