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PROTEÇÃO CONTRA

INCÊNDIOS E EXPLÕES
Caro(a) aluno(a),

A Universidade Candido Mendes (UCAM), tem o interesse contínuo em


proporcionar um ensino de qualidade, com estratégias de acesso aos saberes que
conduzem ao conhecimento.

Todos os projetos são fortemente comprometidos com o progresso educacional


para o desempenho do aluno-profissional permissivo à busca do crescimento
intelectual. Através do conhecimento, homens e mulheres se comunicam, têm
acesso à informação, expressam opiniões, constroem visão de mundo, produzem
cultura, é desejo desta Instituição, garantir a todos os alunos, o direito às
informações necessárias para o exercício de suas variadas funções.

Expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo material de estudo,


totalmente reformulado e empenhado na facilitação de um construto melhor para
os respaldos teóricos e práticos exigidos ao longo do curso.

Dispensem tempo específico para a leitura deste material, produzido com muita
dedicação pelos Doutores, Mestres e Especialistas que compõem a equipe docente
da Universidade Candido Mendes (UCAM).

Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o princípio de
suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, análise e síntese
dos saberes.

Desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais uma vez, alcançar o


equilíbrio e contribuição profícua no processo de conhecimento de todos!

Atenciosamente,

Setor Pedagógico
SUMÁRIO

PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES ............................................................................................ 6


A PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS ............................................................................................................ 7
PARTICIPAÇÃO DO ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO NA PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS ........... 8
LEGISLAÇÃO E NORMAS RELATIVAS À PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS .................................................... 11
NORMA REGULAMENTADORA NR - 23 ................................................................................................... 11
NORMA REGULAMENTADORA – NR 18 .................................................................................................. 13
O FOGO, O INCÊNDIO, A COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS ............................................................................. 15
O FOGO ................................................................................................................................................... 15
SUBSTÂNCIAS E COMBUSTÃO................................................................................................................. 17
TRIÂNGULO DO FOGO ....................................................................................................................................... 19
ENERGIA DE ATIVAÇÃO E SUAS FORMAS ............................................................................................... 21
COMBUSTÃO ........................................................................................................................................... 24
OXIDAÇÃO ............................................................................................................................................... 24
FASES DA COMBUSTÃO .......................................................................................................................... 26
O INCÊNDIO, CAUSAS, CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................... 28
CAUSAS DE INCÊNDIO ....................................................................................................................................... 28
CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS ............................................................................................................ 29
CLASSIFICAÇÃO PELA NATUREZA DOS MATERIAIS ............................................................................................ 29
CLASSIFICAÇÃO PELA QUANTIDADE DOS MATERIAIS ....................................................................................... 30
CLASSIFICAÇÃO PELA CARGA INCÊNDIO ........................................................................................................... 30
INCÊNDIOS E EXPLOSÕES: PROTEÇÃO E COMBATE .................................................................................... 33
PROTEÇÃO PASSIVA - ESTRUTURAL ........................................................................................................ 33
PROTEÇÃO ATIVA .................................................................................................................................... 38
PROCESSOS E EQUIPAMENTOS PARA APAGAR INCÊNDIOS ................................................................... 40
PROCESSO FÍSICO – RESFRIAMENTO E ABAFAMENTO ...................................................................................... 41
PROCESSOS QUÍMICOS ........................................................................................................................... 43
EQUIPAMENTOS E INSTRUMENTOS PARA USO EM COMBATE A INCÊNDIOS ........................................ 43
SISTEMA HIDRÁULICO FIXO SOB COMANDO .................................................................................................... 43
SISTEMA FIXO SOB COMANDO.......................................................................................................................... 44
SISTEMA HIDRÁULICO FIXO AUTOMÁTICO............................................................................................. 48
SISTEMAS ................................................................................................................................................ 50
CANO MOLHADO ............................................................................................................................................... 50
CANO SECO ........................................................................................................................................................ 51

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AÇÃO PRÉVIA ..................................................................................................................................................... 51
DILÚVIO ............................................................................................................................................................. 52
COMBINADO CANO SECO E AÇÃO PRÉVIA ........................................................................................................ 52
EXPLOSIVOS ................................................................................................................................................ 53
TÉCNICAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO ............................................................................ 56
TÉCNICAS DE SALVAMENTO ................................................................................................................... 56
AS BRIGADAS DE INCÊNDIO .................................................................................................................... 57
RISCOS RELATIVOS AO MANUSEIO, ARMAZENAGEM E TRANSPORTE DE SUBSTÂNCIAS AGRESSIVAS:
INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE .......................................................................................................... 60
COMBUSTÍVEIS E INFLAMÁVEIS .............................................................................................................. 60
SÓLIDOS COMUNS (COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS) ................................................................................................. 60
DESTILAÇÃO....................................................................................................................................................... 61
INFLAMAÇÃO..................................................................................................................................................... 61
INCANDESCÊNCIA .............................................................................................................................................. 61
LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS (COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS) ...................................................................................... 61
RAPIDEZ DE INFLAMABILIDADE ......................................................................................................................... 61
PONTO DE FULGOR ................................................................................................................................. 62
GASES INFLAMÁVEIS (COMBUSTÍVEIS GASOSOS) ............................................................................................ 62
LIMITE DE EXPLOSIVIDADE ................................................................................................................................ 62
Sólidos Inflamáveis ............................................................................................................................................ 63
Plásticos e Filmes............................................................................................................................................... 64
Agentes Oxidantes............................................................................................................................................. 65
Ácidos e Outros Corrosivos ............................................................................................................................... 66
Substâncias Radioativas .................................................................................................................................... 67
Riscos relativos ao manuseio, armazenagem e transporte de substâncias agressivas .......................... 67
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI ...................................................................................... 70
Principais EPIs utilizados na atualidade .................................................................................................. 70
Luvas .................................................................................................................................................................. 70
Respiradores ...................................................................................................................................................... 72
Viseira facial ...................................................................................................................................................... 72
Jaleco e calça hidrorrepelentes ......................................................................................................................... 73
Jaleco e calça em não tecido ............................................................................................................................. 73
Boné árabe ........................................................................................................................................................ 74
Capuz ou touca .................................................................................................................................................. 74
Avental .............................................................................................................................................................. 74
Botas .................................................................................................................................................................. 74
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................... 75
REFERÊNCIAS BÁSICAS ............................................................................................................................ 75
REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES .......................................................................................................... 75
BEZERRA, Márcia B. História da Alimentação (2007). Disponível em:
<http://www.alimentacaoforadolar.com.br/conteudo.asp?pag=132>. Acesso em: 23 jul. 2014. ...................... 75
Links úteis................................................................................................................................................ 77

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ANEXOS ....................................................................................................................................................... 78
Brasil não tem lei nacional com regras de proteção contra incêndio .................................................... 78
No RS, dispositivos de extração e detector de fumaça não são obrigatórios. Veja quais são os recursos de
segurança para combater fumaça e chamas. ............................................................................................. 78
OS DANOS DE UM ALARME FALSO DE INCÊNDIO, por Ilan Pacheco ...................................................... 85
COMO EVITAR TRAGÉDIAS IGUAIS À DE SANTA MARIA? por Ilan Pacheco............................................ 87
INCÊNDIOS INDUSTRIAIS EVIDENCIAM FALHAS EM NOSSO SISTEMA DE PREVENÇÃO ......................... 89
Sistemas de Detecção de Incêndios ........................................................................................................ 91

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PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES

Dentre os tópicos mais importantes da segurança no trabalho, a prevenção e o combate


aos incêndios se destacam, pois o fogo é um terrível e temível adversário do ser humano, e o que
de melhor se pode fazer é evitar ao máximo o seu surgimento.
Dentro desta premissa básica, reconhecida e aceita internacionalmente, ou melhor,
universalmente, governos e instituições privadas especializadas vêm se mobilizando, sem trégua,
para a benéfica batalha contra o incêndio, criando instrumentos e equipamentos de reconhecida
eficácia, implantando ou, por outro lado, aperfeiçoando técnicas com o elevado propósito de
minimizar tão sinistro evento (GOMES, 1998).
Desse desideratum1 nasceu, então, a Prevenção Contra Incêndio, cujo progresso permite
sua maior confiabilidade, dotada que está de meios que oferecem melhor qualidade aos seus fins,
controlando ou extinguindo o fogo logo no seu nascedouro, ou seja, de um possível foco de
incêndio.
A Prevenção a incêndios requer efetiva ação permanente de vigiar, desenvolvendo,
fundamentalmente, as seguintes atividades:
a) Descoberta oportuna do fogo;
b) Alarme imediato, informando o local da ocorrência;
c) Rápida ação contra o fogo;
d) Controle continuado do fogo, até sua completa extinção.

Em se tratando de construções, a preocupação de prevenir um incêndio deve começar na


fase da elaboração do projeto de arquitetura da edificação. Nesta etapa, deve ser dispensada
atenção especial às áreas destinadas ao escape, às de circulação e aos caminhos mais
convenientes para o desenvolvimento da tubulação específica de cada sistema a ser implantado,
sem ser esquecida a fiação elétrica de cada um dos Sistemas de Prevenção Contra Incêndio.
Igualmente, deve-se observar as especificações dos materiais a serem utilizados, todos
do tipo considerado não combustível. Quanto aos equipamentos, devem ser selecionados aqueles

1
Aquilo que se deseja, uma aspiração.

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especificamente fabricados para os fins a que se destinam e aprovados em testes oficialmente
reconhecidos (GOMES, 1998).
A reserva da água destinada exclusivamente para incêndio, por ser um dos itens mais
importantes do projeto, exige cuidadoso cálculo em sua quantificação, associada, intimamente, à
da localização do seu reservatório.
Os materiais usados na ocupação da edificação irão definir o Risco de Incêndio. Mas, os
dois parâmetros acima mencionados irão, por sua vez, orientar a escolha do melhor partido a ser
adotado na elaboração do projeto (GOMES, 1998).
O rigor aplicado na escolha dos dados técnicos, durante a elaboração do projeto, dará a
necessária garantia para que a hipótese de incêndio se restrinja aos casos chamados fortuitos,
reduzindo, assim, na prática, a eventualidade do surgimento do fogo.
Por oportuno, deve-se atentar para a diferença entre se ter, Seguro Contra Fogo e
Segurança Contra Incêndio. Conforme Gomes (1998), o primeiro poderá garantir a reposição, ou
recomposição da coisa sinistrada; mas, jamais, poderá restituir a perda do ser humano ocorrida
no sinistro. O segundo, pelo contrário, oferece meios e modos de ser evitada, pelo menos
minimizada, a ocorrência de tal sinistro, causada pelo fogo.
Como diz Gomes (1998), sendo o fogo a razão única da Prevenção Contra Incêndio,
nada mais justo do que tentar conhecê-lo um pouco mais, iniciando por um breve relato de sua
história e, embora superficialmente, identificando suas características fisioquímicas.

A PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS


Os órgãos fiscalizadores da segurança contra incêndio deveriam sempre adotar um
comportamento de verificação da implantação das medidas de segurança adequadas a cada tipo
de uso e ocupação das construções sob sua competência. Contudo, mesmo que este
comportamento seja adotado, as medidas escolhidas podem não suprir totalmente a necessidade
do projeto ou, até mesmo, não ser possível a aplicação de tais medidas, não garantindo a
proteção da edificação que abriga patrimônios histórico-culturais devido às suas características
muito especificas.
Em grandes capitais do País como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Santa
Catarina, o órgão responsável pelo combate do incêndio e análise dos projetos é o Corpo de

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Bombeiros, fazendo com que o mesmo possa ser mais influente, identificando em projeto alguns
fatores que possam ajudar no combate.
Dessa forma, é importante uma integração entre os órgãos envolvidos no projeto, na
execução, na fiscalização e na manutenção da segurança contra incêndio em patrimônios
histórico-culturais e em indústrias, principalmente aquelas que lidam com materiais altamente
combustíveis.
Faz-se mister a elaboração de um projeto com as devidas especificações técnicas e
utilizando um conjunto de equipamentos baseados em normas que especificam seu tamanho,
forma, dimensão, validade e utilização para prevenir e combater o incêndio de forma física,
utilizando para uma grande eficiência o uso de recursos como energia, água, materiais, entre
outros. Reduzindo assim o impacto sobre as construções, defendendo vidas humanas, protegendo
a estrutura do local, preservando seus bens, acervos e causando menos impactos no meio
ambiente.
Projetos de segurança contra incêndio são realizados para prevenir o acontecimento e
reduzir o impacto do incêndio na construção e na saúde humana através de sistemas de proteção
ativa e passiva, levando em consideração as normas regulamentadoras e as condições específicas
de cada construção como materiais que compõem a construção, análise de sua estrutura e
dificuldades de acessibilidade, fazendo com que a construção fique devidamente protegida,
evitando dessa forma que em primeiro lugar se coloque em risco a vida dos ocupantes do local,
protegendo-se também máquinas, equipamentos, estoques de matéria prima, construções
vizinhas e a própria construção, bem como também não trazendo impactos à economia das
cidades (LEITE; ASSIS, 2012).

PARTICIPAÇÃO DO ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO NA PROTEÇÃO


CONTRA INCÊNDIOS
Quanto à participação do Engenheiro de Segurança do Trabalho, cabe a este
profissional:
Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho e das instalações máquinas e
equipamentos, com vistas especialmente aos problemas de controle de

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risco, controle de poluição, riscos ambientais, ergonomia, sistemas de proteção contra incêndio,
explosões e saneamento.
Liderar e treinar a montagem de uma equipe interdisciplinar composta por uma equipe
de comunicação, de abandono e de salvamento e primeiros socorros. A equipe de comunicação
deve agir de forma eficiente e rápida efetuando as comunicações necessárias. O Corpo de
Bombeiros deve ser acionado imediatamente, pois o tempo entre o aviso recebido e o
deslocamento até o local levará alguns minutos e, claro, o tempo é vital.
Para isso, o responsável pela comunicação deve ter em mãos os números dos telefones
que serão precisos e saber explicar com clareza o local do incêndio e, na chegada do Corpo de
Bombeiros, indicar onde está ocorrendo o incêndio, os acessos, etc.
A equipe de abandono, mais do que qualquer outra tem uma missão muito importante,
pois estão com as vidas das pessoas sob sua responsabilidade. Sua habilidade é essencial, pois o
tempo corre contra. Um vacilo e todo um andar poderá ficar ilhado sem ter por onde sair. Muitas
vezes, ser enérgico e duro será requisito para manter a ordem e a calma e para ser eficiente no
abandono do local.
Como a equipe de abandono, a equipe de salvamento e primeiros socorros, também
trabalha com as vidas das pessoas, mas sua ação pode depender muito da brigada de combate ao
fogo, pois o resgate somente será necessário se alguma coisa saiu errada. Ou o incêndio pegou de
surpresa algumas pessoas que, ficando ilhadas acabaram por asfixiar-se ou por sofrer
queimaduras ou por que, por alguma explosão, já se feriram no ato e inconscientes não
abandonaram o local. Fora isso, espera-se que a equipe de abandono dê conta do recado e
consiga evacuar o local sem deixar ninguém para trás.
Antes de se pensar em qualquer outra coisa, o mais importante é pensar em prevenção.
Fundamental é prevenir. Se a prevenção é perfeita nunca haverá acidente, mas a prevenção
perfeita não existe. Por isso, deve-se estar sempre à procura de falhas, rever sempre os
procedimentos e treinar. Treinamento é essencial. Se houver falha na prevenção, uma equipe
bem treinada conseguirá evitar maiores danos à propriedade e à vida.
Uma equipe bem treinada deve antes de tudo ser uma equipe bem dimensionada.
Elementos que sabem de suas atribuições e que por isso têm uma boa probabilidade de saírem-se

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bem quando o perigo aparecer, mas que também fazem parte da prevenção, pois seus olhos bem
treinados, estão atentos a todas as situações.
Enfim, o Corpo de Bombeiros não deve ser a única solução para os incêndios que
ocorrem, mesmo porque nem sempre existe uma unidade próxima, e é por isso que as brigadas
são importantes e que os Engenheiros de Segurança do Trabalho devem elaborar projetos
específicos e promover treinamentos para sempre ter uma equipe pronta para tomar as primeiras
providências em caso de incêndio.

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LEGISLAÇÃO E NORMAS RELATIVAS À PROTEÇÃO CONTRA
INCÊNDIOS

A primeira regulamentação sobre segurança contra incêndio surgiu no Brasil em


meados de 1975, após a ocorrência dos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus, em São Paulo.
A partir de então a legislação vem sendo constantemente modernizada, exigindo, entre outras
medidas, que sejam adotadas nos projetos de edifícios altos a compartimentação horizontal e
vertical. Para tanto, são utilizados dispositivos, como portas corta-fogo, no interior dos edifícios,
e peitoris e marquises nas fachadas. Com isso, em uma eventual situação de incêndio, é possível
impedir que o fogo, iniciado em um determinado andar, se alastre para os demais.
Uma das normas mais importantes em segurança contra incêndio é a NBR-9077, pois
com essa norma é possível classificar o incêndio e identificar os sistemas e equipamentos que
devem ser utilizados para cada tipo de construção, é possível identificar a partir da área que a
construção ocupa a que se destina a construção, por exemplo, escolas, igrejas bibliotecas entre
outros e, a altura da construção.
Segundo Ono (2004 apud PROCORO E DUARTE, 2006), a ausência de legislação e
regulamentação de âmbito nacional para proteção a incêndios em edificações no Brasil, a falta de
atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização destes, a fim de que possam garantir o mínimo
de segurança às novas edificações e, àquelas existentes, mostra qual é o cenário do país em
relação à segurança contra incêndios. Não existe uma norma brasileira de prevenção contra
incêndios em edificações. Cada Estado e Município tem sua Legislação própria baseada ou não
em Normas Técnicas existentes, tais como: extintores, hidrantes, acionadores manuais,
detectores automáticos, chuveiros automáticos, iluminação, pára-raios etc.
O Comitê brasileiro possui entre 70 e 80 normas enquanto que, nos EUA, existem mais
de 500 normas sobre o assunto, normas estas da National Fire Protection Association (NFPA).
Os Estados Unidos investem muito em capacitação profissional para o combate a incêndios e em
estudos técnicos sobre a proteção contra o ataque das chamas.

NORMA REGULAMENTADORA NR - 23

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A Norma Regulamentadora 23 cujo título é Proteção Contra Incêndios, estabelece todas
as medidas de proteção contra incêndios de que devem dispor os locais de trabalho, visando à
prevenção da saúde e da integridade física dos trabalhadores, dentre elas prevê saídas de
emergência para os trabalhadores, equipamentos suficientes para combater o fogo e pessoal
treinado no uso correto.
A NR 23 tem a sua existência jurídica assegurada em nível de legislação ordinária, no
inciso IV do artigo 200 da CLT(Consolidação das Leis do Trabalho).
São documentos complementares: ABNT NBR 5410 - Instalações elétricas de baixa
tensão. ABNT NBR 5626 - Instalação predial de água fria. ABNT NBR 5667 - Hidrantes
urbanos de incêndio. ABNT NBR 6125 - Chuveiros automáticos para extinção de incêndio -
Método de ensaio. ABNT NBR 9077 - Saídas de emergência em edifícios. ABNT NBR 9441 -
Execução de sistemas de detecção e alarme de incêndio. ABNT NBR 9444 - Extintor de
incêndio classe B - Ensaio de fogo em líquido inflamável. ABNT NBR 10721 - Extintores de
incêndio com carga de pó. ABNT NBR 10897 - Sistemas de proteção contra incêndio por
chuveiros automáticos - Requisito. ABNT NBR 11715 - Extintores de incêndio com carga
d’água. • ABNT NBR 11742 - Porta corta-fogo para saída de emergência. ABNT NBR 11751 -
Extintores de incêndio com carga para espuma mecânica. ABNT NBR 11861 - Mangueira de
incêndio - Requisitos e métodos de ensaio. ABNT NBR 12693 - Sistemas de proteção por
extintores de incêndio. ABNT NBR 12710 - Proteção contra incêndio por extintores, no
transporte rodoviário de produtos perigosos. ABNT NBR 12779 - Mangueiras de incêndio -
Inspeção, manutenção e cuidados. ABNT NBR 12962 - Inspeção, manutenção e recarga em
extintores de incêndio. ABNT NBR 13435 - Sinalização de segurança contra incêndio e pânico.
ABNT NBR 13714 - Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio. ABNT
NBR 14276 - Brigada de incêndio - Requisitos. ABNT NBR 14349 - União para mangueira de
incêndio - Requisitos e métodos de ensaio, dentre outras.
Em maio de 2011, a NR 23 foi alterada2 e passa a vigorar com a redação do anexo
seguinte:

2
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO SECRETARIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO PORTARIA
N.º 221 DE 06 DE MAIO DE 2011 (D.O.U. de 10/05/2011 - Seção 1 - pág. 118) Altera a Norma Regulamentadora
n.º 23.

