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Nessa segunda unidade, discorreremos sobre um tema extremamente interessante: os processos do desenvolvimento

humano. Afinal de contas, quais os limites do homem? Até onde ele pode ir enquanto ser humano? Nela, vamos abordar
identidade e adolescência, enfatizando as mais diversas crises que marcam a idade da puberdade. Logo depois,
estaremos trazendo à baila as oito idades do homem, segundo Erikson. Ainda nesta unidade, destacaremos as relações
modais que envolvem as relações intrapessoais e interpessoais nos processos educacionais. 

Vamos abordar os processos do desenvolvimento humano, pois estes são extremamente complexos.
Todos os seres humanos são detentores de dois construtos, quais sejam: a personalidade e o
temperamento. Sabe-se que a personalidade vai sofrendo mutações ao longo do tempo, uma vez que as
experiências vão formatando a sua desenvoltura. É na construção da personalidade que em todo tempo
estamos desconstruindo, reconstruído e construindo valores e hábitos que julgamos importantes. Já o
temperamento ou humor dos seres humanos não mudam. A Teoria dos quatro temperamentos nasce com
o grego Hipócrates, que dizia que existem quadro temperamentos: Sanguíneo, Colérico, Fleumático e
Melancólico. Os dois primeiros fazem parte do grupo das pessoas que são extrovertidas e os dois
últimos das pessoas que são introvertidas. Não existe a prevalência de um temperamento sobre o outro,
na verdade todos os quatro temperamentos são detentores de qualidades e fragilidades. Os
temperamentos, ao longo de nosso crescimento cognitivo, vão melhorando, mas não se modificando.
Podemos ter um temperamento primário e um secundário, mas sempre teremos um que nos caracteriza
nas relações interpessoais. Tanto a personalidade como os temperamentos fazem parte da construção de
nossas crenças nucleares, vale dizer, da construção de nosso ser, de nossos valores e estilos de vida. 
Assim, falar dos processos do desenvolvimento humano é falar de estudos assistemáticos, em regra, uma vez que a
personalidade humana não obedece um padrão, ela é imprevisível. Vamos começar a falar sobre identidade e
adolescência, para podermos entender de forma objetiva e didática a desenvoltura emocional e cognitiva do ser humano.

2. Identidade e adolescência
A adolescência é marcada pelas mais diversas mudanças. São mudanças somáticas e emocionais. Fala-se
muito nesse período, na chamada puberdade. Mas afinal de contas, o que é a adolescência?
Matheus (2007) faz a seguinte contribuição para o conceito de adolescência:

Etimologicamente, adolescência vem de adolescere, que significa desenvolver-se, ou crescer, entretanto, também guarda
relação com addolescere, que significa adoecer. É devido a isso que se tem a ideia de crise para definir
a adolescência. (MATHEUS, 2007, p. 21).

Definir o conceito de puberdade e adolescência se tornou algo extremamente


desafiador para os estudiosos do comportamento, pois temos aqui um caso de conceitos que mudam de acordo com os
contextos sociais. Em tempos de pós-modernidade e mundo virtual, as relações interpessoais e intrapessoais se tornaram
mais precoces. Talvez o conceito de puberdade precise ser redefinido, uma vez que uma criança de 12 anos, em
alguns casos no Brasil, já teve sua primeira experiência sexual, provavelmente pela influência dos dois paradigmas
supracitados. Estamos falando da relatividade dos valores e verdades e do complexo, emocionante, excitante e perigoso
do mundo virtual. A identidade é um construto que tem sua formação condicionada às nossas experiências sociais e
emocionais. Isso envolve a família, a religião, a escola, enfim as mais diversas relações consigo mesmo e com o
outro. Erikson (1976) fez uma definição de adolescência bem interessante, então vejamos:

