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5.

Anatomia do membro superior


O membro superior é caracterizado por sua mobilidade e capacidade
de segurar, golpear e realizar atividades motoras finas (manipulação).

Essas características são especialmente acentuadas na mão ao realizar


atividades manuais como abotoar uma camisa. Há interação sincronizada
entre as articulações do membro superior para coordenar os segmentos
interpostos e realizar movimento uniforme e eficiente na distância ou posição
mais adequada para uma tarefa específica. A eficiência da função da mão é
resultante principalmente da capacidade de colocá-la na posição apropriada
por movimentos nas articulações escapulotorácica, glenoumeral do cotovelo,
radiulnar e do punho.

A articulação escapulotorácica é uma "articulação" fisiológica, na qual


há movimento entre estruturas músculo-esqueléticas (entre a escápula e os
músculos associados e a parede torácica), e não uma articulação anatômica,
na qual há movimento entre elementos esqueléticos que se articulam
diretamente. A articulação escapulotorácica é o local onde ocorrem os
movimentos escapulares de elevação-depressão, protração-retração e
rotação.

O membro superior possui quatro segmentos:

1. Ombro: segmento proximal do membro que se superpõe a partes do


tronco (tórax e dorso) e à região lateral inferior do pescoço. Inclui as regiões
peitoral, escapular e supraclavilar lateral e é constituído sobre metade do
cíngulo do membro superior. O cíngulo do membro superior é um anel ósseo,
incompleto posteriormente, formado pelas escápulas e clavículas e
completado anteriormente pelo manúbrio do esterno (parte do esquelo axial).

2. Braço: primeiro segmento do membro superior livre (parte mais móvel do


membro superior independente do tronco) e o segmento mais longo do
membro. Estende-se entre o ombro e o cotovelo, unindo-os, e está situado
em torno do úmero.

3. Antebraço: segundo segmento mais longo do membro. Estende-se entre o


cotovelo e o punho, unindo-os e contém a ulna e o rádio.

4. Mão: parte do membro superior distal ao antebraço, formada ao redor do


carpo, metacarpo e das falanges. É formada pelo punho, pela palma, pelo
dorso da mão e pelos dedos (incluindo um polegar oponível), e é ricamente
suprida por terminação sensitivas para tato, dor e temperatura.

5.1. Ossos do Membro Superior:


5.1.1. Clavícula:

A clavícula, com localização subcutânea, une o membro superior


(esqueleto apendicular superior) ao tronco (esqueleto axial). Serve como
suporte móvel, semelhante a um guindaste, no qual a escápula e o membro
livre estão suspensos a uma distância do tronco que permite a liberdade de
movimento. Os choques sofridos pelo membro superior (principalmente o
ombro) são transmitidos através da clavícula, resultando em uma fratura que
é mais freqüente entre seus terços médio e lateral.

5.1.2. Escápula

A escápula forma a base móvel a partir da qual age o membro superior


livre. Esse osso plano triangular é curvo para se adaptar à parede torácica e
oferece grandes áreas de superfície e margens para fixação dos músculos.
Esses músculos movem a escápula sobre a parede torácica na articulação
escapulotorácica fisiológica e estendem-se até a parte proximal do úmero,
mantendo a integridade e produzindo movimento na articulação do ombro.
Sua espinha e o acrômio servem como alavancas; o acrômio permite que a
escápula e os músculos nela fixados sejam aplicados medialmente contra o
tronco com as articulações acromioclavicular e do ombro, assim possiilitando
movimento lateral ao tronco. Seu processo coracóide é o local de fixação do
ligamento coracoclavicular que sustenta passivamente o membro superior e
um local para fixação dos tendões musculares.

5.1.3. Úmero

O úmero é um suporte móvel usado para posicionar a mão a uma


altura (nível) e distância do tronco a fim de maximizar sua eficiência. Sua
cabeça esférica permite uma grande amplitude de movimento sobre a base
escapular móvel e a tróclea e o capítulo em sua extremidade distal facilitam
os movimentos do tipo dobradiça do cotovelo e, ao mesmo tempo, a rotação
do rádio. O longo corpo do úmero permite o alcance e o torna uma alavanca
eficaz para aumentar a força do levantamento, além de proporcionar área de
superfície para fixação de músculos que atuam principalmente no cotovelo. A
área de superfície adicional para fixação de flexores e extensores do punho é
oferecida pelos epicôndilos, as extensões medial e lateral do corpo.

5.1.4. Ossos do Antebraço

A ulna e o rádio juntos formam a segunda unidade de um suporte


articulado com duas unidades (sendo o úmero a primeira unidade),
projetando-se de uma base móvel (ombro) que serve para posicionar a mão.
Como a unidade do antebraço é formada por dois ossos paralelos, e o rádio
pode girar em torno da ulna, é possível realizar supinação e pronação da mão
durante a flexão do cotovelo. Na região proximal, a parte medial maior da
ulna forma a articulação primária com o úmero, enquanto a região distal o
rádio lateral mais curto forma a articulação primária com a mão através do
punho. Como a ulna não chega ao punho, as forças recebidas pela mão são
transmitidas do rádio para a ulna através da membrana intraóssea.

5.1.5. Ossos da Mão

Cada segmento do membro superior aumenta a funcionalidade


da unidade terminal, a mão. Localizada na extremidade livre de um
suporte articulado com duas unidades (braço e antebraço) projetando-
se de uma base móvel (ombro), a mão tem uma grande amplitude de
posições em relação ao tronco. Sua conexão com o surporte flexível
através dos múltiplos pequenos ossos carpais, associada à rotação do
antebraço, aumenta muito sua capacidade de ser colocada em uma
determinada posição, sendo possível fletir os dedos (para empurrar ou
segurar) na direção necessária.

Os ossos carpais são organizados em duas fileiras de quatro


ossos cada uma e, como grupo, articulam-se com o rádio na região
proximal e com os metacarpais na região distal. Os dedos alongados,
altamente flexíveis, que se estendem de uma base semi-rígida (a
palma), permitem apreender, manipular ou realizar tarefas complexas
envolvendo movimentos individuais múltiplos e simultâneos.

5.2. Braço

O braço forma uma coluna com o úmero em seu centro. O


úmero, juntamente com septos intermusculares em seus dois terços
distais, divide o braço no sentido longitudinal (ou, mais
especificamente, o espaço dentro da fáscia braquial) em
compartimentos anterior ou flexor e posterior ou extensor. O
compartimento anterior contém três músculos flexores supridos pelo
nervo musculocutâneo. O músculo coracobraquial atua (fracamente)
no ombro, e os músculos bíceps e braquial atuam no cotovelo. O
bíceps também é o supinador primário do antebraço (quando o
cotovelo está fletido). O músculo braquial é o flexor primário do
antebraço. O compartimento posterior contém um músculo extensor
com três cabeças, o tríceps, que é suprido pelo nervo radial. Uma das
cabeças (a cabeça longa) atua no ombro, mas na maioria das vezes as
cabeças atuam juntas para estender o cotovelo. Os dois
compartimentos são supridos pela artéria braquial, o compartimento
posterior principalmente através de seu ramo principal, a artéria
braquial profunda. O feixe neurovascular primário está localizado na
face medial do membro; assim geralmente é protegido pelo membro
que serve.

5.3.