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 Todos os empregadores devem adotar medidas de prevenção de incêndios, em
conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis.
 O empregador deve providenciar para todos os trabalhadores informações sobre:
a) utilização dos equipamentos de combate ao incêndio;
b) procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança;
c) dispositivos de alarme existentes.

Os locais de trabalho deverão dispor de saídas, em número suficiente e dispostas de


modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com rapidez e
segurança, em caso de emergência.
As aberturas, saídas e vias de passagem devem ser claramente assinaladas por meio de
placas ou sinais luminosos, indicando a direção da saída.
Nenhuma saída de emergência deverá ser fechada à chave ou presa durante a jornada de
trabalho.
As saídas de emergência podem ser equipadas com dispositivos de travamento que
permitam fácil abertura do interior do estabelecimento.

NORMA REGULAMENTADORA – NR 18
Segundo a NR 18, na indústria da construção civil é obrigatória a adoção de medidas
que atendam, de forma eficaz, às necessidades de prevenção e combate a incêndio para os
diversos setores, atividades, máquinas e equipamentos do canteiro de obras.
Deve haver um sistema de alarme capaz de dar sinais perceptíveis em todos os locais da
construção.
É proibida a execução de serviços de soldagem e corte a quente nos locais onde estejam
depositadas, ainda que temporariamente, substâncias combustíveis, inflamáveis e explosivas.
Nos locais confinados e onde são executados pinturas, aplicação de laminados, pisos,
papéis de parede e similares, com emprego de cola, bem como nos locais de manipulação e

A SECRETÁRIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO, no uso das atribuições conferidas pelo art. 14, inciso II, do
Anexo I do Decreto n.º 5.063, de 3 de maio de 2004, e em face do disposto nos art. 155 e 200 da Consolidação das
Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto n.º 5.452, de 1º de maio de 1943 e no art. 2º da Portaria MTb n.º
3.214, de 8 de junho de 1978, resolve.

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emprego de tintas, solventes e outras substâncias combustíveis, inflamáveis ou explosivas,
devem ser tomadas as seguintes medidas de segurança:
a) proibir fumar ou portar cigarros ou assemelhados acesos, ou qualquer outro material
que possa produzir faísca ou chama;
b) evitar, nas proximidades, a execução de operação com risco de centelhamento,
inclusive por impacto entre peças;
c) utilizar obrigatoriamente lâmpadas e luminárias à prova de explosão;
d) instalar sistema de ventilação adequado para a retirada de mistura de gases, vapores
inflamáveis ou explosivos do ambiente;
e) colocar nos locais de acesso placas com a inscrição “Risco de Incêndio” ou “Risco
de Explosão”;
f) manter cola e solventes em recipientes fechados e seguros;
g) quaisquer chamas, faíscas ou dispositivos de aquecimento devem ser mantidos
afastados de fôrmas, restos de madeiras, tintas, vernizes ou outras substâncias
combustíveis, inflamáveis ou explosivas.

Os canteiros de obra devem ter equipes de operários organizadas e especialmente


treinadas no correto manejo do material disponível para o primeiro combate ao fogo.

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O FOGO, O INCÊNDIO, A COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS

O FOGO
Desde a antiguidade quando o fogo foi descoberto, tornou-se um dos elementos mais
temidos pelo ser humano ao mesmo tempo em que se constituía fonte de calor, meio de tornar os
alimentos mais saborosos, dentre outras funções.
Todavia, antes de ter sido descoberto, o modo de produzi-lo e de controlá-lo, provocava
verdadeiro terror no homem, algo supersticioso, pois seu surgimento só ocorria naturalmente,
consequente da erupção de um vulcão, da faísca elétrica caída sobre o mato seco ou, ainda, pela
combustão espontânea na vegetação submetida, fortemente, aos raios do sol. Por muitos séculos,
o fogo foi considerado uma manifestação sobrenatural cuja ocorrência era atribuída aos deuses.
Daí a razão do Deus do Fogo (ALVES, 2001).
A inteligência e a necessidade levaram o homem a encontrar no fogo certa utilidade,
inicialmente pela percepção da luz que se fazia ao seu redor e do calor que transmitia ao seu
corpo. Mais adiante descobriu, também, que o fogo melhorava sua forma de se alimentar,
assando ou cozinhando seus alimentos e servindo, igualmente, para afugentar animais bravios.
Daí por diante, o fogo passou a receber cuidados especiais (BEZERRA, 2007).
O controle deste original fogo piloto, desta lamparina, passou a ser tarefa ou missão
muito importante, ficando sob a guarda de elemento valente e da máxima confiança dentro do
grupo de selvagens. Como nômades que eram, os grupos vagavam pela mata, pelos campos,
transportando o dito fogo. Quando acontecia do fogo se apagar, por alguma razão, o grupo
buscava recuperá-lo a todo custo. Com tal objetivo, o grupo caminhava, buscando queimadas e,
até mesmo, outro grupo portador do fogo piloto.
No caso de encontrar um grupo portador, lutavam pela posse da lamparina. Nesta luta, o
guardião do fogo era poupado para garantir que o fogo não se apagasse e pudesse ser utilizado
pelo grupo vencedor. Por vezes, o guardião era atacado e, nesse exato momento, ele deveria
defender o fogo, a todo risco, mostrando sua valentia, comprovando a razão de sua escolha.
(GOMES, 1998; BEZERRA, 2007).

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A disputa pela posse do fogo só terminou após o homem ter aprendido a produzi-lo.
Como isto aconteceu, não se sabe ao certo. A verdade é que chegaram ao mesmo fim por dois
caminhos diferentes. Um deles se atribui ao centelhamento causado pelo choque, ou forte atrito,
entre pedras. E o outro, parece-nos mais prático e fácil, resultou do atrito de um pedaço de
madeira, semelhante a um pequeno bastão cilíndrico, um pouco mais grosso que um lápis,
introduzido num buraco de igual diâmetro. Mantendo esse bastão entre suas mãos, torciam-no
num sentido, ora noutro, aquecendo-o até atear fogo às folhas e gravetos secos colocados junto e
ao redor dele (GOMES, 1998; BEZERRA, 2007).
Nessa época pré-histórica, quando o homem vivia nas cavernas, o risco de incêndio não
exista, entretanto, a convivência em grupos maiores, enfim, o desenvolvimento da humanidade
fez surgir outros problemas decorrentes do fogo, os incêndios.
O homem constatou que os benefícios que o fogo lhe proporcionava eram anulados,
despertando nele convicção de que deveria apagá-lo antes que ele causasse grandes estragos
(GOMES, 1998; ALVES, 2001).
Nasceu, assim, a necessidade de combater o fogo. Surgia a ideia de extingui-lo no
instante em que ele era percebido, ou talvez, no justo momento em que o fogo nascia.
A água foi o primeiro agente extintor empregado. Certamente pela facilidade em obtê-
la, já que o homem acampava, sempre, nas proximidades dos rios e lagos, face às suas
necessidades naturais de sobrevivência. Inicialmente, a água era transportada em crânios de
animais. Mais tarde, em recipientes feitos com o couro de animais. Diante da rapidez exigida
para extinguir o fogo, a areia, a terra foram utilizadas. E, não se sabe porque, as mantas de
animais, com que se cobriam, com que se protegiam, foram usadas no combate ao fogo (ALVES,
2001).
Evoluindo no combate ao fogo, passaram a usar tubos feitos com couro de animal,
fortemente costurados, à semelhança das atuais linhas de Mangueiras Contra Incêndio. Todos
esses acontecimentos ocorriam sem que soubessem a razão pela qual era possível extinguir o
fogo.
Antes de Lavoisier, acreditava-se que os materiais submetidos à ação do fogo
desapareciam reduzidos a cinzas.

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Os sábios da época, os Alquimistas, afirmavam que o desaparecimento ocorria porque
escapava o Flogístico, fluido contido em todas as substâncias, isto é, nos corpos, imaginado pelo
químico Stahl, para explicar a queima (GOMES, 1998).
Lavoisier foi quem provou que uma substância, um corpo submetido à ação do fogo,
sofre uma reação química que dá origem à formação de novos corpos, sem que tenha sido criado
ou perdido qualquer material (ROCHA, 1998). A partir dessa comprovação, os pesquisadores
voltaram suas atenções para os aspectos físico-químicos do fenômeno da queima ou combustão.
Como pudemos constatar, a história do fogo tem sua origem nos longínquos dias da Pré-
história da Humanidade, só conhecida através de pesquisas em restos de animais, nas pinturas
deixadas em cavernas, em vasilhames, em ferramentas e em outros objetos de igual valor
científico. A escrita ainda não era conhecida.
Foi na chamada Idade da Pedra, compreendida entre os anos 5000 e 10000 A.C. que se
descobriu a forma primitiva de se produzir o fogo.
No período denominado Pedra Nova, ocorrido entre os anos 5000 e 4000 a.C., o homem
consegue controlar o fogo e, desta forma, fez surgir uma das mais importantes aplicações: a
Cerâmica. Na Idade dos Metais, sem dúvida, o fogo ganhou maior importância, face à descoberta
de sua aplicação na fusão dos metais.
Foi encontrada a forma, o modo de fundir o cobre com o estanho, resultando no bronze.
Pouco depois, tornou-se possível a fabricação de ferramentas com o ferro.
Nasceu daí a espada de ferro. Desses fatos em diante, o fogo foi incorporado ao
cotidiano do homem, não só em suas atividades domésticas como, também, na caça, na pesca e
na sua defesa pessoal.
Eis, assim, o resumo da evolução do fogo a serviço da humanidade. Hoje, em nossos
dias, alcançou tanta importância e utilidade que o seu controle tornou-se uma preocupação ainda
maior, embutida que está na Prevenção Contra Incêndio (GOMES, 1998).

SUBSTÂNCIAS E COMBUSTÃO
Todos os corpos, matérias ou substâncias, são formados por pequeníssimas partículas,
denominadas moléculas, e estas por elementos ainda menores, diminutos, chamados átomos,
dotados de minúsculas partículas energéticas, que se mantêm em grande movimento: os elétrons.

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O átomo se compõe de um núcleo central, onde se encontram os prótons e os nêutrons e de uma
eletrosfera, na qual somente os elétrons orbitam (FELTRE, 2008).
Sabido é que só os elétrons da camada externa participam das reações químicas, pelo
que os átomos cedem, recebem ou compartilham para que sua última camada fique com oito
elétrons, à semelhança do que ocorre com os gases perfeitos, denominados gases nobres. O
exame da configuração desses gases nobres revela que qualquer corpo só adquire estabilidade
quando sua configuração eletrônica se assemelha a dos referidos gases. A configuração
eletrônica desses gases é a seguinte:

Hélio 2 L

Neônio 2 8 M

Argônio 2 8 8 N

Kriptônio 2 8 18 8 O

Xenônio 2 8 18 18 8 P

Radênio 2 8 18 32 18 8 Q

As letras representam a ordem de sucessão das camadas da eletrosfera e, também, a


quantidade delas. Os números indicam a quantidade de elétrons em cada camada, revelando que
os gases nobres possuem oito elétrons em suas camadas externas, com exceção do gás Hélio, que
tem apenas dois (FELTRE, 2008).
A tendência dos átomos para adquirirem a configuração acima chama-se Regra dos
Octetos. Fogem dessa regra os átomos que possuem uma única camada, e nela somente dois
elétrons.
Aquilo que nós, normalmente, denominamos de corpo, matéria ou substância, em
realidade, é energia. Sempre que dois corpos reagem entre si para formarem um terceiro, ocorre
uma transferência de energia. Todo corpo que contém, basicamente, os elementos químicos
Carbono, Hidrogênio e Enxofre é um combustível. Nestes corpos, as reações físico-químicas se
apresentam sob a forma de calor, concentrando neles maior energia do que nos corpos por eles

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formados, possibilitando, deste modo, a liberação de calor. Esta forma de reagir caracteriza uma
reação exotérmica.
O calor é a energia de ativação. É, por excelência, a energia ativadora da combustão.
Todavia, uma combustão não ocorre somente pelo calor. Há que haver o elemento oxigênio, com
o qual irá reagir um dos elementos químicos acima considerados. Tal reação para ser completa,
os elementos em reação deverão guardar entre si uma proporção constante. É a Lei das
Proporções Constantes. Tais proporções são:
 Carbono – uma parte para duas de Oxigênio.
 Hidrogênio – duas partes para uma de Oxigênio.
 Enxofre – uma parte para duas de Oxigênio.

Consequentemente, na combustão completa dos corpos combustíveis, orgânicos


comuns, são encontrados os seguintes compostos:
CO2 – Dióxido de Carbono ou Anidrido Carbono.
H2O – Vapor D'água.
SO2 – Gás Sulfúrico ou Anidrido Sulfuroso.

A importância de cada um dos componentes, no processo da combustão, não pode ser


avaliada individualmente, isto é, em separado, já que nenhum deles, por si só, dá origem à
queima ou combustão.
A combustão, vulgarmente representada pelo conhecido Triângulo do Fogo, mostrado
abaixo, decorre da ação simultânea dos elementos Oxigênio, Combustível e Calor.

TRIÂNGULO DO FOGO

OXIGÊNIO COMBUSTÍVEL

CALOR

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Pesquisas, por sua vez, levaram os técnicos à conclusão de que a combustão está sujeita
aos seguintes condicionamentos:
a) Os corpos só queimam após terem alcançado determinada temperatura: Temperatura de
Ignição ou Ponto de Ignição.
b) Os corpos só queimam na presença de oxigênio, isto é, do comburente.
c) Os corpos só queimam por efeito de uma fonte externa de calor, da ação da Energia de
Ativação. É oportuno se registrar a existência de certos corpos Orgânicos Combustíveis,
que podem entrar em queima ou combustão, ainda que parcialmente, por conterem, em
suas moléculas, oxigênio combinado, dispensando, assim, o recebimento de fonte
externa. Vale salientar, também, o fato de uma combustão poder ocorrer num atmosfera
de Cloro, de Óxido de Carbono ou de Nitrogênio, sem a presença do Oxigênio. Tal
ocorrência, porém, é tão rara que podemos admitir, na prática, não haver combustão sem
o envolvimento do oxigênio do ar (FELTRE, 2008).

Uma combustão provoca os seguintes efeitos físico-químicos:


a) Dilatação linear ou volumétrica;
b) Mudança de estado;
c) Alteração da resistência;
d) Transmissão de calor;
e) Emissão de luz.

Sem qualquer sombra de dúvida, para a Prevenção Contra Incêndio, o calor é o


elemento de maior preocupação, por ser ele o componente que leva os corpos a alcançarem suas
temperaturas de ignição.
A transmissão de calor se faz por três formas:
a) Condução – pelo contato corpo a corpo, face à condutibilidade de cada um deles. A
Condutibilidade de cada corpo é comparada com a do ferro, cujo valor é considerado como igual
a 1 (um). Os demais corpos apresentam os seguintes valores:

Aço 0,71
Algodão 0,001

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Alumínio 2,34
Amianto 0,003
Ar 0,0003
Cortiça 0,0007
Papel 0,002
Tijolo 0,007
Vidro 0,016

b) Convecção – circulação do meio transmissor, gasoso ou líquido.


c) Irradiação – através das ondas caloríficas, semelhantes às ondas eletromagnéticas.

ENERGIA DE ATIVAÇÃO E SUAS FORMAS


No escoamento de uma corrente elétrica através de um material condutor, os elétrons,
ao passarem de um átomo para outro, entram em colisão, frequentemente, com as partículas
atômicas do caminho. A energia necessária para movimentar uma certa quantidade de elétrons é
proporcional à resistência oferecida pelo condutor. Aparece sob forma de calor. A resistência, ou
seja, a força de captura e de colisão desses elétrons, tem a seguinte identificação:

a) Resistência Térmica – caracterizada pela variação do calor gerado. É proporcional à própria


resistência e ao quadrado da corrente elétrica aplicada. Em razão da temperatura do condutor
resultar de sua própria resistência, os fios descobertos podem carrear maiores correntes, em
termos absolutos, do que os isolados, pelo fato de terem maior facilidade de liberar calor para o
meio ambiente. Os fios singelos, por sua vez, podem carrear maiores correntes do que os
agrupados em cabo condutor. O calor gerado pelas lâmpadas incandescentes e pelas
infravermelhas é consequente da resistência térmica de seus filamentos. Nessas lâmpadas são
usados materiais de elevado nível da temperatura de fusão (GOMES, 1998).

b) Indução Térmica – é a diferença de potencial resultante da passagem de uma corrente


elétrica sujeita à Resistência Térmica de seu condutor. A diferença de potencial, também, surge
sempre que um condutor é submetido à influência de um campo magnético flutuante ou
alternativo, ou ainda, cruzando as linhas de força desse campo.

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c) Calor por Atrito ou Fricção – é a energia mecânica aplicada para vencer a resistência ao
movimento, quando dois corpos são esfregados ou friccionados um contra o outro. Qualquer
atrito ou fricção gera calor. O impacto é outra forma de fricção, quando ocorre entre dois corpos
duros, um deles sendo metálico, pode produzir uma centelha.

d) Energia Térmica Estática – é uma carga elétrica acumulada na superfície de dois corpos que
foram produzidos unidos e são separados abruptamente. A superfície de um deles se torna
positivamente carregada e a do outro negativamente. Estes corpos não estando eletricamente
aterrados poderão acumular uma carga elétrica suficiente para produzir uma centelha. Mesmo
que tal centelha tenha curta duração, poderá provocar a ignição de vapores e gases inflamáveis e,
ainda, em líquidos inflamáveis que estejam escoando numa tubulação.

e) Energia Térmica pelo Raio – é resultante de uma carga elétrica que passa de uma nuvem
para outra, eletricamente contrárias ou para a Terra. Na passagem para a Terra, poderá liberar
muito calor, de altíssima temperatura, para um corpo que esteja em seu caminho, mesmo que
este corpo tenha elevada resistência.

f) Arco Térmico – é resultante da interrupção de uma corrente elétrica, seja intencionalmente,


abrindo uma chave elétrica tipo faca, ou acidentalmente, por falha em um condutor ou em um
terminal. O Arco é geralmente forte, quando originado de um motor elétrico ou de outro tipo de
circuito indutivo.

g) Energia Calorífica por Compressão – é o calor gerado e liberado pela compressão de um


corpo ou substância gasosa. É também conhecido pela expressão efeito diesel, em razão de sua
grande aplicação nos motores a óleo diesel. Sabe-se, já comprovado em testes, que um jato de ar
comprimido de alta pressão num buraco praticado num pedaço de madeira, provoca a queima
desse pedaço de madeira.

h) Energia Calorífica Nuclear – é a energia liberada em forma de calor do núcleo de um átomo,


quando bombardeado com partículas energizadas. A energia liberada pelo bombardeio é,

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normalmente, um milhão de vezes maior do que a liberada por uma reação química ordinária. A
liberação dessa energia de forma instantânea, com ponderável quantidade de calor, caracteriza
uma explosão atômica. Por outro lado, essa mesma liberação sob controle, constitui uma
excelente fonte de calor para fins medicinais e industriais.

i) Energia Calorífica Solar – é produzida pela incidência dos raios do Sol. É a fonte natural de
calor. Pode provocar a combustão nas florestas e no mato, quando bem secos. Concentrando-se
os raios do Sol sobre a extremidade de um cigarro, através de uma lupa, ou lente, é possível
acendê-lo. É, atualmente, bastante usado para fins domésticos e industriais.

