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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


DEPARTAMENTO DE TERAPIA OCUPACIONAL

MULHERES ENCARCERADAS: A ROTINA DIÁRIA NO


CONTEXTO PRISIONAL FEMININO

Dandara Nirvana Oliveira da Silva


Maria Grazielle Alves Araújo
Daniela Tavares Gontijo

Recife
Abril de 2021
Dandara Nirvana Oliveira da Silva
Maria Grazielle Alves Araújo

MULHERES ENCARCERADAS: A ROTINA DIÁRIA NO


CONTEXTO PRISIONAL FEMININO

Projeto de pesquisa do curso de Terapia


Ocupacional da Universidade Federal de
Pernambuco para obtenção de nota na
cadeira de Metodologia científica 2.

Recife
ABRIL DE 2021
RESUMO

De acordo com os dados do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), o


Brasil é o quarto país do mundo com o maior número de encarceradas. Essa
intensificação no sistema prisional feminino chama atenção por problemas que
remetem às desigualdades de gênero e à necessidade de reduzir as diferentes
formas de violência que se multiplicam na prisão e geram sérios prejuízos à
saúde desta população. Ao analisar o perfil das mulheres encarceradas no
Brasil, foi observado um padrão, no qual, a grande maioria é negra ou parda,
que sofreram algum tipo de violência A intervenção do terapeuta ocupacional
no campo social é reconhecida desde 2010 na resolução do Conselho Federal
de Fisioterapia e Terapia Ocupacional esclarece que o terapeuta ocupacional
pode atuar no: [...] campo social por meio de atividades como tecnologias de
mediação sócio-ocupacional, desenvolvendo estratégias de pertencimento
sociocultural e econômico, organizações da vida cotidiana, projetos de vida,
entre outros.

Palavras-chaves: sistema prisional feminino, cotidiano e terapia ocupacional


SUMÁRIO 

INTRODUÇÃO......................................................................................................5
OBJETIVO............................................................................................................6
JUSTIFICATIVA....................................................................................................7
MÉTODO..............................................................................................................7
ANÁLISE DE DADOS: ........................................................................................8
CRONOGRAMA...................................................................................................8
ORÇAMENTO.......................................................................................................9
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................9
ANEXOS E APÊNDICES....................................................................................10
INTRODUÇÃO

De acordo com os dados do Departamento Penitenciário Nacional


(DEPEN), o Brasil é o quarto país do mundo com o maior número de
encarceradas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (211.870 detentas),da
China (107.131) e da Rússia (48.478). No Brasil, houve um aumento de 656%
entre os anos 2000 a 2016, enquanto o crescimento masculino foi de apenas
293% no mesmo período (BRASIL, 2017). Essa intensificação no sistema
prisional feminino chama atenção por problemas que remetem às
desigualdades de gênero e à necessidade de reduzir as diferentes formas de
violência que se multiplicam na prisão e geram sérios prejuízos à saúde desta
população (ARAÚJO et al., 2020).
Assim, o perfil das mulheres encarceradas é diferente do perfil dos
homens encarcerados por diversos fatores. Destacam-se entre eles a maior
probabilidade das mulheres serem as únicas cuidadoras dos filhos e
responsáveis pela manutenção da casa. Com relação aos crimes cometidos
por mulheres existe também uma grande diferença, mulheres geralmente
cometem crimes que não põem a comunidade em risco. Além disso, o contexto
prisional em si é responsável por causar agravamentos psicológicos e
comportamentos autodestrutivos nas mulheres, que também sofrem mais
exclusão social e alto nível de abuso sexual. Esse sistema foi projetado para
atender homens cis e com o passar dos anos ocorreram pequenas
modificações para abarcar algumas, no entanto poucas, necessidades
especificas dos fatores biológicos femininos (ARGIMON, 2010).
Ao analisar o perfil das mulheres encarceradas no Brasil, foi observado
um padrão, no qual, a grande maioria é negra ou parda, que sofreram algum
tipo de violência (sexual, física ou psicológica), possuem baixa condição
socioeconômica, baixa escolaridade, além de possuírem famílias que foram
desestabilizadas pelo uso ou tráfico de drogas (FIOCRUZ, 2019).
Para RODRIGUES (2012), "O Sistema Penitenciário está ligado ao
sistema de justiça e integra o aparato do Estado no que se refere às condições
da segurança pública no país. No Brasil esse sistema tem duas funções, uma
de caráter retributivo e outra de caráter ressocializador ou correcional." As
estatísticas atuais mostram que a maior parcela da população encarcerada no
sistema penitenciário brasileiro hoje é advinda de situações mais vulneráveis
da sociedade. Esses indivíduos são das periferias dos centros urbanos, são
pobres e possuem baixo grau de escolarização. Em relação às mulheres, as
pesquisas demonstram que, a maioria encontra-se no sistema penitenciário em
razão do tráfico de drogas.
Os processos utilizados pelo estado brasileiros são espelhos do retrato
encontrados nas estruturas físicas e de atendimento dentro das penitenciárias.
Estudos realizados acerca das condições de vida das mulheres na prisão
evidenciam a (des) proteção que já existe na sociedade e que, por muitas
vezes, agrava-se através de situações posteriores de vulnerabilidade pessoal,
social e familiar dessas mulheres em privação de liberdade (VIVIANE ISABELA
RODRIGUES, ÂNGELA DIANA HECHLER, GIOVANA HENRICH, 2012).
Dessa forma, devido a toda vulnerabilidade dessas mulheres, o cotidiano
de muitas mostra-se em déficit, pois dentro da cadeia as relações pessoais são
pautadas pela individualidade ou pela relação de poder que cada uma terá
dentro do contexto prisional que está inserida. Isso favorece toda solidão,
isolamento e insegurança  sobre desenvolverem laços afetivos e de confiança
dentro do sistema carcerário (BUCKERIDGE, 2011).
A intervenção do terapeuta ocupacional no campo social é reconhecida
desde 2010 na resolução do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional (Coffito). A Resolução nº 383/2010, art. 10º (CONSELHO..., 2010,
p. 80) esclarece que o terapeuta ocupacional pode atuar no: [...] campo social
por meio de atividades como tecnologias de mediação sócio-ocupacional,
desenvolvendo estratégias de pertencimento sociocultural e econômico,
organizações da vida cotidiana, projetos de vida, entre outros [...]. Junto ao
indivíduo privado de liberdade o terapeuta ocupacional criará espaços de
acolhimento, que de diferentes formas apresentará vivências da construção de
um novo projeto de vida, tendo como objetivo central trabalhar a participação
social e o processo de desinstitucionalização, aspirando o retorno à sociedade
(PEREIRA et al, 2021).