A transição da infância à vida adulta basicamente marcada por uma moratória psicossocial, ou seja, pela liberdade
para experimentar livremente papéis sexuais, sociais e ocupacionais até definir-se. Constitui-se como uma crise
normativa que ocorreria entre os 12 e 18 anos, em que a pessoa em desenvolvimento teria de resolver o dilema central
entre construir uma identidade e viver uma difusão de papéis, sendo o modelo de construção identitária marcado pela
escolha e a reprodução de referências sociais (identidade como reprodução). (ERIKSON, 1976, p. 43).
Fala-se bastante de um mito antigo na Grécia Antiga, segundo o qual, havia uma esfinge que devorava
os passantes que não decifrassem o seguinte enigma: qual o ser que pela manhã, anda com quatro pés,
ao meio dia, com dois, e ao entardecer com três; e que contrariamente à lei, é mais fraco quando tem
mais pernas?

Segundo os relatos gregos, o famoso Édipo desvenda o mistério pondo a mão no peito e dizendo: é o homem, claro!
Mas, que é o homem? Quem sou eu? Questão decisiva, desafio presente quando nascemos, nos movemos até a
maturidades... até a morte!
A construção de nossa identidade, que em regra se desenvolve mais incisivamente na adolescência, envolve
obrigatoriamente essas questões existenciais, que deu muito trabalho para os filósofos. Quem sou eu? Fazemos essa
pergunta de forma habitual. A nossa vida tem fases, tanto no aspecto emocional como no físico. Caracterizar, no século
XXI, a personalidade dos adolescentes tem sido algo profundamente desafiador para os estudiosos do comportamento.
Marcelo Afonso Ribeiro e convidados, no artigo intitulado “Ser adolescente no século XXI”, diz que:

Ser adolescente no século XXI tem se mostrado um desafio importante para todos: para o mundo adulto, no qual é
necessário lidar com padrões de referência e modelos de ação no mundo muito distinto dos seus; para o Estado, que tem
no adolescente um problema central em termos de formação, inserção no mercado de trabalho, sexualidade, saúde,
segurança, consumo e família; e para o próprio adolescente, que tem de lidar com um mundo adulto que lhe dá poucas
referências e modelos, que, muitas vezes, são confusos, ambíguos e contraditórios, e se vê compelido a praticamente
criar referências e construir formas de ser em um mundo contemporâneo caracterizado como complexo, heterogêneo e
flexibilizado. (RIBEIRO, 2014, p. 13).
São muitos os problemas emocionais e existenciais que o adolescente enfrenta em nossos dias, podemos exemplificar,
crises na família, uma vez que a maioria são criados por mães solteiras ou pelos avós, esclarecendo que esses fatores
não são determinantes para as crises, mas contribuem; experiências sexuais precoces pelo advento da pornografia na
Internet e sua acessibilidade; envolvimento com drogas, talvez uma função de aspectos econômicos, entre outras
questões. 
Hoje, os professores devem aprofundar seus estudos em Psicologia da Educação, uma vez que os processos
educacionais, como temos falado exaustivamente, envolvem aspectos subjetivos. O professor deve perceber em
profundidade as crises emocionais dos alunos em sala de aula, em especial dos adolescentes, uma vez que as emoções
instabilizadas bloqueiam o processo de ensino-aprendizagem.

3. Distúrbios no desenvolvimento humano


e aprendizado
Ouvi uma frase que dizia: “não é fácil ser, ser humano”. De fato, as complexidades do nosso ser e de outros
seres humanos é uma realidade. O Manual de Transtornos Mentais, DSM5, apresenta centenas de anomalias
emocionais, sendo as mais conhecidas, a depressão, a ansiedade, a bipolaridade, a fobia social, entre outras.

Grande parte das instabilidades emocionais e, consequentemente, de doenças mentais têm sua origem nas relações
sociais, mais precisamente na família. Quantas crianças por exemplo, não conseguem aprender, não por causa
da dislexia ou discalculia, mas por um trauma emocional sofrido na violenta relação conjugal entre seu pai e sua mãe,
por exemplo.