Todo corpo, matéria ou substância, precisa de uma certa quantidade de calor para elevar
sua própria temperatura ou mudar de estado. Esta certa quantidade de calor é definida,
geralmente, pela forma em que é reconhecida, como a seguir indicada:

a) Calor Específico – é a quantidade de calor que cada corpo absorve para elevar um grau
Célsius à temperatura de um quilo de sua massa, num determinado intervalo de temperatura.
Exemplos:
Água 1,000 kcal/kg
Álcool 0,579 kcal/kg
Azeite 0,310 kcal/kg
Cobre 0,095 kcal/kg
Ferro 0,114 kcal/kg

b) Calor Latente – é a quantidade de calor que cada corpo absorve por quilo de sua massa, para
mudar de estado.
Exemplos:
Água - Ebulição (100ºC): 80 kcal
Água - Vaporização (partindo de 100ºC): 550 kcal
Água - Vaporização (total de um kg): 630 kcal

c) Calor de Combustão ou Poder Calorífico – é a quantidade de calor que a massa de um quilo


de um corpo libera, quando é queimado integralmente.

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Exemplos:
Madeira, papel e algodão 3.000/3.800 kcal/kg
Álcool 2.260/6.440 kcal/kg
Carvão de lenha 7.500 kcal/kg
Coque 6.660/8.000 kcal/kg
Hulha 6.670/8.000 kcal/kg
Óleo grosso 8.900 kcal/kg
Alcatrão 9.500 kcal/kg
Cera 10.500 kcal/kg
Petróleo 10.170/11.170 kcal/kg
Gasolina 11.100/11.700 kcal/kg
Hidrogênio 34.440 kcal/kg ou 884
Gás natural kcal/m2
Gás de petróleo (GLP) 1.900/6.700 kcal/ m2
Querosene 1.220/2.580 kcal/ m2
11.100/11.200 kcal/kg

COMBUSTÃO
A combustão é uma reação físico-química provocada por uma fonte de calor e na
presença do oxigênio, cujo início tem lugar quando alcançada a temperatura de ignição. Assim,
nas temperaturas ambientais normais essa reação é tão lenta que passa despercebida aos nossos
sentidos. O exemplo mais conhecido e comum desse fenômeno é o amarelecimento do papel e o
da ferrugem do ferro (GOMES, 1998; FELTRE, 2008).
Se a temperatura, entretanto, ultrapassa a do ambiente, a velocidade da oxidação
aumenta, gerando maior quantidade de calor. Uma vez iniciada a oxidação, a liberação de calor
se faz em grau maior, elevando a temperatura do corpo em queima, assegurando, deste modo, o
desencadeamento do processo.

OXIDAÇÃO
O calor da oxidação depende do consumo de oxigênio durante a reação.
Entende-se, por esta razão, que o calor liberado num incêndio fica limitado pela
quantidade de oxigênio contido no suprimento de ar. A quantidade de oxigênio ou de ar
atmosférico exatamente necessária e suficiente para queimar o Carbono, o Hidrogênio (puro) e o
Enxofre existentes num corpo combustível até o surgimento do CO2 (Dióxido de Carbono), do
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H2O (Vapor D'água) e do S02 (Anidrido Sulfuroso), constitui a Teoria do Oxigênio, ou do Ar
Atmosférico. A expressão genérica para a oxidação de um corpo combustível é dada pela
equação:

na qual:
O = Oxigênio
m = Quantidade de átomos do Carbono (C)
n = Quantidade de átomos do Hidrogênio (H)
CH = Molécula

Exemplo:
Metano - CH4

Onde:

Verifica-se desta igualdade que uma molécula de Metano requer duas moléculas de
Oxigênio para a completa combustão de uma molécula de Dióxido de Carbono e duas moléculas
de Vapor D'água. Como no ar atmosférico, 20% é Oxigênio e 78% é Nitrogênio, na prática, cada
molécula de Oxigênio é acompanhada por quatro moléculas de Nitrogênio. Para a maioria dos
compostos de Carbono, Oxigênio e Hidrogênio, tais como:

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Madeira C16H10O5
Papel C16H10O5
Algodão C16H10O5
Borracha C1OH16
Gás natural CH4 (Metano)
Gasolina C6H14 à C9H2O

e outros de características químicas iguais, o calor da oxidação é da ordem de 45 Joule por litro
de ar consumido, ou o equivalente a 10,76 Calorias.

FASES DA COMBUSTÃO
A combustão é, realmente, uma oxidação bastante complexa, envolvendo um processo
de decomposição química por efeito do calor. Esta decomposição é conhecida pelo nome de
Pirólise.
A Pirólise é uma evolução com várias fases, ou estágios, como acontece, por exemplo,
com a madeira, quando submetida a uma fonte de calor de elevada temperatura.

Fase 1 - Desprendimento vagaroso de certos gases, inclusive vapor d'água, cujos componentes
combustíveis não são ignicíveis no início da Pirólise. Em primeiro lugar é atacada a superfície,
surgindo o fenômeno do amarelecimento. Em seguida, a reação vai mais profunda, com
desprendimento do calor, isto é, esotermicamente. Continua o desprendimento de gases, alguns
sendo ignicíveis até certo grau. Neste momento, é alcançada a temperatura denominada Ponto de
Fulgor, um pouco abaixo da Temperatura de Ignição. Prosseguindo a evolução, é alcançada a
dita Temperatura de Ignição e a reação passa a se desenvolver rapidamente, todavia, absorvendo
calor, endotermicamente. Nesta temperatura, os gases CO2 e H2O sustentam a chama, cujo calor
provoca reação secundária, em série, completando a combustão dos gases da destilação de vapor,
agora já esotermicamente. Neste estágio, o desprendimento de calor caracteriza o já mencionado
Poder Calorífico do corpo ou substância em queima.

Fase 2 - o balanço do aproveitamento do calor é muito importante. Se o calor desprendido ficar


retido ou, melhor, concentrado no corpo, será o suficiente para que a pirólise prossiga, isto é,
para que a reação oxidante se mantenha. Se mais calor estiver sendo aproveitado do que perdido,

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seja por condução, convecção ou irradiação, o balanço é positivo e o fogo se desenvolve. Caso
contrário, o fogo se apaga. A concentração do agente oxidante é fator complementar da geração
de calor e determina se a ignição e a combustão poderão ter lugar.
A caracterização da combustão, quanto à sua rapidez, está ligada à velocidade com que
evolui, ou seja, à cinética química. Neste sentido, tem a seguinte classificação:
 Combustão Lenta – é uma oxidação de baixa velocidade, não ocorrendo emissão de
luz e calor. A esotermicidade, isto é, a liberação de calor, é muito pequena, ou
melhor, é muito fraca.
 Combustão Viva – é uma oxidação que se caracteriza pela emissão de luz, a chama,
e de calor, a incandescência, simultaneamente ou não. O calor produzido pela
esotermicidade é forte, resultante da elevada velocidade com que se processa a
reação química. O incêndio é uma Combustão Viva, cuja chama é constituída pela
mistura dos gases combustíveis com o Oxigênio. O calor decorre da queima
incompleta, uma vez que as partículas de Carbono não são inteiramente consumidas.
Parcela apreciável da energia produzida é transformada em raios infravermelhos.
 Combustão Muito Viva ou Instantânea – é uma oxidação de altíssima velocidade,
comparável com a do som. A Muito Viva é um pouco inferior à Instantânea.
Todavia, ambas se apresentam na forma de uma explosão. Fortes pressões são
criadas, situando-se no nível de uma Atmosfera por metro quadrado, a Muito Viva, e
trinta Atmosferas por metro quadrado a Instantânea.

Na combustão viva, o fogo, a parte visível, se mostra de duas formas: chama e brasa.
Elas acontecem juntas ou separadamente. Dependerá da natureza dos materiais combustíveis
envolvidos. A brasa só surge na queima de combustíveis sólidos, únicos que, por sua vez, podem
apresentar chama e brasa. Nisto, a madeira é um bom exemplo, como já mostramos. Alguns
materiais combustíveis sólidos, quando fortemente aquecidos ou se decompõem em vapores ou,
ainda, em gases inflamáveis. É o que acontece com a cera, com a parafina e a gordura. Materiais
artificialmente produzidos, como o carvão coque e o carvão vegetal, apresentam unicamente a
brasa.
Na prática, a chama tem três zonas distintas:

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 Zona Inferior – é aquela em que se inicia a vaporização da parte líquida, contida no
material combustível em queima.
 Zona Intermediária – é aquela onde ocorre a incandescência; o calor, devido à
divisão do Carbono em partículas muito finas e, também, onde os vapores
combustíveis se decompõem em Carbono e Hidrogênio.
 Zona de Combustão – é aquela onde o Oxigênio tem acesso, provocando, em
realidade, o início da combustão, gerando maior desprendimento de calor. É a zona
mais quente da queima.

O INCÊNDIO, CAUSAS, CLASSIFICAÇÃO


Ainda que já tenhamos falado sobre as causas, vale enfatizar a importância da
Prevenção Contra Incêndio, por ser o único meio pelo qual se pode assegurar que um foco de
fogo não se transforme num incêndio, pois que atua neutralizando o desenvolvimento.
Tal controle exige uma vigilância capaz de:
a) Descobrir o foco de fogo, no exato instante em que ele surge;
b) Dar imediato alarme;
c) Iniciar rápida ação de controle para sua extinção;
d) Manter contínua atuação sobre o fogo, até sua extinção ou até a chegada de
socorro eficiente.

CAUSAS DE INCÊNDIO
O incêndio pode surgir por variadas razões, mas cujas causas mais comuns são:

• Causas Fortuitas
 Ponta de cigarro ou fósforo incandescente, largada em cesto ou lata de lixo;
 Tomada elétrica sobrecarregada;
 Pano impregnado com álcool, éter, gasolina, cera, querosene e outros inflamáveis,
guardados sem o menor cuidado;
 Fio elétrico energizado, sem isolamento ou desprotegido, em contato com papel,
tecido ou outro qualquer material combustível;

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 Equipamento elétrico funcionando irregularmente, apresentando alta temperatura
e/ou centelhamento.

• Causas Acidentais
 Vazamento de líquido inflamável em área de risco;
 Concentração de gás inflamável em área confinada;
 Curto circuito em aparelho elétrico energizado ou em fiação não isolada
adequadamente;
 Combustão espontânea;
 Eletricidade estática.

CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS


A classificação dos incêndios depende fundamentalmente do modo como é avaliada sua
periculosidade. Qualquer que seja o adotado, haverá sempre material combustível envolvido, em
maior ou menor quantidade, representado pelo mobiliário, pelas peças decorativas, aparelhos
elétricos, livros, paredes divisórias, forros falsos, nas áreas residenciais e comerciais. Nas áreas
industriais, outros materiais, como os aplicados nas embalagens e nas matérias-primas de
fabricação de produtos, inclusive químicos. A esses mencionados, se podem juntar os utilizados
na construção dos prédios (DE FARIA, 1993).
Para a Prevenção Contra Incêndio, duas formas de classificação, basicamente, são
aceitáveis:
- Pela natureza dos materiais combustíveis existentes nas áreas a serem protegidas;
- Pela quantidade dos materiais combustíveis existentes nas áreas a serem protegidas.

CLASSIFICAÇÃO PELA NATUREZA DOS MATERIAIS


 Incêndios da Classe A - Fogo em sólidos combustíveis mais comuns e de fácil
combustão, tais como: algodão, fibras, madeira, papel, tecidos e similares.
 Incêndios da Classe B - Fogo em líquidos inflamáveis e líquidos petrolíferos: álcool,
gasolina, graxas, vernizes e similares.

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 Incêndios da Classe C - Fogo em equipamentos elétricos energizados: motores,
circuladores de ar, aparelhos de ar condicionado, televisores, rádios e outros
similares.
 Incêndios da Classe D - Fogo em metais pirofóricos e suas ligas; alumínio em pó,
zinco, magnésio, potássio, titânio, sódio e zircônio.

CLASSIFICAÇÃO PELA QUANTIDADE DOS MATERIAIS


Quando tratamos da combustão, fizemos referência à velocidade da queima, a cinética
química. Vimos que o incêndio se enquadra na combustão viva, caracterizada pelo forte calor
que é liberado. Dissemos, também, que tal calor depende da capacidade do material de produzi-
lo, ou seja, do seu Poder Calorífico.
Logicamente, se cada material combustível tem uma capacidade própria de produzir
esse calor, quanto maior for a quantidade dele, envolvida, tanto maior será o calor por ele
liberado. Assim, os materiais existentes na edificação, todos combustíveis, sejam os aplicados na
construção, sejam os utilizados na sua ocupação, definirão a quantidade de calor que poderá ser
liberada, na hipótese de uma queima total desses materiais.
Na prática, todavia, só são considerados os materiais existentes empregados na
ocupação do prédio. Deste modo, calcula-se a quantidade encontrada por unidade de área
ocupada para se ter a Carga Incêndio.
Por definição, Carga Incêndio é a quantidade de calor que poderá ser gerado, por
unidade de área, pela queima de todo o material combustível existente na edificação.
A Carga Incêndio resulta na soma dos produtos da quantidade de cada material pelo seu
Poder Calorífico. A divisão da Carga Incêndio pela área total ocupada pelos materiais
considerados, oferece um índice que é utilizado internacionalmente para classificar os incêndios.
É expresso em unidades do Sistema Métrico Decimal ou no Sistema Métrico Inglês.

CLASSIFICAÇÃO PELA CARGA INCÊNDIO


- Risco Leve ou Risco 1 - Fogo em pequena Carga Incêndio, cujo desenvolvimento se
faz com fraca liberação de calor:
Carga Incêndio até 270.000 kcal/m2.

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- Risco Médio ou Risco 2 - Fogo em média Carga Incêndio, cujo desenvolvimento se
faz com moderada liberação de calor:
Carga Incêndio de 270.000 a 540.000 kcal/m2

- Risco Pesado ou Risco 3 - Fogo em grande Carga Incêndio, cujo desenvolvimento se


faz com elevada liberação de calor:
Carga Incêndio de 540.000 a 1.080.000 kcal/m2.

Suponhamos que em três locais de mesmas características construtivas e dimensões,


estejam armazenados os seguintes materiais combustíveis:
a) Área A - 20.000 kg de gasolina, em tambores fechados. Há um enchimento de 20 kg
a cada 2 horas, em vasilhas abertas.
Poder Calorífico da Gasolina: 11.100 kcal/kg.

b) Área B - 20.000 kg de querosene, também em tambores fechados. Há um enchimento


de 20 kg a cada 2 horas, em vasilhas abertas.
Poder Calorífico do Querosene: 11.100 kcal/kg.

c) Área C - 70.000 kg de madeira seca. Corte e expedição de 70 kg a cada 2 horas em


feixes abertos.
Poder Calorífico da Madeira: 3.170 kcal/kg.
Quanto à Carga Incêndio, seus valores são iguais, como se mostra a seguir:
Área A - 20.000 x 11.100 = 222.000.000 kcal.
Área B - 20.000 x 11.100 = 222.000.000 kcal.
Área C - 70.000 x 3.170 = 221.900.000 kcal.

Sem qualquer sombra de dúvida, o risco de incêndio na Área A tem maior possibilidade
do que nas outras duas áreas, em razão de ser mais elevada a sua periculosidade.
Para completar os esclarecimentos em tela, vale lembrar que a Gasolina tem seu Ponto
de Fulgor a (-) 42ºC. O Querosene entre 38ºC e 74ºC e a Madeira tem sua temperatura de

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combustão entre 400ºC e 500ºC, uma vez que a Madeira não tem Ponto de Fulgor. Por outro
lado, é bom lembrar que tanto a Gasolina como o Querosene têm temperatura de combustão da
ordem de 255ºC. Estas temperaturas são inferiores à da chama de um fósforo, da brasa de um
cigarro ou de uma centelha elétrica, seja provocada pelo acionamento de uma chave elétrica ou
provocada por atrito entre dois corpos.
Sempre que a Gasolina é manipulada, vapores são desprendidos e se misturam com o ar
ambiente, porque a Gasolina tem seu Ponto de Fulgor abaixo da temperatura ambiente.
Consequentemente, os vapores vão se acumulando no local. Ultrapassado o Limite de
Explosividade, qualquer fonte de calor das já citadas poderá provocar uma explosão seguida de
um incêndio.
Com os dois outros combustíveis exemplificados, tal ocorrência é inexistente, tendo em
mira que o Querosene tem seu Ponto de Fulgor acima da temperatura ambiente. Quanto à
Madeira, não tendo Ponto de Fulgor, sua temperatura de combustão exigirá muito calor para
aquecê-Ia até ou acima de tal temperatura (GOMES, 1998).

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INCÊNDIOS E EXPLOSÕES: proteção e combate

As medidas de segurança contra incêndio podem ser definidas como de prevenção ou de


proteção. Berto (1991) trata sobre o assunto afirmando que:
As medidas de prevenção de incêndio são aquelas associadas ao elemento precaução
contra início do incêndio e se destinam, exclusivamente, a prevenir a ocorrência do início do
incêndio, ou seja, controlar o risco de início de incêndio.
As medidas de proteção contra incêndio são aquelas destinadas a proteger a vida
humana e os bens materiais dos efeitos nocivos do incêndio que já se desenvolve no edifício. São
necessárias ao sistema global de segurança contra incêndio, na proporção em que as medidas de
prevenção venham a falhar, permitindo o surgimento do incêndio. Estas medidas compõem os
seguintes elementos do sistema global:
 limitação do crescimento do incêndio;
 extinção inicial do incêndio;
 limitação da propagação do incêndio;
 precaução contra a propagação entre edifícios;
 evacuação segura do edifício;
 precaução contra o colapso estrutural;
 rapidez, eficiência e segurança das operações de combate e resgate.” (BERTO,
1991).

Ainda seguindo o entendimento de Berto (1991) as medidas de proteção contra


incêndio, são divididas em dois grupos complementares: proteção passiva e proteção ativa.

PROTEÇÃO PASSIVA - ESTRUTURAL


Os objetivos básicos da proteção passiva são a compartimentação e o confinamento do
sinistro, evitando sua propagação e mantendo a estabilidade estrutural do edifício por um tempo
determinado.