OBJETIVO
Compreender os impactos da reclusão na rotina diária de mulheres
encarceradas. 

JUSTIFICATIVA

Compreender e estudar esse contexto e a forma com que ele atinge as


mulheres é importante para inserir a Terapia Ocupacional nesse meio, pois ao
observar as características do grupo torna-se possível a elaboração de um
plano de intervenção e estratégias capazes de dialogar diretamente com as
necessidades dessas pessoas.
A relevância e a pertinência deste estudo se dão pela amplitude do
problema do crescimento populacional prisional, em especial o feminino, e das
condições nas quais essas pessoas enfrentam o cotidiano.  Desse modo,
pretende-se, com esta pesquisa, contribuir para enriquecer a literatura ainda
escassa sobre este tema, bem como disseminar as experiências de
encarceramento para, a partir daí, traçar estratégias a fim de minimizar os
danos decorrentes que possam vir a existir.

MÉTODO 

     Tipo de estudo: Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória


com abordagem qualitativa. De acordo com Gil (2008), as pesquisas
exploratórias têm o objetivo de desenvolver, modificar e esclarecer diferentes
ideias, levando em consideração a elaboração de problemas ou hipóteses mais
precisas para estudos seguintes. Já as pesquisas descritivas têm a finalidade
de discernir os fatores que irão determinar o acontecimento dos eventos, sendo
o tipo de pesquisa que mais complexo, pois erros são comuns. A abordagem
qualitativa utiliza o estudo de caso e coletas de diversos materiais, bem como,
história de vida, entrevista, introspecção, artefatos, entre outros (GUERRA,
2014).
      Local do estudo: O estudo será realizado na Colônia Prisional
Feminina de Abreu e Lima (CPFAL) localizado na região metropolitana do
Recife em Pernambuco no período de março de 2021 a março de 2022.
Participantes: A inclusão das participantes ocorrerá mediante ao
critério: mulheres que estejam na penitenciária com período de tempo de no
mínimo um ano, na faixa etária entre 20 e 30 anos. A exclusão levou em
consideração, além da recusa, mulheres que estejam encarceradas em selas
solitárias, pois não poderão ter contato com as entrevistadoras.
      Coleta de dados: Os dados serão coletados através de uma
entrevista individual semiestruturada. Esta forma de entrevista combina
perguntas fechadas e abertas, sendo que os  indivíduos que farão parte da
pesquisa tem  liberdade para se posicionar favorável ou não sobre o tema, sem
se prender à pergunta formulada (BATISTA et al, 2017). 
      Para coleta de dados será utilizado um roteiro de entrevista
individual semiestruturada que se encontra no apêndice. As mulheres serão
convidadas a participar da pesquisa que será agendada em horário oportuno
que se encaixe na rotina imposta pelo presídio e será realizada em um local
que garanta a privacidade das mesmas. No início da entrevista, as
pesquisadoras apresentaram os objetivos da pesquisa e garantiram o
anonimato das entrevistadas. As mulheres expressaram verbalmente o
interesse em fazer parte da pesquisa logo depois, assim, as participantes
responderam voluntariamente ao roteiro da pesquisa com perguntas abertas.
As respostas serão registradas através de gravações por meio de um aparelho
eletrônico e ao longo da pesquisa as respostas serão transcritas.      