O ser humano cresce biologicamente, psicologicamente, socialmente e


espiritualmente. A família e a escola têm um papel preponderante para esse crescimento harmônico e saudável. Os
professores passam a ser, de uma certa forma, a ponte entre o conhecimento e uma formação social e cognitiva
saudável, mas entendo que a família deve sempre ser a protagonista da educação dos filhos.

Mesmo nos primeiros momentos do nascimento do ser humano, este pode sofrer influência da mãe:

Na infância tem sido referido que alterações com a mãe no período da gestação podem contribuir para o
aparecimento de neuroses posteriormente. Não se trata de deficiências mentais, síndrome de Down ou de problemas
resultantes de anomalias nos cromossomos, formação do ovo, mas de situações ambientais determinando excesso de
emoções e sofrimentos da mãe gestante. (CAMPOS, 2011, p. 99).
O problema das instabilidades emocionais, não se limita apenas a fenômenos ultrainterinos, mas principalmente aos
aspectos sociais, vale dizer os relacionamentos com a família, com a escola e com a sociedade. Em alguns casos,
aspectos de limitação motora e emocional limitam o processo de ensino-aprendizagem. Muitos diagnósticos de dislexia
TDAH, por exemplo, não estão condicionados a limitações motoras ou sensoriais, mas a aspectos emocionais. É nesse
ponto que o olhar psicológico do professor deve fazer valer, uma vez que ao detectar esse tipo de limitação, deve
encaminhá-lo ao psicólogo habilitado para fazer testes que identifiquem se o aluno tem ou não a dislexia, ou a sua
improdutividade em sala de aula é causada pela fome, pela tristeza, pela angústia, gerados pelo seu ambiente
familiar. Os distúrbios do ser humano são originados por diversas causas emocionais e motoras. Se essas anomalias
persistem no processo de educação de uma pessoa, essa verdadeiramente não vai conseguir acompanhar as diversas
fases da educação. Os transtornos do desenvolvimento humano causam, obviamente, os transtornos de aprendizagem. O
professor deve de forma tempestiva, perceber a limitação do aluno, para tentar resolver a situação que tem causado o
bloqueio do aprendizado.

Se o professor souber como funciona a atenção e a memória nas diversas fases da vida, com certeza vai ensinar melhor.
A aprendizagem está ligada ao processo de desenvolvimento biológico. A evolução é determinada pela genética da
espécie. Nosso cérebro demora vinte anos para amadurecer. Nossa saúde mental depende da ampliação de
experiências anteriores e de experiências práticas. A escola é o lugar de ampliação da experiência humana, o lugar onde
gente como a gente constrói conhecimentos com o uso de diversas linguagens e da imaginação. Ela precisa preocupar-
se com a formação humana. A semente da disciplina ou da indisciplina reside no clima escolar. Se esta não consegue
impor seus valores entre alunos e professores, conseguir disciplina passa a ser uma proeza. Na escola em que há mais
indisciplina o rendimento é pior, mas se ela for cativante terá poucos problemas. (EBAH, 2019, p. 1-2).

3. Distúrbios no desenvolvimento humano e


aprendizado
3.1. Distúrbios no desenvolvimento humano e aprendizado
- continuação
Interessante transcrever o que diz o DSM5 (2014, p. 110) sobre distúrbios da aprendizagem.