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De uma forma genérica, os elementos estruturais em aço perdem cerca de 50% de sua
resistência mecânica quando aquecidos a uma temperatura em torno de 550ºC. Este valor é
conhecido como temperatura crítica do elemento estrutural, e pode ser calculado com maior
precisão seguindo os procedimentos da NBR 14323 – Dimensionamento de Estruturas de Aço de
Edifícios em Situações de Incêndio.
Pode-se dizer que a proteção passiva é formada por medidas que fazem parte do edifício
e que independem de uma ação para o seu funcionamento em caso de incêndio, sendo possível a
execução de outra função paralelamente ao longo do seu uso.
A acessibilidade à construção é uma das medidas que é pouco analisada pelos
projetistas em caso de incêndios. As construções são executadas sem a devida preocupação em
relação a implantação e ao desenho de suas fachadas, não facilitando, dessa forma, as atividades
de salvamento e combate do corpo de bombeiros.
A implantação de meios de abandono seguro do edifício (rotas de fuga) pelos seus
ocupantes também é uma medida determinada pela arquitetura, quando se cria as linhas de
circulação no interior do edifício.
O estudo da estrutura, dos elementos constitutivos e dos compartimentos determina a
limitação ou contenção do crescimento do incêndio no interior da construção, bem como o nível
de proteção dos seus ocupantes, sendo também medidas de proteção passiva que devem ser
planejadas no projeto do edifício.
Outro elemento a ser analisado nas medidas de proteção passiva, é o controle das
características e quantidade de materiais combustíveis reunidos tanto no acabamento interno
quanto no conteúdo da construção, pois são elementos decisivos na velocidade da propagação do
incêndio, assim como na sua intensidade e duração.
Quanto ao dimensionamento da proteção contra fogo em estruturas metálicas é
necessário analisar dois parâmetros:
1) Tempo de resistência requerido ao fogo (TRRF): este parâmetro normalmente é
determinado por uma legislação local ou através de normalizações pertinentes. No Brasil, o
TRRF normalmente situa-se entre 30 minutos e 2 horas. Nos EUA, Europa e Japão os requisitos
são mais rigorosos, atingindo-se até 4 horas.

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2) As regulamentações, normas ou análises técnicas que definem os tempos de proteção
para cada tipo de edificação levam em consideração vários aspectos, tais como:
 utilização da edificação (escola, escritório, hospital, shopping center, etc.);
 altura e área construída da edificação;
 compartimentação existente e outros sistemas de proteção complementares;
 Carga Combustível e Taxa de Ventilação.
 O Fator de Forma (u/A) de cada elemento estrutural: o Fator de Forma (ou Fator
de Massividade) representa a resistência de um determinado perfil metálico em
uma situação de incêndio.
Dois fatores influenciam o comportamento de uma estrutura sob a ação do fogo e
o Fator de Forma é o resultado de sua relação matemática:
u/A = Perímetro / Seção

a) Perímetro de Penetração de Energia “u” (exposição do perfil ao fogo) - quanto


maior for a exposição ao fogo (e a incidência de energia térmica no aço), mais
rapidamente a estrutura irá se aquecer e, consequentemente, atingir o estado de
falência;
b) Área da seção reta “A” (massa do perfil) - a área da seção reta (transversal) do
perfil está diretamente relacionada com sua massa. Assim, quanto maior a área da
seção (ou sua massa), mais tempo o perfil irá levar para ser aquecido e atingir a
temperatura crítica.

Na tabela 3 da NBR 14323 – Dimensionamento de Estruturas de Aço de Edifícios em


Situações de Incêndio – podem ser encontradas diversas fórmulas para o dimensionamento do
Fator de Massividade de elementos estruturais.
Sobre o dimensionamento da Proteção, existem dois métodos para calcular qual a
espessura adequada do material de proteção:
a) a forma mais simples de cálculo é utilizar os resultados de ensaios reais de
resistência ao fogo, fornecidos pelo fabricante na forma de uma carta de
cobertura, onde as espessuras de proteção são facilmente determinadas;

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b) pode-se calcular analiticamente, com base em dados dos materiais como
densidade, condutividade térmica e calor específico. Esta metodologia é acurada,
porém possui limitações, sobretudo quando os materiais sofrem mudanças físicas
durante o incêndio, como é o caso de tintas intumescentes ou alguns materiais
projetados que possuem fluídos cristalizados em sua composição.

As normas da ABNT que abordam o tema são:


 NBR 14323/99 - Dimensionamento de Estruturas de Aço de Edifícios em
Situação de Incêndio: através desta norma, editada em julho de 1999 e baseado no
Eurocode, é possível realizar cálculos que permitem determinar quando ocorrerá a
falência da estrutura, permitindo assim um cálculo mais realista da necessidade e
do rigor da proteção;
 Exigências de Resistência ao Fogo dos Elementos Construtivos das Edificações;
 Outras normas, legislações e regulamentações estaduais que abordam este tema
(como a C.B.I.T. 08 contida no Decreto Lei nº 46.076 de 2001 do Estado de São
Paulo), são, em geral, baseadas nos documentos mencionados.

Existem diversas formas de proteção de estruturas metálicas, tais como recobrimento


com alvenaria, concretos ou blocos celulares e a aplicação de materiais específicos. Os métodos
mais racionais para a proteção são materiais desenvolvidos especificamente para esta finalidade.
No exterior, a evolução, a adequação dos produtos e a competitividade dos fabricantes
destes materiais geraram produtos extremamente eficazes, com custos coerentes com as
necessidades do mercado. No Brasil, somente a partir de 1997 observou-se uma evolução
significativa neste campo, com a chegada dos maiores fabricantes mundiais de produtos para
proteção passiva para estruturas metálicas (Isolatek International e Grace Construction). Estes e
outros fabricantes desenvolveram produtos específicos para as mais variadas situações e a
consulta a empresas idôneas responsáveis pela correta quantificação e aplicação dos materiais é
fundamental para a perfeita relação entre materiais mais adequados e situação de proteção
(eficiência do sistema).
Rapidamente vamos falar sobre a relação Características x Custo:

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De uma forma geral, quanto maior o requinte estético e a resistência mecânica do
material de proteção, maior o seu custo. Da mesma forma, os materiais mais rústicos e de
resistência mecânica inferior são os mais baratos. Os principais materiais utilizados são listados
abaixo, por ordem decrescente de custo:
 tintas intumescentes;
 concreto vermiculítico;
 placas rígidas;
 mantas de fibra cerâmica.
 materiais projetados (argamassas secas e úmidas).

Os materiais projetados são os mais utilizados mundialmente para a proteção de


estruturas metálicas, sendo especificados para a proteção dos maiores prédios do mundo. A
introdução destes tipos de materiais no Brasil foi a maior responsável pela queda dos preços da
proteção de estruturas metálicas. Estes materiais, desenvolvidos, em sua maioria, para áreas
internas e abrigadas de intemperismos, reduzem significativamente prazos e custos de aplicação
da proteção passiva contra fogo.
Mantas de fibra cerâmica e painéis de lã de rocha são ideais para edificações em
funcionamento; fornecidos prontos para instalação, necessitam de pinos de ancoragem para
fixação; aplicação limpa, sem controle de espessura na obra; alguns tipos de acabamentos
disponíveis, sempre com baixa resistência mecânica.
Tintas intumescentes são boas opções, apresentam excelente acabamento visual;
necessidade de mão de obra muito especializada; requerem controle rigoroso de espessura
(300µm a 6mm), condições climáticas e prazos entre as demãos e acabamento; podem
permanecer expostos, tendo excelente resistência mecânica.
As Placas rígidas possuem acabamento similar às placas de gesso; permitem
acabamento e pintura; boa resistência mecânica; ideais para colunas aparentes, com tempo de
proteção entre 90 e 120 minutos.
Argamassas à base de vermiculita são ideais para áreas industriais e equipamentos, com
testes para petroquímica; aplicação lenta, requerendo elementos de ancoragem e limpeza
posterior à aplicação; podem permanecer expostos e suportam intemperismos.

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Finalmente, para a correta escolha do material de proteção, deve-se levar em
consideração diversos aspectos além de uma simples comparação de custos. Os mais importantes
são:
 aparência, em função da necessidade ou não de requinte estético;
 resistência mecânica (especialmente em garagens, sistemas de retorno de ar
condicionado, áreas de produção industrial, etc.);
 resistência a intemperismos para elementos externos ou expostos;
 requisitos dimensionais (interferências, espaços possíveis para ocupação, etc.);
 período da obra (limpeza necessária, viabilidade de soldagem de ancoragens, etc.);
 procedência, testes e locais onde os materiais tenham sido aplicados;
 velocidade de aplicação;
 capacitação técnica da empresa escolhida e dos funcionários;
 custo (CAMARGO; CAMARGO JR, 2012).

PROTEÇÃO ATIVA
A proteção ativa, ao contrário da passiva, é composta por equipamentos e instalações
contra incêndio que dependem de uma ação para o seu funcionamento, seja manual ou
automática. O objetivo destas instalações é uma detecção rápida do incêndio, para que, dessa
forma, seja mais seguro o abandono dos ocupantes do edifício e tornando possível um combate e
controle mais eficazes do fogo.
Destacam-se como os principais sistemas de proteção ativa:
 Sistema de detecção e alarme automáticos de incêndio (detectores de fumaça,
temperatura, raios infravermelhos, etc. ligados a alarmes automáticos) - NBR -
9441;
 Sistema de iluminação de emergência – NBR - 10898;
 Sistema de controle / exaustão da fumaça de incêndio.
 Sinalização de segurança contra incêndio e pânico - NBR 13434
 Sistema de alarme manual de incêndio (botoeiras) NBR - 9441;
 Sistemas de extinção automática de incêndio (chuveiros automáticos – sprinklers, e
outros sistemas especiais de água ou gases) – NBR - 10897;

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 Sistema de hidrantes – NBR 5667
 Sistemas de proteção por extintores de incêndio - NBR-12693

I) Espuma: é formada a partir da mistura de um determinado agente formador mais a


água e, é lançado com auxílio de um ejetor especial (canhões ou esguichos). Esse tipo de extintor
é utilizado em casos de combate a fogo em inflamáveis, solúveis e derivados do petróleo.
II) Gás carbônico: sua ação de extinção deve-se a rápida substituição do oxigênio do ar,
e dessa maneira, inibe a propagação do fogo. Recomendado em caso de incêndios em centros de
processamento de dados, equipamentos elétricos energizados, cabines de pinturas etc.
III) Pó químico seco: o bicarbonato de sódio é o básico desse produto, feito de modo
que não absorva umidade. Ou pode ser usado o sulfato de potássio, largamente utilizado em
indústria, refinarias, aeroportos etc.
IV) Pó ABC: Um incêndio se caracteriza pelo tipo de material em combustão e pelo
estágio em que se encontra. Existem 3 classes de incêndio mais comuns, identificadas pelas
letras “A”, “B” e “C”. O Pó ABC é um novo tipo de extintor que apaga esses três tipos de classes
de incêndio.

Além dos sistemas citados podem-se considerar outros sistemas de proteção, sendo eles:
Portas corta-fogo para Saída de Emergência - NBR 11742/2003; próprias para
isolamento e proteção das rotas de fuga, retardando a propagação do fogo e da fumaça. Elas
devem resistir ao calor por 60 minutos, no mínimo (o selo deve estar afixado em conformidade
com a ABNT). Toda porta corta-fogo deve abrir sempre no sentido de saída das pessoas.
Rotas de fuga NBR – 9077/1983; Corredores, escadas, rampas, passagens entre prédios
geminados, e saídas, são rotas de fuga e estas devem sempre ser mantidas desobstruídas e bem
sinalizadas.
Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (Pára-raios.) NBR 5419. Os para-
raios deve ser o ponto mais alto do edifício. Massas metálicas como torres, antenas, guarda-
corpos, painéis de propaganda e sinalização devem ser interligadas aos cabos de descida do para-
raios, integrando o sistema de proteção contra descargas elétricas atmosféricas. Os para-raios

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podem ser do tipo FRANKLIN ou GAIOLA DE FARADAY. O tipo Radioativo/Iônico tem sua
instalação condenada devido à sua carga radioativa e por não Ter eficiência adequada.
Tratando-se de uma instalação à qual seria desejável que nunca fosse necessário recorrer
e que felizmente quase sempre fica apenas aguardando a eventualidade de um terrível evento,
existe uma tendência a se desprezar a possibilidade do sinistro – incêndio -, o que,
consequentemente ou não, tem por efeito procurar justificar a economia com a execução de
instalações inadequadas e o desatendimento a existência de ordem arquitetônica e construtiva,
cuja importância é primordial (MARCINTYRE, 1996, p. 338).
Enfim, o propósito global da segurança contra incêndio em edificações é a redução do
risco de perda de vidas e da propriedade, sendo o conceito principal a segurança das pessoas.
O melhor projeto de segurança contra incêndio é realizado pela implantação de um
conjunto de sistemas de proteção ativa (detecção do fogo ; combate ao incêndio, etc). A seleção
de um sistema de segurança deve ser determinada pela probabilidade de ocorrência do incêndio e
o consequente risco à segurança das vidas. Adicionalmente, é necessário identificar a extensão
do dano à propriedade que pode ser considerada tolerável.
Na probabilidade de ocorrência de incêndio, os seguintes fatores devem ser
considerados:
a) a atividade e o conteúdo de combustíveis (carga de incêndio) na edificação.
b) O tipo de edificação.
c) Prevenção ativa do incêndio; as chances de desenvolvimento de um incêndio são
fortemente reduzidas se forem instalados detectores de fumaça e chuveiros
automáticos.

PROCESSOS E EQUIPAMENTOS PARA APAGAR INCÊNDIOS


Acreditamos ter ficado claro até aqui que, em relação ao fenômeno da combustão, o
fundamental para a Prevenção Contra Incêndio é evitar a Energia de Ativação. Para que isto se
torne viável, medidas de vigilância terão de ser adotadas, objetivando eliminar as possíveis
causas de incêndios.

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Para Gomes (1998), tais medidas, na prática, são inexequíveis. Impõe-se, portanto,
encontrar meios e formas de controlar um foco de fogo, logo no seu surgimento, antes que seu
desenvolvimento se torne incontrolável, podendo resultar num incêndio.
A combustão, sendo uma reação química que só ocorre quando presentes em material
combustível, uma fonte de calor e Oxigênio contido no ar ambiente, os processos de extinção
visam separar essa concorrência, ou melhor dizendo, visam desmontar o Triângulo do Fogo.
Considerando-se, ainda, que a combustão se desenvolve com a formação de novas partículas, a
extinção poderá ser obtida, também, com a interrupção desse processo em cadeia.
Os processos adotados objetivam extinguir o fogo por dois caminhos: o físico e o
Químico.

PROCESSO FÍSICO – RESFRIAMENTO E ABAFAMENTO


Resfriamento - Tem por princípio reduzir o calor gerado, provocando a queda da temperatura
para baixo da temperatura de combustão ou de ignição e, em certos casos, abaixo do Ponto de
Fulgor. Neste sentido, o agente extintor é a água, aplicada em forma de jato sólido ou em forma
de uma chuva fina, tipo neblina.

Forma de ação da água - Quando duas substâncias, dois corpos, com temperaturas próprias
diferentes, entram em contato um com o outro, as temperaturas tendem para o equilíbrio.
Face a esta circunstância e como a água, em geral, está em temperatura menor que a dos
materiais em queima, ela vai absorvendo, gradativamente, o calor existente, fazendo baixar a
temperatura até ficar abaixo da temperatura de combustão, eliminando um dos componentes do
Triângulo do Fogo, o calor. É lógico que, para isto acontecer, será necessário consumir uma certa
quantidade d'água, que pode ser calculada conhecendo-se:
a) Quantidade do material envolvido na queima;
b) O Poder Calorífico desse material;
c) O Calor Latente da água.

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Abafamento - É o meio pelo qual se reduz substancialmente, ou até se suprime, a presença do
ar, do Oxigênio, isto é, do comburente no processo da queima. Em outras palavras: se desmonta
o Triângulo do Fogo, eliminando-se o componente comburente, ou seja, o Oxigênio.

Ainda que o ar atmosférico tenha a composição conforme a tabela abaixo, somente o


oxigênio participa do processo da queima ou combustão. Por experiências em laboratórios, o
fogo se apaga quando a taxa relativa ao Oxigênio chega a menos de 8%. O ser humano deixa de
viver se a taxa do Oxigênio ficar abaixo de 17%.

É curioso, também, verificar que a chamada chama da vida humana se relaciona,


fundamentalmente, com o Oxigênio do ar que respiramos, visto que podemos ficar:
 30 dias, consecutivos, sem comer;
 3 dias, consecutivos, sem beber;
 3 minutos, consecutivos, sem respirar.

Sabe-se que o ser humano necessita respirar de 4 a 5 litros de ar por minuto,


consumindo, aproximadamente, 2 litros de Oxigênio por minuto, expelindo cerca de 1,7 litros
por minuto de CO2 (Dióxido de Carbono). O processo de abafamento produz um efeito físico,
cujo principal agente extintor é o Dióxido de Carbono (C02), a Espuma Química ou Mecânica.

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PROCESSOS QUÍMICOS
Na abordagem da reação química, foi mostrada a necessidade de haver concorrência de
três elementos para que uma combustão se verifique. Por outro lado, no processo físico de
extinção do fogo, falamos que, na prática, a desmontagem do conhecido Triângulo do Fogo faria
cessar a reação química, extinguindo o incêndio, ou melhor, o fogo.
Face, todavia, à comprovação de que a combustão é um fenômeno em cadeia, surge um
quarto elemento componente que propicia a sua manutenção. Daí admiti-se, hoje, que o famoso
Triângulo do Fogo se transformou no Quadrilátero do Fogo (GOMES, 1998).
Em decorrência dessa particularidade, a combustão poderá ser extinta, fazendo-se a
interrupção do fenômeno, com a aplicação de um produto químico que efetue tal interrupção.
Dois produtos podem ser utilizados neste processo. São eles: Pó Químico Seco, em uso
desde longa data, e o Halon 1301, utilizado há algum tempo, mas atualmente, sob observação.
Ambos, quando aplicados sobre um material combustível em queima, interrompem a troca direta
de átomos ativos, impedindo a formação de radicais livres. Normalmente, estes dois produtos são
utilizados em Extintores de Incêndio, portáteis e sobre rodas. Também podem ser encontrados
em Sistemas Fixos.

EQUIPAMENTOS E INSTRUMENTOS PARA USO EM COMBATE A INCÊNDIOS


SISTEMA HIDRÁULICO FIXO SOB COMANDO
Entende-se por Sistema Fixo Sob Comando um conjunto de equipamentos, instrumentos
e tubulações que possibilitam usar a água como agente extintor, manipulando-a sobre um foco de
fogo, de modo a impedir que seu desenvolvimento, incontrolável, se transforme num incêndio. A
composição, o projeto e a implantação de um Sistema Fixo Sob Comando obedecem a regras e a
parâmetros constantes de Normas Técnicas e Regulamentos.
No Brasil, as Normas, em geral, são elaboradas e tornadas obrigatórias ao serem
publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – e homologadas pelo
Instituto Nacional de Metrologia – INMETRO. Quanto aos Regulamentos, são dispositivos
publicados pelos Estados da Federação, estabelecendo exigências. Os regulamentos são
elaborados pelas suas respectivas Polícias Militares, ou, diretamente, pelo seu Corpo de
Bombeiros Militares (DE FARIAS, 1986).

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As Normas da ABNT têm fé pública em todo território brasileiro. São homologadas
pelo Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO). Os Regulamentos só têm validade no
território dos seus respectivos Estados.
Existem Normas específicas para fabricação de equipamentos e materiais técnicos, no
nosso caso, destinados ao Sistema de Prevenção Contra Incêndio. Existem também Normas
técnicas específicas para instalação desses equipamentos e materiais.
A distinção fundamental entre Norma e Regulamento, ressalvada a sua área de
influência, está em que as Normas estabelecem as exigências mínimas a serem observadas pelos
projetistas e instaladores dos Sistemas de Prevenção Contra Incêndio, enquanto que os
Regulamentos fixam, não só as edificações e estabelecimentos que devem ser protegidos como,
também, os tipos de equipamentos a serem usados em cada Sistema, uma vez que tais
edificações e estabelecimentos sejam classificados nas diversas classes de Risco, de acordo com
as ocupações de suas dependências e características dimensionais de suas construções (GOMES,
1998).
Por vezes, no interesse de ser reduzido o valor do Prêmio do Seguro Contra Incêndio, as
exigências estabelecidas nas Normas ou Regulamentos são complementadas por exigências
contidas em publicações da Superintendência de Seguro das Empresas Privadas (SUSEP),
exigências estas maiores do que as encontradas nas Normas e Regulamentos.