      Análise de dados: x
 CRONOGRAMA

Atividade Mê Mê Mê Mê Mê Mê Mê Mê Mê Mê Mê Mê
s1 s2 s3 s4 s5 s6 s s8 s9 s s s
7  10 11 12
Submissão X X
ao Cep
Revisão de X X X X X X X X X X X
literatura
Coleta de X X X
dados
Análise de X X X
dados
Redação X X X X
do TCC
(artigo)
Pré- banca X
do TCC
Apresenta X
ção do
TCC
(artigo)

ORÇAMENTO 

Item Quantidade   Valor unitário       Valor total


Notebook      2   Já disponível        X
Impressora      1      X        X
Transporte      x     R$ 5,15        X
Pranchetas      2     R$ 5,00         R$ 10,00
Canetas      4     R$ 2,00         R$ 8,00
Celular      2   Já disponível        X
(gravação)
Cópias      x     R$ 1,00        X
Papel A4        R$ 25,00         R$ 25,00
1(resma) 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, M. M. DE et al. Assistência à saúde de mulheres encarceradas:


análise com base na Teoria das Necessidades Humanas Básicas. Escola
Anna Nery, v. 24, n. 3, p. 1–7, 2020. 

ARGIMON, D. C. I. I. DE L. Características, sintomas depressivos e fatores


associados em mulheres encarceradas no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil
Characteristics, depressive symptoms, and associated factors in incarcerated
women in the State of Rio Grande do Sul, Brazil. Cadernos de Saúde Pública,
v. 26, n. 7, p. 1323–1333, 2010. 

BUCKERIDGE, F. C. Por entre as grades: um estudo sobre o cotidiano de uma


prisão feminina. p. 112, 2011. 

CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL -


COFFITO. Resolução n. 383/2010, de 22 de dezembro de 2010. Define as
competências do Terapeuta Ocupacional nos Contextos Sociais e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 25
nov. 2010. Seção 1, n. 225.

GIL, Antonio Carlos. Método e Técnicas de Pesquisa Social.6.ed. São Paulo:


Atlas, 2011.
GUERRA, E. L. DE A. Pesquisa Qualitativa. p. 316, 2008. ‌

O Encarceramento Feminino no Brasil | CEE Fiocruz. Fiocruz.br. Disponível


em: https://cee.fiocruz.br/?q=node/997#:~:text=Quando%20analisamos%20o
%20perfil%20das,presa%20por%20tr%C3%A1fico%20de%20drogas..  Acesso
em: 26 Mar. 2021

PEREIRA, A. DOS S. et al. Sistema prisional e saúde mental: atuação da


terapia ocupacional com mulheres autodeclaradas negras e pardas vítimas do
racismo. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 3, p. e6440, 2021. 

VIVIANE ISABELA RODRIGUES, ÂNGELA DIANA HECHLER, GIOVANA


HENRICH, L. K. Gênero E Privação De Liberdade: As Condições De Vida Das
Mulheres Na Prisão. Revista de Iniciação Científica da ULBRA, v. 1, n. 10, p.
83–89, 2012. 

PASTORAL CARCERÁRIA. Depen divulga Infopen Mulheres de junho de 2017


- Pastoral Carcerária (CNBB). Pastoral Carcerária (CNBB). Disponível em:
<https://carceraria.org.br/mulher-encarcerada/depen-divulga-infopen-mulheres-
de-junho-de-2017>. Acesso em: 22 Mar. 2021.

ANEXOS E APÊNDICES 

Roteiro de entrevista 
Dados de caracterização
Nome:
Codinome: 
Idade:
Escolaridade: 

A. Como era sua rotina antes de chegar aqui?


1. Casa
2. Trabalho
3. Igreja 
4. Maternidade
5. Lazer

B. De uma forma geral, com quem você se relacionava no dia-a-dia?


1. Relações familiares
2. Relações conjugais
3. Ciclo de amizade

C. Sente falta de alguma coisa da sua antiga rotina?


1. Filhos
2. Família
3. Privacidade
4. Liberdade 
5. Vícios

D. Como é sua relação com as demais detentas?


1. Existem disputas?
2. Existe assédio?
3. Existe amizade?

E. Como é sua rotina no presídio?


1. Regras
2. Atividades

F. Em sua opinião quais as principais limitações impostas pelo sistema


penitenciário?

H.  O que você sente vontade de fazer mesmo estando presa e porque não
faz?

I. Você realiza atividades de autocuidado?


1. Dorme bem?
2. descansa?
3. mantém relações saudáveis?
4. desenvolveu hobbie?