Dificuldades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas, conforme  indicado pela presença de ao menos um


dos sintomas a seguir que tenha persistido por pelo menos 6 meses, apesar da provisão de intervenções dirigidas a essas
dificuldades:

1. Leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço (p. ex., lê palavras isoladas em voz alta, de forma
incorreta ou lenta e hesitante, frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las);

2. Dificuldade para compreender o sentido do que é lido (p. ex., pode ler o texto com precisão, mas não compreende a
sequência, as relações, as inferências ou os sentidos mais profundos do que é lido);

3. Dificuldades para ortografar (ou escrever ortograficamente) (p. ex., pode adicionar, omitir ou substituir vogais e
consoantes);

4. Dificuldades com a expressão escrita (p. ex., comete múltiplos erros de gramática ou pontuação nas frases; emprega
organização inadequada de parágrafos; expressão escrita das ideias sem clareza);

5. Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo (p. ex., entende números, sua magnitude e
relações de forma insatisfatória; conta com os dedos para adicionar números de um dígito em vez de lembrar o
fato aritmético, como fazem os colegas; perde-se no meio de cálculos aritméticos e pode trocar as operações); e

6. Dificuldades no raciocínio (p. ex., tem grave dificuldade em aplicar conceitos, fatos ou operações matemáticas para
solucionar problemas quantitativos). 

As habilidades acadêmicas afetadas estão substancial e quantitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica
do indivíduo, causando interferência significativa no desempenho acadêmico ou profissional ou nas atividades
cotidianas, confirmada por meio de medidas de desempenho padronizadas administradas individualmente e por
avaliação clínica abrangente. Para indivíduos com 17 anos ou mais, história documentada das dificuldades de
aprendizagem com prejuízo pode ser substituída por uma avaliação padronizada.

As dificuldades de aprendizagem iniciam-se durante os anos escolares, mas podem não se manifestar completamente
até que as exigências pelas habilidades acadêmicas afetadas excedam as capacidades limitadas do indivíduo (p. ex., em
testes cronometrados, em leitura ou escrita de textos complexos longos e com prazo curto, em alta sobrecarga de
exigências acadêmicas).

As dificuldades de aprendizagem não podem ser explicadas por deficiências intelectuais, acuidade visual ou auditiva
não corrigida, outros transtornos mentais ou neurológicos, adversidade psicossocial, falta de proficiência na língua
de instrução acadêmica ou instrução educacional inadequada.

Nota: Os quatro critérios diagnósticos devem ser preenchidos com base em uma síntese clínica da história do indivíduo
(do desenvolvimento, médico, familiar e educacional), em relatórios escolares e em avaliação psicoeducacional.

Nota para codificação: Especificar todos os domínios e sub-habilidades acadêmicos prejudicados. Quando mais de um
domínio estiver prejudicado, cada um deve ser codificado individualmente conforme os especificadores a seguir.

Especificar se:
315.00 (F81.0) Com prejuízo na leitura:
Precisão na leitura de palavras
Velocidade ou fluência da leitura
Compreensão da leitura

Nota: Dislexia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado


por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de
ortografia. Se o termo dislexia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades, é importante também
especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades na compreensão da leitura
ou no raciocínio matemático.

315.2 (F81.81) Com prejuízo na expressão escrita:


Precisão na ortografia
Precisão na gramática e na pontuação
Clareza ou organização da expressão escrita
315.1 (F81.2) Com prejuízo na matemática:
Senso numérico
Memorização de fatos aritméticos
Precisão ou fluência de cálculo
Precisão no raciocínio matemático

Nota: Discalculia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas
no processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou
fluentes. Se o termo discalculia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades matemáticas, é
importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades no
raciocínio matemático ou na precisão na leitura de palavras.

Especificar a gravidade atual:


Leve: Alguma dificuldade em aprender habilidades em um ou dois domínios acadêmicos, mas com gravidade
suficientemente leve que permita ao indivíduo ser capaz de compensar ou funcionar bem quando lhe são propiciados
adaptações ou serviços de apoio adequados, especialmente durante os anos escolares.

Moderada: Dificuldades acentuadas em aprender habilidades em um ou mais domínios acadêmicos, de modo que é
improvável que o indivíduo se torne proficiente sem alguns intervalos de ensino intensivo e especializado durante os
anos escolares. Algumas adaptações ou serviços de apoio por pelo menos parte do dia na escola, no trabalho ou em casa
podem ser necessários para completar as atividades de forma precisa e eficiente.