SISTEMA FIXO SOB COMANDO


É aquele em que o afluxo d'água chega ao ponto de sua aplicação mediante a
intervenção humana, usando equipamentos especializados, tais como:
 Caixa de Incêndio ou Abrigo de Mangueira de Incêndio – Compartimento
destinado a guardar os equipamentos usados no combate ao fogo. As Caixas são
fabricadas para serem colocadas na parede, externamente ou embutida. Suas
dimensões e formas são estabelecidas nos Regulamentos.
 Mangueira Contra Incêndio – Conduto flexível cuja capa é fabricada com fibra
vegetal natural ou sintética, revestida internamente por tubo de borracha, destinada
a projetar a água na direção do ponto de aplicação sobre o fogo, tendo nas

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extremidades conexões de engate rápido, tipo Storz, ou rosqueadas. Diâmetros: 38
mm (1 1/2”) e 63 mm (2 1/2”).
 Esguicho Jato Sólido ou Jato Pleno – Peça metálica, tronco-cônica, adaptável na
extremidade da Mangueira de Incêndio, destinada a formar e orientar o jato d' água
no ponto de aplicação sobre o fogo, em filetes praticamente paralelos.
 Esguicho Jato Variável ou Jato Regulável – Peça metálica, adaptável na
extremidade da Mangueira de Incêndio, com dispositivo de regulagem para
transformar o jato sólido da água em chuva fina, tipo neblina, praticamente na
forma esférica.
 Hidrante Interno Singelo – Dispositivo de tomada d'água, constituído por uma
Válvula Globo-Angular 45° ou 90°, na qual é adaptada à Mangueira de Incêndio.
 Hidrante Interno Duplo – Dispositivo de tomada d'água constituído por duas
Válvulas Globo-Angulares de 45° ou 90°, montadas na extremidade da cabeça
modular, tipo Te industrial, nas quais são adaptadas as Mangueiras de Incêndio.
 Hidrante Singelo de Coluna – Dispositivo de tomada d'água semelhante ao Interno,
localizado na parte externa da edificação, cuja Válvula é montada na extremidade
superior de um ramal vertical da tubulação de incêndio.
 Hidrante Duplo de Coluna – Dispositivo de tomada d'água, localizado na parte
externa da edificação, dotado de duas Válvulas Globo-Angulares de 45° ou 90°
montadas na cabeça modular, na extremidade de um ramal ou seção, vertical da
tubulação de incêndio.
 Hidrante de Recalque (de Fachada ou de Passeio) – Dispositivo para introdução
d'água pelo Corpo de Bombeiros, idêntico ao hidrante Interno, porém localizado na
via pública, na fachada do prédio, via de regra, no passeio, na calçada, embutido em
caixa metálica ou de alvenaria, com tampa também metálica, rebatível, tendo
estampada a palavra incêndio na sua face externa superior.
 Adaptador – Peça metálica de forma cilíndrica, um lado com rosca tipo fêmea ou
macho, no diâmetro igual ao da Válvula Globo-Angular do Hidrante, onde vai ser
conectada e do outro lado engate rápido tipo Storz ou rosca, no diâmetro da
mangueira de Incêndio a que vai ser adaptada.

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 Tampão Cego – Peça metálica cilíndrica no diâmetro da Válvula do Hidrante de
Recalque, ou o Adaptador, destinado a proteger os filetes das roscas respectivas e
evitar pequeno vazamento d'água. Pode ser guarnecido com uma corrente.
 Canalização ou Tubulação de Incêndio – Tubos metálicos, aço carbono ou ferro
galvanizado, conectados entre si, com peças especificamente adequadas, destinada
a conduzir a água desde a sua fonte de suprimento até aos hidrantes, isto é, às
tomadas d'água de incêndio, desenvolvida dentro e/ou fora da edificação aérea
aparente, ou subterrânea, em dutos (shafts) próprios para tubulações.
 Reservatório Superior – Recipiente metálico ou em alvenaria, destinado ao
armazenamento d'água exclusiva para incêndio ou não, localizado na parte superior
da edificação.
 Reservatório Inferior – Idêntico ao Superior, porém localizado na parte inferior da
edificação, no subsolo, ou mesmo enterrado na área construída. Em certos casos,
poderá ser a própria Cisterna.
 Reserva Técnica de Incêndio (RTI) – Quantidade total da água reservada para
alimentar exclusivamente os Hidrantes de Incêndio, armazenada no Reservatório
Superior, Inferior ou na Cisterna.
 Bomba de Incêndio – Bomba acionada por motor elétrico ou não, aplicada no
suprimento d'água, sob pressão, aos Hidrantes do Sistema, aspirando do
Reservatório que contém a RTI.
 Bomba Jóquei ou Booster – Bomba auxiliar da Bomba de Incêndio, destinada
exclusivamente a repor pequenas perdas de pressão causadas por micro vazamentos
na canalização de incêndio. Terá de manter a mesma pressão estática estabelecida
com a Bomba de Incêndio.
 Conjunto Hidráulico da Partida Automática – Dispositivo aplicado na partida
automática da Bomba de Incêndio e, quando for o caso, da Bomba Jóquei,
constituído por:
Tanque Hidropneumático – Cilindro metálico, de pequena capacidade de
armazenagem d'água (10 litros, aproximadamente), com um orifício inferior para
entrada d'água. Rosqueado no fundo para conexão ao Te da gambiarra própria.

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Manômetro (para água) – Instrumento destinado a indicar a pressão estática ou
dinâmica na canalização de incêndio. A Janela, de diâmetro variável, tem escala em
kgf/cm2 e/ou Lbf/pol2 ou em outra escala equivalente.
Pressostato Diferencial – Instrumento de ajustagem da pressão da partida da Bomba
de Incêndio, de modo que isto só ocorra com a queda de pressão na rede de
hidrantes, causada por manobra na sua Válvula Globo Angular ou por vazamento
na própria canalização.
Válvula de Teste – Válvula do tipo globo, pequeno diâmetro, destinada aos ensaios
de funcionamento da Bomba de Incêndio, geralmente instalada abaixo do Tanque
Hidro-pneumático.
Gambiarra – Conjunto de tubos de pequeno diâmetro e comprimento, conectados
entre si, ligado no ramal de recalque da Bomba de Incêndio e no qual os
instrumentos acima são montados.
 Alarme Contra Incêndio – Aparelho elétrico, capaz de produzir som facilmente
audível, de alerta, ativado sempre que houver queda de pressão, ou ocorrer fluxo
d'água na canalização de incêndio. Tal alarme ocorrendo denunciará a entrada em
funcionamento da bomba de incêndio, consequente à um fluxo d'água na
canalização, ou uma queda em sua pressão.
 Chave de Fluxo (Flow Switch) – Aparelho elétrico acionado pelo fluxo d'água,
ainda que de baixa velocidade, no trecho da canalização de incêndio onde estiver
montada, fazendo soar o Alarme Elétrico Contra Incêndio. Em certas instalações
poderá, também, provocar a partida automática da Bomba de Incêndio.
 Quadro Elétrico de Comando – Conjunto de peças e aparelhos montados em um
painel de mármore ou madeira tratada com substância retardante ao fogo,
constituído por uma Chave Faca à prova de explosão, um Contator e, no caso de
duas bombas de incêndio, uma Chave Seletora de Bomba. Neste quadro será ligado
o Pressostato Diferencial, bloqueando a alimentação direta às bombas de incêndio.
 Casa de Máquinas de Incêndio (CMI) – Compartimento construído em alvenaria,
em geral, destinado à instalação das bombas de incêndio e seus pertences, fechado

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por porta do tipo corta-fogo, ventilado através de janela basculante e iluminação à
prova de explosão. Suas dimensões são fixadas pelos Regulamentos.

SISTEMA HIDRÁULICO FIXO AUTOMÁTICO


O primeiro registro do uso automático da água como agente extintor ocorreu em 1723.
Ambrose Godfrey, utilizando-se de um vaso de couro, por ele mesmo construído, cheio com
água e completamente fechado, nele adaptou um cartucho com pólvora em pó e à prova d'água.
Ao cartucho foi fixado um fio fusível (GOMES, 1998).
Uma vez que o fio fusível fosse queimado pelo fogo de um incêndio, em seu início, a
explosão da pólvora arrebentava o vaso e a água se espalhava sobre o fogo. Foi usado, também,
em cima de telhado combustível, para evitar que o fogo o alcançasse por irradiação ou para
reduzir a possibilidade da convecção do prédio vizinho (GOMES, 1998).
O uso da água em forma de chuva foi registrado, pela primeira vez, em 1852, nos
Estados Unidos da América, com o uso de um cano perfurado, instalado na Locks and Canais
Company, em Lowell, Massachussetts. Em 1875, Henry S. Parmelle projetou e fabricou o
primeiro corpo de Chuveiro Automático, conhecido pelo nome de Henry Parmelle N 3. Parmelle
inventou este dispositivo para proteger contra incêndio sua fábrica de pianos em New Haven,
Connecticut, nos Estados Unidos da América.
No período entre 1874 e 1878, a Factory Mutual Insurance Company (FM) compilou
relatórios que indicavam, claramente, a eficiência desse produto na Proteção Contra Incêndio.
No período de 1877 a 1888, os registros da FM mostravam que a perda em dinheiro por
incêndios em prédios não protegidos pelo dispositivo mencionado anteriormente, alcançavam o
montante de $5.700.000 resultantes de 759 sinistros ou o equivalente a $7.509 por incêndio. Em
comparação, em cerca de 10 anos, nos 206 incêndios ocorridos em prédios protegidos por
sprinklers, o montante da perda foi de $224.480, ou seja, $1.089 por sinistro.
Estes resultados convenceram as companhias de seguro, levando-as a estimularem seus
segurados na implantação de sprinklers em seus prédios, com custos, do seguro, reduzidos. O
exemplo do incentivo foi dado pela Factory Mutual (FM), cujos registros mostram que, em
1875, o custo do Seguro Contra Fogo era de 30 cents por $100, enquanto que, nos mesmos 30
anos da avaliação, os custos caíram para 4 ou 5 cents pelos mesmos $100.

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John Kane foi o primeiro a usar a Liga Termofusível para o funcionamento automático
do sprinklers, fato que ocorreu em 1881.
Entre os anos de 1872 e 1914, mais de 450 patentes de automatic sprinklers foram
registradas nos Estados Unidos da América.
Em 1914, a lista da Factory Mutual relacionava apenas 10 modelos de Automatic
Spriniklers Head, e em 1974 somente 15 modelos.
Atualmente, existem várias empresas fabricantes desse produto. A maior parte está nos
Estados Unidos da América, cujo elemento termossensível usado é, em sua grande maioria, do
tipo Liga Fusível. Outras se localizam na Europa e no Japão. No Brasil já existem mais de 5
firmas fabricantes. Todas usam como elemento termossensível a Ampola Estilhaçável de Vidro.
As instalações fixas automáticas, usando a água como o agente extintor, não dependem
do ser humano para sua aplicação sobre um material combustível em queima. Fazem parte desse
Sistema os Chuveiros Automáticos Contra Incêndio, muito mais conhecidos pelo seu nome em
língua inglesa, Automatic Fire Sprinklers Systems, ou, simplesmente, Sprinklers (GOMES,
1998).
A definição, a composição, seus equipamentos, as exigências técnicas para a montagem
desse Sistema e as especificações da fabricação dos Chuveiros são regulados por Normas e
Regulamentos. No Brasil, as Normas Técnicas vigentes são:
a) Para fabricação:
EB-152/90 - Especificação (ABNT)
MB-267/90 - Métodos de Ensaios (ABNT)

b) Para instalação:
EB-1135/90 da ABNT

Os Regulamentos, todos elaborados pelas Polícias Militares ou pelos Corpos de


Bombeiros Militares, diretamente, são implantados em cada Estado da Federação, através de
Decreto dos Governos Estaduais, disciplinando suas aplicações.
Todavia, outros documentos específicos poderão ser consultados, tais como:

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a) NFPA Nº 13 - Installation of Sprinklers Systems (National Fire Protection
Association - USA);
b) LPC - Rules of the Fire for Automatic Sprinklers (Loss Prevention Council -
England);
c) ISO/OIS 6182-1.2 - Fire Protection Sprinklers System Part 1: Requirements and
Methods of Test for Sprinklers.

Os Sistemas de Chuveiros Automáticos Contra Incêndio são classificados em:


a) Cano Molhado;
b) Cano Seco;
c) Ação Prévia;
d) Dilúvio;
e) Combinado: Cano Seco/Ação Prévia.

Nos Sistemas são usados produtos que, em razão das suas formas de funcionar, podem
ter os seus orifícios de passagem da água permanentemente fechados ou abertos. Os primeiros
denominam-se Chuveiros Automáticos e os segundos Chuveiros Abertos.

SISTEMAS
CANO MOLHADO
Tubulação completamente cheia d'água e permanentemente mantida sob pressão.
Consequentemente, os Chuveiros instalados em seus ramais também ficam sujeitos à mesma
pressão. A pressurização se faz por gravidade ou por meio de bomba elétrica ou não. Nas
instalações de grande porte, a entrada d'água na coluna é feita através de um conjunto de duas
válvulas, denominado VGA – Válvula de Governo e Alarme. Uma delas é do tipo Gaveta e a
outra fabricada especificamente para exercer duas funções: retenção e acionamento do alarme
hidráulico. Esta válvula especial tem o nome de Válvula de Retenção e Alarme, VRA. A Válvula
Gaveta normalmente fica totalmente aberta. Seu fechamento só ocorre por motivo de força
maior.

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Quando, por efeito do calor produzido pela queima de um material combustível, o
elemento termossensível, liga fusível ou ampola estilhaçável de vidro é ativado, a água é
liberada, atravessa o orifício e é descarregada no meio ambiente, provocando a queda da pressão
no Sistema.

CANO SECO
Tubulação mantida temporariamente vazia, pressurizada com Ar Comprimido ou
Nitrogênio, em cujos ramais são instalados os chuveiros automáticos contra incêndio. Na coluna
do sistema é instalada uma válvula denominada válvula de cano seco. Quando qualquer elemento
termossensível é ativado, por efeito do calor, o ar ou o Nitrogênio é liberado, a pressão na
tubulação cai, a água é pressurizada pela gravidade ou pela bomba, provocando a abertura da
referida válvula, e a descarga no ambiente se dá pelo chuveiro cujo orifício foi liberado.
A tubulação do sistema fica cheia, mas a descarga no ambiente só se faz pelo dito
Chuveiro, aliás, como acontece com o Sistema de Cano Molhado. A água, ao passar pela
tubulação, através da VGA, faz também soar o Alarme Hidráulico. Este Sistema é implantado
nas áreas onde poderá ocorrer congelamento.

AÇÃO PRÉVIA
Tubulação mantida temporariamente vazia, pressurizada com Ar ou Nitrogênio, em
cujos ramais são instalados os Chuveiros Automáticos. A água é mantida sob pressão sobre uma
válvula denominada Válvula de Ação Prévia, instalada na coluna de incêndio. O Sistema é
complementado por um outro sistema, o Sistema Automático de Detecção de Calor e Alarme.
Quando qualquer sensor deste Sistema é ativado por efeito do calor da queima de um material
combustível, a bomba de incêndio é acionada, entra em funcionamento, provoca a abertura da
referida Válvula, enche a tubulação d'água. Todavia, a água só é descarregada pelo Chuveiro que
tiver sido ativado pelo calor. No instante em que aquele sensor entrou em atividade, também fez
soar o Alarme Elétrico Contra Incêndio.
Quando a tubulação é pressurizada pela ação gravitacional, não existindo bomba de
incêndio, o Sistema de Detecção é ligado diretamente à Válvula de Ação Prévia. Assim, logo que

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qualquer detector, ou melhor, sensor, é ativado pelo calor, o Sistema aciona a abertura da citada
Válvula, funcionando como foi acima esclarecido.
Este Sistema também é empregado nos sistemas onde a água pode ser congelada.

DILÚVIO
Tubulação mantida temporariamente seca, não pressurizada, em cujos ramais são
instalados Chuveiros Abertos Contra Incêndio. Estes Chuveiros têm seus orifícios sempre
abertos, portanto, não dotados com o elemento termossensível. A água é mantida sob pressão
numa válvula denominada Válvula Dilúvio.
Este Sistema é complementado por um outro, denominado Sistema de Detecção e
Alarme Contra Incêndio. Quando qualquer detector ou sensor deste Sistema é ativado pela ação
do calor desprendido do material combustível em queima, o Painel Central, ao qual estão ligados
todos os sensores do referido Sistema, também é ativado, aciona o Quadro Elétrico de Comando
da Bomba de Incêndio, fazendo-a funcionar. A pressão da água aumenta, abre a Válvula Dilúvio,
percorre toda a tubulação e é descarregada por todos os Chuveiros, simultaneamente.
Neste instante, o Alarme Contra Incêndio soa no ambiente, provocado pelo dispositivo
da partida automática, por sua vez ligado àquele Quadro. O Sistema Dilúvio geralmente é
instalado em áreas abertas para proteger certos equipamentos elétricos, tais como
Transformadores, ou para provocar o resfriamento de tanques de estocagem de combustíveis
líquidos ou de inflamáveis.

COMBINADO CANO SECO E AÇÃO PRÉVIA


Tubulação mantida temporariamente vazia, pressurizada com Ar ou Nitrogênio e em
cujos ramais são instalados Chuveiros Automáticos Contra Incêndio. Esse sistema é
complementado por um sistema de detecção e alarme, cujos sensores têm maior sensibilidade do
que os componentes termossensíveis dos chuveiros automáticos.
Quando qualquer um dos sensores é ativado pelo calor desprendido da queima de um
material combustível, ativa imediatamente o seu módulo no Painel Central para abertura das
duas válvulas. A água enche toda a tubulação. Porém, só será descarregada no meio ambiente
pelo chuveiro cujo elemento termossensível tiver liberado a sua passagem.

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EXPLOSIVOS

De acordo com a redação dada à NR 19, explosivos são substâncias capazes de


rapidamente se transformarem em gases, produzindo calor intenso e pressões elevadas, se
subdividindo em:
a) explosivos iniciadores: aqueles que são empregados para excitação de cargas
explosivas, sensíveis ao atrito, calor e choque. Sob efeito do calor, explodem sem
se incendiar;
b) explosivos reforçadores: os que servem como intermediários entre o iniciador e a
carga explosiva propriamente dita;
c) explosivos de rupturas: são os chamados altos explosivos, geralmente tóxicos;
d) pólvoras: que são utilizadas para propulsão ou projeção.

A construção dos depósitos de explosivos deve obedecer aos seguintes requisitos:


a) construída em terreno firme, seco, a salvo de inundações e não sujeito à mudança
frequente de temperatura ou ventos fortes e não deverá ser constituído de extrato
de rocha contínua;
b) afastada de centros povoados, rodovias, ferrovias, obras de arte importantes,
habitações isoladas, oleodutos, linha tronco de distribuição de energia elétrica,
água e gás;
c) os distanciamentos mínimos para a construção do depósito segundo as Tabelas A,
B e C.

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TÉCNICAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO

TÉCNICAS DE SALVAMENTO
Salvamento é a palavra que os Bombeiros mais ouvem no seu dia-a-dia. E para cada
tipo de salvamento usam técnicas diferentes. É claro que em todos os casos é preciso muito
cuidado porque a vítima está em desespero e qualquer erro pode ser fatal. Há vários tipos de
técnicas de salvamento, dentre elas:
Técnica de Escalada - quando a vítima está em uma árvore ou um prédio, por exemplo,
os bombeiros usam esta técnica para chegar ao local do resgate de quem está em perigo. Através
de cordas os bombeiros sobem, de baixo para cima, até o local onde está a pessoa que precisa de
resgate.
Técnica de Rapel - esta técnica é muito usada nos casos de buscas de vítimas no interior
de florestas fechadas, como por exemplo, na busca de possíveis sobreviventes na queda de
aviões nas selvas. Um helicóptero fica “parado” do ar e os bombeiros descem, através de cabos
de aço, até o chão e lá realizam seu trabalho.
Técnica do Salto Suicida - é utilizada para o resgate de pessoas que ameaçam se
suicidar e que estão na janela de um edifício. Por baixo, um bombeiro, em técnica de escalada,
chega até a janela ou varanda onde está a pessoa que ameaça se suicidar e conversa com ela,
distraindo sua atenção. Pelo lado de cima, em um cabo de aço, desce um outro bombeiro, que
quando chega próximo a vítima, em questão de segundos, “salta” sobre ela, derrubando-a para
dentro da sacada ou apartamento. O salto, certeiro, já salvou a vida de muitas pessoas, que
desesperadas pensaram em se matar, mas depois de salvas e de uma boa conversa, se
arrependeram e agradeceram os bombeiros por tê-las salvado naquele momento de dor e
desespero.
De todo modo, nenhum sistema de prevenção de incêndios será eficaz se não houverem
pessoas treinadas e capacitadas para operá-lo. Pessoas que, com conhecimento de prevenção e
combate ao incêndio, com capacitação para situações imprevistas e de emergência, com controle
emocional e ainda com conhecimento de técnicas de primeiros socorros, serão decisivas em

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situações críticas salvando empresas de sucumbirem diante do fogo e acima de tudo evitando que
vidas sejam perdidas.

AS BRIGADAS DE INCÊNDIO
A Lei Federal n°. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que dá diretrizes sobre Segurança
e Medicina do Trabalho, regulamentada pela Portaria 3.214/78, prevê grupos de enfrentamento a
emergências, denominados de Brigadas de Incêndio.
A constituição destas equipes, seguida de um bom treinamento garante, às empresas que
as mantém, premiações relativas a Tarifação do Seguro de Incêndio do Brasil.
Apesar da referência nas leis que tratam de proteção contra incêndio, constata-se que os
grupos de combate a incêndios, não dispõem de amparo normativo tão detalhado como deveria
ser, segundo a opinião da maioria dos profissionais de Segurança.
Mais recente, a NBR 14276 - Programa de Brigada de Incêndio, da Associação
Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, aborda com mais profundidade o assunto propondo
relações do número de funcionários com a classe da edificação para definição dos brigadistas e
dá algumas atribuições e procedimentos.
As Brigadas de Incêndio serão organizadas segundo o risco e deverão ser treinadas tanto
no combate ao fogo como na sua prevenção. Deverão ser compostas com pessoal de
responsabilidade, conhecedores de seus locais de trabalho, que morem nas proximidades,
elementos de boa vontade, de raciocínio rápido, com espírito de iniciativa e, até certo ponto, de
sacrifício. Sempre deverão fazer parte da Brigada, como chefes, um ou dois gerentes ou
elementos com cargo de chefia.
A escolha do pessoal que formará a Brigada deverá ser feita de tal maneira que se
assegure nos grandes estabelecimentos, uma continuidade de permanência dos elementos
treinados durante as vinte e quatro horas. A quantidade de elementos varia em função de vários
fatores, entretanto, obrigatoriamente deverão fazer parte; a guarda do estabelecimento,
eletricistas, encarregados das manobras de água e representantes do todas as seções, variando em
quantidade, segundo a importância e perigo que as mesmas ofereçam.
São requisitos importantes para a escolha dos brigadistas:
a) Suficiente robustez física e boa saúde;

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b) estabilidade emocional;
c) capacidade de raciocínio;
d) possuir bom conhecimento das instalações;
e) residir nas proximidades;
f) ser alfabetizado.

O chefe da brigada ou comandante, deverá ser muito bem escolhido entre as pessoas de
grande responsabilidade do estabelecimento, ter suficiente autoridade, ser enérgico, estar sempre
pronto para qualquer trabalho e ser hábil no trato do pessoal. Depois, deverá ter um bom
conhecimento de prevenção e combate a incêndio e capacitação para situações imprevistas e de
emergência.
O número de brigadistas e a quantidade do material para a Brigada de Incêndio,
dependerá de diversos fatores:
a) O risco de incêndio oferecido na área a proteger;
b) a extensão e localização do mesmo;
c) as possibilidades de receber socorro público (distância do Corpo de
bombeiros mais próximo);
d) tipo de construção do estabelecimento;
e) a distribuição dos pontos perigosos na construção;
f) elementos humanos com que conta.

Atuar como brigadista é como atuar em qualquer outra profissão. Existem atribuições
que são específicas de cada atividade, mas também existem atribuições que são para todos.
Todas as equipes devem, além do conhecimento específico à atividade que executam, saber agir
de forma a garantir que todo o plano de prevenção e combate funcione perfeitamente. Como há o
genérico, também existe o específico. Cada elemento, dentro de sua equipe, tem suas funções
peculiares, sem as quais não haverá um bom andamento das atividades. É necessário que cada
um saiba as funções que lhe cabem quando for necessário.
São atribuições gerais dos brigadistas:

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 Exercer a prevenção, combater princípios de incêndio, efetuar o abandono e salvamento
de acordo com as atribuições e os planos existentes;
 Conhecer os riscos de incêndio da edificação e todas as instalações da edificação;
 Promover medidas de segurança; inspeção geral e periódica dos equipamentos de
segurança; além de inspeção geral das rotas de fuga;
 Conhecer os locais de alarme de incêndio e o princípio de acionamento do sistema;
 Ter sempre a mão todos os telefones e ramais necessários;
 Ser capaz de orientar a população fixa e flutuante; novos empregados;
 Conhecer o princípio de funcionamento dos agentes extintores;
 Atender imediatamente a qualquer chamado de emergência;
 Agir de maneira rápida, enérgica e consciente em situações de emergência. (Disponível
em: <http://portal.mte.gov.br/legislacao/18-26-protecao-contra-incendio.htm>).

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RISCOS RELATIVOS AO MANUSEIO, ARMAZENAGEM E
TRANSPORTE DE SUBSTÂNCIAS AGRESSIVAS: insalubridade e
periculosidade

Conhecer e entender toda a dinâmica dos combustíveis inflamáveis, os quais são


considerados substâncias, é de suma importância para os profissionais que lidam com a
segurança do trabalho.

COMBUSTÍVEIS E INFLAMÁVEIS
Do ponto de vista do processo da combustão, os combustíveis podem ser classificados
da seguinte forma:
- Sólidos Comuns;
- Líquidos Inflamáveis;
- Gases Inflamáveis;
- Materiais Químicos de Grande Risco.

SÓLIDOS COMUNS (COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS)


A queima de um combustível sólido é facilitada na medida em que ele está mais
dividido e a umidade for mínima.
Os sólidos combustíveis mais comuns, encontrados em quase todas as edificações
residenciais comerciais e industriais, têm as seguintes composições:

Os corpos sólidos ao se queimarem passam por três estágios:


- Destilação;

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- Inflamação;
- Incandescência.

DESTILAÇÃO
É o estágio em que ocorre o desprendimento dos gases ignicíveis, visto o corpo ter
alcançado o seu Ponto de Fulgor. Tem início, propriamente dito, a Pirólise.

INFLAMAÇÃO
É o estágio em que surge a chama, visto o corpo ter alcançado a sua Temperatura de
Inflamação, correspondente à sua Temperatura de Ignição, e os gases se inflamam.

INCANDESCÊNCIA
É o estágio em que ocorre o desprendimento de calor provocado pelas chamas. A
temperatura do corpo se eleva, dando condições para a realização da combustão. Este estágio
caracteriza o Poder Calorífico do corpo.

LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS (COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS)


Os corpos líquidos ao alcançarem seu Ponto de Fulgor se transformam em gases.
Continuando o aquecimento, por fonte externa, atingem a Temperatura de Combustão, emitindo
gases inflamáveis em quantidade suficiente para sustentar a dita combustão e a manutenção da
chama.

RAPIDEZ DE INFLAMABILIDADE
De acordo com a rapidez de suas inflamabilidades, os Líquidos Inflamáveis podem ser
classificados como se segue:
Classe 1 - Altamente Inflamável. Ponto de Fulgor abaixo de (- )5°C ou 23°F.
Classe 2 - Inflamável. Ponto de Fulgor de (- )5°C ou 23°F até 21°C ou 70°F.
Classe 3 - Pouco Inflamável. Ponto de Fulgor acima de 21°C ou 70°F até 93°C ou 200°F.
Classe 4 - Não Inflamável. Ponto de Fulgor acima de 93°C ou 200°F.

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PONTO DE FULGOR
Devido seu Ponto de Fulgor, na prática, os Líquidos Inflamáveis são agrupados da
seguinte maneira:
Classe 1 - Acetona, Benzeno, Benzina, Bissulfato de Carbono, Butano, Éter e Gasolina.
Classe 2 - Ácido Acético, Álcool e Tolueno ou Toluol.
Classe 3 - Querosene.

GASES INFLAMÁVEIS (COMBUSTÍVEIS GASOSOS)


Os corpos gasosos entram em queima mais facilmente, pois não passam pelo processo
de transformação a que estão sujeitos os sólidos e os líquidos. A combustão é direta, dependendo
fundamentalmente da concentração com que se misturam com o ar. Experimentalmente, existem
duas concentrações limites, entre as quais a mistura ar-gás-combustível é inflamável. São elas:
Limite de Explosividade Inferior e Limite de Explosividade Superior.

LIMITE DE EXPLOSIVIDADE
Por definição, Limite de Explosividade é a máxima e a mínima concentração de gases
ou vapores, cuja mistura com o ar ou oxigênio é ignicível, na qual, acima ou abaixo desse Limite
não há nenhum risco de ignição. A Tabela abaixo relaciona alguns combustíveis gasosos, seus
Pontos de Fulgor, Pontos de Ignição e Limites de Explosividade.

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MATERIAIS QUÍMICOS DE GRANDE RISCO
Com exceção dos explosivos, reconhecidamente perigosíssimos, merecendo cuidados
especiais quanto ao seu manuseio e armazenamento, as substâncias químicas consideradas de
grande risco, podem receber a seguinte classificação:
- Sólidos Inflamáveis;
- Plásticos e Filmes;
- Agentes Oxidantes;
- Ácidos e Outros Corrosivos;
- Venenos;
- Substâncias Radioativas.

SÓLIDOS INFLAMÁVEIS
Para os fins da Prevenção Contra Incêndio, são considerados como Sólidos Inflamáveis
aquelas substâncias que se incendeiam facilmente, ou provocam incêndio, seja pela fricção, pela
exposição ao ar, pela absorção de umidade, pela absorção de pequena quantidade de calor.
• Quanto à fricção:
- Enxofre;
- Fósforo (vermelho, branco ou amarelo);
- Persulfato de Fósforo;
- Peróxido de Benzol Seco.
• Quanto à exposição ao ar:
- Boro;
- Carvão Vegetal;
- Ferro Pirofórico;
- Fósforo (vermelho, branco ou amarelo);
- Hidratos;
- Lítios;
- Nitrito de Cálcio;
- Pó de Zinco.
• Quanto à absorção de umidade:

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- Cálcio;
- Carbonato de Alumínio;
- Carbureto de Cálcio;
- Hidratos;
- Hidrossulfito de Sódio;
- Magnésio (se finamente dividido);
- Óxido de Cálcio;
- Peróxido de Bário;
- Pó de Alumínio;
- Pó de Bronze;
- Pó de Zinco;
- Potássio;
- Selênio;
- Sódio;
- Sulfeto de Ferro.
• Quanto à absorção de pequena quantidade de calor:
- Carvão Vegetal;
- Dinitrocanilina;
- Dinitrobenzol;
- Nitrato de Celulose (nitrocelulose);
- Pentasulfato de Antimônio;
- Pentasulfato de Sódio;
- Piroxilina;
- Pó de Zircônio;
- Sesquisulfato de Fósforo.

PLÁSTICOS E FILMES
Plásticos com base de Nitrocelulose – celuloide, inflamam-se pouco acima de 100°C. Se
decompõe acima de 150º C. Esta decomposição é acompanhada de evolução de calor,
alcançando essa temperatura que propicia a combustão espontânea. Queima muito rapidamente.

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Plásticos à base de Gomalaca – os plásticos à base de gomalaca queimam
vagarosamente. O trato com materiais deve ser feito cautelosamente, reduzindo ao máximo suas
quantidades e cuidando para não haver ocorrência de chama, luz; proibido riscar fósforo ou ter
cigarro aceso. O celuloide é composto de 2/3 de Nitrocelulose (Algodão Pólvora) e 1/3 de
Cânfora.

AGENTES OXIDANTES
São substâncias sólidas que contêm apreciável quantidade de Oxigênio e capazes de
facilitar ou, até mesmo, de provocar incêndio quando em contato com material combustível.
Principais Agentes Oxidantes:
- Ácido Crômico;
- Ácido Perclórico;
- Bromato de Potássio;
- Cloreto de Bário;
- Cloreto de Cálcio;
- Cloreto de Potássio;
- Cloreto de Zinco;
- Hipoclorito de Cálcio;
- Hipoclorito de Sódio;
- Nitrato de Amônia;
- Nitrato de Bário;
- Nitrato de Cobalto;
- Nitrato de Cobre;
- Nitrato de Chumbo;
- Nitrato de Ferro;
- Nitrato de Magnésio;
- Nitrato de Níquel;
- Nitrato de Potássio;
- Nitrato de Prata;
-Nitrato de Sódio;

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- Nitrato de Tório;
- Nitrato de Urânio;
- Perclorato de Amônia;
- Perclorato de Potássio;
- Perclorato de Sódio;
- Permanganato de Amônia;
- Permanganato de Potássio;
- Peróxido de Bário;
- Peróxido de Estrôncio;
- Peróxido de Potássio;
- Peróxido de Sódio.

ÁCIDOS E OUTROS CORROSIVOS


São substâncias que, em contato com corpos combustíveis, podem desenvolver calor
suficiente para provocar um incêndio ou forte corrosão.
Os principais ácidos e corrosivos são:
- Ácido Muriático;
- Ácido Clorídrico;
- Ácido Crômico (solução);
- Ácido Fluorídrico;
- Ácido Nítrico;
- Ácido Perclórico;
- Ácido Sulfúrico;
- Bromo;
- Cloreto de Acetil;
- Cloreto de Benzil;
- Cloreto de Cloracetil;
- Cloreto de Enxofre;
- Oxicloreto de Fósforo;
- Pentacloreto de Antimônio;

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- Peróxido de Hidrogênio;
- Água Oxigenada (8 a 45%);
- Trióxido de Enxofre.

Venenos – são citados nesta apostila exclusivamente porque são altamente perigosos
para o ser humano. Estão relacionados os que em forma de gases, ou de vapores, em pequenas
quantidades misturados com o ar podem causar a morte. São eles:
- Ácido Cianídrico;
- Acroleína;
- Bromacetona;
- Brometo de Metila;
- Cloreto de Fenilcarbilamina;
- Cloro-Picrina;
- Cianogênio;
- Dióxido de Nitrogênio;
- Etildicloroarsina;
- Fosgênio;
- Gás Mostarda;
- Metildicloroarsina;
- Peróxido de Nitrogênio.

SUBSTÂNCIAS RADIOATIVAS
São substâncias que podem ser prejudiciais ao ser humano, se submetido à ação por
longo tempo, se elas forem de pequena radiação, ou por curto tempo, se elas forem de grande
radiação. No tocante à Prevenção Contra Incêndio, elas são usadas nos sensores do tipo
radioativo: detectores de fumaça, de pequena ação radioativa, não oferecendo motivo para
preocupação (GOMES, 1998).

RISCOS RELATIVOS AO MANUSEIO, ARMAZENAGEM E TRANSPORTE DE


SUBSTÂNCIAS AGRESSIVAS

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A legislação que rege as condições de insalubridade e de periculosidade são as NR 15 –
Atividades e Operações Insalubres e a NR 16 – Atividades e Operações Perigosas e o Decreto nº
9967/06.
No caso dos servidores públicos civis da União, temos respaldo nos artigos 68,69 e 70 e
o § 2º do art. 186 da Lei nº 8.112, de 11/12/90 (D.O.U. de 12/12/90). Além do Art. 12 da Lei nº
8.270, de 17/12/91 (D.O.U. 19/12/91, retificado pelo D.O.U. de 20/12/91 e de 24/12/91).
Insalubridade: são consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por
sua natureza, condição ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à
saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e
do tempo de exposição aos seus efeitos (art. 189 da CLT); o exercício do trabalho em condições
insalubres assegura ao trabalhador o direito ao adicional de insalubridade, que será de 40, 20 ou
10%, do salário mínimo regional.
Há, no entanto, jurisprudência de Ação Trabalhista onde a Justiça define que o cálculo
deve ser feito sobre o salário-base do trabalhador.
Periculosidade: são consideradas atividades ou operações perigosas aquelas que, por
sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou
explosivos, eletricidade ou radiações em condições de risco acentuado (art. 193 da CLT); o
trabalho nessas condições dá ao empregado o direito ao adicional de periculosidade, cujo valor é
de 30% sobre seu salário contratual.
Nos casos citados acima, o trabalhador tem que concordar na realização das
tarefas.
Se o local de trabalho for insalubre e perigoso, a empresa pagará apenas um adicional,
em valor a ser estipulado por laudo pericial específico.
Sobre os adicionais, de natureza pecuniária, devidos ao servidor que venha a exercer
suas atividades em condições consideradas insalubres, perigosas, de risco ou de caráter penoso, é
importante saber:
 A caracterização da atividade insalubre, perigosa ou penosa depende da realização de
perícia;
 Os Adicionais incidem apenas sobre o vencimento básico. No caso de Periculosidade, no
percentual único de 30% (trinta por cento) sobre o salário básico. Tratando-se de

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Insalubridade, os percentuais são de 10%, 20% e 40% sobre o Salário Mínimo da região,
conforme o grau de Insalubridade seja considerado mínimo, médio ou máximo,
respectivamente;
 O servidor tem direito aos Adicionais enquanto estiver exercendo atividades em
ambientes de condições adversas, identificadas pela perícia. Caso as condições
ensejadoras da concessão dos Adicionais sejam eliminadas ou reduzidas pela adoção de
medidas de segurança, a exemplo de fornecimento de Equipamentos de Proteção
Individual – EPI, pode não persistir o direito aos Adicionais ou ser reduzido o percentual
concedido;
 Os Adicionais de Periculosidade e de Insalubridade não são incorporáveis aos proventos
de aposentadoria por falta de amparo legal;
 Não há regulamentação no âmbito do Serviço Público para a concessão de aposentadoria
especial pelo exercício de atividades insalubres ou perigosas;
 O servidor que fizer jus, simultaneamente, aos Adicionais de Insalubridade e de
Periculosidade deverá optar por um deles;
 A servidora, enquanto estiver gestante ou amamentando, será, obrigatoriamente, afastada
do exercício da atividade tida como insalubre, perigosa ou penosa, deixando de perceber
os adicionais enquanto durar o afastamento;
 O servidor que se afastar, independentemente do motivo, perderá o direito ao adicional
no período correspondente ao afastamento.
 Os adicionais de insalubridade e de periculosidade e a gratificação de Raios X (ver p. 29)
são inacumuláveis, devendo o servidor optar por um deles. (Base Legal está no artigo 68
da Lei nº 8.112/90. Artigo 12 da Lei nº 8.270/91, quando se tratar de servidor público
(UNESP, 2010).
A insalubridade e a periculosidade têm como base legal a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), em seu Título II, cap. V seção XIII, e lei 6.514 de22/12/1977, que alterou a
CLT, no tocante a Segurança e Medicina do Trabalho.
Ambas foram regulamentadas pela Portaria 3.214/78, por meio de Normas
regulamentadoras.