Grave: Dificuldades graves em aprender habilidades afetando vários domínios acadêmicos, de modo que é improvável
que o indivíduo aprenda essas habilidades sem um ensino individualizado e especializado contínuo durante a maior
parte dos anos escolares. Mesmo com um conjunto de adaptações ou serviços de apoio adequados em casa, na escola ou
no trabalho, o indivíduo pode não ser capaz de completar todas as atividades de forma eficiente.

4. As oito idades do homem segundo


Erikson
O Psicanalista Erik Erikson contribuiu sobremaneira para a sistematização do desenvolvimento humano,
escrevendo sobre oito estágios do seu desenvolvimento. Antes de apresentar as chamadas oito idades do homem, vamos
conhecer um pouco de sua biografia.
Erikson nasceu em Frankfurt, Alemanha, em 1902 (vindo a falecer em 1994). No começo da carreira artística, foi
convidado a laborar em uma escola para pacientes submetidos à psicanálise, entrando então em contato com o grupo de
Anna Freud, a filha mais nova de Sigmund Freud. Em 1933, quando se casou com uma canadense, mudou-se para
os Estados Unidos, continuando seus estudos em Psicanálise, tornando-se o primeiro psicanalista infantil americano.

Para Erikson, a crise existencial está profundamente condicionada ao desenvolvimento humano. Em seu diagrama
epigenético, o autor apresenta sua teoria segundo a qual as pessoas passam por quatro estágios de infância antes da crise
de identidade da adolescência e por três estágios posteriores.

Os oito estágios são: 


O primeiro estágio – confiança/desconfiança (0 - 18 meses). A idade em que a criança adquire confiança em si
mesmo e no mundo ao redor, através da relação com a mãe. Se a mãe atende as necessidades do filho, a confiança
está construída. Se não, medo, receio e desconfiança podem ser desenvolvidos pela criança. Virtude social
desenvolvida: esperança.

O segundo estágio – autonomia/dúvida e vergonha (18 meses - 3 anos). A contradição entre o que a criança quer
fazer (impulso) e o que as normas permitem. A criança deve ser estimulada a fazer as coisas de forma autônoma, para
não se sentirem envergonhadas. Os pais devem ajudar os filhos para terem vontade de fazer as coisas corretamente.
Virtude social desenvolvida: desejo.

O terceiro estágio – iniciativa/culpa (3 anos - 6 anos). Neste estágio, a criança já tem a capacidade de distinguir, o
que pode e o que não pode fazer. Começando a tomar iniciativas, mas sem sentir culpa. A criança começa a assumir
outros papéis, tendo noção de ‘outro’ e de individualidade, começando a se preocupar com a aceitação do seu
comportamento. Virtude social desenvolvida: propósito.

O pensamento é um tanto egocêntrico, mas aumenta a compreensão do ponto de vista dos outros. A imaturidade


cognitiva resulta em algumas ideias ilógicas sobre o mundo. Desenvolve-se a identidade de gênero.(PAPALIA, 2006, p.
40).

O quarto estágio – indústria (produtividade) / inferioridade (6 anos - 12 anos). A criança começa a se sentir como
uma pessoa trabalhadora, capaz de produzir. A resolução positiva dos estágios anteriores é importantíssima, sem
confiança, autonomia e iniciativa, não conseguirá se sentir capaz. O sentimento de inferioridade pode levar a se sentir
incapaz. Este é o momento de relações interpessoais importantes. Virtude social desenvolvida: competência.
O quinto estágio – identidade/confusão de identidade (adolescência). Aqui se adquire a identidade psicossocial, o
adolescente precisa entender seu papel o mundo e reconhecer sua singularidade. Há uma redefinição nos elementos de
identidade já adquiridos. Algumas dificuldades desse período são: falta de apoio no crescimento, expectativas parentais
e sociais diferentes, dificuldades em lidar com as mudanças etc. Virtude social desenvolvida: fidelidade.