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EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI

Segundo a NR-6, o Equipamento de proteção Individual (EPI) é um dispositivo de uso


individual destinado a neutralizar ou atenuar um possível agente agressivo contra o corpo do
trabalhador; evitam lesões ou minimizam sua gravidade e protegem o corpo contra os efeitos de
substâncias tóxicas, alérgicas ou agressivas, que causam as doenças ocupacionais.
Quanto ao EPI, cabe ao empregador:
 Distribuir gratuitamente o EPI adequado à função e ao risco em que o empregado
esteja exposto;
 Fornecer o treinamento adequado ao uso;
 Fazer controle do preenchimento da ficha de EPI, onde deve constar a descrição do
mesmo, juntamente com a certificação (CA) pelo órgão nacional competente (MTE),
a data de recebimento e devolução e a assinatura do termo de compromisso.

Quanto ao empregado:
 Cabe fazer uso do EPI apenas para as finalidades a que se destina;
 Responsabilizar-se pelo bom uso e conservação;
 Comunicar qualquer alteração (SEBRAE/ES, 2008).

PRINCIPAIS EPIS UTILIZADOS NA ATUALIDADE


Abaixo, estão listados os principais itens de EPI disponíveis no mercado, além de
informações e descrições importantes para assegurar a sua identificação e o uso:

LUVAS
Um dos equipamentos de proteção mais importantes, pois protege as partes do corpo
com maior risco de exposição, as mãos.
Existem vários tipos de luvas no mercado e a utilização deve ser de acordo com o tipo
de formulação do produto a ser manuseado.

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A luva deve ser impermeável ao produto químico. Produtos que contêm solventes
orgânicos, como, por exemplo, os concentrados emulsionáveis, devem ser manipulados com
luvas de BORRACHA NITRÍLICA ou NEOPRENE, pois estes materiais são impermeáveis aos
solventes orgânicos. Luvas de LÁTEX ou de PVC podem ser usadas para produtos sólidos ou
formulações que não contenham solventes orgânicos.
De modo geral, recomenda-se a aquisição das luvas de borracha NITRÍLICA ou
NEOPRENE, materiais que podem ser utilizados com qualquer tipo de formulação.
Existem vários tamanhos e especificações de luvas no mercado. O usuário deve
certificar-se sobre o tamanho ideal para a sua mão, utilizando as tabelas existentes na
embalagem.

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RESPIRADORES
Geralmente chamados de máscaras, os respiradores têm o objetivo de evitar a inalação
de vapores orgânicos, névoas ou finas partículas tóxicas através das vias respiratórias. Existem
basicamente dois tipos de respiradores: sem manutenção (chamados de descartáveis) que
possuem uma vida útil relativamente curta e recebem a sigla PFF (Peça Facial Filtrante), e os de
baixa manutenção que possuem filtros especiais para reposição, normalmente mais duráveis.
Os respiradores mais utilizados nas aplicações de produtos fitossanitários são os que
possuem filtros P2 ou P3.
Os respiradores são equipamentos importantes, mas que podem ser dispensados em
algumas situações, quando não há presença de névoas, vapores ou partículas no ar, por exemplo:
a) aplicação tratorizada de produtos granulados incorporados ao solo;
b) pulverização com tratores equipados com cabines climatizadas.

Devem estar sempre limpos, higienizados e os seus filtros jamais devem estar saturados.
Antes do uso de qualquer tipo de respirador, o usuário deve estar barbeado, além de
realizar um teste de ajuste de vedação, para evitar falha na selagem.
Quando estiverem saturados, os filtros devem ser substituídos ou descartados.
É importante notar que, se utilizados de forma inadequada, os respiradores tornam-se
desconfortáveis e podem transformar-se numa verdadeira fonte de contaminação.
O armazenamento deve ser em local seco e limpo, de preferência dentro de um saco
plástico.

VISEIRA FACIAL
Protege os olhos e o rosto contra respingos durante o manuseio e a aplicação.
A viseira deve ter a maior transparência possível e não distorcer as imagens. Deve ser
revestida com viés para evitar corte. O suporte deve permitir que a viseira não fique em contato
com o rosto do trabalhador e embace. A viseira deve proporcionar conforto ao usuário e permitir
o uso simultâneo do respirador, quando for necessário.

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Quando não houver a presença ou emissão de vapores ou partículas no ar, o uso da
viseira com o boné árabe pode dispensar o uso do respirador, aumentando o conforto do
trabalhador.
Existem algumas recomendações de uso de óculos de segurança para proteção dos
olhos. A substituição dos óculos pela viseira protege não somente os olhos do aplicador, mas
também o rosto.

JALECO E CALÇA HIDRORREPELENTES


São confeccionados em tecido de algodão tratado para se tornarem hidrorrepelentes, são
apropriados para proteger o corpo dos respingos do produto formulado e não para conter
exposições extremamente acentuadas ou jatos dirigidos. É fundamental que jatos não sejam
dirigidos propositadamente à vestimenta e que o trabalhador mantenha-se limpo durante a
aplicação.
Os tecidos de algodão com tratamento hidrorrepelente ajudam a evitar o molhamento e
a passagem do produto tóxico para o interior da roupa, sem impedir a transpiração, tornando o
equipamento confortável.
Estes podem resistir até 30 lavagens, se manuseados de forma correta. Os tecidos devem
ser preferencialmente claros, para reduzir a absorção de calor e ser de fácil lavagem, para
permitir a sua reutilização.
Há calças com reforço adicional nas pernas, que podem ser usadas nas aplicações onde
exista alta exposição do aplicador à calda do produto (pulverização com equipamento manual,
por exemplo).

JALECO E CALÇA EM NÃO TECIDO


São vestimentas de segurança confeccionados em não tecido. Existem vários tipos de
não tecidos e a diferença entre eles se dá pelo nível de proteção que oferecem.
Além da hidrorrepelência, oferecem impermeabilidade e maior resistência mecânica a
névoas e às partículas sólidas.
O uso de roupas de algodão por baixo da vestimenta melhoram sua performance, com
maior absorção do suor, melhorando o conforto ao trabalhador com relação ao calor. As

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vestimentas confeccionadas em não tecido têm durabilidade limitada e não devem ser utilizadas
quando danificadas.
As vestimentas de não tecido não devem ser passadas a ferro, não são a prova ou
retardantes de chamas, podem criar eletricidade estática e não devem ser usadas próximo ao
calor, fogo, faíscas ou em ambiente potencialmente inflamável ou explosivo, pois se auto
consumirão. Devem ser destruídas em incineradores profissionais para não causarem danos ao
ambiente.

BONÉ ÁRABE
Confeccionado em tecido de algodão tratado para tornar-se hidrorrepelente.
Protege o couro cabeludo e o pescoço de respingos e do sol.

CAPUZ OU TOUCA
Peça integrante de jalecos ou macacões, podendo ser em tecidos de algodão tratado para
tornar-se hidrorrepelente ou em não tecido.
Substituem o boné árabe na proteção do couro cabeludo e pescoço.

AVENTAL
Produzido com material resistente a solventes orgânicos (PVC, bagum, tecido
emborrachado aluminizado, nylon resinado ou não tecidos), aumenta a proteção do aplicador
contra respingos de produtos concentrados durante a preparação da calda ou de eventuais
vazamentos de equipamentos de aplicação costal.

BOTAS
Devem ser impermeáveis, preferencialmente de cano alto e resistentes aos solventes
orgânicos, por exemplo, PVC. Sua função é a proteção dos pés. É o único equipamento que não
possui C.A. (ANDEF, 2010).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BÁSICAS

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12693: Sistemas de


proteção por extintores de incêndio. Rio de Janeiro, 1993.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9077: Saída de


emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 1983.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Normas Regulamentadoras. Disponível em:


<http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/default.asp>. Acesso em: 23 jul.
2014.

CONCEIÇÃO, Alex Sandro L. F. da; FERREIRA, Antonio Azevedo. Prevenção e proteção


contra incêndios. Belém: UFPa, 2000.

REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

ANCHIETA, Cleudson Campos de. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): a sua
importância para as organizações. Monografia: UEMA, 2006.

ANDEF. Manual de uso correto de equipamentos de proteção individual. ANDEF - Associação


Nacional de Defesa Vegetal - http://www.andef.com.br/epi/ acesso em: 19 ago. 2014.

ALVES, Rubem. O fogo. Jornal Correio Popular, Caderno C, 04/02/2001.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Rio de Janeiro. Saídas de


emergência – Procedimento. NBR 9077 – Rio de Janeiro, 1993.

BERTO, A. F. Medidas de proteção contra incêndio: aspectos fundamentais a serem


considerados no projeto arquitetônico dos edifícios. São Paulo, 1991. Dissertação (Mestrado) –
FAUUSP.

BERTO, A. F.; TOMIN, A, J. C. Tecnologia de edificações, IPT. In: Rotas Alternativas de Fuga,
São Paulo, 1988.

BEZERRA, Márcia B. História da Alimentação (2007). Disponível em:


<http://www.alimentacaoforadolar.com.br/conteudo.asp?pag=132>. Acesso em: 23 jul. 2014.

BORGES, R. S.; BORGES, W. L. Manual de instalações hidro-sanitárias e de gás. São Paulo:


Editora Pini, 1992.

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BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma regulamentadora nº 23 – Proteção contra incêndios.
Aprovada pela portaria 3.214 de 08 de junho de 1978.

BRASIL. Ministério do Trabalho. Secretaria de Segurança do Trabalho. Portaria n.3214 de 8 de


Junho de 1978. Diário Oficial da União, Brasília (DF). 1978 6 jul.

CAMARGO, José Carlos de Almeida; CAMARGO JR, José Carlos de Almeida. Proteção
passiva contra fogo em estruturas metálicas (2012). Disponível em: Disponível em:
www.catep.com.br. Acesso em: 23 jul. 2014.

DE FARIA, Aribaldo A. Manual de Prevenção Contra Incêndio. Belo Horizonte: Academia de


Polícia Militar da PMMG, 1986.

DE FARIAS, Osvaldo N.; De Sá, José M. Manual Técnico – Profissional para Bombeiros. 2 Ed.
Brasília, 1993.

FELTRE, Ricardo. Química I e II. 7 ed. São Paulo: Moderna 2008.

GOMES, Ary Gonçalves. Sistemas de prevenção contra incêndios: sistemas hidráulicos,


sistemas sob comando, rede de hidrantes e sistema automático. Rio de Janeiro: Interciências,
1998.

INSTITUTO DE PESQUISA TECNOLÓGICA. São Paulo, 1988. Parte 4: Sistemas de extinção.

LEITE, Yuri Lima; ASSIS, Edilson Machado de. Segurança contra incêndios e sua importância
em patrimônios histórico-culturais (2002). Disponível em:
info.ucsal.br/banmon/Arquivos/ART_070709.doc. Acesso em: 23 jul. 2014.

MACINTYRE, Archibald Joseph. Instalações Hidráulicas: Prediais e Industriais. 3 ed. Rio de


Janeiro, Livros técnicos e científicos editora, 1996.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Diretrizes sobre sistemas de


gestão da segurança e saúde no trabalho. Tradução de Gilmar da Cunha Trivelato. 1a ed. São
Paulo: Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, 2005.

PROCORO, Andreza, DUARTE, Dayse. Uma nova maneira de pensar sobre gerenciamento de
riscos de incêndios em espaços urbanos históricos, 2006. Disponível em
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2006_TR500338_7943.pdf. Acesso em: 23 jul.
2014

ROCHA, Marcos. AllChemy. Série Beta, 1998, outubro, 1 Disponível em:


<http://allchemy.iq.usp.br/metabolizando/beta/01/indice.htm#LAV>. Acesso em: 23 jul. 2014.

SABOLINS, Heliodoro Alexandre. Evacuação de edificação. Revista CIPA, n.º 205-1996, P .38
–52.

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UNESP. Aula 11 – Sistemas de coleta e remoção dos resíduos líquidos. Disponível em:
<http://www.feg.unesp.br/~caec/quarto/aulaa11.doc>. Acesso em: 14 Ago. 2014

LINKS ÚTEIS

Portaria N.º 02, de 21/01/1992. Dispõe sobre a validade do corpo de extintor de incêndio,
relativo à Norma Regulamentadora n.º 23..

4. Portaria Nº 02, de 20/05/1992. Fica revogada o art. 2º e seus Parágrafos, da Portaria DSST Nº
06 de 29/10/1991, que estabelecia o prazo de validade do corpo do extintor de incêndio.

5. Portaria Nº 02, de 20/05/1992. Fica revogada o art. 2º e seus Parágrafos, da Portaria DSST Nº
06 de 29/10/1991, que estabelecia o prazo de validade do corpo do extintor de incêndio.

6. Convenção Nº 174. Prevenção de Acidentes Industriais Maiores.

7. Portaria Nº 19, de 08/08/2001 - Consulta Pública. Divulga para consulta pública o texto básico
referente a Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário - NR 30.

8. Decreto Nº 4.085, de 15/01/2002. Promulga a Convenção n.º 174 da OIT e a Recomendação


n.º 181 sobre a Prevenção de Acidentes Industriais Maiores.

9. Norma Regulamentadora Nº 24. Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho.

10. Convenção Nº 174. Prevenção de Acidentes Industriais Maiores.

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ANEXOS

BRASIL NÃO TEM LEI NACIONAL COM REGRAS DE PROTEÇÃO CONTRA


INCÊNDIO
No RS, dispositivos de extração e detector de fumaça não são obrigatórios.
Veja quais são os recursos de segurança para combater fumaça e chamas.
Do G1, em São Paulo*
21 comentários

A ausência de uma lei nacional que estabeleça as regras de prevenção e proteção contra incêndio é
apontada pelos especialistas consultados pelo G1 como o principal problema dos alvarás de funcionamento
de bares, boates e casas de show no país. As leis são estaduais e, por isso, cada governo estabelece uma lei
com base em normas locais ou estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou
mesmo pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).
“Nossa legislação é uma colcha de retalhos”, afirma o engenheiro e especialista em combate a incêndio
Telmo Brentano. Segundo ele, há oito anos uma legislação nacional é elaborada, mas não sai do papel. A
concessão de alvarás de funcionamento para estabelecimentos como casas noturnas no país hoje é feita
pelos bombeiros e autoridades locais, baseados em normas estaduais.
Parlamentares do Congresso Nacional querem acelerar a tramitação de projetos sobre
funcionamento de boates e de propostas que exigem a permanência de brigadistas em estabelecimentos
do tipo.
A deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), autora de projeto sobre normas de segurança para boates e
casas de shows, informou ao G1que apresentará ainda nesta semana em plenário um requerimento de
urgência para acelerar o andamento da proposta. Ela pretende pedir o apoio dos líderes dos partidos - veja

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mais detalhes do projeto. Para que um projeto seja votado em regime de urgência na Câmara é preciso
assinatura de 257 deputados (metade mais um do total de parlamentares da Casa).
A proposta de 2007 - já aprovada na Comissão de Segurança Pública e na Comissão de Desenvolvimento
Urbano, mas que ainda precisa passar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara onde está parada
desde maio do ano passado - estabelece que todas as discotecas, boates e casas de show devem ter sistema
de alarme e combate a incêndio e sistema de saídas de emergência. A prefeitura seria responsável pela
fiscalização. Pelo texto, quem não cumprir a regra pode ter o estabelecimento interditado.
Código Nacional
Para o engenheiro José Carlos Tomina, superintendente do comitê brasileiro de segurança contra incêndio
da ABNT e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), deveria haver um código nacional
que disciplinasse as regras de segurança para o funcionamento de um comércio ou casa de
entretenimento. Esse conjunto de normas, na opinião de Tomina, deveria tratar de requisitos básicos de
segurança, que deveriam valer para todo o território nacional. A legislação estadual deveria cuidar apenas
das especificidades regionais.
Mas o problema, na avaliação do engenheiro, não é apenas a ausência de um código federal. A fiscalização
dos estabelecimentos, na opinião dele, é falha. “A função mais importante dos bombeiros é a fiscalização.
É muito mais importante atuar com rigor na vistoria, na avaliação do projeto, do que na atuação no
incêndio em si. Depois de aprovar projetos, é importante vistoriar, manter a fiscalização do edifício. É
importante o acompanhamento. Venceu o alvará? Vistoria de novo”, disse.
“É fundamental neste momento de comoção nacional aproveitar o problema e a gente ter o governo
federal encampando o processo pra gente elaborar um código nacional de segurança contra incêndio. O
código vai tratar de requisitos básicos mínimos, já que temos municípios com diferentes tipos de risco, e
não da pra ter regra única pra todo mundo. Mas pelo menos o básico já daria um nível adequado de
segurança e esse tipo de coisa [tragédia em Santa Maria] não aconteceria, porque no básico constaria rota
de fuga adequada, brigada de incêndio obrigatória. É muito importante o governo federal assumir a frente”,
afirmou.
Há uma norma regulamentadora do Ministério do Trabalho que estipula regras para segurança
especificamente em ambientes de trabalho. No entanto, a norma 23 de 1997, em seu primeiro parágrafo,
remete às regras das legislações estaduais, ao dizer que “todos os empregadores devem adotar medidas de
prevenção de incêndios, em conformidade com a legislação estadual”.
Segundo a ABNT, ao todo, existem 64 recomendações de segurança contra incêndios no país, mas elas
não têm valor de lei. Elas podem ou não ser seguidas pelas legislações estaduais. Tomina também integra
uma organização da sociedade civil chamada “Projeto Brasil sem Chamas”, que conta com a representação
de 50 entidades. A organização mantém conversas com o governo federal para a elaboração de um código
nacional de segurança contra incêndio.

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Problema cultural
Para Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos da Coppe-UFRJ, pensar preventivamente em
segurança é um problema cultural no Brasil. "Cultuira de segurança precisa ser mais repetido. Isso é muito
conhecido fora do Brasil, na área nuclear e em alguns segmentos de tecnologia. Se você entrar em uma
balada, com aquele otimismo e alertar sobre alguma possibilidade de problema, vão virar a falar' vira essa
boa para lá."
"Em outros países existe uma cultura de prevenção, uma instrução para ter uma postura diante de uma
terremoto, de incêndio. Isso é feito desde a escola", disse Portela.
Segundo ele, os empresário precisam ir além do que é pedido na legislação. "Existe um vídio na segurança
que é o legalismo. Se eu cumpro as regras eacho que isso é suficiente. As regras são o mínimo para a
realização de um evento. Em termos de segurança é preciso ter muito mais do que isso."
Distrito Federal
De acordo com a assessoria de imprensa dos bombeiros do Distrito Federal, as legislações estaduais levam
conta variações regionais, já que cada estado possui cidades com características diferentes (há cidades que
não possuem prédios de grande porte, não possuem casas de espetáculo, por exemplo).
saiba mais
 Sócio de boate que pegou fogo se entrega à polícia em Santa Maria
 Congresso quer acelerar projetos sobre boates e normas anti-incêndio
 Após tragédia, Tarso Genro decreta luto oficial de sete dias no RS
 Veja fotos do interior da boate após incêndio em Santa Maria
 Tragédia em boate de Santa Maria repercute na imprensa mundial

RS não obriga detector de fumaça


No caso da lei vigente no estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, dispositivos de extração de fumaça
(aberturas no teto) e detector de fumaça não são obrigatórios. “Se o escape fosse obrigatório, a fumaça, no
caso de Santa Maria, dissiparia muito mais rápido. As pessoas morreram intoxicadas lá. Já com o detector
de fumaça, rapidamente os seguranças perceberiam o incêndio e ajudariam a liberar as pessoas logo no
começo do incêndio”, afirma o engenheiro civil e coordenador do CB-24 RS Comitê Brasileiro de
Segurança Contra Incêndio da ABNT núcleo RS, Carlos Wengrover Rosa.
São Paulo é exemplo
A legislação de São Paulo é considerada uma das mais atuais do país, na opinião de Telmo Brentano. O
decreto estadual 56.819/2011 atualizou as regras que devem ser seguidas pelas edificações para a obtenção
do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Em seguida foram publicadas pelo governo
estadual 44 instruções técnicas que complementam essas regras.

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“É a melhor legislação do Brasil. Tem uma equipe trabalhando continuamente. Outros estados estão
copiando”, afirmou Telmo Brentano. O decreto de 201 substituiu um decreto de 2001. Já as instruções
técnicas são atualizadas normalmente a cada 5 anos.
No estado de São Paulo, essas são as regras seguidas pelos bombeiros para liberar o uso de edificações do
ponto de vista da segurança em relação a incêndios. As cidades têm leis específicas que também devem ser
observadas para que a edificação seja usada, e dizem respeito às regras da edificação em si, como por
exemplo área construída.
Apesar disso, na Assembleia Legislativa há projetos que tentam criar regras estaduais sobre a fiscalização
de edificações. Três deles são de abril do ano passado, sendo que um deles tenta criar o Certificado
Estadual de Inspeção Predial. Em janeiro daquele ano, o edifício Liberdade caiu no Rio de Janeiro
matando 19 pessoas.
Rio de Janeiro
Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), Jacques
Sheryque, a utilização do sinalizador sputnik foi o erro mais grave no acidente.
Ele ressaltou a importância de uma brigada de incêndio nas casas de show. “Não adianta o local cumprir
todos os procedimentos de segurança se não houver bombeiros civis no local. No caso de Santa Maria, era
preciso que pelo menos quatro homens estivessem no local para direcionar as pessoas. Isso teria facilitado
a saída”, disse Jacques Sheryque.
O sinalizador sputnik, utilizado pelos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, lançava chamas a até
1,70m de altura. Sheryque elencou a sucessão de erros na estrutura da casa: "a utilização do sinalizador que
lançou chamas alcançando o teto, o material de isolamento acústico não ter revestimento anti-chamas, a
falta de uma porta específica para a saída (a boate tinha apenas uma porta que servia para entrada e saída),
a ausência de pelo menos quatro bombeiros civis no local (número indicado para as mil pessoas que
estavam no local), a falta de splinters (chuveiros automáticos instalados no teto), a utilização de extintores
de monóxido de carbono, insuficientes para apagar incêndios de grande proporção."
A maioria das vítimas morreu asfixiada com os gases tóxicos emitidos pela espuma de isolamento
acústico. De acordo com Jacques Sheryque, a emissão desses gases leva de três a cinco minutos para
intoxicar uma pessoa e, por isso, é necessário que a casa de espetáculo consiga ter meios de saída dentro
destes cinco minutos.
Vítimas no banheiro
Das 231 vítimas, 180 morreram no banheiro da boate Kiss. Jacques Sheryque explicou que é comum, em
incêndios, buscarmos o banheiro por ele ser feito com material não inflamável, como ladrilhos e azulejos.
Mas o local não é uma boa opção porque, em geral, as janelas são fechadas. Por isso, a fumaça com gases
tóxicos chega até o banheiro intoxicando a vítima.
Veja abaixo os procedimentos de segurança contra incêndios que atendem à Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), ao Decreto Estadual do Corpo de Bombeiros e às normas internacionais:

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Saiba quais são os principais recursos de segurança em caso de incêndio
Porta corta-fogo
A porta corta-fogo protege a saída de emergência, que não pode ter materiais inflamáveis. Para segurança,
ela deve possuir uma barra “anti-pânico” como sistema de abertura. Só com a pressão das mãos sobre a
barra a pessoa destrava e abre a porta.
Saídas de emergência
As saídas de emergência são obrigatórias, porém a quantidade e a posição onde devem ser colocadas são
determinadas por uma avaliação técnica feita por um engenheiro ou arquiteto.
Treinamento de funcionários
No caso do treinamento de funcionários da casa para saber agir em caso de incêndio, é adotado o que
estabelece as leis trabalhistas. “O Ministério do Trabalho pela CLT tem reivindicações, normas que
obrigam afazer treinamento dos funcionários, brigadas de incêndio, Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes (Cipa) etc.”, explica Carlos Wengrover Rosa.
Pirotecnia
Não há lei que proíba um show de fogos de artifício em ambientes fechados, de acordo com os
especialistas. No entanto, para que a pirotecnia possa ser feira é preciso da liberação do Corpo de
Bombeiros, que avaliará as condições do local. “A Constituição de 1988 coloca a responsabilidade da
segurança contra incêndios para órgãos militares, ou seja, brigada militar e corpos de bombeiro. As
prefeituras são responsáveis pelos prédios”, diz Rosa.
Materiais inflamáveis
Qualquer material derivado de petróleo é inflamável, o que inclui tecidos de sofás e de roupas. Esses
materiais são vetados no revestimento das saídas de emergência. No entanto, a lei do Rio Grande do Sul
não estabelece restrições ao isolamento acústico.
“Este isolamento é feito por uma espuma de polietileno, altamente inflamável, e que libera gases tóxicos
quando entra em contato com o fogo”, explica Luís da Silva Souza, engenheiro civil especializado em
segurança do trabalho e bacharel em Física. Segundo ele, quando é um ambiente fechado e ainda mais
quando tem material inflamável, não se pode ter nenhuma atividade com fogo. “Não pode nem ter faísca
num lugar com esse tipo de material.”
Extintores
Os extintores são obrigatórios e devem ser checados uma vez por ano. Quem calcula a quantidade do
dispositivo e onde ele deve ser instalado também é o especialista técnico. Segundo as normas do Inmetro,
existem três tipos de fogo: o fogo gerado por combustíveis líquidos, por líquidos inflamáveis e por
equipamentos elétricos. Cada extintor, explica o órgão, traz as suas especificações.
Sprinkler
Uma rede instalada no telhado do prédio com diversos dispositivos com água resolveria quase que
definitivamente um incêndio como o que aconteceu em Santa Maria, de acordo com o diretor do Instituto

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Sprinkler Brasil (ISB), Marcelo Lima. Esses dispositivos, os chamados sprinkler, cobrem uma área de 10 a
14 metros quadrados e conseguem, segundo Marcelo, conter a fumaça e o calor logo no início, o que evita
possíveis mortes por asfixia. No entanto, a obrigatoriedade vai depender da avaliação de cada situação.
“Com o calor, o sprinkler dispara jatos de água sobre a fumaça e sobre o fogo, o que garante um nível bom
de oxigênio para sustentar a vida, perto de 21%”. O diretor do ISB explicou ainda que, sem esse tipo de
dispositivo, em menos de 60 segundos a taxa de oxigênio cai bruscamente eliminando qualquer
possibilidade de uma pessoa conseguir respirar.
Dispositivo de extração de fumaça
São dutos no teto que ajudam na circulação de ar e na evacuação da fumaça, caso comece um incêndio. No
entanto, o dispositivo não ´e obrigatório em todos os estados.
Detector de fumaça
O detector de fumaça aciona automaticamente um alarme sonoro sobre a existência de um incêndio. Ele
pode ser equipado ainda com um dispositivo de localização, que envia um sinal de emergência ao Corpo
de Bombeiros. No entanto, não é obrigatório em todos os estados, apenas o alarme de emergência manual,
acionado por um botão.

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* Priscila Dal Poggetto e Marcio Pinho, G1 SP; Vitor Matos, G1 DF; e Isabela Marinho, G1 Rio.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/brasil-nao-tem-lei-nacional-com-
regras-de-protecao-contra-incendio.html

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OS DANOS DE UM ALARME FALSO DE INCÊNDIO, POR ILAN PACHECO

Parte tão importante no sistema de segurança de um empreendimento, os alarmes anti-incêndio


podem gerar muitos transtornos aos funcionários de uma empresa. Quando acionados
desnecessariamente e com muita frequência, viram objeto de descrédito e, em vez de garantirem
a segurança, passam a pôr em risco a vida de todos os ocupantes do local. Afinal, quem nunca
ouviu um alarme falso e, simplesmente, o ignorou?
Além da dúvida e da insegurança que pode gerar às pessoas, o alarme falso pode provocar
prejuízos técnicos e pouco conhecidos do grande público. Ao ser ativado com constância,
sistemas interligados, como o de ventilação e ar condicionado ou outros de segurança, podem ser
desgastados e se tornar ineficazes em situações emergenciais. Mas por que existem tantos avisos
falsos atrapalhando o cotidiano dos estabelecimentos?
Em 2008, supervisionei um projeto junto a uma empresa multinacional especializada em
incêndio, que durou quase dois anos e traçou um perfil desses dispositivos. Tendo como objeto
de estudo os 271 alarmes ativados em uma empresa química durante o período, o trabalho
chegou à seguinte conclusão: inicialmente, os primeiros dois alarmes não ocasionariam nenhum
custo ou descrédito; o terceiro e quarto já custariam cerca de R$ 500, gerando um pequeno
descrédito; enquanto do quinto em diante o custo seria de R$ 1.000 por alarme falso e os
funcionários perderiam total confiança nos eventos do sistema.
Cerca de 70% dos alarmes eram falsos, acionados por quatro diferentes razões: erro de usuário,
provocado, por exemplo, pela falta de treinamento; mau funcionamento ou falta de manutenção
do sistema; trabalho realizado sem notificação e comunicação entre os funcionários; e dano do
sistema, que podia ser acidental ou deliberado.
Esse tipo de problema é sempre mais fácil de ser resolvido quando é subdividido em
componentes menores. A solução pode levar algum tempo, com reuniões para se discutir as
operações, entender a procedência de cada erro e implementar um manual de como se portar
nessas situações. Por se tratar de um dispositivo de emergência, o alarme de incêndio jamais
pode gerar dúvidas e deve sempre estar em perfeitas condições para evitar tragédias.

Como são nossas normas

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A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de Normalização. As
Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB),
dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/NOS) e das Comissões de Estudos Especiais
(ABNT/CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos
setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades,
laboratórios e outros). A ABNT NBR 17.240 foi elaborada no Comitê Brasileiro de Segurança
Contra Incêndio (ABNT/CB-24), pela Comissão de Estudo de Sistemas de Detecção e Alarme de
Incêndio (CE-24:202.03). O projeto circulou em Consulta Nacional conforme Edital n° 01, de
13/01/2010 a 15/03/2010, com o número 24:202.03-005.
A ABNT NBR 17.240 cancela e substitui a ABNT NBR 9441:1998. Entre suas mudanças, valem
ser destacados os capítulos 9 (Treinamento de operação do sistema), que exige que o treinamento
faça parte da entrega de um sistema de detecção e alarme de incêndio, e 10 (Manutenção), que
exige que os sistemas de detecção e alarme de incêndio sejam testados, no mínimo,
trimestralmente por profissionais habilitados e treinados.

* Ilan Pacheco é engenheiro eletricista, pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho


e Diretor de Vendas da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra incêndio.
http://www.icsengenharia.com.br/pagina/22703/os-danos-de-um-alarme-falso-de-incendio.html

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COMO EVITAR TRAGÉDIAS IGUAIS À DE SANTA MARIA? POR ILAN PACHECO

“Prevenir é melhor que remediar”. Famoso nos quatro cantos do Brasil, esse dito popular
ajudaria a resolver muitos dos problemas relacionados à prevenção de incêndio se fosse posto em
prática. Mas, como já sabemos, ele está presente muito mais no discurso que em nosso dia a dia.
Infelizmente, ainda há um longo caminho para que a situação dos empreendimentos em solo
nacional melhore, pois nosso país ainda “engatinha” quando o assunto são dois fatores
fundamentais para essa mudança: a cultura do descrédito em relação à prevenção e o alto preço
para a adesão dos sistemas de segurança.
Exemplo dessa cultura de remediar após o fato já ter ocorrido é a tragédia da boate Kiss, em
Santa Maria, Rio Grande do Sul, que virou notícia no mundo todo em janeiro deste ano. Quantos
estabelecimentos iguais àquele funcionaram por anos e ainda funcionam sem a segurança
necessária? Para nossa infelicidade, foram necessários 242 mortos e 123 feridos para que as
autoridades desviassem o foco ao sistema anti-incêndio das edificações.
A boate Kiss é apenas um exemplo da falta de rigidez na fiscalização. A liberação para o
funcionamento de estabelecimentos se dá sem a checagem necessária, sem que o projeto seja
analisado rigorosamente. Aliás, muitas vezes, meros desenhos de uma construção são
considerados projetos, que, na verdade, são muito mais que isso: um bom projeto para a
prevenção de incêndio deve agregar cada detalhe, como, por exemplo, as interferências com
outros sistemas, o risco envolvido no ambiente, a quantidade de trocas de ar/hora do sistema de
ar condicionado (HVAC) e classificação da área.
E a pior notícia ainda não é essa. Depois do ocorrido na cidade gaúcha, houve um apelo para que
o rigor fosse aumentado, culminando, inclusive, na interdição de diversos imóveis. O que poucos
sabem, contudo, é que os equipamentos que estão sendo instalados geralmente não são eficazes.
Em muitos casos, são fabricados no exterior, têm o selo de autorização colado aqui no Brasil e
são vendidos sem a menor fiscalização. Exemplo claro dessa negligência é a inexistência de um
órgão responsável para avaliar os detectores de fumaça, partes tão importantes na precaução e
combate ao fogo.
Desta forma, a fiscalização sobre esses equipamentos de segurança anti-incêndio também deve
ser revista em nosso país. Por incrível que pareça, nenhuma das normas nacionais exige qualquer

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tipo de certificação reconhecida que ateste e assegure a qualidade desses produtos. Como
consequência, constrói-se o seguinte cenário: é instalado o que há de mais barato no mercado, a
preocupação com segurança fica em segundo plano e dezenas – às vezes centenas - de vidas são
postas em risco.
* Ilan Pacheco é engenheiro eletricista, pós-graduado em Engenharia de Segurança do
Trabalho e Diretor de Vendas da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra
incêndio.
http://www.icsengenharia.com.br/pagina/22701/como-evitar-tragedias-iguais-a-de-santa-
maria.html

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INCÊNDIOS INDUSTRIAIS EVIDENCIAM FALHAS EM NOSSO SISTEMA DE
PREVENÇÃO
por Ilan Pacheco

No mês passado, mais três incêndios de grandes proporções atingiram importantes


empreendimentos industriais e ganharam destaque na mídia nacional. Embora as causas ainda
sejam desconhecidas, uma coisa é certa: esses incidentes apenas reforçam a necessidade de uma
revisão em nossas normas fiscalizadoras para que tragédias maiores não voltem a chocar o país.
Em apenas oito dias, entre 12 e 20 de setembro, uma indústria de bebedouros na cidade de Itu, no
interior de São Paulo, um depósito de eletrodomésticos em Curitiba e uma fábrica de
componentes plásticos em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, foram
atingidas com focos de fogo e colocaram em risco a segurança da população. Mas será que,
assim como tantos outros, os locais possuíam as precauções necessárias para a prevenção de
incêndio?
A resposta dessa pergunta nos leva a uma questão ainda mais ampla: as tais precauções
necessárias vão muito além do que é exigido por nossas normas fiscalizadoras. No Brasil, não há
uma padronização da legislação para liberação e fiscalização dos empreendimentos, pois o órgão
responsável por tais atividades é o Corpo de Bombeiros, ou seja, uma entidade estadual. O
principal problema, porém, ainda não é esse, uma vez que a Norma Brasileira Regulamentadora
(NBR) é, em sua maioria, ineficaz, e a legislação permite que os prédios atendam apenas aos
requisitos mínimos para serem autorizados a funcionar.
Esses requisitos mínimos podem ser explicados pelo fato de muitas empresas e estabelecimentos
ainda se preocuparem apenas com a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros
(AVCB), documento emitido pelo órgão durante vistoria, que certifica que a edificação possui as
condições de segurança contra incêndio previstas pela legislação e estabelece um período de
revalidação. O X da questão é que as condições de segurança são ditadas pela própria NBR, que,
como já vimos, é falha.
Mesmo com os motivos ainda não esclarecidos, os três incêndios ocorridos em setembro podem
ser mais alguns exemplos da falta de fiscalização e rigidez das normas brasileiras, que, na
maioria dos casos, apenas autorizam o funcionamento dos empreendimentos, mesmo quando não

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há as condições indicadas. Felizmente, nesses três casos não houve feridos, mas em nossa
cultura, muitas vezes, são necessárias tragédias como a da boate Kiss, em Santa Maria, para que
a atenção à prevenção a incêndios esteja em foco.

* Ilan Pacheco é engenheiro eletricista, pós-graduado em Engenharia de Segurança do


Trabalho e Diretor de Vendas da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra
incêndio.
http://www.icsengenharia.com.br/pagina/22700/incendios-industriais-evidenciam-falhas-em-
nosso-sistema-de-prevencao.html

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SISTEMAS DE DETECÇÃO DE INCÊNDIOS

Sem dúvida, o setor mais desenvolvido da indústria de segurança contra incêndios na América
Latina é aquele ligado aos sistemas de detecção e alarme. Esse setor vem crescendo bruscamente
no Brasil e, com ele, uma preocupação que envolve especialistas, seguradoras e fabricantes
internacionais que estão representados por empresas aqui no Brasil.
A comunidade brasileira de fabricantes, engenheiros e integradores, entre outros profissionais da
área de segurança contra incêndio, se juntaram a ABINEE para formar o Grupo Setorial de
Detecção e Alarme de Incêndio (GSDAI). O GSDAI é agora parte de uma das maiores
associações do Brasil. O objetivo é educar e trabalhar com a nossa sociedade com o propósito de:
 Melhorar os padrões de segurança para proprietários e usuários de edificações;
 Diminuir o risco de perda de propriedades para empresas seguradoras;
 Proteger a indústria para possibilitar o crescimento a longo prazo;
 Aumentar a importância da indústria de segurança contra incêndio.

Cada mercado, independentemente do país, e por menor que seja, inclui uma ou várias empresas
que vendem e instalam sistemas de detecção e alarme. Em muitas cidades, existem empresas de
categoria mundial que instalam sistemas complexos, exclusivamente com equipamentos
certificados pelo UL e aprovados pela FM, seguindo as recomendações da NFPA 72, o código de
sistemas de detecção e alarme de incêndio, e apoiadas por uma equipe de profissionais
qualificados e responsáveis.
Infelizmente, existem também empresas que instalam sistemas elétricos, ou, o que se está
tornando mais comum com o andar do tempo, empresas que instalam e projetam sistemas de
proteção contra incêndio, que “encontraram” este mercado “pelo caminho”, sem ter investido em
treinamento ou conhecimentos técnicos, instalando equipamentos de procedência duvidosa e sem
qualquer rigor normativo.
Compradores, estão avisados, o barato sai caro, especialmente em sistemas de detecção e alarme!
Entretanto, aquilo que me surpreende mais neste mercado é que embora haja bastante
conhecimento acerca da normativa e instalação (o “como”), não há um conhecimento adequado
dos códigos de prevenção de incêndios e segurança humana, os que definem o “onde” instalar e

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o “onde não” instalar um sistema de detecção e alarme de incêndio.
Portanto, recomendo avaliar se as empresas e profissionais estão capacitados para oferecer os
produtos e serviços ligados a sistemas de detecção e alarme de incêndio.

* Ilan Pacheco é engenheiro eletricista, pós-graduado em Engenharia de Segurança do


Trabalho e Diretor de Vendas da ICS Engenharia, empresa especializada em proteção contra
incêndio.
http://www.icsengenharia.com.br/pagina/17816/sistemas-de-deteccao-de-incendio.html

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