O sexto estágio – intimidade/isolamento (25 anos - 40 anos). É essencial estabelecer uma relação íntima
durável com outras pessoas, caso não consiga estabelecer essa relação se sentirá isolado. Virtude social desenvolvida:
amor.
A condição física atinge o auge, depois declina ligeiramente. O pensamento e os julgamentos morais tornam-se
mais complexos. São feitas escolhas educacionais e vocacionais, após um período exploratório. Traços e estilos de
personalidade tornam-se relativamente estáveis, mas as mudanças na personalidade podem ser influenciadas pelas fases
e acontecimentos da vida. São tomadas decisões sobre relacionamentos íntimos e estilos de vida pessoais, mas podem
não ser duradouros. (PAPALIA,2006, p. 41).

O sétimo estágio – generatividade / estagnação (35 anos - 60 anos). A necessidade de orientar a geração seguinte,
uma fase de afirmação pessoal no trabalho e na família. Podendo ser produtivo em várias áreas. Existe a preocupação
com as gerações futuras, educando e criando os filhos. O lado negativo é que pode levar a pessoa a parar em seus
compromissos sociais. Virtude social desenvolvida: cuidar do outro.
As capacidades mentais atingem o auge, a especialização e as habilidades relativas à solução de problemas
práticos são acentuadas. A produção criativa pode declinar, mas melhor em qualidade. Para alguns, o sucesso na
carreira e o sucesso financeiro atingem seu máximo, para outros, poderá ocorrer esgotamento ou mudança de carreira. A
dupla responsabilidade pelo cuidado dos filhos e dos pais idosos pode causar estresse. (PAPALIA, 2006, p. 41).

O oitavo estágio – integridade/desespero (após os 60 anos). É a hora da avaliação de tudo que se fez na
vida, em caso de uma negação em relação ao passado, se sente fracassado pela falta de poderes físicos e cognitivos. O
desespero para pessoas que acham o balanço de sua vida negativa e integridade para pessoas que sentem o balaço de sua
vida positiva. Virtude social desenvolvida: sabedoria.

Seja qual for o abismo a que as preocupações  fundamentais possam conduzir os homens, [...] o homem, como
criatura psicossocial, defrontar-se-á, no final de sua vida com uma nova edição da crise de identidade que poderíamos
formular nas seguintes palavras: ‘Eu sou o que sobrevive de mim’. Das fases da vida, portanto, disposições tais
como fé, força de vontade, determinação, competência, fidelidade, amor, desvelo, sabedoria – tudo critérios de força
vital individual – também fluem para a vida das instituições. Sem elas, as instituições definham; mas sem que o espírito
das instituições impregne os padrões de desvelo e amor, instrução e treino nenhuma força poderia emergir da sequência
de gerações. (ERIKSON, 1976, p.141).

5. Resumo
Aqui, descrevemos sobre os processos do desenvolvimento humano. Começamos conversando sobre
identidade e adolescência, aspectos que nos possibilitaram uma vasta discussão, uma vez que o conceito
de “adolescência” se tornou em nossos dias polimodal, isto é, possui vários conceitos devido aos novos
paradigmas que temos enfrentado no século XXI. Discorremos também sobre os distúrbios no
desenvolvimento humano e aprendizado, aspectos bem interessantes. Mostramos que a vida do ser
humano tem seus altos e baixos, em função de relações consigo mesmo e com o outro, inclusive
apresentamos o famoso DSM5, que qualifica as mais diversas anomalias mentais; focamos, entretanto,
nos distúrbios do aprendizado. Encerramos assim, destacando as famosas "Oito idades de Erikson", que
demonstram as diversas fases que temos em nossa jornada, com suas peculiaridades.